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Numero do processo: 13409.720080/2015-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
DESPESA COM PENSÃO ALIMENTÍCIA PARCIALMENTE RESPALDADA POR DECISÃO JUDICIAL OU ACORDO HOMOLOGADO JUDICIALMENTE. DEDUTIBILIDADE LIMITADA AO VALOR DEFINIDO JUDICIALMENTE
Somente são dedutíveis da Declaração de Ajuste Anual - DAA as despesas com pensão alimentícia respaldadas por decisão judicial.
Os pagamentos efetuados a título de alimentos, em valor superior ao definido em decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou escritura pública de separação ou divórcio consensual não está sujeito a dedução da base de cálculo do imposto de renda. Inteligência do enunciado da Súmula CARF nº 98.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-005.508
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e dar-lhe parcial provimento, para restabelecer dedução de R$ 25.768,31 (vinte e cinco mil, setecentos e sessenta e oito reais e trinta e um centavos), pagos a título de alimentos, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild, João Victor Ribeiro Aldinucci, Ronnie Soares Anderson, Theodoro Vicente Agostinho, Túlio Teotônio de Melo Pereira e Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2013 DESPESA COM PENSÃO ALIMENTÍCIA PARCIALMENTE RESPALDADA POR DECISÃO JUDICIAL OU ACORDO HOMOLOGADO JUDICIALMENTE. DEDUTIBILIDADE LIMITADA AO VALOR DEFINIDO JUDICIALMENTE Somente são dedutíveis da Declaração de Ajuste Anual - DAA as despesas com pensão alimentícia respaldadas por decisão judicial. Os pagamentos efetuados a título de alimentos, em valor superior ao definido em decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou escritura pública de separação ou divórcio consensual não está sujeito a dedução da base de cálculo do imposto de renda. Inteligência do enunciado da Súmula CARF nº 98. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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DEDUTIBILIDADE LIMITADA AO VALOR DEFINIDO JUDICIALMENTE Somente são dedutíveis da Declaração de Ajuste Anual DAA as despesas com pensão alimentícia respaldadas por decisão judicial. Os pagamentos efetuados a título de alimentos, em valor superior ao definido em decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou escritura pública de separação ou divórcio consensual não está sujeito a dedução da base de cálculo do imposto de renda. Inteligência do enunciado da Súmula CARF nº 98. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 40 9. 72 00 80 /2 01 5- 67 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 05 /10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA D E ARAUJO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e darlhe parcial provimento, para restabelecer dedução de R$ 25.768,31 (vinte e cinco mil, setecentos e sessenta e oito reais e trinta e um centavos), pagos a título de alimentos, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild, João Victor Ribeiro Aldinucci, Ronnie Soares Anderson, Theodoro Vicente Agostinho, Túlio Teotônio de Melo Pereira e Amilcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 05 /10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA D E ARAUJO Processo nº 13409.720080/201567 Acórdão n.º 2402005.508 S2C4T2 Fl. 110 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte – DRJ/BHE, que julgou parcialmente procedente Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), relativa ao ano calendário 2012 / exercício 2013, a qual resultou em imposto suplementar no valor de R$ 12.435,76 (doze mil, quatrocentos e trinta e cinco reais e setenta e seis centavos). De acordo com a Notificação de Lançamento, o crédito foi constituído em virtude da glosa de valores deduzidos i) com dependentes, R$ 3.949 44 (três mil, novecentos e quarenta e nove reais e quarenta e quatro centavos), por falta de comprovação da relação de dependência; ii) a título de despesas com instrução, R$ 3.091,35 (três mil, noventa e um reais e trinta e cinco centavos), por falta de previsão legal; iii) a título de alimentos, R$ 32.605,96 (trinta e dois mil, seiscentos e cinco reais e noventa e seis centavos), por falta de comprovação ou por falta de previsão legal. O contribuinte contestou o lançamento por meio da impugnação de fls. 2/8, cujas alegações se extrai do 0267.516 da 9ª Turma da DRJ/BHE: Quanto a dedução de dependentes aduz tratarse dos filhos Amélia Rosa Guimarães Ferro Amorim e João Donato Guimarães Ferro Amorim. A dedução com instrução seria relacionada ao filho João Donato Guimarães Ferro Amorim. A pensão alimentícia estaria de acordo com as normas de direito de família e foi paga em benefício do filho Gustavo Alexandre Rodrigues. No caso das despesas médicas com a Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil – CASSI, alega que os valores referemse a gastos próprios e de seus dependentes. A DRJ/BHE julgou a impugnação parcialmente procedente, restabelecendo as deduções relativas i) aos dependentes e respectivas despesas com instrução, no seu valor total; e ii) às despesas médicas comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, R$2.501,61. No que se refere à pensão alimentícia, o Colegiado de primeira instância manteve a glosa por entender que o contribuinte “não se desincumbiu do dever de provar a procedência da dedução, pois não juntou os termos que comprovam a pensão alimentícia, assim entendida a apresentação do acordo ou sentença judicial, nem comprovou a regularidade e valor dos pagamentos”. Por ocasião do recurso voluntário, o Recorrente alega que: a) analisando detalhadamente as informações prestadas pela fonte pagadora, especificamente a CASSI/PREVI, através do Comprovante de Rendimentos Fl. 111DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 05 /10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA D E ARAUJO 4 do ano calendário 2012, é visível que tal demonstrativo foi elaborado com flagrante erro de cálculos no que se refere à Pensão Alimentícia paga em favor de seu filho incapaz, Gustavo Alexandre Rodrigues; b) a fonte pagadora supra informou ao contribuinte o valor de R$ 32.605,96, com retenção na fonte de R$ 1.589,18, porém, conforme folha individual de pagamento o contribuinte pagou a título de pensão alimentícia o valor de R$ 33.507,30. Apresenta detalhamento do valor pensão com relação à fontes pagadoras respectivas; c) o valor correto, conforme os demonstrativos de pagamentos anexos, é de R$ 33.507,30, com uma diferença a menor de R$ 901,34. Anexa: i) comprovante de rendimentos pagos e de retenção do imposto de renda na fonte ano calendário 2012, com valor de pensão totalizado em R$ 32.605,96 (fls. 82/83); ii) comprovante de rendimentos emitidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social – INSS dos meses de janeiro a dezembro de 2012, com valor total de pensão de R$ 10.462,92 (fls. 84/86); e iii) folha individual de pagamento, fornecida pela fonte pagadora PREVI/CASSI, (fls. 82/83) e folhas de pagamentos individuais dos meses de janeiro a julho e de novembro e dezembro de 2012 (fls. 87/95), com pensão totalizando R$ 16.490,17; d) a suposta glosa fiscal atribuída ao recorrente é fruto de erro da fonte pagadora e não do contribuinte, tendo em vista, que fora induzido a erro material ao fazer sua declaração referente ao ano calendário 2012 do Exercício 2013; f) no acórdão recorrido alega o auditor fiscal que: ‘Conforme Termo de Curatela às Fls. 19 e 20 de 31/10/2003” foi determinada a interdição do Sr. Gustavo e nomeada curadora a Sra. Raissa Alexandre Rodrigues Alves. Porém, quanto ao depósito da pensão na conta da Sra. Raissa esta se deu por determinação judicial, através de oficio do juiz da causa, para a fonte pagadora no caso a PREVI/CASSI, fato este que não é do conhecimento do contribuinte, pois a obrigação dele é está adimplente com o pagamento da pensão, independente, de quem seja o curador. Que o pagamento é automático, descontado em folha, por decisão judicial; g) no caso em tela a exigência fiscal é referente ao ano calendário de 2012 e Exercício 2013, período este, que, segundo o processo n° 0001023 36.2012.8.17.0640 Ação de Substituição de Curatela, a Sra. Lucinda Geadna Guimaraes Barros substituiu a Sra. Raissa, conforme Termo de Curatela Provisória datado de 3 de Abril de 2012. (documentos de fls. 96/103); h) há um equivoco no que tange a comprovação do depósito da pensão na conta da Sra. Raissa, tendo em vista, que a mesma deixou de ser curadora a partir de abril/2012, ano calendário da exigência fiscal, caindo por terra as alegações do Sr. Auditor, em seu respeitável acórdão; i) o contribuinte ,ora recorrente, não faz parte do pólo passivo nas ações de substituição de curatela, nem mesmo é intimado sobre a substituição do curador, pois, sua obrigação é o pagamento da pensão alimentícia, que é descontado em folha de pagamento tanto do INSS, quanto da PREVI/CASSI e as informações que faz em sua declaração de imposto de renda é com base nos comprovantes de rendimentos pagos recebidos das fontes pagadoras; Fl. 112DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 05 /10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA D E ARAUJO Processo nº 13409.720080/201567 Acórdão n.º 2402005.508 S2C4T2 Fl. 111 5 j) conforme julgamentos do CARF, é pacifica a jurisprudência administrativa, segundo consta das súmulas consolidadas deste colegiado, nº. 14, nº 17 e nº 25 e seus respectivos acórdãos, no sentido de que o contribuinte não pode ser responsabilizado pelo erro material ou por vicio formal da fonte pagadora, que desta forma induziu o contribuinte a fazer sua declaração com suposta glosa fiscal. Transcreve súmulas e acórdãos que a elas fazem referência. Requer o restabelecimento da dedução relacionada à pensão alimentícia e o cancelamento da exigência fiscal na parte relativa aos alimentos. Não faz o Recorrente menção às glosas mantidas pela decisão de primeira instância no que se refere às despesas médicas, motivo pelo qual referidas matérias não serão objeto de análise no presente Acórdão, considerandose que a decisão de primeira instância administrativa fez coisa julgada em relação a elas. É o relatório. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 05 /10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA D E ARAUJO 6 Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto, dele conheço. No que se refere à possibilidade de dedução de valores pagos a título de pensão alimentícia da base de cálculo do IRPF, o inciso II do art. 4º e a alínea “f” do inciso II do art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, dispõem: Art. 4º. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: [...] II – as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; [...] Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Grifei) O caput e os §§ 1º e 2º do art. 73 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, nos termos dos §§ 3º a 5º do DecretoLei nº 5.844, de 1943, estabelecem a necessidade de comprovação das despesas deduzidas da base de cálculo do IRPF e a possibilidade de glosa de deduções indevidas: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Fl. 114DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 05 /10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA D E ARAUJO Processo nº 13409.720080/201567 Acórdão n.º 2402005.508 S2C4T2 Fl. 112 7 § 2º As deduções glosadas por falta de comprovação ou justificação não poderão ser restabelecidas depois que o ato se tornar irrecorrível na esfera administrativa (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 5º). De acordo com as disposições normativas reproduzidas acima, as deduções de despesas a título de pensão alimentícia na Declaração de Ajuste Anual do IRPF devem obedecer aos seguintes requisitos: i) a comprovação do efetivo pagamento aos alimentados; e ii) que esses pagamentos decorram do cumprimento de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública de separação ou divórcio consensual. Ainda de acordo com os normativos cotejados, a autoridade administrativa pode, a seu juízo, exigir a comprovação ou justificação das despesas objeto de dedução com o fim de verificar sua efetiva ocorrência e o atendimento dos requisitos prescritos em lei e, caso o pagamento dessas despesas não restem comprovados ou verifiquemse ausentes outras condições legalmente estabelecidas, as deduções serão glosadas por meio do lançamento respectivo. A despeito dos inúmeros argumentos trazidos pelo contribuinte em seu recurso voluntário, a controvérsia restringise à confirmação de que os valores deduzidos a título de alimentos provém do cumprimento de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente ou de escritura pública de separação ou divórcio consensual e à comprovação do efetivo pagamento da pensão alimentícia. Verificase, desse modo, que o lançamento e a decisão da DRJ/BHE não têm relação com eventuais erros cometidos pela fonte pagadora quando da informação do valor da pensão na Declaração de Rendimentos, tampouco com o fato de ter havido substituição do curador do alimentando, como aduz o Recorrente. Além disso, eventuais erros na Declaração de Rendimentos do contribuinte, bem assim sua retificação, por não integrarem a presente lide, devem ser resolvidos perante os responsáveis por sua emissão junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil, falecendo este Conselho de competência para se pronunciar sobre o assunto. Relativamente às Súmulas CARF nº 14, nº 17 e nº 25, importa salientar que essas tratam, respectivamente, de i) qualificação da multa de ofício em razão de omissão de receita, ii) inaplicabilidade de multa de ofício em lançamentos efetuados com o objetivo de prevenir decadência e iii) sobre a não autorização do agravamento da multa de ofício pela presunção de omissão de receita sem a comprovação das circunstâncias previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964. Tais hipóteses, por não terem qualquer relação com o lançamento efetuado em face do Recorrente, não o socorrem em sua pretensão de ver afastada a multa de ofício. No que se refere à determinação judicial para a prestação de alimentos, o Ofício nº 1.903/2004, da Vara da Infância, Juventude e Família Comarca de Garanhuns/PE é claro no sentido de que a Ação Revisional de Alimentos nº 8154/01 reduziu para 25% (vinte e cinco por cento) sobre os rendimentos líquidos do Recorrente, o valor da pensão paga a Gustavo Alexandre Rodrigues. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 05 /10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA D E ARAUJO 8 Do exame do referido documento é possível inferir que existe sentença judicial para respaldar o pagamento da pensão em valor equivalente, por óbvio, a 25% (vinte e cinco por cento) dos rendimentos do sujeito passivo. Consoante comprovante de rendimentos (fls. 82/83), a remuneração líquida anual do recorrente é composta por: i) rendimentos tributáveis (R$ 83.388,98), ii) rendimentos isentos e não tributáveis, parcelas isenta dos proventos de aposentadoria, reserva remunerada, reforma e pensão – 65 anos (R$ 21.282,43); e iii) deduzida do imposto de renda retido na fonte (R$ 1.589,18). Com base nessas informações, constatase que os rendimento anuais líquidos do contribuinte equivalem a R$ 103.073,23 (R$ 83.388,98+R$ 21.282,431.589,18), ou seja, o valor dos alimentos, conforme definido pela Justiça, corresponde a R$ 25.768,31 (R$ 103.073,23 x 25%). Assim, entendo que se deva restabelecer a dedução de R$ 25.768,31 (vinte e cinco mil, setecentos e sessenta e oito reais e trinta e um centavos), eis que acobertada por decisão judicial e com pagamento efetuado mediante desconto na remuneração do Recorrente, segundo consta do comprovante de rendimentos de fls. 82/83. Quanto aos R$ 6.837,65 (seis mil, oitocentos e trinta e sete reais e sessenta e cinco centavos) restantes (R$ 32.605,96R$ 25.768,31), há que se manter a glosa, haja vista que o valor extrapola o percentual de 25% (vinte e cinco por cento) estabelecido judicialmente, não gerando direito a dedução em razão da inexistência de previsão nas normas que disciplinam a matéria e a teor da Súmula CARF nº 98, de observância obrigatória por este colegiado, que dispõe: Súmula CARF nº 98: A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, restabelecendo dedução de R$ 25.768,31 (vinte e cinco mil, setecentos e sessenta e oito reais e trinta e um centavos) pagos a título de alimentos. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 05 /10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA D E ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 11131.000825/2009-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2004 a 01/07/2005
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENA DE PERDIMENTO CONVERTIDA EM MULTA.
Provado nos autos por diferentes circunstâncias fático-jurídicas, inclusive pela confissão do Recorrente, que o importador de direito interpôs fraudulentamente um terceiro (importador de fato), é cabível a incidência da pena de perdimento, passível de conversão em multa caso a mercadoria importada não seja apreendida.
Numero da decisão: 3402-003.281
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Diego Diniz Ribeiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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PENA DE PERDIMENTO CONVERTIDA EM MULTA. Provado nos autos por diferentes circunstâncias fáticojurídicas, inclusive pela confissão do Recorrente, que o importador de direito interpôs fraudulentamente um terceiro (importador de fato), é cabível a incidência da pena de perdimento, passível de conversão em multa caso a mercadoria importada não seja apreendida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Antonio Carlos Atulim Presidente. Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório 1. Tratase de Auto de Infração lavrado contra a empresa Via Comércio de Ferramentas do Brasil Ltda. (Via Comércio), decorrente da imposição de pena perdimento, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 13 1. 00 08 25 /2 00 9- 00 Fl. 1580DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 convertida em multa, com fundamento no art. art. 23, do Decretolei n. 1.455/76, c.c o disposto no art. 618, inciso XXII do Regulamento Aduaneiro. 2. Segundo a acusação, a Recorrente seria a real adquirente (importadora de fato) das mercadorias retratadas nas DIs n.s 04/06426923, 04/07832976, 06/05872834, 06/05873334 e 06/06419785, todas registradas exclusivamente em nome da empresa Emitrade Marketing & Transporte Internacional Ltda. (Emitrade). 3. A conversão do perdimento em multa ensejou na cobrança do valor de R$ 41.054,48, montante este exigido solidariamente da Recorrente e da empresa Emitrade. 4. Devidamente notificadas, as Recorrentes apresentaram suas respectivas Impugnações, oportunidade em que a Recorrente Via Comércio aduziu, em suma, que: (i) as importações fiscalizadas foram realizadas única e exclusivamente pela empresa Emitrade, sob a qual a autuada não possui qualquer poder de gerência ou outro vínculo senão comercial; (ii) a localização do fornecedor, a negociação do preço, o pagamento e os demais procedimentos relacionados à importação foram realizados por conta e risco da empresa Emitrade, sem a menor interferência da Recorrente; (iii) o preço das mercadorias declarado na importações são diferentes dos preços de aquisição pela Recorrente, o que descaracteriza o fato como simulação; (iv) a empresa Emitrade vende mercadorias para diversas empresas do mercado nacional e os produtos por ela importados por intermédio das DI´s relacionadas na autuação não foram adquiridos em sua totalidade pela Recorrente. Sendo assim, não faria sentido a autuada simular uma importação de forma a propiciar que os concorrentes tenham as mesmas condições de aquisição das mercadorias importadas; e (v) a interposição fraudulenta imputada à Recorrente decorreria de uma indevida presunção perpetrada pela fiscalização. 5. Processadas as Impugnações e depois de diligência efetuada em cumprimento de determinação da 1a. instância julgadora, tais defesas foram julgadas parcialmente procedentes pela DRJCE (acórdão n. 0834.125 fls. 1.533/1.548) para reconhecer parte da decadência da multa exigida, o que se deu nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 03/07/2004, 09/08/2004 DECADÊNCIA MULTA DE NATUREZA ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIA INFRAÇÃO. O prazo para efetuar lançamento de multas relacionadas ao controle aduaneiro das importações é de 5 (cinco) anos, contado da data da infração. A natureza administrativotributária das multas relacionadas ao controle aduaneiro das importações permite que a elas se apliquem regras tributárias de constituição e cobrança do respectivo crédito, inclusive o rito estabelecido pelo Decreto nº 70.235/72 (Processo Administrativo Fiscal), mas não a regra de contagem do prazo decadencial prevista no inciso Fl. 1581DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11131.000825/200900 Acórdão n.º 3402003.281 S3C4T2 Fl. 1.580 3 I do art. 173 do CTN, pois a norma aplicável à espécie, pelo critério da especialidade, é o art. 78 da Lei nº 4.502/64. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIROS. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA POR CONVERSÃO. Considerase interposição fraudulenta, infração punível com a pena de perdimento, que se converte em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas, a operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiros, quando não forem cumpridas a exigências estabelecidas pela legislação que trata da importação por conta e ordem. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. 6. Diante deste quadro, as partes foram devidamente intimadas, sendo que apenas a ora Recorrente (Via Comércio) interpôs o correlato Recurso Voluntário de fls. 1.561/1.567, oportunidade em que repisou todos os fundamentos trazidos em sua Impugnação e acima sumarizados. 7. É o relatório. Voto Relator Diego Diniz Ribeiro 8. O Recurso Voluntário preenche os pressupostos formais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. I. Da exigência aduaneira no caso concreto 9. Como já pontuado no relatório do presente voto, a acusação fiscal aduz que a empresa Emitrade promoveu, exclusivamente em seu nome, a importação de mercadorias no exterior retratadas nas DIs n.s 04/06426923, 04/07832976, 06/05872834, 06/05873334 e 06/06419785. Acontece que, ainda segundo a acusação fiscal, embora formalmente a empresa Emitrade se apresentasse ostensivamente como a importadora de tais bens, a real adquirente dessas mercadorias estrangeiras foi a Recorrente, o que configurou a interposição fraudulenta, ensejando a imputação de pena de perdimento convertida em multa. 10. Importante registrar que, ainda na fase fiscalizatória, a Recorrente foi intimada para prestar alguns esclarecimentos fáticos a respeito das operações relacionadas às DI's. alhures discriminadas e, em resposta a tais esclarecimentos (fls. 103/106) confessou os fatos que dão embasamento a acusação aduaneira aqui tratada. Nesse sentido, convém destacar os seguintes trechos das informações prestadas: (...). Fl. 1582DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 6 — Apresentar correspondências comerciais das transações, trocadas com os fornecedores estrangeiros e com a empresas importadora brasileira Emitrade Marketing & Transporte Internacional Ltda., e/ou contrato comercial e explicar, por escrito, como se deram as transações comerciais, desde a identificação e especificação dos produtos adquiridos até a conclusão dos negócios: (...). 6.3 — A requerente iniciou suas atividades comerciais no ano de 2002, no ramo de ferramentas e argamassas para empresas de construção civil e do varejo de material de construção. Negocia, notadamente, discos diamantados usados no corte de mármore, granito e cerâmica, e argamassa industrializada usada no assentamento de pisos, adquiridas da empresa CONCREMASSA com sede nesta capital. Como diversos fornecedores nos EUA vendiam as ferramentas a preços mais competitivos do que os praticados no mercado interno e, desconhecendo as lides pertinentes ao comércio exterior, passou a comprar no mercado interno, da empresa NATIONAL DIAMOND com filial na Cidade do Rio de Janeiro e sede em MIAMI (EUA), as mercadorias objeto de sua atividade comercial, durante os anos de 2002 e 2003. No ano de 2004,o fornecedor acima, passou a não contar com estoque para pronta entrega, razão pela qual, em decorrência de "outdoors" existentes em nossa cidade e como não tinha licença para a importação direta, passou a usar os serviços da EMITRADE para que intermediasse as compras das mercadorias tendo em conta que não possuía e não sabia que as empresas registra no SIMPLES, poderiam exercer as fainas ligadas ao comércio internacional. Desta forma, em duas importações distintas, nos anos de 2004 e 2006 usou os serviços da EMITRADE para a importação das mercadorias oriundas de fornecedores asiáticos. Em 2007, após tomar conhecimento de que poderiam operar no comércio exterior sem a intermediação de terceiros, inscreveramse no RADAR e no SISCOMEX, dando inicio ao ciclo de importações diretas que se estende até hoje. 11. Em outro trecho da sua manifestação, a empresa confessa que a toda a negociação efetuada com a empresa exportadora foi realizada com a efetiva participação de um dos seus sócios em razão da sua expertise. Vejamos: (...). 5 Informar quem foi a pessoa que negociou os produtos com os fornecedores estrangeiros e com a importadora nacional Emitrade Marketing & Transporte Internacional Ltda.: 5.1 — A pessoa responsável direta por todas as negociações, em face de seus conhecimentos técnicos no tocante às mercadorias adquiridas, foi o sócio Victor Delano Madruga Cavalcanti da Silva. 12. Corroboram tais confissões os recibos apresentados pela Recorrente como prova do pagamento efetuado para a empresa Emitrade (fls. 44/45). Ao se analisar o conteúdo de tais recibos, percebese que a empresa Emitrade afirma ter recebido valores da Recorrente em razão da prestação de serviços e não aquisição de mercadorias. Fl. 1583DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11131.000825/200900 Acórdão n.º 3402003.281 S3C4T2 Fl. 1.581 5 13. Ao se analisar tais recibos vis a vis do valor das mercadorias importadas, a fiscalização concluiu, acertadamente, que a diferença de preços detectada, descontando os valores referentes ao frete, taxas e tributos incidentes, era de apenas 8,76%, percentual próximo ao ordinariamente praticado a título de comissão para empresas tipo tradings, o que está em sintonia com a assertiva alhures mencionada e apresentada pela Recorrente, qual seja, de que tomava serviço na área de COMEX da empresa Emitrade. 14. Ademais, os comprovantes de depósito de fls. 95/101 e 121/123, que foram entregues pela própria Recorrente, atestam que a empresa Emitrade recebeu recursos da Via Comércio antes da formalização das Declarações de Importação e em datas próximas ao fechamento de câmbio referente às operações de comércio exterior registradas em 2006. 15. Percebese, portanto, que o acervo probatório acostado nos autos, aliado a confissão da Recorrente a qual, digase de passagem, é elemento de prova, nos termos do art. 389 e s.s. do novo CPC comprovam as acusações imputadas. Aliás, a respeito da confissão, convém transcrever o retrocitado dispositivo legal: Art. 389. Há confissão, judicial ou extrajudicial, quando a parte admite a verdade de fato contrário ao seu interesse e favorável ao do adversário. 16. A confissão é irrevogável1 e, como visto na regra acima, pode ser judicial ou também extrajudicial, exatamente como ocorrido no caso em tela, já que aqui houve a confissão na fase de fiscalização aduaneira. Por sua vez, a consequência da confissão é admitir como verdadeiros os fatos imputados ao confitente, o que, no presente caso, deve decorrer não só da aludida previsão legal, mas também porque os fatos confessados estão em consonância com as demais provas acostadas nos autos. 17 Tendo em vista, pois, que a imputação de dano ao erário decorre de responsabilidade objetiva e, ainda, levando em consideração os elementos probatórios acima conferidos, incluindo a confissão do Recorrente, a medida adequada é de manutenção da decisão proferida pela DRJ pelo Recurso Voluntário em julgamento. Dispositivo 18. Ex positis, nego provimento ao Recurso Voluntário interposto pela Recorrente. 19. É como voto. Diego Diniz Ribeiro Relator 1 "Art. 393. A confissão é irrevogável, mas pode ser anulada se decorreu de erro de fato ou de coação." Fl. 1584DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 Fl. 1585DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10830.725113/2011-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010
ÁGIO. GLOSA DE AMORTIZAÇÃO. DEMONSTRAÇÃO QUE JUSTIFIQUE A AQUISIÇÃO DA PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA PARA FUNDAMENTAR O ÁGIO COM BASE NA RENTABILIDADE FUTURA. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. LAUDO POSTERIOR. IMPOSSIBILIDADE.
A demonstração do fundamento econômico da mais valia paga deve ser contemporânea ao reconhecimento do ágio na escrita contábil do contribuinte. Embora a legislação não estabeleça a forma dessa demonstração, o corolário é que esta deva existir ao menos na data do registro da aquisição da participação societária, com vistas ao seu desdobramento contábil. Trata-se de requisito legal indispensável, à cargo do sujeito passivo para fruição do benefício fiscal estabelecido.
NEGÓCIO JURÍDICO. ABUSO DE DIREITO. INOPONIBILIDADE. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. IMPOSSIBILIDADE POR NÃO CARACTERIZAÇÃO DE FRAUDE.
Negócio jurídico realizado mediante interpretação literal, sem a observância das regras tributárias é abusivo e não pode ser oponível ao Fisco, sujeitando ao infrator à multa de ofício de 75%. Descabe a qualificação da multa quando não caracterizado dolo específico ou fraude nos procedimentos.
FALTA DE PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA.CABIMENTO.
Com o advento da Medida Provisória n. 351/2007, convertida na Lei n.11.488/2007, tornou-se juridicamente indiscutível o cabimento da incidência da multa isolada pela falta de pagamento das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, ainda que cumulativamente haja imposição da multa de ofício proporcional o imposto e à contribuição devidos ao final do respectivo ano-calendário.
MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA.
A multa de ofício integra a obrigação tributária principal e, por conseguinte, o crédito tributário, sendo legítima a incidência de juros de mora.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. DECORRÊNCIA.
Tratandose de tributação reflexa decorrente de irregularidades apuradas no âmbito do Imposto sobre a Renda, constantes do mesmo processo, aplicase à CSLL, por relação de causa e efeito, o mesmo fundamento do lançamento primário.
Numero da decisão: 1201-001.506
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reduzir a multa de 150% para 75%. Vencidos os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado e Ronaldo Apelbaum. Designado pra redigir o voto vencedor o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães.
(assinado digitalmente)
ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA - Presidente.
(assinado digitalmente)
RONALDO APELBAUM - Relator.
(assinado digitalmente)
JOSÉ CARLOS DE ASSIS GUIMARÃES - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Ronaldo Apelbaum , Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães e Eva Maria Los.
Nome do relator: RONALDO APELBAUM
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010 ÁGIO. GLOSA DE AMORTIZAÇÃO. DEMONSTRAÇÃO QUE JUSTIFIQUE A AQUISIÇÃO DA PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA PARA FUNDAMENTAR O ÁGIO COM BASE NA RENTABILIDADE FUTURA. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. LAUDO POSTERIOR. IMPOSSIBILIDADE. A demonstração do fundamento econômico da mais valia paga deve ser contemporânea ao reconhecimento do ágio na escrita contábil do contribuinte. Embora a legislação não estabeleça a forma dessa demonstração, o corolário é que esta deva existir ao menos na data do registro da aquisição da participação societária, com vistas ao seu desdobramento contábil. Trata-se de requisito legal indispensável, à cargo do sujeito passivo para fruição do benefício fiscal estabelecido. NEGÓCIO JURÍDICO. ABUSO DE DIREITO. INOPONIBILIDADE. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. IMPOSSIBILIDADE POR NÃO CARACTERIZAÇÃO DE FRAUDE. Negócio jurídico realizado mediante interpretação literal, sem a observância das regras tributárias é abusivo e não pode ser oponível ao Fisco, sujeitando ao infrator à multa de ofício de 75%. Descabe a qualificação da multa quando não caracterizado dolo específico ou fraude nos procedimentos. FALTA DE PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA.CABIMENTO. Com o advento da Medida Provisória n. 351/2007, convertida na Lei n.11.488/2007, tornou-se juridicamente indiscutível o cabimento da incidência da multa isolada pela falta de pagamento das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, ainda que cumulativamente haja imposição da multa de ofício proporcional o imposto e à contribuição devidos ao final do respectivo ano-calendário. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA. A multa de ofício integra a obrigação tributária principal e, por conseguinte, o crédito tributário, sendo legítima a incidência de juros de mora. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. DECORRÊNCIA. Tratandose de tributação reflexa decorrente de irregularidades apuradas no âmbito do Imposto sobre a Renda, constantes do mesmo processo, aplicase à CSLL, por relação de causa e efeito, o mesmo fundamento do lançamento primário.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reduzir a multa de 150% para 75%. Vencidos os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado e Ronaldo Apelbaum. Designado pra redigir o voto vencedor o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães. (assinado digitalmente) ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA - Presidente. (assinado digitalmente) RONALDO APELBAUM - Relator. (assinado digitalmente) JOSÉ CARLOS DE ASSIS GUIMARÃES - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Ronaldo Apelbaum , Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães e Eva Maria Los.
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GLOSA DE AMORTIZAÇÃO. DEMONSTRAÇÃO QUE JUSTIFIQUE A AQUISIÇÃO DA PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA PARA FUNDAMENTAR O ÁGIO COM BASE NA RENTABILIDADE FUTURA. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. LAUDO POSTERIOR. IMPOSSIBILIDADE. A demonstração do fundamento econômico da mais valia paga deve ser contemporânea ao reconhecimento do ágio na escrita contábil do contribuinte. Embora a legislação não estabeleça a forma dessa demonstração, o corolário é que esta deva existir ao menos na data do registro da aquisição da participação societária, com vistas ao seu desdobramento contábil. Tratase de requisito legal indispensável, à cargo do sujeito passivo para fruição do benefício fiscal estabelecido. NEGÓCIO JURÍDICO. ABUSO DE DIREITO. INOPONIBILIDADE. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. IMPOSSIBILIDADE POR NÃO CARACTERIZAÇÃO DE FRAUDE. Negócio jurídico realizado mediante interpretação literal, sem a observância das regras tributárias é abusivo e não pode ser oponível ao Fisco, sujeitando ao infrator à multa de ofício de 75%. Descabe a qualificação da multa quando não caracterizado dolo específico ou fraude nos procedimentos. FALTA DE PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA.CABIMENTO. Com o advento da Medida Provisória n. 351/2007, convertida na Lei n.11.488/2007, tornouse juridicamente indiscutível o cabimento da incidência da multa isolada pela falta de pagamento das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, ainda que cumulativamente haja imposição da multa de ofício proporcional o imposto e à contribuição devidos ao final do respectivo anocalendário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 51 13 /2 01 1- 63 Fl. 5699DF CARF MF 2 MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA. A multa de ofício integra a obrigação tributária principal e, por conseguinte, o crédito tributário, sendo legítima a incidência de juros de mora. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. DECORRÊNCIA. Tratandose de tributação reflexa decorrente de irregularidades apuradas no âmbito do Imposto sobre a Renda, constantes do mesmo processo, aplicase à CSLL, por relação de causa e efeito, o mesmo fundamento do lançamento primário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reduzir a multa de 150% para 75%. Vencidos os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado e Ronaldo Apelbaum. Designado pra redigir o voto vencedor o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães. (assinado digitalmente) ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Presidente. (assinado digitalmente) RONALDO APELBAUM Relator. (assinado digitalmente) JOSÉ CARLOS DE ASSIS GUIMARÃES Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Ronaldo Apelbaum , Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães e Eva Maria Los. Relatório Adoto o Relatório utilizado pela DRJ/CPS, por bem descrever os fatos: Trata o presente processo de Autos de Infração à legislação do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), lavrados em 18/11/2011 e cientificados em 21/11/2011, formalizando crédito tributário no valor total de R$ 72.064.314,48, aí incluídos principal, multa de ofício proporcional, juros de mora calculados até novembro/2011 e multa de ofício isolada por falta/insuficiência de recolhimento de antecipações, em razão das infrações assim descritas no Auto de IRPJ: 001 Custos, Despesas Operacionais e Encargos Glosa de despesas não necessárias com a elaboração de Relatório de Avaliação de Ações de Tintas Ideal S/A Conforme demonstrado no Relatório de Ação Fiscal nº 00995/09/023, parte integrante e indissociável deste Auto de Infração, em acréscimo às infrações Fl. 5700DF CARF MF Processo nº 10830.725113/201163 Acórdão n.º 1201001.506 S1C2T1 Fl. 5.700 3 relacionadas à amortização de ágio, temos que os próprios dispêndios com a elaboração de Relatório de Avaliação de Ações da empresa Tintas Ideal S/A, são despesas desnecessárias à consecução das atividades empresariais da fiscalizada. Mesmo após a concretização da aquisição das ações da empresa Tintas Ideal S/A, a fiscalizada resolveu contratar a elaboração de laudo de consultoria para criar um fundamento legal para poder amortizar o ágio que havia sido pago na operação. A elaboração de laudo foi contratada para pagamento em duas parcelas de R$ 70.000,00, totalizando R$ 140.000,00, conforme confirmada documentalmente pela empresa através de resposta ao Termo de Intimação nº 00995/09/021. No corpo do próprio Relatório de Avaliação está descrito que seu objetivo: Entendemos que nosso trabalho tem como objetivo exclusivo servir de referência para a Administração em relação ao valor da Tintas Ideal perante autoridades tributárias. Assim sendo, é plenamente explícito que o Relatório de Avaliação apresentado não fundamentou o negócio de compra de ações da empresa Tintas Ideal S/A, mas somente foi confeccionado para dar um fundamento dedutível ao ágio que já havia sido pago em momento pretérito. Referida despesa foi reconhecida contabilmente em duas parcelas nas datas de 22/06/2007 e 28/08/2007 e efetivamente reduziram as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL para o primeiro período de apuração especial de incorporação ocorrido no anocalendário de 2007 (01 a 09/2007). Outrossim, as despesas são consideradas desnecessárias à manutenção das atividades da empresa devendo ser adicionadas ao Lucro Real conforme artigo 249 e 299 do RIR/99. Não faz parte dos objetivos sociais da fiscalizada a criação de fundamentos dedutíveis para despesas indedutíveis. Portanto, o motivo para elaboração do Relatório de Avaliação de Ações foge da guarida dos objetivos sociais da empresa. Da leitura da legislação citada em contraste com os custos arcados para a confecção do referido relatório, constatasse esta despesa, além, de ser considerada totalmente indedutível, tem como finalidade única guarnecer a empresa para a prática de crime contra a ordem tributária, razão pela qual será aplicada a multa qualificada. Glosase, portanto, a despesa de R$ 140.000,00 para o anocalendário 2008, adicionandoa exofficio às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Fato Gerador Valor Apurado (R$) Multa (%) 22/06/2007 70.000,00 150,00 28/08/2007 70.000,00 150,00 Enquadramento Legal: Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2007 e 30/09/2007: Art. 3º da Lei nº 9.249/95. Arts. 247, 248, 249, inciso I, 251, 277, 278, 299 e 300 do RIR/99 002 AMORTIZAÇÃO IRPJ GLOSA DE VALORES NÃO AMORTIZÁVEIS LANÇADOS EM CONTA DE RESULTADO Conforme demonstrado no Relatório de Ação Fiscal nº 00995/09/023, parte integrante e indissociável deste Auto de Infração, restou confirmado que para os anoscalendário 2007 e 2008, a fiscalizada lançou indevidamente em contas de resultado despesas decorrentes de amortização de ágio com a finalidade de reduzir as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Essas despesas contábeis não foram adicionadas ao LALUR para efeito de apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL e, portanto, efetivamente Fl. 5701DF CARF MF 4 reduziram as bases de cálculo do imposto e da contribuição, razão pela qual procedesse a sua glosa total. Por expressa vedação contida no art. 391 do RIR/99 a amortização do ágio pago pela aquisição da empresa Tintas Ideal S/A é indedutível. Dessa forma, deve ser recomposto por meio desses Autos de Infração do IRPJ e da CSLL o Lucro Real da fiscalizada, base de cálculo do tributo e da contribuição, Adicionandose exofficio os montantes abaixo discriminados. Foi aplicada a multa qualificada de 150%, tendo em vista a prática de atos por parte dos representantes da fiscalizada que se enquadram, em tese, como crimes contra a ordem tributária, previstos nos art. 1º e 2º da Lei nº 8.137/90. Fato Gerador Valor Apurado (R$) Multa (%) 31/12/2007 10.876.934,52 150,00 31/12/2008 44.591.460,06 150,00 Enquadramento Legal: Fatos geradores ocorridos entre 01/10/2007 e 31/12/2008: Art. 3º da Lei nº 9.249/95. Arts. 249, inciso I, 251, 299, 324, §§ 2º e 4º, e 325 do RIR/99 003 Resultados Escriturados e Não Declarados Erro na Transcrição do Lucro Real do LALUR para a DIPJ Conforme demonstrado no Relatório de Ação Fiscal nº 00995/09/023, parte integrante e indissociável deste Auto de Infração, fiscalizada cometeu erro na transcrição da apuração do Lucro Real, base de cálculo para IRPJ e para a CSLL escriturados em LALUR para a DIPJ. Em 04/09/2009, em resposta ao Termo de Início de Ação Fiscal Nº 00995/09/001, a fiscalizada apresentou seu LALUR Livro de Apuração do Lucro Real relativo ao anocalendário 2008, apontando como base de cálculo do IRPJ o montante de R$ 2.219.129,68, valor este apurado pela diferença entre o Lucro Real de R$ 3.170.185,26 e a compensação de prejuízos de períodos anteriores no montante de R$ 951.055,58. Ainda com relação aos valores escriturados em seu LALUR relativo o anocalendário 2008, apontou em Demonstrativo específico como base de cálculo da CSLL o montante de R$ 1.701.282,81, valor este apurado pela diferença entre a Base de Cálculo Positiva para a CSLL de R$ 2.430.404,02 e a compensação de bases negativas de períodos anteriores no montante de R$ 729.121,21; Analisando a Ficha 09 A – Demonstração do Lucro Real – PJ em Gedral da DIPJ 2009/2008, entregue pela fiscalizada em 16/10/2009 (arquivamento 1633803) constatamos a declaração de Lucro Real antes da compensação de prejuízos no montante de R$ 3.027.789,93 E analisando a Ficha 17 – Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido da DIPJ 2009/2008, constatamos a declaração de Base de Cálculo Positiva da CSLL antes da compensação de bases negativas no montante de R$ 2.288.008,69. Do confronto entre os valores escriturados no LALUR e os valores declarados, constatamos que, para o anocalendário 2008, a fiscalizada deixou de oferecer à tributação do IRPJ e da CSLL parte das bases de cálculo nos montantes discriminados abaixo como decorrência de erro na transcrição de sua escrituração fiscal para a DIPJ razão pela qual aglutinasse esse valor mediante lançamento de ofício. Fato Gerador Valor Apurado (R$) Multa (%) 31/12/2008 142.395,33 75,00 Enquadramento Legal: Fatos geradores ocorridos entre 01/10/2008 e 31/12/2008: Art. 3º da Lei nº 9.249/95. Fl. 5702DF CARF MF Processo nº 10830.725113/201163 Acórdão n.