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Numero do processo: 10580.728440/2009-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2007 a 31/08/2008
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA.
O Programa de Participação nos Resultados tem como característica implícita e necessária a fixação de metas objetivas, de modo que o empregado possa identificar os esforços que poderão alcançá-las, bem como quando ocorre o seu atingimento.
A ausência de especificação de metas bem como de registro no Sindicato competente do PLR afasta a validade do Programa, de modo que os valores pagos aos empregados devem ser considerados base de cálculo da contribuição previdenciária.
AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM.
As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35-A à Lei nº 8.212/91.
Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35-A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela então revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.865
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por voto de qualidade em dar provimento parcial ao recurso do Auto de Infração de Obrigação Principal, devendo a multa aplicada ser calculada considerando as disposições do art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória nº 449/2008, ou seja, até a competência 11/2008, inclusive. Vencidos na votação o Conselheiro Relator e as Conselheiras Bianca Delgado Pinheiro e Juliana Campos de Carvalho Cruz, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP nº 449/2008 (art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação da MP nº 449/2008 c/c art. 61 da Lei nº 9.430/96). O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva fará o voto divergente vencedor. Ainda, devem ser excluídas do lançamento as competências até 11/2003, inclusive, pela homologação tácita expressa no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional.
Liege Thomasi Lacroix - Presidente
Leonardo Henrique Pires Lopes Relator
Arlindo da Costa e Silva Redator designado
Conselheiros presentes à sessão: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, BIANCA DELGADO PINHEIRO, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Nome do relator: Leonardo Henrique Pires Lopes
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O Programa de Participação nos Resultados tem como característica implícita e necessária a fixação de metas objetivas, de modo que o empregado possa identificar os esforços que poderão alcançálas, bem como quando ocorre o seu atingimento. A ausência de especificação de metas bem como de registro no Sindicato competente do PLR afasta a validade do Programa, de modo que os valores pagos aos empregados devem ser considerados base de cálculo da contribuição previdenciária. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM. As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35A à Lei nº 8.212/91. Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela então revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 84 40 /2 00 9- 41 Fl. 298DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.728440/200941 Acórdão n.º 2302002.865 S2C3T2 Fl. 302 2 ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por voto de qualidade em dar provimento parcial ao recurso do Auto de Infração de Obrigação Principal, devendo a multa aplicada ser calculada considerando as disposições do art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória nº 449/2008, ou seja, até a competência 11/2008, inclusive. Vencidos na votação o Conselheiro Relator e as Conselheiras Bianca Delgado Pinheiro e Juliana Campos de Carvalho Cruz, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP nº 449/2008 (art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação da MP nº 449/2008 c/c art. 61 da Lei nº 9.430/96). O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva fará o voto divergente vencedor. Ainda, devem ser excluídas do lançamento as competências até 11/2003, inclusive, pela homologação tácita expressa no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional. Liege Thomasi Lacroix Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes – Relator Arlindo da Costa e Silva – Redator designado Conselheiros presentes à sessão: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, BIANCA DELGADO PINHEIRO, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.728440/200941 Acórdão n.º 2302002.865 S2C3T2 Fl. 303 3 Relatório Período de Apuração: 01/02/2007 a 31/08/2008 Data de Lavratura do AIOP: 17/12/2009 Data de Ciência do AIOP: 21/12/2009. Tratase de Auto de Infração de Descumprimento de Obrigação Principal (AI 37.201.9269), lavrado em face de RADIO FM BAHIA SOL LTDA, do qual foi notificado em 28/10/2008, referente às contribuições da empresa destinadas à Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – RAT. De acordo com o Relatório Fiscal, foi realizado acordo coletivo para instituição do Programa de Participação e ResultadosPLR com o SERTEBSindicato das Empresas de Radiodifusão e Televisão do Estado da Bahia e o SINTERP/BASindicato dos Trabalhadores em Rádio, TV e Publicidade da Bahia, referentes aos exercícios de 2005, 2007 e 2008. Contudo, apenas em 03/03/2009 foi protocolado no SINTERP. Além dessa irregularidade, não foi estabelecida meta clara e objetiva, tendo sido escolhido o resultado operacional como meta, sem especificar valores. No tocante à multa, foi feita a comparação da sistemática anterior com a atual, instituída pela Lei nº 11.941/2009, verificando o valor menor entre a multa de ofício atual, de 75% sobre o valor do débito, e o somatório das penalidades anteriores (AI 68 + 24%), tendo se chegado à conclusão de que penalidade atual seria mais benéfica. Apresentada impugnação, esta foi julgada improcedente, nos seguintes termos: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de Apuração: 01/02/2007 a 31/08/2008 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COTA PATRONAL. É devida a cota patronal atinente aos segurados empregados consoante preceituam os incisos I e II, do art. 22, da Lei nº 8.212/1991. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. DESCARACTERIZAÇÃO. Os pagamentos a título de participação nos lucros ou resultados realizados, pela empresa, sem o cumprimento de todos os requisitos impostos pela Lei nº 10.101/2000, temse que tais verbas integram o salário de contribuição e sobre elas incidem as contribuições destinadas à Seguridade Social. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Irresignada, a ora Recorrente interpôs Recurso Voluntário tempestivo, alegando, em síntese: Fl. 300DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.728440/200941 Acórdão n.º 2302002.865 S2C3T2 Fl. 304 4 a) O acordo coletivo atribuiu às empresas à fixação, juntamente com seus empregados, dos pagamentos; b) A regra sempre esteve relacionada ao crescimento do faturamento da empresa ou ainda redução do prejuízo contábil; c) A legislação não determina o prazo para o registro do PLR no Sindicato; d) O Sindicato e a Confederação participaram de todas as etapas do Plano, tendo assinado o Acordo, com anuência da forma de escolha dos critérios e da avaliação; e) A participação do Sindicato é obrigatória quando se tratar de Acordo Coletivo de Trabalho, o que não é o caso do PLR em questão. Além disso, o produto final do acordo contou com o arquivamento pelo Sindicato, não sendo necessárias provas de todas as etapas da negociação com sua participação; f) Havia a possibilidade de revisão anual do PLR, entendida esta como a possibilidade de modificarem as disposições do programa de acordo com suas necessidades, sendo certo que a legislação admite a previsão de prazo indeterminado; g) Os elementos subjetivos e objetivos de avaliação se complementam; h) As regras foram claras e objetivas; i) Critérios comportamentais e comparativos de avaliação se coadunam com a finalidade do Programa, pois os empregados sabia que este seria ponto de avaliação, em virtude da interferência desse aspecto nos resultados financeiros da empresa. Não sendo o critério de pagamento exclusivamente financeiros, a avaliação não pode ser exclusivamente objetiva; j) A utilização de critérios comparativos entre os empregados mostrase necessária para se obter um parâmetro capaz de estabelecer melhor desempenho; k) Não existe na legislação limite máximo a ser distribuído a título de PLR; l) O recebimento de valor correspondente a várias vezes o salário do empregado justificase pela sua função diretamente relacionada ao cargo e à sua representação nos resultados da empresa. A título de exemplo, o empregado que recebeu 179 vezes o seu salário, conforme apontado pela autuação, teria conferido resultado 64 vezes maior ao que recebeu; m) A empresa paga aos seus funcionários salários compatíveis com o de mercado, não podendo se falar em substituição da remuneração; Fl. 301DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.728440/200941 Acórdão n.º 2302002.865 S2C3T2 Fl. 305 5 n) a ausência de arquivo das avaliações de desempenho que fundamentaram os pagamentos da PLR foi suprida pela demonstração dos resultados individuais arquivados eletronicamente; o) o fato de existir um registro mensal da avaliação dos empregados não significa que os pagamentos de PLR representavam uma comissão pelos serviços prestados, uma vez que os pagamentos de PLR levaram em consideração metas apuradas em periodicidade semestral ou anual; p) Não há habitualidade e retributividade no pagamento; q) é descabida a cobrança do adicional de 2,5% do Recorrente; r) é ilegal a inclusão dos dirigentes no pólo passivo da autuação fiscal; s) é ilegal a majoração da multa de mora em face do transcurso do tempo; t) é ilegal a aplicação da Taxa Selic como juros de mora. Sem Contra Razões. É o relatório. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.728440/200941 Acórdão n.º 2302002.865 S2C3T2 Fl. 306 6 Voto Vencido Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Dos Pressupostos de Admissibilidade Sendo o Recurso tempestivo, passo ao seu exame. Da Decadência No caso em apreço, o Auto de Infração foi lavrado em 28/10/2008, tendo como objeto as contribuições devidas nos exercícios de fevereiro/2003 a dezembro/2006. Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12.06.2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal – STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais aqueles dispositivos legais e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Fl. 303DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.728440/200941 Acórdão n.º 2302002.865 S2C3T2 Fl. 307 7 Art. 103A da Constituição Federal O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Lei n° 11.417, de 19/12/2006 Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. (...). ...Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. Temos que a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficaram obrigados a acatar a Súmula Vinculante. Assim, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplica ao caso concreto, uma vez que existem duas regras, aparentemente conflitantes, dispondo sobre a decadência de créditos tributários, tomando a primeira como termo inicial o pagamento indevido (art. 150, §4º), e a segunda o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado (art. 173, I). Cumpre transcrever os referidos dispositivos legais: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...). § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Fl. 304DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.728440/200941 Acórdão n.º 2302002.865 S2C3T2 Fl. 308 8 II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Harmonizando os referidos dispositivos legais, o Superior Tribunal de Justiça esclareceu a aplicação do art. 173 para os casos em que o tributo sujeitarse a lançamento por homologação: 1) Quando não tiver havido pagamento antecipado; 2) Quando tiver ocorrido dolo, fraude ou simulação; 3) Quando não tiver havido declaração prévia do débito. Cumpre transcrever o acórdão prolatado em sede de Recurso Especial representativo da controvérsia: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, Fl. 305DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.728440/200941 Acórdão n.º 2302002.865 S2C3T2 Fl. 309 9 págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009). No voto lavrado no referido REsp 973.733/SC, foi transcrito entendimento firmado em outros julgamento (REsp 766.050∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, DJ 25.02.2008), que limitam a aplicação do art. 150, §4º do CTN às hipóteses que tratam de tributo sujeito a lançamento por homologação, “quando ocorrer pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias” . A comprovação da presença de tais circunstâncias seria imprescindível para o afastamento do art. 150, §4º do CTN e aplicação do seu art. 173, I, o que não se vislumbra em qualquer momento da autuação. Depreendese dos autos que, da ação fiscal em comento, não houve lavratura de auto de infração relacionado a outros fatos geradores de contribuições previdenciárias, de modo que a fiscalização entendeu que as demais contribuições previdenciárias haviam sido pagas pela empresa. Outrossim, não tendo sido comprovando que sua conduta tenha sido eivada de dolo, fraude ou simulação, restando configurado, portanto, o pressuposto fático ensejador da aplicação do prazo decadencial previsto no artigo 150, §4º do Código Tributário Nacional, fica definitivamente afastada a incidência do disposto no artigo 173, I do mesmo dispositivo legal. Desta feita, considerando que a consolidação do crédito previdenciário se deu em 29/12/2008, tenho como certa a decadência das competências até novembro/2003, isto é, anteriores a dezembro/2003. Do programa de Participação nos Lucros ou ResultadosPLR A Constituição Federal determinou, no seu art. 7º, inciso XI, que a participação pelo empregado nos lucros ou resultados da empresa estaria desvinculada de remuneração, conforme definido em lei. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.728440/200941 Acórdão n.º 2302002.865 S2C3T2 Fl. 310 10 A Lei nº 8.212/1991, ao definir a base de cálculo das contribuições previdenciárias, excluiu a participação nos lucros e resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica, nos seguintes termos: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. Diante da norma constitucional e da Lei nº 8.212/91, foi editada a Medida Provisória nº 794/1994, sucessivamente reeditada até posterior conversão na Lei nº 10.101/2000, cuja redação à época dos fatos geradores assim dispunha: Art. 1o Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (grifase). A partir da análise da Lei acima transcrita, quando interpretada conjuntamente com a Constituição Federal,verificase que o intuito do legislador foi o de estimular a criação pelas empresas de Programas de Participação em Lucros e Resultados, como mecanismo de incentivo à produção e de integração do capital da empresa aos recursos humanos. Através do PLR, permitese que o empregado participe dos resultados da atividade, distribuindolhe valores a partir do atingimento de metas, sem, contudo, empregar lhe os riscos que lhe são inerentes, até porque estes devem permanecer com o empregador investidor. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.728440/200941 Acórdão n.º 2302002.865 S2C3T2 Fl. 311 11 Exatamente por ser uma medida que preserva o interesse de todos os envolvidos na produção, a Lei exige a participação de representantes dos empregados e empregadores na elaboração do PLR, que devem estipular conjuntamente as metas, os resultados e prazos. Ocorre que a Lei não foi tão específica em prever todas as formalidades, critérios e condições para elaboração do PLR, devendo, por isso, tal liberdade concedida aos elaboradores ser interpretada amplamente, sem restringirlhe a eficácia, desde que seja observada sua finalidade e as exigências legalmente postas, evitandose, por outro lado, qualquer tentativa de sua utilização como meio de burla à tributação e de substituição da remuneração dos empregados. Neste diapasão, para que os valores pagos aos empregados a título de PLR não sejam tributados, devem observar as exigências legais, bem como o intuito do legislador, para que o espírito do Programa efetivamente seja alcançado. Esta deve ser a análise da fiscalização. Vejase que os dispositivos insertos na Lei 10.101/2000 devem ser rigorosamente observados, tanto para que o contribuinte não tenha que recolher a contribuição previdenciária quando houver PLR instituído na empresa, quanto para que somente as exigências nela contidas possam ser aplicadas. O que se observa é que a Lei previu apenas os seguintes requisitos: Negociação entre empresa e empregados, com representantes de ambas as categorias; Regras claras e objetivas; mecanismos de verificação das informações relevantes para atingir as metas; Todos esses requisitos, na verdade, buscam garantir que o PLR tenha a participação das duas categorias (empregados e empregadores) tanto no momento de sua elaboração quanto de sua execução, podendo ser acompanhado por todos os envolvidos quanto ao cumprimento e ao alcance de metas. Por isso é que os programas de metas, resultados e prazos devem estar pactuados previamente, pois somente desta forma é que seria possível se ter certeza de que os empregados estão cientes das condições do PLR e que os esforços envidados serão recompensados com a distribuição dos valores. No caso dos autos, o auditor fiscal descaracterizou o PLR instituído pelo Banco Recorrente por entender que não preenchia as exigências legais, tampouco a finalidade do Plano. Neste sentido, cabe analisar cada um dos fatos para que se verifique se deve ser mantida a autuação. De início, afirma o auditor fiscal que o PLR previu revisões anuais obrigatórias, o que não teria ocorrido, bem como que o plano foi instituído por prazo indeterminado. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.728440/200941 Acórdão n.º 2302002.865 S2C3T2 Fl. 312 12 A Lei nº 10.101/2000 exige que o plano especifique a periodicidade da distribuição e o prazo de vigência do programa. A razão de tal exigência consiste na necessidade de se permitir ao empregado o tempo que terá para alcançar a meta, bem como por quanto tempo poderá ser bonificado enquanto permanecer na empresa. In casu, a periodicidade de distribuição foi devidamente prevista no Plano, e o prazo indeterminado atendeu também aos objetivos previstos na Lei, eis que o empregado saberia que, enquanto estivesse na empresa, fruiria dos benefícios instituídos pelo Programa. A revisão anual do Programa, inserta em cláusula do Plano, encontra respaldo na necessidade que os empregados e empregadores podem ter de adequar as metas, a data de pagamento, os critérios de recebimento, dentre outros, às circunstâncias atuais. Isto porque um Programa, sobretudo de prazo indeterminado, não poderia ser rígido e imutável, sob pena de se desnudar sua finalidade. A título de exemplo, imaginemos uma meta financeira para todos os empregados que, após alguns anos de vigência do Programa e crescimento da empresa, passasse a ser facilmente obtida. Evidentemente que dita meta teria que ser revista, até para se adequar melhor a uma das finalidades do Programa, que seria a de estimular os empregados, através da participação nos lucros e resultados, a envidar esforços, melhorar a qualidade e aumentar a produtividade. De outro lado, se as condições pactuadas continuam a atender os objetivos da empresa e a servir de estímulo aos seus empregados, não haveria por que revisálas, apenas sob o pretexto de ter que ser feita uma reformulação. Nesse caso, não teria sentido em editar um novo instrumento prevendo os mesmos termos, quando o anterior já tem previsão por prazo indeterminado. Em segundo lugar, firma o AFRFB que o Sindicato não participou do processo de negociação, descumprindo a determinação legal. De fato, a Lei de regência estabelece que o Sindicato seja uma das partes da negociação, quando realizado por convenção ou acordo coletivo, ou participante das negociações quando o instrumento for particular. O PLR do caso narrado se refere à segunda hipótese, em que o Sindicato tem a condição de participante e mero assistente dos empregados. Nesses casos, os termos são elaborados pela comissão formada por representantes dos empregados e empregador, cabendo ao Sindicato assessorar com instruções sobre os direitos da categoria que representa, sem, contudo, ser a sua anuência necessária à validade dos critérios, das metas e das condições do programa. Neste diapasão, entendo que o Sindicato deve ser informado das negociações, dandolhe oportunidade para participar das negociações. Contudo, a sua ausência não pode ser óbice à validade das tratativas, sob pena de se atribuir excessiva força ao órgão de classe, inclusive de vetar o avanço das negociações, o que definitivamente não foi a finalidade da Lei quando permitiu instrumento particular de estipulação do PLR, diverso dos acordos e convenções coletivas. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.728440/200941 Acórdão n.º 2302002.865 S2C3T2 Fl. 313 13 Assim, ainda que seja verdade que o Sindicato não participou ativamente de todas as etapas da negociação, bastaria o seu conhecimento da existência das fases de negociação para que sua participação como assistente tivesse sido atendida. Uma vez que o AFRFB não trouxe qualquer elemento que indicasse que a Recorrente não conferiu a oportunidade ao Sindicato de participar das reuniões e tratativas, não pode haver presunções em desfavor do contribuinte. Sobre o tema, o Superior Tribunal de Justiça já teve a oportunidade de destacar os efeitos da participação do Sindicato: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. CARACTERIZAÇÃO. MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 07/STJ. PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. SÚMULA 07/STJ. 1. A isenção fiscal sobre os valores creditados a título de participação nos lucros ou resultados pressupõe a observância da legislação específica a que refere a Lei n.º 8.212/91. 2. Os requisitos legais inseridos em diplomas específicos ( arts. 2º e 3º, da MP 794/94; art. 2º, §§ 1º e 2º, da MP 860/95; art. 2º, § 1º e 2º, MP 1.53934/ 1997; art. 2º, MP 1.69846/1998; art. 2º, da Lei n.º 10.101/2000), no afã de tutelar os trabalhadores, não podem ser suscitados pelo INSS por notória carência de interesse recursal, máxime quando deduzidos para o fim de fazer incidir contribuição sobre participação nos lucros, mercê tratarse de benefício constitucional inafastável (CF, art. 7º, IX). 3. A evolução legislativa da participação nos lucros ou resultados destacase pela necessidade de observação da livre negociação entre os empregados e a empresa para a fixação dos termos da participação nos resultados. 4. A intervenção do sindicato na negociação tem por finalidade tutelar os interesses dos empregados, tais como definição do modo de participação nos resultados; fixação de resultados atingíveis e que não causem riscos à saúde ou à segurança para serem alcançados; determinação de índices gerais e individuais de participação, entre outros. 5. O registro do acordo no sindicato é modo de comprovação dos termos da participação, possibilitando a exigência do cumprimento na participação dos lucros na forma acordada. 6. A ausência de homologação de acordo no sindicato, por si só, não descaracteriza a participação nos lucros da empresa a ensejar a incidência da contribuição previdenciária. 7. O Recurso Especial não é servil ao exame de questões que demandam o revolvimento do contexto fáticoprobatório dos autos, em face do óbice erigido pela Súmula 07/STJ. 8. In casu, o Tribunal local afastou a incidência da contribuição previdenciária sobre verba percebida a título de participação nos lucros da empresa, em virtude da existência de provas acerca da existência e manutenção de programa espontâneo de efetiva participação nos lucros da empresa por parte dos empregados no período pleiteado, vale dizer, à luz do contexto fáticoprobatório engendrado nos autos, consoante se infere do voto condutor do acórdão hostilizado, verbis: "Embora com alterações ao longo Fl. 310DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.728440/200941 Acórdão n.º 2302002.865 S2C3T2 Fl. 314 14 do período, as linhas gerais da participação nos resultados, estabelecidas na legislação, podem ser assim resumidas: a) deve funcionar como instrumento de integração entre capital e trabalho, mediante negociação; b) deve servir de incentivo à produtividade e estar vinculado à existência de resultados positivos; c) necessidade de fixação de regras claras e objetivas; d) existência de mecanismos de aferição dos resultados. Analisando o Plano de Participação nos Resultados (PPR) da autora, encontramse as seguintes características: a) tem por objetivo o atingimento de metas de resultados econômicos e de produtividade; b) há estabelecimento de índices de desempenho econômico para a unidade e para as equipes de empregados que a integram; c) fixação dos critérios e condições do plano mediante negociação entre a empresa e os empregados, conforme declarações assinadas por 38 (trinta e oito) funcionários (fls. 352/389); d) existência de regras objetivas de participação e divulgação destas e do desempenho alcançado. Comparandose o PPR da autora com as linhas gerais antes definidas, bem como com os demais requisitos legais, verificase que são convergentes, a ponto de caracterizar os valores discutidos como participação nos resultados. Desse modo, estão isentos da contribuição patronal sobre a folha de salários, de acordo com o disposto no art. 28, § 9.º, alínea "j", da Lei n.º 8.212/91". (fls. 596/597) 9. Precedentes:AgRg no REsp 1180167/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, DJe 07/06/2010; AgRg no REsp 675114/RS, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, DJe 21/10/2008; AgRg no Ag 733.398/RS, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, DJ 25/04/2007; REsp 675.433/RS, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, DJ 26/10/2006; 10. Recurso especial não conhecido. (REsp 865.489/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 26/10/2010, DJe 24/11/2010) O que soa mais estranho no Relatório Fiscal é a afirmativa de que o Sindicato teria sido ausente das revisões. Ora, este mesmo Relatório aponta a ausência de revisões como um dos motivos para o descumprimento do PLR. Sendo assim, como poderia o Sindicato participar de algo que não existiu? Por todo o exposto é que não se pode entender qualquer vício no Programa sob exame em virtude da participação ou não do Sindicato. O Relatório Fiscal afirma, ainda, que o PLR previu metas tendo em vista resultados globais do grupo econômico, inclusive de empresas localizadas no exterior, o que dificultaria, segundo afirma, o conhecimento pelos empregados do alcance das metas. Ocorre que a legislação não faz qualquer exigência neste ponto. A utilização de metas que considerem o grupo econômico tem total consonância com a finalidade do PLR, que é a de integrar o empregado à empresa como um todo. Toda empresa tem no seu recurso humano o mais precioso insumo. É justamente o somatório dos esforços que faz a empresa se desenvolver, tanto analisada uma Fl. 311DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.728440/200941 Acórdão n.º 2302002.865 S2C3T2 Fl. 315 15 empresa isoladamente, quanto um grupo econômico, inclusive porque os resultados de uma das empresas do grupo reflete no das demais. O fato de alguma empresa do grupo econômico ser localizada no exterior não impede que o empregado acompanhe o atingimento das metas, se houver divulgação desses resultados. Em particular, o ramo de atividade da Recorrente e o nível de fiscalização a que se submete pelo Banco Central do Brasil, pela Comissão de Valores Mobiliários, dentre outros órgãos competentes, faz com que os resultados se tornem ainda mais transparentes. Vejase que não se discute nos autos o desconhecimento dos empregados sobre as regras previstas. Se a comissão de negociação tomou como base dados do grupo empresarial, não há qualquer irregularidade na formalização do acordo. As empresas do mesmo grupo econômico apresentam relações bastante próximas, tanto que o Fisco sempre as considera conjuntamente na ocasião do lançamento, até por imposição legal, já que teriam um mesmo comando de decisões, as vezes até com mesma administração. Estabelecer que os resultados alcançados por outra empresa do grupo econômico sirvam de critério para aferição da participação nos lucros e resultados é medida condizente com a própria sistemática adotada pela legislação previdenciária e trabalhista, já que tratam as empresas como solidárias e intrinsecamente relacionadas umas as outras, inclusive quanto aos fatos geradores das contribuições. O referido Programa não teria qualquer vício, se não fossem os seguintes outros pontos de irregularidades encontrados. O PLR leva em conta o comportamento pessoal do empregado, faz comparação entre eles, valoriza a figura do avaliador, sendo um critério/meta por demais subjetivo. Neste aspecto, o referido Programa deixou demasiadamente abrangente a meta que seria alcançada. Embora tenha graduado os níveis de enquadramento da avaliação pessoal, esta depende dos critérios do superior imediato, sem que o empregado saiba quais os itens seriam analisados e, de que forma, poderia atingir a meta proposta. Não se pretende afirmar que apenas as metas numéricas possuem a objetividade necessária para configuração do PLR, mas sim que a meta deve ser de tal forma objetiva que o empregado possa identificar previamente os meios de alcançála e se a atingiu ou não, independentemente de terceiros para tanto, o que não ocorreu no caso. Ressaltese ainda, que as metas financeiras do Programa seriam “metas em tese”, posto que não quantificadas nem parametrizadas, e definidas ainda sem a participação do sindicato, sendo seus valores definidos discricionariamente pela empresa. As metas financeiras nos dizeres do próprio auditor fiscal são as metas “mais obejtivas” por natureza, desde que parametrizadas, já que o lucro sem quantificação é o objetivo de qualquer empresa privada. Fl. 312DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.728440/200941 Acórdão n.º 2302002.865 S2C3T2 Fl. 316 16 Outro ponto de irregularidade no PLR da Recorrente se refere ao pagamento aos empregados, a este título, em valores que não encontram correspondência com as metas e valores propostos no Programa. O PLR não precisa ter limite máximo de pagamento, ao contrário do que foi afirmado pela fiscalização, até porque isso seria ir de encontro à proposta do Programa, já que o empregado que atingisse meta suficiente para lhe garantir o pagamento deixaria de ter os estímulos para produzir mais e com maior qualidade, o que é a finalidade principal do PLR. Contudo, o valor pago, ainda que exceda 179 vezes o valor do seu salário, deve ter correspondência com o que propõe o PLR, o que não aconteceu no caso dos autos, pois não se pode identificar a partir de que metas e critérios o empregado alcançado aquele valor. Vejase que sequer esse argumento foi combatido pela Recorrente. Por todo o exposto, entendo, embora por razões diversas das apontadas pela fiscalização, que o Programa de Participação nos Lucros não atendeu aos critérios legais de objetividade, tampouco todos os pagamentos foram efetuados com base no referido PLR. Da multa aplicada A autuação em comento referese ao descumprimento pelo contribuinte da sua obrigação tributária principal, consistente no dever de recolher a contribuição previdenciária dentro do prazo previsto em lei. Além do pagamento do tributo não recolhido, a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores previa a imposição ao contribuinte da penalidade correspondente ao atraso no pagamento, conforme art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que escalonava a multa (I) de 4% a 20%, quando o valor devido não tivesse sido incluído em notificação fiscal de lançamento, (II) de 12% a 50% para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal, e (III) de 30% a 100% nos casos em que o débito já tivesse sido inscrito em dívida ativa. Como se depreende do caput do art. 35 referido (sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos...) a penalidade decorria do atraso no pagamento, independentemente de o lançamento ter sido efetuado de ofício ou não. Em outras palavras, não existia na legislação anterior a multa de ofício, aplicada em decorrência do lançamento de ofício pela auditoria fiscal, mas apenas a multa de mora, oriunda do atraso no recolhimento da contribuição. A punição do art. 35 da referida lei dirigiase à demora no pagamento, sendo mais agravada/escalonada de acordo com o momento em que fosse recolhida. Ocorre que, com o advento da MP nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, o art. 35 da Lei nº 8.212/1991 foi revogado, tendo sido incluída nova redação àquele art. 35. A análise dessa nova disciplina sobre a matéria, introduzida em dezembro/2008, adquire importância em face da retroatividade benigna da legislação posterior Fl. 313DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.728440/200941 Acórdão n.º 2302002.865 S2C3T2 Fl. 317 17 que culmine penalidade mais benéfica ao contribuinte, nos termos do art. 106, II do CTN, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Cabe, portanto, analisar as disposições introduzidas com a referida MP nº 449/2008 e mantidas com a sua conversão na Lei nº 11.941/2009: Art. 35 da Lei nº 8.212/1991 Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 61 da Lei nº 9.430/1996 Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. À primeira vista, a indagação de qual seria a norma mais favorável ao contribuinte seria facilmente resolvida, com a aplicação retroativa da nova redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo esta última a utilizada nos casos em que a multa de mora excedesse o percentual de 20% previsto como limite máximo pela novel legislação. Contudo, o art. 35A, também introduzido pela mesma Lei nº 11.941/2009, passou a punir o contribuinte pelo lançamento de ofício, conduta esta não tipificada na legislação anterior, calculado da seguinte forma: Fl. 314DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.728440/200941 Acórdão n.º 2302002.865 S2C3T2 Fl. 318 18 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Pela nova sistemática aplicada às contribuições previdenciárias, o atraso no seu recolhimento será punido com multa de 0,33% por dia, limitado a 20% (art. 61 da Lei nº 9.430/1996). Sendo o caso de lançamento de ofício, a multa será de 75% (art. 44 da Lei nº 9.430/1996). Não existe qualquer dúvida quanto à aplicação da penalidade em relação aos fatos geradores ocorridos após o advento da MP nº 449/2008. Contudo, diante da inovação em se aplicar também a multa de ofício às contribuições previdenciárias, surge a dúvida de com que norma será cotejada a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 para se verificar a existência da penalidade mais benéfica nos moldes do art. 106, II, “c” do CTN. Isto porque, caso seja acolhido o entendimento de que a multa de mora aferida em ação fiscal está disciplinada pelo novo art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei 9.430/1996, terá que ser limitada ao percentual de 20%. Ocorre que alguns doutrinadores defendem que a multa de mora teria sido substituída pela multa de ofício, ou ainda que esta seria sim prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, na sua redação anterior, na medida em que os incisos II e III previam a aplicação da penalidade nos casos em que o débito tivesse sido lançado ou em fase de dívida ativa, ou seja, quando tivesse decorrido de lançamento de ofício. Contudo, nenhum destes dois entendimentos pode prevalecer. Consoante já afirmado acima, a multa prevista na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 destinavase a punir a demora no pagamento do tributo, e não o pagamento em razão de ação fiscal. O escalonamento existente era feito de acordo com a fase do pagamento, isto é, quanto mais distante do vencimento do pagamento, maior o valor a ser pago, não sendo punido, portanto, a não espontaneidade do lançamento. Fl. 315DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.728440/200941 Acórdão n.º 2302002.865 S2C3T2 Fl. 319 19 Também não seria possível se falar em substituição de multa de mora por multa de ofício, pois as condutas tipificadas e punidas são diversas. Enquanto a primeira relacionase com o atraso no pagamento, independentemente se este decorreu ou não de autuação do Fisco, a outra vinculase à ação fiscal. Por outro lado, não me parece correta a comparação da nova multa calculada conforme o art. 35A da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício prevista em 75% do valor da contribuição devida) com o somatório das multas previstas no art. 32, §4º e 5º e no revogado art. 35 ambos da Lei nº 8.212/1991. Em primeiro lugar, esse entendimento somente teria coerência, o que não significa legitimidade, caso se entendesse que a multa de ofício substituiu as penalidades tanto pelo descumprimento da obrigação principal quanto pelo da acessória, unificandoas. Nesses casos, concluindose pela aplicação da multa de ofício, por ser supostamente a mais benéfica, os autos de infração lavrados pela omissão de fatos geradores em GFIP teriam que ser anulados, já que a penalidade do art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício) estaria substituindo aquelas aplicadas em razão do descumprimento da obrigação acessória, o que não vem sendo determinado pelo Fisco. Em segundo lugar, não se podem comparar multas de naturezas distintas e aplicadas em razão de condutas diversas. Conforme determinação do próprio art. 106, II do CTN, a nova norma somente retroage quando deixar de definir o ato como infração ou quando cominarlhe penalidade menos severa. Tanto em um quanto no outro caso verificase a edição de duas normas em momentos temporais distintos prescrevendo a mesma conduta, porém com sanções diversas. Assim, somente caberia a aplicação do art. 44, I da Lei nº 8.212/1996 se a legislação anterior também previsse a multa de ofício, o que não ocorria até a edição da MP nº 449/2008. A anterior multa de mora somente pode ser comparada com penalidades que tenha a mesma ratio, qual seja, o atraso no pagamento das contribuições. Revogado o art. 35 da Lei nº 8.212/1991, cabe então a comparação da penalidade aplicada anteriormente com aquela da nova redação do mesmo art. 35, já transcrita acima, que remete ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Não só a natureza das penalidades leva a esta conclusão, como também a própria alteração sofrida pelo dispositivo. No lugar da redação anterior do art. 35, que dispunha sobre a multa de mora, foi introduzida nova redação que também disciplina a multa de mora, agora remetendo ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Estes dois dispositivos é que devem ser comparados. Diante de todo o exposto, não é correto comparar a multa de mora com a multa de ofício. Esta terá aplicação apenas aos fatos geradores ocorridos após o seu advento. Para fins de verificação de qual será a multa aplicada no caso em comento, deverão ser cotejadas as penalidades previstas na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a instituída pela sua nova redação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação Fl. 316DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.728440/200941 Acórdão n.º 2302002.865 S2C3T2 Fl. 320 20 dada pela Lei nº 11.941/2009, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996) aplicandolhe a que for mais benéfica. Da cobrança da Taxa SELIC Entendo ser possível e correta a aplicabilidade da Taxa SELIC nos casos de atraso no pagamento de importâncias devidas ao INSS, haja vista sua previsão legal estar devidamente fundamentada no art. 58, inc. II do Decreto nº 2.173/97, consoante se pode observar: Art. 58. Para o pagamento de valores das contribuições e demais importâncias devidas à seguridade social, arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e não recolhidas até a data de seu vencimento, inclusive dos débitos objeto de parcelamento, incidirão: [...] II juros de mora: a) um por cento no mês do vencimento; b) equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC nos meses intermediários; c) um por cento no mês do pagamento; Além do mais, ressalto que recentemente o Segundo Conselho aprovou a Súmula nº 03 que assim dispôs sobre a matéria: “SÚMULA Nº 3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais.” Relembrese, mais uma vez, no que tange à alegada inconstitucionalidade da taxa, o entendimento de que a instância administrativa não possui competência legal para se manifestar sobre questões em que se presume a colisão da legislação de regência com a Constituição Federal, atribuição reservada, no direito pátrio, ao Poder Judiciário (Constituição Federal, art. 102, I, “a” e III, “b”, art. 103, § 2°; Emenda Constitucional n° 3/93; Código de Processo Civil , arts. 480 a 482). Por fim, a termo inicial para fluência de juros de mora é, nos termos do art. 161 do CTN, o vencimento do tributo. Da impossibilidade de análise de alegação da inconstitucionalidade da cobrança do adicional de 2,5% A tentativa do contribuinte de afastar a cobrança do adicional de 2,5% no caso em comento em virtude da sua inconstitucionalidade, esbarra na incompetência desse Conselho para o exame da matéria. Em outras palavras, reconhecer a inconstitucionalidade da sua incidência, o que é vedado a este Conselho, que somente pode reconhecer a inconstitucionalidade de dispositivo legal quando estiver diante de uma das hipóteses previstas no art, 62, parágrafo único seu Regimento Interno, quais sejam: Fl. 317DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.728440/200941 Acórdão n.º 2302002.865 S2C3T2 Fl. 321 21 I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; II – que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993 No caso dos autos, contudo, não ocorreu qualquer dessas hipóteses. Cumpre esclarecer que a apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerba sua competência originária que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. No Capítulo III do Título IV, notadamente no que trata do controle da constitucionalidade das normas, observase que o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. Permitir que órgãos colegiados administrativos reconhecessem a constitucionalidade de normas jurídicas seria infringir o disposto na própria Constituição Federal, padecendo, portanto, a decisão que assim o fizer, ela própria, de vício de constitucionalidade, já que invadiu competência exclusiva de outro Poder. O professor Hugo de Brito Machado in “Mandado de Segurança em Matéria Tributária”, Ed. Revista dos Tribunais, páginas 302/303, assim concluiu: “A conclusão mais consentânea com o sistema jurídico brasileiro vigente, portanto, há de ser no sentido de que a autoridade administrativa não pode deixar de aplicar uma lei por considerála inconstitucional, ou mais exatamente, a de que a autoridade administrativa não tem competência para decidir se uma lei é, ou não é inconstitucional.” Ademais, como da decisão administrativa não cabe recurso obrigatório ao Poder Judiciário, em se permitindo a declaração de inconstitucionalidade de lei pelos órgãos administrativos judicantes, as decisões que assim a proferissem não estariam sujeitas ao crivo do Supremo Tribunal Federal que é a quem compete, em grau de definitividade, a guarda da Constituição. Poderseia, nestes casos, ter a absurda hipótese de o tribunal administrativo declarar determinada norma inconstitucional e o Judiciário, em manifestação do seu órgão máximo, pronunciarse em sentido inverso. Por essa razão é que através de seu Regimento Interno e Súmula, os Conselhos de Contribuintes se autoimpuseram com regra proibitiva nesse sentido: Portaria MF n° 147, de 25/06/2007 (que aprovou o Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes): Fl. 318DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.728440/200941 Acórdão n.º 2302002.865 S2C3T2 Fl. 322 22 Art. 49. No julgamento de recurso voluntário ou de ofício, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula 02 do Segundo Conselho de Contribuintes, publicada no DOU de 26/09/2007: “O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária” Assim, afasto a alegação de inconstitucionalidade da cobrança do adicional de 2,5% da contribuição ao presente caso. Da Exclusão dos Corresponsáveis Quanto à solicitada exclusão do sócio gerente, cabe esclarecer que a relação de corresponsáveis anexada aos autos pela Fiscalização, no meu particular entendimento, tem como escopo garantir a possibilidade de inclusão dos sócios da empresa no pólo passivo da obrigação tributária numa futura execução fiscal, e não simplesmente listar todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo que, eventualmente, poderão ser responsabilizadas na esfera judicial, na hipótese de futura inscrição do débito em dívida ativa. O prejuízo aos corresponsáveis é imediato, pois com o exaurimento do contencioso administrativo, o débito lançado será imediatamente inscrito no CADIN, em nome do autuado e também de todos os corresponsáveis listados na relação anexa ao Auto de Infração. No caso da pessoa jurídica contribuinte, ela é quase sempre a responsável pelas suas obrigações tributárias, pois ela, além de ser o sujeito da relação jurídica tributária, tem também, na maioria das vezes, o dever legal de pagar o tributo. Contudo, a lei prevê que, quando houver inadimplemento da pessoa jurídica, a responsabilidade pelo pagamento dos tributos pode ser transferida para seus diretores, gerentes ou responsáveis, sob determinadas condições. É o que determina o comando do artigo 135, inciso III, do Código Tributário Nacional, verbis: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I – (...) II – (...) III – os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Pelo referido comando, esta responsabilidade só poderá ser transferida para a pessoa do sócio administrador, para o diretor responsável ou para o representante legal capaz. Além disso, esta transferência só poderá acontecer quando houver prova de que estes praticaram qualquer um dos atos irregulares descritos no caput do artigo. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.728440/200941 Acórdão n.