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Numero do processo: 13839.000108/2005-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2003
Ementa:
VALE-TRANSPORTE. SERVIÇOS. DELEGAÇÃO. INGRESSOS NÃO DEFINITIVOS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO.
Os ingressos não definitivos e que não representam qualquer elemento positivo no patrimônio do contribuinte, correspondentes aos valores de face dos vales-transporte recebidos dos seus clientes (empregadores que fornecem o benefício do vale-transporte a seus empregados), que serão depois repassados às empresas operadoras do sistema de transporte coletivo público, não integram a sua receita bruta para fins de incidência do PIS/Pasep. No caso, a receita bruta tributável da contribuição social para o contribuinte, que possui delegação para distribuição dos vales-transporte e presta serviços a ela vinculados, corresponde ao preço do serviço prestado aos seus clientes.
Recurso Voluntário provido.
Numero da decisão: 3402-003.239
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Sustentou pela recorrente a Dra. Cláudia Fonseca Morato Pavan, OAB/SP 144.992-B.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2003 Ementa: VALETRANSPORTE. SERVIÇOS. DELEGAÇÃO. INGRESSOS NÃO DEFINITIVOS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. Os ingressos não definitivos e que não representam qualquer elemento positivo no patrimônio do contribuinte, correspondentes aos valores de face dos valestransporte recebidos dos seus clientes (empregadores que fornecem o benefício do valetransporte a seus empregados), que serão depois repassados às empresas operadoras do sistema de transporte coletivo público, não integram a sua receita bruta para fins de incidência do PIS/Pasep. No caso, a receita bruta tributável da contribuição social para o contribuinte, que possui delegação para distribuição dos valestransporte e presta serviços a ela vinculados, corresponde ao preço do serviço prestado aos seus clientes. Recurso Voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Sustentou pela recorrente a Dra. Cláudia Fonseca Morato Pavan, OAB/SP 144.992B. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 01 08 /2 00 5- 12 Fl. 2657DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas/SP, que julgou procedente o lançamento. Trata o processo de auto de infração, relativo aos períodos de apuração mensais compreendidos entre os meses de janeiro de 2000 e dezembro de 2003, com ciência pela contribuinte em 25/02/2005, para a exigência de PIS/Pasep, multa de ofício e juros de mora, sobre os valores de vales/cartões/cupons recebidos pela contribuinte de seus clientes, no montante total de R$19.317.524,22, calculado até 31/01/2005. Constatou a fiscalização que a contribuinte não gozaria da posição de mero intermediário, já que faturaria diretamente contra seus clientes e, por outra, os emissores dos vales/cartões/cupons faturariam diretamente contra a contribuinte. Ademais, por falta de regulamentação, não socorreria a contribuinte o art. 3°, § 2°, inciso III, da Lei n° 9.718/98, ora revogado, que dispunha sobre a exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins dos valores que, computados como receita, tivessem sido transferidos a outra pessoa jurídica. Além disso, da análise da documentação apresentada pela contribuinte, concluiu a fiscalização pela ausência de prova quanto à efetividade de ingresso de numerário na conta caixa, eventualmente decorrente de contratos de mútuo, reputando o valor de R$883.022,10 como saldo credor da conta caixa, fato auxiliar para a incidência da presunção legal de omissão de receita prevista no art. 40, inciso I da Lei n° 9.430/96, resultando na exigência de IRPJ e reflexos (CSLL, PIS/Pasep e Cofins) no processo nº 13839.000107/2005 60. Cientificada da autuação, a contribuinte apresentou impugnação alegando, em síntese: i) Não realizaria operação de compra e venda dos vales/cartões/cupons, agindo mais como agente facilitador da distribuição dos vales transportes, numa combinação de atribuições próprias da intermediação, do mandato e da comissão. ii) Só existiria receita quando o ingresso de numerário no patrimônio se fizesse de modo definitivo. Receita seria elemento novo e positivo no patrimônio, circunstância não ocorrente respeitante ao objeto "ValeTransporte", certo que o tanto quanto repassado pelos seus clientes para a cobertura do preço de determinada quantidade de "ValeTransporte" é exatamente o tanto quanto que ele, contribuinte, repassaria aos emissores de ditos "Vale Transporte". iii) Se receita existe, quem a experimenta seriam tão só as empresas concessionárias de serviço público de transporte coletivo quando do momento da prestação do respectivo serviço. iv) A tributação, a titulo de Contribuição ao PIS e de Cofins, da totalidade do numerário proveniente de seus clientes (aquele correspondente ao valor de face dos "Vale Transporte" mais aquele remuneratório do serviço que presta), levaria ao desrespeito da Fl. 2658DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 13839.000108/200512 Acórdão n.º 3402003.239 S3C4T2 Fl. 2.658 3 capacidade contributiva, da utilização de tributo com efeito de confisco e ofensa ao principio da razoabilidade. Mediante o Acórdão DRJ/CPS N° 9.357, de 10 de maio de 2005, foi julgado procedente o lançamento, em síntese, sob os seguintes argumentos: No escopo do sistema de transporte coletivo público, a circulação dos vales transporte compreende: [1] o operador do sistema, que é obrigado por lei a emitir e a comercializar ditos valestransporte; [2] o empregador, que é obrigado por lei a adquirir os valestransporte; e [3] o empregado, que é obrigado por lei a usar os valestransporte exclusivamente para bancar suas despesas de transporte compreensivas do trajeto residência trabalho residência. Terceiro que se posta entre o operadoremissor e o empregador, assim o faz de modo voluntário (não ex lege) e, obviamente, segundo a perspectiva de mercado, focado na produção, distribuição e consumo da mercadoria "valetransporte". O valetransporte só pode não ser considerado mercadoria entre os agentes intervenientes do sistema de transporte coletivo público, já que a Lei n° 7.418/85 é tendente a descaracterizar, nesse restrito âmbito, o ato de transferência do valetransporte como substrato de uma possível compra e venda. Portanto, com respeito aos valestransporte, terceiro estranho ao sistema de transporte público coletivo opera com compra e venda e a sua receita, tributável pelo PIS/Pasep, corresponde ao total de ingresso de numerário que percebe para fazer frente, justamente, ao custo de aquisição dos "valestransporte", a outras despesas próprias ao seu serviço e, certamente, a alguma margem de lucro adventícia. Tendo sido cientificada dessa decisão em 30/05/2005, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 28/06/2005, alegando, em síntese: DO CERCEAMENTO DE DEFESA O Acórdão proferido pela DRJ/CPS deixou de apreciar a matéria arguída pela Recorrente no Parecer que acompanhou a Impugnação, relativa ao conceito de receita para fins de incidência do PIS, à luz da materialidade desta contribuição (art. 195, I, b e 239 da CF) e dos princípios da capacidade contributiva, não confisco e da razoabilidade, eis que a Recorrente não pôs em dúvida a validade de qualquer das normas jurídicas em que a autuação se fundamentou. Conforme demonstrado no Parecer juntado, a recorrente limitouse a demonstrar que a atividade exercida pela Recorrente corresponde à prestação de serviços de gerenciamento de vale transporte e não à compra e venda mercantil, como pretendeu a fiscalização. Valetransporte não é mercadoria, seja quando "distribuído" por agente do sistema de transporte público, seja quando "distribuído" por terceiro Pretendem os d. Julgadores de 1° instância, data venia, de forma totalmente equivocada, que a assertiva de que o valetransporte não é mercadoria, não seja aplicável à Recorrente, sendo somente válida para os agentes intervenientes do sistema coletivo de transporte público, do qual a Recorrente não faria parte, eis que estaria voluntariamente atravessando aquele sistema para revender valestransportes. No entanto, a natureza jurídica de Fl. 2659DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 4 um bem ou direito, no caso o valetransporte é apenas uma, não podendo ser alterada ou variar dependendo das partes envolvidas na relação jurídica. O valetransporte instituído pela Lei nº 7.418/85 está longe de ser uma mercadoria, eis que representa, em sua essência, o direito do trabalhador ao serviço de transporte público no percurso residênciatrabalhoresidência. O exercício desse direito só pode ocorrer na relação jurídica de transporte, e pelo titular do respectivo direito, o trabalhador. A atividade exercida pela Recorrente e sua função delegada no âmbito do sistema de transporte público Conforme já demonstrado na Impugnação, a atividade da Recorrente consiste na prestação de serviços de operacionalização, por delegação, da distribuição do beneficio de valestransporte, conforme previsto na Lei n° 7.418/85 e no Decreto n° 95.247/87 acima mencionados. Os artigos 5º e 6° da Lei n° 7.418/85 prevêem a delegação de funções das operadoras do sistema de valestransporte (Companhia do Metrô e SPTrans) a terceiros. No presente caso, a atribuição de "distribuir" valestransporte foi delegada pelas empresas operadoras à Recorrente, através do Termo de Permissão no 4006928104, outorgado pela Companhia do Metrô, e do Termo de Credenciamento para Distribuição de ValesTransporte celebrado com a SPTrans. Portanto, a Recorrente não é terceiro estranho ao sistema de transporte público, eis que atua na condição de permissionária junto às companhias emissoras de valestransporte (Companhia do Metrô e SPTrans), com a atribuição delegada de "distribuir" valestransporte às empresas empregadoras. Os Acórdãos 10193.683, 10321076 e 10193.741 abraçaram integralmente a tese aqui sustentada pela Recorrente. A atividade da Recorrente no entendimento da própria SRF é de prestação de serviço sujeita ao PIS somente sobre o valor das comissões art. 14 da IN 306/03, ADI 06/04 e art. 17 da IN 480/04 O Ato Declaratório lnterpretativo SRF nº 6, de 25 de março de 2004, no que diz respeito à norma estabelecida pelo art. 14 da Instrução Normativa SRF n° 306, de 12/03/2003, esclareceu que tal regra (i.e. no pagamento por valetransporte, a base de cálculo do PIS e da COFINS é apenas o valor da comissão ou corretagem), aplicase somente às "vendas" efetuadas por intermediárias, sejam elas vinculadas ou não à prestadora do serviço de transporte. O ADI SRF n° 06/04 deixa claro que a base de cálculo do PIS e da COFINS, em relação aos valores pagos pelas empresas da administração pública a uma intermediária (tal como a Recorrente) pelo fornecimento de valestransporte adquiridos junto às empresas emissoras destes vales, é apenas e tão somente o valor da comissão ou corretagem paga pelas empresas empregadoras pela respectiva prestação de serviço. O art. 17 da IN SRF 480/04 estabelece as mesmas regras que o antigo art. 14 da IN SRF 306/03, agregando a elas as normas de interpretação da SRF constantes do ADI SRF n° 06/04. Das normas editadas pela SRF acima descritas, extraise que, se a Recorrente fornecesse valestransporte para uma empresa pública federal, ela sofreria retenção do PIS exclusivamente sobre o valor da comissão ou corretagem paga pela prestação de serviços de aquisição, envelopamento individualizado e entrega dos valestransporte. Fl. 2660DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 13839.000108/200512 Acórdão n.º 3402003.239 S3C4T2 Fl. 2.659 5 No caso exato da Recorrente, ela presta os mesmos serviços de aquisição, envelopamento e entrega de valestransporte, mas para empresas do setor privado. Registrese que a atividade exercida pela Recorrente é a mesma, seja quando destinada a empresas públicas, seja quando destinada a empresas privadas, nada há de diferente. Em outras palavras, não é razoável sustentar que a natureza da atividade e a base de cálculo da contribuição ao PIS sejam alteradas pelo fato de o adquirente do valetransporte ser uma empresa pública ou uma empresa privada. As autoridades julgadores têm o dever de seguir as normas e entendimentos da SRF expressos em atos tributários As autoridades julgadoras têm o dever de seguir o entendimento da SRF expresso em atos tributários, conforme reconhece o próprio Acórdão recorrido. Conceito jurídico de receita O que não se subsume ao conceito de receita não pode ser tributado pela contribuição social sobre o faturamento. Nem todos os valores que transitam pelo caixa da pessoa jurídica são receitas, sendo unânime na doutrina o entendimento no sentido de que receitas são apenas as entradas que modificam o patrimônio da pessoa jurídica, incrementando tal patrimônio. No presente caso, os valores recebidos pela Recorrente relativos ao valor de face dos valestransportes adquiridos por seus clientes não incrementam ou representam qualquer elemento positivo no patrimônio da Recorrente, mas sim no patrimônio das prestadoras de serviço de transporte público, que ao final fazem o resgate do valor dos vales. No caso da recorrente, embora exista ingresso de valores em conta de ativo circulante da empresa, valores estes entregues por seus clientes e posteriormente repassados às operadoras do sistema de transporte público, tais valores não se incorporam ao patrimônio da Impugnante e sequer representam um incremento positivo liquido no seu patrimônio. Isto porque, o ingresso dos recursos dos clientes em seu ativo tem como contrapartida a obrigação de fornecer valestransporte aos próprios clientes, contabilizada no passivo da empresa. Não há qualquer efeito positivo liquido sobre o patrimônio da Impugnante. Tratandose especificamente de valestransporte, a receita, no sentido técnicojurídico da expressão, será das empresas transportadoras, quando prestam o serviço de transporte das pessoas e que recebem do público transportado os valestransporte em pagamento das viagens. A atividade remunerada que produz a receita é o transporte público. O meio de pagamento desse transporte só pode ser o valetransporte. Só há que se falar em auferimento de receita para a empresa prestadora do serviço de transporte público, quando do efetivo serviço de transporte, pago com a apresentação pelo usuário dos respectivos valestransporte. É a empresa transportadora que na verdade irá auferir receita (e não a Recorrente!), pois ela é quem faz o transporte pago com os vales. A Recorrente, conforme já exaustivamente comprovado, apenas repassa os valores (e não receitas!) entregues por seus clientes no âmbito da delegação expressamente prevista pela Lei n° 7.418/85. Esse inclusive é o entendimento do E. Primeiro Conselho de Contribuintes, a exemplo das inúmeras decisões administrativas transcritas pela Recorrente em sua Impugnação. Fl. 2661DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 6 Decisões de PIS e COFINS relativas à empresa Blue Card Refeições Convênio S/C Os d. Julgadores de 1ª Instância administrativas mencionam no Acórdão recorrido as decisões proferidas por este E. Segundo Conselho de Contribuintes nos autos dos processos 10882.002396/200194 e 10882.002394/200103, relativos a exigências autônomas de PIS e COFINS contra a empresa Blue Cards Refeições Convênio S/C. Ressaltase, contudo, a matéria discutida nos referidos processos administrativos referese à aplicabilidade do já revogado artigo 3°, inciso III da Lei n° 9.718/98, que permitia à pessoa jurídica excluir da receita bruta "valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". Ocorre que a discussão travada pela Recorrente no presente caso não diz respeito ás disposições do artigo 3°, inciso III da Lei n° 9.718/98. Tal dispositivo legal não se aplica ao presente caso posto que a Recorrente sequer auferiu receita, quanto menos computou algum valor como tal. Mediante a Resolução nº 340200.035 — 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 17 de setembro de 2009, em face de questões atinentes à competência da 3ª Seção de Julgamento, decadência e à natureza das receitas tributadas, converteu o julgamento em diligência para que a autoridade lançadora esclarecesse: a) se as folhas processuais mencionadas no Termo de Verificação Fiscal de fls. 24 a 41 são mesmo do processo relativo ao IRPJ (n° 13839.000107/200560) promovendo, nesse caso, a juntada do Termo lá redigido que indique a exigência lá efetuada; b) se houve algum recolhimento por parte da empresa nos meses de janeiro e fevereiro de 2000 da contribuição aqui exigida. c) a completa composição das bases de cálculo que embasaram os valores exigidos, discriminando as contas que a integraram. Mediante o Relatório Fiscal das efls. 1007/1008, a autoridade fiscal juntou documentos da ação fiscal e esclareceu, em síntese, que: a) O presente auto de infração baseiase em elementos de prova diversos daqueles presentes no processo relativo ao IRPJ (13839.000107/200560), não se tratando de lançamento reflexo, apesar de haverem como origem a mesma ação fiscal. b) Não constam recolhimentos da contribuinte de PIS/Cofins no período compreendido entre janeiro de 2000 a fevereiro de 2000. c) A autuação teve como base de cálculo valores escriturados nas contas "121100001", "121100002" e "121100003" do Ativo Circulante, os quais não foram oferecidos à tributação no tocante às contribuições do PIS e Cofins. Os lançamentos dessas contas constam nas fls. 486/581 e as planilhas de apuração das contribuições nas fls. 582/585 (numeração original no processo em papel). Em sua manifestação em face da diligência, contestou a contribuinte a afirmação da autoridade fiscal sobre a ausência de recolhimentos nos meses de janeiro e fevereiro de 2000, conforme demonstram as cópias juntadas de Darf´s e DCTF no período, Fl. 2662DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 13839.000108/200512 Acórdão n.º 3402003.239 S3C4T2 Fl. 2.660 7 afirmando que efetuou tais pagamentos utilizando como base de cálculo o valor da taxa de administração dos serviços prestados aos seus clientes. Mediante a Resolução nº 3402000.566 – 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 20 de agosto de 2013, o julgamento foi convertido em diligência para que se verificasse a autenticidade dos recolhimentos acostados aos autos. Conforme Relatório Fiscal das efls. 1080/1082, os pagamentos apontados pela recorrente foram localizados em consulta ao sistema SINAL08, informandose dessa vez o código da DRF/Barueri. A recorrente manifestouse pela concordância com o Relatório Fiscal. O Colegiado entendeu pela necessidade de outra diligência, pela Resolução nº 3402000.645 – 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 23 de abril de 2014, nos termos abaixo, vez que, para a recorrente fazer jus ao tratamento isonômico dado às entidades da administração pública, se faria necessário o cumprimento de requisitos específicos, os quais não estavam comprovados nos autos: (...) Diante desta perspectiva, nos termos do art. 29 do Decreto nº 70.235/72, voto por converter o julgamento em diligência para que o órgão de origem intime o recorrente a apresentar: a) Os contratos celebrados entre 01/01/2000 e 31/12/2003, cujo objeto seja de corretagem ou comissão sobre a venda de vales transporte; b) Os pedidos de compra dos valestransporte feitos pelos clientes da recorrente; c) Comprovantes dos valores recebidos dos clientes para aquisição dos vales transporte; d) Comprovantes dos valores pagos as empresas emissoras dos valestransporte; e e) As notas fiscais emitidas pela recorrente que conste a discriminação dos serviços prestados aos seus clientes. De posse destes documentos, que seja produzido relatório conclusivo que ateste:1) A natureza dos contratos celebrados pela recorrente com seus clientes; 2) Se o valor do pedido confere com o valor repassado pelo cliente e com o valor pago às emissoras dos valestransporte; e 3) Se há destaque em todas as notas fiscais emitidas pelo recorrente para seus clientes do valor da corretagem ou da comissão recebida pelos serviços prestados. (...) No Relatório Fiscal das efls. 2629/2630, a fiscalização juntou a documentação solicitada e esclareceu que: Fl. 2663DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 8 A recorrente apresentou manifestação, aduzindo, em síntese: A documentação acostada comprova a vocação empresária da recorrente na prestação de serviços de administração de benefícios, distribuição e logística, bem como a perfeita separação dos recursos recebidos entre valores de face (repassados aos órgãos emissores) e os valores correspondentes às receitas de serviço (receita da VB Serviços). A diferença entre os valores recebidos e os repassados é insignificante, no montante de 0,027% entre os itens distribuídos aos clientes e os adquiridos nos emissores, conforme memória de cálculo anexa. Na resposta ao quesito 1 formulado pelo CARF, o agente fiscal confirmou a natureza de contratos de prestação de serviços, entre a VB e seus clientes, de corretagem ou comissão, o que demonstra a insubsistência do auto de infração, segundo a qual a Recorrente desempenharia a atividade de compra e venda mercantil. Também, na resposta ao quesito 3, foi confirmado que há destaque no valor da taxa de operacionalização dos valestransportes, preenchendo outro requisito para o tratamento isonômico com as entidades que prestam serviços à administração pública, de forma a permitir a adoção da base de cálculo correspondente ao valor da corretagem ou comissão cobrada pela pessoa jurídica prestadora. Embora a resposta ao quesito 2 tenha sido negativa, tratase de mera presunção. Ademais, há impossibilidade material de sua ocorrência, pois o comportamento descrito pelo AuditorFiscal é vedado pelas companhias emissoras dos valestransporte, constando essa vedação de cláusula expressa no Termo de Permissão e nos contratos que credenciam a Recorrente para a aquisição dos bilhetes. No caso presente, o valetransporte, pela sua natureza, não pode ser visto como mercadoria, tratandose de um documento representativo de um crédito, materializando um direito de acesso ao transporte público a quem o detiver. Fl. 2664DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 13839.000108/200512 Acórdão n.º 3402003.239 S3C4T2 Fl. 2.661 9 Sob o aspecto subjetivo, nem a emissora dos vales, nem a Recorrente, nem os seus clientes participam da operação de aquisição dos valestransporte na condição de comerciante, ou seja, para revendêlo, auferindo lucro. Pelo contrário, o valor dos vales corresponde com rigor ao valor da tarifa oficial, sendo vedados descontos ou acréscimos. Também não seria razoável considerar que a variação do preço público pudesse ensejar "lucro na venda de bilhetes de transporte" vislumbrada no Relatório Fiscal. Por tudo isso, o Relatório atesta o preenchimento pela Recorrente dos requisitos que, segundo o CARF, asseguram o mesmo tratamento dispensado às empresas que prestam serviços à Administração Pública, pelo que requer, com base no disposto nas Instruções Normativas nºs 306/2003 e 1540/2015, recém editada, o provimento do recurso. É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Decadência: Conforme esclarece o Voto condutor do Relator Manoel Coelho Arruda Junior no Acórdão nº 9202003.589– 2ª Turma da CSRF, de 03 de março de 2015, a questão sobre a aplicação do art. 173, I do CTN ou do art. 150, §4º do CTN nos tributos sujeitos a lançamento por homologação já se encontra resolvida pela aplicação do entendimento do STJ no julgamento do recurso repetitivo REsp 973.733/SC, de aplicação obrigatória pelos membros do CARF: (...) Ocorre que este Código prevê a aplicação de duas regras, aparentemente conflitantes, tomando a primeira como termo inicial o pagamento indevido (art. 150, §4º), e a segunda o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado (art. 173, I). Cumpre transcrever os referidos dispositivos legais: (...) Harmonizando as normas acima transcritas, o Superior Tribunal de Justiça esclareceu a aplicação do art. 173 para os casos em que o tributo sujeitarse a lançamento por homologação: 1) Quando não tiver havido pagamento antecipado; 2) Quando tiver ocorrido dolo, fraude ou simulação; 3) Quando não tiver havido declaração prévia do débito. Cumpre transcrever o acórdão prolatado em sede de Recurso Especial representativo da controvérsia: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Fl. 2665DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 10 INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). (...) 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009). No voto lavrado no referido REsp 973.733/SC, foi transcrito entendimento firmado em outros julgamento (REsp 766.050∕ PR, Rel. Ministro Luiz Fux, DJ 25.02.2008), que limitam a aplicação do art. 150, §4º do CTN às hipóteses que tratam de tributo sujeito a lançamento por homologação, "quando ocorrer pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias". Assim, no caso sob análise, no qual não se verificou dolo, fraude ou simulação, e confirmouse pagamentos da contribuinte relativos ao mês de janeiro e fevereiro Fl. 2666DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 13839.000108/200512 Acórdão n.