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Numero do processo: 12571.720249/2011-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/09/2006 a 30/01/2011
PIS/PASEP E COFINS. RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO.INCIDÊNCIA MONOFÁSICA SOBRE ÓLEO DIESEL.
Não existe direito ao ressarcimento relativo à COFINS incidente sobre óleo diesel adquirido por consumidor final pessoa jurídica desde de 1º de julho de 2000, data em que deixou de ser adotada a sistemática de substituição tributária e passou-se a adotar a técnica de incidência monofásica ou em etapa única.
Numero da decisão: 3201-001.549
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Amauri Amora Camara Junior, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudiño.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO.INCIDÊNCIA MONOFÁSICA SOBRE ÓLEO DIESEL. Não existe direito ao ressarcimento relativo à COFINS incidente sobre óleo diesel adquirido por consumidor final pessoa jurídica desde de 1º de julho de 2000, data em que deixou de ser adotada a sistemática de substituição tributária e passouse a adotar a técnica de incidência monofásica ou em etapa única. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki – Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Amauri Amora Camara Junior, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudiño. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 57 1. 72 02 49 /2 01 1- 19 Fl. 142DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 06/03/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 2 Relatório A Recorrente busca a restituição de crédito de PIS e Cofins originário de aquisições de combustíveis efetuadas diretamente de empresas distribuidoras. Nessa modalidade de aquisição alguns produtos estão sujeitos à incidência monofásica por substituição tributária. Desse modo, por economia processual passo a adotar o relatório da DRJ em Curitiba (PA): “Trata o presente processo de Pedido de Restituição, apresentado em formulário, por meio do qual a interessada, empresa transportadora, na condição de consumidora final de óleo diesel, solicita o valor de R$ 8.440.613,90 (oito milhões e quatrocentos e quarenta mil e seiscentos e treze reais e noventa centavos), relativo ao período de 01/09/2006 a 31/01/2011, resultante das diferenças de alíquotas de PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a venda de óleo diesel, pelos fabricantes (23,63%), e a utilizada na apuração de créditos da não cumulatividade (9,25%). Em resumo, sustenta a interessada que, em face da aplicação da não cumulatividade das contribuições (PIS e Cofins), teria direito ao ressarcimento da diferença de 14,38 % relativa às aquisições de combustíveis efetuadas diretamente dos fabricantes, uma vez que a sistemática monofásica de tributação não difere da sistemática de substituição tributária. O pedido foi analisado pela Seção de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal em Ponta Grossa e foi, conforme o Despacho Decisório nº 185/2011 de 31 de outubro de 2011, integralmente indeferido. A interessada foi cientificada do despacho decisório em 08/12/2011, através dos correios (AREBCT), e apresentou em 09/01/2012 manifestação de inconformidade cujo teor é resumido a seguir. Inicialmente, após um breve relato dos fatos, a interessada defende a sinonímia entre os regimes de Substituição Tributária e Monofásico, posto que em ambos a incidência da tributação ocorre de forma concentrada, em etapa única, e no início da cadeia produtiva. Diz que a definição de Regime Monofásico constante do questionário Perguntas e Respostas – DIPJ/2010 leva a esse entendimento, que a doutrina usualmente trata os dois regimes como sinônimos e que a própria Receita Federal usa a nomenclatura Substituição Tributária para se referir a Regime Monofásico, conforme cópia de Acórdãos que colaciona em sua defesa. Na sequência a contribuinte sustenta que, independentemente da denominação a ser dada ao regime de tributação, no presente Fl. 143DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 06/03/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 12571.720249/201119 Acórdão n.º 3201001.549 S3C2T1 Fl. 94 3 caso deve se aplicar o disposto no artigo 150, § 7º da Constituição Federal, uma vez que “foi inegavelmente atribuída a sujeito passivo (fabricante) a condição de responsável pelo pagamento de PIS/COFINS (da Manifestante), cujo fato gerador deva ocorrer posteriormente.” Logo a seguir a interessada defende a existência do crédito solicitado sobre o valor das compras de óleo diesel. Argumenta, em resumo, que no regime de monofásico (ou de substituição tributária) instituído para o PIS e a Cofins a tributação ocorre em etapa única, de forma concentrada no fabricante, e que essa substituí todas as outras tributações que ocorreriam nas etapas seguintes até a chegada do produto ao consumidor final; diz que suas aquisições de óleo diesel são realizadas diretamente do fabricante ou importador, não ocorrendo as etapas intermediárias de negociação; e conclui que tem o direito ao crédito relativo à substituição tributária na operação, no caso a diferença de 14,38 % (23,63% 9,25 %). No seguimento a contribuinte faz a comparação do regime monofásico a que está sujeito com o que é aplicado ao setor automotivo, previsto pela Lei nº 10.485/2002. Diz que nesse último é notória a aplicação da substituição tributária no regime monofásico, uma vez que é permitido a montadora, como consumidora final, apurar o crédito de 9,25% sobre as aquisições de autopeças, em face do entendimento de que teriam sido suprimidas as etapas intermediárias de negociação. Argumenta que ela, transportadora, é prejudicada no creditamento do PIS/Cofins e deve ser comparada a montadora, a qual age suprimindo elos da cadeia de negociação, ou seja, como consumidora final. Sustenta, também, que no regime automotivo a contribuinte que realiza a importação de autopeças tem direito a crédito do valor total pago a título de PIS/Cofins na importação, e que essa situação beneficia o importador de autopeças, em detrimento da contribuinte que adquire combustíveis de distribuidora localizada no território nacional. Por fim, a interessada pugna pela aplicação do § 7º, art. 150 da Constituição Federal e art. 165 da Lei 5.172/66 (Código Tributário Nacional) e pelo balizamento do sistema monofásico de PIS/Cofins nos convênios nº 81/1993 e 74/94, os quais dispõem sobre normas aplicadas ao regime de substituição tributária no âmbito do ICMS. Ante ao exposto, pede a reforma do despacho decisório e o deferimento do pedido de restituição formulado.” A DRJ em Curitiba (PR) julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 144DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 06/03/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 4 Período de apuração: 01/09/2006 a 31/01/2011 RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA SOBRE ÓLEO DIESEL. Não existe direito ao ressarcimento relativo à COFINS incidente sobre óleo diesel adquirido por consumidor final pessoa jurídica desde de 1º de julho de 2000, data em que deixou de ser adotada a sistemática de substituição tributária e passouse a adotar a técnica de incidência monofásica ou em etapa única. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/2006 a 31/01/2011 RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA SOBRE ÓLEO DIESEL. Não existe direito ao ressarcimento relativo ao PIS incidente sobre óleo diesel adquiridos por consumidor final pessoa jurídica desde de 1o de julho de 2000, data em que deixou de ser adotada a sistemática de substituição tributária e passouse a adotar a técnica de incidência monofásica ou em etapa única. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Na decisão ora recorrida, em síntese, aduz os mesmos argumentos feitos por ocasião de sua manifestação de inconformidade e ao fim busca o reconhecimento de seu direito creditório. É o relatório. Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora O presente recurso preenche as condições de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Trata o presente processo de Pedido de Restituição, apresentado pela Recorrente, visando a restituição dos valores da diferença entre as alíquotas de PIS e Cofins incidentes sobre a aquisição de óleo diesel diretamente das distribuidoras. Nesse contexto tem se a incidência da alíquota de 23,63% que é superior em 14,38% à permissão legal para apuração dos créditos pelo regime não cumulativo (9,25%). A adoção dessa medida pela Recorrente tem como alicerce o entendimento que a sistemática monofásica de tributação tem o mesmo fundamento que o mecanismo da substituição tributária, estando apta a repetição da integralidade do montante recolhido na etapa inicial. Esse entendimento não deve prevalecer. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 06/03/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 12571.720249/201119 Acórdão n.º 3201001.549 S3C2T1 Fl. 95 5 Conforme bem fundamentado pela DRF no Despacho Decisório 185/2011, a Lei 9.990/2000 alterou a tributação dos combustíveis que passaram para a forma monofásica e direta, sendo exigidas tão somente das refinarias as contribuições sociais (PIS e Cofins), e que, com a entrada em vigor da citada lei, o regime de substituição tributária para os combustíveis deixou de existir, não se podendo mais falar em fato gerador presumido na cadeia de comercialização do produto. A Recorrente defende sinonímia entre os regimes de substituição tributária e o monofásico. Sustenta que em ambos a incidência da tributação ocorre de forma concentrada, em etapa única, sendo que a própria Receita Federal usa a nomenclatura substituição tributária para se referir ao regime monofásico. Alega também que suas aquisições de óleo diesel são realizadas diretamente do fabricante ou importador, não ocorrendo as etapas intermediárias de negociação, e que, portanto, teria o direito ao crédito relativo as etapas anteriores de intermediação que foram suprimidas, no caso a diferença de 14,38 % (23,63% 9,25 %). Desse modo, compara o regime monofásico a que está sujeita com o que é aplicado ao setor automotivo, previsto pela Lei nº 10.485/2002, e diz que nesse último é notória a aplicação da substituição tributária no regime monofásico, um vez que é permitido a montadora, como consumidora final, apurar o crédito de 9,25% sobre as aquisições de autopeças. Argumenta que ela, transportadora, é prejudicada no creditamento do PIS/Cofins e deve ser comparada a montadora, a qual age suprimindo elos da cadeia de negociação, ou seja, como consumidora final. Sustenta, também, que no regime automotivo a contribuinte que realiza a importação de autopeças tem direito a crédito do valor total pago a título de PIS/Cofins na importação, e que essa situação beneficia o importador de autopeças, em detrimento da contribuinte que adquire combustíveis de distribuidora localizada no território nacional. Por fim, pugna pela aplicação do § 7º, art. 150 da Constituição Federal e art. 165 da Lei 5.172/66 (CTN) e pelo balizamento do sistema monofásico de PIS/Cofins nos convênios nº 81/1993 e 74/94, os quais dispõem sobre normas aplicadas ao regime de substituição tributária no âmbito do ICMS. Para a análise correta desses fundamentos é necessária uma análise da legislação que rege a matéria. A Constituição Federal em seu art. 195, §9ª permite que seja conferido tratamento diferenciado entre contribuintes em razão da atividade econômica. Sendo assim, considerando a legislação para as exações em questão, assiste razão a autoridade administrativa na afirmação de que as legislações específicas não podem ser comparadas, dadas as especificidades pertinentes a cada setor da economia. Na mesma linha não há que se falar na aplicação em se aplicar no sistema normativo federal relativo as contribuições (PIS e Cofins) convênios que tratam de questões específicas pertinentes ao ICMS. Isto posto, devese observar que tanto a DRF de Ponta Grossa, a DRJ de Curitiba (PR), bem como esta Conselho não podem afastar as determinações da legislação tributária em sentido estrito, eis que os dois primeiros possuem atividade vinculada, conforme CTN, art. 3º e art. 142, parágrafo único e ao terceiro, não cabe se pronunciar sobre inconstitucionalidade e lei, conforme súmula CARF nº 2. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 06/03/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 6 Nesse ponto cabe uma análise da legislação do PIS e da Cofins aplicada aos derivados de petróleo. O sistema de recolhimento por substituição tributária das contribuições estava previsto em atos legais distintos. Para a COFINS, encontravase estabelecido no art. 4º da Lei Complementar (LC) nº 70, de 1991, enquanto para o PIS/PASEP o art. 6º da MP 1.212/95, trouxe igual disciplinamento que foi sucessivamente reeditado até finalmente converterse no art. 6º da Lei nº 9.715, de 1998. A Lei nº 9.718, de 1998, por sua vez unificou as normas pertinentes à substituição tributária relativa aos combustíveis derivados de petróleo, bem como alterou a figura do contribuinte substituto, atribuindo às refinarias de petróleo a responsabilidade de recolher tanto o PIS quanto a Cofins devidas pelos distribuidores e comerciantes varejistas, conforme se observa na versão original dos art. 2º e 4º, abaixo transcritos: “Art. 2º As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. (...) Art. 4º As refinarias de petróleo, relativamente às vendas que fizerem, ficam obrigadas a cobrar e a recolher, na condição de contribuintes substitutos, as contribuições a que se refere o art. 2º, devidas pelos distribuidores e comerciantes varejistas de combustíveis derivados de petróleo, inclusive gás. Parágrafo único. Na hipótese deste artigo, a contribuição será calculada sobre o preço de venda da refinaria, multiplicado por quatro.” A Secretaria da Receita Federal veio a estabelecer normas relativas à substituição tributária da contribuição para PIS/PASEP e da Cofins, por meio da Instrução Normativa SRF nº 6, de 1999: “Art. 6o Fica assegurado ao consumidor final, pessoa jurídica, o ressarcimento dos valores das contribuições referidas no artigo anterior, correspondentes à incidência na venda a varejo, na hipótese de aquisição de gasolina automotiva ou óleo diesel, diretamente à distribuidora. § 1° Para efeito do ressarcimento a que se refere este artigo, a distribuidora deverá informar, destacadamente, na nota fiscal de sua emissão, a base de cálculo do valor a ser ressarcido. § 2° A base de cálculo de que trata o parágrafo anterior será determinada mediante a aplicação, sobre o preço de venda da refinaria, calculado na forma do parágrafo único do art. 2°, multiplicado por dois inteiros e dois décimos. § 3° O valor de cada contribuição, a ser ressarcido, será obtido mediante aplicação da alíquota respectiva sobre a base de cálculo referida no parágrafo anterior. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 06/03/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 12571.720249/201119 Acórdão n.º 3201001.549 S3C2T1 Fl. 96 7 § 4° O ressarcimento de que trata este artigo darseá mediante compensação ou restituição, observadas as normas estabelecidas na Instrução Normativa SRF n° 21, de 10 de março de 1997, vedada a aplicação do disposto nos arts. 7° a 14 desta Instrução Normativa.” Já a Medida Provisória nº 1.99115, de 10 de março de 2000, alterou a incidência das contribuições do regime de substituição tributária para o monofásico, conforme a seguir: “Art. 2º Os arts. 3º, 4º, 5º e 6º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, passam a vigorar com a seguinte redação: (...) Art. 4º As contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/ PASEP e para o Financiamento da Seguridade Social COFINS devidas pelas refinarias de petróleo serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: (...) Art. 43. Ficam reduzidas a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de: Igasolina automotiva, óleo diesel e GLP, auferida por distribuidores e comerciantes varejistas; (...) Art. 46. Esta Medida Provisória entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: (...) II no que se refere à nova redação dos arts. 4° a 6° da Lei n° 9.718, de 1998, e ao art. 43 desta Medida Provisória, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1° de julho de 2000, data em que cessam os efeitos das normas constantes dos arts. 4º a 6º da Lei nº 9.718, de 1998, em sua redação original, e dos arts. 4º e 5º desta Medida Provisória. (...)” A alteração do art. 4º da Lei nº 9.718, de 1998 (trazida pela Medida Provisória nº 199115, de 10 de março de 2000), foi mantida pelo art. 3º da Lei nº 9.990, de 21 de julho de 2000. Esse artigo foi alterado pelas Leis nº 10.865, de 30 de abril de 2004, e nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, in verbis: “Art. 4º As contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – Fl. 148DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 06/03/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 8 PIS/PASEP e para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS devidas pelos produtores e importadores de derivados de petróleo serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: (Redação dada pela Lei nº10.865, de 2004) I – 5,08% (cinco inteiros e oito centésimos por cento) e 23,44% (vinte inteiros e quarenta e quatro centésimos por cento), incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação; (Redação dada pela Lei no 10.865, de 2004) II – 4,21% (quatro inteiros e vinte e um centésimos por cento) e 19,42% (dezenove inteiros e quarenta e dois centésimos por cento), incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de óleo diesel e suas correntes; (Redação dada pela Lei no 10.865, de 2004) (Vide Lei no 11.051, de 2004) (...)” Na última reedição da MP nº 1.991 (MP de nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, em vigência) o art. 42, manteve a redução a zero da alíquota para o óleo diesel do antigo art. 43, conforme a seguir: “Art. 42. Ficam reduzidas a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de: Igasolinas, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e GLP, auferida por distribuidores e comerciantes varejistas; (...)” A IN SRF nº 247, de 21 de novembro de 2002, por sua vez, relativamente a aplicação da IN SRF nº 06/99 (acima mencionada) dispôs que: “Art. 108. Ficam formalmente revogados, sem interrupção de sua força normativa: (...) IV – as Instruções Normativas SRF no 62/89, de 22 de junho de 1989, no 26/94, de 14 de abril de 1994, n° 6/99, de 29 de janeiro de 1999, no 24/99, de 25 de fevereiro de 1999, no 37/99, de 5 de abril de 1999, no 47/99, de 28 de abril de 1999, no 145/99, de 9 de dezembro de 1999, no 54/00, de 19 de maio de 2000, nº 112/00, de 19 de dezembro de 2000, nº 40, de 25 de abril de 2001, nº 75, de 13 de setembro de 2001, nº98, de 5 de dezembro de 2001, nº 199, de 12 de setembro de 2002, nº 209, de 27 de setembro de 2002, e nº 215, de 7 de outubro de 2002; e (...)” Com fundamento na legislação pertinente a matéria, percebese que, com a alteração do regime de substituição tributária para o regime monofásico, inicialmente prescrito na MP nº 199115/00, e depois da Lei nº 9.990/00, as contribuições incidentes sobre a venda de combustíveis derivados do petróleo passaram a ser devidas somente pelas refinarias, e para os Fl. 149DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 06/03/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 12571.720249/201119 Acórdão n.º 3201001.549 S3C2T1 Fl. 97 9 demais produtores ou importadores de derivados de petróleo, sendo desoneradas as receitas brutas auferidas por distribuidores e comerciantes varejistas, decorrentes da venda de óleo diesel, em face da redução a zero das alíquotas. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 150DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 06/03/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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Numero do processo: 13896.902562/2008-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 12 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1102-000.198
