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Numero do processo: 10950.724392/2016-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2012
EXCLUSÃO DO SIMPLES DE OFÍCIO. EFEITOS.
A exclusão do Simples de oficio, nos casos de excesso de receita bruta superior a 20% do limite, produz efeitos a partir do mês subsequente àquele em que se constatar o excesso.
DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITA.
Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA.
A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindo-o para o contribuinte, que pode refutá-la mediante oferta de provas hábeis e idôneas.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2012, 2013
SIGILO BANCÁRIO.
A utilização de informações de movimentação financeira obtidas regularmente não caracteriza violação de sigilo bancário.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2012, 2013
NULIDADE.
Não há que se cogitar de nulidade do lançamento quando observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal.
PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO.
Indefere-se o pedido de perícia que deixe de atender os requisitos legais e que se refira à questão cuja elucidação dependa apenas de apresentação de documentos.
JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTAÇÃO.
A juntada posterior de documentação só é possível em casos especificados na lei.
Numero da decisão: 1201-002.503
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente).
Nome do relator: PAULO CEZAR FERNANDES DE AGUIAR
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2012 EXCLUSÃO DO SIMPLES DE OFÍCIO. EFEITOS. A exclusão do Simples de oficio, nos casos de excesso de receita bruta superior a 20% do limite, produz efeitos a partir do mês subsequente àquele em que se constatar o excesso. DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITA. Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindo-o para o contribuinte, que pode refutá-la mediante oferta de provas hábeis e idôneas. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2012, 2013 SIGILO BANCÁRIO. A utilização de informações de movimentação financeira obtidas regularmente não caracteriza violação de sigilo bancário. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2012, 2013 NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade do lançamento quando observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Indefere-se o pedido de perícia que deixe de atender os requisitos legais e que se refira à questão cuja elucidação dependa apenas de apresentação de documentos. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTAÇÃO. A juntada posterior de documentação só é possível em casos especificados na lei.
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2012 EXCLUSÃO DO SIMPLES DE OFÍCIO. EFEITOS. A exclusão do Simples de oficio, nos casos de excesso de receita bruta superior a 20% do limite, produz efeitos a partir do mês subsequente àquele em que se constatar o excesso. DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITA. Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2012, 2013 SIGILO BANCÁRIO. A utilização de informações de movimentação financeira obtidas regularmente não caracteriza violação de sigilo bancário. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2012, 2013 NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade do lançamento quando observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 72 43 92 /2 01 6- 96 Fl. 1515DF CARF MF 2 PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de perícia que deixe de atender os requisitos legais e que se refira à questão cuja elucidação dependa apenas de apresentação de documentos. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTAÇÃO. A juntada posterior de documentação só é possível em casos especificados na lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Relatório Adotase o relatório do Acórdão nº 1466.020 da 3ª Turma da DRJ/RPO (fls. 1.456 a 1.475), com a complementação necessária em seguida: Segundo informa a fiscalização, o procedimento contra a contribuinte acima identificada teve início em 02/12/2015, com a solicitação dos seguintes elementos: 1. Atos constitutivos da empresa e todas as alterações posteriores; 2. Livros Diários devidamente escriturados, registrados na Junta Comercial do Paraná e seus respectivos Livros Razão; 3. Livros Caixa, com escrituração de toda a movimentação financeira, inclusive bancária, nos termos da legislação tributária que rege o Simples Nacional; 4. Extratos Bancários legíveis de toda a movimentação bancária (contas correntes/poupança/investimento); 5. Livros Registro de Apuração do ICMS; 6. Livros Registro de Saídas e Livros Registro de Entradas; Fl. 1516DF CARF MF Processo nº 10950.724392/201696 Acórdão n.º 1201002.503 S1C2T1 Fl. 3 3 7. Livros Registro de Prestação de Serviços; 8. GIAs ICMS; 9. Contrato Social e todas as alterações posteriores; 10. Relação individualizada de todos os bens do Ativo Permanente da empresa, incluindo Veículos, devidamente assinada pelo (a) representante legal da empresa e acompanhada de toda a documentação pertinente; 11. Cópia legível de todos os contratos de qualquer natureza celebrados com terceiros; 12. Outros elementos que se fizerem necessários poderão ser solicitados no transcorrer do procedimento fiscal. Relata o fisco que foram obtidos da Junta Comercial do Paraná os atos constitutivos da empresa e todas as alterações posteriores (até a décima quarta alteração e consolidação do contrato social). A fiscalização informa ainda o que segue: Em 17/12/2015, a contribuinte solicita dilação de prazo de 90 dias, sendolhe concedido o prazo de 30 dias. Em fevereiro de 2016, diante da inércia da contribuinte, foram expedidas RMF solicitando sua movimentação financeira nos anoscalendário de 2013 e 2014. Em 18/02/2016, foi enviado TIF à contribuinte e ao sócio administrador Miguel Frazão Silva Filho, solicitando os mesmos documentos já especificados no Termo de Início, com exceção dos extratos bancários. A contribuinte e o sócio administrador apenas solicitam prorrogação de prazo para atendimento às intimações. Foi emitido novo TIF endereçado à fiscalizada, solicitando a comprovação da efetiva integralização por parte do sócio Miguel Frazão Silva Filho do valor de R$ 100.000,00, quando da transformação, em 05/02/2016, da empresa Matrix Fitness Aparelhos para Ginástica Ltda – ME na Empresa individual de Responsabilidade Limitada – EIRELI. Em resposta, informou que por lapso e desconhecimento, na alteração contratual, constou incorretamente como integralizado o capital social de R$ 20.000,00, quando o contrato de transferência estabelece um prazo longo para pagamento, dada a situação econômica da empresa. Aclair Pupim foi intimado para comprovar e prestar informações sobre os lançamentos efetuados na conta bancária 093892, agência 6946, Banco Itaú, de titularidade de Solange Roel Pereira e movimentada por Nilton Carlos Dalálio, tendo como beneficiária Matrix Fitness Aparelhos Para Ginástica Ltda. e como autorizante Aclair Pupim. Em resposta, Aclair informou que na época, “Sr. Nilton trabalhava conosco e nos emprestou várias folhas de cheques para serem descontadas junto aos Bancos, bem como permitiu que descontássemos duplicatas em nome da esposa para resolvermos momentaneamente problemas de crédito que a empresa enfrentava. À época, precisamos mudar de endereço duas vezes e ficou sob sua responsabilidade todos os pagamentos dos serviços autônomos, como pedreiros e materiais de construção em pequenos volumes. Os valores eram acertados no caixa que, Fl. 1517DF CARF MF 4 infelizmente não enviou boa parte deles para o escritório. Tentamos com o mesmo parceirizar fabricação de equipamentos, ajudandoo na compra de materiais. O negócio não prosperou e ficou devendo para a empresa o valor de R$ 136.000,00(cento e trinta e seis mil reais), num acerto de contas que procedemos. Este valor, acredito, não conseguiu liquidar. Quanto ao meu nome constar como autorizante, entendemos que o banco deixou de proceder, internamente, o registro da alteração contratual...” Em 07.03.2016 o Sr. AUGUSTO DUARTE PUPIM é intimado, como diligenciado, pelo TIF nº 01A/00020/2016 a: “1) Comprovação com documentação hábil e idônea (DOC, TED, TRANSFERÊNCIA, DEPÓSITO, DEPÓSITO IDENTIFICADO, ORDEM DE PAGAMENTO, etc.) do efetivo recebimento pela venda em 17 de junho de 2015 da empresa MATRIX FITNESS APARELHOS PARA GINÁSTICA LTDA – ME 08.678.196/000180, conforme 14ª Alteração e Consolidação de Contrato Social, registrado na JUNTA COMERCIAL DO ESTADO DO PARANÁ sob nº 20154779148 em 10 de Julho de 2015. Foi expedida intimação para a contribuinte apresentar cópia, frente e verso, de todos os cheques relacionados nas planilhas elaboradas pelo fisco, relativamente ao Banco do Brasil, Itaú e Sicoob. Reiterouse a apresentação dos livros Diário/Razão, devidamente registrados na Junta comercial do Paraná, referentes aos anoscalendário de 2012 e 2013. A contribuinte foi intimada (TIF nº 04/2016) a comprovar individualizadamente a origem dos créditos bancários questionados pelo fisco e a apresentar (TIF nº 05/2016) a classificação na TIPI e a identificação pelo nome comercial de todos os produtos fabricados por ela. Em 27/09/2016, foram apresentados os livros Diário/Razão, com a informação de que “com as várias mudanças de prédio efetuadas, boa parte dos documentos devem ter sido extraviados”. Pela análise dos elementos trazidos aos autos pelos intimados ACLAIR PUPIM, MIGUEL FRAZÃO SILVA FILHO e AUGUSTO DUARTE PUPIM, efetivamente a empresa MATRIX nunca saiu do controle da família PUPIM, pois as intimações tinham como fulcro fundamental a demonstração de maneira cristalina da ocorrência ou não da transferência das cotas para o Sr. MIGUEL FRAZÃO SILVA FILHO, que figura como adquirente da participação societária. Em nenhum momento essa transferência foi demonstrada e tudo o que se trouxe a lume foi a INOCORRÊNCIA DA OPERAÇÃO aqui tratada. O Sr. MIGUEL FRAZÃO SILVA FILHO, também intimado sobre os fatos, nada trouxe aos autos que demonstrasse que efetivamente adquiriu a MATRIX, apenas tergiversou sobre o assunto, não trazendo nenhuma prova efetiva. Mesmo procedimento foi adotado por AUGUSTO DUARTE PUPIM, que também nada demonstrou sobre a efetiva alienação da sua participação societária vinculada à fiscalizada. Os recursos carreados para a conta 093892, agencia 6946, Banco Itaú, titulada por SOLANGE ROEL PEREIRA, conforme PLANILHA MATRIX I TIF n° 02 A/00021/2016 (recebido em 02.03.2016 AR e respondido em 29.03.2016), onde os documentos (em torno de duzentos) obtidos, demonstram inequivocamente que o Sr. ACLAIR PUPIM era o autorizante pela MATRIX de todas as operações que integram a planilha supracitada, o que evidencia que era ele quem comandava e comanda a MATRIX de "fato" e de maneira destacada as finanças da fiscalizada, sendo mesmo o seu gestor financeiro, o seu cérebro, a cabeça pensante da empresa. Como já exposto, em nenhum momento os intimados demonstram a transferência das quotas, seja pelo recebimento das importâncias envolvidas, na Fl. 1518DF CARF MF Processo nº 10950.724392/201696 Acórdão n.º 1201002.503 S1C2T1 Fl. 4 5 condição de alienante (s), seja pelo adquirente, na condição de demonstrar o efetivo desembolso, de ser ele realmente o adquirente da empresa MATRIX FIITNESS APARELHOS PARA GINÁSTICA LTDA ME. O fato de ACLAIR PUPIM ser o autorizante das operações bancárias creditícias supracitadas, em torno de duzentas operações nos anos calendário de 2012 e 2013, o colocam como a pessoa responsável e proeminente da empresa fiscalizada junto ao Banco Itaú S A. As afirmações do Sr. ACLAIR em sentido contrário, por motivos óbvios, não devem ser acolhidas. Ao longo da fiscalização ficou demonstrado que o Sr. ACLAIR PUPIM efetivamente é o dono de fato da MATRIX e que nunca deixou essa condição, basta um exame adicional nas cópias dos mais de 100 (cem) cheques, obtidas regularmente por RMF, junto aos bancos ITAÚ, BANCO DO BRASIL e COOPER POUPANÇA CRED LIVRE ADMISSÃO REG MARINGÁ (SICOOB), onde aparecem majoritariamente as assinaturas do Sr. AUGUSTO DUARTE PUPIM e seu pai, o Sr. ACLAIR PUPIM, anos calendário de 2012 e 2013. Também foi localizada uma procuração (fls. 1365/1366), datada de 07/07/2012 (com validade até setembro de 2013), em que a MATRIX constitui seu bastante procurador ACLAIR PUPIM CPF n° 602.046.21968, conferindo e delegando a ele " os mais amplos gerais e ilimitados poderes para gerir e administrar a empresa ora outorgante, podendo adquirir e comercializar mercadorias e prestar serviços de seu ramo de negócios, pactuar preços, prazos, juros, multas, modo, local de pagamento e demais condições, mesmo penais, receber quaisquer quantias devidas, seja por contratos ou títulos, podendo cobrar amigável ou judicialmente todos os seus devedores; representar em juízo ou fora dele, constituir advogados e seus honorários, como destituílos, com os poderes da cláusula "Ad Judicia et Extra" para o foro em geral, em qualquer Juízo ou grau de Jurisdição, propor contra quem de direito as ações competentes e defendêla nas contrárias, receber, pagar, passar recibos, dar e receber quitações, totais ou parciais; firmar contratos de abertura, elevação ou de redução de crédito, perante quais quaisquer estabelecimentos bancários......... “ Concluiu a fiscalização que, a MATRIX FITNESS, sempre pertenceu à PUPIM, nas pessoas de ACLAIR PUPIM e seu filho AUGUSTO DUARTE PUPIM e jamais ao Sr. MIGUEL FRAZÃO SILVA FILHO, que inclusive chega em momentos de sua vida laboral, segundo relatos, a prestar serviços como motorista à própria fiscalizada, como afirmam funcionários da MATRIX, que por medo de sofrerem represálias, não se identificam, mas afirmam conhecer o Sr. MIGUEL FRAZÃO, como uma pessoa que tem ou tinha a profissão de motorista, e destacamos que é uma profissão respeitável, valorosa, dignificante e altamente importante no desenvolvimento do nosso País, na circulação, principalmente, de riquezas e de bens, mas não é de empresário a identificação profissional, a ocupação laborativa do Sr. MIGUEL FRAZÃO. Não efetivação da EIRELLI: Os elementos contábeis finalmente apresentados demonstram de maneira inequívoca que o capital social da fiscalizada é de R$ 20.000,00 (vinte mil reais), conforme BALANÇO PATRIMONIAL (PRIMEIRO TRIMESTRE 2016), datado de 31.03.2016, no Capital Social o Capital Subscrito importa no valor de R$ 20.000,00, consoante Livro Diário n° 0008, contrariando resposta ao TIF n° 02/2016. Fl. 1519DF CARF MF 6 Portanto, está devidamente comprovado, que a fiscalizada mantém o seu capital social no montante de R$ 20.000,00, valor inferior à integralização de no mínimo, 100(cem) vezes o valor do maior saláriomínimo vigente no país (art. 980 A, do Código Civil), para que os benefícios da Lei n° 12.441/2011, supracitada, pudesse alcançar a MATRIX, ora sob procedimento fiscalizatório. Mesmo diante das intimações, em nenhum momento, os intimados demonstraram a efetiva transformação da MATRIX numa EIRELI, tudo o que se obteve foram tergiversações, falácias, que formam um todo com uma destinação cabal, inexorável: A MATRIX não é uma EIRELI. Embora o documento protocolizado em 02.02.2016 (Registrado em 05.02.2016 sob o n° 20160590116) na Junta Comercial do Paraná JCP informasse na sua cláusula segunda, que o capital da empresa que era de R$ 20.000,00 passaria a ser de R$ 100.000,00, totalmente integralizado em moeda corrente nacional, efetivamente não ocorreu, foi uma manobra adredemente preparada para dar aparência de legalidade, tentando assim se beneficiarem indevidamente (os sócios) do que consta na Lei n° 12.441, de 11 de Julho de 2011, do instituto EIRELI EMPRESA INDIVIDUAL DE RESPONSABILIDADE LIMITADA. Omissão de receitas: Por configurarem contas de titularidade de uma empresa, os valores nelas depositados envolvem, ressalvada a produção de prova irrefutável que permita elidir a presunção legal, recursos provenientes de sua atividade, ou seja, receita oriunda da venda de mercadorias, produtos e serviços, passível, portanto, de tributação e, no presente caso, da venda de mercadorias da produção própria da fiscalizada, que é um estabelecimento industrial. Ao se efetuar a conciliação bancária, procedeuse ao levantamento dos registros representativos de movimentações financeiras que, em tese, não são suscetíveis de incidência tributária, tais como empréstimos bancários, resgate de aplicações financeiras, estorno e cheques devolvidos. Foram considerados como base de cálculo os depósitos de origem não comprovada, decomposta em (1) Receita Declarada Indevidamente ao Simples Nacional, a partir de outubro de 2012 e (2) omissão de receitas: Fl. 1520DF CARF MF Processo nº 10950.724392/201696 Acórdão n.º 1201002.503 S1C2T1 Fl. 5 7 A partir de outubro de 2012, a contribuinte foi excluída do Simples Nacional, conforme Ato Declaratório Executivo nº 37, de 07/11/2016 constante à fl. 19, por infração aos arts. 28, 29, I, 30, II, IV, § 1º, inciso IV, “a”, 31, V, “a”, da Lei Complementar nº 123, de 2006, e aos arts. 73, II, “a1”, 75, I, 76, I, da Resolução CGSN nº 94, de 2011. Destaquese que a contribuinte é uma indústria que dá saída a produtos de sua própria fabricação. Assim, a omissão de receita foi tributada também pelo IPI à alíquota de 20% (NCM 9506.91.00 – artigos e equipamentos para cultura física, ginástica ou atletismo), a partir da exclusão do Simples Nacional. ressaltese que os valores mensais devidos do IPI são resultantes da aplicação da alíquota (20%) sobre as SAÍDAS (fato gerador) individuais, consolidadas mensalmente, após concessão como CRÉDITOS DO IPI da somatória dos (1) valores recolhidos a título de IPI pelo SIMPLES NACIONAL e dos (2) créditos do imposto (IPI) sobre os insumos, conforme Notas Fiscais de Entrada, Fl. 1521DF CARF MF 8 apresentadas pela fiscalizada em decorrência da auditoria, conforme DEMONSTRATIVO VALORES DOS CRÉDITOS DE IPI, conf. NF ENTRADA e DEMONSTRATIVO VALORES DO CRÉDITO DO IPI – FATOS GERADORES DOS ANOS CALENDÁRIOS 2012 E 2013, anexas ao processo. Responsabilidade solidária: Ao longo da fiscalização ficou demonstrado que ACLAIR PUPIM efetivamente é o dono de fato da MATRIX e que nunca deixou essa condição, basta, a título de exemplo, um exame adicional nas cópias de cerca de 100 (cem) cheques, obtidas regularmente por RMF, junto aos bancos ITAÚ, BANCO DO BRASIL e COOPER POUPANÇA CRED LIVRE ADMISSÃO REG MARINGÁ (SICOOB), onde aparecem majoritariamente as assinaturas do Sr. AUGUSTO DUARTE PUPIM e seu pai, o Sr. ACLAIR PUPIM, anos calendário de 2012 e 2013. Também foi localizada uma procuração em que a MATRIX constitui seu bastante procurador o SR ACLAIR PUPIM CPF n° 602.046.21968, conferindo e delegando a ele " os mais amplos gerais e ilimitados poderes para gerir e administrar a empresa ora outorgante, podendo adquirir e comercializar mercadorias e prestar serviços de seu ramo de negócios, pactuar preços, prazos, juros, multas, modo, local de pagamento e demais condições, mesmo penais, receber quaisquer quantias devidas, seja por contratos ou títulos, podendo cobrar amigável ou judicialmente todos os seus devedores; representar em juízo ou fora dele, constituir advogados e seus honorários, como destituílos, com os poderes da cláusula "Ad Judicia et Extra" para o foro em geral, em qualquer Juízo ou grau de Jurisdição, propor contra quem de direito as ações competentes e defendêla nas contrárias, receber, pagar, passar recibos, dar e receber quitações, totais ou parciais; firmar contratos de abertura, elevação ou de redução de crédito, perante quais quaisquer estabelecimentos bancários......... " Os recursos carreados para a conta 093892, agência 6946, Banco Itaú, titulada por SOLANGE ROEL PEREIRA, conforme PLANILHA MATRIX I (integra o TIF n° 02 A/00021/2006, recepcionado em 07.03.2016), onde os documentos demonstram inequivocamente que o Sr. ACLAIR PUPIM era o autorizante pela MATRIX de todas as operações que integram a planilha supracitada, o que evidencia que era ele quem comandava de "fato" as finanças da fiscalizada, sendo mesmo o seu gestor financeiro, o cérebro, a cabeça pensante da empresa. Portanto, a responsabilidade solidária está inequivocamente comprovada no que foi até aqui expendido, assim como o interesse comum na situação que constitui o fato gerador, pois as evidências são robustas de que há por parte do Sr. ACLAIR PUPIM a prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, consoante disciplinamento contido nos artigos 124, I, e 135, III, do CTN Lei n° 5.172, de 25 de Outubro de 1966. Em nenhum momento os intimados demonstram a transferência das quotas, seja pelo recebimento das importâncias envolvidas, na condição de alienante (s), seja pelo adquirente, na condição de demonstrar o efetivo desembolso, de ser realmente o adquirente da empresa MATRIX FIITNESS APARELHOS PARA GINÁSTICA LTDA ME. Foi elaborada a Representação Fiscal para Fins Penais. Como consequência dos fatos relatados, foram protocolados os seguintes processos: Fl. 1522DF CARF MF Processo nº 10950.724392/201696 Acórdão n.º 1201002.503 S1C2T1 Fl. 6 9 Sendo notificada da exclusão do Simples Nacional e da autuação, a contribuinte ingressou com a impugnação de fls.1419 a 1452, na qual alega: ● Nulidade do auto de infração. Quebra do Sigilo Bancário. Afronta ao inciso XII do art. 5º da Constituição Federal (CF). A presente autuação fiscal foi efetuada com base na quebra de sigilo bancário do contribuinte, sem que tenha havido uma determinação judicial para tanto, em evidente abuso de poder por parte da Receita Federal e violação de nossa Carta Magna. Por essa razão também o ADE nº 37, de 2016, deve ser declarado nulo. ● Nulidade decorrente da solicitação de extratos. Na data de 02/12/2015, por meio do TDPFF n. 0910500.2015.002279, o Auditor intimou a empresa a apresentar os extratos bancários legíveis de toda a movimentação bancária (contas correntes / poupança / investimentos). É entendimento padrão em todas as esferas judiciais que essa solicitação só pode ser realizada por autoridade judicial competente. O Auditor da Receita Federal do Brasil não possui competência para requerer essa diligência. Conforme jurisprudência citada no capítulo anterior, para quebrar o sigilo bancário do contribuinte é necessário uma ordem emanada do Poder Judiciário. ● Princípio da Verdade Material. O Auditor Fiscal da Receita Federal considerou que as movimentações financeiras realizadas nas contas bancárias da empresa impugnante eram indícios de faturamento. Com isso, realizou o lançamento tributário caracterizando como faturamento da empresa todas as movimentações bancárias feitas nas suas contas. Ocorre que não houve, por parte do Auditor responsável pela fiscalização, uma detalhada verificação se os créditos bancários eram faturamento ou empréstimos e transferências entre as contas bancárias de titularidade da própria empresa fiscalizada. É cediço que o processo administrativo fiscal deve sempre buscar a verdade material dos fatos. Devido ao potencial danoso que uma sanção acarreta, a Receita Federal do Brasil não deve se ater a indícios para penalizar determinado contribuinte. A Receita Federal do Brasil ao permitir que uma empresa seja autuada com base em indícios e sem a devida e rigorosa atividade fiscalizatória age em afronta aos princípios da legalidade, do contraditório, da ampla defesa e da verdade material. O art. 59, II, do Decreto nº 70.235/1972, afirma que serão nulos os atos praticados com preterição do direito de defesa. Fl. 1523DF CARF MF 10 ● Do erro da construção do lançamento. Os valores creditados nas contas bancárias da empresa foram considerados pelo Auditor da Receita Federal do Brasil como tributável. Todavia, ao efetuar o lançamento do imposto, o mesmo não observou o disposto no art. 288 do Decreto 3.000/99, pois não foi respeitado o regime de tributação a que estava submetida a empresa no período de apuração. ● Da Exclusão do Simples Nacional. Efeitos Retroativos. Afronta aos Princípios da Irretroatividade da Lei e da Garantia do Direito Adquirido. Os efeitos da exclusão não pode ter como início a data de outubro de 2012, sob risco de configurar afronta à garantia constitucional da irretroatividade da lei, bem como ofensa a direito adquirido (CF art. 5º, XXXVI e XL). A exclusão com efeito retroativo fere o direito adquirido uma vez que a empresa operou regularmente todo o ano de 2011 sem receber qualquer notificação da Receita Federal. O presente caso não trata de nenhuma das hipóteses previstas no art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), não podendo surtir efeitos retroativos. Além disso, não há provas contundentes da omissão de receita, pois a autoridade fiscal se baseou apenas em extratos bancários, ou seja, em meros indícios, os quais não provam que a empresa extrapolou o faturamento permitido para as optantes do Simples Nacional, portanto, a empresa atuava regularmente. Dessa forma, não há que cobrar no presente qualquer valor ou diferença na sistemática do Simples Nacional, do Lucro Presumido ou contribuições sociais. Isto posto, verificase que o Ato Declaratório deve ser declarado nulo, pois os efeitos retroativos da exclusão estão em desacordo como disposto na CF e no CTN. ● Presunção de Omissão de Receita baseada em extratos bancários. Ilegitimidade – Súmula 182 do TRF. Nos termos da presente Autuação, o Agente fiscal, após a análise das movimentações das contas correntes da empresa, obtidas de forma ilegal por meio de violação do sigilo bancário, alega que nos anos calendários de 2012 e 2013, os valores declarados na DASN (Declaração Anual do Simples Nacional), eram inferiores aos valores movimentados nas instituições financeiras em que a autuada possuía contas correntes. O fiscal tomou os depósitos e transferências como receita omitida. Contudo, os depósitos não são e na verdade nunca foram indicativos suficientes para comprovar e fundamentar a omissão de receita. A simples movimentação bancária do contribuinte, a despeito de ser indicativo do aporte de valores, não reflete, necessariamente, a existência de acréscimo patrimonial ou de faturamento a justificar a tributação. Ora, no próprio Auto foi narrado que "constatouse que as movimentações financeiras eram muito superiores às receitas declaradas". Portanto, os autos foram constituídos unicamente pela análise das contas correntes da empresa, sem que haja comprovação de que estes valores representam acréscimo patrimonial ou faturamento de fato. Portanto, é imprescindível a comprovação pelo fisco da utilização desses valores depositados como renda consumida ou faturamento, que não pode ter como único fundamento a existência de depósitos bancários (extratos bancários). Dessa Fl. 1524DF CARF MF Processo nº 10950.724392/201696 Acórdão n.