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Numero do processo: 13433.000241/2006-12
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jun 01 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício:2002
IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DE ALÍQUOTAS VIGENTES A ÉPOCA EM QUE OS VALORES DEVERIAM TER SIDO ADIMPLIDOS,
O RE 614.406/RS, julgado sob o rito do art. 543-B do CPC, consolidou o entendimento de que a aplicação irrestrita do regime previsto na norma do art. 12 da Lei nº 7.713/88 implica em tratamento desigual aos contribuintes. Assim, ainda que seja aplicado o regime de caixa aos rendimentos recebidos acumuladamente pelas pessoas físicas, o dimensionamento da obrigação tributária deve observar o critério quantitativo (base de cálculo e alíquota) dos anos-calendários em que os valores deveriam ter sido recebidos, sob pena de violação aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade. O art. 62-A do Regimento Interno do CARF torna obrigatória a aplicação deste entendimento.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-003.972
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente de pessoa jurídica. Vencidos os Conselheiros Flavio Araujo Rodrigues Torres (Relator), Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada, que davam provimento parcial ao recurso. Designada Redatora do voto vencedor a Conselheira Tânia Mara Paschoalin.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin
Presidente, Redatora Designada e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (29/05/2015), em substituição ao Conselheiro Relator Flavio Araujo Rodrigues Torres.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Márcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: FLAVIO ARAUJO RODRIGUES TORRES
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RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DE ALÍQUOTAS VIGENTES A ÉPOCA EM QUE OS VALORES DEVERIAM TER SIDO ADIMPLIDOS, O RE 614.406/RS, julgado sob o rito do art. 543B do CPC, consolidou o entendimento de que a aplicação irrestrita do regime previsto na norma do art. 12 da Lei nº 7.713/88 implica em tratamento desigual aos contribuintes. Assim, ainda que seja aplicado o regime de caixa aos rendimentos recebidos acumuladamente pelas pessoas físicas, o dimensionamento da obrigação tributária deve observar o critério quantitativo (base de cálculo e alíquota) dos anoscalendários em que os valores deveriam ter sido recebidos, sob pena de violação aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade. O art. 62A do Regimento Interno do CARF torna obrigatória a aplicação deste entendimento. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente de pessoa jurídica. Vencidos os Conselheiros Flavio Araujo Rodrigues Torres (Relator), Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada, que davam provimento parcial ao recurso. Designada Redatora do voto vencedor a Conselheira Tânia Mara Paschoalin. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 43 3. 00 02 41 /2 00 6- 12 Fl. 166DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 31/05/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13433.000241/200612 Acórdão n.º 2801003.972 S2TE01 Fl. 167 2 Presidente, Redatora Designada e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (29/05/2015), em substituição ao Conselheiro Relator Flavio Araujo Rodrigues Torres. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Márcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão proferida pela 03ª Turma da DRJ/REC (acórdão nº 1126.345), em processo administrativo envolvendo o contribuinte Miguel Pinto Barra. Foi lavrada a notificação de lançamento de fls. 02/09, no valor de R$ 47.610,77, referente ao Imposto de Renda Pessoa Física do exercício 2001. Na complementação dos fatos, a fiscalização informou que o contribuinte recebeu em 20/04/2001 o valor de R$ 81.735,88, referente à decisão trabalhista, tendo sido descontado o valor de R$ 4.086,79 referente a honorários advocatícios, dessa forma recebendo o valor tributável líquido de R$ 77.649,09. Tais rendimentos foram declarados indevidamente como "Isentos e Não Tributáveis", em face da decisão da Juíza Gláucia Maria Gadelha Monteiro, nos termos do Provimento CG/TST 01/96. Assim, foi encaminhado relatório para a Procuradoria da Fazenda Nacional para que fosse emitido parecer jurídico. De acordo com o Parecer PFN/RN/RWSA n° 001/2006 a decisão acerca da não incidência do Imposto de Renda não tem fundamento jurídico. Diante disto, a fiscalização entendeu ser cabível o lançamento dos rendimentos classificados indevidamente com os devidos acréscimos legais. O Contribuinte apresentou impugnação e, em preliminar, solicitou nulidade por erro no sujeito passivo. No mérito alega que não há que se falar em imposição da multa de 75%, cita doutrina e alega que os valores recebidos pelos funcionários da Caixa Econômica Federal tiveram natureza indenizatória, visto que não deram causa a acréscimo patrimonial novo, recompensando apenas valores que deveriam estar à disposição mês a mês e incorporados aos salários muito tempo atrás. Aduz, ainda, que, na sentença homologatória do acordo, restou consignado que não incide imposto de renda sobre a conciliação, nos termos do Provimento CG/TST 01/96. O acórdão da 03ª Turma da DRJ/CGE manteve o lançamento. O Acórdão teve a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 2001 RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. ACORDO. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 31/05/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13433.000241/200612 Acórdão n.º 2801003.972 S2TE01 Fl. 168 3 São tributáveis, na fonte e na declaração de ajuste anual da pessoa física beneficiária, os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença condenatória ou acordo, e quaisquer outras indenizações por atraso no pagamento de rendimentos provenientes do trabalho assalariado, das remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis. FALTA DE RETENÇÃO DO IMPOSTO PELA FONTE PAGADORA. A falta de retenção do imposto pela fonte pagadora não exonera o beneficiário dos rendimentos da obrigação de oferecêlos à tributação na declaração de ajuste, quando se tratar de rendimentos tributáveis. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. A extensão dos efeitos das decisões judiciais, no âmbito da Secretaria da Receita Federal, possui como pressuposto a existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal acerca da inconstitucionalidade da lei que esteja em litígio e, ainda assim, desde que seja editado ato específico do Secretário da Receita Federal nesse sentido. Não estando enquadradas nesta hipótese, as sentenças judiciais só produzem efeitos para as partes entre as quais são dadas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. ISENÇÃO. INTERPRETAÇÃO LITERAL. A legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção deve ser interpretada literalmente. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas pelos órgãos colegiados não se constituem em normas gerais, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual seus julgados não se aproveita em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de realização de perícia e diligência, mormente quando ele não satisfaz os requisitos previstos na legislação de regência. INCIDÊNCIA DE MULTA DE OFÍCIO. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 31/05/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13433.000241/200612 Acórdão n.º 2801003.972 S2TE01 Fl. 169 4 É cabível a incidência da multa de ofício de 75% sobre o valor do imposto apurado em procedimento de ofício, que deverá ser exigida juntamente com o imposto não pago espontaneamente pelo contribuinte. Não pode a autoridade administrativa negar se a aplicar multa de ofício prevista em lei vigente. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.INCIDÊNCIA DE TAXA SELIC. É cabível a incidência da taxa Selic sobre o valor do crédito, quando este não for integralmente pago no vencimento, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CONTRADITÓRIO. DEVIDO PROCESSO LEGAL. INEXISTÊNCIA DE LESÃO. Constatado que o sujeito passivo foi devidamente cientificado de toda a matéria objeto da autuação, tendo inclusive apresentado impugnação em que contesta, minuciosamente, os fatos e documentos constantes dos autos, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. Lançamento Procedente. O contribuinte apresentou recurso voluntário reiterando os argumentos exposto na impugnação, considerando a extensão do recurso apresentado, irei separar a decisão por pontos, onde também serão expostas as razões apresentadas pelo recorrente. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Flavio Araujo Rodrigues Torres, relator. Conheço do recurso voluntário (fls.102/118) visto que tempestivo e reunindo todas as condições de admissibilidade. Da Preliminar de Cerceamento de Defesa – Nulidade da Decisão de Primeiro Grau O recorrente alega que houve nulidade no acórdão proferido pela DRJ/REC, visto que este não apreciou a questão relativa ao “ajustamento base de cálculo”. Em sua impugnação, arguiu que, no caso em que a fonte pagadora não efetue a retenção do imposto de renda a que está obrigada, o rendimento colocado a disposição do beneficiário deveria ser considerado líquido, devendose proceder ao reajustamento da base de cálculo. Entendo que não assiste razão ao recorrente. O acórdão recorrido pronunciou se expressamente sobre a questão ao decidir que a falta de retenção do imposto pela fonte Fl. 169DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 31/05/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13433.000241/200612 Acórdão n.º 2801003.972 S2TE01 Fl. 170 5 pagadora não exonera o beneficiário dos rendimentos da obrigação de oferecêlos à tributação na declaração de ajuste, quando se tratar de rendimentos tributáveis. Considerando que, neste caso, a responsabilidade pelo pagamento do tributo continua sendo do contribuinte, que deveria proceder ao ajuste em sua declaração de rendimentos, não há que se falar em “ajuste da base de cálculo”. Assim entendo que a matéria foi devidamente apreciada e não há qualquer nulidade no acórdão recorrido. Da Extinção do Processo – Desistência tácita da ação O recorrente refere que o processo restou paralisado durante mais de quatro anos, por culpa exclusiva da parte autora, devendo ser aplicado subsidiariamente o art. 267, do Código de Processo Civil, caso de extinção do processo sem julgamento do mérito, em virtude do reconhecimento da desistência tácita da ação. Totalmente descabida e sem nexo a pretensão do contribuinte. Se o processo esteve parado durante este período, foi devido à espera de julgamento e não por inércia da Fazenda Nacional. Ressaltese que, conforme despacho de fl.161, o processo esteve sobrestado esperando decisão de acórdão paradigma sobre o tema “Rendimentos Recebidos Acumuladamente”. Desta forma, entendo que não restou configurada nenhuma das hipóteses de extinção do processo previstas no art.267 do CPC. Da Responsabilidade Tributária de Retenção do Tributo O recorrente afirma que o responsável por realizar o recolhimento do tributo no presente caso deveria ser a Caixa Econômica Federal. Afirma ainda, que esta declarou não ter efetuado a retenção do imposto em razão da decisão da magistrada que fixou a isenção de IRPF sobre os valores presentes no acordo. Tece diversas considerações sobre o tema, sendo que o cerne da questão é apenas em relação à responsabilidade sobre retenção e recolhimento do tributo. Conforme é sabido, o IRPF incidente sobre o trabalho assalariado tem como sujeito passivo a pessoa jurídica (fonte pagadora), sendo esta a responsável por reter e recolher o tributo. No entanto, a apuração definitiva do imposto sobre a renda é efetuada pela pessoa física, na sua declaração de ajuste anual (Lei n°9.250, de 1995, artigo 12, inciso V). Assim, a responsabilidade da fonte pagadora é apenas até o término do prazo fixado para a entrega da Declaração de ajuste anual. Após esse prazo, a responsabilidade será do beneficiário do rendimento. Neste mesmo sentido temos o Parecer Normativo SRF nº 1, de 24 de setembro de 2002 que assim dispõe: IRRF. ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO APURADO PELO CONTRIBUINTE. RESPONSABILIDADE. Quando a incidência na fonte tiver a natureza de antecipação do imposto a ser apurado pelo contribuinte, a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e recolhimento do imposto extinguese, no caso de pessoa física, no prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual, e, no caso de pessoa jurídica, na data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 31/05/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13433.000241/200612 Acórdão n.º 2801003.972 S2TE01 Fl. 171 6 O recorrente inclusive refere que teve conhecimento de que a decisão proferida nos autos da reclamatória trabalhista sobre a isenção dos valores recebidos não era válida, contudo jamais retificou sua declaração de renda. No momento em que este percebeu que a Caixa Econômica Federal não reteve corretamente o imposto, caberia a este efetuar tanto a retenção como a devida declaração do imposto. Este também é o entendimento da Secretaria da Receita Federal, consubstanciado no Parecer n° 50/1998, da CoordenaçãoGeral de Tributação (Cosit), cuja ementa é a seguinte: IRPF. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS INFORMADOS COMO ISENTOS A incorreta informação prestada pela fonte pagadora não exime o contribuinte da obrigação de tributar, na declaração de ajuste anual, rendimentos para os quais não houver expressa previsão legal de isenção, nãoincidência ou tributação exclusiva na fonte. O recorrente afirma que o Parecer Normativo SRF nº 1 foi editado em 2002, não podendo ser aplicado ao caso em questão, visto que o fato gerador do imposto ocorreu no ano de 2001. A retroatividade referida no recurso é referente à aplicação de normas e leis, neste caso o parecer normativo serve apenas para aclarar a interpretação da legislação. Assim, a interpretação dada pelo parecer pode ser aplicada ao caso em questão. Neste mesmo sentido temos o parecer normativo Cosit N 5, que dispõe: Parecer Normativo e Ato Declaratório Normativo: eficácia temporal. O Parecer Normativo e o Ato Declaratório Normativo, por serem atos interpretativos, possuem natureza declaratória, retroagindo, sua eficácia, ao momento em que a norma por eles interpretada começou a produzir efeitos. Sua normatividade fundase no poder vinculante do entendimento neles expresso. Desta forma, entendo que não assiste razão a alegação de que o recolhimento seria de responsabilidade exclusiva da Caixa Econômica Federal, no caso em questão. Da Natureza das Verbas Recebidas na Reclamatória Trabalhista O recorrente alega que os valores recebidos pelos funcionários da Caixa Econômica Federal tiveram natureza indenizatória, visto que não deram causa a acréscimo patrimonial novo, recompensando apenas valores que deveriam estar à disposição mês a mês e incorporados aos salários muito tempo atrás. Pela leitura dos documentos juntados ao processo, em especial o Termo de Conciliação da Reclamação nº11.3373/91 (fls.33/39), é possível visualizar que o Sindicato dos Empregados em Estabelecimento Bancários de Mossoró/RN e Região firmou acordo com a Caixa Econômica Federal. No acordo, o ora recorrente recebeu a quantia de R$ 81.735,138 , sendo que com o desconto dos honorários advocatícios (R$ 4.066,79), o valor líquido recebido foi de R$ 77.640,09. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 31/05/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13433.000241/200612 Acórdão n.º 2801003.972 S2TE01 Fl. 172 7 A reclamatória trabalhista foi ajuizada pleiteando o recebimento do índice de 26,05%, relativo à URP do mês de fevereiro de 1989 e a integração desses valores às verbas salariais vencidas e vincendas, bem como a: FGTS, férias, gratificação natalina e anuênios. No acordo realizado entre as partes, não houve discriminação das parcelas, muito embora houvessem verbas rescisórias sujeitas à tributação como as verbas salariais vencidas e vincendas e outras que não incidente o tributo como férias nãogozadas e o FGTS. Apenas foi fixado o valor único de R$ 77.640,09 ao recorrente. É sabido que a isenção tributária, como espécie de exclusão do crédito tributário, deve ser interpretada literalmente e restritivamente (CTN, art. 111, II). Nesse sentido, a doutrina: Interpretação literal significa interpretação segundo o significado gramatical, ou, melhor, etimológico, das palavras que integram o texto. Quer o Código que se atribua a prevalência ao elemento gramatical das leis pertinentes à matéria tratada no art. 111, que é matéria excepcional. Realmente, a suspensão, como a exclusão do crédito tributário, e a dispensa do cumprimento de obrigações acessórias constituem exceções. A regra é o pagamento do tributo nos prazos legalmente fixados. (...) Também a regra é que todos paguem tributos segundo a capacidade contributiva de cada um. A isenção geralmente constitui exceção a essa regra. (Hugo de Brito Machado. Curso de Direito Tributário, 30ª ed., p. 113/114). O Imposto sobre a Renda incide sobre o produto da atividade de auferir renda ou proventos de qualquer natureza, que constitua patrimônio ao contribuinte. No artigo 43 do CTN temos o conceito de renda e proventos: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. Ainda, em relação à isenção do Imposto de renda temos o disposto no artigo 6º, inc. V, da Lei n.º 7.713/88, que assim dispõe: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) V a indenização e o aviso prévio pagos por despedida ou rescisão de contrato de trabalho, até o limite garantido por lei, bem como o montante recebido pelos empregados e diretores, ou respectivos beneficiários, referente aos depósitos, juros e Fl. 172DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 31/05/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13433.000241/200612 Acórdão n.º 2801003.972 S2TE01 Fl. 173 8 correção monetária creditados em contas vinculadas, nos termos da legislação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço; A regra, portanto, é no sentido de que advinda disponibilidade econômica, incide sobre a renda o respectivo tributo, sendo certo que qualquer exceção deve decorrer de lei, devendo haver interpretação literal. No presente caso, as partes homologaram acordo na Justiça do Trabalho, em um "montante global", que incorporou as diversas verbas devidas. Na impossibilidade de separar os valores no tocante a cada verba, para aferir o caráter indenizatório ou não, impõese a incidência do Imposto de Renda sobre o todo, porquanto a isenção decorre da lei expressa, vedada a sua instituição por vontade das partes, através de negócio jurídico. Ressaltese também que o art. 123 do CTN, prevê que "salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes". A jurisprudência do CARF tem mantido o mesmo entendimento em seus julgamentos: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2009 Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Aplicação da Súmula CARF nº 12. ACORDO TRABALHISTA. NATUREZA DAS VERBAS. EFEITOS RESTRITO ÀS PARTE. O acordo entre as partes é forma de resolução de conflito caracterizada como uma autocomposição, de natureza privada, os efeitos da transação não podem prejudicar o direito da União de receber o imposto de renda. ACORDO TRABALHISTA. NATUREZA DAS VERBAS. HOMOLOGAÇÃO. LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO À COISA JULGADA. A competência da Justiça do Trabalho para homologar acordos trabalhista e apurar imposto retido na fonte, como modalidade de antecipação, não exclui a competência da União quanto a definir os efeitos tributários e apurar e cobrar o imposto devido no Ajuste Anual. ACORDO TRABALHISTA. NATUREZA DAS VERBAS. AUSÊNCIA DE DISCRIMINAÇÃO. Na impossibilidade de discriminar a natureza e os respectivos montantes de cada verba recebida no bojo de acordo trabalhista, para identificar a natureza indenizatória ou não, ou hipótese de isenção, a incidência do Imposto de Renda ocorre sobre o valor total recebido. Precedente do STJ. Recurso negado. (Acórdão nº 2802002.049 – Relator: Jorge Claúdio Duarte Cardoso) Ressaltese que o recorrente aponta valores contidos na inicial da ação trabalhistas e alega que estes devem ser considerados para a discriminação das verbas recebidas. Sem razão neste ponto, visto que os percentuais apontados são os decorrentes da lei, não guardando nenhuma relação com o acordo firmado entre as partes. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 31/05/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13433.000241/200612 Acórdão n.º 2801003.972 S2TE01 Fl. 174 9 Diante do exposto, considerando que não foram discriminadas as verbas recebidas no acordo judicial, bem como a impossibilidade de verificar quais estariam isentas de IRPF, entendo que o montante total recebido deve ser tributado. Provimento Nº 1/1996 da Corregedoria Geral do Tribunal Superior do Trabalho O recorrente aduz que na sentença homologatória do acordo restou consignado que não incidiria imposto de renda sobre a conciliação, nos termos do Provimento CGTTST 01/96, porém a DRF/Natal enviou relatório à PFN/RN, solicitando orientação sobre a possibilidade de efetuar o lançamento com ou sem multa de ofício. Tal solicitação foi requerida tendo em vista a incongruência no de tal provimento em que o item 01 afirma a incompetência da Justiça do Trabalho para deliberar acerca de imposto de renda incidente em reclamações trabalhistas em virtude de sentenças condenatórias enquanto o item 03 afirma não incidir imposto de renda sobre quantias pagas a titulo de acordo na Justiça do Trabalho. Alega, ainda, que, em resposta, foi emitido o Parecer n° 001/2005, concluindo que apenas as verbas de natureza salarial podem sofrer incidência de IRPF, ficando a base de cálculo do imposto, portanto, a depender da discriminação das verbas. O recorrente reitera que existe contradição, uma vez que está estabelecido que a Justiça do Trabalho é incompetente para deliberar acerca de valores eventualmente devidos em virtude de liquidação de sentenças condenatórias, porém o item 03 afirma a não incidência de imposto de renda sobre quantias pagas a título de acordo. Ainda, citando jurisprudência do STF, com posicionamento no sentido de que a Justiça do Trabalho tem competência para definir a incidência ou não de descontos previdenciários e de imposto de renda. Neste ponto, entendo que o Parecer PFN/RN/RSWA n° 001/2006 da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional do Rio Grande do Norte, de fls. 45 a 47, esclareceu a questão ao elucidar que: A decisão acerca da não incidência do IRPF não tem fundamento jurídico. Em primeiro lugar, a magistrada "isolou" uma das considerandas. A ordem decorrente do Provimento CG/TST 01/96 não tem o sentido que lhe emprestou a 1a. Vara do Trabalho de Mossoró. Por outro lado, a Fazenda Nacional não foi parte no processo. Em atenção aos limites subjetivos do julgado, a Fazenda não fica obrigada a cumprir qualquer comando emanado da decisão homologada entre a Caixa Econômica Federal e* os reclamantes. A decisão homologatória só produz efeitos inter partes. Entendo, portanto, que é possível efetuar o lançamento do Imposto de Renda em relação a cada um dos beneficiados pela decisão homologatória do acordo. Pela leitura do parecer, não resta dúvida em relação à incompetência da Justiça do Trabalho para deliberar acerca dos valores recebidos pelo recorrente na ação trabalhista em relação ao Imposto de Renda. A competência para deliberar sobre a questão Fl. 174DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 31/05/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13433.000241/200612 Acórdão n.º 2801003.972 S2TE01 Fl. 175 10 compete privativamente às autoridades tributárias da União, motivo pelo qual mantenho a decisão do acórdão recorrido. Da Multa de 75% aplicada pela fiscalização O recorrente requer seja afastada a multa aplicada pela fiscalização, no percentual de 75%, visto que foi induzido em erro ao realizar sua declaração anual de ajuste. Quanto à incidência da multa de ofício, esta tem previsão expressa em dispositivo de lei. Ainda que a fonte pagadora tenha deixado de proceder à devida retenção, o contribuinte fica sujeito à multa prevista no art.44,I da Lei nº9.430,de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I – de 75% (setenta e cinco por cento), sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) Entretanto, pela documentação e esclarecimentos dos fatos ocorridos no caso em tela, constatase que o contribuinte, ao elaborar sua declaração de renda, foi induzido a erro pelas informações prestadas pela fonte pagadora, bem como pelo despacho de homologação do acordo nos autos da reclamatória trabalhistas. Desta forma, entendo que incide a hipótese de erro escusável, passível de afastar a multa de ofício aplicada. Nesse mesmo sentido, temos a súmula nº 73 do CARF: Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Diante do exposto, entendo que deve ser afastada a multa de ofício aplicada no presente lançamento tendo em vista as informações equivocadas contidas na homologação do acordo judicial. Por fim, dou parcial provimento ao presente recurso, apenas para afastar a incidência da multa de 75% aplicada pela fiscalização, mantendo o lançamento quanto aos demais pontos. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Redatora ad hoc, em substituição ao Conselheiro Relator Flavio Araujo Rodrigues Torres. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 31/05/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13433.000241/200612 Acórdão n.º 2801003.972 S2TE01 Fl. 176 11 Voto Vencedor Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Redatora Designada. Ouso divergir do brilhante voto do Nobre Conselheiro Relator, pois, conforme consta da Descrição do Fatos e Enquadramento Legal do Auto de Infração (fl.06), cuida o presente caso de omissão de rendimentos tributáveis recebidos em decorrência de processo judicial trabalhista. Tais rendimentos, que se referem a acordo celebrado para quitar a reclamação trabalhista de valores devidos a título de URP do mês de fevereiro de 1989 e a integração desses valores às verbas salariais vencidas e vincendas, e a seus consequnetes: FGTS, férias, gratificação natalina e anuênios, foram tributados acumuladamente, nos meses em que foram recebidos, sob a regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988. A constitucionalidade da utilização do art. 12 da Lei nº 7.713/88 para a cobrança do IRPF incidente sobre rendimentos recebidos de forma acumulada – através da aplicação da alíquota vigente no momento do pagamento sobre o total recebido – teve sua repercussão geral admitida pelo STF no âmbito do RE nº 614.406/RS. O julgamento do referido Recurso Extraordinário (transitado em julgado em 09/12/2014) manteve a declaração de inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713/88 reconhecida pelo TRF da 4ª Região. A decisão foi assentada no fundamento de que ainda que seja aplicado o regime de caixa aos rendimentos recebidos acumuladamente pelas pessoas físicas (nascimento da obrigação tributária), é necessário, sob pena de violação aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, que o dimensionamento da obrigação tributária observe o critério quantitativo (base de cálculo e alíquota) dos anoscalendários em que os valores deveriam ter sido recebidos, e não o foram. O julgamento recebeu a seguinte ementa: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos.(RE 614406, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 23/10/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe233 DIVULG 26112014 PUBLIC 27112014) O entendimento da Suprema Corte, em sede de repercussão geral, é de observância obrigatória pelos membros deste Conselho, conforme disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF, assim descrito: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 31/05/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13433.000241/200612 Acórdão n.º 2801003.972 S2TE01 Fl. 177 12 Assim, considerando que o lançamento foi amparado na intepretação jurídica do art. 12 da Lei nº 7.713/88 que foi declarado inconstitucional pelo STF, é de se reconhecer que houve um vício material no lançamento, que utilizou bases de cálculo, alíquotas e fundamentos legais distintos daqueles que deveriam ter utilizados, de acordo com o entendimento consolidado do Supremo Tribunal Federal. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 177DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 31/05/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN
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Numero do processo: 10882.900979/2008-59
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/05/2003
NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE.
Não cabe à Administração suprir, por meio de diligências, mesmo em seus arquivos internos, má instrução probatória realizada pelo contribuinte. Sua denegação, pois, não constitui cerceamento do direito de defesa que possa determinar a nulidade da decisão nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72. A ausência de prova do direito alegado, autoriza seu indeferimento.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-002.548
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Nanci Gama votaram pelas conclusões.
Otacílio Dantas Cartaxo Presidente
Joel Miyazaki - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
Nome do relator: JOEL MIYAZAKI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Nanci Gama votaram pelas conclusões. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Joel Miyazaki - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/05/2003 NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Não cabe à Administração suprir, por meio de diligências, mesmo em seus arquivos internos, má instrução probatória realizada pelo contribuinte. Sua denegação, pois, não constitui cerceamento do direito de defesa que possa determinar a nulidade da decisão nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72. A ausência de prova do direito alegado, autoriza seu indeferimento. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Nanci Gama votaram pelas conclusões. Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente Joel Miyazaki Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 09 79 /2 00 8- 59 Fl. 162DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.900979/200859 Acórdão n.º 9303002.548 CSRFT3 Fl. 12 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, abaixo transcrito: “A empresa acima transmitiu eletronicamente diversos PerdComp comunicando compensações com direito creditório de PIS e COFINS que entende terem sido recolhidos indevidamente nos períodos de apuração compreendidos entre 2000 e 2005. As declarações eletrônicas foram examinadas inicialmente pela DRF Osasco, que considerou inexistente o direito creditório ao constatar que ele correspondia exatamente aos valores das contribuições espontaneamente confessadas pela empresa em suas DCTF. Foram, por isso, expedidos despachos decisórios simplificados não homologatórios das compensações comunicadas. Tais despachos foram objeto de manifestações de inconformidade em que a empresa procurou justificar o seu direito pela afirmação de que teria efetuado recolhimentos das contribuições sobre receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus (ZFM) que ela entende serem isentas de ambas as contribuições em todo o período. Reconheceu não ter retificado as DCTF anteriormente à entrega das Dcomp, mas informou que estava procedendo a isso. A empresa anexou diversos documentos à manifestação de inconformidade. Para a maioria dos processos, mas não a totalidade, entre eles se encontra planilha demonstrativa do valor pretendido, em que é discriminada, por nota fiscal, a receita obtida com aquelas vendas. Mesmo nos processos em que consta tal planilha, ela não veio acompanhada dos próprios documentos fiscais ou livros fiscais ou contábeis. Analisadas pela DRJ Campinas, as manifestações não foram acolhidas, ainda que tenha sido reconhecido que a empresa àquela altura já retificara as DCTF, pondoas em conformidade com as compensações pretendidas. Para não reconhecer o direito creditório, a DRJ ratificou o entendimento administrativo, objeto do Parecer PGFN nº 1789/2002, de que até o período de apuração dezembro de 2000 não há qualquer ato que conceda isenção a tais vendas ou qualquer outra forma de desoneração. No entender da administração, apenas no período compreendido entre 22 de dezembro de 2000 e 25 de julho de 2004 há isenção quando as vendas para a ZFM se enquadrem, ademais, nas disposições dos incisos IV, VI, VIII ou IX da Medida Provisória 2037 e suas reedições. A partir de 26 de julho de 2004, passou a haver desoneração, sob a forma de redução a zero das alíquotas, para toda e qualquer venda realizada para aquela região, mesmo que não enquadrada nas disposições acima. Destarte, para os recolhimentos relativos a fatos geradores ocorridos até 21 de dezembro de 2000 afirmou não haver o direito alegado. Para os recolhimentos relativos ao período compreendido entre 22 de dezembro de 2000 e 26 julho de 2004 afirmou que caberia Fl. 163DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.900979/200859 Acórdão n.º 9303002.548 CSRFT3 Fl. 13 3 à empresa provar que as vendas se enquadram nas disposições acima o que, sozinha, a planilha untada (quando presente) não consegue fazer. Para recolhimentos posteriores, a julho de 2004 afirmou não ter a empresa juntado qualquer elemento comprobatório de seu direito, como lhe competia, nem mesmo a mencionada planilha. Os recursos, todos ofertados tempestivamente, requerem preliminarmente a nulidade da decisão porque teria inovado nos fundamentos do despacho decisório, que em nenhum momento analisou o fundamento do pedido nem requereu esclarecimentos adicionais, limitandose a denegálo porque condizente com confissão de dívida anterior. Também porque a DRJ não analisou, com base nas informações de que dispõe internamente, a procedência do pedido ao menos naqueles meses em que reconhece possível o direito alegado, o que também constituiria cerceamento do seu direito de defesa. No mérito, defende haver a isenção em todo o período porque o decreto lei 288, que criou a ZFM, teria equiparado as vendas para lá a uma autêntica exportação para todos os efeitos fiscais e que tal disposição ganhou o status de lei complementar em virtude da edição, na mesma data, do Ato Complementar n 35/67, em que se estendeu aquela equiparação a todas as zonas francas e áreas de livre comércio. Assim, desde que reconhecida a isenção das contribuições para a receita de exportações (Lei Complementar 85/2002 e Lei nº 7.714/88) esta também se aplicaria às vendas à ZFM e não poderia ter sido revogada por lei ordinária como pretendeu a Medida Provisória 2037. Afirma que esse entendimento já seria assente no Poder Judiciário, inclusive objeto de decisão liminar concedida pelo Ministro Marco Aurélio na ADIn nº 3101 que questionava tal revogação, o que teria provocado a ausência do mesmo dispositivo nas reedições daquela MP. Aduz ainda que já há diversas decisões do STJ reconhecendo a não incidência na hipótese, de que cita exemplo, pugnando pela sua observância na esfera administrativa em respeito ao decreto 2.346/97.” O colegiado recorrido, decidindo o feito, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário, cujo acórdão foi assim ementado: NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Não cabe à Administração suprir, por meio de diligências, mesmo em seus arquivos internos, má instrução probatória realizada pelo contribuinte. Sua denegação, pois, não constitui cerceamento do direito de defesa que possa determinar a nulidade da decisão nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72. PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do decretolei nº288/67. O contribuinte apresentou recurso especial em que, basicamente, repete as alegações expendidas no recurso voluntário. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.900979/200859 Acórdão n.º 9303002.548 CSRFT3 Fl. 14 4 Foi dado seguimento a esse recurso especial pelo presidente da câmara recorrida Intimada, a Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões. O processo foi distribuído a este conselheiro em despacho de 21 de agosto de 2013. É o relatório. Voto Conselheiro Joel Miyazaki, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Conforme relatado, a contribuinte insurgese contra a não homologação de seu pedido de compensação alegando supostos créditos por pagamentos indevidos de PIS e COFINS que, alega a recorrente, não incidiriam sobre vendas por ela feitas a contribuintes situados na Zona Franca de Manaus e Áreas de Livre Comércio, por se equipararem a exportações, para fins fiscais. Consultando os autos, verificase que a contribuinte, em sede de manifestação de inconformidade, junta planilhas em que constam apenas meras listagens de notas fiscais, sendo certo que tais planilhas sequer são mencionadas na referida peça recursal. Quanto ao recurso voluntário e ao especial, depreendese da leitura dessas peças que o contribuinte confunde as atividades administrativas de fiscalização e (eventual) lançamento com o procedimento de restituição/compensação. Abaixo transcrevo excertos das peças recursais a título ilustrativo: 6. Como se repara, o v. acórdão inova completamente do lançamento inicial, visto que o r. despacho decisório eletrônico não mencionou qualquer documento (físico ou eletrônico) que embasasse a glosa da compensação, limitandose apenas a mencionar que o crédito não existiria, imputando penalidade à Recorrente, sem qualquer análise da materialidade do crédito compensado. Fica evidente que tal prática cerceou o direito de defesa da Recorrente. 7. É fato que para a comprovação do seu direito creditório (que sequer tinha sido investigado em primeira t instância, tendo sido rejeitado de plano, sem análise prévia de nenhum documento fiscal ou contábil),... (sublinhados nossos) Conforme vimos acima, a contribuinte menciona “lançamento” e “investigação”. Ora, a atividade administrativa de fiscalização é que busca investigar condutas. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.900979/200859 Acórdão n.º 9303002.548 CSRFT3 Fl. 15 5 Nesse procedimento, de iniciativa do Fisco, diversos passos são necessários para garantir o amplo direito de defesa à contribuinte, sendo que ao final, pode (ou não) o processo resultar em lançamento de crédito tributário. No procedimento de restituição/compensação, de iniciativa da contribuinte, o ônus da prova cabe a esta, por dever legal, conforme disposto no art. 333 do Código de Processo Civil. Ressaltese que a apresentação da PER/DCOMP extingue o crédito tributário, sob a condição resolutória de (eventual) posterior homologação pelo Fisco, que se dará mediante comprovação pela contribuinte do direito creditório alegado. Eventual porque a grande maioria das PER/DCOMP são “homologadas” eletronicamente pelos sistemas informatizados desde que as informações necessárias constem dos bancos de dados da Receita Federal, dispensando a apresentação de provas pela contribuinte. Assim, uma vez que a PER/DCOMP é de iniciativa da contribuinte, tem o poder de extinguir crédito tributário e que a grande maioria deles é “eletronicamente homologada”, é perfeitamente razoável que o procedimento de glosa de compensação seja um procedimento simplificado, devendo o contribuinte trazer a prova da liquidez e certeza de seus créditos assim que notificado da glosa desses. Nesta Terceira Seção de Julgamento, diversas turmas de julgamento, por unanimidade (ressaltese), tem reafirmado este entendimento conforme acórdãos abaixo transcritos para maior clareza: Acórdão nº 3301001.932– 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2008 a 31/05/2008 PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). Recurso Improvido. Acórdão nº 3102001.898 – 1ª Câmara/2ª Turma Ordinária Fl. 166DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.900979/200859 Acórdão n.º 9303002.548 CSRFT3 Fl. 16 6 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2002 a 31/03/2002 COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o fato constitutivo, modificativo, extintivo ou impeditivo do direito. Não tendo o contribuinte apresentado qualquer elemento probatório do seu direito, deve prevalecer a decisão administrativa que não homologou o pedido de ressarcimento. Recurso Voluntário Negado. Tal entendimento é pacífico também na 1a. Seção de Julgamento, conforme os acórdãos abaixo reproduzidos em que, por unanimidade (ressaltese), decidiuse que cabe ao demandante do crédito o ônus da prova de sua liquidez e certeza: Acórdão nº 1802001.818 – 2ª Turma Especial ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao autor, no processo de compensação tributária, a demonstração, acompanhada das provas hábeis e idôneas, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. CRÉDITO CONTRA O FISCO. ATRIBUTOS. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO NÃO COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação tributária autorizada por lei. A justificativa apresentada pela Contribuinte para o surgimento do alegado crédito é desprovida de fundamento. Na declaração retificadora, a Contribuinte passou a apurar o próprio imposto (e não o saldo a pagar) com valores muito menores do que os declarados inicialmente, e isto não pode ser justificado por retenções anteriormente não computadas. Excluída essa justificativa, a Contribuinte não trouxe nenhuma outra, e nem qualquer elemento de prova da escrituração contábil que pudesse evidenciar outro tipo de erro material nos valores inicialmente declarados e pagos, para dar guarida ao alegado direito creditório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Acórdão nº 1801001.626 – 1ª Turma Especial Fl. 167DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.900979/200859 Acórdão n.º 9303002.548 CSRFT3 Fl. 17 7 RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado na Per/Dcomp Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indeferese o pedido e não homologase a compensação pretendida entre crédito e débito tributários. COMPENSAÇÃO. RETENÇÃO DE TRIBUTO. COMPROVAÇÃO. O documento hábil para comprovar a retenção de tributo sofrida pela fonte pagadora é o informe de rendimentos por esta fornecido, podendo ser suprido pela Declaração de Informação de Retenções efetuados pelas fontes pagadoras DIRF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. IRRF. RECEITAS. Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto (Súmula CARF nº 80). SÚMULAS. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF (artigo 72 do Anexo II do Ricarf). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Contribuinte. Conselheiro Joel Miyazaki Fl. 168DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 11065.721270/2012-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 25/06/2007 a 14/12/2009
SUBFATURAMENTO. EXIGÊNCIA DAS DIFERENÇAS DE TRIBUTOS DEVIDOS NA IMPORTAÇÃO.
