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Numero do processo: 15868.000082/2010-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/04/2005 a 31/12/2008 INDÚSTRIA GRÁFICA. INCIDÊNCIA DO ISS OU DO IPI. PRODUÇÃO POR ENCOMENDA. PRODUTO PERSONALIZADO DESTINADO AO CONSUMO DO ENCOMENDANTE. PRODUTO INSERVÍVEL PARA MERCANCIA. INCIDÊNCIA DO ISS. A produção (e posterior saída) por encomenda do consumidor final de sacolas de papel personalizada e de envelopes timbrados está sujeita à tributação do ISS e não à tributação do IPI. Estas sacolas e envelopes não têm valor comercial algum para terceiros. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-01.473
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: WALBER JOSÉ DA SILVA
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INCIDÊNCIA DO ISS OU DO IPI. PRODUÇÃO POR ENCOMENDA. PRODUTO PERSONALIZADO DESTINADO AO CONSUMO DO ENCOMENDANTE. PRODUTO INSERVÍVEL PARA MERCANCIA. INCIDÊNCIA DO ISS. A produção (e posterior saída) por encomenda do consumidor final de sacolas de papel personalizada e de envelopes timbrados está sujeita à tributação do ISS e não à tributação do IPI. Estas sacolas e envelopes não têm valor comercial algum para terceiros. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 24/03/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 466DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Relatório Contra a empresa SHOPPING BAG GRÁFICA E EDITORA LTDA foi lavrado auto de infração para exigir o pagamento de IPI, relativo a fatos geradores ocorridos entre abril de 2005 e dezembro de 2008, tendo em vista que a Fiscalização constatou a empresa fabrica sacolas de papel personalizadas, por encomenda de terceiros, consumidores, e tributada a operação de saída pelo ISS e não tributa pelo IPI, sendo o produto classificado no código TIPI 4819.40.00, sujeito à alíquota de 15%. Foram tomados os créditos das notas fiscais de aquisição de insumos apresentadas pela recorrente. Inconformada com a autuação a empresa interessada impugnou o lançamento, cujas razões estão sintetizadas no relatório do acórdão recorrido, que leio em sessão. A 2a Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto SP julgou procedente o lançamento, nos termos do Acórdão no 1430.346, de 29/07/2010, cuja ementa abaixo se transcreve. IPI. FATO GERADOR. SERVIÇOS DE COMPOSIÇÃO GRÁFICA PERSONALIZADOS. Os serviços de composição e impressão gráficas, personalizados, previstos no 8°, § 1°, do DL n° 406, de 1968, estão sujeitos à incidência do IPI e do ISS. FALTA DE LANÇAMENTO. CARACTERIZAÇÃO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. . • A industrialização de sacolas de papel, com código NCM 4819.40.00 e alíquota de 15%, incluída a operação de composição gráfica, implica o lançamento do imposto e recolhimento dos saldos devedores deste. Ciente desta decisão em 30/08/2010 (AR de fl. 421), a interessada ingressou, no dia 23/09/2010, com o recurso voluntário de fls. 424/436, no qual alega, em síntese, que: 1 realiza serviço de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, de sacolas, seja envolvendo ou não fornecimento de mercadorias, sujeito apenas ao ISS, não estando sujeito ao IPI nem ao ICMS. Súmula 156 do STJ e jurisprudência do Carf; 2 as declarações de terceiros não se prestam para provar, ou para concluir, que a recorrente realiza operações de industrialização sujeita à incidência do IPI. De fato produz sacolas de papel exclusivamente sob encomenda, com impressão gráfica personalizada definida pelo encomendante, sujeita apenas ao ISS. Não recebe sacolas de papel prontas para proceder exclusivamente a impressão gráfica nas mesmas; Às fls. 446/464, a Fazenda Nacional apresenta suas contrarrazões combatendo a afirmação da recorrente de “que presta serviços de composição gráfica em sacolas, atendendo encomendas que lhe são feitas por terceiros e, portanto, seria contribuinte apenas de ISS, nos termos da súmula 156 do STJ”, sob os seguintes fundamentos: 1 a fabricação de sacolas para venda, ainda que nestas sejam inseridos serviços de composição gráfica, constitui fato imponível do IPI, pelas razões que expõe. A Fl. 467DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15868.000082/201040 Acórdão n.º 330201.473 S3C3T2 Fl. 467 3 recorrente reconhece que “produz as sacolas, e nelas imprime a identificação das empresas que a encomendaram”. 2 não estão excluídas da incidência do IPI as operações de “industrialização por encomenda” somente devendo ser excluídas aquelas operações que o próprio legislador afastou do conceito de processo de industrialização e que estão enumeradas no artigo 5º do Regulamento do IPI.. São, em linhas gerais, operações realizadas artesanalmente, em poucas quantidades e por unidades produtivas de pequeno porte, o que não representa a situação dos autos; 3 o argumento da Recorrente de que não se pode conciliar o IPI com o ISS, já que ambos possuem carga negocial, não pode ser acolhido. O IPI incide sobre “operações” de industrialização, ou seja, processos que modifiquem a natureza ou a finalidade de um bem ou, ainda, o aperfeiçoe para o consumo (processo de industrialização). O IPI não incide sobre negócios jurídicos. A saída do produto do estabelecimento industrial, a qualquer título que seja, representa mero critério temporal de incidência do IPI, ou seja, apenas determina o momento em que o imposto passa a ser devido. 4 discorre sobre as características da incidência tributária do ISS, discorrendo sobre a natureza jurídica da prestação de serviços (negócio jurídico), da obrigação de fazer, do emprego de mercadorias na prestação de serviços, para concluir que no caso de fabricação de sacolas “para inserção da arte gráfica produzida” temse duas situações autônomas capazes de gerar a incidência dos dois impostos em questão, sendo que o IPI passaria a ser devido no exato momento em que o bem saísse do estabelecimento industrial 5 a Súmula 156 do STJ não se aplica ao caso porque foi editada à luz do DecretoLei nº 406/68, antes da Lei Complementar nº 116/03. Mais, ainda, na CF/88 não há dispositivo que impeça a incidência concomitante do ISS e do IPI. A determinação prevista no artigo 8º, § 2º do DecretoLei nº 406/68, era uma regra clara para evitar conflitos entre Estados e Municípios, não envolvendo, pois, a União e o IPI. A aplicação da referida súmula deve ser limitada a situações de conflito entre ISS e ICMS. 6 sobre a incidência do ISS, o legislador do IPI tratou da questão ao determinar que o ISS seria devido apenas naqueles casos em que os objetos não fossem destinados à industrialização ou comercialização, vinculando o fato gerador do ISS ao destino final dos produtos. Nos casos em que se verificasse a prestação de um serviço sobre um produto destinado ao comércio ou a outra etapa de industrialização (que, aliás, é a regra), pode se afirmar que o ISS sequer deveria ser cobrado. Para o IPI não há qualquer vedação que impeça sua incidência nos casos em que o processo de industrialização seja conjugado com a prestação de um serviço. 7 sobre a incidência única ou do IPI ou do ISS, baseado da preponderância da atividade exercida, o STJ entende que é preciso verificar o objeto social do contribuinte para saber o que prepondera na sua atividade, se o caráter pessoal no fornecimento de mercadorias (ou seja, a prestação de serviços) ou se a transformação que modifica a natureza ou a finalidade do produto (ou seja, a industrialização). Na situação contida nos autos resta evidente que o serviço preponderante é a industrialização de produtos a serem fornecidos a seus clientes (fornecimento de sacolas) e não a simples prestação de serviço (composição gráfica). Fl. 468DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 4 8 cita jurisprudência do STJ sobre a fabricação de sacolas de papel, com “a impressão de signos distintivos nos pacotes” e jurisprudência do TRF da 3ª Região sobre a produção de “embalagens plásticas através da extrusão de matérias primas e, posteriormente, na impressão dessas embalagens de acordo com o que for solicitado pelo cliente” Na forma regimental, o recurso voluntário foi distribuído a este Conselheiro Relator. É o Relatório. Voto Conselheiro Walber José da Silva, relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais preceitos legais, dele conheço. Como relatado, a empresa recorrente produz, sob encomenda, sacolas de papel com impresso personalizado definido pelo encomendante. Entende a recorrente que esta atividade está dentro do campo de incidência do ISS, por ser uma típica atividade de prestação de serviço de composição gráfica. Por seu turno, a Fiscalização entende que a produção de sacolas de papel é uma típica atividade industrial e a impressão gráfica realizada pela recorrente em nada afeta a caracterização da atividade industrial por ela realizada, classificando o produto no código TIPI 4819.40.00, com alíquota de 15%. Consequentemente, efetuou o lançamento do IPI apurado, considerando os créditos dos insumos cujas notas fiscais foram apresentadas pela recorrente. Sinteticamente, a recorrente afirma realiza serviço de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, de sacolas, seja envolvendo ou não fornecimento de mercadorias, sujeito apenas ao ISS, não estando sujeito ao IPI nem ao ICMS. As sacolas são produzidas, exclusivamente, por encomenda. A recorrida, Fazenda Nacional, apresentou contrarrazões alegando, em apertada síntese, que a fabricação de sacolas para venda, ainda que nestas sejam inseridos serviços de composição gráfica, constitui fato imponível do IPI; a industrialização por encomenda não está excluída da incidência do IPI; O IPI incide sobre “operações” de industrialização; o IPI não incide sobre negócios jurídicos; a saída do produto do estabelecimento industrial, a qualquer título que seja, representa mero critério temporal de incidência do IPI, ou seja, apenas determina o momento em que o imposto passa a ser devido; discorre sobre as características da incidência tributária do ISS para concluir que no caso de fabricação de sacolas “para inserção da arte gráfica produzida” temse duas situações autônomas capazes de gerar a incidência dos dois impostos em questão, sendo que o IPI passaria a ser devido no exato momento em que o bem saísse do estabelecimento industrial; não se aplica ao caso a Súmula 156 do STJ (foi editada à luz do DecretoLei nº 406/68, antes da Lei Complementar nº 116/03) e na CF/88 não há dispositivo que impeça a incidência concomitante do ISS e do IPI; o ISS é devido apenas naqueles casos em que os objetos não são destinados à industrialização ou comercialização, sendo vinculado o fato gerador do ISS ao Fl. 469DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15868.000082/201040 Acórdão n.º 330201.473 S3C3T2 Fl. 468 5 destino final dos produtos; sobre a incidência única ou do IPI ou do ISS, baseado da preponderância da atividade exercida, o STJ entende que é preciso verificar o objeto social do contribuinte para saber o que prepondera na sua atividade, se o caráter pessoal no fornecimento de mercadorias (ou seja, a prestação de serviços) ou se a transformação que modifica a natureza ou a finalidade do produto (ou seja, a industrialização); e, por fim, cita jurisprudência do STJ sobre a fabricação de sacolas de papel, com “a impressão de signos distintivos nos pacotes” e jurisprudência do TRF da 3ª Região sobre a produção de “embalagens plásticas através da extrusão de matérias primas e, posteriormente, na impressão dessas embalagens de acordo com o que for solicitado pelo cliente. Antes analisar as razões do recurso, entendo importante fazer algumas considerações pertinentes ao objeto social da recorrente, à atividade da indústria gráfica em geral e à incidência do IPI e do ISS na indústria gráfica. Conforme consta do Contrato Social da recorrente, seu objeto social é: O objeto social é confecção de impressos gráficos e embalagens personalizadas, para uso 'exclusivo dos clientes encomendantes. Pelo objeto social da recorrente, concluise que, em princípio, as embalagens que fabrica são personalizadas e produzidas sob encomenda dos clientes, consumidores finais. Pelo que consta dos autos (fl. 155), a recorrente produz sacolas de papel (TIPI 4819.40.00 15%) e envelopes de papel (TIPI 4817.10.00 5%), sendo que a autuação referese somente a sacolas de papel. Para simplificar o entendimento sobre a incidência do IPI ou do ISS (ou de ambos) nos produtos da indústria gráfica, ficarei com os exemplos de sacola de papel e envelope de papel, ambos produtos resultante da transformação do insumo papel pela indústria gráfica. É por demais conhecido de todos a discussão sobre a tributação dos bens produzidos por esta indústria. Estão os produtos da indústria gráfica sujeitos à tributação do IPI, do ISS, do ICMS ou de todos ou de alguns? Em primeiro lugar, entendo absolutamente equivocado o entendimento da recorrida de que, sobre uma mesma operação de produção (sob qualquer modalidade) da indústria gráfica pode incidir, simultaneamente, o ISS e o IPI. Entendo que a incidência de um implica na exclusão do outro, pelas razões que a seguir se demonstra. É verdadeira a afirmativa da recorrida de que na CF/88 não há dispositivo que impeça a incidência concomitante do ISS e do IPI. Mas também é verdade que não existe dispositivo constitucional autorizando a incidência concomitante destes impostos. Se existisse tal dispositivo os institutos da competência tributária e do fato gerador do tributo ficariam extremamente fragilizados, pelo possibilidade de, sobre um mesmo ato econômicojurídico, incidir diversos imposto de competência de entes federativos diferentes. Ficamos, pois, com a produção e venda de envelope e sacola de papel pela indústria gráfica. Em Ciências Econômicas, a transformação de folhas de papel em envelope ou sacola é uma atividade tipicamente industrial. A produção, e posterior saída do Fl. 470DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 6 estabelecimento produtor, de envelope de papel e sacola de papel pode estar no campo de incidência do IPI ou do ISS, dependendo de outras características que envolvam a operação. Ou seja, legalmente, pode ser uma atividade industrialização ou uma atividade de prestação de serviço, a depender de outros elementos. Voltemos à tributação, do IPI e do ISS, das sacolas e dos envelopes de papel produzidos pela indústria gráfica. A indústria gráfica produz, basicamente, três tipos de envelopes e de sacolas de papel. São eles: a) sacolas e envelopes sem impressão gráfica; b) sacolas e envelopes com impressão gráfica não personalizada; c) sacolas e envelopes com impressão gráfica personalizada. Para os dois primeiros tipos de sacolas e envelopes, a produção pode ser realizada por encomenda ou não. Para o último modelo, a produção é realizada exclusivamente por encomenda. Os envelopes e sacolas a que se referem as letras “a” e “b”, acima, são fabricados, estocados, expostos à venda e vendidos pelo fabricante para qualquer cliente, inclusive na hipótese de ter sido fabricado por encomenda, desde que não haja contrato de exclusividade, mesmo neste caso não afeta a sua tributação. Nos dois primeiros tipos de envelope e sacola, a atividade de produção é tipicamente industrial e se enquadra perfeitamente na hipótese de incidência do IPI, excluindo a incidência do ISS. Mesmo havendo emprego de mãodeobra (inclusive via cooperativa de trabalho), não se caracteriza como atividade de prestação de serviço. É o que ocorre com os envelopes para correspondência vendidos pelas papelarias, nos quais podem constar, ou não, a impressão do espaço reservado à colocação do número do CEP, do selo e do nome do remetente. Também é o caso das sacolas de papel que são vendidas nas lojas especializadas, contendo ou não algum tipo de impressão. O fato de o produtor desses envelopes e dessas sacolas realizar a produção a pedido de um determinado cliente, em nada afeta, para fins tributação do IPI, a natureza industrial de sua produção. O produtor poderá fabricar uma quantidade superior à pedida pelo cliente e expor a venda e vender o excedente para outro cliente. Uma particularidade importante dos envelopes e sacolas referidas na letra “b” é que os mesmos podem ser fabricados em um modelo exclusivo para o encomendante, com impressão também exclusiva e definida pelo encomendante, mas sendo destinados ao comércio (ou à industrialização) pelo encomendante (e não ao consumo). É o caso previsto nos artigos 493/497 do RIPI/2002. Nesta hipótese, a operação continua no campo de incidência do IPI. Para sair do campo de incidência do IPI, e entrar no campo de incidência do ISS, é necessário que o produto se destine ao consumo do encomendante. Não basta que a produção seja realizada por encomenda para incidir o ISS. Fl. 471DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15868.000082/201040 Acórdão n.º 330201.473 S3C3T2 Fl. 469 7 Portanto, quem produz e dá saída aos envelopes e sacolas, na hipótese das letras “a” e “b”, acima, incorre no fato gerador do IPI, estando sujeito à legislação deste imposto. Não é o que acontece com a produção por encomenda, pela indústria gráfica, de sacolas e envelopes de papel personalizados e destinados ao consumo do encomendante, a que se refere a letra “c”, acima. A produção e saída do bem, nestas condições, tem particularidades importantes para fins de incidência tributária, quais sejam: 1 destinase ao consumo do encomendante; 2 não tem utilidade para outras pessoas, portanto, não será comercializado; 3 não é exposto à venda e “vendido” pelo fabricante. É cobrado, do encomendante, um preço para a sua produção; É o caso dos envelopes timbrados que têm utilidade unicamente para o encomendante. Também é o caso de sacolas de papel com o nome do encomendante impresso ou marca dos produtos que vende também impresso. Tais sacolas não servem para outras empresas acondicionar produtos que vende. Estes produtos não têm valor comercial algum para as outras empresas. Portanto, a produção sob encomenda, e a subseqüente saída da indústria gráfica, de sacolas “personalizadas” e envelopes timbrados, destinado ao consumo final pelo encomendante, está dentro do campo de incidência do ISS e fora do campo de incidência do IPI. No caso dos autos, está amplamente provado que a recorrente produz sacolas de papel, por encomenda do consumidor final, com impressão gráfica definida pelo encomendante. Portanto, este Conselheiro Relator tem plena convicção que a operação realizada pela recorrente está fora do campo de incidência do IPI, sendo tributado exclusivamente pelo ISS. Passemos à análise das contrarrazões apresentadas pela recorrida (Fazenda Nacional). Inicialmente, é preciso frisar que a recorrida (Fazenda Nacional) parte da falsa premissa de que a recorrente afirma que “presta serviços de composição gráfica em sacolas”, quando a verdade é que a recorrente sempre afirmou que produz sacolas de papel, sob encomenda do consumidor final, com impressão gráfica definida pelo encomendante. Uma coisa é efetuar impressão gráfica em sacolas de papel, prontas. Outra é produzir a sacola com impressão gráfica. A Fiscalização fez uma circularização entre os cliente e fornecedores da Recorrente para saber se ela recebia sacolas de papel para efetuar a impressão gráfica. Nada foi localizado. Fl. 472DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 8 É verdadeira a afirmação da Recorrida (Fazenda Nacional) de que “a fabricação de sacolas para venda, ainda que nestas sejam inseridos serviços de composição gráfica, constitui fato imponível do IPI”, conforme acima se disse. No entanto, não procede a sua conclusão de que, por a Recorrente produzir as sacolas e nela imprimir a identificação das empresas que a encomendaram, incorreu no fato gerador do IPI. Por evidente, a Recorrente não fabrica sacolas para vender. A sacola que a Recorrente produz se assemelha à uma consulta médica: só serve para o paciente tomador do serviço, não serve para o vizinho dele. A sacola que a Recorrente produz só serve para o consumo da encomendante, não serve para outra empresa. Também é verdade a afirmação da Recorrida (Fazenda Nacional) de que a “industrialização por encomenda” não está excluída do campo de incidência do IPI. Tanto é verdade que existe previsão legal no RIPI/2002 (art. 493/497) para a industrialização por encomenda, com características bem específicas. No entanto, não somente as operações de industrialização, no sentido econômico do termo, enumeradas no art. 5º do RIPI estão fora do campo de incidência do IPI. Não está no campo de incidência do IPI a fabricação de bloco de notas fiscais, a fabricação de cartão de visita, a fabricação de obra de arte, a fabricação de um filme, etc. Tudo isto são produtos industrializados, no sentido econômico do termo, mas não estão no campo de incidência do IPI, por diversas razões legais. Diz a Recorrida (Fazenda Nacional) que o argumento da Recorrente de que não se pode conciliar o IPI com o ISS, já que ambos possuem carga negocial, não pode ser acolhido. O IPI incide sobre “operações” de industrialização, ou seja, processos que modifiquem a natureza ou a finalidade de um bem ou, ainda, o aperfeiçoe para o consumo (processo de industrialização). O IPI não incide sobre negócios jurídicos. A saída do produto do estabelecimento industrial, a qualquer título que seja, representa mero critério temporal de incidência do IPI, ou seja, apenas determina o momento em que o imposto passa a ser devido. Não posso concordar com as conclusões da Recorrida. Em verdade, o IPI não incide sobre “operações” de industrialização. Industrializar nunca foi fato gerador do IPI. Quando, por exemplo, um estabelecimento industrial pega fogo, o estoque de produtos acabados (já industrializado) destruído pelo fogo não está no campo de incidência do IPI, ou seja, a operação ou processo de industrialização (único que ocorreu), sozinho, não está no campo de incidência do IPI. Também a saída de produto industrializado do estabelecimento industrial não é mero (ou exclusivamente) critério temporal (apesar de o ser, lógico). Se assim o fosse, qualquer produto industrializado saído de um estabelecimento industrial estaria no campo de incidência do IPI. O que não é verdade. Os produtos industrializados adquiridos e revendidos por estabelecimento industrial estão fora do campo de incidência do IPI. Para estar no campo de incidência do IPI é preciso que ocorra, simultaneamente, duas condições: o estabelecimento fabricar o produto e dar saída no mesmo (regra geral). A Recorrida (Fazenda Nacional) discorre sobre as características da incidência tributária do ISS para concluir que no caso de fabricação de sacolas “para inserção da arte gráfica produzida” temse duas situações autônomas capazes de gerar a incidência dos dois impostos em questão, sendo que o IPI passaria a ser devido no exato momento em que o bem saísse do estabelecimento industrial. Embora não seja este o caso dos autos (a recorrente faz as duas operações), concordo plenamente com a Recorrida (Fazenda Nacional). O estabelecimento que fabrica sacola e vende para outro estabelecimento industrial inserir a arte gráfica, incorre no fato gerador do IPI. E o estabelecimento que compra a sacola para inserir a arte gráfica, ao efetuar o Fl. 473DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15868.000082/201040 Acórdão n.º 330201.473 S3C3T2 Fl. 470 9 serviço e entregar o produto, pode incidir no fato gerador do IPI ou no fato gerador do ISS, dependendo da situação específica, que de resto já foi analisado acima. Ou seja, qualquer que seja o tipo de impressão gráfica (personalizada ou não) realizada, se o produto se destinar ao comércio ou à indústria, incide o IPI; se a impressão gráfica for realizada por encomenda, for personalizada e o produto se destinar ao consumo do encomendante, incide o ISS. No caso dos autos, a recorrente realiza as duas operações e a impressão gráfica é realizada por encomenda e personalizada, e o produto se destina ao consumo do encomendante. Portanto, incide o ISS e não o IPI. Sobre a incidência única ou do IPI ou do ISS, baseado da preponderância da atividade exercida, a Recorrida (Fazenda Nacional) cita jurisprudência do STJ no sentido de que é preciso verificar o objeto social do contribuinte para saber o que prepondera na sua atividade, se o caráter pessoal no fornecimento de mercadorias (ou seja, a prestação de serviços) ou se a transformação que modifica a natureza ou a finalidade do produto (ou seja, a industrialização). Conforme acima se disse, o objeto social da Recorrente é “confecção de impressos gráficos e embalagens personalizadas, para uso exclusivo dos clientes encomendantes”, portanto, ao contrário do que entende a Recorrida (Fazenda Nacional), presente o “caráter pessoal” no fornecimento de mercadorias, sujeita ao ISS e não ao IPI ou ao ICMS, pela jurisprudência citada. Por fim, a Recorrida (Fazenda Nacional) cita jurisprudência do STJ sobre a fabricação de sacolas de papel, com “a impressão de signos distintivos nos pacotes” e jurisprudência do TRF da 3ª Região sobre a produção de “embalagens plásticas através da extrusão de matérias primas e, posteriormente, na impressão dessas embalagens de acordo com o que for solicitado pelo cliente” Em que pese o respeito à Douta PGFN, nenhum dos dois casos se assemelha ao que aqui se discute. O primeiro trata de sacolas com impresso “não personalizado”, ou seja, com impresso que interessa a qualquer empresa que necessita utilizar sacolas de papel. São impresso, geralmente, indicando o peso máximo, o tipo de produto (p. ex. pão), etc. No segundo caso, a atividade de produzir sacolas plástica através da extrusão de matérias primas não é atividade própria da indústria gráfica, em nada se assemelhando ao presente caso. O fato de conter impressão nas sacolas plásticas não faz desta atividade uma atividade da indústria gráfica. Quanto à multa isolada, por não ser a recorrente contribuinte do IPI, a ela não se aplica a referida penalidade, devendo a mesma também ser cancelada. Isto posto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para julgar improcedente o lançamento. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Fl. 474DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 10 Fl. 475DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10283.005139/2010-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Sep 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Exercício: 2007
ARQUIVOS MAGNÉTICOS. AUSÊNCIA DE INFORMAÇÕES. INFRAÇÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. MULTA DESCABIMENTO
Somente é aplicável a multa do inciso II do artigo 12 da Lei n. 8.218/1991 quando ficar comprovado que a contribuinte omitiu ou prestou informação incorreta de atividade, negócio, documento ou registro empresarial, contábil ou fiscal daquilo que ela abrangeu pelos seus sistemas informatizados, e que deve ser mantido em ordem à disposição da autoridade tributário-fiscal por 10 anos. O artigo 11 dessa Lei não obriga o contribuinte a incluir todas as suas atividades, negócios, documentos e registros em sistemas informatizados. O Ato Declaratório COFINS 15/2001 não obriga a contribuinte a incluir em seu sistema informatizado os documentos emitidos por terceiros e por ela não recebidos.
NOTAS FISCAIS SIMBÓLICAS. NÃO OBRIGATORIEDADE.
A não inclusão nos sistemas informatizados das notas fiscais simbólicas emitidas por terceiros e recebidas pela contribuinte não configura o sentido e o tipo infracional dado pelo inciso II do artigo 12 da Lei n. 8.218/1991, pois ela não constitui omissão de informação solicitada, ou de prestação incorreta de informação solicitada, além do fato delas não terem expressão de efetiva operação, mas apenas de controle formal adjetivo.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3401-003.218
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan e Fenelon Moscoso de Almeida. Designado o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira para redigir o voto vencedor. O Conselheiro Waltamir Barreiros participou do julgamento e proferiu voto em sessão de julho/2016. Fez sustentação oral, pela recorrente, Cristiane Romano, OAB-DF nº 1.503-A.