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
___________________________________
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente
(assinado digitalmente)
___________________________________
José Evande Carvalho Araujo- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) ___________________________________ João Otávio Oppermann Thomé - Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo- Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) ___________________________________ João Otávio Oppermann Thomé Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório PEDIDO DE RESTITUIÇÃO Em 31/07/2006, o contribuinte acima identificado apresentou Declaração de Compensação DCOMP onde compensava débitos de IRRF com crédito de saldo negativo de IRPJ do exercício de 2004, período de apuração de 01/01/2003 a 31/12/2003, no valor de R$ 5.479.039,16 (fls. 2 a 70) RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 02 56 2/ 20 08 -6 0 Fl. 908DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 10/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 13896.902562/200860 Resolução nº 1102000.198 S1C1T2 Fl. 909 2 O Despacho Decisório de fl. 71, de 12/8/2008, não reconheceu o direito creditório e não homologou as compensações pleiteadas, por não ter sido possível confirmar a apuração do saldo negativo em virtude de ter sido apresentada mais de uma Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) para o exercício de 2004, uma para o período de 1/1/2003 a 2/5/2003 e outra para 3/5/2003 a 31/12/2003. IMPUGNAÇÃO Cientificado da não homologação de suas compensações, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 82 a 84), acatada como tempestiva. Alegou, conforme o relatório do acórdão de primeira instância (fls. 430 a 431), que: (...) por equívoco seu preencheu as Perd/Comps com o início do exercício incorretamente, onde o correto seria Exercício 2004 – AnoCalendário 01/03/2003 a 31/12/2003. Requer o acolhimento da manifestação de inconformidade para que sejam baixados os débitos cobrados e sejam considerados liquidados conforme previsto no art. 156 do CTN. Junta aos autos as cópias: da DIPJ/2004 entregue em 30/06/2004, do Estatuto e Ata da empresa, e da procuração e RG da procuradora (fls. 84/217). ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas (SP) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, em acórdão que possui a seguinte ementa (fls. 428 a 437): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. IRRF. INFORMES DE RENDIMENTOS. Nos termos da legislação em vigor, cumpre ao sujeito passivo provar a existência, junto à Fazenda Pública, do alegado crédito, o qual, originandose de saldo negativo de IRPJ, implica a necessária demonstração de sua composição e a correspondente regularidade das antecipações deduzidas do imposto apurado na declaração de ajuste. O veículo para comprovação do IRRF é o informe de rendimentos fornecido pelas fontes pagadoras, podendo ser substituído pelos dados processados no sistema DIRF da RFB. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/05/2003 a 31/12/2003 SALDO NEGATIVO. BASE TRIBUTÁVEL DO PERÍODO EM LITÍGIO. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO JUNTO À FAZENDA PÚBLICA. Fl. 909DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 10/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 13896.902562/200860 Resolução nº 1102000.198 S1C1T2 Fl. 910 3 Tendo em conta que o período de apuração do saldo negativo de IRPJ, indicado na DCOMP como origem do crédito junto à Fazenda Pública, apresentase sob litígio no CARF, por reversão pelo Fisco do prejuízo fiscal em base tributável positiva, ainda que se confirme na DIRF parte das antecipações deduzidas na declaração de ajuste, com indicação de oferecimento à tributação das receitas correspondentes, inviável o reconhecimento de direito creditório, pois ausentes nos autos a certeza e a liquidez imprescindíveis para sua utilização nas compensações em litígio. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/06/2003 DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. NÃO HOMOLOGAÇÃO DAS COMPENSAÇÕES. Não reconhecido nos autos o crédito pretendido junto à Fazenda Pública, confirmase a NÃO HOMOLOGAÇÃO das compensações expressa no despacho decisório recorrido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Os fundamentos dessa decisão foram os seguintes: a) o saldo negativo do anocalendário de 2003, informado na DIPJ no valor de R$ 6.490.267,78, não se encontra validado na esfera administrativa em virtude do auto de infração de IRPJ e CSLL constante do processo administrativo fiscal nº 10882.001031/2004 95, que reverteu o prejuízo fiscal declarado de R$ 1.047.679,35 para lucro, e que se encontra em julgamento no CARF; b) ainda que o auto de infração mencionado fosse julgado improcedente, somente seria possível se admitir, na formação do saldo negativo, os impostos de renda retidos na fonte informados em DIRF pelas fontes pagadoras, o que resultaria no reconhecimento em um saldo negativo de R$ 2.459.644,81. RECURSO VOLUNTÁRIO Cientificado da decisão de primeira instância em 28/7/2011 (fl. 482), o contribuinte apresentou, em 29/8/2011, o recurso de fls. 483 a 495, onde afirma que: a) apresentou duas DIPJs, pois, em maio de 2003, incorporou a empresa Laboratório de Patologia Clínica Curitiba S/C Ltda; b) o processo administrativo n° 10882.001031/200495 foi apreciado pelo CARF por meio do acórdão n° 140200.342, que exonerou as infrações relativas ao ano de 2003, e portanto não traz mais nenhuma consequência ao saldo negativo utilizado como crédito neste processo; Fl. 910DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 10/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 13896.902562/200860 Resolução nº 1102000.198 S1C1T2 Fl. 911 4 c) no que tange às retenções na fonte em seu nome, apesar de a DRJ só ter podido confirmar retenções no total de R$ 4.002.542,34, para o anocalendário de 2003, fato é que, nesse período, o total das retenções sofridas remonta a R$ 6.178.177,28; d) a prova do crédito relativo ao IRRF ordinariamente se dá mediante a apresentação dos respectivos informes de rendimento, mas isso não é possível, no caso, pois as fontes pagadoras não disponibilizaram esses informes no prazo previsto pela legislação, e nem foi possível obtêlos no curto prazo para a apresentação do recurso, apesar de terem sido solicitados; e) demonstra seu direito por meio de planilha elaborada com base nas informações de faturamento extraídas de sua escrita contábil, a qual faz prova em seu favor. Ao final, na hipótese de persistir qualquer dúvida a respeito do crédito pleiteado, requer a produção de prova pericial, a ser elaborada pelo Sr. Rubens Antonio Ribeiro, contador, com escritório em São Paulo, Rua Verbo Divino, 1661 – 2º andar, CEP 04719002, inscrito no CRC/SP sob n° 162.605, portador do RG 12.622.5151 e inscrito no CPF/MF sob o n° 012.589.25869. Para tanto formula os seguintes quesitos: 1) Informar o Sr. Perito qual foi o total do IRRF retido no ano de 2003, com base nos seguintes elementos: a. Notas fiscais emitidas pela Recorrente quanto a serviços prestados em 2003 (que indicam o valor bruto dos serviços, e o valor líquido do IRRF) b. Escrituração contábil da Recorrente; e c. Documentos bancários que evidenciem o recebimento, pela Recorrente, apenas dos valores líquidos do IRRF, no que tange aos serviços descritos nas notas fiscais acima mencionadas. 2) Informar o Sr. Perito o valor total das retenções de IRRF relativo ao ano calendário de 2003, bem como o saldo negativo apurado naquele período. Estes autos foram inicialmente sorteados para julgamento pelo Conselheiro Mário Sergio Fernandes Barroso, da 3ª Turma da 1ª Câmara, mas foram redirecionados para nova distribuição quando o relator deixou de compor o colegiado. Finalmente, o processo foi a mim distribuído no sorteio realizado em junho de 2013, numerado digitalmente até a fl. 907. Esclareçase que todas as indicações de folhas neste voto dizem respeito à numeração digital do eprocesso. É o relatório. Fl. 911DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 10/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 13896.902562/200860 Resolução nº 1102000.198 S1C1T2 Fl. 912 5 Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Tratase de declaração de compensação não homologada por despacho eletrônico em razão de divergência entre o período de formação do saldo negativo indicado na DCOMP e aquele declarado nas DIPJs apresentadas. Na impugnação, o contribuinte alegou se tratar de erro de declaração, mas a DRJ não reconheceu o direito creditório porque: a) o prejuízo fiscal declarado na DIPJ, no valor de R$ 1.047.679,35, foi revertido para lucro em auto de infração de IRPJ e CSLL constante do processo administrativo fiscal nº 10882.001031/200495, que se encontra em julgamento no CARF; b) ainda que o auto de infração mencionado fosse julgado improcedente, somente seria possível se admitir, na formação do saldo negativo, os impostos de renda retidos na fonte informados em DIRF pelas fontes pagadoras, o que resultaria no reconhecimento de um saldo negativo de R$ 2.459.644,81, e não dos R$ 5.479.039,16 solicitados. Quanto ao fundamento do item “a”, o recorrente informa que seu recurso voluntário no processo administrativo n° 10882.001031/200495 foi apreciado pelo CARF por meio do acórdão n° 140200.342, que exonerou as infrações relativas ao ano de 2003, e portanto não traz mais nenhuma consequência ao saldo negativo utilizado como crédito neste processo. De fato, em análise do auto de infração no citado processo no sistema e processo (fls. digitais 2.263 a 2.318), a única infração que gerou reflexos no ano de 2003 foi aquela relativa à amortização de ágio. Contudo, o Acórdão nº 140200.342, da 2a Turma Ordinária da 4a Câmara da 1a Seção de Julgamento, prolatado em 15 de dezembro de 2010, deu provimento parcial ao recurso para excluir as glosas de amortização de ágio (fls. digitais 4.270 a 4.353). Apesar de a Fazenda Nacional ter apresentado recurso especial contra essa parte (fls. digitais 4.358 a 4.393), ele não foi admitido quanto a essa matéria (fls. digitais 4.511 a 4.540). Assim, apesar de ainda não ter se dado o julgamento do recurso especial da Fazenda Nacional, na parte em que foi admitido, há que se concluir que já ocorreu o trânsito em julgado administrativo em favor do contribuinte para as infrações que alteraram o resultado do anocalendário de 2003, não prevalecendo o óbice levantado pela decisão recorrida. Persiste ainda o fundamento do item “b”, onde o julgador a quo concluiu que, admitindose a validade do prejuízo fiscal declarado no anocalendário de 2003, somente seria possível se reconhecer um saldo negativo de R$ 2.459.644,81. Fl. 912DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 10/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 13896.902562/200860 Resolução nº 1102000.198 S1C1T2 Fl. 913 6 A decisão recorrida verificou que o saldo negativo declarado de R$ 6.490.267,78 era composto pelo prejuízo do período (R$ 1.047.679,35), pelo Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF (R$ 4.621.325,32) e pelas estimativas mensais (R$ 1.868.942,46). Considerou, também, que o IRRF deveria ser comprovado por meio dos informes de rendimentos fornecidos pelas fontes pagadoras dos rendimentos submetidos à retenção. Entretanto, como não haviam sido trazidos aos autos quaisquer informes de rendimentos, considerou comprovadas as retenções informadas pelas fontes pagadoras em DIRFs. Partindose do pressuposto de que todo o saldo negativo pleiteado se formou no período de 3/5/2003 a 31/12/2003, e como o sistema informatizado da Receita Federal indicava retenções no valor de R$ 4.002.542,34 em nome da empresa, e já haviam sido utilizados, na formação das estimativas de 1/1/2003 a 2/5/2003, IRRF de R$ 1.542.897,53, concluiuse que o saldo negativo comprovado seria formado pela diferença entre os valores: R$ 2.459.644,81. As estimativas mensais de R$ 1.868.942,46 não foram consideradas por terem sido formadas com a dedução de IRRF de igual valor nos balancetes de suspensão ou redução de maio e junho de 2003. No voluntário, o recorrente concorda com a metodologia de cálculo da DRJ, mas afirma que o total de retenções foi de R$ 6.178.177,28, o que lhe daria direito ao saldo negativo de R$ 4.635.279,75 (R$ 6.178.177,28 – R$ 1.542.897,53). Afirma que a prova do crédito relativo ao IRRF ordinariamente se dá mediante a apresentação dos respectivos informes de rendimentos, mas que isso não seria possível, no caso, pois as fontes pagadoras não disponibilizaram esses informes no prazo previsto pela legislação, e nem foi possível obtêlos no curto prazo para a apresentação do recurso, apesar terem sido solicitados. Pretende, então, fazer prova do seu direito por meio de planilha elaborada com base nas informações de faturamento extraídas de sua escrita contábil (fls. 640 a 700 e 762 a 904). Contudo, não é possível se admitir que essa simples listagem comprove a efetiva retenção na fonte dos valores nela indicados, sem o seu confronto com a contabilidade e documentos que a embasaram. Por outro lado, tratase de início de prova relevante que merece análise da autoridade fiscal, em especial porque o não reconhecimento do direito creditório se deu por mero despacho eletrônico fundado em erro de declaração, sem verificação pormenorizada da escrituração e argumentos do contribuinte. Já a louvável análise da decisão recorrida se deu apenas com base nos elementos constantes nos autos, sem oportunizar ao contribuinte a produção de novas provas. Não se pode esquecer que os elementos então existentes no processo foram trazidos com base na singela fundamentação do despacho decisório eletrônico. Assim, mesmo caso se considerasse que a única prova possível para as retenções na fonte fossem os informes de rendimentos das fontes pagadoras, ainda assim seria necessário permitir que o sujeito passivo apresentasse cópias desses documentos, pois nada lhe havia sido exigido nesse sentido. Fl. 913DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 10/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 13896.902562/200860 Resolução nº 1102000.198 S1C1T2 Fl. 914 7 Contudo, apesar de o § 2º do art. 943 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99 determinar que o imposto retido na fonte sobre quaisquer rendimentos ou ganhos de capital somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica se o contribuinte possuir comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora, deve se reconhecer que o sujeito passivo não pode ser prejudicado nas hipóteses em que efetivamente sofrer a retenção e a fonte pagadora não emitir o respectivo informe de rendimentos. Assim, como a escrituração fiscal faz prova a favor do contribuinte quando acompanhada da documentação que a embasou, nos termos do art. 923 do RIR/99, devese admitir a dedução do imposto retido na fonte devidamente escriturado e comprovado documentalmente. O recorrente solicita a realização de perícia. Entretanto, penso ser mais recomendável a realização de diligência pela autoridade fiscal, com a possibilidade de contestação do resultado pelo contribuinte, que poderá se valer do seu perito para esse propósito. Diante do exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que a autoridade fiscal: a) intime o contribuinte a demonstrar, com base em sua contabilidade e documentos que lhe dão suporte, a escrituração das receitas e da retenção na fonte do imposto de renda que pretende compor o saldo negativo, bem como a apresentar outros documentos que a autoridade considere imprescindíveis para a solução da lide, concedendo o prazo mínimo de 30 (trinta) dias para tanto. Na intimação, devese informar ao contribuinte quais as retenções na fonte que já foram admitidas com base nas informações dos sistemas de informática da Receita Federal; b) elabore relatório de diligência circunstanciado, especificando qual o crédito de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2003 a que o sujeito passivo tem direito; c) dê ciência desse relatório ao contribuinte para sobre ele se manifestar, caso deseje, no prazo de 30 (trinta) dias, retornandose os autos a este Colegiado para ulterior julgamento. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 914DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 10/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME
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Numero do processo: 10930.904389/2012-69
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 04/04/2011
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso.
PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
Numero da decisão: 3803-004.741
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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GONCALVES & CIA LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 04/04/2011 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Para a homologação da DCOMP transmitida pelo sujeito passivo, é necessária a demonstração da liquidez e certeza do crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 04/04/2011 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 43 89 /2 01 2- 69 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, transmitido pelo contribuinte, em que pretende compensar apontado crédito de natureza tributária para com débito por ele apurado, ambos indicados em PER/DCOMP (efl 2/6), referente aos períodos e valores ali descritos e analisados no bojo deste processo. O pagamento foi identificado, mas constatouse que o mesmo foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, segundo dados do Despacho Decisório, dessa forma, o direito creditório não foi reconhecido e a compensação declarada resultou não homologada. Intimado a recolher o crédito tributário decorrente da não homologação da compensação, o contribuinte manifestou a sua inconformidade tempestivamente, argumentando o que se segue: a) Afirma seu direito ao recebimento do recurso, bem assim o regular processamento dos autos para julgamento pelo órgão competente; b) Alega que o despacho decisório está eivado de nulidades, pois não houve esclarecimentos quanto à suposta indisponibilidade de crédito e não foi analisada qualquer situação que legitima o crédito postulado; c) Alega não ter meio de se defender por desconhecimento da indisponibilidade e que o despacho decisório não dispõe de qualquer esclarecimento, inclusive em relação ao significado de “disponibilidade de crédito”, o que lhe parece se tratar do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do Darf e o Crédito declarado em DCTF. Não restando crédito disponível para ser restituído; d) Alega o cerceamento ao seu direito de ampla defesa, pois não foi intimado a fazer os esclarecimentos necessários e a autoridade administrativa não motivou sua decisão, a qual não passou pelo crivo de um Auditor Fiscal para confirmar a suposta indisponibilidade, dessa forma a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, sendo assim o crédito sequer foi apreciado; e) Afirma, quanto ao mérito, que utilizou de valores que indevidamente integravam a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior; f) Alega que não há como apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe ao certo o motivo do indeferimento, tampouco a interessada, devendo ser aplicada a regra autorizadora de produção posterior das provas. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904389/201269 Acórdão n.º 3803004.741 S3TE03 Fl. 11 3 A 3ª Turma da DRJ/CTA julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, ementando sua decisão nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO [...] NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. A ausência de pedido de esclarecimentos na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. COFINS. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. Aplicase a disposição do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, pois a decisão foi em Recurso Extraordinário e não em ADIN, só aproveitando, por isso, às partes envolvidas, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário, por meio do qual repete os argumentos expostos em manifestação de inconformidade, chegando a afirmar tratarse de um acórdão eletrônico, à semelhança do despacho decisório, sem que tenha sido submetido ao crivo de um auditor fiscal/colegiado para analisar essas situações. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Dos pedidos de nulidade. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 O contribuinte defende a nulidade do despacho decisório e do acórdão da DRJ por falta de motivação de seus atos, o que impossibilitou sua defesa. Entendemos que não seja obrigatória, na fundamentação do despacho decisório, a indicação expressa dos dispositivos legais e constitucionais em que se sustenta, desde que haja consonância dos argumentos utilizados com a jurisprudência e com o ordenamento jurídico vigente. Ressaltamos que o despacho decisório é processado de forma eletrônica, realizando o encontro dos valores constantes no sistema da Receita Federal do Brasil RFB. Como confessado pelo próprio contribuinte sua DCTF do período estava erroneamente preenchida, e esta informação estava inserida no sistema da RFB, ou seja, de fato o contribuinte não possuía créditos a serem ressarcidos no confronto dos valores declarados como devidos (DCTF) e daqueles que efetivamente foram recolhidos (DARF). As principais nulidades no processo administrativo fiscal estão disciplinadas nos artigos 59 e 60 do Decreto n.º 70.2351, de 1972, não identificamos nenhuma das hipóteses de nulidade presente no despacho decisório, muito menos ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, tanto que o recorrente pode fazer sua defesa de forma ampla e teve a oportunidade de provar seu direito creditório em pelo menos duas oportunidades distintas, uma quando da manifestação de inconformidade e outra quando interpôs recurso voluntário. O Despacho Decisório aponta como enquadramento legal os artigos 165 e 170 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96. Tanto o artigo 170 do CTN quanto o 74 da Lei 9.430/96, reforçam o direito do contribuinte em compensar os seus débitos com crédito líquidos e certos, fica claro que a liquidez e certeza do crédito tributário é que ficou comprometida ante as informações prestadas pelo contribuinte, em especial no confronto da DCTF com o DARF recolhido, portanto, entendemos que não há que se falar em nulidade do Despacho Decisório por falta de fundamentação. Da mesma sorte, não identificamos qualquer hipótese de nulidade no acórdão proferido pela DRJ. A manifestação de inconformidade foi devidamente submetida ao crivo de um colegiado que fundamentou coerentemente sua decisão com base no Decreto 70.235, de 1972, além de trazer decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais do então Conselho de Contribuintes. Dessa forma a recorrente poderia usufruir do direito ao contraditório e à ampla defesa. Não identificamos qualquer cerceamento à defesa do contribuinte. Mérito e comprovação do crédito. 1 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904389/201269 Acórdão n.º 3803004.741 S3TE03 Fl. 12 5 As compensações se prestam ao encontro de contas, entre um débito tributário e um crédito líquido e certo da contribuinte contra a Fazenda Pública, conforme determina o artigo 170 do CTN. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” Neste mesmo sentido expressase o artigo 74 da Lei 9.430. Daí concluirse que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior do tributo, desse modo, a fim de comprovar a existência do crédito alegado, a interessada deve instruir sua defesa, em especial a manifestação de inconformidade, com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” O recorrente afirma que utilizou de valores que indevidamente integraram a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior. Apesar de se referir a algumas teses de forma genérica, o contribuinte não expôs com exatidão quais delas teria usado para justificar a redução da base de cálculo. Muito menos demonstrou quais os valores que acredita não integrarem a referida base de cálculo, o que de fato impede a análise dos argumentos expostos e não prova a disponibilidade de crédito. Na mesma esteira, admitindose por hipótese, o direito subjetivo do contribuinte, o que não é o caso, mais uma barreira se ergueria em desfavor da requerente, qual seja, a absoluta falta de provas da existência do crédito requerido. O inciso III do artigo 16 do Decreto 70.235/72 determina que as provas que justifiquem as alegações do contribuinte devem ser trazidas na impugnação. Não há nos autos qualquer elemento de prova que ateste o crédito pretendido, não identificamos Notas Fiscais, Escrita Fiscal, Escrita Contábil, Livro de Apuração, Livro Diário, Livro Razão, planilhas demonstrativas, ou qualquer outro documento que possibilite, minimamente que seja, a sua aferição. No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é de quem alega a sua existência, ou seja, do interessado, é assim que dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999 no seu artigo 36: Fl. 76DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido os artigos 330 e 396 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provar lhe as alegações. Quem alegou a existência de crédito foi o contribuinte, portanto, cabe a este provar o alegado crédito e não transferir tal ônus para a RFB. Da apresentação das provas. O artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina, ainda, o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A análise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da interessada, qual seja, na manifestação de inconformidade, contudo, esta turma recursal tem firmado entendimento no sentido de admitir, excepcionalmente, a análise de provas trazidas em sede de recurso voluntário, quando estas não dependam de análise técnica aprofundada e sejam complementares às provas trazidas em Manifestação de Inconformidade, entretanto, mesmo neste momento processual, nenhuma prova foi carreada aos autos. Não há como deferir o pedido do contribuinte por produção de provas posteriores a este ato, por absoluta falta de previsão legal. Conclusão. Pelo exposto, rejeito as preliminares de nulidade e no mérito NEGO PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 77DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904389/201269 Acórdão n.º 3803004.741 S3TE03 Fl. 13 7 João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 78DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10935.902237/2012-81
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/12/2003
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA.
Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.315
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 15/12/2003 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA. Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. .
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DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA. Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 22 37 /2 01 2- 81 Fl. 70DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por SHEILA NOBRE FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/03/201 4 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10935.902237/201281 Acórdão n.º 3801002.315 S3TE01 Fl. 65 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por SHEILA NOBRE FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/03/201 4 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10935.902237/201281 Acórdão n.º 3801002.315 S3TE01 Fl. 66 3 . Relatório Tratase de pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior formulado pelo ora Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda., que não foi reconhecido pela Delegacia da Receita Federal de origem. Não concordando com o indeferimento do seu pleito, o Recorrente apresentou manifestação de inconformidade que foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento. Restou assim ementado o acórdão: COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Inconformado com a decisão proferida e repisando os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual alegou, em síntese, que o seu direito creditório decorre da inconstitucional “cobrança do PIS e COFINS sem a exclusão do ICMS da base de cálculo”. É o relatório. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por SHEILA NOBRE FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/03/201 4 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10935.902237/201281 Acórdão n.º 3801002.315 S3TE01 Fl. 67 4 Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora Presentes os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele conheço. O Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda.., apresentou pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior, sob o argumento de que o referido crédito decorre da inconstitucional inclusão, na base de cálculo do PIS e da COFINS, do valor do ICMS devido aos Estadosmembros. Sem trazer nenhum provimento jurisdicional favorável, em suas razões recursais, alega que o ICMS é tributo devido aos Estadosmembros e, por isso, não pode ser considerado como receita ou faturamento dos contribuintes. Coleciona vasta doutrina sobre o tema para embasar suas alegações. Em que pese essa Relatora ter o mesmo entendimento do Recorrente com relação à matéria, ou seja, o ICMS, de fato, não poderia compor a base de cálculo da contribuição do PIS e da COFINS, não pode esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais declarar inconstitucionalidade de norma vigente. Neste sentido, é a súmula nº 02 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, como muito bem colocado no acórdão recorrido, “cumpre registrar que não há na legislação de regência previsão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998”. Inexistindo na legislação em vigor a possibilidade de o contribuinte excluir da base de cálculo das contribuições em comento o valor do ICMS, não há como reconhecer o direito creditório do Recorrente. Ademais, importante ressaltar que os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em análise ao Recurso Extraordinário nº. 240.785, que discute a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, já haviam proferido seis votos a favor dos contribuintes. Contudo, o julgamento daquele RE teve seu andamento sobrestado por força da propositura, pela União Federal, da Ação Direta de Constitucionalidade nº. 18, ajuizada em 2007 e ainda pendente de julgamento. Assim, não há, até o presente momento, qualquer definição do Poder Judiciário acerca da questão. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por SHEILA NOBRE FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/03/201 4 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10935.902237/201281 Acórdão n.º 3801002.315 S3TE01 Fl. 68 5 Por todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário e a ele nego provimento. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 74DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por SHEILA NOBRE FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/03/201 4 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 11030.905005/2009-36
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/05/2004
COFINS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO DE TRIBUTO. POSSIBILIDADE.
Caracterizado o pagamento a maior ou indevido da contribuição, o contribuinte tem direito à repetição do indébito, segundo o disposto no art. 165, I, do Código Tributário Nacional (CTN).
COOPERATIVAS. COFINS. LEI Nº 10.892/2004.
As sociedades cooperativas de produção agropecuária e as de consumo poderão adotar antecipadamente o regime de incidência não-cumulativo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS nos termos do art. 4º da Lei nº 10.892/2004.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-002.974
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/05/2004 COFINS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO DE TRIBUTO. POSSIBILIDADE. Caracterizado o pagamento a maior ou indevido da contribuição, o contribuinte tem direito à repetição do indébito, segundo o disposto no art. 165, I, do Código Tributário Nacional (CTN). COOPERATIVAS. COFINS. LEI Nº 10.892/2004. As sociedades cooperativas de produção agropecuária e as de consumo poderão adotar antecipadamente o regime de incidência não-cumulativo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS nos termos do art. 4º da Lei nº 10.892/2004. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
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REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO DE TRIBUTO. POSSIBILIDADE. Caracterizado o pagamento a maior ou indevido da contribuição, o contribuinte tem direito à repetição do indébito, segundo o disposto no art. 165, I, do Código Tributário Nacional (CTN). COOPERATIVAS. COFINS. LEI Nº 10.892/2004. As sociedades cooperativas de produção agropecuária e as de consumo poderão adotar antecipadamente o regime de incidência nãocumulativo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS nos termos do art. 4º da Lei nº 10.892/2004. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 50 05 /2 00 9- 36 Fl. 125DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11030.905005/200936 Acórdão n.º 3801002.974 S3TE01 Fl. 126 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente). Fl. 126DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11030.905005/200936 Acórdão n.º 3801002.974 S3TE01 Fl. 127 3 Relatório Tratase de Manifestação de Inconformidade, fls. 10 a 12, contra despacho decisório eletrônico da DRF/Passo Fundo, nº. 842600930, fl. 06, que não homologou a compensação declarada no Per/Dcomp nº 12533.64132.130406.1.3.047674, em virtude do crédito apontado ter sido utilizado integralmente para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no Per/Dcomp. Cientificada do despacho decisório, em 29/06/2009, a interessada apresentou, em 28/07/2009, manifestação de inconformidade, fls. 10 a 12, alegando, em síntese, que: => efetuou a opção pelo regime não cumulativo e refez a apuração da Cofins faturamento, referente ao mês de mai/2004, em função da lei nº 10.892/2004, que, no seu art. 4º, facultava às cooperativas de produção agropecuária adotarem antecipadamente o regime de incidência não cumulativo da COFINS, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de maio de 2004, e no parágrafo único do art. 4º, que deu o prazo de até o décimo dia do mês subseqüente ao da publicação da referida lei; => após a retificação da apuração do referido mês, o débito que havia sido apurado deixou de existir. A DCTF do período foi retificada; => requer o recebimento da manifestação de inconformidade e homologação Per/Dcomp n° 12533.64132.130406.1.3.047674. A DRJ em Salvador (BA) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/05/2004 COMPENSAÇÃO. DISPONIBILIDADE DO CRÉDITO. O crédito usado em compensação tem que estar disponível na data da transmissão do PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. RECOLHIMENTOS INDEVIDOS. COMPROVAÇÃO. A insuficiência da apresentação de prova inequívoca mediante documentação hábil e idônea acarreta a negação de reconhecimento do direito creditório, em face da impossibilidade Fl. 127DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11030.905005/200936 Acórdão n.º 3801002.974 S3TE01 Fl. 128 4 da autoridade administrativa aferir a liquidez e certeza do pretenso crédito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Não concordando com a decisão da DRJ a contribuinte apresentou Recurso Voluntário utilizandose dos mesmos argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Essa Turma converteu o julgamento em diligência para que a Delegacia de origem: a) Intimasse a contribuinte para no prazo de 30 dias apresentar a cópia do documento comprobatório da adesão antecipada a que aduz o § único do artigo 4º da Lei nº 10.892/2004, ou confirme a DRF a realização da opção por parte da contribuinte; b) anexasse cópia da DCTF retificadora ativa referente ao 2º trimestre de 2004; c) apurasse o valor devido a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) incidente sobre o faturamento com base na escrituração fiscal e contábil, período de apuração de maio/2004, segundo o regime de incidência não cumulativo, nos termos do art. 4º da Lei nº 10.892/2004; d) cientifique a interessada quanto ao teor dos cálculos para, desejando, manifestarse no prazo de dez dias. Após a conclusão da diligência, retornasse o processo a este CARF para julgamento. É o que importa relatar. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11030.905005/200936 Acórdão n.º 3801002.974 S3TE01 Fl. 129 5 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. Assiste razão à recorrente, conforme será demonstrado. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre da apuração da Cofins faturamento, em função da lei nº 10.892/2004, que, no seu art. 4º, facultava às cooperativas de produção agropecuária adotarem antecipadamente o regime de incidência não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de maio de 2004, e no parágrafo único do art. 4º, que deu o prazo de até o décimo dia do mês subseqüente ao da publicação da referida lei para que fosse feita a opção pelo regime não cumulativo. Do exame do despacho decisório que indeferiu a compensação, verificase que essa matéria não foi apreciada. A autoridade fiscal, em síntese, apenas considerou os dados apresentados na DCTF original. Tal fundamentação, por certo, decorre de análise superficial, realizada nos limites de sistema informatizado de informações (batimento entre o pagamento informado como indevido e sua situação no conta corrente – disponível ou não), no qual não se está analisando efetivamente o mérito da questão, cuja análise somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Registrese, por oportuno, que a DCTF retificadora foi apresentada antes da ciência do despacho decisório. Assim, a interessada não foi intimada a justificar a origem de seu crédito, o que de fato lhe trouxe prejuízo. Convém ressaltar que o simples erro de preenchimento da DCTF não pode resultar em enriquecimento ilícito da Fazenda Nacional. Ademais, não há óbice legal para a apresentação de DCTF retificadora antes da emissão do despacho decisório. De sorte que o mero erro de fato no preenchimento da DCTF não é elemento suficiente para afastar o direito à restituição de tributo pago a maior indevidamente. No mérito, analisemos os arts. 4º e 5º da lei nº 10.892/2004: Art. 4o As sociedades cooperativas de produção agropecuária e as de consumo poderão adotar antecipadamente o regime de incidência nãocumulativo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS. Parágrafo único. A opção será exercida até o 10o (décimo) dia do mês subseqüente ao da data de publicação desta Lei, de acordo com as normas e condições estabelecidas pela Secretaria Fl. 129DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11030.905005/200936 Acórdão n.º 3801002.974 S3TE01 Fl. 130 6 da Receita Federal, produzindo efeitos em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de maio de 2004. Art. 5o Esta Lei entra em vigor em 1o de outubro de 2004, exceto em relação ao seu art. 4o, que entra em vigor na data da sua publicação. A recorrente, por se tratar de sociedade cooperativa de produção agropecuária, tendo efetuado a opção de antecipação do regime de nãocumulatividade de que trata o art. 4º da Lei nº 10.892, de 2004, deveria apurar as contribuições nesse regime a partir de 1º de maio de 2004. A adesão antecipada pelo regime de nãocumulatividade foi regulamentada pela IN SRF 433/2004. Como a publicação da Lei nº 10.892 ocorreu em 14.7.2004, essa opção deu se de forma retroativa em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de maio de 2004, o que poderia ocasionar divergências em relação às contribuições apuradas pelo regime de incidência cumulativo, como alegado pela recorrente. Conforme informado pela Delegacia de origem e colacionado nos autos, o contribuinte apresentou cópia do “Termo de Opção” de que trata o art. 4º da Lei nº 10.892, de 2004, fazendo jus portanto à apuração antecipada no regime de incidência não cumulativo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Ao realizar a diligência e constatar, a partir dos registros existentes nos sistemas da RFB e dos documentos apresentados pela cooperativa, que não houve apuração de saldo a pagar a título de Cofins, no regime não cumulativo, para o período de apuração em referência, a Delegacia de origem confirmou a legitimidade do direito creditório, restando caracterizado o indébito e tendo o contribuinte direito à sua repetição, nos termos do art. 165 do CTN. Assim sendo, pelos documentos comprobatórios colacionados aos autos, e em especial a diligência fiscal realizada pela Delegacia de origem, reconhecesse como legítimo o crédito de pagamento indevido ou a maior, constante do presente processo. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário no sentido de reconhecer um crédito originário no valor pleiteado pela recorrente e homologar a compensação indicada no PER/DCOMP objeto deste processo até o limite do crédito original aqui reconhecido, devidamente atualizado. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Fl. 130DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11030.905005/200936 Acórdão n.º 3801002.974 S3TE01 Fl. 131 7 Fl. 131DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10580.900832/2008-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 26/03/2004
COMPENSAÇÃO. DEMONSTRAÇÃO DE EXISTÊNCIA DE CRÉDITO. NECESSIDADE.
