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Numero do processo: 10882.003383/2007-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 03 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Dec 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002
DECADÊNCIA. CONTAGEM DE PRAZO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO. AUSÊNCIA. REGRA GERAL.
No caso de tributos cujo lançamento processa-se por homologação do pagamento antecipado pelo obrigado, a extinção do crédito sob condição resolutória depende da efetiva antecipação do pagamento correspondente, sem o qual o próprio lançamento por homologação não opera-se, restando o mesmo regulado pelas disposições contidas no artigo 173. Aplicação da Súmula Vinculante nº 8 do STF
Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3102-000.891
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do voluntário e em negar provimento ao recurso de ofício.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres - Presidente
(Assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Redator ad hoc
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Beatriz Veríssimo de Sena, José Fernandes do Nascimento, Luciano Pontes de Maya Gomes, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro (Presidente à época do julgamento).
Nome do relator: BEATRIZ VERISSIMO DE SENA
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CONTAGEM DE PRAZO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO. AUSÊNCIA. REGRA GERAL. No caso de tributos cujo lançamento processase por homologação do pagamento antecipado pelo obrigado, a extinção do crédito sob condição resolutória depende da efetiva antecipação do pagamento correspondente, sem o qual o próprio lançamento por homologação não operase, restando o mesmo regulado pelas disposições contidas no artigo 173. Aplicação da Súmula Vinculante nº 8 do STF Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do voluntário e em negar provimento ao recurso de ofício. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente (Assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Redator ad hoc Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Beatriz Veríssimo de Sena, José Fernandes do Nascimento, Luciano Pontes de Maya Gomes, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro (Presidente à época do julgamento). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 33 83 /2 00 7- 28 Fl. 886DF CARF MF Impresso em 04/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 04/12/2015 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 04/12/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10882.003383/200728 Acórdão n.º 3102000.891 S3C1T2 Fl. 887 2 Relatório Nos termos do art. 17, III, do RICARF, incumbiume o Senhor Presidente da Primeira Câmara da Terceira Seção de formalizar o presente acórdão, conforme despacho de fl. 883, tendo em vista que a relatora originária, Conselheira Beatriz Veríssimo de Sena, apesar de têlo formalizado, o fez sem o número do acórdão e sem a definição de assinatura do Presidente da Turma, razão pela qual foi desentranhado dos autos. Assim, adoto o relatório e o voto da Conselheira acima referida, disponibilizados à secretaria da Câmara, conforme a seguir: O presente processo trata de lançamento de diferenças de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), acrescido de multa de ofício e juros de mora. Conforme relatório de fiscalização da SEFIS (fls. 210/214), foi apurado: Em face do exposto, concluímos que a empresa (...) deixou de considerar na composição da base de cálculo das contribuições para o PIS e COFINS parte de seu faturamento conforme lançamentos contábeis registrados nos Livros de Entrada e Saída, devidamente corroborado pelos registros contábeis constantes no Livro Diário e LALUR. Sendo assim, efetuamos o Lançamento de Oficio do crédito tributário correspondente. Consta do relatório da DRJ (fls. 636 a 638). (...) Insta salientar, quanto ao mérito do Auto ora impugnado, o inequívoco erro dado na capitulação das supostas infrações fiscais que teriam sido perpetradas, em tese, pela Contribuinte. No que concerne às supostas infrações relativas à escrituração de documentos e impressos, compreende a Contribuinte que os artigos legais destacados no AUTO atacado detém inequívoco caráter declaratório, sendo impossível, portanto, a sua aplicação a título de transgressão. Inexiste no repertório fiscal previsão legal para a aplicação de multa onde já houvera a declaração espontaria (sic) do Contribuinte, como pretende a Receita Federal. Entendemos que a multa (...) está condicionada ao descumprimento de um dever legal, quer seja o não recolhimento de tributo no prazo assinalado pela legislação (...). Assim não há que se falar em inaplicabilidade dos benefícios do instituto da denúncia espontânea nos casos das denominadas multa moratórias incidentes nas infrações relacionadas a tributos auto lançados. Ainda que seja legal uma multa, porque prevista em lei, tratase de lei inconstitucional, iníqua, injusta, que qualquer Congresso sério deveria ter vergonha de aprovar e qualquer governo igualmente sério mais vergonha ainda de aplicar. A doutrina pátria tem declarado serem ilegais e inconstitucionais multas com efeitos confiscatórios. Fl. 887DF CARF MF Impresso em 04/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 04/12/2015 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 04/12/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10882.003383/200728 Acórdão n.º 3102000.891 S3C1T2 Fl. 888 3 (...) todo indivíduo desde que não viole regra jurídica, tem a indiscutível liberdade de ordenar seus negócios de modo menos oneroso, inclusive, tributariamente. Aliás, seria absurdo que o contribuinte, encontrando vários caminhos legais (portanto lícitos) para chegar ao mesmo resultado, fosse escolher justamente aquele meio que determinasse o pagamento do tributo mais elevado. De acordo com o AUTO, a Receita considerou acima de tudo os efeitos econômicos dos fatos na relação jurídica. O fisco deve motivar analiticamente os lançamentos, isto é, deve provar a investigação procedida sob pena de nulidade. Em conclusão, é vedado o emprego das presunções em Direito Tributário. Falece ao fisco qualquer poder discricionário nesta matéria, porquanto o objetivo do lançamento é exclusivamente declarar o resultado da rigorosa aplicação da lei a determinados fatos. f) Admitindose, somente para argumentarse, que o AUTO impugnado seja válido, ainda assim, a questão emulativa de multa deverá ser relevada por órgão julgador administrativo, porquanto, além de prescrita, a infração não foi praticada com dolo, fraude ou simulação e não implicou em falta de pagamento do imposto. A DRJ julgou parcialmente procedente o lançamento, por meio de acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2002 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. Afastado, por inconstitucional, o prazo de dez anos para o lançamento das contribuições destinadas à Seguridade Social, a contagem do prazo decadencial regese pelo disposto no Código Tributário Nacional. Na hipótese em que há recolhimento parcial, o prazo decadencial de cinco anos tem início na data de ocorrência do fato gerador. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. CONSTITUIÇÃO DEFINITIVA. IMPUGNAÇÃO. Não está definitivamente constituído o crédito tributário impugnado regularmente pelo sujeito passivo, até que se esgotem as possibilidades de continuação do litígio, portanto, não se pode falar em prescrição do direito de cobrança. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. FALTA DE RECOLHIMENTO. Constatada a falta de recolhimento da contribuição, correta a exigência de ofício do tributo não recolhido. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CONTESTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Fl. 888DF CARF MF Impresso em 04/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 04/12/2015 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 04/12/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10882.003383/200728 Acórdão n.º 3102000.891 S3C1T2 Fl. 889 4 Cabe à autoridade lançadora provar a ocorrência do fato constitutivo do direito de lançar do fisco. Comprovado o do direito de lançar cabe ao sujeito passivo alegar fatos impeditivos, modificativos ou extintivos e além de alegálos, comproválos efetivamente, nos termos do Código de Processo Civil, que estabelece as regras de distribuição do ônus da prova aplicáveis ao PAF, subsidiariamente. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2002 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. Afastado, por inconstitucional, o prazo de dez anos para o lançamento das contribuições destinadas à Seguridade Social, a contagem do prazo decadencial regese pelo disposto no Código Tributário Nacional. Na hipótese em que há recolhimento parcial, o prazo decadencial de cinco anos tem início na data de ocorrência do fato gerador. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. CONSTITUIÇÃO DEFINITIVA. IMPUGNAÇÃO. Não está definitivamente constituído o crédito tributário impugnado regularmente pelo sujeito passivo, até que se esgotem as possibilidades de continuação do litígio, portanto, não se pode falar em prescrição do direito de cobrança. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. FALTA DE RECOLHIMENTO. Constatada a falta de recolhimento da contribuição, correta a exigência de ofício do tributo não recolhido. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CONTESTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Cabe à autoridade lançadora provar a ocorrência do fato constitutivo do direito de lançar do fisco. Comprovado o do direito de lançar cabe ao sujeito passivo alegar fatos impeditivos, modificativos ou extintivos e além de alegálos, comproválos efetivamente, nos termos do Código de Processo Civil, que estabelece as regras de distribuição do ônus da prova aplicáveis ao PAF, subsidiariamente. LANÇAMENTO PROCEDENTE EM PARTE. Em face do acórdão proferido pela DRJ, o Contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual, em síntese, reitera os argumentos já expostos na impugnação. É o relatório. Fl. 889DF CARF MF Impresso em 04/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 04/12/2015 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 04/12/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10882.003383/200728 Acórdão n.º 3102000.891 S3C1T2 Fl. 890 5 Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Redator ad hoc A única matéria impugnada pelo Contribuinte no Recurso Voluntário é a aplicação do prazo prescricional (ou decadencial) de cinco anos para constituição, pela Fazenda Pública, do débito tributário. Ocorre, porém, que neste processo administrativo já foi reconhecido pela DRJ a incidência do prazo decadencial de cinco anos. A declaração da decadência parcial do débito foi, inclusive, a motivação para que o lançamento fosse julgado parcialmente procedente. Isso posto, observase que o Contribuinte recorreu de questão sobre a qual já se encontrava vitorioso. A questão da decadência deve ser examinada, contudo, em face do recurso de ofício. A DRJ manifestouse no sentido de aplicar a Súmula Vinculante nº 8 do STF: "São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Nos termos do caput do art. 103A da Constituição Federal, tal Súmula tem efeito vinculante em relação à Administração Pública, a partir de sua publicação, verbis: "Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei." Isto posto, a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir crédito tributário está regulada no art. 173 do CTN: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Fl. 890DF CARF MF Impresso em 04/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 04/12/2015 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 04/12/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10882.003383/200728 Acórdão n.º 3102000.891 S3C1T2 Fl. 891 6 Determinado isso, resta decidir se, em não havendo o pagamento do tributo, como no caso não houve, a contagem do prazo decadencial deve ser contada conforme preceitua o art. 173 do CTN. No caso, o direito de constituir o crédito tributário expira no prazo de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que tal providência já poderia ter sido tomada. Com base nesses fundamentos, a relatora original não conheceu do recurso voluntário e negou provimento ao recurso de ofício, sendo acompanhada, por unanimidade, pelo Colegiado, e esse é o acórdão que me coube redigir. Ricardo Paulo Rosa Fl. 891DF CARF MF Impresso em 04/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 04/12/2015 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 04/12/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10580.726659/2012-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
IRRF. DEDUÇÃO.
A dedução a título de IRRF está condicionada à comprovação da retenção do imposto e de que os rendimentos correspondentes tenham sido oferecidos à tributação na DIRPF.
ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-003.194
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio De Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Márcio Henrique Sales Parada. Junia Roberta Gouveia Sampaio, Eduardo de Oliveira, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado) e José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado).
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007 IRRF. DEDUÇÃO. A dedução a título de IRRF está condicionada à comprovação da retenção do imposto e de que os rendimentos correspondentes tenham sido oferecidos à tributação na DIRPF. ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio De Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Márcio Henrique Sales Parada. Junia Roberta Gouveia Sampaio, Eduardo de Oliveira, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado) e José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado).
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DEDUÇÃO. A dedução a título de IRRF está condicionada à comprovação da retenção do imposto e de que os rendimentos correspondentes tenham sido oferecidos à tributação na DIRPF. ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 66 59 /2 01 2- 10 Fl. 58DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/03/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio De Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Márcio Henrique Sales Parada. Junia Roberta Gouveia Sampaio, Eduardo de Oliveira, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado) e José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10580.726659/201210, em face do acórdão nº 1534.799, julgado pela 3ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Salvador (DRJ/SDR), na sessão de julgamento de 19 de fevereiro de 2014, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim os relatou: Tratase de impugnação a lançamento fiscal relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente ao ano calendário de 2007, para exigência de imposto, no valor de R$ 6.223,53, acrescido de multa de mora e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes na notificação de lançamento, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada compensação indevida de IRRF, no valor de R$ 6.223,53. A glosa foi motivada pela falta de comprovação da retenção do imposto pela fonte pagadora Caixa Econômica Federal. Na impugnação apresentada, às fls. 02, o contribuinte contesta o lançamento fiscal, alegando em síntese que o imposto glosado foi retido pela Caixa Econômica Federal quando do pagamento de rendimentos decorrentes de ação judicial. A referida fonte pagadora não forneceu os informes de rendimentos correspondentes. A 3ª. Turma da DRJ/SDR entendeu pela improcedência da impugnação apresentada pela contribuinte. Colaciono a ementa do referido julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 IRRF. DEDUÇÃO. A dedução a título de IRRF está condicionada à comprovação da retenção do imposto e de que os Fl. 59DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/03/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 10580.726659/201210 Acórdão n.º 2202003.194 S2C2T2 Fl. 59 3 rendimentos correspondentes tenham sido oferecidos à tributação na DIRPF. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a improcedência da impugnação, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, em fls. 34/36, onde são reiterados os argumentos já lançados na impugnação e apresentados, em anexo ao recurso voluntário, novos documentos. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. No presente caso, verificase que o contribuinte recebeu valores decorrentes de reclamatória trabalhista em ação que movia contra a Caixa Econômica Federal, tendo informado que a sua exempregadora fez a retenção de imposto de renda no valor de R$ 6.223,53. Todavia, o valor foi glosado, pois no cruzamento de informações, constatouse que o valor recolhido pela Caixa Econômica Federal foi R$ 0,00. A 3a. Turma da DRJ/SDR, de forma bem suscita, assim julgou a decisão: "A documentação juntada ao processo pelo impugnante, às fls. 04/07, não comprova qualquer valor retido a título de imposto de renda. A compensação de IRRF está condicionada à apresentação do comprovante de retenção emitido em nome do contribuinte pela fonte pagadora dos rendimentos, nos termos do art. 87, § 2º, do RIR/1999. Conclusão Dessa forma, voto por considerar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido." Verificase no presente caso que a contribuinte não apresentou em recurso voluntário qualquer documento que demonstrasse que tenha ocorrido a retenção do valor referente ao IRRF pela Caixa Econômica Federal, ônus que lhe incumbia. Além do mais, pelo documento de fl. 43 dos autos, verificase que a contribuinte recebeu o valor liquido de R$ 20.465,89 na reclamatória trabalhista em questão, de um total pago de R$ 30.266,02. Deste valor foram descontados honorários advocatícios e Fl. 60DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/03/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 4 contábeis, bem como CPMF. O campo referente a "Retenção I. Renda" encontrase em branco, o que somente vem a corroborar de que não houve a retenção de imposto de renda. Registro que outros recibos foram juntados, que são similares a este, sendo alguns referente a exercícios que sequer são objeto deste processo, todavia saliento que em todos o campo "Retenção I. Renda" está em branco. Assim, demonstrado que a contribuinte deixou de apresentar documentos comprobatórios suficientes para ocasionar a reforma do acórdão da DRJ/SDR, verifico que não há elementos para afastar a glosa imputada à contribuinte pela notificação de lançamento e, por consequência, deve ser mantido o lançamento do imposto de renda suplementar. Desse modo, não prosperam as razões apresentadas pela contribuinte, devendo ser mantida a glosa consubstanciada na notificação de lançamento. Ante ao exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 61DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/03/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA
score : 1.0
Numero do processo: 13654.001060/2008-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2003 a 31/12/2003
PREVIDENCIÁRIO. ISENÇÃO COTA PATRONAL. COMPROVADA CONDIÇÃO DE ENTIDADE ISENTA. OBSERVÂNCIA AOS PRESSUPOSTOS LEGAIS. LANÇAMENTO. NECESSIDADE DE PRÉVIO ATO CANCELATÓRIO DO BENEFÍCIO FISCAL.
Restando comprovado que a contribuinte se enquadra como entidade isenta da cota patronal das contribuições previdenciárias, uma vez observados os requisitos legais para tanto, notadamente àqueles inscritos no artigo 55 da Lei n° 8.212/91, aplicável ao caso à época, a constituição de créditos previdenciários concernentes à aludida contribuição está condicionada à emissão de prévio Ato Cancelatório de Isenção, consoante estabelece a legislação de regência.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-004.752
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado -Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira Araújo, Marcelo Oliveira, Nunes, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo - Presidente Lourenço Ferreira do Prado -Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira Araújo, Marcelo Oliveira, Nunes, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado.