º 3402003.239 S3C4T2 Fl. 2.662 11 de 2000 (penúltima diligência efls. 1080/1082), é aplicável o art. 150, §4º do CTN para a contagem do prazo de decadência de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. Dessa forma, considerando que a contribuinte foi cientificada da autuação em 25/02/2005, deve ser exonerada a parcela do crédito tributário relativa a fatos geradores ocorridos até 25/02/2000, mais precisamente, somente a parte relativa ao fato gerador de 31/01/2000, conforme se vê dos itens mais remotos do auto de infração abaixo transcritos: "DO CERCEAMENTO DE DEFESA" Improcede a alegação de cerceamento de defesa na decisão recorrida. Embora o julgador de primeira instância não tenha conhecido de matéria que julgou ser atinente à constitucionalidade das leis que fundamentaram a autuação, ele expôs os fundamentos suficientes para o enquadramento das operações da contribuinte como receitas tributáveis pelo PIS/Pasep segundo o seu próprio entendimento. É cediço que, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, o julgador não é obrigado a rebater todos os argumentos trazidos pela parte, conforme entendimento assentado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ, REsp nº 902010/DF, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 15/12/2008). No caso, entendeu o julgador a quo, em síntese, que as operações seriam de compra e venda de valestransporte, eis que a contribuinte seria terceiro estranho ao sistema de transporte público coletivo, sendo a receita bruta correspondente (ingresso total de numerário) tributável pelas contribuições sociais, não prosperando, a seu ver, a tese da impugnante de que as operações seriam de prestação de serviços de gerenciamento de valetransporte. Do mérito Conforme exposto no Termo de Verificação Fiscal, entendeu a fiscalização que os valores constantes nas contas do Ativo Circulante abaixo integrariam a receita bruta, sendo, portanto, sujeitos a tributação do PIS/Pasep, relativamente às operações de compra e venda dos valestransporte: Fl. 2667DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 12 (...) Entendeu o AuditorFiscal autuante que a VB não adquiriria valestransporte por conta e ordem de terceiro, porque se assim fosse estaria atuando na forma de intermediação, o que não teria ocorrido, eis que a companhia emissora de vales não fatura diretamente contra o cliente da VB, mas sim contra a própria VB, que assume todo o risco e a responsabilidade pelos vales adquiridos. Dessa forma, concluiu a fiscalização que: (...) De outra parte, a contribuinte alega que atuaria como permissionária da Companhia do Metropolitano de São Paulo — Metrô e credenciada da SPTrans, empresas operadoras do sistema de transporte coletivo público, para o fim de distribuir "Vale Transporte", de forma que não comercializaria valestransporte, mas prestaria serviços, sendo inclusive cadastrada como contribuinte do ISS junto à prefeitura de Morungaba. Nessa condição, esclareceu a contribuinte na impugnação que as operações cujos valores foram tributados poderiam ser assim descritas: (a) através de um pedido via Internet feito pelo site da Impugnante, os clientes da Impugnante informam a quantidade e espécie de valestransporte que desejam receber (vejam cópia de pedido exemplificativo doc. 3); Fl. 2668DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 13839.000108/200512 Acórdão n.º 3402003.239 S3C4T2 Fl. 2.663 13 (b) com base no pedido recebido pelo site, a Impugnante calcula e informa ao cliente o valor correspondente (i) a tarifa pública vigente dos valestransporte, multiplicada pela quantidade de vales solicitada pelo cliente; e (ii) a taxa cobrada pela Impugnante pelos serviços de compra, envelopamento individualizado dos vales por usuário, seguro e entrega dos valestransporte aos clientes; (c) o cliente faz então uma transferência bancária eletrônica ("DOC") em favor da Impugnante, no valor calculado pela tarifa pública e pela taxa de serviço (vejam cópia de DOC exemplificativo doc. 4), o qual é registrado a débito em conta de ativo circulante (Banco) da lmpugnante, tendo como contrapartida (i) o lançamento a crédito em conta de passivo circulante (Adiantamento de Clientes), pelo valor recebido para aquisição dos valestransporte pela tarifa pública então vigente (b.i acima) e (ii) o lançamento a crédito em conta de resultado, correspondente à receita de prestação de serviço, pelo valor da taxa de serviços de compra, envelopamento individualizado por usuário, seguro e entrega dos valestransporte ao cliente (b.ii acima); (d) após receber o DOC de seus clientes, a Impugnante repassa à empresa emissora de valestransporte (Companhia do Metrô e SPTrans) o valor recebido correspondente à tarifa pública vigente, multiplicada pela quantidade de valestransportes solicitados no pedido do cliente (b.i acima). (e) mediante o recebimento do valor correspondente à tarifa pública então vigente, a empresa emissora dos valestransporte (Companhia do Metrô ou SPTrans) emite Recibo em favor da Impugnante (vejam Recibo exemplificativo doc. 5), pelo valor recebido, e entrega os valestransporte à Impugnante; (f) recebidos os valestransportes das emissoras, e após o envelopamento individualizado dos mesmos, é feita a entrega dos valestransporte aos clientes, com a emissão da nota fiscal de serviços também individualizada (vejam Nota Fiscal exemplificativa doc. 6), pondo fim à operação. A nota fiscal discrimina os valestransporte entregues aos clientes, com o respectivo valor de face, e discrimina a taxa de serviço cobrada dos clientes, pelos serviços prestados. Dessa forma, segundo a contribuinte, os valores objeto de tributação seriam aqueles recebidos de seus clientes (empregadores), correspondente à tarifa vigente dos vales transportes solicitados, os quais repassa diretamente às emissoras de valestransporte e operadoras do sistema de transporte coletivo público. Assim, tais ingressos não permanecem no ativo circulante nem representam qualquer incremento ou acréscimo patrimonial positivo para a empresa, sendo que somente os ingressos correspondentes a taxa de serviços cobrada dos clientes é que permanece com a contribuinte, caracterizando, essa sim, sua receita própria, oferecida regularmente a tributação. No recurso voluntário, a recorrente sustenta o entendimento de que os valores autuados não integrariam a receita bruta, essencialmente, nos seguintes pontos: a) vale Fl. 2669DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 14 transporte não é mercadoria; b) exerce prestação de serviços de operacionalização, por delegação, da distribuição do beneficio de valestransporte, conforme previsto na Lei n° 7.418/85 e no Decreto n° 95.247/87; c) a base de cálculo das contribuições seria somente o valor da comissão ou corretagem (art. 14 da IN 306/03, ADI 06/04 e art. 17 da IN 480/04); d) os valores recebidos pela recorrente relativos ao valor de face dos valestransportes adquiridos por seus clientes não incrementam ou representam qualquer elemento positivo no seu patrimônio e, logo, não podem ser considerados receita; e, por fim, e) a questão sob litígio não envolve a transferência de valores computados como receita a outra pessoa jurídica (art. 3°, inciso III da Lei n° 9.718/98, revogado sem regulamentação), vez que a recorrente não auferiu esses valores como receita, nem tampouco os computou como tal. Conforme se depreende dos autos, a recorrente exerce as atividades de relativas às operações objeto de autuação em conformidade com a delegação dada pelo art. 5º da Lei nº 7.418/85, abaixo transcrito: Art. 5º A empresa operadora do sistema de transporte coletivo público fica obrigada a emitir e a comercializar o Vale Transporte, ao preço da tarifa vigente, colocandoo à disposição dos empregadores em geral e assumindo os custos dessa obrigação, sem repassálos para a tarifa dos serviços. (Renumerado do art . 6º, pela Lei 7.619, de 30.9.1987) (...) § 2º Fica facultado à empresa operadora delegar a emissão e a comercialização do ValeTransporte, bem como consorciarse em central de vendas, para efeito de cumprimento do disposto nesta Lei. § 3º Para fins de cálculo do valor do ValeTransporte, será adotada a tarifa integral do deslocamento do trabalhador, sem descontos, mesmo que previstos na legislação local. [grifei] O Decreto nº 95.247/87, que traz a regulamentação para o valetransporte, dispõe também sobre a proibição de repassar os custos de operacionalização ao valor da tarifa do valetransporte, mesmo que a sua operacionalização se faça por meio de empresa delegada, e outras regras a serem obedecidas por esta empresa: Art. 14. A empresa operadora do sistema de transporte coletivo público fica obrigada a emitir e comercializar o ValeTransporte ao preço da tarifa vigente, colocandoo à disposição dos empregadores em geral e assumindo os custos dessa obrigação, sem repassálos para a tarifa dos serviços. § 1° A emissão e a comercialização do ValeTransporte poderão também ser efetuadas pelo órgão de gerência ou pelo poder concedente, quando este tiver a competência legal para emissão de passes. § 2° Na hipótese do parágrafo precedente, é vedada a emissão e comercialização de ValeTransporte simultaneamente pelo poder concedente e pelo órgão de gerência. § 3° A delegação ou transferência da atribuição de emitir e comercializar o ValeTransporte não elide a proibição de repassar os custos respectivos para a tarifa dos serviços. Fl. 2670DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 13839.000108/200512 Acórdão n.º 3402003.239 S3C4T2 Fl. 2.664 15 Art. 15. Havendo delegação da emissão e comercialização de ValeTransporte, ou constituição de consórcio, as empresas operadoras submeterão os respectivos instrumentos ao poder concedente ou órgão de gerência para homologação dos procedimentos instituídos. Art. 16. Nas hipóteses do artigo anterior, as empresas operadoras permanecerão solidariamente responsáveis com a pessoa jurídica delegada ou pelos atos do consórcio, em razão de eventuais faltas ou falhas no serviço. Assim, como a contribuinte exerce a sua atribuição por delegação do operador do sistema de transporte público coletivo, estando sujeita às restrições legais e regulamentares para operar com os valestransporte, não se poderia dizer, como afirmado pela decisão recorrida, que a contribuinte seria um terceiro elo estranho ao próprio sistema de transporte público coletivo que aderiria voluntariamente ao sistema e, por isso, ainda que se admitisse que os valestransporte não se caracterizassem como bens negociáveis, tal predicado não mais subsistiria com a entrada da contribuinte no sistema. Por certo, a natureza jurídica dos valestransporte não se altera pelo fato de serem operacionalizados antes de chegar ao seu usuário final por um terceira empresa privada, apenas porque esta recebe uma taxa de administração pela atividade por ela exercida. Os valestransportes, recepcionados nos ônibus e trens, não podem ser considerados como meras mercadorias, eis que exercem, do ponto de vista econômico, a função de meio de pagamento dos serviços de transporte prestados pelas concessionárias, atuando, por assim dizer, como uma espécie de moeda, válida exclusivamente para pagamento das passagens de transporte coletivo. Além disso, no valor de face do valetransporte não pode ser incluído qualquer valor de custo sobre a sua operacionalização. Com efeito, a contribuinte juntou aos autos declarações das empresas operadoras do sistema de transporte coletivo Metrô e SPTrans (fls. 442/448), nas quais se registrou que: a) A VB é permissionária ou credenciada para distribuir os valestransporte; b) A VB não obtém qualquer desconto ou participação no produto da venda; c) Há proibição no contrato para a formação de estoque especulativo pela VB; e d) A remuneração da VB é feita unicamente pela prestação de serviços às empresas compradoras. Conforme consta no "TERMO DE CREDENCIAMENTO PARA DISTRIBUIÇÃO DE VALESTRANSPORTE QUE ENTRE SI FIRMAM A SÃO PAULO TRANSPORTE S/A E A EMPRESA VB SERVIÇOS, COMÉRCIO E ADMINISTRAÇÃO LTDA" (fls. 820/830): (...) CLAUSULA PRIMEIRA DO OBJETO 1.1. O objeto do presente instrumento é a distribuição, pela "CREDENCIADA", aos seus clientes, de ValesTransporte de emissão da "SPTRANS", nos formatos de papel ou de crédito eletrônico, a critério exclusivo da SPTrans. (...) Fl. 2671DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 16 2.1.5.1 A medida que os cartões forem distribuídos aos usuários, a CREDENCIADA deverá solicitar a baixa de seus estoques junto a SPTRANS. 2.1.6. É vedado à "CREDENCIADA", sob qualquer hipótese, dar outra destinação aos produtos especificados nos itens 2.1.1 e 2.1.2 entregues pela "SPTRANS", que não esteja previsto neste instrumento. (...) 4.5. Efetuar a distribuição dos ValesTransporte, no formato de papel, ao preço da tarifa vigente. 4.6. Emitir recibo, mecanicamente autenticado, no valor dos valestransporte distribuídos. 4.6.1. Para fins do disposto neste item, a "CREDENCIADA" deverá encaminhar, para conhecimento da "SPTRANS", os modelos de recibos que serão adotados. 4.6.2. Os serviços adicionais prestados pela "CREDENCIADA" a seus clientes, vinculados à distribuição dos valestransporte, serão realizados por sua exclusiva conta e risco, ficando a "SPTRANS" totalmente isenta de responsabilidades, a qualquer titulo, em relação a tais serviços. (...) CLAUSULA OITAVA DA PROIBIÇÃO DE GANHOS ESPECULATIVOS PROVENIENTES DE AUMENTOS TARIFÁRIOS 8.1 Fica vedado à "CREDENCIADA" efetuar compras de valestransporte que lhe propiciem ganhos especulativos. 8.1.1. Considerarseá ganho especulativo aquele obtido pela "CREDENCIADA" através da compra para estoques, às vésperas de aumentos tarifários, para revenda imediatamente nos primeiros dias de vigência dos novos valores dos vales transporte. 8.2. Para viabilizar a avaliação do disposto no item anterior, fica a "CREDENCIADA" obrigada a fornecer à "SPTRANS", os seguintes documentos: (...) Também consta no CONTRATO N° 4006928104 VB SERVIÇOS, COMÉRCIO E ADMINISTRAÇÃO LTDA DISTRIBUIÇÃO DE VALESTRANPORTE, SOB REGIME DE PERMISSÃO, OUTORGADA PELA COMPANHIA DO METROPOLITANO DE SÃO PAULO METRO (fls. 831/845) que: (...) CLAUSULA PRIMEIRA OBJETO O objeto do presente instrumento é a outorga pela COMPANHIA DO METRO PERMISSIONÁRIA, de Permissão a titulo precário, Fl. 2672DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 13839.000108/200512 Acórdão n.º 3402003.239 S3C4T2 Fl. 2.665 17 oneroso e não exclusivo, para distribuição de ValesTransporte que são comercializados pela COMPANHIA DO METRO, vedada sua transferência a terceiros. 1.2. A distribuição dos ValesTransporte será realizada de acordo com as disposições deste Termo de Permissão e abrangerá, sem a elas se limitar, o seguinte: 1.2.1. Retirada pela PERMISSIONARIA, por meio próprios e sem ônus para a COMPANHIA DO METRO, dos lotes de Vales Transporte, os quais deverão ser mantidos sob sua guarda e responsabilidade, e em perfeitas condições de segurança e ambientação. 1.2.2. Distribuição dos ValesTransporte junto às empresas que vierem a se utilizar dos serviços da PERMISSIONARIA para fornecimento desse beneficio. 1.2.3. Repasse para a COMPANHIA DO METRO, pela PERMISSIONARIA, dos recursos financeiros correspondentes ao somatório dos valores dos ValesTransporte distribuídos. 1.3. A PERMISSIONARIA poderá prestar serviços a seus clientes, concernentes à distribuição dos ValesTransporte, os quais serão realizados por sua conta e risco, ficando a COMPANHIA DO METRO totalmente isenta de responsabilidades, a qualquer título, em relação a tais serviços. (...) 3.3. A PERMISSIONÁRIA somente poderá solicitar lotes de ValesTransporte cujo somatório dos respectivos valores estejam dentro do valor da garantia apresentada conforme item 7.2. da Cláusula Sétima, considerando a quantidade de Vales Transporte em seu poder e configurado no estoque. (...) 3.4. Na distribuição dos ValesTransporte, a PERMISSIONÁRIA deverá considerar, dentre outros, o que segue: 3.4. 1 . Quando da distribuição dos ValesTransporte aos seus clientes, a PERMISSIONÁRIA deverá cobrar dos mesmos valor igual ao das tarifas oficiais praticadas na data de entrega dos vales, sem quaisquer descontos, com pagamento obrigatoriamente vista, na forma da legislação especifica. (...) Ademais, na última diligência efetuada, após a análise dos contratos entre a recorrente e seus clientes (empregadores que repassam os valestransporte a seus empregados), concluiu a fiscalização que: a) os contratos têm como objeto prestação de serviços, compreendendo a aquisição pela VB de valestransporte nas companhias emissoras, envelopamento individualizado por usuário e posterior entrega à empresa cliente, conforme pedidos de compra; b) o valor cobrado dos clientes corresponde ao preço total dos vales Fl. 2673DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 18 transporte acrescido da taxa de administração do serviço, cujo valor encontravase destacado nas notas fiscais analisadas. Assim, considerando as especificidades das operações da contribuinte acima apontadas, embora tais operações estejam grafadas nos documentos da contribuinte como compra e venda de valestransporte e o faturamento não tenha se dado diretamente da companhia emissora de valestransporte para o cliente da VB, entendo que não se tratam de operações de compra e venda mercantil, como sustentado na autuação e na decisão recorrida, mas de prestação de serviços atinentes a distribuição e gerenciamento de valestransporte, remunerados por uma taxa de administração. Conforme esclareceram no Parecer anexo o Dr. IVES GANDRA DA SILVA MARTINS e a Dra. FATIMA FERNANDES RODRIGUES DE SOUZA, a atividade da recorrente "corresponde a um plexo de utilidades, as quais, vistas no seu conjunto, correspondem ao gerenciamento do benefício do valetransporte para o empregador, evitando que este tenha que pessoalmente cuidar de todas as providências necessárias para sua aquisição, transporte, segurança, manuseio e distribuição individualizada, ou seja, segundo as necessidades de cada funcionário". Nessa esteira, bem aduzem os ilustres Pareceristas que o fato de a aquisição se dar em nome da recorrente "não descaracteriza sua atividade como serviço, pois essa é precisamente a natureza do contrato de comissão (espécie contratual típica do Código Comercial, prevista no art. 165 daquele Código sob o nome comissão mercantil, e hoje prevista no art. 693 da nova Lei Civil), serviço que integra o plexo de utilidades que presta ao cliente". Nesse caso, dispõe o art. 224 do RIR, que a receita bruta é o preço dos serviços prestados: Art. 224. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei nº 8.981, de 1995, art. 31). Conforme bem esclarece o Professor Minatel1, "O ingresso financeiro é um dos atributos que permitem qualificar o conteúdo material da receita, mas nem todo ingresso tem natureza de receita. É preciso caráter de definitividade da quantia ingressada e que tenha como causa o exercício de atividade empresarial". Com a sua peculiar precisão na linguagem, esclarece o Ilustre Professor a diferença entre receita e renda: Já afirmamos que receita pressupõe ingresso, no sentido de contraprestação em dinheiro recebida, por exemplo, pelo comerciante proveniente da venda de mercadorias, ou pela atividade desempenhada pelo prestador de serviços, assim como se qualificam no contexto de receita os juros que remuneram o capital transferido num contrato de mútuo. Nessa concepção, foram tomados sob o genérico rótulo de receita, por não ser demais repetir que tais eventos têm configuração instantânea de circulação de riqueza, aferível na contrapartida instantânea de cada negócio ou operação, portanto, prescindem de apuração de resultado mediante confronto com os custos correspondentes. O 1 MINATEL, José Antonio. O Conteúdo do conceito de receita. São Paulo: MP Editora, 2005. Fl. 2674DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 13839.000108/200512 Acórdão n.º 3402003.239 S3C4T2 Fl. 2.666 19 mesmo não acontece com a renda, conceito relacional, pois pressupõe avaliação técnica do efetivo resultado, num determinado período de tempo, segundo métodos e critérios predefinidos, para o que são relevantes todos os fatores inter relacionados para exteriorizálo. A distinção acima apontada é relevante ao presente caso, pois, ao não se considerar como receita bruta o ingresso que não seja definitivo, não se estaria confundindo receita com renda, como afirmou o julgador da decisão recorrida. Nesse ponto, importa citar o entendimento da autoridade fiscal na autuação de que tais ingressos, embora se caracterizassem, a seu ver, receita, não se caracterizariam renda, tendo em vista a ausência de lucro nas operações entendidas como de "compra e venda": (...) No entanto, nas lições do Professor Minatel são consideradas notas determinantes para o conceito de receita bruta, base de cálculo do PIS/Pasep, dentre outras, tanto a "definitividade de ingresso", como também a "mensuração instantânea e isolada em cada evento, abstraindose dos custos e de periodicidade para sua apuração". Assim, considerando que as operações objeto de autuação tratamse de serviços, entendo que os valores recebidos dos seus clientes e repassados às empresas operadoras do sistema de transporte coletivo público, correspondentes aos valores de face dos valestransporte, são ingressos não definitivos no patrimônio da recorrente, que também não podem ser considerados como custos desses serviços, eis que esses são remunerados pela taxa de administração. No caso, os valores originados das vendas de ValesTransporte não podem ser compreendidos no conceito de receita, tendo em vista que, ao mesmo tempo em que se verifica um aumento no ativo da empresa, ocorre também um aumento de seu passivo em idêntico valor, consistente na obrigação de resgatar os bilhetes emitidos pelos mesmos valores praticados na comercialização com os seus clientes (empregadores que repassam esses vales a seus empregados). Como afirmado pela recorrente, os valores por ela recebidos, relativos ao valor de face dos valestransporte adquiridos por seus clientes não incrementam ou representam qualquer elemento positivo no seu patrimônio, mas sim no patrimônio das prestadoras de serviço de transporte público, que ao final fazem o resgate do valor dos vales. Nessa esteira, na definição atual do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), no seu parágrafo 4.25, o ingresso deve representar um aumento do patrimônio líquido para ser considerado como receita, nesses termos: 4.25. Os elementos de receitas e despesas são definidos como segue: (a) receitas são aumentos nos benefícios econômicos durante o período contábil, sob a forma da entrada de recursos ou do Fl. 2675DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 20 aumento de ativos ou diminuição de passivos, que resultam em aumentos do patrimônio líquido, e que não estejam relacionados com a contribuição dos detentores dos instrumentos patrimoniais; (...) Cabe destacar que o art. 14 da Instrução Normativa SRF n° 306/2003 e o art. 17 da IN SRF n° 480/2004, que tratavam da tributação na fonte de PIS, Cofins e CSLL na aquisição de valestransporte e assemelhados pela Administração Pública, embora não pudessem ser aplicados às operações sob estudo, eis que a recorrente presta os serviços a empresas do setor privado, corrobora com o entendimento acima exposto, eis que reconhece que, na específica situação regulamentada, a base de cálculo para a incidência seria apenas o valor da corretagem ou da comissão destacada na Nota Fiscal de Serviço. Em vários julgados anteriores deste Conselho, abaixo transcritos, que trataram de situação bem similar ao caso presente, manifestouse entendimento no sentido acima exposto, de que os ingressos relativos ao repasse de valores dos valestransportes não se caracterizam como receita: Acórdão n° 140100.707– 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de janeiro de 2012 Recorrente VIA NOVA COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Relator: Antonio Bezerra Neto ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2005 Ementa: CONCEITO DE RECEITA. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. Os valesbenefício adquiridos por empresa que presta serviços de coleta, envelopamento, manuseio e entrega de vales transporte tendo como propósito exclusivo de repassar a preço de custo aos clientes e cujo repasse está contratualmente e legalmente bem delimitados nos autos enseja a exclusão desse ingresso do conceito de Receita bruta para efeito do Simples. (...) PROCESSO N°: 10640.000658/9717 RECURSO N° : 114.930 RECORRENTE: ASSOCIAÇÃO PROFISSIONAL DAS EMPRESAS DE TRANSPORTE DE PASSAGEIROS DE JUIZ DE FORA RECORRIDA: DRJ EM JUIZ DE FORA(MG) SESSÃO DE: 20 DE FEVEREIRO DE 2002 ACÓRDÃO N°: 10193.741 Ementa: (...) IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS. RECEITAS DE VALES TRANSPORTE. Fl. 2676DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 13839.000108/200512 Acórdão n.º 3402003.239 S3C4T2 Fl. 2.667 21 As vendas de valestransportes pela associação de classe, emitidos pela mesma associação, por delegação expressa no parágrafo 2°, do artigo 5°, da Lei n° 7.814/85 (redação da Lei n° 7.855/89), não constituem receitas da associação de classe. Os recursos arrecadados passam a constituir receitas quando utilizados os valestransporte e prestados os serviços de transporte pelas empresas concessionários de transporte coletivo de passageiros que são os titulares dos direitos de emissão de valestransporte pelo caput do artigo 5° da Lei n° 7.814/85. (...) Processo n° 13808.004244/0037 Recurso n° 126.797— EX OFFICIO Recorrente DRJ EM SÃO PAULO — SP,. Interessada: EMPRESA METROPOLITANA DE TRANSPORTES URBANOS DE SÃO PAULO — SP. Sessão de 08 de novembro de 2001 Relator: Francisco de Assis Miranda Acórdão n°. 10193.683 Ementa: IRPJ — OMISSÃO DE RECEITA NA EMISSÃO E COMERCIALIZAÇÃO DE VALETRANSPORTE — INOCORRÊNCIA — Valores originários da venda de Vale Transportes, recebidos por operadora, não se enquadram no conceito de receita dado pelo art. 226 do RIR194, por constituir uma obrigação da operadora. Citados valores se destinam na realidade a pagamentos às concessionárias de serviços de transporte municipal, em decorrência das prestações dos referidos serviços, que recebem os bilhetes dos trabalhadores, a título de pagamento das passagens e têm seus valores ressarcidos pela Operadora. TRIBUTAÇÃO REFLEXA — O decidido em relação ao IRPJ, se estende às exigências reflexas referentes ao PASEP, COFINS e CSSL, dado o nexo causal existente. Negado provimento ao recurso de ofício. Assim, pelo exposto, voto no sentido de dar provimento integral ao recurso voluntário. É como voto. (Assinatura Digital) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Fl. 2677DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 22 Fl. 2678DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10580.725114/2009-82
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DIFERENÇAS DE URV. MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NATUREZA TRIBUTÁVEL
Sujeitam-se à incidência do Imposto de Renda, conforme o regime de competência, as verbas recebidas acumuladamente pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, denominadas "diferenças de URV", inclusive os juros remuneratórios sobre elas incidentes, por absoluta falta de previsão legal para que sejam excluídas da tributação.
Recurso Especial do Contribuinte conhecido e provido parcialmente.
Numero da decisão: 9202-004.148
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida, inclusive juros, de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator
EDITADO EM: 18/08/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DIFERENÇAS DE URV. MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NATUREZA TRIBUTÁVEL Sujeitam-se à incidência do Imposto de Renda, conforme o regime de competência, as verbas recebidas acumuladamente pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, denominadas "diferenças de URV", inclusive os juros remuneratórios sobre elas incidentes, por absoluta falta de previsão legal para que sejam excluídas da tributação. Recurso Especial do Contribuinte conhecido e provido parcialmente.