º 2302002.865 S2C3T2 Fl. 323 23 Encerrado o processo administrativo com a confirmação da procedência da dívida e não havendo pagamento, será emitida a Certidão da Dívida Ativa, que fundamentará a execução fiscal. Nela deve constar o nome do responsável pelo pagamento e, caso se tenha apurado alguma irregularidade capaz de imputar aos sócios diretores ou ao representante legal a responsabilidade pelo pagamento, deverá conter a respectiva indicação, posto que nossos tribunais só aceitam a citação dos corresponsáveis cujos nomes estejam mencionados na CDA, e só nessa hipótese, poderá constar o nome do corresponsável. Sim, pois partese do pressuposto de que, como a CDA tem presunção de certeza e liquidez, estando o nome do sócio administrador, do diretor ou do representante nela incluído, presumirseá, da mesma forma, que houve uma apuração de responsabilidade no processo administrativo, que garantiu o direito de defesa do incluído. No entanto, no âmbito das execuções fiscais de contribuições previdenciárias, até a revogação do art. 13, da Lei n. 8.620/93, o chamamento dos corresponsáveis ocorria de imediato, independentemente de restarem infrutíferas as tentativas de localização de bens da própria empresa ou da prova da prática de algum dos atos previstos no art. 135 do CTN. Nesse aspecto, o Superior Tribunal de Justiça, tem farta jurisprudência determinando que se o nome do corresponsável estiver inscrito na CDA, tal fato é suficiente para a sua sujeição passiva solidária, cabendo ao corresponsável apenas via embargos à execução (cuja oposição é imprescindível a penhora), fazer contraprova à sua condição de sujeito passivo. Ressaltese ainda, que mesmo depois da publicação da Lei 11.941/09, que revogou o art. 13 da Lei 8.620/93, que permitia a responsabilização solidária do corresponsável independentemente da prática de qualquer fato previsto no art. 135 do CTN, o próprio STJ já sinaliza em recentes julgados, que muito embora tenha havido a revogação do dispositivo acima mencionado, ainda assim constando o nome na CDA é cabível a sua inclusão no polo passivo da execução fiscal até que seja feita prova em contrário. Para encerrar qualquer controvérsia, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais editou a Súmula 88, que assim dispõe: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Logo, resta claro o prejuízo aos corresponsáveis com a sua inclusão na relação anexa ao presente Auto de Infração, independentemente da prática de qualquer ato previsto no art.135 do CTN, pois essa relação servirá de base para uma futura inscrição do débito em dívida ativa. Conclusão Fl. 320DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.728440/200941 Acórdão n.º 2302002.865 S2C3T2 Fl. 324 24 Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário para DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, apenas para que seja reconhecida a decadência das competências até novembro/2003, isto é, anteriores a dezembro/2003, bem como para que seja aplicada aos fatos geradores ocorridos até novembro de 2008 a penalidade prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, caso seja mais benéfica para o contribuinte, afastando nesse período toda e qualquer aplicação de multa de ofício, como que o rol de corresponsáveis contido no auto de infração tenha finalidade meramente informativa, sem o condão de atribuir responsabilidade às pessoas nele indicadas tal qual previsão na Súmula 88 do CARF. É como voto. Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 321DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.728440/200941 Acórdão n.º 2302002.865 S2C3T2 Fl. 325 25 Voto Vencedor DA PENALIDADE PECUNIÁRIA PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL, FORMALIZADA MEDIANTE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Ouso discordar, data venia, do entendimento esposado pelo Ilustre Relator relativo ao regime jurídico aplicável à determinação da penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributaria principal formalizada mediante lançamento de ofício. E para fincar os alicerces sobre os quais será erigida a opinio juris que ora se escultura, atinese que o nomem iuris de um instituto jurídico não possui o condão de lhe alterar ou modificar sua natureza jurídica. JULIET: ”Tis but thy name that is my enemy; Thou art thyself, though not a Montague. What's Montague? it is nor hand, nor foot, Nor arm, nor face, nor any other part Belonging to a man. O, be some other name! What's in a name? that which we call a rose By any other name would smell as sweet; So Romeo would, were he not Romeo call'd, Retain that dear perfection which he owes Without that title. Romeo, doff thy name, And for that name which is no part of thee Take all myself”. William Shakespeare, Romeo and Juliet, 1600. O caso ora em apreciação trata de aplicação de penalidade pecuniária em decorrência do descumprimento de obrigação tributária principal formalizada mediante lançamento de ofício. Urge, de plano, ser destacado que no Direito Tributário vigora o princípio tempus regit actum, conforme expressamente estatuído pelo art. 144 do CTN, de modo que o lançamento tributário é regido pela lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Código Tributário Nacional CTN Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.728440/200941 Acórdão n.º 2302002.865 S2C3T2 Fl. 326 26 §1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. §2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Nessa perspectiva, dispõe o código tributário, ad litteram, que o fato de a norma tributária haver sido revogada, ou modificada, após a ocorrência concreta do fato jurígeno imponível, não se constitui motivo legítimo, tampouco jurídico, para se desconstituir o crédito tributário correspondente. O princípio jurídico suso invocado, no entanto, não é absoluto, sendo excepcionado pela superveniência de lei nova, nas estritas hipóteses em que o ato jurídico tributário, ainda não definitivamente julgado, deixar de ser definido como infração ou deixar de ser considerado como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo, ou ainda, quando a novel legislação lhe cominar penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. O regramento legislativo relativo à aplicação de aplicação de penalidade pecuniária em decorrência do descumprimento de obrigação tributária principal, vigente à data inicial do período de apuração em realce, encontravase sujeito ao regime jurídico inscrito no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). II Para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). Fl. 323DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.728440/200941 Acórdão n.º 2302002.865 S2C3T2 Fl. 327 27 c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). d) cinquenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). §1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. §2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. §3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o §1º deste artigo. §4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinquenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). No caso vertente, o lançamento tributário sobre o qual nos debruçamos promoveu a constituição formal do crédito tributário, mediante lançamento de ofício consubstanciado no Auto de Infração de Obrigação Principal nº 37.201.9269, referente a fatos geradores ocorridos nas competências de 01/02/2007 a 31/08/2008. Fl. 324DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.728440/200941 Acórdão n.º 2302002.865 S2C3T2 Fl. 328 28 Nessa perspectiva, tratandose de lançamento de ofício formalizado mediante o Auto de Infração de Obrigação Principal acima indicado a parcela referente à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal há que ser dimensionalizada, no período anterior à vigência da MP nº 449/2008, de acordo com o critério de cálculo insculpido no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, que prevê a incidência de penalidade pecuniária, aqui denominada “multa de mora”, variando de 24%, se paga até quinze dias do recebimento da notificação fiscal, até 50% se paga após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, hoje CARF, enquanto não inscrito em Dívida Ativa. Por outro viés, em se tratando de recolhimento a destempo de contribuições previdenciárias não incluídas em lançamentos Fiscais de ofício, ou seja, quando o recolhimento não for resultante de lançamento de ofício, o montante relativo à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal há que ser dimensionalizado, no horizonte temporal em relevo, em conformidade com a memória de cálculo assentada no inciso I do mesmo dispositivo legal acima mencionado, que estatui multa, aqui também denominada “multa de mora”, variando de oito por cento, se paga dentro do mês de vencimento da obrigação, até vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da exação. Tal discrimen encontrase tão claramente consignado na legislação previdenciária que até o organismo cognitivo mais rudimentar em existência – o computador – consegue, sem margem de erro, com uma simples instrução IF – THEN – ELSE unchained, determinar qual o regime jurídico aplicável a cada hipótese de incidência: IF lançamento de ofício THEN art. 35, II da Lei nº 8.212/91 ELSE art. 35, I da Lei nº 8.212/91. Traduzindose do “computês” para o “juridiquês”, tratandose de lançamento de ofício, incide o regime jurídico consignado no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91. Ao revés, nas demais situações, tal como na hipótese de recolhimento espontâneo de contribuições previdenciárias em atraso, aplicase o regramento assinalado no Inciso I do art. 35 desse mesmo diploma legal. Com efeito, as normas jurídicas que disciplinavam a cominação de penalidades pecuniárias decorrentes do não recolhimento tempestivo de contribuições previdenciárias foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009. Tais modificações legislativas resultaram na aplicação de sanções que se mostraram mais benéficas ao infrator no caso do recolhimento espontâneo a destempo pelo Obrigado, porém, mais severas para o sujeito passivo, no caso de lançamento de ofício, do que aquelas então derrogadas. Nesse panorama, a supracitada Medida Provisória, ratificada pela Lei nº 11.941/2009, revogou o art. 34 e deu nova redação ao art. 35, ambos da Lei nº 8.212/91, Fl. 325DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.728440/200941 Acórdão n.º 2302002.865 S2C3T2 Fl. 329 29 estatuindo que os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, seriam acrescidos de multa de mora e juros de mora nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430/96. Mas não parou por aí. Na sequência da lapidação legislativa, a mencionada Medida Provisória, ratificada pela Lei nº 11.941/2009, fez inserir no texto da Lei de Custeio da Seguridade Social o art. 35A que fixou, nos casos de lançamento de ofício, a aplicação de penalidade pecuniária, então batizada de “multa de ofício”, à razão de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, verbis: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) §1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) Fl. 326DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.728440/200941 Acórdão n.º 2302002.865 S2C3T2 Fl. 330 30 I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) III (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) IV (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) V (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998). (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) §2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o §1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488/2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Como visto, o regramento da penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal a ser aplicada nos casos de recolhimento espontâneo feito a destempo e nas hipóteses de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias que, antes da metamorfose legislativa promovida pela MP nº 449/2008, encontravamse acomodados em um mesmo dispositivo legal, citese, incisos I e II do art. 35 Fl. 327DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.728440/200941 Acórdão n.º 2302002.865 S2C3T2 Fl. 331 31 da Lei nº 8.212/91, nessa ordem, agora encontramse dispostos em separado, digase, nos artigos 61 e 44 da Lei nº 9.430/96, respectivamente, por força dos preceitos inscritos nos art. 35 e 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Nesse novo regime legislativo, a instrução de seletividade invocada anteriormente passa a ser informada de acordo com o seguinte comando: IF lançamento de ofício THEN art. 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. ELSE art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Diante de tal cenário, a contar da vigência da MP nº 449/2008, a parcela referente à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício há que ser dimensionalizada de acordo com o critério de cálculo insculpido no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008 e convertida na Lei nº 11.941/2009, que prevê a incidência de penalidade pecuniária, aqui referida pelos seus genitores com o nome de batismo de “multa de ofício”, calculada de acordo com o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Por outro viés, em se tratando de recolhimento a destempo de contribuições previdenciárias não resultante de lançamento de ofício, o montante relativo à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal há que ser dimensionalizado em conformidade com as disposições inscritas no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008 e convertida na Lei nº 11.941/2009, que estatui multa, aqui também denominada “multa de mora”, calculada de acordo com o disposto no art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Não demanda áurea mestria perceber que o nomem iuris consignado na legislação previdenciária para a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, que nas ordens do Ministério da Previdência Social recebeu a denominação genérica de “multa de mora”, art. 35, II da Lei nº 8.212/91, no âmbito do Ministério da Fazenda houvese por batizada com a singela denominação de “multa de ofício”, art. 44 da Lei no 9.430/96 c.c. art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008. Mas não se iludam, caros leitores ! Malgrado a diversidade de rótulos, as suas naturezas jurídicas são idênticas: penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício. No que pertine à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal não incluída em lançamento de ofício, o título designativo adotado por ambas as legislações acima referidas é idêntico: “Multa de Mora”. Fl. 328DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.728440/200941 Acórdão n.º 2302002.865 S2C3T2 Fl. 332 32 Não carece de elevado conhecimento matemático a conclusão de que o regime jurídico instaurado pela MP nº 449/2008, e convertido na Lei nº 11.941/2009, instituiu uma apenação mais severa para o descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício (75%) do que o regramento anterior previsto no art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99 (de 24% a 50%), não havendo que se falar, portanto, de hipótese de incidência da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN, durante a fase do contencioso administrativo. Código Tributário Nacional Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Daí a divergência inaugurada por este Conselheiro. Em seu voto de relatoria, o insigne Conselheiro Relator defendeu a aplicação retroativa, para as competências anteriores a dezembro/2008, do limite de 20% para a multa de mora previsto no §2º do art. 61 da Lei nº 9.430/96, por entender tratarse de hipótese de retroatividade benigna inscrita no art. 106, II, ‘c’ do CTN. No caso, considerou o preclaro Relator que a comparação das normas deve ocorrer em institutos da mesma natureza. Logo, multa de mora com multa de mora (art. 35 da Lei 8.212/91), não com multa de ofício (art. 35A da Lei nº 8.212/91), por considerar que tal penalidade era inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008. Sendo assim, a multa de mora aplicada em face dos autos de infração relacionados às obrigações principais (AIOP) deveria ficar restrita ao percentual de 20% até novembro/2008, permanecendo o percentual de 75% a partir de dezembro/2008. Se nos antolha não proceder o argumento de que a penalidade referente à multa de ofício era inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008. Conforme acima demonstrado, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, antes do advento da MP nº 449/2008, encontravase disciplinada no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91. De outro eito, após o advento da MP nº 449/2008, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício passou a ser regida pelo disposto no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela citada MP nº 449/2008. Ocorre que ao efetuar o cotejo de “multa de mora” (art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99) com “multa de mora” (art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008), promoveuse data venia a comparação de Fl. 329DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.728440/200941 Acórdão n.º 2302002.865 S2C3T2 Fl. 333 33 nomem iuris com nomem iuris (multa de mora) e não de institutos de mesma natureza jurídica (penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício). De tal equívoco, no entendimento deste Subscritor, resultou no voto de relatoria a aplicação retroativa de penalidade prevista para uma infração mais branda (descumprimento de obrigação principal não inclusa em lançamento de ofício) para uma infração tributária mais severa (descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício). Tal retroatividade não se coaduna com a hipótese prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN, a qual se circunscreve a penalidades aplicáveis a infrações tributárias de idêntica natureza jurídica, in casu, penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício. Lé com lé, cré com cré (Jurandir Czaczkes Chaves, 1967). Reiterese que não se presta o preceito inscrito no art. 106, II, ‘c’ do CTN para fazer incidir retroativamente penalidade menos severa cominada a uma infração mais branda para uma transgressão tributária mais grave, à qual lhe é cominado em lei, especificamente, castigo mais hostil, só pelo fato de possuir a mesma denominação jurídica (multa de mora), mas naturezas jurídicas distintas e diversas. Como visto, a norma tributária encartada no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008, c.c. art. 61 da Lei nº 9.430/96 só se presta para punir o descumprimento de obrigação principal não formalizada mediante lançamento de ofício. Nos casos de descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, tanto a legislação revogada (art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99), quanto a legislação superveniente (art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, c.c. art. 44 da Lei no 9.430/96) preveem uma penalidade pecuniária específica, a qual deve ser aplicada em detrimento da regra geral, em atenção ao princípio jurídico lex specialis derogat generali, aplicável na solução de conflito aparente de normas. Nessa perspectiva, nos casos de lançamento de ofício, o cotejamento de normas tributárias para fins específicos de incidência da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN somente pode ser efetivado, exclusivamente, entre a norma assentada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, c.c. art. 44 da Lei no 9.430/96 com a regra encartada no art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, uma vez que estas tratam, especificamente, de penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, ou seja, penalidades de idêntica natureza jurídica. Nesse contexto, vencidos tais prolegômenos, tratandose o vertente caso de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias, o atraso objetivo no recolhimento de tais exações pode ser apenado de duas formas distintas, a saber: a) Tratandose de fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008: De acordo com a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores, circunstância que implica a incidência de multa de mora nos termos do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, na razão variável de 24% a 50%, enquanto não inscrito em dívida ativa. Fl. 330DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.728440/200941 Acórdão n.º 2302002.865 S2C3T2 Fl. 334 34 b) Tratandose de fatos geradores ocorridos após a vigência da MP nº 449/2008: De acordo com a MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, que promoveu a inserção do art. 35A na Lei de Custeio da Seguridade Social, situação que importa na incidência de multa de ofício de 75%. Assim, em relação aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro de 2008, exclusive, o cotejo entre as hipóteses acima elencadas revela que a multa de mora aplicada nos termos do art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, sempre se mostrará menos gravoso ao contribuinte do que a multa de ofício prevista no art. 35A do mesmo Diploma Legal, inserido pela MP nº 449/2008, contingência que justifica a não retroatividade da Lei nº 11.941/2009, uma vez que a penalidade por ela imposta se revela mais ofensiva ao infrator. Dessarte, para os fatos geradores ocorridos até a competência novembro/2008, inclusive, o cálculo da penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser efetuado com observância aos comandos inscritos no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela lei nº 9.876/99. Na mesma hipótese especifica, para os fatos geradores ocorridos a partir da competência dezembro/2008, inclusive, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada consoante a regra estampada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. O raciocínio acima delineado é válido enquanto não for ajuizada a correspondente ação de execução fiscal. Como se depreende do art. 35 da Lei n° 8.212/91, na redação da Lei nº 9.876/99, o valor da multa de mora decorrente de lançamento de ofício de obrigação principal é variável em função da fase processual em que se encontre o Processo Administrativo Fiscal de constituição do crédito tributário. De fato, encerrado o Processo Administrativo Fiscal e restando definitivamente constituído, no âmbito administrativo, o crédito tributário, não sendo este satisfeito espontaneamente pelo Sujeito Passivo no prazo normativo, tal crédito é inscrito em Dívida Ativa da União, pra subsequente cobrança judicial. Ocorre que, após o ajuizamento da execução fiscal, a multa pelo atraso no recolhimento de obrigação principal é majorada para 80% ou 100%, circunstância que torna a multa de ofício (75%) menos ferina, operandose, a partir de então, a retroatividade da lei mais benéfica ao infrator, desde que não tenha havido sonegação, fraude ou conluio. Assim, em relação aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro/2008, exclusive, considerando a necessidade de se observar o preceito insculpido no art. 106, II, "c" do CTN concernente à retroatividade benigna, o novo mecanismo de cálculo da penalidade pecuniária decorrente da mora do recolhimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício trazido pela MP n° 449/08 deverá operar como um limitador legal do quantum máximo a que a multa poderá alcançar, in casu, 75%, mesmo que o Fl. 331DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.728440/200941 Acórdão n.º 2302002.865 S2C3T2 Fl. 335 35 crédito tributário seja objeto de ação de execução fiscal. Nestas hipóteses, somente irá se operar o teto de 75% nos casos em que não houver ocorrido sonegação, fraude ou conluio. Da conjugação das normas tributárias acima revisitadas concluise que, nos casos de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias, a penalidade pecuniária pelo descumprimento da obrigação principal deve ser calculada de acordo com a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores inadimplidos, conforme se vos segue: a) Para os fatos geradores ocorridos até novembro/2008, inclusive: A penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada conforme a memória de cálculo exposta no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, observado o limite máximo de 75%, desde que não estejam presentes situações de sonegação, fraude ou conluio, em atenção à retroatividade da lei tributária mais benigna inscrita no art. 106, II, ‘c’ do CTN. b) Para os fatos geradores ocorridos a partir de dezembro/2008, inclusive: A penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada de acordo com o critério fixado no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. No caso dos autos, considerando que o horizonte temporal do lançamento compreende o período de apuração de fevereiro/2007 a agosto/2008 e considerando não haver sido verificada a presença dos elementos objetivos e subjetivos de conduta que, em tese, qualificase como fraude ou sonegação, tipificadas nos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502/64, respectivamente, resulta que a penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação tributária principal formalizada mediante o presente lançamento de ofício deve ser aplicada de acordo com o art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, em atenção ao princípio tempus regit actum, observado o limite máximo de 75%, em honra à retroatividade da lei tributária mais benigna insculpida no art. 106, II, ‘c’ do CTN. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto no sentido de o regramento a ser dispensado à aplicação de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal formalizada mediante o presente lançamento de ofício obedecer à lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, observado, unicamente, o limite máximo de 75%, em atenção à retroatividade da lei tributária mais benigna inscrita no art. 106, II, ‘c’ do CTN. É como voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Redator designado. Fl. 332DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.728440/200941 Acórdão n.º 2302002.865 S2C3T2 Fl. 336 36 Fl. 333DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 13118.000214/2006-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2005
COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO SUPERVENIENTE. PERDA DO OBJETO DO RECURSO VOLUNTÁRIO.
Considerando que o Recurso Voluntário se insurge contra a não homologação da compensação requerida pelo contribuinte, a homologação superveniente desta implica na perda do objeto recursal.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2302-002.715
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liege Lacroix Thomasi - Presidente
Leonardo Henrique Pires Lopes Relator
Presentes à sessão de julgamento os Conselheiros LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), LEO MEIRELLES DO AMARAL, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, FABIO PALLARETTI CALCINI, ARLINDO DA COSTA E SILVA e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2005 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO SUPERVENIENTE. PERDA DO OBJETO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Considerando que o Recurso Voluntário se insurge contra a não homologação da compensação requerida pelo contribuinte, a homologação superveniente desta implica na perda do objeto recursal. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi - Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes Relator Presentes à sessão de julgamento os Conselheiros LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), LEO MEIRELLES DO AMARAL, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, FABIO PALLARETTI CALCINI, ARLINDO DA COSTA E SILVA e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
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HOMOLOGAÇÃO SUPERVENIENTE. PERDA DO OBJETO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Considerando que o Recurso Voluntário se insurge contra a não homologação da compensação requerida pelo contribuinte, a homologação superveniente desta implica na perda do objeto recursal. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes – Relator Presentes à sessão de julgamento os Conselheiros LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), LEO MEIRELLES DO AMARAL, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, FABIO PALLARETTI CALCINI, ARLINDO DA COSTA E SILVA e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 8. 00 02 14 /2 00 6- 12 Fl. 263DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 8/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI 2 Relatório Tratase de Processo de Representação, em desfavor de Joana Darc Neves de Souza, eis que não fora localizada qualquer informação sobre a apresentação de Pedidos de Compensação e/ou Declarações de Compensação efetuadas, durante o período de 2001 a 2006. De acordo com o Relatório Fiscal, após ser intimada para informar a origem dos créditos utilizados nas compensações realizadas durante o período acima, a Recorrente alegou que não realizara qualquer compensação de valores administrados pela Receita Federal, mas sim, compensou créditos judiciais transitados em julgado que existiam perante o INSS, com débitos desta autarquia. A Secretaria da Receita Federal, às fls. 02, intimou a Recorrente a demonstrar a origem dos créditos utilizados nas compensações com débitos do SIMPLES, nos exercícios de 2002 a 2006, fazendo a ressalva de que deverá indicar o embasamento legal para a efetivação das mesmas. Em atendimento ao pedido, o Recorrente peticiona às fls. 27, juntando os comprovantes de pagamento e informando que não fora realizada qualquer compensação de valores administrados pela Receita Federal, mas sim pelo INSS. Em seguida, a Receita Federal, através do despacho decisório de fls. 50/54, decidiu não homologar as compensações realizadas, sob o argumento de que não fora formulado nenhum Pedido de Compensação ou apresentada Declaração de Compensação, bem como o crédito utilizado para compensar os débitos do SIMPLES não é originado de tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Inconformada, a ora Recorrente apresentou Defesa tempestiva de fls. 61/71, tendo o Acórdão de fls. 181/185, mantido a decisão acima. Irresignada interpôs Recurso Voluntário tempestivo de fls. 195/205, alegando, em síntese: a) não realizou nenhuma compensação de créditos administrados pela Receita Federal, no entanto, compensou créditos que existiam com o INSS, com a parte que lhe cabe naquele recolhimento (SIMPLES); b) é incontroversa a origem dos créditos de natureza previdenciária, que foram reconhecidos judicialmente através do Mandado de Segurança nº 1999.35.00.0209199, já transitado em julgado; c) o caso é de aplicação da Lei 8.383/91 e não da Lei 9.430/96, vez que não se trata de crédito administrado pela Receita Federal; d) tendo em vista que as empresas optantes pelo sistema SIMPLES recolhem suas contribuições previdenciárias com o pagamento do DARF mensal, não têm nenhuma outra oportunidade de realizar a compensação judicialmente reconhecida; e) realizou a compensação do recolhimento através do sistema SIMPLES, única e exclusivamente, quanto ao valor destinado ao INSS, obedecendo Fl. 264DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 8/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 13118.000214/200612 Acórdão n.º 2302002.715 S2C3T2 Fl. 3 3 as alíquotas determinadas pela Lei 93.71/96, não deixando de recolher os tributos administrados pela SRF. Por fim, a 3ª Turma da Primeira Seção de Julgamento, através do Acórdão de fls. 227/229, declinou competência para a Segunda Seção do CARF, em virtude do crédito ser de contribuição previdenciária, que, por sua vez, determinou a conversão do julgamento em diligência, para que se procedesse à análise da documentação carreada pela Recorrente, a fim de que se verifique se a compensação realizada através do sistema SIMPLES fora exclusivamente quanto a rubrica destinada ao INSS Em resposta à solicitação acima especificada, foi informado, às fls. 271/272, que a compensação em questão foi integralmente homologada, em obediência à decisão proferida em sede do Mandado de Segurança nº 1999.35.00.0209199. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Dos Pressupostos de Admissibilidade Sendo o recurso tempestivo, passo ao seu exame. Do Mérito A ora Recorrente se insurge contra o indeferimento de homologação da compensação realizada em suas Declarações Anuais Simplificadas e nos DarfSimples, relativamente às Contribuições devidas a Seguridade Social, pela sistemática do SIMPLES. A compensação, modalidade extintiva do crédito tributário (art. 156, do CTN), surge quando o sujeito passivo da obrigação tributária é, ao mesmo tempo, credor e devedor do erário público, sendo mister, para sua concretização, autorização por lei específica e créditos líquidos e certos, vencidos e vincendos, do contribuinte para com a Fazenda Pública, conforme preconiza o art. 170 CTN. A Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, na Seção intitulada "Restituição e Compensação de Tributos e Contribuições", determina que a utilização dos créditos do contribuinte e a quitação de seus débitos serão efetuadas em procedimentos internos à Secretaria da Receita Federal (artigo 73, caput), para efeito do disposto no artigo 7º, do DecretoLei 2.287/86. Outrossim, a redação original do artigo 74, da Lei 9.430/96, dispõe: "Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração". Fl. 265DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 8/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI 4 Consectariamente, a autorização da Secretaria da Receita Federal constituía pressuposto para a compensação pretendida pelo contribuinte, sob a égide da redação primitiva do artigo 74, da Lei 9.430/96, em se tratando de tributos sob a administração do aludido órgão público, compensáveis entre si. Atualmente, o regime em vigor é a Lei 10.637, de 30 de dezembro de 2002, que sedimentou a desnecessidade de equivalência da espécie dos tributos compensáveis, na esteira da Lei 9.430/96, a qual não mais albergava esta limitação. Em conseqüência, após o advento do referido diploma legal, tratandose de tributos arrecadados e administrados pela Secretaria da Receita Federal, tornouse possível a compensação tributária, independentemente do destino de suas respectivas arrecadações, mediante a entrega, pelo contribuinte, de declaração na qual constem informações acerca dos créditos utilizados e respectivos débitos compensados, termo a quo a partir do qual se considera extinto o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação, que se deve operar no prazo de 5 (cinco) anos. Imperioso ressaltar que, no caso dos autos, a Recorrente é optante do sistema SIMPLES, desta feita, a única forma de recolher suas contribuições previdenciárias é quando do pagamento do DARF mensal, não tendo outra oportunidade de realizar a compensação judicialmente reconhecida. Outrossim, a adesão ao SIMPLES não inviabiliza a compensação na sistemática do art. 66, da Lei 8.383/91, desde que observado, a cada mês, o percentual que, nos termos da Lei 9.317/96 é destinado ao INSS. Tendo em vista que, segundo a Recorrente, fora realizada a compensação do recolhimento através do sistema SIMPLES única e exclusivamente quanto ao valor destinado ao INSS, obedecendo às alíquotas determinadas pela Lei 9.371/96 e que a diferença encontrada pela Receita Federal foi exatamente esta, atinente aos créditos compensados e destinados ao INSS, não havendo nenhum recolhimento inferior ao apurado para os demais tributos, foi determinada a conversão do julgamento em diligência, para que se procedesse à análise da documentação por ela apresentada. Tanto lhe assistia razão, que a compensação foi totalmente homologada, em obediência à decisão proferida em sede do Mandado de Segurança nº 1999.35.00.0209199, como se depreende do pronunciamento do Fisco às fls. 271/272. Não restam dúvidas, portanto, acerca da procedência do Recurso em exame, que, por sua vez, perdeu totalmente o seu objeto, em razão da homologação posterior da compensação em sua integralidade. Conclusão Ante o exposto, conheço do recurso para, no mérito, declarar a perda superveniente de seu objeto. É como voto Sala das Sessões, em 15 de agosto de 2013. Leonardo Henrique Pires Lopes Relator Fl. 266DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 8/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 13118.000214/200612 Acórdão n.º 2302002.715 S2C3T2 Fl. 4 5 Fl. 267DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 8/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI
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Numero do processo: 10665.001449/2010-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009
DEMANDA JUDICIAL EM TRÂMITE COM OBJETO COINCIDENTE COM O DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. RENÚNCIA TÁCITA À ESFERA ADMINISTRATIVA. SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia ao contencioso administrativo a propositura, pelo sujeito passivo tributário, de demanda judicial de objeto análogo.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2402-004.444
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos em não conhecer do recurso voluntário por concomitância com processo judicial.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Thiago Taborda Simões - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Thiago Taborda Simões, Luciana de Souza Espindola Reis, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado. Ausente justificadamente o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues
Nome do relator: THIAGO TABORDA SIMOES
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RENÚNCIA TÁCITA À ESFERA ADMINISTRATIVA. SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia ao contencioso administrativo a propositura, pelo sujeito passivo tributário, de demanda judicial de objeto análogo. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 00 14 49 /2 01 0- 13 Fl. 468DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos em não conhecer do recurso voluntário por concomitância com processo judicial. Júlio César Vieira Gomes Presidente Thiago Taborda Simões Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Thiago Taborda Simões, Luciana de Souza Espindola Reis, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado. Ausente justificadamente o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues Fl. 469DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10665.001449/201013 Acórdão n.º 2402004.444 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado por ter a empresa deixado de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e do contribuinte individual a seu serviço. Obrigação principal apreciada nos autos do processo n° 10665.001450/201030. Relatório Fiscal às fls. 09/10. Intimada da autuação, o Recorrente apresentou Impugnação de fls. 23/45, que restou improcedente às fls. 326/339, sob os seguintes fundamentos: 1) Em que pese não terem sido contestados os valores pagos ao contribuinte individual que prestou serviços ao titular do cartório e, por reflexo, a obrigação acessória prevista no caput do art. 4° da Lei n° 10.666/03, não se deve exigir de imediato a cobrança da parte não contestada, uma vez que a multa aplicada neste auto de infração é única e contempla uma outra conduta que se encontra impugnada; 2) Os escreventes e auxiliares de cartórios, via de regra, eram vinculados ao regime geral de previdência social, excetuandose os casos daqueles funcionários de investidura estatutária ou em regime especial que, não tendo optado pela contratação através da legislação trabalhista, escolheram permanecer no regime anterior, vinculandose, por isso mesmo, às regras do regime próprio de previdência social RPPS do Estado de Minas Gerais; 3) Embora o Estado de Minas Gerais tenha editado a Lei Complementar Estadual n° 64/02, alterada posteriormente, inclusive pela Lei Complementar Estadual n° 70/03, e previsto a inclusão dos referidos funcionários dos cartórios no RPPS estadual, a Lei Federal n° 9.717/98 já trazia normas gerais sobre a organização dos regimes próprios, em perfeita sintonia com o texto constitucional; 4) A remuneração auferida pelos funcionários relacionados no Auto de Infração Maria do Rosário Coimbra e Domingos Savio de Carvalho não provinha dos cofres do Estado. Elas eram custeadas pelo titular do cartório; 5) Em perfeita consonância com a previsão do art. 112, §2°, da IN INSS/PRES n° 20/07, a Instrução Normativa INSS/DC n° 100/03 arrolou na categoria de segurado empregado o escrevente e o auxiliar contratados até 20 de novembro de 1994 por titular de serviços notariais e de registro, sem relação de emprego com o Estado; 6) O real empregador dos segurados apontados pela fiscalização é o titular do Serviço Registral de Imóveis da Comarca de Bom Despacho, pessoa física em nome de quem o débito foi lavrado, em perfeito molde com que dispõe o art. 15, I, § 1°, da Lei n° 8.212/91; Fl. 470DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Intimada do resultado do julgamento, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário de fls. 343/368 alegando, em síntese: 1) Preliminarmente, o Sindicato dos Notários e Registradores de Minas Gerais SINOREG/MG ajuizou Ação Declaratória em face do Estado de Minas Gerais e da União perante a Justiça Federal (18a Vara Federal de Belo Horizonte), com pedido de tutela antecipada, que foi inicialmente negado. Houve recurso em forma de Agravo de Instrumento, ao qual se deu provimento para suspender as autuações da Receita Federal contra os Notários e Registradores sobre a matéria; 2) Antes da edição da Lei Federal n.° 8.935/1994, era o poder público, mais precisamente o Tribunal de Justiça do Estado, que nomeava o servidor para exercício no cartório, mediante indicação do respectivo tabelião ou oficial de registro. A mencionada lei, buscando resguardar as situações consolidadas anteriormente, criou, por meio do § 2º do art. 48, regra de transição, segundo a qual os escreventes e auxiliares que lá já estavam quando da publicação da lei poderiam, caso não fizessem opção expressa em contrário, continuar "regidos pelas normas aplicáveis aos funcionários públicos ou pelas editadas pelo Tribunal de Justiça respectivo"; 3) A Lei Federal n.° 8.935/94 vem sendo reconhecida, aplicada, detalhada e normatizada exaustivamente pelos órgãos da Administração Federal responsáveis pela concessão de benefícios do Regime Geral ao longo dos últimos 15 anos; 4) A IN INSS/DC nº 100/2003 criou uma nova categoria de escreventes e auxiliares, quais sejam, escreventes e auxiliares contratados até 20 de novembro de 1994, "sem relação de emprego com o Estado", conforme se depreende do art. 9° da norma referida; 5) Os normativos infralegais que cuidam da concessão de benefícios, até a atualidade, somente consideram contribuintes empregados aqueles servidores que ingressaram após a Lei de 1994 ou aqueles que fizeram opção expressa pelo RGPS, conforme dispõe expressamente a Lei n° 8.935/94; 6) A publicação da EC nº 20/98 não fez com que fossem extintos todos os regimes de direito administrativo ou previdenciário (todas as relações de direito e plexos de normas) anteriores à edição da Emenda Constitucional n.° 20/98. Assim, coexistem ainda no Brasil vários regimes de aposentadoria, cada qual com suas peculiaridades e atendendo clientela distinta; 7) Nem a Emenda Constitucional n.° 20, nem as emendas posteriores (41 e 47) extinguiram os regimes anteriores ou obrigaram funcionários admitidos antes da respectiva vigência a migrarem para os novos regimes. Ao contrário, estabeleceram tais emendas a possibilidade de opção pelo regime anterior ou adesão às novas regras (novo regime), em um claro indicativo de que os regimes anteriores não foram extintos; 8) Referida emenda, em nenhum momento, determinou que os funcionários dos serviços notariais fossem migrados para o RGPS. Tais cidadãos estavam vinculados a um regime de direito anterior, antes da criação do novo regime pela Emenda n° 20/98 (exclusivo de servidores públicos efetivos); Fl. 471DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10665.001449/201013 Acórdão n.º 2402004.444 S2C4T2 Fl. 4 5 9) A criação de um novo regime somente exclui outros existentes se o fizer de forma expressa, o que não foi o caso da Emenda n.° 20/98; 10) Em virtude de nem a parte da folha de pagamento referente a tais servidores, nem a remuneração por eles auferida ser hipótese de incidência de Contribuição Social, não subsistem também as obrigações tributárias acessórias, que neste caso somente existiriam se tais servidores fossem segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social RGPS, o que sobejamente se demonstrou que não são; 11) Por fim, requereu a suspensão deste procedimento, nos termos da liminar concedida em Agravo de Instrumento, até que a ação principal seja definitivamente julgada, bem como a reforma do v. Acórdão, ordenandose a sua baixa e o arquivamento do Auto de Infração em epígrafe. Os autos foram remetidos ao CARF para julgamento do recurso voluntário. É o relatório. Fl. 472DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheiro Thiago Taborda Simões, Relator Conhecimento O recurso voluntário atende ao requisito da tempestividade, razão pela qual dele conheço em parte. Todavia, estes autos foram remetidos ao CARF para julgamento do Recurso Voluntário e distribuídos a nossa relatoria independentemente do PAF n° 10665.001450/201030, que trata das obrigações principais e que, por sua vez, foi distribuído à 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento. Sendo assim, tratandose de auto de infração de obrigação acessória, cuja sorte deve seguir a do auto de infração de obrigações principais, passemos à transcrição do acórdão proferido sob n° 2403002.648, que negou conhecimento ao recurso voluntário da Recorrente por renúncia da fase administrativa, nos termos da Súmula CARF n° 1: “[...] Verificase que a ciência do presente AIOP n° 37.253.9300 ocorreu em 26/08/2010, conforme fl. 01, e que a ação ordinária, processo n° 0022718 23.2010.4.01.3800, já havia sido anteriormente ajuizada posto que foi autuada na 18ª Vara Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais em 06/04/2010. Restou comprovado nos autos que a ação ordinária ajuizada na 18ª Vara Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais, processo n° 002271823.2010.4.01.3800, possui objeto idêntico ao veiculado no presente processo administrativofiscal n° 10665.001450/201030 com o AIOP n° 37.253.9300, qual seja o de discutir a incidência de contribuições sociais previdenciárias dos notários, oficiais de registro, escreventes e auxiliares de cartórios que já estavam em atividade em 20/11/1994, além de que a ação ordinária ajuizada tem como pedido a extinção de todos os procedimentos de cobrança, autuação ou execução fiscal de autoria da União que tenham como objeto créditos previdenciários. Neste sentido, temse a Manifestação da Recorrente, às fls. 625 a 628, no sentido de ser parte integrante do processo na modalidade de substituído e/ou representado processualmente pelos autores na ação ordinária ajuizada na 18ª Vara Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais, processo n° 002271823.2010.4.01.3800. Desta forma, exsurge a aplicação da Súmula n° 1 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, de observância obrigatória nos termos do art. 72, caput, Anexo II, Regimento Interno do CARF [...] Fl. 473DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10665.001449/201013 Acórdão n.º 2402004.444 S2C4T2 Fl. 5 7 Diante da coincidência de objetos verificados no presente processo administrativo fiscal n° 10665.001450/201030 (AIOP n° 37.253.9300) e na ação ordinária ajuizada na 18ª Vara Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais, processo n° 002271823.2010.4.01.3800, em função da aplicação da Súmula n° 1 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF não há matéria a se conhecer no presente processo administrativofiscal. Conclusão Voto no sentido de não conhecer do Recurso Voluntário em função da aplicação da Súmula n° 01 do CARF. É como voto.” Assim, considerando o resultado do julgamento emitido no processo administrativo que trata das obrigações principais e sendo o presente AI diretamente relacionado ao seu resultado, voto no mesmo sentido daquele relator. Conclusão Por todo o exposto, DEIXO DE CONHECER do recurso voluntário nos termos do voto. É como voto. Thiago Taborda Simões. Fl. 474DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 13401.000178/2007-64
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2004, 2005
FALTA DE RETENÇÃO E DE RECOLHIMENTO. MULTA. OBRIGAÇÃO DA FONTE PAGADORA.
