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Numero do processo: 11065.002300/2009-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jul 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2006 a 31/08/2007
REMUNERAÇÃO. PRÊMIOS. INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
Integram a base de cálculo de contribuições previdenciárias os valores pagos a título de prêmio, por possuírem caráter retributivo, ou seja, por representarem uma contraprestação pelo desempenho individual do trabalhador.
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é órgão competente para afastar a incidência da lei em razão de inconstitucionalidade, salvo nos casos previstos no art. 103-A da CF/88 e no art. 62 do Regimento Interno do CARF.
RETROATIVIDADE BENIGNA. POSSIBILIDADE.
Tendo em conta a alteração da legislação que trata das multas previdenciárias, deve-se analisar a situação específica de cada caso e optar pela penalidade que seja mais benéfica ao contribuinte.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 2402-003.314
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para que seja aplicada a multa de mora prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991 na redação vigente à época dos fatos geradores, limitada a 75%.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Thiago Taborda Simões, Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2006 a 31/08/2007 REMUNERAÇÃO. PRÊMIOS. INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Integram a base de cálculo de contribuições previdenciárias os valores pagos a título de prêmio, por possuírem caráter retributivo, ou seja, por representarem uma contraprestação pelo desempenho individual do trabalhador. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é órgão competente para afastar a incidência da lei em razão de inconstitucionalidade, salvo nos casos previstos no art. 103-A da CF/88 e no art. 62 do Regimento Interno do CARF. RETROATIVIDADE BENIGNA. POSSIBILIDADE. Tendo em conta a alteração da legislação que trata das multas previdenciárias, deve-se analisar a situação específica de cada caso e optar pela penalidade que seja mais benéfica ao contribuinte. Recurso voluntário provido em parte.
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E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2006 a 31/08/2007 REMUNERAÇÃO. PRÊMIOS. INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Integram a base de cálculo de contribuições previdenciárias os valores pagos a título de prêmio, por possuírem caráter retributivo, ou seja, por representarem uma contraprestação pelo desempenho individual do trabalhador. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é órgão competente para afastar a incidência da lei em razão de inconstitucionalidade, salvo nos casos previstos no art. 103A da CF/88 e no art. 62 do Regimento Interno do CARF. RETROATIVIDADE BENIGNA. POSSIBILIDADE. Tendo em conta a alteração da legislação que trata das multas previdenciárias, devese analisar a situação específica de cada caso e optar pela penalidade que seja mais benéfica ao contribuinte. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 23 00 /2 00 9- 31 Fl. 402DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para que seja aplicada a multa de mora prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991 na redação vigente à época dos fatos geradores, limitada a 75%. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Thiago Taborda Simões, Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 403DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 11065.002300/200931 Acórdão n.º 2402003.314 S2‐C4T2 Fl. 403 3 Relatório Tratase de auto de infração constituído em 15/10/2009 (fl. 01) para exigir contribuição previdenciária cota patronal e contribuição para o financiamento do benefício concedido em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT, relativamente ao período de 08/2006 a 08/2007. Os créditos tributários foram apurados em virtude de pagamentos realizados aos empregados da empresa Participare a título de comissões sobre produção, denominadas de “Top Premium”. Foi atribuída responsabilidade solidária à empresa Atende Bem Ltda., conforme se verifica no Termo de Sujeição Passiva Solidária nº 01 (fl. 261/264). A empresa Participare apresentou impugnação pleiteando pela total improcedência da autuação (fls. 267/333). A empresa Atende Bem Ltda. não apresentou defesa. A d. DRJ julgou o lançamento totalmente procedente (fls. 338/345), sob os argumentos de que: (i) o pagamento de prêmio integra o salário dos empregados, uma vez que visa retribuir a prestação de serviços; (ii) a aplicação da penalidade independe da intenção do infrator; e (iii) é vedado ao fisco afastar a aplicação de lei por inconstitucionalidade ou ilegalidade. A Recorrente (Participare) interpôs recurso voluntário (fls. 351/393) alegando que: (i) os prêmios pagos aos empregados têm natureza indenizatória; (ii) não há habitualidade nos pagamentos dos prêmios; (iii) o GILRAT é inconstitucional e ilegal; (iv) a multa e os juros são indevidos; (v) não há fato gerador que deixou de ser informado, não podendo ser aplicada a penalidade por descumprimento de obrigação acessória; e (vi) a representação fiscal para fins penais é indevida. É o relatório. Fl. 404DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 4 Voto Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Alega a Recorrente que os valores pagos a título de prêmio não devem compor o salário de contribuição, pois possuem natureza indenizatória. Pontua que “as planilhas de fls. 235/236 revelam que as premiações não eram habituais, mas, sim, eventuais, demonstrando que certos empregados atingiam metas estabelecidas nos programas de forma mais reiterada, mas ainda sim variável e alternadas e outros sequer as alcançavam.” (fl. 637). Entretanto, cumpre esclarecer que os prêmios pagos pela performance do trabalhador são vinculados a fatores de ordem pessoal deste, como a produção, a eficiência, dentre outros fatores de produção. Caracterizase pelo seu aspecto condicional. Uma vez que a condição prevista pelo empregador é atingida por parte do trabalhador, este faz jus ao mesmo. Portanto, por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter retributivo, sendo uma contraprestação do serviço prestado, possuindo, por consequência, natureza jurídica salarial. Vale ressaltar que, uma vez que os funcionários têm conhecimento de que toda a vez que concluírem determinada tarefa/meta farão jus a certa remuneração, fica clara a habitualidade nesses pagamentos. Outrossim, as tabelas mencionadas pela Recorrente em sua impugnação (fl. 280) só demonstram que os pagamentos eram habituais, mormente quando destaca que a funcionária Raquel Caroline Nied recebeu prêmios ao longo dos meses de 06/2006 a 11/2007, quase que de forma ininterrupta. Resta claro, portanto, que as verbas pagas a título de prêmio são destinadas a retribuir o trabalho prestado pelo segurado empregado, perfazendo todos os requisitos do salário de contribuição previstos no art. 28, inc. I, da Lei nº 8.212/1991, in verbis: “Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa;” Desta forma, constatase que não há razão nos argumentos da Recorrente. Fl. 405DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 11065.002300/200931 Acórdão n.º 2402003.314 S2‐C4T2 Fl. 404 5 A Recorrente defende ainda que o GILRAT é indevido, pois o art. 10 da Lei nº 10.666/03 é ilegal e inconstitucional, por afrontar ao princípio da legalidade. Contudo, a atribuição de reconhecer a ilegalidade e/ou inconstitucionalidade de dispositivos legais é concedida apenas aos órgãos do Poder Judiciário, sendo vedado a este Conselho infringir esta competência, salvo naqueles casos expressamente previstos no art. 103 A da CF/88 e no art. 62, parágrafo único do Regimento Interno do CARF, sob pena de afronta ao princípio da separação dos poderes. Não há, portanto, como acatar o pedido formulado pela Recorrente. Pleiteia a Recorrente também pela total improcedência da representação fiscal para fins penais, haja vista que está pendente o processamento e julgamento definitivo do lançamento. No entanto, como não há qualquer informação no Relatório Fiscal acerca da lavratura de representação fiscal para fins penais. Deixase, portanto, de se manifestar sobre esse ponto. A Recorrente alega que a penalidade não pode ser mantida, posto que a conduta praticada não foi motivada com o intuito de burlar a legislação fiscal. Contudo, a aplicação da penalidade independe da intenção que o agente tinha quando incorreu em infração à legislação tributária. Sem razão, portanto, a Recorrente. No que tange ao argumento de que não deve ser aplicada a penalidade por descumprimento de obrigação acessória, haja vista que não há fatos geradores a ser declarados em GFIP, cabe salientar que tal alegação não diz respeito ao presente processo, motivo pelo deixase de analisála. Por fim, verificase que o cálculo da penalidade por descumprimento de obrigação principal (Anexos 2A e 2B, fls. 130/131) está totalmente equivocado. Em relação ao descumprimento de obrigação principal, a penalidade anteriormente prevista, que variava de acordo com a fase processual do lançamento, conforme a redação revogada do art. 35 da Lei nº 8.212/19911, passou a ser regulamentada pelo art. 44, 1 “Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (...) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (...)” Fl. 406DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 6 da Lei nº 9.430/962, que prevê multa de 75%, e que foi utilizada pela Autoridade Fiscal na presente autuação. Por sua vez, quando do descumprimento de alguma obrigação acessória, na sistemática anterior, a infração relativa à omissão de fatos geradores em GFIP era punida com a multa correspondente a 100% da contribuição não declarada, ficando a penalidade limitada a um teto calculado em função do número de segurados da empresa, conforme o extinto § 5º do art. 32 da Lei nº 8.212/19913. Pois bem. Analisando as sanções aplicadas no presente caso à luz das alterações levadas a efeito pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, verificase, através dos quadros comparativos da multa aplicada, que a Autoridade Tributária equivocouse em suas premissas, trazendo na coluna correspondente ao que seria devido antes do advento da MP nº 449/2008 os valores relativos ao descumprimento da obrigação principal e acessória, e na coluna correspondente ao que seria devido após o advento da já mencionada lei apenas o valor da multa decorrente do descumprimento da obrigação principal. Ou seja, pelo cálculo da autoridade fiscal, a multa atualmente vigente sempre será mais benéfica (com exceção dos casos em que haja limitação da multa antiga em virtude do número de segurados), posto que se está comparando a alíquota de 75% contra uma alíquota de 124%. Na prática, se a autoridade fiscal deixasse de realizar o tendencioso quadro comparativo de multas, e lavrasse duas notificações independentes, uma com base no antigo art. 35 e outra com base no atual art. 35A da Lei nº 8.212/1991, restaria claro que o valor consubstanciado na notificação efetuada com base na legislação antiga seria inferior, em conclusão totalmente contrária ao presenciado neste caso. Da mesma forma, a autoridade administrativa deveria comparar separadamente as multas decorrentes do descumprimento de obrigação acessória, ou seja, contrapondo o cálculo feito com base no antigo art. 32 da Lei nº 8.212/1991 com o atual art. 32A da Lei nº 8.212/1991, vez que ambos versam sobre como proceder nas suas respectivas épocas nos casos de penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Destarte, verificase que a autoridade fiscal não pode considerar a multa por descumprimento de obrigações acessórias no cálculo da multa por descumprimento de obrigação principal, sob pena de negativa de vigência ao art. 106 do CTN. Sendo assim, para que seja dado o efetivo cumprimento à retroatividade benigna de que trata o art. 106, inc. II, “c”, do CTN, é mister que a multa seja recalculada, a fim de que seja imposta a penalidade mais benéfica ao contribuinte, qual seja, a prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/91, visto que, até o presente momento, a multa não atingiria o patamar de 75% previsto no art. 44, da Lei nº 9.430/96. Por fim, em que pese a multa prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/91 (antes da alteração promovida pela Lei nº 11.941/2009) seja mais benéfica na atual situação em que se 2 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) 3 “§ 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior”. Fl. 407DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 11065.002300/200931 Acórdão n.º 2402003.314 S2‐C4T2 Fl. 405 7 encontra a presente autuação, caso esta venha a ser executada judicialmente, poderá ser reajustada para o patamar de até 100% do valor principal. Neste caso, considerando que a multa prevista pelo art. 44 da Lei nº 9.430/96 limitase ao percentual de 75% do valor principal, deve esta ser aplicada caso a multa prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/91 (antes da alteração promovida pela Lei nº 11.941/2009) supere o seu patamar. Diante do exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO, a fim de determinar o recálculo da multa aplicada no processo, conforme a fundamentação supra. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Fl. 408DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES
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Numero do processo: 10467.900038/2006-54
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA
Conforme o § 5º do art. 74 da Lei 9.430/1996, o prazo para homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo é de 5 (cinco) anos contados da data da entrega da declaração de compensação. Ultrapassado esse prazo a declaração fica homologada tacitamente, e não é mais possível exigir, no âmbito do processamento da declaração de compensação, qualquer parcela do débito que tenha sido nela incluído.
Numero da decisão: 1802-001.726
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA Conforme o § 5º do art. 74 da Lei 9.430/1996, o prazo para homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo é de 5 (cinco) anos contados da data da entrega da declaração de compensação. Ultrapassado esse prazo a declaração fica homologada tacitamente, e não é mais possível exigir, no âmbito do processamento da declaração de compensação, qualquer parcela do débito que tenha sido nela incluído. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 7. 90 00 38 /2 00 6- 54 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10467.900038/200654 Acórdão n.º 1802001.726 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE, que manteve Despacho Decisório da unidade de origem homologando apenas parcialmente as Declarações de Compensação que menciona. O crédito utilizado nestas compensações corresponde a saldo negativo de IRPJ no anocalendário de 2001, no valor de R$ 144.404,19. O primeiro PER/DCOMP apresentado pela Contribuinte, e que instrui o presente processo, foi o de nº 14389.24523.120903.1.7.026300 (fls. 23/29). A Contribuinte também apresentou outros PER/DCOMP, abaixo relacionados: · 23023.40466.031003.1.3.026150 · 36373.95503.230104.1.3.025152 · 24457.13054.290404.1.3.028434 · 27800.61959.301006.1.3.020083 A negativa parcial da Delegacia de origem (DRF João PessoaPB) se deu pelo Despacho Decisório eletrônico n° 900864108 (fls.17), de 01/12/2010 (com ciência em 14/12/2010). O saldo negativo em questão foi formado a partir de retenções na fonte, e dos R$ 144.404,19 reivindicados, só foram reconhecidos R$ 59.075,59, que correspondem às retenções efetivamente confirmadas. O referido despacho decisório contém a seguinte conclusão: [...] O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual: HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP: 23023.40466.031003.1.3.026150 NÃO HOMOLOGO a compensação declarada no(s) seguinte(s) PER/DDOMP: 36373.95503.230104.1.3.025152 24457.13054.290404.1.3.028434 27800.61959.301006.1.3.020083 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10467.900038/200654 Acórdão n.º 1802001.726 S1TE02 Fl. 4 3 Na seqüência, a Contribuinte ingressou com manifestação de inconformidade (fls. 1 a 7), alegando que além da absoluta legitimidade e procedência do crédito em questão, as compensações já se encontravam tacitamente homologadas na data do despacho decisório. O processo foi encaminhado à Delegacia de Julgamento, que proferiu o Acórdão nº 1134.113 (fls. 32 a 34), objeto do presente recurso voluntário. O relatório da decisão acima mencionada destaca que o Despacho Decisório eletrônico n° 900864108 (fls.17), proferido pela DRF João PessoaPB, foi textualmente omisso quanto ao primeiro PER/DCOMP apresentado pela Contribuinte. Contudo, o voto que orientou a decisão esclarece, baseado em consulta ao sistema SIEF PER/DCOMP (fls. 31), que foram totalmente homologadas as compensações tratadas no PER/DCOMP nº 14389.24523.120903.1.7.026300 (o primeiro deles). Registra também que é este PER/DCOMP que compõe o presente processo, para concluir: Logo, desnecessária a discussão sobre a homologação se tácita ou não das compensações pleiteadas na DCOMP em comento e, também, relativa ao efeito suspensivo à cobrança dos débitos não homologados, já que não existem débitos não homologados no presente PER/DCOMP. Noutra possível demanda, quanto ao reconhecimento parcial do direito creditório, no montante de R$ 59.075,59, a manifestante simplesmente alega que já se encontrava tacitamente homologado no momento do Despacho pelo decurso do prazo. Em se tratando de declaração de compensação, o ato de homologar (tácito ou expresso) diz respeito, unicamente, à compensação pleiteada. Ao direito creditório, são reservados os atributos de certeza e liquidez, para o qual a manifestante não apresentou um único argumento a desabonálo. Assim, não havendo argumento a se opor à apuração parcial do crédito, nem compensações a serem homologadas no PER/DCOMP n° 14389.24523.120903.1.7.026300, voto por manter o despacho de folha 17. Os fundamentos contidos no voto que orientou a decisão de primeira instância administrativa foram assim sintetizados na ementa do acórdão: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 DCOMP. HOMOLOGAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ATRIBUTOS. RECONHECIMENTO PARCIAL DO DIREITO CREDITÓRIO. O ato de homologar, em se tratando de declaração de compensação, diz respeito, unicamente, à compensação pleiteada, não alcançando o direito creditório, para cujo reconhecimento se exigem os atributos de certeza e liquidez. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10467.900038/200654 Acórdão n.º 1802001.726 S1TE02 Fl. 5 4 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 13/10/2011, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 08/11/2011, com os seguintes argumentos: a Recorrente apresentou, em 12/09/2003, o Per/Dcomp de n° 14389.24523.120903.1.7.026300, no qual pleiteou o reconhecimento global do crédito em questão e sua compensação com débitos de tributos administrados pela Receita Federal do Brasil; ocorre que os débitos então existentes eram inferiores ao montante total do crédito declarado e lançado naquela oportunidade. Desse modo, para aproveitamento do saldo remanescente do mencionado crédito, já anteriormente declarado na sua contabilidade e lançado no primeiro Per/Dcomp, a Recorrente apresentou sucessivamente outros Per/Dcomp, com os seguintes números de identificação e respectivas datas de protocolo de envio: a) 23023.40466.031003.1.3.026150, transmitido em 03/10/2003; b) 36373.95503.230104.1.3.025152, transmitido em 23/01/2004; c) 24457.13054.290404.1.3.028434, transmitido em 29/04/2004. ao se observar as datas de transmissão dos aludidos Per/Dcomp, em cotejo com a data do despacho decisório que não os homologou ou os homologou apenas parcialmente, ocorrido apenas em 01/12/2010, verificase que tal despacho em nada poderia interferir em tais pedidos de compensação, que já se encontravam tacitamente homologados pelo decurso do prazo decadencial qüinqüenal previsto no art. 150, §4°, do Código Tributário Nacional, combinado com o art. 74, § 5°, da Lei n° 9.430/96; apesar da absoluta legitimidade e procedência do crédito em questão e da sua compensação com os débitos indicados nos Per/Dcomp acima referidos, já tacitamente homologados por decurso de prazo, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em João Pessoa proferiu despacho decisório no qual não reconheceu a totalidade do crédito e homologou apenas parte das compensações em comento; ao apreciar a manifestação de inconformidade da Recorrente, a 3ª Turma da DRJ/REC julgoua improcedente, sob a mera alegação de que não teriam sido refutadas a liquidez e a certeza das exigências formuladas pela Fazenda Pública a partir do seu despacho decisório, permanecendo omissa quanto ao enfrentamento do argumento principal atinente ao caso, ou seja, a homologação tácita das compensações; os Per/Dcomp em questão datam dos exercícios de 2003 e 2004, de modo que em 2008 e 2009 já se encontravam tacitamente homologados, não podendo mais ser questionados pela Fazenda Pública; o Per/Dcomp de n° 23023.40466.031003.1.3.026150 foi transmitido em 03/10/2003, de maneira que, contado o prazo decadencial de 05 (cinco) anos, sua homologação tácita ocorreu em 03/10/2008; Fl. 94DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10467.900038/200654 Acórdão n.º 1802001.726 S1TE02 Fl. 6 5 o Per/Dcomp de n° 36373.95503.230104.1.3.025152 foi transmitido em 23/01/2004, de modo que, contado o prazo decadencial de 05 (cinco) anos, sua homologação tácita ocorreu em 23/01/2009; o Per/Dcomp de n° 24457.13054.290404.1.3.028434 foi transmitido em 29/04/2004, de maneira que, contado o prazo decadencial de 05 (cinco) anos, sua homologação tácita ocorreu em 29/04/2009; assim, tendo em vista que o despacho decisório objeto da manifestação de inconformidade e do presente recurso voluntário só ocorreu em 01/12/2010, momento bastante posterior às mencionadas datas de homologação tácita, a Receita Federal do Brasil não mais pode questionar ou deixar de homologar as compensações em comento, por decurso de prazo decadencial. Na sessão de 04/12/2012, esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção do CARF, por meio da Resolução nº 1802000.122, encaminhou o processo em diligência, destacando alguns aspectos do processo e solicitando as seguintes informações: [...] Conforme relatado, a Contribuinte questiona a não homologação de declarações de compensação, nas quais o crédito utilizado corresponde a saldo negativo de IRPJ no ano calendário de 2001. Em 12/09/2003, a Contribuinte enviou o primeiro Per/Dcomp, de n° 14389.24523.120903.1.7.026300. Segundo ela, como ainda havia crédito remanescente, foram enviados outros Per/Dcomp, com a utilização parcial e sucessiva do mesmo direito creditório, conforme a numeração abaixo: · 23023.40466.031003.1.3.026150 · 36373.95503.230104.1.3.025152 · 24457.13054.290404.1.3.028434 · 27800.61959.301006.1.3.020083 O Despacho Decisório eletrônico de fls. 17 indicou no campo “PER/DCOMP COM DEMONSTRATIVO DE CRÉDITO” o número do primeiro PER/DCOMP apresentado pela Contribuinte, mas não fez qualquer comentário sobre ele na sua parte descritiva (fundamentação). Houve, contudo, decisão expressa para os outros quatro PER/DCOMP. Um deles foi homologado parcialmente, e os outros três não foram homologados. A justificativa apresentada no despacho foi a insuficiência do crédito. A Delegacia de Julgamento, por sua vez, ao apreciar a manifestação de inconformidade da Contribuinte em relação a esse despacho decisório, esclareceu que foram totalmente homologadas as compensações do PER/DCOMP nº 14389.24523.120903.1.7.026300, conforme consulta ao sistema SIEF PER/DCOMP (fls. 31). Fl. 95DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10467.900038/200654 Acórdão n.º 1802001.726 S1TE02 Fl. 7 6 Ainda de acordo com a DRJ, o presente processo seria composto apenas por esse primeiro PER/DCOMP. Ela aponta também que o despacho decisório foi textualmente omisso quanto a ele, e menciona a conclusão da Delegacia de origem sobre os outros PER/DCOMP, conforme acima registrado. Com essa visão dos fatos, a DRJ sustentou: que não havia débitos remanescentes no primeiro PER/DCOMP, porque ele foi totalmente homologado; e que a homologação (tácita ou expressa) de declaração de compensação diz respeito, unicamente, à compensação pleiteada, e não ao direito creditório reivindicado, cujo reconhecimento sempre depende da comprovação dos atributos de certeza e liquidez. Nestes termos, concluiu a decisão recorrida: Assim, não havendo argumento a se opor à apuração parcial do crédito, nem compensações a serem homologadas no PER/DCOMP n° 14389.24523.120903. 1.7.026300, voto por manter o despacho de folha 17. A homologação tácita, que está em discussão nestes autos, realmente diz respeito ao procedimento de compensação, e não ao crédito nele utilizado. Quando um mesmo crédito é utilizado em vários PER/DCOMP, como ocorre nesse caso, é perfeitamente possível, em função das datas de apresentação dos PER/COMP e da data do despacho decisório correspondente, que a homologação tácita não atinja igualmente todos os PER/DCOMP. A homologação tácita prevista no art. 74, § 5°, da Lei n° 9.430/96 está mais relacionada à extinção do débito compensado do que ao reconhecimento do crédito utilizado na compensação, e essa diferença fica bastante evidente quando temos um único crédito utilizado parcial e sucessivamente para a quitação de vários débitos. O raciocínio desenvolvido pela Delegacia de Julgamento, do ponto de vista teórico, não merece nenhum reparo. Mas, a meu ver, há um problema de instrução processual que precisa ser sanado, ou pelo menos esclarecido, antes do julgamento do presente recurso. O fato é que o Despacho Decisório de fls. 17, que motivou a instauração do presente processo, faz referência expressa à não homologação dos PER/DCOMP (do segundo em diante) apresentados pela Contribuinte. Em sua manifestação de inconformidade, a Contribuinte também cita expressamente os referidos PER/DCOMP. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10467.900038/200654 Acórdão n.º 1802001.726 S1TE02 Fl. 8 7 Contudo, partindo da idéia de que eles não seriam objeto deste processo, a DRJ manifestouse apenas sobre o primeiro dos PER/DCOMP (homologado tacitamente, ao que tudo indica) e sobre a comprovação do direito creditório em si, mas não examinou a condição temporal dos demais PER/DCOMP. Eles nem mesmo foram juntadas aos autos. Diferentemente do entendimento da DRJ, a minha impressão é de que estes PER/DCOMP são objeto do presente processo, porque o despacho decisório de fls. 17, que está sendo contestado pela Contribuinte, trata justamente deles, e isso precisa ser esclarecido antes do julgamento do recurso voluntário sob exame. É necessário, portanto, que a Delegacia de origem informe: 1) se os PER/DCOMP de nº 23023.40466.031003.1.3.026150, 36373.95503. 230104.1.3.025152, 24457.13054.290404.1.3.02 8434 e 27800.61959.301006.1.3.020083 estão sendo tratados em outros processos, e quais seriam eles; 2) caso contrário, ou seja, se eles forem objeto deste processo, juntar cópias dos mesmos, manifestandose, por meio de parecer circunstanciado, sobre a homologação tácita alegada pela Recorrente, e também sobre eventuais débitos que remanescerem em aberto, após o esgotamento do crédito, se for o caso. Antes de o processo retornar ao CARF, deve ser dada ciência do resultado da diligência à Contribuinte, para que ela se manifeste no prazo de 30 dias. Deste modo, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, encaminhando o processo à Delegacia da Receita Federal do Brasil em João Pessoa/PB, para que esclareça os pontos acima mencionados. Em atendimento à diligência, a Delegacia de origem informou que os PER/DCOMP de nº 23023.40466.031003.1.3.026150, 36373.95503.230104.1.3.025152, 24457.13054.290404.1.3.028434 e 27800.61959.301006.1.3.020083 não estão sendo tratados em outro processo, e sim no presente processo, conforme telas do sistema SIEFPER/DCOMP que anexou aos autos. Este é o Relatório. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10467.900038/200654 Acórdão n.º 1802001.726 S1TE02 Fl. 9 8 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a Contribuinte questiona a homologação apenas parcial de declarações de compensação por ela apresentadas, nas quais o crédito utilizado corresponde a saldo negativo de IRPJ no anocalendário de 2001, no valor de R$ 144.404,19. Em 12/09/2003, a Contribuinte enviou o primeiro PER/DCOMP, de n° 14389.24523.120903.1.7.026300. Segundo ela, como ainda havia crédito remanescente, foram enviados outros PER/DCOMP, com a utilização parcial e sucessiva do mesmo direito creditório, conforme a numeração abaixo: · 23023.40466.031003.1.3.026150 · 36373.95503.230104.1.3.025152 · 24457.13054.290404.1.3.028434 · 27800.61959.301006.1.3.020083 O Despacho Decisório eletrônico de fls. 17 indicou no campo “PER/DCOMP COM DEMONSTRATIVO DE CRÉDITO” o número do primeiro PER/DCOMP apresentado pela Contribuinte, mas não fez qualquer comentário sobre ele na sua parte descritiva (fundamentação). Houve, contudo, decisão expressa para os outros quatro PER/DCOMP. Um deles foi homologado parcialmente, e os outros três não foram homologados. A justificativa apresentada no despacho foi a insuficiência do crédito. O saldo negativo em questão foi formado a partir de retenções na fonte, e dos R$ 144.404,19 reivindicados, só foram reconhecidos R$ 59.075,59, que correspondem às retenções efetivamente confirmadas. Desde o início, a Contribuinte vem alegando basicamente que as compensações já estariam homologadas tacitamente na data da elaboração do despacho decisório (01/12/2010). A Delegacia de Julgamento, ao apreciar a manifestação de inconformidade da Contribuinte, esclareceu que foram totalmente homologadas as compensações do PER/DCOMP nº 14389.24523.120903.1.7.026300, conforme consulta ao sistema SIEF PER/DCOMP (fls. 31). A DRJ também considerou que o presente processo era composto apenas por este primeiro PER/DCOMP e, deste modo, manteve o despacho decisório sem qualquer análise sobre os demais PER/DCOMP (do 2º em diante). Fl. 98DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10467.900038/200654 Acórdão n.º 1802001.726 S1TE02 Fl. 10 9 O contexto dos fatos ensejou a realização de diligência determinada por esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção do CARF, para que a Delegacia de origem informasse: 1) se os PER/DCOMP de nº 23023.40466.031003.1.3.026150, 36373.95503. 230104.1.3.025152, 24457.13054.290404.1.3.028434 e 27800.61959.301006.1.3.020083 estavam sendo tratados em outros processos, e quais seriam eles; 2) caso contrário, ou seja, se eles fossem objeto deste processo, deveriam ser juntadas cópias dos mesmos, com manifestação, por meio de parecer circunstanciado, sobre a homologação tácita alegada pela Recorrente, e também sobre eventuais débitos que remanescessem em aberto, após o esgotamento do crédito, se fosse o caso. Na solicitação de diligência, constou ainda a observação de que antes de o processo retornar ao CARF, deveria ser dada ciência do resultado da diligência à Contribuinte, para que ela pudesse se manifestar no prazo de 30 dias. Em resposta à diligência, a Delegacia de origem informou que os PER/DCOMP de nº 23023.40466.031003.1.3.026150, 36373.95503.230104.1.3.025152, 24457.13054.290404.1.3.028434 e 27800.61959.301006.1.3.020083 eram objeto do presente processo, conforme telas do sistema SIEFPER/DCOMP que anexou aos autos. As telas de consulta juntadas pela Delegacia de origem indicam que os PER/DCOMP são objeto do processo ora analisado. Contudo, elas não trazem informações adicionais para subsidiar o julgamento do presente processo. Não trazem nem mesmo a data de apresentação dos PER/DCOMP. A Delegacia de origem também não juntou cópias dos PER/DCOMP e nem elaborou o solicitado relatório circunstanciado sobre a alegada homologação tácita das compensações. Apesar destes problemas, é possível atualmente consultar algumas informações sobre declarações de compensação no sítio eletrônico da Receita Federal. Deste modo, em busca de celeridade, visando evitar que o processo fosse novamente enviado à Delegacia de origem para o adequado atendimento da diligência solicitada, complementamos a instrução processual extraindo do sítio eletrônico da Receita Federal as datas de apresentação dos PER/DCOMP em questão: 23023.40466.031003.1.3.026150 transmitido em 03/10/2003; 36373.95503.230104.1.3.025152 transmitido em 23/01/2004; 24457.13054.290404.1.3.028434 transmitido em 29/04/2004. 27800.61959.301006.1.3.020083 transmitido em 30/10/2006. O Despacho Decisório eletrônico n° 900864108 foi elaborado pela DRF João PessoaPB em 01/12/2010, com a ciência da Contribuinte em 14/12/2010 (fls. 17/18). Conforme o § 5º do art. 74 da Lei 9.430/1996, o prazo para homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo é de 5 (cinco) anos contados da data da entrega da Fl. 99DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10467.900038/200654 Acórdão n.º 1802001.726 S1TE02 Fl. 11 10 declaração de compensação. Ultrapassado esse prazo, a compensação fica homologada tacitamente, e não é mais possível exigir, no âmbito do processamento da declaração de compensação, qualquer parcela do débito que tenha sido nela incluído Não há qualquer dúvida de que na data da ciência do despacho decisório já havia ocorrido a homologação tácita dos PER/DCOMP apresentados em 03/10/2003, 23/01/2004 e 29/04/20004, eis que transcorridos mais de cinco anos entre a data de envio e a data de sua não homologação pela Delegacia de origem. Apenas o último PER/DCOMP, transmitido em 30/10/2006, foi examinado no prazo correto, pelo que ele não é alcançado pela homologação tácita. Já foi mencionado que desde o início a Contribuinte centra suas alegações na ocorrência de homologação tácita para os PER/DCOMP que apresentou. Não houve por parte dela qualquer argumentação que confrontasse a não confirmação de retenções na fonte, fato que motivou a redução do saldo negativo apurado em sua DIPJ. Assim, dirimidas as questões relativas à homologação tácita, nenhum outro aspecto justifica a reversão do que foi decidido para o último PER/DCOMP (27800.61959. 301006.1.3.020083), no sentido de reconhecer qualquer crédito além dos valores abrangidos pela homologação tácita. Diante do exposto, dou provimento parcial ao recurso para reconhecer a ocorrência de homologação tácita para os PER/DCOMP de nº 23023.40466.031003.1.3.02 6150, 36373.95503.230104.1.3.025152 e 24457.13054.290404.1.3.028434. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 100DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 13888.721803/2011-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
ISENÇÃO. PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. REQUISITOS.
Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.
A isenção aplica-se a partir da data em que o laudo pericial indicar como de início da doença, ou na falta dessa indicação, da data de emissão do laudo.
PERÍCIA. DILIGÊNCIA. PEDIDO DE REALIZAÇÃO. INDEFERIMENTO. INOCORRÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
A perícia ou diligência deverá ser realizada quando a autoridade julgadora entendê-las necessárias, não constituindo cerceamento do direito de defesa o indeferimento do pedido do contribuinte, quando demonstrada pela autoridade julgadora a razão de tal recusa.
Preliminares Rejeitadas.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2201-002.186
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para, mantendo a exigência, considerar os recolhimentos efetuados, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
Assinado digitalmente
Walter Reinaldo Falcão Lima - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Walter Reinaldo Falcão Lima, Odmir Fernandes e Nathália Mesquita Ceia. Ausente o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe.
Nome do relator: WALTER REINALDO FALCAO LIMA
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PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. REQUISITOS. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. A isenção aplicase a partir da data em que o laudo pericial indicar como de início da doença, ou na falta dessa indicação, da data de emissão do laudo. PERÍCIA. DILIGÊNCIA. PEDIDO DE REALIZAÇÃO. INDEFERIMENTO. INOCORRÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A perícia ou diligência deverá ser realizada quando a autoridade julgadora entendêlas necessárias, não constituindo cerceamento do direito de defesa o indeferimento do pedido do contribuinte, quando demonstrada pela autoridade julgadora a razão de tal recusa. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para, mantendo a exigência, considerar os recolhimentos efetuados, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 72 18 03 /2 01 1- 76 Fl. 121DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/ 07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Walter Reinaldo Falcão Lima, Odmir Fernandes e Nathália Mesquita Ceia. Ausente o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe. Relatório Por descrever bem os fatos, adoto o relatório do acórdão de primeira instância (fls. 70 e 71), que reproduzo a seguir: “O processo referese à Notificação de Lançamento de fls. 26 e seguintes (folhas do processo digitalizado), com o lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar, relativo ao ano calendário de 2007, no valor de R$ 5.297,49 mais a correspondente multa de ofício de 75% e juros de mora. Conforme relatado pela fiscalização na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (às fls. 29) o crédito tributário lançado por meio da Notificação de Lançamento em tela, tem por base alterações nos valores informados na Declaração de Ajuste Anual do anocalendário em questão, decorrentes de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. DA IMPUGNAÇÃO O contribuinte apresentou impugnação em 18/05/2011, anexa às fls 02 e seguintes, cujo protocolo foi considerado tempestivo, consoante despacho emitido pela unidade de origem, às fls.61. Em síntese, o interessado requer a anulação do lançamento em tela e o reconhecimento do seu direito à isenção sobre rendimentos recebidos a título de INSS, por ser portador de moléstia grave. Requer a produção de prova pericial para fins de estabelecer “a data em que a doença efetivamente teve início para fixar o dia a partir do qual o impugnante tem direito ao benefício.” Para tanto, apresenta os quesitos que pretende ver respondidos. Solicita, também, que sejam considerados os valores pagos a título de Imposto de Renda à época dos fatos, e que não foram observados pela fiscalização. Fundamenta seu argumento por meio de documentos que anexa à impugnação, às fls. 20 a 25 e 42 a 50. É o Relatório.” A 21a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I julgou a impugnação procedente em parte (fls. 69 a 79), para exonerar a multa de ofício, por ter reconhecido que a Contribuinte efetuou o pagamento do imposto anteriormente à Fl. 122DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/ 07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13888.721803/201176 Acórdão n.º 2201002.186 S2C2T1 Fl. 122 3 apresentação da declaração retificadora que originou o imposto lançado de ofício. Confirase a ementa do respectivo acórdão: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não se cogita a nulidade processual, nem a nulidade do ato administrativo de lançamento quando o lançamento de ofício atende aos requisitos legais e os autos não apresentam as causas apontadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/1.972. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. A isenção por moléstia grave é prevista exclusivamente para rendimentos oriundos de aposentadoria, reforma ou pensão, sendo concedida a partir da data de comprovação da existência de uma das patologias enumeradas de forma taxativa no art. 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713, de 1988, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. O termo inicial da isenção é o mês da emissão do laudo pericial, a menos que a data em que a doença foi contraída esteja nele identificada. A ausência de documentação hábil e probatória da existência de uma das patologias indicadas pela legislação de regência, bem como da data em que a doença foi contraída, obsta a isenção. MULTA DE OFÍCIO. Inexigível a multa de ofício, quando o imposto houver sido pago em data anterior ao início da ação fiscal. DO PEDIDO DE REALIZAÇÃO DE PERÍCIA. A prova pericial considerada imprescindível, poderá ser determinada de ofício ou a requerimento do impugnante. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” Cientificada do acórdão de primeira instância em 17/10/2012 (Aviso de Recebimento de fls. 82), a Interessada interpôs, em 08/11/2012, o Recurso de fls. 93 a 114, juntamente com a documentação de fls. 115 a 117, alegando, preliminarmente: a) cerceamento do direito de defesa, por não ter sido deferido seu pedido de exame pericial; b) o lançamento é nulo, por vício material, haja vista que o crédito tributário foi extinto pelo pagamento, conforme expressamente reconhecido no acórdão recorrido. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/ 07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 Quanto ao mérito, alega, em suma, que: a) ao exigir que o laudo médico oficial informe a data em que o paciente passou à condição de portador de moléstia grave e o prazo de validade do laudo, no caso de moléstia passível de controle, o órgão julgador de primeira instância acrescenta um rol de exigências ao laudo que a lei não diferencia; b) ao concluir que a enfermidade do Contribuinte não está incluída na relação especificada pelo art. 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713, de 1988, o órgão julgador de primeira instância invadiu área de conhecimento exclusivo da ciência médica, o que não é permitido; c) solicita a realização de diligência para que as provas apresentadas sejam avaliadas por perito especialista e, caso seja necessário, que seja realizado exame pessoal; d) os documentos apresentados comprovam que era portadora de moléstia grave desde 2005; e) a recusa das provas apresentadas, acerca da existência da enfermidade desde 2005, deveria ser fundamentada em contraprova técnica, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, nos termos do § 4º do art. 39 do Decreto nº 3.000, de 1999; Diante do exposto requer a conversão do julgamento em diligência, a improcedência do auto de infração, por ter constituído valor já extinto pelo pagamento, bem como para que seja reconhecido o seu direito à isenção pleiteada. É o Relatório. Voto Conselheiro Walter Reinaldo Falcão Lima, Relator O recurso é tempestivo e atende as demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. 1 – DAS PRELIMINARES A) DO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA A Recorrente alega cerceamento do direito de defesa por não ter sido deferido, pelo órgão julgador de primeira instância, seu pedido de realização de perícia. Nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, abaixo reproduzido, a autoridade julgadora somente determinará a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas Fl. 124DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/ 07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13888.721803/201176 Acórdão n.º 2201002.186 S2C2T1 Fl. 123 5 necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Assim, possuindo o julgador a faculdade para determinar ou não a realização de tais procedimentos, o indeferimento do pedido do Contribuinte, desde que fundamentado, não constitui cerceamento do direito de defesa. No presente caso foi perfeitamente esclarecido o motivo da recusa da realização da perícia, conforme trecho do voto condutor do acórdão recorrido, abaixo transcrito: “Em relação ao pleito do contribuinte, a condição de portador de moléstia grave no anocalendário em questão, pode ser comprovada mediante a simples juntada de documento, no caso, laudo pericial emitido por médico integrante de serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos municípios, que apresente as seguintes informações: a) o órgão emissor; b) a qualificação do portador da moléstia; c) o diagnóstico da moléstia (descrição; CID10; elementos que o fundamentaram; a data em que a pessoa física é considerada portadora da moléstia grave, nos casos de constatação da existência da doença em período anterior à emissão do laudo); d) caso a moléstia seja passível de controle, o prazo de validade do laudo pericial ao fim do qual o portador de moléstia grave provavelmente esteja assintomático; e) o nome completo, a assinatura, o nº de inscrição no Conselho Regional de Medicina (CRM), o nº de registro no órgão público e a qualificação do(s) profissional(is) do serviço médico oficial responsável(is) pela emissão do laudo pericial. É de se repisar que, na fase impugnatória, o interessado teve ampla oportunidade de anexar aos autos, laudo médico elaborado conforme disciplina a legislação de regência, como procedeu com os documentos ora examinados. Acrescentese, outrossim, que dentro do período que se estende entre o protocolo da impugnação em tela até a presente data, não foram juntados aos autos outros documentos que corroborem o alegado. Portanto, não tem acolhida o requerimento do impugnante, por ser a perícia prescindível no presente caso.” Diante do exposto rejeito a preliminar de cerceamento do direito de defesa. B) DA NULIDADE DO LANÇAMENTO POR EXIGIR CRÉDITO TRIBUTÁRIO EXTINTO PELO PAGAMENTO Cumpre informar, inicialmente, que o lançamento foi efetuado com base na Declaração de Ajuste Anual do IRPF retificadora, relativa ao anocalendário de 2007. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/ 07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 De acordo com o disposto no art. 54, parágrafo único, inciso I, da Instrução Normativa SRF nº 15, de 06/02/2001, abaixo transcrito, a declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente. “Art. 54. O declarante obrigado à apresentação da Declaração de Ajuste Anual pode retificar a declaração anteriormente entregue mediante apresentação de nova declaração, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Parágrafo único. A declaração retificadora referida neste artigo: I tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente; II será processada, inclusive para fins de restituição, em função da data de sua entrega.” O pagamento que a Recorrente alega extinguir o crédito tributário foi realizado com base na declaração original, como ela própria afirma em seu recurso. Ocorre que com a apresentação da declaração retificadora, e com o novo lançamento resultante desta, o lançamento decorrente da apresentação da declaração original deixa de existir, assim como o crédito tributário resultante dele. Para que se possa exigir o imposto apurado na declaração original que, conforme entendimento da fiscalização, é o correto, é necessário proceder a um novo lançamento, pois é por meio deste que se constitui o crédito tributário, conforme previsão contida no art. 142, do Código Tributário Nacional, que assim dispõe: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” (destaquei) Assim não há que se falar que o crédito tributário apurado pela fiscalização encontrase extinto face à existência do pagamento do imposto efetuado pela Contribuinte, com base no imposto apurado na declaração original. O crédito tributário foi constituído exatamente para que fosse possível exigir o imposto em questão. Sendo constatado seu pagamento parcial ou integral, pode e deve ser compensado com o imposto lançado, desde que não exista pedido de restituição ou de compensação, ou que o valor pago não tenha sido alocado para outro débito. Todavia esse procedimento é de competência da Receita Federal do Brasil. Por tais razões rejeito a preliminar de nulidade do lançamento. 2 – DO MÉRITO Nos termos do disposto no art. 6°, incisos XIV e XXI, da Lei n° 7.713, de 1988, com a redação que lhe foi dada pela Lei n° 11.052, de 2004, c/c o art. 30 da Lei n° 9.250, de 1995, abaixo reproduzidos, a isenção dos rendimentos de aposentadoria recebidos por portador de moléstia grave, a partir de 01/01/1996, depende da comprovação da doença por Fl. 126DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/ 07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13888.721803/201176 Acórdão n.º 2201002.186 S2C2T1 Fl. 124 7 intermédio de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, e que os rendimentos estejam relacionados à aposentadoria, reforma ou pensão, sendo que o benefício em questão retroage à data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial oficial. Lei n° 7.713, de 1988 “Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: [...] XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (Redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004) [...] XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão. (Incluído pela Lei nº 8.541, de 1992) (Vide Lei 9.250, de 1995)” Lei nº 9.250, de 1995 “Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. [...]”(destaquei) A exigência do referido laudo, para fins de gozo da isenção do IRPF pelos portadores de moléstia grave, encontrase pacificada no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), por intermédio da súmula CARF nº 63, abaixo reproduzida, de observância obrigatória pelos membros do CARF, conforme estabelecido no caput do art. 72 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22/06/2009. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/ 07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 “Súmula CARF nº 63 Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.” Acerca do termo inicial da isenção, a Instrução Normativa SRF nº 15, de 06/02/2001, dispõe em seu artigo 5º, § 2º: Art. 5º Estão isentos ou não se sujeitam ao imposto de renda os seguintes rendimentos: (...) § 2º A isenção a que se referem os incisos XII e XXXV aplicam se aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão, quando a doença for preexistente; II – do mês da emissão do laudo pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III – da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. Compulsando os autos verificase que o único laudo apresentado pela Interessada é aquele juntado às fls. 20, que foi emitido pela Secretaria Municipal de Saúde da Prefeitura de Cerquilho, contendo as seguintes informações: “Neusa Maria Duarte Vigar Dor abdominal em cólica em 01/2005 até 06/2005 – (...) colecistopatia calculosa Cirurgia da vesícula em 06/2005 2007 – dores abdominais freqüentes + alteração do hábito intestinal + obstipação constante. 01/2009 – agravamento do quadro de dores abdominais(+ constante). 18/08/2009 – colonoscopia com diagnóstico de adenocarcinoma do cólon. Realizada colectomia parcial (...)” Pelo exposto acima constatase que o laudo em questão não se presta a comprovar que a Recorrente era portadora de moléstia grave no anocalendário fiscalizado, 2007. Embora conste no documento que em 18/08/2009 a Contribuinte foi diagnosticada com “adenocarcinoma do cólon”, não há qualquer informação de que essa enfermidade foi contraída anteriormente a 2007, condição necessária para que a Interessada faça jus à aludida isenção durante todo o ano de 2007, conforme pleiteado em sua Declaração de Ajuste Anual do IRPF Fl. 128DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/ 07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13888.721803/201176 Acórdão n.º 2201002.186 S2C2T1 Fl. 125 9 retificadora, relativa àquele anocalendário. Cumpre assinalar que no laudo não consta a data de sua emissão. Por tais razões voto por REJEITAR as preliminares suscitadas e, no mérito, por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para manter a exigência, considerandose os pagamentos já efetuados. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima Fl. 129DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/ 07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 13839.901808/2008-61
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jun 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002
PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE.
Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos.
NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. ANÁLISE DE NOVO ARGUMENTO DE DEFESA. MANUTENÇÃO DA NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO POR INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. ALTERAÇÃO DA MOTIVAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA.
Não é passível de nulidade, por mudança de motivação, a decisão de primeiro grau que rejeita novo argumento defesa suscitado na manifestação inconformidade e mantém a não homologação da compensação declarada, por da ausência de comprovação do crédito utilizado, mesmo motivo apresentado no contestado Despacho Decisório.
DILIGÊNCIA. REALIZAÇÃO PARA JUNTADA DE PROVA DOCUMENTAL EM PODER DO REQUERENTE. DESNECESSIDADE.
Não se justifica a realização de diligência para juntada de prova documental em poder do próprio requerente que, sem a demonstração de qualquer impedimento, não foi carreada aos autos nas duas oportunidades em que exercitado o direito de defesa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-001.298
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, rejeitar a preliminar de nulidade do acórdão recorrido. Por maioria, em face da preclusão, não conhecer da documentação juntada aos autos, consoante alegação da recorrente em sustentação oral, após a publicação da pauta da reunião de julgamento - e, portanto, após a análise dos autos pelo Relator. Vencido, nesse ponto, o Conselheiro Solon Senh que, devido às particularidades do caso, entendia por converter o julgamento em diligência para juntado dessa documentação aos autos. No mérito, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. O Dr. Fábio de Almeida Garcia, OAB/SP n. 237.078, fez sustentação oral.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
EDITADO EM: 09/10/2012
Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Solon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO NA FASE RECURSAL. DECISÃO NÃO HOMOLOGATÓRIA MANTIDA. Não comprovada, na fase recursal, a certeza e liquidez do crédito, mantémse a decisão recorrida que, pelo mesmo motivo, não homologou a compensação declarada pelo sujeito passivo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. ANÁLISE DE NOVO ARGUMENTO DE DEFESA. MANUTENÇÃO DA NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO POR INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. ALTERAÇÃO DA MOTIVAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA. Não é passível de nulidade, por mudança de motivação, a decisão de primeiro grau que rejeita novo argumento defesa suscitado na manifestação inconformidade e mantém a não homologação da compensação declarada, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 18 08 /2 00 8- 61 Fl. 220DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25 /01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA 2 por da ausência de comprovação do crédito utilizado, mesmo motivo apresentado no contestado Despacho Decisório. DILIGÊNCIA. REALIZAÇÃO PARA JUNTADA DE PROVA DOCUMENTAL EM PODER DO REQUERENTE. DESNECESSIDADE. Não se justifica a realização de diligência para juntada de prova documental em poder do próprio requerente que, sem a demonstração de qualquer impedimento, não foi carreada aos autos nas duas oportunidades em que exercitado o direito de defesa. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, rejeitar a preliminar de nulidade do acórdão recorrido. Por maioria, em face da preclusão, não conhecer da documentação juntada aos autos, consoante alegação da recorrente em sustentação oral, após a publicação da pauta da reunião de julgamento e, portanto, após a análise dos autos pelo Relator. Vencido, nesse ponto, o Conselheiro Solon Senh que, devido às particularidades do caso, entendia por converter o julgamento em diligência para juntado dessa documentação aos autos. No mérito, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. O Dr. Fábio de Almeida Garcia, OAB/SP n. 237.078, fez sustentação oral. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. EDITADO EM: 09/10/2012 Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Solon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário oposto com o objetivo de reformar o Acórdão proferido pelos membros da 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Campinas/SP, em que, por unanimidade de votos, julgaram improcedente a manifestação de inconformidade, com base nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25 /01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 13839.901808/200861 Acórdão n.º 3802001.298 S3TE02 Fl. 11 3 Para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo, deve ser demonstrada a liquidez e certeza de crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Por bem descrever os fatos registrados até a prolação do Acórdão de primeiro grau, transcrevo a seguir o relatório nele encartado: Tratase de Declaração de Compensação – DCOMP, com base em suposto crédito de PIS oriundo de pagamento indevido ou a maior. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório eletrônico de não homologação da compensação, fundamentando: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão do PER/DCOMP: 2.732,88. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Cientificada desse despacho em 29/07/2008, a interessada apresentou sua manifestação de inconformidade em 19/08/2008, alegando, em síntese e fundamentalmente, que: Seu crédito decorre de ter considerado equivocadamente na base de cálculo da contribuição do período em questão algumas vendas de produtos que se encontravam relacionados nos Anexos I e II da Lei nº 10.485/2002; Transmitiu a DCOMP utilizando aquele crédito, mas, por um lapso, deixou de retificar a DCTF relativa ao período, para que nela passasse a constar o valor correto da contribuição devida; Somente com a ciência do Despacho em tela é que percebeu seu equívoco. Assim, procedeu imediatamente à retificação da DCTF; Tratase de mero erro de preenchimento de obrigação acessória, que não afasta a existência inequívoca de seu crédito, e não pode lhe tolher o direito à compensação. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25 /01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA 4 Jurisprudência administrativa e judicial corroboram seu entendimento; Não há prejuízo ao Fisco. Ao contrário, não lhe permitir utilizar tal crédito configuraria enriquecimento ilícito do Erário. Em 10/03/2011, a Interessada foi cientificada do referido Acórdão. Inconformada, em 08/04/2011, protocolou o presente Recurso Voluntário, em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na manifestação de inconformidade. Em aditamento, a Recorrente alegou, em preliminar, a nulidade do Acórdão recorrido, com base no argumento de que houve inovação dos motivos e fundamentos expostos no vergastado Despacho Decisório, que apontou a insuficiência de crédito como causa da não homologação da compensação declarada, ao invés da suposta não comprovação da origem do crédito compensado, apresentada no referido Acórdão. No mérito, em síntese, alegou a Recorrente que (i) a origem do crédito utilizado era proveniente da indevida tributação das receitas das vendas dos produtos sujeitas ao regime monofásico; (ii) por um lapso, somente retificou a DCTF, para informar o valor correto débito, após a ciência do Despacho Decisório; (iii) a guia Darf, a DComp e a DCTF retificadora, apresentados com a manifestação de inconformidade, eram documentos hábeis e idôneos para comprovar a liquidez e certeza do crédito compensado; e (iv) o princípio da verdade material , deveria se sobrepor a qualquer equívoco cometido no cumprimento das obrigações acessórias, em consequência, meros erros de preenchimento de declaração não poderia tolher o seu direito à compensação da quantia paga a maior. Caso não fosse acolhida a preliminar de nulidade nem acatada as provas já carreadas aos autos, requereu a Recorrente a realização de diligência, com o objetivo de obter a documentação complementar destinada a comprovar o que alegara. Em 10/08/2011, os presentes autos foram enviados a este E. Conselho. Na Sessão de março de 2012, mediante sorteio, foram distribuídos para este Conselheiro, em conformidade com o disposto no art. 49 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O presente Recurso é tempestivo, foi apresentado por parte legítima, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, incluindo o limite de alçada, portanto, dele tomo conhecimento. Do não conhecimento da suposta prova documental não colacionada aos autos. Na sustentação oral realizado durante a Sessão de julgamento, alegou o patrono da Recorrente que havia entregue na Secretaria da 2ª Câmara desta 3ª Seção petição Fl. 223DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25 /01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 13839.901808/200861 Acórdão n.º 3802001.298 S3TE02 Fl. 12 5 com pedido de juntada aos autos de notas fiscais de venda, emitidas durante o período de apuração do crédito informado na DComp em apreço. No memorial, naquele momento entregue, consta a informação de que tais notas foram exemplificativamente apresentadas. Na oportunidade, consultei o e.processo e verifiquei que tais documentos ainda não constavam dos autos. Além dessa circunstância, entendo que, no estágio em que se encontram os autos, tal documentação não pode ser admitida nem conhecida, uma vez que consumada a preclusão do direito de apresentála, estabelecida no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, ainda que destinada a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, situação que vislumbro no caso em tela, conforme a seguir explicitado. Da preliminar de nulidade do Acórdão recorrido. Em preliminar, alegou a Recorrente a nulidade do Acórdão recorrido, sob o argumento de que ele havia alterado a motivação e a fundamentação do presente Despacho Decisório, pois, enquanto este apontara a insuficiência de crédito como sendo a causa da não homologação da compensação declarada, aquele indicara a não comprovação da origem do crédito compensado. Não procede argumento suscitado pela Recorrente, com a devida vênia. A uma, porque insuficiência e inexistência tem o mesmo efeito em relação à utilização do direito creditório na compensação, o que equivale, para fim de compensação, a ausência dos requisitos da certeza e liquidez do crédito informado. A duas, porque ambas as decisões apontaram a falta do suposto crédito como motivo para não homologação da compensação. Na verdade, em decorrência das novas razões de defesa alegadas na manifestação de inconformidade colacionada aos autos, verificase que a diferença entre uma e outra decisão está apenas nos argumentos utilizados para respaldar a conclusão de que o crédito compensado não existia. Com efeito, segundo o teor do vergastado Despacho Decisório, a compensação em tela não foi homologada porque a existência do valor do crédito informado não foi comprovada, pois, embora o pagamento referente à origem do crédito, informado na DComp, tivesse sido localizado na base de dados da Administração Tributária, o seu valor fora integralmente utilizado na quitação do débito da Cofins do respectivo período de apuração, confessado pela própria Recorrente na DCTF original. Logo, o real o motivo da não homologação da compensação foi a inexistência do crédito compensado. Por sua vez, na manifestação de inconformidade, que deu origem ao presente contencioso, alegou a Recorrente que o débito da Cofins informado na DCTF original estava errado e que o valor correto seria aquele declarado na DCTF retificadora, o que significa que a não comprovação do alegado pagamento a maior fora motivada por erro no preenchimento da DCTF original, retificada somente após a emissão e ciência do citado Despacho Decisório. Em face dessa alegação, o Acórdão recorrido manteve a não homologação da compensação em tela, desta feita, com base no argumento de que a Recorrente não havia comprovado, com documentação contábil e fiscal adequada, as razões de fato e de direito que ensejaram a retificação do valor do débito anteriormente declarado na DCTF original. Aliás, asseverou a Turma de Julgamento de primeiro grau que a simples apresentação da DCTF retificadora, sem suporte em documento comprobatório do alegado erro de apuração do valor Fl. 224DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25 /01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA 6 débito original, por si só, não tinha o condão de comprovar a existência do alegado indébito, mantendo inalterado o valor do débito anteriormente declarado na DCTF original. Em suma, o motivo da não homologação da compensação também foi a falta de comprovação da existência do crédito compensado. Ratifica o asseverado, o teor do enunciado da ementa do referido julgado, a seguir transcrito: COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. Para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo, deve ser demonstrada a liquidez e certeza de crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. No caso em tela, comparando o teor dos dois julgados, fica evidenciado que a diferença entre ambos está no argumento utilizado para não reconhecimento do direito creditório alegado, pois, enquanto o Despacho Decisório limitouse a comparar o valor do pagamento informado com o valor do débito declarado na DCTF original, o Acórdão recorrido foi além da análise meramente formal, uma vez que também analisou o alegado equívoco na apuração do valor débito retificado, porém, não acatou a retificação, porque não foi comprovada, por meio de documentação contábil e fiscal adequada, a origem do alegado erro de apuração do valor do debito retificado, consistente no montante das supostas receitas de vendas dos produtos relacionados nos Anexos I e II da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, submetidas a alíquota 0% (zero por cento) da Cofins, por força do regime de tributação monofásica, estabelecido nos arts. 1º e 3º1 do citado diploma legal. Assim, se a Turma de Julgamento a quo não admitiu a retificação do valor do débito original, obviamente, ficou mantido o valor do débito declarado na primeira DCTF e, portanto, mantido o mesmo motivo, para a não homologação da compensação, exposto no referido Despacho Decisório, a saber: o fato de o valor do pagamento, informado como origem do crédito, ter sido “integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados” na presente DComp. No caso em tela, teria havido alteração de motivação da decisão originária, caso a Turma de Julgamento de primeiro grau tivesse acatado a retificação do valor original do débito, porém, por motivo diverso da inexistência do crédito, tivesse mantido a decisão de não homologação da compensação em apreço, como por exemplo, em decorrência do indébito não 1 "Art. 1º As pessoas jurídicas fabricantes e as importadoras dos produtos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), aprovada pelo Decreto no 4.070, de 28 de dezembro de 2001, relativamente à receita bruta decorrente da venda desses produtos, ficam sujeitas ao pagamento das contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/Pasep) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) às alíquotas de 1,47% (um inteiro e quarenta e sete centésimos por cento) e 6,79% (seis inteiros e setenta e nove centésimos por cento), respectivamente. [...] Art. 3º Fica reduzida a 0% (zero por cento) a alíquota das contribuições para o PIS/Pasep e da Cofins relativamente à receita bruta da venda: I dos produtos relacionados nos Anexos I e II desta Lei; II dos produtos referidos no art. 1º, auferida por comerciantes atacadistas e varejistas, exceto as pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5º, da Medida Provisória nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001. Parágrafo único. Fica o Poder Executivo autorizado, mediante decreto, a alterar a relação de produtos discriminados nesta Lei, em decorrência de modificações na codificação da TIPI. [...]" Fl. 225DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25 /01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 13839.901808/200861 Acórdão n.º 3802001.298 S3TE02 Fl. 13 7 ser passível de restituição, por falta de previsão legal, o que, evidentemente, não ocorreu no caso em tela. Por fim, cabe ainda ressaltar que, no caso em tela, não tem qualquer relevância a alegação da Recorrente de que houve violação ao art. 146 do CTN, pois, como de sabença, o referido preceito legal aplicase aos casos de revisão do lançamento de ofício, situação que não ocorreu nos presentes autos. Por todas essas razões, rejeito a presente preliminar de nulidade, para manter incólume o Acórdão recorrido. Da análise do mérito. No mérito, o cerne da presente controvérsia gira em torno da comprovação da existência do valor do crédito utilizado pela Recorrente na quitação dos débitos confessados na DComp colacionada aos autos. Para Recorrente, contrariando o princípio da verdade material, a simples retificação do valor do débito, por meio da DCTF retificadora, acompanhada apenas da guia de recolhimento (Darf), era suficiente para comprovar a certeza e a liquidez do crédito alegado. Por outro lado, ao meu ver, em consonância com o princípio da verdade real, entenderam os integrantes da Turma de Julgamento de primeiro grau que a simples retificação da DCTF desacompanha da comprovação, por documentação contábil e fiscal adequada, do motivo do erro de apuração do débito retificado, não era suficiente para comprovar a certeza e liquidez do crédito informado na DComp em apreço. No meu entendimento, a razão está com a Turma de Julgamento, pois, se foi a própria Recorrente quem informou os dois valores distintos para um mesmo débito, não há como saber qual deles é o correto (se o valor do débito informado na DCTF original ou o declarado na DCTF retificadora), sem que haja a confirmação por uma outra fonte de informação idônea. Daí a necessidade da apresentação da adequada documentação, com vista a confirmação do alegado equívoco. A Recorrente ainda alegou que o débito informado na DCTF original estava errado e que o valor correto seria o informado na DCTF retificadora, porém, não trouxe aos autos os elementos probatórios necessários a comprovação do mencionado erro, limitandose a apresentar apenas as cópias da Guia de Recolhimento (Darf) e da DCTF retificadora. Tal alegação trata de questão defesa que este Colegiado já apreciou e, por unanimidade, tem manifestado o entendimento de que, a simples retificação da DCTF, desacompanhada de prova robusta do alegado equívoco, não tem o condão de comprovar a existência da certeza e liquidez do crédito compensado. Com efeito, não se pode olvidar que, em conformidade com o disposto no art. 7º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, aplicável ao processo de compensação em apreço, a ciência do primeiro ato de oficio tem o condão de excluir a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores. No caso em tela, após ciência do Despacho Decisório, a redução do valor débito, objeto da compensação não homologada, somente seria admitida se demonstrada e comprovada, por meio de documentação adequada, a origem do erro na apuração do valor do débito retificado. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25 /01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA 8 Especificamente em relação à redução dos débitos tributários, em consonância com o referido preceito legal, é oportuno ressaltar que somente nas hipóteses em que caracterizada a espontaneidade a DCTF retificadora tem a mesma natureza da DCTF original, substituindoa integralmente. Por outro lado, afastada a espontaneidade, evidentemente, tal retificação não pode mais ser admitida com a simples retificação da dita Declaração. Corrobora o asseverado, o disposto nos §§ 1° e 2º do art. 9º da Instrução Normativa RFB nº 1.1102, de 24 de dezembro de 2010, que, com pequenas alterações, manteve a redação das Instruções Normativas anteriores, conforme o teor dos referidos dispositivos, a seguir transcritos: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU;ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. 2 Na data da apresentação da presente DCTF retificadora estava em vigência a Instrução Normativa RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007, cujo art. 11 assim dispunha sobre o assunto: “Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. [...]”. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25 /01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 13839.901808/200861 Acórdão n.º 3802001.298 S3TE02 Fl. 14 9 § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o crédito tributário. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.177, de 25 de julho de 2011) [...]. (grifos não originais) Inequivocamente, o presente Despacho Decisório representa o ato administrativo final, resultante do procedimento de controle da legalidade da compensação declarada pela Recorrente, previsto nos §§ 2º e 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com as alterações posteriores. Nesta hipótese, a redução do valor do débito somente será admitida se existir prova inequívoca da ocorrência de erro de fato cometido no preenchimento da DCTF retificada. Além disso, por ter efeito direto sobre desfecho do julgamento da presente controvérsia, inaugurada com a citada manifestação de inconformidade, obviamente, a comprovação da origem da redução do valor do débito retificado deve ser tratado como um questão de defesa. Dessa forma, para que seja aceita tal retificação, ela deve atender, necessariamente, todos os requisitos previsto na legislação que rege contraditório na esfera do processo administrativo fiscal, dentre os quais merece destaque a comprovação, com documentação adequada, do equívoco cometido, especialmente, quando o erro informado não se encontra apenas no preenchimento da DCTF, mas na própria apuração do valor débito em questão. Neste último caso, admitir a simples retificação da DCTF como suficiente para comprovar a existência do crédito glosado, resultaria sem efeito a atividade de controle da regularidade da compensação declarada prevista no § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com as alterações posteriores, uma vez que o Despacho Decisório, regularmente prolatado, tornarseia juridicamente inexistente, sem que fosse pronunciada a sua inexistência ou nulidade, afrontando regras basilares que regem o processo administrativo fiscal. Nos presentes autos, para justificar a origem da redução do valor original do débito, a Recorrente alegou que a quantia paga a maior era proveniente da indevida tributação das receitas das vendas dos produtos sujeitas ao regime monofásico, contudo, nas duas oportunidades que compareceu aos autos, não apresentou qualquer documento que confirmasse tal alegação. Assim, em sintonia com o entendimento aqui esposado, como o erro apontado pela Recorrente referese a erro de apuração do valor do débito, logo, por força do disposto no art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF), era ônus da Interessada trazer aos autos os documentos hábeis e idôneos que comprovassem o montante da receita submetida ao referido regime de tributação monofásico. Para esse fim, a simples apresentação das cópias autenticadas dos livros contábeis (Diário e Razão) e fiscais (Apuração do IPI e ICMS), corroborados pelas respectivas notas fiscais de venda, ao meu ver, eram suficientes para tal comprovação. No entanto, nem sequer o demonstrativo de apuração da referida Contribuição, instituído pela legislação tributária, foi apresentado pela Recorrente. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25 /01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA 10 Da mesma forma, também evidencia a insuficiência da instrução probatória da incumbência da Recorrente, o fato de ela não ter relacionado sequer os produtos que se encontravam submetidos a mencionada incidência monofásica. Não é demais lembrar que, em relação ao fato constitutivo do direito pleiteado, o ônus da prova incumbe sempre a quem o alega, segundo, expressamente, dispõe inciso I do art. 3333 do CPC, que se aplica subsidiariamente ao processo administrativo fiscal. Nesse sentindo, é oportuno ressaltar que, por força do disposto no art. 170 do CTN, combinado o disposto no caput do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com as alterações posteriores, a homologação da compensação depende da comprovação, na data da realização da compensação, da certeza e liquidez do crédito passível de restituição ou ressarcimento. Entretanto, no caso em tela, nenhum dos referidos requisitos foi comprovado, o que confirma a falta de comprovação da existência do crédito utilizado no presente procedimento compensatório. Por fim, alegou a Recorrente que o princípio da verdade material deve se sobrepor a qualquer equívoco presente nas obrigações acessórias, não podendo meros erros de preenchimento de declaração tolher o seu direito a restituição ou compensação da quantia indevidamente paga. Discordo. No âmbito do processo administrativo fiscal, em conformidade com o princípio da estrila legalidade, o princípio da verdade material atribui primazia a busca pela verdade substancial em detrimento da verdade formal, porém, isto não significa dizer que a autoridade julgadora tenha de assumir ônus probatório das partes interessadas, seja da Fiscalização ou do sujeito passivo. Na verdade, a orientação determinada pelo referido princípio é no sentido de que a autoridade julgadora não deve contentarse apenas com os aspectos formais da controvérsia. Entretanto, no que tange ao dever de provar as suas alegações, tal princípio não ampara a omissão deliberada ou injustificada da parte interessada, incluindo, obviamente, o sujeito passivo, conforme expressamente determinado no § 4º4 do art. 16 do PAF, aplicável ao processo de compensação, por força do disposto no art. 74, § 115, da Lei nº 9.430, de 1996, que, em face da preclusão, veda o conhecimento da prova documental apresentada após a fase impugnatório ou de manifestação de inconformidade, caso não atendidas as ressalvas previstas nas alíneas do referido parágrafo. 3 "Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor". 4 "Art. 16. [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos".(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997). 5 "Art. 74. Omissis. (...) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. " Fl. 229DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25 /01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 13839.901808/200861 Acórdão n.º 3802001.298 S3TE02 Fl. 15 11 No presente caso, ao pretender atribuir a simples retificação da DCTF a condição de prova suficiente do indébito informado, contraditoriamente, a Recorrente está agindo em dissonância com a orientação expressa no princípio em comento. Além disso, em consonância com o disposto nos arts. 15 e 18 do PAF, o encargo da instrução probatória é sempre da incumbência da parte que alega o fato probando, não podendo tal atividade ser transferida para a autoridade julgadora, sob pena de desvirtuamento das regras que rege o processo administrativo fiscal. Em consequência desse regramento legal, somente quando a instrução probatório se revelar imprescindível e necessária à formação do convencimento da autoridade julgadora é que ela poderá determinar a sua produção ou complementação, de ofício ou a requerimento da parte interessada. Não se pode também olvidar que, na condição de titular do crédito compensado, o ônus de provar a certeza e liquidez do alegado crédito, na data da compensação, era da Recorrente, conforme expressamente exige o art. 170 do CTN, combinado com o disposto no § 1º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. No caso em tela, não foi comprovado o alegado erro de preenchimento da DCTF original, portanto, não há que se falar na alegada afronta ao princípio da verdade real. Por fim, é oportuno ressaltar que o entendimento aqui esposado não significa privilegiar o aspecto formal em detrimento da verdade material, mas em deixar expresso que a aceitação da redução do valor do débito confessado na DCTF original, especialmente, após a ciência do despacho decisório, somente pode ser acatada se respaldada em provas documentais robustas do alegado equívoco. Por essas razões, rejeito as alegações da Recorrente, para manter a não homologação da compensação em tela, por falta do crédito informado na presente DComp. Do pedido de realização de diligência. No presente Recurso, a Recorrente ainda pleiteou a realização de diligência, para fim de obtenção da documentação complementar, com a finalidade de comprovar, em relação aos anos calendários de 2002 a 2004, que: a) a Recorrente recolheu valores a título de Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins em montante superior ao devido, em virtude da desconsideração do regime monofásico e redução das alíquotas das aludidas Contribuições a 0% (zero por cento); e b) as declarações e retificações apresentadas pela Recorrente eram suficientes para comprovar a existência do saldo credor, bem como para efetuar as compensações realizadas. Em consonância com o princípio verdade material, determina o art. 18 do PAF que a autoridade julgadora somente determinará a realização de diligência, de ofício ou a requerimento do interessado, quando entendêla necessária. No presente caso, a realização da diligência requerida, para fim de juntada de provas complementares, revelase totalmente desnecessária, pois, como visto, no presente caso, tratase de documentos da escrituração contábil e fiscal da própria Recorrente que, se existentes, poderiam ter sido facilmente por ela carreadas aos autos nas duas oportunidades em Fl. 230DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25 /01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA 12 que nele se manifestou, especialmente, na presente fase recursal, quando ela já tinha pleno conhecimento de que tais documentos eram imprescindíveis para comprovação do alegado equívoco. Com base nessas considerações, reputo desnecessária a realização da diligência pleiteada. Em consequência, com respaldo no art. 18 do PAF, sou pelo seu indeferimento. Da conclusão. Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao presente Recurso, para manter na íntegra o Acórdão recorrido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 231DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25 /01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA
score : 1.0
Numero do processo: 10976.000517/2008-91
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO.