Robson José Bayerl - Presidente e relator
Eloy Eros da Silva Nogueira - Redator designado.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Waltamir Barreiros, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2007 ARQUIVOS MAGNÉTICOS. AUSÊNCIA DE INFORMAÇÕES. INFRAÇÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. MULTA DESCABIMENTO Somente é aplicável a multa do inciso II do artigo 12 da Lei n. 8.218/1991 quando ficar comprovado que a contribuinte omitiu ou prestou informação incorreta de atividade, negócio, documento ou registro empresarial, contábil ou fiscal daquilo que ela abrangeu pelos seus sistemas informatizados, e que deve ser mantido em ordem à disposição da autoridade tributáriofiscal por 10 anos. O artigo 11 dessa Lei não obriga o contribuinte a incluir todas as suas atividades, negócios, documentos e registros em sistemas informatizados. O Ato Declaratório COFINS 15/2001 não obriga a contribuinte a incluir em seu sistema informatizado os documentos emitidos por terceiros e por ela não recebidos. NOTAS FISCAIS SIMBÓLICAS. NÃO OBRIGATORIEDADE. A não inclusão nos sistemas informatizados das notas fiscais simbólicas emitidas por terceiros e recebidas pela contribuinte não configura o sentido e o tipo infracional dado pelo inciso II do artigo 12 da Lei n. 8.218/1991, pois ela não constitui omissão de informação solicitada, ou de prestação incorreta de informação solicitada, além do fato delas não terem expressão de efetiva operação, mas apenas de controle formal adjetivo. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan e Fenelon Moscoso de Almeida. Designado o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira para redigir o voto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 51 39 /2 01 0- 54Fl. 656DF CARF MF Impresso em 14/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 13/09/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 2 vencedor. O Conselheiro Waltamir Barreiros participou do julgamento e proferiu voto em sessão de julho/2016. Fez sustentação oral, pela recorrente, Cristiane Romano, OABDF nº 1.503A. Robson José Bayerl Presidente e relator Eloy Eros da Silva Nogueira Redator designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Waltamir Barreiros, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Cuida o presente processo de multa por ausência de informações em arquivos magnéticos, baseada no art. 12, II da Lei nº 8.218/91. Narra a fiscalização que foi constatada expressiva movimentação de valores sob os títulos “Remessa para Industrialização”, CFOP 5.901, e “Remessa para Depósito Fechado”, CFOP 5.905, sem a indicação, nos arquivos magnéticos, dos respectivos retornos, segundo o contribuinte, realizados nos CFOPs 1.902, 1.903, 1.906 e 1.907. Intimado a justificar a situação e apresentar as notas fiscais correspondentes, o contribuinte informou que os documentos em questão eram meramente simbólicos, não possuíam qualquer relevância no controle das operações, bem assim, que estavam à disposição da fiscalização, sem, contudo, individualizar ditas operações e documentos. Em impugnação o contribuinte aduziu violação ao art. 142 do CTN, pois a fiscalização não identificou os documentos omissos/incorretos; que a forma de cálculo da multa seria insubsistente; que houve cerceamento do direito de defesa; que não foram considerados, na apuração da multa, os insumos em poder de terceiros; desconsideração dos retornos físicos ocorridos; que a lei não acolheria a presunção de falta de registro de documentos fiscais nos arquivos magnéticos; que a multa seria inaplicável, pois não houve omissão; que não haveria valor algum a impor, tendo em conta tratarse de retornos simbólicos; e, que a multa seria desproporcional e confiscatória. A DRJ Fortaleza/CE manteve o lançamento em decisão cuja ementa encontrase vazada nos seguintes termos: “PRODUÇÃO ULTERIOR DE PROVAS. PROTESTO GENÉRICO. INADMISSIBILIDADE. Nos termos do artigo 16 do Decreto n° 70.235/72, a impugnação deverá conter todos os argumentos pertinentes a tese defensória, bem como as provas e fundamentos legais em que se baseia, e ainda, eventual pedido de diligência ou perícia, formulado de acordo com as exigências ali fixadas. A posterior apresentação de prova documental só é admissível nas hipóteses Fl. 657DF CARF MF Impresso em 14/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 13/09/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10283.005139/201054 Acórdão n.º 3401003.218 S3C4T1 Fl. 11 3 previstas no parágrafo 4° do referido artigo 16. Assim, não restando configurada nenhuma delas, é incabível o pedido genérico pela produção ulterior de prova. DADOS FORNECIDOS PELO CONTRIBUINTE. OMISSÃO NO LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO A DEFESA. A omissão de dados constantes dos arquivos digitais fornecidos pelo sujeito passivo, no lançamento, não pode ser considerada óbice ao exercício do direito de defesa, pois além de se tratar de informações produzidas pelo próprio contribuinte, cabe a ele conferir, registrar e manter a documentação referente a elas. MULTA CONFISCATÓRIA. EXAME DA CONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DO PODER JUDICIÁRIO. O exame da constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional compete exclusivamente ao Poder Judiciário, conforme se extrai da divisão de competências fixada na Constituição Federal, e expressamente dispõe o art. 26A do Decreto n° 70.235/72, restando inócua qualquer discussão nesse sentido na esfera administrativa. ARQUIVOS DIGITAIS. INOBSERVÂNCIA DE REQUISITOS LEGAIS. INFRAÇÃO DE MERA CONDUTA. MULTA Os dados das notas fiscais de retorno de mercadorias ou produtos remetidos para depósito ou industrialização devem estar inclusos nos arquivos digitais de fornecimento obrigatório ao Fisco, conforme se extrai das disposições contidas nos Itens 4.3 e 4.9 do Anexo Único do ADE Cofis n° 15/2001, que tem amparo legal no art. 11, § 3º, da Lei n° 8.218/91. A ausência dessas informações configura infração que, nos termos do caput do art. 12 do referido Diploma Legal, é de mera conduta, ensejando assim a aplicação da multa prescrita no inciso II desse mesmo artigo, independentemente das consequências dessa omissão, ou de sua vinculação a outras irregularidades eventualmente apuradas.” Em recurso voluntário o contribuinte reprisou os argumentos deduzidos em impugnação, acrescentando que não poderia ser penalizada por descumprimento de obrigações acessórias de terceiros; que a interpretação da capitulação deveria ser realizada em consonância com as disposições constitucionais; e, que a aplicação da multa careceria de respaldo legal e afrontaria a CF/88. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Sustentou o contribuinte, por primeiro, que teria havido afronta ao art. 142 do Código Tributário Nacional, por não ter a autoridade fiscal identificado as operações omitidas e Fl. 658DF CARF MF Impresso em 14/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 13/09/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 4 os documentos fiscais correspondentes. Ora, nada mais insólito, pois a individualização das operações emitidas não se realizou justamente porque o contribuinte não atendeu às intimações para tanto. Aliás, o contribuinte, com seu argumento, parece esquecer da razão para a autuação, que reside especificamente na ausência de informações, em arquivos magnéticos, sobre os documentos de retorno, ainda que simbólicos, das saídas intituladas “Remessa para Industrialização”, CFOP 5.901, e “Remessa para Depósito Fechado”, CFOP 5.905. Para contextualizar o procedimento fiscal, mostrase válida a demonstração da cronologia das intimações endereçadas ao contribuinte. Nesta senda, em 30/06/2010, através dos TIFs nº 057/2010 (fls. 122/124) e 058/2010 (fls. 132/135), a autoridade fiscal pediu esclarecimentos sobre o CFOP utilizado para o retorno das saídas realizadas sob o CFOP 5.901 “Remessa para Industrialização” e 5.905 “Remessa para Depósito Fechado”, o montante da diferença omitida nos arquivos, bem como a apresentação dos aludidos arquivos com as informações faltantes. Em 05/07/2010 (fls. 130/131 e 141/142), o contribuinte informou que estaria envidando os esforços necessários à identificação das diferenças apontadas, esclarecendo, desde logo, que todas as suas operações foram registradas em seus arquivos magnéticos. Em 06/07/2010, por meio do TIF nº 0063/2010 (fls. 143/145), a fiscalização reiterou a apresentação das informações e arquivos requeridos, tendo o contribuinte respondido, em 07/07/2010 (fls. 146/148), que os CFOPs utilizados quando do retorno seriam 1.902, 1.903, 1.906 e 1.907; que não omitiu operação alguma que interferisse em seus registros fiscais, contábeis e financeiros; que o controle da movimentação era feita com base nas notas fiscais de remessa e nas notas fiscais de venda, sendo que as notas fiscais de retorno não tinham relevância alguma no controle das operações, dado que se cuidavam de retornos simbólicos; que eventual ausência de registro de notas fiscais de retorno não teria o condão de caracterizar omissão de informação, muito menos de inviabilizar a fiscalização de suas atividades; e, que esta era a sua interpretação da legislação, não havendo previsão no Anexo único do ADE COFIS nº 15/01 sobre registro de retornos simbólicos. Em 11/08/2010, por intermédio do TIF nº 0091/2010 (fls. 149/151), a fiscalização exigiu, em meio magnético, a listagem das notas fiscais com os CFOPs 1.902, 1.903, 1.906 e 1.907, juntamente com as cópias legíveis dos documentos fiscais respectivos. Em 13/08/2010, doc. fl. 154, o contribuinte, sem atender especificamente o que exigido, limitouse a disponibilizar o conjunto de sua documentação para análise no seu domicílio. Diante dos fatos pormenorizados, infiro que o contribuinte, com a alegação ora examinada, pretende subverter a situação, imputando à autoridade fiscal um problema por ele provocado. Aqui cabe um parêntese: a defesa do contribuinte está calcada, em boa parte, na argumentação que a fiscalização presumiu que houve omissão das notas fiscais de retorno, mas não provou sua ocorrência; contudo, não nega categoricamente que tais notas fiscais não tenham sido emitidas. Daí que apenas duas hipóteses são possíveis: i) ou os Armazéns (5.905 Remessa para Depósito Fechado) e estabelecimentos industrializadores (CFOP 5.901 Fl. 659DF CARF MF Impresso em 14/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 13/09/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10283.005139/201054 Acórdão n.º 3401003.218 S3C4T1 Fl. 12 5 Remessa para Industrialização) não emitiram as notas fiscais de retorno, ainda que simbólicas; ou, ii) emitiram e o contribuinte não as registrou. Como dito, o contribuinte não esclarece o ocorrido, preferindo manter o caso no campo das especulações, valendose de ilações e afirmações vagas para tentar elidir a autuação. Por exemplo, no recurso voluntário, defende que não pode ser punido por atos de terceiros, insinuando que, sendo os armazéns e estabelecimentos industrializadores os responsáveis pela emissão dos documentos fiscais de retorno, eles teriam cometido a infração, certamente pela sua não emissão, de tal maneira que eles é que deveriam ser penalizados. No entanto, friso, a colocação fica no campo da especulação, pois o recorrente não afirma, nem nega, enfaticamente que isto tenha efetivamente ocorrido. Para demonstrar a dubiedade do contribuinte, reproduzo excertos do recurso interposto (fls. 392/393): “(...) 98. De fato, as notas fiscais de retorno simbólico de que trata a autuação fiscal não são emitidas pelo recorrente, e sim por terceiros. 99. A título exemplificativo, os procedimento aplicáveis às operações de armazenagem são os seguintes: (...) 100. Ou seja, a emissão da Nota Fiscal de retorno simbólico consiste em uma obrigação acessória imposta ao armazém geral pela legislação e não à Recorrente – empresa depositante. 101. Com efeito, após a venda realizada pela Recorrente, por meio da emissão da Nota Fiscal de venda, o armazém geral emite: (i) notas fiscais de simples remessa para acompanhar o trânsito físico das mercadorias até o cliente da Recorrente, caso seja solicitado e (ii) notas fiscais de retorno simbólico para retornar simbolicamente à Recorrente as mercadorias que já foram vendidas e fisicamente entregues ao cliente da Recorrente. 102. Além disso, a título exemplificativo, os procedimentos aplicáveis às operações de industrialização por encomenda são os seguintes: (...) 103. Nessas hipóteses, ressaltese que as mercadorias que estão retornando simbolicamente por meio da Nota Fiscal de retorno simbólico, objeto da autuação, são insumos e já foram, inclusive, integrados aos produtos finais, objeto das Notas Fiscais de venda emitida pela Recorrente a seus clientes. 104. Ou seja, nesse momento a Recorrente já realizou a sua operação de venda ao seu cliente! Assim, ainda que houvesse eventual falta de registro dos retornos simbólicos nos arquivos magnéticos, isso não corresponde à Fl. 660DF CARF MF Impresso em 14/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 13/09/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 6 omissão de qualquer receita ou atividade da Recorrente – já que as operações de armazenagem e industrialização foram registradas nos arquivos magnéticos –, mas sim demonstra a ausência de importância que estas Notas Fiscais de retorno simbólico têm no controle de armazenagem e industrialização por terceiros da Recorrente. (...)” Notese que, da leitura dos trechos transcritos, a par da dubiedade, vislumbra se também a própria contradição do recorrente, porquanto, ao mesmo tempo em que descreve o procedimento aplicável e dá a entender a inobservância por parte dos terceiros, em seguida, descreve o modus operandi adotado, onde os estabelecimentos de terceiros emitem os documentos. Demais disso, se, de fato, as notas fiscais de retorno simbólico não foram emitidas, como determina a legislação, deveria o contribuinte providenciar a comunicação a que aludia o art. 266 do RIPI/2002 (Decreto nº 4.544/02), endereçada ao armazém/industrializador por encomenda, noticiando a irregularidade, com o objetivo de resguardarse da responsabilidade pela infração. Todavia, esta medida não foi adotado, ou, pelo menos, não há notícia, no processo, nesse sentido. Outrossim, cumpre destacar que, concomitante à ação fiscal que redundou neste lançamento, foi também realizado trabalho envolvendo o exercício 2006 os termos de início de fiscalização foram entregues na mesma data , cujo resultado encontrase no bojo do PA 10283.720361/201081, onde o contribuinte apresentou algumas notas fiscais de remessa para industrialização e os respectivos documentos de retorno. Naquela oportunidade a fiscalização intimou o contribuinte a prestar esclarecimento sobre a ausência dos registros dos retornos em seus arquivos magnéticos. Em resposta, inaugurouse o argumento de irrelevância das notas fiscais de retorno, porque simbólicas, para justificar a ausência de seu registro. Então, digo eu, se os documentos de retorno das mercadorias foram emitidos, não há outra possibilidade factível, por implicação lógica, senão que o recorrente tenha deixado de registrálos nos livros fiscais próprios. Logo, para além da dubiedade e contradição, há também informação discrepante, por exemplo, quando deduz o recorrente que todos os retornos eram controlados e foram divulgados aos Fisco por meio de registro nos livros fiscais correspondentes, eis que, como fartamente demonstrado, as operações de retorno, conforme indicado pelo próprio autuado (CFOPs 1.902, 1.903, 1.906 e 1.907), não constam dos arquivos magnéticos, não havendo, por parte do contribuinte, qualquer indicação de registro em sua escrita fiscal. Assim, pelos elementos constantes dos autos, integrados pelos recursos interpostos pelo contribuinte, é possível concluir que houve, sim, falta de registro das notas fiscais de retorno, ainda que simbólicas, emitidas pelos armazéns gerais e estabelecimentos industrializadores, motivo pelo qual não verifico o vício do lançamento, quando não especifica as operações omitidas, pois, como dito, esta informação foi reiteradamente exigida do recorrente, que se furtou de apresentála, não podendo agora pretender inverter a lógica da autuação. Fl. 661DF CARF MF Impresso em 14/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 13/09/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10283.005139/201054 Acórdão n.º 3401003.218 S3C4T1 Fl. 13 7 Da mesma forma, aproveitando o ensejo, improcedente o argumento que não pode ser responsabilizado por descumprimento de obrigações acessórias de terceiros, ao passo que a infração assinalada pela fiscalização é a falta de registro das notas fiscais de retorno nos arquivos magnéticos, providência esta que incumbia ao contribuinte e não aos terceiros, salvo se não as emitissem, o que, em momento algum, foi afirmado peremptoriamente e comprovado pelo recorrente. Na seqüência, quanto ao cerceamento de defesa, é fato que a planilha denominada “Relatório Apuração Retorno de Remessa para Industrialização – 2007” não está integralmente acostada nos autos, no entanto, o contribuinte não aponta como a ausência deste documento poderia ter prejudicado a sua defesa. Um dos primados em matéria de nulidade processual está assentado no princípio “pas de nullité sans grief”, consoante o qual não será declarada invalidade de qualquer ato quando não causar prejuízo à parte recorrente. No caso vertente, a fiscalização juntou, a título exemplificativo, apenas as três primeiras e as três últimas páginas do relatório gerado, a partir dos arquivos apresentados pela própria empresa, digase, para demonstrar que a base para apuração da multa, relativamente ao retorno de industrialização, correspondia ao valor total das operações de remessa para industrialização, conforme seguinte excerto do relatório de autuação: “Nas operações a título de remessa para industrialização, a empresa indica uma movimentação de R$ 107.898.494,65 (fls.16), sem constar nos arquivos magnéticos qualquer CFOP indicativo de retorno. Também não consta nos inventários de 2006 e 2007 a indicação de insumos, o que nos leva a constatar que o valor omitido pela LG ELETRONICS,quanto ao retorno de industrialização omitido nos arquivos magnéticos atinge a cifra de R$ 107.898.494,65 (fls. 88 a 93), apenas três primeiras e três últimas páginas do relatório.” (destacado) Logicamente, se as informações omitidas pelo retorno de industrialização corresponde exatamente aos insumos remetidos pelo contribuinte, extraídos dos arquivos de notas fiscais de saídas por ele encaminhados à fiscalização, não vejo como a ausência integral do indigitado relatório possa ter prejudicado a sua defesa. Também não assiste razão ao recorrente quando assevera que a exigência da multa não pode estar lastreada em presunções ou mesmo que a fórmula de cálculo aplicada não encontre respaldo em lei. A uma, porque não houve presunção alguma de omissão de informação, como exposto alhures, mas simples constatação de sua ocorrência, não convindo aqui perscrutar as razões de tal postura; e, a duas, porque a fórmula de cálculo adotada está em plena consonância com o dispositivo em que definida a infração e a pena atribuída, senão veja se: “Art. 11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. .(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) (Vide Mpv nº 303, de 2006) Fl. 662DF CARF MF Impresso em 14/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 13/09/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 8 § 1º A Secretaria da Receita Federal poderá estabelecer prazo inferior ao previsto no caput deste artigo, que poderá ser diferenciado segundo o porte da pessoa jurídica. .(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.158 35, de 2001) § 2º Ficam dispensadas do cumprimento da obrigação de que trata este artigo as empresas optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, de que trata a Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. .(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 3º A Secretaria da Receita Federal expedirá os atos necessários para estabelecer a forma e o prazo em que os arquivos digitais e sistemas deverão ser apresentados. .(Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 4º Os atos a que se refere o § 3o poderão ser expedidos por autoridade designada pelo Secretário da Receita Federal. .(Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Art. 12 A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: I multa de meio por cento do valor da receita bruta da pessoa jurídica no período, aos que não atenderem à forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos; II multa de cinco por cento sobre o valor da operação correspondente, aos que omitirem ou prestarem incorretamente as informações solicitadas, limitada a um por cento da receita bruta da pessoa jurídica no período; .(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) III multa equivalente a dois centésimos por cento por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica no período, até o máximo de um por cento dessa, aos que não cumprirem o prazo estabelecido para apresentação dos arquivos e sistemas. .(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Parágrafo único. Para fins de aplicação das multas, o período a que se refere este artigo compreende o anocalendário em que as operações foram realizadas. .(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001).” Nestes autos, a subsunção da multa de 5% (cinco por cento) às informações omitidas, consistiu, segundo o relatório de autuação, mediante sua aplicação sobre o valor integral das saídas para industrialização, considerada a ausência de qualquer estoque inicial ou final de insumos em poder de terceiros, como informado pelo recorrente, de modo que todas as notas fiscais de retorno equivaliam à totalidade das saídas no período fiscalizado, 2007. Já para as notas fiscais de retorno de depósitos fechados, correspondem ao diferencial entre o estoque inicial de produtos em poder dos armazéns gerais, acrescido dos produtos enviados pelo contribuinte ao longo de 2007 e deduzidos dos estoques finais lá existentes. Fl. 663DF CARF MF Impresso em 14/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 13/09/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10283.005139/201054 Acórdão n.º 3401003.218 S3C4T1 Fl. 14 9 Do exame do cálculo aviado, não reconheço qualquer inconsistência que o inquine de erro. De outra banda, não condiz com a realidade dos autos, a colocação do contribuinte que os seus estoques, bem como, aqueles em poder de terceiros, não foram considerados na apuração, pois a fiscalização computou, sim, os valores por ele apresentados. Quanto às notas canceladas e documentos com pretensas falhas de emissão, o contribuinte sequer os indicou, mesmo agora, nesta oportunidade processual, cuidandose, portanto, de argumento hipotético, porque alegar e não provar é o mesmo que nada alegar. Tocante à inexistência de “omissões” nas “operações”, não merece acolhida a alegação que somente se caracterizam como operações, para a finalidade de exigência da multa lançada, aquelas relativas à efetiva circulação de mercadorias com transferência de titularidade, haja vista que a jurisprudência citada diz respeito à incidência do ICMS, não guardando qualquer correlação com o caso dos autos. O texto do art. 11, § 3º da Lei nº 8.218/91 é categórico em atribuir à Secretaria da Receita Federal a competência para expedir os atos necessários para estabelecer a forma e o prazo em que os arquivos digitais e sistemas deveriam ser apresentados. No exercício dessa atribuição a SRF, através da Coordenação de Fiscalização, baixou o ADE Cofis 15/2001 que estabelece a forma como os arquivos magnéticos devem ser apresentados, dispondo o item 4.3, ao tratar dos documentos fiscais, que todas as notas fiscais devem constar do arquivo, inclusive as canceladas, verbis: “4.3 Documentos Fiscais A pessoa jurídica deverá apresentar os arquivos de documentos fiscais separados por estabelecimento. Deverão ser registrados todos os campos das notas fiscais, inclusive aqueles que, embora não sejam impressos nos documentos, se prestam a obter qualquer informação constante do documento. As notas fiscais emitidas pela pessoa jurídica (entrada ou saída) deverão ser apresentadas em arquivos separados dos referentes às notas fiscais emitidas por terceiros (entrada). Nos arquivos deverão constar todas as notas fiscais, inclusive as canceladas. Os arquivos deste sistema deverão ser entregues acompanhados do Arquivo de Cadastro de PJ/PF (4.9.1), da Tabela de Natureza da Operação (4.9.4) e da Tabela de Mercadorias/Serviços (4.9.5).” (destacado) Portanto, a referência ao termo “operação”, constante do art. 12 da Lei nº 8.218/91, abrange todas as movimentações, reais ou simbólicas, resultantes da emissão e registro de notas fiscais, sejam de saídas ou de entradas, não havendo espaço para a interpretação econômica empreendida pelo recorrente. Fl. 664DF CARF MF Impresso em 14/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 13/09/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 10 Assim, se houve a emissão de notas fiscais de retorno, por parte dos estabelecimentos industrializadores e dos armazéns gerais, como no caso vertente, necessária a escrituração no Livro Registro de Entradas e, conseqüentemente, nos arquivos magnéticos respectivos. Neste passo, afastado o conceito de “operações” proposto pelo recorrente, prejudicadas restam as alegações de desobediência ao princípio da tipicidade cerrada ou mesmo a aplicação da interpretação favorável ao contribuinte, em caso de dúvida quanto à aplicação da penalidade, a teor do art. 112 do CTN, tampouco havendo espaço para emprego da equidade. Não se mostra plausível, nesta linha intelectiva, que o fato de se tratarem de operações simbólicas decorreria a ausência de valor das operações, uma vez que, havendo indicação nos documentos fiscais, em campo próprio, este é o montante a que corresponde a grandeza monetária da operação, ainda que se tratem de operações desta natureza, isto é, simbólicas. Reforça essa compreensão do tema, o fato que, mesmo nas operações de retorno simbólico, há necessidade de indicação do valor da operação, como textualmente impõe o art. 417 do RIPI/2002 (Decreto nº 4.544/2002), então vigente: “Art. 417. Na remessa dos produtos industrializados, efetuada pelo industrializador, diretamente a outro estabelecimento da firma encomendante, ou a estabelecimento de terceiros, caberá o seguinte procedimento: I pelo estabelecimento encomendante: emitir nota fiscal em nome do estabelecimento destinatário, com destaque do imposto, se este for devido, e a declaração "O produto sairá de .............. ..........., sito na Rua ........................., nº ........, na cidade de ................"; e II pelo estabelecimento industrializador: emitir nota fiscal em nome do estabelecimento encomendante, com a declaração "Remessa Simbólica de Produtos Industrializados por Encomenda", no local destinado à natureza da operação; a indicação da nota fiscal que acompanhou as matériasprimas recebidas para industrialização, e a qualificação de seu emitente; o valor total cobrado pela operação, com destaque do valor dos produtos industrializados ou importados pelo estabelecimento, diretamente empregados na operação, se ocorrer essa circunstância; e o destaque do imposto, se este for devido.” (destacado) Em suma, repiso, diversamente do que insiste em repetir o contribuinte, as operações de retorno de mercadorias industrializadas por encomenda ou armazéns gerais, ante a obrigatoriedade de sua informação, não constaram dos arquivos magnéticos apresentados à fiscalização, o que enquadra a conduta nas disposições do art. 12, II da Lei nº 8.218/91. Conveniente, ainda, rechaçar a alegação que, dado o caráter “simbólico” do retorno das mercadorias, a sua informação nos arquivos magnéticos seria desnecessária, pois ao contribuinte não é conferida a prerrogativa de formar juízo axiológico sobre as informações que deve prestar ao Fisco, definindo, sponte propria, quais delas são importantes ou não ao conhecimento das autoridades administrativas, cabendolhe tão somente prestar as declarações e apresentar os dados que lhe são exigidos. Fl. 665DF CARF MF Impresso em 14/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 13/09/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10283.005139/201054 Acórdão n.º 3401003.218 S3C4T1 Fl. 15 11 Prosseguindo, em atenção à exigência de enfrentamento de todos os questionamentos erigidos em recurso, refuto a afirmação que todas as operações estão registradas nos arquivos magnéticos entregues à fiscalização, pois, como já enfadonhamente acentuado, as operações de retorno simbólico dos industrializadores por encomenda e armazéns gerais não se encontram nos preditos arquivos. Por derradeiro, respeitante à necessidade de interpretação da capitulação segundo a Constituição Federal, afronta à legalidade e violação aos princípios da proporcionalidade, razoabilidade e do nãoconfisco, ante as disposições do art. 12, II da Lei nº 8.218/91 e a natureza objetiva da responsabilidade pelas infração tributárias insertas no art. 136 do Código Tributário Nacional, não há como afastar a aplicação da multa infligida, por força do art. 26A do Decreto nº 70.235/72, reproduzido no art. 62, caput do RICARF/15, consoante o qual fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar lei, sob fundamento de inconstitucionalidade, o que, de forma, enviesada, é a intenção do recurso. Em face de todos o exposto, não vejo qualquer mácula que conspurque o lançamento ou a decisão recorrida, motivo pelo qual voto por negar provimento ao recurso. Robson José Bayerl Voto Vencedor Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, Redator designado. Fui designado para redigir o voto que procure resumir o entendimento vencedor. Ele difere e, com a máxima vênia, é contrário ao exposto pelo relator o mui ilustre Conselheiro Robson José Bayerl em seu alentado voto. Exponho aos Senhores Conselheiros o entendimento que, após os longos debates, nos conduziu a concluir que seria justificável dar provimento ao recurso voluntário. Primeiramente, o que dispõe o artigo 11 da Lei 8.218/1991 estabelece a obrigação de a contribuinte manter à disposição da autoridade fiscal os arquivos e sistemas digitais com os registros de sua escrituração contábil, empresarial e fiscal, e também de suas atividades econômicas e financeiras e negociais. Esse conjunto abrange os documentos emitidos pela contribuinte e os documentos emitidos por terceiros e entregues a ela tendo direta relação com as transações e negócios que mantiveram ou realizaram entre si. Vejamos o texto legal: Lei 8.218, de 1991: ART. 11. AS PESSOAS JURÍDICAS QUE UTILIZAREM SISTEMAS DE PROCESSAMENTO ELETRÔNICO DE DADOS PARA REGISTRAR NEGÓCIOS E ATIVIDADES ECONÔMICAS OU FINANCEIRAS, ESCRITURAR LIVROS OU ELABORAR DOCUMENTOS DE NATUREZA CONTÁBIL OU FISCAL, FICAM OBRIGADAS A MANTER, À DISPOSIÇÃO Fl. 666DF CARF MF Impresso em 14/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 13/09/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 12 DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL, OS RESPECTIVOS ARQUIVOS DIGITAIS E SISTEMAS, PELO PRAZO DECADENCIAL PREVISTO NA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. .(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) (Vide Mpv nº 303, de 2006) § 1º A Secretaria da Receita Federal poderá estabelecer prazo inferior ao previsto no caput deste artigo, que poderá ser diferenciado segundo o porte da pessoa jurídica. .(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 2º Ficam dispensadas do cumprimento da obrigação de que trata este artigo as empresas optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, de que trata a Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. .(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 3º A Secretaria da Receita Federal expedirá os atos necessários para estabelecer a forma e o prazo em que os arquivos digitais e sistemas deverão ser apresentados. .(Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 4º Os atos a que se refere o § 3o poderão ser expedidos por autoridade designada pelo Secretário da Receita Federal. .(Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Art. 12 A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: I multa de meio por cento do valor da receita bruta da pessoa jurídica no período, aos que não atenderem à forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos; II multa de cinco por cento sobre o valor da operação correspondente, aos que omitirem ou prestarem incorretamente as informações solicitadas, limitada a um por cento da receita bruta da pessoa jurídica no período; .(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) III multa equivalente a dois centésimos por cento por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica no período, até o máximo de um por cento dessa, aos que não cumprirem o prazo estabelecido para apresentação dos arquivos e sistemas. .(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Parágrafo único. Para fins de aplicação das multas, o período a que se refere este artigo compreende o anocalendário em que as operações foram realizadas. .(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) As infrações definidas no texto da lei em seus incisos I a III do artigo 12 desta lei são: 1. o não atendimento da forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos; 2. a omissão ou a prestação incorreta de infomração solicitada; Fl. 667DF CARF MF Impresso em 14/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 13/09/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10283.005139/201054 Acórdão n.º 3401003.218 S3C4T1 Fl. 16 13 3. o não cumprimento de prazo estabelecido para apresentação dos arquivos e sistemas. S.m.j., a autoridade lançadora, para dar base á sua autuação, estabeleceu a seguinte identidade: configura omissão ou prestação incorreta de informação solicitada (e indiretamente o não atendimento da forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos) QUANDO a contribuinte não possui ou mantém em meio digital todas as notas fiscais de movimentação simbólica. Necessário analisarmos o que significa esta suposta obrigatoriedade, e também analisarmos em que medida essa 'falta de inclusão no sistema informatizado e nos arquivos digitais de nota simbólica' significa omissão ou prestação incorreta de informação solicitada (e indiretamente deixar de atender a forma de apresentação dos arquivos e registros). A nosso ver, o texto da Lei não diz precisamente que manter arquivos digitais significa que é obrigatória a inclusão de todas as notas fiscais emitidas nos arquivos digitais e nos sistemas informatizados. Notemos que o que o artigo 11 da Lei estipula é a obrigação do contribuinte de colocar à disposição da Receita Federal e manter (em ordem) os arquivos e sistemas, pelo prazo de 10 anos, QUANDO ele utilizar sistema de processamento de dados para registrar negócios e atividades (econômicos, financeiros), escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou financeira. Leiamos com atenção: Lei 8.218, de 1991: Art. 11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, FICAM OBRIGADAS A MANTER, À DISPOSIÇÃO DA Secretaria da Receita Federal, OS RESPECTIVOS ARQUIVOS DIGITAIS E SISTEMAS, PELO PRAZO DECADENCIAL previsto na legislação tributária. É um equívoco ler que a lei esteja obrigando a empresa a usar sistemas de processamento de dados para toda e qualquer de suas operações e atividades. Entretanto, para o que for abrangido por seus sistemas informatizados, deve ser ele incluído nos arquivos que devem ser mantidos em ordem e postos à disposição da autoridade tributáriofiscal. Mas prosseguindo a análise sob a hipótese de que o tipo infracional pudesse também significar a obrigação de incluir no sistema informatizado e arquivos digitais todas as notas, vejamos a sua extensão. Para o caso da obrigatoriedade de manter digitalmente notas fiscais, entendemos que esse texto define que ela abrange a obrigação da contribuinte em manter digitalizadas as notas por ela mesma emitidas e as notas fiscais emitidas por terceiros e recebidas pela contribuinte (provavelmente para os negócios, as transações, e atividades assemelhadas efetivadas entre a contribuinte e esse terceiro). Prosseguindo nesse caminho de análise do sentido e alcance dessa lei, a contribuinte não pode estar obrigada a manter nos seus arquivos digitais a contabilidade que não é de sua responsabilidade ou competência, por se referirem a outro ente jurídico, nem os documentos de interesse jurídico que não lhes digam respeito e nem os que ela não tem a posse, mesmo que lhe digam respeito. Fl. 668DF CARF MF Impresso em 14/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 13/09/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 14 Se os terceiros não emitiram as notas fiscais de interesse da contribuinte e/ou se a contribuinte não recebeu as notas emitidas por terceiros, não há como falar que há infração a esta obrigação legal. Se a autoridade lançadora não prova que houve nota fiscal emitida por terceiro e recebida pela contribuinte sua destinatária, não há como reconhecer a existência da infração e a razão para eventual penalidade. O disposto neste artigo não pode alcançar as notas fiscais não emitidas por terceiros e as não recebidas pela contribuinte sua destinatária, mesmo que relacionadas a atividades de seu interesse, pois ela estaria sendo responsabilizada pelo que não poderia evitar. A leitura do Ato Declaratório Executivo COFINS 15/2001 esclarece que as notas fiscais, inclusive as de movimentação simbólica, devem ser abrangidas pelo tratamento informático e digital, mas ele está se referir às notas emitidas pela contribuinte e às notas recebidas de terceiros. Sem dúvida que ele não pretendeu obrigar a contribuinte a incluir no seu sistema informatizado e digital o que está além da sua competência (pois é obrigação do terceiro a emissão das notas fiscais que dizem respeito à contribuinte). Se a contribuinte não recebeu as notas que deveriam ter sido emitidas pelos terceiros, não há como ela descumprir o ato declaratório, pois a sua obrigação de cumprila somente se dá quando a contribuinte passar a ter posse dessas notas fiscais. Divergimos do exposto pelo ilustre relator, que considera que o texto das manifestações da contribuinte traduzem ambigüidade, afirmações especulativas e vagas. A nossa leitura das informações prestadas pela contribuinte e discutidas durante esta sessão nos levam a concluir que a contribuinte afirmou que as notas simbólicas se referem a operações de remessa mantidas com estabelecimentos de terceiros, e que somente a esses terceiros caberia a missão de ter emitido essas notas fiscais de retorno simbólico. Ademais, nesse caso, a autoridade fiscal utilizou os registros de controle do estoque para demonstrar a ocorrência da infração. Entendemos que o controle do estoque pode demonstrar que houve uma falha nos registros de movimentação, justamente que seria saneado pela nota fiscal de movimentação simbólica. Mas, em nossa análise, essa constatação não se confunde com a base e a descrição da infração aqui em discussão: o fato de encontrar registro de movimentação de estoque a que se imputa falta de registro de nota fiscal simbólica não tem identidade com o fato de não estar mantida em meio digital nota fiscal simbólica. As suas materialidades são distintas. Se a infração fosse a existência de um controle de estoque em que se constata a falta de registro correspondente à nota fiscal simbólica, certamente o texto da lei não deixaria de apontar isso com precisão e clareza. Não procede imputar omissão de informação ou prestação incorreta de informação solicitada pela falta de inclusão nos sistema informatizados e nos arquivos digitais de notas fiscais simbólicas (que seriam emitidas pelos terceiros) deduzida a partir simplesmente da movimentação dos estoques, sem demonstrar que elas foram emitidas e chegaram à posse da contribuinte. De outro lado, o controle do estoque trazia a verdade dos fatos, ele não tinha recebido as notas fiscais simbólicas. Essa situação corresponde, a nosso ver, à forma que se espera de uma escrituração, que seja verdadeira, que não esteja trazendo informações inverídicas, falsas. A falta de registro das notas de movimentação simbólica emitidas por terceiros e recebidas pela contribuinte não corresponde ao tipo infracional (omissão e prestação incorreta de informações solicitadas e indiretamente o não atendimento da forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos). Fl. 669DF CARF MF Impresso em 14/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 13/09/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10283.005139/201054 Acórdão n.º 3401003.218 S3C4T1 Fl. 17 15 Com essas breves considerações, que, em resumo, sugerem que o fato (falta de notas fiscais de movimentação simbólica que seriam emitidas por terceiros, a partir do registro de movimentação de estoque) NÃO CORRESPONDE AO TIPO INFRACIONAL (omissão e prestação incorreta de informações solicitadas e indiretamente não atendimento da forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos por não manter digitalizadas as notas fiscais de movimentação simbólica), e que FALTOU COMPROVAÇÃO DO IMPUTADO (pois não demonstrado que a contribuinte não incluiu no sistema informatizado e nos arquivos digitais todas essas notas e que a contribuinte as tinha em sua posse), é que entendemos deverseia dar provimento ao recurso voluntário, de forma a cancelar a exigência. Eloy Eros da Silva Nogueira Fl. 670DF CARF MF Impresso em 14/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 13/09/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10930.903568/2012-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jan 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do Fato Gerador: 20/12/2005
PIS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA.
Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazê-lo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas.
PIS - IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO.
Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.540
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento.
(Assinado com certificado digital)
Antônio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas. PIS IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negarlhe provimento. (Assinado com certificado digital) Antônio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 35 68 /2 01 2- 89 Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10930.903568/201289 Acórdão n.º 3402003.540 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata os presentes autos de Pedido de Restituição (PER), por meio do qual a Recorrente solicita a restituição do crédito decorrente do pagamento de PIS/PASEP IMPORTAÇÃO. No Despacho Decisório, a autoridade competente da DRF em Londrina/PR, indeferiu o pleito da interessada, uma vez que o DARF informado como origem do crédito estava integralmente utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, "não restando crédito disponível para restituição". Inconformada com a decisão proferida, a empresa apresentou manifestação de inconformidade na qual esclarece tratarse de pessoa jurídica de direito privado que tem como atividade principal a indústria, comércio e exportação de couros de boi. Consigna que a Lei nº 10.865/2004 instituiu as contribuições do PIS e da COFINS sobre a importação de bens e serviços, mas não foi clara em relação à incidência sobre as quantias remetidas ao exterior a representantes comerciais a título de comissões sobre vendas, o que fez com que a Recorrente optasse por recolher as contribuições sobre essas operações. Entretanto, a Receita Federal do Brasil, em resposta a diversas consultas (cita duas), passou a vazar o entendimento de que as comissões de vendas pagas e/ou creditadas a representantes comerciais residentes ou domiciliados no exterior, não estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS Importação. Isso porque, anota a Recorrente, essas operações não configuram hipótese de serviços prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique. Assim, uma vez ter efetuado o pagamento de tributo indevido, tem o direito à restituição na forma prevista no art. 165 do Código Tributário Nacional CTN, devidamente corrigido pela taxa SELIC, conforme prescreve a Lei nº 9.250, de 1995, "ainda que informado o débito em DCTF". Sobreveio, então, o Acórdão nº 06045.911, da DRJ em Curitiba (PR), negando provimento à Manifestação de Inconformidade. Irresignada com a referida decisão, foi interposto o presente recurso voluntário, cujas razões, em suma, são as seguintes: (i) diferente do que entendeu a autoridade julgadora, a empresa recorrente comprovou ser pessoa jurídica de direito privado que tem como atividade principal a indústria, comércio e exportação de couros de boi; (ii) que demonstrou que a Lei n° 10.865, de 2004, que instituiu as contribuições ao PIS/Pasep e COFINS sobre a importação de bens e serviços, não foi clara ao determinar a incidência sobre as quantias pagas, ou remetidas ao exterior, a representantes comerciais domiciliados no exterior a título de comissões sobre vendas; Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10930.903568/201289 Acórdão n.º 3402003.540 S3C4T2 Fl. 4 3 (iii) para não sofrer sanções, optou por recolher as contribuições sobre as quantias remetidas ao exterior (para representantes domiciliados no exterior) incidentes sobre comissões sobre vendas, conforme (DARF's) apresentados; (iv) ocorre que, posteriormente, a própria RFB, através de inúmeras respostas a Soluções de Consultas, passou a definir que as "comissões de vendas pagas e/ou creditadas a representantes comerciais residentes ou domiciliados no exterior não estão sujeitas à incidência da COFINS/PISImportação", por não configurarem hipótese de serviço prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique. Reproduz algumas dessas Solução de Consulta. (v) que o processo administrativo sempre deve buscar a verdade real ou material relativa aos fatos tributários, em decorrência da estrita legalidade tributária, que devem nortear todos os atos da administração fiscal. Com isto, não basta simplesmente argumentar que "prova alguma foi trazida aos autos que comprovassem de que teria havido pagamento a maior ou indevido", para negar a existência do direito creditório; (vi) frisa que os erros contidos em declaração podem e devem ser retificados de ofício, por força da estrita legalidade tributária e nos moldes do art. 147, § 2º do CTN. (vii) que seja reconhecido que os valores indevidamente recolhidos a este título são restituíveis em valores devidamente acrescidos de juros equivalentes à taxa SELIC, na forma da Lei n° 9.250/95; (viii) requer que seja determinada a conversão do julgamento em diligência, a fim de que seja oportunizada apresentação de elementos considerados necessários à complementação da prova ou esclarecimento de dúvidas relativas aos fatos trazidos neste processo. À vista do exposto, espera e requer seja julgado integralmente procedente o presente recurso, a fim de que seja reconhecido o direito creditório e assegurada a restituição das quantias recolhidas indevidamente. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.529, de 13 de dezembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10930.903656/201281, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.529): Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10930.903568/201289 Acórdão n.º 3402003.540 S3C4T2 Fl. 5 4 Emerge do relatado, que o objeto do pedido de ressarcimento tem como fundamento o indébito de PIS/Pasep sobre comissão de venda paga a representantes comerciais residentes/domiciliados no exterior. No referido Despacho Decisório restou consignado que, "(...) A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição". Consta dos autos que o Despacho Decisório questionado está respaldado em informações prestadas pela própria interessada em DCTF, que encontrase ativa até o momento no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil. Ou seja, ao que tudo indica, o contribuinte não retificou a DCTF no que pertine ao pleito em questão, por isso a conclusão do despacho decisório vestibular que o valor sob pedido de ressarcimento foi "integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte". Por outro lado, a Recorrente tenta demonstrar em seu recurso, que não há incidência de contribuições para o PIS Importação sobre remessas realizadas para o exterior para pagamento de comissões à agentes no exterior a título de comissões ali realizadas, por não configurarem hipótese de serviço prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique, e que os valores indevidamente recolhidos a este título são restituíveis e em montantes devidamente acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial SELIC, na forma da Lei n° 9.250/95. Tudo com base na Lei nº 10.865, de 2004 e Soluções de Consultas emitidas pela RFB que cita. Contudo, se de um lado a decisão recorrida tenha asseverado que "(...) como se vê uma das hipóteses de ocorrência do fato gerador das contribuições ao PIS e a COFINS, sobre importação de serviços, é a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior como contraprestação pelo serviço prestado", como alega a peticionante, por outro giro, deixou patente que o ônus da prova quanto ao indébito seria da ora Recorrente, nos seguintes termos: "(...) Mas, para a verificação se os valores remetidos ao exterior atendem às condições estabelecidas em lei para a incidência das contribuições sobre a importação de serviços ou, não se caracterizando o fato gerador da obrigação tributária, há, de fato, o indébito reclamado pela interessada, é crucial que se tenha em mãos documentos que demonstrem a real situação aventada, como contratos firmados com os agentes externos, comprovantes de remessa de valores ao exterior, cópias de notas fiscais, recibos, dentre outros, além da própria escrituração contábil da empresa que reflita essas operações. Ocorre que, no presente caso, prova alguma foi trazida aos autos que comprovassem de que teria havido pagamento a maior ou indevido. Nesse sentido, é bom lembrar que não se permite, depois de iniciado qualquer procedimento fiscal, que seja retificada declaração quando vise a reduzir ou a excluir tributo, a não ser mediante a comprovação do erro em que se funde. É o que Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10930.903568/201289 Acórdão n.º 3402003.540 S3C4T2 Fl. 6 5 determina o art. 147, § 1º, da Lei nº 5.172, de 25/10/1966. E, como visto, o Despacho Decisório questionado está respaldado em informações prestadas pela própria interessada em DCTF, que encontrase ativa até o momento no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil. (sublinhei) E conclui a decisão a quo: "(...) Assim, instaurado o contencioso administrativo, as alegações quanto ao suposto crédito decorrente de recolhimento indevido ou a maior, como no caso em análise, devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal da contribuinte. Dessa forma, uma vez que a conclusão emitida pela autoridade administrativa teve como pressuposto as informações prestadas pela própria interessada em declarações fiscais válidas a produzir efeitos na data da emissão do Despacho Decisório e não havendo prova hábil que contrarie as informações prestadas espontaneamente, demonstrando o pagamento indevido do tributo, é de se manter o indeferimento da restituição pleiteada". Portanto, a lide se resume na questão de atendimento de condições estabelecidas em lei e provas documentais trazidos aos autos, pois para o deslinde do litígio é crucial que se tenha em mãos documentos que demonstrem a real situação aventada, mormente quando o pedido versa sobre suposto pagamento indevido. No caso em análise, por se tratar de pedido de restituição, devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal da recorrente. Documentação essa, frisese, de posse da recorrente por determinação legal, como contratos firmados com os agentes externos, comprovantes de remessa de valores ao exterior, cópias de notas fiscais, recibos, dentre outros, além da própria escrituração contábil da empresa que reflita essas operações. É de conhecimento que a regra fundamental do sistema processual adotado pelo legislador nacional, quanto ao ônus da prova, encontrase cravada no art. 373 do novo Código de Processo Civil, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. E esta formulação também foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída para o Fisco quando realiza o lançamento tributário e para o sujeito passivo, quando formula pedido de repetição de indébito. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10930.903568/201289 Acórdão n.º 3402003.540 S3C4T2 Fl. 7 6 E, no presente caso, é fato que prova alguma foi trazida aos autos pela Recorrente que comprovem que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora ela tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, quer na impugnação, quer agora na fase recursal. Demais disso, o fundamento da decisão recorrida foi justamente este, qual seja, a falta de prova. Mas, contrariando os ditames do ônus da distribuição da prova para provar fato constitutivo de seu direito, insiste que "seja determinada a conversão do julgamento em diligência, a fim de que seja oportunizada apresentação de elementos considerados necessários à complementação da prova". Ora, se toda a documentação para provar o direito que alega está em seu poder, deveria ter a Recorrente produzido tal prova quando da manifestação de inconformidade, ou mesmo em sede de recurso voluntário, o que não ocorreu. Diante desse quadro, entendo que a decisão da DRJ é merecedora de ser mantida pelos seus próprios fundamentos. Conclusão Assim, concluo que por falta de prova hábil acostadas nos autos, ônus seu de produzir, deve ser negado seu pleito. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 61DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.901412/2014-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2012
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA.
A existência de despacho decisório contendo motivação clara, explícita e congruente, desautoriza a alegação de cerceamento de defesa.
BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO.
O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.346
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2012 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. A existência de despacho decisório contendo motivação clara, explícita e congruente, desautoriza a alegação de cerceamento de defesa. BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO. O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
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Inclusão do ICMS na base de cálculo. Recorrente AÇOVIA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ESTRUTURAS METÁLICAS E PRÉMOLDADOS DE CONCRETO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2012 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. A existência de despacho decisório contendo motivação clara, explícita e congruente, desautoriza a alegação de cerceamento de defesa. BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO. O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de pedido eletrônico de restituição da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, cumulado com declaração de compensação, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 14 12 /2 01 4- 86 Fl. 50DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901412/201486 Acórdão n.º 3402003.346 S3C4T2 Fl. 3 2 denegado em tempo hábil por meio de despacho decisório eletrônico, sob o fundamento de que o DARF representativo do pagamento indevido estava inteiramente alocado para a quitação de débitos anteriormente declarados pelo contribuinte. Em tempo hábil, foi apresentada manifestação de inconformidade na qual a defesa alegou, em síntese, que houve nulidade por cerceamento do direito de defesa e que o crédito do contribuinte decorre de pagamento indevido, em razão de ter sido incluído o ICMS na base de cálculo da contribuição. Afirmou que o ICMS é mero ingresso que não pode ser incluído no conceito de faturamento. Invocou o precedente consubstanciado no RE 240.785 do STF e informou que os artigos 73 e 74 da Lei nº 9.430/96 garantem seu direito de compensar o indébito apurado. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento rejeitou a preliminar de nulidade e, no mérito, decidiu o seguinte: a) o valor do DARF está inteiramente alocado para pagamento de débitos informados pelo próprio contribuinte; b) a lei apenas permite a exclusão da base de cálculo da contribuição do ICMS recolhido na condição de substituto tributário e da receita proveniente da alienação onerosa de créditos do ICMS; e c) o valor dos débitos declarados para compensação é de magnitude superior ao valor do único DARF vinculado a essas compensações. Regularmente notificado do Acórdão de primeira instância, o contribuinte apresentou em tempo hábil recurso voluntário a este Colegiado, alegando, em síntese, o seguinte: a) nulidade por cerceamento de defesa porque o despacho decisório não diz as razões pelas quais o contribuinte não tem o crédito que alega possuir. Essa omissão impediu o contribuinte de exercer a plena demonstração de seu crédito, pois não há como argumentar contra uma decisão que se mostra lacônica; b) a base de cálculo da contribuição sempre foi o faturamento e com o advento da Lei nº 10.833/2003 houve uma ampliação, passando a base de cálculo a abranger a totalidade das receitas auferidas pelo contribuinte. Entretanto, o valor do ICMS não pode ser considerado como receita do contribuinte, sob pena de violação do art. 110 do CTN, pois a lei não pode considerar receita o que não é receita. O ICMS representa para o contribuinte mero ingresso, pois o valor é posteriormente destinado ao fisco estadual. Tal interpretação foi cristalizada em caráter definitivo no RE 240.7852, que deve ser aplicado ao caso concreto. Reafirmou a existência do indébito e seu direito de compensálo com base nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430/96. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.317, de 28 de setembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10865.904904/201231, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.317): Fl. 51DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901412/201486 Acórdão n.º 3402003.346 S3C4T2 Fl. 4 3 "O recurso preenche os requisitos formais para sua admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Relativamente à preliminar de nulidade, não assiste razão à defesa. Isso porque, ao contrário do alegado, o despacho decisório declinou com todas as letras o motivo pelo qual a Administração Tributária denegou o pleito do contribuinte e não homologou as compensações declaradas. O Despacho Decisório apresenta a seguinte motivação: "(...) A partir das características do DARF discriminado no PER/DECOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação dos débitos informados no PER/DECOMP. (...)" No mesmo despacho encontramse perfeitamente identificados o número do PER/DECOMP, o número do DARF e o valor relativo ao suposto pagamento indevido. O texto acima transcrito revela que a compensação não foi homologada porque o valor do DARF está inteiramente alocado para o pagamento de débitos declarados pelo próprio contribuinte. Em outras palavras: o contribuinte não possui o crédito alegado no PER/DECOMP porque o valor já foi utilizado para extinguir débitos por ele próprio declarados. Portanto, o despacho decisório não foi lacônico, uma vez que declinou expressamente o motivo da não homologação da compensação: o contribuinte não tem o crédito alegado. Essa fundamentação está explícita de forma clara, precisa e congruente com a decisão de não homologar a compensação, o que atende às exigências do art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99. Sendo assim, é improcedente a alegação de nulidade, pois o contribuinte não teve seu direito ao contraditório e à ampla defesa cerceados, mesmo porque a apresentação de impugnação e de recurso voluntário, deduzindo argumentos no sentido de demonstrar a existência jurídica do indébito desautorizam a invocação dessa preliminar. No mérito, deflui dos autos que o contribuinte apurou e recolheu a contribuição incluindo o ICMS na sua base de cálculo e agora comparece perante a Administração Tributária alegando que o recolhimento foi efetuado em montante superior ao devido porque a inclusão do ICMS no faturamento ou na receita é inconstitucional. O recolhimento efetuado pelo contribuinte, incluindo o ICMS na base de cálculo da contribuição, está calcado em entendimento sedimentado desde tempos imemoriais na seara tributária. Tal entendimento tem respaldo legal no art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77 e na Instrução Normativa nº 51, de 03/11/1978, que a regulamentou. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901412/201486 Acórdão n.º 3402003.346 S3C4T2 Fl. 5 4 O art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77, na redação vigente na época do fato gerador relativo ao pagamento tido como indevido, estabelecia o seguinte: "Art 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. § 1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. (...)" (Fonte da transcrição: http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/decretolei/ del1598.htm) Já o item 4 da IN SRF nº 51/78, estabelece o seguinte: 4. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta da vendas e serviços, diminuídas (a) das vendas canceladas, (b) dos descontos e abatimentos concedidos incondicionalmente e (c) dos impostos incidentes sobre as vendas. (...) 4.3 Para os efeitos desta Instrução Normativa reputamse incidentes sobre as vendas os impostos que guardam proporcionalmente (sic) com o preço da venda ou dos serviços, mesmo que o respectivo montante integra (sic) a base de cálculo, tais como o imposto de circulação de mercadorias, o imposto sobre serviços de qualquer natureza, o imposto de exportação, o imposto único sobre energia elétrica, o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes etc. 4.3.1 Incluemse também neste item: a) taxas que guardam proporcionalidade com o preço de venda; b) a parcela de contribuição para o Programa de integração Social calculada sobre o faturamento; c) a quota de contribuição, ou retenção cambial, devida na exportação. (Fonte da transcrição: http://sijut.fazenda.gov.br/netahtml/ sijut/Pesquisa.htm) Portanto, o recolhimento efetuado pelo contribuinte está em conformidade com a legislação vigente e com entendimento sedimentado há anos na seara tributária, uma vez que o valor do ICMS integra o preço da mercadoria, sendo tal valor deduzido contabilmente como despesa operacional. O contribuinte alega, em síntese, a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição porque o imposto estadual não se enquadra no conceito de faturamento ou mesmo no de receita estabelecido pela constituição. Ao contrário do alegado pelo contribuinte, tal argumento não pode ser acatado pelos órgãos administrativos de julgamento, pois o art. 26A do Fl. 53DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901412/201486 Acórdão n.º 3402003.346 S3C4T2 Fl. 6 5 Decreto nº 70.235/72 proíbe este colegiado de negar vigência a texto legal com hierarquia superior a Decreto, em razão de arguição de inconstitucionalidade, in verbis: "Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(...)" O contribuinte invoca a seu favor o acórdão do STF proferido no RE 240.7852. Entretanto, esse recurso extraordinário ainda não foi definitivamente julgado, não se enquadrando no disposto no § 6º, I, acima transcrito, e nem nas disposições do Decreto nº 2.346/97, para que o entendimento possa ser estendido administrativamente a outros casos concretos. Não se olvide que essa questão é objeto do Tema 69 dos recursos submetidos à sistemática da repercussão geral no STF e será decidida no RE nº 574.706. Acrescentese que a Súmula CARF nº 2 estabelece que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária. Considerando que os recolhimentos efetuados pelo contribuinte, com a inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS, estão conformes à legislação vigente, voto no sentido de negar provimento ao recurso." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 54DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001870/2001-42
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 1997, 1998, 1999
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. ATENDIMENTO. INOCORRÊNCIA.