Após o encerramento do período de apuração, a responsabilidade pelo pagamento do respectivo imposto passa a ser do beneficiário dos rendimentos, cabível a aplicação, à fonte pagadora, da multa pela falta de retenção ou de recolhimento, prevista no art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, ainda que os rendimentos tenham sido submetidos à tributação no ajuste.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
O oferecimento dos rendimentos à tributação pelo beneficiário, combinado com o recolhimento de multa de mora pela fonte pagadora, não caracteriza denúncia espontânea, relativamente à obrigação desta última, de reter e recolher o IRRF.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-003.581
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda. Vencidos os Conselheiros, Gustavo Lian Haddad (Relator), Manoel Coelho Arruda Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Maria Teresa Martinez Lopez, que votaram por negar provimento ao Recurso. Designada a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo para redigir o voto vencedor. Declarou-se impedido o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Gustavo Lian Haddad Relator
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Redatora - Designada
EDITADO EM:08/03//2015
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Tereza Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada).
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2004, 2005 FALTA DE RETENÇÃO E DE RECOLHIMENTO. MULTA. OBRIGAÇÃO DA FONTE PAGADORA. Após o encerramento do período de apuração, a responsabilidade pelo pagamento do respectivo imposto passa a ser do beneficiário dos rendimentos, cabível a aplicação, à fonte pagadora, da multa pela falta de retenção ou de recolhimento, prevista no art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, ainda que os rendimentos tenham sido submetidos à tributação no ajuste. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. O oferecimento dos rendimentos à tributação pelo beneficiário, combinado com o recolhimento de multa de mora pela fonte pagadora, não caracteriza denúncia espontânea, relativamente à obrigação desta última, de reter e recolher o IRRF. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda. Vencidos os Conselheiros, Gustavo Lian Haddad (Relator), Manoel Coelho Arruda Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Maria Teresa Martinez Lopez, que votaram por negar provimento ao Recurso. Designada a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo para redigir o voto vencedor. Declarouse impedido o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 40 1. 00 01 78 /2 00 7- 64 Fl. 594DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad – Relator (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Redatora Designada EDITADO EM:08/03//2015 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Tereza Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada). Relatório Em face de Termopernambuco S.A. foi lavrado o auto de infração de fls. 04/05 para a exigência de multa isolada em razão da falta de retenção e recolhimento de imposto de renda retido na fonte (“IRRF”) sobre valores de juros sobre o capital próprio distribuídos a pessoa jurídica em 2004 e 2005. Em sessão de 27/10/2011, a Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, ao apreciar o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, exarou o acórdão 210101.349, que se encontra às fls. 436/443 e cuja ementa é a seguinte: “Imposto sobre a Renda Retido na Fonte – IRRF Anocalendário: 2004, 2005 Ementa: FALTA DE RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DO IRRF MULTA EXIGIDA ISOLADAMENTE LEI N° 11.488, DE 2007 RETROATIVIDADE BENIGNA Aplicase ao ato ou fato pretérito, não definitivamente julgado, a legislação que deixe de definilo como infração ou que lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. Recurso provido.” A anotação do resultado do julgamento indica que a Turma, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário para reconhecer que a legislação deixou de prever penalidade para a falta de retenção e recolhimento do IRRF quando este não puder mais ser Fl. 595DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13401.000178/200764 Acórdão n.º 9202003.581 CSRFT2 Fl. 23 3 exigido da fonte pagadora e que tal despenalização deveria ser aplicada de forma retroativa ao caso dos autos, ainda não julgado definitivamente. Intimado do acórdão, o Procurador da Fazenda Nacional interpôs o recurso especial de fls. 445/452, requerendo a reforma do acórdão recorrido e o consequente restabelecimento da multa com base na divergência com o acórdão paradigma 210200.465. Ao recurso especial foi dado seguimento, conforme Despacho s/n de 19/07/2013 (fls. 501/502) do Presidente da Câmara a quo. Regularmente intimada da admissão do recurso especial interposto pelo procurador em 10/10/2013 (fls. 509/510), a interessada apresentou contrarrazões (fls. 514/532), alegando em preliminar a inadmissibilidade do recurso especial e no mérito a sua improcedência. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator O recurso especial interposto pelo Procurador da Fazenda Nacional atende aos pressupostos de admissibilidade para seu conhecimento. Sustenta a Fazenda Nacional divergência entre o acórdão recorrido e o acórdão paradigma 210200.465, proferido pela 2ª Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Sessão deste CARF em processo que, tal como o presente, cuidava de auto de infração lavrado para a cobrança de multa isolada pela falta de retenção e recolhimento de IRRF que não podia mais ser exigido da fonte pagadora. No julgamento do acórdão paradigma, a 2ª Turma da Primeira Câmara concluiu que havia previsão legal para a aplicação da multa isolada sobre a qual se controverte nestes autos. Vejase, neste sentido, a respectiva ementa: “IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2003 IRRF FALTA DE RETENÇÃO MULTA EXIGIDA DA FONTE PAGADORA Havendo previsão legal expressa para sua exigência, nos termos do art. 9° da Lei n" 10.426/2002, deve ser mantido o lançamento que exige da fonte pagadora a multa incidente sobre a falta de retenção e recolhimento do IRRF. MULTA DE OFICIO QUALIFICADA. EMPRESA DE MARKETING DE INCENTIVO. MANOBRA PARA OCULTAR A OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. SONEGAÇÃO. HIGIDEZ DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA LANÇADA. Fl. 596DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 Os pagamentos feitos por intermédio do cartão de incentivo, com a utilização de empresa de marketing como intermediária, são, na verdade, uma grosseira manobra diversionista com o fito de ocultar do fisco a tributação que deveria incidir sobre tais pagamentos. Hígida a qualificação da multa de oficio, já que se demonstrou à sociedade a manobra perpetrada pelo fiscalizado para simular situações não existentes, ocultando da fiscalização o conhecimento da ocorrência do fato gerador, que é o conhecido legalmente como sonegação (art. 71 da Lei n°4.502/64). O voto da I. Conselheira Relatora do acórdão paradigma reconhece a aplicabilidade da multa isolada nos casos de falta de retenção e pagamento de imposto de renda na fonte quando o tributo não pode mais ser exigido da fonte pagadora, verbis: “Tratase de lançamento para exigência de multa e juros isolados em razão da falta de retenção e recolhimento do IRRF incidente sobre pagamentos efetuados a pessoas físicas. A multa isolada foi exigida no percentual de 150%, nos termos do art. 44, II da Lei n° 9.430/96. O lançamento está fundamentado no art. 9° da Lei n° 10.426/02. Sustenta a Recorrente que esta multa não lhe poderia mais ser exigida, uma vez que o referido art. 44 da Lei n° 9.430/96 fora alterado por meio da Lei nº 11.488/07 (MP 351/2007), tendo sido revogada a exigência isolada da multa. Esta nova norma deveria ser aplicada retroativamente ao caso vertente, nos termos do art. 106 do CTN. (...) Como se vê, a legislação suscitada pela Recorrente não só alterou o art. 44 da Lei n° 9.430/96, como também alterou a legislação que dá suporte a este lançamento, mantendo a exigência da multa referida no art. 44 nas hipóteses em que a fonte pagadora deixar de reter o tributo devido quando dos pagamentos por ela efetuados. Sendo assim, não há que se falar, aqui, na aplicação retroativa do art. 44 da Lei n° 9.430/96, pois existe uma norma especifica que prevê a aplicação da multa em comento. (...)” O I. Conselheira Relatora restou vencida apenas quanto à redução da multa aplicada no caso (de 150% para 75%), tal como se depreende do voto vencedor, verbis: “Com a devida vênia a nobre relatora, a quem tenho elevado respeito por seus ponderados posicionamentos jurídicos em votos prolatados no âmbito desta Turma de julgamento, ouso discordar da desqualificação da multa de oficio, como proposto no voto vencido, (...)” (grifei) Se a divergência se instaurou quanto à qualificação da multa, pressuposto que deve ser admitido é que o colegiado concordou sobre ser aplicável a multa de ofício à fonte pagadora, nos casos em que não se lhe pode mais exigir o pagamento do principal de IRRF que não foi retido ou recolhido no prazo devido. Uma vez que a hipótese analisada pelo acórdão paradigma (multa isolada sobre valores de IRRF não retidos ou recolhidos) é comparável com a dos autos e que as Fl. 597DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13401.000178/200764 Acórdão n.º 9202003.581 CSRFT2 Fl. 24 5 conclusões adotadas no acórdão paradigma são suficientes para, se aplicadas ao caso dos autos, determinar a reforma do acórdão recorrido, entendo comprovada a divergência. No mérito, cuidase de controvérsia acerca da revogação da possibilidade legal de aplicação da multa isolada em face da fonte pagadora para hipóteses de falta de retenção ou de falta de recolhimento do IRRF quando o valor principal tributo já não pode mais ser cobrado dela. Preliminarmente, porém, alega o contribuinte que eventual responsabilidade que poderia ter em relação às supostas infrações foi elidida por denúncia espontânea. Isto porque, consoante atestado pela fiscalização no Relatório de Fiscalização de fls. 25/26 dos autos, efetuou (em 08/11/2006) compensações correspondentes a 20% dos valores de IRRF do fato gerador novembro de 2004 (com vencimento em 08/12/2004) e efetuou (em 06/01/2006) pagamento de 0,66% do IRRF do fato gerador de dezembro de 2005 (com vencimento em 28/12/2015), sob código de receita 6380 MULTA ISOLADA IRRF (ART. 43 L.9430). Os pagamentos e compensação efetuados pelo contribuinte estão ilustrados na tabela abaixo: Data JCP IRRF Vcto. Multa lançada Recolhimento Data recolhimento 30/11/2004 32.500.000,00 4.875.000,00 08/12/2004 2.681.250,00 975.000,00 08/11/2006 20/12/2005 32.500.000,00 4.875.000,00 28/12/2005 3.623.535,00 32.715,00 06/01/2006 Nos termos do Parecer Normativo nº 01/2002, a responsabilidade da fonte pagadora pelo imposto retido na fonte como antecipação do devido pelo beneficiário do pagamento se extingue no prazo fixado para que o beneficiário pessoa física apresente sua declaração de ajuste anual ou no fim do período de apuração do beneficiário pessoa jurídica: “IRRF. ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO APURADO PELO CONTRIBUINTE. RESPONSABILIDADE. Quando a incidência na fonte tiver a natureza de antecipação do imposto a ser apurado pelo contribuinte, a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e recolhimento do imposto extinguese, no caso de pessoa física, no prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual, e, no caso de pessoa jurídica, na data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual.” Caso a falta de retenção ou recolhimento do IRRF seja verificada antes dos prazos acima (primeiro momento), devem ser exigidos da fonte pagadora principal, multa de ofício e juros de mora. Caso a falta seja verificada após tais datas (segundo momento), determinada o citado Parecer Normativo que sejam exigidos da fonte pagadora apenas juros de mora e multa de ofício, de forma isolada: “IRRF. ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO APURADO PELO CONTRIBUINTE. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. PENALIDADE. Fl. 598DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 Constatada a falta de retenção do imposto, que tiver a natureza de antecipação, antes da data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, e, antes da data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, serão exigidos da fonte pagadora o imposto, a multa de ofício e os juros de mora. Verificada a falta de retenção após as datas referidas acima serão exigidos da fonte pagadora a multa de ofício e os juros de mora isolados, calculados desde a data prevista para recolhimento do imposto que deveria ter sido retido até a data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, ou, até a data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica; exigindose do contribuinte o imposto, a multa de ofício e os juros de mora, caso este não tenha submetido os rendimentos à tributação.” Para analisar a ocorrência ou não de denúncia espontânea, no caso de IRRF, entendo que o art. 138 do CTN deve ser lido à luz das disposições do Parecer Normativo 01/2002. Nos termos do art. 138 do CTN, a responsabilidade do sujeito passivo por infrações é excluída pela denúncia espontânea da falta cometida acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo e dos juros de mora. No que tange ao IRRF, da perspectiva da fonte pagadora somente é o caso de pagar o tributo se ainda não vencidos os prazos do Parecer Normativo 01/2002, quais sejam, o prazo para entrega da declaração rendimentos se o beneficiário for pessoa física, ou o fim do período de apuração do imposto de renda se o beneficiário for pessoa jurídica. É dizer, antes de referidos prazos, a denúncia espontânea do IRRF pela fonte pagadora se perfaz pelo pagamento do principal do tributo e dos respectivos juros de mora. Depois de referidos prazos, a denúncia espontânea do IRRF pela fonte pagadora se perfaz mediante o simples pagamento dos juros de mora apurados no período entre o vencimento do IRRF e a data fixada para que o beneficiário pessoa física apresente sua declaração de ajuste anual ou a data do fim do período de apuração do imposto de renda pelo beneficiário pessoa jurídica. Em se tratando de denúnica espontânea, em nenhuma hipótese deve ser exigida da fonte pagadora qualquer tipo de penalidade – seja a multa de mora ou a multa pelo lançamento de ofício. Em qualquer dos casos, deve a fonte pagadora informar às autoridades fiscais sobre a infracão cometida antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionados com a infração. No caso dos autos, entendo que a denúncia espontânea restou configurada para todos os períodos discutidos. Consoante a tabela acima ilustra, o contribuinte pagou, depois dos respectivos vencimentos dos fatos geradores de IRRF autuados determinado percentual do Fl. 599DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13401.000178/200764 Acórdão n.º 9202003.581 CSRFT2 Fl. 25 7 valor devido, a título de multa de mora. Depois de efetuar tais pagamentos, o contribuinte comunicou a falta às autoridades tributárias antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionados com a infração (consoante reportado pela fiscalização no Relatório Fiscal, fls. 25, in fine). Isto porque, nas datas em que efetuou os pagamentos e as comunicações, não estava mais sujeito ao pagamento do principal do imposto. Digase, o contribuinte trouxe aos autos elementos que demonstram a contabilização de referidos pagamentos de juros sobre capital próprio pelo respectivo beneficiário. Com referida comunicação, poderia o Fisco ter verificado junto ao beneficiário o efetivo oferecimento à tributação de tais rendimentos. Também não havia juros de mora a pagar, tendo em vista que o vencimento destes débitos de IRRF se deu no mesmo mês em que ocorreu o fim do prazo estabelecido pelo Parecer Normativo nº 01/2002. Deste modo, a denúncia espontânea, para os fatos geradores de novembro de 2004 e dezembro de 2005 se perfez pela comunicação da infração às autoridades tributárias pelo contribuinte. A tabela a seguir sumariza a conclusão acima: Período de apuração Multa lançada Houve denúncia espontânea 30/11/2004 2.681.250,00 Sim 20/12/2005 3.623.535,00 Sim Por outro lado, a base legal utilizada para a aplicação da multa de ofício isolada foi o art. 9º da Lei 10.426/2002 c/c art. 44 da Lei 9.430/96. Em sua redação original, o art. 9º da Lei 10.426/2002 dispunha que: “Art. 9º. Sujeitase às multas de que tratam os incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a fonte pagadora obrigada a reter tributo ou contribuição, no caso de falta de retenção ou recolhimento, ou recolhimento após o prazo fixado, sem o acréscimo de multa moratória, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” A redação original do art. 9º acima referido fazia referência ao art. 44, I e II da Lei 9.430/96, cuja redação contemporânea à edição da Lei 10.426/2002 era a seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; Fl. 600DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; II isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; III isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazêlo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste; IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; (...)” O art. 44 da Lei 9.430/96 previa, nos dois incisos de seu caput a que o art. 9º da Lei 10.426/2002 se referia, multas de 75% para a falta de pagamento de tributo ou para os casos de pagamento após o vencimento, sem o acréscimo da multa de mora, e de 150%, para casos de evidente intuito de fraude dos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64. O § 1º de referido artigo, por sua vez, estabelecia expressamente que as multas previsas no caput poderiam ser cobradas de forma isolada em determinados casos, especialmente nos casos em que o tributo havia sido pago após o prazo de vencimento, mas sem o acréscimo da multa moratória. Neste contexto é que foi editado o art. 9º da Lei 10.426/2002, para estender a aplicação das multas do art. 44 da Lei 9.430/96 aos casos de falta de retenção ou recolhimento de impostos ou contribuições, e também para os casos de recolhimento após o prazo de vencimento sem o acréscimo da multa de mora. A hipótese de aplicação isolada da multa pela não retenção ou não recolhimento do IRRF sempre esteve relacionada com a possibilidade de cobrança da multa mesmo quando o principal do tributo foi recolhido, mas o foi após o vencimento e sem o acréscimo da multa moratória. Isto é, devido à particularidade do IRRF retido a título de antecipação do imposto devido pelo beneficiário reconhecida no Parecer Normativo 01/2002, após o encerramento do período de apuração pelo beneficiário a obrigação jurídica de pagar o imposto se extingue para a fonte pagadora, tal como se extinguiria tivesse a fonte pagadora feito o recolhimento do IRRF sem o acréscimo da multa de mora. Vejase, neste sentido, os itens 15 e 16 do Parecer Normativo 01/2002: “Penalidades aplicáveis pela nãoretenção ou nãopagamento do imposto Fl. 601DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13401.000178/200764 Acórdão n.º 9202003.581 CSRFT2 Fl. 26 9 15. Verificada, antes do prazo para entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, ou, antes da data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, a nãoretenção ou recolhimento do imposto, ou recolhimento do imposto após o prazo sem o acréscimo devido, fica a fonte pagadora, conforme o caso, sujeita ao pagamento do imposto, dos juros de mora e da multa de ofício estabelecida nos incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (art. 957 do RIR/1999), conforme previsto no art. 9º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, verbis: Lei nº 10.426, de 2002 ‘Art. 9º Sujeitase às multas de que tratam os incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a fonte pagadora obrigada a reter tributo ou contribuição, no caso de falta de retenção ou recolhimento, ou recolhimento após o prazo fixado, sem o acréscimo de multa moratória, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Parágrafo único. As multas de que trata este artigo serão calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição que deixar de ser retida ou recolhida, ou que for recolhida após o prazo fixado.’ RIR/1999 ‘Art. 957. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de imposto (Lei nº 9.430, de 1996, art. 44): I de setenta e cinco por cento nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II de cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Parágrafo único. As multas de que trata este artigo serão exigidas (Lei nº 9.430, de 1996, art. 44, § 1º): I juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago; II isoladamente, quando o imposto houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; (...).’ Fl. 602DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 10 16. Após o prazo final fixado para a entrega da declaração, no caso de pessoa física, ou, após a data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, a responsabilidade pelo pagamento do imposto passa a ser do contribuinte. Assim, conforme previsto no art. 957 do RIR/1999 e no art. 9º da Lei nº 10.426, de 2002, constatando se que o contribuinte: a) não submeteu o rendimento à tributação, serlheão exigidos o imposto suplementar, os juros de mora e a multa de ofício, e, da fonte pagadora, a multa de ofício e os juros de mora; b) submeteu o rendimento à tributação, serão exigidos da fonte pagadora a multa de ofício e os juros de mora. 16.1. Os juros de mora devidos pela fonte pagadora, nas situações descritas nos itens "a" e "b" acima, calculamse tomando como termo inicial o prazo originário previsto para o recolhimento do imposto que deveria ter sido retido, e, como termo final, a data prevista para a entrega da declaração, no caso de pessoa física, ou, a data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica. 16.2. A pessoa jurídica sujeita à tributação do imposto de renda com base de cálculo estimada, a que se refere o art. 2º da Lei nº 9.430, de 1996, que não tenha submetido à tributação os rendimentos sujeitos à retenção na fonte que devam ser incluídos na base de cálculo estimada, fica sujeita à multa isolada prevista no inciso IV do § 1º do art. 44 da referida Lei, e caso não inclua tais rendimentos na apuração anual, serlheão exigidos o imposto suplementar, os juros de mora e a multa de ofício.” A Medida Provisória 303/2006 alterou a redação do art. 44 da Lei 9.430/96 para extinguir a possibilidade de cobrança de multa por lançamento de ofício nos casos em que o sujeito passivo efetua o recolhimento a destempo e sem o acréscimo da multa moratória devida. Contudo, referida medida provisória não foi convertida em lei e perdeu eficácia. Nova alteração na redação do art. 44 da Lei 9.430/96 sobreveio com a adoção da Medida Provisória 351/2007, posteriormente convertida na Lei 11.488/2007, também com a idéia de suprimir a possibilidade de cobrança de multa por lançamento de ofício nos casos em que o sujeito passivo efetua o recolhimento do tributo depois do vencimento mas a multa de mora. Foi o art. 14 da Lei 11.488/2007 que deu a redação vigente do art. 44 da Lei 9.430/96: “Art. 14. O art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação, transformandose as alíneas a, b e c do § 2o nos incisos I, II e III: ‘Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de Fl. 603DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13401.000178/200764 Acórdão n.º 9202003.581 CSRFT2 Fl. 27 11 pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8º da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1º. O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. I (revogado); II (revogado); III (revogado); IV (revogado); V (revogado pela Lei no 9.716, de 26 de novembro de 1998). § 2º. Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. ................................................. ’ (NR)” Verificase que a redação dada ao art. 44 da Lei 9.430/96 pelo art. 14 da Lei 11.488/2007 suprimiu todas as referências a “tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora” e, especialmente, revogou a previsão do inciso II do § 1º da redação anterior, que previa a possibilidade de exigência isolada da multa de ofício nesta hipótese. O art. 16 da Lei 11.488/2007 também deu nova redação ao próprio art. 9º da Lei 10.426/2002: Fl. 604DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 12 “Art. 16. O art. 9o da Lei no 10.426, de 24 de abril de 2002, passa a vigorar com a seguinte redação: ‘Art. 9º. Sujeitase à multa de que trata o inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicada na forma de seu § 1º, quando for o caso, a fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição no caso de falta de retenção ou recolhimento, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. ..................................................... ’ (NR)” Na alteração promovida no art. 9º da Lei 10.426/2002, também se verifica a supressão da expressão “ou recolhimento após o prazo fixado, sem o acréscimo de multa moratória”. Na nova redação conferida ao artigo 9º da Lei n. 10.426, de 2002, a multa aplicável por falta de retenção é aquela prevista no artigo 44, I da Lei n. 9.430, de 1996, sendo esta exigível apenas em conjunto com tributo não recolhido ou declarado nas hipóteses em que isto assim sucede. No caso da falta de retenção na fonte, na hipótese em que o tributo ainda pode ser exigido da fonte pagadora, em que a este se agregará multa de oficio. A única previsão de multa exigida isoladamente é a do inciso II do artigo 44 da Lei n. 9.430, para os casos de falta de antecipação de IRPJ ou IRPF durante o ano, e tal inciso não é referido pelo artigo 9º da Lei n. 10.426, de 2002. O legislador quando refere ou remete algo o faz com sentido e intenção próprias, não cabendo a construção de norma individual e concreto que se utilize de enunciado prescritivo inexistente. Nem se diga que a referência feita pelo artigo 9º da Lei n. 10.426 apenas ao inciso I do artigo 44 é apenas acidental e dirigida ao percentual de 75% a ser aplicado. O enunciado remete ao regime jurídico do artigo 44, inciso I, e não ao percentual nele previsto, ao referir “a multa de que trata o artigo 44, inciso I da Lei n. 10.426”. Ainda que pudesse haver dúvida quanto à melhor capitulação legal, em se tratando de norma que prescreve penalidades (e apenas nesta hipótese) a dúvida se resolve em favor da interpretação mais favorável ao apenado, por expressa direção do comando do artigo 112 do CTN. Pois bem. Tendo em vista que com o advento da Lei n. 11.488 de 2007 não há mais base legal para o lançamento de multa de ofício nos casos em que o IRRF não retido ou não recolhido não pode mais ser exigido da fonte pagadora, mas sim diretamente do beneficiário, devese aplicar tal conclusão de forma retroativa a casos ainda não definitivamente julgados, nos termos do artigo 106 do CTN. Esta 2ª Turma da CSRF já chegou a esta mesma conclusão em julgamentos anteriores, na sessões de 14/02/2012 (acórdão 9202001.938) e 29/11/2011 (acórdão 9202 001.886), cujas ementas foram assim redigidas: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE – IRRF Anocalendário: 2001 IRRF TRIBUTO RECOLHIDO A DESTEMPO DENÚNCIA ESPONTÂNEA MULTA MORATÓRIA INDEVIDA. O instituto da denúncia espontânea, previsto no artigo 138 do Código Fl. 605DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13401.000178/200764 Acórdão n.º 9202003.581 CSRFT2 Fl. 28 13 Tributário Nacional, exclui a responsabilidade pela infração e impede a exigência de multa de mora, quando o tributo devido for pago, com os respectivos juros de mora, antes do início do procedimento fiscal e em momento anterior à entrega de DCTF, de GIA, de GFIP, entre outros, tal qual se verifica neste feito. Por força do artigo 62A do RICARF, aplicase ao caso a decisão proferida pelo Egrégio STJ, sob o rito do recurso repetitivo, nos autos do REsp n° 1.149.022/SP. Ademais, salvo melhor juízo, a própria ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional reconheceu a procedência desta tese através do Ato Declaratório n° 04/2011 (DOU de 21/12/2011, p. 36). MULTA DE OFÍCIO ISOLADA IMPROCEDÊNCIA RETROATIVIDADE BENIGNA. A multa isolada exigida pelo recolhimento extemporâneo de tributo, desacompanhado da multa de mora, tinha previsão legal no artigo 44, incisos I e II, § 1°, inciso II e § 2°, da Lei n° 9.430/96. Ocorre, que referido dispositivo legal restou alterado pela Medida Provisória n° 351, de 22/01/2007, convertida na Lei n° 11.488/2007, sendo que a penalidade em apreço deixou de existir. Aplicação ao caso do princípio da retroatividade benigna (artigo 106 do CTN). Recurso especial provido.” “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE – IRRF Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 FONTE PAGADORA. AUSÊNCIA DE RETENÇÃO E RECOLHIMENTO. SUPERVENIÊNCIA DA LEI N° 11.488/2007. RETROATIVIDADE BENIGNA. EXCLUSÃO DA MULTA PREVISTA NO INCISO II DO ARTIGO 44 DA LEI N° 9430/96. A multa isolada prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei n° 9430/96, foi expressamente excluída, relativamente à fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição no caso de falta de retenção ou recolhimento, com fundamento na Lei n° 11.488/2007. Aplicação do artigo 106, inciso II, “c”, do CTN. FONTE PAGADORA. NÃO EXIGIBILIDADE DO IMPOSTO. PARECER NORMATIVO COSIT n° 01/2002. CONSEQUENTE NÃO INCIDÊNCIA DA MULTA PREVISTA NO INCISO 44, INCISO I, DA LEI N° 9.430/96. Não mais sendo exigível da fonte pagadora a imposto não recolhido, não há respaldo para incidência, consequentemente, da respectiva multa.” Diante do exposto, voto por conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional para, no mérito, negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 606DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 14 Voto Vencedor Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, Designada Discordo do Ilustre Conselheiro Relator, pelas razões a seguir expostas. Tratase de exigência, formalizada em 2007, de multa por falta de retenção e recolhimento de Imposto de Renda Retido na Fonte, quando da distribuição de juros sobre capital próprio para a empresa Neoenergia S/A, nos anoscalendário de 2004 e 2005. Referida multa foi aplicada à fonte pagadora, Termopernambuco S.A., com fundamento no art. 9º, da Lei nº 10.426, de 24/04/2002, com a redação dada pelo artigo 16, da Lei nº 11.488, de 15/06/2007. No acórdão recorrido, dita penalidade foi afastada, mediante a aplicação de suposta retroatividade benigna (art. 106, inciso II, “a”, do CTN), considerandose que ela teria sido extinta inicialmente pela Medida Provisória n° 303, de 29/06/2006, que perdera eficácia, e depois pela Medida Provisória n° 351, de 22/01/2007, convertida na Lei n° 11.488, de 15/06/2007. Primeiramente, esclareçase que não está sendo exigido o Imposto de Renda devido pela beneficiária dos rendimentos, que é a empresa Neoenergia S/A. Tampouco está sendo cobrada multa pelo recolhimento do IRRF fora do prazo sem aplicação de multa de mora. O que está sendo cobrado, no presente caso, é unicamente a multa pelo não cumprimento, por parte da fonte pagadora – Termopernambuco S/A – da obrigação de efetuar a retenção e o recolhimento do IRRF, a título de antecipação. A penalidade em tela foi instituída pela Medida Provisória nº 16, de 27/12/2001, convertida na Lei nº 10.426, de 2002, que assim estabelecia, em sua redação original: “Art.9º. Sujeitase às multas de que tratam os incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a fonte pagadora obrigada a reter tributo ou contribuição, no caso de falta de retenção ou recolhimento, ou recolhimento após o prazo fixado, sem o acréscimo de multa moratória, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Parágrafo único. As multas de que trata este artigo serão calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição que deixar de ser retida ou recolhida, ou que for recolhida após o prazo fixado.” O dispositivo acima não deixa a menor brecha para que se entenda que a penalidade nele prevista poderia ser exigida de outra forma, que não a isolada. Com efeito, a penalidade está sendo aplicada à fonte pagadora, que não é a beneficiária dos rendimentos, portanto resta descartada qualquer possibilidade de cobrança desta multa juntamente com o imposto, cujo ônus, repitase, não é da fonte pagadora, e sim do beneficiário. Confirmando esse entendimento, o parágrafo único especifica a base de cálculo da multa, que nada mais é que o tributo que deixou de ser retido ou recolhido. O art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, por sua vez, tinha a seguinte redação: Fl. 607DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13401.000178/200764 Acórdão n.º 9202003.581 CSRFT2 Fl. 29 15 “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I. de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II. cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. §1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; II. isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; III. isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazêlo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste; IV. isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; V. isoladamente, no caso de tributo ou contribuição social lançado, que não houver sido pago ou recolhido. (...)” Como se pode constatar, o art. 44, acima, não trata de multas incidentes sobre imposto cobrado por meio de responsabilidade tributária de fonte pagadora, e sim de penalidades que recaem diretamente sobre o imposto exigido do sujeito passivo, na qualidade de contribuinte, que relativamente ao Imposto de Renda é o próprio beneficiário dos rendimentos. Nesse passo, nenhuma das modalidades de exigência elencadas no § 1º se amolda à exigência estabelecida no art. 9º da Lei nº 10.426, de 2002, portanto não há que se falar que este último dispositivo tenha se referido ao art 44 da Lei nº 9.430, de 1996, para tomar de empréstimo algo além dos percentuais nele estabelecidos – 75% e 150%. Isso porque a problemática que envolve as modalidades de exigência das penalidades constantes do § 1º do art. 44 – vinculadas ao imposto ou exigidas isoladamente – não se coaduna com a multa por falta de retenção na fonte. Esta, quando exigida, obviamente será isolada, eis que o principal, ou seja, o imposto, será cobrado não da fonte pagadora, mas sim, repitase, do beneficiário dos rendimentos. Fl. 608DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 16 Com estas considerações, constatase que a referência feita pelo art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, aos incisos I e II, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, está focada nos incisos I e II do caput, e não nos incisos I e II do § 1º, do contrário estarseia atribuindo à fonte pagadora o papel de sujeito passivo contribuinte do tributo, e não o de mera intermediária entre este e o Fisco, responsabilidade esta conferida por lei. Ora, se os incisos I e II do caput do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, tratam de penalidades aplicáveis ao sujeito passivo na qualidade de contribuinte, que no caso do Imposto de Renda é o próprio beneficiário dos rendimentos, e o art. 9º da Lei nº 10.426, de 2002, trata exclusivamente de multa por descumprimento da obrigação de reter e recolher o tributo, aplicável à fonte pagadora na qualidade de responsável, o único elemento passível de empréstimo, do art. 44 para o art. 9º, diz respeito efetivamente aos percentuais de 75% ou 150%. Com efeito, não existe qualquer outro liame entre os dois dispositivos legais. Corroborando este entendimento, a Exposição de Motivos da Medida Provisória nº 16, de 27/12/2001, que foi convertida na Lei nº 10.426, de 2002, encaminhada ao Congresso Nacional, assim esclarece: “Os arts. 7º a 9º ajustam as penalidades aplicáveis a diversas hipóteses de descumprimento de obrigações acessórias relativas a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, reduzindoas ou, no caso do art. 9º, instituindo nova hipótese de incidência, preenchendo lacuna da legislação anterior.” (grifei) O texto acima não deixa dúvidas, no sentido de que o art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, trata unicamente de multa por descumprimento de obrigação acessória pela fonte pagadora, portanto descartase a sua exigência juntamente com o respectivo imposto, cujo ônus é do beneficiário dos rendimentos. Ademais, fica patente que se trata de nova hipótese de incidência, o que também a desvincula definitivamente das hipóteses de incidência elencadas no § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, eis que estas já existiam no ordenamento jurídico muito antes do advento da Medida Provisória nº 16, de 2001. Com a edição da Medida Provisória nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.488, de 15/06/2007, foi alterado o art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, dentre outras finalidades, para extinguir a multa de ofício incidente sobre o pagamento de tributo ou contribuição fora do prazo, desacompanhado de multa de mora. Dito dispositivo legal passou a ter a seguinte redação: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I. de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II. de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8º da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 609DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13401.000178/200764 Acórdão n.º 9202003.581 CSRFT2 Fl. 30 17 b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (...)” Assim, o art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, foi reformulado, mantendose a aplicação das multas de ofício vinculadas ao tributo, nos percentuais de 75% e 150%, a primeira mantida no inciso I, do caput, e a segunda não mais abrigada no inciso II, do caput, mas sim no inciso I, do §1º. O inciso II, do caput, que anteriormente continha a multa no percentual de 150%, passou a prever a multa isolada, no percentual de 50%, nos casos de falta de pagamento do carnêleão e de falta de pagamento do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido devido por estimativa (alíneas “a” e “b”). Quanto à multa isolada pelo pagamento de tributo ou contribuição fora do prazo sem o acréscimo de multa de mora, esta foi extinta. Observese que a extinção da multa isolada acima destacada, levada a cabo pela nova redação do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, promovida pela Lei nº 11.488, de 2007, não tem qualquer reflexo nas multas do art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, eis que, conforme já patenteado no presente voto, os dois dispositivos legais tratam de penalidades distintas, o primeiro disciplinando as exigências em face do sujeito passivo contribuinte, que no caso do Imposto de Renda é o beneficiário dos rendimentos, e o segundo regulamentando a incidência pelo descumprimento de obrigação de retenção e recolhimento do tributo pela fonte pagadora, na qualidade de responsável. Como ficou assentado, a conexão entre os dois dispositivos diz respeito unicamente aos percentuais de 75% e 150%. Tanto é assim que o art. 9º teve de sofrer também um ajuste, em função da realocação da multa de 150% (do caput para o § 1º). Ademais, também havia neste dispositivo a previsão de aplicação de multa de ofício à fonte pagadora, pelo recolhimento em atraso do Imposto de Renda Retido na Fonte, sem o acréscimo da multa de mora. Assim, na mesma linha da exclusão levada a cabo na nova redação do art. 44, esta penalidade teria de ser excluída do art 9º, já que não haveria sentido em permanecer no ordenamento jurídico apenas para apenar a fonte pagadora. Confirase a alteração do art. 9º, promovida pela mesma Lei nº 11.488, de 2007: “Art. 9º Sujeitase à multa de que trata o inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicada na forma de seu § 1º, quando for o caso, a fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição no caso de falta de retenção ou recolhimento, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Parágrafo único. As multas de que trata este artigo serão calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição que deixar de ser retida ou recolhida, ou que for recolhida após o prazo fixado.” Fl. 610DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 18 Ora, se a multa pela falta de retenção e recolhimento na fonte houvesse sido efetivamente extinta, não haveria qualquer razão para que se alterasse o art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, como foi feito acima. A alteração visa claramente adaptar esse dispositivo à nova topografia do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, o que de forma alguma sinaliza que dita penalidade teria sido extinta. Além disso, repitase que a nova redação visou excluir a exigência de multa de ofício pelo recolhimento, pela fonte pagadora, do IRRF fora do prazo sem multa de mora, tal como ocorrera com penalidade semelhante, que antes também era imposta ao beneficiário do rendimento, relativamente ao recolhimento do principal. Assim, igualouse a exoneração desta penalidade, tanto em face do sujeito passivo contribuinte da obrigação principal, como perante a fonte pagadora, na qualidade de responsável pela obrigação de reter e recolher o tributo. As conclusões acima ficam evidenciadas no quadro comparativo a seguir: Redação original do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 Redação do art. 44, dada pela MP nº 351, de 2007, convertida na Lei nº 11.488, de 2007 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I. de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II. cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. §1o As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; II. isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; III. isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazêlo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste; IV. isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I. de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II. de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Redação original do art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002 Art. 9º. Sujeitase às multas de que tratam os incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a fonte pagadora obrigada a reter tributo ou contribuição, no caso de falta de retenção ou recolhimento, ou recolhimento após o prazo fixado, sem o acréscimo de multa moratória, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Redação do art. 9º, dada pela MP nº 351, de 2007, convertida na Lei nº 11.488, de 2007 Art. 9o Sujeitase à multa de que trata o inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicada na forma de seu § 1o, quando for o caso, a fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição no caso de falta de retenção ou recolhimento, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Parágrafo único. As multas de que trata este artigo serão calculadas sobre a totalidade u diferença de Fl. 611DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13401.000178/200764 Acórdão n.º 9202003.581 CSRFT2 Fl. 31 19 Parágrafo único. As multas de que trata este artigo serão calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição que deixar de ser retida ou recolhida, ou que for recolhida após o prazo fixado. tributo ou contribuição que deixar de ser retida ou recolhida, ou que for recolhida após o prazo fixado. Além de todas as razões que conduzem à conclusão de que não ocorreu a alegada extinção da multa de ofício pela falta de retenção ou recolhimento do IRRF, destacase o fato de que a adoção de tal tese equivaleria a admitirse a instituição de uma obrigação – retenção e recolhimento do imposto pela fonte pagadora – sem o estabelecimento de sanção, o que seria inusitado no Sistema Tributário Nacional. Ademais, ninguém põe em dúvida a manutenção da multa pela falta de recolhimento do carnêleão, que pressupõe relação entre pessoas físicas, que nem sempre possuem estrutura para cumprir com a obrigação, sendo que quem recolhe a antecipação, nesse caso, é o próprio contribuinte que arca com o encargo financeiro do tributo, descartada a possibilidade de apropriação indébita. Nesse passo, causa ainda maior perplexidade a conclusão de que a multa pela falta de retenção e recolhimento do imposto pela fonte pagadora teria sido extinta, já que as fontes pagadoras, na sua maciça maioria, são pessoas jurídicas, que dispõem de meios adequados ao cumprimento da obrigação. Acrescentese que a retenção na fonte sem o respectivo recolhimento caracteriza apropriação indébita, portanto terseia ainda a possibilidade do cometimento de crime, sem qualquer previsão de sanção na esfera tributária, o que também seria inédito no Sistema Tributário Nacional. Quanto à suposta denúncia espontânea, o Relator a considerou cabível, nos casos em que foi efetuado recolhimento de multa de mora após a data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento teria sido tributado. Entretanto, no entender desta Conselheira, há que se diferenciar o imposto devido, cuja obrigação principal é do beneficiário do rendimento, da multa pela falta de retenção/recolhimento do IRRF, cuja obrigação é da fonte pagadora, na qualidade de responsável. Assim, após a data prevista para o encerramento do período de apuração, o que cessa é a responsabilidade da fonte pagadora sobre o recolhimento do tributo – cuja obrigação passa a ser do beneficiário. Entretanto, a falta de responsabilidade sobre o recolhimento do tributo não exime a fonte pagadora do pagamento da multa pelo descumprimento da obrigação de reter e recolher o imposto, e é exatamente esta a exigência que ora se analisa. Com efeito, não há como acolherse a pretensão do contribuinte autuado, que é a fonte pagadora, de eximirse da multa por descumprimento de sua obrigação de reter e recolher o imposto, invocando a denúncia espontânea, ao argumento de que os rendimentos foram oferecidos à tributação, obrigação esta que não é sua, mas sim do respectivo beneficiário. Nesse passo, assim estabelece o item 16 do Parecer Normativo COSIT nº 1, de 2002, que deve ser considerado na sua integralidade, e não apenas em parte. Confirase: “16. Após o prazo final fixado para a entrega da declaração, no caso de pessoa física, ou, após a data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, a responsabilidade pelo pagamento do imposto passa a ser do contribuinte. Assim, conforme previsto no art. 957 do RIR/1999 e no art. 9º da Lei nº 10.426, de 2002, constatandose que o contribuinte: Fl. 612DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 20 a) não submeteu o rendimento à tributação, serlheão exigidos o imposto suplementar, os juros de mora e a multa de ofício, e, da fonte pagadora, a multa de ofício e os juros de mora; b) submeteu o rendimento à tributação, serão exigidos da fonte pagadora a multa de ofício e os juros de mora.” Assim, ainda que os rendimentos tenham sido oferecidos à tributação, remanesce a aplicação da penalidade pela falta de retenção e recolhimento por parte da fonte pagadora. Destarte, não há que se falar em denúncia espontânea, quando a obrigação tributária do denunciante não foi por ele cumprida. Finalmente, quanto ao Acórdão nº 9202001.938, de 14/02/2012, citado pelo Relator em seu voto, este não trata de multa pela falta de retenção e de recolhimento do IRRF, como no presente caso, mas sim de multa de ofício sobre recolhimento fora do prazo, sem o acréscimo de multa de mora, penalidade esta que, conforme restou assentado no presente voto, efetivamente foi extinta. Confirase os respectivos trechos da ementa e do voto condutor deste acórdão: Ementa “(...) MULTA DE OFÍCIO ISOLADA IMPROCEDÊNCIA RETROATIVIDADE BENIGNA. A multa isolada exigida pelo recolhimento extemporâneo de tributo, desacompanhado da multa de mora, tinha previsão legal no artigo 44, incisos I e II, § 1°, inciso II e § 2°, da Lei n° 9.430/96. Ocorre, que referido dispositivo legal restou alterado pela Medida Provisória n° 351, de 22/01/2007, convertida na Lei n° 11.488/2007, sendo que a penalidade em apreço deixou de existir. Aplicação ao caso do princípio da retroatividade benigna (artigo 106 do CTN). Recurso especial provido.” Voto “É fácil perceber, pois, que a previsão para incidência da multa isolada pelo recolhimento extemporâneo de tributo, desacompanhado da multa de mora, exigida no caso em apreço, foi revogada.” (grifei) Destarte, entende esta Conselheira que a multa de ofício pela falta de retenção ou de recolhimento de IRRF pela fonte pagadora nunca foi extinta, permanecendo vigente no ordenamento jurídico. Tal entendimento encontra respaldo na jurisprudência do CARF, aqui representada pelos Acórdãos nºs 2201002.676 e 210200.465, cujas ementas a seguir são transcritas: “IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2007 IRRF. FALTA DE RETENÇÃO/RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. CABIMENTO. É cabível a aplicação da multa isolada sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição que deixar de ser retida, conforme dispõe o art. 9º da Lei n.° 10.426/2002. Fl. 613DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13401.000178/200764 Acórdão n.º 9202003.581 CSRFT2 Fl. 32 21 PERÍCIA OU DILIGÊNCIA. Indeferese o pedido de perícia ou diligência quando a sua realização revelese prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora. SELIC. SÚMULA CARF N° 4. “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. (Relator Eduardo Tadeu Farah) “IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2003 IRRF FALTA DE RETENÇÃO MULTA EXIGIDA DA FONTE PAGADORA Havendo previsão legal expressa para sua exigência, nos termos do art. 9° da Lei nº 10.426/2002, deve ser mantido o lançamento que exige da fonte pagadora a multa incidente sobre a falta de retenção e recolhimento do IRRF. MULTA DE OFICIO QUALIFICADA. EMPRESA DE MARKETING DE INCENTIVO. MANOBRA PARA OCULTAR A OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. SONEGAÇÃO. HIGIDEZ DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA LANÇADA. Os pagamentos feitos por intermédio do cartão de incentivo, com a utilização de empresa de marketing como intermediária, são, na verdade, uma grosseira manobra diversionista com o fito de ocultar do fisco a tributação que deveria incidir sobre tais pagamentos. Hígida a qualificação da multa de oficio, já que se demonstrou à sociedade a manobra perpetrada pelo fiscalizado para simular situações não existentes, ocultando da fiscalização o conhecimento da ocorrência do fato gerador, que é o conhecido legalmente como sonegação (art. 71 da Lei n°4.502/64). (Relatora Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti) Diante do exposto, descartada a extinção da multa aplicada, não há que se falar em retroatividade benigna, razão pela qual dou provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 614DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 22 Fl. 615DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 11065.002042/2005-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3202-000.091
Decisão: RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher a preliminar de sobrestamento do processo. Acompanhou o julgamento, pela contribuinte, o advogado Pablo Eduardo Camusso, OAB/RS nº. 51.738.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher a preliminar de sobrestamento do processo. Acompanhou o julgamento, pela contribuinte, o advogado Pablo Eduardo Camusso, OAB/RS nº. 51.738 Irene Souza da Trindade Torres Presidente. Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Octávio Carneiro Silva Corrêa. RELATÓRIO O presente litígio decorre de Pedido de Restituição do PIS e da Cofins, protocolizado em 08/06/2005, onde a empresa pretende ressarcir valores supostamente pagos indevidamente relativo ao período de apuração do 4º trimestre/1998 ao 2º trimestre de 2002. Alega a interessada que o valor recebido a título de ressarcimento de PIS/PASEP e COFINS, por meio de crédito presumido de IPI, transformado em restituição em moeda corrente face à impossibilidade de aproveitamento de tais créditos ou utilizado para compensação com outros Fl. 187DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11065.002042/200560 Resolução n.º 3202000.091 S3C3T2 Fl. 2 2 tributos, não é receita tributável pelo próprio PIS/Cofins e, por conseguinte, não deve compor a base de cálculo destas contribuições. Para elucidar os fatos ocorridos transcrevese o relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, verbis: Relatório Tratase de manifestação de inconformidade onde o interessado se insurge contra o indeferimento de seu pedido de restituição, relativo a valores de PIS e Cofins que entende ter recolhido indevidamente nos períodos relativos ao 4° trimestre de 1998, 1° trimestre de 1999 e 1° trimestre de 2000 ao 2° trimestre de 2002. Alega, primeiramente, que não teria ocorrido a decadência de parte dos valores pleiteados, conforme apontado no relatório fiscal, pois entende que embora esteja requerendo a restituição de valores recolhidos a mais de 5 (cinco) anos anteriores ao protocolo do pedido, caberia aqui a aplicação da tese dos "cinco mais cinco", conforme entendimento que alega estar pacificado no STJ. No mérito, discorda da inclusão do crédito presumido de IPI na base de cálculo do PIS e da COFINS, como receita, na medida em que a lei instituidora desse beneficio o define como um ressarcimento de custos ao contribuinte, objetivando a redução de custo dos insumos internos, em montante idêntico ao despendido pelos fornecedores. Acrescenta ainda que mesmo que tais créditos presumidos de IPI fossem consideradas como receita, se tratariam de receitas de exportação, protegidas da incidência das contribuições por serem tanto isentas quanto imunes. Comenta que a tributação de valores oriundos do beneficio, colidiria com a própria finalidade do mês mo. Pleiteia, também, a atualização monetária, pela taxa SELIC, dos valores em questão, desde o "mês de lançamento" até a data da efetiva restituição, conforme planilha que anexa. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre proferiu o Acórdão n.º 1025.545 de 27 de maio de 2010 (folhas 144/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/1998 a 30/06/2002 RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. O prazo para solicitar restituição é de 5 (cinco) anos da extinção da exigência do tributo pelo pagamento, conforme dispõe o Art. 168 do Código Tributário Nacional. BASE DE CALCULO. CRÉDITO PRESUMIDO. Sob a égide da Lei n° 9.718, de 1998, os valores relativos ao Crédito Presumido de IPI integram a base de cálculo do Pis e da Cofins. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/1998 a 30/06/2002 RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. 0 prazo para solicitar restituição é de 5 (cinco) anos da extinção da exigência do tributo pelo pagamento, conforme dispõe o Art. 168 do Código Tributário Nacional. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11065.002042/200560 Resolução n.º 3202000.091 S3C3T2 Fl. 3 3 BASE DE CALCULO. CRÉDITO PRESUMIDO. Sob a égide da Lei nº 9.718, de 1998, os valores relativos ao Crédito Presumido de IPI integram a base de cálculo do Pis e da Cofins. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Credit6rio Não Reconhecido A interessada regularmente cientificada do Acórdão em 17/06/2010 (folha 147) interpôs Recurso Voluntário em 29/06/2010 (fls. 148/ss), onde repisa os argumentos trazidos em sua impugnação. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri, relator. Preliminarmente, deve ser analisada, nesta sessão, a conversão do julgamento em resolução, a fim de se sobrestar o processo em face de que a matéria – PIS e da Cofins incidentes sobre insumos utilizados no processo produtivo de mercadorias exportadas, mediante a concessão de crédito presumido do IPI (Tema 504 / STF) já estaria sendo analisada no STF sob a sistemática de repercussão geral. A meu sentir, a preliminar deve ser acatada, uma vez que o STF reconheceu a repercussão geral sobre o tema e houve determinação expressa de sobrestamento para os processos que versem sobre a matéria, conforme prescreve trechos do pronunciamento do Ministro Marco Aurélio, de 19/11/2011, abaixo transcrito (pesquisa no site STF): À Assessoria, para acompanhar o incidente, inclusive quanto aos processos em curso no Gabinete, baixando aqueles que sejam posteriores à regência da repercussão geral e sobrestamento os demais. Assim, em atendimento ao dispositivo acima transcrito, voto por acolher a preliminar suscitada, determinando o sobrestamento do processo". É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 189DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10410.005550/2009-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 15 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007, 2010
Ementa:
IRPF. OMISSÃO. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO.
