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Numero do processo: 10768.001891/2003-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
COFINS. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO INEXISTENTE. NÃO HOMOLOGAÇÃO. EXTINÇÃO DO DÉBITO POR CONVERSÃO DE DEPÓSITO EM RENDA.
Incabível a homologação de compensação efetuada pelo contribuinte quando constatada inexistência de direito creditório. No entanto, a conversão em renda de depósito extrajudicial no mesmo valor e vinculado ao débito compensado acarreta sua extinção pelo pagamento.
Numero da decisão: 1301-001.745
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 COFINS. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO INEXISTENTE. NÃO HOMOLOGAÇÃO. EXTINÇÃO DO DÉBITO POR CONVERSÃO DE DEPÓSITO EM RENDA. Incabível a homologação de compensação efetuada pelo contribuinte quando constatada inexistência de direito creditório. No entanto, a conversão em renda de depósito extrajudicial no mesmo valor e vinculado ao débito compensado acarreta sua extinção pelo pagamento.
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COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO INEXISTENTE. NÃO HOMOLOGAÇÃO. EXTINÇÃO DO DÉBITO POR CONVERSÃO DE DEPÓSITO EM RENDA. Incabível a homologação de compensação efetuada pelo contribuinte quando constatada inexistência de direito creditório. No entanto, a conversão em renda de depósito extrajudicial no mesmo valor e vinculado ao débito compensado acarreta sua extinção pelo pagamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 00 18 91 /2 00 3- 54 Fl. 575DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 2 Relatório 0 presente processo teve inicio em 12/03/2003, com a apresentação da declaração de compensação Dcomp e do pedido de restituição de fls. 01/02, por meio dos quais a interessada pretende compensar o débito de Cofins (código 2172) de R$ 198.065,73 e vencimento em 14/02/2003, com crédito que entende ter no valor de R$ 46.567.122,44. Tendo em vista o Parecer Conclusivo n° 26/2005 e o despacho decisório proferido no âmbito do processo n° 101580.002530/0008 (cópias às fls. 39/42), em que a Derat/RJO não reconheceu o direito creditório pleiteado e não homologou as compensações efetuadas, igualmente no presente processo, conforme despacho de fls. 45, não foi homologada a compensação de fls. 01, em razão de o direito creditório já ter sido objeto de decisão denegat6ria. Foi, então, dado prosseguimento à cobrança do débito. Cientificada em 30/04/2007 (fls. 48), a interessada apresentou (fls. 64), manifestação de inconformidade em que alegou, em síntese, que o débito não poderia ser cobrado por estar com a exigibilidade suspensa nos termos do art. 151, III, do Código Tributário Nacional CTN, tendo em vista a interdependência entre o presente processo e o de n° 10580.002530/0008 e no qual foi interposto recurso voluntário ao Conselho de Contribuinte em 02/02/2007. Concluiu que, até o proferimento de decisão irrecorrível nos autos do processo n° 10580.002530/0008, os débitos objeto de compensação estão com a exigibilidade suspensa, e pediu o cancelamento da cobrança. Em 06/06/2007, a interessada apresentou petição de juntada de guia de depósito extrajudicial (fls. 123/125) do valor integral do débito de Cofins objeto da compensação não homologada com a finalidade de obter a certidão positiva com efeito negativo, nos termos dos arts. 151, II e 206 do CTN. Acrescentou a interessada que o depósito extrajudicial foi feito apenas para obtenção da certidão, tendo em vista que o débito encontrase suspenso em razão do recurso ao Conselho de Contribuintes apresentado nos autos do processo n° 10580.002530/0008. Requereu que o pagamento do depósito não fosse convertido em renda até o encerramento daquele processo. As fls. 142, foi proferido novo despacho decisório, cientificado em 27/07/2007 (fls. 147), em que a Derat/RJO reiterou a não homologação da Dcomp de fls. 01 e informou que, ainda que o direito creditório fosse todo reconhecido, o débito não estaria alcançado pela suspensão da exigibilidade prevista no art. 151, III, do CTN, em razão do art. 48, § 3°, da IN SRF n° 600/2000. No mesmo despacho, foi dada ordem à Dicat para conversão do depósito em renda. As fls. 149/152, consta cópia do Mandado de Segurança n° 2007.51010154144, em que a interessada requereu e obteve decisão liminar para a suspensão da exigibilidade dos débitos constantes dos processos e conseqüente emissão da certidão positiva com efeitos de negativa. Fl. 576DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10768.001891/200354 Acórdão n.º 1301001.745 S1C3T1 Fl. 12 3 Cientificada em 27/07/2007 do novo despacho decisório de fls. 142, a interessada apresentou em 14/08/2007 nova manifestação de inconformidade às fls. 159, em que reiterou os argumentos expendidos às fls. 56/61 e acrescentou que o débito do presente processo estaria suspenso em razão do recurso ao Conselho de Contribuintes nos autos do processo n° 10580.002530/0008, a despeito do art. 48 da IN SRF n° 600/2005, bem como devido ao depósito extrajudicial, até que o Conselho se manifestasse quanto ao recurso interposto, cuja cópia juntou às fls. 188/204. Em 22/08/2007, foi assinada pelo Delegado da Derat/RJO a guia de levantamento de depósito (GLD — fls. 155), para conversão em renda do depósito relativo ao débito cadastrado no presente processo, de valor original de R$ 198.065,73, totalizando R$ 376.641,78 com encargos moratórios, o que foi feito, de acordo com documentos de fls.214/218. Em consulta à página do Conselho de Contribuintes na internet (fls. 221), verificase que, por unanimidade de votos, foi negado provimento ao recurso voluntário interposto no processo n° 10580.002530/0008. A DRJ/RIO DE JANEIRO I decidiu a matéria por meio do Acórdão 12 18.206, de 15/02/2008, no qual foi indeferida a solicitação, tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2003 COFINS. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO INEXISTENTE. NÃO HOMOLOGAÇÃO. EXTINÇÃO DO DÉBITO POR CONVERSÃO DE DEPÓSITO EM RENDA. Incabível a homologação de compensação efetuada pelo contribuinte quanto constatada inexistência de direito creditório. No entanto, a conversão em renda de depósito extrajudicial no mesmo valor e vinculado ao débito compensado acarreta sua extinção pelo pagamento. É o relatório. Fl. 577DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 4 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Como visto do relatório e decisão recorrida trata o presente processo de Declaração de Compensação informando débitos compensados de COFINS relativos ao período de janeiro de 2003, no valor de R$ 198.065,73. 0 crédito pleiteado tem origem em Declaração de Compensação do processo n° 10580.002530/0008, originado em razão de saldo negativo de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, decorrente da retenção do imposto de renda pela fonte pagadora, sobre pagamentos de juros remuneratórios do capital próprio (JCP). No presente recurso, insurgese a ora recorrente pelo fato de ter interposto Recurso Especial perante o Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda (doc. 04) em face dos autos do processo administrativo n° 10580.002530/0008, em que se discute as compensações realizadas no presente processo. Alega que, enquanto não tiver solução administrativa transitada em julgado no Recurso Especial, o débito discutido no presente processo encontrase suspenso nos termos do artigo 151, inciso III do Código Tributário Nacional. Aduz, mais, que, além de o v. acórdão recorrido ter ignorado completamente a possibilidade de interposição de recurso especial pela Recorrente nos autos do processo administrativo n° 10580.002530/0008, dando "definitividade" à matéria tãosomente em razão do improvimento do recurso voluntário interposto, houve por bem a mesma converter em renda os depósitos extrajudiciais realizados nos autos do presente. Pois bem. De fato, do voto recorrido se extrai a seguinte fundamentação. "0 fato de o depósito ter sido convertido em renda, por si só, não seria suficiente para extinguir a lide, tendo em vista que a interessada, mesmo cientificada, pelo despacho decisório de fls. 147, de que haveria a conversão, ainda assim manifestouse contrariamente da não homologação da compensação efetuada e requereu a suspensão do julgamento até que fosse proferida decisão do Conselho de Contribuintes relativamente ao recurso voluntário por ela interposto. Nessa linha, o Conselho de Contribuintes proferiu decisão em 23/01/2008, nos autos do processo n° 10580.002530/0008, para negar provimento, por unanimidade, ao recurso voluntário interposto pela interessada. Tal decisão confere definitividade à matéria relativa a inexistência de direito creditório, razão pela qual não cabe a homologação pretendida pela interessada. Entretanto, em razão da conversão em renda do depósito extrajudicial no valor do débito compensado, conforme fls. 214/218 e despacho da Derat/RJO de fls. 220, verificase que o débito foi extinto pelo pagamento, na forma do art. 156, I, do CTN, nada mais restando a cobrar da interessada quanto ao débito de Cofins de R$ 198.065,73." Em recente pesquisa (eprocesso) constatase que o referido Recurso Especial interposto no processo (n° 10580.002530/0008) que originou os créditos relacionados na Fl. 578DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10768.001891/200354 Acórdão n.º 1301001.745 S1C3T1 Fl. 13 5 Dcomp que se discute no presente processo, restou definitivamente não reconhecido, haja visto que, embora não tenha sido possível acessar os documentos dos autos correspondentes no e processo, devido que o mesmo encontrase excluído, da análise do Acórdão 10709.270, (Sessão de 23/01/2008), disponível no sítio do CARF na INTERNET, possibilita extrair que, por unanimidade de votos, a Sétima Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes, negou provimento ao recurso e, diante da ausência de registro que o Recurso Especial teve o seu prosseguimento para Câmara Superior de Recursos Fiscais, depreendese que o mesmo (RE) foi indeferido pelo Presidente da Câmara, restando, assim, definitiva a decisão de segunda instância. Portanto, compulsando o que consta em ambos os processos referenciados acima, podese aferir, de maneira definitiva, a decisão administrativa da não homologação das compensações pleiteadas e, tendo os valores depositados convertidos em renda em favor da União nada há a cobrar quanto ao débito da Cofins no valor de R$ 198.065,73. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 579DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES
score : 1.0
Numero do processo: 10283.909721/2009-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005
DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM.
Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-001.579
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005 DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM. Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão. Recurso voluntário provido em parte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005 DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM. Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 97 21 /2 00 9- 58 Fl. 381DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório A interessada apresentou pedido eletrônico de compensação de débitos próprios com crédito oriundo de pagamento a maior de Imposto de Importação – II e de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, com origem no período de 08/05/2001 a 12/12/2005. A compensação não foi homologada, ao fundamento de que o DARF a indicado no PER/DCOMP não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Alegado pela contribuinte o cometimento de um equívoco no preenchimento do DARF, os autos foram baixados em diligência pela DRJ, quando se constatou que o presente processo é conexo ao de nº 10283.007613/200604, por meio do qual se requereu a restituição do crédito que se pretende compensar. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sob o argumento de inexistência do direito creditório objeto do processo nº 10283.007613/200604. No prazo legal, a contribuinte apresentou recurso voluntário, cujas razões de defesa não serão relatadas em vista do que se passa a expor no voto. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP objetivando a compensação de débito próprio com crédito oriundo de pagamento indevido de II e de IPI vinculado que são objeto do processo administrativo n.º 10283.007613/200604. Como o direito à restituição foi negado, também aqui negouse o direito à compensação. Contudo, nesta mesma sessão de julgamento consideraramse indevidas as razões adotadas pela DRF de origem, e mantidas pela instância de piso, para denegar o pedido de restituição, motivo pelo qual determinouse que os autos do processo administrativo n.º 10283.007613/200604 devem retornar à DRF para que, ultrapassada a questão decidida no julgamento, estime os valores a serem restituídos. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para que a DRF de origem, após a análise do direito creditório objeto do processo administrativo n.º 10283.007613/200604, profira nova decisão quanto ao pedido de compensação. Fl. 382DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10283.909721/200958 Acórdão n.º 3202001.579 S3C2T2 Fl. 382 3 É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 383DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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Numero do processo: 13971.002316/2004-32
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003
Ementa:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO QUANTO AO ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO.
Tendo o Plenário do STF julgado inconstitucional o §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas, em decisões que se tornaram definitivas anteriormente ao julgamento do recurso voluntário, devem ser acolhidos os embargos em razão da omissão contida no acórdão e reconhecida a necessidade de as receitas financeiras serem excluídas da base de cálculo do auto de infração de COFINS.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO QUANTO AO PRAZO DECADENCIAL.
Há omissão no acórdão embargado, pois foi apreciado apenas o prazo decadencial aplicável ao IRPJ e à CSLL. Conforme a Súmula Vinculante nº 08 do STF, publicada anteriormente ao julgamento do recurso voluntário, é inconstitucional o art. 45 da Lei nº 8.212/91, sendo de cinco anos o prazo para a Fazenda proceder ao lançamento da COFINS, observando-se os arts. 150, §4º ou 173, I do CTN. Não tendo havido recolhimentos de COFINS no período colhido pela autuação fiscal, deve ser aplicado o art. 173, I do CTN no caso dos autos.
Numero da decisão: 1103-001.161
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade, acolher parcialmente os embargos para suprir a omissão no Acórdão nº 107-09.521/2008 e determinar a exclusão das receitas financeiras das bases de cálculo de PIS e Cofins.
(assinado digitalmente)
ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO QUANTO AO ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. Tendo o Plenário do STF julgado inconstitucional o §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas, em decisões que se tornaram definitivas anteriormente ao julgamento do recurso voluntário, devem ser acolhidos os embargos em razão da omissão contida no acórdão e reconhecida a necessidade de as receitas financeiras serem excluídas da base de cálculo do auto de infração de COFINS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO QUANTO AO PRAZO DECADENCIAL. Há omissão no acórdão embargado, pois foi apreciado apenas o prazo decadencial aplicável ao IRPJ e à CSLL. Conforme a Súmula Vinculante nº 08 do STF, publicada anteriormente ao julgamento do recurso voluntário, é inconstitucional o art. 45 da Lei nº 8.212/91, sendo de cinco anos o prazo para a Fazenda proceder ao lançamento da COFINS, observando-se os arts. 150, §4º ou 173, I do CTN. Não tendo havido recolhimentos de COFINS no período colhido pela autuação fiscal, deve ser aplicado o art. 173, I do CTN no caso dos autos.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. REDUÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DE DECISÃO PROFERIDA EM PROCESSO CONEXO. Não há conexão com o processo nº 13971.002315/200498, que versa sobre a exigência de diferenças de tributos apurados conforme o regime do lucro presumido, ao passo que este processo tem por objeto a aplicação do lucro arbitrado. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO QUANTO AO VENCIMENTO DO IRPJ. Não há contradição no acórdão embargado, pois não foi afirmado, no voto vencedor, que os juros moratórios incidiriam antes de dezembro de 1999, mas apenas que o fato gerador do IRPJ e da CSLL ocorre em 31 de dezembro. Ainda que houvesse tal afirmação, deve ser considerado que, no caso dos autos, o período de apuração é trimestral (lucro arbitrado), mas a legislação prevê a realização de recolhimentos mensais a título de antecipação, de modo que o prazo decadencial da obrigação tributária principal será trimestral e o dos juros de mora será mensal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO QUANTO AO VENCIMENTO DA CSLL. Não há contradição no acórdão embargado, pois não foi afirmado, no voto vencedor, que os juros moratórios incidiriam antes de dezembro de 1999, mas AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 23 16 /2 00 4- 32 Fl. 1367DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13971.002316/200432 Acórdão n.º 1103001.161 S1C1T3 Fl. 1.368 2 apenas que o fato gerador do IRPJ e da CSLL ocorre em 31 de dezembro. Ainda que houvesse tal afirmação, deve ser considerado que, no caso dos autos, o período de apuração é trimestral (lucro arbitrado), mas a legislação prevê a realização de recolhimentos mensais a título de antecipação, de modo que o prazo decadencial da obrigação tributária principal será trimestral e o dos juros de mora será mensal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO QUANTO AO ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. Tendo o Plenário do STF julgado inconstitucional o §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas, em decisões que se tornaram definitivas anteriormente ao julgamento do recurso voluntário, devem ser acolhidos os embargos em razão da omissão contida no acórdão e reconhecida a necessidade de as receitas financeiras serem excluídas da base de cálculo do auto de infração de PIS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO QUANTO AO PRAZO DECADENCIAL. Há omissão no acórdão embargado, pois foi apreciado apenas o prazo decadencial aplicável ao IRPJ e à CSLL. Conforme a Súmula Vinculante nº 08 do STF, publicada anteriormente ao julgamento do recurso voluntário, é inconstitucional o art. 45 da Lei nº 8.212/91, sendo de cinco anos o prazo para a Fazenda proceder ao lançamento do PIS, observandose os arts. 150, §4º ou 173, I do CTN. Não tendo havido recolhimentos de PIS no período colhido pela autuação fiscal, deve ser aplicado o art. 173, I do CTN no caso dos autos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO QUANTO AO ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. Tendo o Plenário do STF julgado inconstitucional o §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas, em decisões que se tornaram definitivas anteriormente ao julgamento do recurso voluntário, devem ser acolhidos os embargos em razão da omissão contida no acórdão e reconhecida a necessidade de as receitas financeiras serem excluídas da base de cálculo do auto de infração de COFINS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO QUANTO AO PRAZO DECADENCIAL. Fl. 1368DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13971.002316/200432 Acórdão n.