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Numero do processo: 13642.720171/2015-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. ISENÇÃO.
Somente são isentos do imposto de renda pessoa física os rendimentos provenientes de aposentadoria, reforma, reserva ou pensão, recebidos a partir da data do diagnóstico e uma das moléstias apontadas na legislação de regência como aptas à concessão do benefício.
DECLARAÇÃO RETIFICADORA. DECLARAÇÃO ORIGINAL. SUBSTITUIÇÃO.
A declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindo-a integralmente, devendo conter todas as informações anteriormente declaradas com as alterações e exclusões necessárias, bem como as informações adicionadas, se for o caso.
NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. NOVA DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE EFEITOS.
Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Logo, a declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.486
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo Presidente
(assinado digitalmente)
Túlio Teotônio de Melo Pereira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Mario Pereira de Pinho Filho, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Amílcar Barca Teixeira Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Bianca Felicia Rothschild e Theodoro Vicente Agostinho.
Nome do relator: TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2011 MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. ISENÇÃO. Somente são isentos do imposto de renda pessoa física os rendimentos provenientes de aposentadoria, reforma, reserva ou pensão, recebidos a partir da data do diagnóstico e uma das moléstias apontadas na legislação de regência como aptas à concessão do benefício. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. DECLARAÇÃO ORIGINAL. SUBSTITUIÇÃO. A declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindo-a integralmente, devendo conter todas as informações anteriormente declaradas com as alterações e exclusões necessárias, bem como as informações adicionadas, se for o caso. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. NOVA DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE EFEITOS. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Logo, a declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Recurso Voluntário Negado.
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DOENÇA GRAVE. ISENÇÃO. Recorrente KLEBER JOSELITO PEREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011 MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. ISENÇÃO. Somente são isentos do imposto de renda pessoa física os rendimentos provenientes de aposentadoria, reforma, reserva ou pensão, recebidos a partir da data do diagnóstico e uma das moléstias apontadas na legislação de regência como aptas à concessão do benefício. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. DECLARAÇÃO ORIGINAL. SUBSTITUIÇÃO. A declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, devendo conter todas as informações anteriormente declaradas com as alterações e exclusões necessárias, bem como as informações adicionadas, se for o caso. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. NOVA DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE EFEITOS. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Logo, a declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 64 2. 72 01 71 /2 01 5- 30 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo – Presidente (assinado digitalmente) Túlio Teotônio de Melo Pereira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Mario Pereira de Pinho Filho, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Amílcar Barca Teixeira Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Bianca Felicia Rothschild e Theodoro Vicente Agostinho. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO Processo nº 13642.720171/201530 Acórdão n.º 2402005.486 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Temse em pauta Notificação de Lançamento (fls. 4/9) para a exigência de crédito tributário apurado no valor de R$ 7.126,02, relativo ao anocalendário 2011, tendo sido apurado pela auditoria: · omissão de rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas no valor de R$ 30.997,87, pagos pela Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão, CNPJ 05.461.142/000170, indevidamente declarados como isentos por moléstia grave. De acordo com o laudo médico apresentado, a doença foi contraída em 06/04/2015. Assim, somente a partir desta data o declarante teria direito à isenção; · compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, no valor de R$ 377,08, referente à fonte Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão, CNPJ: 05.461.142/0001 70. O imposto retido sobre o décimo terceiro salário não pode ser recuperado se o contribuinte não comprova as condições para usufruir de isenção por moléstia grave. Na impugnação (f. 2), o sujeito passivo alega, em síntese, que a retificação da Declaração de Ajuste Anual (DAA) foi feita de maneira incorreta pois ele não sabia que as deduções ora lançadas deveriam permanecer na DAA. A impugnação foi julgada improcedente pelo acórdão no 1672.555 17a Turma da DRJ/SPO, fundamentado nos seguintes termos: O laudo médico de fls. 10 e 11, emitido pela Diretoria de Perícias Médicas do Hospital da Polícia Civil do Estado de Minas Gerais em 21/05/2015, traz a informação que o contribuinte é portador de neoplasia maligna desde 06/04/2015, posteriormente, portanto, ao anocalendário objeto desta Notificação de Lançamento (Anocalendário 2011). Sendo assim, tendo em vista o acima exposto, concluise que a documentação anexada aos autos não atende aos requisitos legais para a concessão da isenção, e a tributação dos rendimentos e a respectiva glosa do imposto retido na fonte, correspondente ao 13º salário serão mantidas. Há que se concluir, finalmente, que a mera alegação do interessado de que errou no preenchimento da Declaração de Ajuste Anual não tem o condão de refutar o lançamento em análise. Diante do exposto, voto por considerar IMPROCEDENTE a impugnação de fl. 02. Cientificado da decisão em 11/05/20116 (f. 32), o sujeito passivo interpôs recurso voluntário (fls. 34/36), em 08/06/2016, aduzindo, em síntese, as seguintes razões: Fl. 63DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO 4 1. que jamais omitiu rendimentos ou tentou usar laudos médicos para confundir ou tentar requerer, de forma indevida, a restituição, mas foi orientado, por funcionário da RFB, de maneira equivocada; 2. foram lançadas na declaração as informações que o contribuinte possuía em mãos, nada mais além da verdade, a qual ainda considera despesas dedutíveis do imposto de renda; 3. não há dúvida de que o laudo informa que o contribuinte é portador de neoplasia maligna desde 06/04/2015. O que se solicita não é a validação do laudo pericial, mas a possibilidade de nova entrega de DAA; 4. a solicitação inicial do contribuinte é a de poder ter considerada, pela Receita Federal, a declaração original transmitida em 19/03/2012, onde as receitas foram devidamente lançadas, para que a multa seja considerada indevida. Requer o acolhimento do recurso e cancelamento do débito fiscal. Juntou documentos (fls. 37/59). É o relatório. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO Processo nº 13642.720171/201530 Acórdão n.º 2402005.486 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Túlio Teotônio de Melo Pereira Relator O recurso, apresentado no trintídio assinalado pelo art. 33 do Decreto no 70.235/72, é tempestivo. Presentes os demais requisitos, deve ser conhecido. O contribuinte admite, no recurso, que o laudo médico somente diagnosticou sua enfermidade a partir de 06/04/2015. Logo, somente teria direito à isenção a partir desta data. Argumenta, no entanto, que cometeu um erro, e que não pretendia confundir ou requerer restituição de forma indevida. No entanto, a responsabilidade pela infração independe da intenção do agente, como estabelece o art. 136 do Código Tributário Nacional (CTN), aprovado pela Lei no 5.172/1966: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Ademais, ao contrário do que aduz no recurso, as informações apresentadas na Declaração de Ajuste Anual (DAA, fls. 14/19) retificadora, entregue em 03/06/2015, e que serviu de base para o lançamento, não correspondem à realidade, eis que declara como isentos os rendimentos no valor de R$ 30.997,87, recebidos da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão, CNPJ 05.461.142/000170, quando o sujeito passivo não preenchia os requisitos para o exercício do benefício fiscal. Fica, assim, caracterizada a omissão de rendimentos apontada na notificação de lançamento. O recorrente alega, ainda, que foi incorretamente orientado por funcionário da Receita Federal do Brasil (RFB). No entanto, não comprova tal alegação, pelo que resulta impossível de ser acolhida. Quanto à possibilidade de apresentação de nova declaração de ajuste, não teria repercussão sobre a notificação de lançamento sob exame. Acontece que, uma vez iniciado o procedimento fiscal, está excluída a espontaneidade do sujeito passivo, nos termos do §1o, do art. 7o, do Decreto no 70.235/1972: Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (Vide Decreto nº 3.724, de 2001) I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; Fl. 65DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO 6 III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. (grifouse) Desse modo, a apresentação de nova Declaração de Ajuste Anual não excluiria a responsabilidade pela infração, consoante dispõe o parágrafo único do art. 138 do Código Tributário Nacional (CTN), aprovado pela Lei no 5.172/1966: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Nesse sentido foi pacificada a jurisprudência deste Conselho: Súmula CARF nº 33: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Resulta, portanto, rejeitado o pedido para apresentação de nova declaração de ajuste para a finalidade de afastar o lançamento. No tocante à declaração retificadora, assim estabelece a Instrução Normativa RFB nº 1500, de 29 de outubro de 2014 (DOU 30/10/2014): Art. 82. Eventuais erros ou omissão de informações verificados na DAA, depois de sua apresentação, devem ser retificados pelo contribuinte por meio de declaração retificadora, desde que não esteja sob procedimento de ofício, independentemente de autorização administrativa. Parágrafo único. A declaração retificadora referida no caput: I tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, devendo conter todas as informações anteriormente declaradas com as alterações e exclusões necessárias, bem como as informações adicionadas, se for o caso; e II será processada, inclusive para fins de restituição, em função da data de sua entrega. (grifouse) Desse modo, também é impossível considerar a declaração original, transmitida em 19/03/2012, dado que a retificadora substituiua integralmente, conforme parágrafo único, do art. 82, da Instrução Normativa RFB nº 1500/2014. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO Processo nº 13642.720171/201530 Acórdão n.º 2402005.486 S2C4T2 Fl. 5 7 Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do recurso para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Túlio Teotônio de Melo Pereira. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 11080.914821/2012-41
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA.
Nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido.
Recurso Especial não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-004.282
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial do Contribuinte.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2008 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. Nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido. Recurso Especial não Conhecido.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
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Compensação. Recorrente VERDE ADMINISTRADORA DE CARTOES DE CREDITO S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. Nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido. Recurso Especial não Conhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3802003.821, de 15/10/2014, proferido pela 2ª Turma Especial 3ª Seção do CARF, que traz a seguinte ementa: PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 48 21 /2 01 2- 41 Fl. 211DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11080.914821/201241 Acórdão n.º 9303004.282 CSRFT3 Fl. 3 2 O contribuinte, a despeito ausência de retificação da DCTF, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente aponta interpretações divergentes quanto à compensação lastreada em crédito oriundo de pagamento efetuado à maior, cuja DCTF retificadora, que aponta a existência de direito creditório, só foi apresentada após a não homologação da compensação pela unidade de origem (após a emissão do despacho decisório). Visando comprovar a divergência, apresentou dois paradigmas: Acórdãos nº 3802003.956, 21/01/2015, e 3403 003.343, de 05/01/2015. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.259, de 15/09/2016, proferido no julgamento do processo 11080.914807/201247, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.259 ): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso não deve ser conhecido. Conforme se demonstrou no exame de admissibilidade, o primeiro acórdão utilizado para comprovar o dissídio jurisprudencial, o de nº 3802003.956, 21/01/2015, foi lavrado pela mesma Turma que prolatou o recorrido, fato que obsta a sua utilização como paradigma. Já o Acórdão nº 3403003.343, de 05/01/2015, a despeito de prolatado por Turma diversa, traz entendimento que, a nosso juízo, só reafirma, por outras palavras, o mesmo adotado no acórdão recorrido. É que, neste, como se passa a demonstrar, entendeuse que, mesmo diante da não retificação da DCTF (no caso em exame, a retificação só foi realizada após a ciência do Despacho Decisório), o contribuinte, por força do princípio da verdade material, teria direito à compensação, mas desde que apresentasse prova da existência do crédito compensado, fato de que não se desincumbira a Recorrente. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11080.914821/201241 Acórdão n.º 9303004.282 CSRFT3 Fl. 4 3 No acórdão paradigma, decidiuse que “ainda que a DCTF não aponte o referido crédito, por lapso do contribuinte, se realmente houve pagamento a maior anteriormente, existe crédito, que passa a ser do conhecimento da Receita Federal a partir da retificação da documentação e da identificação documental, ainda que por meio eletrônico, da existência real do mencionado crédito”. A decisão foi assim ementada: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. ADMISSIBILIDADE. O crédito tributário do contribuinte nasce do pagamento indevido ou a maior que o devido, porém ele apenas se torna oponível à Receita Federal após a devida retificação e/ou correção das respectivas Declarações, quando então o Órgão Administrativa poderá tomar conhecimento daquele direito creditório em questão. De qualquer forma, em determinadas situações, em razão do procedimento eletrônico de compensação, em que não há espaço para emendas ou correções pelo contribuinte, há que se admitir e analisar a retificação da DCTF efetuada posteriormente ao despacho decisório, sob pena de excesso de rigorismo, que não resolve satisfatoriamente a lide travada e leva o contribuinte ao Poder Judiciário, apenas fazendo aumentar a condenável litigiosidade. Recurso Voluntário Provido. A toda evidência, diante dos mesmos fatos, as decisões recorrida e paradigma chegaram à mesma conclusão: ainda que não haja retificação tempestiva da DCTF, ou seja, ainda que a retificação se dê somente após a ciência do Despacho Decisório, uma vez comprovada a existência do crédito mediante a entrega de documentação idônea, tornase possível a restituição. Não há divergência, pois. Ante o exposto, não conheço do recurso especial." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não se conhece do recurso especial. Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 213DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10283.002313/98-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1993
PROVAS. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
No caso de auto de infração ou notificação de lançamento, o ônus da prova dos fatos ali alegados é do fiscal autuante; por outro lado, quando o contribuinte impugna o lançamento, é deste o ônus da prova quanto à existência de suas razões.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 1401-001.723
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.
ANTONIO BEZERRA NETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
LIVIA DE CARLI GERMANO - Relatora.
(assinado digitalmente)
EDITADO EM: 07/10/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, LIVIA DE CARLI GERMANO, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, RICARDO MAROZZI GREGORIO, JULIO LIMA SOUZA MARTINS, AURORA TOMAZINI DE CARVALHO.