Para que se possa contraditar um lançamento fundado em omissão decorrente de variação patrimonial a descoberto, é necessário que o contribuinte demonstre, documentalmente, a origem dos recursos utilizados nas aplicações efetuadas. Meras alegações, desacompanhadas da documentação que as suportem, não podem ser acolhidas para demonstrar a origem de recursos que suportariam os dispêndios que originaram o lançamento assim apurado.
IRPF. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. CUSTO DE AQUISIÇÃO.
Somente pode ser acrescido ao custo de aquisição de participação societária para fins de apuração do ganho de capital o valor da reserva de reavaliação que tenha sido incorporada ao capital social da pessoa jurídica em momento anterior ao da venda desta participação societária.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS
Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
ÔNUS DA PROVA
Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a comprovar a origem dos recursos informados para acobertar a movimentação financeira.
Numero da decisão: 2102-003.254
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
Núbia Matos Moura Presidente Substituta
Assinado Digitalmente
Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora
EDITADO EM: 02/03/2015
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros NUBIA MATOS MOURA (Presidente Substituta), JOAO BELLINI JUNIOR, DAYSE FERNANDES LEITE, ALICE GRECCHI, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, LIVIA VILAS BOAS E SILVA.
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007, 2010 Ementa: IRPF. OMISSÃO. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Para que se possa contraditar um lançamento fundado em omissão decorrente de variação patrimonial a descoberto, é necessário que o contribuinte demonstre, documentalmente, a origem dos recursos utilizados nas aplicações efetuadas. Meras alegações, desacompanhadas da documentação que as suportem, não podem ser acolhidas para demonstrar a origem de recursos que suportariam os dispêndios que originaram o lançamento assim apurado. IRPF. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. CUSTO DE AQUISIÇÃO. Somente pode ser acrescido ao custo de aquisição de participação societária para fins de apuração do ganho de capital o valor da reserva de reavaliação que tenha sido incorporada ao capital social da pessoa jurídica em momento anterior ao da venda desta participação societária. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a comprovar a origem dos recursos informados para acobertar a movimentação financeira.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Núbia Matos Moura Presidente Substituta Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora EDITADO EM: 02/03/2015 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros NUBIA MATOS MOURA (Presidente Substituta), JOAO BELLINI JUNIOR, DAYSE FERNANDES LEITE, ALICE GRECCHI, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, LIVIA VILAS BOAS E SILVA.
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OMISSÃO. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Para que se possa contraditar um lançamento fundado em omissão decorrente de variação patrimonial a descoberto, é necessário que o contribuinte demonstre, documentalmente, a origem dos recursos utilizados nas aplicações efetuadas. Meras alegações, desacompanhadas da documentação que as suportem, não podem ser acolhidas para demonstrar a origem de recursos que suportariam os dispêndios que originaram o lançamento assim apurado. IRPF. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. CUSTO DE AQUISIÇÃO. Somente pode ser acrescido ao custo de aquisição de participação societária para fins de apuração do ganho de capital o valor da reserva de reavaliação que tenha sido incorporada ao capital social da pessoa jurídica em momento anterior ao da venda desta participação societária. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a comprovar a origem dos recursos informados para acobertar a movimentação financeira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 00 55 50 /2 00 9- 93 Fl. 990DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 24/03/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por NUB IA MATOS MOURA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Núbia Matos Moura – Presidente Substituta Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 02/03/2015 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros NUBIA MATOS MOURA (Presidente Substituta), JOAO BELLINI JUNIOR, DAYSE FERNANDES LEITE, ALICE GRECCHI, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, LIVIA VILAS BOAS E SILVA. Relatório Em face da Contribuinte acima identificada, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 335/356, apurandose o valor total do crédito tributário no importe de R$1.383.803,66 (um milhão, trezentos e oitenta e três mil, oitocentos e três reais e sessenta e seis centavos), já acrescidos de multa de ofício e juros de mora, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercícios 2005 a 2007 (AC 2004 a 2006), tendo em vista a instauração de Procedimento Fiscal visando averiguar o escorreito cumprimento das obrigações tributárias no que tange o tributo IRPF, por parte da Contribuinte. Da Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is) constantes no respectivo Auto de Infração, constatase que a autuação decorre das seguintes infrações: 001 RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO COM VÍNCULO EMPREGATÍCIO RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA Omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de trabalho com vínculo empregatício, com a empresa Conny, conforme informado pela contribuinte ao explicar a origem de depósito em suas contas correntes, como demonstrado no item 4.4 do termo de encerramento final, anexo e parte integrante deste auto de infração. (...) 002 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO Omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, relacionada em planilha que completa o item 4.6 do termo de encerramento final anexo e parte integrante deste auto de infração, onde fica demonstrada a existência de aplicações Fl. 991DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 24/03/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por NUB IA MATOS MOURA Processo nº 10410.005550/200993 Acórdão n.º 2102003.254 S2C1T2 Fl. 991 3 não respaldadas por rendimentos declarados ou não comprovados. (...) 003 GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES/QUOTAS NÃO NEGOCIADAS EM BOLSA Omissão de ganhos de capital obtidos na alienação de quotas da empresa Conny. Os valores não foram apurados à época, pelo uso de um laudo de reavaliação, ora desconsiderado pela fiscalização por fata de requisitos legais, conforme demonstrado no Termo de Encerramento Final anexo a este auto e dele parte integrante. Além da inadequação do laudo, a venda foi realizada antes do registro, na Junta Comercial, dos efeitos da reavaliação na contabilidade da empresa. A venda foi efetuada em parcelas e a tributação levou em consideração o período de recebimentos de ganhos de capital obtidos na alienação. (...) 004 DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE (AJUSTE ANUAL) DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS Redução indevida da Base de Cálculo com despesas médicas, no valor de R$1.888,56 que teriam sido pagas à Unimed Maceió. Intimada a apresentar documentação referente à essa despesa, a contribuinte respondeu que ‘o comprovante de pagamento da UNIMED, realizado no anocalendário de 2004 foi extraviado. A 2ª via está sendo providenciada’. Como não apresentou documentação foi novamente intimada, e não apresentou documento, nem respondeu a intimação motivo pelo qual a despesa é glosada, conforme descrito no termo de encerramento fiscal item 4.3 anexo e parte integrante do presente auto de infração. (...) 005 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta(s) de depósito ou de investimento, mantida(s) em instituição(ões) financeira(s), em relação aos quais o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme demonstrado no item 4.1 do Termo de encerramento final, anexo e parte integrante do presente auto de infração. (...) Fl. 992DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 24/03/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por NUB IA MATOS MOURA 4 006 CLASSIFICAÇÃO INDEVIDA DE RENDIMENTOS NA DIRPF RENDIMENTOS CLASSIFICADOS INDEVIDAMENTE NA DIRPF O sujeito passivo classificou indevidamente na Declaração de Ajuste os rendimentos recebidos de pessoas não identificadas e os declarou como se fossem decorrentes de atividade rural. Intimado a comprovar tais atividades declarou que ‘não escriturou livro caixa nos anoscalendário de 2004 e 2005’ e ‘que malgrado os esforços empreendidos não foi localizado em seus arquivos qualquer documento relativo às receitas, custeio/investimento da atividade rural obtidas nos anoscalendário de 2004 e 2005’, conforme item 4.4 do termo final de encerramento, anexo e parte integrante do presente auto de infração. Sendo do total declarado abatido o valor já oferecido à tributação. A ação fiscal encontrase esmiuçada no mencionado Termo de Verificação Fiscal, às fls. 299/334. Cientificada do lançamento fiscal e inconformada, a Contribuinte apresentou a Impugnação de fls. 358/391, por meio do qual, resumidamente, expõe que: Rendimentos recebidos de Pessoas Jurídicas. Omissão de Rendimentos do Trabalho Com Vínculo Empregatício Recebidos de Pessoa Jurídica. não contesta a Contribuinte em relação a este item do Auto de Infração; Acréscimo Patrimonial Descoberto (Item 002, do Auto de Infração) em relação ao acréscimo patrimonial a descoberto, apurado em conjunto com seu marido, transcreve in verbis a impugnação apresentada no Processo n° 10410.004206/200987, em que é afastada a exigência, pelas seguintes razões: (i) não foram incluídos como 'recursos/origens', nos demonstrativos de variação patrimonial dos anoscalendário de 2004 a 2006, a maior parte dos rendimentos da atividade rural, bem como os rendimentos omitidos caracterizados por depósitos bancários não justificados. Ademais, foram lançados, indevidamente, como 'dispêndios/aplicações', R$1.700.000,00 relativos à integralização de quotas do capital da Conny Indústria e Comércio de Sucos e Refrigerantes Ltda.; (ii) a fiscalização considerou apenas a receita bruta da atividade rural confirmada pelas respectivas fontes pagadoras. Que alguns dos terceiros intimados a comprovar as operações realizadas, pelo receio de produzirem provas contra si, deixaram de prestar as informações requeridas pelo Fisco; (iii) as receitas da atividade rural já oferecidas à tributação através das declarações de ajuste anual do imposto de renda não podem deixar de compor a variação patrimonial; (iv) caberia à fiscalização, se fosse o caso, glosar as receitas não positivadas pelas fontes pagadoras, como receitas da atividade rural, para tributálas como rendimentos normais; Fl. 993DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 24/03/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por NUB IA MATOS MOURA Processo nº 10410.005550/200993 Acórdão n.º 2102003.254 S2C1T2 Fl. 992 5 Que a não inclusão das receitas da atividade rural já tributadas, no acréscimo patrimonial a descoberto, configura o bis in idem, visto que uma mesma receita está sendo tributada outra vez por meio do presente lançamento; (v) que os rendimentos omitidos originados de depósitos não justificados devem ser considerados na apuração da variação patrimonial, sob pena de impor dupla incidência de imposto de renda: uma pela omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada — 'item 007' do Auto de Infração — e outra pela variação patrimonial a descoberto. Que, apesar de as distintas omissões de rendimentos — decorrentes de acréscimo patrimonial e de depósitos bancários — terem bases legais também distintas, não se justifica a não inclusão, visto que a apuração da variação patrimonial resulta da soma algébrica de todas as receitas e dispêndios ou investimentos mensais do contribuinte. Que, na coluna dos dispêndios, são incluídos todos os pagamentos realizados no período, independentemente da origem, ainda que esta origem tenha sido um cheque ou um débito em conta bancária. Que, se os rendimentos omitidos caracterizados por depósitos bancários não justificados deixarem de compor o fluxo financeiro mensal do contribuinte, a soma algébrica das entradas e saídas evidenciará a bitributação: uma com base no art. 42 da Lei n° 9.430/1996 e outra com base do art. 55, XIII, do RIR/1999. Que, ademais, a fiscalização considerou tais recursos nos Demonstrativos de fls. '629 a 636' e, no entanto, os excluiu, nos Demonstrativos de fls. '984 a 1.021', sem qualquer razão; (vi) que a autoridade fiscal considerou, em janeiro de 2004, a integralização do capital social da Conny Indústria e Comércio de Sucos e Refrigerantes Ltda., mediante aporte da quantia de R$1.700.000,00, sem verificar os fatos que efetivamente ocorreram. Que, para manter as atividades operacionais da Conny Indústria e Comércio de Sucos e Refrigerantes Ltda., seus sócios, a defendente e seu cônjuge, honraram compromissos da empresa, entre fevereiro de 2002 e dezembro de 2003, efetuando pagamentos a fornecedores de materiais e de serviços. Que tais operações estão devidamente escrituradas nos livros contábeis da Conny Indústria e Comércio de Sucos e Refrigerantes Ltda. Que, em janeiro de 2004, a Conny Indústria e Comércio de Sucos e Refrigerantes Ltda. efetuou, por equivoco, lançamento a débito da conta de 'fornecedores' e a crédito da conta de 'reservas de capital', transferindo, indevidamente, da primeira para a segunda conta contábil, os valores de R$1.300.000,00 e R$400.000,00. Na verdade, o lançamento correto seria a crédito da conta 'adiantamentos para futuro aumento de capital', ou de outra conta credora do passivo circulante. Que este equívoco, no entanto, não desmente o fato de que os sócios, com recursos próprios, efetuaram pagamentos aos fornecedores da Conny Indústria e Comércio de Sucos e Refrigerantes Ltda., em datas muito anteriores a 31/01/2004. Que o simples lançamento contábil da transferência, nas contas, não autoriza o Fisco a considerar como dispêndio este valor, na data do lançamento. Fl. 994DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 24/03/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por NUB IA MATOS MOURA 6 Que, em homenagem ao princípio da verdade material e considerandose que o ônus de provar a existência de variação patrimonial a descoberto é da fiscalização, deve ser acolhida a apuração elaborada pela defesa, 'conforme docs. 01 a 03 (fls. 394 a 397). Cita jurisprudência administrativa em apoio a suas alegações; Omissão de ganhos de capital na alienação de ações/quotas não negociadas em bolsa alega a Contribuinte que, em relação aos ganhos de capital, apresenta a mesma impugnação ofertada por seu cônjuge no Processo n° 10410.004206/200987, verbis: (i) a infração foi fundamentada, única e exclusivamente, na desconsideração do 'Laudo de Reavaliação' do ativo imobilizado da Conny Indústria e Comércio de Sucos e Refrigerantes Ltda. (fls. 1.041 a 1.052); (ii) a Conny Indústria e Comércio de Sucos e Refrigerantes Ltda. Reavaliou seu ativo imobilizado em julho de 2005, constituindo reserva de reavaliação no valor de R$19.460.000,00, incorporada ao capital social em 20/12/2005, conforme cláusula I da Alteração Contratual n° 08 (fls. 163 a 168); (iii) em razão da referida capitalização, a participação societária do impugnante passou de R$3.400.000,00 para R$18.836.000,00, em 20/12/2005; (iv) a fiscalização não questionou o valor de mercado do ativo imobilizado da Conny Indústria e Comércio de Sucos e Refrigerantes Ltda. constante do Laudo de Reavaliação elaborado pela SM Consultoria Integrada, desconsiderandoo por entender que o aludido Laudo não preencheria os requisitos formais. Que a validade do Laudo relativo à Conny Indústria e Comércio de Sucos e Refrigerantes Ltda. deve ser questionada junto àquela empresa, e não ao patrimônio do impugnante, visto que o procedimento fiscal ora em julgamento não trata de aspectos relacionados à pessoa jurídica. Desta forma, a constatação de eventuais erros praticados pela Conny Indústria e Comércio de Sucos e Refrigerantes Ltda., em relação à reavaliação de seu ativo imobilizado, não pode produzir efeitos nas pessoas físicas de seus sócios; (v) se o Laudo não satisfizesse os requisitos legais, o valor da reavaliação deveria ter sido adicionado ao lucro líquido da pessoa jurídica, no caso, a Conny Indústria e Comércio de Sucos e Refrigerantes Ltda., no respectivo período de apuração, para fins de determinação do lucro real. Assim, a inobservância dos requisitos formais da reavaliação implicaria apenas o cancelamento do diferimento da tributação, jamais a anulação da capitalização, mesmo porque a participação societária dela decorrente já estaria consolidada na propriedade dos sócios; (vi) houve erro de sujeito passivo em relação aos efeitos tributários da pretendida desconsideração do Laudo de Reavaliação em questão. Caso procedesse a nulidade da reavaliação do ativo imobilizado da Conny, a reserva de reavaliação seria adicionada ao lucro líquido do período de apuração para efeito de determinar o lucro real, conforme alínea 'h', §1º, do art. 43 do DecretoLei n° 5.844/1943 e art. 1° da Lei n° 154/1947; (vii) a capitalização da reserva de reavaliação da Conny não pode ser simplesmente desconsiderada, pois sua consequência é o cancelamento do diferimento da tributação, e não os reflexos na pessoa física de seus sócios, por conta de eventual inobservância de requisitos formais do Laudo de Reavaliação, a teor do §3º do art. 434 do RIR/1999; Fl. 995DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 24/03/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por NUB IA MATOS MOURA Processo nº 10410.005550/200993 Acórdão n.º 2102003.254 S2C1T2 Fl. 993 7 (viii) não foi citado o enquadramento legal da suposta infração fiscal praticada pela pessoa física, mas apenas os artigos 126, 130 e 142 do RIR/99, cujos dispositivos regulamentares não tem vinculação com os fatos descritos no auto de infração; (ix) foi indevidamente qualificada a multa de ofício, pois não há qualquer evidência de que a impugnante tenha deixado de oferecer rendimentos a tributação através de artifícios fraudulentos. Tanto a empresa Conny Indústria e Comercio de Sucos e Refrigerantes Ltda., quanto o defendente, agiram rigorosamente conforme a legislação tributária, visto que o núcleo da acusação fiscal reside na inobservância, pela empresa, dos requisitos formais do Laudo de Reavaliação elaborado pela SM Consultoria Integrada. Que não há a mínima prova da presença de intuito de fraude; (x) as parcelas de n° 19 a 34, no valor de R$4.919.762,08, foram recebidas pela empresa Santo Aleixo Empreendimentos e Participações Ltda., CNPJ 09.226.490/0001 13, a título de integralização de capital. De acordo com a cláusula V do contrato de constituição da empresa, a impugnante e seu marido subscreveram 13.220.000 quotas de capital, no valor de R$13.220.000,00, sendo que 7.389.643,11 foram integralizados através da cessão dos créditos objeto do Instrumento Particular de Compra e Venda de Quotas Sociais firmado entre a empresa Primo Schincariol Indústrias de Cervejas e Refrigerantes do Nordeste S/A, em 28/04/2006, envolvendo as quotas integrantes do capital social da Conny Indústria e Comércio de Sucos e Refrigerantes Ltda.; (xi) em relação à cessão dos créditos oriundos das parcelas 19ª a 34ª, transferidas pelo mesmo valor constante da declaração de bens, não houve qualquer ganho de capital, seja pela impugnante ou por seu cônjuge, a teor do art. 23 da Lei n° 9.249/1995; Dedução Indevida de Despesas Médicas (Item 004, do Auto de Infração) defende ainda que, quanto as glosas de despesas médicas, a Contribuinte não localizou o respectivo comprovante de pagamento; Omissão de Rendimentos Caracterizada por Depósitos Bancários com Origem não Comprovada (Item 005, do Auto de Infração) aduz a Contribuinte que, relativamente aos depósitos de origem não comprovada, resta demonstrado que a fiscalização deixou de reconhecer os rendimentos comuns do casal e as receitas da atividade pecuária. Que a fiscalização acatou a totalidade da receita oriunda da atividade rural oferecida à tributação, não havendo sentido em desconsiderála na apuração dos depósitos bancários. Que, em relação aos valores depositados pelo cônjuge, a comprovação torna se praticamente impossível para casados sob regime de comunhão parcial de bens, pois os casais não emitem recibos dando quitação de depósitos efetuados ou se comprometendo a efetuar depósitos; (i) que houve descumprimento do disposto no Decreto n° 3.724/2001, já que a auditoria fiscal não atendeu as formalidades instituídas pelo referido decreto. Cita Fl. 996DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 24/03/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por NUB IA MATOS MOURA 8 jurisprudência do então Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, firmando entendimento quanto à necessidade de atendimento a tais formalidades; (ii) que os extratos bancários da impugnante foram obtidos sem autorização judicial, implicando a nulidade do lançamento devido à ilicitude do procedimento fiscal, (iii) que o lançamento tributário deve ser pautado pelos princípios da legalidade e da verdade material, a fim de ser verificada a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária; Reproduz, em apoio às suas alegações, o art. 42 da Lei n° 9.430/1996, o art. 4° da Lei n° 9.481/1997, o art. 58 da Lei n° 10.637/2002, além do texto da Instrução Normativa SRF n° 246/2002; (iv) que a fiscalização não atentou para os limites previstos no art. 4º da Lei n° 9.481/1997, que alterou os valores consignados no §3° do inciso II do art. 42 da Lei n° 9.430/1996; (v) que, a partir da edição da Lei Complementar n° 105/2001, o dever de provar a origem dos recursos creditados em contas bancárias é do Fisco, como determina seu art. 5°, §4°, especialmente em sua parte final, que derrogou o caput do art. 42 da Lei n° 9.430/1996; por fim, pleiteia a Contribuinte pela improcedência do lançamento fiscal em comento. Na análise das alegações apresentadas em sede de Impugnação, os integrantes da 1ª Turma da DRJ/REC decidiram, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte a impugnação, mantendose parcialmente o crédito tributário, em consonância com o voto da il. Relatora, que concluiu o seguinte: Da conclusão 85. Ante o exposto, e considerando tudo o mais que do processo consta, VOTO pela PROCEDÊNCIA EM PARTE da impugnação, considerando devidos: 85.1 o imposto de renda pessoa física, para o anocalendário de 2004, no valor de R$295.672,20 e a multa de ofício, no percentual de 75%, no valor de R$221.754,15; 85.2 o imposto de renda pessoa física, paro anocalendário de 2005, no valor de R$62.908,29 e a multa de ofício, no percentual de 75% no valor de R$47.181,21; 85.3 o imposto de renda pessoa física, para o anocalendário de 2006, conforme apurado no Auto de Infração de fls. 352 a 353 e respectivas multas de ofício, todas no percentual de 75%; 85.4 o imposto de renda pessoa física, para o anocalendário de 2009, conforme apurado no Auto de Infração de fls. 353 e respectivas multas de ofício, todas no percentual de 75%. Ressaltese que os valores de imposto e multa deverão ser exigidos com acréscimo de taxa Selic, conforme legislação que rege a matéria”. Fl. 997DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 24/03/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por NUB IA MATOS MOURA Processo nº 10410.005550/200993 Acórdão n.º 2102003.254 S2C1T2 Fl. 994 9 Assim, extraise a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2009 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. São tributáveis os valores relativos ao acréscimo patrimonial, quando não justificados pelos rendimentos tributáveis, isentos/não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos informados para acobertar seus dispêndios gerais e aquisições de bens e direitos, que não pode ser substituída por meras alegações. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DESPESAS RELATIVAS À ATIVIDADE RURAL. ESCRITURAÇÃO NO LIVRO CAIXA. COMPROVAÇÃO. Devem ser considerados como aplicações de recursos no demonstrativo de análise da evolução patrimonial do contribuinte os valores relativos às despesas decorrentes da atividade rural escrituradas no Livro Caixa e nos meses em que efetivamente elas ocorreram, conforme comprovação documental acostada ao processo. DEDUÇÃO DE DEPENDENTE. ADMISSIBILIDADE O responsável pelo pagamento da pensão alimentícia não pode efetuar a dedução do valor correspondente a dependente, exceto na hipótese de mudança na relação de dependência no decorrer do anocalendário. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CRÉDITOS DE VALOR ABAIXO DO LIMITE LEGAL. No caso de pessoa física não devem ser considerados, para fins de apuração da omissão de rendimentos, os créditos de valor Fl. 998DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 24/03/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por NUB IA MATOS MOURA 10 individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00 (oitenta mil Reais). GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. CUSTO DE AQUISIÇÃO. Está sujeita ao pagamento do imposto a pessoa física que auferir ganhos de capital na alienação de participações societárias, considerandose, como custo de aquisição, o aumento de capital por incorporação de reservas, no que corresponder ao sócio beneficiário, e desde que devidamente tributado na pessoa jurídica. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2004, 2005, 2006, 2009 INCIDÊNCIA DE MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2004, 2005, 2006, 2009 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RECLASSIFICAÇÃO DE RENDIMENTOS. GLOSA DE DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. MATÉRIAS NÃO CONTESTADAS. Reputamse não contestadas as matérias, quando o contribuinte não menciona, em sua impugnação, as infrações apontadas ou concorda com as razões que ensejaram o lançamento de ofício. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas pelos órgãos colegiados não se constituem em normas gerais, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A Contribuinte teve ciência de tal decisão, e contra ela interpôs o Recurso Voluntário de fls. 458/491, pelo qual reiterou integralmente as alegações contidas em sua Impugnação, ressaltando ainda – em suma: que o acréscimo patrimonial a descoberto teria sido apurado em conjunto com os bens e rendimentos do cônjuge da Contribuinte, cabendo a cada um deles 50% do total; que o Recurso Voluntário apresentado por seu cônjuge no Processo Administrativo Fiscal nº 10410.004206/200987, ficou definitivamente afastada a existência de acréscimo patrimonial a descoberto, verbis: a) Quanto a inclusão dos rendimentos da atividade rural 2.2. O acórdão recorrido deixou de reconhecer a inclusão da totalidade dos rendimentos da atividade rural, sob o argumento de que o Fl. 999DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 24/03/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por NUB IA MATOS MOURA Processo nº 10410.005550/200993 Acórdão n.º 2102003.254 S2C1T2 Fl. 995 11 impugnante se limitou ‘a alegar, genericamente, que os valores declarados não foram computados, em sua integralidade, nos demonstrativos de variação patrimonial a descoberto, sem indicar qual rendimento, correspondente a qual documento comprobatório, teria sido desconsiderado pelo Fisco’ (item 39.9. do acórdão recorrido). 2.3. Senhores Conselheiros! Esse argumento do acórdão recorrido não faz o menor sentido. Afinal, não está em discussão a tributação favorecida dos rendimentos da atividade rural. 2.4. O recorrente reclamou, isso sim, da não inclusão desses rendimentos no demonstrativo de sua variação patrimonial. A fiscalização, como se viu, considerou apenas a parte desses rendimentos comprovada através de notas fiscais do produtor. 2.5. Como é do conhecimento dos operadores do direito tributário, não há qualquer norma legal que vede a inclusão dos rendimentos não devidamente comprovados, na demonstração da variação patrimonial, ainda que tais rendimentos tenham sido oferecidos à tributação através da declaração de rendimentos, como no caso em tela. 2.6. Aliás, na falta de amparo legal, o acórdão recorrido se valeu dos artigos 60 e 61, §5º, do RIR/99, cujos dispositivos tratam da apuração dos resultados da atividade rural, portanto, nada tem a ver com a tributação de acréscimos patrimoniais a descoberto. 2.7. Assim, a totalidade dos rendimentos da atividade rural obtidos pelo recorrente, porque oferecidos à tributação através das respectivas declarações de rendimentos, devem ser incluídos no seu fluxo mensal, para fins de apuração da variação patrimonial. O fato de não estarem comprovados por documentos usualmente utilizados, tais como nota fiscal do produtor, nota fiscal de entrada, nota promissória rural vinculada à nota fiscal do produtor e demais documentos reconhecidos pelas fiscalizações estaduais, não tem a menor importância para fins de comprovação de acréscimo patrimonial. b) Quanto à inclusão dos rendimentos omitidos caracterizados pelos depósitos bancários não justificados. 2.8. No item 40.1. o acórdão recorrido notícia que, ‘Dos Demonstrativos de Variação Patrimonial a Descoberto de fls. 984 a 1.021, vêse que foram considerados, como recursos, as omissões de rendimentos decorrentes de créditos ocorridos nas contas bancárias de titularidade do contribuinte, bem como naquelas de titularidade do cônjuge, Sra. Ana Weruska, de origem não justificada’. 2.9. Talvez pela pressa do julgamento, ou por máfé mesmo, o acórdão recorrido não enxergou que a fiscalização, em momento algum, incluiu nos Demonstrativos de Variação Patrimonial a Descoberto, de fls. 984 a 1.021, as omissões de rendimentos Fl. 1000DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 24/03/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por NUB IA MATOS MOURA 12 decorrentes de créditos ocorridos nas contas bancárias de titularidade do recorrente e de sua esposa, Sra. Ana Weruska. 2.10. Com uma simples passada de olhos no Quadro ‘A — RECURSOS/ ORIGENS’, podese constatar facilmente que a fiscalização incluiu naquele Quadro os ‘Saldos Bancários credores em cc no fim do mês (fls. 757/759’ que é coisa bem diferente dos rendimentos decorrentes de créditos de origem não justificadas. 2.11. Com efeito, o art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, considera como omissão de receita ou de rendimento, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. 2.12. No caso em tela, a fiscalização considerou como omissão de rendimentos decorrentes de créditos de origem não justificadas (item 07 do Auto de Infração), nos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006, respectivamente, as quantias de R$896.724,57, R$651.753,44 e R$564.479,64. 2.13. Assim, considerando que tais valores foram submetidos à tributação de ofício, por se tratarem, segundo a visão do fisco, de rendimentos omitidos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada, devem ser incluídos no Demonstrativo Mensal de Variação Patrimonial, sob pena de configurarse o bis in idem, na medida em que haveria mais de uma incidência tributária sobre um mesmo fato gerador, como, aliás, ensina a douta relatora do acórdão recorrido. 2.14. Sem a menor sombra de dúvidas, os rendimentos omitidos decorrentes dos depósitos bancários de origem não comprovada, desde que submetidos à tributação de ofício, como no caso em tela, justificam o acréscimo patrimonial do contribuinte. É o que revela o art. 20, da Lei nº 8.134, de 1990, verbis: ‘Art. 20. Para efeito de justificar acréscimo patrimonial dos contribuintes a que se referem os artigos 9º e 10 da Lei nº 7.713, de 1988, somente será considerado o valor correspondente à parcela sobre a qual houver incidido o Imposto sobre a Renda, em cada anobase’. 2.15. Assim, não tem cabimento, nem amparo legal, deixar de incluir na Demonstração Mensal da Variação Patrimonial, todos os rendimentos obtidos pelo contribuinte, ainda que submetidos à tributação de ofício, ante a possibilidade de a sua ausência resultar em acréscimo patrimonial a descoberto (omissão de rendimentos) caracterizandose o bis in idem. Ou seja, mais de um lançamento de ofício sobre o mesmo rendimento. c) Quanto à exclusão da integralizacão das quotas da Conny 2.16. Como revelado na impugnação, para manter as atividades operacionais da Conny, os seus sócios, o recorrente e sua esposa, entre fevereiro de 2002 e dezembro de 2003, tiveram que honrar compromissos daquela empresa, no montante de R$1.700.000,00 (um milhão e setecentos mil reais). Os Fl. 1001DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 24/03/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por NUB IA MATOS MOURA Processo nº 10410.005550/200993 Acórdão n.º 2102003.254 S2C1T2 Fl. 996 13 pagamentos aos fornecedores de materiais e serviços, nos anos calendário de 2002 e 2003, mediante a utilização de recursos dos sócios, estão devidamente escriturados nos livros contábeis da Conny, como provam os extratos do Razão Analítico, encartados às fls. 617/618, do vol. IV (Processo). 2.17. Em relação a esse fato, no Termo de Verificação Fiscal, às fls. 1.118, os d. autuantes, escreveram: ‘Devidamente intimada, a empresa Primo Schincariol apresentou o livro Diário nº 01, de 2004, em cujas folhas 50 encontramse dois lançamentos pertinentes, de R$1.300.000,00 e R$400.000,00, com créditos à conta 24501 (Reservas de Capital) e débitos à conta 80001 (Fornecedores), conforme expresso, também, no Razão Analítico do mesmo ano, às fls. 35 (débito de fornecedores) e fls. 134, créditos a Reservas de Capital’. 2.18. É fato incontroverso, que o contador da citada empresa, ao efetuar tais lançamentos contábeis (a débito de fornecedores e a crédito de reserva de capital), tentou baixar as duplicatas pagas no anocalendário de 2003, mediante a utilização de recursos, sem origem; fornecidos pelos sócios da empresa, e ainda, com esses recursos aumentar o capital social, em R$1.700.000,00. Ou seja, reconheceu que, no saldo da conta de fornecedores vindo de 31/12/2003, havia o montante de R$1.700.000,00 de duplicatas em aberto, porém, devidamente liquidadas. 2.19. É incontroverso, também, que a fiscalização não teve interesse no aprofundamento da investigação nesse sentido, ou seja, de omissão de rendimentos no anocalendário de 2003, no valor de R$1.700.000,00, preferindo tributar aquela omissão, através da variação patrimonial a descoberto do anocalendário de 2004. 2.20. Os d. autuantes não perceberam que, mesmo nos acréscimos patrimoniais a descoberto, corre o prazo decadencial em relação aos rendimentos omitidos em períodos anteriores. 2.21. Com efeito, a teor do art. 173, I, do CTN, as autoridades lançadoras tinham até o dia 31/12/2008 para lançar de ofício o crédito tributário relativo à omissão de rendimentos ocorrida no anocalendário de 2003, da ordem de R$1.700.000,00, cujo montante foi utilizado no pagamento de compromissos da Conny. 2.22. Aliás, a decadência do presente lançamento, possível omissão de rendimentos ocorrida no anocalendário de 2003, foi agitada na fase impugnatória, mas o acórdão recorrido preferiu ignorála, talvez porque não tivesse mesmo como negála. 2.23. É fato que, o presente auto de infração, somente veio a ser emitido em 20/08/2009, o que implicou, desenganadamente, na decadência do direito do fisco de incluir nos cálculos da variação patrimonial, os rendimentos omitidos no ano calendário de 2003, no valor de R$1.700.000,00, que deram ensejo ao aumento de capital da empresa Conny. Fl. 1002DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 24/03/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por NUB IA MATOS MOURA 14 2.24. Assim, impõese a essa Egrégia Corte Administrativa, que reconheça apenas a existência da variação patrimonial negativa, da ordem de R$5.611,37, no mês de janeiro do anocalendário de 2004, conforme ‘Demonstrativos da Variação Patrimonial’ elaborados pelo ora recorrente, anexadas a peça impugnatória”. que em relação aos demais eventos que, de acordo com os auditores fiscais, implicaram no acréscimo patrimonial a descoberto do casal, manteve incólume o procedimento fiscal, e, desta forma, a Contribuinte adota como razões de recurso, as mesmas razões de fato e de direito expendidas pelo cônjuge, no Recurso Voluntário objeto do Processo Administrativo Fiscal nº 10410.004206/200987, transcritas acima; quanto ao Ganho de Capital na Alienação de Bens e Direitos, a Contribuinte reitera o alegado em sua Impugnação, ressaltando também que, com exceção do agravamento da multa, o acórdão recorrido não teria enfrentado com seriedade os argumentos de defesa da Contribuinte, mantendose a acusação fiscal; defende a Contribuinte que o acórdão recorrido teria mantido o procedimento fiscal, confundindo a tributação do ganho de capital da pessoa jurídica com o ganho de capital da pessoa física, sendo que o art. 52, da Lei nº 9.430, de 1996, trataria do custo de aquisição dos bens e direitos da pessoa jurídica, cuja aplicação deve ser observada quando da alienação de bens realizados, não se aplicando, portanto, aos casos de incorporação ao capital social da respectiva reserva de reavaliação, como seria o caso, logo, a alienação de ativos da empresa não se confunde com a incorporação da reserva de reavaliação eventualmente originada desses ativos, e reitera os termos de sua impugnação; em relação às Deduções de Base de Cálculo, a Contribuinte informa tratar se de dedução do pagamento de despesas médicas, não comprovadas, não tendo localizado os respectivos comprovantes de pagamento da quantia de R$1.888,56, o que deu ensejo ao lançamento de ofício, cujo procedimento malferiu o princípio da razoabilidade; reitera ainda a Contribuinte que, em relação aos Depósitos Bancários de Origem Não Comprovadas, a movimentação bancária da Contribuinte teria origem nos rendimentos comuns ao casal e na sua atividade pecuária, sendo que estas informações teriam sido desconsideradas pela fiscalização, sem prova ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão; relata também que a fiscalização teria reconhecido a totalidade da receita oriunda da atividade rural oferecida à tributação, não tendo sentido desconsiderála na apuração dos depósitos bancários sem origem comprovada, e que, quanto aos valores depositados pelo cônjuge, a comprovação de sua origem, mediante documento hábil e idôneo, é praticamente impossível, já que não foi emitido qualquer documento, público ou particular, dando quitação, ou se comprometendo a depositar nas contas bancárias do outro cônjuge, pequenas despesas para cobrir as despesas do lar; disserta ainda que a partir da edição da Lei Complementar nº 105 de 2001, o dever de provar a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira voltou a ser do fisco, sendo assim, não poderia mais ser dito que é do contribuinte o ônus de provar dos recursos utilizados em depósitos bancários, e que deveria administração pública buscar a verdade material para descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador; relata ainda a Contribuinte que os auditores fiscais teriam obtido seus extratos bancários sem a devida autorização judicial, o que implicaria na nulidade do Fl. 1003DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 24/03/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por NUB IA MATOS MOURA Processo nº 10410.005550/200993 Acórdão n.