Constatada a ocorrência de subfaturamento nas importações, cabível o lançamento das diferenças dos tributos devidos no desembaraço aduaneiro, que deixaram de ser recolhidas em razão da declaração a menor do valor aduaneiro das mercadorias.
SUBFATURAMENTO. RECOLHIMENTO DE TRIBUTO A MENOR. COMPROVAÇÃO DA FRAUDE. MULTA PROPORCIONAL QUALIFICADA.
A utilização de artifício fraudulento objetivando reduzir indevidamente a base de cálculo dos tributos incidentes na importação configura evidente intuito de fraude, impondose a aplicação da multa proporcional qualificada, correspondente a 150% (cento e cinquenta por cento) dos valores não recolhidos, sem prejuízo de outras penalidades, quando aplicáveis.
PRINCÍPIO DA TIPICIDADE. IMPORTAÇÃO. ARTIFÍCIO DOLOSO. PAGAMENTO PARCIAL DE TRIBUTOS.
Em consonância ao princípio da tipicidade, impõe-se a aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria quando há a demonstração racional da perfeita adequação da conduta descrita no processo às normas que definem a infração veiculadas pelo art. 105, XI do Decreto-Lei nº 37/1966 e pelo art. 23, IV, §§ 1º e 3º do Decreto-Lei nº 1.455/1976.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.SÓCIOS E ADMINISTRADORES. ART.135 DO CTN.
A infração legal cometida por pessoa jurídica, com a efetiva administração e condução de seus sócios resulta na imposição da responsabilização pessoal e solidária àqueles que efetiva e comprovadamente realizaram atos atentatórios à lei ou aos estatutos sociais, nos termos do art. 135, do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3402-002.685
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em manter a exigência fiscal, nos termos do voto do relator designado, vencidos os conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Fernando Luiz da Gama D'Eça e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. Foi Designada a conselheira Maria Aparecida Martins de Paula para redigir o voto vencedor. Apresentará declaração de voto o Conselheiro Alexandre Kern. E, por unanimidade de votos, afastou-se a responsabilidade tributária da Sra. Stefanie Spindler.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula Redatora designada
Participaram do julgamento os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho, Maria Aparecida Martins de Paula, Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Alexandre Kern, João Carlos Cassuli Junior, Francisco Mauricio Rabelo De Albuquerque Silva.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Período de apuração: 25/06/2007 a 14/12/2009 SUBFATURAMENTO. EXIGÊNCIA DAS DIFERENÇAS DE TRIBUTOS DEVIDOS NA IMPORTAÇÃO. Constatada a ocorrência de subfaturamento nas importações, cabível o lançamento das diferenças dos tributos devidos no desembaraço aduaneiro, que deixaram de ser recolhidas em razão da declaração a menor do valor aduaneiro das mercadorias. SUBFATURAMENTO. RECOLHIMENTO DE TRIBUTO A MENOR. COMPROVAÇÃO DA FRAUDE. MULTA PROPORCIONAL QUALIFICADA. A utilização de artifício fraudulento objetivando reduzir indevidamente a base de cálculo dos tributos incidentes na importação configura evidente intuito de fraude, impondose a aplicação da multa proporcional qualificada, correspondente a 150% (cento e cinquenta por cento) dos valores não recolhidos, sem prejuízo de outras penalidades, quando aplicáveis. PRINCÍPIO DA TIPICIDADE. IMPORTAÇÃO. ARTIFÍCIO DOLOSO. PAGAMENTO PARCIAL DE TRIBUTOS. Em consonância ao princípio da tipicidade, impõe-se a aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria quando há a demonstração racional da perfeita adequação da conduta descrita no processo às normas que definem a infração veiculadas pelo art. 105, XI do Decreto-Lei nº 37/1966 e pelo art. 23, IV, §§ 1º e 3º do Decreto-Lei nº 1.455/1976. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.SÓCIOS E ADMINISTRADORES. ART.135 DO CTN. A infração legal cometida por pessoa jurídica, com a efetiva administração e condução de seus sócios resulta na imposição da responsabilização pessoal e solidária àqueles que efetiva e comprovadamente realizaram atos atentatórios à lei ou aos estatutos sociais, nos termos do art. 135, do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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EXIGÊNCIA DAS DIFERENÇAS DE TRIBUTOS DEVIDOS NA IMPORTAÇÃO. Constatada a ocorrência de subfaturamento nas importações, cabível o lançamento das diferenças dos tributos devidos no desembaraço aduaneiro, que deixaram de ser recolhidas em razão da declaração a menor do valor aduaneiro das mercadorias. SUBFATURAMENTO. RECOLHIMENTO DE TRIBUTO A MENOR. COMPROVAÇÃO DA FRAUDE. MULTA PROPORCIONAL QUALIFICADA. A utilização de artifício fraudulento objetivando reduzir indevidamente a base de cálculo dos tributos incidentes na importação configura evidente intuito de fraude, impondose a aplicação da multa proporcional qualificada, correspondente a 150% (cento e cinquenta por cento) dos valores não recolhidos, sem prejuízo de outras penalidades, quando aplicáveis. PRINCÍPIO DA TIPICIDADE. IMPORTAÇÃO. ARTIFÍCIO DOLOSO. PAGAMENTO PARCIAL DE TRIBUTOS. Em consonância ao princípio da tipicidade, impõese a aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria quando há a demonstração racional da perfeita adequação da conduta descrita no processo às normas que definem a infração veiculadas pelo art. 105, XI do DecretoLei nº 37/1966 e pelo art. 23, IV, §§ 1º e 3º do DecretoLei nº 1.455/1976. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.SÓCIOS E ADMINISTRADORES. ART.135 DO CTN. A infração legal cometida por pessoa jurídica, com a efetiva administração e condução de seus sócios resulta na imposição da responsabilização pessoal e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 12 70 /2 01 2- 61 Fl. 1689DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 3/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digital mente em 06/04/2015 por ALEXANDRE KERN 2 solidária àqueles que efetiva e comprovadamente realizaram atos atentatórios à lei ou aos estatutos sociais, nos termos do art. 135, do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em manter a exigência fiscal, nos termos do voto do relator designado, vencidos os conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Fernando Luiz da Gama D'Eça e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. Foi Designada a conselheira Maria Aparecida Martins de Paula para redigir o voto vencedor. Apresentará declaração de voto o Conselheiro Alexandre Kern. E, por unanimidade de votos, afastouse a responsabilidade tributária da Sra. Stefanie Spindler. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula – Redatora designada Participaram do julgamento os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho, Maria Aparecida Martins de Paula, Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça, Alexandre Kern, João Carlos Cassuli Junior, Francisco Mauricio Rabelo De Albuquerque Silva. Relatório Versam os autos de lançamento lavrado contra o contribuinte no valor de R$ 11.736.819,67 (onze milhões setecentos e trinta e seis mil oitocentos e dezenove reais e sessenta e sete centavos), em virtude da fiscalização ter constatado que o mesmo promoveu o desembaraço de mercadorias cujos tributos aduaneiros foram pagos em parte mediante artifício doloso, sendo que chegou a seguinte conclusão: Com base no exame dos documentos mencionados, concluiu a fiscalização, que em todos os casos o dano ao erário parte de uma falsidade ideológica consubstanciada em uma invoice fraudulenta quanto ao preço ali consignado e, na esmagadora maioria das vezes, também quanto às condições de pagamento; algumas vezes há falsidade ideológica quanto ao exportador constante na invoice são os casos em que o exportador Fl. 1690DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 3/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digital mente em 06/04/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11065.721270/201261 Acórdão n.º 3402002.685 S3C4T2 Fl. 1.690 3 declarado é a South América Trading Ltd., empresa chinesa da família Spindler; a falsidade ideológica ainda é praticada quando do registro da DI no Siscomex, quando esses dados falsos são ali repetidos, sempre com base em documentos fornecidos pela impugnante aos despachantes aduaneiros. Segundo o auto de infração, identificouse três fontes distintas da falsidade ideológica consubstanciada nas invoices a) Diretamente no exportador, no caso desse aceitar participar da fraude notase nesses casos um vínculo estreito com o fornecedor. Nesses casos foi evidenciado combinação de preços via email ou MSN; b) Na própria empresa Bell Valley (impugnante), em Novo Hamburgo, como pode ser observado no anexo que acompanha o auto de infração, intitulado "Invoices emitidas na BV". c) Na empresa chinesa South América Ltd., onde através de triangulação, as mercadorias eram refaturadas, a preços menores, como está provado na análise individual de alguns casos relatados no auto de infração; Sobre a existência da empresa South América Limited, a fiscalização concluiu que a mesma é controlada pela impugnante e seus sócios, no caso o Sr. Élio Airton Spindler e sua filha a Sra. Stefanie Spindler, sendo a mesma destinada à realização de pagamentos antecipados aos exportadores pela impugnante, e/ou refaturar, a preços menores, essas aquisições no mercado chinês, sendo parte fundamental da fraude praticada. Nos casos de refaturamento, a South América Ltd. aparece como exportadora, evidenciando uma outra forma de fraude, além do subfaturamento que é a informação do falso exportador. Por fim, arrola como responsáveis solidários o Sr. Elio Airton Spindler, Sra. Eunice Helena Pinto e Sra. Stephanie Spindler, todos sócios da Bell Valey. IMPUGNAÇÕES Cientificada do auto de infração, os sujeitos passivos apresentaram tempestivamente suas impugnações (Bell Valley e responsáveis solidários), argumentando, em síntese: IMPUGNAÇÃO DA BELL VALEY Preliminar de Nulidade – Prova Ilícita: A impugnação se inicia com a alegação de nulidade absoluta do auto de infração, fundamentada na tese de prova ilícita, pois que, as provas teriam sido conseguidas com intimidação e indução ao erro, quando da entrada de forma ilegal dos agentes da RFB e da Policia Federal e apreensão dos documentos sem o mandado judicial. Salienta que na ocasião teria acionado a Polícia Militar, que ao chegar em seu estabelecimento nada pode fazer em virtude da presença da Polícia Federal. Fl. 1691DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 3/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digital mente em 06/04/2015 por ALEXANDRE KERN 4 Preliminar – Decadência: Segue afirmando que para o crédito relativo à declaração de importação nº 07/07232044, registrada em 04/06/2007, houve a decadência, uma vez que nos termos do artigo 753 do Regulamento Aduaneiro, a revisão aduaneira deverá estar concluída no prazo de 05 cinco anos da data do registro da declaração de importação. Desta forma uma vez que o valor lançado não englobaria a D.I. 07/07232044, pois a ciência do auto de infração se deu em 17/06/2012, foi lançado o auto de infração com valor errado, sendo errada a sua cobrança, portanto devendo ser anulado o auto de infração. Quanto ao mérito, afirma que nunca promoveu subfaturamento e que os valores declarados nas DIs correspondem aos que comercializa as mercadorias com os exportadores. Destaca que possui condições e preços diferenciados pela solidez e tamanho da empresa. Quanto ao valor aduaneiro alega que: “ para adoção de novo valor aduaneiro, deveria a fiscalização obrigatoriamente, descaracterizar o valor aduaneiro mediante prova de fraude no valor declarado ou o descumprimento das condições dos artigos 1º a 8º do GATT, e determinar o valor de acordo com o Regulamento Aduaneiro. Desta forma para que seja descaracterizado o valor de transação terá a fiscalização de valerse do artigo 82 do Decreto 6759/2009. a fiscalização simplesmente desconsiderou o valor aduaneiro declarado, procedendo a conjecturas, todavia não comprovou o eventual subfaturamento, prova esta que lhe incumbia privativamente. de forma errada, na sua exclusiva valoração entendeu a fiscalização que a autuada não declarou ao fisco por volta de 30% (trinta por cento) dos preços das mercadorias, e com base na premissa arbitrou de forma única todas as importações da autuada, que conforme a própria fiscalização haviam percentuais de subfaturamento de 11 e 22%;” Suscita, com base no principio da isonomia a ocorrência de bis in idem, questionando o lançamento de tributos e respectivas multas juntamente com a multa no valor aduaneiro da mercadoria. Alude jurisprudência do TRF4 que firma o entendimento que o simples subfaturamento não enseja por si só a exacerbada pena de perdimento (quando da não máfé). Alega ainda que não existe razoabilidade para aplicação da pena de perdimento. Argumenta ainda que o auto de infração versa sobre a revisão aduaneira, sobre a qual só deveria incidir as penalidades indicadas no regulamento aduaneiro (Decreto 6759/2009), especificamente o artigo 689. Com base no regulamento, a única penalidade a ser aplicada seria a pena de perdimento, que no caso é a mais severa das penas, sendo este o entendimento do art. 703A – parágrafo primeiro do regulamento aduaneiro. IMPUGNAÇÃO DOS RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS: As impugnações dos Responsáveis Solidários, Sr. Hélio Airton Spindler, Sra. Eunice Helena P. Spindler e Sra. Stefanie Spindler, tem em comum os seguintes argumentos, como bem narra a DRJ: Fl. 1692DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 3/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digital mente em 06/04/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11065.721270/201261 Acórdão n.º 3402002.685 S3C4T2 Fl. 1.691 5 “ o auto de infração deve ser nulo, por não ter existido um processo legal; a autoridade fazendária não expediu nenhuma notificação para eles, informando sobre o procedimento fiscal que estava em curso, embora fosse inequívoca as suas condições de interessados; foi desrespeitado o seu direito a ampla defesa e ao contraditório, assegurado pela Constituição Federal, conforme disposto no artigo 5º, inciso LV da CF/88; não foi observado o direito previsto nos incisos II e II do artigo 3º da Lei 9784/1999, uma vez que são legítimos interessados no processo, nos termos do artigo 9º da referida lei. Como argumentos diferentes dos mencionados, temos: Impugnação da Sra. Eunice Helena Pinto Spindler: que nos dizeres da própria fiscalização, ela não praticou nenhum ato ilícito, por conseqüência não se enquadra na hipótese do Inciso I, do artigo 124, do CTN; que os fatos de a impugnante ser sócia cotista, sem poderes de administração, ou mesmo ser esposa do sócio administrador da Bell Valey, não são suficientes para determinar a incidência da responsabilidade solidária sobre ela. Impugnação da Sra. Stefanie Spindler que a impugnante ocupava uma simples função de estagiária, sem qualquer cargo ou poder de gerente ou diretora da Bell Valey, e desta forma não pode a ela ser estendida a responsabilidade solidária prevista no artigo 135 – Inciso III do Código Tributário Nacional.” DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Em análise e atenção aos pontos suscitados nas impugnações, a 11ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP (DRJ/SP1) houve por bem em considerar improcedentes as impugnações do contribuinte e dos solidários Élio Airton e Stephanie Spindler, e procedente a impugnação, excluindo a responsabilidade de Eunice Helena Pinto Spindler, conforme Acórdão nº 1649.037, ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 25/06/2007 a 14/12/2009 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO EM MERCADORIA SUJEITA A PENA DE PERDIMENTO Fl. 1693DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 3/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digital mente em 06/04/2015 por ALEXANDRE KERN 6 A incidência de Imposto de Importação sobre a mercadoria que tenha sido objeto de perdimento, nos casos em que a mesma não é localizada, tenha sido consumida ou revendida, encontrase prevista no artigo 1º, §4º, inciso III do Decretolei nº 37/66; BIS IN IDEN PENA DE PERDIMENTO/ MULTA Não constitui bis in iden a aplicação da multa de 100% sobre o valor da mercadoria prevista no § 3º do artigo 23 da Lei 1455/1976 e a multa de 100% da diferença do imposto de importação, nos casos de subfaturamento, onde ocorre também a apresentação de documentos falsos, tendose em vista que a multa de 100% referese ao subfaturamento, e a pena de perdimento, que convertese em multa por força do referido artigo 23 decorre do dano ao erário, previsto no Decreto Lei 37/66 Artigo 105 – inciso XI. A previsão da referida multa cumulativamente com a pena de perdimento, também é cabível tendose em vista o disposto no Art. 44, parágrafo 1º da Lei 9430/1996. PROVAS ILÍCITAS Por força do disposto nos artigos 95 e 94 da Lei 4502/11994, 18 e 19 do Decreto 6759/2009, 34 da Lei 9430/1996 e 195 da Lei 5172/1996, não são ilícitas as provas obtidas em estabelecimento comercial ou industrial, obtidas em procedimento regular de fiscalização aduaneira. VALORAÇÃO ADUANEIRA EM CASO DE FRAUDE No caso de constatação de fraude em despacho aduaneiro a qualquer tempo, a determinação do valor aduaneiro para fins de cálculo impostos e multas, é feita com base no que determina a MP 215835/2001 artigo 88 e IN SRF 327/2003 artigo 38 e não no disposto no Acordo de Valoração Aduaneira. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Os procedimentos da autoridade fiscalizadora têm natureza inquisitória, não se sujeitando necessariamente ao contraditório os atos lavrados nesta fase. Somente depois de lavrado o auto de infração e instalado o litígio administrativo é que se pode falar em obediência aos ditames do princípio do contraditório e da ampla defesa. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Nos termos do Artigo 135 do CTN, para a responsabilização solidária de sócios de empresa inadimplente, ou que infringiu a lei tributária, tem que haver a comprovação de que os sócios são responsáveis pela inadimplência e que a dívida tributária decorreu de fraude. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 1694DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 3/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digital mente em 06/04/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11065.721270/201261 Acórdão n.º 3402002.685 S3C4T2 Fl. 1.692 7 O voto da DRJ/SP1 ressalta que são pontos incontroversos e divide seu voto por impugnações. ANÁLISE DA IMPUGNAÇÃO DA BELL VALLEY DISTRIBUIDORA LTDA Rebate o argumento de que a fiscalização se deu de maneira ilegal, fundamentandoa na Lei 4.502/64 e no Decreto 69.759/09 e segue afirmando que a entrada no estabelecimento da impugnante, e os procedimentos inerentes à fiscalização que se seguiram tiveram amparo legal na legislação supramencionada. Reitera que a legislação mencionada não vincula a fiscalização ou acesso ao estabelecimento mediante mandado judicial. Desta forma, conclui que a prova obtida em procedimento de fiscalização não é ilegal por decorrer de obrigação expressa em lei. Refuta a alegação que o sócio diretor da empresa e seus funcionários teriam entregado documentos sob coação, uma vez que entenderam que seriam utilizados para um Mandado de Segurança, pois que não existe prova de tal fato. E que não houve solicitação dos referidos documentos à Justiça, nem comunicação de tal abuso na ocasião dos fatos. Ainda, pontua que a impugnante já sabia que estava sobre procedimento de fiscalização e há tempos vinha se esquivando de prestar informações solicitadas pela Receita Federal. Sobre a intimidação, em que se constituiria o Termo de Realização de Diligência, que transcreve no seu texto as penalidades aplicáveis em caso de impedimento da diligência realizada no estabelecimento da impugnante, entende a autoridade julgadora que tratase de alegação sem qualquer valia para o caso, uma vez que o texto mencionado referese a legislação que ampara o procedimento fiscal de diligência, sendo utilizado comumente nos Termos que acompanham as diligências fiscais, cuja finalidade é informar aos fiscalizados as sanções legais aplicáveis aos fiscalizados, que de alguma forma, dificultam ou embaraçam a fiscalização. Sobre a preliminar de decadência, afirma que não há que se falar em decadência dos créditos tributários referentes à D.I. 07/07232044, uma vez que os mesmos não foram lançados no auto de infração. Entende quanto à alegação de que não houve subfaturamento, que, diante de todas as provas apresentadas verificase a legalidade do auto de infração, pois o argumento de que a contribuinte, por ser bom cliente, gozaria de privilégios de descontos acima da média não pode prosperar no contexto dos fatos relatados no lançamento. No tocante ao valor aduaneiro, destaca que o Fisco agiu com absoluto rigor técnico, na medida em que demonstrou os critérios utilizados para obter o valor de cada um dos itens importados, identificando a DI/Adição objeto de valoração e a data de seu registro etc., além do valor declarado e subfaturado, que foram exaustivamente detalhados no citado relatório fiscal elaborado no intuito de não só fundamentar a presente autuação como demonstrar o modus operandi das operações em análise. No tocante a alegação de que com base nos princípios da isonomia e no bis in iden não poderiam ser lançados os tributos e multas, juntamente com a multa que transforma em pecúnia a pena de perdimento e que o subfaturamento por si só não enseja a pena de perdimento, conforme entendimento do TRF da 4ª Região pontua que “assim como não se confunde o procedimento destinado à importação de mercadorias, com os procedimentos Fl. 1695DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 3/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digital mente em 06/04/2015 por ALEXANDRE KERN 8 destinados ao seu consumo ou à comercialização, ocorrido em momento posterior à importação, não se vislumbra que tenha ocorrido o alegado ‘bis in idem’ da exigência simultânea das multas, uma vez que não se trata da prática de uma única infração, mas de duas infrações, cujas naturezas jurídicas divergem entre si.” Sobre a alegação de que não é razoável a aplicação da pena de perdimento, e que o TRF da 4ª região firmou entendimento que o simples subfaturamento não enseja por si só a exacerbada pena de perdimento, salienta que não cabe a DRJ discutir a razoabilidade da sanção aplicada se a mesma possui previsão legal. Diante de todo o exposto, vota pela manutenção integral do crédito tributário lançado. ANÁLISE DA IMPUGNAÇÃO DO SR. ÉLIO AIRTON SPINDLER Afirma que a autuação está fundamentada nos dispositivos legais que a regem e a descrição dos fatos já conduz às situações jurídicas que desencadearam o lançamento. Juntamente com a ciência dos autos, também teve ciência da Descrição dos Fatos, parte integrante do auto de infração, onde constam detalhadamente a motivação e o histórico do procedimento fiscal, o esquema operacional levantado pelo Fisco a respeito das importações, as formas de fraude em relação às faturas, os documentos verificados que constituíram as provas da fraude. Assim, proporcionouse à autuada o exercício do seu amplo direito de defesa mediante contraditório regularmente instaurado. Sobre a alegação que consta na impugnação do Sr. Élio Airton Spindler, de que a autoridade fazendária não expediu nenhuma notificação para ele, informando sobre o procedimento fiscal que estava em curso, embora fosse inequívoca a sua condição de interessado e que não se seguiu o disposto no o artigo 9º da Lei 9784/1999, entende que como sócio da empresa, o Sr. Élio sabia que a empresa estava sendo fiscalizada e não colaborou com a fiscalização ou respondeu as intimações que lhe foram feitas. Desta forma, entende incabível a alegação de cerceamento de defesa pela ciência dos fatos. Afirma ainda que não houve desrespeito aos direitos do contribuinte expressos no art. 9º da referida lei, uma vez que o contribuinte foi chamado a prestar informações durante o procedimento especial de fiscalização e se negou a participar. Manteve, assim, a responsabilidade solidária do impugnante Élio. ANÁLISE DA IMPUGNAÇÃO DA SRA. STEFANIE SPINDLER A linha de defesa utilizada é a mesma da apresentada pelo Sr. Élio Airton Spindler, embasada na tese de cerceamento de defesa e no fato de não receber nenhuma intimação durante o procedimento de fiscalização, com uma diferença de argumento de que ela era apenas uma estagiária sem qualquer cargo ou poder de gerente ou diretora da empresa fiscalizada. Acerca desse último argumento, esclarece que a sócia Stefanie participava diretamente da direção da empresa e a mantém como responsável solidária, pois que ela era responsável pela movimentação da conta da empresa chinesa South America Limited, do HSBC em Hong Kong, mostrando que a mesma estava a par de tudo na empresa. O poder da gerência que ela negou possuir é contestado pela decisão da prorrogação do contrato de locação do imóvel sede da South América. Fl. 1696DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 3/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digital mente em 06/04/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11065.721270/201261 Acórdão n.º 3402002.685 S3C4T2 Fl. 1.693 9 ANÁLISE DA IMPUGNAÇÃO DA SRA. EUNICE HELENA PITO SPINDLER Em sua defesa, além dos argumentos comuns às impugnações do Sr. Elio e da Sra. Stefanie, de que houve cerceamento de defesa, e não recebeu nenhuma intimação durante o procedimento de fiscalização, argumenta que não participava da gerência da empresa e que sua ligação à empresa está restrita a de figura de sócia da empresa no contrato social. Acerca desta última alegação e tendo em vista que no auto de infração não se apontou nenhuma atividade de gerência ou atividade ligada às fraudes cometidas, e com base no art. 135 do CTN, vota pela exclusão da responsabilidade solidária da Sra. Eunice Helena Pinto Spindler, referente ao crédito lançado no auto de infração. Por fim, vota pela manutenção do crédito tributário, pela manutenção da responsabilidade solidária do Sr. Élio Airton Spindler e Stefanie Spindler e exclui s Sra. Eunice Helena Pinto Spindler da responsabilidade solidária. DO RECURSO VOLUNTÁRIO DA BELL VALLEY DISTRIBUIDORA LTDA. Cientificado do Acórdão da DRJ em 28/08/2013, o contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário em 18/09/2013, sustentando que: · O procedimento de fiscalização, datado de 15/09/2009 na sede do contribuinte se deu com mais de 8 agentes da Receita Federal, intimidando a contribuinte, resultando na apreensão e retenção documentos e arquivos magnéticos. · O voto da manutenção do crédito tributário ocorreu em sessão secreta e sem intimação dos advogados constituídos ou do sujeito passivo, cerceando seu direito a ampla defesa e ao contraditório. Segue enfatizando a importância da sustentação oral e suscita a nulidade do processo pela inobservância da intimação, bem como pela ofensa aos princípios mencionados. · Houve pedido expresso na impugnação, para que houvesse intimação dos advogados, visando potencializar a nulidade praticada e pede que seja conhecida a preliminar de nulidade arguida, determinandose novo julgamento com intimação dos advogados da data de julgamento, possibilitando ainda a sustentação oral e entrega de prévios memoriais. · No caso concreto a ilicitude da prova deriva da apreensão de documentos e arquivos magnéticos da empresa, que não se encontrava aberta ao público, sem o necessário amparo de ordem judicial, caracterizando ofensa ao art. 5º, XI da CF. Fl. 1697DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 3/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digital mente em 06/04/2015 por ALEXANDRE KERN 10 · A alegação de que a Bell Valley se negou a fornecer dados (esquivou se) não pode prosperar, posto que o que fez foi não produzir provas a seu desfavor, alegando ser um direito seu. · Acerca da intimidação e indução a erro causada a empresa e seus funcionários quando do cumprimento do mandado de procedimento fiscal, destaca que os auditores apresentaram um documento intitulado termo de realização de diligência, onde constava que “...o não atendimento a intimação autorizaria a requisição de auxilio de força publica e representação para fins penais por embaraço a fiscalização.” · Se o que motivou o mandado de procedimento fiscal foi a escusa na apresentação de documentos, não teria razão para deixar que os fiscais tivessem acesso as pastas de cada importação realizada. · Seja acolhida a preliminar de nulidade das provas obtidas a partir do mandado de procedimento fiscal, em razão da ausência de mandado judicial que autorizassem a apreensão da documentação e mídias, resultando na desconstituição do Auto de Infração. · Os artigos 752 e 753 do Regulamento Aduaneiro estabelecem o prazo de cinco anos para a conclusão da revisão aduaneira, no caso dos autos, do registro das DIs correspondentes, devendo ser reconhecida a decadência em relação a DI registrada em 04.06.2007. · Nunca existiu nenhum tipo de subfaturamento, alegando que dispõe de preços e condições especiais pelo grande volume comercializado, por carregar histórico de certeza, segurança e credibilidade, e por longo trabalho junto aos fornecedores chineses, com frequentes visitas aos mesmos. · Apesar dos colaboradores levarem suas negociações aos limites, e estes serem indícios apurados pela fiscalização, os negócios eram efetivados pelo sócio administrador da empresa, o qual obtia ainda melhores preços quando da realização de ligações, conversas por Skype ou MSN. Explica ainda a dinâmica empresarial da empresa. · O preço negociado é o inserido nos documentos fiscais, inexistindo falsidade em declarações, tampouco fraude. · Os documentos de procedência estrangeira possuem validade no país, por terem sido homologados pelo consulado no país de origem e traduzidos por tradutores juramentados. · Não atua de forma dolosa, ousada nem com objetivo de causar dano ao erário. · Não possui conta no exterior nem qualquer participação societária na South America, sendo esta uma parceira comercial. · Não há que se falar em nova valoração aduaneira, pois que o documento utilizado para comprovação do valor da transação é a fatura comercial, sendo este valor desconsiderado pela fiscalização. · Para a adoção do novo valor aduaneiro deve a fiscalização descaracterizar o valor de transação mediante prova de fraude no valor declarado ou descumprimento das condições dos artigos 1º ao 8º do GATT, o que não ocorreu no caso. · Fixar o valor de subfaturamento de maneira única e taxativa (30%) afronta o ordenamento tributário. Fl. 1698DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 3/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digital mente em 06/04/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11065.721270/201261 Acórdão n.º 3402002.685 S3C4T2 Fl. 1.694 11 · No presente caso não houve subfaturamento, mas que se existisse a valoração deveria obedecer aos critérios legais e não a um valor empírico. · Requer a reforma do acórdão para excluir a hipótese de subfaturamento acolhida e caso mantido o subfaturamento, a valoração aplicada deve ser desconstituída, por ter sido realizada fora das técnicas de regência. · Pretende a autoridade fiscal a aplicação de três penalidades (Multa de perdimento, convertida no valor aduaneiro; diferença dos tributos apurados em virtude do novo valor aduaneiro; multa qualificada de 150% sobre os tributos não recolhidos em virtude da nova valoração aduaneira). · Se mantido o auto de infração, a única pena que eventualmente pode ser aplicada é a pena de perdimento, pois, “existindo o perdimento não há que se falar em desembaraço aduaneiro e por consequência não existindo a incidência do fato gerador dos demais tributos que deveriam incidir na operação.” · Porque a mercadoria já se encontrava desembaraçada, deve ocorrer a conversão da pena de perdimento em multa, a qual deve ser o equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, e aplicada a maior das penas previstas na legislação, não há que se falar em outras penalidades, sob pena de afronta ao ordenamento jurídico, em especial ao bis in idem. · Não houve qualquer falsificação material e que se houve alguma fraude esta foi apenas no que diz com o preço, não se tratando de alteração de documentos, afastando a aplicação da pena de perdimento. · O acórdão merece ser reformado para afastar a aplicação da pena de perdimento, aplicandose a multa sobre o valor da diferença entre o valor aduaneiro declarado e aquele encontrado pelo fisco. Por fim, protesta ainda pela eventual juntada posterior de qualquer meio de prova, mediante eventuais diligencias a serem requeridas a fim de confirmar as alegações acima. DO RECURSO VOLUNTÁRIO DO SR. ELIO AIRTON SPINDLER. Cientificado do Acórdão da DRJ em 25/09/2013, o contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário em 23/10/20013, utilizandose dos argumentos utilizados no recurso voluntário da Bell Valley Distribuidora Ltda., os quais não serão repetidos por brevidade. DO RECURSO VOLUNTÁRIO DA SRA. STEFANIE SPINDLER Cientificado do Acórdão da DRJ em 25/09/2013, o contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário em 23/10/2013, utilizandose dos argumentos utilizados no recurso voluntário da Bell Valley Distribuidora Ltda., acrescentando ainda que: Fl. 1699DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 3/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digital mente em 06/04/2015 por ALEXANDRE KERN 12 i. A recorrente foi imposta a pena de sujeição passiva. ii. Que não houve qualquer expedição a Recorrente para dar ciência do procedimento administrativo fiscal que estava em curso, embora fosse inequívoca sua condição de interessada, ofendendo aos princípios do direito de defesa, devido processo legal e contraditório, bem como o principio da legalidade, tornando nulo o crédito, ensejando a reforma do acórdão. iii. Goza da possibilidade assegurada em lei de apresentar documento e alegações antes da formalização do auto de infração, consoante art. 3º da Lei 9.784/99. iv. Diante de tais alegações, requer a declaração de nulidade do auto de infração face à insanável falha no procedimento administrativo, nem como da não notificação da recorrente. v. A responsabilidade tributária estendida à recorrente é indevida, pois que desempenhava funções de estagiária na empresa, onde seus pais são os únicos sócios. vi. Não detinha poder de mando, tampouco exerceu cargos de gerência ou decisão, não ocorrendo qualquer das condições exigidas pelo art. 135 e seus incisos do CTN para comprovar a solidariedade passiva. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a este relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 1 (um) Volume, numerado até a folha 1688 (mil seiscentos e oitenta e oito), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do CARF. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro João Carlos Cassuli Jr., Relator. Em sendo atendidos os pressupostos de admissibilidade e tempestividade, o que confirmo, deve ser conhecido o recurso. I – Recurso do Contribuinte Havendo questões preliminares, de mérito e pedidos sucessivos, passo a abordagem das matérias separadamente, nos seguintes termos. a) Quanto as preliminares: A Recorrente sustenta a nulidade da autuação com base na alegação de obtenção de provas através de meios ilícitos, já que fruto de uma operação capitaneada pela Receita Federal com a participação da Polícia Federal, na qual teriam coagido o contribuinte a franquear o acesso a documentos sem que fosse previamente obtida ordem/mandato judicial. Neste particular, tendo que no caso, os autos de infração em discussão, foram lavrados por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil (RFB), servidor competente para Fl. 1700DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 3/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digital mente em 06/04/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11065.721270/201261 Acórdão n.º 3402002.685 S3C4T2 Fl. 1.695 13 exercer fiscalizações externas de pessoas jurídicas e, se constatadas faltas na apuração do cumprimento de obrigações tributárias por parte da fiscalizada, tem competência legal para as suas lavraturas, com o objetivo de constituir os respectivos créditos tributários por meio de lançamento de ofício, inclusive de seus sócios e representantes legais quando se constate infração legal. Como muito bem pontuado pela DRJ na decisão recorrida, os artigos 95 e 94 da Lei n° 4.502/64, artigos n°s. 18 e 19 do Decreto n° 6.759/2009, artigo 34 da Lei nº 9.430/1996 e artigo 195, do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172/1996), permitem ao Poder Público o acesso ao estabelecimento comercial ou industrial do contribuinte, a fim de obter provas, desde que respaldado em procedimento regular de fiscalização, como foi o caso em tela. Ademais, esse referido procedimento poderia ter sido objeto de prova e ataque da Recorrente perante o Poder Judiciário, porém, não há provas de tal coação e nem notícia de decisão judicial que dê guarida ao procedimento fiscal relativamente ao caso em tela. Quanto a pretensa nulidade decorrente do fato de que o julgamento da DRJ não foi franqueado ao advogado do contribuinte, representando cerceamento do direito de defesa, igualmente tenho que não se deve acolher a nulidade apontada, pois que embora a Constituição Federal garanta o contraditório e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes, é inegável que o Decreto n° 70.235/1972, não prevê a oportunidade para que haja participação ou acompanhamento do julgamento na fase da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, de modo que foi atendido ao que prescreve o citado Decretolei, sendo que, para se acolher a alegação do contribuinte, necessariamente terseia que adentrar na seara da inconstitucionalidade da Lei, o que sabidamente é defeso em sede de julgamentos no CARF, com base na Súmula n° 02, desta Casa. Assim sendo, voto por rejeitar as preliminares de nulidade. b) Quanto as razões de Mérito: A Recorrente sustenta que não praticou as condutas imputadas pela Administração, no tocante à pratica de subfaturamento a partir da falsificação de faturas comerciais e invoices, manipulando junto aos exportadores sediados no exterior, o preço que seriam posteriormente informados nas invoices vinculadas às Declarações de Importações por ele registradas. Afirma que como possui volumes de comercialização e histórico de compras, consegue obter descontos em suas negociações. Porém, a prova obtida pela Fiscalização dá conta de que efetivamente existiram fortes indícios que houve, decididamente, a prática do subfaturamento das importações analisadas na revisão aduaneira. A Ação Fiscal deixou claro através de fatos e provas que demonstram que houve um esquema que propiciava a importação de mercadorias subfaturadas, com preço declarado menor que o preço real que teria sido aquele da efetiva negociação. Nesse sentido, reproduzo a parte do voto da DRJ, esclarecedor neste aspecto, senão vejamos: Observese que estas provas referemse somente a documentos obtidos no estabelecimento da impugnante, não havendo de se falar desta forma de presunção. Para muitas das declarações de Fl. 1701DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 3/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digital mente em 06/04/2015 por ALEXANDRE KERN 14 importação existem mais de uma prova, conforme constatase no auto de infração. Em relação ao valor de negociação das mercadorias temos os seguintes casos: Declarações de importação onde foram apresentadas faturas falsas, para as quais foram encontradas as faturas verdadeiras impressas no estabelecimento da impugnante. Estas provas existem para as declarações de importação 07/14688716, DI 08/00602425: DI 08/08744377: DI 08/05564513: DI 09/10080059; declarações de importação onde os valores reais das mercadorias encontramse faturas proforma, enviadas a impugnante através de email. Entre estes casos existem os relativos às faturas de importação 07/16519156, 07/17345909, 07/18030154, DI 07/15734819 e 07/14226704; DI 07/17875932 e 08/00116709: DI 08/02431512: DI 08/03206601: DI 08/04186418: DI 08/06676056: DI 09/00122395: DI 09/03594840; declarações de importação onde as faturas e faturas pró forma estão arquivadas em meio magnético em computador de funcionários da empresa. Entre estes casos temse a DI 07/18095299, DI 08/0287503: DI 09/04916400: DI 09/04955740: DI 09/04958765: DI 09/05173699: DI 09/0987363: DI 09/041174776: DI 09/10224743: DI 09/10224751: DI 09/10379739: DI 09/10753363: DI 09/11649772: DI 09/11702460: DI 09/11708302: DI 09/11799766: DI 09/11873826: DI 09/11907100: DI 09/12635180: DI 09/12800300: DI 09/16930682: DI 09/17716749: DI 09/17723796: DI 09/09757156: DI 09/05174091: DI 09/05816506: DI 09/06028676: DI 09/06083081: DI 09/06091939: DI 09/06293809: DI 09/06648240: DI 09/06675884: DI 09/06733370: DI 09/07103671: DI 09/07104813: DI 09/07335220: DI 09/07394099: DI 09/07394102: DI 09/07394129: DI 09/07503270: DI 09/07536608: DI 09/07665408: DI 09/07786876: DI 09/08761796: DI 09/08771694: DI 09/09092324: DI 09/09092340: DI 09/09156080: DI 09/09173979: DI 09/09710443; declarações de importação onde os valores reais das mercadorias encontramse em emails armazenados nos computadores de funcionários, DI 08/01894357: DI 08/1933522: DI 08/02325461: DI 08/02436476: DI 08/03219800: DI 08/16346202: DI 09/00865339: DI 09/10379704: DI 09/10829980: DI 09/10844067: DI 09/11454645: DI 09/08703834 e DI 09/08771708: DI 09/05420416: Como se observa, grande parte dos valores aduaneiros utilizados nos cálculos dos créditos deste auto de infração, foram obtidos das faturas verdadeiras, que em alguns casos encontravamse junto aos documentos de importação e em muitos casos em arquivos magnéticos em computadores da empresa utilizados por funcionários. Fl. 1702DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 3/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digital mente em 06/04/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11065.721270/201261 Acórdão n.º 3402002.685 S3C4T2 Fl. 1.696 15 Em outros casos, foram encontrados emails em computadores dos funcionários, onde havia a indicação dos verdadeiros valores das mercadorias e aqueles que seriam informados à Receita Federal, provas incontestes de subfaturamento. É interessante observar que em alguns destes e mails, foram encontradas mensagens enviadas por funcionários da impugnante alertando que os preços da fatura deveriam ser reduzidos, como é o caso, dos e mails enviados que tratavam das mercadorias das declarações de importação 08/02436476 e 08/0886856. Houveram ainda, casos que o valor da importação foi obtido em cópia de comprovante de remessa bancária que se encontrava arquivado em computador de funcionário da empresa (DI 09/05612080) e casos em que o valor da mercadoria encontrava se em planilhas de custos de importação, também arquivadas em computadores da empresa. Da análise das provas apresentadas, verificamos que todas são claras e demonstram exatamente o que está descrito no auto de infração. A partir destas constatações bem colhidas pela DRJ, verificase que estão demonstradas as infrações imputadas a Recorrente, relativamente ao subfaturamento quanto ao valor aduaneiro das mercadorias importadas, decorrente da prática do importador em manipular o preço das mercadorias, os quais foram minorados intencionalmente em todas as importações objeto do presente auto de infração. E a conduta do importador, revelada pelas provas obtidas nos autos, ensejam a conclusão de ter havido fraude, sonegação ou conluio (entre importador e exportador), o que enseja a exigência dos tributos aduaneiros subfaturados, com a exigência de multa agravada, que teve como fundamento Lei nº 4.502/1964, artigos 72 e 73; Lei nº 9.430/1996 artigo 44, caput, inciso I e parágrafo 1º, com redação dada pela Lei 11.488/2007, em face da tipificação da conduta de fraude nas importações. Além disso, a partir das provas angariadas pela fiscalização, que se relacionou a cada uma das DI´s objetos da Revisão Aduaneira, e, que, consequentemente, demonstra ter havido a caracterização do subfaturamento mediante fraude, torna lícito procedimento de arbitramento do valor aduaneiro das importação, nos moldes que são permitidos pelo art. 88, da Medida Provisória n° 2.15835/2001, in verbis: “Art. 88. No caso de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação, a base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria, em conformidade com um dos seguintes critérios, observada a ordem seqüencial: I preço de exportação para o País, de mercadoria idêntica ou similar; II preço no mercado internacional, apurado: a) em cotação de bolsa de mercadoria ou em publicação especializada; b) de acordo com o método previsto no Artigo 7 do Acordo para Implementação do Artigo VII do GATT/1994, aprovado pelo Fl. 1703DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 3/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digital mente em 06/04/2015 por ALEXANDRE KERN 16 Decreto Legislativo no 30, de 15 de dezembro de 1994, e promulgado pelo Decreto no 1.355, de 30 de dezembro de 1994, observados os dados disponíveis e o princípio da razoabilidade; ou c) mediante laudo expedido por entidade ou técnico especializado. E aqui, a partir do permissivo legal para a realização do arbitramento do valor aduaneiro das mercadorias importadas, sob suspeita ou mesmo diante de prova de subfaturamento, devese proceder nos rigorosos lindes do art. 88, da MP n° 2.15835/2001, cabendo enfrentar essa questão. Com efeito, a Fiscalização afirma que a partir dos documentos encontrados no estabelecimento, nos computadores, emails e SMS do contribuinte e seus funcionários, pôde concluir que efetivamente havia a prática do subfaturamento, como já se viu. E isso, como também já se viu, permitiria o arbitramento do valor aduaneiro das mercadorias subfaturadas, desde que fossem atendidos aos rigores do procedimento descrito legalmente nos incisos I e II, alíneas “a”, “b” e “c”, do citado art. 88. Porém, a Fiscalização não procedeu ao arbitramento do valor aduaneiro das mercadorias importadas, conforme expressamente constante do Termo de Verificação Fiscal: “Quanto ao valor aduaneiro utilizado no presente lançamento, apesar de se tratar de um caso de fraude, não foi aplicado o disposto no artigo 88 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, dado que foi possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação. Os valores aduaneiros que serviram de base para o lançamento constam da tabela em anexo, no título “Valor Aduaneiro por Adição”, e foram obtidos, despacho a despacho, por cálculos baseados nos documentos constantes nos anexos intitulados pelos números de cada DI.” Com efeito, apesar de afirmar a existência de fraude no procedimento do contribuinte, a Administração não arbitrou o valor aduaneiro, partindo da conclusão de que as provas que colheu junto ao estabelecimento, computadores e arquivos do sujeito passivo, já seriam provas suficientes e cabais de que teria sido o preço efetivamente praticado nas importações, tomando como sendo aqueles que restaram respaldados em documentação obtida na fiscalização. Para realizar a fixação do Valor Aduaneiro, a fiscalização adotou o procedimento descrito Termo de Verificação Fiscal, cujos trechos parecem ser interessantes colacionar: “Tudo o que será demonstrado nesse trabalho pode ser resumido em afirmar que não foi declarado ao fisco por volta de 30% do preço das mercadorias importadas, valor este pago antecipadamente ao exportador, sem fechamento de câmbio em instituições oficiais, iludindo o pagamento dos tributos aduaneiros na mesma proporção. (...) Não foram usados documentos obtidos junto a bancos, a exportadores, a clientes ou junto a representantes da Bell Valley. Para cada DI em que houve lançamento foi provado, através Fl. 1704DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 3/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digital mente em 06/04/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11065.721270/201261 Acórdão n.º 3402002.685 S3C4T2 Fl. 1.697 17 somente de documentos arquivados na sede da empresa, o valor aduaneiro efetivamente praticado (Veja título “Provas documentais do Dano ao Erário Praticado”). Também não há que se falar em uso extensivo de presunções lógicas, indícios, cogitações ou lucubrações. Eventualmente usouse de provas indiretas, mas para reforçar uma prova direta.” (fls. 200 – ne.) (...) “a) Comprovantes de remessas de valores feitas diretamente ao exportador: Tratamse de transferências bancárias feitas de uma conta do HSBC de Hong Kong (endereço do site consta no documento a seguir) para exportadores da Bell Valley, onde há indicativo (no campo “TT Reference”) do número da invoice, do pedido de compra ou outra referência relacionada ao negócio fechado. Essas transferências, via de regra, correspondem a 30% do preços efetivamente negociados. Esses documentos foram encontrados impressos, arquivados na Pasta da DI ou em arquivos magnéticos nos computadores dos funcionários da Bell Valley, a maioria na máquina do Sr. Juliano.” (fls. 201 – ne.) Com efeito, apesar de poder ter lançado mão do arbitramento, a Fiscalização assim não agiu, já que logrou comprovar documentalmente quais seriam os valores de transação efetivamente praticados, frente aqueles declarados nas faturas e DI´s analisadas. Não há que se falar, portanto, em arbitramento do valor aduaneiro por fraude, e sim, que houvera a prova do subfaturamento, servindose a Fiscalização dos valores obtidos em tais provas para fixar cada um dos reais valores das operações. Analisando ainda o Termo de Verificação Fiscal, verificase que houveram provas colhidas que demonstravam diferenças de valores declarados e praticados, que iam de 11% a 50%, do valor de transação. Não se comprova que a Administração tenha arbitrado tudo em 30%, como quis fazer crer a Recorrente em suas razões, pelo que não cabe aqui perquirir a correição ou o atendimento dos requisitos do art. 88, da Medida Provisória n° 2.15835/2001, antes citada. Desta forma, entendo que foi correto e razoável o critério para ser encontrado o valor efetivamente subfaturado pela Recorrente, pois que atendeu ao primeiro dos métodos de valoração aduaneira, qual seja: o do valor (real) de transação. Consequentemente, os valores de tributos exigidos, assim como dos juros e da multa agravada, no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento), baseiamse numa base de cálculo lícita, não havendo vício na identificação da matéria tributável quanto aos tributos e à multa proporcional. Cabe perquirir, subsequentemente, quanto ao penalidade que foi aplicada ao contribuinte, por multa substitutiva da pena de perdimento, no valor de 100% (cem por cento), do valor aduaneiro obtido pelo método antes descrito, cuja capitulação legal foi efetivada no art. 23, §3º, do DecretoLei n° 37/66, e no art. 689, XI, do Regulamento Aduaneiro/2002, assim redigido: Fl. 1705DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 3/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digital mente em 06/04/2015 por ALEXANDRE KERN 18 “Art. 689. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (Decreto Lei n° 37, de 1966, art. 105; e DecretoLei n° 1.455, de 1976, art. 23, caput e § 1º, este com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59): (...) XI estrangeira, já desembaraçada e cujos tributos aduaneiros tenham sido pagos apenas em parte, mediante artifício doloso;” No entanto, aqui entendo que tenha havido equívoco por parte da Autoridade autuante, pois que a partir do advento do art. 88, da Medida Provisória n° 2.15835/2001, passou a haver penalidade específica para o caso de subfaturamento. Vejamos o texto do parágrafo único do preceito em questão: “Art. 88. (...) Parágrafo único. Aplicase a multa administrativa de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado, sem prejuízo da exigência dos impostos, da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e dos acréscimos legais cabíveis.” Com efeito, havendo penalidade específica para o caso de subfaturamento, deve ser aplicada a sanção correspondente a 100% da diferença entre o preço declarado e aquele efetivamente praticado, e que no caso concreto dos autos, foi atingido pela fiscalização na análise individual de cada uma das DI´s. Até se poderia cogitar a aplicabilidade do §1ºA, do art. 703, do Regulamento Aduaneiro (Decreto n° 6.759/2009), na redação que lhe fora dada pelo Decreto n° 8.010/2010, pelo qual sendo hipótese de aplicação tanto da pena de cem por cento da diferença como da pena de perdimento, aplicarseia esta última. Porém, considerando que todas as DI´s objetos de fiscalização compreendem o período apenas até final do exercício de 2009, não se pode aplicar, ou cogitar de se o afastar (para aqueles que assim o entendem seja possível no âmbito do CARF), o referido preceito contido no Decreto, por se estar permitindo a retroatividade “maligna” ao contribuinte, o que é vedado em termos de penas. Neste sentido é o entendimento contido no Processo n° 10280.721601/201175, Acórdão n° 34010002.488, de Relatoria da Conselheira Ângela Sartori, julgado em 29 de janeiro de 2014, assim ementado: SUBFATURAMENTO. EXIGÊNCIA DAS DIFERENÇAS DE TRI BUTOS DEVIDOS NA IMPORTAÇÃO. Constatada a ocorrência de subfaturamento nas importações, impõese o lançamento das diferenças de tributos que deixaram de ser recolhidas em razão da declaração a menor do valor aduaneiro das mercadorias. SUBFATURAMENTO. RECOLHIMENTO DE TRIBUTO A MENOR. MULTA PROPORCIONAL QUALIFICADA. A utilização de artifício doloso objetivando reduzir indevidamente a base de cálculo dos tributos incidentes na importação configura evidente intuito de fraude, impondose Fl. 1706DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 3/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digital mente em 06/04/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11065.721270/201261 Acórdão n.º 3402002.685 S3C4T2 Fl. 1.698 19 a aplicação da multa proporcional qualificada, correspondente a cento e cinquenta por cento dos valores não recolhidos. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA LEGAL. INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. A instância administrativa não possui competência para afastar a aplicação da norma sob fundamento de sua inconstitucionalidade, uma vez que tal apreciação é exclusiv a do Poder Judiciário, nos termos dos artigos 97 e 102 da Constituição Federal. PENA DE PERDIMENTO DO BEM. INAPLICABILIDADE.PRI NCÍPIO DA ESPECIALIDADE. APLICAÇÃO DA MULTA DE 100% PREVISTA NO ART. 108, PARÁGRAFO ÚNICO, DA REFERIDA NORMA. PREVALÊNCIA DO DISPOSTO NA NORMA LEGAL SOBRE O TEOR DA NORMA INFRALEGAL. Assim sendo, tenho que o Recurso Voluntário merece parcial provimento, unicamente para cancelar a multa de 100% do valor da mercadoria por dano ao erário, diante da existência de multa específica para a situação, a qual, porém, não foi cominada no caso em concreto. II – Recurso dos Sócios Em seus Recursos, os sócios Élio Airton Spindler e Stefanie Spindler, alegam preliminarmente que, se não há responsabilidade, não há solidariedade, portanto, há ilegitimidade passiva dos sócios. Porém, uma vez que constatada a fraude praticada pela Recorrente, irrefutável se torna a responsabilização pessoal das pessoas físicas recorrentes, posto que a conduta da pessoa jurídica da qual são sócios, agiu com infração a lei e, logo, assumem a condição de responsáveis, na forma do art. 135 do CTN, vejamos: Art. 135 São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Entretanto, entendo que a sócia Stefanie Spindler, apesar da existência de indícios de sua ciência dos fatos articulados pela fiscalização, que demonstram que ela acabou movimentando contas bancárias da Recorrente, entendo que não seja o caso de imputála responsabilidade tributária, já que a mesma não se caracteriza como mandatária ou sócia, Fl. 1707DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 3/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digital mente em 06/04/2015 por ALEXANDRE KERN 20 gerente ou administradora da empresa, e é plenamente crível que tenha efetivado referidos atos sob ordem de seu pai, que na realidade figura como arquiteto dos fatos aqui controvertidos. Tenho que ante aos meros e superficiais indícios carreados pela fiscalização contra a Recorrente Stefanie Spindler, não restando contundente a prova de que ela tenha praticado os atos elencados no art. 135 do CTN, sendo assim impossível responsabilizála, uma vez que não restou comprovado que estava investida na função de direção da sociedade (STJ, REsp. nº 108827/RS). III. Dispositivo: Ante ao exporto, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso de Voluntário do contribuinte, apenas para cancelar a multa relativa a pena de perdimento aplicada, assim como para negar provimento ao Recurso Voluntário do Responsável Solidário Élio Airton Spindler, e, finalmente, para dar provimento parcial ao Recurso Voluntário da Responsável Solidária Stefanie Spindler, unicamente para dela excluir a responsabilização solidária imputada nos lançamentos sob análise. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Jr. Relator Fl. 1708DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 3/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digital mente em 06/04/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11065.721270/201261 Acórdão n.º 3402002.685 S3C4T2 Fl. 1.699 21 Voto Vencedor Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Redatora designada. Na sessão de julgamento do presente processo ousei divergir do posicionamento do Ilustre Relator somente no que concerne ao mérito da multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, tendo prevalecido o entendimento divergente na Turma por voto de qualidade. A minha divergência de posicionamento em relação ao Voto Vencido funda se nas seguintes premissas: i) Embora na aplicação das normas de direito administrativo ou tributário pertinentes às infrações possa se utilizar, por analogia, de algumas regras ordenadoras do Direito Penal, entendo que, em respeito ao princípio da legalidade da Administração Pública, não cabe a utilização do instituto do "conflito aparente de normas" para afastar uma infração legitimamente configurada no âmbito administrativo, qual seja, aquela prevista no DecretoLei nº 37/1966, art. 105, caput e inciso XI c/c DecretoLei nº 1.455/1976, art. 23, inciso IV, §§1º e 3º, este com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002. ii) Ainda que, por argumentar, fosse o caso de se aplicar o "conflito aparente de normas" no âmbito administrativo, no presente caso concreto, não se pode dizer que a infração prevista no art. 88, parágrafo único da Medida Provisória n° 2.15835/2001 seria mais específica que aquela objeto da autuação. O reconhecimento de um "conflito aparente de normas" no Direito Penal se dá pelos seguintes elementos: unidade de fato, pluralidade de normas, aparente aplicação de todas as normas e efetiva aplicação de somente uma delas. O conflito de normas é apenas “aparente”, vez que deve existir regras gerais no próprio ordenamento jurídico para determinação de qual deve ser a única norma tipificadora aplicável àquela conduta. Conforme esclarece Julio Fabbrini Mirabete1, a doutrina tem se utilizado para solucionar o conflito aparente de normas penais dos seguintes princípios: especialidade, subsidiariedade, consunção (ou absorção) e alternatividade. O princípio da especialidade, segundo esse autor, consiste na derrogação da lei geral pela especial, sendo que a norma é especial quando acrescenta à norma geral um ou mais requisitos. Como, por exemplo, o infanticídio (art. 123 do Código Penal) é especial em relação ao homicídio (art. 121 CP), uma vez que, para que se configure aquele, é necessário que ocorra todos os elementos do homicídio além de ser a autora a própria mãe da vítima (recémnascido), sob a influência do estado puerperal. A adequação ao tipo especial afasta a possibilidade de aplicação do tipo geral. Conforme mencionado, entendo que não cabe o afastamento da infração caracterizada por "mercadoria estrangeira, já desembaraçada e cujos tributos aduaneiros tenham sido pagos apenas em parte, mediante artifício doloso", punível com multa equivalente 1 Manual de Direito Penal – Parte Geral, 19ª ed., São Paulo: Atlas, 2003, p. 120/121. Fl. 1709DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 3/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digital mente em 06/04/2015 por ALEXANDRE KERN 22 ao valor aduaneiro da mercadoria pela impossibilidade de apreensão da mercadoria, por razões atinentes ao "conflito aparente de normas", eis que o seu cometimento está comprovadamente configurado nos autos. Em face do princípio da legalidade, impõese a aplicação da penalidade decorrente do cometimento de infração, constatado com a observância do devido processo legal no âmbito administrativo. O "conflito aparente de normas" tratase de instituto doutrinário do direito penal, não havendo expressa autorização legal para sua utilização para afastar infração legitimamente configurada na esfera administrativa. Ademais, ainda que, num esforço exegético, pudesse se considerar a utilização do referido instituto do Direito Penal, considerando os fatos concretos relatados no presente processo, não se pode dizer que a infração prevista no art. 88, parágrafo único da Medida Provisória n° 2.15835/2001 seria mais específica. Art. 88. No caso de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação, a base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria, em conformidade com um dos seguintes critérios, observada a ordem seqüencial: (...) Parágrafo único. Aplicase a multa administrativa de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado, sem prejuízo da exigência dos impostos, da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, e dos acréscimos legais cabíveis. Pelo contrário, considerando que a norma é especial quando acrescenta à norma geral um ou mais requisitos, poderíamos dizer que o tipo infracional "mercadoria estrangeira estrangeira, já desembaraçada e cujos tributos aduaneiros tenham sido pagos apenas em parte, mediante artifício doloso" é mais específico, para o presente caso concreto, do que aquele previsto no art. 88 da Medida Provisória n° 2.15835/2001, que diz somente sobre declaração a menor de preço com a utilização de fraude, conluio ou sonegação. Observe que, in casu, a infração foi constatada em revisão aduaneira, logo se trata de mercadoria estrangeira "já desembaraçada", bem como se verificou que os tributos aduaneiros foram "pagos apenas em parte", mediante artifício doloso, exatamente como previsto no art. 105, XI do DecretoLei nº 37/1966 c/c o art. 23, IV, §§ 1º e 3º do DecretoLei nº 1.455/1976, abaixo transcritos, conforme demonstrado por minucioso trabalho fiscal: Art.105 Aplicase a pena de perda da mercadoria: (...) XI estrangeira, já desembaraçada e cujos tributos aduaneiros tenham sido pagos apenas em parte, mediante artifício doloso; (...) Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) IV enquadradas nas hipóteses previstas nas alíneas " a " e " b " do parágrafo único do artigo 104 e nos incisos I a XIX do artigo 105, do Decretolei número 37, de 18 de novembro de 1966. Fl. 1710DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 3/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digital mente em 06/04/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11065.721270/201261 Acórdão n.º 3402002.685 S3C4T2 Fl. 1.700 23 § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) (...) § 3o A pena prevista no § 1o convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) (Vide) § 3o A pena prevista no § 1o convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) Conforme se verifica no auto de infração, tratase da montagem de todo um ardil, um estratagema para enganar a fiscalização aduaneira, que envolve falsidade ideológica e material de documentos, tanto no que concerne ao valor aduaneiro como relativamente à identificação do exportador: (...) Modus Operandi do Dano ao Erário Praticado pela Bell Valley: No próximo título se deterá em provar individualmente, despacho a despacho, o dano ao erário praticado, passo necessário para determinarse o valor do lançamento. Aqui se analisará o modus operandi da Bell Valley, provando, lato sensu, a fraude praticada. A prática do autuado consiste, basicamente, em declarar ao fisco 70% do valor da mercadoria, fechando o câmbio nesse quantum quando do registro da DI e consignando neste documento “Condição Cambial: 100% à vista”. O restante 30% é pago antecipadamente, quando do fechamento do pedido. Ou seja, para o fisco é declarado 70% do preço negociado, consignando pagamento à vista no sistema próprio (Siscomex), enquanto que, na realidade, do valor negociado, 30% é pago antecipadamente, diretamente ao fornecedor, quando da colocação do pedido, e o saldo de 70% via contrato de câmbio, à vista, quando da entrega do conhecimento de carga ao banco, ou mesmo do registro da DI. Esse pagamento direto de 30% é feito, via de regra, através de depósitos em conta indicada pelo exportador, através do Banco HSBC em Hong Kong, movimentado via internet diretamente do escritório da Bell Valley em Novo Hamburgo. (...) Em todos os casos o dano ao erário parte de uma falsidade ideológica consubstanciada em uma invoice fraudulenta quanto ao preço ali consignado e, na esmagadora maioria das vezes, também quanto às condições de pagamento; algumas vezes há falsidade ideológica quanto ao exportador constante na invoice são os casos em que o exportador declarado é a South América Trading Ltd., empresa chinesa Fl. 1711DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 3/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digital mente em 06/04/2015 por ALEXANDRE KERN 24 da família Spindler; a falsidade ideológica ainda é praticada quando do registro da DI no Siscomex, quando esses dados falsos são ali repetidos, sempre com base em documentos fornecidos pela Bell Valley aos despachantes aduaneiros. Identificouse três fontes distintas da falsidade ideológica consubstanciada nas invoices: a) Diretamente no exportador, no caso desse aceitar participar da fraude – notase nesses casos um vínculo estreito com o fornecedor. Tal como no exemplo a seguir, que se trata de MSN encontrado arquivado no computador do Sr. Juliano, verificarseá, no próximo título, diversos casos em que esses acertos são feitos com o exportador, via MSN ou email: (...) b) Na própria empresa Bell Valley, em Novo Hamburgo, como pode ser observado no anexo intitulado “Invoices emitidas na BV”. Desse anexo comentamos: • Na segunda folha desse anexo (documento encontrado arquivado no computador do Sr. Joel, em pasta intitulada “março 2009”) verificase tratativas, via MSN, em 05.03.2009, entre o Sr. Joel da Bell Valley e funcionário da empresa de assessoria em comércio exterior Commander. Nesse documento o Sr. Joel afirma “quanto as faturas e packing que assinei posso enviar direto a RG para estar amanha la”; • Já na quarta folha do citado anexo, (documento encontrado na pasta da DI 09/08703834), em impressão de email em que há várias solicitações de funcionário da empresa de assessoria no Comércio Exterior Transcontinental para o Sr. Joel providenciar em “cópia da fatura assinada” há um “teste” de assinatura de um nome chinês; • No mesmo sentido, da sexta folha em diante do citado anexo (documentos encontrados arquivados na pasta da DI 09/02423775) encontramse diversas folhas em branco, com cabeçalho e carimbo identificando o fornecedor Dongguan Yajule Daily Necessity Co. Ltd. Assim, há indicações consistentes o suficiente para afirmar que a única explicação para que o importador possua documentos em branco com cabeçalho e carimbo do exportador, treine assinar um nome chinês e que o Sr. Joel afirme que assinou faturas e packing de exportadores é que invoices de exportadores chineses são confeccionadas no escritório da Bell Valley. Nesse caso há falsidade material por parte da Bell Valley. c) Na empresa chinesa South América Trading Ltd, através de triangulação, as mercadorias são refaturadas, a preços menores, como está provado na análise individual de alguns casos relatados no próximo título. (...) Habitualidade e Dolo na Prática de Dano ao Erário: A presente autuação referese a 99 (noventa e nove) declarações de importação, totalizando 129 (cento e vinte e nove) adições no período de 06/2007 a 12/2009, onde há provas contundentes do dano ao erário praticado. O valor aduaneiro não informado ao fisco nesse período foi de R$ 2.664.320,41 (dois milhões, seiscentos e sessenta e quatro mil, trezentos e vinte reais e quarenta e um centavos), correspondente a um valor de tributos federais deixados de ser recolhidos de R$ 1.127.735,86 (hum milhão cento e vinte e sete mil, setecentos e trinta e cinco reais e oitenta e seis centavos), assim discriminado: (...) Como ficou demonstrado através das provas analisadas no título anterior (“Provas Documentais dos Danos ao Erário Praticados”) e constantes dos anexos ao processo administrativo fiscal (PAF) 11065.721270/201261, intitulados pelo número das DIs, a fraude de preço praticada foi em torno de 30%. Fl. 1712DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 3/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digital mente em 06/04/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11065.721270/201261 Acórdão n.