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Numero do processo: 19515.720681/2011-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Apr 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006, 2009
OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. DUPLICIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS.
Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, seguida de incorporações reversas e nova capitalização, em nítida inobservância da primazia da essência sobre a forma, devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a conseqüente tributação do novo ganho de capital apurado.
MULTA QUALIFICADA
Em suposto planejamento tributário, quando identificada a convicção do contribuinte de estar agindo segundo o permissivo legal, sem ocultação da prática e da intenção final dos seus negócios, não há como ser reconhecido o dolo necessário à qualificação da multa, elemento este constante do caput dos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502/64.
TAXA SELIC. JUROS DE MORA INCIDENTE SOBRE MULTA DE OFICIO. INAPLICABILIDADE.
Os juros de mora equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC não incidem sobre a multa de oficio lançada juntamente com o tributo ou contribuição, por absoluta falta de previsão legal.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2202-002.165
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, QUANTO A MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA: por unanimidade de votos, desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%. QUANTO A EXCLUSÃO DA MULTA DE OFÍCIO POR ERRO ESCUSÁVEL: por maioria de votos, negar provimento. Vencido o Conselheiro Pedro Anan Junior, que votou pela exclusão da multa de ofício. QUANTO A EXCLUSÃO DA INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO: por maioria de votos, excluir da exigência da taxa Selic incidente sobre a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Antonio Lopo Martinez (Relator) e Nelson Mallmann, que negaram provimento ao recurso nesta parte. Designado para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga. QUANTO AS DEMAIS QUESTÕES: por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Guilherme Barranco de Souza, que provia integralmente o recurso voluntário. Manifestaram-se, quanto ao processo, o contribuinte através de seu advogado Dr. Luís Claudio Gomes Pinto, inscrito na OAB/RJ sob nº 88.704 e a Fazenda Nacional, através de seu representante legal Dra. Indiara Arruda de Almeida Serra (Procuradora da Fazenda Nacional).
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann Presidente
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Relator
(Assinado digitalmente)
Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Redatora designada
Composição do colegiado: Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rafael Pandolfo.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006, 2009 OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. DUPLICIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS. Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, seguida de incorporações reversas e nova capitalização, em nítida inobservância da primazia da essência sobre a forma, devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a conseqüente tributação do novo ganho de capital apurado. MULTA QUALIFICADA Em suposto planejamento tributário, quando identificada a convicção do contribuinte de estar agindo segundo o permissivo legal, sem ocultação da prática e da intenção final dos seus negócios, não há como ser reconhecido o dolo necessário à qualificação da multa, elemento este constante do caput dos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502/64. TAXA SELIC. JUROS DE MORA INCIDENTE SOBRE MULTA DE OFICIO. INAPLICABILIDADE. Os juros de mora equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC não incidem sobre a multa de oficio lançada juntamente com o tributo ou contribuição, por absoluta falta de previsão legal. Recurso provido em parte.
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DUPLICIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS. Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, seguida de incorporações reversas e nova capitalização, em nítida inobservância da primazia da essência sobre a forma, devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a conseqüente tributação do novo ganho de capital apurado. MULTA QUALIFICADA Em suposto planejamento tributário, quando identificada a convicção do contribuinte de estar agindo segundo o permissivo legal, sem ocultação da prática e da intenção final dos seus negócios, não há como ser reconhecido o dolo necessário à qualificação da multa, elemento este constante do caput dos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502/64. TAXA SELIC. JUROS DE MORA INCIDENTE SOBRE MULTA DE OFICIO. INAPLICABILIDADE. Os juros de mora equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC não incidem sobre a multa de oficio lançada juntamente com o tributo ou contribuição, por absoluta falta de previsão legal. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 06 81 /2 01 1- 15 Fl. 923DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/03/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digit almente em 11/03/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA 2 Acordam os membros do Colegiado, QUANTO A MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA: por unanimidade de votos, desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. QUANTO A EXCLUSÃO DA MULTA DE OFÍCIO POR ERRO ESCUSÁVEL: por maioria de votos, negar provimento. Vencido o Conselheiro Pedro Anan Junior, que votou pela exclusão da multa de ofício. QUANTO A EXCLUSÃO DA INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO: por maioria de votos, excluir da exigência da taxa Selic incidente sobre a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Antonio Lopo Martinez (Relator) e Nelson Mallmann, que negaram provimento ao recurso nesta parte. Designado para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga. QUANTO AS DEMAIS QUESTÕES: por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Guilherme Barranco de Souza, que provia integralmente o recurso voluntário. Manifestaramse, quanto ao processo, o contribuinte através de seu advogado Dr. Luís Claudio Gomes Pinto, inscrito na OAB/RJ sob nº 88.704 e a Fazenda Nacional, através de seu representante legal Dra. Indiara Arruda de Almeida Serra (Procuradora da Fazenda Nacional). (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga – Redatora designada Composição do colegiado: Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rafael Pandolfo. Fl. 924DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/03/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digit almente em 11/03/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 19515.720681/201115 Acórdão n.º 2202002.165 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Em desfavor do contribuinte, MARCO RACY KHEIRALLAH, foi lavrado, em 22/07/2011, o Auto de Infração de fls. 551/559 e do Termo de Verificação Fiscal de fls. 531/548, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anoscalendário 2006 e 2009, por meio do qual foi apurado crédito tributário no montante de R$ 9.816.295,94 (nove milhões, oitocentos e dezesseis mil, duzentos e noventa e cinco reais e noventa e quatro centavos), sendo R$ 3.507.140,57 referentes ao imposto, R$ 5.260.710,85, à multa de ofício e R$1.048.444,52, aos juros de mora (calculados até 30/06/2011). Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 556/557), o procedimento resultou na apuração da seguinte infração:: .Omissão de Ganhos de Capital na Alienação de Ações/Quotas Não Negociadas em Bolsa Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto (R$) Multa (%) 31/12/2006 28.889.171,96 150 30/09/2009 34.467.676,38 150 Segundo o Termo de Verificação Fiscal de fls. 531/548, em dezembro de 2006, após um complexo processo de reorganização societária, o contribuinte alienou à empresa UBS Brasil Participações Ltda a participação que possuía no Banco Pactual, representada por 19.846.361 (dezenove milhões, oitocentas e quarenta e seis mil, trezentas e sessenta e uma) ações ordinárias. Tal alienação resultou na apuração de um ganho de capital no valor aproximado de R$ 74,3 milhões e de um imposto de renda pessoa física da ordem de R$11,1 milhões, sendo R$ 4,3 milhões no próprio ano de 2006, R$ 5,2 milhões em 2009 e o restante em 2010 e 2011 (uma vez que o valor da venda foi recebido parceladamente, diferindose, assim, sua tributação).. Afirma a autoridade lançadora que, antes de concluir a venda de sua participação no Banco Pactual S/A à UBS Brasil Participações Ltda, o contribuinte elevou indevidamente o custo de aquisição dessa participação, utilizandose de sofisticados artifícios contábeis, engendrados através de diversos negócios societários, que, resumidamente, consistiram na elevação do capital em empresas investidoras, via equivalência patrimonial com as empresas investidas e a quase simultânea extinção das holdings que detinham participação societária no Banco Pactual, por meio de sucessivas incorporações reversas, culminando com a alienação das ações do Banco diretamente pelos acionistas pessoas físicas da instituição. Com isto, o contribuinte inflou artificialmente o custo das ações que pretendia vender, com o propósito de reduzir o montante de seu ganho de capital e consequentemente o valor do IR incidente sobre essa alienação. De acordo ainda com o Termo de Verificação Fiscal, os ativos das empresas incorporadas se constituíam quase que integralmente, ou integralmente no último caso, do investimento na incorporadora. Fl. 925DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/03/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digit almente em 11/03/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA 4 Segundo o TVF, a reorganização societária ocorreu da seguinte forma: Aumento de Capital na “Nova Pactual PARTICIPAÇÕES” em 13/10/2006 mediante capitalização dos créditos detidos pelos sócios quotistas em face da sociedade. Na mesma data, a controladora (Nova Pactual PARTICIPAÇÕES LTDA.) foi incorporada pela sua controlada PACTUAL S.A., ocorrendo a denominada incorporação inversa. Em 13/10/2006, aumentouse o capital social da Pactual HOLDINGS S.A., mediante a capitalização dos créditos detidos pelos sócios quotistas em face da sociedade. Na mesma data, a controladora (PACTUAL HOLDINGS S.A.) foi incorporada pela sua controlada (PACTUAL S.A.), ocorrendo a denominada incorporação inversa. Em 01/11/2006, aumentouse o capital social da PACTUAL S.A. mediante a capitalização dos créditos detidos pelos sócios quotistas contra a sociedade. Por fim, em 01/12/2006, a controladora (PACTUAL S.A.) foi incorporada pela sua controlada (BANCO PACTUAL S.A.) No mesmo dia 01/12/2006, o contribuinte aliena a sua participação no BANCO à UBS BRASIL. Segundo o Termo de Verificação Fiscal observase que os negócios perpetrados pelo “ GRUPO PACTUAL” entre 13/10/2006 e 01/12/2006, tinha o padrão de promover o aumento de capital em uma determinada empresa, através de créditos detidos por seus sócios pessoa físicas, e sua subsequente incorporação em outra empresa, que por sua vez, sofrerá novo aumento de capital e nova incorporação. E ainda que os ativos das empresas incorporadas se constituíam quase que integralmente, ou integralmente no último caso, do investimento na incorporadora. Conclui, então, o fiscal autuante que a análise em conjunto de todas as operações que antecederam a alienação das ações representativas do capital social do Banco Pactual, realizadas entre o grupo Pactual e o contribuinte, evidenciam que este incorreu na prática de ato simulado, ao inflar artificialmente o custo de aquisição das ações, com capitalização cumulativa de valores derivados dos lucros apurados por equivalência patrimonial, nas operações de incorporações inversas, com o propósito de lesar terceiros, no Fl. 926DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/03/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digit almente em 11/03/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 19515.720681/201115 Acórdão n.º 2202002.165 S2C2T2 Fl. 4 5 caso a Fazenda Nacional, configurandose a hipótese de incidência prevista no inciso I, do parágrafo primeiro, do art. 167 do Código Civil, combinado com seu parágrafo 2º. Assim, para efeito da correta apuração do ganho de capital ocorrido na alienação da participação societária que o contribuinte possuía no Banco Pactual S/A, foi expurgado, para fins de cálculo de seu efetivo custo de aquisição, o efeito produzido pelas capitalizações de lucros e/ou reservas nas empresas Nova Pactual Participações e Pactual Holdings, ocorridas em 13/10/2006, nos respectivos valores de R$ 686 milhões e de R$ 202,5 milhões, uma vez que, como acima evidenciado, esse efeito foi utilizado em duplicidade e está embutido na capitalização de lucros da “PACTUAL”, realizada em 01/11/2006, no valor de R$996.087.876,00. Expurgandose o acréscimo promovido pelo contribuinte no custo de aquisição de suas ações, em razão da capitalização da empresa Nova Pactual Participações , no valor de R$ 27.430.522,00, foi apurado o valor correto do custo de aquisição das ações alienadas, que somou R$ 17.431.507,50 (R$ 44.862.029,50 R$ 27.430.522,00). Cientificado da autuação em 30/07/2011 (fls. 560), o interessado apresentou, em 22/08/2011, por meio de seu representante legal, a impugnação de fls. 563/602, por meio da qual alega, em síntese, o que segue: 1. antes da reestruturação, o impugnante era titular de investimentos representativos de 1,62% da Nova Pactual Participações Ltda, sociedade holding titular de investimentos representativos de 78,18% do capital de Pactual S.A., holding titular de investimentos representativos de 100% do capital do Banco Pactual; 2. os investimentos representativos dos demais 21,82% do capital da Pactual S/A eram de propriedade de Pactual Holdings S.A., sociedade holding na qual o impugnante não tinha qualquer participação; 3. os principais atos da reestruturação questionados pelo Auto de Infração foram: i) aumento de capital de Nova Pactual, realizado em 13/10/2006, mediante a capitalização de lucros gerados pelo Banco Pactual e por ela reconhecidos em razão da aplicação do Método de Equivalência Patrimonial (MEP), resultando em acréscimo do custo dos investimentos do impugnante em R$ 27.430.522,00; ii) aumento de capital de Pactual Holdings, na mesma data, mediante a capitalização de lucros gerados pelo Banco Pactual e por ela reconhecidos em razão da aplicação do MEP, o qual é irrelevante no caso concreto porque, como visto acima, o impugnante não era titular de investimentos na Pactual Holdings; iii) incorporação da Nova Pactual (e Pactual Holdings, o que não é relevante no caso) por Pactual, sua controlada (incorporação reversa), e transferência ao impugnante, em substituição à sua participação no capital da incorporada, de investimentos diretos na incorporadora, ou seja, em Pactual; iv) aumento de capital de Pactual, em 03/11/2006, mediante a capitalização de lucros gerados pelo Banco Pactual e por ela reconhecidos em razão da aplicação do MEP, resultando em aumento do custo dos investimentos do Fl. 927DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/03/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digit almente em 11/03/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA 6 impugnante de R$ 17.431.540,00; v) incorporação de Pactual pelo Banco Pactual (incorporação reversa), tendo o impugnante recebido, em substituição à sua participação no capital da incorporada, extinta com a incorporação, investimentos diretos na incorporadora, ou seja, no Banco Pactual; 4. depois da incorporação da Pactual S/A pelo Banco Pactual, as ações deste último das quais o impugnante se tornou proprietário foram alienadas à UBS Brasil Participações Ltda, pelo preço total de R$ 91.763.361,16, do qual uma parcela foi paga a vista, em 2006 (R$ 35.663.950,11), e outra parcela, em 2009 (R$ 42.550.665,43); 5. o saldo restante (R$ 13.548.741,33) ficou de ser pago em quatro parcelas de R$ 3.387.183,64, com vencimento nos meses de março e setembro de 2010, e março e julho de 2011; 6. após a implementação da reestruturação, o custo dos investimentos do impugnante no Banco Pactual passou a ser de R$ 44.862.029,50; 7. no Termo de Verificação Fiscal anexo ao Auto de Infração, a fiscalização afirma que a reestruturação: i) implicou na majoração indevida do custo de aquisição dos investimentos do impugnante no Banco Pactual, a qual decorreria de uma interpretação equivocada do art. 135 do RIR com relação aos efeitos das incorporações inversas; ii) consubstanciou ato simulado cujos efeitos, nos termos do art. 116, § único, do CTN, poderiam ser desconsiderados para fins fiscais; iii) implicou na caracterização cumulativa de todas as hipóteses previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, quais sejam, sonegação, fraude e conluio, motivando a aplicação da multa de 150%; 8. em razão do exposto, a fiscalização desconsiderou parte do acréscimo do custo de aquisição dos investimentos do impugnante no Banco Pactual, qual seja, aquele decorrente da capitalização de lucros pelas holdings do Banco Pactual (Nova Pactual e Pactual S.A), no que excederam os lucros existentes no próprio Banco Pactual; 9. o auto indica, como enquadramento legal, uma série de dispositivos que apenas contém regras gerais relativas à apuração e à tributação dos ganhos de capital auferidos por pessoas físicas, e nenhum deles foi infringido pelo impugnante; 10. o Grupo Pactual era composto por diversas holdings existentes há mais de dez anos e constituídas em uma época em que as pessoas físicas integrantes do grupo sequer cogitavam alienar seus investimentos no Banco Pactual; 11. os objetivos das holdings eram exclusivamente os de organizar o exercício do controle do Banco Pactual e a distribuição de seus resultados e, dessa forma, a alienação do Banco Pactual a terceiros faria com que as mesmas se tornassem totalmente desnecessárias; 12. em tese, as holdings poderiam ser extintas antes ou depois da concretização da venda do Banco Pactual, sendo que, na primeira hipótese, os controladores figurariam no polo vendedor Fl. 928DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/03/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digit almente em 11/03/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 19515.720681/201115 Acórdão n.º 2202002.165 S2C2T2 Fl. 5 7 da operação, ao passo que, na segunda, as holdings ocupariam essa posição; 13. pela natureza do negócio celebrado com o UBS Brasil, optouse pela extinção das holdings antes da realização do negócio; 14. como é comum nas vendas de instituições financeiras com as características do Banco Pactual, seus principais acionistas assumem obrigações de caráter personalíssimo, como a de não competirem com a sociedade vendida e mesmo de nela continuarem atuando até que seu fundo de comércio tenha se consolidado após a transferência de seu controle acionário; 15. assim, nada mais lógico que eles fossem parte no negócio, e não meros intervenientes. 16. o caminho trilhado pelos controladores para se tornarem vendedores do Banco Pactual foi o mais lógico, rápido e econômico possível e o acréscimo de custo de seus investimentos é mera consequência da aplicação das normas em vigor; 17. entre as diversas variantes que poderiam ser adotadas para fazer com que os controladores figurassem como vendedores, tais como: i) a liquidação das holdings com a entrega dos ativos (no que se incluiriam as ações do Banco Pactual) aos controladores em devolução do capital; ii) a redução do capital das holdings, mediante entrega dos investimentos no Banco Pactual aos controladores; iii) incorporações diretas; ou tradicionais, cujos inconvenientes são enormes, ressaltando que a incorporação de um banco como o Pactual por outra empresa, sobretudo uma que não seja instituição financeira, seria extremamente complexa e onerosa; iv) a venda, pelos controladores, de investimentos diretos nas holdings, hipótese em que seria desnecessária qualquer reestruturação societária prévia; a última variante disponível, a incorporação reversa das holdings pelo Banco Pactual, sem dúvida, era a mais conveniente do ponto de vista prático, operacional, negocial e fiscal; 18. desde que o art. 8° da Lei n° 9.532, de 10/12/1997, definiu os efeitos fiscais das incorporações inversas, as incorporações de holdings têm sido a primeira opção para a eliminação de empresas cuja existência se torna desnecessária; 19. não procede, assim, a alegação de que a opção pelas incorporações inversas consistiu em um artifício motivado exclusivamente pela economia fiscal; 20. nas incorporações, a incorporadora recebe um conjunto patrimonial (bens, direitos e obrigações) e “paga” aos acionistas da incorporada pelo mesmo, em ações representativas de aumento de seu capital; 21. não se apuram resultados na substituição de ações da incorporada por ações da incorporadora e, por essa razão, as Fl. 929DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/03/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digit almente em 11/03/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA 8 ações da incorporadora recebidas pelos acionistas da incorporada tem o mesmo custo de seus investimentos na incorporada, declarados extintos na incorporação; 22. a incorporação das holdings pelo Banco Pactual é um exemplo de incorporação “inversa” ou “reversa”, na qual a investida (Banco Pactual) sucede as investidoras (as holdings) em todos os seus bens, direitos e obrigações, dentre os quais figuram os investimentos da investidora/incorporadora na investida/incorporada, cabendo à investida aumentar seu capital social e entregar as ações representativas desse aumento aos acionistas da investidora/incorporadora; 23. contudo, a investida/incorporadora passa a ter ações representativas de seu próprio capital social, que são canceladas no próprio ato ou, opcionalmente, mantidas em tesouraria, na hipótese de a investida dispor de lucros ou reservas suficientes à subsistência das ações; 24. ocorre, assim, um aumento de capital (para a emissão de ações destinadas aos acionistas da investidora/incorporada) e uma subsequente redução do capital para cancelamento das ações representativas do próprio capital da investida, caso a mesma não possa ou não queira mantêlas em tesouraria; 25. o conjunto patrimonial destinado à realização do aumento de capital corresponde à diferença entre o valor dos ativos e das obrigações da incorporada, isto é, ao seu patrimônio líquido; 26. a parcela do patrimônio líquido da incorporada, representada por lucros ou reservas de lucro, por exemplo, transformase em capital da incorporadora no processo de incorporação e, por essa razão, é indiferente que, antes da incorporação, os lucros da incorporada sejam ou não capitalizados; 27. a automática conversão de todas as contas do patrimônio líquido da incorporada em capital da incorporadora é reconhecida pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e até mesmo pelo fisco; 28. não fosse a distribuição e capitalização prévia de lucros assim, a incorporação faria com que as quotas da incorporadora (Pactual S.A.), destinadas aos quotistas da Nova Pactual Participações Ltda em substituição de suas participações na mesma, fossemlhes atribuídas na proporção do capital social, fazendo com que os lucros acumulados até então fossem distribuídos também nesta proporção; 29. em vista disto, os lucros de Nova Pactual foram distribuídos em bases desproporcionais e reaplicados na empresa, acertando as participações dos acionistas no patrimônio líquido antes da incorporação; 30. tal assertiva é comprovada pela simples análise da capitalização de lucros de Nova Pactual, realizada nos termos de sua 4a Alteração Contratual, datada de 13/10/2006 oportunidade em que o capital de Nova Pactual foi aumentado em R$ 686.000.000,00, mediante a conversão de créditos detidos Fl. 930DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/03/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digit almente em 11/03/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 19515.720681/201115 Acórdão n.º 2202002.165 S2C2T2 Fl. 6 9 por seus quotistas, créditos estes decorrentes do direito ao recebimento de lucros; 31. antes da capitalização desproporcional, o impugnante era titular de investimentos representativos de 4,16% do capital de Nova Pactual; 32. assim, partindose de sua posição anterior no capital de Nova Pactual, caberlheiam lucros no valor de R$28.537.600,00, os quais, tão logo fossem capitalizados, aumentariam o custo de seus investimentos no mesmo valor; 33. todavia, em função da dita distribuição desproporcional de lucros, só lhe couberam lucros no valor de R$24.589.386,00, os quais, quando capitalizados, aumentaram o custo de seus investimentos no mesmo valor; 34. verificase, portanto, que, em função da capitalização desproporcional de lucros de Nova Pactual, o custo dos investimentos do impugnante na mesma foi menor em R$3.948.214,00; 35. se os efeitos da capitalização de lucros da Nova Pactual fossem ignorados, o custo dos investimentos do impugnante no Banco Pactual, na época da vendas de suas ações, seria maior, na medida em que: i) a redução de sua participação no capital de Nova Pactual de 4,16% para 3,84% seria desconsiderada; e ii) tocaria ao impugnante uma parcela maior dos lucros capitalizados pela Pactual S.A, aumentando, por conseguinte, o custo das ações desta, subsequentemente substituídas por ações do Banco Pactual; 36. em vista disto, se, por absurdo, fosse mantido o auto de infração, o ganho de capital do recorrente deveria ser recalculado e quantificado com base na participação que o mesmo teria no Banco Pactual se a capitalização de lucros de Nova Pactual, e consequente redução de sua participação, não tivesse ocorrido; 37. a legislação do Imposto de Renda determina, no art. 130, §1º e art. 135 do RIR, que o custo de aquisição de ações ou quotas de titularidade de uma pessoa física corresponde ao custo original do investimento acrescido do montante dos lucros ou reservas de lucros capitalizados; 38. nas incorporações inversas, se, por um lado, os acionistas da incorporadora recebem ações da incorporada por custo idêntico ao das ações da incorporadora, por outro lado, ocorre a capitalização de lucros ou reservas eventualmente existentes na incorporada e o novo custo de aquisição das ações dos acionistas da incorporada passa a corresponder ao valor original de seu investimento acrescido do montante dos lucros e reservas de lucros da incorporada; Fl. 931DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/03/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digit almente em 11/03/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA 10 39. no caso concreto, a capitalização de lucros e reservas de lucros das holdings foi deliberada antes da incorporação, mas a capitalização existiria independentemente desta deliberação; 40. o ajuste de custo do valor dos investimentos se verificaria, quer houvesse deliberação expressa específica no sentido da capitalização dos lucros das holdings, como houve, quer não; 41. a legislação em vigor prevê que a capitalização dos lucros gera acréscimo de custo para os acionistas pessoas físicas, sem cogitar da natureza do lucro; 42. quer a capitalização dos lucros das holdings tivesse resultado de deliberação específica, quer houvesse ocorrido no processo de incorporação, seus sócios ou acionistas eram os vendedores e, dentre eles, estava o impugnante e, assim, o ajuste do custo dos seus investimentos decorre da aplicação da lei, não havendo como rejeitálo; 43. a opção de eliminaremse as holdings mediante incorporações reversas era o caminho lógico, natural e admitido por lei para viabilizar a venda das ações do Banco Pactual pelos controladores e o aumento de custo das ações do impugnante foi mera consequência da adoção dessa opção legítima e essencial aos negócios; 44. ainda que a majoração dos investimentos do impugnante no Banco Pactual seja em montante superior aos lucros auferidos pelo próprio Banco e que esta seja encarada como uma distorção, ela resulta da aplicação das normas societárias em vigor; 45. não se pode esperar que o contribuinte deixe de aplicar a lei em razão de a mesma lhe favorecer, pela peculiaridade de determinada situação; por outro lado, o fisco também não pode deixar de aplicála por considerar que ela beneficia indevidamente o contribuinte; 46. as distorções decorrentes da aplicação do método de equivalência patrimonial ocorrem não só nas hipóteses de incorporações reversas, mas também em outras situações; 47. o 1º Conselho de Contribuintes já decidiu que “a existência de falhas na legislação” não pode ser suprimida pelo julgador, ou, ainda, que “não cabe à autoridade fiscal ignorar o preceito representativo da vontade do legislador”; 48. as distorções que ocorrem devem ser corrigidas por quem tem competência para isso, o legislador, estando o intérprete e o aplicador da lei adstritos aos seus termos, não lhes cabendo deixar de aplicála por considerar que deveria ter tratado de forma diversa uma situação específica; 49. ao afirmar que o impugnante deveria ter baixado uma parcela do custo de aquisição de seus investimentos quando ocorreu a incorporação reversa das holdings do Grupo Pactual, a fiscalização quer impor a adoção de procedimento sem base legal e sequer previsto em norma editada pela Receita Federal do Brasil; Fl. 932DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/03/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digit almente em 11/03/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 19515.720681/201115 Acórdão n.º 2202002.165 S2C2T2 Fl. 7 11 50. além disso, faltaria até lógica a esse procedimento, pois, ao fazêlo, a venda do investimento após a incorporação reversa (e redução de custo) importaria no reconhecimento de injustificável ganho de capital; 51. o art. 167, §1º, inciso I, do Código Civil contempla situação em que pessoas sem qualquer interesse real (as chamadas interpostas pessoas) participam de negócios jurídicos com o único objetivo de ocultar um de seus verdadeiros participantes; 52. no caso concreto, não houve simulação por interposição de pessoa, pois em nenhum momento aparentouse conferir direitos a pessoa distinta com o objetivo de ocultar a que efetivamente os recebeu, não tendo havido em qualquer etapa da reestruturação a interposição de parte oculta; 53. a alienação do Banco Pactual foi celebrada entre seus proprietários e o UBS Brasil, tendo a reestruturação sido feita às claras para viabilizar a negociação das ações do Banco Pactual diretamente pelos controladores e, nesse particular, ela não foi contestada.; 54. os bens transferidos aos controladores foram ações do Banco Pactual e não direitos caracterizados pela majoração artificial do custo de aquisição das ações alienadas do Banco Pactual S/A; 55. ainda que a legislação vedasse a elevação dos custos do investimento do impugnante, a reestruturação teria ocorrido exatamente da mesma forma que ocorreu, pois ela representava a maneira mais rápida e econômica de viabilizar o negócio; 56. de acordo com a maior parte dos precedentes do 1º CC, a caracterização de simulação por interposta pessoa, prevista no art. 167, §1º, do CC/02, verificase quando direitos são entregues a pessoas que não são seus verdadeiros proprietários e sequer têm ingerência sobre eles; A DRJ ao julgar as razões do contribuinte, julgou o lançamento procedente nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006, 2009 ENQUADRAMENTO LEGAL GENÉRICO. O fato de constar do auto de infração vários dispositivos legais concernentes a aspectos gerais relativos à tributação dos rendimentos de ganho de capital não macula o lançamento, quando restar caracterizado que não houve prejuízo ao contribuinte, seja porque a descrição da infração lhe possibilita ampla defesa, seja porque a impugnação apresentada revela pleno conhecimento da infração imputada. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. VALIDADE. Fl. 933DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/03/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digit almente em 11/03/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA 12 Só é considerado válido o planejamento tributário, conjunto de medidas e atos adotados pelo contribuinte na organização de sua vida econômico fiscal, se este anteceder o fato gerador e pautarse pela legalidade, com o afastamento de qualquer forma de simulação em relação aos atos e negócios praticados. OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. INCORPORAÇÕES REVERSAS. DUPLICIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS. Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, seguida de incorporações reversas e nova capitalização, devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a consequente tributação do novo ganho de capital apurado. SIMULAÇÃO. OPERAÇÕES ESTRUTURADAS EM SEQUÊNCIA. O fato de cada uma das transações dentro do grupo societário, isoladamente e do ponto de vista formal, ostentar legalidade, não garante a legitimidade do conjunto de operações, quando restar comprovada a simulação, visto que, por trás da verdade declarada, uma aparente reorganização societária representada por um conjunto de alterações contratuais, existia uma outra verdade, qual seja, a majoração artificial docusto das ações do acionista pessoa física e a obtenção de benefícios fiscais, que, de outra forma, não poderiam ser alcançados. MULTA QUALIFICADA. É cabível, por disposição literal de lei, a incidência de multa de ofício sobre o valor do imposto apurado em procedimento de ofício, que deverá ser exigida juntamente com o imposto não pago espontaneamente pelo contribuinte, independentemente do motivo determinante da falta. No caso em exame, tendo sido comprovado o intento doloso do contribuinte de reduzir indevidamente sua base de cálculo, a fim de se eximir do pagamento do imposto devido, cabível é a aplicação da multa qualificada. JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Considerando que a multa de ofício é classificada como débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, é correta a incidência dos juros de mora sobre os valores da multa de ofício não pagos, a partir de seu vencimento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte teve ciência de tal decisão e contra ela interpôs o Recurso Voluntário, por meio do qual assim resumiu os fatos que motivaram o lançamento: Fl. 934DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/03/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digit almente em 11/03/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 19515.720681/201115 Acórdão n.º 2202002.165 S2C2T2 Fl. 8 13 Primeiramente, reiterou as razões da impugnação; No que toca a decisão indica que é totalmente equivocada e não contém argumento jurídico, refutando todas as argumentações e argumentos do recorrente; Trouxe diversos exemplos para ilustrar seu raciocínio, bem como jurisprudência em favor de suas alegações. Por fim, discorreu sobre a inexistência de simulação na espécie, defendendo que seria inaplicável ao caso a qualificação da multa de ofício, pugnando pela reforma da decisão recorrida. Quando os autos já haviam sido encaminhados a este Conselho para julgamento, o Recorrente anexou aos autos parecer exarado por Ricardo Mariz de Oliveira acerca da inocorrência da simulação no caso em que se examina. O parecer tinha como objetivo oferecer resposta à seguinte indagação: "12. Diante do exposto, indaga Gilberto Sayão da Silva se, na reestruturação realizada previamente à alienação do BANCO, para que a mesma fosse realizada por seus controladores finais, houve a prática de algum ato (ou de um conjunto de atos) que possa ser qualificado como simulado, nos termos do art. 167 do Código Civil." A conclusão a que o signatário do mesmo chegou foi a de que: A única razão apresentada pela fiscalização autuante, e confirmada pela decisão da DRJ no respectivo processo administrativo, é a indevida (segundo o entendimento dessas instâncias fiscais) aplicação do art 135 do RIR/99, que teria majorado indevidamente o custo das ações vendidas. Entretanto, as possíveis conseqüências tributárias dos atos não são hábeis para caracterizálos como simulados, isto por um elementar raciocínio lógico: se fosse assim, toda vez que o art. 135 fosse aplicável ter seia que admitir ter havido simulação e ele deixaria de poder ser aplicado. (...) Como falei em passagem anterior, parece haver uma inconformidade da fiscalização com a duplicação de efeitos das capitalizações de lucros, em virtude de os lucros que existiam na Nova Pactual e na Pactual Holdings derivavam dos lucros da Pactual S.A. Todavia, isto não é resultado de simulação, mas, quando muito, insuficiência do comando legislativo, envolvendo tanto o art. 135 do RIR/99 quanto todo o método de equivalência patrimonial, não cabendo ao destinatário da norma, nem ao seu intérprete ou aplicador, corrigiIa a pretexto de interpretação, pois a correção necessariamente deve ser objeto de alteração legislativa, assim como não lhes é dado distinguir onde a norma legal não distingue, ou acrescentar a ela requisitos ou condições nela inexistentes. Fl. 935DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/03/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digit almente em 11/03/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA 14 Seja como for, qualquer discussão em torno do art. 135 do RIR não depende necessariamente de ter havido simulação, e nem permite afirmar ter havido simulação. Concluo, pois, não ter ocorrido simulação perpetrada pelo Sr. Gilberto Sayão da Silva ou por qualquer das pessoas envolvidas nos atos e negócio jurídicos de que ele participou. É meu parecer. Em seguida (fls. 984 e seguintes), a d. Procuradoria da Fazenda Nacional apresenta suas contra razões ao Recurso Voluntário, aduzindo, em síntese, e após um breve relato dos fatos, que teria havido o aumento irregular do custo de aquisição das ações do BANCO PACTUAL S.A., tendo em vista que o Banco era a única fonte produtora de riqueza para todo o grupo, e os lucros não distribuídos (e capitalizados) pelas demais empresas foram apurados através do método da equivalência patrimonial. Eis um trecho do entendimento esposado na referida peça: Ora, as operações de capitalização e incorporação inversas não podem ser consideradas isoladamente, como pretende o contribuinte. Com efeito, a opção feita pelo contribuinte , no sentido de aproveitar os lucros e reservas de capital para aumentar o capital social , trará consequências para todas as suas empresas . Dessa forma, os dividendos não distribuídos c que estavam presentes na NOVA PACTUAL PARTICIPAÇÕES LTDA. e na PACTUAL HOLDINGS S.A., por meio do método da equivalência patrimonial, podem ser utilizados para a capitalização dessas empresas. Por sua vez, a incorporação dessas empresas pela PACTUAL S.A. provocará a incidência do art. 135 do RIR/99, com o conseqüente aumento do custo de aquisição das ações. Entretanto, unia vez utilizados os lucros e reservas de capital nessa operação, não é admissivel que eles possam lastrear unta futura capitalização da PACTUAL S.A. e o eventual aumento no custo de aquisição das ações dessa pessoa jurídica na incorporação inversa pelo BANCO PACTUAL S.A. Por fim, a PFN reitera o pedido para que seja mantida a qualificação da multa de ofício. É o Relatório. Fl. 936DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/03/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digit almente em 11/03/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 19515.720681/201115 Acórdão n.º 2202002.165 S2C2T2 Fl. 9 15 Voto Vencido Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso voluntário está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. O processo versa fundamentalmente sobre a validade do procedimento adotado pelo recorrente para a apuração do custo de aquisição da ações do Banco Pactual que foram alienadas a UBS Brasil. No entendimento da autoridade recorrida, a operação deve ser verificada no seu efeito total, e não pela validade isolada das partes. “nos casos de alegada “reorganização empresarial”, na qual se verifica a existência de um conjunto de atos é importante analisar o todo e não apenas cada ato isoladamente. O exame abrangente da situação permitirá identificar se cada operação é autônoma ou se faz parte de uma operação maior e que se esteja pretendendo ocultar do fisco. Nas operações de planejamento tributário, as questões formais têm menor relevância na análise da oponibilidade das operações perante o Fisco, devendo ser analisada primordialmente a essência do conjunto de operações Argumenta a autoridade recorrida que a essencialidade do lançamento não pode ser desprezada. Tais operações geraram um aumento importante do custo de aquisição das ações pertencentes ao contribuinte antes da alienação, por ocasião da capitalização de dividendos da holding Nova Pactual Participações S/A e da incorporadora Pactual S/A. Entretanto, conclui a fiscalização, de forma acertada, que os aumentos de capital promovidos pelo interessado e utilizados como justificativa para esses aumentos de custo tiveram origem em um único fato econômico: o lucro obtido pelo Banco Pactual S/A, sendo que os demais aumentos de custo foram destituídos de qualquer amparo material e econômico. O aumento do custo de aquisição das ações não pode superar a riqueza produzida pela sociedade. Não há sentido econômico em tal fato, mas sim uma distorção, que não decorreu do texto de lei, mas de procedimento que capitalizou os mesmos dividendos por duas vezes, considerando que as reservas e lucros capitalizados por Nova Pactual Participações S/A e Pactual S/A são o resultado da equivalência patrimonial do Banco Pactual. Fl. 937DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/03/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digit almente em 11/03/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA 16 Da análise do caso concreto, identifico que a operação ainda que revestida de aparente legalidade no que toca as partes isoladas, cria no conjunto uma situação irreal e artificial, que não condiz com o que o nosso sistema tributário almeja. No caso concreto não tenho dúvidas que houve o aumento do custo de aquisição, fundamentado no procedimento adotado, deliberado e intencionalmente, materializado para assegurar o aumento do custo de aquisição pelo efeito multiplicativo dos resultados do Banco Pactual. Entendo que no processo de hermenêutica, o operador do direito tributário deve empreender um esforço, para a aplicação da norma tributária mais consistente e rigorosamente compatível com o princípio da certeza do direito, na adequação da verdade material como exige o nosso artigo 145, parágrafo primeiro da Constituição., Art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos: § 1º Sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte. Segundo o recorrente, a validade do método encontra respaldo no artigo 135 do RIR: Art. 135. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital ou incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista (Lei nº 9.249, de 1995, art.10, parágrafo único). Nas operações em cotejo, os lucros apurados decorrem de lucros reconhecidos no Banco Pactual, materializados nos resultados de equivalência patrimonial. O método de Equivalência Patrimonial é assim denominado, pois o seu cálculo se baseia no valor do patrimônio líquido da empresa coligada ou controlada, diferentemente do método do custo, que somente considera o valor efetivamente desembolsado no momento da aquisição. Urge preliminarmente destacar, que inobstante o procedimento contábil adotado, destaquese que para a Contabilidade, os registros contábeis em conjunto devem refletir a essência e a realidade econômica, tal como se destaca da análise da estrutura conceitual da contabilidade que enfatiza a primazia da essência sobre a forma. A equivalência patrimonial não é mais do que uma forma de atualização contínua do valor do investimento, que consiste na avaliação na empresa investidora, dos investimentos pelas variações do patrimônio líquido da empresa investida, mediante reconhecimento direto das variações apuradas, lucros, perdas ou prejuízos, para os fins de determinação do aumento ou da redução do valor investido. Entrementes, a equivalência patrimonial prestase para a determinação do capital aplicado que pertence ao seu titular e suas variações patrimoniais no período, pois há de levar em conta: Fl. 938DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/03/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digit almente em 11/03/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 19515.720681/201115 Acórdão n.º 2202002.165 S2C2T2 Fl. 10 17 (i) o patrimônio líquido atual da controlada ou coligada; (ii) o custo de aquisição da participação societária e (iii) o valor do investimento, com os reflexos do resultado da controlada ou coligada. Toda a apuração da equivalência patrimonial, portanto, dependerá da determinação contábil do patrimônio líquido da sociedade investida, conforme exige o art. 248, I, da Lei nº 6.404/76. E a razão é evidente: "os conceitos de patrimônio líquido e de capital próprio representam o mesmo objeto a quotaparte ideal de capital existente no ativo que é de propriedade do titular do patrimônio". Assim, a conta de investimentos da controladora variará segundo a variação do patrimônio líquido na controlada ou coligada, ou ainda pelo percentual da respectiva participação. De modo resumido, a equivalência patrimonial tem a função de atualizar os investimentos relevantes em empresas controladas ou coligadas conforme os resultados forem sendo apurados nestas entidades, independentemente da distribuição dos lucros apurados. E para investimentos que não se qualificarem como relevantes, empregase o método de custo de aquisição (art. 183, III, da Lei nº 6.404/76) . O método de equivalência patrimonial deve refletir sempre a essência econômica, o verdadeiro valor do investimento da controladora, com os ajustes inerentes ao lucro ou prejuízo obtido e seus efeitos fiscais, o que se depreende da interpretação sistemática da legislação fiscal, compreendida à luz dos conceitos contábeis. A patrimonialidade vinculase ao conteúdo econômico, porque está intimamente vinculada ao valor econômico dos bens e direitos. Por isso, no Direito, a patrimonialidade somente tem sentido quando vinculada ao conceito de "direitos" (subjetivos), sobre coisas (reais) ou contra pessoas (pessoais). Daí que, sendo o patrimônio composto não de bens materiais, mas de direitos, qualquer acréscimo patrimonial há de ser de direitos (reais ou pessoais), logo, como uma "disponibilidade jurídica" efetiva, e não apenas artificial. Para dar destaque a irregularidade do procedimento adotado pelo recorrente cabe apontar aquilo que prescreve ao CPC 18, que versa sobre os procedimentos para a equivalência patrimonial. 26. Muitos dos procedimentos que são apropriados para a aplicação do método da equivalência patrimonial são similares aos procedimentos de consolidação, descritos no Pronunciamento Técnico CPC 36 – Demonstrações Consolidadas. Além disso, os conceitos que fundamentam os procedimentos utilizados para contabilizar a aquisição de controlada devem ser também adotados para contabilizar a aquisição de investimento em coligada ou em empreendimento controlado em conjunto. 27. A participação de grupo econômico em coligada ou em empreendimento controlado em conjunto é dada pela soma das participações mantidas pela controladora e suas outras controladas no investimento. As participações mantidas por outras coligadas ou empreendimentos controlados em conjunto Fl. 939DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/03/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digit almente em 11/03/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA 18 do grupo devem ser ignoradas para essa finalidade. Quando a coligada ou empreendimento controlado em conjunto tiver investimentos em controladas, em coligadas ou em empreendimentos controlados em conjunto (joint ventures), o lucro ou prejuízo, os outros resultados abrangentes e os ativos líquidos considerados para aplicação do método da equivalência patrimonial devem ser aqueles reconhecidos nas demonstrações contábeis da coligada ou do empreendimento controlado em conjunto (incluindo a participação detida pela coligada ou pelo empreendimento controlado em conjunto no lucro ou prejuízo, nos outros resultados abrangentes e nos ativos líquidos de suas coligadas e de seus empreendimentos controlados em conjunto), após a realização dos ajustes necessários para uniformizar as práticas contábeis (ver itens 35 e 36). Esse mesmo procedimento deve ser aplicado à figura da controlada no caso das demonstrações contábeis individuais. 28. Os resultados decorrentes de transações ascendentes (upstream) e descendentes (downstream) entre o investidor (incluindo suas controladas consolidadas) e a coligada ou o empreendimento controlado em conjunto devem ser reconhecidos nas demonstrações contábeis do investidor somente na extensão da participação de outros investidores sobre essa coligada ou empreendimento controlado em conjunto, desde que esses outros investidores sejam partes independentes do grupo econômico a que pertence a investidora. As transações ascendentes são, por exemplo, vendas de ativos da coligada ou do empreendimento controlado em conjunto para o investidor. As transações descendentes são, por exemplo, vendas de ativos do investidor para a coligada ou para o empreendimento controlado em conjunto. A participação do investidor nos resultados resultantes dessas transações deve ser eliminada. 28A. Os resultados decorrentes de transações descendentes (downstream) entre a controladora e a controlada não devem ser reconhecidos nas demonstrações contábeis individuais da controladora enquanto os ativos transacionados estiverem no balanço de adquirente pertencente ao mesmo grupo econômico. O disposto neste item deve ser aplicado inclusive quando a controladora for, por sua vez, controlada de outra entidade do mesmo grupo econômico. 28B. Os resultados decorrentes de transações ascendentes (upstream) entre a controlada e a controladora e de transações entre as controladas do mesmo grupo econômico devem ser reconhecidos nas demonstrações contábeis da vendedora, mas não devem ser reconhecidos nas demonstrações contábeis individuais da controladora enquanto os ativos transacionados estiverem no balanço de adquirente pertencente ao grupo econômico. 28C. O disposto nos itens 28A e 28B deve produzir o mesmo resultado líquido e o mesmo patrimônio líquido para a controladora que são obtidos a partir das demonstrações consolidadas dessa controladora e suas controladas. Devem também, para esses mesmos itens, ser observadas as disposições contidas na Interpretação Técnica ICPC 09 Demonstrações Contábeis Individuais, Demonstrações Fl. 940DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/03/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digit almente em 11/03/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 19515.720681/201115 Acórdão n.º 2202002.165 S2C2T2 Fl. 11 19 Separadas, Demonstrações Consolidadas e Aplicação do Método da Equivalência Patrimonial.. Por sua vez, assim define o CPC 36 que versa sobre as demonstrações consolidadas: B86. Demonstrações consolidadas devem: (a) combinar itens similares de ativos, passivos, patrimônio líquido, receitas, despesas e fluxos de caixa da controladora com os de suas controladas; (b) compensar (eliminar) o valor contábil do investimento da controladora em cada controlada e a parcela da controladora no patrimônio líquido de cada controlada (o Pronunciamento Técnico CPC 15 explica como contabilizar qualquer ágio correspondente); (c) eliminar integralmente ativos e passivos, patrimônio líquido, receitas, despesas e fluxos de caixa intragrupo relacionados a transações entre entidades do grupo (resultados decorrentes de transações intragrupo que sejam reconhecidos em ativos, tais como estoques e ativos fixos, são eliminados integralmente). Os prejuízos intragrupo podem indicar uma redução no valor recuperável de ativos, que exige o seu reconhecimento nas demonstrações consolidadas. O Pronunciamento Técnico CPC 32 – Tributos sobre o Lucro se aplica a diferenças temporárias, que surgem da eliminação de lucros e prejuízos resultantes de transações intragrupo. Desse modo, inegavelmente, aumentase o custo do Banco Pactual não através de recursos, mas através de reflexos/imagens de recursos, o que se torna patente ao compararmos o aumento do patrimônio líquido do Banco Pactual no período de 31/12/2005 a 31/11/2006 ao acréscimo do custo de aquisição das ações do contribuinte no mesmo período, tal como apontado pela fiscalização e pela autoridade recorrida. O custo de aquisição apontado não representa fidedignamente a realidade econômica, alterando o montante do tributo apurado, e desrespeitando o principio da capacidade contributiva. Igualmente correto, o procedimento adotado de se expurgar o efeito da capitalização na Participações e nas Holdings, tendo em vista que a metodologia proposta pelo recorrente implicaria numa capitalização duplicada, e sem fundamentação econômica. A escolha é oportuna tendo em vista que a origem primária dos lucros é o Banco Pactual S.A. Não se acolhe o argumento do recorrente de que o expurgo foi feito incorretamente dada a distribuição desproporcional de lucros. Numa capitalização seqüencial, como no caso concreto, a manutenção da capitalização da etapa que expressa mais genuinamente o Lucro com o Banco Pactual S.A não pode ser entendida como incorreta. Selecionar para exclusão aquela capitalização que seja mais favorável para o recorrente, é visivelmente oportunista., e não se coaduna com o espírito das normas tributarias. O que recorrente parece propor é que segundo o contexto especifico, caberia ao fisco expurgar a capitalização que fosse mais favorável ao contribuinte, que implicasse para aquele especificamente o menor tributo. Isto posto, não vejo reparos a realizar no procedimento adotado pela fiscalização. Fl. 941DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/03/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digit almente em 11/03/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA 20 No que toca a base de cálculo e fundamentação, o tributo foi apurado conforme o valor de cotas apontadas pelo próprio recorrente em sua declaração de ajuste anual. O procedimento revestese deste modo de legalidade e nenhum vício se identificou, não merecendo prosperar quaisquer dos vícios apontados pelo recorrente. Divergências de opiniões e interpretação distintas do direito são muitas vezes apontadas na Impugnação e Recurso Voluntário com grande eloqüência e garantindo que a razão estaria sempre com o recorrente, entretanto, com a devido respeito, s.m.j., a pratica adotada não encontra respaldo em nosso sistema tributário. Esse é o entendimento que firmo e com base no qual não reconheço a validade do procedimento adotado pelo recorrente. No relativo a qualificação da multa, não consigo identificar a simulação apontada pela fiscalização e pela autoridade recorrida. Entendo que configurase como simulação , o comportamento do contribuinte em que se detecta uma inadequação ou inequivalência entre a forma jurídica sob a qual o negócio se apresenta e a substancia ou natureza do fato gerador efetivamente realizado, ou seja, dáse pela discrepância entre a vontade querida pelo agente e o ato por ele praticado para exteriorização dessa vontade. Não é o caso nos autos tendo em vista que os fatos são transparentes e refletem o que realmente ocorreu, encontrando inclusive possível propósito negocial para a sua realização. No caso concreto, o suposto planejamento tributário realizado é certamente uma matéria controversa, sem precedentes jurisprudenciais contrários à nova qualificação dos fatos pelo seu verdadeiro conteúdo, e não pelo aspecto meramente formal. Nesse contexto implica escusável desconhecimento da ilicitude do conjunto de atos praticados, ocorrendo na espécie erro de proibição. Tendo o contribuinte informado as operações com absoluta transparência, e assim permitindo ao fisco fiscalização e qualificação do fato, está ausente na espécie o evidente intuito de fraude. Neste contexto, afastase a qualificação da multa de ofício. No que referese ao argumento, suscitado pelo Conselheiro Pedro Anan Junior, de que caberia afastarse a multa de ofício completamente, tendo em vista o erro escusável, não concordo com o mesmo. O recorrente não se trata de um mero funcionário da organização que recebe seus informes de rendimentos passivo e que poderia ter deixado se enganar pelo procedimento. Tratase de executivo de grande relevância no contexto do grupo, sócio e administrador atuante, deste modo não acolho o argumento de erro escusável para afastar toda a multa. A multa de ofício de 75% é oportuna e própria para a conduta envolvida, ainda que não tenha sido realizado com dolo. Finalmente, cabe observar que no que toca a incidência de juros sobre a multa de ofício, diversas decisões judiciais e administrativas reconhecem a legalidade da incidência do juros sobre a multa de ofício. No STJ, a duas turmas já adotaram o posicionamento defendido pela Fazenda. No âmbito do CARF também diversos julgados confirmam esse entendimento. Desse modo, deve ser mantida a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Ante ao exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa a percentual de 75%. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 942DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/03/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digit almente em 11/03/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 19515.720681/201115 Acórdão n.º 2202002.165 S2C2T2 Fl. 12 21 Voto Vencedor Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Redatora Designada Em que pese o merecido respeito a que faz jus o Ilustre Relator, peço vênia para dele discordar quanto à incidência da Taxa Selic sobre a multa de ofício. A incidência dos juros de mora está prevista no art. 61 do Código Tributário Nacional – CTN, in verbis (grifei): Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Para a devida interpretação do dispositivo acima transcrito é necessário buscar o conceito de “crédito” a partir de outros artigos do mesmo código. Assim dispõe o art. 113 do CTN: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1o A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2o A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3o A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Depreende do artigo acima transcrito que a obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador que pode ter dois objetos: pagamento de tributo ou penalidade pecuniária, esta última decorrente da inobservância de uma obrigação acessória. Inferese, assim, que o conceito de obrigação principal não inclui a multa de ofício vinculada, mas tão somente a multa pelo descumprimento da obrigação acessória. Dessa forma, uma vez que “O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta.” (art. 139 do CTN), este também não abrange a multa Fl. 943DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/03/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digit almente em 11/03/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA 22 de ofício proporcional exigida junto com o tributo ou contribuição. Reforçando nosso entendimento, o art. 161 do CTN deixa claro que os juros serão exigidos “sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis”. Entendo, assim, que a aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício não encontra amparo na lei complementar. Resta agora analisar a legislação ordinária que prevê a aplicação da Taxa Selic, transcrevendose, inicialmente, o art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O dispositivo acima prevê os acréscimo moratórios (multa e juros de mora) incidentes sobre os débitos decorrentes de tributos e contribuições não pagos nos prazos, ou seja, sobre o valor do principal, que não se confunde com a multa de ofício vinculada. Caso a multa de ofício estivesse incluída no conceito de “débito” estarseia defendendo a incidência de multa de mora sobre multa de ofício, o que não se admite. É cediço que a multa de mora é aplicada tão somente em recolhimentos de tributos e contribuições pagos após o vencimento, efetuados espontaneamente pelo sujeito passivo, enquanto que a multa de ofício é aplicada nos de falta de pagamento apurada em procedimento de ofício. Ademais, a aplicação concomitante das duas multas (de mora e de ofício) é vedada pelo art. 950, §3o, do Decreto no 3.000, de 26 de março de 1999 – RIR/99. A incidência cumulativa da Taxa Selic está prevista apenas nos casos de lançamento isolado de multa ou juros de mora, nos termos do art. 43 da Lei no 9.430, de 1996: Art.43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Fl. 944DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/03/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digit almente em 11/03/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 19515.720681/201115 Acórdão n.º 2202002.165 S2C2T2 Fl. 13 23 Concluise, assim, que também na legislação ordinária não existe previsão para a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Pelos fundamentos expostos, voto por DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário para excluir a aplicação da Taxa Selic sobre a multa de ofício. (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Fl. 945DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/03/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digit almente em 11/03/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
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Numero do processo: 19515.001450/2005-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001, 2002, 2003
NULIDADE DO LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA.
O lançamento se baseou em documentos obtidos diretamente com o pacientes do contribuinte, e confirmam a existência de rendimentos que o próprio fiscalizado afirmou desconhecer.
Assim, improcedentes os argumentos de que a autuação se baseou em banco de dados inconsistente e que deveria tributar apenas a diferença dos rendimentos declarados.
NULIDADE DA DECISÃO DE 1a INSTÂNCIA. INEXISTÊNCIA.
Não existe a previsão legal para a sustentação oral nas decisões de 1a instância, não existindo nulidade no indeferimento de pedido nesse sentido.
A lei atribui a competência do julgamento de 1a instância às Delegacias da Receita Federal de Julgamento (PAF, art. 25, I), sendo que a distribuição da competência entre as diversas unidades é matéria de organização interna. Nesse sentido, a transferência da competência entre as unidades de julgamento atendeu aos ditames da legislação.
O procedimento seguido está previsto explicitamente em lei, e não é permitido a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação de lei por sua incompatibilidade com a Constituição Federal (Súmula CARF nº 2 e art. 62 do Regimento Interno do CARF).
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. VALORES NÃO RECONHECIDOS PELO MÉDICO MAS CONFIRMADOS COM DOCUMENTOS OBTIDOS DOS PACIENTES. EXISTÊNCIA.
A omissão de rendimentos lançada está embasada em documentos obtidos diretamente com pacientes do sujeito passivo, correspondentes a recibos e laudos médicos por ele emitidos, bem como a alguns cheques nominais em seu favor expedidos, sendo que o contribuinte havia previamente afirmado que essas receitas não constavam de seus controles.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA.
Indefere-se pedido de diligência para apurar inconsistências no banco de dados da Receita Federal, pois a ação fiscal tomou essas informações apenas como ponto de partida da investigação, estando o lançamento embasado em documentos obtidos diretamente dos pacientes que comprovam a existência dos rendimentos.
Pedido de Diligência Indeferido.
Preliminares de nulidade rejeitadas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2101-002.144
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em indeferir o pedido de diligência, rejeitar as preliminares de nulidade arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
_____________________________________
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente
(assinado digitalmente)
___________________________________
José Evande Carvalho Araujo- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Evande Carvalho Araujo, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, José Raimundo Tosta Santos, Eivanice Canario da Silva, Alexandre Naoki Nishioka.
Nome do relator: JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003 NULIDADE DO LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA. O lançamento se baseou em documentos obtidos diretamente com o pacientes do contribuinte, e confirmam a existência de rendimentos que o próprio fiscalizado afirmou desconhecer. Assim, improcedentes os argumentos de que a autuação se baseou em banco de dados inconsistente e que deveria tributar apenas a diferença dos rendimentos declarados. NULIDADE DA DECISÃO DE 1a INSTÂNCIA. INEXISTÊNCIA. Não existe a previsão legal para a sustentação oral nas decisões de 1a instância, não existindo nulidade no indeferimento de pedido nesse sentido. A lei atribui a competência do julgamento de 1a instância às Delegacias da Receita Federal de Julgamento (PAF, art. 25, I), sendo que a distribuição da competência entre as diversas unidades é matéria de organização interna. Nesse sentido, a transferência da competência entre as unidades de julgamento atendeu aos ditames da legislação. O procedimento seguido está previsto explicitamente em lei, e não é permitido a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação de lei por sua incompatibilidade com a Constituição Federal (Súmula CARF nº 2 e art. 62 do Regimento Interno do CARF). OMISSÃO DE RENDIMENTOS. VALORES NÃO RECONHECIDOS PELO MÉDICO MAS CONFIRMADOS COM DOCUMENTOS OBTIDOS DOS PACIENTES. EXISTÊNCIA. A omissão de rendimentos lançada está embasada em documentos obtidos diretamente com pacientes do sujeito passivo, correspondentes a recibos e laudos médicos por ele emitidos, bem como a alguns cheques nominais em seu favor expedidos, sendo que o contribuinte havia previamente afirmado que essas receitas não constavam de seus controles. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Indefere-se pedido de diligência para apurar inconsistências no banco de dados da Receita Federal, pois a ação fiscal tomou essas informações apenas como ponto de partida da investigação, estando o lançamento embasado em documentos obtidos diretamente dos pacientes que comprovam a existência dos rendimentos. Pedido de Diligência Indeferido. Preliminares de nulidade rejeitadas. Recurso Voluntário Negado.
