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Numero do processo: 13888.720383/2014-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Dec 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012
SOBRESTAMENTO DE JULGAMENTO. FALTA DE PRESSUPOSTOS LEGAIS. IMPOSSIBILIDADE.
O processo administrativo fiscal é regido pelo princípio da oficialidade, que obriga a administração a impulsionar o processo até a decisão final, em decorrência, a autoridade ou o órgão administrativo de julgamento não pode sobrestar o julgamento do processo até que seja proferida a decisão judicial definitiva.
Numero da decisão: 3201-001.959
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida (o tema do sobrestamento do processo), negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario e Winderley Morais Pereira.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 SOBRESTAMENTO DE JULGAMENTO. FALTA DE PRESSUPOSTOS LEGAIS. IMPOSSIBILIDADE. O processo administrativo fiscal é regido pelo princípio da oficialidade, que obriga a administração a impulsionar o processo até a decisão final, em decorrência, a autoridade ou o órgão administrativo de julgamento não pode sobrestar o julgamento do processo até que seja proferida a decisão judicial definitiva.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida (o tema do sobrestamento do processo), negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario e Winderley Morais Pereira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 SOBRESTAMENTO DE JULGAMENTO. FALTA DE PRESSUPOSTOS LEGAIS. IMPOSSIBILIDADE. O processo administrativo fiscal é regido pelo princípio da oficialidade, que obriga a administração a impulsionar o processo até a decisão final, em decorrência, a autoridade ou o órgão administrativo de julgamento não pode sobrestar o julgamento do processo até que seja proferida a decisão judicial definitiva. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida (o tema do sobrestamento do processo), negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario e Winderley Morais Pereira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 72 03 83 /2 01 4- 53 Fl. 914DF CARF MF Impresso em 30/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 23/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13888.720383/201453 Acórdão n.º 3201001.959 S3C2T1 Fl. 915 2 Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida. Tratase de auto de infração (fls. 389/397) lavrado para exigir R$ 181.973.261,62 relativos ao IPI e juros de mora (calculados até 28/02/2014), decorrentes da glosa de créditos do IPI, que a empresa escriturou indevidamente no período de janeiro/2011 a dezembro/2012, relativos a créditoprêmio de IPI – BEFIEX. Conforme consta do Relatório Fiscal de fls. 398/412, a interessada pleiteou na justiça o referido crédito de IPI (Ação Ordinária nº 92.00.166610). A ação judicial, favorável à interessada, transitou em julgado em 16/12/96, reconhecendo o direito ao crédito no período de 14/07/88 a 13/07/98. A União entrou com ação rescisória que foi julgada improcedente. Contra essa decisão, a Fazenda Nacional interpôs agravo de instrumento, ao qual o Tribunal Regional Federal da 1ª Região negou provimento. Em face disso, a Fazenda Nacional interpôs Recursos Especial e Extraordinário, ambos inadmitidos pela Presidência do TRF1. Em 29/10/2012 a Fazenda Nacional apresentou Agravo de Decisão Denegatória de Recurso Especial e Agravo de Decisão Denegatória de Recurso Extraordinário, que se encontra no STJ, AREsp 371491. A última movimentação do processo AREsp 371491, conforme Certidão de Objeto e Pé apresentada pela empresa e pesquisa no sítio do STJ: 14/01/2014 16:14 RECEBIDOS OS AUTOS NO(A) GABINETE DO MINISTRO ARI PARGENDLER 14/01/2014 14:20 CONCLUSOS PARA DECISÃO AO(À) MINISTRO(A) ARI PARGENDLER (RELATOR) A última movimentação do processo 92.00.166610, conforme pesquisa no site do TRF1, ocorreu em 20/10/2009 com o seguinte histórico: “SUSPENSÃO PROCESSO CÍVEL : ORDENADA; OUTROS (ESPECIFICAR) AGUARDA JULGAMENTO DE AGRAVO DE INSTRUMENTO” Assim, a fiscalização formalizou o presente lançamento de ofício do crédito tributário correspondente aos valores de tributos não recolhidos e não declarados. O lançamento do crédito tributário foi efetuado para prevenção da decadência, e, em virtude da decisão judicial favorável à contribuinte, sem aplicação de multa e com exigibilidade suspensa. Regularmente cientificada, a postulante apresentou a impugnação de fls. 420/438, alegando, em resumo, o seguinte: 1. O lançamento não deve prosperar porque a Recorrente agiu amparada por decisão judicial; Fl. 915DF CARF MF Impresso em 30/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 23/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13888.720383/201453 Acórdão n.º 3201001.959 S3C2T1 Fl. 916 3 2. O presente processo auto de infração deve ser sobrestado até o trânsito em julgado da ação judicial; 3. Defende seu direito ao crédito prêmio de IPI e BEFIEX, e faz histórico das ações judiciais; 4. O auto deve ser cancelado pela existência de coisa julgada reconhecendo os créditos. Por fim, requer o sobrestamento do auto de infração, ou o reconhecimento da improcedência do lançamento com o reconhecimento do direito aos créditos. Sobreveio decisão da 12ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido encontramse consubstanciados na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 LANÇAMENTO. MATÉRIA DISCUTIDA EM AÇÃO JUDICIAL. Ainda que a matéria esteja sendo discutida em juízo, cabe ao fisco efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para o sobrestamento do julgamento de processo fiscal, dentro das normas reguladoras do Processo Administrativo Fiscal. DECISÃO JUDICIAL. PREVALÊNCIA SOBRE A ESFERA ADMINISTRATIVA. CRÉDITOPRÊMIO DE IPI. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. As decisões do Poder Judiciário prevalecem sobre o entendimento da esfera administrativa, assim, não se discute na esfera administrativa a mesma matéria discutida em processo judicial. Inconformada com a decisão, apresentou a Recorrente, tempestivamente, o presente recurso voluntário. Na oportunidade, reiterou os argumentos colacionados em sua defesa inaugural. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Fl. 916DF CARF MF Impresso em 30/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 23/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13888.720383/201453 Acórdão n.º 3201001.959 S3C2T1 Fl. 917 4 O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Tratase o presente processo de auto de infração lavrado com a exigibilidade suspensa para evitar a decadência do direito de constituir o crédito tributário. Extraise, dos autos, que a Recorrente obteve decisão judicial transitada em julgado que reconheceu o direito ao créditoprêmio de IPI – BEFIEX. Esta decisão foi objeto de processo de liquidação de sentença, o qual encontrase, atualmente em fase de julgamento de agravos interpostos pela União Federal (Fazenda Nacional) contra a decisão que inadmitiu os Recursos Especial e Extraordinário interpostos. A Recorrente pleiteia o sobrestamento do presente processo administrativo , até o transito em julgado da discussão travada nos autos da Ação Ordinária n° 92.00166610. Em atenção ao pleito, esclarecese que o direito de compensação em comento corresponde a matéria submetida ao crivo do Poder Judiciário, logo, por força do disposto no artigo 1º, § 2º, do Decretolei 1.737, de 1979, e no art. 38, parágrafo único, da Lei 6.830, de 1980, não cabe a esta instância de julgamento se manifestar a respeito de questão sub judice. Nesse sentido, consolidouse a jurisprudência deste Conselho, a partir da edição da Súmula CARF nº 1, de adoção obrigatória por todos os Conselheiros deste Órgão de julgamento, cujo enunciado segue transcrito: SÚMULA CARF Nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. O fato de não ser possível o julgamento de matérias submetidas à apreciação do Poder Judiciário, contudo, não resulta na necessidade de sobrestamento do presente julgamento, limitado a matérias distintas daquelas objeto do processo judicial. Em verdade, em atenção ao principio de eficiência ao qual se encontram submetidos os órgãos administrativos, estabeleceuse um rito processual no qual os processos judicial e administrativo que possuem matéria idêntica são julgados de forma concomitante, não sendo necessário o sobrestamento do julgamento do processo administrativo. Encerrado o processo administrativo fiscal, caso seja entendido pela manutenção do lançamento, o mesmo permanecerá sujeito ao decidido na esfera judicial. Rejeitase, portanto, o pedido de sobrestamento do julgamento administrativo. Diante do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Relator Fl. 917DF CARF MF Impresso em 30/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 23/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13888.720383/201453 Acórdão n.º 3201001.959 S3C2T1 Fl. 918 5 Fl. 918DF CARF MF Impresso em 30/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 23/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 10735.000894/2003-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 04/04/2003
CONTRADIÇÃO NO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. REDISCUSSÃO DO DIREITO. INADMISSIBILIDADE. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS.
Rejeitam-se os embargos de declaração quando não caracterizadas as aduzidas contradições na decisão recorrida, fundamento único do recurso. Ademais, não se admite rediscussão do direito em sede de embargos de declaração.
Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 3301-002.888
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos formulados pelo sujeito passivo, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Paulo Roberto Duarte Moreira e Semíramis de Oliveira Duro.
Acompanhou o julgamento o Advogado Pietro Lemos Figueiredo de Paiva, OAB/DF 27.944.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 04/04/2003 CONTRADIÇÃO NO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. REDISCUSSÃO DO DIREITO. INADMISSIBILIDADE. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. Rejeitam-se os embargos de declaração quando não caracterizadas as aduzidas contradições na decisão recorrida, fundamento único do recurso. Ademais, não se admite rediscussão do direito em sede de embargos de declaração. Embargos rejeitados.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos formulados pelo sujeito passivo, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Paulo Roberto Duarte Moreira e Semíramis de Oliveira Duro. Acompanhou o julgamento o Advogado Pietro Lemos Figueiredo de Paiva, OAB/DF 27.944.
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INEXISTÊNCIA. REDISCUSSÃO DO DIREITO. INADMISSIBILIDADE. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. Rejeitamse os embargos de declaração quando não caracterizadas as aduzidas contradições na decisão recorrida, fundamento único do recurso. Ademais, não se admite rediscussão do direito em sede de embargos de declaração. Embargos rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos formulados pelo sujeito passivo, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Paulo Roberto Duarte Moreira e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 00 08 94 /2 00 3- 58 Fl. 1027DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS 2 Acompanhou o julgamento o Advogado Pietro Lemos Figueiredo de Paiva, OAB/DF 27.944. Relatório Em sessão transcorrida em 19 de março de 2015, a Segunda Turma Especial desta Terceira Seção do CARF deu parcial provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo, nos termos do acórdão nº 3802004.266, assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 04/04/2003 COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS DE CONTRIBUINTE COM DÉBITOS DE TERCEIROS. INAPLICABILIDADE DA HIPÓTESE NORMATIVA QUE TRATA DA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. A homologação tácita a que alude o § 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 diz respeito unicamente aos casos em que a compensação pleiteada pode ser admitida como declaração de compensação, não alcançando os pleitos de compensação de créditos com débitos de terceiros, já que o caput do citado artigo 74, a partir da alteração trazida pela Medida Provisória nº 66/2002, se restringe à compensação de créditos do contribuinte com seus próprios débitos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 20/03/2003 a 31/03/2003 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI RECONHECIDO POR MEDIDA JUDICIAL. COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS DE TERCEIROS. DIREITO AMPARADO PELA COISA JULGADA. Realidade em que, por força de provimentos jurisdicionais, foi autorizada a utilização de créditos presumidos do IPI exclusivamente para a compensação com o IPI devido no final do processo industrial, inclusive com a possibilidade de transferência de aludido direito para terceiros. Amparada judicialmente, portanto, a compensação de débito do IPI em nome da recorrente com crédito do mesmo imposto reconhecido em favor de terceiro, não se aplicando ao caso a restrição de que trata a nova regra contida no artigo 74 da Lei n° 9.430/96 após a alteração que lhe foi dada pelo artigo 49 da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei n° 10.637/02, já que o direito anteriormente reconhecido está amparado pela coisa julgada. Recurso ao qual se dá parcial provimento. Em sede de embargos de declaração, aduz a interessada que há erro de premissa, omissões e contradições que, se sanados, levarão esse Colegiado a constatar que o crédito pode ser compensado com quaisquer tributos administrados pela RFB (e não somente o IPI), bem como que a homologação tácita do procedimento de fato ocorreu. Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10735.000894/200358 Acórdão n.º 3301002.888 S3C3T1 Fl. 2.811 3 Com respeito ao entendimento do colegiado recorrido pela restrição da compensação do IPI unicamente com o próprio imposto (e não com outros tributos administrados pela Receita Federal), ressaltou a embargante haver ocorrido erro de premissa, além de consistir julgamento extra petita, pois a DRF de Nova Iguaçu/RJ, ao não homologar este procedimento compensatório no ano de 2008, não utilizou esse fundamento, que na verdade é uma inovação desse E. CARF criada na ocasião do julgamento de recurso pela própria embargante e em seu prejuízo. Tal fato seria "suficiente para que seja extraída do acórdão embargado a fundamentação de que o crédito somente pode ser compensado com débito do IPI". Ressalta que "nos despachos decisórios de apuração e de homologação do crédito restou expressamente autorizada a compensação tributária com quaisquer débitos administrados pela SRFB próprios ou de terceiros, observandose o disposto na IN/SRF nº 21/97", artigo 15. Aduz ainda que a compensação dos créditos do IPI com débitos de outros tributos, próprios e de terceiros, teria sido chancelada pelo Parecer nº 69/99, da Superintendência da Receita Federal do Brasil em Nova Iguaçu/RJ. Tal fato representaria direito adquirido em favor do sujeito passivo. E ressalta, textualmente: 12. O v. acórdão embargado, para reconhecer que ao crédito pode ser compensado com débito da ora embargante (terceiro), fundamentou na coisa julgada e no direito adquirido. Sendo assim, é contraditório entender que o direito adquirido não se aplica na parte que deferiu a compensação do crédito com quaisquer débitos administrados pela RFB. Assevera ainda a embargante que essa e as demais questões teriam sido decididas judicialmente pelo E. TRF da 2ª Região nos autos da Apelação nº 2001.02.01.0352326. Assevera ainda nos seguintes termos: 14. O v. acórdão ora embargado incidiu em erro de premissa ao entender que o Judiciário, ao mencionar que a empresa possuía direito de compensar o crédito com o IPI ao final do processo industrial, se referia ao modo pelo qual o indébito deveria ser restituído. O que o Judiciário quis dizer é que entre 1988 e 1998 a empresa possuía o direito de compensar o crédito do IPI com o IPI ao final do processo industrial, em respeito ao princípio constitucional da nãocumulatividade e, uma vez que esse direito não foi respeitado naqueles períodos, a empresa deveria ser restituída. Já a forma pela qual o crédito deveria ser restituído a própria RFB cuidou de tratar quando o apurou e homologou, dispondo que deveriam ser seguidas as normas do art. 74 da Lei nº 9.430/96 regulamentado pela IN nº 21/97, ou seja, com tributo da mesma espécie, com tributo de espécie diferente e com débitos de terceiros. Afirma ainda que o acórdão embargado teria criado obstáculo que a própria RFB não criou, uma vez que esta já teria homologado compensações do crédito do IPI com débitos diversos. Cita o processo nº 10735.000967/200290, de onde reproduz excertos do Parecer nº 006/2003 (v. efls. 967). Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS 4 Quanto ao entendimento do acórdão vergastado no sentido de que não teria ocorrido a homologação tácita, ressalta que o mesmo teria partido da premissa de que o procedimento em tela, por se tratar de "Pedido de Compensação com Débito de Terceiro" não seria uma "Declaração de Compensação", ou seja, não se aplicaria o § 4º, do art. 74, da Lei nº 9.430/96, incluído pela Lei nº 10.637/02, nem o § 5º, do mesmo artigo, que prevê o prazo máximo de cinco anos para o Fisco realizar a análise. Segundo defende, tal entendimento seria "contraditório com o entendimento que essa Col. Turma teve para dar provimento ao recurso voluntário no mérito, no sentido de que as decisões judiciais e direito adquirido devem ser observados". E continua, verbis: 19. Isso porque, da mesma forma que a discussão em torno do mérito do recurso voluntário encontrase superada pelas decisões judiciais, a discussão em torno da homologação tácita também. 20. Conforme demonstrado pela embargante no recurso voluntário, a própria Receita Federal do Brasil, bem como o MM. Juízo do MS n.° 2001.51.10.0010250, consignou, nos anos de 2003 e 2004, que com a edição da Lei n.° 10.637/2002 todas as compensações tributárias do crédito da Nitriflex com débitos de terceiros se converteram em "Declarações de Compensação" e que, quando foram apresentadas, tiveram o condão de extinguir os créditos tributários, sob condição resolutória de ulterior homologação, à luz do art. 74, § 2°, da Lei n.° 9.430/96. E mais, que essas compensações poderiam e deveriam ser apreciadas em cinco anos pela RFB (docs. 13 e 14 do recurso). Portanto, deveria ser considerado pelo colegiado recorrido que as questões em torno de ser ou não uma Declaração de Compensação, após a edição da Lei nº 10.637/2002, bem como a obrigatoriedade legal de apreciação do Fisco no prazo de até cinco anos do protocolo do requerimento já foram decididas em definitivo no MS nº 2001.51.10.0010250, devendo o E. CARF, também nesse ponto, dar cumprimento à decisão judicial, sob pena de ser mantida a evidente contradição. Diante do exposto, requer a embargante sejam acolhidos e providos os embargos de declaração, "a fim de que, sanandose os vícios contidos no v. acórdão embargado seja reconhecida a homologação tácita da compensação tributária, bem como para que seja retirada a fundamentação de que o crédito somente pode ser compensado com débitos de IPI". Formalizados os embargos, os autos foram movimentados para este conselheiro, redator do voto vencedor do acórdão, em obediência ao disposto no § 6º do artigo 49 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015. É o relatório. Voto Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10735.000894/200358 Acórdão n.º 3301002.888 S3C3T1 Fl. 2.812 5 A ciência da decisão recorrida se deu em 20/05/2015, conforme Termo de Ciência por Abertura de Mensagem de efls. 960. Por sua vez, a petição de embargos de declaração foi protocolizada em 25/05/2015. Portanto, resta claro que a petição em tela foi apresentada dentro do prazo cinco dias contados da ciência do acórdão para a interposição dos embargos de declaração, disposto no artigo 65, § 1o, do Anexo II do RICARF – aprovado pela Portaria MF no 343, de 09/06/2015. Há, pois, que se conhecer da petição em evidência. A primeira argumentação suscitada pela embargante diz respeito a suposto erro de premissa consubstanciado no entendimento do colegiado recorrido que restringiu a compensação do IPI unicamente com o próprio imposto, e não com quaisquer tributos administrados pela Receita Federal, como intentava a reclamante. Segundo esta, a decisão vergastada teria incorrido em erro de premissa, além de consistir julgamento extra petita, pois a DRF de Nova Iguaçu/RJ, ao não homologar este procedimento compensatório no ano de 2008, não utilizou esse fundamento, que na verdade é uma inovação desse E. CARF criada na ocasião do julgamento de recurso pela própria embargante e em seu prejuízo. A limitação da compensação do IPI somente com o próprio IPI foi decidida à unanimidade pelos conselheiros da Turma recorrida, que, na ocasião, acolheram o entendimento exarado no voto vencedor do acórdão, o qual reproduzo abaixo: Do direito decorrente dos provimentos jurisdicionais em favor da pessoa jurídica Nitriflex S.A. Indústria e Comércio Conforme relatado, vêse que a lide diz respeito a pedido de compensação de créditos da empresa Nitriflex S.A. Indústria e Comércio (conforme requerimento de fls. 01) em favor da recorrente, a pessoa jurídica Eliane S/A Revestimentos Cerâmicos (nova denominação de Maximiliano Gaidzinsk S/A Indústria de Azulejos Eliane), créditos esses reconhecidos judicialmente em favor da Nitriflex S.A., a qual, por força da aludida decisão, estaria autorizada a transferilos para terceiros. O débito apontado no pedido de compensação diz respeito ao IPI (código de receita 1097) do 3º decêndio de março de 2003. Examino, primeiramente, a situação da Reclamação nº 9.790, formalizada junto ao STF pela Nitriflex S/A Indústria e Comércio. Conforme relatado vêse que o STF havia determinado liminarmente a "suspensão da Ação Rescisória n. 2003.02.01.0056758, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, até a decisão final desta Reclamação". De acordo com o extrato de consulta fornecido pelo sítio do STF1, aludida ação transitou em julgado em 25/10/2012. O acórdão correspondente foi publicado no DJE de 27/09/2012, constando da referida consulta decisão no seguinte sentido: 1 http://www.stf.jus.br/portal/processo/verProcessoAndamento.asp?incidente=3824716 (consulta realizada em 05/03/2015, às 20:01) Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS 6 Decisão: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, julgou procedente a reclamação, contra o voto do Presidente, Ministro Cezar Peluso. Ausente, justificadamente, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Falou pela reclamante o Dr. Ricardo Alexandre Hidalgo Pace. Plenário, 28.03.2012. Não foi possível obter no sítio do STF o inteiro teor do acórdão em tela. Não obstante, diante da informação acima colacionada, não há razão para se cogitar de eventual rescisão do provimento jurisdicional em favor do reconhecimento do crédito que subsidia a compensação objeto dos autos. Vale ressaltar que consta dos autos informação de que, por força da Ação Rescisória nº 2198, ajuizada pela Fazenda Pública visando desconstituir a sentença proferida no Mandado de Segurança nº 98.00166580, teria havido mudança no tocante ao período sobre o qual recaiu o direito ao crédito, que, segundo informado, fora reduzido de 10 (dez) para 5 (cinco) anos. Não obstante, eventual provimento nesse sentido terá reflexo unicamente quando da execução das decisões favoráveis ao sujeito passivo, já que a matéria relativa ao direito em si foi preservada. Quanto aos provimentos favoráveis ao sujeito passivo há que se fazer algumas considerações. De acordo com a cópia do acórdão da Terceira Turma do TRF da 2ª Região na apelação em mandado de segurança nº 024199/RJ (processo nº 98.02.497398, processo originário nº 98.00166580), acostada às fls. 52/55 do processo nº 10735.000001/9918 (fls. 61/64 da cópia digitalizada do e processo), em nome da pessoa jurídica Nitriflex S.A. Indústria e Comércio, foi reconhecido judicialmente o direito de a impetrante "compensar o crédito presumido de IPI com o crédito a recolher no final do processo industrial". A decisão em tela foi fundamentada na não cumulatividade do IPI objeto do artigo 153, § 3º, inciso II, da Constituição Federal. O acórdão em evidência foi assim ementado: CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. NÃOCUMULATIVIDADE (ART. 153, § 3º, II, C.F.; DECR. Nº 97.410/88) 1. O art. 153, § 3º, II, da Constituição Federal, dispõe sobre a não cumulatividade do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), determinando a compensação do que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores. 2. O Decreto nº 97.410/88, que estabelece o privilégio da isenção, ou mesmo incidência de alíquota zero em crédito do IPI, tem como propósito impedir o acúmulo de carga tributária, abatendo o tributo presumidamente devido em cada fase de industrialização, com o seu valor final. 3. Direito líquido e certo da empresa em compensar o crédito presumido de IPI com o crédito a recolher ao final do processo industrial. 4. Apelação improvida. (grifo nosso) Consta do processo administrativo nº 13736.000533/200117 (também em nome da Nitriflex S.A. Indústria e Comércio) a petição inicial no Mandado de Segurança nº 2001.51100010250, em que a impetrante, fundada no aludido crédito reconhecido no processo judicial nº 98.02.497398 (processo originário nº 98.00166580), pleiteia o direito de transferir tais créditos para terceiros, "sendo afastada a limitação imposta pela Instrução Normativa SRF nº 41 de 07/04/00" (v. fls. 168/177 do citado Fl. 1032DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10735.000894/200358 Acórdão n.º 3301002.888 S3C3T1 Fl. 2.813 7 processo administrativo; fls. 176/185 da cópia digitalizada anexa ao e processo). No julgamento dos embargos de declaração de embargos de declaração objeto do mandado de segurança nº 2001.02.01.0352326 (fls. 178/191 do processo administrativo nº 13746.000533/200117; fls. 186/199 do eprocesso) processo originário nº 2001.51.10.0010250 , o TRF da 2ª Região deu provimento ao recurso da impetrante para invalidar "[...] o ato administrativo fundado na limitação normativa da Secretaria da Receita Federal de nº 41/00 à compensação de créditos da Impetrante reconhecido (sic) às fls. 63, com débitos de terceiros". O mesmo Tribunal não admitiu o recurso especial interposto pela União Federal (fls. 192/193 do processo administrativo nº 13746.000533/200117; fls. 200/201 do eprocesso), tendo a decisão em tela transitado em julgado em 12/09/2003 (conf. fls. 197 do processo administrativo nº 13746.000533/200117; fls. 205 do eprocesso). Com efeito, extraise do voto i. Desembargador Federal Rogério Carvalho na apelação no Mandado de Segurança nº 2001.02.01.0352326 (ver fls. 204/206 do processo administrativo nº 13746.000533/200117; fls. 212/214 do eprocesso): Em suas razões de apelo, a Embargante pediu expressamente para esta E. Câmara conceder a segurança, para reconhecer o direito líquido e certo de compensar o crédito de IPI reconhecido na ação nº 98.0016658 0, com débitos de terceiros não optantes pelo REFIS, afastada a limitação imposta pela IN SRF 41/00, direito este já reconhecido por este E. Tribunal, por ocasião da análise do efeito suspensivo ativo proferido no Agravo de Instrumento nº 76961 (Proc. nº 2001.02.01.0166075): "Trata se de decidir a sorte deste requerimento, reiterado, às fls. 68/71, de efeito suspensivo ativo, deferindo medida liminar, em mandado de segurança, "para que seja assegurado o direito líquido e certo da impetrante de transferir o citado crédito para terceiros, ainda que não optantes pelo REFIS, sendo afastada a limitação imposta pela Instrução Normativa SRF nº 41 de 07.04.00" (fls. 26). [...]. Justificase o provimento do recurso de apelação diante da irretroatividade da Instrução Normativa, para alcançar fatos consumados sob a égide de normas que garantem o pleno direito da Embargante de compensar seu crédito (art. 170 do CTN, arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430/96, regulamentado pela IN/SRF nº 21/97) [...]. ISTO POSTO: Dou provimento ao recurso, para sanando omissão do v. acórdão de fls. 180, declarar que o efetivo aprimoramento da prestação jurisdicional, no caso, implica em aplicação da regra, de conteúdo interpretativo, constante do parágrafo 3º do art. 515 do CPC, e, em consequência, atribuindo efeitos modificativos ao v. acórdão de fls. 154, dou integral provimento ao apelo invalidando a limitação prevista na IN SRF 41/00, à compensação de créditos da Impetrante reconhecido às fls. 63, com débitos de terceiros. (os grifos não constam do original) Cumpre destacar que em resposta à petição nos autos do processo judicial nº 2001.51.10.0010250, em que a Nitriflex alega descumprimento da ordem judicial e desobediência à coisa julgada, decidiu a MM. Juíza Titular da 1ª Vara de Execução Fiscal de São João de Meriti, Vellêda Bivar Soares Dias Neta, em 25/03/2014, no seguinte sentido (v. fls. 804 do processo administrativo nº 13746.000260/200364): Fl. 1033DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS 8 Por conseguinte, considerando que a impetrada não trouxe aos autos qualquer alegação capaz de relativizar os efeitos da coisa julgada, DEFIRO O PEDIDO de fls. 1272/1279, para determinar que cumpra imediatamente a r. decisão transitada em julgado, adotando todas as providências necessárias nos autos dos processos administrativos relativos às compensações objeto da ação nº 98.00166580 (PA 10735.000001/9918 e apensos), efetuando em definitivo a análise dos pedidos de compensação com débitos de terceiros não optantes do REFIS, conforme limites objetivos do título judicial exequendo, atentando para o fato de que o advento da Lei n. 10.637/02 não pode ser óbice à homologação do pedido de compensação da impetrante. (o grifo em sublinhado não consta do original) Apresentados os fatos relevantes para a análise do litígio, podese afirmar o seguinte: a) que foi reconhecido judicialmente, em favor da pessoa jurídica Nitriflex S.A. Indústria e Comércio (Mandado de Segurança n° 98.00166580), o direito de a mesma "compensar o crédito presumido de IPI com o crédito a recolher no final do processo industrial" (grifei); b) também em função de decisão judicial, que aludido direito creditório poderia ser transferido para terceiros, sendo afastada, portanto, restrição nesse sentido objeto da IN SRF nº 41/00 (Mandado de Segurança nº 2001.02.01.0352326 TRF 2ª Região , processo originário nº 2001.51.10.0010250). É evidente, pois, que por força dos provimentos jurisdicionais em favor da pessoa jurídica Nitriflex S.A. Indústria e Comércio foi reconhecido direito creditório a título do IPI (crédito presumido), o qual poderá ser utilizado exclusivamente para a compensação com o IPI devido no final do processo industrial, seja da própria empresa, seja de empresas terceiras para onde o crédito poderá ser transferido. Entendo, ainda, que tal crédito poderá ser utilizado até o seu completo exaurimento, não se aplicando ao caso a restrição de que trata a nova regra contida no artigo 74 da Lei n° 9.430/96 após a alteração que lhe foi dada pelo artigo 49 da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei n° 10.637/02. E digo isso em respeito ao direito adquirido e à coisa julgada. O débito apontado no pedido de compensação, em nome da recorrente (Eliane S/A Revestimentos Cerâmicos nova denominação de Maximiliano Gaidzinsk S/A Indústria de Azulejos Eliane), diz respeito ao IPI (código de receita 1097) do 3º decêndio de março de 2003. Possível, portanto, a liquidação de aludido débito do IPI por compensação com o crédito do mesmo imposto reconhecido em favor da pessoa jurídica Nitriflex S.A. Indústria e Comércio, já que os provimentos jurisdicionais acima referenciados garantem direito nesse sentido. Resta à unidade de origem, porém, na execução da presente decisão, verificar se o crédito judicial reconhecido em favor da Nitriflex é suficiente para a liquidação do débito a compensar. No que tange ao direito, contudo, entendo que o recurso deverá ser provido nessa parte, nos termos das razões acima elencadas. Como se vê, as razões de decidir apostas no voto condutor do acórdão embargado foram baseadas em criteriosa análise da amplitude de alcance das decisões judiciais que alicerçavam o direito creditório objeto dos autos. Isso foi feito também pela DRF Nova Iguaçu ao analisar a compensação vislumbrada pelo sujeito passivo. Com efeito, no Fl. 1034DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10735.000894/200358 Acórdão n.