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ISENÇÃO COTA PATRONAL. COMPROVADA CONDIÇÃO DE ENTIDADE ISENTA. OBSERVÂNCIA AOS PRESSUPOSTOS LEGAIS. LANÇAMENTO. NECESSIDADE DE PRÉVIO ATO CANCELATÓRIO DO BENEFÍCIO FISCAL. Restando comprovado que a contribuinte se enquadra como entidade isenta da cota patronal das contribuições previdenciárias, uma vez observados os requisitos legais para tanto, notadamente àqueles inscritos no artigo 55 da Lei n° 8.212/91, aplicável ao caso à época, a constituição de créditos previdenciários concernentes à aludida contribuição está condicionada à emissão de prévio Ato Cancelatório de Isenção, consoante estabelece a legislação de regência. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 4. 00 10 60 /2 00 8- 62 Fl. 214DF CARF MF Impresso em 18/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/0 1/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira Araújo, Marcelo Oliveira, Nunes, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 18/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/0 1/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 13654.001060/200862 Acórdão n.º 2402004.752 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório INSTITUTO PRESBITERIANO GAMMON, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 5a Turma da DRJ em Juiz de Fora/MG, Acórdão nº 09 26.564/2009, às fls. 178/181, que julgou procedente o lançamento fiscal referente às contribuições sociais devidas pela autuada ao INSS, correspondentes à parte destinada a Terceiros (SalárioEducação, INCRA, SESC, SEBRAE), incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos empregados, assim caracterizadas as pessoas físicas/autônomos que prestaram serviços à autuada, uma vez observados os pressupostos do vínculo laboral, em relação ao período de 09/2003 a 12/2003, conforme Relatório Fiscal, às fls. 155/160, consubstanciadas nos seguintes levantamentos: Tratase de Auto de Infração (obrigações principais) lavrado em 23/09/2008, contra a contribuinte acima identificada, constituindose crédito no valor consignado na folha de rosto da autuação. A ilustre autoridade lançadora achou por bem caracterizar os prestadores de serviços, pessoas físicas, como segurados empregados, tendo em vista que do exame da documentação apresentada pela contribuinte, constatouse a existência dos requisitos do vínculo empregatício entre àqueles e o instituto , inscritos no artigo 12, inciso I, alínea “a”, da Lei nº 8.212/91, quais sejam, a não eventualidade, a subordinação, a pessoalidade e a remuneração. De conformidade com o Relatório Fiscal, o presente lançamento fora efetuado com a finalidade de impedir a decadência da exigência fiscal, uma vez que a contribuinte detém provimento judicial reconhecendo a isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias, devendo ficar sobrestado até decisão judicial definitiva. Informa, ainda, o fiscal autuante que a entidade era titular da isenção dos tributos ora lançados. No entanto, em 1998, o Conselho Nacional de Assistência Social indeferiu a renovação do CEBAS, com fundamento no Parecer CJ n° 1258/98, em face da constatação do descumprimento do inciso IV, do artigo 2°, do Decreto n° 752/93, por deixar de comprovar a aplicação de, pelo menos, 20% de sua receita bruta em gratuidade. Diante da negativa de renovação do CEBAS, a contribuinte deixou de observar os preceitos contidos no artigo 55, inciso II, da Lei n° 8.212/91, o que afastou a sua condição de entidade isenta. Por sua vez, a recorrente propôs Ação Ordinária n° 1999.38.00.0333672, originária da 16a Vara Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais, tendo obtido êxito em sua empreitada no sentido do reconhecimento da isenção da cota patronal, com decisões favoráveis em primeira e segunda instâncias, confirmadas pelo STJ, com decisão transitada em julgado, o que impediu a emissão de Ato Cancelatório, remanescendo tão somente a discussão no âmbito do STF em face de recurso extraordinário interposto pelo INSS. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 185/195, procurando demonstrar a improcedência do lançamento, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 18/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/0 1/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 4 Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra a exigência consubstanciada na peça vestibular do feito, por entender ser portadora do CEBAS, sobretudo após a edição da MP n° 446/2008, a qual estabeleceu, em seus artigos 37 e 39, que os pedidos de renovação pendentes de apreciação naquela oportunidade seriam automaticamente deferidos, consoante Resoluções do CNAS n°s 106/2006 e 07/2009. Traz à colação quadro demonstrativo das renovações do CEBAS em relação ao período de 1999 a 2011, suscitando que em todo àquele lapso temporal a entidade foi detentora de referido Certificado, não se cogitando no descumprimento do artigo 55, inciso II, da Lei n° 8.212/91, como pretende fazer crer as autoridades fazendárias. Pretende sejam analisadas todas as questões arguidas em suas peças impugnatória e recurso voluntário, independentemente do trânsito em julgado de decisão a ser exarada nos autos do processo judicial, por entender que o desfecho naquela esfera não produzirá efeitos necessariamente neste processo, uma vez que no período objeto de autuação não foi verificado o eventual descumprimento dos requisitos para gozo da isenção sob análise. Ressalta que a autuação está calcada, exclusivamente, na “decisão administrativa” que encerrou a Informação Fiscal de Cancelamento de Isenção (v. docs. 03 e 04, juntados com a Impugnação ao AI). Esta, por sua vez, estava ancorada, exclusivamente, no indeferimento do pedido de renovação do CEBAS, com validade para o período de 20/04/1998 a 15/09/1999, o qual veio a ser reformada pelas instâncias judiciais ordinárias. Em defesa de sua pretensão, infere que a fiscalização e a autoridade julgadora de primeira instância deixaram de considerar os deferimentos de todos os pedidos de renovação do CEBAS para períodos posteriores a 20/04/1998 a 15/09/1999, formulados pela contribuinte, não podendo aquele primeiro indeferimento produzir efeitos ad aeternun. Contrapõese ao lançamento e, bem assim, à decisão recorrida, aduzindo para tanto que a entidade nunca perdeu sua condição de isenta da cota patronal das contribuições previdenciárias, consoante se comprova no fato de não haver sido emitido Ato Cancelatório a partir de Informação Fiscal que fora lavrada em face da contribuinte. Acrescenta que a recorrente já gozava de imunidade em relação às contribuições sociais a cargo da empresa muito antes da edição da Lei n° 8.212/91, motivo pelo qual foi exonerado de requerer o benefício, em razão do disposto no § 1° do art. 55 daquele diploma legal, cabendo ao Fisco demonstrar que no período fiscalizado a recorrente deixou de cumprir algum dos pressupostos de aludida benesse fiscal. Opõese, ainda, ao procedimento adotado pela autoridade lançadora ao promover o lançamento, qual seja, a caracterização de contribuintes individuais (professores) em segurados empregados, sustentando ser de sabença geral que um dos elementos caracterizadores da relação de emprego é a habitualidade (ou nãoeventualidade), ao lado da pessoalidade, da onerosidade e da subordinação, o que não se verifica, conjuntamente, na hipótese dos autos. Infere que a decisão recorrida equivocouse ao estabelecer que a relação de emprego decorre da natureza da atividade exercida pela empresa e não da freqüência na prestação do serviço se habitual ou se eventual. Esclarece que a maioria absoluta dos professores são efetivamente contratados na condição de segurados empregados, com exceção daqueles destinados a Fl. 217DF CARF MF Impresso em 18/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/0 1/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 13654.001060/200862 Acórdão n.º 2402004.752 S2C4T2 Fl. 4 5 ministrar palestrar ou a substituir outros docentes, em situações emergenciais, os quais são contratados em curtos períodos, para suprir necessidades, o que atrais, por si só, a natureza eventual dos serviços prestados, o que é corroborado pelo fato de nenhum dos profissionais listados nos autos ter promovida ação trabalhista em face da instituição. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto e Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 18/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/0 1/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 6 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. Em suas razões de recurso, pretende a contribuinte a reforma da decisão recorrida, a qual manteve a integralidade da exigência fiscal em comento, suscitando deter imunidade/isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias, nos termos do artigo 195, § 7o, da Constituição Federal, c/c artigo 55 da Lei nº 8.212/91, notadamente quando sempre cumpriu os requisitos para concessão e manutenção de referido benefício, a começar pelo CEBAS, detentora no período fiscalizado, estando o procedimento fiscal apoiado em arbitrariedade sem qualquer fundamento legal. A corroborar esse entendimento, acrescenta que a Medida Provisória nº 446/2008 assegurou a todas as entidades beneficentes a isenção dos tributos em referência, independentemente de decisão exarada pelo CNAS, sobretudo por ter contemplado que os pedidos de renovação do CEBAS foram automaticamente deferidos. Ressalta que a autuação está calcada, exclusivamente, na “decisão administrativa” que encerrou a Informação Fiscal de Cancelamento de Isenção (v. docs. 03 e 04, juntados com a Impugnação ao AI). Esta, por sua vez, estava ancorada, exclusivamente, no indeferimento do pedido de renovação do CEBAS, com validade para o período de 20/04/1998 a 15/09/1999, o qual veio a ser reformada pelas instâncias judiciais ordinárias. Aduz que a fiscalização e a autoridade julgadora de primeira instância deixaram de considerar os deferimentos de todos os pedidos de renovação do CEBAS para períodos posteriores a 20/04/1998 a 15/09/1999, formulados pela contribuinte, não podendo aquele primeiro indeferimento produzir efeitos ad aeternun. Argumenta que a entidade nunca perdeu sua isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias, consoante se comprova no fato de não haver sido emitido Ato Cancelatório a partir de Informação Fiscal que fora lavrada em face da contribuinte, condição para o presente lançamento. Conclui, asseverando que a recorrente já gozava de imunidade em relação às contribuições sociais a cargo da empresa muito antes da edição da Lei n° 8.212/91, motivo pelo qual foi exonerado de requerer o benefício, em razão do disposto no § 1° do art. 55 daquele diploma legal, cabendo ao Fisco demonstrar que no período fiscalizado a recorrente deixou de cumprir algum dos pressupostos de aludido benefício legal. Como se observa, resumidamente, o cerne da questão posta nos autos se fixa em analisar se a recorrente, de fato e de direito, se caracteriza como entidade isenta da cota patronal das contribuições previdenciárias, na forma que pretende fazer crer. Isto porque, uma vez demonstrado que a entidade observa todos os requisitos necessários para concessão e manutenção da isenção em epígrafe, o presente lançamento somente poderia ser efetivado na hipótese de emissão de Ato Cancelatório específico, objetivando afastar o benefício fiscal sob análise. De outra banda, constatandose que a recorrente não faz jus à isenção que ora tratamos, não há se falar em vinculação do lançamento a qualquer outro procedimento especial, sendo perfeitamente viável a exigência tributária desconsiderando o autoenquadramento da autuada. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 18/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/0 1/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 13654.001060/200862 Acórdão n.º 2402004.752 S2C4T2 Fl. 5 7 Como se observa, a recorrente em momento algum se insurge contra as contribuições previdenciárias ora lançadas, se limitando a defender que possui imunidade da cota patronal. Destarte, o artigo 195, § 7º da Constituição Federal, ao conceder o direito à isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias, assim prescreveu: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [...] § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei.” Como se verifica, o dispositivo constitucional encimado é por demais enfático ao determinar que somente terá direito à isenção em epígrafe as entidades que atenderem as exigência definidas em lei. Ou seja, a CF deixou a cargo do legislador ordinário estipular as regras para concessão de tal benefício, a sua regulamentação. Por sua vez, o artigo 55 da Lei nº 8.212/91, vigente à época, veio aclarar referida matéria, estabelecendo que somente fará jus à isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias, a contribuinte/entidade que cumprir, cumulativamente, todos os requisitos ali elencados, senão vejamos: “Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido.” Fl. 220DF CARF MF Impresso em 18/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/0 1/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 8 Na hipótese vertente, conforme se extrai dos elementos que instruem o processo, especialmente Relatório Fiscal e Decisão recorrida, a contribuinte, desde o primeiro momento, vem sustentando fazer jus à imunidade da cota patronal das contribuições previdenciárias, em observância ao disposto no artigo 55 da Lei n° 8.212/91, notadamente ao seu § 1°, o qual contempla o direito adquirido de aludido benefício fiscal, desobrigando o seu requerimento. Igualmente, sustenta ser detentora do CEBAS para o período de 1999 a 2011, consoante quadro demonstrativo constante da peça recursal, alegando que o indeferimento da renovação relativamente à 20/04/1998 a 15/09/1999 fora devidamente corrigido pela via Judiciária e, para os períodos posteriores, a MP n° 446/2008 determinou o deferimento automático da renovação do CEBAS, como se constata das Resoluções do CNAS n°s 106/2006 e 07/2009. Neste sentido, defende que nunca perdera a isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias, razão pela qual o presente lançamento estaria condicionado à emissão de Ato Cancelatório contemplando o eventual descumprimento dos requisitos de referido benefício legal, o que não se vislumbra no caso dos autos, impondo seja decretada a improcedência do feito. Não obstante as substanciosas razões de fato e de direito ofertadas pela fiscalização, corroboradas pela autoridade julgadora de primeira instância em defesa da manutenção da exigência fiscal em comento, o inconformismo da contribuinte merece prosperar, como demonstraremos ao longo desse arrazoado. In casu, o que torna digno de realce é que o lançamento fora efetuado com a finalidade de impedir a decadência da exigência fiscal, uma vez que a contribuinte detém decisão judicial reconhecendo a isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias, devendo ficar sobrestado até decisão judicial definitiva. Destarte, a entidade era titular da isenção dos tributos ora lançados. No entanto, em 1998, o Conselho Nacional de Assistência Social indeferiu a renovação do CEBAS, com fundamento no Parecer CJ n° 1258/98, em face da constatação do descumprimento do inciso IV, do artigo 2°, do Decreto n° 752/93, por deixar de comprovar a aplicação de, pelo menos, 20% de sua receita bruta em gratuidade, o que afastou a sua condição de isenta, tendo em vista a inobservância dos preceitos contidos no artigo 55, inciso II, da Lei n° 8.212/91. Diante desse cenário, a recorrente propôs Ação Ordinária n° 1999.38.00.0333672, originária da 16a Vara Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais, tendo obtido êxito em sua empreitada no sentido do reconhecimento da isenção da cota patronal, com decisões favoráveis em primeira e segunda instâncias, confirmadas pelo STJ, com decisão transitada em julgado, o que impediu a emissão de Ato Cancelatório, remanescendo tão somente a discussão no âmbito do STF em face de recurso extraordinário interposto pelo INSS. Com mais especificidade, mister esclarecer que, uma vez não renovado seu Certificado pelo CNAS, a contribuinte buscou o Judiciário com esta finalidade e obteve êxito em sua pretensão. Em vista do reconhecimento da isenção da entidade pelo Judiciário, ainda que sem decisão definitiva, fora elaborada Informação Fiscal pela autoridade previdenciária, às fls. 73/77, dando conta do provimento Judicial abarcando o pleito da recorrente, o que impossibilitaria a emissão de Ato Cancelatório, mas, não, a lavratura da presente autuação, entendimento que não compartilhamos. Isto porque, a constituição de créditos previdenciários decorrentes da cassação da isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias, dependia à época da ação fiscal da emissão de Ato Cancelatório, consoante se infere do artigo 305 e parágrafos, da Instrução Normativa SRP n° 03/2005, que assim prescrevia: “Art. 305. A SRP verificará se a entidade beneficente de assistência social continua atendendo aos requisitos necessários à manutenção da isenção, previstos no art. 299. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 18/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/0 1/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 13654.001060/200862 Acórdão n.º 2402004.752 S2C4T2 Fl. 6 9 § 1º Constatado o não cumprimento dos requisitos contidos no art. 299, a fiscalização emitirá Informação Fiscal IF, na qual relatará os fatos, as circunstâncias que os envolveram e os fundamentos legais descumpridos, juntando as provas ou indicando onde essas possam ser obtidas. § 2º A entidade será cientificada do inteiro teor da IF e terá o prazo de quinze dias, a contar da data da ciência, para apresentação de defesa, com a produção de provas ou não, que deverá ser protocolizada em qualquer UARP da DRP circunscricionante do seu estabelecimento centralizador. § 3º Decorrido o prazo previsto no § 2º deste artigo, sem manifestação da parte interessada, caberá à chefia do Serviço/Seção de Arrecadação da DRP decidir acerca da emissão do Ato Cancelatório de Isenção AC. § 4º Caso a defesa seja apresentada, o Serviço/Seção de Análise da DRP decidirá acerca da emissão ou não do Ato Cancelatório de Isenção AC. § 5º Sendo a decisão do Serviço/Seção de Análise da DRP favorável à emissão do Ato Cancelatório de Isenção, a chefia do Serviço/Seção de Arrecadação da DRP emitirá o documento, o qual será remetido, juntamente com a decisão que lhe deu origem, à entidade interessada. § 6º A entidade perderá o direito de gozar da isenção das contribuições sociais a partir da data em que deixar de cumprir os requisitos contidos no art. 299, devendo essa data constar do Ato Cancelatório de Isenção. § 7º Cancelada a isenção, a entidade terá o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão e do Ato Cancelatório da Isenção para interpor recurso com efeito suspensivo ao CRPS.” É bem verdade que a não emissão do Ato Cancelatório, no entendimento da autoridade fiscal, se justificaria no fato de a entidade possuir decisão judicial reconhecendo sua isenção, o que não podemos concordar. Com efeito, da mesma forma que fora constituído o crédito previdenciário, ainda que garantida a isenção da entidade por força de provimento judicial, ficando sobrestado o final do trâmite administrativo até decisão judicial final transitada em julgado, deveria o Fisco emitir o Ato Cancelatório, dando seguimento no eventual rito processual na esfera administrativa e, sendo procedente referido Ato, ficaria, igualmente, sobrestado até o término do processo judicial. Ou seja, a mesma conduta adotada por ocasião da lavratura da autuação sob análise deveria ter sido observada do procedimento pertinente à Informação Fiscal emitida e eventual Ato Cancelatório, de maneira a oferecer condições à constituição do crédito previdenciário que ora se contesta. Assim, não o tendo feito, não há como prosperar o lançamento ora guerreado. Na esteira desse entendimento, verificase que a ilustre autoridade lançadora não observou a necessidade de prévio cancelamento da isenção da entidade, a partir da emissão de Ato Cancelatório, consoante disposto no artigo 305 e parágrafos, da Instrução Normativa SRP n° 03/2005 Fl. 222DF CARF MF Impresso em 18/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/0 1/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 10 (acima transcrita), como condição à constituição do crédito previdenciário em epígrafe, maculando, assim, o lançamento fiscal em sua plenitude. Outro não foi o entendimento da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, ao analisar o processo n° 13654.001061/200815, de interesse da mesma contribuinte e contemplando exatamente os mesmos fatos da presente autuação, consoante se positiva do Acórdão n° 2401002.706, exarado por unanimidade de votos em Sessão datada de 16/10/2012, com a seguinte ementa: "Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2003 a 31/12/2003 PREVIDENCIÁRIO. ISENÇÃO COTA PATRONAL. COMPROVADA CONDIÇÃO DE ENTIDADE ISENTA. OBSERVÂNCIA AOS PRESSUPOSTOS LEGAIS. LANÇAMENTO. NECESSIDADE DE PRÉVIO ATO CANCELATÓRIO DO BENEFÍCIO FISCAL. Restando comprovado que a contribuinte se enquadra como entidade isenta da cota patronal das contribuições previdenciárias, uma vez observados os requisitos legais para tanto, notadamente àqueles inscritos no artigo 55 da Lei n° 8.212/91, aplicável ao caso à época, a constituição de créditos previdenciários concernentes à aludida contribuição está condicionada à emissão de prévio Ato Cancelatório de Isenção, consoante estabelece a legislação de regência. Recurso Voluntário Provido." Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine em dissonância com os dispositivos legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO E DARLHE PROVIMENTO, decretando a improcedência total do lançamento, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 18/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/0 1/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O
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Numero do processo: 10540.720060/2009-35
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE ATIVA DA UNIÃO PARA EXIGÊNCIA DE TRIBUTO QUE DEVERIA SER RETIDO NA FONTE POR ESTADO DA FEDERAÇÃO. DESCABIMENTO. EXEGESE DO ARTIGO 157, I, DA CRFB.
É de se rejeitar a alegação de ilegitimidade ativa da União Federal no caso, uma vez que o contido no art.157, I, da CRFB toca apenas à repartição de receitas tributárias, não repercutindo sobre a legitimidade da União Federal para exigir o IRRF, mediante lavratura de auto de infração. Mantém-se a parte dispositiva do acórdão recorrido.
IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL.
A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluí-los, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12.
REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO - INCIDÊNCIA.
Sujeitam-se à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM RAZÃO DE LEI EM SENTIDO FORMAL E MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO MANIFESTADO PELA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ AO JULGAR O RESP 1.118.429/SP.
Restando incontroverso que a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento vergastado, em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, decorre diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual dever-se-ia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil, não se aplica o entendimento acima referido.
JUROS DE MORA.
Sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal, não sendo lícito ao julgador administrativo afastar a exigência.
ALEGAÇÃO DE NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE JUROS DE MORA RECEBIDOS PELO CONTRIBUINTE, SOBRE RENDIMENTOS RECEBIDOS A DESTEMPO. CARÁTER TRIBUTÁVEL NOS TERMOS DO RIR E DA LEI N. 7.713/88. IMPOSSIBILIDADE DO EXAME DA CONSTITUCIONALIDADE DE TAIS DISPOSITIVOS NO PRESENTE ADMINISTRATIVO (ART.62 DO REGIMENTO DO CARF) E AUSÊNCIA DE JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL VINCULANTE.
É de se rejeitar a alegação de não-incidência de IRPF sobre juros de mora recebidos pelo contribuinte, sobre rendimentos recebidos a destempo, eis que tais verbas possuem caráter tributário, em razão de disposições expressas contidas no RIR e na legislação em vigor e da ausência de decisões judiciais vinculantes do CARF em sentido contrário.
MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL.
Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2802-003.368
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir a multa de ofício, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Redator Designado ad hoc.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Carlos André Ribas de Mello, Vinícius Magni Verçoza (Suplente convocado), Jaci de Assis Júnior, Mara Eugênia Buonanno Caramico e Ronnie Soares Anderson. Ausente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: Marcelo Vasconcelos de Almeida
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE ATIVA DA UNIÃO PARA EXIGÊNCIA DE TRIBUTO QUE DEVERIA SER RETIDO NA FONTE POR ESTADO DA FEDERAÇÃO. DESCABIMENTO. EXEGESE DO ARTIGO 157, I, DA CRFB. É de se rejeitar a alegação de ilegitimidade ativa da União Federal no caso, uma vez que o contido no art.157, I, da CRFB toca apenas à repartição de receitas tributárias, não repercutindo sobre a legitimidade da União Federal para exigir o IRRF, mediante lavratura de auto de infração. Mantém-se a parte dispositiva do acórdão recorrido. IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluí-los, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12. REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO - INCIDÊNCIA. Sujeitam-se à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM RAZÃO DE LEI EM SENTIDO FORMAL E MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO MANIFESTADO PELA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ AO JULGAR O RESP 1.118.429/SP. Restando incontroverso que a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento vergastado, em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, decorre diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual dever-se-ia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil, não se aplica o entendimento acima referido. JUROS DE MORA. Sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal, não sendo lícito ao julgador administrativo afastar a exigência. ALEGAÇÃO DE NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE JUROS DE MORA RECEBIDOS PELO CONTRIBUINTE, SOBRE RENDIMENTOS RECEBIDOS A DESTEMPO. CARÁTER TRIBUTÁVEL NOS TERMOS DO RIR E DA LEI N. 7.713/88. IMPOSSIBILIDADE DO EXAME DA CONSTITUCIONALIDADE DE TAIS DISPOSITIVOS NO PRESENTE ADMINISTRATIVO (ART.62 DO REGIMENTO DO CARF) E AUSÊNCIA DE JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL VINCULANTE. É de se rejeitar a alegação de não-incidência de IRPF sobre juros de mora recebidos pelo contribuinte, sobre rendimentos recebidos a destempo, eis que tais verbas possuem caráter tributário, em razão de disposições expressas contidas no RIR e na legislação em vigor e da ausência de decisões judiciais vinculantes do CARF em sentido contrário. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir a multa de ofício, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida - Redator Designado ad hoc. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Carlos André Ribas de Mello, Vinícius Magni Verçoza (Suplente convocado), Jaci de Assis Júnior, Mara Eugênia Buonanno Caramico e Ronnie Soares Anderson. Ausente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2243; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 129 1 128 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10540.720060/200935 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2802003.368 – 2ª Turma Especial Sessão de 12 de março de 2015 Matéria IRPF Recorrente VALDECIRIO DE OLIVEIRA CARNEIRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE ATIVA DA UNIÃO PARA EXIGÊNCIA DE TRIBUTO QUE DEVERIA SER RETIDO NA FONTE POR ESTADO DA FEDERAÇÃO. DESCABIMENTO. EXEGESE DO ARTIGO 157, I, DA CRFB. É de se rejeitar a alegação de ilegitimidade ativa da União Federal no caso, uma vez que o contido no art.157, I, da CRFB toca apenas à repartição de receitas tributárias, não repercutindo sobre a legitimidade da União Federal para exigir o IRRF, mediante lavratura de auto de infração. Mantémse a parte dispositiva do acórdão recorrido. IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluílos, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12. REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO INCIDÊNCIA. Sujeitamse à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM RAZÃO DE LEI EM SENTIDO FORMAL E MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE DE AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 72 00 60 /2 00 9- 35 Fl. 129DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10540.720060/200935 Acórdão n.º 2802003.368 S2TE02 Fl. 130 2 APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO MANIFESTADO PELA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ AO JULGAR O RESP 1.118.429∕SP. Restando incontroverso que a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento vergastado, em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, decorre diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual deverseia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil, não se aplica o entendimento acima referido. JUROS DE MORA. Sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal, não sendo lícito ao julgador administrativo afastar a exigência. ALEGAÇÃO DE NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE JUROS DE MORA RECEBIDOS PELO CONTRIBUINTE, SOBRE RENDIMENTOS RECEBIDOS A DESTEMPO. CARÁTER TRIBUTÁVEL NOS TERMOS DO RIR E DA LEI N. 7.713/88. IMPOSSIBILIDADE DO EXAME DA CONSTITUCIONALIDADE DE TAIS DISPOSITIVOS NO PRESENTE ADMINISTRATIVO (ART.62 DO REGIMENTO DO CARF) E AUSÊNCIA DE JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL VINCULANTE. É de se rejeitar a alegação de nãoincidência de IRPF sobre juros de mora recebidos pelo contribuinte, sobre rendimentos recebidos a destempo, eis que tais verbas possuem caráter tributário, em razão de disposições expressas contidas no RIR e na legislação em vigor e da ausência de decisões judiciais vinculantes do CARF em sentido contrário. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir a multa de ofício, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Redator Designado ad hoc. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10540.720060/200935 Acórdão n.º 2802003.368 S2TE02 Fl. 131 3 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Carlos André Ribas de Mello, Vinícius Magni Verçoza (Suplente convocado), Jaci de Assis Júnior, Mara Eugênia Buonanno Caramico e Ronnie Soares Anderson. Ausente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano. Relatório O Relator originário, Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, está impossibilitado de formalizar o presente acórdão, razão pela qual fui designado como Redator ad hoc, conforme despacho de fls. 128. Reproduzo o conteúdo lido em sessão pelo Relator e disponibilizado no repositório oficial do CARF. Tratase de auto de infração (fls. 02 e ss.) relativo ao IRPF, exercícios de 2005 a 2007, em razão de suposta classificação indevida de rendimentos na DIRPF. Esclareça se que se trata de rendimentos recebidos em razão da Lei Estadual baiana de número 8730/2003 e dizem respeito a diferenças decorrentes de erro na conversão da remuneração do contribuinte de Cruzeiro Real para URV, pagas mensalmente de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Registrese que serviram de fundamento à referida Lei Estadual as Ações Ordinárias nos 613 e 614, julgadas procedentes pelo Supremo Tribunal Federal. Irresignado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 37 e ss., aos seguintes fundamentos: (i) que os rendimentos em questão são isentos de tributação, por seu caráter indenizatório, não havendo a mencionada classificação indevida de rendimentos; (ii) que o dever de retenção do tributo era da fonte pagadora e não da contribuinte; (iii) que a fonte pagadora levou o contribuinte, pelo demonstrativo que lhe forneceu, a classificar como isentos os rendimentos de que ora se trata, não se podendo imputar à mesma responsabilidade por tal fato; (iv) que a lei estadual supracitada expressamente apontou como de natureza indenizatória os valores de que aqui se trata e, se nisso há alguma impropriedade, é de responsabilidade do legislador estadual e não da contribuinte; (v) cita a legislação federal e requer, caso mantida a infração, que seja exonerada do pagamento da multa por não ter dado causa à situação de que aqui se trata; (vi) que a aplicação da alíquota vigente no momento da autuação, em caso de rendimentos recebidos a destempo acumuladamente com os rendimentos correspondentes ao mês trabalhado, é causa de nulidade do lançamento, de vez que deveria ter sido aplicada a alíquota vigente ao momento em que os rendimentos deveriam ter sido originariamente pagos e não o foram; (vii) cita a jurisprudência de diversos tribunais, de tribunais superiores e do Supremo Tribunal Federal; Fl. 131DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10540.720060/200935 Acórdão n.º 2802003.368 S2TE02 Fl. 132 4 (viii) cita a jurisprudência administrativa do CARF; (ix) que se trata de receitas de tributo federal que, no entanto, devem permanecer nos cofres estaduais, pela distribuição das receitas tributárias, e se o próprio Estado legislou no sentido do caráter indenizatório de tais valores, renunciou a estas receitas; (x) que, sendo, segundo a jurisprudência, a União parte ilegítima para figurar em relação processual em que servidor estadual pretenda a isenção ou não incidência de IRRF, também não cabe à União exigir do Estado a retenção do imposto, se este não o fez; (xi) que também não há incidência de imposto de renda sobre juros moratórios e assim, ainda que se entenda devido o imposto sobre as diferenças em questão, não incide o mesmo sobre os juros moratórios pagos em razão do lapso temporal decorrido entre o momento em que o pagamento deveria ter sido feito e o momento do efetivo pagamento; (xii) que o STF fez expedir a Resolução nº 245/2002 em razão da qual os magistrados federais não sofreram a incidência do IR no recebimento de verbas de idêntica natureza, havendo violação do princípio da isonomia na tentativa de impor tal exação aos magistrados estaduais. Em sessão realizada em 10/03/11 pela DRJ/SDR, a turma julgou IMPROCEDENTE a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, afirmando que as diferenças reconhecidas tinham, em sua origem, natureza eminentemente salarial. Quanto ao art. 5º da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, que dispõe expressamente que as diferenças em questão são de natureza indenizatória, cabe lembrar que o imposto de renda é regido por legislação federal, portanto, tal dispositivo não tem qualquer efeito tributário. Além disso, devese observar que a incidência do imposto independe da denominação do rendimento, e que as indenizações não gozam de isenção indistintamente, mas tão somente as previstas em lei específica que conceda a isenção, conforme previsto no art. 150, § 6º, da Constituição Federal. Quanto à responsabilidade da fonte pagadora pela retenção do IRRF, o Parecer Normativo SRF nº 1, de 24 de setembro de 2002, dispõe que tal responsabilidade extinguese na data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual pessoa física, e que a falta de oferecimento dos rendimentos à tributação por parte desta última, a sujeita à exigência do imposto correspondente, acrescido de multa de ofício e juros de mora. É certo que, por determinação constitucional, se o Estado da Bahia tivesse efetuado a retenção do IRRF, o valor arrecadado lhe pertenceria. Entretanto, tal retenção não alteraria a obrigação do contribuinte de oferecer a integralidade do rendimento bruto à tributação do imposto de renda na declaração de ajuste anual. A exigência em foco se refere ao imposto de renda incidente sobre rendimentos da pessoa física (IRPF) e não ao IRRF que deixou de ser retido indevidamente pelo Estado da Bahia. Portanto, tanto a exigência do tributo, quanto o julgamento do presente lançamento fiscal, é da competência exclusiva da União. Quanto à alegação de que não caberia a imposição de multa de ofício em razão de o impugnante ter agido de boa fé, seguindo informação prestada pela fonte pagadora, cabe observar que a aplicação desta multa no percentual de 75% independe da intenção do agente, conforme estabelecido no art. 136, do CTN. Não se trata da multa qualificada no Fl. 132DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10540.720060/200935 Acórdão n.º 2802003.368 S2TE02 Fl. 133 5 percentual de 150%, que depende da ocorrência de evidente intuito de fraude, conforme previsto no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Foi alegado, também, que caberia o reconhecimento da isenção com base na Resolução do STF nº 245, de 2002, que reconheceu a isenção do abono vinculado a diferenças de URV conferido aos magistrados federais. Entretanto, tal resolução não pode ser estendida às verbas pagas aos Magistrados do Estadual da Bahia, pois isto resultaria na concessão de isenção sem lei específica. Não se poderia, também, recorrer à analogia em matéria que trate de isenção, que está sujeita a interpretação literal, conforme preconiza o art. 111, inciso II, do CTN, não havendo, pela mesma razão, violação do princípio da isonomia. A impugnante destacou que o Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, teria manifestadose pela inaplicabilidade da multa de ofício, em razão da flagrante boafé dos autuados, ratificando o entendimento já fixado pelo AdvogadoGeral da União, através da Nota AGU/AV12/2007. Entretanto, a citada consulta na realidade não seguiu o rito do processo administrativo de consulta previsto no art. 48 da Lei nº 9.430, de 1996, portanto, teve caráter meramente informativo, sem qualquer efeito vinculante. Da mesma forma, a Nota Técnica Cosit nº 4, de 29 de abril de 2009, que subsidiou tal informação, não vincula o presente julgamento, por não se tratar de norma complementar, nos termos do art. 100 do CTN. Quanto à Nota AGU/AV12/2007 mencionada no Parecer PGFN/CAT/nº 179/2009, que conclui pela não incidência de multa no imposto devido pelos servidores do TRE SP, em razão de recebimento da verba referente a URV, cabe observar que se trata de um comando de abrangência restrita, e não uma norma de caráter abstrato que vincule a presente Turma de Julgamento. Quanto à tributação das diferenças de URV de forma isolada, sem que fossem considerados os rendimentos e deduções já declarados, cabe observar que, nos anos calendários em questão, as bases de cálculo declaradas já sujeitavam o contribuinte à incidência do imposto de renda em sua alíquota máxima, bem como que já tinham sido aproveitadas as parcelas a deduzir prevista em tabela progressiva. Nesta situação, o imposto apurado mediante aplicação direta da alíquota máxima sobre os rendimentos omitidos coincide com o imposto apurado com base na tabela progressiva sobre a base de cálculo ajustada em razão da omissão. Intimado da supramencionada decisão (fls. 120), interpôs tempestivamente o recurso de fl. 81 e ss., repisando argumentos esgrimidos na impugnação, reafirmando a validade e o efeito vinculante da resposta à consulta feita pela Presidente do TJ/BA ao Ministério da Fazenda, nos mesmos termos do parecer que afirma vinculante, acima mencionado, exarado pelo AdvogadoGeral da União; que violase o princípio da economia processual no esforço de manter uma exação, a multa, que será fatalmente desconstituída pelo Poder Judiciário; que deveria ter sido levado em consideração, não apenas a alíquota vigente no momento em que as verbas deveriam ter sido pagas, mas também o total que atingiria mês a mês a remuneração do contribuinte à época em que seria devido o pagamento, para apurarse adequadamente suposto imposto a pagar. Em sessão de julgamento do dia 28 de setembro de 2011, determinouse o sobrestamento do feito, tendo em vista o previsto no art. 26A, §1º, da Portaria 256/09 e à Portaria nº1, de 03 de janeiro de 2012 (art. 1º, Parágrafo Único), na medida em que o Recurso Extraordinário 614406RS, o qual teve sua repercussão geral reconhecida em 20.10.2010, e que Fl. 133DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10540.720060/200935 Acórdão n.º 2802003.368 S2TE02 Fl. 134 6 ainda encontrase pendente de julgamento pelo Supremo Tribunal Federal, versa sobre matéria que em tese se assemelha ao presente caso. Com a edição da portaria MF n° 545/2013, foi afastada a necessidade de sobrestamento, razão pela qual o feito é ora apresentado à apreciação deste Colegiado. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Redator Designado ad hoc O Relator originário, Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, está impossibilitado de formalizar o presente acórdão. Tendo sido nomeado ad hoc para formalização do acórdão, registro que não necessariamente concordo com a conclusão ou com os fundamentos do Relator. Reproduzo o conteúdo lido em sessão pelo Relator e disponibilizado no repositório oficial do CARF. O Recurso é tempestivo e formalmente regular, razão pela qual dele tomo conhecimento. Preliminarmente, não assiste razão ao Recorrente em sua alegação de supressão de instância, na medida em que o Acórdão examinou todas as alegações de defesa suscitadas em sua Impugnação. Outrossim, de logo deve ser pontuado que à presente hipótese não pode ser aplicado o entendimento manifestado pela Primeira Seção do STJ ao julgar o REsp 1.118.429∕SP (Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 14.5.2010), de acordo com o regime de que trata o art. 543C do CPC. Isto porque a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento vergastado, em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, decorre diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual deverseia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil. Quanto à suposta ilegitimidade ativa da União para a exigência do tributo, conforme exposto nas razões de embargante, a tese fundase na disposição constitucional do artigo 157, I, que determina caber aos Estados e ao Distrito Federal o produto da arrecadação do IRRF sobre rendimentos pagos por estes Entes Federativos, suas autarquias ou fundações públicas. A questão é singela e já foi objeto de decisão do CARF em diversas ocasiões, assentandose na jurisprudência deste Conselho que a ausência de retenção do imposto na fonte não exclui a competência da União para a constituição do crédito tributário de rendimentos sujeitos a incidência do imposto na DIRPF, nos termos da Súmula CARF n.12, verbis: Fl. 134DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10540.720060/200935 Acórdão n.º 2802003.368 S2TE02 Fl. 135 7 “Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.” A título de obiter dictum, digase que é natural que a repartição das receitas tributárias haverá de ser observada, tratandose de matéria relativa às relações financeiras entre União e Estados e não à competência para a arrecadação do imposto. No mérito, a controvérsia ora apresentada reside na caracterização da natureza dos rendimentos auferidos pela Contribuinte, membro do Poder Judiciário do Estado da Bahia, a título de recomposição de diferenças de remuneração havidas quando da conversão do Cruzeiro Real para URV, sendo que para o caso concreto é relevante citar que se trata de pagamento de verba prevista em Lei Estadual, in casu a Lei Ordinária Estadual n° 8730, a qual o Recorrente tenta equivaler à verba paga aos magistrados federais e estendida aos Procuradores da República, sendo certo que esse abono pago à magistratura federal foi objeto de Resolução administrativa nº 245/2002 do Supremo Tribunal Federal e que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional curvouse ao entendimento do STF, este manifestado em expediente administrativo interna corporis, e passou a tratar essa verba como isenta. Destaco que a verba objeto da Resolução STF nº 245/2005 foi o abono previsto no art. 6° da Lei n° 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2° da Lei n° 10.474, de 2002. Este abono alcançou unicamente a Magistratura Federal, cuja Lei que o criou estabelece que: “Art. 6o Aos membros do Poder Judiciário é concedido um abono variável, com efeitos financeiros a partir de 1o de janeiro de 1998 e até a data da promulgação da Emenda Constitucional que altera o inciso V do art. 93 da Constituição, correspondente à diferença entre a remuneração mensal atual de cada magistrado e o valor do subsídio que for fixado quando em vigor a referida Emenda Constitucional.” Ao passo que os arts. 4º e 5º da Lei Ordinária Estadual n° 8730, dispõe: “Art. 4º As diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto das Ações Ordinárias de nº 613 e 614, julgadas procedentes pelo supremo Tribunal Federal, serão apuradas mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e o montante correspondente a cada Magistrado será dividido em 36 parcelas iguais e consecutivas para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 5º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 2º desta Lei.” Com a devida vênia, não vislumbro identidade nas verbas de que tratam os atos normativos federais e o que veicula a lei ordinária do Estado da Bahia ora examinada. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10540.720060/200935 Acórdão n.º 2802003.368 S2TE02 Fl. 136 8 A legislação federal demonstra apenas que o subsídio conhecido como “abono variável” foi criado com a finalidade de se atribuir aos membros do Poder Judiciário uma espécie de verba retroativa que corrigia as eventuais diferenças de escalonamento salarial. Já a verba percebida pelo Recorrente, na análise dos elementos constantes dos autos, se traduz em recomposição de natureza salarial, ainda que paga extemporaneamente, sendo certo que para fins de Imposto de Renda vige o princípio de impossibilidade de concessão de isenções heterônomas, razão pela qual é irrelevante, para fins da definição da natureza do rendimento, a classificação que lhe dá a sua fonte pagadora. Pontuese que não se trata de negar vigência ou atribuir ao citado dispositivo legal qualquer pecha de inconstitucionalidade, pois não se discute a natureza indenizatória da verba percebida, mas não se pode olvidar que nem toda indenização referese à recomposição de patrimônio, como no exemplo clássico dos lucros cessantes, e no presente caso entendo ter ocorrido uma recomposição salarial que, malgrado a extemporaneidade, significou acréscimo patrimonial. Todavia, a existência de um dispositivo legal considera a verba não tributável foi decisiva para a conduta do requerente, que declarou o rendimento com a mesma natureza atribuída pela fonte pagadora, razão pela qual é cabível a exoneração, exclusivamente, da multa de oficio em decorrência de um erro escusável induzido pela interpretação errônea dada pela fonte pagadora, no mesmo sentido dos acórdãos 10616801, 10616360 e 19600065, cujos excertos são a seguir reproduzidos: “(...) MULTA DE OFÍCIO EXCLUSÃO Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos. (...)” (acórdão 10616801, de 06/03/2008, da 6ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes,relator Conselheiro Luiz Antonio de Paula) “ (...) MULTA DE OFICIO CONTRIBUINTE INDUZIDO A ERRO PELA FONTE PAGADORA Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. (...) (Acórdão n° 10616360, sessão de 23/01/2008, relator o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos) “ (...) MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.(...)” (acórdão nº 19600065, de 02/12/2008, da 6ª Turma Especial do 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) Valéria Pestana Marques) Ressaltese, por oportuno, que a exclusão da multa de ofício não implica na exigência substitutiva da multa de mora, eis que ambas possuem o caráter de penalidade, e Fl. 136DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10540.720060/200935 Acórdão n.º 2802003.368 S2TE02 Fl. 137 9 neste voto se reconhece que o contribuinte agiu de boa fé, não podendo lhe ser imputado nenhum ilícito que merece tal imposição, na exata medida em que não se reconhece no crédito tributário natureza de pena. Com relação aos juros de mora, estes constituem mera atualização do valor do tributo para assegurarlhe a manutenção do seu valor quando pago a destempo, não se trata de sanção e possui previsão legal de incidência. Quanto a tese de não incidência do IRPF sobre verbas relativas à incidência de juros de mora sobre valores recebidos a destempo, na ausência de norma isentiva explícita, é de se observar o caráter tributável dos rendimentos em questão. Ademais, a legislação em vigor é taxativa ao determinar a sua tributação nos termos do art.55, XIV, do RIR: Art. 55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, § 2º, inciso IV, e 70, § 3º, inciso I): (...) XIV os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis; Ressaltese, ainda, que a tributação independe da denominação dos rendimentos, bastando para a incidência o benefício por qualquer forma e a qualquer título, nos termos do § 40, art. 3°, da Lei 7.713/88. Observese que o artigo 62 do Regimento do CARF, Portaria MF nº 256/2009, veda que este Conselho deixe de aplicar dispositivos de lei ou decreto, ao fundamento de inconstitucionalidade, salvo quando declarados inconstitucionais por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. Do mesmo modo, a jurisprudência do STF e do STJ em matéria infraconstitucional, somente vincula os julgamentos do CARF, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, nos termos do artigo 62A do citado Regimento do CARF. Neste sentido, é relevante destacar que o Acórdão proferido no Agravo Regimental em Embargos de Divergência no REsp n° 1.163.490, veiculado pelo DJe de 21 de março de 2012, trata do alcance do decidido em sede de recurso repetitivo pelo Acórdão proferido no citado REsp n° 1.227.133. Desta forma, há que se entender pelo não cabimento à espécie dos autos do precedente que fundamentou a decisão recorrida, o REsp n° 1.227.133. De fato, ao apreciar o REsp n° 1.227.133, inicialmente o voto vencedor do Ministro Cesar Asfor Rocha reconhecia a nãoincidência do IR sobre juros moratórios, de forma ampla. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10540.720060/200935 Acórdão n.º 2802003.368 S2TE02 Fl. 138 10 Por outro lado, o julgamento dos embargos de declaração no referido recurso especial, publicado em 02/12/11 reconheceu que os Ministros que acompanharam o voto do relator deram provimento ao recurso em sentido mais restrito, reconhecendo apenas a não incidência do IR sobre juros moratórios, quando os mesmos incidem sobre rescisão de contrato de trabalho, o que levou à modificação da ementa do acórdão por ocasião dos referidos embargos de declaração. Portanto, voto pelo parcial provimento do Recurso, no sentido de excluir a multa de ofício. É como voto. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida, Redator Designado ad hoc Fl. 138DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000899/2007-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006, 2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Constatada omissão no acórdão deve-se supri-la mediante prolação de novo acórdão.
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
Interposto recurso voluntário após o prazo de dias contados da ciência da decisão de primeira instância, resta caracterizada sua intempestividade.
Embargos Acolhidos.
DECADÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA.
Constatada a ocorrência de decadência, matéria de ordem pública, cancela-se o crédito tributário correspondente ainda que o recurso interposto seja intempestivo.
Numero da decisão: 1402-002.083
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para reconhecer a intempestividade do recurso voluntário, e, no mérito, ratificar a decisão proferida no Acórdão 1402-00.1857 para cancelar a exigência pela ocorrência da caducidade, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente
(assinado digitalmente)
FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Manoel Silva Gonzalez, Leonardo de Andrade Couto e Leonardo Luís Pagano Gonçalves. Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006, 2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Constatada omissão no acórdão deve-se supri-la mediante prolação de novo acórdão. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. Interposto recurso voluntário após o prazo de dias contados da ciência da decisão de primeira instância, resta caracterizada sua intempestividade. Embargos Acolhidos. DECADÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. Constatada a ocorrência de decadência, matéria de ordem pública, cancela-se o crédito tributário correspondente ainda que o recurso interposto seja intempestivo.