Ausentes as contradições e obscuridades apontadas pela embargante, os declaratórios opostos devem ser rejeitados.
Numero da decisão: 9101-002.478
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer dos Embargos de Declaração opostos pelo contribuinte, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Demetrius Nichele Macei, que conheceram parcialmente. A Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio acompanhou a relatora pelas conclusões em relação à segunda contradição apontada. Solicitaram apresentar declaração de voto os Conselheiros Cristiane Silva Costa e Demetrius Nichele Macei. Encerrado o prazo regimental, o Conselheiro Demetrius Nichele Macei não apresentou a declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal De Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Demetrius Nichele Macei (suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 1997, 1998, 1999 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. ATENDIMENTO. INOCORRÊNCIA. Ausentes as contradições e obscuridades apontadas pela embargante, os declaratórios opostos devem ser rejeitados.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer dos Embargos de Declaração opostos pelo contribuinte, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Demetrius Nichele Macei, que conheceram parcialmente. A Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio acompanhou a relatora pelas conclusões em relação à segunda contradição apontada. Solicitaram apresentar declaração de voto os Conselheiros Cristiane Silva Costa e Demetrius Nichele Macei. Encerrado o prazo regimental, o Conselheiro Demetrius Nichele Macei não apresentou a declaração de voto. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em exercício (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal De Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Demetrius Nichele Macei (suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
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PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. ATENDIMENTO. INOCORRÊNCIA. Ausentes as contradições e obscuridades apontadas pela embargante, os declaratórios opostos devem ser rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer dos Embargos de Declaração opostos pelo contribuinte, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Demetrius Nichele Macei, que conheceram parcialmente. A Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio acompanhou a relatora pelas conclusões em relação à segunda contradição apontada. Solicitaram apresentar declaração de voto os Conselheiros Cristiane Silva Costa e Demetrius Nichele Macei. Encerrado o prazo regimental, o Conselheiro Demetrius Nichele Macei não apresentou a declaração de voto. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal De Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Demetrius Nichele Macei (suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 18 70 /2 00 1- 42 Fl. 2497DF CARF MF Processo nº 16327.001870/200142 Acórdão n.º 9101002.478 CSRFT1 Fl. 2.498 2 Relatório Trata o presente de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, opostos por COLGATEPALMOLIVE INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, nova denominação de KOLYNOS DO BRASIL LTDA, em face do acórdão nº 910100.287, prolatado por esta 1ª Turma em sessão realizada em 24/08/2009, em cuja ementa restou assinalado: DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS. Caracterizamse como desnecessárias e, portanto, indedutíveis do Lucro Real, as despesas de juros e variações cambiais relativas a empréstimo efetuado por meio de um contrato de mútuo, em que a mutuante é sóciaquotista que detém 99,99% do capital social da mutuaria e dispunha de recursos para integralizar o capital. Recurso Especial do Procurador Admitido em parte. Em sua parte dispositiva, referido acórdão consignou: Acordam os membros do colegiado, 1) por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de não conhecimento do recurso, sendo que os Conselheiros Antônio Carlos Guidoni Filho e Valmir Sandri, acompanham pelas conclusões. 2) pelo voto de qualidade, dar provimento ao recurso da PFN para restabelecer a exigência do IRPJ. O Conselheiro Leonardo de Andrade Couto (substituto convocado) acompanha a relatora pelas conclusões. O Conselheiro Valmir Sandri irá apresentar declaração de voto, nessa parte, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Em sua peça de defesa, a ora embargante sustenta a ocorrência de: i) CONTRADIÇÕES ENTRE A DECISÃO E AS PROVAS CARREADAS AOS AUTOS alega a embargante que o ato decisório combatido esposou conclusões a partir de informações que são contraditórias às provas trazidas ao processo. Nessa linha, traz considerações acerca da "existência ou não de recursos próprios para capitalizar a embargante"; "distinção entre as personalidades jurídicas da embargante e de sua controladora no exterior"; "entrega das ações da Kolynos S.A. em pagamento do empréstimo com Albala"; "demonstração da inexistência de planejamento tributário"; "suposto objetivo do empréstimo"; "valor do Capital da Embargante"; e "Dissenso Jurisprudencial"; ii) OBSCURIDADES no que tange à obrigatoriedade de utilização de capital ao invés de empréstimo e à fundamentação legal para sustentar a desnecessidade das despesas. Referidos embargos, juntados ao presente processo às fls. 2.048/2.049 e opostos com amparo nas disposições do Regimento Interno aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, foram admitidos por meio do Despacho de fls. 2.113/2.122. É o Relatório. Fl. 2498DF CARF MF Processo nº 16327.001870/200142 Acórdão n.º 9101002.478 CSRFT1 Fl. 2.499 3 Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo Relatora Anoto, inicialmente, que a admissibilidade dos embargos de declaração opostos não foi efetuada com a adequada observância às normas regimentais então vigentes, eis que à época em que foi promovida, o § 2º do art. 65 do ANEXO II do Regimento Interno aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, estabelecia que o Presidente de Turma poderia designar Conselheiro para tanto, mas, no caso presente, tal designação, constante às fls. 2.122 dos autos, foi efetivada somente na manifestação de concordância com os termos da admissibilidade proferida, isto é, a posteriori, e ainda assim, a designação não foi para proceder à admissibilidade nos termos do mencionado artigo, mas sim, para, uma vez admitidos, designar redator ad hoc, nos termos do §7º do art. 49. É preciso destacar também que o remédio jurídico manejado pela contribuinte é de espectro restrito, sendo certo que ele não pode ser utilizado como instrumento para rediscutir matérias que já foram devidamente apreciadas em momento próprio. Nessa linha, passo a apreciar os fundamentos declinados no despacho de fls. 2.113/2.122 para admitir os EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, bem como as alegações trazidas pela embargante, confrontandoas com o acórdão embargado. De início, destaco o título utilizado pela embargante, à fl. 2.086, para as contradições, pois assim classifica: “1. CONTRADIÇÕES ENTRE A DECISÃO E AS PROVAS CARREADAS AOS AUTOS”. Ou seja, ela mesma já deixa evidenciado que está trazendo para discussão algo que nem o Regimento vigente ao tempo da interposição dos embargos (Portaria MF Nº 256, de 2009), nem o atual (Portaria MF Nº 343, de 2015), haja vista que para ambos os Regimentos as regras eram a mesma. Por oportuno, trago a redação vigente ao tempo da interposição: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. E o Regimento não poderia dispor diferente, pois uma contradição entre a decisão e a prova dos autos significa que o embargante discorda da valoração da prova promovida pelo julgador, ou, em outras palavras, significa que o embargante entende que o julgador deveria ter adotado outro entendimento à luz das provas que carreou aos autos. Ora, o que é isso senão rediscutir o mérito da decisão? Passemos então à cada hipótese suscitada. PRIMEIRA CONTRADIÇÃO ("existência ou não de recursos próprios para capitalizar a embargante") . Aduz a embargante que a afirmação de que dispunha de recursos para integralizar contraria frontalmente as provas acostadas aos autos. E no seu item 19, ressalta que Fl. 2499DF CARF MF Processo nº 16327.001870/200142 Acórdão n.º 9101002.478 CSRFT1 Fl. 2.500 4 as demonstrações financeiras acostadas aos autos são da ColgatePalmolive Company, e não da KaC Corporation. Contudo, registra o despacho que o acórdão embargado teria se servido de balanço patrimonial equivocado para concluir sobre a existência de recursos para a aquisição da KOLYNOS, de modo que seria necessário fazer uma nova análise da matéria, vez que não pode haver qualquer dúvida a respeito do balanço patrimonial que serviu de lastro para motivar a decisão atacada. Penso que o Ilustre Conselheiro responsável pela apreciação da admissibilidade dos embargos opostos pela contribuinte equivocouse em sua análise. Com efeito, como consta da reprodução trazida pela peça de embargos, o acórdão embargado, ao fazer referência ao balanço patrimonial da KAC CORPORATION, assinala que ele encontrase "acostado aos autos às fls. 1204 e seguintes do processo nº 16327.001484/200401", circunstância que, ao que tudo indica, não foi percebida na análise da admissibilidade do recurso em questão. Aditese que a embargante não traz como fundamento para a apresentação da sua peça de defesa a suposição (equivocada) de que o acórdão contestado mencionou, em seu voto condutor, ao invés do balanço da COLGATEPALMOLIVE COMPANY, o da KAC CORPORATION, vez que, no que diz respeito a esse assunto, limitase a ressaltar que "as demonstrações financeiras acostada aos autos são da COLGATEPALMOLIVE COMPANY, e não da KAC CORPORATION", o que não colide com a decisão combatida, que, como acima ressaltado, apenas destaca que o balanço patrimonial desta última encontrase juntado ao processo nº 16327.001484/200401. Cumpre esclarecer que o processo nº 16327.001484/200401 referese à autuação complementar à constante do presente processo, visto que alcança fatos geradores relativos aos anos calendário de 1999, 2000 e 2001. Cabe destacar também que referido processo foi julgado nesta Câmara Superior de Recursos Fiscais na mesma sessão de 24 de agosto de 2009 (acórdão nº 910100.288). E que, conforme consignado no relatório da decisão embargada, foi a própria contribuinte quem peticionou, por meio da petição de fls. 2.029/2.035, a juntada dos documentos de fls. 1.131/1.673 do processo nº 16327.001484/200401, mesmo após o início do julgamento do recurso especial de que tratou a decisão ora embargada. A embargante, na verdade, busca sustentar a oposição dos embargos em uma alegada contradição entre a decisão e as provas por ela trazidas ao processo, o que, como já dito, seja o Regimento Interno vigente à época em que os embargos foram opostos, seja o atual, não autoriza, eis que a contradição que pode dar causa ao recurso em questão é a porventura existente entre a DECISÃO e os seus FUNDAMENTOS. Pretende a embargante, portanto, pela via estreita dos declaratórios, ressuscitar o debate acerca de supostas provas trazidas ao processo para, a partir daí, fulminar os fundamentos declinados no acórdão combatido, e, com isso, reverter a decisão ali estampada. Como é cediço, embargos de declaração, nos termos em que disciplinado pelo Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, não constitui meio recursal para reapreciação de matéria, seja ela de que natureza for, prestandose tão somente Fl. 2500DF CARF MF Processo nº 16327.001870/200142 Acórdão n.º 9101002.478 CSRFT1 Fl. 2.501 5 para suprir omissões ou eliminar obscuridades e eventuais contradições entre o que foi decidido e os fundamentos correspondentes. A meu sentir, portanto, os embargos devem ser rejeitados em relação ao presente item. SEGUNDA CONTRADIÇÃO ("distinção entre as personalidades jurídicas da embargante e de sua controladora no exterior") Aqui, sob pena de incorrer em omissões que possam trazer prejuízo à compreensão do consignado no despacho de fls. 2.113/2.122 acerca da contradição em destaque, peço licença para reproduzir na íntegra o que nele foi assinalado. Alega a Embargante que a confusão efetuada pelo acórdão embargado entre as personalidades jurídicas do credor e do devedor foi a conclusão tirada pela relatora ao se debruçar e analisar as provas trazidas pela Embargante, eis que o resultado desse conflito entre a personalidade jurídica do sócio e da sociedade da qual participa, levou à desconsideração da existência da própria pessoa jurídica, ao afirmar que "se credor e devedor se confundem na mesma pessoa, é porque o empréstimo não se faz necessário". Transcreve excerto neste sentido. A questão levantada pela Embargante quanto a existência de contradição em face da não distinção entre as personalidades jurídicas da Embargante e de sua controladora no exterior segue o mesmo raciocínio atribuído para a solução da primeira contradição apontada. Assim há se alegar contradição no julgado por confusão entre as personalidades jurídicas do credor e devedor levandose em conta que a conclusão daí advinda levou à desconsideração da personalidade jurídica da pessoa da autuada, seja quanto ao ato, ou seja quanto à sua existência. O que há na indicação de contradição formulada quanto ao tema sob exame não é mera divergência de entendimento sobre a mesma matéria, a considerar os conteúdos da defesa esboçada pela Embargante e o teor do julgado embargado. Tratase, na verdade, de uma falácia lógica que se denomina "non sequitur", na qual se verifica ser um argumento onde a conclusão nunca segue as premissas. Ao considerar que as pessoas jurídicas são uma só, há um rompimento da premissa de que são pessoas jurídicas diversas, ainda que assim o fosse, entre esta premissa e a conclusão feita, haverá que se esclarecer se razões econômicas ou administrativas em ambientes que envolve diversas nações e conjunturas estruturais diversas não estariam sendo esquecidas. Não é tão simples assim. O argumento construído não pode deixar margens à dúvidas, omissões ou contradições. Fl. 2501DF CARF MF Processo nº 16327.001870/200142 Acórdão n.º 9101002.478 CSRFT1 Fl. 2.502 6 Pelo que foi possível depreender, a admissibilidade dos embargos em relação ao presente item fundouse em uma suposta confusão do acórdão atacado acerca das personalidades jurídicas da fiscalizada e do credor da obrigação que deu causa às despesas glosadas. Com o devido respeito, a argumentação expendida no despacho de fls. 2.113/2.122 tangencia a incompreensão, e, no que mais é relevante, não revela qualquer fundamento apto a demonstrar a procedência da admissibilidade dos embargos. Em sua peça de defesa, a contribuinte, reproduzindo excertos do acórdão embargado, afirma que "há clara contradição em relação à natureza jurídica da EMBARGANTE de empresa controlada da KAC Corporation, e não de filial desta". Os referidos excertos são os abaixo transcritos do voto: "Esclareço ainda que, muito embora tenha a fiscalização tecido comentários no sentido de descaracterizar o contrato de empréstimo como uma operação de mútuo, a principal motivação para o lançamento foi por considerar que as despesas seriam desnecessárias à atividade da empresa, por entender que a matriz no exterior, desejando adquirir o negócio Kolynos no Brasil e, dispondo de tais recursos, ainda que constituísse empresa brasileira para fazêlo, poderia ter repassado o capital para tanto." (destacamos) "É verdade que a conta 'Dívida de longo prazo' subiu em 1995 de 1,75 bilhões de dólares para 1,9 bilhões de dólares, porém como dispunha de quase 2,5 bilhões de dólares de lucros, não se pode dizer que tal fato demonstra a necessidade de emprestar à filial brasileira, ao Invés de integralizar capital nesta." (destacamos) A partir das reproduções acima, a embargante assinala: 28. No entanto, há que se recordar que a EMBARGANTE é pessoa jurídica totalmente distinta da personalidade jurídica de sua Controladora. Não se trata de "filial" e "matriz", mas sim, de duas pessoas jurídicas distintas, sendo uma proprietária da maioria do capital social da outra. 29. É inconteste que se trata de uma empresa brasileira, e não de uma filial de uma empresa americana, inclusive com farta documentação que assim comprova carreada aos autos, tal como o Contrato Social da EMBARGANTE. 30. Entretanto, em seu Relatório, a Ilustre Relatora reconhece essa distinção de personalidade jurídica, como demonstram os parágrafos a seguir transcritos: "4 Ou seja, até aqui,(...) KAC Corporation detém 99,99% do capital de K&S Aquisições Ltda. (...) 7 Em 11/1/1995, KAC Corporation realizou um aumento de capital em K&S Aquisições no montante de R$ 226.800.000,00 (US$ 270 milhões de dólares) (...)" Fl. 2502DF CARF MF Processo nº 16327.001870/200142 Acórdão n.º 9101002.478 CSRFT1 Fl. 2.503 7 31. Porém, para embasar sua decisão, assume que mutuante e mutuaria são a mesma pessoa, ou que EMBARGANTE e KAC Corporation são "filial" e "matriz", respectivamente. E isso definitivamente não é verdade! 32. Não bastasse, em outro trecho de sua decisão, choca ainda mais a confusão entre a personalidade jurídica da ora EMBARGANTE e de sua controlada. Vejamos: "Afirmo que 'A empresta para A' pois observo no caso as chamadas 'operações preocupantes' a que se refere MARCO AURÉLIO GRECO, com a utilização de empresas efêmeras, e entendo que estas precisam ser analisados em sua essência, ou seja, quais são os negócios subjacentes e a essência destes, como observa o citado autor, quando aborda a subcapitalização: (...) Ora, é inquestionável que toda a transação ocorreu para a aquisição do negócio Kolynos; também resta evidenciado nos autos que a Kolynos Corporation era sócia praticamente exclusiva da K&S Aquisições Ltda., detendo 99,99% de seu capital social. Logo, se Kolynos Corporation era praticamente a única sóciaquotista da autuada, esta era devedora de dívida para consigo, ou seja, temse que, na essência do negócio, ela figurou, simultaneamente, como credora e devedora da mesma operação, ou seja, "A" empresta para "A". E, repisando, se credor e devedor se confundem na mesma pessoa, é porque o empréstimo não se faz necessário." 33. Notese que a suposta identidade de credor e devedor, assumida pela D. Conselheira Relatora, foi uma das principais bases de sua decisão, para concluir sobre a desnecessidade da despesa. 34. Logo, se a confusão entre credor e devedor foi a conclusão tirada pela Relatora ao se debruçar e analisar as provas trazidas pela EMBARGANTE, caracterizada está a contradição existente entre os documentos acostados aos autos e o voto proferido pela Relatora. (GRIFEI) 35. No mais, é farta a doutrina e a jurisprudência a respeito da distinção entre a personalidade jurídica do sócio e da sociedade na qual participa. Tanto é assim que, para atingir os bens pessoais dos sócios em casos de disputas entre sociedade e seus credores, é o Judiciário que decreta a "desconsideração da personalidade jurídica" da sociedade. 36. Não se trata de desconsiderar "atos ou negócios jurídicos", mas sim, desconsiderar e (sic) apenas por via judicial, como determina o artigo 50 do Código Civil, a própria existência da pessoa jurídica. 37. A esse respeito, pois, vejamos o entendimento firmado pelo Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em recente decisão publicada no Diário Oficial da União, in verbis: Fl. 2503DF CARF MF Processo nº 16327.001870/200142 Acórdão n.º 9101002.478 CSRFT1 Fl. 2.504 8 ... 38. Dito de outra forma, a aplicação excessiva e sem critério da teoria da desconsideração acarreta uma série de entraves e conseqüências danosas à livre iniciativa e à propriedade privada. O instituto da pessoa jurídica e a limitação da responsabilidade devem ser protegidos, uma vez que somente pela via judicial é que poderá ser desconsiderada a personalidade jurídica. 39. Confirase, a propósito, as cristalinas palavras da Professora Maria Helena Diniz, em sua obra Curso de Direito Processual Civil Brasileiro: ... 40. Ainda nessa linha, o Professor Fábio Ulhoa Coelho ensina que "a desconsideração não pode ser decidida pelo juiz por simples despacho em processo de execução; é indispensável a dilação probatória através do meio processual adequado". (in Desconsideração da Personalidade Jurídica, São Paulo: Revista dos Tribunais, 1989, p. 95). 41. Como se vê, não existem razões para a Ilma. Relatora, a pretexto de justificar a suposta desnecessidade da despesa incorrida pela EMBARGANTE, desconsiderar a própria existência da pessoa jurídica, sendo certo que eventual desconsideração da personalidade jurídica só pode ser decretada por meio de decisão judicial após farta dilação probatória. Ressalto que aqui, assim como na anterior e em todas as demais CONTRADIÇÕES apontadas, a embargante faz correlação entre os termos da decisão e as supostas provas carreadas ao processo, o que, como já dito, não autoriza a oposição de embargos, visto que a contradição deve se dar entre a DECISÃO e os seus FUNDAMENTOS. Não obstante, a título de mero registro, esclareço que o acórdão embargado não tratou de desconsideração de personalidade jurídica. Adito que o fato de o acórdão fazer referência a expressões do tipo MATRIZ e FILIAL, e, ao mesmo tempo, admitir que, no caso, estamos diante de pessoas jurídicas distintas, não representa contradição capaz de dar azo à oposição dos declaratórios, até porque de contradição não se trata, mas, sim, de uso impróprio das citadas expressões. Destaco que, no contexto da fundamentação esposada no acórdão embargado, podese afirmar que essa impropriedade é relativa, eis que o que ali se pretendeu demonstrar foi a elevada relação de proximidade societária existente entre a fiscalizada e a sua controladora, o que levou, inclusive, à caracterização de uma operação realizada com si mesmo. Esse proximidade societária havia sido trazida na acusação fiscal e o relatório do acórdão ora embargado assim reproduziu (negrito, agora, algumas expressões do relatório fiscal para deixar claro): 14 Em 30 de janeiro de 1997, Kolynos do Brasil Ltda incorpora ColgatePalmolive Ltda., voltando a ser devedora da mesma dívida. A Fiscalização, então, concluiu: Fl. 2504DF CARF MF Processo nº 16327.001870/200142 Acórdão n.º 9101002.478 CSRFT1 Fl. 2.505 9 A constituição da empresa K & S Aquisições Ltda, posteriormente denominada Kolynos do Brasil Ltda e a transferência de seu capital para a empresa Kolynos Corp EUA, foi instrumento utilizado pela Kolynos Corp EUA para adquirir a divisão Kolynos do Laboratório WyethWhitehall Ltda no Brasil, já desmembrada sob a denominação Kolynos do Brasil S.A. O suposto empréstimo de US$ 760 milhões que teve a mesma finalidade ou seja a aquisição da Kolynos do Brasil S.A, em virtude da sistemática contábil adotada, o dinheiro advindo do referido empréstimo não transitou pela contabilidade da empresas fiscalizada, entretanto a obrigação foi contabilizada no passivo na subsidiária brasileira, já que a Albala S.A. foi a verdadeira mutuaria do empréstimo, o qual quitou mediante a transferência da totalidade das ações da Kolynos s.a para a empresa K & S Aquisições Ltda. A Kolynos Corp – EUA, assim se tornou sócia praticamente integral da Kolynos do Brasil Ltda com 99,99% de seu capital social e ao mesmo tempo credora de sua própria dívida de US$ 760 milhões que a filial brasileira utilizou na compra dela própria, ato contínuo transformou uma parte do empréstimo em capital social na importância integralizada R$ 226,800,000.00, correspondente a US$ 263,720,930.23, restando uma dívida, com ela mesma, no valor equivalente a US$ 496 milhões. A razão principal da fiscalizada não efetuar aumento de capital, está ligada ao aspecto tributário que diretamente influencia o resultado do exercício, uma vez que todos os encargos decorrentes do pagamento do empréstimo, passam a ser deduzidos do lucro líquido e conseqüentemente do lucro real, por serem os mesmo contabilizados como despesa financeira e a matriz no exterior além de receber juros certos, os quais poderão em certos casos sofrer tributação menor do que os dividendos advindos de investimento no exterior e ainda preserva, seu capital contra eventuais desvalorizações da moeda do país da moeda em que se encontra a filial, no caso o Brasil. Todavia aliado ao fato de que a Kolynos CorpUEA ao repassar os direitos do contrato inicial de janeiro de 1995 para a Colgate Palmolive Europe S.A. em julho de 1995, negociou seus direitos sobre o contrato assinado com a filial brasileira e tornouse assim exclusivamente a única sócia quotista. Entretanto, em setembro de 1996, a Colgate Palmolive Ltda, empresa brasileira, visando uma incorporação com a Kolynos do Brasil Ltda, o que realmente aconteceu em janeiro de 1997, realiza um investimento na Kolynos do Brasil Ltda assumindo assim a dívida desta junto a seu credor no exterior. Pelos termos do contrato datado de 19/09/96 a Colgate Palmolive Ltda assume as obrigações da Kolynos do Brasil Ltda junto a seu credor no exterior, então Colgate Palmolive Europe S.A com sede em BruxelasBélgica, em troca de uma participação no capital da Kolynos do Brasil Ltda. Fl. 2505DF CARF MF Processo nº 16327.001870/200142 Acórdão n.º 9101002.478 CSRFT1 Fl. 2.506 10 Como se percebe mais uma vez a dívida da Kolynos do Brasil Ltda com seu credor no exterior continua a existir, embora investidora e investida como empresas distintas e independentes, passando então Colgate Palmolive Ltda no período de setembro a dezembro de 1996 a contabilizar as despesas financeiras e as variações cambiais passivas. Em janeiro de 1997 as duas empresas investidora e investida se juntam em uma operação em que a Kolynos do Brasil Ltda incorpora a Colgate Palmolive Ltda, passando a incorporadora a dar continuidade ao pagamento, das despesas financeiras e variações cambiais passivas oriundas do saldo do empréstimo anteriormente firmado entre Kolynos do Brasil a Kolynos Corp EUA. Sem que se pretenda avançar ao mérito da questão posta em discussão, vez que o objetivo da ora embargante é tido como inadmissível, penso que os fragmentos abaixo reproduzidos, extraídos do acórdão contestado, permitem visualizar com maior clareza o contexto em que as considerações acerca da afirmação "A empresta para A" encontramse inseridas. Afirmo que "A empresta para A" pois observo no caso as chamadas "operações preocupantes" a que se refere MARCO AURÉLIO GRECO, com a utilização de empresas efêmeras, e entendo que estas precisam ser analisados na sua essência, ou seja, quais são os negócios subjacentes e a essência destes, como observa o citado autor 4, quando aborda a subcapitalização: Embora o tema possa ser enfrentado por legislação específica, a simples existência de desproporção pode ser indicativa de abusividade na utilização do direito de negociar empréstimos, o que recomenda especial atenção. Complemento com ROBERTO FRANÇA DE VASCONCELOS, que, ao discorrer sobre a thin capitalization e enquadrar o empréstimo concedido por sócio domiciliado no exterior como um financiamento externo, ponderou: Embora não haja, em termos gerais, impedimento ao financiamento da sociedade pelos seus próprios sócios, em situação equiparável ao financiamento externo, algumas questões deverão ser ponderadas, tais como comparação com terceiros, valorização do conteúdo econômico sobre a forma, abuso da forma jurídica e restrições para a dedução de juros. Ora, é inquestionável que toda a transação ocorreu para a aquisição do negócio Kolynos; também resta evidenciado nos autos que a Kolynos Corporation era sócia praticamente exclusiva da K& S Aquisições Ltda, detendo 99,99% do seu capital social. Logo, se Kolynos Corporation era praticamente a única sócia quotista da autuada, esta era devedora de dívida para consigo, ou seja, temse que, na essência do negócio, ela figurou, simultaneamente, como credora e devedora da mesma operação, ou seja, "A" empresta para "A". E, repisando, se credor e Fl. 2506DF CARF MF Processo nº 16327.001870/200142 Acórdão n.