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DESCUMPRIMENTO. HIPÓTESE NÃO INCLUÍDA ENTRE AS CAUSAS DE EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. O prazo máximo de 360 dias para que seja proferida decisão administrativa, previsto no art. 24 da Lei no 11.457, de 2007, consiste em norma programática para a Administração Tributária, e o seu descumprimento não pode acarretar em hipótese de extinção do crédito tributário não prevista em lei. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003 NULIDADE DO LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA. O lançamento se baseou em documentos obtidos diretamente com o pacientes do contribuinte, e confirmam a existência de rendimentos que o próprio fiscalizado afirmou desconhecer. Assim, improcedentes os argumentos de que a autuação se baseou em banco de dados inconsistente e que deveria tributar apenas a diferença dos rendimentos declarados. NULIDADE DA DECISÃO DE 1a INSTÂNCIA. INEXISTÊNCIA. Não existe a previsão legal para a sustentação oral nas decisões de 1a instância, não existindo nulidade no indeferimento de pedido nesse sentido. A lei atribui a competência do julgamento de 1a instância às Delegacias da Receita Federal de Julgamento (PAF, art. 25, I), sendo que a distribuição da competência entre as diversas unidades é matéria de organização interna. Nesse sentido, a transferência da competência entre as unidades de julgamento atendeu aos ditames da legislação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 14 50 /2 00 5- 61 Fl. 1020DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 19515.001450/200561 Acórdão n.º 2101002.144 S2C1T1 Fl. 962 2 O procedimento seguido está previsto explicitamente em lei, e não é permitido a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação de lei por sua incompatibilidade com a Constituição Federal (Súmula CARF nº 2 e art. 62 do Regimento Interno do CARF). OMISSÃO DE RENDIMENTOS. VALORES NÃO RECONHECIDOS PELO MÉDICO MAS CONFIRMADOS COM DOCUMENTOS OBTIDOS DOS PACIENTES. EXISTÊNCIA. A omissão de rendimentos lançada está embasada em documentos obtidos diretamente com pacientes do sujeito passivo, correspondentes a recibos e laudos médicos por ele emitidos, bem como a alguns cheques nominais em seu favor expedidos, sendo que o contribuinte havia previamente afirmado que essas receitas não constavam de seus controles. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Indeferese pedido de diligência para apurar inconsistências no banco de dados da Receita Federal, pois a ação fiscal tomou essas informações apenas como ponto de partida da investigação, estando o lançamento embasado em documentos obtidos diretamente dos pacientes que comprovam a existência dos rendimentos. Pedido de Diligência Indeferido. Preliminares de nulidade rejeitadas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em indeferir o pedido de diligência, rejeitar as preliminares de nulidade arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) _____________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Evande Carvalho Araujo, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, José Raimundo Tosta Santos, Eivanice Canario da Silva, Alexandre Naoki Nishioka. Fl. 1021DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 19515.001450/200561 Acórdão n.º 2101002.144 S2C1T1 Fl. 963 3 Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 2 e 811 a 831, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercícios 2001 a 2003, para lançar omissão de rendimentos recebidos de pessoa física, decorrentes de trabalho sem vínculo empregatício, bem como multas isoladas por falta de recolhimento do Imposto de Renda da Pessoa Física devido a título de carnêleão, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$330.665,20, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora, e de multa isolada de 247.998,68. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 836 a 855), acatada como tempestiva. O relatório do acórdão de primeira instância descreveu os argumentos do recurso da seguinte maneira (fls. 866 a 875): (...) DOS CONTROLES DA CLÍNICA O controle do paciente e do recebimento individual do valor das consultas, é feito através da ficha médica, pelo nome de cada paciente. A cada fechamento periódico, um, dois, três dias ou mesmo semanalmente, os valores recebidos/depositados são conferidos com as fichas médicas e registrados pelo valor dos ingressos. Após este procedimento as fichas são arquivadas. Os valores registrados dos ingressos do período de apuração são consolidados ao final de cada mês para a apuração do rendimento mensal e do imposto de renda a pagar — Carne Leão. O consultório mantém uma escrituração simples e não possui, como nas organizações empresariais, contas correntes individuais para todos clientes, embora os seus controles assegurem que todas as fichas médicas tenham sido recebidas e que os respectivos ingressos registrados. O sistema adotado, atende às necessidades do consultório e as exigências legais, mas não permite, em alguns casos, a identificação, após vários anos, dos recebimentos realizados num mesmo dia, como gostaria a zelosa Auditora Fiscal PRELIMINARMENTE: DO CERCEAMENTO DE DEFESA O auto de infração, como se verá, teve por base dados colhidos no Banco de Dados da Receita Federal. Tomouse tal coletânea como instrumento de prova, sem que fosse dado ao contribuinte a ciência da forma como foi produzido ou mesmo sem lhe permitir Fl. 1022DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 19515.001450/200561 Acórdão n.º 2101002.144 S2C1T1 Fl. 964 4 acompanhar, pessoalmente ou através de um perito preposto, a sua elaboração ou feitura. Não há como se consagrar, portanto, a tal coletânea de dados, a característica de material de prova, assim entendido como aquele material capaz de produzir efeitos contra ou a favor de determinada pessoa ou instituição. E que se note, Senhores Julgadores, que tal afirmativa não é apenas dialética. Demonstrarseá, por pequenos porém definitivos exemplos, que existem efetivamente erros no Banco de Dados da Receita Federal, o que invalida tal instrumento como prova. Sabido que a prova há de ser inequívoca e precisa e não cheia de dúvidas e imprecisões. A ausência de prova e a impossibilidade de acompanhamento por parte do contribuinte em sua formação, a tornam inválida e imprestável para o lançamento pretendido. A investigação na busca da verdade material se impunha como dever do agente fiscal. Nunca a utilização de dados de discutível certeza. Impõemse, portanto, a declaração liminar de nulidade do lançamento. DA AÇÃO FISCAL O exame realizado baseouse em planilhas elaboradas a partir do banco de dados da Secretaria da Receita Federal, referente a valores declarados como pagos a título de despesas médicas, por eventuais pacientes ou responsáveis. As diferenças entre os Rendimentos do Banco de Dados da Secretaria da Receita Federal e os Rendimentos considerados pelo Auditor Fiscal foram objeto de Lançamento através de Auto de Infração e consideradas como Omissão de Rendimentos. As diferenças apuradas pelo fisco foram as seguintes: Ano Calendário 2000 R$ 384.374,15 Ano Calendário 2000 Rendimentos Banco de Dados SRF Rendimentos considerados pelo Fisco Diferença Tributada Janeiro 58.968,00 24.218,00 34.750,00 Fevereiro 69.750,00 25.000,00 44.750,00 Março 38.900,00 17.000,00, 21.900,00 Abril 61.849,26 23.999,26 37.850,00 Maio 51.400,00 20.350,00 31.050,00 Junho 51.100,00 20.400,00 30.700,00 Julho 7.450,00 6.000,00 1.450,00 Agosto 60.900,00 26.350,00 34.550,00 Fl. 1023DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 19515.001450/200561 Acórdão n.º 2101002.144 S2C1T1 Fl. 965 5 Setembro 74.012,15 21.350,00 52.662,15 Outubro 67.167,49 32.717,49 34.450,00 Novembro 68.624,36 27.512,36 41.112,00 Dezembro 30.358,44 11.208,44 19.150,00 Total 640.479,70 256.105,55 384.374,15 Ano Calendário 2001 R$ 398.371,00 Ano Calendário 2001 Rendimentos Banco de Dados SRF Rendimentos considerados pelo Fisco Diferença Tributada Janeiro 33.700,00 18.950,000 14.750,00 Fevereiro 36.750,00 22.350,00 14.400,00 Março 44.134,92 19.734,92 24.400,00 Abril 54.759,00 29.709,00 25.050,00 Maio 117.127,57 40.836,57 76.291,00 Junho 28.000,00 11.300,00 16.700,00 Julho 40.750,00 17.050,00 23.700,00 Agosto 62.526,20 20.426,20 42.100,00 Setembro 69.600,00 22.350,00 47.250,00 Outubro 41.430,00 12.000,00 29.430,00 Novembro 82.145,00 27.095,00 55.050,00 Dezembro 49.600,00 20.350,00 29.250,00 Total 660.522,69 262.151,69 398.371,00 Ano Calendário 2002 R$ 419.674,00 Ano Calendário 2002 Rendimentos Banco de Dados SRF Rendimentos considerados pelo Fisco Diferença Tributada Janeiro 51.450,00 20.750,00 30.700,00 Fevereiro 40.350,00 21.000,00 19.350,00 Março 52.718,50 24.868,50 27.850,00 Fl. 1024DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 19515.001450/200561 Acórdão n.º 2101002.144 S2C1T1 Fl. 966 6 Abril 81.500,00 50.950,00 30.550,00 Maio 71.250,00 32.900,00 38.350,00 Junho 67.250,00 24.200,00 43.050,00 Julho 64.700,00 20.000,00 44.700,00 Agosto 86.900,00 36.550,00 50.350,00 Setembro 60.200,00 23.900,00 36.300,00 Outubro 47.274,00 28.000,00 19.274,00 Novembro 93.700,00 26.400,00 67.300,00 Dezembro 26.100,00 14.200,00 67.300,00 Total 743.392,50 323.718,50 419.674,00 Acontece que o Autor do Feito não considerou todos os rendimentos declarados na DIPF e na apuração do Carne – Leão; reconheceu apenas parte deles e, o montante considerado pelo fisco está muito aquém dos rendimentos apurados nos controles do consultório, que foram também informados nas Declarações de Ajuste Anual e nas apurações mensais do Carne Leão. Mesmo que o inconsistente Banco de Dados da Secretaria da Receita Federal fosse perfeito, o que se admite apenas para argumentação, a diferença entre os Rendimentos do Banco de Dados da Secretaria da Receita Federal e os Rendimentos Declarados é bem menor do que a apurada pelo Auditor Fiscal, e assim se apresenta: Ano Calendário 2000 R$ 215.772,73 Ano Calendário 2000 Rendimentos Banco de Dados SRF Rendimentos Declarados Diferença Bruta sem expurgos Janeiro 58.968,00 32.506,38 26.461,62 Fevereiro 69.750,00 37.777,93 31.972,07 Março 38.900,00 33.003,42 5.896,58 Abril 61.849,26 31.605,04 30.244,22 Maio 51.400,00 30.105,48 21.294,52 Junho 51.100,00 35.305,23 15.794,77 Julho 7.450,00 36.507,23 (29.057,23) Agosto 60.900,00 35.347,62 25.552,38 Setembro 74.012,15 34.143,72 39.868,43 Fl. 1025DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 19515.001450/200561 Acórdão n.º 2101002.144 S2C1T1 Fl. 967 7 Outubro 67.167,49 40.801,03 26.366,46 Novembro 68.624,36 38.891,11 29.733,25 Dezembro 30.358,44 38.712,78 (8.354,34) Total 640.479,70 424.706,97 215.772,73 Ano Calendário 2001 R$ 216.655,40 Ano Calendário 2001 Rendimentos Banco de Dados SRF Rendimentos Declarados Diferença Bruta sem exclusões Janeiro 33.700,00 35.689,89 (1.989,89) Fevereiro 36.750,00 39.267,78 (2.517,89) Março 44.134,92 36.463,87 7.671,05 Abril 54.759,00 35.678,98 19.080,02 Maio 117.127,57 36.509,85 80.617,72 Junho 28.000,00 36.315,50 (8.315,50) Julho 40.750,00 34.461,83 6.288,17 Agosto 62.526,20 35.139,60 27.386,60 Setembro 69.600,00 35.292,94 34.307,06 Outubro 41.430,00 40.717,85 712,15 Novembro 82.145,00 42.236,71 39.908,29 Dezembro 49.600,00 36.092,49 13.507,51 Total 660.522,69 443.867,29 216.655,40 Ano Calendário 2001 R$ 216.655,40 Ano Calendário 2002 Rendimentos Banco de Dados SRF Rendimentos Declarados Diferença Bruta sem exclusões Janeiro 51.450,00 43.471,39 7.978,61 Fevereiro 40.350,00 38.684,83 1.665,17 Março 52.718,50 44.057,22 8.661,28 Abril 81.500,00 46.420,90 35.079,10 Fl. 1026DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 19515.001450/200561 Acórdão n.º 2101002.144 S2C1T1 Fl. 968 8 Maio 71.250,00 45.787,59 25.462,41 Junho 67.250,00 45.269,45 21.980,55 Julho 64.700,00 42.174,03 22.525,97 Agosto 86.900,00 50.796,59 36.103,41 Setembro 60.200,00 46.642,29 13.557,71 Outubro 47.274,00 49.816,30 (2.542,30) Novembro 93.700,00 49.620,26 44.079,74 Dezembro 26.100,00 44.804,17 (18.704,17) Total 743.392,50 547.545,02 195.847,48 Como demonstrado, os Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoas Físicas (item 2 da Declaração Anual de Rendimentos – cópias em anexo) e apurados de acordo com os controles do consultório não foram considerados pelo Fisco, resultando em tributação indevida e a maior, como resumida a seguir: Diferenças apuradas pelo fisco: Ano Calendário 2000 R$ 384.374,15 Ano Calendário 2001 R$ 398.371,00 Ano Calendário 2002 R$ 419.674,00 Diferenças (sem expurgos) entre os rendimentos do banco de dados da SRF e os rendimentos efetivamente declarados e tributados (declaraçãoanual e carne leãomensal) Ano Calendário 2000 R$ 215.772,73 Ano Calendário 2002 R$ 216.655,40 Ano Calendário 2002 R$ 195.847,48 É evidente que houve excesso por parte do Autor do Feito; tributouse muito mais do que o devido. O responsável pela ação fisca l desconsiderou os rendimentos declarados e simplesmente decidiu, sem base legal, o quanto dos rendimentos deveria abater dos valores constantes do inconsistente banco de dados da Secretaria da Receita Federal. Embora tenha inserido no Termo de Verificação o Artigo 112 da Lei 5.172/66 (CTN) a seguir transcrito, não o cumpriu, visto que aplicou a multa de ofício e exigiu o tributo de maneira mais onerosa ao contribuinte com o agravante de não juntar prova ou justificativa plausível para o procedimento adotado. Fl. 1027DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 19515.001450/200561 Acórdão n.º 2101002.144 S2C1T1 Fl. 969 9 Artigo 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase de maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. " (grifouse) O excesso do Autor do Feito está claro também no enquadramento legal reportado no Termo de Verificação Fiscal, dentre os quais se destacam aqueles que tratam do espólio e dos sucessores, o que não é o caso do presente processo: Da Lei 5.172/66. Artigo 131. São pessoalmente responsáveis: I o adquirente ou remitente, pelos tributos relativos aos bens adquiridos ou remidos; II O sucessor a qualquer título e o cônjuge meeiro, pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da partilha ou adjudicação, limitada esta responsabilidade ao montante do quinhão, do legado ou da meação; III O espólio, pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da abertura da sucessão. Do Decreto 3.000/99 Artigo 11. Ao espólio serão aplicadas as normas a que estão sujeitas as pessoas físicas, observado o disposto nesta Seção e , no que se refere à responsabilidade tributária, nos artigos 23 a 25. " Artigo 23. São pessoalmente responsáveis: I O sucessor a qualquer título e o cônjuge meeiro, pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da partilha ou adjudicação, limitada esta responsabilidade ao montante do quinhão, do legado ou da meação; II O espólio, pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da abertura da sucessão. Além dos evidentes excessos existentes no Auto de Infração e seus anexos, a fonte da informação para o lançamento, qual seja o banco de dados da Secretaria da Receita Federal, não é confiável, visto que é alimentado por contribuintes que se beneficiam da informação prestada. O Autor do feito aceitou como boas, todas as informações declaradas por terceiros, permitindo a esses a redução do imposto devido mediante a dedução das despesas médicas, e tenta cobrar do médico o imposto sobre tudo o que foi declarado por aqueles interessados. A confi rmação de que o banco de dados da Receita Federal é inconsistente, pode ser facilmente constatada pela análise dos dados informados pelos seguintes " declarantes" : (apenas para citar alguns) Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 19515.001450/200561 Acórdão n.º 2101002.144 S2C1T1 Fl. 970 10 Não são pacientes Mara Knox da Veiga Souza Nunes CPF 148.697.78807 R$ 6.000,00 04/07/2002. Fernando Correia CPF 149.108.18804 R$ 10.000,00 09/07/2002. Wander Pereira CPF 961.951.18753 R$ 8.000,00 06/08/2002. Maria Cecília Rios Fúria CPF 668.117.40868 R$ 8.000,00 02/0112001. Sílvia Maria Leme do Prado Cascione CPF 069.930.65827 R$ 8.000,00 05/09/2001. Declararam valores maiores que os recebidos: Ricardo Gonçalves CPF 047.784.13849 R$ 20.000,00 01/08/2002. Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 19515.001450/200561 Acórdão n.º 2101002.144 S2C1T1 Fl. 971 11 Clemente de Araujo Souza CPF 036.414.57653 R$ 12.000,00 0110912002. Eduardo Américo de Athaide Vasone CPF 004.584.22800 R$ 20.000,00 12/05/2001. Pablo Blas Martin CPF 008.106.30834 R$ 14.400,00 09/08/2001. José Cid Campeio CPF 000.019.45904 R$ 12.612,15 16/09/2000. Como demonstrado, estes e outros valores inconsistentes declarados por terceiros, devem ser expurgados do banco de dados da Secretaria da Receita Federal para efeito de apuração dos Rendimentos Tributáveis, e utilizados unicamente para a glosa de despesas médicas indevidamente deduzidas. E, como tal, deveriam deixar de ser levados em conta pela autoridade autuante, eis que não há como se fazer prova negativa. Como se provar que ta l ou qual pessoa não são pacientes do Impugnante? BANCO DE DADOS DA RECEITA FEDERAL Uma vez que todo o lançamento baseouse no Banco de Dados da Receita Federal, há que se perquirir sobre a validade probandi de tal banco de dados. Se j a po r que a " p r ova" f o i co l h ida un i l a t e r a lmen t e , s em o acompanhamento do contribuinte, seja por que não se sabe a maneira pela qual tenha sido colhida (se ao arrepio da lei ou em conformidade com os princípios constitucionais), os valores apresentados por tal " banco de dados" devem ser discutidos e, até mesmo, descartados. Demonstrado que existem dados no mínimo equívocos no "banco" fisco, como pretender que os demais sejam verdadeiros? O que ocorre no caso vertente é que o Fisco disponibiliza uma série de valores e números, como dito de validade absolutamente discutível e, por sua Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 19515.001450/200561 Acórdão n.º 2101002.144 S2C1T1 Fl. 972 12 mera exibição, pretende que se inverta o ônus da prova, atribuindo ao contribuinte o dever de produzir a prova negativa. Na medida em que faz parte do processo administrativo, em sua essência, a busca da verdade material, claro está que esta não restou demonstrada. Há graves e claros erros no banco de dados da Receita Federal que não podem impor, de forma unilateral, obrigações ao contribuinte. Senhores Julgadores. Durante toda a fase inquisitiva da ação fiscal, o contribuinte tentou demonstrar com os dados que dispunha e amparado pela legislação de vigência, a sua realidade fiscal. Não se furtou a reconhecer pessoas como pacientes, deixando porém, sempre cristalino, os casos em que determinados contribuintes falsificavam documentos fiscais — eis que jamais foram seus clientes — ou aumentavam os totais dos recibos para fins de auferir benefícios. O Senhor Agente Fiscal, por seu lado, fez ouvidos moucos, acreditando antes no famigerado Banco de Dados que nos argumentos e razões do contribuinte sob ação fiscal. Tal atitude fere de morte a certeza contida no auto de infração. Tirouse do contribuinte seu direito de defesa, passando a inverter o ônus da prova sem qualquer previsão legal. Nulo o auto de infração. DO PEDIDO De tudo o que foi exposto requer a V.Sas. seja declarada a nulidade do auto de infração por conta das preliminares levantadas. Se, por outro lado não for acolhida tal preliminar – o que se admite apenas em amor ao debate – que seja cancelado o auto de infração pelas demais razões apontadas, arquivandose em definitivo o processo administrativo. O contribuinte protesta desde já por seu direito constitucional de estar presente ao julgamento desta D. Corte Administrativa, podendo fazelo pessoalmente ou através de advogado, sustentar oralmente, distribuir memoriais e proceder, enfim de todas as formas em direito admitidas para o exercício de sua ampla defesa, à luz do que prescreve o art. 5 ° e seus incisos da Constituição Federal de 1988. Para tanto, requer a sua intimação com a precedência de praxe, informando a data e local do julgamento, o que poderá ser feito no escritório de seu procurador no seguinte endereço: (...) ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente o lançamento, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fls. 863 a 883): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 19515.001450/200561 Acórdão n.º 2101002.144 S2C1T1 Fl. 973 13 Anocalendário: 2000, 2001, 2002 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Mantémse o lançamento se o contribuinte não lograr comprovar que os valores constantes dos documentos anexos aos autos não foram por ele recebidos. MULTA DE OFÍCIO. A multa aplicável no lançamento de ofício prevista na legislação tributária é de 75%, por descumprimento à obrigação principal instituída em norma legal, e somente por disposição expressa de lei a autoridade administrativa poderia deixar de aplicála. Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2000, 2001, 2002 MULTA EXIGIDA ISOLADAMENTE. REDUÇÃO. Impõese reduzir a multa exigida isoladamente aplicada no percentual de 75%, para o percentual de 50%, em decorrência do princípio da retroatividade benigna da lei tributária. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2000, 2001, 2002 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. Somente se pode falar em nulidade do auto de Infração quando provado nos autos ter sido o mesmo lavrado por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa. SUSTENTAÇÃO ORAL. INDEFERIMENTO. Não existe, no âmbito da legislação processual tributária, previsão para realização de sustentação oral, pela defesa, durante a sessão de julgamento administrativo de primeira instância. Lançamento Procedente em Parte O julgador a quo manteve o lançamento da omissão de rendimentos em sua integralidade, e reduziu o percentual da multa isolada para 50%, por conta da aplicação retroativa benéfica do art. 14 da Lei nº 11.488, 15 de junho de 2007, nos termos do artigo 106, inciso II, alínea “c” da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 1032DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 19515.001450/200561 Acórdão n.º 2101002.144 S2C1T1 Fl. 974 14 RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 7/6/2010 (fl. 898v), o contribuinte apresentou, em 6/7/2010, o recurso de fls. 899 a 959, onde afirma: a) a decadência (ou prescrição) do direito da Fazenda Nacional constituir o crédito tributário, pois a decisão administrativa foi proferida após o prazo máximo de 360 dias previsto no art. 24 da Lei no 11.457 de 16 de março de 2007; b) a nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa, pois a autuação se deu com base no sistema de banco de dados da Receita Federal relativo a eventuais pacientes e responsáveis, que se beneficiaram de deduções indevidas; as diferenças entre os valores do banco de dados e os declarados são menores que os lançados; e o enquadramento legal inclui dispositivos referentes a espólio e sucessores, inaplicáveis ao caso; repetindo os argumentos da impugnação; c) que é necessária a realização de diligências para se apurar as inconsistências informadas pelo contribuinte com relação ao banco de dados da Receita Federal, relativas a beneficiários inexistentes e valores declarados a maior por pacientes existentes; d) que o ônus da prova é de quem alega, não sendo possível invertêlo ao contribuinte com base na presunção da legitimidade dos atos administrativos; e) que a não intimação do contribuinte para que comparecesse em julgamento de seu especial interesse para exercer a amplamente seu direito de defesa afronta aos mais comezinhos princípios de direito, inclusive o da publicidade; f) que também fere o seu direito à ampla defesa o envio dos autos para julgamento em região que não é sua sede. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 960, que também trata do envio dos autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Ação Fiscal A ação fiscal consistiu na verificação dos rendimentos informados como recebidos de pessoas físicas pelo contribuinte nas declarações de ajuste nos exercícios de 2001 a 2003 (fls. 41 a 62). Fl. 1033DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 19515.001450/200561 Acórdão n.º 2101002.144 S2C1T1 Fl. 975 15 Assim, inicialmente se solicitou que fosse apresentada relação mensal de todos os honorários médicos recebidos de pessoas físicas, indicando o valor recebido, data do recebimento, nome e CPF da pessoa que efetuou o pagamento (fl. 4). Em resposta, o contribuinte alegou que seu controle de pacientes e respectivos recebimentos era feito através de fichas médicas, pelo nome do paciente, e pediu para lhe fosse informado a relação dos contribuintes que pleitearam restituição de despesas médicas em seu nome, para que pudesse confirmálos como seus controles (fl. 11). Tal pedido foi devidamente atendido no Termo de Intimação Fiscal nº 01/2004 (fls. 12 e 22), que apresentou planilhas elaboradas a partir do banco de dados da Secretaria da Receita Federal referentes a valores declarados como pagos a título de despesas médicas, por eventuais pacientes ou responsáveis. Em 15/06/2004, o contribuinte confirmou parte dos recebimentos, e acrescentou que aqueles não confirmados não estavam registrados (fls. 23 a 26). Diante dessa informação, a autoridade fiscal intimou os contribuintes que pleitearam deduções de serviços médicos prestados pelo contribuinte, mas que não tinham sido por ele reconhecidos, a apresentar seu comprovantes. As intimações foram devidamente respondidas com a apresentação de documentação comprobatória – recibos, cheques nominais, relatórios médicos (fls. 68 a 799). Com base nessa documentação, a fiscalização elaborou o demonstrativo de fls. 802 a 810. Como o contribuinte já havia informado que esses valores não constavam de seus registros, o lançamento os tributou como rendimentos omitidos. Preliminares Preliminar de impossibilidade de cobrança por superação do prazo de 360 para se proferir a decisão administrativa O recorrente defende a decadência (ou prescrição) do direito da Fazenda Nacional constituir o crédito tributário, pois a decisão administrativa foi proferida após o prazo máximo de 360 dias previsto no art. 24 da Lei no 11.457, de 16 de março de 2007, abaixo transcrito: Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte. Entretanto, há que se considerar que se trata de norma programática, não podendo dela se extrair hipótese de extinção do crédito tributário não prevista no Código Tributário Nacional – CTN. Tratase de prazo impróprio, sem consequências processuais. Destacase decisão nesse sentido da 1a Turma Especial da 2a Seção de Julgamento: Fl. 1034DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 19515.001450/200561 Acórdão n.º 2101002.144 S2C1T1 Fl. 976 16 PAF. PRAZO PARA APRECIAÇÃO DE PETIÇÕES. LEI Nº 11.457, DE 2007, ART. 24. O transcurso do prazo para a apreciação de petições, previsto no art. 24 da Lei nº 11.457, de 2007, não se configura como hipótese de extinção do processo administrativo ou do crédito tributário, bem como não gera direito a conclusões favoráveis ao sujeito passivo. (Acórdão nº 280101.015, sessão de 20/10/2010, Relatora Amarylles Reinaldi e Henriques Resende) Desta forma, rejeito essa preliminar. Preliminar de a nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa O recorrente pleiteia a nulidade do lançamento, pois a autuação se deu com base no sistema de banco de dados da Receita Federal relativo a eventuais pacientes e responsáveis, que se beneficiaram de deduções indevidas. Assim, conclui que esse banco de dados seria inconsistente, pois formado como base em informações de pessoas que se beneficiaram indevidamente de deduções. Contudo, como descrito acima, o lançamento se deu com base nas provas e documentos obtidos diretamente dos pacientes, tendo o questionado banco de dados servido apenas como ponto de partida das investigações. Não existe nulidade também no fato dos valores lançados serem maiores que a diferença entre os rendimentos obtidos com os contribuintes e os declarados, pois isso decorreu da própria metodologia da fiscalização, que será analisada junto com o mérito. Do mesmo modo, não macula o lançamento a inclusão, no enquadramento legal, de artigos do regulamento que não se aplicam diretamente ao caso, pois foram indicados os dispositivos legais que embasam a matéria, e os fatos foram suficientemente descritos. Assim, rejeito essa preliminar. Preliminar de nulidade da decisão de 1a instância por violação aos princípios da ampla defesa e da publicidade O recorrente defende a nulidade da decisão recorrida por não ter deferido seu pedido de intimação para sustentação oral, bem como pelo deslocamento do julgamento para região diferente da sua, por violação aos princípios da ampla defesa e publicidade. Quanto à sustentação oral, correta a conclusão do julgador a quo, pois inexiste previsão legal de defesa presencial nessa instância. Se desejar, pode o sujeito passiva defender oralmente seus argumentos no julgamento de 2a instância junto ao CARF, bastando comparecer no dia e hora definidos na pauta de julgamento publicada no Diário Oficial da União, com procurador devidamente Fl. 1035DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 19515.001450/200561 Acórdão n.º 2101002.144 S2C1T1 Fl. 977 17 constituído, nos termos do art. 58, inciso II, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Do mesmo modo, não existe qualquer problema na transferência de competência entre as Delegacias de Julgamento. O Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativo fiscal, e tem status de lei, atribui a competência do julgamento de 1a instância às Delegacias da Receita Federal de Julgamento (art. 25, I), sendo a distribuição da competência entre as diversas unidades matéria de organização interna. Nesse sentido, decidiu o Acórdão n° 210200.305, da 2a Turma da 1a Câmara da 2a Turma Ordinária da 2a Seção de Julgamento, sendo relator o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos: PAF. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Cabem as Delegacias da Receita Federal de Julgamento, em primeira instância, o exame dos recursos administrativos. Por delegação do Ministro do Estado da Fazenda tem o Secretario da Receita Federal competência para definir a matéria e a jurisdição de competência de cada DRJ. O argumento de fundo do cerceamento de defesa diz respeito à violação dos princípios constitucionais da ampla defesa e da publicidade. Como já demonstrado, o procedimento seguido está previsto explicitamente em lei, e não é permitido a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação de lei por sua incompatibilidade com a Constituição Federal (Súmula CARF nº 2 e art. 62 do Regimento Interno do CARF). Desta forma, rejeito a preliminar. Mérito No mérito, não prosperam os argumentos do contribuinte. É fato que é ônus de quem acusa a comprovação dos fatos, mas é certo que a fiscalização se desincumbiu a contento da tarefa. Observese que a omissão de rendimentos lançada está embasada em documentos obtidos diretamente com pacientes do sujeito passivo, correspondentes a recibos e laudos médicos por ele emitidos, bem como a alguns cheques nominais em seu favor expedidos. Também correto o procedimento de considerar todo o valor como omissão, e não apenas a diferença com o declarado, pois o contribuinte já havia afirmado não reconhecer a existência daqueles valores, sendo razoável a conclusão de que a receita declarada corresponde aos pacientes reconhecidos, em especial quando o fiscalizado não apresentou sua escrituração contábil, alegando que o controle se dava apenas com base nas fichas dos pacientes. Fl. 1036DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 19515.001450/200561 Acórdão n.º 2101002.144 S2C1T1 Fl. 978 18 Transcrevo a análise do procedimento fiscal feita julgador de 1a instância, que corrobora os argumentos acima expendidos: Ocorre que, no presente caso, está devidamente identificada à existência de recebimento de numerários de pessoas físicas sem que estivessem informados na Declaração de Ajuste Anual. Em conseqüência desse fato foi iniciado o procedimento fiscal no contribuinte com vistas a apurar o efetivo valor omitido. O contribuinte foi intimado a esclarecer tais rendimentos e a apresentar a relação mensal de todos os honorários médicos recebidos de pessoas físicas, indicando o valor recebido, data do recebimento, nome e CPF da pessoa que efetuou o pagamento. Em atendimento ao Termo de Intimação acima mencionado, o contribuinte informou que, tendo em vista serem os controles de seus pacientes e respectivos pagamentos feitos através das fichas dos pacientes, que lhe fosse fornecida a listagem contendo o nome dos contribuintes que pleitearam dedução a título de despesas médicas para que pudesse confrontar com seus controles e confirmar ou não tais informações. A fiscalização disponibilizou ao contribuinte a Planilha de fls. 13/21, relativos aos anoscalendário de 2000, 2001 e 2002, contendo a relação dos “eventuais pacientes” do contribuinte fiscalizado. O contribuinte, então, encaminhou à fiscalização uma listagem contendo os pacientes cujos nomes foram confirmados conforme os seus arquivos, esclarecendo que os demais nomes constantes da planilha da Secretaria da Receita Federal e não constantes de sua lista representam pessoas que informaram terem efetuado pagamento de honorários médicos a sua pessoa e cuja veracidade ou valor declarado não pôde confirmar, por falta de registro. Conforme se verifica dos autos e do registro no Termo de Verificação Fiscal que faz parte integrante do Auto de Infração “os valores recebidos dos pacientes que foram confirmados pelo contribuinte ora fiscalizado, conforme listagem apresentada em 15/06/2004, foram considerados por esta fiscalização como já declarados pelo contribuinte em suas respectivas Declarações de Imposto de Renda Pessoa Física, e, portanto, não serão novamente tributados”. Por outro lado, de acordo, ainda, com o Termo de Verificação Fiscal acima citado, os valores recebidos das pessoas que informaram terem efetuado pagamento de honorários médicos ao contribuinte e cujos nomes não foram confirmados, por não estarem registrados nos controles mantidos pelo profissional, ora contribuinte, foram tributados como omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, de acordo com a documentação comprobatória de despesas apresentadas por estas pessoas. Dessa forma, é de se concluir que foram considerados como omissão de receitas apenas aqueles valores relativos às pessoas que apresentaram documentação de despesas efetuadas. Como se vê, o contribuinte teve a sua disposição as informações que estavam sendo trabalhadas pela fiscalização, podendo confirmálas ou não. Aquelas que não conseguiu confirmar, segundo o próprio contribuinte, foi por falta de registro nos controles mantidos, e, por conseguinte, se não ocorreram registros dessas pessoas nos controles do contribuinte, também não deve haver registro dos valores recebidos dos mesmos, donde se pode concluir, em consequência, que tais recebimentos não Fl. 1037DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 19515.001450/200561 Acórdão n.º 2101002.144 S2C1T1 Fl. 979 19 foram informados nas Declarações de Ajuste Anual, dos respectivos anoscalendário de 2000, 2001 e 2002. Logo, falecem de sustentação jurídica as alegações apresentadas pelo contribuinte quanto à inconsistência dos dados utilizados pela fiscalização para efetuar o lançamento, porquanto, foram fundamentados em documentação comprobatória de despesas apresentada pelos usuários dos serviços médicos relativos ao profissional Miguel Srougi. Pedido de diligência Os argumentos da seção anterior demonstram que os dados que embasaram o lançamento são bastante consistentes, sendo desnecessária a realização de qualquer perícia para averiguar sua procedência, pelo que se indefere o pedido de diligência nesse sentido. Conclusão Diante do exposto, voto por indeferir o pedido de diligência, rejeitar as preliminares de nulidade arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 1038DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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Numero do processo: 11070.001759/2009-49
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA.