º 2102003.254 S2C1T2 Fl. 997 15 lançamento, devido à ilicitude do procedimento fiscal, assim, expurgandose dos autos as provas obtidas por meio ilícito, o lançamento em questão se tornaria insubsistente por falta de provas; diante de todo o exposto, a Contribuinte postula a improcedência do lançamento fiscal, com o provimento integral do seu recurso, culminando com o cancelamento do Auto de Infração. Assim, os autos foram remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora A contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 29.06.2010, como atesta o AR de fls. 458/491. O Recurso Voluntário foi interposto em 27.07.2010 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão que manteve em parte lançamento decorrente da apuração das seguintes infrações: i) omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídica; ii) acréscimo patrimonial a descoberto; iii) ganho de capital na alienação de ações; iv) dedução indevida de despesas médicas; v) depósitos bancários de origem não comprovada; e vi) classificação indevida de rendimentos na DIRPF. A omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica (item i), dedução indevida de despesas médicas (item iv) e a classificação indevida de rendimentos na DIRPF (item vi) não foram objeto de impugnação pela Recorrente e por isso não são objeto de Recurso Voluntário. Para facilitar a compreensão da análise das demais matérias, passase à análise de cada um deste itens em separado, como se segue. Acréscimo patrimonial a descoberto Quanto ao acréscimo patrimonial a descoberto, a exigência imputada à Recorrente corresponde à 50% da exigência efetuada em nome de seu marido Olavo Calheiros Filho, como se depreende do seguinte trecho do Termo de Verificação Fiscal: Visando a economia processual, aproveitase o fato de esta apuração da variação patrimonial a descoberto ter sido feita em conjunto com o seu marido que recebeu uma autuação com os anexos, para deixar de juntálos neste lançamento, realizando apenas a transcrição dos fatos apurados, de acordo com aquela autuação. Juntaramse as planilhas mensais (folha 249 a 284) Fl. 1004DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 24/03/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por NUB IA MATOS MOURA 16 com a ressalva de que para cada receita ou despesa, na planilha acima citada há a indicação da documentação probante e sua localização (número da folha) no processo do marido da contribuinte, Olavo Calheiros Filho, CPF 140.317.36487. Como ambos contrataram o mesmo advogado para defendelos na possível autuação derivada da presente auditoria, não haverá prejuízo para a defesa, pois ainda que só a contribuinte resolva impugnar o lançamento, todo material necessário para examinar este ponto da exigência fiscal estará ao seu dispor. Contra esta parte do lançamento, a Recorrente usa basicamente três argumentos, que são: i) a necessidade de incluir os rendimentos da atividade rural declarados na apuração da variação patrimonial; ii) a necessidade de incluir os depósitos bancários que ensejaram a tributação com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96 neste mesmo lançamento como origem para a apuração da variação patrimonial; e iii) a exclusão do montante de R$ 1.700.000,00 considerados com dispêndio em janeiro de 2004, relativo à integralização do capital na empresa Conny. A decisão recorrida rechaçou estes seus três argumentos de forma fundamentada, como se depreende dos trechos abaixo transcritos: Quanto aos rendimentos da atividade rural: 23.4 Logo, verificase que a fiscalização considerou como origens/recursos os valores das receitas originadas da atividade rural, comprovadas por meio da documentação correspondente. (...) 23.8 A autoridade fiscal, em diligências realizadas para buscar as provas que deveriam ter sido apresentadas pelo sujeito passivo, obteve comprovação apenas de parte dos valores declarados com oriundos da atividade rural pelo cônjuge da fiscalizada, como descrito is fls. 1.107 e 1.108 do Termo de Verificação Fiscal anexado ao Processo n° 10410.004206/2009 87. Reiterese que tais receitas do cônjuge — comprovadas — foram devidamente consideradas como origens/recursos nos correspondentes Demonstrativos de Variação Patrimonial. (...) 23.9 Não há, portanto, como atender ao pleito da impugnante, visto que todos os rendimentos da atividade rural, desde que comprovados, foram inseridos como recursos/origens, nos referidos demonstrativos. 24. Relativamente aos valores a serem considerados nos demonstrativos de apuração da variação patrimonial, observase que a fiscalização procedeu ao lançamento, a titulo de reclassificação das receitas da atividade rural não comprovadas, nos anoscalendário de 2004 e de 2005, submetendoas à tributação. Fl. 1005DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 24/03/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por NUB IA MATOS MOURA Processo nº 10410.005550/200993 Acórdão n.º 2102003.254 S2C1T2 Fl. 998 17 24.1 Tal infração não foi contestada pela contribuinte, conforme se verifica is 366 a 391. 24.2 Entendo que, uma vez submetidas à tributação as parcelas não comprovadas da atividade rural, indevidamente informadas como oriundas da atividade rural nas declarações de ajuste anual dos anoscalendário de 2004 e de 2005, devem ser tais valores, considerados como recursos da contribuinte nos respectivos meses, para fins de apuração do acréscimo patrimonial a descoberto. (...) Quanto aos depósitos bancários: 25.1 Dos Demonstrativos de Variação Patrimonial a Descoberto de fls 410 fls. 249 a 284, vêse que foram consideradas, como recursos, as omissões de rendimentos decorrentes de créditos ocorridos nas contas bancárias de titularidade da contribuinte, bem como naquelas de titularidade do cônjuge, Sr. Olavo Calheiros, de origem não justificada. 25.2 Os depósitos bancários de origem não comprovada referentes is contas de titularidade da impugnante constam do Termo de Verificação Fiscal de fls. 304 a 305, para o ano calendário de 2004, de 306 a 307 para o anocalendário de 2005, e de fls. 310 para o anocalendário de 2006. (...) 25.5 — Concluindo, não procede a alegação da defesa de que os valores tributados a titulo de depósitos bancários de origem não justificada não foram incluídos como recursos nos Demonstrativos de apuração da variação patrimonial a descoberto. Afastada, portanto, a alegação de bis in idem. Quanto à integralização do capital: 26.2 Ou seja, ao contrario do que afirma a defesa, não houve a devida contabilização dos pagamentos que os sócios teriam efetuado em favor da empresa, em 2002 e em 2003. (...) 26.4 — Concentrandose nos fatos ocorridos durante o ano calendário de 2004, visto que o Fisco entendeu ter havido aplicação/dispêndio, pela contribuinte e seu cônjuge, no valor de R$ 1.700.000,00, em janeiro de 2004, conforme demonstrativo de variação patrimonial a descoberto de fls. 250, verificase que, neste mês, havia saldo na conta 'fornecedores'da Conny — Comercio e Indústria de Sucos e Refrigerantes Ltda. Observase que a impugnante informa que este registro contábil está incorreto, pois o saldo deveria estar registrado na conta 'reservas para aumento de capital'. No entanto, tal erro, se houve, tornase irrelevante para fins do presente julgamento. Fl. 1006DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 24/03/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por NUB IA MATOS MOURA 18 26.5 Isto porque não há contestação por parte da contribuinte, de que ela, juntamente com o cônjuge, eram detentores de direito junto i Conny Comércio e Indústria de Sucos e Refrigerantes Ltda, em janeiro de 2004, no montante de R$ 1.700.000,00. Também não há qualquer dúvida de que este valor foi utilizado para realização do aumento de capital social da referida empresa, com consequente aumento de valor das participações societárias da defendente e de seu cônjuge. 26.6 Segundo informa a própria impugnante, tal crédito teria se originado da realização de diversos pagamentos por ela, e seu cônjuge, efetuados em favor da empresa, que teriam chegado ao montante de R$ 1.700.000,00, em 31/01/2004. Ora, este valor é um direito da contribuinte — e de seu cônjuge , perante a Conny Comércio e Indústria de Sucos e Refrigerantes Ltda e fazia parte de seu patrimônio, em 31/01/2004. (...) 26.8 Assim, o que hi, como fato incontroverso, é a aquisição de um patrimônio — representado não por um bem, como um imóvel, mas por um direito, junto i Conny — em 31/01/2004, de propriedade da contribuinte e de seu cônjuge, no valor de R$ 1.700.000,00. Ressaltese, ademais, que tal direito converteuse em um bem — participações societárias — conforme 7ª Alteração Contratual de fls. 117 e 118 do Processo n° 10410.004206/200987, em 27/01/2005, quando os recursos foram transferidos contabilmente para a conta do capital social da Conny. Com base nos fundamentos acima, temse que a decisão recorrida entendeu pela exclusão do lançamento apenas daqueles rendimentos da atividade rural que haviam sido objeto de reclassificação neste mesmo lançamento, sendo que as receitas da atividade rural devidamente comprovadas já haviam sido excluídas pela própria autoridade fiscal. Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente insiste que deveriam ser incluídos no quadro de variação patrimonial (como origem) a totalidade dos rendimentos declarados da atividade rural, independentemente de terem sido ou não comprovados. Tal pretensão não merece acolhida. Isto porque, na realidade, a totalidade dos valores declarados pela Recorrente como decorrentes da atividade rural já foi aceita como origem na apuração da variação patrimonial, considerando que: os valores comprovados já foram considerados pela autoridade fiscal (cf. Notas Fiscais apresentadas durante o procedimento fiscal); e os valores que foram objeto de autuação no item relativo à reclassificação dos rendimentos, por falta de comprovação (item 6 do Auto de Infração) – correspondentes a 80% da receita bruta da atividade rural, foram aceitos como origem pela decisão recorrida. Assim, nada mais há que acolher quanto aos rendimentos da atividade rural – mormente porque as receitas acolhidas pela autoridade fiscal somam um valor maior do que aqueles declarados pela própria Recorrente como recebida a este título. Fl. 1007DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 24/03/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por NUB IA MATOS MOURA Processo nº 10410.005550/200993 Acórdão n.º 2102003.254 S2C1T2 Fl. 999 19 O segundo pedido da Recorrente é para que os valores lançados como omissão por depósitos bancários sejam aceitos como origem para apuração da variação patrimonial. Neste caso, porém, a decisão recorrida já esclareceu que a autoridade fiscal já incluiu tais valores por ocasião do lançamento, razão pela qual também não há mais o que acolher aqui quanto a tal pedido. O último pedido da Recorrente no que diz respeito à apuração do acréscimo patrimonial versa sobre o dispêndio de R$ 1.700.000,00, considerados pela autoridade fiscal em janeiro de 2004 a título de integralização do capital da empresa Conny Comércio e Industria de Sucos e Refrigerantes Ltda.. Quanto a este ponto, alega que o dispêndio deste montante ocorrera nos anos anteriores (2002 e 2003), mas que já não mais poderia ser objeto de lançamento, em face da decadência do direito do Fisco por ocasião da lavratura do Auto de Infração aqui em debate. Com efeito, se restassem comprovadas as alegações da Recorrente neste sentido, então sua pretensão poderia ser acolhida. No entanto, esta prova não foi feita, o que levou a decisão recorrida a negar provimento à pretensão da Recorrente, com base nos seguintes fundamentos: 26.4 — Concentrandose nos fatos ocorridos durante o ano calendário de2004, visto que o Fisco entendeu ter havido aplicação/dispêndio, pela contribuinte e seu cônjuge, no valor de R$ 1.700.000,00, em janeiro de 2004, conforme demonstrativo de variação patrimonial a descoberto de fls. 250, verificase que, neste mês, havia saldo na conta 'fornecedores' da Conny — Comercio e Indústria de Sucos e Refrigerantes Ltda. Observase que a impugnante informa que este registro contábil está incorreto, pois o saldo deveria estar registrado na conta 'reservas para aumento de capital'. No entanto, tal erro, se houve, tornase irrelevante para fins do presente julgamento. 26.5 Isto porque não há contestação por parte da contribuinte, de que ela, juntamente com o cônjuge, eram detentores de direito junto i Conny Comércio e Indústria de Sucos e Refrigerantes Ltda, em janeiro de 2004, no montante de R$ 1.700.000,00. Também não há qualquer dúvida de que este valor foi utilizado para realização do aumento de capital social da referida empresa, com consequente aumento de valor das participações societárias da defendente e de seu cônjuge. 26.6 Segundo informa a própria impugnante, tal crédito teria se originado da realização de diversos pagamentos por ela, e seu cônjuge, efetuados em favor da empresa, que teriam chegado ao montante de R$ 1.700.000,00, em 31/01/2004. Ora, este valor é um direito da contribuinte — e de seu cônjuge , perante a Conny Comércio e Indústria de Sucos e Refrigerantes Ltda e fazia parte de seu patrimônio, em 31/01/2004. 26.7 Intimado a comprovar a origem deste direito/patrimônio, como descrito is fls. 321 a 322 do Termo de Verificação Fiscal, o cônjuge da contribuinte declarouse, por diversas vezes, Fl. 1008DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 24/03/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por NUB IA MATOS MOURA 20 impossibilitado de fazêlo, como se constata, por exemplo, nos trechos abaixo transcritos: (...) 26.8 Assim, o que há, como fato incontroverso, é a aquisição de um patrimônio — representado não por um bem, como um imóvel, mas por um direito, junto a Conny — em 31/01/2004, de propriedade da contribuinte e de seu cônjuge, no valor de R$ 1.700.000,00. Ressaltese, ademais, que tal direito converteuse em um bem — participações societárias — conforme 7ª Alteração Contratual de fls. 117 e 118 do Processo n° 10410.004206/200987, em 27/01/2005, quando os recursos foram transferidos contabilmente para a conta do capital social da Conny. 26.9 Isto é, inclusive, o que afirma o cônjuge da contribuinte is fl s. 625 do Processo n° 10410.004206/200987: "Quanto ao aumento de capital da Conny, no valor de R$ 1.700.000,00 (.), reitera que, conforme provam os extratos do Livro Razão' apresentados anteriormente a essa fiscalização, tal aumento de capital tem origem em créditos dos sócios junto aquela empresa, oriundos de pagamentos de duplicatas de fornecedores, erroneamente lançados em 'Reservas de Capital'. 26.10 Apenas a titulo exemplificativo, suponhase que a contribuinte e seu cônjuge dispusessem, em janeiro de 2004, de um imóvel no valor de R$ 1.700.000,00, sem justificativa da origem dos recursos utilizados em sua aquisição. 0 tratamento tributário teria sido exatamente o mesmo, visto que tal imóvel ingressaria como patrimônio a descoberto em qualquer demonstrativo de variação patrimonial. Como a Recorrente não logrou comprovar suas alegações e nem tampouco contraditar a motivação da decisão recorrida (eis que apenas reiterou as razões utilizadas por seu cônjuge no processo contra ele instaurado), deve ela ser mantida. Vale ressaltar que o processo decorrente da impugnação ao lançamento efetuado em face do cônjuge da Recorrente (que correspondeu a 50% da variação patrimonial a descoberto do casal) já foi apreciado pela 2ª Turma da 2ª Camara desta Segunda Seção, ocasião em que foi negado provimento ao Recurso Voluntário interposto no que diz respeito aos itens acima analisados (Acórdão nº 2201002.338). Ganho de capital na alienação de ações Nesta parte do lançamento, a fiscalização considerou que a Recorrente e seu marido teriam omitido o imposto incidente sobre o ganho de capital relativo à venda em sua participação societária na já citada empresa Conny Ind e Comercio. Em sua defesa, a Recorrente sustenta que a reserva de reavaliação feita na empresa deveria ter sido considerada no custo de aquisição para fins de apuração do respectivo ganho de capital. Tal pretensão foi rechaçada pela decisão recorrida de forma bem fundamentada, e mais uma vez a Recorrente não logrou contraditar tais argumentos. Eis o que motivou a negativa de sua pretensão pela decisão em tela: 63. Concluindo, entendo não comprovado o custo de aquisição das quotas da Conny Comércio e Indústria de Sucos e Fl. 1009DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 24/03/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por NUB IA MATOS MOURA Processo nº 10410.005550/200993 Acórdão n.º 2102003.254 S2C1T2 Fl. 1000 21 Refrigerantes Ltda, de propriedade da impugnante e de seu cônjuge e alienadas em 28/04/2006, como por eles atribuído (R$ 22.160.000,00). Por esta razão, o custo de aquisição das referidas quotas é aquele anterior i reavaliação do ativo da empresa (R$ 4.000.000,00). No entendimento desta julgadora, o pretendido custo de aquisição não restou comprovado pois: (i) formal, e publicamente, o valor da participação societária do contribuinte era de R$ 4.000.000,00, visto que o registro da 8 Alteração Contratual somente se deu em 10/05/2006; e (ii) não foi comprovada a tributação da reavaliação do ativo ou a tributação na realização da referida reavaliação, pelo lucro presumido ou real, respectivamente, conforme se considere o anocalendário de 2005 ou de 2006. Tal entendimento merece ser prestigiado, exatamente como ocorreu em relação ao lançamento efetuado em nome do cônjuge da Recorrente, como se depreende do seguinte trecho do acórdão que assim decidiu: O conflito aqui não é laudo como pensa o recorrente. Aqui a lide reside em saber se integra ou não ao custo de aquisição da participação societária na pessoa física, a reserva de reavaliação incorporada ao capital da empresa submetido a tributação pelo lucro presumido. Comprovou a fiscalização que na data da alienação da participação societária, a reserva de reavaliação da sociedade Conny Ind. e Com. de Sucos e Refrigerantes Ltda. não estava incorporada ao capital social. Sustentou a decisão recorrida, sem contrariedade, que a reserva de reavaliação, feita pela sociedade Conny, que se encontrava submetida ao lucro presumido, somente poderia integrar o custo de aquisição da participação societária na pessoa física do Recorrente , se essa reserva fossem incorporados ao capital e submetido a tributação na pessoa jurídica, conforme prevê o art. 52, da Lei n° 9.430, de 1996: Art.52. Na apuração de ganho de capital de pessoa jurídica tributada pelo lucro presumido ou arbitrado, os valores acrescidos em virtude de reavaliação somente poderão ser computados como parte integrante dos custos de aquisição dos bens e direitos se a empresa comprovar que os valores acrescidos foram computados na determinação da base de cálculo do imposto de renda. Observase com clareza de detalhes que, na data da alienação da participação societária, a reserva de reavaliação não estava incorporada ao capital social e não foi submetida a tributação na pessoa jurídica para permitir a integralização do custo de aquisição da pessoa física, como fez o autuado. Por essa razão, perfeitamente correto o procedimento fiscal, sem haver qualquer contrariedade e reparos na decisão recorrida, Fl. 1010DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 24/03/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por NUB IA MATOS MOURA 22 que possui riqueza detalhes da operação realizada pelo Recorrente e pela sociedade. Por estes mesmos fundamentos, deixo de acolher a pretensão da Recorrente. Depósitos bancários de origem não comprovada Quanto à parcela do lançamento decorrente dos depósitos bancários de origem não comprovada, a Recorrente alega que todos os depósitos efetuados em suas contas decorrem dos rendimentos comuns do casal (incluindo aqueles da atividade pecuária). Sua pretensão também não foi acolhida pela decisão recorrida, da qual merecem ser extraídos os seguintes trechos: 35.7 Evidenciase, por meio dos Demonstrativos de Variação Patrimonial a Descoberto de fls. 249 a 284, que a fiscalizada se enquadra no inciso V do art. 3° acima transcrito, visto que realizou, nos anoscalendário de 2004, de 2005 e de 2006, gastos ou investimentos em valor superior i renda disponível. 35.8 Não vislumbro, assim, qualquer descumprimento is formalidades ou requisitos previstos no citado decreto, reiterando que a impugnante não identificou qual ou quais teriam sido as falhas da fiscalização, neste sentido. (...) 37. Passo, a seguir, a analisar a alegação da defesa, no sentido de que a origem dos depósitos seria justificada pelos totais das receitas da atividade rural nos valores de R$ 110.000,00, no anocalendário de 2004 (fls. 290) e de R$ 83.900,00, no ano calendário de 2005 (fls. 294). No anocalendário de 2006 não houve receita declarada dessa atividade, conforme fls. 297 e 298. 37.1 Argumenta a contribuinte que a fiscalização considerou apenas as receitas da atividade rural confirmadas pelas respectivas fontes pagadoras, quando da `circularização', sem compreender que alguns dos terceiros intimados a comprovar as operações realizadas com o impugnante, pelo receio de produzirem provas contra si, deixaram de prestar as informações requeridas pelo Fisco. 37.2 As fls. 311 a 314 do Termo de Verificação Fiscal, a autoridade lançadora informa que, apesar de haver instado a contribuinte a comprovar as receitas brutas declaradas da atividade rural, nenhum dos valores informados pela contribuinte em seus anexos da atividade rural dos anos calendário de 2004 e de 2005 foi comprovado. 37.3 Não há, portanto, qualquer comprovação das referidas receitas brutas e, muito menos, que elas corresponderiam aos depósitos bancários relacionados is fls. 144 a 155. (...) 40. Alega ainda a defesa que a comprovação dos depósitos oriundos de valores depositados pelo cônjuge, é praticamente impossível para casados sob regime de comunhão parcial de Fl. 1011DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 24/03/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por NUB IA MATOS MOURA Processo nº 10410.005550/200993 Acórdão n.º 2102003.254 S2C1T2 Fl. 1001 23 bens, pois os casais não emitem recibos dando quitação de depósitos efetuados ou se comprometendo a efetuar depósitos. 41.1 — Ocorre que a fiscalização procedeu à exclusão dos valores oriundos do cônjuge, conforme trecho do Termo de Verificação Fiscal abaixo transcrito: "Tentamos verificar a coincidência de datas e valores nas saídas (Olavo) e entradas (Ana) das contas correntes. Quando houve compatibilidade ou quando a retirada da conta de Olavo suportava e era compatível com o tipo de entrada na conta de Ana, aceitouse a alegação. Deste modo, se houve um desconto de cheque de 100 na coma de Olavo e um depósito em dinheiro de 50 na conta de Ana, aceitouse a alegação". Vêse, assim, que a autoridade fiscal não exigiu a apresentação de contratos, de notas promissórias ou de recibos de quitação — documentos sem valor jurídico quando firmados entre cônjuges casados sob regime de comunhão universal ou parcial de bens — para considerar comprovados os recursos quando as origens advinham do marido. (...) Devese ressaltar que a Lei nº 9.430/96 estabeleceu uma presunção de omissão de rendimentos que, apesar de ser relativa, só pode ser revista contra a apresentação, pelo contribuinte, de documentação hábil e idônea que comprove a origem daqueles rendimentos. Por isso que para os fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1997, cabe sempre ao contribuinte o ônus de comprovar a origem dos valores transitados por sua conta bancária. Nestes casos, o ônus da prova não é mais da autoridade fiscal (no sentido de comprovar a ocorrência de eventual omissão) e sim do próprio contribuinte (de que não houve qualquer omissão). Neste sentido, aliás, este Conselho editou a Súmula nº 1, segundo a qual: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.”. Por isso que nestes casos invertese o ônus da prova, cabendo sempre ao contribuinte a obrigação de comprovar a origem dos depósitos efetuados em suas constas bancárias, sob pena de se aperfeiçoar a presunção em tela. Assim, cabe sempre ao contribuinte, no seu próprio interesse, comprovar documentalmente a origem de cada um dos depósitos efetuados em suas contas, não se podendo aceitar meras alegações, desprovidas de provas. No caso em exame, a Recorrente deixou de apontar quais seriam as origens de cada um dos depósitos efetuados em suas contas, razão pela qual se desincumbiu do ônus que a lei lhe impôs. Ademais, a decisão recorrida foi suficientemente clara e bem fundamentada, razão pela qual a Recorrente teve ciência da motivação da manutenção do lançamento, não tendo porém contraditado os termos da referida decisão. Assim, deve também ser mantida esta parcela do lançamento. Diante do exposto, VOTO no sentido de NEGAR provimento ao recurso. Fl. 1012DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 24/03/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por NUB IA MATOS MOURA 24 Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 1013DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 24/03/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por NUB IA MATOS MOURA
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Numero do processo: 37280.001971/2005-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 14 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/11/2003
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RETENÇÃO. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. FATO GERADOR. DEMONSTRAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. AUSÊNCIA.
A Lei 8.212/1991 determina que a empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mão-de-obra, observado o disposto no § 5o do art. 33 do mesmo diploma legal.
A Lei 8.212/1991 define que é cessão de mão-de-obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade-fim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação.
Portanto, para a demonstração da certeza sobre a exigência a fiscalização deve demonstrar que a cessão de mão de obra ocorreu, com todas as características que a definem.
No presente caso, não há demonstração de que a cessão de mão de obra ocorreu, motivo da ausência de que o fato gerador ocorreu, impedindo a exigência do crédito, motivo do provimento do recurso.
Numero da decisão: 2301-004.343
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Marcelo Oliveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Adriano Gonzáles Silvério - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZALES SILVERIO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, THEODORO VICENTE AGOSTINHO
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2003 a 30/11/2003 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RETENÇÃO. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. FATO GERADOR. DEMONSTRAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. AUSÊNCIA. A Lei 8.212/1991 determina que a empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mão-de-obra, observado o disposto no § 5o do art. 33 do mesmo diploma legal. A Lei 8.212/1991 define que é cessão de mão-de-obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade-fim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. Portanto, para a demonstração da certeza sobre a exigência a fiscalização deve demonstrar que a cessão de mão de obra ocorreu, com todas as características que a definem. No presente caso, não há demonstração de que a cessão de mão de obra ocorreu, motivo da ausência de que o fato gerador ocorreu, impedindo a exigência do crédito, motivo do provimento do recurso.
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RETENÇÃO. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. FATO GERADOR. DEMONSTRAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. AUSÊNCIA. A Lei 8.212/1991 determina que a empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5o do art. 33 do mesmo diploma legal. A Lei 8.212/1991 define que é cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. Portanto, para a demonstração da certeza sobre a exigência a fiscalização deve demonstrar que a cessão de mão de obra ocorreu, com todas as características que a definem. No presente caso, não há demonstração de que a cessão de mão de obra ocorreu, motivo da ausência de que o fato gerador ocorreu, impedindo a exigência do crédito, motivo do provimento do recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 37 28 0. 00 19 71 /2 00 5- 09 Fl. 406DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 09/04 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 2 Marcelo Oliveira Presidente (assinado digitalmente) Adriano Gonzáles Silvério Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZALES SILVERIO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, THEODORO VICENTE AGOSTINHO Fl. 407DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 09/04 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 37280.001971/200509 Acórdão n.º 2301004.343 S2C3T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de pedido de revisão, já analisado e aceito, interposto pela Receita Previdenciária, fls. 342 a 352, combatendo o acórdão, proferido pela 4" Câmara do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), que anulou lançamento por vicio formal. O pedido de revisão foi acatado e, posteriormente, a 5ª Câmara do Segundo Conselho determinou a conversão em diligência a fim de que a autoridade prestasse esclarecimentos sobre os TIADs emitidos na fiscalização. Foi apresentado recurso voluntário, contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Previdenciária (DRP), que negou provimento à impugnação do sujeito passivo, nos seguintes termos: “DIREITO PREVIDENCIARIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIARIA — RETENÇÃO. A teor do art. 31 da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.711/98, a empresa é obrigada a reter 11% sobre o valor bruto dos serviços contidos na nota fiscal e prestados pela contratada, mediante cessão de mãodeobra ou empreitada de mãodeobra, e recolher a importância retida na época própria ou empreitada de mãodeobra, e recolher a importância retida na época própria. RECOLHIMENTO FORA DO PRAZO. SUJEIÇÃO AOS ACRÉSCIMOS MORATóRIOS. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS recolhidas fora do prazo legal sujeitamse aos juros equivalentes ã taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia — SELIC, com fulcro no art. 34, da Lei nº 8.212/91. INCONSTITUCIONALIDADE E/OU ILEGALIDADE DA RETENÇÃO DE 11% SOBRE A NOTA FISCAL DE SERVIÇOS E DA APLICAÇÃO DO JUROS SELIC. 0 julgador de instância administrativa não possui competência para apreciar arguições de inconstitucionalidade/ilegalidade. LANÇAMENTO PROCEDENTE.” Segundo o relatório fiscal, lançamento referese a contribuições destinadas à Seguridade Social, oriundas da retenção de 11% (onze por cento), sobre os valores que pagam as empresas por serviços prestados mediante cessão de mão de obra. No caso concreto, tratase de serviços prestados pela empresa Consultor Assessoria de Planejamento Ltda. Contra o lançamento, a recorrente apresentou impugnação, acompanhada de anexos, onde argumenta, em síntese, que: Fl. 408DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 09/04 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 4 1. O indeferimento do pedido de vista dos autos fora da repartição cerceou o direito de defesa do recorrente; 2. Houve cerceamento de defesa quando não foi admitida a juntada de prova documental após a apresentação de defesa administrativa; 3. O lançamento deve ser anulado ante a ausência fundamentação da indicação da Governadora como co responsável pelo lançamento; 4. Deveria se verificar se a empresa tomadora cumpriu com suas obrigações de recolher os valores devidos; 5. É inconstitucional e ilegal a retenção de 11% (onze por cento) introduzida pela Lei n°9.711/98; 6. Insurge contra a utilização da Taxa Selic; 7. requer seja o recurso conhecido e provido. Em sede de contrarazões, o INSS pugna pela manutenção da decisão proferida em primeira instância. A Delegacia analisou o lançamento e a impugnação, julgando procedente o lançamento. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso no qual alega, as mesmas razões já expostas em sua impugnação. O CRPS analisou a questão e anulou o lançamento, pois entendeu que deveria ser emitido novo lançamento com observância do art. 351, da Instrução Normativa n ° 100, pois, em síntese, não foi citado o órgão público na capa da autuação. O autoridade preparadora ingressou com pedido de revisão, pois, em síntese, defende que a falha encontrada é uma mera irregularidade e não um vicio insanável. A Presidência da Quinta Câmara, do Segundo Conselho de Contribuintes, acolheu o pedido de revisão. Na análise do pleito, o colegiado acolheu o pedido de revisão – pois o lançamento não é só composto de sua capa e decidiu converter o julgamento em diligência, a fim de que se verificasse datas sobre ciência dos termos e do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). A fiscalização emitiu parecer conclusivo, onde relata as datas e a conformidade com o exposto na legislação. O sujeito passivo foi intimado do parecer e não apresentou suas razões. Os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 09/04 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 37280.001971/200509 Acórdão n.º 2301004.343 S2C3T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Adriano Gonzáles Silvério, Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame de seus argumentos. DO MÉRITO Quanto ao mérito, a questão a ser analisada. Na alegação do sujeito passivo sobre a necessidade de fiscalização do prestador de serviço, em primeiro lugar, necessitamos para tanto, demonstrar a ele que o fato gerador ocorreu e qual foi o motivo de sua responsabilização. Pois bem, como estamos tratando no presente processo de obrigação de retenção, em casos de prestação de serviços por cessão de mão de obra, fomos verificar se o fato gerador está comprovado, a cessão, como determina a legislação Lei 8.212/1991: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5o do art. 33. ... § 3o Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação Portanto, o fato gerador da retenção ocorre somente quando os serviços forem prestados por cessão de mão de obra (colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação). Assim, o Fisco, como acusador, deve provar que o fato ocorreu, na subsunção do fato à norma. Procuramos, por vezes, onde o fato está demonstrado. Fl. 410DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 09/04 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 6 Para a decisão de primeira instância o fato está demonstrado nos autos, fls. 0204 a 0208. Com todo respeito, nestas folhas só encontramos a seguinte descrição: “Distribuição de jornal”. Não há uma prova (contrato) ou acusação de que os serviços foram efetuados, por exemplo, por segurados colocados à disposição do contratante, nas dependências deste ou de terceiro. Cabe destacar que há no relatório fiscal informação de que os contratos foram fornecidos. Os serviço descritos podem, ou não, encaixarse na definição de cessão, mas o Fisco deve demonstrar a cessão na acusação. Portanto, como o fato gerador não foi demonstrado, não há como exigir o tributo do sujeito passivo. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, voto no sentido de dar PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO. (assinado digitalmente) Adriano Gonzáles Silvério Fl. 411DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 09/04 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
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Numero do processo: 19515.002235/2007-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003
NULIDADE DE LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. CONSIDERAÇÃO DOS DOCUMENTOS ACOSTADOS.
Não padece de nulidade o Lançamento Fiscal que seja lavrado por autoridade competente, com observância ao art. 142 do CTN e art. 10 do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, mormente quanto se constata que observou e emitiu juízo em razão dos documentos acostados, não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial ao direito do Contribuinte/Autuado.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. TRIBUTAÇÃO.
São tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva.
ENTRADA DE RECURSOS EM ESPÉCIE E RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS. PAGAMENTOS DE CARTÃO DE CRÉDITO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO.