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. ANTONIO BEZERRA NETO - Presidente. (assinado digitalmente) LIVIA DE CARLI GERMANO - Relatora. (assinado digitalmente) EDITADO EM: 07/10/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, LIVIA DE CARLI GERMANO, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, RICARDO MAROZZI GREGORIO, JULIO LIMA SOUZA MARTINS, AURORA TOMAZINI DE CARVALHO.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1993 PROVAS. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. No caso de auto de infração ou notificação de lançamento, o ônus da prova dos fatos ali alegados é do fiscal autuante; por outro lado, quando o contribuinte impugna o lançamento, é deste o ônus da prova quanto à existência de suas razões. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. ANTONIO BEZERRA NETO Presidente. (assinado digitalmente) LIVIA DE CARLI GERMANO Relatora. (assinado digitalmente) EDITADO EM: 07/10/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, LIVIA DE CARLI GERMANO, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, RICARDO MAROZZI GREGORIO, JULIO LIMA SOUZA MARTINS, AURORA TOMAZINI DE CARVALHO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 23 13 /9 8- 50 Fl. 252DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 07/10/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 13/10/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 2 Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração para cobrança de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, nos valores históricos totais de R$ 22.582,95 e R$ 20.983,07 respectivamente, incluindo encargos legais. As infrações apuradas pela fiscalização, originadas de revisão de declaração de rendimentos correspondente ao anocalendário de 1993 (DIRPJ/94) e relatadas na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, decorreram de transporte a menor do lucro líquido do período base para as demonstrações do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Conforme relatado no acórdão da DRJ: Inconformado com a exigência, apresentou o contribuinte, através de seu representante legal, impugnação em 16.04.98, fls. 01/05, alegando, em síntese, o seguinte: 1) ICMS SOBRE VENDAS: O primeiro erro referese ao esquecimento de fazer constar no Anexo 1, Quadro 04, Linha 07, em todos os meses do anocalendário de 1993, os valores pertinentes ao ICMS sobre vendas e demais impostos sobre vendas, conforme demonstrativo às fls. 13/15. 2) COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS: Alega que desde o períodobase de 1991, passou a acumular prejuízos fiscais, conforme resumo do LALUR às fls. 09/10. Novos erros de preenchimento foram constatados na declaração IRPJ do anocalendário de 1993, no Anexo 2, Quadro 04, Linhas 41,42,43 e 44, abaixo demonstrados: 3)BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL: Aduziu a autuada que em todos os meses do anocalendário de 1993 observouse base de cálculo negativa da CSLL, sendo, portanto, indevida a cobrança da contribuição social nos meses autuados. Corrobora seu entendimento sobre "erro de fato", transcrevendo ensinamentos de tributaristas sobre o assunto. 4) PROVA PERICIAL: Solicitou a realização de perícia, indicando como perito o Sr. MARCOS EDUARDO COSTA PIMENTEL, brasileiro, casado, auditor contábil independente, residente e domiciliado à Rua 4, Casa 17, Conjunto Celetramazon, nesta cidade de Manaus (AM), inscrito no CRCAM n° 35560/4, formulando os seguintes quesitos: a) Há erros formais no preenchimento da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica/94? Se a resposta for positiva, identificálos. b)Houve realização a maior de Lucro Inflacionário? Se a resposta for positiva, qual o valor. c)Há Prejuízos Fiscais acumulados em períodosbase anteriores? Se a resposta for positiva, demonstrar por período base. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 07/10/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 13/10/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10283.002313/9850 Acórdão n.º 1401001.723 S1C4T1 Fl. 253 3 A DRJ/MANAUS, à época, verificou, pelo exposto, que não havia elementos suficientes para o deslinde do litígio, assim, nos termos do artigo 18 do Decreto n° 70.235/72 (com as alterações da Lei nº 8.748/93), foi proposto o encaminhamento do presente processo à DRF/Manaus (AM) para que, em procedimento de diligência junto aos assentamentos contábeis e fiscais da empresa, fossem tomadas as seguintes providências: Verificar a veracidade do demonstrativo de fls. 13/15, em especial quanto ao valor do ICMS e demais impostos sobre vendas; Analisar qual. o valor dos prejuízos fiscais e respectivas compensações a partir do períodobase de 1991, procedendo as alterações cabíveis no SAPLI; Verificar a ocorrência de erro na Base de Cálculo Negativa da CSLL, a partir do anocalendário de 1992, considerandose o demonstrativo de fls. 06/07 e 11/12 e o demonstrativo SAPLI de fls. 69/73; Persistindo total ou parcialmente, as irregularidades objeto da revisão da declaração, calcular qual o valor do IRPJ e a CSLL remanescente. Ao final, elaborar relatório conclusivo, inclusive, carreando informações outras que sejam de interesse para o deslinde do presente processo. A DRF/MANAUS elaborou o seguinte relatório acerca do assunto: Para fins instrução no processo em epígrafe e em atendimento ao despacho exarado às suas fls. 81/82, pela DRJ, à época dos fatos sediada em Manaus, temos a informar o que segue: 1 No tocante a verificação da veracidade das informações contidas nas fls. 13/15, não pode ser comprovada, pelo exame procedido nos livros comerciais da interessada, do anocalendário de 1993, visto os mesmos não apresentarem valores compatíveis com os informados nas planilhas, mormente, os relativos aos ICMS e demais impostos sobre venda, o que, inclusive, pode ser comprovado pelas cópias dos balancetes mensais da pessoa jurídica, anexos a esta; 2 Quanto aos prejuízos fiscais e respectivas compensações, em decorrência de não haver correspondência entre os registros contábeis, elementos essenciais para a apuração dos lucros reais dos períodos, visto serem os supedâneos para apuração do lucro real, e os demonstrativos apresentados pela impugnante, deixase de fazer as alterações cabíveis no SAPLI. Reforçando, entendese que só se poderia proceder alterações no aludido sistema se existisse correspondência entre os dados que o alimentariam e a escrita comercial da pessoa jurídica, o que não é o caso como restou constatado na diligência; 3 O item 3 do despacho da DRJ, também não pode ser atendido em virtude de não terem sido disponibilizados os livros comerciais dos anoscalendário de 1991 e 1992. Foram apresentados apenas cópias de balanços gerais, sem a indicação das fls. do Diário onde estariam registrados os mesmos, ademais a cópia do balanço do anocalendário de 1993, não está assinada, nem pelo profissional responsável pela contabilidade, nem pelo representante legal da pessoa jurídica. 4 Considerando então, não terem sido apresentados na diligência, os elementos necessários a corroboração dos demonstrativos Fl. 254DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 07/10/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 13/10/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 4 apresentados pela pessoa jurídica impugnante, entendese não ser mister recalcular o valor do IRPJ e da CSLL, visto que, do crédito tributário levantado em desfavor da mesma, nada pode ser alterado. É a informação. Assim, o processo fora retornado ao contencioso, desta vez à DRJ/BELÉM, para seu deslinde. Ocorre, entretanto, que o objetivo da ciência ao interessado, descrito no Decreto 70.235/72, visa a que o mesmo tenha conhecimento dos fatos do processo, a ele pertinentes. Após a instauração do contencioso é necessário, para não cercearmos o direito de defesa do impugnante, que, a cada inserção de informações por parte da fiscalização, haja a ciência do interessado, bem como abertura de prazo para .que este se manifeste sobre aquilo que tomara conhecimento. Desta forma, fora solicitado, através do Despacho nº 37 da DRJ/Belém, encaminhamento à unidade de origem para que se procedesse à ciência do resultado da diligência ao impugnante, incluso o despacho da unidade de origem nas fls.85/86, e que a este fosse concedido o prazo para a apresentação de novos argumentos, caso assim deseje. Atentouse, ainda, que fosse aposto no processo documentação demonstrando tanto a ciência como o conteúdo desta ciência ao impugnante. Em atenção ao solicitado pela DRJ/Belém, foi efetivada a citação, conforme fl. 177. Não houve manifestação do interessado no tocante às informações contidas na citação. Em 23 de junho de 2014, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (PA) manteve o lançamento, proferindo o acórdão 0129.434, que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1993 PROVAS. COMPENSAÇÃO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. No que concerne às provas, temos que no caso de auto de infração ou notificação de lançamento, o ônus da prova é do fiscal “autuante”; por outro lado, quando o contribuinte impugna o lançamento o ônus da prova é deste quanto à existência de suas razões. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimado em 22/10/2014, o contribuinte então apresentou recurso voluntário tempestivamente em 19/09/2014, alegando, em síntese (fls. 197 a 218): (i) nulidade da decisão de primeira instância por comprovação do erro de fato: sustenta que o poder que a Receita Federal tem de examinar livros e documentos não a Fl. 255DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 07/10/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 13/10/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10283.002313/9850 Acórdão n.º 1401001.723 S1C4T1 Fl. 254 5 exime de proceder ao levantamento criterioso das deduções do ICMS e outras deduções de vendas constantes dos sistemas informatizados e declarados pela Recorrente. (ii) a legislação garante o direito às deduções de vendas canceladas, que não se incluem na receita bruta. (iii) o contador da Recorrente se equivocou ao deixar de informar as deduções restou saldo a pagar de IRPJ e CSLL, porém a empresa possuía prejuízo fiscal e saldo negativo de CSLL, o que compensaria os valores devidos. (iv) é falácia da autoridade fiscal que conduziu o julgamento que a Recorrente não comprovou com documentação hábil e idônea os seus argumentos na peça impugnatória; a autoridade fiscal carece de conhecimento técnico para proceder à análise necessária, não tendo acessado os sistemas da Receita Federal para ter certeza de que a Recorrente possuía no sistema SAPLI estoque elevado de prejuízo fiscal. (v) ofensa ao princípio da moralidade administrativa pois a empresa não foi cientificada das inúmeras prorrogações a que se submeteu o MPF originário. (vi) falta de enquadramento legal dos dispositivos aplicados para a não homologação da compensação. Junta à peça recursal planilhas e demonstrativos que, conforme ressalta a fls. 219, já constam dos autos. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Livia De Carli Germano O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele conheço. Como relatado, a impugnação apresentada foi julgada improcedente tendo em vista que, mesmo após a conversão do julgamento em diligência, a empresa não logrou demonstrar a efetividade dos erros em sua escrituração ali apontados. Em nenhum momento se negou a possibilidade, em tese, de dedução das despesas ou do prejuízo fiscal e da base negativa de CSLL, ou seja, a controvérsia no caso concreto não é de direito mas de fato. A diligência apurou que (i) os livros comerciais do anocalendário de 1993 não apresentaram valores compatíveis com os informados nas planilhas anexadas aos autos; e (ii) não foram apresentados os livros fiscais dos anoscalendário de 1991 e 1992 para fins de comprovação do alegado prejuízo fiscal e base negativa de CSLL. Em seu recurso voluntário a empresa não traz qualquer argumento novo capaz de alterar o quanto decidido na decisão da DRJ. Neste sentido, entendo que esta deve ser mantida por seus próprios fundamentos. Vejamos: Fl. 256DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 07/10/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 13/10/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 6 No caso concreto: a impugnante alega suas contrarazões mas não traz provas quanto ao alegado em sua impugnação; existe um “iter” na apuração do crédito tributário: a) os fatos econômicos acontecem na vida quotidiana; b) os fatos econômicos são descritos nos documentos que retratam e comprovam as situações específicas; c) uma vez documentados, os fatos são registrados na “contabilidade” das empresas, seguindo as técnicas legalmente aceitas; d) as informações, registradas e condensadas nos registros contábeis, são levadas às declarações fiscais para, nestas, serem calculados os valores de tributos; Assim, se há “erro” em alguma etapa desta seqüência, cabe ao impugnante, pois fora ele quem alegou, que apresente o “locus” do erro, e as provas deste erro; Não basta, ainda, simplesmente, apresentar documentos, ou a própria contabilidade, é necessário que estes elementos estejam concatenados de forma a demonstrar os fatos corretos que deveriam ter sido tributados; A impugnante não logrou demonstrar em sede de impugnação, nem nas diligências que houve no presente processo, as razões que alegou em sua impugnação! Destarte, diante da ausência de provas robustas e mais detalhadas, que deveriam ter sido apresentadas pela recorrente, sobre o direito pleiteado, aliado às declarações, e aos controles dos sistemas internos da Receita Federal, alimentados pelo próprio recorrente, que demonstram a ocorrência dos fatos geradores dos tributos cobrados no lançamento. Vale notar que não assiste razão à Recorrente quanto à alegação de que a autoridade fiscal não acessou os sistemas da Receita Federal para ter certeza de que a Recorrente possuía no sistema SAPLI estoque elevado de prejuízo fiscal. Tanto este sistema foi consultado que, conforme relatado, a diligência apurou que não havia correspondência entre os dados que o alimentariam e a escrita comercial da pessoa jurídica. Assim, novamente a empresa não se desincumbiu de provar, com sua escrita comercial, os fatos que alega terem ocorrido. Os capítulos finais da peça impugnatória sustentam argumentos inovadores que, mesmo que se ignorasse a sua preclusão, não mereceriam acolhimento. Nomeadamente, a alegação de que teria havido ofensa ao princípio da moralidade administrativa pelo fato de a empresa não ter sido cientificada das inúmeras prorrogações a que se submeteu o MPF originário não parece ser o caso, pois não consta dos autos que o MPF tenha sido prorrogado. Por sua vez, no capítulo intitulado "falta de enquadramento legal dos dispositivos aplicados para a não homologação da compensação", a Recorrente se limita a discorrer sobre o conceito de erro de direito e sobre a impossibilidade de se alterar o critério jurídico do lançamento, sem indicar especificamente como tal argumento se encaixa em seu caso. Pois tais razões, voto pelo não provimento do recurso voluntário. Livia De Carli Germano Relatora (assinado digitalmente) Fl. 257DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 07/10/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 13/10/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10283.002313/9850 Acórdão n.º 1401001.723 S1C4T1 Fl. 255 7 Fl. 258DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 07/10/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 13/10/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
score : 1.0
Numero do processo: 10675.901420/2009-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA.