º 1103001.161 S1C1T3 Fl. 1.369 3 Há omissão no acórdão embargado, pois foi apreciado apenas o prazo decadencial aplicável ao IRPJ e à CSLL. Conforme a Súmula Vinculante nº 08 do STF, publicada anteriormente ao julgamento do recurso voluntário, é inconstitucional o art. 45 da Lei nº 8.212/91, sendo de cinco anos o prazo para a Fazenda proceder ao lançamento da COFINS, observandose os arts. 150, §4º ou 173, I do CTN. Não tendo havido recolhimentos de COFINS no período colhido pela autuação fiscal, deve ser aplicado o art. 173, I do CTN no caso dos autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade, acolher parcialmente os embargos para suprir a omissão no Acórdão nº 10709.521/2008 e determinar a exclusão das receitas financeiras das bases de cálculo de PIS e Cofins. (assinado digitalmente) ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela contribuinte às fls. 1361 1365 contra o acórdão nº 10709.521, por meio do qual a Sétima Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes negou provimento ao recurso voluntário. Pela sua pertinência, transcrevo parte do relatório de tal acórdão: “A Recorrente foi autuada por pagamento insuficiente do Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) nos anoscalendário de 1999 a 2003, identificando a fiscalização divergência entre os valores declarados e pagos e aqueles registrados na contabilidade. O lançamento foi impugnado pela Recorrente (fls. 362413), pelos seguintes argumentos: (i) nulidade da autuação por extrapolação do prazo para fiscalizar; (ii) decadência parcial do direito de lançar, Fl. 1369DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13971.002316/200432 Acórdão n.º 1103001.161 S1C1T3 Fl. 1.370 4 posto que desrespeitado o prazo quinquenal estabelecido no art. 150, §4º, do CTN; (iii) a impossibilidade do arbitramento; (iv) as divergências apontadas pela fiscalização decorrem da errônea determinação da base de cálculo do IRPJ, posto que, tratandose de empresa que se dedica ao agenciamento, locação e cessão de mãode obra, somente teriam relevância tributária os valores recebidos a título de “taxa de administração”, devendo ser excluídos todos os “repasses” financeiros efetuados para fins de quitação de salários e encargos sociais; (iv) inadmissibilidade da aplicação de multa de ofício superior a 75%, (v) inaplicabilidade da utilização da Taxa Selic para fins de correção monetária do crédito tributário. A impugnação foi rejeitada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis (SC) por decisão assim ementada: (...) Contra a decisão interpôs o contribuinte o recurso voluntário de fls. 452499, arguindo: (i) nulidade da decisão, ante a recusa da Delegacia de Julgamento de analisar o argumento de inconstitucionalidade suscitado, o que caracterizaria cerceamento do direito de defesa; (ii) nulidade do lançamento por extrapolação do prazo para fiscalizar; (iii) decadência do direito de lançar, por aplicação da regra do art. 150, §4º, do CTN; (iv) ilegalidade do arbitramento, vez que obtiveram as autoridades fiscais o valor da receita bruta auferida nos períodos fiscalizados através do dissecar do livro de apuração do Imposto sobre Serviços (ISS); (v) a obrigatoriedade de incidência do IRPJ somente sobre o valor percebido pelas empresas de agenciamento de mãodeobra a título de “taxa de administração”, (vi) ilegalidade da aplicação de multa agravada; e (vii) ilegalidade da ação da Taxa Selic como critério de correção do crédito tributário.” Na sessão de julgamento realizada em 15/10/2008, a Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes negou provimento ao recurso voluntário por unanimidade de votos. Nos termos do voto do relator, (i) as instâncias administrativas não podem afastar a aplicação de lei com fundamento em inconstitucionalidade; (ii) não há nulidade em razão do desbordamento do prazo para a execução do MPF; (iii) não houve decadência parcial, pois a contribuinte foi cientificada dos autos de infração em 22/12/2004 e os fatos geradores mais remotos de IRPJ e CSLL ocorreram em 31/12/1999; (iv) está correto o arbitramento realizado a partir do livro de apuração do ISS; (v) as empresas optantes pelo lucro presumido devem submeter à tributação a totalidade dos valores recebidos em decorrência da prestação de serviços, não cabendo excluir da base de cálculo os custos inerentes à prestação; (vi) deve ser Fl. 1370DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13971.002316/200432 Acórdão n.º 1103001.161 S1C1T3 Fl. 1.371 5 mantida a multa “agravada” pois foi demonstrado o evidente intuito de fraude e a conduta dolosa reiterada; e (vii) deve ser aplicada a taxa Selic nos moldes da Súmula nº 4º do 1º CC. Nos embargos de declaração de fls. 13611365 a contribuinte alegou que: i. O Acórdão não analisou a necessidade de expurgar do lançamento os valores relativos ao alargamento da base de cálculo (receitas financeiras). Cita o julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.235 pelo STF; ii. O Acórdão não apreciou o prazo decadencial aplicável ao PIS e à Cofins. Em processo conexo (13971.002315/200498), a Sétima Câmara entendeu pela ocorrência da decadência em relação aos três primeiros trimestres de 1999; iii. Houve contradição porque o julgador afirmou que os fatos geradores do IRPJ e da CSLL ocorreram em 31/12/1999, mas fixou o início da contagem dos juros moratórios em meses anteriores a 12/1999; e iv. No julgamento do processo 13971.002315/200498, conexo ao presente, a Sétima Câmara reduziu a multa para 75% porque o lançamento ocorreu com base nos registros contábeis da empresa. É o relatório. Voto Conselheiro Breno Ferreira Martins Vasconcelos Os embargos de declaração foram opostos por parte legítima, tempestivamente, além de reunir os demais pressupostos de admissibilidade. Devem, portanto, ser conhecidos. Nos termos do artigo 65 do Anexo II do RICARF, os embargos de declaração são cabíveis quando identificada no acórdão a ocorrência de obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria se pronunciar a Turma. Verificarei, a seguir, se os argumentos tecidos nos Embargos de Declaração sob julgamento enquadramse em tais hipóteses. Omissão quanto ao alargamento da base de cálculo do PIS/COFINS Conforme relatado, a contribuinte alega haver omissão no acórdão embargado por não ter sido apreciada a necessidade de expurgar do lançamento os valores relativos ao alargamento da base de cálculo (receitas financeiras). Fl. 1371DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13971.002316/200432 Acórdão n.º 1103001.161 S1C1T3 Fl. 1.372 6 Realmente não foram analisadas, no acórdão embargado, as alegações tecidas pela contribuinte às fls. 1.3021.311 no sentido de que a contribuição ao PIS e a Cofins não podem ser exigidas sobre a totalidade das receitas, nos moldes do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, de modo que não poderia a autoridade fiscal ter incluído as receitas financeiras na base de cálculo dos respectivos autos de infração. Com efeito, nos autos dos Recursos Extraordinários nºs 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, julgados no dia 09/11/2005, o Plenário do Supremo Tribunal Federal considerou “inconstitucional o §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 27/11/1998, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada” (trecho da ementa do julgamento do RE 390.840/MG). Também na sessão de julgamento realizada no dia 10/09/2008, o Plenário do STF julgou o §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 inconstitucional e reconheceu a repercussão geral da matéria (nos autos do Recurso Extraordinário nº 585.235, conforme o acórdão publicado em 28/11/2008). O referido dispositivo foi considerado inconstitucional por ter disposto que a base de cálculo da contribuição ao PIS e da Cofins cumulativas corresponderia ao faturamento, assim entendido como a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica. Essa disposição, no entendimento dos Ministros do STF, violou o art. 110 do CTN, pois modificou o conceito de faturamento (sinônimo de receita bruta, que corresponde apenas às receitas provenientes da venda de mercadorias e, ou serviços) e utilizou base de cálculo não autorizada pelo art. 195 da Constituição Federal (o que não foi supervenientemente constitucionalizado pela EC 20, de 15/12/1998). Tendo em vista que os acórdãos proferidos pelo Plenário do STF no julgamento dos Recursos Extraordinários nºs 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG transitaram em julgado no dia 05/09/2006, o entendimento manifestado pelos Ministros deveria ter sido aplicado pela Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes ao caso destes autos para afastar a incidência das contribuições sobre valores que não compõem a receita bruta da embargante, pois, nos termos do art. 49, I, do Regimento dos Conselhos de Contribuintes (aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25/06/2007), vigente à época do julgamento do recurso voluntário, a aplicação de lei poderia ser afastada sobre fundamento de inconstitucionalidade nos casos em que o dispositivo houvesse sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do STF. Registro que o próprio autuante afirmou, no termo de verificação fiscal, ter computado na base de cálculo do PIS e da Cofins as receitas financeiras, notadamente nos Fl. 1372DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13971.002316/200432 Acórdão n.º 1103001.161 S1C1T3 Fl. 1.373 7 Anexos A (“receitas de aplicações financeiras – informações das DIRF’s” – fls. 990994) e B (“demonstrativo das DIRF’s das instituições financeiras” – fls. 9951004). Sendo assim, assiste razão à contribuinte nesse ponto, isto é, devem ser acolhidos os embargos em razão da omissão contida no acórdão e reconhecida a necessidade de as receitas financeiras serem excluídas da base de cálculo dos autos de infração de PIS e Cofins. Omissão quanto ao prazo decadencial aplicável ao PIS/COFINS O acórdão embargado incorreu em omissão também quanto a este ponto. Às fls. 1.277 a contribuinte afirmou, em relação aos débitos de CSLL, PIS e Cofins, que a jurisprudência vinha reconhecendo a inaplicabilidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91, o qual previa o prazo decadencial decenal, mas, às fls. 1.334, foi apreciada apenas a ocorrência da decadência em relação aos débitos de IRPJ e CSLL. Constatada essa omissão, cumpre analisar se os tributos em questão foram atingidos pela decadência, assim como alegou a contribuinte em seu recurso voluntário. Conforme a Súmula Vinculante nº 08 do STF, publicada no DJE de 20/06/2008 – isto é, anteriormente ao julgamento do recurso voluntário, que ocorreu em 15/10/2008 – é inconstitucional o art. 45 da Lei nº 8.212/91, ou seja, o prazo para a Fazenda proceder ao lançamento do PIS e da COFINS é de cinco anos, observandose os arts. 150, §4º ou 173, I do CTN. Tendo em vista, mais uma vez, o que previa o art. 49, I, do Regimento dos Conselhos de Contribuintes (aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25/06/2007), vigente à época do julgamento do recurso voluntário, o entendimento contido na Súmula Vinculante nº 08 deveria ter sido aplicado pela Sétima Câmara do Conselho de Contribuintes nestes autos. Dessa forma, analisarei adiante se, em relação aos débitos de PIS e Cofins exigidos nestes autos, o prazo decadencial de cinco anos deve ser contado nos moldes do art. 150, §4º ou do art. 173, I do CTN. Tendo em vista que a contribuinte foi cientificada da lavratura dos autos de infração em 22/12/2004, deve ser analisado, em um primeiro momento, se houve pagamento parcial de tais tributos no anocalendário de 1999, único que pode ter sido atingido pela decadência. Fl. 1373DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13971.002316/200432 Acórdão n.º 1103001.161 S1C1T3 Fl. 1.374 8 Atualmente, por força do art. 62A do Anexo II do RICARF, é imperiosa a observância, pelos membros deste Conselho, do entendimento adotado pelo STJ no julgamento do Recurso Especial nº 973.733, considerado representativo de controvérsia, segundo o qual o prazo decadencial, em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, será regido (i) pelo art. 150, §4º do CTN quando houver declaração ou pagamento antecipado do tributo e (ii) pelo art. 173, I do CTN (ii.1) quando não ocorrer a declaração ou o pagamento antecipado ou (ii.2) quando houver declaração ou antecipação, mas constatada a prática de dolo, fraude ou simulação. É importante analisar, assim, se foram recolhidos PIS e Cofins pela embargante no período colhido pelos autos de infração. Conforme se verifica do auto de infração lavrado para a exigência de PIS, notadamente às fls. 11001101, a embargante não efetuou o recolhimento dessa contribuição durante todo o período colhido pela autuação, isto é, de janeiro de 1999 a dezembro de 2003, razão pela qual, partindo das premissas acima descritas, tal tributo está sujeito ao prazo decadencial contado nos moldes do art. 173, I do CTN. Sendo aplicado esse dispositivo, o prazo para a realização do lançamento de ofício teve início, em relação ao fato gerador mais antigo (31/01/1999), apenas no dia 1º/01/2000 (primeiro dia do exercício seguinte ao do que poderia ter acontecido o lançamento), de modo que a autoridade fiscal poderia ter realizado o lançamento até janeiro de 2005. Afasto, portanto, a alegação de decadência em relação à PIS. O mesmo raciocínio acima pode ser aplicado à Cofins, pois, conforme fls. 11131114, igualmente não houve pagamento antecipado de tal contribuição no período colhido pela autuação fiscal. Sendo assim, também afasto a alegação de decadência dos débitos de Cofins. Registro, por fim, que a contribuinte não produziu prova de que realizou o pagamento antecipado ou apurou e declarou débitos de PIS e Cofins no período em questão, razão pela qual realizei a análise acima exclusivamente com base nos elementos trazidos aos autos pela autoridade fiscal. Contradição quanto ao vencimento do IRPJ e da CSLL Afirmou a contribuinte haver a seguinte contradição: “Quando o v. acórdão determina o marco inicial da contagem do prazo decadência, na análise das preliminares, o julgador afirma que o fato Fl. 1374DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13971.002316/200432 Acórdão n.º 1103001.161 S1C1T3 Fl. 1.375 9 gerador do IRPJ e da CSLL ocorrem em 31/12/1999. De outro lado, fixa o início da contagem dos juros moratórios (vencimento dos tributos) nos meses anteriores a 12/1999. Ora, o vencimento dos tributos ocorre antes da ocorrência do fato gerador? Impõese, pois o necessário pronunciamento sobre mais esse ponto omisso no acórdão.” (fls. 1364) Analisei minuciosamente o acórdão embargado e não identifiquei afirmação atribuída pela Embargante ao Relator de que os juros moratórios incidiriam antes de dezembro de 1999, mas apenas a afirmação de que o fato gerador do IRPJ e da CSLL ocorre em 31 de dezembro (fls. 1333). De toda forma, ainda que tal afirmação constasse do acórdão embargado, é cediço que (i) os fatos geradores do IRPJ e da CSLL aperfeiçoamse no encerramento do período de apuração – o qual, no caso destes autos, que envolve a aplicação do lucro arbitrado, ocorre trimestralmente –, mas (ii) a legislação tributária prevê a realização de recolhimentos mensais a título de antecipação do tributo devido e que será apurado no encerramento do período (trimestral), de modo que o termo inicial do prazo decadencial da obrigação principal será trimestral e o dos juros de mora será mensal. Desse modo, não acolho a alegação de contradição. Redução da multa de ofício, conforme processo conexo Por fim, afirmou a contribuinte que o acórdão embargado divergiu daquele proferido nos autos do processo administrativo nº 13971.002315/200498, em que foi afastada a qualificação da multa de ofício, pois os processos envolvem “matéria conexa, referindose ao mesmo lançamento” (fls. 1365). No julgamento do recurso voluntário interposto pela embargante nos autos do processo administrativo nº 13971.002315/200498 realmente foi afastada a qualificação da multa de ofício, conforme a ementa abaixo: “CSLL. TERCERIZAÇÃO DE MÃODEOBRA. BASE DE CÁLCULO. As empresas que se dedicam ao agenciamento e locação de mãode obra, optantes pela tributação sob a sistemática do lucro presumido, devem recolher a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido calculada sobre a totalidade de suas receitas, não sendo admissível a exclusão das parcelas utilizadas para pagamento de salários e encargos sociais, que constituem custo da atividade. NULIDADE. EXTRAPOLAÇÃO DO Fl. 1375DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13971.002316/200432 Acórdão n.º 1103001.161 S1C1T3 Fl. 1.376 10 PRAZO DE CONCLUSÃO DO PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO. A conclusão do procedimento de fiscalização após o encerramento do prazo fixado no Mandado de Procedimento Fiscal não determina a nulificação do lançamento, tendo apenas o efeito de devolver a espontaneidade ao contribuinte. MULTA AGRAVADA. ART. 44, II, DA LEI Nº. 9.430/96. Somente se aplica multa agravada nos casos em que se identifica fraude evidente. É de se abrandar a penalidade quando o lançamento é realizado com esteio nos registros contábeis do contribuinte.” (Acórdão nº 10709.185, de 17/10/2007, Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, Rel. Cons. Hugo Correia Sotero) Ocorre que, ao contrário do quanto alegado pela embargante, a despeito de terem decorrido do mesmo procedimento de fiscalização, o processo nº 13971.002315/200498 e o presente processo versam sobre questões distintas. Isso porque nos autos do processo nº 13971.002315/200498 foram exigidas, apenas, diferenças de CSLL devidas conforme o regime do lucro presumido nos anos de 1999, 2000 e 2003. Tais diferenças decorreram do fato de que a contribuinte submeteu à tributação apenas as comissões recebidas em razão da intermediação de mão de obra, mas a autoridade fiscal entendeu que a integralidade dos valores pagos pelos clientes da embargante corresponderia à sua receita bruta e, portanto, deveria ter sido incluída na base de cálculo da CSLL. Naquele caso, a Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes acolheu o pedido da recorrente de redução da multa de ofício porque a autuação fiscal foi lavrada com base na própria escrituração da contribuinte, tendo decorrido de mera divergência de interpretação da legislação tributária. Registro, apenas, que, ao compulsar os autos do processo nº 13971.002315/200498, verifiquei que, na verdade, não foi aplicada multa qualificada sobre as diferenças de CSLL, mas sim exigida a multa de ofício no percentual de 75%. A bem da verdade, apenas foi exigida a multa qualificada sobre os débitos de IRPJ e CSLL controlados no presente processo administrativo e que, diferentemente da situação descrita acima, foram apurados conforme o regime do lucro arbitrado (anos calendário 2001 e 2002), aplicado de ofício. Nesses casos, a autoridade fiscal qualificou a multa porque a contribuinte não submeteu a integralidade de suas receitas à tributação pelo IRPJ e pela CSLL, tendo apresentado DIPJ e DCTF zeradas. O mesmo critério foi observado em relação aos débitos de PIS e Cofins relativos ao período de 1999 a 2003, os quais sofreram Fl. 1376DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13971.002316/200432 Acórdão n.º 1103001.161 S1C1T3 Fl. 1.377 11 a incidência da multa qualificada por não ter havido recolhimento das contribuições, tampouco informação em declarações ao longo de todo o período. Diante desse cenário, não assiste razão à embargante quanto à afirmação de que a conclusão alcançada pelo colegiado no julgamento do processo nº 13971.002315/2004 98 em relação à multa qualificada deve ser reproduzida nestes autos. Conclusão Diante do exposto, conheço dos Embargos e lhes dou provimento parcial para determinar a exclusão das receitas financeiras da base de cálculo dos autos de infração de PIS e Cofins. É o meu voto. Sala das Sessões, em 03 de fevereiro de 2015. (assinado digitalmente) Breno Ferreira Martins Vasconcelos Relator Fl. 1377DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 11020.000423/2005-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 02 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1101-000.042
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acórdão os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente designado para formalização de acórdão.
JOSÉ RICARDO DA SILVA - Relator
JOSELAINE BOEIRA ZATORRE - Relatora 'ad hoc' designada para formalização do acórdão.
Participaram desse julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), José Ricardo da Silva (Vice-Presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e Nara Cristina Takeda Taga.
