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Numero do processo: 10925.907307/2012-15
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. DO CONTRIBUINTE.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-005.803
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ICMS. INCLUSÃO. O valor do ICMS compõe a estrutura de preço da mercadoria ou produto, que corresponde ao faturamento, não podendo ser excluído na apuração da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins sem expressa disposição legal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004 INCONSTITUCIONALIDADE. ALEGAÇÕES NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. A discussão sobre a constitucionalidade ou inconstitucionalidade de lei não cabe na esfera administrativa, ressalvadas as exceções à regra. (Súmula CARF nº 2). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. DO CONTRIBUINTE. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 73 07 /2 01 2- 15 Fl. 63DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Esta Contribuinte transmitiu Declaração de Compensação (DComp) de PIS apurado no regime cumulativo, no valor de R$ 14.287,82, relativo a pagamento indevido ou maior que o devido efetuado em 13/08/2004. Despacho Decisório do DRF/Joaçaba indeferiu a DComp, tendo em vista que a partir das características do DARF discriminado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Em manifestação de inconformidade apresentada, a Contribuinte alegou que: a) a DComp referese a crédito decorrente de pagamento a maior da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculos do PIS e da Cofins; b) os arts. 2º e 3º, da Lei nº 9.718/98, e o art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, apenas admitem como base de cálculo de supraditas contribuições a receita ou o faturamento, não autorizando a inclusão do ICMS em citada base de cálculo, pois o valor deste imposto constitui ônus fiscal – e não faturamento; c) o valor do ICMS está embutido no preço das mercadorias por força da legislação deste imposto1, a qual determina que sua base de cálculo seja composta do próprio tributo, constituindo o destaque mera indicação para fins de controle; d) o faturamento “é decorrente, em essência, de um negócio jurídico, de uma operação, importando, por isso mesmo, o que é recebido por aquele que a realiza, considerada a venda de mercadoria ou mesmo a prestação de serviço” e que “a base de cálculo não pode extravasar, desse modo, sob o ângulo do faturamento, o valor do negócio, ou seja, a parcela recebida com a operação mercantil ou similar”; Pugnou, ainda, que se atentasse “para o princípio da razoabilidade, pressupondose que o texto constitucional se mostre fiel, no emprego dos institutos, de Expressões e vocábulos, ao sentido próprio que eles possuem, não merecendo outras interpretações” e transcreve o art. 110, do CTN. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10925.907307/201215 Acórdão n.º 3803005.803 S3TE03 Fl. 64 3 Em julgamento da lide a DRJ/Recife fez menção à regramatriz da base de cálculo das contribuições, disposta na norma dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/98 e de outras disposições legais e concluiu não haver previsão para a exclusão do ICMS do faturamento. Buscou reforço em decisões do STJ e de tribunais regionais. Demais, mencionou a falta de anexação de provas da alegado indébito. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/075/2004 a 31/07/2004 TRIBUTO. PAGAMENTO ESPONTÂNEO. RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO. REQUISITOS. O direito ä restituição de tributo pago de acordo com o valor confessado em DCTF ativa quando da emissão do Despacho Decisório exige a comprovação, pelo sujeito passivo, de erro nesta confissão e de que referido pagamento é indevido ou a maior que o devido em face da legislação aplicável ou das circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. CONTRIBUIÇÃO. BASE DE CÁLCULO. ICMS. INCLUSÃO. O ICMS, devido por responsabilidade tributária própria, compõe o preço da mercadoria e integra a base de cálculo da contribuição, mesmo numa visão de faturamento estreita à receita de vendas de mercadorias e/ou serviços. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004 DIREITO CREDITÓRIO. PROVAS. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. Ressalvadas as hipóteses das alíneas “a” a “c”, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72, as provas do direito creditório devem ser apresentadas por ocasião da interposição da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Cientificada da decisão em 12 de outubro de 2013, irresignada, apresentou recurso voluntário em 4 de novembro de 2013, em que reiterou os termos da manifestação de inconformidade, acrescentando o pedido de sobrestamento do julgamento, por aplicação do art. 62A do Regimento Interno do CARF, em razão de a matéria se encontrar em apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A presente controvérsia cingese à inclusão dos valores de ICMS no faturamento como base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep. Destaco, inicialmente, que não se pode perder de vista que a carga valorativa a se aplicar na interpretação da legislação tributária relativa a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no exercício da competência que cabe ao CARF , deve ser dosada no âmbito do controle de legalidade a que se limitam as decisões administrativas. Com efeito, o Supremo Tribunal Federal, em apreciação da matéria aqui sob exame, sobresteve o julgamento do RE 240.785/MG, em 13/08/2008, em face da superveniência e da precedência da ADC nº 18/DF[1]. A propositura desta ação é do Presidente da República e o seu objeto é obter a declaração de legitimidade da inclusão na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep dos valores pagos título de ICMS e repassados aos consumidores no preço dos produtos ou serviços, pressuposta no art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718, de 27 de novembro de 1998[2]. Com a perda da eficácia da Medida Cautelar na dita ADC, em 21/9/2010, nada obsta o julgamento da matéria pelo CARF, razão porque não pode ser atendido o pedido de sobrestamento do presente processo. A instituição da Cofins pela LC 70/91[3] inaugurou a delimitação da palavra faturamento afirmando que o IPI não o integra, quando destacado em separado no documento fiscal. A alteração do PIS/Pasep pela MP nº 1.212/96, convertida na Lei nº 9.715/98[4], também o fez estabelecendo que nele não se incluem o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 1 Decisão: O Tribunal sobrestou o julgamento do recurso, tendo em vista a decisão proferida na ADC 185/DF. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Presidência do Senhor Ministro Gilmar Mendes. Plenário, 13.08.2008. 2 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 3 Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10925.907307/201215 Acórdão n.º 3803005.803 S3TE03 Fl. 65 5 A Lei nº 9.718/98[5] unificou a base de cálculo das contribuições e o fez destacando as grandezas que devem ser excluídas da receita bruta, a teor do seu o parágrafo segundo, entre estas o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Sabese que o ICMS é imposto que via de regra incide na entrega de mercadorias e serviços e compõe a sua estrutura de preços. Ao definirem faturamento, a LC 70/91 informa que não o integra o IPI; a Lei nº 9.715/98 informa que não o integra o IPI e o ICMS do substituto tributário; a Lei nº 9.718/98 informa que se excluem da receita bruta o IPI e o ICMS do substituto tributário. Ora, se o ICMS normal está fora desse rol de não integração/exclusão da base de cálculo, o faturamento, não há como não se considerar que ficou definido implícitamente que ele (o ICMS) integra o faturamento. Aditese que o seu histórico cálculo “por dentro”, segundo o ditame do DecretoLei nº 406/686 reiterado pela LC Nº 87/96[7][8].endossam esta conclusão. Exemplificando: · ICMS por dentro Tenhase, por hipótese o valor de: Mercadorias em estoque = R$ 830,00 Alíquota do ICMS = 17% 4 Art. 3o Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considerase faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas de bens e serviços canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, e o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias ICMS, retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 5 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 6 Art 2º A base de cálculo do impôsto é: § 7º O montante do impôsto de circulação de mercadorias integra a base de cálculo a que se refere êste artigo, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de contrôle. 7 Art. 13. A base de cálculo do imposto é: § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. 8 A LC nº 87/96, distintamente da LC nº 406/67, dispõe que integra a base de cálculo do ICMS além do próprio imposto o montante do IPI, exceto quando a operação, realizado entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Cálculo do preço de venda cujo montante final resultará no faturamento = R$ 830,00/83 % (100% 17%) = R$ 1.000,00 Valor do ICMS incluso no faturamento = 170,00 · Se o cálculo do ICMS fosse por fora O preço de venda seria o valor da mercadoria em estoque, que corresponderia ao faturamento Valor do ICMS: 830,00 x 17% = R$ 141,10; Na conformidade da formulação legal acima demonstrada o ICMS faz parte do preço da mercadoria como custo. E este é o desenho constitucional deste imposto após a declaração da constitucionalidade da LC 87/96 na decisão no RE nº 212.209/RJ, ementada na forma do transcrito abaixo: TRIBUTÁRIO. ICMS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO VALOR DO IMPOSTO COMO ELEMENTO INTEGRATIVO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE JURÍDICA. A base de cálculo dos tributos e a metodologia de sua determinação, porque constituem elementos de conhecimento indispensáveis para a definição do quantum debeatur, necessariamente, devem ser estabelecidas por lei, em obediência ao princípio da legalidade (CF, arts. 146, III, “a”, 150, I, e CTN, art. 97, IV). Inexiste inconstitucionalidade ou ilegalidade, se a própria lei complementar e a lei local permitem que entre os elementos componentes e formativos da base de cálculo do ICMS se inclua o valor do próprio imposto. É demais sabido que a ampliação do conceito de faturamento pelo § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98 foi foco da disputa que resultou na declaração da sua inconstitucionalidade pelo STF, prevalecendo a definição abrangente apenas das receitas provenientes das vendas de mercadorias e serviços pertinentes ao objeto social da atividade da pessoa jurídica. Em vista de subsistir uma definição legal de faturamento que permite considerar nele contido o ICMS normal segundo os dispositivos acima destrinçados , o Supremo Tribunal Federal ao fixar o seu conteúdo com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, poderia ter declarado a inconstitucionalidade, sem redução de texto, do § 2º do mesmo artigo, por deixar de inserir no rol das exclusões da receita bruta o ICMS normal. Se aquela Corte tinha a prerrogativa de fazêlo e não o fez, para tornar livres de mais questionamentos os seus contornos, o juízo que proferiu, tendo como alvo apenas o art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, ao contrário de se reputálo omisso, endossa o entendimento de inclusão do ICMS no faturamento. Entender diferente está a depender de novo posicionamento daquele Tribunal. A idéia sobre a qual se funda o grito pela exclusão do ICMS do faturamento é a de que o imposto é ‘cobrado’ do comprador pelo vendedor, e, assim, representa um ônus tributário que é repassado ao Estado; logo, por não configurar circulação de riqueza, não Fl. 68DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10925.907307/201215 Acórdão n.º 3803005.803 S3TE03 Fl. 66 7 ingressa no patrimônio do alienante, não podendo ser considerado receita do vendedor. Esta é a suma da tese que sustenta o voto do Min. Marco Aurélio no RE nº 240.785/MG. A tese já foi contraposta com sólido argumento por Hugo de Brito Machado[9], ao qual me filio. Defende ele que o entendimento segundo o qual o valor do ICMS componente do preço é receita do Estado é um equívoco conceitual relacionado à sujeição passiva do ICMS. O vendedor é o contribuinte de direito, não atua como um intermediário entre o comprador e o Estado, e os custos com o pagamento do imposto são custos seus e não do adquirente. O ônus correspondente ao valor do imposto é suportado pelo adquirente somente por meio do pagamento do preço, que é a contrapartida do fornecimento de mercadorias e serviços. Resultante dessa continência, tal valor ingressa no patrimônio do alienante e compõe o seu faturamento[10]. Apesar de ser voto minoritário no julgamento do RE 240.785/MG o Ministro Eros Grau manifestouse nesse mesmo sentido, verbis: O Min. Eros Grau, em divergência, negou provimento ao recurso por considerar que o montante do ICMS integra a base de cálculo da COFINS, porque está incluído no faturamento, haja vista que é imposto indireto que se agrega ao preço da mercadoria. Ser o ICMS custo que se adere à estrutura do preço do produto ou de certos serviços e, via de consequência, integra o faturamento, e não um ônus tributário do adquirente do qual se desincumbe perante o Estado por intermédio do repasse a este feito pelo vendedor, é demonstrado por implicações de ordem sancionatória, segundo as hipóteses abaixo: a) a falta de inclusão do ICMS no valor da operação, com a subsequente falta de destaque do imposto e de posterior recolhimento, não afeta a relação jurídica de sujeição passiva tributária, havendo de ser exigido do vendedor o imposto e seus consectários; b) a inclusão do ICMS no valor da operação e a subsequente falta de emissão da nota fiscal não configura o crime de apropriação indébita, mas o de sonegação fiscal, 9 Citado por Anselmo Henrique Cordeiro Lopes, in A inclusão do ICMS na Base de Cálculo da COFINS, disponível em http://jus.com.br/artigos/9674/ainclusaodoicmsnabasedecalculodacofins/2; data de acesso: 22.12.2013. 10 No ICMSST o empresário que promove a saída do produto é o contribuinte de direito. No entanto, a Lei de Normas Gerais do ICMS, LC 87/96, ao manter na relação jurídica tributária o adquirente, por legitimálo para repetir indébito ou pagamento a maior do imposto recolhido pelo substituto, subverte a lógica própria desse regime e faz com que o vendedor atue como intermediário entre o comprador e o Estado e torna de terceiro os custos com o pagamento do imposto e de natureza tributária o ônus correspondente ao valor do imposto suportado pelo adquirente. Penso que daí a sua legitimação para não integrar o faturamento o ICMS retido pelo vendedor. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 previsto art. 1º, V, da Lei nº 8.137/90 e no art. 71, I, da Lei nº 4.502/65, cujo procedimento fiscal terá como sujeito passivo o vendedor. Por fim, nesta segunda fase recursal, a Recorrente nenhum elemento anexa referente às provas, cujo ônus é seu. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 25 de março de 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 70DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 15504.721725/2013-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2302-000.291
Decisão: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/1996 a 31/12/2003.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que o Fisco se pronuncie de maneira conclusiva a respeito da diferença de base de cálculo verificada na competência 04/2008, no estabelecimento CNPJ nº 33.633.561/0001-87, e sobre as lacunas existentes na folha 54/432 do Anexo CE 2008, à fl. 296.
Liége Lacroix Thomasi - Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), André Luís Mársico Lombardi, Maria Alselma Coscrato dos Santos, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1996 a 31/12/2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que o Fisco se pronuncie de maneira conclusiva a respeito da diferença de base de cálculo verificada na competência 04/2008, no estabelecimento CNPJ nº 33.633.561/000187, e sobre as lacunas existentes na folha 54/432 do Anexo CE 2008, à fl. 296. Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), André Luís Mársico Lombardi, Maria Alselma Coscrato dos Santos, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 04 .7 21 72 5/ 20 13 -6 4 Fl. 19904DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.721725/201364 Resolução nº 2302000.291 S2C3T2 Fl. 164 2 1. RELATÓRIO Período de lançamento do débito: 01/01/2008 a 31/12/2008 Data de lavratura dos Autos de Infração: 01/03/2013 Data da ciência dos Autos de Infração: 08/03/2013 Temse em pauta Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ em Belo Horizonte/MG que julgou procedente em parte a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio dos Autos de Infração de Obrigação Principal nº 37.351.9850 e 37.351.9869, consistentes em contribuições sociais previdenciárias a cargo da empresa, destinadas ao custeio da Seguridade Social, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, e a Outras Entidades e Fundos, incidentes sobre os valores pagos a segurados empregados a título de participação nos lucros, porém pagos em desacordo com a lei específica de regência, Abono salarial pago em setembro/2009, cartão combustível, despesas de farmácia e reembolso de óculos e a pessoas físicas que prestaram serviços à empresa com todos os requisitos da figura do segurado empregado, porém, indevidamente tidos pela empresa como segurados contribuintes empresários de pretensas pessoas jurídicas contratadas, conforme descrito no relatório fiscal de fls. 53/155. De acordo com a Resenha Fiscal, as obrigações tributárias exigidas nos Autos de Infração de Obrigação Principal nº 37.351.9850 e 37.351.9869 têm por fatos geradores os seguintes Fatos Jurígenos Tributários: · Abono salarial pago em setembro de 2009 aos empregados da filial 33.633.561/000500, conforme previsto em Convenção Coletiva de Trabalho 2008/2009 celebrado entre SENGE/SC e a LEME; · Cartão ecx combustível, em valores fixos, fornecidos no período 01/2008 a 01/2009, a Dejair Soares Porto e Carlos Roberto de Oliveira; · PLR paga a segurados empregados em desacordo com a Lei nº 10.101/2000; · Despesas de farmácia e reembolso de óculos pagos apenas a empregados da filial Florianópolis; · Bolsas de estágio pagas sem o termo de compromisso no mês de competência da prestação de serviços; · Valores pagos a pessoas físicas que prestaram serviços à empresa com todos os requisitos da figura do segurado empregado, porém, indevidamente tidos Fl. 19905DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.721725/201364 Resolução nº 2302000.291 S2C3T2 Fl. 165 3 como segurados contribuintes empresários de pretensas pessoas jurídicas contratadas. Integra ainda o presente lançamento o crédito tributário lançado por intermédio do Auto de Infração de Obrigação Acessória nº 37.351.9842, Código de Fundamentação Legal nº 68, lavrado em decorrência do descumprimento de obrigação acessória prevista no inciso IV do art. 32 da Lei de Custeio da Seguridade Social. CFL 68 Apresentar a empresa GFIP/GRFP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em ralação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade Beneficente) ou substituição (SIMPLES, Clube de Futebol, produção rural) Art. 284, II na redação do Dec. 4.729, de 09/06/2003. O contribuinte deixou de informar nas GFIP referentes ao período de apuração suso indicado os fatos geradores acima descritos, infringindo, assim, o disposto no artigo 32, IV da Lei 8.212/91, com redação dada pela Lei 9.528/97. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o Sujeito Passivo ofereceu impugnação administrativa a fls. 8645/8650, 8673/8722 e 9286/9335. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 0246.450 6ª Turma da DRJ/BHE, a fls. 14916/14947, julgando procedente em parte o lançamento tributário, para dele fazer excluir, somente e tão somente, a parcela paga a título de abono único, na competência setembro/2009, e ratificando o crédito tributário remanescente na forma consignada no Discriminativo Analítico do Débito Retificado DADR a fls. 14948/14981, recalculando, em virtude de tal exclusão, a penalidade pecuniária a ser aplicada mediante o Auto de Infração de Obrigação Acessória nº 37.351.9842. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 22/08/2013, conforme Aviso de Recebimento a fl. 14988. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o Sujeito Passivo interpôs Recurso Voluntário a fls. 14989/15052, respaldando sua contrariedade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: · Ilegalidade da caracterização dos sócios das empresas contratadas como empregados da Recorrente. Aduz que a desconsideração da personalidade jurídica dessas empresas ofende ao regime de tributação instituído pelo art. 129 da Lei nº 11.196/2005; · Ilegalidade do lançamento por vício substancial na composição da base de cálculo. Aduz que o lançamento é nulo por ausência de fundamento legal do arbitramento; Fl. 19906DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.721725/201364 Resolução nº 2302000.291 S2C3T2 Fl. 166 4 · Inexistência de simulação e vínculo empregatício; · Inexistência de subordinação. As pessoas jurídicas desempenham os trabalhos contratados com independência e autonomia técnica; · Inexistência de eventualidade; · Não incidência de contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de PLR; · Não incidência de contribuição previdenciária sobre os valescombustível fornecidos em forma de cartão, uma vez que houve comprovação de despesas; · Não incidência de contribuição previdenciária sobre reembolso de valores referentes a aquisição de óculos e ao auxílio farmácia, pois não possuem natureza remuneratória; · Não incidência de contribuição previdenciária sobre a bolsa de estágio; · Que a multa moratória deve ser reduzida ao percentual de 20%; Invalidade de multa isolada pelo descumprimento de obrigação acessória; · Erro na apuração da base de cálculo no mês de abril/2008 referente ao estabelecimento CNPJ nº 33.633.861/000187; Ao fim, requer a desconstituição dos lançamentos tributários em questão. Fl. 19907DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.721725/201364 Resolução nº 2302000.291 S2C3T2 Fl. 167 5 2. VOTO Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator DA BASE DE CÁLCULO DO LANÇAMENTO O Recorrente alega a existência de erro na apuração da base de cálculo no mês de abril/2008 referente ao estabelecimento CNPJ nº 33.633.861/000187. Aduz que o Demonstrativo de Débito acusa como base de cálculo do mês de abril/2008 o montante de R$ 571.665,76 , enquanto que o Anexo CE 2008, onde a Fiscalização relacionou as notas fiscais cujos pagamentos compuseram a base de cálculo das contribuições lançadas acusam um somatório de R$ 490.491,50. Compulsando os autos, verificamos que o Anexo CE 2008 é composto por 432 folhas, nas quais são apresentados, na forma de planilha, de maneira contínua e sem intervalos, os registros das notas fiscais colhidas pela Fiscalização, discriminadas por CNPJ do tomador, competência, sócio da PJ prestador do serviço, a empresa contratada e seu CNPJ, o número da nota fiscal e seu valor, bem como a descrição dos serviços prestados. Ocorre que na folha 54/432 do Anexo CE 2008, a fl. 296, restam integralmente apagados sete registros de lançamento de notas fiscais, e parcialmente um único registro, relativo ao pela empresa Hidrocon Consultoria de Recursos Hídricos ltda, ao estabelecimento CNPJ 33.633.561/000187, na competência 04/2008. Compulsando os autos, foi possível localizar a nota fiscal referente ao serviço prestado pela empresa Hidrocon Consultoria de Recursos Hídricos ltda, ao estabelecimento CNPJ 33.633.561/000187, na competência 04/2008, no valor de R$ 25.200,00. A localização da nota fiscal acima referida reforça a ideia de que, por algum descuido involuntário, restaram apagados 07 registros de notas fiscais na folha 54/432 do Anexo CE 2008, a fl. 296. Em vista disso, a discrepância do valor da base de cálculo apontada pelo Recorrente se deve, provavelmente, ao fato de haver sido computado no somatório empreendido pelo Sujeito Passivo os valores das notas fiscais cujos registros encontramse apagados na folha 54/432 do Anexo CE 2008, a fl. 296. No entanto, dado ao elevado número de documentos que integram o vertente lançamento, a procura pelas demais notas fiscais, sem qualquer indicação do prestador do serviço, representaria procurar uma agulha no palheiro. Por tais razões, pugnamos pela conversão do julgamento em diligência, para que a Fiscalização se pronuncie de maneira conclusiva a respeito da diferença de base de cálculo verificada na competência 04/2008, no estabelecimento CNPJ 33.633.561/000187, apontada pelo Recorrente, e sobre as lacunas existentes na folha 54/432 do Anexo CE 2008, a fl. 296. Fl. 19908DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.721725/201364 Resolução nº 2302000.291 S2C3T2 Fl. 168 6 Concluída a diligência, antes de os autos retornarem a este Colegiado, deverá ser intimado o Recorrente, para que dela tome ciência e, desejando, possa se manifestar a respeito do resultado e do conteúdo da diligência ora em foco, no prazo normativo. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto pela CONVERSÃO do julgamento em DILIGÊNCIA, nos termos formulados nos parágrafos acima. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 19909DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 13019.000159/2004-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PRAZO DE CINCO DIAS. ART. 65 DO RICARF:
O prazo para a interposição de embargos de declaração é de 05 (cinco) dias a contar da intimação da decisão, de acordo com o art. 65 do RICARF. Os embargos apresentados após o transcurso deste prazo não deve ser conhecido.
