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Numero do processo: 10880.923122/2012-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do Fato Gerador: 19/11/2008
CIÊNCIA A ADVOGADO REPRESENTANTE DO CONTRIBUINTE.
No processo administrativo fiscal não pode o advogado receber intimação, notificação e outras mensagens que por expressa disposição legal cabe ao contribuinte seu cumprimento ou conhecimento.
AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL OU MATERIAL. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de nulidade por cerceamento do direito de defesa, a valoração em Per/Dcom, despacho decisório ou acórdão recorrido que atendem os requisitos formais, apresentam clara descrição dos fatos, correta capitulação legal e razões de decidir, especialmente, se ao sujeito passivo foi oportunizado adequadamente o contraditório e o direito de defesa.
COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MORA
Na forma da legislação de regência, no procedimento de compensação tanto os créditos quanto os débitos sofrem a correspondente incidência de acréscimos legais por ocasião do encontro de contas (valoração), resultando sempre em desequilíbrio quando presente a mora.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.833
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araujo, Lenisa R. Prado e José Renato P. de Deus votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Dèrouléde - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Lenisa Rodrigues Prado. Ausente, justificadamente, a Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do Fato Gerador: 19/11/2008 CIÊNCIA A ADVOGADO REPRESENTANTE DO CONTRIBUINTE. No processo administrativo fiscal não pode o advogado receber intimação, notificação e outras mensagens que por expressa disposição legal cabe ao contribuinte seu cumprimento ou conhecimento. AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL OU MATERIAL. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade por cerceamento do direito de defesa, a valoração em Per/Dcom, despacho decisório ou acórdão recorrido que atendem os requisitos formais, apresentam clara descrição dos fatos, correta capitulação legal e razões de decidir, especialmente, se ao sujeito passivo foi oportunizado adequadamente o contraditório e o direito de defesa. COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MORA Na forma da legislação de regência, no procedimento de compensação tanto os créditos quanto os débitos sofrem a correspondente incidência de acréscimos legais por ocasião do encontro de contas (valoração), resultando sempre em desequilíbrio quando presente a mora. Recurso Voluntário Negado.
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DCOMP TRANSMITIDA APÓS VENCIMENTO DO DÉBITO. Recorrente ESPN DO BRASIL EVENTOS ESPORTIVOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do Fato Gerador: 19/11/2008 CIÊNCIA A ADVOGADO REPRESENTANTE DO CONTRIBUINTE. No processo administrativo fiscal não pode o advogado receber intimação, notificação e outras mensagens que por expressa disposição legal cabe ao contribuinte seu cumprimento ou conhecimento. AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL OU MATERIAL. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade por cerceamento do direito de defesa, a valoração em Per/Dcom, despacho decisório ou acórdão recorrido que atendem os requisitos formais, apresentam clara descrição dos fatos, correta capitulação legal e razões de decidir, especialmente, se ao sujeito passivo foi oportunizado adequadamente o contraditório e o direito de defesa. COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MORA Na forma da legislação de regência, no procedimento de compensação tanto os créditos quanto os débitos sofrem a correspondente incidência de acréscimos legais por ocasião do encontro de contas (valoração), resultando sempre em desequilíbrio quando presente a mora. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araujo, Lenisa R. Prado e José Renato P. de Deus votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Dèrouléde Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 31 22 /2 01 2- 11 Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10880.923122/201211 Acórdão n.º 3302004.833 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Lenisa Rodrigues Prado. Ausente, justificadamente, a Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza. Relatório A recorrente acima qualificada apresentou Declaração de Compensação pleiteando a compensação de débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB com créditos decorrentes de pagamento supostamente indevido ou a maior. Por meio de Despacho Decisório emitido pela DERATSP, a compensação declarada não foi homologada na sua totalidade, tendo em vista que o valor do pagamento tido como origem do crédito pretendido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP. Na Manifestação de Inconformidade apresentada, a contribuinte salienta que sempre cumpriu com suas obrigações tributárias, recolhendoas nos seus devidos prazos ou por força maior, com os devidos encargos legais, por isso discorda do débito cobrado no Despacho Decisório. Diz ser detentora de crédito decorrente de pagamento supostamente indevido ou a maior, que foi utilizado para compensar débito no mesmo valor, cuja data de vencimento é a mesma do recolhimento. Lembra que não se apropriou de juros pela taxa Selic sobre os valores declarados em Per/Dcomp e não imputou multa e juros sobre os débitos compensados porque são do mesmo período de apuração. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06045.297. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que, na compensação declarada pelo sujeito passivo, os débitos sofrem a incidência de acréscimos legais até a data da entrega da Declaração de Compensação, na forma da legislação de regência. Cientificada daquela decisão a Recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega em síntese que: · existe nulidade do despacho decisório e do acórdão recorrido por ausência de motivação, dada a generalidade da fundamentação sem aferir o real motivo do indeferimento ou o equívoco cometido pela recorrente, com consequente cerceamento do direito de defesa; · o despacho que não homologa o pedido de compensação deve conter, tal qual o auto de infração, a descrição do fato, disposição legal infringida e multa aplicável; · não houve prejuízo para o Erário, pois apenas houve erro na rubrica no DARF, e não atraso no recolhimento; · a cobrança de multa de mora sem atraso no recolhimento constitui enriquecimento sem causa Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10880.923122/201211 Acórdão n.º 3302004.833 S3C3T2 Fl. 4 3 · não há que se falar em juros de mora uma vez que, no caso, o período de apuração é o mesmo para o crédito e o débito. · subsidiariamente solicita diligência para reexame dos documentos; · reitera a necessidade de suspensão da exigibilidade do crédito tributário em análise , finalmente · solicita que a advogada da causa seja intimada e informada de todas as publicações sob pena de arguição de nulidade. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.825, de 25 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10880.923119/201290, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.825): "O Recurso deve ser conhecido por ter sido apresentado tempestivamente e atender os demais pressupostos e requisitos de admissibilidade. Do pedido do subscritor do recurso (advogada) para recebimento de futuras publicações/intimações no endereço por ela indicado. No Processo Administrativo Fiscal PAF o artigo 10 do Decreto nº 7.574 estabelece as formas de intimação sempre direcionadas ao próprio contribuinte. Por sua vez o artigo 26 e seguintes da Lei nº 9.784, de 1999 Processo Administrativo Federal também não prevê que o advogado possa ser comunicado dos atos de interesse do administrado que em última instância é quem sofrerá seus efeitos. Atentese, ainda, que a intimação em sede de PAF é de competência da RFB não havendo pronunciamento normativo do CARF amparando a pretensão, assim sendo, indefiro o pedido. Do alegado cerceamento ao direito de defesa Sem razão a Recorrente. O Despacho Decisório de fl, 17, assim como a Decisão recorrida estão perfeitamente fundamentados, com enquadramento legal, descrição dos fatos e cálculo da valoração (detalhamento da compensação, valores devedores e Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10880.923122/201211 Acórdão n.º 3302004.833 S3C3T2 Fl. 5 4 emissão de DARF, fl. 11), portanto não há que se falar em nulidade de atos ou cerceamento ao direito de defesa. Mérito Cuida o presente processo de erro cometido pela Recorrente no preenchimento de código em DARF pago, cujo valor a Recorrente deseja aproveitar para pagamento do débito correspondente ao código/tributo correto sem, entretanto, sofrer os acréscimos legais da multa de mora. A recorrente não alega qualquer tipo de erro nos débitos nem há notícia de que os mesmos não tenham sido informados nas correspondentes declarações entregues antes do PerDcomp, assim sendo, os fatos mostramse incontroversos e dispensam diligência. Não se vislumbra incorreção no procedimento da RFB na análise do PerDcomp que culminou com cobrança de débitos indevidamente compensados em virtude do contribuinte não ter considerado a multa de mora no pagamento/compensação dos débitos. Pois bem, um tributo só é considerado efetivamente pago, total ou parcialmente, quando o sistema de dados da Fazenda Nacional compara o código informado no DARF com o correspondente código do débito informado em declaração específica e faz a vinculação entre ambos. Caso contrário o valor recolhido equivocadamente permanece "em aberto" como crédito e não como pagamento, podendo por isso ser restituído acrescido dos juros compensatórios. Por outro lado o débito formalmente declarado, que não corresponde ao código informado equivocadamente no DARF, continua sem quitação e a sofrer os acréscimos de juros e multa de mora. Optando ou não a contribuinte pela compensação, sempre haverá cobrança de mora se o débito não foi formalmente liquidado na data do vencimento, independente de quando tenha sido realizado o pagamento indevido. A sistemática de análise de PerDcomp não altera essas duas situações distintas e independentes (pagamento indevido e pagamento em atraso), pois ela apenas faz o encontro de contas na data da entrega do PerdComp, momento da valoração do crédito para restituição e automática conversão em pagamento do débito em aberto, total ou parcialmente, mediante compensação. Repitase que este encontro de contas sempre será desfavorável ao contribuinte tendo em vista que o código do débito1, 1 Lei 9.430, de 1996 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10880.923122/201211 Acórdão n.º 3302004.833 S3C3T2 Fl. 6 5 correspondente ao código correto que deveria constar no DARF, não foi encontrado pelo sistema e assim o débito em aberto sofre acréscimos da multa de mora diária mais juros de mora mensais até a data a entrega do Perdcomp, enquanto que (ii) o crédito2 a ser restituído e compensando sofre somente os juros compensatórios mensais, calculados também até a data da entrega do PerDcomp. Em resumo, se no momento da valoração, ou seja na data da transmissão da PerDcomp, o débito que se buscou compensar já estava sujeito a acréscimos moratórios, e o crédito com seus acréscimos não foram suficientes para quitálos, então a compensação é homologada parcialmente e o saldo residual do débito considerado indevidamente compensado, exigindose, em consequência, seu pagamento com os acréscimos legais3. A mesma sistemática se repete em sucessivos PerDcomp quando existe saldo residual de crédito na compensação homologada a ser aproveitado em outro(s) PerdComp. A situação parece injusta mormente porque o pagamento indevido ou a maior decorre em regra de um erro do contribuinte que não pretendia ficar em mora, porém não é o caso de se aplicar o art. 108 do CTN, pois verificase que não foi a RFB que deu causa ao erro. Ademais, mesmo sem levar em consideração os transtornos e custos que os erros causam à administração, há de se observar ainda que o julgador administrativo está vinculado à lei, ainda na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. 2 Art. 72. O crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou reembolso, será restituído, reembolsado ou compensado com o acréscimo de juros Selic para títulos federais, acumulados mensalmente, e de juros de 1% (um por cento) no mês em que: II houver a entrega da Declaração de Compensação ...; § 1º No cálculo dos juros de que trata o caput, observarseá, como termo inicial da incidência: (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 973, de 27 de novembro de 2009) III na hipótese de pagamento indevido ou a maior: c) o mês subseqüente ao do pagamento, se este tiver sido efetuado após 31 de dezembro de 1997; 3 Lei nº 9.430 /1996 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito... § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) IN 900/2009 Art. 38. O tributo objeto de compensação não homologada será exigido com os respectivos acréscimos legais. Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10880.923122/201211 Acórdão n.º 3302004.833 S3C3T2 Fl. 7 6 que esta reflita apenas aspectos sobre cumprimento dos prazos e forma de apuração dos valores, e assim não pode deixar de reconhecer a aplicação destas formalidades legais utilizadas para cálculo da restituição de pagamentos indevidos e para cobrança de débitos vencidos, independente deste tipo de erro cometido pela contribuinte que o deixou em mora. Não se vislumbra ilegalidade no procedimento da Receita Federal e tampouco enriquecimento ilícito da União, pois decorrente da lei. Conclusão Diante de tudo que foi exposto, rejeito a preliminar arguida, e no mérito nego provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o(s) débito(s) que se procuravam compensar já se encontravam vencidos na data em que foi transmitida a DCOMP inicial. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 153DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.007454/2007-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.350
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Rosaldo Trevisan Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Cassio Schappo (suplente convocado), Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausentes os Conselheiros Tiago Guerra Machado e Fenelon Moscoso de Almeida (justificadamente).
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1357; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 4 1 3 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11128.007454/200776 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3401001.350 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 28 de fevereiro de 2018 Assunto ADUANA MULTAS DIVERSAS Recorrente BASF S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Rosaldo Trevisan – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Cassio Schappo (suplente convocado), Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausentes os Conselheiros Tiago Guerra Machado e Fenelon Moscoso de Almeida (justificadamente). Relatório Trata o presente processo de lançamento para exigência de multas por falta de licenciamento de importação (arts. 490 e 633, II “a” do Decreto nº 4.543/02) e incorreção nas nomenclaturas complementares ou outros detalhamentos instituídos (art. 84, I da MP 2.158 35/2001), referentes à DI 07/09848190. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 11 28 .0 07 45 4/ 20 07 -7 6Fl. 224DF CARF MF Processo nº 11128.007454/200776 Resolução nº 3401001.350 S3C4T1 Fl. 5 2 Narra a fiscalização que em procedimento de verificação física, devido à parametrização para o canal vermelho, constatouse que o contribuinte registrara mercadoria (ÁCIDO 2CLORONICOTINICO) com Destaque NCM (para anuência) 999, quando o correto, à vista da Portaria Interministerial MF/MICT nº 291/1996 e IN MAPA 67/2002, seria o Destaque NCM 001, referente ao código tarifário 2933.39.29, uma vez que o produto importado destinavase a uso na agricultura, insumos agrícolas e pecuário, sujeitandoo a licença de importação não automática pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA. Ainda durante o procedimento fiscal o contribuinte, instado a promover o competente licenciamento, como condição para o desembaraço da mercadoria, ainda que discordando da exigência, obteve a licença da mercadoria. Como o licenciamento ocorreu após o registro da declaração de importação e embarque da mercadoria no exterior, houve a imposição das multas em epígrafe. Em impugnação o contribuinte argumentou que a mercadoria não se enquadraria no Destaque NCM 001, por não ser um “insumo agrícola”, mas sim uma matériaprima para sua produção; que o Ofício CGA/DFIA/SDA nº 52/05 (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA) ampararia o seu entendimento, a par de orientar o emprego do Destaque NCM 999; que o MAPA distingue a aplicação do Destaque NCM 001 para os insumos agrícolas, propriamente ditos, enquanto para as matériasprimas para sua industrialização reservase o Destaque NCM 999, uma vez que o Capítulo 29 da NCM abriga tanto um quanto outro produto; que a mercadoria importada é matériaprima para o insumo agrícola denominado “BOSCALID”, razão porque não houve a infração imputada pela autoridade fiscal; que houve violação ao princípio da legalidade; que os agentes públicos fiscais devem respeito ao ato vinculado, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional; que não poderia a RFB questionar os atos administrativos baixados pelo MAPA, no exercício de sua competência, como órgão anuente na operação de importação; que o MAPA, através do Ofício CGA/DFIA/SDA nº 52/05, deixa claro que a utilização do Destaque NCM 999, no caso concreto, está correta; que o SINDAG (Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Agrícola), formulou pedido para revisão da IN (MAPA) 67/2002, objetivando a criação de destaque específico para os Capítulos NCM 28 e 29 a fim de evitar a dupla interpretação que sua redação viria ocasionando; que essa possibilidade de interpretação dúbia atrairia a aplicação do art. 112 do CTN; que as multas mostramse descabidas; e, que aplicação da taxa selic como juros de mora seria ilegal e inconstitucional. A DRJ Fortaleza/CE manteve o lançamento: “AUTO DE INFRAÇÃO. SUBSUNÇÃO DOS FATOS À HIPÓTESE NORMATIVA. DESRESPEITO AO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. INOCORRÊNCIA. O Auto de Infração encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, apresentando, assim, adequada motivação jurídica e fática, bem como os pressupostos de liquidez e certeza, podendo ser exigido nos termos da Lei. Constatado que os fatos descritos se amoldam à norma legal indicada, deve o Fisco proceder ao lançamento, eis que esta é atividade vinculada e obrigatória. Fl. 225DF CARF MF Processo nº 11128.007454/200776 Resolução nº 3401001.350 S3C4T1 Fl. 6 3 INFRAÇÃO AO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. FALTA DE LICENCIAMENTO. Importar mercadoria sem Licença de Importação, nos casos em que a emissão desse documento é exigida pela legislação, configura infração punível com a multa equivalente a trinta por cento do valor aduaneiro da mercadoria. INDICAÇÃO DE DESTAQUE INCORRETO NA CLASSIFICAÇÃO FISCAL DAS MERCADORIAS IMPORTADAS. MULTA. A classificação incorreta das mercadorias nos detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria sujeita o importador à multa de 1% sobre o valor aduaneiro, conforme previsto no art. 84, inciso I, da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS LEGAIS. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APRECIAÇÃO. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS DE JULGAMENTO. INCOMPETÊNCIA. Não compete às instâncias administrativas de julgamento proceder à análise da constitucionalidade ou legalidade das normas tributárias, sob o pretexto de que a taxa de juros aplicada não possui previsão legal e está sendo exigida além do constitucionalmente previsto, pois essa atividade compete exclusivamente ao Poder Judiciário. PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E DA PROPORCIONALIDADE. APRECIAÇÃO PELAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. REDUÇÃO DE MULTA. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação de lei, sob fundamento de inconstitucionalidade. O emprego dos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade não autoriza o julgador administrativo a dispensar ou reduzir multas, sem que exista expressa previsão legal. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. A cobrança dos juros de mora em percentual equivalente à taxa Selic está em conformidade com o disposto na legislação de regência.” O recurso voluntário, basicamente, reprisou o arrazoado inicial. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator Fl. 226DF CARF MF Processo nº 11128.007454/200776 Resolução nº 3401001.350 S3C4T1 Fl. 7 4 O recurso protocolado é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual deve ser conhecido. O exame da legislação de regência, no tocante à necessidade, em tese, da licença de importação para o produto importado (ÁCIDO 2CLORONICOTINICO) já foi realizado com percuciência pela decisão de piso, oportunidade que reproduzo o excerto: “Alega a defendente que não há fundamentação legal para a exigência da utilização do destaque 001 para as mercadorias importadas e que, à míngua de previsão que a obrigasse a utilizar tal detalhamento, o correto seria a utilização do destaque 999, nos moldes executados pela impugnante no ato de registro da DI. Ocorre que esta alegação não corresponde à realidade, uma vez que a exigência para utilização do destaque 001 para as mercadorias importadas pela defendente está estabelecida na IN MAPA nº 67, de 19 de dezembro de 2002, conforme a seguir transcrito: (...) Do disposto na norma administrativa em comento, que estava em vigor à época da importação, verificase que há uma série de produtos que, de acordo com sua natureza e aplicação, estão sujeitos ao controle do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, que deve ser realizado anteriormente ao embarque das mercadorias e ao despacho aduaneiro, por meio de licenciamento de importação. No Anexo da referida norma encontramse todos os produtos que estão alcançados por cada um dos quatro procedimentos estabelecidos, estando o produto de NCM 2933.39.29 dentre aqueles sujeitos ao Procedimento III, Art. 3º Para fins de controle da sanidade, fitossanidade e qualidade dos produtos agropecuários importados, serão adotados os seguintes procedimentos: ... III Procedimento III: produtos sujeitos à autorização prévia de importação antes do embarque e ao licenciamento de importação junto ao Siscomex antes do despacho aduaneiro, devendo ser submetidos, no ponto de ingresso, à conferência documental e de lacre por Fiscal Federal Agropecuário do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, respeitadas as competências técnicas e profissionais. A fiscalização e a inspeção sanitária, fitossanitária e de qualidade serão realizadas em estabelecimento de destino registrado ou relacionado no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento Mapa, conforme indicado na solicitação apresentada; (destaquei) Em pesquisa ao endereço eletrônico do MAPA, também é possível notar que a IN MAPA nº 67/2002 foi revogada pela IN MAPA nº 40, de 1º de julho de Fl. 227DF CARF MF Processo nº 11128.007454/200776 Resolução nº 3401001.350 S3C4T1 Fl. 8 5 2008, mas os dispositivos da norma revogada mantiveramse sem qualquer alteração, inclusive quanto às mercadorias sujeitas ao licenciamento de importação antes do embarque, continuando a previsão para os produtos de NCM 2933.39.29, quando utilizados na agricultura estarem sujeitos ao procedimento III. Por fim, a IN MAPA nº 40/2008 foi revogada pela IN MAPA nº 51, de 4 de novembro de 2011, cujo Anexo contendo as mercadorias sujeitas à autorização prévia de embarque e ao licenciamento não automático de importação no SISCOMEX, nos mesmos termos das normas anteriormente revogadas, foi atualizado em 26/01/2015, onde foi mantida a exigência para o produto classificado na posição 2933.39.29, com o agravante que, atualmente, os procedimentos utilizáveis são o IV e o VIII, conforme excerto da última atualização disponível, não restando qualquer dúvida que o MAPA tem interesse na manutenção do controle de entrada deste produto no país. Não há dúvida, portanto, que o produto importado pela defendente encontrase dentre aqueles que estão sujeitos ao licenciamento prévio de importação, conforme pode ser visto no Anexo a todas as normas editadas por aquele órgão federal, por se tratar de mercadoria utilizada como matériaprima de produtos agrícolas, como a própria impugnante reconhece na descrição detalhada do produto na DI. O destaque no Siscomex é uma ferramenta utilizada pelo sistema, dentre outras finalidades, para criar distinções entre produtos, que muitas vezes podem ter diferentes aplicações. Mas o sistema só irá conhecer estas distinções a partir dos dados fornecidos pelo importador, que deve lealdade à Administração Tributária ao prestar corretamente as informações necessárias à perfeita identificação dos produtos que importa, o que não se observou no presente caso. Ademais, esta informação é de caráter obrigatório, conforme pode ser verificado pelo disposto na Portaria Interministerial MF/MICT nº 291, de 12 de dezembro de 1996: Art. 1º A partir de 1º de janeiro de 1997, as atividades de licenciamento, despacho aduaneiro e controle cambial, relativas às operações de importação, serão exercidas pela Secretaria de Comércio Exterior SECEX, do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo MICT, pela Secretaria da Receita Federal SRF, do Ministério da Fazenda MF, e pelo Banco Central do Brasil BACEN, em suas respectivas áreas de competência, por intermédio do Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX. Fl. 228DF CARF MF Processo nº 11128.007454/200776 Resolução nº 3401001.350 S3C4T1 Fl. 9 6 ... Art. 3º As informações a serem prestadas pelo importador no Sistema, para os fins a que se refere o art. 1º, são as que constam do Anexo I . ... ANEXO I... 33.1 Destaque para anuência Destaque da mercadoria dentro do código NCM para fins de licenciamento da importação, conforme tabela "Destaque para Anuência", administrada pela SECEX. Informação obrigatória quando NCM sujeita a anuência. A existência de um Ofício emitido por uma Coordenação do Ministério da Agricultura não possui o condão de vincular as autoridades aduaneiras, nem de afastála do seu mister, que é o de zelar pela aplicação das normas legais e administrativas vigentes e proteger a sociedade contra o ingresso de produtos que podem ser danosos à população. Se o intuito do MAPA fosse o de isentar qualquer produto do licenciamento prévio, deveria alterar a legislação emitida pelo próprio órgão e fazer as adequações que entendesse necessárias. Apesar da revogação da IN MAPA nº 67/2002, todas as que lhe sucederam mantiveram a exigência em relação a este produto, estando as autoridades aduaneiras adstritas inteiramente ao teor do que dispõe a legislação no que diz respeito à necessidade da classificação no destaque correto, com a consequente exigência de LI. A fiscalização, ao constatar a não apresentação de informações de interesse da RFB, na forma estabelecida, não podia se abster da lavratura do Auto de Infração, com a aplicação da multa correspondente, sob pena de responsabilidade funcional, tendo em vista o artigo 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional.” Nada obstante as pertinentes colocações, não se pode olvidar que a competência do órgão anuente para definição dos produtos sujeitos a controle, tal qual regulado na mencionada IN MAPA nº 67/2002 e as que lhe sucederam, ao prever autorização prévia para importação e licenciamento não automático, a meu ver, abrange também o poder de se manifestar sobre a correta interpretação e aplicação desses atos normativos, sob pena de usurpação de atribuição específica do órgão público. No caso vertente, se é certo que havia previsão normativa para o licenciamento não automático, há que se destacar que foram coligidas aos autos correspondências oficiais endereçadas à RFB, em 2005 e 2007 (Ofícios nºs 052/05 CGA/DFIA/SDA, de 19/05/05, e 177/07 CGAA/DFIA/SDAMAPA – efls. 151/153), pela Coordenação Geral de Agrotóxicos e Afins (CGA), do Departamento de Fiscalização de Insumos Agrícolas – DFIA, do SDA/MAPA – justamente o departamento encarregado das providências relacionadas às autorizações prévias e licenças de importação no âmbito do órgão –, onde se comunica que o Capítulo 29 da NCM engloba indistintamente, dentre os produtos químicos que relaciona, tanto os insumos agrícolas (agrotóxicos), produtos técnicos e afins, como as matériasprimas para sua Fl. 229DF CARF MF Processo nº 11128.007454/200776 Resolução nº 3401001.350 S3C4T1 Fl. 10 7 fabricação, porém, a autorização prévia e o licenciamento somente se aplicariam aos produtos do primeiro grupo, de maneira que as matériasprimas, quando da importação, deveriam utilizar o Destaque NCM 999, como alega o recorrente: “Servimonos da presente para fazer alguns esclarecimentos quanto aos procedimentos que tem sido verificado, principalmente na Inspetoria da Receita Federal do Porto de Santos, na importação de agrotóxicos, seus componentes e afins: 1 Há tratamento administrativo no capitulo 29 da NCM, específico para os insumos agropecuários: Agrotóxicos, Produtos Técnicos e Afins. 2 O capítulo 29 da NCM engloba indistintamente, dentre os diversos produtos químicos ali inseridos, tantos os insumos produtos técnicos e afins quanta às matériasprimas para a fabricação destes. 3 Existem ainda, dentro do capítulo 29, inúmeras posições ‘Outros’ em que se encaixam uma série de produtos indistintamente, sejam produtos químicos destinados a fabricação de agrotóxicos, produtos técnicos e afins ou não. No entanto, a regulamentação sob a égide deste Ministério ora em vigor, notadamente as Instruções Normativas nº 67/2002 e 25/2003 que determinam os procedimentos de autorização prévia e/ou licenciamento às importações, aplicamse tão somente aos insumos agropecuários: Agrotóxicos, Produtos Técnicos e Afins, cujo ‘DESTAQUE’ no SICCOMEX deve ser ‘001’. As importações de matériasprimas destinadas à fabricação dos produtos acima citados e por este Ministério controlados, mesmo quando enquadradas nas classificações fiscais com destaque que exigem anuência deste Ministério ou outro procedimento especial, não se sujeitam à esta anuência ou procedimento, podendo ser liberadas diretamente através do SISCOMEX, com utilização do DESTAQUE no SISCOMEX no de n° ‘9990’.” (efl. 153 destacado) O produto importado foi descrito, na declaração de importação, como “(...) matériaprima para produtos agrícolas (...)”, não havendo arguição quanto a essa qualidade, o que, segundo essas correspondências, implicaria na adoção do Destaque NCM 999, como aviado pelo ora recorrente. Não se discute que à RFB pertence a atribuição de verificar, por ocasião do despacho aduaneiro, o cumprimento de todos os requisitos necessários ao desembaraço e entrega da mercadoria, dentre eles a necessidade de manifestação dos órgãos anuentes, todavia, essa manifestação não pode ser alvo de objeção, por parte das autoridades aduaneiras, quanto ao seu conteúdo, como ocorrido neste processo, onde as ditas correspondências foram solenemente desconsideradas, pelo autuante e pelo órgão julgador quo, e a legislação específica do órgão (MAPA) passa a ser interpretada pelos autoridades administrativas da RFB. Outrossim, o fato de o contribuinte, atendendo a determinação dos agentes fiscais, requerer o licenciamento específico e o MAPA concedêlo, a meu sentir, não significa que houvesse a necessidade da licença exigida, mesmo porque o Ofício nº 177/07 CGAA/DFIA/SDAMAPA, de 05/11/2007, é posterior ao registro da DI, ocorrido em Fl. 230DF CARF MF Processo nº 11128.007454/200776 Resolução nº 3401001.350 S3C4T1 Fl. 11 8 26/07/2007, e reafirma o teor do Ofício nº 052/05 CGA/DFIA/SDA, de 19/05/05, que lhe antecede. Em síntese, diante dos elementos colacionados ao processo, vislumbro dúvida fundada sobre a real exigência de autorização prévia à importação e licenciamento não automático, por parte do MAPA, necessários ao desembaraço da mercadoria, ou mesmo o apontado erro incorrido pelo contribuinte, o que, por via reflexa, prejudica o julgamento da questão ora posta, ao passo que as infrações imputadas são justamente o suposto equívoco na indicação do “destaque NCM” (999) e a ausência de licenciamento não automático. Por conseguinte, o processo não apresenta as condições necessárias para prosseguimento do julgamento. Com essas considerações, proponho a conversão do feito em diligência para que seja oficiado ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA, para que informe se, à época do registro da DI 07/09848190, era exigida autorização prévia para importação e licença de importação (não automática) para o produto ÁCIDO 2 CLORONICOTINICO, importado pelo contribuinte, consoante disposições da IN MAPA 67/02 e seguintes. É como voto. Robson José Bayerl Fl. 231DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10384.900138/2010-87
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRODUTOS COM NOTAÇÃO NT NA TIPI. IMPOSSIBILIDADE.
Não tem direito ao crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, as pessoas jurídicas que exportam produtos com notação "NT" na Tabela do IPI - TIPI.
Numero da decisão: 9303-006.286
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
(Assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRODUTOS COM NOTAÇÃO NT NA TIPI. IMPOSSIBILIDADE. Não tem direito ao crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, as pessoas jurídicas que exportam produtos com notação "NT" na Tabela do IPI - TIPI.
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PRODUTOS COM NOTAÇÃO NT NA TIPI. IMPOSSIBILIDADE. Não tem direito ao crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, as pessoas jurídicas que exportam produtos com notação "NT" na Tabela do IPI TIPI. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora (Assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 90 01 38 /2 01 0- 87 Fl. 264DF CARF MF Processo nº 10384.900138/201087 Acórdão n.º 9303006.286 CSRFT3 Fl. 3 2 (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 3301001.980, da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, por voto de qualidade, negou provimento ao recurso voluntário, consignando a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 CRÉDITOPRESUMIDO. PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS. INSUMOS. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO. A exportação de produto classificado na TIPI como não tributado (NT) não confere direito ao crédito presumido de IPI relativamente aos insumos empregados em seu beneficiamento.” Insatisfeito, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, trazendo, entre outros, que, relativamente: · À imutabilidade da decisão e da coisa julgada administrativa: ü O Pedido de Ressarcimento de Crédito Presumido de IPI foi integralmente homologado, conforme despacho decisório “3. O sistema de controle de créditos – SCC procedeu as verificações próprias do fluxo automático e, sem ter encontrado irregularidades, homologou totalmente os documentos em epígrafe.” ü Uma vez homologado e deferido o crédito, não assiste razão à Delegacia para alterar a decisão deferida, pois tratase de coisa julgada administrativa; · Ao direito à totalidade do crédito presumido: ü O crédito presumido do IPI é um benefício concedido pelo legislador para desonerar as exportações, assim, sua Fl. 265DF CARF MF Processo nº 10384.900138/201087 Acórdão n.º 9303006.286 CSRFT3 Fl. 4 3 interpretação deve ser sempre em prol do escopo para o que foi criado; ü A Lei não fala em momento algum em produtos tributados, não tributados e alíquota zero; ü A Lei 9.363/96 não faz restrição de que só tem o direito ao crédito quem produz e exporta produtos tributados. · À correção monetária, devese admitila desde seu fato gerador, caso contrário, o sujeito passivo ficaria refém da morosidade estatal. Em Despacho às fls. 246 a 247, foi dado seguimento parcial ao recurso interposto pelo sujeito passivo apenas quanto ao direito ao crédito presumido do IPI sobre a exportação de produtos NT. Em Despacho de Reexame de Admissibilidade às fls. 248 a 249, o Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais decidiu por manter na íntegra o despacho do Presidente da Câmara. Contrarrazões foram apresentadas pela Fazenda Nacional, que trouxe, entre outros, que: · A análise do competente texto legal, ainda sob o prisma teleológico, leva à inferência de que o objetivo da lei foi, na verdade, desonerar apenas os produtos industrializados, visando com isso incentivar a exportação de produtos elaborados com maior valor agregado, em detrimento de produtos em estado quase natural ou com incipiente processo de elaboração, como no caso dos produtos NT; · A Lei 9.363/96, ao criar o mecanismo do crédito presumido para reduzir o impacto econômico da incidência das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS no valor agregado dos produtos exportados, o fez na seara do Imposto sobre Produtos Industrializados, de tal sorte que apenas os estabelecimentos industriais, contribuintes do IPI na forma da legislação pertinente, podem usufruir o incentivo fiscal; · Considerando que, no presente caso, ocorreu exportação de produtos com notação NT e, em conformidade com o exposto acima, não são Fl. 266DF CARF MF Processo nº 10384.900138/201087 Acórdão n.º 9303006.286 CSRFT3 Fl. 5 4 considerados industrializados e, portanto, fora de incidência do IPI, concluise que a contribuinte não faz jus ao crédito presumido de IPI estabelecido pela Lei nº 9.363/96. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlo na parte admitida em Despacho – o que concordo com a manifestação exposta em Despacho de Admissibilidade às fls. 246 a 247. Eis que, nessa parte, o Recurso observou os pressupostos de admissibilidade exigidos pelo art. 67 do RICARF/2015. Ora, do confronto das decisões se comprova a divergência. No acórdão recorrido se exigiu que o produto exportado estivesse no campo de incidência do IPI para usufruir do benefício. Enquanto, no paradigma entendeuse ser irrelevante este critério em face das disposições da Lei 9.363/96, decidindo o colegiado por reconhecer o direito ao crédito presumido do IPI em relação à exportação de produtos com notação “NT”. Ventiladas breves considerações, passo a discorrer sobre a lide posta em recurso, qual seja, se o sujeito passivo tem ou não direito ao crédito previsto na Lei 9.363/96; ou seja, se haveria ou não a possibilidade de se reconhecer o direito à fruição do incentivo fiscal instituído pela Lei 9.363/96, crédito presumido de IPI, como ressarcimento das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, às pessoas jurídicas que elaboram produtos cuja notação na TIPI é NT (não tributado). No que tange ao crédito presumido de IPI, entendo que o sujeito passivo, em razão da exportação e beneficiamento de rochas ornamentais, possui o direito ao crédito fiscal, nos termos da Lei 9.363/96. Para tanto, trago o art. 1º da Lei 9.363/96: “Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos Fl. 267DF CARF MF Processo nº 10384.900138/201087 Acórdão n.º 9303006.286 CSRFT3 Fl. 6 5 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. ” Somente com a leitura desse dispositivo, é possível, a princípio, entender que a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, não circunscrevendo seu alcance aos produtos industrializados. O que, por conseguinte, já entendo assistir razão ao sujeito passivo. Não obstante, vêse que poderia entender que a Lei trouxe que, para a fruição do crédito presumido do IPI deve haver a dependência de as matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem sejam utilizadas no processo produtivo. Nesse ínterim, vêse que a Lei 9.363/96, ao criar o mecanismo do crédito presumido para reduzir o impacto econômico da incidência das contribuições para o PIS e a COFINS considerou o processo de produtivo ou seja, a industrialização desses materiais, para fins de se produzir determinado produto a ser exportado. Vêse que o crédito presumido do IPI tem o escopo de ressarcir o contribuinte, do montante pago a título de PIS e COFINS, em todas as operações em que este adquiriu insumos, com o intuito de empregálos na produção de mercadorias exportadas. O dispositivo em referência, trouxe efetivamente um benefício às empresas que industrializam produtos e os vendem para o mercado externo. E, ademais, notase que não condiciona tal fruição para produtos tributos pelo IPI. Ou seja, o crédito trazido pela Lei não delimita o alcance do benefício aos contribuintes do IPI. A Lei n° 9363/96, em seu artigo 1º estabelece que o requisito para a fruição do direito ao crédito presumido é a produção e exportação de mercadorias nacionais ou somente a exportação, em sentido amplo, sendo irrelevante que o produto esteja ou não sujeito ao IPI. Fl. 268DF CARF MF Processo nº 10384.900138/201087 Acórdão n.º 9303006.286 CSRFT3 Fl. 7 6 No caso em comento, o sujeito passivo faz o beneficiamento de rochas ornamentais, tendo como objeto social a exploração de jazidas minerais, seu beneficiamento, comercialização e a exportação dos produtos. Em vista do exposto, dou provimento nessa parte ao recurso interposto pelo sujeito passivo. É como voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 269DF CARF MF Processo nº 10384.900138/201087 Acórdão n.º 9303006.286 CSRFT3 Fl. 8 7 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Redator designado. Com todo respeito à ilustre relatora, discordo de seu entendimento quanto ao direito de o contribuinte aproveitar crédito presumido do IPI sobre aquisições e revenda para o exterior de produtos não tributados pelo IPI. No presente caso, tratase de exportações de pedras ornamentais que não sofreram quaisquer industrialização, por parte do exportador, mas supostamente apenas beneficiamento, ou seja, no máximo, passaram por processo de desbaste ou algum tipo de lapidação. Tratase de matéria antiga no âmbito do contencioso administrativo e a controvérsia resumese em saber se há a possibilidade de aproveitamento de crédito presumido de IPI, de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363/96, na produção e exportação de produtos classificados na Tabela do IPI com notação "NT" (não tributados). Preliminarmente é importante ressaltar que entendo que o crédito presumido de IPI, de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363/96, é um benefício fiscal concedido aos produtores/exportadores de produtos nacionais, e, nessa circunstância impõese a interpretação literal dos dispositivos legais nos termos do art. 111 do CTN. Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Fl. 270DF CARF MF Processo nº 10384.900138/201087 Acórdão n.º 9303006.286 CSRFT3 Fl. 9 8 Na verdade a concessão de isenção, anistia, incentivos e benefícios fiscais decorrem de normas que têm caráter de exceção. Fogem às regras do que seria o tratamento normal. Transcrevo abaixo trecho da doutrina do Professor Eduardo Sabbag: (...) Retomando a análise do art. 111 do CTN, o que se nota é que tal dispositivo disciplina hipóteses de “exceção”, devendo sua interpretação ser literal[44]. Na verdade, consagra um postulado que emana efeitos em qualquer ramo jurídico, isto é, “o que é regra se presume; o que é exceção deve estar expresso em lei”. Com efeito, a regra não é o descumprimento de obrigações acessórias, nem a isenção concedida e, por fim, nem a exclusão ou suspensão do crédito tributário, mas, respectivamente, o cumprimento de obrigações, o pagamento do tributo e a extinção do crédito, mediante pagamento ou outra modalidade extintiva. Assim, o direito excepcional[45] deve ser interpretado literalmente, razão pela qual se impõe o artigo ora em estudo. Aliás, em absoluta consonância com o art. 111 está a regra do parágrafo único do art. 175, pela qual “a exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela consequente”. (...) (Trecho extraído da internet no seguinte endereço: https://eduardosabbag.jusbrasil.com.br/artigos/121933898/inter pretacaoeintegracaodalegislacaotributaria) Analisemos então o que consta da Lei nº 9.363/96 que instituiu o benefício do crédito presumido: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (...) Art. 3º .... Fl. 271DF CARF MF Processo nº 10384.900138/201087 Acórdão n.º 9303006.286 CSRFT3 Fl. 10 9 Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem. Nesse momento é importante destacar que a lei determinou o benefício para a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. Se quisesse abarcar todos os exportadores, não necessitaria de incluir a palavra produtora. Seria inócuo. E ao incluir a palavra produtora, determinou no parágrafo único do art. 3º que deve ser utilizada a legislação do IPI para a busca da definição do que se entende por produção. Sendo assim, a legislação do IPI não considera estabelecimento industrial, ou produtor, para fins do tributo, aqueles que produzem produtos que estão fora do seu campo de incidência. Veja como o Regulamento do IPI disciplina a matéria. Transcrevese abaixo artigos do RIPI/2002 que era o vigente à época dos fatos, mas nada mudou a respeito deste assunto no atual regulamento: Art. 2º O imposto incide sobre produtos industrializados, nacionais e estrangeiros, obedecidas as especificações constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI (Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 1º, e DecretoLei nº 34, de 18 de novembro de 1966, art. 1º). Parágrafo único. O campo de incidência do imposto abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na TIPI, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação "NT" (nãotributado) (Lei nº 10.451,de 10 de maio de 2002, art. 6º). (...) Art. 8º Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das operações referidas no art. 4º, de que resulte produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º). Do conjunto dessa leitura, concluise que os produtos "NT" (NÃO TRIBUTADOS) estão fora do conceito de produtos industrializados estabelecidos pela legislação do IPI. Assim, quem os produz, não são considerados estabelecimentos industriais para fins dessa legislação. Fl. 272DF CARF MF Processo nº 10384.900138/201087 Acórdão n.º 9303006.286 CSRFT3 Fl. 11 10 Assim vem decidindo este colegiado. Para um melhor entendimento transcrevo abaixo trecho de um voto do exConselheiro Henrique Pinheiro Torres proferido no Acórdão nº 20216.066: (...) A meu sentir, a posição mais consentânea com a norma legal é aquela pela exclusão dos valores correspondentes às exportações dos produtos não tributados (NT) pelo IPI, já que, nos termos do caput do art. 1º da Lei n° 9.363/1996, instituidora desse incentivo fiscal, o crédito é destinado, tãosomente, às empresas que satisfaçam, cumulativamente, dentre outras, a duas condições: a) ser produtora; b) ser exportadora. Isso porque os estabelecimentos processadores de produtos NT não são, para efeitos da legislação fiscal, considerados como produtor. Isso ocorre porque, as empresas que fazem produtos não sujeitos ao IPI, de acordo com a legislação fiscal, em relação a eles, não são consideradas como estabelecimentos produtores, pois, a teor do art. 3º da Lei nº 4.502/1964, considera se estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto. Ora, como é de todos sabido, os produtos constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI com a notação NT (Não Tributados) estão fora do campo de incidência desse tributo federal. Por conseguinte, não estão sujeitos ao imposto. Ora, se nas operações relativas aos produtos não tributados a empresa não é considerada como produtora, não satisfaz, por conseguinte, a uma das condições a que está subordinado o beneficio em apreço, o de ser produtora. Por outro lado, não se pode perder de vista o escopo desse favor fiscal que é o de alavancar a exportação de produtos elaborados, e não a de produtos primários ou semielaborados. Para isso, o legislador concedeu o incentivo apenas aos produtores, aos industriais exportadores. Tanto é verdade, que, afora os produtoresexportadores, nenhum outro tipo de empresa foi agraciada com tal beneficio, nem mesmo as trading companies, reforçandose assim, o entendimento de que o favor fiscal em foco destinase, apenas, aos fabricantes de produtos tributados a serem exportados. Cabe ainda destacar que assim como ocorre com o crédito presumido, vários outros incentivos à exportação foram concedidos apenas a produtos tributados pelo IPI (ainda que sujeitos à aliquota zero ou isentos). Como exemplo podese citar o extinto créditoprêmio de IPI conferido ao industrial exportador, e o direito à manutenção e utilização do crédito referente a insumos empregados na fabricação de produtos exportados. Neste caso, a regra geral é que o beneficio alcança apenas a exportação de produtos tributados (sujeitos ao imposto); se se referir a NT, só haverá direito a crédito no caso de produtos relacionados pelo Ministro da Fazenda, como previsto no parágrafo único do art. 92 do RIPI/1982. Outro ponto a corroborar o posicionamento aqui defendido é a mudança trazida pela Medida Provisória nº 1.50816, consistente na inclusão de diversos produtos no campo de incidência do IPI, a exemplo dos frangos abatidos, cortados e embalados, que passaram de NT para alíquota zero. Essa mudança na tributação veio justamente para atender aos anseios dos exportadores, que puderam, então, usufruir do crédito presumido de IPI nas exportações desses produtos. Fl. 273DF CARF MF Processo nº 10384.900138/201087 Acórdão n.