Nome do relator: JOSE RICARDO DA SILVA
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Acórdão os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente designado para formalização de acórdão. JOSÉ RICARDO DA SILVA Relator JOSELAINE BOEIRA ZATORRE Relatora 'ad hoc' designada para formalização do acórdão. Participaram desse julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), José Ricardo da Silva (VicePresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e Nara Cristina Takeda Taga. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 20 .0 00 42 3/ 20 05 -2 1 Fl. 378DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 11020.000423/200521 Resolução nº 1101000.042 S1C1T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário submetido à apreciação deste Colegiado, interposto em face do Acórdão nº 1015.745, sessão de 13/03/2008 (fls. 295/301), proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Porto Alegre – RS, que indeferiu a solicitação da Recorrente para compensar seus débitos de CSLL com base de cálculo estimativa (cód. 2484) dos mesescalendários de jan. a ago./2003 (fls. 05/07) com créditos decorrentes do saldo negativo dessa contribuição, anocalendário 2002 (fls. 01/04). Conforme Pedido de Ressarcimento ou Restituição (fls. 01/04), formalizado pela Recorrente em 10/02/2005, os créditos correspondem ao valor original de R$644.107,86 que atualizado pela taxa SELIC 10,56% equivale a R$712.125,55 que, no entender da Recorrente, são suficientes para quitar os débitos das parcelas estimativas de CSLL dos meses acima mencionados, a saber: DCOMP (fls. 05/07) CSLL cód. 2484 Período apuração Vencimento Valor a compensar Parcela estimativa Jan./2003 28/02/03 30.574,11 Parcela estimativa Fev./2003 31/03/03 33.588,27 Parcela estimativa Mar./2003 30/04/03 62.121,37 Parcela estimativa Abr./2003 30/05/03 71.126,71 Parcela estimativa Mai./2003 30/06/03 176.870,54 Parcela estimativa Jun./2003 31/07/03 109.606,16 Parcela estimativa Jul./2003 29/08/03 112.244,35 05757.26864.130804.1.3.033961 Parcela estimativa Ago./2003 30/09/03 115.971,42 O pleito da Recorrente foi indeferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Caxias do SUL – RS, nos termos do Despacho Decisório DRF/CXL nº 199, de 10/07/2007, assim ementado: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 Ementa: Compensação não homologada por inexistência do crédito informado. Compensação não homologada. A autoridade fiscal fundamentou sua decisão nos seguintes pontos: a) As estimativas da CSLL dos meses de jan. a jun./2002 e parcialmente de jul./2002 foram declaradas em DCTF (fls.19/29) com a informação de que referidos débitos foram compensados vinculados à DCOMP nº 33455.47009.160804.1.7.0372, examinados no Processo nº 11020.000424/200575; b) As compensações das estimativas da CSLL do valor remanescente de jul./2002 e ago. a nov./2002 foram vinculadas ao crédito oriundo do processo judicial nº 87.00005444; c) As compensações objeto do citado Processo nº 11020.000424/200575 não podem compor o saldo negativo da CSLL, anocalendário 2002, vez que não foram homologadas, conforme Despacho Decisório DRF/CXL nº 1, de 10/01/2006 (fls.37/39), inclusive não há quitação do débito feito pela Recorrente em data posterior; Fl. 379DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 11020.000423/200521 Resolução nº 1101000.042 S1C1T1 Fl. 4 3 d) Quanto às compensações declaradas com base em créditos reconhecidos judicialmente nos autos do Processo nº 87.00005444, a Recorrente não poderia deles se beneficiar por três razões principais: à época das compensações, os créditos judiciais não se revestiam de liquidez e certeza, exigência do art. 170A do CTN; os referidos créditos foram adquiridos de terceiro, por Cessão de Direito feito pela empresa Cia. Hering, com substituição processual em nome da Recorrente (fls. 40/42), vedada sua utilização para compensação de débitos tributários pelo art. 170 do CTN, e Instruções Normativas SRF nºs 41, de 2000 (art. 1º) e 210, de 2002 (art. 30); nos termos do despacho exarado naqueles autos, em sede de Agravo de Instrumento (fls. 43), a verba correspondente não tem natureza de crédito tributário, mas de uma indenização substitutiva imposta coercitivamente à União, cuja compensação baseada nessa verba contraria as disposições do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. c) Considerando que não foram homologadas as compensações dos débitos vinculados aos mencionados créditos judiciais, referidas dívidas das estimativas da CSLL de jul. a nov./2002, foram cobradas mediante formalização de Auto de Infração de que trata o Processo nº 11020.003072/200348, de acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 35) e extrato do Sistema PROFISC (fls. 58/60). Notificado da r. decisão (fls. 69/70), a Recorrente apresentou sua Manifestação de Inconformidade (fls. 72/108), anexando farta documentação (fls. 109/291). Em sua defesa, argüiu o que segue: A legislação tributária, com destaque para o art. 222 do Regulamento do Imposto de Renda, de 1999 (RIR/1999), o art. 2º da Lei nº 9.430, de 1996, e os arts. 35, inciso II, e 44, da IN SRF nº 390, de 2004, autoriza a compensação de saldo negativo de CSLL apurada nas declarações do contribuinte; No presente processo, o saldo negativo decorreu das parcelas estimativas compensadas em valor superior à CSLL devida ao final do anocalendário de 2002, mediante a utilização dos créditos judiciais discutidas administrativamente nos autos do Processo nº 11020.000037/200377, que ainda está pendente de julgamento, face à interposição de recurso especial. A Recorrente alegou o incidente de prejudicialidade lógica, pois na hipótese de o recurso ser julgado favoravelmente a ela, a decisão influenciará o julgamento da matéria deste contencioso administrativo; Para justificar a legitimidade do saldo negativo, a Recorrente demonstrou a origem dos créditos que suportaram as compensações, bem como os fatos ocorridos acerca da não homologação da compensação das parcelas estimativas da CSLL, vinculadas ao dito crédito; Em Ação Ordinária Declaratória, a Cia. Hering requereu a diferença do crédito prêmio de IPI do período de 01/04/1981 a 30/04/1985. Somente em sede de Embargos de Declaração, o TRF/1ª Região julgou procedente o pedido com relação aos fatos geradores ocorridos entre 19/12/1981 a 30/04/1985, determinando fosse calculada na forma do Decreto Lei nº 491, de 1969 e do Decreto nº 64.833, de 1969, sem as exclusões e reduções previstas nas Portarias MF nºs 78, 89 e 292, de 1981; Fl. 380DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 11020.000423/200521 Resolução nº 1101000.042 S1C1T1 Fl. 5 4 Ao final, em julgamento ao Recurso Especial interposto, o STJ reformou o r. acórdão do TRF/1ª Região, para declarar que o termo inicial dos juros de mora (1% ao mês) é o trânsito em julgado da decisão, observado o § 1º, art. 161 e parágrafo único, art. 167 do CTN. Com relação à correção monetária do crédito prêmio, é cabível e a conversão das exportações deveria ser feita pela taxa de câmbio em vigor no dia em que efetuado o crédito, observado o prazo prescricional qüinqüenal; O trânsito em julgado da decisão foi certificado em 04/10/2002. Após este fato, a titular dos créditos, Cia Hering, requereu a substituição processual pleiteando a admissão da Recorrente (cessionária) no pólo ativo da ação, a qual foi aceita nos termos da decisão interlocutória datada de 16/10/2002; A União ingressou com Agravo de Instrumento, sendolhe negado efeito suspensivo, assim como os demais recursos intentados, até última instância, com acórdão publicado em 25/06/2007; Com a certificação do trânsito em julgado, não restam dúvidas de que a titularidade dos créditos pertence à Recorrente, que preferiu não efetuar a execução, optando por requerer a restituição dos créditos para compensação dos débitos tributários, instruindo o pedido nos termos do art. 17, §§ 1º e 2º das IN SRF nºs 21 e 73, ambas de 1997; Colacionou jurisprudência dos Tribunais, com o entendimento de que “ocorrido o trânsito em julgado da decisão que determinou a repetição do indébito, é facultado ao contribuinte manifestar a opção de receber o respectivo crédito por meio de precatório regular ou mediante compensação, uma vez que ambas as modalidades constituem formas de execução do julgado colocadas à disposição da parte quando procedente a ação.” (REsp 509585/MG, DJ 05/12/2006, p. 244). Não há que se falar em desistência da ação de execução, vez que não ajuizado qualquer pedido; Quando da formalização do pedido na Receita Federal, a Recorrente já estava investida da condição de titular dos créditos, e já havia ocorrido o trânsito em julgado da decisão (04/10/2002), não assistindo razão a alegação de que os créditos não gozavam de liquidez e certeza, como exigido pelo art. 170A do CTN; O art. 74, da Lei nº 9430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002, no qual foi fundamentada a não homologação das compensações, apenas faz menção a “crédito” sem dispor sobre sua natureza, se tributária ou indenizatória. O dispositivo autoriza o sujeito passivo à compensação de débitos tributários com créditos que apurar, inclusive judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrados pela Receita Federal; Não existe óbice legal para a transferência da titularidade do crédito e, no caso dos autos, a transferência se deu por instrumento particular de cessão de direito, de conformidade com o inciso II do art. 567 do CPC, devidamente homologada pelo Juiz da causa (fls. 42). Assim, não restando dúvidas sobre a legitimidade do direito da Recorrente, esta tem a opção de promover a execução judicial (art. 547, inciso II, do CPC), ou de pleitear, administrativamente, sua utilização para compensação de débitos tributários, encaixandose perfeitamente na regra do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996; Não se aplica ao presente caso o disposto no art. 123 do CTN, visto que trata de transferência da obrigação tributária de pagar tributo; Fl. 381DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 11020.000423/200521 Resolução nº 1101000.042 S1C1T1 Fl. 6 5 Contra a Recorrente foi lavrado Auto de Infração, com a formalização do Processo nº 11020.003072/200348, para a exigência dos débitos tributários, cuja compensação pleiteada no Processo nº 11020.000037/200377 não foi homologada, sob a justificativa de que não tendo sido aceitos os créditos (de terceiros), não poderiam ser consideradas quitadas as estimativas da CSLL e, portanto inexistente o saldo negativo da respectiva contribuição; É descabida a autuação, considerando que a Recorrente instaurou o contencioso administrativo, com a apresentação da Manifestação de Inconformidade questionando a decisão que não homologou as compensações, restando suspensa a exigibilidade dos referidos débitos, nos termos do art. 151, inciso III, do CTN; Diante de tal fato, a Recorrente impetrou Mandado de Segurança, autuado sob o nº 2004.71.0048792, sendolhe negada a segurança. Contudo, em sentença, foi ordenado o prosseguimento dos procedimentos de cobrança condicionados ao desfecho dos recursos administrativos interpostos pela Recorrente no Processo nº 11010.000037/200337. Dessa decisão judicial, a Recorrente ingressou com o recurso de Apelação no TRF/4ª Região, que à data da formulação destas razões de defesa encontravase aguardando julgamento; Desta forma, a exigência tributária somente poderia ocorrer quando houvesse o trânsito em julgado da decisão proferida no processo administrativo que deixou de homologar as compensações; Além disso, os débitos objeto de compensação encontramse declarados em DCTF e, por se tratar de instrumento hábil, a dívida ali confessada está sendo cobrada, por meio da Carta Cobrança n. 150/2007/ARF/SORAC/BGS, constituindose em cobrança em duplicidade; À guisa de sua defesa, a Recorrente colacionou farta jurisprudência administrativa e dos Tribunais. Ao final, requereu: (i) fosse recebida a Manifestação de Inconformidade, suspendendose a exigibilidade do crédito tributário vinculado, até decisão final, com a conseqüente desconsideração da Carta Cobrança; (ii) o seu total provimento, considerando que está comprovada a liquidez e certeza dos créditos à vista do trânsito em julgado da decisão judicial; (iii) a homologação das compensações dos débitos, nos termos do art. 74, § 2º, da Lei nº 0.430, de 1996, com as alterações introduzidas pela Lei nº 10.637, de 2002, c/c arts. 106, inciso I e 156, inciso II, do CTN; ( iv) seja sustado o julgamento do presente processo até que o de nº 11020.000037/200377 tenha decisão definitiva; (v) seja provado o alegado por todos os meios de prova admitidos em direito. A matéria foi julgada em primeira instância pela 1ª Turma da DRJ/POA, em sessão de 13/03/2008, decidindo aquele colegiado, por unanimidade de votos, indeferir a solicitação da Recorrente. A decisão está consubstanciada no Acórdão nº 1015.745, resumida na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL Anocalendário: 2002 CSLL. COMPENSAÇÃO DE SALDO NEGATIVO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO CONTRA A FAZENDA. É condição para compensação de crédito contra a Fazenda Pública a sua liquidez e certeza. Se as parcelas da estimativa que originaram o saldo credor da CSLL não foram extintas, dado o indeferimento da sua anterior compensação, inexiste o direito creditório pleiteado e, por conseqüência, o direito à compensação. Fl. 382DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 11020.000423/200521 Resolução nº 1101000.042 S1C1T1 Fl. 7 6 CARTA COBRANÇA. EXIGÊNCIA DE DÉBITOS. RECLAMAÇÃO. FALTA DE COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO PELAS DRJ. A apreciação de inconformidade do contribuinte sobre cobrança de crédito tributários em duplicidade e formalizada em cartacobrança, foge à competência das DRJ, especialmente quando parte destes débitos está sendo discutida judicialmente. Solicitação Indeferida. Inconformada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 307/354), argüindo em sua defesa os mesmos fundamentos de fato e de direito apresentados na impugnação. Ao final, requereu: seja recebido o Recurso Voluntário e ao final provido, suspendendose a exigibilidade dos créditos tributários vinculados ao processo até que seja proferida decisão definitiva, bem como, seja desconsiderada a Carta Cobrança nº 048/2008/ARF/Sorac (fls. 302/303); a reforma da decisão recorrida de primeira instância, considerando que ficou comprovado ser o crédito líquido, certo e plenamente exigível, originário de ação, cuja decisão transitou em julgado; a homologação na totalidade das compensações pleiteadas, nos termos dos arts. 106, inciso I e 156, inciso II, ambos do CTN, e do art. 74, § 2º, da Lei nº 9.430, de 1996, pois a compensação de débitos tributários é meramente declaratória, que no caso de homologação definitiva das compensações discutidas no Processo nº 11020.000037/200377, pode tornar sem efeito a homologação das compensações examinadas no presente processo; seja sustado o julgamento deste contencioso administrativo até que o desfecho do Processo nº 11020.000037/200377; a produção de provas por todos os meios admitidos em direito, a juntada dos extratos dos processos em nome da Requerente, que estão em tramitação, especialmente do Processo nº 11020.000037/200377, de forma a comprovar que este ainda tramita na repartição. É o relatório. Fl. 383DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 11020.000423/200521 Resolução nº 1101000.042 S1C1T1 Fl. 8 7 VOTO Conselheiro José Ricardo da Silva O recurso é tempestivo e reúne as condições para sua admissibilidade. A matéria tributária posta para reexame nesta instância recursal diz respeito à compensação de débitos tributários da Recorrente (fls. 05/10), com o saldo negativo da CSLL do anocalendário 2002. As justificativas apresentadas pela autoridade julgadora a quo sobre a matéria de mérito, também foram no sentido de que as referidas parcelas estimativas da CSLL não poderão ser consideradas para fins de apuração do saldo negativo da contribuição, no ano calendário 2002, vez que não foram extintas, quer pelo pagamento, quer pela ulterior homologação das compensações. A seguir transcrevo excertos do Voto condutor do acórdão recorrido: Quanto ao mérito, a questão central do litígio repousa em se saber se as parcelas do imposto devido por estimativa no anocalendário foram ou não liquidadas, cabendo ou não consideralas para efeito de apuração do saldo negativo anual da CSLL de 2002. No tocante às parcelas dos meses de janeiro a junho e parte de julho de 2002, vejo que as mesmas foram objeto de compensação no processo nº 11020.000424/200575, indeferida pela autoridade administrativa em decisão mantida por esta Turma na sessão de 05/03/08. Não houve, assim, homologação do crédito tributário, não havendo que se cogitar no seu pagamento ou extinção, e, portanto, de sua restituição ou compensação. Em relação às parcelas da estimativa de julho a novembro, informa o contribuinte terem sido liquidadas com restituição de créditos tributários requerida no processo nº 11020.000037/200377, tendo a autoridade indeferido o pleito. Sobre este processo verifico que a decisão administrativa foi mantida por esta Delegacia de Julgamento, não tendo o Conselho de Contribuintes provido o recurso voluntário, conforme se pode verificar na página da internet daquele colegiado (www.conselhos.fazenda.gov.br): ( ... ) Tanto os argumentos declinados pela autoridade administrativa quanto a extensa defesa da manifestante acerca da procedência do crédito prêmio do IPI, não guardam, a meu ver, correlação com a discussão neste processo, posto que esta questão está sendo examinada no processo 11020.000037/200377 e já foi superada em dois julgamentos administrativos, não cabendo sua apreciação aqui, onde o litígio repousa em se saber se as estimativas devidas no curso doa ano calendário foram extintas em valor maior que o devido, condição inafastável para deferimento da compensação. Fl. 384DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 11020.000423/200521 Resolução nº 1101000.042 S1C1T1 Fl. 9 8 E no caso, está demonstrado não ter havido liquidação destas parcelas, motivo suficiente para indeferimento do pedido, pelos motivos antes declinados. O litígio está centrado na existência ou não de saldo negativo de CSLL, a exigir do julgador administrativo o reconhecimento ou não do direito creditório, no valor de R$644.107,86 que foi apurado pela empresa recorrente em sua DIPJ (fls. 14/18), ano calendário 2002, em decorrência das parcelas estimativas da CSLL mensais terem sido apuradas em total superior à contribuição devida ao término do período (ajuste anual), como segue: DIPJ/2003 – Valores extraídos da Ficha 16 – Cálculo da CSLL Mensal por Estimativa Mês calendário 01. Base de Cálculo da CSLL 02. CSLL Apurada (9,0%) 04. () CSLL Devida em meses anteriores 07. CSLL a Pagar Jan./02 384.342,71 34.590,84 34.590,84 Fev./02 579.390,39 52.145,14 52.145,14 Mar./02 850.259,28 76.523,34 76.523,34 Abr./02 646.995,49 58.229,59 58.229,59 Mai./02 740.329,23 66.629,63 66.629,63 Jun./02 1.095.724,98 98.615,25 98.615,25 Jul./02 974.499,69 87.704,97 87.704,97 Ago./02 2.660.782,37 239.470,41 239.470,41 Set./02 1.109.827,00 99.884,43 99.884,43 Out./02 1.929.843,55 173.685,92 173.685,92 Nov./02 3.666.465,29 329.981,88 329.981,88 Dez./02 7.481.705,96 673.353,54 1.317.461,40 644.107,86 De acordo com a DIPJ, exercício 2003, anocalendário 2002, a Recorrente apurou a CSLL pelo regime do lucro real anual (fls. 13/18), sobre bases de cálculo estimadas, nos termos dos arts. 221 e 222 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99). Na Ficha 17 – CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO foram declarados os seguintes valores: 31. BC antes compens. De BC negativa de per. anteriores7.481.705,96 32. () Base calc. neg. da CSLL de per. ant. – ativ. geral 0,00 33. () Base calc. neg. da CSLL de per. ant. – ativ. rural 0,00 34. BASE DE CÁLCULO DA CSLL7.481.705,96 35. Contribuição social sobre lucro líquido por atividade 673.353,54 CÁLCULO DA CSLL 36. Contribuição social sobre lucro líquido total 673.353,54 DEDUÇÕES 37. () Recuperação de crédito de CSLL 0,00 38. () CSLL mensal paga por estimativa1.317.461,40 39. () Parcel. formal. de CSLL sobre base cal. estimada 0,00 Fl. 385DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 11020.000423/200521 Resolução nº 1101000.042 S1C1T1 Fl. 10 9 40. () Imp. pago no ext. s/lucros, rend. ganhos de capital 0,00 41. () CSLL retida fonte por órgão público 0,00 42. CSLL a pagar 644.107,86 44. CSLL sobre dif. entre custo orçado e custo efetivo 0,00 45. CSLL postergada de períodos apuração anteriores 0,00 As estimativas mensais foram objeto de compensações com saldo negativo