Numero da decisão: 3401-002.412
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade, não se conheceu do recurso, por ser intempestivo.
(assinado digitalmente)
JULIO CESAR ALVES RAMOS - Presidente.
(assinado digitalmente)
FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl, Jean Cleuter Simoes Mendonca, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Angela Sartori.
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PRAZO DE CINCO DIAS. ART. 65 DO RICARF: O prazo para a interposição de embargos de declaração é de 05 (cinco) dias a contar da intimação da decisão, de acordo com o art. 65 do RICARF. Os embargos apresentados após o transcurso deste prazo não deve ser conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade, não se conheceu do recurso, por ser intempestivo. (assinado digitalmente) JULIO CESAR ALVES RAMOS - Presidente. (assinado digitalmente) FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl, Jean Cleuter Simoes Mendonca, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Angela Sartori.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1714; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 730 1 729 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13019.000159/200417 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3401002.412 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de setembro de 2013 Matéria Contribuição para o PIS/Pasep Embargante ITAPINUS INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MADEIRA LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PRAZO DE CINCO DIAS. ART. 65 DO RICARF: O prazo para a interposição de embargos de declaração é de 05 (cinco) dias a contar da intimação da decisão, de acordo com o art. 65 do RICARF. Os embargos apresentados após o transcurso deste prazo não deve ser conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade, não se conheceu do recurso, por ser intempestivo. (assinado digitalmente) JULIO CESAR ALVES RAMOS Presidente. (assinado digitalmente) FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl, Jean Cleuter Simoes Mendonca, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Angela Sartori. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 01 9. 00 01 59 /2 00 4- 17 Fl. 758DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 9/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 2 Relatório 1. Tratase de Embargos de Declaração opostos, intempestivamente, pela contribuinte ITAPINUS INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MADEIRA LTDA. contra o Acórdão nº. 220100.073 (fls. 493/498) deste Colegiado que, por unanimidade de votos, negou provimento ao Recurso Voluntário interposto. 2. Transcrevo a ementa da decisão embargada, in verbis: “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 PIS NÃOCUMULATIVO. FRETE PARA ESTABELECIMENTO DA CONTRIBUINTE. O frete de mercadorias acabadas para armazenamento em estabelecimento da contribuinte não dá direito a créditos de PIS por falta de previsão legal nesse sentido. PIS NÃOCUMULATIVO. DESPESAS FINANCEIRAS COM CONTRATOS DE CÂMBIO. As despesas com contratos de câmbio não dão direito a créditos de PIS por falta de previsão legal nesse sentido. Recurso Voluntário Negado.” 3. Em suas razões de Embargos Declaratórios (fls. 705/710), a contribuinte esclarece que o recurso é tempestivo em razão de ter tomado conhecimento da decisão da qual recorre apenas em 03 de fevereiro de 2012. 4. No mérito, aponta que o acórdão recorrido merece reparação sob o argumento de que o transporte entre filiais para atingir o objetivo social da empresa gera direito de crédito da Cofins nãocumulativa. Cita o acórdão nº 340100.708, que entende ratificar sua tese. 5. Discorre que suas mercadorias eram vendidas para clientes domiciliados no exterior. Enfatiza que a tradição das mercadorias, que se destinavam unicamente à comercialização para o mercado externo, se dava no porto de embarque. 6. Indica, ainda, que o transporte entre as filiais era feito com único objetivo de exportação. 7. Em seu pedido, postula a total procedência do recurso com o consequente reconhecimento do seu direito ao crédito da Cofins nãocumulativa em relação ao custo do frete pelo transporte entre filiais. É a síntese do necessário. Fl. 759DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 9/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 13019.000159/200417 Acórdão n.º 3401002.412 S3C4T1 Fl. 731 3 Voto Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte 1. Os Embargos de Declaração têm um prazo inadiável de 5 (cinco) dias para ser interposto mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, de acordo com o §1º, do art. 65, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, transcrito a seguir: “Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. § 1° Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de cinco dias contado da ciência do acórdão: I por conselheiro do colegiado; II pelo contribuinte, responsável ou preposto; III pelo Procurador da Fazenda Nacional; IV pelos Delegados de Julgamento, nos casos de nulidade de suas decisões; V pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão.” 2. De igual modo, o art. 536, do Código de Processo Civil, prevê o mesmo prazo de 5 (cinco) dias para a interposição dos Embargos Declaratórios. Confirase abaixo: “Art. 536. Os embargos serão opostos, no prazo de 5 (cinco) dias, em petição dirigida ao juiz ou relator, com indicação do ponto obscuro, contraditório ou omisso, não estando sujeitos a preparo.” (Redação dada pela Lei nº 8.950, de 1994) 3. No caso em tela, o protocolo se deu após este lapso temporal, sendo assim intempestivo. A Contribuinte foi intimada da decisão do Acórdão proferido por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em 01.10.2009, conforme Aviso de Recebimento juntado às fls. 501, entretanto, só protocolizou o seu embargo, em 17.02.2012, (fls.705), quando este deveria ser protocolizado até o dia 06.10.2009. Fl. 760DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 9/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 4 4. Impende destacar que a contribuinte não se desincumbiu do ônus probatório a si imposto de demonstrar que tomou conhecimento do acórdão recorrido apenas em 03.02.2012, conforme discorre em seu recurso (fls.706). 5. Deste modo, não conheço do recurso, por sua intempestividade. É como voto. Fernando Marques Cleto Duarte Relator Fl. 761DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 9/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE
score : 1.0
Numero do processo: 13603.723340/2010-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - ORIGEM DE RENDIMENTOS DISCRIMINADA EM EXTRATOS BANCÁRIOS.
Conforme art. 42 da Lei n. 9.430/96, será presumida a omissão de rendimentos toda a vez que o contribuinte, titular da conta bancária, após regular intimação, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados em suas contas de depósito ou de investimento. Não deve ser considerado como base de cálculo de IRPF o montante de rendimentos bancários cuja origem restar comprovada na descrição do histórico dos extratos bancários que embasaram a autuação, devendo a Fiscalização, para estes, lançar o tributo de acordo com as regras específicas para o rendimento omitido em questão.
ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96 - IDENTIFICAÇÃO DOS DEPOSITÁRIOS, INAPLICABILIDADE.
Identificada a origem dos depósitos, a apuração do imposto deve obedecer as regras específicas do rendimento apurado (omissão de rendimento de pessoa jurídica ou de pessoa física), não subsistindo o lançamento com fundamento na presunção prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/96.
DISPONIBILIDADE FINANCEIRA - OMISSÃO DE RENDIMENTOS -ORIGEM DOS CRÉDITOS - COMPROVAÇÃO - NECESSIDADE - ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO - VARIAÇÃO PATRIMONIAL.
A autuação por omissão de rendimentos com base em depósitos bancários pode ser afastada através da comprovação da origem dos créditos efetuados em conta bancária. A disponibilidade financeira aponta para a existência de recursos em caixa, não indica a origem de depósitos glosados, já o acréscimo patrimonial a descoberto ocorre quando rendimentos ou recursos declarados não são suficientes para justificar a variação patrimonial, sendo aceitável para o seu afastamento a existência de disponibilidade financeira.
DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS - VALORES JUSTIFICADOS - VALORES GLOSADOS - AUSÊNCIA DE VEROSSIMILHANÇA - PROVA - NECESSIDADE.
Constatada a existência da receita, a comprovação documental da natureza jurídica a ela atribuída constitui ônus do contribuinte. A ausência de verossimilhança entre os valores justificados e os valores declarados em DIRPF aliada à ausência de provas, impossibilita a admissão das alegações.
Recurso voluntário parcialmente provido.
Numero da decisão: 2202-002.577
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para excluir da omissão apurada o valor de R$ 49.548,68.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Rafael Pandolfo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente), Marcio De Lacerda Martins (Suplente Convocado), Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior, Marco Aurelio De Oliveira Barbosa (Suplente Convocado), e Fabio Brun Goldschmidt.
Nome do relator: RAFAEL PANDOLFO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006 OMISSÃO DE RENDIMENTOS - ORIGEM DE RENDIMENTOS DISCRIMINADA EM EXTRATOS BANCÁRIOS. Conforme art. 42 da Lei n. 9.430/96, será presumida a omissão de rendimentos toda a vez que o contribuinte, titular da conta bancária, após regular intimação, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados em suas contas de depósito ou de investimento. Não deve ser considerado como base de cálculo de IRPF o montante de rendimentos bancários cuja origem restar comprovada na descrição do histórico dos extratos bancários que embasaram a autuação, devendo a Fiscalização, para estes, lançar o tributo de acordo com as regras específicas para o rendimento omitido em questão. ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96 - IDENTIFICAÇÃO DOS DEPOSITÁRIOS, INAPLICABILIDADE. Identificada a origem dos depósitos, a apuração do imposto deve obedecer as regras específicas do rendimento apurado (omissão de rendimento de pessoa jurídica ou de pessoa física), não subsistindo o lançamento com fundamento na presunção prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/96. DISPONIBILIDADE FINANCEIRA - OMISSÃO DE RENDIMENTOS -ORIGEM DOS CRÉDITOS - COMPROVAÇÃO - NECESSIDADE - ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO - VARIAÇÃO PATRIMONIAL. A autuação por omissão de rendimentos com base em depósitos bancários pode ser afastada através da comprovação da origem dos créditos efetuados em conta bancária. A disponibilidade financeira aponta para a existência de recursos em caixa, não indica a origem de depósitos glosados, já o acréscimo patrimonial a descoberto ocorre quando rendimentos ou recursos declarados não são suficientes para justificar a variação patrimonial, sendo aceitável para o seu afastamento a existência de disponibilidade financeira. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS - VALORES JUSTIFICADOS - VALORES GLOSADOS - AUSÊNCIA DE VEROSSIMILHANÇA - PROVA - NECESSIDADE. Constatada a existência da receita, a comprovação documental da natureza jurídica a ela atribuída constitui ônus do contribuinte. A ausência de verossimilhança entre os valores justificados e os valores declarados em DIRPF aliada à ausência de provas, impossibilita a admissão das alegações. Recurso voluntário parcialmente provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para excluir da omissão apurada o valor de R$ 49.548,68. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez - Presidente. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente), Marcio De Lacerda Martins (Suplente Convocado), Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior, Marco Aurelio De Oliveira Barbosa (Suplente Convocado), e Fabio Brun Goldschmidt.
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Conforme art. 42 da Lei n. 9.430/96, será presumida a omissão de rendimentos toda a vez que o contribuinte, titular da conta bancária, após regular intimação, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados em suas contas de depósito ou de investimento. Não deve ser considerado como base de cálculo de IRPF o montante de rendimentos bancários cuja origem restar comprovada na descrição do histórico dos extratos bancários que embasaram a autuação, devendo a Fiscalização, para estes, lançar o tributo de acordo com as regras específicas para o rendimento omitido em questão. ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96 IDENTIFICAÇÃO DOS DEPOSITÁRIOS, INAPLICABILIDADE. Identificada a origem dos depósitos, a apuração do imposto deve obedecer as regras específicas do rendimento apurado (omissão de rendimento de pessoa jurídica ou de pessoa física), não subsistindo o lançamento com fundamento na presunção prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/96. DISPONIBILIDADE FINANCEIRA OMISSÃO DE RENDIMENTOS ORIGEM DOS CRÉDITOS COMPROVAÇÃO NECESSIDADE ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO VARIAÇÃO PATRIMONIAL. A autuação por omissão de rendimentos com base em depósitos bancários pode ser afastada através da comprovação da origem dos créditos efetuados em conta bancária. A disponibilidade financeira aponta para a existência de recursos em caixa, não indica a origem de depósitos glosados, já o acréscimo patrimonial a descoberto ocorre quando rendimentos ou recursos declarados AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 33 40 /2 01 0- 45 Fl. 300DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 não são suficientes para justificar a variação patrimonial, sendo aceitável para o seu afastamento a existência de disponibilidade financeira. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS VALORES JUSTIFICADOS VALORES GLOSADOS AUSÊNCIA DE VEROSSIMILHANÇA PROVA NECESSIDADE. Constatada a existência da receita, a comprovação documental da natureza jurídica a ela atribuída constitui ônus do contribuinte. A ausência de verossimilhança entre os valores justificados e os valores declarados em DIRPF aliada à ausência de provas, impossibilita a admissão das alegações. Recurso voluntário parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para excluir da omissão apurada o valor de R$ 49.548,68. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Presidente. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente), Marcio De Lacerda Martins (Suplente Convocado), Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior, Marco Aurelio De Oliveira Barbosa (Suplente Convocado), e Fabio Brun Goldschmidt. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13603.723340/201045 Acórdão n.º 2202002.577 S2C2T2 Fl. 301 3 Relatório 1 Procedimento de Fiscalização Após verificar a incompatibilidade entre as informações apresentadas pelo recorrente em sua DIRPF anocalendário 2006 e os dados de sua movimentação financeira no mesmo período, a Fazenda Nacional decidiu iniciar procedimento de verificação em relação a esse anocalendário, pois, de acordo com seus dados internos, havia evidência de omissão de rendimentos pelo recorrente: os recursos movimentados em suas contas bancárias eram muito superiores aos rendimentos constantes da declaração de ajuste anual do período em análise. Após intimação para apresentar documentos perante a fiscalização, o recorrente encaminhou, em 25/05/09, à autoridade administrativa os extratos bancários das contas mantidas junto ao Banco Itaú S/A, Banco Bradesco S/A e Banco Santander S/A. Informou que as contas 121271, do Banco Itaú S/A e 120006 do Banco Bradesco S/A são de sua titularidade (fls. 3283 do eprocesso). Em 22/06/10, o recorrente foi intimado a comprovar, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, coincidentes em datas e valores a origem dos recursos relacionados ao termo de intimação fiscal (fls. 8497 do eprocesso). Em resposta requereu a dilação do prazo por 45 dias e apresentou os seguintes documentos: a) tabela de justificativa dos depósitos (fls. 100130 do eprocesso); b) livro diário dos anos 2004 e 2005 da empresa Nova Rota Transporte e Armazenagem Ltda., onde consta valores de lucros a distribuir em seu favor, bem como extrato da empresa Tropical Imóveis, referentes a recebimentos de aluguéis que constam em sua declaração de IR (fls. 131142 e fls. 144146); e c) cópia de sua DIRPF anocalendário 2005 (fl. 143). Ante a ausência de complementação de dados por parte do contribuinte, encerrouse o procedimento de fiscalização. 2 Notificação do Lançamento Em 09/12/10, a autoridade administrativa lavrou lançamento de ofício (fls. 0209 do eprocesso), embasado no argumento de que houve omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito bancários aos quais o recorrente, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Foi identificada como infrações a quantia de R$ 1.788.040,65 à qual foi aplicada alíquota de 27,5%. Disto, foi deduzida parcela de R$ 5.993,71, restando como imposto devido para o período o valor de R$ 496.281,20. Foi descontado o imposto pago de R$ 4.570,02, e aplicada multa de 75%, tendo como imposto apurado R$ 491.711.18. O total do crédito tributário constituído foi de R$ 1.043.165,26, incluídos Imposto de Renda da Pessoa Física, multa de ofício de 75% e juros moratórios. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 O contribuinte tomou ciência da notificação em 09/12/10. 3 Impugnação Indignado com a autuação, o recorrente apresentou impugnação (fls.171198 do eprocesso) tempestiva, esgrimindo os seguintes argumentos: a) as disponibilidade financeiras existentes em 31/12/05 e constantes em sua DIRPF, no valor de R$ 1.582.907,26, suportam parte dos depósitos realizados nos Bancos durante o ano de 2006. Neste ponto, o recorrente ressalta que a fiscalização, no termo de verificação fiscal, afirma que: “Verificamos que há em sua Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física 2006, registros de disponibilidade financeira em dezembro de 2005 na ordem de R$ 1.528.907,26, que suportam parte da movimentação em função de aplicações realizadas”; b) além da importância de R$ 1.528.907,26, constante como disponibilidade financeira em 31/12/05, devidamente lançada na Declaração de Bens, há que se excluir da base de cálculo os valores correspondentes aos depósitos em cheque que não se confirmaram, ou seja, que foram devolvidos pelos Bancos sacados; c) parte dos valores que transitaram pela sua conta originaramse da empresa Nova Rota Transportes e Armazenagem Ltda., e foram devolvidos à mesma no curso do ano de 2006, o que caracteriza mera transferência financeira de mútuo; d) a importância de R$ 651.984,77 referese à transferência entre agência cheque, e a importância de R$ 37.015,00 referese à transferência entre agência – dinheiro; e) as disponibilidades financeiras existentes tiveram origem nos rendimentos tributáveis e isentos lançados corretamente em suas declarações anteriores, sendo que na DIRPF correspondente ao ano calendário 2005, a quantia de R$ 998.629,34 a título de distribuição de lucros da empresa Nova Rota Transportes e Armazenagem Ltda. foi tributada pela sistemática de Lucro Presumido. Tais valores foram devidamente contabilizados em 31/12/05, à fl. 324 do Livro Diário nº 011 da empresa Nova Rota Transportes e Armazenagem Ltda., da mesma forma, a empresa contabilizou a quantia de R$ 158.339,38 a título de distribuição de lucros para o recorrente em 31/12/06, à fl. 207 do Livro Diário nº 012; f) para apurar os possíveis valores de depósitos sem lastro, a fiscalização deveria elaborar planilha através da qual seriam lançados o saldo disponível do ano anterior, mais os rendimentos lançados durante cada mês do ano, para depois substituir os depósitos, e caso restasse saldo em algum mês certamente ocorreria a presunção de omissão de rendimentos, entretanto, nada disto foi feito; g) o depósito bancário, por si só, e sem outros elementos de convicção, não pode ensejar o lançamento de imposto de renda, pois não configura, na espécie, a aquisição da disponibilidade jurídica e econômica; Fl. 303DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13603.723340/201045 Acórdão n.º 2202002.577 S2C2T2 Fl. 302 5 h) competia à fiscalização demonstrar que os depósitos bancários questionados realmente constituem rendimentos tributários, conforme exigência do princípio da verdade material; i) não há competência para instituição de imposto sobre a renda presumida, provável ou hipotética, nem a lei pode ser interpretada como criando essa hipótese de incidência; j) no caso, conforme se comprova pelas cópias das declarações apresentadas tempestivamente, não houve acréscimo patrimonial a descoberto, evidência de que a variação patrimonial do recorrente é positiva. Ainda, não tendo o contribuinte a obrigação de escriturar diariamente a sua movimentação bancária, ele não tem o dever de encontrar explicação relativa à origem de cada depósito; k) a tributação da movimentação bancária, a partir dos critérios exegéticos presumíveis, não pode ser alicerçada no art. 44 do CTN; l) o arbitramento de rendimentos pode ser efetuado mediante a utilização dos sinais exteriores de riqueza, cuja definição é a realização de gastos incompatíveis com a renda disponível, conforme art. 43 do CTN. Não sendo evidenciada a ocorrência da disponibilidade jurídica ou econômica de renda, não há como prevalecer o lançamento; m) juntou cópia das declarações de imposto de renda apresentadas tempestivamente, não tendo a fiscalização apontado omissão em nenhuma delas, da mesma forma como não evidenciou aumento de patrimônio incompatível com a renda declarada; n) o lançamento é atividade vinculada e obrigatória e deve ser acompanhado da motivação dos pressupostos que deram azo a sua materialização, sendo incorreto cogitar um ônus da prova na atividade de lançamento. A atuação administrativa pautada pela legalidade é incompatível com a figura jurídica do ônus da prova; o) a verdade material é o vetor da atuação administrativa de lançamento, e deve ser suficientemente robusta e motivada na tarefa de demonstração da efetiva ocorrência dos fatos que permitem o nascimento da obrigação tributária. O dever de prova e investigação constitui uma imposição constitucional derivada dos princípios da legalidade e da motivação, conformada pelo art. 142 do CTN, e é insuscetível de flexibilização, temperamentos ou inversões; p) a Súmula 182 do TFR determina que “É ilegítimo o lançamento do imposto de renda arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários.”; q) segundo a Câmara Superior de Recursos Fiscais, lançamentos fundados exclusivamente com base em depósitos bancários, sem maiores aprofundamentos investigatórios por parte da fiscalização, conflitam Fl. 304DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 com a regra do art. 43 do CTN, que prescreve o acréscimo patrimonial disponível como fato gerador do imposto de renda; 4 Acórdão de Impugnação A impugnação foi julgada pela 5ª Turma da DRJ/BHE, por unanimidade, parcialmente procedente (fls. 246252 do eprocesso), de acordo com o que segue: rejeitada a preliminar de nulidade; no mérito, excluído da tributação o valor de R$ 63.931,72, mantendo o imposto de renda no valor de R$ 474.129,94 a ser acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora. Os fundamentos foram os seguintes: a) os julgados do antigo Conselho de Contribuintes não possuem eficácia normativa por falta de lei que lhes atribua este efeito como exige o art. 100, II, do CTN, e não podem ser estendidos a terceiros alheios às lides em razão das quais foram proferidas à luz do que dispõe o art. 472 do CPC; b) a análise de constitucionalidade de leis é privativa do Poder Judiciário; c) doutrinas não podem ser opostas ao texto explícito do direito positivo, mormente em se tratando do direito tributário brasileiro, por sua estrita subordinação à legalidade; d) ocorrido o fato gerador, a autoridade fiscal deve constituir o crédito tributário calculando a exigência de acordo com a lei vigente à época do fato; e) não há falar em nulidade do auto de infração, porquanto todos os requisitos previstos no art. 10 do Decreto nº 70.235/72 foram observados quando da sua lavratura; f) conforme art. 42 da Lei nº 9.430/96, os depósitos bancários cujo titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regulamente intimado, não comprovar a origem, mediante documentação hábil, tornamse sujeitos à tributação por presunção legal de omissão de rendimentos; g) para a comprovação da origem dos depósitos, é necessária a vinculação de cada depósito a uma operação realizada, já tributada, isenta ou não tributável ou que será tributada após ser identificada, com coincidência de valores; h) o art. 42 da Lei nº 9.430/96 contempla a presunção legal a favor do fisco, havendo como prérequisito apenas a necessidade da falta de comprovação da origem dos depósitos bancários; i) a lei, ao prever a hipótese de incidência, não estabeleceu como o requisito a comprovação de que os depósitos correspondem a alterações patrimoniais positivas do contribuinte, vez que a infração de omissão proveniente de depósitos bancários difere do acréscimo patrimonial a descoberto. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13603.723340/201045 Acórdão n.º 2202002.577 S2C2T2 Fl. 303 7 j) não basta, para justificar os depósitos, que a renda e os bens declarados, sejam compatíveis com a movimentação financeira apurada, sendo necessária a comprovação individual da origem de cada depósito; k) não há como se acatar a alegação genérica de que os valores são provenientes de lucros, dividendos e mútuos realizados com a empresa Nova Rota Transporte e Armazenagem Ltda., sem devida vinculação e comprovação fiscal, contábil e documental, como já relatado no Termo de Verificação Fiscal; l) não há como ser aplicado o disposto no DecretoLei nº 2.471/88, tendo em vista a edição de lei posterior (Lei nº 9.430/96) tipificando a infração tributária; m) da análise conjunta das tabelas constantes do Termo de Verificação Fiscal, do Termo de Intimação e dos extratos bancários, verificase que a fiscalização não efetuou a exclusão dos valores relativos a cheques depositados e devolvidos na conta corrente do Banco Bradesco, apesar de constar no relatório fiscal que foram excluídos tais valores; n) cabe a exclusão dos valores relativos aos cheques depositados e devolvidos, de acordo com a tabela elaborada pelo recorrente às fls. 153/154, com exceção do valor de R$ 1.250,00 de 29/08/06 (doc. 850239) que foi informado em duplicidade na tabela. O valor correto a ser excluído é de R$ 63.931,72. 5 Recurso Voluntário Ciente em 17/05/12 do resultado do julgamento, o recorrente interpôs recurso voluntário (fl.262296 do eprocesso), em 25/05/12, repisando os argumentos da impugnação. É o relatório. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 Voto Conselheiro Rafael Pandolfo 1 Da Consideração de Depósitos Bancários como Fato Gerador no Imposto de Renda e da Omissão de Rendimentos Quanto à omissão de rendimentos constatada com base em depósitos bancários sem origem comprovada, sustenta que os depósitos bancários, por si só, não representavam rendimentos a sofrer a incidência do imposto de renda. Nesta senda, o Tribunal Federal de Recursos sumulou entendimento com esta exata interpretação (Súmula 182 do TFR), bem como o art. 90, VII, do DecretoLei n° 2.471/88 determinou o arquivamento de processos administrativos que controlassem débitos de imposto de renda arbitrado com base exclusivamente em valores de extratos ou comprovantes de depósitos bancários. Entretanto, com o advento do art. 6°, § 5°, da Lei n° 8.021/90, autorizouse o arbitramento de rendimentos com base em depósitos ou aplicações em instituições financeiras, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza, quando o contribuinte não pudesse comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não obstante, a jurisprudência administrativa passou a obrigar que a fiscalização comprovasse o consumo da renda pelo contribuinte, representada pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados. Este cenário foi profundamente alterado pelo art. 42 da Lei n° 9.430/96, com incidência sobre os fatos geradores ocorridos a partir de 1°/01/97. O art. 42 da Lei 9.430/96 estipula, in verbis: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. “ Tratase de presunção legal, que permite à Fazenda tributar depósitos bancários sem origem e/ou tributação justificados, cabendo prova em contrário, por parte da contribuinte. Como bem ensina Alfredo Augusto Becker, presunção é o resultado de processo lógico mediante o qual do fato conhecido cuja existência é certa se infere o fato desconhecido cuja existência é provável (Teoria Geral do Direito Tributário, 3. ed. São Paulo : Lejus. 1998. pg. 508). No caso da técnica de apuração baseada em presunção estabelecida pelo art. 42 da Lei 9.430/96, o fato conhecido é a existência de depósitos bancários, que denotam, a priori, acréscimo patrimonial. Tendo em vista que renda, para fins de imposto de renda, é considerada como o acréscimo patrimonial em determinado período de tempo, a existência de depósitos sem origem e sem tributação comprovados levam à presunção de que houve acréscimo patrimonial não oferecido à tributação; logo, omitido o fato desconhecido de existência provável. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13603.723340/201045 Acórdão n.º 2202002.577 S2C2T2 Fl. 304 9 Por ser presunção relativa, é necessário que o contribuinte seja intimado regularmente, principalmente do resultado da apuração dos depósitos discriminados individualmente, de modo a possibilitar a defesa, o que ocorreu no presente procedimento. Com a novel legislação acima, a jurisprudência administrativa chancelou as autuações que imputavam aos contribuintes o imposto de renda sobre a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Esse entendimento encontrase pacificado no âmbito da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Como exemplo, por todos, vejase o Acórdão n° CSRF/0400.164 (Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais), sessão de 13 de dezembro de 2005, relatora a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, unânime, que restou assim ementado: IRPF DEPÓSITOS BANCÁRIOS OMISSÃO DE RENDIMENTOS Presumese a omissão de rendimentos sempre que o titular de conta bancária, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósito ou de investimento (art. 42 da Lei e. 9.430, de 1996). Sendo assim, não é plausível o argumento esgrimido pelo contribuinte de que os depósitos bancários não seriam base de cálculo para o Imposto de Renda, o que afastaria a tributação. Ocorre que a análise da apresentada pelo recorrente revela que os depósitos abaixo alinhados tiveram sua origem identificada no campo “histórico do extrato”: Banco Data Evento Valor Bradesco 20/01/06 Doc Credito Automatico Friboi Ltda. 727,35 Bradesco 27/01/06 Doc Credito Automatico Friboi Ltda. 1.150,50 Bradesco 07/02/06 Doc Credito Automatico Friboi Ltda. 766,38 Bradesco 10/02/06 Doc Credito Automatico Friboi Ltda. 1.215,40 Bradesco 08/03/06 Doc Credito Automatico Friboi Ltda. 710,32 Bradesco 23/03/06 Doc Credito Automatico Friboi Ltda. 727,35 Bradesco 29/03/06 Doc Credito Automatico Friboi Ltda. 1.150,50 Bradesco 06/04/06 Doc Credito Automatico Friboi Ltda. 846,71 Bradesco 11/04/06 Doc Credito Automatico Friboi Ltda. 1.339,30 Bradesco 20/04/06 Doc Credito Automatico Friboi Ltda. 768,38 Bradesco 20/04/06 Doc Credito Automatico Friboi Ltda. 809,41 Bradesco 27/04/06 Doc Credito Automatico Friboi Ltda. 768,38 Bradesco 27/04/06 Doc Credito Automatico Friboi Ltda. 1.215,40 Bradesco 27/04/06 Doc Credito Automatico Friboi Ltda. 1.280,30 Bradesco 27/04/06 Doc Credito Automatico Friboi Ltda. 574,19 Bradesco 11/05/06 Doc Credito Automatico JBS 1.215,40 Bradesco 18/05/06 Doc Credito Automatico JBS 768,38 Bradesco 18/05/06 Doc Credito Automatico JBS 768,38 Bradesco 18/05/06 Doc Credito Automatico JBS 846,70 Bradesco 18/05/06 Doc Credito Automatico JBS 846,70 Bradesco 18/05/06 Doc Credito Automatico JBS 380,46 Bradesco 18/05/06 Doc Credito Automatico JBS 380,46 Bradesco 18/05/06 Doc Credito Automatico JBS 380,46 Bradesco 24/05/06 Doc Credito Automatico JBS 601,80 Bradesco 24/05/06 Doc Credito Automatico JBS 601,80 Fl. 308DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 Bradesco 26/05/06 Doc Credito Automatico JBS 1.150,50 Bradesco 26/05/06 Doc Credito Automatico JBS 1.339,30 Bradesco 26/05/06 Doc Credito Automatico JBS 1.215,40 Bradesco 26/05/06 Doc Credito Automatico JBS 1.339,30 Bradesco 30/05/06 Doc Credito Automatico JBS 846,71 Bradesco 26/06/06 Doc Credito Automatico JBS 809,41 Bradesco 26/06/06 Doc Credito Automatico JBS 727,35 Bradesco 29/06/06 Doc Credito Automatico JBS 1.280,30 Bradesco 12/07/06 Transf entre agenc dinh Schimit 9.000,00 Itaú 13/09/06 Ted 104.0082 Paulo Nogueira 11.000,00 Desse modo, verificase o equívoco da Fiscalização ao lançar o tributo com base no art. 42, da Lei n. 9.430/96, porquanto era possível verificar, do embate entre as informações prestadas pelo contribuinte durante o procedimento de fiscalização e os registros das movimentações nos extratos, que determinados fatos descritos pelo recorrente eram verossímeis. Uma vez identificada a origem dos depósitos, a Fiscalização deveria proceder a apuração do imposto de acordo com as regras específicas do rendimento apurado, conforme jurisprudência desse Conselho: DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM COMPROVADA ART. 42 DA LEI Nº 9430/96 PRESUNÇÃO DE RENDIMENTO OMITIDO – A presunção do art. 42 da Lei nº 9.4.30/96 é relativa, podendo ser afastada pela comprovação da origem do depósito bancário, quando, então, a autoridade autuante submeterá o rendimento outrora omitido às normas específicas de tributação, previstas na legislação vigente à época em que o rendimento foi auferido ou recebido. No caso em questão há comprovação da origem dos depósitos bancários. (CARF. 2ª Seção de Julgamento. 2ª Câmara. 2ª Turma Ordinária. Ac. 220200.198. Red. Conselheiro Pedro Anan Júnior. Julg. 19/08/09). Assim, relativamente aos depósitos acima transcritos, entendo que o lançamento padece de capitulação legal e fundamentação válidas, pois deveriam ter sido enquadradas como omissão de rendimentos de pessoa física e omissão de rendimentos de pessoa jurídica. Entendo, portanto, que o total de R$ 49.548,68 deve ser excluído da base de cálculo do imposto de renda, uma vez que demonstrada sua origem. 2 Da Disponibilidade Financeira Sustenta o recorrente que a disponibilidade financeira existente em 31/12/05 e constante em sua DIRPF, no valor de R$ 1.582.907,26, suporta parte dos depósitos glosados. Argumenta, ainda, que a fiscalização coadune com seu entendimento tendo afirmado no Termo de Verificação Fiscal que “há em sua Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física 2006, registros de disponibilidade financeira em dezembro de 2006 na ordem de R$ 1.528.907,26, que suportam parte da movimentação em função de aplicações realizadas”. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13603.723340/201045 Acórdão n.º 2202002.577 S2C2T2 Fl. 305 11 A alegação da fiscalização, todavia, não tem o condão de excluir os valores glosados, pois a disponibilidade financeira apenas aponta para a existência física de recurso em caixa, não indica a origem dos depósitos glosados pela fiscalização. No caso em tela, verificase que a autuação fiscal decorre da presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários realizados nas contas de titularidade do recorrente, que poderia ser afastada através da comprovação da origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, um a um, de forma individualizada. Deste modo, não há que se confundir omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, com a tributação referente ao acréscimo patrimonial a descoberto – quando rendimentos ou recursos declarados não são suficientes para justificar a variação patrimonial, na forma do art. 3º,§ 1º, da Lei n° 7.713/88. Neste sentido destacase precedente deste Conselho: ACRÉSCIMO PATRIMONIAL GASTOS E/OU APLICAÇÕES INCOMPATÍVEIS COM A RENDA DECLARADA LEVANTAMENTO PATRIMONIAL FLUXO FINANCEIRO BASE DE CÁLCULO APURAÇÃO MENSAL O fluxo financeiro de origens c aplicações de recursos será apurado mensalmente, considerando se todos os ingressos e dispêndios realizados, no mês, pelo contribuinte. Dessa forma, a determinação do acréscimo patrimonial a descoberto, considerandose o conjunto anual de operações, Mio pode prevalecer, urna vez que na determinação da omissão, as mutações patrimoniais devem ser levantadas mensalmente. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA PRESUNÇÃO LEGAL CONSTRUÍDA PELO ART. 42 DA LEI N° 9.430/96 IMPOSSIBILIDADE DA DESCONSTRUÇÃO DA PRESUNÇÃO A PARTIR DA VARIAÇÃO DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS. Não se deve confundir a tributação prevista no art. 42 da Lei n° 9.430/96 com a referente ao acréscimo patrimonial a descoberto, na forma do art. 3º,§ 1º (parte final), da Lei n° 7.713/88. Nesta, utilizamse os saldos das contas correntes e de aplicações financeiras, como origem e aplicação de recursos, apontandose, se for o caso, o acréscimo patrimonial a descoberto. Naquela devese comprovar a origem dos depósitos bancários individualizadamcnte, não sendo possível efetuar a comprovação a partir da variação dos saldos de aplicações financeiras. Sendo comprovada a origem do depósito, este deve ser excluído da base de cálculo da omissão dos rendimentos. IRPFERRO NA INDICAÇÃO DA INFRAÇÃO ENQUADRAMENTO Fl. 310DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 LEGAL LANÇAMENTO NULO A precisa indicação cia infração e enquadramento legal é aspecto essencial na fixação da matéria tributável de modo que eventual erro nesse aspecto do lançamento se constitui vício substancial e insanável e, portanto, enseja a nulidade do lançamento. Recurso parcialmente provido.” (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF 2a. Seção 2a. Turma da 2a. Câmara, Data de Publicação: 04/02/2010, Processo nº 10510.002305/200653 Recurso nº 165.378 Voluntário, Acórdão n° 220200.427) Deste modo, não é plausível o argumento do recorrente no sentido de que sua disponibilidade financeira suporta parte dos depósitos glosados e, portanto, estes estão justificados. 3 Da Distribuição de Lucros e dos Empréstimos O recorrente justifica que parte dos depósitos efetuados em suas contas decorreu da distribuição de lucros da empresa Nova Rota Transportes e Armazenagem Ltda., da qual é sócio, e que outra parcela originouse do pagamento de empréstimos tomados junto a terceiros. Ocorre que inexiste nos autos, comprovação de que os valores provieram das contas correntes da empresa, ou de pessoa física que tenha tomado empréstimo junto a ele. Em sua DIRPF/06, o recorrente declarou o montante de R$ 158.339,38 (fls. 191196 do eprocesso) a título de lucros e dividendos recebidos da empresa Nova Rota Transporte e Armazenagem Ltda. Entretanto, nas tabelas apresentadas por ele, onde constam os valores justificados como oriundos de distribuição de lucros (fls. 100130 do eprocesso), vêse que aquantia de R$ 1.403.613,13 foi informada como proveniente da distribuição de lucros de períodos anteriores, ou seja, valor maior do que aquele declarado na DIRPF. Se observa uma discrepância de mais de R$ 1.000.000,00 entre o declarado na DIRPF/06 e o alegado no procedimento fiscalizatório, não havendo qualquer congruência entre os valores justificados pelo recorrente, não sendo possível admitir suas alegações neste ponto ante a ausência de verossimilhança entre o alegado e o conjunto probatório. Inclusive, observase que o Livro Razão Analítico da empresa Nova Rota Transportes e Armazenagem Ltda. informa transferência de R$ 998.629,34 para o recorrente em 31/12/05 a título de pagamento de lucros (fl. 240 do eprocesso), valor inferior ao declarado por ele em sua DIRPF/06 e ao informado como proveniente da distribuição de lucros, ademais, vêse que o depósito teria sido feito em 31/12/05, o que, em tese poderia justificar apenas uma movimentação financeira, contudo, da análise dos extratos das contas correntes do recorrente não é possível chegar a essa conclusão, porque tanto os extratos do Banco Itaú (fls. 6080 do e processo), quanto os extratos do Banco Santander (fls. 8183 do eprocesso) não apresentam depósito nesse valor em qualquer data. Ressalto que o recorrente apresentou apenas as folhas inicial e final do Livro Razão Analítico e do Diário Geral de Contabilidade da empresa Nova Rota Transportes. Embora haja similitude entre os valores constantes na DIRP e no Diário Geral de Contabilidade, esses documentos são incongruentes com as demais informações apresentadas pelo recorrente: Livro Razão Analítico e planilha de justificativas. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13603.723340/201045 Acórdão n.º 2202002.577 S2C2T2 Fl. 306 13 Nos casos em que remanesce contradição entre as provas apresentadas pelo contribuinte, entendo como razoável a exigência do comprovante do pagamento efetivo feito pela Jurídica desses valores justificados como pagos a título de “lucros a distribuir”, o que não ocorreu no caso. Quanto aos supostos pagamentos de empréstimo, o recorrente não traz aos autos qualquer comprovação de quem foi o mutuante, quando ocorreram e quais os valores, apenas informa que determinados depósitos decorrem do pagamento de empréstimos tomados por terceiros. Assim, não merece prosperar tal alegação, pois não existem provas que atestem essa justificativa. Ante o exposto, voto por DAR PACIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo o total de R$ 49.548,68. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator Fl. 312DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 10865.900360/2008-52
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1802-000.440
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 65 .9 00 36 0/ 20 08 -5 2 Fl. 180DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900360/200852 Resolução nº 1802000.440 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que manteve a negativa de homologação em relação a declaração de compensação apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem (DRF Limeira/SP). Os fatos que deram origem ao presente processo estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 1429.599, às fls. 36 a 43: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ estimativa, código de arrecadação 2362), concernente ao período de apuração 08/2001. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que os pagamentos informados foram integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, de acordo com suas próprias razões: que seria nulo o despacho decisório recorrido por ausência de fundamentação e motivação do indeferimento do pedido, com afronta a dispositivos legais e constitucionais; que os dados sobre o alegado crédito foram devidamente informados em PER/DCOMP, não havendo razão para o indeferimento do pedido sob alegação de que os valores são inexistentes; que caberia as autoridades fiscais diligenciar junto à empresa para averiguar os valores informados em PER/DCOMP, em observância ao princípio da verdade material e as disposições constitucionais que regem a administração pública; que “a simples declaração da existência de um crédito a ser restituído e/ou compensado com outros débitos administrados pela Receita Federal já é suficiente para que a fiscalização federal utilize todos os meios hábeis para comprovar a veracidade do pedido do contribuinte, em especial a comprovação da existência de um crédito tributário”; Fl. 181DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900360/200852 Resolução nº 1802000.440 S1TE02 Fl. 4 3 Ao final requer seja julgada procedente a Manifestação de Inconformidade, anulado o despacho decisório recorrido e restabelecidas as compensações efetuadas. Como mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP manteve a negativa em relação à compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em sua decisão, a Delegacia de Julgamento afirmou que as estimativas mensais não poderiam caracterizar pagamento a maior passível de compensação, dada a sua natureza de mera antecipação. Contudo, entendeu que deveria examinar eventual apuração, pela Contribuinte, de saldo negativo de IRPJ no período em questão (2001), já que este poderia indicar a existência de crédito líquido e certo passível de compensação. Nesse contexto, fez uma série de considerações e enumerou requisitos para a caracterização de saldo negativo a ser restituído/compensado, afirmando que a Contribuinte não havia apresentado qualquer documentação em sua peça impugnatória. Inconformada com a decisão de primeira instância administrativa, da qual tomou ciência em 28/07/2010, a Contribuinte apresentou em 26/08/2010 o recurso voluntário de fls. 47 a 64, com os argumentos abaixo: DOS FATOS em virtude das antecipações efetuadas a título de imposto de renda durante o anocalendário 2001, ao final do exercício a Recorrente apurou saldo negativo de IRPJ, razão pela qual decidiu solicitar a restituição/compensação dos valores pagos a maior, por meio da transmissão de diversas Declarações de Compensação utilizando o indigitado crédito (Doc. 03); Fl. 182DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900360/200852 Resolução nº 1802000.440 S1TE02 Fl. 5 4 DA PROVA inicialmente, importante destacar a necessidade do conhecimento dos documentos acostados ao presente recurso voluntário que atestam a legitimidade do crédito proveniente da apuração de saldo negativo de IRPJ no exercício de 2001 (Doc. 04 – DARF´s; Doc. 05 DIPJ/2001; e Doc. 06 LALUR/2001), em obediência ao princípio da verdade material que norteia o procedimento administrativo fiscal federal; é imperioso o conhecimento do presente recurso voluntário e a análise dos argumentos expostos, que indubitavelmente acarretarão no reconhecimento integral dos créditos de IRPJ e, por consectário, na extinção dos débitos compensados; ainda que a existência do crédito não tenha sido comprovada quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade, em razão da necessidade de se observar o princípio da verdade material, a Recorrente pode fazêlo neste momento sem prejuízos; DO DIREITO DO CRÉDITO PLEITEADO a Recorrente adotava a sistemática de apuração do IRPJ por estimativa mensal, tendo efetuado pagamentos estimados no decorrer do anocalendário de 2001 (vide doc. 04) e, com o fechamento de seu balanço contábil, verificou o pagamento a maior do referido tributo, gerando, desta forma, o denominado saldo negativo (vide doc. 05); referida sistemática encontra respaldo no artigo 6°, § 1°, inciso II, da Lei n° 9.430/96; da análise dos documentos fiscais acostados pela Recorrente é possível constatar a apuração do saldo negativo de IRPJ no importe de R$ 140.283,14 (vide doc. 05 DIPJ/2001), sendo certo que esse crédito é suficiente para liquidar o débito debatido no presente procedimento administrativo, bem como todos os demais débitos extintos com a utilização do referido saldo negativo através da transmissão de PER/DCOMP's; a Recorrente possuía um crédito no valor de R$ 140.283,14, o qual foi corretamente utilizado para quitar débitos administrados pela Receita Federal do Brasil; inclusive, remanesceu em favor da Recorrente saldo credor de R$ 40.887,18, mesmo após ter efetuado as compensações supra mencionadas; em que pese a Recorrente tenha informado nas PER/DCOMP's o valor dos recolhimentos por estimativa, e não o saldo negativo, é certo que esse procedimento não fulmina a existência do seu crédito tributário; da análise dos documentos fiscais acostados ao recurso, e principalmente da DIPJ/2001 e das guias DARF´s, é visível que todos os recolhimentos mensais por estimativa (vide docs. 04 e 05) geraram recolhimentos a maior, os quais são passíveis de compensação; o crédito utilizado pela Recorrente é liquido e certo, não havendo razão para a manutenção do indeferimento da presente compensação, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional e artigo 74 da Lei n° 9.430/96; Fl. 183DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900360/200852 Resolução nº 1802000.440 S1TE02 Fl. 6 5 diante da comprovação da existência do saldo negativo de IRPJ através da DIPJ anocalendário 2001, não obstante o preenchimento do PER/DCOMP tenha sido efetuado com o valor do IRPJ recolhido por estimativa, não há razão para o não reconhecimento do direito creditório pleiteado; um simples vício formal não tem o condão de extinguir o direito da Recorrente, mesmo porque a Receita Federal do Brasil, através de seu banco de dados, tem como verificar os valores efetivamente recolhidos a título de IRPJ; a D. Autoridade Julgadora, por ter todas as informações em seu sistema, poderia ter verificado a sua existência, ou ter intimado a Recorrente a apresentar documentos capazes de comprovar o crédito, não podendo simplesmente indeferir o pleito da Recorrente; a simples ocorrência de erro formal não macula a existência do crédito apurado em decorrência dos recolhimentos a maior efetuados pela Recorrente no anocalendário de 2001 a título de IRPJ; tendo em vista que no caso em tela o crédito pleiteado decorre de recolhimentos efetuados a maior, devidamente comprovados através do saldo negativo apurado no anocalendário 2001 (vide docs. 04 e 05), e compensados dentro do prazo legal, é de rigor o reconhecimento do direito creditório pleiteado pela Recorrente, com a conseqüente extinção do débito compensado; DA DECADÊNCIA cabe destacar, ainda, que no caso em tela o crédito de IRPJ apurado no ano calendário 2001 não pode ser objeto de questionamento por parte das autoridades fiscais, em razão da decadência; o saldo negativo apurado em 2001 foi homologado tacitamente em 2007, extinguindose o direito do Fisco de discutir o crédito compensado, nos termos do artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional; sendo o IRPJ um tributo sujeito ao lançamento por homologação, o contribuinte apura o valor do tributo, o declara e efetua o pagamento do montante que considera devido, sendo certo que no caso em discussão, a Recorrente ao invés de apurar saldo devedor de IRPJ, no final do exercício de 2001, apurou crédito, o qual foi devidamente discriminado na DIPJ anocalendário 2001; assim, caberia ao Fisco o dever de fiscalizar os procedimentos adotados pelo contribuinte, e realizar o lançamento das eventuais diferenças apuradas dentro do quinquídio legal; uma vez que o saldo negativo apurado pela Recorrente nunca foi alvo de contestação pela D. Autoridade Fiscal, é certo que as informações declaradas na DIPJ do ano calendário 2001 encontramse homologados, ainda que tacitamente; o saldo negativo apurado pela Recorrente no ano de 2001 foi tacitamente homologado em 2007, com a conseqüente ausência do direito da D. Autoridade Fiscal em discordar da compensação efetuada pela Recorrente; Fl. 184DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900360/200852 Resolução nº 1802000.440 S1TE02 Fl. 7 6 a decisão administrativa proferida em 24/04/2008 é manifestamente extemporânea, haja vista que no ano de 2007 o saldo negativo de IRPJ não era mais passível de glosa por parte da D. Autoridade Fiscal; exatamente nesse sentido é a jurisprudência firmada por este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (decisões transcritas); e nem que se diga que a DIPJ retificadora, transmitida em 08/03/2004, tenha alterado o marco inicial para o decurso do prazo decadencial, haja vista que, como consabido, o prazo decadencial não é interrompido ou suspenso. Além disso, a referida declaração não alterou a composição do saldo negativo apurado originalmente no anocalendário de 2001; contandose o prazo de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, a apuração do saldo negativo referente ao ano de 2001, utilizado para a quitação de tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, foi tacitamente homologado no ano de 2007, motivo pelo qual, mais uma vez, devem ser reconhecidas como legítimas as compensações efetuadas pela Recorrente; DO PEDIDO a Recorrente solicita seja o presente recurso conhecido e provido para que seja reconhecido o direito creditório pleiteado, bem como para que sejam homologadas as compensações efetuadas. Este é o Relatório. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900360/200852 Resolução nº 1802000.440 S1TE02 Fl. 8 7 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a Contribuinte questiona decisão que não homologou declaração de compensação por ela apresentada em 15/04/2004, na qual utiliza um alegado crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior referente ao IRPJ no anocalendário de 2001. O PER/DCOMP indica como origem do crédito parte de um recolhimento realizado em 31/07/2002 com o código 2362, relativamente à estimativa mensal de agosto/2001, no valor total de R$ 13.554,08 (rubrica principal com acréscimos moratórios). A negativa da Delegacia de origem foi motivada pelo fato de o recolhimento gerador do crédito já ter sido integralmente utilizado para a quitação de débito declarado em DCTF. Na seqüência, a Delegacia de Julgamento (DRJ), ao examinar a manifestação de inconformidade da Contribuinte, manteve a negativa em relação à compensação. Em sua decisão, a DRJ afirmou que as estimativas mensais não poderiam caracterizar pagamento a maior passível de compensação, dada a sua natureza de mera antecipação. Contudo, entendeu que deveria examinar eventual apuração, pela Contribuinte, de saldo negativo de IRPJ no período em questão (2001), já que este poderia indicar a existência de crédito líquido e certo passível de compensação. E nesse contexto, fez uma série de considerações e enumerou requisitos para a caracterização de saldo negativo a ser restituído/compensado, afirmando que a Contribuinte não havia apresentado qualquer documentação em sua peça impugnatória. Na atual fase de recurso voluntário, a Contribuinte discrimina vários outros processos de PER/DCOMP que abordam o mesmo crédito, ou seja, o saldo negativo de IRPJ em 2001, no valor de R$ 140.283,14, conforme apurado em sua DIPJ. A Contribuinte, em resumo, argumenta: que em obediência ao princípio da verdade material, é necessário o conhecimento dos documentos acostados ao presente recurso voluntário que atestam a legitimidade do crédito proveniente da apuração de saldo negativo de IRPJ no exercício de 2001 (Doc. 04 – DARF´s; Doc. 05 DIPJ/2001; e Doc. 06 LALUR/2001); que apesar de ter informado nos PER/DCOMP o valor dos recolhimentos por estimativa, e não o saldo negativo, é certo que esse procedimento não fulmina a existência do seu crédito tributário; Fl. 186DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900360/200852 Resolução nº 1802000.440 S1TE02 Fl. 9 8 que a análise dos documentos fiscais acostados ao recurso, principalmente da DIPJ/2001 e das guias DARF, demonstra que todos os recolhimentos mensais por estimativa (vide docs. 04 e 05) geraram recolhimentos a maior, os quais são passíveis de compensação; que o saldo negativo apurado pela Recorrente nunca foi alvo de contestação pela D. Autoridade Fiscal, e que é certo que as informações declaradas na DIPJ do ano calendário 2001 encontramse homologadas, ainda que tacitamente. Para comprovar suas alegações, a Contribuinte apresenta cópias dos DARF recolhidos ao longo de 2001, cópia parcial da DIPJ com as fichas relativas às estimativas mensais e à apuração final do IRPJ, cópia do LALUR, e cópia parcial de um Balancete Analítico com os saldos das contas de impostos a recuperar e a compensar em 31/12/2001. No que toca à comprovação de um indébito, é importante lembrar que o processo administrativo fiscal não contém uma fase probatória específica, como ocorre, por exemplo, com o processo civil. Especialmente nos processos iniciados pelo Contribuinte, como o aqui analisado, há toda uma dinâmica na apresentação de elementos de prova, uma vez que a Administração Tributária se manifesta sobre esses elementos quando profere os despachos e decisões com caráter terminativo, e não em decisões interlocutórias, de modo que não é incomum a carência de prova ser suprida nas instâncias seguintes. É por isso também que antes de proferir o despacho decisório, ainda na fase de auditoria fiscal, pode e deve a Delegacia de origem inquirir o Contribuinte, solicitar os meios de prova que entende necessários, diligenciar diretamente em seu estabelecimento (se for o caso), enfim, buscar todos os elementos fáticos considerados relevantes para que na seqüência, na fase litigiosa do procedimento administrativo (fase processual), as questões envolvam mais a aplicação das normas tributárias e não propriamente a prova de fatos. Tudo isso porque não há uma regra a respeito dos elementos de prova que devem instruir um pedido de restituição ou uma declaração de compensação. Pelas normas atuais, aplicáveis ao caso, nem mesmo há como anexar cópias de livros, de DARF, de Declarações, etc., porque os procedimentos são realizados por meio de declaração eletrônica PER/DCOMP. Na sistemática anterior, dos pedidos em papel, de acordo com o § 2º do art. 6º da IN SRF 21/1997, a instrução dos pedidos de restituição de imposto de renda de pessoa jurídica se dava apenas com a juntada da cópia da respectiva declaração de rendimentos, e a apresentação de livros e outros documentos poderia ocorrer no atendimento de intimações fiscais, se fosse o caso. Este contexto permite notar que a instrução prévia, ainda na fase de Auditoria Fiscal, evita uma seqüência de negativas por falta de apresentação de documentos em relação aos quais a Contribuinte, em alguns casos, nem mesmo foi intimada a apresentar, o que poderia implicar em cerceamento de defesa. No caso concreto, a Delegacia de Julgamento mencionou que a Contribuinte não havia apresentado qualquer documentação que pudesse caracterizar a existência de saldo negativo de IRPJ em 2001, a ser restituído ou compensado. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900360/200852 Resolução nº 1802000.440 S1TE02 Fl. 10 9 Ocorre que a Contribuinte não foi em nenhum momento intimada a apresentar quaisquer esclarecimentos ou documentos relativos ao seu PER/DCOMP. Vale registrar que a prova tem sempre um aspecto de verossimilhança, que é medida em cada caso pelo aplicador do direito. Além disso, em razão da dinâmica do PAF quanto à apresentação de elementos de prova, como já mencionado acima, é a Autoridade Fiscal que, em cada caso, por meio de intimações fiscais, acaba fixando os critérios para a composição do ônus que incumbe à Contribuinte. Na linha, então, do que apontou a Delegacia de Julgamento, a Contribuinte juntou ao recurso voluntário cópias dos DARF recolhidos ao longo de 2001, cópia parcial da DIPJ com as fichas relativas às estimativas mensais e à apuração final do IRPJ, cópia do LALUR, e cópia parcial de um Balancete Analítico com os saldos das contas de impostos a recuperar e a compensar em 31/12/2001. A DIPJ indica que a Contribuinte apurou prejuízo em 2001, e que o saldo negativo de R$ 140.283,14 foi formado por recolhimentos a título de estimativas mensais (R$ 94.292,00) e retenções na fonte (R$ 45.991,14). O fato de a Contribuinte ter indicado no PER/DCOMP o recolhimento de estimativa como origem do crédito, e não o saldo negativo do período, realmente não prejudica o seu pleito, porque o art. 165 do Código Tributário Nacional CTN não condiciona o direito à restituição de indébito, fundado em pagamento indevido ou a maior, a requisitos meramente formais. O que realmente interessa é verificar se houve ou não pagamento indevido ou a maior de um determinado tributo em um determinado período de apuração. Nesse sentido, vale lembrar que tanto as retenções na fonte quanto as estimativas representam meras antecipações do devido ao final do período, que guardam uma implicação direta com a figura jurídica do saldo negativo, já que correspondem ao mesmo período anual e ao mesmo tributo que aquele. Na sistemática da apuração anual, caso haja tributo devido no encerramento do ano, as antecipações se convertem em pagamento definitivo. Por outro lado, se houver prejuízo fiscal, ou ainda se as antecipações superarem o valor do tributo devido ao final do período, fica configurado o indébito, a ser restituído ou compensado a partir do ajuste, na forma de saldo negativo. Deste modo, se a Contribuinte apurou prejuízo no período (como vem alegando), os pagamentos antecipados a título de estimativa passam a configurar indébito a ser restituído ou compensado, na forma de saldo negativo. Por essa razão, este colegiado normalmente desconsidera o erro formal de a Contribuinte indicar nos PER/DCOMP os recolhimentos individuais de estimativa em vez de indicar o saldo negativo formado pelo conjunto destas mesmas estimativas. Nesse caso, isso já foi feito pela DRJ, que admitiu o exame do crédito sob a ótica de saldo negativo, mas manteve a negativa por falta de elementos probatórios (os quais estão sendo apresentados nessa fase processual). Fl. 188DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900360/200852 Resolução nº 1802000.440 S1TE02 Fl. 11 10 As considerações da Recorrente sobre a contagem da decadência para fins de homologação de direito creditório também merecem comentários. É certo que após o transcurso do prazo decadencial, não pode o Fisco realizar procedimento fiscal visando modificar a base de cálculo do tributo, seja para exigir débitos, ou para reverter/reduzir prejuízo fiscal. O evento da decadência veda as atividades inerentes ao ato de lançamento, no que toca à verificação da ocorrência do fato gerador, à determinação da matéria tributável, ao cálculo do montante do tributo devido, etc. Deste modo, realmente não há que se pensar em adição de receitas omitidas, glosa de despesas, alteração em coeficientes de apuração ou alíquota, etc. Mas o que se discute especificamente neste processo é a legitimidade do indébito a ser restituído/compensado, e, para isso, considero perfeitamente possível averiguar a efetiva ocorrência dos pagamentos que o geraram. No plano da verificação da “existência” de pagamento a ser restituído/ compensado, corresponda ele a DARF no ajuste ou na estimativa, a retenção na fonte, ou mesmo a compensação com outro indébito, não há que se falar em blindagem do direito creditório por decurso de prazo. Com efeito, a fluência do tempo pode sim homologar procedimentos, tornar definitivos os critérios e as interpretações utilizados na aplicação do direito etc., mas não tem o condão de fazer existir o que não aconteceu. Por isso a alegação de decadência não tem o efeito pretendido pela Recorrente, no sentido de justificar uma restituição automática do alegado direito creditório, sem uma análise de sua efetiva existência. Nesse passo, cabe registrar que os elementos apresentados ainda não permitem concluir sobre a certeza e liquidez do alegado saldo negativo de IRPJ em 2001, no valor de R$ 140.283,14. É necessário que os autos sejam encaminhados à Delegacia da Receita Federal em Limeira/SP, para que aquela unidade: 1) junte aos autos cópia integral da DIPJ do anocalendário de 2001; 2) verifique e informe: a base de cálculo e o respectivo IRPJ no anocalendário de 2001; o valor das estimativas recolhidas referentes a 2001; o valor das retenções sofridas a título deste imposto no mesmo período; as receitas relativas a estas retenções, averiguando se elas foram computadas pela Contribuinte na base de cálculo do imposto; Fl. 189DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900360/200852 Resolução nº 1802000.440 S1TE02 Fl. 12 11 3) apresente relatório circunstanciado esclarecendo se há saldo negativo de IRPJ a ser restituído/compensado, e qual o seu valor; 4) cientifique a Contribuinte deste relatório, para que ela possa se manifestar no prazo de 30 dias. Deste modo, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a DRF Limeira/SP atenda ao acima solicitado. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 190DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10930.904470/2012-49
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 26/10/2010
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso.
PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
Numero da decisão: 3803-004.820
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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GONCALVES & CIA LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Para a homologação da DCOMP transmitida pelo sujeito passivo, é necessária a demonstração da liquidez e certeza do crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 44 70 /2 01 2- 49 Fl. 77DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, transmitido pelo contribuinte, em que pretende compensar apontado crédito de natureza tributária para com débito por ele apurado, ambos indicados em PER/DCOMP (efl 2/6), referente aos períodos e valores ali descritos e analisados no bojo deste processo. O pagamento foi identificado, mas constatouse que o mesmo foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, segundo dados do Despacho Decisório, dessa forma, o direito creditório não foi reconhecido e a compensação declarada resultou não homologada. Intimado a recolher o crédito tributário decorrente da não homologação da compensação, o contribuinte manifestou a sua inconformidade tempestivamente, argumentando o que se segue: a) Afirma seu direito ao recebimento do recurso, bem assim o regular processamento dos autos para julgamento pelo órgão competente; b) Alega que o despacho decisório está eivado de nulidades, pois não houve esclarecimentos quanto à suposta indisponibilidade de crédito e não foi analisada qualquer situação que legitima o crédito postulado; c) Alega não ter meio de se defender por desconhecimento da indisponibilidade e que o despacho decisório não dispõe de qualquer esclarecimento, inclusive em relação ao significado de “disponibilidade de crédito”, o que lhe parece se tratar do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do Darf e o Crédito declarado em DCTF. Não restando crédito disponível para ser restituído; d) Alega o cerceamento ao seu direito de ampla defesa, pois não foi intimado a fazer os esclarecimentos necessários e a autoridade administrativa não motivou sua decisão, a qual não passou pelo crivo de um Auditor Fiscal para confirmar a suposta indisponibilidade, dessa forma a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, sendo assim o crédito sequer foi apreciado; e) Afirma, quanto ao mérito, que utilizou de valores que indevidamente integravam a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior; f) Alega que não há como apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe ao certo o motivo do indeferimento, tampouco a interessada, devendo ser aplicada a regra autorizadora de produção posterior das provas. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904470/201249 Acórdão n.º 3803004.820 S3TE03 Fl. 11 3 A 3ª Turma da DRJ/CTA julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, ementando sua decisão nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO [...] NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. A ausência de pedido de esclarecimentos na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. COFINS. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. Aplicase a disposição do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, pois a decisão foi em Recurso Extraordinário e não em ADIN, só aproveitando, por isso, às partes envolvidas, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário, por meio do qual repete os argumentos expostos em manifestação de inconformidade, chegando a afirmar tratarse de um acórdão eletrônico, à semelhança do despacho decisório, sem que tenha sido submetido ao crivo de um auditor fiscal/colegiado para analisar essas situações. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Dos pedidos de nulidade. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 O contribuinte defende a nulidade do despacho decisório e do acórdão da DRJ por falta de motivação de seus atos, o que impossibilitou sua defesa. Entendemos que não seja obrigatória, na fundamentação do despacho decisório, a indicação expressa dos dispositivos legais e constitucionais em que se sustenta, desde que haja consonância dos argumentos utilizados com a jurisprudência e com o ordenamento jurídico vigente. Ressaltamos que o despacho decisório é processado de forma eletrônica, realizando o encontro dos valores constantes no sistema da Receita Federal do Brasil RFB. Como confessado pelo próprio contribuinte sua DCTF do período estava erroneamente preenchida, e esta informação estava inserida no sistema da RFB, ou seja, de fato o contribuinte não possuía créditos a serem ressarcidos no confronto dos valores declarados como devidos (DCTF) e daqueles que efetivamente foram recolhidos (DARF). As principais nulidades no processo administrativo fiscal estão disciplinadas nos artigos 59 e 60 do Decreto n.º 70.2351, de 1972, não identificamos nenhuma das hipóteses de nulidade presente no despacho decisório, muito menos ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, tanto que o recorrente pode fazer sua defesa de forma ampla e teve a oportunidade de provar seu direito creditório em pelo menos duas oportunidades distintas, uma quando da manifestação de inconformidade e outra quando interpôs recurso voluntário. O Despacho Decisório aponta como enquadramento legal os artigos 165 e 170 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96. Tanto o artigo 170 do CTN quanto o 74 da Lei 9.430/96, reforçam o direito do contribuinte em compensar os seus débitos com crédito líquidos e certos, fica claro que a liquidez e certeza do crédito tributário é que ficou comprometida ante as informações prestadas pelo contribuinte, em especial no confronto da DCTF com o DARF recolhido, portanto, entendemos que não há que se falar em nulidade do Despacho Decisório por falta de fundamentação. Da mesma sorte, não identificamos qualquer hipótese de nulidade no acórdão proferido pela DRJ. A manifestação de inconformidade foi devidamente submetida ao crivo de um colegiado que fundamentou coerentemente sua decisão com base no Decreto 70.235, de 1972, além de trazer decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais do então Conselho de Contribuintes. Dessa forma a recorrente poderia usufruir do direito ao contraditório e à ampla defesa. Não identificamos qualquer cerceamento à defesa do contribuinte. Mérito e comprovação do crédito. 1 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904470/201249 Acórdão n.º 3803004.820 S3TE03 Fl. 12 5 As compensações se prestam ao encontro de contas, entre um débito tributário e um crédito líquido e certo da contribuinte contra a Fazenda Pública, conforme determina o artigo 170 do CTN. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” Neste mesmo sentido expressase o artigo 74 da Lei 9.430. Daí concluirse que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior do tributo, desse modo, a fim de comprovar a existência do crédito alegado, a interessada deve instruir sua defesa, em especial a manifestação de inconformidade, com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” O recorrente afirma que utilizou de valores que indevidamente integraram a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior. Apesar de se referir a algumas teses de forma genérica, o contribuinte não expôs com exatidão quais delas teria usado para justificar a redução da base de cálculo. Muito menos demonstrou quais os valores que acredita não integrarem a referida base de cálculo, o que de fato impede a análise dos argumentos expostos e não prova a disponibilidade de crédito. Na mesma esteira, admitindose por hipótese, o direito subjetivo do contribuinte, o que não é o caso, mais uma barreira se ergueria em desfavor da requerente, qual seja, a absoluta falta de provas da existência do crédito requerido. O inciso III do artigo 16 do Decreto 70.235/72 determina que as provas que justifiquem as alegações do contribuinte devem ser trazidas na impugnação. Não há nos autos qualquer elemento de prova que ateste o crédito pretendido, não identificamos Notas Fiscais, Escrita Fiscal, Escrita Contábil, Livro de Apuração, Livro Diário, Livro Razão, planilhas demonstrativas, ou qualquer outro documento que possibilite, minimamente que seja, a sua aferição. No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é de quem alega a sua existência, ou seja, do interessado, é assim que dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999 no seu artigo 36: Fl. 81DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido os artigos 330 e 396 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provar lhe as alegações. Quem alegou a existência de crédito foi o contribuinte, portanto, cabe a este provar o alegado crédito e não transferir tal ônus para a RFB. Da apresentação das provas. O artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina, ainda, o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A análise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da interessada, qual seja, na manifestação de inconformidade, contudo, esta turma recursal tem firmado entendimento no sentido de admitir, excepcionalmente, a análise de provas trazidas em sede de recurso voluntário, quando estas não dependam de análise técnica aprofundada e sejam complementares às provas trazidas em Manifestação de Inconformidade, entretanto, mesmo neste momento processual, nenhuma prova foi carreada aos autos. Não há como deferir o pedido do contribuinte por produção de provas posteriores a este ato, por absoluta falta de previsão legal. Conclusão. Pelo exposto, rejeito as preliminares de nulidade e no mérito NEGO PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 82DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904470/201249 Acórdão n.º 3803004.820 S3TE03 Fl. 13 7 João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 83DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10680.003142/2008-36
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANIFESTAÇÃO QUE NÃO QUESTIONA A DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. ALEGAÇÃO DE PAGAMENTO/ QUITAÇÃO DA DÍVIDA. AUSÊNCIA DE LITÍGIO.