º 9101002.478 CSRFT1 Fl. 2.507 11 devedor se confundem na mesma pessoa, é porque o empréstimo não se faz necessário. Neste sentido, convém transcrever o que entendeu a Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, no acórdão n° 10706.796, trazido pela Procuradoria como paradigma que, embora não aceita para demonstrar o dissenso jurisprudencial alegado para a CSLL, serve como fundamento no sentido de corroborar a impossibilidade de se admitir o pagamento de juros como despesas necessária, nas hipóteses em que a controladora é a mutuante do empréstimo e, ao seu arbítrio, cria a despesa: Aflora de um simples e superficial análise que os interesses da empresa controlada se confundem com os da empresa controladora e, ainda com os sócios pessoas físicas (direta ou indiretamente) desta. Detendo a sociedade controladora quase 100% (99,98%) do capital social e das ações com direito a voto da sociedade controlada, é iniludível que o acionista majoritário desta passa a ter legitimidade ativa para, independentemente de prévia deliberação da assembléia geral, determinar as operações e as políticas, à sua matroca. Aliás, nem caberia tal assembléia, in casu, pois além de impregnada por absoluto contra senso, teria resultado certo e induvidoso, pelo que sem sentido a sua realização. (...) Observase, pois, que o legislador ao tratar das sociedades controladas, dedicou artigo específico aos seus gestores e à sua responsabilidade perante à companhia por atos de favorecimento a uma ou mais das unidades envolvidas, antevendo circunstâncias como a que ora se retrata e, o que é mais importante, reconhecendo que nesses casos é repudiável em razão da influência que a controladora exerce sobre a controlada a concessão de tratamento diferenciado em qualquer das esferas. (...) Inferese que, se houvesse distribuição dos lucros acumulados, à empresa controladora não se imporia quaisquer cargas a teor de despesas, permanecendo o seu lucro liberto de qualquer fator redutor a este título. Contrário senso, o mútuo contratado substitutivo perpetraria uni despesa, como aliás se cristalizou, reduzindo, dramaticamente, o resultado do exercício e, de forma reflexa, o seu patrimônio, como aliás resta demonstrado e perfeitamente perceptível através de um singela análise da declaração de fls. 342 e seguintes. É patente a punição do resultado dos períodos em foco, a despeito da existência não utilizada dos lucros acumulados na controlada por estrita determinação do diretor comum. Senão vejamos: (...) Fl. 2507DF CARF MF Processo nº 16327.001870/200142 Acórdão n.º 9101002.478 CSRFT1 Fl. 2.508 12 Montado esse cenário, importa concluir que o empréstimo tomado pela controladora por determinação de seu diretor comum trouxe para a recorrente um carga redutora não só do patrimônio dessa unidade, como também do seu lucro tributável, motivados por mera liberalidade, sem qualquer necessidade, e sem nenhuma correspondência ou correlação, notadamente em face da existência de lucros acumulados e de disponibilidades financeiras na empresa controlada que, por certo, cumpririam, sem quaisquer lesões aos cofres públicos e à sociedade controladora, os desígnios conformados ao art. 242 do RIR/94. Não há, pois, quaisquer equívocos na tipificação da matéria impositiva e na precisas dissertações da Autoridade recorrida. Tenho, pois, por inadmissível a alegação de contradição pois em momento algum houve confusão no voto ora embargado entre as personalidades das pessoas jurídicas envolvidos. O voto esclarece porque disse que “A empresta para A” e menciona expressamente que “Kolynos Corporation era sócia praticamente exclusiva da K&s Aquisições Ltda”, posto que detinha 99,99% do seu capital social. TERCEIRA CONTRADIÇÃO ("entrega das ações da Kolynos S.A. em pagamento do empréstimo com Albala") Objetivando, mais uma vez, ser absolutamente fiel ao que foi registrado no despacho de admissibilidade dos embargos, sirvome de excertos do que nele foi assinalado acerca desta terceira contradição. A bem da verdade, os argumentos expendidos nos embargos aviados como reais motivos econômicos que redundaram no empréstimo, podem sim justificar a necessidade de se contrair empréstimo, a depender de uma análise econômica ampla, que considere tal opção feita pela empresa e não somente se concluir, sumariamente, que uma vez que havia recursos próprios da controladora que permitiriam à integralização de capital na controlada, outra opção economicamente viável não poderia ser necessária ao crescimento da empresa. A decisão embargada, a meu ver, não deu a devida atenção ao fato levantado pela embargante. Com todas as vênias, o que se vê é que o despacho de fls. 2.113/2.122, afastandose do seu objetivo, adiantase a fazer juízo sobre o mérito da glosa perpetrada pela Fiscalização, não destinando uma única linha acerca do atendimento aos pressupostos de admissibilidade dos declaratórios opostos. Certamente, o argumento do despacho de que “A decisão embargada, a meu ver, não deu a devida atenção ao fato levantado pela embargante", além de contaminado por indeterminação e subjetividade, não se presta como fundamento de admissibilidade do recurso examinado. No que tange à argumentação expendida pela embargante, o seu inicio, abaixo transcrito, reafirma o não atendimento ao pressuposto de admissibilidade dos embargos, pois, como já reiteradamente destacado, a CONTRADIÇÃO que serviria de suporte para tal Fl. 2508DF CARF MF Processo nº 16327.001870/200142 Acórdão n.º 9101002.478 CSRFT1 Fl. 2.509 13 estaria refletida na comparação entre a decisão e as provas carreadas ao processo. Senão vejamos: [...] 42. Outro ponto da decisão que apresenta clara contradição com as provas apresentadas pela EMBARGANTE se refere ao fato de que a decisão ignorou sumariamente o fato de o empréstimo da EMBARGANTE com a Albala S.A. ter perdurado por menos de 1 (um) mês, e ter sido liquidado com a dação em pagamento das ações da Kolynos do Brasil S.A. Vejamos: ... No mais, pretende a embargante rediscutir a matéria, o que, como dito, não é possível em sede de embargos de declaração. Aliás, apenas a título de esclarecimento, cumpre destacar que o fato de o voto condutor não ter destacado expressamente que o mencionado empréstimo perdurou por menos de um mês sequer pode ser considerado omissão porque, como se demonstra com trechos do voto abaixo, a linha de raciocínio seguida pela relatora restou bastante clara no sentido de que esse aspecto, de fato, não era relevante para a acusação fiscal de dedução de despesas não necessárias: Analisando, então, as operações sob o aspecto formal, é possível constatar que, em ato contínuo à contratação do empréstimo, a autuada repassou os recursos obtidos por meio de outro contrato à empresa Albala S.A.. No entanto, se emprestou, como dizer que precisava dos recursos? Esse foi, então, o entendimento da Conselheira Relatora Sandra Faroni, no voto vencido, cujo trecho relativo à desnecessidade da despesa, ora transcrevo: Quanto à desnecessidade das despesas decorrentes da obrigação contabilizada, a decisão recorrida está de acordo com a pacífica jurisprudência deste Conselho. Realmente, tendo o valor do empréstimo sido, de imediato à contratação, transferido a empresa situada no Uruguai, caracterizouse a desnecessidade das despesas dele decorrentes contabilizadas a título de juros e variações monetárias passivas. Não obstante tal entendimento, a mencionada relatora vislumbrou haver um planejamento tributário, quando afirmou: A forma como se deram os fatos que originaram a presente autuação permite identificar pelo menos três tipos dentre os que Greco enumera como “operações preocupantes”, quais sejam, as “operações estruturadas em seqüência” (step transition), o “uso de sociedade” (com Yonkers e Albala como empresas de passagem, pela qual transitaram as ações da Kolynos que, afinal, destinavamse à ColgatePalmolive) e o “Empréstimo ao invés de Investimento”, com a desproporção entre o capital investido (R$ 99,00) e o empréstimo (US$ 760 milhões). Fl. 2509DF CARF MF Processo nº 16327.001870/200142 Acórdão n.º 9101002.478 CSRFT1 Fl. 2.510 14 Com efeito, nas suas Contrarrazões, a autuada não nega tratar se de uma step transaction e que, de fato, a operação envolveu conduit companies, como a Younkers S.A, que só existiu no mundo jurídico por 6 dias, e a Albala S A, ambas constituídas para que os recursos transitassem pelo Uruguai. No entanto, neste aspecto já divirjo da tese da defesa pois, ainda que as operações estruturadas em seqüência (step transaction) tenham sido concebidas por parte do grupo vendedor, não vislumbro justificativa para a não integralização do capital. Isto é, poderia ter sido constituída uma K & S Aquisições Ltda no Brasil, para atender às exigências do CADE, segregando os negócios Kolynos daqueles da ColgatePalmolive Ltda, já existentes no Brasil; poderia o Laboratório WyethWhitehall Ltda ter constituído a Yonkers S. A. no Uruguai, para não receber o montante da venda no Brasil, mas, ao invés do empréstimo, a KAC Corporation, que mais tarde se tornou a Kolynos Corp, com sede nos Estados Unidos, e que era a sócia majoritária da autuada, poderia ter, sim, integralizado capital. E não se diga que não integralizou porque não dispunha de recursos, como tentou demonstrar com os documentos juntados aos autos na sessão de julho, pois o que se verifica nestes documentos, sobretudo no balanço patrimonial da KAC Corporation acostado aos autos às fls. 1.204 e seguintes do processo nº 16327.001484/200401, é que a empresa possuía, em dezembro de 1994, 408,4 milhões de dólares em ações preferenciais, 183,2 milhões de dólares em ações ordinárias, 1,02 bilhões de dólares em capital adicional integralizado e 2,496 bilhões de dólares em lucros retidos. Consta, ainda, à fl. 1.205 do processo nº 16327.001484/200401, que o lucro líquido apurado em dezembro de 1994 foi de U$ 580,2 milhões de dólares, e à fl. 1.210 desse mesmo processo, que “A Sociedade considera todos os seus investimentos altamente realizáveis com vencimentos de três meses ou menos quando adquiridos como disponibilidades”. É verdade que a conta” Dívida de longo prazo” subiu em 1995 de 1,75 bilhões de dólares para 2,9 bilhões de dólares, porém como dispunha de quase 2,5 bilhões de dólares de lucros, não se pode dizer que tal fato demonstra a necessidade de emprestar à filial brasileira, ao invés de integralizar capital nesta. É também verdade que houve um contrato de crédito obtido pela Colgate Palmolive Company, no valor total de 770 milhões de dólares, datado de 8 de janeiro de 1995, junto a vários bancos, tendo como agente o Citibank, cuja tradução foi acostada às fls. 1.382/1.486 do processo nº 16327.001484/200401. Contudo, essa linha de crédito foi aquela que repassou direto à Albala S.A, no Uruguai, pois, pelos documentos já constantes do processo, especificamente às fls. 247/248 do processo nº 16327.001484/200401, relativos ao documento subscrito pela Arthur Andersen Consultoria Fiscal e Financeira S/C Ltda, que foi apresentado pela recorrente para justificar toda a operação, já estava caracterizado que a KAC CORPORATION enviou em 10 de janeiro de 1995 uma linha de crédito aberta no exterior em Fl. 2510DF CARF MF Processo nº 16327.001870/200142 Acórdão n.º 9101002.478 CSRFT1 Fl. 2.511 15 favor de K&S Aquisições Ltda, no montante de 760 milhões de dólares. Tal documento também faz referência a um extrato bancário de KAC CORPORATION emitido por CITIBANK, referente ao período de 10 a 11 de janeiro de 1995, atestando a remessa desses 760 milhões de dólares para a contacorrente bancária da Albala S.A., além de fazer referencia a: Carta enviada por COLGATEPALMOLIVE COMPANY ao CITIBANK, em 9 de janeiro de 1995, constando duas transferências de fundos, ambas efetuadas em 10 de janeiro de 1995: (a) transferência de fundos, no valor de US$ 760.000.000,00 (setecentos e sessenta milhões de dólares norteamericanos), da contacorrente bancária de KAC CORPORATION, e imediata transferência desse valor para a contacorrente bancária de ALBALA S.A., e (b) transferência de fundos, no valor de US$ 760.000.000,00 (setecentos e sessenta milhões de dólares norteamericanos), da conta corrente bancária de COLGATEPALMOLIVE COMPANY para a contacorrente bancária de para ALBALA S.A. e a subseqüente remessa de tal montante para LABORATÓRIOS WYETHWHITEHALL LTDA (Doc. 14) Ou seja, o contrato de crédito contraído pela COLGATE PALMOLIVE COMPANY, trazidos aos autos a posteriori, somente justifica que a controladora no exterior optou por contrair um contrato de crédito junto a bancos no exterior, para repassar esses valores ao Uruguai; mas, em razão das condições financeiras da própria COLGATEPALMOLIVE COMPANY, não tem o condão de justificar a necessidade de emprestar ao invés de integralizar. Aliás, se assim o tivesse, como a acusação inicial da Fiscalização sempre foi o fato de que o empréstimo gerou despesa não necessária, esta seria a primeira prova que a autuada traria aos autos, já na impugnação. Por conseguinte, se a operação poderia ser “integralização de capital” ao invés de empréstimos, por mais um raciocínio muito simples já se pode concluir que o empréstimo não era necessário à atividade da empresa. Aliás, um empréstimo firmado em janeiro de 1995, fixando que o montante principal seria amortizado em janeiro de 2003 e, até lá, ou seja, durante 8 anos, correriam despesas financeiras (juros inicialmente fixados em 8% a.a., além das variações cambiais). É verdade que um terço desse empréstimo foi depois integralizado e que, ao longo dos anos subseqüentes, a dívida foi amortizada, mas esses argumentos só fazem sentido se se estivesse discutindo aqui o quantum da despesa glosada, o que não é o caso. Assim, se a possibilidade de a controladora integralizar capital ao invés de emprestar os recursos à investida foi o motivo determinante para confirmação da desnecessidade das despesas financeiras, inexiste a contradição suscitada pela embargante em razão da abordagem subsidiária acerca do repasse à Albala S/A dos recursos obtidos em razão do empréstimo. Fl. 2511DF CARF MF Processo nº 16327.001870/200142 Acórdão n.º 9101002.478 CSRFT1 Fl. 2.512 16 QUARTA CONTRADIÇÃO ("demonstração da inexistência de planejamento tributário") O despacho sob análise registra: A Embargante aponta a existência de contradição entre a documentação acostada aos autos pela embargante e as conclusões a que chegou a relatora no caso em questão, a saber: A decisão embargada afirma que houve planejamento tributário por parte da embargante, eis que houve a prática de vários atos seqüenciais para o atingimento do resultado final aquisição da Kolynos. A farta documentação acostada aos autos demonstram os reais motivos econômicos que redundaram no empréstimo, quais sejam: Para demonstrar a ausência de qualquer tipo de planejamento tributário em favor da Embargante, ela acostou aos autos farta documentação, demonstrando os reais motivos econômicos que redundaram no empréstimo, quais sejam: ... Assinalou, ainda, que: Com base nisso, caracterizada está a patente contradição entre a documentação acostada pela EMBARGANTE e as conclusões a que chegou a Ilma. Relatora, no caso em questão. Os documentos juntados aos autos pela interessada fornecem subsídios importantes ao julgador acerca dos fatos e dos negócios jurídicos ocorridos no mundo fático, dandolhe suporte para possibilitar a tomada de decisão, que se encontra jungida aos ditames da lei. No entanto, a verificação de que se as despesas em comento atendem aos requisitos de necessidade, usualidade e normalidade, implica, naturalmente, em se considerar devidamente todos os elementos probantes juntados aos autos; no presente caso, para se concluir pela ocorrência de um suposto planejamento tributário, as informações em referência, ao ver deste relator, não podem deixar de ser consideradas, com a devida manifestação da autoridade julgadora sobre a sua influência ou não no julgamento deste aspecto. Como visto, do exposto para que se afaste a contradição entre a documentação apresentada pela Embargante e não incorrermos em omissão na análise das provas e as conclusões a que chegou o acórdão embargado, seria necessário que todo o conjunto probatório fosse exaustivamente analisado pela decisão embargada. Por não distinguir adequadamente o que foi sustentado pela embargante daquilo que representa juízo acerca da admissibilidade da peça de defesa, o despacho de fls. 2.113/2.122 compromete até certo ponto a apreciação acerca da sua procedência. Contudo, promovendo uma análise comparativa dele, do despacho, com a peça de defesa apresentada pela contribuinte, tenho que o juízo acerca da admissibilidade dos embargos está representado pelo último parágrafo da passagem acima reproduzida. Fl. 2512DF CARF MF Processo nº 16327.001870/200142 Acórdão n.º 9101002.478 CSRFT1 Fl. 2.513 17 Mais uma vez, constatase o equívoco na análise empreendida, eis que a CONTRADIÇÃO indicada confronta a decisão com provas supostamente juntadas ao processo. Em sua manifestação, a embargante, embora afirme que está caracterizada a CONTRADIÇÃO entre a documentação por ela acostada e as conclusões a que chegou a relatora do acórdão combatido, não cuidou exatamente disso, mas, sim, de contestar determinada passagem do voto condutor do referido acórdão, quando a relatora cita o voto vencido da decisão recorrida que, é importante ressaltar, nenhuma maior influência exerce sobre o resultado do julgamento, vez que, ausente a exasperação da penalidade aplicada em virtude de uma suposta conduta dolosa, tornase irrelevante a discussão acerca da existência ou não de planejamento tributário. Essa não foi a essência da decisão, conforme se pode verificar no próprio voto de fls. 2.058/2.066. As considerações trazidas pelo acórdão embargado a respeito de planejamento tributário, objetivaram contestar argumentação apresentada por meio de contrarrazões ao Recurso Especial anteriormente interposto e, da mesma forma que o voto vencido referenciado pela contribuinte nos embargos, serviram de "reforço de argumento", só que em apoio a tese em sentido contrário: Com efeito, nas suas Contrarrazões, a autuada não nega tratar se de uma step transaction e que, de fato, a operação envolveu conduit companies, como a Younkers S.A, que só existiu no mundo jurídico por 6 dias, e a Albala S A, ambas constituídas para que os recursos transitassem pelo Uruguai. No entanto, neste aspecto já divirjo da tese da defesa pois, ainda que as operações estruturadas em seqüência (step transaction) tenham sido concebidas por parte do grupo vendedor, não vislumbro justificativa para a não integralização do capital. Ou seja, o voto embargado sequer calcou sua fundamentação em a operação analisada ser ou não planejamento tributário. Observese o parágrafo do voto seguinte ao que a embargante transcreve: Isto é, poderia ter sido constituída uma K & S Aquisições Ltda no Brasil, para atender às exigências do CADE, segregando os negócios Kolynos daqueles da ColgatePalmolive Ltda, já existentes no Brasil; poderia o Laboratório WyethWhitehall Ltda ter constituído a Yonkers S. A. no Uruguai, para não receber o montante da venda no Brasil, mas, ao invés do empréstimo, a KAC Corporation, que mais tarde se tornou a Kolynos Corp, com sede nos Estados Unidos, e que era a sócia majoritária da autuada, poderia ter, sim, integralizado capital. (negritei). Aliás, no início do seu voto, a relatora já deixa claro o fato de que as operações em si não são o objeto da polêmica: De início, cumpre registrar que as operações em si são fatos incontroversos e que não foi vislumbrada qualquer fraude na forma adotada, pois a Fiscalização sequer qualificou a multa de ofício cobrada sobre os tributos objeto de lançamento. Fl. 2513DF CARF MF Processo nº 16327.001870/200142 Acórdão n.º 9101002.478 CSRFT1 Fl. 2.514 18 De qualquer forma, o que importa sublinhar é que a contribuinte não logrou êxito na demonstração de que, no presente item, encontrase presente circunstância que autoriza o acolhimento dos declaratórios opostos. QUINTA CONTRADIÇÃO ("suposto objetivo do empréstimo") Assinala o despacho em questão que, "para este aspecto, valem as mesmas argumentações expostas no item anterior". Registra o Ilustre Conselheiro responsável pela análise que, "ao concordar com a acusação fiscal, principalmente ao decidir uma questão que envolve definir qual seria o objetivo da empresa ao definir determinadas estratégias econômicas, para afirmar peremptoriamente que o objetivo seria outro, entendo que o julgador deve exaurir a análise das provas, para, de forma clara, sustentar a acusação; tratase de infirmar uma conduta adotada por outrem, com a pretensão de alterarlhe a intenção". Finaliza argumentando que "a decisão não pode ser omissa neste ponto". À evidência, "exaurimento" da análise de provas, genericamente considerado, não constitui fundamento que possa servir de suporte à oposição de embargos. O despacho de admissibilidade, mais uma vez, carece de argumentos capazes de, como base nele, julgar atendidos os requisitos impostos pela norma regimental aplicável para oposição de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Na peça de defesa ofertada pela contribuinte, a situação não é diferente das até aqui apreciadas, visto que, nela, a embargante afirma expressamente que, relativamente à matéria em destaque, "há clara contradição em face da farta documentação acostada aos autos", ou seja, incorre a embargante novamente em equívoco quanto aos pressupostos de admissibilidade do recurso manejado. Discorrendo sobre fatos que demonstrariam que o empréstimo por ela tomado foi a forma que ela dispunha para obter recursos necessários à aquisição da KOLYNOS, a embargante alega que tais fatos encontramse lastreados por documentação aportada ao processo, que não foram levados em conta pela decisão combatida. Referida argumentação, a exemplo de outras no mesmo sentido, pode levar ao entendimento de que, embora o pressuposto tenha sido a ocorrência de CONTRADIÇÃO, na verdade estaríamos diante de OMISSÃO, interpretação que, pelo que parece, foi a emprestada pelo Conselheiro responsável pelo juízo de admissibilidade. Entretanto, a situação não é exatamente essa, visto que a própria contribuinte transcreve passagens do voto condutor da decisão embargada em que fica claro que os fatos por ela referenciados foram devidamente considerados, senão vejamos (reprodução na ordem em que constam do acórdão combatido): ... Por conseguinte, se a operação poderia ser "integralização de capital" ao invés de empréstimos, por mais um raciocínio muito simples já se pode concluir que o empréstimo não era necessário à atividade da empresa. Aliás, um empréstimo firmado em janeiro de 1995, fixando que o montante principal seria amortizado em janeiro de 2003 e, até lá, ou seja, durante 8 anos, Fl. 2514DF CARF MF Processo nº 16327.001870/200142 Acórdão n.º 9101002.478 CSRFT1 Fl. 2.515 19 correriam despesas financeiras (juros inicialmente fixados em 8% a.a., além das variações cambiais). É verdade que um terço desse empréstimo foi depois integralizado e que, ao longo dos anos subseqüentes, a dívida foi amortizada, mas esses argumentos só fazem sentido se se estivesse discutindo aqui o quantum da despesa glosada, o que não é o caso. ... Nem mesmo os empréstimos contraídos no exterior justificam a necessidade da despesa financeira, ou melhor, de emprestar ao invés de integralizar, porque, como já tido, a controladora era uma empresa que dispunha de condições para integralizar. Se não o fez, certamente é porque visualizou outras oportunidades, como, além de reduzir os lucros no Brasil, poder dispor do capital de que detinha no exterior. No entanto, é preciso deixar claro que isso é uma liberalidade e não uma necessidade. A expressão "não foram levados em conta", portanto, não está associada à omissão na apreciação da prova, mas, sim, ao fato de que os elementos analisados não foram suficientes ao convencimento da relatora do acórdão atacado, que assinalou que eles, os elementos, só seriam relevantes em uma discussão acerca do "quantum da despesa glosada". Não merece acolhimento, assim, os embargos, relativamente ao presente item. SEXTA CONTRADIÇÃO ("valor do Capital da Embargante") Transcrevo o consignado no despacho de fls. 2.113/2.122. A argüição da Embargante é que a decisão embargada desconsiderou o aumento de capital realizado pela KAC Corporation, simultaneamente à aquisição da Kolynos, dando a falsa impressão que a embargante não dispunha de capital próprio significativo (subcapitalização); que quando da aquisição da Kolynos o capital da embargante era maior do que a própria disponibilidade de caixa da ColgatePalmolive Company em 31.12.94. A este respeito o voto vencedor do acórdão recorrido (fls. 1.830/1.861), enfoca o tema em apreço sob à ótica da dedutibilidade das despesas financeiras de acordo com a tese de subcapitalização, considerando que em razão das condições financeiras desta empresa controladora, não teria tal operação o condão de justificar a necessidade de emprestar ao invés de integralizar, pois o empréstimo não era necessário à atividade da empresa. Mais uma vez, quanto ao quesito formulado pela Embargante suso mencionado, entendo não ter havido a devida apreciação do argumento suscitado pela embargante, no julgado. (GRIFEI) Notase que o responsável pela análise pronunciase pela admissibilidade dos embargos por entender que não houve "a devida apreciação do argumento suscitado pela embargante", o que, mais uma vez, denota indeterminação e subjetividade, além de juízo de Fl. 2515DF CARF MF Processo nº 16327.001870/200142 Acórdão n.º 9101002.478 CSRFT1 Fl. 2.516 20 valor, o que, à evidência, não se compatibiliza com a análise de admissibilidade requerida pela norma regimental. No que diz respeito aos argumentos trazidos pela embargante, a matéria relativa ao presente item guarda inteira conexão com a tratada no precedente, em que se deixou claro que a expressão "não foram levados em conta", que aqui está representada por "desconsideração", não está associada à omissão, mas, sim, ao fato de não ter sensibilizado o julgador na formação da sua convicção acerca da procedência ou não da glosa levada a efeito pela Fiscalização. Cabe registrar que a mesma passagem do voto condutor da decisão embargada referenciada no item anterior ("suposto objetivo do empréstimo"), indica que o aumento de capital em questão integrou os elementos analisados pela decisão embargada, porém, em nada contribuiu na formação da convicção do julgador. Aqui, portanto, não se trata também de omissão na apreciação, seja do argumento, seja do documento que o lastreia. Incomprovado, assim, o atendimento aos pressupostos de admissibilidade dos embargos. SÉTIMA CONTRADIÇÃO ("Dissenso Jurisprudencial") Assinala o despacho de fls. 2.113/2.122: Indaga a Embargante que se o acórdão apresentado como paradigma não demonstrou o dissenso jurisprudencial alegado pela Fazenda Nacional, como pode ele servir de fundamento para corroborar a decisão embargada? Não vislumbro que o acórdão embargado contenha assertivas que permitam responder a esta indagação. De início, não vislumbro sob que fundamento podese admitir os embargos na circunstância acima retratada. De qualquer forma, entendo que o fato de um determinado acórdão não ter sido admitido como comprovação de divergência jurisprudencial, por si só, não constitui óbice ao eventual aproveitamento de fundamento nele esposado na apreciação de determinada controvérsia. É importante consignar que a parte do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional para qual não foi dado seguimento diz respeito à CSLL, sendo que o despacho correspondente, fls. 1.899/1.901, embora afirme que a divergência referese à questão de direito, limitase afirmar "que se os fatos são distintos a interpretação da norma jurídica não poderá ser divergente". Apesar de entender que o pronunciamento acima deveria ser objeto de reparo e complementação por ocasião daquela admissibilidade, penso que não há prejuízo à citação questionada, visto que as passagens em que o voto condutor se utiliza de fundamentos declinados no acórdão paradigma rejeitado cuidam exclusivamente de questão de direito e o próprio voto consigna que apesar de não ter sido aceito como paradigma, o acórdão se presta para demonstrar a "impossibilidade de se admitir o pagamento de juros como despesas necessária, nas hipóteses em que a controladora é a mutuante do empréstimo e, ao seu arbítrio, cria a despesa"), senão vejamos: Fl. 2516DF CARF MF Processo nº 16327.001870/200142 Acórdão n.º 9101002.478 CSRFT1 Fl. 2.517 21 Neste sentido, convém transcrever o que entendeu a Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, no acórdão nº 107 –06.796, trazido pela Procuradoria como paradigma que, embora não aceita para demonstrar o dissenso jurisprudencial alegado para a CSLL, serve como fundamento no sentido de corroborar a impossibilidade de se admitir o pagamento de juros como despesas necessária, nas hipóteses em que a controladora é a mutuante do empréstimo e, ao seu arbítrio, cria a despesa: Aflora de um simples e superficial análise que os interesses da empresa controlada se confundem com os da empresa controladora e, ainda com os sócios pessoas físicas (direta ou indiretamente) desta. Detendo a sociedade controladora quase 100% (99,98%) do capital social e das ações com direito a voto da sociedade controlada, é iniludível que o acionista majoritário desta passa a ter legitimidade ativa para, independentemente de prévia deliberação da assembléia geral, determinar as operações e as políticas, à sua matroca. Aliás, nem caberia tal assembléia, in casu, pois além de impregnada por absoluto contrasenso, teria resultado certo e induvidoso, pelo que sem sentido a sua realização. (...) Observase, pois, que o legislador ao tratar das sociedades controladas, dedicou artigo específico aos seus gestores e à sua responsabilidade perante à companhia por atos de favorecimento a uma ou mais das unidades envolvidas, antevendo circunstâncias como a que ora se retrata e, o que é mais importante, reconhecendo que nesses casos é repudiável em razão da influência que a controladora exerce sobre a controlada a concessão de tratamento diferenciado em qualquer das esferas. (...) Inferese que, se houvesse distribuição dos lucros acumulados, à empresa controladora não se imporia quaisquer cargas a teor de despesas, permanecendo o seu lucro liberto de qualquer fator redutor a este título. Contrário senso, o mútuo contratado substitutivo perpetraria uma despesa, como aliás se cristalizou, reduzindo, dramaticamente, o resultado do exercício e, de forma reflexa, o seu patrimônio, como aliás resta demonstrado e perfeitamente perceptível através de um singela análise da declaração de fls. 342 e seguintes. É patente a punição do resultado dos períodos em foco, a despeito da existência não utilizada dos lucros acumulados na controlada por estrita determinação do diretor comum. Senão vejamos: (...) Montado esse cenário, importa concluir que o empréstimo tomado pela controladora por determinação de seu diretor Fl. 2517DF CARF MF Processo nº 16327.001870/200142 Acórdão n.