da CSLL do anocalendário anterior (2001) e com créditos judiciais, que não foram homologadas pela autoridade administrativa em razão de não restar conhecidos os créditos a elas vinculados, conforme informações extraídas do Despacho Decisório DRF/CXL nº 199, de 2007 (fls. 61/64). Segundo consta do processo, a recorrente promoveu à compensações em cadeia, compensando as estimativas de 2002 com saldo negativos da CSLL de 2001; e estimativas de 2003 com saldo negativos da CSLL de 2002. Relativamente a este contencioso administrativo, temse em resumo que: a) as compensações das estimativas dos meses de jan. a jun./2002 e parte da estimativa de jul./2002 constam da DCOMP nº 33455.47009.160804.1.7.0372 como compensadas com o saldo negativo da CSLL apurado em 2001 (fls.19/25), examinadas no Processo nº 11020.000424/200575. Por não terem sido homologadas (fls. 37), os débitos das estimativas de jan. a jun./2002 foram cobrados mediante lavratura de Auto de Infração, de que trata o Processo nº 11020.003974/200201 (fls. 34/35), a saber: QUADRO DEMONSTRATIVO DAS ESTIMATIVAS EFETIVAMENTE PAGAS Período Apuração CSLL efetivamente paga Natureza do Crédito Jan./2002 34.590,84 AI – Processo nº 11020.003974/200201 Fev./2002 52.145,13 AI – Processo nº 11020.003974/200201 Mar./2002 76.523,34 AI – Processo nº 11020.003974/200201 Abr./2002 58.229,59 AI – Processo nº 11020.003974/200201 Mai./2002 66.629,63 AI – Processo nº 11020.003974/200201 Jun./2002 99.753,57 AI – Processo nº 11020.003974/200201 TOTAL 387.872,10 b) as estimativas dos demais meses de ago. a nov./2002 e o restante do mês de jul/2002 foram vinculadas aos créditos judiciais obtidos por cessão de direito da Cia Hering, referente a créditos de IPI, reconhecidos nos autos do Processo nº 87.00005444. Igualmente, por não terem sido homologadas as respectivas compensações, os débitos foram objeto de Auto de Infração até o montante de R$285.481,44 controlado no Processos nº 11020.003072/2003 48 (fls. 58 e 63), sendo: QUADRO DEMONSTRATIVO DA CSLL DEVIDA CSLL anual (7.481.705,96 X 9%) 673.353,54 Estimativas efetivamente pagas (AI) 387.481,44 CSLL devida 285.481,44 QUADRO DEMONSTRATIVO DAS ESTIMATIVAS EFETIVAMENTE PAGAS Período Apuração CSLL efetivamente paga Natureza do Crédito Jul./2002 87.704,97 AI – Processo nº 11020.003072/200348 Ago./2002 (*) 197.776,47 AI – Processo nº 11020.003072/200348 Fl. 386DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 11020.000423/200521 Resolução nº 1101000.042 S1C1T1 Fl. 11 10 TOTAL 285.481,44 (*) referese a parte da estimativa mensal de ago./2002, apurada no total de R$239.470,41 c) o saldo negativo da CSLL, anocalendário 2002, não se confirmou, vez que baseado nas parcelas estimativas cujas compensações não foram homologadas, pois o saldo negativo da CSLL do anocalendário anterior (2001), a que estavam vinculadas ditas compensações, também não restou comprovado (Processo nº 11020.000424/200575). A legislação do Imposto de Renda aplicável na apuração da Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoCSLL (Lei nº 9.430, de 1996, art. 28) prevê que os valores efetivamente pagos calculados sobre a base de cálculo estimada mensalmente, no transcorrer do ano calendário, podem ser deduzidos do valor de CSLL apurado anualmente (ajuste). Conforme já demonstrado, os valores das parcelas estimativas da CSLL, dos meses calendário jan. a jun./2002, foram lançadas de ofício e quitadas nos autos do Processo nº 11020.003974/200201 (fls. 34), por não terem sido homologadas as respectivas compensações com o saldo negativo da CSLL do anocalendário anterior. A autoridade fiscal deduziu os cobrados e pagos no total de R$387.872,10, da CSLL anual apurada na DIPJ, anocalendário 2002, no valor de R$673.353,54, conforme demonstrado acima. Da mesma forma, as parcelas estimativas dos meses de jul. e ago./2002, no importe de R$285.481,44 foram objeto de lançamento de ofício, de que trata o Processo nº 11020.003072/200348 (fls. 58), sendo deduzidas da CSLL apurada no final do período, encerrado em 31 de dezembro de 2002. No mesmo processo administrativo nº 11020.003072/200348 (fls. 59/60) consta o lançamento de ofício da multa de 75% calculada sobre o valor das parcelas estimativas não homologadas, dos meses de ago./2002 (parte não recolhida de R$41.693,74), set. a nov./2002, que estavam vinculadas aos créditos judiciais discutidos no Processo nº 11020.000037/2003 77, como segue: MULTA OFÍCIO PELO NÃO RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS DA CSLL ANOCALENDÁRIO 2002 Mês Estimativa não recol. % Valor Multa Natureza do crédito Ago./2002 41.693,94 75,0 31.270,45 AI – Processo nº 11020.003072/200348 Set./2002 99.884,43 75,0 74.913,32 AI – Processo nº 11020.003072/200348 Out./2002 173.685,92 75,0 130.264,44 AI – Processo nº 11020.003072/200348 Nov./2002 329.981,88 75,0 247.486,41 AI – Processo nº 11020.003072/200348 Considerando, pois, que a cobrança das estimativas se limitou ao valor da contribuição anual de R$673.353,54, não há que se falar em saldo negativo da CSLL, ano calendário 2002. A Recorrente alegou incidente de prejudicialidade, pois sob sua ótica, o julgamento do presente processo antes do desfecho do contencioso administrativo sobre a legitimidade dos créditos judiciais de que cuida o Processo nº 11020.000037/200377, poderia advir decisão conflituosa e resultar em prejuízo manifesto. O referido processo chegou à instância administrativa especial e, em sede de Recurso de divergência foi confirmada a decisão a quo sobre o não reconhecimento dos créditos judiciais para fins de compensálos com débitos tributários, na forma prescrita no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Assim, à vista dos fatos, fica prejudicado o exame do incidente processual suscitado. Fl. 387DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 11020.000423/200521 Resolução nº 1101000.042 S1C1T1 Fl. 12 11 A recorrente alega também a cobrança em duplicidade das parcelas estimativas da CSLL, anocalendário 2002. Com a razão a contribuinte. A legislação tributária estabelece que encerrado o período de apuração do IRPJ e da CSLL, a exigência de recolhimento por estimativa deixa de ter o seu efeito, prevalecendo a exigência do imposto e da contribuição efetivamente devidos, apurados com base no lucro real anual, já que consumada a ocorrência do fato gerador anual (inteligência do art. 6º e parágrafos, da Lei nº 9.430, de 1996). No presente processo, temse de um lado, a cobrança das estimativas da CSLL não homologadas, mesescalendário de jan. a ago./2002, mediante lançamento de ofício (Processos nºs 11020.003974/200201 e 11020.003072/200348), feita a respectiva cobrança até o limite da CSLL anual de R$673.353,54 apurada na DIPJ, anocalendário 2002. De outro lado, há a Carta Cobrança anexa ao Processo nº 11020.000424/200575, para a exigência dos débitos de 2002, cadastrados no PROFISC. Com efeito, a autoridade preparadora não deve submeter à cobrança os débitos mencionados na Carta Cobrança em comento, sob pena da sua exigência em duplicidade e se constituir em enriquecimento sem causa da União. Neste particular, a autoridade julgadora de primeira instância considerou que o assunto não é da competência da Delegacia de Julgamento, tendo assim se manifestado: No tocante à reclamação de que créditos suspensos estariam sendo indevidamente exigidos, bem assim que haveria duplicidade de cobrança de algumas parcelas, entendo não deter a Delegacia de Julgamento competência para apreciação da reclamação, a teor do art. 174 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal e do art. 74, § 9º, da Lei nº 9.430, de 27/12/96, cabendo à autoridade preparadora análise das alegações do contribuinte para, se for o caso, cancelar ou sustar a cobrança dos débitos apontados.Registro, neste aspecto, que o contribuinte dirigiu, após a manifestação de inconformidade, pedidos nestes termos para o Agente da Receita Federal em Bento Gonçalves (fls. 276 a 283) e para o Delegado da Receita Federal do Brasil (fls. 261 a 272). A contrário senso, entendo que ao julgador administrativo compete examinar e julgar os atos administrativos a vista das alegações apresentadas e do conjunto probatório, de modo a que a decisão proferida reflita a melhor exegese da legislação tributária e que seus efeitos sejam no sentido de produzir a justiça fiscal. Ao órgão preparador compete dar cumprimento ao que for decidido, embargando o acórdão se assim entender cabível, nos termos do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. § 1º Os embargos de declaração poderão ser interpostos por conselheiro da turma, pelo Procurador da Fazenda Nacional, pelos Delegados de Julgamento, pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da execução do acórdão ou pelo recorrente, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Câmara, no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão.(g.n) Fl. 388DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 11020.000423/200521 Resolução nº 1101000.042 S1C1T1 Fl. 13 12 CONCLUSÃO Por fim, o saldo negativo de CSLL em litígio nestes autos é constituído por estimativas vinculadas a processos administrativos ou judiciais. Para além disso, a recorrente informa ter proposto ação judicial para questionar providências administrativas em face de parte daquelas estimativas. Considerando o tempo transcorrido desde as apurações fiscais e tendo em conta a possibilidade dos processos administrativos ou judiciais referidos acima relatados já terem alcançado decisão definitiva, ou mesmo terem sido objeto de desistência por parte do sujeito passivo, para melhor julgamento da lide o presente processo deve ser convertido em diligência para que autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte informe a situação atual dos processos administrativos e judiciais que interferem na liquidação das estimativas que integram a composição do saldo negativo aqui em litígio. Ao final dos trabalhos deverá ser produzido relatório circunstanciado, a ser cientificado ao sujeito passivo, facultandolhe a complementação de suas razões de defesa no prazo de 30 (trinta) dias. É como voto. JOSÉ RICARDO DA SILVA – Relator JOSELAINE BOEIRA ZATORRE – Relatora ‘ad hoc’ designada para formalização de acórdão. Ressalto que não estou vinculado ao conteúdo dessa decisão. Fl. 389DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO
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Numero do processo: 10070.000349/00-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 01 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1997, 1998, 1999
FALTA DE INTIMAÇÃO REGULAR. NULIDADE DOS ATOS POSTERIORES.
A falta de intimação regular da contribuinte a respeito de despacho decisório impõe o reconhecimento da nulidade dos atos processuais posteriores.
Numero da decisão: 1402-001.927
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para anular a decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro e determinar o retorno dos autos àquela Unidade para nova decisão com apreciação das razões de mérito contidas na manifestação de inconformidade, retomando-se o rito processual a partir daí. Vencido o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto que negava provimento. Declarou-se impedido o Conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva. Participou do julgamento a Conselheira Cristiane Silva Costa que foi designada para redigir o voto vencedor.
LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente e Relator.
CRISTIANE SILVA COSTA Redatora Designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Paulo Roberto Cortez, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Cristiane Silva Costa, Carlos Pelá e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1997, 1998, 1999 FALTA DE INTIMAÇÃO REGULAR. NULIDADE DOS ATOS POSTERIORES. A falta de intimação regular da contribuinte a respeito de despacho decisório impõe o reconhecimento da nulidade dos atos processuais posteriores. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para anular a decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro e determinar o retorno dos autos àquela Unidade para nova decisão com apreciação das razões de mérito contidas na manifestação de inconformidade, retomandose o rito processual a partir daí. Vencido o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto que negava provimento. Declarouse impedido o Conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva. Participou do julgamento a Conselheira Cristiane Silva Costa que foi designada para redigir o voto vencedor. LEONARDO DE ANDRADE COUTO – Presidente e Relator. CRISTIANE SILVA COSTA – Redatora Designada AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 0. 00 03 49 /0 0- 17 Fl. 965DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03 /2015 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Paulo Roberto Cortez, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Cristiane Silva Costa, Carlos Pelá e Leonardo de Andrade Couto. Relatório Por bem resumir a controvérsia, adoto o Relatório da decisão recorrida que abaixo transcrevo: Primeiramente, esclareço que o processo era originariamente em papel, e que foi posteriormente digitalizado, ocorrendo a remuneração das páginas. Assim, tanto o relatório quanto o voto fazem referência às páginas com a numeração atualizada, justificando algumas divergências com relação aos documentos que são mencionados nos despachos decisórios ora combatidos, e nos documentos apresentados pela interessada. No entanto, ressalto desde já que esta divergência não prejudica o presente julgamento, sequer seu entendimento. Trata o processo sobre pedido de restituição apresentado em 24/03/2000, anexo fls. 03, no qual a interessada pretende utilizar crédito de saldo negativo de IRPJ dos anoscalendário de 1997, 1998 e 1999, no valor total de R$ 1.871.322,43, a ser compensado com débitos de terceiros e débitos próprios relativos a IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. O processo foi para diligência para fins de verificar, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, o efetivo valor do saldo negativo de IRPJ referente aos anoscalendário de 1997, 1998 e 1999, e certificar se o IRPJ devido foi corretamente apurado, e se os rendimentos advindos das aplicações financeiras realizadas naqueles anos foram efetivamente oferecidos à tributação, nos termos do artigo 231, III, do RIR/99. Em resposta da diligência, foi constatado que a interessada foi autuada nos anoscalendário em questão, conforme fls. 555. Em 18/07/2005, após análise, foi proferido Despacho Decisório pela DERAT/Rio de Janeiro, com base no Parecer Conclusivo nº 122/2005, fls. 577/580, não reconhecendo o direito creditório e não homologando as compensações. Segundo o Parecer, todas as compensações apresentadas foram convertidas em Declaração de Compensação, por força do artigo 74, §4º da Lei nº 9.430/96, inclusive a compensação cujo débito é de terceiros, do processo em apenso nº 13119.000023/0001, com cópia acostada aos autos às fls. 137. Além disso, em função das autuações dos anoscalendário em questão, a certeza e liquidez do crédito não foram comprovadas, requisitos necessários conforme artigo 170 do CTN. De acordo com documento de fls. 582 e 585, a interessada teve ciência do Despacho Decisório e do Parecer Conclusivo nº 122/2005 em 08/08/2005, no domicílio fiscal eleito pela interessada, conforme pesquisa ao Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica, fls. 581. Posteriormente, foi anexado aos autos outro pedido de compensação, apresentado em 13/06/2001, às fls. 587, cuja numeração anterior seria fls. 535, e que não teria sido considerado pelo Parecer Conclusivo nº 122/2005. Fl. 966DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03 /2015 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10070.000349/0017 Acórdão n.º 1402001.927 S1C4T2 Fl. 3 3 Assim, em 29/09/2005, foi proferido Parecer Conclusivo de nº 194/2005, e respectivo Despacho Decisório, fls. 606/609, não homologando a declaração de compensação de fls. 587. Não obtendo sucesso nas intimações para dar ciência da decisão, em 21/03/2006 foi verificado que houve mudança do domicílio, conforme pesquisa ao Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica, fls. 621. Assim, o processo foi encaminhado para a Delegacia da Receita Federal do Brasil, em Brasília, o qual foi repassado para a Equipe de Execuções, haja vista constar já decisão das Declarações de Compensação ( despacho fls. 631). Em 19/12/2006 (AR – fls. 633), a interessada tomou ciência do Despacho Decisório/DRF/RJ/DIORT, por meio do Comunicado/2006 de fls. 632. Em 27/02/2007, consta nos autos às fls. 637 o pedido da interessada de obter cópia de partes do processo, incluindo do AR da ciência da decisão. Posteriormente, em 01/03/2007, a interessada protocolou requerimento endereçado ao Chefe da Divisão de Orientação e Análise Tributária, da Delegacia da Receita Federal em Brasília, fls. 640, solicitando a definição de qual prazo para a apresentação da manifestação de inconformidade, tendo em vista que o Comunicado exarado pela Delegacia era omisso, bem como não havia menção de qual Departamento seria o competente para o recebimento do referido recurso. Assim, finaliza requerendo que fosse procedida a devida intimação, constando a possibilidade de apresentar defesa quanto ao Despacho Decisório, seu prazo e o endereçamento da Delegacia da Receita Federal competente, se em Brasília ou Rio de Janeiro. Em termo denominado INFORMAÇÃO, de fls. 643, exarado em 07/03/2007, a Divisão de Orientação e Análise Tributária esclareceu que as informações solicitadas estavam no Despacho Decisório, que foi encaminhado juntamente com o Comunicado. Esclarece, ainda, que seria impossível nova intimação para apresentação de defesa, já que a ciência da decisão foi em 19/12/2006, com fim do prazo em 17/01/2007 para apresentação da manifestação de inconformidade. A interessada foi cientificada da resposta em 13/03/2007 (AR – 645). Em 14/05/2007, a interessada apresentou requerimento endereçado ao Delegado da Receita Federal em Brasília, trazendo as mesmas alegações anteriormente aduzidas, conforme fls. 714/722. Neste requerimento, a interessada ainda acrescenta que o Despacho Decisório se funda integralmente no Parecer Conclusivo nº 194/2005, o qual opinou pela não homologação da declaração de compensação de fls. 535 (fls. 587 atualizada). Este, por sua vez, tem como fundamento o fato de que o “crédito alegado pela interessada já foi objeto de análise e decisão por parte dessa Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária no Rio de Janeiro – DERAT/RJ, que entendeu por não reconhecer o direito creditório, nos termos do Parecer Conclusivo e respectivo Despacho Decisório de fls. 526/529 destes autos.” No entanto, a interessada afirma que o mencionado documento de fls. 526/529 (fls. 577/580 atualizada) não foi levado ao seu conhecimento. Logo, o Despacho Decisório que não homologou a DCOMP de fls. 535 ( fls. 587 atualizada) é inócuo, visto que lastreia sua fundamentação jurídica em um procedimento do qual a interessada não tomou conhecimento. Fl. 967DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03 /2015 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 4 Finaliza solicitando que fosse declarado nulo o Comunicado/2006 e a INFORMAÇÃO datada de 07/03/2007, e, por conseqüência, fosse determinado prazo para que a interessada exercesse seu direito de apresentar manifestação de inconformidade, nos moldes como estabelecido pelo Decreto n° 70.235/72. O pedido foi novamente indeferido, em despacho emitido em 26/07/2007, de fls. 729, intitulado INFORMAÇÃO, cuja ciência ocorreu em 09/08/2007 ( AR fls. 731). Ato seguinte, a interessada apresentou RECURSO VOLUNTÁRIO em face da decisão da Delegacia da Receita Federal em Brasília, em 04/09/2007, fls. 735/747, traçando o histórico do presente processo, repetindo toda a fundamentação e fatos trazidos anteriormente. Finaliza o RECURSO VOLUNTÁRIO solicitando que fosse declarado nulo o Comunicado/2006, a INFORMAÇÃO datada de 07/03/2007 e a decisão da Delegacia da Receita Federal em Brasília, e, por conseqüência, fosse determinado prazo para que a interessada exercesse seu direito de apresentar manifestação de inconformidade, nos moldes estabelecidos pelo Decreto n° 70.235/72. A 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, em sessão de 23 de setembro de 2009, por meio do Acórdão nº 220100.406, fls. 755/758, por unanimidade, deu provimento ao recurso. No voto, a douta relatora assim determina: Dessa forma, as razões de Recurso da recorrente devem ser acatadas para que sejam cancelados todos os atos após às fls. 529 e, por conseguinte, seja reaberto prazo para apresentação da manifestação de inconformidade da contribuinte, nos termos da legislação em vigor. Pelo exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário da recorrente. Em atendimento ao determinado pelo então Conselho de Contribuintes, a interessada foi cientificada em 23/09/2011 dos documentos que constam no termo de Ciência e Intimação de fls. 780, com reabertura de novo prazo para apresentação da manifestação de inconformidade, a saber: 1) Parecer Conclusivo nº 122/05, de 06/07/2005. 