º 3301002.888 S3C3T1 Fl. 2.814 9 Parecer SEORT nº 400/2009 (efls. 87/95), em que se fundou o despacho decisório da unidade de origem, esta, em exame das decisões judiciais em nome da interessada, chegou a ressaltar que [...] a coisa julgada formada no Mandado de Segurança n° 2001.51.10.0010250 nada tem a ver com a coisa julgada formada no Mandado de Segurança n° 98.00166580, pois enquanto que aquele, o de número 2001.51.10.0010250, tem como objeto a declaração de que a sociedade empresária Nitriflex S.A. Comércio e Indústria pode ceder seu crédito a terceiros para utilização em compensação tributária, este, o de número 98.00166580, tem como objeto o reconhecimento do direito ao crédito prêmio do IPI relativo às aquisições de insumos dos últimos 10 (dez) anos. (v. efls. 89) Não obstante, da análise das mesmas decisões judiciais, a turma recorrida ressaltou que existe sim tal relação, conforme se observa abaixo: Apresentados os fatos relevantes para a análise do litígio, podese afirmar o seguinte: a) que foi reconhecido judicialmente, em favor da pessoa jurídica Nitriflex S.A. Indústria e Comércio (Mandado de Segurança n° 98.00166580), o direito de a mesma "compensar o crédito presumido de IPI com o crédito a recolher no final do processo industrial" (grifei); b) também em função de decisão judicial, que aludido direito creditório poderia ser transferido para terceiros, sendo afastada, portanto, restrição nesse sentido objeto da IN SRF nº 41/00 (Mandado de Segurança nº 2001.02.01.0352326 TRF 2ª Região , processo originário nº 2001.51.10.0010250). É verdade que a unidade responsável pela análise do pedido de compensação consultou a Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional em Nova Iguaçu sobre a questão, tendo se baseado em seu parecer para indeferir o pedido de compensação da interessada. Segundo tal entendimento não poderia ser admitida a compensação de créditos de um contribuinte com débitos de terceiros. Confirase: Portanto, a partir do momento em que a Secretaria da Receita Federal por meio de uma de suas Delegacias solicitou à Procuradoria da Fazenda Nacional parecer sobre os efeitos de legislação superveniente em relação a autoridade da coisa julgada, deve acatálo. Assim, neste ato decisório, adoto o entendimento da douta Procuradoria da Fazenda Nacional no sentido de que as compensações tributárias entre débitos de um contribuinte e crédito de outro somente podem ser efetivadas em relação aos pedidos ou as declarações apresentadas "antes" do dia 29.08.2002, data da publicação da Medida Provisória n° 66/02, posteriormente convertida na Lei n° 10.637/02. Como no presente caso, as declarações de compensação foram apresentadas após o advento do artigo 49 da Medida Provisória 66, de 29.08.2002, posteriormente, convertido no artigo 49 da Lei n° 10.637/02, as compensações por meio dela declaradas não podem ser homologadas. Além disso, não se pode esquecer que o crédito não foi habilitado junto à Fl. 1035DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS 10 Secretaria da Receita Federal, nem mesmo após a sociedade empresária Nitriflex S. A. Comércio e Indústria ter recorrido ao Poder Judiciário. (grifos e destaques do original) Como se vê, o indeferimento do pleito foi focado na aduzida impossibilidade de compensação de débitos de um contribuinte com créditos de outro, bem como no fato de o crédito não ter sido habilitado junto à Secretaria da Receita Federal. Tudo o que foi exposto acima demonstra a necessidade de o pleito ser analisado frente às decisões judiciais que albergam a direito do sujeito passivo. Não há que se falar em decisão extra petita. O caso envolve simplesmente entender o alcance do direito à compensação contido nas decisões judiciais favoráveis ao sujeito passivo. Neste comenos, tanto a DRF Nova Iguaçu quanto a turma recorrida se socorreram nos títulos judiciais favoráveis ao sujeito passivo. O fato de a DRF de origem ter se lastreado na impossibilidade de compensação de créditos em nome do sujeito passivo com débitos de terceiros não autoriza a interpretação da interessada no sentido de que a compensação do IPI com outros tributos já teria sido definida, sendo, assim, insuscetível de contradição. Aliás, conforme ressaltado, essa não foi a única razão para o indeferimento. Assim, a turma recorrida, dentro dos limites do efeito devolutivo do recurso, analisou as decisões judiciais referenciadas e se manifestou, nesse ponto, à unanimidade, que o título judicial em tela, muito embora autorize a compensação entre créditos do IPI em nome do sujeito passivo com débitos de outrem, restringe tal direito à compensação exclusiva com o próprio IPI, conforme demonstrado na decisão embargada. Quanto ao parecer nº 69/99, da SRRF 7ª RF, no qual também teria se baseado a DRF Nova Iguaçu (isso, ressaltese, não consta do despacho decisório exarado pela referida unidade), resta destacar que aludido entendimento data de 26/07/1999; portanto, diz respeito a realidade bem anterior ao trânsito em julgado da decisão favoravelmente ao sujeito passivo, que só veio a ocorrer em 12/09/2003. Não vislumbro, pois, nenhum vício no acórdão recorrido passível de ser sanado via oposição de embargos de declaração, razão pela qual, nessa parte, voto para que os embargos em tela sejam rejeitados. No que concerne ao não reconhecimento da homologação tácita, ressalta a embargante que o entendimento da turma recorrida teria partido da premissa equivocada de que o pleito, "por se tratar de "Pedido de Compensação com Débito de Terceiro" não seria uma "Declaração de Compensação"". Segundo a embargante tal entendimento seria "contraditório com o entendimento que essa Col. Turma teve para dar provimento ao recurso voluntário no mérito, no sentido de que as decisões judiciais e direito adquirido devem ser observados". Assim, a questão da homologação tácita encontrarseia superada pelas decisões judiciais. Aqui também o sujeito passivo não logrou êxito em demonstrar contradição no acórdão vergastado. A questão da não aceitação das compensações como "declarações de compensação" foi debatida pelo colegiado, o qual, por maioria, entendeu pela impossibilidade de caracterizar as compensações dessa forma. Justamente por isso é que não poderia ser aplicado ao caso o disposto no § 5º do mesmo artigo 74, segundo o qual "o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação". Confirase: Fl. 1036DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10735.000894/200358 Acórdão n.º 3301002.888 S3C3T1 Fl. 2.815 11 Segundo o artigo 74, § 1º, da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, "a compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados" (grifei). Tal dispositivo vigora desde 30/08/2002, data da publicação da Medida Provisória nº 66/2002, que incluiu aludido preceito2. Quanto ao caput do preceito em evidência, o mesmo, na redação à época vigente (dada pela MP nº 66/2002), já tratava exclusivamente da compensação de créditos com débitos próprios, o que pode ser conferido pela simples leitura do dispositivo em questão: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) (grifo nosso) Restrição nesse sentido de autorizar a compensação tributária somente com débitos próprios foi mantida na redação do preceito em comento desde então. Assim, não poderia ser dado ao pedido objeto dos autos pedido de compensação de crédito com débito de terceiros a natureza da declaração a que alude o § 1º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 ("a compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados"). Também a realidade presente não se enquadra no disposto no § 4º do aludido dispositivo, segundo o qual "os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo". Primeiro porque o pleito envolve forma de compensação (de créditos com débitos de terceiros) não prevista pelo caput do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 (ora, é regra básica de hermenêutica que parágrafos, incisos e alíneas são fragmentos subordinados ao caput de um artigo, tendo seu âmbito de aplicabilidade, em princípio, ao disposto no caput); segundo porque o pleito foi formalizado posteriormente à edição da MP nº 66/2002, ou seja, em 04/04/20033. Em consequência, não se aplica ao caso em exame o disposto no § 5º do mesmo artigo 74, segundo o qual "o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação". Pelo que foi acima exposto resta claro que o preceito em evidência é restrito aos casos em que a compensação pleiteada pode ser admitida como declaração de compensação, que, como dito, aborda unicamente a compensação de créditos com débitos próprios, ou seja, a hipótese legal de que trata o caput do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 a partir da alteração trazida pela MP nº 66/2002. 2 Vale lembrar que a MP nº 66/2002 foi posteriormente convertida na Lei nº 10.637/2002, cujo artigo 68 estabelece a produção de efeitos da prescrição em tela a partir de 1º/10/2002. 3 Como dito, a redação do caput do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, que passou a explicitar o alcance do dispositivo em tela apenas em relação a compensação com débitos próprios, vigora desde 30/08/2002, data da publicação da Medida Provisória nº 66/2002. Fl. 1037DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS 12 Não bastasse isso, o § 5º que trata do prazo de cinco anos para a homologação da compensação declarada só veio a ser incluído no artigo 74 da Lei nº 9.430/96 pela Medida Provisória nº 135, de 30/10/2003 (posteriormente convertida na Lei nº 10.833/2003), publicada em 31/10/2003, a partir de quando o dispositivo em questão passou a viger. Ou seja, posteriormente à protocolização do pleito da interessada. Evidente, portanto, que o caso em exame não se subsume à homologação tácita a que se refere o artigo 74 da Lei nº 9.430/96. Rejeita se, portanto, o argumento da interessada nesse sentido. Diante de tudo o que foi acima exposto resta claro que nenhum dos argumentos apresentados pelo sujeito passivo se subsume ao disposto no caput do artigo 65 do anexo II do Regimento Interno do CARF4, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, uma vez demonstrado que o acórdão embargado não padece de "obscuridade, omissão ou contradição", e que a embargante, com sua argumentação, vislumbra, na verdade, rediscutir o direito, o que é inadmissível em sede de embargos de declaração. Da conclusão Diante do exposto, e considerando que o acórdão recorrido não está eivado de vício que justifique a oposição de embargos de declaração, voto para que seja rejeitado o recurso formalizado pelo sujeito passivo, visto que este carece de pressuposto essencial à sua legitimação. Sala de sessões, em 16 de março de 2016. Francisco José Barroso Rios – Relator 4 Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. Fl. 1038DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS
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Numero do processo: 10730.723962/2012-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Somente podem ser deduzidas as despesas médicas quando comprovadas por documentação hábil e idônea a efetiva prestação dos serviços e a vinculação do pagamento ao serviço prestado.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2201-002.946
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Mees Stringari
Relator
(assinado digitalmente)
Eduardo Tadeu Farah
Presidente Substituto
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros EDUARDO TADEU FARAH (Presidente Substituto), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Mees Stringari Relator (assinado digitalmente) Eduardo Tadeu Farah Presidente Substituto Participaram do presente julgamento, os Conselheiros EDUARDO TADEU FARAH (Presidente Substituto), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ.
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FALTA DE COMPROVAÇÃO. Somente podem ser deduzidas as despesas médicas quando comprovadas por documentação hábil e idônea a efetiva prestação dos serviços e a vinculação do pagamento ao serviço prestado. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Mees Stringari Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 72 39 62 /2 01 2- 91 Fl. 39DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 2 Eduardo Tadeu Farah Presidente Substituto Participaram do presente julgamento, os Conselheiros EDUARDO TADEU FARAH (Presidente Substituto), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ. Fl. 40DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10730.723962/201291 Acórdão n.º 2201002.946 S2C2T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro, Acórdão 1249.904, que julgou a impugnação improcedente. O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: Este processo trata da impugnação em face da Notificação de Lançamento– NL Imposto de Renda Pessoa Física lavrada em nome do(a) Contribuinte (fls. 3/9), em 26/03/12, resultante da revisão da Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física – DIRPF –do exercício de 2011, ano calendário 2010. A NL tratou da dedução indevida das seguintes despesas médicas: R$ 3.622,29 Ministério da Saúde: pela falta de comprovação (GEAP); R$ 9.771,96 – Unimed Rio: o valor pleiteado de R$ 19.543,92 foi alterado para R$ 9.771,96 (50%), correspondente às despesas próprias do Contribuinte. O valor glosado, a teor do art. 80, §1º, inc. II, do RIR, corresponde a despesas de seu cônjuge não dependente Rosemeri Marinho da Costa, que entregou DIRPF própria no modelo simplificado, cujo desconto padrão substitui todas as deduções legais a que tem direito. A ciência ocorreu em 30/03/12 (fls. 11/12, 14, 20), e a impugnação foi apresentada em 03/04/12 (fl. 2), acompanhada dos documentos às fls. 3/10. Em sua defesa, o Impugnante afirma que foi incluído indevidamente o plano de saúde de sua esposa no valor de R$ 9.771,96. Anexa Comprovante de Rendimentos Pagos emitido pelo Ministério da Saúde (fl. 10). O(A) Impugnante solicitou prioridade no julgamento, tendo em vista o art. 71 da Lei nº 10.471/03 Estatuto do Idoso. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese a glosa da despesa para com a GEAP. Anexa comprovante de pagamento. É o relatório. Fl. 41DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 4 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS A legislação tributária concede ao contribuinte, por ocasião da declaração anual de ajuste, a possibilidade de realizar deduções de despesas médicas próprias e de seus dependentes da base de cálculo do imposto de renda Além do direito de realizar deduções, o sujeito passivo está obrigado a comprovar, de forma inequívoca e mediante documentação hábil e idônea, a realização de todas as deduções informadas em sua Declaração de Ajuste Anual. A legislação estabelece que o contribuinte, quando intimado, comprove que as deduções pleiteadas na declaração preencham todos os requisitos exigidos, sob pena de serem consideradas indevidas e o valor pretendido como dedução seja apurado e lançado em procedimento de ofício. Abaixo o art. 8 da Lei nº 9.250/95 e o art. 11, do Decreto Lei nº 5.844/43: Lei 9.250/95 Art.8. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; ... § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com Fl. 42DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10730.723962/201291 Acórdão n.º 2201002.946 S2C2T1 Fl. 4 5 hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; DecretoLei nº 5.844/43 Art 11 Poderão ser deduzidas, em cada cédula, as despesas referidas nêste capítulo, necessárias à percepção dos rendimentos. ... § 3° Todas as deduções estarão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora.” § 4° Se forem pedidas deduções exageradas em relação ao rendimento bruto declarado, ou se tais deduções não forem cabíveis, de acordo com o disposto neste capítulo, poderão ser glosadas sem audiência de contribuinte. Do mesmo modo, estabelece o Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR – Regulamento do Imposto de Renda) em seu art. 80: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). ... Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com Fl. 43DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 6 hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III – limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica – CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Neste processo discutese a contribuição para a GEAP. Contribuinte anexa Comprovante de Pagamento com detalhamento dos beneficiários. Ocorre que a notificação é referente ao anocalendário 2010, enquanto que o comprovante apresentado referese ao "ano base 2011" e contém a seguinte observação "Período de apuração: Dez/2010 a Nov 2011." A notificação é de um período e a prova apresentada no recurso é de período diverso, isto é, nada comprova quanto à notificação. CONCLUSÃO Voto por negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 44DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH
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Numero do processo: 10803.000134/2008-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Dec 23 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3201-000.562
Decisão: RESOLVEM os membros da 2ª câmara / 1ª turma ordinária da Terceira Seção de julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario e Winderley Morais Pereira.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario e Winderley Morais Pereira. Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto A contribuinte supracitada recorre a este Conselho de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II/SP. Por bem descrever os fatos ocorridos até o julgamento da impugnação, transcrevese o relatório da instância a quo, seguido da ementa da decisão recorrida e das razões do Recurso Voluntário ora examinado: Trata o presente processo do Auto de Infração de fls. 969/978, integrado pelo Termo de Verificação Fiscal de fls. 739/967, por meio do qual se exige a multa prevista no Artigo. 490, inciso I, do Decreto nº 4.544/02 (RIPI/02), no valor de R$ 198.493.758,28 (cento e noventa e oito milhões, quatrocentos e noventa e três mil, setecentos e cinqüenta e oito reais e vinte e oito centavos). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 03 .0 00 13 4/ 20 08 -0 2 Fl. 32674DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10803.000134/200802 Resolução nº 3201000.562 S3C2T1 Fl. 32.653 2 O procedimento fiscal decorreu de trabalho desenvolvido pelo Escritório de Pesquisa e Investigação da Receita Federal em conjunto com a Polícia Federal onde foi apurada a logística de importação e distribuição de produtos eletroeletrônicos e de telecomunicações da empresa norteamericana CISCO SYSTEM INC, constituído a partir de uma sucessão de empresas exportadoras nos EUA, e, no Brasil, de importadoras, distribuidoras, de assessoria comercial, de despacho aduaneiro, aparentemente, distintas umas das outras, mas que, de fato, segundo destacou a fiscalização, constituem uma organização sob comando único, conforme vínculos dos seus integrantes, interagindo em uma série de operações comerciais simuladas, manipulando a base de cálculo de tributos federais e estaduais, e, excluindo, por meio de interposição fraudulenta, conforme exposto ao longo do Termo de Verificação Fiscal (fls. 739/967), do rol de contribuintes do IPI a empresa MUDE COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA, doravante denominada MUDE, objeto do presente auto de infração e ocultando a grande interessada na colocação de produtos no mercado brasileiro, a CISCO SYSTEM INC. dos EUA. Relevante destacar que somente no ano calendário de 2003, o valor do IPI não destacado nas operações de vendas da MUDE COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA. e objeto da constituição parcial de crédito tributário montou R$ 29.057.021,80 (vinte e nove milhões, cinqüenta e sete mil, vinte e um reais e oitenta centavos). Baseouse o Auto de Infração em distintas fontes de dados, entre as quais citamos: Provas apreendidas durante a “OPERAÇÃO PERSONA”, realizada em 16/10/2007 pela Polícia Federal (conforme mandado de busca e apreensão prolatado nos autos do processo judicial nº 2005.61.81.0092851 do Juízo da 4ª Vara Criminal Federal da 1ª Subseção Judiciária de São Paulo), consistindo em documentos comerciais, anotações, depoimentos consignados em termos próprios, interceptações telefônicas, mensagens de correio eletrônico e documentos em meio eletrônico. Provas obtidas nas auditorias fiscais efetuadas pela Equipe Especial de Fiscalização Aduaneira, consistindo em livros fiscais, notas fiscais, documentos societários, extratos bancários, e demais documentos e esclarecimentos apresentados à fiscalização. Foi obtida autorização judicial para a flexibilização dos sigilos telefônicos e de dados, relativamente às principais pessoas e empresa relacionadas à investigação, sendo que o acesso e utilização do monitoramento (telefônico e telemático), documentos apreendidos nos mandados de busca e apreensão e aos interrogatórios, foram franqueados aos servidores designados pela Receita Federal do Brasil no trabalho de fiscalização. No comando do esquema operacional de importações, encontramse os principais dirigentes das empresas CISCO DO BRASIL LTDA e da sua distribuidora, MUDE, e ainda, juntandose a estes, outras pessoas físicas e jurídicas especificadas no Termo de Verificação Fiscal, notadamente no capítulo VIII do mesmo, que trata da Sujeição Passiva Solidária, que montaram uma seqüência de operações para ocultação do real importador, simulando a ocorrência de importação direta ou própria em nome das terceiras pessoas jurídicas interpostas, quando, Fl. 32675DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10803.000134/200802 Resolução nº 3201000.562 S3C2T1 Fl. 32.654 3 na verdade, as importações ocorriam por conta e ordem da própria MUDE. Ressaltou a fiscalização que as fraudes visavam a ocultação dos reais adquirentes e beneficiários das operações de comércio exterior, MUDE COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA e CISCO DO BRASIL LTDA., através da estrutura de importação fraudulenta baseada na criação de empresas interpostas entre os extremos da cadeia logística (fabricante/real exportador e real importador/adquirente). Obscurecendose ainda mais os fatos reais, o grupo optou por criar o chamado “duplo grau de blindagem”, ou seja, além da criação do importador e exportador interpostos, o grupo também criou distribuidores interpostos no Brasil e nos Estados Unidos. Assim ao final dos trabalhos, concluiu a fiscalização que a empresa acima identificada, através de ações fraudulentas e simuladas, incidiu na conduta tipificada no artigo 29 da Lei nº 10.637, de 30/12/2002, combinado com o artigo 79 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24/08/2001, comercializando produtos de importação irregular. Tendo em vista o disposto no art. 124, I da Lei nº 5.172 de 1966 (Código Tributário Nacional), foi declarada a responsabilidade solidária da empresa CISCO DO BRASIL LTDA, CNPJ nº 00.028.666/000158 e das pessoas físicas FERNANDO MACHADO GRECCO, CPF 154.002.54896, MARCELO NAOKI IKEDA, CPF 174.047.79871, MARCÍLIO PALHARES LEMOS, CPF 455.587.956 20, MOACYR ÁLVARO SAMPAIO, CPF 535.257.60868, HÉLIO BENETTI PEDREIRA, CPF 003.916.86895, GUSTAVO HENRIQUE CASTELLARI PROCÓPIO, CPF 255.873.01850, JOSÉ ROBERTO PERNOMIAN RODRIGUES, CPF 058.787.58873, LUIZ SCARPELLI FILHO, CPF 007.199.32823, PEDRO LUIS ALVES COSTA, CPF 382.756.60882, REINALDO DE PAIVA GRILLO, CPF 791.743.028 68, CARLOS ROBERTO CARNEVALI, CPF 205.601.84891, CID GUARDIA FILHO, CPF 037.619.00864 e ERNANI BERTINO MACIEL, CPF 239.033.84704. DA IMPUGNAÇÃO DA EMPRESA MUDE COMERCIO E SERVIÇOS LTDA Intimada do Auto de Infração em 12/12/2008 (fl. 967), a empresa MUDE COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA apresentou impugnação e documentos em 12/01/2009, juntados às folhas 1152 e seguintes, alegando em síntese: Alega preliminarmente violação ao Princípio da Ampla Defesa e do Contraditório pois só teve acesso às cópias do processo em 12/01/2009, sendo prejudicada assim a análise de toda a documentação que instrui o auto. Cita jurisprudência administrativa sobre o tema. Alega preliminarmente que as provas obtidas no procedimento de investigação criminal não poderia ser utilizadas na instrução do processo administrativo. Cita o art. 5º, X, XI e XII da CF e o art. 1º e 10º da Lei nº 9.296/96. Alega que o auto baseiase apenas nessas provas. Fl. 32676DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10803.000134/200802 Resolução nº 3201000.562 S3C2T1 Fl. 32.655 4 Alega preliminarmente que as provas que sustentam a autuação foram obtidas em 2007, não podendo ser usadas como fundamento do auto que lança multa relativa ao exercício de 2003. Alega que tal lançamento estaria baseado assim em suposições. Cita jurisprudência administrativa sobre o tema. Alega preliminarmente que a fiscalização foi superficial e que não buscou a verdade material, baseandose em suposições. Cita doutrina e jurisprudência sobre o tema. Alega preliminarmente que é vedada a utilização de prova emprestada no processo administrativo. Cita jurisprudência sobre o tema. Alega preliminarmente que a fiscalização interpretou as interceptações telefônicas e demais provas de forma a confirmar sua caracterização de fraude, distorcendo a realidade. Reafirma a alegação já feita no item 4 acima. Alega preliminarmente que a fiscalização interpretou de forma incorreta as expressões “antecipação de pagamentos” e “comissão”. Alega ainda que o modus operandi das importações decorre de uma logística comum no mercado que busca maior eficiência e rapidez. No mérito, alega que a autuação baseiase essencialmente na suposta antecipação de recursos a distribuidores e importadores. Alega que a fiscalização em seu Termo de Verificação Fiscal apresentou apenas uma operação de aquisição de mercadorias quando deveria de fato demonstrar a fraude detalhadamente em todas as operações. Alega que a contabilidade da empresa faz prova a seu favor e que não foram escriturados adiantamentos a fornecedores. Cita doutrina. Alega que a empresa não pode ser considerada importadora nos termos do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 07/2002. Cita doutrina e jurisprudência. Apresenta perícia contábil que conclui que não houve antecipação de pagamentos a fornecedores. Alega ausência do procedimento próprio da IN/SRF 228/02. Alega que as empresas apresentavam situação regular no cadastro do CNPJ e no RADAR no momento das operações. Alega que as empresas importadoras e distribuidoras não são empresas de fachada. Apresenta documentos relativos a essas empresas. Alega que a fiscalização utilizou como data do fato gerador da multa aplicada o dia 31/12/2003, em desconformidade com a legislação tributária. Alega a decadência dos créditos tributários lançados relativos a operações havidas antes de 12/12/2003. O Auto de Infração foi lavrado em 12/12/2008 (data da ciência pela Impugnante), apenas poderiam ser objeto da multa regulamentar, caso ela fosse devida, as operações Fl. 32677DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10803.000134/200802 Resolução nº 3201000.562 S3C2T1 Fl. 32.656 5 de entrega a consumo ocorridas após 12/12/2003, e não todas as que ocorreram no ano de 2003. Sustenta a aplicação do disposto no art. 78 da Lei nº 4.502/64. Alega que a multa aplicada seria cabível apenas ao importador. Cita jurisprudência sobre o tema. Alega que a multa não se aplica a produtos vendidos mas sim importados. Alega a atipicidade da multa aplicada. Sustenta que essa multa só seria cabível durante o despacho aduaneiro, após a decretação da pena de perdimento. Alega que ao presente caso seria aplicável a multa de 10% do valor da operação, nos termos do art. 33 da Lei nº 11.488/2007. Cita jurisprudências administrativas. Alega a inconstitucionalidade da multa aplicada por caracterizar confisco. Alega ainda que não houve dano ao erário, sendo aplicável a multa do art. 67 da MP nº 2.15835, de 24/08/2001. Alega que a fiscalização utilizou base de cálculo errônea, sendo que deveria ser utilizado o valor da mercadoria importada. Alega a ilegalidade da utilização da taxa SELIC. Requer, por fim, que em preliminares ou no mérito seja julgado improcedente o presente auto de infração. DA IMPUGNAÇÃO DA EMPRESA CISCO DO BRASIL LTDA Intimada do Auto de Infração em 12/12/2008 (fl. 1.043), a empresa CISCO DO BRASIL LTDA apresentou impugnação e documentos em 13/01/2009, juntados às folhas 1277 e seguintes, alegando em síntese: Alega que a empresa utiliza um modelo de negócios que não foi compreendido pela fiscalização. Discorre sobre esse modelo. Alega que não participou das operações de importação e que não tinha conhecimento de qualquer