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DIFERENÇAS DE URV. MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NATUREZA TRIBUTÁVEL Sujeitamse à incidência do Imposto de Renda, conforme o regime de competência, as verbas recebidas acumuladamente pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, denominadas "diferenças de URV", inclusive os juros remuneratórios sobre elas incidentes, por absoluta falta de previsão legal para que sejam excluídas da tributação. Recurso Especial do Contribuinte conhecido e provido parcialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida, inclusive juros, de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 51 14 /2 00 9- 82 Fl. 422DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente e Relator EDITADO EM: 18/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10580.720843/200942. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto vencedor proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.124): Tratase de Auto de infração lavrado contra o contribuinte em epígrafe para cobrança de IRPF sobre rendimentos auferidos do Ministério Público da Bahia, a título de valores indenizatórios de URV. Tais rendimentos decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor (URV) em 1994, reconhecidas e pagas em 36 parcelas iguais no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Complementar nº 20/2003, do Estado da Bahia. Importante destacar, ainda que referida Lei dispôs serem de natureza indenizatória as verbas em questão. No entendimento da autoridade fiscal, as diferenças recebidas pelo contribuinte têm natureza salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994 e, portanto, são tributáveis pelo IRPF, sendo irrelevante a denominação dada pela Lei do Estado da Bahia. Para a apuração do imposto devido foi considerado os valores das diferenças salariais, incluindo atualização e juros. Inconformado, o contribuinte apresentou impugnação, que fora julgada procedente em parte, para excluir da base de cálculo do imposto valores recebidos a título de URV sobre férias indenizadas e 13º salário. Ato seguinte, tempestivamente foi apresentado Recurso Voluntário, onde, por unanimidade de votos, foi dado provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de ofício. Fl. 423DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.725114/200982 Acórdão n.º 9202004.148 CSRFT2 Fl. 416 3 Inconformado com essa decisão o contribuinte, tempestivamente, apresentou Recurso Especial de divergência, alegando, em resumo: a) Os rendimentos previstos na Lei Complementar 20/2003 tem a mesma natureza daqueles mencionados pela Lei Federal nº 10.477/2002, que trata do pagamento de diferenças de URV a membros do Ministério Público Federal; b) É nítida a natureza remuneratória das diferenças de URV, na medida em que representam ressarcimento pelo erro de cálculo da remuneração; c) É aplicável ao caso a mesma interpretação dada pelo STF através da Resolução 245/2002, que reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV pagas aos membros da magistratura federal; d) Quebra da isonomia quando se dispensa tratamento tributário diverso em relação às diferenças de URV pagas aos membros da magistratura Federal e aos membros do MPF em relação aos membros do Ministério Público Estadual; e) Vicio material na formação da base de cálculo do IRPF, na medida em que não foi observado o regime de competência em relação aos rendimentos recebidos acumuladamente; f) Não incidência do IRPF sobre juros moratórios Na análise de admissibilidade, foi dado parcial seguimento ao Recurso Especial interposto pelo Contribuinte para que fosse reapreciada a questão da não incidência do Imposto de Renda sobre diferenças de URV, que teriam natureza indenizatória e para que fosse rediscutida a não incidência de Imposto de Renda sobre rendimentos correspondentes a juros de mora. Regularmente intimada o a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 424DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.124, de 21/06/2016, proferido no julgamento do processo 10580.720843/200942, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e visa rediscutir as seguintes matérias: não incidência do Imposto de Renda sobre diferenças de URV, que teriam natureza indenizatória e, caso assim não se entenda, não incidência de Imposto de Renda sobre a rubrica correspondente a juros de mora. A matéria não é nova neste Colegiado. Tratase de Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física dos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006, acrescido de multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora, tendo em vista a reclassificação, como tributáveis, de rendimentos declarados como isentos, recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em trinta e seis parcelas, no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08/09/2003, editada em virtude do objeto da Ação Ordinária de nº 140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em consonância com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias nºs 613 e 614. As verbas ora analisadas constituem diferenças salariais verificadas na conversão da remuneração do servidor público, quando da implantação do Plano Real, portanto tais valores referemse a salários (vencimentos) não recebidos ao longo dos anos. Nesse passo, o objetivo da ação judicial e/ou da lei do estado da Bahia foi simplesmente pagar à Contribuinte aquilo que antes deixou de ser pago, que nada mais é que salário, portanto de natureza tributável. Assim, o recebimento da verba ora tratada configura acréscimo patrimonial e, consequentemente, sujeitase à incidência do Imposto de Renda, consoante dispõe o art. 43 do CTN: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: Fl. 425DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.725114/200982 Acórdão n.º 9202004.148 CSRFT2 Fl. 417 5 I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1º A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. O dispositivo legal acima não deixa dúvidas acerca da abrangência da tributação do Imposto de Renda, abarcando qualquer evento que se traduza em aumento patrimonial, independentemente da denominação que seja dada ao ganho. Seguindo esta linha, a Lei nº 7.713, de 1988, assim dispõe: Art. 1º Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1º de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliados no Brasil, serão tributados pelo imposto de renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Art. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. (...) § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. (...) § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. (...)” (grifei) Quanto à alegação de violação ao princípio da isonomia, a Contribuinte traz à baila o fato de que o Supremo Tribunal Federal, em sessão administrativa, atribuiu natureza indenizatória ao Abono Variável concedido aos membros da Magistratura da União pela Lei nº 10.474, de 2002. Ademais, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, por meio do Parecer PGFN nº 529, de 2003, manifestou entendimento no sentido de que a verba em tela não estaria sujeita à tributação. Fl. 426DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 Entretanto, a Resolução nº 245, do STF, bem como o Parecer da PGFN, se referem especificamente ao abono concedido aos Magistrados da União pela Lei nº 10.474, de 2002; e o que se discute no presente processo é se tal entendimento deve ser aplicado à verba recebida pelos membros da Ministério Público do Estado da Bahia. Primeiramente, verificase que a posição do Supremo Tribunal Federal – STF sobre a natureza do Abono Variável atribuído aos Magistrados da União foi definida em sessão administrativa e expedida por meio de Resolução, e não em sessão de julgamento daquela Corte e, assim, não se trata de uma decisão judicial, cujos efeitos são bem distintos dos de uma resolução administrativa. Destarte, obviamente que a Resolução do STF nunca vinculou a Administração Tributária da União. Com o advento do Parecer PGFN/Nº 529, de 2003, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro da Fazenda, portanto com força vinculante em relação aos Órgãos da Administração Tributária, concluiuse que o Abono Variável de que trata o art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002, teria natureza indenizatória. Entretanto, dito parecer é claro quanto aos limites desse entendimento, conforme será demonstrado na seqüência. O parecer destaca que o Superior Tribunal de Justiça – STJ consolidou entendimento no sentido de que abonos recebidos em substituição a aumentos salariais sofrem a incidência do Imposto de Renda. Após, faz a ressalva de que, segundo entendimento dessa mesma Corte, nos casos de abono concedido como reparação pela supressão ou perda de direito, ele tem natureza indenizatória. Ainda segundo o parecer da PGFN, seria este o entendimento do STF, manifestado por meio da Resolução nº 245, de 2002, relativamente ao abono variável e provisório previsto no art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002. Assim, claro está que o Parecer da PGFN somente reconheceu a natureza indenizatória do Abono Variável, previsto nas Leis nºs 9.655, de 1998, e 10.474, de 2002, acolhendo entendimento do STF, no sentido de que tal verba destinarseia a reparar direito. Destarte, a Resolução nº 245, do STF, não possui efeitos de decisão judicial, e o Parecer PGFN/Nº 529, de 2003, apenas reconhece a natureza indenizatória do abono concedido aos Magistrados da União, acatando interpretação do STF quanto à natureza reparatória, especificamente para esse abono. Portanto, ambos os atos alcançam apenas o abono previsto no art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002. Ademais, a Resolução nº 245, do STF, excluiu do abono a verba referente à diferença de URV, o que evidencia que esta não tem natureza indenizatória, mas sim de recomposição salarial. Confirase a manifestação Superior Tribunal de Justiça, por meio de voto da Ministra Eliana Calmon, reconhecendo a falta e identidade entre o abono salarial tratado na Resolução e as diferenças de URV: Fl. 427DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.725114/200982 Acórdão n.º 9202004.148 CSRFT2 Fl. 418 7 “Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)” (STJ, Recurso Especial n.º 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010) E também o Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão no Recurso Extraordinário n.º 471.115: “Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução no. 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, temse que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)” (STF, Recurso Extraordinário n.º 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010) Assim, não há como estenderse o alcance dos atos legais acima referidos para verbas distintas, concedidas para outro grupo de servidores, por meio de ato específico, diverso daqueles referidos na Resolução do STF e no Parecer da PGFN. Com efeito, a norma que concede isenção deve ser interpretada sempre literalmente, conforme inciso II, do art. 111, do CTN. Ademais, o mesmo código veda o emprego da analogia ou de interpretações extensivas para alcançar sujeitos passivos em situação supostamente semelhante, o que implicaria concessão de isenção sem lei federal própria, o que ofenderia o § 6º, do art. 150, da Constituição Federal, e o art. 176, do CTN. Destarte, a verba em exame deve ser efetivamente tributada. Quanto à alegada inexigibilidade de Imposto de Renda incidente sobre a verba recebida pela contribuinte a título de juros de mora, a decisão do STJ, no julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C, do CPC, é no sentido de que estaria restrita aos casos de pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial, por força da norma isentiva prevista no inciso V, do art. 6º, da Lei nº 7.713, de 1988. Confirase: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA. JUROS DE MORA. CARÁTER REMUNERATÓRIO. TEMA JULGADO PELO STJ SOB A SISTEMÁTICA DO ART. 543 C DO CPC. Fl. 428DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 1. Por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, pelo regime do art. 543C do CPC (recursos repetitivos), consolidouse o entendimento no sentido de que 'não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla.' Todavia, após o julgamento dos embargos de declaração da Fazenda Nacional, esse entendimento sofreu profunda alteração, e passou a prevalecer entendimento menos abrangente. Concluiuse neste julgamento que 'os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do imposto de renda, por força do art. 6º, V, da Lei 7.713/88, até o limite da lei'. 2. Na hipótese, não sendo as verbas trabalhistas decorrentes de despedida ou rescisão contratual de trabalho, assim como por terem referidas verbas (horas extras) natureza remuneratória, deve incidir o imposto de renda sobre os juros de mora. Agravo regimental improvido.(AgRg no REsp 1235772 RS – julgado em 26/06/2012) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA. JUROS DE MORA DECORRENTES DO PAGAMENTO EM ATRASO DE VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA. MATÉRIA JÁ PACIFICADA PELA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO ESPECIAL REPETITIVO 1.227.133/RS. 1. A Primeira Seção, por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, fixou orientação no sentido de que é inexigível o imposto de renda sobre os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial. 2. Agravo regimental não provido.” (AgRg nos REsp 1163490 SC – julgado em 14/03/2012) Da análise do julgamento do Recurso Repetitivo 1.227.133/RS, verificase que são isentos do imposto de renda os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial, conforme a regra do “accessorium sequitur suum principale”. Assim, não sendo as verbas trabalhistas de natureza indenizatória, o imposto de renda deve incidir também sobre os juros de mora. Ressaltese que as verbas ora analisadas já foram objeto de julgamento pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, oportunidade em que se deu provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, por meio do Acórdão nº 9202003.585, de 03/03/2015, assim ementado: Fl. 429DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.725114/200982 Acórdão n.º 9202004.148 CSRFT2 Fl. 419 9 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores indenizatórios de URV, em virtude de sua natureza remuneratória. Precedentes do STF e do STJ. Recurso especial provido." A decisão foi assim registrada: "Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial da Fazenda, determinando o retorno dos autos à turma a quo, para analisar as demais questões trazidas no recurso voluntário do contribuinte. Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira, que votou por negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral o Dr. Marcio Pinto Teixeira, OAB/BA nº 23.911, patrono da recorrida. Defendeu a Fazenda Nacional a Procuradora Dra. Patrícia de Amorim Gomes Macedo." Assentada a natureza tributável dos rendimentos objeto da autuação, resta esclarecer que o tributo devido deve ser calculado de acordo com as tabelas vigentes à época em que os rendimentos deveriam ter sido pagos ao Contribuinte. Saliente se que a questão já foi decidida pelo STF, no RE 614.406/RS, com trânsito em julgado em 11/12/2014, e repercussão geral previamente reconhecida, em 20/10/2010, na sistemática do art. 543B, do Código de Processo Civil. Destarte, os Conselheiros do CARF devem reproduzir o entendimento do citado julgado, prolatado pelo STF em 23/10/2014, conforme determina o art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015. Nesse passo, a decisão vinculante é no sentido de aplicarse o regime de competência, vedada a aplicação do regime de caixa. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte e, no mérito, doulhe provimento parcial, para que o cálculo do Imposto de Renda seja efetuado com base no regime de competência. Em face do acima exposto, voto no sentido de conhecer o Recurso Especial do Contribuinte para, no mérito, darlhe provimento parcial, para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida, inclusive juros, de acordo com o regime de competência. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 430DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 10 Fl. 431DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 14041.000346/2009-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Feb 06 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-000.862
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais de Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais de Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Brasília que julgou procedente em parte a impugnação da contribuinte. Em face do banco acima qualificado foi lavrado auto de infração para a exigência de Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira (CPMF), referente a fatos geradores ocorridos de 12/05/2004 até 31/12/2005, multa de ofício e juros de mora, no montante total de R$1.024.152,71, consolidado até 31/03/2009. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 40 41 .0 00 34 6/ 20 09 -8 2 Fl. 5533DF CARF MF Processo nº 14041.000346/200982 Resolução nº 3402000.862 S3C4T2 Fl. 5.534 2 Conforme consta no Termo de Verificação Fiscal, "(...) foi constatado que o BANCO DE BRASÍLIA S/A, na qualidade de responsável tributário [art. 5º, inciso I da Lei n° 9.311/96] pela retenção da Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza financeira CPMF, incidente sobre lançamentos a débito em contas correntes de depósito, em contas de depósito de poupança e em contas correntes de empréstimos, bem com a incidente sobre os lançamentos a crédito em contas correntes que apresentaram saldos negativos, até o limite do valor da redução dos saldos devedores [art. 2°, incisos I e II da Lei n° 9.311/96], no período de 06/05/2004 a 31/12/2005 [art. 20 da Lei n° 9.311/96 c/c art. 1° da Lei n° 9.539/97], deixou de realizar a retenção/recolhimento da referida contribuição nos lançamentos efetuados em 55 (cinqüenta e cinco) contas, sem que houvesse embasamento legal para tal procedimento". As contas que deixaram de sofrer retenção da CPMF foram agrupadas pelos motivos que levaram a autuação dessas contas, na seguinte forma: A) Contas cujos titulares são PESSOAS FÍSICAS A.1) Não retenção motivada por MEDIDA JUDICIAL: a contribuinte não apresentou as medidas judiciais que amparassem tal abstenção; e A.2) Contas caracterizadas como "CONTA INVESTIMENTO": a contribuinte não apresentou nenhuma justificativa para a não retenção da CMPF. B) Contas de titulares declarados como administração pública direta e indireta B.1) Empresas Públicas: além de as empresas públicas estarem impedidas de gozarem de privilégios fiscais não extensivos às do setor privado, os titulares dessas contas não estavam inscritos como entes da administração pública nos cadastros da Secretaria do Tesouro Nacional — STN e da Secretaria da Receita Federal do Brasil — RFB; B.2) Outras formas de fundações e associações: contas que não se enquadram em nenhuma das condições de não incidência, e cujos titulares não estão inscritos como entes da administração pública nos cadastros da STN e da RFB; B.3) Cartórios: contas com base no art. 2°, incisos I e II da Lei 9.311/96; no art. 3° da Lei 9.492/97, que define que o serviço de recebimento dos valores provenientes de títulos apontados para protestos é exercido de forma privativa pelo Tabelião de Protesto de Títulos; bem como no § 2° do Art. 19 da Lei 9.492/97, que estabelece que o valor é disponibilizado primeiramente aos tabeliães. C) Contas de titulares declarados como entidades referidas no inciso III, art. 8º da Lei n° 9.311/96: mas que, na verdade, estão inscritos nos cadastros da RFB com o código de cartórios. D) Contas de titulares declarados como entidades beneficentes: este grupo destaca as contas para as quais o BRB foi intimado a apresentar a declaração pra fins de isenção da CPMF, porém não foi apresentada nenhuma declaração para o período entre 06/05/2004 a 31/12/2004. E) Contas de PESSOA JURÍDICA caracterizadas como "CONTA INVESTIMENTO": o Banco BRB não esclareceu qual seria a condição legal que ensejaria a não retenção da CPMF nestas contas Fl. 5534DF CARF MF Processo nº 14041.000346/200982 Resolução nº 3402000.862 S3C4T2 Fl. 5.535 3 Cientificada do lançamento, a interessada apresentou impugnação e documentos, mediante a qual argumentou ser improcedente a cobrança da CPMF ocorrida em relação a 11 (onze) contas que estavam protegidas por isenções legais ou alíquotas zero na forma da legislação, nesses termos, conforme consta na decisão recorrida: • Grupo D — Conta 037.6017651 — a declaração do titular da conta prevista na IN SRF n° 44/2001 foi apresentada à fiscalização. (..) Ademais, meros aspectos formais não são argumentos suficientes para inviabilizar a isenção da entidade, pois esta obteve o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, conforme documento à fl. 233; • Grupo A1 — Contas 024.1046149 e 103.1055646 — as contas são de titularidade de Emerson Ferreira de Carvalho (CPF 620.826.631 91) e José Domingues Guerra (CPF 010.788.10630), os quais são afiliados do Sindicato dos Professores no Distrito Federal (Sinpro). A isenção foi concedida à época em decorrência de medida judicial (liminar) cuja cópia está às fl. 235/238. (...) • Grupo B3 (contas 026.0077739, 164.0009890 e 176.0000016) e Grupo C (contas 059.9501278, 107.0144069, 153.9500010, 159.0000029 e 164.0008516) — a manutenção/ movimentação dessas contas decorre de convênio celebrado entre o BRB e cartórios judiciais (cópia às fl. 240/252) nos termos do Provimento Geral da Corregedoria do TJDF, no qual se obriga a arrecadar os valores dos títulos pagos e das custas cartorárias, repassandoos, respectivamente, aos seus apresentantes/credores e aos cartórios após dois dias úteis do seu recebimento. Os titulares sequer são capazes de movimentar as contas. Com base nas Circulares n° 2535 e 3001 do Banco Central do Brasil, entende que os beneficiários dos valores dos títulos são os apresentantes ou credores, mas não os cartórios, de forma que o BRB pode fazer a transferência para suas respectivas contas sem trânsito direto na conta de livre movimentação dos cartórios. (...) As contas se enquadram perfeitamente no disposto no art. 8°, §3º, da Lei n° 9.311/96, regulamentado pela Portaria MF n° 6/97, estando sujeitas à alíquota zero, pois se constituíram para a consecução do objeto social do impugnante, que é instituição financeira, e foram abertas para arrecadar valores para posterior transferência a seus titulares. A própria DRJ corroborou esse entendimento no processo administrativo n° 14041.00906/200737, no Acórdão n° 0329.140. (...) Conta 107.0144069 — R$ 9.969,74 — documentos às fl. 253/291 (doc. 6) e 292/370 (doc. 7) — P/ comprovar que os valores arrecadados foram devidamente transferidos aos seus titulares, elaborou a tabela "Consolidado 107 SRF" (arquivo magnético fl.184). (...) Foram considerados indevidamente no lançamento débitos estornados, conforme constam identificados no extrato da conta (doc. 6) e na coluna C da tabela acima. (...) As transferências estão demonstradas na planilha "TED em conta" (arquivo magnético fl. 184). Logo, resta comprovado que a conta acima identificada é de arrecadação, sendo indevida a cobrança da CPMF; Conta 026.0077739 — R$ 58.262,35 — documentos às fl. 371/491 (doc. 8) e 492/681 (doc. 9) — Os repasses eram efetuados por meio de TED/DOC, enviados diretamente para os apresentantes/credores, ou creditados/transferidos para a conta do credor/apresentador no BRB (nas três modalidades de repasse — TED/DOC, títulos BRB e RVA). É Fl. 5535DF CARF MF Processo nº 14041.000346/200982 Resolução nº 3402000.862 S3C4T2 Fl. 5.536 4 devido retificar a base de cálculo pois não foram considerados estornos efetuados, alguns débitos foram considerados em duplicidade, e outros lançamentos devidos não constaram da base. (...) Logo, resta comprovado que a conta acima identificada é de arrecadação, sendo indevida a cobrança da CPMF. Em relação a alguns PA verificou que a contribuição é devida (PA 20, 37, 64 e 89); Contas 164.0008516 (R$ 70,13) e 164.0009890 (R$ 35.094,70) — documentos às fl. 681/719 (doc. 10 e 11) e fl. 720 — elaborou a tabela "Consolidado 164 SRF" (arquivo magnético à fl. 184), onde demonstra a correta base de cálculo (coluna D), já que diversos estornados foram considerados conforme coluna C. (...) Logo, resta comprovado que a conta acima identificada é de arrecadação, sendo indevida a CPMF, exceção do débito de R$ 135,16, efetuado no dia 16/06/2005 na conta 164.0008516. EM relação ao valor de R$ 3.400,00, este foi creditado na conta 164.9997890, de cheque administrativo da agência, a qual emitiu o cheque, que foi devidamente compensado, conforme extrato anexo (doc. 12); Conta 176.0000016 (R$ 12.568,78) (...) Não deve prosperar a cobrança, visto que tratase comprovadamente de conta de arrecadação, com todos os valores transferidos aos apresentantes/credores, exceção feita aos PA 66,70, 80 e 111, onde a CPMF é devida (...) Conta 153.9500010 (R$ 87.737,18) — documentos às fl. 798/837 (doc. 16), fl. 838/944 (doc. 17) e fl. 945/1086 (doc. 18) — foi elaborada a tabela "Consolidado 153 SRF" para demonstrar o caráter arrecadatório da conta (arquivo magnético à fl. 184). Cabe esclarecer que o núcleo 153 é um Posto de Atendimento Bancário (PAB), por isso os valores arrecadados na conta em análise foram transferidos para a agência 105, à qual ele é vinculado, que procedia os repasses. (...) Contas 059.9501278 (R$ 81.936,83) e 159.0000029 v(R$ 122.429,20) — documentos às fl. 1087/1107 (doc. 19), 1108/1124 (doc. 20), 1125/1385 (doc. 21), 1386/1417/ (doc. 22) — o núcleo 159 é um PAB vinculado à agência 059. Por isso repassava os valores arrecadados na conta 159.0000029 para a agência 59, que procedia aos repasses conjuntamente com sua arrecadação. (...) Conforme informou o julgador de primeira instância, a autuada não impugnou os valores lançados relativamente às contas dos grupos A1 (exceção das contas 024.1046149 e 103.1055646), A2, B1, B2 e E, no total de R$ 45.028,92 (principal). Em relação às contas 026.0077739, 059.9501278, e 159.0000029, 107.0144069, 164.0008516, 176.0000016, 131.0000023 e 153.9500010, dos grupos B3 e C, respectivamente, reconheceu como devida CPMF no montante de R$ 19.682,85, por não ter localizado provas da aplicabilidade de alíquota zero para alguns débitos nas referidas contas (em relação à conta 131.0000023 não encontrou qualquer prova; tendo, então, recolhido, em 02/06/2009, o valor de R$ 125.749,68 (principal, juros e multa reduzida). A Delegacia de Julgamento acolheu parcialmente os argumentos da impugnante, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA CPMF Fl. 5536DF CARF MF Processo nº 14041.000346/200982 Resolução nº 3402000.862 S3C4T2 Fl. 5.537 5 Período de apuração: 06/05/2004 a 31/12/2005 ENTIDADE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. DECLARAÇÃO. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA SEM RESPONSABILIDADE. Apresentada a declaração na forma prevista na IN SRF nº 44/2001 ou no ADE SRF n° 69/2001, a instituição financeira deixa de ser responsável pela retenção da CPMF sobre a movimentação financeira de entidade beneficente de assistência social. CONTA DE ARRECADAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. INAPLICÁVEL A ALÍQUOTA ZERO. O sujeito passivo não logrou comprovar documentalmente que as contas abertas em nome de cartórios de protesto de títulos, razão pela qual não fazem jus à alíquota zero estabelecida no art. 8, inciso IV da Lei nº. 9.311/96, com regulamentação da Portaria MF nº 06/97. DÉBITOS ESTORNADOS. TRIBUTAÇÃO INDEVIDA. Segundo o art. 3°, inciso II, da Lei n° 9.311/96, a CPMF não incide sobre débitos estornados, sendo sua tributação indevida. Devida a retificação da base de cálculo. DÉBITOS CONSIDERADOS EM DUPLICIDADE/ ERRO NA DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. TRIBUTAÇÃO INDEVIDA. O sujeito passivo logrou comprovar que para alguns fatos geradores e contas foram considerados na base de cálculo da CPMF débitos em duplicidade e que a somatória dos débitos ocorridos é inferior à base de cálculo considerada no auto de infração para determinados fatos geradores. Tributação indevida da parcela excedente. Devida a retificação da base de cálculo. FALTA DE RETENÇÃO EM VIRTUDE DE MEDIDA JUDICIAL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. TRIBUTAÇÃO DEVIDA. O sujeito passivo não logrou comprovar que os titulares das contas estavam amparados por medida judicial para a não retenção da CPMF. Tributação devida. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Cientificada em 02 de dezembro de 2009, a autuada apresentou recurso voluntário em 04/01/2009, mediante o qual alegou, em síntese que: a) a decisão recorrida manteve no montante sob cobrança todos os valores já recolhidos; b) as exigências remanescentes formalizadas a título de CPMF sobre a movimentação financeira das contas correntes 024.1046149 e 103.1055646 (Grupo Al), 026.0077739, 164.0009890 e 176.0000016 (Grupo B3), 059.950.1278, 107014.4069, 153.9500010, 159.0000029 e 164.0008516 (Grupo C) não merecem prevalecer, uma vez que a não tributação decorreu de isenção legal (Grupo Al) ou da aplicação da alíquota zero (Grupo B3 e C). É o relatório. VOTO Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Fl. 5537DF CARF MF Processo nº 14041.000346/200982 Resolução nº 3402000.862 S3C4T2 Fl. 5.538 6 Antes do julgamento do litígio delimitado no recurso voluntário, entendo que algumas questões carecem de esclarecimentos. Contas nºs 024.1046149 — R$ 0,83 e 103.1055646 —R$ 22,04 (Grupo A1) No caso dessas contas, não há prova nos autos de que a medida liminar concedida nos autos do mandado de segurança coletivo nº 1999.01.00.0251066, impetrado pelo SinproDF, estava ainda vigente à época em que o BRB deveria ter efetuado as retenções da CPMF relativas às contas correntes das pessoas físicas filiadas. Contas 026.0077739, 164.0009890 e 176.0000016 (Grupo B3), Contas 059.9501278, 107.0144069, 153.9500010, 159.0000029 e 164M008516 (Grupo C) Alega a recorrente que ainda há necessidade de retificação das bases de cálculo autuadas em face de estornos não considerados pela DRJ em sua decisão (item 4.2.1 do recurso voluntário) nas seguintes contas: 107.0144069 (item 4.2.2), 026.0077739 (item 4.2.3), 176.0000016 (item 4.2.4), 153.9500010 (item 4.2.5) e 059.9501278 e 159.0000029 (item 4.2.6), juntando documentos para tal comprovação, os quais necessitam de análise da fiscalização. Além disso, alega a recorrente que deve ser afastada a exigência da cobrança de CPMF nas contas autuadas dos Grupos B3 e C, pela aplicação de alíquota zero em contas destinadas à arrecadação de valores, uma atividade típica de instituições financeiras, nos termos do art. 8º da Lei nº 9.311/96, conforme documentos juntados (item 4.2.7). Aduz também (itens 4.2.8 e 4.2.9) que está demonstrado nos autos que as transferências dos valores arrecadados foram efetuadas estritamente de acordo com o requerido pelos cartórios (para os titulares e nos valores por eles indicados), conforme nova conciliação juntada para o PA 100 (de 24 a 30/11/2005) relativamente a todas as contas correntes. Em análise dos documentos acostados à impugnação, entendeu o julgador de primeira instância que não era possível verificar se as contas desses grupos seriam efetivamente de arrecadação e que os valores nela creditados foram verdadeiramente repassados ao cartório ou aos credores/bancos apresentantes, salientando, entretanto, que: "Em que pese os documentos carreados servirem de indício de que a conta aqui tratada pode ser de arrecadação, o que justificaria a realização de diligência para a análise pela autoridade fiscal da documentação acima mencionada junto ao sujeito passivo, entendo por não adotar tal medida haja vista que, tendo o BRB já sofrido lançamentos que tratavam da mesma matéria relativamente a fatos geradores anteriores, os quais foram objeto de apreciação por esta Turma da DRJ/BSA/DF, este deveria ter se esforçado um pouco mais em acumular e organizar de forma didática todos os documentos relativos a tais operações". Conforme assentado na Resolução nº 3401000.737, da 3ª Seção/ 4ª Câmara/ 1ª Turma Ordinária, em sessão de 24/07/2013, esta 3ª Seção de Julgamento do Carf tem orientado sua jurisprudência no sentido de que, em situações em que há alguns indícios de provas, o julgamento pode ser convertido em diligência para análise da nova documentação acostada. Nessa esteira, em referência ao princípio da verdade material, e com fundamento no art. 18 do Decreto nº 70.235/72, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para solicitar à fiscalização da DRFBrasília que: Fl. 5538DF CARF MF Processo nº 14041.000346/200982 Resolução nº 3402000.862 S3C4T2 Fl. 5.539 7 a) Mediante intimação à recorrente ou à impetrante ou com auxílio da Procuradoria da Fazenda Nacional, averigue a eventual vigência da medida liminar concedida nos autos do mandado de segurança coletivo nº 1999.01.00.0251066, impetrado pelo Sinpro DF, à época em que o BRB deveria ter efetuado as retenções da CPMF relativas à conta corrente 103.1055646 de José Domingues Guerra, filiado ao sindicato. b) Com relação às contas 026.0077739, 164.0009890 e 176.0000016 (Grupo B3), Contas 059.9501278, 107.0144069, 153.9500010, 159.0000029 e 164M008516 (Grupo C), analise a documentação acostada aos autos, inclusive solicitando documentos adicionais à contribuinte se necessários, e emita Parecer Conclusivo sobre a sua potencialidade para comprovar os estornos apontados pela recorrente e as correspondentes retificações nas bases de cálculo autuadas (itens 4.2.1 a 4.2.6 do recurso voluntário), bem como se as referidas contas correntes destinavamse à arrecadação de valores e se os valores arrecadados nessas contas foram devidamente transferidos para contas de livre movimentação dos apresentantes/credores dos títulos (itens 4.2.7 a 4.29 do recurso voluntário). c) Na oportunidade, manifestese sobre a alegação da recorrente de que a decisão recorrida teria mantido no montante sob cobrança todos os valores já recolhidos, efetuando, se for o caso, a correspondente imputação e informando os valores que remanescem na autuação. d) Cientifique a recorrente do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011. e) Por fim, após decorrido o prazo de manifestação da interessada, devolva os autos a este Colegiado para prosseguimento. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Fl. 5539DF CARF MF
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Numero do processo: 12897.000196/2010-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. COMPENSAÇÃO DO IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. CONTRADIÇÃO. INOCORRÊNCIA. OMISSÃO. OCORRÊNCIA. RETENÇÃO NA FONTE. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. PROVA INEXISTENTE
A simples declaração de terceira pessoa não comprova que os valores retidos decorrentes de rendas correspondentes, auferidas no exterior, foram submetidas à tributação no país Nos termos do art. 26 da Lei nº 9.249, de 1995, o imposto de renda recolhido no exterior, e que é passível de compensação, é o incidente sobre os referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital computados no lucro real.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INOCORRÊNCIA. O ART. 23, PARÁGRAFO 2º, DA CONVENÇÃO BRASIL-EQUADOR PARA EVITAR A DUPLA TRIBUTAÇÃO. OMISSÃO. INOCORRÊNCIA.