Se o contribuinte não questiona, na peça recursal, as razões de mérito expendidas na decisão de 1ª instância administrativa, demonstra a concordância com o crédito tributário exigido alegando quitação da dívida, tal implica em ausência de litígio administrativo.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2801-003.468
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por ausência de litígio, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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MANIFESTAÇÃO QUE NÃO QUESTIONA A DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. ALEGAÇÃO DE PAGAMENTO/ QUITAÇÃO DA DÍVIDA. AUSÊNCIA DE LITÍGIO. Se o contribuinte não questiona, na peça recursal, as razões de mérito expendidas na decisão de 1ª instância administrativa, demonstra a concordância com o crédito tributário exigido alegando quitação da dívida, tal implica em ausência de litígio administrativo. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por ausência de litígio, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 31 42 /2 00 8- 36 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /04/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10680.003142/200836 Acórdão n.º 2801003.468 S2TE01 Fl. 62 2 Contra a contribuinte identificada foi emitida Notificação de Lançamento de folha 04, onde se verifica a exigência de devolução de R$ 473,91 a título de “restituição indevida a devolver”, acrescida de juros de mora e de R$ 669,73 a título de “imposto a pagar”. Como esclarece a decisão de 1ª instância (fl. 31): “Mediante consulta aos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, pude verificar que o histórico das DIRPF apresentadas pela contribuinte relativamente ao exercício de 2005 registra a transmissão da declaração original em 08/03/2005, a 1ª retificadora em 07/05/2007, a 2ª em 05/12/2007 e a 3 a em 07/12/2007. (...) Da análise dos autos, percebese que na última declaração retificadora foi apurado imposto a pagar no valor de R$ 669,73, o que vai de encontro às informações prestadas na declaração original que indicou uma restituição no valor de R$473,91, já resgatada pela contribuinte ainda no ano de 2005. A propósito, a impugnante não contesta a exigência da devolução da restituição. Nesse caso, por ausência de instauração do contencioso, incide a regra do artigo 17 do Decreto 70.235/1972 que regula o Processo Administrativo Fiscal no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, o que torna a matéria não impugnada, devendo a unidade de origem, quanto a essa parte, seguir o rito normal de cobrança. Considerando matéria impugnada, então, apenas a dedução de despesa com instrução de um dependente, a instância de piso assim decidiu: Na peça impugnatória a contribuinte aduz que Vinícius Fagundes Aguiar não teria sido incluído como dependente. Neste ponto, sem razão a defesa, pois nas quatro declarações apresentadas a dedução a este título permaneceu inalterada, justamente porque o filho da impugnante foi inserido nesta condição. Quanto à despesa com instrução, apesar de ter declarado na original e na Iª retificadora o limite legal de R$ 1.998,00, o documento de íl. 09 comprova que a contribuinte efetuou pagamentos à Universidade Salgado de Oliveira no total de R$1.720,00. Portanto, apesar de ter zerado a instrução na 2 a e 3 a retificadoras, a contribuinte faz jus à dedução no montante comprovado dos pagamentos.• Desse modo, o total das deduções passa de R$2.750,09 para R$4.470,09. (...) Por todo o exposto, voto pela procedência em parte da impugnação, na parte objeto de contestação e pela retificação do imposto a pagar de R$669,73 para R$411,73, lembrando que a Fl. 62DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /04/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10680.003142/200836 Acórdão n.º 2801003.468 S2TE01 Fl. 63 3 unidade de origem deve adotar os procedimentos cabíveis quanto à cobrança da parte não contestada, representada pelo imposto no valor de R$473,91 a título de restituição indevida a devolver. E assim deuse a decisão de 1ª instância, para considerar que a contribuinte deveria devolver a restituição de R$ 473,91 (mais juros) e reduzir para R$ 411,73 o imposto cobrado, considerando a dedução da despesa com instrução de dependente, documentalmente comprovada. A discriminação desses valores foi providenciada pela própria DRJ e encontrase no extrato de folha 41 (resultado do julgamento). Foi então encaminhada intimação para pagamento (fl. 42), acompanhada de DARF (fls. 44/45) que, recebidos pela contribuinte em 19/12/2011, ensejaram apresentação de manifestação em 16/01/2012, que foi reputada como “recurso voluntário”, pela Unidade preparadora, em despacho de folha 60. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. A numeração de folhas a que me refiro é a existente após a digitalização do processo, transformado em arquivo digital (formato .pdf) A decisão da DRJ, conforme relatado, resolveu que uma parte da Notificação era não impugnada, a teor do artigo 17 do Decreto 70.235/1972 (PAF), uma vez que a contribuinte não se manifestava expressamente contra a exigência de devolver a restituição que havia sido sacada. Ao entregar sua DIRPF original, apurou saldo a restituir, tendo em vista ter declarado valor menor de rendimentos tributáveis. Depois de ter recebido a restituição, apresentou três DIRPF retificadoras aumentando o valor dos rendimentos e reduzindo o valor das deduções. Isso gerou a alteração de apuração de imposto a restituir para imposto a pagar, bem evidenciada no quadro constante de folha 31 destes autos. Na peça impugnatória, manifestouse apenas em relação ao dependente (filho) e às despesas com instrução dele (universidade). Considerando que a dedução com dependente já estava computada na alteração da DIRPF, a 1ª instância apenas reconheceu o direito à dedução com as despesas com instrução, reduzindo o valor do imposto a pagar apurado. A Recorrente não se manifesta contra essa situação, que enfim constitui o mérito da decisão. Vejamos que na peça reputada como “recurso voluntário” pela Unidade preparadora (fl. 48) a mesma diz que: “Em 13/06/2011 compareci nos guichês da receita, atendendo a solicitação de VV.SS e fui informada que havia débitos para Fl. 63DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /04/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10680.003142/200836 Acórdão n.º 2801003.468 S2TE01 Fl. 64 4 serem quitados. Pedi que me informassem e o atendente me apresentou a folha conforme xerox em anexo. Achei caríssimo, mas concordei em pagar tudo, pois o atendente me informou que ficaria quite com a Receita.”(sublinhei) A seguir, a contribuinte discrimina uma série de pagamentos, parcelamento e compensações, anexando documentos. Por fim, pede que: “Sendo assim, peço que VV.SS. examinem o processo e vejam como fica a minha situação, pois pelo que sei ficaria quite todo o meu débito com a Receita. ... Peço revisão e aguardo um parecer favorável. Observo que o “pedido de parcelamento” que consta da folha 59 referese ao período 12/2003, que o DARF de folha 58, referese ao período 12/2007, que o DARF de folha 56, ao período 12/2005, etc...quando a Notificação de Lançamento destes autos referese ao ano calendário de 2004. Observo ainda que em sua manifestação, a contribuinte referese à data de 13 de junho de 2011. Como apresentou impugnação em 17 de março de 2008 e só foi cientificada da decisão em 19 de dezembro de 2011, ao comparecer à Receita Federal naquela data citada, os débitos aqui em comento ainda estavam suspensos para julgamento da impugnação. Enfim, no recurso voluntário, recorrese da decisão de 1ª instância. Aqui, a contribuinte apenas pede esclarecimentos em relação a seus débitos com a Receita Federal, demonstrando não entender as vinculações entre os sucessivos exercícios financeiros e os pagamentos/parcelamentos que efetuou, pedindo que tais vinculações sejam revistas, o que compete à Unidade de origem, não havendo litígio a ser dirimido em relação ao decidido pela DRJ/BHE. Face ao exposto, VOTO por não conhecer do recurso, por ausência de litígio. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 64DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /04/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10680.003142/200836 Acórdão n.º 2801003.468 S2TE01 Fl. 65 5 Fl. 65DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /04/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN
score : 1.0
Numero do processo: 10240.720344/2010-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
COMPETÊNCIA.
São nulas as decisões proferidas por autoridade incompetente.
Numero da decisão: 1302-001.385
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos recursos de ofício e voluntário, para declinar a competência para a 2º TO da 4ª Câmara, por se tratar de processo da relatoria do Conselheiro Paulo Roberto Cortez, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO DE ANDRADE - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (presidente da turma), Gilberto Baptista, Waldir Veiga Rocha, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade e Hélio Eduardo de Paiva Araújo.
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
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São nulas as decisões proferidas por autoridade incompetente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos recursos de ofício e voluntário, para declinar a competência para a 2º TO da 4ª Câmara, por se tratar de processo da relatoria do Conselheiro Paulo Roberto Cortez, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (presidente da turma), Gilberto Baptista, Waldir Veiga Rocha, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade e Hélio Eduardo de Paiva Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 72 03 44 /2 01 0- 40 Fl. 700DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 13/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Relatório Tratase de apreciar Recurso de Ofício e Recurso Voluntário interpostos em face de acórdão proferido nestes autos pela 2ª Turma da DRJ/BEL, no qual o colegiado decidiu, por unanimidade, considerar procedente em parte a impugnação, mantendo parcela do crédito tributário exigido, conforme ementa que abaixo reproduzo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 EMENTA Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Os eventos ocorridos até o julgamento na DRJ, foram assim relatados no acórdão recorrido: Versa o presente processo sobre Autos de Infração, fls. 001/122, referente ao exercício de 2008, anocalendário de 2007, ciência em 02/09/2010 (fl. 301), de: a) de lançamentos decorrentes do SIMPLES (janeiro/2007 a junho/2007), de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, PIS, CSLL, Cofins e Contribuição para a Seguridade Social, no montante de R$ 440.786,92, já acrescidos de multa de ofício e juros de mora calculados até 30/07/2010. b) de lançamentos decorrentes do Lucro Real (julho/2007 a dezembro/2007), de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, PIS, CSLL e Cofins, no montante de R$ 1.633.670,34, já acrescidos de multa de ofício e juros de mora calculados até 30/07/2010. 2. As infrações imputadas foram: a) Depósitos Bancários Não Escriturados de Origem não Comprovadas: b) Insuficiência de Recolhimento (janeiro/2007 a junho/2007): 2.1. Destacase do Termo de Verificação (fls. 102/122): a) "Sendo assim, no dia 01/07/2010 foi lavrado o Termo de Intimação Fiscal N° 002, sendo recebido pela empresa em 14/07/2010 por via postal, onde foi solicitado ao contribuinte a identificação e comprovação da origem dos recursos lançados a crédito nas contascorrentes citadas nas 13 (treze) páginas componentes do Fl. 701DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 13/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10240.720344/201040 Acórdão n.º 1302001.385 S1C3T2 Fl. 701 3 anexo deste Termo. A comprovação da origem desses recursos deveria se dar por escrito, no prazo de 20 (vinte) dias, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, demonstrando a relação biunívoca entre tais documentos e os lançamentos efetuados em suas contascorrentes, cuja escrituração não foi localizada nos Livros Diário e Razão apresentados pelo contribuinte. A ciência deste Termo deuse em 14/07/2010, conforme AR dos Correios." "Levandose em consideração que o contribuinte não apresentou, até a presente data, os documentos solicitados no Termo de Intimação Fiscal N° 002, não comprovando, portanto, a origem dos recursos lançados a crédito nas contascorrentes, citadas nas 13 (treze) páginas componentes do anexo do referido Termo de Intimação, foi lavrado o Auto de Infração, relativo ao ano de 2007". b) "Cabe informar que dos valores de depósitos/créditos em contas correntes enviados ao contribuinte para a comprovação da origem dos recursos utilizados nas respectivas operações, constantes do Termo de Intimação Fiscal N° 002, foram excluídos os depósitos/créditos decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa jurídica (Art. 42, §3°, Lei n° 9.430/96) e também os referentes a resgates de aplicações financeiras, empréstimos bancários, estornos, e demais créditos de origem identificada. Os valores referentes a estornos de lançamento e devolução de cheques depositados, foram, também, excluídos quando da elaboração da tabela anexa a este Termo, sendo que estes valores são base para o lançamento deste Auto de Infração". c) "Quanto aos fatos geradores ocorridos a partir de 01/07/2007, com a revogação da Lei n° 9.317/96 e a instituição do Regime Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES NACIONAL através da Lei Complementar n° 123/06 e, levandose em conta que a empresa fiscalizada não foi incluída no Simples Nacional, não fez opção por outro regime de tributação e apresentou a escrituração solicitada durante este procedimento fiscal, este lançamento darseá de acordo com os critérios estabelecidos pelo Lucro Real." 2. Do extrato "Dados Cadastrais" (fl. 123), destacase: "HISTÓRICO DE OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL INCLUSÃO EXCLUSÃO 01/07/2007 31/12/2009" 3. O contribuinte apresentou a peça impugnatória de fls. 306/312, em 30/09/2010, para alegar, em resumo, que: a)."Equivocada a afirmação acima , uma vez que a empresa foi optante do SIMPLES NACIONAL no período 01/07/2007 a 31/12/2009, conforme se verifica no documento 001 ora acostado , SIMPLES NACIONAL CONSULTA DE OPTANTES, emitido no sitio eletrônico da RFB". b): "há de se ressaltar de que a ocorrência de depósitos em conta corrente, por si só, não são suficientes para provar que tenha auferido receita". Fl. 702DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 13/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 c) "Contesta se o lançamento do imposto através do AI em virtude da prática da empresa em efetuar a venda da mercadoria preço FOB Rondônia , todavia , fazendo adiantamentos ou até mesmo pagamento total dos fretes para ser , posteriormente reembolsado pelo adquirente". d) "Não foram considerados , como valores devidamente comprovados nos termos do Art. 42 da Lei 9430/96, pela autoridade fiscalizadora os valores declarados pela autuada no período fiscalizado , ocasionando um aumento do valor supostamente devido, tanto pelo lançamento em duplicidade de parte da receita , bem como com aplicação de alíquotas superiores, uma vez que essas são progressivas, os seja , a fiscal autuante somou a receita bruta mensal declarada mais os depósitos bancários aplicando o percentual superior em virtude do aumento da receita bruta acumulada". A parcela exonerada não mereceu remanescer porque, no entender do colegiado, de fato, no período de 07/2007 a 12/2007 o contribuinte logrou comprovar sua inscrição no regime do Simples Nacional, e, assim, a omissão verificada deveria ter sido tributada através deste regime e não pelo lucro real. A recorrente, na peça recursal submetida à apreciação deste colegiado, alegou, entre outras coisas, a ilegalidade da quebra do sigilo bancário em razão da lei complementar nº 105/2001. Neste sentido, tendo em vista que foi ventilada a ilegalidade da quebra do sigilo bancário, o julgamento foi sobrestado nos termos do art. 62A do RICARF, na Resolução adotada por este colegiado na assentada de 08/05/2013. Ao tempo da decisão o relator do processo foi o ilustre Conselheiro Paulo Roberto Cortez. É o relatório. Fl. 703DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 13/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10240.720344/201040 Acórdão n.º 1302001.385 S1C3T2 Fl. 702 5 Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. O presente processo foi originariamente distribuído por sorteio ao ilustre Conselheiro Paulo Roberto Cortez. Em virtude do que dispunham o §§1º e 2º do art. 62A do RICARF, por pender de apreciação no STF o RE nº 601.314 pelo STF, em que foi decidida repercussão geral pelo plenário daquele Tribunal, restou sobrestado este julgamento, o qual foi redistribuído como decorrência dos efeitos da Portaria MF nº 545/2013, que revogou os §§1º e 2º do art. 62 A do RICARF. Ocorre que, nos termos dos §§7º e 8º do art. 49 do RICARF, os processos sobrestados, objeto de resolução, não deverão ser objeto de redistribuição, devendo serem postos em julgamento pelo seu relator original, verbis: § 7° Os processos que retornarem de diligência, os com embargos de declaração opostos e os conexos, decorrentes ou reflexos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos, em que o relator não mais pertença ao colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, com designação de relator ad hoc. § 8° Na hipótese de o conselheiro ter sido designado para novo mandato, em outra Câmara com competência sobre a mesma matéria, os processos já sorteados, inclusive os relatados e ainda não julgados e os que retornarem de diligência, com ele permanecerão e serão remanejados para a nova Câmara. A similitude entre as situações de retorno de diligência e de retorno de sobrestamento é iniludível, porquanto em ambos os casos há necessidade de se aguardar a produção de um fato jurídico que é, também em ambos, prejudicial ao julgamento da lide. De se ver, inclusive, que o julgamento anterior, nestas duas hipóteses, recebe a denominação de Resolução, decisão que demonstra estarem os fatos controversos sujeitos a futuro julgamento. A redistribuição, neste caso, além de atentar contra o princípio do juiz natural, pode contaminar eventual julgamento, feito à revelia das normas objetivas, levandoo à nulidade, nos termos do art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/72, verbis: Art. 59. São nulos: Fl. 704DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 13/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 I ...; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Assim, voto para declinar competência para a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara desta Seção de Julgamento, devendo o presente processo ser movimentado, independentemente de sorteio, ao ilustre Conselheiro Paulo Roberto Cortez. Sala das Sessões, 06 de maio de 2014. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator Fl. 705DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 13/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 15540.720002/2012-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2006, 2007
PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO SEM CAUSA.
Mantém-se o lançamento se comprovado pagamento a pessoa jurídica declarada inexistente de fato, cuja inscrição no CNPJ foi declarada nula por constatação de vício no ato cadastral, ou à sua ordem, em contas de terceiros, mormente se, regularmente intimada por diversas vezes, a interessada não apresenta provas do efetivo ingresso das mercadorias em seu estabelecimento, e da correspondente aplicação no processo produtivo.