Existe concomitância quando no processo administrativo se discutir o mesmo objeto da ação judicial, hipótese em que a autoridade administrativa julgadora não deve conhecer o mérito do litígio, nos termos da Súmula CARF n.º 1.
Numero da decisão: 3803-003.676
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Lirani - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Souza, Jorge Victor Rodrigues e João Alfredo Eduão Ferreira.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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CONCOMITÂNCIA. Existe concomitância quando no processo administrativo se discutir o mesmo objeto da ação judicial, hipótese em que a autoridade administrativa julgadora não deve conhecer o mérito do litígio, nos termos da Súmula CARF n.º 1. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente (assinado digitalmente) Juliano Lirani Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Souza, Jorge Victor Rodrigues e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o indeferimento do Pedido de Ressarcimento e de Declaração de Compensação em relação a crédito de COFINS referente ao segundo trimestre/2007. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 00 17 59 /2 00 9- 49 Fl. 310DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por ALEXANDRE KERN 2 As fls. 229/230 sobreveio Despacho Decisório, por meio do qual o pleito foi indeferido com fundamento de ausência de previsão legal para o creditamento, uma vez que os créditos nas operações com substituição tributária no regime de tributação da não cumulatividade é vedado pelo art. 30, inciso I, alínea “a” da Lei n.º 10.833/2003. Assim, para os julgadores “a quo”, embora o art. 17 da Lei n.º 11.033/2004 tenha autorizado créditos em relação a vendas realizadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência do PIS e COFINS, por outro lado o art. 16 da Lei n.º 11.116/2005 ditou a regra de que a apuração dos créditos, nos termos do art. 17 da Lei n.º 11.033/2004, necessariamente precisam seguir a regra do art. 3º das Leis n.sº 10.637/2002 e 10.833/2003, razão pela qual há vedação do creditamento quando o produto adquirido estiver sob regime de substituição tributária e cuja saída esteja com suspensão das contribuições. Irresignado com a decisão, apresentou Manifestação de Inconformidade às fls. 232/233, sob os seguintes argumentos: · Em se tratando do regime da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, se apura o crédito em razão da aquisição de insumos e bens para revenda, por meio da aplicação das alíquotas das contribuições sobre os valores de aquisição destes bens. Neste mesmo sentido, apura o débito mediante a aplicação das alíquotas das contribuições sobre o valor de venda das mercadorias que produz ou revende; · Com a edição da Medida Provisória n° 206/2004, art. 16, atualmente artigo art. 17 da Lei n° 11.033/04, os contribuintes cujas operações de venda são isentas, não tributadas, tributadas com alíquota zero, ou com suspensão, tem direito a manutenção dos créditos de PIS e COFINS decorrente da aquisição de insumos; · Alertou que o regime não cumulativo do PIS e a COFINS não é idêntico ao previsto para o IPI e ICMS, onde lá a sistemática de apuração daqueles tributos é feita pela técnica imposto contra imposto, onde o imposto pago na operação anterior serve para ser abatido do imposto gerado na operação presente; · Na não cumulatividade do PIS e da COFINS, não se perquire se houve ou não tributação da etapa anterior para fins de direito de crédito. Além do que deve ser observado o § 12 do art. 195 da CF, o qual prevê que as contribuições em exame serão não cumulativas, sem qualquer restrição ao creditamento. Às fls. 245/246 a DRJ de Porto Alegre proferiu o Acórdão n.º 1035.3612ª Turma, com o seguinte teor: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 INCONSTITUCIONALIDADE. LEGISLAÇÃO REGULARMENTE EDITADA. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos normativos, bem como a legislação Fl. 311DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11070.001759/200949 Acórdão n.º 3803003.676 S3TE03 Fl. 249 3 regularmente editada goza de presunção de constitucionalidade e de legalidade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL — COFINS Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA. PRODUTOS. AQUISIÇÃO. DISTRIBUIDOR/COMERCIANTE. REVENDA. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. VEDAÇÃO LEGAL. No regime da nãocumulatividade da COFINS, a aquisição de produtos sujeitos à tributação concentrada não gera créditos para o comerciante na revenda/distribuição dos mesmos por expressa vedação legal, não se aplicando A hipótese a disposição contida no art. 17 da Lei n° 11.033, de 2004. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Com efeito, a DRJ manifestouse pelo indeferimento do pedido com fundamento na impossibilidade do reconhecimento, na esfera administrativa, da inconstitucionalidade do art. 30, inciso I, alínea “a” da Lei n.º 10.833/2003, que vedou a apuração de créditos em relação à operações sujeitas a substituição tributária. A DRJ ainda utilizou como argumento para indeferir o pleito, o fato de que não consta no contrato social da empresa a atividade de industrialização de qualquer dos bens objetos do pedido. Apontou ainda que as aquisições para as quais a empresa requer os créditos para o PIS e COFINS estão relacionadas no artigo 43 da Medida Provisória n° 2158 35 de 24 de agosto/2001 e na Lei n° 10.485/2.002, que por sua vez estão sujeitos aos regimes de substituição tributária e tributação monofásica respectivamente. Em outras palavras, entende a DRJ que as vendas realizadas pelo Recorrente, que por sua vez é comerciantes, fica desonerada da incidência das contribuições, já que diante da substituição tributária a obrigação pelo pagamento do tributo, se dá em relação as operações praticadas pelos fabricantes ou importadores. Deste modo, o art. 1° da Lei n° 10.485/2002 reduziu para zero as alíquotas das contribuições em relação à receita bruta auferida por comerciante, com a venda dos produtos para os quais se desejam os créditos e por esse motivo o creditamente é indevido. Os julgadores de primeiro grau, adotaram ainda a tese em relação a inexistência de direito aos créditos, ainda que o art. 17 da Lei n.º 11.033/2004 tenha dito caber créditos para as vendas realizadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência das contribuições, uma vez que o art. 16 da Lei n.º 11.116/2005 determina que a sua apuração segue a regra disposta no art. 3º das Leis n.sº 10.637/2002 e 10.833/2003, que por sua vez proíbem créditos em relação as operações com substituição tributária. Fl. 312DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por ALEXANDRE KERN 4 Inconformado com a decisão da DRJ, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário e basicamente repetiu seus argumentos já trazidos na Manifestação de Inconformidade e reforçou o seu direito aos créditos com fundamento no art. 17 da Lei n.º 11.033/2004, bem como no art. 195 da Constituição Federal, sob o argumento de que a norma constitucional não impôs qualquer restrição aos créditos. Por fim, requer que seu recurso seja conhecido e ao final que o seu direito creditório seja reconhecido. Em que pese a DRJ ter ingressado ao mérito e negado o pedido, cumpre informar que o Recorrente optou por discutir a matéria no Poder Judiciário, conforme citado às fl. 02. É o relatório. Voto Conselheiro Juliano Lirani O Recurso Voluntário é tempestivo e merece ser conhecido. Conforme se observa do contrato social, a Recorrente tem por objeto a revenda de máquinas agrícolas e a distribuição de peças, sendo que adquire os produtos das indústrias para posterior distribuição. Cumpre informar que estes produtos são vendidos sem a incidência do PIS e COFINS. O cerne da questão está em se apurar se há créditos em relação as vendas de produtos com suspensão do pagamento das contribuições, quando a lei estabelece o regime de substituição tributária. Alega o Recorrente que embora as vendas das máquinas e peças agrícolas estejam com a suspensão do pagamento do PIS e COFINS, ainda assim o art. 17 da Lei n.º 11.033/2004 confere o direito creditório e por essa razão tornase pertinente reproduzir a redação desta norma: Lei n.º 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Em que pese a discussão de mérito, analisando os autos, constatei que a matéria aventada no presente Recurso Voluntário está sendo tratada na esfera judicial, conforme mencionado às fl. 02, tendo por objeto igual pretensão pleiteada administrativamente, qual seja, crédito referente ao PIS e CONFINS. Reputase idênticas 2 (duas) ações que possuam as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo pedido, como determinam os §§ 1º e 2º do art. 301, do CPC: Art. 301: “§ 1º Verificase a litispendência ou a coisa julgada, quando se reproduz ação anteriormente ajuizada. Fl. 313DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11070.001759/200949 Acórdão n.º 3803003.676 S3TE03 Fl. 250 5 § 2º Uma ação é idêntica à outra quando tem as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo pedido.” Sobre a litispendência, leciona Nelson Nery Junior: “Ocorre a litispendência quando se reproduz ação idêntica a outra que já está em curso. As ações são idênticas quanto têm os mesmos elementos, ou seja, quando têm as mesmas partes, a mesma causa de pedir (próxima e remota) e o mesmo pedido (mediato e imediato). A citação válida é que determina o momento em que ocorre a litispendência (CPC 219 caput). Como a primeira já fora anteriormente ajuizada, a segunda ação, onde se verificou a litispendência, não poderá prosseguir, devendo ser extinto o processo sem julgamento do mérito (CPC 267 V).” (Código de Processo Civil Comentado, 6ª edição, RT, p. 655). Deste modo, optando a Recorrente pela via judicial ocasiona impedimento da manifestação do CARF a respeito na matéria em razão da concomitância verificada. Assim, aplicase a Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso quanto à matéria apreciada pelo Poder Judiciário. (assinado digitalmente) Juliano Lirani Relator Fl. 314DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 23034.000228/2005-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/1995 a 31/12/2003
Ementa:
SALÁRIO EDUCAÇÃO
A contribuição social do salário-educação obedecerá os mesmos prazos, condições e outras normas relativas às contribuições sociais, ressalvada a competência especial do FNDE sobre a matéria. De acordo com Resoluções do FNDE, as empresas optantes do Sistema de Manutenção de Ensino Fundamental (SME) devem demonstrar as despesas efetuadas com a manutenção do ensino, sendo obrigatório na modalidade Indenização por Dependente a declaração emitida pelo estabelecimento de ensino, quanto à frequência do beneficiário e a quitação das mensalidades, confirmando os dados prestados pelo segurado empregado.
A falta de comprovação na forma especificada pelo FNDE das despesas efetuadas, sujeita a empresa à glosa dos valores deduzidos.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-002.401
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz divergiu por entender que a obrigação de apresentar declaração emitida pelo estabelecimento de ensino imposta por Resolução, não pode ser exigida do contribuinte por não constar, tal obrigação, do Decreto regulamentador.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luis Marsico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Adriana Sato.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/1995 a 31/12/2003 Ementa: SALÁRIO EDUCAÇÃO A contribuição social do salário-educação obedecerá os mesmos prazos, condições e outras normas relativas às contribuições sociais, ressalvada a competência especial do FNDE sobre a matéria. De acordo com Resoluções do FNDE, as empresas optantes do Sistema de Manutenção de Ensino Fundamental (SME) devem demonstrar as despesas efetuadas com a manutenção do ensino, sendo obrigatório na modalidade Indenização por Dependente a declaração emitida pelo estabelecimento de ensino, quanto à frequência do beneficiário e a quitação das mensalidades, confirmando os dados prestados pelo segurado empregado. A falta de comprovação na forma especificada pelo FNDE das despesas efetuadas, sujeita a empresa à glosa dos valores deduzidos. Recurso Voluntário Negado
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De acordo com Resoluções do FNDE, as empresas optantes do Sistema de Manutenção de Ensino Fundamental (SME) devem demonstrar as despesas efetuadas com a manutenção do ensino, sendo obrigatório na modalidade “Indenização por Dependente” a declaração emitida pelo estabelecimento de ensino, quanto à frequência do beneficiário e a quitação das mensalidades, confirmando os dados prestados pelo segurado empregado. A falta de comprovação na forma especificada pelo FNDE das despesas efetuadas, sujeita a empresa à glosa dos valores deduzidos. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz divergiu por entender que a obrigação de apresentar declaração emitida pelo estabelecimento de ensino imposta por Resolução, não pode ser exigida do contribuinte por não constar, tal obrigação, do Decreto regulamentador. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 23 03 4. 00 02 28 /2 00 5- 21 Fl. 195DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luis Marsico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Adriana Sato. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 23034.000228/200521 Acórdão n.º 2302002.401 S2C3T2 Fl. 195 3 Relatório O presente processo referese à Notificação para Recolhimento de Débito – NRD, lavrada pelo Ministério da Educação em 08/12/2005 e cientificada ao sujeito passivo em 16/12/2005, referente às contribuições devidas ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação. De acordo com o constante da Informação n.º 109/2005 – SETAD/COARC/CGEOF/DIFIN/FNDE/MEC, fls. 66 dos autos, o contribuinte sofreu inspeção dos técnicos da Coordenação Geral de Arrecadação de Cobrança e Inspeção – CGAGI, fls. 01/34, onde foi apurado débito de salárioeducação nas competências 07/1995 a 12/2003, relativamente a deduções indevidas. A entidade apresentou defesa tempestiva alegando a nulidade do procedimento de inspeção e da Notificação por falta de fundamentação legal que sustente a obrigatoriedade da apresentação de declaração de freqüência escolar dos beneficiários para que se efetive as deduções dos valores pagos aos funcionários. Aduz que cumpriu todos os requisitos exigíveis na legislação vigente e argúi a decadência qüinqüenal. Com e edição da Lei n.º 11.457, de 16/03/2007, o FNDE transferiu o processo para a Secretaria da Receita Federal do Brasil, o qual foi julgado em primeira instância pela DRJ/RFB de Belo Horizonte/MG, que pugnou pela procedência em parte do lançamento, para aplicar o artigo 150,§ 4º do Código Tributário Nacional e excluir da notificação as competências até 11/2000, inclusive. Ainda inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, onde alega em síntese: a) a nulidade do lançamento porque não há legislação que exija a apresentação de “comprovação de freqüência dos beneficiários por meio de declaração escolar”; b) que procedeu a todos os recolhimentos de forma regular; c) que inexistem valores recolhidos a menor , porque as deduções são válidas; d) que a regra transcrita no Acórdão recorrido quanto à obrigatoriedade da apresentação de declaração do estabelecimento de ensino é para o empregado segurado e não para o contribuinte; e) que o contribuinte não paga o estabelecimento de ensino, apenas indeniza o segurado com os valores despendidos para o pagamento das mensalidades de seus dependentes; Fl. 197DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 f) que não existe na legislação penalidade a ser imposta caso não apresente as declarações; g) que a única possibilidade de glosa das deduções efetuadas é o descumprimento do requisito constante no artigo 10,II, das Resoluções FNDE n.ºs. 03/2000, 02/2001 e 02/2002, o que não se configurou no caso presente. Requer o provimento do recurso, a reforma da decisão e a anulação integral do débito tributário. Alternativamente, requer o cancelamento da exigência quanto à competência 12/2000, já que a Resolução FNDE n.º 03/2000, somente entrou em vigor em 1º de janeiro de 2001. É o relatório. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 23034.000228/200521 Acórdão n.º 2302002.401 S2C3T2 Fl. 196 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora O recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, devendo ser conhecido. A questão trazida na peça recursal cingese à inconformidade da recorrente quanto a ter que apresentar a comprovação de frequência dos beneficiários do salário educação concedido na forma de indenização de dependente, por meio de declaração escolar, pois diz inexistir fundamentação legal para tanto. Aduz que nos fundamentos legais que sustentaram a notificação não há qualquer lei que obrigue ao procedimento, tampouco sanção para a falta de cumprimento da suposta obrigação. Entretanto, a decisão recorrida já esclareceu à recorrente que, conforme a legislação por período de regência, o Decreto n.º 3.142/99, devidamente indicado na Fundamentação Legal da NRD, ao regulamentar a contribuição social do salárioeducação, traz no seu artigo 1º, que ela obedecerá aos mesmos prazos, condições e outras normas relativas às contribuições sociais, ressalvando a competência especial do FNDE sobre a matéria. Desta forma, o FNDE possui competência para expedir atos normativos regulamentando a matéria, o que fez através da Resolução n.º 3, de 20/12/1999, Resolução n.º 3 de 18/12/2000; Resolução n.º 002, de 07/12/2001 e Resolução n.º 2, de 20/08/2002, que abrangem o período do débito lançado e não decadente. De acordo com o Código Tributário Nacional , no seu artigo 100, os atos normativos são normas complementares da leis, dos tratados, das convenções internacionais e dos decretos, in verbis: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I. os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II. as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III. as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV. os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 E a jurisprudência também já se manifestou no sentido de dar validade aos atos normativos editados por órgãos competentes da Administração Tributária, como no caso aqui tratado, acerca das Resoluções expedidas pelo Fundo Nacional para o Desenvolvimento da Educação, conforme se depreende dos seguintes julgados abaixo transcritos: “Ementa: .... As instruções normativas, editadas por órgão competente da Administração Tributária, constituem espécies jurídicas de caráter secundário, cuja validade e eficácia resultam, imediatamente, de sua estrita observância dos limites impostos pelas leis, tratados, convenções internacionais, ou decretos presidenciais, de que devem constituir normas complementares. Não se revelam, por isso mesmo, aptas a sofrerem o controle concentrado de constitucionalidade, que pressupõe o confronto ‘direto’ do ato impugnado com a Lei Fundamental. ....” (STF. AgRADI 531/DF. Rel.: Min. Celso de Mello. Tribunal Pleno. Decisão: 11/11/91. DJ de 03/04/92, p. 4.288.) “Ementa: .... II. Não é possível visualizar ameaça a direito líquido e certo quando o impetrante fixa sua insurgência no conteúdo de uma norma cuja finalidade é complementar as leis, os tratados e as convenções internacionais e decretos. Apesar de não constituir lei em sentido formal, materialmente assim é considerado o convênio, integrando o conceito de legislação tributária (art. 100, IV, CTN), revestindose de caráter genérico e abstrato, ostentando normatividade e obrigando nos limites de sua eficácia. ....” (STJ. REsp 445369/AL. Rel.: Min. José Delgado. 1ª Turma. Decisão: 06/02/03. DJ de 10/03/03, p. 109.) “Ementa: .... V. As normas complementares do Direito Tributário são de grande valia porquanto empreendem exegese uniforme a ser obedecida pelos agentes administrativos fiscais (art. 100 do CTN). ....” (STJ. REsp 460986/PR. Rel.: Min. Luiz Fux. 1ª Turma. Decisão: 06/03/03. DJ de 24/03/03, p. 151.) Destarte, de acordo com o disposto nas Resoluções editadas pelo FNDE, as empresas optantes do Sistema de Manutenção de Ensino Fundamental (SME) devem demonstrar as despesas efetuadas com a manutenção do ensino, sendo obrigatório na modalidade “Indenização por Dependente” a declaração emitida pelo estabelecimento de ensino, quanto à frequência do beneficiário e a quitação das mensalidades, confirmando os dados prestados pelo segurado empregado. Resolução n.º 3 de 18/12/2000 Art. 7º Na modalidade Indenização de Dependentes, o responsável pelo aluno beneficiário será reembolsado, semestralmente, pela respectiva empresa no valor de R$ 126,00 (cento e vinte e seis reais), obtidos pelo somatório do valor de que trata o § 2º do art. 1º desta Resolução, no respectivo semestre, mediante declaração do empregado a qual deverá conter no mínimo, as seguintes informações: I Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ e razão social da empresa com a qual o responsável mantém vínculo empregatício; Fl. 200DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 23034.000228/200521 Acórdão n.º 2302002.401 S2C3T2 Fl. 197 7 II CNPJ e razão social do estabelecimento de ensino; III que o dependente teve freqüência regular e quitou as mensalidades escolares no semestre; IV que o dependente não é beneficiário das modalidades Aquisição de Vagas ou Escola Própria ou de outros programas de bolsas de estudos de igual finalidade, financiados por órgãos públicos federais, estaduais ou municipais. § 1º A declaração firmada pelo empregado responsável pelo aluno beneficiário deverá estar acompanhada de declaração emitida pelo estabelecimento de ensino, confirmando os dados de que tratam os incisos II e III deste artigo.(grifei) Do exposto, é de se ver da obrigatoriedade da apresentação da declaração a ser emitida pelo estabelecimento de ensino onde constem os dados da instituição e as informações relativas aos dependentes dos segurados beneficiados com o reembolso do salário educação, no que concerne à frequência escolar e o pagamento das mensalidades escolares do semestre. A recorrente não fez prova de que tenha apresentado tais declarações, ao contrário, alega que não são documentos obrigatórios para a modalidade “Indenização de Dependentes”, da qual é optante, arguição que não se mostrou correta frente aos atos normativos citados e que validam a Notificação emitida. Quanto à derradeira solicitação do contribuinte para que seja excluída do lançamento a competência 12/2000, porque a Resolução n.º 3, de 18/12/2000, somente entrou em vigor a partir de 1º de janeiro de 2001, conforme dispõe seu artigo 20, tenho que não poderá ser atendida porque a Resolução n.º 3, de 20/12/1999, vigente na competência 12/2000, também trazia no seu artigo 4º, parágrafo 1º, a mesma exigência no que concerne à declaração de frequência escolar e quitação de mensalidades no semestre: Resolução n.º 3, de 20/12/1999: Art. 4º Na modalidade Indenização de Dependente, o beneficiário será reembolsado, semestralmente, da importância correspondente ao somatório dos valores da vaga vigentes no respectivo semestre, mediante declaração do empregado por ele responsável, a qual deverá conter, no mínimo, as seguintes informações: I CNPJ e razão social de empresa com a qual o responsável mantém vínculo empregatício; II CNPJ e razão social do estabelecimento de ensino; III que o dependente teve freqüência regular e quitou as mensalidades escolares no semestre; IV que o dependente não é beneficiário da modalidade EscolaPrópria ou Aquisição de Vagas ou ainda de outros programas de bolsas de estudo de igual finalidade, Fl. 201DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 financiados por órgãos públicos federais, estaduais ou municipais. § 1º A declaração firmada pelo empregado responsável pelo aluno deverá estar acompanhada de declaração emitida pelo estabelecimento de ensino, confirmando os dados de que tratam os incisos II e III. Assim, de acordo com os elementos contantes dos autos, a recorrente não comprovou, com documentos válidos e exigíveis pela legislação vigente, as despesas efetuadas pelos segurados com a manutenção do ensino, o que acarretou a glosa dos valores deduzidos a título de salárioeducação, conforme a Notificação para Recolhimento do Débito emitida. Pelo exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi, Relatora Fl. 202DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 16095.000053/2008-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 30/12/2006
Ementa: ABONO ÚNICO NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA
Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os abonos únicos, previstos em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade, conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 16/2011 da ProcuradoriaGeral
da Fazenda Nacional – PGFN PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS
A antecipação de parte da parcela referente a participação nos lucros da empresa, decorrente de exigência do Sindicato da categoria, não possui o condão de conceder natureza salarial à verba, inexistindo razão para a incidência de contribuições previdenciárias.
Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 2301-003.005
Decisão: Acordam os membros do colegiado, : I) Por maioria de votos; a) em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Redator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em dar provimento parcial ao recurso. Redator: Damião Cordeiro de Moraes
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, : I) Por maioria de votos; a) em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Redator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em dar provimento parcial ao recurso. Redator: Damião Cordeiro de Moraes Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete De Oliveira Barros Relator. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 15/10 /2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, As sinado digitalmente em 15/10/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 Damião Cordeiro de Moraes Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes Fl. 323DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 15/10 /2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, As sinado digitalmente em 15/10/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 16095.000053/200814 Acórdão n.º 2301003.005 S2C3T1 Fl. 298 3 Relatório Tratase de crédito lançado contra a empresa acima identificada, referente às contribuições sociais devidas à Terceira Entidade, FNDE. Conforme Relatório Fiscal (fls.120), o fato gerador da contribuição lançada é o pagamento de valores e verbas intituladas PLR, Abono, Alimentação, Previdência, entre outros ali listados, considerados salários indiretos pela fiscalização por terem sido concedidos, no seu entendimento, em desacordo com a legislação específica que trata de cada rubrica. A empresa notificada apresentou defesa e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 0523.250 da 81a Turma da DRJ/CPS, (fls. 246), julgou o lançamento procedente em parte, excluindo do débito, por decadência, os valores lançados até 11/2002, inclusive, em observância à regra do art. 150, § 4O, do CTN, e deixando de recorrer de ofício dessa decisão, tendo em vista que o valor exonerado não ultrapassar o limite de alçada, em conformidade com o artigo 366, do RPS, aprovado pelo Decreto n.° 3.048/99. Cientificada da decisão de primeira instância, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 262) alegando, em síntese, o que se segue. Inicialmente, discorre sobre convenções e acordos coletivos de trabalho, realçando o prestígio da participação do sindicato nas negociações coletivas, que, conforme entende, está evidenciado na Constituição Federal. Esclarece que o fisco desconsiderou os acordos sob o argumento de que os pagamentos se deram em três parcelas, isso porque o sindicato da categoria, após a realização de assembléia, exigiu parcelamento do pagamento de uma das parcelas previamente ajustada, tendo sido lavrado termo aditivo ao acordo firmado. Salienta que em momento algum restou afrontada a norma constitucional, entendendo que, pelo contrário, o procedimento adotado pelo Sindicato e executado pela recorrente beneficiou os empregados que, presumese, passavam por necessidades e/ou tinham necessidade de ter um plus de natureza não salarial, tratandose, portanto, de norma mais benéfica, lembrando o reconhecimento pela Constituição da possibilidade de se instituir vantagens adicionais aos trabalhadores, além daquelas por ela enumeradas, quer pela via legal, quer pela via contratual, como é o caso do acordo coletivo. Sustenta que a Lei 10.101/2000 é uma norma trabalhista que veio, em tese, suprir a lacuna de uma norma de eficácia contida e aplicabilidade imediata, locada no inciso XI do artigo 7° da Constituição Federal, não cabendo ao operador do direito interpretar a norma sem a observância dos princípios regentes ao direito material e processual do trabalho, ou desconstituir o acordo coletivo ao bel prazer do acaso, sob o pálio de que o acordo desrespeitou as disposições legais. Traz a doutrina e jurisprudência para reforçar suas argumentações e observa que o Legislador, por meio da Lei 10.101/00, delega responsabilidades à negociação coletiva, e Fl. 324DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 15/10 /2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, As sinado digitalmente em 15/10/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 a legislação dispõe claramente que, em caso de impasse, as partes poderão optar pela mediação e/ou partir para arbitragem de oferta final. Assevera que a atitude do fisco, no afã de aumentar a arrecadação tributária, afrontou princípios regentes tributários, uma vez que não restou observada a regra matriz tributária para ocorrência do fato gerador, ou seja, inexiste dispositivo legal, notadamente das disposições da Lei 10.101/2000, taxando que o descumprimento da norma implicará no reconhecimento de verba salarial, lembrando que o princípio da habitualidade não se aplica às disposições da lei 10.101/2000, nos precípuos termos do seu artigo 3o. Entende que não cabe a alegação de que a previsão está contida no artigo 28, § 9°, alínea "j" da Lei 8.212/1991, uma vez que as disposições deste artigo não se amoldam às disposições exigidas pelo artigo 150, inciso I da CF, norma hierarquicamente superior, bem como não desclassificam o artigo 3° da Lei 10.101/2000, onde se torna inaplicável o principio da habitualidade, razão e motivo pelo qual não cabe ao fisco proceder a conclusão de que, pela sua inobservância, a natureza é salarial. Ressalta que não há, também, na norma do tipo que preveja a sanção apontada pelo agente fiscalizador, qual seja, considerar uma verba anteriormente tida como não salarial em verba salarial, entendendo que o agente fiscalizador usurpou do direito de interpretação e integração da norma tributária e, consequentemente, infringiu o princípio da legalidade e da tipicidade tributária. Observa que em momento algum restou afrontada as disposições do § 2° do artigo 3° da Lei 10.101/2000, uma vez que os pagamentos efetuados, nos termos do acordo vigente e seus respectivos aditivos, respeitaram o calendário do ano civil, fato constatado pela fiscalização. Reafirma que não foram efetuados mais de dois pagamentos no mesmo ano civil, salientado que, para fins de esclarecimento e contagem, se compreende por ano civil "período de tempo que vai de 10 de janeiro à 31 de dezembro" . Destaca que restou, também, cumprido o período semestral, consoante consta e se vê do ano base/2006, razão e motivo pelo qual se tem que a autuação se deu de forma autoritária e arbitraria, sendo forçoso observar que os acordos jamais, em momento algum, infringiram as disposições do § 2° do artigo 3° da Lei 10.101/2000, razão e motivo pelo qual estes, também, jamais poderiam ser declarados nulos de pleno direito, nos termos do artigo 9° da CLT, quer seja por um juízo competente, nos termos do artigo 114, da CF/88, c/c artigo 625 da CLT, e/ou arbitrariamente pelo fisco. Argumenta que o fundamento propugnado no relatório da NFLD somente se fortaleceria se desconsiderar a terceira parcela, entabulada nos aditamentos aos PLR's, uma vez que este gerou, em tese, a afronta às disposições do § 2°, do artigo 3°, da Lei 10.101/2000. Em relação à verba CCT, traz um extenso arrazoado na tentativa de demonstrar que não incide contribuição previdenciária sobre os abonos previstos nos acordos e convenções coletivas de trabalho. É o relatório. Fl. 325DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 15/10 /2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, As sinado digitalmente em 15/10/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 16095.000053/200814 Acórdão n.º 2301003.005 S2C3T1 Fl. 299 5 Voto Vencido Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros O recurso é tempestivo e todos os requisitos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice para seu conhecimento. O lançamento discutido por meio do presente processo administrativo fiscal se refere apenas à contribuição devida à Terceira Entidade, FNDE, incidente sobre verbas intituladas ABONO e PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. As demais verbas pagas pela recorrente, objeto do lançamento, foram excluídas do débito pela primeira instância administrativa, com a aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4o, do CTN. Em relação ao abono, objeto do lançamento CCT, é oportuno observar que a ProcuradoriaGeral da Fazenda NacionalPGFN emitiu o Ato Declaratório nº 16/2011, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2114 /2011, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 09/12/2011, autorizando a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o abono único, previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não há incidência de contribuição previdenciária”, Diante do citado Ato, e considerando que o Decreto 70.235/72 estabelece que o disposto no caput do art. 26A não se aplica aos casos de lei ou ato normativo que fundamente crédito tributário objeto de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, e que a Lei 10.522/2002, citada no art. 26A, determina que os créditos tributários já constituídos relativos à matéria de que trata o seu artigo 19 devem ser revistos de ofício pela autoridade lançadora, entendo que devam ser excluídos do débito, por provimento, a contribuição lançada incidente sobre o pagamento da verba intitulada Abono, por não integrar o salário de contribuição, uma vez que foi objeto de acordo coletivo e pago sem habitualidade. Com relação ao PLR, verificase que a fiscalização entendeu que houve descumprimento do § 2o, do art. 3o, da Lei 10.101/00, conforme exposto no item 4.6, do Relatório Fiscal (fls.123), e justifica seu entendimento afirmando que “(...) o Acordo do PLR ano base 2004 determina o pagamento em três parcelas para todos os empregados, da seguinte forma: Abril/04 Junho/04 e Fevereiro/05 e no Ano Base 2005, da seguinte forma para todos os empregados: Março/2006 Agosto/2006 e Fevereiro/2007”. Já a recorrente sustenta que o Sindicato, após a realização da assembléia, exigiu parcelamento do pagamento de uma das parcelas previamente ajustada, tendo sido lavrado termo aditivo ao acordo firmado. O referido dispositivo legal estabelece que: Fl. 326DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 15/10 /2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, As sinado digitalmente em 15/10/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 §2o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Os pagamentos a título de PLR da empresa ocorreram em 04/2004, 06/2004, 02/2005, 03/2006 e 08/2006, conforme se verifica do DAD (fls. 13). Observase que, em 2004, houve pagamento em periodicidade inferior a um semestre civil, o que é expressamente vedado pela Lei específica que trata da matéria. Assim, entendo que, para as competências 04/2004 e 06/2004, houve descumprimento da Lei 10.101/2000, devendo os pagamentos realizados a título de PLR nas citadas competências integrar a base de cálculo da contribuição previdenciária. Em relação aos demais argumentos trazidos pela recorrente, cumpre observar que o conceito de salário de contribuição expresso no art. 28 inciso I da Lei 8.212/91 é “...a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês...” (grifei). A própria Constituição Federal, preceitua, no § 4º do art. 201, renumerado para o § 11, com a redação dada pela Emenda Constitucional nº 20/98, o seguinte: § 11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüentemente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (grifei) A condição de se tratar ou não de salário não está vinculada ao interesse da fonte pagadora em, com aquele pagamento, assalariar ou não seu empregado. Ou seja, não é o nome do pagamento ou a vontade da empresa em si que vai determinar sua natureza jurídica. O que irá afastar a verba paga a título de Participação nos Lucros e Resultados da incidência tributária é a estreita observância à legislação específica que trata da matéria. A Lei 10.101/00 estabelece os critérios para o pagamento do PRL e a Lei 8.212/91 determina que apenas não integra o salário de contribuição a participação nos lucros paga de acordo com o estabelecido na lei específica. Portanto, está claro que, para que não incida a contribuição social, a empresa deve observar o disposto na Lei 10.101/00. Esse também é o entendimento da ministra Eliana Calmon, do STJ, que se manifestou no sentido de que, para ocorrer a isenção fiscal sobre os valores pagos aos trabalhadores a título de participação nos lucros ou resultados, a empresa deverá observar a legislação específica sobre a questão. Para a ministra, ao ocorrer o descumprimento da Lei 10.101/2000, as quantias creditadas pela empresa aos empregados passa a ter natureza de remuneração, sujeitas, portanto, à incidência da contribuição previdenciária. Ressaltese que a não vinculação da participação nos lucros à remuneração não é auto aplicável, uma vez que a Constituição Federal remeteu, à lei, a função de estabelecer critérios e regras para desvincular a participação nos lucros da remuneração, o que, entendo, foi feito com muita propriedade pelo legislador, ao editar a Lei 10.101/00. Fl. 327DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 15/10 /2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, As sinado digitalmente em 15/10/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 16095.000053/200814 Acórdão n.º 2301003.005 S2C3T1 Fl. 300 7 Esse é também o entendimento da Consultoria Jurídica do MPS, conforme Parecer 1748/99 cujo trecho transcrevo a seguir: 6. A parcela denominada participação nos lucros é uma garantia constitucional nos termos do inciso XI do art. 7º, in verbis: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visam à melhoria de sua condição social: XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei. (grifei) 7. No entanto, o direito a participação dos lucros, sem vinculação à remuneração, não é auto aplicável, sendo sua eficácia limitada a edição de lei, consoante estabelece a parte final do inciso anteriormente transcrito. 8. Necessita portanto, de regulamentação para definir a forma e os critérios de pagamento da participação nos lucros, com a finalidade precípua de se evitar desvirtuamento dessa parcela. 9. A regulamentação ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 794, 29 de dezembro de 1994, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas e dá outras providências, hoje reeditada sob o nº 1.76956, de 8 de abril de 1999. 10. A partir da adoção da primeira Medida Provisória e nos seus termos, passou a ser lícito o pagamento de participação nos lucros desvinculada da remuneração, mas, destaco, a desvinculação da remuneração só ocorrerá se atender os requisitos pré estabelecidos. Da mesma forma, não é a simples previsão em acordo coletivo ou o pagamento de parcelas intituladas pelo empregador de PRL é que vai retirar a natureza salarial da verba em comento. A fiscalização lavrou a contribuição pois entendeu que o pagamento de PLR pela recorrente não atendem o disposto na Lei 10.101/00. De fato, conforme se verifica, ao pagar o PLR, em 2004, em periodicidade inferior a um semestre civil, a recorrente violou o mandamento inserido no § 2o, do art. 3o, da citada Lei. E, como a alínea “j”, do § 9º, do art. 28 da Lei 8.212/91, isenta de contribuição previdenciária apenas a participação nos lucros ou resultados da empresa quando paga ou creditada de acordo com a lei específica, no caso a Lei nº 10.101/99, a referida verba, paga pela notificada em desacordo com o mencionado diploma legal, nas competências 04/2004 e 06/2004, integra o salário de contribuição. Fl. 328DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 15/10 /2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, As sinado digitalmente em 15/10/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 8 Contudo, como esse foi o único motivo que levou a fiscalização a crer que houve descumprimento da Lei 10.101 e descaracterizar o PLR da empresa, entendo que os valores pagos pela recorrente a esse título nas competências 02/2005, 03/2006 e 08/2006 não integram a base de cálculo da contribuição previdenciária. Nesse sentido e Considerando tudo mais que dos autos consta, VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO, para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO PARCIAL, para excluir do lançamento, por provimento, os valores lançados nas competências 02/2005, 03/2006 e 08/2006. É como voto Bernadete de Oliveira Barros Relator Voto Vencedor Damião Cordeiro de Moraes A ilustre relatora sempre nos brinda com votos muito bem fundamentados, trazendo lapidares argumentos que fortalecem o debate perante este colegiado. Todavia, no tocante à Participação nos Lucros ou Resultados não posso compartilhar do mesmo entendimento, visto que não vislumbro qualquer óbice para que a empresa antecipe parte de parcela de pagamento dos valores referente à PLR a seus funcionários em período inferior a 06 (seis) meses, desde que tal parcela esteja plenamente vinculada ao instrumento coletivo avençado com o sindicato da categoria. No caso ora em apreço, os acordos coletivos firmados previam o pagamento da verba referente à PLR em 02 (duas) parcelas. Todavia, após a realização de assembléia, foi o próprio sindicato representante dos trabalhadores que exigiu o pagamento de parte das parcelas, previamente ajustadas, de forma dividida, antecipando somente porção de uma delas. Ressalto, ainda, que os acordos coletivos firmados mantiveramse intactos, não havendo a formulação de qualquer novo instrumento com o intuito de substituílos, sendo que o simples aditamento referiuse exclusivamente à fração da parcela ajustada, não inovando, em nenhum momento, em sua natureza jurídica. Ademais, considerando que os Acordos Coletivos de Trabalho demonstram a existência de um programa de participação nos lucros ou resultados na empresa, com o acompanhamento dos trabalhadores, a base procedimental trazida pelo contribuinte na distribuição dos lucros é suficiente para o cumprimento das formalidades. Outrossim, reitero que a PLR visa à disposição das estratégias organizacionais com a participação dos empregados no ambiente de trabalho, pois só será feita a distribuição dos lucros aos funcionários segundo o cumprimento de metas. O programa PLR é uma ferramenta de gestão que permite a motivação dos empregados na produtividade da empresa, proporciona a atração de melhores resultados. Fl. 329DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 15/10 /2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, As sinado digitalmente em 15/10/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 16095.000053/200814 Acórdão n.º 2301003.005 S2C3T1 Fl. 301 9 Nesse sentido, o acórdão recorrido deixou de considerar o programa de PLR da recorrente, ao único argumento de que a regra quanto à periocidade dos pagamentos deve ser clara e respeitada, visto que há uma concessão de favor fiscal ao contribuinte em detrimento da arrecadação para custeio de benefícios previdenciários. Assentou, ainda, que houve a antecipação por parte do contribuinte no pagamento dos valores referentes à participação do lucro. Ora, antecipar o pagamento de qualquer valor, principalmente em decorrência de exigências estabelecidas pelos sindicatos dos trabalhadores, não possui o condão de alterar a natureza da verba para fazer incidir o tributo. Não obstante isso, no sistema laboral pátrio, muitas vezes se faz necessário a concessão às reinvindicações sindicais, com o escopo de dar continuidade à própria atividade empresarial. O ato de antecipação de parte de uma parcela somente ocorreu para salvaguardar a atividade da empresa, acatando os ensejos do órgão representativo do trabalhador, assim, não me parece crível onerar o contribuinte que se limitou a atender os anseios de seus próprios empregados, incentivandoos em sua atividade laboral. Urge ressaltar que a regulamentação normativa tem o escopo de proteger o trabalhador, para que sua participação nos lucros se efetive. Assim, podese concluir que os documentos trazidos aos autos indicam que houve uma negociação prévia entre as partes, os quais possuem o condão de retificar a autuação fiscal. O Augusto Tribunal Superior do Trabalho, a quem compete a última palavra sobre ser qualquer verba paga ao empregado de natureza salarial ou não, ao analisar caso em o empregado pretendia a integração salarial dos valores pagos a título de salário, sotrancou o entendimento de que, ainda que pago mensalmente, a PLR não possui natureza salarial, conforme ementa abaixo: I RECURSO DE REVISTA DA RECLAMADA PARCELAS PAGAS COM HABITUALIDADE HORAS NOTURNAS O Recurso de Revista não comporta conhecimento, a teor do artigo 896 da CLT. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS NATUREZA JURÍDICA PARCELAMENTO PREVISTO EM NORMA COLETIVA A cláusula que institui verba indenizatória e estipula o seu pagamento parcelado consubstancia exercício válido da prerrogativa conferida pela Constituição a trabalhadores e empregadores, com o fim de estabelecer as normas aplicáveis às suas relações, visando à melhoria de condições e composição de conflitos. O acordo coletivo é instrumento hábil à concretização do direito previsto no artigo 7º, XI, da Carta Magna. Precedente da SBDI1. Recurso de Revista parcialmente conhecido e provido. II RECURSO DE REVISTA DO RECLAMANTE HORAS EXTRAS ADICIONAL NOTURNO REFLEXOS NO DSR NORMA COLETIVA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS SUPRESSÃO SALARIAL O Recurso de Revista não comporta conhecimento, a teor do artigo 896 da CLT. Recurso de Revista não conhecido. ( RR 4800089.2005.5.15.0009 , Relatora Ministra: Maria Cristina Irigoyen Peduzzi, Data de Julgamento: 18/08/2010, 8ª Turma, Data de Publicação: 20/08/2010) Fl. 330DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 15/10 /2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, As sinado digitalmente em 15/10/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 10 Outrossim, especial destaque merece o voto da Eminente Ministra Maria Cristina Irigoyen Peduzzi, que foi lapidar ao destrinçar o tema: “A questão relativa ao pagamento da participação nos lucros deve ser decidida à luz dos princípios constitucionais da autonomia coletiva e da valorização da negociação coletiva, insculpidos nos artigos 7º, XXVI, e 8º da Constituição. De fato, a cláusula que institui a verba indenizatória e estipula o seu pagamento parcelado consubstancia exercício válido da prerrogativa conferida pela Constituição a trabalhadores e empregadores, com o fim de estabelecer as normas aplicáveis às suas relações, visando à melhoria de condições e composição de conflitos. Notese que o acordo coletivo é instrumento hábil à concretização do direito previsto no artigo 7º, XI, da Carta Magna. Ora, a legislação ordinária não pode ser interpretada de forma a restringir o exercício das garantias/direitos insertos na Constituição, mas, ao revés, deve ser com ela interpretada de forma harmônica e sistemática. A lei, repitase, não pode sobreporse à Constituição. Não há como se desprestigiar a negociação coletiva em comento, que, em atenção às necessidades peculiares da categoria, estabeleceu o pagamento de parcela constitucionalmente desvinculada da remuneração, ainda que de forma diversa da prevista na legislação ordinária.” Diante desses elementos, deve ser provido o recurso, com a invalidação da exação lançada sobre a distribuição dos lucros ou resultados para os empregados da recorrente. No tocante ao abono, entendo que o voto da relatora foi pontual, não necessitando maiores considerações, visto que o mesmo foi pago em conformidade com as Convenções Coletivas apresentadas, e sem qualquer habitualidade, de forma que entendo não haver base de cálculo para a incidência. CONCLUSÃO Diante do exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO, para afastar a incidência da contribuição sobre os valores pagos a título de PLR e abono, exonerando o crédito em questão em sua totalidade. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Redator designado Fl. 331DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 15/10 /2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, As sinado digitalmente em 15/10/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 11610.008486/2006-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2003 INCENTIVOS FISCAIS. PERC. PROVA DE REGULARIDADE FISCAL. Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo (Súmula CARF nº 37). MOMENTO DA COMPROVAÇÃO. Considerando que o Extrato de Aplicação em Incentivos Fiscais não individualiza as pendências que ensejaram a sua emissão, deve ser reconhecido o direito ao incentivo se demonstrada a regularidade fiscal à época da apreciação do PERC. INDÍCIOS DA EXISTÊNCIA DE DÉBITOS. APRESENTAÇÃO DE CERTIDÃO POSTERIOR. Ausente prova de que os débitos controlados em processos fiscais referem-se ao período de apuração a que se refere a declaração de rendimentos, e estavam exigíveis à época da emissão do Extrato de Aplicação em Incentivos Fiscais, prevalece a regularidade fiscal estampada em certidão apresentada durante o contencioso administrativo.