Incabível embargos de declaração quando no acórdão embargado inexiste omissão a ser sanada.
Numero da decisão: 1301-002.131
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial aos embargos para sanar a omissão do item 1, sem efeitos modificativos.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, José Roberto Adelino da Silva e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. COMPENSAÇÃO DO IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. CONTRADIÇÃO. INOCORRÊNCIA. OMISSÃO. OCORRÊNCIA. RETENÇÃO NA FONTE. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. PROVA INEXISTENTE A simples declaração de terceira pessoa não comprova que os valores retidos decorrentes de rendas correspondentes, auferidas no exterior, foram submetidas à tributação no país Nos termos do art. 26 da Lei nº 9.249, de 1995, o imposto de renda recolhido no exterior, e que é passível de compensação, é o incidente sobre os referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital computados no lucro real. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INOCORRÊNCIA. O ART. 23, PARÁGRAFO 2º, DA CONVENÇÃO BRASIL-EQUADOR PARA EVITAR A DUPLA TRIBUTAÇÃO. OMISSÃO. INOCORRÊNCIA. Incabível embargos de declaração quando no acórdão embargado inexiste omissão a ser sanada.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1943; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 509 1 508 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12897.000196/201054 Recurso nº Embargos Acórdão nº 1301002.131 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de setembro de 2016 Matéria Lucros no exterior Embargante BELGRAVIA SERVIÇOS E PARTICIPAÇÕES S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. COMPENSAÇÃO DO IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. CONTRADIÇÃO. INOCORRÊNCIA. OMISSÃO. OCORRÊNCIA. RETENÇÃO NA FONTE. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. PROVA INEXISTENTE A simples declaração de terceira pessoa não comprova que os valores retidos decorrentes de rendas correspondentes, auferidas no exterior, foram submetidas à tributação no país Nos termos do art. 26 da Lei nº 9.249, de 1995, o imposto de renda recolhido no exterior, e que é passível de compensação, é o incidente sobre os referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital computados no lucro real. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INOCORRÊNCIA. O ART. 23, PARÁGRAFO 2º, DA CONVENÇÃO BRASILEQUADOR PARA EVITAR A DUPLA TRIBUTAÇÃO. OMISSÃO. INOCORRÊNCIA. Incabível embargos de declaração quando no acórdão embargado inexiste omissão a ser sanada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial aos embargos para sanar a omissão do item 1, sem efeitos modificativos. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 7. 00 01 96 /2 01 0- 54 Fl. 509DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 27/ 09/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 12897.000196/201054 Acórdão n.º 1301002.131 S1C3T1 Fl. 510 2 (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, José Roberto Adelino da Silva e Waldir Veiga Rocha. Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pelo contribuinte acima identificado, em face do Acórdão nº 1301001.651, de 23 de setembro de 2014, proferido por este Colegiado que, pelo voto de qualidade, entendeu por DAR PROVIMENTO AO RECURSO DE OFÍCIO. Referido julgado restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 Ementa: CONVENÇÕES: BRASIL E PORTUGAL. BRASIL E EQUADOR. AMPLITUDE. As Convenções firmadas pelo Brasil com as Repúblicas do Equador e Portuguesa, destinadas a evitar a dupla tributação e a prevenir a evasão fiscal em matéria de impostos sobre rendimentos, não contém cláusula capaz de impedir a tributação dos lucros auferidos por pessoas jurídicas domiciliadas no território nacional por meio de participações em empresas sediadas no exterior, mas, sim, a tributação, pelo Brasil, dos lucros auferidos pelas próprias empresas sediadas no exterior. A previsão de mecanismo que autoriza a compensação dos impostos pagos, efetiva o objetivo do acordo no sentido de evitar a dupla tributação, ratifica a inexistência de vedação à denominada tributação em bases universais das pessoas jurídicas domiciliadas no país e, por outro lado, invalida a interpretação acolhida na instância julgadora a quo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, DAR PROVIMENTO AO RECURSO DE OFÍCIO, vencidos os Conselheiros Carlos Augusto de Andrade Jenier (relator), Valmir Sandri e Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior . Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães. Em 22/06/2015, foi disponibilizado o resultado do julgamento na caixa postal da embargante, no módulo eCAC do site da Receita Federal, sendo que a ciência se consumou em 23/06/2015, pela abertura dos arquivos digitais correspondentes no link Processo Digital. Fl. 510DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 27/ 09/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 12897.000196/201054 Acórdão n.º 1301002.131 S1C3T1 Fl. 511 3 Em 26/06/2015, o contribuinte opôs, tempestivamente, embargos de declaração, alegando a existência de omissões e contradição no acórdão embargado, sustentando ter incorrido em omissão em relação a aspectos essenciais para o julgamento da lide, que exigiam manifestação expressa e pronunciamento específico da autoridade julgadora; e em contradição, no que se refere aos fatos analisados e ao direito aplicado. Às fls.506508, encontrase o Despacho de Admissibilidade de Embargos, mediante o qual o Sr. Presidente desta 1ª Turma Ordinária concordou com a proposta deste Conselheiro, no sentido de que os embargos fossem admitidos e submetidos à apreciação do Colegiado. É o relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator Os embargos de declaração foram opostos, no prazo regulamentar, portanto, tempestivos. Deles conheço e passo a apreciálos. Alega o contribuinte que o acórdão embargado deu provimento ao recurso de ofício, incorrendo em omissão e contradição, cujas alegações serão a seguir analisadas. Assim, passo a analisar os vícios apontados, na ordem em que foram apresentados: 1. Vícios de omissão e contradição. A compensação do imposto pago no exterior. A embargante alega que o acórdão guerreado foi omisso, pois em nada se manifestou acerca da compensação das retenções na fonte em que foi submetida no exterior, especificamente sobre os valores das retenções na fonte que totaliza o montante de 89.070,68 euros, conforme pleiteado pela embargante em sua impugnação. Além disso, alega ainda que a decisão embargada incorreu em evidente contradição, eis que primeiramente afirmou que o mecanismo que autoriza a compensação do imposto pago no exterior corrobora o entendimento de que os tratados em análise não impedem a tributação dos lucros auferidos no exterior, e depois nega este direito à compensação desse imposto pago no exterior, ao não se manifestar sobre o tema. OMISSÃO Conforme assentado na doutrina e jurisprudência, existe o vício de omissão a ser corrigido por embargos, na hipótese da decisão guerreada não se pronunciar sobre todas as questões de fato e de direito relevantes mencionadas pelas partes e necessárias ao julgamento. Analisando a peça de impugnação apresentada pela embargante, realmente, há um tópico denominado de "compensação do imposto pago no exterior" (fls. 333), que requer seja admitida a compensação do imposto pago em Portugal, conforme previsto no art. 26 da Lei n. 9.249/95. Neste tópico a interessada faz referência aos documentos colacionados por ela às fls. 349366 dos autos, noticiando que se tratam de retenções na fonte submetidas pela empresa portuguesa Bento Pedrosa Construções S.A. Fl. 511DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 27/ 09/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 12897.000196/201054 Acórdão n.º 1301002.131 S1C3T1 Fl. 512 4 A decisão recorrida, em que pese ter admitida em tese a compensação do imposto pago no exterior, não se pronunciou sobre os valores retidos. Assim, a ausência de efetiva manifestação sobre os valores sujeitos às retenções na fonte, bem como análise dos correspondentes documentos colacionados que comprovam, sob a ótica da interessada, a retenção dos valores, dá ensejo aos embargos, devendo ser acolhidos neste ponto para sanar a omissão apontada. Da análise de tais documentos, repitase, colacionados às fls 349366 dos autos, verificase que são declarações prestadas por terceiras pessoas, que noticiam retenções na fonte efetuadas por aquelas pessoas jurídicas. Com relação aos documentos juntados às fls 350359, apesar de comprovarem que aquelas pessoas jurídicas efetuaram as retenções, nos valores lá discriminados, não comprovam que alguns dos valores descritos se referem às retenções efetuadas da empresa portuguesa Bento Pedrosa Construções. Isso porque esses documentos não trazem o nome das empresas que se sujeitaram às retenções, sendo identificadas, pelo que pude perceber, por um "número de identificação fiscal", não havendo notícia nos autos de que um daqueles números pertence à empresa controlada pela interessada. Assim, não os aceito como prova de que as retenções foram efetuadas em nome de Bento Pedrosa Construções. No que pertine aos demais documentos juntados (fls. 360366), considerando que eles identificam adequadamente a empresa portuguesa aqui mencionada, aceitoos como prova de que as retenções foram efetuadas em nome dela. Porém, deixo de deduzir do montante exigido, pela razão a seguir descrita. Isso porque, pelo menos em princípio, a simples declaração de uma pessoa jurídica que noticia haver retenção de valores no exterior não comprova que citada renda auferida no exterior foi devidamente oferecida à tributação. Assim, ainda que as retenções tenham sido efetivamente ocorridas no exterior, a simples declaração não faz comprovação de que as rendas correspondentes foram submetidas à tributação no país. Nos termos do art. 26 da Lei nº 9.249, de 1995, o imposto de renda recolhido no exterior e que é passível de compensação é o incidente sobre os referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital computados no lucro real. De fato, é necessário que o contribuinte demonstre, por meio de outras provas, que as receitas submetidas às retenções efetivamente foram computados na apuração do lucro real e devidamente oferecidas à tributação, a não ser que, por outro lado, trouxesse provas de que a retenção na fonte, de acordo com a lei portuguesa, equivale a tributação definitiva, diferenciando da lei brasileira, fato este que não ocorreu. Cabe lembrar, finalmente, que imposto retido não é sinônimo de imposto pago. Ainda que, hipoteticamente, se possa admitir que as retenções na fonte ocorreram, isso não significa que algum imposto tenha sido pago. Fazendo um paralelo com a legislação brasileira: aqui, em grande número de situações, o imposto retido é mera antecipação daquele que será efetivamente devido ao final do período de apuração, sendo certo que a apuração de imposto a pagar dependerá de um grande número de outros fatores. Pode haver imposto retido, mas não imposto a pagar, situação em que o contribuinte poderá pleitear restituição. Não consta dos autos em que contexto ou sob que modalidade ocorreu a alegada retenção na fonte Fl. 512DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 27/ 09/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 12897.000196/201054 Acórdão n.º 1301002.131 S1C3T1 Fl. 513 5 em Portugal, pelo que não se há de tomar, automaticamente, imposto retido como sinônimo de imposto pago. Nestes termos, tenho por suprida a omissão, sem efeitos modificativos. CONTRADIÇÃO Sustenta a embargante que o acórdão embargado incorreu em evidente contradição, eis que primeiramente afirmou que o mecanismo que autoriza a compensação do imposto pago no exterior corrobora o entendimento de que os tratados em análise não impedem a tributação dos lucros auferidos no exterior, e depois nega este direito à compensação desse imposto pago no exterior, ao não se manifestar sobre o tema. Não lhe assiste razão. Não há qualquer contradição no entendimento de que tais tratados não impedem tributação no exterior, concluindose pelo alcance na norma brasileira nos resultados auferidos no exterior, com o entendimento no sentido de negar a compensação do imposto pago no exterior, pelas razões acima descritas. No meu sentir, ainda que fosse essa a decisão, que, repitase, não foi, a decisão recorrida não estaria viciada com o vício da contradição, pois haverá contradição passível de ser atacada por embargos de declaração quando, por exemplo, a fundamentação seguir em determinado sentido e o dispositivo, por sua vez, caminhar em sentido contrário, hipótese esta que não ocorreu no caso que se apresenta. Ademais, conforme restou consignado, não houve decisão administrativa contrária ao direito de compensar tributo pago no exterior, no caso, em Portugal. Porém, pelo que se vê, a decisão recorrida admitiu, em tese, a compensação do imposto pago no exterior, não se pronunciou tãosomente sobre os valores retidos, deixando de analisar os correspondentes documentos colacionados pela recorrente quando apresentou sua impugnação, não havendo que se confundir "tributo pago" com "retenções na fonte", pelos motivos acima expostos. Assim, não sendo demonstrada qualquer contradição entre os fundamentos da decisão e as respectivas conclusões, as alegações sustentadas devem ser rejeitadas, mormente na circunstância em que resta evidente a tentativa de, pela via estreita dos embargos, rediscutir matéria já devidamente apreciada pela decisão combatida . 2. Vício de omissão. O art. 23, parágrafo 2º, da Convenção Brasil Equador para evitar a Dupla Tributação. A embargante alega ainda que acórdão embargado foi omisso com referência a este tópico. Sustenta que ao restabelecer a exigência fiscal, olvidou que a Convenção Brasil Equador, em seu art. 23, parágrafo 2º, afasta por completo qualquer pretensão de exigência do IRPJ e da CSL no Brasil, destacando que detinha 100% do capital da CNOE, fato este segundo sua ótica, impedia qualquer pretensão tributária do fisco brasileiro. Transcrevo aqui as razões de impugnação (fl. 320, grifos não constam do original): Fl. 513DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 27/ 09/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 12897.000196/201054 Acórdão n.º 1301002.131 S1C3T1 Fl. 514 6 Por fim, no caso especifico do acordo firmado com o Equador, ainda que superados todos os fundamentos acima expostos, na hipótese de se entender que o dispositivo aplicável é o art. 10 e que a sua aplicação não requer efetiva distribuição dos dividendos, o que se admite apenas para fins de argumentação, não se pode perder de vista que, mesmo assim, o art. 23, parágrafo 2° do mencionado tratado, afasta por completo qualquer pretensão de exigência do IRPJ de CSL no Brasil. Isso porque tal dispositivo é claro no sentido de que "os dividendos pagos por sociedade residente de um Estado Contratante a uma sociedade residente do outro Estado Contratante detentora de mais de 10 por cento do capital da sociedade pagadora, que são tributáveis no primeiro Estado Contratante de acordo com as disposições da presente Convenção, serão isentos de imposto no outro Estado Contratante." Este seria o caso dos autos, eis que a impugnante detinha 100% do capital da empresa equatoriana, o que permite a incidência de mais essa regra que afasta a tributação no presente caso. Ora, o acórdão recorrido não se fundamentou no art. 10 da Convenção, mas sim no art. 7º, veja o voto vencedor (fls. 477/480, grifos não constam do original): Isto porque, ao analisar os termos das Convenções firmadas pelo Brasil com a República Portuguesa e com a República do Equador, concluiu pela inexistência de cláusula capaz de impedir a tributação, no país, dos lucros auferidos por pessoas jurídicas aqui domiciliadas de empresas por elas controladas e sediadas nos referidos países (Portugal e Equador). O art.7º dos referidos Tratados Internacionais, apontado como aquele que contempla a norma impeditiva da tributação dos lucros auferidos por pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil por meio de controladas ou coligadas sediadas no exterior, efetivamente não traz comando nesse sentido. A vedação ali estabelecida só seria aplicável caso a legislação tributária brasileira autorizasse a tributação do LUCRO AUFERIDO POR PESSOA JURÍDICA SEDIADA NO EXTERIOR que fosse controlada ou coligada de empresa domiciliada no Brasil. À evidência, não é disso que trata a legislação da denominada TRIBUTAÇÃO EM BASES UNIVERSAIS. Nela, a previsão de incidência é dirigida para os LUCROS AUFERIDOS PELA PESSOA JURÍDICA DOMICILIADA NO BRASIL por meio de controladas e coligadas sediadas no exterior. A diferença entre as situações é tênue, mas de extrema relevância e justificadora da introdução de normas, inclusive nas CONVENÇÕES referenciadas, que autorizam a compensação do imposto que foi pago no exterior, pois, do ponto de vista estritamente econômico, e não jurídico, o lucro auferido pela controlada ou coligada no exterior, no caso em que a legislação do país em que elas forem sediadas contiverem previsão de tributação da renda, será tributado no país de origem e no Brasil, visto que a legislação tributária brasileira passou a tributar as pessoas jurídicas aqui domiciliadas tanto em relação ao lucro auferido internamente como aquele proveniente de participações em empresas sediadas no exterior. [...] Fl. 514DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 27/ 09/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 12897.000196/201054 Acórdão n.º 1301002.131 S1C3T1 Fl. 515 7 Por fim, cabe registrar que, diante das considerações acima, revelase absolutamente inócua a discussão acerca da possibilidade de a tributação promovida de ofício encontrar respaldo nas disposições do art. 10 das referidas CONVENÇÕES, eis que, para o Colegiado, o que caberia apreciar é se os referidos Tratados continham norma capaz de criar óbice à pretensão do Fisco, o que, em razão dos argumentos declinados, restou comprovado que não. Assim, em conformidade com a própria redação da recorrente, a alegação que faz referência ao artigo 23 da citada Convenção, seria tão somente na hipótese de se entender que o dispositivo aplicável é o art. 10. Não tendo o Colegiado considerado aplicável o art. 10 (dividendos), o art. 23, § 2, é igualmente inaplicável Eis o específico dispositivo da mencionada Convenção: “2. Os dividendos pagos por uma sociedade residente de um Estado Contratante a uma sociedade residente do outro Estado Contratante detentora de mais de 10 por cento do capital da sociedade pagadora, que são tributáveis no primeiro Estado Contratante de acordo com as disposições da presente Convenção, estarão isentos do imposto no outro Estado Contratante.” Observese que este dispositivo expressamente se refere a dividendos pagos por uma sociedade residente do Equador a uma sociedade residente do Brasil, revelandose desde já que ele é inaplicável ao caso concreto, uma vez que a decisão embargada não concluiu pela aplicabilidade do art. 10 do Tratado, que cuida de dividendos. Assim, inexistente, no caso, o vício de omissão apontado pela Embargante. CONCLUSÃO Em conclusão, por todo o exposto, voto por DAR provimento parcial aos embargos, apenas sanar a omissão apontada e mencionada no item 1, sem efeitos modificativos. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 515DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 27/ 09/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA
score : 1.0
Numero do processo: 14120.000327/2009-76
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2004 a 31/03/2007
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.725
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2004 a 31/03/2007 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido.
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 12 0. 00 03 27 /2 00 9- 76 Fl. 578DF CARF MF Processo nº 14120.000327/200976 Acórdão n.º 9202004.725 CSRFT2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10660.722287/201173. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo ofereceu contrarrazões, pugnando pela negativa de provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.650, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10660.722287/201173, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.650): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 579DF CARF MF Processo nº 14120.000327/200976 Acórdão n.º 9202004.725 CSRFT2 Fl. 4 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De início, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime, pacificou o entendimento de que, na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61, da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262, de 23/06/2016, cuja ementa a seguir se transcreve: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 580DF CARF MF Processo nº 14120.000327/200976 Acórdão n.º 9202004.725 CSRFT2 Fl. 5 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, é necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o parágrafo anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106, do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA, somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP, não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que, na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, correspondente aos 75% previstos no art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32, da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingido pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime, proferido no Acórdãonº9202004.499, de 29/09/2016: Fl. 581DF CARF MF Processo nº 14120.000327/200976 Acórdão n.º 9202004.725 CSRFT2 Fl. 6 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 582DF CARF MF Processo nº 14120.000327/200976 Acórdão n.º 9202004.725 CSRFT2 Fl. 7 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 583DF CARF MF Processo nº 14120.000327/200976 Acórdão n.º 9202004.725 CSRFT2 Fl. 8 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 584DF CARF MF Processo nº 14120.000327/200976 Acórdão n.º 9202004.725 CSRFT2 Fl. 9 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Nesse passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 585DF CARF MF Processo nº 14120.000327/200976 Acórdão n.º 9202004.725 CSRFT2 Fl. 10 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 586DF CARF MF Processo nº 14120.000327/200976 Acórdão n.º 9202004.725 CSRFT2 Fl. 11 10 Em face ao exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 587DF CARF MF
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Numero do processo: 15586.000019/2010-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Oct 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005
RECURSO VOLUNTÁRIO. FALTA DE APRECIAÇÃO. EMBARGOS. CABIMENTO.
Cabem embargos de declaração para suprir omissão, quando comprovado que o recurso voluntário, embora interposto tempestivamente, não foi apreciado pelo órgão julgador.
CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. DEMONSTRAÇÃO DO PREJUÍZO.
A nulidade por cerceamento de direito de defesa depende da comprovação da ação ou da omissão da qual decorreu o alegado cerceamento, bem como do efetivo prejuízo sofrido pelo sujeito passivo.
SIGILO BANCÁRIO. INFORMAÇÕES REQUISITADAS DIRETAMENTE PELA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. VALIDADE.
É válida a obtenção de dados protegidos por sigilo bancário mediante requisição direta da Administração Tributária.
ADMINISTRADORES DE PESSOAS JURÍDICAS. ATOS PRATICADOS COM EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO DE LEI, CONTRATO OU ESTATUTO. INTERESSE COMUM. SOLIDARIEDADE.
Os administradores, gestores e representantes de pessoas jurídicas, quando praticarem atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato ou estatuto, passam a ser sujeitos passivos da relação tributária, e quando se associam de forma voluntária e consciente, praticando em conjunto o fato gerador do tributo, obrigam-se solidariamente pelo pagamento do crédito tributário, dada a existência de interesse comum.
SOLIDARIEDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. INDIVISIBILIDADE.
As obrigações tributárias são indivisíveis, de modo que, havendo solidariedade passiva, cada um dos devedores solidários, em princípio, é obrigado pelo total da dívida e o pagamento feito por qualquer deles aproveita aos demais.
Numero da decisão: 1301-002.159
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: (i) DAR provimento aos embargos de Márcio Alexandre Sarnaglia, Silvério José Vassuler e José Carlos Vassuler, para sanar a omissão, examinando as razões dos recursos voluntários interpostos, aos quais, no mérito, nega-se provimento; (ii) REJEITAR os embargos de Sérgio Brambilla e Morgana Fadini Magewski; e (iii) DAR PARCIAL provimento aos embargos de Paulo César Brito da Veiga, sem efeito modificativo.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flavio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Milene de Araújo Macedo.