º 1201002.503 S1C2T1 Fl. 7 11 forma, cabe ao fisco o ônus probatório da infração, conforme súmula 182 do Tribunal de Recursos Fiscais. Cumpre ressaltar, ainda, que, mesmo após a edição da Lei n° 9.430/96, a qual permite o arbitramento do Imposto de Renda com base em depósitos bancários, se o contribuinte não comprovar a origem dos recursos, a Súmula 182 do TRF ainda terá aplicação. O Egrégio Superior Tribunal de Justiça também já se manifestou nesse sentido, ao proferir julgamento no Resp. 238356/CE. ● Das Operações Financeiras. Muitos dos valores a que a Receita Federal atribui como receita são apenas transferências entre as contas bancárias de titularidade da própria empresa. Isso nada mais é do que um mecanismo utilizado pelas empresas para cobrir saldos negativos de determinada conta bancária, com vistas a manter o equilíbrio entre as contas da empresa e evitar o pagamento de juros no caso de saldos negativos. Durante o processo fiscalizatório, deveria ter sido realizada uma vasta e detalhada análise dos valores creditados nas contas da empresa, pois ao considerar empréstimos bancários e transferências entre contas de mesma titularidade como receita provenientes de vendas omitidas, a Receita Federal; provocou enormes danos ao contribuinte. ● Da exclusão dos valores pagos. Caso subsista a presente autuação, requerse que sejam excluídas dos valores cobrados na presente autuação as contribuições já recolhidas pela empresa referente ao ano calendário de 2012 e 2013, quando a empresa estava enquadrada no SIMPLES Nacional. Do contrário, sem a exclusão dos valores já pagos, estarseá diante de um bis idem, ou seja, haverá a tributação por mais de uma vez da empresa sobre o mesmo fato gerador, o que configura afronta a ordem pública e enriquecimento ilícito por parte do Fisco, e, portanto, não pode ser admitido. ● Da Multa Confiscatória. No presente caso, foi aplicada multa de oficio no valor de 75 % (setenta e cinco por cento) do valor do débito tributario. Inobstante a empresa ter sido autuada sem a observância do princípio da verdade material, e com base apenas em indícios, foilhe ainda aplicada uma multa totalmente confiscatória. Desse modo, requer seja a multa de ofício readequada ao patamar não superior a 10%. ● Da Prova Pericial. O Auditor Fiscal não pode considerar como receita de uma empresa qualquer movimentação que passe pelas contas bancárias da mesma, sem antes realizar uma atividade fiscalizatória extremamente rigorosa para apurar a origem de tais valores. O Decreto n° 70.235/72 em seu artigo 16, IV, dispõe que a impugnação mencionará as perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que a justifiquem. Na presente peça está evidenciado o motivo da necessidade dessa modalidade de prova: provar que a empresa foi excluída do Fl. 1525DF CARF MF 12 SIMPLES NACIONAL com base em indícios que nada mais são do que movimentação financeira entre contas da mesma empresa e não são, como afirmou o Auditor Fiscal, receitas. Somente com a realização desse meio de prova será possível determinar qual a real origem dos créditos lançados nas referidas contas. Conforme dispõe o art. 16, IV do Decreto n 70.235/72, o perito indicado é: Nome: Anderson Wagner Jacomini Endereço: Rua Neo Alves Martins, n° 2.398, Zona 01, Maringá PR, 87013060. Qualificação Profissional: Contador CRC 043782/08PR ● Ilegalidade da Taxa Selic. É ilegal a utilização da taxa SELIC como taxa de juros de mora para débitos tributários, porquanto sua composição foi criada para regular situações referentes à política monetária nacional, e não servir de fator de recomposição da moeda. Ademais, não é correto o entendimento de que tal taxa foi instituída por lei e que sua utilização se dá com fulcro no artigo 161 do CTN. Ora, a lei ordinária não criou a taxa SELIC, mas tão somente estabeleceu seu uso, o que contraria o ordenamento jurídico, pois este só autorizou juros diversos se a lei estatuir em contrário. Ademais, o fato de estar prevista em lei não significa que pode a mesma ser aplicada a qualquer tempo, lugar e situação, como a do caso em tela. Isso porque é fator de correção utilizado em mercado de capitais, onde estão embutidos em seu bojo outros custos que não representam somente a remuneração do capital através da correção monetária. Na composição da SELIC, além da correção monetária, são computados fatores como risco, corretagem e custo de outros serviços referentes às operações financeiras. Ademais, importante observar que o parágrafo 1o do art. 161 do CTN preceitua que os juros serão de 1% se a lei não dispuser de modo diverso, e sendo a SELIC criada para outra finalidade que não a do caso em tela, não pode ser utilizada, devendo prevalecer o disposto no parágrafo retro mencionado. Destacando o valor cobrado a título de Taxa SELIC. Requer seja afastada a aplicação da taxa SELIC como taxa de juros no presente caso. ● Do Arrolamento de Bens e Direitos. O Termo de Arrolamento de Bens encontrase eivado de inconstitucionalidade e de ilegalidade. A partir do ano de 2007, o Supremo Tribunal Federal e, inclusive, a Câmara Superior de Recursos Fiscais, passaram a entender que tal exigência é inconstitucional. No STF essa matéria encontrase pacificada e já foi motivo de Repercussão Geral, ou seja é entendimento consolidado. Essa matéria é inclusive alvo de Súmula Vinculante: STF SÚMULA VINCULANTE N° 21 É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo. No mesmo sentido a CSRF: NORMAS PROCESSUAIS ARROLAMENTO DE BENS Na ADIN n° 1976, a Suprema Corte declarou a inconstitucionalidade da exigência de Fl. 1526DF CARF MF Processo nº 10950.724392/201696 Acórdão n.º 1201002.503 S1C2T1 Fl. 8 13 arrolamento de bens para admissibilidade de recurso aos Conselhos de Contribuintes prevista no artigo 33, §2°, do Decreto n° 70.235/72. Tal exigência de arrolamento foi posteriormente revogada pelo art. 19, inciso I, da Medida Provisória 413/08 e o Ato Declaratório Interpretativo n° 16/07 autorizou as unidades da Receita Federal a declarar nulas as decisões que inadmitiram recursos voluntários de contribuintes por i falta do arrolamento. Aplicamse essas determinações aos processos pendentes de decisão, não havendo razão para i persistir com a negativa de conhecimento do recurso. Recurso especial provido. (Acórdão n° 01.05.948. Sessão i de 11 de agosto de 2008. Câmara Superior de Recursos Fiscais. Primeira Turma.) ! ● Pedido. 1) Preliminarmente, decretar a nulidade do presente auto de infração, com consequente arquivamento do processo, sem qualquer imposição de penalidade à fiscalizada, visto que a fiscalização que deu origem a presente autuação é nula, pois a quebra do sigilo bancário não foi determinada por ordem judicial, em afronta ao inciso XII, art. 5º da Constituição Federal, conforme item 3.1; 2) Não sendo esse o entendimento, que seja declarado nulo o auto de infração em epígrafe, bem como o ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO N° 37, em razão da ilegalidade e inconstitucionalidade derivada da solicitação de extratos bancários feita à empresa impugnante constante no TDPFF n° 0910500.2015.002279; 3) Caso não seja acolhida a primeira preliminar, requer que sejam declarados nulos o presente Auto de Infração epígrafe e o Ato Declaratório Executivo n° 37, tendo em vista a ofensa ao princípio da verdade material, nos termos do item 3.3; 4) Caso não sejam acolhidas nenhuma das duas preliminares acima, requer sejam declarados nulos o Auto de Infração em epígrafe e o Ato Declaratório Executivo n° 37, por violar o artigo 288 do Decreto 3.000/99, consoante exposto no item 3.4; 5) Caso não sejam acolhidas nenhuma das três preliminares acima, requer sejam declarados nulos o Auto de Infração em epígrafe e o Ato Declaratório Executivo de n° 37 de 07 de novembro de 2016, considerando a ilegalidade dos efeitos retroativos do referido ato, pois os mesmos configuram afronta as garantias da irretroatividade da lei e do direito adquirido dispostos nos incisos XXXVI e XL, do art. 5º da Constituição Federal e art. 106 do Código Tributário Nacional, que torna insubsistente a presente cobrança devidas pelo desenquadramento da empresa do Simples Nacional, nos termos do item 3.5; 6) No mérito, declarar insubsistente o Auto de Infração lavrado, com o consequente arquivamento do processo, sem qualquer imposição de penalidade à Impugnante, dado que a presunção de omissão de receita se deu apenas com base na análise dos extratos bancários da empresa, os quais, por si só, não comprovam a omissão de receita, conforme exposto no item 4.1; 7) Caso não seja esse o entendimento, respeitandose o princípio da eventualidade, requer seja o Auto de Infração corrigido, excluindo dele os valores referentes a empréstimos e a transferência entre as contas da empresa contribuinte, com base no exposto no item 4.2; 8) Requer sejam as multas readequadas ao patamar não superior a 10% (dez por cento), respeitando o princípio do nãoconfisco, conforme exposto no item 4.4; Fl. 1527DF CARF MF 14 9) Requer seja admitida a produção de todas as provas em direito admitidas, em especial a prova pericial, nos termos do item 4.5; 10) Caso subsista a presente autuação, o que não se espera diante de todas as ilegalidade e irregularidades já expostas, requerse, que ao menos, sejam excluídas dos valores cobrados na presente autuação os impostos já recolhidos pela empresa referente aos anos calendário de 2012 e 2013, nos termos do item 4.6; 11) Requer seja afastada a aplicação da taxa SELIC como taxa de juros no presente caso; 12) Requer seja declarado nulo o TAB Termo de Arrolamento de Bens n° 10950.724.540/201672; Por essa decisão, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, conforme ementa abaixo transcrita: EXCLUSÃO DO SIMPLES DE OFÍCIO. EFEITOS. A exclusão do Simples de oficio, nos casos de excesso de receita bruta superior a 20% do limite, produz efeitos a partir do mês subsequente àquele em que se constatar o excesso. DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITA. Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. SIGILO BANCÁRIO. A utilização de informações de movimentação financeira obtidas regularmente não caracteriza violação de sigilo bancário. NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade do lançamento quando observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de perícia que deixe de atender os requisitos legais e que se refira à questão cuja elucidação dependa apenas de apresentação de documentos. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTAÇÃO. A juntada posterior de documentação só é possível em casos especificados na lei. Fl. 1528DF CARF MF Processo nº 10950.724392/201696 Acórdão n.º 1201002.503 S1C2T1 Fl. 9 15 No recurso voluntário são repisados os mesmos argumentos da manifestação de inconformidade, apenas sendo acrescentados mais dois pedidos, quais sejam: a) "em respeito ao princípio de segurança jurídica, requerse que seja o julgamento do presente processo suspenso até a decisão definitiva do auto de infração nº 10950724.496/201609"; b) "caso não seja acolhida a preliminar acima, sucessivamente, com base no art. 62A, §§ 1º e 2º do Regimento Interno do CARF, requer que seja sobrestado o presente recurso até a decisão definitiva do RE 601.314". A preliminar referida é a nulidade do auto de infração por quebra de sigilo bancário sem autorização judicial. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Relator. Admissibilidade. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. No entanto, como já bem salientado na decisão de primeira instância, o processo trata somente da exclusão da contribuinte do Simples Nacional, não constando dos autos lançamentos de quaisquer tributos e, portanto, não serão conhecidas as matérias relativas ao percentual da multa de ofício, inaplicabilidade da taxa Selic, Arrolamento de Bens e dedução de valores já pagos. As demais serão conhecidas e analisadas conforme abaixo. Preâmbulo. Como já explanado, o presente processo versa somente sobre a exclusão da recorrente do Simples Nacional, com efeitos a partir de 1º de outubro de 2012. Os fundamentos do recurso voluntário são os mesmos trazidos na manifestação de inconformidade, com exceção dos dois pedidos adicionais conforme salientado no relatório. Em face disso, os pedidos veiculados somente no recurso voluntário serão analisados separadamente, em primeiro lugar, adotandose os fundamentos da decisão de primeira instância como razões de decidir no presente voto, nos termos do art. 57, § 3º, do Anexo II do RICARF. Sobrestamento deste processo até decisão definitiva quanto ao auto de infração objeto do nº 10950.724496/201609. No que tange a esse pedido, verificase que o processo nº 10950.724496/201609 é relativo a autos de infração de IRPJ, obtido pela sistemática do Lucro Presumido, e aos reflexos (CSLL, contribuição para o PIS/Pasep e Cofins) dos períodos de Fl. 1529DF CARF MF 16 apuração de outubro de 2012 em diante, decorrentes da exclusão da contribuinte do Simples Nacional. Dessa forma, aquele processo é que decorre deste. Se mantida a exclusão, os autos de infração em referência também serão mantidos (salvo se nulos ou improcedentes por outro motivo). Denegase, pois, o pedido. Sobrestamento até a decisão definitiva quanto ao RE 601.314. Ocorre que a decisão definitiva quanto ao Recurso Extraordinário em questão, sob o regime de Repercussão Geral, deuse em fevereiro de 2016, entendendo o E. Supremo Tribunal Federal pela constitucionalidade da Lei Complementar nº 105/2001, conforme ementa abaixo transcrita: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o auto governo coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do auto governo coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão Fl. 1530DF CARF MF Processo nº 10950.724392/201696 Acórdão n.º 1201002.503 S1C2T1 Fl. 10 17 geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento (RE 601.314/SP, Relator Min. Edson Fachin, sessão de 24/02/2016, Tribunal Pleno, publicado no DJe198, divulgado em 15/09/2016 e Publicado em 16/09/2016). Assim, não há mais o que se discutir acerca das disposições da Lei Complementar em tela neste Conselho, em face do art. 62, § 1º, II, "b", do RICARF. Demais matérias suscitadas. Como já sobejamente salientado, o processo trata apenas da exclusão da contribuinte do Simples Nacional. No entanto, além da defesa quanto a tal exclusão, foram suscitadas razões quanto ao sigilo bancário e omissão de receitas, assim como quanto ao lançamento decorrente, que foram analisadas no voto condutor da decisão de primeira instância. Assim, serão reproduzidos abaixo os fundamentos dessa decisão, adotados como razões de decidir neste voto. Exclusão do Simples. Alega a contribuinte que o Ato Declaratório deve ser declarado nulo, pois os efeitos retroativos da exclusão estão em desacordo como disposto na CF (Afronta aos Princípios da Irretroatividade da Lei e da Garantia do Direito Adquirido) e no CTN (art.106) e que não há provas contundentes da omissão de receita, pois a autoridade fiscal se baseou apenas em extratos bancários, ou seja, em meros indícios, os quais não provam que a empresa extrapolou o faturamento permitido para as optantes do Simples Nacional, portanto, a empresa atuava regularmente. Para a análise da exclusão de ofício do Simples tratada neste processo, cabe observar os seguintes dispositivos da Lei Complementar nº 123, de 2006, com a redação vigente à época dos fatos neste processo discutidos: Art. 28. A exclusão do Simples Nacional será feita de ofício ou mediante comunicação das empresas optantes. Parágrafo único. As regras previstas nesta seção e o modo de sua implementação serão regulamentados pelo Comitê Gestor. Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: I verificada a falta de comunicação de exclusão obrigatória; (...) Art. 30. A exclusão do Simples Nacional, mediante comunicação das microempresas ou das empresas de pequeno porte, darseá: Fl. 1531DF CARF MF 18 I por opção; II obrigatoriamente, quando elas incorrerem em qualquer das situações de vedação previstas nesta Lei Complementar; (...) IV obrigatoriamente, quando ultrapassado, no anocalendário, o limite de receita bruta previsto no inciso II do caput do art. 3o, quando não estiver no anocalendário de início de atividade. § 1º A exclusão deverá ser comunicada à Secretaria da Receita Federal: (...) IV na hipótese do inciso IV do caput: a) até o último dia útil do mês subsequente à ultrapassagem em mais de 20% (vinte por cento) do limite de receita bruta previsto no inciso II do caput do art. 3º; ou (...) Art. 31. A exclusão das microempresas ou das empresas de pequeno porte do Simples Nacional produzirá efeitos: (...) V na hipótese do inciso IV do caput do art. 30: a) a partir do mês subsequente à ultrapassagem em mais de 20% (vinte por cento) do limite de receita bruta previsto no inciso II do art. 3º; Resolução CGSN nº 94, de 2011: Art. 73. A exclusão do Simples Nacional, mediante comunicação da ME ou da EPP à RFB, em aplicativo disponibilizado no Portal do Simples Nacional, darse á: (Redação dada pelo(a) Resolução CGSN nº 117, de 02 de dezembro de 2014) I por opção, a qualquer tempo, produzindo efeitos: (Lei Complementar nº123, de 2006, art. 30, inciso I e art. 31, inciso I e § 4º) a) a partir de 1ºde janeiro do anocalendário, se comunicada no próprio mês de janeiro; b) a partir de 1ºde janeiro do anocalendário subsequente, se comunicada nos demais meses; II obrigatoriamente, quando: a) a receita bruta acumulada ultrapassar um dos limites previstos no § 1º do art. 2º, hipótese em que a exclusão deverá ser comunicada: Fl. 1532DF CARF MF Processo nº 10950.724392/201696 Acórdão n.º 1201002.503 S1C2T1 Fl. 11 19 1. até o último dia útil do mês subsequente à ultrapassagem em mais de 20% (vinte por cento) de um dos limites previstos no § 1º do art. 2º, produzindo efeitos a partir do mês subsequente ao do excesso; (Lei Complementar nº123, de 2006, art. 30, inciso IV, § 1º, inciso IV; art. 31, inciso V, alínea "a") (...) Art. 75. A competência para excluir de ofício a ME ou EPP do Simples Nacional é: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 29, § 5º; art. 33) I da RFB; (...) Art. 76. A exclusão de ofício da ME ou da EPP do Simples Nacional produzirá efeitos: I quando verificada a falta de comunicação de exclusão obrigatória, a partir das datas de efeitos previstas no inciso II do art. 73; (Lei Complementar nº123, de 2006, art. 29, inciso I; art. 31, incisos II, III, IV, V e § 2º) Conforme a Representação Fiscal de fl. 19, a contribuinte, em 2012 e 2013, omitiu receitas, já que não comprovou, apesar de regularmente intimada, a origem e oferecimento à tributação de depósitos de sua titularidade mantidos em conta própria e de terceiros. O valor total de receita apurada nos citados anos foi superior ao limite de receita bruta permitido à época para os optantes do Simples pelo artigo 3º, II, da referida LC nº 123, de 2006. Esse total de receitas omitidas, documentado e caracterizado neste processo e nos processos administrativos nº 10950.724496/2016 09, 10950.724498/201690 e 10950.724507/201642, e que resultou em autos de infração impugnados pela contribuinte, está sendo confirmado por esta Turma de Julgamento, conforme Acórdãos nº 1466.021, 1466.022 e 1466.023, respectivamente. Dessa forma, não há que se questionar o Ato Declaratório de Exclusão, uma vez que foi apurado excesso de receita bruta (comprovado em procedimento de fiscalização), nos anoscalendário de 2012 e 2013, tendo sido superior a 20% do limite fixado, enquadrandose perfeitamente no disposto no art.31, V, a da LC nº 123, de 2006. Diante do exposto, devese manter a exclusão da contribuinte do Simples a partir de 01/10/2012, conforme determinado no Ato Declaratório Executivo nº 37, de 07 de novembro de 2016. Cabe esclarecer que o princípio da irretroatividade invocado pela contribuinte não é pertinente, porque diz respeito à vedação de se aplicar uma lei a fatos anteriores à sua publicação e no presente caso a LC nº 123, de 2006 (que determina a eficácia da exclusão retroativa ao mês subsequente àquele em que houver a ultrapassagem em mais de 20% do limite de receita bruta), vigora desde 1º de julho de 2007. Logo, não ocorreu aplicação retroativa de lei. Como bem salientado no voto condutor da decisão de piso, o excesso de receitas acima do limite estabelecido em lei está muito bem caracterizado nos presentes autos, em face dos depósitos bancários cuja origem não foi comprovada. Fl. 1533DF CARF MF 20 Sigilo Bancário. Alega a contribuinte que o lançamento baseado em depósitos bancários de origem não comprovada é nulo, pois houve quebra do sigilo bancário sem autorização judicial. Cabe esclarecer que o acesso pelas autoridades administrativas às informações bancárias dos contribuintes tem fundamento na própria Constituição Federal (CF), em seu art. 145, §1º, no Código Tributário Nacional (CTN), art. 197, II, bem assim na Lei Complementar (LC) nº 105, de 2001, na Lei nº 10.174, de 2001, e no Decreto nº 3.724, de 2001. Ademais, o Plenário do STF concluiu na sessão de 24/02/2016 o julgamento conjunto de cinco processos que questionavam os dispositivos da Lei Complementar nº 105, de 2001, que permitem à Receita Federal receber dados bancários de contribuintes fornecidos diretamente pelos bancos, sem prévia autorização judicial. Por maioria de votos (9 a 2), prevaleceu o entendimento de que a norma não resulta em quebra de sigilo bancário, mas sim em transferência de sigilo da órbita bancária para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros. Destacouse no julgamento que a transferência de informações é feita dos bancos ao Fisco, que tem o dever de preservar o sigilo dos dados, portanto não há ofensa à Constituição Federal. Inclusive, naquela oportunidade foi julgado o mérito do RE 601.314, considerado paradigma da repercussão geral envolvendo o tema (Tema 225 Fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001). Dessa forma, não tendo sido declarados inconstitucionais pelo STF, sob o rito da repercussão geral, os respectivos dispositivos da Lei Complementar nº 105, de 2001, que autorizam a transferência dos dados bancários do contribuinte para o fisco, devese continuar aplicando tal lei na via administrativa, pelo princípio da presunção da legitimidade das leis. Acrescentese que, durante o procedimento fiscal, a contribuinte autorizou a Receita Federal a intimar as instituições financeiras a apresentarem cópias legíveis, frente e verso de todos os cheques relacionados pelo autuante, não existindo qualquer quebra ilegal do sigilo bancário. Diante do exposto, deve ser rejeitada essa alegação. Com relação ao assunto, já havia sido abordado supra quando da análise relativa ao sobrestamento do processo até o julgamento do RE 601.314. Omissão de Receita. Com relação à omissão de receita caracterizada pela falta de comprovação da origem dos recursos que possibilitaram a realização de depósitos bancários, dispõe a Lei nº 9.430, de 1996, no art. 42, verbis: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 1534DF CARF MF Processo nº 10950.724392/201696 Acórdão n.