º 9303006.286 CSRFT3 Fl. 12 11 Diante de todas essas razões, é de se reconhecer que os produtos exportados pela reclamante, por não estarem incluídos no campo de incidência do IPI, já que constam da tabela como NT (não tributado), não geram crédito presumido de IPI. (...) Por sua vez, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) já se pronunciou sobre a possibilidade de apropriação de crédito presumido de IPI na exportação de produtos não tributados, conforme o seguinte precedente: "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. ERRO MATERIAL. SANEAMENTO. EFEITOS INFRINGENTES. POSSIBILIDADE. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS. INCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. 1. O decisum agravado deixou de conhecer do recurso especial na parte em que alegada a impossibilidade de inclusão, na base de cálculo do crédito presumido do IPI, dos valores relativos a exportação de produtos não tributados, ao fundamento de que o apelo raro padecia de deficiência de fundamentação recursal. 2. Compulsandose novamente o caderno processual, é de se afastar a incidência ao caso da Súmula 284/STF, devendo, pois, ser analisado o mérito do apelo raro nesse particular. 3. O Superior Tribunal de Justiça já se posicionou no sentido de que não há ilegalidade na limitação imposta pelas Instruções Normativas da SRF nº 313/2003 e nº 419/2004 do cômputo dos valores referentes à exportação de produtos não tributados na base de cálculo do crédito presumido do IPI, tendo em vista que a própria Lei nº 9.363/96 admitiu a possibilidade de ampliação ou restrição do conceito de "receitas de exportação" por norma de hierarquia inferior. 4. Embargos de declaração acolhidos com efeitos infringentes para dar parcial provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, a fim de reconhecer a impossibilidade de se computarem os valores referentes a exportação de produtos não tributados na base de cálculo do crédito presumido do IPI. (EDcl no AgRg no REsp 1241900/RS, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/12/2014, DJe 11/12/2014) (grifei) Cumpre lembrar também recente decisão desta CSRF no Acórdão nº 9303 003.462, de 23/02/2016, relatoria do Presidente da 3ª Seção de Julgamento, Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que ficou assim ementado: Fl. 274DF CARF MF Processo nº 10384.900138/201087 Acórdão n.º 9303006.286 CSRFT3 Fl. 13 12 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999 IPI. CRÉDITOS. PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT). A exportação de produtos NT não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI, Lei nº 9.363/96, por não estarem os produtos dentro do campo de incidência do imposto. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Diante de tudo exposto, voto por negar provimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 275DF CARF MF
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Numero do processo: 12898.000177/2010-18
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.603
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 01 77 /2 01 0- 18 Fl. 512DF CARF MF 2 Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Tratase de auto de infração para cobrança de contribuições previdenciárias relativa a valores pagos a segurados empregados e contribuintes individuais (parte segurado), que nos termos do relatório fiscal foi assim resumido: III DO PERÍODO E DA NATUREZA DOS CRÉDITOS 3.1 Para os levantamentos Cl, CO e VT o período do presente crédito é de janeiro a dezembro de 2005. 3.2 A natureza dos créditos desse auto de infração referese à contribuição patronal (20%) incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a título de vale transporte aos segurados empregados e valores pagos por serviços prestados aos contribuintes individuais, lançados na contabilidade, que lhe prestaram serviços durante o mês, destinadas ao custeio da Seguridade Social, 3.3 Referese, também, a contribuição de (15%) incidentes sobre os valores pagos a serviços prestados por cooperativas, lançados na conta 2.1.1.01.0001 Fornecedores no País e declarados, na DIRF 2006, AnoCalendário 2005. 3.4 Para financiar os benefícios concedidos em razão do Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa Decorrente dos Riscos Ambientais do Trabalho GILRAT (3%) incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a título de vale transporte, durante o mês, aos segurados empregados que lhe prestaram serviços. Após o trâmite processual, a 3ª Turma Especial manteve em parte o lançamento. O Colegiado a quo entendeu pela improcedência do levantamento referente aos valores pagos a título de valetransporte, bem como pela necessidade de aplicar a multa benéfica do artigo 35, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 9.876/99, limitada a 75%. O acórdão 2803002.339 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 01/01/2006 CERCEAMENTO DE DEFESA. VIOLAÇÃO AO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. INEXISTÊNCIA. VALE TRANSPORTE. VERBA INDENIZATÓRIA. FORA DO CAMPO DA INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA AUSÊNCIA DE CARÁTER REMUNERATÓRIO. APLICAÇÃO DA MULTA BENÉFICA. Fl. 513DF CARF MF Processo nº 12898.000177/201018 Acórdão n.º 9202006.603 CSRFT2 Fl. 513 3 Recurso Voluntário Provido em Parte. Intimada a Fazenda Nacional, interpôs recurso especial de divergência questionando o critério adotado pelo Colegiado no que tange a aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Intimado o Contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Preenchidos os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso. A controvérsia levantada pela Fazenda Nacional é relativa às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, Fl. 514DF CARF MF 4 conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no Fl. 515DF CARF MF Processo nº 12898.000177/201018 Acórdão n.º 9202006.603 CSRFT2 Fl. 514 5 caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499: Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: Fl. 516DF CARF MF 6 I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da Fl. 517DF CARF MF Processo nº 12898.000177/201018 Acórdão n.º 9202006.603 CSRFT2 Fl. 515 7 contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº Fl. 518DF CARF MF 8 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de Fl. 519DF CARF MF Processo nº 12898.000177/201018 Acórdão n.º 9202006.603 CSRFT2 Fl. 516 9 obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Pela pertinência, para execução do julgado, vale destacar que parte do lançamento envolve a cobrança da contribuição previdenciária de 15% sobre o valor de serviços prestados por meio de cooperativas de trabalho, tema apreciado pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de julgamento do RE 595.838, com repercussão geral reconhecida (Acórdão publicado em 08.10.2014). Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para determinar que a multa seja aplicada nos termos em que fixado pela Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 520DF CARF MF
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Numero do processo: 10983.907301/2012-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.105
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência. Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte supra identificado em face de decisão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se contrapor ao Despacho Decisório que não homologara a compensação declarada, sob o argumento de que o pagamento informado havia sido localizado mas sem saldo reconhecido para compensação dos débitos indicados no Per/Dcomp. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte alegou, em síntese, que a DCTF e o Dacon coincidiam nos centavos nos valores do crédito, crédito esse quitado por meio de DARFs, e requereu a produção de todos os meios de prova em direito admitidas, sobretudo a documental inclusa, a documental superveniente e a pericial, e que fosse julgada procedente a sua defesa, com a nulidade da incidência e a anulação do lançamento, com fundamento no art. 145, I, do CTN. A decisão da Delegacia de Julgamento, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na falta de apresentação de prova documental por parte do interessado que pudesse embasar o indébito tributário alegado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 83 .9 07 30 1/ 20 12 -4 5 Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10983.907301/201245 Resolução nº 3201001.105 S3C2T1 Fl. 77 2 Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e reiterou a existência do crédito postulado, alegando o seguinte: 1. é agente gerador de energia participante do Sistema Interligado Nacional SIN, que funciona com mecanismo de rateio de custos de geração de energia com fins à segurança ao sistema; 2. a Conta de Consumo de Combustíveis CCC e a Conta de Desenvolvimento Energético CDE são fundos geridos pela Eletrobrás que viabiliza economicamente a geração de energia com base em matrizes elétricas, por intermédio da utilização de combustíveis fósseis; 3. os valores recebidos são utilizados nas aquisições de combustíveis fósseis carvão mineral e consumidos na geração de energia termoelétrica; 4. os agentes geradores procedem ao registro contábil para controle dos custos adquiridos com recursos da CCC e CDE; 5. os combustíveis fósseis não integram seus ativos e não se constituem custos em decorrência da aquisição de terceiros pela Eletrobrás; 6. Os custos dos combustíveis são cobrados dos consumidores finais da energia, através das distribuidoras e permissionárias; 7. a sistemática de contabilização dos custos com combustíveis como receita se alterou exsurgindo um crédito da recorrente com o Fisco em razão dos valores oferecidos à tributação pelo PIS e Cofins não se constituírem receitas, mas sim simples ingressos; 8. Procedeu à retificação de suas DCTFs para excluir dos débitos as parcelas da CCC e CDE e transmitiu DCOMPs visando a compensação; 9. as compensações foram indeferidas, vez que o Fisco entende erroneamente tratarse de receitas passíveis de tributação; 10. o despacho decisório acusou falta de documentação comprobatória; 11. o procedimento deveria ser precedido de retificação de ofício das declarações DCTF e DACON. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3201001.095, de 30/01/2018, proferido no julgamento do processo 10983.908751/201255, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10983.907301/201245 Resolução nº 3201001.105 S3C2T1 Fl. 78 3 Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201001.095): Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase esta resolução. Por conter matéria preventa desta Seção de Julgamento e estarem presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. Contudo, é preciso esclarecer que esta lide administrativa fiscal não está em condições de julgamento, uma vez que existe situação que impossibilita a sua imediata solução. Como já mencionado no voto do Conselheiro Relator, durante a sessão de julgamento foi debatida a necessidade de conversão do processo em diligência, diante da existência de DCTF retificadora, apresentada e não apreciada. Conforme debatido, o Despacho Decisório reconheceu a retificadora, mas não homologou o pedido do contribuinte fundamentada na seguinte premissa: "retificação não esclarecida". Cumpre ressaltar que, a retificadora, quando anterior ao procedimento de ofício, substitui integralmente a DCTF original, sem necessidade de esclarecimento, conforme pode ser verificado na IN 1.599/2015, Art. 9.º (mesmo teor desde IN´s de 2002): "Art. 9ºA alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2ºA retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I redução dos débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização; e II alteração dos débitos de impostos e contribuições em relação aos quais o sujeito passivo tenha sido intimado de início de procedimento fiscal. § 3ºA retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10983.907301/201245 Resolução nº 3201001.105 S3C2T1 Fl. 79 4 poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário correspondente àquela declaração. § 4ºNa hipótese prevista no inciso II do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento à intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma prevista no art. 7º. § 5ºO direito do sujeito passivo de pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º(primeiro) dia do exercício seguinte àquele ao qual se refere a declaração. § 6ºA pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora alterando valores que tenham sido informados: I na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; e II no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador." Tais disposições normatizam, para a DCTF, o princípio da espontaneidade, conforme garantia prevista no Art. 138 do CTN. Assim, para que houvesse acusação de falta de esclarecimento da DCTF retificadora (que no caso, foi espontânea e tem a mesma natureza da original), deveria existir, nos autos, uma intimação anterior do Fisco, solicitando o esclarecimento e motivo da retificação. Assim, contribuiria para a solução desta lide fiscal que a fiscalização apresentasse essa intimação ou alguma tentativa, do Fisco, de esclarecer a retificação, ou seja, uma possível falha de instrução do processo. Esta Turma de julgamento não identificou a presença de tal intimação ao contribuinte, assim como a ausência de despacho decisório próprio ao caso, que considerasse esta situação exposta, que considerasse o caso concreto do contribuinte. Constatada esta irregularidade que poderia afrontar o devido processo legal, decidiuse por converter o julgamento em diligência e, para esta tarefa, fui designado para apresentar o voto vencedor. Diante desta breve exposição, em busca da verdade material e, com fundamento na legislação que concerne ao processo administrativo fiscal e ao Direito Tributário, votase para que o julgamento seja convertido em diligência, para que: a autoridade de origem verifique e comprove se houve ou não intimação anterior que solicitasse o esclarecimento e motivo da retificação; a autoridade de origem verifique se há ou não Despacho Decisório que considerou a DCTF retificadora e, se houver, identificar e juntar nos autos; cumprida a diligência, o contribuinte deve ser intimado para se manifestar, em 30 dias da intimação, a respeito do relatório apresentado pela autoridade fiscal. Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10983.907301/201245 Resolução nº 3201001.105 S3C2T1 Fl. 80 5 Após, retornem os autos a este Conselho para julgamento. Resolução proferida. Esclareçase que, nos presentes autos, ocorreu a mesma situação fática identificada na resolução do processo paradigma quanto à ausência de comprovação da existência de intimação tendente a esclarecer a retificação espontânea da DCTF. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora verifique e comprove se houve ou não intimação anterior que solicitasse esclarecimentos e o motivo da retificação da DCTF, bem como verifique se há ou não Despacho Decisório que tenha considerado a DCTF retificadora e, se houver, identificar e juntar nos autos. Cumprida a diligência, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões do trabalho fiscal. Após, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 80DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.688811/2009-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 02 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.230
Decisão: RESOLVEM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL RESOLVEM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Trata o presente de análise de PER/DCOMP não homologada pela unidade local da RFB face a inexistência do direito creditório pleiteado. O Despacho Decisório consignou que os pagamentos informados como suposta origem do PER/DCOMP encontravamse integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A contribuinte interpôs manifestação de inconformidade onde defende a existência de seu direito creditório, alegando que o mesmo pode ser confirmado em vista de suas declarações retificadoras (DIPJ e DCTF). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 88 81 1/ 20 09 -6 1 Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10880.688811/200961 Resolução nº 3402001.230 S3C4T2 Fl. 163 2 A decisão da DRJ julgou improcedente a aludida manifestação, o que motivou a recorrente a interpor, tempestivamente, o recurso voluntário ora em apreço, oportunidade em que repisou as alegações desenvolvidas em manifestação de inconformidade, bem como apresentou novos documentos fiscais no sentido de comprovar a existência do crédito vindicado. É o relatório. Resolução Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402001.213, de 30 de janeiro de 2018, proferida no julgamento do processo 10880.688794/200961, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402001.213: 4. Em suma, a presente discussão gravita em torno de um único ponto: existir ou não prova suficiente do crédito do contribuinte. 5. Segundo o despacho decisório que denegou a compensação almejada, os créditos apontados pelo contribuinte já teriam sido consumidos para a quitação de outros débitos apontados em DCTF. 6. Por sua vez, em sede de manifestação de inconformidade, o contribuinte aventou que o comprovante de pagamento de fl. 21, aliado com a DIPJ e a DCTF (ambas retificadoras) acostadas, respectivamente, as fls. 22/56 e 57/123, atestariam a validade material do aludido crédito. 7. Não obstante, o acórdão recorrido pautou o indeferimento da compensação vindicada nos seguintes termos: (...). 8.2. O sucesso da empresa em ver homologada a compensação declarada, nesta instância administrativa, já fora da órbita do tratamento eletrônico, condicionase à comprovação da liquidez e certeza do crédito, devendo estar demonstrado que este tem apoio não só legal, como documental. A apresentação de DCTF retificadora, por suposto erro de preenchimento na anterior, não é suficiente, neste momento do rito processual, para fazer prova em favor do contribuinte, existindo a necessidade de comprovação documental do quanto alegado, por meio da apresentação da escrituração contábil do período, em especial os Livros Diário e Razão, e dos documentos que Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10880.688811/200961 Resolução nº 3402001.230 S3C4T2 Fl. 164 3 lhe dão sustentação. Transcrevese, a seguir, o art. 170 do CTN, onde está estipulado que somente são passíveis de compensação os créditos líquidos e certos: (...). 8. Ao interpor seu recurso e em resposta ao fundamento da DRJ, o contribuinte trouxe aos autos cópias dos seus livros razão (fls. 152/157) e diário (fls. 158/161) que, prima facie, comprovariam a existência do crédito aqui debatido. 9. Diante deste cenário fáticojurídico e, ainda, levando em consideração o princípio da verdade material1 que conforma o processo administrativo tributário, é salutar que o presente julgamento seja convertido em diligência para que a unidade preparadora tome as seguintes providências: (i) analise os documentos fiscais acostados aos autos pelo contribuinte para averiguar se de fato o crédito aqui vindicado apresenta ou não validade material; e, ainda (ii) caso tais documentos sejam insuficientes para o cumprimento do mister acima indicado, a fiscalização deverá intimar o contribuinte para que apresente outros documentos fiscais necessários para esse fim. 10. Ao final, uma vez ofertada as respostas aos questionamentos acima, o recorrente deverá ser intimado para, facultativamente, manifestarse em 30 (trinta) dias a seu respeito, nos termos do que prevê o art. 35 do Decreto nº 7.574/2011. Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora tome as seguintes providências: (i) analise os documentos fiscais acostados aos autos pelo contribuinte para averiguar se de fato o crédito aqui vindicado apresenta ou não validade material; e, ainda 1 Neste momento convém aqui abrir um parêntese para afirmar que quando se apregoa o sobredito princípio da verdade material não se faz no sentido de equiparar este importante valor normativo a uma ferramenta mágica, semelhante a uma "varinha de condão" dotada de aptidão para "validar" preclusões e atecnias e transformar tais defeitos em um processo administrativo "regular". Com a devida vênia, este tipo de interpretação a respeito do princípio da verdade material só se presta a apequenar e, até mesmo, achincalhar esta importante norma. Assim, quando se fala em verdade material o que se quer aqui exprimir é a possibilidade de reconstruir a relação jurídica de direito material conflituosa por intermédio de uma metodologia jurídica mais flexível, ou seja, menos apegada à forma, o que se dá pelas características peculiares do direito material vindicado processualmente, i.e., pela sua contextualização. Em outros termos, "verdade material" é sinônimo de uma maior flexibilização probante em sede de processos administrativos, o que, se for usado com a devida prudência à luz do caso decidendo, só tem a contribuir para a qualidade da prestação jurisdicional atipicamente prestada em processos administrativos fiscais. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10880.688811/200961 Resolução nº 3402001.230 S3C4T2 Fl. 165 4 (ii) caso tais documentos sejam insuficientes para o cumprimento do mister acima indicado, a fiscalização deverá intimar o contribuinte para que apresente outros documentos fiscais necessários para esse fim. Ao final, uma vez ofertada as respostas aos questionamentos acima, o recorrente deverá ser intimado para, facultativamente, manifestarse em 30 (trinta) dias a seu respeito, nos termos do que prevê o art. 35 do Decreto nº 7.574/2011. Concluídas estas providências, retornemse os autos para julgamento. (Assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Fl. 116DF CARF MF
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Numero do processo: 14098.720037/2015-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1402-000.504
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, determinar o retorno dos autos à Unidade Local a fim de que o sujeito passivo seja intimado a demonstrar a adoção, pelo Estado de Mato Grosso, das providências estabelecidas na cláusula segunda do Convênio ICMS 190/17; ficando o julgamento sobrestado até que seja demonstrado tal fato ou até 28/12/2018, data limite para esse procedimento, o que ocorrer em primeiro lugar.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Relatório