º 3402002.685 S3C4T2 Fl. 1.701 25 Ou seja, sobre cada um dólar pago ao exportador somente sobre setenta centavos de dólar foram pagos os tributos aduaneiros devidos e realizado o fechamento de câmbio oficial. Do mesmo modo, no item “c” do título “Modus Operandi do Dano ao Erário Praticado pela Bell Valley”, e nos anexos ao PAF lá citados, provase os vínculos da Bell Valley com a empresa chinesa South America Trading Ltd., relação essencial para que a fraude fosse concretizada. Conforme se viu no titulo anterior, despacho a despacho, os dados coletados demonstram, de forma cabal, que na totalidade das declarações de importação analisadas houve fraude mediante artifício doloso, com declaração no Siscomex e apresentação de faturas com preços eivados de falsidade ideológica, quando não de falsidade material, com a intenção de introduzir mercadorias no território nacional com valores menores do que os efetivamente negociados, ou seja, descaminhadas. Em alguns casos houve conluio com o exportador chinês na falsificação de tais faturas, outras vezes elas foram falsificadas na South America Trading Ltd., empresa chinesa cujo Gerente Geral, Sr. Marcus Roberto Jaeger Soares, restou comprovado ser subordinado do Sr. Élio Spindler e sua filha Stefanie Spindler. Há ainda casos em que a commercial invoice foi falsificada aqui mesmo em Novo Hamburgo, pelo funcionário Sr. Joel Mendes, Gerente de Importação da Bell Valley. Constam dos autos dezenas de comprovantes de remessas de valores aos exportadores, efetuadas por ordem da Bell Valley Distribuidora Ltda., antecipadamente à entrega das mercadorias e que não foram realizadas através de fechamento de câmbio em instituições financeiras oficiais, e sim através de conta bancária mantida para tal no Banco HSBC de Hong Kong, em nome da South America Trading Ltd. Concluise do relatado que um dos motivos da existência da empresa South América é realização de pagamentos antecipados aos exportadores da Bell Valley e/ou refaturar, a preços menores, essas aquisições no mercado chinês, sendo parte fundamental da fraude praticada. A movimentação dessa conta bancária era feita, inicialmente pela Sra. Stefanie Spindler, filha do Sr. Élio Spindler posteriormente, nos últimos 15 dias a que se refere esta autuação, pela Sra. Gislaine Oliveira da Silva. As declarações de valores a menor no Siscomex, quando do registro das declarações de importações, foram feitas por representantes legais da empresa (despachantes aduaneiros) por conta e ordem do responsável legal da Bell Valley perante o Siscomex, Sr. Élio Spindler– é ele que, como responsável legal, possui senha fornecida pela Receita Federal para autorizar os despachantes aduaneiros a registrar declarações de importação em nome da Bell Valley. A declaração de importação é feita com base em documentos disponibilizados aos despachantes pelo responsável legal da empresa, ou pessoa de sua confiança, sendo o principal deles a commercial invoice. Assim, quanto ao Sr. Élio Spindler, essas declarações foram efetuadas de forma dolosa, uma vez que o mesmo é o responsável legal pelos dados lançados no Siscomex e ele tinha plena ciência que os valores reais dos bens envolvidos não eram aqueles disponibilizados à Receita Federal. Também agiu de forma dolosa, em nome da Bell Valley, o Sr. Juliano Schmidt, do Departamento de Importação da Bell Valley, pois era ele quem, na maioria dos casos provados, providenciava as faturas ideologicamente falsas junto ao exportador chinês, conferindoas via Fl. 1713DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 3/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digital mente em 06/04/2015 por ALEXANDRE KERN 26 meio magnético, antes de elas serem efetivamente emitidas pelo exportador. Também era ele que controlava para que chegassem nas mãos dos despachantes e dos bancos que realizavam o fechamento de câmbio as faturas ideologicamente falsas e não as com os preços efetivamente negociados. Lançamentos realizados: (...) A fraude está presente nos atos praticados pelo importador, uma vez que elemento característico do fato gerador, o preço das mercadorias, foi minorado intencionalmente em todas as importações objeto do presente auto de infração e, em dezenas dessas mesmas importações, foi declarado falsamente o exportador como sendo a South América Trading Ltd., empresa chinesa da família Spindler. (...) Desta forma, não pairam dúvidas de que foi correta a tipificação apontada no auto de infração. Sobre as questões atinentes à apuração do valor aduaneiro, há que se esclarecer, que, nos casos de fraude, não se aplicam os métodos de valoração aduaneira dispostos no Acordo de Valoração Aduaneira, o qual somente é aplicável a operações comerciais lícitas. A apuração do valor aduaneiro efetuada pela fiscalização foi absolutamente transparente, tendo sido detalhado o método utilizado para cada mercadoria importada, com base nas informações constantes nos documentos e arquivos magnéticos encontrados no estabelecimento da contribuinte, conforme ilustram os exemplos abaixo: (...) Conforme mencionado anteriormente, este item irá analisar, por DI, os fatos praticados visando o pagamento a menor de tributos; as provas da prática de tais fatos encontramse em anexo ao auto de infração, de mesmo número da DI analisada. Ou seja, para a DI de número, por exemplo, “123/2012”, haverá um anexo ao auto de infração, constante do processo administrativo fiscal (digital)11065.721270/201261, gravado com o nome “123/2012”, onde constam: 1) Extrato da DI, onde constam os valores declarados a menor pela autuada no ato do registro no Siscomex da declaração de importação; 2) Prova(s) coletada(s) na empresa, arquivada(s) em papel ou em meio digital, com os reais valores praticados: invoices, planilhas de custos, msn, emails, comprovantes de remessas bancárias ao exportador realizadas sem fechametno de câmbio e o documento chamado pela Bell Valley de Relatório Financeiro de importação; 3) Contrato de câmbio e a fatura ideologicamente falsa, em alguns casos. DI 07/11049003: O valor FOB efetivamente negociado é o constante em emails impressos, de 15.05.2007 e 18.05.2007, encontrados na pasta da respectiva DI. Os documentos estão devidamente rubricados pelo Fl. 1714DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 3/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digital mente em 06/04/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11065.721270/201261 Acórdão n.º 3402002.685 S3C4T2 Fl. 1.702 27 representante da empresa que participou da deslacração dos documentos apreendidos. Os dois emails referemse ao preço de USD 2,41 o metro linear, enquanto que o preço para cada mercadoria consignado na DI é de USD 1,7108, um dano ao erário de 30%. O email de 18.05.2007 ainda se refere à aprovação desse preço (2,41) pelo Sr. Elio e à ordem “314Bel”, mesmo número da fatura consignada na DI. “...Mr. Elio is approved the new quotation: USD 2.41/M for the product of 314 bel …” Corroborando tal dano ao erário consta da planilha de que trata o anexo “Relatório Financeiro de Importação” referência a fatura 314BEL (vide coluna “Referência” a linha com a expressão “314”) essa planilha é analisada no último item deste título e consigna, por fatura, os valores totais enviados aos fornecedores. Pagamento a menor de tributos de 30%. (...) DI 07/14688716: O valor FOB efetivamente negociado é o constante na invoice impressa encontrada arquivada na pasta da respectiva DI, onde está consignado valor FOB de USD 37.613,75. DI 07/16070396: O valor FOB efetivamente negociado é o correspondente a soma de seis planilhas de custos impressas encontradas arquivadas pasta da respectiva DI. A 1ª planilha corresponde aos 1º e 3º itens da adição 1; do mesmo modo, a 2ª planilha corresponde ao 2º item; a 3ª planilha corresponde aos itens 4º a 9º. A 4ª planilha trata dos itens 11º e 12º da citada adição. A 5ª planilha referese ao 13ª item e, por último, a 6ª planilha trata do item 10º. Para os demais itens não foi achada prova material de valor aduaneiro declarado a menor. (...) Desta forma, em havendo discordância da apuração do valor aduaneiro para alguma mercadoria, nos termos do art. 333, II do Código de Processo Civil e art. 16 do Decreto nº 70.235/72, os recorrentes teriam a oportunidade de contestálos na impugnação para cada mercadoria, trazendo eventuais elementos modificativos da apuração fiscal, o que não se verificou. Razão pela qual nada a reparar nesta parte a decisão recorrida ou a autuação. Por todo o acima exposto, em consonância ao princípio da tipicidade, restou caracterizada, no presente processo, a demonstração racional da perfeita adequação da conduta da contribuinte e dos responsáveis às normas que definem a infração veiculadas pelo art. 105, XI do DecretoLei nº 37/1966 e pelo art. 23, IV, §§ 1º e 3º do DecretoLei nº 1.455/1976, pelo que entendo cabível a aplicação da penalidade correspondente de multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria. Assim, voto no sentido de: i) manter a exigência da multa equivalente ao valor da mercadoria pelos motivos acima expostos; e Fl. 1715DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 3/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digital mente em 06/04/2015 por ALEXANDRE KERN 28 ii) manter a exigência fiscal relativa aos tributos não recolhidos e à multa qualificada e excluir a responsabilidade tributária da Sra. Stefanie Spindler, pelos fundamentos descritos pelo Ilustre Relator em seu voto. É como voto. (assinatura digital) Maria Aparecida Martins de Paula Redatora Designada para redigir o voto vencedor. Declaração de Voto Conselheiro Alexandre Kern Ousei divergir do Conselheiro João Carlos Cassuli Júnior apenas quanto ao cancelamento da aplicação da multa cominada no § 3º do artigo 23 da Lei nº 1.455, de 1976, pelas razões que passo a declinar. O Conselheiro Cassuli, do alta de sua elevada cultura jurídica, articulou: Com efeito, havendo penalidade específica para o caso de subfaturamento, deve ser aplicada a sanção correspondente a 100% da diferença entre o preço declarado e aquele efetivamente praticado, e que no caso concreto dos autos, foi atingido pela fiscalização na análise individual de cada uma das DI´s. Até se poderia cogitar a aplicabilidade do §1ºA, do art. 703, do Regulamento Aduaneiro (Decreto n° 6.759/2009), na redação que lhe fora dada pelo Decreto n° 8.010/2010, pelo qual sendo hipótese de aplicação tanto da pena de cem por cento da diferença como da pena de perdimento, aplicarseia esta última. Porém, considerando que todas as DI´s objetos de fiscalização compreendem o período apenas até final do exercício de 2009, não se pode aplicar, ou cogitar de se o afastar (para aqueles que assim o entendem seja possível no âmbito do CARF), o referido preceito contido no Decreto, por se estar permitindo a retroatividade “maligna” ao contribuinte, o que é vedado em termos de penas. A verdade é que a pena de perdimento sempre precedeu às outras penas, seja porque a mercadoria em situação irregular jamais se regulariza com a pagamento dos tributos e multas, permanecendo, portanto, sujeita ao perdimento, seja porque a legislação assim definiu. E não se diga que essa precedência deriva exclusivamente da incidência da norma do § 1°A do art. 703 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 6.759, de 5 de fevereiro de 2009 – RA/2009. No RA/2002, essa precedência já estava bem clara. Confirase: Art. 633. Aplicamse, na ocorrência das hipóteses abaixo tipificadas, por constituírem infrações administrativas ao controle das importações, as seguintes multas (Decretolei no37, de 1966, art. 169 e § 6o, com a redação dada pela Lei no6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2o): Fl. 1716DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 3/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digital mente em 06/04/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11065.721270/201261 Acórdão n.º 3402002.685 S3C4T2 Fl. 1.703 29 I de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado (Medida Provisória no2.15835, de 2001, art. 88, parágrafo único); Art. 634. As infrações de que trata o art. 633 (Lei no6.562, de 1978, art. 3o): I não excluem aquelas definidas como dano ao Erário, sujeitas à pena de perdimento; e II serão apuradas mediante processo administrativo fiscal, em conformidade com o disposto no art. 684. Parágrafo único. Para os efeitos do inciso I, as multas relativas às infrações administrativas ao controle das importações somente poderão ser lançadas antes da aplicação da pena de perdimento da mercadoria. Ou seja: nos termos do parágrafo único do art. 634 do RA/2002, a aplicação prévia da pena de perdimento obsta a aplicação da "multa de cem por cento da diferença de preço". Enfim, a aplicação da pena de perdimento exclui a multa "de cem por cento da diferença de preço". E isso já era assim no RA/2002. Procedeu corretamente a Autoridade Lançadora ao aplicar a pena de perdimento pelo dano ao Erário (convolada, nos termos da legislação, em penalidade pecuniária) em detrimento da penalidade por infração ao controle administrativo das importações (art. 633, inc. I, do RA/2002, Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, art. 88, parágrafo único). A pena de perdimento é hegemônica. Não incide portanto a derrogação referida pelo culto Relator, exprimida no brocardo lex especialis derrogat lex generalis, simplesmente porque não há relação de especialidade generalidade entre a norma do art. 88, parágrafo único, da MP nº 2.15835, de e a 2001do DecretoLei nº 37, de 1966, art. 105; e DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 23, caput e § 1°, este com a redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002, art. 59. Esta tem primazia em relação àquela. Com essas considerações, e cumprimentando mais uma vez o Conselheiro Cassuli pela erudição demonstrada, meu voto é por manter a penalidade recém tratada. Sala de sessões, em 25 de fevereiro de 2015 Fl. 1717DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 3/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digital mente em 06/04/2015 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 17878.000031/2007-29
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003
COMPENSAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGATÓRIO. NULIDADE. EXTINÇÃO DOS CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS DECLARADOS POR HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.
Mantida a nulidade do despacho decisório que não homologou as compensações declaradas pelo sujeito passivo, subsiste o acórdão do colegiado de segundo grau segundo o qual deverá ser reconhecida a homologação tácita das compensações objeto do litígio, posto que expirado o prazo previsto no artigo 74, § 5°, da Lei nº 9.430/96.
Embargos conhecidos mas não providos.
Demonstrada mácula na única motivação em que se alicerçou o despacho decisório que não homologou a compensação vislumbrada pelo sujeito passivo, deverá aludido despacho ser declarado nulo, por vício material.
Numero da decisão: 3802-002.378
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos formulados pela Fazenda Pública, negando-lhes, contudo, provimento, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator designado.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Adriene Maria de Miranda Veras, Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO NO ACÓRDÃO. ADMISSIBILIDADE. Admitirseá embargos de declaração, dentre outras hipóteses, quando o acórdão for omisso com respeito a questão sobre a qual deveria ter se pronunciado. DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO DEFEITUOSA. NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL. Demonstrada mácula na única motivação em que se alicerçou o despacho decisório que não homologou a compensação vislumbrada pelo sujeito passivo, deverá aludido despacho ser declarado nulo, por vício material. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 COMPENSAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGATÓRIO. NULIDADE. EXTINÇÃO DOS CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS DECLARADOS POR HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Mantida a nulidade do despacho decisório que não homologou as compensações declaradas pelo sujeito passivo, subsiste o acórdão do colegiado de segundo grau segundo o qual deverá ser reconhecida a homologação tácita das compensações objeto do litígio, posto que expirado o prazo previsto no artigo 74, § 5°, da Lei nº 9.430/96. Embargos conhecidos mas não providos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 87 8. 00 00 31 /2 00 7- 29 Fl. 442DF CARF MF Impresso em 12/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos formulados pela Fazenda Pública, negandolhes, contudo, provimento, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator designado. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Adriene Maria de Miranda Veras, Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Em sessão transcorrida em 1º de março de 2011, esta Segunda Turma Especial, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo nos termos do acórdão nº 380200.359, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. FUNDAMENTAÇÃO INOVADA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FISCALIZAÇÃO. QUESTÕES PRELIMINARES. SUPERAÇÃO. NULIDADE. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. O cerceamento do direito de defesa caracterizado pela inovação nos fundamentos adotados pela decisão a quo e a superação das questões preliminares anteriormente levantadas pela fiscalização indicariam o necessário retorno dos autos à unidade de origem para nova decisão. Entretanto, reconhecida a nulidade destas decisões, a superveniente ocorrência de homologação tácita das compensações prejudica a análise do mérito do pedido de ressarcimento dos créditos utilizados pelo contribuinte. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Cientificada da referida decisão em 19/08/2011 (vide despacho de encaminhamento de fls. 310), a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, na mesma data, interpôs embargos de declaração (fls. 312/314) onde alega que “[...]houve omissão no julgamento, uma vez que não se observou a data do despacho decisório pela Delegacia da Receita Federal como o marco interruptivo do prazo para a homologação tácita”. E continua, verbis: [...] Além disso, em toda a análise dos institutos da decadência e da prescrição devese perquirir sobre a caracterização da inércia associada ao lapso temporal, o que não se constata na fundamentação apresentada no r. votocondutor. Apresentadas as compensações em 14/11/2003 e 15/12/2003, temse que a primeira seria homologada tacitamente em 13/11/2008 e a segunda, em 14/12/2008. Não obstante, o despacho decisório da Delegacia da Receita Federal em Volta Redonda foi proferido em 13/03/2008 (fl. 156) e Fl. 443DF CARF MF Impresso em 12/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 17878.000031/200729 Acórdão n.º 3802002.378 S3TE02 Fl. 319 3 notificado ao contribuinte em 15/08/2008, portanto, antes do encerramento do prazo quinquenal. Proferida a decisão pela DRF, fica afastada a inércia que dá ensejo à extinção do direito. Por outro lado, é sabido que no curso do processo administrativo fiscal não corre o prazo decadencial ou prescricional, sendo esta a razão pela qual o CARF possui entendimento sumulado, no sentido de que "Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal" (Enunciado n° 11). Mutatis mutandis, deve ser esta a diretriz adotada na hipótese da homologação tácita da compensação, afinal, mesmo diante da demora no desfecho do processo, não há que se reconhecer a homologação tácita quando a DRF emitiu pronunciamento tempestivo. Acrescentese, por fim, que da forma como se encontra fundamentado o votocondutor não ficou claro que foi desconsiderado o despacho da DRF como marco para a contagem do prazo de cinco anos. Por conseguinte, a tentativa de reforma do acórdão em sede de recurso especial de divergência fica deveras dificultada, em afronta aos princípios do contraditório e da ampla defesa. Ante o exposto, requer a União (Fazenda Nacional) que sejam acolhidos e providos os presentes embargos de declaração, para que seja afastada a omissão apontada, com eventuais efeitos modificativos, esclarecendose as questões ventiladas. Diante da tempestividade do recurso – já que foi observado o prazo de cinco dias contados da ciência do acórdão para a interposição dos embargos de declaração (artigo 65, § 1o, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – aprovado pela Portaria MF no 256, de 22/06/2009) –, os autos foram movimentados para este conselheiro para exame dos argumentos aduzidos pela Fazenda Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios A Fazenda Nacional alega que teria havido “[...] omissão no julgamento, uma vez que não se observou a data do despacho decisório pela Delegacia da Receita Federal como o marco interruptivo do prazo para a homologação tácita”. Ressalta ainda que o despacho decisório da DRF Volta Redonda foi proferido em 13/03/2008 e notificado ao contribuinte em 15/08/2008, portanto, antes do encerramento do prazo qüinqüenal, e que não teria ficado claro no votocondutor se o despacho da DRF foi desconsiderado como marco para a contagem do prazo de cinco anos. A decisão vergastada aborda não apenas a nulidade da decisão de primeira instância, mas também se manifesta pela nulidade do despacho decisório exarado pela unidade de origem, como confirma o seguinte trecho transcrito do voto condutor do acórdão deste Conselho: Fl. 444DF CARF MF Impresso em 12/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 4 Da nulidade do despacho decisório e da superveniente homologação tácita das compensações [...] Entretanto, após o devido afastamento das irregularidades apontadas pela unidade de origem, o acórdão recorrido valeuse de um novo fundamento para igualmente indeferir o pleito da interessada. De fato, a decisão recorrida, ao indeferir o pedido da empresa sob o entendimento de que a saída com suspensão do IPI, bem como a manutenção e utilização dos créditos previstos no art. 29 e parágrafos da Lei 10.637/2002, destinamse, tãosomente, aos estabelecimentos industriais, não alcançando os equiparados, inovou ao trazer novo fundamento que não fora tratado nem na fase diligencial nem no despacho denegatório. Neste ponto, com a devida vênia, penso não ter caminhado bem a decisão de 1ª instância. Com efeito, uma vez verificado que a escrituração do RAIPI e a relação de Notas Fiscais de Entrada/Aquisição da DCOMP (fls. 21/22) possibilitariam a análise de eventual existência de crédito e respectiva apuração dos valores – superadas, assim, as questões preliminares anteriormente levantadas pela fiscalização –, a decisão de 1ª instância deveria ter indicado a necessidade de retorno dos autos à unidade de origem para nova diligência (apuração de eventual valor de saldo credor de IPI). Vejase que a manifestação de inconformidade apresentada – em atenção aos fundamentos do relatório fiscal e do despacho denegatório – se ateve unicamente aos pontos abordados pela unidade de origem, não abordando, por lógico, essa novel matéria fáticojurídica. Assim, tendo o contribuinte se defendido de uma fundamentação, acabou tendo que recorrer de uma outra face à inovação por parte dos I. Julgadores de primeiro grau, caracterizando preterição do direito de defesa. Dessa forma, apresentarseia necessário – tomando por superadas as questões preliminares anteriormente levantadas pela fiscalização – o retorno dos autos à unidade de origem para nova diligência (apuração de eventual valor de saldo credor de IPI) e nova decisão, inclusive quanto à aplicabilidade ou não do artigo 29, caput e § 5º da Lei nº 10.637/02. Entretanto, no presente caso, configurada a presente nulidade inclusive do despacho decisório exarado pela unidade de origem há que se reconhecer, em conseqüência, a ocorrência de homologação tácita das compensações em epígrafe por força do disposto no § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/96, prejudicada a análise do mérito do pedido de ressarcimento dos créditos utilizados pelo contribuinte. Vejamos o teor do indigitado dispositivo legal: [omissis] Com efeito, datando as compensações de 14/11/2003 e 15/12/2003 respectivamente (fls. 09 e 36), temos que, uma vez já ultrapassado o prazo de cinco anos do registro das declarações, decai o direito do Fisco de não homologar as compensações e fica extinto os créditos tributários a elas correspondentes. Da conclusão Ante o exposto, reconhecida a nulidade das decisões da unidade de origem e da unidade de 1º grau de julgamento por conta, respectivamente, da superação das questões preliminares anteriormente levantadas pela Fl. 445DF CARF MF Impresso em 12/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 17878.000031/200729 Acórdão n.º 3802002.378 S3TE02 Fl. 320 5 fiscalização (vício material) e da preterição das garantias do contraditório e da ampla defesa, e diante do superveniente transcurso do quinquídeo legal, voto por DAR PROVIMENTO ao presente recurso voluntário para reconhecer a ocorrência de homologação tácita das compensações em epígrafe consoante § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/96, prejudicada a análise do mérito do pedido de ressarcimento dos créditos utilizados pelo contribuinte. (os grifos em duplo tachado não constam do original) De fato, como assevera a d. Procuradoria, uma vez proferida a decisão pela DRF de origem, fica afastada a inércia que dá ensejo à extinção do direito, não correndo mais o prazo decadencial ou prescricional. Todavia, como se vê do acórdão do CARF, a nulidade atingiu não apenas a decisão de primeira instância, mas também a decisão da DRF de origem, e por vício material, diante do defeito na motivação do despacho decisório que não homologou a compensação vislumbrada pelo sujeito passivo. Efetivamente, as razões da nulidade por vício material poderiam estar mais claras no acórdão embargado. Não consta do acórdão, é verdade, o motivo pelo qual entendeu se pela caracterização do aduzido vício material. E isso é importante, pois tem conseqüências para atestar se houve homologação das declarações de compensação. Caracterizada, assim, a omissão, exigese sejam os embargos admitidos, posto que a realidade se subsume a uma das hipóteses elencadas pelo caput do artigo 65 do Anexo II do RICARF, segundo o qual: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. (grifei) Por essa razão, conheço dos embargos interpostos pela reclamante e submeto ao colegiado as razões pelas quais, no caso, restou caracterizada a nulidade, por vício material, do despacho decisório proferido pela DRF de origem. Da nulidade do despacho decisório por vício material Primeiramente, manifestome no sentido de que a decisão embargada deve ser mantida em todos os seus termos, a ela acrescentando apenas as seguintes razões pelas quais o despacho decisório proferido pela unidade de origem deve, sim, ser declarado nulo, por vício material. Consta do voto que alicerçou o acórdão embargado que a SAFIS da DRJ de origem (DRF Volta Redonda) informou, em relatório fiscal (fls. 147/148): a) que a atividade da empresa é de revenda de mercadorias, não se evidenciando que ela exercia a atividade de industrialização ou equiparada a industrial; b) que o livro Registro de Apuração do IPI encontrase com diversas emendas, rasuras e anotações a lápis na codificação de operações de entrada e saída e no estorno de créditos; c) que a empresa não apresentou demonstrativo do saldo credor apurado. Com base no referido relatório fiscal, a SAORT da DRF Volta Redonda não reconheceu o direito creditório e indeferiu o pedido de ressarcimento consoante despacho decisório acostado às fls. 154/156, onde fundamentou o indeferimento do pleito Fl. 446DF CARF MF Impresso em 12/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 6 exclusivamente no entendimento de que a escrituração do sujeito passivo estaria em desacordo com a legislação que rege a matéria, ou seja, de que o livro Registro de Apuração do IPI (RAIPI) não teria observado rigorosamente as formalidades impostas pela legislação (requisitos extrínsecos e intrínsecos). A própria DRJ, por sua vez, afastou tal entendimento, tendo ressaltado que a escrituração do RAIPI guardava sintonia com as exigências legais, fazendo, pois, prova do crédito alegado. Contudo, a DRJ inovou em sua fundamentação e manteve a não homologação das compensações, razão pela qual o acórdão de primeira instância foi também declarado nulo, questão já tratada na decisão embargada e irrelevante no presente estágio de cognição. Entendeu, pois, esta Turma de julgamento, que a indevida fundamentação para o indeferimento da compensação pela unidade de origem caracterizou vício de motivação do referido despacho decisório, o que traz como conseqüência a nulidade da referida decisão por vício material. De fato, a decisão em tela não padece da falta de nenhum dos elementos formais necessários à sua exteriorização, dentre os quais a descrição dos fatos. Esta, contudo, embora presente – o que afasta a hipótese de nulidade por vício formal – está expressa de forma defeituosa, posto que insuficiente para subsidiar o indeferimento da compensação pleiteada. Assim, muito embora a lide retrate fato em que estão preenchidos todos os elementos essenciais à sua plena validade do ponto de vista formal, existe uma mácula na motivação do próprio ato que glosou as compensações vislumbradas, mácula esta de natureza substancial, razão pela qual deverá ser anulado aduzido despacho decisório, por vício material, por ser este resultado mais adequado para o caso examinado. Portanto, ciente de que as compensações datam de 14/11/2003 e de 15/12/2003 (fls. 09 e 36), e considerando o disposto no artigo 74, § 5° da Lei nº 9.430/96, mantenho o entendimento deste colegiado segundo o qual deverá ser reconhecida a ocorrência de homologação tácita das compensações objeto do litígio. Da conclusão Diante do exposto, voto para conhecer dos embargos interpostos pela Fazenda Nacional, negandolhes, contudo, provimento. Sala de sessões, em 26 de fevereiro de 2014. Francisco José Barroso Rios – Relator Fl. 447DF CARF MF Impresso em 12/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM
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Numero do processo: 37367.001163/2007-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu May 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/1997 a 31/12/1998, 01/03/1998 a 31/03/1998
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - OMISSÃO - DECADÊNCIA - LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO - VÍCIO FORMAL DECLARADO POR ACORDÃO DO CRPS - IMPOSSIBILIDADE DE REFORMA DE JULGADO - PRINCÍPIO DA SEGURANÇA JURÍDICA - ART. 173, II DO CTN
Havendo omissão no acordão quanto a apreciação da decadência, devem os embargos serem acatados nos termos do art. 65 do RICARF.
Não compete ao julgador reapreciar vício formal já declarado por acordão do CRPS, face o princípio da segurança jurídica, devendo a apreciação dos embargos ater-se a aplicação da decadência a luz do art. 173, II do CTN, considerando o vício formal anteriormente declarado.
Embargos acolhidos.
Numero da decisão: 2401-003.838
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos, acolher os embargos declaratórios para sanear a omissão. II) Por voto qualidade, manter inalterado o resultado do julgamento, vencidos os conselheiros Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira que convertiam o julgamento em diligência. Designada para redigir voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.
Elaine Cristina Monteiro E Silva Vieira Redatora e Presidente em exercício.