º 1201002.503 S1C2T1 Fl. 12 21 § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. O dispositivo legal acima transcrito estabeleceu uma presunção legal de que os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, não comprovados com documentação hábil e idônea, constituem receita omitida. Em relação às presunções de omissão de receita, destacase que essas são classificadas pela doutrina como espécies de provas indiretas. A doutrina do Direito Tributário identifica duas espécies distintas: as legais e as simples (comuns). As presunções legais se subdividem em absolutas (jure et de jure) e relativas (jures tantum). As presunções absolutas não admitem prova em contrário ao fato presumido, já as relativas admitem prova contrária, reputandose verdadeiro o fato presumido até que a parte interessada prove o contrário. As presunções legais relativas provocam a chamada “inversão do ônus da prova”, cabendo ao contribuinte provar que o fisco está equivocado. A falta de adequada comprovação impede o acolhimento do pleito, este é o entendimento expresso pelo Código de Processo Civil, art. 373, II. A comprovação da origem dos valores depositados em contacorrente bancária deve ser detalhada, coincidente em data e valores. Deve ficar claro que o numerário teve origem em valores já tributados pela empresa ou em valores não tributáveis ou tributáveis exclusivamente na fonte. No caso presente, a fiscalização intimou a empresa a esclarecer e comprovar adequadamente a origem dos recursos depositados em suas contas correntes e a contribuinte não o fez. Ficou bastante claro no processo que não restou comprovada a origem dos depósitos tributados na autuação. Na impugnação, a contribuinte apenas solicita que sejam excluídos os valores referentes à empréstimos e transferência entre as suas contas. Entretanto, não anexa ao processo qualquer comprovação dos alegados empréstimos e não aponta nenhum crédito bancário tributado no auto de infração que se refira a transferências entre contas de mesma titularidade. Assim, não há como alterar o lançamento tributário. Devese esclarecer que a súmula 182 do TRF (rectius TFR) é anterior à citada Lei 9.430, de 1996, a partir da qual não há mais que se comprovar evidências de sinais exteriores de riqueza, pois a própria lei determina, nesses casos, que os valores depositados constituem receita. Não estão sendo tributados os depósitos bancários, mas a receita que eles representam por expressa disposição legal. Os depósitos são o sinal de exteriorização pelo qual se manifesta a omissão de receita, quando não comprovada a origem financeira dos recursos utilizados. Quanto à alegação de que houve erro na construção do lançamento, uma vez que não se observou o disposto no art. 288 do Decreto 3.000, de 1999, temse que a Fl. 1535DF CARF MF 22 contribuinte foi excluída da sistemática do Simples a partir de 01/10/2012 e, por essa razão, sujeitouse, a partir dessa data, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, nos termos do art. 32 da LC nº 123, de 2006. Sendo intimada para exercer a opção prevista no referido artigo, optou pelo recolhimento do IRPJ e CSLL na forma do lucro presumido. Com relação à tributação da omissão de receitas relativa ao período anterior à exclusão, verificase que seguiu a sistemática do Simples Nacional adotado pela contribuinte. Assim, é improcedente essa alegação. Relativamente ao pedido de que sejam excluídos os valores referentes à empréstimos e transferência entre as suas contas, também no Recurso Voluntário não foram apresentadas provas do alegado. Juntada Posterior de Provas. O pedido para juntada posterior de provas não pode ser deferido, porque a Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, alterou o disposto no Decreto nº 70.235, de 1972, art. 16, mediante a inclusão do § 4º, que diz: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Não tendo ocorrido nenhuma das hipóteses acima transcritas, não se pode acatar a solicitação de apresentação posterior de documentação. Ademais, como já apontado acima, junto com o Recurso Voluntário não veio nenhum documento ou qualquer outro elemento de prova. Perícia. Quanto ao pedido de perícia, o PAF, art. 16, IV e §1º, alterado pela Lei nº 8.748, de 9 de dezembro de 1993, determina que todo pedido de perícia deve indicar os motivos que o justifiquem e o perito do sujeito passivo. Caso contrário, o pedido deve ser considerado não formulado. Portanto, não tem efeito o pedido de perícia da empresa, uma vez que não indicou os quesitos a serem respondidos. Ademais, a perícia é dispensável para o deslinde do presente julgamento, uma vez que se trata de matéria de prova a ser feita mediante a juntada de documentação, cuja guarda e conservação compete à própria interessada. Conclusão. Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, NEGAR LHE provimento. (assinado digitalmente) Fl. 1536DF CARF MF Processo nº 10950.724392/201696 Acórdão n.º 1201002.503 S1C2T1 Fl. 13 23 Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Fl. 1537DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.730188/2015-82
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MAIOR DE 65 ANOS. LIMITE.
A isenção de imposto de renda para maiores de 65 anos sujeita-se a limite legal. Atendidos os requisitos legais, deve ser reconhecido o direito à isenção.
Há de ser reconhecida a isenção quando o recorrente apresenta nos Autos documentação suficiente para suprir as falhas apontadas no lançamento e/ou decisão de primeira instância.
Numero da decisão: 2001-000.590
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
1.0 = *:*
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score : 1.0
Numero do processo: 10875.901526/2013-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO
Ante a falta de comprovação da ocorrência de pagamento indevido ou a maior, não há de ser reconhecido o direito creditório.
Cabe ao contribuinte comprovar a existência de seu direito creditório relativo a pagamento indevido ou a maior. A manifestante é autora no presente processo, pois a declaração de compensação nada mais é do que uma petição inicial, ou seja, um pedido dirigido à autoridade administrativa que pode ou não ser deferido, após a verificação da certeza e liquidez do crédito pleiteado.
Numero da decisão: 1302-002.951
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2009 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO Ante a falta de comprovação da ocorrência de pagamento indevido ou a maior, não há de ser reconhecido o direito creditório. Cabe ao contribuinte comprovar a existência de seu direito creditório relativo a pagamento indevido ou a maior. A manifestante é autora no presente processo, pois a declaração de compensação nada mais é do que uma petição inicial, ou seja, um pedido dirigido à autoridade administrativa que pode ou não ser deferido, após a verificação da certeza e liquidez do crédito pleiteado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO Ante a falta de comprovação da ocorrência de pagamento indevido ou a maior, não há de ser reconhecido o direito creditório. Cabe ao contribuinte comprovar a existência de seu direito creditório relativo a pagamento indevido ou a maior. A manifestante é “autora” no presente processo, pois a declaração de compensação nada mais é do que uma “petição inicial”, ou seja, um pedido dirigido à autoridade administrativa que pode ou não ser deferido, após a verificação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 15 26 /2 01 3- 04 Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10875.901526/201304 Acórdão n.º 1302002.951 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Para a devida síntese do processo, transcrevo o relatório da DRJ/SPO, complementandoo ao final: “O interessado, supra qualificado, entregou por via eletrônica a Declaração de Compensação [...], na qual declara a compensação de pretenso crédito de pagamento indevido ou a maior de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (cód. receita 2362 IRPJ PJ OBRIGADAS AO LUCRO REAL ENTIDADES NÃO FINANCEIRAS ESTIMATIVA MENSAL) relativo ao período de apuração encerrado em 31/01/2009. O contribuinte foi cientificado, [...]do Despacho Decisório [...]: [...] Irresignado, o contribuinte apresentou [...] a Manifestação de Inconformidade [...], alegando que havia incorreção em sua DCTF, cuja correção foi providenciada mediante DCTF retificadora [...]. Solicita, assim, sejam consideradas as correções propostas, pois seu direito creditório estaria assegurado com os recolhimentos efetuados por Darf”. Após analisada a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte, a Turma Julgadora a quo julgoua improcedente, sob o argumento de que pleiteado a simples alegação de erro na DCTF e sua retificação não faz prova do direito creditório pleiteado, mormente porque a retificação somente foi efetuada pelo interessado após a ciência do Despacho Decisório que não lhe reconheceu a existência do indébito tributário. Abaixo, segue a transcrição do Acórdão n.º 1665.760 DRJ/SPO: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Ante a falta de comprovação da ocorrência de pagamento indevido ou a maior, não há de ser reconhecido o direito creditório. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Inconformada a contribuinte interpôs Recurso Voluntário à apreciação deste Conselho. Em sua peça, a recorrente traz documentos que reputa serem suficientes à comprovação de seu direito creditório, aduzindo para tanto, o que segue: Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10875.901526/201304 Acórdão n.º 1302002.951 S1C3T2 Fl. 4 3 A estimativa referente a janeiro 2009 foi quitada através do DARF em 27/02/2009. Ocorre que o valor recolhido no mencionado DARF corresponde ao valor de R$ 182.386,55 declarados na DCTF transmitida em 26/03/2009, que veio a ser retificada pela DCTF transmitida em 05/09/2013, para refletir o correto valor do IRPJ apurado na competência janeiro 2009, ou seja, R$ 182.237,38. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado – Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.946, de 26/07/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10875.901528/2013 95, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O direito creditório analisado no processo paradigma tem como origem pagamento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ referente ao mês de março 2009. No presente processo, o crédito pleiteado tem origem em pagamento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ, relativa ao mês de janeiro 2009. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.946): "Presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do presente recurso. Tratase de Recurso Voluntário em face de Acórdão de Manifestação de Inconformidade que não reconheceu o direito creditório pleiteado pelo contribuinte. Com relação ao direito creditório objeto deste processo, a Recorrente esclarece que efetuou o recolhimento de R$ 668.372,08 (cf. Comprovante de Arrecadação, Doc. 07 do recurso); porém, posteriormente, em decorrência de revisões internas, verificou que o valor devido a título de IRPJ por estimativa para o mês de março de 2009 era, na verdade, de R$ 472.200,79, tendo declarado este valor (e não aquele) na Ficha 11 da DIPJ 2010 (cf. Doc. 04 do recurso). Em razão disso, a contribuinte apresentou o PER/DCOMP 18535.63848.250211.1.3.048801 no valor de R$ 196.171,29 (cento e noventa e seis mil, cento e setenta e um reais e vinte e nove centavos) que corresponde à diferença entre os valores discriminados no parágrafo anterior; sendo esta a origem do direito creditório objeto deste processo. Pontua, inclusive, que a DCTF nº 17.66.37.5747 (Doc. 08), onde constava a declaração do débito de R$ 668.372,08, foi retificada pela DCTF nº 13.88.68.20.27 (Doc. 09) para Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10875.901526/201304 Acórdão n.º 1302002.951 S1C3T2 Fl. 5 4 consignar que a estimativa de IRPJ devida no mês de março de 2009 era, na verdade, R$ 472.200,79, uma vez que isto não havia sido procedido anteriormente. Pois bem. Cabe destacar a alegação da recorrente de que, apesar de ter declarado em DCTF o valor de R$ 668.372,08, declarou na DIPJ do exercício seguinte o valor de R$ 472.200,79 (cf. Doc. 04). No mesmo sentido, verificase que ainda que a retificação da DCTF tenha sido procedida após remetido o PER/DCOMP em tela, tal fato não pode ser entendido como prejudicial à análise de crédito do contribuinte. Ademais, de acordo com o Parecer Normativo COSIT n.2, de 28 de agosto de 2015, é possível a retificação da DCTF depois da transmissão do PER/DCOMP para fins de formalização do indébito objeto da compensação, desde que coerentes com as demais provas produzidas nos autos. Vejamos: Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Contudo, no caso em tela, a recorrente restringe a controvérsia à existência do crédito reportado na DCOMP, buscando comprovar suas alegações, por intermédio de sua DCTFretificadora, cópia do documento de arrecadação federal e DIPJ. O documento intitulado Declaração de Compensação (DCOMP) se presta, assim, a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10875.901526/201304 Acórdão n.º 1302002.951 S1C3T2 Fl. 6 5 primeiro a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Tomando por substrato os atributos essenciais pertinentes ao crédito para sua restituição/compensação (certeza e liquidez), o reconhecimento de um direito creditório e a consequente homologação (total ou parcial) ou não de uma compensação estão condicionados à perfeita identificação do crédito pela postulante (origem e valor), haja vista ser o instituto da compensação eletrônica procedimento efetuado por conta e risco tanto da Administração Federal quanto do contribuinte, correndo contra a primeira o prazo de homologação, que uma vez decorrido impede a recuperação de eventuais valores compensados indevidamente, e de outro lado, sobre o contribuinte, que tem o dever de evidenciar o crédito em todos os seus atributos, visto que, uma vez analisado o PER/DCOMP, não é mais admitida qualquer alteração do seu conteúdo por imposição legal. Assim, à luz dos elementos constantes no pedido (DCOMP), não poderia a autoridade a quo reconhecer crédito algum para a recorrente, haja vista a não identificação correta da origem do crédito pleiteado e que o crédito aludido pelo contribuinte, em primeira análise, foi totalmente alocado para quitação de outro débito, não havendo saldo disponível para pleitear o pagamento indevido ou a maior, o qual , aparentemente, surgiu após a retificação de sua DCTF. Correta a decisão recorrida quanto a análise do caso. Vejamos passagem do decisium: Entretanto, o contribuinte não juntou aos autos nenhum elemento comprobatório ou indiciário do alegado erro e nem tampouco explica as circunstâncias e os motivos que o levaram a efetuar, segundo alega, o pagamento indevido ou a maior. (...) Sendo assim, cabe ao contribuinte comprovar a existência de seu direito creditório relativo a pagamento indevido ou a maior. A manifestante é “autora” no presente processo, pois a declaração de compensação nada mais é do que uma “petição inicial”, ou seja, um pedido dirigido à autoridade administrativa que pode ou não ser deferido, após a verificação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. No caso em tela, entendo que a simples alegação de erro na DCTF e sua retificação não faz prova do direito creditório pleiteado, mormente porque a retificação somente foi efetuada pelo interessado após a ciência do Despacho Decisório que não lhe reconheceu a existência do indébito tributário. Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10875.901526/201304 Acórdão n.º 1302002.951 S1C3T2 Fl. 7 6 Conclusão Diante do exposto, NEGO provimento ao recurso voluntário. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 196DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.725834/2011-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1103-000.097
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva Presidente
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Manoel Mota Fonseca e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Manoel Mota Fonseca e Aloysio José Percínio da Silva.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro – Relator (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva – Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Manoel Mota Fonseca e Aloysio José Percínio da Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .7 25 83 4/ 20 11 -5 0 Fl. 6806DF CARF MF Processo nº 10980.725834/201150 Resolução nº 1103000.097 S1C1T3 Fl. 6.807 2 Relatório Tratase de autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, anoscalendário 2006 a 2009, no valor total de R$ 3.329.218,66 (três milhões, trezentos e vinte e nove mil, duzentos e dezoito reais e sessenta e seis centavos), sobre o qual incidem juros de mora e multa de ofício nos percentuais de 75% e 150% (fls.1.671/1.783). As infrações, quanto ao IRPJ, foram assim descritas no campo “Descrição do Fatos e Enquadramento(s) Legal(is)”: 001 – RECEITA OPERACIONAL OMITIDA (ATIVIDADE NÃO IMOBILIÁRIA). PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS GERAIS. Omissão de receitas de prestação de serviços, conforme Termo de Verificação de Infração e Demonstrativo de Omissão de Receitas, partes integrantes deste auto. 002 – DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Omissão de receita caracterizada por valores creditados em contas de depósito mantidas junto a instituições financeiras, em relação aos quais a empresa, regularmente intimada, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme Termos de Verificação de Infração e Demonstrativo de Créditos Bancários de Origem Não Comprovada, partes integrantes deste auto. A ciência do contribuinte efetivouse em 03/11/11 (fl.1.942). No “Termo de Verificação de Infração” (fls.1.784/1.786), consignouse: “1. Do arbitramento do lucro ..... Nos anos calendário 2006, 2007 e 2008 o lucro foi arbitrado com base na receita bruta conhecida, informada pela empresa em DIPJ, nos termos do art. 532, do RIR/99. De 01/2009 a 09/2009, por não haver receita bruta conhecida, o lucro foi arbitrado com base em 80% da soma dos valores devidos no mês a empregados, nos termos do art. 535, VII, do RIR/99. Estes valores foram obtidos através de informação prestada pela empresa no arquivo Sefip, sendo consolidados no Demonstrativo de Arbitramento do Lucro, parte integrante deste auto. De 10/2009 a 12/2009, por não haver receita bruta conhecida, o lucro foi arbitrado com base em 7% do valor do capital social registrado, nos termos do art. 535, III, do RIR/99. O cálculo também faz parte do Demonstrativo de Arbitramento do Lucro, parte integrante deste auto. Fl. 6807DF CARF MF Processo nº 10980.725834/201150 Resolução nº 1103000.097 S1C1T3 Fl. 6.808 3 2. Dos Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada A empresa atendeu intempestivamente e de forma parcial à intimação para apresentar seus extratos bancários, o que motivou emissão de Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF. Recebidos os extratos bancários, procedeuse à consolidação, com identificação das transferências de recursos entre contas da empresa, além de identificação de créditos decorrentes de cheques depositados que posteriormente foram devolvidos. Também foi feito o expurgo dos créditos que pelo histórico já era possível de se identificar a origem, não sendo a mesma receita. O restante dos créditos foi relacionado no Termo de Intimação Fiscal nº 0002, sendo a empresa intimada a apresentar documentação hábil e comprobatória da origem. Este termo foi enviado pelos Correios em 14/07/11, com código de rastreamento SZ638180127BR, tendo sido entregue em 15/07/11. Porém, os Correios extraviaram o Aviso de Recebimento – AR. Em função deste fato, optouse por postar novamente este termo em 07/10/11, com código de rastreamento SZ595657969BR, tendo sido entregue em 07/10/11, desta vez com o correto retorno do AR. A empresa não apresentou resposta alguma a este termo, razão pela qual foi feito o lançamento da omissão de receita caracterizada pelos depósitos bancários de origem não comprovada. 3. Da Omissão de Receitas Nos extratos bancários é possível se identificar diversos lançamentos como oriundos de receitas da atividade da empresa somente pelo histórico do lançamento. São os lançamentos de cobrança e créditos de pagamentos realizados à empresa através de cartões de débito e de crédito, conforme Demonstrativo de Omissão de Receitas, parte integrante deste auto. Estas receitas não foram declaradas, como se pode concluir a partir do item a seguir, e, portanto, foram objeto de lançamento. 4. Da Não Ocorrência de Dupla Tributação de Receitas A tabela a seguir demonstra a receita bruta declarada pela empresa, a receita omitida detectada nos extratos bancários e a receita decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada: ..... Não é possível a ocorrência de dupla tributação como receita omitida e como depósitos bancários de origem não comprovada pelo simples fato de que os lançamentos que compõem a receita omitida foram obtidos a partir dos extratos bancários, e, desta forma, foram retirados da lista de depósitos bancários de origem não comprovada. Sobre a possibilidade de a receita bruta declarada estar inclusa nos lançamentos de receita omitida e depósitos bancários de origem não comprovada, também não é razoável se admitir, face à grande discrepância entre a receita bruta declarada e a receita omitida e os depósitos bancários de origem não comprovada. Fl. 6808DF CARF MF Processo nº 10980.725834/201150 Resolução nº 1103000.097 S1C1T3 Fl. 6.809 4 O lançamento de receita omitida se deu unicamente em relação aos pagamentos recebidos pela empresa através de cobrança e cartões de crédito e débito. Mas a empresa também recebe pagamentos através de dinheiro, que sequer transita pelas contas bancárias. E mesmo pagamentos em cheque não precisam transitar pelas contas bancárias, podendo tanto ser sacados no caixa como endossados para pagar diretamente fornecedores.” Acerca da qualificação da multa de ofício, a autoridade fazendária a fundamentou nos termos abaixo: “[...] Como se pode observar da tabela no item 4, o valor da receita omitida é bem superior à receita bruta declarada, chegandose ao absurdo de a empresa em 2009 declarar faturamento ZERO. Enquanto que os depósitos bancários de origem não comprovada são uma presunção legal de receita omitida, os valores lançados como receita omitida são efetiva omissão de receita por terem a sua origem já demonstrada no próprio histórico no extrato bancário, ou seja, cobrança e pagamentos de cartões de crédito e débito. Logo, não restam dúvidas de que a empresa, ao apresentar DIPJs e correspondentes DCTFs com valor de receita bruta bem inferior ao valor de receita omitida obtida a partir somente de cobrança e pagamentos por cartões de crédito e débito (sabendose que existem ainda diversas outras formas de pagamento), ela de forma dolosa pretendeu impedir o conhecimento por parte da RFB da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Desta forma, em relação ao lançamento de receita omitida está sendo feita a qualificação da multa de ofício. Também será feita representação fiscal para fins penais, pela ocorrência, em tese, de crime contra a ordem tributária.” Os lançamentos foram considerados parcialmente procedentes pela Primeira Turma da DRJ – Curitiba (PR), conforme acórdão que recebeu a seguinte ementa (fls.6.697/6.731): REVISÃO DE ACÓRDÃO. Revisase acórdão proferido com inexatidões materiais por lapso manifesto, devendo ser lavrado novo acórdão, nos termos do artigo 32 do Decreto 70.235/72 e artigo 22, §1º, da Portaria MF 58/2006. DECADÊNCIA LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Presentes o dolo, a fraude ou a simulação, e ainda constatada a ausência de pagamento antecipado, não há que se aplicar as regras do artigo 150, §4º, do CTN, regendose o instituto da decadência pelos ditames que emanam do art.173, contandose o prazo de 5 anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetivado. ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS CONTÁBEIS OBRIGATÓRIOS. Caracteriza causa de arbitramento a não apresentação de livros contábeis obrigatórios, nos termos da Lei 8981/95, artigo 47, III e VIII. Fl. 6809DF CARF MF Processo nº 10980.725834/201150 Resolução nº 1103000.097 S1C1T3 Fl. 6.810 5 AUTO DE INFRAÇÃO. CRÉDITOS EM CONTA DE DEPÓSITO. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. Configura presunção de omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito, para os quais o titular da conta não logra justificar, com documentos hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores, a origem das importâncias adentradas em sua conta. OMISSÃO DE RECEITAS. VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCÁRIA. PROVA MEDIANTE HISTÓRICO DO LANÇAMENTO. DENOTAÇÃO DE AUFERIMENTO DE RECEITAS. Resta caracterizada omissão de receitas quando valores depositados em conta bancária são apontados como produto de auferimento de receitas, com base no histórico dos lançamentos, e o interessado não contesta esse critério de determinação e tampouco apresenta provas de que referidas importâncias não são verbas tributáveis. RECEITA DECLARADA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE TRIBUTAÇÃO EM DUPLICIDADE. EXCLUSÃO DA BASE TRIBUTADA. FALTA DE PROVAS DE SUA INSERÇÃO. É de se manter na base tributada a receita declarada pelo contribuinte, com a devida dedução dos tributos e contribuições já pagos, quando o Fisco aponta peculiaridade na situação, que não é elidida mediante argumentos e provas contrárias à pretensão fiscal. ARBITRAMENTO. RECEITA BRUTA NÃO CONHECIDA. IMPOSSIBILIDADE, QUANDO A RECEITA BRUTA É CONHECIDA. O arbitramento, com base nos diversos critérios previstos na legislação, para os casos em que a receita bruta não é conhecida, somente podem ser utilizados nessa circunstância. Conhecendose a receita bruta, ainda que parcial, o arbitramento deve, preferencialmente, ser realizado conforme os critérios baseados na receita bruta conhecida. MULTA QUALIFICADA Procedente a aplicação de multa qualificada quando o contribuinte, reiteradamente, apresenta DIPJ e DCTF com valores inferiores ao das receitas omitidas apuradas mediante procedimento fiscal, ocultando, assim sua verdadeira receita e movimentação financeira. Devidamente cientificado de tal decisão em 09/04/13 (fl.6.747), o contribuinte interpôs tempestivamente Recurso Voluntário em 08/05/13 (fls.6.749/6.777), em que alega, em síntese: decadência quanto aos fatos geradores anteriores a novembro de 2006; impropriedade do arbitramento, vez que “...Munida da movimentação bancária, a fiscalização não teve dificuldades em tomar conhecimento da receita bruta da Recorrente, o que lhe retiraria a autorização jurídica para tributar com lastro no lucro arbitrado, por não ser esta a medida menos onerosa de tributação”; caracterização de dupla tributação de receitas; impossibilidade de emprego de depósitos bancários para a apuração de receitas, sendo que “...o mero histórico constante dos extratos bancários não servem de fundamento para provar, de forma cabal e inafastável (como exige o direito para autorizar a exação), que referidos valores são receitas e, portanto, compõem a base de cálculo dos tributos em questão”; Fl. 6810DF CARF MF Processo nº 10980.725834/201150 Resolução nº 1103000.097 S1C1T3 Fl. 6.811 6 a origem de alguns depósitos teria sido comprovada, tratandose de empréstimos tomados perante operadoras de cartão de crédito; transferências entre pessoas do mesmo grupo empresarial; antecipações (empréstimo) de recebimentos em cheque; valores em duplicidade (depósitos em cheque e desbloqueio de depósito); e demais empréstimos com instituições financeiras; considerando o ramo empresarial (atividade de ensino preparatório para concursos, com elevado grau de desistências de matrículas), não foram raras as oportunidades em que houve cancelamento do contrato de prestação de serviços, de forma que parte das receitas recebida foram devolvidas, implicando em fator redutor a ser considerado na apuração da base de cálculo; quanto à multa qualificada, não houve a comprovação pela fiscalização de que “...agiu com flagrante intuito de fraudar o fisco”, tendo se limitado, “...em exíguas linhas, que o agir do contribuinte fere o erário e que teria se apropriado de subterfúgios para ocultar seus negócios do fisco”; o agravamento da multa seria insubsistente, pois não houve descaso do contribuinte no curso do processo de fiscalização. É o que importa relatar. Voto Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. Preenchidos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário, dele se toma conhecimento. Um dos fundamentos das autuações foi exatamente o art.42, caput, da Lei nº 9.430, de 27/12/96, que dispõe: Art.42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Os valores depositados nas contas correntes do contribuinte foram descortinados, conforme “Termo de Verificação de Infração”, por meio de informações obtidas perante instituições bancárias, em cumprimento a Requisições de Informação Financeira (RMF): “[...] A empresa atendeu intempestivamente e de forma parcial à intimação para apresentar seus extratos bancários, o que motivou emissão de Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF. Recebidos os extratos bancários, procedeuse à consolidação, com identificação das transferências de recursos entre contas da empresa, além de identificação de créditos decorrentes de cheques depositados que posteriormente foram devolvidos. Também foi feito o expurgo dos créditos que pelo histórico já era possível de se identificar a origem, não sendo a mesma receita. Fl. 6811DF CARF MF Processo nº 10980.725834/201150 Resolução nº 1103000.097 S1C1T3 Fl. 6.812 7 O restante dos créditos foi relacionado no Termo de Intimação Fiscal nº 0002, sendo a empresa intimada a apresentar documentação hábil e comprobatória da origem. ..... A empresa não apresentou resposta alguma a este termo, razão pela qual foi feito o lançamento da omissão de receita caracterizada pelos depósitos bancários de origem não comprovada. ..... Nos extratos bancários é possível se identificar diversos lançamentos como oriundos de receitas da atividade da empresa somente pelo histórico do lançamento. São os lançamentos de cobrança e créditos de pagamentos realizados à empresa através de cartões de débito e de crédito, conforme Demonstrativo de Omissão de Receitas, parte integrante deste auto. Estas receitas não foram declaradas, como se pode concluir a partir do item a seguir, e, portanto, foram objeto de lançamento.” Nesse contexto, não se pode olvidar que no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu a repercussão geral de questão constitucional, relacionada exatamente com a possibilidade de o Fisco obter diretamente das instituições financeiras, sem prévia autorização judicial, dados bancários. A respectiva ementa é esclarecedora: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. Nos termos do art.62A, §1º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), “Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art.543B”. Levandose em consideração que os julgamentos no âmbito do CARF passaram a ser sobrestados em razão de tal paradigma, inclusive neste Colegiado (v.g., Resolução nº 1103000.086, de 11/04/13), adoto tal linha decisória, com a reserva de que seria cabível o aprofundamento da análise quanto à necessidade de ordem judicial específica de sobrestamento, quando reconhecida a repercussão geral. Do voto do Relator, Min. Ricardo Lewandowski, verificase que outra não foi a intenção senão proporcionar a adoção da decisão final do STF aos demais feitos que versem sobre idêntica controvérsia: Fl. 6812DF CARF MF Processo nº 10980.725834/201150 Resolução nº 1103000.097 S1C1T3 Fl. 6.813 8 “[...] Entendo que a controvérsia possui repercussão geral. A questão constitucional está em saber se há violação aos princípios constitucionais que asseguram ser invioláveis a intimidade e o sigilo dos dados, previstos no art.5º, X e XII, da Constituição, quando o Fisco, nos termos da Lei Complementar 105/2001, recebe diretamente das instituições financeiras informações sobre a movimentação das contas bancárias dos contribuintes, sem prévia autorização judicial. ..... Com efeito, o tema apresenta relevância do ponto de vista jurídico, uma vez que a definição sobre a constitucionalidade do envio de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial, [...], norteará o julgamento de inúmeros processos similares, que tramitam neste e nos demais tribunais brasileiros. ..... Isto posto, manifestome pela existência de repercussão geral neste recurso extraordinário, nos termos do art.543A, §1º, do Código de Processo Civil, combinado com o art. 323, §1º, do RISTF.” (destaquei) Pelo exposto, voto no sentido de SOBRESTAR o julgamento e de encaminhar os autos à Secretaria da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento para fins do disposto no art.2º, §3º, da Portaria CARF nº 1/2012. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 6813DF CARF MF
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Numero do processo: 16561.000162/2007-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ENQUADRAMENTO EM SAFE HARDOUR. APURAÇÃO DO PREÇO-PARÂMETRO DA EXPORTAÇÃO PELO MÉTODO CAP.
Não restando comprovado que o contribuinte obteve lucratividade mínima de 5% em exportações realizadas com empresas vinculadas domiciliadas em paraísos fiscais, considerando-se o exercício corrente e os dois anos precedentes, é descabida a comprovação da adequação do preço praticado com base nos documentos das próprias exportações. Assim, necessária a apuração do preço-parâmetro por um dos métodos estabelecidos na legislação de regência, dentre os quais se encontra o Método CAP utilizado pela fiscalização.
LANÇAMENTO REFLEXO. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA.
A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fatos geradores de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, sendo que a decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Assim, O decidido em relação ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ aplica-se à Contribuição Social sobre O Lucro Líquido - CSLL.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, Seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas em lei tributária. A utilização da taxa SELIC para o órgãos do Poder Executivo deliberar.
Numero da decisão: 1402-003.336
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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Recorrida FAZENDA PÚBLICA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ENQUADRAMENTO EM “SAFE HARDOUR”. APURAÇÃO DO PREÇOPARÂMETRO DA EXPORTAÇÃO PELO MÉTODO CAP. Não restando comprovado que o contribuinte obteve lucratividade mínima de 5% em exportações realizadas com empresas vinculadas domiciliadas em paraísos fiscais, considerandose o exercício corrente e os dois anos precedentes, é descabida a comprovação da adequação do preço praticado com base nos documentos das próprias exportações. Assim, necessária a apuração do preçoparâmetro por um dos métodos estabelecidos na legislação de regência, dentre os quais se encontra o Método CAP utilizado pela fiscalização. LANÇAMENTO REFLEXO. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA. A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fatos geradores de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, sendo que a decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Assim, O decidido em relação ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ aplicase à Contribuição Social sobre O Lucro Líquido CSLL. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, Seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas em lei tributária. A utilização da taxa SELIC para o órgãos do Poder Executivo deliberar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 00 01 62 /2 00 7- 15 Fl. 897DF CARF MF Processo nº 16561.000162/200715 Acórdão n.º 1402003.336 S1C4T2 Fl. 898 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Paulo Mateus Ciccone. Fl. 898DF CARF MF Processo nº 16561.000162/200715 Acórdão n.º 1402003.336 S1C4T2 Fl. 899 3 Relatório Tratase de julgamento de Recurso Voluntário interposto face v. acórdão da DRJ que julgou improcedente a defesa da Recorrente. A presente acusação trata de fatos geradores do anocalendário (lucro real anual) de 2002 e exige IRPJ e CSLL com multa de ofício de 75% e juros, tendo em vista que a Recorrente não teria conseguido comprovar nos autos que teria preenchido os requisitos para aplicação do artigo 35 c/c com o artigo 37, ambos da IN 243/02 ("safe harbour"). Devido a tal fato, a fiscalização refez os cálculos do ajuste do preço de transferência, aplicando o método do Custo de Aquisição ou de Produção mais Tributos e Lucro (CAP), previsto no art. 26 da IN SRF n°. 243/2002 obtendo o ajuste de R$ 1.588.693,56 (um milhão, quinhentos e oitenta e oito mil, seiscentos e noventa e três Reais e cinqüenta e seis centavos) no preço de transferência. Para evitar repetições, adoto o relatório do v. acórdão da DRJ: Relatório: l. Trata 0 presente processo de lançamentos de Imposto de Renda sobre a Pessoa Jurídica IRPJ e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, que constituíram o crédito tributário total de R$ 1.358.113,69 (um milhão, trezentos e cinqüenta e oito mil, cento e treze Reais e sessenta e nove centavos), incluidos o principal, multa de oficio e juros de mora calculados até 30/11/2007 (fls. 456 e 460): 2. Nos termos expostos no Termo de Verificação e Constatação Fiscal (fls. 468/475), o lançamento em foco decorreu dos seguintes fatos apurados no curso do procedimento fiscal: 2.1. No tocante às exportações realizadas no curso do ano calendário de 2002, o contribuinte foi regularmente intimado a prestar informação do método adotado, preçopraticado, preço parâmetro e valores de ajustes. Em resposta, o sujeito passivo informou que não aplicou qualquer método de ajuste das receitas de exportação para pessoas jurídicas vinculadas, pois a adequação dos preçospraticados teria sido comprovada exclusivamente com os documentos relacionados com as Fl. 899DF CARF MF Processo nº 16561.000162/200715 Acórdão n.º 1402003.336 S1C4T2 Fl. 900 4 próprias operações, conforme disposto no art. 35 da Instrução Normativa SRF n°. 243/2002 (“safe harbour”). 2.2. Considerando a alegação do contribuinte relembrada no parágrafo anterior, a fiscalização lavrou, na ,data de 02/08/2007, o Termo de Constatação e Intimação para a apresentação dos demontrativos de: lucratividade, em conformidade com o disposto no art. 35 da IN SRF n°. 243/2002. 2.3. O contribuinte, em resposta à intimação mencionada no parágrafo anterior, comprovou que sua margem de lucro nas operações de exportação no anocalendário de 2002 foi de 12,65% (doze inteiros e sessenta e cinco centésimos por cento), remontando a margem líquida a 6,96% (seis inteiros e noventa e seis centésimos por cento), conforme abaixo: 2.4. A fiscalização ressalta que não concorda com a omissão do contribuinte em realizar os cálculos relativos ao preço parâmetro para suas exportações, notadamente pelos seguintes fatos: (i) o contribuinte comprovou a margem de lucratividade mínima apenas para 0 anocalendário de 2002 (deveria ter comprovado também para os dois anos precedentes) e (ii) no cálculo da lucratividade apurada nas exportações do ano calendário e 2002, 0 sujeito passivo computou exportações para países com tributação favorecida (Costa Rica e Panamá). 2.5. Ademais, com fulcro na norma ventilada no art. 37, inciso II, da IN SRF n° 243/2002, a fiscalização concluiu que, ainda que o contribuinte se enquadrasse dentro dos limites estabelecidos pelo art. 35 da IN SRF n°. 243/2002, tal disciplina não aceitação definitiva pela autoridade fiscal da apuração do preço de transferência com base nos documentos relacionados com a própria operação. De fato, o legislador não atribuiria certeza e liquidez aos cálculos do preço de transferência nas exportações mediante a comprovação por parte do contribuinte de sua lucratividade mínima de 5% (cinco por cento), pois estabeleceu a possibilidade de impugnação de oficio se for verificado subfaturamento nos preços de exportações. Fl. 900DF CARF MF Processo nº 16561.000162/200715 Acórdão n.º 1402003.336 S1C4T2 Fl. 901 5 2.6. Destarte, o AFRFB Autuante impugnou a receita reconhecida com base no preçopraticado, procedendo, de oficio, à escolha do método e cálculo do preço de transferência nas exportações (Método do Custo de Aquisição ou de Produção mais Tributos e Lucro CAP art. 26 da IN SRF n°. 243/2002), obtendo o ajuste de R$ 1.588.693,56 (um milhão, quinhentos e oitenta e oito mil, seiscentos e noventa e três Reais e cinqüenta e seis centavos). 2.7. Em decorrência de todo o acima exposto, foram lavrados, em 10/12/2007, os seguintes autos de infração: 2.7.1. Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, com fundamento no inciso IV do §3° do att. 240 do RIR/99; 2.7.2 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, com fundamento no art. 2° e §§ da Lei n°. 7.689/88; art. 19 da Lei n°. 9.249/95; art. 1° da Lei n°. 9.316/96 e art, 28 da Lei n°. 9.430/96; art. 6° da Medida Provisória n°. 1.858/99 e reedições. 3. Cientificado dos autos de infração em 10/12/2007 (fls. 456 e 460), o contribuinte apresentou, em O9/01/2008, a impugnação de fls. 503/526, aduzindo, em síntese, que: 3.1. O argumento utilizado pelo Fisco para considerar que o contribuinte deveria calcular os preçosparâmetro para as exportações com empresas vinculadas (art. 37, II, da IN SRF n°. 243/2002) seria descabido, pois o dispositivo em questão traria mais uma prerrogativa da fiscalização que propriamente uma determinação coercitiva aos contribuintes. Ademais, seria descabido cogitarse que 0 legislador concedeu uma faculdade ao contribuinte (art. 35 da IN SRF n°. 243/2002 dispensa de cálculo do preço parâmetro se a lucratividade das exportações for ao mesmo de 5%) para cassála logo em seguida (art. 37 da IN SRF 243/2002), ressaltandose que ambas normas não possuem hierarquia. 3.2. A fiscalização não demonstrou que, mesmo excluídas as exportações para a Costa Rica e o Panamá, haveria inobservância ao limite de lucratividade estabelecido no art. 35 da IN SRF n° 243/2002. 3.3. A multa lavrada seria confiscatória, pois a mesma seria progressiva e aproximarseia em demasia do valor do tributo, afrontando aos princípios da razoabilidade, da proporcionalidade e da isonomia. Ressaltase, ademais, que a progressão da multa fere o exercício do direito de defesa. 3.4. A aplicação de juros moratórios equivalentes à taxa Selic deve ser afastada, vez que não se encontra prevista em lei e possui clara natureza remuneratória. [...] Fl. 901DF CARF MF Processo nº 16561.000162/200715 Acórdão n.º 1402003.336 S1C4T2 Fl. 902 6 A DRJ decidiu pelo não provimento da impugnação e registrou a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2003 AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ENQUADRAMENTO EM “SAFE HARDOUR”. APURAÇÃO DO PREÇOPARÂMETRO DA EXPORTAÇãO PELO MÉTODO CAP. Não restando comprovado que O contribuinte obteve lucratividade mínima de 5% em exportações realizadas com empresas vinculadas não domiciliadas em paraísos fiscais, considerandose O exercício corrente e os dois anos precedentes, e' descabida a comprovação da adequação do preçopraticado com base nos documentos _das próprias exportações. Assim, necessária a apuração do preçoparâmetro por um dos métodos estabelecidos na legislação de regência, dentre os quais se encontra o Método CAP utilizado pela fiscalização. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2003 LANÇAMENTO REFLEXO. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA. A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fatos geradores de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, sendo que a decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Assim, o decidido em relação ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ aplicase à Contribuição Social sobre O Lucro Líquido CSLL. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2003 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, Seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas em lei tributária. A utilização da taxa SELIC para o órgãos do Poder Executivo deliberar. Fl. 902DF CARF MF Processo nº 16561.000162/200715 Acórdão n.º 1402003.336 S1C4T2 Fl. 903 7 Inconformada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário repisando os argumentos postos na impugnação É o relatório. Fl. 903DF CARF MF Processo nº 16561.000162/200715 Acórdão n.º 1402003.336 S1C4T2 Fl. 904 8 Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator Recurso Voluntário: O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria de competência desta Corte Administrativa e preenche todos os demais requisitos de admissibilidade previstos em lei, portanto, dele tomo conhecimento. Inicialmente, antes de analisar as alegações de mérito, entendo ser importante destacar para facilitar a compreensão da matéria dos autos que apesar de o Termo de Verificação e Constatação Fiscal de fls. 68/75 em seu inicio abordar operações de importações com o método PRL20 e método PIC, a autuação do processo em epígrafe foi apenas em relação a operações de exportação cujas a Recorrente aplicou o "safe harbour". Ou seja, em relação aos ajustes do preço de transferência, a fiscalização desconsiderou o "safe harbour" alegado pela Recorrente e aplicou o método do Custo de Aquisição ou de Produção mais Tributos e Lucro (método CAP), previsto no artigo 26 da IN 243/02 para as operações de exportação. Em relação a obrigatoriedade da contribuinte preencher todos os requisitos do artigo 35 e 37 da IN 243/02 para aplicar o método do "safe harbour" previsto no artigo 35 da mesma Instrução Normativa: Primeiramente, entendo ser importante analisar o disposto no inciso II do artigo 37 da IN 243/02, onde consta restrição expressa para aplicação do "safe harbour" disposto no artigo 35 da mesma norma acima indicada. Vejamos o texto do dispositivo. "Art. 37 O disposto nos arts. 35 e 36: I não se aplica em relação às vendas efetuadas para empresa, vinculada ou não, domiciliado em país ou dependência com tributação favorecida, ou cuja legislação interna oponha sigilo, conforme definido no art. 39. (grifos nossos) II não implica a aceitação definitiva do valor da receita reconhecida com base no preço praticado, o qual poderá ser impugnado, se inadequado, em procedimento de ofício pela SRF. " (grifos nossos) Da leitura do inciso I, do artigo 37, da IN 243/02, se pode concluir que existe uma restrição para aplicação da regra ("safe harbour") contida no artigo 35 da mesma Fl. 904DF CARF MF Processo nº 16561.000162/200715 Acórdão n.º 1402003.336 S1C4T2 Fl. 905 9 Instrução Normativa, quando as exportação são praticadas com empresas vinculadas, ou não, situadas em paraíso fiscal. No caso dos autos, não resta duvida de que as operações objeto do Auto de Infração se referem a exportações para paraísos fiscais. Ou seja, as operações cujas a Recorrente aplicou o "safe harbour" são exportações de produtos destinados para a Costa Rica e para o Panamá, países indicados na lista publicada pela Instrução Normativa 188/2002. Assim, a aplicação do "safe harbour", é condicionada pelas regras do artigo 35 onde é prevista, concomitante com as regras previstas no artigo 37, ambos da IN 243/02. Os requisitos aos quais o método "safe habour" é condicionado e a contribuinte deve cumprir de forma cumulativa, são: 1 Apenas receitas de exportação para empresas nãodomiciliadas em paraísos fiscais podem ser computadas no cálculo da lucratividade mínima de 5%; 2 O lucro líquido relativo as receitas de exportação a empresas vinculadas, antes da provisão da CSLL e do IR, deve ser maior que 5% destas receitas; 3 A comprovação da rentabilidade deve abranger o ano corrente e os dois anos precedentes; No caso dos autos, restou comprovado que a Recorrente praticou exportações com países com tributação favorecida (paraísos fiscais) e não conseguiu comprovar que obteve lucratividade mínima de 5% nas exportações, deixando de satisfazer com os requisitos previstos no artigo 35 e artigo 37, ambos da IN 243/02, agindo de forma correta o Auditor Fiscal em desconsiderar o "safe harbour". Em relação a alegação da Recorrente sobre a comprovação da rentabilidade (terceiro requisito acima indicado) não poder ser exigido no presente caso, eis que tal obrigação de demonstrar a rentabilidade considerando a média anual do período de apuração e dos dois anos precedentes só foi instituída pela IN 382/04, que alterou o texto do artigo 35 da IN 243/02, ou seja, após a ocorrência dos fatos geradores, entendo que perdeu seu objeto, eis que basta que a contribuinte deixe de cumprir com um dos requisitos para que perca a possibilidade de utilizar o "safe harbour". Sendo assim entendo que a desconsideração do "safe harbour" pela Fiscalização foi correta. Em relação a alegação da Recorrente de que ao desconsiderar o "safe harbour" a fiscalização deveria aplicar outros métodos, que ensejariam em menor valor de adição para o contribuinte, ou seja um método mais benéfico, entendo que também não deve prosperar. Fl. 905DF CARF MF Processo nº 16561.000162/200715 Acórdão n.º 1402003.336 S1C4T2 Fl. 906 10 A Recorrente alega que a fiscalização deveria utilizar método mais benéfico, entretanto não indica, alega ou traz provas aos autos de qual seria o método menos gravoso para a autuada. Assim, mesmo que entenda que deve ser aplicado o método mais favorável a contribuinte, no caso dos autos, não é possível ter certeza qual seria o melhor, eis que nem mesmo a Recorrente indica qual deles prefere. Das alegações sobre a multa aplicada e dos juros: Para evitar repetições, utilizo os fundamentos do v. acórdão recorrido. 