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, determinar o retorno dos autos à Unidade Local a fim de que o sujeito passivo seja intimado a demonstrar a adoção, pelo Estado de Mato Grosso, das providências estabelecidas na cláusula segunda do Convênio ICMS 190/17; ficando o julgamento sobrestado até que seja demonstrado tal fato ou até 28/12/2018, data limite para esse procedimento, o que ocorrer em primeiro lugar. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 40 98 .7 20 03 7/ 20 15 -1 5 Fl. 2771DF CARF MF Processo nº 14098.720037/201515 Resolução nº 1402000.504 S1C4T2 Fl. 2.772 2 Relatório Trata o processo em questão de Autos de Infração, referentes aos anos calendário de 2011 e 2012, de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, às fls. 02 a 14, no valor de R$243.488.872,47 (duzentos e quarenta e três milhões, quatrocentos e oitenta e oito mil, oitocentos e oitenta e dois reais e quarenta e sete centavos) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, às fls. 15 a 24, no valor de R$ 44.320.922,06 (quarenta e quatro milhões, trezentos e vinte mil, novecentos e vinte e dois reais e seis centavos), todos acrescidos da multa de ofício de 75% e dos juros de mora calculados até 07/2015. O Auto de Infração de IRPJ foi proveniente de: 1) contabilização incorreta, como subvenções para investimento, de valores relativos a subvenções correntes para custeio, no total de R$172.674.308,52, para o AC 2011 e R$ 67.313.640,14 para o AC 2012, gerando redução indevida do lucro sujeito à tributação. O enquadramento legal aponta: artigos 2º e 3º da Lei nº 9.249/95, artigos 247 e 250 do RIR/99 e artigo 392, inciso I, do RIR/99; 2) redução indevida do IRPJ e adicional calculados sobre o lucro da exploração no montante de R$ 29.741.233,09 para o AC de 2011 e R$ 50.328.733,11 para o AC de 2012; como decorrência da inexistência, na escrituração da pessoa jurídica, da segregação do resultado por atividade fomentada, o que implicou por parte do Fisco na apuração do incentivo pelo critério do rateio do lucro proporcionalmente à receita líquida . O enquadramento legal aponta: artigos 231, inciso II, 554 e 557 do RIR/99 e artigo 1º da Medida Provisória nº 2.199 14/01. O Auto de Infração de CSLL aponta a seguinte infração: 1) contabilização incorreta, como subvenções para investimento, de valores relativos a subvenções correntes para custeio, no total de R$172.674.308,52, para o AC 2011 e R$ 67.313.640,14 para o AC 2012, gerando redução indevida na base de cálculo da CSLL. O enquadramento legal aponta: artigo 2º da Lei 7.689/88 com as alterações introduzidas pelo art. 2º da Lei 8.034/90; artigo 57 da Lei nº 8.981/95, com as alterações do artigo 1º da Lei 9.065/95; artigo 2º da Lei 9.249/95; artigo 1º da Lei nº 9.316/96; artigo 28 da Lei nº 9.430/96; artigo 3º da Lei 7.689/88, com redação dada pelo artigo 17 da Lei nº 11.727/08. Foi apresentada peça impugnatória na qual, relativamente ao item 1, a interessada sustenta que o benefício fiscal é uma subvenção para investimento. Logo, não sofreria a incidência do imposto, nos termos do art. 443, do RIR/1999. Declara que faz jus ao incentivo fiscal sobre o ICMS concedido pelo Estado do Mato Grosso no âmbito do Programa de Desenvolvimento Industrial e Comercial de Mato Grosso PRODEIC, em virtude do disposto na Lei Estadual nº 7.958/2003. Acrescenta que os incentivos e critérios para a sua concessão constam do protocolo de intenções (fls. 347/352) e respectivo aditamento (fls 93/104) pelos quais fica Fl. 2772DF CARF MF Processo nº 14098.720037/201515 Resolução nº 1402000.504 S1C4T2 Fl. 2.773 3 demonstrado que os incentivos fiscais concedidos pelo Estado do Mato Grosso, concernentes à outorga de créditos presumidos de ICMS próprio, relativo às operações de circulação de mercadorias efetivamente produzidas no empreendimento industrial, foram oferecidos mediante a contrapartida de implantação da fábrica pela impugnante, com a demonstração do valor do investimento, do faturamento estimado, da geração de certo número de empregos, atendendo a todos os ditames da Lei Estadual nº 7.958/2003. Entende que a vistoria feita pelo CEDEM (Conselho Estadual de Desenvolvimento Empresarial), órgão com competência outorgada pelo Estado para aprovar e julgar pedidos relacionados aos incentivos fiscais concedidos, criado pela Lei Complementar nº 132, de 22 de julho de 2003 e Decreto nº 1.410/2003, aprovou a vistoria para comprovação dos dados relativos aos incentivos concedidos. Aduz que o agente fiscal ignorou a autonomia da unidade federada em cuidar de seus próprios negócios e fiscalizar os tributos e dispêndios financeiros que executa, bem como de que os atos praticados pelos agentes públicos estaduais gozam da presunção de legitimidade e só podem ser afastados mediante robusta prova de ilegalidade. Entende, também, que o incentivo fiscal em referência constituise de subvenção para investimento, desse modo, transcreve os artigos 392 e 443 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, para diferenciar subvenção para investimento de subvenção para custeio. Relata que, com a edição da Lei nº 11.638/2007, que alterou dispositivos da Lei nº 6.404, (artigo 182, §1°, alínea "d"), em face das normas contábeis internacionais, as subvenções para investimento receberam tratamento específico, devendo ser contabilizadas no resultado operacional da empresa para, em seguida, haver a sua destinação para subconta representativa do patrimônio líquido denominada "Reserva de incentivos fiscais". Transcreve o artigo 18 da Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, que dispõe sobre o Regime Tributário de Transição, criado para neutralizar os efeitos dos novos métodos e critérios contábeis. Relata que o agente fiscal ao dar destaque à alínea "b" do Parecer Normativo CST nº 112, de 1978, ou seja, a efetiva e específica aplicação da subvenção, pelo beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado, entendeu que os valores decorrentes dos incentivos fiscais de ICMS no Estado deveriam ser reinvestidos imediatamente ao final do exercício em ativos imobilizados. Informa que não há previsão no protocolo de intenções assinado entre as partes, e em nenhuma lei aplicável às subvenções, a obrigação de, ao final do exercício, a impugnante aplicar o valor obtido mediante a concessão de incentivos fiscais de ICMS; muito pelo contrário, a lei determina que seja constituída reserva de incentivos fiscais, que deve antes de ser constituída, transitar pelo resultado da empresa. Ressalta que iniciou a implantação da indústria com o valor do investimento antes de obter a subvenção, ou seja, investiu antecipadamente no Estado do Mato Grosso os valores previstos no Protocolo de Intenções, visando recuperar parte do valor investido mediante o aproveitamento do incentivo fiscal concedido pelo Estado. Entende que quando foi elaborado o Parecer nº 112, não estava ainda em vigência a Lei 11.941/09, que estabelece a exclusão do valor do incentivo da base de cálculo do IRPJ e CSLL. Fl. 2773DF CARF MF Processo nº 14098.720037/201515 Resolução nº 1402000.504 S1C4T2 Fl. 2.774 4 Conclui que ao adotar como fundamento para a autuação um requisito previsto em um Parecer Normativo (ato do Poder Executivo) a fiscalização impõe uma interpretação sobre a subvenção para investimento que contraria a previsão expressa no art. 443 do RIR/99, que decorre do art. 38, §2º, do DecretoLei nº 1.598/77; contudo, o faz sem qualquer previsão legal, apenas com fundamento em atos interpretativos ultrapassados, desrespeitando o princípio da legalidade, garantia fundamental do contribuinte estampada nos arts. 5º, II e 150, I, da CF. Além disso, a autoridade fiscal estaria infringindo o disposto no art. 110 do CTN que veda ao ente tributante modificar ou estender o conteúdo ou o alcance dos conceitos legais e de direito privado. Com relação ao item 2, sustenta a impugnante que, ao contrário do que entendeu o agente fiscal ao lavrar o auto, somente quando o sistema de contabilidade não oferece condições para apuração do lucro da atividade, o artigo 557, §3º do RIR/99 permite/faculta que seja apurado o resultado das atividades incentivadas separadamente das demais, através desse método de proporcionalidade entre a receita líquida das atividades incentivadas e a receita líquida total. Afirma a interessada que, exercendo mais de uma atividade, e sendo apenas a de industrialização e venda de cerveja, incentivada com a redução do lucro da exploração, apurou separadamente o lucro da exploração para que pudesse usufruir do incentivo, uma vez que o seu sistema de contabilidade permite a apuração do resultado das atividades de forma segregada. Conclui a impugnante que, com os dados e informações por ela fornecidos nas respostas à fiscalização relativa aos anoscalendário de 2011 e 2012, poderia a autoridade fiscal ter apurado os valores para se certificar de que os cálculos do lucro da exploração, elaborado de maneira segregada mediante os dados obtidos no sistema contábil da impugnante, estariam corretos. Argumenta a contribuinte que os dados por ela apurados foram objeto de registros contábeis e de declarações entregues à Receita Federal no período fiscalizado (2011 e 2012) o que pode ser verificado na documentação já entregue à fiscalização (fls. 69/114 e 121/162) e nos documentos anexos ao Parecer Técnico (DIPJ fichas 6A, DMPL, DRE e Balancetes de verificação individualizados por CNPJ). Acrescenta ainda a interessada em sua defesa que os balancetes acima mencionados permitem que sejam confrontados os números apresentados, em relação ao período fiscalizado, através da verificação do Grupo 3 – Receitas, Grupo 4 – Custos e Grupos 5 e 6 – Despesas e Outras Receitas, das quais se pode conferir os resultados apresentados. E apresenta memória de cálculo completa dos valores apurados nos balancetes individualizados das unidades que possuem o incentivo, cujos dados podem ser confrontados com as informações supra, de acordo com os documentos anexos (Planilhas 2011 e 2012 – docs. 10/11). Destaca o sujeito passivo que os cálculos supra, se deram mediante aplicação do art. 544 do RIR/99 e art. 19 do DecretoLei nº 1.598/77, que tratam especificamente do cálculo do lucro da exploração e, portanto, não poderiam ser desconsiderados.; Segundo a interessada o agente fiscal desobedeceu o princípio da verdade material, decorrente do princípio da legalidade e da moralidade esculpido no artigo 37 da CF/88 e feriu os artigos 29, 36 e 37 da Lei 9.784/99 que regula o processo administrativo Fl. 2774DF CARF MF Processo nº 14098.720037/201515 Resolução nº 1402000.504 S1C4T2 Fl. 2.775 5 federal, que dão indicativos que o agente público deve buscar a verdade material e não conformarse com um simples método que leve a verdade que não é verdadeira. Sustenta a impugnante que a ausência de registros contábeis segregados na ECD e na DIPJ, não permite à fiscalização desconsiderar o sistema contábil utilizado pela empresa para a apuração do lucro da exploração, ferindo o princípio da verdade material esculpido no artigo 37 da CF/88 e os artigos 29, 36 e 37 da Lei 9.784/99. Prossegue em seu arrazoado alegando que, em relação a afirmação constante do Relatório Fiscal de que no Manual de preenchimento da DIPJ existem regras pré parametrizadas de cálculo do lucro da exploração através da proporcionalidade entre as receitas líquidas, incentivadas e total, opõese o dispositivo do próprio Manual (Ficha 8 – Demonstração do Lucro da Exploração – PJ em geral) que autoriza a edição dos campos da DIPJ para que conste as informações da segregação do resultado da atividade incentivada, o que foi feito pela impugnante. Alega a interessada que, como a lei não exige forma préestabelecida, nem se apontou qualquer inconsistência no método utilizado pela impugnante, uma vez que atenderam aos requisitos do item 5 da NBC ITG 2000 R1 e também do próprio Manual de preenchimento da DIPJ, restou demonstrado que a escrituração contábil apresentada pela empresa é hábil para a apuração do lucro da exploração de forma segregada. Apresenta a impugnante, para comprovar a sua tese, o Parecer Técnico Contábil de fls. 774/798, acompanhado dos anexos de fls. 799/2.357. Finalmente, impugna expressamente os cálculos apresentados pelo agente fiscal decorrentes da aplicação do artigo 557, § 3º, do RIR/99, ou seja, da apuração do lucro da exploração com base na proporcionalidade entre receita líquida da atividade incentivada e receita líquida total. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora MG, preliminarmente, converteu o julgamento em diligência por duas vezes. Após, prolatou o Acórdão 0962.617 pelo qual considerou improcedente a impugnação. A decisão consubstanciouse na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011, 2012 BENEFÍCIO FISCAL DE ICMS. SUBVENÇÃO. BASE DE CÁLCULO. É inadmissível excluir da apuração do lucro real a subvenção recebida do Poder Público, em função de benefício fiscal de ICMS, quando os recursos puderem ser livremente movimentados pelo beneficiário, isto é, quando não houver obrigatoriedade de aplicação dos recursos na aquisição de bens ou direitos necessários à implantação ou expansão de empreendimento econômico (não é suficiente a realização dos propósitos almejados com a subvenção), inexistindo sincronia e vinculação entre a percepção da vantagem e a aplicação dos recursos. Nesse caso, a subvenção tornase tributável, compondo a base de cálculo do IRPJ. Fl. 2775DF CARF MF Processo nº 14098.720037/201515 Resolução nº 1402000.504 S1C4T2 Fl. 2.776 6 LUCRO DA EXPLORAÇÃO. ISENÇÃO SUDAM. O gozo da isenção ou redução do imposto como incentivo ao desenvolvimento regional e setorial para apuração do lucro por atividade depende de o sistema contábil adotado pela pessoa jurídica comprovadamente oferecer condições para tal. Caso contrário, apura se o lucro da exploração com base na relação entre as receitas líquidas das atividades incentivadas e a receita líquida total. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2011, 2012 BENEFÍCIO FISCAL DE ICMS. SUBVENÇÃO. BASE DE CÁLCULO. É inadmissível excluir da apuração do lucro real a subvenção recebida do Poder Público, em função de benefício fiscal de ICMS, quando os recursos puderem ser livremente movimentados pelo beneficiário, isto é, quando não houver obrigatoriedade de aplicação dos recursos na aquisição de bens ou direitos necessários à implantação ou expansão de empreendimento econômico (não é suficiente a realização dos propósitos almejados com a subvenção), inexistindo sincronia e vinculação entre a percepção da vantagem e a aplicação dos recursos. Nesse caso, a subvenção tornase tributável, compondo a base de cálculo da CSLL. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011, 2012 PEDIDO DE PERÍCIA. DESNECESSIDADE. A perícia somente é necessária quando houver dúvida acerca de questão fática cuja interpretação demande juízo técnico, para análise de provas já incluídas no processo, ou quando a solução do litígio exija a análise de prova documental cuja juntada aos autos seja impraticável ou de difícil execução; ela não se presta ao suprimento de prova que poderia perfeitamente ser produzida mediante juntada de documentos aos autos pela contribuinte, pois não compete à autoridade julgadora a produção de elementos de prova necessários à instrução da defesa. Devidamente cientificada, a interessada apresentou recurso voluntário a esta Corte, ratificando em essência as razões explanadas na peça impugnatória. É o relatório. Fl. 2776DF CARF MF Processo nº 14098.720037/201515 Resolução nº 1402000.504 S1C4T2 Fl. 2.777 7 Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto Relator O recurso é tempestivo e foi interposto por signatário devidamente legitimado, motivo pelo qual dele conheço No que se refere à subvenção concedida pelo Estado do Mato Grosso através do Programa de Desenvolvimento Industrial e Comercial de Mato Grosso ( PRODEIC), referentes ao crédito presumido do ICMS, o cerne da questão consiste em definíla como investimento, nos moldes defendidos pela interessada; ou como custeio, conforme entendimento da autoridade lançadora e da decisão recorrida. A questão é polêmica no âmbito desta Corte. Existem decisões nos dois sentidos, e a controvérsia tem origem principalmente na definição dos requisitos tidos com necessários para que a subvenção possa ser entendida como de investimento. Fato de extrema relevância quanto ao tema é a modificação no art. 30, da Lei nº 12.973/2014, trazida pela Lei Complementar nº 160/2017, com acréscimo dos parágrafos 4º e 5º nos seguintes moldes (destaques acrescidos): [...]Art. 30. As subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos e as doações feitas pelo poder público não serão computadas na determinação do lucro real, desde que seja registrada em reserva de lucros a que se refere oart. 195A da Lei no6.404, de 15 de dezembro de 1976, que somente poderá ser utilizada para: I absorção de prejuízos, desde que anteriormente já tenham sido totalmente absorvidas as demais Reservas de Lucros, com exceção da Reserva Legal; ou II aumento do capital social. § 1oNa hipótese do inciso I docaput, a pessoa jurídica deverá recompor a reserva à medida que forem apurados lucros nos períodos subsequentes. § 2oAs doações e subvenções de que trata ocaputserão tributadas caso não seja observado o disposto no § 1oou seja dada destinação diversa da que está prevista nocaput, inclusive nas hipóteses de: I capitalização do valor e posterior restituição de capital aos sócios ou ao titular, mediante redução do capital social, hipótese em que a base para a incidência será o valor restituído, limitado ao valor total das exclusões decorrentes de doações ou subvenções governamentais para investimentos; II restituição de capital aos sócios ou ao titular, mediante redução do capital social, nos 5 (cinco) anos anteriores à data da doação ou da subvenção, com posterior capitalização do valor da doação ou da subvenção, hipótese em que a base para a incidência será o valor restituído, limitada ao valor total das exclusões decorrentes de doações ou de subvenções governamentais para investimentos; ou III integração à base de cálculo dos dividendos obrigatórios. Fl. 2777DF CARF MF Processo nº 14098.720037/201515 Resolução nº 1402000.504 S1C4T2 Fl. 2.778 8 § 3oSe, no período de apuração, a pessoa jurídica apurar prejuízo contábil ou lucro líquido contábil inferior à parcela decorrente de doações e de subvenções governamentais e, nesse caso, não puder ser constituída como parcela de lucros nos termos docaput, esta deverá ocorrer à medida que forem apurados lucros nos períodos subsequentes. § 4oOs incentivos e os benefícios fiscais ou financeirofiscais relativos ao imposto previsto noinciso II docaputdo art. 155 da Constituição Federal, concedidos pelos Estados e pelo Distrito Federal, são considerados subvenções para investimento, vedada a exigência de outros requisitos ou condições não previstos neste artigo. § 5oO disposto no § 4odeste artigo aplicase inclusive aos processos administrativos e judiciais ainda não definitivamente julgados. [...]Vêse que não apenas a lei trata o benefício/incentivo fiscal instituído pelos Estados referente ao ICMS como subvenção para custeio como também veda qualquer restrição a esse conceito que não esteja prevista na própria Lei. Sendo assim, nenhum ato normativo da RFB tem o condão de estabelecer condições fora do texto legal, cujo descumprimento possa ensejar a descaracterização da subvenção de investimento. Mais ainda, o § 5º supra transcrito estende as disposições ali estabelecidas aos processos administrativos ainda não definitivamente julgados. Sendo assim, é fato incontroverso que os dispositivos legais em comento aplicamse ao caso aqui sob exame. Por outro lado, o texto da Lei Complementar nº 160/2017 estabelece a aplicação dos §§ 4º e 5º, do artigo 30, da Lei nº 12.973/2014 a benefícios anteriores, concedidos em desacordo com o artigo 155, II, §2º, inciso XII, alínea g, da Constituição Federal, desde que atendidas exigências de registro e depósito de novo Convênio entre os Estados (destaques acrescidos): Art. 10. O disposto nos §§ 4º e 5o do art. 30 da Lei no 12.973, de 13 de maio de 2014, aplicase inclusive aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais de ICMS instituídos em desacordo com o disposto na alínea ‘g’ do inciso XII do § 2º do art. 155 da Constituição Federal por legislação estadual publicada até a data de início de produção de efeitos desta Lei Complementar, desde que atendidas as respectivas exigências de registro e depósito, nos termos do art. 3º desta Lei Complementar. Por sua vez, o mencionado art. 3º prevê: [...]Art. 3º O convênio de que trata o art. 1o desta Lei Complementar atenderá, no mínimo, às seguintes condicionantes, a serem observadas pelas unidades federadas: I publicar, em seus respectivos diários oficiais, relação com a identificação de todos os atos normativos relativos às isenções, aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais abrangidos pelo art. 1o desta Lei Complementar; Fl. 2778DF CARF MF Processo nº 14098.720037/201515 Resolução nº 1402000.504 S1C4T2 Fl. 2.779 9 II efetuar o registro e o depósito, na Secretaria Executiva do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), da documentação comprobatória correspondente aos atos concessivos das isenções, dos incentivos e dos benefícios fiscais ou financeirofiscais mencionados no inciso I deste artigo, que serão publicados no Portal Nacional da Transparência Tributária, que será instituído pelo Confaz e disponibilizado em seu sítio eletrônico. [...]Com escopo na Lei Complementar 160/2017 foi editado pelo Confaz o Convênio ICMS nº 190, de 15 de dezembro de 2017, regulando a sistemática de reconhecimento dos incentivos fiscais. Primeiramente, reitera o regramento estabelecido no supra transcrito art. 3º da LC: [...]Cláusula segunda As unidades federadas, para a remissão, para a anistia e para a reinstituição de que trata este convênio, devem atender as seguintes condicionantes: I publicar, em seus respectivos diários oficiais, relação com a identificação de todos os atos normativos, conforme modelo constante no Anexo Único, relativos aos benefícios fiscais, instituídos por legislação estadual ou distrital publicada até 8 de agosto de 2017, em desacordo com o disposto na alínea “g” do inciso XII do § 2º do art. 155 da Constituição Federal; II efetuar o registro e o depósito, na Secretaria Executiva do Conselho Nacional de Política Fazendária CONFAZ, da documentação comprobatória correspondente aos atos concessivos dos benefícios fiscais mencionados no inciso I do caput desta cláusula, inclusive os correspondentes atos normativos, que devem ser publicados no Portal Nacional da Transparência Tributária instituído nos termos da cláusula sétima e disponibilizado no sítio eletrônico do CONFAZ. [...]A seguir determina o prazo para atendimento: Cláusula terceira A publicação no Diário Oficial do Estado ou do Distrito Federal da relação com a identificação de todos os atos normativos de que trata o inciso I do caput da cláusula segunda deve ser feita até as seguintes datas: I 29 de março de 2018, para os atos vigentes em 8 de agosto de 2017; II 30 de setembro de 2018, para os atos não vigentes em 8 de agosto de 2017. Parágrafo único. O CONFAZ pode, em casos específicos, observado o quórum de maioria simples, autorizar que o cumprimento da exigência prevista no caput desta cláusula seja feita até 28 de dezembro de 2018, devendo o pedido da unidade federada requerente se fazer acompanhar da identificação dos atos normativos objeto da solicitação, na forma do modelo constante no Anexo Único. Cláusula quarta O registro e o depósito na Secretaria Executiva do CONFAZ da documentação comprobatória correspondente aos atos Fl. 2779DF CARF MF Processo nº 14098.720037/201515 Resolução nº 1402000.504 S1C4T2 Fl. 2.780 10 concessivos dos benefícios fiscais de que trata o inciso II do caput da cláusula segunda, devem ser feitas até as seguintes datas: I 29 de junho de 2018, para os atos vigentes na data do registro e do depósito; II 28 de dezembro de 2018, para os atos não vigentes na data do registro e do depósito. Parágrafo único. O CONFAZ pode, em casos específicos, observado o quórum de maioria simples, autorizar que o cumprimento da exigência prevista no caput desta cláusula seja feita até 28 de dezembro de 2018, devendo o pedido da unidade federada requerente se fazer acompanhar da documentação comprobatória correspondente aos atos concessivos dos benefícios fiscais. Tendo em vista que a LC estabelece sua aplicabilidade aos processos em curso., entendo ser necessário que a recorrente demonstre que o Estado do Mato Grosso adotou em relação ao PRODEIC as providências supra mencionadas. Dessa forma, ficaria assegurado o enquadramento do programa aos ditames do Convênio ICMS nº 190/2017 e, por consequência, à Lei Complementar nº 160/2017. Do exposto, voto no sentido de que o sujeito passivo seja intimado a demonstrar a adoção, pelo Estado de Mato Grosso, das providências estabelecidas na cláusula segunda do Convênio ICMS 190/17, ficando o julgamento sobrestado até que seja demonstrado tal fato, ou até 28/12/2018, data limite para esse procedimento, o que ocorrer em primeiro lugar. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Fl. 2780DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.722108/2013-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
RENDIMENTOS PROVENIENTES DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
Caracterizam-se como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. ILEGALIDADE INEXISTENTE.