Numero da decisão: 1101-000.741
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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PERC. PROVA DE REGULARIDADE FISCAL. Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo (Súmula CARF nº 37). MOMENTO DA COMPROVAÇÃO. Considerando que o Extrato de Aplicação em Incentivos Fiscais não individualiza as pendências que ensejaram a sua emissão, deve ser reconhecido o direito ao incentivo se demonstrada a regularidade fiscal à época da apreciação do PERC. INDÍCIOS DA EXISTÊNCIA DE DÉBITOS. APRESENTAÇÃO DE CERTIDÃO POSTERIOR. Ausente prova de que os débitos controlados em processos fiscais referemse ao período de apuração a que se refere a declaração de rendimentos, e estavam exigíveis à época da emissão do Extrato de Aplicação em Incentivos Fiscais, prevalece a regularidade fiscal estampada em certidão apresentada durante o contencioso administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Fl. 209DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11610.008486/200666 Acórdão n.º 110100.741 S1C1T1 Fl. 181 2 VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, João Carlos de Figueiredo Neto e Antônio Lisboa Cardoso. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Ricardo da Silva e Nara Cristina Takeda Taga. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11610.008486/200666 Acórdão n.º 110100.741 S1C1T1 Fl. 182 3 Relatório BANCO ITAÚ BBA S/A (incorporadora de BBA Creditanstalt Finanças e Representações Ltda), já qualificado nos autos, recorre de decisão proferida pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São PauloI que, por maioria de votos, INDEFERIU manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que rejeitou Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivo – PERC relativo ao ano calendário de 2003. O Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais de fl. 03, emitido em 07/06/2006, indica que a aplicação feita pelo CNPJ nº 71.688.659/000120, no âmbito do FINOR, para o anocalendário 2003, não foi acolhida como incentivo, em razão da ocorrência 11 – CONTRIBUINTE COM DÉBITOS DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS (ART. 60 DA LEI 9069/95). O referido extrato também aponta que houve 100% de pagamento do imposto informado na declaração daquele anocalendário. O PERC foi apresentado em 14/09/2006, sob a razão social de BBA Creditanstalt Finanças e Representações Ltda, acompanhado de prova de demonstrativos dos recolhimentos/antecipações pertinentes ao IRPJ devido no anocalendário 2003, de instrumentos de procuração e de atos representativos da extinção da BBA Creditanstalt Finanças e Representações Ltda, por incorporação pelo Banco Itaú BBA S/A (fls. 04/56). Informações extraídas dos sistemas da Receita Federal confirmam a extinção por incorporação em 31/12/2004. Em consulta aos sistemas informatizados da Receita Federal, constatouse as seguintes ocorrências vinculadas à opção por incentivo fiscal aqui tratada: C/ PENDÊNCIA DE DÉB. NO SIEF COBRANÇA, OMISSO DCTF/DIPJ/DIRF/DITR, C/ PROC. FISCAL COBR. FINAL NO PROFISC (fl. 67). Identificouse, também, registros da incorporadora junto ao Cadastro de Inadimplentes CADIN, desde 14/02/2003, na condição Passível de Inadimplência, relativamente aos processos nº 10680.002202/200399 (R$ 1.462.527,10), 10680.002473/200344 (R$ 459.810,86), conforme fls. 76/77. Às fls. 78/79 estão consolidados débitos da incorporadora com exigibilidade suspensa e em cobrança, e às fls. 80/107 o detalhamento da situação fiscal da incorporadora, extraído de informações de apoio para emissão de certidão, em 22/10/2007. Seguemse Certidão Positiva com Efeitos de Negativa de Débitos Relativos às Contribuições Previdenciárias e às de Terceiros (emitida em 05/07/2007) e Situação de Regularidade do Empregador (consultada em 22/10/2007), relativas à incorporadora inscrita sob CNPJ no 17.298.092/000130. No Despacho Decisório de fls. 110/113, a autoridade administrativa reputa tempestivo o pedido de revisão, mas em razão das consultas ao CADIN/SISBACEN e os registros de regularidade mantidos pela Secretaria da Receita Federal/PGFN, INSS, CEF/FGTS, conclui que a interessada está, também nesta data, em situação irregular junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil/PGFN, como se verifica a fls. 79 a 107 deste processo, indicando que constam débitos da interessada inscritos em Divida Ativa da União, débitos em Fl. 211DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11610.008486/200666 Acórdão n.º 110100.741 S1C1T1 Fl. 183 4 cobrança no PROFISC, e está inscrita no CADIN como passível de inadimplência, fls.76/77, fatos estes que a estão impedindo de comprovar quitação de tributos e contribuições federais, com o que fica materializada a vedação exteriorizada no extrato questionado, bem como no art. 6o, inciso II da Lei nº 10.522/2002. Em sua manifestação de inconformidade, a interessada afirmou que todos os alegados débitos apontados pela autoridade julgadora, foram devidamente justificados pelo Recorrente, o que possibilitou a emissão da Certidão Conjunta Positiva com Efeitos de Negativa de Débitos Relativos a Tributos Federais e à Dívida Ativa da União (doc. 04), cujos efeitos são os mesmos da Certidão Negativa, a teor dos artigos 205 e 206 do CTN. A Certidão foi liberada em razão de todas as inscrições de responsabilidade do Recorrente estarem com exigibilidade suspensa em função de parcelamento, depósito ou decisão judicial, conforme anotado pela autoridade administrativa no próprio documento expedido. Acrescentou, ainda, que no tocante à inscrição no CADIN, de acordo com os relatórios obtidos no SISBACEN (doc. 05), na data em que foi proferido o despacho decisório (22.10.2007), o Recorrente não constava na relação de inadimplentes. No voto condutor da decisão recorrida, a autoridade julgadora de 1a instância invocou o art. 10 da Instrução Normativa RFB nº 734/2007, que veda a exigência de certidão conjunta da RFB e PGFN na hipótese de concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, impondo a verificação de regularidade fiscal do sujeito passivo à unidade da RFB encarregada da análise do pedido, para apreciar a situação dos débitos indicados pela autoridade preparadora, e assim constatar que: No que concerne às 15 inscrições em cobrança na PGFN (inscrições nºs 6049800004090, 8020502975944, 8020502976088, 8040500017304, 8060504125580, 8060504125661, 8070501273209, 8060504125742, 8020600034109, 8060600151015, 8060409578107, 8060405696830, 8060618114596, 8020400483201, 8060400564499 fls. 89, 91, 94 e 96) cumpre notar que nenhuma informação adicional foi acostada aos autos a não ser a informação no campo denominado "Observações PGFN", ao final da Certidão cuja cópia encontrase às fls. 135, de que "A contribuinte é responsável por quinze inscrições, uma delas suspensa por parcelamento e outras catorze por depósito e decisões judiciais". [Nota as inscrições 8060409578107 (fls. 91/94) e 8060618114596 (fl. 94) aparecem duas vezes na listagem]. 8.1. Entendo que a informação aposta na certidão pela própria PGFN não é suficiente para comprovar a situação de suspensão da exigibilidade dos créditos tributários atrelados às referidas inscrições na data em que o PERC foi apreciado, posto que a certidão foi emitida em 19/11/2007, posteriormente à data em que o Despacho decisório foi proferido (22/10/2007). 9. Conforme já consignado no parágrafo "6.3.2" deste voto, os débitos atinentes aos processos em cobrança PROFISC (fls. 85/86 e 97) continuam pendentes de comprovação quanto à sua suspensão de exigibilidade e/ou quitação na data em que o despacho fora proferido. 9. A vista da documentação apresentada, não haveria como a autoridade fiscal concluir pela inexistência de débito em aberto, por ocasião da lavratura do despacho decisório. Deste modo, considerase que a contribuinte incidiu na vedação prevista no art. 60 da Lei n° 9.069/95, de forma que o indeferimento de sua pretensão foi correto. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11610.008486/200666 Acórdão n.º 110100.741 S1C1T1 Fl. 184 5 Um dos julgadores da Turma divergiu deste entendimento, por vislumbrar que o benefício fiscal em tela tem como característica a periodicidade e, em cada vez em que for solicitada sua concessão, deverá ser avaliada sua situação em relação à quitação de tributos e contribuições federais. Assim, a verificação da regularidade da quitação de tributos e contribuições federais deve ser feita para a concessão, no momento do processamento da declaração, de modo que contribuições na mesma situação tenham suas opções analisadas sob requisitos semelhantes. Caberia ao contribuinte provar que na data da concessão, estava quite em relação aos tributos e contribuições federais, bem como caberia à Administração Tributária explicitar os débitos em aberto que impedem a concessão. Considerando que o extrato não explicita os débitos pendentes, e que o despacho decisório teve em conta débitos posteriores à opção e ao processamento da DIRPJ/2004, concluiu pelo deferimento da solicitação do contribuinte, para que o PERC seja analisado, buscando considerar os dados e as informações utilizadas para indeferir a opção pelo contribuinte na DIRPJ/2004, aclarando, inicialmente, quais os débitos prejudiciais à concessão, na data do processamento da declaração. Cientificada da decisão de primeira instância em 04/02/2009 (fl. 157), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 18/02/2009 (fls. 158/162), no qual alega que os dispositivos legais invocados no despacho decisório não trazem nenhum indicativo do momento em que a quitação de tributos e contribuições sociais deve ser comprovada. Invoca jurisprudência do CARF, para afirmar que a intenção do legislador não foi a de impedir a liberação de incentivos fiscais a qualquer tempo, e argumenta que se o julgador tivesse analisado este processo na fase de situação cadastral regular teria deferido o incentivo, no entanto, em poucos dias depois, em face da mudança da situação cadastral para irregular, indeferiuo. Aduz que sua situação fiscal oscila entre regular e irregular pois, inúmeras vezes o Recorrente, embora tenha pago o tributo (por DARF, por compensação demonstrada à Receita Federal) ou tenha obtido suspensão de exigibilidade (em decisão liminar, por depósito judicial), em razão de falhas no cadastro do sistema do Fisco se vê impedido de obter certidões negativas ou recebe cobranças desses supostos débitos, por isso, é obrigado a requerer a baixa do débito inexistente ao próprio órgão administrativo ou buscar tutela judicial para tanto (o que, digase, acarreta custo, desgaste etc.). Anexa nova Certidão Conjunta Positiva com Efeitos de Negativa de Débitos Relativos a Tributos Federais e à Dívida Ativa da União, válida até 11.08.2009. Pede, assim, que seja deferido o PERC em questão. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11610.008486/200666 Acórdão n.º 110100.741 S1C1T1 Fl. 185 6 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Esta Relatora assim se manifestou ao interpretar a Súmula CARF nº 37 nos autos do processo administrativo nº 10768.009469/200266, em Acórdão formalizado sob nº 110100.315: A solução do litígio presente nestes autos deve se orientar pelo entendimento já pacificado em Súmula do CARF: Súmula CARF nº 37: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. Da leitura deste enunciado, extraise de sua primeira parte que a aplicação em incentivos fiscais somente deixará de ser admitida se a contribuinte apresentar débitos relativos ao período de apuração abrangido pela DIPJ na qual formalizou sua opção. Já relativamente à segunda parte, não resta claro se, para ter direito ao incentivo, o interessado pode apresentar a prova da quitação daqueles débitos em qualquer momento do processo administrativo, ou se a própria quitação é admitida até o final do processo administrativo. Notase na jurisprudência administrativa a interpretação de que o art. 60 da Lei nº 9.069/95 não tinha por objetivo vedar a fruição de incentivo por quem estivesse em débito para com a Fazenda Nacional em relação a tributos ou contribuições federais, mas sim impor a quitação de tais débitos como condição para reconhecimento do benefício. O referido dispositivo legal está assim redigido: Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. (grifouse) Destes termos, porém, também é possível extrair que será valido o ato administrativo que deixar de conceder ou reconhecer o incentivo fiscal porque provada a existência de tributos e contribuições federais não quitados pelo interessado, cumprindo a este, no curso do processo administrativo, desconstituir aquela prova, e não desfazer a situação por ela demonstrada. Vejase, inclusive, que várias ementas de julgados anteriores à edição da referida súmula admitem a aplicação em incentivos fiscais se apresentada certidão negativa, ou positiva com efeitos de negativa, até a data de protocolo do PERC, ou de sua apreciação: INCENTIVOS FISCAIS PERC REGULARIDADE FISCAL. MOMENTO DA COMPROVAÇÃO. CERTIDÃO DE REGULARIDADE FISCAL. Não deve persistir o indeferimento do PERC quando o contribuinte comprova sua regularidade Fl. 214DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11610.008486/200666 Acórdão n.º 110100.741 S1C1T1 Fl. 186 7 fiscal através de certidões negativas ou positivas com efeitos de negativa dentro do prazo de validade, no momento do despacho denegatório do seu pleito. É ilegal o indeferimento de PERC em razão de débitos posteriores ao exercício da opção pela aplicação nos Fundos de Investimento. (Acórdão 10809808, Sessão de 18/12/2008) INCENTIVOS FISCAIS "PERC" COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL A comprovação da regularidade fiscal deve se reportar à data da opção do benefício, pelo contribuinte, com a entrega da declaração de rendimentos. Comprovada a regularidade fiscal ou não logrando a administração tributária comprovar irregularidades que se reportem ao momento da opção pelo benefício, deve ser deferida a apreciação do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais PERC. (Acórdão 19500079, Sessão de 09/12/2008) INCENTIVOS FISCAIS PERC – REGULARIDADE FISCAL. MOMENTO DA COMPROVAÇÃO. CERTIDÃO DE REGULARIDADE FISCAL. Não deve persistir o indeferimento do PERC quando o contribuinte comprova sua regularidade fiscal através de certidões negativas ou positivas com efeitos de negativa dentro do prazo de validade, no momento do despacho denegatório do seu pleito. É ilegal o indeferimento de PERC em razão de débitos posteriores ao exercício da opção pela aplicação nos Fundos de Investimento.(Acórdão 10709323, Sessão de 06/03/2008) PERC. DEMONSTRAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL. A apresentação, por ocasião do protocolo do PERC, de Certidão Negativa com Efeito de Positiva faz prova da regularidade fiscal em relação à quitação dos tributos e contribuições federais. Débitos fiscais posteriores não justificam o indeferimento do pedido. (Acórdão 10709202, Sessão de 18/10/2007) INCENTIVOS FISCAIS – PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS – PERC – não deve prevalecer o indeferimento do PERC, quando o contribuinte comprova sua regularidade fiscal com a indicação de existência de certidão negativa dentro do prazo de validade, no momento do despacho denegatório de seu pleito. PERC – MOMENTO DE COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE o momento em que deve ser comprovada a regularidade fiscal, pelo sujeito passivo, com vistas ao gozo do benefício fiscal é a data da apresentação da DIRPJ, na qual foi manifestada a opção pela aplicação nos Fundos de Investimentos correspondentes. (Acórdão 10196213 (Sessão de 14/06/2007) Relevante anotar, ainda, que a ênfase dada à prova por meio de certidão de regularidade fiscal durante o procedimento de análise do PERC decorre do fato de o Extrato de Aplicação em Incentivos Fiscais indicar a existência de pendências fiscais em face do interessado, mas não discriminálas, permitindo a desconstituição desta acusação por meio da apresentação de Certidões Negativas, ou Positiva com Efeitos de Negativa, mesmo que emitidas posteriormente. Firmadas, assim, as interpretações vislumbradas a partir da Súmula CARF nº 37, importa analisar os fatos presentes nestes autos. No presente caso, o primeiro corte a ser feito diz respeito aos valores eventualmente devidos pela incorporadora da pessoa jurídica que fez a opção pelo incentivo em 2003. A incorporação somente ocorreu em 31/12/2004, de modo que eventuais débitos da incorporadora, ou de outras pessoas jurídicas por ela incorporadas, não podem ser óbice à concessão do incentivo, ainda que pertinentes ao anocalendário de 2003. Tal premissa é suficiente para desmerecer as indicações de que o CNPJ da incorporadora estaria indicado no CADIN por conta de débitos que teriam passado a esta Fl. 215DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11610.008486/200666 Acórdão n.º 110100.741 S1C1T1 Fl. 187 8 situação em 14/02/2003, quando a contribuinte optante ainda estava ativa, antes da incorporação ocorrida em 31/12/2004. Somente se pode inferir, destas informações, que os débitos que justificaram aqueles registros junto ao CADIN eram da incorporadora, e não da incorporada, aqui contribuinte optante. Relativamente às informações de apoio para emissão de certidão, vêse que há um grupo inicial de dados relativos ao CNPJ da incorporadora, e seguemse outros grupos de informações pertinentes a cada uma das incorporadas. As informações da incorporadora somente podem decorrer de débitos por ela apurados, ou de débitos apurados por suas incorporadas, mas dela exigidos, a partir da incorporação em 2004. E, nesta segunda condição, certamente tratarseiam de exigências formalizadas após a opção aqui em análise, que só ensejariam o indeferimento do PERC se objetivamente imputadas à interessada, inclusive com a demonstração de que se refeririam a débitos da incorporada apurados no anocalendário 2003, mas que restam fragilizadas pela apresentação das certidões em contrário, juntadas pela interessada na impugnação e no recurso voluntário. No que tange à contribuinte optante (CNPJ nº 71.688.659/000120), extraise das informações de apoio para emissão de certidão as seguintes ocorrências: • Processo fiscal em cobrança (PROFISC) nº 16327.001263/200455, em cobrança final a partir de 19/10/2007; • Processo fiscal com exigibilidade suspensa (PROFISC) nº 16327.000078/200332, suspenso por medida judicial desde 16/01/2003; • Processo fiscal com exigibilidade suspensa (PROFISC) nº 16327.003372/200304, suspenso por recurso especial desde 31/08/2007; • Processo fiscal com exigibilidade suspensa (PROFISC) nº 16327.001247/200432, suspenso por recurso voluntário desde 25/04/2006; • Processo fiscal com exigibilidade suspensa (PROFISC) nº 16327.001249/200421, suspenso por recurso voluntário desde 14/09/2007; • Processo fiscal com exigibilidade suspensa (PROFISC) nº 16327.001248/200487, suspenso por impugnação desde 10/12/2004; Os processos com exigibilidade suspensa denotam que a contribuinte apresentou medida judicial ou recurso administrativo que impede a caracterização dos valores ali exigidos/controlados como “débitos” para fins de concessão do benefício fiscal, e inexiste qualquer informação de que outra poderia ser a situação à época da emissão do Extrato de Aplicações em Incentivos Fiscais. Quanto ao processo administrativo nº 16327.001263/2004 55, observase que ele passou à condição de “em cobrança final” a partir de 19/10/2007, alguns dias antes da emissão do relatório que orientou as análises da autoridade administrativa (22/10/2007), e à míngua de outras informações acerca de seu conteúdo, não pode constituir em óbice para a pretensão da recorrente, ante a apresentação das certidões juntadas por ocasião da impugnação e do recurso voluntário. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11610.008486/200666 Acórdão n.º 110100.741 S1C1T1 Fl. 188 9 Assim, porque não caracterizada irregularidade fiscal no período a que se refere a declaração de rendimentos da pessoa jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário e reconhecer seu direito ao incentivo fiscal. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 217DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11610.008486/200666 Acórdão n.º 110100.741 S1C1T1 Fl. 189 10 Fl. 218DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 16624.000832/2007-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/1989 a 31/12/1995 IN SRF Nº 226/2002. APLICAÇÃO. A IN SRF n o 226, de 2002, regra comportamento da autoridade administrativa e, ao vedar a apreciação do mérito dos pedidos relativos ao crédito-prêmio, prestigiou o princípio da economia processual. CRÉDITO-PRÊMIO DO IPI. EXTINÇÃO. O crédito-prêmio à exportação está extinto, pelo menos desde 04/10/90, mormente porque não foi reavaliado e nem reinstituído por norma jurídica posterior à vigência do art. 41 do ADCT da CF/1988. PRELIMINAR. CRÉDITO-PRÊMIO. PRESCRIÇÃO. A teor do Decreto n o 20.910/32, o direito de aproveitamento do crédito- prêmio à exportação prescreve em cinco anos, contados do embarque da mercadoria para o exterior. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-001.565
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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APLICAÇÃO. A IN SRF no 226, de 2002, regra comportamento da autoridade administrativa e, ao vedar a apreciação do mérito dos pedidos relativos ao créditoprêmio, prestigiou o princípio da economia processual. CRÉDITOPRÊMIO DO IPI. EXTINÇÃO. O créditoprêmio à exportação está extinto, pelo menos desde 04/10/90, mormente porque não foi reavaliado e nem reinstituído por norma jurídica posterior à vigência do art. 41 do ADCT da CF/1988. PRELIMINAR. CRÉDITOPRÊMIO. PRESCRIÇÃO. A teor do Decreto no 20.910/32, o direito de aproveitamento do crédito prêmio à exportação prescreve em cinco anos, contados do embarque da mercadoria para o exterior. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 01/05/2012 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, José Evande Carvalho Araújo e Alexandre Gomes. Relatório No dia 24/05/2007 a empresa GRANITOS MOREDO LTDA. ingressou com o pedido de ressarcimento de créditoprêmio do IPI, relativo ao período de janeiro de 1989 a dezembro de 1995. Com fulcro no que dispõe o art. 1º da IN SRF nº 226/2002, a DRF em Guarulhos SP indeferiu liminarmente o pedido da recorrente, nos termos do Despacho Decisório nº 370/2007 (fls. eletrônica 33/35. Ciente da decisão, a empresa interessada ingressou com a manifestação de inconformidade de fls. Eletrônica 44/55, no qual: 1 discorre sobre a instituição a instituição e vigência do créditoprêmio do IPI, para concluir pela legitimidade de seu pleito, posto que está em plena vigência as disposições legais de regência, tendo a Resolução nº 71/2005 do Senado Federal preservado a vigência do que remanesce do art. 1º do Decretolei nº 491/69; 2 alega que as disposições da IN 226/2002 extrapola os limites legais ao violar o direito de petição aos órgãos públicos, ainda mais que seu pedido está fundamentado em legislação vigente, sendo inválido a decisão que indeferiu seu pedido de ressarcimento; 3 alega que o crédito pleiteado deve ser corrigido pela taxa Selic; A 2a Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto SP indeferiu a solicitação da recorrente, nos termos do Acórdão no 1424.333, de 27/05/2009, cuja ementa abaixo se transcreve. CRÉDITO PRÊMIO DO IPI. Indeferese a solicitação de crédito prêmio relativo a período não mais abrigado por este incentivo. Referido beneficio fiscal não está enquadrado nas hipóteses de restituição, ressarcimento ou compensação dos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. RESSARCIMENTO DE IPI. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI. A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 20/08/2009, conforme AR de fl. 83 (eletrônica) e, discordando da mesma, ingressou, no dia 04/09/2009, com o recurso voluntário de fls. 84/103 (eletrônica), no qual reprisa os argumentos da manifestação de inconformidade e ainda: Fl. 107DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16624.000832/200711 Acórdão n.º 330201.565 S3C3T2 Fl. 107 3 1 preliminarmente, que não ocorreu a decadência posto que o prazo contase da publicação da decisão judicial que declarou inconstitucional a extinção do créditoprêmio do IPI, fato que ocorreu em fevereiro de 2002; 2 é inconstitucional a Portaria MF nº 89/91 e a Portaria MF nº 292/81 fala em toda e qualquer empresa que exporte produtos nacionais; 3 ao créditoprêmio do IPI nas se aplica as disposições do art. 41, § 1º do ADCT da CF/88. Ainda que se aplicasse este dispositivo, a Lei nº 7.739/89 o revalidou. Na forma regimental, o recurso voluntário foi a mim distribuído. É o Relatório. Voto Conselheiro Walber José da Silva, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais preceitos legais. Dele se conhece. Como relatado, a empresa recorrente solicitou o ressarcimento de crédito prêmio de IPI e a autoridade competente da RFB para apreciar e decidir o pedido o indeferiu liminarmente, na forma prevista no art. 1º da IN 226/2002. Em seu recurso voluntário, a empresa sustenta a existência e validade do benefício fiscal objeto do seu pleito. A despeito de todos os seus argumentos, a jurisprudência firme do STJ1 e deste CARF é no sentido de que o créditoprêmio do IPI foi extinto, pelo menos, em 04/10/1990. Por isto mesmo não há que se falar em omissão da IN SRF no 600/2005, que não relacionam o créditoprêmio do IPI como passível de ressarcimento, e nem em ilegalidade da IN SRF no 226/2002, que determina o indeferimento liminar dos pedidos de ressarcimento de créditoprêmio do IPI, posto que estes normativos estão em perfeita harmonia com entendimento deste Colegiado e do STJ e, depois da publicação da Lei no 11.051/2004 (Medida Provisória no 219/2004), não há nenhuma dúvida de que o créditoprêmio do IPI não é passível de ressarcimento, a vista do disposto em seu art. 4o, que acrescentou o § 12 ao art. 74 da Lei no 9.430/1996, abaixo reproduzido; Art. 4o O art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 74.[...]. [...] 1 Vide EREsp 738.689PR, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, julgado em 27/6/2007. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 4 § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: I previstas no § 3o deste artigo; II em que o crédito: a) seja de terceiros; b) refirase a "créditoprêmio" instituído pelo art. 1o do DecretoLei no 491, de 5 de março de 1969; c) refirase a título público; d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF. (grifei). Com relação à prescrição do direito de pleitear o ressarcimento do crédito prêmio do IPI, tem razão a decisão recorrida ao afirmar que tais créditos têm natureza de "divida passiva da União" e, com isso, a norma aplicável é o Decreto n° 20.910/1932, que dispõe em seu artigo 10 que todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda Pública, seja qual for a natureza, prescreve em cinco anos contados da data do ato ou fato. Sem reparos a decisão recorrida nesta parte. Inexistindo o direito material ao aproveitamento do créditoprêmio à exportação, perdeu objeto a análise dos argumentos relativos ao seu aproveitamento, seja por qual forma for, e a incidência de juros Selic. Também deixo de apreciar as alegações de inconstitucionalidade da legislação tributária que cita, trazida à colação pela recorrente, a teor da Súmula CARF nº 2, abaixo reproduzida. Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19992, adoto os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, que reputo suficientes ao deslinde, ainda que outras tenham sido alinhadas, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Walber José da Silva 2 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (. . .) § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16624.000832/200711 Acórdão n.º 330201.565 S3C3T2 Fl. 108 5 Fl. 110DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 15504.016501/2010-94
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
GLOSA DA DEDUÇÃO DE LIVRO CAIXA. ERRO MATERIAL DE PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. ENCARGOS INCIDENTES SOBRE RENDIMENTOS DE ALUGUEIS.
Comprovado nos autos a ocorrência de erro material de preenchimento da declaração de ajuste anual, há que se permitir a dedução dos encargos declarados indevidamente a título de livro caixa e que o contribuinte comprova corresponderem à taxa de administração incidente sobre os rendimentos de alugueis declarados.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2802-002.148
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo do imposto de renda suplementar o valor de R$ 1.321,07 (um mil trezentos e vinte e um reais e sete centavos), em face da constatação de erro material de preenchimento da declaração de ajuste anual revisada de ofício, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente.
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite, Juliana Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Melo.
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 GLOSA DA DEDUÇÃO DE LIVRO CAIXA. ERRO MATERIAL DE PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. ENCARGOS INCIDENTES SOBRE RENDIMENTOS DE ALUGUEIS. Comprovado nos autos a ocorrência de erro material de preenchimento da declaração de ajuste anual, há que se permitir a dedução dos encargos declarados indevidamente a título de livro caixa e que o contribuinte comprova corresponderem à taxa de administração incidente sobre os rendimentos de alugueis declarados. Recurso provido em parte.
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ERRO MATERIAL DE PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. ENCARGOS INCIDENTES SOBRE RENDIMENTOS DE ALUGUEIS. Comprovado nos autos a ocorrência de erro material de preenchimento da declaração de ajuste anual, há que se permitir a dedução dos encargos declarados indevidamente a título de livro caixa e que o contribuinte comprova corresponderem à taxa de administração incidente sobre os rendimentos de alugueis declarados. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo do imposto de renda suplementar o valor de R$ 1.321,07 (um mil trezentos e vinte e um reais e sete centavos), em face da constatação de erro material de preenchimento da declaração de ajuste anual revisada de ofício, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 65 01 /2 01 0- 94 Fl. 51DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite, Juliana Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Melo. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento, fls. 05 a 08, para exigência de Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF apurado na Declaração de Ajuste Anual, relativa ao exercício financeiro de 2008, anocalendário de 2007. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 06), foi glosado o valor R$15.294,60, indevidamente deduzido a título de livro caixa, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal. Complementa a autoridade fiscal “ser incabível a dedução do livro caixa de rendimentos que não sejam decorrentes do trabalho sem vinculo empregatício”. Na impugnação, fls. 01/03, a contribuinte explicar que os rendimentos declarados correspondem a aluguéis percebidos em condomínio com seus filhos. Nesse sentido, entende ter direito de deduzir os gastos efetuados com IPTU, taxa de condomínio e demais despesas necessárias à obtenção dos rendimentos de aluguel, através do livro caixa. Examinando o caso, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte – DRJ/BHE julgou a impugnação improcedente, fls. 29 a 34, ao argumento de “não ter a contribuinte direito à dedução de livro caixa, por falta de previsão legal para tal, mesmo porque, não traz aos autos Livro Caixa e/ou qualquer documento comprovador das despesas de custeio (...)”. Cientificada em 19/08/2011, fl. 41, interpôs recurso voluntário, fls. 46 a 48, em 16/09/2011, reiterando as alegações apresentadas na impugnação, para acrescentar, em síntese, que sua declaração de rendimentos foi preenchida consoante o art. 50 do RIR/99, que impõe a tributação dos valores dos alugueis deduzidos das despesas necessárias à percepção desses rendimentos. Observa que o objeto do presente lançamento “não se trata de dedução e sim de reconhecimento da receita a quem é de direito”. Requer o reconhecimento de que não houve omissão de receita apurada com base nos valores informados na DIMOB, por ser esta mera intermediária entre a fonte pagadora (inquilino) e a recebedora dos aluguéis. É o relatório. Voto Conselheiro Jaci de Assis Junior, Relator O recurso foi tempestivamente apresentado e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 De acordo com a Descrição dos Fatos e Fundamentação Legal, fl. 06, a glosa da dedução do valor de R$ 15.294,60 foi motivada pela falta de comprovação das despesas deduzidas a título de livro caixa, consignadas na Declaração de Ajuste Anual – DIRPF/2008, fls. 20 a 25. Portanto, ao contrário do que afirma a recorrente, o lançamento questionou a efetividade dos gastos deduzidos na sua declaração de rendimentos. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 15504.016501/201094 Acórdão n.º 2802002.148 S2TE02 Fl. 53 3 Desse mesmo demonstrativo, fls. 06, observase que a questão relacionada ao fato de a contribuinte não haver declarado rendimentos provenientes do trabalho sem vínculo empregatício aparece em complementação à mencionada fundamentação, haja vista ser esta uma condição necessária para que se possa usufruir da dedução realizada a título de livro caixa. Sob tal aspecto, depreendese da DIRPF/2008, fls. 20, que o valor glosado constou do campo intitulado RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E DO EXTERIOR PELO TITULAR sem que neste constasse informação de rendimento que lhe pudesse corresponder. Percebese, contudo, que no campo destinado à informação sobre os RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS PELO TITULAR a contribuinte informou que teria recebido rendimentos das seguintes fontes pagadoras pessoas físicas: NOME DA FONTE PAGADORA CNPJ/CPF REND. RECEBIDO DE PES. JURÍDICA JANE LIMA MENDONÇA 276.621.28687 R$ 5.200,00 JÉSSICA OLIVEIRA TAVARES 050.799.10607 R$ 8.915.68 WANDER ALMEIDA DE OLIVEIRA 276.967.40644 R$ 9.330,37 Total Recebido de Pessoas Físicas R$ 23.446,05 De acordo com os demonstrativos elaborados pela empresa que administra os aluguéis recebidos das duas últimas pessoas físicas, fls. 10 e 11, os respectivos valores declarados correspondem ao valor bruto recebido sem a dedução da taxa de administração discriminada naquele documento. A respeito da apuração da base tributável proveniente do recebimento de aluguéis, o art. 50 do Decreto nº 3.000, de 1999 – RIR/1999, permite a exclusão dos seguintes dispêndios necessários à sua percepção: Art.50.Não entrarão no cômputo do rendimento bruto, no caso de aluguéis de imóveis (Lei n 2 7.739, de 16 de março de 1989, art. 14): I o valor dos impostos, taxas e emolumentos incidentes sobre o bem que produzir o rendimento; II o aluguel pago pela locação de imóvel sublocado; III as despesas pagas para cobrança ou recebimento do rendimento; IV as despesas de condomínio. Também consta das instruções para preenchimento das declarações de rendimentos das pessoas físicas a seguinte orientação: Rendimentos Tributáveis na Declaração Rendimentos de Aluguéis [...] Esses rendimentos, se recebidos de pessoa jurídica, devem ser informados nas abas Titular e/ou Dependentes da ficha Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica, conforme o caso. Caso recebidos de pessoa física, devem ser informados nas abas Titular e/ou Dependentes da ficha Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoas Físicas e do Exterior. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 [...] Exclusões de Rendimentos de Aluguéis Podem ser excluídos os seguintes encargos, desde que o ônus tenha sido exclusivamente do locador: a) impostos, taxas e emolumentos incidentes sobre o bem que produzir o rendimento; b) aluguel pago pela locação de imóvel sublocado; c) despesas pagas para cobrança ou recebimento do rendimento; e d) despesas de condomínio. (negrito não consta do original) Diante do permissivo legal e das instruções, transcritos acima, observase que, no caso concreto, embora tenha recebido alugueis de pessoas físicas, a contribuinte consignou os valores brutos auferidos a esse título no campo da declaração de destinado à informação dos rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas. Forçoso concluir, pois, que a recorrente cometeu erro material no preenchimento de sua declaração de ajuste anual, pois os rendimentos de aluguéis de imóveis deveriam ter sido declarados no campo destinado aos rendimentos tributáveis recebidos de pessoas físicas. Podese dizer também que desse erro decorreu outra impropriedade cometida pela contribuinte ao elaborar sua DIRPF, uma vez que consignara os encargos incidentes sobre essa atividade a título de livro caixa. Conforme observou o Acórdão proferido em primeira instância, nessa atividade não há que se falar em escriturar livro caixa, haja vista que os encargos decorrentes dessa atividade são somente aqueles previstos no art. 50 do RIR/1999, anteriormente transcrito. Levandose em consideração os encargos previstos em tal permissivo legal e os demonstrativos elaborados pela empresa que administra os alugueis declarados pelo contribuinte como recebidos de Wander Almeida de Oliveira e Jéssica Oliveira Tavares, entendo que deva ser considerada a dedução da taxa de administração no valor global de R$1.321,07 (R$ 652,08 mais R$ 668,69) discriminada nos documentos de fls. 10 e 11. Por outro lado, há que ser mantida a decisão de primeira instância na parte em que concluiu pela manutenção da glosa dos demais encargos mencionados pela contribuinte e por ela relacionados às fls. 13 e 14, tendo em vista que, a falta de comprovação documental destes gastos, impede a confirmação de que os alegados encargos estão em conformidade com aqueles relacionados no referido art. 50 do RIR/1999. Voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo do imposto de renda suplementar o valor de R$ 1.321,07 (um mil trezentos e vinte e um reais e sete centavos), em face da constatação de erro material de preenchimento da declaração de ajuste anual revisada de ofício. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Fl. 54DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 15504.016501/201094 Acórdão n.º 2802002.148 S2TE02 Fl. 54 5 Fl. 55DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 11060.003728/2010-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2006
IRPF. GLOSA DE DESPESAS DA ATIVIDADE RURAL. DESPESAS COM CONSTRUÇÃO. NULIDADE MATERIAL DO AUTO DE INFRAÇÃO POR MANIFESTO EQUÍVOCO EM RELAÇÃO AO SEU FUNDAMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE ALTERAÇÃO DO FUNDAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO PELO CARF.
Verificando-se a manifesta dissociação entre o critério utilizado para a lavratura do auto de infração e a base de cálculo erigida pela fiscalização, afigura-se nulo o lançamento, em virtude do manifesto equívoco material.