9. Em relação aos juros moratórios equivalentes à taxa SELIC Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, é importante frisarse que o art. 161 do Código Tributário Nacional CTN permite que lei ordinária estabeleça a aplicação de juros moratórios em percentuais inferiores ou superiores a 1% (um por cento) ao mês, in verbis: “Artigo 161 O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de qualquer medida de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Parágrafo 1° Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês " (g.n.) 9.1. Neste diapasão, a Lei n°. 9.065, de 20/06/1995, que dá nova redação a dispositivos da Lei n°. 8.981, de 20/01/1995, que altera a legislação tributária federal e dá outras providências, dispôs em seu art. 13 que, a partir de 1° de abril de 1995, os juros de mora incidentes sobre tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, relativamente a fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária, de que trata o art. 84, inciso I, e §§ 1°, 2° e 3°, da Lei n°. 8.981/1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o mês anterior ao do pagamento e a 1% no mês em que o pagamento estiver sendo efetuado. De igual modo dispõe o artigo 61, § 3°, da Lei n°. 9.430, de 27/12/1996, em relação aos débitos decorrentes de tributos e contribuições administrativos pela SRF cujos fatos geradores tenham ocorrido a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação especifica. 9.2. Ressaltese, por pertinência, que a aplicação de juros moratórios acima do percentual de 12% (doze por cento) ao ano encontrase em perfeita consonância com o teor da decisão do Supremo Tribunal Federal prolatada na Ação Declaratória de Inconstitucionalidade 4/91, que concluiu não ser autoaplicável o parágrafo 3° do artigo 192 da Constituição Federal, evidenciandose o caráter perfeitamente legal dos juros Fl. 906DF CARF MF Processo nº 16561.000162/200715 Acórdão n.º 1402003.336 S1C4T2 Fl. 907 11 aplicados ao crédito previdenciário constituido na notificação em tela. Ademais, frisese que o referido parágrafo foi revogado pela Emenda Constitucional n°. 40, de 29/05/2003. 9.3. É importante relembrarse, neste tema, que a autoridade administrativa que subscreve a presente decisão só pode deixar de aplicar determinado ato legal se o mesmo tiver sido declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, com eficácia erga omnes, ou se houver resolução do Senado suspendendo a eficácia da aplicação deste dispositivo legal, ou, ainda, se tiver sido determinada a extensão dos efeitos de decisões com este conteúdo pelo Presidente da República, pelo Secretário da Receita Federal do Brasil ou pelo Procurador Geral da Fazenda Nacional. Assim, não se encontrando presente no caso vertente quaisquer destas situações, não há como se acolher a inconstitucionalidade aventada na peça de defesa quanto aos encargos moratórios. 9.4. Por fim, a jurisprudência pátria majoritária reconhece a constitucionalidade da imposição de juros moratórios equivalentes à taxa SELIC, como demonstram os seguintes arestos: “TRIBUTÁRIO EMBARGOS A EXECUÇÃO FISCAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO NOTIFICAÇÃO DO DEVEDOR. PRESUNÇÃO DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO TITULO. 1. O art. 2o, §§ 5o e 60, da Lei n" 6.830/80 e os arts. 202 e 203, do CTN , estabelecem diversos requisitos à formação do Termo de Inscrição em Dívida Ativa, cujos elementos devem ser reproduzidos na Certidão de Dívida Ativa (CDA), sob pena de nulidade da inscrição e do processo de cobrança dela decorrente. 2. A jurisprudência tem atenuado o rigor de tais normas e aplicado nos casos em concreto o principio estampado no brocado pas de nullité sans grief (não há nulidade sem prejuízo), no sentido de que se a CDA indicar perfeitamente o devedor e especificar a exigência fiscal, indicando os dispositivos legais pertinentes, eventual omissão incapaz de causar prejuízo ao exutado n macula o processo. 3. No caso vertente, a certidão, contrariamente ao alegado pela apelante estabelece de forma expressa toda a fundamentação legal que deu origem ao crédito tributário, demonstrando, de forma discriminada, o valor do principal, dos juros e da multa. 4. A assinatura pelo procurador da entidade autárquica nao constitui elemento essencial que possa causar a nulidade do título executivo. 5. Aplicação da taxa SELIC no cômputo dos juros e da correçao monetária dos créditos da Fazenda Pública, a partir de abril/95, aos débitos tributários correspondentes a fatos geradores Fl. 907DF CARF MF Processo nº 16561.000162/200715 Acórdão n.º 1402003.336 S1C4T2 Fl. 908 12 ocorridos apartir de 1 '” de janeiro do mesmo ano. Inteligência do art. 13 da Lei n” 9.065/95. 6. A incidência da Taxa SELIC importa na inaplicabilidade de qualquer outro critério de atualização monetária ou juros de mora, vez que já engloba juros e atualização. 7. Recurso improvido. " (g.n.) Apelação Cível n°. 200l.5I.0l.5232763/RJ, TRF 2”Região 3” Turma, Rel Juiz Paulo Barata, DJU 12.12.2006, p. 163. “TRIB UTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS À EXECUÇÃO. INSCRIÇÃO EM DÍVIDA ATIVA. PRÉVIO PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESNECESSIDADE. SELIC. APLICABILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS, ENCARGO PREVISTO NO DECRETOLEI 1.025/69.1. "Nos casos em que o contribuinte comunica a existência de obrigação tributária pode o crédito fiscal ser inscrito em dívida ativa e cobrado em execução, independentemente de qualquer procedimento administrativo. A partir do advento da Lei 9.250, de 1995, passou a ser legítima a aplicação da taxa SELIC no campo tributário. Múltiplos precedentes jurisprudenciais. ” (q. v. verbi gratia: STJ, AgRg no REsp 636703 /PR, DJ 16. 05.2005p. 245) II. "O encargo de 20% do DecretoLei n. 1.025, de 1969, é sempre devido nas execuções fiscais da União e substitui, nos embargos, a condenação do devedor em horarios advocatícios" (SÚMULA 168 do extinto TFR).I1I. Apelação não provida. " (g. n.) Apelação Civel n”. 2005.38.10.0001191/MG, TRF 1" Região 8" Turma, Rel Des. Carlos Fernando Mathias, DJU 19.01.2007, p. 120. “EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. REGULARIDADE DA CDA. AUSÊNCIA DE MEMÓRIA DE CÁLCULO. NÃO COMPROVADO. TAXA SELIC. TRD. A Certidão de Dívida Ativa goza de presunção de certeza e liquidez, só elidida por prova irrefutável que, no caso, não foi produzida pela embargante, portanto inexiste violação ao art. Zi § 52 da Lei de Execução Fiscal. É de quem alega o ônus de comprovar o alegado. Ausente qualquer elemento que possibilite a análise da necessidade de substituição da planilha de cálculo apresentada em liquidação pelo exeqüente, inviável seu reconhecimento. Nos termos da Lei 9.065/95, art. 13, a taxa SELIC incide nas dividas fiscais, a partir de 1”41995, como índice de juros e correção, restando pacificada nesta Egrégia Corte o posicionamento a favor de sua constitucionalidade. E assente nesta Corte o entendimento de que a TRD tem sua aplicação, como taxa de juros, cingida ao período compreendido entre fevereiro de 1991, com sua instituição pela Lei 8.177/91, a dezembro do mesmo ano, quando foi substituída pela 1, ao mês, nos termas da Lei' 8.383/91. " (g.n.) Apelação Cível n”. 2006. 72.99.0015620/SC, Fl. 908DF CARF MF Processo nº 16561.000162/200715 Acórdão n.º 1402003.336 S1C4T2 Fl. 909 13 TRF 4“Região 1”Turma, Rel Des. Vilson Daros, DJU 19.01.2007 9.5. Destarte, é imperiosa a manutenção dos juros moratórios aplicados em patamar equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais. Da mesma forma, em relação a multa também adoto os fundamentos do v. acórdão recorrido: 10. No tocante à multa de oficio aplicada na presente autuaçao, que corresponde a 75% (setenta e cinco por cento) do valor do tributo inadimplido, insta relembrarse que a mesma é aplicável nos casos em que restar constatado, em procedimento fiscal, a falta de cumprimento espontâneo das obrigações tributárias, sendo induvidoso o cabimento da mesma no lançamento sob análise. 10.1. Ademais, em relação à alegação de cerceamento do direito de defesa pelo condicionamento da redução da multa de oflcio ao momento processual de extinção do crédito tributário constituido, bem como à asserção de que o percentual da pena em foco seria exorbitante, cabe asseverar que não são os órgãos julgadores administrativos competentes para apreciar tal questão, conforme já relembrado no tem 9.3 da presente decisão. A apreciação de assuntos desse tipo encontrase reservada ao Poder Judiciário, sendo que qualquer discussão quanto aos aspectos da inconstitucionalidade e/ou invalidade das normas jurídicas e/ou configuração de excesso, abuso, extorsão, expropriação e confisco ao aplicar as normas jurídicas do ordenamento deve ser submetida ao crivo desse poder. O Órgão Administrativo não é foro apropriado para discussões dessa natureza. Os mecanismos de controle da legalidade strictu sensu e constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal, passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário que detém, com exclusividade, essa prerrogativa. 10.2. Neste sentido, em face da norma ventilada no parágrafo único do artigo 142 do Código Tributário Nacional CTN, a autoridade administrativa encontrase vinculada ao estrito cumprimento da legislação tributária estando impedida de ultrapassar tais limites para examinar questões outras como as suscitadas na contestação em exame, uma vez que às autoridades tributárias cabe simplesmente cumprir a lei e obrigar seu cumprimento. 10.3. Deste modo, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois não se pode, sob pena de responsabilidade funcional, desrespeitar as normas motivadoras do lançamento, Fl. 909DF CARF MF Processo nº 16561.000162/200715 Acórdão n.º 1402003.336 S1C4T2 Fl. 910 14 cuja validade está sendo questionada, em observância ao art. 142, parágrafo único, do CTN. Em relação a CSLL, por ser lançamento reflexo, entendo que o que foi decido em relação ao IPRJ, deve ser aplicado a contribuição também. Pelo exposto e por tudo que consta processado nos autos, voto por conhecer o Recurso Voluntário e negar provimento nos termos do meu voto. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Fl. 910DF CARF MF
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Numero do processo: 13839.913266/2009-50
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3001-000.124
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para acatar o pedido de diligência formulado pelo Recorrente, nos termos do presente Relatório e Voto.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para acatar o pedido de diligência formulado pelo Recorrente, nos termos do presente Relatório e Voto. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão 0829.990, da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza/CE DRJ/FOR que, na sessão de julgamento realizada em 10.06.2014 (efls. 87 a 92), julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório vindicado no Per/Dcomp 23179.56336.300408.1.3.048150, transmitido em 30.04.2008. Da ementa do acórdão recorrido Sobreveio a decisão de primeira instância (Acórdão 0829.990, da 4ª Turma da DRJ/FOR), cujos fundamentos estão resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos, verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 39 .9 13 26 6/ 20 09 -5 0 Fl. 194DF CARF MF Processo nº 13839.913266/200950 Resolução nº 3001000.124 S3C0T1 Fl. 195 2 Exercício: 2003 COFINS. BASE CÁLCULO. RECEITA E FATURAMENTO. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo da Cofins promovida pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, cabendo ao contribuinte pleitear a compensação do que houver pagado a maior a esse título (RE 357.9509, de 09.11.2005). COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR. A fim de comprovar o indébito tributário, compete ao interessado evidenciar na sua escrituração as receitas que não configuram faturamento e sobre as quais haja sofrido a incidência inconstitucional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Da síntese dos fatos Por bem descrever os fatos, adotase o relatório integrante do acórdão recorrido, que segue transcrito, verbis: Relatório Tratase de Manifestação de Inconformidade apresentada contra Despacho Decisório nº 848670386, que não homologou a compensação declarada por meio PER/DCOMP nº 23179.56336.300408.1.3.048150. 2. O contribuinte objetiva compensar débitos fiscais com pagamento indevido da Cofins relativa a abril de 2003, no valor R$ 16.565,57. O Despacho Decisório não reconheceu a existência do crédito e, por conseguinte, não homologou a compensação, porque o pagamento realizado se encontrava integralmente apropriado ao débito fiscal correspondente declarado pelo contribuinte na DCTF, no valor de R$ 113.812,41 (fl 74). 3. Cientificado do decisório em 22.10.2009 (fl 73), o contribuinte manifestou inconformidade em 19.11.2009 (fls 2/14), nela sustentando que recolhera a maior a contribuição de abril de 2003, especificamente incidente sobre receitas não consideradas faturamento, a saber: receitas financeiras e receita da venda de sucata. O fato foi motivado pela ampliação inconstitucional da base de cálculo da contribuição, promovida pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, o qual foi considerado inconstitucional pelo STF em 9 de novembro de 2005, no RE 357.9509. Para comprovar a sua alegação, juntou cópia da DCTF (fls 45/49), da DIPJ (fls 51/52) e de um balancete (fls 61/72). 4. Anexei as fls 85/86. 5. É o relatório. Do recurso voluntário Fl. 195DF CARF MF Processo nº 13839.913266/200950 Resolução nº 3001000.124 S3C0T1 Fl. 196 3 Irresignado ainda com o desfecho de sua demanda, mais especificamente, com parte da decisão contida no acórdão vergastado, o recorrente interpôs recurso voluntário (efls. 98 a 190), por meio do qual reapresentou as razões de defesa suscitadas na manifestação de inconformidade. Em aditamento, alegou: (i) que, face a apresentação de novos documentos nesta fase recursal, este colegiado, em atenção aos princípios da verdade material e da legalidade objetiva, pode e deve recepcionálos e acolhêlos; (ii) que, quanto à comprovação da existência do crédito utilizado na compensação, os documentos (DIPJ, DCTF e balancetes) carreados aos autos na manifestação de inconformidade são suficientes para se ter a certeza que as receitas decorrentes da venda de sucatas, da variação cambial ativa e dos juros ativos não operacionais, foram devidamente tributadas, tanto que o valor informado na DIPJ, como devido, é idêntico ao declarado na DCTF R$ 113.812,38; (iii) que na remota possibilidade de entendimento contrário, com base no princípio da verdade material, vem acrescentar à documentação acima mencionada, as cópias dos livros diário e razão (DOC. 03), que, uma vez mais, comprovam cabalmente o crédito líquido e certo informado no Per/Dcomp. Por fim, solicita, "na remota possibilidade de a Nobre Turma entender que a DIPJ, DCTF, livro razão, balancete, diário, planilhas e etc. não são suficientes para comprovar o direito creditório, seja determinada a realização de diligência para suprir eventuais deficiências de instrução do processo para formação do livre convencimento"; para tanto, formula quesitos e nomeia perita contábil. Neste sentido, requer seja o presente recurso recebido e julgado totalmente provido, reconhecendose o direito creditório pleiteado e, consequentemente, homologandose a compensação realizada através do Per/Dcomp em questão. Outrossim, requer, ainda a suspensão da exigibilidade do crédito ora discutido, na forma do artigo 151, inciso III, do Código Tributário Nacional CTN, bem como o deferimento, por intimação oficial, da possibilidade de realizar sustentação oral. Do encaminhamento Em razão disso, os autos ascenderam ao Carf em 12.08.2014 (efl. 193), que, na forma regimental, foi distribuído e sorteado para manifestação deste colegiado extraordinário da 3ª Seção, cabendo a este conselheiro a relatoria do processo. É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da competência para julgamento do feito Observo a competência deste Colegiado para apreciar o presente feito, na forma do artigo 23B, Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09.06.2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Carf, com redação da Portaria MF nº 329, de 2017. Da tempestividade Fl. 196DF CARF MF Processo nº 13839.913266/200950 Resolução nº 3001000.124 S3C0T1 Fl. 197 4 O recurso voluntário foi juntado em 11.08.2014 (segundafeira), conforme depreendese do "TERMO DE ANÁLISE DE SOLICITAÇÃO DE JUNTADA" (efl. 191), depois da ciência ocorrida em 10.07.2014 (quintafeira), conforme observase do "TERMO DE ABERTURA DE DOCUMENTO" (efl. 95), que referese também à "INTIMAÇÃO/SEORT Nº 283/2014HLOA" (efl. 94), da mesma data, portanto é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação de regência, de modo que dele conheço. Do acatamento do pedido de diligência/perícia De plano, convém esclarecer que no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, a realização de diligência têm razão de ser quando há questão de fato ou de prova a ser melhor elucidada, a critério do colegiado que realiza o julgamento do processo, o que, a meu ver, é o caso. Neste sentido, é o teor do artigo 18 do Decreto nº 70.235, de 06.03.1972, cujas regras, como é cediço, são absolutamente aplicáveis também à autoridade de segunda instância, ao expressar que "a autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis". Também, são essas as disposições, igualmente aplicáveis ao caso sob exame, do Decreto nº 7.574, de 29.09.2001, que regula, entre outras matérias, o processo de determinação e de exigência de crédito tributário, ao expressar que "a realização de diligências e de perícias será determinada pela autoridade julgadora de primeira instância, de ofício ou a pedido do impugnante, quando entendêlas necessárias para a apreciação da matéria litigada". Ressaltese, por oportuno, que não obstante a hodierna tendência de mitigarse os rigores das regras preclusivas contidas no processo administrativo fiscal, para o fim de acolher provas apresentadas nesta instância recursal, entendo que para aplacarse tais regras o comportamento do sujeito passivo é de fundamental importância para o sucesso do pleito, pois, ciente dos motivos pelos quais os elementos de prova até então coligidas não foi considerado suficiente para seu desiderato, é seu o dever buscar sanar a manifestada deficiência probatória, conforme expressamente anotada, in casu, na decisão recorrida, conforme observase dos excertos do seu voto condutor, verbis: (...) 22. Conforme relatado, o litígio do presente processo envolve a análise da liquidez e certeza do crédito objeto do pedido de compensação, referente a suposto pagamento a maior de contribuição. O pedido foi indeferido sob a justificativa de que o referido pagamento encontrase “integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informado no PER/DCOMP”. 23. Como admitido, o requerente não retificou a DCTF relativa ao 2º trimestre de 2003 e o débito autolançado tem o mesmo valor do pagamento objeto do pedido, eis de onde considerar a inexistência de crédito em prol do requerente (fls 85/86). 24. Nada obstante, o requerente procura comprovar a correta base de cálculo da contribuição, juntando cópia da DIPJ (fls 51/52) e de um balancete (fls 61/72), a partir dos quais restariam evidenciadas as Fl. 197DF CARF MF Processo nº 13839.913266/200950 Resolução nº 3001000.124 S3C0T1 Fl. 198 5 receitas não contidas no conceito de faturamento, como a receita de venda de sucata (R$ 4.498=R$134,94/3%) e receita financeira (R$ 547.657,67=R$16.430,63/3%), nos termos do quadro abaixo proposto pelo requerente. 25. Segundo o requerente, essas receitas foram informadas na linha 9 da ficha 26A da DIPJ/2004, no campo “outras receitas”, totalizando o valor de R$ 547.686,68 (fl 52). 26. Por sua vez, essas receitas estariam registradas no balancete, nas fls 4 e 12. Melhor, nas fls 3 e 12 do balancete, correspondentes às fls 63 e 71 dos autos. 27. Compulsandoas, verificase, em primeiro lugar, que o registro a crédito na conta receita da venda de sucata (R$ 4.107,28) não corresponde ao valor explicitado a esse título no demonstrativo acima (R$ 4.498,00). Em segundo lugar, registrase lançamento a crédito na conta receita financeira (no valor de R$ 547.686,68, referente a juros ativos e variação cambial ativa), o que decerto não significa a efetiva liquidação da receita, hipótese tal inserida na ampliação inconstitucional da base de cálculo da contribuição (cf. linha 7 da ficha 26A da DIPJ/2004). 28. Assim, por faltar correspondência entre as “outras receitas” declaradas e os registros contábeis, não é possível identificar as receitas que extrapolaram o conceito de faturamento. (...) Em síntese, deve o contribuinte agir de forma proativa, para tanto deve empenharse na busca das provas necessárias a corroborar o direito creditório que declara possuir, inclusive para tornar possível a aplicação do novel princípio da cooperação, que atualmente tem redação implementada pelo artigo 6º da Lei nº 13.105, de 16.03.2015 Novo Código de Processo Civil, ao prescrever que "todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva". De se ver, o fundamento da decisão recorrida assentase na falta de "correspondência entre as “outras receitas” declaradas e os registros contábeis", razão pela qual entendeuse não ser "possível identificar as receitas que extrapolaram o conceito de faturamento apresentação de documento contábilfiscal, a corroborar seu pleito". O sujeito passivo, por seu turno, ao apresentar o presente recurso voluntário, a meu ver, agiu de forma proativa quando carreou aos presentes autos as cópias dos seus Livros Diário e Razão, referentes ao fato gerador de 04/2003, objetivando, com isto, demonstrar os fatos que deram origem ao crédito tributário indicado para compensar os débitos declarados, ambos no Per/Dcomp em questão. Neste contexto, na medida em que a documentação ora juntada permite indicar, com um razoável grau de acerto, uma possível liquidez do direito creditório aventado e tendo em conta a legislação processual colacionada e as balizas antes explicitadas, bem como a propriedade na condução da demanda em exame, no que toca à questão das provas, de forma a conciliar os valores e princípios que norteiam o processo administrativo, a fim de harmonizar o Fl. 198DF CARF MF Processo nº 13839.913266/200950 Resolução nº 3001000.124 S3C0T1 Fl. 199 6 conceito da verdade material com a segurança e a celeridade, fundamentos jurídicos processual inerentes às lides administrativas, acato o pedido de conversão do julgamento em diligência. Da conclusão Em face do acima exposto, nos termos dos artigos 18 e 29 do Decreto nº 70.235, de 1972, determino a realização de diligência para que a autoridade competente da DRF/Jundiaí: 1 proceda à analise dos documentos/demonstrativos fiscais contábeis apresentados na Manifestação de Inconformidade, apresentada em 19.11.2009, notadamente (i) a DCTF retificadora, referente ao 2º Trimestre de Apuração de 2003, recepcionada em 14.05.2008, (ii) a DIPJ 2004 retificadora, referente ao Anocalendário de 2003, recepcionada em 07.08.2008, e (iii) o Balancete de fls. 49 a 60, bem assim as cópias (iv) dos Livros Diário e Razão anexados ao presente Recurso Voluntário; 2 responda aos seguintes quesitos, formulados pelo Recorrente: (i) A escrituração contábil da Recorrente demonstra cabalmente o crédito apontado na compensação aqui debatida? (ii) Se positivo o quesitos 01, o valor do crédito apurado é suficiente para compensação da CSLL referente ao fato gerador março de 2008 no valor de R$ 28.723,04? (iii) Se negativo o quesito 02 acima, qual eventual diferença apurada e sua fundamentação? 3 intime, se assim desejar, o sujeito passivo e/ou a perita contábil por ele nomeada Sra. Lucimara dos Santos Bezzera, CPF 075.505.67875, para apresentar outros elementos de prova que entenda necessário para comprovar a existência do crédito indicado no Per/Dcomp 23179.56336.300408.1.3.048150, transmitido em 30.04.2008. 4 elabore relatório conclusivo sobre os fatos advindos da realização da diligência, manifestandose objetivamente sobre a existência ou não do respectivo direito creditório. 5 intime o recorrente para, se assim desejar, manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias. 6 devolva, após encerrada a presente instrução processual, o processo para este Colegiado, a fim de darse prosseguimento ao feito. Desta feita, devem os presentes autos retornar para a DRF/Jundiaí, para atendimento da presente diligência. É como voto. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 199DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.950692/2015-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2010
RECURSO VOLUNTÁRIO QUE NÃO REBATE AS RAZÕES DA DECISÃO DA DRJ.. AUSÊNCIA DE DIALETICIDADE.