Inexistindo provas e elementos que desconstituam a fundamentação fático-jurídica sobre a qual foi efetivado o lançamento de omissão de rendimentos por acréscimo patrimonial a descoberto, deve ser mantida a exigência fiscal.
PERÍCIA E DILIGÊNCIA - DESNECESSIDADE.
O pedido de diligências e/ou perícias pode ser indeferido pelo órgão julgador quando desnecessárias para a solução da lide.
No caso, os documentos imperativos para fazerem prova em favor do contribuinte não são supridos mediante a realização de diligências/perícias, mormente quando já foram dadas oportunidades para produção e apresentação pelo Contribuinte/Requerente.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 2101-002.717
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
EDUARDO DE SOUZA LEÃO - Relator.
EDITADO EM: 23/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (presidente da turma), DANIEL PEREIRA ARTUZO, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, MARIA CLECI COTI MARTINS, ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA e EDUARDO DE SOUZA LEÃO.
Nome do relator: EDUARDO DE SOUZA LEAO
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INOCORRÊNCIA. CONSIDERAÇÃO DOS DOCUMENTOS ACOSTADOS. Não padece de nulidade o Lançamento Fiscal que seja lavrado por autoridade competente, com observância ao art. 142 do CTN e art. 10 do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, mormente quanto se constata que observou e emitiu juízo em razão dos documentos acostados, não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial ao direito do Contribuinte/Autuado. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. TRIBUTAÇÃO. São tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. ENTRADA DE RECURSOS EM ESPÉCIE E RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS. PAGAMENTOS DE CARTÃO DE CRÉDITO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Inexistindo provas e elementos que desconstituam a fundamentação fático jurídica sobre a qual foi efetivado o lançamento de omissão de rendimentos por acréscimo patrimonial a descoberto, deve ser mantida a exigência fiscal. PERÍCIA E DILIGÊNCIA DESNECESSIDADE. O pedido de diligências e/ou perícias pode ser indeferido pelo órgão julgador quando desnecessárias para a solução da lide. No caso, os documentos imperativos para fazerem prova em favor do contribuinte não são supridos mediante a realização de diligências/perícias, mormente quando já foram dadas oportunidades para produção e apresentação pelo Contribuinte/Requerente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 22 35 /2 00 7- 49 Fl. 461DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 23/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. EDUARDO DE SOUZA LEÃO Relator. EDITADO EM: 23/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (presidente da turma), DANIEL PEREIRA ARTUZO, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, MARIA CLECI COTI MARTINS, ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA e EDUARDO DE SOUZA LEÃO. Relatório Em princípio deve ser ressaltado que a numeração de folhas referidas no presente julgado foi a identificada após a digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf). Tratase de Recurso Voluntário onde o Contribuinte/Recorrente objetiva a reforma do Acórdão de nº 1730.933 da 8ª Turma da DRJ/SPOII (fls. 394/403), que, por unanimidade de votos, considerou procedente em parte o lançamento, exonerando parcialmente o crédito tributário inicialmente imputado, mantendo a exação remanescente a título de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF. No caso, o Contribuinte/Recorrente teria omitido rendimentos em vista de variação patrimonial a descoberto, conforme se pode extrair da narrativa fática trazida no acórdão recorrido, ao qual transcrevo para melhor esclarecer as motivações do lançamento fiscal: Fl. 462DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 23/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19515.002235/200749 Acórdão n.º 2101002.717 S2C1T1 Fl. 3 3 “Conforme Termo de Constatação (fls. 337/340), o lançamento é decorrente da apuração de omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto. A autoridade fiscal constatou excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados, comprovados. O procedimento fiscal iniciouse com o Termo de Início de Fiscalização, de 27/03/2006 (fls. 05), com ciência em 30/03/2006, pelo qual foi intimado a apresentar a comprovação dos rendimentos tributáveis recebidos pelo contribuinte ou por seus dependentes, bem como os rendimentos isentos e tributados exclusivamente na fonte e a comprovação dos pagamentos efetuados a título de Cartão de Crédito, despesas médicas, planos de saúde, etc, durante o ano calendário de 2003. Em atendimento à intimação, compareceu o seu procurador, Sr. Gustavo Nygaard que informou que o contribuinte se encontra com residência fixa nos Estados Unidos da América há mais de 10 (dez) anos, conforme comprovam as cópias dos seguintes documentos: "Permanent Resident Card"; Passaporte Brasileiro; contrato social da sua empresa, Sharp Attitude Corp. com sede nos Estados Unidos da América, 6025 NW Avenue, Miami, Florida 33178, de 19/11/1993, Declaração de Imposto de Renda dos Estados Unidos para empresa, Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física dos Estados Unidos, ambas do ano de 2003 e também a declaração da empresa que presta serviços de contabilidade a TMSC – Tax Management Services Corporation informando que a empresa Sharp Attitude Corp., fora seu cliente por mais de 10 anos e que todos os impostos federais de pessoa física e jurídica foram pagos, não restando nenhuma dívida pendente perante o governo federal. O procurador juntou a cópia traduzida por tradutora juramentada dos documentos acima mencionados. Também foi informado por escrito pelo procurador que o contribuinte não auferiu nenhum rendimento aqui no Brasil e que a Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física fora entregue por engano com pagamento indevido de Imposto de Renda no Brasil, alegando ser este pagamento passível de restituição nos Estados Unidos, país com o qual o Brasil mantém acordo para evitar dupla tributação. No entanto, ressalta a autoridade fiscal que tal afirmação não procede, conforme se verifica no rol de países que assinaram Acordos Internacionais com o Brasil, que transcreve, constante no Ato Declaratório CoordenadorGeral do Sistema de Tributação – COSIT n° 31, de 10/09/1998 e que existe um Ato Declaratório SRF 28/00 que dispõe sobre a legislação federal dos Estados Unidos da América, permitindo a dedução do tributo reconhecidamente pago no Brasil sobre receitas e rendimentos auferidos e tributados no Brasil. No caso em questão, o contribuinte deveria na ocasião da sua saída definitiva do país entregar a sua Declaração de Saída Definitiva do País, em conformidade com o art. 16 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000 (RIR/99). Fl. 463DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 23/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 O procurador ainda apresentou os extratos do Credicard, Banco de Boston, HSBC e Unibanco (antiga Bandeirante). A fiscalização solicitou a Requisição de Informações Sobre Movimentações Financeiras aos seguintes bancos: Banco Citicard S/A, Bank of Boston Banco Múltiplo S/A, Banco BCN S/A, HSBÇ Bank Brasil S/A e Banco Bankpar S/A e, com base nos extratos enviados pelos bancos, foram feitas verificações por amostragem dos valores constantes nas informações prestadas por intermédio da Declaração de Operações com Cartões de Crédito (DECRED) anexa e elaborado o correspondente demonstrativo. O contribuinte foi intimado a comprovar a origem dos recursos utilizados para pagamento dos gastos feitos com referidos cartões de créditos e em resposta juntou Razão Geral, Balancete Intermediário, as Demonstrações Financeiras e a Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica de Sharp Attitude Corp. Nela o contribuinte alega que os gastos com o cartão Goldcard VISA HSBC n° 4406940782378334, no valor de R$ 48.053,00 foram efetuados pelo Sr. Otávio Alfredo Soares Moser, CPF n° 272.436.99049, amigo pessoal do Sr. Renato Flores Viana; informa ainda que os pagamentos das despesas com os cartões foram feitos em moeda corrente e não através de débito bancário. Diante da informação prestada pelo contribuinte, concluiu a autoridade fiscal que os recursos utilizados não vieram do exterior, uma vez que todas as remessas de dinheiro para o Brasil devem ser feitas por intermédio de instituição financeira autorizada a operar com câmbio no Brasil, conforme determina o Banco Central. Verificado que os pagamentos feitos pelo contribuinte com os cartões de créditos dos quais é titular são superiores aos rendimentos informados na Declaração de Ajuste Anual Simplificada 2004 anocalendário 2003, conforme planilha "DEMONSTRATIVO MENSAL DE FLUXO DE CAIXA" (fls. 341), onde se constatou excesso de Dispêndios/Aplicações sobre Recursos/Origens, não respaldado por rendimentos declarados/comprovados, foi apurado o imposto devido em função variação patrimonial a descoberto e lavrado o presente Auto de Infração.” (fls. 395/397). Os argumentos trazidos na Impugnação foram sintetizados pelo Órgão Julgador a quo nos seguintes termos: “Cientificado da autuação por via postal em 17/08/2007 (Aviso de Recebimento – AR de fls. 348), o contribuinte, por intermédio de seu advogado, apresentou a defesa de fls. 350/361, na qual alega em síntese: • Os registros de seu passaporte comprovam que o Impugnante ingressou em território norteamericano por 18 (dezoito) vezes no ano de 2003 e ingressou no Brasil em 17 (dezessete) oportunidades, aqui permanecendo pelos mais variados Fl. 464DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 23/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19515.002235/200749 Acórdão n.º 2101002.717 S2C1T1 Fl. 4 5 períodos de tempo, sendo que em cada uma das oportunidades que ingressou no país o Impugnante, além de seus cartões de créditos, trouxe valores em espécie para suportar despesas aqui havidas, sem a necessidade de declaração, por força do disposto no art. 16, VI, da Instrução Normativa SRF n° 117/98, o que justifica parte dos pagamentos feitos, em espécie, de faturas de cartões de crédito; • A fiscalização desconsiderou, sem qualquer razão plausível, a declaração apresentada pelo Sr. Otávio Alfredo Soares Moser, amigo pessoal do Impugnante, reconhecendo como suas as despesas efetuadas através do cartão Goldcard VISA HSBC no 4406940782378334, no valor de R$ 48.053,00, penalizando o Impugnante por suposta omissão de rendimentos apurada em razão das despesas que demonstra não terem sido por si contraídas. Transcreve ementas de decisões do Conselho de Contribuintes, cujas situações entende serem similares à presente; • O Impugnante atribuiu ao imóvel adquirido no "Residencial Vergeis de Dona Mathilde" o valor de R$ 105.000,00. Deste montante, R$ 15.000,00 foram pagos a título de entrada, R$ 15.000 em setembro de 2003 e os R$ 80.000,00 restantes em 24 parcelas de R$ 3.125,00. Ao atribuir o valor do referido imóvel ao final do ano de 2003 o Impugnante calculou o montante pago no decorrer do exercício (R$ 52.500,00), valor esse que restou subtraído das suas dívidas e ônus reais em 31 de dezembro de 2003, tendo a autoridade autuante entendido erroneamente que a modificação no valor do imóvel entre os anos de 2002 a 2003 (de R$ 27.500,00 para R$ 80.000,00), equivalente a R$ 52.500,00 teria decorrido de reforma ou construção; • Não restam dúvidas que o aumento no valor de tal bem não decorreu de reforma ou construção alguma, mas sim do pagamento de doze parcelas, no valor de R$ 3.125,00, que perfizeram o montante de R$ 37.500,00 que acrescidos dos R$ 15.000,00 pagos em setembro de 2003, consoante consta da própria discriminação do bem, atingem os R$ 52.500,00 que a fiscalização pretendeu caracterizar como "custo de reforma/construção''. Dessa forma, deve ser excluída da base de cálculo do tributo, mês a mês, a importância de R$ 4.375,00, acrescendose ao mês de setembro de 2003, como despesa, o valor de R$ 15.000,00; • Ao final, requer: A) o recebimento e processamento da presente impugnação, suspendendose a exigibilidade do crédito; B) sejam todas as intimações e notificações relativas a esse processo remetidas ao procurador signatário, em seu endereço profissional, constante no instrumento de mandato juntado; C) sejam trasladados para os presentes autos todos os documentos apresentados pelo Impugnante nos autos do Mandado de Procedimento Fiscal n° 0819000/00677/06; D) seja julgada procedente a presente impugnação, reduzindose o valor do crédito tributário pelas razões expostas.” (fls. 397/398). Fl. 465DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 23/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 Atentando aos argumentos de defesa e as provas acostadas, a 8ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal em São Paulo II (SP) proferiu decisão que restou assim ementada: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2003 ÔNUS DA PROVA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Art. 36 da Lei n° 9.784/99. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. São tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, quando não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. Como gastos devidamente comprovados pressupõem disponibilidade financeira, representam acréscimo patrimonial. Art. 3°, caput, e §§ 1° e 4% Lei n° 7.713/88; art. 43, 11, do CTN; e arts. 58, XIII, e 807 do RIR/99. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas, mesmo as proferidas por Conselhos de Contribuintes, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Lançamento Procedente em Parte” No acórdão proferido findou admitida razão ao Impugnante apenas em parte, quanto a exclusão da base de cálculo do tributo das importâncias de R$ 4.375,00 atribuídas mensalmente no DEMONSTRATIVO MENSAL DE FLUXO DE CAIXA (fls. 350), anexo ao Termo de Constatação Fiscal (fls. 346/349), além de acrescer ao mês de setembro de 2003, como despesa, o valor de R$ 15.000,00, porquanto tais valores referemse ao pagamento do imóvel "Residencial Vergeis de Dona Mathilde", restando ajustado o montante patrimonial. No Recurso Voluntário disposto às fls. 421/439, o Recorrente repisou sua argumentação de Defesa, destacando a possibilidade de entrada de valores até R$ 10.000,00 (dez mil reais) ou seu equivalente em outra moeda em cada viagem, sem a necessidade de declaração a Receita Federal, prática utilizada pelo Recorrente desde os anos anteriores ao exercício fiscalizado; assim como enfatizou a existência de despesas realizadas por terceiros, confessadas em declaração juntada aos autos. Fl. 466DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 23/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19515.002235/200749 Acórdão n.º 2101002.717 S2C1T1 Fl. 5 7 Alega uma discrepância entre os valores apurados pelo Fisco e os efetivamente remanescentes “a descoberto”, concluindo que não há nenhum valor a ser pago pelo Recorrente. Ao final requer a declaração de nulidade do Auto de Infração, ou alternativamente a exclusão da base de cálculo dos valores das receitas “descobertas” as vinculadas as despesas realizadas por terceiros. Requer ainda diligência junto ao HSBC Bank Brasil S.A., e que sejam considerados os valores ingressados no País nos moldes da Instrução Normativa SRF n° 117/98 que, somente no ano de 2003, perfazem a quantia de R$ 170.000,00 (cento e setenta mil reais), além das quantias ingressadas no ano anterior, em 2002. Distribuído o feito para nossa relatoria, coloco em pauta para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Relator EDUARDO DE SOUZA LEÃO O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Em princípio, conforme se verifica nos autos, importa salientar que no Recurso Voluntário em julgamento, o Contribuinte/Recorrente se esforça em arguir a entrada de recursos financeiros em espécie, assim como a ocorrência de supostos gastos com cartão de crédito fornecido a terceiros, sem que haja prova hábil, idônea e contundente de nenhuma das situações elencadas. No caso, não se pode alegar qualquer nulidade porquanto o Lançamento Fiscal foi lavrado por autoridade competente, com observância ao art. 142 do CTN e ao art. 10 do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quanto se constata que o mesmo conhece a matéria fática e legal e exerceu, plenamente, o seu direito de defesa, conforme se afere nos argumentos colacionados na Impugnação e no Recurso Voluntário. Fl. 467DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 23/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 A verdade que todas as alegativas da Recorrente não conseguem superar, é que os procedimentos questionados pela Fiscalização não foram defendidos de forma satisfatória pelo Contribuinte, cujas manifestações deveriam ser instruídas com elementos de prova que confirmassem suas afirmações, sendo responsabilidade do contribuinte a perfeita instrução probatória, até porque a simples alegação de entrada de recursos em espécie e mera declaração de terceiros não exime o contribuinte da sua obrigação de comprovação documental. Ora, no caso em análise, o Contribuinte/Recorrente não se desincumbiu de sua obrigação quanto aos procedimentos questionados pela fiscalização, resultando totalmente procedente o feito fiscal neste aspecto. Este é o entendimento pacificado neste CARF: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2004 Ementa: QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. FISCALIZAÇÃO. APLICAÇÃO RETROATIVA. POSSIBILIDADE. Conforme entendimento fixado pelo STJ, em sede de recursos repetitivos, a utilização de informações financeiras pelas autoridades fazendárias não viola o sigilo de dados bancários, em face do que dispõe não só o Código Tributário Nacional (art. 144, § lº),mas também a Lei 9.311/96 (art. 11, § 32, com a redação introduzida pela Lei 10.174/2001) e a Lei Complementar 105/2001 (arts. 5º e 6º) ,inclusive podendo ser efetuada em relação a períodos anteriores à vigência das referidas leis. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Cabível a tributação da omissão de rendimentos decorrente da apuração do acréscimo patrimonial a descoberto APD, resultante do confronto entre as origens e as aplicações de recursos. CARTÕES DE CRÉDITO. PAGAMENTOS. Na ausência de comprovação da origem e da tributação de recursos utilizados no pagamento das faturas de cartões de crédito, as importâncias correspondentes aos pagamentos mensais devem ser considerados nas aplicações no demonstrativo da variação patrimonial. Recurso Voluntário Negado” (Acórdão nº 2202002.772, Processo nº 10280.004867/200692, Relatora Conselheira Dayse Fernandes Leite, 2ª TO/ 2ª CÂMARA/ 2ª SEJUL/ CARF/MF/Data de Publicação: 07/10/2014) “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2006 Ementa: IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. GASTOS COM CARTÃO DE CRÉDITO. CARTÃO ADICIONAL. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO PELO USUÁRIO DO CARTÃO ADICIONAL. São tributáveis os valores relativos ao Fl. 468DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 23/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19515.002235/200749 Acórdão n.º 2101002.717 S2C1T1 Fl. 6 9 acréscimo patrimonial, quando não justificados pelos rendimentos tributáveis, isentos/não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. Correto o lançamento que inclui no Demonstrativo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto os gastos com cartão de crédito relacionados a cartões adicionais se o recorrente não comprova que o usuário do cartão adicional foi quem suportou os respectivos gastos ou que tenha transferido os recursos ao titular do cartão. Recurso voluntário negado.” (Acórdão nº 2802003.103, Processo nº 15563.000638/200816, Relator Cons. JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, 2ª TE/ 2ª CÂMARA/ 2ª SEJUL/ CARF/MF, Data de Publicação: 01/10/2014). Quanto a exação verificada em face de acréscimos patrimonial a descoberto diante da incapacidade do contribuinte em justificar a legalidade da disponibilidade econômica por meio de documentação hábil e idônea, atentese que a tributação está fundada nos arts. 1º, 2º e 3º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, in verbis: “Art. 1º Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1º de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliados no Brasil, serão tributados pelo imposto de renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Art. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. (Vide Lei 8.023, de 12.4.90) § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. § 2º Integrará o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, considerandose como ganho a diferença positiva entre o valor Fl. 469DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 23/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 10 de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição corrigido monetariamente, observado o disposto nos arts. 15 a 22 desta Lei. § 3º Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título.” (grifamos) Por sua vez, o Regulamento do Imposto de Renda disposto no Decreto nº 3.000/1999, prevê expressamente: “Art. 55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, § 2º, inciso IV, e 70, § 3º, inciso I): (...) XIII as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva; (...) Parágrafo único. Na hipótese do inciso XIII, o valor apurado será acrescido ao valor dos rendimentos tributáveis na declaração de rendimentos, submetendose à aplicação das alíquotas constantes da tabela progressiva de que trata o art. 86.” Avultam das normas transcritas que o Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, incidirá sobre o acréscimo patrimonial, compreendido como rendimento bruto do Contribuinte, que não corresponda ao seu rendimento declarado. Fl. 470DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 23/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19515.002235/200749 Acórdão n.º 2101002.717 S2C1T1 Fl. 7 11 E a presunção legal da omissão de rendimentos representada pelo acréscimo patrimonial a descoberto, decorre da constatação lógica de que ninguém aumenta seu patrimônio sem a obtenção dos recursos para isso necessários. Neste sentido, para que seja desconstituída a presunção fiscal, caberia ao Contribuinte/Fiscalizado justificar o acréscimo patrimonial verificado nos autos com provas e/ou documentos satisfatórios, que apontassem a disponibilidade financeira por meio de rendimentos tributáveis, isentos ou não tributáveis ou, ainda, tributáveis exclusivamente na fonte. Assim foi admitido na Decisão combatida a comprovação de uma parte dos valores referentes a aquisição de um imóvel, restando excluídos tais pagamentos da base de cálculo do tributo, reduzido o respectivo crédito tributário. Contudo, quanto aos valores remanescentes, as conclusões proferidas pela Fiscalização não foram superadas no Recurso, sendo ônus do contribuinte desconstituir o lançamento fiscal com documentos hábeis e idôneos, conforme sistema de repartição do ônus probatório adotado pelo Decreto nº 70.235/1972, norma que rege o processo administrativo fiscal, no seu artigo 16, inciso III, e de acordo com o artigo 333 do Código de Processo Civil, aplicável à espécie de forma subsidiária –, eis que deveria apresentar elementos de convicção satisfatórios quanto à inocorrência de fato gerador do imposto. Ora, em nenhum momento a Recorrente conseguiu comprovar a origem dos recursos que legitimassem o acréscimo patrimonial questionado em face do pagamento de débitos de Cartões de Créditos, de modo que os valores envolvidos conformam uma disponibilidade econômica injustificada. De fato, as alegativas trazidas na Impugnação e no Recurso quanto a entrada de recursos em espécie, carecem do mínimo de prova, não havendo como serem admitidos, assim como a mera declaração de terceiro, sem que haja uma confrontação entre custos/obrigações envolvidos e os valores pagos, também não possuem força de convicção. Destarte, verificase que todas as provas e documentos produzidos no procedimento fiscal foram consideradas no lançamento fiscal, tanto para afastar como para confirmar a conclusão do acréscimo patrimonial a descoberto, e os argumentos trazidos na Impugnação e no Recurso da Contribuinte/Recorrente não conseguiram aferir a justa obtenção de recursos disponibilizados, restando íntegra a decisão recorrida. Fl. 471DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 23/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 12 Por fim, quanto às diligências requeridas pelo Recorrente junto ao HSBC Bank Brasil S.A., estas podem ser indeferidas pelo órgão julgador quando desnecessárias para a solução da lide. É que os documentos imprescindíveis para fazer prova em favor do contribuinte não serão supridos mediante a realização de novas diligências, mormente quando já foram dadas oportunidades para produção e apresentação pelo Contribuinte/Requerente, que não demonstrou intenção de comprovar suas alegativas pelos meios idôneos disponíveis. Ora, a diligência somente é necessária quando a providência seja imperativa a conclusão do julgado, não implicando em qualquer nulidade, tão somente, porque o julgador não acatou os argumentos de solicitação postos pelo Contribuinte. Neste sentido, entendo que não cabem novas diligências, tendo em vista que foi oportunizado mais de uma vez ao Recorrente a juntada das provas que estavam ao seu alcance, visando obter informações precisas sobre a verdade material no caso. Não tendo o Contribuinte/Recorrente conseguido produzir outras provas além das já juntadas aos autos, não compete a Administração Tributária promover tais providências, sob pena de afronta ao ordenamento jurídico em vigor. Em face de todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a Decisão recorrida em todos os seus termos. É como voto. Relator EDUARDO DE SOUZA LEÃO Fl. 472DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 23/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 15586.001129/2007-53
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/1999 a 31/07/2007
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 8 - PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL - APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, CTN.
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal
Na hipótese dos autos, aplica-se o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62-A, Anexo II, Regimento Interno do CARF - RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - EXCLUSÃO DO SIMPLES - NÃO OBSERVÂNCIA DA ORDEM PROCEDIMENTAL ADEQUADA - DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA - VÍCIO FORMAL
Deve ser observado o contraditório e a ampla defesa, relacionados à ordem procedimental adequada, para a lavratura de auto de infração decorrente de processo administrativo tributário de exclusão do SIMPLES, sob pena de caracterização de vício formal.
Recurso de Ofício Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-002.966
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, preliminarmente, por unanimidade de votos em: (i) dar provimento parcial ao recurso de oficio para reconhecer a decadência até a competência 12/2002, inclusive, com base no art. 150, § 4º, do CTN; (ii) negar provimento ao recurso de ofício, reconhecendo-se o vício formal.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Magalhães Peixoto e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/1999 a 31/07/2007 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 8 - PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL - APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, CTN. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal Na hipótese dos autos, aplica-se o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62-A, Anexo II, Regimento Interno do CARF - RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - EXCLUSÃO DO SIMPLES - NÃO OBSERVÂNCIA DA ORDEM PROCEDIMENTAL ADEQUADA - DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA - VÍCIO FORMAL Deve ser observado o contraditório e a ampla defesa, relacionados à ordem procedimental adequada, para a lavratura de auto de infração decorrente de processo administrativo tributário de exclusão do SIMPLES, sob pena de caracterização de vício formal. Recurso de Ofício Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, preliminarmente, por unanimidade de votos em: (i) dar provimento parcial ao recurso de oficio para reconhecer a decadência até a competência 12/2002, inclusive, com base no art. 150, § 4º, do CTN; (ii) negar provimento ao recurso de ofício, reconhecendo-se o vício formal. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Magalhães Peixoto e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas.
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O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal Na hipótese dos autos, aplicase o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO EXCLUSÃO DO SIMPLES NÃO OBSERVÂNCIA DA ORDEM PROCEDIMENTAL ADEQUADA DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA VÍCIO FORMAL Deve ser observado o contraditório e a ampla defesa, relacionados à ordem procedimental adequada, para a lavratura de auto de infração decorrente de processo administrativo tributário de exclusão do SIMPLES, sob pena de caracterização de vício formal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 11 29 /2 00 7- 53 Fl. 260DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 Recurso de Ofício Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, preliminarmente, por unanimidade de votos em: (i) dar provimento parcial ao recurso de oficio para reconhecer a decadência até a competência 12/2002, inclusive, com base no art. 150, § 4º, do CTN; (ii) negar provimento ao recurso de ofício, reconhecendose o vício formal. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Magalhães Peixoto e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.001129/200753 Acórdão n.º 2403002.966 S2C4T3 Fl. 261 3 Relatório Tratase de Recurso de Ofício, remetido ao CARF para reexame necessário em função da desoneração ter superado o montante definido na Portaria MF nº. 03 de 03.01.2008, contra Acórdão nº 1226.393 14ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I RJ I , que julgou improcedente a autuação por descumprimento de obrigação principal, NFLD nº. 37.138.0499, com valor de R$ 1.648.515,92. Conforme o Relatório Fiscal, o crédito previdenciário referente às contribuições sociais de parte da empresa, às contribuições destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT) e aos Terceiros (Salário Educação, INCRA, SESC, SENAC e SEBRAE), no período 11/1999 a 13/1999 e 01/2002 a 07/2007. O Relatório Fiscal informa que o contribuinte informou em GFIP que era optante pelo SIMPLES, não obstante ter sido excluído via Ato Declaratório de Exclusão n. 91, com efeitos a partir de 01/2002: A empresa informou o campo "SIMPLES" das Guias de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social GFIP s das competências 11/1999 a 12/1999 e 01/2002 a 07/2007 com o código "2", que é o código a ser informado neste campo para as empresas que são optantes pela sistemática de pagamento dos tributos e contribuições instituída pela Lei 9.317/96 "SIMPLES". Ocorre que a empresa aderiu ao "SIMPLES" em 01/2000 e foi excluída em 23/10/2007, com efeitos da exclusão a partir da competência 01/2002 (cópia do Ato Declaratório de Exclusão nr. 91 e da tela do sistema CNPJ com a inclusão do evento "301 opção pelo SIMPLES" a partir de 01/01/2000, anexadas no segmento desta). A empresa não procedeu a correção das GFIPs . Assim, o levantamento "FPP FOLHA PAGTO COTA PATRONAL" foi classificado como não declarado em GFIP para efeito do cálculo da multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/91, conforme prescrição do parágrafo 4o deste mesmo art. 35. Com isso, a autuação fiscal ocorreu tendo como fundamento a empresa ter informado erroneamente a opção pelo SIMPLES. Houve Representação Fiscal para Fins Penais RFFP, conforme o Relatório Fiscal: 7.3 Por este mesmo motivo, não declaração em GFIP's de fatos geradores de contribuições previdenciárias ou informação errada em campo das GFIP's que alterem o valor das Fl. 262DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 contribuições, foi formalizada uma Representação Fiscal para Fins Penais. Esta situação, em tese, configura a prática decrime previsto no art. 95, alínea "c" da Lei 8.212/91, de 11/1999 até 13/1999, e no art. 337A da Lei n.°2.848/40 (Código Penal), a partir de 01/2002 (artigo acrescido ao Código Penal pela Lei n.° 9.983/00). O contribuinte teve ciência da NFLD em 16.01.2008, conforme Aviso de Recebimento AR às fls. 181. O período objeto da autuação, conforme o Relatório Discriminativo Sintético do Débito DSD, às fls. 29, é de 11/1999 a 07/2007. O contribuinte apresentou Impugnação tempestiva, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: A DRJ Rio de Janeiro I RJ I analisou a autuação e a impugnação, julgando improcedente a autuação, por vício formal, nos termos do Acórdão nº 1226.393 14ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I RJ I , conforme Ementa a seguir: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/1999 a 31/07/2007 Fl. 263DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.001129/200753 Acórdão n.º 2403002.966 S2C4T3 Fl. 262 5 CoResponsáveis e Relatório de Vínculos. Alcance Jurídico. SIMPLES. Exclusão. Requisitos. Intimação. Ordem Procedimental. Autuação. Nulidade. Prazo Decadencial. Súmula Vinculante n° 08 do STF. A inclusão dos sócios da empresa notificada nos anexos denominados "REPLEG Relatório de Representantes Legais" e "Vínculos Relação de Vínculos" não implica em inclusão imediata dos mesmos no pólo passivo do crédito tributário. Na exclusão do SIMPLES, deve ser observada a ampla defesa e o contraditório, nos moldes do processo administrativo tributário. O aperfeiçoamento da exclusão é requisito indispensável à autuação baseada na modificação do regime de tributação do SIMPLES para o regime das empresas em geral, sob pena de nulidade formal por inobservância da ordem natural nos procedimentos. Com a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n"8.212/91, o prazo decadencial das contribuições previdenciárias passa a ser regido pelo CTN Lei 5.172/66, fato que implica a revisão dos créditos em fase de cobrança administrativa Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Exonerado Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos do processo em epígrafe, ACORDAM, por unanimidade de votos, os membros da 14a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Rio de Janeiro I (RJ), EXONERAR o contribuinte da exação referente ao Auto de Infração A I 37.138.0499 (identificado no sistema COMPROT com o n° 15586.001129/200753) em função do vício formal ocorrido na constituição do lançamento efetuado, cancelando a multa exigida. Encaminhese à Unidade da Receita Federal do Brasil de origem para cientificar o contribuinte do inteiro teor deste Acórdão, abrindolhe prazo para interpor recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Expirado o prazo, com ou sem manifestação da impugnante, subam ao CARF para reexame necessário, em função da desoneração ter superado o montante definido na Portaria MF 03 de 03/01/2008. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 Mantida a presente decisão pelo Conselho, remetase à DIFIS competente, para as providências necessárias à lavratura de Auto de Infração substituto, se for o caso. O Recurso de Ofício foi remetido ao CARF para reexame necessário em função da desoneração ter superado o montante definido na Portaria MF nº. 03 de 03.01.2008, contra Acórdão nº 1226.393 14ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I RJ I É o Relatório. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.001129/200753 Acórdão n.º 2403002.966 S2C4T3 Fl. 263 7 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O Recurso de Ofício foi remetido ao CARF para reexame necessário em função da desoneração ter superado o montante definido na Portaria MF nº. 03 de 03.01.2008. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares e ao Mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES (i) Da decadência A decisão de primeira instância reconheceu a decadência até a competência 13/1999, com fulcro no art. 173, I, CTN. Analisemos. O Supremo Tribunal Federal STF, conforme o Informativo STF nº 510 de 19 de junho de 2008, por entender que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, b, da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nºs 556664/RS, 559882/RS, 559.943 e 560626/RS, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8.212/91, atribuindose, à decisão, eficácia ex nunc apenas em relação aos recolhimentos efetuados antes de 11.6.2008 e não impugnados até a mesma data, seja pela via judicial, seja pela administrativa. Após, o STF aprovou o Enunciado da Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nestes termos: Súmula Vinculante nº 8 São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Publicada no DOU de 20/6/2008, Seção 1, p.1. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Portanto, da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, a administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, deve adequar a decisão administrativa ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” Cumpre ressaltar que o art. 62, caput do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF do Ministério da Fazenda, Portaria MF nº 256 de 22.06.2009, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, o art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, ressalva que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: Fl. 267DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.001129/200753 Acórdão n.º 2403002.966 S2C4T3 Fl. 264 9 “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. (g.n.)” Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional CTN. Dessa forma, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados, nos termos dos artigos 150, § 4o, e 173 do Código Tributário Nacional. O meu posicionamento se identifica com o direcionamento do Superior Tribunal de Justiça – STJ no sentido de no caso de tributo lançado por homologação, desde que haja a antecipação de pagamento e não se configure os casos de dolo, fraude ou simulação, se aplica a regra especial disposta no art. 150, § 4º, CTN, conforme se depreende do REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF – RICARF. Na hipótese dos autos, o Relatório de Documentos Apresentados – RDA, às fls. 49 a 52, apresenta diversos recolhimentos feitos pelo contribuinte, via Guias da Previdência Social entre as competências 11/1999 a 07/2007, o que, no meu posicionamento, é o suficiente para considerar os recolhimentos antecipados feitos pelo contribuinte a serem considerados para todo o período objeto da autuação ensejando a aplicação do art. 150, § 4º, CTN, com fulcro no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF – RICARF. Ademais, neste sentido de se considerar os recolhimentos parciais para a aplicação da regra decadencial do art. 150, § 4º, CTN, há a Súmula CARF 99: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor Fl. 268DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 10 considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. O contribuinte teve ciência da NFLD em 16.01.2008, conforme Aviso de Recebimento AR às fls. 181. O período objeto da autuação, conforme o Relatório Discriminativo Sintético do Débito DSD, às fls. 29, é de 11/1999 a 07/2007. Portanto, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos lançados na competência 12/2002, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN. (ii) Do Vício Formal reconhecido pela autoridade julgadora de primeira instância. Analisemos. O Relatório Fiscal mostra que o contribuinte informou em GFIP que era optante pelo SIMPLES, não obstante ter sido excluído via Ato Declaratório de Exclusão n. 91, com efeitos a partir de 01/2002: A empresa informou o campo "SIMPLES" das Guias de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social GFIP s das competências 11/1999 a 12/1999 e 01/2002 a 07/2007 com o código "2", que é o código a ser informado neste campo para as empresas que são optantes pela sistemática de pagamento dos tributos e contribuições instituída pela Lei 9.317/96 "SIMPLES". Ocorre que a empresa aderiu ao "SIMPLES" em 01/2000 e foi excluída em 23/10/2007, com efeitos da exclusão a partir da competência 01/2002 (cópia do Ato Declaratório de Exclusão nr. 91 e da tela do sistema CNPJ com a inclusão do evento "301 opção pelo SIMPLES" a partir de 01/01/2000, anexadas no segmento desta). A empresa não procedeu a correção das GFIPs . Assim, o levantamento "FPP FOLHA PAGTO COTA PATRONAL" foi classificado como não declarado em GFIP para efeito do cálculo da multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/91, conforme prescrição do parágrafo 4o deste mesmo art. 35. Observase que a autuação fiscal ocorreu tendo como fundamento a empresa ter informado erroneamente a opção pelo SIMPLES. Conforme o voto da decisão de primeira instância, às fls. 221, verificouse que o processo de representação para exclusão do SIMPLES foi o processo 15578.000094/200734, na qual o trâmite indica que o Ato Declaratório de Exclusão n. 91, de 23.10.2007, publicado no Diário Oficial em 29.10.2007, com efeitos da exclusão a partir de 01.2002, teve o prazo final para a empresa manifestar inconformidade em 23.09.2008, Fl. 269DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.001129/200753 Acórdão n.º 2403002.966 S2C4T3 Fl. 265 11 enquanto que a lavratura da presente NFLD ocorreu em 30.11.2007 com ciência do contribuinte em 16.01.2008: A decisão de primeira instância reconheceu o vício formal pois observou que, por um lado, os efeitos da exclusão do SIMPLES, pelo Ato Declaratório de Exclusão n. 91, só se aperfeiçoou em 23.09.2008, data esta sendo o prazo final para a empresa manifestar Inconformidade, por outro lado, a lavratura da presente NFLD ocorreu em 30.11.2007 com ciência do contribuinte em 16.01.2008. Correta a decisão de primeira instância posto que se verifica nulidade formal em função da não observância da ordem procedimental adequada pois no momento da lavratura da presente NFLD 37.138.0499 e ciência pelo contribuinte, em 16.01.2008, ainda não havia sido realizada a intimação do contribuinte referente à exclusão do SIMPLES, via Ato Declaratório de Exclusão n. 91, cujo prazo final para manifestação do contribuinte ocorreu em 23.09.2008. Portanto, resta configurada a violação aos princípios do contraditório e da ampla defesa, regentes do processo administrativo fiscal, ensejadores da nulidade por vício formal, à medida que o contribuinte no momento da ciência da presente NFLD ainda não havia sido intimado para manifestarse acerca do Ato Declaratório de Exclusão do SIMPLES. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 12 CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do Recurso de Ofício, para, em Preliminar: (i) dar provimento parcial ao Recurso de Ofício para reconhecer a decadência até a competência 12/2002, inclusive, com base no art. 150, § 4°, do CTN; (ii) negar provimento ao Recurso de Ofício, reconhecendose o vício formal. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 271DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 15504.018302/2010-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
RECURSO DE OFÍCIO. EXONERAÇÃO PARCIAL. PIS/COFINS.
Restando comprovado que a douta turma julgadora de primeira instância, diante dos argumentos promovidos pelos recorrentes, efetivamente identificou nos autos casos em que, de acordo com as expressas disposições da Lei 10.925/2004, mostra-se indevida a exigência das contribuições para o PIS e a COFINS em decorrência das isenções ali então especificamente tratadas, mostrando-se, portanto, perfeitamente regular os ajustes promovidos.
DECADÊNCIA. REGRA GERAL. TERMO INICIAL.
Nos termos do entendimento esposado no REsp 973.733-SC, de observância obrigatória por força do art. 62 A do Regimento Interno, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional), nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre. À evidência, nos casos de dolo, fraude ou simulação, igual regra deve ser aplicada, haja vista a excepcionalidade prevista no parágrafo 4º do art. 150 do diploma legal referenciado (Código Tributário Nacional). Assim, tratando-se, no caso concreto, de fatos geradores ocorridos a partir de dezembro de 2004, à evidência, o 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado a que alude o pronunciamento judicial é o dia 1º de janeiro de 2006, eis que, se considerado o dia 1º de janeiro de 2005, o termo inicial previsto na norma que serviu de suporte torna-se inaplicável.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. IMPUTAÇÃO. PROCEDÊNCIA.
Se a autoridade executora do procedimento de fiscalização logra êxito na demonstração da relação direta de determinada pessoa com as situações que constituem fatos geradores das obrigações tributárias, resta configurada a sujeição passiva, sendo autorizada, assim, a inclusão de referida pessoa no pólo passivo das obrigações formalizadas.