º 9101002.478 CSRFT1 Fl. 2.518 22 comum trouxe para a recorrente um carga redutora não só do patrimônio dessa unidade, como também do seu lucro tributável, motivados por mera liberalidade, sem qualquer necessidade, e sem nenhuma correspondência ou correlação, notadamente em face da existência de lucros acumulados e de disponibilidades financeiras na empresa controlada que, por certo, cumpririam, sem quaisquer lesões aos cofres públicos e à sociedade controladora, os desígnios conformados ao art. 242 do RIR/94. Não há, pois, quaisquer equívocos na tipificação da matéria impositiva e na precisas dissertações da Autoridade recorrida. (negritei) Os excertos acima transcritos refletem análise sobre questão jurídica que em tudo se assemelha a enfrentada nos presentes autos, cabendo destacar que na única referência de natureza fática (participação da controladora no capital da controlada) a similitude é inafastável. Além disso, o voto expressamente consigna que para o fim utilizado, aquele paradigma se prestava, pois foi trazido para demonstrar tratamento semelhante ao que fora dado na presente acusação fiscal, abstraindose, é claro, da essência que fora o motivo para rejeitar o paradigma: a CSLL. Ademais, a abordagem jurídica consignada no acórdão citado poderia ser utilizada como fundamento de decisão ainda que ele sequer tivesse sido trazido como paradigma pela recorrente, mas apenas como fonte jurisprudencial. Portanto, é inconteste que não existe a contradição, uma vez que a própria relatora chamou a atenção para o fato de que estava trazendo à colação aquele acórdão justamente porque tratava de indedutibilidade de despesas financeiras em situação equivalente. Ausente, portanto, a contradição apontada pela embargante. PRIMEIRA OBSCURIDADE (obrigatoriedade de utilização de capital ao invés de empréstimo) O despacho de admissibilidade sustenta que "a decisão pautouse por analisar os fatos concretos que lhe foram postos à apreciação nos autos, bem assim os efeitos decorrentes do nexo causal existente entre a conduta adotada pela Embargante e o resultado final da operação engendrada e, posteriormente, verificar se tais atos implicaram em infração à legislação tributária e na aplicação da lei de forma adequada, porém, de forma não pormenorizada, com o devido detalhamento que a questão suscitada exigia". Vêse que o exame admissibilidade pontua, de forma expressa, que a decisão embargada analisou os fatos concretos postos à sua disposição; analisou os efeitos decorrentes da conduta adotada pela autuada e o resultado final da operação; e verificou se tais atos implicaram em infração à legislação tributária, mas, fez isso "de forma não pormenorizada", sem o "detalhamento que a questão suscitada exigia". Incorre o despacho de admissibilidade, mais uma vez, em indeterminação e subjetividade, suficientes ao comprometimento da apreciação que pretendeu fazer, e, o que é mais relevante, não exterioriza, e nem mesmo tangencia, os fundamentos em virtude dos quais poderseia considerar atendidos os pressupostos para a admissibilidade dos declaratórios. Fl. 2518DF CARF MF Processo nº 16327.001870/200142 Acórdão n.º 9101002.478 CSRFT1 Fl. 2.519 23 No que tange aos argumentos expendidos pela embargante em sua peça de defesa, embora ela faça referência à existência de obscuridade, não a indica sob qualquer hipótese, e sequer transcreve passagem do voto condutor do acórdão embargado em que tal obscuridade estaria presente. Limitase a sustentar que não pode a autoridade administrativa determinar ao contribuinte como este deve proceder; a transcrever manifestação externada na declaração de voto, em Parecer juntado aos autos e na doutrina; a tecer considerações acerca das normas trazidas pela Medida Provisória nº 472, de 2009, que introduziu regras relativas à subcapitalização; e a sustentar a insubsistência da autuação. Patente, mais uma vez, a tentativa da contribuinte de, pela via estreita dos embargos, rediscutir matérias já devidamente apreciadas pela decisão atacada. Cumpre destacar que no item 73 de sua peça recursal, ainda que sob o título dessa “obscuridade”, a embargante alega: “Outra demonstração cabal de contradição da decisão ora embargada é o fato de a própria KAC Corporation ter tomado financiamento no mercado financeiro para obter os recursos necessários à aquisição.” Ou seja, torna a afirmar que houve contradição. E conclui: “74. Ou seja, o empréstimo para a EMBARGANTE – que, repisese, foi originalmente apenas de dois terços do montante total despendido na aquisição – nada mais foi do que um repasse do empréstimo captado no exterior, não fazendo sentido a KAC Corporation assumir, sozinha 100% dos custos financeiros desse empréstimo, já que a aquisição beneficiou diretamente a EMBARGANTE”. Contudo, nem contradição, nem omissão, e nem obscuridade consigo identificar demonstrados por meio desses argumentos. Tratase, sim, mais uma vez, de discordância da embargante com o resultado do julgamento porque a decisão foi bastante clara em sentido oposto ao que ela quer fazer valer, inclusive abordando o empréstimo captado pela controladora no exterior em mais de um momento: Ou seja, o contrato de crédito contraído pela COLGATE PALMOLIVE COMPANY, trazidos aos autos a posteriori, somente justifica que a controladora no exterior optou por contrair um contrato de crédito junto a bancos no exterior, para repassar esses valores ao Uruguai; mas, em razão das condições financeiras da própria COLGATEPALMOLIVE COMPANY, não tem o condão de justificar a necessidade de emprestar ao invés de integalizar. Aliás, se assim o tivesse, como a acusação inicial da Fiscalização sempre foi o fato de que o empréstimo gerou despesa não necessária, esta seria a primeira prova que a autuada traria aos autos, já na impugnação. [...] Nem mesmo os empréstimos contraídos no exterior justificam a necessidade da despesa financeira, ou melhor, de emprestar ao invés de integralizar, porque, como já tido, a controladora era uma empresa que dispunha de condições para integralizar. Se não o fez, certamente é porque visualizou outras oportunidades, Fl. 2519DF CARF MF Processo nº 16327.001870/200142 Acórdão n.º 9101002.478 CSRFT1 Fl. 2.520 24 como, além de reduzir os lucros no Brasil, poder dispor do capital de que detinha no exterior. No entanto, é preciso deixar claro que isso é uma liberalidade e não uma necessidade. Reconheço que a compra da Kolynos representou para a Colgate um incremento de receitas, um aumento na sua produção, enfim, uma maior representatividade no mercado. Contudo, argumentos dessa natureza justificam a compra de uma empresa pela outra, mas não a forma adotada de empréstimos, ao invés de capitalização. Por conseguinte, quer seja analisando a operação sob o aspecto formal, quer seja verificando o conteúdo subjacente a esta forma, a glosa de despesas consideradas desnecessárias deve ser mantida em relação ao IRPJ. É importante destacar, ainda, que, em preliminar, o voto condutor do acórdão embargado expressamente admite as provas referidas, por se destinarem a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos por ocasião de debates ocorridos na sessão de julgamento anterior. E, com referência à inexistência de regras, à época, que vedassem a subcapitalização, claro está no voto condutor do acórdão embargado o repúdio à pretensão da interessada novamente suscitada sob o manto da "obscuridade": Quanto à tese da subcapitalização trazida pelo acórdão recorrido, é de se reconhecer que, nos países cuja legislação há um tratamento especifico para este estado, isto é, quando há normas fiscais de controle dessa sistemática, estas podem ir desde descaracterizar essas despesas com juros, tratando o empréstimo como capital e, por conseguinte, os juro como dividendos, até a desconsideração da personalidade jurídica da mutuária, tendo em vista política de interesses não só fiscais, como também de proteção ao direito dos credores. No entanto, analisando inicialmente se se pode caracterizar a presente situação como subcapitalização, sobretudo considerando que, cinco meses após o empréstimo, a mutuante cedeu os direitos sobre o referido contrato a uma outra empresa sediada em Bruxelas, trago a doutrina de MARCO AURÉLIO GRECO1, que define que a subcapitalização ocorre quando, ao ser criada uma pessoa jurídica como controlada ou subsidiária de outra, a controladora, ao invés de aumentar o capital da controlada, prefere celebrar empréstimos com base nos quais pode receber juros. Porém, conforme observa HELENO TORRES2 quando analisou a subcapitalização sob o prisma da relação entre as partes contratantes, tal hipótese pode ocorrer desde que haja uma estreita relação entre mutuante e mutuaria, verbis: Como a caracterização do estado de subcapitalização da empresa exige que a fonte de financiamento seja externa e que esta responda pela viabilização de capital próprio, as pessoas responsáveis pelos empréstimos devem ser, necessariamente, sócios, quotistas, acionistas, enfim, pessoas Fl. 2520DF CARF MF Processo nº 16327.001870/200142 Acórdão n.º 9101002.478 CSRFT1 Fl. 2.521 25 de qualquer modo vinculadas. Todavia, como a legislação que regular o controle da subcapitalização deverá dispor sobre isso, não há uma regra universal sobre a adequada tipificação dos financiadores do capitalempréstimo, mas, de um modo geral, exigese que os mutuantes mantenham uma relação bastante estreita com a empresa mutuaria, para que se qualifique o objeto do mútuo como "capital próprio" prevalecendo a substância sobre a forma (nos países que adotam essa hipótese). Assim, se a cessão dos direitos relativos ao contrato de empréstimo foi feita pela sóciaquotista da autuada, no caso a Kolynos Corporation, à empresa belga ColgatePalmolive Europe S. A (fl. 374/389), cuja razão social indica tratarse de pessoa jurídica pertencente ao mesmo grupo econômico, não seria por este motivo que afastaria a constituição da empresa autuada da hipótese de subcapitalização. Também não afastaria tal situação pelo fato de, em ato contínuo à constituição da empresa e, portanto, à celebração do empréstimo, ter havido integralização de US$ 263 milhões, o que, aliás, foi a tese apresentada pela Fiscalizada, quando aduziu em Contrarrazões : Ainda que houvesse norma legal limitando a dedução de despesas decorrente de subcapitalização e definitivamente não há convém mencionar que a redução do valor do empréstimo, mediante o aumento de capital no valor de 270 milhões de dólares, colocou a estrutura de capital da subsidiária brasileira em equivalência com o quociente divida/capital próprio (aproximadamente um terço de capital próprio e dois terços de dívida) indicado no relatório da OCDE (anexo R (4) Comentários ao Modelo de Convenção). Certamente esse.j& quociente não configura a denominada thin capitalization. Isso porque, como não há na legislação brasileira um quociente previamente estabelecido, a relação de 2 para 1 entre dívida e capital sugerida pela OCDE não é fator determinante para descaracterização, como também não é limite a partir do qual haveria dita situação. Neste sentido, convém trazer à colação as seguintes observações de HELENO TORRES3: Mas, a partir de que patamar se pode falar da existência de uma "subcapitalização" na empresa? Por se tratar de um conceito de direito positivo, somente a lei poderá estabelecer, porquanto o "estado de subcapitalizaçã o" apresentase como um conceito objetivo, a partir da aplicação de uma regra geral antiabuso ou de regras especificas, com a adoção de um coeficiente apto a mensurar a relação proporcional entre o capital da empresa e o endividamento líquido remunerado. Assim, ao contrário do que aduz a autuada, não se pode dizer que há ou não a "subcapitalização" a que se refere a doutrina e Fl. 2521DF CARF MF Processo nº 16327.001870/200142 Acórdão n.º 9101002.478 CSRFT1 Fl. 2.522 26 a legislação de outros países, tomando como referência a relação entre sua dívida, que girava em torno de US$ 496 milhões, e seu capital, algo em tomo de US$ 270 milhões. Mas concordo com os doutrinadores já citados que o legislador pátrio não cuidou de modo específico da subcapitalização, pois inexiste no ordenamento jurídico nacional regras sobre o coeficiente de endividamento admissivel ou safe haven. Portanto, estáse diante de uma situação cuja definição precisa carece de base legal. No entanto, outras regras específicas à legislação do Imposto de Renda existem e precisam ser trazidas ao presente contexto. Assim, ouso divergir do relator do voto condutor do acórdão recorrido quanto ao entendimento de que, como no Brasil não há regras de subcapitalização, tais juros e variações cambiais deveriam ser tratados como despesas dedutíveis. Isto porque, a existência de regra especifica na legislação dispondo sobre a subcapitalização implicaria, necessariamente, na sua aplicabilidade, se a situação fosse, de fato, enquadrada nos termos em que regrados. No entanto, o contrário, isto é, a inexistência de regra específica tratando sobre tal estado, não tem o condão de afastar, de retirar do mundo jurídico, regras gerais inerentes à dedutibilidade das despesas para fins de apuração do IRPJ e da CSLL. Logo, fazse necessário, sim, verificar se as despesas em comento atendem aos requisitos de necessidade, usualidade e normalidade, o que, como já dito, não se observa no presente caso, no tocante à necessidade, vez que, por liberalidade das partes envolvidas, adotouse a forma de empréstimos, em detrimento da capitalização. SEGUNDA OBSCURIDADE (fundamentação legal para sustentar a desnecessidade das despesas) Nos termos do despacho de admissibilidade, "embora a motivação erigida no voto condutor do aresto tenha considerado a dedutibilidade das despesas financeiras com o pagamento de juros e de variações cambias passivas, segundo o critério da necessidade de sua realização, com base na legislação fiscal utilizada na determinação do lucro real, tendo por capitulação legal os artigos 195, I, e 242 do RIR/94", não foram "suficientemente expressos os fundamentos legais balizadores da decisão adotada no acórdão embargado", restando "a dúvida quanto a quais outros preceitos legais a embargante teria deixado de atender". Isto com base na afirmação da embargante de que a decisão "não deixa clara qual a base legal que sustenta as suas conclusões." Em sua peça de defesa, a embargante assinala que "em certa passagem da decisão, a D. Conselheira Relatora alerta para o dever de "observar os preceitos legais", mas não capitula claramente qual ou quais o preceito legal que deixou de ser observado pela EMBARGADA". No mais, referida peça traz argumentos diversos, reiterando aspectos enfrentados nos tópicos precedentes, buscando com isso que seja feita uma reapreciação da matéria. Ora, como apregoou, ao menos em parte, o próprio despacho de admissibilidade, os "preceitos legais" referenciados pelo ato decisório embargado não são Fl. 2522DF CARF MF Processo nº 16327.001870/200142 Acórdão n.º 9101002.478 CSRFT1 Fl. 2.523 27 outros que não aqueles que foram declinados na peça acusatória de fls. 1.064/1.071 (art. 6º, § 2º, e art. 7º do DecretoLei nº 1.598/77, e art. 45, § 2º, e art. 47 da Lei nº 4.506/64, refletidos nos arts. 195 (inciso I), 197, 242 e 243 do Regulamento do Imposto de Renda de 1994, que representaram os efetivamente citados na referida peça). A decisão analisa os argumentos de recorrente e da recorrida, mas não pode se afastar dos critérios adotados pela Fiscalização no lançamento de ofício. E se toda a fundamentação da Fiscalização foi na linha da indedutibilidade da despesa, na inobservância aos artigos acima citados, com a devida vênia, mais uma vez, é claro que a decisão embargada se referia a esses preceitos legais, e nem poderia ser diferente disso. Nesse sentido, foi que a decisão consignou: Esclareço ainda que, muito embora tenha a Fiscalização tecido comentários no sentido de descaracterizar o contrato de empréstimo como uma operação de mútuo, a principal motivação para o lançamento foi por considerar que as despesas seriam desnecessárias à atividade da empresa, por entender que a matriz no exterior, desejando adquirir o negócio Kolynos no Brasil e, dispondo de tais recursos, ainda que constituísse empresa brasileira para fazêlo, poderia ter repassado o capital para tanto. Assim, considero irrelevante para deslinde da controvérsia, a verificação se se trata ou não de um contrato de mútuo. [...] Por conseguinte, se a operação poderia ser "integralização de capital" ao invés de empréstimos, por mais um raciocínio muito simples já se pode concluir que o empréstimo não era necessário à atividade da empresa. Aliás, um empréstimo firmado em janeiro de 1995, fixando que o montante principal seria amortizado em janeiro de 2003 e, até lá, ou seja, durante 8 anos, correriam despesas financeiras (juros inicialmente fixados em 8% a.a., além das variações cambiais). [...] No entanto, outras regras específicas à legislação do Imposto de Renda existem e precisam ser trazidas ao presente contexto. Assim, ouso divergir do relator do voto condutor do acórdão recorrido quanto ao entendimento de que, como no Brasil não há regras de subcapitalização, tais juros e variações cambiais deveriam ser tratados como despesas dedutíveis. Isto porque, a existência de regra específica na legislação dispondo sobre a subcapitalização implicaria, necessariamente, na sua aplicabilidade, se a situação fosse, de fato, enquadrada nos termos em que regrados. No entanto, o contrário, isto é, a inexistência de regra específica tratando sobre tal estado, não tem o condão de afastar, de retirar do mundo jurídico, regras gerais inerentes à dedutibilidade das despesas para fins de apuração do IRPJ e da CSLL. Logo, fazse necessário, sim, verificar se as despesas em comento atendem aos requisitos de necessidade, usualidade e normalidade, o que, como já dito, não se observa no presente Fl. 2523DF CARF MF Processo nº 16327.001870/200142 Acórdão n.º 9101002.478 CSRFT1 Fl. 2.524 28 caso, no tocante à necessidade, vez que, por liberalidade das partes envolvidas, adotouse a forma de empréstimos, em detrimento da capitalização. ........................................................................................................ Por conseguinte, quer seja analisando a operação sob o aspecto formal, quer seja verificando o conteúdo subjacente a esta forma, a glosa de despesas consideradas desnecessárias deve ser mantida em relação ao IRPJ. Registro, por oportuno, que equivocase a embargante quando faz referência ao art. 299 do RIR/94, pois o art. 299 é o equivalente ao art. 242 do RIR/94, porém já no diploma legal do RIR/99. No que diz respeito à reapreciação da matéria, como já dito, considerado o recurso manejado (EMBARGOS DE DECLARAÇÃO), inexiste possibilidade para tanto. Por fim, esclareço que a contribuinte apresentou embargos nos autos do processo administrativo nº 16327.001484/200401, apontando praticamente as mesmas contradições e obscuridades em relação ao Acórdão nº 910100.288, proferido na mesma sessão de julgamento em que apreciados estes autos. Deixou apenas de indicar a última contradição aqui apontada, intitulada "dissenso jurisprudencial". E, em sede de admissibilidade promovida por outro Conselheiro previamente indicado hoc para se pronunciar sobre o juízo de admissibilidade dos embargos, o Presidente da 1ª Turma da CSRF acolheu as razões por ele expendidas para declarar a improcedência das alegações suscitadas e não acolher os embargos. As razões ali expostas estão alinhadas àquelas expressas neste voto: Tratase de Embargos de Declaração opostos pelo Contribuinte, com fundamento no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em face do acórdão 9101 00288, proferido pelos membros desta 1ª CSRF, por meio do qual (1) foram rejeitadas as preliminares relativas ao conhecimento; (2) foi dado provimento ao Recurso da Fazenda Nacional para restabelecer a exigência do IRPJ e (3) foi determinado o retorno dos autos à Camara de origem para apreciar a exigibilidade da CSLL, em face das demais alegações recursais que deixaram de ser analisadas. O Embargante, em suas razões, afirmou que "a decisão ora embargada tomou suas conclusões a partir de afirmações que, com todo respeito, são contraditórias às provas trazidas aos autos (...)”. Para demonstrar a contrariedade c a obscuridade, repisou todos os argumentos já suscitado em sede de Recurso Especial, da seguinte forma: (1) contradições: (1.1) existência ou não de recursos próprios para capitalizar a embargante, (1.2) distinção entre as personalidades jurídicas da embargante e de sua controladora no exterior, (1.3) entrega das ações da Kolynos S.A cm pagamento do empréstimo com albala, (1.4) da demonstração de inexistência de planejamento tributário, (1.5) suposto objetivo do empréstimo, (1.6) valor do capital da embargante e (2) obscuridades: (2.1) obrigatoriedade de utilização de capital ao invés de empréstimo, (2.2) Fl. 2524DF CARF MF Processo nº 16327.001870/200142 Acórdão n.º 9101002.478 CSRFT1 Fl. 2.525 29 fundamentação legal para sustentar a desnecessidade das despesas. O regimento interno do CARF, aprovado pela portaria n° 256. de 22 de junho de 2009. no artigo 65. dispõe: "Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. O acórdão embargado analisou toda a operação realizada e concluiu (i) pela manutenção da glosa de despesas consideradas desnecessárias para o IRP.1 e (ii) em relação CSL, pelo retorno dos autos para análise da questão pela câmara a quo, sob o fundamento de que "se a Kolynos Corporation era praticamente a única sócia quotista da autuada está era devedora de divida para consigo (...) E, repisando, se credor e devedor se confundem na mesma pessoa, é porque o empréstimo não se faz necessário.". E, ainda, foi consignado que "a compra da Kolynos representou para a Colgate um incremento de receitas, um aumento na sua produção, enfim, uma maior representatividade no mercado. Contudo, argumentos dessa natureza justificam a compra de uma empresa pela outra, mas não a forma de empréstimo ao invés de capitalização.". A inconformidade com as conclusões do acórdão ou com a análise de provas não deve ser manifestada por meio de Embargos de Declaração, já que estes não são a via própria para a reforma do acórdão. Por não ter restado demonstrado que o acórdão embargado padeça de qualquer vicio de obscuridade, omissão ou co tradição, manifestome pela rejeição dos embargos apresentados. Assim, com suporte nas razões antes expostas, conduzo meu voto no sentido de REJEITAR os declaratórios opostos. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 2525DF CARF MF Processo nº 16327.001870/200142 Acórdão n.º 9101002.478 CSRFT1 Fl. 2.526 30 Declaração de Voto Conselheira Cristiane Silva Costa Com a devida vênia, divirjo do voto da ilustre Relatora no que concerne a dois pontos dos embargos de declaração. Primeiramente, conheço dos embargos de declaração, dandolhes provimento quanto à segunda contradição apontada pela embargante, relacionada à distinção entre as personalidades jurídicas da embargante e de sua controlada no exterior. Com efeito, no acórdão que julgou o recurso especial consta contradição ao se identificar ora como controlada e controladora, ora como matriz e filial. Reconheço a existência deste pequeno lapso que implica em contradição do acórdão embargado a ser suprida com o presente julgamento. Em que pese o acolhimento dos embargos quanto à contradição acima citada, não atribuo efeitos infringentes aos embargos a esse respeito, pois entendo que o tema central do recurso (necessidade da despesa) foi enfrentado por esta 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais sem que caiba seu reexame pela mera correção da contradição acima reconhecida. Até porque o acórdão embargado enumera diversas razões pelas quais a Turma, à ocasião, deu provimento ao recurso especial da Procuradoria, não sendo a identificação como matriz e filial (contraditoriamente incluída no acórdão) a razão central para a decisão. Nesse sentido, aliás, a ementa do acórdão menciona que "a mutuante é sóciaquotista que detém 99,99% do capital social da mutuária e dispunha de recursos para integralizar o capital". Assim, acolho os embargos de declaração neste ponto para retificar o acórdão embargado, constando que as empresas são controlada e controladora, com a efetiva distinção entre as pessoas jurídicas, sem que tal retificação implique em atribuição de efeitos infringentes. Ademais, acolho os embargos de declaração para reconhecimento da obscuridade no acórdão embargado a respeito do fundamento legal para sustentar a desnecessidade da despesa, tema identificado como segunda obscuridade pela embargante. O tema foi tratado pelo acórdão recorrido da forma seguinte, conforme voto vencedor, elaborado pelo exConselheiro Mário Junqueira Franco Júnior: No mais, as opções de financiamento utilizadas pela controlada no exterior não ferem em nada a legislação tributária, principalmente porque não temos no Brasil qualquer regra de limitação de dedutibilidade de encargos de financiamento pelo próprio sócio com relação à denominada "thin capitalization" ou subcapitalização, como ocorre no EEUU (no máximo 3 de financiamento do sócio para 1 de capital), ou no México ( 1,5 de financiamento para 1 de capital). Querer utilizarse do conceito da subcapitalização para limitar a dedutibilidade de encargos com empréstimo contraído da controladora no exterior, seria o mesmo que antes da legislação sobre preços de transferência, limitarse a dedutibilidade de Fl. 2526DF CARF MF Processo nº 16327.001870/200142 Acórdão n.º 9101002.478 CSRFT1 Fl. 2.527 31 custos na importação, sem qualquer critério legal, ou pior, glosandose integralmente o valor dos encargos. Ademais, os valores creditados ou remetidos em quitação do empréstimo têm regramento próprio quanto à sua tributação, sobre o total, sem deduções, fato que não é negado nem pela própria fiscalização. No presente caso o que ocorreu foi o envio de recursos para a aquisição de uma empresa brasileira, com ativos que sempre permaneceram no Brasil, a Kolynos do Brasil S.A. O mecanismo para isso pode ser tanto a efetiva capitalização ou o financiamento à subsidiária brasileira, no caso a K&S Aquisições Ltda. Outrossim, não concordo com o raciocínio da fiscalização, data venia, que o empréstimo tenha sido efetivado na verdade à empresa Albala, e não para a K&S Aquisições, pelo fato do depósito direto no Uruguai. As operações no Uruguai de (1) repasse de empréstimo à Albala, (2) aquisição ato contínuo da Yonkers, (3) incorporação desta pela Albala, e (4) quitação do empréstimo pela Albala, mediante entrega das ações da Kolynos do Brasil S.A., ocorreram em tempo recorde, pouco dias, deixando indene de dúvidas que serviram apenas de condução para a caracterização da venda no exterior, por motivos do vendedor e não do comprador. Na verdade, o empréstimo foi efetivamente concedido à subisidiária brasileira, para aquisição de uma empresa brasileira, fato confirmado pela quase instantaneidade das operações no Uruguai Lembro que a Lei nº 12.249/2010 estabeleceu em seu artigo 24 restrições à dedutibilidade de despesas na hipótese de subcapitalização e que o acórdão embargado reconhece a inexistência de normas que tratassem da subcapitalização ao tempo do fato gerador tratado nestes autos: Mas concordo com os doutrinadores já citados que o legislador pátrio não cuidou de modo específico da subcapitalização, pois inexiste no ordenamento jurídico nacional regras sobre o coeficiente de endividamento admissivel ou safe haven. Portanto, estáse diante de uma situação cuja definição precisa carece de base legal. Não obstante o reconhecimento da falta de norma a esse respeito, o v. acórdão embargado manteve a autuação fiscal, por entender que "a inexistência de regra específica tratando de tal estado, não tem o condão de afastar, de retirar do mundo jurídico, regras gerais inerentes à dedutibilidade das despesas para fins de apuração do IRPJ e da CSLL." (fls. 8 do acórdão). Portanto, a despeito de analisar a regra geral de dedutibilidade de despesa (299, do RIR/99), o acórdão embargado não elucida qual a norma jurídica que impediria a dedutibilidade de despesas com mútuo antes da Lei nº 12.249/2010. Até porque o próprio acórdão reconhece a aquisição da Kolynos e a efetividade desta aquisição com recursos Fl. 2527DF CARF MF Processo nº 16327.001870/200142 Acórdão n.º 9101002.478 CSRFT1 Fl. 2.528 32 mutuados foi reconhecida pelo Banco Central do Brasil (conforme decisão no acórdão CRSFN 7885/07, verbis: "7. ... Não há como separar a operação de empréstimo que permitiu a aquisição de ativos da Kolynos do restante das operaões realizadas pela Recorrente. Partindo se de tal premissa, já que a K&S, uma subsidiária brasileira da KAC, realmente obteve o controle dos negócios da Kolynos, por meio da Albala, sua subsidiária uruguaia, resta indiscutível que tal aquisição por K&S ocorreu com recursos emprestados à KAC. Isto é pacífico"). As razões pelas quais é reputada desnecessária a despesa (como o fato da Kolynos Corporation ser praticamente a única sóciaquotista da autuada) indicam que a Turma, à ocasião, vislumbrou hipótese de subcapitalização. Exatamente por isso é obscura a manutenção de lançamento quando o mesmo acórdão identifica a inexistência de normas que tratassem do "coeficiente de endividamento admissível". Por tais razões, voto por acolher os embargos de declaração também para reconhecimento desta obscuridade, com atribuição de efeitos infringentes neste ponto para negar provimento ao recurso especial da Procuradoria. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 2528DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.906565/2009-52