irregularidade. Alega que não teve participação na produção das provas, não recebendo qualquer intimação, sendo violados os Princípios do Contraditório e da Ampla Defesa. Alega que as provas produzidas na investigação criminal não poderiam ser utilizadas na esfera administrativa. Alega que não há identidade de partes. Cita doutrina e jurisprudência. Alega que as interceptações telefônicas só poderiam ser utilizadas para fins de investigação criminal ou instrução processual penal. Alega que foi qualificada como comercial atacadista apenas para fins de inscrição no SISCOMEX, não tendo por objeto social tal atividade. Alega que a CISCO SYSTEM INC iniciou investigação interna para apurar denúncia de que Carlos Roberto Carnevali tinha relação com a Fl. 32678DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10803.000134/200802 Resolução nº 3201000.562 S3C2T1 Fl. 32.657 6 empresa MUDE COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA. Cita o Relatório IPEI BA 2008 006, que não concluiu pela vinculação. Alega que tal relatório não autoriza a fiscalização a alegar o conhecimento da CISCO SYSTEM INC do suposto esquema fraudulento. Tece comentários sobre vários documentos, emails e conversas telefônicas do Termo de Sujeição Passiva Solidária, fls. 979/1043, alegando, em síntese, que tratamse de contatos comerciais normais dentro do modelo de negócios adotado pela impugnante. Tece comentários sobre a escuta telefônica, fls. 1008 e seguintes, transcrita no Termo de Sujeição Passiva Solidária, acima citado, relativa a teleconferência entre Pedro Ripper, Presidente da CISCO DO BRASIL LTDA e outros funcionários da mesma empresa. Alega que tal conversa ocorreu em 2007, não se aplicando a importações de 2003. Alega que o citado “split” ou separação entre hardware e software nas declarações de importação para redução da carga tributária seria feito pela MUDE e não por outras eventuais empresas interpostas. Alega que em suas operações a CISCO SYSTEM INC não segrega os valores de hardware e software em suas faturas de venda. Tece comentários sobre a conversa telefônica transcrita na fl. do Termo de Sujeição Passiva Solidária, que segundo a impugnante apenas demonstra o modelo de negócios adotado. Tece comentários sobre o evento realizado pela MUDE nos EUA com representantes da CISCO SYSTEM INC. Alega que não tinha conhecimento da interposição fraudulenta de terceiros de que é acusada a MUDE. Alega que a citada reunião não prova que a separação entre hardware e software foi efetivamente realizada. Alega que a CISCO SYSTEM INC não realiza exportações e que portanto não define procedimentos a serem adotados na importação. Alega que as linhas de crédito que a MUDE obtinha através de suas controladas nos EUA, FULFILL HOLDING e posteriormente MUDE USA, junto às instituições CISCO CAPITAL, GE COMERCIAL DISTRIBUTION FINANCE CORPORATION e BANCO CITIBANK, eram medidas comuns na relação entre a CISCO SYSTEM INC e seus parceiros. Alega que essa relação não prova que a CISCO SYSTEM INC ou a CISCO DO BRASIL LTDA tinham conhecimento de suposto esquema fraudulento nas importações. Alega que as provas apresentadas no tópico “PESSOAS QUE EFETIVAMENTE DIRIGEM A EMPRESA”, fls. 1031 e seguintes, demonstram apenas a relação comercial entre a impugnante e a MUDE, mas não o conhecimento da impugnante sobre fraudes cometidas pela MUDE. Alega que no presente caso não seria aplicável a multa prevista no art. 490, I do RIPI pois a prática da interposição fraudulenta não significa, necessariamente, que a importação dos bens tenha ocorrido de maneira clandestina, irregular ou fraudulenta. Alega que a interposição fraudulenta tipificada para a empresa MUDE seria apenada com a pena de perdimento do art. 23 do Decretolei nº 1.475/76 (SIC). Cita jurisprudência administrativa sobre o tema. Cita o Parecer PGFN/CAT nº 202/2004. Fl. 32679DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10803.000134/200802 Resolução nº 3201000.562 S3C2T1 Fl. 32.658 7 Alega que não é cabível a aplicação do art. 124, I do CTN relativo à responsabilidade solidária pois para tal a empresa CISCO deveria ter relação com o fato que deu ensejo ao nascimento da relação jurídica cujo resultado é o pagamento do tributo. Alega que a CISCO não figurava no pólo passivo da relação tributária em questão. Cita doutrina e jurisprudência administrativa e judicial sobre o tema. Alega que a multa aplicada é de natureza administrativa e não tributária. Alega que isso afastaria a aplicação de qualquer um dos dispositivos do CTN, incluindo aí o art. 124, I e o art. 136. Alega que a natureza não tributária da multa aplicada afastaria a incidência dos arts. 150 e 173 do CTN relativos à decadência, sendo esta regida pelo art. 78 da Lei nº 4.502/64. As alegadas infrações cometidas anteriormente a 12 de dezembro de 2003 não mais podem ser penalizadas, em respeito ao art. 78 da Lei 4.502/64. Requer, por fim, que seja cancelado o Termo de Sujeição Passiva Solidária com a exclusão da impugnante do rol de devedores solidários. Intimado do Auto de Infração em 19/12/2008 (fl. 1134), FERNANDO MACHADO GRECCO apresentou impugnação e documentos em 13/01/2009, juntados às folhas 1441 e seguintes, alegando em síntese: Alega preliminarmente que não pôde obter cópias do processo, prejudicando o exercício da ampla defesa. Alega preliminarmente que as provas obtidas no procedimento de investigação criminal não poderia ser utilizadas na instrução do processo administrativo. Cita o art. 5º, X, XI e XII da CF e o art. 1º e 10º da Lei nº 9.296/96. Alega que as interceptações telefônicas só poderiam ser utilizadas para fins de investigação criminal ou instrução processual penal. Alega preliminarmente que as provas que sustentam a autuação foram obtidas em 2007 não podendo ser usadas como fundamento do auto que lança multa relativa ao exercício de 2003. Alega que tal lançamento estaria baseado assim em suposições. Cita jurisprudência administrativa sobre o tema. Alega que não houve procedimento fiscalizatório específico em relação ao impugnante, lastreado em MPF (Mandado de Procedimento Fiscal). Cita jurisprudência. Alega que não é cabível a aplicação do art. 124, I do CTN ao impugnante pois este não teria relação jurídica com o fato imponível. Cita doutrina e jurisprudência sobre o tema. Alega que não há provas da antecipação de recursos por parte do impugnante para a realização das operações de importação. Alega que o impugnante não realiza importações. Alega que a infração cominada não alcança as pessoas físicas. Alega que a responsabilidade solidária não se aplica à cobrança de penalidades. Fl. 32680DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10803.000134/200802 Resolução nº 3201000.562 S3C2T1 Fl. 32.659 8 Reafirma os argumentos já apresentados na impugnação da empresa MUDE. Por fim, requer que seja julgado insubsistente o presente auto de infração. Intimado do Auto de Infração em 19/12/2008 (fl.1135), MARCELO NAOKI IKEDA apresentou impugnação e documentos em 13/01/2009, juntados às folhas 1550 e seguintes, alegando em síntese: Alega preliminarmente que não pôde obter cópias do processo, prejudicando o exercício da ampla defesa. Alega preliminarmente que as provas obtidas no procedimento de investigação criminal não poderia ser utilizadas na instrução do processo administrativo. Cita o art. 5º, X, XI e XII da CF e o art. 1º e 10º da Lei nº 9.296/96. Alega que as interceptações telefônicas só poderiam ser utilizadas para fins de investigação criminal ou instrução processual penal. Alega preliminarmente que as provas que sustentam a autuação foram obtidas em 2007 não podendo ser usadas como fundamento do auto que lança multa relativa ao exercício de 2003. Alega que tal lançamento estaria baseado assim em suposições. Cita jurisprudência administrativa sobre o tema. Alega que não houve procedimento fiscalizatório específico em relação ao impugnante, lastreado em MPF (Mandado de Procedimento Fiscal). Cita jurisprudência. Alega que não é cabível a aplicação do art. 124, I do CTN ao impugnante pois este não teria relação jurídica com o fato imponível. Cita doutrina e jurisprudência sobre o tema. Alega que não há provas da antecipação de recursos por parte do impugnante para a realização das operações de importação. Alega que o impugnante não realiza importações. Alega que a infração cominada não alcança as pessoas físicas. Alega que a responsabilidade solidária não se aplica à cobrança de penalidades. Reafirma os argumentos já apresentados na impugnação da empresa MUDE. Por fim, requer que seja julgado insubsistente o presente auto de infração. Intimado do Auto de Infração em 17/12/2008 (fl.1136), MARCÍLIO PALHARES LEMOS apresentou impugnação e documentos em 13/01/2009, juntados às folhas 1601 e seguintes, alegando em síntese: Alega preliminarmente que não pôde obter cópias do processo, prejudicando o exercício da ampla defesa. Alega preliminarmente que as provas obtidas no procedimento de investigação criminal não poderia ser utilizadas na instrução do Fl. 32681DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10803.000134/200802 Resolução nº 3201000.562 S3C2T1 Fl. 32.660 9 processo administrativo. Cita o art. 5º, X, XI e XII da CF e o art. 1º e 10º da Lei nº 9.296/96. Alega que as interceptações telefônicas só poderiam ser utilizadas para fins de investigação criminal ou instrução processual penal. Alega preliminarmente que as provas que sustentam a autuação foram obtidas em 2007 não podendo ser usadas como fundamento do auto que lança multa relativa ao exercício de 2003. Alega que tal lançamento estaria baseado assim em suposições. Cita jurisprudência administrativa sobre o tema. Alega que não houve procedimento fiscalizatório específico em relação ao impugnante, lastreado em MPF (Mandado de Procedimento Fiscal). Cita jurisprudência. Alega que não é cabível a aplicação do art. 124, I do CTN ao impugnante pois este não teria relação jurídica com o fato imponível. Cita doutrina e jurisprudência sobre o tema. Alega que não há provas da antecipação de recursos por parte do impugnante para a realização das operações de importação. Alega que o impugnante não realiza importações. Alega que a infração cominada não alcança as pessoas físicas. Alega que a responsabilidade solidária não se aplica à cobrança de penalidades. Reafirma os argumentos já apresentados na impugnação da empresa MUDE. Por fim, requer que seja julgado insubsistente o presente auto de infração. Intimado do Auto de Infração em 19/12/2008 (fl. 1137), MOACYR ÁLVARO SAMPAIO apresentou impugnação e documentos em 13/01/2009, juntados às folhas 1728 e seguintes, alegando em síntese: Alega preliminarmente que não pôde obter cópias do processo, prejudicando o exercício da ampla defesa. Alega preliminarmente que as provas obtidas no procedimento de investigação criminal não poderia ser utilizadas na instrução do processo administrativo. Cita o art. 5º, X, XI e XII da CF e o art. 1º e 10º da Lei nº 9.296/96. Alega que as interceptações telefônicas só poderiam ser utilizadas para fins de investigação criminal ou instrução processual penal. Alega preliminarmente que as provas que sustentam a autuação foram obtidas em 2007 não podendo ser usadas como fundamento do auto que lança multa relativa ao exercício de 2003. Alega que tal lançamento estaria baseado assim em suposições. Cita jurisprudência administrativa sobre o tema. Alega que não houve procedimento fiscalizatório específico em relação ao impugnante, lastreado em MPF (Mandado de Procedimento Fiscal). Cita jurisprudência. Fl. 32682DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10803.000134/200802 Resolução nº 3201000.562 S3C2T1 Fl. 32.661 10 Alega que não é cabível a aplicação do art. 124, I do CTN ao impugnante pois este não teria relação jurídica com o fato imponível. Cita doutrina e jurisprudência sobre o tema. Alega que não há provas da antecipação de recursos por parte do impugnante para a realização das operações de importação. Alega que o impugnante não realiza importações. Alega que a infração cominada não alcança as pessoas físicas. Alega que a responsabilidade solidária não se aplica à cobrança de penalidades. Reafirma os argumentos já apresentados na impugnação da empresa MUDE. Por fim, requer que seja julgado insubsistente o presente auto de infração. Intimado do Auto de Infração em 19/12/2008 (fl.1138), HÉLIO BENETTI PEDREIRA apresentou impugnação e documentos em 13/01/2009, juntados às folhas 1868 e seguintes, alegando em síntese: Alega preliminarmente que não pôde obter cópias do processo, prejudicando o exercício da ampla defesa. Alega preliminarmente que as provas obtidas no procedimento de investigação criminal não poderia ser utilizadas na instrução do processo administrativo. Cita o art. 5º, X, XI e XII da CF e o art. 1º e 10º da Lei nº 9.296/96. Alega que as interceptações telefônicas só poderiam ser utilizadas para fins de investigação criminal ou instrução processual penal. Alega preliminarmente que as provas que sustentam a autuação foram obtidas em 2007 não podendo ser usadas como fundamento do auto que lança multa relativa ao exercício de 2003. Alega que tal lançamento estaria baseado assim em suposições. Cita jurisprudência administrativa sobre o tema. Alega que não houve procedimento fiscalizatório específico em relação ao impugnante, lastreado em MPF (Mandado de Procedimento Fiscal). Cita jurisprudência. Alega que não é cabível a aplicação do art. 124, I do CTN ao impugnante pois este não teria relação jurídica com o fato imponível. Cita doutrina e jurisprudência sobre o tema. Alega que não há provas da antecipação de recursos por parte do impugnante para a realização das operações de importação. Alega que o impugnante não realiza importações. Alega que a infração cominada não alcança as pessoas físicas. Alega que a responsabilidade solidária não se aplica à cobrança de penalidades. Reafirma os argumentos já apresentados na impugnação da empresa MUDE. Fl. 32683DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10803.000134/200802 Resolução nº 3201000.562 S3C2T1 Fl. 32.662 11 Por fim, requer que seja julgado insubsistente o presente auto de infração. Intimado do Auto de Infração (fl.1139), GUSTAVO HENRIQUE CASTELLARI PROCÓPIO apresentou impugnação e documentos em 13/01/2009, juntados às folhas 1990 e seguintes, alegando em síntese: Alega preliminarmente que não pôde obter cópias do processo, prejudicando o exercício da ampla defesa. Alega preliminarmente que as provas obtidas no procedimento de investigação criminal não poderia ser utilizadas na instrução do processo administrativo. Cita o art. 5º, X, XI e XII da CF e o art. 1º e 10º da Lei nº 9.296/96. Alega que as interceptações telefônicas só poderiam ser utilizadas para fins de investigação criminal ou instrução processual penal. Alega preliminarmente que as provas que sustentam a autuação foram obtidas em 2007 não podendo ser usadas como fundamento do auto que lança multa relativa ao exercício de 2003. Alega que tal lançamento estaria baseado assim em suposições. Cita jurisprudência administrativa sobre o tema. Alega que não houve procedimento fiscalizatório específico em relação ao impugnante, lastreado em MPF (Mandado de Procedimento Fiscal). Cita jurisprudência. Alega que não é cabível a aplicação do art. 124, I do CTN ao impugnante pois este não teria relação jurídica com o fato imponível. Cita doutrina e jurisprudência sobre o tema. Alega que não há provas da antecipação de recursos por parte do impugnante para a realização das operações de importação. Alega que o impugnante não realiza importações. Alega que a infração cominada não alcança as pessoas físicas. Alega que a responsabilidade solidária não se aplica à cobrança de penalidades. Reafirma os argumentos já apresentados na impugnação da empresa MUDE. Por fim, requer que seja julgado insubsistente o presente auto de infração. Intimado do Auto de Infração em 19/12/2009 (fl. 1141), JOSE ROBERTO PERNOMIAN RODRIGUES apresentou impugnação e documentos em 13/01/2009, juntados às folhas 2039 e seguintes, alegando em síntese: Alega preliminarmente que não pôde obter cópias do processo, prejudicando o exercício da ampla defesa. Alega preliminarmente que as provas obtidas no procedimento de investigação criminal não poderia ser utilizadas na instrução do processo administrativo. Cita o art. 5º, X, XI e XII da CF e o art. 1º e 10º da Lei nº 9.296/96. Alega que as interceptações telefônicas só Fl. 32684DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10803.000134/200802 Resolução nº 3201000.562 S3C2T1 Fl. 32.663 12 poderiam ser utilizadas para fins de investigação criminal ou instrução processual penal. Alega preliminarmente que as provas que sustentam a autuação foram obtidas em 2007 não podendo ser usadas como fundamento do auto que lança multa relativa ao exercício de 2003. Alega que tal lançamento estaria baseado assim em suposições. Cita jurisprudência administrativa sobre o tema. Alega que não houve procedimento fiscalizatório específico em relação ao impugnante, lastreado em MPF (Mandado de Procedimento Fiscal). Cita jurisprudência. Alega que não é cabível a aplicação do art. 124, I do CTN ao impugnante pois este não teria relação jurídica com o fato imponível. Cita doutrina e jurisprudência sobre o tema. Alega que não há provas da antecipação de recursos por parte do impugnante para a realização das operações de importação. Alega que o impugnante não realiza importações. Alega que a infração cominada não alcança as pessoas físicas. Alega que a responsabilidade solidária não se aplica à cobrança de penalidades. Reafirma os argumentos já apresentados na impugnação da empresa MUDE. Por fim, requer que seja julgado insubsistente o presente auto de infração. Intimado do Auto de Infração (fl.1142 ), LUIZ SCARPELLI FILHO apresentou impugnação e documentos em 14/01/2009, juntados às folhas 2140 e seguintes, alegando em síntese: A Autoridade Administrativa pretende fazer incidir a exação sobre todo o período de 2003. Á data da lavratura do Auto de Infração, os fatos jurídicos tributários havidos até 04 de dezembro de 2003, já estavam decaídos. Alega que nunca teve qualquer participação em esquema fraudulento. Alega que prestava serviços de assessoria nas áreas de análise de procedimentos internos com capacitação de profissionais para atuar com produtos de informática, automação de processos, diminuição de custos, aumento de qualidade perante os clientes e remuneração de funcionários e prestadores de serviços. Alega que a partir de 2003 assumiu participação societária na empresa MUDE para atuar de maneira mais próxima ao seu cliente. Alega que não há qualquer irregularidade no fato de possuir uma empresa offshore como sócia. Alega que nunca foi sócio gerente da empresa autuada, sendo parte ilegítima para compor o pólo passivo. Alega que nos termos do art. 135 do CTN a responsabilização dos sócios só ocorre por excesso de poderes ou infração de lei. Alega que o Fl. 32685DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10803.000134/200802 Resolução nº 3201000.562 S3C2T1 Fl. 32.664 13 impugnante não foi arrolado na ação penal que tramita na Justiça Federal sobre o caso. Cita doutrina e jurisprudência judicial sobre o tema. Alega que não é cabível a utilização das provas emprestadas do processo criminal. Cita doutrina sobre o tema. Alega que as provas apresentadas são posteriores a 2003, ano cujos fatos geradores foram glosados. Alega ainda que vários dos documentos apresentados não apresentam data. Requer, por fim, que seja julgado insubsistente o presente auto de infração. Intimado do Auto de Infração (fl. 1144), REINALDO DE PAIVA GRILLO apresentou impugnação e documentos em 29/01/2009, juntados às folhas 2246 e seguintes, alegando em síntese: Alega que o impugnante nunca participou do contrato societário da empresa MUDE nem da respectiva administração. Alega que as provas colhidas “referemse aos exercícios de 2004, 2005, 2006, 2007, mas nada referente ao exercício objeto da autuação, 2003”. Alega que o impugnante é mero prestador de serviços de assessoria em logística e comércio exterior. Alega que desconhece os fatos imputados e que não teve acesso aos documentos e provas, não podendo adentrar no mérito da autuação. Apesar da alegação de que não teve acesso às provas, segue tecendo comentários sobre as provas do processo. Alega que não há documentos que provem que o impugnante teve benefício financeiro nas operações autuadas. Alega que as provas apresentadas são precárias, insuficientes para sustentar a imputação. Cita doutrina e jurisprudência. Requer, por fim, que seja julgado improcedente o presente auto de infração. Intimado do Auto de Infração (fl. 1145), CARLOS ROBERTO CARNEVALI apresentou impugnação e documentos em 20/01/2009, juntados às folhas 2266 e seguintes, alegando em síntese: Houve evidente violação do princípio da ampla defesa e do contraditório na imposição de sujeição passiva. Alega que não seria aplicável a responsabilidade solidária do art. 124, I do CTN. Cita doutrina e jurisprudência sobre o tema. Alega que não possuía vínculos com a empresa MUDE além de laços de amizade. Alega que não era sócio oculto da empresa MUDE. Alega que sua relação com Hélio Pedreira é puramente profissional e de amizade sendo incabíveis as insinuações feitas pela fiscalização de que ambos montaram um esquema de importações fraudulentas. Fl. 32686DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10803.000134/200802 Resolução nº 3201000.562 S3C2T1 Fl. 32.665 14 Contesta alegações sobre as operações da empresa União Digital, que segundo a fiscalização seria a antecessora da empresa MUDE nas importações de produtos CISCO. Alega que a fiscalização baseou a responsabilidade em diálogos que não se referem ao impugnante. Alega que tais provas não comprovam a participação do impugnante na administração da empresa MUDE. Alega que as planilhas que apresentam pagamentos a membros do grupo MUDE/JDTC apenas sugerem mas não comprovam tais operações. Alega ser incabível a responsabilização do impugnante pelo art. 124, I do CTN. Alega que as provas não demonstram o interesse comum do impugnante nos negócios da MUDE. Cita doutrina e jurisprudência. Alega que a fiscalização interpretou de maneira equivocada o diálogo entre o impugnante e a CISCO SYSTEM INC. Alega que a fiscalização tenta vincular sua pessoa às atividades do grupo JDTC/MUDE através de indícios e interpretações tendenciosas. Alega que os documentos para contra prova em seu favor estão em poder da fiscalização. Alega que as mensagens transcritas às fls. 13 a 15 do Termo de Sujeição Passiva referemse a diretrizes fornecidas para atuação da empresa TORNADO e não da MUDE. Alega o impugnante que na época das operações de importação autuadas, 2003, não era mais responsável pela CISCO DO BRASIL, exercendo a função de VicePresidente da CISCO para América Latina e México. Alega que a partir de 2000 começou a se afastar do operacional da empresa CISCO DO BRASIL. Alega que a partir de 2007 quase que se afasta definitivamente da CISCO DO BRASIL. Alega que prestava à época consultoria a diversas empresas incluindo a MUDE. Alega que em função dessa atividade e do interesse de executivos da MUDE para que o impugnante ingressasse em seu Conselho de Administração, passou a receber documentos dessa empresa para análise de sua situação financeira. Alega que esta é a razão de ter sido encontrado organograma da empresa MUDE com seu nome no Conselho de Administração. Segue afirmando o impugnante que não possui qualquer relação com a administração da empresa MUDE, apresentando mensagens sobre seu desligamento do grupo CISCO e de sua relação não profissional com os administradores da MUDE. Alega violação ao Princípio da Verdade Material. Afirma que a autuação baseouse em suposições. Requer, por fim, que sejam acolhidas as preliminares de nulidade ou que seja cancelada a sujeição passiva solidária do impugnante. Intimado do Auto de Infração em 19/12/2008 (fl.1147), CID GUARDIA FILHO apresentou impugnação e documentos em 16/01/2009, juntados às folhas 2705 e seguintes, alegando em síntese: Fl. 32687DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10803.000134/200802 Resolução nº 3201000.562 S3C2T1 Fl. 32.666 15 Alega a nulidade da autuação visto que esta estaria embasada em provas emprestadas do procedimento criminal. Cita jurisprudência sobre o tema. Alega que tais provas não foram submetidas ao contraditório no âmbito do processo criminal. Alega que parte dos documentos que envolvem o impugnante são relativos a períodos posteriores ao autuado (2003). Alega ser incabível a aplicação do art. 124, I do CTN. Alega que não há interesse comum do impugnante nas saídas de mercadorias da empresa MUDE. Cita doutrina e jurisprudência. Alega que a fiscalização fundamentou a responsabilidade do impugnante em meros indícios. Alega que os documentos apreendidos em sua residência são relativos a acordo de assessoria entre a 3Tech International e a CM Guardia Org. e Planejamento. Alega o mesmo em relação aos documentos apreendidos na empresa CIDER Assessoria Empresarial. Alega que os vários depoimentos de pessoas que confirmam serem laranjas e que o real proprietário das empresas importadoras é o impugnante foram alterados na esfera judicial. Alega que não é sócio das pessoas jurídicas que realizaram as importações. Alega que a responsabilidade do art. 124, I não se aplica à multa em questão pois esta não tem natureza tributária. Alega decadência dos créditos tributários em relação a fatos geradores anteriores a 18/12/2003. Alega que a importadora D’Luck Com. Imp. e Exportação Ltda. teve a sua regularidade fiscal comprovada no bojo de procedimento fiscal previsto na IN nº 228/2002, sendo vedada a alteração do critério jurídico do lançamento, nos termos do art. 146 do CTN. Alega que as importações eram “por encomenda” nos termos do art. 11 da Lei nº 11.281/2006. Alega que houve erro na capitulação legal. Alega ainda o Princípio da Retroatividade Tributária Benigna para aplicação do art. 33 da Lei nº 11.488/07. Requer, por fim, que seja julgado insubsistente o presente auto de infração. Intimado do Auto de Infração em 18/12/2008 (fl.1148), ERNANI BERTINO MACIEL apresentou impugnação e documentos em 16/01/2009, juntados às folhas 2763 e seguintes, alegando em síntese: Alega a nulidade da autuação visto que esta estaria embasada em provas emprestadas do procedimento criminal. Cita jurisprudência sobre o tema. Alega que tais provas não foram submetidas ao contraditório no âmbito do processo criminal. Fl. 32688DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10803.000134/200802 Resolução nº 3201000.562 S3C2T1 Fl. 32.667 16 Alega que parte dos documentos que envolvem o impugnante são relativos a períodos posteriores ao autuado (2003). Alega ser incabível a aplicação do art. 124, I do CTN. Alega que não há interesse comum do impugnante nas saídas de mercadorias da empresa MUDE. Cita doutrina e jurisprudência. Alega que a fiscalização fundamentou a responsabilidade do impugnante em meros indícios. Alega que os documentos apreendidos em sua residência sequer poderiam ser utilizados para embasar exigência fiscal, pois se destinam exclusivamente a fins penais. Alega que os vários depoimentos de pessoas que confirmam serem laranjas e que o real proprietário das empresas importadoras é o impugnante foram alterados na esfera judicial. Alega que não é sócio das pessoas jurídicas que realizaram as importações. Alega que a responsabilidade do art. 124, I não se aplica à multa em questão pois esta não tem natureza tributária. Alega decadência dos créditos tributários em relação a fatos geradores anteriores a 18/12/2003. Alega que a importadora D’Luck Com. Imp. e Exportação Ltda. teve a sua regularidade fiscal comprovada no bojo de procedimento fiscal previsto na IN nº 228/202, sendo vedada a alteração do critério jurídico do lançamento, no termos do art. 146 do CTN. Alega que as importações eram “por encomenda” no termos do art. 11 da Lei nº 11.281/2006. Alega que houve erro na capitulação legal. Alega ainda o Princípio da Retroatividade Tributária Benigna para aplicação do art. 33 da Lei nº 11.488/07. Requer, por fim, que seja julga insubsistente o Auto de Infração. Não consta do processo impugnação de PEDRO LUIS ALVES COSTA. Consta às fls. 2.905 uma IMPUGNAÇÃO COMPLEMENTAR, protocolizada em 26/02/2010, da interessada, MUDE, onde é citado o seguinte: “.../... 5. Devidamente intimada do Auto de Infração ora em combate, a Impugnante apresentou a competente Impugnação, por meio da qual demonstrou cabalmente, apoiada em fartas provas e sólido Direito, que não merece prosperar o lançamento tributário em tela. 6. Devidamente processado o feito, os autos foram encaminhados à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto – SP (“DRJ”), a qual, em 09 de dezembro de 2009, decidiu, por unanimidade de votos, determinar a realização de diligência para, surpreendentemente, mesmo reconhecendo a ofensa ao contraditório e Fl. 32689DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10803.000134/200802 Resolução nº 3201000.562 S3C2T1 Fl. 32.668 17 à ampla defesa, reabrir prazo para apresentação de Impugnação Complementar. 