Numero da decisão: 1301-001.606
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício, NEGAR PROVIMENTO, pelo voto de qualidade, em relação aos Recursos Voluntários interpostos por Paulo Victor Cardoso, Marcelo Pereira Cardoso e Adalberto Cardoso, vencidos os Conselheiros, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier (Relator) e, por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário interposto por Fabiana Cardoso Lee, vencido, em relação a este, o Conselheiro Carlos Augusto de Andrade Jenier (Relator). Para redigir os respectivos votos vencedores, designado o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães. Fizeram sustentação oral os advogados Guilherme Araújo de Oliveira OAB/MG nº 144.193, representando os responsáveis solidários Paulo Victor Cardoso, Marcelo Pereira Cardoso e Adalberto Cardoso e Flávio Machado Visctor Dias OAB/MG nº 99.110, representando a responsável solidária Fabiana Cardos Lee.
(Assinado digitalmente)
VALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente.
(Assinado digitalmente)
CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator.
(Assinado digitalmente)
WILSON FERNANDES GUIMARÃES - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonsecea de Menezes (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni De Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 RECURSO DE OFÍCIO. EXONERAÇÃO PARCIAL. PIS/COFINS. Restando comprovado que a douta turma julgadora de primeira instância, diante dos argumentos promovidos pelos recorrentes, efetivamente identificou nos autos casos em que, de acordo com as expressas disposições da Lei 10.925/2004, mostrase indevida a exigência das contribuições para o PIS e a COFINS em decorrência das isenções ali então especificamente tratadas, mostrandose, portanto, perfeitamente regular os ajustes promovidos. DECADÊNCIA. REGRA GERAL. TERMO INICIAL. Nos termos do entendimento esposado no REsp 973.733SC, de observância obrigatória por força do art. 62 A do Regimento Interno, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional), nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre. À evidência, nos casos de dolo, fraude ou simulação, igual regra deve ser aplicada, haja vista a excepcionalidade prevista no parágrafo 4º do art. 150 do diploma legal referenciado (Código Tributário Nacional). Assim, tratandose, no caso concreto, de fatos geradores ocorridos a partir de dezembro de 2004, à evidência, o 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado a que alude o pronunciamento judicial é o dia 1º de janeiro de 2006, eis que, se considerado o dia 1º de janeiro de 2005, o termo inicial previsto na norma que serviu de suporte tornase inaplicável. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. IMPUTAÇÃO. PROCEDÊNCIA. Se a autoridade executora do procedimento de fiscalização logra êxito na demonstração da relação direta de determinada pessoa com as situações que AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 83 02 /2 01 0- 11 Fl. 4026DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15504.018302/201011 Acórdão n.º 1301001.606 S1C3T1 Fl. 1.502 2 constituem fatos geradores das obrigações tributárias, resta configurada a sujeição passiva, sendo autorizada, assim, a inclusão de referida pessoa no pólo passivo das obrigações formalizadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício, NEGAR PROVIMENTO, pelo voto de qualidade, em relação aos Recursos Voluntários interpostos por Paulo Victor Cardoso, Marcelo Pereira Cardoso e Adalberto Cardoso, vencidos os Conselheiros, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier (Relator) e, por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário interposto por Fabiana Cardoso Lee, vencido, em relação a este, o Conselheiro Carlos Augusto de Andrade Jenier (Relator). Para redigir os respectivos votos vencedores, designado o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães. Fizeram sustentação oral os advogados Guilherme Araújo de Oliveira OAB/MG nº 144.193, representando os responsáveis solidários Paulo Victor Cardoso, Marcelo Pereira Cardoso e Adalberto Cardoso e Flávio Machado Visctor Dias OAB/MG nº 99.110, representando a responsável solidária Fabiana Cardos Lee. (Assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator. (Assinado digitalmente) WILSON FERNANDES GUIMARÃES Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonsecea de Menezes (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni De Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 4027DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15504.018302/201011 Acórdão n.º 1301001.606 S1C3T1 Fl. 1.503 3 Relatório Tratase, nos presentes autos, de autuações lavradas contra a empresa PROGRESSO ALIMENTOS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA., indicando a verificação, no caso, de “omissão de receitas”, identificadas pelos agentes da fiscalização a partir de atuação fiscal especificamente instaurada, cognominada como “Operação Castelhana”, identificando que a referida empresa, desde a sua composição, é constituída por pessoas que não possuem qualquer capacidade econômica, apresentandose, na verdade, como meros “laranjas” dos efetivos e verdadeiros usuários e executores do esquema. A omissão de receitas, pelo que se verifica, teve como suporte a existência de movimentação bancária em valores que não condiziam com as informações fiscais apresentadas pela contribuinte, e, ainda, a comprovação da existência de “Notas Fiscais Paralelas”, circundado, ainda, pelo fato de que a empresacontribuinte, na verdade, teria sido constituída como instrumento para a manutenção de atividades fraudulentas.Vejamos: Da irregularidade na constituição da empresa Da leitura dos elementos apresentados, verificase que, instaurada a fiscalização, no local onde deveria estar estabelecida a empresa não pode ser ela localizada, identificandose ali outros agentes que não teriam qualquer conhecimento do paradeiro da fiscalizada. De acordo com as informações constantes do Termo de Verificação Fiscal, a empresa teria sido criada com o intuito de ser uma subsidiária oculta da sua controladora, a Pink Alimentos do Brasil Ltda, tendo como seus sócios, à época da constituição, os Senhores Sebastião Mauricio Alves de Sousa, com 99% das quotas, e Antonio Tavares Dias, com 1%. Do histórico societário, verificase que em 12.12.2003, Antonio Tavares transferiu suas quotas para Willian Antonio Rosa. Em 12.12.2003, o Sr. Sebastião retirase da sociedade e o Sr. Willian fica com 100% das quotas e faz uma injeção de capital. Em 05.07.2004, o Sr. Willian transfere 20% das quotas a Reginaldo Soares Coutinho. Em 16.07.2004 aumentase o capital em R$ 2.700.000,00, cuja integralização se deu supostamente em moeda no mesmo dia. O Sr. Willian, segundo as informações apresentadas, teria adquirido a empresa por R$600.000,00 e injetado mais R$300.000 em 12.12.2003. Permaneceu como sócio unitário até a quinta alteração contratual em 05.07.2004, quando passou 20% de suas quotas para o Sr. Reginaldo, que por elas teria pagado R$ 180.000,00. E em 16.08.2004 foi feito novo aporte de capital no montante de R$2.880.000,00. Entretanto, o suposto sócio não possuía capacidade econômica nem bens que lhe permitissem realizar tamanha integralização. O Sr. Willian residia e pelo que consta ainda reside em bairro humilde, em rua próxima ao aterro sanitário de Belo Horizonte. Tal residência não condiz com a condição de possuidor de R$2.880.000,00 em dinheiro. Não consta nenhuma movimentação financeira nas DCPMF dos bancos, o que indica que tal quantia não passou por sua conta bancária. O Sr. Willian não possuía nada além das cotas da Progresso e seu único Fl. 4028DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15504.018302/201011 Acórdão n.º 1301001.606 S1C3T1 Fl. 1.504 4 rendimento declarado provém da retirada prólabore. Tal acréscimo nem foi declarado na DIRPF. Portanto, há indícios fortes de que foram simuladas as alterações contratuais pelas quais os aportes foram declarados. Verificouse no Cadastro Nacional de Informações Sociais — CNIS que seu grau de instrução é a 4a série do 1o grau incompleta, e que os últimos três empregos de carteira assinada foram de empregado de conservação e limpeza, gari e porteiro ou zelador. É semelhante a situação do Sr. Reginaldo, pois também não possuía bens que lhe proporcionassem a vultosa quantia necessária para aquisição das cotas e para o posterior aporte de capital. Em sua declaração de pessoa fisica não consta a propriedade dessas cotas. De acordo com a última alteração contratual, o sr. Reginaldo e o Sr. Willian residem no mesmo local. Portanto a ele se aplicam as observações anteriores a respeito da residência do último. Em face dessas verificações, e, ainda, das informações obtidas e resguardadas por sigilo nos documentos relacionados à cognominada Operação Castelhana, foi então identificado que a empresa “Progresso”, na verdade, fora constituída para atuar como subsidiária do Grupo Pink Alimentos, nos termos ali então especificamente apresentados. A partir dessas informações, entenderam os agentes da fiscalização pela responsabilização das empresas vinculadas a Grupo Pink Alimentos e seus “sócios de fato”, sendo relevante destacar, em relação a este ponto, o seguinte e específico trecho contido no relatório apresentado pela r. decisão de origem, descrita a partir dos registros constantes no TVF: A responsabilidade solidária — Pink Alimentos do Brasil Ltda e seus sócios de fato • A Progresso era controlada e gerida por meio de funcionários da Pink e por ordem dos diretores de fato desta, a saber: Paulo Victor Cardoso, Adalberto Cardoso e Marcelo Pereira Cardoso, conforme relatório reservado de maio de 2006 (fls. 215 a 219). Erao também por Fabiana Cardoso Lee, filha de Adalberto Cardoso, que detinha procuração para gerir a empresa e assinar cheques. Na ficha cadastral da conta no Banco Bradesco declarouse como gerente comercial da Progresso (vide fls. 17, 19 e 20 do anexo I, e amostra de cheques assinados pela Sra. Fabiana entre 2004 e 2007 a fls. 106 do anexo I). • Também confirma a subordinação da Progresso ao Grupo Pink e aos seus sócios o fato de que eram os Srs. Adalberto e Paulo Victor os fiadores dum contrato de desconto de títulos firmado com o Banco do Brasil (anexo I, fls. 96 e 97). Na ficha cadastral consta que eles seriam os contatos da empresa, além de o Sr. Ricardo (empregado da Pink anexo I, fls. 106). • A empresa oficialmente possuía apenas uma funcionária: Ronne Rozemberg de Souza, a qual trabalhara antes na Invicta Com. e Distribuição de Gêneros Alimentícios Ltda a partir de 01.11.2001 (pertencente ao Grupo Pink). Além disso ela é irmã de outra empregada do grupo Pink, o que demonstra que este é o empregador comum. • Os documentos apreendidos durante a Operação Castelhana estavam no estabelecimento da Pink, conforme termo de deslacração, exame de documentos, constatação e lacração datado de 18.09.2008, lavrado em decorrência de mandado de busca e apreensão expedido pela Justiça Federal (ver anexo V, fls, 2 a 42). A Fl. 4029DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15504.018302/201011 Acórdão n.º 1301001.606 S1C3T1 Fl. 1.505 5 constatação de que vasta documentação contábil e financeira da Progresso estava na posse do grupo Pink é a primeira e mais robusta prova da ligação entre as empresas. • Entre esses documentos salientamse as procurações, contratos sociais, livros, documentos contábeis, notas fiscais, cheques e documentos bancários, papéis relativos à participação em licitações, cujos pormenores são descritos e analisados nas páginas 6 a 10 do termo de verificação fiscal. Documentos comuns da Progresso e da Pink • O que se procura provar com os documentos apreendidos é a estreita relação da Progresso com a Pink, que consiste em ser a primeira subsidiária integral da segunda, ou seja, os verdadeiros sócios da Progresso eram os verdadeiros sócios da Pink. A prova dessa relação pode ser obtida por qualquer meio, ao passo que as provas acima discriminadas se mostram bastante robustas. O artigo 987 do atual Código Civil disciplina a matéria. Embora já revogado, o artigo 305 do Código Comercial Brasileiro disciplinava antes o assunto e trazia algumas presunções de relação de sociedade e serve de referência de provas indiciárias. • Documentos apreendidos no estabelecimento da Pink demonstram exatamente a relação promiscua e comum a que se refere o artigo 305 do Código Comercial, principalmente relatórios, balanços, expedientes, relação de representantes e telefones úteis, emails, solicitações e documentos de identidade que fazem referências a ambas empresas, conforme pormenorizado nas páginas 11 e 12 do termo de verificação fiscal. Destacase, entre outros, o relatório reservado de maio de 2006, no qual constam como membros do conselho de administração da Pink Paulo Victor Cardoso, Adalberto Cardoso e Marcelo Pereira Cardoso, • Nesse relatório consta ainda que as empresas Alibra, Progresso, Invicta e Alnutri pertencem ao grupo Pink (fls. 215 a 221). • Portanto, fica evidenciada a sujeição integral da Progresso à administração da Pink, e devem ser responsabilizadas nos termos do artigo 124, inciso I, e do artigo 135, do CTN, as seguintes pessoas: a) Pink Alimentos do Brasil Ltda, CNPJ 17.238.718/000202; b) Paulo Victor Cardoso, na qualidade de sócio de fato da Pink e da Progresso e de igualmente administrador de fato; c) Adalberto Cardoso, na qualidade de sócio de fato da Pink e da Progresso e de igualmente administrador de fato; d) Marcelo Pereira Cardoso, na qualidade de sócio de fato da Pink e da Progresso e de igualmente administrador de fato; e) Fabiana Cardoso Lee, que é filha de Adalberto Cardoso, aparece como procuradora da empresa e se declarava como gerente comercial. Promovida a lavratura dos respectivos autos de infração, foram então devidamente intimada a contribuinte, bem como, também, todos os responsáveis aqui indicados, sendo de relevante destaque que a empresa PROGRESSO ALIMENTOS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. mantevese completamente silente, apenas se verificando nos autos as defesas construídas pelos “responsáveis” indicados, seguindo, em cada caso, a linha de defesa pertinente, nos termos então devidamente analisados no relatório da r. decisão de origem. Fl. 4030DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15504.018302/201011 Acórdão n.º 1301001.606 S1C3T1 Fl. 1.506 6 Analisando os termos das defesas apresentadas, por sua vez, entendeu a douta 3a Turma da DRJ/BHE pela Procedência Parcial do Lançamento, em acórdão que assim então ficou especificamente ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 DECADÊNCIA DO DIREITO DE LANÇAR Contarseá o prazo decadencial de cinco anos a partir da data do fato gerador somente se tiver havido pagamento parcial da obrigação e se não for comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ARBITRAMENTO DE LUCROS Será arbitrado o lucro do contribuinte que, regularmente intimado, deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal que estiver obrigado a manter em virtude do regime de tributação por ele adotado. OMISSÃO DE RECEITAS NOTAS FISCAIS PARALELAS Constitui omissão de receita o valor das notas fiscais que, emitidas para acobertar vendas de mercadorias, hajam sido impressas sem autorização ou que usem a mesma numeração de outras impressas regularmente, salvo se comprovado que a receita respectiva fora computada na base de cálculo das obrigações tributárias do período. OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS Presumemse decorrentes de omissão de receita os valores depositados em conta bancária cuja origem não for comprovada mediante documentação hábil e idônea. MULTA DE OFÍCIO PERCENTUAL DE APLICAÇÃO Aplicase a multa de oficio no percentual de 150% se estiverem comprovadas as circunstâncias previstas na lei como caracterizadoras de infração qualificada. E ainda majorase essa multa em 50% se o sujeito passivo deixar de atender intimação fiscal no prazo marcado para apresentar documentos ou para prestar esclarecimentos. COFINS PIS REDUÇÃO A ZERO DA ALÍQUOTA INCIDENTE SOBRE VENDAS DE ALIMENTOS Em virtude de ser interpretada literalmente a legislação tributária que disponha sobre suspensão ou exclusão do crédito tributário, para fazer jus a beneficio fiscal, o contribuinte deve comprovar que suas operações satisfazem rigorosamente os requisitos legais. LANÇAMENTOS DECORRENTES CSLL PIS COFINS O decidido para o lançamento de IRPJ estendese aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo fundamento factual e para os quais não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA Fl. 4031DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15504.018302/201011 Acórdão n.º 1301001.606 S1C3T1 Fl. 1.507 7 As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador são solidariamente responsáveis pelo crédito tributário apurado. Também o são os diretores, gerentes ou representantes da pessoa jurídica de direito privado pelas obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 ARGUIÇÃO DE NULIDADE FALTA DE INTIMAÇÃO PARA ACOMPANHAR A AÇÃO FISCAL A fase litigiosa do procedimento administrativo fiscal somente se instaura com a impugnação das exigências fiscais. As intimações para prestar esclarecimentos ou documentos durante a fase de fiscalização ou preparação do lançamento são realizadas apenas no interesse da administração tributária e quando esta as julgar necessárias. Não constitui causa de nulidade nem cerceamento do direito de defesa deixar de intimar o sujeito passivo para acompanhar o trabalho fiscal do qual resultou o lançamento de oficio. ARGUIÇÃO DE NULIDADE COMPARTILHAMENTO DE PROVAS Havendo decisão judicial que expressamente determina o seu compartilhamento, não é ilícito, nem constitui causa de nulidade, o emprego pelo fisco de provas obtidas por meio de operações policiais, ainda que o sujeito passivo do lançamento resultante da ação fiscal não figure no rol de denunciados da respectiva ação penal. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em razão da exoneração parcial apontada, da decisão recorre de ofício a douta autoridade julgadora de origem, nos termos do art. 21, parágrafo 1o do Decreto 70.235/72. Regularmente intimada a contribuinte (Progresso Alimentos Importação e Exportação Ltda – que não impugnou), bem como também os respectivos responsáveis, por estes últimos foram então apresentados os competentes Recursos Voluntários, valendo, em relação a eles, especificamente destacar o seguinte: Fls. 3801 – PAULO VITOR CARDOSO Que o recorrente nunca fez parte do quadro societário da empresa autuada, sendo apenas um terceiro sem qualquer vínculo jurídico. Que a sua inclusão como responsável foi decorrente de exclusiva análise de presunção, nunca tendo tio conhecimento do desenvolvimento do procedimento fiscal, até o recebimento da autuação lavrada. Que já foi, em época anterior ao período fiscalizado, sócio da empresa Pink Alimentos do Brasil Ltda., considerada nos autos como suposta controladora da empresa autuada. Que após a comentada “Operação Castelhana” os verdadeiros sócios das empresas apontadas nunca foram investigados por quaisquer atos. Fl. 4032DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15504.018302/201011 Acórdão n.º 1301001.606 S1C3T1 Fl. 1.508 8 A empresa Pink Alimentos do Brasil Ltda., em meados de 2002, passou a enfrentar efetivas e verdadeiras dificuldades financeiras, passando a buscar no mercado novos investidores. Após a chegada de novos sócios, no final de 2003, em razão de problemas entre os sócios, ocorreu então nova alteração, com a saída de diversos deles. Nessas circunstâncias, desde 2003 o recorrente não mais fazia parte da empresa Pink Alimentos do Brasil Ltda. e muito menos da empresa PROGRESSO ALIMENTOS, sendo indevida, portanto, a sua inclusão como responsável no feito. Não existe nos autos nenhum documento que confira ao recorrente qualquer poder de gestão ou para atuação em nome das empresas apontadas. A respeito das informações bancárias onde consta o nome do recorrente como “responsável” ou “contato”, ele destaca que, em junho de 2004, atuou como fiador numa operação de crédito da empresa Progresso Alimentos, conforme havia sido acertado antes de sua saída com os demais sócios das empresas relacionadas. Ademais, a simples existente de um cadastro bancário não pode servir de prova para impor a consideração de que o recorrente mantinha qualquer relação com a referida empresa. O dito “relatório reservado” não pode servir de prova contra ninguém, tendo em vista o seu anonimato e a inexistência de qualquer participação dos acusados na sua produção. A respeito do pagamento de R$ 20.000,00, em 09/2006, o recorrente destaca que esse pode ter qualquer natureza, inclusive ser relativo a negócios passados. As ilações promovidas pela fiscalização (sobretudo quanto aos supostos cheques nominais a “Paulo”) não são hábeis a demonstrar que se trate do recorrente. A par de todas as considerações fáticas, destaca ainda o recorrente que aos agentes da fiscalização não caberia a competência para a imposição de responsabilidade tributária, sendo tal ato necessariamente vinculado ao desenvolvimento de processos de cobrança (Execução Fiscal). Por não ter participado de todos os atos do processo de fiscalização, o lançamento seria nulo, por ofensa ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa. Por não existirem nos autos as informações contidas nos processos judiciais relativos à mencionada “Operação Castelhana”, os acusados não podem verificar a regularidade dos procedimentos de quebra de sigilo realizadas, culminando, assim, na nulidade das provas produzidas contra eles. Que, em decorrência da apresentação de DCTF’s pela contribuinte, teria ocorrido a decadência parcial do direito do Fisco em relação aos períodos de 2004 e setembro/2005. Que o “ônus da prova” (ou “dever de provar”) da ocorrência do fato gerador é da autoridade fiscal. Fl. 4033DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15504.018302/201011 Acórdão n.º 1301001.606 S1C3T1 Fl. 1.509 9 Que o lançamento efetivado, por não se basear em “prova” da ocorrência do fato gerador, afrontaria o princípio da capacidade contributiva. No período de 2004 a 2007, os produtos comercializados pela empresa PROGRESSO ALIMENTOS (Bebida Láctea – derivados do leito: em pó , Feijão Carioquinha, Arroz Agulhinha e Fubá de Milho) eram isentos de PIS e COFINS, conforme a Lei 10.925/2004. Por não haver nos autos a comprovação de dolo e fraude, indevida se mostra a aplicação da penalidade pecuniária no importe de 150% e 225%. Argüi a aplicação da súmula CARF no 14, que afasta a aplicação da qualificação da multa sem a necessária comprovação do intuito de dolo ou fraude. Fls. 3861 MARCELO PEREIRA CARDOSO Aduz as idênticas razões apresentadas no Recurso de PAULO VITOR CARDOSO. Fls. 3966 – ADALBERTO CARDOSO Em suas considerações iniciais, o recorrente ressalta a tempestividade de seu recurso, especificamente ante ao fato de que a intimação a ele supostamente encaminhada, havia sido enviada a endereço diverso daquele eleito perante a fiscalização, tendo sido recebido por pessoa completamente desconhecida, o que, por sua vez, não lhe pode obstar a interposição do presente. Ultrapassada a questão da tempestividade, o recurso interposto aduz então as idênticas razões antes apresentadas no Recurso do Sr. PAULO VITOR CARDOSO. Fls. 3914 – FABIANA CARDOSO LEE Após fazer apontamentos a respeito do auto lavrado e da fiscalização desenvolvida em relação à contribuinte e à empresa “Pink Alimentos do Brasil Ltda.”, destaca que dos termos apresentados consta a sua atuação como “administradora” da empresa Progresso Alimentos porque “detinha procuração para gerir a empresa”. Que na verdade a recorrente era empregada da empresa PINK Alimentos, e nela, exercia a função de gerente de vendas, geralmente representando a empresa PINK e outras empresas em processos de licitação. Que não se encontra no autos, em lugar algum, qualquer documento que comprove que a recorrente teria “poderes especiais” para gerir a empresa PROGRESSO ALIMENTOS. Que a decisão de primeira instância, analisando as razões de sua impugnação, reconhece que os poderes conferidos à impugnante não a qualificariam como Fl. 4034DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15504.018302/201011 Acórdão n.º 1301001.606 S1C3T1 Fl. 1.510 10 administradora de fato da contribuinte, mas manteve a imputação de responsabilidade, exclusivamente, sob o frágil fundamento de que “os poderes concedidos para a abertura e movimentação de contas bancárias transcendem aos que ordinariamente se concedem a um empregado de posição de somenos importância na empresa”. Que diversos outros empregados das empresas apontadas também detinham poderes como aqueles apontados, mas não tiveram a imputação de responsabilidade pelos créditos tributários. A responsabilidade imputada à recorrente, verificase, decorreria do fato de ela ser uma das filhas dos fundadores da empresa Pink Alimentos (“FAMÍLIA CARDOSO”), o que, definitivamente, não pode prevalecer. Que o lançamento seria nulo, por não indicar, especificamente, qual o motivo e o fundamento próprio para a responsabilidade tributária imputada. Que as provas que embasam o lançamento foram obtidas de forma ilícita, especificamente porque a autorização judicial para a quebra de sigilo, concedida nos autos do processo que tratou da “Operação Castelhana”, apenas abarcava os denunciados contidos naqueles autos. Que a própria DRJ, ao pretender refutar os argumentos apresentados em sua impugnação, apenas cita os nomes dos Srs. Victor Cardoso, Adalberto Campos e Marcelo Pereira Cardoso, não demonstrando, em momento algum, qual seria a objetiva atuação da recorrente. Que teria ocorrido a decadência do direito da Fazenda Pública de promover o lançamento em relação aos fatos ocorridos entre novembro/2004 a outubro/2005. Ultrapassadas as ponderações preliminares, a recorrente destaca então que, em seu recurso, tratará – exclusivamente , da imputação da responsabilidade tributária. A partir dessas considerações, passa então a analisar as disposições normativas próprias do campo da responsabilidade (de terceiros) no âmbito do direito tributário, realçando, em suas considerações, a exegese do art. 128 do CTN. A partir daí, então, destaca as disposições do Art. 135, inciso III do CTN, analisando, então, os limites próprios da responsabilidade de diretores, gerentes e representantes da pessoa jurídica, destacando aí, então, o entendimento doutrinário e jurisprudencial a respeito da matéria, sobretudo no que tange à necessidade objetiva de demonstração dos atos praticados pelos apontados terceiros para, então, somente aí se viabilizar a aplicação da hipótese contida naquele dispositivo, destacando, sobretudo, a impossibilidade de sua aplicação fundada , exclusivamente, no simples inadimplemento tributário. Na análise do caso, destaca a recorrente, verificase que a simples existência de procuração em seu nome não se mostra suficiente para a configuração da prática objetiva de qualquer ato, devendo este ser então devidamente demonstrado, o que efetivamente não foi na presente vertente. Que os instrumentos de mandato considerados nos autos referiamse, tão somente, a poderes de representação para a participação em procedimentos licitatórios, e, ainda, a movimentação de valores mantidos em uma conta corrente, poderes esses próprios para Fl. 4035DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15504.018302/201011 Acórdão n.º 1301001.606 S1C3T1 Fl. 1.511 11 o desenvolvimento das atividades de seu contrato, de forma idêntica a todos os demais procuradores da empresa. Que nos autos não restou demonstrado nenhum elemento capaz de admitir a imputação de responsabilidade da recorrente em relação aos referidos créditos tributários, a não ser o fato de ser ela filha do Sr. Adalberto Cardoso. Que os poderes a ela outorgados em absolutamente nada desvirtuam a sua atuação como mera “empregada” (nunca possuindo qualquer poder de “gestão”) da contribuinte, estando, assim, submetida ao comando dos diretores da empresa, e, por isso, não podendo de forma alguma, ser considerada como responsável pelas imputadas infrações. “Quem cumpre ordens, só age em nome de seus superiores e não pode ser responsabilizado da forma como pretende a malfadada autuação”. Que a recorrente reside e sempre residiu na cidade de São PauloSP (provas juntadas aos autos), não podendo nunca ter exercido gestão numa empresa sediada na cidade de Belo HorizonteMG. Após todas as considerações a respeito da impossibilidade de imputação da pretendida responsabilidade tributária, passa então a discorrer pela inaplicabilidade da multa majorada de 150%, sobretudo ante a aplicação de meras presunções, sem que restasse demonstrado qualquer possibilidade de configuração de dolo da recorrente. Os únicos atos apontados pela fiscalização, insiste a recorrente, são atos praticados por outras pessoas, nunca por ela própria. Requer, assim, a desconstituição da responsabilidade tributária apontada. Recebidos os autos para apreciação e julgamento, entendeu este Colegiado, em 09/04/2013, pela conversão do julgamento em diligência, por meio da Resolução no 1301000.103, determinandose o sobrestamento do feito até a final decisão a ser proferida nos autos do RE 601314 (Relator: MIN. RICARDO LEWANDOWSKI), tendo em vista a discussão aqui apontada a respeito da regularidade da quebra de sigilo bancário efetivada (LC 105/2001), e, no caso, a aplicação das disposições do parágrafo 1o do Art. 62A do RICARF. Restando, pois, revogadas as disposições daquele dispositivo regimental por meio da Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013, retornam então os autos para julgamento. Esse é o relatório. Fl. 4036DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15504.018302/201011 Acórdão n.º 1301001.606 S1C3T1 Fl. 1.512 12 Voto Vencido Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, relator. Sendo regular o recurso de oficio e tempestivos os recursos voluntários interpostos, deles conheço. Conforme se verifica da leitura do extenso relatório aqui apresentado, tratam os presentes autos de autuação fiscal efetivada pelos agentes da fiscalização fazendária federal, promovendose o arbitramento do lucro da contribuinteautuada em relação aos períodos 4o Trimestre de 2004, e todos os trimestres dos anos de 2005, 2006 e 2007, em razão da não apresentação dos livros e documentos relativos a sua escrituração, apesar da regular intimação realizada. Todo o trabalho desenvolvido pela fiscalização, vale destacar, foi originado a partir dos documentos apreendidos durante a chamada “Operação Castelhana”, a partir, então, da decisão proferida pela Justiça Federal, concedendo a extensão da quebra de sigilo aos agentes da Receita Federal. De acordo com o que se verifica dos autos, a empresa autuada (Progresso Alimentos Importação e Exportação Ltda. – “PROGRESSO”) foi, na verdade, uma empresa criada a partir da utilização de “laranjas”, sendo comandada, na verdade, diretamente pelos diretores da empresa Pink Alimentos do Brasil Ltda. – “PINK”, indicados como sendo, então, os senhores ADALBERTO CARDOSO (CPF 140.188.70663), PAULO VICTOR CARDOSO (CPF 191.747.05687), MARCELO PEREIRA CARDOSO (CPF 736.006.95649), e, também, a Srta. FABIANA CARDOSO LEE (CPF 032.253.71696). Apesar de regularmente intimada, tanto da lavratura do auto de infração, quanto, também, da decisão exarada em primeira instância, a contribuinte “PROGRESSO” não apresentou qualquer defesa nos autos. A empresa PINK, apesar de ter inicialmente impugnado, não interpôs recurso da decisão de primeira instância, somente se verificando, conforme aqui antes relatado, recursos das pessoas físicas indicadas como responsáveis. Apresentadas, então, as razões gerais do feito, passemos à análise dos recursos interpostos. DO RECURSO DE OFÍCIO A primeira consideração que aqui se faz necessária, verificase, é a análise específica e objetiva a respeito da parcela exonerada pela r. decisão de primeira instância, tendo em vista, inclusive, o registro do competente recurso de ofício interposto, da forma como aqui, então, especificamente apresentado. Fl. 4037DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15504.018302/201011 Acórdão n.º 1301001.606 S1C3T1 Fl. 1.513 13 Dos termos da decisão exarada pela primeira instância administrativa, verificase a objetiva descrição da exoneração efetivada, que é realizada então a partir dos seguintes comandos: Acórdão Acordam os membros da 3a Turma de Julgamento, por unanimidade, nos termos do voto do relator, parte integrante deste acórdão, em julgar parcialmente procedentes as impugnações para: INDEFERIR os pedidos de produção posterior de prova documental e pericial; INDEFERIR os pedidos de que intimações sejam encaminhadas ao endereço de advogado do sujeito passivo solidário; REJEITAR as argüições de nulidade; MANTER todos os termos de sujeição passiva solidária; MANTER PARCIALMENTE o crédito tributário constituído, para: 1. quanto ao lançamento de IRPJ, REDUZIR o montante do tributo exigido em relação ao 1o, ao 2o e ao 4o trimestre de 2006 respectivamente para R$ 88.904,72, R$ 21.164,16 e R$ 24.725,51 assim como, na mesma proporção, as multas e os juros de mora correlatos; mas MANTER, sem alterações, as exigências fiscais relativas aos demais períodos de apuração; 2. quanto ao lançamento de CSLL, REDUZIR o montante do tributo exigido com relação ao 1o, ao 2o e ao 4o trimestre de 2006 respectivamente para R$ 42.707,12, R$ 12.223,87, e R$ 13.826,48, assim como manter, na mesma proporção, as multas e os juros de mora correlatos, mas MANTER, sem alteração, as exigências fiscais relativas aos demais períodos de apuração; 3. quanto aos dois autos e infração de contribuição para o PIS, REDUZIR o montante do tributo exigido com relação aos meses de janeiro, março, abril, maio, outubro, novembro e dezembro de 2006, respectivamente, para R$7.531,27, R$13.897,80, R$2.595,15, R$2.577,16, R$4.411,67, R$2.793,00 e R$1.116,83, assim como, na mesma proporção, as multas e os juros de mora correlatos; mas MANTER, sem alteração, as exigências fiscais relativas aos demais períodos de apuração; 4. quanto aos dois autos de infração de Cofins, REDUZIR o montante do tributo exigido com relação aos meses de janeiro, março, abril, maio, outubro, novembro e dezembro de 2006, respectivamente para R$34.759,71, R$64.143,67, R$11.977,62, R$11.894,61, R$20.361,55, R$12.890,76 e R$5.154,58, assim como, na mesma proporção, as multas e os juros de mora correlatos; mas MANTER, sem alteração, as exigências fiscais relativas aos demais períodos de apuração. Da análise dos fundamentos adotados pela r. decisão de primeira instância, verificase que, apesar de reconhecer, no caso, que a contribuinte, devidamente intimada, não Fl. 4038DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15504.018302/201011 Acórdão n.º 1301001.606 S1C3T1 Fl. 1.514 14 teria, ao tempo e modo devido, efetivamente apresentado os documentos contábeis e fiscais que refletissem a realidade de suas atividades, a douta autoridade de primeira instância, analisando os argumentos expedidos pelas impugnações apresentadas, efetivamente reconhece a aplicabilidade das disposições da Lei 10.925/2004, que, estabelecendo a isenção da incidência do PIS e da COFINS sobre diversos produtos potencialmente comercializados pela autuada, impõe então a necessária redução dos encargos respectivos onde tais fatos, a partir dos elementos contidos autos, possam então efetivamente ser apurados. Com espeque nas disposições do Decreto 5.630/2005, que, regulamentando as disposições da referida Lei (e de todas as sucessivas alterações a ela relacionadas), aponta em relação a cada produto a sua aplicabilidade temporal, foram então efetivamente analisadas as notas fiscais especificamente trazidas aos autos, promovendose, a partir daí, a dedução dos montantes apurados daqueles anteriormente apresentados, e, com isso, garantindo a integral eficácia da norma referenciada. Do trecho específico da decisão que tratou do assunto aqui apontado, destacamos: Tendo em mente os aspectos salientados nos parágrafos precedentes, foram examinadas as notas fiscais constantes do anexo I e do anexo II. Observouse primeiramente que, ao contrario do que aparentemente querem fazer crer os impugnantes, incluemse no rol dos produtos comercializados pela Progresso muitos que não são, nem sequer em tese, beneficiados pela norma em causa. A tabela adiante contém a relação dos itens comercializados pela autuada que, levandose em conta apenas a descrição das notas fiscais, não se beneficiam da redução a zero, ainda que se adote um critério apenas genérico de classificação. (...) Em segundo lugar, notase que há produtos cuja descrição na nota fiscal não coincide exatamente com os dizeres da norma legal instituidora do beneficio. Visto que os impugnantes não trouxeram aos autos nenhum documento ou informação que pudesse corrigir ou complementar os dizeres du notas fiscais, não hi como considerar sujeitos à aliquota zero as receitas decorrentes das vendas desses produtos. Conforme já explanado neste voto, o legislador especificou precisamente os produtos beneficiados, e os que não puderem ser claramente enquadrados na descrição legal deverão ser submetidos ao tratamento destinado aos demais produtos, isto 6, sofrer a incidência integral da Cofins e da contribuição para o PIS Os produtos e mercadorias que se acham nessa situação são os discriminados na tabela adiante. (...) Em terceiro lugar, visto que somente a partir de 15 de junho de 2007 passaram a ser beneficiadas com aliquota zero as vendas de produtos classificados como leite em pó semidesnatado, leite fermentado, bebidas e compostos lácteos e fórmulas infantis, não se pode excluir nenhum montante das contribuições lançadas relativas a esses itens, porque as notas fiscais constantes dos autos dizem respeito apenas a períodos de apuração anteriores àquela data. (...) Com base apenas na descrição dos produtos supra nas notas fiscais é possível enquadrálos no disposto no inciso XI do artigo 1° do Decreto n° 5.630, de 2005. Portanto, as vendas deles estão sujeitas à aliquota zero. Contudo, o beneficio somente se aplica a partir de 10 de março de 2006, conforme disposto no artigo 3 0, inciso II, do mesmo decreto. Conseguintemente, cumpre reconhecer o beneficio reivindicado pelos impugnantes apenas em Fl. 4039DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15504.018302/201011 Acórdão n.º 1301001.606 S1C3T1 Fl. 1.515 15 relação às operações realizadas a partir daquela data. Tais operações e notas fiscais estão enumeradas na tabela abaixo: (...) Portanto, conforme indicado na tabela supra, acatase apenas parcialmente a pretensão dos impugnantes apreciada nesta subseção. Mais adiante neste voto são demonstrados os ajustes que cumpre fazer no crédito tributário em virtude da exclusão deferida. A partir da análise desses fundamentos, o que se verifica é que, a partir dos documentos expressamente contidos nos autos, os agentes da douta DRJ promoveram o levantamento dos montantes que, ao menos em tese, poderiam ser beneficiados pela isenção de que trata a Lei 10.925/2004, promovendo, assim, o batimento do valor apurado com o montante inicialmente lançado. Para destaques necessários, é relevante realçar que, por força exclusiva do nãoatendimento pela fiscalizada das intimações regularmente encaminhadas pelos agentes da fiscalização a respeito da obrigatoriedade de apresentação de seus respectivos registros fiscais e contábeis, foi então determinado o montante do tributo devido a partir da aplicação da sistemática de “arbitramento do lucro”, não se discutindo, nestes autos, em momento algum o procedimento de apuração aplicado pelos agentes da fiscalização. Ao garantir a douta DRJ o abatimento dos montantes apurados a partir das Notas Fiscais ulteriormente trazidas aos autos, o que se promoveu, então, foi apenas, e tão somente, o controle de legalidade do lançamento, garantindose a aplicação das disposições normativas próprias e, com isso, evitando eventuais questionamentos futuros a respeito de sua regularidade. A limitação das análises desenvolvidas pelos agentes da fiscalização, e, também, dos julgadores de primeira instância, é relevante destacar, decorreu, única e exclusivamente do desatendimento regular e tempestivo das intimações para a apresentação de registros e documentos contábeis e fiscais pela empresa fiscalizada. Em face dessas considerações, entendo como regular a exoneração aqui apresentada, sobretudo porque, apesar de extemporâneos, os documentos apresentados de fato importam em efetiva prova de que parte dos montantes movimentados, por certo, não se submeteriam à incidência das contribuições do PIS e da COFINS, devendo, assim, então, ser efetivamente deduzidos do montante global apontado. Diante disso, julgo por NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício, mantendo, assim, a exoneração parcial da forma como apresentada. DOS RECURSO VOLUNTARIOS Conforme apresentado na parte final de nosso relatório, as empresas PROGRESSO (Contribuinte) e PINK (Responsável) não interpuseram recursos contra a decisão de primeira instância, somente se verificando nos autos os recursos voluntários interpostos pelos responsáveis pessoas físicas PAULO VICTOR CARDOSO , ADALBERTO CARDOSO, MARCELO PEREIRA CARDOSO e FABIANA CARDOSO LEE. Fl. 4040DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15504.018302/201011 Acórdão n.