Inexiste nulidade em Auto de Infração lastreado em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial, conforme majoritário entendimento das mais altas Cortes do país.
O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 601.314/SP, submetido à sistemática da repercussão geral prevista no art. 543-B do CPC/73, concluiu pela constitucionalidade do artigo 6º da Lei Complementar nº 105/01.
DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO.
Para os tributos lançados por homologação, quando constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, o dies a quo para a contagem do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte aquele em que poderia ter sido lançado, por força do art. 173, I, do CTN.
Numero da decisão: 2401-005.252
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, rejeitar a decadência e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Alfredo Duarte Filho e Rayd Santana Ferreira. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 RENDIMENTOS PROVENIENTES DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizam-se como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. ILEGALIDADE INEXISTENTE. Inexiste nulidade em Auto de Infração lastreado em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial, conforme majoritário entendimento das mais altas Cortes do país. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 601.314/SP, submetido à sistemática da repercussão geral prevista no art. 543-B do CPC/73, concluiu pela constitucionalidade do artigo 6º da Lei Complementar nº 105/01. DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO. Para os tributos lançados por homologação, quando constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, o dies a quo para a contagem do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte aquele em que poderia ter sido lançado, por força do art. 173, I, do CTN.
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Caracterizamse como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. ILEGALIDADE INEXISTENTE. Inexiste nulidade em Auto de Infração lastreado em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial, conforme majoritário entendimento das mais altas Cortes do país. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 601.314/SP, submetido à sistemática da repercussão geral prevista no art. 543B do CPC/73, concluiu pela constitucionalidade do artigo 6º da Lei Complementar nº 105/01. DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO. Para os tributos lançados por homologação, quando constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, o dies a quo para a contagem do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte aquele em que poderia ter sido lançado, por força do art. 173, I, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 21 08 /2 01 3- 16 Fl. 1168DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, rejeitar a decadência e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Alfredo Duarte Filho e Rayd Santana Ferreira. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Fernanda Melo Leal. Fl. 1169DF CARF MF Processo nº 19515.722108/201316 Acórdão n.º 2401005.252 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase o presente de Auto de Infração de fls. 404/405, acompanhado dos demonstrativos de fls. 406/411, relativo ao imposto sobre a renda de pessoa física do exercício de 2009, por meio do qual foi apurado crédito tributário no montante de R$ 11.732.613,54, composto da seguinte forma: R$ 5.450.691,54 relativo ao Imposto; R$ 2.193.903,34 de Juros de mora (calculados até 09/2013); e R$ 4.088.018,66 de Multa Proporcional. Consta da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 406), que foi apurado infração decorrente de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 367/373), bem como da documentação que lhe acompanha, foi iniciada ação fiscal (fl. 17) com diversas solicitações para que o contribuinte apresentasse documentação bancária do anocalendário 2008, concernente às contas mantidas juntos as diversas instituições bancárias, bem como para comprovar via documentação hábil e idônea, a origem dos recursos mantidos em tais contas e suas transações. O contribuinte, então, através de seu procurador, apresentou as documentações requeridas, relacionando depósitos, indicando supostas origens, aduzindo que a maior parte das movimentações se tratava de depósitos de valores que já estariam em seu poder. Ao final, considerou que a variação entre os saldos relativos aos anos de 2007 e 2008, da disponibilidade em poder do contribuinte, somada à venda de determinados bens, justificariam toda a movimentação financeira em apuração. Da análise da documentação, conjuntamente com as alegações apresentadas, foi lavrado o Auto de Infração incialmente referido, tendo em vista que concluiu a fiscalização não ter o contribuinte logrado comprovar a origem dos depósitos, o que resultou na caracterização da omissão de rendimentos, sendo, portanto, necessários de se submeterem a tributação. O contribuinte, portanto, apresentou Impugnação (acompanhada de anexos), tempestivamente (fls. 419/431), alegando, em resumo, que houve “quebra de sigilo bancário sem autorização judicial” e sem que fosse demonstrada sua imprescindibilidade. Dessa forma, estaria o ato administrativo de lavratura do Auto de Infração eivado de vício insanável, por fundamentação de prova obtida por meio ilícito, em confronto com o artigo 5º, LVI da CF/88. Ademais, alega que os fatos geradores autuados são referentes aos meses de janeiro a dezembro de 2008 e, assim, com base no artigo 150, §4º do CTN, a Autoridade Fiscal possui 5 anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador para proceder com o lançamento do tributo que entender devido. Informa, então, que foi intimado em 26/09/2013, o que levaria à conclusão de que os meses de janeiro a agosto de 2008 estariam atingidos pela decadência. Fl. 1170DF CARF MF 4 Por fim, tece considerações e explicações, na tentativa de justificar a origem dos créditos tidos como omissos de informe de rendimentos. Ao final requereu: a) a improcedência do Auto de Infração lavrado; ou b) subsidiariamente, fosse reconhecida a decadência do crédito tributário relativamente ao período de janeiro a agosto de 2008. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 1264.416 da 21ª Turma da DRJ/RJ1, às fls. 468/481, julgando improcedente a impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário exigido em sua integralidade. Recordese: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário:2008 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, a Lei nº 9.430/1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações. SIGILO BANCÁRIO. EXAME DE EXTRATOS. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial. Havendo procedimento de ofício instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelos órgãos fiscais tributários do Ministério da Fazenda, não constitui quebra do sigilo bancário, mas tão somente sua transferência para o Fisco. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. Discussões acerca da constitucionalidade das leis exorbitam da esfera de competência das autoridades administrativas, às quais cabe apenas cumprir o que determina a legislação em vigor, principalmente em se tratando de norma validamente editada, segundo o processo legislativo constitucionalmente estabelecido. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Inconformado com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, o Recorrente interpôs Recurso Voluntário às fls. 487/500, reprisando os mesmos argumentos já lançados em sua peça de impugnação, no sentido de que: Houve comprovação da origem dos créditos/depósitos, que o Recorrente não fez alegações genéricas sobre a origem dos créditos questionados no valor de R$ 19.820.696,50, muito pelo contrário: (i) utilizouse da comparação pormenorizada entre suas declarações de Fl. 1171DF CARF MF Processo nº 19515.722108/201316 Acórdão n.º 2401005.252 S2C4T1 Fl. 4 5 imposto sobre a renda dos anos calendários de 2007 e 2008 para justificar a movimentação financeira; (ii) trouxe aos autos notícias de que até seus rendimentos isentos tiveram sua origem recusada ( distribuição de lucros das empresas Shock Metais R$ 332.350,00 e Copperaf Matéria Prima R$ 211.500,00); Que os valores absurdamente considerados omitidos, como se aduz da tabela acima, totalizam o valor de R$ 19.820.696,50, valor este muito próximo do valor total declarado pelo Recorrente na DIRPF exercício de 2009 como redução de " Dinheiro em Poder do Declarante e Bancos", ou seja, transferência de seus próprios recursos às instituições financeiras. Para comprovar tal afirmação, notese, pelos documentos juntados oa presente processo, que os valores depositados em bancos e aplicações financeiras no final do ano calendário de 2008 perfaziam um total de R$ 20.009.725,49 contra um total em banco no final do ano calendário de 2007 de R$ 445.850,97. É dizer que os valores em poder do contribuinte foram transferidos, ou depositados, nos bancos mencionados na DIRPF 2008/2009. Reforça que o contribuinte teve um acréscimo patrimonial entre 2007 e 2008 de R$ 457.196,95 e, em contrapartida, no referido período, auferiu rendimentos totais de R$ 1.024.579,00, ou seja, amplamente compatíveis com o seu patrimônio. Os rendimentos percebidos e o patrimônio declarado pelo contribuinte são suficientes para justificar o aumento patrimonial ocorrido no período mencionado. Da mesma forma s depósitos bancários, os quais já existiam e foram apenas transferidos pas as contas bancárias administradas pelas instituições financeiras em questão. Que o importante é evidenciar, a propósito, que a transferência de valores ocorrida entre o ano de 2007 e 2008 se deu entre contas bancárias de titularidade do ora Recorrente. é dizer com isso, que não houve descumprimento de qualquer preceito legal que ensejasse a lavratura do AI em questão, justamente pelo fato de o presente caso se adequar a hipótese prevista no inciso I, do o§3º do artigo 42 da Lei nº 9.430/1996, qual seja de desconsideração de créditos transferidos entre contas do mesmo titular, pessoa física ou jurídica. Assim apresenta demonstrativo com os dados extraídos da DIRF 2009/2008 entregue pelo contribuinte em 14/04/2009, onde consta no item 17 no campo "DINHEIRO EM PODER" saldo de R$ 32.550.002,51 em 2007 e saldo de R$ 13.410.002,51 em 2008. Desse modo comprovase que a movimentação financeira, mesmo que tenha sido em grande monta, foi apenas transferência de valores que já eram do Recorrente para contas correntes, contas poupança e aplicações financeiras de sua própria titularidade. Ou seja, é inaplicável a preseunção de omissão de rendimentos do artigo 42 da Lei nº 9.430 já que são transferências de recursos do próprio titular. Portanto, considerando a variação financeira entre o saldo de 31/12/2007 e o saldo de 31/12/2008 npo valor de R$ 19.140.000,00, a disponibilidade em poder do contribuinte , acrescida dos valores das vendas do imóvel e da motocicleta ( que foram entendidos como comprovados pelo Fisco), são suficientes para justificar toda a movimentação financeira em contas correntes de titularidade do contribuinte. Mesmo que se desconsidere os rendimentos isentos, como fez a fiscalização, os valores estão todos justificados. Fl. 1172DF CARF MF 6 Sendo assim entende que deve ser reformando o Acórdão vergastado para anular o AI em epígrafe e as penalidades nele impostas. Em continuidade, tece considerações acerca de ser indevida a quebra de sigilo bancário realizado pelo Fisco, tendo em vista que não houve autorização judicial, o que atentaria contra os princípios constitucionais, o que tornaria o Auto nulo. Por fim, novamente sustenta a respeito da suposta decadência do direito do Fisco em buscar a tributação das transações ocorridas entre os meses de janeiro e agosto de 2008. Alega que o Recorrente somente foi intimado da lavratura do AI em 26/09/2013 e os fatos geradores autuados ocorreram entre os meses de janeiro e dezembro do ano calendário de 2008. Fundamenta seu pedido de reconhecimento da decadência no art. 150, § 4º do CTN, c/c o artigo 2º da Lei nº 7.713/88. Cita jurisprudência deste E. CARF reforçando o entendimento de que o IRPF será devido mensalmente, também disposto no artigo 42 da Lei nº 9.430/96. Ao final requer, portanto, seja reformado o Acórdão recorrido, julgandose improcedente a Autuação Fiscal, vez que as movimentações bancárias possuem origem comprovada, bem como que ocorreu a decadência dos débitos autuados entre os meses de janeiro e agosto de 2008. Subsidiariamente, requer o sobrestamento do feito, com sua retomada após o julgamento definitivo do RE º 601.314/SP pelo Supremo Tribunal Federal. Posteriormente á sustentação oral apresentada em Tribuna, a defesa junta MEMORIAIS inovando na tese recursal sob os seguinte argumento: O Recorrente esclarece que os valores creditados em suas contas no ano de 2008, constituemse em devoluções de valores aportados pelo contribuinte na empresa COPPERAF MATÉRIA PRIMA LTDA., da qual é sócio, nos anos de 2005 e 2006. Para tanto junta e destaca todos os depósitos feitos pelo contribuinte nos anos de 2005 e 2006. E que, posteriormente, foram devolvidos ao contribuinte pela empresa mencionada durante o ano de 2008, apresentando, por exemplo: a) extratos de titularidade da Copperaf Matéria Prima Ltda com as remessas de Fábio Borelli destacadas das contas do Banco Bradesco, Itaú, Unibanco e Real; b) extratos de titularidade de Fábio Borelli com os créditos recebidos da Copperaf Matéria Prima Ltda destacadas das contas do Banco Bradesco, Itaú, Unibanco e Real; c) Planilhas com datas e valores das TEDs realizadas por Fabio Borelli para o Banco Itaú, conta 692021, titularidade Copperaf Matéria Prima; d) Cópias dos cheques emitidos pela Copperaf liquidados para depósito nas contas de Fábio Borelli; e) Avisos de lançamentos emitidos pelo Banco Bradesco, comprovando o débito em conta da Copperaf e os depósitos na conta de Fábio Borelli . Dentre outros documentos anexos ao mencionado Memorial Fl. 1173DF CARF MF Processo nº 19515.722108/201316 Acórdão n.º 2401005.252 S2C4T1 Fl. 5 7 Dessa forma, entende estar comprovado que os recursos depositados nas suas contas correntes, em 2008, são na verdade recursos de sua própria titularidade e não omissão de qualquer tipo de rendimento. É o relatório. Fl. 1174DF CARF MF 8 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa – Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 29/05/2014 conforme Aviso de Recebimento às fls. 485, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 17/06/2014 (fl. 487), razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DO MÉRITO 2.1 Da quebra de sigilo bancário O Recorrente sustenta que Administração Tributária teria agido de forma ilegal ao exigir a prestação de informações que representem a quebra de sigilo bancário, haja vista que tal competência resguardase tão somente ao Poder Judiciário. Desse modo, defende que é vedado à Administração, sem qualquer razoabilidade, exigir ou obter junto a terceiros, informações que dizem respeito à intimidade do contribuinte. Só o Judiciário, em procedimento fiscal regularmente instaurado e subscrito, pode eximir as instituições do dever de segredo. Sustenta, ademais, que a emissão de RMF somente se justifica nos casos em que as informações disponíveis à fiscalização indicarem movimentação superior à renda disponível declarada pelo contribuinte. De mais a mais, contesta a legalidade da edição da Lei Complementar nº 105/01. Interessante à solução do caso repisar que ante a não apresentação das informações bancárias solicitadas, ou sua apresentação incompleta, com fundamento no art. 6º da Lei Complementar 105, de 10 de janeiro de 2001, arts. 2º, §5º; 3º, incisos VII e XI e 4º do Decreto 3.724, de 10 de janeiro de 2001, a Fiscalização lavrou o relatório circunstanciado para fins de solicitação de emissão de Requisição de Informação Sobre Movimentação Financeira – RMF. Assim, no caso dos autos, a questão levantada no recurso se refere à legalidade do procedimento adotado na requisição administrativa de informações bancárias diretamente às instituições financeiras, ante a recusa da apresentação dos documentos requisitados. Segundo entendimento do Recorrente, tal requisição consistiria violação ao dever de sigilo que alberga os dados financeiros, razão pela qual o Auto de Infração seria nulo. De proêmio, cumpre esclarecer que o Plenário do Supremo Tribunal Federal concluiu na sessão de 24/02/2016 o julgamento conjunto de cinco processos (ADIs 2390, 2386, 2397 e 2859 e do RE 601.314 repercussão geral) que questionavam dispositivos da Lei Complementar nº 105/2001, que permitem à Receita Federal do Brasil receber dados bancários de contribuintes fornecidos pelos bancos, sem prévia autorização judicial. No referido julgado, por maioria de votos prevaleceu o entendimento de que a norma não resulta em quebra de sigilo bancário, mas sim em transferência de sigilo da órbita bancária Fl. 1175DF CARF MF Processo nº 19515.722108/201316 Acórdão n.º 2401005.252 S2C4T1 Fl. 6 9 para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros. A transferência de informações é feita dos bancos aos Fisco, que tem o dever de preservar o sigilo dos dados, portanto não há ofensa à Constituição Federal. Recordese: “RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento”. (STF, Tribunal Pleno, RE 601314, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 24/02/2016, acórdão eletrônico repercussão geral DJe198 Divulg. 15/09/2016 publicado 16/09/2016) Portanto, a requisição de informações bancárias no curso de procedimento fiscal, ao contribuinte ou diretamente às instituições financeiras, não constitui quebra do sigilo bancário, dispensado, nesta ordem, a interferência do Poder Judiciário para a aquisição das referidas informações. Fl. 1176DF CARF MF 10 2.2 Da origem dos depósitos Consoante destacado anteriormente, o presente lançamento tem como fundamento legal o artigo 42 da Lei nº 9.430 de 1996, que dispõe acerca da presunção de omissão de rendimentos relativos aos valores depositados em conta cuja origem não seja comprovada. Da leitura do dispositivo acima citado, estabelece uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Na espécie, a fiscalização intimou o Recorrente a comprovar e justificar documentalmente a origem dos depósitos efetuados em suas contas corrente. Todavia, o contribuinte preferiu trilhar caminho diverso. Ou seja, em que pese ter apresentado documentação a amparar suas alegações, as mesmas não foram suficientes para o fim colimado. Assim, não atendeu à intimação de modo a demonstrar a origem dos recursos recebidos de forma inconteste. Os depósitos bancários se apresentam, num primeiro momento, como simples indício da existência de omissão de rendimentos. Entretanto, esse indício se transforma na prova da omissão de rendimentos, quando o contribuinte, tendo a oportunidade de comprovar a origem dos recursos aplicados em tais depósitos, se nega a fazêlo, ou não o faz satisfatoriamente, a teor do que dispõe o já citado artigo 42 da Lei n. 9.430/1996. Ao deixar de comprovar, o contribuinte dá ensejo à transformação do indício em presunção de omissão de rendimentos. A falta de justificativas por meio de documentação hábil e idônea, em relação à origem dos recursos que ensejaram a referida movimentação financeira, evidencia que ela corresponde a disponibilidade econômica ou jurídica de rendimentos sem origem justificada. Com efeito, é de se esclarecer que os fatos devem ser devidamente comprovados com elementos que não deixem margem à dúvida quanto à consistência da operação, em especial frente a matérias que cominem ao contribuinte o ônus probatório, como nos casos de presunções legais, sendo certo que tudo que é informado na declaração está sujeito à comprovação, por documento hábil, tendo a fiscalização a atribuição legal para verificar a autenticidade de todos os fatos declarados. No caso em tela, compulsando os autos, especialmente em face dos exemplos citados pelo Recorrente, não há a comprovação, repitase, por meio hábil e idôneo, da origem dos recursos questionados pela fiscalização. O contribuinte alega que o importante é evidenciar, a propósito, que a transferência de valores ocorrida entre o ano de 2007 e 2008 se deu entre contas bancárias de titularidade do ora Recorrente. é dizer com isso, que não houve descumprimento de qualquer preceito legal que ensejasse a lavratura do AI em questão, justamente pelo fato de o presente caso se adequar a hipótese prevista no inciso I, do o§3º do artigo 42 da Lei nº 9.430/1996, qual seja de desconsideração de créditos transferidos entre contas do mesmo titular, pessoa física ou jurídica. Assim apresenta demonstrativo com os dados extraídos da DIRF 2009/2008 entregue pelo contribuinte em 14/04/2009, onde consta no item 17 no campo "DINHEIRO EM PODER" saldo de R$ 32.550.002,51 em 2007 e saldo de R$ 13.410.002,51 em 2008. Fl. 1177DF CARF MF Processo nº 19515.722108/201316 Acórdão n.º 2401005.252 S2C4T1 Fl. 7 11 Que a movimentação financeira, mesmo que tenha sido em grande monta, foi apenas transferência de valores que já eram do Recorrente para contas correntes, contas poupança e aplicações financeiras de sua própria titularidade. Ou seja, é inaplicável a presunção de omissão de rendimentos do artigo 42 da Lei nº 9.430 já que são transferências de recursos do próprio titular. Portanto, considerando a variação financeira entre o saldo de 31/12/2007 e o saldo de 31/12/2008 no valor de R$ 19.140.000,00, a disponibilidade em poder do contribuinte , acrescida dos valores das vendas do imóvel e da motocicleta ( que foram entendidos como comprovados pelo Fisco), são suficientes para justificar toda a movimentação financeira em contas correntes de titularidade do contribuinte. Conforme se depreende das alegações do contribuinte, ele justifica a origem de R$ 19.140.000,00 como de valores que já eram do contribuinte e que estavam em seu poder, em espécie (dinheiro) e que circularam pelas suas contas bancárias. Noutro giro, em tribuna, a defesa do contribuinte inova em suas alegações recursais e justifica a origem desses recursos como sendo inicialmente recursos depositados pelo contribuinte na empresa Copperaf Matéria Prima nos anos de 2005 e 2006, os quais foram devolvidos pela referida empresa ao contribuinte, durante o ano de 2008, anexando vasta documentação apta a demonstrar os fatos alegados. Nesse descortino, em face ao que preceitua a legislação que rege a matéria, a inovação dos argumentos recursais, nesta fase processual, não é permitida, restando preclusa, razão pela qual não acolho os argumentos apresentados em Tribuna. Todavia, ainda que os acolhesse em homenagem ao princípio da verdade material, referidos documentos não possuem o condão de comprovar a origem dos R$ 15.002.210,00 que foram aportados na empresa Copperaf Matéria Prima Ltda e depois restituídos no montante de R$ 19.820.696,50, primeiro porque as mencionadas datas de remessa dos recursos financeiros pelo contribuinte para a mencionada empresa (Copperaf) ocorreram em 2005 e 2006, não se mostrando aptas a justificar o valor de R$ 32.550.002,51 lançado na DIRF 2009/2008 no campo "Dinheiro em poder" do Contribuinte; segundo porque também não foi demonstrada a natureza da origem desse capital financeiro enviado para a Copperaf, nem tampouco foi demonstrada a natureza pela qual os referidos valores teriam sido restituídos ao contribuinte ao longo do ano de 2008. Nesse diapasão, observase que a origem desse dinheiro em espécie em poder do contribuinte não comprova a origem dos recursos que circularam em suas contas bancárias, nos termos previstos em lei no artigo 42 da Lei nº 9.430/96. Assim, em face da ausência de comprovação da origem dos recursos, não há como acolher as alegações do Recorrente. Por tudo o quanto exposto acima, voto no sentido de negar provimento ao recurso, mantendose incólume a decisão recorrida. 2.3 Da decadência Sobre o tema, o Recorrente alega que resta fulminado pela decadência as transações relativas aos meses de janeiro e agosto de 2008. Fl. 1178DF CARF MF 12 Entende que no caso deve ser aplicada a regra contida no artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional. O inconformismo não merece prosperar. Importante frisar que a Súmula CARF nº 38 (Vinculante) pacificou entendimento de que o fato gerador do IR ocorre no dia 31 de dezembro de cada ano calendário, e não mensalmente, como pretende o Recorrente. Recordese: “Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário.” Ademais, o Código Tributário Nacional, ao dispor sobre as hipóteses de extinção do crédito tributário, previstas no art. 156, cuida, no Capítulo IV, Seção IV, das modalidades de extinção diversas do pagamento, contemplando o instituto da decadência com as disposições contidas no art. 173. Portanto, nos casos de lançamento por homologação, em que há o pagamento antecipado do tributo, contase o prazo decadencial de cinco anos a partir da ocorrência do fato gerador, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN. No caso dos autos, então, como o fato gerador do anocalendário 2008 ocorreu em 31/12/2008, a decadência se daria apenas em 31/12/2013, ao passo em que o lançamento foi cientificado ao Recorrente em 26/09/2013. Logo, não há que se falar em decadência. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário do Recorrente, para, no mérito, NEGARLHE provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 1179DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11052.001256/2010-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ASSINATURA DE CHEQUES. EVIDÊNCIA DE ATO DE ADMINISTRAÇÃO.