7. Assim entenderam os I. julgadores da DRJ, haja vista que as cópias dos autos do processo não foram disponibilizadas em tempo hábil para elaboração da Impugnação, além de ter havido o recebimento simultâneo de diversos autos de infração, com prazo para impugnação praticamente idênticos, nos últimos dias do ano fiscal de 2008. Diante disso, foi expedida a intimação nº 175/2010 (doc. 02), cientificando a Impugnante da referida decisão e concedendolhe prazo de 30 (trinta) dias para apresentação da presente Impugnação Complementar. Conforme já amplamente demonstrado quando da Impugnação e apelo quanto se verá adiante, não poderá prevalecer o Auto de Infração em comento, seja por conta dos vícios contidos no procedimento fiscalizatório e no ato de lançamento, seja pela inaplicabilidade da multa à Impugnante ou, ainda, pela inexistência da alegada importação por conta e ordem, já que a Impugnante nunca antecipou quaisquer recursos aos importadores, devendo essa D. Turma Julgadora declarar a insubsistência do lançamento da multa isolada. .../...” A interessada continua, nos parágrafos seguintes, ratificando as alegações da Impugnação anterior, reiterando, inclusive, o pedido de realização de perícia contábil. Consta, também, às fls. 3.841 o Despacho de nº 8, de 06 de dezembro de 2010, da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto – SP: “Apesar do encaminhamento anterior para a delegacia de origem, no intuito de permitir vistas ou cópias do processo, em verificação posterior constatouse tratar de impugnação contra de auto de infração de multa regulamentar capitulada no inciso I do Decreto nº 4.544/2002 (artigo 83, I, da Lei nº4.502/1994), conforme abaixo: Art. 490. Sem prejuízo de outras sanções administrativas ou penais cabíveis, incorrerão na multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe for atribuído na nota fiscal, respectivamente (Lei nº 4.502, de 1964, art. 83, e Decretolei nº 400, de 1968, artº 1º, alteração 2ª) I os que entregarem a consumo, ou consumirem produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido sem que tenha havido registro da declaração da importação no SISCOMEX, salvo se estiver dispensado do registro, ou desacompanhado de Guia de Licitação ou nota fiscal, conforme o caso (Lei n 4.502, de 1964, art. 83, inciso I, e Decretolei nº 400, de 1968, artº1º, alteração 2ª: e (...) § 2º A multa a que se refere o inciso I deste artigo aplicase apenas às hipóteses de produtos de procedência estrangeira introduzidas Fl. 32690DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10803.000134/200802 Resolução nº 3201000.562 S3C2T1 Fl. 32.669 18 clandestinamente no País ou importados irregular ou fraudulentamente. Conforme a Portaria nº 1.916, de 13 de outubro de 2010, Anexo I, abaixo transcrita, a Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto não tem competência para apreciar a matéria, já que diz respeito ao IPI vinculado ao mercado externo (hipótese da multa aplicada ao consumo de mercadoria de procedência estrangeira introduzida clandestina ou irregularmente no País – como é o cado dos autos). A competência para julgamento desta matéria é da Delegacia de julgamento São Paulo II.” O processo foi, então, encaminhado a esta DRJII para julgamento. É o relatório. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/SPO II no 1748.340, de 10/02/2011, proferida pelos membros da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II/SP, cuja ementa dispõe, verbis: Assunto: Imposto sobre a Importação – II Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 Ementa PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Mesmo que o sujeito passivo alegue não ter recebido em tempo hábil as cópias de todas as peças embasadoras do feito, é facultada a vista ao processo, na repartição competente, durante o prazo legal para a impugnação, sendo inaceitável a invocação de preterimento de defesa, ainda mais se a peça impugnatória demonstrar a inércia do impugnante e o conhecimento integral da imputação. DECADÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. CASO DE FRAUDE, DOLO E SIMULAÇÃO. INICIO DO PRAZO: 1° DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AO FATO GERADOR. A regra é a contagem do início do prazo de decadência, nos casos de lançamento por homologação, a partir do fato gerador: art. 150, caput, do CTN. Entretanto, o § 4° do art. 150 faz ressalva para os casos de dolo, fraude e simulação. Nesses casos, o início do prazo é o 1° dia do exercício seguinte ao fato gerador (art. 173, I, CTN). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA EMPRESTADA ORIUNDA DE QUEBRA DE SIGILO. ACEITABILIDADE. EXEGESE DO ART. 5º, XII DA CF Sendo a prova fruto de quebra de sigilo telefônico ou de dados e tendo esta sido obtida originalmente para fins de investigação criminal ou instrução processual penal, não há impedimento para sua posterior utilização em processo administrativo fiscal, ressalvada a autorização por magistrado competente. MERCADORIA IMPORTADA IRREGULAR OU FRAUDULENTAMENTE. ENTREGA A CONSUMO. MULTA IGUAL AO VALOR DA MERCADORIA. Fl. 32691DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10803.000134/200802 Resolução nº 3201000.562 S3C2T1 Fl. 32.670 19 Incorrerão em multa igual ao valor da mercadoria os que entregarem a consumo mercadoria de procedência estrangeira importada irregular ou fraudulentamente. INFRAÇÃO. MULTA. SOLIDARIEDADE. A pessoa, física ou jurídica, que concorra, de alguma forma, para a prática de atos fraudulentos ou deles se beneficie responde solidariamente pelo crédito tributário decorrente. QUESTIONAMENTO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO. A ilegalidade e a inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa. O julgamento foi no sentido de tornar improcedente a impugnação com as seguintes conclusões: Foi montado um esquema de importações, com a participação de várias empresas e pessoas físicas, com o intuito de reduzir o pagamento de tributos incidentes na importação e na comercialização de produtos estrangeiros. Tal esquema era conduzido pela empresa MUDE COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA e tinha como beneficiária direta a empresa CISCO DO BRASIL LTDA As práticas ilegais incluíam a interposição fraudulenta na importação com a conseqüente simulação de negócios jurídicos e a falsificação de faturas comerciais. As pessoas físicas autuadas como responsáveis solidários neste processo tinham ciência das práticas fraudulentas e agiram de forma a operacionalizar tais atividades ilegais. Foram postas a consumo mercadorias de procedência estrangeira importadas através de tais práticas fraudulentas, tipificandose assim a multa aplicada. Dessa forma, voto pela improcedência das impugnações apresentadas, mantendose na integralidade o crédito tributário lançado. O presente processo deve ser encaminhado à repartição de origem, para efeito de ciência da decisão aos interessados, exceto a PEDRO LUIZ ALVES COSTA, em razão da revelia, prosseguindose o presente na forma da legislação em vigor. Como já relatado, todos apresentaram impugnação, com exceção do Sr. Pedro Luís Alves Costa, tendo sido declarada revelia. Cientificados, conforme folhas 3769/3782 do resultado do julgamento da DRJ, a empresa Mude e quase todos os solidários apresentaram recursos voluntários, exceto sr. Luiz Scarpelli Filho, que consta a informação que não mais reside no País (inclusive afixado edital de ciência). Consta Termo de Perempção, à fl. 3177 (Luiz Scarpelli Filho). Fl. 32692DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10803.000134/200802 Resolução nº 3201000.562 S3C2T1 Fl. 32.671 20 Dessa forma, interpuseram a Mude e os solidários, menos Sr. Luiz Scarpelli Filho, os recursos voluntários, cujos fundamentos, em grande maioria comuns, repisados da impugnação, que se passa a análise. A PGFN apresentou as contrarrazões aos recursos voluntários apresentados. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a Conselheira Mércia Helena Trajano D’Amorim. A 1ª Turma da 2ªCâmara da 3ª Seção de Julgamento, em sessão de 25/02/2013, decidiu pela conversão do julgamento em diligência, para que o responsável solidário sr. Pedro Luiz Alves Costa fosse cientificado do acórdão proferido pela DRJ/SPO II, com abertura de prazo para defesa. Apresentou, então o Sr. Pedro Luiz Alves Costa recurso voluntário, no qual alega não ter sido intimado da lavratura do auto de infração, apenas do acórdão da DRJ/SP II, e desta forma sustenta a nulidade da intimação do Termo de Sujeição Passiva Solidária. A Conselheira Mércia Helena Trajano D’Amorim O presente processo foi então distribuído a este Conselheiro. É o relatório. O responsável solidário Sr. Pedro Luiz Alves Costa alega não ter sido intimado da lavratura do Auto de Infração que lhe imputa responsabilidade solidária. O Sr. Pedro Luiz Alves Costa não apresentou impugnação ao lançamento. Em relação aos argumentos expostos pelo responsável solidário, consta do presente processo Aviso de Recebimento – AR – de fls. 1141 que atesta que a intimação do termo de sujeição passiva solidária teria sido efetuada no endereço “Rua Gabriele D’Annunzio, 125, apto 111, Campo Belo, São Paulo/SP”, recebido pelo Sr. Agnaldo Brito. O AR que comprova a intimação em relação ao Acórdão recorrido (fls. 32575), contudo, apresenta como endereço do destinatário “Rua Humaitá, 2101 apto 71 Centro, Araraquara/SP”, tendo o recorrente apresentado documento que comprova ser esta a sua residência atual (fls. 32605). Em sendo estes os fatos, verifico não constar do presente processo informação necessária para o julgamento da lide, qual seja o domicílio tributário declarado ao Fisco pelo responsável solidário Sr. Pedro Luiz Alves Costa na data em que foi cientificado do auto de infração, qual seja 18/12/2008. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência, para que a unidade de origem esclareça qual o domicílio tributário informado ao Fisco pelo responsável solidário Sr. Pedro Luiz Alves Costa na data em que foi cientificado do auto de infração, qual seja, 18/12/2008. Realizada a diligência, o responsável solidário Sr. Pedro Luiz Alves Costa e a PGFN devem ser intimados de seu resultado, sendolhes concedido prazo de 30 dias para manifestação, se assim desejarem. Fl. 32693DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10803.000134/200802 Resolução nº 3201000.562 S3C2T1 Fl. 32.672 21 Realizados os procedimentos, devem os autos retornar a este Conselheiro para prosseguimento no julgamento. Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Fl. 32694DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Numero do processo: 10665.900330/2009-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DILIGÊNCIA FISCAL PARA VERIFICAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA DE MANIFESTAÇÃO DO CONTRIBUINTE. ÔNUS DA PROVA.
A homologação prevista no art. 74 da Lei nº 9.430/96 exige a comprovação da existência de crédito líquido e certo a ser compensado.
Concluído em relatório de diligência fiscal a ausência de direito creditório, pela glosa de créditos decorrentes da PIS não-cumulativa, é ônus do contribuinte apresentar as razões de fato e de direito que dão suporte à utilização dos créditos glosados, para fins de demonstração do direito de crédito alegado (artigo 16, inciso III, Decreto 70.235/1972; c/c artigo 333 do CPC).
A ausência de manifestação do contribuinte, impugnando o relatório de diligência fiscal, somada à inexistência de outras informações e documentos nos autos implicam a impossibilidade do reconhecimento do direito creditório.
Numero da decisão: 3401-003.053
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
ROBSON JOSE BAYERL - Presidente.
RELATOR - AUGUSTO FIEL JORGE D' OLIVEIRA
NOME DO REDATOR - Redator designado.
EDITADO EM: 03/03/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson Jose Bayerl (Presidente), Augusto Fiel Jorge d' Oliveira, Rosaldo Trevisan, Waltamir Barreiros, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Eloy Eros Da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso De Almeida e Elias Fernandes Eufrásio.
Nome do relator: AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DILIGÊNCIA FISCAL PARA VERIFICAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA DE MANIFESTAÇÃO DO CONTRIBUINTE. ÔNUS DA PROVA. A homologação prevista no art. 74 da Lei nº 9.430/96 exige a comprovação da existência de crédito líquido e certo a ser compensado. Concluído em relatório de diligência fiscal a ausência de direito creditório, pela glosa de créditos decorrentes da PIS não-cumulativa, é ônus do contribuinte apresentar as razões de fato e de direito que dão suporte à utilização dos créditos glosados, para fins de demonstração do direito de crédito alegado (artigo 16, inciso III, Decreto 70.235/1972; c/c artigo 333 do CPC). A ausência de manifestação do contribuinte, impugnando o relatório de diligência fiscal, somada à inexistência de outras informações e documentos nos autos implicam a impossibilidade do reconhecimento do direito creditório.
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DILIGÊNCIA FISCAL PARA VERIFICAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA DE MANIFESTAÇÃO DO CONTRIBUINTE. ÔNUS DA PROVA. A homologação prevista no art. 74 da Lei nº 9.430/96 exige a comprovação da existência de crédito líquido e certo a ser compensado. Concluído em relatório de diligência fiscal a ausência de direito creditório, pela glosa de créditos decorrentes da PIS nãocumulativa, é ônus do contribuinte apresentar as razões de fato e de direito que dão suporte à utilização dos créditos glosados, para fins de demonstração do direito de crédito alegado (artigo 16, inciso III, Decreto 70.235/1972; c/c artigo 333 do CPC). A ausência de manifestação do contribuinte, impugnando o relatório de diligência fiscal, somada à inexistência de outras informações e documentos nos autos implicam a impossibilidade do reconhecimento do direito creditório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. ROBSON JOSE BAYERL Presidente. RELATOR AUGUSTO FIEL JORGE D' OLIVEIRA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 90 03 30 /2 00 9- 83 Fl. 457DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03 /03/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYER L 2 NOME DO REDATOR Redator designado. EDITADO EM: 03/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson Jose Bayerl (Presidente), Augusto Fiel Jorge d' Oliveira, Rosaldo Trevisan, Waltamir Barreiros, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Eloy Eros Da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso De Almeida e Elias Fernandes Eufrásio. Relatório Cuidam os autos de Declaração de Compensação apresentada pela ora Recorrente em 15 de fevereiro de 2005, na qual alegou possuir direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, efetuado por Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF) referente à Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) nãocumulativa. Em 18 de fevereiro de 2009, foi emitido despacho decisório cientificando a Recorrente da não homologação da compensação declarada, sob o fundamento de que inexistiria o direito de crédito pleiteado, e intimando a Recorrente para pagamento dos "débitos indevidamente compensados" lançados, nas quantias históricas de R$ 15.983,17 (quinze mil, novecentos e oitenta e três reais e dezessete centavos), a título de principal, R$ 3.196.63 (três mil, cento e noventa e seis reais e sessenta e três centavos), a título de multa, e R$ 8.664,43 (oito mil, seiscentos e sessenta e quatro reais e quarenta e três centavos), a título de juros. Em 02 de abril de 2009, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade (fls.0204 dos autos), defendendo a existência de crédito, pela exposição dos seguintes esclarecimentos: "Após o pagamento descrito foi constatado que a importância do respectivo DARF, foi paga indevidamente. A empresa supra citada declarou através da DCTF que recolheu a importância descrita acima, dando a como devida. Entretanto a empresa não efetuou a retificação da DCTF referente ao 4º Trimestre de 2004, onde foi declarado o recolhimento indevido. Por este motivo Secretaria da Receita Federal do Brasil esta alegando que o crédito é improcedente. Então a empresa Organizações Francap S/A providenciou a retificação da DCTF referente ao 4º Trimestre de 2004, como consta cópia em anexo. O valor descrito acima foi utilizado através de PER/DCOMP para efetuar compensações de débitos posteriores, conforme consta nas PER/DCOMPs anexas a esta manifestação de inconformidade" (grifos nossos). A DCTF retificadora mencionada pela Recorrente foi apresentada na mesma data do protocolo da Manifestação de Inconformidade, dia 02 de abril de 2009, como se verifica às fls. 42 dos autos. Em sessão de julgamento do dia 24 de maio de 2012, a DRJ/BHE não reconheceu o direito creditório, julgando improcedente a manifestação de inconformidade, pelos seguintes motivos: "Em essência, a interessada limitase a alegar que seu direito creditório contra o Fisco da União estaria assegurado pela mera retificação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, sem se dar ao trabalho de demonstrar a efetiva ocorrência de erro que houvesse redundado em pagamento indevido ou a maior. Ora, só é cabível o reconhecimento deste direito quando ele se reveste dos predicados de liquidez e Fl. 458DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03 /03/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYER L Processo nº 10665.900330/200983 Acórdão n.º 3401003.053 S3C4T1 Fl. 458 3 certeza, o que não ocorre no caso presente. O ônus da prova recai sobre quem afirma: se a interessada alega haver realizado pagamento excessivo, incumbelhe apresentar um conjunto probatório robusto desta alegação, como determina o artigo 16 do Decreto n.º 70.235, de 1972 (...)" (fls. 75). Contra essa decisão, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 19 de julho de 2012, no qual alegou que o crédito decorreria de pagamento indevido de PIS do mês de dezembro de 2004 e estaria demonstrado pelo conjunto de documentos acostados aos autos. Esse recurso foi distribuído à 1ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, da Terceira Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), que, em sessão de julgamento do dia 24 de abril de 2014, resolveu converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência, nos termos do voto da relatora. Naquela oportunidade, entendeu o colegiado que "a alegação de erro na DCTF, quando acompanhada de retificadora, deve ser apreciada, nos termos do art. 16, III, do PAF, não podendo ser considerada como sem efeito jurídico a transmissão de DCTF retificadora após o despacho decisório" (fls. 241242). Diante disso, "verificando a existência nos autos de indícios de que efetivamente ocorreu um erro na apuração do tributo, o que possivelmente motivou a apresentação de DCTF retificadora, e considerando o que dispõe o art. 18, I, Anexo II, da Portaria MF n° 256/08, o qual prevê a realização de diligências para suprir deficiências do processo", foi proposta a conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, "para que verifique se está correto o valor indicados pela Recorrente como de saldo credor de PIS relativo ao mês de dezembro de 2004 (R$ 84.044,43)" (fls. 242). Em seguida, os autos foram encaminhados à origem, a Recorrente foi intimada e apresentou a documentação exigida, sendo após elaborado o "Relatório Saort/DRF/DIV, de 1º de dezembro de 2014" (fls. 426440). Em 11 de dezembro de 2014, a Recorrente foi cientificada do relatório fiscal e da oportunidade de se manifestar a respeito do resultado da diligência ali relatado dentro de 30 (trinta) dias, conforme fls. 441433. Porém, transcorrido tal prazo sem qualquer manifestação, como atestado no "Despacho de Encaminhamento" constante às fls. 443, os autos retornaram ao CARF, para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro AUGUSTO FIEL JORGE D' OLIVEIRA Fl. 459DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03 /03/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYER L 4 O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. Para elaboração do relatório fiscal de fls. 141428, o i. Fiscal solicitou à Recorrente: "a) memórias de cálculo da apuração de COFINS e PIS/PASEP, relativas ao 4º trimestre de 2004, com detalhamento mensal da base de cálculo da contribuição e dos créditos apurados, indicação das contas contábeis analíticas envolvidas (código contábil e descrição), citação das bases legais utilizadas para isenção, alíquota zero ou diferenciada e aproveitamento de demais créditos incentivados; b) livros Diário e Razão do anocalendário 2004" e realizou o cotejo dessa documentação com "os valores constantes das declarações apresentadas ao Fisco, especificamente as DCTF original e retificadora e o DACON referentes ao 4º trimestre de 2004". Nesse trabalho, verificou que a Recorrente apurou créditos em relação aos montantes integrais das rubricas “Custo da Fazenda”, "Custo do Incubatório”, “Custo do Abatedouro”, “Custo de Belo Horizonte”, “Custo de Brasília” e “Custo de Contagem”. O detalhamento de cada uma dessas rubricas, com as respectivas contas contábeis se encontra no Anexo I do relatório fiscal, às fls. 434435. Então, seguindo o disposto na Instrução Normativa SRF nº 404/2004, art. 8º, § 4º c/c o § 9º, inciso II, e partindo do conceito mais restrito de insumos para fins de desconto de créditos da PIS e COFINS nãocumulativa, entendeu o i. Fiscal que haveria "evidente alargamento da base de cálculo do crédito pelo sujeito passivo, que enquadrou todos os custos no conceito de insumo utilizado na prestação de serviço ou na fabricação ou produção de bens para venda". Assim, pela análise das contas contábeis utilizadas pela Recorrente como insumos, identificou o i. Fiscal o seguinte: "a) se enquadram no conceito de insumo, como por exemplo combustíveis e lubrificantes; b) não se enquadram no conceito de insumo, como telefone; c) não é possível determinar o enquadramento ou não no conceito somente pela descrição da conta, porque a descrição é genérica, como, por exemplo, manutenção de aves; e d) não é possível determinar o enquadramento ou não no conceito somente pela descrição da conta, como fretes e carretos, porque depende do que está sendo transportado e da origem e do destino do serviço de transporte" (fls. 430). Em seguida, explicitou a metodologia adotada em seu relatório fiscal, ao afirmar que "será levantado o montante do crédito apurado em relação aos encargos que não se enquadram no conceito de insumo." Portanto, para verificar se o saldo credor apontado pela Recorrente para o mês de dezembro de 2004 estaria correto, o i. Fiscal inicialmente se limitaria a conferir e glosar os valores de créditos referentes às aquisições que, de plano, a partir do conceito por ele adotado, não pudessem se enquadrar como insumos, pois, na hipótese de a glosa nessa parte ser igual ou superior ao saldo credor afirmado pela Recorrente, restariam desnecessárias maiores investigações em relação às outras categorias por ele identificadas, tais como as contas com descrição genérica e aquelas em que faltava informação para se aferir a qualificação ou não como insumo. Nesse sentido, dentre as 6 (seis) rubricas acima mencionadas, o i. Fiscal glosou todos os custos computados como insumos referentes aos centros de custo "Custo de Brasília" e "Custo de Contagem", pois seriam relativos a estabelecimentos comerciais (fls. 431). E, com relação aos demais centros de custo, “Custo da Fazenda”, "Custo do Incubatório”, “Custo do Abatedouro”, “Custo de Belo Horizonte”, a partir da relação com a Fl. 460DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03 /03/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYER L Processo nº 10665.900330/200983 Acórdão n.º 3401003.053 S3C4T1 Fl. 459 5 descrição de contas contábeis e respectivos valores, o i. Fiscal indicou no Anexo II do relatório fiscal cada uma das contas que entendeu não se enquadrarem como insumos (fls. 436440). Com isso, o i. Fiscal demonstrou o saldo de crédito no mês de dezembro de 2004, ajustando a apuração dos créditos de PIS/PASEP e COFINS apresentada no DACON, com as glosas de créditos calculadas, contemplando, inclusive, o saldo de crédito transferido para o mês de janeiro de 2005, tendo em vista o seu aproveitamento naquele mês, como informado na DACON do 1º trimestre de 2005. Ao final, conclui o relatório fiscal: "1) o sujeito passivo creditouse indevidamente de encargos enquadrados incorretamente como insumos; 2) o Fisco calculou os créditos indevidos em relação aos encargos registrados em contas contábeis cuja própria descrição permite determinar se enquadra se ou não no conceito de insumo. Os valores apurados de crédito indevido foram R$ 20.820,44 (vinte mil, oitocentos e vinte reais e quarenta e quatro centavos) e R$ 95.900,23, relativos a PIS/PASEP e COFINS, respectivamente; 3) constatouse que esses valores de crédito indevido apurados são superiores aos valores pagos, objeto da discussão administrativa; 4) adicionalmente, apurouse o saldo de crédito do mês de dezembro de 2004 corrigido conforme as glosas de crédito indevido e constatouse saldo devedor nos montantes de R$ 20.820,44 (vinte mil, oitocentos e vinte reais e quarenta e quatro centavos) e R$ 95.900,23, relativos a PIS/PASEP e COFINS, respectivamente; 5) dessa forma, concluise que os pagamentos realizados nos valores de R$ 20.078,51 (vinte mil, setenta e oito reais e cinqüenta e um centavos) e R$ 84.044,43 (oitenta e quatro mil, quarenta e quatro reais e quarenta e três centavos), referentes a PIS/PASEP e COFINS, respectivamente, são devidos". Como se verifica, a questão que se coloca nos autos é se a declaração de compensação apresentada pela Recorrente, com direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior a título de PIS do mês de dezembro de 2004, deve ser homologada, devendose, para tanto, proceder ao exame da existência de saldo credor de PIS que justificaria o alegado pagamento indevido no mês em referência. Nos termos do artigo 170 da Lei nº 5.172/1966 (Código Tributário Nacional CTN), "a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública". (grifos nossos) Na esfera federal, o instituto da compensação está previsto no artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, atualmente regulamentado pela Instrução Normativa RFB nº 1300/ 2012, sendo essencial para a homologação da compensação, com a conseqüente extinção do débito Fl. 461DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03 /03/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYER L 6 apontado na declaração de compensação, na forma do artigo 156, II, do CTN1, a existência de crédito líquido e certo a ser compensado. Assim, no exame da declaração de compensação apresentada pelo contribuinte, a autoridade administrativa, caso entenda que não está presente o direito creditório, seja por ausência de certeza ou de liquidez, deverá não homologar a compensação e lançar os valores referentes aos tributos indevidamente compensados, como previsto no artigo 74, §7º, da Lei nº 9.430/1996, in verbis: "§ 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados". A decisão de nãohomologação deverá ser sempre fundamentada, com a descrição dos motivos pelos quais o pedido do contribuinte é indeferido e respectivo enquadramento legal, sendo possível ao contribuinte impugnar a decisão, com o objetivo de demonstrar o seu direito à compensação, instaurandose a fase litigiosa do procedimento, que seguirá o rito do Decreto 70.235/1972. É o que dispõe o artigo 74, §§9º a 11º, da Lei nº 9.430/1996, abaixo transcrito: "§ 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação". Dessa forma, optando por desafiar a decisão da autoridade administrativa, o contribuinte deverá apresentar Manifestação de Inconformidade, na qual deverá constar, dentre outros requisitos, "os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir" (Artigo 16, inciso III, Decreto 70.235/1972). Quanto à produção de prova, determina o Artigo 16, §4º, alíneas a, b e c, do Decreto 70.235/1972: "§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos". Com isso, se de um lado, a autoridade administrativa deve fundamentar a exigência fiscal, com a descrição do fato, a determinação exigida e o fundamento legal para o lançamento (artigo 142 do CTN), de outro, o contribuinte, nas oportunidades de audiência no curso do processo, deve apresentar as razões de fato e de direito que demonstrem o descabimento do lançamento, produzindo as provas necessárias para tanto. Como bem observa a doutrina, "direito à produção da prova, direito à apreciação da prova e direito à impugnação da prova, desenvolvemse, assim, paritária e dialeticamente, ocupando ambas as partes (contribuinte e Administração fiscal) uma posição 1 Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) II a compensação; Fl. 462DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03 /03/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYER L Processo nº 10665.900330/200983 Acórdão n.º 3401003.053 S3C4T1 Fl. 460 7 igual na instrução do processo e apresentando as suas razões em termos de controvérsia formal, mediante atos obrigatoriamente fundamentados, que ensejam a exposição do ponto de vista contrário".2 (grifos nossos) Além disso, segundo o artigo 333 do Código de Processo Civil, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A respeito, comenta a doutrina: "compete, em regra, a cada uma das partes o ônus de fornecer os elementos de prova das alegações de fato que fizer. A parte que alega deve buscar os meios necessários para convencer o juiz da veracidade do fato deduzido como base da sua pretensão/exceção, afinal é a maior interessada no seu reconhecimento e acolhimento".3 No que se refere à aplicação dessa regra ao processo administrativo fiscal, a doutrina afirma: "Como regra geral, cabe àquele que pleiteia um direito provar os fatos, sendo facultada a outra parte reagir à pretensão e infirmála com novas provas. Quando se indaga a quem cabe o ônus da prova, se quer saber quem cabe a obrigação de prover os elementos probatórios suficientes para a formação do convencimento do julgador. (...) Para o exercício desses direitos e garantias fundamentais, é necessário assegurar o acesso aos interessados à informação dos atos processuais e possibilitar a reação contra os desfavoráveis, ou seja, uma vez informada sobre o ato lesivo a seu interesse, é facultado à parte contrária o direito ao contraditório. No processo administrativo fiscal, temse como regra que o ônus da prova recai sobre quem dela se aproveita. Assim, se a Fazenda alega ter ocorrido o fato gerador da obrigação tributária, deverá apresentar a prova de sua ocorrência. Se, por outro lado, o contribuinte aduz a inexistência da ocorrência do fato gerador, igualmente, terá que provar a falta dos pressupostos de sua ocorrência ou a existência de fatores excludentes"4. No presente caso, como já relatado, a decisão recorrida entendeu que a compensação não poderia ser homologada, em razão da ausência de liquidez e certeza do direito de crédito, pois, segundo a decisão recorrida, a Recorrente teria deixado de apresentar um conjunto probatório robusto do alegado direito. Essa apontada ausência de direito de crédito foi corroborada pelo relatório fiscal que, realizando uma série de glosas em créditos apurados pela Recorrente sob o regime nãocumulativo da PIS/COFINS, concluiu que o saldo credor considerado pela Recorrente, na realidade, era menor, sendo devido o pagamento realizado pela Recorrente a título de PIS no 2 Xavier. Alberto. Do lançamento: teoria geral do ato, do procedimento e do processo tributário. 2ª Edição. Rio de Janeiro. Forense. 2001. p. 319. 3 Curso de Direito Processual Civil. Vol. 02. Fredie Didier Jr., Paula Braga, Rafael de Oliveira. Edição 2013. Editora Juspodivm. p. 8185. 4 "Aspectos Formais e Materiais no Direito Probatório". Marcos Vinicius Neder. In "A Prova no processo tributário". São Paulo. Ed. Dialética. 2010. p. 19. Fl. 463DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03 /03/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYER L 8 mês de dezembro de 2004, o que fulminaria sua alegação de pagamento indevido e o direito de crédito. Contra tais conclusões, a Recorrente não teceu qualquer comentário. Mesmo tendo sido intimada do relatório fiscal e do prazo de 30 (trinta) dias para apresentar manifestação a respeito, a Recorrente permaneceu silente, não aproveitando a oportunidade de audiência para expor o fundamento legal do seu direito de crédito e de fazer prova a seu favor. Nesse cenário, tendo a autoridade fiscal demonstrado os motivos e fundamentos da exigência fiscal, entendo que caberia à Recorrente apresentar as razões de fato e de direito que dessem suporte à utilização dos créditos glosados, com o detalhamento de cada uma das contas contábeis glosadas, as notas fiscais correspondentes, a descrição do processo produtivo de cada estabelecimento, a vinculação entre as aquisições de bens e serviços e o respectivo processo produtivo de cada estabelecimento, para fins de demonstração de eventual pertinência/essencialidade do insumo em relação ao respectivo processo produtivo (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19/05/2015), o fundamento legal para a utilização do crédito em cada caso, dentre outras informações e documentos que lhe fossem úteis para infirmar as conclusões do relatório fiscal. Em caso similar ao aqui tratado, este Conselho manifestou entendimento, no sentido de que é "do sujeito passivo, a obrigação de apresentar as provas que alicerçam os elementos defensórios por ele alegados, não podendo a administração substituílo em tal papel", como se confere pela ementa e voto a seguir transcritos. Ementa: "(...) Na realidade em exame, em que pese a designação de alguns serviços indicar a possibilidade de adequação de sua natureza à de insumo segundo o regime da nãocumulatividade, a interessada, repetindo a mesma conduta adotada na primeira instância, não pontuou nos autos os documentos que porventura poderiam comprovar a utilização do produto ou do serviço no processo industrial, muito menos apresentou qualquer levantamento de cálculo ou documentação de caráter técnico, fato que impossibilitou a aceitação como insumo dos itens reclamados. (...)" Trecho do Voto do Relator: "Com efeito, os autos carecem de indicativo quanto às correspondentes notas fiscais de aquisição dos serviços ou eventuais elementos de conteúdo técnico suficientes para subsidiar a análise no que concerne à sua quantificação ou mesmo à subsunção ao conceito de insumo, ou seja, o bem ou serviço necessário ao processo produtivo da recorrente. Com efeito, diferentemente da fiscalização, que elencou os serviços glosados (anexo I fls. 301/304), o sujeito passivo não cuidou de indicar as correspondentes notas fiscais alusivas a cada um dos itens que entende deveriam ter sido considerados na apuração do crédito, cuja descrição da transação poderia trazer elementos mais esclarecedores para a sua eventual consideração como insumo. Muito menos laborou em trazer um demonstrativo que quantificasse o correspondente montante, necessário para um exame pontual dos itens nos quais se baseara. Fl. 464DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03 /03/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYER L Processo nº 10665.900330/200983 Acórdão n.º 3401003.053 S3C4T1 Fl. 461 9 Tais elementos, com efeito, deveriam ter sido colacionadas aos autos pela interessada, o que afirmo com esteio no inciso II do artigo 333 do CPC, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo, segundo o qual o ônus da prova incumbe “ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor”. É, pois, do sujeito passivo, a obrigação de apresentar as provas que alicerçam os elementos defensórios por ele alegados, não podendo a administração substituílo em tal papel. Assim, diante da imprecisão da peça de defesa e da deficiência probatória, não vejo outra saída senão rejeitar os argumentos da suplicante". (Processo nº 13971.001498/200513; Acórdão nº 3802004.257; 2ª Turma Especial da 3ª Sessão de Julgamento; Sessão de 19/03/2015; Recorrente: Buettner S.A. Indústria e Comércio; Recorrida Fazenda Nacional; Relator: Francisco José Barroso Rios) Portanto, ante o exposto, a ausência de manifestação da Recorrente, impugnando o relatório de diligência fiscal, somada à inexistência de outras informações e documentos nos autos que porventura pudessem justificar a utilização dos créditos, implicam a impossibilidade do reconhecimento do direito creditório, motivo pelo qual voto por negar provimento ao recurso voluntário interposto. Relator AUGUSTO FIEL JORGE D' OLIVEIRA Fl. 465DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03 /03/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYER L