Numero da decisão: 1101-001.041
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, votando pelas conclusões o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, com referência às exigências de IRRF, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, José Sérgio Gomes, Nara Cristina Takeda Taga e Marcos Vinícius Barros Ottoni.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 GLOSA DE CUSTOS DE COMPROVAÇÃO INIDÔNEA. Comprovado que a contribuinte escriturou custos lastreados em notas fiscais emitidas por pessoa jurídica declarada inexistente de fato, cuja inscrição no CNPJ foi declarada nula por constatação de vício no ato cadastral, mantémse o lançamento dos tributos incidente sobre o lucro, mormente se, regularmente intimada por diversas vezes, a interessada não apresenta provas do efetivo ingresso das mercadorias em seu estabelecimento, e da correspondente aplicação no processo produtivo. MULTA QUALIFICADA. Demonstrado o intuito de fraude na constituição da pessoa jurídica e o benefício praticamente exclusivo da autuada, além da relação de parentesco entre o sócio da autuada e o responsável, de fato, pela suposta fornecedora, mantémse a aplicação da multa de 150% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2006, 2007 PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO SEM CAUSA. Mantémse o lançamento se comprovado pagamento a pessoa jurídica declarada inexistente de fato, cuja inscrição no CNPJ foi declarada nula por constatação de vício no ato cadastral, ou à sua ordem, em contas de terceiros, mormente se, regularmente intimada por diversas vezes, a interessada não apresenta provas do efetivo ingresso das mercadorias em seu estabelecimento, e da correspondente aplicação no processo produtivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 72 00 02 /2 01 2- 21 Fl. 2748DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15540.720002/201221 Acórdão n.º 1101001.041 S1C1T1 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, votando pelas conclusões o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, com referência às exigências de IRRF, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, José Sérgio Gomes, Nara Cristina Takeda Taga e Marcos Vinícius Barros Ottoni. Fl. 2749DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15540.720002/201221 Acórdão n.º 1101001.041 S1C1T1 Fl. 4 3 Relatório IPCE FIOS E CABOS ELÉTRICOS LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Juiz de Fora/MG que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 26/12/2011, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 36.929.282,53. Os lançamentos de IRPJ e CSLL, pertinentes aos anoscalendário 2006 e 2007, decorrem da glosa de custos lastreados em notas fiscais frias emitidas por Metalan Indústria e Comércio de Metais Ltda, pessoa jurídica vinculada a Lindoro Vicente Santana Neto, irmão de Ademar Camardella Santana, proprietário da autuada e da pessoa jurídica Indústria de Cabos Elétricos Paulista Ltda, também beneficiada com notas fiscais da mesma espécie. Em procedimento fiscal desenvolvido junto a Metalan Indústria e Comércio de Metais Ltda, a autoridade lançadora constatou que não houve qualquer atividade comercial em seu endereço cadastral, ali existindo apenas uma residência modesta. Apurou que não houve qualquer registro de empregado por tal pessoa jurídica; que a DIPJ do anocalendário 2006 foi apresentada sem qualquer movimento; que não houve entrega de DIPJ em 2007; e que a DIPJ do anocalendário 2008 foi entregue na condição de inativa. As DCTF apresentadas pela pessoa jurídica também não continham qualquer informação de débitos, e o quadro social da pessoa jurídica era composto, desde 2005, por pessoas físicas falecidas em 1997 (Alcimar Barbosa Cunha) e 1990 (Renato Quinn Lopes Gonçalves). A autoridade fiscal anota evidências de falsificação dos documentos de identidade dos sócios originais de Metalan Indústria e Comécio de Metais Ltda e de sua parcial substituição em 05/04/2006 e em 14/12/2006 por supostos “laranjas” (José Nonato de Lima e Eloy José Ramos de Barros), pessoas que declararam conhecer Lindoro Vicente Santana Neto em razão de outros serviços a ele prestados. A autuada foi intimada em várias oportunidades a comprovar a efetividade das operações realizadas com Metalan Indústria e Comércio de Metais Ltda, mas não logrou fazêlo, e nem mesmo provou o recebimento e a utilização das mercadorias constantes das notas fiscais. Em conseqüência, foram glosadas notas fiscais nos montantes de R$ 11.357.846,60 e R$ 13.496.825,40, que reduziram o lucro tributável nos anoscalendário de 2006 e 2007, bem como ensejaram compensações indevidas de IPI, tratadas em autos apartados. A Fiscalização também descreve as informações obtidas mediante regular quebra do sigilo bancário da empresa METALAN, evidenciando que a maior parte dos créditos foram promovidos pela autuada, ao passo que os cheques emitidos por METALAN foram compensados em outros estados. Relata as informações obtidas junto aos beneficiários dos cheques superiores a R$ 20.000,00, o registro de sua emissão junto a Lindoro Vicente Santana Neto, e as evidências no sentido de que os pagamentos teriam sido efetuados por conta e ordem da IPCE, que, por sua vez efetuava pagamentos sem causa através de transferências para as contas da METALAN ou de terceiros, acobertados pela emissão de notas fiscais fraudulentas desta empresa tendo a IPCE como beneficiária. Fl. 2750DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15540.720002/201221 Acórdão n.º 1101001.041 S1C1T1 Fl. 5 4 Destaca a incompatibilidade entre as mercadorias recebidas por METALAN e aquelas por ela fornecidas à autuada, bem como a inexistência de comprovação do transporte, recebimento, entrada no estoque ou utilização na produção pela IPCE das mercadorias constantes nas notas fiscais oriundas da METALAN. A autuada, por sua vez, limitouse a fornecer as cópias das notas fiscais e dos pagamentos efetuados, sendo a maioria destes pagamentos através de depósitos realizados diretamente em contas de terceiros. A Fiscalização também relata as informações prestadas pela contadora da empresa METALAN, destacando seu agir sob as ordens de Lindoro Vicente Santana Neto, e conclui que esta empresa não exercia atividades econômicas de fato, prestandose apenas à emissão de “notas fiscais de favor”, sendo constituída de forma fraudulenta, utilizandose os seus mentores de vários artifícios dolosos (...), com o intuito de sonegar impostos e fraudar o fisco, deixando de recolher ou reduzindo os tributos devidos, quer pelo não pagamento dos tributos destacados, quer através da redução dos valores a serem pagos utilizandose de custos e compensações que sabia indevidas, ou até mesmo gerando eventuais restituições inexistentes. Evidenciado que a autuada foi uma das principais beneficiárias destas práticas dolosas, o lançamento foi formalizado com imputação de multa de ofício qualificada. Arremata apontando irregularidades praticadas para encerramento das atividades simuladas de METALAN, e a existência de representação para declaração de nulidade de sua inscrição perante o CNPJ. Além das glosas de custos promovidas no âmbito da apuração do IRPJ e da CSLL, a autoridade fiscal também relacionou pagamentos promovidos pela autuada de 31/10/2006 a 31/12/2007 e os submeteu à incidência do IRRF, por se tratarem de importâncias pagas pela autuada, diretamente na conta corrente da empresa METALAN INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE METAIS LTDA, ou à sua ordem, em contas de terceiros, SEM CAUSA, haja vista que a empresa METALAN era inexistente de fato, sendo os documentos por ela emitidos considerados INIDÔNEOS desde a sua origem. Além disso, a IPCE não logrou comprovar, e nem teria como, o recebimento, o transporte, a utilização/aplicação das mercadorias constantes das notas fiscais emitidas fraudulentamente pela METALAN a seu favor. Às fls. 69/76 estão individualizados os pagamentos supostamente vinculados às notas fiscais referidas, os quais, somados, totalizam os valores indicados no auto de infração. Impugnando a exigência, a contribuinte defendeu a regularidade das operações, afirmando existentes os beneficiários, e classificando de precário e equivocado o procedimento fiscal. Disse que adotou todas as precauções necessárias para realizar as operações questionadas e que o Fisco não provou a inexistência das transações. Trouxe considerações acerca de duplicidade de exigências relativamente ao IPI, asseverou que a exigências está fundada em indícios e se opôs à qualificação da penalidade ante a inexistência de dolo ou máfé. A Turma julgadora rejeitou os argumentos da autuada em acórdão assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007 LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA Cumpridos os requisitos previstos no Decreto nº 70.235/1972 para a lavratura do auto de infração e observados os Fl. 2751DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15540.720002/201221 Acórdão n.º 1101001.041 S1C1T1 Fl. 6 5 procedimentos previstos no artigo 142 do Código Tributário Nacional, não há que se falar em nulidade do lançamento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 GLOSA DE CUSTOS DE COMPROVAÇÃO INIDÔNEA. Comprovado que a contribuinte escriturou custos lastreados em notas fiscais emitidas por sociedade empresária, cuja inscrição no CNPJ foi declarada nula por constatação de vício no ato cadastral, mantémse o lançamento, inclusive em razão da não apresentação de prova documental, ônus da contribuinte, que pudesse ilidi lo, ou elidilo. MULTA QUALIFICADA No caso de evidente intuito de fraude, simulação ou conluio, aplicase multa de 150% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição. LANÇAMENTO REFLEXO. CSLL Uma vez que o lançamento decorreu dos mesmos elementos prova que nortearam o de IRPJ, mudando o que deve ser mudado, impõese o mesmo veredicto firmado no lançamento principal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2006, 2007 PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO SEM CAUSA. Mantémse o lançamento se comprovado pagamento a sociedade empresária cuja inscrição no CNPJ foi declarada nula por vício no ato cadastral, ou à sua ordem, em contas de terceiros, sem causa, dada a inexistência de fato daquela sociedade e a respectiva inidoneidade das notas fiscais por ela emitidas a favor da contribuinte, até porque não houve comprovação dos transporte, recebimento e utilização das mercadorias constantes nas respectivas notas fiscais. Cientificada da decisão de primeira instância em 21/11/2012, após o decurso do prazo de 15 (quinze) dias da disponibilização do documento em sua caixa postal eletrônica (fl. 2719), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 13/12/2012 (fls. 2721/2743). Inicialmente apresenta impugnação aos itens do Relatório Fiscal, descrevendo o procedimento adotado para cadastrar a empresa METALAN como fornecedora, em julho/2006, observando que não foi especificada a data da diligência feita ao estabelecimento da METALAN, que as atividades desta empresa somente teriam sido encerradas em 2008 e que não tinha conhecimento da existência física do Sr. Alcimar Barbosa Cunha, pois em seu cadastro havia apenas a indicação de seu nome no contrato social e seus documentos pessoais. Argumenta que não teria meios para apurar a inexistência de funcionários registrados pelo fornecedor, observa que algumas informações prestadas a órgãos públicos tardam a ser processadas, e registra que constam diversos comprovantes de pagamentos de INSS pela Metalan que ainda constam dos arquivos nos quais anexamos. De forma semelhante, diz que não teria como apurar as irregularidades apontadas no preenchimento das DIPJ pelo fornecedor, e reitera que exigiu do fornecedor toda a documentação necessária em razão de sua certificação ISO 9000 atualmente elevada a categoria ISO 9001/2008. Fl. 2752DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15540.720002/201221 Acórdão n.º 1101001.041 S1C1T1 Fl. 7 6 Tendo em conta as referências a alteração contratual promovida em 06/02/2006, destaca que somente possui documentos da empresa Metalan a partir de julho do ano de 2006 e que a partir deles não restavam dúvidas sobre a existência o domicílio comercial que constam em suas notas fiscais de fornecimento. Acrescenta que exige de todos os fornecedores a habilitação junto ao SINTEGRA para que os produtos sejam descarregados, e que os demais registros da empresa, refletidos em suas notas fiscais, estavam em conformidade com as diretrizes do RICMS do estado do Rio de Janeiro. Afirma desconhecer as particularidades internas da empresa Metalan ou de envolvimento estranho de pessoas que participavam como sócios cotistas da empresa Metalan ou de envolvimento de terceiras pessoas que não figuram nos documentos oficiais que lhe foram apresentados, e destaca o fato de a inspetoria fiscal se obrigar a proceder vistoria no local do estabelecimento do solicitante da inscrição estadual. Declara que por intermédio de seu antigo comprador, sempre vistoriou os produtos adquiridos no local do estabelecimento seja da Metalan ou de qualquer outro fornecedor para evitar dúvidas sobre os produtos, e acrescenta que em razão de sua certificação de qualidade, promovia exames laboratoriais do setor de controle de qualidade, de modo a rastrear a matéria prima a ser usada durante a industrialização de seus produtos, os quais são submetidos para fins de auditoria semestrais por órgão INMETRO, das quais podem resultar exigências e prejuízos à empresa. Argumenta que não era pacífica a convivência entre Adhemar Camardella Santanna e o irmão Lindoro Vicente Santana Neto, rebate especificamente as referências a Eloy José Ramos, e menciona relatório de agente fiscal da inspetoria de São Gonçalo apontando a possibilidade de cancelamento da inscrição da Metalan sem prejuízo das notas anteriormente emitidas. Prossegue contestando outras declarações de Eloy José Ramos, bem com referências a José Nonato, e enfatiza a existência de operações realizadas pela Metalan com outros adquirentes, em razão do envio de sucata para serem transformadas em vergalhões de cobre para São Paulo, fato de fácil constatação em razão da numeração das notas fiscais relacionadas na autuação. Diz ter apresentado à Fiscalização todos os documentos exigidos e dos quais dispunha, observando que se alguns documentos estavam faltantes era porque os que possivelmente estavam nas caixas e pacotes no interior do veículo que foi furtado quando transportava documentos conforme foi amplamente explicado pelos seus procuradores ao Sr. Auditor fiscal. Menciona que originais de notas fiscais estavam em poder do fisco estadual de São Paulo em razão da mudança de endereço de seu estabelecimento, e que outros documentos foram furtados quando eram transportados para seu novo estabelecimento, conforme boletim de ocorrência. Faz referência a outras mudanças de estabelecimento em razão de crise financeira global de 2008, e também reportase a estas ocorrências para justificar o fato de depósitos feitos em favor de Metalan terem sido promovidos por factoring, na medida em que se valia dos serviços destas empresa para descontar duplicatas e antecipar recebimentos. Justifica a participação de Lindoro Vicente Santana Neto nos cheques emitidos em favor de Metalan alegando ser de conhecimento público a sua participação como corretor de negócios de diversas empresas, erigindo hipóteses que poderiam ensejar os fatos verificados pela Fiscalização. Esclarece ser alto o preço das mercadorias adquiridas, e que os volumes negociados exigiam a divisão do preço em vários pagamentos. Assevera que adquiria cobre de qualquer fornecedor que se responsabilizasse pelo transporte da mercadoria, dado se tratar de Fl. 2753DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15540.720002/201221 Acórdão n.º 1101001.041 S1C1T1 Fl. 8 7 um produto extremamente visado por assaltantes. Reitera as justificativas acerca dos documentos que não puderam ser apresentados à Fiscalização, bem como as observações acerca de que as irregularidades na constituição da Metalan se verificaram antes de sua contratação pela contribuinte, na qual foi confirmada a regularidade formal e técnica do fornecedor. Acrescenta que houve produtos da Metalan rejeitados em controle de qualidade, ensejando devoluções devidamente documentadas, conforme elementos que apresenta, e observa que por ser uma empresa de porte razoável, teria de basearse em documentos expedidos por órgãos públicos oficiais porque não teria como monitorar os inúmeros fornecedores. Declarase impossibilitada de contrapor assunto particular interno da Metalan tratado nos itens 191 a 199 do Relatório Fiscal, e registra que acredita Sr. Adhemar que o Sr. Lindoro também procurava ajudar as pessoas da Metalan. Diz se leviana a afirmação fiscal de que a Metalan emitia notas fiscais fraudulentas em favor de outras empresas em São Paulo, porque não é indicada a origem das informações e a inspetoria fiscal estadual teria validado as operações da Metalan anteriores a 2008. Aduz ter contratado empresa especializada para extrair certidões forenses criminais e cíveis sobre a empresa e seus sócios, das quais nada constou, fazendo referências a outras investigações promovidas perante a Junta Comercial do Rio de Janeiro. Opõese também às declarações constantes do item 19.11 do Relatório Fiscal, classificando de supostas e nefastas as informações ali consignadas, bem como julgando leviana a pessoa de nome Reinaldo ali referida, por expor uma pessoa idosa e já falecida como autor de algo fraudulento e tentando dessa forma incluir o Sr. Adhemar como conivente que deixa transparecer ser talvez pessoa que tinha interesses ocultos na Metalan e assim culpar quem não mais pode se defender ou pessoa distante. Critica outras informações prestadas, e reconhece que Lindoro não tinha bens quando faleceu, expondo outras ocorrências da época de seu falecimento. Esclarece que Ademar Camardella Santana foi sócio até 2004 de Indústria de Cabos Elétricos Paulista Ltda, também beneficiária de notas fiscais emitidas por Metalan, mas observa que esta somente foi constituída em 2005, e que segundo suas informações aquela empresa estaria inativa desde o falecimento do sócio remanescente. Reitera ter apresentado toda a documentação exigida, justifica o atraso na apresentação do LALUR e do Registro de Apuração do IPI imputando a culpa à ausência do Auditor Fiscal na repartição, e assevera que houve exigência de documentos por outro auditor fiscal de Guarulhos, inclusive ensejando exigência em duplicidade. Contesta a acusação de apropriação indevida de custos novamente apontando a existência de devolução de mercadorias que a Metalan entregou com problemas de rachaduras e condutibilidade e baixa resistência nos testes de torção. Com referência à existência de documentos com falsificação de assinaturas, reitera a contratação da Metalan apenas em julho/2006 e as verificações cadastrais procedidas à época. Conclui, assim, que se alguém usou da boa fé da empresa IPCE ou praticou algum mal feito não pode ser este atribuído a IPCE que comprou e pagou pelos produtos adquiridos. Novamente recorda que a constituição da Metalan em 2005 é anterior à sua contratação pela autuada, para contraditar a acusação fiscal de que ela seria o principal beneficiário de trama urdida sobre pratica dolosa. Questiona, ainda, como um empresário que em 2006 já idoso na época com 71 anos de idade incluindo ainda por ter muitos problemas de saúde, se prestaria a Fl. 2754DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15540.720002/201221 Acórdão n.º 1101001.041 S1C1T1 Fl. 9 8 participar de ações dolosas ou indevidas na cidade do Rio de Janeiro longe do seu convívio familiar e empresarial. No que tange à qualificação da penalidade, argumenta que por ocasião do encerramento de atividades da Metalan, em 2008, a Secretaria de Fazenda do Estado do Rio de Janeiro deve ter conferido todos os documentos que se obrigou a Metalan a apresentar para verificação que teriam os funcionários da Receita Federal de Niterói efetuado os procedimentos de conferir sua adimplência contábil e regularidade dos pagamentos dos seus devidos impostos. Reitera, ainda, os procedimentos adotados para contratação de referido fornecedor. Observa que a inidoneidade da empresa Metalan somente foi constatada em 28/11/2011, com a edição do correspondente ato declaratório, e que à época das operações a empresa estava ativa, sendo baixada em 22/07/2008. Reportase ao julgamento contido no REsp nº 1.148.444MG, afirma equivocadas as conclusões fiscais, diz ter tomado todas as precauções possíveis, e assevera que apresentará cópias de notas fiscais e duplicatas pagas, comprovantes dos pagamentos, o livro razão que demonstra estoque, reservandose o direito de incluir outros documentos que estão sendo reconstituídos após os danos causados no furto antes mencionado. Aduz que o Fisco não provou a inexistência das reais transações comerciais entre as empresas vendedoras e o contribuinte em tela, e que não tem o dever de assumir riscos tributários por conta do poder público, pois nada mais incongruente do eu atribuir a ela, compradora, a responsabilidade pela suposta fraude da vendedora. Entende que a inidoneidade deve ficar restrita à circunstância de efetivamente não ser o documento capaz de gerar o crédito legítimo, e encarada quanto a realidade da operação que cuida representar. Na medida em que os documentos estão em ordem, de acordo com a legislação vigente, referemse a verdadeira entrada de mercadorias no estabelecimento da autuada. Complementa que a não localização da empresa vendedora não descaracteriza sua personalidade jurídica, na medida em que ela existia juridicamente; que não pode ser penalizada por informação incorreta acerca do estabelecimento de origem; e que o art. 82, parágrafo único da Lei nº 9.430/96, c/c art. 217 do RIR/99, não produzem efeitos para o adquirente que prova a efetivação do pagamento do preço. Argumenta, ainda, que a Fiscalização preferiu um método mais simplista para o lançamento. A imputação somente teria embasamento mediante exame pormenorizado em todo o setor contábil da empresa, em outras palavras, a realização de um levantamento fiscal específico, onde se apuram compras, vendas, variação de estoque e outros itens contábeis importantes, oferecendo assim condições a autoridade julgadora de promover uma decisão precisa e justa. Os elementos reunidos pelo auditor fiscal são apenas frágeis indícios, desprovidos da condição de tornaremse provas cabais, e ensejar futura execução fiscal, principalmente porque o Fisco deixou de apreciar diversos documentos apresentados pela Recorrente. Assim, na medida em que não foi demonstrada a ocorrência da hipótese de incidência, inexiste a obrigação tributária. O sinal exterior de riqueza deve ser o marco inicial da investigação, e não o objetivo final. Ausente prova de que os custos foram inexistentes, e considerando que a contribuinte não auferiu a renda alegada, estão incorretas as bases de Fl. 2755DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15540.720002/201221 Acórdão n.º 1101001.041 S1C1T1 Fl. 10 9 cálculo apuradas e a exigência do principal é improcedente, assim como indevidos são a multa e os juros aplicados. Por fim, especificamente quanto à multa qualificada, assevera que não apresentou declaração de imposto de renda inexata e não realizou operação comercial com estabelecimento inidôneo, demonstrando durante o curso da fiscalização as transações se efetivaram, não agindo em qualquer momento com dolo ou máfé, havendo, inclusive, o pagamento pelas mercadorias. A multa, assim, deve ser reduzida, porque a Recorrente em momento algum agiu com dolo ou máfé. Fl. 2756DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15540.720002/201221 Acórdão n.