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6467955 #
Numero do processo: 10882.903375/2008-64
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2000 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-004.051
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.903375/2008­64  Acórdão n.º 9303­004.051  CSRF­T3  Fl. 3          2 Relatório  Trata­se  de  recurso  especial  de  divergência  interposto  pela  contribuinte  com fulcro nos artigos 64,  inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  ­  RICARF,  aprovado  pela  Portaria  MF  nº  256/09, meio pelo qual busca a reforma do Acórdão nº 3801­005.008, que negou provimento  ao recurso voluntário. Decidiu o colegiado a quo pela incidência das contribuições sobre as  receitas  oriundas  de  vendas  a  empresas  sediadas  na  Zona  Franca  de Manaus,  no  período  tratado neste processo.  Cientificado do mencionado acórdão o  sujeito passivo apresentou  recurso  especial suscitando divergência  jurisprudencial quanto à  isenção das contribuições sobre as  receitas  decorrentes  de  vendas  de mercadorias  e  serviços  para  empresas  com domicílio  na  Zona Franca de Manaus.   O  recurso  foi  admitido  por  intermédio  de  despacho  do  Presidente  da  Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões.  É o relatório, em síntese.    Voto             Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator  Este  processo  foi  julgado  na  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão 9303­003.934, de  07/06/2016, proferido no julgamento do processo 10650.902444/2011­41, paradigma ao qual o  presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303­003.934):  "A matéria,  única,  posta  ao  exame do colegiado não é nova. Com efeito,  já  tivemos  oportunidade  de  nos  pronunciar  sobre  ela  em  diversas  ocasiões,  tendo  eu  firmado  convicção  pela  inaplicabilidade  de  qualquer  medida  desonerativa  (seja  isenção, imunidade ou alíquota zero) aos fatos geradores anteriores a julho de 2004.  No relatório da Dra. Vanessa consta que o contribuinte aduziu em seu recurso:  "que:  (a)  o  Decreto­Lei  nº  288/67  equipara  os  efeitos  das  operações  de  venda  para  a  Zona  Franca  de  Manaus  às  exportações  para  o  estrangeiro,  sendo­lhes  aplicáveis  as  vantagens  fiscais  estabelecidas  pela  legislação  para  as  exportações, nos  termos do seu art. 4º;  (b) o Superior Tribunal  de Justiça pacificou o entendimento no sentido da não incidência  de PIS sobre as receitas decorrentes das vendas para empresas  sediadas  na  Zona  Franca  de Manaus;  (c)  o  Supremo  Tribunal  Fl. 188DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.903375/2008­64  Acórdão n.º 9303­004.051  CSRF­T3  Fl. 4          3 Federal,  ao  proferir  liminar  na  Ação  Direta  de  Inconstitucionalidade  nº  2.348­9,  suspendeu  a  eficácia  da  expressão ‘na Zona Franca de Manaus’, contida no inciso I, do  §2º  do  art.  14  da MP  nº  2.037­24/00,  expressão  suprimida  do  diploma legal pelo Poder Executivo ao editar, na mesma data, a  MP nº 2.037­25/2000;  e, por  fim,  (d) não  incide o PIS para os  fatos geradores ocorridos em fevereiro de 2002, tendo em vista a  revogação da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ do inciso  I,  §2º do art.  14 da MP nº 2.037­25/2000 e a equiparação dos  efeitos  fiscais  das  vendas  para  a  Zona  Franca  de  Manaus  às  exportações para o exterior".  Considero­os  todos  abarcados  no  voto  que  segue,  proferido  em  sessão  de  2011, no qual enfrentei ainda outros argumentos. Reconheço haver decisões do STJ em sentido  oposto, mas, como nenhuma delas cumpre os requisitos do art. 62 do atual regimento interno  desta Casa, peço vênia para continuar teimando.   Disse­o eu naquela ocasião:  Vale  iniciá­lo  reenunciando  o  criativo  entendimento  da  recorrente:  a)  não há necessidade de previsão legal expressa concessiva da  isenção  porque  o  decreto­lei  288  e  o  Ato  Complementar  35/67 bastam;  b)  deferida  isenção  para  exportações  em  geral,  a  vendas  à  ZFM está imediata e automaticamente estendida;  c)  tendo o Ato Complementar à Constituição de 67 a natureza  de lei complementar, como pacificado em nossos Tribunais,.  nenhuma lei ordinária o poderia revogar;  d)  a “revogação” pretendida somente vigorou entre ___ e ___,  sendo de rigor reconhecer a isenção, ao menos, nos períodos  anterior e posterior.  Ainda  que  criativo,  o  raciocínio  desenvolvido  na  defesa  não  merece  prosperar  cabendo  a manutenção da  decisão  recorrida  pelos motivos que se expõem em seguida. Em primeiro lugar, a  premissa  de  que  o  decreto­lei  288  teria  assegurado que  todo e  qualquer  incentivo  direcionado  a  promover  as  exportações  deveria,  imediata  e  automaticamente,  ser  estendido  à  Zona  Franca de Manaus não resiste sequer ao primeiro dos métodos  interpretativos consagradamente admitidos: a literalidade.  É  que  tal  extensão  somente  caberia  se  o  citado  decreto  tivesse  afirmado que  as  remessas  de  produtos  para  a Zona Franca  de  Manaus  são  exportação.  Nesse  caso,  a  equiparação  valeria  mesmo  para  outros  efeitos,  não  fiscais.  Poderia,  para  o  que  interessa,  restringi­la  a  “todos  os  efeitos  fiscais”.  Se  o  tivesse  feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na  legislação  que  viesse  a  afetar  as  exportações,  no  que  tange  a  tributos,  afetaria  do  mesmo  modo  e  na  mesma  medida  aquela  zona.  Fl. 189DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.903375/2008­64  Acórdão n.º 9303­004.051  CSRF­T3  Fl. 5          4 Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato  legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva  “constantes  da  legislação  em  vigor”.  Não  vejo  como  essa  restrição possa ser entendida de modo diverso do que  tem sido  interpretado  pela  Administração:  apenas  os  incentivos  às  exportações  que  já  vigiam  em  1  de  fevereiro  de  1967  estavam  “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando.  E  ponho  a  palavra  entre  aspas  porque  nem  mesmo  o  Poder  Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período  de  exceção,  em  que  o  Poder  executivo  quase  tudo  podia  –  pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar,  na  mesma  data,  o  Ato  Complementar  35,  cujo  artigo  7º  assegurou aquela extensão ao ICM.   Aliás,  da  interpretação  dada  pela  recorrente  a  este  último  ato  também divergimos. Deveras, pretende ela que ele  teria alçado  ao  patamar  de  lei  complementar  a  equiparação  já  prevista  no  decreto­lei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior  precisão  o  que  se  entende  por  produtos  industrializados  para  efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na  Constituição  de  67.  Define­os  no  parágrafo  1º,  recorrendo  à  tabela do  então criado  imposto  sobre produtos  industrializados  (tabela  anexa  à  Lei  4.502).  No  parágrafo  segundo,  estende,  também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas  francas.  Essa  interpretação  me  parece  forçosa  quando  se  sabe  que,  segundo  a  boa  técnica  legislativa,  os  parágrafos  de  um  dado  artigo  não  acrescentam  matéria  ao  disposto  no  caput,  apenas  esclarecem  sobre  o  alcance  daquela  matéria.  E  ao  esclarecer  podem  impor  uma  definição  restritiva,  como  no  parágrafo  primeiro,  ou  extensiva,  como  no  segundo. O  que  não  pode  um  simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no  caput  e nos  seus  incisos. E não parece haver dúvida de que aí  apenas se cuida da imunidade do ICM.   Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu  ao IPI a imunidade do ICM, como afirma a empresa.   Ora,  se  a  previsão  do  decreto­lei  deveria  alcançar  “todos  os  efeitos  fiscais” e já havia previsão de  imunidade de ICM sobre  produtos  industrializados,  para  que  tal  parágrafo  no  ato  complementar?  Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade.  É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre  de  restrições  aduaneiras,  característica  das  chamadas  zonas  francas  comerciais.  O  que  se  buscou  com  a  sua  criação  foi  induzir  a  instalação  naquele  distante  rincão  nacional  de  empresas de  caráter  industrial,  que gerassem emprego e  renda  para  a  região  Norte.  Para  tanto,  definiu­se  um  conjunto  de  incentivos  fiscais que,  à  época de  sua criação,  seria  suficiente,  no entender dos seus  formuladores, para gerar aquela atração.  Tais  incentivos,  e  apenas  eles,  configuram  diferenciação  em  favor dos produtos  importados e  industrializados naquela área.  Fl. 190DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.903375/2008­64  Acórdão n.º 9303­004.051  CSRF­T3  Fl. 6          5 Foi  essa  diferença  tributária  que  induziu  a  criação  do  parque  industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada  de algum daqueles incentivos que pode ser taxada de “quebra de  contrato”.   A  contrário  senso,  novos  incentivos  fiscais  que  se  venham  a  instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil  o legislador por ocasião de sua instituição.   Isso  não  se  dá  automaticamente  com os  incentivos  genéricos à  exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas  imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais  durante  tanto  tempo  somente  alcançáveis  por  meio  das  exportações.  Por  óbvio,  a  ninguém  escapa  que  vendas  à  ZFM  não  geram  divisas.  Diferentes,  pois,  os  objetivos,  nenhum  automatismo se justifica.  Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da  ZFM,  inventaram  os  “legisladores  executivos”  de  então  novo  incentivo  à  exportação,  o  malsinado  “crédito  prêmio”  posteriormente  tão  combatido  nos  acordos  de  livre  comércio  a  que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona  Franca. Fê­lo,  no  entanto,  apenas  para  os  casos  em que,  após  serem  “exportados”  para  lá,  fossem  dali  efetivamente  exportados  para  o  exterior  (“reexportados”,  na  linguagem  do  dec­lei).  Em  outras  palavras,  já  em  1969  dava  o  executivo  provas  de  que  aquela  extensão  nem  era  automática,  nem  tinha  que se dar sem qualquer restrição.  Logo,  ainda  que  se  avance  na  interpretação  da  norma,  ultrapassando o método  literal  e  adentrando­se  o  histórico  e  o  teleológico,  se  chega  à  mesma  conclusão:  o  decreto­lei  288  apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação  já  existentes  e  acresceu  incentivos  específicos  voltados  a  promover  o  desenvolvimento  da  região  menos  densamente  povoada de nosso território.  Nessa  linha  de  raciocínio,  portanto,  há  de  se  buscar  na  legislação  específica  do  PIS  e  da  COFINS,  tributos  somente  instituídos  após  a  criação  da  ZFM,  dispositivo  que  preveja  alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a  não  incidência,  alíquota  zero  ou  isenção.  E  não  se  precisa  ir  longe para ver que ela somente começa a existir em 2004, com a  edição da Medida Provisória 202.  De  fato,  a  “exclusão  das  receitas  de  exportação”  da  base  de  cálculo  do  PIS  tratada  na  Lei  7.714  e  a  isenção  da  COFINS  sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e  objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as  vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras  operações  equiparadas  a  exportação.  Um  exame  cuidadoso  dessas  extensões  vai  revelar  o  que  se  disse  acima:  todas  elas  geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais.   A  conclusão  que  se  impõe,  assim,  é  que  não  havia,  até  o  surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal  Fl. 191DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.903375/2008­64  Acórdão n.º 9303­004.051  CSRF­T3  Fl. 7          6 que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a  venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que  esse  entendimento  não  era  uníssono,  muita  peleja  tendo  se  travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem  tais  vendas  amparadas  pelos  atos  legais mencionados.  E  essas  divergências  somente  se agravaram com a  edição da MP,  cuja  redação padece de diversas inconsistências.  Com  efeito,  tal  MP,  que  revogou  a  Lei  7.714  e  a  Lei  Complementar  85,  disciplinando  por  completo  a  isenção  das  duas  contribuições  nas  operações  de  exportação  trouxe  dispositivo  expresso  “excluindo”  as  vendas  à  ZFM.  Isso,  por  óbvio,  aguçou  a  interpretação  de  que  já  havia  dispositivo  isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado.  Defendo  que  não,  embora  seja  forçoso  reconhecer  que  o  dispositivo  apenas  criou  desnecessário  imbróglio.  Com  efeito,  ouso divergir da conclusão exposta no Parecer PFGN 1789 no  sentido  de  que  tal  ressalva  se  destinava  apenas  aos  comandos  insertos nos incisos IV, VI, VIII e IX. A razão para tanto é que aí  ventilam­se hipóteses  intrinsecamente ligadas ao objetivo que o  ato  pretende  incentivar:  vendas  para  o  exterior  que  trazem  divisas para o país. Refiro­me aos incisos VIII (vendas com o fim  de  exportação  a  trading  companies  e  demais  empresas  exportadoras)  bem  como  o  fornecimento  de  bordo  a  embarcações  em  tráfego  internacional  (ship’s  Chandler).  Além  disso,  a  interpretação  não  apenas  retira  um  incentivo,  ela  pressupõe  um  desincentivo:  qualquer  trading  do  decreto­lei  1.248/72,  exportadora  inscrita  na  SECEX  ou  ship’s  Chandler  instalada  em  outro  ponto  do  território  nacional  terá  vantagem  em relação à que ali se instale. Não faz sentido tal discriminação  contra a ZFM.   A  interpretação  dada  pela  douta  PGFN  parece  buscar  um  sentido  para  o  comando do  parágrafo  de modo  a  não  torná­lo  redundante.  Fê­lo,  todavia,  da  pior  forma,  a  meu  sentir,  pois  fixou­se no método literal esquecendo­se de considerar o motivo  da norma. Realmente, uma cuidadosa leitura do parecer permite  ler  o  artigo,  com  o  respectivo  parágrafo  segundo,  da  seguinte  forma:  há  isenção  quando  se  vende  com  o  fim  específico  de  exportação,  desde  que  a  empresa  compradora  (trading  ou  simples exportadora inscrita na SECEX) NÃO esteja situada na  ZFM. Com a exclusão do parágrafo: há isenção quando se vende  com  o  fim  específico  de  exportação,  mesmo  que  a  empresa  compradora  (trading  ou  simples  exportadora  inscrita  na  SECEX) esteja situada na ZFM.  Ora, o objeto da isenção versada nesses dispositivos nada tem a  ver com a localização da compradora mas com o que ela faz. É a  atividade (exportação com conseqüente ingresso de divisas) que  se quer incentivar. O que se tem de decidir é se a mera venda à  ZFM, que não gera divisa nenhuma, deve a isso ser equiparado.  Foi  isso, em meu entender, que o parágrafo quis dizer: não é o  que o Parecer da PGFN consegue nele ler.   Fl. 192DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.903375/2008­64  Acórdão n.º 9303­004.051  CSRF­T3  Fl. 8          7 Em conseqüência  desse  parecer,  surgem  decisões  como  as  que  ora  se  examinam:  o  pedido  tinha  a  ver  com  venda  a  ZFM.  A  decisão  abre  a  possibilidade  de  que  tenha  mesmo  havido  recolhimento  indevido, mas  por motivo  completamente  diverso.  E  mais,  atribui  ao  contribuinte  a  prova  dessa  outra  circunstância,  que  não  motivara  o  seu  pedido.  Nonsense  completo.  Esse  meu  reconhecimento  implica  aceitar  que  o  malsinado  parágrafo  estava  sim  se  referindo,  genericamente,  às  vendas  à  ZFM, ou, mais  claramente,  está  ele a dizer que, para  efeito do  incentivo de PIS e COFINS, a mera venda a empresa sediada na  ZFM não se equipara à exportação de que cuida o  inciso II do  ato  legal  em  discussão.  Mas,  ao  fazê­lo,  não  está  revogando  dispositivo isentivo anterior: está simplesmente cumprindo o seu  papel esclarecedor, ainda que nesse caso melhor fosse nada ter  tentado esclarecer...  Aliás,  idêntico  dispositivo  esclarecedor  poderia  ter  estado  presente na LC 85 e na Lei 7.714 como já estivera no decreto­lei  491.  Com  isso,  muita  discussão  travada  administrativamente  teria sido evitada ou transferida para o Judiciário. É a ausência  de  tal  dispositivo  e  sua  presença  na  nova  lei  que  cria  o  imbróglio.  Ele  não  leva,  contudo,  em  minha  opinião,  à  interpretação  simplória  de  que  tal  ausência  implicasse  haver  isenção.  Para  isso,  primeiro,  se  tem  de  admitir  que  basta  o  Decreto­lei 288.   Essa interpretação, parece­me, está em maior consonância com  o espírito legisferante, pois não faz sentido considerar que uma  norma  que  procura  incentivar  as  exportações  tenha  instituído  uma discriminação contra uma região (região, aliás, que sempre  se  procurou  incentivar)  em  operações  que  produzem  o  mesmo  resultado: a geração de divisas internacionais.  A minha conclusão é, assim, de que mesmo entre 1º de fevereiro  de  1999  e  31  de  dezembro  de  2000  há,  sim,  isenção  das  contribuições  naquelas  hipóteses,  ainda  que  a  empresa  esteja  situada na ZFM. Em outras palavras, a localização da empresa  não é impeditivo à fruição do incentivo à exportação, desde que  cumprido o que está previsto naqueles incisos.   Mas  tampouco  há  isenção  APENAS  PORQUE  A  COMPRADORA LÁ ESTEJA. Nos recursos ora em exame, esse  foi o fundamento do pedido e a ele deveria  ter­se  restringido a  DRJ.  Nesses  termos,  só  causa  mais  imbróglio  a  afirmação  constante  no  acórdão  recorrido  de  que  “haveria  direito”  no  período de 1º de janeiro de 2001 a julho de 2004 mas não estava  ele adequadamente comprovado. Simplesmente não há o direito  na forma requerida.  E por isso mesmo não cabe a pretensão do contribuinte de que a  Administração  adapte  o  seu  pedido  fazendo  as  pesquisas  internas  que  permitam apurar  se  alguma das  empresas  por  ele  listadas na planilha referida se enquadra naquelas disposições.   Fl. 193DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.903375/2008­64  Acórdão n.º 9303­004.051  CSRF­T3  Fl. 9          8 O máximo que se poderia admitir,  dado o  teor da decisão,  era  que, em grau de recurso,  trouxesse a empresa tal prova. Não o  fez, porém, limitando­se a postular a nulidade da decisão porque  não determinou aquelas diligências.  Não sendo obrigatória a realização de diligências, como se sabe  (art. __ do Decreto 70.235), sua ausência não acarreta nulidade  da decisão proferida por quem legalmente competente para tal.  Cabe  sim  manter  aquela  decisão  dado  que  o  contribuinte  não  comprovou o  seu  direito  como  lhe  exigem o Decreto  70.235,  a  Lei 9.784 e o próprio Código Civil (art. 333).  Com  tais  considerações,  nego  provimento  ao  recurso  do  contribuinte.  Com essas mesmas considerações, votei,  também aqui, pelo não provimento  do recurso do contribuinte, sendo esse o acórdão que me coube redigir."  Aplicando­se  as  razões  de  decidir,  o  voto  e  o  resultado  acima  do  processo  paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do  RICARF, nega­se provimento ao recurso especial do contribuinte, em razão da incidência das  contribuições  sobre  as  receitas  oriundas  de  vendas  efetuadas  a  empresas  sediadas  na  Zona  Franca de Manaus, no período tratado neste processo.     Carlos Alberto Freitas Barreto                              Fl. 194DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO

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6601258 #
Numero do processo: 13896.721081/2013-12
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CRÉDITOS. DESPESAS COM FRETE. MOVIMENTAÇÃO DE PRODUTOS EM FABRICAÇÃO OU ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DO CONTRIBUINTE. As despesas com fretes para transporte de produtos em elaboração e, ou produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte, pagas e/ ou creditadas a pessoas jurídicas, mediante conhecimento de transporte ou de notas fiscais de prestação de serviços, geram créditos básicos de Cofins, a partir da competência de fevereiro de 2004, passíveis de dedução da contribuição devida e/ ou de ressarcimento/compensação. Precedentes. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CRÉDITOS. DESPESAS COM FRETE. MOVIMENTAÇÃO DE PRODUTOS EM FABRICAÇÃO OU ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DO CONTRIBUINTE. As despesas com fretes para transporte de produtos em elaboração e, ou produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte, pagas e/ ou creditadas a pessoas jurídicas, mediante conhecimento de transporte ou de notas fiscais de prestação de serviços, geram créditos básicos de Cofins, a partir da competência de fevereiro de 2004, passíveis de dedução da contribuição devida e/ ou de ressarcimento/compensação. Precedentes. Recurso Especial da Contribuinte provido.
Numero da decisão: 9303-004.318
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Charles Mayer de Castro Souza, relator, Júlio César Alves Ramos, Andrada Marcio Canuto Natal e Demes Brito, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Erika Costa Camargos Autran. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Relator (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran - Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Erika Costa Camargos Autran, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1869; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T3  Fl. 13.586          1 13.585  CSRF­T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  13896.721081/2013­12  Recurso nº               Especial do Contribuinte  Acórdão nº  9303­004.318  –  3ª Turma   Sessão de  15 de setembro de 2016  Matéria  CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Recorrente  CARGLASS AUTOMOTIVA LTDA  Interessado  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008  CRÉDITOS.  DESPESAS  COM  FRETE.  MOVIMENTAÇÃO  DE  PRODUTOS  EM  FABRICAÇÃO  OU  ACABADOS  ENTRE  ESTABELECIMENTOS DO CONTRIBUINTE.  As  despesas  com  fretes  para  transporte  de  produtos  em  elaboração  e,  ou  produtos  acabados  entre  estabelecimentos  do  contribuinte,  pagas  e/  ou  creditadas  a  pessoas  jurídicas,  mediante  conhecimento  de  transporte  ou  de  notas  fiscais  de  prestação  de  serviços,  geram  créditos  básicos  de Cofins,  a  partir  da  competência  de  fevereiro  de  2004,  passíveis  de  dedução  da  contribuição devida e/ ou de ressarcimento/compensação. Precedentes.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008  CRÉDITOS.  DESPESAS  COM  FRETE.  MOVIMENTAÇÃO  DE  PRODUTOS  EM  FABRICAÇÃO  OU  ACABADOS  ENTRE  ESTABELECIMENTOS DO CONTRIBUINTE.  As  despesas  com  fretes  para  transporte  de  produtos  em  elaboração  e,  ou  produtos  acabados  entre  estabelecimentos  do  contribuinte,  pagas  e/  ou  creditadas  a  pessoas  jurídicas,  mediante  conhecimento  de  transporte  ou  de  notas  fiscais  de  prestação  de  serviços,  geram  créditos  básicos  de Cofins,  a  partir  da  competência  de  fevereiro  de  2004,  passíveis  de  dedução  da  contribuição devida e/ ou de ressarcimento/compensação. Precedentes.  Recurso Especial da Contribuinte provido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 10 81 /2 01 3- 12 Fl. 13586DF CARF MF     2   Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  o  Recurso  Especial  do  Contribuinte  e,  no  mérito,  por  voto  de  qualidade,  em  dar­lhe  provimento,  vencidos  os  conselheiros  Charles  Mayer  de  Castro  Souza,  relator,  Júlio  César  Alves  Ramos,  Andrada Marcio  Canuto  Natal  e  Demes  Brito,  que  lhe  negaram  provimento.  Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Erika Costa Camargos Autran.      (assinado digitalmente)  Rodrigo da Costa Pôssas ­ Presidente    (assinado digitalmente)  Charles Mayer de Castro Souza ­ Relator    (assinado digitalmente)   Érika Costa Camargos Autran ­ Redatora designada    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Rodrigo  da  Costa  Pôssas,  Charles  Mayer  de  Castro  Souza,  Erika  Costa  Camargos  Autran,  Andrada  Márcio  Canuto  Natal,  Júlio  César  Alves  Ramos,  Demes  Brito,  Tatiana  Midori  Migiyama,  Vanessa  Marini Cecconello    Relatório  Trata­se de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela  contribuinte  contra  o  Acórdão  nº  3403­003.310,  de  14/10/2014,  proferido  pela  3ª  Turma  Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF, que fora assim ementado:    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL.  ALEGAÇÕES  E  PROVAS  APRESENTADAS  SOMENTE  NO  RECURSO.  PRECLUSÃO.  A  prova  documental  deve  ser  apresentada  no  trintídio  regulamentar  para  a  impugnação,  precluindo­se  o  direito  de  fazê­lo  posteriormente,  a  menos  que  se  provem  algumas  das  causas excepcionais previstas na legislação adjetiva.  Fl. 13587DF CARF MF Processo nº 13896.721081/2013­12  Acórdão n.º 9303­004.318  CSRF­T3  Fl. 13.587          3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008  NÃO  CUMULATIVIDADE.  CRÉDITOS.  INSUMOS.  CONCEITO.  Insumos, para  fins de creditamento da Contribuição Social não  cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou  que  viabilizam o processo produtivo  e a prestação de  serviços,  que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja  subtração  importa  na  impossibilidade  mesma  da  prestação  do  serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade  empresária,  ou  implica  em  substancial  perda  de  qualidade  do  produto ou serviço daí resultantes.  NÃO  CUMULATIVIDADE.  CUSTOS.  APURAÇÃO  DE  CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. DOCUMENTAÇÃO.  Os  custos  necessários  à  realização  da  atividade  e  da  manutenção  da  fonte  prestadora  dos  serviços  somente  podem  gerar créditos da contribuição se previstos na legislação e cuja  escrituração  contábil  estiver  devidamente  amparada  por  documentos  hábeis  e  idôneos,  que  consignem  as  partes  efetivamente envolvidas nas respectivas operações. Notas fiscais  emitidas contra terceiros não amparam a tomada de créditos da  contribuição social não cumulativa.  CRÉDITOS.  DESPESAS  COM  FRETES  ENTRE  ESTABELECIMENTOS. IMPOSSIBILIDADE.  Por não  integrar o conceito de  insumo utilizado na produção e  nem ser considerada operação de venda, os valores das despesas  efetuadas  com  fretes  contratados  para  as  transferências  de  mercadorias  entre  estabelecimentos  da  mesma  pessoa  jurídica  não  geram  direito  a  créditos  da  contribuição  social  não  cumulativa.  CRÉDITOS. ALUGUÉIS DE IMÓVEIS. COMPROVAÇÃO.  Os  aluguéis  de  imóveis  pagos  a  pessoa  jurídica,  utilizados  nas  atividades  da  pessoa  jurídica,  devidamente  comprovados,  ensejam o creditamento da contribuições social não cumulativa.  CRÉDITOS. ALUGUEL DE VEÍCULOS. IMPOSSIBILIDADE.  A  tomada de crédito por aluguéis pagos restringe­se a prédios,  máquinas  e  equipamentos,  pagos  a  pessoa  jurídica,  utilizados  nas atividades da empresa, quedando não autorizada no caso de  aluguel de veículos automotores, ainda que usados na atividade­ fim.  CRÉDITOS. GASTOS COM COMBUSTÍVEL. POSSIBILIDADE.  Autoriza­se  o  creditamento  sobre  o  montante  dos  gasto  com  combustível insumido na prestação de serviço de troca e reparo  de vidros automotivos em domicílio da clientela.  Fl. 13588DF CARF MF     4 Recurso  de  Ofício  Negado  e  Recurso  Voluntário  Provido  em  Parte  Crédito Tributário Mantido em Parte    No  Recurso  Especial,  por  meio  do  qual  pleiteou,  ao  final,  a  reforma  do  decisum,  a Recorrente aponta  interpretações divergentes quanto  ao direito ao  crédito  sobre o  frete  pago  no  transporte  de  mercadorias  entre  seus  estabelecimentos.  Visando  comprovar  a  divergência, apresentou alguns paradigmas, adotando a tese de que, em tal hipótese, caberia o  crédito, oposta, portanto, à que foi adotada no acórdão recorrido.    As  contrarrazões  apresentadas  pela  Fazenda  Nacional  encontram­se  às  fls.  13570/13582. E o exame de admissibilidade do Recurso Especial, às fls. 13566/13568.    É o Relatório.    Voto Vencido  Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator.    Presentes  os  demais  requisitos  de  admissibilidade,  entendemos,  tal  como  proposto no exame de admissibilidade, que o recurso especial deve ser conhecido, embora, no  mérito, como se verá, a ele deve ser negado provimento.    Com efeito, a só leitura das ementas dos acórdãos paradigmas comprovam a  divergência,  porquanto  adotaram  o  entendimento  de  que  o  frete  pago  no  transporte  entre  estabelecimentos  da mesma  pessoa  jurídica  gera  direito  ao  crédito  de  PIS/Cofins  (conforme  noticiado  no  recurso  voluntário,  o  transporte  de  mercadorias  se  deu  entre  o  centro  de  distribuição da Recorrente e suas lojas). Vejam:     ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/02/2005 a 31/12/2005  CRÉDITOS BÁSICOS. DESPESAS COM FRETES.  As  despesas  com  fretes  para  transporte  de  produtos  em  elaboração e, ou produtos acabados entre estabelecimentos  do contribuinte, pagas e/ ou creditadas a pessoas jurídicas,  mediante conhecimento de transporte ou de notas fiscais de  prestação  de  serviços,  geram  créditos  básicos  de  PIS,  a  Fl. 13589DF CARF MF Processo nº 13896.721081/2013­12  Acórdão n.º 9303­004.318  CSRF­T3  Fl. 13.588          5 partir  da  competência  de  fevereiro  de  2004,  passiveis  de  dedução  da  contribuição  devida  e/  ou  de  ressarcimento/compensação.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO  DA SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2005  CRÉDITOS BÁSICOS. DESPESAS COM FRETES.  As  despesas  com  fretes  para  transporte  de  produtos  em  elaboração e, ou produtos acabados entre estabelecimentos  do contribuinte, pagas e/ ou creditadas a pessoas jurídicas,  mediante conhecimento de transporte ou de notas fiscais de  prestação de serviços, geram créditos básicos de Cofins, a  partir  da  competência  de  fevereiro  de  2004,  passiveis  de  dedução  da  contribuição  devida  e/  ou  de  ressarcimento/compensação.  (Acórdão 3ª Seção/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária nº 3301­ 001.577, de 21/08/2012)    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO  DA SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração:01/10/2004 a 31/03/2005  CRÉDITOS. DESPESAS COM FRETE. MOVIMENTAÇÃO  DE  PRODUTOS  EM  FABRICAÇÃO  OU  ACABADOS  ENTRE ESTABELECIMENTOS DO CONTRIBUINTE.  As  despesas  com  fretes  para  transporte  de  produtos  em  elaboração e, ou produtos acabados entre estabelecimentos  do contribuinte, pagas e/ ou creditadas a pessoas jurídicas,  mediante conhecimento de transporte ou de notas fiscais de  prestação de serviços, geram créditos básicos de Cofins, a  partir  da  competência  de  fevereiro  de  2004,  passiveis  de  dedução  da  contribuição  devida  e/  ou  de  ressarcimento/compensação. Precedentes.  Fl. 13590DF CARF MF     6 (Acórdão 3ª Seção/3ª Turma Especial nº 3803­003.749, de  28/11/2012)    Admitido  o  recurso,  vemos  que  a  discussão  em  torno  do  creditamento  do  PIS/Cofins  sobre  fretes  pagos  na  transferência  de  mercadorias  entre  estabelecimentos  da  mesma empresa não é nova no CARF e já rendeu acalorados debates.    Estamos  entre  aqueles  que  há muito  já  firmaram  o  entendimento  de  que,  nas  condições em que os fatos se apresentam nos autos – a mera transferência de mercadorias do  centro de distribuição da Recorrente para as suas próprias lojas –, não há o direito ao crédito de  PIS/Cofins.    Primeiro, porque a transferência assim realizada não corresponde a uma efetiva  operação  de  venda:  aquele  negócio  jurídico  realizado  com  a  clara  intenção  de  transferir  o  domínio de uma coisa móvel, posteriormente completado, como se sabe, pela sua tradição. O  entendimento  contrário  equivaleria  a  alargar  sobremaneira  a  hipótese,  para  além  daquela  prevista na norma legal.     Segundo, porque o  frete  sobre o qual  se pretende o creditamento não  foi pago  em  razão  do  transporte  de produtos  em  elaboração,  para  a  realização  de  uma nova  etapa  da  produção,  entre  unidades  produtores  do  próprio Recorrente  (ou  entre um  estabelecimento  da  Recorrente  e  de  terceiros  para  a  realização  desta  etapa),  hipótese  em  que,  obviamente,  este  gasto  se  incorporaria  ao  custo  de  produção,  conforme  autoriza  o  art.  290  do  Decreto  nº  3.000, de 1999, atual Regulamento do IRPJ:    Art.  290.  O  custo  de  produção  dos  bens  ou  serviços  vendidos  compreenderá,  obrigatoriamente  (Decreto­Lei  nº  1.598, de 1977, art. 13, §1º):  I  – o  custo  de  aquisição  de matérias­primas  e  quaisquer  outros  bens  ou  serviços  aplicados  ou  consumidos  na  produção, observado o disposto no artigo anterior;  (...) (g.n.)    Fl. 13591DF CARF MF Processo nº 13896.721081/2013­12  Acórdão n.º 9303­004.318  CSRF­T3  Fl. 13.589          7 Enfim, no caso em análise, não há o direito pretendido, entendimento que  tem  sido  comungado  por  outras  Turmas  de  Julgamento  da  3ª  Seção  do  CARF.  Exemplificativamente:    CRÉDITOS.  FRETES.  REMESSA  PARA  ARMAZÉNS  E  DEPÓSITOS.  IMPOSSIBILIDADE.  Carece  de  previsão  legal  a  apropriação  de  créditos,  na  apuração  não  cumulativa  das  contribuições  para  o  PIS/Pasep  e  Cofins,  em relação ao custo do frete arcado com a transferência de  mercadorias  acabadas  ou  prontas  para  consumo  a  depósitos  ou  armazéns,  próprios  ou  de  terceiros. (CARF/4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária,  Acórdão n.º 3403­002.373, de 22/8/2013).    CRÉDITOS  DE  DESPESAS  COM  FRETES  ENTRE  ESTABELECIMENTOS. IMPOSSIBILIDADE.  Por  não  integrarem  o  conceito  de  insumo  utilizado  na  produção e nem corresponderem a uma operação de venda,  as  despesas  com  o  frete  contratado  para  promover  a  transferência  de  mercadorias  entre  estabelecimentos  da  mesma  pessoa  jurídica  não  geram  créditos  do  PIS  e  da  Cofins.  (CARF/2ª Câmara /1ª Turma Ordinária,  Acórdão  n.º 3201­002.235, de 22/06/2016).    FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS. FORMAÇÃO DE  LOTE  PARA  EXPORTAÇÃO.  CRÉDITOS.  IMPOSSIBILIDADE. A transferência de produto acabado a  estabelecimento filial para formação de lote de exportação,  ainda  que  se  efetive  a  exportação,  não  corresponde  juridicamente à própria venda, ou exportação, não gerando  o  direito  ao  creditamento  em  relação  à  contribuição.  (CARF/4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária,  Acórdão  n.º  3403­002.681, de 28/1/2014).  Fl. 13592DF CARF MF     8   Ante o exposto, conheço do recurso especial e nego­lhe provimento.    É como voto.  (assinado digitalmente)  Charles Mayer de Castro Souza   Voto Vencedor  Conselheira Érika Costa Camargos Autran, Relatora    O  Recurso  Especial  do  Contribuinte  é  tempestivo  e,  depreendendo­se  da  análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade.    A discussão se restringe a possibilidade de creditamento do PIS/Cofins sobre  fretes pagos na transferência de mercadorias entre estabelecimentos da mesma empresa.    Para  melhor  elucidar  meu  entendimento,  importante  trazer  o  conceito  de  insumo, para fins de fruição do crédito de PIS e da COFINS não cumulativos.    Nos  autos  do  processo  administrativo  nº  13984.001511/200587,  em  sede  de  julgamento  de  recurso  especial  pelo Colegiado  da  3ª  Turma  da CSRF,  a  ilustre Conselheira  Tatiana Midori Migiyama expôs brilhantemente o conceito de insumo, que passam a integrar a  presente fundamentação:    " Vê­se que a Constituição Federal não outorgou poderes para a autoridade  fazendária para se definir livremente o conteúdo da não cumulatividade.     O que, por conseguinte, concluo que a devida observância da sistemática da  não  cumulatividade  exige  que  se  avalie  a  natureza  das  despesas  incorridas  pelo contribuinte – considerando a legislação vigente, bem como a natureza  da sistemática da não cumulatividade.    Sempre que estas despesas/custos se mostrarem essenciais ao exercício de sua  atividade,  devem  implicar,  a  rigor,  no  abatimento  de  tais  despesas  como  créditos descontados junto à receita bruta auferida.   Fl. 13593DF CARF MF Processo nº 13896.721081/2013­12  Acórdão n.º 9303­004.318  CSRF­T3  Fl. 13.590          9   Importante elucidar que no IPI se tem critérios objetivos (desgaste durante o  processo produtivo  em  contato direto  com o bem produzido ou  composição  ao  produto  final),  enquanto,  no  PIS  e  na  COFINS  essa  definição  sofre  contornos subjetivos.    Tenho que, para se estabelecer o que é o insumo gerador do crédito do PIS e  da COFINS, ao meu sentir, torna­se necessário analisar a essencialidade do  bem  ao  processo  produtivo  da  recorrente,  ainda  que  dele  não  participe  diretamente.     Continuando, frise­se tal entendimento que vincula o bem e serviço para fins  de instituição do crédito do PIS e da Cofins com a essencialidade no processo  produtivo o Acórdão 3403­002.765 – que, por sua vez, traz em sua ementa:  "O conceito de  insumo, que confere o direito de  crédito de PIS/Cofins  não­ cumulativo,  não  se  restringe  aos  conceitos  de  matéria­prima,  produto  intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do  IPI.  A  configuração  de  insumo,  para  o  efeito  das  Leis  nºs  10.637/2002  e  10.833/2003,  depende  da  demonstração  da  aplicação  do  bem  e  serviço  na  atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte."    Vê­se que na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS o conteúdo  semântico  de  insumo  é mais  amplo  do  que aquele  da  legislação  do  IPI,  porém mais  restrito  do  que  aquele  da  legislação  do  imposto  de  renda,  abrangendo os “bens” e serviços que integram o custo de produção.    Ademais,  vê­se  que,  dentre  todas  as  decisões  do  CARF  e  do  STJ,  é  de  se  constatar  que  o  entendimento  predominante  considera  o  princípio  da  essencialidade para fins de conceituação de insumo ­ o que, por sua vez, foi  confirmado  pela  pesquisa  desenvolvida  no  âmbito  do  Núcleo  de  Estudos  Fiscais  da  FGV  Direito  SO  sob  a  coordenação  dos  estudiosos  Breno  Vasconcelos, Daniel Santiago, Eurico de Santi, Karem Dias e Suzy Hoffman.    Fl. 13594DF CARF MF     10 Não obstante à jurisprudência dominante, importante discorrer sobre o tema  desde a instituição da sistemática não cumulativa das r. contribuições.    Em  30  de  agosto  de  2002,  foi  publicada  a  Medida  Provisória  66/02,  que  dispôs sobre a sistemática não cumulativa do PIS, o que foi reproduzido pela  Lei 10.637/02 (lei de conversão da MP 66/02) que, em seu art. 3º,  inciso II,  autorizou a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços  utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda.     É a seguinte a redação do referido dispositivo:  “Art.  3º  Do  valor  apurado  na  forma  do  art.  2º  a  pessoa  jurídica  poderá  descontar créditos calculados em relação a:   [...]  II  bens  e  serviços,  utilizados  como  insumo  na  prestação  de  serviços  e  na  produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda,  inclusive  combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o  art.  2º  da  Lei  no  10.485,  de  3  de  julho  de  2002,  devido  pelo  fabricante  ou  importador,  ao  concessionário,  pela  intermediação  ou  entrega  dos  veículos  classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;”    Em relação à COFINS, tem­se que, em 31 de outubro de 2003, foi publicada a  MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, que dispôs sobre a sistemática não  cumulatividade dessa contribuição, destacando o aproveitamento de créditos  decorrentes  da  aquisição  de  insumos  em  seu  art.  3º,  inciso  II,  em  redação  idêntica àquela já existente para o PIS/Pasep, in verbis (Grifos meus):  “Art.  3º  Do  valor  apurado  na  forma  do  art.  2º  a  pessoa  jurídica  poderá  descontar créditos calculados em relação a:  [...]  II  bens  e  serviços,  utilizados  como  insumo  na  prestação  de  serviços  e  na  produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda,  inclusive  combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o  art.  2º  da  Lei  nº10.485,  de  3  de  julho  de  2002,  devido  pelo  fabricante  ou  importador,  ao  concessionário,  pela  intermediação  ou  entrega  dos  veículos  classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº  10.865, de 2004)”.  Fl. 13595DF CARF MF Processo nº 13896.721081/2013­12  Acórdão n.º 9303­004.318  CSRF­T3  Fl. 13.591          11   Posteriormente,  em  31  de  dezembro  de  2003,  foi  publicada  a  Emenda  Constitucional  42/2003,  sendo  inserida  ao  ordenamento  jurídico  o  §  12  ao  art. 195:  “Art.  195.  A  seguridade  social  será  financiada  por  toda  a  sociedade,  de  forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos  orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios,  e  das seguintes contribuições:  [...]  §12  A  lei  definirá  os  setores  de  atividade  econômica  para  os  quais  as  contribuições incidentes na forma dos incisos  I, b; e IV do caput, serão não  cumulativas.”    Com  o  advento  desse  dispositivo,  restou  claro  que  a  regulamentação  da  sistemática da não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS ficaria sob a  competência do legislador ordinário.    Vê­se, portanto, em consonância com o dispositivo constitucional, que não há  respaldo  legal  para  que  seja  adotado  conceito  excessivamente  restritivo  de  "utilização na produção" (terminologia legal),  tomando­o por "aplicação ou  consumo  direto  na  produção"  e  para  que  seja  feito  uso,  na  sistemática  do  PIS/Pasep  e  Cofins  não  cumulativos,  do  mesmo  conceito  de  "insumos"  adotado pela legislação própria do IPI.    Nessa lei, há previsão para que sejam utilizados apenas subsidiariamente os  conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de  embalagem previstos na legislação do IPI.    Ademais,  a  sistemática  da  não  cumulatividade  das  contribuições  é  diversa  daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores  de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores  a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da  alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas.  Fl. 13596DF CARF MF     12   Não  menos  importante,  vê­se  que,  para  fins  de  creditamento  do  PIS  e  da  COFINS,  admite­  se  também  que  a  prestação  de  serviços  seja  considerada  como insumo, o que já leva à conclusão de que as próprias Leis 10.637/2002  e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas  aos elementos físicos que compõem o produto.    Nesse  ponto,  Marco  Aurélio  Grego  (in  "Conceito  de  insumo  à  luz  da  legislação  de  PIS/COFINS",  Revista  Fórum  de  Direito  Tributário  RFDT,  ano1,  n.  1,  jan/fev.2003,  Belo  Horizonte:  Fórum,  2003)  diz  que  será  efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade  ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou  agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que  um dos dois adquira determinado padrão desejado.     Sendo  assim,  seria  insumo  o  serviço  que  contribua  para  o  processo  de  produção – o que, pode­se concluir que o conceito de insumo efetivamente é  amplo,  alcançando  as  utilidades/necessidades  disponibilizadas  através  de  bens  e  serviços,  desde  que  essencial  para  o  processo  ou  para  o  produto  finalizado, e não restritivo tal como traz a legislação do IPI.    Frise­se  que  o  raciocínio  de  Marco  Aurélio  Greco  traz,  pra  tanto,  os  conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo.    O que seria inexorável se concluir  também pelo entendimento da autoridade  fazendária que, por  sua vez,  validam o creditamento apenas quando houver  efetiva  incorporação  do  insumo  ao  processo  produtivo  de  fabricação  e  comercialização  de  bens  ou  prestação  de  serviços,  adotando  o  conceito  de  insumos  de  forma  restrita,  em  analogia  à  conceituação  adotada  pela  legislação  do  IPI,  ferindo  os  termos  trazidos  pelas  Leis  10.637/2002  e  10.833/2003, que, por sua vez, não tratou, tampouco conceituou dessa forma.    Resta, por conseguinte,  indiscutível a  ilegalidade das Instruções Normativas  SRF 247/02 e 404/04 quando adotam a definição de insumos semelhante à da  legislação do IPI.   Fl. 13597DF CARF MF Processo nº 13896.721081/2013­12  Acórdão n.º 9303­004.318  CSRF­T3  Fl. 13.592          13   As  Instruções  Normativas  da  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  que  restringem  o  conceito  de  insumos,  não  podem  prevalecer,  pois  partem  da  premissa equivocada de que os créditos de PIS e COFINS teriam semelhança  com os créditos de IPI.    Isso, ao dispor:  ·  o  art.  66,  §  5º,  inciso  I,  da  IN  SRF  247/02  o  que  segue  (Grifos  meus):  “Art.  66.  A  pessoa  jurídica  que  apura  o  PIS/Pasep  não­cumulativo  com  a  alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a  aplicação da mesma alíquota, sobre os valores:   [...]  §  5º  Para  os  efeitos  da  alínea  "b"  do  inciso  I  do  caput,  entende­se  como  insumos: ( Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003 )  I  ­  utilizados  na  fabricação  ou  produção  de  bens  destinados  à  venda:  (  Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003 )  a.  matérias  primas,  os  produtos  intermediários,  o  material  de  embalagem  e  quaisquer  outros  bens  que  sofram  alterações,  tais  como  o  desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função  da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não  estejam  incluídas  no  ativo  imobilizado;  (  Incluído  pela  IN  SRF  358,  de  09/09/2003 )  b.  os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País,  aplicados  ou  consumidos  na  prestação  do  serviço.  (  Incluído  pela  IN  SRF  358, de 09/09/2003 )  [...]”    · art. 8º, § 4ª, da IN SRF 404/04 (Grifos meus):  “Art.  8  º  Do  valor  apurado  na  forma  do  art.  7  º,  a  pessoa  jurídica  pode  descontar  créditos,  determinados mediante  a  aplicação  da mesma  alíquota,  sobre os valores:   [...]  Fl. 13598DF CARF MF     14 §  4  º  Para  os  efeitos  da  alínea  "b"  do  inciso  I  do  caput,  entende­se  como  insumos:   ­ utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda:   a)  a  matéria­prima,  o  produto  intermediário,  o  material  de  embalagem  e  quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou  a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente  exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no  ativo imobilizado;   b) os  serviços prestados por pessoa  jurídica domiciliada no País,  aplicados  ou consumidos na produção ou fabricação do produto;   II ­ utilizados na prestação de serviços:   a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não  estejam incluídos no ativo imobilizado; e   b) os serviços prestados por pessoa  jurídica domiciliada no país, aplicados  ou consumidos na prestação do serviço.   [...]”    Tais normas infraconstitucionais restringiram o conceito de insumo para fins  de geração de crédito de PIS e COFINS, aplicando­se os mesmos já trazidos  pela  legislação  do  IPI. O que  entendo que  a  norma  infraconstitucional não  poderia  extrapolar  essa  conceituação  frente  a  intenção  da  instituição  da  sistemática da não cumulatividade das r. contribuições.    Considerando  que  as  Leis  10.637/02  e  10.833/03  trazem  no  conceito  de  insumo:  a.  Serviços utilizados na prestação de serviços;  b.  Serviços  utilizados  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados à venda;  c.  Bens utilizados na prestação de serviços;  d.  Bens  utilizados  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados à venda;  e.  Combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços;  f.  Combustíveis  e  lubrificantes  utilizados  na  produção  ou  fabricação  de  bens ou produtos destinados à venda.    Fl. 13599DF CARF MF Processo nº 13896.721081/2013­12  Acórdão n.º 9303­004.318  CSRF­T3  Fl. 13.593          15 Vê­se claro, portanto, que não poder­se­ia considerar para fins de definição  de  insumo  o  trazido  pela  legislação  do  IPI,  já  que  serviços  não  são  efetivamente insumos, se considerássemos os termos dessa norma.    Não obstante, depreendendo­se da análise da legislação e seu histórico, bem  como  intenção  do  legislador,  entendo  também  não  ser  cabível  adotar  de  forma  ampla  o  conceito  trazido  pela  legislação  do  IRPJ  como  arcabouço  interpretativo,  tendo  em  vista  que  nem  todas  as  despesas  operacionais  consideradas para fins de dedução de IRPJ e CSLL são utilizadas no processo  produtivo e simultaneamente tratados como essenciais à produção.    Ora, o termo "insumo" não devem necessariamente estar contidos nos custos  e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu que algumas  despesas  não  operacionais  fossem  passíveis  de  creditamento,  tais  como  Despesas  Financeiras,  energia  elétrica  utilizada  nos  estabelecimentos  da  empresa, etc.     O  que  entendo  que  os  itens  trazidos  pelas  Leis  10.637/02  e  10.833/03  que  geram  o  creditamento,  são  taxativos,  inclusive  porque  demonstram  claramente as despesas, e não somente os custos que deveriam ser objeto na  geração do crédito dessas contribuições. Eis que, se fossem exemplificativos,  nem poderiam estender a conceituação de insumos as despesas operacionais  que nem compõem o produto e serviços – o que até prejudicaria a inclusão de  algumas despesas que não contribuem de forma essencial na produção.    Com efeito, por conseguinte, pode­se concluir que a definição de “insumos”  para efeito de geração de crédito das  r.  contribuições, deve observar o que  segue:  · Se  o  bem  e  o  serviço  são  considerados  essenciais  na  prestação  de  serviço ou produção;  · Se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente  da aquisição dos bens e serviços – ou seja, sejam considerados essenciais.     Fl. 13600DF CARF MF     16 Tanto é assim que, em julgado recente, no REsp 1.246.317, a Segunda Turma  do  STJ  reconheceu  o  direito  de  uma  empresa  do  setor  de  alimentos  a  compensar  créditos  de  PIS  e  Cofins  resultantes  da  compra  de  produtos  de  limpeza e de serviços de dedetização, com base no critério da essencialidade.    Para  melhor  transparecer  esse  entendimento,  trago  a  ementa  do  acórdão  (Grifos meus):  “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART.  535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC.  INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E  COFINS  NÃO­CUMULATIVAS.  CREDITAMENTO.  CONCEITO  DE  INSUMOS.  ART.  3º,  II,  DA  LEI  N.  10.637/2002  E  ART.  3º,  II,  DA  LEI  N.  10.833/2003.  ILEGALIDADE  DAS  INSTRUÇÕES  NORMATIVAS  SRF  N.  247/2002 E 404/2004.  1.  Não  viola  o  art.  535,  do  CPC,  o  acórdão  que  decide  de  forma  suficientemente  fundamentada a  lide, muito  embora  não  faça  considerações  sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes.   2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a  embargos  de  declaração  interpostos  notadamente  com  o  propósito  de  prequestionamento.  Súmula  n.  98/STJ:  "Embargos  de  declaração  manifestados  com  notório  propósito  de  prequestionamento  não  têm  caráter  protelatório ".  3.  São  ilegais  o  art.  66,  §5º,  I,  "a"  e  "b",  da  Instrução  Normativa  SRF  n.  247/2002 ­ Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e  o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 ­ Cofins,  que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º,  II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de  creditamento na sistemática de não­cumulatividade das ditas contribuições.  4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico  em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º,  II, da Lei n.  10.637/2002,  e  art.  3º,  II,  da  Lei  n.  10.833/2003,  não  se  identifica  com  a  conceituação  adotada  na  legislação  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados ­ IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo,  não  corresponde  exatamente  aos  conceitos  de  "Custos  e  Despesas  Fl. 13601DF CARF MF Processo nº 13896.721081/2013­12  Acórdão n.º 9303­004.318  CSRF­T3  Fl. 13.594          17 Operacionais"  utilizados  na  legislação  do  Imposto  de  Renda  ­  IR,  por  que  demasiadamente elastecidos.   5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º,  II, da Lei n. 10.833/2003,  todos aqueles bens e  serviços pertinentes ao, ou  que  viabilizam  o  processo  produtivo  e  a  prestação  de  serviços,  que  neles  possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na  impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja  subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de  qualidade do produto ou serviço daí resultantes.  6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios  sujeita,  portanto,  a  rígidas  normas  de  higiene  e  limpeza.  No  ramo  a  que  pertence,  as  exigências  de  condições  sanitárias  das  instalações  se  não  atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial  perda  de  qualidade  do  produto  resultante.  A  assepsia  é  essencial  e  imprescindível  ao  desenvolvimento  de  suas  atividades.  Não  houvessem  os  efeitos  desinfetantes,  haveria  a  proliferação  de  microorganismos  na  maquinaria  e  no  ambiente  produtivo  que  agiriam  sobre  os  alimentos,  tornando­os  impróprios  para  o  consumo.  Assim,  impõe­se  considerar  a  abrangência  do  termo  "insumo"  para  contemplar,  no  creditamento,  os  materiais  de  limpeza  e  desinfecção,  bem  como  os  serviços  de  dedetização  quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros  alimentícios.  7. Recurso especial provido.”    Aquele  colegiado  entendeu  que  a  assepsia  do  local,  embora  não  esteja  diretamente  ligada  ao  processo  produtivo,  é  medida  imprescindível  ao  desenvolvimento das atividades em uma empresa do ramo alimentício.    Em  outro  caso,  o  STJ  reconheceu  o  direito  aos  créditos  sobre  embalagens  utilizadas  para  a  preservação  das  características  dos  produtos  durante  o  transporte,  condição  essencial  para  a  manutenção  de  sua  qualidade  (REsp  1.125.253). O que, peço vênia, para transcrever a ementa do acórdão:  Fl. 13602DF CARF MF     18 COFINS  –  NÃO  CUMULATIVIDADE  –  INTERPRETAÇÃO  EXTENSIVA  –  POSSIBILIDADE  –  EMBALAGENS  DE  ACONDICIONAMENTO  DESTINADAS  A  PRESERVAR  AS  CARACTERÍSTICAS  DOS  BENS  DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE  CUSTO  –  É  INSUMO  NOS  TERMOS  DO  ART.  3º,  II,  DAS  LEIS  N.  10.637/2002 E 10.833/2003.  1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples  inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a  legalidade estrita.  Precedentes.  2.  As  embalagens  de  acondicionamento,  utilizadas  para  a  preservação  das  características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como  insumos  nos  termos  definidos  no  art.  3º,  II,  das  Leis  n.  10.637/2002  e  10.833/2003  sempre  que  a  operação  de  venda  incluir  o  transporte  das  mercadorias e o vendedor arque com estes custos.”    Torna­se  necessário  se  observar  o  princípio  da  essencialidade  para  a  definição  do  conceito  de  insumos  com  a  finalidade  do  reconhecimento  do  direito ao creditamento ao PIS/Cofins não­cumulativos."    Sendo assim, entendo não ser aplicável o entendimento de que o consumo de  tais  bens  e  serviços  sejam  utilizados  DIRETAMENTE  no  processo  produtivo,  bastando  somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa.    No presente caso, o Recurso Especial, versa especificamente sobre o direito a  créditos  de  PIS  e  COFINS  sobre  despesas  de  fretes  entre  estabelecimentos  da  empresa,  notadamente entre o centro de distribuição de mercadorias e as lojas comerciais da empresa.    Vale  ressaltar  que  a Recorrente  é  pessoa  jurídica  de  direito  privado  que  se  dedica  à  prestação  de  serviços  de  reparo,  substituição  e  colocação  de  vidros  e  acessórios  automotivos, à comercialização de vidros, faróis, lanternas e outros acessórios para automóveis  e ao gerenciamento de prestadores de serviços de sua rede de afiliadas.    Desta  maneira,  considerando  o  meu  entendimento  acerca  do  conceito  de  insumos, em relação os  fretes,  considerando o objeto  social do sujeito passivo, entendo que,  Fl. 13603DF CARF MF Processo nº 13896.721081/2013­12  Acórdão n.º 9303­004.318  CSRF­T3  Fl. 13.595          19 geram crédito de PIS/Pasep e Cofins, os serviços de frete utilizados pela empresa, por serem  necessários para a atividade final de venda de mercadorias e para a prestação de serviços pela  ora Recorrente.    O  que,  por  conseguinte,  é  de  se  dar  provimento  ao  Recurso  do  Sujeito  Passivo.  É o meu voto.  (assinado digitalmente)  Érika Costa Camargos Autran                  Fl. 13604DF CARF MF

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6544076 #
Numero do processo: 13888.901394/2014-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2012 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. A existência de despacho decisório contendo motivação clara, explícita e congruente, desautoriza a alegação de cerceamento de defesa. BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO. O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.329
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901394/2014­32  Acórdão n.º 3402­003.329  S3­C4T2  Fl. 3          2  denegado em tempo hábil por meio de despacho decisório eletrônico, sob o fundamento de que  o DARF representativo do pagamento indevido estava inteiramente alocado para a quitação de  débitos anteriormente declarados pelo contribuinte.  Em  tempo hábil,  foi apresentada manifestação de  inconformidade na qual  a  defesa  alegou, em síntese, que houve nulidade por cerceamento do direito de defesa e que o  crédito do contribuinte decorre de pagamento indevido, em razão de ter sido incluído o ICMS  na base de cálculo da contribuição. Afirmou que o  ICMS é mero  ingresso que não pode  ser  incluído no conceito de faturamento. Invocou o precedente consubstanciado no RE 240.785 do  STF e informou que os artigos 73 e 74 da Lei nº 9.430/96 garantem seu direito de compensar o  indébito apurado.   A  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  rejeitou  a  preliminar  de  nulidade e, no mérito, decidiu o seguinte: a) o valor do DARF está inteiramente alocado para  pagamento de débitos informados pelo próprio contribuinte; b) a lei apenas permite a exclusão  da base de cálculo da contribuição do ICMS recolhido na condição de substituto tributário e da  receita  proveniente  da  alienação  onerosa  de  créditos  do  ICMS;  e  c)  o  valor  dos  débitos  declarados para  compensação é de magnitude superior ao valor do único DARF vinculado a  essas compensações.   Regularmente  notificado  do  Acórdão  de  primeira  instância,  o  contribuinte  apresentou  em  tempo  hábil  recurso  voluntário  a  este  Colegiado,  alegando,  em  síntese,  o  seguinte: a) nulidade por cerceamento de defesa porque o despacho decisório não diz as razões  pelas  quais  o  contribuinte  não  tem  o  crédito  que  alega  possuir.  Essa  omissão  impediu  o  contribuinte  de  exercer  a  plena  demonstração  de  seu  crédito,  pois  não  há  como  argumentar  contra uma decisão que se mostra lacônica; b) a base de cálculo da contribuição sempre foi o  faturamento e com o advento da Lei nº 10.833/2003 houve uma ampliação, passando a base de  cálculo a abranger a totalidade das receitas auferidas pelo contribuinte. Entretanto, o valor do  ICMS não pode ser considerado como receita do contribuinte, sob pena de violação do art. 110  do CTN, pois a lei não pode considerar receita o que não é receita. O ICMS representa para o  contribuinte  mero  ingresso,  pois  o  valor  é  posteriormente  destinado  ao  fisco  estadual.  Tal  interpretação foi cristalizada em caráter definitivo no RE 240.785­2, que deve ser aplicado ao  caso concreto. Reafirmou a existência do indébito e seu direito de compensá­lo com base nos  arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430/96.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator.   O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão 3402­003.317, de  28  de  setembro  de  2016,  proferido  no  julgamento  do  processo  10865.904904/2012­31,  paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402­003.317):  Fl. 54DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901394/2014­32  Acórdão n.º 3402­003.329  S3­C4T2  Fl. 4          3  "O recurso preenche os  requisitos  formais para sua admissibilidade  e,  portanto, dele se toma conhecimento.  Relativamente à preliminar de nulidade, não assiste razão à defesa.  Isso  porque,  ao  contrário  do  alegado,  o  despacho  decisório  declinou  com  todas  as  letras  o  motivo  pelo  qual  a  Administração  Tributária  denegou  o  pleito  do  contribuinte  e  não  homologou  as  compensações  declaradas.  O Despacho Decisório apresenta a seguinte motivação:   "(...)  A  partir  das  características  do  DARF  discriminado  no  PER/DECOMP  acima  identificado,  foram  localizados  um  ou mais  pagamentos,  abaixo  relacionados,  mas  integralmente  utilizados  para  quitação  de  débitos  do  contribuinte,  não  restando  saldo  disponível  para  compensação  dos  débitos  informados  no  PER/DECOMP. (...)"  No mesmo despacho encontram­se perfeitamente identificados o número  do  PER/DECOMP,  o  número  do  DARF  e  o  valor  relativo  ao  suposto  pagamento indevido.  O texto acima transcrito revela que a compensação não foi homologada  porque o valor do DARF está inteiramente alocado para o pagamento de  débitos declarados pelo próprio contribuinte.   Em  outras  palavras:  o  contribuinte  não  possui  o  crédito  alegado  no  PER/DECOMP porque o valor já foi utilizado para extinguir débitos por  ele próprio declarados.  Portanto, o despacho decisório não  foi  lacônico, uma vez que declinou  expressamente  o  motivo  da  não  homologação  da  compensação:  o  contribuinte não tem o crédito alegado.  Essa fundamentação está explícita de forma clara, precisa e congruente  com  a  decisão  de  não  homologar  a  compensação,  o  que  atende  às  exigências do art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99.   Sendo assim, é improcedente a alegação de nulidade, pois o contribuinte  não teve seu direito ao contraditório e à ampla defesa cerceados, mesmo  porque  a  apresentação  de  impugnação  e  de  recurso  voluntário,  deduzindo argumentos no sentido de demonstrar a existência jurídica do  indébito desautorizam a invocação dessa preliminar.  No  mérito,  deflui  dos  autos  que  o  contribuinte  apurou  e  recolheu  a  contribuição  incluindo  o  ICMS  na  sua  base  de  cálculo  e  agora  comparece  perante  a  Administração  Tributária  alegando  que  o  recolhimento  foi  efetuado  em  montante  superior  ao  devido  porque  a  inclusão do ICMS no faturamento ou na receita é inconstitucional.  O recolhimento efetuado pelo contribuinte, incluindo o ICMS na base de  cálculo  da  contribuição,  está  calcado  em  entendimento  sedimentado  desde  tempos  imemoriais  na  seara  tributária.  Tal  entendimento  tem  respaldo  legal  no  art.  12  do  Decreto­Lei  nº  1.598/77  e  na  Instrução  Normativa nº 51, de 03/11/1978, que a regulamentou.  Fl. 55DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901394/2014­32  Acórdão n.º 3402­003.329  S3­C4T2  Fl. 5          4  O art.  12 do Decreto­Lei nº 1.598/77, na redação vigente na  época do  fato  gerador  relativo  ao  pagamento  tido  como  indevido,  estabelecia  o  seguinte:  "Art  12  ­  A  receita  bruta  das  vendas  e  serviços  compreende  o  produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço  dos serviços prestados.    § 1º  ­ A  receita  líquida de  vendas  e  serviços  será a  receita bruta  diminuída  das  vendas  canceladas,  dos  descontos  concedidos  incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. (...)"   (Fonte  da  transcrição:  http://www.planalto.gov.br/  ccivil_03/decreto­lei/ del1598.htm)  Já o item 4 da IN SRF nº 51/78, estabelece o seguinte:  4. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta da vendas  e serviços, diminuídas (a) das vendas canceladas, (b) dos descontos  e  abatimentos  concedidos  incondicionalmente  e  (c)  dos  impostos  incidentes sobre as vendas.  (...)  4.3  ­  Para  os  efeitos  desta  Instrução  Normativa  reputam­se  incidentes  sobre  as  vendas  os  impostos  que  guardam  proporcionalmente  (sic)  com  o  preço  da  venda  ou  dos  serviços,  mesmo  que  o  respectivo montante  integra  (sic)  a  base  de  cálculo,  tais como o imposto de circulação de mercadorias, o imposto sobre  serviços de qualquer natureza, o imposto de exportação, o imposto  único sobre energia elétrica, o imposto único sobre combustíveis e  lubrificantes etc.  4.3.1 ­ Incluem­se também neste item:  a) taxas que guardam proporcionalidade com o preço de venda;  b) a parcela de contribuição para o Programa de integração Social  calculada sobre o faturamento;  c)  a  quota  de  contribuição,  ou  retenção  cambial,  devida  na  exportação.  (Fonte  da  transcrição:  http://sijut.fazenda.gov.br/netahtml/  sijut/Pesquisa.htm)  Portanto,  o  recolhimento  efetuado  pelo  contribuinte  está  em  conformidade com a legislação vigente e com entendimento sedimentado  há  anos  na  seara  tributária,  uma  vez  que  o  valor  do  ICMS  integra  o  preço  da  mercadoria,  sendo  tal  valor  deduzido  contabilmente  como  despesa operacional.  O contribuinte alega, em síntese, a inconstitucionalidade da inclusão do  ICMS na base de cálculo da contribuição porque o imposto estadual não  se  enquadra  no  conceito  de  faturamento  ou  mesmo  no  de  receita  estabelecido pela constituição.  Ao contrário do alegado pelo contribuinte,  tal argumento não pode ser  acatado pelos órgãos administrativos de julgamento, pois o art. 26­A do  Fl. 56DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901394/2014­32  Acórdão n.º 3402­003.329  S3­C4T2  Fl. 6          5  Decreto  nº  70.235/72  proíbe  este  colegiado  de  negar  vigência  a  texto  legal  com  hierarquia  superior  a  Decreto,  em  razão  de  arguição  de  inconstitucionalidade, in verbis:  "Art. 26­A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado  aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento  de  inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009)  (...)  §  6o O  disposto  no  caput  deste  artigo  não  se  aplica  aos  casos  de  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  ato  normativo:(Incluído  pela  Lei nº 11.941, de 2009)  I  –  que  já  tenha  sido  declarado  inconstitucional  por  decisão  definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(...)"  O  contribuinte  invoca  a  seu  favor  o  acórdão  do  STF  proferido  no RE  240.785­2.  Entretanto,  esse  recurso  extraordinário  ainda  não  foi  definitivamente  julgado,  não  se  enquadrando  no  disposto  no  §  6º,  I,  acima  transcrito,  e  nem  nas  disposições  do Decreto  nº  2.346/97,  para  que  o  entendimento  possa  ser  estendido  administrativamente  a  outros  casos concretos. Não se olvide que essa questão é objeto do Tema 69 dos  recursos  submetidos  à  sistemática  da  repercussão geral  no  STF  e  será  decidida no RE nº 574.706.  Acrescente­se  que  a  Súmula CARF  nº  2  estabelece  que  o CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade  da  lei  tributária.  Considerando que  os  recolhimentos  efetuados  pelo  contribuinte,  com a  inclusão  do  ICMS  na  base  de  cálculo  da  COFINS,  estão  conformes  à  legislação vigente, voto no sentido de negar provimento ao recurso."  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática  prevista  nos  §§  1º  e  2º  do  art.  47  do  RICARF,  nega­se  provimento  ao  recurso  voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio.    (Assinado com certificado digital)  Antonio Carlos Atulim                             Fl. 57DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM

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Numero do processo: 10166.727033/2011-22
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Nov 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Dec 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Recurso especial conhecido e provido.
Numero da decisão: 9202-004.638
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS

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9202­004.638  –  2ª Turma   Sessão de  25 de novembro de 2016  Matéria  CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  BIG TRANS COMERCIAL DE ALIMENTOS S/A    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008  MULTA  DE  OFÍCIO.  APLICAÇÃO  DE  PENALIDADE.  RETROATIVIDADE BENIGNA.  Na aferição  acerca  da  aplicabilidade  da  retroatividade  benigna,  não  basta  a  verificação  da  denominação  atribuída  à  penalidade,  tampouco  a  simples  comparação entre percentuais  e  limites. É necessário,  antes de  tudo, que  as  penalidades  sopesadas  tenham  a  mesma  natureza  material,  portanto  que  sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.  Recurso especial conhecido e provido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar­lhe provimento.      (assinado digitalmente)  Luiz Eduardo de Oliveira Santos ­ Presidente em Exercício e Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Luiz  Eduardo  de  Oliveira  Santos  (Presidente  em  exercício),  Maria  Helena  Cotta  Cardozo,  Patrícia  da  Silva,  Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior,  Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 70 33 /2 01 1- 22 Fl. 1073DF CARF MF Processo nº 10166.727033/2011­22  Acórdão n.º 9202­004.638  CSRF­T2  Fl. 3          2     Relatório  Do Processo, até a Decisão Recorrida  Trata o presente processo de autos de infração ­ AI, às e­fls. 33 a 59 cientificados ao  contribuinte em 17/10/2011, com relatório fiscal às e­fls. 05 a 30. O objeto do presente processo são  as  contribuições  devidas  à  Seguridade  Social,  tendo  por  base  de  incidência  valores  considerados de remuneração pagos, devidos ou creditados a qualquer título aos segurados que  lhe  prestem  serviços  e  não  declarados  em  Guias  de  Recolhimento  do  Fundo  de  Garantia  e  Informações a Previdência Social ­ GFIP. Esses valores decorriam de auxílio alimentação sem  adesão  ao  PAT;  premiação  por  atingimento  de  metas  pelos  funcionários;  dissídio  retroativo  pago  em dezembro  de  2008;  vale  transporte  pago  em pecúnia;  outros  adicionais  de  férias;  e  valores em folha de pagamento igualmente não declarados em GFIP. Tais valores implicaram  também  diferenças  de  contribuição  dos  segurados  empregados,  relativamente  aos  valores  declarados.  No  presente  processo  foram  emitidos  também  nove  termos  de  sujeição  passiva solidária, em razão de integrarem um grupo econômico com a autuada, utilizando­se do  mesmo  nome  fantasia  e  tendo  subordinação  ao  mesmo  comando  centralizado  dela.  As  empresas solidárias são citadas abaixo da contribuinte no quadro que se segue:    Os autos de infração são, resumidamente, abaixo relacionados:  DEBCAD Nº  DESCRIÇÃO  VALOR CORRIGIDO  37.345.610­7  Contribuição dos segurados que prestam serviços à empresa.  94.782,24  37.354.607­7  Contribuições patronais.  229.510,42  TOTAL DOS AUTOS DE INFRAÇÃO   324.292,66  Fl. 1074DF CARF MF Processo nº 10166.727033/2011­22  Acórdão n.º 9202­004.638  CSRF­T2  Fl. 4          3 Cumpre  esclarecer  que,  no  lançamento,  para  aplicação  da  retroatividade  benigna relativa à multa, foi considerado o menor valor entre:   (a) a soma dos seguintes montantes:   (a.1)  multa  denominada  "de  mora"  por  não  recolhimento  da  contribuição,  prevista  na  redação  anterior  do  art.  35  da Lei  n°  8.212,  de  1991,  (dada  pelas Leis 9.528/97 e 9.876/99) e   (a.2) multa denominada  "de ofício" por  falta de  declaração do valor  em GFIP, prevista na redação anterior do art. 32 da Lei n° 8.212, de 1991, (dada pela  Lei 9.528/97) e  (b) a multa prevista no art. 35­A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão  ao art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996.   A  empresa  apresentou  impugnação,  às  e­fls.  854  a  874,  através  da  qual  contestou o AI. A 3ª Turma da DRJ/CGE considerou procedente em parte a impugnação, por  unanimidade de votos, conforme disposto no acórdão n° 04­33.732 de 01/10/2013, às e­fls. 911  a 936.  Inconformada,  a  contribuinte  apresentou  recurso  voluntário,  às  e­fls.  980  a  989. Lá afirma: a inexistência de análise relativa a autos de infração que não se encontram no  presente  processo;  suposta  descrição  incompleta  dos  fatos  que  deram  causa  às  infrações;  a  ilegitimidade  da  cobrança  da  contribuição  social  sobre  a  receita  bruta  proveniente  da  comercialização da produção rural; e a inexistência de dolo na falta de declaração em GFIP dos  valores havidos em folha de pagamento e o pagamento das respectivas contribuições devidas.  Por  fim,  com  base  no  princípio  da  eventualidade,  pleiteia  que  seja  aplicada  a  multa  mais  benéfica pela não declaração em GFIP e não recolhimento das contribuições previdenciárias.  O recurso voluntário foi apreciado pela 3ª Turma Especial da Segunda Seção  de Julgamento em 16/07/2014, resultando no acórdão 2803­003.374, às e­fls. 1004 a 1013 que  tem a seguinte ementa:  PEÇA RECURSAL QUE ALEGA SITUAÇÕES  INEXISTENTES  NO  LANÇAMENTO.  DIVÓRCIO  IDEOLÓGICO.  LANÇAMENTO CLARO, PRECISO E OBJETIVO. LASTREADO  EM  FARTO  CONJUNTO  PROBATÓRIO.  EXISTENTE  NOS  AUTOS.  LANÇAMENTOS  ESCLARECIDOS  COM  RELATÓRIOS  E  PLANILHAS  DESCRITIVAS.  NULIDADE  FORMAL.  INEXISTÊNCIA.  APLICAÇÃO  DE  MULTA  BENÉFICA.  VERIFICAÇÃO  NO  MOMENTO  DO  PAGAMENTO, PARCELAMENTO OU EXECUÇÃO.  Recurso Voluntário Provido em Parte.  O acórdão teve o seguinte teor:  ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em  dar provimento parcial ao recurso, a fim de que seja aplicada a  multa mais benéfica ao contribuinte, ou seja, a do artigo 35, da  Lei 8.212/91 na redação das Lei 9.528/97 e 9.876/99, limitando­ se essa multa a setenta e cinco por cento, nos termos do artigo  Fl. 1075DF CARF MF Processo nº 10166.727033/2011­22  Acórdão n.º 9202­004.638  CSRF­T2  Fl. 5          4 35A,  da  Lei  8.212/91  na  redação  dada  pela  Lei  11.941/2009,  tudo a ser verificado no momento do pagamento, parcelamento  ou  execução,  relativamente,  aos  DEBCAD's  37.345.607­7  e  37.345.610­7.  Vencido  o  Conselheiro  Helton  Carlos  Praia  de  Lima quanto à multa aplicada.  Portanto,  o  colegiado  recorrido,  para  aplicação  da  retroatividade  benigna,  reduziu a multa ao menor valor entre:   (a)  multa  denominada  "de  mora"  por  não  recolhimento  da  contribuição,  prevista na redação anterior do art. 35 da Lei n° 8.212, de 1991, (dada pelas Leis 9.528/97 e  9.876/99) e  (b) a multa prevista no art. 35­A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão  ao art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996.  Recurso Especial da Fazenda  A Fazenda Nacional  interpôs recurso especial de divergência  ­ RE, às e­fls.  1015 a 1025, em 14/08/2014, entendendo que o acórdão recorrido merece ser reformado. Tal  entendimento  seria  suportado  pelos  acórdãos  paradigmas  nº 2401­00.120  da  1ª  Turma  Ordinária  da  4ª  Câmara  e  nº  2301­00283  da  1ª  Turma  Ordinária  da  3ª  Câmara,  ambas  da  Segunda Seção de Julgamento do CARF.  A Procuradora pleiteou o provimento do RE para que se reforme o acórdão  recorrido,  no  ponto  em  que  determinou  a  redução  da multa  pela  aplicação  da  retroatividade  benigna, para restabelecimento do lançamento conforme calculado no auto de infração.  O Presidente da da 3ª Câmara da Segunda Seção de  Julgamento do CARF,  através do despacho de e­fls. 1027 a 1032, deu seguimento ao RE por entender preenchidos os  requisitos legais para sua admissibilidade em 17/06/2015.  Por meio das Cartas nº 262/15 a 271/15 da DRFB/DF/DICAT (e­fls. 1034 a  1043) foi dada ciência à contribuinte e a mais nove empresas solidárias: do acórdão do recurso  voluntário,  do  RE  da  Fazenda  e  do  despacho  de  admissibilidade.  De  acordo  com  os  documentos juntados às e­fls. 1048 a 1067, e despacho de encaminhamento da DRF/BSB (e­ fl. 1071),  todos  os  sujeitos  passivos  tiveram  ciência  em  15/07/2015  e  até  13/06/2016  não  solicitaram qualquer juntada de recurso.  É o relatório.  Fl. 1076DF CARF MF Processo nº 10166.727033/2011­22  Acórdão n.º 9202­004.638  CSRF­T2  Fl. 6          5   Voto             Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos ­ Relator  O  recurso  a  ser  analisado  é  tempestivo  e  atende  os  demais  requisitos  de  admissibilidade e, portanto, dele conheço.  Julgo,  inicialmente, não haver  como se afastar a  aplicabilidade, ao caso, da  retroatividade  benéfica  prevista  no  art.  106,  inciso  II,  alínea  “c”,  da  Lei  no  5.172,  de  25  de  outubro de 1966  (CTN). Para  tanto,  trago à  colação os dispositivos de  interesse  ao  caso  sob  análise,  bem  como  excertos  do  brilhante  voto  do  Ilustre  Conselheiro  Marcelo  Oliveira  no  âmbito do Acórdão no 9.202­003.070, proferido por esta mesma 2a Turma, em 13 de fevereiro  de 2014, por concordar integralmente com os seus fundamentos, na forma a seguir transcrita:  Lei 5.172/66 (CTN)  Art. 106. A lei aplica­se a ato ou fato pretérito:  (...)  II ­ tratando­se de ato não definitivamente julgado:  (...)  c) quando  lhe comine penalidade menos severa que a prevista  na lei vigente ao tempo da sua prática.(g.n.)  Lei 8.212/1991 (Redação anterior):  Art.  35.  Sobre  as  contribuições  sociais  em atraso, arrecadadas  pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada,  nos  seguintes  termos:  (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.876,  de  1999).  I  ­  para  pagamento,  após  o  vencimento  de  obrigação  não  incluída em notificação fiscal de lançamento (g.n.):  a)  oito  por  cento,  dentro  do mês  de  vencimento  da  obrigação;  (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999).  b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei  nº 9.876, de 1999).  c)  vinte  por  cento,  a  partir  do  segundo  mês  seguinte  ao  do  vencimento da obrigação;  (Redação dada pela Lei nº 9.876, de  1999).  II ­ para pagamento de créditos  incluídos em notificação fiscal  de lançamento (g.n.):  a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento  da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999).  Fl. 1077DF CARF MF Processo nº 10166.727033/2011­22  Acórdão n.º 9202­004.638  CSRF­T2  Fl. 7          6 b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da  notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999).  c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que  antecedido de defesa, sendo ambos  tempestivos, até quinze dias  da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência  Social ­ CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999).  d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da  decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social ­ CRPS,  enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei  nº 9.876, de 1999).  III ­ para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa:  (...)  Lei 8.212/1991 (nova redação):  Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das  contribuições  sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art.  11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição  e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras  entidades  e  fundos,  não  pagos  nos  prazos  previstos  em  legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora  (g.n.), nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro  de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009).  (...)  Art. 35­A. Nos casos de lançamento de ofício (g.n.) relativos às  contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplica­se o disposto  no art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996.  Acórdão  9.202­003.070  –  Voto  do  Conselheiro  Marcelo  Oliveira  “  (...)  Portanto,  pela  determinação  do  CTN,  acima,  a  administração  pública  deve  verificar,  nos  lançamentos  não  definitivamente  julgados,  se  a  penalidade  determinada  na  nova  legislação  é  menos  severa  que  a  prevista  na  lei  vigente  no  momento  do  lançamento.  Só  não  posso  concordar  com  a  análise  feita,  que  leva  à  comparação de penalidades distintas: multa de ofício e multa de  mora.   (...)  Ocorre que o acórdão recorrido comparou, para a aplicação do  Art. 106 do CTN, penalidade de multa aplicada em  lançamento  de ofício (grifos no original), com penalidade aplicada quando o  Fl. 1078DF CARF MF Processo nº 10166.727033/2011­22  Acórdão n.º 9202­004.638  CSRF­T2  Fl. 8          7 sujeito passivo está em mora, sem a existência do lançamento de  ofício, e decide, espontaneamente, realizar o pagamento.  Para  tanto, na defesa dessa  tese,  há o argumento que a antiga  redação utilizava o termo multa de mora (grifos no original).  Lei 8.212/1991:  Art.  35.  Sobre  as  contribuições  sociais  em atraso, arrecadadas  pelo INSS, incidirá multa de mora (grifos no original), que não  poderá ser relevada, nos seguintes  termos:  (Redação dada pela  Lei nº 9.876, de 1999).  I  ­  para  pagamento,  após  o  vencimento  de  obrigação  não  incluída  em  notificação  fiscal  de  lançamento  (grifos  no  original):  (...)  II ­ para pagamento de créditos  incluídos em notificação fiscal  de lançamento (grifos no original):  Esclarecemos aqui que a multa de lançamento de ofício (grifos  no  original),  como  decorre  do  próprio  termo,  pressupõe  a  atividade  da  autoridade  administrativa  que,  diante  da  constatação de descumprimento da lei, pelo contribuinte, apura  a infração e lhe aplica as cominações legais.  Em  direito  tributário,  cuida­se  da  obrigação  principal  e  da  obrigação acessória, consoante art. 113 do CTN.  A obrigação principal é obrigação de dar. De entregar dinheiro  ao  Estado  por  ter  ocorrido  o  fato  gerador  do  pagamento  de  tributo ou de penalidade pecuniária.  A obrigação acessória é obrigação de fazer ou obrigação de não  fazer.  A  legislação  tributária  estabelece  para  o  contribuinte  certas obrigações de fazer alguma coisa (escriturar livros, emitir  documentos fiscais etc.): são as prestações positivas de que fala  o  §2º  do  art.  113  do CTN. Exige  também,  em certas  situações,  que  o  contribuinte  se  abstenha  de  produzir  determinados  atos  (causar  embaraço  à  fiscalização,  por  exemplo):  são  as  prestações  negativas,  mencionadas  neste  mesmo  dispositivo  legal.  O descumprimento de obrigação principal gera para o Fisco o  direito  de  constituir  o  crédito  tributário  correspondente,  mediante  lançamento  de  ofício  (grifos  no  original).  É  também  fato  gerador  da  cominação  de  penalidade  pecuniária,  leia­se  multa, sanção decorrente de tal descumprimento.  O descumprimento de obrigação acessória gera para o Fisco o  direito de aplicar multa, igualmente por meio de lançamento de  ofício  (grifos  no  original).  Na  locução  do  §3º  do  art.  113  do  CTN,  este  descumprimento  de  obrigação  acessória,  isto  é,  de  obrigação  de  fazer  ou  não  fazer,  converte­a  em  obrigação  principal, ou seja, obrigação de dar.  Fl. 1079DF CARF MF Processo nº 10166.727033/2011­22  Acórdão n.º 9202­004.638  CSRF­T2  Fl. 9          8 Já  a  multa  de  mora  não  pressupõe  a  atividade  da  autoridade  administrativa,  não  tem  caráter  punitivo  e  a  sua  finalidade  primordial é desestimular o cumprimento da obrigação  fora de  prazo. Ela  é  devida  quando  o  contribuinte  estiver  recolhendo  espontaneamente um débito vencido.  Essa  multa  nunca  incide  sobre  as  multas  de  lançamento  de  ofício (grifos no original) e nem sobre as multas por atraso na  entrega de declarações.  Portanto,  para  a  correta  aplicação  do  Art.  106  do  CTN,  que  trata de retroatividade benigna, o Relator deveria ter comparado  a  penalidade  determinada  pelo  II,  Art.  35  da  Lei  8.212/1991  (créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (grifos  no  original),  antiga  redação,  com  a  penalidade  determinada  atualmente  pelo  Art.  35­A  da  Lei  8.212/1991  (nos  casos  de  lançamento de ofício (grifos no original)).  Conseqüentemente,  divirjo  do  acórdão  recorrido,  pelas  razões  expostas.  (...)”  Verifico, assim, que, ainda que a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212, de  1991, tenha utilizado apenas a expressão “multa de mora”, independentemente da denominação  que tenha se dado à penalidade, não resta dúvida de que estavam ali descritas duas diferentes  espécies de multas: a) as multas de mora propriamente ditas e b) as multas lançadas de ofício.   As  primeiras  eram  cobradas  com  o  tributo  recolhido  espontaneamente.  As  últimas, cobradas nos  lançamentos de ofício e através de notificação  fiscal de  lançamento de  débito,  ou,  posteriormente,  após  a  fusão  entre  a  SRP  e  RFB,  através  de  auto  de  infração  (lançamento  de  obrigação  principal)  e  auto  de  infração  (no  caso  de  obrigação  acessória  convertida em obrigação principal através de lavratura de AI pelo seu descumprimento), ambas  por força de ação fiscal, tal como ocorria com os demais tributos federais.   Ainda,  quanto  às multas  de  ofício,  estas  duas  situações  supra  elencadas  se  encontravam,  respectivamente,  regradas  na  forma  dos  antigos  arts.  35,  II  (multa  referente  à  obrigação  principal  constituída  através  de  NFLD  ou  AI)  e  32,  IV,  §4o.  ou  §5o.  (ambos  referindo­se à obrigação acessória convertida em obrigação principal através de lavratura de AI  pelo  seu  descumprimento),  ambos  da  Lei  nº  8.212,  de  1991,  sendo  que,  com  a  alteração  legislativa propugnada no referido diploma, passaram a estar regradas conjuntamente na forma  de seu art. 35­A.  Assim,  entendo  que  a  penalidade  a  ser  aplicada,  uma  vez  caracterizada  a  ocorrência  de  lançamento  de  ofício  da  obrigação  principal  através  de  NFLD(s)  ou  AI(s)  correspondente(s),  não  pode  ser  aquela  mais  benéfica  a  ser  obtida  pela  comparação  da  estabelecida pela  anterior  redação do art.  32,  inciso  IV, §4o.  ou 5o  da Lei nº 8.212, de 1991  (aplicável  para  os  casos  de  descumprimento  de  obrigação  acessória  relativa  a  prestação  de  informações  em  GFIP  mesmo  nos  casos  como  o  sob  análise  em  que  havia  concomitante  constituição de ofício da obrigação principal através de NFLD ou AI) com a do art. 32­A da  Lei nº 8.212, de 1991,  incluído pela Lei  nº 11.941, de 2009, uma vez que a  aplicação desta  última,  em meu  entendimento,  deve  se  cingir  a  casos  em  que  há  o  efetivo  recolhimento  da  Fl. 1080DF CARF MF Processo nº 10166.727033/2011­22  Acórdão n.º 9202­004.638  CSRF­T2  Fl. 10          9 contribuição  previdenciária  lançada,  com  somente  a  obrigação  acessória  tendo  sido  descumprida, sem lançamento de ofício.  Fundamental  notar  ter  decorrido  a  constituição  da  multa,  originada  pelo  descumprimento de obrigação acessória em questão nos presentes autos, de procedimento de  ofício.  A propósito, entendo que, para fins de aplicação da retroatividade benéfica,  se deva comparar àquela antiga multa por descumprimento de obrigação acessória (regrada na  forma da anterior redação do art. 32, inciso IV, §4o ou §5o da Lei nº 8.212, de 1991), quando  somada à multa aplicada no âmbito do(s) NFLD(s) ou AI(s) de obrigação principal conexo(s)  (regrada na forma da anterior redação do art. 35,  inciso II da Lei nº 8.212, de 1991), a multa  estabelecida pelo art. 44, da mesma Lei nº 9.430, de 1996, e atualmente aplicável quando dos  lançamentos de ofício, consoante disposto no art. 35­A, da Lei nº 8.212, de 1991.   Outrossim, analisando­se o relatório fiscal nas e­fls. 24 a 27 e em particular  as planilhas à e­fl. 26, pode­se observar que, no tocante às contribuições previdenciárias, houve  a aplicação da comparação acima descrita no período de 01/2008 a 11/2008.  Conclusão  Dessarte, voto no sentido de conhecer do recurso especial de divergência da  Procuradora  da  Fazenda Nacional  para  dar­lhe  provimento  e  para  que  seja mantida  a multa  conforme calculada no lançamento.    (assinado digitalmente)  Luiz Eduardo de Oliveira Santos  Fl. 1081DF CARF MF Processo nº 10166.727033/2011­22  Acórdão n.º 9202­004.638  CSRF­T2  Fl. 11          10                           Fl. 1082DF CARF MF

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6544357 #
Numero do processo: 13706.000219/90-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: CRSF/01-00.091
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: José Carlos Passuelo

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conteudo_txt : Metadados => date: 2013-10-22T12:35:04Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 7; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2013-10-22T12:35:04Z; Last-Modified: 2013-10-22T12:35:04Z; dcterms:modified: 2013-10-22T12:35:04Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:c2314e4f-62d9-4d42-abfd-edfb053e2ae0; Last-Save-Date: 2013-10-22T12:35:04Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2013-10-22T12:35:04Z; meta:save-date: 2013-10-22T12:35:04Z; pdf:encrypted: false; modified: 2013-10-22T12:35:04Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2013-10-22T12:35:04Z; created: 2013-10-22T12:35:04Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; Creation-Date: 2013-10-22T12:35:04Z; pdf:charsPerPage: 1061; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2013-10-22T12:35:04Z | Conteúdo => MANOEL A PRESIDEN /z, DELHA DIAS MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA TURMA Processo n° : 13706.000219/90-98 Recurso n° : 107-132.397 Matéria : IRPF — Ex. 1988 Interessado : INACIO FRADIQUE MORETTI SANTANA Recorrente : FAZENDA NACIONAL Recorrida : Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes Sessão de : 19 de junho de 2006. RESOLUÇÃO N°: CSRF/01 -00.091 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL, RESOLVEM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. JOSÉ ClRLO PASSUELLO RELAT R FORMALIZADO EM: 04 AGO 2006 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: CÂNDIDO RODRIGUES NEUBER, MARCIO CALDEIRA MACHADO (Substituto Convocado), JOSE CLOVIS ALVES, MARCOS VINICIUS NEDER DE LIMA, CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, DORIVAL PADOVAN, JOSÉ HENRIQUE LONGO e MÁRIO JUNQUEIRA FRANCO JÚNIOR. ICS Processo n° : 13706.000219/90-98 Resolução no : CSRF/01-00.091 Recurso n° : 107-132.397 Interessado : INACIO FRADIQUE MORETTI SANTANA Recorrente : FAZENDA NACIONAL RELATÓRIO Trata-se de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional (fls. 178 a 195), com arrimo no art. 5°, II, do RI, contra a Egrégia 7' Câmara deste 1° Conselho na sessão de 16.04,2003 consubstanciada no Acórdão n° 107-07.098 (fls. 161 a 164), assim resumido: Número do Recurso: 132397 Câmara: SÉTIMA CÂMARA Número do Processo: 13706.000219190-98 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria:IRPF Recorrente: INÁCIO FRADIQUE MORETTI SANTANA Recorrida/Interessado:DRJ-RIO DE JANEIRO/RJ I Data da Sessão: 16/04/2003 00:00:00 Relator: Edwal Gonçalves dos Santos Decisão: Acórdão 107 -07098 Resultado: DPU - DAR PROVIMENTO POR UNANIMIDADE Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. Ementa: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA - DECORRÊNCIA - Aplica-se por igual, aos processos formalizados por decorrência, o que for decidido no julgamento do processo principal, em razão da intima relação de causa e efeito. Recurso provido. O recurso especial foi acolhido pelo Despacho Presi no 107-121/04 (fls. 196 a 198) mediante divergência con figurada com o paradigma, Acórdão n° CSRF/01- 04.501, assim ementado: Número do Recurso: 107-127560 Turma: PRIMEIRA TURMA Número do Processo: 10768.003286/90 -60 Tipo do Recurso: RECURSO DO PROCURADOR Matéria: IRPJ Recorrente: FAZENDA NACIONAL Interessado(a): CITY DISTRIBUIDORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS LTDA. Data da Sessão: 14/04/2003 15:30:00 Relator(a):Mário Junqueira Franco Júnior Acórdão:CSRF/01 -04.501 Decisão:DPU - DAR PROVIMENTO POR UNANIMIDADE Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos t relatório e voto que passam a integrar o presente jul do. Processo n° : 13706.000219/90-98 Resolução n° : CSRF/01-00.091 Ementa: IRPJ — ANO-CALENDÁRIO 1987— GLOSA DE PREJUÍZOS - OPERAÇÕES FINANCEIRAS "DAY-TRADE" SUCESSIVAS — IMPROBABILIDADE QUASE ABSOLUTA — FRAUDE — Operações sucessivas no mercado "day-trade" de OTNs, com as mesmas pessoas em ambas as pontas de negociação, até mesmo em dias distintos, são notária e matematicamente improváveis, demonstrando intuito de fraude, pois em todas as instâncias restou a pessoa jurídica com prejuízo e a pessoa física com rendimento não tributável, sendo também relevante destacar ser a pessoa física beneficiária sócia da empresa corretora de todas as operações. Recurso especial da Fazenda Nacional provido. Interessante situação processual se apresenta, porquanto o processo compõe um conjunto de autos de infração formados por duas pessoas jurídicas e sete pessoas físicas mediante glosa ou tributação dos resultados obtidos por interação em operações financeiras de "day-trade". A mesma 7a Câmara julgou o recurso n° 127560 da empresa CITY DISTRIBUIDORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS LTDA., conforme Acórdão n° 107-06.617: Número do Recurso: 127560 Câmara: SÉTIMA CÂMARA Número do Processo: 10768.003286190-60 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria: IRPJ Recorrente: CITY DISTRIBUIDORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS LTDA. Recorrida/Interessado: DRJ-RIO DE JAN EIRO/RJ Data da Sessão: 21/05/2002 00:00:00 Relator: Edwal Gonçalves dos Santos Decisão: Acórdão 107 -06617 Resultado: OUTROS - OUTROS Texto da Decisão: Por maioria de votos, REJEITAR as preliminares argüidas e, no mérito, DAR provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz e Neicyr de Almeida Ementa: IRPJ - PRELIMINAR DE PRESCRIÇÃO - Este Colegiado vem rechaçando a argüição de prescrição intercorrente por entender que a interposição da peça defensória suspende a exigibilidade do crédito tributário. PREJUÍZO COM TÍTULOS PÚBLICOS - OTN - DAY TRADE - Cabível a dedução de prejuízos apurados nas operações lastreadas em títulos públicos, no ano de 1.987, por instituições financeiras, nas trans oes da espécie caracterizadas como operacionais, face ao ordenam legal à essa época. Recurso provido Processo n° : 13706.000219/90-98 Resolução n° : CSRF/01-00.091 Conforme demonstrado na decisão de primeiro grau, fls. 71 e 82, ambos processos formaram-se a partir da mesma operação, sendo ambos providos no âmbito da 7a Câmara. Além dos dois citados processos, formou-se, ainda, da mesma operação o processo n° 10768.003283/90-71, recurso n° 126.453, julgado pela 8a Câmara na sessão de 16.10.2001: Número do Recurso: 126453 Câmara: OITAVA CÂMARA Número do Processo: 10768.003283/90-71 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria: IRPJ Recorrente:ASB S.A. CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO Recorrida/Interessado: DRJ-RIO DE JANEIRO/RJ Data da Sessão: 16/10/2001 00:00:00 Relator: Luiz Alberto Cava Maceira Decisão: Acórdão 108-06706 Resultado: DPU - DAR PROVIMENTO POR UNANIMIDADE Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, DAR provimento ao recurso. Ementa: IRPJ — PRELIMINAR DE PRESCRIÇÃO — Este Colegiado vem rechaçando a argüição de prescrição intercorrente por entender que a interposição da pega defensória suspende a exigibilidade do crédito tributário. PREJUÍZO COM TÍTULOS PÚBLICOS — OTN — DAY TRADE — Cabível a dedução de prejuízos apurados nas operações lastreadas em títulos públicos, no ano de 1987, por instituições financeiras, nas transações da espécie caracterizadas como operacionais, face ao ordenamento legal à essa época. Preliminar rejeitada. Recurso provido. Os três processos foram julgados conforme seguintes condições: Empresa Processo Recurso n° Acórdão Decisão ASB DTVM 10768.003283/90-71 126.453 108-06.706 Provido — unanimidade CITY DTVM 10768.003286/90-60 127.560 107-06.617 Provido — maioria José.F.M.Santana 13706.000219/90-98 132.397 107-07.098 Provido — unanimidade Os dois processos de pessoa jurídica foram formados mediante glosa dos prejuízos oriundos da operação, enquanto o presente processo reflete a tributação do ganho que lhe foi imputado referente a parte da operação, sendo que o recorre participou das operações juntamente com outras pessoas físicas: Jorge Raab, Processo n° : 13706.000219/90-98 Resolução n° : CSRF/01-00.091 Assunção, Inácio Santana, Marco da Costa, José B Vidal e Lindomar Paes (ver demonstrativo de fls. 71). 0 auto de infração (fls. 02 e verso) indica claramente o fato ensejador da tributação: "No uso de minhas atribuições de Auditor Fiscal do Tesouro Nacional procedi a fiscalização da Pessoa Física retro identificada relativamente ao Imposto de Renda do Exercício de 1988, em virtude de reflexo de fiscalização também procedida nas empresas CITY DTVM LTDA. e ASB DTVM S/A. No caso em espécie desta Pessoa Física foi constatado haver e mesma obtido lucro em opera cães de mercado futuro de OTN na Bolsa Mercantil & Futuro mediante artificio e em conluio paga gerar prejuízos nas citadas empresas; tais fatos, por si, desautorizam o contribuinte considerar tais rendimentos como não tributáveis, como o forma em sua declaração. Os valores de Cz$ 1.700.000. e Cz$ 960.000. indevidamente classificados como não tributáveis são aqui tributados, conforme demonstrativos anexos e valores retro-expressos." As operações tributadas referem-se ás faturas n° 019 e 030 (fls. 15) 0 recurso 127560 que produziu o Acórdão n° 107-06.617, que foi atacado por Recurso Especial da Fazenda Nacional tendo sido a decisão reformada como faz certo o Acórdão CSRF/01-04.501, como demonstro: Número do Recurso: 107-127560 Turma: PRIMEIRA TURMA Número do Processo: 10768.003286/90 -60 Tipo do Recurso: RECURSO DO PROCURADOR Matéria: IRPJ Recorrente: FAZENDA NACIONAL Interessado(a): CITY DISTRIBUIDORA DE TiTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS LTDA. Data da Sessão: 14/04/2003 15:30:00 Relator(a): Mario Junqueira Franco Júnior Acórdão:CSRF/01 -04.501 Decisão: DPU - DAR PROVIMENTO POR UNANIMIDADE Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos term s do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ementa: IRPJ — ANO-CALENDÁRIO 1987— GLOSA DE PREJUÍZOS Processo n° : 13706.000219/90-98 Resolução n° : CSRF/01-00.091 OPERAÇÕES FINANCEIRAS "DAY-TRADE" SUCESSIVAS — IMPROBABILIDADE QUASE ABSOLUTA — FRAUDE — Operações sucessivas no mercado "day-trade" de OTNs, com as mesmas pessoas em ambas as pontas de negociação, até mesmo em dias distintos, são notória e matematicamente improváveis, demonstrando intuito de fraude, pois em todas as instâncias restou a pessoa jurídica com prejuízo e a pessoa física com rendimento não tributável, sendo também relevante destacar ser a pessoa física beneficiária sócia da empresa corretora de todas as operações. Recurso especial da Fazenda Nacional provido. Quanto ao recurso n° 126.453 não consta recurso especial, estando registrado no site dos Conselhos a movimentação do processo nos seguintes passos: Número do Recurso: 126453 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Data de Entrada: 11/05/2001 Número do Processo: 10768.003283/90-71 Nome do Contribuinte:ASB S.A. CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO Matéria: IRPJ Andamentos: 11/05/2001 - Aguardando Distribuição 21/05/2001 - Distribuído para Câmara: OITAVA CÂMARA 21/05/2001 - Aguardando Sorteio Para Relator, Câmara: OITAVA CÂMARA 19/06/2001 - Sorteado para Relator: Luiz Alberto Cava Maceira 02/10/2001 - Colocado em Pauta, Data Sessão: 16/10/2001 - 14:30, Tipo Pauta: NORMAL, ORDINÁRIA 16/10/2001 - Decisão/Ementa - Acórdão N°: 108-06706 - DPU 19/10/2001 - Aguardando Edição De Texto, Câmara: OITAVA CÂMARA 19/10/2001 - Aguardando Assinatura Do Presidente, Câmara: OITAVA CÂMARA 22/10/2001 - Aguardando Ciência Do Procurador, Câmara: OITAVA CÂMARA 17/12/2001 - Ementário Publicado No DOU: 13/11/2001, Câmara: OITAVA CÂMARA 03/05/2002 - Para Recurso Ou Contra-razões, Procurador: Adão Paes da Silva 03/05/2002 - Aguardando Expedição, Câmara: OITAVA CÂMARA 20/05/2002 - Saida Com Acórdão, Seção: SECRETARIA GERAL 28/05/2002 - Expedido Para Outro broo, brg5o: DRJ-RIO DE JANEIRO/RJ Conforme informação obtida no site da Fazenda/Comprot, tima movimentação do processo 6: -) Dados do Processo Número; 10768.003283/90-71 Processo n° : 13706.000219/90-98 Resolução n° : CSRF/01-00.091 Data de Protocolo : 26/01/1990 Documento de Origem : Procedência: assunto: AUTO DE INFRACAO-IRP) Nome do Interessado: ASB DTVM S A CNPJ : 59.987.370/0001-07 Localização Atual órgão Origem : ESCRITORIO CORREGEDORIA-GERAL-SRF-7RF-R3 ôrgão Destino: SERV CONTROLE ACOMP TRIBUTARIO-DRFSDR-BA Movimentado em : 13/02/2006 Sequencia : 0031. RM : 10018 Situação : EM ANDAMENTO uF : BA A autoridade julgadora de primeiro grau, ao julgar o processo declarou ser ele decorrente dos processos n° 10768.003284/90-34 e 10768.003286/90, não identificando a qual deles se vinculava pela operação inquinada de fraudulenta. Examinando detalhadamente o processo encontrei a fls. 15 uma tabela elaborada pela fiscalização com seguintes números: Data Participantes Faturas Lucro/Prejuízo 12/08/87 CITY DTVM 004 (1.513.000) 12/08/87 JORGE RAAB 005 1.513.240 08-09-87 CITY DTVM 009 (2.001.240) 08-09-87 JORGE RAAB 010 2.001.240 24-09-87 JOSÉ D. M. SANTANA 018 3.000.000 24-09-87 INÁCIO F. M. SANTANA 019 1.700.000 24-09-87 MARCO A. C. DA COSTA 021 3.000.000 24-09-87 ASB DTVM 022 (5.000.000) 24-09-87 JORGE RAAB 023 (2.200.000) 24-09-87 JOSÉ A. L. ASSUNÇÃO 024 (3.000.000) 02-10-87 JOÃO BENEDITO VITAL 027 2.520.000 02-10-87 MARCO A. C. COSTA 028 2.520.000 02-10-87 JORGE RAAB 029 2.040.000 02 - 10 -87 INÁCIO F. M. SANTANA 030 960.000 02-10-87 ASB DTVM 031 (3.960.000) Processo n° : 13706.000219/90-98 Resolução no : CSRF/01-00.091 20-10-87 CITY DTVM 032 (5.000.000) 20-10-87 ASB DTVM 033 5.000.000 Convém observar que na tabela acima nos dias 24.09.87 e 02.10.87 não constam operações da CITY mas apenas da ASB, onde consta a participação do autuado — Inácio F M Santana. 0 processo foi julgado pela 7a Câmara como sendo decorrente daquele lá também julgado — Recurso n° 127.560 — CITY DTVM. Examinando, porém, a correlação de valores constante da tabela acima verifico que é provável que este processo seja decorrente daquele julgado pela 8a Câmara — Recurso n° 12.453, da empresa ASB DTVM. Isso porque integra o grupo de valores que tem correspondência de valores — faturas 018 a 024 - $ 1.700.000 (019), e faturas 027 a 031 - $960.000 (030), constando a empresa ASB DTVM. 0 seguimento, quando se acolheu a divergência, ao recurso pelo Despacho Presi n° 107/121/04 se deu, explicitamente diante do tratamento de processo decorrente pela 7a Câmara (fls. 196): "Trata-se de autuação relativa à 1RPF relativo a rendimentos tributáveis sujeitos à declaração obtidos (arts. 20 e 39 do RIR/80) em operações de mercado futuro de OTN na BM&F com as empresas City Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários Ltda. e ASB DTVM S/A. Esta Câmara entendeu que esse procedimento foi decorrente de processo matriz de n° 10768.00328690-60 — cujo titular é a primeira empresa mencionada -, o qual teve o lançamento julgado improcedente por inexistência de provas do prévio acertamento das operações. Em virtude disso, foi de igual modo cancelada a exigência fiscal, estando assim ementados os dois acórdãos em questão: Dessa forma o presente processo poderá ou não se exteriorizar decorrente daquele julgado por esta E. Turma na sessão de 14.04.2003, senão de e verificar a possibilidade da aplicação do principio da decorrência processu Processo n° :13706.000219/90-98 Resolução n° : CSRF/01-00.091 Em contra-razões a recorrente reitera preliminares de decadência e prescrição intercorrente, de nulidade, e reiterou suas razões de recurso voluntário. Juntou, ainda, cópia do Acórdão n° 108-06.706. Assim se apres processo para julgamento. É o relatón Processo n° : 13706.000219/90-98 Resolução n° : CSRF/01-00.091 VOTO Conselheiro JOSE CARLOS PASSUELLO, Relator. 0 recurso especial da Fazenda Nacional foi tempestivamente interposto e teve seguimento proposto na forma regimental. Porém, como expressei no relatório, é visível o provável erro jurídico operado quando de seu julgamento pela 7a Câmara, tratando-o como decorrente do processo instaurado contra a empresa CITY DTVM. Como relatei acima, as operações de "day-trade" forma contratadas em operações distintas com duas empresas, a CITY DTVM e a ASB DTVM, ficando visível a provável realização das duas operações tributadas com a empresa ASB DTVM, em cujo caso o processo não pode se decorrente daquele lavrado contra a CITY DTVM. Nessa linha de raciocínio entendo necessário dirimir a visível dúvida que suscito diante de provável erro jurídico refletido no tratamento do processo como sendo decorrente de outro que não aquele ao qual realmente estaria vinculado. Assim, visando sanear o processo e torná-lo preparado para receber a apreciação sobre a admissibilidade do recurso especial, proponho a conversão do julgamento em diligência para que a autoridade local de jurisdição da recorrente mande providenciar: 1. — Verificação se o processo n° 10768.003283/90-71 encontra-se arquivado e definitivamente encerrado e se recebeu tramitação posterior ao julgamento pela 8a Câmara — Acórdão n° 108-06.706, bem como em que estado se encontra; 2. — Obter, no processo n° 10768.003283/90-71 ou no processo n° 10768.003286/90-60, cópias das faturas n° 019 e 030 mencionadas a fls. 15, ou ocorrer impossibilidade em obtê-las, documentos existentes nos proce sos aci Sala da essões F, em 19 de junho de 2006. //I JOS ARLOS PASSUELLO Processo n° : 13706.000219/90-98 Resolução n° : CSRF/01-00.091 permitam concluir se as operações foram contratadas com a CITY DTVM ou corn a ASB DTVM, visando definir de qual dos processos mencionados este é decorrente; 3. — Elaborar relatório circunstanciado que identifique a correlação de dependência do presente processo aquele em que a glosa do valor correspondente tenha ocorrido; 4. — Dar ciência à empresa para, querendo, manifeste-se no prazo de trinta dias; 5. — Cumprida a diligência, retorne o processo a este Colegiado para nova inclusão em pauta de julgamento.