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OMISSÃO. Constatada omissão no acórdão devese suprila mediante prolação de novo acórdão. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. Interposto recurso voluntário após o prazo de dias contados da ciência da decisão de primeira instância, resta caracterizada sua intempestividade. Embargos Acolhidos. DECADÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. Constatada a ocorrência de decadência, matéria de ordem pública, cancelase o crédito tributário correspondente ainda que o recurso interposto seja intempestivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para reconhecer a intempestividade do recurso voluntário, e, no mérito, ratificar a decisão proferida no Acórdão 140200.1857 para cancelar a exigência pela ocorrência da caducidade, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 08 99 /2 00 7- 73 Fl. 801DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000899/200773 Acórdão n.º 1402002.083 S1C4T2 Fl. 802 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Manoel Silva Gonzalez, Leonardo de Andrade Couto e Leonardo Luís Pagano Gonçalves. Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez. Fl. 802DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000899/200773 Acórdão n.º 1402002.083 S1C4T2 Fl. 803 3 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos em 28 de janeiro de 2015 pela Fazenda Nacional (fls. 764769568) em face do acórdão nº 1402001.857, julgado na sessão de 23 de outubro de 2014. Alega a embargante que o acórdão contém omissão que necessita ser suprida pelo colegiado. A matéria objeto do recurso voluntário tratava única e exclusivamente sobre decadência, tendo o colegiado dado provimento ao recurso, cujo julgado recebeu a seguinte ementa: No julgamento do recurso voluntário este colegiado julgouo parcialmente procedente, tendo sua ementa recebido a seguinte redação: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE DOLO, FRAUDE, OU SIMULAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. INÍCIO DA CONTAGEM. Segundo o § 4° do art. 150, do CTN, havendo pagamento antecipado, e se a lei não fixar prazo para a homologação, será ele de cinco anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, salvo se comprovada a ocorrência de fraude, dolo ou simulação. Constatado o pagamento antecipado, e na ausência de dolo, fraude ou simulação, o marco inicial da contagem do prazo decadencial é, portanto, a data da ocorrência do fato gerador, não se aplicando o art. 173, I, do CTN. Precedente do STJ no Recurso Especial n° 973.733/SC julgado nos termos do art. 543C do CPC o que implica, em razão do disposto no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 256/2009, vinculação dos membros deste Colegiado à tese vencedora no âmbito do STJ. Contudo, segundo a embargante, o recurso voluntário seria intempestivo, tendo a turma julgadora se equivocado em relação ao tema, omitindose em relação à data da efetiva interposição do recurso voluntário. Eis os fundamentos da embargante: Compulsando os autos, constatase que o contribuinte foi intimado da decisão proferida pela autoridade julgadora de primeira instância em 20/10/2010 (quartafeira), conforme AR (fls. 671, numeração eprocesso). Contudo, o contribuinte somente apresentou o recurso voluntário em 22/11/2010 (segundafeira), segundo consta às fls. 678 (numeração eprocesso). Iniciada a contagem do prazo recursal no primeiro dia útil após a intimação, ou seja, em 21/10/2010 (quintafeira), podese concluir que o prazo de trinta dias ultimouse em 19/11/2010 (sextafeira), uma vez que os prazos processuais não se Fl. 803DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000899/200773 Acórdão n.º 1402002.083 S1C4T2 Fl. 804 4 suspendem ou interrompem pela superveniência nesse intervalo de finais de semana, férias ou feriados. Tampouco há notícia de que os dias nos quais recaíram o início e o final do prazo recursal não foram dias úteis, ou seja, dias nos quais não houve expediente forense. [...]Ante essa constatação, forçoso é concluir que o recurso voluntário foi apresentado extemporaneamente pelo contribuinte interessado. Logo, diante de todo o quadro acima exposto, resta evidenciado o vício no acórdão embargado, pois não foram analisadas as circunstâncias fáticas acima, o que configura o vício da omissão. Assim, tendo em mira o princípio da legalidade estrita que vincula o administrador, bem como o princípio do devido processo legal, impõese o saneamento da omissão acima apontada com a consequente correção das distorções processuais verificadas. Em suma, são esses os argumentos entabulados pela embargante. A alegada foi confirmada por meio de despacho do ilustre Presidente desta Turma. É o relatório. DOS PRESSUPOSTOS PARA ADMISSIBILIDADE DOS EMBARGOS Nos termos do art. 65, § 2º, do Regimento Interno do CARF – RICARF (Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015) fui designado para me pronunciar sobre a admissibilidade dos embargos opostos. Pois bem, dispõe o art. 65 do RICARF que “Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma.” Os embargos opostos mostramse tempestivos. Analisando aos pontos levantados pela embargante, entendo lhe assistir razão. Na parte final do relatório apresentado, assim me relatei: Na análise da impugnação apresentada, a turma julgadora consideroua improcedente, vencido o ilustre relator que entendia haver decadência em relação ao PIS e Cofins dos períodos de apuração entre janeiro e março de 2002 e o IRPJ e a CSLL relativos ao primeiro trimestre de 2002. Intimado da decisão em 20 de outubro de 2010, a Interessada apresentou recurso voluntário de fls. 678747 informando ter incluído os débitos referentes aos períodos de apuração entre abril e dezembro de 2002 no parcelamento de que trata a Lei nº 11.941/2009, mantendose a discussão quanto à decadência do crédito tributário referente ao interregno de janeiro a março de 2002. Fl. 804DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000899/200773 Acórdão n.º 1402002.083 S1C4T2 Fl. 805 5 Na parte introdutória do voto condutor do aresto, manifesteime pela tempestividade do recurso interposto, sem, contudo, manifestarse sobre as datas efetivas de ciência da decisão recorrida e da efetiva interposição do recurso voluntário. Compulsando os autos, de fato, como bem observou a embargante, “o contribuinte foi intimado da decisão proferida pela autoridade julgadora de primeira instância em 20/10/2010 (quartafeira), conforme AR (fls. 671, numeração eprocesso). Contudo, o contribuinte somente apresentou o recurso voluntário em 22/11/2010 (segundafeira), segundo consta às fls. 678 (numeração eprocesso). Considerandose que o art. 33 do Decreto nº 70.235/72 determina que o prazo para interposição do recurso voluntário é de trinta dias contados a partir da ciência do recurso voluntário, o dia fatal para sua apresentação era 19/11/2010, uma sextafeira. Na ausência de qualquer notícia de que os dias de início e final do prazo recursal não foram dias úteis, sem dúvida, o voto deveria ter melhor abordado a questão da tempestividade. Não o fazendo, talvez pela contagem equivocada da quantidade de dias do mês da ciência do recurso (trinta, em vez de trinta e um), sem dúvida resta caracterizada a omissão apontada pela embargante. Fl. 805DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000899/200773 Acórdão n.º 1402002.083 S1C4T2 Fl. 806 6 Voto Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator. Analisando aos pontos levantados pela embargante, entendo lhe assistir razão. Na parte final do relatório embargado, assim consta: Na análise da impugnação apresentada, a turma julgadora consideroua improcedente, vencido o ilustre relator que entendia haver decadência em relação ao PIS e Cofins dos períodos de apuração entre janeiro e março de 2002 e o IRPJ e a CSLL relativos ao primeiro trimestre de 2002. Intimado da decisão em 20 de outubro de 2010, a Interessada apresentou recurso voluntário de fls. 678747 informando ter incluído os débitos referentes aos períodos de apuração entre abril e dezembro de 2002 no parcelamento de que trata a Lei nº 11.941/2009, mantendose a discussão quanto à decadência do crédito tributário referente ao interregno de janeiro a março de 2002. Na parte introdutória do voto condutor do aresto, manifesteime pela tempestividade do recurso interposto, sem, contudo, manifestarse sobre as datas efetivas de ciência da decisão recorrida e da efetiva interposição do recurso voluntário. Compulsando os autos, de fato, como bem observou a embargante, “o contribuinte foi intimado da decisão proferida pela autoridade julgadora de primeira instância em 20/10/2010 (quartafeira), conforme AR (fls. 671, numeração eprocesso). Contudo, o contribuinte somente apresentou o recurso voluntário em 22/11/2010 (segundafeira), segundo consta às fls. 678 (numeração eprocesso). Considerandose que o art. 33 do Decreto nº 70.235/72 determina que o prazo para interposição do recurso voluntário é de trinta dias contados a partir da ciência do recurso voluntário, o dia fatal para sua apresentação era 19/11/2010, uma sextafeira. Na ausência de qualquer notícia de que os dias de início e final do prazo recursal não foram dias úteis, sem dúvida, o voto deveria ter melhor abordado a questão da tempestividade. Não o fazendo, talvez pela contagem equivocada da quantidade de dias do mês da ciência do recurso (trinta, em vez de trinta e um), sem dúvida resta caracterizada a omissão apontada pela embargante, reconhecendose que o recurso, de fato, é intempestivo. Contudo, o fundamento do voto embargado para dar provimento ao recurso é a ocorrência de decadência. Vejase: Ora, como é incontroverso o fato de que houve recolhimentos antecipados de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, e não se tratando de caso envolvendo dolo, fraude ou simulação, automaticamente a contagem do prazo decadencial deve se dar com base no art. 150, §4º do CTN, ou seja, a partir da ocorrência do fato Fl. 806DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000899/200773 Acórdão n.º 1402002.083 S1C4T2 Fl. 807 7 gerador, como bem asseverou o ilustre relator da decisão recorrido em seu voto vencido. Assim sendo, e considerandose que o lançamento foi cientificado à Recorrente em 26 de abril de 2007, as exigências de IRPJ e de CSLL referentes ao primeiro trimestre de 2002, e de PIS e Cofins referentes aos períodos de apuração de janeiro, fevereiro e março de 2002, já não mais podiam ser objeto de lançamento, devendo, portanto, ser cancelado o crédito tributário ainda em litígio nos autos. Tratandose de matéria de ordem pública, entendo que, ainda que o recurso voluntário seja tempestivo, devase manter a exoneração do crédito tributário em razão de sua extinção pela ocorrência de decadência. 3 CONCLUSÃO Isso posto, voto por acolher os embargos de declaração para reconhecer a intempestividade do recurso voluntário e, no mérito, ratificar a decisão proferida no Acórdão 140200.1857 para cancelar a exigência pela ocorrência da caducidade. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator Fl. 807DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10280.005071/2001-42
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 07 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1996, 1997, 1998, 1999, 2000
NULIDADE DE LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL. VÍCIO FORMAL. ASPECTOS QUE ULTRAPASSAM O ÂMBITO DO VÍCIO FORMAL.
Vício formal é aquele verificado de plano no próprio instrumento de formalização do crédito, e que não está relacionado à realidade representada (declarada) por meio do ato administrativo de lançamento. Espécie de vício que não diz respeito aos elementos constitutivos da obrigação tributária, ou seja, ao fato gerador, à base de cálculo, ao sujeito passivo, etc. A indicação defeituosa ou insuficiente da infração cometida, da data em que ela ocorreu, do montante correspondente à infração (base imponível); e dos documentos caracterizadores da infração cometida (materialidade), não configura vício formal.
Numero da decisão: 9101-002.146
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Adriana Gomes Rêgo e Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada).
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal De Araujo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, CRISTIANE SILVA COSTA, ADRIANA GOMES REGO, LUÍS FLÁVIO NETO, ANDRE MENDES DE MOURA, LÍVIA DE CARLI GERMANO (Suplente Convocada), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice-Presidente) e CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1996, 1997, 1998, 1999, 2000 NULIDADE DE LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL. VÍCIO FORMAL. ASPECTOS QUE ULTRAPASSAM O ÂMBITO DO VÍCIO FORMAL. Vício formal é aquele verificado de plano no próprio instrumento de formalização do crédito, e que não está relacionado à realidade representada (declarada) por meio do ato administrativo de lançamento. Espécie de vício que não diz respeito aos elementos constitutivos da obrigação tributária, ou seja, ao fato gerador, à base de cálculo, ao sujeito passivo, etc. A indicação defeituosa ou insuficiente da infração cometida, da data em que ela ocorreu, do montante correspondente à infração (base imponível); e dos documentos caracterizadores da infração cometida (materialidade), não configura vício formal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Adriana Gomes Rêgo e Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada). (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal De Araujo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, CRISTIANE SILVA COSTA, ADRIANA GOMES REGO, LUÍS FLÁVIO NETO, ANDRE MENDES DE MOURA, LÍVIA DE CARLI GERMANO (Suplente Convocada), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice-Presidente) e CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente).
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado AGROPECUARIA RIO BRANCO LTDA. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1996, 1997, 1998, 1999, 2000 NULIDADE DE LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL. VÍCIO FORMAL. ASPECTOS QUE ULTRAPASSAM O ÂMBITO DO VÍCIO FORMAL. Vício formal é aquele verificado de plano no próprio instrumento de formalização do crédito, e que não está relacionado à realidade representada (declarada) por meio do ato administrativo de lançamento. Espécie de vício que não diz respeito aos elementos constitutivos da obrigação tributária, ou seja, ao fato gerador, à base de cálculo, ao sujeito passivo, etc. A indicação defeituosa ou insuficiente da infração cometida, da data em que ela ocorreu, do montante correspondente à infração (base imponível); e dos documentos caracterizadores da infração cometida (materialidade), não configura vício formal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Adriana Gomes Rêgo e Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada). (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal De Araujo Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 00 50 71 /2 00 1- 42 Fl. 6691DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/01/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 9101002.146 CSRFT1 Fl. 6.692 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, CRISTIANE SILVA COSTA, ADRIANA GOMES REGO, LUÍS FLÁVIO NETO, ANDRE MENDES DE MOURA, LÍVIA DE CARLI GERMANO (Suplente Convocada), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (VicePresidente) e CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência jurisprudencial quanto à espécie do vício que ensejou declaração de nulidade de parte do auto de infração contido nos presentes autos. A recorrente insurgiuse contra o Acórdão nº 1402001.320, de 05/03/2013, por meio do qual a 2a Turma Ordinária da 4a Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, deu provimento a recurso voluntário da contribuinte para fins de "acolher a alegação de nulidade parcial dos autos de infração por cerceamento do direito de defesa, por vício material, em relação às infrações descritas nos itens 002 a 005; 008; 013; 015 a 017; 020 e 022 do auto de infração." O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva descritas abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1996, 1997, 1998, 1999, 2000 PRELIMINAR. NULIDADE DO LANÇAMENTO POR INSUFICIÊNCIA NA DESCRIÇÃO DOS FATOS. A autoridade fiscal tem competência para, de forma unilateral, constituir o crédito tributário. Contudo, há que observar os procedimentos necessários previstos em lei, dentre os quais a correta identificação da matéria tributável, data, materialidade e base imponível correspondente à infração. Descumpridos tais requisitos no auto de infração, admitese o lançamento complementar, à luz do artigo 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, desde que não ocorrida a decadência, e o julgamento administrativo. Portanto, não é cabível manter os itens do lançamento original que estão alicerçados em descrição, datas e provas especificadas no Termo de Verificação Complementar lavrado após o transcurso do prazo decadencial. No caso concreto, a insuficiência na descrição dos fatos resultou devidamente caracterizada com a conversão do julgamento em diligência. O relatório da diligência composto de 42 páginas necessárias para indicar a infração cometida, a data em que ocorreu, a materialidade ou documentos caracterizadores e o montante correspondente à base imponível, demonstrou que o auto de infração, antes das infrações serem reescritas, não Fl. 6692DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/01/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 9101002.146 CSRFT1 Fl. 6.693 3 preenchia os requisitos necessários à constituição do crédito exigido. AUTO DE INFRAÇÃO NULIDADE PARCIAL. EFEITOS. O lançamento de ofício que contempla a exigência tributária decorrente de múltiplas infrações é passível de nulidade parcial, desde que os vícios que implicaram nessa nulidade contaminem apenas parte das irregularidades tributadas. In casu, a nulidade parcial do lançamento de ofício não atinge a parcela do crédito tributário relativo às matérias em que não se observou o cerceamento do direito de defesa, as quais não são objeto do litígio, sendo que os débitos foram incluídos em parcelamento. Preliminar Acolhida. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a nulidade parcial do auto de infração por cerceamento do direito de defesa, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. A PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à lei tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos, especificamente quanto à espécie do vício que ensejou a declaração de nulidade de parte do auto de infração contido nos presentes autos. Para o processamento de seu recurso, a PGFN desenvolve os argumentos descritos abaixo: o acórdão recorrido diverge do entendimento acolhido no acórdão paradigma ora indicado, com a seguinte ementa: Acórdão nº 230201.621 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2002 a 30/09/2006 MOTIVAÇÃO. DISCRIMINAÇÃO DOS FATOS GERADORES. INSUFICIÊNCIA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. O lançamento deve discriminar os fatos geradores das contribuições previdenciárias de forma clara e precisa, sob pena de nulidade. O artigo 142 do Código Tributário Nacional não deixa dúvidas de que a motivação se refere à verificação pelo agente fiscal da ocorrência do fato gerador. A falta da evidenciação do fato gerador implica na nulidade do lançamento por vício formal, uma vez que descumprido o artigo 10 do Decreto nº 70.235/72. Processo Anulado Fl. 6693DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/01/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 9101002.146 CSRFT1 Fl. 6.694 4 cotejando os acórdãos recorrido e paradigma, verificase, de plano, a semelhança das questões fáticas ali envolvidas, tendo em vista que, em todos os casos, houve uma descrição deficiente de modo a efetivamente demonstrar a ocorrência do fato gerador das contribuições lançadas; entretanto, em que pese tenham enfrentado situações semelhantes, os acórdãos cotejados chegam a conclusões inteiramente distintas. Enquanto o acórdão recorrido qualificou como material o vício na descrição deficiente dos fatos geradores, o acórdão paradigma entendeu que tal vício tem índole formal; a decisão recorrida classificou como material o vício caracterizado pela descrição insuficiente do fato gerador, mas o Decreto nº 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal, indica "a descrição do fato" como um dos requisitos que devem fazer parte do auto de infração (art. 10, III); por sua vez, o art. 37 da Lei n.º 8.212/91 prescreve, in verbis: Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. pela leitura dos dispositivos dantes mencionados, percebese que os requisitos neles elencados possuem natureza formal, ou seja, determinam como o ato administrativo, in casu, o lançamento, deve exteriorizarse; tal disciplina tem por objetivo uniformizar o procedimento de autuação da fiscalização, de maneira a conferir garantias ao contribuinte, em especial da ampla defesa e do contraditório; o elemento da formalidade, componente do ato administrativo, é "o revestimento exteriorizador do ato, previsto no ordenamento jurídico e deve ser integrada pela motivação, isto é, a exteriorização das razões de fato e de direito que levam à edição do ato"; um lançamento tributário é anulado por vício formal quando não se obedece às formalidades necessárias ou indispensáveis à existência do ato, isto é, às disposições de ordem legal para a sua feitura; o acórdão recorrido mostrase equivocado ao afirmar que a deficiência na descrição dos fatos originários do lançamento se trata de vício material, pois a mácula é de natureza formal, visto que relacionada a elemento de exteriorização do ato administrativo; patente no caso que, se vício houve no lançamento, este seria de natureza formal, acarretando, por conseqüência, apenas e tãosomente a nulidade do lançamento nesses termos (por vício formal); ante o exposto, requer a União (Fazenda Nacional) que seja conhecido e provido o presente recurso especial para reformar o acórdão recorrido, declarandose de ordem formal o vício apontado no lançamento. Fl. 6694DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/01/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 9101002.146 CSRFT1 Fl. 6.695 5 Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da PGFN, o Presidente da 4a Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF, por meio do Despacho nº 1400 000.144/2013, de 04/12/2013, admitiu o recurso especial fazendo as seguintes considerações sobre a divergência suscitada: [...] Da contraposição dos fundamentos expressos nas ementas e nos votos condutores dos acórdãos, evidenciase, de plano, que há dissídio jurisprudencial em relação as matérias recorridas, pois: há semelhança das questões fáticas ali envolvidas, tendo em vista que, em ambos os casos, houve uma descrição deficiente de modo a efetivamente demonstrar a ocorrência do fato gerador das contribuições lançadas; quanto aos efeitos dessa nulidade, os acórdãos cotejados chegam a conclusões inteiramente distintas. Isso porque, enquanto o acórdão recorrido qualificou como material o vício na descrição deficiente dos fatos geradores, o acórdão paradigma entendeu que tal vício tem índole formal. Por tais razões, neste juízo de cognição sumária, concluise pela caracterização das divergências de interpretação suscitada. Em 03/02/2014, a contribuinte foi intimada do despacho que admitiu o recurso especial da PGFN, e em 17/02/2014 ela apresentou tempestivamente contrarrazões, com os principais argumentos resumidos a seguir: EXPOSIÇÃO DO DIREITO SUSTENTADO NO RECURSO o ônus da prova, para que seja caracterizada a infração, cabe ao Fisco; a não desincumbência da prova do ilícito fiscal pela autoridade administrativa vicia de modo irrefragável o ato do lançamento, a ponto de cercear o exercício do direito de defesa pelo contribuinte; nos autos em questão, tal prova da infração viria justamente da vinculação do Termo de Verificação Fiscal ao Auto de Infração; assim, há que se falar obrigatoriamente em nulidade do auto de infração, tendo em vista que os fatos que motivaram o lançamento não se encontram adequadamente descritos no Termo de Verificação Fiscal, o qual é parte integrante do Auto de Infração; o vício detectado e apontado no recurso voluntário, além de ter prejudicado o direito de defesa do sujeito passivo, representa, em verdade, o descumprimento de requisito do lançamento consubstanciado no art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), especificamente o de ordem material, pelo que, a recorrida requereu fosse declarado nulo, por vício material, o procedimento fiscal levado a efeito no presente processo; sabese que a doutrina não é pacífica acerca da existência de uma gradação das invalidades no ato administrativo, à semelhança do que há no direito privado, em que as invalidades são de duas espécies: nulidade e anulabilidade; Fl. 6695DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/01/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 9101002.146 CSRFT1 Fl. 6.696 6 alguns administrativistas rejeitam a noção de anulabilidade no direito administrativo, enquanto outros defendem a existência de uma gradação das invalidades; os que entendem pela gradação de invalidades, adotam como critério principal o da convalidação. Se o vício for sanável ou convalidável, caracterizase hipótese de nulidade relativa, quando se terá o ato de lançamento anulável; caso contrário, a nulidade é absoluta, quando se terá o lançamento nulo; o critério da convalidação foi o eleito pelo legislador positivo como índice apto a graduar as invalidades do lançamento tributário (Lei nº 9.784/99, art. 