O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (Art. 62-A do anexo II).
O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC definiu que o dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação (Recurso Especial nº 973.733).
O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º).
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-002.609
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente)
(Assinado digitalmente)
Gustavo Lian Haddad - Relator
EDITADO EM: 29/04/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733). O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 6. 00 05 17 /2 00 8- 91 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente) (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Relator EDITADO EM: 29/04/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face de Tecnowatt Iluminação S/A, foi lavrada a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, para cobrança de contribuições destinadas ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação – FNDE (salárioeducação) – por não ter incluído os valores pagos aos seus funcionários a título de abono de férias vinculado à assiduidade e do abono especial único na base de cálculo da referida contribuição, para os fatos geradores ocorridos em 01/2003, 02/2003, 06/2003, 07/2003, 09/2003, 11/2003 e 12/2003. A Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, ao apreciar o recurso voluntário interposto pela contribuinte, exarou o acórdão n° 2402001.772, que se encontra às fls. 203/213 e cuja ementa é a seguinte: Assunto: Contribuição ao salárioeducação Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 Ementa: DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. SÚMULA VINCULANTE nº 08. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, o que dispõe o art. 150, § 4º, ou o art. 173 e seus incisos, ambos do Código Tributário Nacional, nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não, respectivamente. No caso de lançamento das contribuições sociais, cujos fatos geradores não são reconhecidos como tal pela empresa, restando claro que, com relação aos mesmos, a Recorrente não efetuou qualquer antecipação de pagamento, deixa de ser Fl. 2DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 10976.000517/200891 Acórdão n.º 9202002.609 CSRFT2 Fl. 9 3 aplicado o § 4º do art. 150, para a aplicação da regra geral contida no art. 173, inciso I, ambos do CTN. O lançamento foi efetuado em 24/11/2008, data da ciência do sujeito passivo (fl. 01), e os fatos geradores das contribuições apuradas ocorreram no período compreendido entre 01/2003 a 12/2003. Com isso, as competências posteriores a 11/2002 não foram abrangidas pela decadência, permitindo o direito do fisco de constituir o crédito tributário por meio de lançamento fiscal. PRÊMIO ASSIDUIDADE. INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES AO FNDE (SALÁRIOEDUCAÇÃO). Nos termos do artigo 28, inciso I, da Lei nº 8.212/91, integra o salário de contribuição a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título aos segurados empregados, objetivando retribuir o trabalho, inclusive aqueles recebidos a título de prêmio, na forma de gratificação ajustada, independente da denominação dada pelo contribuinte. ABONOS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. Após o advento do Decreto nº 3.265/99, somente as importâncias pagas aos empregados a título de abonos desvinculados expressamente por lei do salário, não compõem a base de cálculo das contribuições previdenciárias, conforme preceitua o art. 214, § 9º, V, alínea “j”, do Decreto nº 3.048/99. Recurso Voluntário a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. A anotação do resultado do julgamento indica que a Turma, por maioria de votos, negou provimento ao recurso, devido à aplicação da regra decadencial expressa no artigo 173, inciso I, do CTN. A contribuinte foi notificada do acórdão em 07/07/2011 (fls. 189), tendo apresentado recurso especial em 20/07/2011 (fls. 191), por meio do qual sustenta divergência entre o v. acórdão recorrido e o acórdão n° 20601.352, no tocante à contagem de prazo de decadência das contribuições sociais. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho nº 2400 480/2011, de 17/10/2011 (fls. 232/235). Intimada sobre a admissão do recurso especial interposto pela contribuinte, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (fls. 239/244). É o Relatório. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 4 Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator Inicialmente analiso a admissibilidade do recurso especial interposto, pela contribuinte. A Recorrente insurgese contra o acórdão recorrido no tocante à aplicação do artigo 173, inciso I do CTN para contagem da decadência das contribuições previdenciárias, pleiteando a aplicação do disposto no artigo 150, §4º do CTN, e indicando divergência entre tal decisão e o acórdão nº 20601.352, que se encontram assim ementado: Acórdão 20601.352 “PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NFLD. DECADÊNCIA. 05 ANOS. I Na esteira da jurisprudência do STJ, bem como da Câmara Superior de Recursos Fiscais, é de 05 anos a decadência das contribuições sociais. II Tratandose de tributação de salário indireto, a decadência regerseá pela regra do § 4° do art. 150 do CTN, uma vez que ocorrida a antecipação de recolhimentos em relação à folha de pagamento normal. Recurso Voluntário Provido em Parte” Verifico que no acórdão paradigma nº 20601.352 trazido pela Recorrente foi determinada a aplicação do disposto no artigo 150, §4º do CTN para os casos em que há a antecipação de tributos, sendo reconhecido que o disposto no 173, I, do CTN somente seria aplicável no caso de ausência total de recolhimentos, diversamente da tese vencedora no v. acórdão recorrido. Entendo, portanto, caracterizada a divergência de interpretação e CONHEÇO do recurso especial. Passo assim para a análise da decadência. Pois bem. No âmbito do Código Tributário Nacional, cabe examinar se deve ser aplicado ao caso o §4º do art. 150 ou art. 173, inciso I, do CTN, ambos para se determinar o termo inicial para contagem do prazo de decadência de 5 anos. Em diversas oportunidades já manifestei o entendimento segundo o qual, para os tributos sujeito ao lançamento por homologação, o prazo decadencial para efetuar o lançamento de tal tributo seria, em regra, o do art.150, §4º do CTN. Dessa forma, o prazo decadencial para o lançamento seria de cinco anos a contar do fato gerador, independentemente da existência de pagamento antecipado. Ocorre que o Regimento Interno deste E. Conselho, a partir de alteração promovida pela Portaria MF n.º 586, de 22 de dezembro de 2010, introduziu no artigo 62A do Anexo II dispositivo que determina, in verbis: Fl. 4DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 10976.000517/200891 Acórdão n.º 9202002.609 CSRFT2 Fl. 10 5 “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” E o Superior Tribunal de Justiça, ao julgar em 18/09/2009 o RESP nº 973.733 na sistemática de recursos repetitivos, nos termos do artigo 543C do CPC, consolidou entendimento diverso no que diz respeito à decadência dos tributos lançados por homologação, considerando relevante a existência de antecipação do pagamento para a aplicação do art. 150, parágrafo 4º do CTN. O acórdão em questão encontrase assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à Fl. 5DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 6 ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Com o advento da decisão acima referida, temse que nos casos em que não houve antecipação de pagamento deve este Colegiado aplicar a regra do art. 173, I, do CTN, ou seja, contarse o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, sendo este entendido, segundo a ementa acima, como o primeiro dia seguinte à ocorrência do fato imponível. Nos casos em que há recolhimento, ainda que parcial, aplicase a regra do art. 150, § 4º do CTN, ou seja, o prazo iniciase na data do fato gerador. No presente caso, foi reconhecido que há comprovação nos autos de que houve pagamento antecipado pela contribuinte da contribuição destinada ao FNDE em relação a outros fatos geradores, como se verifica do Relatório de Documentos Apresentados (fls. 08), conforme constou no voto vencido, in verbis: “Analisandose o Discriminativo Analítico de Débito — DAD (fis. 04/05), nos 4, campos relativos à informação de recolhimento por parte do contribuinte, verificase que não haveria, a principio, nenhuma informação demonstrando que houve pagamento antecipado de FNDE (salárioeducação). Ocorre que, conforme demonstrado pela Recorrente através do RDA Relatório de Documentos Apresentados (fls. 08), esta efetuou o pagamento parcial da contribuição pleiteada (em relação a outros fatos geradores), haja vista que dentro do valor apontado pela fiscalização como recolhido certamente há quantias pagas a titulo de salário educação. Caso contrário, a fiscalização deveria ter lavrado auto de infração para exigir também esses valores, o que, no entanto, não ocorreu. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 10976.000517/200891 Acórdão n.º 9202002.609 CSRFT2 Fl. 11 7 Vale destacar que, apesar de informados em campos diferentes na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social — GFIPs, todas as contribuições decorrentes desta declaração são pagas através de uma única Guia da Previdência Social — GPS. Ante o exposto, considerando que há comprovação nos autos de que houve o pagamento antecipado pela Recorrente da contribuição ao salárioeducação (em relação a outros fatos geradores), que esta obteve ciência do lançamento em 24/11/2008, aplicase a regra do art. 150, § 40 do CTN para declarar decaídos os valores referentes à contribuição destinada ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação FNDE (salárioeducação) no período de 01/2003, 02/2003, 06/2003, 07/2003 e 09/2003.” Como bem apontou o voto vencido do acórdão recorrido, se não tivesse havido recolhimento algum de salárioeducação em relação aos fatos geradores objeto do presente auto de infração tais valores também deveriam ter sido lançados, o que não ocorreu. Não bastasse isso, há às fls. 25 no TEPF (Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal – TEPF) dos autos indicação de verificação pela autoridade fiscal de GFIPs para os períodos envolvidos, o que aponta para existência de recolhimento já que não havia separação nas guias de recolhimentos das contribuições previdenciárias e das terceiros como salárioeducação. Tais circunstâncias apontam, no sentido da jurisprudência desta turma, para a consideração de que houve pagamento antecipado, trazendo para a espécie a regência do art. 150, parágrafo 4º do CTN. Nestas situações, tenho me manifestado no sentido de que o deslocamento da regra de contagem do prazo de decadência do artigo 150, §4º, para o artigo 173, I, ambos do CTN, requer a demonstração pela fiscalização de total ausência de recolhimento da contribuição pelo contribuinte relativamente aos períodos envolvidos nos fatos geradores questionados, o que não ocorreu no presente caso. Com base no referido raciocínio aplicase ao presente caso o disposto no artigo 150, §4º, do CTN, sendo que o início da contagem do prazo de decadência dáse com a ocorrência do fato gerador. No presente caso, considerando que a contribuinte foi cientificada do lançamento em 24/11/2008, deve ser reconhecida a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos de 01/2003, 02/2003, 06/2003, 07/2003 e 09/2003. Destarte, conheço do recurso especial interposto pela contribuinte para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO para reconhecer a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos até 09/2003. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 7DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 8 Fl. 8DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD
score : 1.0
Numero do processo: 19647.008239/2007-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Data do fato gerador: 01/05/2002 a 31/05/2002, 01/07/2002 a 31/10/2002,
01/12/2002 a 30/04/2007
RECURSO DE OFÍCIO
PIS E COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. FALTA OU
INSUFICIËNCIA DE RECOLHIMENTO. CONSIDERAÇÃO DOS
CRÉDITOS REGISTRADOS PELO CONTRIBUINTE.
OBRIGATORIEDADE DE CONSIDERAÇÃO.
A legislação de regência das contribuições ao PIS e à COFINS (Leis nºs.
10.637/02 e 10.833/03) prevê que do valor das contribuições apuradas sobre
as receitas tributáveis (art. 2º), podem ser descontados os créditos legalmente
permitidos (art. 3º), para com isso se evitar a cumulatividade tributária que se
pretendeu coibir e justificar o aumento das alíquotas levado a efeito, de modo
que agiu com acerto a decisão que cancelou parcialmente o crédito tributário
por aceitar o desconto dos referidos créditos, apurados conforme os livros e
registros do contribuinte.
Recurso de Ofício Negado.
RECURSO VOLUNTÁRIO
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. PERÍCIA CONTÁBIL.
NULIDADE DO PROCESSO.
Não há que se falar em nulidade do lançamento por cerceamento do direito de
defesa em razão da denegação de perícia. Constando do processo todos os
elementos de prova necessários à livre convicção do julgador é de ser
denegada a perícia suscitada pelo sujeito passivo.
AUTO DE INFRAÇÃO. COFINS. FALTA DE RECOLHIMENTO.
REPARTIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA.
Nos termos do art. 333, II, do Código de Processo Civil, aplicável
subsidiariamente ao processo administrativo tributário, compete ao acusado a prova de circunstância impeditiva do exercício do direito do autor. Tratandose
de auto de infração, compete ao Poder Público o ônus da prova da
ocorrência do fato jurídico tributário, já que constitutivo de seu direito,
competindo ao sujeito passivo a produção da prova dos fatos impeditivos,
modificativos ou extintivos do direito ao crédito tributário objeto do
lançamento.
MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. MATÉRIA AFETA
AO PODER JUDICIÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO PELA
VIA ADMINISTRATIVA.
A falta ou insuficiência de recolhimento de tributo é ato ilícito por omissão, o
qual constitui em hipótese de incidência da norma legal punitiva, veiculadora
da sanção correspondente a multa de ofício. Adentrar no caráter confiscatório
ou na equidade do percentual da multa é matéria que está afeta, antes da
criação da norma, ao Poder Legislativo, e após sua aplicação, cogente para a
Administração Pública, ao Poder Judiciário, não sendo possível proclamar a
ilegalidade ou inconstitucionalidade de Lei ou ato normativo na via
administrativa, nos termos da Súmula nº 02, do CARF.
DECADÊNCIA. INEXISTENCIA OU NÃO COMPROVAÇÃO DE
ANTECIPAÇÕES DE PAGAMENTO. APLICAÇÃO DA CONTAGEM DO
PRAZO REGIDA PELO ART. 173, I DO CTN.
A argüição da existência de antecipações de pagamento não encontradas pela
fiscalização e não verificadas pela DRJ deve ser comprovada pelo
contribuinte, de modo que em não sendo encontradas, merecem ser
analisadas como inexistentes, e portando, regidas pela contagem do prazo
decadencial prevista no artigo 173, I do CTN.
Assunto: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA
SEGURIDADE SOCIAL COFINS
Data do fato gerador: 01/05/2002 a 31/05/2002, 01/07/2002 a 31/10/2002,
01/12/2002 a 30/06/2003, 01/08/2003 a 30/04/2007
RECURSO DE OFÍCIO
PIS E COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. FALTA OU
INSUFICIËNCIA DE RECOLHIMENTO. CONSIDERAÇÃO DOS
CRÉDITOS REGISTRADOS PELO CONTRIBUINTE.
OBRIGATORIEDADE DE CONSIDERAÇÃO.
A legislação de regência das contribuições ao PIS e à COFINS (Leis nºs.
10.637/02 e 10.833/03) prevê que do valor das contribuições apuradas sobre
as receitas tributáveis (art. 2º), podem ser descontados os créditos legalmente
permitidos (art. 3º), para com isso se evitar a cumulatividade tributária que se
pretendeu coibir e justificar o aumento das alíquotas levado a efeito, de modo
que agiu com acerto a decisão que cancelou parcialmente o crédito tributário
por aceitar o desconto dos referidos créditos, apurados conforme os livros e
registros do contribuinte.
Recurso de Ofício Negado. RECURSO VOLUNTÁRIO
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. PERÍCIA CONTÁBIL.
NULIDADE DO PROCESSO.Não há que se falar em nulidade do lançamento por cerceamento do direito de
defesa em razão da denegação de perícia. Constando do processo todos os
elementos de prova necessários à livre convicção do julgador é de ser
denegada a perícia suscitada pelo sujeito passivo.
AUTO DE INFRAÇÃO. COFINS. FALTA DE RECOLHIMENTO.
REPARTIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA.
Nos termos do art. 333, II, do Código de Processo Civil, aplicável
subsidiariamente ao processo administrativo tributário, compete ao acusado a
prova de circunstância impeditiva do exercício do direito do autor. Tratandose
de auto de infração, compete ao Poder Público o ônus da prova da
ocorrência do fato jurídico tributário, já que constitutivo de seu direito,
competindo ao sujeito passivo a produção da prova dos fatos impeditivos,
modificativos ou extintivos do direito ao crédito tributário objeto do
lançamento.
MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. MATÉRIA AFETA
AO PODER JUDICIÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO PELA
VIA ADMINISTRATIVA.
A falta ou insuficiência de recolhimento de tributo é ato ilícito por omissão, o
qual constitui em hipótese de incidência da norma legal punitiva, veiculadora
da sanção correspondente a multa de ofício. Adentrar no caráter confiscatório
ou na equidade do percentual da multa é matéria que está afeta, antes da
criação da norma, ao Poder Legislativo, e após sua aplicação, cogente para a
Administração Pública, ao Poder Judiciário, não sendo possível proclamar a
ilegalidade ou inconstitucionalidade de Lei ou ato normativo na via
administrativa, nos termos da Súmula nº 02, do CARF.