º 1301001.606 S1C3T1 Fl. 1.516 16 Da leitura dos termos dos Recursos interpostos, entretanto, verificamos identidade integral em relação às razões sustentadas pelos Srs. PAULO VICTOR CARDOSO , ADALBERTO CARDOSO e MARCELO PEREIRA CARDOSO, somente se verificando uma certa distinção na tese então desenhada pela Sra. FABIANA CARDOSO LEE. Em face dessa verificação, então, passaremos à análise dos recursos, a ser feita, então, em dois blocos distintos. Vejamos. Do Recurso Voluntário de PAULO VICTOR CARDOSO, ADALBERTO CARDOSO e MARCELO PEREIRA CARDOSO Conforme antes apontado, os recursos voluntários interpostos pelos responsáveis indicados são efetivamente idênticos em todos os seus termos, podendo aqui, então, serem analisados em conjunto, da forma como passamos a expor. Da argüição de ilegitimidade passiva O primeiro ponto destacado pelos recorrentes referese ao fato de que, nenhum deles, nunca teria feito parte do quadro societário da empresa autuada (PROGRESSO), sendo certo, também, que quando da lavratura dos correspondentes autos de infração, nenhum deles sequer se mantinha sócio da empresa PINK, pretendo, com isso, então, o reconhecimento de sua “ilegitimidade passiva”. Entretanto, a par de todos os esforços empreendidos nas peças apresentadas, é importante ressaltar que, no presente caso, estáse diante de acusação de efetiva e verdadeira operação fraudulenta, em que os então “diretores de fato” do grupo PINK, promoveram a constituição de outra empresa (“empresa de fachada”), a partir da utilização de “laranjas”, com o intuito claro e objetivo de efetivamente de encobrir as operações verdadeiramente realizadas, e, com isso, escudarse das possíveis responsabilidades daí decorrentes. A sua não apresentação formal no contrato social das referidas empresas, então, é, na verdade, um dos fundamentos próprios do lançamento efetivado, sobretudo porque, acaso fosse possível ali a sua verificação, certamente, o direcionamento da ação fiscal seria diversa daquela aqui então intentada. Na verdade, todos os recorrentes indicados atuaram, de fato, como diretores diretos dos empreendimentos, tomando decisões e direcionando práticas que, apesar de inicialmente encobertas pelos padrões formais utilizados, eram a eles então diretamente relacionadas. A respeito dos sócios nominais da empresa PROGRESSO, é relevante destacar que, conforme restou devidamente comprovado nos autos, eles não passavam de pessoas humildes, sem qualquer condições de terem efetivamente promovido os investimentos referenciados, residindo, à época da autuação, na periferia da cidade de Belo HorizonteMG (próximo ao “lixão”). A falsidade dos atos é manifesta, e os recorrentes, pelo que se verifica, insistem em pretender a sua sustentação. Fl. 4041DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15504.018302/201011 Acórdão n.º 1301001.606 S1C3T1 Fl. 1.517 17 Aliás, é importante destacar: no caso, não se trata de “presunção”, mas sim de verificação efetivamente material de que a atuação de todos estes indicados responsáveis mantinhase ostensiva no controle das atividades da empresa PINK, e, também, na própria PROGRESSO, não se podendo considerar, de forma alguma, a simples composição formal do contrato social como suficiente para elidir a sua responsabilidade no presente feito. A ausência de documento material que comprove a existência de “poderes de gestão” desses responsáveis indicados, mais uma vez, é exatamente o caminho por eles dolosamente pretendido para pretender a burla ao sistema tributário, da forma como aqui desenhado, não servindo, absolutamente, como meio para possibilitar a desconstituição do lançamento. Da análise da decisão de primeira instância, quando analisa, especificamente, as razões trazidas em sede de impugnação a respeito do pretendido reconhecimento de ilegitimidade passiva – no caso, especificamente em relação à impugnação do Sr. Paulo Victor Cardoso , assim então especificamente se verifica: Apesar de Paulo Victor Cardoso já não constar ostensivamente no quadro de administrador nem de sócio da Pink durante os períodos de apuração alcançados pelos lançamentos fiscais, há nos autos provas categóricas de que ele permaneceu à frente da empresa, atuando como um dos seus administradores e recebendo beneficios como um dos seus sócios, ao lado de outros membros da família Cardoso. Há também prova de que interferia diretamente nos negócios da própria Progresso. O impugnante se queixa de que não consta dos autos o Relatório Reservado a que o autuante faz referência no termo de verificação fiscal. A queixa, porém, é infundada. Em verdade, esse documento não só se acha nos autos, como também constitui uma das provas cabais de que o impugnante continuou conduzindo os negócios tanto da Pink como da Progresso, embora formalmente tivesse realizado a sua retirada. O relatório em causa é um dos inúmeros itens apreendidos na sede da Pink durante a Operação Castelhana. Integra um conjunto de documentos juntado a folhas 215 a 234, que contém partes duma espécie de contabilidade paralela do grupo Pink. Especificamente o Relatório Reservado se encontra a folhas 215 a 218. Nele a Progresso, juntamente com as firmas Alibra, Invicta e AlNutri, é identificada como empresa coligada do grupo Pink. Nele também nomeiamse os integrantes do conselho de administração do grupo. Paulo Victor Cardoso encabeça a lista, fazendo companhia a Adalberto Cardoso e a Marcelo Pereira Cardoso. Não menos importante para a presente discussão é o documento a folhas 219 e seguintes, intitulado "Balancete Operacional Mensal — Coligadas", no qual as receitas e despesas das empresas constituintes do grupo Pink, incluindo a Progresso, são tratadas de forma unificada. Outro documento de igual relevância achase a folhas 222 a 230. Intitulase "Contas a Pagar Simples" e contém, em ordem cronológica, o registro de pagamentos vários feitos a fornecedores, funcionários e dirigentes do grupo. Entre os pagamentos registrados encontramse a folhas 223 um no valor de R$ 20.000,00, datado de 29.09.2006, cujo beneficiário é Paulo Victor Cardoso. Outros membros da família Cardoso também constam como beneficiários de pagamentos. No documento a folhas 232, intitulado "Caixa Ricardo", deparase com outra provável referência ao Sr. Paulo, Fl. 4042DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15504.018302/201011 Acórdão n.º 1301001.606 S1C3T1 Fl. 1.518 18 pois ao lado da inscrição "Paulo" aparece a soma de R$ 230.000,00. Já a folhas 233, no documento intitulado "Balanço" 31/10/2006 encontrase outra soma associada ao nome Paulo: uma das linhas da tabela dos débitos contém os dizeres "empréstimo Paulo", ao qual se vincula a importância de R$ 92.669,18. Ainda que o Paulo a que se refere esses documentos possa ser outra pessoa, não há dúvida de que a pessoa que, em 29.09.2006 (cerca de três anos depois da data em que alega ter deixado a sociedade), recebeu os R$ 20.000,00 é Paulo Victor Cardoso, o que prova que ele se beneficiava diretamente da posição que mantinha tanto na Pink quanto na Progresso. (Grifos e destaques nossos) Da leitura desse trecho – confirmado pela análise dos demais elementos contidos nos autos , verificase que, ao contrário do que afirmam os recorrentes, mesmo nunca tendo feito parte do quadro societário da empresa PROGRESSO, e, ainda, tendose já formalmente retirado do contrato social da empresa PINK, os senhores Paulo Victor Cardoso, Adalberto Cardoso e a Marcelo Pereira Cardoso efetivamente continuavam no controle das atividades do grupo, verificandose no caso, então, a presença clara da fraude e, com isso, a perfeita regularidade da imputação de responsabilidade tributária, da forma como aqui então efetivado. Aliás, a respeito do pagamento de valores aos recorrentes, verificase que, apesar de suas alegações genéricas de que os referidos montantes “poderiam” ser referentes a dívidas passadas, não se verifica nos autos uma prova sequer dessa alegação, não se podendo aqui, de forma alguma, considerála como séria. A responsabilidade tributária, no presente caso, decorre da verificação da presença da atuação fraudulenta, reconhecendose então todos os recorrentes aqui indicados como efetivos e verdadeiros “gestores” da contribuinte – sobretudo por atuarem materialmente como dirigentes de seus desígnios , aplicandose, assim, com perfeição, as disposições do Art. 135, inciso III do CTN. Vejamos: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Diante dessas considerações, completamente infundadas, verificamse, são as argüições trazidas de suposta ilegitimidade passiva dos recorrentes, sendo aqui de se reconhecer, de fato, que no caso estáse a tratar de imputação de responsabilidade tributária dos conhecidos “diretores de fato” da pessoa jurídica autuada, fato esse devidamente comprovado nos autos e, em momento algum, objetivamente desconstituído pelos recorrentes. Das nulidades arguidas Juntamente com as considerações relativas à suposta ilegitimidade passiva, os recorrentes arguem, também, a nulidade do lançamento efetivado, sobretudo porque não teriam participado do desenvolvimento do processo desde a sua inicialização, somente dele tomando Fl. 4043DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15504.018302/201011 Acórdão n.º 1301001.606 S1C3T1 Fl. 1.519 19 conhecimento após a lavratura do auto de infração, e ainda, de que não teriam tido conhecimento do apontado “Relatório Reservado”, referente à dita “Operação Castelhana”, e, inclusive, que a decisão que possibilitou a extensão da quebra do sigilo à Receita Federal somente poderia ser utilizada contra aqueles especificamente presentes na demanda judicial, sendo, assim, inoponível a terceiros. No que tange ao mencionado “Relatório Reservado”, de fato, a decisão de primeira instância – conforme trecho aqui antes especificamente destacado – expressamente indica a sua presença nos autos, mantido, por certo, em anexo ao feito, exatamente como forma de garantir a reserva do sigilo próprio dos documentos. No que se refere à pretendida inoponibilidade da quebra de sigilo a (supostos) “terceiros”, com a mais respeitosa vênia, não há razão alguma para o seu acolhimento na presente vertente, sobretudo porque a consideração apresentada não possui qualquer substância legal. A prova da ocorrência de ilícitos que acarretam a incidência tributária, definitivamente, prestamse sim para a apuração dos montantes devidos e a sua corespectiva exigência, não se podendo, de forma alguma, limitarse a imputação, no caso, apenas às partes do respectivo processo judicial. Por essas razões, rejeito, integralmente, todas as “nulidades” argüidas pelos recorrentes, entendo, no caso, perfeitamente regular a imputação, da forma como realizada. Da competência dos agentes da fiscalização Prosseguindo em suas razões, os recorrentes sustentam ainda que aos agentes da fiscalização não seria legítima a pretensão de imputação de responsabilidade tributária, entendendo que essa seria ato próprio da atividade de cobrança do tributo, reservado, assim, ao momento de eventual execução do crédito tributário. Tal argumentação, por certo, decorre do efetivo desconhecimento da doutrina e jurisprudência histórica a respeito da matéria, sobretudo porque, como se sabe, a competência dos agentes da fiscalização encontrase expressamente contida nas disposições do Art. 142 do CTN, que, ao dispor sobre a matéria, assim então especificamente destaca: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. No caso presente, como aqui já apontado, tratase de imputação de responsabilidade tributária, decorrente de aplicação das disposições do Art. 135, inciso III do CTN, que, no caso, inclusive, expressamente reconhece a “responsabilidade pessoal” dos agentes ali apontados. A possibilidade da cobrança do crédito tributário diretamente dos responsáveis, por certo, demanda a sua presença quando da formalização da exigência, sendo o processo administrativo fiscal, por sua vez, o meio próprio e adequado para esse mister. Fl. 4044DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15504.018302/201011 Acórdão n.º 1301001.606 S1C3T1 Fl. 1.520 20 Por essas razões, rejeito, também, a argüição de incompetência dos agentes da fiscalização para a imputação de responsabilidade tributária. Da decadência parcial Nas suas razões, os recorrentes insistem em pretender o reconhecimento de suposta decadência parcial em relação aos créditos tributários pretendidos, sobretudo por entender que, tendo sido intimados da lavratura do auto de infração no dia 01/11/2010, e, por se tratar de tributo sujeito ao regime de homologação, aplicandose as disposições do Art. 150 par. 4o do CTN, teria havido então a extinção do crédito tributário em relação aos valores supostamente devidos até o mês de Novembro/2005 (Ano de 2004 e Janeiro a Novembro/2005). A decisão de primeira instância, por sua vez, destaca que a aplicação das disposições do Art. 150, par. 4o do CTN não se vinculam, exclusivamente, à verificação do tributo especificamente considerado, mas sim, sobretudo, à verificação da efetiva realização do “pagamento antecipado”, e, ainda, a nãoocorrência de dolo, fraude ou simulação. Conforme amplamente aqui apontado, a autuação efetivada fora decorrência imediata e direta da verificação da presença de fraude, sobretudo ante a composição de empresa ligada a partir da utilização de “laranjas” e o efetivo encobrimento dos fatos econômicos praticados. A partir dessas circunstâncias, ao contrário do que pretendem ver os recorrentes, no caso não se há falar em aplicação das disposições do Art. 150, par. 4o do CTN, mas sim, da regra geral contida no Art. 173, inciso I daquele mesmo diploma legal, que, sobre a matéria, assim então preleciona: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. A questão do afastamento da aplicação das disposições do Art. 150, par. 4o do CTN, hoje, é tema assente de dúvidas, sobretudo a partir do julgamento proferido pelo Colendo STJ nos autos do REsp 973.733 – SC, que, sob a sistemática própria dos “Recursos Repetitivos” (Art. 543C do CPC), assim então especificamente pontuou: RECURSO ESPECIAL Nº 973.733 SC (2007/01769940) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE : INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL INSS REPR. POR : PROCURADORIAGERAL FEDERAL PROCURADOR : MARINA CÂMARA ALBUQUERQUE E OUTRO(S) RECORRIDO : ESTADO DE SANTA CATARINA PROCURADOR : CARLOS ALBERTO PRESTES E OUTRO(S) Fl. 4045DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15504.018302/201011 Acórdão n.º 1301001.606 S1C3T1 Fl. 1.521 21 EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Fl. 4046DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15504.018302/201011 Acórdão n.º 1301001.606 S1C3T1 Fl. 1.522 22 ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, os Ministros da PRIMEIRA SEÇÃO do Superior Tribunal de Justiça acordam, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, por unanimidade, negar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Castro Meira, Denise Arruda, Humberto Martins, Herman Benjamin, Mauro Campbell Marques, Benedito Gonçalves, Eliana Calmon e Francisco Falcão votaram com o Sr. Ministro Relator. Brasília (DF), 12 de agosto de 2009(Data do Julgamento) MINISTRO LUIZ FUX Relator Por essas disposições, verificase que, afastandose, no caso, a aplicação do Art. 150, par. 4o do CTN – seja pela ausência de comprovação de recolhimento, ou, ainda, pela efetiva presença de dolo, fraude e simulação nos casos analisados , aplicase, iniludivelmente, as disposições de seu Art. 173, inciso I, devendo esse ser o meio adequado para a verificação da decadência, nos termos em que então especificamente explicitados pelo julgado transcrito. A r. decisão de primeira instância, nesse passo, após afastar a aplicação das disposições do Art. 150, par. 4o do CTN, indicando a aplicação das disposições do mencionado Art. 173, inciso I, assim então especificamente considerou: Quanto à CSLL e ao IRPJ, em que a apuração é trimestral, o período mais remoto alcançado pelo lançamento é o quarto trimestre do anocalendário de 2004. O encerramento desse período se dá em 31.12.2004. Quanto à Cofins e à Contribuição para o PIS, em que a apuração é mensal, o período mais remoto alcançado pelo lançamento é dezembro de 2004. O encerramento desse período também se dá em 31.12.2004. O fisco tem de aguardar que se encerre o período de apuração antes de rever ou averiguar o procedimento adotado pelo contribuinte. Portanto, em relação a todos os tributos lançados, o lançamento de oficio somente poderia ter sido feito a partir de 02.01.2005. O primeiro dia do exercício seguinte àquele em que os lançamentos poderiam ter sido efetuados é 02.01.2006. Contados desta data, os cinco anos dados ao fisco para efetuar o lançamento encerrarseiam em 02.01.2011. Uma vez que os sujeitos passivos foram cientificados até 01.11.2010, pelo menos dois meses antes de atingido o prazo de cinco anos, é improcedente a arguição de decadência, a qual, por isso mesmo, é rejeitada. (Destaque nosso) Em que pese todo o esforço exegético da referida decisão, entretanto, verifica se que, a teor do que então especificamente expresso nas disposições do REsp 973.733 – SC, a aplicação das disposições do Art. 173, inciso I não é essa aqui apontada, devendo assim ser então iniciada a contagem do prazo qüinqüenal, imediatamente, no primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador. Nessas circunstâncias, ao contrário do considerado pela r. decisão de primeira instância, o primeiro dia para a contagem do prazo decadencial a partir da aplicação das disposições do Art. 173, inciso I do CTN, considerando as circunstâncias fáticas apresentadas, Fl. 4047DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15504.018302/201011 Acórdão n.º 1301001.606 S1C3T1 Fl. 1.523 23 deve ser então o dia 01/01/2005, reconhecendose assim, então, em relação aos fatos geradores ocorridos no ano de 2004, a ocorrência da decadência no dia 01/01/2010. Como a intimação do lançamento somente se materializou no dia 01/11/2010, decaídos, assim, de fato, estavam já os primeiros fatos geradores considerados, devendo assim, portanto, ser excluídos todos os valores relativos ao anocalendário de 2004, mantendose o lançamento, entretanto, em relação a todos os demais períodos. Da aplicação de isenção do PIS e da COFINS Dando continuidade às suas argumentações, aduzem ainda os recorrentes que, em relação às atividades desenvolvidas pela contribuinte, aplicável seria a isenção de que trata a Lei 10.925/2004, sendo indevida, portanto, a cobrança de quaisquer montantes em relação aos fatos geradores a eles relacionados. A norma em questão, vale destacar, referese como aqui já antes apontado , à previsão de isenção do PIS e da COFINS sobre a comercialização de diversos produtos alimentícios, ali se verificando, de fato, a possibilidade da presença de diversos itens comercializados pela contribuinte. Ocorre que, ao contrário do que pretendem fazer crer os recorrentes, a autuação efetivada, como aqui desde antes apontado, teve como meio o “arbitramento do lucro”, especificamente por força do nãoatendimento reiterado da contribuinte às intimações encaminhadas pelos agentes da fiscalização, a respeito dos registros contábeis e fiscais por ela então supostamente mantidos. A contribuinte não apresentou qualquer documentação, somente se verificando essas a partir dos documentos arrecadados pelos agentes da fiscalização, ou ainda, quando da apresentação das respectivas impugnações ao lançamento. A respeito da análise dos elementos contidos nos autos, e, no caso, a efetiva e adequada redução do montante tributável, foi efetivado quando da prolação da h. Decisão de Primeira Instância, sendo esse tema, inclusive, aqui especificamente enfrentado quando de nossa apreciação do competente Recurso de Ofício. A rigor, competiria à contribuinte a entrega regular, ao tempo e modo devido, dos documentos requeridos pelos agentes da fiscalização, o que, assim não procedendo, não pode agora, de forma completamente desvinculada de qualquer comprovação fática objetiva, pretender a anulação ou redução do montante lançado. Aliás, conforme já aqui destacamos, a d. Turma de origem, visando garantir a regularidade do lançamento, e a inviabilidade de discussões futuras sobre a regularidade da cobrança, especificamente analisou as notas fiscais juntadas aos autos, promovendo já a adequação dos montantes exigidos nos presentes autos, nada mais restando a ser aqui, então, efetivamente apreciado em relação a essa matéria. Tendo em vista que os recorrentes apenas alegam, sem nada provar, em relação ao enquadramento do restante de suas operações na hipótese assentada, não se pode aqui, de forma alguma acolher a pretensão da forma como então aqui aduzida. Fl. 4048DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15504.018302/201011 Acórdão n.º 1301001.606 S1C3T1 Fl. 1.524 24 Da multas aplicadas Por fim, sustentam ainda os recorrentes a invalidade das penalidades pecuniárias aplicadas, sobretudo por destacar, no caso, a impossibilidade de consideração de dolo ou fraude, e, ainda, por ser inadmissível a qualificação (e também o agravamento) a partir da exclusiva aplicação de presunções (Súmula CARF no 14). Sobre esse tema específico, é relevante destacar que, ao contrário do que sustentam os recorrentes, toda a autuação se baseou, no caso, na presença e configuração de efetiva e verdadeira atuação dolosa, fraudulenta e dissimulada dos referidos responsáveis, que, escudandose na formalidade com a utilização de agentes “laranjas”, pretenderam verdadeiramente imiscuirse do dever legal de pagamento de tributos, o que, inclusive, restou ampla e devidamente apresentado nos autos. Nessas circunstâncias, não se verificam, de forma alguma, as condições próprias da indicada Súmula CARF no 14, sobretudo porque, como se verifica, a apuração não fora realizada por mera aplicação da presunção, havendo nos autos provas cabais e completas da efetiva atuação dolosa e fraudulenta dos referidos agentes, restando, portanto, perfeitamente regular a aplicação das penalidades nos patamares apontados. Em face de todas essas considerações, em relação aos recursos voluntários interpostos por Paulo Victor Cardoso, Adalberto Cardoso e Marcelo Pereira Cardoso, encaminho o meu voto no sentido de DARLHES PARCIAL PROVIMENTO, especificamente no que se refere ao reconhecimento da Decadência Parcial, ante a adequada aplicação das disposições do Art. 173, inciso I do CTN (nos termos determinados no julgamento do Resp 973.733 – SC), e, no caso, o reconhecimento da extinção dos créditos tributários apurados em relação ao anocalendário de 2004, mantendo, entretanto, a autuação e as consequentes responsabilidades tributárias aqui imputadas em todos os seus demais termos. Do Recurso Voluntário de FABIANA CARDOSO LEE A par de todas as considerações aqui apresentadas, insta aqui ainda destacar a necessária análise dos termos do Recurso Voluntário interposto por Fabiana Cardoso Lee, que, de forma efetivamente própria, e diversa daquela sustentada pelos demais responsáveis indicados nos presentes autos, opõese ao lançamento – e, também, à decisão de primeira instância , aduzindo exclusivamente a invalidade da imputação de sua responsabilidade tributária, da forma como tratada nos autos. A respeito da imputação de responsabilidade contra ela configurada, verifico que, em suas razões, volta a sustentar que a consideração realizada pelos agentes da fiscalização teria partido, exclusivamente, do fato de que ela seria filha de um dos diretores da PINK (Sr. Adalberto Cardoso), não havendo nos autos nenhuma prova de que ela teria efetivamente agido ou atuado dentro das circunstâncias próprias do Art. 135, inciso III do CTN. Analisando os autos, tanto em relação às argumentações da recorrente, dos agentes da fiscalização, ou ainda, daqueles constantes da r. decisão de primeira instância, Fl. 4049DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15504.018302/201011 Acórdão n.º 1301001.606 S1C3T1 Fl. 1.525 25 verifico que o primeiro ponto de ataque mantido seria decorrente do fato de que a referida recorrente seria detentora de “Procuração”, conferindolhe poderes plenipotenciários para a gestão da empresa PROGRESSO. A respeito desse ponto específico, devo destacar, já há tempos me tenho manifestado nas sessões deste conselho por não verificar pelo simples fato da existência de “mandato” (instrumento de procuração) a possibilidade de configuração das hipóteses do Art. 135, inciso III do CTN. Na verdade, na linha já há tempos assente pela doutrina civilista, a concessão de mandato representa, por si, efetivo e verdadeiro exercício de direito potestativo do mandante, que, inclusive, sequer demanda a necessidade de concordância do mandatário. A respeito dessa matéria, relevantes se apresentam as disposições dos Art. 653 e seguintes do Código Civil, que, a respeito do mandato, assim então especificamente estabelecem: Art. 653. Operase o mandato quando alguém recebe de outrem poderes para, em seu nome, praticar atos ou administrar interesses. A procuração é o instrumento do mandato. Art. 654. Todas as pessoas capazes são aptas para dar procuração mediante instrumento particular, que valerá desde que tenha a assinatura do outorgante. § 1o O instrumento particular deve conter a indicação do lugar onde foi passado, a qualificação do outorgante e do outorgado, a data e o objetivo da outorga com a designação e a extensão dos poderes conferidos. § 2o O terceiro com quem o mandatário tratar poderá exigir que a procuração traga a firma reconhecida. (...) Art. 659. A aceitação do mandato pode ser tácita, e resulta do começo de execução. (...) A existência do mandato, por si só, a meu ver, não acarreta, por si só, a conclusão de que o agente esteja inteiramente vinculado aos fatos praticados pelos mandantes. Na verdade, a responsabilidade do mandatário, em cada caso, deverá ser apurada de acordo com os atos por ele então especificamente praticados. Tais considerações aqui se fazem relevantes, sobretudo porque, nos autos, em momento algum se verifica a efetiva comprovação da realização de um ato que, por si, importe em consideração de ato contrário à lei ou aos estatutos. Analisando os termos da decisão de primeira instância, verifico que, especificamente analisando a discussão em torno da (i)legitimidade da ora recorrente, assim se pronunciou o colegiado a quo (fls. 1628): “Em contraste com esse quadro, deparase nos autos com um conjunto de provas que demonstram ser Fabiana Cardoso Lee muito mais que um prestanomes. A folhas 294 do volume II a procuração que lhe confere poderes para abrir e movimentar sem Fl. 4050DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15504.018302/201011 Acórdão n.º 1301001.606 S1C3T1 Fl. 1.526 26 restrições de prazo e de lugar contas bancárias da Progresso; no anexo VI, cópias de dezenas de cheques assinados por ela, de 2004 a 2007, que demonstram que esses poderes foram efetivamente exercidos durante todos os anoscalendários abrangidos pelos lançamentos de oficio de trata o presente processo; a folhas 17, 19 e 20 do anexo I, cópia da ficha cadastral de abertura de conta da Progresso no Banco Bradesco, em que Fabiana se declara gerente comercial; por fim, no volume II, a folhas 265, 271, 287, 293, 294, 312 a 315, e 359 a 380, cópias das procurações que lhe conferem poderes para representar a Progresso em processos licitatórios. Toda essa documentação comprova que Fabiana pertencia aos escalões superiores do grupo Pink, ao seu quadro de dirigentes ou gerentes, ainda que sua atuação fosse limitada a um setor geográfico (São Paulo) ou funcional (comercial). Além disso, ainda que este aspecto não seja relevante, a circunstância de ser membro da família Cardoso, verdadeira controladora da Pink e da Progresso, torna inverossímil sua alegação de que era mera cumpridora de ordens de seus superiores, sem ter conhecimento dos artificios fraudulentos com os quais colaborava. Em consequência, ela está apta a ser responsabilizada nos termos do artigo 135, inciso III, do CTN.” De todas as considerações trazidas na decisão recorrida, a única parte que efetivamente apresenta a existência de fatos materializados pela Sr. FABIANA CARDOSO LEE, é essa aqui então apresentada. Ora, não sendo relevante a simples existência das “procurações” como aqui por mim já destacado, indago: quais foram os atos efetivamente praticados pela referida “responsável”? De tudo o que analisamos nos autos, o que se verifica – fora a existência de procurações, ou, ainda, o fato de ser parte integrante da “Família Cardoso” , os atos praticados teriam sido então, exclusivamente, os de estar habilitada para a movimentação de valores constantes em contas bancárias, sendo, nos autos, efetivamente indiscutível essa consideração. A par de tudo o que sustentado, e, também, de todas as considerações trazidas pela decisão de primeira instância, com todas as vênias, não consigo vislumbrar como suficiente para o reconhecimento da responsabilidade tributária, o simples fato de que determinado agente possua poderes de movimentação de contas correntes. Essa ponderação aqui se faz relevante e necessária, sobretudo porque, não raras vezes, nas mais diversas estruturações empresariais existentes no Brasil, verificase a presença de agentes que possuam, sim, autorização para a administração de haveres financeiros, sem que isso importe, necessariamente, no reconhecimento de que esses sujeitos sejam então os dirigentes da empresa. Aliás, tendo em vista as muitas necessidades diárias das pessoas jurídicas, sobretudo naquelas que atuem em várias localidades, não é raro que, por vezes, mostrese perfeitamente possível a constituição de uma “conta” especificamente direcionada a um determinado campo de atuação, mantendose, perfeitamente, o controle dos montantes ali então movimentados. Com todas as vênias, considerar que a recorrente (FABIANA CARDOSO LEE) seja possível responsável pelo montante do crédito tributário apurado, exclusivamente, Fl. 4051DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15504.018302/201011 Acórdão n.º 1301001.606 S1C3T1 Fl. 1.527 27 por possuir procurações, por estar habilitada a movimentar uma determinada conta bancária e/ou ainda por ser parente de um dos dirigentes da empresa PINK, com toda a certeza, a meu sentir importa em verdadeiro alargamento da possibilidade de responsabilização tributária contida no Art. 135, inciso III do CTN, o que, tanto pela doutrina, quanto pela jurisprudência pátria, há tempos encontrase superado. A par de todas essas considerações, entendo que, ao contrário da conclusão atingida em relação aos demais recorrentes, no presente caso, entendo não restar devidamente comprovada a materialização da hipótese contida nas disposições do Art. 135, inciso III do CTN, sobretudo por não vislumbrar, no caso, qual seria, efetivamente, o ato praticado pela recorrente como sendo decorrente de “excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos”, concluindo então, no caso, pela impossibilidade de manutenção da responsabilidade tributária a ela imputada, e, assim, devendo então ser regularmente desconstituída. Assim, em relação ao Recurso Voluntário interposto pela Sra. FABIANA CARDOSO LEE, encaminho o meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO, afastando, assim, a imputação de responsabilidade tributária com base nas disposições do Art. 135, inciso III do CTN. Conclusão Assim, ante a todo o exposto, concluo o meu voto, NEGANDO PROVIMENTO ao Recurso de Ofício, DANDO PARCIAL PROVIMENTO aos Recursos Voluntários interposto por Paulo Victor Cardoso, Adalberto Cardoso e Marcelo Pereira Cardoso, especificamente por reconhecer, no caso, a decadência parcial do crédito tributário, excluindo assim os montantes relativos aos fatos ocorridos no anocalendário de 2004, e, ainda, DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário da Sra. Fabiana Cardoso Lee, afastando, em relação a ela, a responsabilidade tributária imputada. É como voto. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator Fl. 4052DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15504.018302/201011 Acórdão n.º 1301001.606 S1C3T1 Fl. 1.528 28 Voto Vencedor Conselheiro WILSON FERNANDES GUIMARÃES, redator designado. Em que pese a fundamentada argumentação expendida pelo Ilustre Conselheiro Relator, a Turma Julgadora decidiu de forma diversa, relativamente ao reconhecimento de caducidade do direito de se efetuar o lançamento tributário e à exclusão da responsabilidade imputada à Sra. Fabiana Cardoso Lee. No que tange à decadência, os fragmentos abaixo reproduzidos, extraídos do pronunciamento do Ilustre Relator, sintetizam o entendimento por ele esposado. [...] A r. decisão de primeira instância, nesse passo, após afastar a aplicação das disposições do Art. 150, par. 4o do CTN, indicando a aplicação das disposições do mencionado Art. 173, inciso I, assim então especificamente considerou: Quanto à CSLL e ao IRPJ, em que a apuração é trimestral, o período mais remoto alcançado pelo lançamento é o quarto trimestre do anocalendário de 2004. O encerramento desse período se dá em 31.12.2004. Quanto à Cofins e à Contribuição para o PIS, em que a apuração é mensal, o período mais remoto alcançado pelo lançamento é dezembro de 2004. O encerramento desse período também se dá em 31.12.2004. O fisco tem de aguardar que se encerre o período de apuração antes de rever ou averiguar o procedimento adotado pelo contribuinte. Portanto, em relação a todos os tributos lançados, o lançamento de oficio somente poderia ter sido feito a partir de 02.01.2005. O primeiro dia do exercício seguinte àquele em que os lançamentos poderiam ter sido efetuados é 02.01.2006. Contados desta data, os cinco anos dados ao fisco para efetuar o lançamento encerrarseiam em 02.01.2011. Uma vez que os sujeitos passivos foram cientificados até 01.11.2010, pelo menos dois meses antes de atingido o prazo de cinco anos, é improcedente a arguição de decadência, a qual, por isso mesmo, é rejeitada. (Destaque nosso) Em que pese todo o esforço exegético da referida decisão, entretanto, verifica se que, a teor do que então especificamente expresso nas disposições do REsp 973.733 – SC, a aplicação das disposições do Art. 173, inciso I não é essa aqui apontada, devendo assim ser então iniciada a contagem do prazo qüinqüenal, imediatamente, no primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador. Nessas circunstâncias, ao contrário do considerado pela r. decisão de primeira instância, o primeiro dia para a contagem do prazo decadencial a partir da aplicação das disposições do Art. 173, inciso I do CTN, considerando as circunstâncias fáticas apresentadas, deve ser então o dia 01/01/2005, reconhecendose assim, então, em relação aos fatos geradores ocorridos no ano de 2004, a ocorrência da decadência no dia 01/01/2010. Como a intimação do lançamento somente se materializou no dia 01/11/2010, decaídos, assim, de fato, estavam já os primeiros fatos geradores considerados, Fl. 4053DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15504.018302/201011 Acórdão n.º 1301001.606 S1C3T1 Fl. 1.529 29 devendo assim, portanto, ser excluídos todos os valores relativos ao anocalendário de 2004, mantendose o lançamento, entretanto, em relação a todos os demais períodos. Constatase, assim, que o Relator, para fins de aplicação da regra de caducidade estampada no inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional, empresta interpretação literal ao pronunciamento do Superior Tribunal de Justiça na apreciação do RECURSO ESPECIAL Nº 973.733 SC (2007/01769940), que por ter sido processado nos termos do Art. 543C (Recursos Repetitivos), deve necessariamente ser observado por esta Corte Administrativa, ex vi do disposto no art. 62A do Regimento Interno. Contudo, o Colegiado entendeu de forma diversa, pois a adoção da definição pretendida pelo Relator, em que pese o fato de ser ela a expressada literalmente pelo Superior Tribunal de Justiça no âmbito das disposições do art. 543C do CPC, implica necessariamente na própria eliminação do termo inicial estampado no inciso I do art. 173 do CTN, norma que serviu de suporte para o pronunciamento judicial Diante de tal circunstância, resta evidente o equívoco da conceituação trazida pelo pronunciamento da Corte Judicial, equívoco esse devidamente reparado pelo próprio Superior Tribunal de Justiça por ocasião da apreciação dos EDcl no AgRG no Recurso Especial nº 674.497 – PR (2004/01099782). A questão posta em discussão foi brilhantemente apreciada pelo Ilustre Conselheiro Waldir Veiga Rocha em inúmeros julgados, motivo pelo qual peço licença para reproduzir fragmentos do pronunciamento correspondente. [...] A decadência, especialmente no que toca aos tributos sujeitos ao lançamento dito por homologação, é matéria tormentosa, que tem suscitado interpretações variadas mesmo no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Em oportunidades anteriores, tenho me manifestado no sentido de que o critério aplicável para se distinguir se um lançamento é por homologação ou de ofício deve ser a própria sistemática de apuração do tributo. Os tributos sujeitos a lançamento por homologação seriam aqueles para os quais a lei estabelece para o sujeito passivo que apure o valor devido e antecipe o pagamento, sem prévio exame da Autoridade Administrativa. Seria essa sistemática, a atividade exercida pelo contribuinte, que faria com que o lançamento fosse por homologação, e não a mera presença ou ausência de pagamento. Entretanto, com o louvável fito de fazer com que as decisões administrativas se conformassem à jurisprudência pacificada do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça, o Regimento Interno deste Conselho (RICARF) sofreu alterações, especialmente a introdução do art. 62A no Anexo II da Portaria MF nº 256/2009, com a redação a seguir transcrita: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Introduzido pela Portaria MF nº 586/2010, publicada no DOU de 22/12/2010) Fl. 4054DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15504.018302/201011 Acórdão n.º 1301001.606 S1C3T1 Fl. 1.530 30 Ocorre que a matéria sob exame, a saber, a aplicabilidade do art. 150, § 4º, ou do art. 173, I, ambos do CTN, já foi objeto de decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça, em regime de recursos repetitivos (art. 543C do CPC), nos autos do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940). O julgamento se deu em 12/08/2009 e o acórdão foi publicado no DJe de 18/09/2009, restando assim ementado (grifos constam do original): PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro Fl. 4055DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15504.018302/201011 Acórdão n.º 1301001.606 S1C3T1 Fl. 1.531 31 de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Posteriormente, o próprio STJ reviu seu posicionamento quanto ao termo inicial para a contagem do prazo decadencial, nos EDcl no AgRG no Recurso Especial nº 674.497 – PR (2004/01099782). Ressalto que o ilustre Ministro Relator, após mencionar expressamente o REsp nº 973.733, registra que “impõese o acolhimento dos presentes embargos de declaração, a fim de se adequar o decisório embargado à jurisprudência uniformizada no âmbito do STJ sobre a matéria”. O julgamento ocorreu em 09/02/2010, e o acórdão foi publicado no DJe em 26/02/2010, com a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. De se observar a diferença relevante entre um e outro julgados: no primeiro caso (REsp nº 973.733), o termo inicial para a contagem do prazo decadencial era tido como sendo o primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, interpretação esta que fugia por completo à textualidade do art. 173, I, do CTN. No segundo julgado, revendo o posicionamento anterior, o Tribunal passou a considerar que (naquele caso), completandose o fato gerador em 31 de dezembro de 1993, o lançamento somente poderia ser feito a partir de 1994, e o prazo decadencial começaria a fluir em 1º de janeiro de 1995. No presente caso, conforme assinala o pronunciamento nesta parte vencido, a contribuinte foi cientificada dos lançamentos tributários em 1º de novembro de 2010, logo, relativamente aos fatos geradores ocorridos em dezembro de 2004, a Fiscalização poderia promover os lançamentos tributários até 31 de dezembro desse mesmo ano, motivo pelo qual descabe falar em caducidade. No que diz respeito à imputação de responsabilidade tributária à Sra. Fabiana Cardoso Lee, a Turma Julgadora, distanciandose do pronunciamento do Ilustre Conselheiro Fl. 4056DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15504.018302/201011 Acórdão n.º 1301001.606 S1C3T1 Fl. 1.532 32 Relator, alinhouse ao decidido em primeira instância, eis que entendeu que foram colacionados aos autos elementos justificadores da adoção da medida. O ato decisório recorrido, para manter a responsabilidade tributária da Sra. Fabiana Cardoso Lee, assinalou que referida senhora participou ativamente dos procedimentos ilícitos apurados pela Fiscalização, pois, embora fosse apenas uma empregada da empresa PINK, empresa esta supostamente independente da fiscalizada, atuou como representante da autuada em processos de licitação e ainda recebeu poderes para abrir e movimentar contas bancárias. Registra a decisão que a Sra. Fabiana Cardoso Lee apresentavase como gerente comercial ou de vendas, sendo irrelevante se da fiscalizada ou da empresa PINK, haja vista o fato de a PINK ser a controladora de fato da autuada. Documentos reunidos ao processo comprovam que a referida senhora emitiu cheques no período de 2004 a 2007, em quantidade e valores significativos. A alegação de que ela sempre atuou cumprindo ordens superiores e sem extrapolar os limites dos poderes que lhe foram conferidos pela procuração, não encontra respaldo nos autos, eis que pelo que foi reunido pela Fiscalização resta induvidoso o seu conhecimento acerca das ilicitudes praticadas. Como se vê, o fato de a Sra. Fabiana Cardoso Lee ser filha de um dos principais dirigentes de fato do Grupo PINK, diferentemente do que parece ter entendido o Ilustre Conselheiro Relator, não constituiu, por si só, elemento essencial à imputação de responsabilidade promovida pela Fiscalização, embora não seja sequer razoável imaginar que ela, em virtude dessa relação familiar e do fato de ter atuado de forma efetiva na empresa fiscalizada, desconhecesse as fraudes perpetradas. Pelas razões expostas, decidiu o Colegiado rejeitar a alegação de decadência e manter a responsabilidade tributária imputada à Sra. Fabiana Cardoso Lee. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Fl. 4057DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15504.018302/201011 Acórdão n.º 1301001.606 S1C3T1 Fl. 1.533 33 Fl. 4058DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
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