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 21/02/2002
PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-004.107
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
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Incidência sobre receitas de vendas a empresas sediadas na ZFM. Recorrente CRISTINA APARECIDA FREDERICH & CIA LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 21/02/2002 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 65 65 /2 00 9- 52 Fl. 252DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.906565/200952 Acórdão n.º 9303004.107 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, meio pelo qual busca a reforma do Acórdão nº 330201.033, que negou provimento ao recurso voluntário. Decidiu o colegiado a quo pela incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Cientificado do mencionado acórdão o sujeito passivo apresentou recurso especial suscitando divergência jurisprudencial quanto à isenção das contribuições sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e serviços para empresas com domicílio na Zona Franca de Manaus. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.934, de 07/06/2016, proferido no julgamento do processo 10650.902444/201141, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303003.934): "A matéria, única, posta ao exame do colegiado não é nova. Com efeito, já tivemos oportunidade de nos pronunciar sobre ela em diversas ocasiões, tendo eu firmado convicção pela inaplicabilidade de qualquer medida desonerativa (seja isenção, imunidade ou alíquota zero) aos fatos geradores anteriores a julho de 2004. No relatório da Dra. Vanessa consta que o contribuinte aduziu em seu recurso: "que: (a) o DecretoLei nº 288/67 equipara os efeitos das operações de venda para a Zona Franca de Manaus às exportações para o estrangeiro, sendolhes aplicáveis as vantagens fiscais estabelecidas pela legislação para as exportações, nos termos do seu art. 4º; (b) o Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido da não incidência de PIS sobre as receitas decorrentes das vendas para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus; (c) o Supremo Tribunal Fl. 253DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.906565/200952 Acórdão n.º 9303004.107 CSRFT3 Fl. 4 3 Federal, ao proferir liminar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’, contida no inciso I, do §2º do art. 14 da MP nº 2.03724/00, expressão suprimida do diploma legal pelo Poder Executivo ao editar, na mesma data, a MP nº 2.03725/2000; e, por fim, (d) não incide o PIS para os fatos geradores ocorridos em fevereiro de 2002, tendo em vista a revogação da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ do inciso I, §2º do art. 14 da MP nº 2.03725/2000 e a equiparação dos efeitos fiscais das vendas para a Zona Franca de Manaus às exportações para o exterior". Consideroos todos abarcados no voto que segue, proferido em sessão de 2011, no qual enfrentei ainda outros argumentos. Reconheço haver decisões do STJ em sentido oposto, mas, como nenhuma delas cumpre os requisitos do art. 62 do atual regimento interno desta Casa, peço vênia para continuar teimando. Disseo eu naquela ocasião: Vale iniciálo reenunciando o criativo entendimento da recorrente: a) não há necessidade de previsão legal expressa concessiva da isenção porque o decretolei 288 e o Ato Complementar 35/67 bastam; b) deferida isenção para exportações em geral, a vendas à ZFM está imediata e automaticamente estendida; c) tendo o Ato Complementar à Constituição de 67 a natureza de lei complementar, como pacificado em nossos Tribunais,. nenhuma lei ordinária o poderia revogar; d) a “revogação” pretendida somente vigorou entre ___ e ___, sendo de rigor reconhecer a isenção, ao menos, nos períodos anterior e posterior. Ainda que criativo, o raciocínio desenvolvido na defesa não merece prosperar cabendo a manutenção da decisão recorrida pelos motivos que se expõem em seguida. Em primeiro lugar, a premissa de que o decretolei 288 teria assegurado que todo e qualquer incentivo direcionado a promover as exportações deveria, imediata e automaticamente, ser estendido à Zona Franca de Manaus não resiste sequer ao primeiro dos métodos interpretativos consagradamente admitidos: a literalidade. É que tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.906565/200952 Acórdão n.º 9303004.107 CSRFT3 Fl. 5 4 Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia – pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Aliás, da interpretação dada pela recorrente a este último ato também divergimos. Deveras, pretende ela que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decretolei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM, como afirma a empresa. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego e renda para a região Norte. Para tanto, definiuse um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.906565/200952 Acórdão n.º 9303004.107 CSRFT3 Fl. 6 5 Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de algum daqueles incentivos que pode ser taxada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal Fl. 256DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.906565/200952 Acórdão n.º 9303004.107 CSRFT3 Fl. 7 6 que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. Com efeito, ouso divergir da conclusão exposta no Parecer PFGN 1789 no sentido de que tal ressalva se destinava apenas aos comandos insertos nos incisos IV, VI, VIII e IX. A razão para tanto é que aí ventilamse hipóteses intrinsecamente ligadas ao objetivo que o ato pretende incentivar: vendas para o exterior que trazem divisas para o país. Refirome aos incisos VIII (vendas com o fim de exportação a trading companies e demais empresas exportadoras) bem como o fornecimento de bordo a embarcações em tráfego internacional (ship’s Chandler). Além disso, a interpretação não apenas retira um incentivo, ela pressupõe um desincentivo: qualquer trading do decretolei 1.248/72, exportadora inscrita na SECEX ou ship’s Chandler instalada em outro ponto do território nacional terá vantagem em relação à que ali se instale. Não faz sentido tal discriminação contra a ZFM. A interpretação dada pela douta PGFN parece buscar um sentido para o comando do parágrafo de modo a não tornálo redundante. Fêlo, todavia, da pior forma, a meu sentir, pois fixouse no método literal esquecendose de considerar o motivo da norma. Realmente, uma cuidadosa leitura do parecer permite ler o artigo, com o respectivo parágrafo segundo, da seguinte forma: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, desde que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) NÃO esteja situada na ZFM. Com a exclusão do parágrafo: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, mesmo que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) esteja situada na ZFM. Ora, o objeto da isenção versada nesses dispositivos nada tem a ver com a localização da compradora mas com o que ela faz. É a atividade (exportação com conseqüente ingresso de divisas) que se quer incentivar. O que se tem de decidir é se a mera venda à ZFM, que não gera divisa nenhuma, deve a isso ser equiparado. Foi isso, em meu entender, que o parágrafo quis dizer: não é o que o Parecer da PGFN consegue nele ler. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.906565/200952 Acórdão n.º 9303004.107 CSRFT3 Fl. 8 7 Em conseqüência desse parecer, surgem decisões como as que ora se examinam: o pedido tinha a ver com venda a ZFM. A decisão abre a possibilidade de que tenha mesmo havido recolhimento indevido, mas por motivo completamente diverso. E mais, atribui ao contribuinte a prova dessa outra circunstância, que não motivara o seu pedido. Nonsense completo. Esse meu reconhecimento implica aceitar que o malsinado parágrafo estava sim se referindo, genericamente, às vendas à ZFM, ou, mais claramente, está ele a dizer que, para efeito do incentivo de PIS e COFINS, a mera venda a empresa sediada na ZFM não se equipara à exportação de que cuida o inciso II do ato legal em discussão. Mas, ao fazêlo, não está revogando dispositivo isentivo anterior: está simplesmente cumprindo o seu papel esclarecedor, ainda que nesse caso melhor fosse nada ter tentado esclarecer... Aliás, idêntico dispositivo esclarecedor poderia ter estado presente na LC 85 e na Lei 7.714 como já estivera no decretolei 491. Com isso, muita discussão travada administrativamente teria sido evitada ou transferida para o Judiciário. É a ausência de tal dispositivo e sua presença na nova lei que cria o imbróglio. Ele não leva, contudo, em minha opinião, à interpretação simplória de que tal ausência implicasse haver isenção. Para isso, primeiro, se tem de admitir que basta o Decretolei 288. Essa interpretação, pareceme, está em maior consonância com o espírito legisferante, pois não faz sentido considerar que uma norma que procura incentivar as exportações tenha instituído uma discriminação contra uma região (região, aliás, que sempre se procurou incentivar) em operações que produzem o mesmo resultado: a geração de divisas internacionais. A minha conclusão é, assim, de que mesmo entre 1º de fevereiro de 1999 e 31 de dezembro de 2000 há, sim, isenção das contribuições naquelas hipóteses, ainda que a empresa esteja situada na ZFM. Em outras palavras, a localização da empresa não é impeditivo à fruição do incentivo à exportação, desde que cumprido o que está previsto naqueles incisos. Mas tampouco há isenção APENAS PORQUE A COMPRADORA LÁ ESTEJA. Nos recursos ora em exame, esse foi o fundamento do pedido e a ele deveria terse restringido a DRJ. Nesses termos, só causa mais imbróglio a afirmação constante no acórdão recorrido de que “haveria direito” no período de 1º de janeiro de 2001 a julho de 2004 mas não estava ele adequadamente comprovado. Simplesmente não há o direito na forma requerida. E por isso mesmo não cabe a pretensão do contribuinte de que a Administração adapte o seu pedido fazendo as pesquisas internas que permitam apurar se alguma das empresas por ele listadas na planilha referida se enquadra naquelas disposições. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.906565/200952 Acórdão n.º 9303004.107 CSRFT3 Fl. 9 8 O máximo que se poderia admitir, dado o teor da decisão, era que, em grau de recurso, trouxesse a empresa tal prova. Não o fez, porém, limitandose a postular a nulidade da decisão porque não determinou aquelas diligências. Não sendo obrigatória a realização de diligências, como se sabe (art. __ do Decreto 70.235), sua ausência não acarreta nulidade da decisão proferida por quem legalmente competente para tal. Cabe sim manter aquela decisão dado que o contribuinte não comprovou o seu direito como lhe exigem o Decreto 70.235, a Lei 9.784 e o próprio Código Civil (art. 333). Com tais considerações, nego provimento ao recurso do contribuinte. Com essas mesmas considerações, votei, também aqui, pelo não provimento do recurso do contribuinte, sendo esse o acórdão que me coube redigir." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial do contribuinte, em razão da incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas efetuadas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 259DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10830.006793/2006-55
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 11 00:00:00 UTC 2010
Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - OMISSÃO SUPRIMENTO - Dá-se
provimento aos Embargos de Declaração, suprindo-se a omissão, quando demonstrado que a decisão embargada se omitira acerca de ponto sobre o qual devia se pronunciar.
Numero da decisão: 1302-000.188
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos para no mérito dar provimento e negar provimento ao recurso de oficio. Acompanhou o julgamento o Representante Legal da Recorrente Dr. Evandro Blumer - OAB/SP n° 247.659.
Nome do relator: Paulo Jacinto do Nascimento
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-07-14T13:38:30Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 6; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-07-14T13:38:30Z; Last-Modified: 2011-07-14T13:38:30Z; dcterms:modified: 2011-07-14T13:38:30Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:780ad3fa-be14-4f7d-a5af-5060bbf31b41; Last-Save-Date: 2011-07-14T13:38:30Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-07-14T13:38:30Z; meta:save-date: 2011-07-14T13:38:30Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-07-14T13:38:30Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-07-14T13:38:30Z; created: 2011-07-14T13:38:30Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 2; Creation-Date: 2011-07-14T13:38:30Z; pdf:charsPerPage: 1374; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-07-14T13:38:30Z | Conteúdo => SI-C3T2 Fl. I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° Recurso n° Acórdão n° Sessão de Matéria Embargante Interessado 10830.006793/2006-55 161.785 Embargos 1302-00.188 — 3' Câmara / 2 Turma Ordinária 11 de março de 2010 IRPJ E OUTROS - Ex(s) 2002. PACKTEC COMÉRCIO DE PRODUTOS PLÁSTICOS LTDA. SEGUNDA TURMA ORDINÁRIA DA TERCEIRA CÂMARA DA PRIMEIRA SEÇÃO DO CARF EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - OMISSÃO SUPRIMENTO - Dá- se provimento aos Embargos de Declaração, suprindo-se a omissão, quando demonstrado que a decisão embargada se omitira acerca de ponto sobre o qual devia se pronunciar Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos para no mérito dar provimento e negar provimento ao recurso de oficio. Acompanhou o julgamento o Representante Legal da Recorrente Dr. Evandro Blumer - OAB/SP n° 247.659. MARCOS RODRIGUES DE ELLO - Presidente PAULO JA 0 DO' NASCIMENTO - Relator ' -Pe - fO% 4 EDITADO EMT I.; it k • •iU LJI Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson femandes Guimarães, Paulo Jacinto do Nascimento, Marcelo de Assis guerra (Suplente), Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Eduardo de Andrade, Irineu Bianchi (Vice-Presidente) e Marcos Rodrigues de Mello (Presidente). SCIMENTO - Relator ,PAULO JACIN Relatório e Voto Trata-se de Embargos de Declaração interpostos pela DRF/LIMEIRA-SP em face do Acórdão n° 105-17.125 de 13 de agosto de 2008, que se omitira acerca do recurso de Com razão o Embargante. Com efeito, embora o acórdão embargado haja decidido que o prazo decadencial para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação é de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, deixou de se pronunciar expressamente sobre a exclusão do crédito tributário de IRPJ relativo aos três primeiros trimestres do ano-calendário de 2001 feita pela autoridade julgadora de primeira instancia ensej adora do recurso de oficio. Datando de 22 de dezembro de 2006 a ciência do lançamento, houve-se bem o julgador de primeiro grau ao reconhecer a aludida decadência e, em consequência excluir as exigências correspondentes. Sendo esse o único objeto do recurso de oficio, impõe-se o seu improvimento. Diante disso, provejo os Embargos de Declaração, re-ratificando o Acórdão n° 105-17.125, de 13 de agosto de 2008, para fazer constar da sua ementa: "Recurso de oficio improvido. Recurso Voluntário parcialmente provido". Sala das Sessões, DF, 11 de m ço de 2010. 2
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Numero do processo: 16327.002207/99-15
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 9101-000.016
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, devolver os autos ao Presidente da câmara a quo para proferir novo despacho de admissibilidade, para manifestar-se em relação à contrariedade à lei e, também, em relação à contrariedade à prova dos autos, de forma a contemplar todos os pontos elencados no recurso, vencidos os conselheiros André Mendes de Moura (Relator), Adriana Gomes Rego e Rafael Vidal de Araújo. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Ronaldo Apelbaum (suplente convocado).
(Assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente
(Assinado digitalmente)
ANDRE MENDES DE MOURA - Relator
(Assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Redator Designado
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, devolver os autos ao Presidente da câmara a quo para proferir novo despacho de admissibilidade, para manifestarse em relação à contrariedade à lei e, também, em relação à contrariedade à prova dos autos, de forma a contemplar todos os pontos elencados no recurso, vencidos os conselheiros André Mendes de Moura (Relator), Adriana Gomes Rego e Rafael Vidal de Araújo. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. Declarouse impedido de participar do julgamento o conselheiro Ronaldo Apelbaum (suplente convocado). (Assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente (Assinado digitalmente) ANDRE MENDES DE MOURA Relator (Assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Redator Designado RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .0 02 20 7/ 99 -1 5 Fl. 422DF CARF MF Impresso em 23/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.002207/9915 Resolução nº 9101000.016 CSRFT1 Fl. 423 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional PGFN (efls. 371 e segs) em face da decisão proferida no Acórdão nº 10196.278 (efls. 358 e segs), pela Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, na sessão de 10/08/2007, no qual foi dado provimento ao recurso voluntário da contribuinte para considerar válida a manifestação do contribuinte para o PERC Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais. Dos Fatos O despacho da Delegacia Especial de Instituições Financeiras em São Paulo (e fl. 60) indeferiu a solicitação do PERC, relativa aos exercícios de 1995, 1996 e 1997, por terem as correspondentes declarações de rendimentos sido entregues fora do exercício de competência, aplicando o disposto no Ato Declaratório Normativo CST nº 26, de 18/11/1985: "Não fará jus à opção para aplicação em Incentivos Fiscais especificados no artigo 503 a 510 do RIR/80 a pessoa jurídica que apresentar declaração de rendimentos ou retificação desta fora do exercício de competência, mesmo com imposto parcial ou totalmente recolhido no exercício correspondente". Da Fase Contenciosa A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, em face do despacho da unidade preparadora. Alegou que efetuou a apresentação das declarações de rendimentos dos exercícios de 1995, 1996 e 1997 fora do prazo por conta de eventos absolutamente excepcionais, complexos e alheios à sua vontade. Esclareceu que estava submetida ao Regime de Administração Especial Temporária (Decretolei n° 2.321187) desde 31/12/94, sob intervenção do Banco Central, que nos termos determinados pela liminar concedida pelo MM Juízo da 31ª Vara Cível do Foro Central de São Paulo nos autos da Medida Cautelar n°1695195 não autorizou a elaboração do balanço patrimonial da empresa, óbice que só foi superado em 24/11/97, com a publicação da Resolução do Senado Federal n° 118, que aprovou o contrato de assunção de divida firmado com a União Federal, com interveniência do Estado de São Paulo, bem como o de confissão, promessa de assunção, consolidação e refinanciamento de dívidas entre a União Federal e o Estado de São Paulo, que permitiu não somente a elaboração dos balanços patrimoniais relativos aos exercícios de 1994, 1995 e 1996, como também a apresentação das correspondentes declarações de rendimentos, nos termos do art. 859 do RIR/94. A 8ª Turma de Julgamento da DRJ/São Paulo 1, na sessão realizada em 15/03/2005, decidiu indeferir a solicitação da contribuinte (Acórdão nº 6.687 de efls. 84 e segs.), conforme ementa a seguir: PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS PERC. DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS APRESENTADA FORA DO EXERCÍCIO DE COMPETÊNCIA. A pessoa jurídica que apresentar declaração de rendimentos fora do exercício de competência, não faz jus à opção para aplicação em incentivos fiscais. Irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário (efls. 103 e segs), reforçando os argumentos expostos na manifestação de inconformidade. Ainda, discorre sobre a inaplicabilidade do Ato Declaratório Normativo CST nº 26/85 por falta de base legal, vez que os dispositivos no RIR que regem a exclusão ou restrição de gozo de incentivos fiscais não consideram o atraso na entrega de declaração de rendimentos hipótese de exclusão. Fl. 423DF CARF MF Impresso em 23/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.002207/9915 Resolução nº 9101000.016 CSRFT1 Fl. 424 3 A Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, ao apreciar o recurso, decidiu converter o julgamento em diligência (Resolução nº 10102.545, efls. 151 e segs), para aplicar o disposto no art. 60 da Lei nº 9.065, de 1995, que condiciona a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo fiscal à comprovação da quitação de tributos e contribuições federais, e, por consequência, questionar à unidade preparadora se (1) a contribuinte recolheu os valores correspondentes à dedução do imposto conforme determina a legislação (em DARF com códigos específicos com a indicação do fundo beneficiário), e (2) na data de entrega das declarações a empresa estaria sem nenhum débito em aberto. Em petição (efls. 295 e segs) a contribuinte esclareceu que exerceu a opção de destinar parte do crédito do IRPJ devido para os Fundos de Investimentos FINAM e FINOR nas DIPJs, e que não efetuou o recolhimento do benefício fiscal em guia separada, com código específico, tendo efetuado o recolhimento de todo o IRPJ com base na estimativa mensal a que são obrigadas as instituições financeiras em um único código sem destinação específica, de acordo com a legislação em vigor á época. Assevera que não haveria obrigação de efetuar recolhimento em DARF com código específico. O despacho da Delegacia Especial de Instituições Financeiras em São Paulo (e fl. 356), em resposta à diligência, afirma, quanto ao primeiro quesito, que não foram efetuados recolhimentos em guia separada com código específico, e ao segundo, que a administração tributária não teria como confirmar se na data de entrega da declaração haveria algum débito tributário não quitado. A Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, ao apreciar o resultado da diligência e os autos do processo, deu provimento ao recurso voluntário da contribuinte, no Acórdão nº 10196.278 (efls. 358 e segs), nos termos da ementa: FEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FiSCAIS — PERC — DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS APRESENTADA FORA DO EXERCÍCIO DE COMPETÊNCIA — A apresentação de declaração fora do prazo (mesmo que fora do exercício de competência) não prejudica a opção manifestada, mormente quando o contribuinte encontrarse submetido ao Regime de Administração Especial Temporária. (...) ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Sandra Maria Faroni (Relatora), Paulo Roberto Cortes e Caio Marcos Cândido, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Valmir Sandri. Foi interposto Recurso Especial pela PGFN (efls. 371 e segs.), com base na contrariedade à evidência das provas. Afirma que o resultado da diligência informou que os recolhimentos não foram efetuados dentro do exercício de competência e conforme requisitos estabelecidos pela legislação, e, ainda assim, o acórdão recorrido deu provimento ao recurso da contribuinte. O despacho de exame de admissibilidade de efl. 382 deu seguimento ao recurso. Foram apresentadas pela contribuinte contrarrazões (efls. 386 e segs) que ratificaram os argumentos do recurso voluntário. É o relatório. Fl. 424DF CARF MF Impresso em 23/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.002207/9915 Resolução nº 9101000.016 CSRFT1 Fl. 425 4 Voto Vencido Conselheiro André Mendes de Moura, Relator Quanto à admissibilidade, adoto as razões do Despacho de Admissibilidade de efl. 382, com fulcro no art. 50, § 1º da Lei nº 9.784, de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, e conheço do Recurso Especial. Trata a lide sobre a possibilidade de se gozar benefício fiscal (PERC), em situação no qual a contribuinte apresentou das declarações de rendimentos fora do exercício de competência. Justificase a contribuinte que a entrega deuse fora do prazo porque (1) estava submetida a intervenção do Banco Central, sob o Regime de Administração Especial Temporária RAET (Decretolei n° 2.321187) desde 31/12/94, (2) o Banco Central não havia autorizado a elaboração do balanço patrimonial, nos termos da liminar concedida pelo Juízo da 31ª Vara Cível do Foro Central de São Paulo nos autos da Medida Cautelar n°1695195; e (3) tal óbice foi superado apenas em 24/11/97, com a publicação da Resolução do Senado Federal n° 118, que aprovou o contrato de assunção de divida firmado com a União Federal, com interveniência do Estado de São Paulo, oportunidade em que promoveu a elaboração dos balanços patrimoniais relativos aos exercícios de 1994, 1995 e 1996, como também a apresentação das correspondentes declarações de rendimentos. Em face do que predica o art. 60 da Lei nº 9.065, de 1995 (que condiciona a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo fiscal à comprovação da quitação de tributos e contribuições federais), a Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes determinou diligência para verificar se a contribuinte teria efetuado os recolhimentos em DARF com códigos específicos com a indicação do fundo beneficiário, conforme determinado pela legislação, e se havia débitos sem quitação no momento da opção. O resultado da diligência indicou que os recolhimentos não foram efetuados em guia específica, e que não seria possível averiguar se a contribuinte estaria sem débitos no momento da opção. A turma a quo decidiu dar provimento ao recurso da contribuinte, por entender que a pessoa jurídica, por estar submetida a intervenção do Banco Central, não poderia ser penalizada pela administração pública, por uma obrigação que cabia a ela própria fazêla até porque, a liminar concedida, não a proibiu de apresentar as declarações de rendimentos ou qualquer outra obrigação acessória perante a Secretaria da Receita Federal (efl. 367). A recorrente (PGFN) protesta pela decisão ter sido contrária ao resultado da diligência, que indicou que a contribuinte não teria atendido os requisitos para o gozo do benefício fiscal. São os fatos. Apesar de não ser aplicável ao caso concreto, a Súmula CARF nº 37 mostrase útil para a análise do caso concreto: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. Assim, resta claro que a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período em que se deu a opção para fruição do incentivo fiscal, e que a prova de Fl. 425DF CARF MF Impresso em 23/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.002207/9915 Resolução nº 9101000.016 CSRFT1 Fl. 426 5 quitação pode se dar em qualquer momento da fase contenciosa. Ou seja, a análise deve ser feita considerandose a situação da contribuinte na época em que foi requerido o benefício fiscal, ou seja, se estava com suas obrigações tributárias em dia no período em que fez a opção. No caso, exercícios de 1995, 1996 e 1997. Portanto, não há que se falar em verificação do status da contribuinte para exercícios posteriores. Ocorre que alega a contribuinte que não estaria quite com suas obrigações tributárias no período determinado pela lei porque estava sob regime de intervenção e em razão de determinação judicial. Contudo, teria efetuado a opção pelo benefício fiscal assim que sua situação jurídica foi normalizada, em dezembro de 1997, quando