Confirmada a existência do direito creditório utilizado para compensação reputada não homologada por despacho decisório eletrônico, mediante diligência específica, e não havendo outros questionamentos a respeito da sua procedência, mostra-se insubsistente o argumento apresentado na lavratura do ato administrativo denegatório.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3401-003.296
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Robson José Bayerl Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
1.0 = *:*
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Confirmada a existência do direito creditório utilizado para compensação reputada não homologada por despacho decisório eletrônico, mediante diligência específica, e não havendo outros questionamentos a respeito da sua procedência, mostrase insubsistente o argumento apresentado na lavratura do ato administrativo denegatório. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Robson José Bayerl – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 14 20 /2 00 9- 72Fl. 1075DF CARF MF 2 Tratase, na espécie, de despacho decisório eletrônico de não homologação de compensação, relativo ao PER/DCOMP 14774.04210.291105.1.3.040190, cujo fundamento indicado seria a integral vinculação do crédito informado em outro débito de titularidade do contribuinte. Em manifestação de inconformidade o contribuinte informou que o crédito estaria em consonância com declarações retificadoras (DIPJ e DCTF) apresentadas. A DRJ Juiz de Fora/MG julgou a manifestação de inconformidade improcedente ao argumento que a compensação pressuporia a certeza e liquidez do direito creditório, tal como evidenciado nas informações prestadas em DCTF anterior ou contemporânea à transmissão da DCOMP respectiva. Em recurso voluntário o contribuinte pugnou, preliminarmente, pelo julgamento em conjunto com o PA 10675.901421/200917. No mérito, salientou que o crédito originarase de tributação indevida da Cofins sobre produtos cujas alíquotas foram reduzidas a zero pelo art. 1º da Lei nº 10.925/04; demonstrou a forma de apuração do indébito; juntou os documentos comprobatórios do crédito pleiteado; questionou o excesso de formalismo, citando jurisprudência administrativa; e, por fim, asseverou a procedência do direito de crédito e, por conseqüência, a regularidade da compensação aviada. Na sessão de 24/04/2013, mediante Resolução nº 3802000.112, o julgamento foi convertido em diligência para aferição da procedência do direito creditório invocado. Em 05/08/2014, a SAORT/DRF/UBL/MG confeccionou despacho relatando a diligência realizada e as conclusões extraídas. O contribuinte, devidamente cientificado, não se manifestou. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator Os requisitos de admissibilidade do recurso já foram verificados por ocasião da conversão do julgamento em diligência. Por oportuno, trago à colação as razões de decidir que nortearam a extinta 2ª Turma Especial/3ª SEJUL a converter o julgamento em diligência: “Compulsando os autos, constatase que a Recorrente busca reformar a decisão de 1ª instância com base na redução da alíquota da COFINS promovida pela Lei nº 10.925/04, bem como através da juntada de diversos documentos comprobatórios. Afirma a Recorrente, no capítulo pertinente de suas razões (fls. 68 e seguintes), que no ano de 2004, era optante pelo regime de tributação do IRPJ segundo o lucro presumido, de modo que ‘procedia à apuração dos tributos e contribuições federais, considerando a incidência da COFINS, em todos os produtos que vendia, (...)’. Fl. 1076DF CARF MF Processo nº 10675.901420/200972 Acórdão n.º 3401003.296 S3C4T1 Fl. 11 3 Prossegue a Recorrente explicando que a lei 10.925/2004 alterou a forma de recolhimento do PIS e da COFINS, reduzindo a zero a alíquota de alguns produtos, dentre os quais aqueles objeto de sua atividadefim (defensivos, adubos, sementes, etc.)”. (...) Ora, o art. 1º da lei 10925/2004, ao reduzir a zero as alíquotas do PIS e da COFINS para diversos produtos, não distingue a redução das alíquotas do PIS e da COFINS para os regimes cumulativo ou não cumulativo, nem mesmo para contribuintes de lucro real ou presumido. Indo mais além, como tal distinção só é feita pela lei no que tange à suspensão de PIS e COFINS para casos distintos (arts. 9º, § 1º, e 15, § 3º), somente fica mais realçada a amplitude da abrangência das disposições do art. 1º. Assim sendo, o fato de a Recorrente ter aplicado a alíquota zero somente a partir do momento em que optou pelo lucro real, não significa que a lei tenha condicionado a redução das alíquotas para tal regime o que comprometeria a utilização de créditos originados de recolhimentos tidos como a maior, por terem sido feitos em 2004. A única questão prejudicial à análise do crédito fica, portanto, superada. A lide restringese, destarte, à análise da materialidade do crédito. No que tange esse aspecto, temse que a Recorrente teve seu crédito negado em razão de ter retificado a DCTF somente após o despacho decisório, além de não ter juntado, à sua manifestação de inconformidade, toda a documentação necessária para a materialidade do crédito. Ocorre que, em sede recursal, a Recorrente apresenta toda sorte de documentos hábeis a demonstrar a veracidade das suas alegações, que são muito simples: para todos os casos em que houve recolhimento de PIS e COFINS sobre vendas de produtos indicados nos incisos I a IV da lei 10.925/2004, desde o início de sua produção de efeitos (26 de julho de 2004), é necessário o reconhecimento de recolhimento indevido – o que permite seu oferecimento à compensação. Ao analisar os documentos juntados, entendo que a contribuinte é bem sucedida em sua tarefa de comprovar o alegado. E, em prestígio à verdade material e consonante com diversos precedentes do CARF (inclusive desta Eg. Turma Especial), excepcionalmente é de se aceitar a retificação da DCTF, ainda que a destempo.” Prestigiando a fundamentação do voto condutor, com a qual concordo, entendo que a questão de direito mostrase adequadamente enfrentada e superada, de modo que, sem maiores delongas, passase ao resultado da diligência determinada. Nesta senda, a informação fiscal coligida aos autos atesta quantia disponível de crédito no período de apuração informado na DCOMP respectiva, oriunda de recolhimento indevido, em montante suficiente para quitação do débito compensado. Fl. 1077DF CARF MF 4 Por conseguinte, mostrase insubsistente o motivo apresentado como fundamento para não homologação da compensação, consoante despacho decisório eletrônico expedido. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso interposto. Robson José Bayerl Fl. 1078DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000974/00-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 1995
CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. LIMINAR EM AÇÃO CAUTELAR. MULTA DE OFÍCIO. DESCABIMENTO. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa por medida liminar em ação cautelar e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. Aplicação da retroatividade benigna em matéria de penalidade.
Numero da decisão: 1301-002.189
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Marcelo Malagoli da Silva, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 1995 CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. LIMINAR EM AÇÃO CAUTELAR. MULTA DE OFÍCIO. DESCABIMENTO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa por medida liminar em ação cautelar e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. Aplicação da retroatividade benigna em matéria de penalidade.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Marcelo Malagoli da Silva, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
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LIMINAR EM AÇÃO CAUTELAR. MULTA DE OFÍCIO. DESCABIMENTO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa por medida liminar em ação cautelar e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. Aplicação da retroatividade benigna em matéria de penalidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Marcelo Malagoli da Silva, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 09 74 /0 0- 51 Fl. 798DF CARF MF Processo nº 16327.000974/0051 Acórdão n.º 1301002.189 S1C3T1 Fl. 799 2 Relatório SUDAMERIS ARRENDAMENTO MERCANTIL S/A, já qualificada nestes autos, foi autuada e intimada a recolher crédito tributário no valor total de R$ 10.766.095,12, discriminado no Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo, à fl. 2. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito. Em conseqüência de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias foram lavrados, em 25/05/2000, contra a contribuinte acima identificada, os Autos de Infração, a seguir discriminados, decorrentes de EXCLUSÃO NÃO AUTORIZADA – DIFERENÇA I.P.C./O.T.N. – PLANO VERÃO (IRPJ) e APURAÇÃO INCORRETA DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL: [...] 2. No Termo de Verificação Fiscal (TVF fls. 124 a 128), os Auditores Fiscais autuantes explicitam: 2.1. que a fiscalizada, (nos meses calendário de junho e julho de 1994 quanto ao IRPJ e, ainda, nos meses de agosto de 1994 e setembro de 1997 quanto à CSLL), excluiu do lucro líquido as parcelas da correção monetária calculadas, de acordo com o quadro demonstrativo de fls. 03 e 04, pela aplicação do percentual de 70,28%, no mês de janeiro de 1989, equivalente às diferença IPC integral, para efeito da correção monetária de balanço do exercício de 1990, ano base 1989, ou do percentual de 51,73% considerando a OTN de NCZ$ 6,92 ao invés de NCZ$ 6,17; 2.2. que, em atendimento à intimação fiscal, a contribuinte apresentou: a) Cópia da Medida Cautelar Inominada distribuída sob o nº 93.00195190 à 18a. Vara da Justiça Federal, pleiteando a aplicação do índice de 70,28% (doc. fls. 21 a 55); b) Cópia do despacho, de 29/07/1993, do MM. Juiz da 18a Vara da Justiça Federal em São Paulo, concedendo a Liminar junto ao processo acima mencionado (doc. fls. 56 e 57); c) Cópia da inicial da “Ação Declaratória Sob o Rito Ordinário” – Processo 93.00240722 – distribuída em 26/08/1996, por dependência à 18a Vara da Justiça Federal em São Paulo (doc. fls. 58 a 90); d) Cópia da sentença de 21 de maio de 1996 junto aos processos 93.00195190 e 93.00240722 julgando procedente o postulado nas iniciais da Medida Cautelar Inominada e da Ação Declaratória (doc. fls. 91 a 97); e) Despacho recebendo o recurso de Apelação da sentença proferida em 21 de maio de 1996, “em seus regulares efeitos” (doc. fls. 98); Fl. 799DF CARF MF Processo nº 16327.000974/0051 Acórdão n.º 1301002.189 S1C3T1 Fl. 800 3 f) Cópia do Acórdão relativo à Apelação Cível nº 96.03.093556 5/SP, tendo como apelado o Banco Sudameris Brasil S/A. (doc. fls. 99 a 109) 2.3. que pela decisão de primeira instância, de 21 de maio de 1996, o pedido inicial foi julgado procedente, “estritamente para declarar a existência de relação jurídica que obrigue o contribuinte à aplicação de índices defasados em suas demonstrações financeiras, no exercício que indica, com os seus imanentes consectários e consequentemente, por igual, procedente a cautelar, confirmando a liminar anteriormente deferida”; 2.4. que considerando que o Recurso de Apelação foi recebido “em seus regulares efeitos”, o despacho de 29 de julho de 1993 que deferiu a Liminar junto ao processo 93.00195190 da 18a Vara da Justiça Federal em São Paulo – Medida Cautelar Inominada – permanecerá com todos os seus efeitos até decisão judicial com trânsito em julgado. Assim, a instituição financeira está judicialmente autorizada a deduzir a partir do período base de junho de 1993 a correção monetária correspondente à diferença entre a OTNFiscal e o IPC, ocorrida em janeiro de 1989, utilizandose, para tanto, o índice de 70,28%, ou do percentual de 51,73% considerando a OTN de NCZ$ 6,92 ao invés de NCZ$ 6,17; 2.5. que no anocalendário de 1999, usufruindo dos benefícios da Lei nº 9.779 e IN/SRF 26/99, o contribuinte recolheu a título de I.R.P.J. e C.S.L.L. os valores relacionados na tabela abaixo. Os valores referemse à diferença entre o índice utilizado pelo contribuinte para apuração do saldo devedor da correção monetária de janeiro de 1989 e o índice admitido pela Justiça Federal, conforme demonstrado na planilha de fls. 03/04 elaborada pelo contribuinte: Data Pagto. Vr. I.R.P.J. Pago VR. C.S.L.L. Pago 26/02/99 131.992,60 9.880,52 31/03/99 131.992,60 9.880,52 30/04/99 131.992,60 9.880,52 31/05/99 131.992,60 9.880,52 30/06/99 131.992,60 9.880,52 30/07/99 131.992,60 9.880,52 Totais 791.955,60 59.283,12 2.6. que, por outro lado, em 08 de março de 2.000, a instituição financeira efetuou os seguintes depósitos junto ao processo 93.0015190 da 18a Vara da Justiça Federal em São Paulo, relativamente aos valores controversos do I.R.P.J. e da C.S.L.L.: Tributo Valor: R$ I.R.P.J. 6.307.159,91 C.S.L.L. 488.310,20 2.7. que, contrariando a disposição contida no art. 196 do RIR/94, porém amparado por Liminar em Medida Cautelar Inominada Processo 93.00195190 junto à 18a Vara de Justiça Federal em São Paulo, o contribuinte procedeu, em junho e julho de 1994, e em dezembro de 1997 os ajustes fiscais, em razão da utilização do percentual de 70,28% como índice de correção monetária de suas demonstrações financeiras do mês de janeiro de 1989, excluindo, conseqüentemente, de seu lucro real e da base de cálculo da C.S.L.L. os valores abaixo relacionados que foram adicionados, de ofício, ao lucro líquido: Data I.R.P.J. C.S.L.L. Fl. 800DF CARF MF Processo nº 16327.000974/0051 Acórdão n.º 1301002.189 S1C3T1 Fl. 801 4 30/06/1994 8.290.762.268,00 0,00 31/07/1994 3.435.742,00 0,00 31/08/1994 0,00 908.664,00 31/12/1997 0,00 1.757.168,07 2.8. que em razão da Liminar em Medida Cautelar Inominada (item 3), bem como dos depósitos judiciais relativamente ao I.R.P.J. e à C.S.L.L. (item 1.9) realizados em 08 de março de 2.000 junto ao Processo 93.00195190 da 18a Vara da Justiça Federal de São Paulo, procedeuse à lavratura do competente Auto de Infração para constituir o crédito tributário em litígio, cuja exigibilidade ficará suspensa nos termos do inciso II do artigo 151 do C.T.N. 3. Irresignada com o lançamento, a interessada, por intermédio de seus advogados e procuradores (Procuração à fl. 290), apresentou, em 15/06/2000, a impugnação de fls. 144 a 162, acompanhada dos documentos de fls. 163 a 378. 3.1. Em preliminar, alega que a impugnação apresentada deve ser conhecida porquanto versa sobre matéria divergente daquela levada à discussão na esfera judicial. Para tanto, faz ponderações sobre as disposições contidas no Decretolei nº 1.737/1979 e no artigo 38, parágrafo único, da Lei nº 6.830/1980, bem como, transcreve ementas de julgados do Conselho de Contribuintes sobre o assunto. 3.2. Também, em preliminar, argúi a decadência do direito de o Fisco proceder ao lançamento quanto aos fatos geradores ocorridos nos meses de junho e julho de 1994, defendendo que o imposto e a contribuição em apreço estão sujeitos ao regime de lançamento por homologação, devendo, portanto, regerse pelo art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, que estabelece o prazo de 5 (cinco) anos a contar da ocorrência do fato gerador. Reportase, para embasar seu entendimento, a julgados administrativos. Pondera que, ainda que se entendesse que o fato gerador do tributo em questão é o denominado “complexivo”, no caso em tela o mesmo se consubstanciaria até 31.12.1994, razão pela qual o lançamento deveria ser efetivado até 31.12.1999, eis que, após esta data, haveria a homologação tácita. 3.3. Questiona também o lançamento da multa de ofício e dos juros de mora, argumentando: 3.3.1. a inaplicabilidade da multa de ofício, por força do art. 63, § 2º, da Lei nº 9.430, de 30/12/1996, citando excerto de ementa de julgado administrativo, nesse sentido; 3.3.2. que a inaplicabilidade da multa de ofício, ‘in casu’, decorre unicamente da inexistência de infração à legislação tributária, vez que o recolhimento não foi efetuado por força da medida liminar concedida nos autos da Medida Cautelar nº 93.00195190, a qual suspendeu a exigibilidade do crédito até a prolação de decisão final nos autos da Ação Declaratória nº 93.00240722, em atenção ao disposto no artigo 151, II, do CTN; 3.3.3. que, com o advento da decisão que deu provimento ao Recurso Especial da União Federal, interposto face ao acórdão que havia negado provimento ao seu Recurso de Apelação e dado parcial provimento ao recurso da Impugnante, esta efetuou o depósito integral das quantias em discussão, conforme exposto no tópico anterior, DENTRO DO PRAZO DE 30 DIAS ESTABELECIDO PELO ARTIGO 63, § 2º, DA LEI Nº 9.430/96. 3.3.4 que o crédito apenas será exigível após decorrido o prazo para seu recolhimento, sem que este seja efetuado. Entretanto, na hipótese como a Fl. 801DF CARF MF Processo nº 16327.000974/0051 Acórdão n.º 1301002.189 S1C3T1 Fl. 802 5 presente, em que o crédito tributário tem sua exigibilidade suspensa, o crédito só se torna exigível a partir da prolação de decisão final na esfera judicial, não havendo que se falar em atraso no pagamento e, conseqüentemente, na possibilidade de imposição de multa; 3.3.5. que a disposição contida no § 3º do artigo 953 do Decreto nº 3.000, de 17/06/1999 (RIR/99) é eivada de inconstitucionalidade, conflitando, ademais, com a Lei 9.430/96. Deveras, a Constituição consagra o princípio de amplo aceso ao Poder Judiciário, tal como se verifica no art. 5º, inciso XXXV 3.3.6. que equiparar o contribuinte inadimplente àquele que, lidimamente, exercita o direito ao livre acesso ao Judiciário, com a aplicação de juros de mora, é malferir a Constituição Federal; 3.3.7. que tal efeito (extinção da caracterização da mora até 30 dias após a decisão que cassar a liminar), a par do artigo 63 da Lei nº 9.43096 referirse explicitamente à multa, espraiase também sobre os juros de mora, pela óbvia razão que a incidência dos mesmos depende da verificação da mora; 3.3.5. que não podem surtir, para a Impugnante que até tem a exigibilidade de seu crédito suspensa, os efeitos da mora dada a não verificação de todos os requisitos fundamentais ao seu nascimento (vencimento da dívida, culpa do devedor e a viabilidade do cumprimento tardio), citando, para embasar seu argumento, lições de diversos doutrinadores. 4. Em 24/07/2000, considerando que em data anterior à da autuação (08/03/2000), a interessada efetuou depósitos judiciais nos valores de R$ 488.310,20 , para a CSLL (fl. 123) e de R$ 6.307.159,91, para o IRPJ (fl. 122) e tendo em vista as disposições contidas nos artigos 151, II, do Código Tributário Nacional e 63 da Lei nº 9.430/1996, o processo foi encaminhado à DEINF/SPO para verificarse se os depósitos efetuados foram suficientes para a suspensão da exigibilidade do crédito tributário (doc. de fls. 381 a 383). 5. Por meio da Informação Fiscal de fls. 401, datada de 03/03/2004 foi respondida a diligência solicitada, nos seguintes termos: Efetuamos planilha no sistema “SICALC”, fls. 386 a 389 (“Planilha 1”), na qual constatamos que os depósitos judiciais efetuados pelo contribuinte em epígrafe não são suficientes para suspender a exigibilidade de todos os créditos tributários constituídos neste auto de infração. Nesta planilha foram considerados a multa e os juros de mora devidos entre a data de vencimento até a data dos recolhimentos citados. Efetuamos ainda outra planilha no mesmo sistema, fls. 390 a 393 (“Planilha 2”), na qual constatamos que os depósitos judiciais efetuados pelo contribuinte em epígrafe também não são suficientes para suspender a exigibilidade de todos os créditos tributários constituídos considerandose o § 2º, do art. nº 63 da Lei nº 9.430 de 1996. Informamos, por último, que os recolhimentos apresentados pelo contribuinte, efetuados de acordo com o art. nº 17 da Lei nº 9.779 de 1999, já foram considerados no momento da lavratura do auto de infração em comento. (...) Fl. 802DF CARF MF Processo nº 16327.000974/0051 Acórdão n.