A assinatura de cheques é um forte indício da conduta da pessoa física como administrador da empresa justificando a responsabilização solidária pelo crédito tributário.
LANÇAMENTO POR PRESUNÇÃO. EXTRATOS BANCÁRIOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO PELO CONTRIBUINTE. CONCRETIZAÇÃO DA VERDADE ABSOLUTA.
Originalmente, tanto os extratos bancários obtidos a partir da utilização da RMF quanto as declarações e informações apresentadas pelos contribuintes, são dotadas de presunção relativa de veracidade.
A presunção de veracidade absoluta apenas se concretiza quando os dois instrumentos são confrontados, perpassando um mútuo complemento para o alcance ótimo da unicidade e uniformidade de informações.
Numero da decisão: 1201-001.958
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário apresentado pelo responsável solidário Sr.Eduardo Lima dos Reis e negar-lhe provimento, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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ASSINATURA DE CHEQUES. EVIDÊNCIA DE ATO DE ADMINISTRAÇÃO. A assinatura de cheques é um forte indício da conduta da pessoa física como administrador da empresa justificando a responsabilização solidária pelo crédito tributário. LANÇAMENTO POR PRESUNÇÃO. EXTRATOS BANCÁRIOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO PELO CONTRIBUINTE. CONCRETIZAÇÃO DA VERDADE ABSOLUTA. Originalmente, tanto os extratos bancários obtidos a partir da utilização da RMF quanto as declarações e informações apresentadas pelos contribuintes, são dotadas de presunção relativa de veracidade. A presunção de veracidade absoluta apenas se concretiza quando os dois instrumentos são confrontados, perpassando um mútuo complemento para o alcance ótimo da unicidade e uniformidade de informações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário apresentado pelo responsável solidário Sr.Eduardo Lima dos Reis e negar lhe provimento, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 2. 00 12 56 /2 01 0- 25 Fl. 617DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa. Relatório Os responsáveis tributários da GOIÁRIO COMÉRCIO DE REPRESENTAÇÕES DE GÊNEROS ALIMENTÍCIOS LTDA, srs. José Narciso dos Reis e Eduardo Lima dos Reis, recorrem de decisão proferida pela 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de JulgamentoI no Rio de Janeiro/ RJ que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento lavrado em 02/12/2010, exigindo crédito tributário acrescido de multa e juros no valor total de R$ 1.240.601,88 relativos a IRPJ, PIS, CSLL e COFINS. O Termo de Verificação Fiscal (fls. 371375), informa que foi constatada omissão de receitas caracterizada por valores depositados/creditados no anocalendário de 2007 cujas origens não foram comprovadas por documentação hábil e idônea. Os fatos ocorridos foram sinteticamente relatados na decisão da DRJ, que ora transcrevo para relatar os fatos: ∙ o contribuinte foi selecionado pois sua movimentação financeira, de R$9.538.690,40, era incompatível com a Receita Bruta declarada em 2007, de R$ 292.229,32,cuja opção foi pelo Lucro Presumido. ∙ o início da fiscalização foi pelo Edital/DEFIS/RJO nº 133, de 20 de abril de 2010, publicado no DOE em 03 de maio de 2010, já que constatado que a autuada não funcionava no endereço constante de seu CNPJ (Rua do Feijão nº 513, Penha, Rio de Janeiro,CEP: 21.011050)e seus sócios, Claudemir do Nascimento, CPF nº 005.574.33746e Edvaldo Lourenço Coelho, CPF nº 508.371.41753 , não responderam às Intimações feitas. ∙ foi formalizado processo nº 11052.000352/201056 para suspender o CNPJ da autuada, em apenso ao presente. ∙ foram emitidas Requisições de Movimentação Financeira junto ao Banco Safra e Unibanco. ∙ a partir dos extratos bancários apresentados, identificaramse os créditos, sendo expurgados estornos, devoluções, resgates de investimentos e transferência entre contas da própria autuada. Fl. 618DF CARF MF Processo nº 11052.001256/201025 Acórdão n.º 1201001.958 S1C2T1 Fl. 3 3 ∙ a intimação para comprovar a origem dos depósitos, que somam R$8.916.630,44, foi através da publicação do Edital de Intimação nº 163, de 20 de outubro de 2010, publicado em 28/10/2010, e também intimações para os sócios Claudemir do Nascimento, CPF nº 005.574.33746 e Edvaldo Lourenço Coelho, CPF nº 508.371.41753. ∙ também foi intimado o Sr. José Narciso Brasil dos Reis, CPF: 043.092.43720 já que possui poderes para movimentar as contas correntes, constando nas fichas cadastrais como representante legal da autuada e administrador. ∙ nenhuma das intimações foi atendida, sendo que a intimação do Sr Claudemir do Nascimento retornou após três tentativas. ∙ em decorrência da não apresentação dos livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, e falta de comprovação da origem dos depósitos bancários efetuados nas contas mantidas no Banco Safra e no Unibanco, com fulcro no artigo 529; no inciso III do artigo 530; no artigo 532 e no artigo 537, todos do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto 3.000/99) e no artigo 42 da Lei 9.430/96, procedeuse ao arbitramento do lucro do anocalendário 2007. a partir da receita apurada, foram apurados o IRPJ CSLL com base no lucro arbitrado, e também o PIS e COFINS, totalizando R$ 1.240.601,88, incluídos os juros de mora e multa de ofício. ∙ Sr. José Narciso Brasil dos Reis, CPF: 043.092.43720, por ser o administrador da empresa durante o período fiscalizado, de a pessoa jurídica fiscalizada não ter sido encontrada em seu domicílio fiscal e de seus sócios e representante legal não terem respondido às intimações, foi responsabilizado pelo crédito tributário, nos termos do artigo 135, III do CTN – Termo de Sujeição Passiva fls. 196/197. ∙ Também foi responsabilizado o Sr. Eduardo Lima dos Reis, CPF.042.807.54799,que apesar de constar na 2ª alteração contratual sua retirada da sociedade,foram apresentados Fl. 619DF CARF MF 4 cheques pelo Banco Unibanco cuja assinatura é semelhante a dele – Termo de Sujeição Passiva, fls. 198/199. Em apenso ao presente, consta o processo de nº 11052.000352/201056 para suspender o CNPJ da autuada. Conforme fls. 57 daquele processo, foi publicado no Diário Oficial da União, em 11/04/2001, Ato Declaratório Executivo nº 40, de 6 de abril de 2001, declarando a autuada inapta, por não terem seus representantes legais atendido a intimações para regularização da situação cadastral da empresa. Quanto à ciência do lançamento, consta despacho às fls. 353, com os seguintes esclarecimentos: • O Auto de Infração de IRPJ lavrado foi enviado para os sócios Claudemir do Nascimento, CPF n° 005.574.33746 e Edvaldo Lourenço Coelho, CPF n° 508.371.41753 e responsáveis solidários, Eduardo Lima dos Reis, CPF nº 042.807.54799 e Jose Narciso Brasil Dos Reis, CPF nº 043.092.43720. • O AR do Sr. José Narciso Brasil dos Reis retornou com data de ciência de 15 de dezembro de 2010, enquanto que o AR do Sr. Claudemir do Nascimento retornou com a informação de que o destinatário havia se mudado. • De acordo com as informações do correio, os Srs. Edvaldo Lourenço Coelho e Eduardo Lima dos Reis tiveram ciência, respectivamente, em 09/12/2010 (AR RC163644804BR) e 22/12/2010 (AR RA688008382BR), esclarecendo que os AR não retornaram. • Como a PFN exige o original do Aviso de Recebimento do Auto de Infração para efetivar a inscrição em dívida ativa, em 16 de fevereiro de 2011, enviaram novamente pelo correio o Auto de Infração para o sócio Edvaldo Lourenço Coelho e Eduardo Lima dos Reis, que retornaram com data de ciência em 17/02/2011. Em 10/02/2011, os Srs. José Narciso Brasil dos Reis, CPF nº 043.092.43720, e Eduardo Lima dos Reis, CPF nº 042.807.54799, apresentaram a impugnação, fls. 444/454, arguindo, em síntese, que : a) o único fato apontado pela fiscalização para a responsabilização solidária é a existência de cheques assinados pelos impugnantes José Narciso dos Reis e Eduardo Lima dos Reis, no período imediatamente subseqüente à transferência de cotas da sociedade de suas propriedades; b) no caso do sr. Eduardo Lima dos Reis , a auditora fiscal utilizou a afirmativa “a assinatura de todos os cheques apresentados pelo Unibanco se assemelha à assinatura do Sr. Eduardo Lima dos Reis”; c) transferiram as cotas que possuíam se desligando da administração da empresa, não gerindo os negócios que causaram a movimentação financeira relatada pela fiscalização e os débitos fiscais correspondentes; d) a responsabilização com base no artigo 135, inciso II, do CTN ocorreu ao arrepio da Lei pois os impugnantes não mais faziam parte da sociedade; Fl. 620DF CARF MF Processo nº 11052.001256/201025 Acórdão n.º 1201001.958 S1C2T1 Fl. 4 5 e) os sócios de direito não foram responsabilizados solidariamente pelos créditos tributários cobrados; f) questionam se a intenção da auditoria foi qualificar os impugnantes como responsáveis por serem administradores ou por serem sócios ocultos da empresa, como faz parecer alguns trechos do TVF; g) que os sócios da empresa devem apresentar a origem dos recursos financeiros listados pela fiscalização e a escrituração comercial, informando que ao deixarem a administração da sociedade não mais possuíam responsabilidade pela escrituração, livros fiscais e documentação correspondente; h) que é necessário comprovar o nexo causal entre o depósito bancário e o fato que representa omissão de rendimento, não se constituindo por si só, fato gerador do imposto de renda; i) que o arbitramento não pode conviver com o lançamento com base em depósitos bancários; j) que a multa de 75% fere os princípios do não confisco, da proporcionalidade e da razoabilidade. Em 11/02/2011, a Goiário Comércio e Representações de Gêneros Alimentícios Ltda apresentou a impugnação (fls. 491505) assinada pelo sr. Edvaldo Lourenço Coelho, com as seguintes argumentações, transcritas do acórdão da DRJ: alega a tempestividade. aduz que os pagamentos não foram considerados na autuação. foram verificadas duas infrações: (1) omissão de receitas com base no artigo 42 da Lei nº 9.430/96 e (2) arbitramento do lucro, com base no artigo 532 do RIR/99. artigo 2o da Portaria SRF nº 180, de 1º de fevereiro de 2001, que estabelece as condições para expedição da RMF, exige que a fiscalização fundamente o pedido de acesso a informações bancárias, permitindo assim que o contribuinte exerça seus direitos constitucionais à ampla defesa e ao contraditório. não constam nos autos os motivos de direito e de fato que fundamentaram a expedição da RMF e, portanto, a quebra do sigilo bancário do autuado; assim, as provas decorrentes desse procedimento são imprestáveis pois decorrem de meios ilícitos; Traz ementa de acórdão do Conselho de Contribuintes. Assim, o lançamento contém vicio insanável. O contribuinte não foi regularmente intimado para fins de atendimento do artigo 42 da Lei nº 9.430/96, visto que a intimação feita pela fiscalização foi nula. A ação fiscal se iniciou pelo "Edital/Defis/RJO n° 133, de 20 de abril de 2010, publicado no DOE em 03 de maio de 2010", já Fl. 621DF CARF MF 6 que constatou "que o contribuinte não funcionava no endereço constante de seu CNPJ”, sem, contudo, comprovar o que alega. A impugnante mantém pequena estrutura administrativa no local informado como sede à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), a qual seria perfeitamente capaz de atender às demandas de um procedimento de auditoria fiscal. se a Auditora Fiscal tivesse desenvolvido seu trabalho de auditoria com a profundidade e zelo necessários a toda ação fiscal, teria logrado êxito na intimação pessoal ou até mesmo por via postal, permitindo à impugnante oportunidade de explicar, com detalhes, a origem de cada depósito bancário existente, demonstrando assim que não se trata de caso de omissão de receita. não observou o artigo 23, § 1º, do Decreto n° 70.235/1972, que dispõe que cabe a intimação por via postal quando improfícuo um dos meios previstos, ou seja, intimação pessoal ou por via postal. deve ser reconhecida a nulidade da intimação realizada por meio do Edital/Defis/RJO n° 133, de 20 de abril de 2010, publicado no DOE em 03 de maio de 2010, assim como de todos os atos posteriores e imbricados com a autuação em estudo. Solicitase ao órgão julgador que confirme se os endereços utilizados pela fiscalização para intimação da empresa e de seus sócios correspondem aos endereços informados em suas declarações de rendimentos, já que constatou divergências entre endereços que constam no auto de infração e dos demais termos. intimações de terceiros, alijados dos poderes de administração da sociedade, não satisfaz a condição prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, pois a responsabilidade pela guarda de livros fiscais, documentos e informações bancárias não recai sobre tais pessoas. estranha o fato da fiscalização não ter intimado o contador não havendo intimação válida, deve ser considerado improcedente à autuação, já que não se observou o artigo 42 da Lei n° 9.430/1996. não restou devidamente comprovada a ocorrência de uma das hipóteses previstas na lei para adoção do lucro arbitrado, com base no artigo 530, inciso III do RIR/99. somente quando a fiscalização comprovar que o contribuinte não possui escrituração, recusase a apresentála quando intimado ou possui escrituração imprestável é que poderá efetuar o arbitramento do lucro, o que não ocorreu nos autos. desafiase o órgão julgador a encontrar nos autos do processo as três intimações necessárias para caracterizar a recusa do autuado em disponibilizar sua escrita fiscal, já que (1) pugna a nulidade da intimação realizada por meio do Edital, (2) sócio gerente da empresa não foi intimado a prestar as informações sobre a escrituração comercial para fins de apuração do lucro presumido e (3) eventuais intimações de terceiros, alijados dos Fl. 622DF CARF MF Processo nº 11052.001256/201025 Acórdão n.º 1201001.958 S1C2T1 Fl. 5 7 poderes de administração da sociedade, não satisfaz a condição prevista no artigo 530, inciso III; a falta de intimação válida à empresa autuada no curso do procedimento fiscal invalida o arbitramento. Alega erro na identificação do sujeito passivo, já que o art. 135, inciso III, do CTN, não trata de hipótese de responsabilidade solidária, mas de responsabilidade pessoal; logo, deveria o lançamento ter sido efetuado apenas contra os terceiros citados. Destaco o despacho à fl. 520 sobre a data de apresentação da impugnação constante no sistema SIEF. Portanto, foram apresentadas duas impugnações: uma impugnação apresentada por José Narciso Brasil dos Reis e Eduardo Lima dos Reis e a outra por Edvaldo Lourenço Coelho – sócio da autuada. Sobre a tempestividade das impugnações, constou na decisão recorrida que: “Para fins de aferir a tempestividade das impugnações apresentadas, serão consideradas as seguintes ciências, considerando o despacho de fls. 507. • 15/12/2010, para Sr. José Narciso Brasil dos Reis – responsável solidário – AR fls. 429; • 17/02/2011, para Sr. Eduardo Lima dos Reis – responsável solidário – AR fls. 439; • 17/02/2011, para o Sr. Edvaldo Lourenço Coelho – sócio da autuada – AR fls. 440. Logo, concluise que: 1) A impugnação apresentada pelos responsáveis solidários, os Srs. José Narciso Brasil dos Reis, CPF: 043.092.43720, e Eduardo Lima dos Reis, CPF. 042.807.54799, em 10/02/2011, é tempestiva tão somente com relação ao segundo impugnante. De todo modo, como atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, dela conheço. 2) A impugnação apresentada pela autuada, em 11/02/2011, é tempestiva, e atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim sendo, dela conheço.” A decisão afasta a preliminar de nulidade da intimação arguída pela contribuinte que alegara que o Decreto 70.235/72 determina que cabe ciência pelo edital quando forem improfícuas as tentativas postal e pessoal. · Afirma que não houve erro no lançamento quanto ao sujeito passivo pois a empresa figura como contribuinte, fazendo parte do pólo passivo da obrigação tributária, juntamente com os responsáveis Fl. 623DF CARF MF 8 solidários Srs. José Narciso Brasil dos Reis e Eduardo Lima dos Reis, nos termos do artigo 135, inciso III do CTN. · Mantém os impugnantes como responsáveis solidários dos créditos tributários constituídos no lançamento. · Ratifica a autuação com base na presunção legal de omissão de receitas, prevista no artigo 42 da Lei no. 9.430/96, que foi apurada atendendo aos requisitos da legislação que dela trata. · Ratifica também o arbitramento do lucro para determinação dos tributos devidos. · Mantém a multa de ofício de 75%. A ementa do acórdão 1238.069 7a Turma da DRJ/RJ1 de 29 de junho de 2011, transcrevese a seguir: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 INTIMAÇÃO POR EDITAL Correta a intimação por edital dando ciência do início do procedimento fiscal quando restaram infrutíferas as tentativas pela via postal e pessoal. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA CARACTERIZAÇÃO E ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações resultantes de atos praticados com infração de lei, os mandatários, prepostos, empregados, bem como os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Tal responsabilidade é pessoal, mas não exclusiva, cabendo o lançamento em nome da autuada. REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA FUNDAMENTAÇÃO Restou saneado o procedimento para a Requisição da Movimentação Financeira quando consta no Termo de Verificação Fiscal os motivos que fundamentaram o pedido, permitindo à autuada o exercício do direito de defesa. DEPÓSITOS BANCÁRIOS OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A Lei nº 9.430, de 1996, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza lançar o imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. LANÇAMENTO COM BASE EM PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. O lançamento com base em presunção legal transfere o ônus da prova ao contribuinte em relação aos argumentos que tentem Fl. 624DF CARF MF Processo nº 11052.001256/201025 Acórdão n.