Por tais razões, sendo certo que não compete a este órgão revisor a tarefa de lançar o crédito tributário, e, igualmente correta a impossibilidade de adoção de outra base de cálculo com fundamento em documentos sequer disponibilizados ao contribuinte, afigura-se
nulo o lançamento em relação à glosa das despesas com construção.
IRPF. GLOSA DE DESPESAS DA ATIVIDADE RURAL. DEDUÇÃO DE
PAGAMENTOS A TÍTULO DE IRRF. IMPOSSIBILIDADE.
Determinando a legislação que as despesas de custeio ou investimento dedutíveis são aquelas necessárias à atividade ou à manutenção da fonte produtora, descabida a dedução de valores a título de IRRF, seja porque tais valores sequer possuem fundamento legal, seja, ainda, porque referida despesa não se associa, diretamente, à atividade rural explorada.
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PROVA PARCIAL DE LIQUIDAÇÃO DE CPRs MEDIANTE A DEVOLUÇÃO DO VALOR ANTECIPADO. NECESSÁRIA REDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IRPF.
Havendo a comprovação, in casu, da devolução de valores relacionados a parte das CPRs apontadas pela fiscalização, com a consequente prova da falta de sua liquidação mediante a entrega dos produtos, faz-se mister a exclusão de tais valores da base de cálculo relativa à omissão de rendimentos decorrentes da atividade rural.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. NECESSÁRIA APLICAÇÃO DA SÚMULA 14 DO CARF.
Não comprovado, pela autoridade fiscal, o evidente intuito de fraude do contribuinte, com o fim de redução do montante do imposto devido na tributação da pessoa física, afasta-se
a multa de ofício qualificada de 150%.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2101-001.565
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
provimento EM PARTE ao recurso, para determinar: (i) a exclusão da base de cálculo do imposto dos valores relativos à glosa de despesas da atividade rural (“despesas com construção”), mantendo a glosa de despesas especificamente em relação ao IRRF pago, (ii) a exclusão da base de cálculo relativa à omissão de rendimentos da atividade rural do valor de R$ 800.000,00, relativo a CPRs liquidadas mediante a devolução dos valores antecipados, bem
como (iii) a redução da multa aplicada sobre a omissão de rendimentos ao patamar de 75%.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
1.0 = *:*
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camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 IRPF. GLOSA DE DESPESAS DA ATIVIDADE RURAL. DESPESAS COM CONSTRUÇÃO. NULIDADE MATERIAL DO AUTO DE INFRAÇÃO POR MANIFESTO EQUÍVOCO EM RELAÇÃO AO SEU FUNDAMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE ALTERAÇÃO DO FUNDAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO PELO CARF. Verificando-se a manifesta dissociação entre o critério utilizado para a lavratura do auto de infração e a base de cálculo erigida pela fiscalização, afigura-se nulo o lançamento, em virtude do manifesto equívoco material. Por tais razões, sendo certo que não compete a este órgão revisor a tarefa de lançar o crédito tributário, e, igualmente correta a impossibilidade de adoção de outra base de cálculo com fundamento em documentos sequer disponibilizados ao contribuinte, afigura-se nulo o lançamento em relação à glosa das despesas com construção. IRPF. GLOSA DE DESPESAS DA ATIVIDADE RURAL. DEDUÇÃO DE PAGAMENTOS A TÍTULO DE IRRF. IMPOSSIBILIDADE. Determinando a legislação que as despesas de custeio ou investimento dedutíveis são aquelas necessárias à atividade ou à manutenção da fonte produtora, descabida a dedução de valores a título de IRRF, seja porque tais valores sequer possuem fundamento legal, seja, ainda, porque referida despesa não se associa, diretamente, à atividade rural explorada. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PROVA PARCIAL DE LIQUIDAÇÃO DE CPRs MEDIANTE A DEVOLUÇÃO DO VALOR ANTECIPADO. NECESSÁRIA REDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IRPF. Havendo a comprovação, in casu, da devolução de valores relacionados a parte das CPRs apontadas pela fiscalização, com a consequente prova da falta de sua liquidação mediante a entrega dos produtos, faz-se mister a exclusão de tais valores da base de cálculo relativa à omissão de rendimentos decorrentes da atividade rural. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. NECESSÁRIA APLICAÇÃO DA SÚMULA 14 DO CARF. Não comprovado, pela autoridade fiscal, o evidente intuito de fraude do contribuinte, com o fim de redução do montante do imposto devido na tributação da pessoa física, afasta-se a multa de ofício qualificada de 150%. Recurso provido em parte.
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decisao_txt : ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento EM PARTE ao recurso, para determinar: (i) a exclusão da base de cálculo do imposto dos valores relativos à glosa de despesas da atividade rural (“despesas com construção”), mantendo a glosa de despesas especificamente em relação ao IRRF pago, (ii) a exclusão da base de cálculo relativa à omissão de rendimentos da atividade rural do valor de R$ 800.000,00, relativo a CPRs liquidadas mediante a devolução dos valores antecipados, bem como (iii) a redução da multa aplicada sobre a omissão de rendimentos ao patamar de 75%.
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GLOSA DE DESPESAS DA ATIVIDADE RURAL. DESPESAS COM CONSTRUÇÃO. NULIDADE MATERIAL DO AUTO DE INFRAÇÃO POR MANIFESTO EQUÍVOCO EM RELAÇÃO AO SEU FUNDAMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE ALTERAÇÃO DO FUNDAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO PELO CARF. Verificandose a manifesta dissociação entre o critério utilizado para a lavratura do auto de infração e a base de cálculo erigida pela fiscalização, afigurase nulo o lançamento, em virtude do manifesto equívoco material. Por tais razões, sendo certo que não compete a este órgão revisor a tarefa de lançar o crédito tributário, e, igualmente correta a impossibilidade de adoção de outra base de cálculo com fundamento em documentos sequer disponibilizados ao contribuinte, afigurase nulo o lançamento em relação à glosa das despesas com construção. IRPF. GLOSA DE DESPESAS DA ATIVIDADE RURAL. DEDUÇÃO DE PAGAMENTOS A TÍTULO DE IRRF. IMPOSSIBILIDADE. Determinando a legislação que as despesas de custeio ou investimento dedutíveis são aquelas necessárias à atividade ou à manutenção da fonte produtora, descabida a dedução de valores a título de IRRF, seja porque tais valores sequer possuem fundamento legal, seja, ainda, porque referida despesa não se associa, diretamente, à atividade rural explorada. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PROVA PARCIAL DE LIQUIDAÇÃO DE CPRs MEDIANTE A DEVOLUÇÃO DO VALOR ANTECIPADO. NECESSÁRIA REDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IRPF. Havendo a comprovação, in casu, da devolução de valores relacionados a parte das CPRs apontadas pela fiscalização, com a consequente prova da falta de sua liquidação mediante a entrega dos produtos, fazse mister a exclusão Fl. 1930DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11060.003728/201085 Acórdão n.º 210101.565 S2C1T1 Fl. 339 2 de tais valores da base de cálculo relativa à omissão de rendimentos decorrentes da atividade rural. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. NECESSÁRIA APLICAÇÃO DA SÚMULA 14 DO CARF. Não comprovado, pela autoridade fiscal, o evidente intuito de fraude do contribuinte, com o fim de redução do montante do imposto devido na tributação da pessoa física, afastase a multa de ofício qualificada de 150%. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento EM PARTE ao recurso, para determinar: (i) a exclusão da base de cálculo do imposto dos valores relativos à glosa de despesas da atividade rural (“despesas com construção”), mantendo a glosa de despesas especificamente em relação ao IRRF pago, (ii) a exclusão da base de cálculo relativa à omissão de rendimentos da atividade rural do valor de R$ 800.000,00, relativo a CPRs liquidadas mediante a devolução dos valores antecipados, bem como (iii) a redução da multa aplicada sobre a omissão de rendimentos ao patamar de 75%. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Eivanice Canário da Silva, Celia Maria de Souza Murphy e Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa. Fl. 1931DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11060.003728/201085 Acórdão n.º 210101.565 S2C1T1 Fl. 340 3 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 296/312) interposto em 22 de junho de 2011 contra o acórdão de fls. 267/290, do qual o Recorrente teve ciência em 23 de maio de 2011 (fl. 295), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o auto de infração de fls. 215/218, lavrado em 09 de dezembro de 2010, em decorrência de omissão de rendimentos da atividade rural verificada nos anoscalendário de 2004 e 2005 (multa qualificada) e de glosa de despesas da atividade rural verificada no anocalendário de 2005. A Recorrida desqualificou a multa de ofício relativa ao anocalendário de 2004, bem como acolheu a preliminar de decadência em relação ao referido anocalendário. Relativamente ao anocalendário de 2005, manteve o imposto no valor de R$ 13.105,61, a título de despesas da atividade rural, e de R$ 58.795,26 (multa qualificada), a título de omissão de rendimentos da atividade rural. O acórdão teve a seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Anocalendário: 2004, 2005 NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n.° 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. DECADÊNCIA. Não tendo sido comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, é de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, o prazo para o lançamento de ofício do imposto sobre a renda da pessoa física cujo pagamento tenha sido antecipado pelo contribuinte. ATIVIDADE RURAL. DESPESAS DE CUSTEIO. INVESTIMENTOS. Consideramse despesas de custeio e investimentos aqueles necessários à percepção dos rendimentos e à manutenção da fonte produtora, relacionadas com a natureza da atividade exercida e comprovados com documentação hábil e idônea. ATIVIDADE RURAL. OMISSÃO DE RECEITAS. Constitui omissão de receitas da atividade rural a não apropriação, no livro caixa, dos valores obtidos por meio de liquidação de CPR com entrega dos produtos. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A multa de ofício no percentual de 150% deve ser aplicada quando restar comprovada a intenção dolosa do contribuinte de reduzir indevidamente sua base de cálculo, a fim de se eximir do imposto devido. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” (fl. 267). Não se conformando, o Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 296/312), pedindo a reforma da decisão recorrida, para cancelar a parte remanescente do auto de infração. É o relatório. Fl. 1932DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11060.003728/201085 Acórdão n.º 210101.565 S2C1T1 Fl. 341 4 Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Primeiramente, antes de adentrar na análise dos fundamentos apontados para a reforma do julgado, esclareço que o referido decisum acolheu a alegação de decadência, em relação à apontada omissão de rendimentos decorrentes da atividade rural referente ao ano calendário de 2004, razão pela qual, não sendo o montante exonerado superior ao valor de R$ 1.000.000,00, na forma preconizada pela Portaria MF n.º 3/2008, não se sujeita a citada matéria ao reexame necessário. Por tais razões, cingese o mérito do recurso a aferir a correção do julgado em relação (i) à validade da glosa de despesas da atividade rural, “despesas com construção” e “demais despesas” (IRRF), lançadas em livro caixa no exercício de 2006 pelo contribuinte, bem como (ii) à existência de omissão de rendimentos concernente ao anocalendário de 2005. Com o fito de facilitar a compreensão das matérias objeto de análise recursal, as matérias serão tratadas separadamente, analisando os argumentos relativos a cada um dos fundamentos do auto de infração. Glosa de despesas da atividade rural. Despesas com construção. Em relação às despesas escrituradas no livro caixa da parceria rural (os parceiros se valiam de um único livro caixa), entendeu a fiscalização, para a lavratura do auto de infração, que os gastos com a construção de benfeitorias em terreno (4 ha.) de propriedade do Sr. Pedro Herter, bem como os relativos aos tributos como o ICMS incidente na venda da produção rural (excluído pela tributação) e do IRRF, não seriam usuais e necessários à manutenção da fonte produtora, bem como à percepção de seus rendimentos, na forma do art. 62, §1º, do RIR/99. No tocante à glosa relativa aos gastos com construção, ressaltou o contribuinte, em sua defesa administrativa, que a glosa integral da rubrica de “Despesas de construção”, apontada no livro caixa, abrangia valores em muito superiores àqueles despendidos em relação, estritamente, aos 4 ha. questionados pela fiscalização, na medida em que a parceria rural abrangia propriedades cujas áreas, somadas, chegavam a 12.226,10 ha. Pois bem. Analisando as alegações do contribuinte, então impugnante, a DRJ, muito embora tenha mantido a glosa dos valores de construção, entendeu equivocado o quantum arbitrado pela fiscalização, alterando a base de cálculo da glosa efetuada, considerando, para tanto, os valores apontados como custo de aquisição pelo contribuinte Pedro Herter, nos autos de outro processo administrativo fiscal relativo ao ganho de capital apurado na alienação do citado imóvel à Herter Cereais Ltda. No tocante ao citado ponto, pois, a decisão recorrida, valendose de prova emprestada, tomada do Processo Administrativo n.º 11060.0016822/201060, entendeu que os Fl. 1933DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11060.003728/201085 Acórdão n.º 210101.565 S2C1T1 Fl. 342 5 gastos com a construção das benfeitorias no terreno de 4 ha. seria de R$ 233.700,67, tal como supostamente apontado nos autos do referido feito, reduzindo, portanto, a glosa à razão de 20% sobre o citado valor, correspondente à participação do contribuinte na parceria. Nesse sentido, em que pese ao entendimento sufragado pela DRJ de Porto Alegre, entendo que o auto de infração, especificamente no que atine à glosa dos valores de construção no terreno, afigurase nulo, em razão do manifesto equívoco material na base de cálculo eleita pela fiscalização. Com efeito, consoante salienta Paulo de Barros Carvalho, a base de cálculo possui função destacada no chamado consequente da regramatriz de incidência tributária, se destinando, como destaca o autor, “a dimensionar a intensidade do comportamento inserto no núcleo do fato jurídico, para que, combinandose à alíquota, seja determinado o valor da prestação pecuniária” (CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 18ª ed. São Paulo: Saraiva, 2007. pp. 341342). Em outras palavras, admite a doutrina, representada pelo escólio de Paulo de Barros Carvalho, o relevante papel atribuído à base de cálculo, concernente, não apenas, ao dimensionamento da hipótese de incidência (fato tributável), como, igualmente, em relação à necessária confirmação ou infirmação do verdadeiro critério material da hipótese de incidência tributária, permitindo ao aplicador verificar, na espécie, o verdadeiro objeto de tributação ou fundamento legal do auto de infração. Feitas as precedentes ressalvas, podese observar, do auto de infração objeto de análise, que, muito embora tenha o auditor fiscal apontado, para o lançamento tributário de ofício, a incorreção da dedução das despesas de construção relativas, apenas e tãosomente, ao imóvel de 4 ha., posteriormente integralizado pelo Sr. Pedro Herter na sociedade Herter Cereais Ltda., verificase que a base de cálculo eleita para a glosa não refletiu o aspecto apontado. De fato, compulsandose os termos do lançamento tributário, especificamente em relação à glosa das despesas escrituradas no livro caixa, podese observar que o auditor fiscal houve por bem desconsiderar todos os valores apontados na rubrica “Despesas de construção”, sem fazer qualquer ressalva em relação aos valores que, de fato, se referiam à construção de benfeitorias em imóvel não objeto da parceria. Assim, muito embora, alegadamente, os valores glosados se referissem, exclusivamente, aos gastos de construção relativos às benfeitorias realizadas no imóvel de 4 ha., fato é que a glosa se reportou a toda e qualquer despesa de construção relativa à parceria rural, alterando, de forma irrefutável, o fundamento do auto de infração, que, com a alteração da base de cálculo, passa a ser a desconsideração, como despesas dedutíveis, e, portanto, relacionadas à manutenção da fonte produtora, de todo e qualquer gasto com construção em imóveis destinados às parcerias rurais. É dizer, a base de cálculo infirma o critério eleito pelo auditor fiscal, acabando por glosar todas as despesas de construção escrituradas e relacionadas aos imóveis utilizados na parceria agrícola. Justamente por essa razão, aliás, procurou a DRJ refazer o lançamento, alterando a base de cálculo eleita pelo auditor fiscal, relativa a outro fundamento não utilizado, para os efetivos custos realizados com o imóvel de 4 ha., de propriedade do Sr. Pedro Herter, Fl. 1934DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11060.003728/201085 Acórdão n.º 210101.565 S2C1T1 Fl. 343 6 utilizando, para tanto, prova emprestada de outro processo administrativo fiscal relativo à apuração de ganho de capital na integralização do imóvel. Em virtude do manifesto equívoco na base de cálculo, pois, admitido, por vias transversas, pela própria DRJ, tenho para mim que o lançamento não se sustenta, no que atine à manutenção da glosa das despesas de construção, na medida em que, como se sabe, não compete a este órgão julgador alterar os critérios materiais de lançamento. De fato, como se sabe, o direito pátrio, no que toca à possibilidade de revisão dos atos administrativos de lançamento tributário, estabeleceu uma profunda diferença entre as atribuições do agente fiscal, a quem incumbe lançar o crédito tributário de ofício no caso de constatar a ocorrência da hipótese de incidência do tributo, e as dos órgãos julgadores (Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento e Conselho Administrativo de Recursos Fiscais), aos quais incumbe o mister de aferir a validade da constituição do crédito tributário pelo lançamento. Notese, por oportuno, que a competência dos órgãos julgadores limitase a aferir a validade do lançamento, não cabendo a eles, acaso verifiquem alguma incorreção, efetuar lançamento complementar ou acertar vícios constantes do ato administrativo apreciado. Incumbe aos órgãos julgadores, pois, com fulcro no direito de petição constitucionalmente estabelecido (art. 5º, XXXIV, ‘a’, da CF), a prática de atos secundários, reapreciando os termos do lançamento. Para que se compreenda o exposto, cumpre colacionar, muito embora extensa, a lição de Alberto Xavier, in verbis: “Nesse contexto, revestese de especial relevância no Direito Tributário brasileiro a distinção entre órgãos de lançamento e órgãos de julgamento; os órgãos de lançamento têm competência exclusiva ou reservada para a prática dos atos primários em que o lançamento se traduz; os órgãos de julgamento têm competência exclusiva reservada para a prática dos atos secundários, de reapreciação dos primeiros. “No processo de impugnação administrativa de tributos federais, a lei atribui a competência para o julgamento a órgãos destituídos do poder de praticar o lançamento (as Delegacias da Receita Federal especializadas em julgamento e os Conselhos de Contribuintes) e, como veremos, não é admissível a ‘reformatio in pejus’, pelo que a decisão do processo se reduz às alternativas da anulação ou da confirmação, não podendo jamais revestir a modalidade de substituição (na forma de lançamento suplementar). “Pode, pois, afirmarse que no processo administrativo de impugnação se exerce uma cognição restrita, visando exclusivamente a anulação do lançamento e não a sua reforma ou substituição. Tratase, porém, de figura distinta da cassação, pois nesta a reapreciação do ato impugnado é restrita a questões de direito, enquanto a revisão abrange igualmente questões de fato. (...) “Pode, pois, concluirse que o recurso de revisão pelo qual se opera a impugnação administrativa do lançamento entra nos moldes de um processo constitutivo de anulação” (XAVIER, Alberto. Do Lançamento: Teoria Geral do Ato, do Procedimento e do Processo Tributário. Rio de Janeiro: Forense, 1999. pp. 311 313). Fl. 1935DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11060.003728/201085 Acórdão n.º 210101.565 S2C1T1 Fl. 344 7 Exatamente por esta razão, não se pode pretender alterar, em sede recursal, o fundamento do auto de infração, descortinado pela base de cálculo utilizada pelo Ilmo. Sr. auditor fiscal. A este respeito, cumpre transcrever breve excerto do voto vencedor do Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, proferido nos autos do Recurso Especial do Procurador n. 104142.441, in verbis: “Ao avaliar a prova dos autos, a Douta Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes identificou que não se tratam de depósitos bancários de origem não justificada, mas sim de rendimentos provenientes da atividade rural que foram omitidos. “Em sendo rendimentos provenientes da atividade rural, por evidente que a matéria tributável em nada se identifica com aquela que foi descrita no auto de infração. Em sendo outra a matéria tributável, por consequência, a norma de incidência tributária também é outra, no caso o artigo 5º da Lei n. 8.023, de 1990. “Não posso concordar com a decisão da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes no ponto em que, verificando que a matéria tributável não é aquela que foi descrita no auto de infração, ao apreciar o recurso, faz uma verdadeira alteração da descrição dos fatos e da norma de incidência tributária para exigir o imposto com base nos fatos jurídicotributários que efetivamente ocorreram, aplicando sobre eles o artigo 5º, parágrafo único, da Lei n. 8.023, de 1990. Tal modo de agir constitui, na verdade, um novo lançamento, procedimento que a autoridade julgadora não tem competência para tal. Quem julga não pode fazer lançamento e quem faz lançamento não pode julgar. Ao agir da forma como atuou no acórdão, a Quarta Câmara fez um novo lançamento e ao mesmo tempo proferiu julgamento em relação ao seu próprio lançamento” (Câmara Superior de Recursos Fiscais, Quarta Turma, Recurso Especial do Procurador n. 104142.441, Relator Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, sessão de 07/10/2008). À guisa de todo o exposto, portanto, verificase a patente nulidade do auto de infração, ao adotar base de cálculo correspondente a fundamento absolutamente distinto daquele que, alegadamente, fundamentaria o lançamento de ofício in casu. Além disso, não se pode olvidar que a adoção de critério quantitativo totalmente diverso daquele que, supostamente, suportaria o lançamento tributário acabou por cercear o direito de defesa do contribuinte, o que, como se sabe, viola direitos fundamentais adotados, expressamente, pelo legislador no art. 2º da Lei n.º 9.784/99, bem como pelos artigos 59, II, e 60 do Decreto n.º 70.235/72. Resta ainda mais evidente a ocorrência de cerceamento de defesa, na hipótese, ao se constatar que a decisão recorrida, exarada pela DRJ, ao fundamentar a alteração da base de cálculo relativa à glosa de despesas de construção com o citado imóvel, houve por bem se reportar a documentos sequer juntados ao feito, relativos a processo administrativo em que o contribuinte sequer é parte e acobertados pelo manto do sigilo fiscal. Com a devida vênia, o ordenamento jurídico brasileiro não adota, como fundamento de decidir, a livre convicção do julgador, mas, sim, a teoria do livre convencimento motivado, sendo a motivação, portanto, inerente aos órgãos administrativo e judiciário, tal como contemplado, expressamente, no art. 2º da Lei n.º 9.784/99. Fl. 1936DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11060.003728/201085 Acórdão n.º 210101.565 S2C1T1 Fl. 345 8 Nessa toada, portanto, não se pode admitir, sob pena de violação aos cânones basilares do Estado Democrático de Direito, a sustentação de decisão com base em fatos sequer demonstrados, em parte alguma, e supostamente ocorridos extra autos. Por tais razões, ainda que se pudesse entender admissível, excepcionalmente, a chamada motivação per relationem no ordenamento jurídico pátrio, fazse mister, além da indicação do documento em que se baseou o julgador, anexálo aos autos de maneira a possibilitar a adequada defesa da parte, sob pena de violação ao devido processo legal. Este é o entendimento pacífico do Supremo Tribunal Federal, como se extrai do seguinte acórdão, cuja ementa ora se traz à baila: “MOTIVAÇÃO PER RELATIONEM CONSTANTE DA DELIBERAÇÃO EMANADA DA COMISSÃO PARLAMENTAR DE INQUÉRITO. Tratandose de motivação per relationem, impõese à Comissão Parlamentar de Inquérito quando esta faz remissão a elementos de fundamentação existentes aliunde ou constantes de outra peça demonstrar a efetiva existência do documento consubstanciador da exposição das razões de fato e de direito que justificariam o ato decisório praticado, em ordem a propiciar, não apenas o conhecimento do que se contém no relato expositivo, mas, sobretudo, para viabilizar o controle jurisdicional da decisão adotada pela CPI. É que tais fundamentos considerada a remissão a eles feita passam a incorporarse ao próprio ato decisório ou deliberativo que a eles se reportou.(...)”(STF, Tribunal Pleno, MS 23452, relator Ministro Celso de Mello, j. em 16/09/1999) Em razão de todo o exposto, pois, verificandose que (i) a base de cálculo apontada pelo Ilmo. Sr. auditor fiscal colheu, para a tributação, fato absolutamente diverso daquele apontado como fundamento para o auto de infração, bem como (ii) não apenas o próprio auto de infração, ao apontar base de cálculo e fundamentos desconexos, mas, igualmente, a própria DRJ, ao refazer o auto de infração alterando o cálculo com base em informações extra autos, acabaram por gerar cerceamento de defesa em relação ao contribuinte, entendo haver nulidade insanável, na hipótese, fazendose mister a anulação do auto de infração em relação à citada glosa de despesas. Consoante entende este CARF, não se faz possível a alteração de fundamento do auto de infração pelos órgãos julgadores, razão pela qual se faz mister a anulação do lançamento em relação ao citado ponto. Glosa de despesas da atividade rural. Despesas com IRRF Consoante tracejado no item anterior, apenas podem ser escrituradas no livro caixa como despesas decorrentes da atividade rural, mais especificamente da parceria, aquelas relativas ao custeio da atividade e, bem assim, as de investimento consideradas necessárias à percepção dos rendimentos, bem como à manutenção da fonte produtora (art. 62, §1º, do RIR/99). Ora, como se sabe, o IRRF, ainda que relativo às retenções feitas pelas fontes pagadoras em virtude de pagamentos efetuados à parceria (o IRRF retido em pagamentos feitos pela própria parceria rural sequer são despesas suas, mas do beneficiário dos recursos), não se refere, especificamente, à atividade rural, não podendo ser considerado, pois, despesa de custeio ou de investimento para os fins específicos do art. 62, §1º, do RIR/99. Por tais razões, sendo certo que inexiste fundamento legal para sufragar a possibilidade de consideração de tais despesas no livro caixa, entendo inexistir fundamento para a irresignação do Recorrente, devendo ser mantida, destarte, a decisão recorrida. Fl. 1937DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11060.003728/201085 Acórdão n.º 210101.565 S2C1T1 Fl. 346 9 Omissão de rendimentos da atividade rural No tocante à omissão de rendimentos decorrente da atividade rural, entendeu a fiscalização, no que foi seguida pela DRJ, que diversas Cédulas de Produtor Rural (CPR), relativas a valores antecipados pela fonte pagadora para entrega futura da produção, teriam sido liquidadas sem a correspondente emissão de nota fiscal de saída da produção, anteriormente paga. Em virtude de tal fato, entendendo o Ilmo. Sr. auditor fiscal que o contribuinte, na qualidade de parceiro, teria deixado de emitir a nota fiscal de saída para impedir a incidência do imposto de renda, diferido para o momento da efetiva entrega, lavrou o presente auto de infração, com a capitulação de multa qualificada. Especificamente em relação à tributação dos adiantamentos para entrega futura, dentre os quais as CPRs, o Regulamento do Imposto de Renda dispõe o seguinte: “Art. 61. A receita bruta da atividade rural é constituída pelo montante das vendas dos produtos oriundos das atividades definidas no art. 58, exploradas pelo próprio produtorvendedor.(...) §2º Os adiantamentos de recursos financeiros, recebidos por conta de contrato de compra e venda de produtos agrícolas para entrega futura, serão computados como receita no mês da efetiva entrega do produto. (...) §5º A receita bruta, decorrente da comercialização dos produtos, deverá ser comprovada por documentos usualmente utilizados, tais como nota fiscal do produtor, nota fiscal de entrada, nota promissória rural vinculada à nota fiscal do produtor e demais documentos reconhecidos pelas fiscalizações estaduais.” O parágrafo 2º do retro transcrito artigo, como se percebe, faz menção aos contratos de compra e venda de produtos agrícolas para entrega futura; nesse sentido, é cediço que a Cédula de Produtor Rural – CPR é um título que viabiliza o surgimento dessa relação. Sendo a CPR um título de crédito rural, regulado pela Lei n.º 8.929/94, representativo de promessa de entrega de produtos rurais, com ou sem garantia cedularmente constituída, concluise tratar de um título líquido, certo e exigível pela quantidade e qualidade do produto nela previsto. De acordo com João Luiz Coelho da Rocha “Tratase, portanto, de um título de crédito que traduz não um creditamento em dinheiro, senão um compromisso de entrega de certa qualidade de produtos rurais, em uma determinada quantidade” (ROCHA, João Luiz Coelho da. “Um título de crédito recente: A Cédula de Produto Rural”, in Revista de Direito Mercantil, Industrial, Econômico e Financeiro, Malheiros Editores, 2000, p. 114). Nesse sentido, Pedro Miguel Ferreira Custódio define que “A Cédula de Produto Rural, instituída pela Lei n.º 8.929/94, caracterizase como um título de crédito emitido por produtor rural ou associações de produtores rurais, incluindose as cooperativas, e, nos termos do artigo 1º da citada Lei é ‘representativa de promessa de entrega de produtos, com ou sem garantia cedularmente constituída’.” (CUSTÓDIO, Pedro Miguel Ferreira. “O Regime Tributário Aplicável às Cédulas de Produto Rural Financeira – Operações Realizadas nos Mercados Primário e Secundário”, in O Direito Tributário e o Mercado Financeiro e de Capitais, São Paulo: Dialética, 2009, p. 405). Fl. 1938DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11060.003728/201085 Acórdão n.