º 1301002.189 S1C3T1 Fl. 803 6 A 8ª Turma da DRJ em São Paulo I / SP analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 05.690, de 05/08/2004 (fls. 409/425), considerou parcialmente procedente o lançamento com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 30/06/1994, 31/07/1994 Ementa: PROCESSO JUDICIAL E IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA. OBJETOS. A propositura de ações judiciais resulta em renúncia à discussão na via administrativa das matérias levadas à apreciação do Poder Judiciário. Deve ser conhecida a impugnação, quando são distintos os objetos do processo judicial e do processo administrativo. IRPJ. DECADÊNCIA. PRAZO. O direito de constituir o crédito tributário relativo ao IRPJ decai após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MULTA DE OFÍCIO. LIMINAR EM MEDIDA CAUTELAR. SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE. Por aplicação retroativa da norma que deixa de definir como infração ou que comina penalidade menos severa, é de se exonerar a multa de ofício quando a exigibilidade do crédito tributário encontravase suspensa por liminar em medida cautelar. JUROS DE MORA O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas em lei tributária. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Data do fato gerador: 31/08/1994, 31/12/1997 Ementa: CSLL. DECADÊNCIA. O direito de constituição do crédito relativo à contribuição CSLL decai em dez anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. A procedência do lançamento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ implica a manutenção das exigências fiscais dele decorrentes. Esclareço, por relevante, que a procedência parcial se deu em face do afastamento da multa de ofício. Fl. 803DF CARF MF Processo nº 16327.000974/0051 Acórdão n.º 1301002.189 S1C3T1 Fl. 804 7 Como o sujeito passivo foi exonerado de crédito tributário (principal e multas) em montante superior ao limite de alçada (R$ 500.000,00), a Turma Julgadora recorreu de ofício a este Colegiado. À época, esse procedimento era disciplinado pelo art. 34 do Decreto nº 70.235/1972, com as alterações introduzidas pela Lei nº 9.532/1997, e, ainda, pela Portaria MF nº 375/2001. À fl. 787 encontro despacho da Unidade Preparadora, datado de 17/11/2008, com o seguinte teor: Tendo em vista o acórdão DRJ/SPOI n° 05.690, que julgou o lançamento procedente em parte e o recurso de oficio interposto, foi efetuado o desmembramento deste dando origem ao processo 16327.001685/200824, que terá prosseguimento na cobrança do crédito tributário mantido. Diante do exposto, proponho o encaminhamento do presente ao E. Primeiro Conselho de Contribuintes para julgamento do recurso de oficio. Como se vê, nos presentes autos somente remanesce pendente de julgamento o recurso de ofício. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator Quanto à admissibilidade do recurso de ofício, devese ressaltar a modificação introduzida pelo art. 1º da Portaria MF nº 3, de 03/01/2008, publicada no DOU de 07/01/2008, a seguir transcrito: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). No caso em tela, ao somar os valores correspondentes a tributo e multa afastados em primeira instância (fl. 425), verifico que superam o limite de um milhão de reais, estabelecido pela norma em referência. Portanto, mesmo com a alteração do limite de alçada, o recurso de ofício permanece cabível, e dele conheço. Quanto ao mérito, cuidase de verificar a correção, ou não, do acórdão que afastou as multas de ofício aplicadas ao lançamento, nas condições descritas no relatório. Os fundamentos da decisão se encontram no voto vencedor do acórdão recorrido, cujos excertos transcrevo a seguir. Fl. 804DF CARF MF Processo nº 16327.000974/0051 Acórdão n.º 1301002.189 S1C3T1 Fl. 805 8 1. Com a devida vênia dos dignos julgadores desta 8ª Turma de Julgamento, e ante os respeitáveis argumentos expostos no voto da relatora, venho singelamente expor os fundamentos pelos quais dela divergi, votando pela procedência parcial do lançamento, com a exoneração da multa de ofício aplicada. [...] 4. Divergência relevante surge, contudo, com relação ao cabimento da multa de ofício. A relatora considerou cabível a multa de ofício, pois os depósitos judiciais foram insuficientes (não podem ser considerados integrais) e porque a liminar em medida cautelar não afastava a aplicação de penalidade, consoante a legislação vigente à época da autuação. 4.1. De fato, previa o CTN (Lei nº 5.172/66) em seu art. 151: Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: I – moratória; II – o depósito do seu montante integral; III – as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; IV – a concessão de medida liminar em mandado de segurança. Parágrafo único. (omissis) 4.2. A Lei nº 9.430/96, por sua vez, estatuiu (grifos incluídos): “Art. 63. Não caberá lançamento de multa de ofício na constituição do crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributos e contribuições de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma do inciso IV do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição.” 4.3. É inegável, portanto, que se a exigibilidade houver sido suspensa na forma do inciso IV do CTN, ou seja, mediante a concessão de medida liminar em mandado de segurança, a multa de ofício haveria de ser cancelada, em face da determinação legal contida no art. 63 da Lei nº 9.430/96. Ocorre que, não obstante, a liminar foi obtida em Medida Cautelar, fato que, no entendimento esposado pela relatora, impossibilitaria a aplicação de tal norma. 4.4. Observa a relatora, em seu voto, que houve alterações posteriores na legislação de regência. A Lei Complementar nº 104, de 10.01.2001, dispôs (grifei): Fl. 805DF CARF MF Processo nº 16327.000974/0051 Acórdão n.º 1301002.189 S1C3T1 Fl. 806 9 Art. 1º A Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, passa a vigorar com as seguintes alterações: ................................................. "Art. 151. ................................................ ............................................................." "V – a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial;" (AC) "VI – o parcelamento." (AC) ................................................. 4.5. Em seguida, a Medida Provisória nº 2.15834, de 27.07.2001, determinou que (grifos incluídos): Art. 70. O caput do art. 63 da Lei nº 9.430, de1996, passa a vigorar com a seguinte redação: "Artigo 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício" (NR) 4.6. A partir de então, a lei expressamente determinou que a multa de ofício não será cabível quando a exigibilidade houver sido suspensa por medida liminar concedida em qualquer espécie de ação judicial. 4.7. Cumpre anotar que o lançamento foi efetuado antes de tais alterações na legislação tributária, de sorte que o autuante, ao aplicar multa de ofício, não infringiu a determinação legal acima referida, por inexistente àquela época. 4.8. Sucede que o CTN, em seu art. 106, preceitua: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I – em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II – tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista em lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 806DF CARF MF Processo nº 16327.000974/0051 Acórdão n.º 1301002.189 S1C3T1 Fl. 807 10 4.9. É de se concluir, portanto, que após as alterações havidas no art. 151 do CTN e no art. 63 da Lei nº 9.430/96, a legislação tributária deixou de considerar como infração os casos em que a suspensão de exigibilidade ocorre mediante liminar concedida em medida cautelar, de maneira a impor o cancelamento da multa de ofício para atos ou fatos pretéritos não definitivamente julgados, nos termos da alínea a, inc. II, do art. 106 do CTN. Ou ainda, caso não se aceite que a lei deixou de definir o ato como infração, forçosamente teríamos que admitir que tais alterações determinaram uma efetiva redução da penalidade (de 75% para zero), ensejando a aplicação retroativa da nova lei por força da alínea c, do referido inciso II. 4.10. Destarte, pela aplicação retroativa da norma do art. 63, da Lei nº 9.430/96, consoante prescrito no art. 106, inc. II, alíneas a e c, do CTN, entendo que a multa de ofício deve ser cancelada. 5. Sendo assim, voto no sentido de considerar procedente em parte o lançamento, havendo que ser exonerada a multa de ofício aplicada, [...] Penso que a decisão recorrida se sustenta por seus próprios fundamentos. Com efeito, é incontroverso nos autos que antes de iniciada a fiscalização a interessada já se encontrava protegida por liminar em medida cautelar, diante do que procedeu conforme autorizada pela medida protetiva. O Fisco efetuou o lançamento para assim constituir o crédito tributário, o qual, no entanto, teve sua exigibilidade suspensa. Quanto à multa de ofício, a legislação então vigente somente autorizava seu afastamento se a suspensão fosse decorrente de medida liminar em mandado de segurança, o que não era o caso. A multa de 75%, portanto, acompanhou o principal lançado. Alteração legislativa superveniente trouxe para o amparo da exclusão de penalidade também as medidas liminares ou tutelas antecipadas em outras espécies de ação judicial, com o que o Colegiado a quo entendeu aplicável a retroatividade benigna em matéria de penalidades (CTN, art. 106), entendimento com o qual concordo. No âmbito administrativo, esse entendimento se encontra pacificado, a ponto de resultar na Súmula CARF nº 17, vinculante não apenas aos integrantes deste Conselho mas também a toda a administração tributária federal, a teor da Portaria MF n.º 383/2010, publicada no DOU de 14/07/2010. Eis o teor da referida súmula: Súmula CARF n° 17 (VINCULANTE): Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 807DF CARF MF Processo nº 16327.000974/0051 Acórdão n.º 1301002.189 S1C3T1 Fl. 808 11 Fl. 808DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.901388/2014-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2012
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA.
A existência de despacho decisório contendo motivação clara, explícita e congruente, desautoriza a alegação de cerceamento de defesa.
BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO.
O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.323
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
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Inclusão do ICMS na base de cálculo. Recorrente AÇOVIA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ESTRUTURAS METÁLICAS E PRÉMOLDADOS DE CONCRETO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2012 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. A existência de despacho decisório contendo motivação clara, explícita e congruente, desautoriza a alegação de cerceamento de defesa. BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO. O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de pedido eletrônico de restituição da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, cumulado com declaração de compensação, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 13 88 /2 01 4- 85 Fl. 53DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901388/201485 Acórdão n.º 3402003.323 S3C4T2 Fl. 3 2 denegado em tempo hábil por meio de despacho decisório eletrônico, sob o fundamento de que o DARF representativo do pagamento indevido estava inteiramente alocado para a quitação de débitos anteriormente declarados pelo contribuinte. Em tempo hábil, foi apresentada manifestação de inconformidade na qual a defesa alegou, em síntese, que houve nulidade por cerceamento do direito de defesa e que o crédito do contribuinte decorre de pagamento indevido, em razão de ter sido incluído o ICMS na base de cálculo da contribuição. Afirmou que o ICMS é mero ingresso que não pode ser incluído no conceito de faturamento. Invocou o precedente consubstanciado no RE 240.785 do STF e informou que os artigos 73 e 74 da Lei nº 9.430/96 garantem seu direito de compensar o indébito apurado. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento rejeitou a preliminar de nulidade e, no mérito, decidiu o seguinte: a) o valor do DARF está inteiramente alocado para pagamento de débitos informados pelo próprio contribuinte; b) a lei apenas permite a exclusão da base de cálculo da contribuição do ICMS recolhido na condição de substituto tributário e da receita proveniente da alienação onerosa de créditos do ICMS; e c) o valor dos débitos declarados para compensação é de magnitude superior ao valor do único DARF vinculado a essas compensações. Regularmente notificado do Acórdão de primeira instância, o contribuinte apresentou em tempo hábil recurso voluntário a este Colegiado, alegando, em síntese, o seguinte: a) nulidade por cerceamento de defesa porque o despacho decisório não diz as razões pelas quais o contribuinte não tem o crédito que alega possuir. Essa omissão impediu o contribuinte de exercer a plena demonstração de seu crédito, pois não há como argumentar contra uma decisão que se mostra lacônica; b) a base de cálculo da contribuição sempre foi o faturamento e com o advento da Lei nº 10.833/2003 houve uma ampliação, passando a base de cálculo a abranger a totalidade das receitas auferidas pelo contribuinte. Entretanto, o valor do ICMS não pode ser considerado como receita do contribuinte, sob pena de violação do art. 110 do CTN, pois a lei não pode considerar receita o que não é receita. O ICMS representa para o contribuinte mero ingresso, pois o valor é posteriormente destinado ao fisco estadual. Tal interpretação foi cristalizada em caráter definitivo no RE 240.7852, que deve ser aplicado ao caso concreto. Reafirmou a existência do indébito e seu direito de compensálo com base nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430/96. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.317, de 28 de setembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10865.904904/201231, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.317): Fl. 54DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901388/201485 Acórdão n.º 3402003.323 S3C4T2 Fl. 4 3 "O recurso preenche os requisitos formais para sua admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Relativamente à preliminar de nulidade, não assiste razão à defesa. Isso porque, ao contrário do alegado, o despacho decisório declinou com todas as letras o motivo pelo qual a Administração Tributária denegou o pleito do contribuinte e não homologou as compensações declaradas. O Despacho Decisório apresenta a seguinte motivação: "(...) A partir das características do DARF discriminado no PER/DECOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação dos débitos informados no PER/DECOMP. (...)" No mesmo despacho encontramse perfeitamente identificados o número do PER/DECOMP, o número do DARF e o valor relativo ao suposto pagamento indevido. O texto acima transcrito revela que a compensação não foi homologada porque o valor do DARF está inteiramente alocado para o pagamento de débitos declarados pelo próprio contribuinte. Em outras palavras: o contribuinte não possui o crédito alegado no PER/DECOMP porque o valor já foi utilizado para extinguir débitos por ele próprio declarados. Portanto, o despacho decisório não foi lacônico, uma vez que declinou expressamente o motivo da não homologação da compensação: o contribuinte não tem o crédito alegado. Essa fundamentação está explícita de forma clara, precisa e congruente com a decisão de não homologar a compensação, o que atende às exigências do art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99. Sendo assim, é improcedente a alegação de nulidade, pois o contribuinte não teve seu direito ao contraditório e à ampla defesa cerceados, mesmo porque a apresentação de impugnação e de recurso voluntário, deduzindo argumentos no sentido de demonstrar a existência jurídica do indébito desautorizam a invocação dessa preliminar. No mérito, deflui dos autos que o contribuinte apurou e recolheu a contribuição incluindo o ICMS na sua base de cálculo e agora comparece perante a Administração Tributária alegando que o recolhimento foi efetuado em montante superior ao devido porque a inclusão do ICMS no faturamento ou na receita é inconstitucional. O recolhimento efetuado pelo contribuinte, incluindo o ICMS na base de cálculo da contribuição, está calcado em entendimento sedimentado desde tempos imemoriais na seara tributária. Tal entendimento tem respaldo legal no art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77 e na Instrução Normativa nº 51, de 03/11/1978, que a regulamentou. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901388/201485 Acórdão n.º 3402003.323 S3C4T2 Fl. 5 4 O art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77, na redação vigente na época do fato gerador relativo ao pagamento tido como indevido, estabelecia o seguinte: "Art 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. § 1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. (...)" (Fonte da transcrição: http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/decretolei/ del1598.htm) Já o item 4 da IN SRF nº 51/78, estabelece o seguinte: 4. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta da vendas e serviços, diminuídas (a) das vendas canceladas, (b) dos descontos e abatimentos concedidos incondicionalmente e (c) dos impostos incidentes sobre as vendas. (...) 4.3 Para os efeitos desta Instrução Normativa reputamse incidentes sobre as vendas os impostos que guardam proporcionalmente (sic) com o preço da venda ou dos serviços, mesmo que o respectivo montante integra (sic) a base de cálculo, tais como o imposto de circulação de mercadorias, o imposto sobre serviços de qualquer natureza, o imposto de exportação, o imposto único sobre energia elétrica, o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes etc. 4.3.1 Incluemse também neste item: a) taxas que guardam proporcionalidade com o preço de venda; b) a parcela de contribuição para o Programa de integração Social calculada sobre o faturamento; c) a quota de contribuição, ou retenção cambial, devida na exportação. (Fonte da transcrição: http://sijut.fazenda.gov.br/netahtml/ sijut/Pesquisa.htm) Portanto, o recolhimento efetuado pelo contribuinte está em conformidade com a legislação vigente e com entendimento sedimentado há anos na seara tributária, uma vez que o valor do ICMS integra o preço da mercadoria, sendo tal valor deduzido contabilmente como despesa operacional. O contribuinte alega, em síntese, a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição porque o imposto estadual não se enquadra no conceito de faturamento ou mesmo no de receita estabelecido pela constituição. Ao contrário do alegado pelo contribuinte, tal argumento não pode ser acatado pelos órgãos administrativos de julgamento, pois o art. 26A do Fl. 56DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901388/201485 Acórdão n.º 3402003.323 S3C4T2 Fl. 6 5 Decreto nº 70.235/72 proíbe este colegiado de negar vigência a texto legal com hierarquia superior a Decreto, em razão de arguição de inconstitucionalidade, in verbis: "Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(...)" O contribuinte invoca a seu favor o acórdão do STF proferido no RE 240.7852. Entretanto, esse recurso extraordinário ainda não foi definitivamente julgado, não se enquadrando no disposto no § 6º, I, acima transcrito, e nem nas disposições do Decreto nº 2.346/97, para que o entendimento possa ser estendido administrativamente a outros casos concretos. Não se olvide que essa questão é objeto do Tema 69 dos recursos submetidos à sistemática da repercussão geral no STF e será decidida no RE nº 574.706. Acrescentese que a Súmula CARF nº 2 estabelece que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária. Considerando que os recolhimentos efetuados pelo contribuinte, com a inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS, estão conformes à legislação vigente, voto no sentido de negar provimento ao recurso." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 57DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 11080.914807/2012-47
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA.
Nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido.
Recurso Especial não conhecido.
Numero da decisão: 9303-004.259
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial. Fez sustentação oral a representante da Fazenda Nacional, Dra. Maria Concilia de Aragão Bastos.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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COMPENSAÇÃO. Recorrente VERDE ADMINISTRADORA DE CARTOES DE CREDITO S.A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. Nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido. Recurso Especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial. Fez sustentação oral a representante da Fazenda Nacional, Dra. Maria Concilia de Aragão Bastos. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 48 07 /2 01 2- 47 Fl. 195DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 3/10/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por CHARLES MAYER DE CAST RO SOUZA 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3802003.807, de 15/10/2014, proferido pela 2ª Turma Especial 3ª Seção do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito ausência de retificação da DCTF, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente aponta interpretações divergentes quanto à compensação lastreada em crédito oriundo de pagamento efetuado à maior, cuja DCTF retificadora, que aponta a existência de direito creditório, só foi apresentada após a não homologação da compensação pela unidade de origem (após a emissão do despacho decisório). Visando comprovar a divergência, apresentou dois paradigmas: Acórdãos nº 3802003.956, 21/01/2015, e 3403 003.343, de 05/01/2015. As contrarrazões apresentadas pela Fazenda Nacional encontramse às fls. 178/191. E o exame de admissibilidade do Recurso Especial, às fls. 173/176. É o Relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso não deve ser conhecido. Conforme se demonstrou no exame de admissibilidade, o primeiro acórdão utilizado para comprovar o dissídio jurisprudencial, o de nº 3802003.956, 21/01/2015, foi lavrado pela mesma Turma que prolatou o recorrido, fato que obsta a sua utilização como paradigma. Já o Acórdão nº 3403003.343, de 05/01/2015, a despeito de prolatado por Turma diversa, traz entendimento que, a nosso juízo, só reafirma, por outras palavras, o mesmo adotado no acórdão recorrido. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 3/10/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por CHARLES MAYER DE CAST RO SOUZA Processo nº 11080.914807/201247 Acórdão n.º 9303004.259 CSRFT3 Fl. 196 3 É que, neste, como se passa a demonstrar, entendeuse que, mesmo diante da não retificação da DCTF (no caso em exame, a retificação só foi realizada após a ciência do Despacho Decisório), o contribuinte, por força do princípio da verdade material, teria direito à compensação, mas desde que apresentasse prova da existência do crédito compensado, fato de que não se desincumbira a Recorrente. No acórdão paradigma, decidiuse que “ainda que a DCTF não aponte o referido crédito, por lapso do contribuinte, se realmente houve pagamento a maior anteriormente, existe crédito, que passa a ser do conhecimento da Receita Federal a partir da retificação da documentação e da identificação documental, ainda que por meio eletrônico, da existência real do mencionado crédito”. A decisão foi assim ementada: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. ADMISSIBILIDADE. O crédito tributário do contribuinte nasce do pagamento indevido ou a maior que o devido, porém ele apenas se torna oponível à Receita Federal após a devida retificação e/ou correção das respectivas Declarações, quando então o Órgão Administrativa poderá tomar conhecimento daquele direito creditório em questão. De qualquer forma, em determinadas situações, em razão do procedimento eletrônico de compensação, em que não há espaço para emendas ou correções pelo contribuinte, há que se admitir e analisar a retificação da DCTF efetuada posteriormente ao despacho decisório, sob pena de excesso de rigorismo, que não resolve satisfatoriamente a lide travada e leva o contribuinte ao Poder Judiciário, apenas fazendo aumentar a condenável litigiosidade. Recurso Voluntário Provido. A toda evidência, diante dos mesmos fatos, as decisões recorrida e paradigma chegaram à mesma conclusão: ainda que não haja retificação tempestiva da DCTF, ou seja, ainda que a retificação se dê somente após a ciência do Despacho Decisório, uma vez comprovada a existência do crédito mediante a entrega de documentação idônea, tornase possível a restituição. Não há divergência, pois. Ante o exposto, não conheço do recurso especial. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 197DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 3/10/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por CHARLES MAYER DE CAST RO SOUZA 4 Fl. 198DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 3/10/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por CHARLES MAYER DE CAST RO SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 19515.721254/2014-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. BASE DE CÁLCULO, ART. 199 DA LEI Nº 6.404/76.
Deve ser cancelado o lançamento por suposta dedução indevida de valores pagos a título de juros sobre capital próprio decorrente do descumprimento do art. 199, da Lei nº 6.404/76; se demonstrado nos autos que o dispositivo em questão não impacta a base de cálculo do montante a ser pago.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2009
AUTUAÇÃO REFLEXA. RESULTADO DO PROCESSO PRINCIPAL.
Tratando-se de autuação reflexa, aplica-se a ela o resultado do julgamento referente ao processo tido como principal.
Numero da decisão: 1402-002.304
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Leonardo de Andrade Couto- Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. BASE DE CÁLCULO, ART. 199 DA LEI Nº 6.404/76. Deve ser cancelado o lançamento por suposta dedução indevida de valores pagos a título de juros sobre capital próprio decorrente do descumprimento do art. 199, da Lei nº 6.404/76; se demonstrado nos autos que o dispositivo em questão não impacta a base de cálculo do montante a ser pago. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2009 AUTUAÇÃO REFLEXA. RESULTADO DO PROCESSO PRINCIPAL. Tratando-se de autuação reflexa, aplica-se a ela o resultado do julgamento referente ao processo tido como principal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado (ASSINADO DIGITALMENTE) Leonardo de Andrade Couto- Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto
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BASE DE CÁLCULO, ART. 199 DA LEI Nº 6.404/76. Deve ser cancelado o lançamento por suposta dedução indevida de valores pagos a título de juros sobre capital próprio decorrente do descumprimento do art. 199, da Lei nº 6.404/76; se demonstrado nos autos que o dispositivo em questão não impacta a base de cálculo do montante a ser pago. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009 AUTUAÇÃO REFLEXA. RESULTADO DO PROCESSO PRINCIPAL. Tratandose de autuação reflexa, aplicase a ela o resultado do julgamento referente ao processo tido como principal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado (ASSINADO DIGITALMENTE) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 12 54 /2 01 4- 05 Fl. 229DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/10 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 2 Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto Fl. 230DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/10 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721254/201405 Acórdão n.º 1402002.304 S1C4T2 Fl. 229 3 Relatório Tratase de auto de infração de IRPJ e CSLL nos montantes de R$ 26.481.437,32 e R$ 9.538.078,93; respectivamente, aí incluídos juros de mora e multa de ofício no percentual de 75%. A autuação envolve a dedução de despesas com juros sobre capital próprio (JCP) em valores acima dos limites legais. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, por determinação da legislação societária (art. 199, da Lei nº 6.404/76) o valor da Reserva de Lucros componente da base de cálculo do JCP deveria ter sido expurgado, via integralização de capital social ou distribuição de dividendos, da parcela que excedia ao capital social não sendo correto utilizar na apuração a totalidade do saldo daquelas reservas. Em impugnação, a interessada aduz em resumo: (a) a conta do patrimônio líquido reserva de lucros poderia, sim, compor a base de cálculo dos juros sobre capital próprio, conforme dispõe positivamente o art. 9º, da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e negativamente o parágrafo 8º desses mesmos artigo e Lei; (b) em nada obstaria tal entendimento a circunstância de eventual excesso da conta reserva de lucros sobre a conta capital social (também integrante do patrimônio líquido) não ter sido, justamente, aplicado segundo a destinação prevista no art. 199 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976; (c) tal fato “consubstancia no máximo uma ofensa à legislação comercial, de modo que hialinamente não consubstancia a infração à legislação tributária vislumbrada pela r. autoridade autuante” (fl. 78; destaques do original); (d) diz que o excesso da conta reserva de lucros (R$ 1.012.601.000,00) criticado pela Fiscalização não foi “OBJETO DE DISPONIBILIZAÇÃO AOS SÓCIOS ATRAVÉS DO PAGAMENTO DE DIVIDENDOS” (fl. 79; destaques do original), com o que, segundo dispõe o citado art. 199 da Lei nº 6.404, de 1976, lhe sobraria o destino da capitalização, a dizer, compor sob outra rubrica ainda assim elemento do próprio patrimônio líquido, base de cálculo dos juros sob capital próprio; (e) “Ou seja, a partir do cotejo entre o preceito legal citado pela r. autoridade autuante e a legislação fiscal atinente aos Juros sobre Capital Próprio, apenas na hipótese de aquele excedente sobre o capital ser distribuído aos sócios é que essa fração não poderá compor a base de cálculo dos JCPs” (fl. 80); (f) demais disso, no art. 199 da Lei nº 6.404, de 1976, não se fixa “o momento em que essa Reserva deve ser debitada com crédito em passivo (Dividendos a pagar) ou em aumento de capital” (fl. 80), com o que não se poderia dizer ter o Contribuinte infringido dito quadro normativo em momento algum, bem ainda, com referência ao Fl. 231DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/10 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 4 dispositivo supra, teria ele aplicação estanque, com viés societáriocomercial (nunca tributário), de proteção aos sócios minoritários em sociedades de capital aberto (e faz notar o interessado que nem seria essa a sua hipótese, certo tratarse de sociedade de capital fechado); (g) respeitara os parâmetros postos no art. 9º da Lei nº 9.249, de 1995; (h) seria impertinente a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício ou, quando muito, apenas “a partir do esgotamento do prazo de 30 (dias) após a decisão administrativa que mantiver o lançamento impugnado, nos termos do entendimento do E. STJ e do artigo 21 do Decreto n. 70.235/72” (fl. 90). A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento prolatou o Acórdão 1668.755 considerando procedente intimação e cancelando o lançamento: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DATA DO FATO GERADOR: 31/12/2009 EMENTA ART. 199 DA LEI Nº 6.404, DE 1976. RESERVAS DE LUCROS. APLICAÇÃO DO EXCESSO FACE AO CAPITAL SOCIAL: INTEGRALIZAÇÃO/AUMENTO DE CAPITAL SOCIAL OU DISTRIBUIÇÃO DE DIVIDENDOS. INFLUÊNCIA SOBRE O CÔMPUTO DA BASE DE CÁLCULO DOS JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO.DÍSCRIMEN SOCIETÁRIO. INDIFERENTE NORMATIVO SOB A ÓTICA FISCAL. Identificado eventual excesso de reservas de lucros sobre o capital social, nos termos do art. 199 da Lei nº 6.404, de 1976, a sua aplicação em integralização/aumento dessa última rubrica é um indiferente normativo para efeito tributário no que toca ao cômputo da base de cálculo dos juros sobre o capital próprio, certo que ambas as contas (reservas de lucros e capital social) compõem o grupo do patrimônio líquido, que é a justa base de cálculo prestigiada no art. 9º, caput, da Lei nº 9.249, de 1995, para a espécie de que se cogita. De outra, apenas quando o Contribuinte, em curso ao preceituado no art. 199 da Lei nº 6.404, de 1976, (1) dá cabo de aplicar todo ou parte do mencionado excesso de reservas de lucros sobre o capital social em distribuição de dividendos, ou (2) nada esclarece a respeito, cabe sindicar o seu cômputo de base de cálculo dos juros sobre o capital próprio. Dessa decisão, o Órgão julgador recorreu de ofício a esta Corte. É o Relatório. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/10 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721254/201405 Acórdão n.º 1402002.304 S1C4T2 Fl. 230 5 Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto O recurso é tempestivo e foi interposto por signatário devidamente legitimado, motivo pelo qual dele conheço. A autuação envolve suposta dedução indevida de despesas com juros sobre capital próprio (JCP). Entretanto, difere de outras situações analisadas nesta Corte pois não está sob discussão a apuração com base em valores de exercícios anteriores ou a desobediência aos limites estabelecidos em lei. O cerne da lide tem caráter eminentemente contábil. No entendimento da Fiscalização, por determinação da legislação societária (art. 199, da Lei nº 6.404/76) o valor da Reserva de Lucros componente da base de cálculo do JCP deveria ter sido expurgado, via integralização de capital social ou distribuição de dividendos, da parcela que excedia ao capital social não sendo correto utilizar na apuração a totalidade do saldo daquelas reservas. O dispositivo em questão estabelece: Art. 199. O saldo das reservas de lucros, exceto as para contingências, de incentivos fiscais e de lucros a realizar, não poderá ultrapassar o capital social. Atingindo esse limite, a assembléia deliberará sobre aplicação do excesso na integralização ou no aumento do capital social ou na distribuição de dividendos. É fato incontroverso que a interessada não adotou o procedimento estabelecido na norma em comento. Cabe avaliar se tal circunstância teve o impacto tributário que embasou o procedimento fiscal. O pagamento de JCP está regulamentado no art. 9º da Lei nº 9.249/95 assim redigido: Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. Dentre as contas que integram o patrimônio líquido está o capital social. Sob esse prisma, se o excesso de reserva de lucros, em obediência ao art. 199, da Lei nº 6.404/76, fosse utilizado para aumento de capital social não haveria qualquer impacto na apuração do JCP, pois teria ocorrido simplesmente uma transferência dentro do mesmo grupo de contas. Um indiferente tributário, portanto, quanto ao tema aqui sob exame. No que se refere aos dividendos, a decisão recorrida bem ressaltou a inexistência de obrigatoriedade da distribuição no caso de companhias fechadas, como é o caso Fl. 233DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/10 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 6 aqui tratado. Sendo assim, a decisão pelo pagamento de JCP e não pela distribuição de dividendos teve razões societárias legitimadas pelo ordenamento. Do exposto, não vislumbrei razões para o lançamento, motivo pelo qual voto por negar provimento ao recurso de ofício, inclusive no que se refere à CSLL. Leonardo de Andrade Couto Relator Fl. 234DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/10 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 10665.001370/2002-74
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/11/1997 a 20/09/2002
PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. SUBCONTRATAÇÃO DE FRETES. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DE VALORES REPASSADOS A TERCEIROS.