Nome do relator: ROBERTO SILVA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004, 2005 RECURSO VOLUNTÁRIO. FALTA DE APRECIAÇÃO. EMBARGOS. CABIMENTO. Cabem embargos de declaração para suprir omissão, quando comprovado que o recurso voluntário, embora interposto tempestivamente, não foi apreciado pelo órgão julgador. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. DEMONSTRAÇÃO DO PREJUÍZO. A nulidade por cerceamento de direito de defesa depende da comprovação da ação ou da omissão da qual decorreu o alegado cerceamento, bem como do efetivo prejuízo sofrido pelo sujeito passivo. SIGILO BANCÁRIO. INFORMAÇÕES REQUISITADAS DIRETAMENTE PELA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. VALIDADE. É válida a obtenção de dados protegidos por sigilo bancário mediante requisição direta da Administração Tributária. ADMINISTRADORES DE PESSOAS JURÍDICAS. ATOS PRATICADOS COM EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO DE LEI, CONTRATO OU ESTATUTO. INTERESSE COMUM. SOLIDARIEDADE. Os administradores, gestores e representantes de pessoas jurídicas, quando praticarem atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato ou estatuto, passam a ser sujeitos passivos da relação tributária, e quando se associam de forma voluntária e consciente, praticando em conjunto o fato gerador do tributo, obrigam-se solidariamente pelo pagamento do crédito tributário, dada a existência de interesse comum. SOLIDARIEDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. INDIVISIBILIDADE. As obrigações tributárias são indivisíveis, de modo que, havendo solidariedade passiva, cada um dos devedores solidários, em princípio, é obrigado pelo total da dívida e o pagamento feito por qualquer deles aproveita aos demais.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: (i) DAR provimento aos embargos de Márcio Alexandre Sarnaglia, Silvério José Vassuler e José Carlos Vassuler, para sanar a omissão, examinando as razões dos recursos voluntários interpostos, aos quais, no mérito, nega-se provimento; (ii) REJEITAR os embargos de Sérgio Brambilla e Morgana Fadini Magewski; e (iii) DAR PARCIAL provimento aos embargos de Paulo César Brito da Veiga, sem efeito modificativo. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha - Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flavio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Milene de Araújo Macedo.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005 RECURSO VOLUNTÁRIO. FALTA DE APRECIAÇÃO. EMBARGOS. CABIMENTO. Cabem embargos de declaração para suprir omissão, quando comprovado que o recurso voluntário, embora interposto tempestivamente, não foi apreciado pelo órgão julgador. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. DEMONSTRAÇÃO DO PREJUÍZO. A nulidade por cerceamento de direito de defesa depende da comprovação da ação ou da omissão da qual decorreu o alegado cerceamento, bem como do efetivo prejuízo sofrido pelo sujeito passivo. SIGILO BANCÁRIO. INFORMAÇÕES REQUISITADAS DIRETAMENTE PELA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. VALIDADE. É válida a obtenção de dados protegidos por sigilo bancário mediante requisição direta da Administração Tributária. ADMINISTRADORES DE PESSOAS JURÍDICAS. ATOS PRATICADOS COM EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO DE LEI, CONTRATO OU ESTATUTO. INTERESSE COMUM. SOLIDARIEDADE. Os administradores, gestores e representantes de pessoas jurídicas, quando praticarem atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato ou estatuto, passam a ser sujeitos passivos da relação tributária, e quando se associam de forma voluntária e consciente, praticando em conjunto o fato gerador do tributo, obrigamse solidariamente pelo pagamento do crédito tributário, dada a existência de interesse comum. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 00 19 /2 01 0- 70 Fl. 15424DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 15586.000019/201070 Acórdão n.º 1301002.159 S1C3T1 Fl. 15.425 2 SOLIDARIEDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. INDIVISIBILIDADE. As obrigações tributárias são indivisíveis, de modo que, havendo solidariedade passiva, cada um dos devedores solidários, em princípio, é obrigado pelo total da dívida e o pagamento feito por qualquer deles aproveita aos demais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: (i) DAR provimento aos embargos de Márcio Alexandre Sarnaglia, Silvério José Vassuler e José Carlos Vassuler, para sanar a omissão, examinando as razões dos recursos voluntários interpostos, aos quais, no mérito, negase provimento; (ii) REJEITAR os embargos de Sérgio Brambilla e Morgana Fadini Magewski; e (iii) DAR PARCIAL provimento aos embargos de Paulo César Brito da Veiga, sem efeito modificativo. (ASSINADO DIGITALMENTE) Waldir Veiga Rocha Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Roberto Silva Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flavio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Milene de Araújo Macedo. Fl. 15425DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 15586.000019/201070 Acórdão n.º 1301002.159 S1C3T1 Fl. 15.426 3 Relatório Tratase de embargos de declaração interpostos por SÉRGIO BRAMBILLA, MORGANA FADINI MAGEWSKI, PAULO CÉSAR BRITO DA VEIGA, MÁRCIO ALEXANDRE SARNAGLIA, SILVÉRIO JOSÉ VASSULER e JOSÉ CARLOS VASSULER, todos já qualificados nos autos, contra o Acórdão nº 1301001.525, da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara, da Primeira Seção de Julgamento do CARF. Os embargos foram admitidos pelo despacho de fls. 15.414 a 15.417, nos seguintes termos: Tratamse de Embargos de Declaração opostos pelos Responsáveis Solidários acima identificados, em face do Acórdão n° 1301001.525, de 08 de maio de 2014, por meio do qual acordaram os membros desta Primeira Turma Ordinária, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso de ofício para reconhecer a decadência do IRPJ e CSLL com relação, tão somente, aos fatos geradores ocorridos no 1º, 2º e 3º trimestres do ano calendário de 2004, e, para o PIS e COFINS, reconhecer a decadência para os fatos geradores ocorridos até o mês de novembro de 2004. Pelo voto de qualidade, NEGOUSE provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Valmir Sandri, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior (apenas em relação a Responsável Solidária Morgana Fadini Magewski). Da decisão foi lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO CONTENDO IDENTIFICAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTADA E ENQUADRAMENTO LEGAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NÃO CARACTERIZADO. Não resta caracterizada a preterição do direito de defesa, a suscitar a nulidade do lançamento, quando o auto de infração atende ao disposto no art. 10 do Decreto n° 70.235/72, identifica a matéria tributada e contém a fundamentação legal correlata. DECISÃO RECORRIDA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. INDEFERIMENTO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NÃO CARACTERIZADO. Não resta caracterizada a preterição do direito de defesa, a suscitar a nulidade da decisão recorrida, quando nesta são apreciadas todas as alegações contidas na peça impugnatória, sem omissão ou contradição. Ademais, o julgador não se obriga a contestar todos os argumentos expendidos pela parte quando analisa a matéria, desde que os fundamentos tenham sido suficientes para embasar a decisão. As matérias atinentes à lide objeto dos autos, suscitadas nas razões da impugnação na instância a quo foram enfrentadas pela decisão recorrida. O v. acórdão recorrido não precisa rebater todas as teses apresentadas, se encontrou razões suficientes para a decisão. Fl. 15426DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 15586.000019/201070 Acórdão n.º 1301002.159 S1C3T1 Fl. 15.427 4 Apesar de ser facultado ao sujeito passivo o direito de solicitar a realização de diligência e/ou perícia, compete à autoridade julgadora decidir sobre sua efetivação, podendo ser indeferidas as que considerar prescindíveis ou não comprovada sua necessidade. INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL COM AVISO DE RECEBIMENTO. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. É válida a intimação feita por via postal entregue no domicílio tributário do contribuinte, não sendo necessário que o AR seja assinado pessoalmente pelo sujeito passivo. O domicílio tributário, para fins de intimação por via postal, é aquele fornecido pelo sujeito passivo, para fins cadastrais, à administração tributária. PEREMPÇÃO. O prazo para apresentação de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é de trinta dias a contar da ciência da decisão de primeira instância, ex vi do disposto no art. 33 do Decreto n° 70.235, de 1972. Recurso apresentado após o prazo estabelecido, dele não se toma conhecimento, visto que, nos termos do art. 42 do mesmo diploma, a decisão de primeira instância já se tornou definitiva. RMF. PROVA ILÍCITA. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. INEXISTÊNCIA. A entrega, pela instituição financeira, mediante RMF, dos extratos com a movimentação financeira bancária do fiscalizado, quando há procedimento fiscal em curso e o exame desses dados pelo Fisco se revela indispensável, não configura a existência de prova ilícita, nem necessita de autorização judicial. INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. Às autoridades julgadoras administrativas é defeso declarar a inconstitucionalidade/ilegalidade de lei ou ato normativo (súmula CARF 2). NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Configurado o interesse comum nas situações que constituem o fato gerador dos tributos, pela prova de existência de identificação entre o responsável solidário e a contribuinte, resta caracterizada a sujeição passiva solidária nos termos do art. 124, I, c/c art. 135, III, ambos do CTN. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERPOSTA PESSOA. Comprovado nos autos os verdadeiros sócios da pessoa jurídica, pessoas físicas, acobertados por terceiras pessoas ("laranjas") que apenas emprestavam o nome para que eles realizassem operações em nome da pessoa jurídica, da qual tinham ampla procuração para gerir seus negócios e suas contas correntes bancárias, fica caracterizada a hipótese prevista no art. 124, I, do Código Tributário Nacional, pelo interesse comum na situação que constituía o fato gerador da obrigação principal. Fl. 15427DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 15586.000019/201070 Acórdão n.º 1301002.159 S1C3T1 Fl. 15.428 5 Comprovada a interposição de pessoas, o lançamento deve ser efetuado no real possuidor dos valores a serem tributados. LUCRO ARBITRADO. OMISSÃO DE RECEITA PROVADA. APURAÇÃO POR DIFERENÇA ENTRE RECEITA ESCRITURADA E DECLARADA. INTIMAÇÃO PARA COMPROVAR ORIGEM DOS RECURSOS. DESNECESSIDADE. Uma vez que a omissão de receita tenha sido provada pela apuração de diferença entre as receitas escriturada e declarada, não se aplicam os preceitos do art. 42, caput e §§, da Lei n° 9.430/1996, que disciplinam hipótese de receita presumidamente omitida. MULTA QUALIFICADA DE 150%. RECEITA DECLARADA SUBSTANCIALMENTE MENOR QUE A ESCRITURADA. CONDUTA REITERADA. SONEGAÇÃO. Reiteradas declarações ao Fisco Federal de receitas substancialmente menores que as escrituradas, em concomitância com declarações corretas ao Fisco Estadual, caracterizam a intenção de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, o que justifica a aplicação da multa qualificada de 150%. DECADÊNCIA SÓCIOS "LARANJAS". MULTA QUALIFICADA. A contagem do prazo decadencial, havendo dolo/fraude do contribuinte na prática das infrações apuradas, a decadência é regulada pelo art. 173, I, do CTN, de modo que o termo inicial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF 4). Recebidos os presentes EMBARGOS nos termos dos artigos 64 e 65 do Anexo II da Portaria MF n° 343, de 09/06 2015, que aprovou o Regimento Interno do CARF RICARF. As argumentações constantes nos presentes embargos de declaração podem ser assim sintetizadas: Sérgio Brambilla aponta, em apertada síntese, contradição e omissão entre a fundamentação do voto condutor recorrido na sua parte dispositiva em relação a responsabilização solidária com base no art. 135, III, do CTN e os fundamentos do auto de infração com base tão somente, no art. 124, I, do mesmo CTN; Morgana Fadini Magewski aponta omissão no acórdão embargado em relação a matéria trazida no recurso voluntário, qual seja: "alteração da base argumentativa no acórdão da DRJ" e também, em relação ao fato que todas as provas relacionamse ao ano de 2004, nenhuma com relação a 2005. Aponta, ainda, contradição na atribuição de responsabilidade com relação à conta bancária 1.3943, Agência 3007 da SICOOB, bem como da exclusão do responsável solidário Marcelo Dória; Fl. 15428DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 15586.000019/201070 Acórdão n.º 1301002.159 S1C3T1 Fl. 15.429 6 Paulo César Brito da Veiga aponta omissão e contradição com relação a matéria decadência e ilegitimidade passiva; Márcio Alexandre Sarnaglia e José Silvério Vassuler (sic) apontam omissão e obscuridade no acórdão embargado, na medida em que este deixou de apreciar as razões recursais sob a alegação de que "não se encontram nos autos os recursos voluntários", não obstante, provam com a juntada de cópias dos referidos recursos que eles foram tempestivamente protocolizados em 30/07/2012, na Delegacia da Receita Federal em VitóriaES. Na medida em que os Embargantes apontam ocorrências de omissões e contradições no voto recorrido em toda sua extensão, entendo, no caso, necessária uma análise detalhada e comparativa dos termos da decisão veiculada pelo Acórdão recorrido (1301001.525, de 08 de maio de 2014), pelo que proponho a admissibilidade dos presentes Embargos. Neste termos, submeto o presente à apreciação do Sr. Presidente desta Primeira Turma, conforme expresso no art. 65, parágrafo 7°, do Anexo II, do RICARF (Port. MF n° 343, de 2015). A proposta foi acolhida. Entretanto, ao analisar os embargos, o então relator, Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas, defrontouse com uma questão prejudicial, assim descrita: "... na análise do mesmo (o processo) este relator constatou questão prejudicial ao seu julgamento, qual seja: em relação aos embargos interpostos, especialmente, pelos Srs. MÁRCIO ALEXANDRE SARNAGLIA e JOSÉ SILVÉRIO VASSULER (sic), de igual teor, nos quais apontam omissão e obscuridade no acórdão embargado, na medida em que este deixou de apreciar as razões recursais sob a alegação de que "não se encontram nos autos os recursos voluntários", não obstante, provam com a juntada de cópias dos referidos recursos, tempestivamente protocolizados em 30/07/2012, na Delegacia da Receita Federal em VitóriaES. De fato, compulsando os autos no eprocesso não encontro as peças processuais relativas aos recursos voluntários de ambos os recorrentes, pelo que, entendo deva remeter os presentes autos à DRF (VitóriaES) para que se manifeste sobre a recepção e encaminhamento dos mesmos (recursos voluntários) a este Conselho Administrativo, de modo que proponho converter o presente julgamento em diligência para tal mister." (fls. 15.418 e 15.419) Os autos foram então encaminhados à DRF Vitória, que não apenas confirmou os recursos de Márcio Alexandre Sarnaglia e Silvério José Vassuler, como ainda acrescentou que um outro recorrente, José Carlos Vassuler, também havia interposto recurso sem que a peça recursal viesse aos autos. Eis a informação da DRF Vitória: "...informase que em consulta aos presentes autos, não foram localizados os recursos voluntários apresentados e protocolizados em 30 de julho de 2012 na DRF/VITÓRIAES pelos embargantes citados. Fl. 15429DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 15586.000019/201070 Acórdão n.º 1301002.159 S1C3T1 Fl. 15.430 7 Entretanto, constatase que as cópias dos recursos voluntários apresentadas junto aos embargos possuem em comum, como referência, o número de processo 15586.000277/200670, distinto do processo em questão. Em consulta ao processo digital 15586.000277/200670, verificase que neste constam os recursos voluntários apresentados pelos embargantes citados, assim como, o recurso voluntário apresentado e protocolizado em 30 de julho de 2012 na DRF/VITÓRIAES pelo embargante JOSÉ CARLOS VASSULER, com embargo de igual teor. Tais recursos foram juntados no eprocesso pela ARF/SERRA, unidade de jurisdição do interessado do processo 15586.000277/200670, e encontramse respectivamente às efls. 31.124/31.184, 31.063/31.123 e 31.003/31.062." (fls. 15.421) Têm idêntico teor os recursos interpostos por Márcio Alexandre Sarnaglia, Silvério José Vassuler e José Carlos Vassuler, os quais, fundados nos mesmos argumentos, formulam os mesmos pedidos. Preliminarmente, alegaram cerceamento do direito de defesa, uma vez que não foram notificados acerca de "procedimentos fundamentais à tutela de seus interesses". Arguiram a ilegitimidade na quebra do sigilo bancário, ao argumento de que tal medida não poderia ser adotada pela Administração Tributária sem a intervenção do Poder Judiciário. E, ainda em preliminar, afirmaram ter ocorrido decadência parcial do crédito tributário. No mérito, os recorrentes questionam a imputação e os limites da responsabilidade solidária. Dizem que, nos autos de infração, ela está fundada exclusivamente no inciso I do art. 124 do CTN. Porém, teria sido mantida não pelos motivos indicados no lançamento, mas por outros enxertados por ocasião do julgamento. A primeira instância houve por bem promover as correções que julgou necessárias. Assim, reapreciou o conjunto probatório e redefiniu a situação fáticojurídica, acrescentando à motivação original o art. 135, inciso III, do CTN. À DRJ, todavia, não é dado alterar a motivação dos atos administrativos que lhe são postos à revisão. No lançamento, a Fiscalização presumiu que a existência de procuração passada pela pessoa jurídica fiscalizada era índice seguro de máfé, intuito fraudulento e interesse comum na situação que constitui fato gerador de tributos. O contexto criado pela autoridade lançadora é contraditório com o tratamento jurídico conferido à matéria. A atividade exercida pelos recorrentes era a de corretor de café e não havia qualquer "interesse comum" a justificar a incidência do art. 124, inciso I, do CTN. Mas, ainda que fosse lícito falar em interesse comum, a fim de responsabilizar os recorrentes, a responsabilidade deveria se limitar ao crédito tributário proporcional aos valores que efetivamente transitaram pelas contas movimentadas pelos autuados na condição de procurador e, mesmo assim, limitada a responsabilidade ao período em que se deu tal movimentação. Aduziram que, se houve infração, foi de simples omissão de receitas tributáveis, fato que não pode ser imputado aos recorrentes. Disseram que a Fiscalização supôs uma situação hipotética, correspondente a um tipo usual de fraude praticada no ramo ligado à compra e à venda de café, e reduziu, à força, a realidade dos fatos a esse esquema hipotético. Fl. 15430DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 15586.000019/201070 Acórdão n.º 1301002.159 S1C3T1 Fl. 15.431 8 Porém não existiriam provas de que a empresa Porto Velho Comércio Ltda. fosse funcionar apenas por determinado período, e tampouco que encerraria suas atividades de forma irregular. Esses fatos foram presumidos pela Fiscalização. A empresa Porto Velho Comércio Ltda. é pessoa jurídica legítima, realizadora de movimentações próprias e que incorreu apenas em omissão de receitas. Não há, por outro lado, informações sobre créditos fictícios de PIS e de Confis. O assunto aventado pela Fiscalização é impertinente. A Fiscalização, não tendo provas de suas alegações, valeuse apenas do argumento de autoridade. Não está presente o interesse comum a configurar a hipótese de aplicação do art. 124, inciso I, do CTN. A Fiscalização, por outro lado, ignora o real contexto da atividade dos recorrentes. Ter poderes de gestão não é ter interesse comum, e não ficou demonstrado que os valores movimentados pelos recorrentes o foram em benefício próprio. Os recorrentes não praticaram os fatos jurídicos que desencadearam os efeitos tributários para a Porto Velho Comércio Ltda, nem podem ser confundidos com a própria empresa, quando muito poderiam ser qualificados como seus parceiros de negócio. Por essas razões, a ser mantida a responsabilidade dos recorrentes, essa deve ser limitada aos valores que transitaram pelas contas por eles movimentadas, bem como restrita aos respectivos períodos. Isso porque a responsabilidade é aferida "em concreto", e não "em abstrato". Não há qualquer elemento probatório que evidencie o vínculo dos recorrentes com os demais procuradores, que movimentaram outras contas correntes da Porto Velho Comércio Ltda. Finalmente, quanto à multa qualificada, alegouse que a imputação é personalíssima e específica, dependendo da conduta individual de cada um. Baseados nesses argumentos, pedem os recorrentes: a) que seja afastada a responsabilidade tributária a eles imputada relativamente aos créditos de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins; b) que seja, subsidiariamente, redimensionada a responsabilidade em função dos valores que efetivamente transitaram pelas contas bancárias, cuja movimentação cabia aos recorrentes, limitada ao período em que essa situação se verificou; c) que seja reconhecida, nos termos do §4º, do artigo 150, do CTN, a decadência dos créditos tributários referente a períodos de apuração anteriores a 19/04/2005; e d) que seja cancelada a multa qualificada de 150%, ou excluída tal responsabilidade em relação aos recorrentes. É o relatório. Fl. 15431DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 15586.000019/201070 Acórdão n.º 1301002.159 S1C3T1 Fl. 15.432 9 Voto Conselheiro Roberto Silva Junior EMBARGOS DE DECLARAÇÃO DE MÁRCIO ALEXANDRE SARNAGLIA, SILVÉRIO JOSÉ VASSULER E JOSÉ CARLOS VASSULER Diferente dos demais recursos, os embargos de declaração não têm por finalidade reapreciar a decisão, a fim de obter sua reforma ou anulação. Não se destinam ao reexame de provas, nem à correção na aplicação do direito. Sua finalidade é integrar a decisão proferida, sanando vícios de obscuridade, contradição ou omissão. Portanto, em regra, os embargos não têm por objetivo produzir efeito modificativo, embora tal efeito possa resultar da eliminação de um daqueles vícios. Qualquer que seja a situação, os embargos pressupõem a existência de uma decisão anterior e são dirigidos ao mesmo órgão que a tenha prolatado. No caso em tela, em relação aos recursos voluntários apresentados por três dos seis embargantes, Márcio Alexandre Sarnaglia, Silvério José Vassuler e José Carlos Vassuler, não existe decisão anterior. É que os recursos, por razões que se desconhecem, não vieram aos autos, e, assim, não foram examinadas quando da decisão da 1ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara, consubstanciada no Acórdão nº 1301001.525. O exame agora desses três recursos, por força de embargos de declaração, poderia produzir, para esses recorrentes, uma decisão que, por seu conteúdo, se colocasse em desarmonia e conflito com o que fora decidido para os outros dezoito recorrentes, que tiveram seus recursos apreciados no Acórdão nº 1301001.525. Essa possibilidade é mais do que uma simples conjectura, quando se constata que a atual composição da 1ª Turma Ordinária é inteiramente distinta daquela existente ao tempo da prolação do acórdão. Sendo diferente a composição da turma, não é impossível que diferente também seja o entendimento acerca de determinadas matérias de fato e de direito. Surgindo uma situação desse tipo, os embargos de declaração, ao invés de integrar a decisão embargada, iria cria um conflito de difícil solução. Por essa razão se mostra mais adequado, a meu juízo, adotar para os pontos levantados pelos três embargantes (Márcio Alexandre Sarnaglia, Silvério José Vassuler e José Carlos Vassuler) nos recursos voluntários não examinados, os mesmos fundamentos e a mesma decisão adotada no Acórdão nº 1301001.525 para questões idênticas suscitadas pelos outros recorrentes, reservando o exame de conteúdo apenas para questões específicas e para pontos não examinados originalmente pelo acórdão embargado. Cerceamento do direito de defesa Os recorrentes alegaram cerceamento de direito de defesa, pois não teriam sido notificados sobre "procedimentos fundamentais à tutela de seus interesses". Não disseram, todavia, de quais procedimentos deixaram de ser intimados, nem qual o prejuízo que teria Fl. 15432DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 15586.000019/201070 Acórdão n.º 1301002.159 S1C3T1 Fl. 15.433 10 concretamente resultado da alegada irregularidade. Exemplificaram, como possível prejuízo, a impossibilidade de apresentar memoriais. Os recorrentes apresentaram impugnação, recurso voluntário e embargos. O que mais poderia ter sido acrescentado, nos alegados memoriais, que não pudesse ser dito em uma das peças acima referidas? A verdade é que os recorrentes não apontaram de forma objetiva o prejuízo que lhes teria advindo da suposta omissão. Sem prejuízo não há nulidade. Portanto, rejeitase a preliminar. Sigilo bancário Arguiram a ilegitimidade da quebra do sigilo bancário. A discussão que envolve a possibilidade de requisição direta de informações bancárias pela autoridade administrativa já está superada por decisão do E. Supremo Tribunal Federal, que, no julgamento das Ações Diretas de Inconstitucionalidade nº 2859, 2390, 2386 e 2397, em 24/02/2016, decidiu pela constitucionalidade das normas que permitem à Receita Federal receber dados bancários de contribuintes fornecidos diretamente pelos bancos, sem prévia autorização judicial. (conforme http://www.stf.jus.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=310670) Decadência O Acórdão nº 1301.001.525 reconheceu a decadência do direito de lançar o crédito tributário, embora em menor extensão do que pretendido pelos recorrentes. Na parte que diz respeito à decadência, eis o voto condutor da decisão: Para o IRPJ e a CSLL, que têm período de apuração trimestral (arbitramento), o lançamento para o 1o, 2o e 3o trimestres de 2004 poderia ser praticado ainda em 2004, portanto a contagem se inicia em 01/01/2005 e o termo final em 31/12/2009. Como o lançamento ocorreu em abril de 2010, o período compreendido pelos três primeiros trimestres de 2004 encontrase fulminado pela decadência. Já para o 4o trimestre de 2004 o lançamento só poderia ser efetuado em 2005, o termo inicial é 01/01/2006 e o termo final 31/12/2010, estando incólumes os lançamentos para todo o 4o trimestre de 2004, bem como todo ano calendário de 2005. Lembro que a DRJ exonerou os lançamentos efetuados até 30/11/2004. Para o PIS e a Cofins, cujos fatos geradores são mensais, estão alcançados pela decadência os tributos relativos aos fatos ocorridos até novembro de 2004, cujos lançamentos poderiam ser feitos já em 2004. Logo com relação ao fato gerador do mês de dezembro de 2004, o prazo de cinco anos começou a ser contado somente em 1o de janeiro de 2005, termo inicial 01/01/2006 esgotandose em 31/12/2010. Portanto, quanto ao PIS e à COFINS, remanescem apenas os créditos tributários lançados a partir do mês de dezembro de 2004 (e todo ano calendário de 2005). Isto posto, meu voto é no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso de Ofício acolhendo a decadência para o IRPJ e a CSLL somente com relação aos fatos geradores dos 1°, 2o e 3o trimestres do ano calendário de 2004, mantendo a decisão de primeira instância de exonerar os lançamentos do PIS e da COFINS com relação aos fatos geradores ocorridos até o mês de novembro do ano calendário de 2004. (fl. 13.547) Fl. 15433DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 15586.000019/201070 Acórdão n.