º 1201001.958 S1C2T1 Fl. 6 9 descaracterizar a movimentação bancária detectada como receita omitida. ARBITRAMENTO DO LUCRO PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS O lucro deve ser arbitrado quando a autuada não apresenta os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, podendo a base de cálculo ser apurada pela presunção legal de omissão de receitas, prevista no artigo 42 da Lei nº 9.430/96. DECORRÊNCIAS. CSLL PIS COFINS. Aplicase ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula. MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Devendo o lançamento obrigatoriamente observar a lei aplicável, que goza de presunção de constitucionalidade, é cabível a aplicação da multa de 75% sendo defeso ao agente público examinar aspectos constitucionais, cuja competência de apreciação é reservada ao poder judiciário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Cientificados da decisão de primeira instância em 19/04/2012 (fl. 540), os responsáveis tributários José Narciso Brasil dos Reis e Eduardo Lima dos Reis, interpuseram recurso voluntário, tempestivamente, em 15/05/2012 (fls. 547 a 561), no qual reprisam os argumentos apresentados na impugnação, relatados pela DRJ, que por bem retratarem o que consta no recurso voluntário, transcrevo: “... o lançamento arrola José Narciso Brasil dos Reis e Eduardo Lima dos Reis como responsáveis solidários pelo crédito tributário, com fundamento no artigo 135, inciso III do CTN, já que seriam administradores da sociedade fiscalizada. os elementos de prova resumemse a cheques emitidos pela empresa GOIÁRIO COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES DE GÊNEROS ALIMENTÍCIOS LTDA assinados pelos impugnantes no período imediatamente subseqüente à transferência de cotas da sociedade de suas propriedade. há apenas conjecturas, meras ilações, completamente desvinculadas da realidade, e assim pretende imputar responsabilidade tributária solidária a terceiros já completamente desvinculados da gerência da sociedade em foco. transferiram as cotas que possuíam da sociedade GOIÁRIO COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES DE GÊNEROS ALIMENTÍCIOS LTDA, e não geriram os negócios que causaram a movimentação financeira relatada pela fiscalização e os débitos fiscais correspondentes. Fl. 625DF CARF MF 10 as intimações dirigidas aos impugnantes no curso da ação fiscal não tinham a mínima chance de êxito, pois desconheciam por completo os detalhes das operações comerciais ocorridas no ano de 2007, bem como a movimentação financeira e a guarda dos livros fiscais. não podem os impugnantes ser responsabilizados por atos comissivos ou omissivos praticados por terceiros. os cheques tratam de operações bancárias desconhecidas completamente pelos impugnantes, ou foram assinados no período de transição da titularidade da empresa e continuaram sendo utilizados, de maneira indevida, pelos novos sócios no período imediatamente subseqüente. Como pode o Fisco assegurar quem administrava a referida sociedade comercial, se não possuía a menor ciência dos detalhes dos atos de gestão praticados no ano de 2007 em relação ao EDUARDO LIMA DOS REIS, o Fisco sequer está convicto de que foi ele realmente quem assinou os cheques citados, pois a Auditora afirma que a assinatura dos cheques apresentados pelo banco APENAS se assemelha à assinatura do Sr. Eduardo Lima dos Reis. questiona porque os sócios de direito não foram arrolados como responsáveis pelo crédito tributário, cabendo a cobrança de quem efetivamente exerceu a administração da sociedade, tratandose de verdadeiro ataque ao princípio da igualdade! a responsabilização dos impugnantes foi decisão “conveniente e oportuna”, ao arrepio do artigo 135, inciso III do CTN, já que não restou comprovado que eram administradores, e sequer faziam mais parte do quadro societário. a fundamentação foi incompleta, pois deveria ter indicado se os impugnantes foram responsabilizados por terem praticado atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. a mera assinatura dos cheques não caracteriza nenhuma das duas hipóteses. restam prejudicados os direitos ao contraditório e à ampla defesa, visto que a imputação da responsabilizada foi feita de forma genérica, sem a necessária especificação da hipótese legal infringida. questiona se a intenção foi qualificar os impugnantes como responsáveis por serem administradores ou por serem sócios ocultos da empresa. se a fiscalização entende que houve interposição de pessoas, caberia o lançamento em nome do sócio oculto, ocorrendo erro de identificação do sujeito passivo, não sendo hipótese de responsabilidade tributária. se a fiscalização considerou que a operação de cessão das cotas da sociedade representou artifício doloso empregado visando livrar os verdadeiros sócios responsáveis pelo não Fl. 626DF CARF MF Processo nº 11052.001256/201025 Acórdão n.º 1201001.958 S1C2T1 Fl. 7 11 cumprimento das obrigações fiscais deveria ter efetuado o lançamento identificando como sujeitos passivos somente os impugnantes. a intenção do Fisco é qualificar os impugnantes como meros administradores da empresa, é importante destacar ainda que a aplicação do artigo 135, inciso III, do CTN depende da comprovação inequívoca da prática de um ato ilícito pelo terceiro responsabilizado, o que não ocorre com a mera assinatura de cheques. questiona qual foi o ilícito societário praticado pelos impugnantes contra a empresa, caracterizado numa afronta à competência que lhes foi deferida legal, contratual ou estatutariamente. o único fato comprovado foi a assinatura dos impugnantes em cheques emitidos pela empresa no período posterior à saída dos quadros societários, sendo que tal fato não tem o poder de caracterizálos como sóciosgerente da autuada, muito menos configura prática de ato ilícito doloso, e permitir a aplicação do 135 do CTN. quanto ao mérito, cabe ao sócio apresentar a origem dos recursos financeiros, bem como a escrituração comercial. depósitos bancários não constituem fato gerador do imposto de renda, pois não caracterizam disponibilidade econômica de renda e proventos. a Súmula n° 182, do extinto Tribunal Federal de Recursos TFR, restou averbado ser ilegítimo o lançamento arbitrado com base apenas lançamento com base em depósitos bancários. a aplicação da multa de ofício de 75% fere os princípios do não confisco, da proporcionalidade e da razoabilidade.” Os recorrentes consignaram que a “Auditora garante que não localizou a empresa, que não teve contato com os sócios de direito, que não teve acesso a documentos comprobatórios das operações comerciais, bem como dos livros fiscais. Destarte, questionase: como pode o Fisco assegurar quem administrava a referida sociedade comercial, se não possuía a menor ciência dos detalhes dos atos de gestão praticados no ano de 2007”. Aos argumentos já trazidos na impugnação e reprisados no recurso, dicionaram que a DRJ/RJ1 pretendeu aperfeiçoar o lançamento ao consignar no voto que o impugnante José Narciso Brasil dos Reis, além de ser administrador da sociedade, não agiu conforme previsto em lei. Aduzem que tais fatos não constam no Termo de Verificação Fiscal. Relativamente ao sr. Eduardo Lima dos Reis, a DRJ/RJ1, afirma que embora tenha assinado cheques do Banco Unibanco, não consta dos autos do presente processo documento que comprovasse que possuía poderes de administração no anocalendário de 2007. Conclui que “nem a Relatora do voto foi capaz de descobrir se o impugnante foi responsabilizado por ter agido com excesso de poderes ou infração da lei, contrato social ou estatutos”. (grifos no original). Fl. 627DF CARF MF 12 Sobre a multa de ofício, acrescenta que a jurisprudência majoritária entende que o princípio da proibição de confisco aplicase tanto aos tributos quanto aos deveres instrumentais ou formais e que o princípio é aplicável a qualquer espécie de multa, seja de mora ou de ofício, uma vez que a natureza jurídica de ambas é a sanção decorrente do descumprimento de deveres jurídicos estabelecidos nas leis fiscais, relativos à obrigação tributária ou aos deveres instrumentais ou formais. Colaciona jurisprudência. Pede que seja reconhecida a inconstitucionalidade da multa de ofício, por representar confisco. Resolução 1101000.101 Através da Resolução 1101.000.101 a 1° Turma da 1° Câmara deste Conselho resolveu converter o julgamento em diligência nos seguintes termos do voto relator: Inicialmente, digase que foi realizada ciência pessoal da decisão da DRJ pelo procurador dos srs. José Narciso Brasil dos Reis e Eduardo Lima dos Reis (ciência à fls. 540 e instrumento de procuração à fl. 542), porém, não consta dos autos que a empresa Goiario Comércio e Repr. de Gêneros Alimentícios Ltda tenha recebido a ciência do acórdão 1238.069. Face ao exposto, meu voto é para conversão do julgamento em diligência com o retorno do processo à DRJ para dar ciência aos demais contribuintes. Após os procedimentos aplicáveis ao caso, retornese ao CARF para julgamento. Em obediência ao quanto resolvido na mencionada Resolução, foram efetuadas as devidas intimações conforme bem resumido por ofício da DRF/RJ1: Sr. Chefe 1. Versa o presente processo sobre Auto de Infração IRPJ/PIS/CSLL/COFINS. 2. Cientificados da decisão de primeira instância em 19/04/2012 (fl. 540), os responsáveis tributários José Narciso Brasil dos Reis e Eduardo Lima dos Reis, interpuseram recurso voluntário, em 15/05/2012 (fls. 547 a 561). 3. O processo foi encaminhado ao CARF para julgamento, que pela Resolução nº 1101000.101 converteu o julgamento em diligência para dar ciência do Acórdão de Impugnação nº 12 38.069 à empresa Goiário, pois tal informação não constava dos autos. 4. Como a empresa encontrase inapta, foram intimados o responsável Edvaldo Lourenco Coelho e o sócio – administrador Claudemir do Nascimento, conforme AR às fls. 606 e 610. Desta forma proponho o envio deste processo ao CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) para apreciação, cabendo observar que o processo se encontra no SIEF na situação Suspenso Julgamento Do Recurso Voluntário. Fl. 628DF CARF MF Processo nº 11052.001256/201025 Acórdão n.º 1201001.958 S1C2T1 Fl. 8 13 Não obstante as intimações efetuadas, não foi apresentado Recurso Voluntário pela autuada ou por seus sócios. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário apresentado pelos interessados José Narciso Brasil dos Reis e Eduardo Lima dos Reis é tempestivo e preenche os demais requisitos legais, portanto, merece ser apreciado. Contudo, faço isso somente em relação ao Sr. Eduardo Lima dos Reis, pois, ainda em sede de julgamento da Impugnação pela DRJ, a Impugnação foi considerada intempestiva em relação ao Sr. José Narciso Brasil dos Reis, fato este que não foi contestado em Recurso Voluntário. Assim, tendo sido intempestiva a Impugnação do Sr. José Narciso Brasil dos Reis, não há que se falar em possibilidade de discussão de mérito em sede de Recurso Voluntário. Cabe ressaltar, não foi apresentado Recurso Voluntário pela empresa autuada, apesar da intimação válida de seus sócios acerca do resultado do julgamento de 1°instância. Da Responsabilidade Tributária O Recorrente alega ter havido erro no lançamento quanto à definição do sujeito passivo e, a partir daí, traz diversos argumentos no sentido de não poder figurar como sujeito passivo solidário. Cabe aqui ressaltar que ainda que o Recorrente tivesse razão no tangente à ausência de sua responsabilidade pelo crédito tributário, não se trata aqui de erro na definição do sujeito passivo. Isso porque, a empresa autuada é que figura como contribuinte, tendo sido o Recorrente arrolado como responsável solidário com base no art. 135, III do CTN. Com relação ao Sr. Eduardo Lima dos Reis, ora Recorrente, tal responsabilização decorreu do fato de que não obstante constar sua saída da sociedade conforme consta na 2°alteração contratual, o fato é que a assinatura de todos os cheques apresentados pelo Banco Unibanco é semelhante à dele. Conforme documentação acostada aos autos, de fato, não há qualquer menção a que o Sr. Eduardo Lima dos Reis possuía poderes de administração no período ora em análise (2007). Contudo, também é fato que o Sr. Eduardo Lima dos Reis agia como se Fl. 629DF CARF MF 14 administrador fosse ao gerir os recursos financeiros da autuada através da assinatura de diversos cheques superiores a R$ 20.000,00. Ora, a assinatura dos cheques é um forte indício de sua conduta como administrador. O agente fiscal menciona que a assinatura dos cheques é semelhante ao do Sr. Eduardo e também traz um conjunto de evidências que cercam tal fato. Não se trata somente da assinatura, apesar dessa ser a evidência mais forte. Isso porque, é dominante neste Conselho o entendimento de que o poder de assinar cheques configura ato de administração, conforme julgado que transcrevo abaixo: ATO DE ADMINISTRAÇÃO. ASSINATURA DE CHEQUES. Caracteriza ato de gestão praticado por procurados a aposição de assinatura em cheques, no exercício de poder concedido por meio de procuração. (Processo n. 15521.000170/201062 Acórdão 1401.001.220 4°Câmara 1°Turma Relator Cons. Fernando Luiz Gomes de Mattos) Assim, entendo correta a manutenção do Sr. Eduardo Lima dos Reis como devedor solidário do crédito tributário ora em discussão com base no art. 135, III do CTN. Mérito Com relação ao mérito da discussão dos autos, o Recorrente traz a lacônica assertiva: " Para finalizar, e em relação ao mérito da autuação, frisamos que cabe ao sócio da empresa autuada apresentar a origem dos recursos financeiros listados pela fiscalização, bem como a escrituração comercial. Podemos apenas dizer que os depósitos bancários não constituem, por si só, fato gerador do imposto de renda, pois, não caracterizam disponibilidade econômica de renda e proventos. O lançamento baseado em depósitos bancários só é admissível quando ficar comprovado o nexo causal entre o depósito e o fato que representa omissão de rendimento." Tratase de uma simplificação exagerada e equivocada da discussão dos autos. Ora, fiscalização construiu um conjunto probatório através da emissão do RMF, para a identificação dos extratos bancários da ora recorrente. Fora, então, atestado e instrumentalizado por meio do Auto de Infração, o total descompasso entre os valores declarados e os valores relativos as movimentações financeira do contribuinte. Todos os depósitos sem comprovação de origem, que não puderam ser confrontados com as informações dispostas em DIPJ e DCTFs ou em livros ou outros documentos contábeis, foram reputados e presumidos pelo fisco como omissão de receitas. Fl. 630DF CARF MF Processo nº 11052.001256/201025 Acórdão n.º 1201001.958 S1C2T1 Fl. 9 15 No entanto, é de notório saber que a referida presunção que embasa a presente autuação fiscal, disposta no art. 42 da Lei nº 9430/96, é relativa e, assim, passível de ser ilidida a qualquer tempo pelo contribuinte. Dispõe assim o art. 42 da Lei nº 9430/96: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Por sua vez, o contribuinte, entre as inúmeras oportunidades a ele carreadas para comprovar a origem dos depósitos bancários, não apresentou qualquer comprovação hábil e idônea. Na realidade, o ora recorrente sequer se manifestou especificamente acerca do objeto alvo da autuação. Tanto no Recurso Voluntário ou na Impugnação há qualquer esforço no sentido de comprovação da origem das receitas supostamente omitidas. Não há qualquer tipo de alegação ou menção a contas específicas, constantes nos extratos bancários, que pudessem afastar o conceito de receita e que, portanto, devessem ser excluídas/desconsideradas no arbitramento. O ora recorrente tangencia, em todos os seus argumentos, questões de ordem estritamente formal mas em nenhum momento enfrenta o mérito, ou seja, a natureza das movimentações bancárias que foram objeto de fiscalização. É cediço que a utilização do RMF para a obtenção de extratos bancários é eficiente na apuração de receitas, mas estabelece um quadro generalista e abrangente. Cabe ao contribuinte, em contrapartida, realizar o filtro que selecione exatamente as movimentações bancárias que de fato satisfizeram o conceito jurídicocontábil de receita, ou, ao contrário, discriminar os valores que não correspondem a receitas para que tais sejam excluídos da base de tributação. Não lhe resta outra saída senão confrontar tais informações com sua contabilidade, com as declarações prestadas e com seus livros e documentos. Veja, informações bancárias não revelam fato novo para o contribuinte que registra e declara corretamente suas operações e que, portanto, não enfrenta maiores dificuldades para discriminar valores que possuem natureza de receita daqueles que não possuem a mesma natureza. Apenas para aqueles que omitem informações à Administração Tributária, tal tarefa de fazer a mesma discriminação mencionada no parágrafo acima, se mostra tarefa tormentosa. Fl. 631DF CARF MF 16 Importante ressaltar que a ausência de demonstração eficaz para cotejar as movimentações financeiras com as declaradas pelos contribuintes, resulta em atribuir à mencionada presunção, a natureza de veracidade absoluta. A existência de dois instrumentos que visam um mesmo objetivo, acaba por relativizálos entre si. Originalmente, tanto os extratos bancários obtidos a partir da utilização da RMF quanto as declarações e informações apresentadas pelos contribuintes, são dotadas de presunção relativa de veracidade, considerando que o primeiro relativiza a veracidade do segundo e, em contrapartida, o segundo relativiza a verdade do primeiro. A presunção de veracidade absoluta apenas se concretiza quando os dois instrumentos são confrontados, perpassando uma mútua complementariedade, para o alcance ótimo da unicidade e uniformidade de informações. Portanto, com relação ao caso em tela, confrontando os extratos bancários apurados, com a DIPJ e a ausência de quaisquer outras documentações, esclarecimentos ou informações contábeis adicionais, atestase uma presunção absoluta de veracidade que confirma a omissão de receitas e valida a autuação fiscal. Este presente julgador tem posicionamento totalmente inclinado à aplicação do princípio da verdade material. No entanto, neste momento processual, se encontra completamente limitado a aplicálo, pois não há qualquer indício, evidência ou até mesmo esforço do contribuinte no sentido de comprovar a origem das movimentações financeiras. Cabe aqui mencionar que o princípio da verdade material visa que a Administração busque o que realmente ocorreu, o fato concreto e verdadeiro, sem se restringir apenas às regras procedimentais e processuais. Aplicar o princípio da verdade material, em casos como este, significa se “aliar” ao contribuinte na tentativa de ilidir a presunção relativa de omissão de receitas para atingir uma verdade absoluta ou, subsidiariamente, confirmar a referida presunção relativa do Fisco como uma presunção absoluta de veracidade. A conclusão aqui firmada, no entanto, é de que todo o processo fiscalizatório e todas as provas e informações constantes dos autos são suficientes para formar o convencimento e a convicção deste julgador. O processo fiscalizatório incorporou o princípio da verdade material e representou seu total exaurimento. A fiscalização, por si, como órgão da Administração, cumpriu com a sua função de atingimento do interesse público: intimando e reintimando o recorrente a todo custo, buscando informações e documentações e, inclusive, descartando transações que não evidenciassem o ingresso de novos recursos (resgate de aplicação financeira, devolução de cheque, estorno de débitos, dentre outros). Tudo isso com o intuito de concretizar referido princípio. Portanto, os autos perfazem uma verdade absoluta, que materialmente não fora contestada em sede de Impugnação ou de Recurso Voluntário. Fl. 632DF CARF MF Processo nº 11052.001256/201025 Acórdão n.º 1201001.958 S1C2T1 Fl. 10 17 Não há fatos novos ou novas informações nas defesas apresentadas neste sentido, de modo que as informações levantadas pela fiscalização, em total alinho a uma interpretação sistemática do ordenamento jurídico, ao ver deste julgador, são suficientes à conclusão de que deve ser declarado procedente o lançamento, mantendo intacto o valor do total de omissão de receitas apurado. Conclusão irretorquível coaduna com o acórdão recorrido e, assim, com a mantença da autuação fiscal. O decidido para o lançamento de IRPJ estendese aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo fundamento factual, relativos à CSLL, PIS e COFINS, e para os quais não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso. Multa de Ofício O Recorrente aduz que a multa de ofício de 75% fere aos Princípios do não confisco, da proporcionalidade e da razoabilidade. Neste ponto, adoto a mesma posição do julgador a quo: Primeiramente, cumpre ressaltar que a cobrança da multa de ofício aplicada pela alíquota de 75% está prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430 de 1996, afastando qualquer tese de ser ilegal. Ademais, cabe esclarecer que a atividade de julgamento é vinculada às leis vigentes no ordenamento jurídico, não podendo delas nunca se afastar (art. 142, § único, CTN). Logo, cabe a ela, obrigatoriamente, aplicálas ao caso concreto, bem como examinar se os atos praticados pela Fiscalização estão de acordo com a lei e os atos administrativos emanados de autoridades hierarquicamente superiores. Nos termos da Constituição Federal, de 05 de outubro de 1988, arts. 97 e 102, incumbe exclusivamente ao Poder Judiciário a apreciação e a decisão de questões deste mérito. Concluise, assim, diante dos dispositivos legais citados e por força da vinculação a que está adstrita esta autoridade julgadora, que para o anocalendário em exame, a aplicação da multa de ofício tem previsão legal. Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário apresentado em relação ao devedor solidário Sr. Eduardo Lima dos Reis para no MÉRITO NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto! Fl. 633DF CARF MF 18 (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Fl. 634DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.001443/2007-15
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/05/2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas.