º 1201001.506 S1C2T1 Fl. 5.701 5 Arts. 247, 249, inciso II e 841, inciso III, do RIR/99 004 Multa ou Juros Isolados Multa Isolada – Falta de recolhimento da estimativa do IRPJ apurada através de Balancetes de Suspensão/Redução Conforme demonstrado no Relatório de Ação Fiscal nº 00995/09/023, parte integrante e indissociável deste Auto de Infração, para os anoscalendário 2007 a 2010 a fiscalizada optou pela forma de apuração do IRPJ e da CSLL através da sistemática do Lucro Real, método através do qual são exigidos mensalmente adiantamentos na forma de estimativas que serão compensados ao final do ano com os valores calculados sobre Lucro Real efetivo apurado durante o anocalendário, na forma do Artigo 222 do RIR/99. É facultado à pessoa jurídica suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido por estimativa em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso (Lei nº 8.981, de 1995, art. 35, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º, Art. 230 do RIR/99). Quando identificada a falta ou a insuficiência de recolhimento do IRPJ e da CSLL apurados em conformidade com os artigos 222 e 230 do RIR, a pessoa jurídica ficará sujeita à penalização da multa isolada incidente sobre os valores devidos no mês e não recolhidos, conforme previsto na letra b do inciso II e no inciso II do Art. II do Art. 44 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/07. Como conseqüência do lançamento das infrações IRPJ / CSLL GLOSA DE VALORES NÃO AMORTIZÁVEIS LANÇADOS EM CONTA DE RESULTADO, IRPJ /CSLL EXCLUSÃO NO REGIME TRIBUTÁRIO DE TRANSIÇÃO EFETUADA INDEVIDAMENTE, IRPJ / CSLL GLOSA DE DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS COM A ELABORAÇÃO DE RELATÓRIO DE AVALIAÇÃO DE AÇÕES DE TINTAS IDEAL S/A e ERRO NA TRANSIÇÃO DO LUCRO REAL DO LALUR PARA A DIPJ foram reconstituídos os balanços de suspensão / redução da fiscalizada efetuando se a determinação das bases de cálculo mensais do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido apuradas por estimativa para os anoscalendário 2007 a 2010 através das planilhas anexas denominadas: Demonstrativo de Apuração da Multa Isolada para o IRPJ – IRPJ – Lucro Real Anual estimativas calculadas com base em balancetes de suspensão / redução e; Demonstrativo de Apuração da Multa Isolada para a CSLL – CSLL – Lucro Real Anual estimativas calculadas com base em balancetes de suspensão / redução. Foram apuradas as faltas de recolhimento dos valores dispostos nas colunas 16 e 17 do Demonstrativo de Apuração da Multa Isolada para a CSLL valores sobre os quais foram calculadas as multas isoladas pelo percentual de 50%, indicados nas colunas 18 e 15 respectivamente dos citados demonstrativos para o IRPJ e para a CSLL, conforme previsto na alínea B do Inciso II do art. 44 da Lei 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14 da Lei 11.488/2007 Fato Gerador Multa 30/10/2007 65.296,57 31/12/2007 803.010,57 31/01/2008 98.833,91 29/02/2008 275.318,98 31/03/2008 197.576,15 30/04/2008 148.005,63 31/05/2008 149.026,84 30/06/2008 662.363,38 Fl. 5703DF CARF MF 6 31/07/2008 508.565,26 31/08/2008 565.598,30 30/09/2008 310.941,07 31/10/2008 342.779,58 31/12/2008 17.398,61 31/12/2009 598.073,31 31/01/2010 33.306,45 31/03/2010 440.517,08 30/04/2010 219.046,26 31/07/2010 4.529,96 31/08/2010 535.305,07 30/09/2010 12.282,39 31/10/2010 263.399,25 30/11/2010 956.396,16 31/12/2010 886.840,89 005 Regime Tributário de Transição – RTT Exclusão no Regime Tributário de Transição Efetuada Indevidamente Conforme demonstrativo no Relatório de Ação Fiscal nº 995/09/023, parte integrante e indissociável deste Auto de Infração, restou comprovado que, entre 01/2009 e 12/2010 a fiscalizada efetuou indevidamente ajustes no Demonstrativo do RTT Regime Tributário de Transição a fim de reduzir as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL pela exclusão mensal da amortização do ágio pago pela compra das Ações da empresa Tintas Ideal S/A. As exclusões a título de amortização de ágio lançadas pela fiscalizada não têm o devido respaldo legal no Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99) para serem utilizadas em LALUR. A exclusão nos Demonstrativos de Apuração do RTT para fins de apuração do Lucro Real Anual, sob os históricos Ágio Tintas Ideal e Ágio TISA não se enquadram nos preceitos de amortização contidos nos arts. 324 ao 327 do RIR/99. E novamente o mesmo fato ocorrendo com relação ao registro do ágio que fundamentou o cálculo dessa exclusão, o qual não se enquadra no artigo 386 do mesmo RIR/99. Por conseguinte, não encontra fundamentação legal a exclusão de amortizações de ágio nos aportes indicados abaixo, lançadas pela fiscalizada nos Demonstrativos do Regime Tributário de Transição para determinar as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL para os anoscalendário 2009 e 2010. Todo e qualquer lançamento de exclusão ao Lucro Real Anual e, por conseguinte no Demonstrativo do Regime Tributário de Transição, está sujeito ao princípio da legalidade estrita e somente a lei formal expressa é que poderá determinar o seu cabimento. Ao contribuinte não é dado arvorarse no direito de amortizar valores se esse benefício não é preconizado na lei. Para os anoscalendário 2009 e 2010, a EXCLUSÃO pretendida pela fiscalizada na apuração do Lucro Real Anual, através dos Demonstrativos de Apuração do RTT, sob históricos Ágio Tintas Ideal e Ágio TISA chocamse frontalmente contra a legislação contábil, tributária, civil e penal, reduzindo ilicitamente as bases de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, razão pela qual procedesse a sua glosa total. Com relação a esta infração, será aplicada a multa qualificada, tendo em vista a prática de atos por parte dos representantes da fiscalizada que se enquadram, em tese, como crimes contra a ordem tributária, previstos nos art. 1º e 2º da Lei 8.137/90. Fato Gerador Valor Apurado (R$) Multa (%) 31/12/2009 44.689.980,24 150,00 Fl. 5704DF CARF MF Processo nº 10830.725113/201163 Acórdão n.º 1201001.506 S1C2T1 Fl. 5.702 7 31/12/2010 44.689.980,24 150,00 Enquadramento Legal: Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2009 e 31/12/2010: Art. 3º da Lei nº 9.249/95. Arts. 15, 16 e 17 da Lei nº 11.941/09; art. 6º, § 5º, b do DecretoLei nº 1.598/77 ... As irregularidades verificadas foram contextualizadas no Relatório de Ação Fiscal nº 995/09/023, em que a Fiscalização discrimina todos os fatos e constatações que ensejaram a autuação, do qual se extraem os seguintes excertos: Introdução (itens 1 e 2) I Da Empresa Fiscalizada ... 6 ... a fiscalizada atua nos mercados de tintas industriais, para embalagens, pintura e repintura automotiva. A partir de 10/2007, agregou de forma mais relevante no Brasil o segmento de tintas imobiliárias como decorrência da incorporação da empresa Tintas Ideal S/A, incluindo seu mercado já preexistente e suas marcas já amplamente consolidadas, dentre as quais a tradicional Tintas Renner. ... II Da Ação Fiscal (itens 11 a 61) [Itens em que aborda todas as intimações e providências para a auditoria das despesas com a amortização de ágio criado quando da incorporação da empresa Tintas Ideal S.A., CNPJ 08.290.027/000178 ou nos efeitos da baixa deste ágio através do Demonstrativo do RTT – Regime Tributário de Transição. ] III Do Histórico Societário (itens 62 a 68) [itens em que objetiva demonstrar que as despesas e exclusões relacionadas com a amortização de ágio incorridas e lançadas pela fiscalizada durante o período compreendido dentro dos anoscalendário 2007 a 2010 são decorrentes de alterações contratuais que tinham por finalidade criar uma situação societária que possibilitasse à fiscalizada aproveitar os benefícios fiscais previstos nos artigos 385 e 386 do RIR 1999 citados adiante.] ... 64O espaçamento no tempo dos vários procedimentos adotados pelo grupo estrangeiro do qual a fiscalizada é propriedade revela um planejamento minucioso efetuado com a finalidade única de dar credibilidade a práticas que individualmente poderiam não contrapor, aparentemente, o ordenamento jurídico, mas que, se analisadas em conjunto, demonstram a tentativa da fiscalizada em se inserir indevidamente em um contexto societário ao qual são conferidos os benefícios fiscais pleiteados. III.I Dos Contratos Sociais das Empresas Tintas Ideal e da PPG pela Ordem Cronológica (itens 69 a 74) III.II Da PPG Industrial do Brasil Tintas e Vernizes Ltda. (itens 71 a 75) ... ... III.III Da Tintas Ideal S A (itens 76 a 90) ... 76A TINTAS IDEAL S.A., inscrita no CNPJ com o nº 08.290.027/000178 foi adquirida pela fiscalizada em 16/01/2007, e ficava localizada à Rodovia Estadual RS 118, 5.200, em Gravataí – RS. 77A TINTAS IDEAL S.A. foi constituída a partir de patrimônio vertido da tradicional empresa atuante no setor de tintas, a Tintas Renner S/A, atualmente denominada Renner Sayerlack S/A. Fl. 5705DF CARF MF 8 ... 80A TINTAS IDEAL S.A. teve duração efêmera, iniciando sua vida patrimonial em 01/11/2006 e encerrando sua existência em 31/09/2007, portanto 11 (onze) meses após sua constituição. ... 82 Graficamente, tínhamos a seguinte situação: ... 85Destacase que os ativos acima, escolhidos por relevância, foram todos integrados ao patrimônio da empresa Tintas Ideal S/A a valores contábeis, o que notoriamente resultou em valores subavaliados em todas as suas contas de bens e direitos componentes de seu ativo. 86Em 31/12/2006, conforme constatase, muitos dos bens e direitos integrantes do ativo da empresa Tintas Ideal S/A, recentemente criada há apenas dois meses, encontravamse depreciados em valores elevados ou em até 100% individualizadamente, mas ainda encontravamse plenamente funcionais às atividades da empresa uma vez que foram mantidos em itens de inventário ao invés de serem baixados como imprestáveis. ... 90Há ainda intangíveis que nem sequer foram avaliados monetariamente pela empresa, mas que representavam parte significativa do valor do conglomerado, como a participação em vendas no mercado nacional e no exterior de tintas imobiliárias. No Brasil, o percentual médio de participação girava ao redor de 6%, representando um volume que variou de 2006 a 2009 entre 26 e 52 milhões de litros de tinta imobiliária vendidos anualmente. III.IV Da Aquisição do Conglomerado Encabeçado pela Tintas Ideal S/A (itens 91 a 108) 91Conforme informações coligidas durante a Ação Fiscal, a empresa Tintas Ideal S.A. foi criada especificamente para efetuar a transferência das operações de tintas imobiliárias da empresa Renner Sayerlack S/A para a empresa PPG Industrial do Brasil Tintas e Vernizes Ltda.. 92Tendo em vista esse fato, concluise que a aquisição da Tintas Ideal S.A. pela PPG Industrial do Brasil Tintas e Vernizes Ltda. Iniciouse em período de tempo anterior ao protocolo de criação da empresa em 25/08/2006, através da Ata de Assembléia Geral Extraordinária da “Tintas Ideal S.A.” (registro na – Junta Comercial do Rio Grande do Sul n° 2771055, Protocolo 06/2371851 de 28/11/2006). 93Em 01/11/2006, foram definidos os ativos da Renner Sayerlack S/A que seriam adquiridos pela PPG Industrial do Brasil Tintas e Vernizes Ltda. tendo esses bens e direitos sido efetivamente transferidos para a titularidade de Tintas Ideal S.A., mediante Ata de Assembléia Geral Extraordinária da “Tintas Ideal S.A.” (registro na – Junta Comercial do Rio Grande do Sul n° 2771055, Protocolo 06/2371851 de 28/11/2006). 94Em 01/11/2006, foi elaborado laudo em anexo a referida Ata somente para formalizar legalmente a transferência dos bens, ativos e intangíveis para a empresa recém criada a valores contábeis, a fim de cumprir uma opção fornecida em lei. No entanto, ante os valores envolvidos, R$ 288.000.000,00 forçoso concluirse que a empresa compradora já tinha pleno conhecimento sobre qual era a composição do acervo que estava adquirindo e seu real valor de mercado, tais como: ∙ Ativos Imobilizados: bens subavaliados a valores contábeis tais como terrenos, prédios, máquinas e outros itens de instalação, porventura depreciados, mas contando com vida útil pela frente; Fl. 5706DF CARF MF Processo nº 10830.725113/201163 Acórdão n.º 1201001.506 S1C2T1 Fl. 5.703 9 ∙ Bens e Direitos Intangíveis: bens sem valor contábil ou com valor reduzido, mas com expressivo valor comercial,tais como marcas, patentes, participação de mercado, organização empresarial, empregados com notório conhecimento dos processos de produção e manutenção de máquinas e outros itens intrinsecamente relacionados ao Fundo de Comércio da empresa; ∙ ∙Rentabilidade Futura: eventual rentabilidade que poderia ser gerada em períodos futuros pela empresa adquirida. 95Em 08/01/2007, a compradora oficializou suas intenções mediante a elaboração da 2ª Deliberação de Quotistas da sociedade PPG Industrial do Brasil – Tintas e Vernizes Ltda. (registro na JUCESP sob n° 8.510/076, em 15/01/2007) através da qual constatase que o valor da aquisição já havia sido definido em montante aproximado de R$ 288.000.000,00. 96Em 15/01/2007, através da 50ª Alteração do Contrato Social da empresa PPG Industrial do Brasil Tintas e Vernizes Ltda., CJPJ 43.996.693/000127, a fiscalizada aumentou seu Capital Social para R$ 786.050.900,00 passando sua composição acionária a ser assim composta: ... 97Tendo em vista que a aquisição de intangíveis constituíase em condição essencial para a aquisição da Tintas Ideal S.A. pela PPG Industrial do Brasil Tintas e Vernizes Ltda., foram elaborados os seguintes contratos apartados que definiram exaustivamente as marcas que fariam parte da negociação. São eles: ∙ 01/11/2006 – Contrato de Cessão de Marcas e Nomes de Domínio – define em lista exaustiva a transferência definitiva e “GRATUÍTA” da propriedade e direito de uso de CENTENAS de registros de marcas e domínios utilizadas no Brasil e no exterior de Renner Sayerlack S/A e subsidiárias para a Tintas Ideal S.A.; ∙ 16/01/2007 – Contrato de Compra e Venda de Ações – define o valor efetivo que será pago, R$ 287.532.943,78, pela compra das ações da Tintas Ideal S.A. bem como eventuais responsabilidades diversas de ambas as partes; ∙ 16/01/2007 – Contrato de Licença de Uso de Marcas e Nomes de Domínio – define em lista exaustiva a transferência por período de tempo determinado do direito de uso de marcas e domínios utilizadas no Brasil e no exterior da Renner Sayerlack S/A para a Tintas Ideal S.A. Através desse contrato ficou definido que a marca “RENNER” poderia ser utilizada para a comercialização de tintas imobiliárias no Brasil e demais países da América do Sul pelo prazo de 40 (quarenta) anos; com proibição de utilização por ambas as partes pelo prazo subseqüente de 10 (dez) anos, totalizando 50 (cinqüenta) anos que a cedente deixaria de utilizar a marca cedida para comercialização da mesma espécie de produtos. ∙ 16/01/2007 – Acordo de não concorrência – define limites de atuação da PPG Industrial do Brasil – Tintas e Vernizes Ltda. na comercialização de produtos fabricados com as marcas adquiridas e licenciadas pela Renner Sayerlack S/A em benefício da Tintas Ideal S.A.; 98Em 16/01/2007, com fundamento no Instrumento Particular de 50ª Alteração e Consolidação do Contrato Social da PPG Industrial do Brasil – Tintas e Vernizes Ltda. (registro JUCESP n° 9.982/077), o Capital Social da fiscalizada foi ampliado para R$ 786.050.900,00, mediante os seguintes procedimentos: ... 99Com esse procedimento criouse na contabilidade da fiscalizada uma conta ativa de ágio (“goodwill”) no montante de R$ 217.538.689,55, relativo à diferença entre o valor que havia sido efetivamente pago pelas ações da empresa Tintas Ideal S.A., Fl. 5707DF CARF MF 10 R$ 287.532.943,77, e o valor contábil histórico pelo qual seu acervo estava registrado, R$ 69.994.254,22. 100Contabilmente constatouse os seguintes fatos com relação ao ágio pago pela aquisição das ações de Tintas Ideal S.A.: a. Ao contrário do estabelecido no § 2º do art. 385 do RIR/99, os lançamentos contábeis não evidenciam o fundamento econômico que motivou o pagamento de ágio na aquisição da participação societária; b. Também não existia na data da efetiva aquisição da participação societária na empresa Tintas Ideal S/A, em 16/01/2007, quaisquer espécies de laudos econômicos que atestassem uma possível rentabilidade futura que pudesse ter fundamentado o pagamento de ágio, conforme regra estabelecida no § 3º do art. 385 do RIR/99; 101Até 16/01/2007, a única citação relativa a outros valores que seriam pagos além dos valores contábeis de bens e direitos tangíveis (ágio ou “goodwill”) estava presente no Contrato de Compra e Venda das Ações de Tintas Ideal S/A, o qual previa na Clausula 2.2 do Capítulo 2, folha 17 que parte do preço das ações seria derivado da cessão de marcas. 102Assim, os dirigentes da empresa PPG Industrial do Brasil – Tintas e Vernizes Ltda. já sabiam desde o momento da compra das ações de Tintas Ideal S/A que o ágio pago por essa aquisição não seria dedutível,para fins de apuração do IRPJ e da CSLL caso amortizado, uma vez que não se preocuparam em elaborar laudo que contestassem as motivações que estavam claras no momento da compra: ∙ Os bens e ativos da Tintas Ideal S/A estavam notoriamente avaliados a valor inferior ao de mercado, pois a empresa já possuía uma vida social de 80 (oitenta) anos, estando muitos desses bens plenamente depreciados; ∙ O grande interesse da fiscalizada ao adquirir a Tintas Ideal S/A era a participação de mercado das marcas pertencentes ao guardachuvas Tintas Renner, de grande penetração regional no país e também no exterior. 103Outrossim, fica evidente pela documentação relativa à compra que a fiscalizada e seus proprietários norte americanos tinham o pleno conhecimento do que estavam adquirindo: um conglomerado composto de 6 (seis) empresas com 3 (três) plantas industriais e centros de distribuição no Brasil e em outros países da América do Sul e participação de vendas consolidada e relevante em todos esses mercados. 104Como corolário desse fato temse que o ágio pago pelo conglomerado referiase a bens ativos subavaliados e intangíveis existentes nas seis empresas que compunham esse grupo e não em apenas uma delas, a Tintas Ideal S/A. 105Não havia em 16/01/2007 qualquer fundamento para que a fiscalizada pudesse pleitear a amortização desse ágio pago nos moldes previstos pelo art. 386, do RIR/99 uma vez que a motivação principal para essa amortização, a RENTABILIDADE FUTURA, inexistia em todos os parâmetros do negócio de aquisição. .. 108A partir de 16/01/2007 temos graficamente a seguinte situação para o grupo recém formado entre PPG Industrial do Brasil Tintas e Vernizes Ltda. e Tintas Ideal S.A.: 15 III.V Do Desmonte do Conglomerado (itens 109 a 125) Fl. 5708DF CARF MF Processo nº 10830.725113/201163 Acórdão n.º 1201001.506 S1C2T1 Fl. 5.704 11 109Em 28/03/2007, o grupo estrangeiro proprietário da fiscalizada resolveu reorganizar as participações societárias que possuía nas empresas Tintas Ideal S.A. e PPG Industrial do Brasil Tintas e Vernizes Ltda. através das seguintes deliberações tomadas na Ata de Assembléia Geral Extraordinária da “Tintas Ideal S.A. e na 3ª Deliberação de Quotistas da sociedade “PPG Industrial do Brasil –Tintas e Vernizes Ltda.: A Tintas Ideal S/A deixaria de encabeçar um conglomerado de empresas e de possuir subsidiárias nos demais países da América do Sul, transferindose as empresas que estavam sob seu controle direto para a PPG Industrial do Brasil – Tintas e Vernizes Ltda., sua proprietária. Ato contínuo a PPG Industrial do Brasil – Tintas e Vernizes Ltda. abriria mão destas mesmas empresas em favor de sua controladora, a PPG INDUSTRIES SECURITIES, INC., a qual passaria a exercer também o controle direto das operações dessas empresas no resto da América do Sul. As empresas em questão, que haviam sido adquiridas em conjunto com a Tintas Ideal S/A, e pelas quais também havia sido efetuado pagamento global do ágio, são: Renner Inversiones S.A., Pinturas Renner Chile S.A., Erman Pinturas S.A., Pinturas Renner Uruguai S.A. e Eralten S.A.; 110Imediatamente, no próprio dia 28/03/2007 a fiscalizada levou a efeito sua 3ª deliberação mediante os seguintes procedimentos: A fiscalizada promoveu uma redução de seu Capital Social no montante de R$ 305.005.653,00, passando este de 786.050.900,00 para R$ 481.045.247,00; A maior parte da redução de Capital Social ocorreu mediante a absorção de prejuízos acumulados no aporte de R$ 280.624.794,49; E parte foi efetivada mediante repasse a sua quotista majoritária das participações que deliberara por receber de Tintas Ideal S/A, pelo exato valor pela qual seriam recebidas, o valor contábil de R$ 24.380.858,89, desprezandose o ágio que havia sido pago pelas mesmas. 11Esse fato materializouse contabilmente através do seguinte lançamento nos Livros Diário e Razão da fiscalizada: ... 113Houve descoordenação entre as contabilidades da controlada e controladora, uma vez que somente em 26/06/2007, quase três meses depois da controladora, foi levada a efeito pela Tintas Ideal S/A a deliberação datada de 28/03/2007, tendo a empresa promovido uma redução de seu Capital Social no montante de R$ 24.380.858,89, passando este de R$ 71.191.861,00 para R$ 46.811.002,09, mediante os seguintes lançamentos em seus Livros Diário e Razão: ... 114Após a concretização da redução de Capital, o Balanço Patrimonial da Tintas Ideal S/A passou a ter a configuração abaixo em 31/06/2007: ... 16 115Concluise da análise dos lançamentos contábeis acima que a PPG Industrial do Brasil – Tintas e Vernizes Ltda. precipitouse em efetuar a redução de seu capital social, tendo em vista que a Tintas Ideal S/A manteve referidas participações em sua contabilidade. 116A fiscalizada e sua controlada Tintas Ideal S/A, demonstram, com isso, falta de coordenação entre os atos contábeis praticados pelas duas empresas. 117Enquanto a fiscalizada encaminha participações societárias em redução de capital à sua sócia estrangeira PPG INDUSTRIES SECURITIES, INC, estas mesmas participações societárias nem sequer haviam sido baixadas na Fl. 5709DF CARF MF 12 contabilidade da Tintas Ideal S/A em proveito da fiscalizada, o que viria a ocorrer somente três meses depois. 118Tomandose esse primeiro equivoco como apenas um erro formal, teríamos ainda outro fato que causa estranheza à operação, pois o ágio pago pelo conglomerado permanece em sua integralidade dentro da contabilidade da fiscalizada. 119Embora grande parte de seu fundamento, intrinsecamente ligado às referidas participações societárias, tenha sido dragado dos ativos da PPG Industrial do Brasil – Tintas e Vernizes Ltda., o ágio pago pelo conglomerado, R$ 217.538.689,55, continua lá, em toda sua inteireza e, contrariando a boa lógica, imutável! 120Nessa reestruturação societária o conglomerado encabeçado pela Tintas Ideal S/A, adquirido pela quantia de R$ 287.532.943,77, perdeu 34,83% de seu patrimônio conforme demonstra o gráfico: 121Porém, ao invés de ser carreado ao exterior também o valor de R$100.147.724,31 (34,83% x R$ 287.532.943,77), o negócio foi efetuado a valores contábeis por R$ 24.380.858,89, pensandose em um possível aproveitamento tributário no Brasil da diferença, R$ 75.766.865,32. Essa foi uma sutileza que se revelou posteriormente tratarse de prévio planejamento visando a aproveitar plenamente a amortização do montante total do ágio pago. 122É inaceitável nesse caso, que empresa do porte da fiscalizada, amplamente amparada por consultoria tributária do mais alto nível de profissionalismo, viesse a cometer mero erro contábil. 123Por outro lado, esse procedimento tornase claro levandose em conta que tratavase de mais uma das peças encadeadas pela fiscalizada para afastar da visão do fisco federal os reais motivos da existência do pagamento do ágio. 124Como será descrito em um momento seguinte desse Relatório, o proveito máximo do possível benefício resultante do pagamento de ágio era a construção que estava sendo erigida formalmente, através da criação da documentação de suporte e da detalhada escrituração contábil, planejada com o fim específico de reduzir os recolhimentos do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. ... III.VI Da Incorporação (126 a 135) 126Em 01/10/2007, concretizando a situação que, em tese, geraria para a fiscalizada o benefício da dedução de despesas a título de amortização de ágio, o grupo estrangeiro proprietário da fiscalizada resolveu novamente reorganizar as participações societárias que possuía nas empresas PPG Industrial do Brasil Tintas e Vernizes Ltda. e Tintas Ideal S.A. através da deliberação de incorporação da segunda pela primeira, determinada em Atas elaboradas naquela data: ... 127Em 01/10/2007, em adendo a essas duas Atas foi elaborado o Protocolo e Justificação de Incorporação da Tintas Ideal S/A e o Laudo de Avaliação contábil dos bens da Tintas Ideal S/A, aprovados por ambas as empresas, avaliando o acervo da incorporada a valores contábeis, conforme prevê a legislação, desprezandose quaisquer vinculações que o ágio pago pudesse ter com quaisquer desses bens e direitos da empresa incorporada. Fl. 5710DF CARF MF Processo nº 10830.725113/201163 Acórdão n.º 1201001.506 S1C2T1 Fl. 5.705 13 128Na data de 01/10/2007, a PPG Industrial do Brasil Tintas e Vernizes Ltda. absorveu por incorporação a empresa Tintas Ideal S.A., sua INVESTIDA, efetuando lançamentos contábeis de incorporação, e tornandose a empresa resultante conforme disposto no quadro a seguir: ... 129Durante o procedimento de incorporação, a fiscalizada cancelou as ações que possuía da investida Tintas Ideal S.A. reduzindo o Capital Social da empresa resultante em R$ 45.613.395,33, passando a ser representada conforme o seguinte balancete levantado em 31/10/2007, um mês depois do ocorrido: ... 130Como produto da incorporação, a PPG Industrial do Brasil – Tintas e Vernizes Ltda chegou a uma composição patrimonial que permitiria a esta, em tese, usufruir também benefícios tributários como resultado do pagamento de ágio pela aquisição da empresa Tintas Ideal S/A. 131Esse resultado tributário almejado desde o momento em que iniciou a negociação para o controle acionário da Tintas Ideal S.A. era manter no balanço da empresa um valor surgido da transação, que ficou localizado em conta de ATIVO, (conta 1.3.2.1.16 GOODWILL) desprendido completamente do investimento que lhe deu causa, a aquisição de ações, o que permitiria à empresa, através da criação de formalidades documentais, inserirse em um contexto diverso daquele que fundamentou o pagamento desse valor, qual seja, a existência de tangíveis e intangíveis subavaliados não amortizáveis e não dedutíveis. 132Por fim, a PPG Industrial do Brasil Tintas e Vernizes Ltda. passou efetivamente a abater de seus resultados operacionais, a partir do próprio mês de outubro de 2007, o ágio à razão de 1/60 ao mês, mediante procedimento de amortização . 133Posteriormente, respectivamente em 09/01/2008 e em 31/01/2008, quando a Tintas Ideal S.A. não mais existia devido à incorporação que sofrera em 01/10/2007, o pagamento pela aquisição das Ações foi complementado em R$ 5.517.130,67, referente a ajustes previstos nas Cláusulas 2.4, 5.9(a) e 6.5 do Contrato de Compra e Venda de Ações,tendo sido registrados os lançamentos contábeis 22551 (Livro Diário 642 – páginas 297, 298 e 300) e 22617 (Livro Diário 653 – página 199) que elevaram o ágio derivado dessa aquisição em específico para R$ 223.055.820,22: ... 134Constatase que o grupo estrangeiro proprietário da PPG Industrial do Brasil Tintas e Vernizes Ltda., permaneceu o mesmo que participava do conglomerado anteriormente capitaneado pela Tintas Ideal S.A., agora totalmente dissolvido, porém, o ágio surgido da operação permaneceu inteiramente na contabilidade da PPG Industrial do Brasil Tintas e Vernizes Ltda., o que permitiria obter a maximização de seu proveito. ... IV Do ágio – Fundamentação Legal (itens 136 a 137) V Do Relatório de Avaliação (itens 138 a 155) ... 140Nesse tópico efetuaremos análises que levam à conclusão que os procedimentos adotados pela fiscalizada para amortizar o ágio pago pela aquisição das Ações de Tintas Ideal S/A carecem de adequada fundamentação legal para serem considerados dedutíveis e ultrapassam largamente os limites pretendidos pelo legislador quando positivou em lei o benefício fiscal contido no art. 386, anteriormente transcrito. Fl. 5711DF CARF MF 14 141Os documentos, análises e orientações que nos levam a essas conclusões são os seguintes: ∙ 21/03/2007 – Proposta de Serviços Profissionais encaminhado ao Grupo PPG pela consultoria PriceWaterhouseCoopers; ∙ 07/08/2007 Relatório de Avaliação de Tintas Ideal S/A, elaborado em Agosto de 2007 pela PriceWaterhouseCoopers; ∙ 01/10/2007 Protocolo e Justificação de Incorporação da Tintas Ideal S/A; ∙ 01/10/2007 – Laudo de Avaliação do valor de bens direitos e obrigações do patrimônio da Tintas Ideal S/A; ... 150Segundo a lei contábil e orientações infralegais, anteriormente à atribuição ao ágio pago da motivação de rentabilidade futura, seria necessária uma avaliação prévia de todos os tangíveis e intangíveis da fiscalizada para que ficasse evidente que esse ágio não tem fundamento em ativos subavaliados. 151No caso concreto da fiscalizada, a opção pela avaliação dos bens a valor contábil impede sobremaneira a comprovação da motivação dos valores pagos a título de ágio pela participação societária unicamente pela sistemática da rentabilidade futura, pois, como será demonstrado nesse Relatório a partir de vasta documentação coligida durante a Ação Fiscal, a empresa incorporada possuía inúmeras outras motivações para ser adquirida com ágio. 152Porém, não foi apresentado nenhum documento hábil e idôneo que comprove que, ao tempo da concretização da compra com o pagamento de ágio, existiria realmente a expectativa de rentabilidade futura do ramo de atividade adquirida. ... 155A ausência da apresentação da avaliação dos bens e intangíveis da Tintas Ideal S/A faz com que o ágio pago pela fiscalizada submetase à regra geral prevista no art. 391 do RIR/99, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, por relevante transcrito abaixo: ... V.I Da Proposta de Serviços Profissionais (itens 156 a 171) 156Com a finalidade específica de tirar proveito do ágio pago pelas Ações da empresa Tintas Ideal S/A, no montante de R$ 217.538.689,55 (posteriormente ampliado para R$ 223.055.820,22), a diretoria da fiscalizada resolveu tomar medidas formais com a finalidade de enquadrar este ágio nos ditames contidos no Art. 386 do RIR 1999 (Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000 de 26/03/99). 157Em 21/03/2007, pouco antes de efetivamente desmembrarem o conglomerado Tintas Ideal S/A, enviando parte considerável deste ao exterior, a empresa PriceWaterhouseCoopers encaminhou proposta de trabalho, para elaborar laudo que desse ao ágio pago pelas Ações as feições de RENTABILIDADE FUTURA. ... 159Tal negociação visava, portanto, a um objetivo exclusivo: a criação de uma situação desprendida da real motivação que levou ao pagamento do ágio. Ou seja, visava a, única e tão Fl. 5712DF CARF MF Processo nº 10830.725113/201163 Acórdão n.º 1201001.506 S1C2T1 Fl. 5.706 15 somente, criar um aparato formal para sustentar futuras alegações de dedutibilidade de amortizações do ágio perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil. 160Para tanto, definese, desde o princípio da contratação da consultoria PriceWaterhouseCoopers, que o objetivo do laudo seria a atribuição da motivação de RENTABILIDADE FUTURA ao ágio que fora pago pela aquisição das ações do conglomerado Tintas Ideal S/A e não a busca da verdade dos fatos, conforme seguinte passagem extraída da proposta: ... 161Por corolário desse OBJETIVO único, temse também explicitamente definido na proposta que, a contrário senso, valor algum do ágio seria atribuído a ativo imobilizado da adquirida, ou à revisão de quaisquer de seus registros contábeis, tais como intangíveis que, a princípio, restariam desprovidos de quantificação econômicofinanceira, ficando desmaterializados para todos os efeitos tributários; ... 162Ainda de acordo com a METODOLOGIA que seria adotada, a RENTABILIDADE FUTURA seria quantificada e atribuída unicamente em relação à empresa cabeça do conglomerado, a Tintas Ideal S/A, mantendose todas as demais subsidiárias no exterior (Renner Inversiones, Pinturas Renner Chile, Erman Pinturas, Pinturas Renner Uruguai e Eralten) com seus valores históricos e patrimoniais, supondose que essas projeções da empresa no exterior não possuíssem ativos subvalorizados e fossem totalmente incapazes de gerar quaisquer espécies de retornos por rentabilidade futura. Corrobora essa afirmação a seguinte passagem: ... 163Com relação à ABORDAGEM do laudo, previase a análise de dados gerenciais relativos aos anoscalendário 2004, 2005 e 2006, anos estes em que a empresa avaliada Tintas Ideal S/A sequer tinha existência. 164Outro fato que destacase nesse tópico de ABORDAGEM é que as projeções deveriam ser totalmente direcionadas às operações brasileiras, desprezandose os demais países de atuação do conglomerado, no seguintes termos exatos: ... Fl. 5713DF CARF MF 16 166Através do capítulo LIMITAÇÕES DE RESPONSABILIDADE a consultoria PRICEWATERHOUSECOOPERS deixa claro que o laudo que seria confeccionado a partir da proposta teria a limitação de somente possuir validade em uma negociação entre duas partes independentes e, ainda, que esse fato somente contaria com real credibilidade caso chancelado posteriormente pelo mercado. Frisese os seguintes pontos grifados na passagem abaixo que não foram cumpridos pela fiscalizada: ... 167Ainda através do capítulo LIMITAÇÕES DE RESPONSABILIDADE da referido Proposta a empresa de consultoria expressamente procura eximirse de quaisquer utilizações que a contratante pudesse fazer do referido Laudo, fatos esses que estão compreendidos na seguinte passagem: ... 169Concluise da análise dessa proposta e da notória atuação no mercado da empresa de consultoria que esses proponentes tinham pleno conhecimento dos fins para os quais o relatório de avaliação seria utilizado e tentaram eximirse dos possíveis prejuízos que essa utilização poderia gerar a terceiros. 170No caso em tela, o principal prejudicado seria, forçosamente, o erário público federal, frente ao qual seria aposto o relatório que seria confeccionado. 171Dessa feita, estava, a partir do momento de assinatura dessa proposta, esquematizado o plano que daria enormes retornos financeiros aos quotistas da fiscalizada, mediante redução do pagamento do IRPJ Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da CSLL Contribuição Socialsobre o Lucro Líquido. V.II Do Relatório de Avaliação EconômicoFinanceira das Ações de Tintas Ideal S/A – [item em que demonstra a Fiscalização os critérios adotados no Laudo e seu entendimento de inadequação do modelo utilizado] V.II.I Descrição de Pontos Relevantes (itens 172 a 182) 172Em 07/08/2007, fruto de proposta de serviço acordada em 21/03/07, a pedido da fiscalizada foi elaborado pela empresa PriceWaterhouseCoopers o Relatório de Avaliação da totalidade das ações da empresa Tintas Ideal S/A. 173Este tópico tem por objetivo analisar o Relatório de Avaliação que estimou o valor das ações da empresa Tintas Ideal S/A – TISA “através do método de rentabilidade futura, baseado essencialmente em fluxos de caixa descontados”. 174O Relatório previa: “O laudo tem por objeto a avaliação econômica de 100% das ações da Tintas Ideal através do método da rentabilidade futura, baseado essencialmente em fluxos de caixa descontados, sendo que as subsidiárias no Brasil foram consideradas pelo valor de seus patrimônios líquidos contábeis”. 175A data base utilizada no relatório foi retroagida para 31/12/2006, tendo sido utilizados dados históricos dos anoscalendário 2004 a 2006, nos quais a empresa avaliada ainda não havia sido criada. 176Algumas das principais premissas extraídas do relatório de avaliação sequer tiveram quaisquer tratamentos estatísticos, sendo baseadas em variáveis rígidas e fixas percentualmente durante anos, tais como: ∙ Os volumes de produção cada uma das linhas de produtos cresceria a taxas constantes e lineares de 4% ao ano, descartandose eventuais efeitos da concorrência; Fl. 5714DF CARF MF Processo nº 10830.725113/201163 Acórdão n.º 1201001.506 S1C2T1 Fl. 5.707 17 ∙ Os preços de vendas e os custos unitários da matériaprima seriam corrigidos integralmente pelo índice IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) suposto de 4% ao ano; 177Para apresentação do resultado final, o Relatório simulou duas variáveis segmentadas em cenários: a) cenário base – contempla venda de produtos da Tintas Ideal S/A nos canais de vendas da fiscalizada e vice versa e; b) análise de sensibilidade – considera o volume de vendas apenas dos produtos da Tinta Ideal S/A, excluindo os produtos PPG e também as vendas efetuadas em seus canais. 178O Relatório também apresenta dois valores de taxa de desconto – 15,5% e 16,0% utilizados para atualizar a valor presente os fluxos de caixa gerados. 179Desta forma, combinando os fatores acima elencados (cenário base, análise de sensibilidade, taxas de 15,5% a.a. e 16,0% a.a.), foram estimados quatro valores possíveis para a soma dos fluxos de caixa gerados por TISA a partir do ano 2007: 180Somados a esta projeção os Patrimônios Líquidos das subsidiárias Renner Inversiones S.A., Pinturas Renner Chile S.A., Erman Pinturas S.A., Pinturas Renner Uruguay S.A., Eralten S.A., localizadas no exterior, diminuído das dívidas da holding, teríamos os seguintes valores: 181Partindo dessa lógica apontada no Relatório, chegase ao fato que foi sua principal finalidade de confecção, a qual deveria ser contraposta pela empresa aos interesses da Fazenda Nacional: “Concluímos que o valor da totalidade do capital da Tintas Ideal, calculado pelo método da rentabilidade futura, combinado com o resultado da avaliação das subsidiárias pelo valor do patrimônio líquido, na database de 31 de dezembro de 2006, situase entre R$ 290 milhões e R$ 310 milhões”. 182 Repisase nesta passagem que, embora o ágio tenha sido efetivamente pago por um conjunto de 6 (seis) empresas, o Relatório simplesmente desprezou a avaliação pelos mesmos critérios das outras cinco empresas compradas em conjunto com a Tintas Ideal S/A, que, a contrário senso, simplesmente não gerariam rentabilidade futura alguma. V.II.II Da Inadequação do Modelo Utilizado (itens 183 a 215) V.II.III Conclusão (itens 216 a 224) V.III Do Protocolo de Incorporação (itens 225 a 228) ... 228Analisando o referido documento, podemos tecer os seguintes comentários sobre o referido Protocolo de Incorporação: A incorporação dos bens e direitos pertencentes a Tintas Ideal S/A foi efetuada a valores contábeis e históricos, tal como havia ocorrido anteriormente na transferência desses bens da Renner Sayerlack S/A para a Tintas Ideal S/A há quase um ano antes desta incorporação; Não houve avaliação para efetuar o ajuste dos bens, direitos, intangíveis e fundo de comercio a valores justos de mercado. O Capital Social da Tintas Ideal S/A em 31/09/2007 estava contabilizado em R$ 46.811.002,00. Fl. 5715DF CARF MF 18 Os Ativos da Tintas Ideal S/A em 30/09/2007 montavam a R$ 60.304.414,71 Referido Protocolo de Incorporação foi um dos documentos formais utilizados com a finalidade enquadrarse no favor fiscal previsto no art. 7º, da Lei 9.532, de 1997 (art 386 RIR/1999) o qual previa expressamente a necessidade de haver uma reorganização societária para que fossem usufruídos possíveis benefícios advindos do ágio. No entanto, esse documento não sinaliza em nenhum ponto o ganho em economia do recolhimento IRPJ e da CSLL que seria obtido na operação, através da amortização de ágio transmutado de suas reais motivações para ágio pago por rentabilidade futura; V. IV Do Laudo de Avaliação dos Bens de Tintas Ideal S/A a Valores Contábeis (itens 229 a 231) 229Precedeu ainda a incorporação o LAUDO DE AVALIAÇÃO, incluído no ANEXO II da Ata de Assembléia Geral Extraordinária da TINTAS IDEAL S.A., datado de 01 de outubro de 2007, a partir de Balanço levantado em 30/09/2007. 230Foram os seguintes os valores atribuídos a alguns dos bens constantes do referido Laudo: ... 231Conforme estabelecido no referido Laudo de Avaliação, no momento da incorporação, conforme sua opção, a incorporadora recebeu os bens da incorporada a valores contábeis (históricos), desprezando completamente a avaliação a valores de mercado, conforme previsto no art.264 da Lei 6.404, de 15/12/1976 (Lei das S/A). VI Da Verdade Material – A Real Motivação para o Pagamento do Ágio (itens 232 a 243) VI.I Das Marcas (itens 244 a 254) VI.I.I Do Contrato de Cessão de Marcas e Nomes de Domínio (itens 255 a 262) VI.I.II Do Contrato de Licença de Uso de Marcas e Nomes de Domínio (itens 263 a 270) VI.I. III Das Marcas – Conclusão (itens 271 a 275) 271Fica patente que grande parte do ágio pago na transação de compra das ações de Tintas Ideal S/A foi fundamentado na aquisição de marcas pertencentes à Renner Sayerlack S/A, anteriormente denominada Tintas Renner S/A, a qual efetivamente e por décadas deteve o seu registro perante o INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial) no Brasil e órgãos equivalentes nos demais países de América do Sul. 272A listagem seguinte aponta os valores pelos quais as seguintes marcas constavam registradas nos Livro Registro de Inventário da empresa Tintas Ideal S/A, valores estes ínfimos se comparados ao seu real valor de mercado. Algumas marcas, de relevante participação de mercado, irrisoriamente registradas por meros centavos ou alguns Reais: ... 273Essas marcas foram destacadas da entidade que originalmente as detinham sem prejuízo ao seu funcionamento normal como empresa, a qual continua seu curso de negócios até os dias atuais com outras linhas de produtos. Seguindo esse critério, são considerados ativos identificáveis. 274No entanto, como não era interessante para a fiscalizada, do ponto de vista da legislação fiscal, que se conhecesse o real valor dessas centenas de marcas e nomes de domínio, estas foram transferidas formalmente a título gratuito para a Tintas Ideal S/A. Fl. 5716DF CARF MF Processo nº 10830.725113/201163 Acórdão n.º 1201001.506 S1C2T1 Fl. 5.708 19 275Repisese que uma vez conhecido o valor destas marcas, isso levaria ao impedimento de seu abatimento das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL devido à expressa vedação legal. VI.II Do Fundo de Comércio e Intangíveis (itens 276 a 287) VI.II.I Da MãodeObra Especializada na Produção (itens 288 a 302) VI.II.II Dos Fornecedores (itens 303 a 313) VI.II.III Dos Distribuidores Varejistas (itens 314 a 322) VI.II.IV Do Fundo de Comércio – Conclusão (itens 323 a 328) 323Conforme descrito nesse tópico, o Fundo de Comércio foi fator relevante e decisivo relacionado ao pagamento de ágio na aquisição das Ações de Tintas Ideal S/A. 324Foram citados apenas três motivações que faziam parte integrante e indissociável do Fundo de Comércio adquirido o qual, indubitavelmente, poderia ser negociado individualmente por valor relevante, mesmo destacado do patrimônio físico da empresa. 325O Fundo de Comércio adquirido através da compra das Ações de Tintas Ideal S/A, seguramente possuía outros componentes que não serão analisados aqui, como: a tradicionalíssima relação de verdadeira “amizade” existente entre o povo gaúcho, catarinense e paranaense com a empresa Tintas Renner e seus produtos; a localização geográfica da fábrica em relação à estradas e infraestrutura; alvarás de funcionamento e demais autorizações administrativas; o capital intelectual da empresa caracterizado pelos manuais de procedimentos existentes para seus diversos setores; certificações tais como ISO9000 e semelhantes ou os procedimentos adotados visando a obtenção do certificado; satisfação do consumidor final com o produto e; uma série de fatores subjetivos dificilmente mensuráveis senão por uma efetiva negociação no mercado livre e independente. 326Concluise dessa breve avaliação do Fundo de Comércio que o Relatório de Avaliação de Ações de Tintas Ideal S/A é invalido para qualificar as motivações do ágio pago pela aquisição por não ter levado esse fator essencial em consideração. 327Tendo em vista a notória credibilidade e profundo conhecimento da matéria por parte da empresa que confeccionou o referido relatório e das pessoas diretamente envolvidas em sua confecção, forçoso concluirse que a ausência de quantificação do Fundo de Comércio deuse dolosamente. 328Uma vez que o ágio pago a partir da motivação FUNDO DE COMÉRCIO jamais poderia ser amortizado e levado a contas de resultado, reduzindo as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, optouse conscientemente por suprimir a sua existência. VI.III Dos Bens Tangíveis (itens 329 a 336) VI.III.I Do Terreno (itens 337 a 350) VI.III.II Das Máquinas Equipamentos e Instalações (itens 351 a 366) VI.III.III Do Ativo Tangível – Conclusão (itens 367 a 371) 367Se fosse feita uma análise pormenorizada item a item de todos os componentes do ativo de Tintas Ideal S/A teríamos ainda mais sólida a constatação de que havia outros ativos de grande valor econômico subavaliados. Fl. 5717DF CARF MF 20 368À título de exemplo complementar poderíamos citar os próprios prédios que compõem o complexo de produção de tintas imobiliárias em GravataíRS, cuja ativação ocorreu em 1978 e 1979, todos registrados contabilmente por meros centavos, mas plenamente capazes de exercer sua função social para a empresa, conforme Livro Registro de Inventário e foto via satélite: ... 369O fato dos ativos da empresa estarem subavaliados foi expressamente questionado à fiscalizada através da lavratura do Termo de Intimação N° 00995/09/021 , tendo essa se manifestado formalmente em 30/09/2011 apresentando os seguintes esclarecimentos que, por relevantes, são novamente transcritos abaixo: Apesar de a empresa adquirida deter tais ativos, os mesmos foram considerados pelos seus valores contábeis quando da aquisição e definição do preço, uma vez que os mesmos não representavam o motivo da aquisição, totalmente fundamentada na expectativa de rentabilidade da adquirida. Importante salientar que não tivesse a adquirida perspectiva de rentabilidade, jamais a adquirente teria efetivado a transação com base nos valores dos ativos fixos, pois é discutível se os mesmos teriam liquidez para venda e porque tais ativos não interessariam à adquirente. O que motivou a aquisição foi unicamente a perspectiva de geração de caixa do negócio adquirido. 370 Resta comprovado de forma direta que o ativo tangível de Tintas Ideal S/A estava subavaliado de forma a motivar o pagamento de ágio por suas ações. 371Comprovado também é o fato de que a fiscalizada tinha pleno conhecimento dessa subavaliação, tendo optado conscientemente por dissimulála justificando sua motivação em uma pretensa geração de caixa do negócio transmutada em lucro por rentabilidade futura por meio de Relatório de Avaliação de Ações fraudulento. VII Do Enfoque Jurisprudencial (item 372) VIII Dos Montantes Tributáveis (item 373) VIII.I IRPJ / CSLL – Glosa de Valores Não Amortizáveis Lançados em Conta de Resultado (itens 374 a 386) VIII.II Exclusão no Regime Tributário de Transição Efetuada Indevidamente nos anos calendário de 2009 e 2010 (item 387 a 406) VIII.III IRPJ / CSLL – Glosa de Despesas Não Necessárias com a Elaboração de relatório de Avaliação de Ações de Tintas Ideal S/A (itens 407 a 416) VIII.IV Multa Isolada – Falta de Recolhimento das Estimativas do IRPJ e da CSLL Apuradas Através de Balancetes de Suspensão/Redução (itens 417 a 422) VIII.V Erro na Transcrição do Lucro Real do LALUR para a DIPJ (itens 423 a 427) IX Da Qualificação da Penalidade (itens 428 a 452) ... 450 O fluxograma a seguir, elaborado a partir de todos os fatos descritos acima, elucida esquematicamente e resumidamente os passos adotados pela fiscalizada para criar despesas em sua contabilidade e reduzir, conseqüentemente, os seus resultados. 451Pelo exposto, haja vista os elementos narrados, fica caracterizado o intuito fraudulento, justificando a aplicação da multa qualificada e o enquadramento dos responsáveis pela empresa na prática, em tese, de crime contra a ordem tributária previsto nos artigos 1º e 2º da Lei nº 8.137/90: ... X Da Autuação (itens 453 a 458) ... Cientificada da autuação em 21/11/2011, a pessoa jurídica autuada, por intermédio de seus advogados (instrumentos de procuração e substabelecimento apresentados nos Fl. 5718DF CARF MF Processo nº 10830.725113/201163 Acórdão n.