º 1301002.159 S1C3T1 Fl. 15.434 11 Sujeição passiva dos recorrentes Os recorrentes alegam ilegitimidade passiva, ao argumento da não existência de interesse comum entre elas e as demais pessoas físicas, todas corretoras de café, a quem, mediante procuração, foram outorgados poderes para abrir contas bancárias em nome da pessoa jurídica Porto Velho Comércio Ltda. Afirmam que tal procedimento se destinava a viabilizar o exercício da atividade de corretor de café. E, se houve alguma infração, foi a simples omissão de receitas, imputável exclusivamente àquela empresa. Essa questão foi examinada pela 1ª Turma, quando do julgamento que resultou no Acórdão nº 1301001.525. Naquela oportunidade, prevaleceu o entendimento de que, em situação semelhante à dos recorrentes, havia sim interesse comum a atrair a solidariedade tributária prevista no art. 124, inciso I, do CTN. Extraídos do voto condutor da decisão, estes são os fundamentos que deram respaldo ao entendimento adotado: O fundamento legal da responsabilidade que lhe foi imputada repousa no art. 124, I, do CTN e resulta precisamente, do interesse comum constatado nos fatos geradores que ensejam a presente exigência. E a defesa se resume a este fato (responsabilidade solidária). Do voto recorrido, extraise a seguinte conclusão com relação a matéria: XIII.5. Conclusão 117. Trinta pessoas físicas foram responsabilizadas com base no art. 135, III, do CTN, posto que houve a dissolução irregular da Fiscalizada e a interposição fraudulenta de pessoas, seja no quadro societário, seja no grupo de procuradores. Face à pluralidade de sujeitos passivos, incidiu a regra do art. 124, I, do mesmo Codex, para tornálas solidariamente obrigadas. 118. A dissolução irregular da Fiscalizada e a interposição fraudulenta de pessoas no quadro societário são imputáveis a todos os verdadeiros sócios gerentes, mas sua responsabilidade deve restringirse à parcela do crédito correspondente aos fatos geradores acontecidos no período em que efetivamente controlaram as contas bancárias. Assim, por exemplo, como Paulo Márcio Leite Ribeiro controlou uma conta que recebeu recursos de março de 2004 a dezembro de 2005 (Tabela 2, abaixo), só poderá ser responsabilizado pela parte do crédito tributário cujos fatos geradores ocorreram neste período. 119. Para individualizar as responsabilidades, levantamos a Tabela 2, abaixo, em que são apresentados o primeiro e último meses de entrada das receitas, por conta bancária e sujeito passivo solidário. Pela leitura dos autos depreendese que no caso tratase de um esquema montado no Estado do Espírito Santo com vistas a fraudar a Fazenda Pública mediante artifícios com uso de empresas constituídas para este fim, sob a gerência comercial e financeira de pessoas físicas com poderes totais, outorgados em procuração pública pela pessoa jurídica fiscalizada. Extraise do TVF (fls. 10.253): De início, cabe esclarecer que tem sido muito comum no Estado do Espírito Santo empresas do ramo de café acumularem elevados débitos fiscais junto à Receita Federal do Brasil após funcionarem por um período de tempo, depois Fl. 15434DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 15586.000019/201070 Acórdão n.º 1301002.159 S1C3T1 Fl. 15.435 12 fecham as portas e abrem outras empresas com o mesmo ramo de atividade em locais diferentes. Essas empresas normalmente encerram suas atividades de forma irregular, ou seja, não comunicam à Receita Feral do Brasil os procedimentos de praxe, já que os sócios não possuem capacidade financeira para arcar com os débitos tributários causados. Os fatos apurados na presente ação fiscal enquadramse perfeitamente neste projeto de sonegação fiscal. A partir da instituição das leis que criaram o Programa de Integração Social PIS não cumulativo (Lei n° 10.637, de 30/12/2002) e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social não cumulativa (Lei n° 10.833, de 29/12/2003) foram abertas várias empresas no Estado do Espírito Santo, para atuarem na comercialização de café junto aos produtores (pessoas físicas), pois a referida legislação permite as pessoas jurídicas compradoras (empresas torrefadoras) e atacadista de café optantes pela tributação do IRPJ com base no lucro real à utilização de créditos apurados pela aplicação dos percentuais de 1,65% e 7,6% respectivamente, sobre os valores dessas compras. Os percentuais acima descritos não seriam aproveitados caso as aquisições fossem realizadas diretamente de pessoas físicas. Referidos percentuais seriam presumidos respectivamente de 0,57 e 2,66%, a título de PIS e COFINS (Lei 10.925, de 23/07/2004). A empresa Porto Velho Comércio Ltda. iniciou suas atividades em julho de 2003, com o capital social de R$ 100.000,00 considerado muito baixo para atividade econômica que pretendia desenvolver. Durante os anos de 2004 e 2005 substituiu e admitiu novos sócios com baixa capacidade econômica, nomeou por meio de instrumento público vários procuradores (negociantes do ramo de café) com poderes para representála junto aos bancos, abrirem contas bancárias em seu nome e movimentarem os recursos de suas contas bancárias nas suas regiões na negociação de café junto aos produtores. Assim, evidencia o TVF que analisando o depoimento dos investigados ora recorrentes, a fiscalização concluiu que os mesmos movimentaram, na qualidade de procuradores, recursos depositados na conta bancária da empresa fiscalizada (Porto Velho Comércio Ltda.) com a finalidade de efetuar transações de compra de café, inclusive que a procuração lhes outorgavam poderes total de gestão. Referidos fatos comprovam a participação nos negócios comerciais e financeiros da fiscalizada pelos recorrentes (interesse comum) e caracteriza sua responsabilidade solidária nos termos do art. 124, I, do CTN. O interesse comum se refere a pessoas que tenham participação no fato gerador, ou seja, que o tenham praticado conjuntamente. Se a solidariedade decorre de interesse comum, as pessoas já são naturalmente coobrigadas e a solidariedade tornase legal por efeito da regra do Código Tributário Nacional. Portanto, evidenciada a íntima relação entre os recorrentes e a empresa Porto Velho Comércio Ltda. e, por consequência, o interesse comum neste fato gerador, além da ausência de qualquer prova em contrário produzida pelos interessados, correta a conclusão fiscal que lhe imputou responsabilidade Fl. 15435DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 15586.000019/201070 Acórdão n.º 1301002.159 S1C3T1 Fl. 15.436 13 solidária pelos créditos tributários aqui constituídos, limitando ao período em que movimentaram as contas bancárias (CLAUDEMIR MEDEIROS JORDÃO: de julho/2004 a dezembro/2005 e LUIZ CÉSAR ASTOLPHO: de junho/2004 a dezembro/2005, conforme Tabela 2 do voto recorrido as fls. 12.445). Em outras palavras, as contas correntes de titularidade da empresa fiscalizada foram utilizadas por terceiros para ocultar as operações mercantis da pessoa jurídica e dificultar a detecção pelo fisco de sua verdadeira movimentação financeira. Por óbvio, o lucro obtido indevidamente decorrente da sonegação de tributos e contribuições federais, reverteuse em favor da pessoa jurídica e também em favor das pessoas físicas dos verdadeiros sócios, não existindo dúvidas sobre o evidente interesse comum de ambos nestas operações delituosas, conforme previsto no art. 124, I, do CTN. Por tais razões, neste item, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO aos recursos voluntários acerca da responsabilidade solidária imputada, mantendo na integralidade a decisão emanada em primeira instância com a ressalva do quanto decidido com relação aos períodos abrangidos pela decadência (Recurso de Oficio). (g.n.) (fls. 13.549 a 13.551) Os mesmos fatos apontados como prova da existência do interesse comum estão presentes nas situações dos três recorrentes. Portanto, a mesma solução há de ser adotada. Os recorrentes, por outro lado, afirmaram que o órgão de primeira instância, a DRJ Rio de Janeiro, teria acrescentado novos fundamentos à motivação original, em especial, o art. 135, inciso III, do CTN. O exame do Termo de Verificação Fiscal TVF não confirma essa assertiva. Pelo contrário, na parte que diz respeitos aos recorrentes, fica claro que a Fiscalização os considerou como gestores da empresa, embora não tenha chegado a indicar de maneira expressa o art. 135 do CTN. Porém, isso não torna inválido o lançamento, pois, como se sabe, o contribuinte se defende dos fatos, e esses foram corretamente descritos. No TVF se encontram os seguintes relatos acerca de cada um dos três recorrentes, a demonstrar que a Fiscalização os considerava como detentores de poderes que os equiparavam a administradores da empresa Porto Velho Comércio Ltda. Estes são os trechos extraídos do TVF: Atendendo à intimação o senhor Jose Carlos Vassuler prestou depoimento de fls. 5396 a 5399. Analisando o depoimento e os documentos bancários recebidos anexos às fls. 5413 a 5796 concluímos , em síntese, que esta pessoa: a) movimentou, como procurador, os recursos depositados na conta bancária n° 51.3423, agência n° 30085 (Santa Teresa/ES), aberta em março 2004, na Cooperativa de Crédito Centro Serrana do Espírito Santo pertencente à fiscalizada na negociação de café junto aos produtores rurais; b) possuía poderes de gestão. Tais poderes foram reconhecidos na procuração que lhe foi outorgada e utilizados na abertura da conta bancária acima identificada. Referidos fatos comprovam a sua participação nos negócios comerciais da fiscalizada e caracteriza sua responsabilidade solidária nos termos do art. 124, I, da Fl. 15436DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 15586.000019/201070 Acórdão n.º 1301002.159 S1C3T1 Fl. 15.437 14 Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional) devendo o mesmo responder pessoal e solidariamente perante a Fazenda Pública pelos créditos tributários apurados no presente processo fiscal. (fls. 10.568 e 10.569) (...) Atendendo à intimação o senhor Silvério José Vassuler prestou depoimento de fls. 6820 a 6823. Analisando o depoimento e os documentos bancários recebidos anexos às fls. 6833 a 6945 concluímos, em síntese, que esta pessoa: a) movimentou, como procurador, os recursos na conta bancária n° 51.3423, agência 30085 (Jaguaré/ES), aberta em junho de 2004, na Cooperativa de Crédito Centro Serrana do Espírito Santo pertencente à fiscalizada na negociação de café junto aos produtores rurais; b) possuía poderes de gestão. Tais poderes foram reconhecidos na procuração que lhe foi outorgada e utilizados na abertura da conta bancária acima identificada. Referidos fatos comprovam a sua participação nos negócios comerciais da fiscalizada nos termos do art. 124, I, da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional) devendo o mesmo responder pessoal e solidariamente perante a Fazenda Pública pelos créditos tributários apurados no presente processo fiscal. (fls. 10.573) (...) Atendendo à intimação que foi imposta o senhor Marcio Alexandre Sarnaglia prestou as informações de fls. 7157 a 7160 que foram vertidas a termo. Analisando o depoimento e os documentos bancários recebidos anexos às fls. 7167 a 7182 a 7187 a 7265, concluímos, em síntese, que esta pessoa: a) movimentou, como procurador, os recursos depositados na conta bancária nº 8.3216, agência nº 2153 (Itaguaçu/ES), aberta em novembro de 2003, mantida no Banco do Brasil S/A em nome da fiscalizada na negociação de café junto aos produtores rurais; b) possuía poderes de gestão. Tais poderes foram reconhecidos na procuração que lhe foi outorgada e utilizados na abertura da conta bancária acima identificada. Referidos fatos comprovam a sua participação nos negócios comerciais da fiscalizada nos termos do art. 124, I, da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional) devendo o mesmo responder pessoal e solidariamente perante a Fazenda Pública pelos créditos tributários apurados no presente processo fiscal. (fl. 10.574) Com referência à pretensão de restringir a responsabilidade de cada um dos recorrentes aos valores que transitaram pelas contas por eles movimentadas e ao período em que tal movimentação ocorreu, é preciso esclarecer dois pontos. O pedido para restringir a responsabilidade dos recorrentes ao período em que cada um movimentou determinada conta bancária não tem razão de existir. Nesse ponto específico, não há interesse de recorrer, pois essa limitação já fora determinada na decisão de primeira instância. Assim, é ocioso deduzir qualquer pretensão nesse sentido. Fl. 15437DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 15586.000019/201070 Acórdão n.º 1301002.159 S1C3T1 Fl. 15.438 15 Quanto ao pedido para limitar a responsabilidade à parte do crédito tributário correspondente apenas aos valores que transitaram nas contas movimentadas pelos recorrentes, a pretensão não pode ser acolhida. É que ela não encontra amparo legal, pois o conceito de solidariedade no direito brasileiro, por si mesmo, já afasta qualquer possibilidade de atender o pleito dos recorrentes. O professor Paulo de Barros Carvalho ensina que "a solidariedade passiva de que se utiliza do direito tributário nada mais é do que a figura prevista no art. 896, do Código Civil brasileiro (referese ao Código Civil de 1916), pressupondo mais de um devedor, na mesma relação jurídica, cada um obrigado ao pagamento da dívida integral". (Dierito Tributário: Fundamentos Jurídicos da Incidência. São Paulo: Saraiva, 1998, p. 154) A solidariedade tributária, prevista no art. 124 do CTN, tem suas raízes fincadas no direito civil, no qual é muito clara a noção de que o devedor solidário está obrigado pela dívida toda. Não se lhe concede o direito de responder por parte da dívida. O civilista Caio Mário da Silva Pereira afirma que na solidariedade existe pluralidade subjetiva e unidade objetiva. É da essência da solidariedade que numa obrigação em que concorram vários sujeitos ativos ou vários sujeitos passivos haja unidade de prestação, isto é, cada um dos credores tem o poder de receber a dívida inteira e cada um dos devedores tem a obrigação de solvêla integralmente. (Instituições de Direito Civil: Volume II. Rio de Janeiro: Forense, 19ª ed. 2001, p. 53) No mesmo sentido, Cristiano Chaves de Farias e Nelson Rosenvald: As normas respeitantes à solidariedade passiva se encontram nos artigos 275 a 285 do Código Civil. Enquanto a solidariedade ativa unifica os credores, de modo que o pagamento efetuado a qualquer deles extingue a obrigação do devedor, na solidariedade passiva, unificamse os devedores, sendo facultado ao credor exigir de qualquer deles o adimplemento integral da prestação. (...) Podemos delimitar dois aspectos nevrálgicos da solidariedade passiva: A um, cada um dos coobrigados responde pelo integral cumprimento da prestação, como se a tivesse contraído sozinho. O credor não poderá receber o pagamento mais de uma vez, mas lhe é facultado exigir de qualquer dos coobrigados o integral pagamento. Ele escolhe de quem cobrar, de um, alguns ou todos; a dois, o credor tem a faculdade de exigir o crédito total ou parcialmente. É de sua discricionariedade estipular o quantum a ser pago, seja ele proporcional ou não à cota daquele devedor. Porém não é lícito aos devedores imporem ao credor o pagamento parcial (art. 275 do CC), eis que a solidariedade é criada em benefício deste. Quer dizer, não há no direito brasileiro a prerrogativa do devedor exigir o benefício da divisão. Aliás, mesmo após cobrar apenas parcela do débito de um dos devedores, os demais remanescem atados à solidariedade. (Curso de Direito Civil: Obrigações. Salvador: Ed Jus Podivm, 7ª ed. 2013, pp. 313 e 314) A solidariedade passiva, como se vê, é uma figura criada em benefício do credor. Se fosse possível ao devedor solidário limitar sua responsabilidade a apenas uma parcela da obrigação, o instituto perderia a razão de existir. Fl. 15438DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 15586.000019/201070 Acórdão n.º 1301002.159 S1C3T1 Fl. 15.439 16 A par dessas razões, a limitação da responsabilidade, como pretendido pelos recorrentes, encontra óbice na indivisibilidade da obrigação tributária. É o professor Paulo de Barros Carvalho que afirma: As obrigações tributárias, cujo objeto é uma prestação pecuniária e, por isso mesmo, essencialmente divisível, não seguem a sorte das relações obrigacionais disciplinadas pelo direito civil. Para efeitos jurídicotributários tais obrigações são indivisíveis, de modo que, havendo solidariedade passiva, cada um dos devedores solidários, em princípio, é obrigado pelo total da dívida e o pagamento feito por qualquer deles aproveita aos demais. (Curso de Direito Tributário. São Paulo: Saraiva, 5ª ed. 1991, p 216) (g.n.) Em suma, a responsabilidade deve ser limitada ao tempo em que a pessoa física exerceu a gestão ou a administração da empresa, considerados os respectivos períodos de apuração de cada tributo, como fez a decisão de primeira instância. Todavia, a obrigação tributária, nos casos de solidariedade, não pode ser dividida pelos coobrigados, levando em conta aspectos específicos da conduta de cada um. Portanto, é possível concluir, de tudo quanto se disse, que uma vez definida a solidariedade tributária, os sujeitos passivos ficam obrigados ao pagamento da totalidade do crédito, inexistindo hipótese de fracionar a dívida em benefício do devedor. Multa qualificada Sobre a aplicação da multa qualificada, o voto condutor da decisão formalizada no Acórdão nº 1301.001.525 se manifestou nos seguintes termos: Compulsando os autos, constato que a qualificação da multa se deu pela ação dolosa por parte da empresa fiscalizada, consubstanciada na conduta de informar de forma sistemática e reiterada no decorrer dos anos calendários de 2004 e 2005, valores de receita bruta de vendas nas Declarações de Informações Econômico Fiscais (DIPJ, fls. 495 a 498; 714 a 717), inferiores (muito aquém) aos contabilizados no Livro de Apuração de ICMS (cujo teor é o mesmo no Livro de Registro de Saídas de fls. 240 a 487). (...) O evidente intuito de fraude estará presente toda vez que restar configurada situação que se subsuma ao disposto nos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502, de 1964. No presente caso, os fatos coincidem com aqueles previstos nos dispositivos apontados, que caracterizam sonegação e fraude, inclusive com interposição de pessoas (“laranjas”) e dissolução irregular da empresa. Desta forma, tendo em conta a conduta reiterada e sistemática de omissão de receitas nas declarações apresentadas ao Fisco Federal, em cumprimento a dever instrumental instituído pela legislação, caracterizada está a ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais. Diante do exposto, impõese a conclusão da correção da multa de 150% aplicada, em convergência com o art. 44 da Lei nº 9.430/1996, em sua redação dada pela Lei nº 11.884/2007. (fls. 13.546 e 13.547) Fl. 15439DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 15586.000019/201070 Acórdão n.º 1301002.159 S1C3T1 Fl. 15.440 17 A esses fundamentos, o voto fazia referência quando tinha de apreciar a alegação dos autuados sobre suas condutas e o cabimento da multa qualificada. Isso revela que o critério adotado para estender aos demais autuados a multa mais gravosa foi a participação, voluntária e consciente, de cada um dos responsáveis solidários na prática dos ilícitos descritos no auto de infração. Portanto, assim como se deu com os demais autuados, deve ser mantida a multa qualificada para os três recorrentes. Pelo exposto, acolhemse os embargos interpostos por Márcio Alexandre Sarnaglia, Silvério José Vassuler e José Carlos Vassuler, apenas para apreciar os respectivos recursos voluntários, aos quais, no mérito, se nega provimento. EMBARGOS DE SÉRGIO BRAMBILLA Nos termos do art. 65 do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, cabem embargos de declaração nas hipóteses em que o acórdão contenha obscuridade; contradição entre a decisão e seus fundamentos; ou omissão acerca de ponto sobre o qual o órgão julgador deveria pronunciarse. Os embargos, portanto, não se prestam ao reexame de provas, à correção de eventuais erros de interpretação da lei ou de aplicação do direito. Não se destinam também a rediscutir a matéria objeto do processo, nem a modificar o julgado, não obstante esse efeito possa advir da eliminação de um daqueles vícios. No caso concreto, o embargante alega existir contradição entre a decisão e seus fundamentos e omissão quanto a fatos relatados no acórdão. A leitura da petição, todavia, revela que a contradição apontada é aferida tendo por parâmetros elementos externos ao acórdão. Notese o seguinte trecho extraído da petição dos embargos: 10. Fica evidente então que o julgador de primeira instância em sua decisão entendeu que a fiscalização, em virtude da dissolução irregular da Fiscalizada e a interposição fraudulenta de pessoas, seja no quadro societário, seja no grupo de procuradores, responsabilizou com base no art. 135, III, do CTN, trinta pessoas e devido a essa pluralidade de sujeitos passivos, incidiu sobre eles a regra do art. 124, I, do CTN, tornandoos solidariamente obrigados. 11. Porém, fica mais evidente ainda, que o mesmo entende que a responsabilidade aplicada a essas pessoas foi individualizada e limitada ao período que elas efetivamente controlaram as contas bancárias. 12. Ocorre, que a fundamentação do auto de infração teve como base somente o art. 124, I, do CTN, e atribuiu responsabilidade de forma igual e sobre a totalidade dos créditos tributários apurados no processo fiscal para as referidas trinta pessoas. Todos os responsáveis eram obrigados por todo o débito. 13. Para uma fácil visualização da discrepância e da diferenciação das fundamentações do auto (termo de verificação fiscal) e do acórdão proferido pela Delegacia, basta uma simples leitura do relatado no termo de verificação e em uma planilha elaborada pelo julgador da Delegacia: Fl. 15440DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 15586.000019/201070 Acórdão n.º 1301002.159 S1C3T1 Fl. 15.441 18 (...) 14. A leitura dos trechos acima colacionados auxiliam na observação do vício de contradição existente no acórdão, ora embargado, proferido por esta honrada Turma, já que o acórdão afirma ser imprópria a discussão trazida pela recorrente acerca da aplicação do art. 135 do CTN, visto que o fundamento legal da responsabilidade que lhe foi imputada repousa no art. 124, I, do CTN. 15. E diz isso porque o acórdão, ora embargado, analisa e reproduz as conclusões elaboradas pelo julgador da Delegacia, sem sequer observar o conteúdo do termo de responsabilização e as informações descritas no termo de verificação constante do auto. 16. Como se vê a fundamentação lançada no Acórdão e a sustentada pelos dos fiscais no auto lavrado são totalmente discrepantes e geram efeitos jurídicos totalmente diversos uma da outra. (fls. 13.909 a 13.911) (g.n.) As partes sublinhadas mostram que a contradição não é interna ao Acórdão nº 1301001.525, mas entre este e a decisão de primeira instância e entre esta e o termo de verificação fiscal TVF. O trecho acima transcrito mostra, por outro lado, que o embargante entende ter havido erro na apreciação dos fatos e na aplicação do direito, mas isso não pode ser corrigido por meio de embargos de declaração. Convém, por fim, ressaltar que não existe incompatibilidade na aplicação do art. 135 em conjunto com o art. 124, inciso I, do CTN. A incidência da regra disposta no art. 135 leva para o primeiro plano a pessoa do administrador, imputando responsabilidade tributária diretamente a ele, quando age com excesso de poderes ou com infração de lei, contrato ou estatuto. O art. 124, inciso I, é aplicável quando existirem duas ou mais pessoas (dois ou mais administradores), agindo em conjunto, de forma voluntária e consciente, na prática do fato gerador. Por essas razões, rejeitamse os embargos declaratórios. EMBARGOS DE MORGANA FADINI MAGEWSKI A embargante alegou que o Acórdão nº 1301001.525 contém omissões e contradições, conforme abaixo descrito. a) O acórdão embargado teria se omitido quanto à alteração realizada pela DRJ na base jurídica do lançamento, que deixou de ser "interesse comum" (art. 124, inciso I, do CTN) e passou a ser "prática de atos de gestão com infração de lei" (art. 135 do CTN), gerando supressão de instância e violação do direito de defesa. b) O acórdão embargado teria deixado de examinar a alegação de que os supostos indícios da responsabilidade da embargante se referiam apenas ao ano de 2004. Deixou também de examinar o afastamento da responsabilidade quanto à conta Sicoob, já que em relação a ela existia apenas a procuração. c) Ausência de menção a "interesse comum" ou a "ato ilícito praticado por gestor/administrador" com relação à grande maioria das contas bancárias movimentadas. Fl. 15441DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 15586.000019/201070 Acórdão n.º 1301002.159 S1C3T1 Fl. 15.442 19 d) Atribuição de responsabilidade com relação à conta nº 1.3943, agência 3007, do Sicoob. e) Exclusão de responsabilidade de Marcelo Lopes Dorea, em razão da distância de seu local de residência, e a não aplicação deste critério à recorrente, caracterizando decisões diferentes para situações semelhantes. No que concerne ao primeiro ponto, no qual a embargante sustenta que a DRJ teria alterado a base jurídica do lançamento, é necessário examinar o Termo de Verificação Fiscal TVF (fls. 10.540 a 10.591), que é parte integrante do auto de infração, para perceber que a referida inovação não ocorreu. Diz o TVF: Como podemos observar a senhora Morgana Fadani Mageswiski (sic) e o senhor Giovani Bortoloni Di Francisco faziam parte do quadro societário da empresa Café Terense Ltda. quando se deram as movimentações financeira na conta bancária nº 47724 junto ao BRADESCO S/A na agência de Santa Teresa/ES. Reunidos os fatos, concluímos que a senhora Morgana Fadini Mageswiski (sic) e o senhor Giovani Bortoloni Di Francisco, mesmo não fazendo parte formalmente do quadro societário da fiscalizada, mas indiretamente controlaram e movimentaram as contas bancárias, abaixo identificadas, pertencentes à fiscalizada nas operações de comercialização de café junto aos produtores rurais, tendo como interposta pessoa o senhor Marcelo Lopes Dorea. a) conta bancária n° 4.7724 mantida no BRADESCO S/A, agência Santa Teresa/ES; em nome da Porto Velho Comércio Ltda. conforme comprovam os documentos bancários fls. 2976 a 2981; 3014 a 4033; b) conta bancária n° 13943, agência Rio Bananal/ES, aberta na SICOOB, em nome da Porto Velho Comércio Ltda. conforme comprovam os documentos bancários de fls. 4034 a 4292. Referidos fatos comprovam a participação da senhora Morgana Fadini Mageswiski e do senhor Giovani Bortoloni Di Francisco na vida comercial da fiscalizada, devendo os mesmos responderem pessoal e solidariamente perante a Fazenda Pública nos termos do art. 124, I, da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional) pelos créditos tributar apurados no presente processo fiscal. (g.n.) (fls. 10.564 e 10.565) O trecho acima reproduzido, extraído do TVF, mostra que a Fiscalização tinha a embargante como alguém responsável pela administração de parcela do movimento financeiro da Porto Velho Comércio Ltda. É verdade que o art. 135 do CTN não foi mencionado no TVF. Mas isso não é essencial, bastando a descrição clara e precisa dos fato, porque é dos fatos que o contribuinte se defende. A segunda omissão apontada é a falta de manifestação no acórdão embargado acerca da alegação de que os supostos indícios da responsabilidade da embargante se referiam apenas ao ano de 2004. O acórdão também teria deixado de examinar o afastamento da responsabilidade quanto à conta no Sicoob, já que em relação a ela existia apenas a procuração. As contas bancárias em nome da empresa Porto Velho Comércio Ltda. eram abertas por pessoas a quem a empresa outorgava amplos poderes de representação. O acórdão Fl. 15442DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 15586.000019/201070 Acórdão n.º 1301002.159 S1C3T1 Fl. 15.443 20 nº 1237.011, da 9ª Turma da DRJ Rio de Janeiro, reproduz o conteúdo de uma dessas procurações, dando mostras da amplitude dos poderes conferidos aos supostos corretores. 