Carolina Wanderley Landim - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (Presidente em Exercício), Carlos Henrique de Oliveira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: CAROLINA WANDERLEY LANDIM
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Não compete ao julgador reapreciar vício formal já declarado por acordão do CRPS, face o princípio da segurança jurídica, devendo a apreciação dos embargos aterse a aplicação da decadência a luz do art. 173, II do CTN, considerando o vício formal anteriormente declarado. Embargos acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 37 36 7. 00 11 63 /2 00 7- 45 Fl. 831DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 2 Acordam os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos, acolher os embargos declaratórios para sanear a omissão. II) Por voto qualidade, manter inalterado o resultado do julgamento, vencidos os conselheiros Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira que convertiam o julgamento em diligência. Designada para redigir voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Elaine Cristina Monteiro E Silva Vieira – Redatora e Presidente em exercício. Carolina Wanderley Landim Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (Presidente em Exercício), Carlos Henrique de Oliveira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 832DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 37367.001163/200745 Acórdão n.º 2401003.838 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Embargos de Declaração, apresentados pela Autuada contra o Acórdão nº 240100.925, proferido pela 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, no dia 27 de janeiro de 2010. A Embargante alega que o acórdão embargado está maculado pelo vício da omissão, tendo em vista que não houve a apreciação do argumento de decadência do lançamento sustentado no Recurso Voluntário apresentado neste processo administrativo fiscal. Diante disso, a Embargante requer que os aclaratórios ora apreciados sejam recebidos para que seja sanada a defendida omissão, apreciandose a decadência suscitada no Recurso Voluntário e, acolhendoa, seja cancelado o lançamento discutido nesse processo administrativo fiscal. É o relatório. Fl. 833DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 4 Voto Vencido Conselheira Carolina Wanderley Landim. Relatora Analisando os presentes autos, verificase que, conforme assinalado pela Embargante, esse Ilustríssimo Conselho, ao proferir o acórdão de fls. 766/774, realmente se absteve de apreciar a alegação de decadência ventilada no bojo do Recurso Voluntário de fls. 529/558. Ressaltase, no entanto, que, conforme consta no Relatório Fiscal de fl. 37, a NFLD que originou o presente processo administrativo fiscal foi formalizada em substituição a NFLD nº 35.102.7866 “lavrada em 28/08/01, que foi anulada conforme acórdão nº 43/2005 da 4ª CAJ – Quarta Câmara de Julgamento do CRSP. de 26 de julho de 2005, quando então determinou a gerência executiva de origem a proceder a novo lançamento e observar a correta fundamentação legal.” Nesse contexto, tratandose de NFLD substitutiva, para análise do prazo decadencial na espécie deve necessariamente ser observada a regra estampada no art. 173, inciso II, do CTN, ou seja, devese verificar se o vício que motivou a nulidade do lançamento anteriormente efetuado (NFLD nº 35.102.7866) possuía natureza formal ou material. Isto porque, se a nulidade da NFLD nº 35.102.7866 decorreu de vício formal, não há que se falar em decadência do lançamento aqui apreciado, uma vez que, nesta hipótese, o termo a quo do referido prazo decadencial seria a data em que se tornou definitiva a decisão que anulou o lançamento anteriormente efetuado. Como tal decisão somente foi proferida em 26/07/2005 e ciência da nova NFLD ocorreu em outubro/2005, não haveria transcurso de prazo decadencial. Se, por outro lado, estivermos diante de um vício material, realmente o lançamento aqui tratado estaria decaído, seja pela regra do art. 150, § 4º ou pela norma extraída do art. 173, I, do CTN, pois entre a data da ciência desta nova NFLD e os fatos geradores transcorreram mais de seis anos, não sendo aplicável ao caso o prazo decadencial previsto no art. 173, II do CTN. Diante disso, passo a analisar a natureza do vício que motivou a nulidade da NFLD 35.102.7866, que representa questão fundamental ao deslinde da presente causa. Como se sabe, os vícios formais são passíveis de saneamento, de modo que é permitido, a depender do caso (e do tipo de vício formal), corrigir o erro durante o próprio processo, desde que oportunizado o exercício do contraditório e da ampla defesa pelo autuado, ou até mesmo se socorrer das disposições do art. 173, inciso II do CTN, através de nova constituição do crédito tributário com o objetivo de sanar o vício formal que maculou o lançamento anterior: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Fl. 834DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 37367.001163/200745 Acórdão n.º 2401003.838 S2C4T1 Fl. 4 5 No entanto, para que se subsuma à hipótese prescrita no inciso II do art. 173 do CTN, fazse necessário que o novel lançamento restrinjase tão somente a “corrigir” o vício formal que o anulou. Ou seja, o suporte fático, fatos geradores, base de cálculo, sujeito passivo, enfim, os aspectos relevantes da relação tributária sejam exatamente os mesmos, corrigindose apenas a formalidade anteriormente não atendida. Daí falarse em “Lançamento Substitutivo” para correção de vício formal. Analisando a DecisãoNotificação nº 17.402.4/0307/2006, não fica devidamente claro se a nulidade ali reconhecida foi formal ou material. Além disso, mesmo que se trate de vício formal, não consta dos autos a íntegra da autuação original, anulada pela referida DecisãoNotificação, para que se possa confirmar se o novel lançamento apenas corrigiu o vício sanável anteriormente apontado, ou se foi além desses limites, o que, também, afastaria a aplicação da contagem do prazo decadencial na forma do inciso II do art. 173 do CTN. Diante disso, proponho a conversão do julgamento em diligência, a fim de que seja colacionado aos autos a íntegra do lançamento original, anulado pelo CRPS através da DecisãoNotificação nº 17.402.4/0307/2006, para, após, avaliar a decadência suscitada pelo contribuinte. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para verificar se o novo lançamento foi efetuado nos estritos da NFLD anulada, nos termos do voto acima. É como voto. Carolina Wanderley Landim Relatora Fl. 835DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 6 Voto Vencedor Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora Designada Embora, tenha devidamente fundamentado suas conclusões, ouso divergir do entendimento da ilustre conselheira relatora, quanto ao dispositivo legal a ser aplicado na apreciação do instituto da decadência no presente caso. Primeiramente, temos que observar quais os fundamentos para o lançamento, que ensejaram a prolação do acordão ora embargado. Para tanto, valhome de trecho do relatório fiscal, fl. 37, senão vejamos: ASSUNTO: EMISSÃO DE NOVA NFLD EM SUBSTITUIÇÃO A NFLD Ns 35.102.7866. LAVRADA EM 28/08/01. QUE FOI ANULADA CONFORME ACÓRDÃO Na 43/2005 DA 4a CAJ QUARTA CAMARA DE JULGAMENTO DO CRPS. DE 26 DE JULHO DE 2005. QUANDO ENTÃO DETERMINOU A GERENCIA EXECUTIVA DE ORIGEM A PROCEDER A NOVO LANÇAMENTO E OBSERVAR A CORRETA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. MOTIVO DA NULIDADE ALEGADA PELOS MEMBROS DA 4a CAJ FALTA DE CITAÇÃO DO FUNDAMENTO LEGAL PARA Q ARBITRAMENTO DO CREDITO CONSTITUIDO. OU SEJA O PARAGRAFO TERCEIRO DO ARTIGO 33 DA LEI Ng 8.212/91. QUE ASSIM DEFINE: Ou seja, tratase de NFLD substitutiva, face nulidade declarada pelo CRPS no acordão 43/200, pela ausência do dispositivo legal que fundamenta o lançamento por arbitramento. Embora, entenda devam os embargos serem acatados, frente a omissão pela não apreciação da decadência, assim, como levantado pela relatora; entendo que a interpretação por ela trazida acerca da aplicação da decadência não se mostra acertada. Primeiro, a própria decisão de primeira instância, fls. 423, já transcreve trecho do acordão que havia anulado o lançamento por vício formal no âmbito do CRPS. Vejamos: Vejase que o débito não foi anulado por ausência da fundamentação legal exclusivamente no anexo FLD. e sim pela ausência de informação do dispositivo legal gue motivou o arbitramento no processo, conforme se pode constatar de trecho destacado do referido acórdão n.° 43/2005: A "A 4a Câmara de Julgamento tem mantido o entendimento em casos semelhantes de queocorrendo o lançamento arbitrado, a fundamentação legal que o ampara deverá estar informada nos autos e, diante do vício formal, esta autoridade julgadora tem como dever declarar a nulidade do mesmo, pois a ausência de fundamentação legal não é vício passível de saneamento" (grifo original". Fl. 836DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 37367.001163/200745 Acórdão n.º 2401003.838 S2C4T1 Fl. 5 7 Ou seja, o lançamento anterior fôra anulado por vício formal, produzindo coisa julgada, o que impossibilita a sua revisão. Não nos compete nesse momento reapreciar julgamento já proferido, mas apenas, em relação ao acordão ora embargado, apreciar as omissões nele contidas. A alteração da natureza do vício do acordão do CRPS, fere o princípio da segurança jurídica, pois permite ao julgador, reapreciar decisões já finalizadas. Assim, data vênia, entendo totalmente incabível a conclusão a que chegou a relatora, entendendo que a natureza do vício no acordão que anulou o primeiro lançamento era material, afrontado os fundamento do próprio acordão do CRPS, que conforme descrito acima, destacava tratarse de vício formal. Assim, a decadência a ser aplicada no presente caso, deve levar em consideração o art. 173, II do CTN, não havendo decadência a ser declarada, mantendo inalterado o resultado do julgamento anteriormente proferido. CONCLUSÃO Voto por acolher os embargos declaratórios para sanear a omissão, mantendo inalterado o resultado do julgamento. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 837DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM
score : 1.0
Numero do processo: 10510.000986/2002-91
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997
MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Exclui-se a multa de oficio lançada, com fundamento no art. 106, II, c, do CTN, pela aplicação retroativa do disposto no caput do art. 18 da Lei n° 10.833/2003.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-003.206
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Ausente o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente
(assinado digitalmente)
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997 MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Exclui-se a multa de oficio lançada, com fundamento no art. 106, II, c, do CTN, pela aplicação retroativa do disposto no caput do art. 18 da Lei n° 10.833/2003. Recurso Especial do Procurador Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Ausente o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente (assinado digitalmente) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo.
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RETROATIVIDADE BENIGNA. Excluise a multa de oficio lançada, com fundamento no art. 106, II, c, do CTN, pela aplicação retroativa do disposto no caput do art. 18 da Lei n° 10.833/2003. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Ausente o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO – Presidente (assinado digitalmente) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 00 09 86 /2 00 2- 91 Fl. 538DF CARF MF Impresso em 31/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 2 Relatório Cuidase de recurso especial fundado no artigo 67 e §§ do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, interposto em face do acórdão no 220200.062, prolatado em 06/05/2009, concernente à exoneração da multa de ofício aplicada em observância à retroatividade benigna, decorrente da superveniente regulação do art. 90 da MP 2.15835/ 2001 pelo art. 18 da Lei nº 10.833/03. O objeto da presente lide se limita a discussão da retroavidade benigna em relação à aplicação de multa por compensação indevida ou não homologada. A PGFN alega que a não se trata de retroatividade benigna e que o acórdão deve ser reformado. É o Relatório. Voto Do exame dos Acórdãos confrontados, verificase que restou efetivamente comprovada e demonstrada a divergência de entendimentos quanto à questão da multa de oficio, prevista no art. 44, I da Lei n° 9.430/96. Enquanto que no Acórdão recorrido o Colegiado considerou indevida a aplicação da multa, o Acórdão paradigma, em situação fática análoga, decidiu de forma oposta, ou seja, dizendo que é devida a multa no caso de declaração inexata de compensação em DCTF. Assim, estando presente todos os pressupostos de admissibilidade, passo a análise do mérito. Como já dito, somente se analisará o cabimento ou não da multa de ofício prevista no art. 44, I da lei 9.430/96, pela aplicação da retroatividade benigna do disposto no art. 18 da Lei 10.833/2003, com fundamento no art. 106, II, c, do CTN. A PGFN alega que as situações fáticas são distintas. Que não houve a subsunção do fato à norma. Foi aplicada uma retroatividade benigna inexistente. Ocorre que houve uma mudança na legislação e as penalidades devem ser aplicadas de forma restritiva, ou seja, se houver dúvida quanto a capitulação do fato praticado, não se deve aplicar a penalidade. A descrição da norma deve se encaixar perfeitamente ao fato imponível para que haja a aplicação da multa. Foi o que ocorreu neste caso. A norma passou a capitular a infração de forma diversa e não mais passou a existir no mundo jurídico a penalidade por declaração não correta Fl. 539DF CARF MF Impresso em 31/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 10510.000986/200291 Acórdão n.º 9303003.206 CSRFT3 Fl. 506 3 de compensação em DCTF por ter sido substituído o instrumento para este tipo de declaração que é a DCOMP. Houve uma substituição do regime anterior. A infração passou a ser capitulada pela nova lei de regência sobres as compensações. Dessa forma foi correto o entendimento do colegiado a quo, que deu provimento, somente nessa parte, ao Recurso Voluntário do contribuinte, com votação unânime. Assim nego provimento ao Recurso Especial interposto pela PGFN (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Fl. 540DF CARF MF Impresso em 31/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO
score : 1.0
Numero do processo: 13749.000339/99-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 02 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 2101-000.012
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligencia, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: GONÇALO BONET ALLAGE
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CAIO MARCOS CANDID° - Presidente Gonçalo Bonet Allage - Relator EDITADO EM: 02/12/2010 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Caio Marcos Cândido, Jose Raimundo Tosta Santos, Ana Neyle Olímpio Holanda, Alexandre Naoki Nishioka, Odmir Fernandes e Gonçalo Bonet Allage. Assinado digitalmente em 08/12/2010 por GONCALO BONET ALLAGE. 08112/2010 por CAIO tv1ARCOS CANDID° Autenticado digitalmente em 08/12/2010 por GONCALO BONET ALLAGE Emitido em 08/12/2010 pelo Ministério da Fazenda DF CART. MF Fl Processo n" 13749.000339/99-17 Res°luyao ri" 2101-000.012 52-C1 II Ft 2 Relatório: Em face de Djalma Rodrigues da Silva Filho foi lavrado o auto de infração de fls. 14-16, para a exigência de imposto de renda pessoa fisica, exercício 1997, no valor de RS 2.073,25, de imposto suplementar de R$ 6.909,45, de multa de oficio de 75% e de juros de mora calculados até 03/1999, totalizando um crédito tributário de RS 17.397,71 Através de revisão da declaração de ajuste anual apresentada pelo contribuinte (fls. 98-99), a autoridade lançadora promoveu a glosa de despesas de livro-caixa c de dedução de imposto, cujas linhas passaram, respectivamente, de R$ 27,637,82 para RS 0,00 e de RS 1780,00 para R$ 0,00. Intimado do lançamento o sujeito passivo apresentou impugnação as fls. 01-06, onde alegou, inicialmente, que houve cerceamento do direito de defesa pela impossibilidade de apresentação à autoridade fiscal dos documentos relativos as despesas glosadas. Informou não ter recebido nenhuma intimação a respeito do assunto. Argumentou que não houve a perfeita descrição dos fatos, em razão da desconsideração das deduções relativas ao livro-caixa . Afirmou que as despesas escrituradas em livro-caixa são dedutivcis da base de cálculo do imposto sobre a renda e que não há nenhuma incorreção nos valores lançados como dedução. Defendeu ser indevida a cobrança do valor de R$ 2 073,25, apurado como saldo de imposto a pagar na declaração de ajuste anual do exercício 1997, pois parcelou esse débito através do processo n° 13749.000250/98-16. Suscitou, ainda, que a notificação recebida em 21/09/1998, a qual solicitava comprovação do pagamento do IRPF/96, implica na homologação tácita do valor declarado Citou o artigo 138 do Código Tributário Nacional para concluir que a declaração do crédito tributário exclui sua responsabilidade, pois solicitou e teve deferido o parcelamento do tributo devido. 0 contribuinte juntou à impugnação cópia do livro-caixa (fls. 21-93), sem anexar, contudo, a documentação que dava suporte às importâncias escrituradas. Apreciando a controvérsia, os membros da 2" Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) decidiram pela procedência do lançamento, através do acórdão n° 1.962 (I's, 114-122), cuja ementa é a seguinte: Assunto. Processo Administrativo Fiscal Exercício . 1997 Ementa CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Desconfigura- se a preto kilo do direito de defesa se o contribuinte foi regulatmente cientificado do auto de infiacclo e seus anexos, sendo-lhe assegurado o direito a questionar a exigência nos tomos das 110111ICIS que natant do processo administrativo fiscal Assinado digitalmente em 081 12/2010 por GONCALO BONET ALLAGE 08/12 12010 por CAIO MARCOS CANDID° Autenticado digitalmente em 08112/2010 por GONCALO BONET ALLAGE 2 Emitido em 08/12/2010 pelo Ministério da Fazenda DF CART' MF Fl. Processo n" 13749.000339/99-17 S2-C111 Reso1u0o n° 2101-000.012 Fl 3 NULIDADES NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no ail. 59 do Decreto n° 7023.5. de 1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato achninistrativo . Assunto. Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1997 Ementa: LIVRO CAIXA. DESPESAS. As despesas escrituradas em livro Caixa e deduzidas na declaraglio de ajuste anual estão condicionadas it veracidade dos gastos efetuadas, previstos em lei e necessários percepção da receita e a manutenção da fonte produtora, comprovados por documentos hábeis. DECISÕES DOS CONSELHOS DE CONTRIBUINTES. EFEITOS As decisões administrativas proferidas pelos Conselhos de Contribuintes não constituem normas gerais, não podendo seus julgados serem aproveitados em qualquer outra ocorrência, .senão naquela objeto da decisão. DENÚNCIA ESPONTÁNEA. NECESSIDADE DE SER ACOMPANHADA DE PAGAMENTO DE TRIBUTO DEVIDO O instituto da denáncia espontânea está previsto no art, 138 do CTN e exige que esta seja acompanhada, se for a caso, do pagamento devido e dos juros de mora. Não sendo feito o pagamento do tributo devido, não se caracteriza a denúncia esponicinea Lançamento Procedente As pretensões do então impugnante não restaram acolhidas pela decisão de primeira instância, que rejeitou a preliminar de cerceamento do direito de defesa e, no mérito, pela falta de comprovação, tanto das despesas escrituradas em livro-caixa quanto da dedução de imposto aproveitada na declaração de ajuste anual, manteve o crédito tributário na integra Intimado do acórdão, o contribuinte interpôs recurso voluntário As fls. 127-130, reiterando, basicamente, as razões de defesa aduzidas em sede de impugnação. Em anexo ao recurso voluntário estão os documentos relativos ao livro-caixa do ano-calendário 1996, As fls. 131-378. A repartição de origem promoveu a intimação do sujeito passivo quanto necessidade do arrolamento de bens, para fins de seguimento do recurso voluntário (fls. 394- 395). Ao final da resposta protocolada As fls. 396-398, o contribuinte consignou que seria desnecessário o arrolamento de bens para fins de seguimento do recurso Estando o processo nestas condições, a Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, na sessão de 19/10/2005, resolver não conhecer do recurso voluntário interposto, em razão da ausência de depósito ou de arrolamento de bens e direitos de valor equivalente a 30% da exigência fiscal definida na decisão de primeira instância. Assinado digitalmente ern 08/12 12010 por GONCALO ONET ALLAGE. 08/12/2010 par CAIO MARCOS CANDID° Autenticado digitalmente em 08/12/2010 por GONCALO BONET ALLAGE 3 Emitido em 08/12/2010 pelo Ministério da Fazenda DP CARF MF 11.4 Processo n" I3749.000339/99-17 S2-C IF t Resoluctio n 0 2101-000.012 114 Através do despacho de fls. 440-441 c considerando o Ato Dcclaratório Interpretativo RFB n°09/2007, retornaram os autos para julgamento E o Relatório, Voto Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Relator Sem maiores delongas, consigno que o recurso voluntário é tempestivo, preenche os demais pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido, O caso ern apreço envolve a glosa integral das despesas de livro-caixa e de dedução de imposto, informadas pelo contribuinte na declaração de ajuste anual do exercício 1997 O lançamento não demandou fiscalização e decorreu de simples revisão interna de declaração. Em sede de impugnação o contribuinte juntou seu livro-caixa relativo ao ano- calendário 1996 (fls. 21-93), sendo que a decisão de primeira instancia manteve a exigência, entre outros fundamentos, pelo fato de não restaram comprovadas as deduções pleiteadas. Acompanhando o recurso voluntário, as fis 131-378, o autuado trouxe documentos que comprovariam as despesas do livro-caixa do ano-calendário 1996, os quais não foram analisados pela decisão de primeira instancia, nem tampouco pela autoridade lançadora . Tenho como inquestionável, cm razão do princípio da verdade material, que baliza o processo administrativo fiscal, a necessidade de apreciação da referida documentação por parte deste Colegiado. Tal conclusão decorre, ainda, da Lei n° 9 784/99, que versa sobre o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, em cujo artigo 3°, inciso III, esta previsto que: Ai t 3°. 0 administrado tem os seguintes direitos perante a Administração, sem picjuizo de outros que lhe sejam assegurados: ) formular alegações e apresentar documentos antes da decisão, os quais serão objeto de consideração pelo Orgão competente, Considerando o principio da verdade material, que direciona todo o processo administrativo fiscal e com o objetivo de evitar qualquer prejuízo aos principias constitucionais do contraditório c da ampla defesa, previstos no artigo 5°, inciso LV, da Carta da Republica, proponho a conversão deste julgamento em diligencia para, inicialmente, oportunizar autoridade lançadora a apreciação das provas juntadas pelo sujeito passivo cm sede de impugnação e em grau de recurso, sendo que desta análise deve ser emitida conclusão fundamentada a respeito da possibilidade ou não de dedução da base de cálculo do imposto de renda pessoa física das pretensas despesas do livro-caixa. Assinado digitalmente em 08/1212010 por GONCALO BONET ALLAGE 081 1212010 por CAIO MARCOS CANDIDO Autenticado digitalmente ern 08/12/2010 por GONCALO BONET ALLAGE 4 Emitido em 08/1212010 pelo Ministério da Fazenda DFCARFMF Fl. 5 Processo n" 13749 000339/99-17 SI-C1 T1 Resolgao n " 2101-000.012 Fl 5 Cumprida a proposição e antes da devolução dos autos ao Conselho Administrativo de Recurso Fiscais, o recorrente deve ser cientificado do resultado da diligência para que, sendo de seu interesse, manifeste-se, no prazo dc 30 (trinta) dias. E como voto Gonçalo Bonet Allagc Assinado digitalmente em 08/12/2010 por GONCALO BONET ALLAGE. 08/12/2010 por CAIO MARCOS CANDID° Autenticado digitalmente em 08/12/2010 por GONCALO BONET ALLAGE 5 Emitido ern 08/12/2010 pelo Ministério da Fazenda
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Numero do processo: 10580.733578/2011-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Periodo de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. BASE DE CÁLCULO,
A base de cálculo das contribuições previdenciárias corresponde à totalidade
dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o
mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma,
inclusive as goljetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os
adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços
efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou
tomador de serviços.
As verbas não sujeitas à tributação devem são especificadas em lei.
ABONO. NÃO INCIDÊNCIA
Sobre abono único, previsto em Convenção Coletiva de trabalho,
desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não há incidência de
contribuição previdenciária
Numero da decisão: 2403-002.952
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por malOna de votos, em dar
provimento parcial ao recurso para: (i) determinar a exclusão da tributação incidente sobre PLR de Diretores e Gerentes. Vencido o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari(relator).O
conselheiro Ivacir Júlio de Souza votou pelas conclusões;(ii) determinar a exclusão da tributação do Incentivo de Longo Prazo- ILP. Vencido o conselheiro Carlos Alberto Mees
Stringari(relator). Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar a exclusão da tributação incidente sobre Ganho Eventual, Acordo Coletivo
Noturno, Abono Eventual e Abono Indenizatório. Pelo voto de qualidade, em manter a tributação do Auxilio Filho Excepcional. Vencidos os conselheiros Ivacir Julio de Souza e
Ewan Teles Aguiar e Marcelo Magalhães Peixoto. Designado para redigir o voto vencedor o
conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto
Nome do relator: Marcelo Magalhães Peixoto
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Periodo de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. BASE DE CÁLCULO, A base de cálculo das contribuições previdenciárias corresponde à totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as goljetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços. As verbas não sujeitas à tributação devem são especificadas em lei. ABONO. NÃO INCIDÊNCIA Sobre abono único, previsto em Convenção Coletiva de trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não há incidência de contribuição previdenciária Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 2600DF CARF MF Impresso em 18/08/2015 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2015 por IRDA MORAIS ACORDAM os membros do Colegiado, por malOna de votos, em dar provimento parcial ao recurso para: (i) determinar a exclusão da tributação incidente sobre PLR de Diretores e Gerentes. Vencido o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari(relator).O conselheiro Ivacir Júlio de Souza votou pelas conclusões;(ii) determinar a exclusão da tributação do Incentivo de Longo Prazo- ILP. Vencido o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari(relator). Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar a exclusão da tributação incidente sobre Ganho Eventual, Acordo Coletivo Noturno, Abono Eventual e Abono Indenizatório. Pelo voto de qualidade, em manter a tributação do Auxilio Filho Excepcional. Vencidos os conselheiros Ivacir Julio de Souza e Ewan Teles Aguiar e Marcelo Magalhães Peixoto. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto ~?2_- Carlos Alberto Mees Stringari Relator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. 2 Fl. 2601DF CARF MF Impresso em 18/08/2015 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2015 por IRDA MORAIS Processo nO 10580.733578/2011-87 Acórdão n.O 2403-002.952 Relatório S2-C4T3 FI. 3 Trata-se de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador, Acórdão 15-32.524 da 7" Turma, que julgou a impugnação improcedente. o lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instãncia: Trata-se de processo que agrupa os Autos de Infração (AI) lavrados por descumprimento de obrigações tributárias principais e acessórias, sob os seguintes DEBCAD n": 51.016.0972, 51.016.5362 e 51.016.0964, consolidados em 06/12/2011. A ação fiscal foi autorizada através do MPF n" 05.1.00.00.201100564, iniciada através do Termo de Início de Procedimento Fiscal - TIPF em 13/07/2011 (ciência pessoal nesta data, j/.77) e encerrada em 07/12/2011 com a lavratura Termo de Encerramento de Procedimento Fiscal (TEPF),j/. 75. A tabela abaixo apresenta um resumo dos Autos de Infração que compõem oprocesso sob julgamento: DEBCADN° COMPET~CIAS MATÉRIA VALOR TOTAL 01/2009 a 1112009 Contribuições previdenciárias, RSI0288,474.40 parti>patronal incidenres sol= as remnne:cações d< 51.016.097-2 empJ'egados não decWadas emGuia d< RecolhiJmmo do Fundo de Garantia do Tempo de Serv.iço e Informações à Prcvidêm:ia S<>cw(GFlP). 0112009a 1212009 Contribuições sociais devidas a RS1.595.168,77 Terceiros (Entidades • 51.016.536-2 Fundos), incidenres sol= as t"emnner2ÇÓes de empregados não dec1aIadas emGFIP. 1112008a 11/2008 Obrigação acessória cujo &to R$4.360,oo gmulor é apteseutat a empresa 51.016.096-4 GFlP com Í1lfiJJmaçDes .incorrebs ou -omissas. Código d. Fund2menlaÇãoLegal- CFL 78. 3 Fl. 2602DF CARF MF Impresso em 18/08/2015 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2015 por IRDA MORAIS J o Relatório Fiscal foi dividido em duas partes: parte A (obrigações tributárias principais) e parte B (obrigação tributária acessória). Informa ainda a Fiscalização que a ciência do início da ação fiscal foi dada ao contribuinte por meio do TIAF Termo de Inicio da Ação Fiscal, em 13 de julho de 2011, momento em que foram solicitados o Estatuto Social da empresa, o regulamento da política de remuneração de seus executivos e diretores, os Relatórios de Administração, Atas das Assembléias, as folhas de pagamentos dos Dirigentes e as respectivas GFIP. Pontua a Fiscalização que constam informações nas Notas explicativas (2007 a 2009) que os Diretores executivos e os Conselheiros recebem pelos serviços prestados uma remuneração fIXa e outra variáveL A remuneração fIXa é estipulada de acordo com os salários praticados no mercado e a variável de acordo com critérios deprodutividade. Tambémforam solicitados os acordos de PLRpara apuração do cumprimento dos requisitos legais que autorizam o pagamento destes valores, sem que se caracterizem como base de contribuição previdenciária. A participação nos resultados e lucros tem natureza remuneratória, contudo a Constituição Federal desvincula esta verba da remuneração desde que pagos em conformidade com a Lei. Relata a Fiscalização que as folhas de pagamento de 2007 a 2009 foram analisadas para a verificação dos valores pagos a título de PLR e a correta indicação da rubricas que serviram de base para o calculo da contribuição previdenciária devida e declarada. Quanto à remuneração do Pessoal Chave da Administração,foi esclarecido pelo Contribuinte que a remuneração dos Dirigentes era constituída de um valor fIXO e outro variável relativo a Programas de Incentivos e Participação nos Resultados. Estes programas de Participação nos Resultados envolvem remunerações a curto e a longo prazo, de acordo com as regras e metas previamente estabelecidas. Quanto aos Dirigentes Contribuintes Individuais, observou-se que estes são apenas Conselheiros e os valores apresentados na Folha de pagamento, a titulo de honorários e participação em Comitês, foram declarados em GFIP. Foi informado também que estes contribuintes não receberam Participação nos Lucros ou Resultados (PLR) e nem participaram dos programas de incentivo de Longo Prazo oferecidos pela empresa nos anos fIScalizados. Os dirigentes empregados, nominados como Diretores e gerentes, receberam remuneração fIXa e variável A variável foi estabelecida de acordo com planos próprios de incentivos, de curto e longo prazo. Estes incentivos são as participações nos resultados. A remuneração dos empregados que não tem cargos de direção (gerentes e executivos), é composta pela remuneração fixa (salário) e pela variáveL A re riável corresponde à 4 Fl. 2603DF CARF MF Impresso em 18/08/2015 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2015 por IRDA MORAIS -' Processo n" 10580,733578/2011-87 Acórdào n," 2403-002,952 PLR que é prevista em acordos anuais de participação nos Lucros e Resultados (PLR). Tendo em vista que a empresa beneficiou todos os empregados com os planos de incentivos, foram solicitados e analisados os planos e acordos de PLR. A empresa apresentou os planos de PLR firmados em acordos com os empregados, a Política de Participação nos Resultados (incluindo a PLR dos cargos de direção e gerencial e o Plano de Incentivo de Longo Prazo (ILP). Após recebimento da documentação solicitada, foram feitas verificações na folha de pagamento, Foram analisadas as bases não oferecidas à tributação pelo contribuinte, bem como as rubricas que foram consideradas como base de contribuição, de acordo com tabela de incidência da folha, Neste trabalho, também foi feito o batimento entre a remuneração total constante na Folha, GFIP e DIRF, Para fins elucidativos, dividimos os trabalhadores da Suzana em grupos distintos para análise da remuneração variável: os Conselheiros (Contribuintes Individuais), os Diretores Empregados previstos no Estatuto, os de cargo de direção (gerentes) sem previsão estatutária e os outros empregados, Da auditoria efetuada, identificou-se fato gerador de contribuição previdenciária não oferecido à tributação, Esta ocorrência corresponde a valores pagos aos empregados da empresa que não foram considerados, na Folha, como verbas remuneratórias, mas que pela sua natureza e origem estão vinculados ao trabalho e se caracterizam como verbas em que incide contribuição previdenciária. S2-C4T3 FL4 - Não foram observadas divergências na Contribuintes Individuais (Conselheiros), documentação apresentada, remuneração dos considerando a A apuração de todos os fatos foi feita com base nas folhas digitais entregues pela empresa, Estas folhas foram apresentadas no formato MANAD, O primeiro arquivo de MANAD entregue foi utilizado para o estudo de todas as bases, Posteriormente, a empresa entregou mais dois arquivos de MANAD, pois os primeiros apresentaram algumas falhas, Os ajuste foram efetuados e afiscalização trabalhou como primeiro arquivo apresentado Para melhor desenvolvimento dos trabalhos, foram feitas análises separadas dos itens em que foram identificadas irregularidades, da seguinte forma: Pagamento de PLR • empregados em geral, A Lei 8212/91 dispõe que não integrará a base de cálculo das Contribuições Previdenciárias os pagamentos efetuados aos empregados a título de PLR desde que sejam atendidos os requisitos previstos na cíjica, ou