º 1201001.506 S1C2T1 Fl. 5.709 21 autos), protocolizou, em 21/12/2011, impugnação com as razões de fato e de direito a seguir sintetizadas. Ao contextualizar a autuação, descreve a Impugnante suas atividades e destaca os objetivos negociais das operações entre as empresas, bem como sua boafé na reestruturação societária, que ensejou o pagamento de ágio e sua posterior amortização, e a efetividade do pagamento do ágio, como segue: o Grupo PPG atua, em síntese, na manufatura de tintas e "coatings" para uma ampla gama de aplicações em diversos setores, como por exemplo: construção civil, indústria automotiva, embalagens, aeroespacial, selantes e outras; com base em um ambicioso plano de aumento dos seus negócios no Brasil, desde meados do ano de 2006 a Impugnante iniciou entendimentos para a aquisição de negócios do grupo Renner. No ano de 2007, as negociações foram concluídas por meio da compra da participação acionária na empresa Tintas Ideal S.A ("TISA"). Posteriormente, a Impugnante efetuou reestruturações operacionais e societárias para aproveitar as sinergias desse negócio. Em razão da significativa atuação no ramo de tintas imobiliárias que a TISA detinha, a Impugnante viu seus negócios crescerem nessa área, tal como planejara. Para demonstrar sua boafé em todos os atos pertinentes à referida reestruturação societária, am Impugnante agiu com total transparência, tendo apresentado todas as informações pertinentes à reorganização societária e ao ágio resultante em suas declarações de rendimentos e atendido aos pedidos efetuados durante o curso da fiscalização na medida das informações que tinha disponíveis; após alguns meses de fiscalização, a Impugnante foi surpreendida com a lavratura dos autos de infração ora combatidos, nos quais as dd. autoridades fiscais concluíram que a operações de reorganização societária realizadas no ano de 2007 pela Impugnante não autorizariam o registro e posterior amortização do ágio, na medida em que (i) os registros contábeis não destacariam o fundamento do ágio, (ii) o relatório de avaliação econômica elaborado por auditoria independente não teria motivado a rentabilidade futura, e, por fim (iii) os atos societários foram realizados em curto espaço de tempo e para ocultar a efetiva razão do pagamento do ágio. Notese que não há no Termo de Verificação Fiscal (TVF) qualquer alegação por parte das dd. autoridades fiscais no que se refere à ausência de pagamento de ágio. Pelo contrário, reconhecesse que a Impugnante recebeu recursos em aumento de seu capital social e efetivamente pagou a terceira parte não relacionada pela participação TISA, adquirindo as respectivas ações com ágio. A autoridade fiscal informa em seu TVF o curto período de existência da empresa adquirida, porém reconhece que tal empresa foi constituída por terceiro independente, recebeu o negócio de tintas do ramo imobiliário e só então foi adquirida pela Impugnante, sendo posteriormente incorporada. Não se discute assim a validade jurídica de nenhum desses atos ou a efetividade de seus efeitos econômicos. Ainda, no mesmo tópico: Expõe que a principal acusação da autuação gira em torno do questionamento técnico do método utilizado no Laudo de Avaliação elaborado por empresa de auditoria independente tradicional e de competência reconhecida no mercado, contemporâneo aos atos societários que aqui serão tratados, bem como a avaliação das marcas, ativos Fl. 5719DF CARF MF 22 e intangíveis constante do Laudo de Avaliação elaborado por 3 (três) contadores, nos termos exatos do que determina a lei, conclusões das quais discorda. Esclarece reconhecer o equívoco cometido quando da transcrição dos valores na DIPJ do anocalendário de 2008, tendo verificado que teria deixado de oferecer à tributação os montantes de R$ 142.395,33 (IRPJ) e R$ 142.395,33 (CSLL), razão pela qual procedeu ao pagamento das referidas quantias, aproveitandose do beneficio da redução da multa, dentro do prazo de 30 dias para a apresentação de defesa, conforme disposto no artigo 6, I da Lei 8.218/91, com redação dada pela Lei 11.941/09. Complementa que para o cálculo dos valores pagos, a Impugnante considerou a compensação de prejuízo fiscal no limite de 30% e o benefício da redução da multa de 50% (75% x 50% = 37,5%) totalizando os montantes de R$ 44.453,32 e R$ 16.003,20 e requer que com relação à autuação por erro de transcrição do LALUR seja reconhecida a extinção do crédito tributário pelo seu pagamento integral, nos termos do art. 156 do CTN. No mérito, busca de início esclarecer cada etapa da reestruturação societária realizada pela TISA (Tintas Ideal S A), como segue: a Impugnante (PPG Ind do Brasil), em 28.04.2006, possuía três proprietárias nos Estados Unidos (PPG Industrie INC 44,03%, PPG Industries Securities INC 55,96% e PPG Industries Internationl 0,01% de participação) e, em meados de 2006, objetivando eventual operação de fusão e aquisição, abordou a Renner, a qual demonstrou interesse na vendas de seus negócios incluindo toda a América Latina, ensejando a contratação de escritórios de advocacia e serviços técnicos profissionais prestados pela Pricewaterhouse Coopers – EUA (“PwC – EUA”) no Brasil, Chile e Uruguai, conforme doc 3, evidenciando que, já naquela época, a Impugnante iniciou a pesquisa para avaliação do preço dos negócios a adquirir. Em 28 de agosto de 2006, o grupo Renner Sayerlack S/A, parte totalmente independente à Impugnante, decidiu restringir a negociação ao ramo de tintas imobiliárias e para isso decidiu constituir a TISA, conforme se verifica da Ata de Assembléia Geral Extraordinária (Doc. 04). A TISA passou a ter como acionistas a empresa Renner Sayerlack S/A (com 999 ações ordinárias) e o Sr. Alexandre Cenacchi (com uma ação ordinária). Posteriormente, foi realizado o aumento do capital social da TISA mediante a emissão de novas ações ordinárias, as quais foram subscritas e integralizadas pela sua acionista Renner Sayerlack S/A, mediante a conferência de seu capital circulante líquido e bens do seu ativo permanente – os quais foram devidamente descritos e caracterizados no Laudo de Avaliação (Doc. 05)que inclui ações da Renner no Chile e no Uruguai realizado por três peritos qualificados e aprovados pela empresa, nos exatos termos em que determina o artigo 8º da Lei n.° 6.404/1976, como se verifica da Ata da Assembléia Geral Extraordinária realizada em 01 de novembro de 2006 (Doc. 06); A decisão de constituir a TISA foi tomada em 28 de agosto de 2006 sendo de inteira responsabilidade da outra parte, sobre a qual a Impugnante não detém qualquer poder de ingerência. Tal decisão foi tomada antes mesmo de haver qualquer decisão de investimento ou compromisso da Impugnante relativamente à compra dos correspondentes negócios. Na verdade, a constituição da TISA foi efetuada quando a Impugnante tinha recém começado a avaliar os negócios da Renner em geral. A compra da TISA em específico foi acertada e realizada apenas em 2007. Mais ainda, a Impugnante efetivamente jamais tinha intenção de adquirir ativos, mas sim fazer fusão ou aquisição de empresa e negócios. A aquisição de empresa ou de seus ativos tem efeitos jurídicos e operacionais bastante distintos. Quando a Rener decidiu segregar o negócio que desejaria vender no futuro em uma empresa independente, a TISA, tornou viável a elaboração e conclusão de boa diligência (due diligencé) e da proposta de compra e venda tendo em conta um rol de operações independentes e objetivamente definidas. De outra sorte, a falta de segregação do negócio de tintas imobiliárias dentro do patrimônio próprio da Fl. 5720DF CARF MF Processo nº 10830.725113/201163 Acórdão n.º 1201001.506 S1C2T1 Fl. 5.710 23 Renner poderia gerar todo o tipo de dificuldade para identificar o desembaraço de ativos, a identificação e quantificação de obrigações, contingências, garantias, etc. Muitas vezes a negociação poderia ficar obstada por falta de documentação administrativa suporte, como certidões negativas, registros cartoriais, etc, o que, além de gerar custos operacionais indesejáveis, dificulta a conclusão de negócio. Reportase à aquisição de ações da TISA, e sua posterior incorporação, pela Impugnante, alegando que: Com o subsídio fornecido por escritórios de advocacia contratados e respaldo de empresa independente de auditoria e consultoria de negócios de auditoria independente, a Impugnante definiu e negociou o preço de compra da TISA, avaliando a perspectiva de rentabilidade dos negócios no Brasil. Posteriormente à compra da empresa, a Impugnante forneceu os dados desse seu estudo próprio para a avaliação independente e opinião da PricewaterhouseCoopers — Brasil ("PwCBrasil"); Como a Renner condicionara a compra dos negócios no Brasil à compra também dos investimentos no Chile e Uruguai, a Impugnante avaliou tais investimentos, após boa diligência, pelo seu valor contábil, já que não era interesse efetuar a gestão de tais negócios no exterior, que tinham pouca expressividade em seus mercados locais, nenhuma sinergia com o Brasil e sequer eram expressivamente lucrativos. Defende ter ocorrido contradição na autuação como segue: O AuditorFiscal sustentou, a título argumentativo, que a Impugnante teria deixado de alocar ágio às empresas no exterior, em proporção ao patrimônio de tais empresas comparativamente ao patrimônio residual da Tintas Ideal no Brasil. Por outro lado, mais adiante reconhece o mesmo Auditor que o ágio só pode ser justificado pela rentabilidade futura da empresa, que é por sua vez decorrente das receitas e despesas que a empresa gera, com ligação direta a seu negócio. Em clara contradição, em certa passagem a acusação sustenta que o critério adequado de avaliação deve ser a lucratividade (receitas e despesas), enquanto em outra quer que a rentabilidade seja atribuída aos investimentos no exterior proporcionalmente o valor do patrimônio. E continua: A relação do investimento no exterior com o patrimônio total da TISA é relevante, na medida em que ficou comprovada a irrelevância da contribuição das empresas no exterior na fundamentação do ágio, eis a baixa capacidade de originar mais valias e ainda considerando que os resultados dessas empresas foram negativos, como, por exemplo, ocorreu com a empresa do Chile. Isso demonstra ainda a falta de interesse da TISA em adquirir e manter os investimentos no exterior. De fato, visivelmente tais empresas possuíam pequeno potencial de mercado e não eram sequer minimamente rentáveis.Por outro lado, a Impugnante tinha a intenção de comprar o negócio de tintas imobiliárias no Brasil e, para isso, precisou adquirir tais empresas sediadas no exterior ainda que não rentáveis — pelo seu valor contábil. E tal argumento justificasse plenamente na medida em que o Relatório de Avaliação da PwC Brasil (Doc. 10), ao apreciar o estudo feito pela Impugnante de valor da TISA com base na sua perspectiva de rentabilidade futura, demonstra de forma independente que a análise de rentabilidade do negócio do Brasil foi mais que Fl. 5721DF CARF MF 24 suficiente para justificar o preço pago, comprovandose, dessa forma, todos os esclarecimentos apresentados pela Impugnante durante o curso da fiscalização. Continua defendendo a regularidade das operações que geraram o ágio, ressaltando que a reestruturação societária foi aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa econômica – CADE, órgão responsável por verificar a substância econômica da operação. Especificamente acerca da autuação, argumenta: A autoridade fiscal questiona o fato de o investidor estrangeiro aumentar o capital da Impugnante, para que ela comprasse a TISA, em seguida reduzindo seu capital com a entrega das participações societárias no exterior a valor contábil para os sócios estrangeiros. Segundo essa autoridade, tal circulação de capital pela TISA teria sido efetuada apenas com o objetivo de aumentar o ágio irregularmente alocado ao negócio do Brasil. Não haveria propósito negocial, na medida em que o investidor estrangeiro poderia comprar diretamente as participações no exterior. A criatividade do d. auditor fiscal, contudo, não encontra respaldo nos fatos. A Impugnante já demonstrou que os investimentos na América Latina não tinham qualquer perspectiva de lucro e que o preço foi definido com base na perspectiva de lucratividade futura do negócio no Brasil acrescido do valor contábil dos negócios no exterior. A empresa fez um estudo, posteriormente avaliado pela PwC Brasil de forma independente, demonstrando que a perspectiva de lucratividade futura da TISA, consoante somente as operações no Brasil, é mais do que suficiente para demonstrar o valor pago pela Impugnante para aquisição das ações da TISA. Não houve portanto qualquer aumento ou fabricação de ágio. Para adquirir a integralidade dos negócios na América Latina, o caminho mais direto para as partes celebrarem sua negociação e compra e venda de participação era mesmo uma única aquisição, no Brasil, de todo o bloco de investimentos e negócios. Porque fariam, a Impugnante ou seus sócios, três contratos separados para cada empresa, no Brasil, Chile e Uruguai, envolvendo a legislação de três países diferentes, sendo necessário operacionalizar aumentos de capital e alterações societárias de atos em todos esses locais, registros de investimento, contratação de advogados, etc, se poderia simplesmente adquirir todos os investimentos em uma única operação no Brasil? Com efeito, como o interesse do comprador estava substancialmente no Brasil e o vendedor queria vincular a compra desse investimento com a compra dos demais, a melhor maneira de obter tal vinculação seria mesmo pactuar uma única operação de compra e venda no Brasil entre a Impugnante e o grupo Renner. Discorre acerca da Fundamentação Legal e Regras Fiscais para Registro e Amortização do Ágio, abordando os arts. 385 e 386 do Regulamento do Imposto de Renda alegando que: não há na legislação tributária vigente à época dos fatos geradores qualquer dispositivo exigindo que a elaboração do estudo seja feito por terceiro independente; contudo, a contratação de um terceiro independente acarreta maior credibilidade ao fundamento do ágio e, em consequência, maior segurança em seu aproveitamento fiscal; o artigo 391 do Regulamento do Imposto de Renda prevê que a despesa registrada em contrapartida à amortização do ágio, seja qual for a razão econômica desse ágio, deve ser considerada indedutível para fins de apuração do lucro real; o principal objetivo por trás da norma em questão é o confronto entre receitas e despesas. Fl. 5722DF CARF MF Processo nº 10830.725113/201163 Acórdão n.º 1201001.506 S1C2T1 Fl. 5.711 25 Assim, após a incorporação, o ágio justificado no valor do ativo comporá seu custo de aquisição e será confrontado com o ganho na venda do ativo ou ainda com os benefícios de sua exploração, por amortização, depreciação, exaustão. O ágio justificado na perspectiva de lucratividade futura será amortizado em um determinado período mínimo de cinco anos definido na Lei, em teoria, abatendo eventual lucro, caso se confirme a perspectiva de rentabilidade original pela qual houve um efetivo pagamento incorrido. Já no caso do ágio pago por outras razões econômicas, como não há um direito, um bem ou uma perspectiva de lucro com a qual ele possa ser confrontado, tal ágio não poderá ser amortizado e deduzido para fins tributários; portanto, a análise das operações que geraram o ágio em exame deve ser baseada nas seguintes questões: 1. Houve aquisição de participação societária? Sim, em 16 de janeiro de 2007, a Impugnante adquiriu a empresa TISA pelo valor de R$ 287.532.943,77. 2. O custo de aquisição foi superior ao valor de patrimônio líquido da participação adquirida? Sim, conforme se verifica dos relatórios elaborados pela Impugnante, bem como pelo laudo elaborado por empresa de consultoria e auditoria especializada, o valor do patrimônio líquido da TISA era de R$ 69.994.254,22. 3. O ágio foi fundamentado em expectativa de rentabilidade futura? Sim, conforme os registros contábeis da empresa elaborados à época da aquisição, bem como pelo Relatório de Avaliação econômico elaborado em Agosto de 2007. 4. O investimento adquirido com ágio foi liquidado mediante incorporação, fusão ou cisão? Sim, de acordo com a Ata da Assembléia Geral Extraordinária da Impugnante, datada de 01° de Outubro de 2007, a empresa TISA foi por ela incorporada. Vale observar que, na escrita contábil da Impugnante, o ágio foi transcrito sob a denominação de "goodwill, que é o termo técnico em inglês para designar a parcela do ágio que se refere à rentabilidade futura da empresa, ou seja, que não se refere ao valor de ativos ou intangíveis. Aborda o Relatório de Avaliação apresentado pela PwCBrasil, alegando ser ele o principal ponto de acusação das dd. autoridades fiscais, ao alegarem que o modelo e método utilizado no referido Relatório seria imprestável, uma vez que não seria capaz de justificar para fins tributários o ágio com base na rentabilidade futura. E prossegue: Alegam também as dd. autoridades fiscais que tal Relatório de Avaliação teria sido apresentado posteriormente à incorporação da TISA e que por isso não seria adequado o Relatório da empresa independente de auditoria e consultoria de negócios contratada para a elaboração do serviço. Inicialmente, antes de rebater ponto a ponto as acusações que foram feitas à Impugnante de forma infundada, cumpre ressaltar que, de uma maneira geral, as dd. autoridades fiscais buscaram fundamentar a autuação em circunstâncias que não estão acobertadas pela legislação fiscal ou ainda que não seriam causa de desconsideração do ágio registrado e amortizado pela Impugnante, nos exatos ditames da lei. Como será demonstrado a seguir, o Relatório de Avaliação da empresa TISA foi elaborado em atenção às normas fiscais e contábeis vigentes à época da reestruturação societária, visando oferecer uma opinião independente sobre o estudo que já tinha sido feito pela própria administração da Impugnante para Fl. 5723DF CARF MF 26 definir o preço de compra da empresa TISA, o qual não pode ser descaracterizado por alegações sem base legal e tampouco sem provas concretas apresentadas e sem a mensuração dos valores que as dd. autoridades fiscais entendem envolvidos, em patente desatenção ao ônus da fiscalização em provar as acusações formuladas no auto de infração. O ágio, para fins tributários, suportasse em fundamentos econômicos previstos em lei, descritos em estudos de especialistas, que operam como elemento de confirmação da motivação das partes e utilizam critérios de avaliação por elas escolhidos. As autoridades fiscais tentam, de maneira infundada, presumir ilegalidade no Relatório de Avaliação ao transcrever cláusula do contrato de contratação dos serviços prestados pela empresa de consultoria e auditoria independente, na qual esta inclui limitações de responsabilidade similares às que são apresentadas em qualquer Laudo de Avaliação, se eximindo de qualquer responsabilidade pelas informações prestadas, de acordo com a acusação no TVF. Tal acusação deve ser desde já afastada, uma vez que se trata de cláusula padrão em contratos de prestação de serviços com a referida empresa para todos os casos em que é contratada. Estas limitações constam de laudos de avaliação emitidos pela avaliadora e diversas outras empresas especializadas neste tipo de estudo, inclusive em atendimento aos requerimentos da CVM. Embora a empresa de auditoria efetue uma avaliação técnica independente da empresa adquirida, para dar uma segunda opinião e suportar assim o estudo interno feito pela empresa adquirente, precisa delimitar as finalidades para as quais o trabalho será utilizado e não pode permitir, por uma questão de responsabilidade civil e profissional, que o trabalho seja utilizado para outras finalidades. Portanto, tais limitações de escopo não foram redigidas especificamente para o Laudo de Avaliação da TISA. Notese que se está acusando empresa de auditoria idônea e de renome, atuando nesta área desde 1915, que tem enorme credibilidade e é largamente reconhecida pelo mercado, estando entre as 4 (quatro) maiores empresas desse ramo, o que deve ser observado e levado em consideração pelos Nobres Julgadores. Especificamente ao analisar o aspecto temporal do Relatório de Avaliação, argumenta que: em nenhum momento a legislação tributária, que regula os procedimentos para a fruição deste beneficio fiscal concedido aos contribuintes, prevê que a demonstração na qual o ágio é fundamentado deve ser um laudo de avaliação elaborado por empresa de consultoria especializada e, tampouco, prevê o marco temporal em que este laudo deve ser apresentado; o Relatório de Avaliação elaborado pela PwC Brasil serve apenas como subsídio e suporte para corroborar o valor indicado pelo contribuinte que, por oportuno, tem capacidade e meios de aferir o ágio decorrente das operações societárias que ele próprio realiza; a Impugnante atendeu fielmente a legislação tributária em vigor, uma vez que ao realizar a aquisição da TISA em 16 de janeiro de 2007 efetuou o pagamento do montante de R$ 287.532.943,77. escriturado em sua contabilidade como determina o artigo 385 transcrito acima e escriturou em conta diversa o valor do ágio verificado no momento da aquisição; Fl. 5724DF CARF MF Processo nº 10830.725113/201163 Acórdão n.º 1201001.506 S1C2T1 Fl. 5.712 27 o Laudo de Avaliação foi produzido posteriormente à aquisição da TISA, porquanto visava formatar e organizar os estudos e análises anteriormente realizados pelo Grupo PPG. Adicionalmente, o estudo teve o mérito de aglutinar as análises anteriormente realizadas, facilitando o processo de entendimento da valorização da TISA, de modo a possibilitar uma análise independente sobre a razoabilidade do valor pago. Portanto, o Laudo não foi um documento de definição do valor de aquisição, e nunca teve o propósito e não foi apresentado com a finalidade de ser tal documento; mas sim foi desenvolvido como uma forma de verificação da razoabilidade do valor pago em virtude da perspectiva de rentabilidade futura da empresa, podendo ser apresentado para as autoridades tributárias. Passa, então, a defender a regularidade do Relatório de Avaliação desenvolvendo seus argumentos sob os seguintes subtítulos, além daquele já mencionado acima (2.1.1 Aspecto temporal do Relatório de Avaliação apresentado pela PwC – Brasil) que serão abordados no voto: 2.1.2 Método e Modelo, Justificativa do Ágio com base na perspectiva de Rentabilidade Futura 2.1.3 Fundamentação das Suposições da Fiscalização acerca dos Bens de TISA a Valores Contábeis e a Motivação para Pagamento do Ágio 2.1.3.1 Critérios do Laudo de Avaliação de Incorporação elaborado pela empresa a) Avaliação dos bens e direitos pelo valor contábil b) Avaliação das Marcas c) Avaliação de Fundo de Comércio e Intangíveis d) Avaliação de Ativos Tangíveis Visão Final e Geral sobre as Suposições Fiscais Ônus da prova Na seqüência, aborda a Exclusão no Regime Tributário de Transição Efetuada Indevidamente nos anoscalendários de 2009 e 2010, referindose a alterações promovidas pela Lei nº 11.638, de 28 de dezembro de 2007, complementada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, das quais aponta a extinção do subgrupo Ativo Diferido, diante da qual, os montantes reconhecidos a título de ágio, a partir do ano de 2008, passaram a ser classificados no subgrupo Ativo Intangível. Reportase a instituição de um regime fiscal especial denominado RTT, segundo o qual como regra geral, os novos padrões contábeis não devem produzir efeitos tributários no Brasil. Com isso, os contribuintes devem adotar os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007 para apurar as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, cabendo a reversão dos efeitos tributários apurados em razão das diferenças existentes entre os tratamentos fiscais e contábeis, por meio de ajustes específicos no LALUR. E continua: Com base nos normativos acima, os contribuintes adotavam para fins de registro contábil o mesmo critério do DecretoLei n° 1.598/77, o qual não dispunha sobre um benefício de ordem dentre as classificações possíveis. Na verdade, adotavase para fins de registro o mesmo critério econômico adotado pelo comprador na avaliação sobre a aquisição do negócio e na definição do seu preço. Tanto isso é verdade que, muitas vezes, fundamentavase o registro do ágio com o próprio estudo do banco de investimento ou do setor de fusões e aquisições das empresas. Fl. 5725DF CARF MF 28 Não era necessária, àquela época, uma avaliação do valor de reposição dos ativos fixos ou do valor de mercado dos intangíveis. Afirma a fiscalização que, a partir de janeiro do anocalendário 2009, a Impugnante teria deixado de amortizar contabilmente o ágio e passou a efetuar ajustes no RTT, a fim de reduzir as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL pela exclusão mensal de montantes numericamente equivalentes àqueles que vinham carreados à sua conta de despesa 6.5.2.0.18, anteriormente à implantação da nova metodologia contábil introduzida através da edição da Lei n.° 11.638/07. Contudo, tal alegação infundada não deve prevalecer, na medida em que a Impugnante agiu corretamente ao excluir do RTT as despesas de amortização de ágio nos anoscalendários de 2009 e 2010 na Ficha 7ª da DIPJ. Portanto, diante de todo o exposto, verificasse que, ao contrário do alegado pela d. Autoridade fiscal, está correto a procedimento adotado pela Impugnante ao excluir as despesas de amortização do ágio nos anoscalendário de 2009 e 2010. Considera indevida a Glosa de Despesas com a Elaboração do Relatório de Avaliação de Ações da TISA, reportandose ao art. 299 do RIR/99 e alegando que: como amplamente debatido e exposto acima era claro e patente o interesse da Impugnante em adquirir a TISA para expandir seus negócios e poder atuar na área de tintas mobiliárias. O estudo da PwC Brasil não foi efetuado para determinar o valor de compra da empresa, mas sim para avaliar, de forma independente, os estudos feitos pela administração para tanto, emitindo uma opinião técnica sobre qual seria o valor estimado da empresa adquirida TISA em virtude de sua perspectiva de rentabilidade futura. Desta forma, restou demonstrado que no momento em que a aquisição foi feita a Impugnante passou a considerar a empresa adquirida como parte de seu grupo e, portanto, imprescindível para o exercício de suas atividades econômicas era a avaliação da referida empresa; são consideradas despesas usuais ou normais não apenas não apenas o que está expressamente descrito no objeto social da empresa, mas, todas as atividades inerentes ao seu funcionamento, estando dentre elas a orientação legal disposta no artigo 385 do RIR, que indica a necessidade de se basear o fundamento de avaliação do ágio em demonstração que o contribuinte precisa arquivar. Aponta contradição apresentada pelo TVF, porque as dd. autoridades fiscais acusam insistentemente que o ágio, para poder ser fundamentado em rentabilidade futura, deve obrigatoriamente ser justificado por Relatório de Avaliação econômica. Por outro lado, as dd. autoridades fiscais indicam que este documento para nada se presta, devendo inclusive ser considerado como despesa indedutível. Nada mais descabido! Conclui este tópico expondo que a despesa incorrida com a contratação de serviços para elaboração do relatório de avaliação da empresa TISA é necessária à atividade da Impugnante, nos termos do artigo 299 do RIR/99 e, portanto, não deve ser indevidamente glosada. Defende a dedutibilidade para fins de CSLL, independente da observância da Lei 9.532/97, por entender que a amortização contábil do ágio, antes da incorporação, só é indedutível do IRPJ e não da CSLL, alegando que: inexiste previsão legal para que se exija a adição à base de cálculo da CSLL da amortização do ágio pago na aquisição de investimento avaliado pela equivalência patrimonial. Significa dizer que é inaplicável, ao caso, o art. 57 da Lei n 8.981/1995, posto que tal dispositivo não determina que haja identidade com a base de cálculo do IRPJ; Fl. 5726DF CARF MF Processo nº 10830.725113/201163 Acórdão n.º 1201001.506 S1C2T1 Fl. 5.713 29 depois da incorporação, a Lei 9.532/97 só é aplicável à apuração do lucro real especificamente (Imposto de Renda); assim, para a Contribuição Social, o ágio por outro lado continua sendo dedutível, conforme amortizado contabilmente, independentemente da regra aplicável ao IR, mesmo após a incorporação, por falta de previsão legal quanto à sua indedutibilidade. A base da CSLL é diferente da base do IRPJ, como é sabido. Por outro lado, a regra contábil que se deve adotar para cálculo tanto do IRPJ quanto da CSLL é a regra disposta na Lei 6.404/76, sem as alterações promovidas pelo IFRS. De acordo com tais normas, o ágio pago com base na perspectiva de rentabilidade futura deve ser objeto de amortização contábil, consoante tal perspectiva. Estando corretos os ajustes do RTT, portanto, o ágio é dedutível na apuração da base de cálculo da CSLL. Cita ementas de acórdãos do atual CARF. Opõese à imputação de simulação no caso concreto, argumentando que: o que as dd. autoridades fiscais buscam retratar no TVF nada mais é do que tentar configurar como ilícitos os negócios jurídicos celebrados pela Impugnante, em razão das alegações de suposta: (i) intenção de transformar o ágio pela aquisição de ações em dedutível; (ii) criação da sociedade TISA como empresa veículo, apenas com o intuito de criar situação tributária mais favorável; (iii) ausência de comprovação da rentabilidade futura; e (iv) registro do acervo adquirido em valores subavaliados. As dd. autoridades fiscais ainda alegam que se trata de ágio falso e criado artificiosamente e apontam a suposta máfé da Impugnante, o que resultaria na caracterização da simulação para praticar as infrações indicadas pela fiscalização. Admite que o TVF, em linhas gerais, abordou corretamente a noção teórica de simulação e continua: o enquadramento adotado pela d. autoridade fiscal para simulação no item 429 deixa patente que classificou a alegada simulação no inciso II do parágrafo Iº do artigo 167 e no artigo 187, ambos do Código Civil, isto é, aquela em que o negócio jurídico contiver declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; todavia, não basta para se caracterizar a simulação afirmar que o negócio jurídico efetivamente praticado não é aquele que realmente ocorreu. De fato, é necessário identificar e provar circunstâncias relativas ao negócio que, em conjunto, comprovam efetivamente a ocorrência da simulação; para que seja caracterizada a simulação, as dd. autoridades fiscais devem, necessariamente, comprovar a ocorrência de três elementos, quais sejam:(i) divergência entre a vontade interna e a mvontade manifestada no negócio; (ii) acordo das partes quanto ao negócio dissimulado; (iii) intenção deliberada de enganar terceiras pessoas. A mera intenção de economizar no pagamento de tributo, na hipótese de se consubstanciar em um motivo para a prática do ato (negócio jurídico), não é decisiva para a validade, ou não, do planejamento tributário, por não pertencer à finalidade econômica do negócio jurídico, ou seja, à sua causa objetiva; a intenção do contribuinte é um dos principais elementos que devem ser analisados. A vontade do contribuinte deve ser real ao formalizar o negócio jurídico. Assim, num aumento de capital, não é necessário apenas a formalização de tal aumento e a vontade das partes de se submeterem às consequências do aumento, mas sim a vontade real ser sócio ao aumentar o capital como se verifica do TVF e da documentação acostada durante a fiscalização, o ágio é decorrente de um pagamento efetivo realizado pela Impugnante à empresa Renner, devidamente Fl. 5727DF CARF MF 30 comprovado no curso da fiscalização. Ademais, a apuração do valor ocorreu pela própria Impugnante, que tinha meios para tanto, como já esclarecido acima. A opção pela fundamentação do ágio em rentabilidade futura decorre do declarado e explícito intuito de compra da empresa TISA, pela Impugnante, como se verifica do documento que já em 19 de outubro de 2006 autorizou a continuidade das negociações para sua aquisição (Doc. 13). Em outras palavras, a Impugnante tinha expectativa de gerar riquezas com a compra da TISA e, consequentemente, gerar lucro!! Com relação à acusação de que a TISA seria mera empresa veículo, criada apenas para a verificação do benefício fiscal, transcreve conclusões de recente julgado do CARF, Acórdão n° 1301000.711, de 19 de outubro de 2011; Conclui que a Impugnante sempre agiu de boafé, em atenção ao ordenamento jurídico pátrio e, portanto, não há que se falar em simulação nos negócios jurídicos por ela praticado. Os atos jurídicos realizados na reorganização societária foram adotados em face da interpretação do ordenamento jurídico feita pela Impugnante. Todos os atos foram divulgados ao Fisco e a operação decorre de uma aquisição de empresa com claro propósito negocial. Discorda da aplicação da multa agravada de 150%, discorrendo acerca do dispositivo que a fundamenta, expondo entendimentos doutrinários e decisões do antigo Conselho de Contribuintes e argumentando: A Impugnante realizou todas as operações societárias às claras, sem esconder sua vontade real, que nada mais é do que inserir e atuar no ramo das tintas imobiliárias, conforme acima exposto; mesmo que se admitisse que a operação realizada pudesse ser questionada pelo Fisco, o que se admite apenas para argumentar, não há como equiparar a conduta do contribuinte a simulação; pelo fato de as dd. autoridades fiscais simplesmente discordarem dos efeitos fiscais dessas operações, houveram por bem aplicar da multa agravada de 150% sobre o tributo exigido, sob a acusação (que sequer foi comprovada no TVF!) de que a Impugnante teria praticado fraude; a multa agravada somente é aplicável nos casos em que seja evidente o intuito de fraude. Ou seja, somente quando não restem dúvidas (isso porque deve ser comprovado no TFV) a respeito da intenção do contribuinte de agir, mediante sonegação, fraude ou em qualquer dos dois casos sob conluio, com o único propósito de reduzir ou suprimir o pagamento de tributos, é que se poderia cogitar na aplicação da referida multa agravada. Nos casos em que o contribuinte organiza suas atividades estritamente de acordo com a lei como sucede no caso em análise e não utiliza artifícios na tentativa de evitar ou de esconder qualquer elemento da obrigação tributária, devese concluir que sua aplicação não é cabível, mesmo que as autoridades fiscais divirjam quanto à forma de tributação de tais atividades. A aplicação da multa agravada não pode ser feita indistintamente, sendo imposta às autoridades fiscais a obrigação de comprovar o evidente intuito de fraude do contribuinte, restando evidente que no caso concreto, não obstante a acusação, não houve qualquer comprovação por parte das dd. autoridades fiscais com relação à suposta fraude alegada; Ressalta a ocorrência de mudanças no entendimento adotado pelas dd. autoridades fiscais e pelos membros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais relativo a reorganizações societárias e possíveis economias tributárias associadas a essas operações, e alega que: até pouco tempo atrás as decisões do antigo Conselho de Contribuintes eram em sua maioria favoráveis à adoção do planejamento tributário lícito pelos contribuintes, desde que realizado em conformidade com a lei comercial e fiscal. agora, muitas reestruturações societárias que impliquem economia fiscal aos contribuintes são tidas, preconceituosamente e sem a necessária análise dos Fl. 5728DF CARF MF Processo nº 10830.725113/201163 Acórdão n.º 1201001.506 S1C2T1 Fl. 5.714 31 fatos subjacentes, como fraudulentas por muitas autoridades fiscais; no entanto, ..., a maior parte dos lançamentos fiscais considerados "leading cases" pelas autoridades fiscais era de fato de planejamentos fiscais abusivos, de forma que essas decisões não podem ser aplicadas a casos como o de que ora se cogita, não podem ser tachadas de fraudulentas as reorganizações societárias realizadas em estrita observância da legislação tributária, muitos anos antes da alteração da interpretação das autoridades fiscais e julgadoras sobre a matéria e, ainda, com características totalmente distintas dos planejamentos tributários abusivos já analisados pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Invoca a aplicação do artigo 112 do CTN, por considerar que não se está diante de caso de aplicação inequívoca da multa agravada. Defende, ainda, a impossibilidade de aplicação concomitante de multa de ofício e de multa isolada sobre a mesma base de cálculo, invocando princípios da razoabilidade, proporcionalidade e da consumação, a alegando que a obrigação tributária relativa ao IRPJ somente surge se verificada a ocorrência do fato gerador (auferir renda) dentro do anocalendário, sendo que os pagamentos com base em estimativas mensais representam, apenas e tão somente, mera forma de arrecadação estipulada pela legislação tributária para antecipação do devido, pelo que deve prevalecer a infração à obrigação de pagamento anual do IRPJ; Aduz, também, a impossibilidade de aplicação de juros de mora sobre multa de ofício, argumentando: todos os débitos tributários exigidos pelas dd. autoridades fiscais através de autos de infração são acrescidos de multa de ofício, sendo certo que na prática, após a lavratura dos autos de infração, essas multas passam a ser mensalmente atualizadas com base na taxa de juros SELIC, o que é realizado com amparo não na lei, mas no Parecer MF n.° 28, de 02 de abril de 1998, emitido pela Coordenação Geral do Sistema de Tributação (COSIT); o artigo 61 da Lei n.° 9.430/96 utilizado como base legal pela COSIT para sustentar a incidência de juros sobre as multas de ofício trata tão somente da incidência de juros sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, não havendo qualquer menção às multas de ofício aplicadas pela Receita Federal do Brasil; o procedimento adotado pelo Fisco somente seria válido nos casos em que a multa aplicada pelas autoridades fiscais correspondesse ao valor principal do débito fiscal, como, por exemplo, na hipótese de autuação do contribuinte por descumprimento da legislação fiscal (obrigação acessória) e aplicação da multa administrativa – hipóteses em que a multa administrativa corresponderia ao valor principal do débito, a teor do artigo 43 da Lei nº 9.430/96. Finaliza formulando o pedido nos seguintes termos: A Impugnante requer seja reconhecida a inexistência de qualquer infração tributária no tocante às glosas ora impugnadas, ou caso assim não se entenda, sejam julgados totalmente improcedentes os autos de infração que deram origem ao presente processo, cancelandose os créditos de IRPJ e CSLL lançados e reconhecendose, em qualquer hipótese, a inexistência de simulação no caso concreto haja vista que restou evidenciada (i) a absoluta observância às normas fiscais e contábeis relativas ao registro e amortização de ágio; e (ii) a clara existência de propósito negocial nas operações em análise, afastandose a multa agravada de 150%, tendo em vista a ausência de evidente intuito de fraude nas operações analisadas, assim como a inviabilidade da cumulação das multas isolada e de ofício e da incidência de juros sobre as multas aplicadas. Requer, outrossim, seja reconhecida a extinção do crédito tributário relativo ao erro de transcrição no LALUR (item 423 do TVF), pelo seu pagamento integral, nos termos do artigo 156,1, do CTN. Fl. 5729DF CARF MF 32 Por fim, a Impugnante protesta expressamente pela juntada (i) de traduções fiéis dos documentos acostados à defesa em idioma estrangeiro, sobretudo em vista do tempo necessário à notarização, consularização e posterior tradução juramentada dos mesmos, quando aplicável, e (ii) quaisquer elementos adicionais que sejam úteis à elucidação dos fatos e à presente defesa, protestando, inclusive, por todos os meio de prova no processo administrativo, em prol da verdade material. Ao término da impugnação são relacionados os seguintes documentos: Doc. 01 Procuração, Substabelecimento, Contrato Social e cópia autenticada das Carteiras da Ordem dos Advogados do Brasil; Doc. 02 Comprovante de pagamento, com relação á infração do item 423 do TVF (erro na transcrição do lucro real do LALUR para a DIPJ); Doc. 03 Correspondências do escritório Morales Nogueira, do email do escritório Uruguaio datada de 08/06 e do escritório Mattos Filho de 06/07; Doc. 04 Ata da Assembléia Geral Extraordinária da constituição da Tintas Ideal S.A (juntada na Resposta à Intimação de 24/02/2010); Doc. 05 Laudo de Avaliação da Tintas Ideal S.A, realizado por três (03) peritos; Doc. 06 Ata da Assembléia Geral Extraordinária realizada em 01/06/2006, pela Empresa Tintas Ideal S.A, indicando a nomeação dos peritos para a realização do Laudo de Avaliação; Doc. 07 Contrato de compra e venda de ações ("SPA") e Anexos do "SPA"; Doc. 08 Recibo de quitação do Contrato de Compra e Venda de Ações; Doc. 09 Documentos societários da PPG e da Tintas Ideal que indicam a Incorporação da segunda, pela primeira; Doc. 10 Relatório de Avaliação da Tintas Ideal S.A, realizado pela PwC Brasil; Doc. 11 Documentos que comprovam a aprovação da operação pelo CADE; Doc. 12 Contrato de cessão de marcas e nomes de domínio; Contrato de licença de uso de marcas e nomes de domínio e Acordo de não concorrência; e Doc. 13 ACT ("Aatorization for Capital Transactiorí''). Em 12/03/2012 a Interessada protocolizou petição requerendo a juntada aos autos de (a) Cópia notarizada e consularizada do documento definitivo intitutlado “Authorization for Capital Transaction – ACT”, fornecida pela Tabeliã Pública da cidade de Pittsburgh,... bem como sua respectiva tradução ... (b) cópia da proposta fornecida pelo escritório brasileiro que assessorou a operação societária realizada no Brasil, devidamente traduzida ...., acompanhada da tradução de outros dois documentos que indicavam tanto as operações realizadas à época pelo escritório, bem como sua posição com relação aos outros escritórios brasileiros, no que diz respeito à assessoria em operações de Fusões e Aquisição. Requer, ainda, a posterior juntada, em prazo de 30 dias, de traduções, cujo procedimento já teria sido iniciado, relativas a (i) proposta de serviços fornecidas pelo escritório localizado no Uruguai e (ii) proposta de serviços fornecida pelo escritório localizado no Chile. Na decisão de fls., a DRJ/RPO decidiu, de forma unânime, pela manutenção da autuação, conforme ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 ERRO DE TRANSCRIÇÃO. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL X DIPJ. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Fl. 5730DF CARF MF Processo nº 10830.725113/201163 Acórdão n.º 1201001.506 S1C2T1 Fl. 5.715 33 Consolidase administrativamente o crédito tributário correspondente a matéria não impugnada. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 IRPJ. ÁGIO EM INVESTIMENTO. DESPESAS DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. PROVA DA NATUREZA DO ÁGIO. A amortização do ágio, como regra geral, é indedutível para a apuração do resultado. A possibilidade de deduzila prevista no art. 386, III, do RIR/99 art. 7°, III, da Lei 9.532/97 e art. 10 da Lei 9.718/98 não pode ser invocada quando ausente comprovante da escrituração de que este ágio foi pago tendo em vista a expectativa de rentabilidade futura. ÔNUS DA PROVA. É da contribuinte que utiliza o benefício fiscal da amortização do ágio por rentabilidade futura o encargo de comprovar a fundamentação a ele atribuída, mediante apresentação do correspondente comprovante de escrituração, sobretudo se a Fiscalização, além de constatar a extemporaneidade de sua elaboração, também questionou tecnicamente a avaliação apresentada e identificou os reais motivos para pagamento do ágio: aquisição de ativos, especialmente de intangíveis, os quais foram expressamente relacionados e detalhadamente discriminados, além de serem objeto de análise no tocante à relação com as atividades e produtos da empresa incorporada pela Fiscalizada. DESPESA COM ELABORAÇÃO DE LAUDO. DESNECESSIDADE. É inerente à condição de "comprovante de escrituração do ágio" que o Relatório de Avaliação apresentado como tal, além de adotar critérios, base histórica e variáveis perfeitamente identificados e justificados e de ser coerente com a realidade fática da operação, deve anteceder o pagamento do ágio, para justificar o montante desembolsado pela aquisição da participação societária e o motivo do pagamento de montante superior ao valor patrimonial do investimento. Sendo posterior ao pagamento e à escrituração do ágio, o Relatório de Avaliação apresentado perde a finalidade para a qual é exigido pela legislação fiscal e a despesa para sua elaboração deixa de ser dedutível, posto que não foi utilizado para a tomada de decisão da pessoa jurídica adquirente. MULTA QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. Constatada pela Fiscalização operação planejada entre as empresas de um mesmo grupo (uma delas controlada pela outra e ambas sob o controle da mesma pessoa jurídica sediada no exterior) que "propiciou" a criação de uma motivação artificial para o pagamento de ágio e foi engendrada com o evidente intuito de "criar" despesas de amortização em uma delas, diminuindo ilegalmente sua base tributável pelo IRPJ e para CSLL, não há como afastar a imputação de simulação e a conseqüente aplicação da multa qualificada. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. A exigência decorrente deve seguir a orientação decisória adotada para o tributo principal, tendo em vista ser fundada nos mesmos fatos, mormente em face de norma prevendo, para a CSLL, iguais hipóteses e condições de dedutibilidade de amortização de ágio, existentes em relação ao IRPJ. Fl. 5731DF CARF MF 34 MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS. O nãorecolhimento de estimativas sujeita a pessoa jurídica optante pela forma de tributação pelo lucro real anual à multa de ofício isolada. CUMULAÇÃO COM MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. COMPATIBILIDADE. É compatível com a multa isolada a exigência da multa de ofício relativa ao tributo apurado ao final do anocalendário, por caracterizarem penalidades distintas. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de questionamentos relacionados a ilegalidade e inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, após o seu vencimento, está prevista nos artigos 43 e 61, § 3°, da Lei 9.430/96. Combinando, de forma extremamente sintética as razões de autuação de decidir da DRJ/RPO, podemos elencar os principais argumentos em discussão no presente caso da seguinte forma: (i) o laudo apresentado pela consultoria PWC é posterior à aquisição de fato da empresa Tintas Ideal e subsidiárias. A aquisição se deu em janeiro de 2007 e o laudo foi elaborado somente em Agosto de 2007. A existência de contratos com consultorias e advogados em 2006 nada representam acerca da vontade de negociar e, ademais, esses documentos não foram sequer traduzidos. Não se exige a apresentação de laudo prévio, mas o suporte documental do lançamento de goodwill baseado em rentabilidade futura é inexistente e foi artificialmente criado apenas para fins fiscais; (ii) embora a defesa alegue que a intenção era a aquisição dos ativos totais da Renner Sayerlack, a criação de uma empresa de vida efêmera como a Tintas Ideal e a cessão den ativos tangíveis e intangíveis para essa Companhia demonstram que não havia real intenção de fusão com os negócios dos proprietários originários; (iii) a empresa adquiriu também ativos em outros países da America Latina (Uruguai & Chile) sem segregação de expectativa de rentabilidade futura e qualquer alocação de rentabilidade para essas operações; (iv) as limitações de responsabilidade da empresa PWC por prejuízos decorrentes do uso de seu relatório são uma prova cabal de que a empresa de consultoria aceitou elaborar o Relatório já ciente de que estaria corroborando ato que traria prejuízo ao Erário; (v) o Relatório é inverídico e os fundamentos matemáticos adotados são falsos; (vi) os dados utilizados no cálculo não foram devidamente comprovados; (vii) parcela relevante do ágio pago devese à cessão das marcas da Tintas Renner, que não estavam avaliadas aos valores de mercado. O histórico de lançamento de produtos da PPG classificados como “fiasco” demonstram que Fl. 5732DF CARF MF Processo nº 10830.725113/201163 Acórdão n.