Cabe à contribuinte demonstrar cabalmente a existência de crédito para compensação, devendo o crédito para compensação estar disponível na data de transmissão da PERD/COMP.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3401-002.435
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade, negou-se provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
JULIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
(assinado digitalmente)
FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simoes Mendonca, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Angela Sartori.
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 26/03/2004 COMPENSAÇÃO. DEMONSTRAÇÃO DE EXISTÊNCIA DE CRÉDITO. NECESSIDADE. Cabe à contribuinte demonstrar cabalmente a existência de crédito para compensação, devendo o crédito para compensação estar disponível na data de transmissão da PERD/COMP. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade, negouse provimento ao recurso. (assinado digitalmente) JULIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. (assinado digitalmente) FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simoes Mendonca, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Angela Sartori. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 08 32 /2 00 8- 63 Fl. 64DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 7/02/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por JULIO CESAR ALV ES RAMOS 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela contribuinte O Sertanejo Ltda em face de acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil e de Julgamento em Salvador, com a seguinte ementa (fl. 47). COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INEXISTENE. É premissa básica para que seja efetivada a compensação de crédito tributário a existência de crédito líquido e certo do sujeito passivo contra a Fazenda Nacional. COMPENSAÇÃO O crédito usado em compensação tem que estar disponível na data da transmissão do PERDCOMP. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Consta dos autos que a contribuinte transmitiu em 26.03.2004 PER/DCOMP eletrônico visando utilizar DARF da Cofins relativo a novembro de 2002, no valor de R$ 748,57, na compensação de débito declarado. A contribuinte foi intimada acerca da não localização nos sistemas da Receita Federal do DARF indicado na PER/DCOMP, conforme se observa do Termo de Intimação de fl. 02, não apresentando qualquer manifestação a respeito. Por consectário, aa DRF/Salvador emitiu despacho decisório pela não homologação da compensação pleiteada, sob o fundamento de não localização da DARF (fl. 04). A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 07/08) aduzindo, em apertado escorço, que o crédito decorre da diferença entre o valor pago e o valor declarado na DIPJ, entendendo que não poderia informar na PERD/COMP o valor total da DARF se seu crédito era parcial. A DRJ não acolheu os argumentos da contribuinte, julgando improcedente a manifestação de inconformidade. Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 50/52) suscitando que o acórdão da DRJ “não se acha revestido das formalidades legais”, vez que entende ter cumprido sua obrigação junto ao Fisco. É o relatório. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 7/02/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por JULIO CESAR ALV ES RAMOS Processo nº 10580.900832/200863 Acórdão n.º 3401002.435 S3C4T1 Fl. 64 3 Voto Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte DA ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário é tempestivo e presentes se encontram os demais requisitos, razão pela qual dele eu conheço. DO MÉRITO A contribuinte tenta demonstrar toda a sua indignação sob o argumento de que cumpriu rigorosamente suas obrigações junto ao Fisco. Ocorre que, como bem observado pelo acórdão a quo, houve equívoco da própria contribuinte ao informar no PER/DCOMP a DARF no valor de R$ 748,57, quando o valor correto da DARF seria R$ 2.797,41, o que impossibilitou a Receita Federal de localizar a DARF em seus sistemas. Não obstante isso, devidamente intimada desta irregularidade (fl. 02), a contribuinte deixou transcorrer in albis o prazo para sanar a irregularidade, contribuindo, diretamente, para que a compensação não fosse compensada. Ademais, analisando a DCTF apresentada pela contribuinte, verificase que foi informado débito de Cofins relativo a novembro de 2002 exatamente no valor recolhido, qual seja, R$ 2.797,41. Extraise, assim, que no momento da transmissão e da análise do PERD/COMP, o crédito não existia, pois o pagamento estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte, não conseguindo esta, em nenhum momento, demonstrar qualquer existência do crédito perseguido. CONCLUSÃO Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário, para, no mérito, negarlhe provimento. Fernando Marques Cleto Duarte Relator Fl. 66DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 7/02/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por JULIO CESAR ALV ES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 11052.000828/2010-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
PROCESSO PRINCIPAL. EXIGÊNCIA MANTIDA. PROCESSOS DECORRENTES.
Mantida a exigência do processo principal, no que se refere aos pontos comuns, os processos decorrentes devem ter o mesmo destino.
LANÇAMENTO. NULIDADE. REQUISITOS LEGAIS PRESENTES.
Não é nulo o auto de infração lavrado por autoridade competente e quando se verificam presentes no lançamento os requisitos exigidos pela legislação tributária.
JUROS DE MORA TAXA SELIC SÚMULA Nº 4 DO CARF. Conforme súmula nº 4 do CARF, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
MULTA DE OFÍCIO. EXIGÊNCIA DA SUCESSORA POR INFRAÇÃO COMETIDA PELA SUCEDIDA. SOCIEDADES QUE NÃO ESTAVAM SOB CONTROLE COMUM E NÃO PERTENCIAM AO MESMO GRUPO ECONÔMICO. INAPLICABILIDADE.
A responsabilidade tributária da empresa sucessora abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que o fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão. Precedente do STJ no REsp Nº 923.012/MG julgado sob o rito do art. 543-C do CPC. Portanto, se a multa exigida não compunha o patrimônio adquirido pelo sucessor, ou seja, foi aplicada em face da sucedida por infração cometida pela sucessora, e ambas as empresas não pertenciam ao mesmo grupo econômico e não estavam sob controle comum, o crédito tributário deve ser exonerado. Aplicação, a contrário senso, da Súmula CARF nº 47.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de sobrestamento do julgamento vencidos os Conselheiros Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez. Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e de decadência e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a exigência da multa de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Numero da decisão: 1402-001.607
Decisão: (assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente
(assinado digitalmente)
FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Roberto Cortez.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 PROCESSO PRINCIPAL. EXIGÊNCIA MANTIDA. PROCESSOS DECORRENTES. Mantida a exigência do processo principal, no que se refere aos pontos comuns, os processos decorrentes devem ter o mesmo destino. LANÇAMENTO. NULIDADE. REQUISITOS LEGAIS PRESENTES. Não é nulo o auto de infração lavrado por autoridade competente e quando se verificam presentes no lançamento os requisitos exigidos pela legislação tributária. JUROS DE MORA TAXA SELIC SÚMULA Nº 4 DO CARF. Conforme súmula nº 4 do CARF, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA DE OFÍCIO. EXIGÊNCIA DA SUCESSORA POR INFRAÇÃO COMETIDA PELA SUCEDIDA. SOCIEDADES QUE NÃO ESTAVAM SOB CONTROLE COMUM E NÃO PERTENCIAM AO MESMO GRUPO ECONÔMICO. INAPLICABILIDADE. A responsabilidade tributária da empresa sucessora abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que o fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão. Precedente do STJ no REsp Nº 923.012/MG julgado sob o rito do art. 543-C do CPC. Portanto, se a multa exigida não compunha o patrimônio adquirido pelo sucessor, ou seja, foi aplicada em face da sucedida por infração cometida pela sucessora, e ambas as empresas não pertenciam ao mesmo grupo econômico e não estavam sob controle comum, o crédito tributário deve ser exonerado. Aplicação, a contrário senso, da Súmula CARF nº 47. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de sobrestamento do julgamento vencidos os Conselheiros Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez. Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e de decadência e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a exigência da multa de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
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EXIGÊNCIA MANTIDA. PROCESSOS DECORRENTES. Mantida a exigência do processo principal, no que se refere aos pontos comuns, os processos decorrentes devem ter o mesmo destino. LANÇAMENTO. NULIDADE. REQUISITOS LEGAIS PRESENTES. Não é nulo o auto de infração lavrado por autoridade competente e quando se verificam presentes no lançamento os requisitos exigidos pela legislação tributária. JUROS DE MORA TAXA SELIC SÚMULA Nº 4 DO CARF. Conforme súmula nº 4 do CARF, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA DE OFÍCIO. EXIGÊNCIA DA SUCESSORA POR INFRAÇÃO COMETIDA PELA SUCEDIDA. SOCIEDADES QUE NÃO ESTAVAM SOB CONTROLE COMUM E NÃO PERTENCIAM AO MESMO GRUPO ECONÔMICO. INAPLICABILIDADE. A responsabilidade tributária da empresa sucessora abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que o fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão. Precedente do STJ no REsp Nº 923.012/MG julgado sob o rito do art. 543C do CPC. Portanto, se a multa exigida não compunha o patrimônio adquirido pelo sucessor, ou seja, foi aplicada em face da sucedida por infração cometida pela sucessora, e ambas as empresas não pertenciam ao mesmo grupo econômico e não estavam sob controle comum, o crédito AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 2. 00 08 28 /2 01 0- 59 Fl. 322DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/04/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 11052.000828/201059 Acórdão n.º 1402001.607 S1C4T2 Fl. 323 2 tributário deve ser exonerado. Aplicação, a contrário senso, da Súmula CARF nº 47. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de sobrestamento do julgamento vencidos os Conselheiros Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez. Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e de decadência e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a exigência da multa de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Roberto Cortez. Fl. 323DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/04/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 11052.000828/201059 Acórdão n.º 1402001.607 S1C4T2 Fl. 324 3 Relatório Tratase de autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL em razão de suposta compensação indevida de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL. Tais exigências seriam decorrência dos lançamentos consubstanciados no processo nº 18471.000656/200645, cujo objeto referese à amortização de ágio. A manutenção dessa exigência imporia, por decorrência, a higidez dos tributos exigidos nos presentes autos, uma vez que a pretensa insuficiência de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL advém das glosas efetuadas naquele processo. O processo foi distribuído inicialmente a então Conselheira Albertina Silva Santos de Lima. Na sessão de 15 de março de 2012, o colegiado resolveu converter os autos em diligência (Resolução nº 140200.102). Por bem refletir o litígio até aquele momento, adoto o relatório de tal resolução, complementandoo ao final com o resultado da diligência realizada: Tratase de recurso voluntário contra decisão de primeira instância que considerou o lançamento procedente. O auto de infração referese à exigência do IRPJ, em razão de compensação indevida de prejuízos fiscais, no valor de R$ 3.634.068,09, relativo ao fato gerador ocorrido em 31.12.2007; também foi exigida a CSLL, por compensação indevida de base de cálculo negativa de períodos anteriores. Exigiuse ainda, multa isolada por falta de recolhimento de estimativas de CSLL, do fato gerador de 30.06.2007, no valor de R$ 20.157,33. Transcrevo da decisão de primeira instância as matérias discutidas na impugnação: Os argumentos de defesa apresentados foram em síntese os seguintes: • é nula a autuação uma vez que não foram esclarecidas as razões que embasaram a conclusão de que teriam ocorrido compensações indevidas de IRPJ e CSLL. Não foi feita qualquer alusão à conduta irregular supostamente adotada; • ainda que superada a nulidade, a discussão acerca da compensação indevida, no ano de 2007, dos prejuízos fiscais e das bases negativas da CSLL apuradas em anos anteriores a 2004 é descabida, face a decadência. • apesar de o auto de infração fazer referência a 2007, as apurações revistas são aquelas relativas a fatos geradores já atingidos pela decadência; Fl. 324DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/04/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 11052.000828/201059 Acórdão n.º 1402001.607 S1C4T2 Fl. 325 4 • são corretas as compensações rejeitadas pela auditoria fiscal.; • os prejuízos e bases negativas não acatados têm origem em amortizações de ágio realizadas nos anos de 2001 a 2004, originadas a partir de operação de incorporação, conforme art 386 do RIR/1999; • objetivando comprovar a efetiva existência do ágio referido, bem como de seu fundamento econômico, a interessada juntou aos autos os intitulados "doc 06" e "doc 07" • a matéria que é objeto da lide é conexa com a que é objeto do processo 18471000656/200645, que trata da amortização do ágio realizada pela interessada nos anos de 2001 a 2004. Ainda estando, aquele processo, pendente de decisão final na esfera administrativa, incabível seria a formalização e o julgamento da presente autuação; • é incabível, em face do art 128 do CTN, a imposição de multa de oficio à sucessora por incorporação; • conforme jurisprudência firmada, é inconstitucional a aplicação da selic para fins de atualizar créditos tributários. A Turma Julgadora proferiu as seguintes ementas: DECISÃO FINAL NA ESFERA ADMINISTRATIVA. Procedente o lançamento que decorra de outro já confirmado por decisão definitiva na esfera administrativa NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Cai por terra a alegação de nulidade na ausência de vícios que resultem em prejuízos às garantias legais TAXA SELIC. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. Foge ao escopo do julgamento administrativo a apreciação de inconstitucionalidade dos atos integrantes do ordenamento jurídico constituído. MULTA DE OFÍCIO. INCORPORAÇÃO. RESPONSABILIDADE DOS SUCESSORES. A sucessora é responsável por todo o crédito tributário da sucedida, nele incluídos tributos e penalidades pecuniárias . A Turma Julgadora considerou não impugnado o lançamento da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, bem como, rejeitou a preliminar de nulidade. Também rejeitou a preliminar de decadência, porque Fl. 325DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/04/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 11052.000828/201059 Acórdão n.º 1402001.607 S1C4T2 Fl. 326 5 as apurações dos prejuízos de 2001 a 2004, foram alteradas de ofício não por meio do procedimento em foco, mas por meio do processo n° 18471.000656/200645. Afastou a interpretação da interessada quanto ao art. 132 do CTN, que segundo alega a interessada, a liberaria, no presente caso, da multa de ofício, já que lançada relativamente a fatos geradores praticados pela sucedida FICAP S/A, em razão do disposto na Solução de Consulta Interna COSIT 25, de 30.08.2010. Manteve o lançamento, diante da constatação de que já havia decisão administrativa relativa ao processo administrativo 18471.000656/200645: acórdãos 10517.2179 e 130200120, do antigo 1° CC. A ciência da decisão de primeira instância se deu em 17.03.2011 e o recurso voluntário foi interposto em 14.04.2011. Argumenta a recorrente que a ausência de indicação dos elementos que tornaram indevidas as compensações de IRPJ e da CSLL praticadas por ela, dá ensejo à nulidade do auto de infração, uma vez que dificultaria a sua defesa. Alega que no processo administrativo buscase a verdade material, e que por força dos princípios da estrita legalidade tributária e da tipicidade, compete ao fisco demonstrar o direito ao crédito que pretende exigir. Acrescenta que existe ainda outro dever que emana do art. 5°, LIV e LV, da CF/88, e que se traduz no respeito ao contribuinte, que tem direito de saber exatamente a infração que lhe está sendo imputada, bem como, as razões que levaram as autoridades fiscais a exigir o tributo e aplicar a sanção, sob pena de ofensa aos princípios do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório e ao art. 142 do CTN. Afirma que o fisco federal não indicou os motivos que embasaram a conclusão de que as compensações seriam indevidas, tendo somente examinado a linha 55, da ficha 09, da DIPJ, que indica a compensação de prejuízos fiscais de períodos de apuração anteriores, mais especificamente de 1991 a 2007. Salienta que a Turma Julgadora se equivocou, pois não haveria coisa julgada administrativa nos autos 18471.000656/200645, pois o julgamento ainda estava pendente, conforme certidão (doc. 4). Entende, que consequentemente, a exigibilidade do crédito tributário relativos às compensações de prejuízos fiscais e das bases negativas da CSLL, relativas aos anoscalendários de 2001 a 2005, em discussão nos presentes autos, encontrase suspensa, nos termos do art. 151, III, do CTN, e em virtude do auto de infração desconsiderar essa suspensão, os lançamentos seriam insubsistentes. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/04/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 11052.000828/201059 Acórdão n.º 1402001.607 S1C4T2 Fl. 327 6 A seguir, discute a decadência do lançamento. Destaca que a discussão a respeito da compensação dos prejuízos fiscais e da base negativa da CSLL é incabível, porque se operou a decadência do direito de o fisco federal glosar os valores apurados anteriormente ao anocalendário de 2004 e devidamente informados pelos meios cabíveis, uma vez que a ciência dos lançamentos se deu em 13.10.2000, tendose verificado a homologação tácita. Citou doutrina e jurisprudência. Também abordou a impossibilidade de aplicação de multa à recorrente, por ser sucessora da FICAP, porque, segundo o art. 128 do CTN, a sucessora somente é responsável pelos tributos devidos até à data da incorporação, não podendo responder por multas que decorram de condutas praticadas pelas sociedades incorporadas, somente podendo lhes ser exigidos os juros de mora, na hipótese do lançamento ser mantido. Cita jurisprudência e súmula do STF n° 192: "Não se inclui no crédito habilitado em falência a multa fiscal com efeito de pena administrativa". Discute ainda a imposição da multa de ofício de 75%. Afirma que na verdade, a penalidade aplicada neste caso revestese de finalidade arrecadadora, na forma de confisco, o que é vedado pela CF, art. 150, IV; salienta ainda que não cometeu qualquer irregularidade, nem deixou de recolher qualquer parcela de tributo, não havendo motivos para a imposição de multa tão elevada. A seguir, contesta a exigência da selic, como juros de mora, apesar da posição sumulada pelo extinto 1° CC, e salienta que tendo em vista a real possibilidade de a taxa selic seja considerada inconstitucional, para efeitos tributários, pelo Poder Judiciário, requer a desconsideração da mesma no cômputo do crédito tributário principal. Aborda ainda a exatidão das compensações dos prejuízos fiscais e das bases negativas da CSLL realizadas pela recorrente. Afirma que os autuantes não explicaram a origem das discrepâncias, e que, tais prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL contestados pelas autoridades fiscais têm origem na legítima amortização de ágio realizada entre os anoscalendário de 2001 a 2005, e que a comprovação da legitimidade da amortização do ágio provocará o integral cancelamento do auto de infração. Acrescenta que para afastar qualquer dúvida a respeito da existência do ágio e do seu fundamento econômico, trouxe à colação: (i) comunicado enviado à CVM do Chile informando do pagamento do ágio, (ii) memorando de informações confidenciais elaborado em julho de 1996, por Bear, Stearns & Co. Inc. que evidencia a projeção de resultados futuros, demonstrando o fundamento econômico, que seriam suficientes para comprovar a legitimidade da amortização do ágio que teve origem em operação de incorporação reversa realizada em Fl. 327DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/04/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 11052.000828/201059 Acórdão n.