DECADÊNCIA. INEXISTENCIA OU NÃO COMPROVAÇÃO DE
ANTECIPAÇÕES DE PAGAMENTO. APLICAÇÃO DA CONTAGEM DO
PRAZO REGIDA PELO ART. 173, I DO CTN.
A argüição da existência de antecipações de pagamento não encontradas pela
fiscalização e não verificadas pela DRJ deve ser comprovada pelo
contribuinte, de modo que em não sendo encontradas, merecem ser
analisadas como inexistentes, e portando, regidas pela contagem do prazo
decadencial prevista no artigo 173, I do CTN.
Numero da decisão: 3402-001.699
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, em negar
provimento ao recurso de ofício e ao recurso voluntário.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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NULIDADE DO PROCESSO. Não há que se falar em nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa em razão da denegação de perícia. Constando do processo todos os elementos de prova necessários à livre convicção do julgador é de ser denegada a perícia suscitada pelo sujeito passivo. AUTO DE INFRAÇÃO. COFINS. FALTA DE RECOLHIMENTO. REPARTIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. Nos termos do art. 333, II, do Código de Processo Civil, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo tributário, compete ao acusado a prova de circunstância impeditiva do exercício do direito do autor. Tratandose de auto de infração, compete ao Poder Público o ônus da prova da ocorrência do fato jurídico tributário, já que constitutivo de seu direito, competindo ao sujeito passivo a produção da prova dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito ao crédito tributário objeto do lançamento. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. MATÉRIA AFETA AO PODER JUDICIÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO PELA VIA ADMINISTRATIVA. A falta ou insuficiência de recolhimento de tributo é ato ilícito por omissão, o qual constitui em hipótese de incidência da norma legal punitiva, veiculadora da sanção correspondente a multa de ofício. Adentrar no caráter confiscatório ou na equidade do percentual da multa é matéria que está afeta, antes da criação da norma, ao Poder Legislativo, e após sua aplicação, cogente para a Administração Pública, ao Poder Judiciário, não sendo possível proclamar a ilegalidade ou inconstitucionalidade de Lei ou ato normativo na via administrativa, nos termos da Súmula nº 02, do CARF. DECADÊNCIA. INEXISTENCIA OU NÃO COMPROVAÇÃO DE ANTECIPAÇÕES DE PAGAMENTO. APLICAÇÃO DA CONTAGEM DO PRAZO REGIDA PELO ART. 173, I DO CTN. A argüição da existência de antecipações de pagamento não encontradas pela fiscalização e não verificadas pela DRJ deve ser comprovada pelo contribuinte, de modo que em não sendo encontradas, merecem ser analisadas como inexistentes, e portando, regidas pela contagem do prazo decadencial prevista no artigo 173, I do CTN. Assunto: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 01/05/2002 a 31/05/2002, 01/07/2002 a 31/10/2002, 01/12/2002 a 30/06/2003, 01/08/2003 a 30/04/2007 RECURSO DE OFÍCIO PIS E COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. FALTA OU INSUFICIËNCIA DE RECOLHIMENTO. CONSIDERAÇÃO DOS CRÉDITOS REGISTRADOS PELO CONTRIBUINTE. OBRIGATORIEDADE DE CONSIDERAÇÃO. A legislação de regência das contribuições ao PIS e à COFINS (Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03) prevê que do valor das contribuições apuradas sobre as receitas tributáveis (art. 2º), podem ser descontados os créditos legalmente permitidos (art. 3º), para com isso se evitar a cumulatividade tributária que se pretendeu coibir e justificar o aumento das alíquotas levado a efeito, de modo que agiu com acerto a decisão que cancelou parcialmente o crédito tributário por aceitar o desconto dos referidos créditos, apurados conforme os livros e registros do contribuinte. Recurso de Ofício Negado. RECURSO VOLUNTÁRIO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. PERÍCIA CONTÁBIL. NULIDADE DO PROCESSO.Não há que se falar em nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa em razão da denegação de perícia. Constando do processo todos os elementos de prova necessários à livre convicção do julgador é de ser denegada a perícia suscitada pelo sujeito passivo. AUTO DE INFRAÇÃO. COFINS. FALTA DE RECOLHIMENTO. REPARTIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. Nos termos do art. 333, II, do Código de Processo Civil, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo tributário, compete ao acusado a prova de circunstância impeditiva do exercício do direito do autor. Tratandose de auto de infração, compete ao Poder Público o ônus da prova da ocorrência do fato jurídico tributário, já que constitutivo de seu direito, competindo ao sujeito passivo a produção da prova dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito ao crédito tributário objeto do lançamento. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. MATÉRIA AFETA AO PODER JUDICIÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO PELA VIA ADMINISTRATIVA. A falta ou insuficiência de recolhimento de tributo é ato ilícito por omissão, o qual constitui em hipótese de incidência da norma legal punitiva, veiculadora da sanção correspondente a multa de ofício. Adentrar no caráter confiscatório ou na equidade do percentual da multa é matéria que está afeta, antes da criação da norma, ao Poder Legislativo, e após sua aplicação, cogente para a Administração Pública, ao Poder Judiciário, não sendo possível proclamar a ilegalidade ou inconstitucionalidade de Lei ou ato normativo na via administrativa, nos termos da Súmula nº 02, do CARF. DECADÊNCIA. INEXISTENCIA OU NÃO COMPROVAÇÃO DE ANTECIPAÇÕES DE PAGAMENTO. APLICAÇÃO DA CONTAGEM DO PRAZO REGIDA PELO ART. 173, I DO CTN. A argüição da existência de antecipações de pagamento não encontradas pela fiscalização e não verificadas pela DRJ deve ser comprovada pelo contribuinte, de modo que em não sendo encontradas, merecem ser analisadas como inexistentes, e portando, regidas pela contagem do prazo decadencial prevista no artigo 173, I do CTN.
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REGIME NÃO CUMULATIVO. FALTA OU INSUFICIËNCIA DE RECOLHIMENTO. CONSIDERAÇÃO DOS CRÉDITOS REGISTRADOS PELO CONTRIBUINTE. OBRIGATORIEDADE DE CONSIDERAÇÃO. A legislação de regência das contribuições ao PIS e à COFINS (Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03) prevê que do valor das contribuições apuradas sobre as receitas tributáveis (art. 2º), podem ser descontados os créditos legalmente permitidos (art. 3º), para com isso se evitar a cumulatividade tributária que se pretendeu coibir e justificar o aumento das alíquotas levado a efeito, de modo que agiu com acerto a decisão que cancelou parcialmente o crédito tributário por aceitar o desconto dos referidos créditos, apurados conforme os livros e registros do contribuinte. Recurso de Ofício Negado. RECURSO VOLUNTÁRIO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. PERÍCIA CONTÁBIL. NULIDADE DO PROCESSO. Não há que se falar em nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa em razão da denegação de perícia. Constando do processo todos os elementos de prova necessários à livre convicção do julgador é de ser denegada a perícia suscitada pelo sujeito passivo. AUTO DE INFRAÇÃO. COFINS. FALTA DE RECOLHIMENTO. REPARTIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. Nos termos do art. 333, II, do Código de Processo Civil, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo tributário, compete ao acusado a Fl. 1DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 4/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 2 prova de circunstância impeditiva do exercício do direito do autor. Tratando se de auto de infração, compete ao Poder Público o ônus da prova da ocorrência do fato jurídico tributário, já que constitutivo de seu direito, competindo ao sujeito passivo a produção da prova dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito ao crédito tributário objeto do lançamento. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. MATÉRIA AFETA AO PODER JUDICIÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO PELA VIA ADMINISTRATIVA. A falta ou insuficiência de recolhimento de tributo é ato ilícito por omissão, o qual constitui em hipótese de incidência da norma legal punitiva, veiculadora da sanção correspondente a multa de ofício. Adentrar no caráter confiscatório ou na equidade do percentual da multa é matéria que está afeta, antes da criação da norma, ao Poder Legislativo, e após sua aplicação, cogente para a Administração Pública, ao Poder Judiciário, não sendo possível proclamar a ilegalidade ou inconstitucionalidade de Lei ou ato normativo na via administrativa, nos termos da Súmula nº 02, do CARF. DECADÊNCIA. INEXISTENCIA OU NÃO COMPROVAÇÃO DE ANTECIPAÇÕES DE PAGAMENTO. APLICAÇÃO DA CONTAGEM DO PRAZO REGIDA PELO ART. 173, I DO CTN. A argüição da existência de antecipações de pagamento não encontradas pela fiscalização e não verificadas pela DRJ deve ser comprovada pelo contribuinte, de modo que em não sendo encontradas, merecem ser analisadas como inexistentes, e portando, regidas pela contagem do prazo decadencial prevista no artigo 173, I do CTN. Assunto: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 01/05/2002 a 31/05/2002, 01/07/2002 a 31/10/2002, 01/12/2002 a 30/06/2003, 01/08/2003 a 30/04/2007 RECURSO DE OFÍCIO PIS E COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. FALTA OU INSUFICIËNCIA DE RECOLHIMENTO. CONSIDERAÇÃO DOS CRÉDITOS REGISTRADOS PELO CONTRIBUINTE. OBRIGATORIEDADE DE CONSIDERAÇÃO. A legislação de regência das contribuições ao PIS e à COFINS (Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03) prevê que do valor das contribuições apuradas sobre as receitas tributáveis (art. 2º), podem ser descontados os créditos legalmente permitidos (art. 3º), para com isso se evitar a cumulatividade tributária que se pretendeu coibir e justificar o aumento das alíquotas levado a efeito, de modo que agiu com acerto a decisão que cancelou parcialmente o crédito tributário por aceitar o desconto dos referidos créditos, apurados conforme os livros e registros do contribuinte. Recurso de Ofício Negado. RECURSO VOLUNTÁRIO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. PERÍCIA CONTÁBIL. NULIDADE DO PROCESSO. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 4/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 19647.008239/200735 Acórdão n.º 3402001.699 S3C4T2 Fl. 1.335 3 Não há que se falar em nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa em razão da denegação de perícia. Constando do processo todos os elementos de prova necessários à livre convicção do julgador é de ser denegada a perícia suscitada pelo sujeito passivo. AUTO DE INFRAÇÃO. COFINS. FALTA DE RECOLHIMENTO. REPARTIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. Nos termos do art. 333, II, do Código de Processo Civil, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo tributário, compete ao acusado a prova de circunstância impeditiva do exercício do direito do autor. Tratando se de auto de infração, compete ao Poder Público o ônus da prova da ocorrência do fato jurídico tributário, já que constitutivo de seu direito, competindo ao sujeito passivo a produção da prova dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito ao crédito tributário objeto do lançamento. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. MATÉRIA AFETA AO PODER JUDICIÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO PELA VIA ADMINISTRATIVA. A falta ou insuficiência de recolhimento de tributo é ato ilícito por omissão, o qual constitui em hipótese de incidência da norma legal punitiva, veiculadora da sanção correspondente a multa de ofício. Adentrar no caráter confiscatório ou na equidade do percentual da multa é matéria que está afeta, antes da criação da norma, ao Poder Legislativo, e após sua aplicação, cogente para a Administração Pública, ao Poder Judiciário, não sendo possível proclamar a ilegalidade ou inconstitucionalidade de Lei ou ato normativo na via administrativa, nos termos da Súmula nº 02, do CARF. DECADÊNCIA. INEXISTENCIA OU NÃO COMPROVAÇÃO DE ANTECIPAÇÕES DE PAGAMENTO. APLICAÇÃO DA CONTAGEM DO PRAZO REGIDA PELO ART. 173, I DO CTN. A argüição da existência de antecipações de pagamento não encontradas pela fiscalização e não verificadas pela DRJ deve ser comprovada pelo contribuinte, de modo que em não sendo encontradas, merecem ser analisadas como inexistentes, e portando, regidas pela contagem do prazo decadencial prevista no artigo 173, I do CTN. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso de ofício e ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Fl. 3DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 4/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 4 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Mônica Monteiro Garcia de Los Rios (suplente), Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça, Silvia de Brito Oliveira e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 4/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 19647.008239/200735 Acórdão n.º 3402001.699 S3C4T2 Fl. 1.336 5 Relatório Foram lavrados, em desfavor do contribuinte, Autos de Infração para cobrança de valores referentes a Pis, relativos aos períodos 01.05.2002 a 31.05.2002, 01.07.2002 a 31.10.2002 e 01.12.2002 a 30.04.2007 e, ainda, de Cofins relativos aos períodos de apuração de 01.05.2002 a 31.05.2002, 01.07.2002 a 31.10.2002, 01.12.2002 a 30.06.2003 e 01.08.2003 a 30.04.2007. Para ambas as contribuições, a autoridade fiscal justificou os lançamentos, na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal como “Diferença entre o valor escriturado e o declarado/pago”. Os valores dos créditos tributários exigidos, já acrescidos juros de mora (calculados até 29/06/2007) e multa, são R$24.535.049,20 (vinte e quatro milhões, quinhentos e trinta e cinco mil, quarenta e nove reais e vinte centavos) para a Cofins e R$6.244.018,43 (seis milhões, duzentos e quarenta e quatro mil, dezoito reais e quarenta e três centavos) para o Pis. DA IMPUGNAÇÃO Cientificada em 15.08.2007, a empresa insurgese contra os lançamentos em 14.09.2007, entendendo que devem, os autos de infração, serem revistos, pedindo, ao final, a anulação destes, requerendo instauração de um novo procedimento de fiscalização, onde se possa averiguar corretamente a existência de débitos de Pis e Cofins. DO RELATÓRIO DE ENCERRAMENTO DE DILIGÊNCIA Por meio do Despacho Decisório nº. 286, os autos foram encaminhados à unidade de origem para que fossem solucionadas algumas diligências, resultando no Relatório de Encerramento de Diligência, do qual o contribuinte tomou ciência em 19.10.2009. Cientificado do referido Relatório de Encerramento de Diligência, o qual foi ordenado pelo Mandado de Procedimento Fiscal nº. 04.1.01.002009004611, o interessado apresentou, tempestivamente, Manifestação acerca do referido relatório, às fls. 975/984, em 17.11.2009 alegando, em síntese: Inicia apontando equívoco cometido pela autoridade fiscal, haja vista que o auto de infração aborda, apenas, exigência sobre COFINS, desconsiderando os supostos débitos de PIS. Argumenta que a diligência é inconclusa pois não deixaria expresso, em momento algum, o montante devido em virtude do auto de infração em discussão, alegando, ainda, inexistência do débito ali formalizado, posto que não se consideraram créditos resultantes de devolução de mercadorias sobre as quais já houve tributação e estornos de Fl. 5DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 4/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 6 provisões a maior de Cofins desconsideradas na apuração da contribuição da contribuição a recolher. Mais especificamente no que tange os documentos apresentados, alega que foi elaborado planilha considerando apenas o Livro Razão, sendo desconsiderada, na diligência, o Conjunto Documental 3, que demonstraria o valor apurado e devidamente recolhido, por meio de DARF e PER/DCOMP. Desenvolve argumentação, pautado em doutrina e jurisprudência, sobre a imprescindibilidade de realização de perícia contábil, visando esclarecer seis situações elencadas. Ao fim, requer “(i) julgamento da procedência da impugnação para ser anulado o auto de infração em tela; (ii) caso entenda a impossibilidade da anulação, que seja deferido o pleito de realização da perícia contábil solicitada; (iii) seja julgado infundado o lançamento de ofício que foi devidamente adimplido através de PER/DCOMP e/ou DARF. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Em análise e atenção aos pontos suscitados pela interessada na defesa apresentada, a Segunda Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife/PE, proferiu o Acórdão de nº. 1128.591, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002, 01/07/2002 a 31/10/2002, 01/12/2002 a 30/04/2007 NULIDADE DO LANÇAMENTO. Quando presentes todos os requisitos formais previstos na legislação processual fiscal, não se cogita da nulidade do auto de infração. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. As informações da contabilidade fazem prova contra o sujeito passivo, cabendo a ele demonstrar a sua inveracidade. A autuação está devidamente fundamentada quando baseada em dados colhidos junto à própria contabilidade. DECADÊNCIA. Havendo recolhimento das contribuições do PIS, para fins de ser declarada decadência, deve ser seguida a regra do § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), para contagem do prazo decadencial. Não havendo recolhimento das contribuições do PIS, para fins de ser declarada decadência, deve ser seguida a regra do art. 173 do Código Tributário Nacional (CTN), para contagem do prazo decadencial. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. O princípio do não confisco, constitucionalmente expresso, referese aos tributos e não às sanções, além de dirigirse ao legislador e não à Administração Tributária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002, 01/07/2002 a 31/10/2002, 01/12/2002 a 30/06/2003, 01/08/2003 a 30/04/2007 NULIDADE DO LANÇAMENTO. Quando presentes todos os requisitos formais previstos na legislação processual fiscal, não se cogita da nulidade do auto de infração. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 4/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 19647.008239/200735 Acórdão n.º 3402001.699 S3C4T2 Fl. 1.337 7 ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. As informações da contabilidade fazem prova contra o sujeito passivo, cabendo a ele demonstrar a sua inveracidade. A autuação está devidamente fundamentada quando baseada em dados colhidos junto à própria contabilidade. DECADÊNCIA. Havendo recolhimento das contribuições do PIS, para fins de ser declarada decadência, deve ser seguida a regra do § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), para contagem do prazo decadencial. Não havendo recolhimento das contribuições do PIS, para fins de ser declarada decadência, deve ser seguida a regra do art. 173 do Código Tributário Nacional (CTN), para contagem do prazo decadencial. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. O princípio do não confisco, constitucionalmente expresso, referese aos tributos e não às sanções, além de dirigirse ao legislador e não à Administração Tributária. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inicia esclarecendo que foi anexado, aos autos, o processo nº. 19647.009607/200762, existindo, assim, dois autos de infração, sendo que o constante no referido processo trata de PIS. Preliminarmente, analisou a questão da decadência e concluiu que aplicando se, tanto a regra do art. 173, quanto o § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, os prazos de que a Fazenda Pública dispunha para efetuar os lançamentos tributários iniciavam em dezembro de 2007 e teriam seu fim em março de 2012. Como a ciência dos lançamentos se deu em 15.08.2007, entende estar, todos os períodos analisados, dentro do prazo, não havendo como acolher a tese da decadência tributária oferecida pela contribuinte em sede de impugnação. Quanto ao pedido de anulação do lançamento, não vislumbra ausência dos pressupostos formais previstos em lei, que pudessem, eventualmente, inquinar nulidade dos lançamentos efetuados, motivo pelo qual nega provimento ao pleito. Destaca que a empresa autuada alega que a sua contabilidade não poderia ser utilizada como base para que a autoridade autuante efetuasse o lançamento tributário, onde afirma, a impugnante, ser ineficaz a utilização apenas do balancete contábil. Rebate informando, preliminarmente, que o lançamento fiscal é atividade vinculada (art. 142 do CTN), não lhe cabendo fazer juízo de valor. Após discorrer acerca da possibilidade de utilização de documentos extraídos da contabilidade de empresas, aduz estar, a impugnante, no campo das suposições, pois não trouxe ao autos elementos suficientes para sustentar os valores extraídos de sua escrituração contábil. No que tange o pedido de perícia efetuado pela impugnante, entende que o mesmo não se faz necessário, pois o objeto das indagações é possível de ser obtido, uma vez que a Fiscalização utilizouse dos registros contábeis da própria autuada. Acerca da reclamação de que a multa seria exorbitante e teria caráter confiscatório, ressalta que tal vedação constitucional se aplica tão somente ao tributo, não à Fl. 7DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 4/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 8 penalidade. Destaca, novamente, sua atividade administrativa plenamente vinculada, que não lhe permite exercer juízo valorativo acerca da conveniência do lançamento, cabendolhe somente executar a lei. No que tange os julgados administrativos e judiciais trazidos pelo sujeito passivo, entende que estes são improfícuos, posto que estes, mesmo que proferidos por órgão colegiado, sem uma lei que lhes atribua eficácia, não constitui norma complementar de Direito Tributário e, assim como no aresto judicial, se aplica somente às partes envolvidas naquele litígio especifico, não podendo ser estendidos genericamente a outros casos. Ao fim, concluiu por rejeitar as preliminares argüidas e, no mérito, dar procedência parcial, para manter em parte os créditos contidos nos Autos de Infração, da seguinte maneira: I – alterar os valores dos créditos tributários do PIS, utilizandose da coluna “Valores do PIS alterados (neste voto)” do demonstrativo do item 68 deste voto; II – alterar os valores dos créditos tributários da Cofins, utilizandose da coluna “Valores da Cofins alterados (neste voto)” do demonstrativo do item 69 deste voto; III – declarar insubsistentes as cobranças do PIS em relação aos seguintes períodos: dez/2002, jul/2004, ago/2004, set/2004, out/2004, nov/2004, dez/2004, jan/2005, fev/2005, mar/2005, jun/2005, ago/2005, out/2005, dez/2005, jan/2006, fev/2006, mar/2006, abr/2006, mai/2006, jun/2006, jul/2006, set/2006, out/2006 e abr/2007; IV – declarar insubsistentes as cobranças da Cofins em relação aos seguintes períodos de apuração: jul/2004, nov/2004, dez/2004, jan/2005, fev/2005, mar/2005, jun/2005, ago/2005, out/2005, dez/2005, mai/2006, jun/2006, jul/2006, ago/2006, set/2006, out/2006, dez/2006 e abr/2007; V – manter os demais valores do PIS exigidos no auto de infração citado, conforme a coluna “Valores do PIS mantidos (lançados pela Fiscalização)” do demonstrativo do item 68 deste voto; VI manter os demais valores da Cofins exigidos no auto de infração citado, conforme a coluna “Valores da Cofins mantidos (lançados pela Fiscalização)” do demonstrativo do item 69 deste voto; VII – os valores discriminados nos itens I, II, V e VI deverão ser exigidos com os acréscimos legais (multa de ofício de 75% e juros de mora). DO RECURSOS I. DO RECURSO DE OFÍCIO De acordo com o art. 34 do Decreto nº. 70.235/72 e alterações, recorre de ofício ao CARF, por força de recurso necessário, pois o valor em discussão excede o limite de R$1.000.000,00 (um milhão de reais), destacando que a exoneração do crédito, prevista no acórdão, só será definitiva após julgamento em segunda instância. II . DO RECURSO VOLUNTÁRIO Fl. 8DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 4/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 19647.008239/200735 Acórdão n.