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Numero do processo: 10980.724662/2011-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Feb 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
APRECIAÇÃO DE PROCEDIMENTOS DE COMPENSAÇÃO. COMPETÊNCIA DO CARF.
O CARF tem competência para apreciar procedimentos compensatórios efetuados pelos contribuintes, desde que esta matéria tenha sido tratada em primeira instância no bojo de processo de pedido de compensação ou em lançamento decorrente de glosas de compensações indevidas.
PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À DISCUSSÃO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo.
Recurso Voluntário Negado.
Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação da multa legalmente prevista, sob a justificativa de que tem caráter confiscatório.
JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 2402-004.899
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso, para na parte conhecida, afastar a preliminar de incompetência do CARF e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 APRECIAÇÃO DE PROCEDIMENTOS DE COMPENSAÇÃO. COMPETÊNCIA DO CARF. O CARF tem competência para apreciar procedimentos compensatórios efetuados pelos contribuintes, desde que esta matéria tenha sido tratada em primeira instância no bojo de processo de pedido de compensação ou em lançamento decorrente de glosas de compensações indevidas. PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À DISCUSSÃO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. Recurso Voluntário Negado. Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação da multa legalmente prevista, sob a justificativa de que tem caráter confiscatório. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso, para na parte conhecida, afastar a preliminar de incompetência do CARF e, no mérito, negar provimento ao recurso. Ronaldo de Lima Macedo - Presidente Kleber Ferreira de Araújo - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
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INEXISTÊNCIA. Não ocorreu na espécie a suspensão da exigibilidade das contribuições lançadas em razão do sujeito passivo haver ingressado em juízo com o propósito de afastar os lançamentos decorrentes de glosa de compensação, posto que nem houve decisão liminar acolhendo seu pleito, nem depósito do valor integral do crédito discutido judicialmente. COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES COM CRÉDITOS DE TÍTULOS DA DÍVIDA EXTERNA BRASILEIRA. INSERÇÃO DE DECLARAÇÃO FALSA NA GFIP. APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA. PROCEDÊNCIA. O sujeito passivo deve sofrer imposição de multa isolada de 150%, incidente sobre as quantias indevidamente compensadas, quando insere informação falsa na GFIP, declarando créditos que sabidamente não eram passíveis de compensação com contribuições sociais, como é o caso dos valores decorrentes de apólices da dívida externa. MULTA CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação da multa legalmente prevista, sob a justificativa de que tem caráter confiscatório. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 46 62 /2 01 1- 05 Fl. 413DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 APRECIAÇÃO DE PROCEDIMENTOS DE COMPENSAÇÃO. COMPETÊNCIA DO CARF. O CARF tem competência para apreciar procedimentos compensatórios efetuados pelos contribuintes, desde que esta matéria tenha sido tratada em primeira instância no bojo de processo de pedido de compensação ou em lançamento decorrente de glosas de compensações indevidas. PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À DISCUSSÃO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso, para na parte conhecida, afastar a preliminar de incompetência do CARF e, no mérito, negar provimento ao recurso. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 414DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10980.724662/201105 Acórdão n.º 2402004.899 S2C4T2 Fl. 414 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 06 41.055 de lavra da 5.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Curitiba (PR), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir os Autos de Infração – AI a seguir: a) AI n.º 51.002.4270: exigência das contribuições patronais decorrentes de glosas de compensação; b) AI n.º 51.002.4300: aplicação de multa em razão de declaração indevida de créditos compensáveis, no patamar de 150% sobre os valores indevidamente compensados. Nos termos do Relato Fiscal, a INEPAR efetuou compensação de contribuições previdenciárias devidas nas competências 01/2007 a 13/2009 diretamente com títulos da dívida pública do Estado do Rio de Janeiro, emitidos em 1927. Afirma que é de conhecimento notório que esses títulos não se prestam para compensação de tributos federais, tendo ficado caracterizado o caráter doloso do procedimento adotado pela empresa para deixar de recolher as contribuições lançadas. O fisco afirma ainda que após o início do procedimento fiscal a empresa ajuizou ação judicial objetivando a suspensão da exigibilidade de créditos decorrentes de glosas de compensação no período de 12/2008 a 03/2011, a qual teve o pedido de liminar indeferido. Mencionase ainda que a empresa informou haver desistido da compensação para o período de 01/2007 a 11/2008, para inclusão dos valores devidos em parcelamento especial, todavia, não houve a comprovação da consolidação dessa parcela na moratória mencionada. Cientificada do lançamento, a empresa apresentou impugnação na qual postula a nulidade das lavraturas, haja vista que a empresa não cometeu as ilicitudes ali apontadas. Advoga que o fisco partiu de premissas equivocadas para construir o seu raciocínio acerca do suposto ilícito tributário apontado nos AI. Assevera que ajuizou ação visando à declaração da justeza do procedimento compensatório levado a efeito, onde relaciona todos os tributos confessados e extintos pela compensação. Nesse sentido, enquanto pendente de julgamento a referida ação, falta ao fisco interesse de agir, uma vez que a discussão dos débitos já se encontra em juízo. Sustenta que o art. 374 do Código Civil autoriza a possibilidade de pagamento de quaisquer tributos através de ativos financeiros oriundos da dívida pública. Defende que a multa por declaração falsa de compensação é arbitrária, configurandose em penalidade contra ato lícito praticado por contribuinte de boa fé, que busca Fl. 415DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 o reconhecimento do seu direito de compensação perante demanda administrativa e também na esfera judicial. Pede que se reconheça a inconstitucionalidade das multas exorbitantes e aplicadas de forma cumulativa e ainda que se reduzam os juros aplicados, posto que a taxa Selic não se presta para fins tributários. Aduz que os agentes do fisco não podem exigir tributos que sabem que não são devidos, sob pena de sofrerem as sanção prevista no § 1.º do art. 316 do Código Penal. Defende que a compensação foi efetuada com base em Apólice da Dívida Externa representativa de empréstimo contraído pelo Estado, que tem contornos de certeza e liquidez, sendo possível sua compensação com tributos. Advoga que a taxa de juros Selic não pode ser utilizada para fins tributários. Ao final, requereu a declaração de improcedência as lavraturas. Na decisão de primeira instância, os lançamentos foram mantidos na íntegra. Acerca da compensação realizada nas competências 12 e 13/2008, a DRJ entendeu que não caberia apreciar os argumentos defensórios em razão da concomitância destes com as questões levadas ao judiciário pelo sujeito passivo na ação n.º 33158.80.2011.4.01.3400. Não se acatou a afirmação de que a exigibilidade dessas duas competências estaria suspensa em razão da ação judicial proposta. Entendeuse que a mera interposição de ação ordinária, desacompanhada de depósito judicial do montante integral do débito lançado ou sem a concessão de liminar/tutela antecipada, não tem o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário, Passase, então, a analisar apenas a discussão acerca da validade do lançamento para as competências de 01/2007 a 11/2008. Foi afastado o argumento de que a compensação das contribuições com títulos da dívida pública teria amparo no art. 374 do Código Civil. Segundo a decisão este dispositivo encontrase revogado e a compensação tributária deve observar as normas do CTN e a legislação previdenciária. Conclui que não há permissivo legal para que eventual crédito oriundo de título da dívida pública pertencente à impugnante possa ser utilizado na compensação de contribuições previdenciárias devidas pela empresa, já que não se trata de crédito de natureza previdenciária recolhido indevidamente, aliás, nem ao menos se trata de crédito tributário. De outra banda, afirmase que as contribuições lançadas, por não terem sido declaradas em GFIP até a data limite para sua inclusão no parcelamento especial da Lei n.º 11.941/2009, podem sim ser exigidas, não havendo causa de suspensão da sua exigibilidade. Concluise ainda que de fato a empresa incorreu em falsidade ao declarar na GFIP créditos que sabidamente não são passíveis de compensação com contribuições previdenciárias. Fl. 416DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10980.724662/201105 Acórdão n.º 2402004.899 S2C4T2 Fl. 415 5 Não foi enfrentado o argumento de inconstitucionalidade da taxa Selic e das multas aplicadas, por se entender que esta matéria não estaria na competência dos órgãos de julgamento administrativo. Inconformado com essa decisão, o sujeito passivo apresentou recurso, no qual requer a reforma da decisão do órgão de julgamento da RFB. Além das teses apresentadas na defesa, o sujeito passivo suscita, com base em jurisprudência do Primeiro Conselho de Contribuintes, a incompetência do CARF para apreciar pedido de compensação tributária com apólices da dívida pública. É relatório. Fl. 417DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que atende aos requisitos de tempestividade e legitimidade. Compensação incompetência do CARF Baseado em decisão do Primeiro Conselho de Contribuintes, a recorrente busca demonstrar que o CARF não teria competência para se pronunciar acerca de compensação de tributos com títulos da dívida pública. Essa afirmação é em parte verdadeira, mas não aplicável ao caso sob apreciação. Explico. Quando durante o procedimento fiscal a autoridade lançadora verifica a existência de contribuições não recolhidas, sem que o sujeito passivo tenha declarado qualquer compensação com créditos de sua propriedade, o fundamento do lançamento será obviamente a infração de não recolher os tributos devidos no prazo legal. Nesses casos, quando o contribuinte, em seu recurso, alega a existência de créditos para com a Fazenda para liquidar a dívida, verificase que nasce ali um pedido de compensação, o qual induvidosamente não deve ser apreciado pelo tribunal de segunda instância, posto que não se encontra em sua competência a apreciação desse tipo de pleito, antes que seja levado à Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB. Existindo créditos compensáveis, o sujeito passivo deve inicialmente submeter o pedido de compensação a unidade da RFB que lhe jurisdiciona e, em caso de negativa, tem a faculdade de provocar o contencioso fiscal mediante manifestação de inconformidade, a qual será apreciada em primeira instância pela DRJ, com possibilidade de recurso ao CARF. Todavia, quando o lançamento já tem como fundamento glosas de compensações que o fisco entendeu indevidas, caso à discussão chegue ao CARF, este tem autorização legal para apreciar as razões do contribuinte, inclusive sobre a justeza de seu procedimento compensatório, posto que aí, como é o caso dos autos, na verdade o tribunal vai decidir sobre recurso tratando de lavratura efetuada em razão de suposta compensação indevida, cuja discussão sobre o procedimento compensatório decorre do próprio lançamento questionado na peça recursal. De se concluir que o CARF não tem competência para tratar de pedido inaugural de compensação, mas dispõe de autorização legal para julgar em segunda instância demandas decorrentes de negativa da administração sobre esse tipo de pedido, bem como os Fl. 418DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10980.724662/201105 Acórdão n.º 2402004.899 S2C4T2 Fl. 416 7 recursos contra decisões das DRJ que mantenham lançamentos fundamentados em glosas de compensação. Essas conclusões têm como base legal o Regimento Interno do CARF, inserto no Anexo II da Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015 : Art. 1° O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, tem por finalidade julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Verificase assim que cabe ao CARF o julgamento de recursos voluntários contra decisões que envolvam compensação, todavia, refoge a sua competência a apreciação de pedidos inaugurais de encontro de contas entre o contribuinte e o fisco. Concomitância Embora tenha concluído que o CARF tem competência para julgar a presente lide, não devo avançar na apreciação da compensação. É que o sujeito passivo, como ele próprio admite em seu recurso, renunciou à discussão administrativa dessa questão, posto que ingressou logo após o início do procedimento fiscal com ação judicial contendo o mesmo objeto. Nesse sentido, abstenhome de lançar pronunciamento sobre esses pontos do recurso, uma vez que é matéria que já está sendo discutida no âmbito do Poder Judiciário. Adoto esse proceder com esteio na súmula n.º 1 do CARF, verbis: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Portanto, ao ingressar no judiciário para discutir as mencionadas matérias, o sujeito passivo renunciou ao direito de vêlas apreciadas nas instâncias administrativas. Por outro lado, verificase que inexiste qualquer provimento judicial no sentido de suspender a exigibilidade das contribuições para as competências envolvidas no lançamento, nem se observa a existência de depósitos judiciais dos tributos. De se concluir que as contribuições correspondentes são claramente exigíveis. Falsidade na declaração de compensação multa A recorrente contrapôsse às conclusões do fisco acerca da existência de sua suposta conduta fraudulenta, por entender que a compensação indevida, por si só, não caracteriza a fraude, principalmente tendose em conta que a empresa declarou os fatos geradores na GFIP. Pelo seu raciocínio somente caberia a aplicação da multa isolada caso o Fl. 419DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 8 fisco demonstrasse que a empresa houvera lançado mão de documentos ou declarações falsos com intuito de ludibriar o fisco. Conforme relatado, a empresa afirmou que os valores compensados referem se a apólices da dívida pública, os quais teriam os atributos de certeza e liquidez necessários para efetuar as compensações com as contribuições sociais. Diferentemente, pelo raciocínio da autoridade lançadora, os Títulos da Dívida Pública Externa Brasileira, emitidos no início do século passado, não podem ser utilizados para compensação de contribuições previdenciárias, visto que tais créditos têm natureza financeira, não podendo ser considerados tributos nem contribuições e tampouco são administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, de modo que tal compensação vai de encontro às previsões constantes na Lei nº 9.430/96 e, em especial, ao disposto na Lei nº 8.212/91. O órgão de primeira instância manteve o entendimento da auditoria, concluindo que os supostos créditos mencionados na impugnação não eram compensáveis com contribuições sociais e que a empresa teria praticado a conduta dolosa de declarar na compensação créditos que sabidamente não se prestavam para este fim. Tentando afastar a multa isolada, a empresa alegou em seu recurso que não se trata de ilícito, posto que tais compensações foram realizadas de forma legal, aduzindo ainda que não há dolo no fato de ter postulado judicialmente o direito à compensação, além de que declarou os créditos na GFIP. Iniciemos pela análise do dispositivo legal utilizado pelo fisco para imposição da multa isolada, o § 10 do art. 89 da Lei n.º 8.212/1991: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) Verificase de início que a lei impõe como condição para aplicação da multa isolada que tenha havido a comprovada falsidade na declaração apresentada. Assim, para que o fisco possa impor a penalidade de 150% sobre os valores indevidamente compensados, é imprescindível a demonstração de que a declaração efetuada mediante a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP contém falsidade, ou seja, não retrata a realidade tributária da declarante. Fl. 420DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10980.724662/201105 Acórdão n.º 2402004.899 S2C4T2 Fl. 417 9 Pesquisando o significado do termo falsidade em http://www.dicionariodoaurelio.com, obtémse o seguinte resultado: “s.f. Propriedade do que é falso. / Mentira, calúnia. / Hipocrisia; perfídia. / Delito que comete aquele que conscientemente esconde ou altera a verdade.” Inserindo esse vocábulo no contexto da compensação indevida é de se concluir que se o sujeito passivo inserir na guia informativa créditos que saiba não se prestarem a compensar contribuições previdenciárias, evidentemente cometeu falsidade, haja vista ter inserido no sistema da Administração Tributária informação inverídica no intuito de se livrar do pagamento dos tributos. Vale ressaltar que legislador foi bastante feliz na redação do dispositivo encimado, posto que utilizouse do art. 44 da Lei n. 9.430/1996 apenas para balizar o percentual de multa a ser aplicado, não condicionando à aplicação da multa à ocorrência das condutas de sonegação, fraude e conluio, definidas respectivamente nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/1964. Esse opção legislativa serviu exatamente para afastar os questionamentos de que a mera compensação indevida não representaria os ilícitos acima, nos casos em que o sujeito passivo tivesse declarado corretamente os fatos geradores, posto que não se poderia falar em sonegação ou fraude fiscal. Observase que essa mesma fórmula legislativa foi utilizada na redação atual do art. 18 da Lei n. 10.833/2003, a qual trata da imposição de multa isolada em razão da não homologação da compensação dos outros tributos administrados pela RFB. Eis o dispositivo: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) (...) § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) (...) Vejase que aí também foram excluídas as referências aos crimes tributários tipificados nos artigos 71,72,e 73 da Lei n. 4.502/1964. Da mesma forma, a Lei n. 9.430/1996 é invocada como parâmetro exclusivamente para quantificar o percentual de multa a incidir sobre os valores indevidamente compensados. Fl. 421DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 10 De se concluir que na imposição da multa isolada, relativa à compensação indevida de contribuições previdenciárias, a única demonstração que se exige do fisco é a ocorrência de falsidade na GFIP apresentada pelo sujeito passivo. Pois bem, no caso sob apreciação, mesmo tendose em conta que a empresa apresentou a declaração dos fatos geradores, é clara a ocorrência de falsidade de declaração no campo compensação, posto que o sujeito passivo inseriu valores que sabidamente não se prestavam para quitar as contribuições devidas. Penso que tem razão a Delegacia de Julgamento da RFB. Enxergo motivo para concluir que a empresa valeuse de ardil para tentar livrarse do pagamento das contribuições. É esse entendimento que tem prevalecido na jurisprudência do CARF, como se pode ver do Acórdão n.º 2401003.787, de 03/12/2014, dessa turma de julgamento, onde por unanimidade negouse provimento ao recurso do contribuinte. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2011 a 31/03/2012 FALTA DE INTIMAÇÃO NO ENDEREÇO DO ADVOGADO CONSTITUÍDO. CAUSA DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O indeferimento de pedido de intimação dos atos processuais no endereço do advogado constituído não representa causa de nulidade, posto que inexiste na legislação processual aplicável aos tributos federais previsão neste sentido. REQUERIMENTO PARA JUNTADA DE NOVAS PROVAS E PARA REALIZAÇÃO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE PARA O DESLINDE DA CAUSA. INDEFERIMENTO. Será indeferido o requerimento para a realização de perícia técnica e para juntada de outros documentos quando as providências não se mostrarem úteis para a solução da lide. CORREÇÃO DA INFRAÇÃO APÓS O INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE DE RECONHECIMENTO DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A denúncia espontânea somente pode ser acolhida se o sujeito passivo saneou a infração antes de qualquer procedimento fiscalizatório relacionado ao ilícito administrativo praticado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/03/2012 COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES COM CRÉDITOS DE TÍTULOS DA DÍVIDA EXTERNA BRASILEIRA E COM CRÉDITOS DE RETENÇÕES NÃO COMPROVADAS. IMPOSIÇÃO DE MULTA ISOLADA. CABIMENTO. Fl. 422DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10980.724662/201105 Acórdão n.º 2402004.899 S2C4T2 Fl. 418 11 O sujeito passivo deve sofrer imposição de multa isolada de 150%, incidente sobre as quantias indevidamente compensadas, quando insere informação falsa na GFIP, declarando créditos que sabidamente não eram passíveis de compensação com contribuições sociais ou inexistentes, como é o caso dos valores decorrentes de títulos da dívida externa brasileira e de créditos de retenções não comprovadas. MULTA CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação da multa legalmente prevista, sob a justificativa de que tem caráter confiscatório. Recurso Voluntário Negado. Neste sentido, sintome plenamente confortável para concluir com base nos elementos constantes nos autos que a empresa utilizouse do artifício de inserir declaração falsa na GFIP para deixar de recolher as contribuições lançadas. Justificase, assim, a imposição da multa isolada no patamar de 150% das contribuições indevidamente compensadas. Inconstitucionalidade das multas Arguiu a recorrente a inconstitucionalidade das multas aplicadas, em face do seu caráter confiscatório. Na análise dessa razão, não se pode perder de vista que os lançamentos das multas por descumprimento de obrigação de pagar o tributo e por declaração falsa de compensação são operações vinculadas, que não comportam emissão de juízo de valor quanto à agressão da medida ao patrimônio do sujeito passivo, haja vista que uma vez definido o patamar da suas quantificações pelo legislador, fica vedado ao aplicador da lei ponderar quanto a sua justeza, restandolhe apenas aplicar as multas no quantum previsto pela legislação. Cumprindo essa determinação a autoridade fiscal, diante da ocorrência da falta de pagamento do tributo e de declaração de compensação falsa aplicou as multas nos patamares fixados na legislação, conforme muito bem demonstrado no relatório fiscal e anexos. Além do mais, salvo casos excepcionais, é vedado a órgão administrativo declarar inconstitucionalidade de norma vigente e eficaz. Nessa linha de entendimento, dispõe o enunciado de súmula, abaixo reproduzido, o qual foi divulgado pela Portaria CARF n.º 106, de 21/12/2009 (DOU 22/12/2009): Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 423DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 12 Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF1. Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre a alegação de inconstitucionalidade da multa aplicada, uma vez que o Fisco tãosomente utilizou os instrumentos legais de que dispunha. Juros SELIC Quanto à inaplicabilidade da taxa de juros SELIC para fins tributários, é matéria que também já se encontra sumulada nesse Tribunal Administrativo, nos termos da Súmula CARF n. 04: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Por outro lado, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, decidiu com base na sistemática dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC) que é legítima a aplicação da taxa SELIC aos débitos tributários, o que faz com que essa discussão tornese, até certo ponto, desnecessária. Eis a ementa do julgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL SUBMETIDO À SISTEMÁTICA PREVISTA NO ART. 543C DO CPC. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃOOCORRÊNCIA. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. JUROS DE MORA PELA TAXA SELIC. ART. 39, § 4º, DA LEI 9.250/95. PRECEDENTES DESTA CORTE. 1. Não viola o art. 535 do CPC, tampouco nega a prestação jurisdicional, o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia. 2. Aplicase a taxa SELIC, a partir de 1º.1.1996, na atualização monetária do indébito tributário, não podendo ser cumulada, porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária. 3. Se os pagamentos foram efetuados após 1º.1.1996, o termo inicial para a incidência do acréscimo será o do pagamento indevido; no entanto, havendo pagamentos indevidos anteriores à data de vigência da Lei 9.250/95, a incidência da taxa SELIC terá como termo a quo a data de vigência do diploma legal em tela, ou seja, janeiro de 1996. Esse entendimento prevaleceu na Primeira Seção desta Corte por ocasião do julgamento dos EREsps 291.257/SC, 399.497/SC e 425.709/SC. 1 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) Fl. 424DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10980.724662/201105 Acórdão n.º 2402004.899 S2C4T2 Fl. 419 13 4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão sujeito à sistemática prevista no art. 543C do CPC, c/c a Resolução 8/2008 Presidência/STJ. (REsp 1111175 / SP, Relatora Ministra Denise Arruda, DJe. 01/07/2009) Devem, portanto, ser mantidos os juros aplicados no lançamento. Conclusão Voto por conhecer em parte do recurso, para na parte conhecida afastar a preliminar de incompetência do CARF e, no mérito, por negarlhe provimento. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 425DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO
score : 1.0
Numero do processo: 15504.721118/2013-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
LUCRO ARBITRADO.