89. Os procuradores afirmam que, apesar de terem recebido poderes para gerir a Fiscalizada, não se qualificam como gerentes/administradores, pois o controle de contas bancárias não caracterizaria ato de gestão. Alegam que seriam meros corretores que, em troca de comissões, compravam café e pagavam pela mercadoria em nome da Fiscalizada. Contudo, esta explicação chocase frontalmente com o conteúdo das procurações que receberam, como, por exemplo, a de fls. 1.829/1.830, em que são outorgados poderes para: gerir e administrar a firma outorgante, podendo para tanto comprar e vender café, pagar e receber importâncias, dar recibos e as respectivas quitações, juntar e retirar documentos, prestar declarações, concordar e discordar com cláusulas, condições, cálculos e valores, fazer acordos, exigências e provas, assinar guias, requerimentos, termos, contratos, recibos, declarações, receber amigável ou judicialmente de seus devedores, levar títulos a protesto, pagar e receber importâncias, autorizar por escrito e previamente, que o pagamento do preço das transações de venda, cujos poderes ora são outorgados, seja feito diretamente a terceiros indicados pelo outorgado, inclusive mediante depósito em conta corrente bancária, por conta e ordem do outorgante, valendo como recibo o comprovante de depósitos bancários, representálo perante quaisquer instituições bancárias e/ou financeiras, inclusive junto ao BANCO DO BRASIL S/A, CAIXA ECONÔMICA FEDERAL, e BANESTES S/A; ou em quaisquer de suas agências e/ou postos de atendimento, podendo abrir e/ou movimentar contas correntes, poupança e/ou aplicações, assinar e endossar cheques, requisitar talonário, promover saques, depósitos e retiradas, transferir saldos, promover encerramento e/ou recadastramento de contas, solicitar saldos, extratos e informações, assinar borderôs para cobrança simples, assinar liberações e renovações de cartões magnéticos praticando enfim todos os demais atos necessários ao fiel cumprimento deste mandato. (fl. 12.790) 90. Evidentemente tratase de procuração que confere poderes muitíssimos mais amplos do que os necessários à atuação de um corretor, ainda mais se considerarmos que os atos podiam ser praticados isoladamente. Se os outorgantes ou as pessoas a mando de quem estes agiam desejassem realmente controlar a atuação dos supostos corretores, não lhes teriam passado procurações com poderes tão amplos. Quanto aos procuradores de fato que controlaram indiretamente as contas bancárias, chegase às mesmas conclusões, visto que as procurações outorgadas às interpostas pessoas conferiam poderes igualmente desnecessários à prática de pura corretagem. A embargante, por meio de Marcelo Lopes Dorea, controlava a movimentação de duas contas: uma no Banco Bradesco e outra no Sicoob, que foram movimentadas no período a que se refere a autuação. Entretanto, o acórdão da DRJ, diferentemente da autoridade lançadora, estabeleceu um limite para a responsabilidade dos autuados. A responsabilidade ficaria restrita ao intervalo compreendido entre "o primeiro e último meses de entrada das receitas, por conta bancária". (fl. 12.797) A embargante, como se disse, respondia por duas contas: uma no Banco Bradesco, nº 47724; outra no Sicoob, nº 13943. A movimentação da conta do Sicoob deuse entre fevereiro de 2004 e agosto de 2005; mas a do Banco Bradesco compreendeu todo o Fl. 15443DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 15586.000019/201070 Acórdão n.º 1301002.159 S1C3T1 Fl. 15.444 21 período alcançado pelo lançamento, ou seja, de janeiro de 2004 a dezembro de 2005 (fl. 12.797). Diante disso, é certo concluir que o acórdão embargado não deixou de se manifestar sobre o fato de os "supostos indícios" se referirem apenas ao ano de 2004. É que os "indícios" perdem importância como elemento de decisão quando comparados com o fato de que uma das contas bancárias controladas pela embargante recebeu depósitos durante todo o período compreendido pelo lançamento. Por igual motivo, também se mostra irrelevante a circunstância de a conta no Sicoob ter sido utilizada apenas entre fevereiro de 2004 e agosto de 2005. Aponta a embargante a ausência de menção a "interesse comum" ou a "ato ilícito praticado por gestor/administrador" com relação à grande maioria das contas bancárias movimentadas. Esse ponto não caracteriza omissão. Repetir as expressões "interesse comum" e "ato ilícito praticado por gestor/administrador" para cada conta bancária referida na autuação é providência ociosa. Basta que se faça a referência uma vez. Daí em diante, a idéia estará implícita. Por fim, com a relação à alegada exclusão de Marcelo Lopes Dórea do polo passivo da relação tributária, é importante que se diga que essa pessoa não chegou sequer a ser autuada pela Fiscalização. Dessa forma, não há vício de contradição que possa legitimamente ensejar embargos declaratórios, os quais seriam cabíveis apenas na hipótese de um dos autuados ter sido excluído, por decisão do CARF, com base em fundamentos também aplicáveis à embargante. Isso não ocorreu. Portanto, se contradição existiu, ela está na decisão da autoridade lançadora, e não no acórdão embargado. Pelas razões expostas, rejeitamse os embargos. EMBARGOS DE PAULO CÉSAR BRITO DA VEIGA O embargante aponta omissão no Acórdão nº 1301001.525 relativamente aos seguintes pontos: a) decadência e homologação tácita do lançamento; b) ilegitimidade passiva do embargante, em face da ausência de qualquer indício de gestão ou interesse no funcionamento da empresa autuada; e c) falta de apreciação do pedido subsidiário de limitação da responsabilidade à parte do crédito tributário correspondente aos valores movimentados na conta n° 24.2098, do Banco Itaú em Linhares/ES. Em relação aos dois primeiros pontos não houve omissão. Embora de forma contrária aos interesses do embargante, essas questões foram examinadas e decididas no acórdão, como se pode constatar dos trechos abaixo reproduzidos. Com relação à decadência e à multa tais matérias foram tratadas na parte inicial deste voto (Recurso de Ofício). Fl. 15444DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 15586.000019/201070 Acórdão n.º 1301002.159 S1C3T1 Fl. 15.445 22 Quanto à matéria da ilegitimidade passiva, compulsando os autos colhese os seguintes trechos do TVF e depoimento do ora recorrente: (...) Referidos fatos comprovam a participação nos negócios comerciais da fiscalizada pelo recorrente e caracteriza sua responsabilidade solidária nos termos do art. 124, I, do CTN. O interesse comum se refere a pessoas que tenham participação no fato gerador, ou seja, que o tenham praticado conjuntamente. Se a solidariedade decorre de interesse comum, as pessoas já são naturalmente coobrigadas e a solidariedade tornase legal por efeito da regra do Código Tributário Nacional. Portanto, evidenciada a íntima relação entre o recorrente e a empresa Porto Velho Comércio Ltda. e, por consequência, o interesse comum neste fato gerador, além da ausência de qualquer prova em contrário produzida pelo interessado, correta a conclusão fiscal que lhe imputou responsabilidade solidária pelos créditos tributários aqui constituídos, limitando ao período em que movimentaram a conta bancária 24.2098 no Banco Itaú de Linhares/ES, no período de abril/2004 a agosto/2005, conforme Tabela 2 do voto recorrido as fls. 12445. (fls. 13.576 e 13.577) Em relação ao terceiro ponto, efetivamente, houve omissão, já que o voto não se referiu de forma de expressa ao pedido subsidiário formulado pelo embargante no recurso voluntário, nos seguintes termos: III. Sucessivamente, caso assim não entender este Egrégio Conselho, REQUER seja a responsabilidade do recorrente limitada à movimentação bancária realizada junto ao Banco Itaú de Linhares, Conta n° 24.2098; (fl. 12.866) Em relação à matéria, adotase aqui o mesmo entendimento expresso quando do exame dos recursos voluntários apresentados por Márcio Alexandre Sarnaglia, Silvério José Vassuler e José Carlos Vassuler, que formulavam idêntica pretensão. Portanto, com fulcro nesses fundamentos, acolhemse parcialmente os embargos, para, sem efeitos infringentes, suprir a omissão. Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de: a) dar provimento aos embargos de Márcio Alexandre Sarnaglia, Silvério José Vassuler e José Carlos Vassuler, para sanar a omissão, examinando as razões dos recursos voluntários interpostos, aos quais, no mérito, negase provimento; b) rejeitar os embargos de Sérgio Brambilla e Morgana Fadini Magewski; e c) dar parcial provimento aos embargos de Paulo César Brito da Veiga, sem efeito modificativo. (ASSINADO DIGITALMENTE) Roberto Silva Junior Relator Fl. 15445DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 15586.000019/201070 Acórdão n.º 1301002.159 S1C3T1 Fl. 15.446 23 Fl. 15446DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA
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Numero do processo: 10880.907634/2014-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2010
COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. RETENÇÃO NA FONTE. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado se o contribuinte possuir comprovante hábil de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. A dedução do IR retido na fonte por órgãos públicos deve ser calculada proporcionalmente à sua retenção.
Numero da decisão: 1201-001.478
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro Ronaldo Apelbaum acompanhou o Relator pela conclusões em relação à comprovação do IRRF.
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida Relator e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Ronaldo Apelbaum.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2010 COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. RETENÇÃO NA FONTE. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado se o contribuinte possuir comprovante hábil de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. A dedução do IR retido na fonte por órgãos públicos deve ser calculada proporcionalmente à sua retenção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro Ronaldo Apelbaum acompanhou o Relator pela conclusões em relação à comprovação do IRRF. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida – Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Ronaldo Apelbaum. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 76 34 /2 01 4- 94 Fl. 617DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/ 10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10880.907634/201494 Acórdão n.º 1201001.478 S1C2T1 Fl. 3 2 Como os fatos e a matéria jurídica foram bem relatados pela decisão de primeira instância, reproduzoa a seguir (grifaremos): Trata o presente processo do Despacho Decisório de fl. 176 proferido pela DERAT/SÃO PAULO, o qual homologou parcialmente a compensação declarada no PER/DCOMP nº 17356.26775.211111.1.3.024921 no qual a interessada alega possuir crédito contra a Fazenda Pública decorrente de saldo negativo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, IRPJ, relativo ao anocalendário 2010. A não homologação da compensação teve como fundamento a falta de comprovação de parcelas de composição do crédito, informadas no PER/DCOMP indicado, relativas ao IRRF. Parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP, IRRF, R$ 7.894.971,33, parcelas confirmadas, R$ 7.291.707,80, conforme demonstrado no Despacho Decisório. Assim, o crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo. Não se conformando, a interessada apresentou manifestação de inconformidade (fls. 03/11 ), alegando, em síntese: na diferença de IRRF apurada e não considerada pela Receita Federal, os valores de maior relevância são relativos a órgãos públicos como a CEF e Banco do Brasil; o valor de R$ 515.831,14 foi retido pela CEF, não confirmado em virtude da não apresentação de informes de rendimentos; foi solicitado mas não foram recebidos os informes de retenção com a retificação dos valores retidos; a falta dos informes de retenção não invalida a retenção nem atinge o direito ao crédito porque a Receita Federal possui meios de verificar as retenções efetuadas; relaciona todas as notas fiscais que deram origem ao crédito apontado na DIPJ anocalendário 2010; fez a dedução dos valores retidos conforme art. 9º da Instrução Normativa nº 1.234/2012, compete à fonte pagadora contestar referidos valores e apresentar a DIRF retificadora com os valores corretos; lista as notas fiscais às fls. 06/07, totalizando R$ 3.075.128,06 de retenção para o código 6190; a Receita Federal confirmou o crédito relativo ao código 6147 (CEF) no valor de R$ 293.681,47 enquanto que a manifestante deduziu apenas o valor de R$ 234.945,14 restando crédito de R$ 58.736,33 que poderá ser utilizado para comprovar valores do código 6190; Fl. 618DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/ 10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10880.907634/201494 Acórdão n.º 1201001.478 S1C2T1 Fl. 4 3 para comprovar as retenções efetuadas pelo Banco do Brasil, CNPJ nº 00.000.000/000191, apresenta demonstrativo das notas fiscais, fls. 08, para o código 6190; para o código 6147 (BB) foi confirmado o valor de R$ 76.672,41 sendo deduzido apenas o valor de R$ 43.286,19, restando crédito de R$ 33.386,22 que deve ser considerado para comprovação do código 6190; não contesta os valores relacionados à fl. 09 no montante de R$ 31.742,88; protesta pela futura juntada dos referidos informes de retenção; pede reconhecimento do crédito e extinção definitiva do crédito tributário cobrado; requer vinculação do processo de cobrança ao presente processo para suspensão da exigibilidade. Em sessão de 26 de março de 2015 a 3a Turma da Delegacia de Julgamento de Recife, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Com a ciência da decisão, a interessada interpôs Recurso Voluntário, no qual repetiu, basicamente, os argumentos da impugnação. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação e julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais, razão pela qual dele conheço. De plano, destaco que a Recorrente solicitou a juntada de dezenas de documentos em 25 de julho de 2016, quase um ano após a apresentação do Recurso Voluntário e depois da indicação deste processo para a Sessão de Julgamento de Agosto/2016, quando o presente voto já estava, inclusive, redigido. Acerca de tal documentação, composta de dezenas de extratos bancários, notas fiscais e registros do Razão, é forçoso reconhecer sua intempestividade, por não se enquadrar nas situações excepcionais previstas no artigo 16, inciso III, do Decreto nº 70.235/72, que limitou o momento para a apresentação de provas, ao dispor que a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o interessado fazêlo em outro momento processual: Art. 16 (...) Fl. 619DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/ 10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10880.907634/201494 Acórdão n.º 1201001.478 S1C2T1 Fl. 5 4 § 4º. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A preclusão temporal para a apresentação de provas pode ser superada, portanto, quando demonstrada a ocorrência de uma das hipóteses do comando ao norte reproduzido. Conquanto a aceitação de provas posteriores possa ser aceita, em razão do dispositivo legal e em homenagem ao princípio da verdade material, tal medida deve ser adotada com parcimônia, de sorte que esta Turma e Relator já decidiram, por diversas vezes, pela possibilidade de juntada de documentos quando estes constituem prova cabal e inequívoca do direito da Recorrente. Todavia, no caso em análise, constatase que a documentação intempestivamente juntada compõemse de extratos bancários relativos a 2010 e 2011, notas fiscais do mesmo período e registros do Razão, sendo certo que nenhum desses documentos se enquadra na previsão legal. Não vislumbro qualquer dificuldade que possa ter impedido a apresentação anterior dos documentos, que são da própria Recorrente, posto que a esta cabe a comprovação inequívoca do direito líquido e certo ao crédito porventura compensável. O argumento de que estavam "no arquivo morto" não justifica o prazo de quase um ano para a sua recuperação, contado da interposição do Recurso. E, ainda que fossem aceitos tais documentos, entendo, a título de argumentação, que isso em nada alteraria a decisão a ser proferida nos autos, como passo a demonstrar. A discussão no processo se refere ao reconhecimento parcial do direito creditório pleiteado pela Recorrente, pois o despacho decisório entendeu que não foi possível confirmar o valor total do IRRF indicado na DCOMP. E a documentação trazida posteriormente aos autos não me parece hábil para comprovar a pretensão da interessada, que não se dignou a elaborar planilhas ou cálculos que pudessem subsidiar suas alegações, mas apenas anexou uma "montanha" de documentos, alguns, inclusive, em formato não paginável, ao processo. Aduz a Recorrente que parte das retenções não foi confirmada porque relativas a "órgãos públicos", como o Banco do Brasil e a CEF, que não entregaram os comprovantes de retenção. Nesse contexto, entende a defesa que a Receita Federal teria como averiguar as retenções por meio dos seus próprios controles. Ocorre que o despacho decisório fundamentou seu entendimento justamente a partir dos elementos contidos na DCOMP, DIPJ e demais declarações entregues pela Fl. 620DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/ 10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10880.907634/201494 Acórdão n.º 1201001.478 S1C2T1 Fl. 6 5 contribuinte, além de ter verificado os dados sobre o IRRF das fontes pagadoras constantes dos sistemas da Receita Federal, conforme extratos presentes nos autos. Ressaltese que o ônus para a comprovação documental de direito creditório pertence ao interessado, dados os requisitos de liquidez e certeza para os valores pleiteados, conforme determina o Código Tributário Nacional: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. e Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Aliás, a necessidade de prova e o respectivo ônus do contribuinte já foram extensamente discutidos na esfera judicial e no âmbito deste Conselho. No Superior Tribunal de Justiça o tema já foi debatido, entre tantos outros julgados semelhantes, nos seguintes termos: RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PROVA. RECOLHIMENTOS. A recorrente aduz que a eventual restituição, se cabível, haveria de ser respaldada em prova documental, acostada na inicial, dos valores efetivamente pagos com as devidas comprovações de recolhimento, e ante tal incerteza não pode ser a União condenada à restituição dos valores postulados (pela via da compensação), sob pena de infração ao princípio do enriquecimento sem causa. Isso posto, a Turma deu provimento ao recurso ao argumento de que o pressuposto fático do direito de compensar é a existência do indébito. Sem prova desse pressuposto, a sentença teria caráter apenas normativo, condicionada à futura comprovação de um fato. REsp 924.550SC, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, julgado em 15/5/2007. Fl. 621DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/ 10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10880.907634/201494 Acórdão n.º 1201001.478 S1C2T1 Fl. 7 6 Seguindo igual raciocínio, podemos encontrar inúmeros julgados no CARF, inclusive da lavra desta Turma, na qual se decidiu que no caso de compensação, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido (Acórdãos 110200432, 110200443, 110200438, entre tantos outros). A legislação do Imposto de Renda estabelece, ainda, dois critérios adicionais para o reconhecimento do direito creditório: a) a comprovação da efetiva retenção em nome do beneficiário; b) a demonstração de que os rendimentos foram oferecidos à tributação. Os artigos 231, III, 942 e 943 do Decreto n. 3.000/99 regulamentam a matéria nos seguintes termos: Art. 231 Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor (Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º, §4º): (...) III do imposto pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; (...) Art. 942. As pessoas jurídicas de direito público ou privado que efetuarem pagamento ou crédito de rendimentos relativos a serviços prestados por outras pessoas jurídicas e sujeitos à retenção do imposto na fonte deverão fornecer, em duas vias, à pessoa jurídica beneficiária Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, em modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal (Lei nº 4.154, de 1962, art. 13, §2º, e Lei nº 6.623, de 23 de março de 1979, art. 1º). Parágrafo único.O comprovante de que trata este artigo deverá ser fornecido ao beneficiário até o dia 31 de janeiro do ano calendário subseqüente ao do pagamento (Lei nº 8.981, de 1995, art. 86). Art. 943. A Secretaria da Receita Federal poderá instituir formulário próprio para prestação das informações de que tratam os arts. 941 e 942 (DecretoLei nº 2.124, de 1984, art. 3º, parágrafo único). §1º O beneficiário dos rendimentos de que trata este artigo é obrigado a instruir sua declaração com o mencionado documento (Lei nº 4.154, de 1962, art. 13, §1º). §2º O imposto retido na fonte sobre quaisquer rendimentos ou ganhos de capital somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, quando for o caso, se o contribuinte possuir comprovante da retenção emitido em seu Fl. 622DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/ 10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10880.907634/201494 Acórdão n.º 1201001.478 S1C2T1 Fl. 8 7 nome pela fonte pagadora, ressalvado o disposto nos§§ 1º e 2º do art. 7º, e no §1º do art. 8º (Lei nº 7.450, de 1985, art. 55). (grifamos) Percebese que a apresentação do comprovante de retenção é condição essencial para o direito de compensação. Ademais, convém destacar que a compensação não tem como pressuposto a simples retenção na fonte, mas sim a existência de saldo negativo ao final do período, pois o IRRF é considerado apenas como antecipação do imposto devido no encerramento do período de apuração. Em conseqüência, o contribuinte deve deduzir o imposto retido do imposto de renda devido com base no lucro real do períodobase e somente o saldo negativo de imposto a pagar, que porventura decorra desse confronto na declaração, constitui crédito passível de restituição ou compensação. Nesse contexto, a alegação de que as fontes pagadoras não encaminharam os comprovantes não tem o condão de afastar a exigência legal, até porque se a Recorrente tinha todos os extratos dos bancos (como parece ter trazido intempestivamente aos autos) imagino que poderia ter solicitado às instituições os respectivos comprovantes, que para o período de 2010 e 2011 poderiam, inclusive, ser obtidos eletronicamente, nos moldes dos extratos juntados. Aliás, entendo que a Recorrente deveria ter feito isso antes de qualquer tentativa de compensação, pois tratase de condição inexorável para o pleito, conforme estabelecem os artigos já reproduzidos. Notese que a empresa já havia alegado, ao tempo da impugnação, que apresentaria os comprovantes de retenção, mas não o fez. O crédito passível de compensação deve ser líquido e certo, como vimos, e esses requisitos exigem o fiel cumprimento à legislação. A matéria encontrase, inclusive, sumulada no âmbito deste Conselho: Súmula CARF nº 80: Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. Portanto, na esteira do que já restou decidido em primeira instância, o imposto ser compensado fica limitado aos valores constantes dos controles internos da Receita Federal e das declarações apresentadas pela contribuinte e pelas fontes pagadoras. Por fim, destaquese que, em relação aos montantes pleiteados pela Recorrente, a DRJ analisou os documentos e sistemas e concluiu que parte deles não pode ser objeto de compensação porque excedem o valor da retenção proporcional. Como, nesse caso, tratase de créditos oriundos de aplicações financeiras, inclusive do Banco do Brasil e da CEF, que foram contestados pela Recorrente, tornase ainda mais claro que não lhe assiste razão, à luz dos cálculos e fundamentos formulados pela decisão de piso, que reproduzo e acolho: Fl. 623DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/ 10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10880.907634/201494 Acórdão n.º 1201001.478 S1C2T1 Fl. 9 8 Com referência às retenções na fonte relativas ao Banco do Brasil, CNPJ nº 00.000.000./000191, e à Caixa Econômica Federal, CNPJ nº 00.360.305/000104 o contribuinte se reporta à falta de apresentação de informes de rendimentos, no entanto, a razão da não confirmação de parte dos valores se deve ao fato de que a informação no PER/DCOMP excede o valor da retenção proporcional. É a justificativa que consta no demonstrativo de parcelas confirmadas parcialmente, fl. 180: Banco do Brasil Conforme orientações contidas na Instrução Normativa RFB nº 1.234, de 11 de janeiro de 2012, o valor de retenção a ser considerado para o imposto de renda no código 6190 seria R$ 178.383,89 (4,8% de 3.416.331,17), no entanto, consta da DCOMP o valor de R$ 234.816,30, foi considerado confirmado o valor de R$ 179.126,79, não há qualquer modificação a fazer. Caixa Econômica Federal No caso da CEF, o valor de retenção a ser considerado para o imposto de renda no código 6190 seria R$ 2.535.023,44 (4,8% de 52.812.988,33), no entanto, consta da DCOMP o valor de R$ 3.075.128,06, foi considerado confirmado o valor de R$ 2.559.296,92, não há qualquer modificação a fazer. Também não procede a alegação sobre os valores confirmados e relativos ao código 6147. De acordo com o demonstrativo de análise de parcelas de crédito à fl. 179, cópia abaixo, foi Fl. 624DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/ 10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10880.907634/201494 Acórdão n.º 1201001.478 S1C2T1 Fl. 10 9 confirmado para o código 6147 relativo à Caixa Econômica Federal, CNPJ 00.360.305/000104 o valor de R$ 234.945,14 e para o mesmo código relativo ao Banco do Brasil, CNPJ 00.000.000/000191, o valor de R$ 43.286,19 mesmos valores declarados na DCOMP, fl.... e não os valores de R$ 293.681,47 e R$ 76.672,41 como diz a defesa. Entendo, a partir do que consta dos autos, que o Recorrente não logrou êxito em comprovar créditos em montante superior ao que já foi reconhecido, razão pela qual não merece reparos a decisão de primeira instância. Ante o exposto CONHEÇO do Recurso e, no mérito, voto por NEGARLHE provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Fl. 625DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/ 10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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Numero do processo: 11030.721079/2011-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
NULIDADE. FALTA DE MOTIVAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
A infração está fundamentada adequadamente do ponto de vista legal e suficientemente explicada do ponto de vista fático, ainda que de forma muito sucinta. A Recorrente revela ter compreendido a infração que lhe foi imputada, não tendo havido qualquer prejuízo para sua defesa. Afastada, portanto, a preliminar de nulidade.
TRATAMENTO COMO RECEITA OPERACIONAL. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO EVASIVO.
A Recorrente é uma maderereira, ou seja, sua atividade é corte e venda de troncos de árvores. Ela não provou nos autos que, ao menos, praticava a compra e venda de imóveis usualmente, nem comprovou que o ganho de capital teria sido tributado nas pessoas físicas. Trata-se de um planejamento tributário evasivo para não tributar o ganho de capital nem na pessoa jurídica, nem na física.
DEVOLUÇÃO AOS SÓCIOS. INOCORRÊNCIA.
Segundo a Recorrente, teria havido uma mera devolução de capital social aos sócios, mas não há qualquer prova de tal fato. O imóvel foi vendido pela empresa, a Recorrente. O que parece ter havido foi a venda do imóvel por ela e a entrega do ganho de capital aos sócios, o que revela distribuição de lucros, e não devolução de capital social.
Numero da decisão: 1401-001.738
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário.
Documento assinado digitalmente.
Antonio Bezerra Neto - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Marcos de Aguiar Villas-Bôas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (presidente da turma), Guilherme Mendes, Luciana Zanin, Ricardo Marozzi, Marcos Villas-Bôas (relator), Júlio Lima Souza Martins, Aurora Tomazini e Lívia Germano.