seja, na Lei Fl. 2604DF CARF MF Impresso em 18/08/2015 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2015 por IRDA MORAIS 10.101/2001. No mesmo sentido dispõe o art. 7~ XI da Constituição Federal. Desta forma, fica evidente que só há afastamento da contribuição previdenciária sobre o pagamento de PLR quando o contribuinte atende a todos os requisitos legais e, assim, adquire o direito à isenção. o Contribuinte sob ação firmou diversos acordos, no período fiscalizado, de modo a atender todos os grupos de trabalhadores que lhes prestam serviços. Foram entregues 6 acordos diferentes de PLR pelo contribuinte, e cada um será visto de forma individualizada, para que seja possivel apurar o cumprimento da legislação especifica em cada situação: 1. Acordo firmado entre a Suzana e a comissão de empregados das unidades Suzana e Rio Verde; 2. . Acordo firmado entre a Suzana e a comlssao de empregados da unidade de negócio florestal/SP; 3. Acordo firmado entre a Suzana e a comissão de empregados do escritório central e unidade de negócios de distribuição Anchieta; 4. Acordo firmado entre a Suzana e a comissão de empregados da unidade projeto Grandis Maranhão; 5. Acordo firmado entre a Suzana e a comissão de empregados da unidade Embu; 6. Acordo firmado entre a Suzana e a comissão de empregados das unidades Industrial/BA e de Recursos Florestais/BA e ES. Os sindicatos envolvidos foram diligenciados e intimados a apresentar informações sobre a participação dos mesmos nos acordos citados, no período de 2007 a 2009. Todos os acordos apresentados foram firmados sempre com uma comissão de empregados, c01iforme procedimento previsto no inciso I do artigo 2° da Lei nO 10.101/2000. Este dispositivo legal exige, também, que a comissão de empregados seja integrada por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria. Cabe ressaltar, também, o parágrafo ]O do artigo 2°, que diz que o instrumento de acordo celebrado será arquivàdo na entidade sindical dos trabalhadores. Nos acordos firmados com as diversas unidades de produção da empresa, com exceção das unidades da Bahia, foi constado que, nos documentos elaborados, havia assinaturas dos representantes indicados nos campos reservados e, na maioria, foram apresentadas cartas-convite aos sindicatos envolvidos, informando a data da celebração do acordo e a solicitação de indicação de um representante. Nos acordos realizados com os trabalhadores lotados em unidades da Bahia, foi possível verificar que não houve representante indicado pelos sindicatos, pois os locais previstos para as assinaturas destes representantes estavam apócrifos, ou seja, os documentos elaborados não for . dos no campo 6 Fl. 2605DF CARF MF Impresso em 18/08/2015 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2015 por IRDA MORAIS Processo n' 10580.733578/2011-87 Acórdão n.o 2403-002.952 indicado para os representantes indicados pelos sindicatos. Também não foi apresentado qualquer documento que demonstrasse que os sindicatos envolvidos fossem convidados Q participar ou informados sobre a data para elaboração do acordo. Os sindicatos destas unidades (BA e ES), SINTREXBEM e SINDICELPA, foram intimados a prestar esclarecimentos e não confirmaram a participação nos acordos de PLR dos anos 2007 a 2009. Neles, não há assinatura de representantes sindicais e nem foram apresentadas cartas-convite para estes entes. Quanto à exlgencia legal de arquivamento do acordo anual nestes sindicatos, SINTREXBEM e SINDICELPA, somente o SINTREXBEM realizou, apenas no ano de 2007. Nos outros anos não há comprovação de arquivamentos dos acordos nos sindicatos envolvidas, conforme determina a lei. A empresa foi intimada a esclarecer se as programas de participação nas lucras foram arquivadas nas entidades sindicais das trabalhadores. Em resposta, afirmou que a arquivamento era responsabilidade dos sindicatos. Contudo, a Lei 10.101/2000 nãofaz esta ressalva. Também intimamos a empresa a informar se houve a apresentação da carta-convite para participação das sindicatos SINTREXBEM E SINDICELPA. Em resposta, afirmou que a comissão de negociação do PLR é eleita pelas .fUncionários da empresa mediante processa eletiva especifica, e que, dentro do periodo sob fiscalização, pela menos 7 empregadas da empresa acumulavam as funções eletivas de diretor dos sindicatos, ou seja, desempenhavam cargos de representação sindical decorrente de eleição prevista em lei. Em relação à carta- convite, afirmou que a legislação da PLR não indica que haja a figura da carta-convite ou formalidade outra diferente da representação sindical prevista na 9' 4' do art. 543 da CLT. Em nova intimação, foi perguntada ao contribuinte se foram tomadas as medidas previstas no artigo 614 e 617 da CLT, na que ele respondeu que as procedimentos previstas na CLT referemse às convenções e acordos coletivos de trabalho, não senda essa a modalidade da PLR adotada pelos empregadas com a empresa, e sim a da artigo ]O, incisa I da lei nO10.101/2000. Esclareceu, ainda, que não se observa a disposição dos sindicatos obreiros em adotar a negociação do PLR mediante acordo coletivo. A PLR paga aos empregados lotados nos estabelecimentos da Bahia não está de acordo com a legislação especifica. Não houve participação de representante indicado pelos sindicatos da categoria, e os acordos não foram devidamente arquivados nos entes representativos. Diante o exposto, resta demonstrado que a empresa descumpriu as exigências da Lei no 10. descumprimento faz S2-C4T3 FI. 5 Fl. 2606DF CARF MF Impresso em 18/08/2015 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2015 por IRDA MORAIS com que as quantias pagas aos empregados, lotados nas unidades da Bahia, a titulo de PLR, passem a ter natureza remuneratória, sujeitas, portanto, à incidência de contribuição previdenciária. Os estabelecimentos ativos no perlodo e com localização na Bahia foram: 16.404.287/0001-55,16.404.287/ 0013-99, 16.404.287/0029-56 e 16.404.287/0012919. Os valores apurados a título de PLR identificados nas folhas de pagame11tos destes estabelecime11tos foram lançados no levantamento correspondente, a fim de que fosse calculada a contribuição previdenciária devida. Planos PLR diretores e gerentes (política de participação nos lucros e resultados da empresa) e Plano ILP (Incentivo de Longo Prazo). O contribuinte pagou a PLR de forma diferenciada para os seus empregados com determinados cargos executivos (de direção e gerência), Inclusive aos diretores estatutários, no perlodo fIScalizado. O PLR destes empregados foi definido pela empresa de forma unilateral, como uma maneira de alavancar resultados e fidelizar seus executivos. Foram elaborados dois Planos de Participação para estes funcionários, um de longo e outro de curto prazo. Para elaborar estes planos, a empresa utilizou-se dos acordos firmados com as Comissões de Empregados, como uma forma de aparentar que os planos dos Executivos fazem parte do acordo de PLR firmado com a referida. comissão. Mas, como está evidenciado nos documentos analisados, não houve participação de empregados ou de qualquer sindicato na elaboração destes planos. A estratégia utilizada pela empresa foi a de acrescentar uma cláusula, no Acordo de PLR firmado com a comissão, autorizando a empregadora a elaborar planos especificas e diferenciados para aqueles que exercem certos cargos de gestão ou confiança, a fim de aproveitar os beneficios dados pela Lei Em todos os acordos firmados com a comissão de empregados e sindicatos existe uma cláusula prevendo a possibilidade da criação deste plano à parte para dirigentes. A titulo exemplificativo, destacamos abaixo a cláusula de um dos acordos: 8.2 O presente PLRE inclui a possibilidade de a EMPREGADORA estabelecer e adotar, isolada e exclusivamente, no decorrer do exercício de **** (ano), um programa de participação específico para empregados que exercem cargos de gestão ou de confiança, com os mesmos efeitos previstos na legislação ... Por essa cláusula, se percebe o caráter unilateral dos planos dos diretores e gerentes, já que diz que a empregadora estabelecerá, Isolada e exclusivamente, o plano daquela categoria de empregados. Vale dizer, não haverá negociação entre a empresa e seus empregados na fIXação das regras desse PLR especifico. Essa unilateralid . encontro aos 8 Fl. 2607DF CARF MF Impresso em 18/08/2015 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2015 por IRDA MORAIS Processo n° 10580.733578/2011-87 Acórdão n.o 2403-002.952 requisitos da Lei 10.101/00 e. portanto, faz com que a PLR paga aos diretores e gerentes integre o saláriodecontribuição, conforme previsto pela Lei 8212/91. o plano dos executivos (diretores e gerentes) não foi elaborado conforme determinação legal, as regras adotadas para os mesmo não foram expostas a toda categoria e nem discutidas. Foi um programa elaborado pela própria Administração da empresa como um plano de remuneração variável dos seus executivos. Os documentos elaborados foram denominados como de Política de participação nos lucros e resultados da empresa (pLRE, APE e AP) e Plano de Incentivo de Longo Prazo (ILP). No documento que trata da AP e APE, verificou-se que a Suzano elaborou três tipos de Programas de Participação nos Lucros e Resultados: 1. PLRE geral para seus colaboradores (atendidos pelos acordos de PLR Comissão de empregados e sindicatos); 2. PLR dos Gerentes denominada de AP (Alta Performance) e; 3. PLR do Diretores (Estatutários) e Gerentes Executivos, denominada de APE (Alta Performance Executiva). Percebeu-se que, no documento apresentado, não foram identificadas regras claras e objetivas para o alcance de metas, apenas temos os pesos necessários para seu alcance e os percentuais coletivos e individuais, conforme previsto no item 7.2 e 7.22 do referido programa (em anexo). As metas foram definidas em planilha elaborada pela empresa e assinada pelo diretor presidente e o diretor de cada área. A empresa pode elaborar planos de remuneração diferenciados para seus empregados, inclusive para o pagamento de PLR, porém, para atender aos requisitos de isenção da Contribuição Previdenciária, devem ser atendidas as exigéncias da Lei 8.212/91. Assim, o contribuinte, ao dividir seus resultados com seus colaboradores, só será beneficiado com a isenção se atender a todos os requisitos exigidos pela Lei 10.101/2000. De outro modo, os valores pagos serão considerados bases de cálculo de Contribuição Previdenciária. Na situação apresentada, não houve participação de empregados e sindicatos na elaboração dos planos de PLR dos executivos, o que viola a finalidade apontada na Lei de PLR (10.101/2000), bem como descumpre requisitos por ela exigidos no art. 2°. Ofato de haver uma cláusula autorizando a feitura de um plano especifico para estes empregados não descaracteriza a unilateralidade do plano elaborado, bem como não autoriza a empresa a utilizar-se da isenção previdenciária prevista no art. 28, g 9~ j, da Lei 8.212/91. Falta a transparência e a negociação necessária. S2-C4T3 FI. 6 - .} Fl. 2608DF CARF MF Impresso em 18/08/2015 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2015 por IRDA MORAIS Desta forma, a PLR paga na forma do Plano de Remuneração Variável dos Executivos (AP/APE), ora auditado, deve ser oferecida à tributação, já que não atende aos requisitos legais para a isenção. Assim, todos os valores pagos a titulo de PLR aos diretores e gerentes foram considerados como base de incidência de contribuição previdenciária. o programa de Incentivo de Longo Prazo (lLP) apresentado traz como objetivo ''promover a retenção e atração de executivos e membros chave da organização, alinhando interesses entre acionistas e executivos jazendo com que os executivos tenham uma parcela significativa de seus recursos em ações da empresa. " Este plano também foi elaborado de modo unilateral pela empregadora e é ofertado a alguns dos seus Executivos (Vice Presidente, Diretor Presidente, Diretor e Diretor Executivo), podendo ser convidado alguns de seus colaboradores, conforme descrito no Item 2 do referido Plano. Apesar do plano ser conhecido como uma forma de remunerar seus executivos através de ações fantasmas, não existe a emissão de ações de fato, existe apenas indexação de valores em ações. Assim, esclarece o Plano: "0 programa estabelece a oportunidade de ganho em pecúnia atrelado ao valor real da "ação" no ato da atribuição, mais a valorização ou atrelado a valorização patrimoniaL Não existe a transação com ações propriamente ditas, existe a valoração ". Para que este plano seja oferecido aos elegiveis, a empresa precisa atingir uma meta preestabelecida anualmente. O valor a ser atribuido será apurado com base nas regras indicadas no item 5 do Plano de ILP. Desta forma, percebe-se que a empresa busca incentivar os elegiveis a participarem deste plano, criando uma politica que visa manter a fidelização do empregado. É importante observar que o participante investirá com parte da sua remuneração de curto prazo, ou seja, parte de sua participação de curto prazo permanecerá na empresa pelo prazo do investimento. O beneficiário deixará de receber a PLR imediatamente e será beneficiado pelo plano. Estes valores são convertidos em ações de modo fictício, é uma forma de indexar os valores em número de ações. A liquidação do beneficio será em dinheiro e só ocorrerá após três anos da data da concessão. Caso haja demissão em periodo anterior, o beneficiário receberá de modo antecipado os valores correspondentes a que tem direito, se a demissão foi imotivada. Se o pedido partiu do beneficiário, este receberá apenas a parcela do investimento. A empresa apresentou a planilha com todas as ações fantasmas concedidas e liquidadas, de forma individualizada por beneficiário, no período fiscalizado. O Plano de Incentívo a Longo Prazo (ILP) é uma forma de complementar a PLR, só que a lon o razo. Não há como excluir seu caráter remunerafó' e na sua liq' ão ocorre o • 10 Fl. 2609DF CARF MF Impresso em 18/08/2015 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2015 por IRDA MORAIS Processo n' 10580.733578/2011-87 Acórdão n.' 2403"()02.952 fato gerador. Na sua outorga, percebe-se que há uma expectativa de direito a ser concretizado após o prazo de três anos, pois se o beneficiário pedir demissão este não receberá o beneficio. A remuneração advinda da ILP foi paga de duas formas na folha de pagamento: na rubrica de PLR (cód. 1420) e naforma de ganhos eventuais (cód. 1245 ). Neste último caso, foi verificado que quando houve afastamento da empresa dos beneficiários do ILP, o que eles tinham direito foi pago sob o titulo de GANHO EVENTUAL LEI 9711. o contribuinte foi questionado sobre o pagamento de lLP sob o título de ganho eventual e o mesmo respondeu que por não ser habitual havia pagamento de lLP na rubrica de GANHO EVENTUAL. Diante da situação fática, percebe-se que estas remunerações são tributáveis no momento da liquidação pelo valor integral. A parte que foi integralizada pelo segurado é fato gerador também, pois corresponde a parcela de remuneração de PLR em que foi postergado o pagamento. Os valores de ILP foram lançados nos Levantamentos de PLR (rub 1420) e nos levantamentos de Ganhos Eventuais Lei 9711 (rub. 1245). Rubricas folha. Todas as rubricas da folha foram analisadas com base nos arquivos do MANAD entregues e na tabela de incidência da folha. Os ganhos eventuais pagos por liberalidade do empregador e sem qualquer relação com a produtividade. cargo ou salário do trabalhador não integram o salário de contribuição. Entretanto, se estas verbas são pagas para retribuir o trabalho, o seu caráter passa a ser remuneratório. A natureza remuneratória de qualquer verba paga ao trabalhador não está associada ao nome dado, mas a sua ongem e natureza. Assim, o fato de nomear uma verba com o titulo de "Ganho Eventual Lei 9711" não afasta de imediato a natureza salarial e a contribuição previdenciária. Nesse sentido, o artigo 28, f9°, da Lei nO 8.212. com redação dada pela Lei nO 9. 711/98, diz que não integram o salário de contribuição as importâncias recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário. Ainda, na verificação da folha, constatou-se que havia proventos sob o título de "Ganho Eventual Lei 9711198", e os valores totais disponibilizados foram elevados, assim, tornou-se necessário buscar a origem e natureza destas verbas. Ao solicitar informações à empresa bre a natureza destes proventos, o contribuint . ,tou-se a respo er que se tratava S2-C4T3 FI. 7 Fl. 2610DF CARF MF Impresso em 18/08/2015 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2015 por IRDA MORAIS de uma liberalidade da empresa e que não foi feito pagamento de forma habitual, o que afasta a incidência da contribuição previdenciária, conforme determina a Lei 9. 711/98. Da análise destes pagamentos em folha, observou-se que, dos 214 beneficiários, 195 (91%) receberam os pagamentos na competência da rescisão do contrato de trabalho. Dos outros 19 beneficiários, 4 exercem a função de diretor, e 11 a função de gerente. o contribuinte foi intimado a demonstrar a naturew indenizatória destas verbas na rescisão de contrato. Todos os termos de rescisão foram solicitados para melhor averiguação das verbas rescisórias. Mais uma vez o contribuinte limitou-se a responder que se tratava de uma liberalidade da empresa, e que os pagamentos foram eventuais. Contudo, no procedimento de auditoria, percebeu-se que ocorreu pagamento de verbas de ILP (PLR de longo prazo) sob este titulo, paga ao funcionário Eduardo Lopes Sandre, em 20/12/2008. Outros pagamentos foram feitos na data de rescisão de diretores e gerentes. Assim, verificou-se que esta verba era utilizada para pagar parcelas da PLR de longo prazo que está associada ao cargo e à produtividade do segurado. Diante deste fato, o contribuinte foi questionado sobre o pagamento de ILP a titulo de ganhos eventuais Lei 9711/98, e o mesmo admitiu, em resposta a este questionamento, que "um ganho eventual pode se referir, no caso de uma rescisão contratual, a um saldo de PLR". Estes esclarecimentos demonstram que a rubrica de "Ganhos Eventuais Lei 97]]" não se trata de verbas pagas por liberalidade, mas de verbas pagas por fatos relacionados aos cargos ou a produtividade e, desta forma, mesmo não sendo pagos de forma habitual, a sua natureza é eminentemente' salarial, pois está vinculado ao trabalho. Todos os valores pagos a este titulo foram considerados como base de cálculo de contribuição previdenciária. Outra rubrica que sofreu incidência durante o procedimento fiscal foi a denominada "Ganho Eventual Acordo Coletivo Turno". A empresa entendeu que esta verba teria caráter eventual, contudo, tal parcela foi verificada na convenção de trabalho apresentada. Na convenção está previsto o pagamento de uma parcela fIXa e anual aos trabalhadores de Turno. Conforme dados extraídos da folha, os pagamentos foram efetuados todos anos de modo consecutivo e habitual. Como não há previsão legal para afastar a incidência de contribuição prevídenciária, todos os pagamentos efetuados foram considerados como base de cálculo. Outras duas verbas (Abono Eventual e Abono Indenizatório) também estão previstas em acordos e convenções de trabalho ..' 12 Fl. 2611DF CARF MF Impresso em 18/08/2015 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2015 por IRDA MORAIS Processo n" 10580.733578/2011-87 Acórdão n." 2403-002.952 -------------------------------------, S2-C4T3 Fl.8 São verbas flXadas nos acordos e convenções coletivas, tem valor fixo e são pagas anualmente. São. portanto, proventos vinculados ao trabalho. A Lei 9. 711 só afasta a incidência da contribuição previdenciária dos Abonos que são desvinculados expressamente do salário. Não tem os acordos e convenções o poder de isentar estes abonos, somente a lei. Estas verbas têm relação com o trabalho desenvolvido. estão previstas em acordos e convenções de trabalho, são pagas com habitualidade e, portanto, devem sofrer a incidência da contribuição previdenciária. Os valores foram lançados em levantamentos próprios. O auxilio filho excepcional está previsto nos acordos e convenções de trabalho e não há previsão legal para afastar a contribuição previdenciária. Desta forma, todos os pagamentos efetuados a este título são base de cálculo de contribuição previdenciária. Estes pagamentos são efetuados mensalmente aos beneficiários. Desta forma, no procedimento fiscal sob analise foram identificados os seguintes itens como base de contribuição previdenciária não oferecidas á tributação: 1. PLR empregados Bahia: 2. PLR executivos (diretores e gerentes),' 3, ILP (ações fantasmas); 4. Rubricas 1!anho eventual. abonos. auxílio filho excepcional e ganho eventual de acordo coletivo turno. Cabe observar que o Contribuinte tem convênios com outras entidades (SESI E SENAl), o que altera o código de Terceiros e, conseqüentemente, a contribuição que deve ser arrecada pela Receita Federal. Foram identificados três códigos de terceiros no periodo fiscalizado: Código 0067 para estabelecimentos com convenio com SESI e Senai; Código 0079 para estabelecimentos sem convenio, e; Código 0075 estabelecimentos convenio com o SENAI Por conta das diferenças da contribuição devida para outras entidades, foram criados levantamentos distintos para cada grupo de estabelecimentos, com ou sem convênio. Encontram-se anexas planilhas com apuração individualizada dos beneficiários de todas verbas lançadas. Todos os valores foram lançados nos estabelecimentos correspondentes. Fl. 2612DF CARF MF Impresso em 18/08/2015 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2015 por IRDA MORAIS A GFIP da competência I I/2008 foi entregue após a MP n° 449/2008, motivo pelo qual, para este período, não foi necessário fazer o' comparativo da multa efoi emitido o AI CFL 78. Consta ainda dos autos o Relatório do AI 51.016.0964 (CFL 78), parte B do Relatório Fiscal. Relata a Fiscalização que, durante o procedimento fiscal, verificouse que o contribuinte em epígrafe entregou a GFIP da competência II /2008, mas não informou todos os fatos geradores de Contribuição Previdenciária, deixando de informar os valores pagos a título de PLR, ganhos eventuais, abonos e auxílio filho excepcional, conforme descrito na parte A do Relatório. Consta dos autos Termo (jI. 2199) que informa a apensação deste ao processo 10580.733577/201132 (processo principal). o Autuado foi cientificado dos lançamentos por via pessoal em 7 de dezembro de 2011, conforme assinaturas apostas nas folhas. de rosto dos AI integrantes dos autos. Em 05 dejaneiro de 2012, apresenta impugnação, alegando, em síntese, o que se relata a seguir .Tempestividade. Afirma a tempestividade da impugnação apresentada. Dosfatos. Faz uma síntese dos fatos geradores lançados. Pontua que os autos de infração que lançaram contribuições previdenciárias e atribuíram multas à impugnante são totalmente inconstitucionais e ilegais, porque se fúndamentam em lançamentos indevidos, haja vista que as bases de cálculo tributadas pelo Auditor Fiscal não integram a grandeza onerada pela legislação previdenciária. Esse defeito prejudica sobremodo as autuações, impondo-as, em absoluto, a nulidade material. Ausência de descrição dos fatos imponíveis. Argumenta que o Auto de Infração foi constituído à revelia de umafundamentação clara e precisa; essa situação prejudica sobremodo o devido processo legal administrativo. O Auditor Fiscal deixou de analisar se realmente o sindicato não participou da negociação da PLR, negligenciando, paralelamente, a informação da impugnante de que alguns empregados da impugnante ocupavam, à época da negociação da PLR, cargos de direção no sindicato dos empregados. A auditoria da RFB negligenciou, outrossim, o nome dos empregados e contribuintes individuais que receberam as verbas oneradas pelo lançamento fiscal, deixando de especificar, v.g., i) a natureza do valor; ii) a origem do dever; iii) a periodicidade do pagamento; iv) a expectativa de reiteração; elementos sobremaneira importantes à aferição da imputação e dos deveres instrumentais correlatos. A administração descumpriu a vinculação, constituindo ato administrativo à revelia do devido processo legal. Ao invés de investigar o suporte fático da incidência (fato jurídico tributário), prendeu-se à forma e indícios extraídos da documentação, deixando de investigar o conteúdo da relação jurídica. Requer a Vossas Senhorias dignem-se em declarar a nulidade material do Auto de Infração, ante a inobservância de 14 Fl. 2613DF CARF MF Impresso em 18/08/2015 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2015 por IRDA MORAIS Processo n° I0580.733578/2011-87 Acórdào n.o 2403-002.952 requisito essencial à validade do ato administrativo de lançamento. Caso Vossas Senhorias venham a entender que não se trata de nulidade material, mas de vício formal, requer-se, subsidiariamente, seja esta declarada. Não incidência de Contribuições Previdenciárias sobre o PLR e oILP. A contribuição previdenciária lançada à impugnante incide sobre as remunerações pagas ou creditadas que objetivam retribuir o trabalho prestado. A expressão "remuneração" deve ser interpretada de forma restritiva, compreendendo tão somente as hipóteses arroladas nos arts. 457 e 458 da CLT A PLR não se qualifica como remuneração, porque: i) não está prevista na CLT; li) o inc. IX do art. 7" da Constituição Federal e o art. 39 da Lei n. 10.10I100desqualificam a sua natureza remuneratória. O lLP não se qualifica como remuneração, porque não se encontra arrolado nos art. 457 e 458 da CLT A PLR e o ILP não retribuem o trabalho. Enquanto o primeiro socializa o resultado ou lucro da empresa, o segundo fideliza o empregado. Assim, diante dessas conclusões não há alternativa senão negarmos a incidência de contribuições previdenciária sobre o PLR e o ILP. Isenção da PLR e do ILP. O Auditor Fiscal verificou que a PLR da impugnante no Estado da Bahia havia observado todos os pressupostos materiais, restando à legalidade plena apenas dado formal: a ausência da participação do sindicato na negociação do plano. A PLR da impugnante foi negociada, constituída e firmada pelo sindicato da categoria. Essa constatação, deveras evidente, decorre de duas ordens de razões: i) a PLR foi negociada com. comissão eleita pelos empregados da impugnante; ii} na época das negociações, 7 (sete) empregados da impugnante acumulavam funções eletivas de diretor do sindicato dos empregados, sujeitos ao g45 do art. 543 da CLT ou seja: desempenhavam cargo de representação sindical decon-ente de eleição prevista em lei. O registro do acordo no sindicato não integra a essência do PLR, constituindo-se em mera comprovação dos termos da participação. Com efeito, atendidos os demais requisitos da legislação que tornem possível a caracterização dos pagamentos como PLR, a ausência de intenJençào direta do sindicato nas negociações e a falta de registro do acordo apenas afastam a vinculação dos empregados aos termos do acordo, podendo rediscuti-los novamente. Esses defeitos, no entanto, não descaracterizam a esséncia da PLR. Mesmo que a PLR tivesse sido constituída unilateralmente pela impugnante (hipótese), a natureza jurídica não poderia ser desconsiderada, porque o g 3" do art. 39 da Lei n. /0.101100, ao reconhecer a existência como PLR dos negócios constituídos unilateralmente, descaracteriza a participação do sindicato como pressuposto de existência da PLR. A Lei n. /0./0/100 não exige universalidade elou uniformidade na PLR. O programa não precisa abranger todos os empregados, tampouco atingi-los deforma idêntica. Enquanto a universalidade é característica negociaI, a uniformidade é S2-C4T3 FI. 9 Fl. 2614DF CARF MF Impresso em 18/08/2015 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2015 por IRDA MORAIS essencialmente negada, sobretudo porque as metas ou resultados são individuais. A PLR dos executivos, portanto, não poderia ser idêntica a dos demais empregados. porque eventual identidade descaracterizaria a isonomia, operando a inconstitucionalidade do programa. Diferentemente, as metas e as participações dos diretores deveriam. com fez a impugnante, ser diferentes das metas e participações dos demais empregados, porque as características funcionais daqueles empregados são substancialmente diferentes das desses empregados. Do item 07 da alínea "e" do parágrafo 9" do art 28 da Lei 8.112191. O item 07 d a!inea e do 99° do art. 28 da Lei n° 8.212/91 exclui da base de cálculo da contribuição previdenciária todos os ganhos eventuais. Ganhos eventuais são os ganhos sem periodicidade e/ousem expectativa, ou seja, sem certeza cíclica de recebimento. A PLR e o lLP são ganhos eventuais, porque: a) não são periódicos; b) não são certos (expectados), pois a elegibilidade pressupõe condição incerta e futura. Diante disso, mesmo que sejam superadas a não incidência (item 11.2) e isenção (item 11.3.1), o auto de infração deve, necessariamente, ser anulado, porque a natureza eventual da PLR e do lLP descaracteriza a tributação pela injluencia direta do item 07 da a!inea e do art. 28 da Lei n. 8.212/91, que isenta de contribuição previdenciária todo o ganho, remuneratório ou não, pago ou creditado sem periodicidade c/ou sem expectatividade. Imunidade do PLR e do ILP. O inciso IX do art. r da Constituição Federal é regra de imunidade, que impede o legislador de onerar com contribuições previdenciárias a PLR. A ejlcácia plena do inciso IX do art. 7" da Constituição Federal não depende de lei ordinária ou complementar. A desoneração da PLR não depende da satisfação dos requisitos da Lei n. 8.212/91, tampouco da Lei n. 10.101/00 ou da CLT, mas simplesmente da imunidade enunciada pela Constituição Federal. Portanto, a aplicabilidade imediata eplena do inciso IX do art. r da CF justifica a anulação do auto de infração, que, inconstitucionalmente, onera importância expressamente imunizada pela Constituição Federal. Não incidência sobre os Ganhos EventuaisLei 9711, Ganhos Eventuais Acordo Coletivo Noturno, Abono Eventual e Abono Indenizatório. A hipótese de incidência da contribuição sobre a folha pode ser reduzida ao ato de ''pagar ou creditar remuneração em contraprestação ao trabalho gerador de jlliação ao RGPS". A classificação dos pagamentos, se remuneração ou não, é inócua, porque o fato gerador pressupõe que o pagamento seja de remuneração que retribua o trabalho. As importâncias pagas ou creditadas pela impugnante como Ganhos Eventuais Lei 9711, Ganhos Eventuais Acordo Coletivo Noturno GT, Abono Eventual e Abono Indenizatório, não objetivam retribuir o trabalho. não incidindo contribuições previdenciárias sobre os tais valores. Enquanto os Ganhos Eventuais e o Abono Eventual são pagos por mera liberalidade do empregador, em caráter eventual, os Ganhos Eventuais Acordo Coletivo Noturno GT e o Abono Indenizatório compensam uma perda relativa, indenizando o trabalhador em razão de uma condição especial do tr Por essa razão, 16 Fl. 2615DF CARF MF Impresso em 18/08/2015 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2015 por IRDA MORAIS Processo n' 10580.733578/2011-87 Acórdào fi,o 2403-002.952 não há que se falar em incidência de contribuições previdenciárias sobre os Ganhos Eventuais Lei 971 I, Ganhos Eventuais Acordo Coletivo Noturno GT, Abono Eventual e Abono Indenizatório. Essa conclusão impõe, inevitavelmente, a anulação do auto de infração, posto que pretende tributar importâncias não incidentes, por força da regra contida no inciso 1 do art. 22 da Lei n. 8.212/91. Isenção sobre os Ganhos Eventuais Lei 97[[, Ganhos Eventuais Acordo Coletivo Noturno, Abono Eventual e Abono Indenizatório. A impugnante logrou comprovar á Auditoria Fiscal, através da apresentação das folhas analíticas, que os Ganhos Eventuais Lei 97n, os Ganhos Eventuais Acordo Coletivo Noturno .. GT, e os Abonos Eventual e Indenizatório, não obstante terem sido utilizados em lodas as competências, não foram pagos mais de uma vez ao mesmo empregado, de modo que os beneficiários nunca se repetem. Para facilitar a visualização da eventualidade dos pagamentos dessas verbas, a impugnante confeccionou planilha de cálculo contendo o nome do empregado beneficiado pela parcela e a competência do pagamento, nominandoa rubricas filtradas (Doc.02). Esse documento demonstra que as verbas não foram pagas com habitualidade, embora tenham sido utilizadas em todas as competências. Os valores pagos ou creditados pela impugnante aos empregados através dessas rubricas são essencialmente eventuais. Essa característica decorre da ausência de periodicidade e/ou da ausência de expectativa. Se os valores não foram pagos mais de uma vez ao mesmo empregado, obviamente, não haveria que se falar em expectativa de reiteração ou hábito, dada a fortuidade do pagamento. Assim, ainda que Vossas Senhorias considerem essas rnbricas como uma espécie de remuneração que retribui o trabalho (pressuposto de incidência), o que admitimos apenas para argumentação, a autuação fIScal deve ser anulada, haja vista que a desoneração sobre os ganhos eventuais e abonos expressamente desvinculados do salário advém da isenção enunciada na alínea e do f9° do artigo 28 da Lei n. 8.212/91. Não incidência do Auxílio Filho Excepcional. A impugnante, por força de regra contida no Acordo Coletivo de Trabalho, concede ao empregado que possuir filho excepcional ou doença mental irreversível, mediante atestado médico comprobatório e enquanto perdurar a deficiência, prestação pecuniária assistencial. O objetivo deste auxílio é a participação do empregador no custeio das despesas médicas, hospitalares e educativas que essa condição especial da prole impõe ao grupo familiar, minimizando os impactos que os acréscimos de encargos familiares produziriam sobre a qualidade de vida do trabalhador. Os valores recebidos a título de Auxl1io Filho Excepcional, portanto, não objetivam retribuir o trabalho, mas auxiliar no custeio das despesas de educação e tratamento especializados despendidas em prol dos portadores de doenças congênitas ou adquiridas. Em face dessas constatações, o auxílio filho excepcional não se amolda á hipótese de incidência do inciso I do art. 22 da Lei .212/91. S2-C4T3 Fl.1O Fl. 2616DF CARF MF Impresso em 18/08/2015 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2015 por IRDA MORAIS Da impossibilidade de cobrança concomitante de multa de mora e multa de oficio. Por fim, compete á impugnante, ainda que o acolhimento dos argumentos precedentes determine o cancelamento integral da presente autuação fiscal, demonstrar a impossibilidade de a Administração Tributária imputar-lhe a penalidade denominada de multa de oficio em concomitância com a multa de mora. Portanto, é de rigor seja decretada a ilegitimidade da cumulação da cobrança de ambas as multas, como pretende a Autoridade Lançadora através da autuação ora questionada. Subsidiariamente - Da não aplicação de juros de mora sobre a multa de oficio. Subsidiariamente, caso não seja cancelado o crédito tributário consubstanciado no presente processo, o que se admite apenas para argumentar, deve-se, ao menos, excluir a cobrança de juros de mora sobre a referida multa de oficio. Isto porque a exigência dos juros de mora sobre a multa de oficio aplicada carece de base legal, já que o J 3° do artigo 61 da Lei n °9.430/96, é claro ao restringir a incidência dos juros de mora sobre o valor do principal lançado. Os débitos a que se refere o J 3° são aqueles decorrentes de tributos e contribuições mencionados no caput. Aqueles não podem ser confundidos com as multas (penalidade), pois têm causas diversas, conforme dispõe o artigo 3' do CTN. Portanto, ao interpretar a legislação ordinária verifica-se que aquela autoriza expressamente a incidência de juros de mora somente sobre o valor dos tributos e contribuições, e não sobre o valor da multa de oficio lançada. Portanto, subsidiariamente, caso não seja integralmente cancelado o Auto de Infração com base no direito arguido na presente Impugnação, o que se admite apenas para argumentar, devem estes Julgadores, ao menos, excluir a cobrança de juros de mora sobre a multa de oficio. Considerações finais. Considerando que a impugnação administrativa versa sobre a totalidade dos Autos de Infração emitidos no MPF em referência e que somente o esgotamento da via administrativa poderá ensejar a constituição do crédito tributário, com a conseqüente verificação da existência de eventual crime fiscal, requer a Vossas Senhorias dignemse em não encaminhar ao Ministério Público representação para fins penais, relativa aos crimes contra a ordem tributária, enquanto não proferida decisão final na esfera administrativa sobre a exigência do crédito tributário correspondente. Pedido. Requer.a impugnante seja conhecida a presente impugnação e, no mérito, julgada procedente, o fazendo para acolher e declarar totalmente insubsistentes os Autos de Infração emitidos no procedimento fiscal em referência. Subsidiariamente, requer, ao menos, seja cancelada a incidência dos juros de mora sobre a multa de oficio, conforme entendimento pacífico da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Requer ainda, a eventual necessidade de produção de prova pericial e novas diligências, observando, assim, as franquias constitucionais e legais do contraditório peifeito e da ampla defesa. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: 18 Fl. 2617DF CARF MF Impresso em 18/08/2015 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2015 por IRDA MORAIS . Processo n° 10580.733578/2011-87 Acórdão n.o 2403-002.952 • Tributação incidente sobre PLR e ILP. S2-C4T3 Fl.II • Tributação sobre ganhos eventuais: Lei 9.711, acordo coletivo noturno, abono eventual e abono indenizatório. • Tributação auxílio filho excepcional. • Juros sobre multa de oficio. É o relatório. Fl. 2618DF CARF MF Impresso em 18/08/2015 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2015 por IRDA MORAIS Voto Vencido Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator o recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. TRIBUTAÇÃO - REGRA GERAL A regra geral estabelecida pela legislação é a da tributação da totalidade dos rendimentos do trabalho. A base de cálculo das contribuições previdenciárias, é bastante abrangente, conforme se depreende do artigo 195 da Constituição Federal de 1988: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade. de forma direta e indireta, nas termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados. do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: 1- do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nO 20. de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa jisica que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional n° 20, de 1998) A Lei 8.212/91, que institui o Plano de Custeio da Seguridade Social, no inciso I do artigo 28 da Lei 8212/91 conceitua o salário de contribuição, para os segurados empregados, como sendo a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, incluindo os ganhos habituais sob a forma de utilidades: Art. 28. Entende-se por salàrio-de-contribuição: I - para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade 20 Fl. 2619DF CARF MF Impresso em 18/08/2015 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2015 por IRDA MORAIS Processo n" 10580.733578/2011-87 Acórdão n.o 2403-002.952 dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo á disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nO9.528, de 10.12.97) S2-C4T3 FI. 12 Não se pode confundir o conceito trabalhista de remuneração com o conceito de salário de contribuição, este sim a verdadeira base de cálculo onde incidem as contribuições previdenciárias. A este respeito transcreve-se, a seguir, obra de Fábio Zambitte Ibrahim (Curso de Direito Previdenciário, Niterói, Rio de Janeiro, Ed. Impetus, 2006, fls. 247248), que se insurge contra tal equívoco: "O salário de contribuição, exclusivo do direito Previdenciário, é a expressão que quantifica a base de cálculo da contribuição previdenciária dos segurados da Previdência Social, configurando a tradução numérica dofato gerador. A delimitação do salário de contribuição é assunto de grande complexidade do ramo previdenciário do Direito, sendo, por conseqüência, fonte de intermináveis discussões e simplificações indevidas, que acabam por macular o instituto previdenciário. Uma causa de grandes prejuízos á autonomia didática do Direito Previdenciário é propiciada pelo próprio PCSS ao definir que o salário de contribuição é, em regra, equivalente á remuneração do trabalhador. Devido a esta conceituação, freqüentemente, a base de cálculo previdenciária é vista como mero sinônimo da própria remuneração, sendo esta analisada exclusivamente perante oprisma trabalhista. Como fonte do Direito Previdenciário, é lícito ao aplicador do Direito buscar uma predefinição do conceito de salário de contribuição, a partir do conceito trabalhista, mas sem aceitar de imediato a similitude de conceitos. Se o legislador criou instituto próprio previdenciário, como o salário de contribuição, cabe ao intérprete subentender que existe uma razão para tanto, pois, se assim não fosse, seria mais fácil utilizar-se de pronto do signo remuneração ". A não incidência se limita ao estabelecido no S 9° do acima citado artigo 28, que, textualmente registra que exclusivamente as verbas listadas não integram o salário de contribuição. 214Y. Fl. 2620DF CARF MF Impresso em 18/08/2015 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2015 por IRDA MORAIS ~ 9° Não integram o salário-de-contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: a) os beneficios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o salário-maternidade;(Redação dada pela Lei n° 9.528, de 10.12.97). b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei n° 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministêrio do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei n° 6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente á dobra da remuneração de férias de que trata oart. 137 da Consolidação das Leis do Trabalho-CLT;(Redação dada pela Lei n° 9.528, de 10.12.97). A conclusão a que se chega é que excetuando o previsto no 9 9°, as demais verbas que compõe a remuneração estão sujeitas à tributação. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS - PLR A recorrente entende que "a desoneração da PLR não depende da satisfação dos requisitos da Lei 8.212/91, tampouco da Lei 10.101122 ou da CLT, mas simplesmente da imunidade enunciada pelo inciso IX do art.7° da Constituição Federal." Discordo da recorrente. A CF, nos termos do art. 7°, inciso XI, assegura aos empregados o direito à participação nos lucros ou resultados da empresa desvinculada da remuneração, quando concedida de acordo com lei específica, é . portanto, uma normas constitucionais de eficácia limitada. Art. r São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhon"a de sua condição social: XI - participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; 22 Fl. 2621DF CARF MF Impresso em 18/08/2015 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2015 por IRDA MORAIS Processo n' 10580.733578/2011-87 Acórdão 0.° 2403-002.952 S2-C4T3 FI. 13 Como se denota do dispositivo constitucional transcrito, trata-se de norma de eficácia limitada, cuja produção plena de efeitos foi condicionada à regulamentação pelo legislador infraconstitucional. Nesse sentido, o entendimentodo SupremoTribunal Federal: Participação nos lucros. Art. 70, Xl, da CF. Necessidade de lei para o exercício desse direito. O exerdcio do direito assegurado pelo art. 70, XI, da CF começa com a edição da lei prevista no dispositivo para regulamentá-lo, diante da imperativa necessidade de integração. Com isso, possível a cobrança das contribuições previdenciárias até a data em que entrou em vigor a regulamentação do dispositivo. (RE 398.284, Rei. Min. Menezes Direito, julgamento em 2392008, Primeira Turma, DJE de 19122008.) No mesmo sentido: RE 505. 597AgR-AgR, Rei. Min. Eros Grau, julgamento em 1°-12-2009, Segunda Turma, DJE de 18-12-2009; RE 393. 764-AgR, Rei. Min. Ellen Gracie, julgamento em 25IJ2008, Segunda Turma, DJE de 19-12- 2008. Em atendimento ao comando constitucional, sobreveio a Lei n° 10.10112000,que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa e que, no artigo 1° dispõe ser a Participação nos Lucros e Resultados instrumento de integração entre o capital e trabalho, ou seja, é importante estratégia para atingir motivação e produtividade por parte dos empregados, lucro para as empresas e melhores condições sociais. Art. 1" Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo á produtividade, nos termos do art. 70, inciso Xl, da Constituição. A Participação nos Lucros ou Resultados, na forma concebida pela Lei 10.10112000, tem caráter notoriamente condicional. Sua percepção está vinculada ao alcance de metas pelos empregados, estabelecidas por meio de negociação entre esses e o empregador. Como ensina Fabio Campinho, na obra Participação nos Lucros ou Resultados Subordinação e Gestão da Subjetividade, O pagamento de valor desatrelado do alcance ou cumprimento de metas nada contribui para a integração capital e trabalho, configurando juridicamente salário sendo perfeitamente admissível que nestes casos o judiciário trabalhista considere o valor pago como parte integrante do complexo salarial. A incerteza é intrínseca à PLR. S ação prévia de um percentual sobre os lucros ou Fl. 2622DF CARF MF Impresso em 18/08/2015 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2015 por IRDA MORAIS de metas a serem atingidas não pode haver participação. Pelo menos não segundo os ditames fIxados pela Lei 10.10112000. Este fator imponderável que faz com que o lucro a ser atingido ao fInal do exercício contábil não seja previsível a não ser por estimativas, que faz com que as metas possam ou não ser alcançadas, é o que torna o programa condizente com os dispositivos legais. Portanto, parcela rIXa, sem qualquer condicionante, não é PLR. É juridicamente salário. (..) Ao conceder a participação sob a forma de um "abono" desvinculado de qualquer meta não produz qualquer motivação adicional. Trata-se apenas de uma mudança de rubrica. A parcela que anteriormente era considerada salarial para a não ser mais. Fato que em nada contribui para a "integração do trabalhador na vida da empresa" (Lei n° 10.101/2000, art. 1). Em verdade, é peifeitamente admissível que nestes casos o judiciário trabalhista considere o valor pago como parte integrante do complexo salarial. Afinal, a incerteza é intrínseca a PLR. Sem afIXação prévia de umpercentual sobre os lucros ou de metas a serem atingidas não pode haver participação. Pelo menos não segundo os ditames fIXados pela Lei 10.101/2000. Este fator imponderável que faz com que o lucro a ser atingido ao final do exercício contábil não seja previsível a não ser por estimativas (que não deixam de ser aproxímações), que faz com que as metas possam ou não ser alcançadas, é o que torna o programa condizente com os dispositivos legais. Portanto, parcela fIXa, sem qualquer condicionante, não é PLR. É juridicamente salário. (Editora LTR, São Paulo, 2009, p. 90.) A Lei nO.10.101, de 19/12/2000 ao estabelecer critérios, estabelece uma defInição para "participação nos lucros ou resultados", logo, se de acordo com a Lei 10.10112000 é PLR imune à tributação, senão, apesar do "nome", não é PLR e será integralmente tributado. Para que o segurado empregado tenha direito à PLR não há necessidade de lucro por parte da empresa, podendo ser paga em função de um resultado. O resultado, conforme previsto na Lei nO. 10.101/00, é um resultado que se baseia em regras claras e objetivas de metas a serem alcançadas e que tem o intuito de incentivar a produtividade. Para a participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa, a Lei n°. 10.101100 estabelece as seguintes condições: a) A PLR deve ser objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos abaixo, escolhidos pelas partes de comum acordo: • Comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; • Convenção ou acordo coletivo. b) Dos instrumentos decorrentes da negociação, deverão constar regras claras e objetivas quanto à fIxação dos direitos substantivos da participação e das regras 24 Fl. 2623DF CARF MF Impresso em 18/08/2015 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2015 por IRDA MORAIS Processo n° 10580.733578/2011-87 Acórdão n." 2403-002.952 S2-C4T3 FI. 14 adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: • Índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; • Programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. c) É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de PLR em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. A/1.1QEsta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, /lOS termos do art. 7", inciso XL da Constituição. Art.2"A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: l-comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; lI-convenção ou acordo coletivo. SIQDos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, periodo de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: l-indices de produtividade. qualidade ou lucratividade da empresa; lI-programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. f2 QO instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. Art.3QA participação de que trata o art. 2Qnão substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado. nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando oprincipio da habitualidade. f I"Para efeito de apuração do poderá deduzir como pes lucro real, a pessoa jurídica eracional as participações 25 Fl. 2624DF CARF MF Impresso em 18/08/2015 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2015 por IRDA MORAIS atribuidas aos empregados nos lucros ou resultados, nos termos da presente Lei, dentro do próprio exercício de sua constituição. *2"Ê vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a titulo de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civiL A ausência de um desses requisitos é suficiente para desqualificação da verba paga como PLR. Somente os valores pagos com estrita obediência aos comandos previstos na Lei n° 10.101/00 estão fora da esfera de tributação da contribuição previdenciária. Nesse sentido, apresento jurisprudência do CARF e também do STJ: CARF ASSUNTO.: Co.NTRIBUIÇÕES So.CIAIS PREVIDENCIÁRIAS Periodo de apuração: 01/12/1997 a 31/12/2003 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO No.TIFICAÇÃo. FISCAL DE LANÇAMENTO. PARTICIPAÇÃO. No.S LUCRo.S PARCELA INTEGRANTE DO. SALÁRIO. DE Co.NTRIBUIÇÃo. INCIDÊNCIA DE Co.NTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DESCUMPRIMENTO. DAS REGRAS DA LEI 10.IOl/2000. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos principias da legalidade e da isonomia. O pagamento de participação nos lucros e resultados em desacordo com os dispositivos legais da lei 10.101/00, quais sejam, existência de acordo prévio ao exercício, bem como a existência de regras previamente ajustadas, enseja a incidência de contribuições previdenciárias, posto a não aplicação da regra do art. 28, *9°, "j" da Lei 8.212191. Co.NTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO. QÜINQÜENAL. (..)NULlDADE. CERCEAMENTO. DO. DIREITO. DE DEFESA E DO. Co.NTRADITÓRIo. INo.CORRÊNCIA.(..). RECURSO. Vo.LUNTÁRIo. PRo.VIDo. EM PARTE. (Acórdão 240/00545) STJ PRo.CESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. Co.NTRIBUIÇA-o. PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO. No.S LUCRo.S o.U RESULTADo.S. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE o.BSERVÂNCIA Á LEGISLAÇÃO. ESPECÍFICA. 1. Embasado o acórdão recorrido também em fundamentação irifraconstitucional autônoma e preenchidos os demais pressupostos de admissibilidade, deve ser conhecido o recurso especial. 26 Fl. 2625DF CARF MF Impresso em 18/08/2015 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2015 por IRDA MORAIS • Processo n° 10580.733578/2011-87 Acórdão n." 2403-002.952 2. O gozo da isenção fiscal sobre os valores creditados a titulo de participação nos lucros ou resultados pressupõe a observância da legislação especifica regulamentadora, como dispõe a Lei 8.212/91. 3. Descumpridas as exigências legais, as quantias em comento pagas pela empresa a seus empregados ostentam a natureza de remuneração, passíveis, pois, de serem tributadas. 4. Ambas as Turmas do STF têm decidido que é legitima a incidência da contribuição previdenciária mesmo no período anterior à regulamentação do art. 7~ XI, da Constituição Federal, atribuindo-lhe eficácia dita limitadaJato que não pode ser desconsiderado por esta Corte. 5. Recurso especial não provido (REsp 856i60/PR, Relatora Ministra ELiANA CALMON, DJe 23/06/2009). S2-C4T3 FI. 15 Conforme disposição expressa no art. 28, ~ 9°, alínea 'T', da Lei n° 8.212/91, nota-se que a exclusão da parcela de participação nos lucros na composição do salário-de- contribuição está condicionada à estrita observância da lei reguladora do dispositivo constitucional. Essa regulamentação somente ocorreu com a edição da Medida Provisória nO 794, de 29 de dezembro de 1994, reeditada sucessivas vezes e convertida na Lei nO10.101, de 19 de dezembro de 2000, que veio regular o assunto em tela. A/1. 28. Entende-se por salário-de-contribuição: S 9"Não integram o salário-de-contribuição: j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. Conforme previsto na alínea "j" do ~ 9° do art. 28 da Lei n ° 8.212, a única hipótese para que a participação nos lucros e resultados não sofra incidência de contribuição previdenciária é que seja paga de acordo com a lei específica, isto é, se enquadre no estabelecido na lei 10.10112000. Assim, onde o legislador dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei estender a interpretação. Constatado o desrespeito à exigência legal, resulta descaracterizados os pagamentos como sendo PLR e passam à condição de pagamentos com natureza remuneratória. A recorrente questiona a tributacão da PLR e afIrma que cumpnu todas determinacões da Lei 10.101/2000. Analisemos. Fl. 2626DF CARF MF Impresso em 18/08/2015 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2015 por IRDA MORAIS PLR - EMPREGADOS A PLR aqui tributada é exclusivamente a paga aos empregados nos estabelecimentos da Bahia. Para as demais unidades da empresa, a fiscalização considerou a PLR em harmonia com a Lei 10.101/00. Entendo, para o objeto do lançamento, comprovado que não houve participação de representante indicado pelo sindicato da categoria e os acordos não foram devidamente arquivados nos entes representativos. A argumentação de que dirigentes sindicais, empregados da empresa, compunham a cODÚssão,não é suficiente. A Lei exige "um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria". Registra o Relatório Fiscal a participação de comissão dos empregados em todos os acordos. Quanto aos representantes dos sindicatos, a não participação se limita à Bahia. 3.]] Todos os acordos apresentadosforamfirmados sempre com uma comtssão de empregados, conforme procedimento previsto no inciso I do artigo 2" da Lei n° 10.101/2000. Este dispositivo legal exige, também, que a comissão de empregados seja integrada por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria. Cabe ressaltar, também, o parágrafo 2° do artigo 2~ que diz que o instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. 3.12 Nos acordos firmados com as diversas unidades de produção da empresa, com exceção das unidades da Bahia (item 3.8, j), foi constado que, nos documentos elaborados, havia assinaturas dos representantes indicados nos campos reservados e, na maioria, foram apresentadas cartas-convite aos sindicatos envolvidos, informando a data da celebração do acordo e a solicitação de indicação de um representante. 3.13 Nos acordos realizados com os trabalhadores lotados em unidades da Bahia, foi possível verificar que não houve representante indicado pelos sindicatos, pois os locais previstos para as assinaturas destes representantes estavam apócrifos, ou seja, os documentos elaborados não foram assinados no campo indicado para os representantes indicados pelos sindicatos. Também não foi apresentado qualquer documento que demonstrasse que os sindicatos envolvidos fossem convidados a participar ou informados sobre a data para elaboração do acordo. 28 Fl. 2627DF CARF MF Impresso em 18/08/2015 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2015 por IRDA MORAIS Processo n° 10580. 733578/2011 ~87 Acórdão n.° 2403-002.952 3.19 Notícias obtidas na internet dão conta da existência de conflitos entre os sindicatos e a direção da Suzano, especialmente no que refere à fixação de metas, autonomia da comissão, disposição da empresa para negociação, etc. O sindicato SINDICELPA, inclusive, acusa a Suzano de evitar a negociação. 3.20 A PLR paga aos empregados lotados nos estabelecimentos da Bahia não està de acordo com a legislação especifica. Não houve participação de representante indicado pelos sindicatos da categoria, e os acordos não foram devidamente arquivados nos entes representativos. 3.21 Diante o exposto, resta demonstrado que a empresa descumpriu as exigências da Lei n° 10.101/2000. Este descumprimento faz com que as quantias pagas aos empregados, lotados nas unidades da Bahia, a título de PLR, passem a ter natureza remuneratória, sujeitas, portanto, à incidência de contribuição previdenciária. 3.22 Os estabelecimentos ativos noperíodo e com localização na Bahiaforam: 16.404.287/0001-55,16.404.287/0013-99, 16.404.287/0029-56 e 16.404.287/00129- 19. 3.24 Em relação aos outros estabelecimentos, foram aceitos os documentos apresentados como regulares, pois ficou demonstrada a participação de um representante indicado pelo Sindicato correspondente. Foi verificado que todos eles tinham objetivos e metas a cumprir. S2-C4T3 FI. 16 Entendo que a falta do representante do sindicato na comissão fere o estabelecido na Lei 10.10112000, e é motivo suficiente para considerar tal rubrica como sujeita a Tributação. PLR - DIRETORES E GERENTES Está bem demonstrado que a empresa possui 'PLR para dirigentes distinto do dos empregados e que a PLR dos dirigentes é estabelecido de forma isolada e exclusiva pela empregadora. Tal fato foi apresentado no Relatório Fiscal e não foi contestado. Fl. 2628DF CARF MF Impresso em 18/08/2015 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2015 por IRDA MORAIS 4.1.1 O contribuinte pagou a PLR deforma diferenciada para os seus empregados com determinados cargos executivos (de direção e gerencia), inclusive aos diretores estatutários, no período fiscalizado. O PLR destes empregados foi definido pela empresa de forma unilateral, como uma maneira de alavancar resultados e fidelizar seus executivos. Foram elaborados dois Planos de Participação para estes funcionários. um de longo e outro de curto prazo. 4.1.3 A estratégia utilizada pela empresa foi a de acrescentar uma cláusula, no Acordo de PLR firmado com a comissão, autorizando a empregadora a elaborar planos específicos e diferenciados para aqueles que exercem certos cargos de gestão ou confiança, a fim de aproveitar os beneficios dados pela Lei. Em todos os acordos firmados com a comissão de empregados e sindicatos existe uma cláusula prevendo a possibilidade da criação deste plano à parte para dirigentes. A título exemplíficativo, destacamos abaixo a cláusula de um dos acordos: "8.2 O presente PLRE inclui a possibilidade de a EMPREGADORA estabelecer e adotar, isolada e exclusivamente, no decorrer do exercicio de **** (ano), um programa de participação específico para empregados que exercem cargos de gestão ou de confiança, com os mesmos efeitos previstos na legislação ... "(exemplíficativo) 4.1.4 Por essa cláusula, se percebe o caráter unilateral dos planos dos diretores e gerentes, já que diz que a empregadora estabelecerá, isolada e exclusivamente, o plano daquela categoria de empregados. Vale dizer, não haverá negociação entre a empresa e seus empregados na fixação das regras desse PLR específico. Essa unilateralidade vai de encontro aos requisitos da Lei 10.101/00 e, portanto, faz com que a PLR paga aos diretores e gerentes integre o salário-de- contribuição, conforme previsto pela Lei 8212/91. Entendo essa PLR em desacordo com a lei 10.10 1/00 e, por conseqüência, sujeito à tributação. INCENTIVO DE LONGO PRAZO - ILP A recorrente alega a não incidência da contribuição previdenciária, que "não podemos aceitar outra conotação à expressão "remuneração" senão aquela conferida pela CLT", que o IPL não remunera o trabalho, apenas fidelidade temporal com o empregador e a eventualidade. 30 Fl. 2629DF CARF MF Impresso em 18/08/2015 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2015 por IRDA MORAIS Processo n" 10580.733578/2011.87 Acórdão n." 2403-\l02.952 S2.C4T3 FI. 17 Registra o Relatório Fiscal que o ILP apresentado traz como objetivo "promover a retenção e atração de executivos e membros chave da organização, alinhando interesses entre acionistas e executivos fazendo com que os executivos tenham uma parcela significativa de seus recursos em ações da empresa." 4.3.1 Oprograma de Incentivo de Longo Prazo apresentado traz como objetivo H promover a retenção e atração de executivos e membros chave da organização, alinhando interesses entre acionistas e executivos jazendo com que os executivos tenham uma parcela significativa de seus recursos em ações da empresa. " A empresa procura vincular o ILP ao PLR. Entendo que a empresa pode dar o titulo que quiser à rubrica, porém, para receber tratamento tributário de PLR deve ser harmônica com a Lei lO.!O1100, o que não acontece visto que o ILP foi elaborado de forma unilateral pela empresa e visa a retenção de trabalhadores. o item 10 do Plano demonstra a tentativa de vinculação à PLR. lO. PROCEDIMENTO TRABALHISTA Os valores pagos pelo programa de Incentivo de Longo Prazo constituem complementarmente e integram, para o caso dos Executivos elegíveis, o Programa Específico de Participação nos Lucros e Resultados, com base na autorização para a adoção de Programa Específico para empregados que exercem cargo de gestão ou corifiança constante em cláusula do Acordo referente à Participação nos Lucros e Resultados. Entendo evidente seu caráter remuneratório e sua vinculação ao trabalho realizado na empresa, seja pela dedicação do tempo trabalhado como pela exigência de resultado desse trabalho. Também entendo que uma verba prevista em contrato não deve ser considerada eventual. Considero correta a tributação. 31 f Fl. 2630DF CARF MF Impresso em 18/08/2015 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2015 por IRDA MORAIS GANHO EVENTUAL LEI 9711 A recorrente questiona a tributação incidente sobre ganhos eventuais Inicialmente registro que a natureza remuneratória de qualquer verba paga ao trabalhador não está associada ao nome dado, mas a sua origem e natureza. Entendo que a eventualidade está afastada pela demonstração da previsibilidade do pagamento das verbas; o caráter indenizatório foi alegado genericamente, sem comprovação fática e a relação da remuneração com a prestação do trabalho está bem demonstrada. Abaixo transcrevo trechos do relatório Fiscal sobre as rubricas, onde há registro de falta de esclarecimentos. 5.1.GANHOEVENTUALLEI9711- GE 5.1.4 Ainda, na verificação da folha. constatou-se que havia proventos sob o titulo de "Ganho Eventual lei 9711/98", e os valores totais disponibilizados foram elevados, assim, tornou-se necessán"o buscar a origem e natureza destas verbas. Ao solicitar informações á empresa sobre a natureza destes proventos, o contribuinte limitou-se a responder que se tratava de uma liberalidade da empresa e que não foi feito pagamento de forma habitual, o que afasta a incidência da contribuição previdenciária, conforme determina a Lei 9. 711/98 (NT 5). 5.1.5 Da análise destes pagamentos em folha, observou-se que, dos 214 beneficiários, 195 (91%) receberam os pagamentos na competência da rescisão do contrato de trabalho.Dos outros 19 beneficiários, 4 exercem a função de diretor, e 11 a função de gerente. 5.1.6 O contribuinte foi intimado a demonstrar a natureza indenizatória destas verbas na rescisão de contrato. Todos os termos de rescisão foram solicitados para melhor averiguação das verbas rescisórias. 5.1. 7Mais uma vez o contribuinte limitou-se a responder que se tratava de uma liberalidade da empresa, e que os pagamentos foram eventuais, Contudo, no procedimento de auditoria, percebeu-se que ocorreu pagamento de verbas de ILP (pLR de longo prazo) sob este titulo, paga aofuncionário Eduardo Lopes Sandre, em 20/12/2008. Outros pagamentos foram feitos na data de rescisão de diretores e gerentes. Assim, verificou-se que esta verba era utilizada para pagar parcelas da PLR de longo prazo que está associada ao cargo e áprodutividade do segurado. 5.1.8 Diante deste fato, o contribuinte foi questionado sobre o pagamento de ILP a titulo de ganhos eventuais Lei 9711/98, e o mesmo admitiu, em resposta a este questionamento, que "um 32 Fl. 2631DF CARF MF Impresso em 18/08/2015 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2015 por IRDA MORAIS Processo n" 10580.733578/2011-87 Acórdão n." 2403-002.952 ganho eventual pode se referir, no caso de uma rescisão contratual, a um saldo de PLR" (Nr 7). 5.1.9 Estes esclarecimentos demonstram que a rubrica de "Ganhos Eventuais Lei 9711" não se trata de verbas pagas por liberalidade, mas de verbas pagas por fatos relacionados aos cargos ou a produtividade e, desta forma, mesmo não sendo pagos de forma habitual, a sua natureza é eminentemente salarial. pois está vinculado ao trabalho. Entendo correta a tributação. S2-C4T3 FI. 18 TmmUTAÇÃO ACORDO COLETIVO NOTURNO, ABONO EVENTUAL E ABONO INDENIZATÓRIO A recorrente alega que as verbas não objetivam retribuir o trabalho, não incidindo contribuições previdenciárias sobre os tais valores, que o Abono Eventual é pago por mera liberalidade do empregador, em caráter eventual, que os Ganhos Eventuais Acordo Coletivo Noturno GT e o Abono Indenizatório compensam uma perda relativa, indenizando o trabalhador em razão de uma condição especial do trabalho. Registra o Relatório Fiscal que essas verbas estão previstas em convenção. 5.2 GANHO EV AC CaL TURNO - GT 5.2.1 Este ganho também não foi oferecido á tributação. A empresa entendeu que esta verba teria caráter eventual, contudo, tal parcela foi verificada na convenção de trabalho apresentada. 5.2.2 Na convenção está previsto o pagamento de uma parcela fixa e anual aos trabalhadores de Turno. Conforme dados extraidos dafolha, os pagamentos foram efetuados todos anos de modo consecutivo e habitual. Como não há previsão legal para afastar a incidência de contribuição previdenciária, fodos os pagamentos efetuados foram considerados como base de cálculo. EVENTUAL E ABONO INDENIZATÓRIO - AE E AI 5.3.1 Estes abonos estão previstos em acordos e convenções de trabalho. São verbas fixadas nos acordos e convenções coletivas, tem valor fIXO e são pagas anualmente. vinculados ao trabalho. Fl. 2632DF CARF MF Impresso em 18/08/2015 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2015 por IRDA MORAIS 5.3.2 A lei 9711 só afasta a incidência da contribuição previdenciária dos Abonos que são desvinculados expressamente do salánoo. Não tem os acordos e convenções o poder de isentar estes abonos, somente a lei. 5.3.3 Estas verbas têm relação com o trabalho desenvolvido, estão previstas em acordos e convenções de trabalho, são pagas com habitualidade e, portanto, devem sofrer a incidência da contribuição previdenciária. Com base no Ato Declaratório nO1612011,da PGFN, entendo que as verbas devem ser excluídas da tributação. A PROCURADORA-GERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso Jl do art. 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5" do Decreto n° 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/N° 2114/2011, desta Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 09/12/2011 , DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: "nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o abono único, previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não há incidência de contribuição previdenciária". TRIBUTAÇÃO AuxíLIO FILHO EXCEPCIONAL. O auxílio excepcional está previsto nos acordo e convenções de trabalho e não há previsão legal para afastar a contribuição previdenciária. Aplico a regra geral do artigo 28 da Lei 8.3212/91 e considero correto o lançamento. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. O questionamento quanto à incidência de juros sobre multa de oficio é impertinente, já que tais acréscimos legais não foram lançados nos Autos de Infração que integram o processo em análise. Não obstante, os juros sobre multa de oficio serão exigidos 34 Fl. 2633DF CARF MF Impresso em 18/08/2015 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2015 por IRDA MORAIS Processo n° 10580.733578/2011-87 Acórdão n. o 2403~002.9S2 S2-C4T3 FI. 19 quando do pagamento ou parcelamento, com fundamento no artigo 61 da Lei nO9.430/96 c/c art. I 13, S 3° do CTN. Abaixo transcrevo a fundamentação legal para a cobrança dos juros, na forma apresentada quando do lançamento. 