º 1201001.506 S1C2T1 Fl. 5.716 35 havia sim um interesse e relevância na aquisição dos ativos intangíveis e que foram minimizados; (viii) a despesa com pagamento do laudo não é dedutível, tendo em vista que a contratação foi posterior à operação societária; (ix) identidade da base de cálculo do IRPJ e CSLL; (x) há verdadeira intenção de dissimular os fatos, atraindo a aplicação da multa de 150%, nos termos do art. 44, II da Lei 9430/96; (xi) é aplicável multa sobre as estimativas e juros sobre a multa; Em seu Recurso Voluntário de fls. 5442 e seguintes, a Recorrente reforça os argumentos expostos quando de sua defesa e reforça a necessidade de análise de novo laudo de avaliação juntado aos autos, de autoria da empresa Ernst&Young Terco e que confirma as premissas anteriormente adotadas pela PWC quando da avaliação da Tintas Ideal. Voto Vencido Conselheiro Relator Ronaldo Apelbaum Em primeiro lugar, cumpre destacar que o Recurso Voluntário de fls. 5442, apresentado em 18 de maio de 2012, deve ser considerado tempestivo. Há, às fls. 5423, um Termo de Perempção, que leva em consideração a abertura da intimação da decisão da DRJ/CPS em 09/04/2012. Ocorre que, às fls. 5392, há uma mensagem demonstrando o decurso do prazo de 15 dias para abertura de mensagem em 18/04/2012. São dados contraditórios que não podem trazer prejuízo à análise do Recurso. Às fls. 5664, a DRF em Campinas/SP declarou que o Recurso pode ser considerado tempestivo ou intempestivo e determinou a remessa dos autos ao presente Conselho. Se a própria DRF apresenta dúvidas, não pode esse Conselho deixar de examinar o Recurso Voluntário de fls., razão pela qual procedo à sua análise. Tal análise será realizada a partir dos principais tópicos alegados no Recurso Voluntário, realizando um confronto entre seus argumentos e aqueles que justificaram a manutenção da autuação pela DRJ/CPS. Antes, contudo, há uma alegação de cerceamento de defesa que merece ser afastada. Isso porque a Recorrente trouxe aos autos, em 05 de abril de 2012, um parecer/laudo elaborado pela empresa de consultoria Ernst & Young Terco, documento esse que reputou relevante para refutar os argumentos da autuação. Ocorre que, nessa data, embora não intimado da decisão, a DRJ/CPS já havia se reunido e julgado a impugnação apresentada (julgamento em 14 de março de 2012). Faltava apenas a intimação, nessa data. Não faz sentido, portanto, alegar cerceamento de defesa, especialmente porque esse novo documento foi juntado aos autos e será levado em consideração quando do julgamento por esse Colegiado. Fl. 5733DF CARF MF 36 Segue, de forma segregada, análise dos principais pontos em discussão: 1. Relação entre as empresas PPG, Renner e Ideal – propósito negocial, empresaveículo e procedimentos préaquisição De acordo com o Relatório da Ação Fiscal de fls. 4390 e seguintes, declara a d. Fiscalização que a criação da empresa Tintas Ideal S.A., com versão de parcela dos ativos da Tintas Renner, foi criada especificamente para a transferência das operações de tintas imobiliárias para o Grupo PPG. Senão vejamos: 91Conforme informações coligidas durante a Ação Fiscal, a empresa Tintas Ideal S.A. foi criada especificamente para efetuar a transferência das operações de tintas imobiliárias da empresa Renner Sayerlack S/A para a empresa PPG Industrial do Brasil Tintas e Vernizes Ltda.. 92Tendo em vista esse fato, concluise que a aquisição da Tintas Ideal S.A. pela PPG Industrial do Brasil Tintas e Vernizes Ltda. iniciouse em período de tempo anterior ao protocolo de criação da empresa em 25/08/2006, através da Ata de Assembléia Geral Extraordinária da “Tintas Ideal S.A.” (registro na – Junta Comercial do Rio Grande do Sul n° 2771055, Protocolo 06/2371851 de 28/11/2006). Curioso notar, de plano, que não há nos autos qualquer elemento de que a empresa Tintas Ideal foi criada sob a determinação da empresa PPG. A criação da entidade TISA poderia ser uma estratégia dos vendedores e não necessariamente um planejamento tributário dos compradores, embora tenha ocorrido em período de negociação, conforme atesta o Recorrente. Equivaleria aqui, ainda de forma indireta, acusar a Recorrente de ter determinado o estabelecimento da empresa Tintas Ideal como verdadeira “empresaveículo” apenas para fins de apuração e aproveitamento de goodwill baseado em expectativa de rentabilidade futura. Daí surgirem indícios de simulação que justificariam a aplicação da multa de 150%. Vale ressaltar, aqui, que o próprio Eg. CARF, em diversas decisões, entendeu ser perfeitamente aceitável a constituição de empresa segregada apenas para esses fins. Cito aqui voto da lavra do sempre competente Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado, em julgamento do qual participei recentemente: ÁGIO FUNDAMENTADO EM EXPECTATIVA DE RESULTADOS FUTUROS. DEDUTIBILIDADE DA AMORTIZAÇÃO. A legislação que permite a dedução da amortização do ágio em determinadas circunstâncias e desde que preenchidos determinados requisitos é norma indutora de comportamento do contribuinte. Fl. 5734DF CARF MF Processo nº 10830.725113/201163 Acórdão n.º 1201001.506 S1C2T1 Fl. 5.717 37 Não havendo ocorrência de fraude ou simulação e tendo sido verdadeiras e legitimas as operações perpetradas, inclusive, com a ocorrência do efetivo pagamento do preço, a dedução do ágio é possível, ainda que o benefício fiscal seja o principal ou mesmo o único elemento motivador. Uma vez demonstrado o devido propósito negocial e substância econômica na realização de reorganizações societárias, a dedução da amortização do ágio tornase ainda mais justificada. UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO. POSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE VEDAÇÃO LEGAL. A utilização da chamada "empresa veículo" não guarda qualquer ilegalidade ou abuso em si, sendo necessária a identificação de outros elementos como a fraude ou simulação para que a glosa da dedução do ágio se justifique. Na hipótese em que presentes para o contribuinte, outras opções de movimentação societária que resultariam no mesmo efeito tributário que é a dedução do ágio, a eventual utilização de empresa veículo configura simples decisão de negócios que não prejudica o benefício fiscal. … (Processo 16327.720403/201359, sessão de 07 de junho de 2016, caso CreditSuisse) Ou ainda em outro julgamento conduzido pelo Il. Conselheiro Valdir Veiga Rocha, também bastante recente: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2008, 2009, 2010 ÁGIO. FORMAÇÃO. NEGÓCIO ENTRE PARTES INDEPENDENTES. EFETIVO SACRIFÍCIO PA TRIMONIAL DA ADQUIRENTE. FUNDAMENTO. EXPECTATIVA DE RENTABILIDADE RENTABILIDADE FUTURA. VALIDADE DA FORMAÇÃO. Ao se demonstrar que o ágio discutido nos autos se formou em negócio firmado entre partes independentes, em regime de livre mercado, foi respaldado por laudo baseado na expectativa de rentabilidade futura da investida e que houve um efetivo sacrifício patrimonial da adquirente em benefício dos alienantes do investimento, não se há de questionar o registro contábil do ágio, como a diferença entre o valor do sacrifício patrimonial e o valor de patrimônio líquido da investida. ÁGIO. TRANSFERÊNCIA. EMPRESA VEÍCULO. INCORPORAÇÃO REVERSA. VALIDADE. O uso de empresa veículo e de incorporação reversa, por si sós, não invalidam as operações societárias que transferiram o ágio da investidora original para a empresa investida. Verificadas as condições legais, Fl. 5735DF CARF MF 38 especialmente a confusão patrimonial entre investidora e investida, deve ser admitida a amortização fiscal do ágio. (Processo 10855.724999/201221, sessão de 04 de maio de 2016, caso Nakayone) No caso em apreço, portanto, a criação da empresa Tintas Ideal é (i) legítima do ponto de vista jurídico, (ii) legítima do ponto de vista negocial e (iii) nãoimputável à empresa PPG. Portanto, acato os argumentos do Recurso Voluntário para desconsiderar a criação da empresa como causa de afastabilidade da amortização da maisvalia contrabilizada e amortizada / deduzida. 2. Função do laudo de avaliação e da contratação de consultorias especializadas para esses fins, além da dedutibilidade das despesas com elaboração de documentos de suporte contábil fiscal Outra razão apontada pela d. Fiscalização para descaracterizar a dedutibilidade do ágio pago pela PPG é o papel exercido pelo laudo e pela PWC, empresa de consultoria contratada para fins de elaboração de tal documento. Fazse necessário, em primeiro lugar, realizar a leitura dos itens do Relatório Fiscal a respeito: 159 Tal negociação visava, portanto, a um objetivo exclusivo: a criação de uma situação desprendida da real motivação que levou ao pagamento do ágio. Ou seja, visava a, única e tão somente, criar um aparato formal para sustentar futuras alegações de dedutibilidade de amortizações do ágio perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil. 160 Para tanto, definese, desde o princípio da contratação da consultoria PriceWaterhouseCoopers, que o objetivo do laudo seria a atribuição da motivação de RENTABILIDADE FUTURA ao ágio que fora pago pela aquisição das ações do conglomerado Tintas Ideal S/A e não a busca da verdade dos fatos, conforme seguinte passagem extraída da proposta: “Nosso trabalho incluirá o desenvolvimento de uma avaliação de 100% das quotas da Tintas Ideal, usando uma combinação do método de rentabilidade futura (essencialmente baseado em fluxos de caixa descontados) com o método do valor patrimonial contábil. É de nosso entendimento que o objetivo exclusivo de nosso trabalho é apoiálos na fundamentação do valor da Tintas Ideal perante as autoridades fiscais brasileiras. (grifouse)” 169 Concluise da análise dessa proposta e da notória atuação no mercado da empresa de consultoria que esses proponentes tinham pleno conhecimento dos fins para os quais o relatório de avaliação seria Fl. 5736DF CARF MF Processo nº 10830.725113/201163 Acórdão n.º 1201001.506 S1C2T1 Fl. 5.718 39 utilizado e tentaram eximirse dos possíveis prejuízos que essa utilização poderia gerar a terceiros. 170 No caso em tela, o principal prejudicado seria, forçosamente, o erário público federal, frente ao qual seria aposto o relatório que seria confeccionado. 171 Dessa feita, estava, a partir do momento de assinatura dessa proposta, esquematizado o plano que daria enormes retornos financeiros aos quotistas da fiscalizada, mediante redução do pagamento do IRPJ Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da CSLL Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Aqui encontro o ponto que entendo ser crucial para compreensão do lançamento tributário. E, mais do que isso, elementochave que demonstra o baixíssimo nível de evolução da relação entre o Estado e Cidadão em nosso país. A d. Auditora Fiscal, sem qualquer prova e de forma indiscriminada, estabelece conceito prédeterminado de que a função da contratação de empresa do porte da PWC visaria prejudicar o erário público federal e esquematizar planos para dar enormes retornos financeiros aos quotistas da fiscalizada. Ora, a contratação de empresas de auditoria e consultoria, observadoras de princípios contábeis e de governança como nenhuma outra, poderia ter a finalidade de se tornar partícipe ou mesmo coautora de crime contra a ordem tributária? Essa é a acusação! Em sociedades com alto grau de evolução, poderseia afirmar que declaração como essa não passaria incólume. Em certas jurisdições da Comunidade Européia, empresas certificadas por firmas globais de auditoria sequer são auditadas por autoridades fiscais. Além disso, aponta a d. Fiscalização que o contrato para elaboração de laudo prevê a isenção de responsabilidade da empresa PWC sobre quaisquer consequências e contingências advindas da utilização do documento. Isso seria mais um motivo que confirma a máfé na utilização desse documento. Ora, nem seguradoras, nem médicos, nem advogados, e tantos outros exemplos, respondem de forma indiscriminada sobre as consequências de seu exercício profissional. Cláusulas de limitação de responsabilidade são básicas e primordiais em qualquer contratação desse gênero. O juízo de valor formado am partir desse fato não se justifica, sob nenhuma perspectiva. E o que temos aqui é a desconsideração de um laudo de avaliação de rentabilidade futura pelo pressuposto de que a contratação desse laudo teria como função precípua fraudar o fisco. Além disso, por conta da existência desse fato, aplicamse as disposições dos arts. 71 e seguintes da Lei 4.502/64 para aplicar penalidade equivalente a 150% do tributo que deixou se ser pago. Por fim, para coroar a ideia, ajustase a base de cálculo do IRPJ e CSLL da Recorrente para considerar a própria despesa com o laudo desnecessária. Portanto, não se pode colocar em xeque a dedutibilidade do ágio gerado pela aquisição da Tintas Ideal apenas por se desconfiar da índole da empresa que elaborou o Fl. 5737DF CARF MF 40 documento suporte. Muito menos considerar a despesa como desnecessária, sendo ela garantidora do suporte contábil da dedução, sejam suas conclusões questionáveis ou não. 3. Obrigação legal de apresentar laudo para ágio à época dos fatos? A obrigação de apresentação de laudo contábil em formato determinado é posterior à ocorrência dos fatos geradores. Essa obrigação foi introduzida pela Lei 12.973/14. Antes disso, o laudo seria documento de suporte necessário ao lançamento contábil/fiscal da maisvalia e não havia obrigação de têlo quando do pagamento pela aquisição da Tintas Ideal. A inexistência do laudo de avaliação à época da efetiva aquisição, no início de 2007, não é argumento capaz de invalidar de plano a rubrica e o valor atribuído a ela. 4. Existência de propósito negocial – questão das marcas e da participação no mercado pulverizado, além de contratação de consultorias específicas para as subsidiárias Uma das premissas adotadas pela d. Fiscalização é de que o propósito negocial legítimo estaria aqui sob suspeita. O fato da empresa PPG ter adquirido a Tintas Ideal sem se preocupar com a elaboração de laudo específico seria um sinal de reconhecimento da indedutibilidade do ágio, de acordo com o TVF de fls.: 102 Assim, os dirigentes da empresa PPG Industrial do Brasil Tintas e Vernizes Ltda. já sabiam desde o momento da compra das ações de Tintas Ideal S/A que o ágio pago por essa aquisição não seria dedutível, para fins de apuração do IRPJ e da CSLL caso amortizado, uma vez que não se preocuparam em elaborar laudo que contestassem as motivações que estavam claras no momento da compra: Os bens e ativos da Tintas Ideal S/A estavam notoriamente avaliados a valor inferior ao de mercado, pois a empresa já possuía uma vida social de 80 (oitenta) anos, estando muitos desses bens plenamente depreciados; Não se pode negar, de plano, que os pontos levantados em relação aos valores de parcela dos ativos sejam razoáveis. De fato, intangíveis e outros ativos avaliados pelo valor contábil não revelam o valor presente desses ativos. Contudo, não vislumbro razão para desconsiderar de forma plena todo a amortização do ágio considerada, especialmente pelo fato de que não há previsão legal que permita à autoridade fiscal tal desconsideração e/ou obrigação legal, naqueles exercícios, de avaliar todos os bens pelo valor nãocontábil. Além disso, a d. Fiscalização também coloca em dúvida algumas premissas adotadas pelas empresas, como a negociação de intangíveis a valores muito superiores àqueles contabilizados na empresa Tintas Ideal e também a aquisição de operações em países como Uruguai e Chile sem avaliação específica e nenhuma expectativa de rentabilidade apontada ou contabilizada. Fl. 5738DF CARF MF Processo nº 10830.725113/201163 Acórdão n.º 1201001.506 S1C2T1 Fl. 5.719 41 Em sua Impugnação e Recurso Voluntário de fls., a Recorrente alega a necessidade de aquisição de marcas e técnicas de vendas relevantes no mercado brasileiro, eis que extremamente pulverizado. Embora em termos percentuais o aumento da participação de mercado não seria impactante, o fato do mercado brasileiro ser extremamente pulverizado nesse segmento seria uma prova cabal de que os valores pagos pelos intangíveis seria absolutamente justificável. Como argumentação, vem a Recorrente juntar contatos e contratos com escritórios de consultoria local em cada um dos países para demonstrar que, em dado momento, preocupouse em avaliar a situação de cada entidade adquirida fora do Brasil. Penso não ser suficiente tal prova para demonstrar que a ausência de qualquer rentabilidade associada às operações em outros países da América Latina esteja devidamente justificada. Nesse ponto, entendo que a atitude correta da Fiscalização seria requerer uma prova mais robusta da inexistência de goodwill a ser associado a essas localidades. Todavia, retornamos aqui ao préconceito estabelecido e explicitado no item 2. Se a função das empresas globais de auditoria e consultoria, conforme palavras do próprio TVF, não é estabelecer a verdade dos fatos, qual seria o meio correto de determinar tal montante? Para a fiscalização, o único meio razoável seria analisar a rentabilidade histórica de cada negócio, informação que foi disponibilizada mas não considerada na autuação. 5. Fluxo de caixa descontado como método válido para a elaboração de laudo Um dos argumentos de maior força utilizado pela fiscalização na lavratura do Auto de Infração foi a utilização do método DFC – fluxo de caixa descontado – para determinação da rentabilidade futura da empresa incorporada. De acordo com o Termos de Verificação Fiscal de fls., a utilização desse método deveria ser considerada imprópria. O espírito do RIR exigiria a determinação da rentabilidade futura com base em histórico de rentabilidade, sob pena de artificialidade nos números. Traz ainda ensinamentos bastante contundentes de Edmar Andrade de Oliveira Filho, demonstrando a inacuracidade do método escolhido. Esse assunto é, de fato, controverso. Caso estivéssemos dentro de uma ação judicial, não seria possível às partes e ao julgador estabelecer o melhor método de avaliação de um ativo; mas sim a um perito. Deixando de lado os preconceitos mencionados anteriormente em relação ao papel das empresas de auditoria que elaboram tais avaliações, é possível afirmar que o trabalho desenvolvido não pode ser considerado primazia, até porque avaliar rentabilidade de ativos ao longo do tempo me parece mais do que uma simples ciência, senão verdadeira arte. Ora, qual a forma correta de avaliar a rentabilidade futura de negócios e ativos? É importante levar em consideração que, sendo as partes envolvidas na transação absolutamente independentes, a melhor forma de avaliar seria aquela que traz resultados mais efetivos para quem está alienando os ativos. E, para esses fins, é bastante provável que o método utilizado seja o mais efetivo em termos de retorno. Essa questão não passou despercebida na academia. O grande afluxo de capitais para o Brasil trouxe atenção para esse ponto, especialmente em tempos de adoção de Fl. 5739DF CARF MF 42 regras IFRS e novas interpretações sobre a acuracidade de lançamentos e demonstrativos contábeis. Em 2013, o tema do 10o Congresso USP de Iniciação Científica em Contabilidade se concentrou no tema avaliação de empresas. A conclusão é que o método DFC é de longe o mais utilizado no Brasil, aplicado em quase 86% dos casos (http://www.congressousp.fipecafi.org/web/artigos132013/330.pdf). A conclusão desse Congresso é que não há método ideal. Todos os métodos analisados podem ser questionados, por seus dados e comportamento. E nenhum deles é considerado, via de regra, contra legem. Outro aspecto relevante é imaginar a assertividade de um avaliação de rentabilidade futura em países onde a previsibilidade econômica e jurídica é absolutamente nula, como no caso do Brasil. O trabalho realizado pela d. Fiscalização, embora extremamente detalhado, apenas busca desqualificar o método utilizado pela firma de auditoria, sem apresentar solução que entende ser aplicável para elaboração de demonstrativo de rentabilidade futura. A postura correta de quem possui autoridade para desqualificar o laudo de avaliação seria recalcular o ágio e não simplesmente afastálo. Nesse ponto, portanto, entendo caber razão à Recorrente em suas alegações. Não se pode simplesmente desconsiderar 100% do ágio contabilizado, já que não seria razoável supor que uma aquisição entre partes completamente independentes seria realizado sem qualquer expectativa de rentabilidade futura. Vale mencionar, aqui, que o laudo elaborado pela Empresa Ernst & Young Terco corroborou o método e números alcançados pelo laudo elaborado pela PWC. Em nome da verdade material e da relevância do documento, entendo que deve ser acatado para fins de convencimento dos julgadores desse Eg. CARF. 6. Conclusão Considerando que o ágio sob discussão atende os requisitos previstos nos artigos 385 e 386 do RIR/99, os ajustes no RTT são válidos, as partes envolvidas (PPG, Renner e Tintas Ideal) são independentes, que houve desembolso de preço comprovado e posterior incorporação e incremento das atividades da PPG no Brasil, que o laudo apresentado não era obrigatório à época e que as acusações de falsidade desse documento não estão devidamente comprovadas, concluo pelo cancelamento integral dos Autos de Infração sob discussão. É como voto! Ronaldo Apelbaum RelatorConselheiro Relator [Clique aqui para redigir o Voto] Relator Relator Voto Vencedor Conselheiro José Carlos de Assis Guimarães, redator designado. Inicialmente cumpre ressaltar que a preliminar de cerceamento de defesa suscitada pela recorrente no sentido de que a decisão de piso não analisou o Relatório de Revisão Técnica elaborado pela Ernst & Young Terco foi rechaçada pelo relator em seu voto. Fl. 5740DF CARF MF Processo nº 10830.725113/201163 Acórdão n.º 1201001.506 S1C2T1 Fl. 5.720 43 No mérito, inobstantes as valiosas considerações do ilustre conselheiro relator, o colegiado, por maioria de votos, divergiu do entendimento acerca da dedutibilidade do ágio. Para o relator, a dedutibilidade do ágio em discussão atende aos requisitos previstos nos artigos 385 e 386 do RIR/99. Não foi essa, contudo, a conclusão a que chegou esta Turma Ordinária. Com efeito, predominou o entendimento de que a recorrente não se desincumbiu do mister de comprovar por meios hábeis e idôneos o fundamento econômico do ágio pago baseado na expectativa de rentabilidade futura da empresa adquirida, prevalecendo a glosa da amortização de ágio, como abaixo conduzo o meu voto. A fiscalização entendeu que não restou comprovado o fundamento econômico baseado na rentabilidade futura do investimento, na medida em que o relatório de avaliação apresentado no curso da ação fiscal, elaborado pela empresa de consultoria PriceWaterhouseCoopers foi elaborado em 07/08/2007, ou seja, mais de seis meses após a realização do negócio. Na sua impugnação, a contribuinte afirma que efetuou, com base na informação que tinha disponível, a avaliação dos negócios da empresa adquirida em função de sua perspectiva de rentabilidade futura e assim efetivamente pagou um preço real a uma parte independente, reconheceu e deduziu o ágio. Posteriormente, as premissas adotadas em seu estudo foram avaliadas de forma independente pela PwC. O acórdão recorrido entendeu que os documentos apresentados não se prestaram à comprovação do fundamento econômico do ágio pago, pelas razões abaixo, transcritas do voto condutor, in verbis: "Principal Motivo da Formalização da Exigência Ao contextualizar a autuação, a Impugnante atribui o início do procedimento fiscal ao significativo valor do ágio reconhecido nas operações em questão e ao fato de sua amortização ter resultado em redução do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Neste aspecto, observese que, independentemente dos parâmetros que motivaram a seleção da empresa para fiscalização, ainda que esta seja decorrente de análises de deduções e resultados declarados pela contribuinte, a autuação e a aplicação das penalidades decorreram da apuração de irregularidades com conseqüente falta ou insuficiência de recolhimento de tributos e do procedimento adotado pela contribuinte para tanto. No mesmo tópico, ao identificar os motivos da autuação, expõe a Impugnante que, na verdade, a principal acusação da autuação gira em torno do questionamento técnico do método utilizado no Laudo de Avaliação elaborado por empresa de auditoria independente tradicional e de competência reconhecida no mercado, contemporâneo aos atos societários que aqui serão tratados, bem como a avaliação das marcas, ativos e intangíveis Fl. 5741DF CARF MF 44 constante do Laudo de Avaliação elaborado por 3 (três) contadores, nos termos exatos do que determina a lei. Todavia, em que pese ter a Fiscalização analisado e questionado os critérios técnicos adotados no Laudo de Avaliação elaborado pela consultoria PriceWaterhouseCoopers, apontando discrepâncias e incompatibilidades de parâmetros ali adotados com as circunstâncias fáticas do caso específico, não foi esta a principal motivação da autuação, mesmo porque o referido Laudo é posterior à aquisição da empresa Tintas Ideal S/A – operação que suscitou o pagamento do ágio. De fato, como ressaltou a Fiscalização nos itens 216 e 217 de seu Termo, o Relatório de Avaliação (solicitado à empresa Price em 21/03/2007 e produzido em 07/08/2007) foi elaborado em total DESCONEXÃO com o processo de aquisição do conglomerado encabeçado pela Tintas Ideal S/A, processo este que havia se encerrado mais de 6 (seis) meses antes, em 16/01/2007, com o efetivo pagamento pela aquisição. E, quanto ao Laudo de Avaliação que também precedeu a incorporação da empresa Tintas Ideal pela ora Impugnante, como destacam os itens 229 a 231 do Relatório Fiscal, é datado de 01 de outubro de 2007 (também posterior ao pagamento do ágio) e foi elaborado a partir do Balanço de 30/09/2007, estabelecendo o recebimento dos bens, da incorporada pela incorporadora, a valores contábeis (históricos) desprezando completamente a avaliação a valores de mercado, conforme previsto no art. 264 da Lei 6.404, de 15/15/1976 (Lei das S/A). Para formalização da exigência com aplicação da penalidade, a Fiscalização, além de apontar como principal motivação a inexistência de comprovante de escrituração justificando o fundamento do ágio na pretendida rentabilidade futura, não se restringiu a questionar o Relatório de Avaliação contratado pela Fiscalizada junto à empresa Price, mas descreveu todo o Histórico Societário das empresas envolvidas; a criação da empresa Tintas Ideal, com patrimônio desmembrado da Tintas Renner e que, posteriormente fora repassado para a Fiscalizada; o desmonte do conglomerado de empresas controladas por Tintas Ideal, mediante transferência de 34,83% de seu patrimônio para uma de suas sócias estrangeiras, permanecendo todo o ágio na contabilidade da Fiscalizada; a nova reorganização societária em 01/10/2007 com a incorporação da Tintas Ideal pela Fiscalizada; a demonstração de que a empresa incorporada possuía inúmeras outras motivações para ser adquirida com ágio (Fundo de Comércio e Intangíveis, Mão de Obra Especializada, Fornecedores, Distribuidores Varejistas, Bens Tangíveis), e, reprisese, principalmente, constatou não ter sido apresentado documento algum hábil e idôneo que comprove que, ao tempo da concretização da compra com o pagamento de ágio, existia realmente a expectativa de rentabilidade futura do ramo de atividade adquirida. Dentre os documentos apresentados no curso do procedimento fiscal bem como dentre os documentos que instruem a defesa (quer aqueles cuja tradução já foi apresentada quer aqueles cuja tradução a Impugnante requer sua posterior juntada), não Fl. 5742DF CARF MF Processo nº 10830.725113/201163 Acórdão n.º 1201001.506 S1C2T1 Fl. 5.721 45 consta Comprovante algum de escrituração justificando o fundamento do ágio na pretendida rentabilidade futura, que tenha sido emitido para subsidiar o desembolso do valor pago com ágio. Vejase que a própria Impugnante, ao alegar a regularidade de seu procedimento, reportase à elaboração dos estudos de avaliação da empresa incorporada com base em sua rentabilidade futura, seja pela própria empresa compradora, avaliação posteriormente apreciada por auditoria independente. Em outra passagem, ao retomar a constatação fiscal de inexistência de Laudo de Avaliação relativo a rentabilidade futura, afirma a Impugnante que com o subsídio fornecido por escritórios de advocacia contratados e respaldo de empresa independente de auditoria e consultoria de negócios de auditoria independente, a Impugnante definiu e negociou o preço de compra da TISA, avaliando a perspectiva de rentabilidade dos negócios no Brasil. Posteriormente à compra da empresa, a Impugnante forneceu os dados desse seu estudo próprio para a avaliação independente e opinião da PricewaterhouseCoopers — Brasil("PwCBrasil"). Mais uma vez, reconhece a Impugnante que a decisão de definir e negociar o preço de compras da TISA não teve respaldo em comprovante de escrituração (Laudo de Avaliação) contemporâneo que justificasse o valor da empresa, com ágio, em função de sua rentabilidade futura. A tentativa de comprovar a existência de contatos com escritórios de advocacia não supre a ausência de comprovante, contemporâneo ao pagamento e sua escrituração, quantificando o valor da aquisição e identificando como motivação para o ágio a existência de expectativa de rentabilidade futura. Em outras palavras, admite a Impugnante inexistência de comprovante (Laudo de Avaliação) atestando a efetividade de rentabilidade futura que justificasse o pagamento do ágio sob tal fundamento no momento em que ocorreu a definição de seu valor e a contabilização do ágio. Vêse, ainda, que, no tocante ao Laudo de Avaliação, a Impugnante centra sua defesa na alegação de que a autuação está baseada em circunstâncias que não estariam acobertadas pela legislação fiscal ou ainda que não seriam causa de desconsideração do ágio registrado e amortizado pela contribuinte. Ainda, no item 2.1.1 da peça de defesa, a Impugnante retorna à questão do aspecto temporal do Relatório de avaliação apresentado pela PwC – Brasil reiterando seu entendimento de ausência de previsão legal de apresentação de Laudo e de determinação de marco temporal para tanto. Acerca da questão lembrese que, como admite a própria defesa, prevê a legislação ( Decretolei 1.598/77, art. 20, § 3º) que o lançamento contábil com fundamentos em rentabilidade futura ou em valor de mercado de bens superior ao custo registrado Fl. 5743DF CARF MF 46 (letras a e b do § 2º do mesmo art. 20) deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Para melhor clareza reproduzse, novamente, o dispositivo que condiciona o lançamento do ágio com fundamento em rentabilidade futura ao arquivamento de demonstração como comprovante da escrituração. Art.20 O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2º deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Coerentemente com a possibilidade legal de dedutibilidade do ágio lançado com fundamento em rentabilidade futura, exige a legislação que o lançamento do ágio a este título esteja amparado em demonstração que consistirá comprovante da escrituração. E para identificação da “demonstração como comprovante da escrituração”, importa lembrar que, depreendese do art. 923 do RIR/99, com base legal no art. 9º, § 1º, do Decretolei 1.598, de 1977, que a escrituração faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados se estiverem comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definido em preceitos legais. Por outro lado, a Lei n° 9.430, de 1996, ao tratar da guarda de documentos prevê, em seu art. 37, que os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fl. 5744DF CARF MF Processo nº 10830.725113/201163 Acórdão n.º 1201001.506 S1C2T1 Fl. 5.722 47 Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. Embora a legislação não especifique que o comprovante da escrituração do ágio corresponda a Laudo elaborado por empresa de consultoria especializada, exige que o registro contábil seja subsidiado por demonstração que justifique o valor pago a título de rentabilidade futura. Ou seja, o sujeito passivo tem o dever legal de dispor, quando do lançamento contábil do ágio a título de rentabilidade futura, de um documento em que esteja demonstrado o valor dos lucros futuros determinados de acordo com critérios ordinários de apuração e debaixo de premissas econômicas adequadas à situação concreta, dentre as normalmente utilizadas. A Impugnante ignorou tal previsão legal, expondo ter atendido fielmente a legislação quando, ao realizar a aquisição da TISA em 16 de janeiro de 2007 efetuou o pagamento no montante de R$ 287.532.943,77 escriturado em sua contabilidade como determina o artigo 385 transcrito acima e escriturou em conta diversa o valor do ágio verificado no momento da aquisição. E complementa: O Laudo de Avaliação foi produzido posteriormente à aquisição da TISA, porquanto visava formatar e organizar os estudos e análises anteriormente realizados pelo Grupo PPG. Adicionalmente, o estudo teve o mérito de aglutinar as análises anteriormente realizadas, facilitando o processo de entendimento da valorização da TISA, de modo a possibilitar uma análise independente sobre a razoabilidade do valor pago. Portanto, o Laudo não foi um documento de definição do valor de aquisição, e nunca teve o propósito e não foi apresentado com a finalidade de ser tal documento; mas sim foi desenvolvido como uma forma de verificação da razoabilidade do valor pago em virtude da perspectiva de rentabilidade futura da empresa, podendo ser apresentado para as autoridades tributárias. Novamente, reconhece a Impugnante inexistir, no momento do pagamento, demonstração alguma que justificasse o ágio fundado em rentabilidade futura. Os alegados estudos prévios, ainda que existentes, teriam sido realizados pela própria interessada, além de não materializados numa demonstração apurando o valor da expectativa de rentabilidade futura, hábil a subsidiar o correspondente registro contábil. Constituemse, pois, mera alegação. Ora, admitir que o documento que tenha natureza de comprovante da escrituração corresponda a estudo (cuja existência sequer foi comprovada, mas apenas alegada) elaborado unilateralmente pela adquirente do investimento e somente, posteriormente, venha ser convalidado por Laudo de Avaliação, é tornar inócua a condição imposta na lei para dedutibilidade da amortização do ágio. Fl. 5745DF CARF MF 48 No presente caso, sequer foi comprovada a existência de documento, contemporâneo ao registro contábil do ágio, em que estivesse materializada a avaliação concernente à rentabilidade futura da empresa Tintas Ideal S/A. Ademais, se de fato entendesse a Impugnante ser dispensável a existência de Laudo elaborado por terceiros independentes apurando e quantificando o valor do ágio por expectativa de rentabilidade futura, é de se questionar o motivo pelo qual teria contratado empresa especializada para elaboração do Laudo apresentado a autoridades fiscais. O motivo está na referência identificada pela Fiscalização, qual seja: para fins fiscais e não para amparar a aquisição. A defesa qualifica de inaceitável o fato de a Impugnante estar sendo autuada e ainda correndo o risco de ter considerável parcela de seu patrimônio retirada pela administração fiscal federal pela simples acusação de não ter apresentado o referido documento no mesmo mês em que ocorreu a aquisição, sendo que ela atendeu a todos os requisitos legais exigidos, quais sejam, o pagamento e a escrituração em contas distintas. Desconsidera, contudo, a expressa exigência legal de demonstração em que baseado o lançamento com o fundamento a rentabilidade futura a ser arquivada como comprovante da escrituração. Alega também a defesa que a partir de junho de 2006 foram contratados tanto escritórios de advocacia (Doc 03 ) localizados no Brasil, Chile e Uruguai, como serviços técnicos profissionais prestados pela PricewaterhouseCoopers EUA ("PwC EUA"), a qual também tem filiais nos locais em questão, a fim de auxiliar a Impugnante na análise de contingências e avaliação do negócio como um todo. Tais documentos comprovam as evidências de que, já naquela época, a Impugnante iniciou a pesquisa para avaliação do preço dos negócios a adquirir. Neste aspecto, observese que, como já mencionado, a impugnação é instruída com cópia de correspondências de escritório de advocacia, as quais, ainda que estivessem, em sua totalidade, regularmente traduzidas, não supririam a falta de apresentação de comprovante (Laudo de Avaliação) hábil a justificar pagamento de ágio por rentabilidade futura. Neste contexto, aliás, a posterior juntada de outras traduções de propostas de serviços de escritórios em outros países, requerida pela Impugnante, ainda que ocorresse no prazo de impugnação, em nada alteraria o julgamento. Ainda, expõe ser a autuação uma tentativa desesperada de não conceder ao contribuinte um beneficio que lhe é assegurado pela legislação em contrapartida de sua atuação na economia nacional, estimulando o crescimento dos negócios no país. Na verdade, tentativa desesperada verificase por parte da Impugnante no sentido de esquivarse das infrações que lhe foram imputadas, ao alegar inexistir previsão legal de elaboração de demonstração que ampare o lançamento contábil do ágio por rentabilidade futura e ao tentar validar a Fl. 5746DF CARF MF Processo nº 10830.725113/201163 Acórdão n.º 1201001.506 S1C2T1 Fl. 5.723 49 dedutibilidade do ágio mediante Laudo posterior ao seu pagamento e contabilização. Com efeito, a Impugnante tenta validar o Laudo elaborado em agosto de 2007 como demonstrativo que deveria estar arquivado desde a contabilização do ágio pago em janeiro de 2007, alegando que, embora a contratação específica desse Relatório tenha sido feita em março de 2007, a PwC e outros assessores técnicos já estavam envolvidos, ao longo da negociação para aquisição da empresa, para dar subsídios à administração quanto às contas da TISA, para que a administração pudesse decidir, ou não, comprar tal empresa. Entretanto, ainda que a Impugnante já procurasse realizar a compra da TISA desde a sua constituição, em 01/11/2006, e que, desde então, já viesse elaborando análises de sua rentabilidade, não tinha amparo legal para deduzir, na apuração de seu resultado para fins de cálculo do IRPJ e da CSLL a partir de 2007, o ágio pago na aquisição da empresa, se não dispunha de demonstração arquivada como comprovante da escrituração do ágio por rentabilidade futura – demonstração essa que não pode ser suprida por alegados estudos que teriam sido elaborados unilateralmente pela própria interessada e que sequer foram materializados em documento específico. Ademais, impõese consignar que a Fiscalização, em observância ao Princípio da Legalidade, não teve por objetivo impedir a regular utilização de benefício fiscal, mas verificar o cumprimento das condições legais que permitem a dedutibilidade do ágio. E nessa verificação deparouse não só com a inexistência de demonstração de rentabilidade futura contemporânea ao lançamento contábil do ágio – causa que a contribuinte aponta como motivação do seu pagamento , mas também com a existência de um acervo adquirido registrado a valores extremamente subavaliados, o que fundamentou o pagamento de ágio por parte da fiscalizada, além de uma sequência de alterações contratuais, cujo conteúdo e disposição no tempo revelaram o objetivo de criação de uma motivação para o pagamento do ágio que viesse a tornálo dedutível na apuração do IRPJ e CSLL. Quanto à alegação de que, na escrita contábil da Impugnante, o ágio foi transcrito sob a denominação de "goodwill”, que é o termo técnico em inglês para designar a parcela do ágio que se refere à rentabilidade futura da empresa, ou seja, que não se refere ao valor de ativos ou intangíveis, reflete uma tentativa da Impugnante de dar à contabilidade conteúdo material sem suporte fático. O fato de contabilizar o ágio como rentabilidade nada significa se ausente a prova hábil a subsidiar o registro contábil. Isto porque a contabilidade não cria fatos, mas apenas os converte em linguagem competente. Neste sentido são as lições de Ricardo Mariz de Oliveira, em seu trabalho Incidência e Apuração do PIS e da COFINS, que integra a obra Tributação Fl. 5747DF CARF MF 50 do Setor Comercial – Curso de Especialização, coordenada por Eurico Marcos Diniz de Santi et alli, Editora Quartier Latin, 2005, p. 303: Ademais, tenhase presente que receita não é um conceito contábil, mas sim, um conceito jurídico, o que não comporta qualquer dúvida porque a contabilidade não cria os fatos, mas tem por objetivo constatar a sua existência, interpretálos como eles são e registrálos pelo método e pela linguagem das partidas dobradas. Em outras palavras, a contabilidade não cria coisa alguma, muito menos direitos (portanto, também as receitas), devendo simplesmente refletir fielmente a realidade fenomênica, inclusive como ela está afetada pelo direito, cuja realidade é exterior aos registros contábeis, tanto quanto as imagens retratadas numa fotografia são externas ao papel fotográfico. ......................................................................................................... Aborda, no item 2.1 de sua peça impugnatória, o Relatório de Avaliação apresentado pela PwCBrasil, item em que, além de reiterar argumentos já analisados e afastados, aduz que o ágio, para fins tributários, suportase em fundamentos econômicos previstos em lei, descritos em estudos de especialistas, que operam como elemento de confirmação da motivação das partes e utilizam critérios de avaliação por elas escolhidos. Também por tal assertiva admite a Impugnante que estudos de especialistas que deveriam ser materializados em demonstrativos hábeis a justificar o lançamento do ágio a título de rentabilidade futura – constituemse elemento de confirmação da motivação das partes. Contudo, como visto, a legislação exige que o lançamento do ágio fundado em rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão de resultados nos exercícios futuros é que deveria ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante de escrituração e não que estudos venham a confirmar a motivação da parte. Ou seja, os estudos, devidamente materializados, devem anteceder o pagamento do ágio para justificar o seu lançamento na contabilidade a título de rentabilidade futura. Ao abordar os fundamentos e regras fiscais para registro e amortização de ágio, argumenta a impugnante inexistir, na legislação tributária vigente à época dos fatos geradores qualquer dispositivo exigindo que a elaboração do estudo seja feito por terceiro independente; contudo, a contratação de um terceiro independente acarreta maior credibilidade ao fundamento do ágio e, em consequência, maior segurança em seu aproveitamento fiscal. Entende que, diante da legislação acerca da matéria, a análise das operações que geraram o ágio deve ser baseada nas questões que formula e responde como segue: 1. Houve aquisição de participação societária? Sim, em 16 de janeiro de 2007, a Impugnante adquiriu a empresa TISA pelo valor de R$ 287.532.943,77. Fl. 5748DF CARF MF Processo nº 10830.725113/201163 Acórdão n.º 1201001.506 S1C2T1 Fl. 5.724 51 2. O custo de aquisição foi superior ao valor de patrimônio líquido da participação adquirida? Sim, conforme se verifica dos relatórios elaborados pela Impugnante, bem como pelo laudo elaborado por empresa de consultoria e auditoria especializada, o valor do patrimônio líquido da TISA era de R$ 69.994.254,22. 3. O ágio foi fundamentado em expectativa de rentabilidade futura? Sim, conforme os registros contábeis da empresa elaborados à época da aquisição, bem como pelo Relatório de Avaliação econômico elaborado em Agosto de 2007. 4. O investimento adquirido com ágio foi liquidado mediante incorporação, fusão ou cisão? Sim, de acordo com a Ata da Assembléia Geral Extraordinária da Impugnante, datada de 01 de Outubro de 2007, a empresa TISA foi por ela incorporada. Além das questões que formula, deveria a Impugnante responder: 5. Existe Relatório de Avaliação hábil a dar fundamento ao pagamento do ágio? A negativa a esta questão já basta para manutenção da autuação. Mas, ainda se poderia perguntar: 6. O relatório de Avaliação elaborado em agosto de 2007 levou em conta que ativos (essenciais à atividade fim da empresa) estavam subavaliados? Sendo negativas essas duas últimas questões não há como acatar a pretensão de que a integralidade do ágio pago seja atribuída a rentabilidade futura. Cabível consignar, neste ponto, que a inexistência de comprovante (Laudo de avaliação demonstrando a rentabilidade futura) no momento da aquisição da participação societária justifica, por si só, a glosa das despesas de amortização de ágio e a manutenção da autuação, já que todas as alegações contrapostas pela defesa neste aspecto constituem meras alegações, desacompanhadas de provas documentais que as suportem. O fundamento da pretendida rentabilidade futura (Relatório de Avaliação emitido em agosto de 2007) somente surge após a aquisição, portanto, não para justificar o ágio pago, mas sim para tentar justificar a dedutibilidade de sua amortização. E esse não é o objetivo da Lei. Neste contexto, os demais questionamentos da Fiscalização constituem motivos subsidiários para a autuação, a qual, reprisese, já prevalece diante da inobservância da condição imposta pela lei de que o ágio, fundamentado em rentabilidade Fl. 5749DF CARF MF 52 futura, deve ter sua contabilização e pagamento amparados em comprovante a ser arquivado pela contribuinte." A recorrente alega no voluntário que o § 3º do art. 385 não estabeleceu forma especial para a comprovação da justificativa econômica adotada pelo contribuinte na contabilização do ágio; ao contrário, o dispositivo legal acima mencionado exigiu somente que o valor desse ágio seja suportado em "demonstração", que deverá ser arquivada pela sociedade investidora para comprovar o seu lançamento contábil. Sustenta ainda que o Laudo de Avaliação elaborado pela PwC nunca foi um documento de definição do valor de aquisição, apenas convalidou os valores obtidos pela recorrente através de estudos internos. A recorrente adquiriu a TISA em janeiro, com base em estudo interno prévio que fez da rentabilidade da empresa. A PwC já estava envolvida no projeto e dando suporte à avaliação da recorrente. Depois da compra, a recorrente voltou a contratar a PwC para dar opinião independente sobre os valores encontrados pela recorrente em seu estudo. O estudo apresentado pela PwC e suas conclusões independentes estão reproduzidos no relatório da PwC. Examinando o Relatório de Avaliação apresentado à fiscalização no curso da ação fiscal, elaborado pela empresa PwC, em 07/08/2007, entendo que o mesmo não pode ser o documento de suporte à fundamentação do ágio com base na rentabilidade futura projetada. Em que pese o fato de seus aspectos extrínsicos e intrínsicos não estarem em discussão, a sua elaboração mais de seis meses após o efetivo pagamento pela aquisição das Tintas Ideal S/A que ocorreu em 16/01/2007, impede, por questão lógica, que seja este o documento hábil para informar o fundamento econômico que justificou o pagamento do ágio. Com efeito, o § 3º do art. 385 do RIR/1999 estabelece, in verbis: Art. 385. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior. [...] II valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; III fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam os incisos I e II do parágrafo anterior deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Resta evidente que a demonstração do fundamento deve ao mínimo ser contemporânea ao reconhecimento do ágio na escrita contábil do contribuinte. Se a legislação atual não estabelece a forma dessa demonstração, é possível deduzir do dispositivo legal que essa demonstração deva existir ao menos na data do registro da aquisição da participação societária, com vistas ao seu desdobramento contábil. Fl. 5750DF CARF MF Processo nº 10830.725113/201163 Acórdão n.