º 1101001.041 S1C1T1 Fl. 11 10 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA A glosa de custos no âmbito da apuração do lucro tributável, bem como a exigência de IRRF em razão de pagamentos sem causa, estão fundamentadas em evidências de inexistência do fornecedor e de irregularidades nos correspondentes pagamentos, associadas à falta de comprovação, pela autuada, do efetivo recebimento e aplicação dos insumos provenientes daquele fornecedor. A defesa, por sua vez, empenhase em afirmar a boafé do adquirente. Cumpre, assim, avaliar as provas que suportam as alegações de ambas as partes. As DIPJ juntadas às fls. 77/116 e 117/159 indicam que a contribuinte autuada computou custos de R$ 66.128.973,52 e R$ 91.399.063,14 nos anoscalendário 2006 e 2007, apurando lucro líquido correspondente a R$ 3.183.129,13 e R$ 3.983.328,78, respectivamente. O procedimento fiscal, autorizado pelo Delegado da Receita Federal em Niterói/RJ (fls. 6/7), tem início em face de Metalan Indústria e Comércio de Metais Ltda (METALAN), sediada em São Gonçalo/RJ (fl. 160/163). Frustradas as tentativas de ciência do termo de início por via postal, mediante correspondência enviada ao domicílio da pessoa jurídica e de seus sócios Renato Quinn Lopes Gonçalves e Eloy José Ramos de Barros (fls. 164/169), em 11/05/2010 a autoridade fiscal tomou a termo declaração de José Nonato Lima, que figurara como sócio de METALAN de 06/02/2006 a 14/12/2006. José Nonato Lima informou ser taxista, prestando serviços a Lindoro Vicente Santanna Neto (LINDORO), tendo este, no início de 2006, solicitado sua ajuda, para incluir seu nome em sociedade da qual era o efetivo dono – no caso, a METALAN –, vindo posteriormente retirálo por sua insistência. Acrescentou desconhecer outros sócios da METALAN, com exceção de Eloy José Ramos Barros, apresentado a ele como caseiro de LINDORO em sua casa em Búzios/RJ, e afirmou desconhecer a existência física da METALAN, desconfiando que era uma empresa de “fachada” (fl. 170). Na seqüência, em 19/05/2010, o agente fiscal, autorizado pelo Coordenador Geral de Fiscalização (fls. 2/5), inicia procedimento fiscal em face da autuada (IPCE), domiciliada em Guarulhos/SP, bem como de sua filial em São Paulo/SP e de Indústrias de Cabos Elétricos Paulista Ltda (PAULISTA), exigindo livros e documentos de sua escrituração, com vistas a demonstrar as compras realizadas junto à METALAN, bem como seu transporte, efetiva liquidação das transações e/ou pagamentos, além de justificar o nível de relacionamento que tinha com os sócios ou com os membros da diretoria/gerência daquela empresa, e informar a pessoa com quem mantinha relacionamento comercial junto àquela empresa (fls. 171/184). A resposta apresentada pela autuada, juntada às fls. 185/360, foi acompanhada de cópias das notas fiscais de compras e de devolução à METALAN (fls. 190/275), e da justificativa de que os originais teriam sido apresentados a FISCAL S. PAULO Fl. 2757DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15540.720002/201221 Acórdão n.º 1101001.041 S1C1T1 Fl. 12 11 CONFORME PROTOCOLOS (juntando documentos referentes à Secretaria de Fazenda do Estado de São Paulo de 11/07/2008, DRT/Jundiaí de 19/09/2007, e Receita Federal, para esta sem recibo). No mais, a petição de fl. 185 relaciona os demais documentos juntados, correspondentes a contrato social, cartão de CNPJ, pedido de baixa, enquadramento como EPP, documentos dos sócios, distrato social, autorização de impressão de documentos fiscais, habilitação no SINTEGRA até 20/12/2007, guias de recolhimento de ICMS e de COFINS em 2007, recibos de entrega de GIAICMS em 2006, todos referentes à METALAN (fls. 276/360). Foram apresentadas, também, cópia das duplicatas emitidas por METALAN, associadas a comprovantes de pagamento (fls. 361/1656). Contudo, como se vê na intimação de fls. 171/172, a autoridade fiscal também havia exigido a apresentação de Livros Diário e Razão, contrato social e alterações da IPCE e os demais esclarecimentos acerca do relacionamento mantido com a METALAN e seus sócios. Em conseqüência, em 24/09/2010, 06/02/2010 e 21/01/2011 a contribuinte foi reintimada a apresentar os elementos objeto da intimação anterior não atendida integralmente (fls. 1657/1668). Em paralelo, constatando que, apesar de ter movimentado cerca de R$ 11,5 milhões em 2007, METALAN apresentara declaração de inatividade, estando baixada desde meados de 2008, com sócios não localizados e evidências de utilização de interpostas pessoas em sua constituição, a autoridade fiscal solicitou em 10/01/2011 a emissão de Requisição de Movimentação Financeira (RMF) para busca dos reais beneficiários dos valores que transitaram pelas contascorrentes da empresa METALAN. (fls. 1669/1748). Nesta ocasião já consignou a constatação de que o endereço da empresa tratase de uma residência bastante modesta e que não apresenta condições físicas para abrigar uma atividade empresarial do porte de uma empresa que se intitulava como indústria e comércio de metais, com movimento de vendas da ordem de R$ 19 milhões, sendo R$ 18 milhões destinado à presente autuada. Posteriormente a autoridade fiscal solicitou a emissão de outras requisições, apresentando fundamentos semelhantes aos antes expostos (fls. 1952/2243). Em 08/03/2011 o procurador da fiscalizada apresentou cópia autenticada dos livros Diário e Razão exigidos, e solicitou prorrogação de prazo por motivo de doença do titular da empresa Sr. Adhemar Camardella Sant´Anna (fls. 1749/1858). Não há registro de deferimento deste pedido de prorrogação. Os trabalhos fiscais prosseguiram ensejando a reunião das seguintes informações em paralelo: · Em 03/06/2011, termo de declarações de Eloy José Ramos de Barros, caseiro da residência de LINDORO em Búzios/RJ, de novembro/99 a março/2000 e de 2004 a junho/2009, mas neste segundo período sem carteira assinado, até ser inscrito como funcionário de uma firma em dezembro/2006, quando recebeu contrato para assinar, assim como vários outros documentos e cheques depois, os quais eram remetidos para a empresa IPCE em São Paulo, empresa esta de propriedade do Sr. ADEMAR, irmão do Sr. Lindoro. Informou nunca ter estado na METALAN, acreditando que ela nunca existiu de fato, e consignou que existiam caixas de documentos da empresa na residência de Búzios, os quais chegavam a LINDORO através dos correios, oriundos da empresa IPCE ou da suposta METALAN, remetidos pelo Fl. 2758DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15540.720002/201221 Acórdão n.º 1101001.041 S1C1T1 Fl. 13 12 Sr. REINALDO, que era uma pessoa de confiança do Sr. Lindoro. Outorgou procuração a este Reinaldo para retirada de talões de cheque, os quais eram assinados e remetidos para IPCE por Sedex. Informou o número de telefone de Reinaldo; declarou conhecer o irmão de LINDORO, bem como José Nonato, pessoa de confiança de LINDORO, inclusive titular de conta movimentada por LINDORO; informou que os bens de LINDORO não estavam em seu próprio nome; que recebia salário em dinheiro ou cheque assinado por José Nonato; que LINDORO falava com sua contadora Kelly; que por sua exigência LINDORO retirou seu nome da firma; que ingressou com ação trabalhista contra LINDORO, sabendo meses depois de seu falecimento. Por fim, reconheceu sua assinatura em contratos da METALAN; apresentou documentos da ação trabalhista (fl. 2508/2511), inclusive de guia de Previdência Social em nome de METALAN; que LINDORO lhe entregou cópia de declaração de imposto de renda sua, feita por Kelly (fls. 1859/1861); · Em 20/06/2011, termo de declarações de Kelly Malaquias da Silva, proprietária de escritório de contabilidade em São Gonçalo/RJ, procurada por LINDORO, sob indicação de funcionário da inspetoria da Fazenda, para regularização fiscal de METALAN, sendolhe posteriormente solicitada a alteração contratual para mudança de endereço (sede transferida para o endereço de um funcionário terceirizado da Inspetoria de Fazenda de São Gonçalo) e de sócios (saída de José Nonato Lima e entrada de Eloy José Ramos de Barros), bem como o preenchimento de DCTF e DIPJ sem movimento, segundo informações prestadas por LINDORO, o qual se dizia responsável pela empresa e fazia os pagamentos pelos serviços prestados. Declarou que recebia os documentos de METALAN por via postal, embora ela estivesse situada a 5km de seu escritório, e nunca foi à sua sede, nem conhecia suas atividades. Teria solicitado a LINDORO documentos para retificar as declarações, e este lhe encaminhou notas fiscais de valores altíssimos, o que a fez desconfiar de irregularidades e deixar de prestar serviços a LINDORO. Obteve informações na Inspetoria Estadual de que a empresa emitia notas fiscais fraudulentas usadas por empresa em São Paulo de propriedade do irmão de LINDORO. Entregou ao agente fiscal os livros e documentos de METALAN que não foram retirados por LINDORO (fls. 1921/1922). · Em 12/07/2011, expedição de intimações para beneficiários de cheques emitidos por METALAN, os quais declararam não ter realizado qualquer operação comercial com referida empresa, e que os cheques lhes teriam sido entregues/depositados em razão de terceiros com os quais negociavam (fls. 2244/2408). · Em 03/10/2011, formalização de representação para declaração de nulidade de inscrição no CNPJ e inidoneidade dos documentos emitidos, instruída, dentre outros elementos, com as certidões de óbito dos sócios originais da METALAN, bem como do contrato de locação Fl. 2759DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15540.720002/201221 Acórdão n.º 1101001.041 S1C1T1 Fl. 14 13 onde supostamente seria a sede da empresa, assinado por um dos sócios depois de sua morte, e informação extraída do sítio da Secretaria de Fazenda do Estado do Rio de Janeiro informando que a inscrição da empresa foi desativada de ofício desde a data de sua inscrição (16/12/2005), conforme fls. 2409/2506. Em 24/11/2011 foi expedido ato declaratório de nulidade da inscrição de METALAN perante o CNPJ, com efeitos a partir do termo inicial de vigência do ato cadastral declarado nulo, nos termos do §23o do art. 33 da IN RFB nº 1.183/2011 (fl. 2507). Já em face da contribuinte autuada, em 10/06/2011 a autoridade fiscal lavrou Termo de Constatação, cientificandoa das evidências reunidas em desfavor da existência de METALAN (impossibilidade de sua instalação no endereço cadastral, inexistência de registro de empregados, DIPJ sem registro de atividades em 2006 e 2007, constituição inicial com pessoas falecidas no quadro social, indícios de falsidade no documento dos sócios) e das constatações acerca dos custos contabilizados pela IPCE, da existência de pagamentos vultosos à METALAN em dinheiro e inclusive após sua baixa, de transferências de IPCE a METALAN ao mesmo tempo que cheques da METALAN são compensados em outros Estados, da ausência de informação dos transportadores nas notas fiscais da METALAN, e de declarações evidenciando que LINDORO seria o real gestor da METALAN. Em conseqüência, intimou a autuada a esclarecer os fatos acima relatados, comprovando com documentação hábil e idônea a efetiva entrega das mercadorias constantes nas notas fiscais de emissão da METALAN, em que foi beneficiária, durante o período de 2006 e 2007 (tais como meio de transporte das mercadorias, entradas no Livro Registro de Entradas, de Inventário, responsável pelo recebimento das mercadorias, utilização das mesmas em sua produção, a quem foram feitos os pagamentos realizados em dinheiro, já que a empresa METALAN se encontrava extinta no ano desses pagamentos, além de outros documentos e/ou declarações que visem a esclarecer os fatos) (fls. 1862/1868). Em sua resposta, IPCE apresentou alegações que reitera em seu recurso voluntário: · Desmerece as evidências de que a METALAN inexistiria de fato, aduzindo que a instalação em um imóvel de pequeno porte não a impediria de adquirir produtos mantidos em depósitos ou portos, onde seriam vistoriados pelos adquirentes quando separados para venda. Destacando não ter sido informada a data da diligência no estabelecimento da METALAN, junta documento do que seria uma fiscalização da Fazenda Estadual no local indicado como estabelecimento da METALAN nas notas fiscais, observando que este procedimento é exigido pelo RICMS do Rio de Janeiro na baixa da empresa (fl. 1879/1880). Anota que teria dois endereços em seu contrato social, e afirma vistoriar os produtos adquiridos em razão de sua Certificação ISO 9001/2008. · Destaca que somente manteve relações com a METALAN a partir do segundo semestre de 2006, tendo ela cumprido todos os requisitos para cadastramento como fornecedor, os quais estariam descritos em anexo, mas não se verificam nos autos. Desconhecia a empresa em 2005, bem como seu modus operandi, mas sabia que os mesmos Fl. 2760DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15540.720002/201221 Acórdão n.º 1101001.041 S1C1T1 Fl. 15 14 quando necessário contratam chapas (carregadores informais) que fazem ponto em transportadoras. · Quanto às omissões em DIPJ, exigia dos fornecedores comprovação de habilitação no SINTEGRA, as quais apresenta, com exceção de algumas que estariam no veículo que foi furtado na mudança para a sua antiga matriz na cidade de Louveira, conforme boletim de ocorrência em anexo (furto de veículo em 06/11/2007, contendo documentos que alega seriam entregues à Secretaria de Fazenda em Jundiaí/SP, fl. 1875). Ademais, não teria como demonstrar fatos por meio de documentos que não tem a prerrogativa policial ou fiscal de exigir. Destaca que a numeração das notas fiscais do fornecedor seria espaçada, sendo algumas poucas seqüenciais, reiterando não ser de sua alçada outras averiguações, mas consignando possuir certidões negativas expedidas pelo fórum criminal e cível da empresa e dos seus sócios (fls. 1881/1884). · Para comprovar o fornecimento, diz juntar notas fiscais de devolução de mercadorias e que não estavam em conformidade de pureza para uso e consumo na industrialização dos seus produtos, restando rejeitados nos exames laboratoriais da IPCE e pela Engenharia do controle de qualidade, apresentando extrato do Registro de Saídas (fls. 1885/1894), demonstrativo à fl. 1900 e cópia de notas fiscais às fls. 1901/1920. Destaca que os impostos também foram devolvidos. · Acerca do pagamento de duplicatas, menciona a crise mundial iniciada no 1o semestre de 2008 e correspondentes prejuízos, seguindose venda de ativos particulares de empresário e familiares, sem cometer outras infrações, e pagar seus credores de conformidade com os recebimentos que fazia referente a tais vendas. Às fls. 1877/1878 constam correspondências que teriam sido trocadas entre as empresas entre novembro e dezembro/2006 acerca da prorrogação de vencimento duplicatas, mencionando defeitos nos produtos fornecidos. · Diz que fez pagamentos em TED e cheques à METALAN e que não tinha como saber que destino ela deu aos cheques, acreditando que ela também pagava seus débitos em parcelas aos seus credores conforme também recebia. · Não dispõe de informações de transportadores porque eles eram contratados pela METALAN, por conta e risco, por se tratar da aquisição de produto extremamente visado para roubo. Nega a possibilidade de a METALAN ter sede na IPCE em São Paulo, afirmandose empresa idônea. · Menciona problemas de relacionamento entre LINDORO e seu irmão (Sr. Adhemar), e registra a observação deste de que LINDORO jamais seria gestor de empresa, mas sim funcionário, representante de diversas empresas onde era comissionário. Fl. 2761DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15540.720002/201221 Acórdão n.º 1101001.041 S1C1T1 Fl. 16 15 A autoridade fiscal reintima a contribuinte para comprovação das efetivas entradas das mercadorias constantes das notas fiscais de emissão da empresa METALAN INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, tendo como destinatários sua matriz e filiais, apresentando, além dos conhecimentos de transportes, pessoa da METALAN com quem mantinha contato para compra das mercadorias, comprovantes de recebimento das mercadorias, bem como seus registros nos livros de apuração de IPI e no de inventário de mercadorias, os quais deverão ser apresentados em original e cópia (fls. 1923/1927). Em resposta, a contribuinte enviou correspondência aduzindo que tal demonstração se faria por meio dos documentos apresentados por ocasião das duas respostas anteriores, mas agora também fazendo referência a recolhimento de INSS da Contribuinte Metalan que constava em seu prontuário de arquivos cadastrais. Requereu que a Fiscalização fosse mais específica em suas intimações, aduzindo que: Portanto, já não resta mais dúvidas a serem esclarecidas sobre o nosso fornecedor, Metalan, pois quando a mesma deu baixa do seu CNPJ na secretaria da fazenda Estadual, conforme informa nosso auditor contábil, por meio das certidões que já lhe apresentou, não deveria restar mais quaisquer dúvidas sobre os débitos da metalan e foi confirmado pelas certidões que solicitamos no fórum criminal e civil, sobre ações da pessoa jurídica, e tão pouco dos sócios cotistas, pessoas físicas, que também foi acrescentado, nos documentos solicitados no dia 16/06.2011. No Termo de Reintimação Fiscal de fls. 1936/1938, o auditor responsável esclareceu que a intimação anterior visou lhe proporcionar mais uma chance de comprovação da efetividade das transações com a empresa METALAN INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE METAIS LTDA, já que, até o momento, não houve essa comprovação, mas apenas a apresentação de cópias de notas fiscais e outros elementos que não comprovaram a efetividade das operações. Enfatizou, assim, que a falta de apresentação dos documentos solicitados ensejaria a glosa dos custos e a aplicação das penalidades cabíveis. A contribuinte insistiu em afirmar que a Fiscalização estava exigindolhe os mesmos documentos já apresentados, mencionou que notas fiscais originais teriam sido reivindicadas por outros dois auditores da Receita Federal em Guarulhos, e reiterou os termos da resposta anterior (fls. 1939/1951). Juntou, apenas, cópia de intimação lavrada por auditor fiscal da DRF/Guarulhos. Por fim, a autoridade fiscal lavrou o termo de reintimação de fls. 2512/2515 em razão da falta de apresentação do Livro de Registro de Apuração do IPI e do LALUR antes requeridos, bem como de informações sobre os bens do ativo permanente da fiscalizada, e expôs a constatação de que a empresa METALAN teria existido apenas no papel, mediante constituição irregular e fraudulenta, inclusive valendose de interpostas pessoas que vincularam sua atuação ao irmão do sócio da IPCE, principal beneficiária das notas fiscais emitidas por METALAN. Na seqüência, por meio do termo de fls. 2516/2521, a contribuinte é cientificada da formalização do processo administrativo nº 15540.720296/201118 para declaração de inidoneidade dos documentos emitidos por METALAN, bem como da continuação do procedimento fiscal por meio de outro registro de procedimento fiscal (fls. 2516/2521). Em 01/12/2011 a contribuinte remete à Fiscalização, por via postal, o LALUR e o Livro Registro de Apuração do IPI (fls. 2522/2616). Concluise, do exposto, que a autoridade fiscal reuniu provas e indícios consistentes e convergentes no sentido de que METALAN jamais operou efetivamente, tendo Fl. 2762DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15540.720002/201221 Acórdão n.º 1101001.041 S1C1T1 Fl. 17 16 sido formalmente constituída pelo irmão do sócio da empresa fiscalizada, valendose de interpostas pessoas, duas inclusive já falecidas à época dos fatos, e as demais declarando que sua atuação limitavase a assinar papéis e cheques, desconhecendo qualquer atividade efetivamente exercida pela pessoa jurídica, mas tendo conhecimento da relação mantida com IPCE, de cunho exclusivamente formal, mediante trânsito de documentos e cheques entre LINDORO e a autuada. A autuada, por sua vez, embora apresente extensas alegações em defesa, não junta qualquer documento para além daqueles apresentados à autoridade fiscal e juntados às fls 185/360 e 1869/1920. Cogita de a METALAN lhe ter disponibilizado mercadorias para vistoria em depósitos ou portos, mas não informa com qual pessoa mantivera contato para realizar tais operações; menciona sua vinculação a controles decorrentes de sua certificação ISO 9001/2008, mas não apresenta qualquer documento de registro de entrada das mercadorias adquiridas em seu estabelecimento, ou da avaliação de sua qualidade; nega operações com a METALAN em 2005, mas não esclarece com que pessoa teria se comunicado para cadastrar o fornecedor a partir do segundo semestre de 2006, ou como teria reunido diversos elementos vinculados, apenas, às operações da METALAN, como guias de recolhimento de tributos; e junta apenas uma troca de correspondência entre as empresa acerca de postergação de vencimento de duplicatas, em que pese o volume de mercadorias entre elas supostamente transacionado. Notese, ainda, que a correspondência enviada por METALAN está assinada por José Nonato Lima, reconhecidamente taxista, prestando serviços ao irmão do sócio da autuada, ao passo que a correspondência enviada por IPCE, como bem destaca a Fiscalização, produzida por Adhemar Camardella Santana, é endereçada à METALAN, à atenção do falecido ALCIMAR BARBOSA CUNHA, dando ciência de que "conforme entendimentos verbais...". A contribuinte alega não ter a prerrogativa de policial ou fiscal para exigir a regularidade de sua fornecedor, mas não junta qualquer evidência de sua diligência em aquisições de materiais, que são de uso e consumo de sua indústria por possuir certificação ISO 9001/2008. Apresenta notas fiscais que teriam sido objeto de devolução, nas quais consta, apenas, carimbo indicando se a devolução é total ou parcial, reportando o número da nota fiscal de devolução e o motivo manuscrito em duas pequenas linhas, muitas vezes de difícil compreensão. A título de exemplo, vejase que a primeira operação de devolução, embora se refira a remessas de mais de 12.000 kg de cobre por parte de METALAN, das quais cerca de 10% foram devolvidas, não se vincula a qualquer dado de transportador, nem apresenta qualquer evidência de trânsito entre as cidades de São Gonçalo/RJ e São Paulo/SP, além de não ter sido destacado o recibo de entrega das mercadorias. Já a terceira operação enuncia devolução total por se tratar de material completamente diferenciado daquele contratado, sendo que a nota fiscal emitida por METALAN indica 8.420 kg de cobre, no valor total de R$ 194.502,00, volume que não seria movimentado entre os dois Estados sem qualquer acordo prévio, que embora mencionado, não é demonstrado. De forma semelhante, as demais devoluções são justificadas, apenas, pelas informações registradas em carimbo aposto na nota fiscal emitida por METALAN, reproduzidas nas notas fiscais de devolução emitidas pela autuada. A autuada assevera que não se responsabilizava pelo transporte das mercadorias, dado o risco envolvido em mercadorias tão visadas, mas estas mercadorias supostamente chegariam até seu estabelecimento transportadas por pessoas ou empresas desconhecidas, sem qualquer cuidado evidenciado por parte da METALAN no sentido de Fl. 2763DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15540.720002/201221 Acórdão n.º 1101001.041 S1C1T1 Fl. 18 17 consignálas nas notas fiscais correspondentes, ou anexarlhes conhecimentos de transporte, os quais, em regra, também são entregues por cópia ao destinatário, que necessita firmar o recebimento da mercadoria para exonerar a transportadora de responsabilidade. Para justificar a ausência destes documentos, a recorrente indica, apenas, o boletim de ocorrência que reporta o furto de um veículo Fiat/Uno Mille Fire Flex, em via pública, no qual estariam documentos diversos que seriam entregue na Secretaria da Fazenda em Jundiaí, além de pasta contendo diversos documentos da empresa (fl. 1875). A ocorrência de furto em 06/11/2007 poderia estar vinculada às ações fiscais enunciadas nos documentos apresentados em sua primeira resposta à Fiscalização (fls. 186/188). Contudo, o documento de fl. 186 relata o recebimento, no posto fiscal da Secretaria da Fazenda no Ibirapuera/SP, em 11/07/2008, de cxs dizendo conter notas fiscais de entradas (compras) de outubro a dezembro/2006 e de abril a dezembro/2007, entre outros livros e arquivos magnéticos. Como se vê, depois da ocorrência de furto, documentos de compras foram apresentados à Fazenda Estadual em São Paulo. Já o documento de fl. 187 registra a entrega a agente fiscal da DRT/Jundiaí, em 15/09/2007, de declarações, livros e algumas notas fiscais de consumo, vinculados à fase de construção do estabelecimento em Louveira/SP. Assim, nenhum elemento permite avaliar quais documentos estariam no veículo furtado, muito embora a contribuinte pudesse estabelecer esta correlação em razão da intimação que supostamente lhe teria sido feita antes do furto. Ademais, em recurso voluntário, a interessada observa que o veículo foi recuperado, com vidros abertos, e os documentos, embora molhados, lhe teriam sido restituídos. De outro lado, diversas notas fiscais de venda de METALAN deveriam ter ensejado a entrada das mercadorias no estabelecimento da autuada, na medida em que foram computados em seus custos. Apesar disso, e embora supostamente submetida a controles em razão de sua certificação ISO 9001/2008, a contribuinte não trouxe aos autos qualquer elemento que evidenciasse o trânsito destas mercadorias em seus estabelecimentos e o seu consumo, de modo a justificar seu registro em custos. Recordese que ela foi sucessivamente intimada neste sentido no curso do procedimento fiscal. Quanto à regularidade das operações de METALAN, a autuada apresentou á Fiscalização os documentos de fls. 1879/1880, consistentes em dois despachos que teriam sido expedidos pela Inspetoria de Fazenda Estadual em São Gonçalo/RJ, nos quais um fiscal de rendas declara a seu Inspetor que após fazer a Diligência Fiscal e conferir as devidas notas fiscais opino pelo impedimento de atividades da empresa Metalan Indústria e Comércio de Metais Ltda, I.E. 78.030.119 a partir de 31/03/2008 não invalidando as operações realizadas antes desta data. Além de não estar especificado o procedimento realizado para conferência das notas (se diligência no estabelecimento de METALAN ou mera intimação para apresentação dos documentos na repartição fiscal), o documento indica que a decisão é submetida à apreciação de outro órgão e, como demonstrado pela autoridade fiscal ao representar para declaração de nulidade da inscrição da METALAN junto ao CNPJ, consta no sítio da Secretaria de Fazenda do Estado do Rio de Janeiro informação de que a inscrição da empresa foi desativada de ofício desde a data de sua inscrição (16/12/2005). Concluise, daí, que, mesmo admitindose verdadeiro o documento de fls. 1879/1880, a decisão ali expressa foi revertida, e as operações de METALAN invalidadas com efeitos retroativos a 16/12/2005. A glosa de custos, diante deste contexto, é inteiramente procedente, inclusive no que tange à aplicação da multa qualificada, porque a autuada não logrou desconstituir o Fl. 2764DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15540.720002/201221 Acórdão n.