Numero da decisão: 9202-006.624
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1658; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 1.127 1 1.126 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13896.001443/200715 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202006.624 – 2ª Turma Sessão de 21 de março de 2018 Matéria PAF NULIDADE Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado TV OMEGA LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/05/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório O presente processo trata do Debcad 37.100.6287, referente às Contribuições Sociais Previdenciárias devidas pela empresa, relativas à retenção de 11% incidentes sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura emitida pelo prestador de serviços. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 14 43 /2 00 7- 15 Fl. 1127DF CARF MF 2 Em sessão plenária de 17/04/2012, foi julgado Recurso de Ofício, prolatando se o Acórdão nº 2301002.699 (efls. 1.037 a 1.044), assim ementado: "Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2002 a 31/05/2006 RECURSO DE OFÍCIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RETENÇÃO DE 11% NA CESSÃO DE MÃODEOBRA. FALTA DE CARACTERIZAÇÃO DOS SERVIÇOS. Levantamento fiscal fundado na cobrança de valores correspondentes ao percentual de 11% (art. 31 da Lei 8.212/1991), incidente sobre pagamentos de serviços executados com cessão de mãodeobra, sem a comprovação dos correspondentes requisitos legais caracterizadores dessa modalidade de prestação de serviços. Não há como serem lançados os valores correspondentes ao percentual de 11% (art. 31 da Lei 8.212/1991) na falta de comprovação dos requisitos legais caracterizadores da execução de serviços com cessão de mãodeobra. A falta de apresentação pelo fisco de documentos e fatos que individualizem a forma de prestação de serviços, impede o contribuinte de aferir as circunstâncias determinantes da cessão de mãodeobra, o que acarreta cerceamento de defesa na esfera administrativa. Recurso de Ofício Negado" A decisão foi assim resumida: “Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram em dar provimento ao recurso de ofício. Sustentação oral: Fábio H. Higuchi. OAB: 118.449/SP." O processo foi recebido na PGFN em 16/08/2012 (carimbo aposto na Relação de Movimentação de efls. 1.053) e, em 27/08/2012, o Procurador da Fazenda Nacional deuse por intimado (Termo de Ciência de fls. 1.052). Em 31/08/2012, foi interposto o Recurso Especial de efls. 1.055 a 1.075 (Relação de Movimentação de efls. 1.054). O apelo está fundamentado no art. 67, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, vigente à época, e visa rediscutir visa rediscutir a nulidade do lançamento. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho nº 2300 138/2013, de 02/04/2013 (efls. 1.045 a 1.047). Em seu apelo, a Fazenda Nacional alega: os arts. 59 e 60 do Decreto n.º 70.235, de 1972, devem ser interpretados de forma sistemática, o que significa que somente importarão em nulidade as irregularidades apontadas no art. 59 da Lei do Processo Administrativo Fiscal; Fl. 1128DF CARF MF Processo nº 13896.001443/200715 Acórdão n.º 9202006.624 CSRFT2 Fl. 1.128 3 in casu, a decisão vergastada reconheceu como nulidade fato que não se enquadra ao art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972; notese que esse julgamento vai de encontro aos princípios da economia processual, da instrumentalidade das formas e da salvabilidade dos atos processuais; é de se concluir, por conseguinte, que se aplica a este feito o art. 60 do Decreto 70.235, de 1972, assim, a suposta irregularidade do lançamento não importará em nulidade; ademais, é conveniente destacar que o CARF tem firmado o entendimento que se o autuado revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não somente preliminares, mas também razões de mérito, mostrase incabível a declaração de nulidade de lançamento, devendo prevalecer os princípios da instrumentalidade e economia processual em lugar do rigor das formas; de tudo, vêse que os termos do procedimento fiscal contêm os elementos necessários e suficientes para o atendimento dos arts. 10 e 11 do Decreto n.° 70.235, de 1972; o exercício amplo e efetivo do direito de defesa foi propiciado ao contribuinte, que, inclusive, apresentou longo e detalhado arrazoado, não tendo arguido uma suposta obscuridade na descrição dos fatos geradores; assim, não se vislumbra a ocorrência de prejuízo à defesa do contribuinte neste processo, pelo que a decretação da nulidade representa a desnecessária movimentação da máquina pública, com o dispêndio de recursos do erário, para a repetição de atos administrativos válidos, perfeitos e eficazes. Ao final, a Fazenda Nacional requer o conhecimento e o provimento do presente recurso para afastar a nulidade do lançamento. Cientificada do acórdão, do Recurso Especial da Procuradoria e do despacho que lhe deu seguimento em 13/05/2013 (AR Aviso de Recebimento de efls. 1.078), a Contribuinte, em 27/05/2013, ofereceu as Contrarrazões de efls. 1.081 a 1.122 (carimbo de e fls. 1.081), contendo os seguintes argumentos: Da inadmissibilidade do Recurso interposto a matéria em discussão tratase, claramente, de nulidade de Auto de Infração, quando não caracterizado pela autoridade fiscal lançadora a cessão de mãodeobra ou empreitada no lançamento fiscal, consubstanciado no referido auto, na hipótese de obrigação de retenção, pela tomadora do serviço, da contribuição previdenciária ao INSS (art. 31, da Lei n° 8.212, de 1991); ocorre que a Fazenda Nacional visa enquadrar tal discussão à mesma situação em que este tribunal afastou a hipótese de nulidade de Auto de Infração por cerceamento de defesa, quando verificado nos autos elementos suficientes à caracterização da matéria, notadamente trazendo à colação casos envolvendo cobrança de IRPJ, tributo que segue sistemática diversa de apuração e aferição que a Contribuição Previdenciária em questão, que exige a devida caracterização do fato gerador, demonstrandose a cessão de mãodeobra com Fl. 1129DF CARF MF 4 base em elementos objetivos, dentre os quais a disposição do empregado ao tomador do serviço e a prestação continuada deste serviço; a Fazenda Nacional visa, portanto, adequar equivocadamente o caso em tela às hipóteses de vícios formais do Auto de Infração, que poderiam ser supridos pelo seguimento da discussão no âmbito administrativo, sem supostamente malferir o contraditório e a ampla defesa, situação essa que não guarda relação com a situação narrada e já confirmada por duas turmas de julgamento, pois a ausência de caracterização do fato gerador é elemento essencial ao próprio lançamento, implicando em vício material que não pode ser suprido; a matéria já se encontra pacificada no âmbito desta Câmara Superior, sendo descabida sua rediscussão frente a pressupostos absolutamente díspares e/ou genéricos, conforme pretende a Fazenda Nacional, inexistindo, em verdade, qualquer divergência quanto à interpretação da lei tributária, repisese, o art. 31, da Lei n° 8.212, de1991, não devendo o presente Recurso Especial sequer ser conhecido. Do Mérito observase que a lei elegeu elementos objetivos à caracterização da cessão de mãodeobra, dentre os quais a colocação do empregado à disposição do tomador do serviço, bem como a realização do serviço de forma contínua, fazendo uso de conceitos do direito do trabalho, de modo a demonstrar vínculo entre o empregado e o tomador do serviço, bem como com o respectivo fato gerador, a justificar a responsabilidade deste último no recolhimento da contribuição previdenciária, na forma do art. 128, do Código Tributário Nacional; exatamente por trazer esses elementos e por não exigir a retenção e recolhimento da contribuição de todo e qualquer serviço, mas apenas daqueles em que realmente houve a cessão de mãodeobra, deve a autoridade fiscal buscar e demonstrar esses elementos, de modo a caracterizar o fato gerador deste tributo e poder exigir seu pagamento; tratase, como já apontado anteriormente, de elemento material indispensável à constituição do lançamento, e nesse sentido já decidiram inúmeras turmas do CARF; destarte, uma vez que o entendimento sobre o tema já foi extensamente debatido neste tribunal, de modo que já se encontra devidamente pacificado, inexiste qualquer razão de direito para que seja revisto, uma vez que a hipótese material de incidência da contribuição já foi analisada e definida, cabendo sua demonstração à autoridade fiscal lançadora, sob pena de nulidade, eis que a ausência da caracterização da cessão de mãodeobra se constitui em vício material a ensejar cerceamento defesa. Ao final, a Contribuinte pede o não conhecimento do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, caso assim não se entenda, que lhe seja negado provimento. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir se atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Fl. 1130DF CARF MF Processo nº 13896.001443/200715 Acórdão n.º 9202006.624 CSRFT2 Fl. 1.129 5 Tratase de NFLD Debcad 37.100.6287, referente às Contribuições Sociais Previdenciárias devidas pela empresa, relativas à retenção de 11% incidentes sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura emitida pelo prestador de serviços, conforme se infere do Relatório Fiscal de fls. 272 a 276. No caso do acórdão recorrido, foi declarada a nulidade do lançamento por cerceamento de defesa. A Fazenda Nacional, por sua vez, pugna pelo restabelecimento do lançamento, alegando a inexistência de vício, uma vez que não teria havido prejuízo à defesa. Em sede de Contrarrazões, a Contribuinte alega inexistência de divergência, quanto à interpretação da lei tributária, entre os acórdãos recorrido e paradigmas. Assim, tratandose de discussão acerca da existência de vício em lançamento de tributo, é imprescindível que se verifique a motivação da declaração de nulidade em cada um dos julgados em confronto, a ver se haveria similitude entre elas. No caso do acórdão recorrido, negouse provimento ao Recurso de Ofício, declarandose a nulidade do lançamento, considerandose que a Fiscalização não comprovou a cessão de mãodeobra. Confirase os respectivos trechos do acórdão recorrido: Ementa RECURSO DE OFÍCIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RETENÇÃO DE 11% NA CESSÃO DE MÃODEOBRA. FALTA DE CARACTERIZAÇÃO DOS SERVIÇOS. Levantamento fiscal fundado na cobrança de valores correspondentes ao percentual de 11% (art. 31 da Lei 8.212/1991), incidente sobre pagamentos de serviços executados com cessão de mãodeobra, sem a comprovação dos correspondentes requisitos legais caracterizadores dessa modalidade de prestação de serviços. Não há como serem lançados os valores correspondentes ao percentual de 11% (art. 31 da Lei 8.212/1991) na falta de comprovação dos requisitos legais caracterizadores da execução de serviços com cessão de mãodeobra. A falta de apresentação pelo fisco de documentos e fatos que individualizem a forma de prestação de serviços, impede o contribuinte de aferir as circunstâncias determinantes da cessão de mãodeobra, o que acarreta cerceamento de defesa na esfera administrativa. Voto "2. Nos recursos de ofício, cumpre a este Conselho verificar o acerto e a legalidade das decisões recorridas. No caso, o posicionamento da DRJ não merece reparos. 3. O julgador de origem julgou nulo o lançamento fiscal ao argumento de que sem a comprovação dos requisitos legais Fl. 1131DF CARF MF 6 caracterizadores dos serviços executados com cessão de mãode obra não há como se atestar a validade da cobrança de valores correspondentes ao percentual de 11% (art. 31 da Lei 8.212/1991). 4. A falta de apresentação de documentos e fatos que individualizem a forma de prestação de serviços, impede o contribuinte de aferir as circunstâncias determinantes da cessão de mãodeobra, o que acarreta cerceamento de defesa na esfera administrativa (ff. 920 a 926 v.). Nada mais acertado. (...) 13. Considerando que cumpre à administração tributária apontar todos os elementos necessários à configuração do fato gerador, não há como deixar de considerar o lançamento insubsistente por não comprovar a materialidade da regra matriz de incidência da contribuição. 14 Até mesmo os critérios utilizados pelo fisco para chegar aos valores do débito não foram devidamente esclarecidos pela autoridade lançadora. A doutrina sustenta o seguinte: “O lançamento é ato singular que se faz proceder de procedimentos preparatórios e que se faz suceder de procedimentos revisionais, podendo ser declarado, ao cabo, subsistente ou insubsistente, no todo ou em parte, em decorrência do controle do ato administrativo pela própria administração” (Sacha Calmon Navarro Coelho. Liminares e Depósitos Antes do lançamento por Homologação – Decadência e Prescrição. 2 ed. Dialética. p. 68) 15. A propósito, a Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, trata em seu art. 2º que a Administração Pública obedecerá, dentre outros, ao princípio da motivação. 16. Com efeito, cumpre destacar que o art. 50 da Lei n.º 9.784/99 sustenta a necessidade de os atos administrativos, que neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses, serem motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos. 17. Isto porque, a atividade administrativa de lançamento requer a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, como preceitua o CTN, em seu art. 142. (...) 18. Nesse sentido, o próprio art. 37, da Lei 8.212/91, dispõe que a fiscalização deverá lavrar notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores: “constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento.” [g.n.] Fl. 1132DF CARF MF Processo nº 13896.001443/200715 Acórdão n.º 9202006.624 CSRFT2 Fl. 1.130 7 19. Acrescento ainda que o relatório fiscal é a peça essencial para propiciar o contraditório e a ampla defesa do sujeito passivo da obrigação tributária, assim como a adequada análise do crédito. 20. Nesse aspecto, é cediço que não se pode vincular a recorrente a uma determinada obrigação tributária, sem que haja comprovação da ocorrência do fato gerador que ensejou tal cobrança, vez que o onus probandi cabe ao fisco. 21. Feitas essas considerações, nego provimento ao recurso de ofício nos termos acima delineados." (grifos nossos) Nesse contexto, o paradigma apto a demonstrar a alegada divergência seria representado por julgado em que, diante de situação fática similar autuação por falta de retenção em cessão de mão de obra, sem a comprovação da cessão ainda assim se considerasse que não houve prejuízo à defesa, afastandose a nulidade. Visando demonstrar a alegada divergência, a Fazenda Nacional indica como paradigmas os Acórdãos nºs 10808.499 e CSRF/0202.301. Quanto ao primeiro deles, foi colacionada a respectiva ementa, conforme a seguir: “IRPJ CSLL – RECURSO DE OFÍCIO – PREJUÍZO FISCAL – BASE DE CÁLCULO NEGATIVA – COMPENSAÇÃO LIMITADA A 30% É legítimo o aproveitamento do saldo do prejuízo fiscal de IRPJ e da base de cálculo negativa de CSLL, acumulados até a ocorrência do fato gerador, no limite de 30% do prejuízo fiscal e da base de cálculo positiva apurada, o que se coaduna com o decidido em primeiro grau. IRPJ – PRELMINAR DE NULIDADE – CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA – Incabível a preliminar de nulidade de cerceamento ao direito de defesa, pois o processo administrativo fiscal seguiu plenamente os trâmites legais, tendo a recorrente todas as oportunidades cabíveis para argumentar, não se vislumbrando qualquer prejuízo aparente. IRPJ – PRELIMINAR DE NULIDADE – FALTA DE DESCRIÇÃO NO AUTO DE INFRAÇÃO – Não há que se acolher a preliminar de nulidade ante a falta de descrição suficiente do auto de infração, eis o mesmo preenche todos os pressupostos legais em sua elaboração, e a autuada demonstrou pleno conhecimento da matéria em sua defesa, não se verificando quaisquer irregularidades nesse sentido. IRPJ – CSLL – NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS – ILEGALIDADE – Incabível a utilização de notas fiscais inidôneas para reduzir a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Correta a decisão de primeira instância que glosou a título de custo o valor total das notas fiscais ilegítimas, uma vez que não constituem elementos hábeis e idôneos a suportar a dedubitilidade dos valores dispendidos na aquisição de insumos na determinação da base imponível. Recurso de ofício negado. Preliminares rejeitadas. Recurso voluntário negado.”. (Grifos da Recorrente)" Fl. 1133DF CARF MF 8 De plano, constatase que o paradigma não trata, em absoluto, de situação similar à do recorrido. Ademais, o vício tratado no acórdão recorrido não foi exatamente na descrição dos fatos e sim na comprovação dos fatos alegados. Compulsando o inteiro teor desse primeiro paradigma, constatase que a situação nele tratada também em nada se assemelha à do recorrido. Confirase: "A matéria objeto do recurso voluntário corresponde à apropriação indevida de custos, caracterizada por compra fictícia feita por meio de documentação inidônea, que levou a uma redução indevida de seu Lucro Real, com a cobrança dos devidos acréscimos legais, com enquadramento legal nos arts. 195, I, 197, p. único, 231, 232, I, 234, 243, todos do RIR/94 e arts. 249, I, 251, p. único, 289, 290, 1, 292 e 300, todos do RIR/99, e com relação à multa, art. 44, II, da Lei n° 9.430/96. O lançamento principal deu ensejo a tributação reflexa de CSLL, com enquadramento legal nos arts. 2° e §§ da Lei 7.689/88, 1° e 28, ambos da Lei 9.430/96, 6° da MP n° 1.807/99 e reedições, 6° da MP n° 1.858/99 e reedições. (...) Com relação ao recurso voluntário, quanto às preliminares arguidas, entendo que não prosperam os argumentos da recorrente, uma vez que não houve cerceamento ao direito de defesa, pois o processo administrativo fiscal seguiu plenamente os trâmites legais, tendo a recorrente todas as oportunidades cabíveis para argumentar, não se vislumbrando qualquer prejuízo aparente. E tocante à preliminar de nulidade ante a falta de descrição suficiente no auto de infração também entendo ser improcedente, pois o mesmo preenche todos os pressupostos legais em sua elaboração, e a autuada demonstrou pleno conhecimento da matéria em sua defesa, não se constatando quaisquer irregularidades nesse sentido." (grifei) Com efeito, no caso deste paradigma os vícios alegados, que sequer foram considerados como existentes, não dizem respeito à ausência de provas, como foi relatado no recorrido. Nestas circunstâncias, a divergência somente estaria caracterizada se os vícios em confronto guardassem alguma similitude, o que não se verificou. No que tange ao segundo paradigma indicado Acórdão nº CSRF/0202.301 a Fazenda Nacional reproduz a respectiva ementa, conforme a seguir: "NORMAS PROCESSUAIS CAPITULAÇÃO LEGAL NULIDADE INEXISTENTE. O estabelecimento autuado defendese dos fatos a ele imputado, e não do dispositivo legal mencionado na acusação fiscal. Não existe prejuízo à defesa quando os fatos narrados e fartamente documentados nos autos amoldamse perfeitamente às infrações imputadas à empresa fiscalizada. Não há nulidade sem prejuízo. IPI MULTA DE OFÍCIO PELA FALTA DE LANÇAMENTO DO IMPOSTO, COM COBERTURA DE CRÉDITO A mera falta de lançamento do imposto nas notas fiscais respectivas, é suporte fático suficiente para a aplicação da multa de lançamento de ofício, mesmo nos casos em que o período de apuração apresente saldo credor na escrita fiscal. Fl. 1134DF CARF MF Processo nº 13896.001443/200715 Acórdão n.º 9202006.624 CSRFT2 Fl. 1.131 9 Recurso especial provido" (destaques da Recorrente) De plano, verificase que o caso tratado no acórdão recorrido não é de defeito de capitulação legal, mas sim de falta de comprovação da cessão de mãodeobra. Compulsandose o inteiro teor desse paradigma, constatase mais uma vez que o caso ali tratado em nada se assemelha ao do acórdão recorrido. Confirase o voto do paradigma: “Quanto à suposta ausência de enquadramento legal a lastrear a multa, entendo equivocado o posicionamento da câmara recorrida, a uma porque a infração foi corretamente descrita no auto de infração fl. 235), nos termos seguintes: O estabelecimento equiparado a industrial deu salda a produto(s) tributado(s) sem lançamento do imposto, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal que faz parte integrante deste auto de infração. Em seguida, foi feito o escorreito enquadramento legal da infração art. 59 c/c art. 51, inc. I, alínea "b", ambos do RIPI/1982 (fl. 236) ; a duas porque a citação da capitulação legal era prescindível, pois não se pode olvidar que o acusado defendese dos fatos a ele imputado, e não do dispositivo legal mencionado na acusação fiscal. Somente haveria prejuízo à defesa se os fatos narrados na acusação não correspondessem aos ocorridos no mundo fenomênico. Mas não foi isso o que aconteceu, a Fiscalização foi pródiga ao descrever, minudentemente, as infrações imputadas ao autuado. Além do que, cada um dos fatos imputados veio arrimado em farta documentação.” (grifos nossos) A leitura da ementa já permite concluir que o caso tratado no paradigma em nada se assemelha ao do acórdão recorrido, o que se confirma pela colação do trecho do respectivo voto. Com efeito, no caso deste paradigma os vícios alegados, que sequer foram considerados como existentes, não dizem respeito à ausência de provas, como foi relatado no recorrido. O trecho acima bem resume o caso do paradigma, que rechaça a existência de um suposto vício no enquadramento legal da infração, o que não se pode comparar com a situação do acórdão recorrido, que trata do relato de ausência de provas de que teria havido cessão de mãodeobra. Diante do exposto, tendo em vista que os paradigmas indicados efetivamente não logram caracterizar a divergência alegada, não conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 1135DF CARF MF 10 Fl. 1136DF CARF MF
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