º 3402001.699 S3C4T2 Fl. 1.338 9 Ciente em 13/08/2010 do Acórdão acima mencionado, o contribuinte apresentou em 14/09/2010 Recurso Voluntário a este Conselho, buscando demonstrar que os critérios de apuração utilizados não são suficientes para determinação do real montante devido a título de Pis e Cofins. Alega em seu recurso, fundamentado com jurisprudência e doutrina, em síntese: Preliminarmente, entende ter ocorrido cerceamento de seu direito de defesa, quando do indeferimento da perícia contábil e pede, portanto, que seja decretada a nulidade do julgado em discussão. Ultrapassada a preliminar, ataca, assim como o fez em sede de impugnação, o critério adotado pela Fiscalização na verificação de regularidade fiscal, quando lavrou o Auto de Infração a partir “de mera comparação nos montantes escriturados contabilmente com o declarado pela RECORRENTE na DCTF, DACON ou DIPJ”, quando, no seu entender, a atividade fiscalizatória deveria ser pautada no Princípio da Realidade dos Fatos, sendo imprescindível a efetiva ocorrência do fato gerador, de modo que possíveis equívocos em sua escrituração contábil não podem significar a referida ocorrência do fato gerador de Pis e Cofins, quando estes foram devidamente corrigidos meses depois. Após explanações acerca da “Metodologia de cálculo para a apuração do PIS e da COFINS” e anexar a seu recurso exemplos de como deveria ter sido efetuado o cálculo dos débitos e créditos de Pis e Cofins, chegou a conclusão de que realizou pagamentos a maior referente aos referidos tributos, não havendo que se falar em débitos perante o Fisco, devendo ser cancelada a autuação em discussão. Traz à baila novamente a situação da multa no percentual de 75%, a qual entende exorbitante e descabida, entendendo ser plausível a aplicação de multa de 30% (trinta por cento) do valor do imposto, qualquer índice acima deste, considera ter caráter confiscatório. Reitera, antes de finalizar seu Recurso Voluntário, seu entendimento acerca da decadência, nos mesmos moldes que o fez em sede de impugnação. Pede, ao fim, a reforma imediata do acórdão, pugnando pela anulação do lançamento de débitos de Pis e Cofins ou, alternativamente, em nome ao princípio da eventualidade, seja anulado ao lançamento para deferimento da perícia contábil no intuito de apurar o real montante por ele devido. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 08 (oito) Volumes, numerado até a folha 1.490 (um mil, quatrocentos e noventa), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção do CARF. É o relatório. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 4/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 10 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. Havendo recursos tanto de ofício quanto voluntário, analiso as questões motivadoras das irresignações separadamente. I. DO RECURSO DE OFÍCIO O recurso de ofício é invocado por ter a decisão da Delegacia Regional de Julgamento de Recife (PE), cancelado a exigência fiscal em valores que excedem ao valor de alçada (atualmente em R$ 1.000.000,00) pelo que dele conheço. Verificase que o cancelamento da exigência decorre do fato de que, ao ser lavrado o Auto de Infração, no que se refere aos períodos de apuração das contribuições ao PIS e à COFINS, submetidos ao regime da não cumulatividade, foram apenas consideradas as receitas auferidas pelo contribuinte, sem, no entanto, serem abatidos os créditos que poderiam ser descontadas as contribuições, ou ainda, sem serem efetuados os descontos legalmente previstos. Os valores foram encontrados pela Fiscalização atendendo determinação de diligência deflagrada pela Administração, sendo que do resultado da referida diligência foi a constatação de que a autuação fiscal não havia levado em consideração na base de cálculo tributável as deduções legalmente permitidas, bem como os créditos regularmente apurados, propondo então sua exclusão, o que foi acatado pela DRJ mencionada. Revisitando as Leis nºs. 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, temos o art. 3º que dispõe o seguinte: “Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...)” (grifo nosso). Sem precisar adentrar em cada um dos incisos alinhados nos arts. 3º, das citadas Leis de regência das contribuições em tela, verificase que foram simplesmente aplicados seus ditames, usando de forma completa as regras de apuração não cumulativa, pois que, se assim não fosse, se teria aplicado alíquotas maiores (7,60% e 1,65%) do que aquelas vigentes pelo regime cumulativo (3,00% e 0,65%), sem considerar os créditos respectivos, o que é essencial no regime que busca evitar justamente o efeito em cascata dos tributos em questão. Assim, agiu bem a DRJ/Recife ao contemplar os créditos registrados e apurados pelo próprio contribuinte, fazendo que esses créditos refletissem sobre os valores lançados, pois que assim zelou pela correta aplicação das regras da não cumulatividade das contribuições ao PIS e à COFINS. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. Fl. 10DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 4/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 19647.008239/200735 Acórdão n.º 3402001.699 S3C4T2 Fl. 1.339 11 II. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O recurso atende os pressupostos de admissibilidade e tempestividade, portanto, dele tomo conhecimento, passando a análise dos fatos articulados pela recorrente. Em apertada síntese, a celeuma tratada nos presentes autos, restringese à comprovação da base de cálculo tributável, relativa ao PIS e a COFINS, de todos os períodos autuados pela Autoridade Administrativa (PIS 01.05.2002 a 31.05.2002, 01.07.2002 a 31.10.2002 e 01.12.2002 a 30.04.2007 e COFINS 01.05.2002 a 31.05.2002, 01.07.2002 a 31.10.2002, 01.12.2002 a 30.06.2003 e 01.08.2003 a 30.04.2007) Desde o lançamento (fls. 35 a 55 do processo), o sujeito passivo insurgese quanto à base de cálculo utilizada pelo Fisco na autuação, alegando que na receita tida como tributável foram inobservados os descontos legalmente previstos, bem como os créditos regularmente apurados dentro do regime da nãocumulatividade. Em atenção aos fundamentos suscitados pela então impugnante, houve a realização de diligência no processo, cujo resultado propôs o cancelamento de determinados valores e períodos. A DRJ competente houve por bem em acolher o resultado da diligência e cancelou parcialmente o lançamento, mantendo apenas os valores e períodos cujas deduções, considerou, à sua ótica, como não comprovadas (devoluções de vendas e transferências referentes a estornos de provisões a maior de PIS a recolher e COFINS a recolher). Alegou preliminarmente o cerceamento de seu direito de defesa em razão do indeferimento de perícia contábil, pelo que passo a expor meu entendimento a este respeito também de forma inicial: 1. Preliminar de Cerceamento do direito de defesa, indeferimento do pedido de perícia: De forma absolutamente sucinta, tenho que, em respeito às normas de regência do Processo Administrativo Fiscal (arts. 16, 18 e 28 do Decreto 70.235/72), a perícia contábil é elemento posto à disposição da Administração Pública – e também dos contribuintes, quando, observada a existência indícios pelo menos contundentes, o processo careça de análise especializada da matéria, para que se tenha um resultado justo. Entretanto, tal possibilidade é condicionada ao deferimento por parte da autoridade julgadora, que irá observar a (im) prescindibilidade de tal designação. No caso dos autos, deve ser observado que as bases de calculo consideradas na autuação refletem exatamente as informações prestadas pela contribuinte, das quais constam todos os dados considerados pela fiscalização, inclusive, após a diligência, as exclusões legais, razão pela qual não seriam, em absoluto, prescindíveis novos elementos. Tendo sido a documentação fornecida pela própria empresa, bem como também a sua declaração, suficientes o bastante para ensejaram tanto a autuação, quanto a sua reforma pela DRJ, não vejo necessidade de realização de perícia contábil, pelo que rejeito a preliminar aventada. 2. No mérito: exclusão das devoluções de vendas e dos estornos de provisões de CONFINS a recolher e PIS a recolher: Fl. 11DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 4/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 12 O contribuinte mantevese ainda inconformado com relação à consideração das receitas relativas à devoluções de vendas e transferências de estornos de provisões de PIS e COFINS a recolher (contabilizados, segundo sua fundamentação, a maior), nas bases tributáveis, e recorreu apresentando novos documentos, que por amostragem, pretendem a demonstração da real base a ser utilizada nos valores mantidos. Ocorre, entretanto, que em momento algum os documentos apresentados pelo contribuinte conseguem dar, pelo menos, indícios de que houveram, de fato, as devoluções aventadas, ou ainda, os motivos que ensejaram os estornos contabilizados. Acaso houvesse qualquer início de prova neste sentido, que permitisse à esta Casa Julgadora vislumbrar que as receitas incluídas na base de cálculo utilizada pela fiscalização, representavam de fato, receitas nãotributáveis, seria plausível a conversão deste julgamento em diligência, para que fossem apresentados os documentos que comprovassem tais alegações, tornando assim possível a constatação dos fatos alegados e a conseqüente exclusão destas receitas da base de cálculo utilizada na autuação. Ocorre, entretanto, que além do fato de que os documentos já acostados ao processo não demonstram qualquer início de prova neste sentido, os argumentos do contribuinte também não convergem a seu favor. Em inúmeras oportunidades do processo foi solicitado ao contribuinte que esclarecesse a origem das receitas ditas como “estornos de provisionamento de PIS e COFINS a recolher”, sendo que a autuada não fez qualquer explicitação neste sentido. Dos autos podese ter acesso à inúmeros livros do contribuinte, que, digase de passagem, fazem prova tanto a seu favor, quanto contra, e mesmo tendo ao alcance praticamente toda a contabilidade registrada pela empresa, não foi possível vislumbrar que as receitas consideradas na base de cálculo dos períodos autuados, provinham de devoluções de vendas, ou ainda de estornos de provisões não esclarecidas. É de suma importância dizer ainda que as declarações elaboradas pelo próprio contribuinte contradizem os fundamentos rebatidos em sua defesa, por que em determinados períodos analisados por amostragem, nem mesmo existem créditos relativos à devoluções de mercadorias confirmando todo o alegado. Assim, denotase que o sujeito passivo em questão permanece nos campo apenas das suposições, não conseguindo comprovar os argumentos trazidos desde a impugnação até seu recurso. Sabidamente que em matéria de distribuição do ônus da prova em processo, é claro que o ônus da prova compete, em regra, a quem alega. Essa é a dicção que se extrai do art. 333, do Código de Processo Civil, aplicável supletivamente ao processo administrativo tributário. Além disso, nessa mesma esteira, compete ao autor a prova do fato constitutivo de seu direito, enquanto que ao réu, a prova desconstitutiva do direito contra o qual resiste. É o que se colhe do art. 333, II, do CPC. Vejamos: “Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; Fl. 12DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 4/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 19647.008239/200735 Acórdão n.º 3402001.699 S3C4T2 Fl. 1.340 13 II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor.” No caso em concreto, a prova carreada aos autos, isoladamente, não é hábil a comprovar que a receita declarada pelo contribuinte contém parcela proveniente de devoluções de vendas (não comprovadas por qualquer documento apresentado, ou ainda, em certos períodos, nem declaradas tais devoluções), bem como, de tratamse de estornos de provisões de PIS e COFINS contabilizados a maior, os quais nem sequer foram devidamente explicitados. E o contribuinte teve oportunidade para trazer ao processo esses referidos documentos, primeiramente na impugnação, quando alegou serem equivocadas as bases utilizadas na autuação, bem como ainda por meio do recurso ora analisado, considerando que até mesmo a DRJ competente para o julgamento de 1ª instancia fundamentou corretamente seu entendimento, mencionando ainda quais elementos seriam necessários à produção da prova pretendida pelo sujeito passivo. Assim sendo, em que pese os argumentos trazidos pelo contribuinte gozam de plausibilidade jurídica, ante a ausência de prova, cujo ônus estava a seu encargo, pois que tendentes em infirmar os fatos suscitados pelo Fisco com base nas próprias alegações trazidas em sede de impugnaçãom bem como àquelas apresentadas em Manifestação à diligência, não há como acatar seus fundamentos, desprovidos que estão de elemento de prova capaz de respaldar seus argumentos. Assim sendo, à míngua da produção de provas a cargo do contribuinte, não cabe dar guarida aos seus argumentos. 3. Da Multa Confiscatória: A recorrente insurgiuse ainda quanto à multa aplicada na autuação discutida, pois que considera o percentual na qual foi aplicada (75%), confiscatório. No que tange a essa matéria, tenho que a fixação dos percentuais da multa é “ato político”, ou seja, privativo do ente público com Poder Legiferante, normalmente o Poder Judiciário, ainda que a iniciativa seja do Poder Executivo. Em qualquer caso, as hipóteses de aplicação de penalidades, assim como o percentual respectivo, é matéria que cabe ao Legislador. Assim sendo, como todo o ato do Poder Legislativo, mormente num Estado Democrático de Direito, no qual vigora o Princípio da Inafastabilidade da Prestação Jurisdicional (art. 5º, XXXV, da CRFB/88), é o Poder Judiciário que deverá avaliar se os fatos descritos como lesivos e passíveis de sanção, são efetivamente reprováveis no nosso ordenamento, e mais, poderá também corrigir distorções que acabem transformando o percentual ou mesmo a base de cálculo da penalidade, em nítido e vedado confisco. Já ao Poder Executivo, do qual o Ministério da Fazenda e, consequentemente, a própria Secretaria da Receita Federal do Brasil e mesmo o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, são órgãos, cabe apenas e unicamente aplicar a Lei, não podendo se manifestar sobre argumentos de ilegalidade ou inconstitucionalidade de norma legal, pena de invadir competência reservada ao Poder Judiciário. Evidentemente que quando houver margem para interpretações, todas dentro do manto da legalidade ou mesmo da constitucionalidade, pode e deve a Administração Fl. 13DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 4/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 14 Pública exercitar a “autotutela dos atos administrativos”, sendo que o CARF se insere num desses veículos de revisão. No entanto, não pode o órgão decretar a inconstitucionalidade de Lei. E isso se aplica plenamente no que diz respeito ao percentual da multa lançada no caso dos autos, que é no patamar de 75% (setenta e cinco por cento). Se, por outro lado, houvesse agravamento da penalidade, por fundamentar a autoridade lançadora em suposto ilícito de ordem mais grave, praticado com dolo, fraude ou sonegação, aí sim poderão as Autoridades revisoras, dentre as quais está o CARF, revisar o lançamento, podendo reinterpretar e aplicar a legislação tributária, inclusive para, se o caso, reduzir a penalidade. Mas sempre para patamar que está previsto igualmente na legislação, e que melhor se subsuma ao caso em concreto sob análise. Não é demais afirmar, igualmente, que a prática do fato gerador do tributo, preenchendo todos os contornos da hipótese e do conseqüente tributário, faz nascer a obrigação tributária, que tem por objeto o pagamento de um valor em “pecúnia”, que não constitua sanção de ato ilícito, nos termos do art. 3º, do Código Tributário Nacional. Por outro lado, igualmente a norma que veicula a aplicação de uma sanção, tem sua “regra matriz”, de modo que, praticado o ilícito descrito no antecedente da norma, “deverá ser” a sanção descrita no conseqüente da norma legal que estipula penalidades. É a chamada regramatriz da norma que impõe penalidade. Assim sendo, no ato que o contribuinte pratica o fato gerador do tributo, mas deixa de recolhêlo na forma da legislação de incidência, essa omissão por parte do contribuinte quanto ao dever de efetivar o recolhimento do tributo é exatamente o “fato gerador” da norma que determina a aplicação da penalidade. Ou seja, “omitido” o dever de recolhimento do tributo, “dever ser” a multa de ofício. No caso em concreto, é o que se vislumbra ter acontecido, na medida em que a ausência/insuficiência de recolhimento da recorrente a fez incorrer na “hipótese” de incidência da multa de ofício, a qual a legislação descreve no art. 44, da Lei nº 9.430/96 (e legislações posteriores), seja no patamar de 75% (setenta e cinco por cento), e o qual a autoridade administrativa não pode deixar de aplicar, nos termos do art. 142, do CTN. Evidentemente que, cancelandose a exigência do principal, cancelarseá a multa correspondente, de modo que, devido o tributo, aplicável a multa. Portanto, a discussão quanto ao efeito confiscatório da multa de ofício aplicada somente seria passível de se discutir no âmbito Político, junto ao Legislativo, ou então, no âmbito da legalidade ou constitucionalidade, perante o Poder Judiciário. Ao Executivo, vinculado que está a Lei, não é dado deixar de aplicar uma legislação vigente, sob o argumento de que a entende inconstitucional ou ilegal. Deve ele aplicála, de forma cogente e vinculada, ressalvandose, obviamente, as interpretações legais que comumente têm margem para serem travadas, mas sempre dentro do poder dever de autotutela dos atos administrativos, em sede de aplicação da legalidade. Por essas e outras razões que vigora a Súmula nº 02, do CARF, pela qual: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 4. Da decadência: Fl. 14DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 4/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 19647.008239/200735 Acórdão n.º 3402001.699 S3C4T2 Fl. 1.341 15 Finalmente, passo à análise dos argumentos trazidos pela recorrente quanto à decadência parcial do lançamento. Antes, porém, é de suma importância mencionar, que a despeito da contagem oferecida pelo contribuinte, acompanhada por sua vez da alegação de que houve sim, antecipações de pagamento (diferentemente do que concluiu a DRJ), a recorrente continuou neste tocante, também no campo das suposições, de modo que não comprovou as antecipações ditas como ocorridas, merecendo a análise da decadência ser aquela tratada amplamente no ordenamento jurídico pela regra do art. 173, I do CTN. Diz o referido dispositivo: "Art. 173. 0 direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Assim, pautando o julgamento ainda no dever deste Conselho em observar as reiteradas decisões judiciais em uma determinada matéria, o entendimento emanado pelo Superior Tribunal de Justiça é luz que clareia este entendimento: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. (STJ EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 PR ‘2004/01099782’. Rel. Min. Mauro Campbell Marques. Dt. Jul. 09/02/2010) “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. Fl. 15DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 4/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 16 DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. MATÉRIA DECIDIDA NO RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA N° 973.733/SC. ARTIGO 543C, DO CPC. PRESCRIÇÃO DO DIREITO DE COBRANÇA JUDICIAL PELO FISCO. PRAZO QÜINQÜENAL. TRIBUTO SUJEITO À LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA. 1. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 2. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210). 3. A Primeira Seção, quando do julgamento do REsp 973.733/SC, sujeito ao regime dos recursos repetitivos, reafirmou o entendimento de que " o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 4. À luz da novel metodologia legal, publicado o acórdão do julgamento do recurso especial, submetido ao regime previsto no artigo 534C, do CPC, os demais recursos já distribuídos, fundados em idêntica controvérsia, deverão ser julgados pelo relator, nos termos do atrtigo 557, CPC (artigo 5º, I, da Res. STJ 8/2008). 5. In casu: (a) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado de contribuição social foi omitida pelo contribuinte concernente ao fato gerador compreendido a partir de 1995, consoante consignado pelo Tribunal a quo; (c) o prazo do fisco para lançar iniciou a partir de 01.01.1996 com término em 01.01.2001; (d) a Fl. 16DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 4/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 19647.008239/200735 Acórdão n.º 3402001.699 S3C4T2 Fl. 1.342 17 constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 15.07.2004, data da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito que formalizou os créditos tributários em questão, sendo a execução ajuizada tão somente em 21.03.2005. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Agravo regimental desprovido.” (AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.203.986 MG ‘2010/01395597’. Rel. Min. Luiz Fux. Dt. Jul. 09/11/2010). Considerando que a autuação referese a períodos de maio/2002 a abril/2007, que a ciência ao contribuinte foi realizada em 15/08/2007 e que o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado” seria o ano de 2003 (para, por ex., o período inicial do auto de infração), tenho que não ocorreu a decadência do direito da Autoridade Administrativa efetuar o lançamento, nos termos da legislação de regência e dos precedentes acima colacionados. Neste sentido, correto o julgamento da DRJ, que acabou por concluir seu voto nestas palavras: “A ciência dos lançamentos ocorreu no dia 15 de agosto de 2007. Destarte, em todos os períodos de apurações analisados o lançamento foi efetuado dentro do prazo, não havendo, por conta disso, como acolher a tese de decadência tributária proposta na peça de defesa. Ante o exposto, voto por conhecer do recurso e negarlhe provimento nos termos do voto acima. Fl. 17DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 4/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
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Numero do processo: 18471.001284/2008-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003
NULIDADE. ERRO NA CAPITULAÇÃO LEGAL.
O erro na capitulação legal da infração cometida não acarreta a nulidade do lançamento, quando comprovado, pela correta descrição dos fatos nele contida e pela defesa apresentada pela contribuinte contra as imputações que lhe foram feitas, que não ocorreu cerceamento do direito de defesa.
MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Deve ser aplicada a lei superveniente que estabelece penalidades, quando mais benéfica que a vigente à época da ocorrência do fato gerador, com base no disposto no art. 106, II, "c" do CTN.
Numero da decisão: 3201-001.365
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator.