º 1402001.607 S1C4T2 Fl. 328 7 2001. Após abordar vários aspectos sobre a legitimidade de amortização do ágio, conclui que tendo em vista que a projeção de resultados futuros não foi alcançada, como previsto no laudo de avaliação, não teve alternativa a não ser reconhecer o excesso de amortização na composição dos prejuízos fiscais e base negativa da CSLL, e consequentemente, a exigência fiscal seria totalmente desprovida de embasamento fático e jurídico, razão pela qual, deveria ser cancelada. Em seu voto, assim manifestouse a ilustre relatora: O recurso atende às condições de admissibilidade e deve ser conhecido. Está em discussão lançamentos do IRPJ e da CSLL relativos do ano calendário de 2007, relativos à glosa de compensação de prejuízos fiscais e da base negativa da CSLL, no valor de R$ 3.634.068,09, em razão de sua inexistência. No Termo de Verificação Fiscal consta que a empresa FICAP, CNPJ 73.847.253/000179, foi incorporada pela empresa NEXANS, CNPJ 31.860.364/000175. Um dos argumentos da recorrente diz respeito à impossibilidade de aplicação de multa à recorrente, por ser sucessora da FICAP, por entender que nos termos dos artigos128 e 132 do CTN, a sucessora somente é responsável pelos tributos devidos até à data da incorporação, não podendo responder por multas que decorram de condutas praticadas pelas sociedades incorporadas, somente podendo lhes ser exigidos os juros de mora, na hipótese do lançamento ser mantido. Sobre esse argumento, a jurisprudência de 2ª instância administrativa é a seguinte: Acórdão: 180300.551, de 05.08.2010: MULTA DE OFÍCIO SUCESSÃO POR INCORPORAÇÃO RESPONSABILIDADE DO SUCESSOR SUCESSÃO ENTRE EMPRESAS INTEGRANTES DO MESMO GRUPO EXONERAÇÃO IMPOSSIBILIDADE Tratandose de sucessão entre empresas ligadas, coligadas ou controladas, deve se manter a multa de ofício lançada na empresa incorporada, já que é manifesta a interveniência da incorporadora nos procedimentos da incorporada. Acórdão 10617.143, de 05.11.2008: MULTA DE OFÍCIO SUCESSÃO POR INCORPORAÇÃO RESPONSABILIDADE DO SUCESSOR SUCESSÃO ENTRE EMPRESAS COLIGADAS E CONTROLADAS Fl. 328DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/04/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 11052.000828/201059 Acórdão n.º 1402001.607 S1C4T2 Fl. 329 8 EXONERAÇÃO IMPOSSIBILIDADE Tratandose de sucessão entre empresas ligadas, coligadas ou controladas, devese manter a multa de ofício lançada na empresa incorporada, já que é manifesta a interveniência da incorporadora nos procedimentos da incorporada, notadamente quando é patente a presença de empresas do grupo econômico na operação financeira que culminou com o procedimento fiscal CSRF/0105.894, de 23.06.2008: MULTA DE OFÍCIO INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE SOB CONTROLE COMUM: A interpretação do artigo 132 do CTN, moldada no conceito de que a pena não deve passar da pessoa de seu infrator, não pode ser feita isoladamente, de sorte a afastar a responsabilidade do sucessor pelas infrações anteriormente cometidas pelas sociedades incorporadas, quando provado nos autos do processo que as sociedades, incorporadora e incorporadas, sempre estiveram sob controle comum. Essas ementas estão sendo citadas apenas para que se entenda o contexto da diligência a seguir proposta, e não significa qualquer antecipação de julgamento. As demais matérias serão apreciadas quando do retorno da diligência. Na DIPJ relativa ao anocalendário de 2008, apresentada em 15.10.2009 (constante do processo 11052.000872/201069 que também está em julgamento na presente sessão), consta como acionista da pessoa jurídica FICAP S/A, CNPJ 73.847.253/000179, com 100% das ações, a pessoa jurídica NEXANS Brasil S/A, CNPJ 31.860.364/000175. Nesse mesmo processo encontrase cópia da DIPJ do anocalendário de 2005, onde consta como acionista Metal Overseas S/A com sede nas ilhas Cayman. Tendo em vista que os lançamentos se referem ao fato gerador de 31.12.2007, e tendo em vista que a DIPJ desse anocalendário que integra estes autos não está completa, necessário se torna a conversão do julgamento em diligência para que a autoridade fiscal informe: a) quando da ocorrência do fato gerador, em 31.12.2007, quem eram os acionistas da empresa FICAP, CNPJ 73.847.253/000179? b) quando a empresa Nexans, CNPJ 31.860.364/000175, incorporou a empresa FICAP, CNPJ 73.847.253/000179? c) os acionistas da empresa FICAP na data da ocorrência do fato gerador, pertenciam ao mesmo grupo econômico da empresa incorporadora? A autoridade fiscal poderá realizar as diligências que forem necessárias e deverá elaborar relatório conclusivo a ser cientificado à interessada, que poderá se manifestar se entender necessário. Fl. 329DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/04/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 11052.000828/201059 Acórdão n.º 1402001.607 S1C4T2 Fl. 330 9 Conforme requerido em resolução, assim manifestouse a autoridade fiscal responsável pela diligência: Requer o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) às fls. 252/258 que a Fiscalização informe: a) quando da ocorrência do fato gerador, em 31.12.2007, quem eram os acionistas da empresa FICAP, CNPJ 73.847.253/000179? b) quando a empresa Nexans, CNPJ 31.860.364/000175, incorporou a empresa FICAP, CNPJ 73.847.253/000179? c) os acionistas da empresa FICAP na data da ocorrência do fato gerador, pertenciam ao mesmo grupo econômico da empresa incorporadora? Com relação ao item a, 100% (cem por cento) do capital da FICAP pertencia à empresa Metal Overseas S/A (CNPJ 05.707.715/000100), localizada nas Ilhas Cayman (cf. Ficha 50 da DIPJ2008). Com relação ao item b, a incorporação da FICAP pela NEXANS ocorreu em 23/07/2009 (cf. DIPJ2009 de incorporação transmitida em 21/05/2010). Com relação ao item c, na data de ocorrência do fato gerador, ou seja, 31/12/2007, a NEXANS tinha como sócios a empresa Nexans Participations (CNPJ 05.715.368/000150), localizada na França, com 99,97% do capital, e o Sr. Bernard Jean Jeux, com 0,03% do capital (cf. Ficha 50 DIPJ2008). Desta forma, é possível afirmar que a FICAP não pertencia, em 31/12/2007, ao mesmo grupo econômico da incorporadora NEXANS. [grifo nosso] Às fls. 293294, o Recorrente manifestouse sobre o resultado da diligência, concordando com suas conclusões. É o relatório. Fl. 330DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/04/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 11052.000828/201059 Acórdão n.º 1402001.607 S1C4T2 Fl. 331 10 Voto O recurso voluntário já foi alvo de conhecimento quando o colegiado resolveu converter o julgado em diligência. PRELIMINARES NULIDADE Alega a Recorrente que a autuação seria nula, haja vista a inexistência de fundamentação às conclusões de que teriam ocorrido compensações indevidas de IRPJ e CSLL. Entendo não assistir razão à Recorrente. A nulidade no processo administrativo fiscal é regulada pelos arts. 59 a 61 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, e alterações posteriores, abaixo transcritos: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1.º. A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2.º. Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3.º. Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Acrescido pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. (grifo nosso) Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. No caso concreto não há qualquer dúvida quanto à ausência de prejuízo ao contribuinte, tanto que, já em sede de impugnação defendeuse plenamente, despendendo com clareza e qualidade, todos os argumentos necessários ao pleno exercício de sua defesa. Fl. 331DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/04/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 11052.000828/201059 Acórdão n.º 1402001.607 S1C4T2 Fl. 332 11 Portanto, no caso em concreto, não há que se falar em cerceamento de defesa, não havendo qualquer prejuízo ao pleno exercício do contraditório e ampla defesa, aliás, prejuízo esse primordial à caracterização de nulidade, conforme apregoa o art. 60 do Decreto nº 70.235/72: “As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo”. Ainda a respeito do caso concreto, perfeitas as conclusões da decisão recorrida, as quais merecem sua transcrição: Vale frisar: se cabe à Fazenda o ônus de comprovar a existência de valores porventura subtraídos à tributação – (omissão de receitas), incumbe ao sujeito passivo demonstrar a legitimidade dos saldos que atuem reduzindo sua base tributável, não havendo, por este motivo, insuficiência na descrição de fatos que meramente se refere a “ausência de saldo” quando a interessada tenha sido, como foi, instada a indicar a origem de bases negativas que utilizou – (inexistentes, conforme os arquivos eletrônicos da RFB) e, apesar de questionada, tenha se mantido inerte. Registro ainda que apenas em sede de impugnação, apesar de alegar desconhecer os fundamentos da glosa de que foi objeto, a interessada, em comportamento diverso daquele que adotou ao longo da auditoria, indicou a origem dos saldos negativos que compensou em 2007: segundo informa, os valores que reduziram a base tributável do ano em questão referemse a prejuízos apurados nos anos de 2001 a 2004, glosados mediante autuação formalizada no processo administrativo 18471000656/200645, cujo trâmite, segundo consta, ofertou todas as garantias legais. Assim sendo, sob os aspectos formais, não há qualquer mácula no auto de infração lavrado. No mais, o agir da autoridade fiscal se deu no desempenho das funções estatais, de acordo com as normas legais e com respeito a todas as garantias constitucionais e legais dirigidas aos contribuintes. Portanto, deve ser afastada a arguição de nulidade. DECADÊNCIA Alega a Recorrente haver decadência em razão de glosa de prejuízos fiscais/bases negativas formados há mais de 5 anos da data do lançamento. Mais uma vez discordo. Ora, a glosa de despesas, que, como consequência, reduziu também o saldo de prejuízos fiscais e bases negativas para compensações futuras, deu se no processo 18471.000656/200645 e a discussão sobre sua correição deve se dar no âmbito daquele procedimento. Desse modo, rejeito a arguição de decadência. Fl. 332DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/04/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 11052.000828/201059 Acórdão n.º 1402001.607 S1C4T2 Fl. 333 12 MÉRITO DA EXIGÊNCIA DOS TRIBUTOS E JUROS – INSUFICIÊNCIA DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES NEGATIVAS DE CSLL Conforme constam nos registros eletrônicos da RFB, em relação ao período de 2001 a 2004, houve glosa dos prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL informados nas declarações de rendimentos dos anos dos respectivos períodos. Conforme narra a Recorrente, seriam estas bases negativas, objeto de glosas anteriores, que culminaram com a exigência relativa ao anocalendário de 2007. As glosas efetuadas anteriormente foram originadas no processo nº 18471.000656/200645, e referiamse a glosas de amortização de ágio. Mantendose a exigência naqueles autos, por decorrência, restam convalidadas as glosas de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL levadas a efeito nos presentes autos, uma vez que não se admite a rediscussão do tema nos presentes autos, devendose respeitar a decisão já prolatada sobre o tema. De fato, à época da decisão recorrida, ainda não havia, no processo principal, decisão definitiva, e ainda não o há. O lançamento foi mantido em sua integralidade por meio do acórdão 10517.2179, do antigo Conselho de Contribuintes. Houve oposição de embargos, e por meio do acórdão 130200120 os mesmos não foram conhecidos em razão de intempestividade. Opostos novos embargos, novamente foram objeto de não conhecimento por parte da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Primeira Seção do CARF (acórdão 1302001.233). Compulsando o processo digital, constatei que o contribuinte ainda não foi formalmente cientificado do último acórdão prolatado. Contudo, não há que se aguardar a decisão definitiva daquele processo para prosseguimento no julgamento da presente exigência. Havendo acórdão no âmbito do CARF não há que se sobrestar o julgamento, tal qual ocorreria se ambos os processos fossem julgados em conjunto. Assim sendo, mantidas as glosas de amortização de ágio, permanece hígida a conclusão do Fisco quanto à insuficiência de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL, devendo ser mantida a exigência dos tributos e juros lançados. DA RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA – MULTA DE OFÍCIO Conforme relatado, em atendimento à Resolução deste colegiado, assim concluiu a autoridade fiscal: “Desta forma, é possível afirmar que a FICAP não pertencia, em 31/12/2007, ao mesmo grupo econômico da incorporadora NEXANS.” A questão diz respeito à exigibilidade da multa de ofício aplicada sobre sucessora relativa a infração cometida pela sucedida, mas somente cominada pelo Fisco após a data da reestruturação societária. Fl. 333DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/04/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 11052.000828/201059 Acórdão n.º 1402001.607 S1C4T2 Fl. 334 13 Por muito tempo a questão suscitou profundas discussões, em especial se prevaleceria a literalidade do disposto no art. 132 do CTN, o qual dispõe que a responsabilidade da sucessora somente diz respeito aos tributos devidos pela sucedida, ou se a interpretação de tal dispositivo deveria levar em consideração o art. 129 do Estatuto Tributário, qual seja, a responsabilidade diria ao respeito ao crédito tributário devido pelo sucedido, o que implicaria, por consequência, a responsabilidade dos sucessores também por penalidades aplicadas aos sucedidos. Pois bem, o STJ, no julgamento do REsp nº 923.012/MG sob o rito dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC) dirimiu de forma definitiva a questão, de forma que, a teor do que dispõe o art. 62A do RICARF, importa em adoção obrigatória da mesma tese pelos membros deste Colegiado. Por oportuno, transcrevese a seguir excerto da ementa do julgado em questão: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO. SUCESSÃO DE EMPRESAS. [...] 1. A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão. (Precedentes: REsp 1085071/SP, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 21/05/2009, DJe 08/06/2009; REsp 959.389/RS, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/05/2009, DJe 21/05/2009; AgRg no REsp 1056302/SC, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 23/04/2009, DJe 13/05/2009; REsp 3.097/RS, Rel. Ministro GARCIA VIEIRA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 24/10/1990, DJ 19/11/1990) 2. "(...) A hipótese de sucessão empresarial (fusão, cisão, incorporação), assim como nos casos de aquisição de fundo de comércio ou estabelecimento comercial e, principalmente, nas configurações de sucessão por transformação do tipo societário (sociedade anônima transformandose em sociedade por cotas de responsabilidade limitada, v.g.), em verdade, não encarta sucessão real, mas apenas legal. O sujeito passivo é a pessoa jurídica que continua total ou parcialmente a existir juridicamente sob outra "roupagem institucional". Portanto, a multa fiscal não se transfere, simplesmente continua a integrar o passivo da empresa que é: a) fusionada; b) incorporada; c) dividida pela cisão; d) adquirida; e) transformada. (Sacha Calmon Navarro Coêlho, in Curso de Direito Tributário Brasileiro, Ed. Forense, 9ª ed., p. 701) [...] 9. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (Resp 923.012/MG, 1ª Seção, Relator Ministro Luiz Fux, sessão de 09 de junho de 2010) Fl. 334DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/04/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 11052.000828/201059 Acórdão n.º 1402001.607 S1C4T2 Fl. 335 14 Confesso que, tanto pelo teor da ementa, quanto pelos fundamentos do voto condutor do aresto, embora tenha me convencido de que a responsabilidade dos sucessores também se estende às multas punitivas, restoume uma parcela de dúvida quanto à extensão dessa responsabilidade em relação a multas aplicadas após a data da sucessão, ainda que diga respeito, por óbvio, a fatores geradores anteriores à mesma data. Isso porque o voto do M.D. Ministro Luiz Fux, por diversas vezes, faz menção de continuidade de integração das multas punitivas ao passivo da empresa sucedida. O meu ponto de indagação dizia respeito a como poderia continuar a integrar o passivo da empresa sucedida penalidade aplicada após a sua extinção. Contudo, compulsando os precedentes citados no voto do julgado em questão restou evidente que o entendimento fixado pelo Tribunal da Cidadania impõe à sucessora o ônus de responder pelas multas punitivas aplicadas a fatos geradores anteriores à sucessão, ainda que tal cominação se dê após tal interregno. Nesse sentido, transcrevo trecho do voto que fundamenta o decidido no REsp nº 959.389/RS, citado como precedente pelo Ministro Luiz Fux: A questão a ser dirimida referese à responsabilidade da empresa sucessora pela multa aplicada à sucedida em razão de descumprimento de obrigação acessória, que, muito embora se refira a período anterior à sucessão, somente foi objeto de lançamento após a constituição da nova sociedade. (grifos nossos) Importa consignar, de início, que a partir do descumprimento da obrigação acessória surge, imediatamente, nova relação obrigacional entre o Fisco e o sujeito passivo cujo objeto refere se à prestação pecuniária, nos termos do artigo 113, § 3º do CTN: "§ 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária." No mesmo sentido, a lição de Hugo de Brito Machado: "[n]a verdade o inadimplemento de uma obrigação acessória não a converte em obrigação principal. Ele faz nascer para o fisco o direito de constituir um crédito tributário contra a inadimplente, cujo conteúdo é precisamente a penalidade pecuniária, vale dizer, a multa correspondente " (Curso de Direito Tributário. São Paulo: Malheiros. 26 ed. pg. 135). Reiterese, a obrigação principal nasce simultaneamente ao inadimplemento da obrigação acessória, muito embora o lançamento ocorra posteriormente. O regramento da responsabilidade dos sucessores recebe o influxo direto do artigo 129 do CTN que determina:"Art. 129. O disposto nesta Seção aplicase por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data." Conclui, então, Kiyoshi Harada: "...as normas disciplinadoras da sucessão da responsabilidade tributária alcançam os créditos tributários decorrentes de obrigações tributárias surgidas antes do fato ensejador da sucessão " (Direito Financeiro e Tributário. São Paulo: Atlas. 10 ed. pg. 432). O que importa, como bem Fl. 335DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/04/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 11052.000828/201059 Acórdão n.º 1402001.607 S1C4T2 Fl. 336 15 alertado por Hugo de Brito Machado, "é saber a data da ocorrência do fato gerador" (op. cit. pg. 160). Tratandose de obrigação existente antes da sucessão, nos termos do artigo 129 do CTN, a responsabilidade pode ser atribuída ao sucessor. [...] Portanto, tratandose de obrigação anterior à sucessão empresarial, a responsabilidade é transferida à sucessora, mesmo que a constituição do crédito seja posterior ao ato, nos termos do artigo 129 do CTN. (RECURSO ESPECIAL Nº 959.389/RS, 2ª Turma do STJ, Relator Ministro Castro Meira, sessão de 07 de maio de 2009). Portanto, se a penalidade não compunha o passivo da sucedida, como no presente caso, em que foi cominada já na sucessora por infração cometida pela sucedida, a exigência, em princípio, não deve prevalecer. Em princípio porque, no âmbito do CARF, consolidouse o entendimento de que a responsabilidade por multas persistirá se a sucessão ocorrer entre empresas do mesmo grupo ou sob controle comum (aplicação a contrário senso da Súmula CARF nº 47). Contudo, no caso dos autos, a sucessão se deu empresas sem qualquer ligação societária, implicando a inexigibilidade das multas aplicadas. Desse modo, voto por cancelar as multas de ofício cominadas. TAXA SELIC Finalmente, no que se refere à alegada inaplicabilidade da Taxa SELIC como juros de mora, aplicase a Súmula nº. 4 do CARF: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 336DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/04/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 11052.000828/201059 Acórdão n.º 1402001.607 S1C4T2 Fl. 337 16 CONCLUSÃO Isso posto, voto por não acolher as arguições de nulidade e decadência, e, no mérito, por dar parcial provimento ao recurso, cancelando a exigência das multas de ofício. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator Fl. 337DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/04/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 12897.000115/2010-16
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. TERCEIROS. NÃO RECOLHIMENTO.