º 1201001.506 S1C2T1 Fl. 5.725 53 Tratase evidentemente de ônus probatório do sujeito passivo com vistas a possibilitar a futura amortização do ágio pelo fundamento alegado. Assim, não cabe ao Fisco investigar quais os motivos que levaram o contribuinte a efetuar o pagamento de uma mais valia pela participação societária adquirida, mas sim de requisito legal indispensável, à cargo do sujeito passivo, para fruição do benefício fiscal estabelecido, o qual a contribuinte não logrou em comprovar. Ante ao exposto, entendo que a recorrente não se desincumbiu do mister de comprovar por meios hábeis e idôneos o fundamento do ágio baseado na expectativa de rentabilidade futura da empresa adquirida, e voto no sentido de manutenção do lançamento no que tange à glosa da amortização de ágio. Segundo a fiscalização a recorrente, a partir de janeiro de 2009 deixou de amortizar contabilmente o ágio e passou a efetuar ajustes no RTT Regime Tributário de Transição a fim de reduzir as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL pela exclusão mensal de montantes numericamente equivalentes àqueles que vinha carreando à conta de despesa 6.5.2.0.18, anteriormente à implantação da nova metodologia contábil introduzida através da edição da Lei 11.638/2007 (Nova Lei das S/A). Porém, no caso em questão, reforço o entendimento de que não há prova do critério efetivamente adotado pela contribuinte para definição do valor total pago pela aquisição da participação societária, pois não foi apresentada a demonstração que suscitou o pagamento, mas apenas Relatório de Avaliação elaborado posteriormente e que teve por objetivo apontar um fundamento para o qual a lei concede benefício fiscal de amortização, mediante metodologia acerca da qual a Fiscalização apontou diversas inconsistências. Assim, para os anoscalendário de 2009 e 2010, não encontra fundamentação legal a exclusão de amortizações de ágio lançadas pela fiscalizada nos Demonstrativos do Regime Tributário de Transição, para determinar as bases de cálculo do IRPJ e CSLL. Em relação à CSLL entende a recorrente que inexiste dispositivo legal que impeça a dedutibilidade do ágio, nos seguintes termos: Restando comprovado acima que a Recorrente efetivamente pagou o valor equivalente ao ágio e que tal valor foi razoável, estando ainda diretamente relacionado à atividade da Recorrente e á produção de seu lucro, a Recorrente faz juz ao registro e á consequente amortização do ágio relacionado às operações acima para fins de apuração do lucro real e também da base da CSLL. No primeiro caso, porque atendeu plenamente aos ditamos do artigo 7º da Lei 9.532/97, e, no segundo caso porque, além disso, inexiste qualquer norma que mande adicionar o ágio amortizado â base da CSLL. Nesse aspecto, por comungar do mesmo entendimento, trago a colação o voto do conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, presidente dessa Turma, no Acórdão nº 1201 001.474, na sessão de 11/08/2016: "Já me manifestei em diversas outras oportunidades no sentido de reconhecer a evidente aproximação e quase identidade entre Fl. 5751DF CARF MF 54 o IRPJ e a CSLL, notadamente quanto à apuração das respectivas bases de cálculo. Dentro dos limites do que se discute neste processo, cumpre ressaltar as regras fixadas pelos seguintes dispositivos: Art. 28 da Lei n° 9.430 de 1996 Art. 28. Aplicamse à apuração da base de cálculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro líquido as normas da legislação vigente e as correspondentes aos arts.1° a 3º, 5º a 14, 17 a 24, 26, 55 e 71, desta Lei. Art. 57 da Lei n° 8.981/95 Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, manti das a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vi gor, com as alterações introduzidas por esta Lei. (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) (grifamos) A leitura dos dispositivos nos leva a concluir que a metodologia e as regras de apuração para o imposto de renda são aplicáveis ao cálculo da CSLL (o que se infere da dicção "mesmas normas de apuração") e que o preceptivo só perderia eficácia se houvesse norma específica, relativa à contribuição, em sentido di verso. Aliás, os demais parágrafos do artigo 57 corroboram a tese de semelhança entre as duas figuras: § 3º A pessoa jurídica que determinar o Imposto de Renda a ser pago em cada mês com base no lucro real (art. 35), deverá efetuar o pagamento da contribuição social sobre o lucro, calculandoa com base no lucro líquido ajustado apurado em cada mês. § 4º No caso de pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real, a contribuição determinada na forma dos §§ 1º a 3º será deduzid a da contribuição apurada no encerramento do período de apura ção. Igual raciocínio se aplica, ainda, para fins de compensação, conf orme dispõe o artigo 58 do mesmo diploma legal: Art. 58. Para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido por compensação da base de cálculo negativa, apurada em períodosbase anteriores em, máximo, trinta por cento. Além de fixar idêntica trava para a compensação das bases negativas (em relação ao IRPJ), o comando expressamente menciona que a base de cálculo será o lucro líquido ajustado, ou seja, o legislador estabelece para a CSLL o mesmo ponto de partida previsto para o cálculo do lucro real, afinal o lucro é Fl. 5752DF CARF MF Processo nº 10830.725113/201163 Acórdão n.º 1201001.506 S1C2T1 Fl. 5.726 55 "ajustado" pelas adições e exclusões previstas na legislação do Imposto de Renda (artigos 2 50 e 510 do Decreto n. 3.000/99). Não se trata, portanto, de integração por analogia, vedada pelo artigo 108 do CTN no que se refere à exigência de tributos. O que se tem, de fato, é a identidade, prevista em lei, quanto às sistemáticas de a puração da base de cálculo das duas figuras. Também não se cuida de omissão, pois a lei expressamente confi gura a base de cálculo do tributo e a aproxima, por equivalência , às regras do IRPJ. Ademais, no caso em tela, a constatação da artificialidade dos pr ocedimentos destinados ao aproveitamento do ágio não nos perm ite aceitar, sob qualquer argumento, a sua dedutibilidade para fi ns de apuração da CSLL. Tratase de questão ontológica e, na esteira do raciocínio desenv olvido neste voto, tornase de rigor declarar que não assiste, nest e ponto, razão à Recorrente. E mais, apenas a título de argumentação: ao contrário do que alega a Recorrente, que pugna pela ausência de norma específica relativa à CSLL, ainda que tal circunstância fosse observada, isso não autorizaria a sua dedutibilidade; ao revés, justamente impediria tal procedimento, pois, ao se defender a autonomia normativa da contribuição o argumento automaticamente exigiria a previsão legal da deduti bilidade, posto que a regra geral, como se sabe, é em sentido con trário. Nessa linha de raciocínio, para além do artigo 386 do RIR/99, si mplesmente inexiste norma que autorize a dedutibilidade, circunstância essencial para a sua realização, visto que o silêncio normativo não confere ao contrib uinte qualquer direito quando se trata de benefício legal, que dev e ser interpretado literalmente. " Com relação à qualificação da multa e a existência de dolo, fraude ou simulação, entendo pertinente reproduzir, na íntegra, o trecho que fundamenta a qualificação da multa, conforme veiculado no item X do Relatório de Ação Fiscal: 376 Através dos tópicos “IV – DO HISTÓRICO SOCIETÁRIO”, “V – DOÁGIO FUNDAMENTAÇÃO LEGAL”, “VI – DO RELATÓRIO DE AVALIAÇÃO” e “VII – DA VERDADE MATERIAL A REAL MOTIVAÇÃO PARA O PAGAMENTO DO ÁGIO” foi elucidada a motivação determinante da criação de despesas com a amortização de ágio por parte da fiscalizada, bem como foi traçada uma linha temporal, a fim de compor todos os fatos e a avaliação do ágio realizada, caracterizada como ATO SIMULADO, portanto, INVÁLIDO. 377 Esse ato simulado é configurado ilícito, pois está enquadrado nos artigos 167 e 187, do Código Civil (Lei n° 10.406, de 10 de janeiro de2002) os quais contemplam a Fl. 5753DF CARF MF 56 legislação reguladora dos NEGÓCIOS JURÍDICOS e que a seguir transcrevemos: “Artigo 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1º Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: ............ II – contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III – os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós datados; § 2º. Ressalvamse os direitos de terceiros de boafé em face dos contraentes do negócio jurídico simulado.” Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercêlo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boafé ou pelos bons costumes. 378 Fica evidente por todos os fatos expostos no presente relatório que os proprietários e a diretoria da fiscalizada sempre tiveram a intenção de transformar o ágio pela aquisição de ações em dedutível, criando na aparência as condições formais para que esse pleito pudesse ser oposto contra a Secretaria da Receita Federal do Brasil e, com isso, excedendo manifestamente os limites impostos pelo fim econômico das transações societárias, utilizandose da má fé para concretizar seus objetivos. 379 A operação pela qual a Tintas Ideal S/A foi criada para logo depois ser vendida com ágio e posteriormente dissolvida por incorporação revela nos muitos documentos que foram confeccionados durante esse imbróglio que o fim único da operação foi o de criar uma situação tributária favorável à fiscalizada que de fato inexistia. 380 Ao invés de comprar diretamente ATIVOS, MARCAS, FUNDO DE COMÉRCIO e demais intangíveis pelo seu valor real de mercado, optouse por criar uma situação societária que gerasse formalmente um direito para a fiscalizada de lançar em contas de despesa a pretendida amortização de ágio decorrente da compra de participação societária. 381 A forma escolhida para tal foi subverter os ditames do artigo 386 do RIR/99 que de maneira direta e exaustiva exige duas situações “sui generis” para que a amortização de ágio passasse a ser dedutível frente à legislação do IRPJ e da CSLL: Primeiramente, referido artigo exige que o ágio pago seja especificamente o ágio por rentabilidade futura, e em segundo lugar exige ainda que haja uma reorganização societária. 382 Como foi cuidadosamente e amplamente detalhado no curso desse Relatório de Ação Fiscal, a rentabilidade futura não foi demonstrada de maneira hábil e idônea apesar da oportunidade para isso ser oferecida por diversas vezes à fiscalizada. Fl. 5754DF CARF MF Processo nº 10830.725113/201163 Acórdão n.º 1201001.506 S1C2T1 Fl. 5.727 57 383 Por outro lado, restou cabalmente demonstrado, através de fatos notórios e uma série de informações coligidas durante a Ação Fiscal, que existe um acervo adquirido registrado a valores extremamente subavaliados, o que fundamentou o pagamento de ágio por parte da fiscalizada. 384 Há dados suficientes para demonstrar que o motivo oposto à Secretaria da Receita Federal para o pagamento de ágio é falso e criado, não representando exclusivamente Rentabilidade Futura. 385 Outrossim, não há documento que demonstre de fato se o fundamento de rentabilidade futura poderia sequer existir para o pagamento de ágio pela aquisição das Ações de Tintas Ideal S/A. 386 A empresa fiscalizada encontrase totalmente desguarnecida de documentos que comprovem que a área de tintas imobiliárias da indigitada Tintas Renner S/A, destacada através da criação da empresa de duração efêmera denominada de Tintas Ideal S/A, viesse a gerar rentabilidade futura por si só, através da estrutura que acompanhou a venda do negócio. 387 A fiscalizada utilizouse de simulação para praticar as infrações citadas nesse relatório, fato este revelado pela seqüência de alterações contratuais e documentos que elaborou, pelo seu conteúdo e pela sua disposição no tempo. 388 Da complexa teia de operações societárias resultou a criação fictícia de uma motivação para o pagamento de ágio, a despeito de não ter havido quaisquer tipos de negociações posteriores e independentes que pudessem fundamentar o seu pagamento. 389 A fiscalizada, que pretendia simplesmente ampliar sua participação no concorrido mercado de tintas imobiliárias nacional e latino, de repente, resolve tomar uma série de deliberações e alterar por diversas vezes e seqüencialmente seu Contrato Social e da recém criada Tintas Ideal S/A visando a um fim específico que fica claro mediante a leitura de todos esses documentos em conjunto. 390 Essa finalidade foi a intenção dos representantes legais das empresas envolvidas nas operações de incorporação, de ocultar por meio de simulação o verdadeiro teor do negócio jurídico da incorporação da Tintas Ideal S.A. pela PPG Industrial do Brasil Tintas e Vernizes Ltda.,qual seja, a criação artificial de ágio derivado de rentabilidade futura. 391 A operação planejada passaria despercebida durante anos pelo fisco e pelo mercado, uma vez que a fiscalizada é constituída sob a forma de sociedade por cotas de responsabilidade limitada, não se sujeitando a procedimentos obrigatórios de auditoria independente e publicidade de seus atos, gerando vastos ganhos de economia tributária para seus proprietários. Fl. 5755DF CARF MF 58 392 O procedimento objetivo adotado pela fiscalizada que causou danos ao erário público foi a amortização do ágio cuja motivação foi criada artificialmente durante o período compreendido entre 10/2007 a 09/2012. 393 Os procedimentos ora narrados revelam a prática de sonegação fiscal sob o manto de uma documentação pretensamente legal. Tal documentação guarda as seguintes características: � Deixa a realidade dos fatos oculta ao fisco federal uma vez que, se os documentos forem analisados individualmente e em período estanque no tempo, possuem características lícitas, mas se analisados em seu conjunto e durante todo o tempo em que demoraram para ter seus fins implementados demonstram cabalmente sua ilicitude; � Estão eivados de simulação, pois ocultam em seu cerne o seu real propósito; � Foram praticadas em ajuste de duas ou mais pessoas jurídicas com o fim específico de promover a redução do recolhimento do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ e da Contribuição sobre o Lucro Líquido – CSLL. 394 Em face do lançamento de ofício do IRPJ e da CSLL decorrentes da infração “EXCLUSÃO NO REGIME TRIBUTÁRIO DE TRANSIÇÃO EFETUADA INDEVIDAMENTE” acima caracterizada, cumpre aplicar a multa de ofício ao caso em questão nos moldes da legislação de regência: Art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96: Art. 44 Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (.....) II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. O art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96 foi alterado pela Lei nº 11.488/2007, passando a vigorar com a seguinte redação (grifouse): Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (.....) Fl. 5756DF CARF MF Processo nº 10830.725113/201163 Acórdão n.º 1201001.506 S1C2T1 Fl. 5.728 59 § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). 395 Tanto a redação original quanto a atualmente vigente do dispositivo aplicável impõem a cominação da multa no percentual de 150 % nos casos previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. Diante da presente situação concreta, deve se dedicar especial atenção aos referidos artigos: Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. 396 A situação já caracterizada se subsume às hipóteses previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. A operação planejada entre as empresas de um mesmo grupo (uma delas controlada pela outra e ambas sob o controle da mesma pessoa jurídica sediada no exterior) que “propiciou” a criação de uma motivação artificial para o pagamento de ágio foi engendrada com o evidente intuito de “criar” despesas de amortização em uma delas, diminuindo ilegalmente sua base tributável pelo IRPJ e para CSLL. 397 Os fatos arrolados nesse Relatório evidenciam a simulação de uma complexa operação envolvendo empresas sediadas no Brasil e no exterior, com a finalidade de iludir o fisco, cujo único resultado foi a redução ilícita do lucro da fiscalizada. 398 O fluxograma a seguir, elaborado a partir de todos os fatos descritos acima, elucida esquematicamente e resumidamente os passos adotados pela fiscalizada para criar despesas em sua contabilidade e reduzir, conseqüentemente, os seus resultados. Fl. 5757DF CARF MF 60 399 Pelo exposto, haja vista os elementos narrados, fica caracterizado o intuito fraudulento, justificando a aplicação da multa qualificada e o enquadramento dos responsáveis pela empresa na prática, em tese, de crime contra a ordem tributária previsto nos artigos 1º e 2º da Lei nº 8.137/90: “Art. 1.º Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: I omitir informação, ou prestar declaração falsa às autoridades fazendárias; II fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal; Art. 2.º Constitui crime da mesma natureza: I fazer declaração falsa ou omitir declaração sobre rendas, bens ou fatos, ou empregar outra fraude, para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo;” Fl. 5758DF CARF MF Processo nº 10830.725113/201163 Acórdão n.º 1201001.506 S1C2T1 Fl. 5.729 61 A DRJ entendeu que a conduta da Recorrente justificou a exasperação da infração, ante a constatação de simulação, com a seguinte conclusão: "Assim, não afastada a constatação fiscal de que a interessada tentou atribuir uma aparência de regularidade à dedutibilidade do ágio, ocultando por meio de simulação o verdadeiro teor do negócio jurídico da incorporação da Tintas Ideal S.A. pela PPG Industrial do Brasil Tintas e Vernizes Ltda., qual seja, a criação artificial de ágio derivado de rentabilidade futura, não há que se cogitar de dúvida que permita a aplicação do art. 112 do CTN e o afastamento da multa no percentual aplicado em relação às infrações por glosa de despesas com Laudo, glosa de amortização de ágio e de exclusão do RTT do valor de amortização de ágio, com fundamento no art. 44, II, da Lei n° 9.430/96, em sua redação original, e art. 44, § 1º, da mesma Lei na redação dada pela Lei n° 11.488/97, impondose a sua manutenção." Embora não haja dúvida sobre a ocorrência do ilícito tributário, não foi comprovada nas operações reproduzidas anteriormente o dolo específico, mediante conduta fraudulenta ou simulada, exigido para a qualificação da exação. A descrição dos fatos não nos permite afirmar que o negócio celebrado entre as partes tenha sido fraudulento, fruto de simulação ou de sonegação com o evidente objetivo de impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador como exigem os artigos 71 e 72 da Lei 4.502/64. As operações praticadas efetivamente ocorreram, embora o efeito tributário pretendido tenha sido afastado pela fiscalização e corroborado neste voto. Contudo, não se percebe na acusação fiscal, reproduzida neste voto, a comprovação do dolo específico ou a demonstração inequívoca de fraude. Pareceme que a Recorrente, a partir de sua interpretação das normas legais, não conseguiu preencher os requisitos para a dedutibilidade do ágio, mas isso não justifica, por si só, a qualificação do gravame. As operações são de conhecimento público, envolveram ativos existentes e foram praticadas, formalmente, à luz dos preceitos legais, com a anuência de órgãos governamentais. No mesmo sentido, constatase, dos autos, que a Recorrente atendeu, de modo adequado, todos os temos de intimação lavradas pela autoridade tributária, sem apresentar, em momento algum, informações inidôneas ou dissociadas da realidade. Pareceme evidente que toda a operação foi revelada para a autoridade fiscal, com a entrega de documentos sem qualquer adulteração ou falsidade. Assim, embora o entendimento específico da Recorrente, em relação à dedutibilidade do ágio, seja passível de sanção, não consigo identificar, pela não comprovação por meios hábeis e idôneos o fundamento do ágio baseado na expectativa de rentabilidade futura da empresa adquirida, a conduta típica exigida para as hipóteses de fraude. Nesse sentido, voto por afastar a qualificação da multa, reduzindoa para 75%. Relativamente à multa isolada pela falta de recolhimento das estimativas do IRPJ e da CSLL, esta Turma tem decidido, a exemplo de outros colegiados do CARF, Fl. 5759DF CARF MF 62 no sentido de que a multa isolada, na anterior redação do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, deve ser afastada conforme a inteligência da Súmula 105 deste Conselho: Súmula CARF nº 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a mu lta de ofício. Contudo, o papel precípuo do julgador é o de analisar o conjunto normativo v igente e aplicável ao tempo dos fatos. Assim, na hipótese dos autos, convém destacar que houve alteração no comando original do artigo 44, oriunda da redação que lhe foi dada pela Lei n. 11.488/2007, fruto da conversão da Medida Provisória n. 351/2007. Ocorre que a partir da nova redação inexiste dúvida, vale dizer, não se vislumbra mais qualquer impedimento jurídico para a aplicação concomitante das multas previstas nos incisos I e II, "b", do artigo 44: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base d e cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente , no caso de pessoa jurídica. Como no caso dos autos as multas isoladas se referem à falta de pagamento de estimativas mensais posteriores à vigência da nova redação do artigo 44 entendo como jurídica e obrigatória a aplicação das multas nele previstas. Por fim, diz a Recorrente ser incabível a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, por ausência de dispositivo legal. Contudo, pareceme induvidoso que a multa de ofício integra o conceito de obrigação tributária esposado pelo artigo 113 do Código Tributário Nacional. Como é cediço, o conceito de crédito tributário no Brasil engloba tributo e multa, como expressamente estabelece o artigo 43 da Lei n. 9430/96: Art.43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Fl. 5760DF CARF MF Processo nº 10830.725113/201163 Acórdão n.º 1201001.506 S1C2T1 Fl. 5.730 63 Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão jurosde mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do pr azo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (grifamos) Artigo 5º, § 3º, da Lei n. 9.430/96. As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês a nterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagament o. (grifamos) No mesmo sentido, impõe o Código Tributário Nacional que: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinan te da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (grifamos) Do exposto podemos concluir que há disposição expressa para a cobrança de juros sobre multas, porque incluídas no conceito de crédito tributário, e que a taxa aplicável à e spécie é a referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC. Esse também é o entendimento do STJ sobre o assunto, conforme se observa da ementa a seguir transcrita (AgRg no REsp 1335688/PR – DJe de 10/12/2012): PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. ( grifamos) Confirmando o entendimento esposado, temos a Súmula n. 4 deste Conselho: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Fl. 5761DF CARF MF 64 Sistema Especialde Liquidação e Custódia SELIC para títulos f ederais. Ante o exposto voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa de 150% para 75%. (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Redator designado Fl. 5762DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.726068/2009-39
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
IRPF. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI FEDERAL.
Inexistindo lei federal reconhecendo a isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda, tendo em vista a competência da União para legislar sobre essa matéria.
IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV.
Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos a incidência de Imposto de Renda nos termos do art. 43 do CTN.
Recurso Especial do Procurador Provido
Numero da decisão: 9202-004.220
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento com retorno dos autos à turma a quo para análise das demais questões postas no recurso voluntário, vencidos os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra (relator) e Maria Teresa Martínez López, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra - Relator
(Assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva - Redatora Designada
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
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PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI FEDERAL. Inexistindo lei federal reconhecendo a isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda, tendo em vista a competência da União para legislar sobre essa matéria. IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos a incidência de Imposto de Renda nos termos do art. 43 do CTN. Recurso Especial do Procurador Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 60 68 /2 00 9- 39 Fl. 342DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/09/2016 por GERSON MACEDO GUERRA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento com retorno dos autos à turma a quo para análise das demais questões postas no recurso voluntário, vencidos os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra (relator) e Maria Teresa Martínez López, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Relator (Assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Fl. 343DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/09/2016 por GERSON MACEDO GUERRA Processo nº 10580.726068/200939 Acórdão n.º 9202004.220 CSRFT2 Fl. 343 3 Relatório Tratase de Auto de infração lavrado contra o contribuinte em epígrafe para cobrança de IRPF sobre rendimentos auferidos do Ministério Público da Bahia, a título de valores indenizatórios de URV. Tais rendimentos decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor (URV) em 1994, reconhecidas e pagas em 36 parcelas iguais no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Complementar nº 20/2003, do Estado da Bahia. Importante destacar, ainda que referida Lei dispôs serem de natureza indenizatória as verbas em questão. No entendimento da autoridade fiscal, as diferenças recebidas pelo contribuinte têm natureza salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994 e, portanto, são tributáveis pelo IRPF, sendo irrelevante a denominação dada pela Lei do Estado da Bahia. Inconformado, o contribuinte apresentou impugnação, que fora julgada totalmente improcedente. Ato seguinte, tempestivamente foi apresentado Recurso Voluntário, apreciado pela 2ª Turma Ordinária, da 1ª Câmara, da 2ª Seção de Julgamento, que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 RESOLUÇÃO STF Nº 245/2002. DIFERENÇAS DE URV CONSIDERADAS PARA A MAGISTRATURA DA UNIÃO E PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL COMO VERBAS ISENTAS DO IMPOSTO DE RENDA PELO PRETÓRIO EXCELSO. DIFERENÇAS DE URV PAGAS AO MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. A Lei complementar baiana nº 20/2003 pagou as diferenças de URV aos Membros do Ministério Público local, as quais, no caso dos Membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas a mesmo título aos Membros do Ministério Público da Bahia, na forma da Lei complementar estadual nº 20/2003. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/09/2016 por GERSON MACEDO GUERRA 4 Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Inconformada com essa decisão a União, tempestivamente, apresentou Recurso Especial de divergência, alegando, em resumo: a) Em consonância ainda com o art. 16 da Lei nº 4.506/64, serão classificados como rendimentos do trabalho assalariado, para fins de incidência do Imposto de Renda, todas as espécies de remuneração por trabalho ou serviços prestados no exercício de empregos, cargos ou funções. Logo, os valores recebidos a título de diferenças no cálculo da URV possuem natureza salarial e estão sujeitas ao imposto de renda. b) Não há Lei que isento do imposto de renda referidos rendimentos; c) A Resolução STF nº 245/2002 é restrita ao abono variável aplicável aos membros da Magistratura da União, e, por determinação expressa do Parecer PGFN n° 923/2003, aprovado pelo Ministro da Fazenda, está fora da incidência tributária do imposto de renda também para os membros do MPF. Atribuir aos rendimentos em análise a mesma natureza do abono variável das Leis n°s 10.477/2002 e 9.655/98 seria alargar as fronteiras da nãoincidência tributária sem previsão de Lei Federal para tanto. Na análise de admissibilidade, o Presidente da 1ª Câmara da 2ª Sessão, deu seguimento ao Recurso Especial interposto tendo em vista serem as interpretações dos acórdãos recorrido e paradigma divergentes. No primeiro, entendeuse que as diferenças auferidas pelos membros do Ministério Público Federal, com base no art. 2º da Lei nº 10.477/2002, têm caráter indenizatório, e que igual raciocínio deve ser aplicado às diferenças auferidas aos membros do Ministério Público da Bahia. Portanto, que esses valores não devem sofrer a incidência do imposto de renda. No outro, que descabe excluir tais rendimentos da base de cálculo do imposto de renda, haja vista ser vedada a analogia para verificar a incidência tributária (Acórdão 220201.206). Regularmente intimado o contribuinte apresentou contrarrazões. a) Os rendimentos previstos na Lei Complementar 20/2003 tem a mesma natureza daqueles mencionados pela Lei Federal nº 10.477/2002, que trata do pagamento de diferenças de URV a membros do Ministério Público Federal; b) É nítida a natureza indenizatória das diferenças de URV, na medida em que representam ressarcimento pelo erro de cálculo da remuneração; c) Quebra da isonomia quando se dispensa tratamento tributário diverso em relação às diferenças de URV pagas aos membros da magistratura Federal e aos membros do MPF em relação aos membros do Ministério Público Estadual; É o relatório. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/09/2016 por GERSON MACEDO GUERRA Processo nº 10580.726068/200939 Acórdão n.º 9202004.220 CSRFT2 Fl. 344 5 Voto Vencido Conselheiro Gerson Macedo Guerra Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, deve ser admitido o recurso da União. Pois bem. No presente caso, o contribuinte enquadrou no campo de rendimentos isentos e não tributáveis de suas declarações de ajuste anual, exercícios 2005, 2006 e 2007, valores recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia, por entendelas isentas de imposto de renda à luz do disposto na Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, que assim dispõe Art. 2º As diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária de nº 140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em consonância com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias nos. 613 e 614, serão apuradas mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e o montante, correspondente a cada Procurador e Promotor de Justiça, será dividido em 36 parcelas iguais e consecutivas para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 3º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 2º desta Lei. O STF, ao se posicionar sobre o abono variável pago aos magistrados da União, nos termos do artigo 2º, da Lei 10.474/2002, que compreendia as diferenças de URV, dentre outras verbas, manifestouse pela sua natureza indenizatória, conforme artigo 1º da Resolução 245/2002, que assim dispõe: Art. 1º É de natureza jurídica indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002, conforme precedentes do Supremo Tribunal Federal. Conforme conclusões do STF nas decisões que ensejaram o nascimento da Resolução em questão, a regra de incidência tributária é excetuada quando a concessão do abono for "feita para reparação da supressão ou perda de direito, característica que lhe emprestaria o caráter de indenização", que foi, exatamente, o que ocorreu com o abono variável e provisório previsto pelo art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2º da Lei nº 10.474, de 27 de junho de 2002. Registrese ainda que somente com o advento da Lei nº 10.477, de 2002, os membros do Ministério Público da União passaram a fazer jus ao abono variável criado pela Lei nº 9.655/1998. Fl. 346DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/09/2016 por GERSON MACEDO GUERRA 6 Na ocasião, a PGFN se pronunciou por meio dos Pareceres 529/2003 e 923/2003, concluindo que, tal qual o abono pago aos membros da magistratura da União, o abono concedido aos membros do Ministério Público da União possui natureza indenizatória, conforme Resolução 245/2002, do STF. Importante destacar que o Parecer emitido pela PGFN foi aprovado pelo Sr. Ministro da Fazenda que chancelou a exclusão da incidência do imposto de renda as verbas referentes às diferenças de URV, pagas aos servidores federias em questão. Nesse contexto, considerando que o pagamento da diferença de URV tem o objetivo de reparação ou supressão de perda de direito, e esta característica lhe confere a natureza de verba indenizatória para os membros da magistratura e Ministério Público da União, outra não pode ser sua natureza quando paga aos membros de Ministério Público Estadual. Observese que aqui não se está aplicando analogia para afastar o tributo devido, mas apenas dando a mesma interpretação jurídica a normas que só não são idênticas por provirem de fontes diversas União e Estado da Bahia e terem destinatários diferentes. Porém os efeitos do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 e da Lei complementar estadual nº 20/2003 são idênticos, no caso das diferenças da URV, beneficiando destinatários diversos, não podendo o imposto de renda incidir sobre diferenças de uma, sendo afastado de outra. Diante de todo o aqui exposto, entendo que deve ser cancelado o crédito tributário exigido no Auto de Infração. Ante o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso da União. Gerson Macedo Guerra. Fl. 347DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/09/2016 por GERSON MACEDO GUERRA Processo nº 10580.726068/200939 Acórdão n.º 9202004.220 CSRFT2 Fl. 345 7 Voto Vencedor Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora Designada DO MÉRITO Peço licença ao ilustre conselheiro para divergir do seu entendimento quanto ao mérito da incidência de Imposto de Renda sobre os rendimentos recebidos acumuladamente de diferenças de URV, bem como aplicação do princípio da isonomia no presente caso. Em face do REsp e do conteúdo do acórdão recorrido, cingese a discussão ao caráter indenizatório dos rendimentos relativos aos pagamentos recebidos pelos membros do Ministério Público da Bahia. Competência para legislar sobre IR. Primeiramente, conforme descrito no lançamento, a Lei Complementar nº 20 do Estado da Bahia, de 08 de setembro de 2003, consignaria o caráter indenizatório dos rendimentos, todavia, entendo que a competência para legislar sobre imposto de renda é da União, conforme disposto no art. 153, IV, da CF/88. Dessa forma, fazse necessário realizar a análise da natureza jurídica dos valores recebidos, de forma a se determinar seu caráter indenizatório ou salarial. Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: [...] III renda e proventos de qualquer natureza; [...[ § 1º É facultado ao Poder Executivo, atendidas as condições e os limites estabelecidos em lei, alterar as alíquotas dos impostos enumerados nos incisos I, II, IV e V. § 2º O imposto previsto no inciso III: I será informado pelos critérios da generalidade, da universalidade e da progressividade, na forma da lei; Neste ponto, convém diferenciar a natureza salarial que se subsume ao citado dispositivo face a configuração de nítido acréscimo patrimonial das verbas com natureza indenizatórias, cujo fundamento para exclusão configurase como a reparação por um dano sofrido, ou mesmo as verbas legalmente descritas como indenizatórias. Nessa linha de raciocínio, entendo que a referida lei estadual não buscou, por meio do pagamento das diferenças, a recomposição de um prejuízo, ou dano material sofrido pelo contribuinte, mas a compensação em razão da ausência da devida correção salarial Fl. 348DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/09/2016 por GERSON MACEDO GUERRA 8 decorrentes de alteração da moeda. Portanto, tais valores integram a remuneração percebida pelo sujeito passivo, constituindo parte integrante de seus vencimentos. Concluindo, em relação a este item, entendo incabível tomar como absoluta para exclusão da incidência do IR lei de outro ente da federação (no caso, o Estado da Bahia), face a competência instituída pelo texto constitucional. Incidência sobre valores de diferenças de URV. Ainda quanto ao mérito, é sabido que as verbas recebidas a título de “Valores Indenizatórios de URV” advêm de diferenças salariais decorrentes da conversão da remuneração dos servidores beneficiados, quando da implantação do Plano Real. Em função disso, constatase que tais valores tem ligação direta com a remuneração, ou seja, se referem a remuneração (vencimentos) não percebidos anteriormente e acabam por importar diferenças ao longo dos anos subseqüentes. Nesse sentido, podemos concluir que o objetivo de ações judiciais sob esse fundamento ou mesmo da Lei Complementar nº 20, de 08 de setembro de 2003, da Bahia (que apenas reconheceu esse direito) foi simplesmente pagar ao recorrente aquilo que antes deixou de ser pago, ou seja, diferença de salários. Considerando o nítido caráter salarial diferenças pagas a posteriori, penso que a verba trazida à discussão encontrase sujeita à incidência do IR, conforme dispõe o art. 43 do CTN: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Nesse sentido, estáse diante de acréscimo patrimonial tributável pelo Imposto de Renda, entendimento que fora inclusive salientado pelo acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Frente as considerações acima, também afasto os fundamentos adotados pelo julgador da turma a quo para definir a natureza das diferenças de URV. Segundo o acórdão recorrido a verba recebida pelos servidores estaduais possui a mesma natureza daquela percebida pelos seus pares da União e, portanto, não se poderia dispensar tratamento diferenciado àqueles que se encontram em mesma situação. Entendo, que não há como igualar as situações dos membros do Ministério Público Federal e Magistratura Federal com os pertencentes aos quadros do Estado da Bahia, haja vista inexistir lei federal determinando o mesmo tratamento tributário, pois a norma que concede isenção deve ser interpretada sempre literalmente, conforme inciso II do art. 111 do CTN. Fl. 349DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/09/2016 por GERSON MACEDO GUERRA Processo nº 10580.726068/200939 Acórdão n.º 9202004.220 CSRFT2 Fl. 346 9 Com efeito, o Código Tributário Nacional veda o emprego da analogia ou de interpretações extensivas para alcançar sujeitos passivos em situação semelhantes. Pensar diferente implicaria concessão de isenção sem lei federal própria, o que ofenderia o § 6º do art. 150 da CF e o art. 176 do CTN. Dessa forma, ao contrário do exposto pelo julgador a quo entendo que ao adotar mesmo tratamento tributário, alterando a natureza dos pagamentos, estaria sim, me valendo da analogia para definir fato gerador e base de cálculo de imposto sob a competência da União. A Resolução do Supremo Tribunal Federal (STF) nº 245/2002 conferiu natureza jurídica indenizatória ao abono variável apenas aos Magistrados do Poder Judiciário Federal e, posteriormente, aos membros do Ministério Público da União (Lei nº 9.655/1998 e Lei nº 10.474/2002). No mesmo sentido, a PGFN, por meio do Parecer PGFN/Nº 529/2003, aprovado pelo Ministro da Fazenda, reconheceu a natureza indenizatória do abono apenas para a Magistratura Federal e MP Federal, respeitando a interpretação do STF, contudo, tal verba não pode ser confundida com as diferenças decorrentes de URV, ora sob análise. Por fim, cumpre salientar que a dita resolução dispôs acerca da forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que trata o art. 2º e parágrafos da Lei n.º 10.474/2002, considerandoo como de natureza indenizatória. Neste sentido, o inciso I do art. 1º trouxe a forma de cálculo deste abono: “I apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei nº 10.474, de 2002 (Resolução STF nº 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)”. A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do abono as verbas referentes à diferença de URV, de onde se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre o abono salarial tratado pela norma e a diferença da URV, conforme se verifica de voto da Ministra Eliana Calmon: “Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)” (STJ, Recurso Especial n.º 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010) E tal também foi o entendimento do Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida nos autos do Recurso Extraordinário n.º 471.115, do qual se colaciona o seguinte excerto: “Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal Fl. 350DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/09/2016 por GERSON MACEDO GUERRA 10 do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução no. 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, temse que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)” (STF, Recurso Extraordinário n.º 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010) Concluise, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pelo Recorrente, razão pela qual deverão compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional. Pelos fundamentos expostos, entendo que a verba em exame deve ser tributada. Quanto ao caráter salarial das verbas pagas a título de URV, já se pronunciou este conselho em outras ocasiões acerca do tema, ao qual cito julgados que corroboram com o encaminhamento aqui formulado: ACÓRDÃO 9202003.659 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores indenizatórios de URV, em virtude de sua natureza remuneratória. Recurso especial provido. ACÓRDÃO 9202.003.585 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores indenizatórios de URV, em virtude de sua natureza remuneratória. Fl. 351DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/09/2016 por GERSON MACEDO GUERRA Processo nº 10580.726068/200939 Acórdão n.º 9202004.220 CSRFT2 Fl. 347 11 Precedentes do STF e do STJ. Recurso especial provido. ACÓRDÃO 2201002.491 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 PAF. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. O julgador administrativo não está obrigado a rebater todas as questões levantadas pela parte, mormente quando os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. Falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RESPONSABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 12. “Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção”. IRRF. COMPETÊNCIA. A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos aos descontos de Imposto de Renda. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI. Fl. 352DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/09/2016 por GERSON MACEDO GUERRA 12 Inexistindo lei federal reconhecendo a isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda. IRPF. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. TABELA MENSAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO RICARF. O imposto de renda incidente sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, conforme dispõe o Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado na forma do art. 543C do CPC. Aplicação do art. 62A do RICARF (Portaria MF nº 256/2009). IRPF. MULTA. EXCLUSÃO. SÚMULA CARF Nº 73. “Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício”. IRPF. JUROS DE MORA SOBRE VERBAS TRIBUTADAS. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. No julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que apenas os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do imposto de renda, por força do inciso V do art. 6º da Lei n° 7.713/1988. Frente as questões colocadas acima, entendo que as verbas recebidas a título de “Valores Indenizatórios de URV" consistem em diferenças salariais sujeitas a incidência de IR, sendo incabível acatar a argumentação de que a natureza salarial da referida verba seja alterada por legislação estadual, qual seja, a Lei Complementar nº 20, de 08 de setembro de 2003, ou mesmo que Resolução nº 245 do STF lastreada em Lei federal com destinação específica possa ser aplicada por analogia a outros casos que não os expressamente nela descritos. Por fim, conforme acima esclarecido, a competência para legislar sobre IR recai sobre a União, não podendo ser alterada a natureza jurídica da verba para efeitos de definição do fato gerador. Nesse sentido, importante destacar que não pode o agente fiscal entender ou mesmo questionar a constitucionalidade de lei Estadual, cujo ente Estadual possui competência para definir não apenas a natureza jurídica da verba, como a incidências sobre os tributos cuja competência para legislar esteja sob sua égide. Por exemplo, a definição da natureza jurídica para efeitos de definição da natureza tributos de contribuição previdenciária para regime próprio de previdência. Assim, ao fisco Federal compete apreciar se a verba recebida pelos Membros do MP da Bahia, encontrase abarcada como fato gerador de IR, utilizandose dos fundamentos dessa legislação para apuração do fato gerador, da natureza jurídica do pagamento e da base de cálculo e montante do tributos apuráveis. Dessa forma, não há que se falar ser necessário, primeiramente, declarar a constitucionalidade da legislação estadual. Fl. 353DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/09/2016 por GERSON MACEDO GUERRA Processo nº 10580.726068/200939 Acórdão n.º 9202004.220 CSRFT2 Fl. 348 13 Quanto a incompetência do CARF para afastar lei sob o fundamento de inconstitucionalidade, entendo não ser essa a questão aplicável ao caso concreto. Realmente nos termos do art. 62 do CARF: "é vedado aos membros das turmas de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob o fundamento de inconstitucionalidade", todavia, a competência básica dos membros desse colegiado é identificar se o lançamento se amolda as exigências legais e se os argumentos apontados pelo recorrente seriam suficientes para a desconstituição do lançamento. Assim, esse julgador em momento algum descumpri ou fere dispositivo regimental, pelo contrário, entendo que ao acatar os argumentos do recorrente pela aplicabilidade da legislação estadual e resolução 245/STF, aí sim, estaria afastando dispositivo legal. Bem, conforme foi apreciado acima, entendo correto o procedimento adotado pela autoridade fiscal ao lançar as contribuições, posto que os valores recebidos, pela análise da legislação aplicável ao caso concreto, quais sejam, CF/88, CTN e legislação do IR, incorreto considerar os rendimentos como isentos ou não tributáveis. Quanto as demais questões trazidas em sede de contrarrazões deixou de apreciálas, considerando a existência de outros argumentos trazidos ainda em sede de recurso voluntário, mas não apreciados pela turma a quo frente ao encaminhamento do relator de no mérito dar provimento ao recurso. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, para no mérito DARLHE PROVIMENTO, determinando o retorno dos autos à turma a quo, para analisar as demais questões trazidas no recurso voluntário do contribuinte. É como voto. (Assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 354DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/09/2016 por GERSON MACEDO GUERRA
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Numero do processo: 11128.002195/2002-82
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do Fato Gerador: 10/04/2002
FATO GERADOR. MERCADORIA MANIFESTADA E EXTRAVIADA. CARACTERIZAÇÃO.
Nos termos da atual redação do § 2º do art. 1° do Decreto-lei n° 2.472, de 1988, considera-se entrada no Território Nacional a mercadoria que constar como tendo sido importada e cuja falta venha a ser apurada pela autoridade aduaneira, independentemente de dolo ou culpa.
FATO GERADOR. DESEMBARAÇO PARA TRANSITO ADUANEIRO. OCORRÊNCIA
O fato gerador do IPI ocorre com o desembaraço aduaneiro, tendo este ocorrido ocorreu também o respectivo fato jurígeno do IPI.