Nome do relator: MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 NULIDADE. FALTA DE MOTIVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. A infração está fundamentada adequadamente do ponto de vista legal e suficientemente explicada do ponto de vista fático, ainda que de forma muito sucinta. A Recorrente revela ter compreendido a infração que lhe foi imputada, não tendo havido qualquer prejuízo para sua defesa. Afastada, portanto, a preliminar de nulidade. TRATAMENTO COMO RECEITA OPERACIONAL. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO EVASIVO. A Recorrente é uma maderereira, ou seja, sua atividade é corte e venda de troncos de árvores. Ela não provou nos autos que, ao menos, praticava a compra e venda de imóveis usualmente, nem comprovou que o ganho de capital teria sido tributado nas pessoas físicas. Trata-se de um planejamento tributário evasivo para não tributar o ganho de capital nem na pessoa jurídica, nem na física. DEVOLUÇÃO AOS SÓCIOS. INOCORRÊNCIA. Segundo a Recorrente, teria havido uma mera devolução de capital social aos sócios, mas não há qualquer prova de tal fato. O imóvel foi vendido pela empresa, a Recorrente. O que parece ter havido foi a venda do imóvel por ela e a entrega do ganho de capital aos sócios, o que revela distribuição de lucros, e não devolução de capital social.
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Lucro Presumido. Recorrente Sociedade Exportadora e Industrial de Madeiras Ltda. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 NULIDADE. FALTA DE MOTIVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. A infração está fundamentada adequadamente do ponto de vista legal e suficientemente explicada do ponto de vista fático, ainda que de forma muito sucinta. A Recorrente revela ter compreendido a infração que lhe foi imputada, não tendo havido qualquer prejuízo para sua defesa. Afastada, portanto, a preliminar de nulidade. TRATAMENTO COMO RECEITA OPERACIONAL. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO EVASIVO. A Recorrente é uma maderereira, ou seja, sua atividade é corte e venda de troncos de árvores. Ela não provou nos autos que, ao menos, praticava a compra e venda de imóveis usualmente, nem comprovou que o ganho de capital teria sido tributado nas pessoas físicas. Tratase de um planejamento tributário evasivo para não tributar o ganho de capital nem na pessoa jurídica, nem na física. DEVOLUÇÃO AOS SÓCIOS. INOCORRÊNCIA. Segundo a Recorrente, teria havido uma mera devolução de capital social aos sócios, mas não há qualquer prova de tal fato. O imóvel foi vendido pela empresa, a Recorrente. O que parece ter havido foi a venda do imóvel por ela e a entrega do ganho de capital aos sócios, o que revela distribuição de lucros, e não devolução de capital social. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 72 10 79 /2 01 1- 36 Fl. 317DF CARF MF 2 Documento assinado digitalmente. Antonio Bezerra Neto Presidente. Documento assinado digitalmente. Marcos de Aguiar VillasBôas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (presidente da turma), Guilherme Mendes, Luciana Zanin, Ricardo Marozzi, Marcos Villas Bôas (relator), Júlio Lima Souza Martins, Aurora Tomazini e Lívia Germano. Relatório Tratase de Recurso Voluntário em face do Acórdão nº 1049.870, da 1ª Turma da DRJ de Porto Alegre/RS, que julgou, por unanimidade, totalmente improcedente a Impugnação apresentada pelo contribuinte em face de Auto de Infração lavrado contra ele. Valhome do Relatório do Acórdão da DRJ para a descrição dos fatos iniciais: "Tratase de auto de infração no valor de R$3.534.754,31, que formaliza lançamentos concernentes ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). A autuada se encontra em liquidação judicial. De acordo com o relatório fiscal, cuja ciência ocorreu em 26/07/2011, foi constatada a venda de bens do ativo permanente, em julho de 2007, não tendo sido adicionado ao lucro presumido o correspondente ganho de capital, no valor de R$4.879.211,42. O prazo para a impugnação foi interrompido pelo Termo de Reabertura de Prazo de 1º/08/2011 (fl. 146). Em 30/08/2011, a contribuinte, por meio de seu liquidante, impugnou alegando, em síntese, que: (a) é nulo o Auto de Infração em face da sua manifesta impropriedade, de justa causa para a sua lavratura, por inocorrência de qualquer ilicitude; (b) cumpriu com as obrigações e exigências legislativas, como a IN SRF 104/1998, arts. 4º, 60 e 61, da Instrução Normativa SRF 11/1996 e art. 29 da IN SRF 84/2001; (c) ser aplicável o art. 112 do CTN, o art. 238 do RIR 99, cuja base legal é o art. 22 da Lei nº 9249/96; (d) os sócios optaram, formalmente, pela devolução de capital em 12 de agosto de 2007, no processo 103.00142155, folha 1382, pelo valor contábil e tributação como ganho de capital na pessoa física. Pediu que a impugnação seja julgada procedente e seja extinto o processo administrativo e os autos de infração que o acompanham". A Impugnação apresentada em 10 páginas é praticamente um apanhado de transcrições dos dispositivos que a Recorrente entende serem aplicáveis ao caso. Fl. 318DF CARF MF Processo nº 11030.721079/201136 Acórdão n.º 1401001.738 S1C4T1 Fl. 8 3 Além de alegar uma nulidade genérica, por "impropriedade" do Auto de Infração, a sua linha de argumentação é basicamente a de que se aplicaria ao caso a regra da devolução de capital social em bens ou direitos aos sócios prevista no art. 60 da Instrução Normativa nº 11/1996. O Acórdão da DRJ ficou, então, ementado da seguinte forma: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE IMÓVEIS. LUCRO PRESUMIDO. Os ganhos de capital serão acrescidos à base de cálculo do lucro presumido para efeito de incidência do imposto sobre a renda. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" Inconformada, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário por meio do qual, além de repetir a alegação de nulidade e de mérito trazidas na Impugnação, colacionou novos argumentos, a saber: a) o imóvel estava registrado no ativo realizável, e não no ativo permanente, de modo que sua venda deveria ser tratada como objeto social, tributável dentro do lucro presumido, e não como ganho de capital; e b) o prazo para julgamento ultrapassou os 360 dias previstos na legislação. É o relatório. Voto Conselheiro MARCOS DE AGUIAR VILLASBÔAS Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e cumpre os demais requisitos legais, motivos pelos quais passo a analisálo. Preliminar de nulidade A alegação de nulidade é genérica e de difícil compreensão. A Recorrente, sem concatenar as ideias e sem explicálas devidamente, parece aduzir que: o Auto de Infração é inapropriado; apenas citou o art. 521 do RIR na sua fundamentação legal; teria optado pelo Lucro de Caixa; e requer a aplicação do art. 112 do CTN. Fl. 319DF CARF MF 4 Não há porque cogitar aplicação do art. 112, que trata do in dubio pro contribuinte, se não houver dúvida muito relevante, e parece não haver neste caso. O Auto de Infração cita os artigos 521 e 522 do RIR, que regulam a tributação do ganho de capital auferido por empresas optantes pelo lucro presumido, não havendo problemas quanto à fundamentação legal. Os fatos também foram descritos muito claramente. Quanto ao regime de caixa, o que as normas da Instrução Normativa nº 104/1998, citadas pela própria Recorrente, prescrevem é a forma de contabilização das receitas em caso de vendas a prazo ou parceladas: A Recorrente não explica se foi esse o caso, não havendo, na verdade, argumento compreensível. Pelo que se lê dos autos, depreendese que as vendas se deram com pagamento à vista. O Auto de Infração é claro e objetivo. Não se identifica qualquer nulidade. Ao contrário, a Impugnação e o Recurso da contribuinte são bastante imprecisos e confusos, apesar de ter ficado claro que ela compreendeu a infração da qual era acusada. Fl. 320DF CARF MF Processo nº 11030.721079/201136 Acórdão n.º 1401001.738 S1C4T1 Fl. 9 5 Houve venda de imóveis sem tributação do ganho de capital por empresa optante pelo lucro presumido, que, conforme a legislação, deveria ter acrescido as receitas à bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Fica, portanto, afastada a alegação de nulidade. Tratamento como receita operacional A Recorrente alega que a venda dos imóveis gerou receita operacional, pois eles estariam registrados no ativo realizável e essa atividade de compra e venda seria parte do objeto social dela. Deste modo, não se aplicaria a sistemática do ganho de capital. A Recorrente não comprova, entretanto, que praticava compra e venda de imóveis ao menos usualmente, nem comprova que houve tributação do ganho de capital nos sócios. A Recorrente é uma madeireira, ou seja, corte e venda de madeiras é a sua atividade operacional. Tornouse muito comum esse tipo de planejamento evasivo, por meio do qual se vende bens imóveis, auferese ganho de capital e alegase que se tratava de atividade operacional e/ou que o ganho de capital era, de fato, dos sócios. Com isso, nenhum tributo é pago sobre a renda auferida, buscandose valer das formas, como a existência de previsão no contrato social de que a empresa tinha como objeto a compra e venda de imóveis. Caso o Direito Tributário Brasileiro não recorra a uma interrelação entre forma e substância para analisar não somente planejamentos tributários, mas todos os tipos de casos, diversos contribuintes continuarão deixando de pagar altos tributos à Receita Federal, transferindo seu ônus para o restante da sociedade, pois o Estado precisa ser financiado de alguma forma. É muito importante que essa mudança ocorrida nos últimos anos não somente continue, mas se aprofunde, de modo a desfazer diversos equívocos cometidos no passado e ainda no presente, que possibilitam sonegações e planejamentos completamente abusivos. A busca do propósito negocial, o sopesamento complexo de forma e substância, é um avanço na própria compreensão dos fins do direito tributário e da tributação, que busca não um esquecimento da lei e das formas, mas a sua devida colocação dentro de um jogo que é muito mais complexo do que antes se imaginava e do que alguns ainda insistem em defender, quase sempre com o objetivo de beneficiar sonegadores e contribuintes que querem usar da forma para escamotear os tributos devidos por eles. Deve, portanto, ser mantido o Acórdão da DRJ no que toca a esse argumento. Fl. 321DF CARF MF 6 Devolução aos sócios Essa alegação foi a base da Impugnação da contribuinte e, portanto, o principal objeto de análise por parte da DRJ. A Recorrente tenta usar a regulamentação da devolução aos sócios de bens ou direitos enquanto capital social, porém isso não foi o que aconteceu no caso. Vide art. 60 da Instrução Normativa nº 11/1996, citado pela Recorrente em sua Impugnação: A tributação recai sobre a venda dos imóveis, e não sobre qualquer devolução. A Recorrente alega que o ganho de capital teria sido devolvido aos sócios mais tarde, de modo que eles deveriam ser os tributados, e não a empresa. Na verdade, houve apenas venda dos imóveis pela empresa sem pagamento de tributos e entrega do ganho aos sócios. Tratase de mais uma alegação confusa da Recorrente, que mistura regras aplicáveis a um tipo de situação com outra que nada tem a ver. Deve ser, portanto, afastado esse argumento trazido apenas em sede Recurso e negado provimento a ele. Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, de negar provimento ao Recurso Voluntário. Documento assinado digitalmente. Marcos de Aguiar VillasBôas Relator. Fl. 322DF CARF MF Processo nº 11030.721079/201136 Acórdão n.º 1401001.738 S1C4T1 Fl. 10 7 Fl. 323DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.100435/2005-38
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 15 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 9303-000.093
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em sobrestar o julgamento do recurso especial até a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria de repercussão geral, em face do art. 62-A do Regimento Interno do CARF. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto
Rodrigo da Costa Pôssas - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Antônio Lisboa Cardoso, Maria Teresa Martínez López, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Joel Miyazaki.
Nome do relator: Não se aplica
1.0 = *:*
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em sobrestar o julgamento do recurso especial até a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria de repercussão geral, em face do art. 62A do Regimento Interno do CARF. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto Rodrigo da Costa Pôssas Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Antônio Lisboa Cardoso, Maria Teresa Martínez López, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Joel Miyazaki. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela PGFN, contra acórdão que deu provimento, por maioria de votos, ao Recurso Voluntário, nos seguintes termos: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 65 .1 00 43 5/ 20 05 -3 8 Fl. 215DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/01/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11065.100435/200538 Resolução nº 9303000.093 CSRFT3 Fl. 216 2 NÃOCUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR ALTERAÇÃO NA PARCELA DO DÉBITO. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS. A cessão de ICMS gerado de operações de exportação anteriormente registrado como encargo tributário não materializa ingresso de elemento novo. O aumento do resultado do exercício da pessoa jurídica no momento da recuperação do custo tributário provê o retorno à situação patrimonial anterior, não reunindo condições de qualificála no conceito de receita. A PGFN apresentou Recurso Especial argumentando que o acórdão deve ser reformado porque não há previsão legal para que os valores obtidos com a cessão de créditos de ICMS gerados de operações de exportação não integrem a base de cálculo da Cofins. O sujeito passivo apresentou contrarrazões onde pleiteia a manutenção do acórdão ora recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Em julgamento ocorrido em 01/07/2010, foi reconhecida a repercussão geral e sobrestamento do RE 606107/RS, que trata da trata da inclusão das receitas auferidas integrarem ou não a base de cálculo da contribuições PIS e Cofins não cumulativas. Eis a ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. VALORES DA TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS DE ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. 1. A questão de os valores correspondentes à transferência de créditos de ICMS integrarem ou não a base de cálculo das contribuições PIS e COFINS nãocumulativas apresenta relevância tanto jurídica como econômica. 2. A matéria envolve a análise do conceito de receita, base econômica das contribuições, dizendo respeito, pois, à competência tributária. 3. As contribuições em questão são das que apresentam mais expressiva arrecadação e há milhares de ações em tramitação a exigir uma definição quanto ao ponto. 4. Repercussão geral reconhecida. Desta forma, nos termos do art. 62A do RICARF é imperioso que seja aguardado o julgamento final do processo em tramitação no E. STF. Assim, tendo em vista a inexistência de trânsito da referida decisão judicial, com repercussão geral, entendo ser necessário sobrestar o julgamento do presente recurso voluntário, conforme dispõe o § 1º, do art. 62A do RICARFs até que seja proferida decisão definitiva, pelo STF, no Recurso Extraordinário (RE) acima mencionado. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/01/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11065.100435/200538 Resolução nº 9303000.093 CSRFT3 Fl. 217 3 Isto posto, e na forma do disposto no inciso II, do § 1º, do art. 2º, da Portaria CARF nº 01, de 03 de janeiro de 2012, voto pelo sobrestamento do julgamento do recurso do presente processo. Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 217DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/01/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 10410.000064/97-57
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1994
CONTRIBUIÇÃO CNA. IMÓVEL RURAL. EMPRESÁRIO OU EMPREGADOR RURAL.
Caracterizado o imóvel como rural, e o proprietário como empresário ou empregador rural, é cabível a cobrança da Contribuição CNA.
Numero da decisão: 9202-004.358
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra (relator), Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento integral. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra - Relator
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Redatora Designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 1994 CONTRIBUIÇÃO CNA. IMÓVEL RURAL. EMPRESÁRIO OU EMPREGADOR RURAL. Caracterizado o imóvel como rural, e o proprietário como empresário ou empregador rural, é cabível a cobrança da Contribuição CNA.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra (relator), Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento integral. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra - Relator (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
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IMÓVEL RURAL. EMPRESÁRIO OU EMPREGADOR RURAL. Caracterizado o imóvel como rural, e o proprietário como empresário ou empregador rural, é cabível a cobrança da Contribuição CNA. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra (relator), Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento integral. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Relator (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 00 00 64 /9 7- 57 Fl. 182DF CARF MF 2 Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório Tratase o presente lançamento de Contribuição Sindical Rural a favor da Confederação Nacional da Agricultura dos exercícios 1994 e 1995 contra o contribuinte em epígrafe, tendo em vista ser este proprietário de imóveis localizados em zona rural. Inconformado, o contribuinte se manifestou no procedimento fiscal informando que fora constituído com o objetivo social de implantação do Núcleo Básico do Complexo Químico de Alagoas, bem como de produção e venda de utilidades a serem utilizadas pelas empresas que ali se instalarem e para prestação de serviços do interesse dessas empresas. Informou que os imóveis situados na zona rural de sua propriedade lhes foram doados pelo Estado de Alagoas para futura construção de um lago de acumulação da barragem, visando o aumento da produção do sistema de captação de águas, medida necessária para o desenvolvimento do Polo Cloroquímico de Alagoas. Além disso, o contribuinte esclareceu que nunca exerceu qualquer atividade agrícola ou pecuária nos referidos imóveis, que permaneceram sem utilização à espera do momento adequado para a construção do lago. Suas manifestações não foram acolhidas, de modo que foi apresentada Impugnação ao lançamento, que foi julgada totalmente improcedente pela DRJ. Assim sendo, tempestivamente, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário ao CARF. No julgamento do Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte a 1ª Câmara, do 3ª Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, a ele negou provimento, mantendo o crédito como lançado, em decisão assim ementada: ITR/94 — CONTRIBUIÇÃO CNA. Claro o enquadramento de "empresário ou empregador rural", consoante o Art. 1º, inciso II, alínea "c", do Decretolei n° 1.166/71. Devida a contribuição em epígrafe, conforme determina o § 1º, do Art. 4º, do mesmo Decretolei. A divisão proporcional entre os imóveis rurais, do capital social declarado pela recorrente, lastreiase, também, no mencionado §1º, do Art. 4º. NEGADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10410.000064/9757 Acórdão n.º 9202004.358 CSRFT2 Fl. 183 3 Inconformado, o contribuinte, tempestivamente, interpôs recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais. Para garantia da admissibilidade de seu Recurso o contribuinte trouxe os acórdãos de nº 20170.406, 20208.712 e 20304.721. Na análise da admissibilidade do Recurso da Fazenda o presidente 1ª Câmara do 3º CC, deu seguimento ao recurso de divergência na medida em que, para situações semelhantes, as decisões paradigmas cancelaram o lançamento da Contribuição ao CNA. Regularmente intimada, a União apresentou contrarrazões, argumentando, em síntese, que a decisão recorrida não se pautou apenas na localização do imóvel para manter o lançamento, foi ali considerado também que o contribuinte realizava atividade agroindustrial, na medida em que a área compreendida pela Fazenda em apreço destinase à futura expansão do Polo Cloroquímico de Alagoas; portanto, enquadrase em plano público de valorização (termos da Lei 4504/64) para, de futuro, fazer face à mencionada expansão do Pólo Cloroquímico que, indubitavelmente caracterizase como atividade industrial em propriedade rural, devidamente codificada no INCRA e sobre a qual, inclusive, incide ITR – daí fluir, extensivamente, o entendimento de que o imóvel e lide ter destinação agroindustrial. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Gerson Macedo Guerra Relator Pelo que consta do processo, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, deles conheço. A controvérsia se resume ao seguinte: a Autoridade Fiscal, os julgadores de primeira instância e os julgadores de segunda instância entendem ser licito o lançamento no que se refere as Contribuições CNA visto serem previstas em lei, para proprietários e mais de um imóvel rural, desde que a soma de suas áreas seja superior a dois módulos rurais da respectiva região. O contribuinte entende não ser contribuinte em razão de não realizar qualquer atividade agrícola ou pecuária e já contribuir para o sindicato da indústria correspondente a essa atividade. Pois bem. Da simples interpretação literal do artigo 1º do Decreto Lei 1.166/71 é possível se concluir que o proprietário de mais de um imóvel rural é considerado empresário, ou empregador rural, para fins de enquadramento sindical, independente de exercer ou não atividade rural. Art. 1º Para efeito do enquadramento sindical, considerase: II empresário ou empregador rural: c) os proprietários de mais de um imóvel rural, desde que a soma de suas áreas seja igual ou superior à dimensão do módulo rural da respectiva região. Fl. 184DF CARF MF 4 Essa, contudo, não é a interpretação que o antigo Conselho de Contribuintes dava ao tema. É possível vislumbrar em diversos julgados, que a interpretação dessa norma era realizada de forma sistemática, levandose em consideração os artigos da CLT que tratam da contribuição sindical (artigos 578 a 591). E a conclusão dessa interpretação sistemática era de que não seria possível dissociar a realização da atividade rural da condição de empresário ou empregador rural, para fins de enquadramento sindical. Foi nesse sentido o decidido no Acórdão 20304.721, onde se analisou o fato de o contribuinte Furnas Centrais Elétricas S/A ser proprietário de imóvel localizado em zona rural e sua caracterização como contribuinte da CNA. Vale a transcrição da ementa do referido julgado: ITR ISENÇÃO A isenção fiscal é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para sua concessão. Encontramse revogados todos os incentivos fiscais de natureza setorial que não foram confirmados por lei após dois anos, contados a partir da data da promulgação da Constituição Federal de 1988. Cabível a aplicação da Lei nr.8.847/94, que resultou da conversão da Medida Provisória nr. 399, de 29/12/93, para a exigência do ITR/94. CNA Incabível a exigência de contribuições sindicais rurais de empresa que, embora seja proprietária de imóvel rural, não exerça a atividade rural. A contribuição sindical é devida e recolhida em favor do sindicato da categoria econômica da qual a empresa participe. Recurso parcialmente provido.(g.n.) Conclusão diferente dessa seria distorcer a própria razão de ser das contribuições sindicais, que, nos termos do artigo 579, da CLT são devidas ao sindicato representativo da categoria econômica ou profissional da qual faz parte o contribuinte, nos seguintes termos: Art. 579 A contribuição sindical é devida por todos aquêles que participarem de uma determinada categoria econômica ou profissional, ou de uma profissão liberal, em favor do sindicato representativo da mesma categoria ou profissão ou, inexistindo êste, na conformidade do disposto no art. 591. Me soa muito estranho, senão incoerente, determinado contribuinte que não realiza qualquer atividade rural, muito pelo contrário, foi concebido com o objetivo de desenvolver atividades industriais no setor cloroquímico, seja compelido ao pagamento de contribuição sindical à CNA, apenas pelo fato de ser proprietário de terras localizadas em zona rural. Mais estranho ainda é querer concluir que o fato de exercer atividade industrial em imóvel localizado em zona rural caracteriza uma atividade agroindustrial, quando o próprio senso comum nos leva a pensar que a agroindústria consiste na atividade de industrializar matérias primas oriundas a atividade agropecuária. Nesse contexto, não vislumbro aqui um dos requisitos necessários para se poder enquadrar o contribuinte em questão como empresário ou empregador rural, contribuinte da contribuição ao CNA, qual seja: exercer atividade rural. Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10410.000064/9757 Acórdão n.º 9202004.358 CSRFT2 Fl. 184 5 Assim sendo, voto por DAR provimento ao recurso, de modo a reformar a decisão recorrida, cancelandose o lançamento. (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Voto Vencedor Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Redatora Designada Discordo do posicionamento do Ilustre Conselheiro Relator, no que tange à dispensa de recolhimento da Contribuição CNA sobre o imóvel objeto da autuação. Conforme o Decretolei n° 1.166, de 1971, a empresa autuada, ao tempo da ocorrência do fato gerador, enquadravase perfeitamente como empresário ou empregador rural, nos termos do art. 1º, inciso II, alínea "c": "Art. 1º para efeito do enquadramento sindical, considerase: (...) II empresário ou empregador rural: (...) c) os proprietários de mais de um imóvel rural, desde que a soma de suas áreas seja igual ou superior à dimensão do módulo rural da respectiva região." Deste enquadramento como empresário ou empregador rural, resultava a obrigação de recolhimento da Contribuição CNA, conforme o art. 4º , § 1º, do mesmo Decreto lei nº 1.166, de 1971: "Art. 4º (...) § 1º Para efeito de cobrança da contribuição sindical dos empregadores rurais, organizados em empresas ou firmas, a contribuição sindical será lançada e cobrada proporcionalmente ao capital social, e para os não organizados dessa forma, entenderseá como capital o valor adotado para o lançamento do imposto territorial do imóvel explorado, fixado pelo INCRA, aplicandose em ambos os casos, as percentagens previstas no artigo 580, letra "c", da Consolidação das Leis do Trabalho." Ademais, a Lei nº 4.504, de 1964, assim definiu o "imóvel rural": "Art. 4º Para os efeitos desta Lei, definemse: I 'Imóvel Rural', o prédio rústico, de área contínua qualquer que seja a sua localização que se destina à exploração extrativa agrícola, pecuária ou agroindustrial, quer através de planos Fl. 186DF CARF MF 6 públicos de valorização, quer através de iniciativa privada;" (grifei) Destarte, a despeito das alegações da Contribuinte, no sentido de que o imóvel não se enquadraria na categoria rural, por destinarse a futura expansão do Pólo Cloroquímico de Alagoas, esclareçase que, conforme assevera o voto condutor do acórdão recorrido com o qual concordo e ora reitero a definição legal de imóvel rural, acima colacionada, não é restrita: "A definição de "imóvel rural", extraída da Lei n.° 4.504/64, que o define com "prédio rural" (entendível como propriedade rural) 'que se destine à exploração extrativa agrícola, pecuária ou agroindustrial, quer através de planos públicos de valorização (g.n.)...' é o principal fundamento invocado pela recorrente para não se inserir como 'empresário ou empregador rural'. No entanto, não transparece da cogitada definição que a mesma se cerque do condão de exaurir a acepção ali contida, mais precisamente, o significado de 'imóvel rural', tanto é que não contém termos como 'somente', 'atual' ou 'unicamente' que excluiriam outra descrição ou condição de ser da acepção em foco. Nesse passo, verificase que, conforme o Decreto Estadual nº 5.937, de 1984, a área ocupada pelo imóvel rural em tela destinavase efetivamente a uma futura expansão do Pólo Cloroquímico de Alagoas, portanto, enquadravase em plano público de valorização (art. 4º, da Lei nº 4.504, de 1964). Assim, não há dúvida de que, ao tempo da ocorrência do fato gerador, tratavase de desenvolvimento de atividade industrial em propriedade rural, devidamente codificada no INCRA, sobre a qual incidia o ITR, concluindose pela caracterização do imóvel como tendo destinação agroindustrial, o que autoriza a manutenção da exigência. De resto, como remarca o acórdão recorrido, o fato de a Contribuinte haver recolhido contribuição para outra entidade sindical não a exime do pagamento da Contribuição CNA, já que restou comprovada a sua condição de empresário ou empregador rural. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Contribuinte e, no mérito, negolhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 187DF CARF MF
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