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Numero do processo: 10314.728429/2014-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1301-000.380
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por COMPANHIA SIDERÚRGICA NACIONAL. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Relator. (documento assinado digitalmente) Waldir Rocha Veiga - Presidente (documento assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e José Roberto Adelino da Silva. RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário interposto por COMPANHIA SIDERÚRGICA NACIONAL contra o Acórdão nº 12-75.018, da 2ª Turma da DRJ/RJO, que julgou improcedente a impugnação apresentada para combater auto de infração de IRPJ. Pela clareza do relatório da DRJ, reproduzo-o para adotá-lo, verbis: “O presente processo tem origem no auto de infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica-IRPJ, lavrado pela Delex-São Paulo-SP e cientificado à interessada acima identificada em 08/12/2014, conforme Aviso de Recebimento-AR de fl. 326, no valor de R$ 103.893.122,02, acrescido da multa de ofício, no percentual de 75%, e demais encargos moratórios. A autuação, conforme a descrição dos fatos do auto de infração e o Termo de Constatação de Irregularidades Fiscais-TCIF de fls. 309/315, decorre de glosa de prejuízos compensados indevidamente, uma vez que insuficientes, no ano-calendário de 2009, no montante de R$ 415.572.488,08. A insuficiência foi resultado dos autos de infração objetos dos processos n°s 19515.723092/2013-51 (que consolidou saldo de prejuízos compensáveis de R$ 53.210.572,05 em 31/12/2007), 16682.720452/2011-81 (referente a "lucros no exterior", que a interessada reconheceu procedente, "tendo incluído-o" (sic) em parcelamento especial da Lei nº 12.865/2013) e 19515.723039-2012-79 (chamado pela interessada de caso "Big Jump"), que absorveram, no quarto trimestre do ano-calendário de 2008, quase todo o saldo de prejuízos fiscais compensáveis que a interessada dispunha, restando apenas R$ 53.210.572,05, utilizado no parcelamento especial das leis nºs 11.941/2009 e 12.249/2010, não restando saldo passível de compensação em 31/12/2008, sendo o auto de infração exatamente a glosa dos prejuízos compensados pela interessada no ano-calendário de 2009. Enquadramento Legal: Art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; art. 247 e 250, inciso III, 251, 509 e 510 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999. Da Impugnação Inconformada com o lançamento, a interessada apresentou, em 02/01/2014, sua impugnação de fls. 332/398, na qual descreve a autuação, argui a tempestividade e alega, em síntese: Que à época da compensação glosada, em 31/12/2009, detinha prejuízos compensáveis suficientes, uma vez que o auto de infração que tornou os mesmos indisponíveis somente foi lavrado após 31/12/2009, mais precisamente em 27/12/2012. Que o julgamento do processo n° 19515.723039/2012-79, em 26/08/2014 pelo CARF, não é definitivo. Discorre que o período-base autuado já havia sido examinado nos autos dos processos n°s 19515.723039/2012-79 ("Big Jump") e 1515.723092/2013-51, o que gerou a necessidade da expedição pelo Delegado da DELEX-SP da Autorização para reexame de período já fiscalizado, fundada no art. 906 do RIR/1999, arguindo a nulidade de tal ato, e consequentemente do lançamento em litígio, uma vez que o artigo 906 do RIR/1999 determina a expedição de "ordem" do Delegado e não "autorização a pedido de Auditor-Fiscal", bem como no mesmo não consta a sua motivação, requisito indispensável para sua validade. Protesta que o Fiscal excedeu a autorização, uma vez que não se restringiu aos anos autorizados de 2009 e 2010, revisitando o saldo de prejuízos do quarto trimestre de 2008. Alega que os arts. 250, inciso II, e 509 do RIR/1999, nos quais foi enquadrada a autuação, não a tipificam, mas sim salvaguardam seus procedimentos de compensação, demonstrando a inexistência de tipicidade na autuação. Discorre que a inexistência de saldo de prejuízos teve origem em conduta praticada pela fiscalização em autuações anteriores, e não pela interessada, não havendo que se falar, portanto, em prática de infração por sua parte, uma vez que não realizou de forma deliberada qualquer compensação que soubesse não ter saldo de prejuízos suficiente para tal. Argumenta que, em face do principio da legalidade, é essencial o exato enquadramento das infrações, além da necessidade de ser provado o dolo na conduta do agente, ou seja, o intuito de desrespeitar a lei com o fito de se reduzir tributos, não tendo isso ficado evidenciado no trabalho fiscal. Discorre que o Fiscal alterou a formação do saldo de prejuízos do quarto trimestre de 2008 para então desqualificar a compensação deste saldo realizada em 31/12/2009, efetuando o presente lançamento com base em auto de infração restabelecido pelo CARF em 2014, que destaca sequer se encontra definitivamente julgado em sede administrativa, protestando que isso gera insegurança jurídica quanto ao direito de utilização de saldos de prejuízos, uma vez que o Fiscal se utilizou, no ano de 2012, para compensação de ofício no auto de infração do processo n° 19515.723039/2012-79, de saldo já absorvido por compensação anterior realizada pela interessada em 31/12/2009, protestando que a interferência em seu saldo de prejuízos naquele processo não poderia ter ocorrido sem a desqualificação notificada das compensações por ela realizadas em 2009. Alega que a autuação não diz respeito ao exercício de 2009, mas à alteração promovida pelo CARF, em 2014, em seu saldo de prejuízos do ano de 2008, em função do auto de infração "Big Jump". Assim, o presente auto estaria "inaugurando uma nova situação em 2008". Discorre que seu saldo de prejuízos de 2008 foi por três vezes homologado expressamente, não podendo a revisão objeto do presente processo reverter tal homologação. Protesta que o auto de infração "Big Jump" não poderia ter alterado, em 2014, o saldo de prejuízos de 31/12/2008, quão menos o presente auto de infração, igualmente em 2014, uma vez que já transcorrido o prazo decadencial do art. 150 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional-CTN). Considera que o presente lançamento tem como motivação corrigir um erro no processo n° 19515.723039/2012-79 ("Big Jump"), quando o Fiscal se utilizou, em 2012, de prejuízos de 2008 já consumidos pela interessada em 2009. Pede o reconhecimento da homologação da apuração de IRPJ de 2008 e argui a decadência do direito da Fazenda Pública à revisão dos mesmos em 2014. Alega que teria ocorrido a preclusão do Fisco rever os fatos relativos ao ano-calendário de 2008. Pede a nulidade do lançamento por afrontar institutos consagrados no Direito, em especial o exercício regular de um direito (à compensação de prejuízos), ato jurídico perfeito (a formação do saldo de prejuízos em 2008 e o pagamento de imposto em 2009 via compensação de tais prejuízos) e o direito adquirido de ter reconhecida a existência de prejuízos e a quitação parcial do IRPJ. Protesta que o lançamento não poderia se basear no SAPLI, por ser o mesmo tão somente um instrumento de controle interno na RFB da criação, utilização e extinção de saldos de prejuízos fiscais dos contribuintes. Alega que o auto de infração seria nulo, pois não poderia ser lavrado antes do deslinde do processo do qual seria reflexo, de n° 19515.723039/2012-79 (Big Jump), que se encontra suspenso, ocorrendo com isso o cerceamento do seu direito de defesa. Protesta ainda contra a multa de ofício, uma vez que a mesma seria voltada a combater e coibir atos ilícitos por parte dos contribuintes, quando no presente caso agiu conforme a lei, utilizando saldos de prejuízos fiscais conforme se encontravam escriturados e declarados à época. Quando muito seria cabível a hipótese do auto ter sido lavrado para evitar a decadência, o que ainda neste caso resulta em descabimento da multa de ofício. Encerra elencando (sic) e resumindo suas razões impugnatórias, pedindo a decretação da nulidade do auto de infração ou o integral provimento da impugnação, com o cancelamento dos créditos tributários de IRPJ e multa de ofício e requerendo o direito de juntada de novos documentos.” Decisão recorrida às fls. 835/844, assim ementada: “Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2009 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O atendimento aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, a presença dos requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235/1972 e a observância do contraditório e do amplo direito de defesa do contribuinte afastam a hipótese de nulidade do lançamento. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para o sobrestamento do processo administrativo, que se rege pelo princípio da oficialidade, impondo à Administração impulsionar o processo até o seu término. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 PREJUÍZOS FISCAIS DE PERÍODOS ANTERIORES INSUFICIENTES. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Sendo insuficiente o saldo de prejuízos fiscais de períodos anteriores passível de compensação, porquanto absorvido por infrações apuradas em procedimentos de ofício anterior, mantém-se a glosa do valor compensado pelo contribuinte. MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL DE 75%. CABIMENTO. Apurada falta ou insuficiência de recolhimento de Imposto, cabível é a exigência da multa de ofício, no percentual de 75%.” Ciência da decisão de primeira instância no dia 23/04/2015, à fl. 849. Recurso voluntário interposto no dia 21/05/2015, às fls. 852/919. Nesta oportunidade, aduz que a presente atuação decorre de glosa de prejuízos fiscais compensados indevidamente, no ano-calendário de 2009. A insuficiência dos prejuízos, consoante o agente fiscal, resultou dos autos de infração que são objeto de outros processos administrativos, quais sejam: os processos 19515.723092/2013-51, 16682.720452/2011-81 e 19515.723039/2012-79 (este último chamado de "Big Jump"). Tais feitos, segundo a Fiscalização, teriam absorvido quase todo o saldo de prejuízos fiscais compensáveis de que dispunha a Recorrente. O processo nº 16682.720452/2011-81 se refere à ausência de adição, ao lucro líquido da Recorrente, no ano-calendário de 2008, de lucros auferidos no exterior por filiais, sucursais, controladas ou coligadas. Conforme o relatório fiscal, durante o 4º trimestre do ano calendário de 2008, exercício 2009, a Recorrente teria apurado prejuízo no valor de R$ 913.092.707,01 (DIPJ 2009/2008), do qual reduziu-se o montante de R$ 227.131.540,84, em função da adição, de ofício, dos citados lucros auferidos no exterior. Inicialmente, a Recorrente optou por impugnar a autuação fiscal acima, mas, ao final, em virtude de parcelamento específico criado para essa espécie de débito, desistiu do recurso para aderir ao referido programa, assumindo, assim, o resultado do lançamento tributário e suas consequências, dentre elas a redução do prejuízo fiscal gerado no 4ª trimestre do ano-calendário de 2008, que passou de R$ 913.092.707,01 para R$ 685.961.166.17, bem como o pagamento de eventual diferença do tributo cobrado por meio do auto de infração do processo administrativo nº 19515.723092/2013-51. A Recorrente informa que os efeitos do decidido no processo n° 16682.720452/2011-81, em relação ao aproveitamento, no ano-calendário de 2010, do saldo de prejuízo fiscal remanescente do ano-calendário de 2009, já foram devidamente tratados no auto de infração do processo nº 19515.723092/2013-51 (lavrado em dezembro de 2013), assim como no auto de infração constante do processo nº 16561.720063/2014-74, de tal forma a extinguir-se todo o saldo de prejuízo fiscal no ano de 2010. Ainda no tocante ao tema "lucros no exterior", insta elucidar que a Fiscalização lavrou outro auto de infração em desfavor da Recorrente, constante do processo administrativo n° 16643.720041/2013-13, mediante o qual majorou o lucro real anterior à compensação de prejuízos, referente ao ano calendário de 2009. Conforme o declarado na DIPJ de 2010/2009, esse lucro correspondia a R$ 1.385.241.626,91. Com o lançamento tributário, esse lucro passou a ser R$ 1.534.602.236,14. Vale salientar, ademais, que o agente fiscal que atuou nesse feito, à semelhança daquele que lavrara o auto de infração relativo ao processo nº 16682.720452/2011-81, descuidou-se das tarefas respeitantes às alterações, de ofício, nos sistemas eletrônicos de controle do saldo de prejuízos fiscais e de bases de cálculo negativas de CSLL. Dessa omissão surgiu a necessidade dos devidos ajustes, levadas a efeito no procedimento de revisão interna que gerou a autuação ora combatida. Antes dos lançamentos tributários supracitados, este era o quadro de controle de saldos de prejuízos fiscais: Com as autuações supracitadas, o quadro de controle de saldos de prejuízos tomou a configuração que segue:
Nome do relator: FLAVIO FRANCO CORREA

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por COMPANHIA SIDERÚRGICA NACIONAL. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Relator. (documento assinado digitalmente) Waldir Rocha Veiga - Presidente (documento assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e José Roberto Adelino da Silva. RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário interposto por COMPANHIA SIDERÚRGICA NACIONAL contra o Acórdão nº 12-75.018, da 2ª Turma da DRJ/RJO, que julgou improcedente a impugnação apresentada para combater auto de infração de IRPJ. Pela clareza do relatório da DRJ, reproduzo-o para adotá-lo, verbis: “O presente processo tem origem no auto de infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica-IRPJ, lavrado pela Delex-São Paulo-SP e cientificado à interessada acima identificada em 08/12/2014, conforme Aviso de Recebimento-AR de fl. 326, no valor de R$ 103.893.122,02, acrescido da multa de ofício, no percentual de 75%, e demais encargos moratórios. A autuação, conforme a descrição dos fatos do auto de infração e o Termo de Constatação de Irregularidades Fiscais-TCIF de fls. 309/315, decorre de glosa de prejuízos compensados indevidamente, uma vez que insuficientes, no ano-calendário de 2009, no montante de R$ 415.572.488,08. A insuficiência foi resultado dos autos de infração objetos dos processos n°s 19515.723092/2013-51 (que consolidou saldo de prejuízos compensáveis de R$ 53.210.572,05 em 31/12/2007), 16682.720452/2011-81 (referente a "lucros no exterior", que a interessada reconheceu procedente, "tendo incluído-o" (sic) em parcelamento especial da Lei nº 12.865/2013) e 19515.723039-2012-79 (chamado pela interessada de caso "Big Jump"), que absorveram, no quarto trimestre do ano-calendário de 2008, quase todo o saldo de prejuízos fiscais compensáveis que a interessada dispunha, restando apenas R$ 53.210.572,05, utilizado no parcelamento especial das leis nºs 11.941/2009 e 12.249/2010, não restando saldo passível de compensação em 31/12/2008, sendo o auto de infração exatamente a glosa dos prejuízos compensados pela interessada no ano-calendário de 2009. Enquadramento Legal: Art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; art. 247 e 250, inciso III, 251, 509 e 510 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999. Da Impugnação Inconformada com o lançamento, a interessada apresentou, em 02/01/2014, sua impugnação de fls. 332/398, na qual descreve a autuação, argui a tempestividade e alega, em síntese: Que à época da compensação glosada, em 31/12/2009, detinha prejuízos compensáveis suficientes, uma vez que o auto de infração que tornou os mesmos indisponíveis somente foi lavrado após 31/12/2009, mais precisamente em 27/12/2012. Que o julgamento do processo n° 19515.723039/2012-79, em 26/08/2014 pelo CARF, não é definitivo. Discorre que o período-base autuado já havia sido examinado nos autos dos processos n°s 19515.723039/2012-79 ("Big Jump") e 1515.723092/2013-51, o que gerou a necessidade da expedição pelo Delegado da DELEX-SP da Autorização para reexame de período já fiscalizado, fundada no art. 906 do RIR/1999, arguindo a nulidade de tal ato, e consequentemente do lançamento em litígio, uma vez que o artigo 906 do RIR/1999 determina a expedição de "ordem" do Delegado e não "autorização a pedido de Auditor-Fiscal", bem como no mesmo não consta a sua motivação, requisito indispensável para sua validade. Protesta que o Fiscal excedeu a autorização, uma vez que não se restringiu aos anos autorizados de 2009 e 2010, revisitando o saldo de prejuízos do quarto trimestre de 2008. Alega que os arts. 250, inciso II, e 509 do RIR/1999, nos quais foi enquadrada a autuação, não a tipificam, mas sim salvaguardam seus procedimentos de compensação, demonstrando a inexistência de tipicidade na autuação. Discorre que a inexistência de saldo de prejuízos teve origem em conduta praticada pela fiscalização em autuações anteriores, e não pela interessada, não havendo que se falar, portanto, em prática de infração por sua parte, uma vez que não realizou de forma deliberada qualquer compensação que soubesse não ter saldo de prejuízos suficiente para tal. Argumenta que, em face do principio da legalidade, é essencial o exato enquadramento das infrações, além da necessidade de ser provado o dolo na conduta do agente, ou seja, o intuito de desrespeitar a lei com o fito de se reduzir tributos, não tendo isso ficado evidenciado no trabalho fiscal. Discorre que o Fiscal alterou a formação do saldo de prejuízos do quarto trimestre de 2008 para então desqualificar a compensação deste saldo realizada em 31/12/2009, efetuando o presente lançamento com base em auto de infração restabelecido pelo CARF em 2014, que destaca sequer se encontra definitivamente julgado em sede administrativa, protestando que isso gera insegurança jurídica quanto ao direito de utilização de saldos de prejuízos, uma vez que o Fiscal se utilizou, no ano de 2012, para compensação de ofício no auto de infração do processo n° 19515.723039/2012-79, de saldo já absorvido por compensação anterior realizada pela interessada em 31/12/2009, protestando que a interferência em seu saldo de prejuízos naquele processo não poderia ter ocorrido sem a desqualificação notificada das compensações por ela realizadas em 2009. Alega que a autuação não diz respeito ao exercício de 2009, mas à alteração promovida pelo CARF, em 2014, em seu saldo de prejuízos do ano de 2008, em função do auto de infração "Big Jump". Assim, o presente auto estaria "inaugurando uma nova situação em 2008". Discorre que seu saldo de prejuízos de 2008 foi por três vezes homologado expressamente, não podendo a revisão objeto do presente processo reverter tal homologação. Protesta que o auto de infração "Big Jump" não poderia ter alterado, em 2014, o saldo de prejuízos de 31/12/2008, quão menos o presente auto de infração, igualmente em 2014, uma vez que já transcorrido o prazo decadencial do art. 150 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional-CTN). Considera que o presente lançamento tem como motivação corrigir um erro no processo n° 19515.723039/2012-79 ("Big Jump"), quando o Fiscal se utilizou, em 2012, de prejuízos de 2008 já consumidos pela interessada em 2009. Pede o reconhecimento da homologação da apuração de IRPJ de 2008 e argui a decadência do direito da Fazenda Pública à revisão dos mesmos em 2014. Alega que teria ocorrido a preclusão do Fisco rever os fatos relativos ao ano-calendário de 2008. Pede a nulidade do lançamento por afrontar institutos consagrados no Direito, em especial o exercício regular de um direito (à compensação de prejuízos), ato jurídico perfeito (a formação do saldo de prejuízos em 2008 e o pagamento de imposto em 2009 via compensação de tais prejuízos) e o direito adquirido de ter reconhecida a existência de prejuízos e a quitação parcial do IRPJ. Protesta que o lançamento não poderia se basear no SAPLI, por ser o mesmo tão somente um instrumento de controle interno na RFB da criação, utilização e extinção de saldos de prejuízos fiscais dos contribuintes. Alega que o auto de infração seria nulo, pois não poderia ser lavrado antes do deslinde do processo do qual seria reflexo, de n° 19515.723039/2012-79 (Big Jump), que se encontra suspenso, ocorrendo com isso o cerceamento do seu direito de defesa. Protesta ainda contra a multa de ofício, uma vez que a mesma seria voltada a combater e coibir atos ilícitos por parte dos contribuintes, quando no presente caso agiu conforme a lei, utilizando saldos de prejuízos fiscais conforme se encontravam escriturados e declarados à época. Quando muito seria cabível a hipótese do auto ter sido lavrado para evitar a decadência, o que ainda neste caso resulta em descabimento da multa de ofício. Encerra elencando (sic) e resumindo suas razões impugnatórias, pedindo a decretação da nulidade do auto de infração ou o integral provimento da impugnação, com o cancelamento dos créditos tributários de IRPJ e multa de ofício e requerendo o direito de juntada de novos documentos.” Decisão recorrida às fls. 835/844, assim ementada: “Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2009 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O atendimento aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, a presença dos requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235/1972 e a observância do contraditório e do amplo direito de defesa do contribuinte afastam a hipótese de nulidade do lançamento. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para o sobrestamento do processo administrativo, que se rege pelo princípio da oficialidade, impondo à Administração impulsionar o processo até o seu término. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 PREJUÍZOS FISCAIS DE PERÍODOS ANTERIORES INSUFICIENTES. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Sendo insuficiente o saldo de prejuízos fiscais de períodos anteriores passível de compensação, porquanto absorvido por infrações apuradas em procedimentos de ofício anterior, mantém-se a glosa do valor compensado pelo contribuinte. MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL DE 75%. CABIMENTO. Apurada falta ou insuficiência de recolhimento de Imposto, cabível é a exigência da multa de ofício, no percentual de 75%.” Ciência da decisão de primeira instância no dia 23/04/2015, à fl. 849. Recurso voluntário interposto no dia 21/05/2015, às fls. 852/919. Nesta oportunidade, aduz que a presente atuação decorre de glosa de prejuízos fiscais compensados indevidamente, no ano-calendário de 2009. A insuficiência dos prejuízos, consoante o agente fiscal, resultou dos autos de infração que são objeto de outros processos administrativos, quais sejam: os processos 19515.723092/2013-51, 16682.720452/2011-81 e 19515.723039/2012-79 (este último chamado de "Big Jump"). Tais feitos, segundo a Fiscalização, teriam absorvido quase todo o saldo de prejuízos fiscais compensáveis de que dispunha a Recorrente. O processo nº 16682.720452/2011-81 se refere à ausência de adição, ao lucro líquido da Recorrente, no ano-calendário de 2008, de lucros auferidos no exterior por filiais, sucursais, controladas ou coligadas. Conforme o relatório fiscal, durante o 4º trimestre do ano calendário de 2008, exercício 2009, a Recorrente teria apurado prejuízo no valor de R$ 913.092.707,01 (DIPJ 2009/2008), do qual reduziu-se o montante de R$ 227.131.540,84, em função da adição, de ofício, dos citados lucros auferidos no exterior. Inicialmente, a Recorrente optou por impugnar a autuação fiscal acima, mas, ao final, em virtude de parcelamento específico criado para essa espécie de débito, desistiu do recurso para aderir ao referido programa, assumindo, assim, o resultado do lançamento tributário e suas consequências, dentre elas a redução do prejuízo fiscal gerado no 4ª trimestre do ano-calendário de 2008, que passou de R$ 913.092.707,01 para R$ 685.961.166.17, bem como o pagamento de eventual diferença do tributo cobrado por meio do auto de infração do processo administrativo nº 19515.723092/2013-51. A Recorrente informa que os efeitos do decidido no processo n° 16682.720452/2011-81, em relação ao aproveitamento, no ano-calendário de 2010, do saldo de prejuízo fiscal remanescente do ano-calendário de 2009, já foram devidamente tratados no auto de infração do processo nº 19515.723092/2013-51 (lavrado em dezembro de 2013), assim como no auto de infração constante do processo nº 16561.720063/2014-74, de tal forma a extinguir-se todo o saldo de prejuízo fiscal no ano de 2010. Ainda no tocante ao tema "lucros no exterior", insta elucidar que a Fiscalização lavrou outro auto de infração em desfavor da Recorrente, constante do processo administrativo n° 16643.720041/2013-13, mediante o qual majorou o lucro real anterior à compensação de prejuízos, referente ao ano calendário de 2009. Conforme o declarado na DIPJ de 2010/2009, esse lucro correspondia a R$ 1.385.241.626,91. Com o lançamento tributário, esse lucro passou a ser R$ 1.534.602.236,14. Vale salientar, ademais, que o agente fiscal que atuou nesse feito, à semelhança daquele que lavrara o auto de infração relativo ao processo nº 16682.720452/2011-81, descuidou-se das tarefas respeitantes às alterações, de ofício, nos sistemas eletrônicos de controle do saldo de prejuízos fiscais e de bases de cálculo negativas de CSLL. Dessa omissão surgiu a necessidade dos devidos ajustes, levadas a efeito no procedimento de revisão interna que gerou a autuação ora combatida. Antes dos lançamentos tributários supracitados, este era o quadro de controle de saldos de prejuízos fiscais: Com as autuações supracitadas, o quadro de controle de saldos de prejuízos tomou a configuração que segue:

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10314.728429/2014­99  Resolução nº  1301­000.380  S1­C3T1  Fl. 984          2   RELATÓRIO  Trata­se  de  recurso  voluntário  interposto  por  COMPANHIA  SIDERÚRGICA  NACIONAL  contra  o  Acórdão  nº  12­75.018,  da  2ª  Turma  da  DRJ/RJO,  que  julgou  improcedente a impugnação apresentada para combater auto de infração de IRPJ.   Pela clareza do relatório da DRJ, reproduzo­o para adotá­lo, verbis:  “O presente processo tem origem no auto de infração de Imposto sobre  a Renda de Pessoa Jurídica­IRPJ, lavrado pela Delex­São Paulo­SP e  cientificado à interessada acima identificada em 08/12/2014, conforme  Aviso de Recebimento­AR de  fl.  326,  no  valor  de R$ 103.893.122,02,  acrescido da multa de ofício, no percentual de 75%, e demais encargos  moratórios.  A  autuação,  conforme  a  descrição  dos  fatos  do  auto  de  infração  e  o  Termo  de  Constatação  de  Irregularidades  Fiscais­TCIF  de  fls.  309/315,  decorre  de  glosa  de  prejuízos  compensados  indevidamente,  uma vez que insuficientes, no ano­calendário de 2009, no montante de  R$ 415.572.488,08.  A  insuficiência  foi  resultado  dos  autos  de  infração  objetos  dos  processos  n°s  19515.723092/2013­51  (que  consolidou  saldo  de  prejuízos  compensáveis  de  R$  53.210.572,05  em  31/12/2007),  16682.720452/2011­81  (referente  a  "lucros  no  exterior",  que  a  interessada  reconheceu  procedente,  "tendo  incluído­o"  (sic)  em  parcelamento especial da Lei nº 12.865/2013) e 19515.723039­2012­79  (chamado pela  interessada de  caso "Big  Jump"),  que absorveram, no  quarto  trimestre  do  ano­calendário  de  2008,  quase  todo  o  saldo  de  prejuízos  fiscais  compensáveis  que  a  interessada  dispunha,  restando  apenas R$ 53.210.572,05, utilizado no parcelamento especial das  leis  nºs  11.941/2009  e  12.249/2010,  não  restando  saldo  passível  de  compensação  em 31/12/2008,  sendo o  auto  de  infração  exatamente  a  glosa  dos  prejuízos  compensados  pela  interessada  no  ano­calendário  de 2009.   Enquadramento Legal: Art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de  1995; art. 247 e 250, inciso III, 251, 509 e 510 do Decreto nº 3.000, de  26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999.  Da Impugnação  Inconformada  com  o  lançamento,  a  interessada  apresentou,  em  02/01/2014,  sua  impugnação  de  fls.  332/398,  na  qual  descreve  a  autuação, argui a tempestividade e alega, em síntese:  Que  à  época  da  compensação  glosada,  em  31/12/2009,  detinha  prejuízos compensáveis suficientes, uma vez que o auto de infração que  tornou os mesmos indisponíveis somente foi  lavrado após 31/12/2009,  mais precisamente em 27/12/2012.  Que  o  julgamento  do  processo  n°  19515.723039/2012­79,  em  26/08/2014 pelo CARF, não é definitivo.  Discorre  que  o  período­base  autuado  já  havia  sido  examinado  nos  autos  dos  processos  n°s  19515.723039/2012­79  ("Big  Jump")  e  Fl. 984DF CARF MF Impresso em 27/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10314.728429/2014­99  Resolução nº  1301­000.380  S1­C3T1  Fl. 985          3 1515.723092/2013­51,  o  que  gerou  a  necessidade  da  expedição  pelo  Delegado da DELEX­SP da Autorização para  reexame de  período  já  fiscalizado, fundada no art. 906 do RIR/1999, arguindo a nulidade de  tal  ato,  e  consequentemente do  lançamento  em  litígio,  uma vez que o  artigo  906  do  RIR/1999  determina  a  expedição  de  "ordem"  do  Delegado e não "autorização a pedido de Auditor­Fiscal", bem como  no  mesmo  não  consta  a  sua  motivação,  requisito  indispensável  para  sua validade.  Protesta  que  o  Fiscal  excedeu  a  autorização,  uma  vez  que  não  se  restringiu aos anos autorizados de 2009 e 2010, revisitando o saldo de  prejuízos do quarto trimestre de 2008.  Alega  que  os  arts.  250,  inciso  II,  e  509  do  RIR/1999,  nos  quais  foi  enquadrada a autuação, não a  tipificam, mas  sim  salvaguardam seus  procedimentos  de  compensação,  demonstrando  a  inexistência  de  tipicidade na autuação.  Discorre  que  a  inexistência  de  saldo  de  prejuízos  teve  origem  em  conduta  praticada  pela  fiscalização  em  autuações  anteriores,  e  não  pela  interessada,  não  havendo  que  se  falar,  portanto,  em  prática  de  infração por sua parte, uma vez que não realizou de forma deliberada  qualquer  compensação  que  soubesse  não  ter  saldo  de  prejuízos  suficiente para tal.  Argumenta que, em face do principio da legalidade, é essencial o exato  enquadramento  das  infrações,  além da  necessidade  de  ser  provado o  dolo na conduta do agente, ou seja, o intuito de desrespeitar a lei com  o  fito  de  se  reduzir  tributos,  não  tendo  isso  ficado  evidenciado  no  trabalho fiscal.  Discorre  que  o  Fiscal  alterou  a  formação  do  saldo  de  prejuízos  do  quarto trimestre de 2008 para então desqualificar a compensação deste  saldo realizada em 31/12/2009, efetuando o presente lançamento com  base  em  auto  de  infração  restabelecido  pelo  CARF  em  2014,  que  destaca  sequer  se  encontra  definitivamente  julgado  em  sede  administrativa, protestando que isso gera insegurança jurídica quanto  ao direito de utilização de saldos de prejuízos, uma vez que o Fiscal se  utilizou,  no  ano  de  2012,  para  compensação  de  ofício  no  auto  de  infração do processo n° 19515.723039/2012­79, de saldo já absorvido  por  compensação anterior  realizada  pela  interessada  em 31/12/2009,  protestando  que  a  interferência  em  seu  saldo  de  prejuízos  naquele  processo não poderia ter ocorrido sem a desqualificação notificada das  compensações por ela realizadas em 2009.  Alega  que  a  autuação  não  diz  respeito  ao  exercício  de  2009,  mas  à  alteração promovida pelo CARF, em 2014, em seu saldo de prejuízos  do ano de 2008, em função do auto de infração "Big Jump". Assim, o  presente auto estaria "inaugurando uma nova situação em 2008".  Discorre  que  seu  saldo  de  prejuízos  de  2008  foi  por  três  vezes  homologado expressamente, não podendo a revisão objeto do presente  processo reverter tal homologação.  Protesta que o auto de infração "Big Jump" não poderia ter alterado,  em 2014, o  saldo de prejuízos de 31/12/2008, quão menos o presente  Fl. 985DF CARF MF Impresso em 27/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10314.728429/2014­99  Resolução nº  1301­000.380  S1­C3T1  Fl. 986          4 auto de infração,  igualmente em 2014, uma vez que já  transcorrido o  prazo  decadencial  do  art.  150  da  Lei  n°  5.172,  de  25  de  outubro  de  1966 (Código Tributário Nacional­CTN).  Considera que o presente lançamento tem como motivação corrigir um  erro  no  processo  n°  19515.723039/2012­79  ("Big  Jump"),  quando  o  Fiscal  se utilizou, em 2012, de prejuízos de 2008  já  consumidos pela  interessada em 2009.  Pede o reconhecimento da homologação da apuração de IRPJ de 2008  e  argui  a  decadência  do  direito  da  Fazenda  Pública  à  revisão  dos  mesmos em 2014.  Alega que teria ocorrido a preclusão do Fisco rever os fatos relativos  ao ano­calendário de 2008.  Pede a nulidade do lançamento por afrontar institutos consagrados no  Direito, em especial o exercício regular de um direito (à compensação  de prejuízos),  ato  jurídico perfeito  (a  formação do  saldo de prejuízos  em 2008 e o pagamento de imposto em 2009 via compensação de tais  prejuízos)  e  o  direito  adquirido  de  ter  reconhecida  a  existência  de  prejuízos e a quitação parcial do IRPJ.  Protesta que o lançamento não poderia se basear no SAPLI, por ser o  mesmo  tão  somente  um  instrumento  de  controle  interno  na  RFB  da  criação,  utilização  e  extinção  de  saldos  de  prejuízos  fiscais  dos  contribuintes.  Alega que o auto de infração seria nulo, pois não poderia ser lavrado  antes  do  deslinde  do  processo  do  qual  seria  reflexo,  de  n°  19515.723039/2012­79  (Big  Jump),  que  se  encontra  suspenso,  ocorrendo com isso o cerceamento do seu direito de defesa.  Protesta  ainda  contra  a multa  de  ofício,  uma  vez  que  a mesma  seria  voltada  a  combater  e  coibir  atos  ilícitos  por  parte  dos  contribuintes,  quando  no  presente  caso  agiu  conforme  a  lei,  utilizando  saldos  de  prejuízos fiscais conforme se encontravam escriturados e declarados à  época.  Quando muito  seria cabível a hipótese do auto  ter  sido  lavrado para  evitar a decadência,  o que ainda neste caso  resulta em descabimento  da multa de ofício.  Encerra  elencando  (sic)  e  resumindo  suas  razões  impugnatórias,  pedindo  a  decretação  da  nulidade  do  auto  de  infração  ou  o  integral  provimento  da  impugnação,  com  o  cancelamento  dos  créditos  tributários de IRPJ e multa de ofício e requerendo o direito de juntada  de novos documentos.”  Decisão recorrida às fls. 835/844, assim ementada:  “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2009   NULIDADE. INOCORRÊNCIA.  O atendimento aos preceitos  estabelecidos no art.  142 do CTN, a  presença dos  requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235/1972 e a  Fl. 986DF CARF MF Impresso em 27/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10314.728429/2014­99  Resolução nº  1301­000.380  S1­C3T1  Fl. 987          5 observância  do  contraditório  e  do  amplo  direito  de  defesa  do  contribuinte afastam a hipótese de nulidade do lançamento.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2009  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL.  SOBRESTAMENTO.  IMPOSSIBILIDADE.  Inexiste  previsão  legal  para  o  sobrestamento  do  processo  administrativo, que se rege pelo princípio da oficialidade, impondo  à Administração impulsionar o processo até o seu término.  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2009  PREJUÍZOS  FISCAIS  DE  PERÍODOS  ANTERIORES  INSUFICIENTES. COMPENSAÇÃO INDEVIDA.  Sendo  insuficiente  o  saldo  de  prejuízos  fiscais  de  períodos  anteriores  passível  de  compensação,  porquanto  absorvido  por  infrações apuradas em procedimentos de ofício anterior, mantém­ se a glosa do valor compensado pelo contribuinte.  MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL DE 75%. CABIMENTO.  Apurada falta ou insuficiência de recolhimento de Imposto, cabível  é a exigência da multa de ofício, no percentual de 75%.”  Ciência da decisão de primeira instância no dia 23/04/2015, à fl. 849.   Recurso  voluntário  interposto  no  dia  21/05/2015,  às  fls.  852/919.  Nesta  oportunidade, aduz que a presente atuação decorre de glosa de prejuízos fiscais compensados  indevidamente, no ano­calendário de 2009. A insuficiência dos prejuízos, consoante o agente  fiscal, resultou dos autos de infração que são objeto de outros processos administrativos, quais  sejam: os processos 19515.723092/2013­51, 16682.720452/2011­81 e 19515.723039/2012­79  (este  último  chamado de  "Big  Jump"). Tais  feitos,  segundo  a  Fiscalização,  teriam  absorvido  quase todo o saldo de prejuízos fiscais compensáveis de que dispunha a Recorrente.   O processo nº 16682.720452/2011­81  se  refere  à  ausência de  adição,  ao  lucro  líquido da Recorrente, no ano­calendário de 2008, de  lucros auferidos no exterior por  filiais,  sucursais, controladas ou coligadas. Conforme o relatório fiscal, durante o 4º trimestre do ano  calendário  de  2008,  exercício  2009,  a  Recorrente  teria  apurado  prejuízo  no  valor  de  R$  913.092.707,01 (DIPJ 2009/2008), do qual  reduziu­se o montante de R$ 227.131.540,84, em  função da adição, de ofício, dos citados lucros auferidos no exterior.   Inicialmente, a Recorrente optou por impugnar a autuação fiscal acima, mas, ao  final,  em  virtude  de  parcelamento  específico  criado  para  essa  espécie  de  débito,  desistiu  do  recurso  para  aderir  ao  referido  programa,  assumindo,  assim,  o  resultado  do  lançamento  tributário e suas consequências, dentre elas a redução do prejuízo fiscal gerado no 4ª trimestre  do  ano­calendário  de 2008,  que  passou  de R$ 913.092.707,01  para R$ 685.961.166.17, bem  como o pagamento de eventual diferença do tributo cobrado por meio do auto de infração do  processo administrativo nº 19515.723092/2013­51.  A  Recorrente  informa  que  os  efeitos  do  decidido  no  processo  n°  16682.720452/2011­81, em relação ao aproveitamento, no ano­calendário de 2010, do saldo de  prejuízo fiscal remanescente do ano­calendário de 2009, já foram devidamente tratados no auto  de  infração  do  processo  nº  19515.723092/2013­51  (lavrado  em  dezembro  de  2013),  assim  Fl. 987DF CARF MF Impresso em 27/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10314.728429/2014­99  Resolução nº  1301­000.380  S1­C3T1  Fl. 988          6 como  no  auto  de  infração  constante  do  processo  nº  16561.720063/2014­74,  de  tal  forma  a  extinguir­se todo o saldo de prejuízo fiscal no ano de 2010.  Ainda no tocante ao tema "lucros no exterior", insta elucidar que a Fiscalização  lavrou outro auto de infração em desfavor da Recorrente, constante do processo administrativo  n°  16643.720041/2013­13, mediante o  qual majorou  o  lucro  real  anterior  à  compensação  de  prejuízos, referente ao ano calendário de 2009. Conforme o declarado na DIPJ de 2010/2009,  esse lucro correspondia a R$ 1.385.241.626,91. Com o lançamento tributário, esse lucro passou  a ser R$ 1.534.602.236,14. Vale salientar, ademais, que o agente fiscal que atuou nesse feito, à  semelhança daquele que lavrara o auto de infração relativo ao processo nº 16682.720452/2011­ 81, descuidou­se das  tarefas  respeitantes às alterações, de ofício, nos  sistemas eletrônicos de  controle do saldo de prejuízos fiscais e de bases de cálculo negativas de CSLL. Dessa omissão  surgiu a necessidade dos devidos ajustes, levadas a efeito no procedimento de revisão interna  que gerou a autuação ora combatida.  Antes dos lançamentos tributários supracitados, este era o quadro de controle de  saldos de prejuízos fiscais:       Com  as  autuações  supracitadas,  o  quadro  de  controle  de  saldos  de  prejuízos  tomou a configuração que segue:    Fl. 988DF CARF MF Impresso em 27/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10314.728429/2014­99  Resolução nº  1301­000.380  S1­C3T1  Fl. 989          7 Também é preciso anotar que a compensação de R$ 276.557.583,82, inserida no  precedente  demonstrativo,  decorreu  de  conclusão  exarada  no  processo  administrativo  nº  10768.008689/2009­49, no qual  apreciou­se pedido de parcelamento  formulado com base na  Lei  nº  11.941,  de 2009,  e  na MP nº  470,  de  2009  ­  Lei  nº  12.249,  de  2010. O valor  de R$  276.557.583,82 foi  reconhecido em decisão da DRJ/São Paulo, no Acórdão nº 16­59­704, de  25 de julho de 2014.   Entretanto,  a  Fiscalização  antes  instaurou  o  procedimento  fiscal  encerrado  no  processo nº 19515.72039/2012­79, voltado ao acertamento tributário relativo ao ano­calendário  de 2008, efetuado por meio de auto de infração lavrado para a constituição de crédito de IRPJ,  no  valor  de  R$  6.931.510.087,46.  Desse  montante,  compensou­se  o  valor  de  R$  685.961.166,17, relativo ao prejuízo fiscal do 4º trimestre de 2008, resultando na importância  de R$ 6.245.548.921,29.   O  lançamento controlado nos autos de processo nº 19515.72039/2012­79, uma  vez  impugnado,  nos  devidos  termos  da  lei,  foi  julgado  improcedente,  em primeira  instância,  com recurso de ofício ao CARF, o qual, pelo Acórdão nº 1401­001, de 26 de agosto de 2014,  restabeleceu a exigência tributária.   Assim  sendo,  os  valores  dos  saldos  de  prejuízos  de  períodos  anteriores,  e  de  cada período, passíveis de compensação para cada ano­calendário a partir de 2008, tomaram a  seguinte moldura:      Comparando­se os dois últimos quadros, constata­se:        A  importância  de  R$  223.347.011,77  é  a  parcela  compensada  a  maior,  no  processo nº 10768.008689/2009­49, em função do benefício instituído pela Lei nº 11.941/2009  e na Lei nº 12.249/2010.   Fl. 989DF CARF MF Impresso em 27/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10314.728429/2014­99  Resolução nº  1301­000.380  S1­C3T1  Fl. 990          8 A  glosa  em  exame  nestes  autos  é  exatamente  a  que  se  refere  ao  valor  de R$  415.572.488,08,  compensado  em  excesso  na  apuração  do  lucro  real  de  2009,  em  função  da  insuficiência  de  prejuízos  de  períodos  anteriores.  Aqui,  pode­se  perceber  que  a  decisão  do  processo  administrativo  n°  19515.723039/2012­79  é  questão  prejudicial  do  presente  feito.  Porém, é preciso considerar que, anteriormente à  lavratura do auto de infração de que trata o  processo  administrativo  19515.723039/2012­79,  a  Recorrente  já  tinha  empregado,  de  forma  legal e legítima, o citado valor do saldo de prejuízo fiscal em duas oportunidades:   i)  no  importe  de  R$  415.572.488,08,  conforme  DIPJ  2010/2009,  em  relação ao fato gerador do imposto de renda ocorrido em 31.12.2009;   ii)   no  valor  de  R$  276.557.583,82,  na  extinção  parcial  do  parcelamento  instituído pela MP 470/09, pedido de compensação formalizado em 30.06.2010 (o pedido de  adesão ao parcelamento previsto pela MP 470 ocorreu em novembro de 2009).   1)  DA  NULIDADE  DA  DECISÃO  RECORRIDA  POR  PRESSUPOSTO  FÁTICO EQUIVOCADO  À vista do exposto, preliminarmente, cumpre assinalar que a decisão recorrida é  nula de pleno direito, em razão de incorrer em nítido erro material, ao adotar pressuposto fático  equivocado.  Isso  porque,  no  entender  da  autoridade  julgadora,  o  débito  exigido  no  processo  administrativo  n°  19515.723039/2012­79  não  estaria,  no  momento  da  decisão,  com  sua  exigibilidade suspensa. Este raciocínio se deve à circunstância de que a autoridade julgadora,  ao  verificar  o  "sistema",  nele  constatou,  somente,  a  interposição  de  Recurso  Especial  pelo  Procurador da Fazenda, em que se questiona, apenas, a redução da multa de ofício aplicada.   Entendeu  a  autoridade  julgadora,  de  forma  equivocada,  que  a  Recorrente  não  teria,  naquele  processo,  se  insurgido  contra  a  citada  decisão,  que,  em  face  do  contribuinte,  tornara­se,  na  esfera  administrativa,  definitiva.  Contudo,  tal  entendimento  não  merece  prevalecer,  pois,  conforme  consta  nos  "sistemas"  da Receita Federal  do Brasil,  a Recorrente  sequer havia sido intimada do citado acórdão proferido nos autos, motivo pelo qual ainda não  dispunha  da  oportunidade  de  interpor  eventual  Recurso  Especial  contra  esse  acórdão.  Para  tanto, basta verificar, em documento de lavra da própria Receita Federal do Brasil relativo ao  processo  administrativo  n°  19515.723.0927/2013­51,  posterior  a  este  julgamento,  que  o  auditor­fiscal que efetuara a diligência expressamente indicou que a Recorrente ainda não tinha  sido  intimada  do  Acórdão  relativo  ao  processo  administrativo  19515.723039/2012­79  (Doc.  03).   Assim,  resta  evidente  que  a  decisão  recorrida  partiu  de  um  pressuposto  fático  equivocado  ­  isto é  ­ que a decisão administrativa do processo nº 19515.723039/2012­79, na  parte que é contrária à Recorrente, é definitiva, quando, de fato ela ainda é passível de recurso  e  de  ser  alterada. Mister,  portanto,  reconhecer  a  nulidade  da decisão  recorrida,  anulando­a  e  determinando sua remessa à primeira instância, a fim de ser proferida nova decisão.  2) DA NULIDADE EM RAZÃO DE O ACÓRDÃO NÃO TER ANALISADO  QUESTÕES  DE  DEFESA,  QUE,  POR  SI  SÓS,  PODERIAM  TRAZER  RESULTADO  DIVERSO AO JULGAMENTO  Também acarreta a nulidade da decisão recorrida o fato de que, ao proferir sua  decisão, a autoridade julgadora omitiu­se na análise de todas as razões de mérito expostas na  defesa, além de não se aprofundar nos fatos e argumentos de direito trazidos pela Recorrente.   Fl. 990DF CARF MF Impresso em 27/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10314.728429/2014­99  Resolução nº  1301­000.380  S1­C3T1  Fl. 991          9 Com  efeito,  a  autoridade  julgadora  deixou  de  apreciar  as  questões  sobre  a  preclusão do direito do Fisco quanto  à  alteração de  fatos  passados,  bem como a violação ao  exercício  regular  do  direito,  ao  ato  jurídico  perfeito  e  ao  direito  adquirido,  questões  fundamentais que, se apreciadas, poderiam alterar o resultado do julgamento.   Quanto  à  afronta  ao  princípio  da  segurança  jurídica,  a decisão  apenas  indicou  que não a analisaria ao argumento de se tratar de questão constitucional, o que não foi a tônica  da  impugnação,  que  demonstrou,  didaticamente,  que  a  conduta  da  Fiscalização  ferira  a  segurança jurídica, tendo em conta todos os atos praticados pela Recorrente e chancelados pelo  Fisco.  A  omissão,  pelo  órgão  julgador,  com  relação  a  ponto  de  defesa  lançado  pelo  contribuinte em sede de impugnação, com influência no resultado do julgamento do processo,  acarreta  a nulidade da decisão,  exsurgindo daí  a necessidade de um novo  julgamento para o  pronunciamento sobre o ponto que restou omitido na decisão a quo.  Nesses termos, a Recorrente requer, desde já, que seja declarada a nulidade da  decisão  da  DRJ,  ora  recorrida,  com  a  devolução  dos  autos  à  Delegacia  de  Julgamento  competente para que se pronuncie sobre os argumentos de direitos expostos e que não foram  anteriormente apreciados, em virtude de serem fundamentais para o convencimento da defesa.  3)  DA  NECESSIDADE  DE  SUSPENSÃO  DO  PRESENTE  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  ATÉ  O  TRÂNSITO  EM  JULGADO  DA  DECISÃO  A  SER  PROFERIDA  NOS  AUTOS  DO  PROCESSO  N°  19515.723039/2019  ­  PREJUDICIALIDADE  Caso  sejam  superadas  as  nulidades  acima  mencionadas,  o  que  se  admite  por  amor  à  argumentação,  destaca  a  Recorrente  que  o  julgamento  do  presente  processo  administrativo  deve  ficar  suspenso  até  o  término  do  processo  administrativo  n°  19515.723039/2012­79, em razão da existência de prejudicialidade, uma vez que o  resultado  do  julgamento  desse  último  pode  impactar  seriamente  o  julgamento  do  presente,  como  foi  detalhadamente demonstrado na Impugnação.  Com base  no  artigo  151,  inciso  III,  do CTN,  é  possível  afirmar  que o  crédito  discutido  no  processo  nº  19515.723039/2012­79  está  com  sua  exigibilidade  suspensa,  não  podendo,  então,  a  autoridade  administrativa  efetuar  lançamento  de  ofício,  glosando  esses  valores.  4) DA AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO  PARA  REVISÃO DE  PERÍODO  JÁ  FISCALIZADO  Se ultrapassados os argumentos que traduzem a nulidade da decisão de primeira  instância  ou  a  suspensão  do  julgamento  deste  processo  até  decisão  definitiva  do  processo  administrativo 19515.723039/2012­79, o que só  se admite pelo princípio da eventualidade,  a  Recorrente passa a apresentar os demais argumentos recursais.  Conforme  narrado,  o  auto  de  infração  é  consequência  de  revisão  interna  dos  saldos  controlados  no  Sistema  de Acompanhamento  de  Prejuízo  Fiscal  da Receita  Federal  ­  SAPLI,  em  decorrência  de  autuação  constante  do  processo  nº  19515.723092/2013­51  e  das  decisões proferidas em sede de julgamento de recurso voluntário no CARF, relativamente aos  processos 16682.720452/2011­81 e 19515.723039/2012­79.  Fl. 991DF CARF MF Impresso em 27/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10314.728429/2014­99  Resolução nº  1301­000.380  S1­C3T1  Fl. 992          10 A  Recorrente,  na  impugnação,  pugnou  pela  impossibilidade  de  revisão  de  períodos  já  fiscalizados  sem  motivação.  Contudo,  ao  analisar  tal  argumento,  a  autoridade  julgadora entendeu que não há nulidade no auto de infração, pelo singelo argumento de que o  ato  havia  sido  autorizado.  Ou  seja,  por  "autorização"  ou  por  "ordem",  o  ato  poderia  ser  realizado.  Ressalta­se do artigo 906 do RIR/99 que a revisão de período já fiscalizado deve  ser  suportada  por  uma  "ordem"  escrita  do  Superintendente,  do  Delegado  ou  do  Inspetor  da  Receita Federal", não por mera "autorização", tal e qual o ocorrido no presente processo.  Malgrado  tal  irregularidade formal,  em um primeiro exame, aparentar que não  deu causa a maiores problemas, pois não constitui o "mérito" do ato administrativo, a ausência  da forma (aqui entendido também como o procedimento) adequada leva à conclusão de que a  autoridade  fiscal  que  lavrou  a  presente  autuação  foi  o  emissor  da  ordem  do  artigo  906  do  RIR/99,  em  vez  de  ter  sido  emitida  pela  autoridade  competente  do  "Superintendente,  do  Delegado ou do Inspetor da Receita Federal.  Em outro norte, cabe acrescentar que não houve qualquer motivação ao referido  ato.   O  ato  de  autorização  apenas  traz  o  dispositivo  legal  do  RIR/99  que  prevê  a  possibilidade  de  revisão  de  período  já  fiscalizado  e  não  a  necessária  evidenciação  da  indispensabilidade desta  revisão. Portanto, estando ausentes os motivos e a motivação do ato  administrativo,  é  indubitável  que  a  "autorização"  concedida  não  pode  surtir  efeitos  jurídicos  como ato administrativo, pois padece de um dos  seus  requisitos de validade. Nessa  linha, os  atos que dele sucederam devem ser considerados ineficazes.  Além disso, não obstante ter constado o reexame do período de 2009 a 2010, o  agente fiscal exorbitou dos limites que lhe foram concedidos por meio da autorização, pois, ao  efetuar a revisão do saldo de prejuízos fiscais da Recorrente, acabou por atingir o período de  2008, ou seja, período anterior aquele para o qual foi autorizada a revisão interna, uma vez que  revisitou o saldo de prejuízo do 4º trimestre do ano de 2008.   A  decisão  de  primeira  instância  entendeu  que  não  há  que  se  falar  em  extrapolação dos limites, porque não houve ajuste em 2008, o que não é verdade, pois o ajuste  incidiu justamente no saldo final do prejuízo em 2008.  5)  DA  AUSÊNCIA  DE  FUNDAMENTAÇÃO  LEGAL  PARA  O  PROCEDIMENTO  DE  ALTERAÇÃO  DO  SALDO  DE  PREJUÍZO  FISCAL  E  A  CONSEQUENTE AUTUAÇÃO  A Recorrente defendeu em sua  impugnação que o auto de  infração é nulo, em  razão da ausência de subsunção do fato à norma tida como infringida. Contudo, a autoridade  julgadora  apenas  alegou que  a  autuação  cumpre  todos  os  requisitos  necessários  previstos  no  Decreto  n°  70.235/72.  Ocorre,  porém,  que,  ao  contrário  do  entendimento  exposto  pelo  julgador, no presente caso a norma tida como violada não se aplica aos fatos que serviram de  base  à  autuação.  Isso  porque  o  auditor­fiscal  enquadrou  a  suposta  infração  perpetrada  pela  Recorrente no artigo 250, inciso III, e artigo 509, ambos do RIR/99. Ora, tais fundamentos em  nada  tipificam a  suposta  infração atribuída  à Recorrente. Ao contrário,  referidos dispositivos  legais, que suportam a autuação,  salvaguardam  todos os procedimentos  levados a  efeito pela  fiscalizada e confirmam a legitimidade do saldo de prejuízos entre 2008 e 2010, que, conforme  Fl. 992DF CARF MF Impresso em 27/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10314.728429/2014­99  Resolução nº  1301­000.380  S1­C3T1  Fl. 993          11 destacado, não foi impugnado pela Fiscalização; ao revés, foi confirmado. Portanto, a suposta  infração  atribuída  à  Recorrente,  que motivou  a  glosa  do  valor  do  saldo  de  prejuízos  fiscais  compensados  em  excesso,  não  se  coaduna  com  a  tipificação  legal  do  RIR/99  adotada  pela  autoridade fiscal para fundamentar a lavratura do auto de infração.  Estabelecido  isso,  o  que  fica  evidenciado  é  a  inexistência  de  tipicidade  na  conduta infracional atribuída à Recorrente, razão pela qual o auto de infração é nulo de pleno  direito. E, mais do que isso, a suposta infração decorreu do procedimento da autoridade fiscal  de revisitar o saldo de prejuízo da Recorrente em 2008 no ano de 2014, conduta para a qual  resta ausente a fundamentação legal, no Relatório Fiscal. Dessa forma, o que de fato se verifica  é arbitrariedade da autoridade fiscal.   Todavia,  essa  inexistência  de  saldo  teve  origem,  justamente,  numa  conduta  praticada  pela  própria  Fiscalização,  e  não  pela  Recorrente.  Ou  seja,  em  nenhum momento,  houve prática de infração por parte da Recorrente, pois esta não realizou, de forma deliberada,  uma  compensação  para  a  qual,  sabidamente,  não  tinha  saldo  de  prejuízo  suficiente.  Tanto  é  assim que a própria Autoridade Fiscal confirmou a "coerência" entre a sua DIPJ e o LALUR.  Com  efeito,  a  Fiscalização,  de  ofício,  "revogou"  a  compensação  realizada  e  declarada pela Recorrente em sua DIPJ 2010/2009 (valor de R$ 415.572.488,08), levando em  consideração  um  ato  posterior  a  essa  compensação  (julgamento  do  processo  nº  19515.723039/2012­79), retroagindo para "zerar" o saldo de prejuízos do 4º trimestre de 2008,  o que, por via reflexa, fundamentou a imputação de infração à legislação.  Contudo,  essa  postura  fiscal  de  revisitar  o  saldo  de  prejuízos  e,  por  consequência,  imputar  a  prática  de  infração  à Recorrente  com  base  na  redução  de  ofício  do  saldo, carece de fundamentação em dispositivo legal válido. Em outra senda, a Fiscalização, ao  contrário,  refere­se  a  preceitos  normativos  que  somente  confirmam  a  regularidade  do  saldo  apurado e do procedimento de compensação realizado pela Recorrente (isto é, compensação de  prejuízo  fiscal  de  anos  anteriores  com  respeito  à  "trava"  de  30%,  nos  termos  do  artigo  250,  inciso III, do RIR/99).   Importante  observar  que  a  decisão  de  1ª  instância  cometeu  um  equívoco,  ao  rebater  este  argumento  da  impugnação,  porquanto  limitou­se  a  dizer  que  Recorrente  havia  entendido perfeitamente a autuação. Note­se que a alegação não foi de violação ao princípio da  ampla defesa e, sim, de ausência de indicação de infração. A Recorrente, de forma exaustiva,  indicou que nenhum ato  seu  infringiu a  lei, Com  isso,  reitera que o atual  lançamento não se  apoia em qualquer fundamento legal, o que é o bastante para a anulação do feito.  Há de se destacar, também, que o lançamento de tributo e a respectiva aplicação  de penalidade de ofício exigem o exato enquadramento em qualquer das condutas  tipificadas  na legislação, conforme o acima exposto, e a comprovação do dolo na conduta do agente, ou  seja,  o  intuito  de  desrespeitar  a  lei  com  o  fito  de  se  reduzir o montante  de  tributos  a  serem  recolhidos. No entanto, a autoridade julgadora, quando submetida a tais argumentos, preferiu  conter­se  na  afirmativa  de  que  o  lançamento  atendera  integralmente  aos  preceitos  de  ordem  pública expressos no artigo 142 do Código Tributário Nacional, motivo por que a Recorrente  suplica a invalidação do lançamento objeto deste processo administrativo.   6)  DA  PRETENDIDA  REFORMA  DA  DECISÃO  DA  DRJ  POR  SUA  EQUÍVOCA INTERPRETAÇÃO DO MÉRITO  Fl. 993DF CARF MF Impresso em 27/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10314.728429/2014­99  Resolução nº  1301­000.380  S1­C3T1  Fl. 994          12 6.1) DA HOMOLOGAÇÃO DA CONDUTA DA RECORRENTE  No mérito, a Recorrente manifesta que sua conduta fora homologada pelo órgão  fiscal, tanto expressa como tacitamente, em virtude da imperiosa decadência do direito estatal  de  alterar,  em 2014,  fatos  ocorridos  no  4º  trimestre de  2008. A despeito  disso,  a  autoridade  julgadora entendeu que não há que se falar em decadência, uma vez que o objeto do auto de  infração diz respeito a  fatos ocorridos em dezembro de 2009, dentro do prazo de cinco anos,  portanto, já que a Recorrente fora cientificada do auto de infração em dezembro de 2014. Tal  entendimento, contudo, merece reforma.   Conforme  relatado,  a  autoridade  fiscal,  sob  o  pretexto  de  revisão  interna  do  SAPLI, em razão da "lavratura do auto de infração por meio do processo 1915.723092/2013­ 51 e dos Acórdãos nº (s) 1301­001570 de 05/06/2014 e 1401­001239 de 26/08/2014, relativos  aos  Autos  de  Infração  lavrados  por  meio  dos  processos  Nº  (s)  16.682­720.452/2011­81  e  19.515­723.039/2012­79",  lavrou a presente autuação, apontando a compensação  indevida de  prejuízos, no valor  tributável de R$415.572.488,08. Ocorre que para chegar a  essa glosa por  suposta compensação indevida, o auditor­fiscal teve de percorrer e alterar fatos que já estavam  solidificados no passado, relativos ao 4º trimestre de 2008, período em que se formou o saldo  de prejuízo fiscal de R$ 685.961.166,17, que fora utilizado para a compensação do valor de R$  415.572.488,08, em 31/12/2009.   Assim,  para  fundamentar  a  glosa  do  valor  acima  referido,  a  autoridade  fiscal  partiu de fato ocorrido em 2014, qual seja, a decisão do processo nº 19.515­723.039/2012­79,  proferida pelo CARF, em 26/08/2014, a qual, no entender da Fiscalização, teria "restabelecido"  a exigência objeto do auto de  infração,  relacionada a  fato gerador de 31/12/2008, para então  afirmar a  inexistência do saldo de prejuízos do 4º  trimestre de 2008 e,  desse modo, glosar a  compensação do valor de R$ 415.572.488,08. Portanto, uma premissa que deve ser fixada é a  de  que o  fato­base  ou motivador  para  o  lançamento  relativo  ao  fato  gerador  de  2009,  que  é  objeto do presente auto de infração, não se refere ao exercício de 2009, mas, sim, decorre da  alteração promovida, em 2014, no saldo de prejuízos da Recorrente no SAPLI do ano de 2008,  em função da decisão no processo nº 19.515­723.039/2012­79.   A alteração precitada, promovida pelo agente fiscal, acarretou o lançamento ora  recorrido,  em  decorrência  da  suposta  ausência  do  saldo  utilizado  em  31/12/2009  pela  Recorrente, saldo este totalmente legítimo e que, inclusive, havia sido confirmado em decisão  definitiva  da  Derat/SPO,  de  13/06/2012.  Todavia,  essa  visão  do  agente  fiscal  não  deve  prevalecer,  porque  a  fiscalização  não  retirou  ­  e  sequer  tentou  retirar  ­  a  validade  da  DIPJ  2010/2009  da  Recorrente,  que  registrou  o  crédito  e  a  compensação  em  31/12/2009,  não  obstante  as  fiscalizações  a que  se  submetera,  nos períodos  citados no Termo  fiscal,  as quais  visavam,  justamente,  a  averiguar  a  regularidade  da  apuração  dos  tributos  lançados  (IRPJ/CSLL),  sem  que,  nessas  oportunidades,  fossem  constatadas  irregularidades,  ou  seja,  a  conduta da Recorrente fora expressamente homologada pelo Fisco.   Com  efeito,  não  se  pode  perder  de  vista  que  o  fato  gerador  do  IRPJ  é  complexivo,  isto  é,  sua  consumação  se  subordina  aos  acontecimentos  ocorridos  ao  longo de  cada  período  anual  de  incidência. Nesse  rumo,  o  resultado  das  atividades  da Recorrente,  ao  final de cada período, pode ser positivo (lucro) ou negativo (prejuízo). É certo, porém, que a  Recorrente obteve prejuízo fiscal no ano­calendário de 2008; tal é o resultado do ano de 2008 e  é ele que compõe o fato gerador de 2008. Tanto é assim que, ao longo de referido exercício,  Fl. 994DF CARF MF Impresso em 27/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10314.728429/2014­99  Resolução nº  1301­000.380  S1­C3T1  Fl. 995          13 mesmo  apurando  prejuízo,  ao  final,  a  Recorrente  sofreu  retenções  e  recolheu  o  imposto  em  bases estimadas durante referido ano­calendário.   Diga­se, ainda, que o saldo de prejuízo fiscal de 2008 (logo, o fato gerador do  IRPJ de 2008) foi efetivamente analisado pelo Fisco em pelo menos 3 momentos, na seguinte  ordem cronológica: (i) procedimento de fiscalização que culminou com a lavratura do auto de  infração  do  processo  nº  16.682­720.452/2011­81  ("caso  lucros  no  exterior  2007­2008");  (ii)  processo  nº  10768.008689/2009­49  (caso  "MP  470"),  por meio  do  qual  houve  a  análise  e  a  homologação expressa da compensação de saldo de prejuízo fiscal para pagamento de parcelas  do programa MP 470;  e  (iii) processo nº 19515.723092/2013­51,  similar ao presente auto de  infração, porém referente ao ano de 2010, que partiu do saldo de prejuízo fiscal de 2008, nos  mesmos moldes do processo da homologação parcial do parcelamento previsto na MP 470/09,  ou seja, também homologou expressamente aquele saldo.   Cite­se que, em 13/06/2012, ou seja, antes da lavratura do auto de infração do  processo nº 19.515­723.039/2012­79, a Derat/SPO já havia ratificado o saldo de prejuízos da  Recorrente,  no  valor  de  R$  276.557.583,82  (dos  R$  440.768.936,90  solicitados),  para  compensação  com  débitos  junto  à Receita  Federal,  relativos  ao  parcelamento  instituído  pela  MP  470/2009.  Tal  decisão,  a  propósito,  foi  ratificada  pela  DRJ/SPO,  na  apreciação  da  manifestação de inconformidade apresentada para contestar o crédito não homologado. Nesse  sentido, a Recorrente sustenta, como suporte ao seu trabalho, a limitação imposta pelo tempo  aos  fatos  utilizados  pela  Fiscalização,  clamando  o  apoio  da  regra  da  homologação  tácita  aplicável aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, conforme artigo 150, parágrafo  4o, do CTN.  Com  relação  à  aplicação  do  artigo  150,  parágrafo  4o,  do  CTN,  a  Recorrente  assinala  que  houve  pagamento  do  imposto  de  renda  ao  longo  de  2008,  seja  por  estimativa  mensal, seja em consequência de retenção em fonte, conforme comprovam os DARF anexos.  Diante disso, para contagem do prazo decadencial há de se considerar a data do pagamento, em  consonância  com  a  linha  interpretativa  definida  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça,  no  julgamento do Recurso Especial n° 973.733/SC, representativo de controvérsia, nos termos do  artigo n° 543­C, do CPC/1973.  Porém, a autoridade julgadora de primeira instância não analisou detidamente os  argumentos  da Recorrente,  restringindo­se  a  afastar  a  decadência  pelo  singelo  argumento  de  que o fato gerador deste lançamento se refere ao ano de 2009 e não ao de 2008, não traçando  sequer uma linha sobre toda a argumentação suscitada na impugnação em apoio à assertiva de  que o lançamento em debate alterou o fato gerador de 2008. No mesmo prumo, a DRJ afirmara  que não há que se falar em homologação expressa no que tange ao saldo de prejuízo fiscal, sem  se debruçar sobre os argumentos  lançados pela Recorrente em sua  impugnação, não obstante  toda os argumentos erigidos para fundamentar a tese da homologação expressa e tácita de toda  a apuração do resultado fiscal de 2008.  6.2)  DA  OFENSA  AO  PRINCÍPIO  DA  SEGURANÇA  JURÍDICA.  DA  PRECLUSÃO DO DIREITO DE O  FISCO ALTERAR REALIDADES ESTABELECIDAS  EM  TERMOS  LÓGICOS  E  CRONOLÓGICOS.  DA  VIOLAÇÃO  AO  EXERCÍCIO  REGULAR  DE  UM  DIREITO,  AO  ATO  JURÍDICO  PERFEITO  E  AO  DIREITO  ADQUIRIDO  Em outro  tema,  a Recorrente explicita que demonstrou, na  impugnação,  que a  autoridade  fiscal  retroagira  no  tempo,  alterando  fatos  passados  para  gerar  efeitos  futuros,  Fl. 995DF CARF MF Impresso em 27/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10314.728429/2014­99  Resolução nº  1301­000.380  S1­C3T1  Fl. 996          14 alterando a formação do saldo de prejuízo do 4o trimestre de 2008 para, então, desqualificar a  compensação desse saldo realizada em 31/12/2008, no valor de R$ 415.572.488,08, e efetuar o  presente lançamento, destacando que isso se deu sem a devida motivação no Relatório Fiscal e,  mais  do  que  isso,  baseando­se  em  fatos  ocorridos  posteriormente  (i.e.  auto  de  infração  do  processo nº 19515.723039/2012­79 e o seu "restabelecimento" pelo CARF em agosto de 2014,  ainda  não  definitivamente  julgado  em  sede  administrativa).  Daí,  então,  ressalta  que  o  fato  gerador da obrigação ora discutida ocorreu em 31/12/2009, porém o saldo negativo de prejuízo  fiscal  utilizado  por  ela  foi  constituído  no  4º  trimestre  de  2008,  período  esse  que  a  Administração Fiscal não estava autorizada a modificar.  Essa  conduta,  além  de  ter  dado  causa  à  atribuição  (indevida)  de  infração  à  Recorrente, com a consequente glosa da compensação realizada em 31/12/2009, também criou  situação  de  insegurança  jurídica  quanto  ao  exercício  do  direito  de  utilização  do  saldo  de  prejuízos da Recorrente, apesar deste ser assegurado pela legislação do imposto de renda. Ao  assim  agir,  a  Administração  Pública  acabou  infringindo  o  princípio  "venire  contra  factum  proprium",  princípio  este  que  veda  a  adoção  de  atos  contraditórios.  Portanto,  o  antedito  lançamento  revela­se insubsistente  também por  fundar­se em ato administrativo contraditório  em  relação  àquele  prolatado  sob  as  mesmas  circunstâncias  fáticas  e  jurídicas,  em  patente  violação aos princípios constitucionais da isonomia, da boa­fé e da proteção da confiança.   Tal  contradição  reforça  o  argumento  da  Recorrente  de  que  a  motivação  da  lavratura do auto de infração partiu de um equívoco da Receita Federal, ao se valer do saldo de  prejuízos, no ano de 2012, com a compensação de ofício no auto de  infração do processo nº  19515.723039/2012­79, que já tinham sido absorvidos por compensação anterior realizada pela  Recorrente  em  31/12/2009.  Assim,  diante  da  impossibilidade  de  se  corrigir  referido  erro,  pretendeu­se repará­lo por meio da presente autuação, como se tal intuito estivesse respaldado  legalmente. Em face do exposto, a Recorrente afirma que, por mais que se aceite que a conduta  fiscal possui fundamento na possibilidade de "compensação de ofício", é certo, entretanto, que  isso  deveria  seguir  um  procedimento  à  semelhança  do  que  determina  a  Instrução Normativa  RFB  n°  1.300/2012  (artigo  61,  §2º)  para  os  casos  de  compensação/restituição  de  tributos.  Logo,  a  interferência  no  saldo  de  prejuízos  da  Recorrente,  se  por  hipótese  admitida,  não  poderia  ter  sido  efetivada  mediante  lavratura  do  auto  de  infração  do  processo  n°19515.723039/2012­79,  sem notificação da  interessada ou  sem a desqualificação motivada  da  compensação  realizada  pela  própria  Recorrente  em  2009,  pois  o  Fisco  não  tem  total  liberdade para dar qualquer destinação ao crédito do contribuinte.   Ademais, resta evidente para a Recorrente, com relação à utilização do saldo de  prejuízo  fiscal  de  2008,  a  ocorrência  da  preclusão  consumativa  ou  lógica  no  processo  administrativo, pois se trata de questão já decidida pela Receita Federal, que agora se contrapõe  à  decisão  anterior  que  ratificara  o  saldo  de  prejuízos  de  2008. O  Estado  de Direito  fornece  direitos  às  pessoas,  dentre  os  quais  a  segurança  jurídica  das  relações  entre  Estado  e  contribuintes  (artigo  5o  da  Constituição  Federal),  que  é  materializada  pelos  institutos  da  decadência,  da prescrição  e,  em  sede da  lei  processual,  da preclusão, porquanto  as partes de  uma relação jurídico­processual não podem ser surpreendidas por atos consumados no tempo  ou  não  esperados  no  processo. Disso  decorre  que  o  ato  de  revisão  do  saldo  de  prejuízos  de  2008  praticado  pela  autoridade  fiscal,  por  meio  da  presente  autuação,  não  pode  ser  considerado,  porque  atingido  pela  preclusão  consumativa/lógica. Dessa  forma,  em  reforço  à  ocorrência da decadência, também operou­se, in casu, a preclusão do direito do Fisco de rever  os  fatos  consumados  no  ano  de  2008,  motivo  por  que  a  presente  autuação  não  conta  com  condições de prevalecer.   Fl. 996DF CARF MF Impresso em 27/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10314.728429/2014­99  Resolução nº  1301­000.380  S1­C3T1  Fl. 997          15 E, se não bastassem os argumentos já trazidos, a Recorrente ainda salienta que o  agente  fiscal,  no  presente  lançamento,  ao  considerar  a  insuficiência  de  saldo  para  a  compensação  de  prejuízo  fiscal  já  realizada  em  relação  ao  fato  gerador  de  seu  IRPJ  de  31/12/2009, afrontou institutos consagrados do Direito, em especial o exercício regular de um  direito  (o direito  à  compensação de prejuízos  fiscais),  o  ato  jurídico perfeito  (a  formação do  saldo  de  prejuízo  de  2008  e  o  pagamento  do  imposto  devido  em  2009  via  compensação  de  prejuízos), e o direito adquirido (o direito de ter reconhecida a existência de saldo de prejuízo e  a efetiva extinção parcial do IRPJ devido, por meio da compensação realizada). E, por isso, o  lançamento deve ser reconhecido como nulo.   Com efeito, em 31/12/2009, em função da conhecida "trava" dos 30%, prevista  nos artigos 250 e 509 do RIR/99, a Recorrente,  reunindo as condições exigidas na legislação  (isto  é,  imposto  a  pagar  e  existência  de  prejuízo  fiscal  de  exercícios  anteriores),  exercera,  regularmente, o direito a compensação como forma de extinção parcial do IRPJ, em relação a  referido fato gerador. Todavia, em 2012, houve a lavratura do auto de infração do processo nº  19515.723032/2012­79, por meio do qual a Fiscalização, ao apurar o montante devido, abatera  integralmente  o  prejuízo  (o  mesmo  utilizado  parcialmente  em  2009)  consolidado  em  31/12/2008.  Aplicando os conceitos doutrinários acima ao presente caso, considerando­se a  razão de ser e a essência de referidos institutos, no sentido de proteger situações consolidadas  no  tempo  a  fim  de  evitar  prejuízos  indevidos  e  proporcionar  segurança  jurídica  aos  jurisdicionados, resta evidente que, no trabalho fiscal ora recorrido, não se observou a lógica  prescrita por referidos institutos, na medida em que se objetivou a alteração de fatos passados,  já  consumados  e  imutáveis,  tudo  para  viabilizar,  a  partir  de  mencionada  alteração,  efeitos  futuros.  6.3)  DA  IMPOSSIBILIDADE  DE  LANÇAMENTO  FUNDADO  NO  SISTEMA DE ACOMPANHAMENTO DE PREJUÍZO FISCAL ­ SAPLI  A  Recorrente  também  defende  que  não  poderia  a  autoridade  fiscal  lavrar  o  discutido  auto de  infração com base no SAPLI.  Já a  autoridade  julgadora,  em análise a  esse  argumento,  afirmou que o presente  lançamento  não  fora  efetuado com base no SAPLI, mas,  sim, por meio de  informações prestadas pelo próprio  contribuinte. Com o devido  respeito,  é  certo que o entendimento da recorrida decisão não condiz com a realidade dos fatos, uma vez  que, se assim o fosse, teria a autoridade fiscal verificado que o saldo do prejuízo fiscal já havia  sido utilizado pela Recorrente muito antes da lavratura do auto de infração objeto do processo  administrativo n° 19515.723039/2012­79, ao adimplir com sua obrigação acessória e entregar a  competente DIPJ, na qual constava essa informação.  Por  essa  razão,  mister  reconhecer  que  a  presente  autuação  foi  fundada  no  SAPLI.  A  própria  autoridade  julgadora,  da  mesma  forma  que  constou  no  TVF,  acaba  por  admitir,  ainda  que  indiretamente,  que  o  lançamento  foi  baseado  no  SAPLI. Veja­se  que,  no  TVF,  constou  que  o  procedimento  de  Revisão  Interna  que  culminou  no  presente  estaria  motivado na "necessidade de acompanhamento  do SAPLI  ­ Sistema de Acompanhamento de  Prejuízo  Fiscal  ­  decorrente  da  lavratura  do  Auto  de  Infração  por  meio  do  processo  1915.723092/201351 e dos Acórdãos No.  (s)  1301­001570 de 05/06/2014 e 1401­001239 de  26/08/2014, relativos aos Autos de Infração lavrados por meio dos processos No. (s) 16.682­ 720.452/2011­81 e 19.515­723.039/2012­79". Ora, é sabido que o SAPLI funciona como um  controle interno da RFB e somente aos seus agentes é dado o acesso e,  especialmente, a sua  Fl. 997DF CARF MF Impresso em 27/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10314.728429/2014­99  Resolução nº  1301­000.380  S1­C3T1  Fl. 998          16 alteração, ou seja, a operação do SAPLI é atribuição exclusiva dos agentes  fiscais, conforme  normas  regimentais  da RFB. Não  se pode  admitir que  as  informações  desse  sistema possam  gerar a constituição de créditos tributários, momente quando as realocações ou alterações nele  inseridas são realizadas a destempo, ou seja, quando têm como objetivo alterar fatos passados,  já  atingidos  pela  decadência,  para  supostamente  "viabilizar"  o  alcance  de  fatos  futuros,  ou,  ainda, subvertendo a lógica e a cronologia do direito, acarretar preclusão consumativa/lógica,  ou,  finalmente,  implicar  ofensa  aos  institutos  do  exercício  regular  de direito,  ao  ato  jurídico  perfeito e ao direito adquirido.  6.4) DO EQUÍVOCO DA DRJ AO NÃO AFASTAR A MULTA DE OFÍCIO  Segundo a Recorrente,  na  remotíssima hipótese de  ser mantida  a exigência do  crédito tributário ora discutido, ainda assim não poderá ser mantido em sua totalidade, porque,  ao  contrário do  exposto na decisão  recorrida,  no presente  caso não houve a  simples  falta de  recolhimento do imposto. O que ocorreu, isso sim, foi um nítido erro da autoridade fiscal que,  ao  efetuar  o  lançamento,  reduziu  a  base  de  cálculo  do  IRPJ  com  a  utilização  do  saldo  do  prejuízo  fiscal,  sem  observar  que  este  já  havia  sido  utilizado  pela  Recorrente  com  expressa  homologação pelo Fisco.   A multa de ofício aplicada é voltada claramente para os casos em que o tributo  devido  não  é  recolhido  pelo  contribuinte.  E,  como  visto,  o  lançamento  em  debate  não  se  derivou da falta de recolhimento de tributo para o período aqui tratado (31/12/2009), mas, sim,  de realocação, de ofício, dos prejuízos fiscais da Recorrente, para o processo administrativo nº  19515.723039/2012­79,  a  acarretar  a  suposta  insuficiência  do  saldo  e,  consequentemente,  a  conclusão fiscal de que a compensação realizada pela Recorrente foi  indevida. Como já dito,  referida autuação ainda nem havia sido  lançada quando a Recorrente efetuou a compensação  em  31/12/2009,  atualmente  em  discussão  administrativa.  Por  conseguinte,  a  Recorrente  não  poderia  ter  cometido  a  infração  atribuída pela  Fiscalização  ("compensação  indevida"),  afinal  sequer havia como imaginar que dois anos depois dessa compensação seria lavrado o auto de  infração "Big Jump".   Deixou­se  claro  que  a  Recorrente,  observando  a  legislação  tributária  vigente,  compensou o tributo devido com o saldo de prejuízo fiscal de que dispunha à época dos fatos.  Daí por que não pode agora, em virtude de um nítido erro da autoridade fiscal, ser punido. Se  houve algum erro por parte da Recorrente, o que se admite apenas por amor à argumentação,  esse erro é escusável. Escusável porque a situação concreta foi executada de forma aparente, a  qual  não  comportava  suspeitas  de  nenhuma  sorte.  Até  porque  vige,  no  direito  brasileiro,  o  princípio da presunção de constitucionalidade das leis e dos atos administrativos.   Além disso, o princípio da boa­fé deve sempre nortear todas as searas do direito,  inclusive o direito tributário, pois, conforme dispõem os artigos 109 e 110, do CTN, as normas  tributárias devem observar e respeitar, quando de sua aplicação e hermenêutica, os conceitos e  princípios de direito privado. Assim, uma conduta eivada de boa fé há de ser preservada para  que  o  seu  agente  não  sofra,  injustamente,  qualquer  consequência  jurídica  a  que  não  faz  jus.  Dessa forma, na remota hipótese de se entender devido o crédito tributário, somente poderá ser  exigido o valor principal do  imposto,  sem a  incidência de  juros e multa,  consoante as  regras  acima transcritas.   Outrossim,  quando muito,  em  hipótese meramente  argumentativa,  somente  se  pode  cogitar,  em  2014,  da  constituição  do  crédito  tributário  relativo  a  fato  gerador  de  31/12/2009, para fins de se evitar a decadência (o que, no caso, já tinha ocorrido), nos termos  Fl. 998DF CARF MF Impresso em 27/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10314.728429/2014­99  Resolução nº  1301­000.380  S1­C3T1  Fl. 999          17 do artigo 63 da Lei 9.430/1996. Mas ainda assim, como já comentado, jamais teria cabimento a  multa  de  75%  aplicada  pela  Fiscalização,  em  sintonia  com  a  Súmula  n°  17  do  Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais.  E nem se alegue que o artigo 63 da Lei 9.430/96 prescreve o  lançamento sem  multa apenas nas hipóteses dos incisos do artigo 151 do CTN a que faz referências, deixando à  parte  os  demais,  inclusive  o  seu  inciso  III,  que  é  o  que  importa  no  presente  processo.  Isso  porque a prescrição contida em referido artigo, inserto em lei ordinária, apenas explicita aquilo  que, na Lei Complementar  (isto é, o CTN),  já estava (como de fato está) garantido, mas que  precisou  ser  expressamente  reforçado,  em  razão  das  inúmeras  discussões  judiciais  de  cunho  tributário  que  marcaram  o  período  compreendido  entre  a  promulgação  da  Constituição  da  República de 1988 e a edição da Lei 9430/1996, por meio das quais se impedia ou se pretendia  impedir  a  possibilidade  de  constituição  de  créditos  tributários  cuja  exigibilidade  estava  suspensa por medida liminar ou similar, em prejuízo ao prazo decadencial que corria contra o  Fisco. Portanto, a hipótese é de aplicação do próprio artigo 151, III do CTN.   Em suma, como foi demonstrado ao longo de toda esta peça recursal, a glosa de  prejuízos  fiscais  seria,  aqui,  mero  reflexo  de  autuação  anterior  (caso  "Big  Jump"),  mas  que  ainda não é definitiva, não sendo cabível, portanto, a cobrança da multa de ofício.  Por todo o exposto, a Recorrente requer que o presente recurso seja conhecido  para que:   a)  seja  dado  provimento,  reconhecendo­se  a  nulidade  da  decisão  recorrida,  determinando  o  retorno  dos  autos  à DRJ  para  saneamento  da  premissa  equivocada  adotada,  bem como para que a  autoridade  julgadora  se manifeste  expressamente  sobre os  argumentos  que não foram analisados;   b) caso não seja atendido o pedido anterior, o que se  admite para argumentar,  que  seja  dado  provimento,  reconhecendo­se  a  questão  de  prejudicialidade  do  processo  administrativo  n°  19515.723039/2012­79,  decidindo­se  pela  suspensão  do  julgamento  do  presente;   c)  na  remota  hipótese  de  não  serem  acolhidos  os  pedidos  anteriores,  que  seja  dado provimento ao recurso para se declarar a nulidade do lançamento tributário, seja em razão  dos  fundamentos  preliminares  suscitados,  seja  em  razão  dos  argumentos  de  mérito  para  reforma da decisão da DRJ e, por consequência,  ser determinado o cancelamento  integral do  lançamento tributário objeto deste processo administrativo;   d) ainda, na remota hipótese de ser mantida a exigência do tributo, que seja dado  provimento parcial para se cancelar a multa de ofício, juros e correção monetária aplicados.  É o relatório.          Fl. 999DF CARF MF Impresso em 27/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10314.728429/2014­99  Resolução nº  1301­000.380  S1­C3T1  Fl. 1000          18 VOTO  Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Relator.   Na  interposição  do  presente  recurso,  foram  observados  os  requisitos  de  recorribilidade. Dele conheço.  De  plano,  examina­se  a  questão  concernente  à  necessidade  de  suspensão  do  presente processo administrativo até o trânsito em julgado da decisão a ser proferida nos autos  do processo n° 19515.723039/2019 – prejudicialidade.  Segundo  a  Recorrente,  o  julgamento  do  presente  recurso  administrativo  deve  ficar suspenso até o  término do processo administrativo n° 19515.723039/2012­79, em razão  da  existência de prejudicialidade, uma vez que o  resultado do  julgamento desse último pode  impactar seriamente o julgamento do atual, como detalhadamente demonstrado na impugnação.  Com efeito, a glosa em apreciação nestes autos é exatamente a que se refere ao  valor de R$ 415.572.488,08, que teria sido compensado em excesso na apuração do lucro real  de 2009, em função da insuficiência de prejuízos fiscais de período anterior. Isso porque, com a  lavratura de auto de  infração,  em 2012, para  a cobrança de  IRPJ sobre fatos ocorridos no 4º  trimestre de 2008, conforme o apurado no processo nº 19515.723039/2012­79, compensou­se o  montante  de  R$  685.961.166,17  do  saldo  de  prejuízos  fiscais  existente  em  31/12/2008.  Tal  compensação  absorveu  a  parcela  do  saldo  de  prejuízo  fiscal  de  31/12/2008  que  fora  compensada  em  2009,  dando  origem  à  autuação  ora  em  debate.  Nessas  circunstâncias,  é  indubitável  que  a  decisão  do  processo  administrativo  n°  19515.723039/2012­79  é  questão  prejudicial deste feito.   À vista do exposto, voto no sentido de se converter o julgamento em diligência,  sobrestando­o até que se prolate decisão definitiva no processo nº 19515.723039/2012­79, que  deverá  ser  anexada ao presente para  fins de prosseguimento do  julgamento,  juntamente com  informações  objetivas  acerca  do  saldo  de  prejuízo  fiscal  passível  de  aproveitamento,  na  determinação do resultado fiscal do ano­calendário de 2009.  Propõe­se,  ainda,  que  este  processo  seja  encaminhado  à  delegacia  de  origem  para  a  realização  da  diligência  acima  referida,  onde  deverá  permanecer  até  a  prolação  de  decisão  irreformável  do  processo  nº  19515.723039/2012­79,  para  a  juntada  das  peças  mencionadas no parágrafo anterior.   É como voto.    (documento assinado digitalmente)  Flávio Franco Corrêa    Fl. 1000DF CARF MF Impresso em 27/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA

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Numero do processo: 10882.002513/2003-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 1998 PIS. DECLARAÇÃO EM DCTF. CRÉDITO SUSPENSO POR MEDIDA JUDICIAL. CNPJ. ERRO DE FATO. AUTORIZAÇÃO DE NÃO RECOLHIMENTO. DATA DA TRANSMISSÃO DA DECLARAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE DECLARAÇÃO INEXATA. Sendo o motivo do lançamento tributário suposta declaração inexata do contribuinte em DCTF a respeito de suspensão de exigibilidade do crédito tributário por medida judicial (e não qualquer questão afeita ao mérito do processo judicial em si), não é cabível a discussão sobre o direito do Fisco lançar o crédito tributário controvertido judicialmente (artigo 63 da Lei n. 9.430/96). Demonstrado que a Contribuinte consta dentre os autores da ação judicial destacada na DCTF, não há que se falar em inexatidão da declaração. Ademais, o que importa para fins de avaliação de ocorrência ou não declaração inexata pela Recorrente não é a realidade jurídica vigente na data da lavratura do auto de infração, mas sim aquela em vigor quando da transmissão da DCTF, sob pena afronta ao artigo 144 do Código Tributário Nacional, quando determina que “o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente”. É consabido que a decisão judicial tem força de lei entre as partes que compõem o processo, de modo que a “lei vigente” na data da apresentação da DCTF era a medida liminar que favorecia o contribuinte, exatamente que fora por ele declarado, não havendo, portanto, declaração inexata a ser penalizada. Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3402-003.517
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Maria Aparecida Martins de Paula e Carlos Augusto Daniel Neto. O Conselheiro Antonio Carlos Atulim acompanhou o voto da relatora, acrescentando que o cancelamento do auto de infração eletrônico não significa que o contribuinte nada deve. A cobrança do crédito tributário em questão deverá ocorrer via DCTF, uma vez que os valores estavam confessados e a autoridade administrativa constatou a inexistência de condição suspensiva da exigibilidade do crédito tributário. Esteve presente ao julgamento o Dr. Saul Tourinho Leal, OAB/DF 22.941. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim - Presidente. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ

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3402­003.517  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  01 de dezembro de 2016  Matéria  PIS  Recorrente  TV STÚDIOS DE RIBEIRÃO PRETO S/C LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Ano­calendário: 1998  PIS.  DECLARAÇÃO  EM  DCTF.  CRÉDITO  SUSPENSO  POR MEDIDA  JUDICIAL.  CNPJ.  ERRO  DE  FATO.  AUTORIZAÇÃO  DE  NÃO  RECOLHIMENTO.  DATA  DA  TRANSMISSÃO  DA  DECLARAÇÃO.  INEXISTÊNCIA DE DECLARAÇÃO INEXATA.  Sendo  o  motivo  do  lançamento  tributário  suposta  declaração  inexata  do  contribuinte  em DCTF  a  respeito  de  suspensão  de  exigibilidade  do  crédito  tributário  por  medida  judicial  (e  não  qualquer  questão  afeita  ao  mérito  do  processo  judicial  em si), não é cabível a discussão sobre o direito do Fisco  lançar  o  crédito  tributário  controvertido  judicialmente  (artigo  63  da  Lei  n.  9.430/96).   Demonstrado  que  a  Contribuinte  consta  dentre  os  autores  da  ação  judicial  destacada  na  DCTF,  não  há  que  se  falar  em  inexatidão  da  declaração.  Ademais,  o  que  importa  para  fins  de  avaliação  de  ocorrência  ou  não  declaração inexata pela Recorrente não é a realidade jurídica vigente na data  da  lavratura  do  auto  de  infração,  mas  sim  aquela  em  vigor  quando  da  transmissão da DCTF, sob pena afronta ao artigo 144 do Código Tributário  Nacional,  quando  determina  que  “o  lançamento  se  reporta  à  data  da  ocorrência do fato gerador da obrigação e rege­se pela lei então vigente”. É  consabido  que  a  decisão  judicial  tem  força  de  lei  entre  as  partes  que  compõem o processo, de modo que a “lei vigente” na data da apresentação da  DCTF era a medida liminar que favorecia o contribuinte, exatamente que fora  por ele declarado, não havendo, portanto, declaração inexata a ser penalizada.  Recurso voluntário provido.        Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 25 13 /2 00 3- 81 Fl. 461DF CARF MF     2 Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  maioria  de  votos,  em  dar  provimento  ao  recurso. Vencidos  os Conselheiros  Jorge  Freire, Maria Aparecida Martins  de  Paula  e  Carlos  Augusto  Daniel  Neto.  O  Conselheiro  Antonio  Carlos  Atulim  acompanhou  o  voto da relatora, acrescentando que o cancelamento do auto de infração eletrônico não significa  que o contribuinte nada deve. A cobrança do crédito tributário em questão deverá ocorrer via  DCTF, uma vez que os valores estavam confessados e a autoridade administrativa constatou a  inexistência de condição suspensiva da exigibilidade do crédito tributário. Esteve presente ao  julgamento o Dr. Saul Tourinho Leal, OAB/DF 22.941.     (Assinado com certificado digital)  Antonio Carlos Atulim ­ Presidente.  (Assinado com certificado digital)  Thais De Laurentiis Galkowicz ­ Relatora.     Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  Antonio  Carlos  Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida  Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.      Relatório  O presente Processo Administrativo foi objeto da Resolução n. 3402000.706  depois  de  sua  chegada  ao  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  (“CARF”).  Dessa  forma, o caso já foi bem relatado pelo Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, antes de ser a  mim redistribuído pelo fato de o Relator originário não mais integrar nenhum dos Colegiados  da 3ª Seção. Desta feita, peço licença para tomar emprestadas as suas palavras sobre o histórico  do processo:    Trata­se  de  Auto  de  Infração  referente  à  contribuição  para  o  Programa de  Integração Social  – PIS,  lavrado  em 13/06/2003,  tendo a Contribuinte cientificada em 01/07/2003, com o crédito  tributário  no  valor  total  de  R$  72.736,06  (setenta  e  dois  mil  setecentos e trinta e seis reais e seis centavos), correspondente a  1 – valor principal, acrescido de multa de ofício de 75% e juros  de mora, e 2 – multa de ofício isolada, em razão de: a) Débitos  de PIS  de  código  8109 dos  períodos  de  janeiro  a  dezembro/98  terem sido declarados com exigibilidade suspensa por processo  judicial de outro CNPJ (declaração inexata); b) Débitos de PIS  de  códigos  8002  e  8205  dos  períodos  de  janeiro  a  março/98  terem sido recolhidos em atraso, sem acréscimos moratórios.  DA IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA  Fl. 462DF CARF MF Processo nº 10882.002513/2003­81  Acórdão n.º 3402­003.517  S3­C4T2  Fl. 112          3 A  Contribuinte  apresentou  em  31/07/2003,  Manifestação  de  Inconformidade,  à  fl.  2  (numeração  eletrônica)  alegando,  em  síntese,  que  no  tocante  às  competências  de  Janeiro  a Maio  de  1998 estaria decaído o direito para o lançamento, bem como que  a  Secretaria  da Receita Federal,  antes  de  autuá­la,  deveria  ter  determinado  uma  diligência  fiscal  ou  uma  intimação  para  prestar esclarecimentos a fim de verificar qual a razão da falta  de  pagamento,  e  que,  caso  o  procedimento  adotado  houvesse  sido  esse,  poderia  ter  verificado  que  o  não  recolhimento  justifica­se  em  virtude  de  liminar  em Mandado  de  Segurança,  nos autos nº 9600104450, por meio do qual possuía autorização  judicial  para  recolher  o  PIS  na  forma  estabelecida  pela  Lei  Complementar nº 7/70.  A  então  Impugnante  mencionou  que  a  liminar  foi  concedida  conforme o  pedido  inicial,  estando a  exigibilidade  dos  créditos  suspensa. A  sentença  julgou parcialmente procedente o pedido,  porém  equivocou­se  quanto  à  parte  não  acolhida,  pois  foi  determinado  a  aplicação  das  EC  nºs  10/96  e  17/97,  que  são  aplicáveis  somente  às  instituições  financeiras  e  equiparadas,  o  que não era o caso da Contribuinte, o qual foi discutido em sede  de recurso, aguardando julgamento no TRF da 3ª Região.  Requereu  ao  fim  a  impossibilidade  da  correção  dos  valores  autuados pela Taxa SELIC, aduzindo que esta não foi criada por  lei,  ofendendo  assim,  o  princípio  constitucional  da  legalidade,  bem  como  o  disposto  no  art.  161,  §1º  do  CTN,  sendo  esse  o  entendimento no RE nº 215.881 do STJ.  DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA  A  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  em  Campinas  (SP),  em  02/02/2011,  proferiu  acórdão  de  nº  05­32.289,  às  fls.  142 (numeração eletrônica), nos seguintes termos:  “ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  PIS/PASEP  Ano­ calendário: 1998 DCTF. REVISÃO INTERNA. LANÇAMENTO.  DÉBITOS  DE  PIS  FATURAMENTO.  01/98  A  05/98.  DECADÊNCIA.  Descabe  discutir  o  prazo  para  formalização  da  exigência,  bem  como aspectos que poderiam ensejar a nulidade do lançamento,  se  o  crédito  tributário  subsistiria  constituído  pelo  contribuinte,  mediante formalização em declaração.  AUSÊNCIA DE PRÉVIA INTIMAÇÃO DO CONTRIBUINTE.  Apurada  causa  suficiente,  hábil  a  dispensar  a  intimação  do  contribuinte,  desnecessária  é  a  exteriorização  do  procedimento  fiscal por meio de prévia solicitação de esclarecimentos.  AÇÃO JUDICIAL. A propositura de ação judicial, antes ou após  a  lavratura  do  auto  de  infração,  com  o  mesmo  objeto,  não  impede  a  formalização  do  lançamento.  Apenas  que,  se  confirmada  a  suspensão  da  exigibilidade  antes  do  início  do  Fl. 463DF CARF MF     4 procedimento  fiscal,  incabível  seria  a  explicação  de  multa  de  ofício.  MULTA  DE  OFÍCIO.  DÉBITOS  DECLARADOS.  Em  face  do  princípio da retroatividade benigna, exonera­se a multa de ofício  no  lançamento  decorrente  de  suspensão  de  exigibilidade  não  comprovada,  apuradas  em  declaração  prestada  pelo  sujeito  passivo, por se configurar hipótese diversa daquelas versadas no  art. 18 da Medida Provisória nº  135/2003,  convertida  na  Lei  nº  10.833/2003,  com  a  nova  redação dada pelas Leis nº 11.051/2004 e nº 11.196/2005.  JUROS. TAXA SELIC. Nos termos da Lei nº 9.430, de 1996. Os  juros  serão equivalentes à  taxa referencial do  sistema Especial  de  Liquidação  e  de  Custódia  –  SELIC  para  títulos  federais,  acumulada mensalmente.  INCONSTITUCIONALIDADE.  A  apreciação  de  alegações  relacionadas  a  inconstitucionalidade  da  legislação  tributária  não  é  de  competência  da  autoridade  administrativa,  mas  sim  exclusiva do Poder Judiciário.  MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. DÉBITOS DECLARADOS SOB  CÓDIGOS 8002 E 8205. RECOLHIMENTO EM ATRASO SEM  MULTA  DE  MORA.  Ausente  motivação  específica  para  atribuição  de  vencimento  previsto  para  PIS­Faturamento  (código  8109)  a  débitos  declarados  sob  códigos  8205  (PIS­ Repique)  e  8002  (PIS­Dedução),  não  prospera  a  imputação  de  atraso no recolhimento.  Impugnação Procedente em Parte  Crédito Tributário Mantido em Parte.”  A DRJ considerou procedente em parte a impugnação, afastando  a  preliminar  de  decadência,  sustentando  que  relativamente  ao  crédito  tributário  relativo  aos  períodos  supostamente  decaídos,  por  estarem  os  mesmos  declarados  em  DCTF,  seria  inócua  eventual  declaração  (de  decadência),  pois  que  o  crédito  tributário  subsistiria  constituído  pelo  contribuinte  mediante  a  formalização  de  declaração.  Em  seguida,  reconhecendo  a  existência de medida liminar em MS, manteve aqueles lançados  a  título  de  principal  PIS­Faturamento  (código  8109)  relativos  aos  períodos  de  janeiro  a  maio/98  (considerando  que  o  contribuinte  apresentou  desistência  dos  períodos  subsequentes,  inserindo­os  na  Lei  11.941/2009)  e  afastou  a  multa  de  ofício  proporcional  sobre  eles  aplicada  e  a  multa  de  ofício  isolada,  conforme quadro resumo em anexo ao Acórdão da DRJ, às  fls.  154 (numeração eletrônica).  DO RECURSO  Cientificado  do  Acórdão  de  Primeira  Instância  em  28/02/2011  (conforme  AR  de  fls.  158),  a  contribuinte  apresentou  em  20/04/2011  a  defesa  que  denominou  Manifestação  de  Inconformidade,  recorrendo, porém, contra o Acórdão da DRJ,  fls. 161­165, nos seguintes termos:  Fl. 464DF CARF MF Processo nº 10882.002513/2003­81  Acórdão n.º 3402­003.517  S3­C4T2  Fl. 113          5 Arguiu a Contribuinte, em resumo, que quanto ao “princípio da  constituição e extinção do crédito tributário”, considerando­se a  modalidade de lançamento por homologação, no qual o prazo é  de 5 anos, a contar da data do  fato gerador  (estabelecido pelo  §4º do art. 150 do CTN), estaria o crédito tributário homologado  tacitamente, uma vez que entre a declaração pelo contribuinte e  a  constituição  do  crédito  tributário  pelo Fisco  havia  decorrido  mais  de  5  anos  (fatos  geradores  01  a  12/1998,  lançamento  em  13/06/2003).  Desta forma, como não homologado expressamente, restaram os  períodos  controvertidos  homologados  tacitamente,  pelo  que  deveria ser reformado o Acórdão recorrido.  DA DISTRIBUIÇÃO  Tendo  o  processo  sido  distribuído  a  esse  relator  por  sorteio  regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio  de  processo  eletrônico,  em  01  (um)  Volume,  numerado  até  a  folha  255  (duzentos  e  cinquenta  e  cinco),  estando  apto  para  análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção do  CARF.  Em  julgamento  datado  de  14  de  outubro  de  2014,  mediante  a  citada  Resolução n.  3402­000.706,  a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara dessa 3ª Seção,  entendendo  que faltavam elementos documentais essenciais à verificação dos fatos discutidos no processo,  especialmente para a aferição da decadência, determinou:  Da  análise  dos  autos  não  foi  possível  identificar  a  DCTF  do  contribuinte relativa ao período autuado (1998), nem tampouco,  há  menção,  documentos  ou  informações,  sobre  eventuais  pagamentos  parciais  de  PIS  para  os  períodos  daquele  ano­ calendário,  pelo  que,  o  processo  assim  não  se  encontra  em  condições de receber um justo julgamento, merecendo o mesmo  ser convertido em diligência para:  a)  Seja  juntada  a  DCTF  cruzada  pela  Fiscalização  para  o  lançamento;  b)  Seja  intimado  a  recorrente  para  que  manifeste­se  sobre  a  existência  de  pagamentos  parciais  para  os  débitos  autuados,  bem como, apresente comprovantes, se existentes;  c)  Após  elaboração  termo  de  Diligência,  com  as  conclusões  decorrentes  dos  quesitos  aqui  formulados,  seja  a  Recorrente  intimada das informações fiscais para manifestação no prazo de  30 dias, retornando os autos a julgamento.  Em fls 412 a Autoridade Fiscal de origem apresenta  termo de conclusão da  diligência solicitada, no qual informa:  Trata o processo de cobrança de PIS Faturamento/1998 lançado  em  decorrência  de  não  comprovação  da  suspensão  da  exigibilidade  pela  medida  judicial  informada  em  DCTF  pelo  contribuinte,  remanescendo  nos  autos  em  sede  de  recurso  Fl. 465DF CARF MF     6 voluntário  os  períodos  de  janeiro  a  maio/1998,  alegando  o  interessado estarem atingidos pela decadência.  Em  atendimento  à  diligência  solicitada  na  Resolução  3402­ 000.706 de 14 de outubro de 2014 do Conselho Administrativo  de  Recursos  Fiscais  de  fls.  256  a  261,  foram  efetuadas  as  juntadas  das DCTF de  nºs  0000100199800350485  referente  ao  primeiro trimestre de 1998, e a de nº 0000100199800048900 do  segundo trimestre de 1998. Verificam­se às páginas 282 a 284 e  306  a  307  aqueles  valores  declarados  com  exigibilidade  suspensa, e que foram objeto de cobrança no auto de infração de  fls. 36 a 39.  Em resposta à  intimação para  se manifestar  sobre a  existência  de  eventuais  pagamentos parciais  desses  créditos  tributários,  o  contribuinte junta o documento de fls. 319 a 410 onde reitera os  argumentos  apresentados  em  sua  defesa:  a  suspensão  da  exigibilidade  e  a  decadência  desses  períodos.  Não  há  menção  sobre pagamentos de PIS Faturamento efetuados para o período,  o  que  se  confirma  na  pesquisa  juntada  à  fl.314.  Foram  apresentados  pagamentos  de  Pis  Dedução  e  Pis  Repique  do  período, conforme fls.392 a 410.  Cumprido  o  solicitado  em  diligência,  proponho  a  ciência  ao  interessado  e  posterior  retorno  dos  autos  ao  CARF  para  prosseguimento no julgamento.  Por  fim,  a  Recorrente,  devidamente  intimada,  peticionou  nos  autos  sua  manifestação (fls 421 a 423) a respeito do Termo supracitado, especialmente no que diz “não  há menção  sobre  pagamentos”. Reitera  que  justamente  por  estar  a Recorrente  amparada  por  decisão  judicial  que  suspendia  a  exigibilidade  do  crédito,  além  do  que  foi  reconhecido  por  despacho de diligência o pagamento do  tributo na modalidade PIS dedução e PIS  repique do  período – fls 392 a 410.   É o relatório.    Voto             Os  requisitos  de  admissibilidade  do  recurso  voluntários  já  foram  anteriormente  analisados  e  acatados  por  este  Conselho,  de modo  que  passo  à  apreciação  do  caso.  Como  relatado  anteriormente,  o  presente  processo  possui  dois  pontos  controvertidos: i) preliminarmente, a decadência do período compreendido entre janeiro e maio  de 1998;  ii) o mérito, pela  infração por declaração em DCTF  relativa  à Contribuição ao PIS  com  exigibilidade  suspensa  por  processo  judicial,  sendo  que  essa  vinculação  não  teria  sido  comprovada pois o processo diz respeito a outro CNPJ.  Trato  primeiramente  do  mérito,  que  socorrendo  a  Recorrente  dispensa  a  análise da questão preliminar.  A  capitulação  e  descrição  da  infração  foi  imputada  à  Recorrente  nos  seguintes termos do auto de infração (fls 37):  Fl. 466DF CARF MF Processo nº 10882.002513/2003­81  Acórdão n.º 3402­003.517  S3­C4T2  Fl. 114          7   Pelo  texto  tanto  do  item  9  como  do  10  do  lançamento  tributário  não  é  possível  compreender  qual  teria  sido  a  infração  praticada  pela Contribuinte,  ora Recorrente.  Fala­se em "falta de recolhimento ou pagamento do principal" e “declaração inexata”, porém  sem explicar qual seria tal inexatidão. No anexo I do auto de infração vemos que, com relação  ao  período  controvertido,  há  menção  de  que  o  “crédito  vinculado  total/parcialmente  não  confirmado”, “exigibilidade suspensa”, remetendo em outra coluna da Tabela ao “Número do  Processo”  960010445­0  (fls  38),  o  que  induz  a  pensarmos  sobre  qual  teria  sido  o  problema  constatado  pela  fiscalização:  a  inexatidão  da  declaração  seria  quanto  à  suspensão  da  exigibilidade do recolhimento do Contribuição ao PIS com base no Processo n. 960010445­0.  É no campo “ocorrência” da mesma tabela que percebemos que o motivo do entendimento pela  inexatidão é que o processo judicial em questão se referia a outro CNPJ.   Pois  bem.  A  petição  inicial  do  writ  consta  dos  presentes  autos,  da  qual  destaco seu preâmbulo:  Fl. 467DF CARF MF     8   De pronto constata­se que a Recorrente se encontra dentre as empresas que,  em  litisconsórcio  ativo,  impetraram  o Mandado  de  Segurança  n.  96.0010445­0.  Disto  já  se  conclui o erro da Fiscalização ao efetuar o lançamento sob a alegação que a declaração feita em  DCTF sobre a  suspensão da exigibilidade de  crédito da Contribuição  ao PIS  não abarcava o  CNPJ da Recorrente.   Mas não é só, mesmo que o fundamento da “inexatidão da declaração” fosse  aquele  sobre  o  qual  discorreu  o  acórdão  a  quo,  o  que  não  é  o  caso  pela  literalidade  da  fundamentação do auto de infração, como foi destacado acima – não poderia ser convalidado o  lançamento tributário.  Com efeito, o raciocínio da DRJ foi: quando da lavratura do auto de infração  (13/06/2003)  a  medida  liminar  que  fora  concedida  no  bojo  do  Mandado  de  Segurança  n.  960010445­0 (de 16/04/1996) já não era mais vigente, pois havia sido substituída pela sentença  judicial  (de  06/11/2000),  a  qual,  por  sua  vez,  não  mais  garantia  o  direito  da  Recorrente  a  recolher  a  Contribuição  ao  PIS  na  forma  pretendida  (LC  7/70).  Ao  final,  a  União  saiu  vencedora no processo judicial, transitado em julgado.  Com  arrimo  nessa  cronologia,  aliada  ao  fato  de  que  à  Administração  Tributária cumpre constituir o crédito tributário para prevenir decadência mesmo na vigência  de causa de suspensão de exigibilidade do crédito  tributário  (artigo 63 da Lei n. 9.460/96), a  DRJ decidiu negar provimento à impugnação da Contribuinte.  Com  a  devida  vênia  ao  acórdão  recorrido,  não  é  possível  corroborar  tal  posição.  De  acordo  com  o  exposto  alhures,  se  com  esforço  suplantarmos  que  a  motivação  do  lançamento  tributário  nesse  caso  é  tão  somente  o  problema do CNPJ,  a  única  conclusão  que  podemos  chegar  sobre  o motivo  do  auto  de  infração  é  a  inexatidão  quanto  à  informação  constante  da  DCTF  do  período  em  questão,  no  que  tange  à  suspensão  da  exigibilidade do crédito tributário.   Fl. 468DF CARF MF Processo nº 10882.002513/2003­81  Acórdão n.º 3402­003.517  S3­C4T2  Fl. 115          9 Ora, caso fosse o motivo do lançamento tributário – o que se coloca aqui ad  argumentando tantum, uma vez que, como se sabe, não pode o julgador administrado alterar os  fundamentos do lançamento tributário ­, é de todo evidente que ele não se sustenta.  Isto porque, em primeiro lugar, não é cabível a discussão sobre o direito do  Fisco  lançar  o  crédito  tributário  controvertido  judicialmente  e  cuja  exigibilidade  esteja  suspensa  por  medida  liminar,  justamente  em  razão  do  motivo  desse  específico  lançamento  tributário:  a declaração  de  informação  inexata em DCTF,  e não qualquer discussão  afeita ao  mérito  do  processo  judicial  em  si.  Em  segundo  lugar,  diferentemente  do  que  alegado  pela  Fiscalização  e  acatado pela DRJ, o que  importa para  fins de  avaliação da ocorrência ou não  declaração  inexata pela Recorrente não é a  realidade  jurídica vigente na data da lavratura do  auto  de  infração  (13/06/2003),  mas  sim  aquela  em  vigor  quando  da  transmissão  da  DCTF  (primeiro e segundo trimestre de 1998). Por óbvio, não poderia a Recorrente, em 1998, declarar  nada diferente daquilo que então existia (liminar assegurando seu direito, proferida em 1996).  Manter o presente auto de infração, pelo específico motivo pelo qual  foi  lavrado (declaração  inexata), significa querer que a Recorrente  tivesse previsto o  futuro, no qual adveio sentença  (em 2000) alterando a situação jurídica a ser declarada. Ademais, representaria inegável afronta  ao artigo 144 do Código Tributário Nacional, quando determina que “o lançamento reporta­se à  data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege­se pela lei então vigente”. É consabido  que a decisão judicial tem força de lei entre as partes que compõem o processo, de modo que a  “lei  vigente”  na  data  da  apresentação  da  DCTF  era  a  medida  liminar  que  favorecia  o  contribuinte,  exatamente  que  fora  por  ele  declarado.  Não  há  que  se  falar,  portanto,  em  declaração inexata in casu.   Nesse  sentido  o  Conselheiro  Antonio  Carlos  Atulim,  em  caso  análogo  ao  presente,  da mesma  empresa  ora  Recorrente,  no  qual  o  problema  da  motivação  do  auto  de  infração foi exatamente o mesmo:  Dessa  forma,  pergunta­se:  onde  está  a  declaração  inexata?  Segundo o que está contido nos autos, a conclusão é só pode ser  no  sentido  de  que  a  declaração  foi  exata  ao  tempo  em  que  a  DCTF foi apresentada. O problema é que o contribuinte perdeu  a  ação  e  tempos  depois  a  condição  suspensiva  que  havia  sido  declarada desapareceu.  Como  foi  dito no  início, a descrição dos  fatos neste processo é  obscura e não retrata com fidelidade a situação fática em que se  encontrava o contribuinte no momento do lançamento. (Acórdão  nº  3403002.282,  Processo  nº  10882.002495/200338,  Sessão  de  26 de junho de 2013).   Dessarte,  não  há  fundamento  jurídico  para  manter  hígido  o  lançamento  tributário fundador do presente processo administrativo, razão pela qual voto no sentido de seu  integral cancelamento.   Conclusão  Ex positis, voto pelo provimento integral do recurso voluntário.  Observe­se que o cancelamento do auto de infração eletrônico não significa  que o contribuinte nada deve. A cobrança do crédito tributário em questão deverá ocorrer via  Fl. 469DF CARF MF     10 DCTF, uma vez que os valores estavam confessados  e a autoridade administrativa constatou a  inexistência de condição suspensiva da exigibilidade do crédito tributário.   Thais De Laurentiis Galkowicz ­ Relatora.                                    Fl. 470DF CARF MF

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Numero do processo: 10882.900945/2008-64
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-004.018
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900945/2008­64  Acórdão n.º 9303­004.018  CSRF­T3  Fl. 3          2 Relatório  Trata­se  de  recurso  especial  de  divergência  interposto  pela  contribuinte  com fulcro nos artigos 64,  inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  ­  RICARF,  aprovado  pela  Portaria  MF  nº  256/09, meio pelo qual busca a reforma do Acórdão nº 3801­004.983, que negou provimento  ao recurso voluntário. Decidiu o colegiado a quo pela incidência das contribuições sobre as  receitas  oriundas  de  vendas  a  empresas  sediadas  na  Zona  Franca  de Manaus,  no  período  tratado neste processo.  Cientificado do mencionado acórdão o  sujeito passivo apresentou  recurso  especial suscitando divergência  jurisprudencial quanto à  isenção das contribuições sobre as  receitas  decorrentes  de  vendas  de mercadorias  e  serviços  para  empresas  com domicílio  na  Zona Franca de Manaus.   O  recurso  foi  admitido  por  intermédio  de  despacho  do  Presidente  da  Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões.  É o relatório, em síntese.    Voto             Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator  Este  processo  foi  julgado  na  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão 9303­003.934, de  07/06/2016, proferido no julgamento do processo 10650.902444/2011­41, paradigma ao qual o  presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303­003.934):  "A matéria,  única,  posta  ao  exame do colegiado não é nova. Com efeito,  já  tivemos  oportunidade  de  nos  pronunciar  sobre  ela  em  diversas  ocasiões,  tendo  eu  firmado  convicção  pela  inaplicabilidade  de  qualquer  medida  desonerativa  (seja  isenção, imunidade ou alíquota zero) aos fatos geradores anteriores a julho de 2004.  No relatório da Dra. Vanessa consta que o contribuinte aduziu em seu recurso:  "que:  (a)  o  Decreto­Lei  nº  288/67  equipara  os  efeitos  das  operações  de  venda  para  a  Zona  Franca  de  Manaus  às  exportações  para  o  estrangeiro,  sendo­lhes  aplicáveis  as  vantagens  fiscais  estabelecidas  pela  legislação  para  as  exportações, nos  termos do seu art. 4º;  (b) o Superior Tribunal  de Justiça pacificou o entendimento no sentido da não incidência  de PIS sobre as receitas decorrentes das vendas para empresas  sediadas  na  Zona  Franca  de Manaus;  (c)  o  Supremo  Tribunal  Fl. 167DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900945/2008­64  Acórdão n.º 9303­004.018  CSRF­T3  Fl. 4          3 Federal,  ao  proferir  liminar  na  Ação  Direta  de  Inconstitucionalidade  nº  2.348­9,  suspendeu  a  eficácia  da  expressão ‘na Zona Franca de Manaus’, contida no inciso I, do  §2º  do  art.  14  da MP  nº  2.037­24/00,  expressão  suprimida  do  diploma legal pelo Poder Executivo ao editar, na mesma data, a  MP nº 2.037­25/2000;  e, por  fim,  (d) não  incide o PIS para os  fatos geradores ocorridos em fevereiro de 2002, tendo em vista a  revogação da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ do inciso  I,  §2º do art.  14 da MP nº 2.037­25/2000 e a equiparação dos  efeitos  fiscais  das  vendas  para  a  Zona  Franca  de  Manaus  às  exportações para o exterior".  Considero­os  todos  abarcados  no  voto  que  segue,  proferido  em  sessão  de  2011, no qual enfrentei ainda outros argumentos. Reconheço haver decisões do STJ em sentido  oposto, mas, como nenhuma delas cumpre os requisitos do art. 62 do atual regimento interno  desta Casa, peço vênia para continuar teimando.   Disse­o eu naquela ocasião:  Vale  iniciá­lo  reenunciando  o  criativo  entendimento  da  recorrente:  a)  não há necessidade de previsão legal expressa concessiva da  isenção  porque  o  decreto­lei  288  e  o  Ato  Complementar  35/67 bastam;  b)  deferida  isenção  para  exportações  em  geral,  a  vendas  à  ZFM está imediata e automaticamente estendida;  c)  tendo o Ato Complementar à Constituição de 67 a natureza  de lei complementar, como pacificado em nossos Tribunais,.  nenhuma lei ordinária o poderia revogar;  d)  a “revogação” pretendida somente vigorou entre ___ e ___,  sendo de rigor reconhecer a isenção, ao menos, nos períodos  anterior e posterior.  Ainda  que  criativo,  o  raciocínio  desenvolvido  na  defesa  não  merece  prosperar  cabendo  a manutenção da  decisão  recorrida  pelos motivos que se expõem em seguida. Em primeiro lugar, a  premissa  de  que  o  decreto­lei  288  teria  assegurado que  todo e  qualquer  incentivo  direcionado  a  promover  as  exportações  deveria,  imediata  e  automaticamente,  ser  estendido  à  Zona  Franca de Manaus não resiste sequer ao primeiro dos métodos  interpretativos consagradamente admitidos: a literalidade.  É  que  tal  extensão  somente  caberia  se  o  citado  decreto  tivesse  afirmado que  as  remessas  de  produtos  para  a Zona Franca  de  Manaus  são  exportação.  Nesse  caso,  a  equiparação  valeria  mesmo  para  outros  efeitos,  não  fiscais.  Poderia,  para  o  que  interessa,  restringi­la  a  “todos  os  efeitos  fiscais”.  Se  o  tivesse  feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na  legislação  que  viesse  a  afetar  as  exportações,  no  que  tange  a  tributos,  afetaria  do  mesmo  modo  e  na  mesma  medida  aquela  zona.  Fl. 168DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900945/2008­64  Acórdão n.º 9303­004.018  CSRF­T3  Fl. 5          4 Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato  legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva  “constantes  da  legislação  em  vigor”.  Não  vejo  como  essa  restrição possa ser entendida de modo diverso do que  tem sido  interpretado  pela  Administração:  apenas  os  incentivos  às  exportações  que  já  vigiam  em  1  de  fevereiro  de  1967  estavam  “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando.  E  ponho  a  palavra  entre  aspas  porque  nem  mesmo  o  Poder  Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período  de  exceção,  em  que  o  Poder  executivo  quase  tudo  podia  –  pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar,  na  mesma  data,  o  Ato  Complementar  35,  cujo  artigo  7º  assegurou aquela extensão ao ICM.   Aliás,  da  interpretação  dada  pela  recorrente  a  este  último  ato  também divergimos. Deveras, pretende ela que ele  teria alçado  ao  patamar  de  lei  complementar  a  equiparação  já  prevista  no  decreto­lei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior  precisão  o  que  se  entende  por  produtos  industrializados  para  efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na  Constituição  de  67.  Define­os  no  parágrafo  1º,  recorrendo  à  tabela do  então criado  imposto  sobre produtos  industrializados  (tabela  anexa  à  Lei  4.502).  No  parágrafo  segundo,  estende,  também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas  francas.  Essa  interpretação  me  parece  forçosa  quando  se  sabe  que,  segundo  a  boa  técnica  legislativa,  os  parágrafos  de  um  dado  artigo  não  acrescentam  matéria  ao  disposto  no  caput,  apenas  esclarecem  sobre  o  alcance  daquela  matéria.  E  ao  esclarecer  podem  impor  uma  definição  restritiva,  como  no  parágrafo  primeiro,  ou  extensiva,  como  no  segundo. O  que  não  pode  um  simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no  caput  e nos  seus  incisos. E não parece haver dúvida de que aí  apenas se cuida da imunidade do ICM.   Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu  ao IPI a imunidade do ICM, como afirma a empresa.   Ora,  se  a  previsão  do  decreto­lei  deveria  alcançar  “todos  os  efeitos  fiscais” e já havia previsão de  imunidade de ICM sobre  produtos  industrializados,  para  que  tal  parágrafo  no  ato  complementar?  Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade.  É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre  de  restrições  aduaneiras,  característica  das  chamadas  zonas  francas  comerciais.  O  que  se  buscou  com  a  sua  criação  foi  induzir  a  instalação  naquele  distante  rincão  nacional  de  empresas de  caráter  industrial,  que gerassem emprego e  renda  para  a  região  Norte.  Para  tanto,  definiu­se  um  conjunto  de  incentivos  fiscais que,  à  época de  sua criação,  seria  suficiente,  no entender dos seus  formuladores, para gerar aquela atração.  Tais  incentivos,  e  apenas  eles,  configuram  diferenciação  em  favor dos produtos  importados e  industrializados naquela área.  Fl. 169DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900945/2008­64  Acórdão n.º 9303­004.018  CSRF­T3  Fl. 6          5 Foi  essa  diferença  tributária  que  induziu  a  criação  do  parque  industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada  de algum daqueles incentivos que pode ser taxada de “quebra de  contrato”.   A  contrário  senso,  novos  incentivos  fiscais  que  se  venham  a  instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil  o legislador por ocasião de sua instituição.   Isso  não  se  dá  automaticamente  com os  incentivos  genéricos à  exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas  imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais  durante  tanto  tempo  somente  alcançáveis  por  meio  das  exportações.  Por  óbvio,  a  ninguém  escapa  que  vendas  à  ZFM  não  geram  divisas.  Diferentes,  pois,  os  objetivos,  nenhum  automatismo se justifica.  Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da  ZFM,  inventaram  os  “legisladores  executivos”  de  então  novo  incentivo  à  exportação,  o  malsinado  “crédito  prêmio”  posteriormente  tão  combatido  nos  acordos  de  livre  comércio  a  que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona  Franca. Fê­lo,  no  entanto,  apenas  para  os  casos  em que,  após  serem  “exportados”  para  lá,  fossem  dali  efetivamente  exportados  para  o  exterior  (“reexportados”,  na  linguagem  do  dec­lei).  Em  outras  palavras,  já  em  1969  dava  o  executivo  provas  de  que  aquela  extensão  nem  era  automática,  nem  tinha  que se dar sem qualquer restrição.  Logo,  ainda  que  se  avance  na  interpretação  da  norma,  ultrapassando o método  literal  e  adentrando­se  o  histórico  e  o  teleológico,  se  chega  à  mesma  conclusão:  o  decreto­lei  288  apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação  já  existentes  e  acresceu  incentivos  específicos  voltados  a  promover  o  desenvolvimento  da  região  menos  densamente  povoada de nosso território.  Nessa  linha  de  raciocínio,  portanto,  há  de  se  buscar  na  legislação  específica  do  PIS  e  da  COFINS,  tributos  somente  instituídos  após  a  criação  da  ZFM,  dispositivo  que  preveja  alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a  não  incidência,  alíquota  zero  ou  isenção.  E  não  se  precisa  ir  longe para ver que ela somente começa a existir em 2004, com a  edição da Medida Provisória 202.  De  fato,  a  “exclusão  das  receitas  de  exportação”  da  base  de  cálculo  do  PIS  tratada  na  Lei  7.714  e  a  isenção  da  COFINS  sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e  objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as  vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras  operações  equiparadas  a  exportação.  Um  exame  cuidadoso  dessas  extensões  vai  revelar  o  que  se  disse  acima:  todas  elas  geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais.   A  conclusão  que  se  impõe,  assim,  é  que  não  havia,  até  o  surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal  Fl. 170DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900945/2008­64  Acórdão n.º 9303­004.018  CSRF­T3  Fl. 7          6 que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a  venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que  esse  entendimento  não  era  uníssono,  muita  peleja  tendo  se  travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem  tais  vendas  amparadas  pelos  atos  legais mencionados.  E  essas  divergências  somente  se agravaram com a  edição da MP,  cuja  redação padece de diversas inconsistências.  Com  efeito,  tal  MP,  que  revogou  a  Lei  7.714  e  a  Lei  Complementar  85,  disciplinando  por  completo  a  isenção  das  duas  contribuições  nas  operações  de  exportação  trouxe  dispositivo  expresso  “excluindo”  as  vendas  à  ZFM.  Isso,  por  óbvio,  aguçou  a  interpretação  de  que  já  havia  dispositivo  isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado.  Defendo  que  não,  embora  seja  forçoso  reconhecer  que  o  dispositivo  apenas  criou  desnecessário  imbróglio.  Com  efeito,  ouso divergir da conclusão exposta no Parecer PFGN 1789 no  sentido  de  que  tal  ressalva  se  destinava  apenas  aos  comandos  insertos nos incisos IV, VI, VIII e IX. A razão para tanto é que aí  ventilam­se hipóteses  intrinsecamente ligadas ao objetivo que o  ato  pretende  incentivar:  vendas  para  o  exterior  que  trazem  divisas para o país. Refiro­me aos incisos VIII (vendas com o fim  de  exportação  a  trading  companies  e  demais  empresas  exportadoras)  bem  como  o  fornecimento  de  bordo  a  embarcações  em  tráfego  internacional  (ship’s  Chandler).  Além  disso,  a  interpretação  não  apenas  retira  um  incentivo,  ela  pressupõe  um  desincentivo:  qualquer  trading  do  decreto­lei  1.248/72,  exportadora  inscrita  na  SECEX  ou  ship’s  Chandler  instalada  em  outro  ponto  do  território  nacional  terá  vantagem  em relação à que ali se instale. Não faz sentido tal discriminação  contra a ZFM.   A  interpretação  dada  pela  douta  PGFN  parece  buscar  um  sentido  para  o  comando do  parágrafo  de modo  a  não  torná­lo  redundante.  Fê­lo,  todavia,  da  pior  forma,  a  meu  sentir,  pois  fixou­se no método literal esquecendo­se de considerar o motivo  da norma. Realmente, uma cuidadosa leitura do parecer permite  ler  o  artigo,  com  o  respectivo  parágrafo  segundo,  da  seguinte  forma:  há  isenção  quando  se  vende  com  o  fim  específico  de  exportação,  desde  que  a  empresa  compradora  (trading  ou  simples exportadora inscrita na SECEX) NÃO esteja situada na  ZFM. Com a exclusão do parágrafo: há isenção quando se vende  com  o  fim  específico  de  exportação,  mesmo  que  a  empresa  compradora  (trading  ou  simples  exportadora  inscrita  na  SECEX) esteja situada na ZFM.  Ora, o objeto da isenção versada nesses dispositivos nada tem a  ver com a localização da compradora mas com o que ela faz. É a  atividade (exportação com conseqüente ingresso de divisas) que  se quer incentivar. O que se tem de decidir é se a mera venda à  ZFM, que não gera divisa nenhuma, deve a isso ser equiparado.  Foi  isso, em meu entender, que o parágrafo quis dizer: não é o  que o Parecer da PGFN consegue nele ler.   Fl. 171DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900945/2008­64  Acórdão n.º 9303­004.018  CSRF­T3  Fl. 8          7 Em conseqüência  desse  parecer,  surgem  decisões  como  as  que  ora  se  examinam:  o  pedido  tinha  a  ver  com  venda  a  ZFM.  A  decisão  abre  a  possibilidade  de  que  tenha  mesmo  havido  recolhimento  indevido, mas  por motivo  completamente  diverso.  E  mais,  atribui  ao  contribuinte  a  prova  dessa  outra  circunstância,  que  não  motivara  o  seu  pedido.  Nonsense  completo.  Esse  meu  reconhecimento  implica  aceitar  que  o  malsinado  parágrafo  estava  sim  se  referindo,  genericamente,  às  vendas  à  ZFM, ou, mais  claramente,  está  ele a dizer que, para  efeito do  incentivo de PIS e COFINS, a mera venda a empresa sediada na  ZFM não se equipara à exportação de que cuida o  inciso II do  ato  legal  em  discussão.  Mas,  ao  fazê­lo,  não  está  revogando  dispositivo isentivo anterior: está simplesmente cumprindo o seu  papel esclarecedor, ainda que nesse caso melhor fosse nada ter  tentado esclarecer...  Aliás,  idêntico  dispositivo  esclarecedor  poderia  ter  estado  presente na LC 85 e na Lei 7.714 como já estivera no decreto­lei  491.  Com  isso,  muita  discussão  travada  administrativamente  teria sido evitada ou transferida para o Judiciário. É a ausência  de  tal  dispositivo  e  sua  presença  na  nova  lei  que  cria  o  imbróglio.  Ele  não  leva,  contudo,  em  minha  opinião,  à  interpretação  simplória  de  que  tal  ausência  implicasse  haver  isenção.  Para  isso,  primeiro,  se  tem  de  admitir  que  basta  o  Decreto­lei 288.   Essa interpretação, parece­me, está em maior consonância com  o espírito legisferante, pois não faz sentido considerar que uma  norma  que  procura  incentivar  as  exportações  tenha  instituído  uma discriminação contra uma região (região, aliás, que sempre  se  procurou  incentivar)  em  operações  que  produzem  o  mesmo  resultado: a geração de divisas internacionais.  A minha conclusão é, assim, de que mesmo entre 1º de fevereiro  de  1999  e  31  de  dezembro  de  2000  há,  sim,  isenção  das  contribuições  naquelas  hipóteses,  ainda  que  a  empresa  esteja  situada na ZFM. Em outras palavras, a localização da empresa  não é impeditivo à fruição do incentivo à exportação, desde que  cumprido o que está previsto naqueles incisos.   Mas  tampouco  há  isenção  APENAS  PORQUE  A  COMPRADORA LÁ ESTEJA. Nos recursos ora em exame, esse  foi o fundamento do pedido e a ele deveria  ter­se  restringido a  DRJ.  Nesses  termos,  só  causa  mais  imbróglio  a  afirmação  constante  no  acórdão  recorrido  de  que  “haveria  direito”  no  período de 1º de janeiro de 2001 a julho de 2004 mas não estava  ele adequadamente comprovado. Simplesmente não há o direito  na forma requerida.  E por isso mesmo não cabe a pretensão do contribuinte de que a  Administração  adapte  o  seu  pedido  fazendo  as  pesquisas  internas  que  permitam apurar  se  alguma das  empresas  por  ele  listadas na planilha referida se enquadra naquelas disposições.   Fl. 172DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900945/2008­64  Acórdão n.º 9303­004.018  CSRF­T3  Fl. 9          8 O máximo que se poderia admitir,  dado o  teor da decisão,  era  que, em grau de recurso,  trouxesse a empresa tal prova. Não o  fez, porém, limitando­se a postular a nulidade da decisão porque  não determinou aquelas diligências.  Não sendo obrigatória a realização de diligências, como se sabe  (art. __ do Decreto 70.235), sua ausência não acarreta nulidade  da decisão proferida por quem legalmente competente para tal.  Cabe  sim  manter  aquela  decisão  dado  que  o  contribuinte  não  comprovou o  seu  direito  como  lhe  exigem o Decreto  70.235,  a  Lei 9.784 e o próprio Código Civil (art. 333).  Com  tais  considerações,  nego  provimento  ao  recurso  do  contribuinte.  Com essas mesmas considerações, votei,  também aqui, pelo não provimento  do recurso do contribuinte, sendo esse o acórdão que me coube redigir."  Aplicando­se  as  razões  de  decidir,  o  voto  e  o  resultado  acima  do  processo  paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do  RICARF, nega­se provimento ao recurso especial do contribuinte, em razão da incidência das  contribuições  sobre  as  receitas  oriundas  de  vendas  efetuadas  a  empresas  sediadas  na  Zona  Franca de Manaus, no período tratado neste processo.     Carlos Alberto Freitas Barreto                              Fl. 173DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO

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Numero do processo: 10882.901018/2008-61
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-004.035
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO

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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67. Recurso Especial do Contribuinte Negado.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.901018/2008­61  Acórdão n.º 9303­004.035  CSRF­T3  Fl. 3          2 Relatório  Trata­se  de  recurso  especial  de  divergência  interposto  pela  contribuinte  com fulcro nos artigos 64,  inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  ­  RICARF,  aprovado  pela  Portaria  MF  nº  256/09, meio pelo qual busca a reforma do Acórdão nº 3402­01.310, que negou provimento  ao recurso voluntário. Decidiu o colegiado a quo pela incidência das contribuições sobre as  receitas  oriundas  de  vendas  a  empresas  sediadas  na  Zona  Franca  de Manaus,  no  período  tratado neste processo.  Cientificado do mencionado acórdão o  sujeito passivo apresentou  recurso  especial suscitando divergência  jurisprudencial quanto à  isenção das contribuições sobre as  receitas  decorrentes  de  vendas  de mercadorias  e  serviços  para  empresas  com domicílio  na  Zona Franca de Manaus.   O  recurso  foi  admitido  por  intermédio  de  despacho  do  Presidente  da  Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões.  É o relatório, em síntese.    Voto             Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator  Este  processo  foi  julgado  na  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão 9303­003.934, de  07/06/2016, proferido no julgamento do processo 10650.902444/2011­41, paradigma ao qual o  presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303­003.934):  "A matéria,  única,  posta  ao  exame do colegiado não é nova. Com efeito,  já  tivemos  oportunidade  de  nos  pronunciar  sobre  ela  em  diversas  ocasiões,  tendo  eu  firmado  convicção  pela  inaplicabilidade  de  qualquer  medida  desonerativa  (seja  isenção, imunidade ou alíquota zero) aos fatos geradores anteriores a julho de 2004.  No relatório da Dra. Vanessa consta que o contribuinte aduziu em seu recurso:  "que:  (a)  o  Decreto­Lei  nº  288/67  equipara  os  efeitos  das  operações  de  venda  para  a  Zona  Franca  de  Manaus  às  exportações  para  o  estrangeiro,  sendo­lhes  aplicáveis  as  vantagens  fiscais  estabelecidas  pela  legislação  para  as  exportações, nos  termos do seu art. 4º;  (b) o Superior Tribunal  de Justiça pacificou o entendimento no sentido da não incidência  de PIS sobre as receitas decorrentes das vendas para empresas  sediadas  na  Zona  Franca  de Manaus;  (c)  o  Supremo  Tribunal  Fl. 165DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.901018/2008­61  Acórdão n.º 9303­004.035  CSRF­T3  Fl. 4          3 Federal,  ao  proferir  liminar  na  Ação  Direta  de  Inconstitucionalidade  nº  2.348­9,  suspendeu  a  eficácia  da  expressão ‘na Zona Franca de Manaus’, contida no inciso I, do  §2º  do  art.  14  da MP  nº  2.037­24/00,  expressão  suprimida  do  diploma legal pelo Poder Executivo ao editar, na mesma data, a  MP nº 2.037­25/2000;  e, por  fim,  (d) não  incide o PIS para os  fatos geradores ocorridos em fevereiro de 2002, tendo em vista a  revogação da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ do inciso  I,  §2º do art.  14 da MP nº 2.037­25/2000 e a equiparação dos  efeitos  fiscais  das  vendas  para  a  Zona  Franca  de  Manaus  às  exportações para o exterior".  Considero­os  todos  abarcados  no  voto  que  segue,  proferido  em  sessão  de  2011, no qual enfrentei ainda outros argumentos. Reconheço haver decisões do STJ em sentido  oposto, mas, como nenhuma delas cumpre os requisitos do art. 62 do atual regimento interno  desta Casa, peço vênia para continuar teimando.   Disse­o eu naquela ocasião:  Vale  iniciá­lo  reenunciando  o  criativo  entendimento  da  recorrente:  a)  não há necessidade de previsão legal expressa concessiva da  isenção  porque  o  decreto­lei  288  e  o  Ato  Complementar  35/67 bastam;  b)  deferida  isenção  para  exportações  em  geral,  a  vendas  à  ZFM está imediata e automaticamente estendida;  c)  tendo o Ato Complementar à Constituição de 67 a natureza  de lei complementar, como pacificado em nossos Tribunais,.  nenhuma lei ordinária o poderia revogar;  d)  a “revogação” pretendida somente vigorou entre ___ e ___,  sendo de rigor reconhecer a isenção, ao menos, nos períodos  anterior e posterior.  Ainda  que  criativo,  o  raciocínio  desenvolvido  na  defesa  não  merece  prosperar  cabendo  a manutenção da  decisão  recorrida  pelos motivos que se expõem em seguida. Em primeiro lugar, a  premissa  de  que  o  decreto­lei  288  teria  assegurado que  todo e  qualquer  incentivo  direcionado  a  promover  as  exportações  deveria,  imediata  e  automaticamente,  ser  estendido  à  Zona  Franca de Manaus não resiste sequer ao primeiro dos métodos  interpretativos consagradamente admitidos: a literalidade.  É  que  tal  extensão  somente  caberia  se  o  citado  decreto  tivesse  afirmado que  as  remessas  de  produtos  para  a Zona Franca  de  Manaus  são  exportação.  Nesse  caso,  a  equiparação  valeria  mesmo  para  outros  efeitos,  não  fiscais.  Poderia,  para  o  que  interessa,  restringi­la  a  “todos  os  efeitos  fiscais”.  Se  o  tivesse  feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na  legislação  que  viesse  a  afetar  as  exportações,  no  que  tange  a  tributos,  afetaria  do  mesmo  modo  e  na  mesma  medida  aquela  zona.  Fl. 166DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.901018/2008­61  Acórdão n.º 9303­004.035  CSRF­T3  Fl. 5          4 Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato  legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva  “constantes  da  legislação  em  vigor”.  Não  vejo  como  essa  restrição possa ser entendida de modo diverso do que  tem sido  interpretado  pela  Administração:  apenas  os  incentivos  às  exportações  que  já  vigiam  em  1  de  fevereiro  de  1967  estavam  “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando.  E  ponho  a  palavra  entre  aspas  porque  nem  mesmo  o  Poder  Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período  de  exceção,  em  que  o  Poder  executivo  quase  tudo  podia  –  pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar,  na  mesma  data,  o  Ato  Complementar  35,  cujo  artigo  7º  assegurou aquela extensão ao ICM.   Aliás,  da  interpretação  dada  pela  recorrente  a  este  último  ato  também divergimos. Deveras, pretende ela que ele  teria alçado  ao  patamar  de  lei  complementar  a  equiparação  já  prevista  no  decreto­lei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior  precisão  o  que  se  entende  por  produtos  industrializados  para  efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na  Constituição  de  67.  Define­os  no  parágrafo  1º,  recorrendo  à  tabela do  então criado  imposto  sobre produtos  industrializados  (tabela  anexa  à  Lei  4.502).  No  parágrafo  segundo,  estende,  também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas  francas.  Essa  interpretação  me  parece  forçosa  quando  se  sabe  que,  segundo  a  boa  técnica  legislativa,  os  parágrafos  de  um  dado  artigo  não  acrescentam  matéria  ao  disposto  no  caput,  apenas  esclarecem  sobre  o  alcance  daquela  matéria.  E  ao  esclarecer  podem  impor  uma  definição  restritiva,  como  no  parágrafo  primeiro,  ou  extensiva,  como  no  segundo. O  que  não  pode  um  simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no  caput  e nos  seus  incisos. E não parece haver dúvida de que aí  apenas se cuida da imunidade do ICM.   Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu  ao IPI a imunidade do ICM, como afirma a empresa.   Ora,  se  a  previsão  do  decreto­lei  deveria  alcançar  “todos  os  efeitos  fiscais” e já havia previsão de  imunidade de ICM sobre  produtos  industrializados,  para  que  tal  parágrafo  no  ato  complementar?  Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade.  É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre  de  restrições  aduaneiras,  característica  das  chamadas  zonas  francas  comerciais.  O  que  se  buscou  com  a  sua  criação  foi  induzir  a  instalação  naquele  distante  rincão  nacional  de  empresas de  caráter  industrial,  que gerassem emprego e  renda  para  a  região  Norte.  Para  tanto,  definiu­se  um  conjunto  de  incentivos  fiscais que,  à  época de  sua criação,  seria  suficiente,  no entender dos seus  formuladores, para gerar aquela atração.  Tais  incentivos,  e  apenas  eles,  configuram  diferenciação  em  favor dos produtos  importados e  industrializados naquela área.  Fl. 167DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.901018/2008­61  Acórdão n.º 9303­004.035  CSRF­T3  Fl. 6          5 Foi  essa  diferença  tributária  que  induziu  a  criação  do  parque  industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada  de algum daqueles incentivos que pode ser taxada de “quebra de  contrato”.   A  contrário  senso,  novos  incentivos  fiscais  que  se  venham  a  instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil  o legislador por ocasião de sua instituição.   Isso  não  se  dá  automaticamente  com os  incentivos  genéricos à  exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas  imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais  durante  tanto  tempo  somente  alcançáveis  por  meio  das  exportações.  Por  óbvio,  a  ninguém  escapa  que  vendas  à  ZFM  não  geram  divisas.  Diferentes,  pois,  os  objetivos,  nenhum  automatismo se justifica.  Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da  ZFM,  inventaram  os  “legisladores  executivos”  de  então  novo  incentivo  à  exportação,  o  malsinado  “crédito  prêmio”  posteriormente  tão  combatido  nos  acordos  de  livre  comércio  a  que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona  Franca. Fê­lo,  no  entanto,  apenas  para  os  casos  em que,  após  serem  “exportados”  para  lá,  fossem  dali  efetivamente  exportados  para  o  exterior  (“reexportados”,  na  linguagem  do  dec­lei).  Em  outras  palavras,  já  em  1969  dava  o  executivo  provas  de  que  aquela  extensão  nem  era  automática,  nem  tinha  que se dar sem qualquer restrição.  Logo,  ainda  que  se  avance  na  interpretação  da  norma,  ultrapassando o método  literal  e  adentrando­se  o  histórico  e  o  teleológico,  se  chega  à  mesma  conclusão:  o  decreto­lei  288  apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação  já  existentes  e  acresceu  incentivos  específicos  voltados  a  promover  o  desenvolvimento  da  região  menos  densamente  povoada de nosso território.  Nessa  linha  de  raciocínio,  portanto,  há  de  se  buscar  na  legislação  específica  do  PIS  e  da  COFINS,  tributos  somente  instituídos  após  a  criação  da  ZFM,  dispositivo  que  preveja  alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a  não  incidência,  alíquota  zero  ou  isenção.  E  não  se  precisa  ir  longe para ver que ela somente começa a existir em 2004, com a  edição da Medida Provisória 202.  De  fato,  a  “exclusão  das  receitas  de  exportação”  da  base  de  cálculo  do  PIS  tratada  na  Lei  7.714  e  a  isenção  da  COFINS  sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e  objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as  vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras  operações  equiparadas  a  exportação.  Um  exame  cuidadoso  dessas  extensões  vai  revelar  o  que  se  disse  acima:  todas  elas  geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais.   A  conclusão  que  se  impõe,  assim,  é  que  não  havia,  até  o  surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal  Fl. 168DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.901018/2008­61  Acórdão n.º 9303­004.035  CSRF­T3  Fl. 7          6 que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a  venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que  esse  entendimento  não  era  uníssono,  muita  peleja  tendo  se  travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem  tais  vendas  amparadas  pelos  atos  legais mencionados.  E  essas  divergências  somente  se agravaram com a  edição da MP,  cuja  redação padece de diversas inconsistências.  Com  efeito,  tal  MP,  que  revogou  a  Lei  7.714  e  a  Lei  Complementar  85,  disciplinando  por  completo  a  isenção  das  duas  contribuições  nas  operações  de  exportação  trouxe  dispositivo  expresso  “excluindo”  as  vendas  à  ZFM.  Isso,  por  óbvio,  aguçou  a  interpretação  de  que  já  havia  dispositivo  isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado.  Defendo  que  não,  embora  seja  forçoso  reconhecer  que  o  dispositivo  apenas  criou  desnecessário  imbróglio.  Com  efeito,  ouso divergir da conclusão exposta no Parecer PFGN 1789 no  sentido  de  que  tal  ressalva  se  destinava  apenas  aos  comandos  insertos nos incisos IV, VI, VIII e IX. A razão para tanto é que aí  ventilam­se hipóteses  intrinsecamente ligadas ao objetivo que o  ato  pretende  incentivar:  vendas  para  o  exterior  que  trazem  divisas para o país. Refiro­me aos incisos VIII (vendas com o fim  de  exportação  a  trading  companies  e  demais  empresas  exportadoras)  bem  como  o  fornecimento  de  bordo  a  embarcações  em  tráfego  internacional  (ship’s  Chandler).  Além  disso,  a  interpretação  não  apenas  retira  um  incentivo,  ela  pressupõe  um  desincentivo:  qualquer  trading  do  decreto­lei  1.248/72,  exportadora  inscrita  na  SECEX  ou  ship’s  Chandler  instalada  em  outro  ponto  do  território  nacional  terá  vantagem  em relação à que ali se instale. Não faz sentido tal discriminação  contra a ZFM.   A  interpretação  dada  pela  douta  PGFN  parece  buscar  um  sentido  para  o  comando do  parágrafo  de modo  a  não  torná­lo  redundante.  Fê­lo,  todavia,  da  pior  forma,  a  meu  sentir,  pois  fixou­se no método literal esquecendo­se de considerar o motivo  da norma. Realmente, uma cuidadosa leitura do parecer permite  ler  o  artigo,  com  o  respectivo  parágrafo  segundo,  da  seguinte  forma:  há  isenção  quando  se  vende  com  o  fim  específico  de  exportação,  desde  que  a  empresa  compradora  (trading  ou  simples exportadora inscrita na SECEX) NÃO esteja situada na  ZFM. Com a exclusão do parágrafo: há isenção quando se vende  com  o  fim  específico  de  exportação,  mesmo  que  a  empresa  compradora  (trading  ou  simples  exportadora  inscrita  na  SECEX) esteja situada na ZFM.  Ora, o objeto da isenção versada nesses dispositivos nada tem a  ver com a localização da compradora mas com o que ela faz. É a  atividade (exportação com conseqüente ingresso de divisas) que  se quer incentivar. O que se tem de decidir é se a mera venda à  ZFM, que não gera divisa nenhuma, deve a isso ser equiparado.  Foi  isso, em meu entender, que o parágrafo quis dizer: não é o  que o Parecer da PGFN consegue nele ler.   Fl. 169DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.901018/2008­61  Acórdão n.º 9303­004.035  CSRF­T3  Fl. 8          7 Em conseqüência  desse  parecer,  surgem  decisões  como  as  que  ora  se  examinam:  o  pedido  tinha  a  ver  com  venda  a  ZFM.  A  decisão  abre  a  possibilidade  de  que  tenha  mesmo  havido  recolhimento  indevido, mas  por motivo  completamente  diverso.  E  mais,  atribui  ao  contribuinte  a  prova  dessa  outra  circunstância,  que  não  motivara  o  seu  pedido.  Nonsense  completo.  Esse  meu  reconhecimento  implica  aceitar  que  o  malsinado  parágrafo  estava  sim  se  referindo,  genericamente,  às  vendas  à  ZFM, ou, mais  claramente,  está  ele a dizer que, para  efeito do  incentivo de PIS e COFINS, a mera venda a empresa sediada na  ZFM não se equipara à exportação de que cuida o  inciso II do  ato  legal  em  discussão.  Mas,  ao  fazê­lo,  não  está  revogando  dispositivo isentivo anterior: está simplesmente cumprindo o seu  papel esclarecedor, ainda que nesse caso melhor fosse nada ter  tentado esclarecer...  Aliás,  idêntico  dispositivo  esclarecedor  poderia  ter  estado  presente na LC 85 e na Lei 7.714 como já estivera no decreto­lei  491.  Com  isso,  muita  discussão  travada  administrativamente  teria sido evitada ou transferida para o Judiciário. É a ausência  de  tal  dispositivo  e  sua  presença  na  nova  lei  que  cria  o  imbróglio.  Ele  não  leva,  contudo,  em  minha  opinião,  à  interpretação  simplória  de  que  tal  ausência  implicasse  haver  isenção.  Para  isso,  primeiro,  se  tem  de  admitir  que  basta  o  Decreto­lei 288.   Essa interpretação, parece­me, está em maior consonância com  o espírito legisferante, pois não faz sentido considerar que uma  norma  que  procura  incentivar  as  exportações  tenha  instituído  uma discriminação contra uma região (região, aliás, que sempre  se  procurou  incentivar)  em  operações  que  produzem  o  mesmo  resultado: a geração de divisas internacionais.  A minha conclusão é, assim, de que mesmo entre 1º de fevereiro  de  1999  e  31  de  dezembro  de  2000  há,  sim,  isenção  das  contribuições  naquelas  hipóteses,  ainda  que  a  empresa  esteja  situada na ZFM. Em outras palavras, a localização da empresa  não é impeditivo à fruição do incentivo à exportação, desde que  cumprido o que está previsto naqueles incisos.   Mas  tampouco  há  isenção  APENAS  PORQUE  A  COMPRADORA LÁ ESTEJA. Nos recursos ora em exame, esse  foi o fundamento do pedido e a ele deveria  ter­se  restringido a  DRJ.  Nesses  termos,  só  causa  mais  imbróglio  a  afirmação  constante  no  acórdão  recorrido  de  que  “haveria  direito”  no  período de 1º de janeiro de 2001 a julho de 2004 mas não estava  ele adequadamente comprovado. Simplesmente não há o direito  na forma requerida.  E por isso mesmo não cabe a pretensão do contribuinte de que a  Administração  adapte  o  seu  pedido  fazendo  as  pesquisas  internas  que  permitam apurar  se  alguma das  empresas  por  ele  listadas na planilha referida se enquadra naquelas disposições.   Fl. 170DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.901018/2008­61  Acórdão n.º 9303­004.035  CSRF­T3  Fl. 9          8 O máximo que se poderia admitir,  dado o  teor da decisão,  era  que, em grau de recurso,  trouxesse a empresa tal prova. Não o  fez, porém, limitando­se a postular a nulidade da decisão porque  não determinou aquelas diligências.  Não sendo obrigatória a realização de diligências, como se sabe  (art. __ do Decreto 70.235), sua ausência não acarreta nulidade  da decisão proferida por quem legalmente competente para tal.  Cabe  sim  manter  aquela  decisão  dado  que  o  contribuinte  não  comprovou o  seu  direito  como  lhe  exigem o Decreto  70.235,  a  Lei 9.784 e o próprio Código Civil (art. 333).  Com  tais  considerações,  nego  provimento  ao  recurso  do  contribuinte.  Com essas mesmas considerações, votei,  também aqui, pelo não provimento  do recurso do contribuinte, sendo esse o acórdão que me coube redigir."  Aplicando­se  as  razões  de  decidir,  o  voto  e  o  resultado  acima  do  processo  paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do  RICARF, nega­se provimento ao recurso especial do contribuinte, em razão da incidência das  contribuições  sobre  as  receitas  oriundas  de  vendas  efetuadas  a  empresas  sediadas  na  Zona  Franca de Manaus, no período tratado neste processo.     Carlos Alberto Freitas Barreto                              Fl. 171DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO

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Numero do processo: 18186.730736/2012-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2013 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. PLANO DE SAÚDE. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas médicas, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos. Inteligência do art. 8°, inciso II, alínea “a”, da Lei 9.250/1995 e do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.536
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo - Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felicia Rothschild - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Bianca Felicia Rothschild, Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Theodoro Vicente Agostinho, Túlio Teotônio de Melo Pereira e Amílcar Barca Teixeira Júnior.
Nome do relator: BIANCA FELICIA ROTHSCHILD

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2402­005.536  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  22 de setembro de 2016  Matéria  IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Recorrente  JOSE MEICHES  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2013  DEDUÇÃO  DE  DESPESAS  MÉDICAS.  PLANO  DE  SAÚDE.  COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE.  São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas médicas, os  pagamentos  comprovados  mediante  documentos  hábeis  e  idôneos.  Inteligência do art. 8°, inciso II, alínea “a”, da Lei 9.250/1995 e do art. 80 do  Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda ­ RIR).  Recurso Voluntário Provido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 18 6. 73 07 36 /2 01 2- 92 Fl. 53DF CARF MF     2    Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  do recurso e dar­lhe provimento.    (assinado digitalmente)  Kleber Ferreira de Araújo ­ Presidente    (assinado digitalmente)  Bianca Felicia Rothschild ­ Relatora    Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Kleber  Ferreira  de  Araújo,  Ronnie  Soares  Anderson,  Bianca  Felicia  Rothschild, Mário  Pereira  de  Pinho  Filho,  João Victor Ribeiro Aldinucci, Theodoro Vicente Agostinho, Túlio Teotônio de Melo Pereira e  Amílcar Barca Teixeira Júnior.  Fl. 54DF CARF MF Processo nº 18186.730736/2012­92  Acórdão n.º 2402­005.536  S2­C4T2  Fl. 3          3    Relatório  Conforme  decisão  recorrida,  trata­se  de  Notificação  de  Lançamento  de  fls.  03/08,  resultante  de  procedimento  de  revisão  da  Declaração  de  Ajuste  Anual  (DAA),  ano­ calendário  de  2009,  que  considerou  ausente  a  comprovação  necessária  para  a  dedução  de  Despesas Médicas, no valor de R$ 31.016,72 (trinta e um mil e dezesseis reais e setenta e dois  centavos), de plano de saúde efetivando glosa que implicou em alteração do valor devido, com  acréscimo de crédito suplementar de R$ 5.929,18.  De  acordo  com  o  relatório  fiscal,  trata­se  de  plano  empresarial  (plano  de  saúde Omint). O contribuinte não comprovara os beneficiários do plano e nem o reembolso que  teria efetuado para a empresa contratante do plano.  O contribuinte apresentou impugnação, fl. 2, trazendo os documentos de fls.  21/23, afirmando estarem presentes todos os requisitos legais identificadores de seu direito, eis  que  apresenta declaração  do  plano  de  saúde Omint  de que  ele  e  sua  esposa participaram do  plano que a Omint contratara com a empresa Buoninvest Representações Comerciais Ltda.   Traz  ainda  declaração  da  empresa  Buoninvest  Representações  Comerciais  Ltda. atestando que apesar do plano de  saúde  ter  sido contratado e pago pela Buoninvest,  as  despesas teriam sido reembolsadas mensalmente pelo contribuinte.   Acrescenta declaração de um contador confirmando os reembolsos efetuados  e os seus valores mensais, em total de R$ 62.033,44 no ano.  A  decisão  de  primeira  instância  (fls.  30­32)  julgou  improcedente  a  impugnação, sob o argumento de que, apesar das declarações do seu contador e da Buoninvest  Representações afirmarem que o plano de saúde tinha como beneficiários o contribuinte e a sua  esposa,  o  contribuinte  não  apresenta  documento  emitido  pelo  próprio  plano  de  saúde Omint  discriminando as contribuições de cada participante.   A declaração do contador informando que a contribuição anual reembolsada  pelo contribuinte seria o dobro do valor por este informado em sua declaração do imposto de  renda não é prova hábil da contribuição pertinente a cada beneficiário, porque não foi prestada  pelo próprio plano de saúde.  Cientificado  da  decisão  de  primeira  instância  em  27/11/2015  (fl.  36),  o  interessado interpôs, em 28/12/2015, o recurso de fls. 38/39.   Nas razões recursais reafirma que apresentou os documentos na forma devida  e  que  a  empresa  prestadora  de  serviços  confirma  sua  declaração,  colacionando  aos  autos  os  documentos de fls. 40/47, consistentes em declarações das partes envolvidas e demonstrativos  da empresa Omint de seus  tratamentos e  reembolsos, que a empresa alega declarar à Receita  Federal pela DMED – Declaração de Serviços Médicos e de Saúde.  Fl. 55DF CARF MF     4    Ao fim, requer seja acolhido o presente recurso para cancelar o débito fiscal  reclamado.   Sem contrarazões.    É o relatório.  Fl. 56DF CARF MF Processo nº 18186.730736/2012­92  Acórdão n.º 2402­005.536  S2­C4T2  Fl. 4          5    Voto               Conselheira Bianca Felicia Rothschild – Relatora    O recurso é TEMPESTIVO, eis que intimado da decisão no dia 27/11/2015,  interpôs  recurso  voluntário  no  dia  28/12/2015,  atendendo  também  às  demais  condições  de  admissibilidade. Portanto, merece ser CONHECIDO.  I.  Da dedução de despesas médicas.  Nos termos do artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 (Regulamento de Imposto de  Renda),  são  dedutíveis  da  base  de  cálculo  do  imposto  de  renda  pessoa  física,  a  título  de  despesas médicas, os pagamentos especificados e comprovados.  Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os  pagamentos efetuados, no ano­calendário, a médicos, dentistas,  psicólogos,  fisioterapeutas,  fonoaudiólogos,  terapeutas  ocupacionais  e  hospitais,  bem  como  as  despesas  com  exames  laboratoriais,  serviços  radiológicos,  aparelhos  ortopédicos  e  próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º,  inciso II, alínea "a").   § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º):  I  ­  aplica­se,  também,  aos  pagamentos  efetuados  a  empresas  domiciliadas no País,  destinados à cobertura de despesas  com  hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades  que  assegurem  direito  de  atendimento  ou  ressarcimento  de  despesas da mesma natureza;  II  ­  restringe­se  aos  pagamentos  efetuados  pelo  contribuinte,  relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes;  III  ­  limita­se a pagamentos  especificados  e  comprovados,  com  indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro  de Pessoas Físicas  ­ CPF  ou  no Cadastro Nacional  da Pessoa  Jurídica  ­  CNPJ  de  quem  os  recebeu,  podendo,  na  falta  de  documentação,  ser  feita  indicação  do  cheque  nominativo  pelo  qual foi efetuado o pagamento;  Tendo  em  vista  o  acima  e  em  análise  aos  documentos  trazidos  a  baila  no  recurso voluntário, que se tratam de declaração do plano de saúde Omint e extrato detalhado da  DMED  enviada  pela  mesma  à  Receita  Federal  ,  verifica­se  que  se  conformam  como  documentos hábeis  a  comprovar  as despesas  incorridas,  razão pela qual,  entendo cabíveis  as  deduções, devendo ser afastada a glosa.  Fl. 57DF CARF MF     6  Entendo que, cumprido o ônus probatório do contribuinte, pela apresentação  de documentos idôneos, são retiradas qualquer dúvida sobre a veracidade das operações.  Tendo  em  vista  todo  o  acima,  voto  por  CONHECER  e  DAR  PROVIMENTO  ao  recurso  voluntário,  para  afastar  a  glosa,  sendo  deduzidos  os  valores  comprovados.    (assinado digitalmente)  Bianca Felicia Rothschild.                              Fl. 58DF CARF MF

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