efetuou o envio das declarações e recolhimentos. Há que se apreciar o contexto em que se processou a mencionada ação judicial. Em 1994, a contribuinte era credora de empresas estatais e do Estado de São Paulo, consolidandose um considerável "rombo" em suas contas. Na ocasião, discutiase a assunção da dívida pela União e a federalização da instituição financeira. A contribuinte revelou intenção de no seu balanço efetuar provisionamento da dívida, o que resultaria em patrimônio líquido negativo. Então, o exGovernador e exSecretário de Fazenda do Estado de São Paulo ajuizaram medida liminar, no sentido de impedir a constituição da provisão, que foi concedida pelo Poder Judiciário. A contribuinte apresentou contestação em 29/08/1995. Posteriormente, em 22/05/1997, o Estado de São Paulo firmou acordo com a União e a contribuinte, no sentido de obter o refinanciamento de toda a dívida pública estadual. Assim, o Conselho Monetário Nacional (CMN) autorizou a contribuinte a não constituir a referida provisão nos balanços de 1994 e anos seguintes. Os balanços foram publicados no DOU do Estado de São Paulo na edição de 27/12/1997. O processo foi extinto sem julgamento de mérito, em razão de a contribuinte ter publicado os balanços conforme o pedido dos autores da ação. Vale transcrever o dispositivo da medida liminar: INTIME o requerido BANCO DO ESTADO DE SÃO PAULO S/A. BANESPA, na pessoa de seu representante legal, para que, nos termos da o liminar deferida por este Juízo, nesta data (v. copia anexa do r. despacho de fls. 49/51), abstenhase de incluir no seu balanço de 1994, a titulo de "provisão para devedores duvidosos" ou de difícil liquidação" ou de "passivo a descoberto" ou a qualquer outro titulo, o valor correspondente das dividas do Estado de São Paulo e de suas Estatais, que não estariam vencidas ate aquela data e, caso já tenha sido ultimado o referido balanço, que impeça a sua publicação; sob pena de incorrer na prática de crime de desobediência a ordem judicial; (...) Verificase que a decisão não foi no sentido de impedir a constituição dos balanços, mas estritamente não incluir como provisionamento as dívidas do Estado de São Paulo e estatais. Não havia, portanto, óbice à apresentação dos balanços contábeis. Havia, sim, determinação judicial, contestada pela contribuinte, de não se provisionar determinadas dívidas. Em relação à intervenção, RAET, peço vênia para transcrever fragmento do voto vencido na resolução de diligência da câmara baixa (efls. 156/157): Fl. 426DF CARF MF Impresso em 23/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.002207/9915 Resolução nº 9101000.016 CSRFT1 Fl. 427 6 Pois bem, existem três formas de intervenção em que o Banco Central pode interferir na administração das instituições financeiras, quais sejam: I A Liquidação Extrajudicial que é o instrumento mais drástico de que dispõe o BACEN. Ele somente é utilizado quando caracterizada alguma das hipóteses do artigo 15, I, da Lei n 2 6.027/74, que descreve situações de comprometimento financeiro irremediável da instituição ou de violação de norma que vise a garantir a segurança dos investidores e do mercado financeiro em geral. A liquidação extrajudicial busca o mesmo objetivo final da falência, ou seja, a alienação do ativo para satisfação do passivo, com o conseqüente fim da atividade comercial. A própria Lei nº 26.024/74 determina, em seu art. 34, a aplicação subsidiária da legislação falimentar ao procedimento da liquidação extrajudicial. Não obstante, embora as formas se aproximem muito, a liquidação de instituição financeira preocupase basicamente com o interesse público envolvido no caso tendo em vista a peculiaridade do mercado financeiro e sua importância estrutural para a economia. II A Intervenção que tem por objetivo tentar preservar a instituição financeira e a estabilidade do mercado, corrigindo as anomalias existentes. A intervenção cessará, dentre outros motivos, se decretada a falência ou a liquidação extrajudicial da entidade, cabendo ao Banco Central, neste caso, praticar os atos necessários à liquidação da instituição, por meio de um liquidante. III O RAET finalmente, temos o Regime de Administração Especial Temporária — RAET, regulado pelo Decretolei n 2 2.321/87, o qual consiste em um regime excepcional alternativo ao da intervenção, que deve ser decretado pelo Banco Central quando se verifique, por exemplo, a prática reiterada de operações contrárias às diretrizes de política econômica traçadas em lei federal, a existência de passivo a descoberto ou, ainda, a gestão temerária ou fraudulenta por parte dos administradores (art. 1º), a fim de normalizar a situação da instituição financeira. Assim como a intervenção e a liquidação extrajudicial, o RAET também consubstancia manifestação típica do poder de polícia na ordem econômicofinanceira. Porém, o que realmente o diferencia é a possibilidade, conquanto já se tenha decretado o regime especial, de continuação regular dos negócios da instituição financeira, de modo a afastar o risco de crise sistêmica do mercado, conforme estabelecido no artigo 2º do citado decretolei: "Art. 2º A decretação da administração especial temporária não afetará o curso regular dos negócios da entidade nem seu normal funcionamento e produzirá, de imediato, a perda do mandado dos administradores e membros do Conselho Fiscal da instituição". (grifei) As instituições financeiras submetidas ao RAET mantinham os negócios funcionando regularmente, sem nenhum óbice para o cumprimento de suas obrigações tributárias. Fato incontroverso é que a contribuinte, no caso, prosseguiu com suas atividades operacionais durante os anos de intervenção. Ou seja, a medida liminar não impediu a contribuinte de elaborar seus balanços. E o regime de intervenção não criou óbice para o cumprimento de suas obrigações tributárias. Na realidade, o que se observa é que, uma vez celebrado acordo entre o Estado de São Paulo, União e a contribuinte, o Conselho Monetário Nacional autorizou a não inclusão no balanço do Fl. 427DF CARF MF Impresso em 23/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.002207/9915 Resolução nº 9101000.016 CSRFT1 Fl. 428 7 provisionamento das dívidas. Em nenhum momento, falouse em proibição de elaborar os balanços contábeis ou e de se descumprir obrigações tributárias. Portanto, aplicandose as condições dispostas na Súmula CARF nº 37, na época dos exercícios em debate, a contribuinte não gozava de regularidade fiscal. E, ainda que se pudesse superar tal aspecto, e considerar as declarações encaminhadas de forma extemporânea, os fatos narrados nos autos não socorrem a contribuinte. Isso porque o RIR/94 predicava: Art 611. A pessoa jurídica tributada com base no lucro real mensal que optar pela dedução prevista nos arts. 619, 621 e 623 recolherá nas agências bancárias arrecadadoras de tributos federais, mediante Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf) com código específico e indicação do Fundo de Investimento beneficiário, o valor correspondente a cada parcela ou ao total do desconto, observado o disposto nos parágrafos do art. 904 (Lei n° 8.167/91, art. 30) E, conforme resultado da diligência encaminhada pela turma a quo, os recolhimentos apresentados foram efetuados sob um código genérico, sem a devida indicação do Fundo de Investimento beneficiário. Como se pode observar, a justificativa da contribuinte, de que a opção poderia ser feita em duas hipóteses independentes, uma mediante informação na DIPJ e outra recolhimentos com código específico, não encontra amparo legal. Não há nenhuma previsão para se afastar condição estabelecida no art. 611 do RIR/99. Ainda, restou demonstrado que os recolhimentos não ocorreram dentro do exercício de competência. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer o recurso da PGFN, e, no mérito, dar provimento. (Assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 428DF CARF MF Impresso em 23/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.002207/9915 Resolução nº 9101000.016 CSRFT1 Fl. 429 8 Voto Vencedor Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, Redator designado Tratase de recurso da PGFN com base no art. 7º, inciso I, do antigo Regimento Interno da CSRF (Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007), interposto em 28/08/2008, que tinha a seguinte redação: Art. 7º Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais, por suas Turmas, julgar recurso especial interposto contra: I decisão nãounânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova; e (Negritouse) II decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. ... Ao fazer a análise de admissibilidade conclui o P. da Primeira Câmara do 1º CC entendeu que (fl. 322): Tendo sido tempestiva a 'apresentação do recurso, c observada a condição estabelecida no parágrafo 1°. do art, 7º do referido Regimento Interno, qual seja. A demonstração da contrariedade a lei ou a evidência da prova, visto que a recorrente, em tese, fundamentou, à sociedade, a alegada contrariedade à lei no que tange ao Regime de Administração Especial TemporáriaRAET, DOU SEGUIMENTO ao recurso interposto pela Fazenda Nacional. Ocorre que a PGFN se insurgiu contra dois aspectos do Acórdão recorrido, i.e., tanto por contrariedade à lei quanto ao julgado ser contrário à evidência de prova (fls.311320), mais especificamente no item II.1 (fls. 316319). Assim, não se manifestou a análise de admissibilidade sobre ao tema da contrariedade à prova dos autos. Ocorre que foi este o entendimento do Colegiado, e.i., que o o encaminhamento é no sentido de que decisão pode ter sido contrária à prova dos autos, já que a maioria entendeu que a contrariedade à lei é questionável, mormente porque a contrariedade se refere ao Ato Declaratório CST n. 26 da RFB. Entendo que se a T. prosseguir no julgamento analisando e considerando o tema da contrariedade à prova dos autos sem que tenha sido analisado este aspecto pela autoridade incumbida de analisar admissibilidade, correse o risco de supressão de fases processuais, e de recursos cabíveis (á época era possível a interposição de agravo, recurso reintroduzido com a alteração ao RICARF atualmente em vigor (Portaria MF nº 343, de 9 de junho do 2015, conforme alterada pela Portaria nº 152, de 3 de maio de 2016)). Assim, encaminho no sentido de que o processo deve retornar à Câmara de origem para que complemente o despacho de admissibilidade no processo, para que o Presidente da Câmara possa se manifestar em relação à contrariedade à prova dos autos e também em à contrariedade à lei, de forma a contemplar todos os pontos elencados no recurso. É como voto. (Assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Fl. 429DF CARF MF Impresso em 23/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 13819.903329/2008-17
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/06/2002 a 30/06/2002
PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-004.055
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Incidência sobre receitas de vendas a empresas sediadas na ZFM. Recorrente THREE BOND DO BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2002 a 30/06/2002 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 33 29 /2 00 8- 17 Fl. 151DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13819.903329/200817 Acórdão n.º 9303004.055 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, meio pelo qual busca a reforma do Acórdão nº 3402001.414, que negou provimento ao recurso voluntário. Decidiu o colegiado a quo pela incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Cientificado do mencionado acórdão o sujeito passivo apresentou recurso especial suscitando divergência jurisprudencial quanto à isenção das contribuições sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e serviços para empresas com domicílio na Zona Franca de Manaus. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.934, de 07/06/2016, proferido no julgamento do processo 10650.902444/201141, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303003.934): "A matéria, única, posta ao exame do colegiado não é nova. Com efeito, já tivemos oportunidade de nos pronunciar sobre ela em diversas ocasiões, tendo eu firmado convicção pela inaplicabilidade de qualquer medida desonerativa (seja isenção, imunidade ou alíquota zero) aos fatos geradores anteriores a julho de 2004. No relatório da Dra. Vanessa consta que o contribuinte aduziu em seu recurso: "que: (a) o DecretoLei nº 288/67 equipara os efeitos das operações de venda para a Zona Franca de Manaus às exportações para o estrangeiro, sendolhes aplicáveis as vantagens fiscais estabelecidas pela legislação para as exportações, nos termos do seu art. 4º; (b) o Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido da não incidência de PIS sobre as receitas decorrentes das vendas para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus; (c) o Supremo Tribunal Fl. 152DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13819.903329/200817 Acórdão n.º 9303004.055 CSRFT3 Fl. 4 3 Federal, ao proferir liminar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’, contida no inciso I, do §2º do art. 14 da MP nº 2.03724/00, expressão suprimida do diploma legal pelo Poder Executivo ao editar, na mesma data, a MP nº 2.03725/2000; e, por fim, (d) não incide o PIS para os fatos geradores ocorridos em fevereiro de 2002, tendo em vista a revogação da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ do inciso I, §2º do art. 14 da MP nº 2.03725/2000 e a equiparação dos efeitos fiscais das vendas para a Zona Franca de Manaus às exportações para o exterior". Consideroos todos abarcados no voto que segue, proferido em sessão de 2011, no qual enfrentei ainda outros argumentos. Reconheço haver decisões do STJ em sentido oposto, mas, como nenhuma delas cumpre os requisitos do art. 62 do atual regimento interno desta Casa, peço vênia para continuar teimando. Disseo eu naquela ocasião: Vale iniciálo reenunciando o criativo entendimento da recorrente: a) não há necessidade de previsão legal expressa concessiva da isenção porque o decretolei 288 e o Ato Complementar 35/67 bastam; b) deferida isenção para exportações em geral, a vendas à ZFM está imediata e automaticamente estendida; c) tendo o Ato Complementar à Constituição de 67 a natureza de lei complementar, como pacificado em nossos Tribunais,. nenhuma lei ordinária o poderia revogar; d) a “revogação” pretendida somente vigorou entre ___ e ___, sendo de rigor reconhecer a isenção, ao menos, nos períodos anterior e posterior. Ainda que criativo, o raciocínio desenvolvido na defesa não merece prosperar cabendo a manutenção da decisão recorrida pelos motivos que se expõem em seguida. Em primeiro lugar, a premissa de que o decretolei 288 teria assegurado que todo e qualquer incentivo direcionado a promover as exportações deveria, imediata e automaticamente, ser estendido à Zona Franca de Manaus não resiste sequer ao primeiro dos métodos interpretativos consagradamente admitidos: a literalidade. É que tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13819.903329/200817 Acórdão n.º 9303004.055 CSRFT3 Fl. 5 4 Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia – pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Aliás, da interpretação dada pela recorrente a este último ato também divergimos. Deveras, pretende ela que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decretolei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM, como afirma a empresa. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego e renda para a região Norte. Para tanto, definiuse um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13819.903329/200817 Acórdão n.º 9303004.055 CSRFT3 Fl. 6 5 Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de algum daqueles incentivos que pode ser taxada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal Fl. 155DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13819.903329/200817 Acórdão n.º 9303004.055 CSRFT3 Fl. 7 6 que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. Com efeito, ouso divergir da conclusão exposta no Parecer PFGN 1789 no sentido de que tal ressalva se destinava apenas aos comandos insertos nos incisos IV, VI, VIII e IX. A razão para tanto é que aí ventilamse hipóteses intrinsecamente ligadas ao objetivo que o ato pretende incentivar: vendas para o exterior que trazem divisas para o país. Refirome aos incisos VIII (vendas com o fim de exportação a trading companies e demais empresas exportadoras) bem como o fornecimento de bordo a embarcações em tráfego internacional (ship’s Chandler). Além disso, a interpretação não apenas retira um incentivo, ela pressupõe um desincentivo: qualquer trading do decretolei 1.248/72, exportadora inscrita na SECEX ou ship’s Chandler instalada em outro ponto do território nacional terá vantagem em relação à que ali se instale. Não faz sentido tal discriminação contra a ZFM. A interpretação dada pela douta PGFN parece buscar um sentido para o comando do parágrafo de modo a não tornálo redundante. Fêlo, todavia, da pior forma, a meu sentir, pois fixouse no método literal esquecendose de considerar o motivo da norma. Realmente, uma cuidadosa leitura do parecer permite ler o artigo, com o respectivo parágrafo segundo, da seguinte forma: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, desde que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) NÃO esteja situada na ZFM. Com a exclusão do parágrafo: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, mesmo que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) esteja situada na ZFM. Ora, o objeto da isenção versada nesses dispositivos nada tem a ver com a localização da compradora mas com o que ela faz. É a atividade (exportação com conseqüente ingresso de divisas) que se quer incentivar. O que se tem de decidir é se a mera venda à ZFM, que não gera divisa nenhuma, deve a isso ser equiparado. Foi isso, em meu entender, que o parágrafo quis dizer: não é o que o Parecer da PGFN consegue nele ler. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13819.903329/200817 Acórdão n.º 9303004.055 CSRFT3 Fl. 8 7 Em conseqüência desse parecer, surgem decisões como as que ora se examinam: o pedido tinha a ver com venda a ZFM. A decisão abre a possibilidade de que tenha mesmo havido recolhimento indevido, mas por motivo completamente diverso. E mais, atribui ao contribuinte a prova dessa outra circunstância, que não motivara o seu pedido. Nonsense completo. Esse meu reconhecimento implica aceitar que o malsinado parágrafo estava sim se referindo, genericamente, às vendas à ZFM, ou, mais claramente, está ele a dizer que, para efeito do incentivo de PIS e COFINS, a mera venda a empresa sediada na ZFM não se equipara à exportação de que cuida o inciso II do ato legal em discussão. Mas, ao fazêlo, não está revogando dispositivo isentivo anterior: está simplesmente cumprindo o seu papel esclarecedor, ainda que nesse caso melhor fosse nada ter tentado esclarecer... Aliás, idêntico dispositivo esclarecedor poderia ter estado presente na LC 85 e na Lei 7.714 como já estivera no decretolei 491. Com isso, muita discussão travada administrativamente teria sido evitada ou transferida para o Judiciário. É a ausência de tal dispositivo e sua presença na nova lei que cria o imbróglio. Ele não leva, contudo, em minha opinião, à interpretação simplória de que tal ausência implicasse haver isenção. Para isso, primeiro, se tem de admitir que basta o Decretolei 288. Essa interpretação, pareceme, está em maior consonância com o espírito legisferante, pois não faz sentido considerar que uma norma que procura incentivar as exportações tenha instituído uma discriminação contra uma região (região, aliás, que sempre se procurou incentivar) em operações que produzem o mesmo resultado: a geração de divisas internacionais. A minha conclusão é, assim, de que mesmo entre 1º de fevereiro de 1999 e 31 de dezembro de 2000 há, sim, isenção das contribuições naquelas hipóteses, ainda que a empresa esteja situada na ZFM. Em outras palavras, a localização da empresa não é impeditivo à fruição do incentivo à exportação, desde que cumprido o que está previsto naqueles incisos. Mas tampouco há isenção APENAS PORQUE A COMPRADORA LÁ ESTEJA. Nos recursos ora em exame, esse foi o fundamento do pedido e a ele deveria terse restringido a DRJ. Nesses termos, só causa mais imbróglio a afirmação constante no acórdão recorrido de que “haveria direito” no período de 1º de janeiro de 2001 a julho de 2004 mas não estava ele adequadamente comprovado. Simplesmente não há o direito na forma requerida. E por isso mesmo não cabe a pretensão do contribuinte de que a Administração adapte o seu pedido fazendo as pesquisas internas que permitam apurar se alguma das empresas por ele listadas na planilha referida se enquadra naquelas disposições. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13819.903329/200817 Acórdão n.º 9303004.055 CSRFT3 Fl. 9 8 O máximo que se poderia admitir, dado o teor da decisão, era que, em grau de recurso, trouxesse a empresa tal prova. Não o fez, porém, limitandose a postular a nulidade da decisão porque não determinou aquelas diligências. Não sendo obrigatória a realização de diligências, como se sabe (art. __ do Decreto 70.235), sua ausência não acarreta nulidade da decisão proferida por quem legalmente competente para tal. Cabe sim manter aquela decisão dado que o contribuinte não comprovou o seu direito como lhe exigem o Decreto 70.235, a Lei 9.784 e o próprio Código Civil (art. 333). Com tais considerações, nego provimento ao recurso do contribuinte. Com essas mesmas considerações, votei, também aqui, pelo não provimento do recurso do contribuinte, sendo esse o acórdão que me coube redigir." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial do contribuinte, em razão da incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas efetuadas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 158DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 13431.000085/2002-78
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 11 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano calendário: 1997
EMENTA: NORMAS PROCESSUAIS. INTEMPESTIVIDADE. Por
intempestivo, não se conhece do recurso voluntário protocolizado após o prazo dos trinta dias seguintes à ciência da decisão de primeira instância, nos termos do artigo 33 do Decreto n°70.235/72.
Numero da decisão: 1802-000.391
Decisão: Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, não conheceram do recurso por intempestivo, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRF- que ñ versem s/ exigência de cred. trib. (ex.:restit.)
Nome do relator: Ester Marques Lins de Sousa
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MINISTÉRIO DA FAZENDA Nk' ; CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 13431.000085/2002-78 Recurso n° 165.631 Voluntário Acórdão n° 1802-00-391 — r Turma Especial Sessão de 11 de março de 2010 Matéria IRPJ E OUTRO Recorrente CONSTRUTORA SANTANA LTDA Recorrida 5a.Turma/DRJ/Recife/PE Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano calendário: 1997 EMENTA: NORMAS PROCESSUAIS. INTEMPESTIVIDADE. Por intempestivo, não se conhece do recurso voluntário protocolizado após o prazo dos trinta dias seguintes à ciência da decisão de primeira instância, nos termos do artigo 33 do Decreto n°70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, não conheceram do recurso por intempestivo, nos t os do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. - • MARQUES L.>;.5) . i ISA — Pre dente e Relatora. EDITADO EM: Ø8 ABR 201I Participaram da s;.. ao de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente de Turma), José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso ICichel, Sérgio Luiz Bezerra Presta (Suplente Convocado), Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior, João Francisco Blanco (Vice Presidente de Turma). - Relatório Por economia processual e bem representar a lide adoto o relatório da decisão de primeira instância que a seguir transcrevo: Trata-se de pedido de restituição de valores recolhidos a titulo de PIS, bem corno tributos retidos por órgão público, no valor de R$ 1.631,83, cumulado com pedido de compensação com débito de COFINS, no valor de R$ 1.050,81. 2.Através do Despacho Deeisóri6 de fls. 29/32, ao final aprovado por autoridade delegatária, a parecerista, depois de tratar da legislação aplicável à espécie, propôs o não- reconhecimento do direito creditório e a não-homologação da compensação vinculada, com base no seguinte fundamento: 2.1.0 contribuinte não utilizou como compensação, na Declaração de 1RPJ — DIPJ de 1998, a retenção de imposto de renda por órgão público, embora pudesse fazê-lo com tributos da mesma espécie, nos termos do art. 5° da Instrução Normativa SRF/STN/SFC n.° 04, de 1997; 2.2.Na apuração do valor da PIS a pagar, verificada na DIPJ de 1998, não se vislumbra a aplicação de dedução de compensação efetuada com valores retidos por órgão público (17. 22). Dos valores apurados nos meses de novembro e dezembro, foram efetuados pagamentos apenas quanto ao último mês; 2.3.Houve retenção de IRPJ, CSLL, PIS/PASEP e COFINS, de acordo com o art. 64 da Lei n.° 9.430, de 1996, com o código 6147 (lls. 04/09); 2.4.De acordo com o §4° do art. 64 da Lei n.° 9.430, de 1996, o valor retido, relativamente ao imposto de renda e a cada contribuição social, somente poderá ser compensado com o que for devido em relação à mesma espécie de imposto e contribuição (cita, também, o art. 231 do RIR/99, aprovado pelo Decreto n.° 3.000, de 1999); 2.5.0 imposto de renda retido na fonte em anos-calendário anteriores deveriam ter sido utilizads como dedução nas respectivas DIPJs. Não hipótese de não-utilização, é facultada ao contribuinte a sua retcação, observado o prazo decadencial; 2.6.0 contribuinte já utilizou valores retidos por órgão público para compensar IRPJ e CSLL, nos meses de novembro e dezembro do ano-base de 1997 (fls. 27/28); 2.7.0 contribuinte deveria efetuar a compensação do imposto retido na fonte na D1PJ referente ao ano-calendário correspondente, o que não foi realizado, 3.No prazo legal, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (lis. 43/44), na qual aduz, depois de elaborar 2 • Processo n°13431.000085/2002-78 81-TE02 Acórdão n.° 1802-00-391 Fl. 2 quadro-resumo dos valores de imposto e contribuição envolvidos no pedido: 3.1.0s valores mencionados foram retidos pela FUNDAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE, nos mesmos montantes que deveriam ter sido recolhidos através de DARFs. Por isso, entendeu-se que não se deveria pagar o que havia sido retido; 3.2 Entende que um imposto não compensa outro, como • consignado na Carta de Cobrança. Não pode ser penalizada por um débito se não foi beneficiado pelo crédito; "para agregar na compreensão de que os valores cobrados ficaram retidos poderiam ser considerados pois a empresa já se encontra baixada desde 23/06/1999"; 3.3.Procedeu-se à retificação da DIPJ do ano-base de 1997, conforme orientação desta Secretaria. Não foi possível identificar onde descrever a compensação da COF1NS e do PIS, tendo sido feito apenas quanto ao IRPJ e à CSLL; 3.4.Anterionnente, foi enviado o atraio da conta 0758.003.565- 3, no qual os valores recebidos são diminuídos dos retidos pela citada Fundação; 3.5.A empresa está ao inteiro dispor para apresentação de documentos que comprovem a veracidade das informações. Para tanto, colocam-se à disposição os Livros Diário e Razão, devidamente registrados na Junta Comercial do Estado do Rio Grande do Norte e visados pelo Juiz da Comarca. O contribuinte foi cientificado da decisão proferida mediante o Acórdão n° 11-20.292, de 19/09/2007, da S a.Turma da DRJ/Recife/PE, fls.82/860, conforme Aviso de Recebimento (AR), fi.88, em 04/11/2007,domingo, e, interpôs recurso ao Conselho de Contribuintes, em 27/12/2007, f1.90. Na peça recursal a Recorrente, resumidamente, requer sejam consideradas as alterações efetuadas mediante as Declarações Retificadoras e outros documentos fis.91/141, e, requer orientação para pagamento dos débitos. É o relatório. • 3 Voto Conselheira Relatora ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Conforme relatado acima, a interessada foi cientificada da decisão proferida mediante o Acórdão n° 11-20.292, de 19/09/2007, da V.Turma da DRJ/Recife/PE, fls.82/86, conforme Aviso de Recebimento (AR), f1.88, em 04/11/2007, domingo, e, interpôs recurso ao Conselho de Contribuintes, somente em 27/12/2007, f1.90, portanto, apesar do prazo inicial começar a contar em 06/11/2007, a peça recursal fora apresentada após o prazo dos trinta dias seguintes à ciência da decisão de primeira instância, nos termos do art.33 do Decreto n° 70.235/72, que teria como prazo fatal o dia 05/12/2007 para a apresentação do referido recurso. Diante do exposto, concluo que o presente recurso, é intempestivo, não preenche as condições de admissibilidade, nos termos do art.33 do Decreto n° 70.235/72, razão pela qual voto por não conhecê-lo st:ao • : • . 4
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