2) Despacho Decisório de 08/07/2005. 3) Parecer Conclusivo nº 194/05, de 29/08/2005. 4) Despacho Decisório de 09/09/2005. Em 24/10/2011, a interessada apresentou manifestação de inconformidade de fls. 784/792, alegando: alega a tempestividade. dos fatos, narra que apresentou pedido de restituição do saldo negativo de IRPJ dos anoscalendário de 1997 a 1999, e que todos os pedidos de compensação foram convertidos em Declaração de Compensação, conforme Parecer Conclusivo nº 122/02. verificase que a não homologação decorre exclusivamente da suposta impossibilidade de se aferir se o crédito possui requisitos de certeza e liquidez exigidos pelo artigo 170 do CTN, em razão de – posteriormente à apresentação da DCOMP – haver a Autoridade Fiscal glosado IRPJ e CSLL referente aos anos calendário de 1997 a 1999, sendo que os valores/lançamentos estariam ainda em Fl. 968DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03 /2015 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10070.000349/0017 Acórdão n.º 1402001.927 S1C4T2 Fl. 4 5 discussão nos autos dos processos nº 18471.002460/200261 e nº 18471.003124/20317. no entanto, na época da prolação dos despachos decisórios, já havia sido proferido pela Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes o Acórdão n° 10708.031 que, por unanimidade de votos, negou provimento a recurso de ofício contra decisão que julgou improcedentes os autos de infração em matéria de IRPJ e CSLL que eram objeto do citado processo administrativo n° 18471.002460/200261. no que diz respeito também ao mencionado processo administrativo n° 18471.003124/200317, a Requerente também já obteve decisão favorável no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que deu provimento a Recurso Voluntário interposto pela ora Requerente naqueles autos. assim, é imperioso concluir pela homologação das compensações declaradas. quanto ao direito, o crédito tributário decorre de saldo negativo de IRPJ dos anoscalendário de 1997 a 1999, sendo válido pela jurisprudência do CARF. o fundamento para o não reconhecimento do direito creditório não respeita a verdade dos fatos, haja vista que as autuações consignadas naqueles autos não mais subsistem. no que concerne o processo nº 18471.002460/200261, o Acórdão n° 10708.031 foi proferido em sessão de 13/04/2005, e formalizado em 11/05/2005, antes dos despachos decisórios atacados, proferidos em 08/07/2005 e 09/09/2005. os despachos decisórios deixaram de homologar a compensação desconsiderando a decisão favorável à interessada, deixando de observar seu dever de investigação. quanto ao processo n° 18471.003124/200317, já obteve decisão favorável, na sessão de julgamento de 25/05/2011, na qual a Segunda Turma / Quarta Câmara da Primeira Seção de Julgamento proferiu o acórdão n° 1402000.544, dando provimento ao Recurso Voluntário. demonstradas a insubsistência e improcedência do indeferimento das compensações declaradas em razão de não prosperar o seu único fundamento, é forçoso reconhecer a validade das compensações e a extinção dos créditos tributários a que elas se referem. Após análise dos autos, o Presidente da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro propôs embargo ao Acórdão nº 220100.406 proferido pela 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, em sessão de 23 de setembro de 2009, fls. 868/869. No embargo, o Presidente alegou, em apertada síntese, que o Recurso Voluntário ao CARF de fls. 735/736, apresentado pela interessada, não era em relação a uma Decisão de Delegacia de Julgamento, e sim de uma informação da Diort da DRF/Brasília, fls. 729, e que o processo não teria em momento algum transitado na Delegacia de Julgamento. Na sessão do dia 13 de março de 2013, a 2ª Câmara da 1º Turma Ordinária do CARF prolatou Acórdão nº 2201002.043, fls. 893/895, acolhendo os embargos, para anular o Acórdão nº 220100.406, de 23/09/2009, determinando o retorno dos autos à Fl. 969DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03 /2015 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 6 Delegacia da Receita Federal de Julgamento, para proferir decisão em primeira instância, inclusive acerca da tempestividade da manifestação de inconformidade. A interessada teve ciência do Acórdão nº 2201002.043 em 16/08/2013, conforme AR de fls. 908. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro prolatou o Acórdão 1260.188 não conhecendo da manifestação de inconformidade por entender que foi apresentada intempestivamente. Devidamente cientificado, o sujeito passivo recorre a este Colegiado ratificando as razões pelas quais a manifestação de inconformidade deveria ser apreciada. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Leonardo de Andrade Couto O recurso é tempestivo, foi interposto por signatário devidamente qualificado e deve ser conhecido. A questão a ser aqui apreciada referese à tempestividade da manifestação de inconformidade. As decisões que analisaram os pedidos de compensação foram duas: O Parecer Conclusivo 122/05 com respectivo Despacho Decisório e, em caráter complementar, o Parecer Conclusivo 194/05 também acompanhado do respectivo Despacho Decisório. O sujeito passivo suscitou, em resumo, que não teria recebido o Parecer Conclusivo 122/05 que também não foi anexado ao Comunicado/2006 encaminhado posteriormente. Acrescenta que o Comunicado em questão não ressalvou expressamente o direito de apresentar manifestação de inconformidade, o prazo para apresentação e a Unidade competente para recebimento. As alegações da interessada são absolutamente improcedentes. Quanto aos efeitos da anulação do Acórdão 220100.406, foi bem a decisão recorrida em destacar a ineficácia da ciência da decisão ocorrida em 23/09/2011 e o restabelecimento dos efeitos das intimações nos seguintes termos: a) ciência do Despacho Decisório e do Parecer Conclusivo nº 122/2005, fls. 577/580, em 08/08/2005, no domicílio fiscal eleito pela interessada, conforme pesquisa ao Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica, fls. 581. b) ciência do Despacho Decisório e do Parecer Conclusivo nº 194/2005, fls. 606/609, em 19/12/2006, no domicílio fiscal eleito pela interessada, conforme pesquisa ao Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica, fls. 623. Fl. 970DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03 /2015 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10070.000349/0017 Acórdão n.º 1402001.927 S1C4T2 Fl. 5 7 Mostrase incompreensível a insistência da defesa na afirmativa de que não há qualquer prova no processo do recebimento do Parecer Conclusivo 122/05, quando em diversas manifestações nos autos – devidamente informadas à interessada as autoridades registraram que o documento em questão e o Despacho Decisório foram recepcionados em 08/08/2005, conforme informação prestada pelos Correios às fl. 533. Mesmo que por hipótese, e apenas por hipótese, fosse procedente a reclamação, ainda assim não haveria qualquer prejuízo à defesa. Levandose em consideração a inexistência de controvérsia quanto ao recebimento em 19/12/2006 do Parecer Conclusivo 194/05 e respectivo Despacho Decisório, esse documento, até por ser complementar, traz em seu bojo uma reprodução integral do Parecer Conclusivo e Despacho Decisório 122/05, inclusive com as informações referentes à apresentação de manifestação de inconformidade. Ainda na questão hipotética, a data de 19/12/2006 (e não 08/08/2005) seria considerada como ciência, implicando que o termo final para recurso seria em 18/01/2007. Mesmo assim, a primeira petição do sujeito passivo só foi protocolada em 01/03/2007 com o detalhe de que não poderia ser considerada um recurso, mas simplesmente um pedido de informações. Apenas em 14/05/2007 a interessada peticionou contestando expressamente a regularidade das intimações anteriores. Nesse ponto, mesmo no entendimento de que o princípio do formalismo moderado implicaria em reconhecer esse documento como manifestação de inconformidade, a intempestividade seria flagrante. Do exposto, voto por negar provimento ao recurso, no entendimento de que a manifestação de inconformidade contra decisão que não homologou pedido de compensação quando apresentada intempestivamente não instaura o litígio e acarreta a perempção do direito de recorrer. Leonardo de Andrade Couto Relator Fl. 971DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03 /2015 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 8 Voto Vencedor Conselheira Cristiane Silva Costa Com a devida vênia, discordo do voto vencedor no que se refere à tempestividade da Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente. Como bem relatado pelo Ilustre Relator Leonardo de Andrade Couto, constam dois Pareceres Conclusivos nos autos (Parecer Conclusivo 122/05 e 194/05), seguidos de respectivos Despachos Decisórios (fls. 526/529 e 552/555). Ocorre que as tentativas de intimação da ora Recorrente quanto a estes despachos decisórios foram frustradas, como se observa dos Avisos de Recebimento às fls. 558, 559 e 560 dos autos, nos quais consta a devolução da carta de intimação. Na seqüência do processo, consta a emissão de “Comunicado / 2006” emitido para dar ciência à ora Recorrente a respeito do despacho decisório (fls. 573), mas não consta nos autos cópia dos citados despacho decisórios, remanescendo dúvida a respeito do seu encaminhamento à Recorrente. Ademais, consta dos autos o envio de Carta Cobrança (fls. 574/576), devidamente enviada ao contribuinte como demonstra o Aviso de Recebimento (AR) às fls. 573 verso.. Em que pese inexista qualquer dúvida de que a contribuinte recebeu tal Carta Cobrança em 19 de dezembro de 2006, como demonstra tal AR (fls. 573 verso) e do voto do Nobre Relator, não há comprovação nos autos de que os despachos decisórios foram devidamente remetidos à Recorrente na mesma oportunidade. Portanto, ausente intimação regular da Recorrente a respeito dos despachos decisórios proferidos nos autos, de rigor se reconheça a nulidade da decisão da DRJ, pelo preterição do direito de defesa. A esse respeito, prescreve o artigo 59, II, in fine, do Decreto nº 70.235/1972: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. No mesmo sentido é a previsão do Decreto 7.574/2011, conforme artigo 12, inciso II, a seguir reproduzido: Art. 12. São nulos (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 59): I os atos e os termos lavrados por pessoa incompetente; e II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1o A nulidade de qualquer ato só prejudica os atos posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. Fl. 972DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03 /2015 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10070.000349/0017 Acórdão n.º 1402001.927 S1C4T2 Fl. 6 9 § 2o Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3o Quando puder decidir o mérito em favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará, nem mandará repetir o ato, ou suprirlhe a falta. Art. 13. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no art. 12 não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 60). Art. 14. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade (Decreto no 70.235, de 1972, art. 61). Nesse contexto, é dado provimento recurso voluntário para anular a decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro e determinar o retorno dos autos àquela Unidade para nova decisão com apreciação das razões de mérito contidas na manifestação de inconformidade, retomandose o rito processual a partir daí. Cristiane Silva Costa – Redatora Designada Fl. 973DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03 /2015 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10865.000856/2006-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 01 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2202-000.609
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por DIVANIR CASAGRANDE.
RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por maioria de votos, converter o processo em diligência. Vencido o Conselheiro MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA, que rejeitava a diligência. Fez sustentação oral pelo contribuinte o Dr. Carlos Eduardo Pretti Ramalho OAB-SP 317.714.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), SUELY NUNES DA GAMA, PEDRO ANAN JUNIOR, MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, FABIO BRUN GOLDSCHMIDT.
Nome do relator: Não se aplica
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RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por maioria de votos, converter o processo em diligência. Vencido o Conselheiro MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA, que rejeitava a diligência. Fez sustentação oral pelo contribuinte o Dr. Carlos Eduardo Pretti Ramalho OABSP 317.714. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), SUELY NUNES DA GAMA, PEDRO ANAN JUNIOR, MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, FABIO BRUN GOLDSCHMIDT. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 65 .0 00 85 6/ 20 06 -6 2 Fl. 498DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10865.000856/200662 Resolução nº 2202000.609 S2C2T2 Fl. 3 2 RELATÓRIO Em desfavor do contribuinte, DIVANIR CASAGRANDE, foi lavrado o auto de infração do imposto de renda apurado com base em depósitos bancários de origem não comprovada, efetuados em contas de sua responsabilidade em 2001 e 2002, que resultou em imposto de R$ 443.294,59, elevado para R$ 1.044.572,58 com a multa de lançamento de ofício e os juros de mora. Os argumentos do impugnante são, em síntese, os seguintes: 1) É inconstitucional a quebra do sigilo bancário sem autorização judicial. 2) O auto de infração não foi lavrado no local em que foi verificada a irregularidade, isto é, no estabelecimento do contribuinte, mas sim no próprio órgão da Receita Federal, contrariando o disposto no art. 10 do Decreto n° 70.235/1972. 3) Ilegal o lançamento sem base documental ou fática, efetuado por mera presunção, pois o art. 42 da Lei n ° 9.430/1996 não poderia criar hipótese de incidência tributária, competência restrita à lei complementar. Como os depósitos não são em si mesmos hipótese de incidência tributária, cabe ao Fisco o ônus da prova da disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza, ou a variação patrimonial a descoberto que justifique o lançamento. Não correspondendo os depósitos a fato gerador definido em lei, resta ferido no auto de infração o princípio da legalidade, que vincula necessariamente os atos administrativos, resultando em sua nulidade. 4) Em caso de dúvida quanto ao vínculo dos depósitos com os rendimentos omitidos, cabe aplicar a interpretação mais benéfica ao contribuinte, como determina o art. 112 do Código Tributário Nacional (CTN). Por este motivo devese também limitar a multa a 20%, diante da dúvida, presente em toda a presunção, quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos. Ademais, a multa de 75% é exagerada e confiscatória, e por isso inconstitucional. 5) Já havia decaído, em 28 de março de 2006, o direito de lançamento quanto aos fatos ocorridos entre janeiro e fevereiro de 2001, considerandose que o prazo de cinco anos deve ser contado da data do fato gerador, por se tratar de lançamento por homologação. 6) O lançamento do imposto não pode ser efetuado sobre depósitos bancários. Como os depósitos não são em si Fl. 499DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10865.000856/200662 Resolução nº 2202000.609 S2C2T2 Fl. 4 3 mesmos hipótese de incidência tributária, cabe ao Fisco o ônus da prova da disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza, ou a variação patrimonial a descoberto que justifique o lançamento. 7) Não foram deduzidos dos depósitos os rendimentos regularmente declarados ou as alienações patrimoniais informadas na declaração de ajuste anual. 8) Não houve dedução do desconto simplificado a que tem direito, o que fere o princípio constitucional da legalidade, implicando nulidade do lançamento. 9) A falta de dedução dos depósitos anteriores como recursos que justificam os depósitos seguintes implica violação do princípio da capacidade contributiva e nulidade do lançamento. A DRJSalvador ao apreciar as razões do contribuinte, julgou o lançamento procedente, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001, 2002 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Presumemse rendimentos tributáveis os depósitos de origem não comprovada Lançamento Procedente Insatisfeito, o contribuinte interpõe recurso voluntário ao Conselho onde reitera as mesmas razões da impugnação, reiterando os seguintes pontos: Questiona a validade do lançamento baseada em depósitos bancários; Argúi a decadência do lançamento em relação aos depósitos do ano calendário de 2001. O processo foi colocado em pauta em janeiro de 2015, quando na sustentação oral, o patrono do recorrente apontou que haveria duplicidade no lançamento de depósitos bancários, tendo em vista que quando do lançamento a fiscalização não teria excluído aqueles depósitos estornados. As suas considerações respaldadas em memorial foram apenas genéricas, ilustrando alguns casos em concreto. O processo ficou em vista para a sessão de fevereiro de 2015. É o relatório. Fl. 500DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10865.000856/200662 Resolução nº 2202000.609 S2C2T2 Fl. 5 4 VOTO O recurso está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. O patrono do recorrente durante a sustentação oral argumentou na discussão do mérito do processo, que entre os depósitos bancários lançados pela autoridade fiscal, haveria dupla contagem tendo em vista que a fiscalização não teria excluídos aqueles depósitos produto de dupla contagem. Indica a titulo de amostragem exemplos, onde seria possível que os depósitos lançados, viessem a ser posteriormente estornados. As alegações são verossímeis, tudo parece indicar que podem existir depósitos lançados em duplicidade. Entretanto, não basta alegar que os depósitos foram lançados em duplicidade e solicitar o cancelamento do lançamento. É necessário comprovar, individualizadamente por depósito, a existência da efetiva duplicidade e a que eventuais estornos referemse os depósitos presumivelmente lançados em duplicidade. Acrescentese, por pertinente, que estamos confrontando omissão de rendimentos baseada em depósitos bancários de origem não comprovada, onde tendo a fiscalização demonstrado a ocorrência do depósito, invertese o ônus da prova cabendo ao fiscalizado demonstrar a sua origem. Diante dos fatos, bem como evitar a alegação de cerceamento do direito de defesa, bem como para que não reste qualquer dúvida no julgamento, entendo que o processo ainda não se encontra em condições de ter um julgamento justo, razão pela qual voto no sentido de ser convertido em diligência para que a repartição de origem tome as seguintes providências: 1 – Intime o contribunte a apresentar relatório, possivelmente em forma de planilha que explique individualizadamente os depósitos bancários, correlacionando com os estornos, indicando onde teria existindo a eventual duplicidade de lançamento 2 – Que a autoridade fiscal se manifeste, em relatório circunstanciado e conclusivo, sobre a validade das alegações presentes nesse relatório, quanto a suposta existência de uma duplicidade, indicando a base de cálculo a ser mantida, dandose vista ao recorrente, com prazo de 20 (vinte) dias para se pronunciar, querendo. Após vencido o prazo, os autos deverão retornar a esta Câmara para inclusão em pauta de julgamento. É o meu voto. (Assinatura digital) Antonio Lopo Martinez Fl. 501DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 10469.725524/2011-24
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2007, 2008
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
CSLL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA.
Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência, na medida em que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas.
EXCLUSÃO DO SIMPLES. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. EFEITOS.
A prática reiterada de infração à legislação tributária autoriza a exclusão de ofício do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), surtindo efeitos a partir, inclusive, do mês de ocorrência dessa prática reiterada (mês subsequente ao primeiro mês de cometimento da infração).