Recurso Especial do Procurador Provido e Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.874
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez Lópes, que negavam provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e davam provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama - Relatora
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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E FAZENDA NACIONAL Interessado FAZENDA NACIONAL E TRANSORPE TRANSPORTES RODOVIÁRIOS LTDA. ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS DATA DO FATO GERADOR: 10/04/2002 FATO GERADOR. MERCADORIA MANIFESTADA E EXTRAVIADA. CARACTERIZAÇÃO. Nos termos da atual redação do § 2º do art. 1° do Decretolei n° 2.472, de 1988, considerase entrada no Território Nacional a mercadoria que constar como tendo sido importada e cuja falta venha a ser apurada pela autoridade aduaneira, independentemente de dolo ou culpa. FATO GERADOR. DESEMBARAÇO PARA TRANSITO ADUANEIRO. OCORRÊNCIA O fato gerador do IPI ocorre com o desembaraço aduaneiro, tendo este ocorrido ocorreu também o respectivo fato jurígeno do IPI. Recurso Especial do Procurador Provido e Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez Lópes, que negavam provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e davam provimento ao AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 21 95 /2 00 2- 82 Fl. 201DF CARF MF 2 recurso especial do sujeito passivo. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratamse de Recursos Especial apresentado pela Fazenda Nacional e pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 310100.232, da 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, pelo voto de qualidade, deu provimento parcial ao recurso para excluir a tributação do IPI, com a seguinte ementa: “ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 10/04/2002 TRÂNSITO ADUANEIRO. EXTRAVIO DA CARGA POR ROUBO. Uma vez não comprovado cabalmente o fato que daria azo ao caso fortuito ou força maior, excludente de sua responsabilidade no regime aduaneiro especial ora em foco, é de se manter a imputação pelo extravio ao transportador. IPI NO TRÂNSITO ADUANEIRO ANTES DE 2003. Deve ser exonerado o IPI vinculado à importação, uma vez que o fato gerador do tributo à época da ocorrência dos fatos (10/04/2002) o desembaraço aduaneiro efetivamente não se concretizou. Somente em Fl. 202DF CARF MF Processo nº 11128.002195/200282 Acórdão n.º 9303003.874 CSRFT3 Fl. 202 3 2003, com o art. 80 da Lei n° 10.833, é que houve ampliação do fato gerador do imposto em tela. Recurso Voluntário Provido em Parte.” Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de divergência, requerendo a reforma do acórdão recorrido na parte em que se excluiu a tributação do IPI, entendendo ser exigível a cobrança desse tributo. O apelo fazendário foi admitido nos termos do Despacho de fls. 163/165. O sujeito passivo apresentou também Recurso Especial, requerendo que seja reconhecido pela autoridade aduaneira a não incidência do fato gerador para cobrança dos tributos das multas mencionadas neste Recurso Especial, em virtude da excludente de responsabilidade prevista nos arts. 660 e 664 do Regulamento Aduaneiro, vez que não há apuração e qualquer participação delituosa do transportador, despachante e prepostos. O apelo do sujeito passivo foi admitido, nos termos do Despacho de fls. 188/189. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama. Os recursos são tempestivos e devem ser admitidos, relativamente ao interposto pelo: · Sujeito passivo, quanto à discussão acerca da responsabilização tributária pelo transporte de mercadorias estrangeiras em Regime Especial de Trânsito Aduaneiro, devido ao extravio da carga por roubo, eis que houve prequestionamento e dissenso jurisprudencial com Fl. 203DF CARF MF 4 indicação de acórdão paradigma proferido por outro colegiado apreciando a mesma situação fática; · Fazenda Nacional, quanto à discussão acerca da cobrança do IPI, eis ser possível se extrair da comparação das ementas dos acórdãos recorrido e paradigma o dissenso, pois o acórdão recorrido considera que a legislação que vigia anteriormente a Lei 10.833/03 não daria suporte à cobrança do IPI, o paradigma sustenta que o arcabouço de normas até então vigente seria suficiente para que se procedesse a tal cobrança. Ventiladas tais considerações, passo a discorrer o pedido trazido em Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, qual seja, reconhecimento pela autoridade aduaneira da não incidência do fato gerador para cobrança dos tributos das multas mencionadas neste Recurso Especial, em virtude da excludente de responsabilidade prevista no artigo 660 e 664 do Regulamento Aduaneiro. Sendo ímpar, para melhor elucidar a questão, importante trazer parte do voto do ilustre colega Conselheiro Corintho Machado constante do acórdão recorrido: “[...] Cumpre apontar que a tese de exclusão da responsabilidade da recorrente, por caso fortuito ou força maior, foi refutada em primeiro grau porque as provas carreadas aos autos, boletins de ocorrência policial, não comprovavam a ocorrência do roubo da mercadoria transportada, e sim que houvera comunicação à autoridade policial do evento narrado como roubo de veículo cumulado com roubo da mercadoria transportada. [...] Em sede recursal, nada foi trazido aos autos para contradizer a conclusão do órgão julgador a quo, de que o fato rotibo não estava comprovado, foram apenas expendidas argumentações de que não cabia à recorrente, como particular, praticar investigações que competem ao Estado. Fl. 204DF CARF MF Processo nº 11128.002195/200282 Acórdão n.º 9303003.874 CSRFT3 Fl. 203 5 Ora, não se tratava, por óbvio, de imputar à recorrente o ônus de trazer ao presente contencioso as conclusões das investigações policiais ou do Ministério Público, mas pelo menos trazer um mínimo número de indícios de que realmente aconteceu o fato narrado o que o Poder Público estaria investigando o crime e sua autoria, que como é cediço, tratase de caso de ação penal de ordem pública incondicionada. Dessarte, ao meu sentir, após a decisão de primeira instância, que tocou justamente no ponto mais fraco da defesa da impugnante, esta devia ter aprofundado seus esforços no sentido de rebater o julgado e robustecer a sua tese; ao revés, perdeu a recorrente excelente oportunidade de comprovar o fato que daria azo ao caso fortuito ou força maior, excludente de sua responsabilidade no regime aduaneiro especial ora em foco. [...]” Conforme transcrição do voto, a convicção do julgador do acórdão recorrido pela não exclusão das multas em questão, considerou o silêncio do sujeito passivo e a inércia para se rebater o julgado da 1ª instância para se comprovar o fato alegado como caso fortuito e força maior. Não obstante, é de se verificar que o sujeito passivo traz em seu recurso especial que: · A mercadoria foi roubada durante o transito aduaneiro, conforme revela o Boletim de Ocorrência n°. 777/002, emitido pela Delegacia de Polícia de Cubatão; · As declarações dos funcionários da Recorrente perante a autoridade policial geram para os notificantes, grave responsabilidade criminal pela falsa declaração; · Não há como se exigir provas mais robustas sobre o roubo quando a competência para investigar o crime é do próprio Estado; Fl. 205DF CARF MF 6 · O sujeito passivo contratou escolta com o fim de garantir que a mercadoria chegasse ao seu destino. Ademais, importante trazer que à época dos fatos, estava vigente a seguinte norma no Regulamento Aduaneiro (Grifos Meus): “Art. 660. A responsabilidade pelo extravio ou pela avaria de mercadoria será de quem lhe deu causa, cabendo ao responsável, assim reconhecido pela autoridade aduaneira, indenizar a Fazenda Nacional do valor do imposto de importação que, em consequência, deixar de ser recolhido, ressalvado o disposto no art. 655 (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 60, parágrafo único). [...] Art. 664. A autoridade aduaneira, ao reconhecer a responsabilidade nos termos do art. 660, verificará se os elementos apresentados pelo indicado como responsável demonstram a ocorrência de caso fortuito ou de força maior que possa excluir a sua responsabilidade. § 1o Para os fins deste artigo, e no que respeita ao transportador, os protestos formados a bordo de navio ou de aeronave somente produzirão efeito se ratificados pela autoridade judiciária competente. § 2o As provas excludentes de responsabilidade poderão ser produzidas por qualquer interessado, no curso da vistoria.” Constatase que o Decreto 8.010/2013 alterou tais dispositivos sem relevantes alterações (Grifos Meus): “Art. 660. Os créditos relativos aos tributos e direitos correspondentes às mercadorias extraviadas na importação, inclusive multas, serão exigidos do responsável por meio de lançamento de ofício, formalizado em auto de infração, observado o disposto no Decreto nº 70.235, de 1972 (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 60, § 1º, com a redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010, art. 40). (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) § 1º Para os efeitos do disposto no caput, considerase responsável (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 60, § 2º, com a Fl. 206DF CARF MF Processo nº 11128.002195/200282 Acórdão n.º 9303003.874 CSRFT3 Fl. 204 7 redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010, art. 40): (Incluído pelo Decreto nº 8.010, de 2013) I o transportador, quando constatado o extravio até a conclusão da descarga da mercadoria no local ou recinto alfandegado, observado o disposto no art. 661; ou (Incluído pelo Decreto nº 8.010, de 2013) II o depositário, quando o extravio for constatado em mercadoria sob sua custódia, em momento posterior ao referido no inciso I. (Incluído pelo Decreto nº 8.010, de 2013) § 2º Fica dispensado o lançamento de ofício de que trata o caput na hipótese de o importador ou de o responsável assumir espontaneamente o pagamento dos créditos (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 60, § 3º, com a redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010, art. 40). (Incluído pelo Decreto nº 8.010, de 2013) [...] Art. 664. A responsabilidade a que se refere o art. 660 pode ser excluída nas hipóteses de caso fortuito ou força maior. (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) Parágrafo único. Para os fins de que trata o caput, os protestos formados a bordo de navio ou de aeronave somente produzirão efeito se ratificados pela autoridade judiciária competente. (Incluído pelo Decreto nº 8.010, de 2013)” Mister, então, entender que é notória a existência de roubos de carga no país, sendo previsível e inevitável o roubo, uma vez que, repitase, em risco estava a vida da vítima. Jamais poderia ser exigida conduta diversa da vítima, eis que o bem jurídico vida, no sistema constitucional vigente, certamente é mais relevante que bens de valor econômico, como a carga que foi roubada. Fl. 207DF CARF MF 8 Ademais, proveitoso lembrar que todo registro de declaração – Boletim de Ocorrência é assinado pelo declarante, que se responsabiliza pela veracidade do seu conteúdo. Há, ainda, uma figura delitiva específica para incriminar a conduta da pessoa que comunica falsamente a ocorrência de crime a autoridade policial, que se encontra prevista no artigo 340 do Código Penal. Para tratar do caso em questão, importante também descrever a Declaração de Voto elaborado pelo Conselheiro Tarásio Cambelo Borges – constante do acórdão n º 310100.232 — 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária: “(...) In casu, alega a recorrente que o extravio se deu por roubo das mercadorias que transportava e oferece como prova: de sua alegação o registro da ocorrência no órgão competente da Secretaria de Estado de Segurança Pública. _ Na suficiência do registro da ocorrência para fazer prova do alegado roubo reside o primeiro conflito. Creio relevante, buscar subsídios nos conceitos do Direito Penal. Roubo, tipificado no artigo 157 do Código Penal, é crime com ação penal pública incondicionada, consoante inteligência do artigo 100 da norma citada. É, portanto, do Ministério Público a titularidade da ação e obrigatória a sua proposição desde que atendidos os seus pressupostos, porquanto não permitida a transação, aplicável somente às infrações penais de menor potencial ofensivo. Assim, diante do fato incontroverso do registro da ocorrência promovido pela empresa transportadora no órgão estatal competente para a instauração do inquérito policial e da vinculação do tipo penal com a ação penal pública, na qual o exercício do direito subjetivo de buscar o pronunciamento jurisdicional é do próprio estado, entendo contrária à razoabilidade a sumária desqualificação do registro da ocorrência policial como prova do alegado roubo. Ademais, a comunicação falsa de crime é fato típico contido no artigo 340 do Código Penal é não se tem notícia nos autos do presente processo administrativo de qualquer iniciativa tendente a apurar conduta criminosa do denunciante do alegado roubo. Fl. 208DF CARF MF Processo nº 11128.002195/200282 Acórdão n.º 9303003.874 CSRFT3 Fl. 205 9 Por conseguinte, concluo ser bastante para comprovar o roubo o registro da ocorrência policial não refutada por denúncia de comunicação falsa de crime nem desqualificada por culpa da vítima. A segunda controvérsia é o enquadramento de roubo dentre as hipóteses de caso fortuito ou força maior. De Plácido e Silva' trata com simplicidade ambos os conceitos, a saber: Caso fortuito: É expressão especialmente usada, na linguagem jurídica, para indicar todo caso que acontece imprevisivelmente, atuado por uma força que não se pode evitar. São, assim, todos os acidentes que ocorrem, sem que a vontade do homem os possa impedir ou sem que tenha ele participado, de qualquer maneira, para a sua efetivação. Todos os casos, que se revelam por força maior, dizemse casos fortuitos, porque fortuito, do latim fortuitus, de fors, quer dizer casual, acidental, ao azar. No entanto, embora todos os casos de força maior, na técnica jurídica, mostrem semelhança com os casos fortuitos, a verdade é que certa diferença se anota entre eles, como razoavelmente pondera CUNHA GONÇALVES. SILVA, De Flácido e. Vocabulário jurídico. Atual. per Nagib Slaibi Filho; Gláucia Carvalho. 2. ed. eletr. [Rio de Janeiro]: Forense, [entre 2000 e 2002]. I CDROM. Verbetes: caso fortuito, força maior. O caso fortuito é, no sentido exato de sua derivação (acaso, imprevisão, acidente), o caso que não se poderia prever e se mostra superior às forças ou vontade do homem, quando vem, para que seja evitado. O caso de força maior é o fato que se prevê ou é previsível, mas que não se pode, igualmente, evitar, visto que é mais forte que a vontade ou ação do homem. Assim, ambos se caracterizam pela irresistibilidade. E se distinguem pela previsibilidade ou imprevisibilidade. Legalmente são, entre nós, empregados como equivalentes. E a lei civil os define como o evento do fato necessário, cujos efeitos não era Fl. 209DF CARF MF 10 possível evitar ou impedir, assemelhandoos em virtude da invencibilidade, inevitabilidade ou irresistibilidade que os caracteriza. Desse modo, caso fortuito ou de força maior, análogos pelos efeitos jurídicos e assemelhados pela impossibilidade de serem evitados, previstos ou não previstos, possuem sua característica na inevitabilidade, porque possíveis de se prever ou de não se prever, eles vieram, desde que nenhuma força os poderia impedir. E daí, com justa razão, não se poder confundir o caso fortuito ou de força maior, com os casos impensados, os casos de imprevidência, os casos de negligência, os casos de imprudência ou de imperícia. Estes vieram pelas circunstâncias que os determinaram. Eram casos evitáveis pela ação ou pela vontade do homem. Os casos fortuitos e de força maior são superiores às forças do homem e à sua vontade, ao passo que os casos de outras espécies se mostram ação de quem os praticou ou se convertem em efeito, em função das causas: negligência, imprudência, imperícia, etc. Por princípio, ninguém responde pelos casos fortuitos e de força maior, pois que, inevitáveis por natureza e essência, aconteceram porque tinham que acontecer. Entre muitos, se consideram casos fortuitos e de força maior: as tempestades, as borrascas, as enchentes, os terremotos, as guerras, as revoluções, os naufrágios, ou quaisquer outros acontecimentos, assim, imprevisíveis ou previsíveis, mas inevitáveis. Força maior: Assim se diz em relação ao poder ou à razão mais forte, decorrente da irresistibilidade do fato, que, por sua influência, veio impedir a realização de outro, ou modificar o cumprimento de obrigação, a que se estava sujeito. (...) Qualquer distinção havida entre eles, conseqüente da violência do fato ou da casualidade dele, não importa na técnica do Direito. Somente importa que, um ou outro, justificadamente, tenham tornado impossível, pelo fato estranho à vontade da pessoa, o cumprimento da obrigação contratual. Ou, por eles, não se tenha possibilitado ou evitado a prática de certo ato, de que se procura fazer gerar uma obrigação. Força maior, pois, é a razão de ordem superior, justificativa do inadimplemento da obrigação ou da responsabilidade, que se quer atribuir a outrem, por ato imperioso que veio sem ser por ele querido. Fl. 210DF CARF MF Processo nº 11128.002195/200282 Acórdão n.º 9303003.874 CSRFT3 Fl. 206 11 Para confrontar os conceitos de De Plácido e Silva com o roubo praticado nas principais metrópoles brasileiras, duas características desse delito são relevantes: a previsibilidade, em função da freqüência 2 ; e a irresistibilidade, pela própria definição do tipo pena13 . Dada a previsibilidade, fica afastada a hipótese de caso fortuito, mas a irresistibilidade o vincula à outra excludente de responsabilidade: força maior. Nada obstante a forma didática com que os conceitos são expostos por De Plácido e Silva, o enquadramento de roubo dentre as hipóteses de força maior é tema por demais polêmico. Para pacificar o entendimento no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, a Segunda Seção daquela Corte enfrentou a matéria no dia 9 de outubro de 2002, no julgamento do Recurso Especial 435.865RJ. A despeito de tratar da responsabilidade civil de empresa do ramo de transporte coletivo de passageiros em decorrência de assalto à mão armada ocorrido no interior de veículo de sua frota urbana, o julgado da Segunda Seção do STJ uniformizou a jurisprudência das Turma Terceira e Quarta quanto à aceitação do roubo como motivo de força maior para isentar de responsabilidade a empresa transportadora. Filiome, portanto, à corrente doutrinária de De Plácido e Silva alinhada com a jurisprudência uniforme do STJ para considerar motivo de força maior, excludente da responsabilidade da empresa transportadora, o roubo de carga sob sua guarda. Fazse mister deixar aqui consignado que sobre esse tema modifiquei, em julgados supervenientes, meu entendimento exposto na Terceira Câmara do outrora denominado Terceiro Conselho de Contribuintes no mês de agosto de 2005, no julgamento de Recurso voluntário relatado pelo então conselheiro Marciel Eder Costa. Com essas considerações, dou provimento ao recurso voluntário.” Sendo assim, em vista do transcrito e das circunstâncias acima expostas, considerando a contratação pela própria transportadora de serviço de escolta, reconheço a exclusão da responsabilidade da recorrente (transportadora) pela falta de mercadoria sob regime de trânsito aduaneiro, em decorrência do roubo e dos elementos trazidos aos autos do processo que, a meu ver, seriam suficientes para se demonstrar as hipóteses excludentes das multas. Fl. 211DF CARF MF 12 Dessa forma, dou provimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito Passivo. Quanto à discussão trazida em Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, para que seja reformada a decisão recorrida que exonerou o IPI vinculado à importação, uma vez que o fato gerador do tributo à época da ocorrência dos fatos (10/04/2002) o desembaraço aduaneiro efetivamente não se concretizou. Sendo somente em 2003, com o art. 80 da Lei 10.833/03, que houve ampliação do fato gerador do imposto em tela. Entendo que não assiste razão a Fazenda Nacional – o que concordo, nessa parte, em sua integralidade com o entendimento exposto no voto do acórdão recorrido (Grifos Meus): “[...] Por outro giro, penso que assiste razão à recorrente no que tange ao seu pleito de exoneração da exigência do IPI vinculado à importação, uma vez que o fato gerador do tributo o desembaraço aduaneiro efetivamente não se concretizou. Nesse sentido, busco arrimo nas sábias palavras do i. julgador que teve seu voto vencido no particular, fls 99 c seguintes: (..) à época da ocorrência dos fatos (1010412002), conforme disposição do inc. I do art. 29 do RIPI182, o fato gerador deste imposto, na importação era o desembaraço aduaneiro de produto de procedência estrangeira, entendido este conto desembaraço para consumo, diferentemente como pretendido pela fiscalização, que quer referirse a desembaraço parei transito (..) Ainda reforçam o pensamento do i. julgador o ADN CST n° 1/78 não incide o imposto sobre produtos industrializados, pela não configuração do fato gerador, na hipótese de extravio de mercadorias importadas ocorrido antes do respectivo desembaraço aduaneiro, e o art. 80 da Lei n° 10.833/2003, que ampliou o fato gerador do imposto em tela: Art. 80. O art. 2° da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, passa a vigorar acrescido do §3º, tona a seguinte redação: Art. 2º ...................................... Fl. 212DF CARF MF Processo nº 11128.002195/200282 Acórdão n.º 9303003.874 CSRFT3 Fl. 207 13 § 3º Para efeito do disposto no inciso I, considerarseá ocorrido o respectivo desembaraço aduaneiro da mercadoria que constar como tendo sido importada e cujo extravio ou avaria venham a ser apurados pela autoridade fiscal, inclusive na hipótese de mercadoria sob regime suspensivo de tributação. " (NR) O que, por conseguinte, nego provimento ao Recurso Especial da Fazenda. Sendo assim, em vista de todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo e negar provimento ao recurso oposto pela Fazenda Nacional. É como voto. Tatiana Midori Migiyama Relatora Fl. 213DF CARF MF 14 Voto Vencedor Rodrigo da Costa Pôssas Relator Discordo da ilustre relatora e passo a relatar o voto vencedor. Analisaremos primeiramente o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. A Fazenda Nacional recorre quanto à discussão acerca da cobrança do IPI, sustentando que a legislação que vigia anteriormente a Lei 10.833/03 seria suficiente para que se procedesse a tal cobrança. O contribuinte entende que não ocorreu o fato gerador dos tributos, pois como houve o roubo da mercadoria em trânsito aduaneiro, não teria ocorrido o fato gerador do Imposto sobre produtos industrializados. Porém, o IPI tem como fato gerador o desembaraço aduaneiro, e no caso, desembaraço para admissão do trânsito aduaneiro. Porém, como a mercadoria estava sujeita a um regime suspensivo do Imposto sobre Produtos Industrializados, ocorrendo qualquer das hipóteses previstas na legislação para o término do regime, todos os tributos passam a ser exigidos como se não houvesse a causa suspensiva, que deve ser cobrado, inclusive com os seus consectários. A data do fato gerador dos tributos não se altera por causa da concessão do regime especial de trânsito aduaneiro. O que fica suspenso não é a ocorrência do fato gerador, mas sim o pagamento dos tributos. A condição aqui é resolutória, ou seja, deixando de existir o fato gerador considerase ocorrido desde o momento da prática do ato ou da celebração do negócio (art. 117, II do CTN). Podese concluir que a hipótese prevista em lei se concretizou e a suspensão de pagamento dos tributos se resolveu, restabelecida fica a situação de existência de pagamento dos tributos devidos. Segue abaixo a legislação que acerca tal entendimento. Em relação ao IPI, na importação, temos que a ocorrência do fato gerador ocorre com o desembaraço aduaneiro de produto de procedência estrangeira, nos termos da Lei 4.502/64, art. 2º. Agora teremos que definir o momento exato em que ocorre o desembaraço aduaneiro, no regime de trânsito aduaneiro, que trata o presente caso. O RA/85, aplicado ao presente caso, assim dispõe: Art. 253 O regime subsiste do local de origem ao local de destino e desde o momento do desembaraço para trânsito aduaneiro pela unidade de origem até o momento em que a unidade de destino certifica a chegada da mercadoria. Fl. 214DF CARF MF Processo nº 11128.002195/200282 Acórdão n.º 9303003.874 CSRFT3 Fl. 208 15 Art. 271 O despacho para o trânsito completase com o desembaraço aduaneiro, após a adoção das providências previstas na Subseção III. Podemos depreender do texto legal que o desembaraço aduaneiro precede o despacho para o trânsito, já que este se completa com aquele. Como o fato gerador do IPI ocorre com o desembaraço aduaneiro, tendo este ocorrido, ocorreu também o respectivo fato jurígeno do IPI. Não há, portanto, que se falar na inocorrência do fato gerador do IPI e tampouco em causas impeditivas ao lançamento do imposto. A fim de explicitar ainda mais a obrigação de se recolher o IPI, temos a fundamentação legal prevista nos art. 37, 38 e 39 do Regulamento do IPI aprovado pelo Decreto n° 2.637, de 1998; o primeiro que envia para a legislação aduaneira o disciplinamento do desembaraço com suspensão, o segundo, que trata da extinção da obrigação pelo implemento da condição; e o último, da exigência do tributo caso tal condição deixe de ser implementada. Art. 37. Somente será permitida a saída ou o desembaraço de produtos com suspensão do imposto quando observadas as normas deste Regulamento e as medidas de controle expedidas pela SRF. Art. 38. 0 implemento da condição a que está subordinada a suspensão resolve a obrigação tributária suspensa. Art. 39. Quando não forem satisfeitos os requisitos que condicionaram a suspensão, o imposto tornarseá imediatamente exigível, como se a suspensão não existisse. (Lei n°9.532, de 1997, art. 37, inciso II). Assim, a conclusão do colegiado a quo deve ser reformada, eis que cabe a cobrança dos tributos devidos porque não houve o encerramento do regime suspensivo, nos termos da legislação supra transcrita. O contribuinte, por sua vez, recorre alegando exclusão da responsabilidade pelo pagamento dos tributos por outros fatos ocorridos. No presente caso o pedido é que se considere que não há incidência do fato gerador para cobrança do IPI em virtude da excludente de responsabilidade prevista no artigo 660 e 664 do Regulamento Aduaneiro, devido ao fato de a mercadoria ter sido roubada, sem "culpa" do transportador. Não assiste razão à contribuinte, eis que não ficou cabalmente comprovada o ocorrência do alegado roubo. Tratase de matéria probatória e que foi perfeitamente analisa pelo relator da instância a quo, Corintho Oliveira Machado, nos termos abaixo, que também uso como razão de decidir do presente recurso especial interposto pelo sujeito passivo. Cumpre apontar que a tese de exclusão da responsabilidade da recorrente, por caso fortuito ou força maior, foi refutada em primeiro grau porque as provas carreadas aos Fl. 215DF CARF MF 16 autos, boletins de ocorrência policial, não comprovavam a ocorrência do roubo da mercadoria transportada, e sim que houvera comunicação à autoridade policial do evento narrado como roubo de veículo cumulado com roubo da mercadoria transportada. O i. relator da Delegacia da Receita Federal de Julgamento assim se expressa, no que tange ao assunto: Cabe esclarecer que Boletim de Ocorrência nada mais é do que a formalização de uma noticia criminis, ou seja, a redução a termo da comunicação de um crime. O boletim em si prova apenas a comunicação de um crime e não a sua ocorrência. Tanto isso é verdade que a comunicação de um crime pode provocar (nem sempre isso ocorre) a instauração de um inquérito policial, precisamente com o objetivo de apurar se houve crime e quais foram os seus autores. Como todo registro de uma declaração, o boletins de ocorrência é assinado pelo declarante efeito sob sua responsabilidade administrativa, civil e criminal em relação à veracidade do seu conteúdo. Existe até mesmo uma figura penal específica para incriminar a conduta de quem comunica falsamente a ocorrência de um crime (art. 340 do Código Penal), demonstrando claramente a possibilidade de o boletim de ocorrência não representar a verdade. O fato da autoridade policial ter lavrado o boletim não representa de maneira nenhuma que ela aceitou como verdadeira a comunicação da ocorrência do crime, que ainda deve ser apurada. Além disso, é dever da autoridade policial registrar toda e qualquer comunicação de crime que lhe for feita. Ocorre que não há nos autos notícia de instauração de inquérito policial, ou de confirmação por qualquer meio da ocorrência do crime, nem a apuração de sua autoria ou sequer o levantamento de suspeitos, muito menos o encerramento do inquérito e envio ao Ministério Público para oferecimento de denúncia para início de ação penal. Se o inquérito não foi iniciado, cabia à vítima, se tinha real interesse na apuração elo crime contra ela cometido, e na recuperação da carga ou na possibilidade de ser ressarcido do prejuízo, teria que teria requerer a sua abertura ao chefe de polícia, ao Poder Judiciário ou ao Ministério Público. Ora, não se tratava, por óbvio, de imputar à recorrente o ônus de trazer ao presente contencioso as conclusões das investigações policiais ou do Ministério Público, mas pelo menos trazer um mínimo número de indícios de que realmente aconteceu o fato narrado, ou que o Poder Público estaria investigando o crime e sua autoria, que como é cediço, tratase ele caso de ação penal de ordem pública incondicionada. Após a decisão de primeira instância, que tocou justamente no ponto mais fraco da defesa da impugnante, esta devia ter aprofundado seus esforços no sentido de rebater o julgado e robustecer a sua tese, ao revés, perdeu a recorrente excelente oportunidade de comprovar o fato que daria azo ao caso fortuito ou força maior, excludente de sua responsabilidade no regime aduaneiro especial ora em foco. Fl. 216DF CARF MF Processo nº 11128.002195/200282 Acórdão n.º 9303003.874 CSRFT3 Fl. 209 17 Pelo exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e negar provimento ao Recurso apresentado pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 217DF CARF MF
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Numero do processo: 10245.000582/2009-51
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2005, 2006
RECURSO ESPECIAL. NULIDADE DE DECISÃO POR FALTA DE INTIMAÇÃO DA CONTRAPARTE DE DESPACHO QUE ADMITIU EMBARGOS DA OUTRA PARTE. INOCORRÊNCIA
Inexiste nulidade no Acórdão proferido em sede de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional, mesmo conferindo efeitos infringentes ao Acórdão embargado, pela simples falta de intimação do Sujeito Passivo do despacho do Presidente de Colegiado que tenha dado seguimento aos embargos.
Recurso especial conhecido e negado.
Numero da decisão: 9202-004.551
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, mantendo o acórdão de recurso voluntário com as alterações decorrentes dos embargos infringentes admitidos pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Ana Paula Fernandes.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2005, 2006 RECURSO ESPECIAL. NULIDADE DE DECISÃO POR FALTA DE INTIMAÇÃO DA CONTRAPARTE DE DESPACHO QUE ADMITIU EMBARGOS DA OUTRA PARTE. INOCORRÊNCIA Inexiste nulidade no Acórdão proferido em sede de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional, mesmo conferindo efeitos infringentes ao Acórdão embargado, pela simples falta de intimação do Sujeito Passivo do despacho do Presidente de Colegiado que tenha dado seguimento aos embargos. Recurso especial conhecido e negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, mantendo o acórdão de recurso voluntário com as alterações decorrentes dos embargos infringentes admitidos pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Ana Paula Fernandes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 5. 00 05 82 /2 00 9- 51 Fl. 1877DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Introdução Trata o presente processo de exigência de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte – IRRF, acrescido de juros de mora e multa de ofício qualificada, decorrente de pagamentos sem causa ou sem beneficiário identificado, conforme auto de infração de efls. 216 a 224, cientificado à contribuinte em 28/05/2009, por meio de edital (efl. 268). O procedimento fiscal com as razões da exigência dele decorrente está descrito no Termo de Verificação Fiscal – TVF, às efls. 228 a 244, sendo o montante do crédito tributário exigido de R$ 13.984.852,7, calculado até 30/04/2009. O auto de infração foi objeto de impugnação pelo contribuinte, em 25/06/2009, anexada às efls. 272 a 328 dos autos. A impugnação foi apreciada na 1ª Turma da DRJ em Belém que, em 22/04/2010, julgou o lançamento impugnado procedente em parte, por unanimidade, pois três pagamentos foram considerados justificados, conforme acórdão n° 0117.188, às efls. 1007 a 1027. Além disso apenas um dos julgadores considerou não estar comprovado o ânimo de fraude, que levava à qualificação de várias das multas aplicadas. Recurso voluntário Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 13/07/2010, às efls. 1034 a 1079. Naquele recurso, reiterou a argumentação posta em sua impugnação além de rebater pontos do acórdão recorrido. Apreciando o recurso, a 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento veio a prolatar, em 20/11/2012, o acórdão nº 2201001.901, às efls. 1169 a 1184, que foi assim ementado: AQUISIÇÃO/ALIENAÇÃO DE IMÓVEL ESCRITURA DE COMPRA E VENDA DOCUMENTO COM FÉPÚBLICA A Escritura de Compra e Venda é uma prova plena que goza de fé pública quando lavrada em cartório. A sua nulidade requer declaração judicial que assim a conceitue, não podendo a autoridade administrativa descartar um documento que reúna requisitos de prova plena, e muito menos desconstituir essa prova com meros argumentos. PAGAMENTOS REALIZADOS A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU PAGAMENTOS SEM CAUSA. A pessoa jurídica que entregar recursos a terceiros ou sócios, acionistas ou titulares, contabilizados ou não, cuja operação ou causa não Fl. 1878DF CARF MF Processo nº 10245.000582/200951 Acórdão n.º 9202004.551 CSRFT2 Fl. 1.878 3 comprove mediante documentos hábeis e idôneos, sujeitarseá à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, a título de pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado. MULTA QUALIFICADA. DOLO OU FRAUDE Incabível a multa qualificada quando não restar comprovado de forma firme e estreme de dúvidas o dolo especifico ou fraude do sujeito passivo no sentido de impedir ou retardar, total ou parcialmente a ocorrência do fato gerador, de excluir ou modificar as suas características essenciais. O acórdão teve a seguinte redação: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência o fato gerador de 21/12/2005 e desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%, nos casos em que foi aplicado o percentual de 150%. Fez sustentação oral o Dr. Antonio Correia Júnior, OAB/DF 16.286. Embargos da Presidente da Turma Após analisar esse acórdão e o voto no qual se fundava, com base no art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 256 de 22/06/2009, a Presidente da 2ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento opôs embargos de declaração (fls. 1186 e 1187) por entender haver inconsistências no afastamento da penalidade agravada, pois a ementa tratava de inexistência de comprovação de fraude o dolo quando da ocorrência do fato gerador, enquanto o voto afastaria a penalização por suposta existência de bis in idem, decorrente da tributação pela alíquota de 35% com alegado caráter punitivo. Do julgamento dos embargos, resultou o acórdão nº 2201002.262, prolatado em 15/10/2013, às fls. 1189 a 1194, que, com efeitos infringentes, alterou o decisum anterior, resultando na seguinte ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de contradição e omissão, acolhemse os embargos de declaração para suprilas. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. PROVAS. Havendo provas de que a conduta do contribuinte caracterizou evidente intuito de fraude, correta a aplicação da multa de ofício qualificada. PROVA. APRECIAÇÃO PELO JULGADOR. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção. Embargos de Declaração acolhidos. Fl. 1879DF CARF MF 4 O acórdão teve sua redação com o seguinte teor: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para sanar as omissões e contradições apontadas no Acórdão 2201001.901, de 20/11/2012. No mérito dos Embargos, por maioria de votos, retificar a decisão anterior quanto às penalidades, para restabelecer a qualificação das multas de ofício. Vencido o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe (Relator), que restabeleceu parcialmente a qualificação das penalidades. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Walter Reinaldo Falcão Lima. Embargos da Procuradoria da Fazenda Nacional Ambos acórdãos foram encaminhados à Procuradoria da Fazenda Nacional (fl. 1771), que, em 1º/07/2014 às fls. 1772 e 1773, também apresentou embargos de declaração, agora relativamente à falha na redação de um parágrafo do voto, por encontrarse inacabado. Tais embargos foram admitidos pela Presidente em 18/08/2014, conforme despacho às fls. 1776 e 1777. O julgamento desses embargos saneou os embargos sem efeitos infringentes, conforme disposto no acórdão nº 2201002.562, às fls. 1778 a 1781, prolatado em 09/10/2014, tendo a seguinte ementa: EMBARGOS DECLARATÓRIOS. ACOLHIMENTO. Acolhemse os embargos declaratórios para sanar eventuais omissões verificadas no acórdão. AQUISIÇÃO/ALIENAÇÃO DE IMÓVEL. ESCRITURA. DOCUMENTO COM FÉPÚBLICA. A escritura é uma prova que goza de fé pública quando lavrada em cartório.A sua nulidade requer declaração judicial que assim a conceitue, não podendo a autoridade administrativa descartar um documento que reúna requisitos de prova plena, e muito menos desconstituir essa prova com meros argumentos. Embargos da contribuinte Cientificada do acórdão nº 2201001.901, em 07/08/2015 (fl. 1800), a contribuinte também opôs embargos de declaração (fls. 1806 a 1810), inicialmente alegando nulidade de todos os atos praticados no processo desde o julgamento dos embargos da Fazenda com efeitos infringentes que resultou no acórdão nº 2201002.262. Faz tal alegação por entender haver cerceamento ao seu direito de defesa pelos efeitos infringentes de tal acórdão, medida excepcionalíssima. Sustenta seu argumento com base em decisões tanto do STF quanto de turma da Primeira Seção do CARF. Os embargos da contribuinte não foram acolhidos pelo Presidente da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara de Segunda Seção de Julgamento, por falta de previsão regimental para que se declare a nulidade nesses embargos, pois nos acórdãos inexistem omissões contradições ou obscuridades que justifiquem seus embargos, como explanado no despacho exarado em 14/09/2015, às fls. 1816 e 1817. RE da contribuinte Fl. 1880DF CARF MF Processo nº 10245.000582/200951 Acórdão n.º 9202004.551 CSRFT2 Fl. 1.879 5 Cientificada do despacho de fls. 1816 e 1817 em 17/09/2015 (fl. 1819), a contribuinte apresentou recurso especial RE, às fls. 1824 a 1830, em 02/10/2015. No RE foram alegadas divergências quanto a duas matérias: a) nulidade do acórdão que julgou os embargos de declaração, com efeitos infringentes, em razão de a Contribuinte não ter sido intimada de sua oposição; e b) desqualificação da multa de ofício. Quanto a primeira matéria esgrime os mesmos argumentos postos nos seus embargos de declaração e apresenta como paradigma o acórdão nº 1401001.263 da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento. No tocante à multa qualificada, afirma que notas fiscais comprovariam as operações e inexistiriam provas de que a recorrente teria agido com intuito fraudulento, ou que houvesse qualquer conluio seu com as empresas emissoras da referidas notas. Esgrime como paradigma da divergência o acórdão nº 1201000.761 da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento. Em análise do recurso, a Presidente da 2ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento emitiu despacho, de fls. 1852 a 1863, em 30/12/2015, no qual deu seguimento parcial ao RE apenas no tocante à nulidade do acórdão que julgou os embargos de declaração, com efeitos infringentes, em razão de a contribuinte não ter sido intimada de sua oposição. Quanto a desqualificação da multa, seria inviável o recurso relativamente a alegações que envolvem valoração de provas, sendo essa a situação encontrada no cotejo dos acórdãos paradigma e recorrido. Além disso, mesmo que se ultrapassasse esse óbice, a análise do teor dos julgados levou à conclusão de que inexistiria similitude fática entre eles. Em face da negativa parcial, o Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, com base no art. 71, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015, apreciou o recurso conjuntamente com o despacho da Presidente da Câmara recorrida e, em sede de reexame, confirmou as conclusões do exame de admissibilidade, vetando a reapreciação da matéria concernente à desqualificação da multa (fls. 1864 e 1865). Contrarrazões da Fazenda Nacional Cientificada do recurso e dos despachos em 11/03/2016, a Procuradoria da Fazenda Nacional manejou contrarrazões ao RE da contribuinte em 14/03/2016, conforme fls. 1871 a 1874. Traz duas argumentações que no seu entender afastariam o RE: (i) os fatos e a legislação analisados no paradigma seriam distintos daqueles do recorrido; e (ii) falta de previsão regimental para obrigando a intimação da recorrente relativamente aos embargos apresentados e inexistência de violação ao direito de defesa, pois, intimada do acórdão nº 2201 002.262 que manteve a multa de 150%, teve aberto prazo para questionar novamente a qualificação da penalidade. É o relatório Fl. 1881DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Pelo que consta no processo, o recurso apresenta uma questão quanto a sua admissibilidade que merece análise em específico. Desde logo cabe salientar que a matéria admitida no RE cingese apenas à alegada nulidade decorrente da não intimação da contribuinte relativa à apresentação de embargos de divergência apresentado, em 10/07/2013, pela Presidente da 2ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento, que participou do julgamento do acórdão de recurso voluntário. Naquela data, estava vigente o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2009, aprovado pela Portaria n° 256 de 22/06/2009, que em seu art. 65, do Anexo II, dispunha: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. (...) No acórdão do recurso voluntário nº 2201001.901, alterado pelos acórdãos nº 2201002.262 e 2201002.562, não se faz presente a discussão sobre intimação ou cerceamento de defesa. Essa discussão só exsurgiu a partir dos embargos de declaração da contribuinte, às fls. 1806 a 1810; somente aí se discute a suposta nulidade por ela alegada, sem que tenha sido admitida pelo despacho sem número, de fls. 1816 e 1817. Esse despacho não se incorporou, como modificação, ao acórdão do recurso voluntário, pois não implicou deliberação da turma em face da declaração de sua improcedência. Assim, os embargos da contribuinte serviram como prequestionamento. Entretanto, conforme expressamente colocado em sede de contrarrazões, pela Fazenda Nacional, efetivamente há uma diferença fática entre os casos enfrentados pelo acórdão recorrido e pelo acórdão paradigma. Com efeito, no recorrido, não foi dada ciência ao Sujeito Passivo de embargos da de Conselheiro e da Fazenda Nacional admitidos, ao passo que, no paradigma, não foi dada ciência à Fazenda Nacional de embargos do Sujeito Passivo admitidos. É também verdade que no RICARF/2009 (aplicável ao caso em debate) somente há dispositivo obrigando a intimação da Fazenda Nacional de despachos relativos a embargos, inexistindo dispositivo nesse sentido para o Sujeito Passivo. Essa é sem dúvida uma diferença fática entre as situações enfrentadas no acórdão paradigma e no acórdão recorrido. De fato, há dispositivo tratando as duas situações de forma diferente. Porém, resta saber se essa diferença fática é essencial para fins de impedir a verificação de divergência jurisprudencial, ou apenas acidental, não impedindo essa verificação. No entender deste conselheiro, a diferença é apenas acidental, porque, no acórdão paradigma, a razão de decidir foi o entendimento de que "a garantia constitucional do contraditório exige que à parte contrária se assegure a possibilidade de manifestarse sobre embargos de declaração que pretendam alterar decisão que lhe tenha sido favorável", nos termos da jurisprudência judicial colacionada. Ora, essa razão de decidir se aplica a ambas as partes no processo. Fl. 1882DF CARF MF Processo nº 10245.000582/200951 Acórdão n.º 9202004.551 CSRFT2 Fl. 1.880 7 Dessa forma, se a situação enfrentada no acórdão recorrido fosse apresentada ao colegiado responsável pelo acórdão paradigma, utilizandose sua razão de decidir, teríamos decisão diferente, o que é suficiente para comprovação a divergência jurisprudencial. Portanto conheço do recurso especial do Sujeito Passivo. Passando ao mérito, entendo não assistir razão à recorrente. Com efeito, o Anexo II do RICARF/2009 não continha qualquer dispositivo que tornasse obrigatória a ciência da contribuinte com relação aos embargos opostos às decisões anteriores. Aliás tal previsão só existia em favor da atuação dos Procuradores da Fazenda Nacional, conforme disposto no § 3º do art. 81 do mesmo anexo do RICARF: Art. 81. Atuarão junto ao CARF, em defesa dos interesses da Fazenda Nacional, os Procuradores da Fazenda Nacional credenciados pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. (...) § 3° Os Procuradores da Fazenda Nacional credenciados serão intimados dos despachos relativos aos embargos e à admissibilidade de recurso especial e dos acórdãos contrários à Fazenda Nacional. (Grifei.) Esclareçase que no atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 2015, com a redação dada pela Portaria MF n° 39, de 2016, não existe mais previsão de intimação de quaisquer das contrapartes quanto a despachos relativos aos embargos da outra parte, que tenham sido admitidos. Não há que se em lacuna no tratamento da questão o RICARF então vigente determinava cientificação à Fazenda e não determinava essa cientificação ao contribuinte. Analisando sistemática e teleologicamente, entendese que os embargos não são uma via para discussão do caso em si, mas somente de esclarecimento de uma decisão que esteja viciada, por omissão, contradição ou obscuridade. Assim, um acórdão em embargos é integrativo do acórdão original, devendo ser tratado como parte de seu antecessor e não como ente de existência própria. Ora, se o vício não estivesse presente no acórdão original, sua ciência aos interessados seria suficiente para o correto seguimento do processo. De forma semelhante, na existência de vício no acórdão original, a ciência desse acórdão, conjuntamente com o acórdão em embargos, que o integra, também deve ser suficiente para o correto seguimento do processo. Portanto, não há se falar em cerceamento do direito de defesa quando o rito processual do RICARF prevê a possibilidade de recurso após as decisões dos embargos com infringências que passaram a integrar a decisão embargada e não substituíla, como salientado no despacho que não acolheu os embargos da contribuinte, à fl. 1817 in fine. Com efeito, os embargos foram julgados em sessão pública e sua apreciação foi publicada no Diário Oficial da União, garantindo a defesa da parte. Adicionalmente, os efeitos infringentes de embargos são uma decorrência da correção do vício apontado, o que não afronta o direito das partes. Fl. 1883DF CARF MF 8 Conclusão Pelos motivos acima expostos, voto por conhecer do recurso especial da contribuinte, para, no mérito, negarlhe provimento, mantendo o acórdão de recurso voluntário com as alterações decorrentes dos embargos infringentes admitidos pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Declaração de Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Em que pese o excelente voto do relator, discordo do encaminhamento de seu voto, seguindo meu entendimento pessoal referente a necessidade de intimação da parte contrária quando houver a interposição de Embargos de Declaração com efeitos infringentes. Sendo assim acolho o pedido do contribuinte e voto por baixar o feito em diligência para sanar vício processual que atenta contra o Devido Processo Legal: ampla defesa e contraditório. Observo que quando interpostos os Embargos de Declaração pela Fazenda Nacional este tinha manifesto intuito infringente. È claro que toda interposição de Embargos de Declaração tem intuito modificativo, contudo este é diferente do intuito infringente, no qual se busca por via de uma correção de alegada omissão, contrariedade ou obscuridade modificar o mérito do julgamento. Os Tribunais Superiores já vinham de modo pacífico adotando a necessidade de intimação da parte contrária quando interpostos embargos com efeitos infringentes, o que veio agora a ser pontuado expressamente pela redação do Código de Processo Civil de 2015, artigo 1023, § 2, do CPC, com a aplicação subsidiária prevista no art. 15 deste mesmo diploma legal, demonstrando ser essa a intenção do nosso ordenamento jurídico: transparência a fim de preservar o contraditório e a ampla defesa. Ressalto que esta casa já possui, inclusive, posicionamentos a este respeito como, podese observar no despacho de admissibilidade de embargos do Conselheiro Diego Diniz Ribeiro, que verificando o intuito infringente do recurso manejado determina de plano a citação da parte contrária, no processo N. 10930.907888/201127 da 4ª Câmara – 2ª Turma Ordinária – 3ª Seção, conforme excerto: Fl. 1884DF CARF MF Processo nº 10245.000582/200951 Acórdão n.º 9202004.551 CSRFT2 Fl. 1.881 9 “O recurso é tempestivo e preenche os demais pressupostos formais de admissibilidade, razão pela qual deve ser admitido. Antes, todavia, de submetêlo a julgamento, convém destacar que eventual acolhimento da pretensão externada pela recorrente tem o condão de dotar os embargos de declaração interpostos de notório efeito infringente. Em outros termos, os embargos de declaração aqui admitidos apresenta um potencial efeito infringente o que, por seu turno, implica a convocação subsidiária1 do disposto no art. 1.023, §2o do novo CPC, in verbis: Art. 1.023. Os embargos serão opostos, no prazo de 5 (cinco) dias, em petição dirigida ao juiz, com indicação do erro, obscuridade, contradição ou omissão, e não se sujeitam a preparo. (...). § 2o O juiz intimará o embargado para, querendo, manifestar se, no prazo de 5 (cinco) dias, sobre os embargos opostos, caso seu eventual acolhimento implique a modificação da decisão embargada. (g.n.). 9. Referido dispositivo está em perfeita sintonia com as ideias de cooperação2 e de um contraditório moderno e maximizado3, as quais, por seu turno, implicam a construção democrática das decisões de caráter judicativo. Afastase, com isso, das emboloradas ideias do iura novit curia e do mihi factum dabo tibi ius, que não cabem mais em um modelo de processo em tempo de pósmodernidade. 10. Diante de tais fundamentos e levando em consideração o potencial efeito infringente dos embargos de declaração interpostos, resolvo intimar o contribuinte para que, querendo, se manifeste a respeito do recurso interposto, manifestação essa que deverá ser externada no prazo de 5 (cinco) dias.” Considerando que nosso Regimento Interno RICARF é silente sobre o tema, e que os Tribunais já haviam pacificado a questão, aplico esta determinação mesmo para os recursos interpostos e julgados antes da vigência do Novo CPC. Faço isso com base no art. 2º da Lei 9784/99, que preleciona que a Administração Pública deve agir conforme a Lei e o 1 Nos exatos termos do que prevê o NCPC: "Art. 15. Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente." 2 Exatamente como prevê o art. 6o. do NCPC: "Art. 6o Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva." 3 "Art. 9o Não se proferirá decisão contra uma das partes sem que ela seja previamente ouvida. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica: I à tutela provisória de urgência; II às hipóteses de tutela da evidência previstas no art. 311, incisos II e III; III à decisão prevista no art. 701. Art. 10. O juiz não pode decidir, em grau algum de jurisdição, com base em fundamento a respeito do qual não se tenha dado às partes oportunidade de se manifestar, ainda que se trate de matéria sobre a qual deva decidir de ofício." Fl. 1885DF CARF MF 10 Direito, sendo que acolho como fonte do Direito o posicionamento pacífico dos Tribunais quanto ao tema. Diante do exposto, em respeito ao Devido Processo Legal garantido na Constituição Federal de 1988 e na norma que regula o Processo Administrativo Federal Lei 9784/99, com apoio no entendimento firmado pela jurisprudência pátria, voto por baixar o feito em diligência para sanar a ilegalidade apontada nos seguintes termos: 1. intimar o contribuinte acerca dos embargos de declaração com efeitos infringentes interpostos pela parte contrária, para que, querendo, se manifeste a respeito do recurso interposto, manifestação essa que deverá ser externada no prazo de 5 (cinco) dias. Ressalto que todos os atos realizados após a admissão dos embargos e que não atenderam a esta necessidade de ciência deverão ser anulados e repetidos na forma legal. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 1886DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10469.905510/2009-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO INCONTROVERSO.