A base de cálculo do PIS e da Cofins é a totalidade da receita operacional auferida pela pessoa jurídica, não se permitindo a exclusão de valores repassados a terceiros, em virtude da subcontratação de serviços.
Recurso Especial do Contribuinte Negado
Numero da decisão: 9303-004.569
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/11/1997 a 20/09/2002 PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. SUBCONTRATAÇÃO DE FRETES. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DE VALORES REPASSADOS A TERCEIROS. A base de cálculo do PIS e da Cofins é a totalidade da receita operacional auferida pela pessoa jurídica, não se permitindo a exclusão de valores repassados a terceiros, em virtude da subcontratação de serviços. Recurso Especial do Contribuinte Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/1997 a 20/09/2002 PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. SUBCONTRATAÇÃO DE FRETES. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DE VALORES REPASSADOS A TERCEIROS. A base de cálculo do PIS e da Cofins é a totalidade da receita operacional auferida pela pessoa jurídica, não se permitindo a exclusão de valores repassados a terceiros, em virtude da subcontratação de serviços. Recurso Especial do Contribuinte Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 00 13 70 /2 00 2- 74 Fl. 509DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), apresentado tempestivamente pelo contribuinte acima, em face do acórdão n° 340100.841, de 02/07/2010, cuja ementa se transcreve a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/1997 a 20/09/2002 BASE DE CALCULO. EXCLUSÃO .DE VALORES REPASSADOS A TERCEIROS, SUBCONTRATAÇÃO DE FRETES. A base de cálculo do PIS e da Cofins é a totalidade da receita auferida pela pessoa jurídica, não se permitindo a exclusão de valores repassados a terceiros, em virtude da subcontratação de serviços, hipótese que, embora anteriormente contemplada pela legislação, não pôde ser implementada por ausência de regulamentação do Poder Executivo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/11/1997 a 20/09/2002 BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DE VALORES REPASSADOS A TERCEIROS, SUBCONTRATAÇÃO DE FRETES. A base de cálculo do PIS e da Cofins é a totalidade da receita auferida pela pessoa jurídica, não se permitindo a exclusão de valores repassados a terceiros, em virtude da subcontratação de serviços, hipótese que, embora anteriormente contemplada pela legislação, não pôde ser implementada por ausência de regulamentação do Poder Executivo. Recurso Voluntário Negado. A recorrente suscitou divergência em razão da definição da base de cálculo do PIS e da Cofins: a totalidade das receitas auferidas, não se permitindo a exclusão de valores repassados a terceiros, consistente na subcontratação de fretes. O contribuinte apontou o acórdão 20173.817 como paradigma: COFINS FATO GERADOR BASE DE CÁLCULO A base de cálculo da COFINS é o valor da receita bruta decorrente do faturamento. Para a sua determinação, quando relativo a serviços, é indispensável definir qual o valor do serviço prestado, não servindo o simples ingresso de valores globais como faturamento bruto. No caso de agenciamento de cargas, suficientemente provado o fato, é o valor deste serviço a base de cálculo, ainda que o agenciador, sob responsabilidade e Fl. 510DF CARF MF Processo nº 10665.001370/200274 Acórdão n.º 9303004.569 CSRFT3 Fl. 714 3 por conveniência do contrato de transporte, receba o valor total do frete para posterior pagamento ao agenciado. Recurso provido. Foi admitido o recurso especial com lastro na seguinte motivação: (...) A matéria controvertida foi objeto de debate na instância recorrida, de modo que resta atendido o requisito do prequestionamento. No que toca à existência de dissenso interpretativo, procedente o conflito apontado pelo ora recorrente. Da leitura do aresto paradigma depreendese, em oposição à exegese firmada pela decisão recorrida, que o colegiado concluiu que tais valores não devem compor a base de apuração das contribuições em comento, valendo a transcrição de sua ementa: (...) Assim, confirmada a divergência de entendimentos entre Colegiados deste Conselho Administrativo, DOU SEGUIMENTO AO RECURSO ESPECIAL (...) Nas contrarazões, a Fazenda Nacional requer o improvimento do recurso especial, pois a decisão recorrida está correta e deve ser mantida. Aponta doutrina, legislação e jurisprudência no sentido de sua argumentação. É o relatório Voto O recurso interposto pelo contribuinte é tempestivo e atende aos demias requisitos de admissibilidade. Não cabe razão à recorrente no que se refere ao mérito do Especial no particular, porquanto a subcontratação de fretes não é hipótese de exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins incidente sobre empresas cujo objeto social contenha "serviços de transportes de carga". A decisão recorrida assim pontifica sobre o tema: (...) Inicialmente, concordo com a Recorrente quando a mesma contesta o entendimento da DRJ no sentido de que a sua condição de "intermediária" é que seria fator determinante para Fl. 511DF CARF MF 4 a negativa do pleito; não, não o é, pois o que deve prevalecer neste caso são os dispositivos legais do PIS/Pasep e da Cofins que estabelecem a forma com que se dá a incidência de tais contribuições. E sob tal enfoque, entendo que a Recorrente não tem razão, visto que, a teor da redação que prevalecia à época dos fatos, qual seja a do § 1° do artigo 3° da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, segundo a qual, "Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas", mais o enunciado do § 2° do mesmo artigo, que tratava das exclusões da base de cálculo, dentre as quais não se vislumbra a situação ora em julgamento, não há nenhuma outra previsão para que sejam excluídos da base de cálculo os valores repassados a terceiros por conta da intermediação na prestação de serviços de fretes. A esse passo, vale referir que o Supremo Tribunal Federal, ao tempo em que declarou inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins também fixou entendimento no sentido de que faturamento não é conceito que se encerra na mera venda de mercadorias e serviços, estendendose também aos valores decorrentes da soma de outras atividades empresariais: "O conceito de receita bruta sujeita a incidência da COFINS envolve, não só aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas também a soma das receitas oriundas do exercício de outras atividades empresariais." (RE 444.601ED, Rel. Min. Cezar Peluso, julgamento em 711 06, DJ de 151206). Fechando o raciocínio, vale admoestar que o faturamento como receita bruta oriunda das atividades empresariais, à luz da interpretação conferida pela nossa Corte Suprema, é a receita operacional. E como a recorrente tem como objeto social, dentre outros, o transporte rodoviário de cargas em geral, toda a receita oriunda do transportes de cargas, dada sua natureza nitidamente operacional, deve ser entregue para a tributação da COFINS e do PIS. Também foi objeto de apreciação, por parte do acórdão guerreado, a diferença entre a tributação do faturamento e a do lucro: (...) Também não pode aqui ser invocada a regra de apuração do imposto de renda das pessoas jurídicas, visto que completamente diferente da do PIS/Pasep e da Cofins, ou seja, enquanto naquele o imposto incide sobre o lucro (receitas, diminuídas das despesas), neste, as contribuições incidem sobre a receita bruta, sem qualquer dedução, ou, pelo menos, da dedução a que nos referimos neste processo. Assim, a prevalecer o entendimento da Recorrente, a forma de apuração do PIS/Pasep e da Cofins restaria totalmente desfigurada, abrindo precedentes para que, por exemplo, o vendedor de mercadorias, retirasse do valor de Fl. 512DF CARF MF Processo nº 10665.001370/200274 Acórdão n.º 9303004.569 CSRFT3 Fl. 715 5 suas vendas os valores entregues aos seus fornecedores, pelas compras; os prestadores de serviços, os valores dos custos operacionais de mão de obra etc. (...) Nesse diapasão, não há como albergar a tese trazida pela recorrente, de que os serviços de transportes pagos a ela por seus clientes, em função da prestação dos serviços por seus subcontratados, seriam comissões, e os valores recebidos não seriam faturamento dela. Na esteira disso tudo, penso que a decisão recorrida não merece qualquer reparo e NEGO PROVIMENTO ao recurso especial. Rodrigo da Costa Possas Relator Fl. 513DF CARF MF
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Numero do processo: 10925.002108/2005-81
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2001
ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. TEMPESTIVIDADE. INÍCIO DA AÇÃO FISCAL
A partir do exercício de 2001, tornou-se requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural a apresentação de Ato Declaratório Ambiental - ADA, protocolizado junto ao Ibama. A partir de uma interpretação teleológica do dispositivo instituidor, é de se admitir a apresentação do ADA até o início da ação fiscal. No caso em questão o ADA foi apresentado em 04/02/04, assim antes do início da ação fiscal, ocorrido em 27/06/05. Assim, é possível a exclusão da área de APP declarada da base de cálculo do ITR .
Numero da decisão: 9202-004.582
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para considerar preclusa a discussão dos 25,8 ha. alegada como de APP - Área de Preservação Permanente, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001 ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. TEMPESTIVIDADE. INÍCIO DA AÇÃO FISCAL A partir do exercício de 2001, tornouse requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural a apresentação de Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolizado junto ao Ibama. A partir de uma interpretação teleológica do dispositivo instituidor, é de se admitir a apresentação do ADA até o início da ação fiscal. No caso em questão o ADA foi apresentado em 04/02/04, assim antes do início da ação fiscal, ocorrido em 27/06/05. Assim, é possível a exclusão da área de APP declarada da base de cálculo do ITR . Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial para considerar preclusa a discussão dos 25,8 ha. alegada como de APP Área de Preservação Permanente, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 21 08 /2 00 5- 81 Fl. 1076DF CARF MF Processo nº 10925.002108/200581 Acórdão n.º 9202004.582 CSRFT2 Fl. 1.077 2 Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 2102001.602, prolatado pela 2a Turma Ordinária da 1a. Câmara da 2a Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na sessão plenária de 24 de outubro de 2011 (efls. 1009 a 1016). Ali, por unanimidade de votos, deuse parcial provimento ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e a decisão a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL. ITR Exercício: 2001 ITR. EXCLUSÃO DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. ADA. PRAZO PARA APRESENTAÇÃO. A despeito de ser obrigatória desde o exercício 2001 a apresentação do ADA ao lbama como condição para a exclusão das áreas de reserva legal e preservação permanente para fins de tributação pelo ITR, a lei não estabelece um prazo para a sua apresentação. ITR. PLANO DE MANEJO FLORESTAL. COMPROVAÇÃO DE SUA EXISTÊNCIA E CUMPRIMENTO. Para fins de apuração do ITR, considerase como área de exploração extrativa aquela que comprovadamente tenha um plano de manejo sustentado, e cujo cronograma esteja comprovadamente sendo cumprido ao longo do exercício a que se refere a DITR. Sem tal comprovação, não há como acolher a área de exploração extrativa declarada. ITR. MAJORAÇÃO DA ÁREA TOTAL DO IMÓVEL. NECESSIDADE DE EXCLUSÃO DAS ÁREAS DETERMINADAS POR LEI. Quando a autoridade lançadora, de oficio, aumenta a área total do imóvel declarada pelo contribuinte, majorando o ITR devido, cabe a ela da mesma forma considerar as áreas Fl. 1077DF CARF MF Processo nº 10925.002108/200581 Acórdão n.º 9202004.582 CSRFT2 Fl. 1.078 3 passíveis de exclusão na apuração do imposto, sob pena de causar prejuízo ao contribuinte. Decisão: por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao Recurso para acolher a área de preservação permanente de (272,5 +25,8 =) 298,30 hectares, bem como a área de benfeitorias de 1,0 hectare. Enviados os autos à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de ciência em 15/03/2012 (efl. 1018), esta apresentou, em 30/03/2012 (efl. 1053), Recurso Especial (e fls. 556 a 572 e anexos), com fulcro no art. 67 do anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009, então em vigor quando da propositura do pleito recursal. O recurso contém alegações de existência de divergência interpretativa quanto à duas diferentes matérias, a saber: a) Preclusão de matéria ventilada pela autuada somente em sede recursal e b) Apresentação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA), tendo sido admitido consoante exame de admissibilidade de efls. 1054 a 1056. Quanto à primeira matéria admitida, alegase, no pleito, divergência em relação ao decidido pela 2a. Câmara do então 1o. Conselho de Contribuintes, através do Acórdão 10323.579, prolatado em 18 de setembro de 2008, e, ainda, em relação ao decidido pela 1a. Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, através do Acórdão CSRF/0105.226, prolatado em 13 de junho de 2005, de ementas e decisões a seguir transcritas: Acórdão 10323.579 Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – PRECLUSÃO – Matéria não questionada em primeira instância, quando se inaugura a fase litigiosa do procedimento fiscal, e somente suscitada nas razões do recurso constitui matéria preclusa e como tal não se conhece. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. Não devem os órgãos julgadores tomar conhecimento de matéria atinente à suspensão da exigibilidade de débitos por ser matéria de execução, portanto, estranha à lide. SALDO NEGATIVO DO IRPJ. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE.Não se submetem à homologação tácita os saldos negativos de IRPJ apurados nas declarações apresentadas, a serem regularmente comprovados, quando objeto de pedido de restituição ou compensação. VERIFICAÇÃO BASE DE CÁLCULO DO IRPJ. A verificação da base de cálculo do tributo não é cabível apenas para fundamentar lançamento de ofício, mas deve ser feita, também, no âmbito da análise das declarações de compensação, para Fl. 1078DF CARF MF Processo nº 10925.002108/200581 Acórdão n.º 9202004.582 CSRFT2 Fl. 1.079 4 efeito de determinação da certeza e liquidez do crédito, invocado pelo sujeito passivo, para extinção de outros débitos fiscais. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA.A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Decisão: Por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de conexão, por maioria de votos, REJEITAR preliminar de decadência, vencido o Conselheiro Carlos Pelá, e, no mérito, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER das razões do recurso relativas à suspensão de exigibilidade e NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Acórdão CSRF/0105.226 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – MATÉRIA NÃO IMPUGNADA – PRECLUSÃO – Ocorre a preclusão do direito de discutir no processo administrativo quando a parte não impugna determinada matéria, sendo que não é permitido inovar ou redirecionar a discussão com o recurso especial.Recurso especial negado. Decisão: Por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso. Declarouse impedido de participar do julgamento o Conselheiro Mário Junqueira Franco Junior. Em linhas gerais, argumenta a Fazenda Nacional em sua demanda quanto à matéria que: a) O recurso voluntário interposto pela empresa autuada inovou em relação ã argumentação deduzida na impugnação, trazendo alegações não apreciadas pela DRJ e mais, concordando com a exigência no que diz respeito à ampliação da área total do imóvel. Nesse sentido trouxe pleitos no sentido de reconhecimento de áreas de benfeitorias, de preservação permanente e exploração extrativa supostamente existentes naquele imóvel. Aduziu ainda, em acréscimo, que as autoridades fiscais majoraram a área total do imóvel considerando um imóvel vizinho como integrante da propriedade do contribuinte. Inovou, assim, em seu recurso voluntário, os limites do pedido já estabelecidos com a impugnação e conseqüentemente alargou a matéria litigiosa; b) Entende a recorrente que o acórdão recorrido, em clara violação aos dispositivos que regem o processo administrativo fiscal (citado aqui o art. 17 do Decreto no. 70.235 de 06 de março de 1972), examinou e deu provimento parcial à matéria que foi objeto de inovação no recurso voluntário do sujeito passivo, não tendo a autuada suscitado tais pleitos em sua impugnação. Já nos paradigmas ficou estabelecido que não é permitido inovar ou redirecionar a discussão em sede recursal e nem mesmo conhecer e quanto mais dar provimento em relação a matérias sob as quais não se instaurou a fase litigiosa; Requer, assim, preliminarmente, quanto à matéria, a nulidade do acórdão recorrido na parte que decidiu matéria que se tornou definitiva na seara administrativa (artigo 42 do Decreto no. 70.235, de 1972), em face da preclusão e do reconhecimento da procedência do lançamento pelo sujeito passivo, mantendose em sua totalidade o lançamento. Fl. 1079DF CARF MF Processo nº 10925.002108/200581 Acórdão n.º 9202004.582 CSRFT2 Fl. 1.080 5 Quanto à segunda matéria admitida (apresentação tempestiva do ADA ou requerimento), alegase, no pleito, divergência em relação ao decidido pela 1a. Turma Ordinária da 1a. Câmara da 2a. Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, através do Acórdão 210100.442, prolatado em 11 de março de 2010, e, ainda, em relação ao decidido pela 1a. Turma Especial do então 3o. Conselho de Contribuintes, através do Acórdão 391 00.037, prolatado em 21 de outubro de 2008, de ementas e decisões a seguir transcritas Acórdão 210100.442 IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA RESERVA LEGAL.AVERBAÇÃO ATO CONSTITUTIVO. A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor é ato constitutivo da reserva legal; portanto, somente após a sua prática é que o sujeito passivo poderá excluíla da base de cálculo para apuração do ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, após a vigência da Lei n° 10.165, de 27/12/2000, é imprescindível a informação em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal. Recurso negado. Decisão: por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka que dava provimento parcial em 14ão7rea de preservação permanente. Acórdão 39100.037 Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2002 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. COMPROVAÇÃO. ADA INTEMPESTIVO.O contribuinte não logrou comprovar a protocolização tempestiva do Ato Declaratório Ambiental ADA junto ao Ibama ou órgão conveniado, em razão do que restam não comprovadas as áreas declaradas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada para fins de exclusão da área tributável, nos termos da legislação aplicável.A averbação à margem da matrícula do imóvel não supre a exigência legal de apresentação tempestiva do ADA.PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (PAF). PRECLUSÃO.A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em Fl. 1080DF CARF MF Processo nº 10925.002108/200581 Acórdão n.º 9202004.582 CSRFT2 Fl. 1.081 6 outro momento processual. Não caracterizada nenhuma das exceções do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972 (PAF). RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Decisão: Por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso. Quanto à matéria se alega: a) Enquanto o acórdão impugnado dispensa a comprovação por meio de ADA protocolado tempestivamente pelo contribuinte junto ao IBAMA ou órgão ambiental conveniado, tese essa consagrada quando a decisão hostilizada afirma que a lei não estabelece um prazo para a apresentação do ADA ao Ibama, os acórdãos paradigmas não prescindem da referida exigência dentro do lapso temporal fixado na legislação de regência do tributo, tendo como base o citado art. 17O da Lei no. 6.938, de 30 de agosto de 1981 e a existência do Decreto no 4.382, de 19 de setembro de 2002 e de Instruções Normativas da Receita Federal estabelecendo prazo para o protocolo do respectivo documento; b) Nos presentes autos, da análise das alegações e da documentação apresentadas pelo contribuinte, confirmase o não cumprimento da exigência da apresentação tempestiva de ADA perante o IBAMA ou órgão conveniado, relativamente ao ITR do exercício de 2001; c) Cita a recorrente o estabelecido no art. 10, inciso II da Lei no. 9.393, de 19 de dezembro de 1996, defendendo que o mesmo estabelece concessão de benefício fiscal e, assim, deve ser interpretado literalmente, de acordo com o art. 111 do CTN; d) Ressalta que a obrigatoriedade de apresentação tempestiva do ADA ou de seu requerimento, para a não incidência tributária, foi instituída através de dispositivo legal (art. 17O da Lei 6.938, de 31 de agosto de 1981, com redação dada pelo art. 1o. da Lei 10.165, de 27 de dezembro de 2000); d) Defende que, para efeito da exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal da incidência do ITR, é necessário que o contribuinte comprove o reconhecimento formal específica e individualmente da área como tal, protocolizando o ADA no IBAMA ou em órgãos ambientais delegados por meio de convênio, no prazo de seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da declaração. Cita que tal obrigatoriedade foi respaldada pelas Instruções Normativas SRF nos. 43/97, com redação dada pela IN SRF no. 67/97, 73/2000, 60/2001 e 256/2002, Manual de Perguntas do ITR/2002 e art. 10 do Decreto no. 4.382, de 19 de setembro de 2002, bem como Solução de Consulta COSIT no. 12, de 21 de maio de 2003; d) Entende como inteiramente equivocado o entendimento, no sentido de que não existe mais a exigência de prazo para apresentação do requerimento para emissão do ADA, em virtude do disposto no § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, incluído pelo art. 3º da Medida Provisória nº 2.16667, de 24 de agosto de 2001, uma vez que: "(...). O que não é exigido do declarante é a prévia comprovação das informações prestadas. Assim, o contribuinte preenche os dados relativos às áreas de preservação permanente e de utilização limitada, apura e recolhe o imposto devido, e Fl. 1081DF CARF MF Processo nº 10925.002108/200581 Acórdão n.º 9202004.582 CSRFT2 Fl. 1.082 7 apresenta a sua DITR, sem que lhe seja exigida qualquer comprovação naquele momento. No entanto, caso solicitado pela Secretaria da Receita Federal, o contribuinte deverá apresentar as provas das situações utilizadas para dispensar o pagamento do tributo." e) No caso concreto, embora regularmente intimado para tanto, o contribuinte não apresentou ADA ou o seu requerimento, protocolados tempestivamente, junto ao IBAMA, não atendendo, portanto, às exigências da legislação do ITR, razão pela qual deve ser mantida a glosa efetivada pela fiscalização das áreas de preservação permanente e reserva legal. Com efeito, conforme pontuado pelo voto condutor da decisão atacada, para o Exercício tratado no presente processo, o ADA tempestivo está anexado à fl. 339, comprovando que o imóvel somente poderia usufruir da isenção de 32 ha a titulo de preservação permanente. Ocorre que, somente em 04/02/2004, ou seja, em momento muito posterior ao exercício objeto do lançamento (2001) e ao prazo previsto para a entrega do ADA respectivo (seis meses após o prazo de entrega da DITR de 2001), o autuado apresentou um novo ADA, este agora contemplando uma área de preservação permanente no total de 272,5 ha., exatamente o total deferido pelo acórdão a quo. Entende como evidente que o ADA de um exercício não pode ser aproveitado em relação a outros, mormente quando o ADA em questão é posterior ao exercício de que se trata. Isto porque, como deixa evidente a situação retratada nos autos, nada obsta que o contribuinte diminua ou ate mesmo aumente em momento ulterior a área mantida a titulo de preservação permanente; f) Entende que, havendo lei, estabelecendo de forma expressa, a obrigatoriedade da apresentação do ADA para fins de reconhecimento do direito à isenção não pode o julgador administrativo, apenas com base na verdade material e sem qualquer outro fundamento, desconsiderar dispositivo expresso de lei e normas regulamentares expedidas em conformidade com seu substrato de validade pela autoridade competente, sob pena de subverter o princípio da legalidade, que deve estribar o princípio da verdade material, assim limitado por aquele; Requer, assim, que seja conhecido o recurso, seja acolhido o pedido formulado como preliminar e seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido, restabelecendose o lançamento em sua integralidade. Encaminhados os autos à autuada para fins de ciência, em 06/05/13 (efl. 1060), a contribuinte apresentou contrarrazões de efls. 1061 a 1070, onde: a) Entende que o pleito fazendário não deve ser admitido, pois trata de situação não análoga a dos paradigmas: Enquanto o recorrido trata de ITR/2001, os paradigmas tratam de ITR/2002; b) Quanto é preclusão alegada, ressalta que: b.1) conforme razões apresentadas no recurso voluntário, o imóvel objeto do lançamento (Fazenda São Francisco), foi dividido em duas áreas, razão pela qual apresenta dois NIRFs (NIRF 0.385.0909 com área de 1979,1 ha e NIRF 0.385.1869 com área de 186,6 ha) e, portanto, foram normalmente apresentadas as declarações de ITR. Importante ressaltar que houve menção às áreas em decorrência dos NIRFs diferentes, mas não houve qualquer Fl. 1082DF CARF MF Processo nº 10925.002108/200581 Acórdão n.º 9202004.582 CSRFT2 Fl. 1.083 8 descumprimento da obrigação, tendo em visita que foram apresentadas as declarações relacionadas aos dois NIRFs; b.2) Rejeita ter havido inovação no Recurso Voluntário apresentado, uma vez que apenas alertou o julgador que a área declarada referese a outro NIRF, que foi objeto de declaração, e que portanto, não pode ser simplesmente ignorado no momento do julgamento. A verdade material deve prevalecer, não há que se falar de preclusão, razão pela qual o recurso não deve ser conhecido, e se conhecido, não deverá ser provido. Alega que a Fazenda Nacional pretende a desconsideração do que foi lançado no NIRF no. 0.385.1869 com área de 186,6 ha., que foi adequadamente aceito no tempo oportuno; c) Quanto á apresentação tempestiva do ADA: c.1) Inicialmente, rejeita que se possa conhecer do Recurso da Fazenda Nacional por estar a se tratar ali, de decisões acerca do ITR/2002, enquanto no caso se trata de ITR/2001; c.2) Entende que o parágrafo 7o, do artigo 10, da Lei no. 9.393, de 1996, consoante alteração promovida em 24/08/2001, nada prevê sobre a obrigatoriedade da apresentação do ADA, muito menos prazo. Entende que os critérios vinculados à tributação não podem ignorar o princípio da legalidade e que, além disso, o Decreto no. 4.382, de 2002, não possui força para qualquer alteração legislativa relativa ao tema. Além disso, ainda que se admitisse a utilização do referido Decreto, não se pode esquecer que foi editado no ano de 2002 (19/09/20002) e, ainda, o inciso I, do parágrafo terceiro, do art. 10, deixa muito claro que a apresentação do ADA dependerá de definição em ato normativo em relação aos prazos; c.3) Assim, mesmo que se considerasse válida a inovação trazida por Decreto não se pode ignorar o princípio da irretroatividade, o que foi ignorado no recurso especial. Ora, a retroatividade somente é admitida para favorecer o contribuinte, ou então quando a lei é estritamente interpretativa, fato não verificado na referida alteração legislativa. Ressalta que o respectivo ADA foi efetivamente apresentado posteriormente, em 2004. Cita jurisprudência emanada deste CARF, onde se reconhece a desnecessidade de apresentação tempestiva do ADA para fins de exclusão da base de cálculo do ITR. Por fim, pugna pela aplicação do princípio da verdade material. Requer, assim, o não conhecimento do Recurso Especial e, caso este seja admitido, que lhe seja negado provimento. É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator Pelo que consta no processo quanto a sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigmas e indicação de divergência, o recurso atende a estes requisitos de admissibilidade. Quanto à inexistência de similitude levantada pela autuada em sede de contrarrazões, cediço que, no caso dos exercícios 2001 e 2002 do ITR, se está diante de um Fl. 1083DF CARF MF Processo nº 10925.002108/200581 Acórdão n.º 9202004.582 CSRFT2 Fl. 1.084 9 mesmo arcabouço normativo vigente. Assim, in casu, uma vez também caracterizada a similitude fática entre recorrido e paradigmas, exsurge, de forma nítida, a divergência na aplicação de critério jurídico quanto à necessidade (ou não) de apresentação tempestiva do ADA ou de seu requerimento entre os Colegiados recorrido e paradigmáticos, caracterizada, assim, a divergência interpretativa. Assim, conheço do recurso e passo à análise de mérito. a) Quanto à preclusão administrativa alegada: Para fins do deslinde da questão, importante aqui que se reproduza os trechos da impugnação do contribuinte relativos à matéria que se alega como preclusa, verbis (efls. 368/369): (...) 16. A área total do imóvel do NIRF 3850900 é de 1.979,1 hectares e não de 2.165,8 hectares.(grifei) 17. O auditorfiscal não tem nenhuma prova documental de que a área lançada do plano de manejo florestal não é de 1.036,9 hectares, prova documental esta obtida por profissional habilitado ou atestada por fiscais e técnicos habilitados do órgão ambiental competente. Sem esta prova documental por escrito e assinada não pode o auditorfiscal glosar a área lançada no ITR/2.001. 18. O auditorfiscal não tem nenhuma prova documental de que a área de preservação permanente não é de 272,5 hectares. Prova esta obtida por laudo técnico de profissional habilitado ou atestada por fiscais e técnicos habilitados do órgão ambiental competente. Sem esta prova documental por escrito e assinada não pode o auditorfiscal glosar a área lançada no ITR/2.001. (grifei) (...)" Entendo, no que tange à preclusão alegada em litígio, que esta deva ser analisada para duas diferentes matérias, notadamente distintas, ainda que correlacionadas, a saber: a) A retificação da área total do imóvel de 1.979,1 ha. para 2.165,8 ha., consoante demontrativo de efl. 21; b) A glosa da área de APP declarada como exclusão da base de cálculo do ITR, de 272,5 ha. para 32,0 ha., consoante mesmo demonstrativo. A propósito, a partir do excerto acima reproduzido, entendo que o contribuinte, ainda que impugnasse o referido aumento de área total (com o qual passou a aceder , posteriormente, em sede recursal), quanto à área de preservação permanente limitouse a impugnar somente a referida redução de 272,5 ha. para 32,0 ha., vedado, assim, com a devida vênia ao Colegiado recorrido, que se pudesse conceder qualquer área adicional, além destes 272,5 ha. a título de área de preservação permanente na instância ordinária. Em meu entendimento, resta a existência de qualquer área de preservação permanente adicional em relação a estes 272,5 ha., assim, em matéria não impugnada. Fl. 1084DF CARF MF Processo nº 10925.002108/200581 Acórdão n.