Incabível o lançamento do IRPJ mediante arbitramento do lucro quando a autoridade tributária não demonstrar que os vícios, erros ou deficiências contidos na escrituração contábil do sujeito passivo a torna imprestável para identificar a movimentação financeira da empresa ou para determinar o lucro real.
Numero da decisão: 1201-001.227
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente), João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, Ester Marques Lins de Sousa e Ronaldo Apelbaum (Vice-presidente).
Nome do relator: MARCELO CUBA NETTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 LUCRO ARBITRADO. Incabível o lançamento do IRPJ mediante arbitramento do lucro quando a autoridade tributária não demonstrar que os vícios, erros ou deficiências contidos na escrituração contábil do sujeito passivo a torna imprestável para identificar a movimentação financeira da empresa ou para determinar o lucro real. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Presidente e Relator Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente), João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, Ester Marques Lins de Sousa e Ronaldo Apelbaum (Vicepresidente). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72, contra o acórdão nº 0244.242, exarado pela 4ª Turma da DRJ em Belo Horizonte MG. Por bem descrever o litígio objeto do presente processo, tomo de empréstimo o relatório contido na decisão de primeiro grau (fl. 393 e ss.): AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 11 18 /2 01 3- 02 Fl. 518DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15504.721118/201302 Acórdão n.º 1201001.227 S1C2T1 Fl. 3 2 I Dos Autos de Infração e Termo de Verificação Fiscal Mediante os autos de infração de fls. 3 a 46, foi lançado o valor de R$ 14.345.460,25, referente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica e tributos decorrentes, sob o seguinte fundamento: “Arbitramento que se faz tendo em vista que a escrituração apresentada pelo contribuinte é imprestável para determinação do Lucro Real, uma vez que a ECD (Escrituração Contábil Digital) foi transmitida via SPED e autenticada na Junta Comercial com diversas inconsistências, conforme declaração prestada pela própria empresa.” O Termo de Verificação Fiscal, de fls. 48 a 53, acompanhado dos anexos de fls. 54 a 125, apresenta histórico dos procedimentos fiscais, considerações sobre os fatos constatados e legislação aplicável. II Da Impugnação A empresa apresenta sua impugnação, de fls. 236 a 275, acompanhada dos documentos de fls. 276 a 358, argumentando: “Improcedência dos autos de infração: o arbitramento é medida extrema e mais gravosa. Inexistência de pressupostos para a sua aplicação no caso analisado. A autoridade fiscal não empreendeu todos os seus esforços na busca do lucro real efetivamente auferido pela impugnante. O arbitramento não pode ser utilizado como penalidade pelo fato de o SPED apresentar irregularidades. A não apresentação da escrituração digital (na forma e prazos previstos na legislação) deixou de ser causa direta de arbitramento do lucro. A entrega do SPED em desconformidade com a legislação enseja a aplicação de multa e não, necessariamente, o arbitramento. Argumento sucessivo: na eventualidade de se admitir o SPED como único parâmetro para a apuração do lucro tributável da impugnante, as inconsistências nele apontadas não são suficientes para respaldar o arbitramento. Nulidade dos autos de infração de PIS e COFINS: as receitas de venda de motocicletas, peças e acessórios estão submetidas à substituição tributária e/ou regime monofásico.” Complementa que foi apresentada à fiscalização toda a documentação solicitada, que, no seu entendimento, possibilitaria a apuração correta do Lucro Real. Entende ainda que a fiscalização não apontou ausência de registro de eventos relevantes, e sim mera inobservância das “regras técnicas” de tributação. Fl. 519DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15504.721118/201302 Acórdão n.º 1201001.227 S1C2T1 Fl. 4 3 Assinala, ainda, que, sob qualquer hipótese, deveria terlhe sido concedido prazo para saneamento das incorreções ou proceder à apuração do crédito tributário com esteio nos documentos/livros/arquivos apresentados. Com relação aos valores utilizados como base de cálculo, argumenta que não teve acesso à resposta entregue pelo Banco Itaucard S.A e que tal resposta não consta dos autos. Examinadas as razões de defesa a DRJ de origem julgou improcedente a impugnação. Irresignada, a interessada interpôs recurso voluntário onde reproduz, em síntese, as mesmas razões expostas na impugnação ao lançamento (fl. 415 e ss.). Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. 1) DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele devese tomar conhecimento. 2) DO ARBITRAMENTO DO LUCRO Conforme informado no termo de verificação fiscal (TVF), a autoridade tributária inicialmente intimou a fiscalizada a apresentar o “demonstrativo mensal de apuração do imposto de renda da pessoa jurídica IRPJ e informações contábeis em meio digital com leiaute previsto no Manual Normativo de Arquivo Digital MANAD Versão 1.0.0.2, aprovado pela IN MPS/SRR n° 12 de 20/06/2006”. A fiscalizada apresentou, de pronto, o demonstrativo de apuração mensal do IRPJ e, após, as informações contábeis em meio digital. Durante a ação fiscal a fiscalizada informou haver apresentado a escrituração contábil digital (ECD) via sistema público de escrituração digital (SPED). Posteriormente, solicitou à autoridade fiscal que considerasse em seus trabalhos de auditoria a escrituração a ele apresentada, uma vez que os arquivos enviados ao SPED não representariam corretamente a escrituração contábil da empresa. A autoridade, entretanto, não atendeu a solicitação da contribuinte. Argumentou que a escrituração enviada ao SPED e regularmente autenticada pela Junta Comercial do Estado de Minas Gerais, é aquela que produz efeitos legais. A fiscalização concluiu, então, pelo arbitramento do lucro, conforme trecho do TVF a seguir transcrito (fl. 50): Dessa forma, desde o início da fiscalização em 01/02/12, a empresa poderia ter retificado ou substituído sua contabilidade transmitida via SPED, pela apresentada no formato instituído Fl. 520DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15504.721118/201302 Acórdão n.º 1201001.227 S1C2T1 Fl. 5 4 pela Instrução Normativa SRP número 12//2006 (MANAD), mas não o fez; ao contrário, a que foi autenticada em 09/08/12 é aquela que a empresa diz que apresenta inconsistências e que afirma não representar corretamente a escrituração contábil da empresa à época (grifo nosso). Pelo exposto, uma vez que a própria empresa afirmou que a contabilidade transmitida via SPED não representa corretamente a sua escrituração contábil, concluise que a forma correta de se proceder à apuração do lucro da empresa no período não pode ser evidentemente a adoção de uma contabilidade paralela, e sim o arbitramento do lucro da empresa conforme previsto no artigo 530, inciso II, do Decreto n° 3000, de 26/03/99, in verbis:” Art.530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): (...) II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; (...) Pois bem, compulsandose os autos do processo é possível verificar que a fiscalizada afirmou o seguinte acerca da escrituração transmitida ao SPED (fl. 151): Em atendimento ao referido Termo de Intimação Fiscal, a contribuinte vem solicitar que sejam desconsiderados os arquivos transmitidos via SPED Sistema Público de Escrituração Digital, em 09/07/2009, tendo em vista que estes arquivos não representam corretamente a escrituração contábil da empresa à época. Tendo em vista que foi o primeiro ano que a empresa enviou a escrituração digital naquele formato, houve diversas inconsistências devido aos problemas técnicos do sistema e a dificuldade na conversão dos arquivos contábeis. Pelo exposto, a contribuinte solicita que os procedimentos de fiscalização sejam realizados nos arquivos contábeis já apresentados em 30/03/2012. (...) Ocorre que a confissão de que os arquivos transmitidos ao SPED não representam corretamente a escrituração da empresa não autoriza concluirse que, Fl. 521DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15504.721118/201302 Acórdão n.º 1201001.227 S1C2T1 Fl. 6 5 necessariamente, essa escrituração seja imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira ou para determinar o lucro real. Em outras palavras, não há uma relação necessária entre os vícios, erros ou deficiências genericamente confessados pela fiscalizada, e a imprestabilidade da escrita. Em assim sendo, caberia ao auditor comprovar esta relação, demonstrando assim a imprestabilidade da escrituração do sujeito passivo. A autoridade, entretanto, não o fez. Realmente, sobre a suposta imprestabilidade da escrita enviada ao SPED o auditor afirma apenas o seguinte em seu TVF (fls. 49/50): Analisando os referidos arquivos, foram verificados alguns lançamentos feitos em desacordo com as normas contábeis. Constatouse, por exemplo, que a conta Duplicatas a Receber, código 1121107001, de natureza devedora, apresentou saldo credor (grifo nosso) no período de 26/08/08 a 25/09/08. Em 26/09/08, foi efetuado um lançamento de R$ 5.000.000,00 (cinco milhões de reais), a débito da conta duplicata a receber e a crédito de diversas outras contas, ao que tudo indica para que a conta voltasse a ter saldo devedor. Por meio do Termo de Intimação Fiscal de nº 08, datado de 24/09/12, com ciência do contribuinte em 25/09/12, foram solicitados esclarecimentos relacionados a alguns lançamentos contábeis, dentre os quais o acima referido. Em resposta, o contribuinte solicitou que fossem desconsiderados os arquivos transmitidos via SPED, em 09/07/09, tendo em vista que estes arquivos não representam corretamente a escrituração contábil da empresa à época (grifo nosso). Informou, também, que a escrituração enviada no formato SPED apresentou diversas inconsistências devido a problemas técnicos do sistema e à dificuldade na conversão dos arquivos contábeis. Por fim, solicitou que os procedimentos de fiscalização fossem realizados nos arquivos contábeis apresentados em 30/30/2012. (sic) Todavia, a falta de explicação por parte da contribuinte sobre o lançamento contábil acima referido, bem como sobre os demais lançamentos contábeis indicados no citado termo de intimação fiscal nº 08, de forma alguma ensejaria, por si só, a conclusão de imprestabilidade da escrita. Aliás, nenhum desses registros contábeis foi considerado pela fiscalização como omissão de receita ou qualquer outra infração sujeita a lançamento de ofício. De fato, o arbitramento levou em conta apenas a receita informada pela contribuinte. Assim, não comprovada a imprestabilidade da escrita enviada ao SPED, cai por terra o arbitramento do lucro. 3) DOS LANÇAMENTOS REFLEXOS O que foi dito no item anterior sobre o IRPJ vale igualmente para a CSLL. Em relação à contribuição para o PIS e à Cofins, como não foi apurada omissão de receita, Fl. 522DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15504.721118/201302 Acórdão n.º 1201001.227 S1C2T1 Fl. 7 6 nada há o que se exigir. Ademais, afastado o arbitramento, a exigência, acaso existente, deveria observar o sistema nãocumulativo. 4) CONCLUSÃO Tendo em vista todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 523DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 p or MARCELO CUBA NETTO
score : 1.0
Numero do processo: 11251.000057/2009-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/10/2003
INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO.
Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Art. 26-A do Decreto nº 70.235/72, e art. 62 do Regimento Interno do CARF.
CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DO SAT E DO RAT
É legítimo o estabelecimento, por Decreto, do grau de risco, com base na atividade preponderante da empresa. Questão há muito pacificada do STJ.
CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA. EMPRESAS URBANAS. LEGALIDADE.
Dada a sua natureza de contribuição especial de intervenção no domínio econômico, a contribuição social destinada ao INCRA não foi extinta pela Lei nº 8.212/91. Tal contribuição social ostenta caráter de universalidade e sua incidência não está condicionada ao exercício da atividade rural, podendo ser exigida também do empregador urbano, conforme precedentes do STF e do STJ.
FNDE. SALÁRIO-EDUCAÇÃO. CONSTITUCIONALIDADE. LEI Nº 9.424/96
O Salário-Educação previsto no art. 212, §5º, da Constituição Federal é devido pelas empresas e pelas entidades a elas equiparadas, com base na alíquota de 2,5% (dois e meio por cento) sobre o total de remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, assim definidos no art. 12, I da Lei nº 8.212/91.
É constitucional a cobrança da contribuição do salário-educação, seja sob a Carta de 1969, seja sob a Constituição Federal de 1988, e no regime da Lei 9.424/96. STF Súmula nº 732- 26/11/2003 -DJ de 9/12/2003, p. 2; DJ de 10/12/2003, p. 2; DJ de 11/12/2003, p. 2.
SEBRAE. EXIGIBILIDADE. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO.
A contribuição social destinada ao SEBRAE tem natureza jurídica de contribuição de intervenção no domínio econômico, prescindindo de lei complementar para a sua criação, revelando-se constitucional, portanto, a sua instituição pelo § 3º do art. 8º da Lei 8.029/90, com a redação dada pelas Leis 8.154/90 e 10.668/2003, podendo ser exigidas de todas as empresas contribuintes do sistema SESI, SENAI, SESC, SENAC, e não somente das microempresas e das empresas de pequeno porte. Precedentes recentes do STF: RE 635.682 e RE 382.474, ambos de 2013.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-003.950
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto.
(assinado digitalmente)
André Luís Mársico Lombardi Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Luciana Matos Pereira Barbosa (Vice-Presidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira, Maria Cleci Coti Martins e Carlos Henrique de Oliveira.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2002 a 31/10/2003 INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Art. 26A do Decreto nº 70.235/72, e art. 62 do Regimento Interno do CARF. CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DO SAT E DO RAT É legítimo o estabelecimento, por Decreto, do grau de risco, com base na atividade preponderante da empresa. Questão há muito pacificada do STJ. CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA. EMPRESAS URBANAS. LEGALIDADE. Dada a sua natureza de contribuição especial de intervenção no domínio econômico, a contribuição social destinada ao INCRA não foi extinta pela Lei nº 8.212/91. Tal contribuição social ostenta caráter de universalidade e sua incidência não está condicionada ao exercício da atividade rural, podendo ser exigida também do empregador urbano, conforme precedentes do STF e do STJ. FNDE. SALÁRIOEDUCAÇÃO. CONSTITUCIONALIDADE. LEI Nº 9.424/96 O SalárioEducação previsto no art. 212, §5º, da Constituição Federal é devido pelas empresas e pelas entidades a elas equiparadas, com base na alíquota de 2,5% (dois e meio por cento) sobre o total de remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, assim definidos no art. 12, I da Lei nº 8.212/91. É constitucional a cobrança da contribuição do salárioeducação, seja sob a Carta de 1969, seja sob a Constituição Federal de 1988, e no regime da Lei AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 25 1. 00 00 57 /2 00 9- 10 Fl. 277DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 2 9.424/96. STF Súmula nº 732 26/11/2003 DJ de 9/12/2003, p. 2; DJ de 10/12/2003, p. 2; DJ de 11/12/2003, p. 2. SEBRAE. EXIGIBILIDADE. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. A contribuição social destinada ao SEBRAE tem natureza jurídica de contribuição de intervenção no domínio econômico, prescindindo de lei complementar para a sua criação, revelandose constitucional, portanto, a sua instituição pelo § 3º do art. 8º da Lei 8.029/90, com a redação dada pelas Leis 8.154/90 e 10.668/2003, podendo ser exigidas de todas as empresas contribuintes do sistema SESI, SENAI, SESC, SENAC, e não somente das microempresas e das empresas de pequeno porte. Precedentes recentes do STF: RE 635.682 e RE 382.474, ambos de 2013. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento, nos termos do relatório e voto. (assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Luciana Matos Pereira Barbosa (VicePresidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira, Maria Cleci Coti Martins e Carlos Henrique de Oliveira. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 11251.000057/200910 Acórdão n.º 2401003.950 S2C4T1 Fl. 277 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pela recorrente, mantendo o crédito tributário lançado (fls. 156 e seguintes). A NFLD corresponde às contribuições devidas pela empresa à Seguridade Social e aos "Terceiros", incidentes sobre a remuneração de segurados empregados e de contribuintes individuais. Como afirmado, a impugnação apresentada pelo recorrente foi julgada improcedente, mantendose o crédito tributário lançado. Cientificada da decisão de primeira instância, a recorrente apresentou o recurso de fls. 164 e seguintes, no qual alega, em apertada síntese: a empresa não apresentou lucros no período, de sorte que não podem incidir contribuições que exigem a ocorrência de lucro; ilegalidade e inconstitucionalidade da fixação do grau de risco para fins de apuração do SAT por Decreto; inconstitucionalidade da contribuição para o salárioeducação. Referidas vedações constitucionais também se estendem ao INCRA, ao SEBRAE e demais contribuições para terceiros; há incidência de juros e multas acima do permissivo legal. É o relatório. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 4 Voto Conselheiro André Luís Mársico Lombardi, Relator Contribuições sobre o lucro. Alega a recorrente que a empresa não apresentou lucros no período, de sorte que não podem incidir contribuições que exigem a ocorrência de lucro. Ocorre que, como visto, a NFLD corresponde às contribuições devidas pela empresa à Seguridade Social e aos "Terceiros", incidentes sobre a remuneração de segurados empregados e de contrbuintes individuais. Portanto, o inconformismo da recorrente não encontra respaldo na realidade dos autos. Inconstitucionalidade e ilegalidade das exações e dos acréscimos legais. Todas as demais alegações da recorrente baseiamse em aspectos de ilegalidade e/ou inconstitucionalidade das disposições legais relativas às exações e respectivos aspectos legais (SAT por Decreto; contribuição para o salárioeducação, INCRA, SEBRAE e demais terceiros; além da há incidência de juros e multas acima do permissivo legal). Cumpre ressaltar que o art. 26A do Decreto nº 70.235/72, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, estabelece óbice intransponível aos órgãos de julgamento deste Conselho Administrativo para afastar a aplicação ou deixar de observar normas tributárias inseridas no ordenamento jurídico mediante leis, decretos, tratado ou acordos internacionais sob fundamento de inconstitucionalidade. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e Fl. 280DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 11251.000057/200910 Acórdão n.º 2401003.950 S2C4T1 Fl. 278 5 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) Não fosse o bastante, a Súmula CARF nº 2, de observância vinculante para as Turmas de Julgamento, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária (vide ainda artigo 62 do RICARF). Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No entanto, apenas para não que não pairem dúvida quanto à legitimidade do lançamento e mesmo para que se tenha uma abordagem da questão levantada pela recorrente, mas sob a ótica da legalidade, o tema será tratado no presente voto. SAT. Quanto ao argumento da reserva à lei para estabelecer os conceitos de atividade preponderante e grau de risco de acidente de trabalho, cumpre ressaltar que a exigência da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho é prevista no art. 22, II, da Lei n° 8.212/91, alterada pela Lei no. 9.732/1998. Portanto, não há que se falar em ofensa ao princípio da legalidade estrita (artigo 97 do CTN e artigo 150, I, da CF), como alega a recorrente Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: ... II para o financiamento do beneficio previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no. 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei n°9.732, de 11/12/98) a) I% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; Fl. 281DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 6 b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. (...) § 3º O Ministério do Trabalho e da Previdência Social poderá alterar, com base nas estatísticas de acidentes do trabalho, apuradas em inspeção, o enquadramento de empresas para efeito da contribuição a que se refere o inciso II deste artigo, a fim de estimular investimentos em prevenção de acidentes. O art. 202 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999, por sua vez, regulamenta o dispositivo acima transcrito Art. 202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer titulo, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. (...) § 3° Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. § 4° A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. § 5o É de responsabilidade da empresa realizar o enquadramento na atividade preponderante, cabendo à Secretaria da Receita Previdenciária do Ministério da Previdência Social revêlo a qualquer tempo. (Redação dada pelo Decreto nº 6.042, de 2007). § 6o Verificado erro no autoenquadramento, a Secretaria da Receita Previdenciária adotará as medidas necessárias à sua Fl. 282DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 11251.000057/200910 Acórdão n.º 2401003.950 S2C4T1 Fl. 279 7 correção, orientará o responsável pela empresa em caso de recolhimento indevido e procederá à notificação dos valores devidos. (Redação dada pelo Decreto nº 6.042, de 2007). (...) § 13. A empresa informará mensalmente, por meio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, a alíquota correspondente ao seu grau de risco, a respectiva atividade preponderante e a atividade do estabelecimento, apuradas de acordo com o disposto nos §§ 3o e 5o. (Incluído pelo Decreto nº 6.042, de 2007). Não há qualquer ilegalidade pelo fato de o Decreto definir os conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio ou grave", pois a lei fixou padrões e parâmetros, deixando para o regulamento a delimitação dos conceitos necessários à aplicação concreta da norma. O Superior Tribunal de Justiça, há tempos, já pacificou a questão: ADMINISTRATIVO. RECURSO ESPECIAL. SEGURO DE ACIDENTE DE TRABALHO. SAT. GRAU DE RISCO. 1. É legítimo o estabelecimento, por Decreto, do grau de risco, com base na atividade preponderante da empresa. 2. Recurso Especial parcialmente conhecido e improvido." (REsp. 386.028RS, D.J. 17.11.2003, Rel. Min. Castro Meira) Portanto, não merece prosperar o inconformismo da recorrente. INCRA. Alega ainda a recorrente a ilegitimidade da cobrança da contribuição ao INCRA. A investigação a respeito da natureza jurídica da contribuição para o INCRA já foi por demais tormentosa ao longo dos últimos anos, sendo que hoje os tribunais superiores pacificaram entendimento no sentido de que consubstancia contribuição de intervenção no domínio econômico: VIGÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO AO INCRA. NATUREZA DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. LEIS Nº 7.787/89 e 8.212/91. DESTINAÇÃO DIVERSA. EMPRESAS URBANAS. ENQUADRAMENTO. I A Primeira Seção do STJ, na esteira de precedentes do STF, firmou entendimento no sentido de que não existe qualquer Fl. 283DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 8 óbice para a cobrança da contribuição destinada ao INCRA também das empresas urbanas. Precedentes: EDcl no AgRg no REsp nº 716.387/CE, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, DJ de 31/08/06 e EDcl no REsp nº 780.280/MA, Rel. Min. JOSÉ DELGADO, DJ 25/05/06. II Este Superior Tribunal de Justiça, após diversos pronunciamentos, com base em ampla discussão, reviu a jurisprudência sobre o assunto, chegando à conclusão que a contribuição destinada ao INCRA não foi extinta, nem com a Lei nº 7.787/89, nem pela Lei nº 8.212/91, ainda estando em vigor. III Tal entendimento foi exarado com o julgamento proferido pela Colenda Primeira Seção, nos EREsp nº 770.451/SC, Rel. p/ac. Min. CASTRO MEIRA, Sessão de 27/09/2006. Naquele julgado, restou definido que a contribuição ao INCRA é uma contribuição especial de intervenção no domínio econômico, destinada aos programas e projetos vinculados à reforma agrária e suas atividades complementares. Assim, a supressão da exação para o FUNRURAL pela Lei nº 7.787/89 e a unificação do sistema de previdência através da Lei nº 8.212/91 não provocaram qualquer alteração na parcela destinada ao INCRA. IV Agravo regimental improvido. (STJ; AgRg no AgRg no REsp 894345 / SP; Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO; T1 PRIMEIRA TURMA; DJ 24/05/2007, p. 331) (destaques nossos) Em aditamento ao voto proferido no EREsp 770.451/SC; a Min. Eliana Calmon sublinhou os traços fundamentais da espécie tributária em exame, rememorando magnífico trabalho doutrinário contido na tese apresentada pelo Dr. Luciano Dias Bicalho Camargo, em curso de doutorado da Faculdade de Direito da Universidade de Minas Gerais, o qual pedimos venia para transcrevêlo. “As contribuições interventivas têm como principal traço característico a finalidade eleita e explicitada na consequência da norma de incidência tributária. (...) Assim, para a perfeita compreensão da norma de incidência tributária das contribuições de intervenção sobre o domínio econômico, especificamente aquelas que se prestam à arrecadação de recursos para o custeio dos atos interventivos, há de se prever uma circunstância intermediária a vincular a hipótese de incidência e a consequência tributária, sem a qual não há de se falar da existência de norma de incidência válida. Assim, nas contribuições de intervenção sobre o domínio econômico deverá coexistir, para a sua perfeita incidência, os dois núcleos da hipótese de incidência: o "fato do contribuinte", relacionado ao domínio econômico, e os atos interventivos implementados pela União. (...) Assim, no caso específico das contribuições para o INCRA, elas somente se mostram válidas na medida em que o INCRA, Fl. 284DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 11251.000057/200910 Acórdão n.º 2401003.950 S2C4T1 Fl. 280 9 efetivamente, promove desapropriações para fins de reforma agrária (circunstância intermediária), visando alterar a estrutura fundiária anacrônica brasileira, conforme minudentemente visto no capítulo 3, aplicandose, assim, os recursos arrecadados na consecução dos objetivos constitucionalmente previstos: função social da propriedade e diminuição das desigualdades regionais. Salientese, por relevante, que as contribuições devidas ao INCRA, muito embora não beneficiem diretamente o sujeito ativo da exação (empresas urbanas e algumas agroindustriais), beneficiam toda a sociedade, por ter a sua arrecadação destinada a custear programas de colonização e reforma agrária, fomentam a atividade no campo, que é de interesse de toda a sociedade (e não só do meio rural), tendo em vista a redução das desigualdades e a fixação do homem na terra. Não há que se falar da existência de uma referibilidade direta, que procura condicionar o pagamento das contribuições às pessoas que estejam vinculadas diretamente a determinadas atividades e que venham a ser beneficiárias da arrecadação. Ora, o princípio da referibilidade direta, como defendido por vários autores, simplesmente não existe no ordenamento jurídico pátrio, especialmente no que se refere às contribuições de intervenção no domínio econômico. Tratase de mera criação teórica e doutrinária, sem respaldo no texto da Constituição Federal. (...) Com efeito, a exação em tela é destinada a fomentar atividade agropecuária, promovendo a fixação do homem no campo e reduzindo as desigualdades na distribuição fundiária. Consequentemente, reduzse o êxodo rural e grande parte dos problemas urbanos dele decorrentes. Não pode ser negado que a política nacional de reforma agrária é instrumento de intervenção no domínio econômico, uma vez que objetiva a erradicação da miséria, segundo o preceituado no §1º do art. 1º da Lei nº 4.504/64 Estatuto da Terra. Dessa forma, a referibilidade das contribuições devidas ao INCRA é indireta, beneficiando, de forma mediata, o sujeito passivo submetido a essa responsabilidade”. (destaques nossos) Se bem observados os julgados acima, resta claro que, além da definição de sua natureza jurídica, o STJ afastou todas as argumentações relativas à inconstitucionalidade ou à ilegalidade da contribuição ao INCRA, com base na “referibilidade” ou no “benefício direto”, de sorte a se considerar que as empresas urbanas não seriam contribuintes da contribuição ao INCRA. Com efeito, além dos julgados acima do STJ, cumpre mencionar ainda a orientação do STF destacada no AI 761.127AgR, Rel. Min. Ellen Gracie, Segunda Turma, DJe de 14.05.2010). É verdade que ainda encontrase pendente de análise pela Suprema Corte a recepção da contribuição ao INCRA no período posterior ao advento da Emenda Fl. 285DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 10 Constitucional n° 33/2001, que alterou o artigo 149 da Constituição Federal (Repercussão Geral no Recurso Extraordinário n° 630.898, Rel Min. Dias Toffoli, Dje de 28/06/2012). Todavia, mesmo neste aspecto particular, a chance de reconhecimento da inconstitucionalidade parece remota, pois a interpretação restritiva que se pretende atribuir ao § 2º, inciso II, alínea a, destoa da inteligência do próprio caput do art. 149, não alterado pela EC nº 33/2001, sendo certo que o próprio STF já fixou a constitucionalidade da contribuição devida ao SEBRAE, qualificada como contribuição de intervenção no domínio econômico (RE 396.266, Relator Min. Carlos Velloso), e da contribuição criada pela LC nº 110/2001, qualificada com contribuição social geral (ADIN 2.556, Relator Min. Moreira Alves), ambas incidentes sobre a folha de salário das empresas, já sob a égide da EC nº 33/2001. Sendo assim, deve ser mantida a exigência relativamente às contribuições ao INCRA. SalárioEducação. Também alega a recorrente a ilegalidade da cobrança do salárioeducação. Instituído em 1964 pela Lei nº 4.440, de 27/10/64, o salárioeducação é uma contribuição social destinada ao financiamento de programas, projetos e ações voltados para o financiamento da educação básica pública, podendo ser aplicada na educação especial, desde que vinculada àquela. A contribuição social do salárioeducação está prevista no artigo 212, § 5º da Constituição Federal, regulamentada pelas leis nº 9.424/96 e 9.766/98 e pelo Decreto nº 6003/2006, sendo calculada mediante a incidência da alíquota de 2,5% sobre o montante total das remunerações pagas, creditadas ou juridicamente devidas pelas empresas, a qualquer título, aos segurados empregados. Sua arrecadação e fiscalização e cobrança judicial monta a cargo, nos dias atuais, da Secretaria da Receita Federal do Brasil, do Ministério da Fazenda (RFB/MF). Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 212. A União aplicará, anualmente, nunca menos de dezoito, e os Estados, o Distrito Federal e os Municípios vinte e cinco por cento, no mínimo, da receita resultante de impostos, compreendida a proveniente de transferências, na manutenção e desenvolvimento do ensino. § 5º A educação básica pública terá como fonte adicional de financiamento a contribuição social do salárioeducação, recolhida pelas empresas na forma da lei. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 53/2006) Lei nº 9.424, de 24 de dezembro de 1996. Art. 15. O SalárioEducação, previsto no art. 212, §5º, da Constituição Federal e devido pelas empresas, na forma em que vier a ser disposto em regulamento, é calculado com base na alíquota de 2,5% (dois e meio por cento) sobre o total de remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, assim definidos no art. 12, inciso I, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. (grifos nossos) Fl. 286DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 11251.000057/200910 Acórdão n.º 2401003.950 S2C4T1 Fl. 281 11 São contribuintes do salárioeducação as empresas em geral e as entidades públicas e privadas vinculadas ao Regime Geral da Previdência Social, entendendose como tal qualquer firma individual ou sociedade que assuma o risco de atividade econômica, urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, sociedade de economia mista, empresa pública e demais sociedades instituídas e mantidas pelo poder público, nos termos do § 2º, art. 173 da Constituição, ressalvadas as exceções expressamente assentadas na lei. Decreto nº 3.142, de 16 de agosto de 1999. Art.1o A contribuição social do salárioeducação obedecerá aos mesmos prazos, condições e outras normas relativas às contribuições sociais e demais importâncias devidas à Seguridade Social, ressalvada a competência especial do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação FNDE sobre a matéria. Parágrafo único. O contribuinte do salárioeducação sujeitar seá às mesmas sanções administrativas e penais previstas na legislação previdenciária, nos moldes do caput deste artigo. Art.2o A contribuição social do salárioeducação, prevista no art. 212, §5o, da Constituição e devida pelas empresas, será calculada com base na alíquota de dois inteiros e cinco décimos por cento, incidente sobre o total de remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, ressalvadas as exceções legais. §1o Entendese por empresa, para fins de incidência da contribuição social do salárioeducação, qualquer firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica, urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como as empresas e demais entidades públicas ou privadas, vinculadas à Seguridade Social. §2o Considerase entidade pública, para os efeitos deste Decreto, a sociedade de economia mista, a empresa pública, bem assim as demais sociedades instituídas e mantidas pelo Poder Público, nos termos do art. 173, §2o, da Constituição. §3o Para fins da contribuição social do salárioeducação, são considerados como empregados os seguintes segurados obrigatórios da Seguridade Social: I Aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; II Aquele que, contratado por empresa de trabalho temporário, definida em legislação específica, presta serviço para atender a necessidade transitória de substituição de pessoal regular e permanente ou a acréscimo extraordinário de serviços de outras empresas; III O brasileiro ou estrangeiro domiciliado e contratado no Brasil para trabalhar como empregado em sucursal ou agência de empresa nacional no exterior; IV Aquele que presta serviço no Brasil a missão diplomática ou a repartição consular de carreira estrangeira e a órgãos a ela subordinados ou a membros dessas missões e repartições, excluídos o nãobrasileiro sem residência permanente no Brasil Fl. 287DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 12 e o brasileiro amparado pela legislação previdenciária do país da respectiva missão diplomática ou repartição consular; V O brasileiro ou estrangeiro domiciliado e contratado no Brasil para trabalhar como empregado em empresa domiciliada no exterior, cuja maioria do capital votante pertença a empresa brasileira de capital nacional. §4o A alíquota reduzida da contribuição social do salário educação, incidente sobre a remuneração dos empregados contratados por prazo determinado, nos termos do inciso I do art. 2o da Lei no 9.601, de 21 de janeiro de 1998, é de um inteiro e vinte e cinco centésimos por cento. Art.3o Estão isentas do recolhimento da contribuição social do salárioeducação: I A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, bem como suas respectivas autarquias e fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, inclusive no que se refere à remuneração paga aos servidores públicos ocupantes de cargo em comissão, sem vínculo efetivo com a União, autarquias, inclusive em regime especial, e fundações públicas federais; II As instituições públicas de ensino de qualquer grau, conforme norma regulamentar expedida pelo Ministério da Educação; III As escolas comunitárias, confessionais ou filantrópicas, devidamente registradas e reconhecidas pelo competente órgão de educação, que sejam portadoras do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; IV As organizações de fins culturais, que tenham sido reconhecidas nos termos dos Decretos no76.923, de 26 de dezembro de 1975, e no87.043, de 22 de março de 1982; V As organizações hospitalares e de assistência social, desde que atendam, cumulativamente, aos seguintes requisitos: a) sejam reconhecidas como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; b) sejam portadoras do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; c) promovam, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; d) não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; e) apliquem integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e no desenvolvimento de seus objetivos institucionais, apresentando, anualmente, ao órgão do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. Parágrafo único. A pessoa jurídica optante do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições – SIMPLES está isenta do pagamento da contribuição social do salário educação, nos termos do art. 3o, §4o, da Lei no 9.317, de 5 de dezembro de 1996. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 11251.000057/200910 Acórdão n.º 2401003.950 S2C4T1 Fl. 282 13 Decreto nº 6.003, de 28 de dezembro de 2006. Art. 2º São contribuintes do salárioeducação as empresas em geral e as entidades públicas e privadas vinculadas ao Regime Geral da Previdência Social, entendendose como tais, para fins desta incidência, qualquer firma individual ou sociedade que assuma o risco de atividade econômica, urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem assim a sociedade de economia mista, a empresa pública e demais sociedades instituídas e mantidas pelo Poder Público, nos termos do art. 173, §2º, da Constituição. Parágrafo único. São isentos do recolhimento da contribuição social do salárioeducação: I a União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios e suas respectivas autarquias e fundações; II as instituições públicas de ensino de qualquer grau; III as escolas comunitárias, confessionais ou filantrópicas, devidamente registradas e reconhecidas pelo competente órgão de educação, e que atendam ao disposto no inciso II do art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991; IV as organizações de fins culturais que, para este fim, vierem a ser definidas em regulamento; V as organizações hospitalares e de assistência social, desde que atendam, cumulativamente, aos requisitos estabelecidos nos incisos I a V do art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991; Reiteradas alegações de inconstitucionalidade impeliram o Procurador Geral da Republica a ajuizar, perante o Supremo Tribunal Federal, a Ação Declaratória de Constitucionalidade n° 3, cuja decisão, de relatoria do Min. Nelson Jobim, publicada no Diário da Justiça de 10/12/1999, pautou pela constitucionalidade do art. 15 da Lei nº 9.424/96, atribuindolhe efeitos ex tunc. ADC 3 / UF UNIÃO FEDERAL AÇÃO DECLARATÓRIA DE CONSTITUCIONALIDADE Relator(a): Min. NELSON JOBIM Julgamento: 01/12/1999 Órgão Julgador: Tribunal Pleno Publicação : DJ 09052003 PP EMENTA: CONSTITUCIONAL. AÇÃO DECLARATÓRIA DE CONSTITUCIONALIDADE DO ART. 15, LEI 9.424/96. SALÁRIOEDUCAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES PARA O FUNDO DE MANUTENÇÃO E DESENVOLVIMENTO DO ENSINO FUNDAMENTAL E DE VALORIZAÇÃO DO MAGISTÉRIO. DECISÕES JUDICIAIS CONTROVERTIDAS. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE FORMAL E MATERIAL. FORMAL: LEI COMPLEMENTAR. DESNECESSIDADE. NATUREZA DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. § 5º, DO ART. 212 DA CF QUE REMETE SÓ À LEI. PROCESSO LEGISLATIVO. EMENDA DE REDAÇÃO PELO SENADO. EMENDA QUE Fl. 289DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 14 NÃO ALTEROU A PROPOSIÇÃO JURÍDICA. FOLHA DE SALÁRIOS REMUNERAÇÃO. CONCEITOS. PRECEDENTES. QUESTÃO INTERNA CORPORIS DO PODER LEGISLATIVO. CABIMENTO DA ANÁLISE PELO TRIBUNAL EM FACE DA NATUREZA CONSTITUCIONAL. INCONSTITUCIONALIDADE MATERIAL: BASE DE CÁLCULO. VEDAÇÃO DO ART. 154, I DA CF QUE NÃO ATINGE ESTA CONTRIBUIÇÃO, SOMENTE IMPOSTOS. NÃO SE TRATA DE OUTRA FONTE PARA A SEGURIDADE SOCIAL. IMPRECISÃO QUANTO A HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. A CF QUANTO AO SALÁRIOEDUCAÇÃO DEFINE A FINALIDADE: FINANCIAMENTO DO ENSINO FUNDAMENTAL E O SUJEITO PASSIVO DA CONTRIBUIIÇÃO: AS EMPRESAS. NÃO RESTA DÚVIDA. CONSTITUCIONALIDADE DA LEI AMPLAMENTE DEMONSTRADA. AÇÃO DECLARATÓRIA DE CONSTITUCIONALIDADE QUE SE JULGA PROCEDENTE, COM EFEITOS EXTUNC. A cobrança das contribuições sociais do salárioeducação revelase, pois, perfeitamente compatível com o ordenamento jurídico vigente. Nesse sentido, o Supremo Tribunal Federal, nocauteando de uma vez por todas qualquer dúvida que ainda pudesse ser suscitada a respeito, fez publicar a Súmula nº 732, a qual transcrevemos adiante. SÚMULA Nº 732 É CONSTITUCIONAL A COBRANÇA DA CONTRIBUIÇÃO DO SALÁRIOEDUCAÇÃO, SEJA SOB A CARTA DE 1969, SEJA SOB A CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988, E NO REGIME DA LEI 9.424/96. O Verbete da Sumula nº 732 do STF atira a última pá de cal sobre qualquer ainda possível alegação de inconstitucionalidade da contribuição social do Salário Educação, fechando definitivamente o esquife. Nesse contexto, estando as entidades públicas ou privadas, com fins lucrativos ou não, arroladas no art. 15 da Lei nº 9.424/96, na forma de seu Regulamento e não expressamente excluídas da hipótese de incidência neste prevista, impõese reconhecer que tais entidades são contribuintes da contribuição social a ser vertida ao Salário Educação. Taxa Selic. A recorrente requer o afastamento da incidência de juros moratórios equivalentes à Taxa Selic. Especificamente quanto à aplicação da Taxa Selic como juros moratórios temse a Súmula CARF n° 4: Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Portanto, não há qualquer viabilidade jurídica para o acatamento, por esta instância recursal, do pleito da recorrente. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 11251.000057/200910 Acórdão n.º 2401003.950 S2C4T1 Fl. 283 15 Multa. Alega a recorrente que as multas encontramse acima do permissivo legal. Todavia, do anexo FLD (Fundamentos Legais do Débito (fls. 29 e seguintes), constato o devido equandramento na legislação vigente à época dos fatos geradores (artigo 35 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 9.876/99), não assistindo razão, portanto, à recorrente. Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi Relator Fl. 291DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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Numero do processo: 10980.720277/2008-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
IRPF. VALORES NÃO RETIDOS A TÍTULO DE IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SUJEITO AO AJUSTE ANUAL.
Verificada a falta de retenção do imposto sobre a renda, pela fonte pagadora dos rendimentos, após a data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual da pessoa física beneficiária, exige-se desta o imposto, acompanhado de juros de mora e multa, se for o caso.
INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE OS JUROS RECEBIDOS.
Não são tributáveis os juros incidentes sobre verbas isentas ou não tributáveis, assim como os recebidos no contexto de perda do emprego.
CORREÇÃO MONETÁRIA RECEBIDA.
A correção monetária eventualmente incidente sobre as verbas recebidas acumuladamente pelo contribuinte devem ser tributadas pelo imposto sobre a renda, eis que não excepcionadas pelo artigo 12 da Lei n° 7.713, de 1988.
Numero da decisão: 2101-002.547
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento em parte ao recurso, para excluir da base de cálculo do tributo os juros moratórios recebidos em ação trabalhista, no contexto da rescisão da relação de trabalho. Vencida a Conselheira Maria Cleci Coti Martins, que votou por dar provimento em parte ao recurso, em maior extensão. Vencidos os Conselheiros Eduardo de Souza Leão e Eivanice Canário da Silva, que votaram por dar provimento ao recurso. Designado para redação do voto vencedor o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka.
(assinatura digital)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
(assinatura digital)
MARIA CLECI COTI MARTINS- Relatora.
(assinatura digital)
HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR- Redator ad hoc.designado.
EDITADO EM: 18/08/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente),ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, MARIA CLECI COTI MARTINS, EIVANICE CANARIO DA SILVA e EDUARDO DE SOUZA LEAO).
Nome do relator: Rodrigo Santos Masset Lacombe
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 IRPF. VALORES NÃO RETIDOS A TÍTULO DE IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SUJEITO AO AJUSTE ANUAL. Verificada a falta de retenção do imposto sobre a renda, pela fonte pagadora dos rendimentos, após a data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual da pessoa física beneficiária, exige-se desta o imposto, acompanhado de juros de mora e multa, se for o caso. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE OS JUROS RECEBIDOS. Não são tributáveis os juros incidentes sobre verbas isentas ou não tributáveis, assim como os recebidos no contexto de perda do emprego. CORREÇÃO MONETÁRIA RECEBIDA. A correção monetária eventualmente incidente sobre as verbas recebidas acumuladamente pelo contribuinte devem ser tributadas pelo imposto sobre a renda, eis que não excepcionadas pelo artigo 12 da Lei n° 7.713, de 1988.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento em parte ao recurso, para excluir da base de cálculo do tributo os juros moratórios recebidos em ação trabalhista, no contexto da rescisão da relação de trabalho. Vencida a Conselheira Maria Cleci Coti Martins, que votou por dar provimento em parte ao recurso, em maior extensão. Vencidos os Conselheiros Eduardo de Souza Leão e Eivanice Canário da Silva, que votaram por dar provimento ao recurso. Designado para redação do voto vencedor o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka. (assinatura digital) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente. (assinatura digital) MARIA CLECI COTI MARTINS- Relatora. (assinatura digital) HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR- Redator ad hoc.designado. EDITADO EM: 18/08/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente),ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, MARIA CLECI COTI MARTINS, EIVANICE CANARIO DA SILVA e EDUARDO DE SOUZA LEAO).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2335; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T1 Fl. 95 1 94 S2C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.720277/200885 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2101002.547 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de agosto de 2014 Matéria IRPF Recorrente MYRON MIGUEL STOROZ Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 IRPF. VALORES NÃO RETIDOS A TÍTULO DE IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SUJEITO AO AJUSTE ANUAL. Verificada a falta de retenção do imposto sobre a renda, pela fonte pagadora dos rendimentos, após a data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual da pessoa física beneficiária, exigese desta o imposto, acompanhado de juros de mora e multa, se for o caso. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE OS JUROS RECEBIDOS. Não são tributáveis os juros incidentes sobre verbas isentas ou não tributáveis, assim como os recebidos no contexto de perda do emprego. CORREÇÃO MONETÁRIA RECEBIDA. A correção monetária eventualmente incidente sobre as verbas recebidas acumuladamente pelo contribuinte devem ser tributadas pelo imposto sobre a renda, eis que não excepcionadas pelo artigo 12 da Lei n° 7.713, de 1988. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento em parte ao recurso, para excluir da base de cálculo do tributo os juros moratórios recebidos em ação trabalhista, no contexto da rescisão da relação de trabalho. Vencida a Conselheira Maria Cleci Coti Martins, que votou por dar provimento em parte ao recurso, em maior extensão. Vencidos os Conselheiros Eduardo de Souza Leão e Eivanice Canário da Silva, que votaram por dar provimento ao recurso. Designado para redação do voto vencedor o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka. (assinatura digital) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 02 77 /2 00 8- 85 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 08/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/08/2015 por MARIA CLECI COTI MA RTINS, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. (assinatura digital) MARIA CLECI COTI MARTINS Relatora. (assinatura digital) HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Redator ad hoc.designado. EDITADO EM: 18/08/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente),ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, MARIA CLECI COTI MARTINS, EIVANICE CANARIO DA SILVA e EDUARDO DE SOUZA LEAO). Relatório O recurso voluntário visa reverter a decisão do Acórdão de Impugnação 06.31.344 da 4a. Turma da DRJ/CTA que manteve em parte o crédito tributário devido, no valor de R$ 59.279,92 mais os acréscimos legais. O contribuinte foi cientificado do Acórdão de Impugnação em 20/05/2012. Apresentou Recurso Voluntário em 22/06/2012. Em sua fundamentação o contribuinte apresenta um resumo geral dos cálculos, da forma como entende, e repisa os argumentos da impugnação no que concerne a revisão da classificação dos valores lançados em tributáveis/isentos/não tributáveis. Argumenta que a orientação jurisprudencial majoritária assevera que o imposto de renda não incide sobre juros de mora e correção monetária, aviso prévio, FGTS, multa devida pela despedida involuntária. Requer a revisão do julgado no que concerne a verbas não tributáveis recebidas; isenção das multas e a reforma da decisão, considerando totalmente improcedente o lançamento. Voto Vencido Conselheira Maria Cleci Coti Martins, Relatora O recurso voluntário é tempestivo, atende aos requisitos legais e dele conheço. No acórdão de impugnação foram discriminadas todas as verbas recebidas da forma como solicitado pelo contribuinte. Convém esclarecer que o valor final repassado ao reclamante na ação trabalhista é a quantia líquida após todos os descontos. Entretanto, indiretamente, outros valores foram pagos ao contribuinte, como por exemplo, IRRF, INSS. Esses valores também fazem parte do quantum recebido na ação judicial e devem ser considerados para efeitos de tributação. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 08/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/08/2015 por MARIA CLECI COTI MA RTINS, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10980.720277/200885 Acórdão n.º 2101002.547 S2C1T1 Fl. 96 3 Tendo em vista tratarse de reclamatória trabalhista em decorrência de rescisão de contrato de trabalho, entendo que devese fazer a tributação dos rendimentos acumulados recebidos de acordo com o regime de competência, conforme jurisprudência do STJ a seguir. RECURSO ESPECIAL Nº 1.118.429 SP (2009/00557226) RELATOR : MINISTRO HERMAN BENJAMIN RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL PROCURADOR : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECORRIDO : VALDIR FLORENTINO DOS SANTOS ADVOGADO : DAZIO VASCONCELOS E OUTRO(S) EMENTA TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Observase que, muito embora o recurso acima se refira a benefícios previdenciários, não há razão para que se faça diferença entre benefícios previdenciários recebidos acumuladamente e rendimentos recebidos acumuladamente em reclamatória trabalhista. Conforme informação de fls.23, a ação trabalhista envolve verbas rescisórias, e, portanto, aplicável a decisão do REsp Nº 1.227.133 RS, que exclui da tributação os juros moratórios . EDcl no RECURSO ESPECIAL Nº 1.227.133 RS (2010/02302098) RELATOR : MINISTRO CESAR ASFOR ROCHA EMBARGANTE : FAZENDA NACIONAL PROCURADOR : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL EMBARGADO : ROGIS MARQUES REIS ADVOGADOS : CARLOS PAIVA GOLGO E OUTRO(S) EGÍDIO LUCCA FILHO E OUTRO(S) EMENTA EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL NA EMENTA DO ACÓRDÃO EMBARGADO. – Havendo erro material na ementa do acórdão embargado,devese acolher os declaratórios nessa parte, para que aquela melhor reflita o entendimento prevalente, bem como o objeto específico do recurso especial, passando a ter a seguinte redação : Fl. 97DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 08/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/08/2015 por MARIA CLECI COTI MA RTINS, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 "RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA OU ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA.– Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. Recurso especial, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, improvido."Embargos de declaração acolhidos parcialmente. (grifei) Desta forma, voto por reconhecer que os valores recebidos acumuladamente na reclamatória trabalhista sejam tributados pelo regime de competência (conforme a jurisprudência do STJ acima) e também para excluir da base de cálculo do imposto o valor dos juros. Recurso parcialmente procedente. MARIA CLECI COTI MARTINS Relatora Fl. 98DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 08/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/08/2015 por MARIA CLECI COTI MA RTINS, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10980.720277/200885 Acórdão n.º 2101002.547 S2C1T1 Fl. 97 5 Voto Vencedor Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Redator AdHoc Fui designado, na forma de efl. 94, como Redator ad hoc para formalizar a presente decisão, uma vez que o então Redator designado, o exConselheiro Alexandre Naoki Nishioka, já não faz parte do Colegiado. A recorrente argumenta que os juros moratórios bem como a atualização monetária recebida não podem sofrer a incidência do imposto sobre a renda. Sobre o tema da tributação dos juros, vale ressaltar o entendimento inicial, no sentido de que tais rendimentos, a princípio, deveriam seguir a natureza tributável da verba principal, por sua característica acessória, escorado no artigo 55, inciso XIV, do Decreto n° 3.000, de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda), que estipula serem tributáveis "os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis". Com efeito, a Lei n° 4.506, de 1964, em seu artigo 16, é expressa quanto à exigência do imposto de renda sobre os juros de mora e quaisquer outras indenizações pagas pelo atraso no pagamento de rendimentos do trabalho. Vejamos o texto, ipsis litteris: Art. 16. Serão classificados como rendimentos do trabalho assalariado todas as espécies de remuneração por trabalho ou serviços prestados no exercício dos empregos, cargos ou funções referidos no artigo 5° do Decretolei número 5.844, de 27 de setembro de 1943, e no art. 16 da Lei número 4.357, de 16 de julho de 1964, tais como: I Salários, ordenados, vencimentos, soldos, soldadas, vantagens, subsídios, honorários, diárias de comparecimento; [...] Parágrafo único. Serão também classificados como rendimentos de trabalho assalariado os juros de mora e quaisquer outras indenizações pelo atraso no pagamento das remunerações previstas neste artigo. Sendo assim, tendo em vista o disposto no artigo 3°, § 4° da Lei n° 7.713, de 1988, os juros incidentes sobre as verbas de natureza salarial recebidas acumuladamente não poderiam, a princípio, escapar à tributação pelo IRPF. Todavia, com fundamento na legislação acima citada, o Superior Tribunal de Justiça também tem se manifestado pela existência de exceções quanto à incidência do imposto de renda sobre os juros de mora recebidos quando do recebimento de verbas no âmbito de rescisão do contrato de trabalho, consoante posicionamento externado quando do julgamento do REsp no 1.089.720/RS, em 10.10.2012 (publicado em 16.12.2012), cujo relator foi o Fl. 99DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 08/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/08/2015 por MARIA CLECI COTI MA RTINS, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 Ministro Mauro Campbell Marques e ao qual aqui se acede, por ter não só mantido o teor do anteriormente decidido no âmbito do REsp 1.227.133 citado no Voto Vencedor, como também explicitado de forma clara, em sua ementa, a forma de sua aplicação. Vejamos, assim, a ementa da decisão cujo teor aqui se adota : PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284/STF. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF. REGRA GERAL DE INCIDÊNCIA SOBRE JUROS DE MORA. PRESERVAÇÃO DA TESE JULGADA NO RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA RESP. N. 1.227.133 RS NO SENTIDO DA ISENÇÃO DO IR SOBRE OS JUROS DE MORA PAGOS NO CONTEXTO DE PERDA DO EMPREGO. ADOÇÃO DE FORMA CUMULATIVA DA TESE DO ACCESSORIUM SEQUITUR SUUM PRINCIPALE PARA ISENTAR DO IR OS JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE VERBA ISENTA OU FORA DO CAMPO DE INCIDÊNCIA DO IR. 1. Não merece conhecimento o recurso especial que aponta violação ao art. 535, do CPC, sem, na própria peça, individualizar o erro, a obscuridade, a contradição ou a omissão ocorridas no acórdão proferido pela Corte de Origem, bem como sua relevância para a solução da controvérsia apresentada nos autos. Incidência da Súmula n. 284/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". 2. Regra geral: incide o IRPF sobre os juros de mora, a teor do art. 16, caput e parágrafo único, da Lei n. 4.506/64, inclusive quando reconhecidos em reclamatórias trabalhistas, apesar de sua natureza indenizatória reconhecida pelo mesmo dispositivo legal (matéria ainda não pacificada em recurso representativo da controvérsia). 3. Primeira exceção: são isentos de IRPF os juros de mora quando pagos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, em reclamatórias trabalhistas ou não (grifei). Isto é, quando o trabalhador perde o emprego, os juros de mora incidentes sobre as verbas remuneratórias ou indenizatórias que lhe são pagas são isentos de imposto de renda. A isenção é circunstancial para proteger o trabalhador em uma situação sócioeconômica desfavorável (perda do emprego), daí a incidência do art. 6°, V, da Lei n. 7.713/88. Nesse sentido, quando reconhecidos em reclamatória trabalhista, não basta haver a ação trabalhista, é preciso que a reclamatória se refira também às verbas decorrentes da perda do emprego, sejam indenizatórias, sejam remuneratórias (matéria já pacificada no recurso representativo da controvérsia REsp no 1.227.133RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Rel .p/acórdão Min. Cesar Asfor Rocha, julgado em 28.9.2011). [...] Fl. 100DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 08/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/08/2015 por MARIA CLECI COTI MA RTINS, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10980.720277/200885 Acórdão n.º 2101002.547 S2C1T1 Fl. 98 7 4. Segunda exceção: são isentos do imposto de renda os juros de mora incidentes sobre verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR, mesmo quando pagos fora do contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho (circunstância em que não há perda do emprego), consoante a regra do "accessorium sequitur suum principale". [...] 7. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, parcialmente provido. (g.n.) Sendo assim, uma vez que o recebimento dos juros sob análise se deu no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, entendo, com fulcro na exceção acima disposta, que não há qualquer reparo a ser feito no que tange à necessidade de exclusão dos referidos juros da base de cálculo do lançamento, na forma já proposta pelo voto da Conselheira relatora. Todavia, divirjo aqui, com a devida vênia à Relatora, no que diz respeito à mencionada necessidade de aplicação do "regime de competência" mantendo, assim, meu posicionamento, já externado em outras ocasiões, no sentido de necessidade de aplicação do artigo 12 da Lei n° 7.713, de 1988, que estipula que, no caso dos rendimentos recebidos de forma acumulada, o imposto sobre a renda incide, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos somente do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Afasto, aqui, a necessidade de observância mandatória ao disposto no REsp 1.118.429 com fulcro no art. 62A do Anexo II ao Regimento Interno deste CARF, por entender que se está, neste último Recurso Especial, a se tratar de recebimento de benefícios previdenciários de forma acumulada, situação que não guarda identidade fática com a situação sob análise, onde se está a tratar de percepção de rendimentos trabalhistas, ainda que também de forma acumulada. Finalmente, ressalto, a propósito, que a atualização monetária eventualmente incidente sobre as verbas recebidas pelo contribuinte deve ser tributada pelo imposto sobre a renda, eis que não foi excepcionada pelo mesmo artigo 12 da Lei no. 7.713, de 1988,. Assim, ante o acima exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, no sentido de excluir da tributação tão somente os juros de mora recebidos, isentos, uma vez que recebidos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, sendo de se respeitar o art. 12 da Lei n° 7.713, de 1988 para fins de definição do momento de tributação, definição de tabelas e alíquotas aplicáveis. É como voto. Heitor de Souza Lima Junior – Redator ad hoc Designado Fl. 101DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 08/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/08/2015 por MARIA CLECI COTI MA RTINS, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 13361.000136/92-18
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Aug 20 00:00:00 UTC 2001
Ementa: ITR — LANÇAMENTO — NULIDADE.