É de se reconhecer o direito creditório utilizado em compensação declarada pelo contribuinte quando ratificado pelo próprio Fisco em atendimento à diligência.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-003.268
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado com certificado digital)
Antônio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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DIREITO CREDITÓRIO INCONTROVERSO. É de se reconhecer o direito creditório utilizado em compensação declarada pelo contribuinte quando ratificado pelo próprio Fisco em atendimento à diligência. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antônio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório A empresa em epígrafe enviou PER/DCOM, com base em crédito oriundo de suposto "pagamento indevido ou a maior". Foi exarado despacho decisório eletrônico que não homologou a compensação sob o fundamento de que só foram encontrados pagamentos, "mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 90 55 10 /2 00 9- 78 Fl. 2879DF CARF MF Processo nº 10469.905510/200978 Acórdão n.º 3402003.268 S3C4T2 Fl. 3 2 O contribuinte manifestou sua inconformidade contra esse despacho, alegando que havia calculado as contribuições PIS/COFINS sobre seu faturamento total, quando, na verdade, a grande maioria de suas vendas são de frutas e verduras, as quais têm sua alíquota reduzida a 0% quando destinadas ao mercado interno, conforme art. 28 da Lei 10.865/2004. Contudo, alega que recalculou os impostos mas não retificou a DCTF, pelo que a RFB não teria encontrado a existência de crédito. Informa que para corrigir a situação foi feita retificação na DCTF relativa ao período. A DRJ/Recife julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Contra essa decisão a empresa manejou recurso voluntário, no qual repisa o disposto em sua manifestação de inconformidade, juntando notas fiscais. A 2ª Turma Especial desta 3ª Seção, por meio da Resolução 3802000.037, converteu o julgamento em diligência nos seguintes termos: Assim, diante dos elementos constantes dos autos, voto para a conversão do presente julgamento em diligência a fim de que a unidade preparadora, frente à documentação anexa ao processo e demais documentos e esclarecimentos que julgar necessários indagar à suplicante, se manifeste sobre a COFINS efetivamente devida no período de que trata o pleito. Considerando que o presente é um dos 31 processos em nome da interessada que trata de aduzido direito creditório pelo pagamento indevido da COFINS nos anosbase de 2005 e de 2006, poderão ser elaborados, para fins de atendimento à presente diligência, relatório e, sendo o caso, planilha demonstrativa única, em que sejam discriminadas as bases de cálculo mensais, a COFINS efetivamente devida e a COFINS paga em cada um dos períodos correspondentes. Em seu Relatório de Diligência Fiscal, a DRF/Natal reconheceu o direito creditório do contribuinte, em montante suficiente para homologar a compensação declarada, assim concluindo: (...)Assim sendo, esta unidade preparadora oferece ao CARF parecer pugnando pelo provimento do Recurso Voluntário apresentado nos processos em epígrafe relacionados. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.260, de 27 de setembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10469.903727/200943, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.260): Fl. 2880DF CARF MF Processo nº 10469.905510/200978 Acórdão n.º 3402003.268 S3C4T2 Fl. 4 3 "Emerge do relatado que a própria RFB entende que o contribuinte tem direito ao crédito utilizado na compensação declarada. Assim, diante do resultado da diligência fiscal, é de ser reconhecido o crédito utilizado na compensação declarada, cujo montante é suficiente para sua homologação. Diante do exposto, dou provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dáse provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório utilizado na compensação declarada. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 2881DF CARF MF
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Numero do processo: 15868.720137/2012-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Aug 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
OBTENÇÃO DE DADOS BANCÁRIOS DE SUJEITO PASSIVO SOB PROCEDIMENTO FISCAL. CONSTITUCIONALIDADE.
O Supremo Tribunal Federal fixou o entendimento de que a obtenção pelo fisco de dados de contribuintes submetidos a procedimento fiscal não representa inconstitucionalidade.
MENÇÃO PELO FISCO DE FATOS OCORRIDOS FORA DO PERÍODO FISCALIZADO. INOCORRÊNCIA DE IRREGULARIDADE.
Não representa irregularidade a menção no relato fiscal, a título ilustrativo, de fatos ocorridos fora do período fiscalizado, desde que não se inclua na apuração fatos geradores correspondentes a este lapso temporal e que o contribuinte possa se defender com amplitude contra esses fatos.
INCORREÇÃO NA INDICAÇÃO DO DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO DO CONTRIBUINTE.
Os documentos que compõe os autos e as evidências verificadas no procedimento fiscal não deixam dúvida que o fisco acertou ao eleger como domicílio fiscal do contribuinte a cidade de Andradina/SP.
AUTORIDADE DEVIDAMENTE DESIGNADA PARA O PROCEDIMENTO FISCAL. COMPETÊNCIA.
É competente a Autoridade Fiscal vinculada a Delegacia da Receita Federal situada em lugar diferente do domicílio do sujeito passivo, desde que devidamente autorizada.
RECEITAS DE ALUGUÉIS DE AERONAVES. OMISSÃO.
É procedente a constatação de infração decorrente da omissão de receitas decorrentes de locação de aeronaves pertencentes ao contribuinte, posto que a alegação de existência de contrato de mútuo não foi comprovada documentalmente.
RECEITAS DA ATIVIDADE RURAL. OMISSÃO.
Caracterizada a omissão decorrente da falta de escrituração e declaração de receitas advindas da atividade rural, infração esta que o contribuinte não conseguiu afastar mediante a apresentação de provas convincentes.
INVESTIMENTOS NA ATIVIDADE RURAL LANÇADOS EM DUPLICIDADE. PROCEDÊNCIA DAS GLOSAS.
São procedentes as glosas decorrentes de duplicidades de lançamentos concernentes a investimentos na atividade rural, não servindo para afastar a imputação fiscal a alegação de que se trataram de equívocos do setor contábil.
DESPESAS COM AERONAVES NÃO UTILIZADAS EXCLUSIVAMENTE NA ATIVIDADE RURAL. PROCEDÊNCIA DAS GLOSAS.
Tendo o fisco demonstrado que as aeronaves não eram utilizados exclusivamente na atividade rural devem ser mantidas as glosas de despesas com estes meios de transporte.
APRECIAÇÃO DEFICIENTE DE DOCUMENTOS. INOCORRÊNCIA.
Não cabe o pedido de reapreciação de documentos, posto que o relato de fisco e os quadros demonstrativos produzidos durante a apuração fiscal revelam que os elementos exibidos pelo sujeito passivo foram satisfatoriamente analisados.
GLOSAS DE DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS À ATIVIDADE RURAL. PROCEDÊNCIA.
O fisco efetuou glosas de despesas não necessárias à atividade rural pautando-se pelas determinações legais, não havendo espaço para que se insinue que foi aplicado critério subjetivo para exclusão destas despesas.
PAGAMENTO RELATIVO À AMORTIZAÇÃO DE MÚTUO. INDEDUTIBILIDADE.
Não são dedutíveis como despesas da atividade rural os valores referentes a pagamentos de mútuos, mesmo que contraídos para investimentos nesta atividade, posto que a dedução já é efetuada quando do efetivo gasto com itens necessários à manutenção da fonte produtora.
GLOSAS DE DESPESAS COM CPMF INCIDENTES SOBRE QUANTIAS NÃO APLICADAS NA ATIVIDADE RURAL. PROCEDÊNCIA.
Apenas a CPMF incidente sobre as quantias efetivamente dispendidas com a atividade rural podem ser deduzidas como despesas para fins de apuração seu resultado.
JUROS RELATIVOS A FINANCIAMENTOS APLICADOS EM PROJETOS DE OUTRAS EMPRESAS. INDEDUTIBILIDADE.
Os juros de financiamentos contraídos pelo sujeito passivo e aplicados em outras empresas, mesmo que atuantes na atividade rural, não são dedutíveis como despesas do contribuinte.
JUROS SOBRE EMPRÉSTIMOS CONTRAÍDOS POR OUTRAS PESSOAS FÍSICAS. INDEDUTIBILIDADE.
Não há espaço para dedução de despesas referentes a juros sobre financiamentos contraídos por outras pessoas físicas.
JUROS SOBRE ADIANTAMENTOS PARA ENTREGA FUTURA DE PRODUÇÃO. GLOSA DO EXCESSO.
Devem ser glosadas despesas escrituradas como juros decorrentes de adiantamentos para entrega futura de produção na parte que excedeu ao valor dos acréscimos efetivamente pagas ao adquirente.
GANHO DE CAPITAL. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO CUSTO DE AQUISIÇÃO. APURAÇÃO COM BASE NO CUSTO ZERO.
Na apuração do ganho de capital na alienação de bens ou direitos, deve-se adotar o custo de aquisição como zero, quando não haja a sua comprovação.
OMISSÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ELEMENTO CARACTERIZADOR DO FATO GERADOR. PRESUNÇÃO LEGAL.A presunção legal de omissão de rendimentos prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários cuja origem não foi comprovada pelo sujeito passivo. Excluem-se da presunção apenas os valores devidamente comprovados.
MULTA QUALIFICADA. COMPROVAÇÃO DE CONDUTA DOLOSA. PROCEDÊNCIA.
A multa qualificada tem lugar quando o fisco consegue demonstrar a ocorrência de conduta dolosa tendente a ocultar o fato gerador do conhecimento do fisco. Na espécie, a utilização como despesa de juros sobre financiamentos desviados para outras empresas ou não aplicados na atividade rural justifica a imposição da multa exasperada.
Recursos de Ofício Negado e Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.465
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso de ofício e negar-lhe provimento e, quanto ao recurso voluntário, conhecê-lo e negar conhecimento às razões apresentadas posteriormente e, no mérito, negar-lhe provimento
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo
Relator e Presidente
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Amílcar Barca Teixeira Junior, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild, João Victor Ribeiro Aldinucci e Theodoro Vicente Agostinho.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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Os documentos que compõe os autos e as evidências verificadas no procedimento fiscal não deixam dúvida que o fisco acertou ao eleger como domicílio fiscal do contribuinte a cidade de Andradina/SP. AUTORIDADE DEVIDAMENTE DESIGNADA PARA O PROCEDIMENTO FISCAL. COMPETÊNCIA. É competente a Autoridade Fiscal vinculada a Delegacia da Receita Federal situada em lugar diferente do domicílio do sujeito passivo, desde que devidamente autorizada. RECEITAS DE ALUGUÉIS DE AERONAVES. OMISSÃO. É procedente a constatação de infração decorrente da omissão de receitas decorrentes de locação de aeronaves pertencentes ao contribuinte, posto que a alegação de existência de contrato de mútuo não foi comprovada documentalmente. RECEITAS DA ATIVIDADE RURAL. OMISSÃO. Caracterizada a omissão decorrente da falta de escrituração e declaração de receitas advindas da atividade rural, infração esta que o contribuinte não conseguiu afastar mediante a apresentação de provas convincentes. INVESTIMENTOS NA ATIVIDADE RURAL LANÇADOS EM DUPLICIDADE. PROCEDÊNCIA DAS GLOSAS. São procedentes as glosas decorrentes de duplicidades de lançamentos concernentes a investimentos na atividade rural, não servindo para afastar a imputação fiscal a alegação de que se trataram de equívocos do setor contábil. DESPESAS COM AERONAVES NÃO UTILIZADAS EXCLUSIVAMENTE NA ATIVIDADE RURAL. PROCEDÊNCIA DAS GLOSAS. Tendo o fisco demonstrado que as aeronaves não eram utilizados exclusivamente na atividade rural devem ser mantidas as glosas de despesas com estes meios de transporte. APRECIAÇÃO DEFICIENTE DE DOCUMENTOS. INOCORRÊNCIA. Não cabe o pedido de reapreciação de documentos, posto que o relato de fisco e os quadros demonstrativos produzidos durante a apuração fiscal revelam que os elementos exibidos pelo sujeito passivo foram satisfatoriamente analisados. GLOSAS DE DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS À ATIVIDADE RURAL. PROCEDÊNCIA. O fisco efetuou glosas de despesas não necessárias à atividade rural pautando-se pelas determinações legais, não havendo espaço para que se insinue que foi aplicado critério subjetivo para exclusão destas despesas. PAGAMENTO RELATIVO À AMORTIZAÇÃO DE MÚTUO. INDEDUTIBILIDADE. Não são dedutíveis como despesas da atividade rural os valores referentes a pagamentos de mútuos, mesmo que contraídos para investimentos nesta atividade, posto que a dedução já é efetuada quando do efetivo gasto com itens necessários à manutenção da fonte produtora. GLOSAS DE DESPESAS COM CPMF INCIDENTES SOBRE QUANTIAS NÃO APLICADAS NA ATIVIDADE RURAL. PROCEDÊNCIA. Apenas a CPMF incidente sobre as quantias efetivamente dispendidas com a atividade rural podem ser deduzidas como despesas para fins de apuração seu resultado. JUROS RELATIVOS A FINANCIAMENTOS APLICADOS EM PROJETOS DE OUTRAS EMPRESAS. INDEDUTIBILIDADE. Os juros de financiamentos contraídos pelo sujeito passivo e aplicados em outras empresas, mesmo que atuantes na atividade rural, não são dedutíveis como despesas do contribuinte. JUROS SOBRE EMPRÉSTIMOS CONTRAÍDOS POR OUTRAS PESSOAS FÍSICAS. INDEDUTIBILIDADE. Não há espaço para dedução de despesas referentes a juros sobre financiamentos contraídos por outras pessoas físicas. JUROS SOBRE ADIANTAMENTOS PARA ENTREGA FUTURA DE PRODUÇÃO. GLOSA DO EXCESSO. Devem ser glosadas despesas escrituradas como juros decorrentes de adiantamentos para entrega futura de produção na parte que excedeu ao valor dos acréscimos efetivamente pagas ao adquirente. GANHO DE CAPITAL. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO CUSTO DE AQUISIÇÃO. APURAÇÃO COM BASE NO CUSTO ZERO. Na apuração do ganho de capital na alienação de bens ou direitos, deve-se adotar o custo de aquisição como zero, quando não haja a sua comprovação. OMISSÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ELEMENTO CARACTERIZADOR DO FATO GERADOR. PRESUNÇÃO LEGAL.A presunção legal de omissão de rendimentos prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários cuja origem não foi comprovada pelo sujeito passivo. Excluem-se da presunção apenas os valores devidamente comprovados. MULTA QUALIFICADA. COMPROVAÇÃO DE CONDUTA DOLOSA. PROCEDÊNCIA. A multa qualificada tem lugar quando o fisco consegue demonstrar a ocorrência de conduta dolosa tendente a ocultar o fato gerador do conhecimento do fisco. Na espécie, a utilização como despesa de juros sobre financiamentos desviados para outras empresas ou não aplicados na atividade rural justifica a imposição da multa exasperada. Recursos de Ofício Negado e Voluntário Negado.
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CONSTITUCIONALIDADE. O Supremo Tribunal Federal fixou o entendimento de que a obtenção pelo fisco de dados de contribuintes submetidos a procedimento fiscal não representa inconstitucionalidade. MENÇÃO PELO FISCO DE FATOS OCORRIDOS FORA DO PERÍODO FISCALIZADO. INOCORRÊNCIA DE IRREGULARIDADE. Não representa irregularidade a menção no relato fiscal, a título ilustrativo, de fatos ocorridos fora do período fiscalizado, desde que não se inclua na apuração fatos geradores correspondentes a este lapso temporal e que o contribuinte possa se defender com amplitude contra esses fatos. INCORREÇÃO NA INDICAÇÃO DO DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO DO CONTRIBUINTE. Os documentos que compõe os autos e as evidências verificadas no procedimento fiscal não deixam dúvida que o fisco acertou ao eleger como domicílio fiscal do contribuinte a cidade de Andradina/SP. AUTORIDADE DEVIDAMENTE DESIGNADA PARA O PROCEDIMENTO FISCAL. COMPETÊNCIA. É competente a Autoridade Fiscal vinculada a Delegacia da Receita Federal situada em lugar diferente do domicílio do sujeito passivo, desde que devidamente autorizada. RECEITAS DE ALUGUÉIS DE AERONAVES. OMISSÃO. É procedente a constatação de infração decorrente da omissão de receitas decorrentes de locação de aeronaves pertencentes ao contribuinte, posto que a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 86 8. 72 01 37 /2 01 2- 01 Fl. 18075DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 alegação de existência de contrato de mútuo não foi comprovada documentalmente. RECEITAS DA ATIVIDADE RURAL. OMISSÃO. Caracterizada a omissão decorrente da falta de escrituração e declaração de receitas advindas da atividade rural, infração esta que o contribuinte não conseguiu afastar mediante a apresentação de provas convincentes. INVESTIMENTOS NA ATIVIDADE RURAL LANÇADOS EM DUPLICIDADE. PROCEDÊNCIA DAS GLOSAS. São procedentes as glosas decorrentes de duplicidades de lançamentos concernentes a investimentos na atividade rural, não servindo para afastar a imputação fiscal a alegação de que se trataram de equívocos do setor contábil. DESPESAS COM AERONAVES NÃO UTILIZADAS EXCLUSIVAMENTE NA ATIVIDADE RURAL. PROCEDÊNCIA DAS GLOSAS. Tendo o fisco demonstrado que as aeronaves não eram utilizados exclusivamente na atividade rural devem ser mantidas as glosas de despesas com estes meios de transporte. APRECIAÇÃO DEFICIENTE DE DOCUMENTOS. INOCORRÊNCIA. Não cabe o pedido de reapreciação de documentos, posto que o relato de fisco e os quadros demonstrativos produzidos durante a apuração fiscal revelam que os elementos exibidos pelo sujeito passivo foram satisfatoriamente analisados. GLOSAS DE DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS À ATIVIDADE RURAL. PROCEDÊNCIA. O fisco efetuou glosas de despesas não necessárias à atividade rural pautandose pelas determinações legais, não havendo espaço para que se insinue que foi aplicado critério subjetivo para exclusão destas despesas. PAGAMENTO RELATIVO À AMORTIZAÇÃO DE MÚTUO. INDEDUTIBILIDADE. Não são dedutíveis como despesas da atividade rural os valores referentes a pagamentos de mútuos, mesmo que contraídos para investimentos nesta atividade, posto que a dedução já é efetuada quando do efetivo gasto com itens necessários à manutenção da fonte produtora. GLOSAS DE DESPESAS COM CPMF INCIDENTES SOBRE QUANTIAS NÃO APLICADAS NA ATIVIDADE RURAL. PROCEDÊNCIA. Apenas a CPMF incidente sobre as quantias efetivamente dispendidas com a atividade rural podem ser deduzidas como despesas para fins de apuração seu resultado. JUROS RELATIVOS A FINANCIAMENTOS APLICADOS EM PROJETOS DE OUTRAS EMPRESAS. INDEDUTIBILIDADE. Os juros de financiamentos contraídos pelo sujeito passivo e aplicados em outras empresas, mesmo que atuantes na atividade rural, não são dedutíveis como despesas do contribuinte. Fl. 18076DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15868.720137/201201 Acórdão n.º 2402005.465 S2C4T2 Fl. 18.076 3 JUROS SOBRE EMPRÉSTIMOS CONTRAÍDOS POR OUTRAS PESSOAS FÍSICAS. INDEDUTIBILIDADE. Não há espaço para dedução de despesas referentes a juros sobre financiamentos contraídos por outras pessoas físicas. JUROS SOBRE ADIANTAMENTOS PARA ENTREGA FUTURA DE PRODUÇÃO. GLOSA DO EXCESSO. Devem ser glosadas despesas escrituradas como juros decorrentes de adiantamentos para entrega futura de produção na parte que excedeu ao valor dos acréscimos efetivamente pagas ao adquirente. GANHO DE CAPITAL. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO CUSTO DE AQUISIÇÃO. APURAÇÃO COM BASE NO CUSTO ZERO. Na apuração do ganho de capital na alienação de bens ou direitos, devese adotar o custo de aquisição como zero, quando não haja a sua comprovação. OMISSÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ELEMENTO CARACTERIZADOR DO FATO GERADOR. PRESUNÇÃO LEGAL.A presunção legal de omissão de rendimentos prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários cuja origem não foi comprovada pelo sujeito passivo. Excluemse da presunção apenas os valores devidamente comprovados. MULTA QUALIFICADA. COMPROVAÇÃO DE CONDUTA DOLOSA. PROCEDÊNCIA. A multa qualificada tem lugar quando o fisco consegue demonstrar a ocorrência de conduta dolosa tendente a ocultar o fato gerador do conhecimento do fisco. Na espécie, a utilização como despesa de juros sobre financiamentos desviados para outras empresas ou não aplicados na atividade rural justifica a imposição da multa exasperada. Recursos de Ofício Negado e Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 18077DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso de ofício e negarlhe provimento e, quanto ao recurso voluntário, conhecêlo e negar conhecimento às razões apresentadas posteriormente e, no mérito, negarlhe provimento (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Relator e Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Amílcar Barca Teixeira Junior, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild, João Victor Ribeiro Aldinucci e Theodoro Vicente Agostinho. Fl. 18078DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15868.720137/201201 Acórdão n.º 2402005.465 S2C4T2 Fl. 18.077 5 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo acima identificado contra decisão que declarou improcedente em parte a sua impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração que integra o presente processo. Conforme descrição da autoridade fiscal, fls. 17.655/17.660, a exigência decorreu das seguintes infrações à legislação tributária: a) omissão de rendimentos de aluguéis de aeronaves recebidos de pessoa jurídica, conforme item 1 do Termo de Constatação Fiscal TCF, nos anoscalendário 2008 e 2009; b) omissão de rendimentos de atividade rural, conforme subitens 2.2.1 a 2.2.8, 2.3.1 a 2.3.4 e 2.4.1 a 2.4.12, resumidos no subitem 2.5 do TCF, nos anoscalendário 2007 a 2008; c) ganhos de capital na alienação de bens e direitos adquiridos em reais, conforme item 3 do TCF, no anocalendário 2009; d) omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme item 4 do TCF e Demonstrativo de Depósitos Bancários de Origem não Comprovada, infração caracterizada nos anoscalendário 2007 a 2009. Cientificado do lançamento em 06/08/2012 (fl. 17.669), o autuado apresentou, em 04/09/2012, a impugnação de fls. 17.676/17.764, na qual suscitou questões preliminares, decadência e matérias de mérito. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento DRJ exarou decisão de fls. 17.792/17.846, a qual afastou as questões preliminares e a decadência, no mérito, acatou em parte as razões defensórias para no mérito: a) afastar a imputação de omissão de receita da atividade rural no valor de R$ 5.250.000,00; referente ao anocalendário de 2007; b) afastar a omissão de receita da atividade rural no valor de R$ 184.101,00 no anocalendário de 2008. Eis a ementa da decisão a quo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário:2007, 2008, 2009 PRELIMINAR. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. Fl. 18079DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 6 Havendo procedimento administrativo regularmente instaurado, não constitui quebra do sigilo bancário a obtenção, pelos órgãos fiscais tributários do Ministério da Fazenda e dos Estados, de dados sobre a movimentação bancária dos contribuintes. CERCEAMENTO DE DEFESA. Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendose, então, falar em contraditório e ampla defesa, sendo improcedente a preliminar de cerceamento do direito de defesa quando concedida, na fase de impugnação, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos. PRELIMINAR. NULIDADE. ALTERAÇÃO DO DOMICÍLIO FISCAL. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE LANÇADORA. A alteração de ofício do domicílio fiscal do contribuinte é válida, quando amparada em farta documentação comprovando o real domicílio tributário. A exigência de crédito tributário é válida, mesmo que formalizada por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo, haja vista que o início do procedimento fiscal previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer. Tendo o auto de infração sido lavrado por servidor competente, com estrita observância das normas reguladoras da atividade de lançamento e existentes no instrumento todas as formalidades necessárias para que o contribuinte exerça o direito do contraditório e da ampla defesa, não há que se cogitar em nulidade. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS. Comprovado o pagamento de locação de aeronaves pertencentes ao contribuinte, não declarado no ajuste anual correspondente, infirmase a omissão apurada pelo Fisco. ATIVIDADE RURAL. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. São tributáveis os rendimentos comprovadamente recebidos pelo contribuinte no desempenho de sua atividade rural, devendo ser mantida a glosa das despesas e dos investimentos relativos à atividade quando não for comprovado o cumprimento dos requisitos legais para sua dedutibilidade. GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO Tributase o ganho de capital decorrente do lucro auferido com a alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, caracterizado pela diferença positiva entre o valor de venda e o respectivo custo de aquisição. Na ausência de valor pago, o custo de aquisição será igual a zero. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATOS GERADORES A PARTIR DE 01/01/1997. Fl. 18080DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15868.720137/201201 Acórdão n.º 2402005.465 S2C4T2 Fl. 18.078 7 A Lei nº 9430/96, que teve vigência a partir de 01/01/1997, estabeleceu, em seu art. 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito ou investimento. O lançamento com base em presunção legal transfere o ônus da prova ao contribuinte em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte" Referente à parte do crédito exonerada, a DRJ recorreu de ofício. O contribuinte foi cientificado da decisão em 11/10/2013, fls. 17.851, tendo apresentado em 07/11/2013 o recurso de fls. 17.853/17.945, acompanhado dos documentos de fls. 17.946/18.056. Para não tornar o voto por demais enfadonho, todas as questões aventadas no recurso serão mencionadas no voto, onde serão devidamente apreciadas. É o relatório. Fl. 18081DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 8 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo Relator Admissibilidade O recurso voluntário merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Também se deve conhecer do recurso de ofício, posto que o valor exonerado supera o limite fixado por ato do Ministro da Fazenda. Recurso de ofício Uma das omissões de receita da atividade rural apontadas pelo fisco diz respeito à da alienação das benfeitorias da Fazenda Santa Izabel, mediante incorporação ao capital da MCL, mencionada no TCF (fls. 17.449 a 17.652). Ali consta que o contribuinte incorporou a Fazenda Santa Izabel ao capital da MCL Empreendimentos e Negócios Ltda. pelo valor de R$ 13.717.500,00, em 01/10/2007, conforme declarado na DIRPF 2008. O fisco então tributou as benfeitorias como se fora receita da atividade rural. O contribuinte para rebater essa parte da apuração alega que adquiriu o imóvel rural pelo valor total de R$ 13.717.500,00, conforme Escritura Pública de Compra e Venda devidamente apresentada à fiscalização e que a incorporou pelo mesmo preço ao capital da MCL, não tendo auferido ganho ou receia da atividade rural com a transferência desse imóvel. Para fundamentar sua alegação, cita ainda o art. 19, §2º, I, da Instrução Normativa SRF n.º 84, de 11/10/2001, que assevera que a parcela do preço correspondente às benfeitorias só é computada como receita da atividade rural quando o seu valor houver sido deduzido como custo ou despesa da atividade rural. O órgão de primeira instância deu provimento a esta razão do sujeito passivo, recorrendo de ofício da decisão quanto a esta parte. Desta infração, penso que o sujeito passivo deve ser exonerado. De acordo com a regra normativa invocada pelo contribuinte, somente cabe apuração da receita da atividade rural com a venda de benfeitorias, quando o alienante lança o valor das benfeitorias como despesas da atividade rural. A DRJ concordou com a tese da defesa, demonstrando que o sujeito passivo não houvera se utilizado da faculdade de deduzir as benfeitorias como despesas, por isso não caberia a tributação como receita da atividade rural, mas como ganho de capital. Por isso deu razão ao sujeito passivo, exonerandoo do pagamento do tributo e acréscimos decorrentes de omissão no anocalendário 2007, de receita da atividade rural no valor de R$ 5.250.000,00. Para ilustrar melhor essa situação vou me valer de citação extraída do Perguntas e Respostas elaborados pela RFB e mencionada na decisão a quo: Fl. 18082DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15868.720137/201201 Acórdão n.º 2402005.465 S2C4T2 Fl. 18.079 9 " Sobre o tema, a pergunta 490 do Perguntas e Respostas do Exercício 2005: “490 Qual o valor de venda a ser atribuído às benfeitorias vendidas quando no instrumento de transmissão da propriedade rural não constar em separado o valor das benfeitorias? No caso de alienação de imóvel rural sem que o instrumento público de transmissão identifique separadamente o valor de alienação da terra nua e das benfeitorias, o valor de venda a ser atribuído às benfeitorias é determinado da maneira a seguir descrita. 1 Contribuinte computou como despesa da atividade rural as benfeitorias a) calculase o valor das benfeitorias que foram deduzidas como custo ou despesa na apuração do resultado da atividade rural da seguinte forma: os valores apropriados nos anoscalendário de 1990 e 1991 devem ser convertidos em Ufir pelo valor de Cr$ 597,06 e reconvertidos para reais pelo valor de R$ 0,6767; os valores apropriados no período de 01/01/1992 a 31/12/1994 em Ufir, mediante a divisão pelo seu valor no mês do pagamento da benfeitoria, devem ser reconvertidos para reais pelo valor de R$ 0,6767; os valores apropriados a partir de 01/01/1995 devem ser considerados pelo seu valor original em reais. b) determinase a relação percentual entre o valor das benfeitorias, que corresponde ao total em reais apurado conforme a alínea "a", e o custo total do imóvel rural em reais (terra nua + benfeitorias); c) aplicase o percentual apurado na alínea "b" sobre o valor de venda do imóvel rural, constante do instrumento público de transmissão. Essa quantia deve ser oferecida à tributação como receita da atividade rural. 2 Contribuinte não computou como despesa da atividade rural as benfeitorias Nesse caso, o valor correspondente às benfeitorias já integra o custo para efeito de apuração do ganho de capital na alienação do imóvel, não existindo receita da atividade rural. Em qualquer das hipóteses, o valor de venda da terra nua não constitui receita da atividade rural e sujeitase à apuração do ganho de capital. (Lei nº 8.023, de 1990, art. 4º, § 3º; RIR/1999, arts. 61 e 117 a 142; IN SRF nº 83, de 2001, arts. 5º e 9º)” Nesse sentido, voto por negar provimento ao recurso de ofício quanto a esta exoneração. O outro valor excluído da base de cálculo pela DRJ diz respeito à nota fiscal n.º 1011636907, emitida em 13/08/2008, correspondente a operação do sujeito passivo com a empresa Malibú Confinamentos de Bovinos Ltda, no valor de R$ 184.101,00. A suposta omissão de receita da atividade rural foi obtida mediante informações repassadas à RFB pela Secretaria de Administração Tributária do Mato Grosso do Sul. Fl. 18083DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 10 Na defesa, o autuado alegou que tal nota fiscal foi extraviada e que o pagamento somente foi efetuado em 14/03/2012, apresentando TED em que a Malibú transfere para o interessado o valor de R$ 184.101,00 (vide fls. 13.825 e 13.826). A DRJ acatou o argumento, sob a justificativa de que não localizou nos autos qualquer evidência de que o pagamento tivesse sido realizado no anocalendário de 2008, além de que o TED de folhas 13.825 não poderia neste anocalendário, uma vez que o pagamento somente teria ocorrido em março de 2012. Não posso deixar de concordar com a decisão quanto a esse aspecto, uma vez que uma em se tratando de imposto de renda das pessoas físicas o regime aplicado é o de caixa, ou seja, as receitas são tributadas no anocalendário de seu recebimento, devendo ser observado expressamente o disposto no artigo 63 do RIR/99: “Art. 63. Considerase resultado da atividade rural a diferença entre o valor da receita bruta recebida e o das despesas pagas no anocalendário, correspondente a todos os imóveis rurais da pessoa física (Lei n.º 8.023, de 1990, art. 4º, e Lei n.º 8.383, de 1991, art. 14).” Nesse sentido, também nego provimento ao recurso de ofício quanto à exclusão da incidência tributária do valor de R$ 184.101,00 no anocalendário 2008. Feitas essas considerações, encaminho por negar provimento à totalidade do recurso de ofício. Recurso Voluntário a) Nulidade decorrente da quebra do sigilo bancário do contribuinte Asseverou o recorrente que a exação decorreu exclusivamente da quebra do seu sigilo bancário, conforme se constata de toda a narrativa expressa no TCF. No seu entender a quebra do sigilo bancário dos contribuintes é medida extrema que afeta a sua intimidade e que somente pode ser efetuada mediante autorização judicial. Nesse sentido o Supremo Tribunal Federal STF declarou inconstitucional os dispositivos da Lei Complementar n.º 105/2001, que no bojo do RE 389.808/PR manifestou o entendimento que apenas o Judiciário detém o poder de autorizar a quebra do sigilo bancário e, mesmo assim, somente nos casos de investigação criminal ou instrução processual penal, o que não é o caso dos autos. Cita precedentes de Tribunais Regionais Federais e do Superior Tribunal de Justiça STJ, que caminharam no mesmo sentido e conclui que se deve declarar a nulidade do lançamento por irregular quebra do sigilo bancário do sujeito passivo ou que se suspenda o julgamento até decisão pelo STF do RE 601.314, onde se reconheceu a repercussão geral sobre o tema. Conforme relatado, o auto de infração foi lavrado com base em dados bancários obtidos nos termos da Lei Complementar nº 105/2001. A celuma acerca da inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancário estava, como afirmou o recorrente, contida no Tema de Repercussão Geral nº 225, da Corte Constitucional. Ocorre que a matéria já foi decidida no bojo do RE nº 601.314, no qual se definiu que: Fl. 18084DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15868.720137/201201 Acórdão n.º 2402005.465 S2C4T2 Fl. 18.080 11 “Decisão: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto do Relator, apreciando o tema 225 da repercussão geral, conheceu do recurso e a este negou provimento, vencidos os Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. Por maioria, o Tribunal fixou, quanto ao item “a” do tema em questão, a seguinte tese: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”; ...” Em suma, o STF já se pronunciou em sede de Repercussão Geral (no RE nº 601.314) sobre a constitucionalidade da referida norma. Nesse sentido é obrigatória a aplicação deste entendimento pelos membros do CARF, a contrário senso do que determina o inciso I do art. 62 do Regimento Interno do CARF, inserto no Anexo do II da Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015 e alterações posteriores, assim redigido: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; (...)" Diante dessas considerações, não é possível dar provimento ao pleito do contribuinte no sentido de anular o auto de infração em razão de suposta ilegalidade na utilização de seus dados bancários pelo fisco. b) Nulidade decorrente da utilização de provas ilícitas Para o recorrente todas as provas emprestadas obtidas do processo n.º 15868.720094/201256 (ação fiscal na empresa MCL Empreendimentos e Negócios Ltda) decorreram da quebra do sigilo bancário do recorrente e, por isso, não poderiam ser utilizadas no combatido auto de infração, sob pena de nulidade, por vício insanável. Como se percebe, este argumento está fincado no pressuposto que teria havido irregular quebra do sigilo fiscal do contribuinte, todavia, como visto no tópico precedente, não ocorreu ilegalidade no procedimento fiscal quanto a essa matéria, conforme já decidido pelo STF no precedente acima. Portanto, essa preliminar também não merece acolhimento. c) Nulidade decorrente de utilização de provas relativas a exercícios fora do período fiscalizado O sujeito passivo acusa o fisco de haver mencionado na acusação fatos que teriam ocorrido em períodos não fiscalizados. Cita que malgrado a fiscalização tenha abrangido exclusivamente os exercícios de 2007, 2008 e 2009, a autoridade lançadora mencionou em seu Fl. 18085DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 12 relato que o contribuinte informou receitas e despesas/investimentos da atividade rural em suas declarações de imposto de renda de 2007 a 2012. Além disso, o fisco para questionar o domicílio tributário do sujeito passivo teria juntado pesquisas referentes ao período de 21/11/2005 a 22/03/2010, conforme consta à fl. 195. Tal expediente, no seu entender, teria prejudicado o seu direito de defesa, posto que o contribuinte não teria sido intimado a se defender desses fatos. Pede então que se reconheça a nulidade do lançamento por vício material. Pareceme que o recorrente não tem razão. Observase que não há qualquer fato gerador de período fora dos exercícios de 2007 a 2009 incluídos no lançamento, assim a delimitação do período fiscalizado foi inteiramente respeitada quanto à exigência dos tributos. Por outro lado, não há de se acatar a existência de cerceamento ao direito de defesa do autuado, posto que os fatos mencionados no recurso foram claramente exposto no TCF não havendo o que se falar em prejuízo ao contribuinte em razão de não haver tomado ciência das mencionadas observações. Andou bem a DRJ ao afirmar que as menções a fatos ocorridos em períodos anteriores a 2007 e posteriores a 2009 tiveram o cunho meramente ilustrativo no sentido de enfatizar discrepâncias entre os rendimentos declarados pelo contribuinte e a sua variação patrimonial, sem que, no entanto, tivesse havido apuração de tributo para o período. Na análise desta questão não se pode perder de vista que durante o procedimento fiscal tem lugar a fase inquisitória ou oficiosa que é impulsionada exclusivamente pelo fisco, onde não há espaço para o contraditório. Ali a autoridade fiscal solicita os documentos ao sujeito passivo e, de posse destes e de outras informações, conclui ou não pela necessidade de efetuar o lançamento de ofício. Em caso afirmativo, cabe ao fisco demonstrar com fatos e documentos a ocorrência das infrações praticadas pelo contribuinte, de modo que esse possa exercer amplamente o seu direito de defesa caso não concorde com o resultado da apuração fiscal. Assim, não há de se acolher a preliminar de nulidade decorrente da menção a fatos ocorridos fora do período fiscalizado, haja vista que tais circunstâncias foram claramente mencionadas na peça de acusação, possibilitando ao sujeito passivo o seu total conhecimento, com plena possibilidade de contrapor às mesmas. d) Nulidade quanto ao erro no domicílio fiscal do contribuinte O recurso inicialmente apresenta os conceitos residência e domicílio para concluir que o fisco fez confusão entre esses dois institutos do Direito Civil e acabou adotando como seu domicílio tributário a cidade de Andradina/SP, quando o domicílio eleito pelo sujeito passivo é a cidade de São Paulo, não havendo qualquer óbice a sua escolha, conforme interpretação do Regulamento do Imposto de Renda RIR, do Código Civil CC e do Código Tributário Nacional CTN. Acerca dessa questão, a DRJ pronunciouse no sentido de que todos as evidências dos autos indicam que o domicílio tributário do autuado era a Rua Mato Grosso, 661, Andradina/SP. Fl. 18086DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15868.720137/201201 Acórdão n.º 2402005.465 S2C4T2 Fl. 18.081 13 Irretocáveis para mim as observações lançadas no acórdão recorrido, onde se menciona que a relação de documentos citados no TCF às fls. 17.644/17.645 dá total respaldo à escolha efetuada pelo fisco quanto ao domicílio tributário do autuado. Observese como exemplo, que todas as intimações pertinente ao procedimento fiscal foram dirigidas ao endereço em Andradina e receberam atendimento do contribuinte, o que comprova que inexistiu prejuízo ao sujeito passivo em razão da eleição do domicílio fiscal na cidade do interior de São Paulo. A própria cientificação do lavratura fiscal, foi efetuada também na cidade de Andradina, tendo o sujeito passivo apresentado sua defesa no prazo legal, inclusive contendo procuração com firma reconhecida pelo recorrente em Cartório de Ofício das Pessoas Naturais na cidade interiorana, o que nos deixa à vontade para concluir que inexistiu o apontado equívoco da autoridade fiscal quanto à fixação do domicílio tributário. e) nulidade quanto à incompetência do Auditor Fiscal Invocando o inciso I do art. 59 do Decreto n.º 70.235/1972, o recorrente suscita nulidade da lavratura decorrente da incompetência territorial do Auditor Fiscal lotado na Delegacia em Araçatuba, cidade distante mais de 500 km da sede do domicílio fiscal do sujeito passivo. Ainda que considerássemos que o domicílio do sujeito passivo fosse o Município de São Paulo, não teríamos como lhe dar razão nesta preliminar. Vejamos. O artigo 142 do Código Tributário Nacional determina a competência da autoridade administrativa para constituição do crédito tributário, sendo esta autoridade representada pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, conforme preceitua a Lei nº 10.593/2002 em seu artigo 6.º, com a redação dada pela Lei nº 11.457/2007: Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; Não se vislumbra na legislação que rege a atuação da Receita Federal do Brasil qualquer limitação territorial na competência dos auditores fiscais para autuação em ações fiscais e tampouco norma que determine que a instauração da ação fiscal deve ser realizada na unidade mais próxima da sede da empresa. Nesse sentido, destaquese que a divisão da Receita Federal do Brasil em Regiões Fiscais ou unidades centrais e descentralizadas constitui ato de natureza administrativa e por isso instituído mediante ato denominado ‘Regimento Interno’, destinandose à organização interna dos trabalhos. O Auditor Fiscal é a autoridade competente para a prática do ato de lançamento em âmbito nacional, constituía, na época do lançamento, requisito para o exercício de sua atividade, que o agente esteja devidamente amparado por ordem específica, representado pelo Mandado de Procedimento Fiscal. Fl. 18087DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 14 Assim dispunha o artigo 2. do Decreto nº 3.724/01: Art. 2o Os procedimentos fiscais relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil serão executados, em nome desta, pelos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil e somente terão início por força de ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), instituído mediante ato da Secretaria da Receita Federal do Brasil. No presente caso, vislumbrase a existência de Mandado de Procedimento fiscal devidamente assinado digitalmente por autoridade competente, com a devida indicação da portaria que delegou a competência para tanto. Além disso, a Portaria RFB nº 3.014/2011 prevê de maneira expressa a possibilidade da ação fiscal ser desenvolvida em unidade de jurisdição diversa do domicílio fiscal do sujeito passivo: Art. 6. (...) § 4 º Os procedimentos de fiscalização a serem realizados na jurisdição de outra unidade descentralizada, subordinada à mesma região fiscal, serão autorizados pelo respectivo Superintendente. Ainda a fundamentar a possibilidade de lavratura do auto de infração em localidade distinta do domicílio fiscal do sujeito passivo, pode ser mencionada à disposição contida no artigo 9. do Decreto nº 70.235/72: Art. 9. A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (...) § 2º Os procedimentos de que tratam este artigo e o art. 7º, serão válidos, mesmo que formalizados por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. § 3º A formalização da exigência, nos termos do parágrafo anterior, previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer. A regra contida no §3.º acima transcrito demonstra de forma clara a possibilidade de formalização de exigência em unidade descentralizada diversa do domicílio fiscal do sujeito passivo ao determinar a prevenção da jurisdição e prorrogação da competência da autoridade que dela primeiro conhecer. Superada a análise das preliminares, passemos à análise do mérito da contenda. f) Omissão de receita aluguel de aeronaves Fl. 18088DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15868.720137/201201 Acórdão n.º 2402005.465 S2C4T2 Fl. 18.082 15 Alegou o contribuinte que na impugnação do lançamento que integra o PAF n.º 15868.720069/201272, em nome da empresa MCL Empreendimentos e Negócios Ltda, foi demonstrado que os depósitos efetuados ao recorrente se deram em virtude de pagamentos de mútuos existentes entre o sujeito passivo e a citada empresa. Sustenta que os documentos exibidos foram desprezados pelo fisco, que se apoiando apenas na falta de identificação dos depósitos constantes nos extratos bancários, classificou os valores envolvidos como omissão de rendimentos. Frisa que o próprio fisco reconhece a existência de diversos contratos de mútuo firmados entre o contribuinte e a empresa em questão, da qual é sócio controlador. No acórdão recorrido, afirma, não houve justificativa para o não acatamento da documentação hábil e idônea apresentada pelo sujeito passivo. Cita a Súmula CARF n.º 67, a qual dispõe acerca da impossibilidade de glosa em apuração de acréscimo patrimonial a descoberto, quando o fisco não demonstra a aplicação dos recursos. Traz a colação texto doutrinário da lavra do Tributarista Hugo de Brito Machado, a Súmula n.º 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos, além de precedentes judiciais e administrativos, onde se manifesta o entendimento quanto à improcedência de lançamentos do IRPF, quando aferido apenas com base em depósitos bancários. Advoga que não sendo o contribuinte obrigado a produzir prova negativa, este deve se defender apontado que a falta de demonstração clara e precisa da ocorrência do fato gerador é causa de nulidade do lançamento. Segundo o recorrente todas as operações que supostamente representam omissão de receita foram devidamente declaradas e comprovadas por meio de documentação idônea, o que permitiu, inclusive que o fisco elaborasse planilha demonstrativa das notas fiscais vinculadas ao lançamento. Caberia ao fisco apreciar os documentos e acatálos ou apresentar provas de que não seriam hábeis a afastar o lançamento. Por outro lado, sustenta, o fisco não teria demonstrado que as transações bancárias em questão teriam sido destinadas a investimentos ou consumos pelo sujeito passivo. Assim o lançamento baseado em suposto acréscimo patrimonial sem a comprovação da destinação do recurso, da efetividade da despesa ou da aplicação do consumo da renda, não pode prosperar, conforme se vê do entendimento expresso na jurisprudência apresentada. O órgão recorrido concluiu que tendo o fisco identificado pagamentos da empresa Florestal Brasil S.A. relativos à locações de aeronaves comprovadamente registradas em nome do sujeito passivo e não tendo tais valores sido oferecidos à tributação, houve de fato a infração de omissão de rendimentos. Quanto à alegação de que tais valores seriam provenientes de contrato de mútuo, esta foi afastada em razão da falta de comprovação mediante apresentação do instrumento de contrato. Fl. 18089DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 16 Pareceme que razão não assiste ao recorrente. O fisco se desincumbiu satisfatoriamente do seu ônus de provar a ocorrência do fato gerador, ou seja indicou o recebimento de valores pelo sujeito passivo decorrentes de aluguel de aeronaves a este pertencente. Essa questão é incontroversa. Assim, restou demonstrado que se concretizou a hipótese de incidência prevista no inciso art. 43 do CTN, qual seja a aquisição de disponibilidade econômica decorrente do rendimento do capital. O autuado para desconstituir a pretensão fiscal argumentou que os valores mencionados pelo fisco se referem a pagamentos relativos a contrato de mútuo firmado com empresa da qual é controlador. Ocorre que o recorrente limitouse a apresentar a razão desconstitutiva dessa infração, todavia não se desincumbiu do onus probandi . O Código de Processo Civil (Lei 13.105/2005), aplicado subsidiariamente no processo administrativo fiscal, estipula que é o encargo de provar fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito autor é do réu, que no caso da acusação fiscal é o sujeito passivo. Eis o dispositivo: "Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." A jurisprudência e doutrina invocadas no recurso não se prestam a afastar esta infração, posto que referentes a acréscimo patrimonial a descoberto (Súmula n.º 67 do CARF) ou a omissão de rendimentos decorrente de depósito bancário sem causa (Súmula n.º 182 do Tribunal Federal de Recursos). É de se manter a decisão da DRJ quanto à infração relativa à omissão de receitas decorrentes de aluguel de aeronaves. g) Omissão de receitas na atividade rural Alega o sujeito passivo que detinha a posse de terrenos de propriedade da empresa MCL decorrente de comodato a título gratuito e que não houve receita da atividade rural para em tais terras. Inicialmente cabe destacar que a MCL Empreendimento e Negócios Ltda é uma holding controlada pela família do recorrente, o qual declarou a Receita Federal que incorporou seus imóveis rurais à citada empresa. É de se destacar que mesmo na condição de comodatário todas as receitas advindas da atividade rural naqueles terrenos que estavam sob sua posse deveriam ter sido declaradas na DAA. A ocorrência do fato gerador foi demonstrada pela autoridade lançadora que apresentou provas da existência de rendimentos da atividade rural, sendo que as principais evidências foram obtidas de extratos fornecidos por instituições bancárias ao fisco, o que já avaliamos não representa qualquer irregularidade. Não cabe assim a alegação de ausência de fundamentação fática do fisco no tocante à infração sob questão. Fl. 18090DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15868.720137/201201 Acórdão n.