Numero da decisão: 1803-002.617
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Cármen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Fernando Ferreira Castellani, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Ricardo Diefenthaeler e Roberto Armond Ferreira da Silva.
Nome do relator: Sérgio Rodrigues Mendes
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C. DE FARIAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2007, 2008 SIGILO BANCÁRIO. QUEBRA SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. ADMISSIBILIDADE. “Destarte, o sigilo bancário, como cediço, não tem caráter absoluto, devendo ceder ao princípio da moralidade aplicável de forma absoluta às relações de direito público e privado, devendo ser mitigado nas hipóteses em que as transações bancárias são denotadoras de ilicitude, porquanto não pode o cidadão, sob o alegado manto de garantias fundamentais, cometer ilícitos. Isto porque, conquanto o sigilo bancário seja garantido pela Constituição Federal como direito fundamental, não o é para preservar a intimidade das pessoas no afã de encobrir ilícitos.” (STJ Recurso Repetitivo) OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Evidencia omissão de receitas a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, de direito ou de fato, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2007, 2008 EXCLUSÃO DO SIMPLES. RETROATIVIDADE. POSSIBILIDADE. A retroatividade da exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) é possível, por se tratar, no caso, de procedimento de caráter meramente declaratório, e não desconstitutivo, conforme entendimento AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 55 24 /2 01 1- 24 Fl. 651DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 03/04/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10469.725524/201124 Acórdão n.º 1803002.617 S1TE03 Fl. 652 2 firmado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) na sistemática de Recursos Repetitivos, de observância obrigatória por este Colegiado (REsp nº 1.124.507/MG). EXCLUSÃO DO SIMPLES. “EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO”. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS DA ESCRITURAÇÃO. FALTA DE ESCLARECIMENTOS A RESPEITO DA ORIGEM DA MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. Tanto a falta de apresentação de livros e documentos da escrituração, quando a falta de esclarecimentos a respeito da origem da movimentação bancária não são de molde a caracterizar “embaraço à fiscalização”, visto que a própria legislação prevê, para esses casos, o remédio jurídico do arbitramento dos lucros e da presunção legal de omissão de receitas, respectivamente. EXCLUSÃO DO SIMPLES. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. EFEITOS. A prática reiterada de infração à legislação tributária autoriza a exclusão de ofício do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), surtindo efeitos a partir, inclusive, do mês de ocorrência dessa prática reiterada (mês subsequente ao primeiro mês de cometimento da infração). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2007, 2008 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). CSLL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA. Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência, na medida em que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas. Fl. 652DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 03/04/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10469.725524/201124 Acórdão n.º 1803002.617 S1TE03 Fl. 653 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Fernando Ferreira Castellani, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Ricardo Diefenthaeler e Roberto Armond Ferreira da Silva. Fl. 653DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 03/04/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10469.725524/201124 Acórdão n.º 1803002.617 S1TE03 Fl. 654 4 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 534 a 537): Contra a contribuinte acima qualificada, lavraramse autos de infração formalizando a exigência do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, do Programa de Integração Social – PIS e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins, através dos quais se constituiu crédito tributário, referente aos anoscalendário de 2006 e 2007, no valor total de R$ 611.259,85, incluídos multa de ofício qualificada e juros de mora. 2. No lançamento referente ao IRPJ (fls. 316/329), estimado com base no lucro arbitrado, encontrase registrada a seguinte infração, ao final tipificada: “001 – RECEITA OPERACIONAL OMITIDA (ATIVIDADE NÃO IMOBILIÁRIA). REVENDA DE MERCADORIAS”. No Relatório Fiscal de fls. 272/282, a autoridade autuante consignou, em síntese, após descrever o procedimento fiscal: 2.1. Nos períodosbase da autuação, a contribuinte autuada era optante do Simples Federal e Nacional (este último a partir de julho de 2007) e apresentou movimentação bancária, requerida ao BRADESCO através de emissão de Requisição de Movimentação Financeira – RMF, incompatível com a receita declarada (registrada no Livro Caixa). Intimada a justificar a divergência, a titular da empresa individual autuada afirmou não possuir qualquer justificativa; 2.2. A contribuinte autuada foi excluída da sistemática do Simples Federal a partir de janeiro de 2006 e do Simples Nacional desde o início da sua vigência (Ato Declaratório Executivo DRF/NAT nº 17, de 14 de julho de 2011 fl. 271). A respeito da exclusão, a contribuinte foi cientificada em 29/07/2011 (fl. 513, mesma data em que tomou ciência dos autos de infração – fl. 514); 2.3. Os livros contábeis apresentados (Livros Caixa) não se prestam à apuração do lucro real ou do lucro presumido, incidindo, assim, o disposto no art. 47, II, da Lei nº 8.981, de 1995; 2.4. A receita bruta que serviu de base para o arbitramento do lucro é o somatório da receita declarada com a omitida; 2.5. Os valores recolhidos na sistemática do Simples foram aproveitados para reduzir os valores devidos, na proporção prevista no art. 22, II, da Lei nº 9.317, de 1996, e Anexo I da Lei Complementar nº 123, de 2006. 3. No prazo legal, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade contra o ato de exclusão do Simples Federal e Nacional (fls. 330/390), por meio da qual alega, em apertada síntese, depois de relatar os fatos: 3.1. No embasamento legal, não foram lembradas as alterações da Lei nº 9.317, de 1996, que foram integradas no Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99). Do que disposto no art. 192 do RIR/99, inferese que, no caso do inciso II do art. 196 do mesmo diploma regulamentar, quando o faturamento ultrapassar o limite da Fl. 654DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 03/04/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10469.725524/201124 Acórdão n.º 1803002.617 S1TE03 Fl. 655 5 permanência no regime da Empresa de Pequeno Porte – EPP, os efeitos da exclusão incidirão “a partir do mês subsequente àquele em que se proceder à exclusão, ainda que de ofício” (art. 196 do RIR/99; art. 15 da Lei nº 9.317, de 1999). O RIR/99 alterou a Lei nº 9.317, de 1999, quando alterou a redação da norma original, “anteriormente vigente ao RIR/99, aí incluído o inciso II do art. 192 do RIR/99, na redação do artigo 196, com efeitos da exclusão a partir da ciência do ato declaratório excludente àquele regime” (cita o art. 2º, § 1º, da Lei de Introdução do Código Civil). Assim, somente outro ato legal poderia revogar o disposto no inciso II do art. 196 do RIR/99, o que ainda não aconteceu. O art. 22, § 6º, da Instrução Normativa – SRF nº 34, de 2001, determina que, “iniciado o procedimento de ofício, a falta de alteração cadastral implicará na exclusão da pessoa jurídica a partir do mês subsequente ao da ciência do ato declaratório expedido pela Secretaria da Receita Federal”. A IN SRF nº 250, de 2002, revogou a IN SRF nº 34, de 2001, sem interrupção de sua força normativa. Segundo o art. 108 do CTN, a legislação processual não alcança os fatos pretéritos. A atividade administrativa é plenamente vinculada; 3.2. A capitulação legal de exclusão do Simples está em desacordo com os fatos objeto da ação fiscal. Não se comprovou que a empresa incidiu em quaisquer das hipóteses previstas no art. 14 da Lei nº 9.317, de 1996. Ademais, mesmo que tivesse razão o Auditor, a ação foi iniciada em setembro de 2010, de modo que seria impossível a exclusão a partir dos anoscalendário de 2006 e 2007. A discrepância entre o ato administrativo e o fato que originou a exclusão maculou o art. 10, III, do Decreto nº 70.235, de 1972 (sic). A retroatividade se refere apenas aos critérios de apuração ou fiscalização. Não pode haver restrição ao direito de permanência do Simples até a ciência do Ato Declaratório Executivo DRF/NAT nº 17, de 2011; 3.3. A lei não pode retroagir para prejudicar o contribuinte (arts. 106 e 112 do CTN); 3.4. A presunção de que incorreu em infração à legislação tributária não pode servir de referencial para a exclusão do Simples (reproduz o art. 50 da Lei nº 9.784, de 1999); 3.5. Encontrase em pleno gozo da opção pelo Simples, face à apresentação da manifestação de inconformidade, conforme dispõe a Solução de Consulta Cosit nº 39, de 14/02/2005. Se o julgamento da lide for pela manutenção da exclusão do Simples, deverá procederse de acordo com o art. 48 da Lei nº 9.430, de 1996; 3.6. Segundo o atual CARF, permitese a regularização da situação fiscal do contribuinte “ex post à autuação, para efeito de permanência no regime tributário do Simples”. A falta de qualquer um dos requisitos para a validação do ato administrativo enseja a sua nulidade. Conforme dispõe a Resolução CGSN nº 04, de 2007, o julgador deve registrar a liberação da empresa para a manutenção no Simples Nacional, pois os efeitos do Ato Declaratório Executivo DRF/NAT nº 17, de 2011, foram suspensos; 3.7. Decisão proferida pela DRJ de Campinas contradiz os argumentos do AuditorFiscal na representação que lastreia o Ato Declaratório de Exclusão do Simples (diz a ementa transcrita: “A despeito das reiteradas omissões verificadas no atendimento às intimações fiscais, ... os documentos apresentados revelaramse, justamente, como os elementos fundamentais para apuração da omissão de receitas. Não se vislumbrando, portanto, embaraço à fiscalização, a justificar o agravamento da penalidade”); Fl. 655DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 03/04/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10469.725524/201124 Acórdão n.º 1803002.617 S1TE03 Fl. 656 6 3.8. Conforme entende o atual CARF, a falta de comprovação da origem dos depósitos bancários não caracteriza o evidente intuito de fraude, para efeito de aplicação da multa qualificada. O retardamento ou a redução do imposto a pagar, mesmo que reiteradamente, não corresponde à hipótese legal (art. 44, II, da Lei nº 9.430, de 1996). A Súmula nº 25 do CARF prevê que a presunção legal de omissão de receita ou de rendimento não autoriza, por si só, a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 1964. A Súmula nº 29 do CARF não foi observada, já que havia mais de um signatário com poderes para movimentar os valores depositados na rede bancária, o que anula o procedimento principal (autos de infração) e o acessório (exclusão do Simples). Por sua vez, a Súmula nº 34 do CARF prevê a qualificação da multa quando comprovada a interposição de pessoas. O julgador deve observar as súmulas vinculantes do CARF; 3.9. O art. 44, I, da Lei nº 9.430, de 1996, inclui a declaração inexata como hipótese de aplicação da multa de 75%. A representação fiscal para fins penais só veio a ser expedida em 29/07/2011. Não é do conhecimento dos representantes da empresa, o que infringe o art. 3º, § 3º, da Portaria SRF nº 1.805, de 1998; 3.10. A tributação com base no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser feita com base exclusivamente em valores e extratos ou comprovantes de depósitos, devendose excluir as transferências e os valores individuais iguais ou inferiores a R$ 1.000,00 (somatório no ano não ultrapasse R$ 12.000,00). O Decretolei nº 2.471, de 01/09/1988, determinou o cancelamento dos débitos que tenham origem na cobrança do imposto de renda com base exclusivamente em valores de extratos ou de comprovantes de depósitos bancários; 3.11. Depósitos bancários não implicam, por si sós, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, pois devem ser considerados apenas como indícios (fundamentase em ementas do então Conselho de Contribuintes); 3.12 Conforme a Constituição Federal, a quebra de sigilo bancário reclama autorização judicial. O plenário do Supremo Tribunal Federal deu provimento a recurso extraordinário para afastar a possibilidade de a Receita Federal ter acesso direto a dados bancários com arrimo apenas na Lei Complementar nº 105, de 2001, cuja inconstitucionalidade foi declarada com efeitos ex tunc (Recurso Extraordinário nº 389.808/PR). O art. 62, I, do Regimento Interno do CARF veda a seus membros afastar a aplicação de tratado, acordo internacional, lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade, exceto se já declarado inconstitucional por decisão definitiva do STF. Assim, a decisão definitiva relativa à nulidade do procedimento fiscal, arrimado em quebra do sigilo bancário sem autorização judicial, deve ser reconhecida pelo CARF. O procedimento de aditamento pelo contribuinte é condição sine qua non à aplicação do Regimento Interno em seu favor, por se tratar de fato superveniente, a teor do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972. 4. Também no prazo legal, a contribuinte também apresentou a impugnação de fls. 391/512, através da qual, com base nos mesmos argumentos já delineados na manifestação de inconformidade supra, requer a nulidade dos autos de infração e, por decorrência, do ADE DRF/NAT nº 17, de 14/07/2011, e da Representação Fiscal para Fins Penais. Acresce, contudo, que a busca da verdade material não pode restringirse à escrituração do Livro Caixa, devendose considerar outros parâmetros. Depois de reproduzir escólios doutrinários e ementa de decisão judicial, assere, ainda, que, caso dispusesse de cópias dos extratos bancários Fl. 656DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 03/04/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10469.725524/201124 Acórdão n.º 1803002.617 S1TE03 Fl. 657 7 adquiridos em face da quebra de sigilo bancário, poderia demonstrar que o faturamento bruto está compatível com a sua movimentação financeira. Sustenta, assim, cerceado o seu direito de defesa. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 533 e 534): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. COMPROVAÇÃO Caracterizamse como omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. SONEGAÇÃO. MULTA QUALIFICADA. Estando devidamente demonstrado nos autos que a conduta do contribuinte se qualifica como sonegação, nos termos do art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964, é de se aplicar a multa de ofício na forma qualificada, nos termos da legislação específica. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006, 2007 SIMPLES FEDERAL E NACIONAL. EXCLUSÃO. TERMO A QUO. No caso em que verificadas as hipóteses previstas nos incisos II e V do art. 14 da Lei nº 9.317, de 1996, que disciplinava o extinto Simples Federal, e nos incisos II, V e VIII do art. 29 da Lei Complementar nº 123, de 2007, o contribuinte deve ser excluído do regime simplificado já a partir do mês da ocorrência da infração (art. 15, V, da Lei nº 9.317, de 1996, c/c art. 29, § 1º, da Lei Complementar nº 123, de 2007). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007 SIGILO BANCÁRIO. ART. 26A DO DECRETO Nº 70.235, DE 1972. A aplicação do disposto no art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, reclama que a decisão proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal se qualifique como definitiva na esfera judicial. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos regularmente editados. PRELIMINAR DE NULIDADE. Fl. 657DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 03/04/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10469.725524/201124 Acórdão n.º 1803002.617 S1TE03 Fl. 658 8 Não se cogita da nulidade do auto de infração quando, além de formalmente perfeito, for induvidosa a competência da autoridade autuante, bem como em nada malferido o direito de defesa do contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 3. Cientificada da referida decisão em 16/12/2011 (fls. 637), a tempo, em 04/01/2012, apresenta a interessada Recurso de fls. 559, 562 a 615, e 636, instruído com os documentos de fls. 560, 561, e 616 a 635, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos e aduzindo mais os seguintes: a) que o Judiciário pátrio, por meio do Superior Tribunal de Justiça (STJ), exige prova inconteste para exclusão do Simples, vedada a retroatividade de seus efeitos; b) que só pode haver efeito retroativo da exclusão do Simples Federal ou Nacional nas seguintes hipóteses: (1) mudança de atividade vedada para permitida, após o ingresso no regime simplificado; (2) ultrapassado, no anocalendário de início de atividades, o limite de receita bruta permitida, a teor do REsp nº 996.098, de 2008; c) que os livros comerciais apresentados compreendem, segundo palavras da fiscalização, os livros Caixa e Contábeis; d) que, ao contrário da afirmação da decisão recorrida, há contraditório explícito ao arbitramento do lucro por falta de escrituração acorde às leis comerciais e fiscais; e) que a decisão recorrida, de per si, não indica por que a escrituração do livro Caixa não permite identificar a movimentação financeira da Recorrente; f) que, relativamente à matéria tributável, há que ser transparente e minudente, de forma que o sujeito passivo passa conferir os elementos a ela vinculados; contrário senso, configurase cerceamento de defesa; g) que, no lançamento em lide, não há descrição das exclusões de lei: cheques depositados, devolvidos, transferências, depósitos/saques entre as contas correntes da Recorrente; h) que preclara a nulidade da autuação, a teor do inciso II do art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972; e i) que, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 387.604, de 23/02/2011, que teve como Relatora a Ministra Cármen Lúcia, foi reconhecida repercussão geral relativa ao Recurso Extraordinário nº 389.808. Em mesa para julgamento. Fl. 658DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 03/04/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10469.725524/201124 Acórdão n.º 1803002.617 S1TE03 Fl. 659 9 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. Recursos repetitivos (STJ) 4. Dispõe o art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010 (grifouse): Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. 5. Relativamente à questão da quebra do sigilo bancário sem autorização judicial, é o seguinte o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) na sistemática de Recursos Repetitivos (art. 543C do CPC): PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A FATOS IMPONÍVEIS ANTERIORES À VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR 105/2001. APLICAÇÃO IMEDIATA. ARTIGO 144, § 1º, DO CTN. EXCEÇÃO AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE. 1. A quebra do sigilo bancário sem prévia autorização judicial, para fins de constituição de crédito tributário não extinto, é autorizada pela Lei 8.021/90 e pela Lei Complementar 105/2001, normas procedimentais, cuja aplicação é imediata, à luz do disposto no artigo 144, § 1º, do CTN. 2. O § 1º, do artigo 38, da Lei 4.595/64 (revogado pela Lei Complementar 105/2001), autorizava a quebra de sigilo bancário, desde que em virtude de determinação judicial, sendo certo que o acesso às informações e esclarecimentos, prestados pelo Banco Central ou pelas instituições financeiras, restringir seiam às partes legítimas na causa e para os fins nela delineados. 3. A Lei 8.021/90 (que dispôs sobre a identificação dos contribuintes para fins fiscais), em seu artigo 8º, estabeleceu Fl. 659DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 03/04/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10469.725524/201124 Acórdão n.º 1803002.617 S1TE03 Fl. 660 10 que, iniciado o procedimento fiscal para o lançamento tributário de ofício (nos casos em que constatado sinal exterior de riqueza, vale dizer, gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte), a autoridade fiscal poderia solicitar informações sobre operações realizadas pelo contribuinte em instituições financeiras, inclusive extratos de contas bancárias, não se aplicando, nesta hipótese, o disposto no artigo 38, da Lei 4.595/64. 4. O § 3º, do artigo 11, da Lei 9.311/96, com a redação dada pela Lei 10.174, de 9 de janeiro de 2001, determinou que a Secretaria da Receita Federal era obrigada a resguardar o sigilo das informações financeiras relativas à CPMF, facultando sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente. 5. A Lei Complementar 105, de 10 de janeiro de 2001, revogou o artigo 38, da Lei 4.595/64, e passou a regular o sigilo das operações de instituições financeiras, preceituando que não constitui violação do dever de sigilo a prestação de informações, à Secretaria da Receita Federal, sobre as operações financeiras efetuadas pelos usuários dos serviços (artigo 1º, § 3º, inciso VI, c/c o artigo 5º, caput, da aludida lei complementar, e 1º, do Decreto 4.489/2002). 6. As informações prestadas pelas instituições financeiras (ou equiparadas) restringemse a informes relacionados com a identificação dos titulares das operações e os montantes globais mensalmente movimentados, vedada a inserção de qualquer elemento que permita identificar a sua origem ou a natureza dos gastos a partir deles efetuados (artigo 5º, § 2º, da Lei Complementar 105/2001). 7. O artigo 6º, da lei complementar em tela, determina que: "Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária." 8. O lançamento tributário, em regra, reportase à data da ocorrência do fato ensejador da tributação, regendose pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada (artigo 144, caput, do CTN). 