É nulo o lançamento, devendo assim ser declarado, que contenha
vício de forma, caracterizado pela ausência dos requisitos
estabelecidos no art. 11, inciso IV, do Decreto n° 70.235/72.
Precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais.
Preliminar de nulidade acolhida.
Numero da decisão: CS RF/03-03.198
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Turma, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, Declarar a nulidade do lançamento por vicio formal, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros: Henrique Prado Megda e João Holanda Costa. O Conselheiro Henrique Prado Megda fará declaração de voto.
Nome do relator: Paulo Roberto Cuco Antunes
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'4> TERCEIRA TURMA Processo n° :13361.000136/92-18 Recurso n° : RP/201-0.357 Recorrida : PRIMEIRA CÂMARA DO SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Matéria I.T.R. Recorrente : FAZENDA NACIONAL Sujeito Passivo : EXPEDITO ALVES DA SILVA Sessão de :20 DE AGOSTO DE 2001 Acórdão n° : CS RF/03-03.198 ITR — LANÇAMENTO — NULIDADE. É nulo o lançamento, devendo assim ser declarado, que contenha vício de forma, caracterizado pela ausência dos requisitos estabelecidos no art. 11, inciso IV, do Decreto n° 70.235/72. Precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Preliminar de nulidade acolhida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela Fazenda Nacional ACORDAM os Membros da Terceira Turma, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, Declarar a nulidade do lançamento por vicio formal, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros: Henrique Prado Megda e João Holanda Costa. O Conselheiro Henrique Prado Megda fará declaração de voto. ON PEREs‘.- ifirr ' UES PRESIDENT./ PAULO ser: - - O CUCO ANTUNES RELATOR FORMALIZADO EM: 28 SET 2001 Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes Conselheiros: CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, MOACYR ELO'! DE MEDEIROS, MARCIA REGINA MACHADO MELARÉ e NILTON LUIZ BARTOLI. . • t • Processo n° : 13361.000136/92-18 Acórdão n° : CSRF/03-03.198 Recurso n° : RP/201-0.357 Recorrente : FAZENDA NACIONAL Sujeito Passivo : EXPEDITO ALVES DA SILVA RELATÓRIO E VOTO Versa o presente litígio sobre a cobrança do ITR e Contribuições Sindicais, do exercício de 1992, sobre o imóvel denominado "LAGOA SECA", localizado no município de CAMPO MAIOR — Pl. A exigência em questão constitui-se pela Notificação de Lançamento acostada às fls. 02, a qual foi emitida por processo eletrônico, não contendo a indicação do cargo ou função, nome ou número de matrícula do chefe do órgão expedidor, nem tampouco de outro servidor autorizado a emitir tal documento. Levando em consideração o entendimento que já se tomou assente nesta Câmara Superior, com relação às Notificações emitidas em tais circunstâncias, passo diretamente à análise preliminar desta questão, sem me ater às razões de mérito que integram o Recurso Especial interposto pela Douta Procuradoria da Fazenda Nacional, contra o Acórdão n° 201-71.020, de 15/09/97, prolatado pela Colenda Primeira Câmara do E. Segundo Conselho de Contribuintes. Em casos da mesma espécie, com relação à forma do lançamento efetuado, assim tenho me pronunciado em outros julgados: O Decreto n° 70.235/72, em seu art. 11, determina: `Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: IV — a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único — Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico." .01(110 2 • • Processo n° : 13361.000136192-18 Acórdão n° : CSRF/03-03.198 Percebe-se, portanto, que embora o parágrafo único do mencionado dispositivo legal dispense a assinatura da notificação de lançamento, quando emitida por processo eletrônico, é certo que não dispensa, contudo, a identificação do chefe do órgão ou do servidor autorizado, nem a indicação de seu cargo ou função e o número da respectiva matricula. Acompanho entendimento do nobre colega, Conselheiro lrineu Bianchi, da D. Terceira Câmara do E. Terceiro Conselho de Contribuintes, assentado em vários julgados da mesma natureza, que assim se manifesta: "A ausência de tal requisito essencial vulnera o ato, primeiro porque esbarra nas prescrições contidas no art. 142 e seu parágrafo, do Código Tributário Nacional e, segundo, porque revela a existência de vício formal, motivos estes que autorizam a decretação de nulidade da notificação em exame. Com efeito, segundo o art. 142, parágrafo único, do C77V, 'a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória...', entendendo-se que esta vincula ção refere-se não apenas aos fatos e seu enquadramento legal, mas também às normas procedimentais. Assim, o "ato deverá ser presidido pelo princípio da legalidade e ser praticado nos termos, forma, conteúdo e critérios determinados pela lei..." (MAIA, Man, Elbe Gomes Queiroz. Do lançamento tributário : Execução e controle. São Paulo : Dialética, 1999, p. 20). Para Paulo de Barros Carvalho, 'a vincula ção do ato administrativo, que, no fundo, é a vincula ção do procedimento aos termos estritos da lei, assume as proporções de um limite objetivo a que deverá estar atrelado o agente da administração, mas que realiza, imediatamente, o valor da segurança jurídica" (CARVALHO, Paulo de Barros, Curso de Direito Tributário. São Paulo : Saraiva, 2000, p. 372). Ou seja, o ato de lançamento deve ser executado nas hipóteses previstas em lei, por agente cuja competência foi nela estabelecida, em cumprimento às prescrições legais sobre a forma e o modo de como deverá revestir-se a exteriorização do ato, para a exigência de obrigação tributária expressa na lei. Assim sendo, a notificação de lançamento em análise, por não conter um dos requisitos essenciais, passa à margem do princípio da estrita legalidade e escapa dos rígidos limites da atividade vinculada, ficando ela passível de anulação. Outrossim, como ato administrativo que é, o lançamento deve apresentar-se revestido de todos os requisitos exigidos para os atos jurídicos em geral, quais sejam, ser praticado por agente capaz, referir-se a objeto lícito e ser praticado consoante forma prescrita ou não defesa em lei (art. 82, Código Civil), enquanto que o art. 145, 11, do mesmo diploma legal diz que é nulo o ato jurídico quando não revestir a forma prescrita em lei. 3 • Processo n° :13361.000136/92-18 Acórdão n° : C SRF/03-03.198 Para os casos de lançamento realizado por Auto de Infração, a SRF, através da Instrução Normativa n°94, de 24/12/97, determinou no art. 5°, inciso VI, que 'em conformidade com o disposto no art. 142 da Lei n°5.172, de 25 de outubro de 1996 (Código Tributário Nacional — CTN) o auto de infração lavrado de acordo com o artigo anterior conterá, obrigatoriamente o nome, o cargo, o número de matrícula e a assinatura do AFTN autuante". Na seqüência, o art. 6° da mesma IN prescreve que `sem prejuízo do disposto no art. 173, inciso II, da Lei n° 5.172/66, será declarada a nulidade do lançamento que houver sido constituído em desacordo com o disposto no art. 5°.° Posteriormente e em sintonia com os dispositivos legais apontados, o Coordenador-Geral do Sistema de Tributação, em 3 de fevereiro de 1999, expediu o ADN COSIT n°2, que "dispõe sobre a nulidade de lançamentos que contiverem vício formal e sobre o prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário objeto de lançamento declarado nulo por essa razão", assim dispondo em sua letra «a": 'Os lançamentos que contiverem vício de forma — incluídos aqueles constituídos em desacordo com o disposto no art. 5° da IN SRF n°94, de 1997 — devem ser declarados nulos, de oficio, pela autoridade competente:" Infere-se dos termos dos diplomas retro citados, mas principalmente do ADN COSIT n° 2, que trata do lançamento, englobando o Auto de Infração e a Notificação, que é imperativa a declaração de nulidade do lançamento que contiver vício formal." Acrescento, outrossim, que tal entendimento encontra-se ratificado por esta Câmara Superior de Recursos Fiscais, que em recentes sessões, de 07/08 de maio do corrente ano, proferiu diversas decisões de igual sentido, como se pode constatar pela leitura dos Acórdãos n°s. CSRF/03.150, 03.151, 03.153, 03.154, 03.156, 03.158, 03.172, 03.176, 03.182, dentre muitos outros. Por tais razões e considerando que a Notificação de Lançamento do ITR apresentada nestes autos não preenche os requisitos legais, especificamente aqueles estabelecidos no art. 11, inciso IV, do Decreto n° 70.235/72, voto no sentido de declarar, de oficio, a nulidade do referido lançamento e, conseqüentemente, todos os atos dele decorrentes. Sala das Sessões, 20 de agosto de 2001 Pifita'ROE: CUCO ANTUNES 4 , , • Processo n° :13361.000136/92-18 Acórdão n° : CSRF/03-03.198 - - DECLARAÇÃO DE VOTO CONSELHEIRO HENRIQUE PRADO MEGDA e. Data vênia, sinto-me na obrigação de discordar do ilustre Conselheiro Relator no que toca a declaração da nulidade da Notificação de Lançamento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR e contribuições a. acessórias, com base nos artigos 5°, inciso VI, e 6°, da IN SRF n° 94/97, e par. único, do art. 11, do Decreto n° 70.235/72, com fulcro nos fundamentos que tem dado suporte às decisões da Colenda Segunda Câmara do E Terceiro Conselho de Contribuintes, como segue: Os dispositivos legais da IN SRF citada estabelecem, verbis: "1° A revisão sistemática das declarações apresentadas pelos contribuintes, relativas a tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, far-se-á mediante a utilização de malhas: I - nacionais ... II - locais ... Art. 2° As declarações retidas em malhas deverão ser distribuídas, para exame, a Auditor-Fiscal do Tesouro Nacional - AFTN, pelo titular da unidade de fiscalização da DRF ou IRF-A do domicílio do declarante. Art. 3° O AFTN responsável pela revisão da declaração deverá intimar o contribuinte a prestar esclarecimentos sobre qualquer falha nela detectada, fixando prazo para atendimento da solicitação. Art. 4° Se da revisão de que trata o art. 1° for constatada infração a dispositivos da legislação tributária proceder-se-á ao lançamento de oficio, mediante lavratura de auto de infração. Art. 5° Em conformidade com o disposto no art. 142 da Lei n°5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional - CTN) o auto Processo n° : 13361.000136/92-18 Acórdão n° : CSRF/03-03.198 de infração lavrado de acordo com o artigo anterior conterá, obrigatoriamente: VI - o nome, o cargo, o número de matricula e a assinatura do AFTN autuante; A análise da legislação retro mostra, sem sombra de dúvida, que se trata de declarações retidas em malhas, cujo procedimento fiscal de revisão, efetuado manualmente por AFTN, pode resultar em lançamento de oficio, consubstanciado em Auto de Infração. A própria ementa do ato evidencia a sua natureza - "Dispõe sobre o lançamento suplementar de tributos e contribuições". Não obstante, o documento cuja nulidade foi declarada pelo voto aqui contestado, nada tem a ver com o procedimento acima, posto que se trata de Notificação de Lançamento, emitida em função do lançamento normal, efetuado por processamento eletrônico de dados, com base nas informações cadastrais fornecidas pelo próprio contribuinte. Assim, fica evidenciada a inadequação da aplicação da IN SRF n° 94/97 ao lançamento normal do ITR e contribuições. Claro está que referido tributo também pode vir a ser objeto de malhas fiscais, de revisão manual de declarações por AFTN, e de lavratura de Auto de Infração, porém não foi este o procedimento adotado no caso em questão, nem na maciça maioria dos processos de ITR que aportam a este Conselho de Contribuintes. Demonstrada a inaplicabilidade do citado ato legal ao caso em tela, resta perquirir sobre as formalidades necessárias às Notificações de Lançamento, documento este aplicado à exigência do ITR e contribuições. O art. 11, do Decreto n° 70.235/72, determina, verbis: "Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: 6 - • Processo n° :13361.000136/92-18 Acórdão n° : CSRF/03-03.198 I - a qualificação do notificado; II - o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III - a disposição legal infringida, se for o caso; IV - a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Par. único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processamento eletrônico." A exigência contida no inciso I, acima, não pode ser afastada, sob pena de estabelecer-se dúvida sobre o pólo passivo da relação tributária, dada a multiplicidade de contribuintes do ITR. A ausência da informação prescrita no inciso II, por sua vez, impediria o próprio recolhimento do tributo, já que a sistemática de lançamento da Lei n° 8.847/94 prevê a apuração do montante pela própria autoridade administrativa, sem a intervenção do contribuinte, a não ser pelo fornecimento dos dados cadastrais. No que tange ao requisito do inciso III, este possibilita o estabelecimento do contraditório e a ampla defesa, razão pela qual não pode ser olvidado. Quanto à informações exigidas no inciso IV, note-se que elas dizem respeito ao "chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado", e não ao "agente fiscal do tesouro nacional autuante", até porque Notificação de Lançamento não se confunde com Auto de Infração. Tais informações, na prática, são imprescindíveis apenas naqueles lançamentos individualizados, efetuados pessoalmente pelo chefe da repartição ou por outro servidor por ele autorizado. O cumprimento deste requisito, por certo, evita que o lançamento seja efetuado por pessoa incompetente. 7 • Processo n° :13361.000136(92-18 Acórdão n° : CSRF/03-03.198 Já o lançamento do ITR é um procedimento massificado, processado eletronicamente, tendo em vista o grande universo de contribuintes. Assim, toma-se difícil a personalização do procedimento, a ponto de individualizar-se o pólo ativo da relação tributária. Dir-se-ia que a Notificação de Lançamento do ITR é um documento institucional, cujas características - o tipo de papel e de impressão, o símbolo das Armas Nacionais e a expressão "Ministério da Fazenda - Secretaria da Receita Federal" - não deixam dúvidas sobre a autoria do lançamento. Aliás, muitas vezes estas características identificam com mais eficiência a repartição lançadora, perante o contribuinte, que o nome do administrador local, seu cargo ou matricula. O que se quer mostrar é que não são apenas estes dados que conferem credibilidade e autenticidade ao documento, em face de seu destinatário. Além disso, nas Notificações do ITR está registrada como remetente (órgão expedidor) a repartição do domicílio fiscal do contribuinte, assim entendida a Delegacia ou Agência da Receita Federal, com o respectivo endereço. Ainda que algum destinatário tivesse dúvidas sobre a Notificação recebida, haveria plenas condições de dirigir-se à repartição, para quaisquer esclarecimentos, inclusive com acesso ao próprio chefe do órgão. Conclui-se, portanto, que em termos práticos, em nada prejudica o contribuinte, o fato de não constar da Notificação de Lançamento do ITR a personalização da autoridade expedidora. Vejamos, agora, as demais implicações, à luz do Decreto n° 70.235/72, com as alterações da Lei n° 8.748/93. O art. 59 do citado diploma legal estabelece, verbis: "Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. 8 Processo n° :13361.000136/92-18 Acórdão n° : CS RF/03-03.198 Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importam em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio." Por tudo o que foi exposto, conclui-se que o vício formal que aqui se analisa não caracterizou ato lavrado por pessoa incompetente, nem tampouco - ocasionou o cerceamento do direito de defesa dos contribuintes. A maior prova disso — consiste nas milhares de impugnações apresentadas aos órgãos preparadores. Tanto assim que os respectivos processos chegaram a este Conselho, em grau de recurso. Assim, o vício em questão não importa em nulidade, e poderia ter sido sanado, caso houvesse resultado em prejuízo para o sujeito passivo. Cabe ainda analisar a questão sob o ponto de vista da economia processual. A nulidade que aqui se discute foi declarada de ofício pela Douta Conselheira Relatora, conforme a parte dispositiva ao final do voto. Ainda que a nulidade houvesse sido arguida pelo recorrente, caberia a análise do mérito, em face do par. 3°, do mesmo art. 59, do Decreto n° 70.235/72, que aqui se transcreve: "Par. 3° Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta." Tal declaração de ofício traz outras consequências que podem ser prejudiciais ao contribuinte, principalmente em função do art. 173, inciso II, da Lei n° 5.172/66, a saber: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: II - da data em que se tomar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado." É entendimento pacífico no âmbito da Receita Federal que, embora o inciso acima contenha a expressão "que houver anulado", trata-se efetivamente de nulidade, posto que o dispositivo se refere a vício formal. 9 . - - Processo n° :13361.000136/92-18 Acórdão n° : CSRF/03-03.198 Assim, a autoridade lançadora disporá de cinco anos para repetir o ato inquinado, desta vez certamente adotando todos os procedimentos elencados no art. 11 do Decreto n° 70.235/72. Para muitos contribuintes, dependendo do caso, é preferível o julgamento do mérito, à declaração de nulidade, o que conduziria certamente a um novo lançamento, com a repetição de todo um ritual que, na maioria dos casos, onera o sujeito passivo com despesas de Laudo Técnico de Avaliação, honorários advocatícios, etc. Principalmente para aqueles que já foram vitoriosos em primeira instância, e vêm discutir no Conselho de Contribuintes apenas os acréscimos e penalidades pecuniárias. Para estes, certamente, não seria agradável submeter-se a um novo julgamento de primeira instância, dado o princípio da eventualidade. Ademais, assim se expressa o ilustre Conselheiro PAULO AFFONSECA DE BARROS FARIA JÚNIOR , no voto condutor do Acórdão que negou acolhimento à preliminar de Nulidade do Lancamento referente ao recurso 121.519 do Terceiro Conselho de Contribuintes: O art. 9 do Decreto n°70.235172, com a redação que a ele foi dada pelo art. 1° da Lei 8.748193, estabelece: "A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito." No artigo 142 do CTN são indicados os procedimentos para constituição do crédito tributário, que é, sempre, decorrente do surgimento de uma obrigação tributária, descrevendo o lançamento como: 1. a verificação da ocorrência do fato gerador: 2. a determinação da matéria tributável: 3. o cálculo do montante do tributo: 10 _ . Processo n° :13361.000136/92-18 Acórdão n° : CSRF/03-03.198 4. a identificação do sujeito passivo: 5. proposição da penalidade cabível, sendo o caso, Como já se viu, a penalização da exigência do crédito tributário far- se-á através de auto de infração ou de notificação de lançamento, lavrando-se autos e notificações distintos para cada tributo, a fim de não tumultuar sua apreciação, em face da diversidade das legislações de regência. A legislação que regula o Processo Administrativo Fiscal estabelece, no art. 11, do Decreto 70.235/72, o que a notificação de lançamento, expedida pelo órgão que administra o tributo conterá obrigatoriamente, entre outros requisitos, "a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número da matrícula", prescindindo dessa assinatura a notificação emitida por processo eletrônico. Já o artigo 59 do Decreto 70.235/72 diz serem nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. O dispositivo subseqüente, artigo 60, reza que "as irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Assim, a Notificação de Lançamento que não contiver a assinatura, quando for o caso, com indicação do chefe do órgão expedidor, ou de servidor autorizado, com a menção de seu cargo ou função e seu número de matrícula, não se enquadra entre as situações de irregularidades, incorreções e omissões, um dos requisitos obrigatórios desse documento, não podendo ser sanados e não deixam de implicar em nulidade. 11 Processo n° :13361.000136/92-18 Acórdão n° : CSRF/03-03.198 Isso porque constituem cerceamento do direito de defesa, porque não se fica sabendo se se trata de ato praticado por servidor incompetente, os dois casos de nulidades absolutas insanáveis, pois está fundada em princípios de ordem pública a obrigatoriedade de os atos serem praticados por quem possuir a necessária competência legal. Todavia, todas essas considerações não se aplicam à questão em tela, "Notificação de Lançamento do ITR', até 31112/96, por se tratar de uma notificação atípica, pois, ao contrário do que estatui o artigo 9' do Decreto 70.235172, ela não se refere a um só imposto. Ela abarca, além do ITR, as Contribuições Sindicais destinadas às entidades, patronais e profissionais, relacionadas com a atividade agropecuária. Essas contribuições, segundo a legislação de regência, tem a seguinte destinação: 60% para os Sindicatos da categoria, 15% para as Federações estaduais que os abarcam, 5% para as Confederações Nacionais (CNA e CONTAG) e os 20% restantes vão para o Ministério do Trabalho (conta Emprego e Salário, que se destina a ações desse Ministério que visam ao apoio à manutenção e geração de empregos e melhoria da remuneração dos trabalhadores). Além dessas Contribuições Sindicais, a chamada Notificação de Lançamento do ITR promove a arrecadação destinada ao SENAR que é o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural, que objetiva o aprendizado, treinamento e reciclagem do trabalhador rural. Por se tratar de cobrança de valores com objetivos e destinações amplamente diversos, tal fato tumultua a apreciação do lançamento, face a diversidade das legislações de regência, com diversas conseqüências danosas às arrecadações, quando apenas uma delas apresentar irregularidade ou sofrer outras contestações, podendo impedir o prosseguimento do recolhimento das demais. 12 - . • • • Processo n° :13361.000136/92-18 Acórdão n° : CSRF/03-03.198 Essa dita Notificação de Lançamento também contraria o disposto no art. 142 do CTN, que lista os procedimentos para constituição do crédito tributário, como tratado anteriormente neste Voto. Dessa forma, a chamada Notificação de Lançamento do ITR, não é, propriamente, uma das formas de exigência de crédito tributário, uma vez que, inclusive, não segue os ditames do CTN e do Processo Administrativo Fiscal. É um instrumento de cobrança do ITR e das demais Contribuições. Assim sendo, não está essa dita Notificação de Lançamento sujeita às normas legais que cuidam de nulidade, a qual, argüida, não deve ser acolhida. Por todo o exposto, REJEITO A PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. Sala das Sessões-DF, em 20 de agosto de 2001. - HENRIQU RADO MEGDA 13 Page 1 _0050500.PDF Page 1 _0050700.PDF Page 1 _0050900.PDF Page 1 _0051100.PDF Page 1 _0051300.PDF Page 1 _0051500.PDF Page 1 _0051700.PDF Page 1 _0051900.PDF Page 1 _0052100.PDF Page 1 _0052300.PDF Page 1 _0052500.PDF Page 1 _0052700.PDF Page 1
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