Recurso voluntário que não apresente indignação contra os fundamentos da decisão supostamente recorrida ou traga qualquer motivo pelos quais deva ser modificada deve ser mantido por falta de dialeticidade com a decisão recorrida.
Numero da decisão: 1401-002.765
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliviera Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Cláudio de Andrade Camerano.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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AUSÊNCIA DE DIALETICIDADE. Recurso voluntário que não apresente indignação contra os fundamentos da decisão supostamente recorrida ou traga qualquer motivo pelos quais deva ser modificada deve ser mantido por falta de dialeticidade com a decisão recorrida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliviera Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Cláudio de Andrade Camerano. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 06 92 /2 01 5- 19 Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10880.950692/201519 Acórdão n.º 1401002.765 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Adoto como relatório, aquele da decisão de primeira instância, complementando a seguir: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório [...], referente ao PER/DCOMP nº 35861.59392.140215.1.3.040062. O PerDcomp foi transmitido com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de CSLL, Código de Receita 2372, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 30/07/2010, no valor de R$ 65.366,65. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE O interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: que a alegação de que não restou crédito disponível não pode ser entendida como fundamento para o DD; que a autoridade administrativa quedouse inerte na análise de qualquer situação que legitima o crédito postulado; que o processo administrativo no âmbito federal tem regulamentação própria e deve ser observada pela autoridade julgadora; que a Lei 9784, de 1999, no art. 2, inciso VIII, dispõe, entre outros, sobre os princípios da legalidade, motivação e observância das formalidades; que a autoridade não se deu nem sequer ao trabalho de motivar seu despacho; que se torna evidente que a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, porque o crédito propriamente dito nem sequer foi apreciado; Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10880.950692/201519 Acórdão n.º 1401002.765 S1C4T1 Fl. 4 3 que a autoridade administrativa limitouse a verificar se o pagamento realizado estava disponível em seus sistemas; que diversas situações que acarretariam na restituição do valor recolhido, seja pela inclusão indevida de valores na base de cálculo, seja por erro de fato na apuração do imposto, seja por situações que autorizam o contribuinte a reduzir valores da base de cálculo, hipóteses que são regulamentadas pela IN 1.300/2012; que a autoridade administrativa furtouse em analisar qualquer das possibilidades que ensejaria a restituição postulada; que simplesmente não homologar a compensação sem explicar os motivos da suposta indisponibilidade do crédito, torna a decisão totalmente nula, por não oferecer os elementos necessários para que a empresa possa promover sua defesa e a prova da existência deste crédito; que houve cerceamento de direito de defesa, porque a autoridade não analisou o mérito da compensação efetuada e nem sequer intimou a empresa a prestar os esclarecimentos necessários; em observância ao princípio constitucional da eficiência, a administração está obrigada a intimar o interessado a fazer os esclarecimentos necessários e comprovar o alegado, sempre que lhe restar dúvidas; que não é possível promover uma defesa quando não são expostos os argumentos que levaram ao indeferimento do seu pedido; que ficou impossibilitada a oportuna apresentação de prova do direito alegado, já que nem sequer é sabido o que não foi reconhecido; Ao final, pedese que seja determinada a suspensão da exigibilidade do crédito tributário e que seja acatada a preliminar de nulidade. A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2010 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Inconformada a contribuinte interpôs recurso voluntário sem contudo, apresentar as razões do recurso. Foi intimada a contribuinte a apresentar as razões em 10 dias. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10880.950692/201519 Acórdão n.º 1401002.765 S1C4T1 Fl. 5 4 Apresentadas as razões, a contribuinte alega apenas a nulidade do despacho decisório por não ter sido fundamentado. Alega que os atos administrativos devem ser fundamentados para que fosse possível à Recorrente compreender qual o motivo da não homologação da compensação. Por fim, não junta qualquer documento, tampouco rebate a fundamentação da decisão primeva. Esse é o relatório do essencial. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10880.950692/201519 Acórdão n.º 1401002.765 S1C4T1 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.752, de 26/07/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.959034/2013 21, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.752): O recurso é tempestivo e dele conheço. Cuidam os autos de compensação de débito(s) com crédito de IRPJ, Código de Receita 2089, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 29/01/2010, no valor de R$38.217,54. O despacho decisório concluiu que o DARF citado do alegado crédito já foi devidamente compensado com outros débitos. Ou seja, estamos diante de um fato em que deveria a contribuinte, ora recorrente, demonstrar que os valores não foram compensados com outros débitos. Sendo assim, a questão é meramente de fato e exige provas da contribuinte para que lhe seja garantido seu suposto direito. Contudo, não restou demonstrado qualquer direito e tão somente sua indignação pela falta de fundamentação do despacho decisório. A DRJ analisou o pedido conforme exposto abaixo: Motivação do Despacho Decisório O despacho não deixa dúvida quanto à sua motivação: o fundamento de fato para a não homologação é a inexistência do crédito utilizado na compensação; o fundamento legal é, entre outros, o art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996. O caput do referido artigo diz que o sujeito passivo que apurar crédito passível de restituição ou de ressarcimento poderá utilizálo na compensação de débitos próprios. Isso significa que, se o sujeito passivo não apurar crédito passível de restituição ou ressarcimento, não poderá fazer compensação. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10880.950692/201519 Acórdão n.º 1401002.765 S1C4T1 Fl. 7 6 Portanto, a inexistência do crédito utilizado no PER/DCOMP é fundamento de fato legítimo e suficiente para a não homologação. Ele explicita de maneira fundamentada, como se concluiu pela inexistência do crédito pretendido. Consta do despacho decisório que o Darf apresentado como crédito foi utilizado para pagar débito a ele vinculado. Foram informados, ainda, em relação ao débito vinculado ao DARF, o código do tributo, seu período de apuração e seu valor original. Demonstrase, assim, que o despacho traz, de forma explícita, a motivação da não homologação. A exposição é clara e exaustiva. O interessado, por sua vez, demonstra que a compreendeu perfeitamente no trecho da manifestação abaixo reproduzido: Limitouse a autoridade administrativa, em fazer uma verificação prévia se o pagamento realizado indevidamente ou a maior estava disponível em seus sistemas. Teve, portanto, a cognição dos fatos e do direito pertinentes ao objeto do ato contestado em toda sua extensão e complexidade. Assim sendo, não houve preterição do direito de defesa. A análise da motivação é questão de mérito. Sua eventual improcedência não é motivo de nulidade e não afeta o estabelecimento da relação jurídica processual. Falta de Intimação Para Prestar Esclarecimentos Pelo que dispõe o Decreto nº 70.235, de 1972, não constitui irregularidade a falta de oportunidade para a manifestação do sujeito passivo antes da ciência do despacho decisório de nãohomologação da compensação. Por outro lado, o recurso apenas argui a falta de fundamentação do despacho decisório, sem ao menos "dialogar" com a decisão da DRJ. Nesse sentido, a falta de dialeticidade do recurso impede qualquer nova decisão sobre a matéria. Essa é a jurisprudência desse Conselho sobre a matéria, conforme ementa de recurso julgado pela brilhante Conselheira integrante desse turma, Lívia De Carli Germano: IMPUGNAÇÃO. PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO. AUSÊNCIA DE DIALETICIDADE. REGIMENTO INTERNO DO CARF. Recurso voluntário que não apresente indignação contra os fundamentos da decisão supostamente recorrida ou traga qualquer motivo pelos quais deva ser modificada autoriza a adoção, como razões de decidir, dos Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10880.950692/201519 Acórdão n.º 1401002.765 S1C4T1 Fl. 8 7 fundamentos da decisão recorrida, por expressa previsão do regimento interno do CARF. Processo nº 10935.002797/201072 Acórdão nº 1401 002.365 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de abril de 2018 Recorrente JORGE TOME EPP/ Recorrida FAZENDA NACIONAL Nesse sentido, não há qualquer direito a ser reconhecido, tampouco qualquer nova razão. Não restou demonstrada a não fundamentação da decisão recorrida, pelo que a mantenho pelos seus próprios fundamentos. Conclusão Pelo acima exposto, conduzo meu voto no sentido de negar provimento ao recurso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 74DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13502.720543/2015-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO CONHECIMENTO. INCOMPETÊNCIA MATERIAL. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. PRÁTICA REITERADA E EVIDENTE, TÍPICA DA SONEGAÇÃO. CABIMENTO.
Não apresentando o contribuinte qualquer justificativa, ainda que em tese, da razão pela qual o valor a pagar da contribuição confessado em DCTF foi, reiteradamente, em todos os doze meses fiscalizados, inferior ao informado nos DACON e o registrado na escrituração contábil, ainda mais com redução percentual em valor sempre idêntico e exato, resta claramente evidenciada a ação dolosa tendente a retardar, parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, o que caracteriza a sonegação fiscal, conforme art. 71, I, da Lei nº 4.502/64, sendo cabível, portanto, a qualificação da multa de ofício proporcional para o percentual de 150 %.
PARCELAMENTO. OBSERVÂNCIA DE DISPOSIÇÕES LEGAIS E REGULAMENTARES ESPECÍFICAS. DEFERIMENTO. COMPETÊNCIA DA UNIDADE DE ORIGEM.
Os pedidos de parcelamento, sejam os ordinários, sejam os que oferecem condições especiais, são estabelecidos em normas legais e regulamentares de estrita observância para o seu deferimento, que é de competência exclusiva da Unidade de Origem, não cabendo, portanto, serem dirigidos às instâncias julgadoras.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012
CONTRIBUIÇÃO A PAGAR. VALOR CONFESSADO EM DCTF INFERIOR AO ESCRITURADO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
Verificado, em procedimento fiscal, que o valor a pagar da contribuição confessado em DCTF é inferior ao demonstrado no DACON, este confirmado pelo próprio sujeito passivo como correspondente ao registrado em sua escrituração contábil, a diferença deve ser lançada de ofício.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012
CONTRIBUIÇÃO A PAGAR. VALOR CONFESSADO EM DCTF INFERIOR AO ESCRITURADO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
Verificado, em procedimento fiscal, que o valor a pagar da contribuição confessado em DCTF é inferior ao demonstrado no DACON, este confirmado pelo próprio sujeito passivo como correspondente ao registrado em sua escrituração contábil, a diferença deve ser lançada de ofício.
Numero da decisão: 3401-005.327
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso, e, na parte conhecida, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO CONHECIMENTO. INCOMPETÊNCIA MATERIAL. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. PRÁTICA REITERADA E EVIDENTE, TÍPICA DA SONEGAÇÃO. CABIMENTO. Não apresentando o contribuinte qualquer justificativa, ainda que em tese, da razão pela qual o valor a pagar da contribuição confessado em DCTF foi, reiteradamente, em todos os doze meses fiscalizados, inferior ao informado nos DACON e o registrado na escrituração contábil, ainda mais com redução percentual em valor sempre idêntico e exato, resta claramente evidenciada a ação dolosa tendente a retardar, parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, o que caracteriza a sonegação fiscal, conforme art. 71, I, da Lei nº 4.502/64, sendo cabível, portanto, a qualificação da multa de ofício proporcional para o percentual de 150 %. PARCELAMENTO. OBSERVÂNCIA DE DISPOSIÇÕES LEGAIS E REGULAMENTARES ESPECÍFICAS. DEFERIMENTO. COMPETÊNCIA DA UNIDADE DE ORIGEM. Os pedidos de parcelamento, sejam os ordinários, sejam os que oferecem condições especiais, são estabelecidos em normas legais e regulamentares de estrita observância para o seu deferimento, que é de competência exclusiva da Unidade de Origem, não cabendo, portanto, serem dirigidos às instâncias julgadoras. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 CONTRIBUIÇÃO A PAGAR. VALOR CONFESSADO EM DCTF INFERIOR AO ESCRITURADO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Verificado, em procedimento fiscal, que o valor a pagar da contribuição confessado em DCTF é inferior ao demonstrado no DACON, este confirmado pelo próprio sujeito passivo como correspondente ao registrado em sua escrituração contábil, a diferença deve ser lançada de ofício. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 CONTRIBUIÇÃO A PAGAR. VALOR CONFESSADO EM DCTF INFERIOR AO ESCRITURADO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Verificado, em procedimento fiscal, que o valor a pagar da contribuição confessado em DCTF é inferior ao demonstrado no DACON, este confirmado pelo próprio sujeito passivo como correspondente ao registrado em sua escrituração contábil, a diferença deve ser lançada de ofício.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso, e, na parte conhecida, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO CONHECIMENTO. INCOMPETÊNCIA MATERIAL. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. PRÁTICA REITERADA E EVIDENTE, TÍPICA DA SONEGAÇÃO. CABIMENTO. Não apresentando o contribuinte qualquer justificativa, ainda que em tese, da razão pela qual o valor a pagar da contribuição confessado em DCTF foi, reiteradamente, em todos os doze meses fiscalizados, inferior ao informado nos DACON e o registrado na escrituração contábil, ainda mais com redução percentual em valor sempre idêntico e exato, resta claramente evidenciada a ação dolosa tendente a retardar, parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, o que caracteriza a sonegação fiscal, conforme art. 71, I, da Lei nº 4.502/64, sendo cabível, portanto, a qualificação da multa de ofício proporcional para o percentual de 150 %. PARCELAMENTO. OBSERVÂNCIA DE DISPOSIÇÕES LEGAIS E REGULAMENTARES ESPECÍFICAS. DEFERIMENTO. COMPETÊNCIA DA UNIDADE DE ORIGEM. Os pedidos de parcelamento, sejam os ordinários, sejam os que oferecem condições especiais, são estabelecidos em normas legais e regulamentares de estrita observância para o seu deferimento, que é de competência exclusiva da Unidade de Origem, não cabendo, portanto, serem dirigidos às instâncias julgadoras. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 72 05 43 /2 01 5- 22 Fl. 1877DF CARF MF Processo nº 13502.720543/201522 Acórdão n.º 3401005.327 S3C4T1 Fl. 1.878 2 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 CONTRIBUIÇÃO A PAGAR. VALOR CONFESSADO EM DCTF INFERIOR AO ESCRITURADO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Verificado, em procedimento fiscal, que o valor a pagar da contribuição confessado em DCTF é inferior ao demonstrado no DACON, este confirmado pelo próprio sujeito passivo como correspondente ao registrado em sua escrituração contábil, a diferença deve ser lançada de ofício. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 CONTRIBUIÇÃO A PAGAR. VALOR CONFESSADO EM DCTF INFERIOR AO ESCRITURADO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Verificado, em procedimento fiscal, que o valor a pagar da contribuição confessado em DCTF é inferior ao demonstrado no DACON, este confirmado pelo próprio sujeito passivo como correspondente ao registrado em sua escrituração contábil, a diferença deve ser lançada de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso, e, na parte conhecida, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório 1. Tratase de autos de infração lavrados em razão da falta de recolhimento de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e da Contribuição para o PIS cumulativas, situados às fls. 02 a 16, referentes ao período de apuração compreendido entre janeiro a dezembro de 2012, acrescidos de multa de ofício qualificada de 150% e juros, totalizando, assim, o valor histórico de R$ 1.041.711,88. Fl. 1878DF CARF MF Processo nº 13502.720543/201522 Acórdão n.º 3401005.327 S3C4T1 Fl. 1.879 3 2. Segundo se depreende do termo de verificação fiscal, situado às fls. 18 a21, narra a autoridade fiscal que os lançamentos se deram pela constatação da confissão nas DCTF (e pagamento), sem justificativa, de valores inferiores aos informados nos DACON, o que estaria espelhado também na escrituração contábil, diferenças estas que estão na Planilha “Demonstrativo de Apuração”, situada à fl. 023, não tendo sido apresentadas PER/DCOMP para compensação de débitos informados nos DACON, havendo, por fim, a qualificação da multa de ofício, uma vez que a "(...) contribuinte, dolosamente, tentou impedir o conhecimento, por parte do Fisco Federal, da ocorrência do fato gerador, em virtude do mesmo escriturar valores de (...) PIS e COFINS a pagar, e não confessar esses débitos em DCTF, infringindo o disposto no artigo 71 da Lei n° 4.502/64, que caracteriza tal prática como sonegação fiscal", o que ensejou a qualificação da multa de ofício, nos termos do artigo 44, inciso I e § 1° da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pelo artigo 14 da Medida provisória n° 351/07, convertida na Lei n° 11.488/07, bem como Representação Fiscal para Finas Penais, com fundamento no inciso I do art. 1º da Lei nº 8.137/90, bem como responsabilização dos dois sócios administradores da empresa à época dos fatos geradores, com base no inciso III do art 135 do CTN, tendo ambos sido regularmente intimados. 3. A contribuinte, intimada em 08/05/2015, apresentou, em 08/06/2015, a impugnação, situada às fls. 1.812 a 1.826, na qual argumentou, em síntese: (i) preliminarmente, a nulidade dos Autos de Infração, destacando que existem vícios, principalmente no que se refere à certeza do autuante quanto à infração e a omissão de informações acerca da fiscalização. Complementa afirmando que encontrase prejudicada por desconhecer os cálculos da autuação; (ii) a multa aplicada no percentual de 150% seria inconstitucional, pois caracterizaria confisco e que a jurisprudência já pacificou o limite da multa em 20%; (iii) requer a possibilidade de pagar no Refis o crédito tributário apurado nos autos de infração com isenção/exclusão dos juros de mora aplicados. Em nenhum momento faz referência às razões da qualificação da multa e à responsabilização dos sócios, sendo que a impugnação foi subscrita por dois advogados a quem foram atribuídos poderes para tal pela pessoa jurídica, conforme instrumento de mandato (procuração) situada às fl. 1.827 4. Em 22/12/2015, a 02ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Recife (PE) proferiu o Acórdão DRJ nº 1151.743, situado às fls. 1.843 a 1.850, de relatoria do AuditorFiscal Claudio Losse, que entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação e "não conhecer da responsabilização tributária do sócios administradores", mantendo o crédito tributário exigido, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 CONTRIBUIÇÃO A PAGAR. VALOR CONFESSADO EM DCTF INFERIOR AO ESCRITURADO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Verificado, em procedimento fiscal, que o valor a pagar da contribuição confessado em DCTF é inferior ao demonstrado no DACON, este confirmado pelo próprio sujeito passivo como correspondente ao registrado em sua escrituração contábil, a diferença deve ser lançada de ofício. Fl. 1879DF CARF MF Processo nº 13502.720543/201522 Acórdão n.º 3401005.327 S3C4T1 Fl. 1.880 4 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 CONTRIBUIÇÃO A PAGAR. VALOR CONFESSADO EM DCTF INFERIOR AO ESCRITURADO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Verificado, em procedimento fiscal, que o valor a pagar da contribuição confessado em DCTF é inferior ao demonstrado no DACON, este confirmado pelo próprio sujeito passivo como correspondente ao registrado em sua escrituração contábil, a diferença deve ser lançada de ofício. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. PRÁTICA REITERADA E EVIDENTE, TÍPICA DA SONEGAÇÃO. CABIMENTO. Não apresentando o contribuinte qualquer justificativa, ainda que em tese, da razão pela qual o valor a pagar da contribuição confessado em DCTF foi, reiteradamente, em todos os doze meses fiscalizados, inferior ao informado nos DACON e o registrado na escrituração contábil, ainda mais com redução percentual em valor sempre idêntico e exato, resta claramente evidenciada a ação dolosa tendente a retardar, parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, o que caracteriza a sonegação fiscal, conforme art. 71, I, da Lei nº 4.502/64, sendo cabível, portanto, a qualificação da multa de ofício proporcional para o percentual de 150 %. PARCELAMENTO. OBSERVÂNCIA DE DISPOSIÇÕES LEGAIS E REGULAMENTARES ESPECÍFICAS. DEFERIMENTO. COMPETÊNCIA DA UNIDADE DE ORIGEM. Os pedidos de parcelamento, sejam os ordinários, sejam os que oferecem condições especiais, são estabelecidos em normas legais e regulamentares de estrita observância para o seu deferimento, que é de competência exclusiva da Unidade de Origem, não cabendo, portanto, serem dirigidos às instâncias julgadoras. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 CUMPRIMENTOS DOS REQUISITOS DA LEGISLAÇÃO PROCESSUAL. NULIDADE. AFASTAMENTO. Tendo o Auto de Infração sido lavrado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, de forma sobejamente fundamentada, e o sujeito passivo tido oportunidade de exercer plenamente o seu direito de defesa, sempre demonstrando ter total consciência Fl. 1880DF CARF MF Processo nº 13502.720543/201522 Acórdão n.º 3401005.327 S3C4T1 Fl. 1.881 5 das infrações que lhe eram imputadas, afastadas estão as causas de nulidade previstas na legislação processual, ainda mais quando lhe foi oportunizado justificar, na fase inquisitória, em tempo mais que hábil, as supostas irregularidades questionadas pela Fiscalização. APRECIAÇÃO DE ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. EXCEPCIONALIDADE. Salvo em situações excepcionalíssimas, no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 5. A contribuinte foi intimada via postal em 24/03/2016, em conformidade com o extrato situado à fl. 1.873 e, em 19/04/2016, em conformidade com o termo de solicitação de juntada situado à fl. 1.854, interpôs recurso voluntário, situado às fls. 1.855 a 1.871, no qual reiterou as razões de sua impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator 6. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento com as seguintes ressalvas. 7. Em primeiro lugar, conheço do presente recurso voluntário, pois, em que pese a defesa se referir indistintamente aos lançamentos de ofício de IRPJ, CSL, PIS e Cofins, que comungam dos mesmos elementos de prova, não se trata de lançamento reflexo, mas sim de autos de infração independentes, não havendo de se vislumbrar ao presente caso a hipótese do inciso IV do art. 2º do Anexo II do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, com a redação dada pela Portaria MF nº 152/2016. Fl. 1881DF CARF MF Processo nº 13502.720543/201522 Acórdão n.º 3401005.327 S3C4T1 Fl. 1.882 6 8. Em segundo lugar, uma vez definida a competência material desta 3ª Seção de Julgamentos, quanto às alegações de inconstitucionalidade de leis, tratase de matéria que não pode ser apreciada no âmbito do processo administrativo fiscal, conforme dispõe o Decreto nº 70.235/1972, com redação dada pela Lei nº 11.941/2009: Decreto nº 70.235/1972 Art. 26. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. 9. Tal entendimento, ademais, encontrase consolidado neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme súmula aprovada pela Portaria nº 52, de 21 de dezembro de 2010: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 10. Assim, não conheço do recurso voluntário interposto neste particular. 