EDITADO EM: 29/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Joel Miyazaki (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 NULIDADE. ERRO NA CAPITULAÇÃO LEGAL. O erro na capitulação legal da infração cometida não acarreta a nulidade do lançamento, quando comprovado, pela correta descrição dos fatos nele contida e pela defesa apresentada pela contribuinte contra as imputações que lhe foram feitas, que não ocorreu cerceamento do direito de defesa. MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Deve ser aplicada a lei superveniente que estabelece penalidades, quando mais benéfica que a vigente à época da ocorrência do fato gerador, com base no disposto no art. 106, II, "c" do CTN.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. JOEL MIYAZAKI - Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator. EDITADO EM: 29/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Joel Miyazaki (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
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NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. É cabível o lançamento de ofício para constituição de crédito tributário em relação a débito declarado em Dcomp não homologada protocolada antes da entrada em vigor da Medida Provisória n° 135, de 30/10/2003. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 NULIDADE. ERRO NA CAPITULAÇÃO LEGAL. O erro na capitulação legal da infração cometida não acarreta a nulidade do lançamento, quando comprovado, pela correta descrição dos fatos nele contida e pela defesa apresentada pela contribuinte contra as imputações que lhe foram feitas, que não ocorreu cerceamento do direito de defesa. MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Deve ser aplicada a lei superveniente que estabelece penalidades, quando mais benéfica que a vigente à época da ocorrência do fato gerador, com base no disposto no art. 106, II, "c" do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. JOEL MIYAZAKI Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 12 84 /2 00 8- 36 Fl. 84DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 01/08/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 18471.001284/200836 Acórdão n.º 3201001.365 S3C2T1 Fl. 85 2 CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator. EDITADO EM: 29/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Joel Miyazaki (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até o julgamento da decisão recorrida, segue abaixo a transcrição do relatório da instância a quo e da sua ementa, bem como as razões recursais: Trata o presente processo de auto de infração de fls. 11 a 15 lavrado contra o contribuinte acima identificado, relativo à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, abrangendo o período de apuração de junho de 2003, no valor de R$ 64.705,89, incluindo principal, multa de ofício de 75%, e juros de mora, calculados até 30/05/2008. No Termo de Constatação de Revisão Interna (fl. 10), a autoridade lançadora registra, em relação ao presente processo, que em procedimento de revisão interna, em face do Despacho Decisório de 08/05/2008 que considerou não homologada a compensação declarada na DCOMP eletrônica n° 04182.15433.150703.1.3.013783, foi constatado que o débito objeto da Declaração de Compensação, referente ao PIS do período de apuração junho/2003, no valor de R$96.790,70 foi parcialmente declarado em DCTF, no valor de R$ 70.404,90. Quanto à diferença constatada (R$ 26.385,80), impõese a cobrança, via lançamento de ofício, na forma do art. 68 da IN SRF 600/2005. O enquadramento legal citado no Auto de Infração foi: arts. 1º e 3º, da Lei Complementar 07/70; arts. 2º, inciso I, alínea "a" e parágrafo único, 3º, 10, 22 e 51 do Decreto 4.524/02. A base legal da multa de ofício e dos juros de mora exigidos consta dos Demonstrativos de Multa e Juros de Mora nos Autos de Infração em fl. 15. Após tomar ciência da autuação em 30/06/2008 (fl. 17 verso), a empresa autuada, inconformada, apresentou a impugnação de fls. 19 a 22 em 16/07/2007 alegando, em síntese que: a) A exigência de complemento do tributo não tem sustentação legal. E disposição do art. 112 do CTN que as leis tributárias que definem infrações ou cominem penalidades interpretamse de maneira mais favorável ao contribuinte; b) Em nenhuma parte do auto é demonstrado o efetivo valor devido a título de contribuição para o PIS relativo ao mês de Fl. 85DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 01/08/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 18471.001284/200836 Acórdão n.º 3201001.365 S3C2T1 Fl. 86 3 junho de 2003, com base no faturamento da empresa, no regime nãocumulativo; c) A DCTF entregue em 14/08/2003 registra ser o PIS devido no período de 06/2003 no valor de R$ 70.404,90 e que igual valor seria compensado no processo n° 10768.014884/200151, posto que nenhum contribuinte ofereceria em pagamento ou compensação mais do que o devido, senão por equívoco; d) Logo, evidente ter a contribuinte se equivocado no valor do pedido de compensação, compensação que não ocorreu; e) O débito declarado, no valor de R$ 70.404,90 é o efetivamente devido, posto que calculado sobre o faturamento de junho de 2003 não contestado pela fiscalização calculado no regime não cumulativo; f) Não cabe à norma complementar (IN SRF 600/2005) exigir do contribuinte valor superior ao decorrente do fato gerador, da base de cálculo e alíquota estabelecidos em lei, como definido no art. 99 do CTN em relação aos decretos, mormente em relação à norma complementar hierarquicamente inferior;; g) O efetivo valor devido foi objeto de confissão de dívida e parcelamento com base na MP 303/016 Por fim, requer o cancelamento do auto de infração e protesta pela produção de provas suplementares. A decisão de primeira instância, proferida em Sessão de Julgamento de 12/11/2009 pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro II, considerou improcedente a impugnação, conforme Acórdão cuja ementa transcreve se abaixo: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 IMPUGNAÇÃO. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Somente se comprova o alegado erro material no preenchimento da declaração de compensação mediante a apresentação dos documentos contábeis e fiscais próprios. APRESENTAÇÃO DE PROVAS APÓS A IMPUGNAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, por força do artigo 16, § 4o, do Decreto n° 70.235/72. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A recorrente foi cientificada do teor do referido acórdão em 18/3/2011 , tendo protocolado seu recurso voluntário em 14/4/2011, com os argumentos abaixo sintetizados. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 01/08/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 18471.001284/200836 Acórdão n.º 3201001.365 S3C2T1 Fl. 87 4 Reafirma a presença de causa de nulidade no auto de infração, qual seja a ausência de previsão legal para o lançamento de débito declarado em Dcomp, bem como a exigência fiscal com base em dispositivo infralegal. Sustenta a nulidade da decisão de 1º grau por esta “aperfeiçoar o lançamento”, bem como, ao submeter as operações praticadas pela recorrente aos ditames contidos no art. 68 da IN SRF nº 600/2005, ter alterado a capitulação legal do Auto de Infração. No mérito, alega que a Dcomp não pode fazer prova em desfavor da recorrente, haja vista este instrumento somente ser considerado confissão de dívida após a entrada em vigor da MP nº 135/2003, ressaltando o fato de que a DCTF apresentada possuía efeitos de confissão de dívida. Aduz ainda que, caso seja admitida a possibilidade de a PER/Dcomp também possuir características de confissão de dívida, o débito se encontraria prescrito, posto ainda não inscrito em Dívida Ativa da União. É o relatório. Voto Conselheiro CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A recorrente defende a nulidade do auto de infração em face de falta de capitulação legal aplicável à espécie, bem como da decisão recorrida em razão de pretender "aperfeiçoar o lançamento" através da substituição da capitulação legal contida no auto de infração. Em atenção ao alegado, o caput do artigo 59 do Decreto n.º 70.235/1972 determina que: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Segundo este dispositivo, são duas as hipóteses de nulidade relacionadas ao processo administrativo fiscal federal: a primeira corresponde a um pressuposto subjetivo de atos processuais, qual seja a incompetência funcional do emissor do ato; já a segunda se refere a um pressuposto processual das decisões administrativas, este com fundamento na CF/88, que exige respeito ao contraditório e a ampla defesa. Por conseguinte, considerase nulo o ato praticado por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa. No que tange à suposta falta de capitulação legal do lançamento, esclarecese que esta casa já possui entendimento consolidado de que o mero erro no enquadramento legal Fl. 87DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 01/08/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 18471.001284/200836 Acórdão n.º 3201001.365 S3C2T1 Fl. 88 5 não é suficiente para inquinar o auto de infração quando os fatos estão suficientemente bem descritos, permitindo plenamente o livre exercício do direito de defesa. Nesse sentido: NULIDADE. ERRO NA CAPITULAÇÃO LEGAL. O erro na capitulação legal da infração cometida não acarreta a nulidade do lançamento, quando comprovado, pela correta descrição dos fatos nele contida e pela defesa apresentada pela contribuinte contra as imputações que lhe foram feitas, que não ocorreu cerceamento do direito de defesa (1ª Seção, 4ª Câm.,1ª TO. Ac. 1401000894,6/11/2012) NULIDADE. FALTA DE MOTIVO PARA IDENTIFICAÇÃO DOS RESPONSABILIZADOS SOLIDARIAMENTE. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DAS NORMAS LEGAIS DE MULTA QUALIFICADA. A ausência de motivo ou seu erro e não sua insubsistência fulmina o lançamento por vício substancial. Não há ausência nem erro de motivo seja para a multa qualificada, seja para a responsabilização solidária. Quanto a esta, inconfundível é a questão de fundo para a legitimidade passiva. O mero erro na capitulação legal não vitima o lançamento. (1ª Seção, 1ª Câm., 3ª TO, Ac. 1103000.819, 6/3/2013) NULIDADE. Erro ou omissão no enquadramento legal não dá causa à nulidade do lançamento se dele não decorrer concretamente cerceamento do direito de defesa e do contraditório, em especial, se a descrição fálica trouxer todos os aspectos relevantes para fins de incidência da regramatriz tributária. (1º CC, 3ª Cam, Ac. 10323.256, 7/11/2007) CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Pacífica a jurisprudência deste Conselho no entendimento de que a correta descrição dos fatos prevalece sobre eventual omissão ou erro na indicação do enquadramento legal, ainda mais quando a autuada rebate adequadamente os termos da acusação, indicados na descrição dos fatos. (1° CC., 2ª Câm., Ac. 10247.742,26/7/2006) No caso em tela, não restam dúvidas de que o lançamento se deu em razão da constatação de falta de recolhimento de Contribuição para o PIS/Pasep decorrente da não homologação de Declaração de Compensação (Dcomp) declarada pela interessada, bem como que o valor exigido foi obtido pela diferença entre o valor da contribuição devida por esta declarado em sua Dcomp e o valor declarado em sua Declaração de Débitos e Créditos Federais (DCTF) – documento este com natureza de confissão de dívida. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 01/08/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 18471.001284/200836 Acórdão n.º 3201001.365 S3C2T1 Fl. 89 6 Constatase ainda que o enquadramento legal foi informado como sendo os artigos 1º e 3º, da Lei Complementar 07/70. Do exposto, temos que o enquadramento legal e a narrativa dos fatos envolvidos permitem a perfeita compreensão do procedimento adotado, da base tributável apurada e do cálculo do imposto resultante, permitindo a interessada o pleno exercício do seu direito de defesa. Observase ainda que a contribuinte revela conhecer as acusações que lhe foram impostas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa impugnação, abrangendo não só as questões preliminares como também as razões de mérito. A autuação, desta forma, mostrase plenamente válida. Quanto à alegada inovação na fundamentação do lançamento, a contribuinte entende que o fato da decisão administrativa trazer a lume disposição constante em instrução normativa da RFB significaria a substituição da capitulação legal contida no auto de infração. Em que pese o alegado, temos que a base legal do lançamento foi estipulada como sendo os artigos 1º e 3º, da Lei Complementar 07/70, e as disposições normativas colecionadas pela autoridade julgadora em nada se contrapõem ou modificam o previsto nestes dispositivos. Pelo contrário, elas buscam apenas reafirmar que a conduta da recorrente teria infringido tais dispositivos legais. Por consequente, rejeito as preliminares de nulidade. No mérito, a recorrente alega que a Dcomp não pode fazer prova em desfavor da recorrente, haja vista este instrumento somente ser considerado confissão de dívida após a entrada em vigor da MP nº 135/2003, ressaltando o fato de que a DCTF apresentada possuía efeitos de confissão de dívida. Aduz ainda que, caso seja admitida a possibilidade de a PER/Dcomp também possuir características de confissão de dívida, o débito se encontraria prescrito, posto ainda não inscrito em Dívida Ativa da União. Em atenção ao alegado, esclarecese que com a edição da Medida Provisória n° 135, de 30/10/2003, convalidada na forma da Lei n° 10.833, de 29/12/2003, foi introduzido o parágrafo 6° no art. 74 da Lei n.° 9.430, de 1996, que conferiu à Dcomp que viesse a ser apresentada pelos contribuintes após 30/10/2003 o atributo de ser uma confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados: Art. 17 . O art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, alterado pelo art. 49 da Lei no 10.637, de 2002, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 74 [...] § 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. [...] Fl. 89DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 01/08/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 18471.001284/200836 Acórdão n.º 3201001.365 S3C2T1 Fl. 90 7 A Dcomp que ensejou na formalização do presente lançamento foi apresentada em 15/07/2003, antes da entrada em vigor do dispositivo supracitado. A declaração, portanto, não constituía confissão de dívida, mostrandose necessária a constituição do crédito tributário não declarado em DCTF. Observase ainda que a contribuinte não trouxe aos autos nenhum documento capaz de comprovar o alegado equívoco no valor do débito declarado em sua Dcomp. Válido, pois, o presente lançamento, especialmente em face do que dispunha o já citado art. 90 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001: Art. 90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Em relação à prescrição do direito ao crédito, como já explicitado, a Dcomp em comento não possuía característica de confissão de dívida, de forma que o prazo prescricional não se inicia enquanto encerrado o contencioso administrativo fiscal. Observase que, em que pese a recorrente não discutir a aplicação da multa de ofício, a questão deve ser enfrentada de ofício, face a flagrante ilegalidade. A multa de ofício aplicada não deve prevalecer em face da retroatividade benigna de legislação superveniente. Tal fato decorre do disposto no art. 18 da Medida Provisória n° 135, de 30 de outubro de 2003, esta convertida na Lei n° 10.833/2003: Art. 18. O lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada à prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964. § 1º Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6oa 11 do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996. § 2o A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos I e II ou no § 2odo art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, conforme o caso. §3° Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 01/08/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 18471.001284/200836 Acórdão n.º 3201001.365 S3C2T1 Fl. 91 8 E referido artigo limitou a aplicação do art. 90 da MP n2 2.15835, de 2001, à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n2 4.502, de 30 de novembro de 1964. Desta forma, em face do princípio da retroatividade benigna (art. 106, inciso II, alínea "c" do Código Tributário Nacional), no julgamento dos processos pendentes, cujo crédito tributário tenha sido constituído com base no art. 90 da MP n° 2.15835, as multas de ofício exigidas juntamente com as diferenças lançadas deveriam ser exoneradas pela aplicação retroativa do caput do art. 18 da Lei na 10.833, de 2003J, desde que essas penalidades não fossem fundamentadas nas hipóteses versadas no "caput" desse artigo. Posteriormente, com as alterações do art. 18 da Medida Provisória n° 135 pelas Leis n° 11.051/2004 e 11.196/2005, firmouse o entendimento administrativo de que a multa prevista no referido dispositivo é penalidade nova, aplicável sobre o valor total do débito indevidamente compensado nos casos de abuso de forma e/ou fraude no uso da DCOMP como meio extintivo do crédito tributário, circunstâncias não verificadas no presente processo. Assim, impõese a exoneração da multa de ofício aplicada no percentual de 75%. Diante do exposto, voto pela procedência parcial do recurso voluntário, excluindo os valores exigidos a título de multa de ofício de 75% e mantendo os demais valores exigidos. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Fl. 91DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 01/08/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por JOEL MIYAZAKI
score : 1.0
Numero do processo: 13116.901987/2009-72
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 16/01/2006
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA.
A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN.
A não comprovação da certeza e da liquidez dos créditos alegados impossibilita a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-001.790
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Paulo Sérgio Celani.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez dos créditos alegados impossibilita a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Paulo Sérgio Celani. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 90 19 87 /2 00 9- 72 Fl. 50DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 4ª Turma da DRJ Brasília (fls. 33/35 do processo eletrônico), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada contra a não homologação de compensação de débito tributário com crédito decorrente de aduzido pagamento indevido de COFINS efetuado em 16/01/2006. A compensação não foi homologada sob o argumento de que o pagamento aduzido como indevido (no montante de R$ 11.652,43) teria sido utilizado na quitação integral de débito do contribuinte declarado em DCTF (data de apuração 31/12/2005), não restando, portanto, saldo creditório disponível. Inconformada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade onde defende que o departamento jurídico do órgão que representa sua classe (OCBGO) foi favorável ao aproveitamento do crédito por haver casos de entidades de mesma natureza em Goiás que já haviam usufruído de tal direito. Ressalta, ainda, que em análise dos PER/DCOMP glosados, constatou existir sim o crédito reclamado, aos quais se refere em tabelas demonstrativas. Os argumentos aduzidos pela reclamante, contudo, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, sob o argumento de que a recorrente não comprovou a liquidez e certeza do crédito tributário alegado, a teor do disposto no art. 170 do CTN. Ainda segundo os fundamentos em que se alicerçou referida decisão, a reclamante, [...] para ter direito a pagamento vinculado a débito confessado em DCTF, mediante a comprovação do erro em que se funde, antes de notificação do ato fiscal ou qualquer procedimento administrativo (CTN, Arts. 147, § 1º, e 139, § único), deveria ter retificado suas declarações (DCTF e DIPJ) ou ter trazido aos autos sua escrituração contábil e fiscal mantida com observância às disposições legais, acompanhada por documentos hábeis, conforme previsto no art. 923 do RIR/99 [...] Assim, como a suplicante não retificou a DCTF e não apresentou comprovação escritural do crédito, foi indeferido o pedido de homologação da compensação desejada. Cientificada da referida decisão em 10/04/2012 (vide AR de fls. 38), a interessada, em 10/05/2012, apresentou o recurso voluntário de fls. 39/42, onde reitera ter direito ao crédito decorrente do pagamento da COFINS sob o argumento de que as entidades cooperativas são isentas da referida contribuição em relação a atos com cooperados, conforme disposto no artigo 74 da Lei no 5.764/71, assim como nas Leis 9.718/98 e 10.865/2004. Em vista do alegado equívoco no preenchimento das declarações DCTF e DIPJ, alega, num primeiro momento, haver retificado e transmitido citadas declarações à RFB; posteriormente, informa não ter sido possível retificálas. A título de comprovação a recorrente anexa cópias de comprovante de pagamento (DARF) e impresso de demonstração de resultados do período de 01/10/2005 a 31/12/2005, os quais, alega, seriam suficientes para demonstrar o direito reclamado. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 13116.901987/200972 Acórdão n.º 3802001.790 S3TE02 Fl. 51 3 Diante do exposto, requer seja provido seu recurso e homologada a compensação pretendida. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios O recurso é tempestivo e merece ser conhecido por preencher os demais requisitos de admissibilidade do pleito. Conforme relatado, a primeira instância de julgamento indeferiu o pedido em vista da não comprovação do direito creditório aduzido pelo sujeito passivo. De acordo com o estatuto social da entidade, acostado aos autos, a natureza jurídica da reclamante é sim a de uma sociedade cooperativa de transporte, que tem, dentre os seus objetivos sociais, o de “organizar, em comum e em maior escala, os serviços de transportes rodoviários de cargas, municipal, intermunicipal e interestadual, bem como, o transporte de passageiros e escolar, grão, insumos agrícolas (adubo, calcário) [...]”, etc. De acordo com o artigo 10, inciso VI, bem como artigo 15, inciso V, ambos da Lei nº 10.833/2003, as sociedades cooperativas, exceto as de produção agropecuária e as de consumo, estão sujeitas ao regime cumulativo das contribuições para o PISPASEP e para a COFINS. Contudo, as atividades das cooperativas de transporte, quando prestadas a associados, poderão ser excluídas da base de cálculo do PIS e da COFINS, conforme artigo 16 da IN SRF no 635, de 24/03/2006, abaixo transcrito: Art. 16º A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, apurada pelas sociedades cooperativas de transporte rodoviário de cargas, pode ser ajustada, além do disposto no art. 9º, pela: I exclusão dos ingressos decorrentes de ato cooperativo; II exclusão das receitas de venda de bens a associados, vinculados às atividades destes. III exclusão das receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados aplicáveis na atividade de transporte rodoviário de cargas, relativos a assistência técnica, formação profissional e assemelhadas; IV exclusão das receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos contraídos junto a instituições financeiras, para a aquisição de bens vinculados à atividade de transporte rodoviário de cargas, até o limite dos encargos devidos às instituições financeiras; e V dedução das sobras líquidas apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, antes da destinação para a constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Fl. 52DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 4 Técnica, Educacional e Social (Fates), previstos no art. 28 da Lei nº 5.764, de 1971. § 1º A sociedade cooperativa de transporte rodoviário de cargas, nos meses em que fizer uso de qualquer das exclusões ou deduções previstas nos incisos I a V do caput, deverá, também, efetuar o pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários, conforme disposto no art. 28. § 2º Para efeito do inciso I do caput, entendese como ingresso decorrente de ato cooperativo a parcela da receita repassada ao associado, quando decorrente de serviços de transporte rodoviário de cargas por este prestado à cooperativa. § 3º As disposições dos incisos I a V do caput aplicamse aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de dezembro de 2005. De acordo com a referida instrução normativa, a sociedade cooperativa de transporte rodoviário de cargas, nos meses em que fizer uso de quaisquer das exclusões ou deduções previstas nos incisos I a V do caput do referido artigo, deverá também efetuar o pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários (§ 1o, artigo 16). Ademais, nos termos do § 3o do preceito em evidência, as disposições relativas às exclusões em tela são válidas para os fatos geradores ocorridos a partir de 1o de dezembro de 2005. Portanto, o período em exame encontrase regido pela citada norma. Como se vê, a tributação dos ingressos decorrentes de atos cooperativos depende do exame da circunstância de o respectivo ato por ela praticado ser ou não qualificável como ato cooperativo tendente à consecução dos fins estatutários, sujeito à correspondente comprovação nos registros da entidade da legitimidade das exclusões da base de cálculo da contribuição. No caso presente, a título de comprovação, além da cópia dos DARF de recolhimento, a recorrente acostou aos autos unicamente impresso de demonstração de resultados do período de 01/10/2005 a 31/12/2005, onde, como receitas operacionais, está consignado apenas o montante total das receitas de serviços de transporte (ver fls. 45/47). Além disso, dentre as despesas elencadas, muito embora conste referência a “DESPESAS COM PIS”, não está demonstrado que tal “lançamento” seria relativo ao PIS incidente sobre a folha de salários, ao qual a recorrente estaria obrigada acaso tivesse feito uso de quaisquer das exclusões ou deduções previstas nos incisos I a V do caput do artigo 16 da IN SRF no 635, de 24/03/2006. Vale ressaltar que a comprovação do recolhimento do PIS sobre a folha de salários teria valor unicamente subsidiário para demonstrar que houve registro de exclusões ou deduções legalmente previstas, nada dizendo a respeito da apuração dos montantes excluídos, que deveria ter sido comprovada, não se prestando para tal fim o impresso acostado pela recorrente, pois este não comprova que a receita seria integralmente decorrente de atos com cooperados. Não há, no demonstrativo das receitas, nenhuma alusão a esse fato. O motivo do indeferimento da manifestação de inconformidade pela instância recorrida foi a não comprovação da liquidez e certeza do crédito destinado a compensação na DCOMP. A interessada, portanto, ficou inteiramente ciente das razões que levaram ao indeferimento de seu pedido e comparece agora, novamente, sem apresentar a prova do crédito alegado, cujo ônus é da própria recorrente. Não custa lembrar que a compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em Fl. 53DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 13116.901987/200972 Acórdão n.º 3802001.790 S3TE02 Fl. 52 5 relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Assim, a certeza e a liquidez do direito creditório alegado deverá ser cabalmente demonstrada pela interessada na extinção do crédito tributário mediante compensação. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito não poderia redundar na extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Da Conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada. Sala de Sessões, em 22 de maio de 2013. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 54DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A
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Numero do processo: 16542.002959/2008-58
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS POR DECLARAÇÃO DO PROFISSIONAL PRESTADOR.