69); para o legislador ordinário e para Celso Antônio Bandeira de Mello, o critério basilar para se definir o que seja ato nulo ou anulável é o da convalidação. Por sua vez, o ilustre administrativista afirma que é convalidável o ato que pode ser realizado sem vício (critério do refazimento), ao passo que o não convalidável não pode ser praticado novamente sem que seja reproduzida a invalidade anterior; tendo em conta esse critério, o ilustre administrativista situou a questão da convalidação relacionandoa aos elementos do ato administrativo (competência, objeto, forma, motivo e finalidade), no tocante às suas respectivas infringências. Desse modo, podem ser repraticados sem vício os atos que infrinjam os elementos competência e forma. De outra banda, não podem ser realizados sem vícios os atos que infrinjam ao objeto (v. g., objeto ilícito), à finalidade (v. g., desvio de poder) e ao motivo (v. g., falta de motivo); o art. 142 do CTN relaciona quais os elementos que necessariamente deverão integrar a formação do ato administrativo do lançamento. São eles: a fixação da ocorrência do fato jurídico tributário, que decorre dos atos que verificam a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente; a determinação da matéria tributável; identificação do sujeito passivo da obrigação tributária; e a determinação do montante do tributo devido; em relação à fixação da ocorrência do fato jurídico tributário, essa formulação constitui requisito essencial ao ato de lançamento, em virtude do que estipula o art. 142 do CTN. A estatura de requisito conferida a esse elemento também foi positivada pelo art. 10 do PAF, nos incisos III e IV, primeira parte; da combinação desses elementos temse a construção lingüística do fato jurídico tributário, que é a descrição do motivo do ato administrativo. Por meio da descrição dos fatos, no seu aspecto material, espacial e temporal, descrição essa que inclui a vinculação entre os diversos termos (Auto de Infração e Termo de Verificação Fiscal) necessários a tal fim, o agente tributário elabora o conceito de fato, tomando por base o material fático probatório com o qual deve instruir a pretensão fiscal; e, por meio da disposição legal infringida (ou enquadramento legal), revela o conceito de direito apto a subsumir o conceito de fato; em outros termos, a motivação do ato administrativo exacional compreende: a descrição dos fatos que ensejam sua feitura; a explicitação do direito aplicável; e a demonstração da juridicidade dos fatos, ou seja, da consonância entre a matéria de fato e o antecedente da regramatriz emanada do direito aplicável; todo esse conjunto de elementos deve ser articulado para inviabilizar qualquer cerceamento ao direito de defesa do contribuinte, bem como para convencer o Fl. 6696DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/01/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 9101002.146 CSRFT1 Fl. 6.697 7 julgador administrativo da plausibilidade da imposição fiscal. Qualquer deficiência em um dos elementos da motivação acarretará a nulidade absoluta do lançamento, por ser a motivação requisito essencial ao lançamento, desde que demonstrado o prejuízo à defesa dela decorrente, o que justamente aconteceu no presente caso; essa digna Câmara Superior de Recursos Fiscais e o nobre Conselho recorrido, de mãos dadas, são unânimes ao reconhecer o todo aqui defendido (ementas transcritas); a contribuinte já expôs nas fases anteriores que, tendo o procedimento fiscal se desenvolvido com reconhecida preterição do direito de defesa do contribuinte, o que se traduz em vício material mortal, acarretando a nulidade absoluta da autuação, tal fato deveria ser conhecido de ofício pela autoridade julgadora, por se tratar de matéria de ordem pública, sendo impassível de convalidação, o que tornava a anterior determinação de realização de diligência (ainda na primeira instância administrativa) e o seu conseqüente resultado inservíveis no caso concreto; apreciando o recurso da recorrida, o órgão julgador de 2º Grau, ora recorrido, houve por bem acolher a pretensão preliminar de mérito, por insuficiência do lançamento na descrição dos fatos e isso depois de caracterizada a conversão do julgamento em diligência, com o quê se anteviu que o auto de infração, antes de serem reescritas as infrações, não preenchia os requisitos necessários; INADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL o Regimento Interno do CARF, na última parte do § 2º do art. 67, traz com clareza que o recurso especial interposto haverá de ser inadmitido, porque o acórdão recorrido anulou a decisão de primeira instância (DRJ) acolhendo a preliminar de nulidade material do auto de infração; o cotejo analítico do Acórdão atacado com o acórdão indicado como paradigma, demonstra a inexistência de similitude fática entre as decisões, o que impede o conhecimento do recurso especial aviado pela Fazenda Nacional, nos termos do que dispõe o art. 64, § 6º, do Regimento Interno desse Conselho; com efeito, o recorrido decretou a nulidade do lançamento de ofício por insuficiência de demonstração de um dos aspectos do fato imponível (elemento quantitativo); o acórdão recorrido decretou a nulidade do lançamento por insuficiente descrição dos elementos de quantificação dos fatos geradores, consignando estar adstrita a autoridade lançadora a "individualizar, no Termo de Verificação Fiscal, os valores considerados omitidos", tendo a autoridade lançadora, no caso concreto, se descuidado do cumprimento do dever, porquanto "não há no Termo de Verificação Fiscal nenhuma planilha por meio da qual pudesse de chegar à individualização dos depósitos que compõem o montante lançado"; já o acórdão indicado como paradigma trata de questão distinta, sem qualquer relação de identidade ou semelhança com as questões discutidas no acórdão recorrido, na medida em que decreta a nulidade do lançamento por ausência de exposição dos motivos que ensejaram a desconsideração da contabilidade do contribuinte e formalização do lançamento por arbitramento; Fl. 6697DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/01/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 9101002.146 CSRFT1 Fl. 6.698 8 no acórdão paradigma, a questão central discutida e adotada como razão de decidir, resumese à ausência de motivação do ato administrativo (preliminar ao lançamento), que considerou imprestáveis os assentamentos contábeis do contribuinte e, por não confiáveis tais assentamentos, considerou imprescindível a apuração da materialidade do fato imponível por arbitramento; verificase do cotejo analítico dos acórdãos contrapostos, tratarem as decisões de situações absolutamente distintas, sendo impossível estabelecer similitude fático jurídica entre elas, não tendo a Fazenda Nacional, assim, cumprido a exigência posta no art. 64, § 5º, do Regimento Interno desse Conselho; mais que isso, observase que os acórdãos contrapostos analisam normas jurídicas de natureza distinta; de fato, as regras atinentes ao arbitramento se referem exclusivamente à atividade do lançamento administrativo, dispondo sobre o modo como deve ser formalizado o ato de constituição do crédito tributário (definição do procedimento de apuração da base tributável). Assim, as regras atinentes ao arbitramento do lucro não integram a hipótese de incidência, sendo, em verdade, uma (entre diversas previstas na legislação) das formas de quantificar o fato imponível, tendo, portanto, natureza eminentemente instrumental (adjetiva); o acórdãoparadigma trata, portanto, de regras instrumentais; já o acórdão atacado trata, essencialmente, da substância do fato imponível, qual seja, determinação do elemento quantitativo do fato imponível, realidade econômica (base de cálculo) componente do fato gerador; MÉRITO quanto ao mérito, na hipótese de não ser acolhida a preliminar de inadmissibilidade do recurso, melhor sorte não merece o recurso especial aviado pela Fazenda Nacional; a pretensão formulada pela Fazenda Nacional, com todo o respeito, esbarra na jurisprudência dessa Câmara Superior de Recursos Fiscais, cristalizada no Acórdão nº. 910100.955, com a seguinte ementa: NULIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL. A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo, definidos no art. 142 do Código Tributário Nacional — CTN, por serem elementos fundamentais, intrínsecos, do lançamento, sem cuja delimitação precisa não se pode admitir a existência da obrigação tributária em concreto, antecedem e são preparatórios à formalização do crédito tributário, a qual se dá no momento seguinte, mediante a lavratura do auto de infração, seguida da notificação ao sujeito passivo, quando, aí sim, deverão estar presentes os seus requisitos formais, extrínsecos, como, por exemplo, a assinatura do autuante, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matricula; a assinatura do Fl. 6698DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/01/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 9101002.146 CSRFT1 Fl. 6.699 9 chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. nesse sentido, os vícios concernentes à verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo, são vícios materiais, substanciais, não se confundindo com vícios formais, pertinentes à forma de exteriorização do ato de lançamento; colhese da decisão erigida por essa Câmara Superior, ainda, critério objetivo para definição da natureza do defeito eventualmente identificado no lançamento de ofício (vício formal ou vício material), assim descrito: "Neste contexto, é licito concluir que as investigações intentadas no sentido de determinar, aferir, precisar o fato que se pretendeu tributar anteriormente, revelamse incompatíveis com os estreitos limites dos procedimentos reservados ao saneamento do vício formal. Com efeito, sob o pretexto de corrigir o vício formal detectado, não pode o Fisco intimar o contribuinte para apresentar informações, esclarecimentos, documentos, etc. tendentes a apurar a matéria tributável. Se tais providências forem necessárias, significa que a obrigação tributária não estava definida e o vício apurado não seria apenas de forma, mas, sim, de estrutura ou da essência do ato praticado." assim, o vício de forma seria identificável de plano, sem qualquer outra indagação que não a observância das formalidades estabelecidas na legislação, o que não pode ser confundido com incorreta delimitação da obrigação tributária, que demanda investigações e providências complementares para definição precisa do fato imponível, hipótese em que "o vício apurado não seria apenas de forma, mas, sim, de estrutura ou da essência do ato praticado"; adotandose o critério estabelecido por essa digna Câmara Superior ao caso em apreço, temse insofismavelmente caracterizada a existência de vício material, substancial, visto que, como ressaltado no acórdão atacado, fezse necessária a realização de diligência na qual "a autoridade fiscal necessitou de termo composto de 42 laudas para especificar cada infração; quando esta ocorreu; a base imponível e os elementos de prova"; a necessidade de realização de diligência para especificação "da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo" (elementos fundamentais, intrínsecos, do lançamento, sem cuja delimitação precisa não se pode admitir a existência da obrigação tributária em concreto), comprova tratarse, na hipótese, de vício material; é condição sine qua non à perfeita identificação dos dois lançamentos, que não sobrevenha qualquer inovação no lançamento tornado nulo por vício formal, sem que se comprometa a aplicação da regra do inciso II, do 173, do CTN, o que aqui não pode ser aplicada, porque a análise constante da decisão subseqüente revela a falta de coincidência entre as duas exigências fiscais, nos seus principais requisitos: a descrição dos fatos, a capitulação legal e o quantum exigido; Fl. 6699DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/01/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 9101002.146 CSRFT1 Fl. 6.700 10 relanceandose o recurso voluntário da contribuinte, podese visualizar o quadro de alterações materiais promovidas pela digna autoridade fazendária de 1º grau, as quais permitem divisarse com clareza de luz de meiodia que o aperfeiçoamento do lançamento originário não se cingiu, nem se confinou a espancar vícios formais, mas, de ordem estrutural mesma, na configuração jurídicofiscal do lançamento suplementar emendado ou aperfeiçoado; pleiteia a contribuinte que seja acolhida a preliminar de inadmissibilidade do recurso especial, por ausência de similitude fáticojurídica entre o acórdão recorrido e o acórdão indicado como paradigma ou, eventualmente rejeitada a preliminar, seja desprovido o recurso, mantendo essa Colenda Câmara Superior íntegro o Acórdão nº 1402001.320. É o relatório. Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Conheço do recurso, pois este preenche os requisitos de admissibilidade. Em seu recurso especial, a PGFN suscita divergência de interpretação da legislação tributária quanto à identificação da espécie do vício que ensejou a declaração de nulidade de parte do auto de infração contido nos presentes autos. Para o Direito Tributário, essa questão de compreender e identificar se o vício é formal ou material tem grande relevância, porque o Código Tributário Nacional CTN, nos casos de vício formal, prolonga o prazo de decadência para constituição de crédito tributário, nos termos de seu art. 173, II: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Mas antes de adentrar nesse tema, é preciso apresentar as circunstâncias do caso concreto. Para tanto, transcrevo em parte o relatório do acórdão recorrido (Acórdão nº 1402001.320, de 05/03/2013), que sintetiza muito bem os principais aspectos da evolução deste processo: AGROPECUÁRIA RIO BRANCO LTDA. recorreu a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, que julgou procedente em parte a exigência, pleiteando sua reforma, com fundamento no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972. Tratase de auto de infração de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ); de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF); de Programa de Integração Social (PIS), de Contribuição Social Fl. 6700DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/01/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 9101002.146 CSRFT1 Fl. 6.701 11 sobre o Lucro Líquido (CSLL) e de Contribuição para o Financiamento da Seguridade (Cofins), referentes aos anos calendário de 1996, 1997, 1998, 1999 e 2000 no valor total de R$ 12.694.857,75 (principal, multa e juros, calculados até 29.11.2002) – fl. 1.065). O termo de verificação fiscal consta das fls. 863/951 e o auto de infração, notificado à parte interessada em 20/12/2002, encontrase às fls. 952 e seguintes. Apresentada a impugnação de fls. 1.251 a 1.290, os autos foram encaminhados à DRJ que por meio do acórdão de fls. 1.313 e seguintes, julgou procedente o lançamento, sendo que desta decisão, de forma tempestiva, a parte interessada apresentou recurso alegando, dentre outros fundamentos, a nulidade do lançamento por impossibilidade de correlacionar os termos das acusações aos valores lançados. Ao apreciar o recurso, o Primeiro Conselho de Contribuintes, em julgamento da Sétima Câmara, por meio da Resolução n° 1070.469, de 03 de dezembro de 2003 (fls. 1.506 ou 1.512 pela numeração digitalizada), converteu o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal fizesse elaborasse demonstrativo das parcelas correspondentes a cada matéria tributável constante do Auto de Infração, totalizandoas por períodos, e com indicação do item correspondente ao termo de verificação fiscal, aos valores objeto de lançamento. Neste sentido, para efeito de relato, transcrevo os seguintes fundamentos da Resolução: Com efeito, notese que, apesar das infrações estarem numeradas no TVF, a peça básica, em alguns casos, não indica o número do item do TVF a que corresponde cada parcela relacionada, embora diga "conforme discriminação no TVF que faz parte integrante do auto". E há também dificuldade, exatamente por isso, de se vincular fatos descritos no termo a cada infração, uma vez que há, na peça básica, diversos itens sobre omissão de receita, mas os títulos adotados não batem com os dos termo, obrigando a defesa a arriscar argumentos (fl. 1.547 numeração digitalizada). .... Não basta indicar as parcelas por períodos, como figura do auto de infração, sendo necessária sua remissão ao item correspondente ao TVF (quando integrante do auto de infração). E este determine cada notafiscal, ou outro documento que fundamente a acusação, com o respectivo valor, relacionandoos e totalizandoos por infração, com a indicação das fls. dos autos (volume ou anexo) onde se encontrem essas provas. (fl. 1.548 numeração digitalizada). O relatório da diligência consta das fls. 1.562 e seguintes (numeração digitalizada). Nesta ocasião o auditor fiscal elabora Fl. 6701DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/01/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 9101002.146 CSRFT1 Fl. 6.702 12 o demonstrativo de fl. 1.563 e seguintes especificando e correlacionando os seguintes elementos: a) identificação da matéria no termo de verificação fiscal; b) item correspondente à infração descrita; c) a denominação ou motivação da infração (exemplos: 1. receitas não contabilizadas notas fiscais; 2. Depósitos bancários não contabilizados; 3. Diferenças de estoque; 4. Pagamentos efetuados com recursos estranhos à contabilidade (cheques); 5. pagamentos efetuados com recursos estranhos à contabilidade (ordenados e salários); 6. Receitas não contabilizadas (controle de venda de animais); 7. Pagamentos efetuados com recursos estranhos à contabilidade (documentos de pagamentos não localizados na contabilidade); 8. Pagamentos efetuados com recursos estranhos à contabilidade (documentos apreendidos sem lançamentos a despesas); 9. Pagamentos efetuados com recursos estranhos à contabilidade (Documentos obtidos por circularização); 10. Omissão de receitas (recuperação de despesas); 11. omissão de receita (diferença de pesagem) etc. d) Período de apuração; e) Base de cálculo; f) documentação que fundamentava a autuação. Em síntese, com a diligência realizada em 2004 a autoridade fiscal elabora termo demonstrativo de 42 páginas indicando: a) a infração cometida; b) quando esta ocorreu; c) o montante correspondente à infração (base imponível); e d) os documentos caracterizadores da infração cometida. (materialidade) Realizada a diligência, por meio do acórdão n° 107.08.108 (fl. 1645), retificado pela decisão dos embargos de declaração de fls. 1.653 e seguintes (acórdão 10708.800), o Colegiado, de forma unânime, anulou a decisão de primeira instância que havia entendido que, da forma pela qual o auto de infração original tinha sido lançado, não tinha ocorrido cerceamento de defesa. Destacou o acórdão que a decisão da DRJ era nula porque simplesmente tinha ignorado as alegações da autuada acerca do cerceamento de defesa. Anulada a primeira decisão, os autos retornaram à DRJ que proferiu o acórdão de fls. 1.717 a 1.768, decidindo, por maioria de votos, julgar improcedente a alegação de cerceamento de direito de defesa do Contribuinte. Vencidos os julgadores ANTÔNIO MARCOS C. LIMA, e PAULO ROGÉRIO CARREIRO LIMA FERREIRA, que votaram pela nulidade do lançamento em decorrência de vícios na descrição dos fatos. E por Fl. 6702DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/01/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 9101002.146 CSRFT1 Fl. 6.703 13 unanimidade, no mérito, julgar parcialmente procedente o lançamento, cancelando parte dos créditos do IRPJ, IRRF, do PIS, da CSLL, e da COFINS. Intimada desta segunda decisão, a parte interessada apresentou o recurso de fls. 1.778 e seguintes, reiterando os argumentos articulados quando da impugnação anterior, dando ênfase, dentre outras razões, ao argumento de que, ao atender ao que fora determinado na resolução a autoridade fiscal vez verdadeiro aperfeiçoamento do lançamento, visto que o anterior não se sustentava, fato este inclusive reconhecido por dois integrantes da DRJ. [...] Diante desse quadro, o acórdão recorrido deu provimento ao recurso voluntário da contribuinte para fins de "acolher a alegação de nulidade parcial dos autos de infração por cerceamento do direito de defesa, por vício material, em relação às infrações descritas nos itens 002 a 005; 008; 013; 015 a 017; 020 e 022 do auto de infração." Os argumentos contidos no recurso especial da PGFN e nas contrarrazões da contribuinte foram apresentados nos parágrafos anteriores. Em suas contrarrazões, a contribuinte suscita duas preliminares pelas quais o recurso especial da PGFN não deveria ser admitido. Primeiro, porque o §2º do art. 67 do Regimento Interno do CARF (aprovado pela Portaria MF nº 256/2009) estabelece que não cabe recurso especial contra decisão "que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de primeira instância". Em relação a esse ponto, é importante perceber que o recurso especial sob exame não foi apresentado contra a primeira decisão proferida pela segunda instância administrativa, ou seja, contra o Acórdão n° 10708.108 (fl. 1645), retificado pela decisão dos embargos de declaração de fls. 1.653 e seguintes (Acórdão nº 10708.800), que anulou a decisão de primeira instância administrativa, por ter incorrido em cerceamento do direito de defesa. O recurso especial da PGFN tem por objeto a segunda decisão proferida pela segunda instância administrativa, ou seja, o Acórdão nº 1402001.320, de 05/03/2013, que acolheu preliminar de nulidade em relação ao próprio auto de infração, por vício material, cancelando parte dos itens da autuação fiscal. As situações são bem diferentes. A nulidade de uma decisão de primeira instância administrativa não afeta diretamente o lançamento. Normalmente, o processo é retomado, com a produção de uma nova decisão, e mais para a frente, dependendo dos caminhos do mesmo processo, surgirá nova oportunidade para apresentação de recurso especial. Esse é o sentido da mencionada regra do Regimento interno do CARF. Careceria até mesmo de sentido prático a apresentação de recurso especial contra um conjunto decisório que vai ser modificado. Fl. 6703DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/01/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 9101002.146 CSRFT1 Fl. 6.704 14 O reconhecimento de nulidade do auto de infração, por sua vez, configura o cancelamento do próprio lançamento e o fim do processo, a menos que haja interposição de recurso, o que aconteceu aqui. A PGFN não teria outra oportunidade para defender o seu ponto de vista, e a própria literalidade do dispositivo acima mencionado evidencia que a vedação de apresentação de recurso especial não se aplica à situação atual do presente caso, em que houve cancelamento de parte do próprio lançamento, e não mais de decisão de primeira instância administrativa. A segunda preliminar contida nas contrarrazões da contribuinte também não é procedente. A contribuinte alega que as decisões recorrida e paradigma tratam de situações absolutamente distintas; que até mesmo as normas jurídicas analisadas por essas decisões são distintas; que o problema da desconsideração da contabilidade, no caso do acórdão paradigma, não integra a hipótese de incidência, sendo, em verdade, uma (entre diversas previstas na legislação) das formas de quantificar o fato imponível, tendo, portanto, natureza eminentemente instrumental (adjetiva); enquanto que o acórdão recorrido trata, essencialmente, da substância do fato imponível, ou seja, da determinação de seu elemento quantitativo (base de cálculo), componente do fato gerador. Realmente há diferenças entre as situações examinadas pelo acórdão recorrido e pelo acórdão paradigma, mas elas não justificam os diferentes resultados. No caso do acórdão paradigma, o vício apontado, embora tenha sido identificado a partir de outras circunstâncias fáticas, também está diretamente relacionado aos elementos essenciais do crédito tributário lá em questão, no contexto dos procedimentos determinados pelo art. 142 do CTN para consecução do ato de lançamento: [...] Da forma, com base nos elementos trazidos pelo fisco para proceder à aferição indireta, não restou demonstrado que a contabilidade da recorrente fosse imprestável e merecesse ser desconsiderada como elemento de prova a seu favor. A simples menção quanto à impossibilidade dos serviços serem prestados pelos empregados constantes da folha porque não atingiram um percentual de 40% e ainda utilizando como parâmetro os serviços prestados em obra de construção civil, não é suficiente como suporte para o lançamento. É necessário o cotejamento da situação fática com as características definidas pela norma como hipótese de incidência. A subsunção do fato à regra de incidência deve ser detalhadamente consignada no relatório fiscal a fim de possibilitar as garantias constitucionais à ampla defesa e ao contraditório. Violálas contamina o ato administrativo de lançamento com vício insuscetível de convalidação. Cabe à autoridade lançadora motivar adequadamente suas afirmativas, possibilitando ao contribuinte a perfeita compreensão do que lhe é imputado, viabilizando o exercício do Fl. 6704DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/01/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 9101002.146 CSRFT1 Fl. 6.705 15 direito inserido no inciso LV, do artigo 5 da Constituição Federal/88. [...] Ademais, em se tratando de lançamento fiscal, o artigo 142 do Código Tributário Nacional não deixa dúvidas de que a motivação se refere à verificação pelo agente fiscal da ocorrência do fato gerador. No procedimento da fiscalização e na formalização do lançamento não foram cumpridos todos os requisitos do artigo 10 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, em especial do inciso III, pois não houve a descrição dos fatos, dos motivos que levaram a desconsideração da mão de obra registrada pela recorrente, o que impõe a anulação do lançamento por vício formal: [...] Voto pela anulação da notificação pela existência de vício formal por descumprimento do artigo 10 do Decreto nº 70235/72. Apesar das diferenças circunstanciais, há semelhanças relevantes entre os acórdãos recorrido e paradigma que justificam a admissibilidade do recurso especial. Vale reproduzir, mais uma vez, o conteúdo final do Despacho do Presidente da 4a Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF, quando examinou pela primeira vez, na condição de autoridade a quo, a admissibilidade do recurso especial: há semelhança das questões fáticas ali envolvidas, tendo em vista que, em ambos os casos, houve uma descrição deficiente de modo a efetivamente demonstrar a ocorrência do fato gerador das contribuições lançadas; quanto aos efeitos dessa nulidade, os acórdãos cotejados chegam a conclusões inteiramente distintas. Isso porque, enquanto o acórdão recorrido qualificou como material o vício na descrição deficiente dos fatos geradores, o acórdão paradigma entendeu que tal vício tem índole formal. Preliminares rejeitadas. Adentrando propriamente na questão da análise do vício que ensejou a declaração de nulidade em relação a alguns itens do auto de infração, registro novamente que a compreensão e identificação da espécie desse vício (formal ou material) tem particular importância no âmbito do Direito Tributário, porque o Código Tributário Nacional prolonga o prazo de decadência para a constituição de crédito tributário que tenha sido cancelado por vício formal em sua constituição (CTN, art. 173, II). Os prazos de decadência tem a função de trazer segurança e estabilidade para as relações jurídicas, e é razoável admitir que o prolongamento desse prazo em favor do Fisco, em razão de erro por ele mesmo cometido, deve abranger vícios de menor gravidade. Fl. 6705DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/01/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 9101002.146 CSRFT1 Fl. 6.706 16 Com efeito, o sentido do CTN não é prolongar a decadência para todo o tipo de crédito tributário, mas apenas para aqueles que tenha sido anulados por ocorrência de "vício formal" em sua constituição. Nem sempre é tarefa fácil distinguir o vício formal do vício material, dadas as inúmeras circunstâncias e combinações em que eles podem se apresentar. O problema é que os requisitos de forma não são um fim em si mesmo. Eles existem para resguardar direitos (p/ ex., o direito ao contraditório e à ampla defesa). É a chamada instrumentalidade das formas, e isso às vezes cria linhas muito tênues de divisa entre o aspecto formal e o aspecto substancial das relações jurídicas. É esse o contexto quando se afirma que não há nulidade sem prejuízo da parte. Nesse sentido, vale trazer à baila as palavras de Leandro Paulsen: Não há requisitos de forma que impliquem nulidade de modo automático e objetivo. A nulidade não decorre propriamente do descumprimento do requisito formal, mas dos seus efeitos comprometedores do direito de defesa assegurado constitucionalmente ao contribuinte já por força do art. 5º, LV, da Constituição Federal. Isso porque as formalidades se justificam como garantidoras da defesa do contribuinte; não são um fim, em si mesmas, mas um instrumento para assegurar o exercício da ampla defesa. Alegada eventual irregularidade, cabe, à autoridade administrativa ou judicial verificar, pois, se tal implicou efetivo prejuízo à defesa do contribuinte. Daí falar se do princípio da informalidade do processo administrativo. (PAULSEN, Leandro. Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 13ª ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2011.) A Lei nº 4.717/1965 (Lei da Ação Popular), ao tratar da anulação de atos lesivos ao patrimônio público, permite, em seu art. 2º, uma análise comparativa entre os diferentes elementos que compõe o ato administrativo (competência, forma, objeto, motivo e finalidade): “Art. 2º São nulos os atos lesivos ao patrimônio das entidades mencionadas no artigo anterior, nos casos de: a) incompetência; b) vício de forma; c) ilegalidade do objeto; d) inexistência dos motivos; e) desvio de finalidade. Parágrafo único. Para a conceituação dos casos de nulidade observarseão as seguintes normas: a) a incompetência fica caracterizada quando o ato não se incluir nas atribuições legais do agente que o praticou; Fl. 6706DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/01/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 9101002.146 CSRFT1 Fl. 6.707 17 b) o vício de forma consiste na omissão ou na observância incompleta ou irregular de formalidades indispensáveis à existência ou seriedade do ato; c) a ilegalidade do objeto ocorre quando o resultado do ato importa em violação de lei, regulamento ou outro ato normativo; d) a inexistência dos motivos se verifica quando a matéria de fato ou de direito, em que se fundamenta o ato, é materialmente inexistente ou juridicamente inadequada ao resultado obtido; e) o desvio de finalidade se verifica quando o agente pratica o ato visando a fim diverso daquele previsto, explícita ou implicitamente, na regra de competência.” (grifos acrescidos) Pela enumeração dos elementos que compõe o ato administrativo, já se pode visualizar o que se distingue da forma, ou seja, o que não deve ser confundido com a aspecto formal do ato (a competência, o objeto, o motivo e a finalidade). No contexto do ato administrativo de lançamento, vício formal é aquele verificado de plano, no próprio instrumento de formalização do crédito, e que não está relacionado à realidade jurídica representada (declarada) por meio deste ato. O vício formal não pode estar relacionado aos elementos constitutivos da obrigação tributária, ou seja, não pode referirse à verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, à determinação da matéria tributável, ao cálculo do montante do tributo devido e à identificação do sujeito passivo, porque aí está a própria essência da relação jurídicotributária. O vício formal a que se refere o artigo 173, II, do CTN abrange, por exemplo, a ausência de indicação de local, data e hora da lavratura do lançamento, a falta de assinatura do autuante, ou a falta da indicação de seu cargo ou função, ou ainda de seu número de matrícula, todos eles configurando elementos formais para a lavratura de auto de infração, conforme art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, mas que não se confundem com a essência/ conteúdo da relação jurídicotributária, apresentada como resultado das atividades inerentes ao lançamento (verificação da ocorrência do fato gerador, determinação da matéria tributável, cálculo do montante do tributo devido, etc. CTN, art. 142). Penso que a verificação da possibilidade de refazimento (repetição) do ato de lançamento, com o mesmo conteúdo, para fins de apenas sanear o vício detectado, é um referencial bastante útil para se examinar a espécie do vício. Se houver possibilidade de o lançamento ser repetido, com o mesmo conteúdo concreto (mesmos elementos constitutivos da obrigação tributária), sem incorrer na mesma invalidade, o vício é formal. Isso é um sinal de que o problema está nos aspectos extrínsecos e não no núcleo da relação jurídicotributária. A decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais trazida pela contribuinte, Acórdão nº 910100.955, auxilia na compreensão do problema quando diz que as investigações intentadas no sentido de determinar, aferir, precisar o fato que se pretendeu tributar anteriormente, revelamse incompatíveis com os estreitos limites dos procedimentos reservados ao saneamento do vício formal. Fl. 6707DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/01/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 9101002.146 CSRFT1 Fl. 6.708 18 E também quando registra que, sob o pretexto de corrigir o vício formal detectado, não pode o Fisco intimar o contribuinte para apresentar informações, esclarecimentos, documentos, etc. tendentes a apurar a matéria tributável; e que se tais providências forem necessárias, significa que a obrigação tributária não estava definida e o vício apurado não seria apenas de forma, mas, sim, de estrutura ou da essência do ato praticado. O fato é que se houver inovação na parte substancial do lançamento (seja através de um lançamento complementar, seja através do resultado de uma diligência), não há como sustentar que a nulidade então existente decorria de vício formal. Vale transcrever parte final do voto que orientou o acórdão recorrido: [...] Constatados os vícios no auto de infração original, vícios estes relacionados à indicação da infração cometida; quando esta ocorreu; a base de cálculo imponível e os documentos ou provas materiais das infrações, o procedimento correto seria ter anulado o auto de infração, com lançamento complementar nos termos do artigo 18 do Decreto nº 70.235, de 1972. Porém, em 2004, optouse em manter o auto de infração original inserindo nele elementos para readequar ou permitir a identificação da descrição dos fatos; data da infração; da base de cálculo imponível e indicação das provas. Contudo, tal procedimento só é cabível mediante lançamento complementar e antes do prazo decadencial. Observo que no caso concreto o litígio foi retomado tendo por base o auto de infração original, sendo que seus vícios, detectados no curso do processo administrativo, não foram sanados mediante lavratura de competente auto de infração complementar, nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972. Nesse sentido é vasta a jurisprudência do CARF, inclusive da CSRF: [...] Ao meu sentir e no entendimento dos dois votos vencidos da DRJ, a descrição dos fatos, no caso concreto, tanto estava deficiente que, convertido o processo em diligência, a autoridade fiscal necessitou de termo composto de 42 laudas para especificar cada infração; quando esta ocorreu; a base imponível e os elementos de prova (documentos). A autoridade fiscal tem a prerrogativa para, de forma unilateral, constituir o crédito tributário. Contudo, há que observar os procedimentos necessários, dentre os quais a correta identificação da matéria tributável, quando a infração ocorreu, a base imponível e as provas que caracterizam a materialidade da infração. Fora destas hipóteses, e o lançamento aqui analisado não se encaixa na exigência descrita, deve a autoridade competente, em procedimento de revisão, cancelar a exigência quanto às infrações contaminadas por tal vício. Fl. 6708DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/01/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 9101002.146 CSRFT1 Fl. 6.709 19 Repito: no caso concreto, a insuficiência na descrição dos fatos resultou devidamente caracterizada com a conversão do julgamento em diligência. O relatório da diligência composto de 42 páginas necessárias para indicar a infração cometida, a data em que ocorreu, a materialidade ou documentos caracterizadores e o montante correspondente à base imponível, demonstrou que o auto de infração, antes das infrações serem reescritas, não preenchia os requisitos necessários à constituição do crédito exigido. [...] ISSO POSTO, voto no sentido de acolher a alegação de nulidade parcial dos autos de infração por cerceamento do direito de defesa, por vício material, em relação às infrações descritas nos itens 002 a 005; 008; 013; 015 a 017; 020 e 022 do auto de infração. No caso sob exame, o procedimento para sanear o erro incorrido na atividade de lançamento resultou em "42 páginas necessárias para indicar a infração cometida, a data em que ocorreu, a materialidade ou documentos caracterizadores e o montante correspondente à base imponível". Por tudo o que se disse, não há como reconhecer aí a ocorrência de um vício formal. Desse modo, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso especial da PGFN. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 6709DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/01/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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Numero do processo: 15504.720198/2015-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. RENDIMENTOS DA APOSENTADORIA.
De conformidade com a legislação de regência, somente os proventos da aposentadoria ou reforma, conquanto que comprovada a moléstia grave mediante laudo oficial, são passíveis de isenção do imposto de renda pessoa física. In casu, constatando-se que os rendimentos que foram informados como isentos na DIRPF não advém de aposentadoria, evento somente ocorrido em exercício posterior, não há como se admitir a isenção pretendida.
PEDIDO DE RETIFICAÇÃO DA DIRPF. DENUNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. APÓS AÇÃO FISCAL.
Nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional, o instituto da denúncia espontânea somente é passível de aplicabilidade se o ato corretivo do contribuinte, com o respectivo recolhimento do tributo devido e acréscimos legais, ocorrer antes de iniciada a ação fiscal, o que não se vislumbra na hipótese dos autos, impondo seja decretada a procedência do feito.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-004.053
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, negar-lhe provimento.
Maria Cleci Coti Martins - Presidente Substituto.
Rayd Santana Ferreira - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Henrique de Oliveira, Luciana Matos Pereira Barbosa , Arlindo da Costa e Silva e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. RENDIMENTOS DA APOSENTADORIA. De conformidade com a legislação de regência, somente os proventos da aposentadoria ou reforma, conquanto que comprovada a moléstia grave mediante laudo oficial, são passíveis de isenção do imposto de renda pessoa física. In casu, constatandose que os rendimentos que foram informados como isentos na DIRPF não advém de aposentadoria, evento somente ocorrido em exercício posterior, não há como se admitir a isenção pretendida. PEDIDO DE RETIFICAÇÃO DA DIRPF. DENUNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. APÓS AÇÃO FISCAL. Nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional, o instituto da denúncia espontânea somente é passível de aplicabilidade se o ato corretivo do contribuinte, com o respectivo recolhimento do tributo devido e acréscimos legais, ocorrer antes de iniciada a ação fiscal, o que não se vislumbra na hipótese dos autos, impondo seja decretada a procedência do feito. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 01 98 /2 01 5- 32 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 05/02/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, negarlhe provimento. Maria Cleci Coti Martins Presidente Substituto. Rayd Santana Ferreira Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Henrique de Oliveira, Luciana Matos Pereira Barbosa , Arlindo da Costa e Silva e Rayd Santana Ferreira. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 05/02/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 15504.720198/201532 Acórdão n.º 2401004.053 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório WALKIRIA DE FÁTIMA MARTINS MAGALHÃES, contribuinte, pessoa física, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 1a Turma da DRJ em Fortaleza/CE, Acórdão nº 0833.214/2015, às fls. 25/28, que julgou procedente a Notificação de Lançamento concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente da constatação de omissão de rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas jurídicas, em relação ao exercício 2013, conforme peça inaugural do feito, às fls. 03/07, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Notificação de Lançamento, lavrado Auto de Infração em 16/12/2014, nos moldes da legislação de regência, contra a contribuinte acima identificada, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação. Com mais especificidade, no decorrer da ação fiscal apurouse omissão de rendimentos recebidos do TRT, tendo em vista que a contribuinte, em que pese ser portadora de moléstia grave desde outubro de 2010, conforme Laudo Pericial, somente se aposentou em 15/10/2013, oportunidade que passou a fazer jus à isenção do IRPF. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 36/38, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, suscita que equivocouse na elaboração do imposto de renda referente ao exercício em epígrafe, declarandose como isenta do imposto de renda e requer seja oportunizada a retificação de sua Declaração, de maneira a corrigir a informação equivocada. Explicita que inicialmente elaborou a Declaração de imposto de renda informando todos os rendimentos recebidos, ora objeto da autuação. Entrementes, assevera que em 26/04/2015, após receber laudo médico apontando moléstia grave (Neoplastia Maligna) desde outubro de 2010, procedeu a retificação de sua declaração, com o fito de receber a diferença dos valores do imposto de renda retido na fonte ao qual teria direito. Insurgese contra a exigência consubstanciada na peça vestibular do feito, sustentando que não omitiu rendimentos, mas simplesmente os informou em outro campo, objetivando usufruir da isenção decorrente de moléstia grave, não tendo agido de máfé, o que reforça a necessidade de ser oportunizado proceder a correção do sua Declaração. Esclarece que, desde o momento em que percebeu que não teria direito à isenção pretendida relativamente ao exercício em comento, uma vez que somente se aposentou em outubro de 2013, vem tentando corrigir o erro incorrido com nova declaração retificadora, não tendo o sistema da Receita Federal permitido o processamento, diante da ação fiscal em curso ou mesmo a lavratura de notificação lançamento. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 05/02/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 4 Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Notificação de Lançamento, possibilitandoa retransmitir sua Declaração de Imposto de Renda, informando os rendimentos no campo correto, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 05/02/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 15504.720198/201532 Acórdão n.º 2401004.053 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. De conformidade com a peça vestibular do feito, a lavratura do presente auto de infração se deu em virtude da contribuinte informar os rendimentos recebidos de pessoa jurídica no campo de rendimentos isentos, levando a efeito a constatação de moléstia grave (Neoplastia Maligna), diagnosticada desde outubro de 2010, sem conquanto observar que somente passou a fazer jus a aludida benesse fiscal em outubro de 2013, quando aposentouse, razão do lançamento por omissão de rendimento recebidos de pessoa jurídica. Em suas razões recursais, em momento algum, a contribuinte alega não ter incorrido na infração apontada pela autoridade fiscal, procurando a comprovar que, em verdade, incorreu em simples equívoco, adotando o laudo médico que diagnosticou a moléstia grave desde outubro de 2010, razão pela qual entendeu por bem retifica declaração originalmente formalizada correta, para pleitear a diferença do imposto de renda retido na fonte diante da pretensa isenção. Ressaltando que nunca agiu de máfé, argumenta que, desde o momento que percebeu o equívoco incorrido, eis que somente se aposentou em outubro de 2013, vem tentando retransmitir declaração retificadora com as informações nos campos corretos, não tendo, porém, logrado êxito em sua empreitada diante da ação fiscal em curso e, posteriormente, da notificação de lançamento lavrada pertinente ao exercício em referência. Em que pesem os argumentos da recorrente, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de macular a exigência fiscal. Do exame dos elementos que instruem o processo, concluise que o lançamento se apresenta incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude. Antes de adentrar as questões de mérito, é de bom alvitre trazer à baila os dispositivos legais que regulamentam o tema, senão vejamos: Lei 7.713/1988: "Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: [...] XIV os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente sem serviços, e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerosemúltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte Fl. 58DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 05/02/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 6 deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma." Lei 9.250/1995: "Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. § 2º Na relação das moléstias a que se refere o inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, fica incluída a fibrose cística (mucoviscidose)." Decreto 3.000/1999: "Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: [...] XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º);" Instrução Normativa SRF nº 15/2001: "Art. 5º Estão isentos ou não se sujeitam ao imposto de renda os seguintes rendimentos: [...] XII proventos de aposentadoria ou reforma motivadas por acidente em serviço e recebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida (Aids) e fibrose cística (mucoviscidose); Fl. 59DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 05/02/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 15504.720198/201532 Acórdão n.º 2401004.053 S2C4T1 Fl. 5 7 [...] § 1º A concessão das isenções de que tratam os incisos XII e XXXV, solicitada a partir de 1º de janeiro de 1996, só pode ser deferida se a doença houver sido reconhecida mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. § 2º As isenções a que se referem os incisos XII e XXXV aplicam se aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão, quando a doença for preexistente; II do mês da emissão do laudo pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial." Conforme se depreende das normas legais encimadas, a hipótese de isenção contemplada nos autos está condicionada à constatação da moléstia grave, reconhecida por laudo oficial, abarcando rendimentos auferidos em decorrência de aposentadoria ou reforma. In casu, em que pese o laudo confirmando a moléstia grave (Neoplastia Maligna), diagnosticada desde outubro de 2010, a contribuinte somente se aposentou em outubro de 2013, oportunidade em que passou a fazer jus a isenção pretendida. Aliás, a própria contribuinte confirma tal situação, pleiteando simplesmente a possibilidade de retificar sua declaração, de maneira a inserir no campo certo os rendimentos recebidos de pessoa jurídica, ressaltando sua boafé. Ocorre que, a boafé ou máfé da contribuinte costuma ser apenada com a qualificação da multa, o que não se observou no caso dos autos e, a sua intenção, quanto ao recolhimento do tributo em sim, não tem o condão de rechaçar a exigência fiscal. Com mais especificidade, a legislação de regência estabelece que a responsabilidade por infrações, independe dos efeitos do ato praticado pelo contribuinte. É o que se extrai do artigo 136 do Códex Tributário, nos seguintes termos: “Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.” Por sua vez, relativamente a possibilidade de retificar a declaração após iniciada a ação fiscal, ou mesmo procedido o lançamento, o artigo 138 do Código Tributário Nacional é por demais enfático ao vedar tal procedimento, in verbis: "Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito Fl. 60DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 05/02/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 8 da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração." (grifamos) Na hipótese dos autos, a contribuinte, após iniciada a ação fiscal, vem procurando retificar a declaração objeto da autuação, o que é vedado pelo dispositivo legal em comento, impossibilitando o acolhimento de seu pleito. Quanto às demais alegações da contribuinte, não merece aqui tecer maiores considerações, uma vez não serem capazes de ensejar a reforma da decisão recorrida, especialmente quando desprovidos de qualquer amparo legal ou fático, bem como já devidamente rechaçadas pelo julgador de primeira instância. Assim, escorreita a decisão recorrida devendo nesse sentido ser mantido o lançamento na forma ali decidida, uma vez que a contribuinte não logrou infirmar os elementos colhidos pela Fiscalização que serviram de base para constituição do crédito tributário, atraindo para si o ônus probandi dos fatos alegados. Não o fazendo razoavelmente, não há como se acolher a sua pretensão. Por todo o exposto, estando a Notificação de Lançamento, sub examine, em consonância com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. Rayd Santana Ferreira. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 05/02/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS
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Numero do processo: 11020.002085/2005-61
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2008
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003
RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI Nº 10.276/2001. ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS. AUSÊNCIA DE PROVA.
Impossível a inclusão de gastos com energia elétrica e
combustíveis quando não comprovado o montante dos gastos. No
caso, a fatura de prestação de serviços da concessionária é
emitida em nome de uma empresa, não obstante o parque fabril
seja constituído de duas unidades industriais distintas. No caso
dos combustíveis, as notas fiscais são emitidas em nome de um
único estabelecimento, não obstante sejam partilhados os valores
entre si.
RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. JUROS COMPENSATÓRIOS.