11. Inexiste, ainda, nulidade no lançamento de ofício que se tenha revestido das formalidades previstas no art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, com as alterações da Lei nº 8.748/1993, e que exiba os demais requisitos de validade que lhe são inerentes, não se vislumbrando, no presente caso, nenhuma das hipóteses previstas no art. 59 do diploma de 1972. 12. Assim, conheço do recurso voluntário interposto para negarlhe provimento neste particular. 13. Quanto ao mérito, transcrevo abaixo os fundamentos da decisão recorrida: No mérito, quanto ao tributo, não há o que ser julgado, pois nada se fala a respeito na Impugnação e, a teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Ainda que assim não fosse, em nenhum momento apresentou o contribuinte qualquer justificativa minimanente plausível (ainda que em tese) das diferenças encontradas entre o informado nos DACON e o declarado nas DCTF/pago. 13. No que se refere à qualificação da multa de ofício, de 75 para 150 %, em uma leitura literal da legislação processual, a rigor, também não precisaria ser aqui enfrentada, pois o que foi expressamente atacado foi tãosomente o seu caráter confiscatório, mas não há como se afastar totalmente a Fl. 1882DF CARF MF Processo nº 13502.720543/201522 Acórdão n.º 3401005.327 S3C4T1 Fl. 1.883 7 interpretação de que haveria uma relação umbilical entre os dois temas. 13.1. Como já dito, entendeu a Fiscalização que caracterizouse a sonegação fiscal, pois, no período fiscalizado, que abrangeu 12 meses, todas as DCTF foram sistematicamente apresentadas com valores confessados (que foram pagos, isto não se discute) inferiores aos informados nos DACON. A prática reiterada, um dos indicativos da existência de dolo, certamente, está, então, configurada. 13.2. E, baseado no “Demonstrativo de Apuração” (repito, às fls. 023), calculei a relação percentual entre os valores informados nos DACON e os confessados em DCTF/pagos, tendo chegado ao seguinte resultado: 13.3. Como bem disse o autuante, os DACON, a exemplo das DIPJ, têm caráter meramente informativo. 13.3.1. Já a DCTF constitui confissão de dívida, tanto que é (com o absoluto respaldo do STJ – Súmula nº 436), instrumento hábil e suficiente para inscrição na Dívida Ativa da União (§ 1º do art. 5º do Decretolei nº 2.124/84), dispensando a constituição do crédito tributário pelo lançamento. Feita a regular inscrição, dispõe a Fazenda Pública de um título executivo extrajudicial com presunção relativa de certeza e liquidez, somente elidida por prova inequívoca a cargo do sujeito passivo (art. 204 do CTN). 13.3.2. Daí a razão pela qual, como também ressaltado pela autoridade fiscal, se o contribuinte confessar nas DCTF os valores corretos a pagar, fatalmente será cobrado, enquanto só o fazendo nas DIPJ e nos DACON, há significativa possibilidade de não vir a ser autuado no interregno do lustro decadencial. 13.4. Não ignoro que muitos interpretam que, retratando a escrituração contábil e fiscal a suposta realidade, ainda mais quando informada ao Fisco nas DIPJ e nos DACON, descabe a qualificação da multa pela mera confissão a menor nas DCTF. Fl. 1883DF CARF MF Processo nº 13502.720543/201522 Acórdão n.º 3401005.327 S3C4T1 Fl. 1.884 8 13.4.1. Mas, neste caso, entendo, afastada está qualquer interpretação “atenuante”, pois, além do fato de o contribuinte não ter trazido nenhuma justificativa para as diferenças apuradas (como já comentado), elas são de exatos 40,00 % para todos os meses, o que certamente não é “algum equívoco no preenchimento da DCTF”, mas sim clara evidência de que houve a deliberada intenção de tentar retardar, ao menos parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, caracterizando a prática de sonegação fiscal, a teor do art. 71, I, da Lei nº 4.502/64 (...). 13.5. Correta, portanto, a qualificação da multa de ofício, no caso concreto. 14. E, agora especificamente quanto à alegação do seu caráter confiscatório, salvo em situações excepcionalíssimas, no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. 15. No que se refere ao pedido de inclusão dos débitos no “REFIS”, os pedidos de parcelamento, sejam os ordinários, sejam os que oferecem condições especiais, são estabelecidos em normas legais e regulamentares de estrita observância para o seu deferimento, que é de competência exclusiva da Unidade de Origem, não cabendo, portanto, serem dirigidos às instâncias julgadoras. 16. E no que tange à responsabilização tributária dos sócios, não há qualquer menção a respeito na Impugnação (que foi, como já dito, subscrita por procuradores da pessoa jurídica), pelo que não conheço da matéria, bem como desconheço que tenha sido contestada pelos mesmos em qualquer outro Processo – e nem cabe a mim, na condição de julgador, fazêlo, pois a lide se resume ao trazido nos autos. 17. À vista do exposto, voto pela improcedência da Impugnação, mantendo integralmente o credito tributário exigido, bem como por não conhecer da responsabilização tributária do sócios administradores. 14. Não tendo as partes apresentado novos argumentos ou razões de defesa perante esta segunda instância administrativa, propõese a confirmação e adoção da decisão recorrida, nos termos da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), com a alteração da Portaria MF nº 329, de 04/06/2017, que acrescentou o § 3º ao art. 57 da norma regimental: Portaria MF nº 343, de 09/06/2015 (RICARF) Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: I verificação do quorum regimental; Fl. 1884DF CARF MF Processo nº 13502.720543/201522 Acórdão n.º 3401005.327 S3C4T1 Fl. 1.885 9 II deliberação sobre matéria de expediente; e III relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta. § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. § 2º Os processos para os quais o relator não apresentar, no prazo e forma estabelecidos no § 1º, a ementa, o relatório e o voto, serão retirados de pauta pelo presidente, que fará constar o fato em ata § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida" (seleção e grifos nossos). 15. Assim, com base nestes fundamentos, voto por conhecer em parte e, na parte conhecida, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 1885DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.001911/2007-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 08/05/2003
CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. LAUDOS TÉCNICOS.
Os laudos técnicos vinculam o julgamento, quanto à descrição das características técnicas da mercadoria. Não existindo contraposição de laudos, aplica-se o artigo 30 do Decreto 70.235/72, para acatar os aspectos técnicos descritos.
MULTA POR FALTA DE LICENCIAMENTO DE IMPORTAÇÃO. AUSÊNCIA DE DOLO.
A multa falta de licenciamento de importação é prevista no artigo. 169, I, b do Decreto-lei 37/66. O erro de classificação fiscal, cumulada com descrição incompleta ou inexata da mercadoria, enseja falha nos controles de importação, ensejando a aplicação da referida multa. A ausência de dolo ou má-fé não é oponível no caso de infração objetiva, nos termos do artigo 136 do CTN.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-004.194
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 08/05/2003 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. LAUDOS TÉCNICOS. Os laudos técnicos vinculam o julgamento, quanto à descrição das características técnicas da mercadoria. Não existindo contraposição de laudos, aplica-se o artigo 30 do Decreto 70.235/72, para acatar os aspectos técnicos descritos. MULTA POR FALTA DE LICENCIAMENTO DE IMPORTAÇÃO. AUSÊNCIA DE DOLO. A multa falta de licenciamento de importação é prevista no artigo. 169, I, b do Decreto-lei 37/66. O erro de classificação fiscal, cumulada com descrição incompleta ou inexata da mercadoria, enseja falha nos controles de importação, ensejando a aplicação da referida multa. A ausência de dolo ou má-fé não é oponível no caso de infração objetiva, nos termos do artigo 136 do CTN. Recurso Voluntário Negado.
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LAUDOS TÉCNICOS. Os laudos técnicos vinculam o julgamento, quanto à descrição das características técnicas da mercadoria. Não existindo contraposição de laudos, aplicase o artigo 30 do Decreto 70.235/72, para acatar os aspectos técnicos descritos. MULTA POR FALTA DE LICENCIAMENTO DE IMPORTAÇÃO. AUSÊNCIA DE DOLO. A multa falta de licenciamento de importação é prevista no artigo. 169, I, “b” do Decretolei 37/66. O erro de classificação fiscal, cumulada com descrição incompleta ou inexata da mercadoria, enseja falha nos controles de importação, ensejando a aplicação da referida multa. A ausência de dolo ou máfé não é oponível no caso de infração objetiva, nos termos do artigo 136 do CTN1. Recurso Voluntário Negado. 1 Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 19 11 /2 00 7- 19 Fl. 125DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Relatório Reproduzo o relatório da decisão recorrida: Trata o presente processo de Auto de Infração (fls. 02 a 12) formalizado para exigência de multa por infração administrativa ao controle das importações (falta de licença de importação LI) e multa por classificação incorreta, relativamente às mercadorias importadas por meio das Adições 001 (itens 1 e 2) e 003 (itens 3, 7 e 9) da Declaração de Importação (DI) nº. 03/03859835, registrada em 08/05/2003, perfazendo o valor total de R$ 7.282,46. Por meio das referidas adições, foram submetidos a despacho os seguintes produtos: 1. adição 01 – item 1: “TINTAS POLIESTERES SENDO: 19004109 – NETTOYANT DE SURFACE N. Pedido 48620/500 49747/130”, classificado na NCM 3208.10.10, com alíquotas de 15,5% para o II, e 10% para o IPI. 2. adição 01 – item 2: “19004109 – NETTOYANT DE SURFACE N. Pedido 49747/480 – 50540/30”, classificado na NCM 3208.10.10, com alíquotas de 15,5% para o II, e 10% para o IPI. 3. adição 03 – item 3: “190021220NOIR BLEUTE NR. PEDIDO 49747/120”, classificado na NCM 3212.90.90, com alíquotas de 15,5% para o II, e 10% para o IPI. 4. adição 03 – item 7: “19002106 – TEINTE DE BASE 0800 BLANC NR. PEDIDO 49747/200”, classificado na NCM 3212.90.90, com alíquotas de 15,5% para o II, e 10% para o IPI. 5. adição 03 – item 9: “19004044 – VERNIS OXELIA NR. PEDIDO 49747/220”, classificado na NCM 3212.90.90, com alíquotas de 15,5% para o II, e 10% para o IPI. Embasandose em Laudos Técnicos emitidos pelo Laboratório de Análises da Fundação de Desenvolvimento da Unicamp – FUNCAMP (fls. 37/48), a fiscalização reclassificou os produtos importados como segue abaixo: Fl. 126DF CARF MF Processo nº 11128.001911/200719 Acórdão n.º 3201004.194 S3C2T1 Fl. 3 3 6. adição 01 – item 1: reclassificado para a NCM 2710.11.49 (outra nafta, um óleo de petróleo), com alíquotas de 0% para o II, e 0% para o IPI. 7. adição 01 – item 2: reclassificado para a NCM 2710.11.49 (outra nafta, um óleo de petróleo), com alíquotas de 0% para o II, e 0% para o IPI. 8. adição 03 – item 3: reclassificado para a NCM 3208.20.10 (tintas à base de polímeros acrílicos...), com alíquotas de 15,5% para o II, e 10% para o IPI. 9. adição 03 – item 7: reclassificado para a NCM 3208.20.10 (tintas à base de polímeros acrílicos...), com alíquotas de 15,5% para o II, e 10% para o IPI. 10. adição 03 – item 9: reclassificado para a NCM 3208.20.20 (vernizes à base de polímeros acrílicos...), com alíquotas de 15,5% para o II, e 10% para o IPI. Em consequência, houve a lavratura de Auto de Infração para exigência das multas por falta de licença de importação e classificação incorreta, previstas pelo artigo 169, I, “b”, do DecretoLei nº 37/66, e artigo 84, inciso I, da MP 2.15835/ 2001, respectivamente. Cientificada do lançamento em 17/04/2007 (fl. 62), a contribuinte apresentou impugnação, em 16/05/2007, juntada às fls. 63 e seguintes, alegando, em síntese, que: a) conforme muito bem demonstrado pelos Laudos de Analises: (i) existe dúvida entre as posições da TEC para a correta classificação tarifária dos produtos; (ii) foi efetivamente emitida a LI; (iii) a suposta inexatidão na classificação não acarretou em falta de pagamento de tributos, pelo contrário, houve pagamento a maior e (iv) não houve dolo ou máfé que justificasse a imposição de penalidades; b) inconteste o fato da persistência de dúvida quanto à correta classificação tarifária dos produtos em questão, conforme atesta o próprio LAUDO LABANA. Em caso de dúvida, é aplicável o item 3“c” das Regras Gerais para a Interpretação do SH – Sistema Harmonizado, que determina que, "nos casos em que as Regras 3" a" e 3" b" não permitem efetuar a classificação, a mercadoria classificase na posição situada em último lugar na ordem numérica, dentre as suscetíveis de validamente se tomarem em consideração." Logo, está correto o procedimento da impugnante, ao adotar a posição situada em último lugar na ordem numérica, em relação aos produtos objeto de reclassificação pelo fisco; c) além do mais, o importador optou por usar a posição situada em último lugar porque as alíquotas eram as mesmas ou melhor, em um caso, as alíquotas eram maiores na posição situada em último lugar (caso da adição 001 em que se recolheu o II à Fl. 127DF CARF MF 4 alíquota de 15,5% e I.P.I. à aliquota de 10% quando a posição indicada pelo fisco pressupõe aliquota de II 0% e I.P.I. N/T); d) houve a emissão de LI pelo DECEX, antes do registro da DI, para as mercadorias importadas, já que havia a exigência para tanto, conforme se verifica pela própria TEC. Logo a multa por falta de Guia de Importação não pode ser aplicada; e) ainda que houvesse razões técnicas para suportar a reclassificação pretendida pelo fisco, a aplicação da multa de mercadoria classificada incorretamente é ilegal e deverá ser cancelada, haja vista que a reclassificação tarifária para posições não gera a pena de multa, conforme jurisprudência consolidada do Conselho de Contribuintes que cita; f) caso se entenda procedente o auto de infração, requer seja feita a compensação com os tributos recolhidos a maior, relativamente à adição 01 da DI, nos termos do inciso II do art. 156 do CTN; g) requer seja o auto de infração declarado insubsistente e cancelado o suposto crédito tributário da União. Todos os números de folhas citados neste acórdão são os atribuídos pelo “eprocesso”. A DRJ/São Paulo I/SP 24ª Turma, por meio do Acórdão 1641.996,de 22/11/2012, decidiu pela improcedência da Impugnação, mantendo integralmente o lançamento. Transcrevo a ementa: CLASSIFICAÇÃO FISCAL. O produto “NETTOYANT DE SURFACE”, identificado como uma outra nafta, um óleo de petróleo, classificase no código NCM 2710.11.49. Os produtos “NOIR BLEUTE” e “TEINTE DE BASE 0800 BLANC”, identificados como tinta à base de polímero acrílico, dispersa ou dissolvida em meio não aquoso, acondicionada em embalagem para venda a retalho, classificamse no código NCM 3208.20.10. O produto “VERNIS OXELIA”, identificado como verniz à base de polímero acrílico, disperso ou dissolvido em meio não aquoso, classificase no código NCM 3208.20.20. MULTA. INFRAÇÃO AO CONTROLE DAS IMPORTAÇÕES. Aplicase a multa por falta de Licença de Importação nas importações em que as mercadorias não estejam corretamente descritas, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado. MULTA. CLASSIFICAÇÃO INCORRETA. A classificação incorreta de mercadoria é penalizada com a multa de 1% sobre o valor aduaneiro, prevista no artigo 84, inciso I, da MP 2.15835/2001. Fl. 128DF CARF MF Processo nº 11128.001911/200719 Acórdão n.º 3201004.194 S3C2T1 Fl. 4 5 A empresa então apresentou Recurso Voluntário, onde reforça os argumentos de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. Mérito As argumentos da recorrente para a defesa da classificação por ela adotada são frágeis, porque não contrapõem as afirmações dos laudos do Fisco e não apresentam outro laudo técnico, resumindose em comentários ligeiros. Vejamos item por item. 1 – Classificação fiscal da mercadoria Nettoyant de Surface Primeiramente, copio as posições NCM confrontadas. Contribuinte: 3208. Tintas e vernizes, à base de polímeros sintéticos ou de polímeros naturais modificados, dispersos ou dissolvidos em meio não aquoso; soluções definidas na Nota 4 do presente Capítulo. 3208.10 – A base de poliésteres 3208.10.10 – Tintas Fisco : 2710.11.49 – Outras Naftas (fl. 49) Transcrevo a defesa da recorrente em prol de sua classificação (fl. 104): “No entendimento do fiscal, o produto ´NETOYANT DE SURFACE´, é identificado como uma outra nafta, um óleo de petróleo e classificase no código NCM 2710.11.49, porém esse entendimento não deve prosperar, pois dos quesitos formulados, nenhum outro dado aponta para a classificação indicada pelo fiscal.” Fl. 129DF CARF MF 6 O contribuinte não apresenta laudo como contraprova às afirmações do laudo utilizado pelo Fisco. Portanto, para a caracterização da mercadoria, impõese o laudo utilizado pelo autuante, nos termos do artigo 302 do PAF. O laudo aponta, fl.38: 1. Não se trata de Tinta à Base de Poliéster. Tratase de Nafta, uma Outra Nafta, um Óleo de Petróleo. 2. Não se trata de preparação nem de produto de constituição química definida apresentado isoladamente. 3. Segundo Literatura Técnica Específica (cópia anexa), o produto tratase de Nafta de Petróleo Leve tratado com Hidrogênio, utilizado como agente de limpeza para uso profissional. Portanto, o laudo afirma tratarse de “nafta, outra naftas, um óleo de petróleo”, o que se amolda à classificação adotada pelo Fisco (fl. 49), e afasta por completo a classificação pretendida pela empresa. 2 Noir Bleute Fisco : 3208.20.10 Contribuinte : 3212.90.90 Respostas do Laudo (fl. 41): 1.Não se trata de Outros Pigmentos (incluídos os pós e flocos metálicos) disperso em meio não aquoso, no estado líquido ou pastoso, dos tipos utilizados na fabricação de tintas, nem de Tinturas e Outras Matérias Corantes apresentadas em formas próprias ou em embalagens para venda a retalho. Tratase Tinta, constituída de uma Dispersão de Pigmento Preto em Polímero Acrllico e Solvente, Tinta á base de Polímero Acrílico, disperso ou dissolvido em meio não aquoso, acondicionada em embalagem para venda a retalho. 2.Não se trata de preparação e nem de compdto de constituição química definida. 3.De acordo com dados da Folha de Dados de Segurança (cópia anexa), a mercadoria é utilizada para pintura de a utomóveis. 4.De acordo com dados da Folha de Dados de Segurança (cópia anexa), a mercadoria g constituída de Resina Sintética, Pigmentos e mistura de Solventes (25,00 <50,00% de Acetato de nButila; 7.00 <10,00 de nButanol; 3,00 <5,00 de Glicolato de nButila; 3,00 <5,00 de Xileno; 3,00 <5,00 de Acetato de 2Butoxietila; 2,00 <3,00 de Dipenteno; 1,00 <2,00% de Nafta; 1,00 <2,00% de Etilbenzeno e 1,00 2,00% de Isobutanol). 2 Art. 30. Os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada a improcedência desses laudos ou pareceres. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 11128.001911/200719 Acórdão n.º 3201004.194 S3C2T1 Fl. 5 7 Ressaltamos que a mercadoria analisada, quando aplicada em placa e seca a temperatura de 105°C, forma uma película que apresenta aderência, resistência e filmogenia. A recorrente defende que estas mercadorias deveriam ser classificadas como pigmento, porque “submete produtos importados à industrialização, de forma que aplica os pigmentos no processo industrial de tintas razão pela qual, o produto em tela deve ser classificado na posição apontada pela Recorrente.” Contudo, o laudo assevera que não se trata de pigmento, mas de tinta. Portanto, sem a apresentação de outro laudo técnico que pudesse contestar o laudo apresentado pelo Fisco, não há como acatar as razões, frágeis, da recorrente. 3 Teinte de Base 0800 Blanc 1.Não se trata de Outros Pigmentos (incluídos os pós e flocos metálicos) disperso em meio não aquoso, no estado liquido ou pastoso, dos tipos utilizados na fabricação de tintas, nem de Tinturas e Outras Matérias Corantes apresentadas em formas próprias ou em emblagens para venda a retalho. Tratase Tinta, constituída de uma Dispersão de Pigmento Branco em Polimero Acrílico e Solvente, Tinta a base de Pollmero Acrllico, disperso ou dissolvido em meio não aquoso, acondicionada em embalagem para venda a retalho. 2.Não se trata de preparação e nem de composto de constituição química definida. 3. De acordo com dados da Folha de Dados de Segurança (cópia anexa), a mercadoria é utilizada para pintura d aeu tomóveis. 4.De acordo com dados da Folha de Dados de Segurança (cópia anexa), a mercadoria é constituída de Resina Sintética, Pigmentos e mistura de Solventes (25,00 <50,00% de Acetato de nButila; 7.00 <10,00 de nButanol; 3,00 <5,00 de Glicolato de nButila; 3,00 <5,00 de Xileno; 3,00 <5,00 de Acetato de 2Butoxietila; 2,00 <3,00 de Dipenteno; 1,00 <2,00% de Nafta; 1,00 <2,00% de Etilbenzeno e 1,00 2,00% de Isobutanol). Ressaltamos que a mercadoria analisada, quando aplicada em placa e seca a temperatura de 105°C, forma uma pellcula que apresenta aderência, resistência e filmogenia. Mesmas considerações do item anterior 4 Nernis Oxelia (fl. 47) Fisco : 3208.20.20 Contribuinte : 3212.90.90 1.Não se trata de Outros Pigmentos (incluídos os pós e flocos metálicos) disperso em meio não aquoso, pastoso, dos tipos Fl. 131DF CARF MF 8 utilizados na fabricação de tintas, nem de Tinturas e Outras Matérias Corantes apresentados em formaspróprias ou em embalagens para venda a retalho. Tratase Verniz, constituído de Solução de Polímero Acrílico em 48.1% de Solvente, Verniz à base de de Polímero Acrílico, disperso ou dissolvido em meio não aquoso, acondicionado em embalagem para venda a retalho. 2.Não se trata de preparação e nem de composto de constituição química definida. 3.De acordo com Referências Bibliográfica, mercadorias dessa natureza são utilizadas, principalmente na indústria automobilística. 4.De acordo com a a Folha de Dados de Segurança (cópia anexa), a mercadoria de denominação comercial VERNIZ OXELIA 77 11 170 834 é constituída de Resinas Sintéticas e uma mistura de Solventes (10.00 <12,50% de Nalta de Petróleo; 10,00 <12,50% de Acetato de nButila; 7,00 <10,00% de I,2,4Trimetilbenzeno; 2,00 <3,00% de Mesitileho; 1,00 <2,00% de I,2,3Trimetilbenzeno). Ressaltamos que a mercadoria analisada, quando aplicada em placa e seca a temperatura de 105C, forma um película dura, insolúvel em água, transparente, lisa e continua.” Mesmas considerações do item anterior, com a diferença de que, neste caso, tratase de verniz, em vez de tinta. Demais argumentos A recorrente argumenta que licença de importação para as NCM´s controvertidas (fisco e contribuinte), são os mesmos, e a licença seria a mesma. A inexatidão acarretou pagamento a maior de tributos, em alguns casos. Não houve dolo ou máfé; ato não lesivo ao erário público. Todavia, tais alegações não podem prevalecer. O erro de classificação fiscal, com descrição incompleta da mercadoria, enseja falha nos controles de importação, incidindo na referida multa. Por exemplo, a classificação fiscal correta eventualmente poderia ensejar outras verificações pelo órgãos públicos encarregados, que podem não ter sido feitas pelo erro do contribuinte. No caso em foco, por exemplo, a mercadoria descrita pelo contribuinte como pigmento, tipicamente é vendida para indústria, mas a correta caracterização era tinta para venda a retalho varejo, o que poderia alterar a análise da licença. A ausência de dolo ou máfé não é oponível no caso de infração objetiva, nos termos do artigo 136 do CTN3 e artigo 673 do regulamento aduaneiro4. 3 Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. 4 Art. 673. Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte de pessoa física ou jurídica, de norma estabelecida ou disciplinada neste Decreto ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálo (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 94, caput). Fl. 132DF CARF MF Processo nº 11128.001911/200719 Acórdão n.º 3201004.194 S3C2T1 Fl. 6 9 Os erros de classificação também ensejam a aplicação da multa prevista no artigo 84, I, da MP 2.15835/2001, sendo esta multa, também, objetiva. Conclusão Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira Relator Parágrafo único. Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, da natureza e da extensão dos efeitos do ato (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 94, § 2º). Fl. 133DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15983.001341/2008-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007
RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA, RESERVA REMUNERADA, REFORMA E PENSÃO DE MAIORES DE 65 ANOS. ISENÇÃO. APROVEITAMENTO EM DUPLICIDADE.