Toda empresa está obrigada a recolher a contribuição devida aos Terceiros, incidente sobre a totalidade da remuneração paga aos segurados empregados.
PROVA. NÃO APRESENTAÇÃO. NÃO ACOLHIMENTO.
Cabe ao contribuinte acostar aos autos provas cabais que corroborem os argumentos suscitados com objetivo de reforma da decisão a quo. Caso contrário, as alegações tornam-se inconsistentes.
DILIGÊNCIA. AUSÊNCIA DE FATOS NOVOS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. INDEFERIMENTO.
A diligência fiscal se justifica quando o contribuinte acosta aos autos, novos fatos que podem ir de encontro à argumentação fiscal. Ausente a comprovação da imprescindibilidade da diligência fiscal para a sua realização, desnecessário o procedimento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-003.140
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Natanael Vieira dos Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Léo Meirelles do Amaral e Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. TERCEIROS. NÃO RECOLHIMENTO. Toda empresa está obrigada a recolher a contribuição devida aos Terceiros, incidente sobre a totalidade da remuneração paga aos segurados empregados. PROVA. NÃO APRESENTAÇÃO. NÃO ACOLHIMENTO. Cabe ao contribuinte acostar aos autos provas cabais que corroborem os argumentos suscitados com objetivo de reforma da decisão a quo. Caso contrário, as alegações tornamse inconsistentes. DILIGÊNCIA. AUSÊNCIA DE FATOS NOVOS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. INDEFERIMENTO. A diligência fiscal se justifica quando o contribuinte acosta aos autos, novos fatos que podem ir de encontro à argumentação fiscal. Ausente a comprovação da imprescindibilidade da diligência fiscal para a sua realização, desnecessário o procedimento. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 7. 00 01 15 /2 01 0- 16 Fl. 151DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 07/0 4/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 12897.000115/201016 Acórdão n.º 2803003.140 S2TE03 Fl. 152 2 Natanael Vieira dos Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Léo Meirelles do Amaral e Eduardo de Oliveira. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 07/0 4/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 12897.000115/201016 Acórdão n.º 2803003.140 S2TE03 Fl. 153 3 Relatório 1. Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela CLORAL INDÚSTRIA DE PRODUTOS QUÍMICOS LTDA, contra o acórdão nº 1254.073 proferido pela 11ª Turma da DRJ do Rio de JaneiroI que por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. 2. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 29/37 do processo digital, o crédito abrange o período de 01/2006 a 12/2006 e 13º/2006 e se refere às contribuições previdenciárias arrecadadas contribuições referentes ao lançamento que constitui crédito destinado ao FNDE, INCRA, SEBRAE, SENAI e SESI. Ressalta que tais valores foram efetivamente descontados das remunerações dos segurados empregados comprovados mediante registro em folhas de pagamento e não recolhidos à seguridade social. 3. Os fatos geradores foram as remunerações pagas aos segurados empregados que prestaram serviços à empresa, no período citado. Serviram de base para o levantamento do crédito tributário as folhas de pagamento do período, fornecidas em meio papel. Os resumos das folhas encontramse no Anexo VI, assim como as folhas integrais, anexadas por amostragem, referentes às competências 01, 06 e 12/2006. 4. Conforme trecho que transcrevo abaixo: 4.2. A Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP é o documento declaratório oficial desta confissão, cuja atividade de cobrança está a cargo da CoordenaçãoGeral de Arrecadação e Cobrança (CODAC) da Secretaria da Receita Federal do Brasil SRFB. Desta forma, a entrega da GFIP pela empresa constitui o crédito tributário em relação aos Fatos Geradores declarados. 4.3. Em consulta aos sistemas integrados da SRFB, constatouse que a empresa informou em GFIP's válidas do período apenas um funcionário por competência, quais sejam Luiz Carlos Ferreira, em 01 e 03/2006, e José Carlos de Oliveira Penedo, em 02/2006 e de 04 a 12/2006. Tais empregados e suas respectivas remunerações e descontos nestas competências, portanto, foram ignorados no presente levantamento, pois serão automaticamente cobrados pela CODAC; (fl. 33). 5. A decisão proferida pelo colegiado de primeira instância restou ementada nos seguintes termos: “CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PARA TERCEIROS. CONTRIBUIÇÃO SOBRE A REMUNERAÇÃO DOS SEGURADOS EMPREGADOS. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 07/0 4/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 12897.000115/201016 Acórdão n.º 2803003.140 S2TE03 Fl. 154 4 Devida contribuição para Terceiros sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados que lhe prestem serviços. ÔNUS DA PROVA Compete ao impugnante o ônus de demonstrar os fatos alegados tendentes a modificar ou extinguir o lançamento fiscal emitido regularmente. Impugnação improcedente. Crédito tributário mantido.” 6. Inconformada com a decisão supra mencionada, o contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivo, alegando em síntese: a) A decisão a quo não analisou a documentação referente a base de cálculo das contribuições previdenciárias; b) Requer a realização de diligência, a fim de, com isso permitir que as GFIPs apresentadas posteriormente tenham a oportunidade de ser conferidas com a documentação referente a folha de salários da ora recorrente; c) Mostrase inconformada com o fato de a fiscalização ter ignorado os eventuais créditos que a recorrente acreditara possuir; 7. Sem contrarrazões fiscais os autos foram encaminhados a esse Conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 07/0 4/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 12897.000115/201016 Acórdão n.º 2803003.140 S2TE03 Fl. 155 5 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. DA AUTUAÇÃO FISCAL 2. De acordo com os autos, a auditoria fiscal teve como finalidade verificar o cumprimento das obrigações previdenciárias referentes aos rendimentos pagos, devidos ou creditados a segurados empregados e contribuintes individuais no período de 01/2006 a 13/2006. Durante o procedimento fiscal foram submetidas à análise da fiscalização os seguintes documentos, estes apresentados pelo contribuinte: a) registro de empregados; b) folhas de pagamento de todos os segurados empregados; c) declaração de imposto de renda retido na fonte – Dirf; d) guia de recolhimento do fundo de garantia do tempo de serviço e informações à previdência social – GFIP, com comprovantes de entrega e eventuais retificações; e) contrato social e 15ª alteração contratual, de 30/08/1976 e 28/10/1997, respectivamente; f) relação anual de informações sociais – RAIS; g) programa de prevenção de riscos ambientais (PPRA); h) escrituras do terreno e prédio da empresa, com laudo de avaliação de valor imobiliário; i) livro de apuração do imposto sobre circulação de mercadorias e serviços – ICMS 3. No entanto, além desses foram solicitados, porém não apresentados à fiscalização (i) as Informações em meio digital com leiaute atual ou em vigor a época de Fl. 155DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 07/0 4/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 12897.000115/201016 Acórdão n.º 2803003.140 S2TE03 Fl. 156 6 ocorrência dos fatos geradores, conforme solicitado no Termo mencionado no item 2.2 e previsto nos arts. 48 a 50 da Instrução Normativa RFB n° 971, de 13 de novembro de 2009, publicada no D.O.U. de 17 de novembro de 2009 c/c o art. 11 da Lei n° 8.218, de 29 de agosto de 1991, publicada no D.O.U. de 30 de agosto del991; e (ii) os Livros Diários e Razões do período. 4. Assim em razão da ausência de apresentação dos livros diários a conferência das remunerações de empregados foi efetuada com base na comparação entre as folhas de pagamento, a RAIS e a Dirf do período, que apresentaram valores coincidentes. No entanto, ao analisar os valores declarados em GFIP do mesmo período, verificouse, nesta, diferenças informadas a menor dos mesmos valores, conforme apontado pela fiscalização no relatório fiscal (fl. 33): “(...). 4.3. Em consulta aos sistemas integrados da SRFB, constatouse que a empresa informou em GFIP's válidas do período apenas um funcionário por competência, quais sejam Luiz Carlos Ferreira, em 01 e 03/2006, e José Carlos de Oliveira Penedo, em 02/2006 e de 04 a 12/2006. Tais empregados e suas respectivas remunerações e descontos nestas competências, portanto, foram ignorados no presente levantamento, pois serão automaticamente cobrados pela CODAC; (...).” 5. Questiona a recorrente as diferenças mencionadas supra. Acredita que a fiscalização não apurou corretamente tais valores e que a decisão a quo não analisou a documentação referente a base de cálculo das contribuições previdenciárias. 6. No entanto, compulsando os autos constatase claramente que tanto o relato fiscal apresentado pela fiscalização quanto os demais elementos que o compõem, atenderam aos requisitos legais e formais para a sua lavratura, da mesma forma vêse que a autoridade fiscal atuou de forma diligente e detalhou ponto a ponto todos os procedimentos adotados para apurar os valores que constam no auto de infração. 7. Dessa forma, tendo em vista que o montante devido foi apurado mediante análise das folhas de pagamento fornecidas pela própria recorrente, bem como que a comparação entre a RAIS e DIPJ. Inquestionável a base de cálculo considerada. 8. A recorrente sustenta sua tese sob o argumento de que “é verdade que em alguns meses, a recorrente pagou a menor a contribuição descontada de seus empregados, porém, nos meses posteriores, pagou a maior, compensandose essa diferença para totalizar o recolhimento correto”. 9. Nos argumentos do recurso voluntário que seguem, a recorrente admite que “tentou a recorrente justificar alguns recolhimentos que realmente deixaram de ser efetivados, apesar de haver, também, alguns recolhimentos a maior, procedendo a recorrente Fl. 156DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 07/0 4/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 12897.000115/201016 Acórdão n.º 2803003.140 S2TE03 Fl. 157 7 a uma compensação interna em seus livros que foi ignorada pelo ilustre fiscal autuante”, ação que auto intitula de “compensação interna corporis da recorrente”. 10. Ocorre que, ainda que tal conduta fosse aceita pela fiscalização, não consta nos autos que a empresa apresentou, alguma guia de recolhimento que comprove o alegado. Sendo assim, não há como acolher o argumento de que se trata apenas de pequenas diferenças, ou de que houve recolhimentos a maior que estariam sendo compensados posteriormente. 11. Conforme disciplina o art. 16, III, do Decreto Lei nº 70.235/72, cabe à recorrente apresentar no momento da impugnação as provas que julgar pertinente, in verbis: “Art. 16 A impugnação mencionará: III – os motivos de fato e de direito em que se fundamente, os pontos de discordância e as razoes e provas que possuir.” 12. No entanto assim não procedeu a recorrente, limitandose apenas a questionar os valores lançados, sem, porém, atrelar aos seus argumentos provas documentais quanto ao seu pleito. 13. Ainda quanto aos argumentos recursais da recorrente requer a realização de diligência, a fim de, com isso permitir que as GFIPs apresentadas tenham a oportunidade de ser conferidas com a documentação referente à folha de salários da ora recorrente de forma mais diligente. 14. Sustenta a necessidade de diligência fiscal para que todos os valores e números determinantes na apuração das diferenças apuradas descontadas de seus empregados tenham a devida e completa análise. 15. Ocorre que, não merece acolhida o pleito da recorrente, tendo em vista que a fiscalização, diligentemente, conforme relato fiscal, já efetuou tal batimento das GFIPs e das folhas de pagamento da recorrente, e observou que não havia qualquer recolhimento de contribuição previdenciária no período. Ademais, não se pode sustentar uma diligência fiscal, quando a recorrente não trouxe nenhum fato novo que justifique a realização da diligência pleiteada, portanto desnecessária a diligência. 16. Sendo assim, considerando que a empresa não trouxe aos autos nenhuma guia de recolhimento comprovando o recolhimento dos empregados faltantes na GFIP, tampouco conseguiu demonstrar a imprescindibilidade da realização de diligência fiscal, não procedem os argumentos de que se tratam de apenas pequenas diferenças, ou de que houveram recolhimentos a maior que estariam sendo compensados, estes apresentados em sede de recurso voluntário. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 07/0 4/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 12897.000115/201016 Acórdão n.º 2803003.140 S2TE03 Fl. 158 8 CONCLUSÃO 17. Diante do exposto, conheço do recurso voluntário, para, no mérito, negar lhe provimento, nos termos acima alinhavados. É como voto. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 07/0 4/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA
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Numero do processo: 13708.001069/2006-39
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1997, 1998
NULIDADES. INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO.
Consoante dispõe o art. 59, II do Decreto 70.235/72 são nulos os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente. Não se conhece porém, de recurso voluntário quando não instaurado o litígio por inexistência de novo lançamento,devendo o processo ser apreciado no rito da Lei nº 9.784/99.
Numero da decisão: 1803-002.127
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para declarar nula a decisão de primeira instância e no mérito não conhecer do recurso nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (presidente da turma), Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, e Arthur José André Neto.