Não incide correção monetária nem juros compensatórios no
ressarcimento de créditos do IPI.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 203-13.373
Decisão: ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES: I) por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso quanto à possibilidade de utilização dos insumos de energia elétrica e de combustíveis, em virtude da falta de sua comprovação; e II) por maioria de votos, negar provimento ao recurso quanto à possibilidade de aplicação da taxa Selic nos valores dos créditos reconhecidos. Vencidos os Conselheiros Jean Cleuter Simões Mendonça e Eric Moraes de Castro e Silva.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: Odassi Guerzoni Filho
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Recorrida DRJ-PORTO ALEGRE/RS ASsuNro: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - I PI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI N.' 10.276/2001. ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS. AUSÊNCIA DE PROVA. • Impossível a inclusão de gastos com energia elétrica e combustíveis quando não comprovado o montante dos gastos. No • caso, a fatura de prestação de serviços da concessionária é emitida em nome de uma empresa, não obstante o parque fabril seja constituído de duas unidades industriais distintas. No caso • dos combustíveis, as notas fiscais são emitidas em nome de um único estabelecimento, não obstante sejam partilhados os valores entre si. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. JUROS COMPENSATÓRIOS. Não incide correção monetária nem juros compensatórios no ressarcimento de créditos do IPI. Recurso Voluntário Negado. • • " ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES: I) por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso quanto à possibilidade de utilização dos insumos de energia elétrica e de combustíveis, em virtude da falta de sua comprovação; e II) por maioria de votos, negar provimento ao recurso quanto à possibilidade de aplicação da taxa Selic nos valores dos cr/édittos reconhecidos. Vencidos os Conselheiros Jean Cleuter Simões Mendonça e Eric MoraeS de Castro e Silva. ME-SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL &asma. (Nt9 p• MadIciejCC de (»mira Met. Slape 91650 Processo n• I 1020.002085/200541 CCO2CO3 Acórdão n. • 203-13.373 Els. 246 se/Alry, S dr' DO ' OSENBURG FILHO 7Presidinte C DASSI GUERZONI FILH lator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, José Adão Vitorino de Morais, Fernando Marques Cleto Duarte e Dalton Cesar Cordeiro de Miranda. ME-SEGUNDO CONSEJO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL ,n Brasão. Q7 6 /1 12----Cn /10 Medido C. • de Othtelra MM. State 91650 2 Processo n° 11020.002085/2005-61 CCO2/CO3 Acórdão n.° 203-13.373 Rs. 247 ME-SEGUNDO CONSELHO DE CONYRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL cp OrasIlia IngsÇ I .1/f 0 3 Manado Corista Meto MM Sieoe 91650 Relatório Trata-se de Pedido de Ressarcimento de IPI (créditos básicos nos termos da Lei n° 9.779, de 1999, e crédito presumido nos termos da Lei n° 10.276/2001), relativo ao 3° trimestre de 2003, no valor de R$ 11.482,74 e de R$ 381.396,96, respectivamente, formalizado em 24/10/2003. A DRF em Caxias do Sul/RS, no entanto, ao proceder à análise do pedido, procedeu a uma glosa parcial no montante do crédito presumido, reconhecendo o direito ao crédito da ordem de R$ 475.045,62, em face de, primeiro, a contribuinte ter utilizado os saldos de estoque inicial e estoque final avaliados pelo método do Custo Médio, contrariando o artigo 15, § 2°, da IN SRF 315, de 2003, e ter ainda considerado no cálculo, os estoques referentes a materiais de manutenção. A outra motivação para a glosa, deveu-se ao fato de as despesas com energia elétrica e combustíveis não possuírem comprovação suficiente para atestar que realmente nelas tenha efetivamente incorrido a contribuinte, visto que estão contempladas numa única fatura para duas empresas distintas. Na Manifestação de Inconformidade, a contribuinte, em resumo, argumenta que não poderia uma instrução normativa criar exclusões na fruição do beneficio e impedir o aproveitamento de seus gastos com energia elétrica e com combustíveis. Explica a impugnante que as despesas de energia elétrica são faturadas em nome da empresa Móveis CECE Ltda. "através do levantamento da carga instalada das duas unidades fabris e apuração do percentual correspondente a dada uma das empresas (..)", conforme laudo de avaliação que apresentou à fiscalização. Invoca ainda a Impugnante o disposto no artigo 6° da IN SRF n° 460, de 2004, para dizer que obteve o valor dos gastos mediante a elaboração de rateio. Em aditamento à Manifestação de Inconformidade, insurgiu-se a empresa também contra a não incidência de atualização monetária sobre o montante do crédito reconhecido, pedido que o seja mediante a aplicação da taxa Selic, desde o surgimento do crédito, ou, alternativamente, da data do protocolo do presente processo. A 35 Turma da DRJ em Porto Alegre/RS, por meio do Acórdão n° 14.435, de 29/11/2007, indeferiu a solicitação, em decisão assim ementada: Acórdão DRJ N" 10-14.435 de 2007 Imposto sobre Produtos Industrializados - IP! RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DE IPI - Matéria não contestada, expressamente, torna-se definitiva na esfera administrativa. - Devem ser excluídos, da base de cálculo do crédito presumido do IPI, os gastos com energia elétrica e combustíveis, não comprovados adequadamente. - Abono de correção monetária no ressarcimento. Descabimento. Por falta de previsão legal, é incabível o abono de correção monetária no ressarcimento de créditos de IN Solicitação indeferida. j: Processo n• 11020.002085/2005-61 CCO2/CO3 Acórdão n.° 203-13.373 Fls 248 No Recurso Voluntário praticamente foram repetidos os mesmos argumentos da impugnação, com a ênfase de que todas as aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados no processo produtivo do bem exportado • devem integrar a base de cálculo do beneficio, nele incluindo-se, por óbvio, os gastos com • energia elétrica e com combustíveis. Aduz a Recorrente que o laudo de avaliação apresentado à fiscalização procurou demonstrar a carga instalada nas duas unidades fabris, apurou os percentuais correspondentes a cada uma das duas empresas, e que, por uma inviabilidade técnica da concessionária de energia elétrica na região - RGE não possui medidores autônomos em cada empresa componente do parque fabril da Recorrente. Insiste ainda a Recorrente em invocar o disposto no art. 6° da IN SRF n° 410, de 2004, para apropriar os seus • gastos com taxa Selic ao valor ressarcido. É o relatório. wir-seouNoo comsaso DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O OFtIGNAL Brídia. (\9I /1 "17 Mate CSde OINeira Met 5spe.91650 • ' O • Processo n° 11020.00208512005-61 CCO2/CO3 Acórdão n.° 203-13.373 Fls. 249 MF-SEGLINDO CONSELHO DE CONMIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL in • / Mate' 9: Devolva Mat, Slepe 91850 Voto Conselheiro ODASSI GUERZONI FILHO, Relator A tempestividade se faz presente pois, cientificada da decisão da DRJ em 26/12/2007, a interessada apresentou o Recurso Voluntário em 16/01/2008. Preenchendo os demais requisitos de admissibilidade, deve ser conhecido. Que a base de cálculo do crédito presumido do IPI será formada com os custos sobre os quais incidiram o PIS/Pasep e a Cofins, inclusive os gastos com energia elétrica e os combustíveis, não se tem nenhuma dúvida, dada a clareza do inciso I do parágrafo 1° do artigo • 1° da Lei n° 10.276, de 2001. A questão é saber se tais gastos podem ser comprovados para • serem incluídos na formação do referido favor fiscal. A Recorrente diz que seu parque fabril possui duas unidades industriais • distintas: o seu, propriamente dito, e o da Móveis Cece Ltda., sendo que a concessionária de • energia elétrica da localidade alega dificuldades técnicas para emitir notas fiscais de consumo distintas, fazendo-o numa só, em nome da segunda. Para apurar o quanto gasta de energia elétrica, a Recorrente se vale de um "Laudo de Avaliação", firmado por Perfil Energia Ltda., com data de 23/02/2005, que diz, verbis: • 1 Empresas: TREBOLL MÓVEIS LTDA. MÓVEIS CECE LTDA. 2 Objetivo: • Determinação do percentual de consumo de energia elétrica utilizada pelas unidades fabris de Treboll Móveis Ltda. e Móveis CECE Ltda. 3. Critérios Adotados: Foram realizados levantamentos de carga • • instalada das duas unidades fabris e apurados os percentuais correspondentes a cada uma das empresas. 4. Análise e conclusão: Analisando-se os dados levantados, verificamos que o consumo calculado de energia elétrica da Treboll Móveis Ltda. corresponde a 63,48% do consumo total, enquanto que o da Móveis • CECE Ltda., corresponde a 36,52% do consumo total de energia elétrica. O referido "Laudo" partiu da carga potencial (kW) de consumo de cada equipamento instalado nas duas unidades •fabris, multiplicou-o pelas horas potenciais de utilização no mês e obteve o total de consumo em KWh de cada unidade fabril, sendo: 162.095,74 kWh, para a Treboll Móveis Ltda., e 93.337,60 kWh para a Móveis Cece Ltda. Daí, obteve b consumo potencial mensal de 255.433,34 kWh e a relação percentual de consumo de /- energia para cada uma das unidades fabris, quais sejam, os 63,48% e 36,52%, respectivamente. ,f Como dito acima, a questão aqui é meramente probatória e, com a devida venia l. •1 a postulante não conseguiu demonstrar o quanto efetivamente gastou de energia elétrica no - ri) • ME-SEGUNDO CONSELHO DE CONTRiBUIN rEs •• CONFERE COM O ORIGINAL Processo n° 11020.002085/2005-61 Brasília CF9,6 / C287 CCO2/CO3 • Acórdão n.° 203-13.373 Fls. 250 Matilde Urde ~ta Mat. &lapa 91650 período. A meu ver, o "laudo" não se presta a comprovar outra coisa que não a capacidade potencial de consumo de energia elétrica. Ora, primeiro, porque leva em conta o consumo médio mensal de energia elétrica, certamente obtido das faturas de prestação de serviços, dos meses de setembro de 2003 • a agosto de 2005, quando o período que está sob análise é o do terceiro trimestre de 2003. Segundo, que não há qualquer indício ou evidência de prova de que as dezenas de equipamentos que analisou estivessem mesmo na empresa, e em operação, durante o terceiro • trimestre de 2003. E, por último, conforme bem destacou a fiscalização, não há qualquer prova de que todo o potencial de energia elétrica de cada um dos equipamentos tenha sido atingido, e/ou não se conseguiu comprovar que a produção do estabelecimento tenha gerado aquela quantidade de quilowatt-hora no período. _ . - • Assim, admite-se que a empresa tenha utilizado a energia elétrica para a sua produção exportada, mas tal admissão deve, obrigatoriamente, estar respaldada em elementos • concretos, materiais, capazes de garantir o direito ao beneficio à empresa produtora exportadora, conforme preceitua a lei, o que, no caso, não ocorreu, razão porque deve • prevalecer a glosa efetuada pela fiscalização em relação à energia elétrica. O mesmo vale para os gastos com combustíveis, já que nenhum elemento de prova foi trazido aos autos pela empresa, que se limitou a confirmar que tais gastos são faturados em seu nome, porém compartilhados com a empresa Móveis Cece Ltda., não obstante tivesse três oportunidades para fazê-lo. De outra parte, não lhe socorre o artigo 6° da IN SRF 420, de 10/05/2004 1 , pois, conforme bem destacou a instância de piso, o referido dispositivo não se presta a tratar de rateio entre empresas distintas, como é o caso. Também em relação à atualização monetária do crédito reconhecido mediante a • aplicação da taxa Selic, não merece acolhida o pleito da Recorrente. Respeitadas as posições em sentido contrário, entendo que não existe — e nunca • existiu - previsão legal para incidência de -juros compensatórios ou de quaisquer outros acréscimos sobre créditos de IPI, tendo a lei estabelecido a incidência da taxa Selic apenas nos casos de restituição ou compensação por pagamento indevido ou a maior de tributos. i Art. 6° A base de cálculo do crédito prestimido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no art. 1°: • II - de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno, utilizados no processo industrial; (...) 1° No caso de impossibilidade da determinação dos custos referidos no inciso II, deverá ser aplicado às despesas •• , com energia elétrica e combustíveis o percentual obtido pela relação entre o custo de produção e o somatório dos ,n - custos e despesas operacionais do estabelecimento industrial. /r r - § 2° Não coincidindo o período de faturamento dos custos referidos no inciso II com o período de apuração dó • crédito presumido, deverá ser feita apropriação pro rata. I 1,)6 Processo n° 11020.002085/2005-61 1 CCO21CO3 Acórdão n.° 20343.373 FN.251 Nesse ponto, cumpre destacar que os institutos não se confundem e não mantém • relação de gênero e espécie. De acordo com o art. 165 do CTN, tem direito à restituição o sujeito passivo que pagou tributo indevido. A lei estabelece que apenas nos casos de compensação ou restituição de tributos e contribuições pagos indevidamente ou a maior haverá a incidência de juros equivalentes à taxa Selic a partir de 1° de janeiro de 1996. Em se tratando de ressarcimento, não existe previsão legal específica para essa incidência. Em relação à correção monetária dos valores pleiteados a título de ressarcimento do IPI, é pacífico o entendimento neste Colegiado de que essa atualização visa apenas restabelecer o valor real do incentivo fiscal, para evitar o enriquecimento sem causa que sua efetivação em valor nominal adviria à Fazenda Nacional. Entretanto, a atualização do ressarcimento não pode se dar pela variação da Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — Selic, que tem natureza de juros e alcança patamares muito superiores à inflação efetivamente verificada no período, e que se adotada no caso causaria a concessão de um "plus" , que só é possível por expressa previsão • legal. No processo administrativo o julgador restringe-se à lei, pela sua competência estritamente vinculada. Se impossibilitado de adotar a Selic como índice de atualização monetária, não pode fixar outro índice, sem que haja previsão legal para tanto. Logo, indefiro a utilização da taxa Selic como índice de correção monetária no ressarcimento pleiteado. Em face de todo o exposto, nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 08e outubro de 2008 DASSI GUERZONI FIL wiP CONNALI TES • BrasItiaSi 1-21— mate C‘de Met Signe 91650 • 7 Page 1 _0027400.PDF Page 1 _0027500.PDF Page 1 _0027600.PDF Page 1 _0027700.PDF Page 1 _0027800.PDF Page 1 _0027900.PDF Page 1
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Numero do processo: 10680.938472/2009-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1301-000.299
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, vencidos os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães (Relator) e Paulo Jakson da Silva Lucas. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado.
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães - Presidente e Relator
documento assinado digitalmente
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, vencidos os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães (Relator) e Paulo Jakson da Silva Lucas. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Presidente e Relator “documento assinado digitalmente” Luiz Tadeu Matosinho Machado Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 38 47 2/ 20 09 -2 5 Fl. 217DF CARF MF Impresso em 24/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /02/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10680.938472/200925 Resolução nº 1301000.299 S1C3T1 Fl. 217 2 Relatório Cuida o presente processo de DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO, em que o crédito apontado para o referido encontro de contas está representado por suposto PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO de antecipação obrigatória (estimativa) de IRPJ relativa ao mês de MARÇO de 2005. A unidade administrativa que primeiro analisou o pedido da contribuinte (Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte), o indeferiu por entender que, tratandose de pagamento a título de estimativa mensal, o recolhimento somente pode ser utilizado na determinação do resultado correspondente ao final do período de apuração, ou, se fosse o caso, para compor o saldo negativo. Em sede de Manifestação de Inconformidade, a contribuinte sustentou: que apurou o IRPJEstimativa Mensal no mês de março/2005 no montante de R$ 15.069.869,81, informou o valor apurado em DCTF e efetuou o recolhimento da importância correspondente, mas, posteriormente, constatou erro na apuração do referido valor "apurando prejuízo fiscal na nova estimativa de 1RPJ"; que a DCTF originalmente apresentada foi retificada e os valores apurados como devidos estão em conformidade com as informações prestadas em DIPJ; que "o entendimento da autoridade fiscal destoa do entendimento do Conselho de Contribuintes sobre o assunto, não atendendo aos ditames da Lei n° 9.430, de 1996"; que "não há qualquer impedimento legal à compensação pleiteada". que a única restrição existente estaria prevista no art. 10 da IN SRF n° 600, de 2005, mas que a Instrução Normativa n° 900, de 2008, que a revogou, também revogou "a hipótese de vedação à compensação dentro do próprio ano, o que demonstra uma mudança de entendimento dentro da própria RFB, em relação ao tema objeto da presente impugnação". A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte, Minas Gerais, apreciando as razões trazidas pela requerente, decidiu, por meio do acórdão nº 0226.052, de 17 de março de 2010, pela improcedência da manifestação. O referido julgado restou assim ementado: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Na Declaração de Compensação somente podem ser utilizados os créditos comprovadamente existentes, passíveis de restituição ou ressarcimento, respeitadas as demais regas determinadas pela legislação vigente para a sua utilização. COMPENSAÇÃO PAGAMENTOS POR ESTIMATIVA As estimativas mensais, ainda que pagas em valor superior ao calculado na forma da lei não se caracterizam, de imediato, como tributo indevido ou a maior passível de restituição/compensação. A opção pelo pagamento mensal por estimativa difere para o Fl. 218DF CARF MF Impresso em 24/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /02/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10680.938472/200925 Resolução nº 1301000.299 S1C3T1 Fl. 218 3 ajuste anual a apuração do possível indébito, quando ocorre a efetiva apuração do imposto devido. Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário de fls. 77/80, em que, renovando a argumentação expendida na peça impugnatória, adita que a decisão de primeira instância é nula, haja vista a ocorrência de erro na indicação do fato gerador e do valor do crédito indicado para compensação; e que em sua manifestação de inconformidade não protestou pela nulidade do despacho decisório emitido pela Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte. Ao final, reitera o pedido para que seja preservado o seu direito à restituição, caso a decisão de não homologar a compensação pleiteada seja mantida. Consta dos autos, ainda, petição, por meio da qual a contribuinte, alegando que a matéria aqui tratada já está pacificada no âmbito deste Colegiado e suscitando a "antiguidade do caso", solicitou a distribuição do seu recurso e a inclusão do processo em pauta de julgamento. É o Relatório. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 24/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /02/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10680.938472/200925 Resolução nº 1301000.299 S1C3T1 Fl. 219 4 Voto Vencedor Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado – Redator Designado O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos regimentais. Durante a discussão na sessão de julgamento, em que pese o robusto e fundamentado voto do D. relator, que propugnava o não provimento do recurso, a maioria do colegiado concluiu pela necessidade conversão do julgamento em diligência, com vistas à oportunizar à recorrente a apresentação de elementos que possam comprovar, efetivamente, a ocorrência do erro de fato na apuração da base de cálculo das estimativas recolhidas, que deram ensejo ao presente pedido de restituição/compensação. Tendo sido designado para redigir o voto vencedor, passo a expor os fatos e fundamentos que levaram o colegiado a concluir pela necessidade da realização das diligências.. O ilustre relator, Conselheiro Wilson Guimarães, apresentou em seu voto (vencido) uma breve contextualização da querela, da qual me valho por bem retratar a discussão que levou o colegiado a decidir converter o julgamento em diligências, verbis: Trata o presente processo de DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO, em que o crédito apontado para o referido encontro de contas está representado por suposto PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO de antecipação obrigatória (estimativa) de IRPJ relativa ao mês de MARÇO de 2005. O indeferimento do pleito está consubstanciado no entendimento de que, tratandose de antecipação obrigatória (ESTIMATIVA), o eventual pagamento a maior ou indevido só pode ser aproveitado na determinação do resultado correspondente ao final do período de apuração. Em virtude do entendimento nas instâncias precedentes de que o aproveitamento de antecipações obrigatórias só pode ser feito na apuração final do resultado fiscal, nenhum juízo foi feito acerca do pagamento efetuado pela Recorrente representar, efetivamente e à época em que foi realizado, PAGAMENTO A MAIOR ou INDEVIDO. Nos termos do preconizado pelo art. 2º da Lei nº 9.430, de 1996, a pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real tem a opção de promover o pagamento do imposto mensalmente, de forma estimada, com base na RECEITA BRUTA. O art. 35 da Lei nº 8.891, de 1995, recepcionado pela Lei nº 9.430/96, admite que o recolhimento com base na receita bruta possa ser suspenso ou reduzido, desde que o contribuinte demonstre, por meio de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o calculado com base no lucro real do período em curso. Resta evidente, assim, que, para que o pagamento reste caracterizado como tendo sido feito a maior ou indevidamente, é necessário, primeiro, definir qual a forma adotada pelo contribuinte para calcular o recolhimento mensal, se com base na RECEITA BRUTA ou com suporte em BALANÇOS OU BALANCETES DE SUSPENSÃO OU REDUÇÃO, e, depois, confrontálo com o que foi apurado à época em que a ESTIMATIVA era devida. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 24/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /02/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10680.938472/200925 Resolução nº 1301000.299 S1C3T1 Fl. 220 5 Obviamente, se o contribuinte recolhe a ESTIMATIVA com base na RECEITA BRUTA e, em momento posterior, levanta um BALANÇO DE SUSPENSÃO E REDUÇÃO que aponta para PREJUÍZO FISCAL no período acumulado, descabe falar em pagamento a maior ou indevido, eis que o recolhimento foi efetuado com base na legislação de regência. No caso, o contribuinte simplesmente deixou de exercer a opção prevista pelo art. 35 da Lei nº 8.981/95 (elaboração de BALANÇO DE SUSPENSÃO/REDUÇÃO). No caso vertente, embora a decisão de primeira instância assinale que "o contribuinte apurou o IR a antecipar, a titulo de "estimativa mensal" através do levantamento de balanços/balancetes de suspensão/redução", tendo encontrado "no mês de março/2005 um IRPJ a pagar no valor de R$ 15.069.869,81", não identifico nos autos elementos capazes de confirmar a assertiva, isto é, não encontramse reunidos ao processo elementos capazes de indicar que o pagamento de R$ 15.069.869,81 foi efetuado com base em balanço de suspensão ou redução. Inclusive, o registro feito na referida decisão no sentido de que a regra geral na determinação da estimativa é a aplicação de percentual sobre a receita bruta e de que a apuração com base em balanços/balancetes de suspensão deve ser efetuada até a data do vencimento da obrigação, conduz à conclusão de que efetivamente não estamos diante de PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DO QUE O DEVIDO, mas, sim, de reapuração de estimativa, promovida após a sua determinação e recolhimento regulares. O fato de a DCTF retificadora ter sido transmitida em 15/09/2006, isto é, um ano e seis meses após o suposto erro, a meu ver, confirma que a intenção da Recorrente foi, por meio de uma nova apuração, servindose desta vez de balanços/balancetes de suspensão ou redução, fazer emergir um resultado negativo que lhe possibilitaria beneficiarse de juros desde a data do recolhimento da estimativa devida. A Recorrente alega que "constatou erro na apuração da base de cálculo do imposto de renda, com base no balancete de suspensão e redução", contudo, não comprova tal erro, circunstância essencial à demonstração da ocorrência de pagamento indevido ou a maior do que o devido. Não custa repisar que, tratandose de recolhimento efetuado com base nas formas previstas na legislação de regência (receita bruta ou balanço/balancetes), descabe falar em pagamento indevido ou a maior do que o devido. Afasto a arguição de nulidade da decisão de primeira instância trazida pela Recorrente, vez que o fato de o citado ato decisório consignar informações equivocadas a respeito do período de apuração e do montante do crédito indicado para compensação, não resultou em prejuízo de qualquer natureza ao exercício do direito de defesa, única circunstância que poderia dar azo à nulidade pretendida. Irrelevante, de igual forma, o fato de a decisão de primeiro grau tecer considerações acerca de matéria não ventilada na Manifestação de Inconformidade (nulidade do despacho decisório). É importante frisar que, aqui, o questionamento está direcionado para a convicção acerca da ocorrência de PAGAMENTO INDEVIDO ou A MAIOR DO QUE O DEVIDO, sendo certo que, se fosse esse o caso (pagamento indevido ou a maior), a solução da controvérsia darseia, no âmbito desta instância julgadora, por meio da aplicação da súmula CARF nº 84, abaixo transcrita. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Entretanto, ainda que superada a questão da possibilidade de a Recorrente repetir indébito de estimativa dentro do próprio período de apuração, no presente caso, os Fl. 221DF CARF MF Impresso em 24/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /02/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10680.938472/200925 Resolução nº 1301000.299 S1C3T1 Fl. 221 6 elementos reunidos ao processo apontam para inocorrência de pagamento indevido ou maior do que o devido, mas, sim, para recálculo do valor da obrigação com base em mudança da sistemática para a sua determinação. Nessa circunstância, isto é, em que não se comprova que o pagamento foi efetuado indevidamente ou a maior do efetivamente era devido, a conclusão esposada na decisão recorrida revelase irretocável, vez que o aproveitamento das antecipações obrigatórias, nos termos da legislação aplicável, só pode ser realizado ao final do respectivo período de apuração. Como bem retratado pelo D. relator, as instâncias administrativas precedentes haviam rejeitado a homologação da compensação pleiteada sob o fundamento de que a legislação somente admitia a compensação de estimativas ao final do período de apuração (compondo eventual saldo negativo). As decisões proferidas, portanto, não examinaram o mérito da existência (ou não) do alegado pagamento à maior de estimativas. Embora tenha superado a questão preliminar quanto à possibilidade de compensação de indébito de estimativas, em seu voto, o D. relator destaca que: No caso vertente, embora a decisão de primeira instância assinale que "o contribuinte apurou o IR a antecipar, a titulo de "estimativa mensal" através do levantamento de balanços/balancetes de suspensão/redução", tendo encontrado "no mês de março/2005 um IRPJ a pagar no valor de R$ 15.069.869,81", não identifico nos autos elementos capazes de confirmar a assertiva, isto é, não encontramse reunidos ao processo elementos capazes de indicar que o pagamento de R$ 15.069.869,81 foi efetuado com base em balanço de suspensão ou redução. Inclusive, o registro feito na referida decisão no sentido de que a regra geral na determinação da estimativa é a aplicação de percentual sobre a receita bruta e de que a apuração com base em balanços/balancetes de suspensão deve ser efetuada até a data do vencimento da obrigação, conduz à conclusão de que efetivamente não estamos diante de PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DO QUE O DEVIDO, mas, sim, de reapuração de estimativa, promovida após a sua determinação e recolhimento regulares. Diante deste quadro fático, o d. relator entendeu inexistirem nos autos os necessários elementos de comprovação do erro de fato cometido que justificaria a restituição de indébito de estimativa e não de eventual saldo negativo ao final do período. Não obstante, a maioria do colegiado, divergindo do encaminhamento do voto do relator, considerou que, como a discussão original se restringira à possibilidade legal de reconhecimento de indébito de estimativas, sem examinar os fatos, seria razoável oportunizar à interessada a trazer novos elementos e esclarecimentos que possam demonstrar que tratase de erro de fato na apuração do imposto que resultou em pagamento indevido e não mera "reapuração de estimativa promovida após a sua determinação e recolhimento regulares". Ante ao exposto, resolveu o colegiado, converter o julgamento em diligência para que a autoridade administrativa da unidade de origem: a) junte aos autos cópia integral da DIPJ, original, do anocalendário 2005 apresentada pela recorrente; b) intime a recorrente a: Fl. 222DF CARF MF Impresso em 24/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /02/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10680.938472/200925 Resolução nº 1301000.299 S1C3T1 Fl. 222 7 b.1) informar o método de apuração da estimativa mensal (Receita Bruta x Balanço de Suspensão/Redução) do mês de 03/2005, utilizado nos cálculos dos valores originalmente declarados e dos valores retificados; b.2) demonstrar e comprovar o erro de fato cometido na apuração do valor devido a título de estimativas no período de apuração 03/2005, com precisa indicação nos elementos documentais apresentados; b.3) apresentar outros elementos que entender cabíveis com vistas a comprovação do erro de fato alegado. A autoridade fiscal designada para o cumprimento das diligências solicitadas deverá analisar os novos elementos apresentados e elaborar Relatório Fiscal conclusivo, do qual deve ser cientificada a recorrente para que, desejando, se manifeste a respeito, observandose o disposto no parágrafo único do art. 35 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011. É como voto. Sala de Sessões, em 18 de janeiro de 2016. "documento assinado digitalmente" Luiz Tadeu Matosinho Machado – Redator Designado Fl. 223DF CARF MF Impresso em 24/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /02/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10680.938472/200925 Resolução nº 1301000.299 S1C3T1 Fl. 223 8 Voto Vencedor Fl. 224DF CARF MF Impresso em 24/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /02/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
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Numero do processo: 10331.000020/2006-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Dec 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/1995 a 31/01/2004
IPI. RESSARCIMENTO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO POR MEIO DE DOCUMENTAÇÃO QUE ATENDA OS REQUISITOS DETERMINADOS NA LEGISLAÇÃO.