Restabelece-se a dedução de despesas médicas lastreadas em recibos que demonstram a efetiva prestação dos serviços, se nada mais há nos autos que desabone tais documentos.
DEDUÇÃO DE DEPENDENTE. IMPOSSIBILIDADE. APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO EM SEPARADO.
Mera dependência econômica não é suficiente para permitir a dedutibilidade de dependentes se não observadas as demais exigências legais.
Recurso Provido em Parte
Numero da decisão: 2802-001.896
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para reconhecer a dedutibilidade das despesas odontológicas no valor de R$ 2.700,00 (dois mil e setecentos reais), nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
German Alejandro San Martín Fernández - Relator.
EDITADO EM: 25/04/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci De Assis Junior, Carlos André Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Sidney Ferro Barros.
Nome do relator: GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
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COMPROVAÇÃO DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS POR DECLARAÇÃO DO PROFISSIONAL PRESTADOR. Restabelecese a dedução de despesas médicas lastreadas em recibos que demonstram a efetiva prestação dos serviços, se nada mais há nos autos que desabone tais documentos. DEDUÇÃO DE DEPENDENTE. IMPOSSIBILIDADE. APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO EM SEPARADO. Mera dependência econômica não é suficiente para permitir a dedutibilidade de dependentes se não observadas as demais exigências legais. Recurso Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para reconhecer a dedutibilidade das despesas odontológicas no valor de R$ 2.700,00 (dois mil e setecentos reais), nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Relator. EDITADO EM: 25/04/2013 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 54 2. 00 29 59 /2 00 8- 58 Fl. 59DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 16/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por GERMAN A LEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci De Assis Junior, Carlos André Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Sidney Ferro Barros. Relatório Versam os presentes autos sobre Notificação de Lançamento de fls. 7/11, decorrente da glosa de dedução indevida de R$ 34.637,00 declarados como despesas médicas e de R$ 1.516,32 declarados como despesas com dependente Silvino Schlickmann, seu pai, que declarou em separado. Apreciada a Impugnação (fls. 2/6), o crédito tributário foi mantido por ocasião da decisão da 1ª instância (fls. 19/22), sob fundamento de que o alegado dependente Silvino Schlickmann, além de ter recebido, no ano de 2006, rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção (R$ 14.992,32 no anocalendário 2006), apresentou declaração de ajuste anual em separado, mantidas também as glosas referentes às despesas médicas com a Clínica Odontológica Integrada S/C Ltda e João Rodrigues Teixeira Júnior, por falta de comprovação do efetivo pagamento. Nas razões de Voluntário (fls. 34/42), a Recorrente menciona a idoneidade das notas fiscais 13.333 e 14.078, mas não as apresenta e requer a juntada do recibo firmado pelo profissional João Rodrigues Teixeira Júnior (fl. 47), bem como de prontuários e radiografias que demonstram a efetividade do tratamento ortodôntico realizado (fls. 49/51). Era o der essencial a ser relatado. Passo a decidir. Voto Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, Relator Por tempestivo e presentes os demais pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso. É der se manter a glosa referente às despesas com Silvino Schlickmann, pai da Recorrente, por este ter apresentado declaração em separado (Nesse sentido, CARF 2º Seção/1a. Turma Especial, acórdãos n.s 280100.470 em 11/05/2010 e 280100.278 em 22/09/2009). Mera dependência econômica não é suficiente para permitir a dedutibilidade com dependentes se não observadas as demais exigências legais. Do mesmo modo, ainda que isento, os valores recebidos pelo “dependente”, ainda que de “singela monta”, deveriam integrar os rendimentos tributáveis do titular, o que é impossível quando o contribuinte, mesmo isento, apresenta declaração em separado. Passo a analisar a dedutibilidade das despesas médicas não comprovadas pagas a João Rodrigues Teixeira Júnior (R$ 2.700,00) e à Clínica Odontológica Integrada S/C Ltda. (R$ 31.937,00), rejeitadas pela fiscalização e pela Turma Julgadora, dada a ausência de comprovação do efetivo pagamento. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 16/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por GERMAN A LEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ Processo nº 16542.002959/200858 Acórdão n.º 2802001.896 S2TE02 Fl. 55 3 Há declaração firmada pelo dentista João Rodrigues Teixeira Júnior (fl. 47 a 50), atestado o recebimento de R$ 2.700,00, bem como descrição detalhada do tratamento ortodôntico realizado pelos seus filhos/dependentes. O documento apresentado contêm todas as informações exigidas pela legislação (art. 8º, II do § 2º da lei n. 9.250/95), de modo a lhe reconhecer a suficiente força probante, malgrado a ausência da prova do respectivo pagamento, cuja exigência só se justifica na falta de documento comprobatório da efetiva prestação de serviços. Nesse sentido, esta C. 2ª Turma Especial, no Acórdão n. 280200.402, em 27/07/2010, relatoria do insígne Conselheiro Sidney Ferro Barros: COMPROVAÇÃO DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS POR DECLARAÇÃO DO PROFISSIONAL PRESTADOR. Restabelecese a dedução de despesas médicas lastreadas em recibos firmados por profissional que confirma a autenticidade destes e a efetiva prestação dos serviços por meio de declaração com firma reconhecida apresentada pelo contribuinte, se nada mais há nos autos que desabone tais documentos. Em prol da verdade material, o fato da declaração da profissional somente ter sido juntada na fase recursal, não impede que este órgão julgador a aprecie e lhe reconheça suficiente força probante. Este E. Conselho já decidiu: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL NULIDADE A não apreciação de documentos juntados aos autos depois da impugnação tempestiva e antes da decisão fere o princípio da verdade material, com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legitimidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento. Preliminar acolhida. Recurso provido Acórdão n.º 10319.789, 3ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, prolatado em 08 de dezembro de 1998, relatora Conselheira Sandra Maria Dias Nunes. No mesmo sentido, Alberto Xavier : “afronta ao princípio da ampla defesa e da verdade material qualquer restrição ao exercício do direito à prova em função da fase do processo, desde que anterior à decisão final tomada na segunda instância”.(Princípios do Processo Administrativo e Judicial Tributário, 1ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 2005, p.160). Entretanto, mantenho a glosa de despesas supostamente incorridas com a Clínica Odontológica Integrada S/C Ltda., no valor de R$ 31.937,00. A Recorrente, apesar de Fl. 61DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 16/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por GERMAN A LEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ 4 afirmar em sua Impugnação e Recurso, a juntada das respectivas notas fiscais comprobatórias do serviço prestado, não apresentou qualquer documento apto a sustentar as despesas glosadas. Por não comprovada, mantenho a glosa. Posto isso, conheço e dou parcial provimento ao Recurso, para reconhecer a dedutibilidade das despesas odontológicas incorridas com o profissional João Rodrigues Teixeira Júnior (fl. 47 a 50), no valor de R$ 2.700,00. É como voto. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 16/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por GERMAN A LEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
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Numero do processo: 10510.000439/2003-97
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 30/11/1995 a 15/03/1996
FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. TESE DOS CINCO MAIS CINCO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ.
Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil, entendeu, quanto ao prazo para pedido de restituição de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), que o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a chamada tese dos cinco mais cinco (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009).
DIREITO TRIBUTÁRIO. LEI INTERPRETATIVA. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. DESCABIMENTO. VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS. APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL PELO STF.
O Supremo Tribunal Federal, ao seu turno, declarou a inconstitucionalidade do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, considerando válida a aplicação do novo prazo de 5 anos para restituição tão-somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. (RE 566621, Rel. Ministra Ellen Gracie, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, DJe-195 DIVULG 10/10/2011).
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-002.022
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto
Rodrigo Cardozo Miranda - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Antônio Lisboa Cardoso e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 30/11/1995 a 15/03/1996 FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. TESE DOS “CINCO MAIS CINCO”. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, entendeu, quanto ao prazo para pedido de restituição de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), que o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a chamada tese dos “cinco mais cinco” (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009). DIREITO TRIBUTÁRIO. LEI INTERPRETATIVA. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. DESCABIMENTO. VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS. APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL PELO STF. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 00 04 39 /2 00 3- 97 Fl. 204DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 O Supremo Tribunal Federal, ao seu turno, declarou a inconstitucionalidade do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, considerando válida a aplicação do novo prazo de 5 anos para restituição tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. (RE 566621, Rel. Ministra Ellen Gracie, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, DJe195 DIVULG 10/10/2011). Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto Rodrigo Cardozo Miranda Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Antônio Lisboa Cardoso e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Cuidase de recurso especial por divergência interposto pela Fazenda Nacional (fls. 134 a 142) contra o v. acórdão proferido pela Colenda Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 130 a 133) que deu parcial provimento ao recurso voluntário para afastar a decadência e reconhecer o direito ao indébito do PIS no período de outubro de 1995 a fevereiro de 1996, com base na inconstitucionalidade da MP n. 1.212/95 (ADIn nº1.4170/DF), observada a súmula nº 11 do 2º Conselho de Contribuintes. A ementa do julgado ora recorrido é a seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/1995 a 28/02/1996 DECADÊNCIA. EFEITO DA ADIn n°1.4170/DF. O prazo decadencial para pleitear indébitos decorrentes dos pagamentos realizados sob a égide da Medida Provisória n.1212/1995, contase o prazo decadencial iniciado na data da publicação da ADIn O 1.41701DF, 16 de agosto de 1999, extinguindo o direito em 16/08/2004. DIREITO DE RESTITUIÇÃO. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10510.000439/200397 Acórdão n.º 9303002.022 CSRFT3 Fl. 191 3 É assegurado ao sujeito passivo o direito de ser restituído dos valores referentes pagamentos indevidos ou a maior, em decorrência de erro ou por imposição de norma declarada pelo STF inconstitucional. CORREÇÃO MONETÁRIA. A atualização monetária, até 31.12.95, dos valores recolhidos indevidamente, deve ser efetuada com base nos indices constantes da tabela anexa A. Norma de Execução Conjunta SRF/Cosit/Cosar no 8, de 27.06.97, devendo incidir a Taxa Selic a partir de 01.01.96, nos temos do art. 39, parágrafo 4° da Lei no 9.250/95. Recurso Provido em Parte. Irresignada, insurgese a Fazenda Nacional contra o acórdão a quo pela via especial apenas quanto à decadência. Para viabilizar seu apelo, junta julgados deste Colegiado, bem assim de nossos Tribunais Superiores, satisfazendo, assim, os requisitos para viabilizar se apelo. Aponta, que o acórdão recorrido diverge da jurisprudência das Primeira e Quarta Turmas da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdãos CSRF/0400.810, CSRF/0105858 e CSRF/0105.773), alegando, em síntese, que ao presente caso deve ser aplicado o disposto nos artigos 3° e 4° da Lei Complementar n° 118/2005, e artigos 168, caput e inciso I e 156, I, do CTN, os quais determinam que o prazo decadencial para a repetição de indébito, no caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação, é de apenas 5 (cinco) anos. Entende que o prazo decadencial deve ser contado a partir da data do pagamento indevido (outubro de 1995 a fevereiro de 1996), não a partir da da ADIn nº 1.4170/DF que declarou a inconstitucionalidade da exação (16 de agosto de 1999). Verificase, assim, que a matéria trazida a debate diz respeito apenas ao prazo de decadência para a repetição de indébito tributário, se de 5 (cinco) (artigo 168, I, do CTN) ou 10 (dez) anos (tese dos 5 mais cinco, soma dos prazos decadenciais dos artigos 150, § 4º, e 168, I, do CTN). É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do recurso. No tocante ao prazo para restituição de indébito, é de se destacar, inicialmente, que o Egrégio Superior Tribunal de Justiça já se posicionou quanto à matéria na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, ou seja, através da análise dos chamados “recursos repetitivos”. O precedente proferido tem a seguinte ementa: Fl. 206DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. AUXÍLIO CONDUÇÃO. IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. 1. O princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC 118, de 9 de fevereiro de 2005, aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, posto norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação correspectiva. 2. O advento da LC 118/05 e suas conseqüências sobre a prescrição, do ponto de vista prático, implica dever a mesma ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a repetição do indébito é de cinco a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. 3. Isto porque a Corte Especial declarou a inconstitucionalidade da expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional", constante do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar 118/2005 (AI nos ERESP 644736/PE, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 06.06.2007). 4. Deveras, a norma inserta no artigo 3º, da lei complementar em tela, indubitavelmente, cria direito novo, não configurando lei meramente interpretativa, cuja retroação é permitida, consoante apregoa doutrina abalizada: "Denominamse leis interpretativas as que têm por objeto determinar, em caso de dúvida, o sentido das leis existentes, sem introduzir disposições novas. {nota: A questão da caracterização da lei interpretativa tem sido objeto de não pequenas divergências, na doutrina. Há a corrente que exige uma declaração expressa do próprio legislador (ou do órgão de que emana a norma interpretativa), afirmando ter a lei (ou a norma jurídica, que não se apresente como lei) caráter interpretativo. Tal é o entendimento da AFFOLTER (Das intertemporale Recht, vol. 22, System des deutschen bürgerlichen Uebergangsrechts, 1903, pág. 185), julgando necessária uma Auslegungsklausel, ao qual GABBA, que cita, nesse sentido, decisão de tribunal de Parma, (...) Compreensão também de VESCOVI (Intorno alla misura dello stipendio dovuto alle maestre insegnanti nelle scuole elementari maschili, in Giurisprudenza italiana, 1904, I, I, cols. 1191, 1204) e a que adere DUGUIT, para quem nunca se deve presumir ter a lei caráter interpretativo "os tribunais não podem reconhecer Fl. 207DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10510.000439/200397 Acórdão n.º 9303002.022 CSRFT3 Fl. 192 5 esse caráter a uma disposição legal, senão nos casos em que o legislador lho atribua expressamente" (Traité de droit constitutionnel, 3a ed., vol. 2o, 1928, pág. 280). Com o mesmo ponto de vista, o jurista pátrio PAULO DE LACERDA concede, entretanto, que seria exagero exigir que a declaração seja inseri da no corpo da própria lei não vendo motivo para desprezála se lançada no preâmbulo, ou feita noutra lei. Encarada a questão, do ponto de vista da lei interpretativa por determinação legal, outra indagação, que se apresenta, é saber se, manifestada a explícita declaração do legislador, dando caráter interpretativo, à lei, esta se deve reputar, por isso, interpretativa, sem possibilidade de análise, por ver se reúne requisitos intrínsecos, autorizando uma tal consideração. (...) ... SAVIGNY coloca a questão nos seus precisos termos, ensinando: "tratase unicamente de saber se o legislador fez, ou quis fazer uma lei interpretativa, e, não, se na opinião do juiz essa interpretação está conforme com a verdade" (System des heutigen romischen Rechts, vol. 8o, 1849, pág. 513). Mas, não é possível dar coerência a coisas, que são de si incoerentes, não se consegue conciliar o que é inconciliável. E, desde que a chamada interpretação autêntica é realmente incompatível com o conceito, com os requisitos da verdadeira interpretação (v., supra, a nota 55 ao n° 67), não admira que se procurem torcer as conseqüências inevitáveis, fatais de tese forçada, evitandose lhes os perigos. Compreendese, pois, que muitos autores não aceitem o rigor dos efeitos da imprópria interpretação. Há quem, como GABBA (Teoria delta retroattività delle leggi, 3a ed., vol. 1o, 1891, pág. 29), que invoca MAILHER DE CHASSAT (Traité de la rétroactivité des lois, vol. 1o, 1845, págs. 131 e 154), sendo seguido por LANDUCCI (Trattato storicoteorico pratico di diritto civile francese ed italiano, versione ampliata del Corso di diritto civile francese, secondo il metodo dello Zachariæ, di Aubry e Rau, vol. 1o e único, 1900, pág. 675) e DEGNI (L'interpretazione della legge, 2a ed., 1909, pág. 101), entenda que é de distinguir quando uma lei é declarada interpretativa, mas encerra, ao lado de artigos que apenas esclarecem, outros introduzido novidade, ou modificando dispositivos da lei interpretada. PAULO DE LACERDA (loc. cit.) reconhece ao juiz competência para verificar se a lei é, na verdade, interpretativa, mas somente quando ela própria afirme que o é. LANDUCCI (nota 7 à pág. 674 do vol. cit.) é de prudência manifesta: "Se o legislador declarou interpretativa uma lei, devese, certo, negar tal caráter somente em casos extremos, quando seja absurdo ligála com a lei interpretada, quando nem mesmo se possa considerar a mais errada interpretação imaginável. A lei interpretativa, pois, permanece tal, ainda que errônea, mas, se de modo insuperável, que suplante a mais aguda conciliação, contrastar com a lei interpretada, desmente a própria declaração legislativa." Ademais, a doutrina do tema é pacífica no sentido de que: "Pouco importa que o legislador, para cobrir o atentado ao direito, que comete, dê à sua lei o caráter interpretativo. É um ato de hipocrisia, que não pode cobrir uma violação flagrante do Fl. 208DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 direito" (Traité de droit constitutionnel, 3ª ed., vol. 2º, 1928, págs. 274275)." (Eduardo Espínola e Eduardo Espínola Filho, in A Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro, Vol. I, 3a ed., págs. 294 a 296). 5. Consectariamente, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002, segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada."). 6. Desta sorte, ocorrido o pagamento antecipado do tributo após a vigência da aludida norma jurídica, o dies a quo do prazo prescricional para a repetição/compensação é a data do recolhimento indevido. 7. In casu, insurgese o recorrente contra a prescrição qüinqüenal determinada pelo Tribunal a quo, pleiteando a reforma da decisão para que seja determinada a prescrição decenal, sendo certo que não houve menção, nas instância ordinárias, acerca da data em que se efetivaram os recolhimentos indevidos, mercê de a propositura da ação ter ocorrido em 27.11.2002, razão pela qual forçoso concluir que os recolhimentos indevidos ocorreram antes do advento da LC 118/2005, por isso que a tese aplicável é a que considera os 5 anos de decadência da homologação para a constituição do crédito tributário acrescidos de mais 5 anos referentes à prescrição da ação. 8. Impende salientar que, conquanto as instâncias ordinárias não tenham mencionado expressamente as datas em que ocorreram os pagamentos indevidos, é certo que os mesmos foram efetuados sob a égide da LC 70/91, uma vez que a Lei 9.430/96, vigente a partir de 31/03/1997, revogou a isenção concedida pelo art. 6º, II, da referida lei complementar às sociedades civis de prestação de serviços, tornando legítimo o pagamento da COFINS. 9. Recurso especial provido, nos termos da fundamentação expendida. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009) Com isso, restou consolidado no âmbito do Egrégio Superior Tribunal de Justiça a chamada tese dos “cinco mais cinco”. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10510.000439/200397 Acórdão n.º 9303002.022 CSRFT3 Fl. 193 7 Importante destacar, por outro lado, quanto a eventual alegação de aplicação retroativa da Lei Complementar nº 118/2005, que o Excelso Supremo Tribunal Federal entendeu recentemente que referida norma é aplicável apenas a partir de 09 de junho de 2005, conforme decidido em sede recurso extraordinário com repercussão geral reconhecida. Referido julgado tem a seguinte ementa: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos Fl. 210DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.(RE 566621, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, DJe195 DIVULG 10102011 PUBLIC 11102011 EMENT VOL0260502 PP00273) (grifos e destaques nossos) O Regimento Interno do CARF, por sua vez, na redação dada recentemente pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, tem os seguintes comandos nos seus artigos 62 e 62 A: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B.} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (grifos e destaques nossos) Verificase, assim, que referidas decisões proferidas respectivamente pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça e pelo Excelso Supremo Tribunal Federal deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Conforme relatado acima, a presente hipótese trata de pedido de restituição, formulado em 13/02/2003 (fls. 1 a 3), de parcelas pagas a título de contribuição para o PIS de outubro de 1995 a fevereiro de 1996 (MP nº 1.212/95) (fls. 1 a 20). Aplicandose a tese dos “cinco mais cinco”, depreendese que o termo final para a formulação do pedido de restituição seria em 2005 e 2006, respectivamente. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10510.000439/200397 Acórdão n.º 9303002.022 CSRFT3 Fl. 194 9 Como o pedido de restituição ora em apreço foi apresentado em 13/02/2003, considerando a tese dos “cinco mais cinco”, ele afigurase tempestivo. Por conseguinte, em face de todo o exposto e com arrimo no artigo 62A do RICARF, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional para manter o v. acórdão recorrido na sua integralidade. Rodrigo Cardozo Miranda Fl. 212DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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