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
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DECADÊNCIA. PRESCRIÇÃO. A revisão de ofício realizada nos termos do art. 149, inciso VIII do Código Tributário Nacional em lançamento de ofício anterior, deve ser iniciada e concluída enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública, conforme preceitua o parágrafo único do mesmo dispositivo legal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1997, 1998 NULIDADES. INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO. Consoante dispõe o art. 59, II do Decreto 70.235/72 são nulos os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente. Não se conhece porém, de recurso voluntário quando não instaurado o litígio por inexistência de novo lançamento,devendo o processo ser apreciado no rito da Lei nº 9.784/99. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para declarar nula a decisão de primeira instância e no mérito não conhecer do recurso nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 8. 00 10 69 /2 00 6- 39 Fl. 841DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/05/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (presidente da turma), Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, e Arthur José André Neto. Relatório SIMCAUTO MECÂNICA E REPRESENTAÇÕES LTDA, ,pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ RIO DE JANEIRO/RJ I, interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Transcrevo o relatório da DRJ para melhor retratar as razões de decidir em relação aos fatos retratados. O presente processo trata dos Autos de Infração abaixo relacionados lavrados pela Defis/RJO no decorrer de procedimento de auditoria interna em DCTF, nos termos da IN SRF n° 77/98, motivados pela não localização dos pagamentos informados: N° Tributo AnoCalendário Trimestre(s) Fls. 0009319 IRRF 1997 2º 482/488 0009318 IRPJ 1997 2ºo 489/497 0003629 IRRF 1997 1° 521/529 0016664 IRPJ 1997 3° 531/539 0016665 IRRF 1997 3° e 4° 541/548 0003632 CSLL 1997 1° 610/617 0026760 IRRF 1998 2º , 3ºo e 4ºo 619/630 0009322 CSLL 1997 2ºo 632/640 0016668 CSLL 1997 3º o 642/650 2. Inconformada, a Interessada apresentou diversas Impugnações (fls. 1/11, 56/66, 84/94, 112/121, 221/231, 370/380, 403/412, 426/436 e 454/464) de semelhante teor, as quais podem ser assim resumidas: 2.1) Que não foi notificada do lançamento fiscal nos termos do art. 10, do Decreto n° 70.235/72, razão pela qual não exerceu seu direito ao contraditório e à ampla defesa; 2.2) Que a instauração do processo administrativo fiscal estaria dispensada, uma vez que, por força do DecretoLei n° 2.124/84, Fl. 842DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/05/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13708.001069/200639 Acórdão n.º 1803002.127 S1TE03 Fl. 835 3 a DCTF se equivale à confissão de dívida e possibilita a inscrição em DAU do débito declarado, mas não quitado; 2.3) Que pagou as exações fiscais, conforme DARF de fls. 26/27, 81/83, 109/111, 247/248, 395, 451/453 e 479/481; 2.4) Que a dívida fiscal constituída com base nas informações contidas em DCTF está prescrita, uma vez que já completamente decorrido o prazo de cinco anos para o ajuizamento da execução fiscal; e 2.5) Que o direito de constituir o crédito tributário relativo a tributos sujeitos ao lançamento por homologação na hipótese da ocorrência do pagamento antecipado decai em cinco anos contados a partir do fato gerador. Adicionalmente, relato que a DRJ solicitou a juntada dos autos de infração e respectivos AR de ciência (inexistentes nos autos), bem como, determinou o desentranhamento dos lançamentos relativos ao PIS/COFINS. Também merece registro, que as impugnações foram realizadas em contraponto de diversas comunicações de revisão de ofício e cobrança (fls. ...) que foram realizadas pela Administração Tributária em 2006, para sanar equívocos nos lançamentos originais realizados pela Auditoria Eletrônica das DCTF dos anos calendários 1997 e 1998. A DRJ RIO DE JANEIRO/RJ I, através do acórdão nº 1237.228, de 13 de maio de 2011 (fls. 672/674), não conheceu da impugnação, ementando assim a decisão: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 1997, 1998 IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA . A petição apresentada ao órgão preparador após o prazo de 30 (trinta) dias, contados da data da ciência do Auto de Infração é intempestiva, não instaurando a fase litigiosa. Ciente da decisão em 16/02/2012, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 777), apresentou o recurso voluntário em 16/03/2012 fls. 795/802, onde reitera os termos da inicial e pugna pela nulidade da decisão de primeira instância. É o relatório Fl. 843DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/05/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 4 Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de Comunicações de Revisão de Ofício e Cobrança, decorrentes de autos de infração IRPJ, CSLL e IRFON lavrados eletronicamente em procedimentos de Auditoria de DCTF, contendo débitos dos anos calendários 1997 e 1998, sobre os quais foi realizada revisão de ofício com fulcro no art. 149, inciso VIII do CTN. Alega a recorrente em síntese: a) Nulidade da decisão de primeira instância, considerando que não há prova de lançamento anterior ou de ciência destes já que as páginas citadas pela decisão recorrida, não fazem menção aos autos de infração mencionados nos comunicados de revisão de ofício; b) Que por ocasião da revisão de ofício já se encontrava extinto o direito da Fazenda Pública. É uma sucessão de equívocos que traz o presente processo ao CARF. Com efeito, tratase de diversas revisões de ofício com fulcro no art. 149, inciso VIII do CTN realizadas sobre lançamentos de ofício decorrentes de auditoria de DCTF, cujo resultado foram comunicadas à contribuinte através de documento denominado “SIEF COBRANÇA – COMUNICAÇÃO DE REVISÃO DO LANÇAMENTO E COBRANÇA”. As citadas comunicações constam das fls. 23, 107, 133, 213, 243, 333, 393, 424, 449 e 477 (desconsiderados os lançamentos de PIS e COFINS que foram desentranhados e formalizados e outro processo). Verificase que as revisões de ofício foram realizadas sob o fundamento de equívocos nos lançamentos que não foram regularmente impugnados. As revisões de ofício foram realizadas em relação a lançamentos decorrentes de auditoria de dctf relativas aos fatos geradores 1997 e 1998, cuja ciência se deu em 12/04/2006, fora portanto do período decadencial preconizado nos arts. 150, § 4º e 173, I do Código Tributário Nacional. Com efeito, as revisões de ofício realizadas pela unidade de origem foram efetuadas após extinto o direito da Fazenda para constituir o lançamento, contrariando o próprio fundamento invocado, no caso o art. 149, inciso VIII do CTN, conforme se observa: Art. 149. O lançamento é realizado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) Fl. 844DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/05/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13708.001069/200639 Acórdão n.º 1803002.127 S1TE03 Fl. 836 5 VIII – quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior: (...) Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. As manifestações da contribuinte foram equivocadamente consideradas como impugnações e encaminhadas para julgamento à DRJ Rio de Janeiro/RJ. A decisão de primeira instância não conheceu das impugnações (a contribuinte apresentou impugnação por tributo) considerandoas intempestivas com base nos extratos de sistema de AR fls. 673/680 e renumeradas para fls. 664/670. Ocorre que as citadas comunicações de revisão do lançamento e cobrança não se revestem de novo lançamento passível de impugnação pois foram realizados após o período decadencial e não contém os requisitos mínimos exigidos para um lançamento de ofício (art. 9º e 10º do Decreto nº 70.235/72). As impugnações não deveriam ser encaminhadas e tampouco julgadas pela Delegacia de Julgamento pois não se trata de litígio passível de apreciação no rito do Decreto 70.235/72, falecendo competência a aquela para proferir qualquer decisão à respeito. Nula, portanto a decisão de primeira instância conforme o disposto no art. 59 II do Decreto 70.235/72, pois não seria possível exarar qualquer decisão já que não instaurado regularmente o litígio nos termos do PAF. Pelos mesmos motivos, não é possível conhecer do mérito da demanda já que inexistente o litígio passível de conhecimento por parte deste colegiado julgador administrativo de segunda instância. Resta afastada sem sombra de dúvida a possibilidade de cobrança dos valores já que evidentemente prescritos dado o equivocado encaminhamento dado ao crédito tributário constante do processo. Destarte, conforme preconiza a Lei 9.784/99 deve o mesmo ser encaminhado à autoridade que realizou a revisão de ofício para reconsideração ou, encaminhamento à superior hierárquico (Superintendência Regional) nos termos dos arts. 53 a 56 do mesmo diploma legal. Ante o exposto, voto no sentido dar provimento parcial para declarar a nulidade da decisão de primeira instância e no mérito não conhecer do recurso voluntário.. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator Fl. 845DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/05/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 6 Fl. 846DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/05/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 10805.721834/2012-92
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO.
Não cabe a este Conselho afastar a aplicação de uma lei sob a alegação de inconstitucionalidade, nos termos da Súmula n. 2 do CARF.
PREVIDENCIÁRIO. DISCUSSÃO JUDICIAL.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, atendo-se a este Conselho a apreciação tão somente da matéria não abrangida pela discussão judicial
VALE TRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Qualquer que seja o modo de pagamento ao trabalhador do vale transporte, não há alteração de sua natureza indenizatória, razão pela qual é impossibilitada a incidência de contribuições previdenciárias sobre verbas desta natureza. Entendimento pacificado dos Tribunais Superiores.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Diante do advento da MP 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº. 11.941/09, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, do CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, § 6º da Lei nº 8.212/91 c/c o art. 284, III e art. 373 do Decreto nº 3.048/99 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32-A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, para efeitos de aplicação do princípio da retroatividade benigna, disposta no art. 106 do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-002.455
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para exonerar a exação contida no DEBCAD 51.005.337-8 (Art. 30, I, 'a', Lei 8.212/91); assim como, proporcionalmente o DEBCAD 51.005.338-6 (Art. 32-A), no que se refere às informações relativas ao vale transporte, além de determinar o recálculo da multa por descumprimento de obrigação acessória do DEBCAD 51.005.338-6, de acordo com o determinado no art. 32-A, da Lei nº 8.212/91, com a redação também dada pela Lei 11.941/2009, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Não cabe a este Conselho afastar a aplicação de uma lei sob a alegação de inconstitucionalidade, nos termos da Súmula n. 2 do CARF. PREVIDENCIÁRIO. DISCUSSÃO JUDICIAL. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, atendose a este Conselho a apreciação tão somente da matéria não abrangida pela discussão judicial VALE TRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Qualquer que seja o modo de pagamento ao trabalhador do vale transporte, não há alteração de sua natureza indenizatória, razão pela qual é impossibilitada a incidência de contribuições previdenciárias sobre verbas desta natureza. Entendimento pacificado dos Tribunais Superiores. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Diante do advento da MP 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº. 11.941/09, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, “c”, do CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, § 6º da Lei nº 8.212/91 c/c o art. 284, III e art. 373 do Decreto nº 3.048/99 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, para efeitos de aplicação do princípio da retroatividade benigna, disposta no art. 106 do CTN. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 72 18 34 /2 01 2- 92 Fl. 111DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/03 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para exonerar a exação contida no DEBCAD 51.005.3378 (Art. 30, I, 'a', Lei 8.212/91); assim como, proporcionalmente o DEBCAD 51.005.3386 (Art. 32A), no que se refere às informações relativas ao vale transporte, além de determinar o recálculo da multa por descumprimento de obrigação acessória do DEBCAD 51.005.3386, de acordo com o determinado no art. 32A, da Lei nº 8.212/91, com a redação também dada pela Lei 11.941/2009, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/03 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10805.721834/201292 Acórdão n.º 2403002.455 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão nº. 05 40.819, fls. 63/84, que julgou improcedente a impugnação ofertada, para manter incólume o lançamento consubstanciado nos seguintes Autos de Infração: AI DEBCAD 51.005.3360 (Descumprimento da obrigação acessória disposta no art. 32, I, da Lei nº. 8.212/91 – R$ 4.851,36 – Deixar a empresa de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço). Foi constatado pela fiscalização que a empresa, na elaboração das folhas de pagamento deixou de reconhecer os valores pagos aos empregados a título do vale transporte, como base de cálculo de contribuições previdenciárias, assim como deixou de incluir os valores pagos e devidamente contabilizados, aos médicos plantonistas contribuintes individuais a título de serviços prestados. AI DEBCAD 51.005.3378 (Descumprimento da obrigação acessória disposta no art. 30, I, “a”, da Lei nº. 8.212/91 – R$ 4.851,36 – Deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados a seu serviço). A empresa deixou de reconhecer como base de cálculo de contribuições previdenciárias os valores pagos aos segurados empregados em FOPAG a título de vale transporte, e portanto deixou de descontar a contribuição dos mesmos para a Previdência Social. AI DEBCAD 51.005.3386 (Descumprimento da obrigação acessória disposta no art. 32, IV, da Lei nº. 8.212/91 – R$ 3.920,00 – Referese ao período de 01/2008 a 06/2008). Segundo a fiscalização, restou verificado que a empresa deixou de informar os pagamentos efetuados a empregados, vale transporte nas folhas de pagamento, enviou as GFIP’s relativas às remunerações dos empregados informando o FPAS 639, com 100% de isenção das contribuições previdenciárias e deixou de informar os valores pagos a pessoas físicas (contribuintes individuais), lançados na contabilidade e não incluídos em folhas de pagamento. A presente autuação referese tão somente às competências 01 a 06/2008, eis que 07 a 11/2008 estão sendo exigidas no Processo Principal 10805.721730/201288. Consolidado em 04/06/2012, a autuação é relativa ao período de apuração de 01/2008 a 12/2008, o processo em epígrafe referese ao descumprimento de obrigações acessórias, por parte da empresa, em razão dos fatos que a seguir são narrados. Pela análise das folhas de pagamento, a fiscalização constatou que a empresa não reconhece os valores pagos a título de Vale Transporte como integrantes da base de cálculo Fl. 113DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/03 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 de contribuições previdenciárias, assim como a empresa opta pelo enquadramento indevido como entidade isenta nas GFIP’s declaradas. Quanto ao autoenquadramento da entidade como isenta, o auditor descreve no Relatório Fiscal, fls. 23/36, que “o contribuinte em resposta às intimações, por não lhe ter sido concedido o Ato Declaratório de Reconhecimento do Direito à Isenção das Contribuições Sociais, apresentou em 10/05/2012; tão somente declaração (Anexo III) de que continuava litigando na justiça pelo direito de ser contemplado com a isenção das contribuições previdenciárias processo nº 000118193.2005.4.03.6126/SP, razão pela qual continuava encaminhando suas GFIP’s com o código FPAS 639. Relata ainda que o contribuinte apresentou cópias da decisão que negou seguimento ao seu Recurso de Apelação, em 10/03/2011, do Agravo Regimental interposto em 04/04/2001 e seu julgamento em 20/03/2012, ao qual foi negado provimento, de sorte que a referida medida não encontra suspensa e se mantém passíveis de serem exigidas. Por fim, a autuação recai também sobre pagamentos realizados a pessoas físicas, não empregados, portanto, contribuintes individuais, através da análise dos dados contábeis no Livro Razão, nas contas do grupo “Despesas Operacionais”, subgrupo “Serviços de Terceiros”, conta “41202 – Médicos Plantonistas”. Em resposta à solicitação de esclarecimentos procedida pela autoridade fiscal, o contribuinte informou que não foram realizados os devidos descontos dos referidos contribuintes individuais em razão dos mesmos prestarem serviços a outros tomadores que já haviam efetuado o desconto até o limite máximo. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou a autuação por meio de instrumento de fls.44/59. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da então Impugnante, a 6ª Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento em Campinas, DRJ/CPS, prolatou o Acórdão n° 0540.819, fls. 63/84, a qual julgou improcedente a impugnação, mantendo incólume o crédito previdenciário, conforme ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2008 a 31/12/2008 AUXÍLIOTRANSPORTE PAGO HABITUALMENTE E EM DINHEIRO. O valor do auxíliotransporte pago habitualmente em pecúnia e não sob a forma de vales, como estabelecido na legislação específica, integra o saláriodecontribuição do trabalhador e, também, a base de cálculo das contribuições da empresa. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. ISENÇÃO/IMUNIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES À SEGURIDADE SOCIAL. CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS DE FORMA CUMULATIVA. NÃO OCORRÊNCIA. DIREITO NÃO RECONHECIDO. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/03 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10805.721834/201292 Acórdão n.º 2403002.455 S2C4T3 Fl. 4 5 Não faz jus à isenção/imunidade em relação às contribuições patronais à seguridade social a entidade que não cumpre, de forma cumulativa, todos os requisitos estabelecidos em lei. FOLHA DE PAGAMENTO. INCLUSÃO DE TODOS OS SEGURADOS. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. MULTA. Constitui infração à legislação previdenciária, punível com multa pecuniária, deixar a empresa de incluir em suas folhas de pagamento a totalidade dos segurados a seu serviço. CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS EMPREGADOS. ARRECADAÇÃO POR PARTE DA EMPRESA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. MULTA. Constitui infração à legislação previdenciária, punível com multa pecuniária, deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados a seu serviço. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFORMAÇÃO EM GFIP. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. MULTA. Configura infração à legislação previdenciária deixar a empresa de declarar em GFIP a totalidade das remunerações pagas aos segurados que lhe prestaram serviços, bem como informar nessa mesma guia o código FPAS 639, quando não se tratar de entidade com direito à isenção/imunidade prevista no § 7º do art. 195 da Constituição Federal de 1988. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. RECONHECIMENTO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU OUTRO ATO NORMATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Descabe às autoridades que atuam no contencioso administrativo proclamar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal regularmente posto e em vigor, vez que tal mister tão somente incumbe aos órgãos do Poder Judiciário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido DO RECURSO VOLUNTÁRIO Irresignada, a empresa interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário, fls. 91/103, requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, utilizandose, para tanto, dos seguintes argumentos: 1. As autuações foram realizadas em razão de fato abstrato e indeterminado, o que impossibilita a prova negativa por parte da Recorrente, pois todos os objetos descritos de forma presuntiva no auto de infração em tela não foram devidamente explicitados. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/03 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 2. O pagamento de vale transporte em pecúnia está expressamente previsto na cláusula 41 do acordo coletivo de trabalho ao qual está submetida a Recorrente; 3. Quanto à alegação de obrigatoriedade de retenção de prestadores de serviços, a Recorrente alega que tais contribuintes já tem a sua contribuição descontada no limite máximo por outros tomadores de serviço, a Recorrente fica impedida de realizar tal desconto e consequentemente de recolher tais valores aos cofres públicos, em razão da vedação legal existente; 4. Inconstitucionalidade da multa imposta por afrontar o princípio do não confisco. DO PEDIDO DE DESISTÊNCIA PARCIAL DO PROCESSO PRINCIPAL 10805.721730/201288 Em 29/01/2014, a Recorrente protocolou petição de fls. 510/514 do processo principal, informando a sua adesão ao parcelamento com a inclusão dos DEBCAD’s 37.345.4503 e 37.345.4511, razão pela qual requereu a desistência parcial do recurso naquele processo, de modo que a apreciação das razões recursais ali consignadas se aterão aos DEBCAD’s 37.377.9178 e 37.377.9186, cujo vínculo ainda persiste em relação à autuação em epígrafe. É o relatório. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/03 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10805.721834/201292 Acórdão n.º 2403002.455 S2C4T3 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA ADMISSIBILIDADE Conforme documentos de fl. 191, temse que o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DISCUSSÃO JUDICIAL Conforme descrito no Relatório Fiscal (fl. 27) e seus anexos III e IV, a Recorrente litiga na esfera judicial para ver reconhecido o seu direito à isenção das contribuições presentemente discutidas, embora não haja nenhuma medida suspensiva de exigibilidade, através do processo nº. 000118193.2005.4.03.6126, em trâmite perante o Tribunal Regional Federal da 3ª Região, aguardando a análise de admissibilidade dos Recursos Especial e Extraordinário interpostos pelo contribuinte. Ao ingressar com a referida medida judicial, a Recorrente abdicou do seu direito de discutir administrativamente, nos termos da Súmula nº 1 do CARF, verbis: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (grifo nosso) Diante da referida Súmula, não há como prosperar a alegação da Recorrente que ingressou com as ações antes do procedimento de fiscalização. Razão pela qual a análise por esta esfera administrativa resta prejudicada. Ademais, as razões que direcionam a Recorrente a buscar o reconhecimento da imunidade – enquadramento das GFIP’s com o FPAS 639 – culminam na alegação de inconstitucionalidade da Lei nº 9.732/98, que alterou os arts. 22 e 55 da Lei nº 8.212/91, cuja apreciação também é vedado a este Conselho conforme Súmula nº 2 do CARF, verbis: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a constitucionalidade de lei tributária.” Por tais razões, não há como discutir o reconhecimento da imunidade/isenção que a empresa pretende ostentar, de modo que deve ser mantida a obrigação acessória no que concerne à apresentação de GFIP’s com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme dispõe o art. 32, IV, da Lei nº 8.212/91, pertinente às informações relativas à isenção da empresa. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/03 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 VALE TRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA No que concerne aos valores pagos a título de vale transporte, é cediço que o saláriodecontribuição é constituído apenas por verbas remuneratórias, aquelas contraprestacionais aos serviços prestados pelos segurados, excluindose, portanto, as de caráter ressarcitório e indenizatório. Neste sentido, Wladmir Martinez aduz: “Integramno a remuneração e os ganhos habituais. Portanto, óbice respeitável à determinação das rubricas consiste em desvendar o conceito trabalhista de remuneração e seus institutos paralelos, indenização e ressarcimento de despesas. Fundamentalmente, repetese, a remuneração, nela contidos principalmente o salário e os desembolsos decorrentes de conquistas sociais. Restam excluídas importâncias ressarcitórias de gastos feitos pelo trabalhador em razão da prestação de serviços e as indenizatórias”. (MARTINEZ. Wladimir Novaes. Curso de Direito Previdenciário. 4ª Edição. São Paulo: LTr, 2011. p. 482) É por ser de natureza nitidamente indenizatória, o vale transporte não é incluído no conceito de salário de contribuição, nos termos do art. 2º da Lei 7.418/85, in verbis: Art. 2º O ValeTransporte, concedido nas condições e limites definidos, nesta Lei, no que se refere à contribuição do empregador: (Artigo renumerado pela Lei 7.619, de 30.9.1987) a) não tem natureza salarial, nem se incorpora à remuneração para quaisquer efeitos; b) não constitui base de incidência de contribuição previdenciária ou de Fundo de Garantia por Tempo de Serviço; c) não se configura como rendimento tributável do trabalhador. Apesar de constar a vinculação às condições legais específicas da concessão de valetransporte, é certo que não há possibilidade de sua natureza jurídica ser alterada em razão de como é feito o seu pagamento, sendo em cartão eletrônico, ticket ou pecúnia. Qualquer que seja o modo, não há como desnaturar o caráter indenizatório de um benefício que, em sua essência, nada mais é do que uma antecipação ao trabalhador para utilização efetiva em despesas de deslocamento da sua residência ao trabalho e viceversa. Conquanto, independentemente da forma como esse benefício é antecipado ao empregado, não há hipótese que possa qualificálo como natureza salarial eis que é patente a sua natureza ressarcitória de despesas inerentes a execução do trabalho, e de modo algum caracterizado como prestação remuneratória. É neste sentido que, embora o Superior Tribunal de Justiça já tenha adotado posicionamento diverso, este foi alterado em razão do entendimento do Supremo Tribunal Federal, pacificando a jurisprudência da Corte Superior, em sede de Embargos de Divergência: TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. VALETRANSPORTE. PAGAMENTO EM PECÚNIA. NÃOINCIDÊNCIA. PRECEDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. JURISPRUDÊNCIA DO STJ. REVISÃO. NECESSIDADE. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/03 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10805.721834/201292 Acórdão n.º 2403002.455 S2C4T3 Fl. 6 9 1. O Supremo Tribunal Federal, na assentada de 10.03.2003, em caso análogo (RE 478.410/SP, Rel. Min. Eros Grau), concluiu que é inconstitucional a incidência da contribuição previdenciária sobre o valetransporte pago em pecúnia, já que, qualquer que seja a forma de pagamento, detém o benefício natureza indenizatória. Informativo 578 do Supremo Tribunal Federal. 2. Assim, deve ser revista a orientação desta Corte que reconhecia a incidência da contribuição previdenciária na hipótese quando o benefício é pago em pecúnia, já que o art.5º do Decreto 95.247/87 expressamente proibira o empregador de efetuar o pagamento em dinheiro. 3. Embargos de divergência providos. (STJ. 816829 RJ 2008/02249664, Relator: Ministro CASTRO MEIRA, Data de Julgamento: 14/03/2011, S1 PRIMEIRA SEÇÃO, Data de Publicação: DJe 25/03/2011) Por oportuno, colacionase o precedente jurisprudencial do Supremo Tribunal Federal, utilizada como parâmetro para uniformização da jurisprudência pátria: RECURSO EXTRORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. VALETRANSPORTE. MOEDA. CURSO LEGAL E CURSO FORÇADO. CARÁTER NÃO SALARIAL DO BENEFÍCIO. ARTIGO 150, I, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. CONSTITUIÇÃO COMO TOTALIDADE NORMATIVA. 1. Pago o benefício de que se cuida neste recurso extraordinário em valetransporte ou em moeda, isso não afeta o caráter não salarial do benefício. 2. A admitirmos não possa esse benefício ser pago em dinheiro sem que seu caráter seja afetado, estaríamos a relativizar o curso legal da moeda nacional. 3. A funcionalidade do conceito de moeda revelase em sua utilização no plano das relações jurídicas. O instrumento monetário válido é padrão de valor, enquanto instrumento de pagamento sendo dotado de poder liberatório: sua entrega ao credor libera o devedor. Poder liberatório é qualidade, da moeda enquanto instrumento de pagamento, que se manifesta exclusivamente no plano jurídico: somente ela permite essa liberação indiscriminada, a todo sujeito de direito, no que tange a débitos de caráter patrimonial. 4. A aptidão da moeda para o cumprimento dessas funções decorre da circunstância de ser ela tocada pelos atributos do curso legal e do curso forçado. 5. A exclusividade de circulação da moeda está relacionada ao curso legal, que respeita ao instrumento monetário enquanto em circulação; não decorre do curso forçado, dado que este atinge o instrumento monetário enquanto valor e a sua instituição [do Fl. 119DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/03 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 curso forçado] importa apenas em que não possa ser exigida do poder emissor sua conversão em outro valor. 6. A cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de valestransporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa. Recurso Extraordinário a que se dá provimento. (STF. RE 478410/SP, Relator: Ministro EROS GRAU, Data de Julgamento: 10/03/2010, Tribunal Pleno, Data de Publicação: DJe 14/05/2010) (grifos acrescidos) Declarada inconstitucional pela Corte Suprema a incidência de contribuição previdenciária sobre os valores pagos em pecúnia a título de valetransporte, este Conselho reúne inúmeros julgados que seguem o mesmo raciocínio dos Tribunais Superiores, conforme a seguir são transcritos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2005 (...) VERBAS PAGAS A TÍTULO DE VALE TRANSPORTE. NATUREZA INDENIZATÓRIA. JURISPRUDÊNCIA UNÍSSONA DO STF E STJ. APLICABILIDADE. ECONOMIA PROCESSUAL. De conformidade com a jurisprudência mansa e pacífica no âmbito Judicial, especialmente no Supremo Tribunal Federal e Superior Tribunal de Justiça, os valores concedidos aos segurados empregados a título de Vale Transporte, pagos ou não em pecúnia, não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias, em razão de sua natureza indenizatória, entendimento que deve prevalecer na via administrativa sobretudo em face da economia processual. (...) Recurso Voluntário Provido em Parte. (CARF. 2ª Seção de Julgamento. Processo nº. 15758.000509/200832. Acórdão nº. 240102.093 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária. Sessão de 26 de outubro de 2011) ************************************************* ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 (...) VALE TRANSPORTE EM PECÚNIA. NATUREZA INDENIZATÓRIA, NÃO SE CARACTERIZA COMO SALÁRIO INDIRETO. DECRETO 95.247/87 EXTRAPOLOU O SEU CARÁTER DE REGULAMENTAR A LEI 7.418/85. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/03 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10805.721834/201292 Acórdão n.º 2403002.455 S2C4T3 Fl. 7 11 O pagamento de Vale Transporte em pecúnia, não é integrante da remuneração do segurado, pois nítido o seu caráter indenizatório, referendado esse entendimento, inclusive, pelo Supremo Tribunal Federal. Ademais, a vedação quanto ao pagamento do vale transporte em, pecúnia inserida em nosso Ordenamento Jurídico pelo Decreto a. 95247/87, é ilegal, pois extrapolou o seu poder de regulamentar a Lei n. 7418/85. (...) Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado (CARF. 2ª Seção de Julgamento. Processo nº. 14041.001.393/200862. Recurso de Ofício e Voluntário nº. 561.928. Acórdão nº. 230101.591 — 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária. Sessão de 08 de julho de 2010) ************************************************ ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/10/2000 a 30/09/2003 DECADÊNCIA. SALÁRIO INDIRETO. VALE TRANSPORTE. VALOR PAGO EM DINHEIRO. NÃO INTEGRA SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. LEI 7.418/85. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante nº 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8,212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras de decadência estabelecidas no Código Tributário Nacional. No presente caso aplicase a regra do artigo 173, inciso 1, do CTN, haja vista se tratar de auto de infração lavrado em desfavor do contribuinte por descumprimento de obrigação acessória. O valetransporte pago em espécie pela empresa não integra o salário de contribuição, ou seja, o beneficio não tem caráter salarial, porquanto está de acordo com a legislação que trata do assunto, em especial ao disposto no artigo 2º, da Lei n. 7.418/85. O beneficio, em favor do empregado, é ofertado para a execução do trabalho, logo o pagamento realizado pela empresa não constitui fato gerador de contribuição social previdenciária e, por conseguinte, não há que se falar em descumprimento de obrigação tributária acessória. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado. (CARF. 2ª Seção de Julgamento. Processo nº. 35.301.000131/200761. Recurso Voluntário nº. 244.766. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/03 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 12 Acórdão nº. 230101.396 — 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária. Sessão de 28 de abril de 2010) Partindo, então, das premissas presentemente discutidas, não sobejam dúvidas quanto à impossibilidade de incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos em pecúnia a título de vale transporte, inclusive no que atine às obrigação acessórias referentes a tal rubrica, devendo ser anulado o DEBCAD nº 51.005.3378 (cujo objeto trata somente da retenção do Vale Transporte dos Segurados Empregados ) e ser exonerado proporcionalmente aos valores referentes à vale transporte o DEBCAD nº 51.005.3386 (multa por descumprimento de obrigação acessória – GFIP). Quanto ao DEBCAD nº 51.005.3360 (Deixar de Preparar Folha de Pagamento), temse que, mesmo cancelandose a imputação relativa ao Vale Transporte, a autuação persiste por também estar relacionada ao fato de a empresa ter deixado de incluir os valores pagos e devidamente contabilizados aos médicos plantonistas contribuintes individuais a título de serviços prestados, razão pela qual há de ser mantida a referida autuação. AUSÊNCIA DE PROVA DO ALCANCE DO LIMITE DE CONTRIBUIÇÃO DOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS Alega a Recorrente acerca da impossibilidade de apresentação de prova negativa a fim de tolher a presunção fazendária, uma vez que inexistiu omissão na contabilidade da empresa ou pagamento salário ou de auxílio fora dos moldes legais, considerando que a empresa considerase imune a tais contribuições. Entretanto, não houve no caso em tela quaisquer hipóteses de presunção prevista em lei, tendo a autuação tomado por base as GFIP’s e documentos da contabilidade da empresa por ela apresentados, não havendo o que se falar em prova negativa. Por outro lado, quanto à incidência de contribuição previdenciária sobre os valores pagos aos contribuintes individuais (médicos plantonistas), não incluídos em folhas de pagamento e não declarados em GFIP, aduz a Recorrente que não foram efetuados tais procedimentos pois tais contribuintes já possuíam a sua contribuição descontada até o limite máximo por outros tomadores de serviço. Para a fiscalização realizar tal levantamento, tomou por base a contabilidade da empresa, conforme dispõe o item VII do Relatório Fiscal, devidamente corroborado pelo Anexo VIII na qual consta o razão analítico mensal relativo aos lançamentos efetuados na conta 41202 – Médicos Plantonistas. Ante a documentação levada à fiscalização, caberia à Recorrente provar a efetivação do desconto das contribuições previdenciárias dos contribuintes individuais por parte dos outros tomadores de serviço, uma vez que é ônus da empresa declarar tal informação na GFIP, arrimada no comprovante de pagamento apresentado pelo contribuinte individual relativo ao serviço prestado a terceiros, onde conste o valor do desconto, conforme dispõe o art. 14 da IN INSS nº 87/2003, in verbis: Art. 14. A empresa que remunerar contribuinte individual deverá fornecer a este, comprovante de pagamento pelo serviço prestado consignando, além dos valores da remuneração e do desconto feito a título de contribuição previdenciária, a sua identificação completa, inclusive com o número no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) e o número de inscrição do Fl. 122DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/03 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10805.721834/201292 Acórdão n.º 2403002.455 S2C4T3 Fl. 8 13 contribuinte individual no Instituto Nacional do Seguro Social INSS. O ônus da Recorrente encontrase expressamente prevista mais adiante, no art. 17 da referida Instrução Normativa, a seguir: Art. 17. A empresa que remunerar contribuinte individual que tenha comprovado a prestação de serviços a outras empresas, ou que tenha exercido, concomitantemente, atividade como segurado empregado ou trabalhador avulso, no mesmo mês, deverá informar na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a ocorrência de múltiplas fontes pagadoras. Portanto, uma vez não comprovado o desconto das contribuições previdenciárias dos médicos plantonistas por outros tomadores de serviços, a empresa é responsável por tais pagamentos, razão pela qual reputamse devidas as exações atinentes a tal rubrica, inclusive quanto a obrigação acessória de preparar folha de pagamento com relação a estes segurados, conforme o disposto no art. 32, I da Lei 8.212/91, in verbis: Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhasdepagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; Vêse, pois, que não se trata de prova negativa, mas sim de comprovantes obrigatórios por lei que deveriam ter sido apresentados pela Recorrente, o que não ocorreu no caso em tela. MULTA – DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA – ART. 32, IV No que tange ao cálculo da multa do DEBCAD nº 51.005.3386, é necessário tecer algumas considerações, face à edição da MP nº 449/08, convertida na Lei n° 11.941/09. Ela inseriu o art. 32A na Lei n° 8.212/91 e alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas ao inciso IV do art. 32 da Lei n° 8.212/91, in verbis: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por Fl. 123DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/03 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 14 cento), observado o disposto no § 3º deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2º Observado o disposto no § 3º deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Logo, quando houver descumprimento da Obrigação Acessória prevista no art. 32, IV da Lei nº 8.212/91, aplicase a multa prevista acima. Ocorre que ela deverá ser aplicada da seguinte forma: 1. Somase o total das informações incorretas ou omitidas; 2. Dividese o total em grupos de 10. Para cada grupo de 10 informações incorretas ou omitidas será aplicada a multa de R$ 20,00 (art. 32A, I); 3. Além dessa multa, aplicase a multa de 2% ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (art. 32A, II); 4. A multa mínima a ser aplicada será de R$ 500,00, para o caso da multa prevista no inciso I e R$ 500,00 para a multa prevista no inciso II, ambos do art. 32A da Lei nº 8.212/91 (art. 32A, § 3º, II). Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, “c”, do CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32 da Lei nº 8.212/91 ou (b) a norma Fl. 124DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/03 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10805.721834/201292 Acórdão n.º 2403002.455 S2C4T3 Fl. 9 15 atual, nos termos do art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, nos moldes transcritos acima. CONCLUSÃO Do exposto, voto pelo provimento parcial do recurso para exonerar o a exação contida no DEBCAD 51.005.3378 (Art. 30, I, ‘a’, Lei 8.212/91) , assim como proporcionalmente o DEBCAD 51.005.3386 (Art. 32A) no que se refere às informações relativas ao vale transporte, além de determinar o recálculo da multa por descumprimento de obrigação acessória do DEBCAD 51.005.3386, de acordo com o determinado no art. 32A, da Lei nº 8.212/91, com a redação também dada pela Lei 11.941/2009, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/03 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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