O reconhecimento do crédito presumido de IPI depende de o Contribuinte manter a comprovação do crédito por meio de escrita fiscal idônea e documentação revestida da forma determinada na legislação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-002.339
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria dos votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Nanci Gama.
Ricardo Paulo Rosa - Presidente
José Fernandes do Nascimento - Redator ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Paulo Puiatti, Mirian de Fátima Lovocat de Queiroz, Nanci Gama e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: MIRIAN DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ
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RESSARCIMENTO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO POR MEIO DE DOCUMENTAÇÃO QUE ATENDA OS REQUISITOS DETERMINADOS NA LEGISLAÇÃO. O reconhecimento do crédito presumido de IPI depende de o Contribuinte manter a comprovação do crédito por meio de escrita fiscal idônea e documentação revestida da forma determinada na legislação. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria dos votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Nanci Gama. Ricardo Paulo Rosa Presidente José Fernandes do Nascimento Redator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Paulo Puiatti, Mirian de Fátima Lovocat de Queiroz, Nanci Gama e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Adoto em sua integralidade, o relatório elaborado pela D. Delegacia de origem, lavrado nos seguintes termos: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 33 1. 00 00 20 /2 00 6- 96 Fl. 910DF CARF MF Impresso em 04/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11 /11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10331.000020/200696 Acórdão n.º 3102002.339 S3C1T2 Fl. 911 2 “Tratase de pedidos de ressarcimento referente aos períodos de 04/1995 a 01/2004, no montante de R$ 3.900.515,92, objeto do presente processo e dos de nº 10331.000052/200349, 10331.000062/200384, 10384.000049/200325, e 10384.003465/200611, ora apensados ao presente, além dos PER/DCOMP relacionados no item 2 da Informação Fiscal (fl. 507). O interessado obteve decisão judicial reconhecendo o direito ao crédito sobre as aquisições de insumos feitas junto a pessoas físicas. 2. A DRF/Teresina/PI, entendendo que a referida decisão judicial somente alcançou o período de 1995 a 1998 e que a partir de 1999 o cálculo efetuado deve seguir o procedimento normal, manifestouse no sentido de que os pedidos referentes ao período compreendido entre o 1º trimestre de 1999 e o 3º trimestre de 2002 já haviam sido apreciados e ressarcidos ou compensados através dos processos relacionados no item 8 da Informação Fiscal (fl. 508), considerando não homologadas todas as declarações de compensação vinculadas a esses créditos, relacionados no item 9 da Informação Fiscal (fl. 508). 3. Quanto aos PER/DCOMPs relacionados no item 10 (fls. 508/509), foi indicado o valor do crédito presumido referente ao período compreendido entre o 4º trimestre de 2002 até janeiro de 2004. Na folha 509 consta quadro resumo no tratamento dispensado a cada pedido/declaração e na fl. 510 Despacho Decisório do Chefe da Unidade. 4. Cientificada em 12.02.2008 (AR fl. 512) a interessada apresentou, tempestivamente, em 12.02.2008, manifestação de inconformidade (fls. 513/514) na qual alega que a lide foi apresentada para cobrir dois momentos: os fatos ocorridos em tempo passado, de 1995 a 1998, objeto depedido de liminar; e os fatos a ocorrer em tempo futuro, objeto do pedido de sentença. Dessa forma, a decisão está em pleno vigor, afastando por todo o tempo, a partir de 1995, as restrições aos insumos adquiridos de produtor rural, pelo que solicita a reforma da decisão administrativa. Anexa cópia do pedido, na inicial do processo judicial (fl. 515). 5. Verificando o teor do pedido judicial do contribuinte, considerado inicialmente improcedente, mas com recurso ao TRF provido, observouse que, de fato, o período de 1995 a 1998 foi objeto do pedido de liminar, apresentado no início do ano de 1999, com objetivo de ver recebidos seus Demonstrativos de Crédito Presumido. No pedido de sentença, a empresa solicita que sejam processados seus DCP “A PARTIR DE 1995, SEM RESTRIÇÕES AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE PRODUTOS RURAL”. 6. Além do mais, na decisão da Apelação pelo TRF/1ª, para a qual foi negado recurso no STJ, o voto da relatora (vencedor por maioria) concluiu que “a IN (SRF) n. 23/97 foi editada em frontal confronto com o art. 100, I, do CTN, o qual estatui que os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas são Fl. 911DF CARF MF Impresso em 04/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11 /11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10331.000020/200696 Acórdão n.º 3102002.339 S3C1T2 Fl. 912 3 normas complementares da lei tributária, não podendo, em linha de conseqüência, extrapolaram os limites daquela”. Ora, tendo considerado ilegal o ato normativo em vigor até hoje, não havia como concluir no sentido de que essa decisão alcançaria somente o período do pedido de liminar, motivo pelo qual a 3ª Turma votou pela necessidade de diligência (fl. 572/574) para adoção das seguintes providências: “a) Encaminhar esse autos à Delegacia Teresina/PI, para: a.1) refazer os cálculos do crédito presumido objeto da Informação e do Despacho Decisório de fls. 507/510, utilizando nos referidos cálculos os insumos adquiridos de produtores rurais para todo o período em cumprimento à decisão judicial que reconheceu esse direito;” 7. Em cumprimento à diligência requerida, a Unidade expediu o despacho de fl. 578, onde informa haver cumprido a solicitação, nos termos das planilhas de fls. 575/576, sendo reconhecido direito ao ressarcimento no valor de R$ 538.918,60. Quanto às declarações de compensação, foi homologada a objeto do processo nº 10331.000049/200325, sendo mantidas as não homologações das demais. 8. Cientificada do resultado da diligência em 18.12.2008, a empresa manifestase em 14.01.2009 (fls. 582/584), não tratando do cálculo apresentado pela Unidade, objeto da diligência, mas solicitando que sejam levadas em conta as notas fiscais de fls. 246/247, desconsideradas pela fiscalização por não estarem revestidas das formalidades legais requeridas pela legislação, nos termos do art. 322, I e IV do Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002 Regulamento do IPI (Ripi/2002). 9. Entende a empresa que o referido artigo não cuida da matéria “Nota Fiscal de Entrada” de produtos in natura, não tributados pelo IPI, e, portanto, não alcançados pela legislação do imposto. Explica que a emissão extemporânea das notas foi orientada verbalmente pela Secretaria de Fazenda do Piauí pelas razões de fls. 242/245.” Por fim, o acórdão recorrido restou assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de Apuração: 01/04/1995 a 31/01/2004 CRÉDITO. O direito ao ressarcimento do crédito em questão vinculase a que o titular da pretensão tenha mantido escrituração e controles que lhe permitam comprovar sua condição de detentor dos créditos pleiteados, bem como exiba documentação que dê suporte a sua escrita. Solicitação Deferida em Parte” Fl. 912DF CARF MF Impresso em 04/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11 /11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10331.000020/200696 Acórdão n.º 3102002.339 S3C1T2 Fl. 913 4 Assim, o voto condutor do acórdão de origem entendeu pelo reconhecimento, em parte, do crédito pleiteado, razão pela qual o Contribuinte apresentou o Recurso Voluntário em julgamento, alegando, em síntese: (i) que em razão de sua atividade de industrialização e exportação de cera de carnaúba, adquire sua matériaprima, em sua maioria, de produtores rurais pessoas físicas; (ii) que necessitou ajuizar ação judicial, já transitada em julgado, para afastar a IN/SRF nº 23/97, que vedava o crédito presumido de IPI, previsto na Lei nº. 9.363/96, quando a aquisição da matériaprima é feita de pessoa física; (iii) que ao solicitar o crédito em razão do trânsito em julgado da ação judicial, a Fiscalização não poderia ter vedado o crédito das Notas Fiscais de fls. 246/247, sob o argumento de tais notas não estarem revestidas das formalidades previstas nos incisos I e V do art. 322 do RIPI; (iv) que além de o art. 322 do RIPI não tratar de Notas Fiscais de entrada, o regulamento do IPI não teria “abrangência” sobre a circulação de bens “in natura”, atividade que é regulada pela Secretaria de Fazenda Estadual; (v) que o CARF deveria ser “tolerante” com as caraterísticas “fisco empresariais” de atividades regionais típicas, pois a aquisição do pó de cera de carnaúba (matériaprima) se dá de pessoas “rústicas”, que nunca assinaram um cheque ou uma ordem bancária. Esse foi, na íntegra, o relatório lido na Sessão de julgamento e apresentado pela Relatora originária à Secretaria da Primeira Câmara desta Terceira Seção de Julgamento. Em 6/11/2015, por meio do despacho de fl. 909, com respaldo no art. 17, III, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 343/2015, este Conselheiro foi designado redator ad hoc, para formalizar o Acórdão nº 3102002.339, de 27 de janeiro de 2015, proferido pela extinta 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta 3ª Seção de Julgamento, uma vez que a Relatora originária, a ExConselheira Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz, apresentou o voto à Secretaria da Câmara, porém, por não mais integrar nenhum dos Colegiados deste Conselho, ficou impossibilitada de formalizálo. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Redator ad hoc Previamente, cabe esclarecer que a Relatora original disponibilizou à secretaria da Primeira Câmara desta Terceira Seção de Julgamento o relatório e a ementa anteriormente transcritos, bem como o voto que será integralmente reproduzido a seguir. Contudo, em virtude de sua renúncia ao mandato de Conselheira, ficou impossibilitada de concluir a formalização do acórdão. Por essas razões, adotase integralmente o voto da Relatora original, vazado nos seguintes termos: Fl. 913DF CARF MF Impresso em 04/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11 /11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10331.000020/200696 Acórdão n.º 3102002.339 S3C1T2 Fl. 914 5 Conforme visto, cingese a controvérsia travada nos autos em definir se as Notas Fiscais elaboradas extemporaneamente pela Recorrente, conforme afirmado por ela mesma, “após ser orientada verbalmente” por servidor da Secretaria de Fazenda Estadual, podem ser utilizadas para a apuração do crédito presumido do IPI, a que faz jus em razão de ação própria transitada em julgado, como reconhece a própria Fiscalização e a Delegacia de origem. A saber, narram os autos que em 20/01/2006 a empresa recorrente apresentou petição requerendo o ressarcimento do crédito pleiteado, em razão do trânsito em julgado de ação própria, que afastou a vedação contida na IN 23/97, em relação ao crédito presumido de matériasprimas adquiridas de pessoas físicas. Juntamente com a petição de fl. 01 (fl. 03 dos autos eletrônicos), apresentou o andamento do processo judicial, dando conta do trânsito em julgado, cópia da decisão do STJ, bem como as guias de ressarcimento do IPI e documentação societária (fls. 04/48 do processo eletrônico). A relação dos pedidos de ressarcimento e das PER/DCOMP encontrase à fl. 13 do processo eletrônico. Foi iniciada então a Fiscalização, com o objetivo de apurar os créditos pleiteados (termo à fl. 63 do processo eletrônico), tendo sido elaboradas as planilhas de fls. 64/203 (autos eletrônicos) contendo a relação dos produtos adquiridos de pessoas físicas e jurídicas para o período do crédito pleiteado. Houve, igualmente, a juntada dos Balencetes Analíticos da Recorrente, onde constam vários nomes de pessoas físicas e jurídicas, a título de pagamento a fornecedores de matériaprima (fls. 204/242). Em 17/08/2006, houve nova intimação da Recorrente (fl. 242), para que justificasse, “por escrito, a emissão das Notas Fiscais de entrada, de Nº 2442 e 2543, de 08/02/2006, no valor de R$ 5.593.987,77 e 3.695.080,32, respectivamente, referentes a complementação de aquisição de matériaprima, no período 1995 a 2005.” Em 05/09/2006, a Recorrente apresentou a petição de fls. 243/247, afirmando que, em razão da sua atividade, havia divergências entre seu estoque fiscal e contábil, “visto que o contábil reflete a realidade das compras após a pesagem e análise das mercadorias, e o estoque fiscal reflete apenas as informações constantes das Notas Fiscais avulsas que são compradas pelos fornecedores pessoas físicas”. Narra ainda a justificativa apresentada pela Recorrente que, antes de emitir as Notas Fiscais complementares, para igualar os estoques, a advogada e a contadora da empresa se dirigiram ao Centro Tributário da Secretaria de Fazenda do Estado do Piauí, onde foram orientadas “verbalmente que a empresa Justificante emitisse uma única Nota Fiscal de Entrada Complementar, onde em cada linha desta Nota Fiscal fosse designado o ano e o valor da diferença, para evitar a emissão de várias Notas Fiscais de Entrada para acobertar a diferença mês a mês”, razão pela qual emitiu as duas Notas Fiscais mencionadas no Termo de Intimação, referentes às entradas complementares de produtores rurais, nos períodos de 1996 a 2006. As mencionadas Notas Fiscais encontramse às fls. 248/249 dos autos eletrônicos. Após a resposta da Recorrente, a Fiscalização elaborou as planilhas contendo o demonstrativo do crédito apurado, apresentando, por fim o TVF de fls. 328/334, nas quais a Fiscalização alega, com razão e propriedade, que grande parte das aquisições de matériaprima de produtores rurais não é acobertada por Notas Fiscais (razão, inclusive, da emissão das duas Notas Fiscais extemporâneas acima citadas), e que “a documentação apresentada pela empresa, composta de recibos, cópias de depósito bancário e Notas de Compra não estão revestidos das formalidades legais Fl. 914DF CARF MF Impresso em 04/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11 /11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10331.000020/200696 Acórdão n.º 3102002.339 S3C1T2 Fl. 915 6 requeridos pela legislação vigente, Regulamento do IPI, Art. 322, Inciso I e IV, do Decreto 4544/04.” (fl. 329) Salienta ainda o Termo de Verificação, corretamente, que “Na análise da documentação apresentada pela empresa, justificando a diferença de estoque de matériaprima sem a documentação fiscal correspondente, nos termos da legislação vigente, cumpre ressaltar: a) – Os pagamentos de parte dos fornecedores de matériaprima, pessoas físicas, foram realizados em espécie, através de recibos; b) Em parte dos pagamentos de fornecedores de matériaprima, pessoas físicas, realizados através de depósitos bancários, o beneficiário do depósito diverge do fornecedor.” (destaque inserido) (fl. 329) Ao final, conclui a Fiscalização que “Em razão do exposto acima, estas aquisições de matériasprimas não foram consideradas na apuração do Crédito Presumido de IPI” (fl. 329), indicando, na sequência, período por período, o crédito apurado e concedido. No entender desta Relatora, os fatos acima narrados são suficientes à rejeição das razões contidas no Recurso Voluntário. Inicialmente, cumpre salientar que esta Relatora não desconhece a jurisprudência maciça formada no âmbito desse E. CARF, em razão do art. 62A do Regimento Interno, no sentido da possibilidade de apuração de crédito presumido do IPI quando da aquisição de insumos e matériaprima de pessoas físicas ou não contribuintes de PIS e COFINS. De fato, a questão foi julgada em sede de Recurso Repetitivo pelo STJ nos autos do RESP nº 993.164, razão pela qual o entendimento da Corte Superior é de observância obrigatória por este Conselho. Porém, tal questão foi ultrapassada no caso concreto, sendo que o direito ao creditamento, em si mesmo, não é objeto do recurso. Como visto, cabe saber, no presente caso, se há razão no argumento da Recorrente quando afirma que as Notas Fiscais emitidas extemporaneamente, seguindo orientação verbal de funcionário da Secretaria de Fazenda do Estado, com quais busca o montante do crédito a ser aproveitado e não reconhecido na origem, não necessitavam estarem revestidas das formalidades previstas na legislação do IPI. Ora, com o devido respeito ao entendimento da Recorrente, não há como flexibilizar a necessidade de manutenção de escrita contábil e emissão de documentos hábeis e idôneos para a apuração de crédito a ser ressarcido. Ainda mais no presente caso, no qual, como visto, as aquisições de matériaprima de pessoas físicas eram desacompanhadas de documento fiscal de entrada (razão da emissão de Notas Fiscais Complementares), com pagamentos em espécie feitos, inclusive, a beneficiários diversos dos fornecedores, em alguns casos. Vejase, nesse sentido: “Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 01/12/2001 IPI. NOTAS FISCAIS DE ENTRADA INIDÔNEAS. ARTIFÍCIO INADMISSÍVEL PARA O CREDITAMENTO DO IPI EXTEMPORÂNEO. Descabe a concessão de crédito de IPI, por falta de previsão legal, quando as notas fiscais de entrada se destinam a acobertar escrituração de créditos extemporâneos. O direito a crédito também não deve ser reconhecido quando restar provado que o contribuinte se aproveitou de notas fiscais inidôneas para proceder à incorporação de créditos com a Fl. 915DF CARF MF Impresso em 04/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11 /11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10331.000020/200696 Acórdão n.º 3102002.339 S3C1T2 Fl. 916 7 finalidade de contraporlhes a débitos do mesmo imposto.” (Acórdão nº. 3803001.810) Com base nesses fundamentos, a Relatora original negou provimento ao recurso voluntário, decisão que foi acompanhada pela maioria do Colegiado, conforme resultado do julgamento explicitado no dispositivo do presente Acórdão. José Fernandes do Nascimento Fl. 916DF CARF MF Impresso em 04/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11 /11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A
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