º 1101001.041 S1C1T1 Fl. 19 18 robusto conjunto de indícios que somente autorizam a conclusão de que METALAN foi constituída formalmente por LINDORO, sem nunca ter exercido atividades econômicas de fato, prestandose apenas à emissão de “notas fiscais de favor”, destinadas principalmente a empresa de propriedade de seu irmão, aqui autuada. Como dito pela Fiscalização, METALAN foi constituída de forma fraudulenta, utilizandose os seus mentores de vários artifícios dolosos (...), com o intuito de sonegar impostos e fraudar o fisco, deixando de recolher ou reduzindo os tributos devidos, quer pelo não pagamento dos tributos destacados, quer através da redução dos valores a serem pagos utilizandose de custos e compensações que sabia indevidas, ou até mesmo gerando eventuais restituições inexistentes. Ainda, porque tais custos foram vinculados a pagamentos que teriam beneficiado METALAN, sua inexistência de fato impõe, necessariamente, a conclusão de que os pagamentos restaram sem causa. Em conseqüência, os pagamentos promovidos pela autuada acabaram por beneficiar terceiros injustificadamente, o que impede o Fisco de verificar se tais valores foram submetidos a regular tributação por seus beneficiários. Daí a correta exigência do IRRF na forma do art. 61 da Lei nº 8.981/95, e a conseqüente imputação de multa qualificada em razão da utilização de notas fiscais emitidas fraudulentamente pela METALAN para ocultar seus reais beneficiários e causa. Por fim, para que todas as alegações de defesa sejam consideradas, cumpre consignar que: · A habilitação do fornecedor junto ao SINTEGRA, sua inscrição no CNPJ e na Fazenda Estadual, a suposição de que foi feita diligência no local do estabelecimento pela Fazenda Estadual, e o registro de autorização de impressão de documentos fiscais no rodapé das notas fiscais emitidas nada provam em favor da interessada, na medida em que a Fiscalização, dentre outros aspectos, demonstra que a inscrição estadual de METALAN foi desativada de ofício com efeitos retroativos; · O fato de a autuada adotar procedimentos para cadastramento de fornecedores em nada lhe favorece se demonstrada a falsidade na formalização dos atos constitutivos e contrato de locação de METALAN e se os mencionados compromissos assumidos pelos fornecedores não são documentalmente provados; · Irrelevante a data em que a autoridade fiscal diligenciou no estabelecimento de METALAN, se as constatações produzidas não são refutadas mediante demonstração de efetivos contatos entre a autuada e o fornecedor, que lhe permitiriam acreditar que o fornecedor existia de fato; · A ausência de registro de empregados por METALAN é indício que opera, juntamente com as demais evidências, em favor de sua inexistência de fato, e a possibilidade de declarações daquela empresa não terem sido processadas, ou o fato de ela ter promovido recolhimentos de contribuições previdenciárias, são aspectos insuficientes para invalidar o conjunto probatório reunido pela Fiscalização, mormente se a adquirente não evidencia ter mantido Fl. 2765DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15540.720002/201221 Acórdão n.º 1101001.041 S1C1T1 Fl. 20 19 contato com qualquer pessoa que prestasse serviços para METALAN, se inexiste qualquer registro neste sentido no transporte das mercadorias correspondentes aos custos glosados, e se uma das interpostas pessoas que figuraram no quadro social de METALAN informa que foram feitos recolhimentos previdenciários em seu favor por aquela pessoa jurídica; · A apresentação de DIPJ sem movimento é fato que não pode ser dissociado das declarações prestadas pela contadora Kelly Malaquias da Silva, que vinculam LINDORO, irmão do sócio da autuada, à produção das formalidades que resultaram na constituição e manutenção da METALAN para emissão das notas fiscais que ensejaram os custos glosados; · O fato de as irregularidades na constituição de METALAN terem se verificado antes dos fornecimentos que ensejaram os custos glosados não é suficiente para desmerecer os indícios reunidos pela Fiscalização, na medida em que subsiste o vínculo destas irregularidades com o irmão do sócio da autuada, bem como a ausência de qualquer demonstração acerca da normalidade das contratações feitas pela autuada com tal fornecedor; · Subsistem as declarações de que METALAN seria uma empresa de fachada, na medida em que são meras alegações as afirmações da recorrente de que constatou, na época das transações por intermédio do seu antigo comprador que sempre vistoriou os produtos adquiridos no local do estabelecimento seja da Metalan ou de qualquer outro fornecedor para evitar dúvidas sobre os produtos. Nenhuma prova neste sentido, ou em favor do efetivo ingresso das mercadorias no estabelecimento da autuada, foi por ela produzida; · Inexiste qualquer demonstração de que a contribuinte teria sido submetida a auditorias semestrais pelo INMETRO, ou confirmação de que ela estaria efetuando corretamente os procedimentos constantes de sua certificação; · Os problemas de relacionamento entre LINDORO e seu irmão, sócio da autuada, são meras alegações, e as referências às questões familiares de LINDORO são irrelevantes para o litígio. Quanto à semelhança entre depoimentos colhidos das pessoas que figuraram como interpostas pessoas no quadro social de METALAN, mais do que aparentar algo orquestrado pela Fiscalização, evidencia que LINDORO procedeu de forma semelhante em relação a duas pessoas de seu círculo de relacionamentos, para fazer figurar naquela pessoa jurídica ao menos uma pessoa viva, que pudesse assinar documentos e cheques sem a recorrente falsidade verificada nos procedimentos de constituição e alteração do contrato social de METALAN; · O despacho produzido por agente fiscal da Inspetoria da Fazenda Estadual em São Gonçalo/RJ não se presta a contradizer as Fl. 2766DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15540.720002/201221 Acórdão n.º 1101001.041 S1C1T1 Fl. 21 20 irregularidades apontadas no depoimento de Eloy José Ramos de Barros, na medida em que não é declarada diligência no estabelecimento de METALAN, mas apenas a realização de procedimento fiscal indeterminado que autorizaria a baixa de METALAN sem prejuízo de documentos antes emitido, a qual não se confirmou, verificandose o cancelamento da inscrição estadual com efeitos retroativos, como demonstrado pela Fiscalização; · As dúvidas de Eloy José Ramos de Barros acerca dos remetentes de correspondências a LINDORO, e a assinatura de cheques em branco são justificáveis em razão do tempo decorrido e de sua função de caseiro. De outro lado, considerando o tempo que esta pessoa trabalhou para LINDORO, não se pode negar valor às referências por ele feitas à autuada e à intermediação, por terceiros, para movimentação formal dos documentos vinculados à IPCE, mormente tendo em conta que esta nada prova acerca da efetividade das operações questionadas; · Irrelevantes, para a presente exigência, os questionamentos acerca de temas periféricos, como a visita de Eloy José Ramos de Barros a São Paulo, os serviços prestados por este no ano da morte de LINDORO, ou o real proprietário da casa em Búzios/RJ. O mesmo se diga acerca de cobranças feitas por José Nonato Lima ao sócio da autuada em razão de serviços prestados a LINDORO e de despesas deste, anteriores à sua morte; · A autoridade fiscal demonstra que a quase totalidade das notas fiscais emitidas por METALAN beneficiaram a autuada, reforçando os indícios de que ela foi constituída com esta finalidade. A existência de pequena parcela de notas fiscais em favor de outros beneficiários não desqualifica o procedimento fiscal consistente na demonstração da inexistência de fato do fornecedor; · A falta de apresentação de documentos e esclarecimentos exigidos pela Fiscalização está evidenciada no relato das intimações e das respostas apresentadas pela autuada, assim como está demonstrada a inconsistência da alegação de que os documentos não apresentados poderiam estar em veículo furtado. Recordese, ainda, que a recorrente observa que o veículo foi recuperado, com vidros abertos, e os documentos, embora molhados, lhe teriam sido restituídos; · Dificuldades financeiras e mudança de estabelecimento não são justificativas válidas para afastar o dever de guarda da escrituração e da documentação de suporte de seus registros fiscais e contábeis, expresso no art. 264 do RIR/99, como bem observado na decisão recorrida, inclusive no que tange ás obrigações impostas aos sujeitos passivos em caso de extravio, deterioração ou destruição de livros e documentos; Fl. 2767DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15540.720002/201221 Acórdão n.º 1101001.041 S1C1T1 Fl. 22 21 · A forma de pagamento adotada pela contribuinte, com alegado recurso a factoring, em nada lhe favorece, porque tais circunstâncias, associadas às evidências de inexistência de fato do fornecedor, confirmam a inviabilidade de se identificar os reais beneficiários dos pagamentos promovidos, justificando a exigência do IRRF como aqui formulado; · A intervenção de LINDORO em cheques emitidos por METALAN é apenas mais um indício que reforça a convicção extraída das demais evidências de que ele constituiu formalmente a METALAN apenas para emissão de notas fiscais em favor da autuada, ensejando o aumento de seus custos. Assim, nada provam as suposições erigidas pela recorrente no sentido de tentar associar esta atuação de LINDORO a outras operações; · Justificar o pagamento fracionado das notas fiscais a partir do alto valor das aquisições e do volume de mercadorias adquiridas é contraditório com as alegações da recorrente no sentido de que as mercadorias seriam visadas para roubo, pois em tais circunstâncias o fornecedor não concederia prazos alargados para pagamento. Em verdade, a divisão em várias parcelas do valor devido, e a inexistência de qualquer evidência de movimentação física dos produtos, corroboram a conclusão de que as compras efetivamente não existiram e os pagamentos destinaramse a outros fins, inclusive de forma pulverizada; · Irrelevantes as inferências acerca da conduta pessoal de LINDORO e da possibilidade de ele ter tentado ajudar as pessoas da METALAN, uma vez demonstrado que seus sócios originais eram falecidos e que as interpostas pessoas colocadas ao lado destes no quadro social eram pessoas que prestavam serviços como taxista e caseiro de LINDORO, que desconheciam qualquer atividade da METALAN; · Irrelevantes as contestações contra declarações de Kelly Malaquias da Silva, na medida em que confirmadas as referências ao cancelamento da inscrição estadual da METALAN com efeitos retroativos ao seu cadastramento; · As certidões forenses cíveis e criminais obtidas pela autuada em 2011 nada provam contra as evidências de inexistência de fato da METALAN, constatada naquele mesmo ano pela Fiscalização; · As referências à intervenção de pessoa de nome Reinaldo nas operações entre METALAN e a autuada constam apenas de declaração colhida pela Fiscalização, sem maior especificidade, e pouco representam nas conclusões fiscais, de modo que são irrelevantes as negativas apresentadas pela recorrente acerca dos fatos a ela vinculados; Fl. 2768DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15540.720002/201221 Acórdão n.º 1101001.041 S1C1T1 Fl. 23 22 · A ausência de bens ou de outras posses por parte de LINDORO no momento de sua morte não afasta as constatações fiscais acerca de sua intervenção nas fraudes aqui evidenciadas; · A retirada do sócio da autuada do quadro social da Indústria de Cabos Elétricos Paulista Ltda em 2004 em nada altera as constatações acerca das operações entre METALAN e a autuada em 2006 e 2007; · A existência de outro procedimento fiscal realizado pela DRF/Guarulhos, do qual poderia ter resultado exigência de IPI em duplicidade, em nada afeta a exigência objeto do presente processo administrativo, a qual não veicula créditos tributários de IPI; · A baixa de METALAN em 2008 não autoriza a presunção de que todas as suas operações teriam sido conferidas pela Receita Federal, mormente tendo em conta o ato declaratório de cancelamento de seu CNPJ emitido no curso do procedimento fiscal, mas com efeitos desde a sua inscrição. Por sua vez, os efeitos do REsp nº 1.148.444/MG, bem como o art. 82, parágrafo único da Lei nº 9.430/96, restringemse aos adquirentes de boafé, quais sejam, aqueles que demonstram a veracidade da compra e venda efetuada, o que não logrou fazer a autuada; · Os registros no Livro Razão, dissociados dos documentos que lhes dão suporte, são insuficientes para demonstrar o efetivo ingresso das mercadorias e sua aplicação no processo produtivo, mormente tratandose de uma indústria sujeita a controle de custos e exigências decorrentes da alegada certificação de qualidade que teria de observar; · A acusação fiscal não se limita a declarar a inexistência do fornecedor em seu estabelecimento, ou a demonstrar declaração falsa de estabelecimento de origem, mas sim evidencia robusto conjunto de indícios em favor da falsidade na constituição formal do fornecedor, e da sua inexistência física, bem como do trânsito das mercadorias que teriam ensejado os custos glosados nestes autos; · Não houve precipitação por parte da autoridade fiscal, mas sim inércia da contribuinte quando intimada a comprovar os elementos que, agora, aventa como necessários para fins de um levantamento fiscal específico de suas variações de estoque. Esta omissão, associada às demais evidências de inexistência do fornecedor das mercadorias, é suficiente para autorizar a glosa dos custos, a exigência do IRRF e a qualificação da penalidade. Por tais razões, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 2769DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15540.720002/201221 Acórdão n.º 1101001.041 S1C1T1 Fl. 24 23 Fl. 2770DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10680.933034/2009-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/11/2002 a 30/11/2002
Ementa:
Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º segunda parte, da LC 118/05, considera-se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão-somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 09 de junho de 2005. (RE nº 566621- RS, de 04/08/2011 - Relatora Ministra Ellen Gracie)
As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
Numero da decisão: 3402-002.284
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Winderley Morais Pereira e Raquel Motta Brandão Minatel.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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(RE nº 566621 RS, de 04/08/2011 Relatora Ministra Ellen Gracie) As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Winderley Morais Pereira e Raquel Motta Brandão Minatel. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 93 30 34 /2 00 9- 71 Fl. 67DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 9/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10680.933034/200971 Acórdão n.º 3402002.284 S3C4T2 Fl. 205 2 Relatório Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido, in verbis: O interessado transmitiu o Pedido Eletrônico de Restituição ou Ressarcimento e da Declaração de Compensação (Per/Dcomp) visando a compensar o(s) débito(s) nele declarado(s), com crédito oriundo de pagamento a maior de PIS, relativo ao fato gerador de 30/11/2002. A Delegacia da Receita Federal (DRF) em Belo Horizonte emitiu Despacho Decisório eletrônico no qual não homologa a compensação pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débitos do contribuinte, não restando saldo creditório disponível. Irresignado com o indeferimento do seu pedido, o contribuinte apresentou, em 19/11/2009, manifestação de inconformidade de fls. 1 a 4, a seguir resumida. Alega que a compensação realizada não contempla as situações impeditivas previstas no art.74 parágrafo 3o da Lei n° 9.430, de 1996, e que tem o direito de retificar as Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) e demais obrigações acessórias. Requer que seja acolhida a presente Manifestação de inconformidade. A 1ª Turma da Delegacia de Julgamento de Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 0334.844, de 26 de setembro de 2011, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/11/2002 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA FORA DO PRAZO LEGAL. COMPENSAÇÃO INDEFERIDA. O prazo estabelecido pela legislação para o direito de constituir o crédito tributário deve ser o mesmo para que o contribuinte proceda à retificação da respectiva declaração. Não tendo sido apresentada pelo contribuinte qualquer prova que demonstre a existência do direito creditório, não se pode considerar, por si só, a DCTF retifícadora como sendo instrumento hábil, capaz de conferir certeza ao crédito indicado na declaração de compensação. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 9/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10680.933034/200971 Acórdão n.º 3402002.284 S3C4T2 Fl. 206 3 Descontente com a decisão de primeira instância, o sujeito passivo protocolou o recurso voluntário no qual argumenta, em síntese, que possui direito ao crédito pleiteado, seja em razão da DCTF retificadora encaminhada, seja em face do seu crédito decorrer do recolhimento a maior, pois o recorrente incluiu erroneamente na base de cálculo do PIS e da Cofins o valor dos medicamentos sujeitos à alíquota zero, tributandoos, indevidamente, à alíquota de 3% e 0,65%. Termina sua petição requerendo que seja reformada a decisão guerreada, reconhecendo o direito da recorrente à restituição pleiteada. Alternativamente, requer a anulação da decisão da primeira instância e a determinação de diligência para apuração da base de cálculo da exação. É o Relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator A impugnação foi apresentada com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dela tomo conhecimento e passo a apreciar. Impende suscitar, preliminarmente, uma matéria que prejudica a análise do mérito. Entendo que estamos diante de pedido de restituição prejudicado pelo instituto da decadência, senão vejamos: É de conhecimento geral que o Plenário do Supremo Tribunal Federal julgou a questão da decadência e definiu que o prazo reduzido para repetição do indébito só seria aplicado às demandas protocoladas a partir de 09 de junho de 2005, no acórdão proferido no Recurso Extraordinário nº 566621 RS, de 04/08/2011. Segue o voto condutor do acórdão que fechou a questão do dies a quo e do prazo de repetição do indébito tributário, in verbis: Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para tributos sujeitos a lançamentos por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150 § 4º, 156, VII e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial, quanto à sua natureza, validade e aplicação. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 9/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10680.933034/200971 Acórdão n.º 3402002.284 S3C4T2 Fl. 207 4 A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao principio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 09 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Consoante noção cediça, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal na sistemática prevista pelo artigos 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Portanto, por força regimental, sou obrigado a rever minha posição e aplicar a decisão da mais alta Corte Judiciária. Retornando aos autos, o pedido de restituição foi protocolado em 08/04/2009, após a data definida pelo STF para aplicação da LC nº 118/08, o que determina a observância do prazo de 5 anos contados da data da extinção do crédito tributário para fins de decadência do direito à repetição de indébito. Compulsando os autos, identifico que o recolhimento do valor pleiteado deu se em 13/12/2002 e a o pedido de restituição foi transmitido em 08/04/2009. Diante destes fatos jurídicos, é lícito concluir que na data de transmissão do PER/DCOMP estava extinto o direito à restituição do valor relativo ao recolhimento do PIS efetuado em 13/02/2002, objeto desta lide, em face da decadência. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 9/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10680.933034/200971 Acórdão n.º 3402002.284 S3C4T2 Fl. 208 5 Nos casos de pagamento indevido ou a maior, fatos que justificam uma eventual repetição do indébito, a idéia de restituir é para que ocorra um reequilíbrio patrimonial. O direito de repetir o que foi pago emerge do fato de não existir débito correspondente ao pagamento. Portanto, a restituição é a devolução de um bem que foi transladado de um sujeito a outro equivocadamente. Deve ficar entre dois parâmetros, não podendo ultrapassar o enriquecimento efetivo recebido pelo agente em detrimento do devedor, tampouco ultrapassar o empobrecimento do outro agente, isto é, o montante em que o patrimônio sofreu diminuição. O ordenamento jurídico estabelece a obrigação de restituir a “todo aquele que recebeu o que lhe não era devido”, e essa obrigação se extingue com a restituição do indevido ou com a decadência do direito. A restituição do indevido pode ser feita por meio da compensação, que é uma forma indireta de extinção da obrigação, feita por uma via oblíqua. Doutrinariamente, a compensação é dividida em duas categorias: a legal e a convencional. A adotada pelo direito tributário é a legal, ou seja, presentes os pressupostos legais, ela se opera independentemente da vontade dos interessados. O conteúdo semântico do termo compensação, adotado pelo Código Tributário Nacional, tem os mesmos contornos do conceito consolidado no direito civil. Não se pode olvidar que os termos e conceitos jurídicos consolidados no direito privado não podem ser modificados pela lei tributária, conforme reza o art. 110 do CTN. É pressuposto da compensação que os sujeitos possuam uma condição recíproca de credor e devedor. Existe uma contraposição de direitos e obrigações que, colocados na balança e equilibrados, se extinguem. Tal extinção assemelhase ao pagamento, contudo um pagamento indireto pela exclusão de um débito em face do direito a um crédito. Nesta linha, podese inferir que compensar significa fazer um acerto no equilíbrio entre os débitos e os créditos que duas pessoas têm, ao mesmo tempo. Portanto, temos como pressupostos de admissibilidade da compensação legal a reciprocidade dos créditos (obrigações), a liquidez das dívidas, a exigibilidade atual das prestações e a homogeneidade das prestações (fungibilidade dos débitos). Diante dessa breve explanação, fica evidente que é conditio sine qua non a existência de um pagamento indevido ou a maior que o devido para que o contribuinte faça jus à repetição do indébito, a qual só pode ocorrer dentro do prazo decadencial previsto na legislação. Caso contrário, estaríamos diante de um enriquecimento sem causa de uma das partes. Não ocorrendo tais condições, não há direito a crédito. Por sua vez, sem crédito, a compensação fica prejudicada, pela falta do principal pressuposto legal, qual seja: a reciprocidade de credor e devedor entre as pessoas envolvidas. Assim sendo, como todo o valor pleiteado foi fulminado pelo instituto da decadência, deixo de apreciar as demais matérias ventiladas no recurso em face da prejudicial de mérito. Por todos os fundamentos expostos, nego provimento ao recurso. É como voto. Sala das Sessões, em 28/01/2014 Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 71DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 9/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10680.933034/200971 Acórdão n.º 3402002.284 S3C4T2 Fl. 209 6 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 9/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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