9. O artigo 144, § 1º, do Codex Tributário, dispõe que se aplica imediatamente ao lançamento tributário a legislação que, após a ocorrência do fato imponível, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de Fl. 660DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 03/04/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10469.725524/201124 Acórdão n.º 1803002.617 S1TE03 Fl. 661 11 investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. 10. Consequentemente, as leis tributárias procedimentais ou formais, conducentes à constituição do crédito tributário não alcançado pela decadência, são aplicáveis a fatos pretéritos, razão pela qual a Lei 8.021/90 e a Lei Complementar 105/2001, por envergarem essa natureza, legitimam a atuação fiscalizatória/investigativa da Administração Tributária, ainda que os fatos imponíveis a serem apurados lhes sejam anteriores. (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 806.753/RS, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 22.08.2007, DJe 01.09.2008; EREsp 726.778/PR, Rel. Ministro Castro Meira, julgado em 14.02.2007, DJ 05.03.2007; e EREsp 608.053/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 09.08.2006, DJ 04.09.2006). 11. A razoabilidade restaria violada com a adoção de tese inversa conducente à conclusão de que Administração Tributária, ciente de possível sonegação fiscal, encontrarseia impedida de apurála. 12. A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 facultou à Administração Tributária, nos termos da lei, a criação de instrumentos/mecanismos que lhe possibilitassem identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte, respeitados os direitos individuais, especialmente com o escopo de conferir efetividade aos princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva (artigo 145, § 1º). 13. Destarte, o sigilo bancário, como cediço, não tem caráter absoluto, devendo ceder ao princípio da moralidade aplicável de forma absoluta às relações de direito público e privado, devendo ser mitigado nas hipóteses em que as transações bancárias são denotadoras de ilicitude, porquanto não pode o cidadão, sob o alegado manto de garantias fundamentais, cometer ilícitos. Isto porque, conquanto o sigilo bancário seja garantido pela Constituição Federal como direito fundamental, não o é para preservar a intimidade das pessoas no afã de encobrir ilícitos. 14. O suposto direito adquirido de obstar a fiscalização tributária não subsiste frente ao dever vinculativo de a autoridade fiscal proceder ao lançamento de crédito tributário não extinto. 15. In casu, a autoridade fiscal pretende utilizarse de dados da CPMF para apuração do imposto de renda relativo ao ano de 1998, tendo sido instaurado procedimento administrativo, razão pela qual merece reforma o acórdão regional. (REsp 1134665 SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009) Fl. 661DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 03/04/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10469.725524/201124 Acórdão n.º 1803002.617 S1TE03 Fl. 662 12 6. Por outro lado, tratandose de alegação de inconstitucionalidade de lei, incide na espécie a Súmula CARF nº 2, de seguinte teor: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” 7. No que se refere ao mencionado julgamento do Recurso Extraordinário nº 387.604, de 23/02/2011, no qual teria sido reconhecida Repercussão Geral relativa ao Recurso Extraordinário nº 389.808, é de se esclarecer que referido julgado foi reformado, em data de 06/02/2013, em face de juízo de reconsideração, à vista de Agravo Regimental interposto pela União, como segue (http://www.stf.jus.br/portal/processo/verProcessoPeca.asp?id=124556175&tipoApp=.pdf): 3. Pelo exposto, em juízo de reconsideração, anulo a decisão agravada e determino a devolução destes autos ao Tribunal a quo, para que seja observado o art. 543B do Código de Processo Civil, nos termos do art. 328, parágrafo único, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal. 8. Não procede a preliminar arguida pela Recorrente, de nulidade do procedimento fiscal, arrimado em quebra do sigilo bancário sem autorização judicial. Efeitos da exclusão do Simples 9. Com relação à exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), a sua retroatividade é possível, por se tratar, no caso, de procedimento de caráter meramente declaratório, e não desconstitutivo, conforme entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) na sistemática de Recursos Repetitivos [art. 543C do Código de Processo Civil CPC (Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973)], de observância obrigatória por este Colegiado: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. LEI 9.317/96. SIMPLES. EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO. EFEITOS RETROATIVOS. POSSIBILIDADE. INTELIGÊNCIA DO ART. 15, INCISO II, DA LEI 9.317/96. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a averiguação acerca da data em que começam a ser produzidos os efeitos do ato de exclusão do contribuinte do regime tributário denominado SIMPLES. Discutese se o ato de exclusão tem caráter meramente declaratório, de modo que seus efeitos retroagiriam à data da efetiva ocorrência da situação excludente; ou desconstitutivo, com efeitos gerados apenas após a notificação ao contribuinte a respeito da exclusão. [...]. 3. No caso concreto, foi vedada a permanência da recorrida no SIMPLES ao fundamento de que um de seus sócios é titular de outra empresa, com mais de 10 % de participação, cuja receita bruta global ultrapassou o limite legal no anocalendário de 2002 (hipótese prevista no artigo 9º, inciso IX, da Lei 9.317/96), tendo o Ato Declaratório Executivo nº 505.126, de 2/4/2004, da Fl. 662DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 03/04/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10469.725524/201124 Acórdão n.º 1803002.617 S1TE03 Fl. 663 13 Secretaria da Receita Federal, produzido efeitos a partir de 1º/1/2003. 4. Em se tratando de ato que impede a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES em decorrência da superveniência de situação impeditiva prevista no artigo 9º, incisos III a XIV e XVII a XIX, da Lei 9.317/96, seus efeitos são produzidos a partir do mês subsequente à data da ocorrência da circunstância excludente, nos exatos termos do artigo 15, inciso II, da mesma lei. Precedentes. 5. O ato de exclusão de ofício, nas hipóteses previstas pela lei como impeditivas de ingresso ou permanência no sistema SIMPLES, em verdade, substitui obrigação do próprio contribuinte de comunicar ao fisco a superveniência de uma das situações excludentes. 6. Por se tratar de situação excludente, que já era ou deveria ser de conhecimento do contribuinte, é que a lei tratou o ato de exclusão como meramente declaratório, permitindo a retroação de seus efeitos à data de um mês após a ocorrência da circunstância ensejadora da exclusão. 7. No momento em que opta pela adesão ao sistema de recolhimento de tributos diferenciado, pressupõese que o contribuinte tenha conhecimento das situações que impedem sua adesão ou permanência nesse regime. Assim, admitirse que o ato de exclusão em razão da ocorrência de uma das hipóteses que poderia ter sido comunicada ao fisco pelo próprio contribuinte apenas produza efeitos após a notificação da pessoa jurídica seria permitir que ela se beneficie da própria torpeza, mormente porque, em nosso ordenamento jurídico, não se admite descumprir o comando legal com base em alegação de seu desconhecimento. 8. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. [...]. (REsp 1.124.507/MG, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 28/04/2010, DJe 06/05/2010) 10. Não procede a irresignação da Recorrente contra os efeitos da exclusão do Simples. Início dos efeitos da exclusão do Simples Federal e Nacional 11. O início dos efeitos da exclusão da Recorrente do Simples Federal se deu a partir de janeiro de 2006, ao fundamento de que teria ocorrido “embaraço à fiscalização” e “prática reiterada de infração à legislação tributária”. 12. Com relação ao primeiro fundamento, tenho que tanto a “falta de apresentação de livros e documentos da escrituração”, quando a “falta de esclarecimentos a Fl. 663DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 03/04/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10469.725524/201124 Acórdão n.º 1803002.617 S1TE03 Fl. 664 14 respeito da origem da movimentação bancária” não são de molde a caracterizar “embaraço à fiscalização”, visto que a própria legislação prevê, para esses casos, os remédios jurídicos do “arbitramento dos lucros” e da “presunção legal de omissão de receitas”, respectivamente. 13. Assim, se da omissão do contribuinte decorrem consequências específicas, expressamente previstas na legislação tributária, não se pode utilizar da mesma conduta para caracterizar a figura do “embaraço à fiscalização”. 14. Já quanto ao segundo fundamento, somente se caracteriza a “prática reiterada de infração à legislação tributária” a partir do período de apuração subsequente ao em que inicialmente cometida a infração. 15. Ou seja, não de janeiro de 2006 (primeiro mês de cometimento da infração), mas de fevereiro de 2006, já que somente neste último mês houve novo cometimento de infração à legislação tributária, a caracterizar, efetivamente, “prática reiterada de infração à legislação tributária”. 16. Por conseguinte, o início dos efeitos da exclusão do Simples Federal deve se processar a partir de fevereiro de 2006 (e não de janeiro do mesmo ano). 17. Dessa forma, deve ser excluído da matéria tributável do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), da Contribuição para o Programa de Integração Social (Pis) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) o valor de R$ 181.918,49, relativo ao mês de janeiro de 2006 (primeiro trimestre de 2006). 18. De se observar que a Recorrente, no que se refere ao início dos efeitos da exclusão do Simples Federal, equivocadamente se reporta a situações outras, estranhas ao presente feito (“faturamento que ultrapassa o limite de permanência no Simples” e “falta de alteração cadastral”). 19. Já quanto ao início dos efeitos da exclusão do Simples Nacional, deve, essa, se processar a partir de janeiro de 2007, uma vez que corretamente enquadrada a Recorrente na situação prevista no inciso VIII do art. 29 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006 (“houver falta de escrituração do livrocaixa ou não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária”), não tendo a Recorrente comprovado o contrário. Qualificação da multa de ofício 20. Com relação à qualificação da multa de ofício, como se está diante de mera presunção legal de omissão de receita por depósitos bancários de origem não comprovada, aplicamse as Súmulas CARF nºs 25 e 34, de seguinte teor: Súmula CARF vinculante nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. Súmula CARF vinculante nº 34: Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a Fl. 664DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 03/04/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10469.725524/201124 Acórdão n.º 1803002.617 S1TE03 Fl. 665 15 qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas. 21. Dessa forma, descabe a qualificação procedida, devendose ressaltar que apenas seria esta cabível se se tratasse de “reiteração de omissão de receitas”, e não, como no presente caso, “reiteração de presunção de omissão de receitas”. 22. Também não procede a tentativa de qualificação da multa de ofício aplicada com base na “falta de declaração e de registro da movimentação financeira”, ou no “comportamento da empresa ao longo do procedimento fiscal, visando impedir o acesso aos documentos que deveriam comprovar suas movimentações bancárias” (Relatório Fiscal, fls. 281), já que essas condutas, por si só, não comprovam o dolo, por se tratar, como visto, de presunção de omissão de receitas, e não de apuração direta de omissão de receitas. Depósitos bancários de origem não identificada 23. Reclama a Recorrente que, no lançamento em lide, não haveria descrição das exclusões de lei: cheques depositados, devolvidos, transferências e depósitos/saques entre as contas correntes da empresa. 24. Contrariamente ao por ela afirmado, constou no Relatório Fiscal (fls. 274, grifouse): Na tabela, os valores da coluna “Declaração” foram extraídos das declarações apresentadas pela empresa (fls. 03 a 37); os valores “LivroCaixa” foram retirados dos livros contábeis apresentados (fls. 83 a 105), a coluna “Créditos bancários” é resultante dos créditos efetuados nas contas bancárias da empresa, conforme Termos de Intimação Fiscal nºs 01 e 02 (fls. 54 a 71), excluindose do total mensal os cheques depositados pela empresa e devolvidos, bem como os empréstimos e financiamentos realizados diretamente com a instituição financeira onde são mantidas as contas e as coberturas efetuadas por contrato de cheque especial, tudo extraído dos extratos bancários encaminhados pela instituição financeira (fls. 207 a 268); 25. Argumenta a Recorrente que os livros comerciais apresentados compreendem, segundo palavras da fiscalização, os livros Caixa e Contábeis; que, ao contrário da afirmação da decisão recorrida, há contraditório explícito ao arbitramento do lucro por falta de escrituração acorde às leis comerciais e fiscais; e, ainda, que, esta, de per si, não indica por que a escrituração do livro Caixa não permite identificar a movimentação financeira da Recorrente. 26. Na verdade, somente foram apresentados à fiscalização o livro Caixa e os Registros de Entradas, de Saídas e de Apuração do ICMS, conforme cópias de fls. 83 a 159. 27. Já o livro Caixa apresentado (fls. 83 a 105) possui “escrituração contábil simplificada”, não abrangendo, além disso, lançamentos relativos à conta Bancos, daí porque como bem apontado pela fiscalização e pela decisão recorrida não permite a identificação da movimentação financeira da Recorrente. Fl. 665DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 03/04/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10469.725524/201124 Acórdão n.º 1803002.617 S1TE03 Fl. 666 16 Demais matérias 28. Com relação às demais matérias questionadas, acolhemse integralmente as razões da decisão recorrida, que bem decidiram a respeito (fls. 541 a 546): 18. Assevera a impugnante, em sua defesa, que a tributação com base no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser feita com fulcro exclusivamente em valores e extratos ou comprovantes de depósitos, devendose excluir as transferências e os valores individuais iguais ou inferiores a R$ 1.000,00 (somatório no ano não ultrapasse R$ 12.000,00). 19. Ocorre que as transferências a que se refere o inciso I do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, são somente aquelas que têm origem noutras contas do mesmo titular, o que não se pôde verificar tão só com apoio nos extratos colacionados aos autos. Notese que operações identificadas com a expressão “TRANSF. ENTRE AGEN. CHEQUE”, por faltarlhe a identificação do titular da conta de origem dos recursos, não podem ser excluídas do cálculo da omissão. Nada obstava, porém, que a própria impugnante trouxesse aos autos documentos que comprovassem o contrário, o que, no entanto, não foi feito, consoante evidenciam aqueles anexados à sua peça de defesa. 20. Já quanto à desconsideração, no cômputo da omissão, dos valores inferiores a R$ 1.000,00 ao mês (se o somatório não ultrapassar R$ 12.000,00 ao ano), são somente aqueles créditos em contacorrente de pessoa física, não de pessoa jurídica, conforme autoriza o inciso II do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996 [“§3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: (...); II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais)”]. 21. De igual modo, sem o menor fundamento sustentar que o Decretolei nº 2.471, de 1988, determinou o cancelamento dos débitos que tenham origem na cobrança do imposto de renda com base exclusivamente em valores de extratos ou de comprovantes de depósitos bancários, daí que prejudicado estaria o presente lançamento. Isso porque não havia, para aqueles lançamentos efetuados até a data da promulgação do Decretolei nº 2.471, de 1988, fundamento legal a autorizar a presunção de omissão de receitas derivado de depósitos bancários de origem não comprovada, cenário que, de pronto se percebe sem maior esforço, é completamente diverso do que ora se julga, já que a infração apontada pela fiscalização, já se viu aqui, teve por fundamento dispositivo legal plenamente vigente. 22. A propósito de não se prestarem os depósitos bancários para respaldar o lançamento, cumpre assinalar que o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, estabeleceu uma praesumptio iuris de omissão de receitas, por meio de um artifício empregado pelo legislador nos Fl. 666DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 03/04/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10469.725524/201124 Acórdão n.º 1803002.617 S1TE03 Fl. 667 17 casos em que se afigura difícil ou mesmo impossível a comprovação direta da infração. Para contornar o empeço, passou a lançar mão de meios indiretos, a partir da comprovação de certos atos ou fatos cuja ocorrência permite inferir, por meio de um raciocínio lógicodedutivo, o cometimento de infração à legislação tributária. A par de caracterizar a aludida presunção relativa, a comprovação dos tais atos ou fatos indiciários de igual modo autoriza a inversão do onus probandi, atribuindo ao contribuinte o encargo de demonstrar que a infração apontada não se verificou. 23. No caso em exame, portanto, apenas cabia à fiscalização a comprovação do fato signo presuntivo da omissão, qual seja, o crédito em conta de depósito ou de investimento sem a comprovação da origem, enquanto que, à impugnante, restava a incumbência de afastar a presunção, por meio de justificativas escoradas em provas idôneas, tarefa que, como visto, não se desincumbiu. [...]. 28. Relativamente à alegação de que, caso a impugnante tivesse acesso às cópias de extratos bancários, poderia comprovar que o faturamento bruto seria compatível com a movimentação financeira, impende observar que referidas cópias integravam os autos de infração que lhe foram enviados, porque parte integrante destes, além de terem sido anexadas à intimação por meio da qual se requereu a justificativa sobre a origem dos depósitos bancários. Ademais, não se sabe como se poderiam qualificar de compatível os valores movimentados em conta corrente, se somam quantia bem superior à registrada no Livro Caixa. [...]. 33. [...]. Notese, por oportuno, inaplicável ao caso o que preconiza a Súmula nº 29 do CARF (“Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento”), haja vista que a conta bancária (BRADESCO; agência 21341; c/c nº 27316), cujas informações foram utilizadas no lançamento, foi aberta em nome da própria pessoa jurídica autuada, não havendo, assim, cotitularidade a reclamar a sua aplicação. [...]. 36. A impugnante também reclama, embora não tenha sido explícita a respeito, a nulidade do lançamento, sob a alegação de que descumprida a regra contida no art. 3º, § 3º, da Portaria SRF nº 1.805, de 1998, uma vez que não cientificada da elaboração da Representação Fiscal para Fins Penais. Fl. 667DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 03/04/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10469.725524/201124 Acórdão n.º 1803002.617 S1TE03 Fl. 668 18 37. Impende ressaltar, no entanto, que a norma em referência apenas determina que, havendo contestação à constituição do crédito tributário, a peça de defesa, juntamente com a representação, se houver, seguirá o rito processual devido em lei, ou seja, deverá ser apreciada na DRJ e, se aviado recurso voluntário ou de ofício, no CARF, com todos os recursos que eventualmente sejam manejados. Nada mais que isto! (“Art. 3º A representação de que trata esta Portaria será apensada ao processo administrativofiscal, devendo: (...) § 3º Impugnada a exigência de crédito tributário, o processo administrativofiscal, acompanhado da representação criminal, cumprirá seu rito processual”). Não se reclama, portanto, a ciência da representação ao contribuinte representado, uma vez que apenas constitui notitia criminis ao Ministério Público, titular da ação penal. 38. Convém enfatizar, por último, que a apresentação da defesa contra o ato de exclusão do Simples, de fato, opera efeito suspensivo, conforme lembrou a impugnante. Entretanto, se a decisão administrativa definitiva for contrária à sua pretensão, deverá arcar com os custos de sua permanência no regime (p. ex., recolher, por regime diverso, os tributos devidos em períodobase seguinte aos da autuação). No que toca ao dever de o julgador proceder consoante o disposto no art. 48 da Lei nº 9.430, de 1996, o mesmo disciplina o procedimento de consulta realizada no âmbito da RFB, em nada se relacionando, portanto, com a matéria tratada no presente processo administrativo. Demais exigências 29. Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência daquele, na medida em que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, para considerar, como termo inicial da exclusão do Simples Federal, o período de apuração de fevereiro de 2006; excluir da matéria tributável do IRPJ, da CSLL, do Pis e da Cofins, o valor de R$ 181.918,49, relativo ao mês de janeiro de 2006 (primeiro trimestre de 2006); e afastar a qualificação da multa de ofício aplicada. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 668DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 03/04/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10469.725524/201124 Acórdão n.º 1803002.617 S1TE03 Fl. 669 19 Fl. 669DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 03/04/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 19515.003291/2010-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO QUANTO AOS FUNDAMENTOS DO NÃO CONHECIMENTO DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS
Dá-se provimento aos embargos de declaração opostos quando constatada omissão no julgado quanto aos fundamentos do não conhecimento dos documentos apresentados em sessão de julgamento.