São isentos os rendimentos de aposentadoria, reserva remunerada, reforma e pensão auferidos por contribuintes maiores de 65 (sessenta e cinco) anos, até o limite previsto na legislação de regência.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS DECORRENTES DE AÇÃO JUDICIAL.
Valores recebidos em decorrência de ação judicial e constatada a ausência de retenção do imposto de forma exclusiva na fonte ou definitiva, deveriam tais rendimentos ter sido submetidos ao ajuste anual.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPENDENTES.
Mantém-se a apuração de omissão de rendimentos auferidos pela filha do contribuinte, informada como sua dependente.
OMISSÃO DE RENDMENTOS DO TRABALHO ASSALARIADO.
Confirmada a percepção dos rendimentos pelo recibo de pagamento de salário constante dos autos, correto o lançamento.
DEDUÇÃO INDEVIDA DE DEPENDENTE.
Mantém-se a glosa do valor deduzido a título de dependente, relativamente ao ex-cônjuge do contribuinte, ainda que se refira ao ano-calendário em que se deu a dissolução da sociedade conjugal, notadamente por ter sido apresentada declaração de ajuste anual em separado.
Numero da decisão: 2201-004.662
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Douglas Kakazu Kushiyama - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
1.0 = *:*
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA, RESERVA REMUNERADA, REFORMA E PENSÃO DE MAIORES DE 65 ANOS. ISENÇÃO. APROVEITAMENTO EM DUPLICIDADE. São isentos os rendimentos de aposentadoria, reserva remunerada, reforma e pensão auferidos por contribuintes maiores de 65 (sessenta e cinco) anos, até o limite previsto na legislação de regência. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DECORRENTES DE AÇÃO JUDICIAL. Valores recebidos em decorrência de ação judicial e constatada a ausência de retenção do imposto de forma exclusiva na fonte ou definitiva, deveriam tais rendimentos ter sido submetidos ao ajuste anual. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPENDENTES. Mantém-se a apuração de omissão de rendimentos auferidos pela filha do contribuinte, informada como sua dependente. OMISSÃO DE RENDMENTOS DO TRABALHO ASSALARIADO. Confirmada a percepção dos rendimentos pelo recibo de pagamento de salário constante dos autos, correto o lançamento. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DEPENDENTE. Mantém-se a glosa do valor deduzido a título de dependente, relativamente ao ex-cônjuge do contribuinte, ainda que se refira ao ano-calendário em que se deu a dissolução da sociedade conjugal, notadamente por ter sido apresentada declaração de ajuste anual em separado.
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ISENÇÃO. APROVEITAMENTO EM DUPLICIDADE. São isentos os rendimentos de aposentadoria, reserva remunerada, reforma e pensão auferidos por contribuintes maiores de 65 (sessenta e cinco) anos, até o limite previsto na legislação de regência. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DECORRENTES DE AÇÃO JUDICIAL. Valores recebidos em decorrência de ação judicial e constatada a ausência de retenção do imposto de forma exclusiva na fonte ou definitiva, deveriam tais rendimentos ter sido submetidos ao ajuste anual. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPENDENTES. Mantémse a apuração de omissão de rendimentos auferidos pela filha do contribuinte, informada como sua dependente. OMISSÃO DE RENDMENTOS DO TRABALHO ASSALARIADO. Confirmada a percepção dos rendimentos pelo recibo de pagamento de salário constante dos autos, correto o lançamento. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DEPENDENTE. Mantémse a glosa do valor deduzido a título de dependente, relativamente ao excônjuge do contribuinte, ainda que se refira ao anocalendário em que se deu a dissolução da sociedade conjugal, notadamente por ter sido apresentada declaração de ajuste anual em separado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 00 13 41 /2 00 8- 19 Fl. 251DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 191/212, interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (SP), de fls. 174/183, a qual julgou parcialmente procedente lançamento de Imposto de Renda da Pessoa Física IRPF, referente aos anoscalendário de 2003 a 2007, para a constituição do crédito tributário no montante de R$ 46.321,82, sendo R$ 22.025,58 a título de imposto, R$ 16.519,17, de multa de ofício e R$ 7.777,07, de juros de mora, calculados até 31/10/2008. De acordo com o relatório fiscal o Recorrente cometeu as seguintes infrações, de acordo com o Relatório elaborado pela DRJ: omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício recebidos de pessoa jurídica: anoscalendário de 2003 a 2007: o contribuinte usufruiu em duplicidade da isenção para maiores de 65 (sessenta e cinco) anos de idade, relativamente aos rendimentos recebidos do INSS e do Ministério da Defesa Exército Brasileiro SEF CPEx, conforme claramente discriminado nos informes de rendimentos, tendo o contribuinte informado o mesmo valor nas Linhas "07" (correta) e "12 Outros" do Quadro "05. Rendimentos Isentos e Não Tributáveis" da declaração de ajuste anual; anocalendário de 2004: foram omitidos os rendimentos recebidos da Caixa Econômica Federal, de R$ 7.766,02, com IRRF de R$ 232,98. O IRRF foi declarado e o rendimento foi indevidamente informado como rendimento sujeito à tributação exclusiva na fonte; anocalendário de 2005: foram omitidos os rendimentos no valor de R$ 705,00, recebidos do Ministério Público da União, CNPJ n° 26.989.715/005414, pela dependente Leilane; anocalendário de 2006: foram omitidos os rendimentos recebidos do Instituto Educacional Luzwell, CNPJ n° 43.078.203/000103, de R$ 3.067,23, com IRRF de R$ 233,08 e contribuição previdenciária oficial de R$ 293,49. Fl. 252DF CARF MF Processo nº 15983.001341/200819 Acórdão n.º 2201004.662 S2C2T1 Fl. 252 3 Enquadramento legal: art. 1ºo a 3o e §§, e 8o da Lei n° 7.713/1988; arts. Io a 3o da Lei n° 8.134/1990; arts. 43 do Decreto n° 3.000/1999 RIR/1999; art. Io da Medida Provisória n° 22/2002, convertida na Lei n° 10.451/2002; art. Io da Lei n° 11.119/2005; art. Io da Lei n° 11.311/2006; art. I o da Lei n° 11.482/2007; dedução indevida da dependente Sueli Andreoni Ribeiro, CPF n° 334.557.03860: a) anocalendário de 2003: dedução em duplicidade; b) anocalendário de 2005: a referida pessoa era titular de pensão alimentícia. Enquadramento legal: art. 11, § 3o, do Decretolei n° 5.844/1943; arts. 73 e 83, inciso II, do RIR/1999; art. 8o da Lei n° 9.250/1995, combinado com o art. 2o da Medida Provisória n° 22/2002, convertida na Lei n° 10.451/2002. O demonstrativo do imposto devido para o anobase 2003 foi: O demonstrativo de apuração para o anobase 2004: Fl. 253DF CARF MF 4 O demonstrativo de apuração para o anobase 2005: O demonstrativo para o anobase 2006 foi: Fl. 254DF CARF MF Processo nº 15983.001341/200819 Acórdão n.º 2201004.662 S2C2T1 Fl. 253 5 O interessado foi cientificado em 03/12/2008 (fl. 105) e, em 29/12/2008, apresentou a impugnação de fls. 108 a 115, acompanhada dos documentos de fls. 116 a 150. Da Impugnação O RECORRENTE apresentou sua Impugnação de fls. 108/115, cuja transcrição foi feita pela DRJ, nos seguintes termos: No que tange à apuração de fruição em duplicidade da isenção dos proventos de aposentadoria e pensão recebidos por contribuintes maiores de 65 (sessenta e cinco) anos de idade, entende que não haveria na legislação tributária proibição para deduzir a parcela isenta de mais de uma aposentadoria. Considera que não haveria duplicidade, pois uma isenção incidiria sobre os proventos de aposentadoria pagos pelo INSS e a outra, sobre os proventos da reserva do Exército Brasileiro, pagos pelo Ministério da Defesa. Reputa inconstitucional o entendimento adotado pelo Fisco, conforme dispositivos da Carta Magna que menciona. Acrescenta que é imprópria a utilização do termo "omissão" nos casos em que os rendimentos foram informados na declaração de ajuste anual. Quanto ao valor de R$ 7.533,04, alega que considerou esse rendimento como tributável exclusivamente na fonte, pois seria decorrente de uma decisão judicial que abateu o imposto na fonte. Em relação aos rendimentos recebidos pela filha do impugnante, Leilane Andreoni Ribeiro, argumenta que, em virtude de orientação dada pela Fiscalização, apresentou uma declaração retificadora, excluindoa do quadro de dependentes, uma vez que sua filha recebe pensão alimentícia. Desse modo, seria indevida a inclusão dos rendimentos dessa pessoa, pois a própria Receita Fl. 255DF CARF MF 6 teria determinado a sua exclusão do rol de dependentes do contribuinte. No que se refere à apuração de omissão de rendimentos pagos pelo Instituto Luzwell, afirma que o contrato de trabalho terminou em dezembro de 2005, conforme cópia da carteira de trabalho anexa, e que a quantia apontada como omitida seria referente ao décimo terceiro salário, que teria sido pago em atraso, em janeiro de 2006, como demonstrariam os documentos anexos (fls. 137 a 139). Alega que o montante de R$ 34.512,73, informado como tributável no anocalendário de 2005, não seria condizente com a soma dos rendimentos mensais auferidos e que nesse total estariam incluídos os valores relativos a férias e décimo terceiro salário. Relativamente à dedução da dependente Suely Andreoni Ribeiro, assinala que, segundo orientação contida no Manual para Preenchimento da DIRPF/2006, o contribuinte que se separou no anocalendário de 2005 poderia considerar os alimentandos como seus dependentes, sem prejuízo da dedução dos valores das pensões alimentícias pagas no mesmo anocalendário da separação. Tece considerações quanto à vigência e aplicação de alguns dos dispositivos legais citados no auto de infração, em seu campo "Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal (is)". Requer a anulação dos cálculos constantes do lançamento, por considerar inexistentes as infrações apontadas pelo Fisco. Da Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (SP) Quando da apreciação do caso, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) julgou procedente em parte a impugnação, conforme ementa abaixo (fls. 174/175): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA, RESERVA REMUNERADA, REFORMA E PENSÃO DE MAIORES DE 65 ANOS. ISENÇÃO. APROVEITAMENTO EM DUPLICIDDADE. São isentos os rendimentos de aposentadoria, reserva remunerada, reforma e pensão auferidos por contribuintes maiores de 65 (sessenta e cinco) anos, até o limite previsto na legislação de regência. Se os rendimentos forem recebidos de mais de uma fonte pagadora, a apuração da parcela isenta deve ser efetuada sobre o somatório dos rendimentos auferidos no mês. Retificase, de ofício, o lançamento, uma vez constatado erro de fato na determinação do crédito tributário. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DECORRENTES DE AÇÃO JUDICIAL. Fl. 256DF CARF MF Processo nº 15983.001341/200819 Acórdão n.º 2201004.662 S2C2T1 Fl. 254 7 Uma vez que a legislação tributária não prevê a tributação dos rendimentos recebidos no ano calendário de 2004, em decorrência de ação judicial, de forma exclusiva na fonte ou definitiva, deveriam tais rendimentos ter sido submetidos ao ajuste anual. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPENDENTES. Mantémse a apuração de omissão de rendimentos auferidos pela filha do contribuinte, informada como sua dependente. OMISSÃO DE RENDMENTOS DO TRABALHO ASSALARIADO. Confirmada a percepção dos rendimentos pelo recibo de pagamento de salário constante dos autos, correto o lançamento. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DEPENDENTE. Mantémse a glosa do valor deduzido a título de dependente, relativamente ao excônjuge do contribuinte, ainda que se refira ao anocalendário em que se deu a dissolução da sociedade conjugal, notadamente por ter sido apresentada declaração de ajuste anual em separado. Da decisão ainda constou: Demonstrase, a seguir, a retificação do lançamento em decorrência da alteração do valor da omissão de rendimentos provenientes de aposentadoria e pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma: Ante o exposto, voto por julgar improcedente a impugnação e por retificar, de ofício, o valor da omissão de rendimentos. Fl. 257DF CARF MF 8 Do Recurso Voluntário O RECORRENTE, devidamente intimado da decisão da DRJ, conforme aviso de fl. 186, apresentou o recurso voluntário de fls. 191/212 em 22/11/2011. Em sede de Recurso Voluntário, alegou em sede de preliminar, cerceamento do direito de defesa pela menção a dispositivos não aplicáveis ao caso e quanto ao mérito: a) ofensa à legalidade/inconstitucionalidade da limitação à "imunidade"; b) ausência de responsabilidade, tendo em vista a presunção de que valores recebidos em decorrência de decisão judicial sofreriam retenção na fonte; c) recebimento de parcela do 13º de 2005, com recebimento em janeiro de 2006, declarado somente como recebido em outro exercício (regime de caixa ou de competência); d) exclusão de dependentes deve ser acompanhada da exclusão dos rendimentos; e) multa abusiva e o cômputo de juros segundo a SELIC. Este recurso compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Relator Douglas Kakazu Kushiyama O Recurso interposto pelo contribuinte é tempestivo e, portanto, dele conheço. A preliminar arguída não merece prosperar, tendo em vista que o contribuinte pode se defender, ainda que tenha sido mencionado dispositivo de lei não aplicável ao caso, de modo que não influi na descrição da infração, nem no valor cobrado. Com relação à limitação da imunidade arguída, é importante esclarecer que a mencionada imunidade foi retirada por meio da Emenda Constitucional nº 20/1998. Entretanto, não é só por isso, cabe destacar que é devido o imposto de renda à medida que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, não importando, para sua incidência, "a denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou Fl. 258DF CARF MF Processo nº 15983.001341/200819 Acórdão n.º 2201004.662 S2C2T1 Fl. 255 9 nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção" (Lei n.º 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, artigo 43; e artigos 2.º e parágrafo 2.º; e 43 do Decreto n.º. 3.000, de 26 de março de 1999 Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999). Enuncia o citado artigo 43 do RIR/1999, que trata dos rendimentos tributáveis: Lei nº 5.172/66 Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (grifamos) ___________________________ RIR/1999 Art. 43. São tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens percebidos, tais como (Lei n.º 4.506, de 1964, art. 16, Lei n.º 7.713, de 1988, art. 3.º, § 4.º, Lei n.º 8.383, de 1991, art. 74, e Lei n.º 9.317, de 1996, art. 25, e Medida Provisória n.º 1.76955, de 11 de março de 1999, arts. 1.º e 2.º): I salários, ordenados, vencimentos, soldos, soldadas, vantagens, subsídios, honorários, diárias de comparecimento, bolsas de estudo e de pesquisa, remuneração de estagiários; (...). São tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens percebidos, e demais verbas que, embora recebam uma denominação diferenciada, possuem a mesma natureza daquelas mencionadas. Em complemento aos argumentos expostos, em razão da universalidade, prevista no artigo 153, § 2º, da Constituição Federal: Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: (...) III renda e proventos de qualquer natureza; (...) Fl. 259DF CARF MF 10 § 1º É facultado ao Poder Executivo, atendidas as condições e os limites estabelecidos em lei, alterar as alíquotas dos impostos enumerados nos incisos I, II, IV e V. § 2º O imposto previsto no inciso III: I será informado pelos critérios da generalidade, da universalidade e da progressividade, na forma da lei; Sendo assim, a regra é a universalidade, ou seja, todas as rendas deverão ser oferecidas à tributação. Entretanto, a regra comporta exceções, como por exemplo, a retenção na fonte. Portanto, não havendo a informação de retenção do imposto na fonte, o Recorrente deveria oferecer os valores à tributação, restando configurada a omissão de rendimentos, como foi feito nos presentes autos. Neste sentido, temos o disposto na Súmula CARF nº 12: Súmula CARF nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Diante da solar clareza do enunciado, não merece maiores detalhes. Com relação ao pagamento do 13º do ano de 2005 apenas em janeiro de 2006, não assiste razão à Recorrente. Apesar da explanação no recurso voluntário, verificase que os rendimentos são de outra natureza, de modo que não prosperam as alegações. Ademais, quanto a este tópico transcrevo trecho da decisão recorrida que tratou desta questão: No que se refere à apuração de omissão de rendimentos pagos pelo Instituto Educacional Luzwell, no valor de R$ 3.067,23, com IRRF de R$ 233,08 e contribuição previdenciária oficial de R$ 293,49, o recibo de pagamento de salário de fl. 139, relativo à competência dezembro/2005 (pago em janeiro de 2006, de acordo com a DIRF de fl. 60), comprova que não se trata de valor relativo ao décimo terceiro salário, como alega o impugnante, mas sim dos seguintes vencimentos: "substituição", "salário tarefa", "aulas do tit", "descanso sem rem", "produtividade aula", "aulas de dp" e "adicional noturno". Nestes termos, não procedem as alegações do Recorrente. Quanto à alegação a respeito da exclusão de dependentes, melhor sorte não assiste ao recorrente. Diante da clareza da decisão proferida pela DRJ, peço vênia para transcrever os trechos que trataram deste tópico para negar provimento....: Fl. 260DF CARF MF Processo nº 15983.001341/200819 Acórdão n.º 2201004.662 S2C2T1 Fl. 256 11 Em outro trecho: Logo, não merecem prosperar as alegações. Com relação à multa e os juros à taxa SELIC, apesar de não constarem da impugnação, o Recorrente inovou trazendo esta matéria apenas em sede de recurso. Entretanto, para que não pairem dúvidas a respeito desta questão, aplicável ao caso a Súmula CARF nº 4: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Sendo assim, aplicável a SELIC ao crédito tributário objeto dos presente autos. Conclusão Em razão do exposto, voto por negar provimento, ao recurso voluntário. Fl. 261DF CARF MF 12 (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Relator Fl. 262DF CARF MF
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