602 - ACRESCIMOS LEGAIS - JUROS 602.08 - Competências: 12/2008 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 35, combinado com o art. 61 da Lei n. 9.430, de 27.12.96, com redação da MP n. 449, de 04.12.2008, convertida na Lei n. 11.941, de 27.05.2009. CALCULO DOS JUROS: JUROS CALCULADOS SOBRE O VALOR ORIGINARIO, MEDIANTE A APUCACAO DOS SEGUINTES PERCENTUAIS: A) TAXA MEDIA MENSAL DE CAPTACAO DO TESOURO NACIONAL RELATIVA A DIVIDA MOBIUARIA FEDERAL / TAXA REFERENCIAL DO SISTEMA ESPECIAL DE UQUIDACAO E DE CUSTODIA - SEUC, A PARTIR DO PRIMEIRO DIA DO MES SUBSEQUENTE AO VENCIMENTO DO PRAZO ATE O MES ANTERIOR AO DO PAGAMENTO B) 1% (UM POR CENTO) CONCLUSÃO Voto por dar provimento parcial ao recurso para determinar a exclusão da tributação incidente sobre Ganho Eventual Acordo Coletivo Noturno, Abono Eventual e Abono Indenizatório. Carlos Alberto Mees Stringari Voto Vencedor Ilustrissimo relator, apesar da coerência dos argumentos expostos no decorrer do voto elaborado, ouso divergir dos termos nele expostos, pelos seguintes fundamentos. A respeito do pagamento de PLR a Diretores e Gerentes e do Plano Incentivo de Longo Prazo (item 4 do Relatório Fiscal), a autoridade fiscal afirma que a empresa pagou PLR de forma diferenciada para os seus empregados com cargos executivos (de direção e gerencia), inclusive aos diretores estatutários, os quais foram definidos de forma Fl. 2634DF CARF MF Impresso em 18/08/2015 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2015 por IRDA MORAIS unilateral e não teria havido a participação de empregados ou de qualquer sindicato na elaboração destes planos. (item 4.1.1 e 4.1.2. do REFISC) Afirma também a fiscalização que a "estratégia" utilizada pela empresa foi a de acrescentar uma cláusula, no Acordo de PLR firmado com a comissão, autorizando a empregadora a elaborar planos específicos e diferenciados para aqueles que exercem certos cargos de gestão ou confiança e que em todos os acordos firmados com a comissão de empregados e sindicatos existem uma cláusula prevendo a possibilidade da criação deste plano à parte para dirigentes. (item 4.1.3. do REFISC) o fisçal colaciona ainda trecho da referida clausula, in verbis: 8.2. O presente PLRE inclui a possibilidade de a EMPREGADORA estabelecer e adotar, isolada e exclusivamente, no decorrer do exercício de xxxx (ano), um programa de participação específico para empregados que exercem cargos de gestão ou de confiança, com os mesmos efeitos previstos na legislação ... Os programas de participação foram denominados pela empresa de: a) PLRE - Geral para seus colaboradores; b) AP - Alta Performance ~ Para Gerentes e; c) APE - Alta Performance Executiva - para Diretores Estatutários e Gerentes Executivos Quanto ao PLRE, não houve discordância da fiscalização quanto a sua não incidência (apenas com relação ao programa da Bahia em que não houve participação sindical). Quanto ao AP e APE, conforme já ventilado, conclui a fiscalização que: Não houve a participação de empregados e sindicatos na elaboração dos planos de PLR dos executivos, o que descumpre os requisitos do art. 2°; O fato de haver cláusula autorizando a feitura de um plano específico para estes empregados não descaracteriza a unilateralidade do plano elaborado; Falta a transparência necessária. (itens 4.2.5 e 4.2.6 do REFISC) No entanto, discordo da conclusão fiscal. O fato de haver no contrato cláusula expressa deternlinando que a empresa poderá estabelecer "planos" específicos para os funcionários que exercem cargo de confiança, chefia e executiva, é suficiente para caracterizá-lo como PLR nos termos da Lei 10.101/2000, acaso preenchidas as outras disposições legais, que foi o que ocorreu. Houve a participação da comissão de empregados, bem como sindical para previsão da referida cláusula. O fato destes empregados e do sindicato não participar da forma pela qual será paga e o estabelecimento das suas metas em nada fere a legislação própria, a Lei 36 fl/ Fl. 2635DF CARF MF Impresso em 18/08/2015 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2015 por IRDA MORAIS , •• Processo n" 10580.733578/2011-87 Acórdão n." 2403-002.952 S2-C4T3 FI. 20 10.101/2000, uma vez que o que busca a legislação é estabelecer uma liberdade de negociação dos empregados e seu empregador. A jurisprudência do CARF tem se inclinado no sentido de aceitar que estão em conformidade com a Lei os instrumentos de negociação que mencionem documento apartado que apresente regras que serão utilizadas na fixação dos valores a serem repassados a título de PLR. É o que se pode ver de decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais - CSRF, consubstanciada no Acórdão n. 9202003.105, de 25/03/2014: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01102/2001 a 28/02/2005 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E EMPRESA PLR. IMUNIDADE. LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. RESULTADOS DA OBSERVÂNCIA A A Participação nos Lucros e Resultados PLR concedida pela empresa aos seus funcionários, como forma de integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, por força do disposto no artigo 7~ inciso XI, da CF, sobretudo por não se revestir da natureza salarial, estando ausentes os requisitos da habitualidade e contraprestação pelo trabalho. Somente nas hipóteses em que o pagamento da verba intitulada de PLR não observar os requisitos legais insculpidos na legislação específica, notadamente artigo 28, J 9~ alínea "j ", da Lei n° 8.212/91, bem como MP n° 794/1994 e reedições, dc Lei n" 10.10112000, é que incidirão contribuições previdenciárias sobre tais importâncias, em face de sua descaracterização como Participação nos Lucros e Resultados. A exzgencia de outros pressupostos, não inscritos objetivamente/literalmente na legislação de regência, como a necessidade de pagamentos igualitários a todos os empregados, é de cunho subjetivo do aplicador/intérprete da 'ei, extrapolando os limites das normas específicas em total afronta á própria essência do beneficio, o qual, na condição de verdadeira imunidade, deve ser interpretado de maneira ampla e não restritiva. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. EXISTÊNCIA DE ACORDO PREVENDO REGRAS PARA PAGAMENTO DA VERBA. MAIOR ESPECIFICIDADE EM SISTEMA DE GESTA-O DE DESEMPENHO DA PRÓPRIA EMPRESA. VALIDADE. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Constatando-se que a empresa concedeu Participação nos Lucros e Resultados com base em Acordo Coletivo com a explicitação de regras claras e objetivas, não há se falar em incidência de contribuições previdenciárias, ainda que a Fl. 2636DF CARF MF Impresso em 18/08/2015 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2015 por IRDA MORAIS • contribuinte tenha instrumentalizado aludido regramento em ato próprio denominado Sistema de Gestão de Desempenho, o qual contempla com maior especificidade as condições e fórmula de cálculo para concessão de referida verba, mormente quando fora devidamente informado aos beneficiários, os quais tem comissão pennanente para tratar da matéria. Recurso especial negado. No mesmo sentido, cabe destacar novamente, trechos da obra CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS à luz da jurisprudência do CARF, São Paulo: MP, 2012, p. 19, da lavra do Conselheiro Elias Sampaio Freire, in verbis: Não há regras detalhadas na lei sobre os critérios e as características dos acordos a serem celebrados. Os sindicatos envolvidos ou as comissões, nos termos do artigo 2~ têm liberdade para fIXarem os critérios e condições para a participação do trabalhador nos lucros e resultados. A intenção do legislador foi impedir que critérios ou condições subjetivas obstassem a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados. A objetividade e a clareza exigidas pelo parágrafo primeiro do art. 2" da Lei n. 10.101/00, nada mais representam do que uma forma de se garantir que não haja dúvidas que impeçam ou dificultem a qualquer das partes envolvidas o direito a observar o quanto fora acordado. Com isto, são alcançadas as duas finalidades da lei: há uma integração entre o capital e o trabalho, pela recompensa com a participação nos lucros ou resultados por parte do trabalhador e a empresa ganha em aumento da produtividade. A jurisprudência das Câmaras do 2' Conselho de Contribuintes e, atualmente, das Turmas do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, com incumbência de julgar recursos referentes às contribuições previdenciárias é no sentido de que a lei n. 10.101/2000 - assim como a MP n. 794/1994 e suas reedições - não traz regras detalhadas, justamente porque privilegiam a participação dos empregados, seja indiretamente por intermédio dos respectivos sindicatos, seja diretamente pro intermédio de comissão escolhida por eles, dando-lhes liberdade para fzxarem critérios e condições por meio de negociação. O ILP - Incentivo de Longo Prazo, está previsto no documento de fis.l509 e seguintes dos autose tem como objetivo promover a retenção e atração de executivos e membros chaves da organização e é pago como complemento a parcela de participação nos lucros e resultados, conforme se percebe do item 10 da Política Corporativa, na fi. 1514.Dessa forma, por tratar de parcela de Participação nos Lucros e Resultados (com cálculo diferenciado), entendo também que há de se exonerar este pagamento da incidência de contribuição previdenciária, pelos termos acima expostos. Não obstante esse fato cumpre destacar que o lançamento, no que toca ao ILP, é falho. Percebe-se do Discriminativo de Débito que não há uma rubrica própria para esse item do lançamento, procedimento que deveria ter sido realizado (como o foi para todas as demais rubricas)à fIm de dar fundamentação e consequente transparência ao contribuinte da 38 Fl. 2637DF CARF MF Impresso em 18/08/2015 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2015 por IRDA MORAIS , Processo n° 10580.733578/2011-87 Acórdão fi. o 2403-002.952 S2-C4T3 FI. 21 base de cálculo da contribuição apurada, ou seja, do lançamento neste item, o que denota afronta ao art. 142 do CTN. Nestes termos, entendo que deve ser dado provimento parcial ao recurso voluntário para determinar a exclus - a tação incidente sobre PLR de Diretores e Gerentes, bem como a exclusão ibuta ã o Incentivo de Longo Prazo - ILP. Mareei Fl. 2638DF CARF MF Impresso em 18/08/2015 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2015 por IRDA MORAIS 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009 00000010 00000011 00000012 00000013 00000014 00000015 00000016 00000017 00000018 00000019 00000020 00000021 00000022 00000023 00000024 00000025 00000026 00000027 00000028 00000029 00000030 00000031 00000032 00000033 00000034 00000035 00000036 00000037 00000038 00000039
score : 1.0
Numero do processo: 10640.001143/2007-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004, 01/04/2004 a 30/06/2004
MULTA DE MORA COBRADA SOBRE RECOLHIMENTOS EXTEMPORÂNEOS DESCABIMENTO.
A partir da Lei n° 9,430/96, em caso de pagamento após o vencimento do prazo, desacompanhado de multa de mora, deve ser exigida, em
procedimento de oficio, multa isolada sobre o valor do tributo ou
contribuição.
Numero da decisão: 1102-000.675
Decisão: ACORDAM os Membros da 1ª CÂMARA / 2ª TURMA ORDINÁRIA do PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso,nos termos do voto da relatora.
Matéria: DCTF_IRPJ - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (IRPJ)
Nome do relator: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro
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Recorrida 2A.TURMA DRJ JUIZ DE FORA/MG ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004, 01/04/2004 a 30/06/2004 MULTA DE MORA COBRADA SOBRE RECOLHIMENTOS EXTEMPORÂNEOS DESCABIMENTO. A partir da Lei n° 9,430/96, em caso de pagamento após o vencimento do prazo, desacompanhado de multa de mora, deve ser exigida, em procedimento de oficio, multa isolada sobre o valor do tributo ou contribuição. ACORDAM os Membros da 1ª CÂMARA / 2ª TURMA ORDINÁRIA do PRIMEIRA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos,DAR provimento ao recurso,nos termos do voto da relatora. Assinado Digitalmente IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO –Presidente e Relatora EDITADO EM:27/03/12. Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, João Otavio Oppermann Thomé,Silvana Rescigno Guerra Barretto, Gleydson Kleber Lopes de Oliveira, Leonardo de Andrade Couto, Antônio Carlos Guidoni Filho (Vice Presidente) Relatório Fl. 1DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 10640.001143/200731 Acórdão n.º 1102.00.675 S1C1T2 Fl. 2 2 Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou a decisão recorrida, que passo a transcrever: Tratase de Auto de Infração eletrônico decorrente de processamento de DCTF referente aos 1º e 2º trimestres de 2004, exigindo crédito tributário de R$ 12.218,10, a título de multa de mora (fls. 22/29). Segundo a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal constante do Auto de Infração, o lançamento decorreu de “PAGAMENTO DE TRIBUTO OU CONTRIBUIÇÃO APÓS O VENCIMENTO, COM FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE ACRÉSCIMOS LEGAIS (Multa de mora e/ou Juros de mora parcial ou total)...”, relativo a recolhimento de IRPJ (fl. 23). Inconformada, a contribuinte apresentou peça de impugnação à fls. 01/10, onde alega, em síntese, que a atuada, tão logo tomou conhecimento dos débitos em aberto, realizou a denúncia espontânea, na medida em que reconheceu suas dívidas e providenciou o recolhimento dos valores devidos, devidamente acrescidos dos juros de mora, conforme comprovam os DARF’s por ela anexados (fls. 109/112). Dessa forma, alega que tal exigência não pode prevalecer, visto que realizado o pagamento, restou afastada a penalidade pela denúncia espontânea, nos termos do art. 138 do CTN. Juntou à colação diversos posicionamentos doutrinários e jurisprudenciais nesse sentido. Por fim, requer seja declarada a insubsistência da autuação fiscal, com o seu respectivo arquivamento. Ponderando os fundamentos expostos na impugnação, decidiu a 2a. Turma da DRJ/JFA, por unanimidade de votos,julgou procedente o lançamento, nos termos do acórdão 0923.076, de 25/03/2009, fls. 117/120, conforme se observa na leitura da ementa abaixo transcrita: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004, 01/04/2004 a 30/06/2004 Multa de Mora. Denúncia espontânea. A multa moratória destinase a compensar o sujeito ativo pelo atraso no pagamento do que lhe era devido e não tem sua aplicação excluída pela denúncia espontânea, sendo exigida sempre que o pagamento do tributo é efetuado espontaneamente, mas fora do prazo previsto na legislação específica. Ciente em 18/04/2009, conforme fls.125, a Recorrente oferece as razões de fls.126/132, em 12/05/2009, onde comenta que se aproveitando da denúncia espontânea, conforme artigo 138, do CTN, realizou o pagamento das obrigações do IRPJ, nos meses de abril de julho de 2004. Acresce que as obrigações foram tempestivamente informadas nas DCTF correspondentes ao 1o e 2o. Trimestres de 2004. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 10640.001143/200731 Acórdão n.º 1102.00.675 S1C1T2 Fl. 3 3 Discorre sobre o instituto, transcreve doutrina e ementas dos acórdãos : CSRF/0400.652, ,CSRF 10103.720., 30330892, 0330892,e ainda a ementa de acórdão oriundo Tribunal Regional Federal da 1a Regional, na forma seguinte: "TRIBUTÁRIO. TRIBUTOS RECOLHIDOS COM ATRASO, ANTES DE INICIADO PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ART 138 DO CTN. MULTA MORATÓRIA. INEXIGIBILIDADE. I. É indevida a multa moratória quando o contribuinte, mesmo que depois do vencimento do tributo, efetua, voluntariamente, o recolhimento da exação, acrescida dos juros de mora antes de qualquer procedimento levado a efeito Pela administração tributária. 2. Apelação e remessa oficial a que se nega provimento." (Apelação Cível 2006.34.00.0368460/DE, Relator: Desembargadora Federal Maria do Carmo Cardoso, Oitava Turma, Publicação: 12/12/2008, eDJF1 p. 315, Data Decisão: 24/10/2008) (grifamos e sublinhamos) Segue para dizer que esses julgados seria suficientes para chancelar seu procedimento.E sendo a multa de mora uma conseqüência do descumprimento de determinada regra, seja sua natureza formal ou substancial, a ela se agregará a característica de sanção, devendo, portanto, ser afastada com a denúncia espontânea da infração cometida, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido ou do depósito da importância arbitrada pelo agente fiscal. Conclui com o pedido de reforma do acórdão vergastado. Despacho de fls.135 encaminha os autos ao CARF. Os recebo, por sorteio. É o Relatório. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 10640.001143/200731 Acórdão n.º 1102.00.675 S1C1T2 Fl. 4 4 Voto O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade e dele conheço. Tratase de exigência, conforme anteriormente relatado, oriunda de Auto de Infração eletrônico decorrente de processamento de DCTF referente aos 1º e 2º trimestres de 2004, exigindo crédito tributário a título de multa de mora. Todavia, a exigência não prospera. Porque, a partir da Lei n° 9,430/96, em caso de pagamento após o vencimento do prazo, desacompanhado de multa de mora, deve ser exigida, em procedimento de oficio, multa isolada sobre o valor do tributo ou contribuição, não mais se aplicando, também, o método da imputação, como se fazia anteriormente para ajustar o valor recolhido, nas rubricas de principal, multa de mora e juros. O lançamento deveria ter observado que para os casos de pagamento em atraso deveria lançar a multa isolada, conforme prevê o artigo 43/44 da Lei n° 9.430/96, vejase o dispositivo: Art, 44, Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição. I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de .falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (...) § 1° As multas de que trata este artigo serão exigidas: II isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; Vejo que o lançamento não prospera porque a norma hipotética frente ao fato descrito pela fiscalização não se sustenta. O .fato descrito e a forma seria outra que não aquela realizada. Nessa ordem de juízo, Dou provimento ao recurso. Assinado digitalmente Ivete Malaquias Pessoa Monteiro. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 10640.001143/200731 Acórdão n.º 1102.00.675 S1C1T2 Fl. 5 5 Fl. 5DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO
score : 1.0
Numero do processo: 10920.002125/2007-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Aug 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2001 a 30/09/2002
CRÉDITO ESCRITURAL DE IPI. SELIC. IMPOSSIBILIDADE.
Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI.
Numero da decisão: 3201-001.930
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES - Relator.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Redator designado para formalizar o acórdão.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: JOEL MIYAZAKI (Presidente), CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, WINDERLEY MORAIS PEREIRA, LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES e DANIEL MARIZ GUDINO.
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 30/09/2002 CRÉDITO ESCRITURAL DE IPI. SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. JOEL MIYAZAKI - Presidente. LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES - Relator. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Redator designado para formalizar o acórdão. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: JOEL MIYAZAKI (Presidente), CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, WINDERLEY MORAIS PEREIRA, LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES e DANIEL MARIZ GUDINO.
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SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. JOEL MIYAZAKI Presidente. LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Relator. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Redator designado para formalizar o acórdão. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: JOEL MIYAZAKI (Presidente), CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, WINDERLEY MORAIS PEREIRA, LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES e DANIEL MARIZ GUDINO. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 21 25 /2 00 7- 21 Fl. 94DF CARF MF Impresso em 24/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/08/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10920.002125/200721 Acórdão n.º 3201001.930 S3C2T1 Fl. 95 2 Em cumprimento ao despacho de designação emitido pelo Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF, eu, Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, transcrevo voto depositado e não formalizado, realizado pela 1ª Turma da 2ª Câmara da Terceira Seção do CARF dado que o Relator, Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes, não mais compõe o Colegiado. Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Inicialmente cabe observar que é indiscutível a inexistência de previsão legal para a correção monetária de créditos escriturais do IPI e, mesmo que existisse, a utilização do crédito do IPI seria um direito a ser utilizado pelo contribuinte e não uma obrigação de reconhecimento por parte da Fazenda Nacional, portanto, não há que se falar em pagamento a maior ou indevido, ou seja, não havendo indébito, não se caracteriza o pleito como restituição. De fato, não há jurisprudência mansa e pacífica sobre a matéria, como quer dar a entender a manifestante, pelo contrário, conforme cito: “TRIBUTÁRIO IPI CRÉDITOS ESCRITURAIS CORREÇÃO MONETÁRIA NÃO INCIDÊNCIA. O IPI será não cumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores (CF, artigo 153, parágrafo 3o, inciso II), dispondo a lei de forma que o montante devido resulte da diferença a maior, em determinado período, entre o imposto referente aos produtos saídos do estabelecimento e o pago relativamente aos produtos nele entrados, transferindose o saldo verificado para o período ou períodos seguintes (CTN, artigo 49). O Supremo Tribunal Federal vem reiteradamente decidindo que a correção monetária não incide sobre os créditos escriturais. Recurso improvido”. (RESP 212899/RS; RECURSO ESPECIAL (1999/00397312). Fonte: DJU de 07/02/2000, pág. 00119, ADCOAS Vol. 00005 pág. 00102. Também o Segundo Conselho de Contribuintes (atual CARF) decidiu inúmeros recursos, não aprovando o abono pretendido, dentre outros, pelos Acórdãos nos 20302414, 20302415, 203 02416, 20302426, 20302427 (publicados no Diário Oficial da União, de 21 de maio de 1997), ementados conforme transcrição a seguir: IPI RESSARCIMENTO Falta amparo legal para a correção monetária de créditos decorrentes de estímulos à exportação. Recurso negado. Vale transcrever, também, a ementa do Acórdão no 20302394, do mesmo colegiado (publicada no Diário Oficial da União, de 21 de maio de 1997): Fl. 95DF CARF MF Impresso em 24/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/08/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10920.002125/200721 Acórdão n.º 3201001.930 S3C2T1 Fl. 96 3 IPI RESSARCIMENTO Por falta de previsão legal, não é possível efetuar o ressarcimento de créditos do IPI, decorrente de incentivo, com a correção monetária do período. Recurso negado. Destarte, é preciso delimitar a competência do julgador administrativo, ressaltando o caráter vinculado da atividade fiscal. Não lhe cabe questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal. A análise de teses contra a constitucionalidade de leis é privativa do Poder Judiciário. Nesse sentido é vasta a jurisprudência dos colegiados administrativos, consoante se pode observar das ementas infratranscritas: “LEGALIDADE/CONSTITUCIONALIDADE DE LEIS Compete exclusivamente ao Judiciário o exame da legalidade/constitucionalidade das leis. Recurso negado.” (2º CC – 2ª Câm. Acórdão nº 20210665. Data da sessão: 10/11/98.) “INCONSTITUCIONALIDADE Lei n° 8.383/91 A autoridade administrativa não tem competência para decidir sobre a constitucionalidade de leis e o contencioso administrativo não é foro próprio para discussões desta natureza, haja vista que a apreciação e a decisão de questões que versarem sobre inconstitucionalidade dos atos legais é de competência do Supremo Tribunal Federal.” (1º CC – 6ª Câm. Acórdão 106 10694. Data da sessão: 26/02/99) Nesse contexto, a autoridade administrativa, por força de sua vinculação ao texto da norma legal, e ao entendimento que a ele dá o Poder Executivo, deve limitarse a aplicála, sem emitir qualquer juízo de valor acerca da sua constitucionalidade ou outros aspectos de sua validade. Essa vinculação somente deixa de prevalecer quando a norma em discussão já tiver sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de controle concentrado, ou no difuso, neste caso a partir do momento e na hipótese de produzir efeitos “erga omnes” (na ocorrência de qualquer das situações previstas no ordenamento jurídico). Logo, ainda que possa existir um ou outro julgado que favorecesse a tese da interessada, tais sentenças não alcançam esta instância cujo dever/poder relativo ao reconhecimento de créditos contra a Fazenda Nacional é plenamente vinculado, sem qualquer discricionariedade para concedêlos sem permissivo legal. Outrossim, a correção monetária incidente sobre ressarcimento já concedidos tampouco é possível, pois a norma do art. 66, § 3º da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, e alterações, conforme orientação interna transmitida pelo Boletim Central nº 46, de 25 de março de 1992, abarca tãosomente as hipóteses de atualização monetária referentes à restituição, nos casos em que menciona. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 24/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/08/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10920.002125/200721 Acórdão n.º 3201001.930 S3C2T1 Fl. 97 4 À luz da Lei nº 8.383, de 1991, art. 66, caput e §§ 1º ao 3º, a correção monetária, efetuada à época pela aplicação da Ufir, era autorizada somente para as hipóteses de compensação, com tributos e contribuições de mesma espécie, ou restituição de pagamento indevido ou a maior de tributo, assim como a incidência de juros de mora equivalentes à taxa SELIC, depois do fim da atualização monetária pela variação da Ufir. Impende reproduzir o conteúdo da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, art. 39, § 4º, que trata da aplicação aos valores de compensação ou restituição da taxa SELIC: “Art. 39. A compensação de que trata o art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, somente poderá ser efetuada com o recolhimento de importância correspondente a imposto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais de mesma espécie e destinação constitucional, apurado em períodos subseqüentes. § 1º (VETADO) § 2° (VETADO) § 3° (VETADO) § 4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada”.(g.m.) Sendo o caso de crédito passível de ressarcimento, não há falar em recolhimento de valores indevidos de imposto; tratase, como já mencionado alhures, de créditos escriturais apropriados tardiamente na escrita fiscal para a compensação com débitos do imposto referentes às saídas de produtos. A repetição de indébito é aplicável aos casos de cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, erro na identificação do sujeito passivo ou no cálculo do montante ou da alíquota aplicável, ou reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, como preconizado no Código Tributário Nacional – CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966), art. 165, e na Instrução Normativa SRF nº 21, de 10 de março de 1997, art. 2º. Distinguese, assim, a repetição de indébito do ressarcimento de crédito, não podendo ser alegada, sem que haja expressa determinação legal, a semelhança de caso entre os dois institutos. Pelo contrário, o art. 38, § 2º, da IN SRF nº 210, de 2002, determinava expressamente a nãoincidência de juros compensatórios na hipótese de ressarcimento, in verbis: Fl. 97DF CARF MF Impresso em 24/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/08/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10920.002125/200721 Acórdão n.º 3201001.930 S3C2T1 Fl. 98 5 “Art. 38. As quantias recolhidas ao Tesouro Nacional a título de tributo ou contribuição administrado pela SRF serão restituídas ou compensadas com o acréscimo de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) para títulos federais, acumulados mensalmente, e de juros de 1% (um por cento) no mês em que a quantia for disponibilizada ou utilizada na compensação de débitos do sujeito passivo, observandose, para o seu cálculo, o seguinte: (....) § 2º. Não incidirão juros compensatórios no ressarcimento de créditos do IPI”. (g.m.) Tal vedação também se encontrava prevista no § 5º do art. 51 da IN SRF nº 460, de 2004; ora em vigor há a IN SRF nº 600, de 2005, com a vedação confirmada no art. 52, § 5º: Art. 52. O crédito relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição, será restituído ou compensado com o acréscimo de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) para títulos federais, acumulados mensalmente, e de juros de 1% (um por cento) no mês em que: § 5º Não incidirão juros compensatórios no ressarcimento de créditos do IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, bem como na compensação de referidos créditos.(g.m) Hoje, tal vedação consta na IN RFB nº 900/2008, com as alterações posteriores, no § 5º do artigo 72: § 5º Não incidirão juros compensatórios de que trata o caput: I no ressarcimento de créditos do IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, bem como na compensação de referidos créditos; Reforçam esse entendimento, à guisa de ilustração apenas, as manifestações da 2ª Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (Acórdãos 20208.463, 20208.464, 20208.465, 20208.466 e 20208.467): “IPI – RESSARCIMENTO. É incabível a correção monetária nos processos de ressarcimentos, por não ter sido contemplado pelo § 3° do art. 66 da Lei n° 8.383/1991 e pelas legislações que a regem. Recurso a que se nega provimento”. Ademais, não se pode olvidar que o direito subjetivo ao ressarcimento, se fosse o caso, só nasce com o advento do despacho da autoridade competente, ao contrário do que ocorre com a repetição do indébito, em que o direito de repetir já nasce imediatamente com o pagamento indevido ou a maior, independentemente de qualquer ato da autoridade administrativa. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 24/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/08/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10920.002125/200721 Acórdão n.º 3201001.930 S3C2T1 Fl. 99 6 Por fim, cabe observar que se a tese da interessada pudesse ser vitoriosa, tal correção monetária seria um acessório dos ressarcimentos concedidos, os quais, conforme consta na manifestação pertencem ao período que vai de 01/10/2001 a 30/09/2002, ou seja, considerandose que o contribuinte só peticionou seu suposto direito creditório em 31/05/2007, a maior parte do que se pleiteia já estaria prescrita, pois créditos básicos do IPI têm natureza de “dívida passiva da União” e com isso, a norma aplicável é o Decreto nº 20.910, de 06/01/1932, que dispõe em seu artigo 1º que todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda Pública, seja qual for a natureza, prescreve em cinco anos contados da data do ato ou fato. Vejamos: Art. 1º As dívidas passivas da União, dos Estados e dos Municípios, bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda Federal, Estadual ou Municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se originarem. Ratificando esse entendimento podemos citar o Parecer Normativo CST nº 515, de 10 de agosto de 1971: “Crédito não utilizado na época própria: se a natureza jurídica do crédito é a de uma dívida passiva da União, aplicável será para a prescrição do direito de reclamálo, a norma específica do artigo 1º do Decreto nº 20.910, de 06.01.32, que a fixa em cinco anos, em vez do dispositivo genérico do artigo 6º do mesmo diploma”. Entendeu esta Coordenação que são aplicáveis as normas específicas do Decreto nº 20.910, de 06.01.32, no que diz respeito à prescrição extintiva do direito de reclamar o crédito do IPI, nas várias modalidades em que o referido crédito é admitido na legislação desse tributo, inclusive quando a título de estímulo à exportação ou outros incentivos fiscais. Isso porque atribui aos créditos em questão a natureza jurídica de uma “dívida passiva da União”, cuja prescrição qüinqüenal é regulada pelo mencionado Decreto. 2. Por certo, muito embora implique o crédito no montante correspondente em diminuir o imposto devido (regra geral), não tem a mesma natureza deste, especialmente quando é utilizado em forma de incentivos (regra especial). Conseqüentemente, ao crédito não utilizado na época própria não se aplicam as mesmas normas previstas para a reclamação do “imposto indevidamente pago”, cuja prescrição é de cinco anos (CTN, art. 168), embora, ocasionalmente, possa esse prazo ser idêntico para ambos os casos. (...) 5. No caso do artigo 30, inciso I a V do RIPI (*), o termo inicial da prescrição é a entrada dos produtos ali indicados, no estabelecimento, acompanhados da respectiva Nota Fiscal....” Fl. 99DF CARF MF Impresso em 24/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/08/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10920.002125/200721 Acórdão n.º 3201001.930 S3C2T1 Fl. 100 7 (*) artigos 147, 148 e 150 do RIPI/98, disposição esta mantida nos Regulamentos que o sucederam. Assim, diante do exposto, voto que se julgue a manifestação como improcedente. A DRJ de Ribeirão Preto negou provimento à defesa apresentada: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 30/09/2002 RESSARCIMENTO. JUROS PELA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Em face da decisão, é interposto recurso de ofício. É o relatório. Voto Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes Como vemos, a discussão travada nos autos discute a possibilidade de correção monetária de crédito escritural de IPI. Como bem dito na decisão recorrida, inexiste base legal para a correção monetária destes créditos, como bem entende o STJ e este relator. Assim, adoto os fundamentos da decisão recorrida para fundamentar minha posição: Inicialmente cabe observar que é indiscutível a inexistência de previsão legal para a correção monetária de créditos escriturais do IPI e, mesmo que existisse, a utilização do crédito do IPI seria um direito a ser utilizado pelo contribuinte e não uma obrigação de reconhecimento por parte da Fazenda Nacional, portanto, não há que se falar em pagamento a maior ou indevido, ou seja, não havendo indébito, não se caracteriza o pleito como restituição. De fato, não há jurisprudência mansa e pacífica sobre a matéria, como quer dar a entender a manifestante, pelo contrário, conforme cito: “TRIBUTÁRIO IPI CRÉDITOS ESCRITURAIS CORREÇÃO MONETÁRIA NÃO INCIDÊNCIA. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 24/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/08/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10920.002125/200721 Acórdão n.º 3201001.930 S3C2T1 Fl. 101 8 O IPI será não cumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores (CF, artigo 153, parágrafo 3o, inciso II), dispondo a lei de forma que o montante devido resulte da diferença a maior, em determinado período, entre o imposto referente aos produtos saídos do estabelecimento e o pago relativamente aos produtos nele entrados, transferindose o saldo verificado para o período ou períodos seguintes (CTN, artigo 49). O Supremo Tribunal Federal vem reiteradamente decidindo que a correção monetária não incide sobre os créditos escriturais. Recurso improvido”. (RESP 212899/RS; RECURSO ESPECIAL (1999/00397312). Fonte: DJU de 07/02/2000, pág. 00119, ADCOAS Vol. 00005 pág. 00102. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. Luciano Lopes de Almeida Moraes Relator Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Redator designado para a formalização do acórdão Fl. 101DF CARF MF Impresso em 24/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/08/2015 por JOEL MIYAZAKI
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