Embargos acolhidos para ANULAR o Acórdão nº 1202.000.999 e determinar a diligência à unidade da Receita Federal do Brasil de circunscrição da Embargante para análise dos documentos apresentados.
Numero da decisão: 1202-001.234
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos de declaração por omissão quanto aos fundamentos de não conhecimento dos documentos apresentados na sessão de julgamento do Acórdão nº1202.000.999 para acolhê-los, considerando-se, conhecidos os referidos documentos, nos termos do voto do relator, anular o acórdão nº 1202.000.999, diligenciando-se à unidade da Receita Federal do Brasil de circunscrição da Embargante para analise dos documentos apresentados, nos termos do voto do relator, determinar o retorno dos presentes autos para novo julgamento por este Colegiado, nos termos do voto do relator e considerar prejudicado o julgamento dos embargos de declaração por contradição e obscuridade nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima - Presidente em exercício
(documento assinado digitalmente)
GERALDO VALENTIM NETO Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima (presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Valmar Fonsêca de Menezes, Geraldo Valentim Neto, Marcelo Baeta Ippólito (suplente convocado) e Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: GERALDO VALENTIM NETO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO QUANTO AOS FUNDAMENTOS DO NÃO CONHECIMENTO DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS Dáse provimento aos embargos de declaração opostos quando constatada omissão no julgado quanto aos fundamentos do não conhecimento dos documentos apresentados em sessão de julgamento. Embargos acolhidos para ANULAR o Acórdão nº 1202.000.999 e determinar a diligência à unidade da Receita Federal do Brasil de circunscrição da Embargante para análise dos documentos apresentados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos de declaração por omissão quanto aos fundamentos de não conhecimento dos documentos apresentados na sessão de julgamento do Acórdão nº1202.000.999 para acolhêlos, considerandose, conhecidos os referidos documentos, nos termos do voto do relator, anular o acórdão nº 1202.000.999, diligenciandose à unidade da Receita Federal do Brasil de circunscrição da Embargante para analise dos documentos apresentados, nos termos do voto do relator, determinar o retorno dos presentes autos para novo julgamento por este Colegiado, nos termos do voto do relator e considerar prejudicado o julgamento dos embargos de declaração por contradição e obscuridade nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Presidente em exercício (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 32 91 /2 01 0- 04 Fl. 679DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/03/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.003291/201004 Acórdão n.º 1202001.234 S1C2T2 Fl. 680 2 GERALDO VALENTIM NETO – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima (presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Valmar Fonsêca de Menezes, Geraldo Valentim Neto, Marcelo Baeta Ippólito (suplente convocado) e Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório Tratase de Embargos de Declaração interpostos pela VOTORANTIM PARTICIPAÇÕES S/A. Na origem, foi lavrado Auto de Infração para exigência de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ pela insuficiência de recolhimento do Adicional do Imposto de Renda, pois a Embargante não teria comprovado para os anoscalendários de 2006 e 2007 qual seria o valor das receitas decorrentes de aplicações financeiras anteriores a 31/12/1994 e que poderiam ser excluídas da base de cálculo do Adicional, por força do disposto no §5º do artigo 67 da Lei nº 8.981/95. A Embargante apresentou Impugnação, que foi julgada improcedente, uma vez que imprescindível a apresentação dos elementos solicitados no curso do procedimento fiscal e na diligência realizada, mantendo a autuação em sua totalidade. Intimada, interpôs Recurso Voluntário, o qual foi julgado improcedente, mantendose a íntegra do Acórdão embargado. Notificada da decisão, foram opostos os presentes Embargos de Declaração, com os argumentos de que: (i) os informes de rendimentos trazidos pela Embargante constam exatamente a informação solicitada, acabando por ser contraditório ao afirmar que esse documento não comprovaria tal informação; (ii) o v. Acórdão é contraditório ao afirmar que a contabilidade estaria desacompanhada de documentos hábeis que lhe deram suporte; e (iii) a Câmara não dispôs os motivos para a não aceitação dos documentos juntados pela Embargante. Transcrevo, a seguir, a ementa do Acórdão nº 1202000.999 objeto dos presentes Embargos, in verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 ADICIONAL DO IMPOSTO DE RENDA. RENDIMENTOS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS. EXCLUSÃO DO LUCRO REAL. Os rendimentos das aplicações financeiras de que trata o artigo 67 da Lei nº 8.981/95, produzidos a partir de 1º de janeiro de 1995, poderão ser excluídos do lucro real, para efeito de incidência do adicional do Imposto de Renda, desde que devidamente comprovados. Não apresentados os elementos Fl. 680DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/03/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.003291/201004 Acórdão n.º 1202001.234 S1C2T2 Fl. 681 3 solicitados no curso do procedimento fiscal e na diligência realizada, cabe manter a autuação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007 SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendelas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não há que se cogitar em nulidade da decisão quando o ato foi proferido por autoridade fiscal competente e não se verificou qualquer elemento que caracterizasse o cerceamento do direito de defesa do interessado. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Crédito Tributário Mantido. É o relatório. Voto O recurso é tempestivo e apresenta todos os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Os Embargos de Declaração têm lugar nos casos em que o Acórdão se mostra obscuro, omisso ou contraditório (art. 65 do Regimento Interno do CARF – Anexo II da Port. do Ministério da Fazenda nº 256 de 22/06/09). Verifico que assiste razão a Embargante, em relação ao argumento de que o Acórdão nº 1202.000.999 foi omisso ao deixar de expor os fundamentos do não conhecimento dos documentos apresentados na ocasião da sessão de julgamento, uma vez que comprovou a juntada de DIPJs, Livros Razões das contas de Receita Financeira, Extratos de Informes de Rendimento, Informes de Rendimento com segregação dos valores dos rendimentos de aplicações financeiras e, inclusive, os extrato emitido por Instituição Financeira desde 1994. Entendendo pela omissão no v. Acórdão embargado, afasto a contradição e obscuridade alegados pela Embargante. Fl. 681DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/03/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.003291/201004 Acórdão n.º 1202001.234 S1C2T2 Fl. 682 4 Com as considerações acima, entendo que o Acórdão embargado foi omisso em relação ao fundamento do não conhecimento dos documentos apresentados, razão pela qual voto no sentido de conhecer e ACOLHER os Embargos de Declaração opostos, para anular o v. Acórdão nº 1202000.999 e devolver os autos em diligência à competente unidade da Receita Federal do Brasil de circunscrição da Embargante para análise dos referidos documentos apresentados. Após, que se determine o retorno dos autos para novo julgamento por este Colegiado. É como voto. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Fl. 682DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/03/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10930.004964/2008-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Apr 01 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2202-000.505
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal.
(Assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa(Presidente).
(Assinado digitalmente)
Pedro Anan Junior Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente), Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado), Maria Lucia Moniz De Aragao Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Pedro Anan Junior, ausente justificadamente, o conselheiro Fabio Brun Goldschmid.
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Nome do relator: Não se aplica
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Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa(Presidente). (Assinado digitalmente) Pedro Anan Junior– Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente), Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado), Maria Lucia Moniz De Aragao Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Pedro Anan Junior, ausente justificadamente, o conselheiro Fabio Brun Goldschmid. . RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 30 .0 04 96 4/ 20 08 -4 5 Fl. 125DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/07/2013 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 429 ___________ Relatório Trata o processo da Notificação de Lançamento de fls. 46 e 50, resultante de revisão da Declaração de Ajuste Anual DAA correspondente ao exercício de 2005, ano calendário de 2004, que exige R$ 33.271,71 de Imposto de Renda suplementar, R$ 24.953,78 de multa de ofício e R$ 14.899,07 de juros de mora, apurados em decorrência de alteração do valor do imposto devido, e R$ 2.996,12 de Imposto de Renda, R$ 599,22 de multa de mora e R$ 1.341,66 de juros de mora, apurados em decorrência das alterações do valor do imposto retido na fonte. Segundo o relatório Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 47 e 48, foi apurado omissão de rendimentos no montante de R$ 123.458,76, pois a contribuinte recebeu, em ação trabalhista, R$ 163.002,14 de rendimentos tributáveis, mas declarou apenas R$ 39.543,38 em sua DAA. Também foi apurada compensação indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte, pois, na presente ação trabalhista, foi retido R$ 4.322,24 de Imposto de Renda passível de ser compensado, mas a contribuinte compensou R$ 7.379,54, sendo a diferença glosada pela fiscalização. Cientificada do lançamento em 25/08/08, conforme consulta de postagem de fl. 53, a interessada ingressou com a impugnação tempestiva de fls. 02 a 16, em 24/09/08. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba, DRJ/CTA, ao analisar a impugnação, negou provimento, através da decisão, 0631.277, de 18 de abril de 2011. Devidamente cientificada, a Recorrente apresenta tempestivamente recurso voluntário, onde reitera os argumentos da impugnação. É o relatório. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/07/2013 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10930.004964/200845 Resolução nº 2202000.505 S2C2T2 Fl. 430 3 Voto O presente processo administrativo, versa sobre autuação omissão de rendimentos, onde há a discussão de rendimentos recebidos de forma acumulados decorrentes de processo trabalhista . Tendo em vista que a partir de 21 de dezembro de 2011, os conselheiro do CARF são obrigados a observar o artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, que foi alterado pela Portaria MF n° 586, de 2010 abaixo transcrita: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes."(AC) Desta forma, a partir de 21 de dezembro de 2011, devemos sobrestar os julgamentos em que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria. Neste sentido, proponho o sobrestamento do julgamento do presente caso até que o STF decida sobre a matéria de sorte a suspender o sobrestamento efetuado. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Fl. 127DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/07/2013 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 10640.003432/2007-75
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 02 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA POR ATRASO DSPJ.
Improcedente a aplicação de penalidade por obrigação acessória, enquanto pendente a discussão acerca do regime de tributação a que estava sujeita a pessoa jurídica e impossível o seu cumprimento por restrição imposta pelos sistemas do sujeito ativo da relação jurídico-tributária.
Numero da decisão: 1803-000.991
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente
(Assinado Digitalmente)
Sérgio Luiz Bezerra Presta - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Benedicto Celso Benício Júnior, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Walter Adolfo Maresch, Sérgio Rodrigues Mendes e Victor Humberto da Silva Maizman.
Nome do relator: SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA POR ATRASO DSPJ. Improcedente a aplicação de penalidade por obrigação acessória, enquanto pendente a discussão acerca do regime de tributação a que estava sujeita a pessoa jurídica e impossível o seu cumprimento por restrição imposta pelos sistemas do sujeito ativo da relação jurídico-tributária.
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decisao_txt : ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente (Assinado Digitalmente) Sérgio Luiz Bezerra Presta - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Benedicto Celso Benício Júnior, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Walter Adolfo Maresch, Sérgio Rodrigues Mendes e Victor Humberto da Silva Maizman.
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MULTA POR ATRASO DSPJ. Improcedente a aplicação de penalidade por obrigação acessória, enquanto pendente a discussão acerca do regime de tributação a que estava sujeita a pessoa jurídica e impossível o seu cumprimento por restrição imposta pelos sistemas do sujeito ativo da relação jurídicotributária. ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da PRIMEIRA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (Assinado Digitalmente) Sérgio Luiz Bezerra Presta Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Benedicto Celso Benício Júnior, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Walter Adolfo Maresch, Sérgio Rodrigues Mendes e Victor Humberto da Silva Maizman. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 34 32 /2 00 7- 75 Fl. 39DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10640.003432/200775 Acórdão n.º 1803000.991 S1TE03 Fl. 39 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: “Trata o presente processo de auto de infração para exigência de multa por atraso na entrega da DSPJ do anocalendário de 2004, da empresa supra, no valor de R$ 2.396,61. Notificada do lançamento, a interessada apresentou impugnação, alegando que a entrega em atraso foi motivada por sua exclusão indevida do Simples. Assim que foi restabelecida sua condição de optante pelo Simples por despacho decisório, com efeito retroativo, realizou a entrega da DSPJ. Durante a discussão administrativa ficou impedida de apresentar declaração pela internet no Simples. Não tem condições financeiras de arcar com essa penalidade.” A 2ª Turma da DRJ/JUIZ DE FORA–MG, em sessão de 1º de abril de 2009, ao analisar a peça impugnatória apresentada, proferiu o acórdão n° 0923.167 onde decidiu “considerar PROCEDENTE 0 LANÇAMENTO, mantendo o crédito tributário exigido”, sob argumentos assim ementados: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2004 MULTA POR ATRASO. DSPJ. Devida a multa por atraso na entrega da DSPJ quando provado que sua entrega se deu após o prazo fixado na legislação. Lançamento Procedente” Cientificado da decisão em 16/04/2009 interpôs o contribuinte, em 14/05/2009, Recurso Voluntário a este Conselho, onde a Recorrente manteve os mesmos argumentos da peça impugnatória apresentada. É o relatório do essencial. Fl. 40DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10640.003432/200775 Acórdão n.º 1803000.991 S1TE03 Fl. 40 3 Voto Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta Relator O presente recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais para seu seguimento. Por essa razão dele conheço. Trata o presente processo de multa por atraso na entrega da Declaração Simplificada de Pessoa Jurídica – DSPJ, relativa ao ano calendário 2004. A Recorrente foi excluída do Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas das Empresas de Pequeno Porte através do Ato Declaratório n° 238.273 de 02/10/2000, tendo como conseqüência imediata a alteração da Ficha Cadastral do CNPJ – FCPJ, impossibilitando a entrega da DSPJ por parte do contribuinte a partir desta data. Porém, em 23/05/2005, mais de quatro anos e seis meses depois, a Seção de Controle e Acompanhamento Tributário da Delegacia da Receita Federal na Cidade de Juiz de ForaMG exarou o seguinte despacho: “A empresa acima identificada requer, is fls. 01, a sua manutenção no Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas das Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES, em virtude da emissão do Ato Declaratório n° 238.273 de 02/10/2000, que a declarou excluída do referido sistema, devido a pendências da empresa e de seu sócio Heitor Luiz Villela Júnior, CPF n°831.138.43634, junto à PGFN (fl. 37), com infração aos dispositivos previstos na Lei 9.317/96, com alterações introduzidas pela Lei n° 9.732/98. Conforme cópia do AR Simples, fls. 38, a interessada tomou ciência do Ato Declaratório de Exclusão do sistema Simples em 19/10/2000. A interessada protocolou seu requerimento de fls. 01 somente em 15/09/2004, permitindo assim, esgotar o prazo para apresentar sua inconformidade relativa à exclusão, o qual, nos termos da IN/SRF n° 100, de 26/10/2000, terminou em 31/01/2001, configurandose, portanto, a não contestação do procedimento administrativo fiscal. Embora tenha decorrido o prazo para impugnação, com fundamento no disposto no art. 145, III, c/c com o art. 149, VIII, do Código Tributário Nacional (Lei n°5.172/66), revejo de oficio a decisão anteriormente citada, segundo os elementos constantes do presente processo. De acordo com pesquisas feitas ao Sistema Consulta Inscrições da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, fls. 39 a 74, a interessada e seu sócio estavam em condições de obter Certidão Positiva de Débito com Efeito de Negativa da PGFN em 31/01/2001. Fl. 41DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10640.003432/200775 Acórdão n.º 1803000.991 S1TE03 Fl. 41 4 Assim sendo, propomos que seja desfeita a exclusão do. Simples imposta pelo Ato Declaratório n° 244.205/2000, através do código 317 (desfaz exclusão) previsto no AD/COTEC/001/2000. À consideração superior.” A decisão da chefia da Seção de Controle e Acompanhamento Tributário da Delegacia da Receita Federal na Cidade de Juiz de ForaMG, foi a seguinte: “Em face do exposto, com base no art. 145, 111, c/c com o art. 149, VIII, do Código Tributário Nacional (Lei n° 5.172/66), resolvo rever de oficio a exclusão do Simples imposta pelo ato anteriormente mencionado, desfazendose a mesma. Dêse ciência ao interessado mediante entrega de cópia deste despacho e posterior arquivamento.” Diante desse fato vêse que a Recorrente ficou fora do Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas das Empresas de Pequeno Porte entre 02/10/2000 até 23/05/2005, desta forma não poderia entregar, por vedação do sistema, entregar a Declaração Simplificada de Pessoa Jurídica – DSPJ, relativa ao ano calendário 2004; Isso tanto é verdade que depois de reinserida ao Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas das Empresas de Pequeno Porte, a Requerente providenciou a entrega da Declaração Simplificada de Pessoa Jurídica – DSPJ, relativa ao ano calendário 2004, porém com atraso. Porém, como durante o prazo de análise do recurso, que acabou por reinserir a Recorrente ao Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas das Empresas de Pequeno Porte, as declarações deveriam ter sido entregues, tendo em vista que o recurso tem efeito suspensivo; ou seja, a decisão que excluiu a Requerente não teve efeito até o julgamento do recurso interposto. Assim, cabível é a multa pela falta da entrega da Declaração Simplificada de Pessoa Jurídica – DSPJ, relativa ao ano calendário 2004. Esse é o entendimento majoritário desta turma julgadora, que vem julgando reiteradamente que o fato gerador da obrigação acessória no SIMPLES é nos termos dos artigos 115, 116 e 117 do CTN derivado do Ato de exclusão do SIMPLES. Até porque, no prazo para a entrega da Declaração Simplificada de Pessoa Jurídica – DSPJ, relativa ao ano calendário 2004 a Recorrente não estava fora da sistemática do SIMPLES, devendo ser imputada a esta uma penalidade pela ausência de cumprimento de uma obrigação acessória que a Recorrente efetivamente poderia e deveria ter adimplido. Diante de tudo que temos nos autos, não há como negar a responsabilidade da Recorrente em cumprir a obrigação acessória de entrega da Declaração Simplificada de Pessoa Jurídica – DSPJ, relativa ao ano calendário 2004. Fl. 42DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10640.003432/200775 Acórdão n.º 1803000.991 S1TE03 Fl. 42 5 Assim, considerando tudo o que consta dos autos, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. (Assinado Digitalmente) Sérgio Luiz Bezerra Presta Fl. 43DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA
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