º 2402005.465 S2C4T2 Fl. 18.083 17 Chamo atenção, portanto, que as inúmeras alegações de mérito que se refiram à irregularidade das provas em razão da quebra do sigilo bancário do autuado não serão consideradas, pelas razões já apresentadas na análise desta matéria como preliminar ao mérito. Na sequência o autuado alega que a apontada falta de escrituração de valores recebidos da empresa Mafrig no Livro Caixa do exercício de 2007, com consequente omissão de rendimentos na DAA de 2008, não pode prosperar, posto que, da data do depósito, em 09/07/2007, até a ciência do lançamento em 06/08/2012, transcorreram mais de cinco anos, o que leva a perda do direito de lançar o tributo em razão da decadência quinquenal prevista no CTN. Mais uma vez equivocase o recorrente. Não vou me alongar sobre esse tema, posto que já é do conhecimento de todos que o imposto sobre a renda das pessoas físicas possui fato gerador complexivo anual, que só se aperfeiçoa em 31 de dezembro do anocalendário. Nesse particular, cabe trazer à colação a Súmula CARF nº 38: "Súmula CARF nº 38. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física,relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário." Assim, o fato gerador do anocalendário 2007 ocorreu em 31/12/2007, sendo esse o termo inicial do prazo decadencial do poderdever de efetuar o lançamento. Considerando que o prazo de cinco anos previsto no § 4.º do art. 150 do CTN, o termo final na contagem do prazo decadencial seria 31/12/2012. Como o lançamento se aperfeiçoou em 06/08/2012, não ocorreu a aludida decadência. Em uma série de infrações apontadas o sujeito passivo não fez qualquer contestação meritória, limitandose a alegar a nulidade em razão da ilegalidade na quebra do sigilo bancário. Essas infrações foram assim sintetizadas no voto condutor do acórdão recorrido, do qual retiro excerto que servirá de fundamentos para esse meu voto: " omissão de registro no livro caixa 2007 e falta de declaração na DIRPF 2008 de valores recebidos de: Eduardo Calil Otoboni e Jairo Queiroz Jorge – o impugnante torna a repetir que a exação encontra seu fundamento na análise indevida das movimentações financeiras do contribuinte. Entretanto, já restou demonstrada que é plenamente válida a apuração de omissão de rendimentos com base em extratos bancários fornecidos mediante regular requisição aos bancos nos quais o contribuinte mantém contas bancárias. Conforme se vê a fl. 15.677, o Senhor Jairo Queiroz Jorge afirma que o pagamento efetuado em 05/11/2007 ao senhor Mário Celso Lopes foi a título de pagamento para confinamento de 594 bois magros. Quanto aos rendimentos pagos por Eduardo Cali Otoboni também decorrem de contrato para confinamento de bovinos, conforme Termo de Constatação Fiscal (fl. 17.465), fato não contestado pelo contribuinte, que se limitou a alegar a ilegalidade da quebra do sigilo bancário. Fl. 18091DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 18 omissão de registro no livro caixa 2009 e falta de declaração na DIRPF 2010, relativas a valores recebidos antecipadamente de Alberto Rodrigues da Cunha e Paulo Rodrigues da Cunha por conta de venda de máquinas agrícolas. – novamente, o contribuinte se limita a alegar que a exação encontra seu fundamento na análise indevida das movimentações financeiras, a qual já restou claramente legal e válida. omissão de registro no livro caixa 2007 e falta de declaração na DIRPF 2008 de valor recebido de Zamonaro Poços e Bombas Ltda.; omissão de registro no livro caixa 2007 e falta de declaração na DIRPF 2008 de valores recebidos de Comercial Hevea de Borrachas; omissão de registro no livro caixa 2007 e falta de declaração na DIRPF 2008 de valores recebidos da JBS Agropecuária Ltda.; omissão de registro no livro caixa 2007 e falta de declaração na DIRPF 2008 de valor recebido de Alexandre Adub Salomão – em todos esses casos, o impugnante apenas alega que a exação encontra seu fundamento na análise indevida das movimentações financeiras. Entretanto, à vista da legislação vigente, conforme já demonstrando anteriormente, inexiste ilegalidade na análise dos extratos bancários do contribuinte, ainda que fornecidos pelas instituições bancárias, mediante requisição regular." Para se contrapor as infrações decorrentes de falta de escrituração das vendas efetuadas a empresa JBS S.A., constantes nos Livros Caixa de 2007 e 2008, com omissão das receitas correspondentes nas DAA de 2008 e 2009, afirma o recorrente que, embora o lançamento esteja calcado em prova aparentemente válida, qual seja a informação prestada pela empresa adquirente, tal providência somente veio a se concretizar em razão da irregular quebra do sigilo bancário do autuado. Garante que, ao contrário do que fez supor o relato da auditoria, as notas fiscais em questão foram devidamente escrituradas e oferecidas à tributação. Aduz que para os anoscalendário de 2007 e 2008 declarou uma receita bruta de R$ 27.221.696,35, o que demonstra que o valor incluído nas DAA é superior ao apurado pelo fisco, não havendo o que se falar em omissão de receitas relativas a operações com a JBS. O fato de alguns valores provindos da JBS não coincidirem integralmente com os lançamentos do Livro Caixa não justifica a tributação, posto que uns poucos equívocos ocorridos não pode dar margem à tributação das operações como se tivessem sido omitidas na sua totalidade. Na decisão recorrida deuse entendimento diametralmente oposto, como se pode ver do seguinte excerto do voto do Relator: " Todavia, o autuante logrou demonstrar as fls. 17.473 a 17.484 que a JBS S.A pagou ao contribuinte, diretamente ou a terceiros, os valores totais de R$ 9.954.421,03 e R$ 1.015.049,70, respectivamente nos anoscalendário 2007 e 2008. O autuante ainda confrontou os totais anuais pagos pela JBS com os totais escriturados nos Livros Caixas, apurando as diferenças discriminadas no demonstrativo de fls. 17.486 a 17.492, respectivamente nos valores de R$ 3.312.093,60 e R$ 771.978,46, nos anoscalendário 2007 e 2008. Fl. 18092DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15868.720137/201201 Acórdão n.º 2402005.465 S2C4T2 Fl. 18.084 19 Notase como exemplo, as notas fiscais da JBS S.A, CNPJ n. 02.916.265/005048, de n.º 26 a 30 e 37 a 46, que resultou na nota de entrada 4123 de 20/04/2007, no valor de R$ 595.571,59. Foram transferidos por TED ao contribuinte, em 30/04/2007, R$ 43.874,64 e a terceiros, os seguintes valores: R$ 119.130,00, 155.496,55 e 318.630,00, na mesma data de 30/04/2007 (fl. 17.475 – TED as fls. 16.325 a 16.327). Não há, todavia, registro no livro Caixa 2007 de tais valores (vide fl. 4.190). Também as notas fiscais 89 e 153 a 158 da filial 005048 da JBS S.A, de 12/11/2007, nos valores de R$ 6.130,72 e 238.371,88 (TED na mesma data) não foram registradas no livro caixa 2007 (fl. 17.479) comprovandose assim, a omissão de receitas da atividade rural. Ressaltase que consta a fl. 16.199 resposta da JBS S.A à intimação levada a efeito pelo Fisco, apresentando informações de todos os pagamentos realizados ao contribuinte, durante o período de 01/01/2006 a 31/12/2009 e cópia dos comprovantes de pagamentos realizados a terceiros, por ordem de Mário Celso Lopes. A análise de tais documentos resultou no quadro de fls. 17.473 a 17.484, sendo que o contribuinte em sua impugnação não comprova que os valores pagos a terceiros, credores do contribuinte, foram lançados nos livros caixa correspondentes ou que os valores pagos ao impugnante considerados omitidos pelo Fisco encontramse registrados nos livros caixa." Apreciando essa passagem da decisão hostilizada, verificase que foram apontados, a título exemplificativo diversas notas fiscais que deixaram de ser escrituradas e, evidentemente, declaradas. Observase que esses dados não são rebatidos especificamente no recurso, que também poderia ter contestado o quadro elaborado pelo fisco de fls. 17.473/17.484, o qual apresenta todas as divergências constatadas quanto às operações com a JBS. Observese que os pagamentos pelas vendas em questão foram direcionados diretamente para contas bancárias do sujeito passivo, bem como para terceiros a sua ordem, o que ficou muito bem caracterizado no relato da autoridade lançadora, não tendo o sujeito passivo conseguido demonstrar qualquer desacerto quanto às evidências probatórias e conclusões do fisco. Mantémse por isso todas as omissões relativas às vendas à JBS S.A. h) glosa de despesas e investimentos da atividade rural Para o recorrente, os motivos para as glosas mencionadas no item 2.5 do TCF não devem subsistir, posto que o fisco e também o órgão recorrido simplesmente ignoraram os documentos apresentados pelo contribuinte, os quais demonstram grande compatibilidade com os requisitos legais de dedutibilidade. Assegura que a escrituração em duplicidade de despesas/investimentos representam meros equívocos cometidos em razão de mudança na equipe contratada para confeccionar sua contabilidade. Fl. 18093DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 20 Voltandonos para acusação, é possível verificar o quadro demonstrativo de fls. 17.509/17.511, onde a autoridade lançadora apresenta as despesas escrituradas em duplicidade. Vejo que contra esses dados o sujeito passivo não apresentou nada de concreto que pudesse colocálos em cheque, chegando a reconhecer as duplicidades, todavia, traz como escusa a ocorrência de equívocos. A suposta falta de máfé no cometimento da infração não deve ser considerada diante da clara demonstração de sua ocorrência pelo fisco. Nos termos do art. 136 do CTN: "Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato". Uma outra alegação é de que o seu crédito com a empresa Agropecuária Liliana teria sido excluído do lançamento por não ser considerado receita da atividade rural, Vejo que tal fato não acarreta qualquer influência na apuração relativa às glosas em questão. Portanto, não há como se afastar as glosas decorrentes de lançamento em duplicidade de despesas e investimentos. i) despesas com aeronaves de uso não exclusivo na atividade rural Partindo da constatação de que as aeronaves de passageiros Cessnas Aircraft, um modelo 182J, prefixo PTCTS e outro modelo C500, prefixo PTLBN não foram utilizadas exclusivamente na atividade rural, conforme demonstrativo das origens de destinos dos voos, colacionado às fls. 17.512/17.519, a autoridade lançadora glosou as despesas correspondentes. De acordo com o fisco, o contribuinte teria apropriado como despesas da atividade rural gastos com combustíveis dessas aeronaves em descompasso com as regras aplicáveis, as quais somente admitem a dedução para veículos de carga ou utilitário e de emprego exclusivo na atividade rural. Conclui que as aeronaves não se enquadram neste perfil de veículo, além de que o relatório de bordo das viagens realizadas mostra claramente a ocorrência de voos entre diversas capitais brasileiras e inclusive para o exterior. Para afastar essa acusação, o recorrente alegou que essas aeronaves tem como ponto forte a versatilidade e se mostram como melhor alternativa para deslocamento rápido entre várias propriedades rurais, além da possibilidade de transporte de pequenos volumes, razão pela qual têm sido amplamente utilizadas por produtores rurais em todo o mundo. Menciona matéria publicada na Revista "Dinheiro Rural", que na edição de julho de 2010, demonstra a grande utilidade desses aviões na exploração da atividade rural. Assegura que os documentos apresentados ao fisco demonstram que os gastos com as aeronaves atenderam perfeitamente aos princípios da necessidade, compatibilidade e efetividade, motivo por que não podem prosperar as glosas de tais despesas. Argumenta que as provas baseadas em dados dos diários de bordo nada provam em relação à utilização das aeronaves, haja vista que todas as rotas voadas tiveram como objetivo a expansão de sua atividade rural. Fl. 18094DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15868.720137/201201 Acórdão n.º 2402005.465 S2C4T2 Fl. 18.085 21 Advoga que a legislação aplicável (RIR, art. 62, §§ 1.º e 2.º , III e na IN SRF n.º 83/2001, arts. 7.º e 8.º , III) não vedam a dedução das despesas de combustível utilizado nestes aviões. Por fim, lembra que a Lei n.º 8.023/1990 não impõe a necessidade de emprego exclusivo do veículo na atividade rural para fins de aproveitamento das despesas, de modo que a IN SRF n.º 83/2001 extrapolou o conteúdo da referida Lei, incorrendo em ilegalidade. Vejamos. Nos termos do art. 4.º da Lei n.º 8.023/1990, o resultado da atividade rural é obtido pela diferença entre as receitas auferidas e as despesas incorridas no período de apuração. Ao tratar dos gastos com investimentos e despesas de custeio o Regulamento do Imposto de Renda RIR, aprovado pelo Decreto 3.000/1999, assim dispõe: "Art.62.Os investimentos serão considerados despesas no mês do pagamento (Lei nº 8.023, de 1990, art. 4º, §§1º e 2º). §1ºAs despesas de custeio e os investimentos são aqueles necessários à percepção dos rendimentos e à manutenção da fonte produtora, relacionados com a natureza da atividade exercida. (...) A dicção do § 1.º acima não deixa margem de que a despesa para que seja dedutível deve estar vinculada inequivocamente à atividade rural e deve ser necessária à manutenção da fonte produtora. Aplicandose essa diretriz normativa aos veículos, os gastos relativos a esses bens somente podem ser utilizados para obtenção do resultado da atividade rural, base de cálculo do imposto de renda, quando os veículos tenham utilização na produção agropecuária. No caso sob testilha, observase a dedução de despesas com aeronaves de passageiros, que, conforme relatórios de viagem, trafegavam por destinos não coincidentes com as propriedades rurais do recorrente, por vezes até em cidades estrangeiras. Vejo que ainda que estes aviões pudessem ter sido utilizados para suprir necessidade da fonte produtora, não havia esse utilização com exclusividade, como exige o inciso II do § 2.º do artigo do RIR acima citado: "§2º Considerase investimento na atividade rural a aplicação de recursos financeiros, durante o anocalendário, exceto a parcela que corresponder ao valor da terra nua, com vistas ao desenvolvimento da atividade para expansão da produção ou melhoria da produtividade e seja realizada com (Lei nº 8.023, de 1990, art. 6º): (...) Fl. 18095DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 22 III aquisição de utensílios e bens, tratores, implementos e equipamentos, máquinas, motores, veículos de carga ou utilitários de emprego exclusivo na exploração da atividade rural; (...)"(grifei) Vejase que somente há de se considerar que um veículo como item integrante da atividade rural, para fins de apuração do seu resultado, quando este seja exclusivamente destinado a manutenção da fonte produtora. A meu ver a utilização híbrida de aeronave, ora para atividade rural, ora para transporte de passageiros, não se enquadra no dispositivo acima. Isso porque, mesmo que as viagens com passageiros se destinassem a algum tipo de atividade vinculada à rural, como por exemplo, à comercialização de produtos rurais, seria impossível a segregação de quais as viagens teriam como finalidade apoiar à produção do campo. Por esse motivo, quando se refere especificamente aos gastos com aeronaves, a pergunta nº 501 do Perguntas e Respostas IRPF/2007 e mantida nos exercícios seguintes, assim esclarece: "501 — Podem ser deduzidos os gastos com aeronaves? Somente podem ser deduzidos os gastos com: 1 aquisição de aeronaves próprias para uso agrícola, desde que a utilização seja exclusiva para a atividade rural, bem assim os gastos realizados com peças de reposição, manutenção e uso da aeronave, combustíveis, óleos lubrificantes, serviços de mecânico, salários do piloto etc.; 2 aluguel das aeronaves descritas na alínea "a" ou a contratação de serviço com o uso delas (pulverização, semeadura etc.). (RIR/1999, art. 62; IN SRF nº 83, de 2001, arts. 7º e 8º, III)" (grifei) Esse entendimento está alinhado com aquele expresso no Acórdão n.º 2202 002.943 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 20/01/2015, onde nesta questão de mérito, por unanimidade, mantevese o lançamento. Vale a pena transcrever excerto do voto condutor do decisório: "A Fiscalização alega que “para a dedução como despesa a lei exige que o veículo seja de carga ou utilitário de emprego exclusivo na exploração da atividade rural” (fl. 2322 do e processo). Como se vê, o art. 62, § 2º, III, do RIR/99 estabelece que para se deduzir investimentos decorrentes de aquisição de veículos, é preciso que os mesmos sejam de carga ou utilitários e de emprego exclusivo na exploração da atividade rural. Como bem salientou a decisão de Primeira Instância, os documentos acostados aos autos comprovam que as aeronaves não eram usadas exclusivamente para a atividade rural, como impõe o art. 62, § 2º, III, do RIR/99, de modo que os investimentos decorrentes de gastos com aeronaves não podem ser deduzidos na apuração do resultado da atividade rural. Fl. 18096DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15868.720137/201201 Acórdão n.º 2402005.465 S2C4T2 Fl. 18.086 23 É possível observar nos Diários de Bordo que as aeronaves deslocaramse para várias cidades do país (como Belo Horizonte – MG, Boa Vista – RR, Brasília – DF, Goiânia – GO, Porto Alegre – RS, Porto Velho – RO, Rio de Janeiro – RJ, Uberlândia – MG, dentre outras) e realizaram, inclusive, voos internacionais, dentre os quais se destaco Córdoba e Buenos Aires – Argentina. Ressalto que os imóveis rurais onde o contribuinte desenvolve suas atividades, consoante sua DIRPF, localizamse nos Municípios de Castilhos – SP e Torixoreu –MT, relativamente distantes dos locais para onde as aeronaves voaram, não podendo ser admitida, por ausência de provas, que esses veículos se prestavam exclusivamente para a atividade rural. Sendo assim, entendo que valor referente às despesas com aeronave deve mantido, uma vez que o uso das aeronaves não se destinava exclusivamente à atividade rural." Assim, diante do exposto, devemos manter o que ficou decidido pela DRJ quanto a esta questão. j) reapreciação de documentos Alegando que o fisco, bem como o órgão recorrido, fiz tábula rasa dos documentos exibidos durante o procedimento fiscal e que, por esse motivo os declarou inidôneos para fins de comprovar as despesas na atividade rural, o sujeito passivo requer a sua reapreciação de modo que lhes seja dada a força probatória que merecem. Sustenta que a apreciação dos autos demonstra que a autoridade lançadora fez análise descuidada dos elementos que lhes foram apresentados. Penso diferente. O quadro de fls. 17.523/17.525, comprova que a análise documental foi criteriosa e explicita inclusive os motivos para o não acatamento dos documentos ali enumerados. Observese que o sujeito passivo não traz oposição a estas conclusões, tampouco reforça o seu conjunto probatório, apenas se limitando a lançar a acusação desprovida de substância quanto à deficiência na apuração fiscal. Deve prevalecer, portanto, a não aceitação dos documentos pelos motivos fundamentados constantes no relato do fisco. k) gastos não necessários à atividade rural Afirma o sujeito passivo que determinados gastos foram glosados pelo fato do auditor, com base nos seus elementos pessoais de convicção, entendeu não serem necessários à manutenção da atividade rural. Sustenta que somente o produtor rural tem condições de afirmar se tal gasto é ou não necessário à manutenção de seu ramo de negócio. Nesse contexto não caberia ao fisco ditar, apenas com base em suas teorias, quais as despesas são ou não necessárias a um empreendimento rural. Fl. 18097DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 24 Sobre essa questão não há muito o que se falar, mas apenas reproduzir o art. 62 do RIR, qual o fisco se baseou para glosar despesas não necessárias à atividade rural. Eis o a transcrição integral do dispositivo que trata da matéria: “Art. 62. Os investimentos serão considerados despesas no mês do pagamento (Lei nº 8.023, de 1990, art. 4º, §§ 1º e 2º). § 1º As despesas de custeio e os investimentos são aqueles necessários à percepção dos rendimentos e à manutenção da fonte produtora, relacionados com a natureza da atividade exercida. § 2º Considerase investimento na atividade rural a aplicação de recursos financeiros, durante o anocalendário, exceto a parcela que corresponder ao valor da terra nua, com vistas ao desenvolvimento da atividade para expansão da produção ou melhoria da produtividade e seja realizada com (Lei nº 8.023, de 1990, art. 6º): I benfeitorias resultantes de construção, instalações, melhoramentos e reparos; II culturas permanentes, essências florestais e pastagens artificiais; III aquisição de utensílios e bens, tratores, implementos e equipamentos, máquinas, motores, veículos de carga ou utilitários de emprego exclusivo na exploração da atividade rural; IV animais de trabalho, de produção e de engorda; V serviços técnicos especializados, devidamente contratados, visando elevar a eficiência do uso dos recursos da propriedade ou exploração rural; VI insumos que contribuam destacadamente para a elevação da produtividade, tais como reprodutores e matrizes, girinos e alevinos, sementes e mudas selecionadas, corretivos do solo, fertilizantes, vacinas e defensivos vegetais e animais; VII atividades que visem especificamente a elevação sócio econômica do trabalhador rural, tais como casas de trabalhadores, prédios e galpões para atividades recreativas, educacionais e de saúde; VIII estradas que facilitem o acesso ou a circulação na propriedade; IX instalação de aparelhagem de comunicação e de energia elétrica; X bolsas para formação de técnicos em atividades rurais, inclusive gerentes de estabelecimentos e contabilistas. § 3º As despesas relativas às aquisições a prazo somente serão consideradas no mês do pagamento de cada parcela. Fl. 18098DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15868.720137/201201 Acórdão n.º 2402005.465 S2C4T2 Fl. 18.087 25 § 4º O bem adquirido por meio de financiamento rural será considerado despesa no mês do pagamento do bem e não no do pagamento do empréstimo. § 5º Os bens adquiridos por meio de consórcio ou arrendamento mercantil serão considerados despesas no momento do pagamento de cada parcela, ressalvado o disposto no parágrafo seguinte. § 6º No caso de consórcio ainda nãocontemplado, as parcelas pagas somente serão dedutíveis quando do recebimento do bem, observado o art. 798. § 7º Os bens adquiridos por meio de permuta com produtos rurais, que caracterizem pagamento parcelado, serão considerados despesas no mês do pagamento de cada parcela. § 8º Nos contratos de compra e venda de produtos agrícolas, o valor devolvido após a entrega do produto, relativo ao adiantamento computado como receita na forma do § 2º do art. 61, constitui despesa no mês da devolução. § 9º Nos contratos de compra e venda de produtos agrícolas, o valor devolvido antes da entrega do produto, relativo ao adiantamento de que trata o § 2º do art. 61, não constitui despesa, devendo ser diminuído da importância recebida por conta de venda para entrega futura. § 10. O disposto no § 8º aplicase somente às devoluções decorrentes de variação de preços de produtos sujeitos à cotação em bolsas de mercadorias ou cotação internacional. § 11. Os encargos financeiros, exceto a atualização monetária, pagos em decorrência de empréstimos contraídos para financiamento da atividade rural, poderão ser deduzidos no mês do pagamento (Lei nº 8.023, de 1990, art. 4º, § 1º). § 12. Os empréstimos destinados ao financiamento da atividade rural, comprovadamente utilizados nessa atividade, não poderão ser utilizados para justificar acréscimo patrimonial." Assim, ao contrário do que afirmou o recorrente, a autoridade lançadora não firmou sua convicção com base em critério pessoal, mas pautouse pelas regras jurídicas que regulam a matéria. Não devemos acolher, portanto esse inconformismo. k) Quitação de empréstimo escriturado no Livro Caixa de 2009 como despesa e declarado indevidamente na DAA de 2010 Segundo o recorrente, contraiu empréstimo da sociedade empresária Malibu Confinamento de Bovinos Ltda, necessário a aquisição de bens e pagamento de despesas relacionadas a sua atividade. Assim, a quitação deste empréstimo deve ser considerada como despesa/investimento, não sendo razoável a sua glosa. Fl. 18099DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 26 Não tem razão o sujeito passivo. Caso se pudesse deduzir como despesa/investimento da atividade rural o pagamento de mútuo, haveria uma duplicidade de dedução, posto que o contribuinte abateria da sua receita o próprio gasto na aquisição de um bem e na quitação de uma despesa e repetiria a dedução no momento da amortização do empréstimo. Isso como bem afirmou o fisco não é possível. Por esse raciocínio, deve ser mantida à glosa relativa aos pagamentos efetuados à empresa Malibu. l) despesas com CPMF Para o recorrente, a glosa de gastos relativos à CPMF revelase arbitrária, posto que se trata de despesas necessárias, usuais e normais a sua atividade, sendo que tais custos devem ser deduzidos da base de cálculo do tributo lançado. No seu entender a sua glosa somente se justificaria se o fisco comprovasse que as movimentações bancárias eram estranhas a atividade rural. Passemos à análise desta razão. O fisco entendeu que o contribuinte escriturou no Livro Caixa de 2007 despesas com CPMF em valores superiores à movimentação financeira concernente à atividade rural, isto após deduzir dos gastos totais as despesas glosadas. Nesse sentido, concluiu que o contribuinte não poderia deduzir a contribuição incidente sobre o total da movimentação financeira, mas apenas sobre aquela necessária ao desenvolvimento de suas atividades. Apurouse, então, os valores das despesas com a CPMF excedentes a 0,0038% das despesas de custeio/investimentos, conforme demonstrado no quadro de fls. 17.532 a 17.534. Vejo, então, que o quadro apresentado, contra o qual não foram apresentados argumentos específicos, é suficiente para demonstrar que é procedente a glosa da CPMF não dedutível. m) juros sobre empréstimos rurais cujos recursos foram supostamente desviados para empresas do contribuinte/outras atividades O fisco identificou vários empréstimos rurais contraídos pelo recorrente, mencionando que os recurso foram utilizados em finalidades diversas daquelas constantes nos contratos. Foram apresentados demonstrativos de transferências de recursos para contas de mesma titularidade, de empresas e de parentes do recorrente. Conclui que houve intensa movimentação de recursos financeiros entre empresas controladas e seu controlador e afirma que, numa análise global das transferências nos exercícios de 2008 e 2009, verificase sem dificuldades que as aplicações dos recursos são muito inferiores ao valor dos empréstimos, conforme detalhado na planilha de fl. 17.559. Tributouse então os juros relativos a esses empréstimos, aplicandose multa qualificada (150%). Para afastar a imposição o sujeito passivo tenta desqualificar as provas acostadas, sob a justificativa de que estariam contaminadas pela ilegalidade da quebra de seu sigilo bancário. Fl. 18100DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15868.720137/201201 Acórdão n.º 2402005.465 S2C4T2 Fl. 18.088 27 Afirma que mesmo que se considerem válidas as provas o lançamento não pode subsistir, posto que os valores foram aplicados em empresas controladas pelo recorrente, as quais atuam no segmento rural, portanto, não se pode falar em desvio de finalidade. Acrescenta que os mútuos que efetuou com as empresas das quais participa foram formalizados e registrados nas respectivas contabilidades, demonstrando lisura no negócio e respeito ao princípio da entidade. Vejamos. A questão da ilegalidade das provas já foi apreciada alhures, onde concluímos que não há qualquer irregularidade na requisição de movimentação financeira às instituições bancárias, para dar suporte a procedimento fiscal contra o sujeito passivo. Por outro lado a convicção do fisco foi formada a partir de um substancioso demonstrativo de que houve aplicação indevida dos empréstimos obtidos, não tendo o contribuinte apresentado qualquer prova para infirmar os dados apresentados na peça de acusação. Por outro lado não é verdade que o fato dos empréstimos terem sido utilizados em atividade rural por outras empresas afastaria a infração. Como bem se afirmou na decisão recorrida os recursos referentes a empréstimos rurais somente podem ser aplicados em finalidades previstas nos contratos e os juros não podem ser deduzidos do cômputo da atividade rural do contribuinte, posto que os recursos destinaramse a terceiros, mesmo que decorrentes de operações comprovadas mediante documentação idônea. É de se manter a glosa desses valores. n) juros sobre empréstimos não destinados a atividade rural referentes a empréstimos de terceiros Neste item do recurso, o sujeito passivo tenta demonstrar que não há vedação legal para dedução do resultado da atividade rural dos juros de empréstimos contraídos de terceiros. Argumenta que a aplicação dos recursos foi feita corretamente, conforme declaração prestada por instituição financeira. Nesse ponto, verificase completa confusão do recorrente. Ali se glosou juros deduzidos como despesas do sujeito passivo, mas que se verificou terem incidido sobre financiamentos rurais obtidos pelos filhos. Esse juros obviamente não são dedutíveis, posto que decorrentes de financiamentos tomados por parentes do recorrente. o) juros sobre adiantamentos da Usina da Barra, sucedida por Cozan e Raizen Outra despesa glosada referese aos juros incidentes sobre adiantamento para entrega futura de produção rural recebido pela Usina Barra (sucedida por Cosan/Raizen). Para o fisco o contribuinte escriturou nos Livros Caixa de 2007 e 2008 valores de juros superiores aos efetivamente pagos. Fl. 18101DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 28 Todavia, o recorrente afirma que os adiantamentos devem ser equiparados a empréstimos e, por isso, os seus encargos financeiros poderão ser deduzidos no mês do pagamento. Consta do termo de constatação fiscal que o contribuinte recebeu da pessoa jurídica Usina da Barra, sucedida pela Cosan e depois por Raizen, adiantamentos por conta de entrega futura de produtos rurais (canadeaçúcar), nos seguintes valores: R$ R$ 3.500.000,00 em 11/09/2006, R$ 1.000.000,00 em 27/03/2007, R$ 1.000.000,00 em 27/04/2007, R$ 4.600.000,00 em 20/01/2009 e R$ 1.200.000,00 em 05/08/2009. Sobre esses adiantamentos, a exceção daquele efetivado em 20/01/2009, houve a incidência de juros, os quais foram amortizados na medida em que o produto era entregue ao adquirente. Apreciando o quadro apresentado pelo fisco no item 2.4.12 do TCF é possível visualizar com clareza o saldo dos adiantamentos no início do período, o valor total amortizado mediante a entrega dos produtos e a parcela relativa aos juros. Confrontando os juros pagos calculados pela metodologia acima e os valores escriturados é fácil perceber que houve a sua escrituração em excesso, sendo procedente a glosa sobre tais valores. p) rendimentos da atividade rural omitidos No item 2.5 do TCF é apresentado resumo dos rendimentos da atividade rural omitidos, considerandose as omissões de receitas e as glosas de despesas/investimentos acima apontados. Contra esse quadro o sujeito passivo se insurge alegando a ilegalidade na quebra do seu sigilo bancário, bem como na análise insuficiente da documentação apresentada durante o procedimento fiscal. Já debatemos à exaustão esses assuntos, concluindo que há permissão legal para requisição de dados das contas bancárias às instituições financeiras quando existe procedimento fiscal em curso, o que ocorreu no presente caso e, ao contrário do alegado, os documentos por ele apresentados foram exaustivamente analisados pela fiscalização, que embasou as glosas de despesas efetuadas e demonstrou a existência de omissão de rendimentos da atividade rural. Nesse sentido, há de ser mantido o lançamento relativo ao rendimento da atividade rural, a exceção dos valores excluídos pela DRJ, os quais foram objeto de recurso de ofício. q) omissão de ganhos de capital da alienação de bens de direitos Foram tributadas como ganhos de capital as vendas de móveis à empresa MCL Empreendimentos e Negócios Ltda, conforme notas fiscais de entrada n.º 003; 004 e 006, emitidas em 02/09/2009 e que totalizaram R$ 96.700,29. Conclui a autoridade lançadora que não tendo o contribuinte comprovado os custos de aquisição, assumiuse que os bens foram adquiridos a custo zero (como ocorre com os bens depreciados) e que houve um ganho de capital igual ao preço da venda dos bens, ganho este omitido em sua declaração de ajuste anual do anocalendário 2009. Fl. 18102DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15868.720137/201201 Acórdão n.º 2402005.465 S2C4T2 Fl. 18.089 29 O recorrente alega que adquiriu os móveis em meados de 1992 e tendo se passado mais de 20 anos da aquisição, a loja que lhe vendeu tais móveis encerrou suas atividades e, apesar de seu empenho, não conseguiu encontrar as notas fiscais de compra, estando impossibilitado de comprovar os custos de aquisição. Sustenta que não deve prevalecer a tese do fisco sobre o ganho de capital, posto que essa se sustenta apenas na ficção de que o custo de aquisição dos bens seria zero, o que não condiz com a realidade. A alegação do sujeito passivo não encontra amparo na legislação aplicável. Sobre esse tema é importante a transcrição do art. 129 do RIR, que trata da determinação do custo de aquisição para determinação de ganho de capital: "Art. 129. Na ausência do valor pago, ressalvado o disposto no art. 120, o custo de aquisição dos bens ou direitos será, conforme o caso (Lei nº 7.713, de 1988, art. 16 e § 4º): I o valor atribuído para efeito de pagamento do imposto de transmissão; II o valor que tenha servido de base para o cálculo do imposto de importação acrescido do valor dos tributos e das despesas de desembaraço aduaneiro; III o valor da avaliação no inventário ou arrolamento; IV o valor de transmissão utilizado, na aquisição, para cálculo do ganho de capital do alienante; V o seu valor corrente, na data da aquisição; VI igual a zero, quando não possa ser determinado nos termos dos incisos anteriores.” (grifei) Assim, diante da impossibilidade de determinação do custo de aquisição pelo sujeito passivo, o fisco pautouse estritamente na legislação para fixálo em zero. De se concluir que ultrapassado o limite de isenção de R$ 35.000,00 para o anocalendário 2009, a alienação de um conjunto de bens no mesmo mês deve ser considerada pelo valor do conjunto e não havendo como se determinar o custo de aquisição, este será igual a zero, por expressa determinação legal e não por presunção do fisco. Devemos manter o que ficou decido quanto a essa matéria. r) omissão de rendimentos caracterizada por depósitos e créditos bancários de origem não comprovada O fisco apresenta às fls. 17.207/17.448 demonstrativo de depósitos e créditos bancários de origem não comprovada, relativo aos anoscalendário 2007, 2008 e 2009, nos quais foram depositados e creditados recursos financeiros em contas correntes bancárias do contribuinte sem que ele tenha demonstrado e/ou comprovada a sua origem, caracterizando a omissão de rendimentos. O total mensal tributado foi apresentado em quadro do TCF, item 4.6. O recorrente, mais uma vez, questiona a legalidade da quebra do sigilo bancário sem autorização judicial. Depois, afirma ser arbitrário o procedimento fiscal que Fl. 18103DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 30 tributa valores apenas com base na movimentação bancária, sem, todavia, demonstrar cabalmente que se referiam a rendimentos não oferecidos à tributação pelo sujeito passivo. Sustenta que apresentou ao fisco todos os documentos e livros fiscais e contábeis, justificando a receita da atividade rural nos exercícios de 2007 a 2009, demonstrando a plena compatibilidade com a movimentação desses valores em contas bancárias. Assevera que os auditor desprezou todos os documentos apresentados pelo recorrente, tendo se apoiado apenas na ausência de identificação dos depositantes nos extratos bancários. Conclui que se o fisco está convencido de que se tratam de rendimentos omitidos, deveria apontar os motivos de sua convicção, demonstrando que a movimentação de fato comporta omissões de rendimentos e ainda justificar a desconsideração dos elementos apresentados, os quais comprovam a origem dos recursos referentes aos depósitos. Para justificar a sua tese de que não há permissivo legal para que se considerem depósitos com rendimentos, cita a doutrina de Hugo de Brito Machado, a Súmula n.º 182 do Tribunal Federal de Recursos, além de precedentes das jurisprudências administrativa e judicial. Advoga que havendo dúvida quanto à ocorrência do fato gerador, a autoridade fiscal deveria ter dado a solução mais favorável ao sujeito passivo, nos termos do art. 112 do CTN, ou pelo menos, ampliar a sua investigação para provar a efetiva subsunção do fato jurídico tributário à norma. Fecha afirmando que a tributação incidente sobre depósitos bancários de origem supostamente não comprovada é ilegítima e insubsistente, devendo ser declarada nula, com a consequente extinção do crédito tributário. É cediço que a partir de 01/01/1997 a disciplina da tributação dos depósitos bancários passou a ser dada pelo art. 42 da Lei n.º 9.430/1996 (alterado pela Lei n.º 9.481/1997), que traz a seguinte redação: "Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem Fl. 18104DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15868.720137/201201 Acórdão n.º 2402005.465 S2C4T2 Fl. 18.090 31 prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. §5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. §6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares." Observase assim que o legislador estabeleceu, a partir da referida data, uma presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitara em nome do contribuinte, por instituições financeiras, ou seja, temse a autorização para considerar ocorrido o fato gerador quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade de o fisco juntar qualquer outra prova. Na hipótese ventilada no caput do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o encargo probatório decorrente da presunção legal em debate revertese em desfavor do contribuinte, que necessita demonstrar com documentos hábeis e idôneos a origem jurídica dos rendimentos transitados pela sua conta bancária para se por a salvo da tributação do Imposto de Renda. Tratase assim de uma presunção relativa que admite prova em contrário, cabendo, pois, ao sujeito passivo a sua produção. Todavia, a presunção legal somente é afastada quando são carreados elementos probatórios que permitam a identificação da fonte do crédito, o seu valor e a data além, principalmente, da demonstração inequívoca da causa pela qual os créditos foram efetuados na conta corrente. Cada crédito em conta corrente deve ter íntima relação com a fonte dos recursos que se deseja comprovar, com coincidências de data e valor, não se acatando comprovações que indiquem determinado documento para justificar a existência de vários depósitos. É de se ver que o ônus desta prova recai exclusivamente sobre o contribuinte, não bastando, para tal mister a simples apresentação de negativa geral ou afirmações genéricas acerca da origem dos recursos. Há estrita necessidade de que as provas refiramse a documentação hábil e idônea que possua vinculação inequívoca com os depósitos/créditos bancários. Fl. 18105DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 32 Nesse sentido, as alegações recursais não merecem sucesso haja vista que não trazem a demonstração exigida pela lei para afastar a presunção de omissão de rendimento caracterizada por depósitos não comprovados, posto que, conforme vimos acima, a mera indicação de que se tratam de receitas da atividade rural não é suficiente para modificar o lançamento nesta parte. Por fim, incabível que se invoque jurisprudência firmada anteriormente a edição da Lei que instituiu a presunção da omissão de rendimentos representada por movimentação bancária não comprovada. s) ilegalidade na aplicação da multa Queixase o recorrente que a multa qualificada imposta na presente autuação viola as Súmulas do CARF n.º 14 e 25, as quais não admitem a aplicação da multa majorada quando não fique suficientemente demonstrada a conduta dolosa praticada pelo sujeito passivo. Afirma que as Súmulas do CARF tem efeito vinculante perante a Administração Pública Federal. Inicialmente cabe ressaltar que a multa qualificada não incidiu sobre todo o lançamento, mas apenas sobre o tributo apurado sobre os valores escriturados no Livro Caixa como despesas, que comprovadamente referemse a juros sobre empréstimos rurais que foram desviados para as suas empresas e/ou não aplicados na atividade rural. Acerca da qualificação da multa o fisco assim se pronunciou: (...) Vejamos o que diz as normas utilizadas para fundamentar a imposição da multa qualificada, a qual está inserta na Lei n.º 9.430/1996: "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 18106DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15868.720137/201201 Acórdão n.º 2402005.465 S2C4T2 Fl. 18.091 33 (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)" Pois bem, só cabe a aplicação da multa majorada nos casos em que o fisco consiga demonstrar a ocorrência das condutas de sonegação, fraude e/ou conluio. A mera divergência entre os valores declarados e aqueles apurados pelo fisco não é suficiente à aplicação de gravame de tamanha monta. Diante da acusação da ocorrência de sonegação e fraude, devemos nos debruçar sobre esses tipos legais constantes na Lei n.º 4.502/1964: "Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento." Observese que os tipos acima exigem que haja a comprovação de que ação/omissão sejam praticadas com dolo, que na seara tributária, consiste num comportamento intencional de suprimir o recolhimento de tributos mediante artifícios que impeçam ou retardem o conhecimento do fato gerador pelo fisco ou, no caso da fraude, excluam/postergue a ocorrência do fato gerador. Concordo com o sujeito passivo quando afirma que a mera divergência entre o declarado e o apurado pela falta de documentação hábil a comprovar uma despesa não justifica a acusação do dolo. Todavia, o conjunto probatório carreado pelo fisco para mim é a demonstração inequívoca da existência de conduta dolosa consistente na inclusão na escrituração e na DAA de despesas que o sujeito passivo sabia serem indedutíveis, posto que referentes a juros de financiamentos não aplicados na sua atividade rural. A meu ver essa acusação é suficiente para demonstrar a ocorrência do dolo, consistente na vontade consciente de praticar a conduta contrária ao ordenamento tributário. Ora, se houve escrituração dos juros como despesas da atividade rural, sem que os valores obtidos do financiamento tivessem sido utilizados nesta atividade, havendo provas contundentes de que houve desvios de recursos para empresas e para outras finalidades, fica Fl. 18107DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 34 patente a intenção de burlar o fisco, ao lançar os mencionados juros como dedução no resultado da atividade rural, numa clara ação intencional de alterar o fato gerador do tributo. Por esses fundamentos, entendo que a multa qualificada deva ser mantida, afastandose as alegações recursais de inexistência de causa para sua aplicação. Conclusão Voto por conhecer dos recursos, para negar provimento ao recurso de ofício, e, quanto ao recurso voluntário, por afastar as preliminares de nulidade do lançamento, e, no mérito, por lhe negar provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 18108DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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Numero do processo: 12326.006748/2010-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2401-000.536
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Cleci Coti Martins - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: MARIA CLECI COTI MARTINS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (assinado digitalmente) Maria Cleci Coti Martins - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira.
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Numero do processo: 13819.722111/2014-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Sep 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO DE INTERPOSIÇÃO ESGOTADO. INTEMPESTIVIDADE.
O recurso voluntário deve ser interposto dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. O recurso voluntário interposto fora do prazo legal não deve ser conhecido.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2402-005.470
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(Assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(Assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO DE INTERPOSIÇÃO ESGOTADO. INTEMPESTIVIDADE. O recurso voluntário deve ser interposto dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. O recurso voluntário interposto fora do prazo legal não deve ser conhecido. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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GLOSA DE DEDUÇÕES. Recorrente GERALDO SANT ANNA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO DE INTERPOSIÇÃO ESGOTADO. INTEMPESTIVIDADE. O recurso voluntário deve ser interposto dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. O recurso voluntário interposto fora do prazo legal não deve ser conhecido. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 72 21 11 /2 01 4- 10 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 4/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (Assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (Assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 4/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13819.722111/201410 Acórdão n.º 2402005.470 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Em procedimento de revisão interna de declaração de rendimentos correspondente ao anocalendário 2012, foi lavrada a notificação de lançamento de fls. 5 a 10, em que foram apuradas as seguintes infrações: 1. dedução indevida com previdência oficial, no valor de R$ 3.331,60; 2. dedução indevida de pensão alimentícia judicial e/ou por escritura pública, no valor de R$ 6.784,59. Em virtude dessas infrações, foi apurado imposto de renda suplementar de R$ 711,83, acrescido de multa de ofício e juros de mora, num total de R$ 1.322,36. Cientificado da notificação de lançamento, o contribuinte apresentou a impugnação de fl. 2, se insurgindo contra a dedução indevida de previdência oficial de R$ 3.331,60 e contra a dedução indevida de pensão alimentícia judicial no valor de R$ 6.784,59. Foi solicitada prioridade na análise da impugnação, com fulcro no art. 71 da Lei nº 10.471, de 2003. Em sessão realizada em 05 de março de 2015, a DRJ julgou improcedente a impugnação, conforme decisão assim ementada: DEDUÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES À PREVIDÊNCIA OFICIAL. Merece ser glosada a diferença entre o valor de contribuição à previdência oficial declarado pelo Interessado e o informado pela fonte pagadora em DIRF e comprovante de rendimentos pagos. DEDUÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA. Apenas os valores de pensão alimentícia determinados por decisão judicial e/ou escritura pública, poderão ser deduzidos a esse título na declaração de ajuste anual do alimentante. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte foi cientificado da decisão em 19 de março de 2015 (fls. 53/54) e somente interpôs recurso em 15 de maio daquele ano (fl. 62), reproduzindo, em linhas gerais, os termos da sua impugnação. À fl. 55 já havia sido lavrado o competente "Termo de Perempção". É o relatório. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 4/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é manifestamente intempestivo, vez que o contribuinte foi intimado da decisão a quo em 19 de março de 2015 (fls. 53/54), tendo interposto seu recurso somente em 15 de maio daquele ano (fl. 62), quando já transcorrido o prazo legal de trinta dias para fazêlo. Essa circunstância foi inclusive corroborada pelo "Termo de Perempção" de fl. 55 e pelo "DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO" de fl. 92. Segundo o art. 33 do Decreto nº 70.235/1972, o recurso voluntário deve ser interposto dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão de primeira instância. Por sua vez, o seu art. 42, inc. I, preleciona que são definitivas as decisões de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto. Logo, o recurso não deve ser conhecido. 2 Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário. (Assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 4/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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