º 9202004.582 CSRFT2 Fl. 1.085 10 Notese que o contribuinte não se manifestou em nenhum momento, até a impugnação (inclusive), acerca do fato da área adicionalmente considerada pela fiscalização de 186,7 ha. possuir qualquer área de preservação permanente que devesse ser deduzida da base de cálculo do ITR e, assim, considero preclusa a discussão acerca da possibilidade de exclusão dos 25,8 ha. informados no ADA de efl. 456. Ressaltese, a propósito, por fim, que a majoração de área encontrase realizada desde o lançamento, não se tratando, aqui, de razão posteriormente trazida aos autos. Destarte, perfeitamente factível que o contribuinte a contestasse desde a sede impugnatória, utilizando como argumento subsidiário a existência de área de preservação permanente ali contida, o que não se observa ter ocorrido (a argumentação acerca da matéria só surge em sede recursal). Assim, de se dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda quanto à matéria, vedada a exclusão dos 25,8 ha. concedidos pelo Acórdão recorrido constantes de ADA de efl. 456. b) Quanto à apresentação tempestiva do ADA: Para que todos possam firmar suas convicção quanto ao mérito recursal, destaco os seguintes elementos de interesse acostados aos autos: a) Início da ação fiscal: 27/06/2005 efl. 36; b) Demonstrativo contemplando a glosa efetuada pela autoridade fiscal na DITR efl. 21; c) ADA/1997 e retificação, protocolizados, respectivamente, em 21/09/1998 e 04/02/2004 efls. 295 e 455/456; d) Laudo anexado pela autuada efls. 371 e seguintes. Limitado o litígio agora, acerca da possibilidade de exclusão dos 272,5 ha. a título de área de preservação permanente (estes constantes de ADA de efl. 455), acerca do tema entendo que a fruição da redução da base de cálculo do ITR (possuidora, a meu ver de natureza isentiva), seja por áreas de preservação permanente ou de interesse ecológico, encontra um de seus requisitos legais claramente estabelecido, desde 2000, a partir do disposto no art. 17O da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, em especial em seu caput e parágrafo 1º, com atual redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000, verbis: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000)(...)o. § 1oA utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) (g.n.) Fl. 1085DF CARF MF Processo nº 10925.002108/200581 Acórdão n.º 9202004.582 CSRFT2 Fl. 1.086 11 Ou seja, mandatório para que se admita a redução da base tributável de áreas a título de Preservação Permanente ou de Interesse Ecológico que constem as mesmas de ADA entregue ao IBAMA. Tratase aqui, notese, de dispositivo legal específico, posterior à Lei no. 9.393, de 1996, restando, assim, quando da instituição de tal requisito, plenamente respeitado o princípio da Reserva Legal. Notese ser plenamente consistente a coexistência de tal obrigação com a vigência e aplicação da Lei no. 9.393, de 1996, sem qualquer tipo de antinomia. Ainda, de se rejeitar qualquer argumentação de revogação do dispositivo pelo §7° do art. 10 da Lei n.° 9.393, de 1996, instituído pela Medida Provisória n.° 2.166 67/01. O que se estabelece ali é uma desnecessidade de comprovação prévia tão somente no momento da declaração (DITR), sendo perfeitamente factível, porém, que, posteriormente, em sede de ação fiscal, sejam demandados elementos necessários à comprovação do constante na DITR do declarante e realizado o lançamento no caso de insuficientes elementos comprobatórios, a partir do expressamente disposto nos arts. 14 e 15 daquela mesma Lei no. 9.393, de 1996. Tal posicionamento encontrase muito bem detalhado no âmbito do Acórdão CSRF 9202003.620, de 04 de março de 2015, no qual funcionei como Redator ad hoc do voto vencedor em substituição ao redator do voto designado, Dr. Alexandre Naoki Nishioka, adotando assim aqui seus fundamentos a seguir como razões de decidir, verbis: "(...) Pois bem. Muito embora inexistisse, até o exercício de 2000, qualquer fundamento para a exigência da entrega do ADA como requisito para a fruição da isenção, com o advento da Lei Federal n.° 10.165/2000 alterouse a redação do §1° do art. 17 O da Lei n.° 6.938/81, que passou a vigorar da seguinte forma: "Art. 17O. (...) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória." Ora, de acordo com uma interpretação evolutiva do referido dispositivo legal, isto é, cotejandose o texto aprovado quando da edição da Lei n.° 9.960/00, em contraposição à modificação introduzida pela Lei n.° 10.165/00, verificase que, para o fim específico da legislação tributária, passouse a exigir a apresentação do ADA, como requisito inafastável para a fruição da redução da base de cálculo prevista pela Lei n.° 9.393/96, mais especificamente por seu art. 10, §1°, II. Assim, sendo certo que as normas que instituem isenções devem ser interpretadas de forma estrita, ainda que não se recorra somente ao seu aspecto literal, como se poderia entender de urna análise superficial do art. 111, do Código Tributário Nacional, fato é que, no que atine às regras tratadas como exclusão do crédito tributário pelo referido codex, a legislação não pode ser interpretada de maneira extensiva, de maneira que Fl. 1086DF CARF MF Processo nº 10925.002108/200581 Acórdão n.º 9202004.582 CSRFT2 Fl. 1.087 12 não há como afastar a exigência do ADA para o fim específico de possibilitar a redução da base de cálculo do ITR. (...)" Atendose mais especificamente ao caso em questão, notase, ao compulsar os autos, que o referido requisito foi efetivamente cumprido pelo contribuinte em 04/02/04 (e fl. 455), posteriormente ao prazo estabelecido pela regulamentação infralegal da RFB (prazo limite: 31/03/02, consoantes Instruções Normativas SRF no.60 e 61, ambas de 2001), mas anteriormente ao início da ação fiscal, iniciada em 27/06/05 (efl. 36). Assim, devese enfrentar agora a questão do momento da entrega efetuada pelo autuado, posterior ao prazo estabelecido infralegalmente. Com a devida vênia aos Conselheiros que adotam posicionamento diverso, entendo que o melhor posicionamento é, novamente em linha com o adotado no âmbito do mesmo Acórdão CSRF 9202003.620, admitir a protocolização do Ato Declaratório Ambiental até o início da ação fiscal, com fulcro nos seguintes fundamentos: "(...) Feita esta observação, relativa, portanto, à obrigatoriedade de apresentação do ADA, cumpre mover à análise do prazo em que poderia o contribuinte protocolizar referida declaração no órgão competente. No que toca a este aspecto específico, tenho para mim que é absolutamente relevante uma digressão a respeito da mens legis que norteou a alteração do texto do art. 17O da Lei n.° 6.938/81. Analisandose, nesse passo, o real intento do legislador ao estabelecer a obrigatoriedade de apresentação do ADA, podese inferir que a mudança de paradigma deveuse a razões atinentes à efetividade da norma isencional, especialmente no que concerne à aferição do real cumprimento das normas ambientais pelo contribuinte, de maneira a permitir que este último possa usufruir da redução da base de cálculo do ITR. Em outras palavras, a efetiva exigência do ADA para o fim específico da fruição da redução da base de cálculo do ITR foi permitir uma efetiva fiscalização por parte da Receita Federal da preservação das áreas de reserva legal ou de preservação permanente, utilizandose, para este fim específico, do poder de polícia atribuído ao IBAMA. Em síntese, podese afirmar que a alteração no regramento legal teve por escopo razões de praticabilidade tributária, a partir da criação de um dever legal que permita, como afirma Helenílson Cunha Pontes, uma "razoável efetividade da norma tributária'" (PONTES, Helenílson Cunha. O princípio da praticidade no Direito Tributário (substituição tributária, plantas de valores, retenções de fonte, presunções e ficções, etc.): sua necessidade e seus limites. In: Revista Internacional de Direito Tributário, v. 1, Fl. 1087DF CARF MF Processo nº 10925.002108/200581 Acórdão n.º 9202004.582 CSRFT2 Fl. 1.088 13 n.° 2. Belo Horizonte, jul/dez2004, p. 57) , no caso da norma isencional. De fato, no caso da redução da base de cálculo do ITR, mais especificamente no que atine às áreas de interesse ambiental lato senso, além da necessidade de fiscalizar um número extenso de contribuintes, exigirseia, não fosse a necessidade da obrigatória protocolização do ADA, que a Receita Federal tomasse para si o dever de fiscalizar o extenso volume de propriedades rurais compreendido no território nacional, o que, do ponto de vista econômico, não teria qualquer viabilidade. Por esta razão, assim, passouse, com o advento da Lei Federal n.° 10.165/00 a exigir, de forma obrigatória, a apresentação do ADA para o fim de permitir a redução da base de cálculo do ITR, declaração esta sujeita ao poder de polícia do IBAMA. Tratandose, portanto, da interpretação do dispositivo em comento, deve o aplicador do direito, neste conceito compreendido o julgador, analisar o conteúdo principiológico que norteia referido dispositivo legal, a fim de conferirlhe o sentido que melhor se amolda aos objetivos legais. Partindose desta premissa basilar, verificase que o art. 17O da Lei n.° 6.938/81, em que pese o fato de imprimir, de forma inafastável, o dever de apresentar o ADA, não estabelece qualquer exigência no que toca à necessidade de sua protocolização em prazo fixado pela Receita Federal para o fim específico de permitir a redução da base de cálculo do ITR. A exigência de protocolo tempestivo do ADA, para o fim específico da redução da base de cálculo do ITR, não decorre expressamente de lei, mas sim do art. 10, §3°, I, do Decreto n.° 4.382/2002, que, inclusive, data de setembro de 2002, (...). (...) Com efeito, sendo certo que a instituição de tributos ou mesmo da exclusão do crédito tributário, na forma como denominada pelo Código Tributário Nacional, são matérias que devem ser integralmente previstas em lei, na forma como estatuído pelo art. 97, do CTN, mais especificamente no que toca ao seu inciso VI, não poderia sequer o poder regulamentar estabelecer a desconsideração da isenção tributária no caso da mera apresentação intempestiva do ADA. Repisese, nesse sentido, que não se discute que a lei tenha instituído a obrigatoriedade da apresentação do ADA, mas, sim, que o prazo de seis meses, contado da entrega da DITR, foi instituído apenas por Instrução Normativa, muito posteriormente embasada pelo Decreto n.° 4.382/2002, o que, com a devida vênia, não merece prosperar. Em virtude, portanto, da ausência de estabelecimento de um critério rígido quanto ao prazo para a apresentação do ADA, eis que não se encontra previsto em lei, cumpre recorrer aos Fl. 1088DF CARF MF Processo nº 10925.002108/200581 Acórdão n.º 9202004.582 CSRFT2 Fl. 1.089 14 mecanismos de integração da legislação tributária, de maneira a imprimir eficácia no disposto pelo art. 17O da Lei n.° 6.398/81. Dentre os mecanismos de integração previstos pelo ordenamento jurídico, dispõe o Código Tributário Nacional, em seu art. 108, I, que deve o aplicador recorrer à analogia, sendo referida opção vedada apenas no que toca à instituição de tributos não previstos em lei, o que, ressaltese, não é o caso. Nesse esteio, recorrendose à analogia para o preenchimento de referida lacuna, devese recorrer à legislação do ITR relativa às demais declarações firmadas pelo contribuinte, mais especificamente no que atine à DIAT e à DIAC, expressamente contempladas pela Lei n.° 9.393/96, aplicadas ao presente caso tendose sempre em vista o escopo da norma inserida no texto do art. 17O da Lei n.° 6.398/81, isto é, imprimir praticabilidade à aferição da existência das áreas de reserva legal e preservação permanente, para o fim específico da isenção tributária. Pois bem. Sendo certo que a apresentação do ADA cumpre o papel imprimir praticabilidade à apuração da área tributável, verificase que cumpre o escopo norma a sua entrega até o início da fiscalização, momento a partir do qual a apresentação já não mais cumprirá seu desiderato. De fato, até o início da fiscalização em face do contribuinte, verificase que a entrega do ADA possibilitará a consideração, por parte da Receita Federal, da redução da base de cálculo do ITR, submetendo as declarações do contribuinte ao pálio do órgão ambiental competente e retirando referida aferição do âmbito da Receita Federal do Brasil. A entrega, portanto, ainda que intempestiva, muito embora pudesse ensejar a aplicação de uma multa específica, caso existisse referida norma sancionatória, seria equivalente à retificação das demais declarações relativas ao ITR, isto é, da DIAT e da DIAC, devendo, pois, ter o mesmo tratamento que estas últimas, em consonância com o que estatui o brocardo jurídico "ubi eadem ratio, ibi eaedem legis dispositio", isto é, onde há o mesmo racional, a legislação não pode aplicar critérios distintos. À guisa do exposto, portanto, no que toca à entrega do ADA, tenho para mim que cumpre seu desiderato até o momento do início da fiscalização, a partir do qual a omissão do contribuinte ensejou a necessidade de fiscalização específica relativa ao recolhimento do ITR, o que implica nos custos administrativos inerentes a este fato. Assim, aplicase ao ADA, de acordo com este entendimento basilar, a regra prevista pelo art. 18 da Medida Provisória n.° 2.18949/01, que assim dispõe, verbis: "Art. 18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, Fl. 1089DF CARF MF Processo nº 10925.002108/200581 Acórdão n.º 9202004.582 CSRFT2 Fl. 1.090 15 independentemente de autorização pela autoridade administrativa." De acordo com a interpretação que ora se sustenta, pois, é permitida a entrega do ADA, ainda que intempestivamente, desde que o contribuinte o faça até o início da fiscalização. (grifei) (...)" Repetindose uma vez mais que, no caso em questão, o ADA, contendo a área de preservação permanente glosada de 272,5 ha. não preclusa e ainda em litígio, foi entregue em 04/02/04 (fl. 455), e, assim, anteriormente ao início da ação fiscal (iniciada em 27/06/05, conforme efl. 36), é de se afastar a glosa da área de preservação permanente, perpretada pela autoridade fiscal, reconhecendose uma exclusão possível de 272,5 ha. Assim, nego provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional quanto a esta matéria. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, afastandose, para fins de base de cálculo do ITR, a glosa da área de preservação perpretada pela autoridade lançadora, limitada, porém, a área passível de exclusão a título de APP ao montante de 272,5 ha, ou seja, sem que seja possível a exclusão adicional dos 25,8 ha. constantes do ADA de efl. 456. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 1090DF CARF MF
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