º 210101.565 S2C1T1 Fl. 347 10 Em outras palavras, a CPR representa o compromisso celebrado entre as partes, em virtude do qual o produtor se obriga a entregar um produto rural, existente ou não no tempo em que foi firmado o acordo. Ou seja, tratase de uma venda futura, na qual o produtor rural recebe um pagamento antecipado, comprometendose a entregar a mercadoria acordada. Considerando que se trata de título líquido e certo, sua liquidação poderá ser parcial, ou então, em caso de impossibilidade de cumprimento, o pagamento antecipado poderá ser ressarcido, à exceção da CPR financeira, que não é objeto de análise, pois se ampara em regime jurídico distinto. No presente caso, à luz do quanto disposto no §2º do art. 61 do RIR/99 e tendo em vista a ausência de notas fiscais que comprovassem a movimentação dos produtos no anocalendário de 2005, a fiscalização concluiu pela omissão de rendimentos do contribuinte, uma vez que, à época dos fatos, ele era integrante de uma parceria rural que emitiu diversas CPRs, considerando como database o vencimento das CPRs no ano de 2005, pois sua liquidação faz prova da entrega do produto. Ou seja, a fiscalização, diante da falta de documentação que comprovasse a liquidação ou não das CPRs, objeto de discussão, concluiu que os referidos títulos foram liquidados nas datas previstas como data de vencimento das cédulas (todas com vencimento em 2005), fazendo prova, portanto, da entrega do produto. Em que pese, in casu, o Recorrente informar que as CPRs analisadas e que ensejaram a glosa são CPRs financeiras, bem como os contratos fazerem alusão à Lei n.º 10.200/2001, que inseriu essa subespécie de CPR, a partir da leitura de tais títulos verificase que elas não cumprem os requisitos de uma CPR financeira, não podendo ser consideras como tal. De acordo com o referido diploma, a CPR financeira deve ter explicitado, em seu corpo, os referenciais necessários à clara identificação do preço ou do índice de preços a ser utilizado no resgate do título, a instituição responsável por sua apuração ou divulgação, a praça ou o mercado de formação do preço e o nome do índice, além de ser caracterizada por seu nome, seguido da expressão “financeira” (art. 4º, incisos I e III). A partir da análise dos títulos emitidos pela parceria da qual o Recorrente faz parte, verificouse que os mencionados requisitos não foram cumpridos. Diante dos esclarecimentos acima apontados, correta a autuação da fiscalização. Contudo, diante das ponderações feitas na decisão recorrida, o Recorrente trouxe aos autos novos documentos, na tentativa de comprovar as liquidações das CPRs utilizadas para fins de arbitramento da base de cálculo do imposto de renda devido à omissão de rendimentos em debate, os quais, à luz do princípio da verdade material, passo a analisar, em consonância com os demais documentos já acostados aos autos: Liquidação bancária: 14/11/2005 – CPRs 272, 274, 275, 276, 277, 12000, 235/2005, 248/2005, 25000, 260/2005, 178, 279, 002, 280, 283, 284, 033 e 042: O Recorrente acosta um recibo de transferência de valor entre contas, cuja remetente é a Sra. Maria Odila A. T. Pinto, efetuada em 14/11/2005, no valor total de R$ 800.000,00, à Herter Cereais Ltda. (fl. 325), acostando, à folha seguinte, recibo emitido pela Herter Cereais Ltda. referente ao recebimento da citada quantia como quitação de diversas CPRs, no mesmo valor de R$ 800.00,00. Fl. 1939DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11060.003728/201085 Acórdão n.º 210101.565 S2C1T1 Fl. 348 11 Havendo a prova efetiva, mediante apresentação de recibo, acrescida de transferência bancária do valor, entendo restar comprovada a restituição dos valores adiantados, sem a liquidação da CPR mediante entrega do produto. A este respeito, frisese que a própria fiscalização entendeu suficiente para a comprovação da inexistência de omissão de rendimentos a prova da transferência dos recursos, somada ao recebido feito na mesma data, relativo à quitação em espécie das CPRs, como se extrai da fl. 225v. Liquidação mediante recibo: 01/09/2005 – CPRs 231, 233 (parcial) e 236, no valor de R$ 49.950,00: O Recorrente acosta um recibo assinado pela Herter Cereais Ltda., em 01/09/2005, no valor de R$ 49.950,00, relativamente à baixa total a receber, no que tange às CPRs 231 e 236, e baixa parcial a receber, no que tange à CPR 233, caracterizando um descumprimento da obrigação de entrega de produto previsto nas cédulas, com a consequente devolução do pagamento antecipado (fl. 327), o que ensejaria a não tributação dos valores anteriormente recebidos. Contudo, entendo que somente o recibo não é documento suficiente para comprovar a operação, motivo pelo qual mantenho a glosa correlata. Liquidação mediante recibo: 02/09/2005 – CPRs 233 (parcial), no valor de R$ 89.950,00: O Recorrente acosta dois recibos assinados pela Herter Cereais Ltda., em 02/09/2005, no valor total de R$ 89.950,00, relativamente à baixa parcial a receber, no que tange à CPR acima destacada, caracterizando um descumprimento da obrigação de entrega de produto previsto na cédula, com a consequente devolução do pagamento antecipado (fl. 328), o que ensejaria a não tributação dos valores anteriormente recebidos. Contudo, entendo que somente o recibo não é documento suficiente para comprovar a operação, motivo pelo qual mantenho a glosa correlata. Liquidação mediante entrega de grãos: Nota Fiscal de Produtor 977693 e Nota Fiscal de Entrada n.º 024059 de Herter Cereais – 29.10.2005 – CPRs 258, 261, 262, 263, 265, 267, 270, 272, no valor de R$ 100.784,63: O Recorrente acosta um recibo assinado pela Herter Cereais Ltda., em 29/10/2005, no valor total de R$ 100.784,63,00, relativamente à baixa total a receber, no que tange às CPRs acima destacadas, exceto pela CPR 272, cuja baixa foi parcial (fl. 329), bem como as notas fiscais do produtor e de entrada (fls. 330/331). No entanto, apurase que as notas fiscais acostadas não fazem menção às CPRs que o Recorrente defende terem sido liquidadas mediante a entrega de grãos, comprovada pelos referidos documentos. Portanto, entendo que os documentos acostados não são suficientes para comprovar a operação, motivo pelo qual mantenho a glosa correlata. Liquidação mediante entrega de grãos: Nota Fiscal de Produtor 780376 e Nota Fiscal de Entrada n.º 018545 de Herter Cereais – 27/10/2005 – CPRs 233 (parte), 241, 243 e 245, no valor de R$ 83.630,10: Fl. 1940DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11060.003728/201085 Acórdão n.º 210101.565 S2C1T1 Fl. 349 12 O Recorrente acosta um recibo assinado pela Herter Cereais Ltda., em 27/10/2005, no valor total de R$ 213.643,30 (fls. 332), relativamente à baixa total a receber, no que tange às CPRs acima destacadas, exceto pela CPR 245, cuja baixa foi parcial (fl. 329), bem como as notas fiscais do produtor e de entrada (fls. 333/334). No entanto, constatase que as notas fiscais acostadas não fazem menção às CPRs que o Recorrente defende terem sido liquidadas mediante a entrega de grãos, comprovada pelos referidos documentos. Portanto, entendo que os documentos acostados não são suficientes para comprovar a operação, motivo pelo qual mantenho a glosa correlata. No mais, cumpre ressaltar que, no que atine às CPRs que o Recorrente afirma terem sido liquidadas, em 2005, mediante a entrega de grãos, aperfeiçoandose, assim, a obrigação prevista em referidos títulos, de rigor seria a contabilização dos valores recebidos como receita do referido ano; no entanto, a partir do LivroCaixa da parceria, não há como constatar se esses valores foram escriturados, ou seja, deveria o Recorrente, ainda, ter demonstrado que os valores recebidos estavam lançados no LivroCaixa do ano de 2005, sob pena de se manter o entendimento de que os valores foram omitidos. Por tais razões, portanto, entendo que, em relação a este ponto, deve ser dado parcial provimento ao recurso, excluindose da base de cálculo utilizada para o cômputo da omissão de rendimentos o montante de R$ 800.000,00, comprovadamente restituído à Herter Cereais Ltda. em virtude da impossibilidade de liquidação mediante entrega em grãos dos valores adiantados por meio das CPRs. Multa Qualificada Por fim, discordo da decisão recorrida no que tange à manutenção da multa qualificada de 150% em relação à omissão de rendimentos decorrentes da atividade rural. Isso porque, analisando os autos, entendo que a fiscalização não comprovou o evidente intuito de dolo, fraude ou simulação por parte do Recorrente. De fato, compulsandose os presentes autos, verificase que a autuação fiscal ocorreu com fundamento, exclusivamente, na data de liquidação das CPRs emitidas pelos produtores rurais, a partir das quais foi possível ao Ilmo. Sr. auditor fiscal entender que teria ocorrido a entrega da produção ao subscritor dos referidos títulos, sem a correspondente emissão das notas fiscais. Em que pese ao referido entendimento, tenho para mim que, muito embora válido o meio probatório eleito, permitindo a inferência da ocorrência da liquidação do título executivo com a consequente entrega da soja, pareceme que a mera inversão do ônus da prova proporcionada pela liquidação do título não permite inferir a existência de dolo, fraude ou simulação. Em outras palavras, entendo não haver provas suficientes de que tenha o contribuinte, dolosamente, deixado de emitir as notas fiscais para acobertar a não incidência do imposto de renda sobre os valores recebidos, antecipadamente, pela emissão das CPRs, sendo aplicável, destarte, o teor da Súmula n.º 14 deste CARF, vazada nos seguintes termos: Súmula CARF nº 14: “A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo” Fl. 1941DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11060.003728/201085 Acórdão n.º 210101.565 S2C1T1 Fl. 350 13 Sendo assim, voto no sentido de afastar a aplicação da multa qualificada relativa à omissão de rendimentos provenientes da atividade rural. Parte dispositiva Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento EM PARTE ao recurso, para determinar: (i) a exclusão da base de cálculo do imposto dos valores relativos à glosa de despesas da atividade rural, “despesas com construção”, mantendo a glosa de despesas especificamente em relação ao IRRF pago (“demais despesas”), (ii) a exclusão da base de cálculo relativa à omissão de rendimentos da atividade rural do valor de R$ 800.000,00, relativo a CPRs liquidadas mediante a devolução dos valores antecipados, bem como (iii) a redução da multa aplicada sobre a omissão de rendimentos ao patamar de 75%. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 1942DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 13052.000162/2005-05
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI PARA RESSARCIMENTO DE PIS E COFINS O
crédito presumido de IPI para ressarcimento de PIS e de
COFINS tem natureza de recuperação de custo. No âmbito do lucro real, o custo então recuperado deve ser adicionado à base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Se o contribuinte apurou o IRPJ e a CSLL pelo lucro presumido, devem ser observadas as condições estipuladas para a tributação ou não, conforme artigo 53 da Lei nº 9.430/96.
CESSÃO DE CRÉDITO DE ICMS. A cessão de crédito tributário
classificado em conta própria como “ICMS a recuperar” só é passível de tributação se o valor de cessão for superior ao valor despendido para aquisição do referido crédito contabilizado no ativo (desde que este não tenha sido lançado a custo).
Numero da decisão: 9101-001.442
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª TURMA DA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS
FISCAIS, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: KAREM JUREIDINI DIAS
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CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI PARA RESSARCIMENTO DE PIS E COFINS O crédito presumido de IPI para ressarcimento de PIS e de COFINS tem natureza de recuperação de custo. No âmbito do lucro real, o custo então recuperado deve ser adicionado à base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Se o contribuinte apurou o IRPJ e a CSLL pelo lucro presumido, devem ser observadas as condições estipuladas para a tributação ou não, conforme artigo 53 da Lei nº 9.430/96. CESSÃO DE CRÉDITO DE ICMS. A cessão de crédito tributário classificado em conta própria como “ICMS a recuperar” só é passível de tributação se o valor de cessão for superior ao valor despendido para aquisição do referido crédito contabilizado no ativo (desde que este não tenha sido lançado a custo). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 11ªª TTUURRMMAA DDAA CCÂÂMMAARRAA SSUUPPEERRIIOORR DDEE RREECCUURRSSOOSS FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Alberto Pinto Souza Junior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Suzy Gomes Hoffmann, Albertina Silva Santos de Lima (suplente convocada), Valmir Sandri. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13052.000162/200505 Acórdão n.º 910101.442 CSRFT1 Fl. 2 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional em face do Acórdão n° 10517.301, proferido pela então Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. O Auto de Infração exige Contribuição Social sobre o Lucro Líquido relativa aos anoscalendário de 2003 e 2004, em razão da ausência de cômputo na base de cálculo (lucro presumido) de receitas provenientes de transferências/cessões de créditos de ICMS para terceiros, bem como omissão parcial de receitas oriundas de créditos presumidos de IPI, vez que o contribuinte submeteu as últimas aos coeficientes de presunção. O contribuinte apresentou Impugnação ao Auto de Infração, tendo a Delegacia da Receita Federal de Julgamento considerado o lançamento procedente. Sobrevieram, então, Recurso Voluntário e o Acórdão nº 10771.301, o qual, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário. A decisão restou assim ementada: Assunto: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE LUCRO LÍQUIDO – CSLL Exercício: 2004, 2005 Ementa: CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS CRÉDITOS PRESUMIDOS DE IPI INCONSTITUCIONALIDADES A autoridade administrativa cumpre, no exercício da atividade de lançamento, o fiel cumprimento da lei. Exorbita A. competência das autoridades julgadoras a apreciação acerca de suposta inconstitucionalidade ou ilegalidade de ato integrante do ordenamento jurídico vigente a época da ocorrência dos fatos. JUROS SELIC A partir de l° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. PEDIDO DE PERÍCIA A luz do regramento processual vigente, a autoridade julgadora é livre para, diante da situação concreta que lhe é submetida, deferir ou indeferir pedido de perícia formulado pelo sujeito passivo, ex vi do disposto no art. 18 do Decreto n° 70.235, de 1972. No caso vertente, demonstradas, à evidência, a dispensabilidade do procedimento e ausência de atendimento dos requisitos impostos pela legislação de regência, há que se indeferir o pedido correspondente. Recurso Voluntário Provido. A Fazenda Nacional interpôs, então, Recurso Especial, no qual alega ter o acórdão recorrido violado o disposto no artigo 2º, caput e §§ 1º e 2º da Lei nº 7.689/88; artigo 20 da Lei nº 9.249/95; artigos 28 e 29 da Lei nº 9.430/96; artigo 520 do RIR/99 e artigo 111 do Código Tributário Nacional, tendo em vista o entendimento pela não tributação dos valores oriundos da cessão de créditos de ICMS e de crédito presumido de IPI pela CSLL. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13052.000162/200505 Acórdão n.º 910101.442 CSRFT1 Fl. 3 3 O despacho de fls. 227/229 deu seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. O contribuinte foi intimado via edital, uma vez que a intimação postal via AR retornou sem sua localização, conforme fls. 231/233. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13052.000162/200505 Acórdão n.º 910101.442 CSRFT1 Fl. 4 4 Voto Conselheira Karem Jureidini Dias, Relatora O Recurso Especial foi interposto em face de acórdão não unânime, com fundamento em contrariedade à lei. A despeito de tal hipótese não mais estar prevista no atual Regimento Interno do CARF, o acórdão recorrido foi proferido em sessão anterior a 30/06/2009, quando vigente o Regimento anterior. Desta forma, conheço do Recurso Especial da Fazenda. Esclareço inicialmente que o contribuinte nos anoscalendários de 2003 e 2004 estava sujeito ao lucro presumido, sendo que nos anos anteriores (2001 e 2002) estava sujeito ao lucro real, conforme se verifica do Relatório de Ação Fiscal de fls. 09: “Em síntese, informou que os valores referentes ao Crédito Presumido do IPI e à cessão de ICMS para terceiros transitaram pelo resultado do exercício, tendo sido tributados pelo IRRI e CSLL nos anoscalendário de 2001 e 2002, quando tributado pelo lucro real. Para os anoscalendário de 2003 e 2004, tributado pelo lucro presumido, declarou ter sujeitado apenas as receitas de crédito presumido de MI ao IRRI e CSLL.” O acórdão recorrido deu provimento integral ao recurso voluntário, cancelando o auto de infração e afastando a tributação, pelas mesmas razões, da cessão de crédito de ICMS e de crédito presumido de IPI. O Recurso Especial da Fazenda Nacional requer a reforma do acórdão recorrido para ambas as questões. No tocante à tributação da cessão de crédito de ICMS, descreveu o acórdão recorrido: “a contribuinte, ao promover a aquisição de bens aplicados na sua produção, pagou um determinado preço, estando embutido neste o ICMS. Diante da não cumulatividade de tal tributo, o valor de tributo pago nessa operação pode ser abatido na operação subseqüente.. Assim, tratandose, pois, de imposto recuperável, a contribuinte se creditou do montante pago nas referidas aquisições. Autorizada pela legislação, a contribuinte cedeu, de forma onerosa, tais créditos para terceiros. Como sabido, o que ocorre nas vendas para o exterior é que há uma segregação, primeiro há a venda do produto sem o tributo já custeado pelo vendedor e, em segundo, há a recuperação do tributo que deveria ter sido repassado para o adquirente”. Portanto, entendo que em referida operação houve apenas recuperação do custo e não receita, isso porque a venda de crédito é apenas uma recomposição do valor despendido com o tributo, que deveria ter sido repassado para adquirente do produto, e por razões variadas, como por exemplo a de política econômicas não o foi.” Fl. 244DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13052.000162/200505 Acórdão n.º 910101.442 CSRFT1 Fl. 5 5 Por tais razões, entendeu o referido acórdão que a cessão de crédito de ICMS não constitui “receita tributável, mas mera recomposição do valor despedido (troca de crédito por dinheiro)”. Alega a Fazenda Nacional que a transferência de créditos de ICMS se configura como espécie de alienação de direitos e, portanto, como receita tributável, mas sobre a qual não se deve aplicar o percentual para determinação do lucro presumido, mas deve ser incluída como “demais receitas, nos termos do artigo 29 da Lei nº 9.430/96, artigo 521 do RIR/99 e artigo 20 da Lei nº 9.249/95”. Assim como quanto ao crédito de ICMS, no tocante ao crédito presumido de IPI, o acórdão recorrido também entendeu que houve apenas uma recuperação do prejuízo anteriormente suportado pelo contribuinte, não havendo aumento da receita: “Isto porque o crédito presumido de IPI instituído pela Lei n ° 9363/96 tem o claro objetivo de incentivar a atividade de exportação, reduzindo a carga tributária. Assim, o contribuinte exportador de mercadorias obteve o direito a créditos presumidos do Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI sobre as matériasprimas, produtos industrializados e material de embalagem, adquiridas no mercado internos e utilizadas na fabricação de produtos cujo destino é o exterior. Dessa forma, ao adquirir o produto nacional e empregarlo no produto a ser exportado, o Contribuinte suporta o custo do Imposto e sua posterior utilização, nos moldes da Lei, apenas recupera o custo anteriormente suportado.” De outra parte, argumenta a Fazenda Nacional que o valor correspondente ao crédito presumido de IPI não está compreendido na definição de receita bruta, devendo ser receita classificada como “outra receita operacional” e que, portanto, deve ser adicionada diretamente à base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Aduz que a recuperação de custos representa um aumento do lucro do período, conforme artigos 521 do RIR/99 e 53 da Lei nº 9.430/96. Tratarei de forma segregada as hipóteses da cessão de crédito de ICMS e de crédito presumido de IPI para ressarcimento do crédito de PIS e COFINS. Crédito Presumido de IPI para ressarcimento do PIS e COFINS De acordo com a Lei nº 9.363/96 e Lei nº 10.276/01, incentivando a atividade de exportação por meio da redução da carga tributária, foi determinado que a empresa exportadora de mercadorias nacionais faz jus à crédito presumido de IPI como ressarcimento da contribuição ao PIS e da COFINS, nas sistemáticas das Leis nº 07/70 e 70/91, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Esse direito foi conferido inclusive no caso da empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. O crédito presumido de IPI é determinado mediante aplicação, sobre o valor total, dos valores de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do exportador. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13052.000162/200505 Acórdão n.º 910101.442 CSRFT1 Fl. 6 6 De longa data se discute a natureza desse crédito presumido de IPI. A natureza desse crédito presumido deve definir o tratamento fiscal a lhe ser conferido. Há respeitável entendimento, como aquele exposto no acórdão 180200.338, no sentido de que o crédito presumido de IPI, porque, quando ressarcido implica num incentivo financeiro, já que nasce a obrigação do Estado em entregar recursos ao contribuinte após o nascimento da obrigação de pagar o tributo. Essa relação jurídica de Direito Financeiro consubstanciarseia em uma forma de subvenção. Em se tratando de subvenção concedida sem condição vinculada a implantação ou expansão de empreendimento econômico e sem qualquer contrapartida do contribuinte, podendo o ressarcimento ser utilizado por diversas formas, inclusive parte sobre a dedução do IPI e parte sobre a forma de ressarcimento em dinheiro, esse incentivo financeiro, que teria natureza de subvenção para custeio (corrente), corresponderia a uma verdadeira receita do exercício e, portanto, sujeita à incidência tributária. Enquanto as subvenções para investimento possuem regras próprias de escrituração e para elas se afasta a tributação, a subvenção para custeio constitui receita operacional, nos termos do artigo 44 da Lei das S.A.. Nesse sentido o acórdão nº 10806.049, sessão de 15/03/2000: SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO — Os valores recebidos a título de subvenção para custeio integram a receita operacional. Em se tratando de subvenção para custeio, por decorrência, estarseia diante de receita operacional, pelo que assim como esclarecido no próprio manual de preenchimento da DIPJ, submetido ao cálculo das receitas operacionais, mas não se aplicando o tratamento de receita bruta, o que no lucro presumido implicaria, in casu, na não aplicação do percentual de 8% antes do cálculo do imposto, e sim de tributação direta. Da leitura atenta do acórdão que menciono, me surgiu dúvida até se, diante das razões expostas, o valor do crédito presumido limitado ao valor do débito de IPI apurado, não corresponderia tão somente a um incentivo fiscal e, nessa medida, diverso do incentivo financeiro. Como dito no acórdão mencionado, incentivo fiscal é aquele que atua na fase de apuração do tributo devido, nascendo a obrigação tributária após o cômputo do incentivo fiscal, já pelo seu valor líquido. Também respeitável entendimento, conforme bem exposto no acórdão nº 110200.318, caminhou no sentido de que o crédito presumido de IPI é uma recuperação de custo e, nos termos do artigo 53 da Lei nº 9.430/96, deveria ser incluído na apuração do lucro presumido diretamente, vale dizer, também sem a aplicação do percentual de apuração de 8%, porquanto já se configuraria a sua dedução do custo ressarcido no cálculo de presunção sobre as vendas efetuadas. De se esclarecer desde logo, que a fiscalizada submeteu o crédito presumido de IPI ao efeito redutor de 8%, conforme descrito as fls. 9 do TVF. Segundo o TVF, esse montante deveria ser integralmente acrescido à base de cálculo, conforme artigo 25 da Lei 9.430/96 e artigo 521 do RIR/99. Há também entendimento no sentido de que esse valor, mormente para efeito do lucro presumido, salvo exceção expressa em lei, sequer há que ser incluído na base de cálculo da tributação do IRPJ e da CSLL, como o acórdão recorrido, fulcrado na natureza do ingresso de mera recuperação de custo. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13052.000162/200505 Acórdão n.º 910101.442 CSRFT1 Fl. 7 7 Entendo que, inclusive por disposição expressa de lei, o crédito presumido de IPI corresponde à recuperação de custos, porquanto é legalmente um ressarcimento do PIS e da COFINS embutidos no custo de aquisição de insumos utilizados na fabricação de mercadorias exportadas. É uma recuperação de custos, ainda que em montante presumido. Em caso de comprovada impossibilidade de utilização do crédito presumido para a compensação do IPI pelo exportador, nas operações de mercado interno, poderá este requerer o ressarcimento com moeda corrente, compensálo com débitos relativos a outros tributos e contribuições federais, ou transferilo para outros estabelecimentos da mesma empresa, observadas as normas pertinentes. O acórdão recorrido entendeu que, por ser uma recuperação de custos, não deveria integrar a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Entendo que deve se fazer uma distinção no efeito da recuperação do custo quando se trata de tributo apurado no lucro real, daquele apurado no lucro presumido. Muito bem, no que tange ao crédito presumido de IPI que estamos a tratar, temos que a recuperação de custo é regulada no artigo 53 da Lei 9.430/96, que assim dispõe: Art. 53. Os valores recuperados, correspondentes a custos e despesas, inclusive com perdas no recebimento de créditos, deverão ser adicionados ao lucro presumido ou arbitrado para determinação do imposto de renda, salvo se o contribuinte comprovar não os ter deduzido em período anterior no qual tenha se submetido ao regime de tributação com base no lucro real ou que se refiram a período no qual tenha se submetido ao regime de tributação com base no lucro presumido ou arbitrado. Ora, não há dúvidas sobre a tributação pelo IRPJ e pela CSLL do crédito presumido do IPI no âmbito do imposto sobre a renda e da CSLL apurados pelo lucro real, uma vez que uma recuperação de valor correspondente a custo que, a princípio, o contribuinte já deduziu, gera, por decorrência lógica, a necessidade da tributação quando de sua recuperação. Ocorre que, no âmbito do lucro presumido, o valor recuperado de custo só deve ser adicionado ao lucro presumido para determinação do imposto de renda se o contribuinte estava, em período anterior, submetido ao lucro real e o deduziu como custo. Vale dizer, se o contribuinte recuperou o custo de período no qual tenha já se submetido à tributação pelo lucro presumido e nele permaneça, por disposição do artigo 53 da Lei nº 9.430/96, não haveria que se falar em adição à base de cálculo do Imposto sobre a Renda da recuperação de custo. O mesmo raciocínio se aplica à CSLL No mesmo sentido, o acórdão 10194.342 define que “O registro na escrituração mercantil do crédito presumido do IPI tem como fundamento a desoneração do custo dos produtos vendidos, classificandose como recuperação de custos ou ainda em receita operacional, porém, inadmissível a sua exclusão na apuração do lucro real”. Muito bem, se estamos diante de apuração do lucro presumido, por determinação do artigo 53 da Lei nº 9.430/96, esse valor deve ser adicionado ao lucro presumido, para determinação do imposto de renda, se o contribuinte não comprovar que não deduziu o custo então ressarcido do lucro real, caso tenha adotado esse regime de tributação. Verifico que o contribuinte apurou para os dois anos anteriores – 2003 e 2004, o lucro prelo regime de apuração presumido, mas adotou o regime de tributação para o lucro real para os anoscalendário de 2001 e 2002. Tal informação consta do próprio relatório da ação fiscal. Se Fl. 247DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13052.000162/200505 Acórdão n.º 910101.442 CSRFT1 Fl. 8 8 houve no período em que passível do ressarcimento ora tratado, apuração pelo lucro real, e se, por outro lado, não houve a comprovação de que os valores ressarcidos ou não se referiam a esse período ou não foram deduzidos do custo, não há que se pleitear a não tributação desse custo. Por fim, se a recuperação do custo é tributável, quando este por presunção foi deduzido do lucro real, a tributação se dá diretamente sobre o valor, no caso do reconhecimento da recuperação do custo (antes deduzido) agora no presumido. Não pode tal valor ser tratado como receita bruta, porquanto não corresponde a venda de mercadoria e a prestação de serviço. Assim, a tributação do IRPJ e da CSLL ocorre diretamente sobre o valor do custo recuperado. O tratamento dado pelo contribuinte, como depreendo do Termo de Verificação Fiscal (fls. 16) foi o seguinte: “A fiscalizada, equivocadamente, submeteu a receita oriunda do crédito presumido de IPI ao efeito redutor do coeficiente de presunção de 8%. Tal receita, sem dúvida alguma configura espécie enquadrada no conceito de demais receitas do art. 521 do RIR/99 e deve ser integralmente adicionada à base de cálculo do IRPJ, sem o efeito redutor do coeficiente.” No próprio Recurso Especial da Fazenda, às fls. 222 do processo, reproduz instrução de preenchimento da DIPJ 2003/2004, citando a alínea “c) os créditos presumidos do IPI, para ressarcimento do valor da Contribuição ao PIS/Pasep e Cofins;” que por sua vez se reporta a Linha 06A/30 — Outras Receitas Operacionais”, não se lhe aplicando o percentual de presunção. Do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional nesta parte. Cessão de Crédito de ICMS De acordo com o Termo de Verificação Fiscal: “Quanto aos créditos de ICMS, a transferência/cessão dos mesmos configura espécie de alienação, pois a empresa transfere o direito aos créditos de ICM S em troca de uma vantagem patrimonial. O caso clássico, e procedimento comum no mercado, é a aquisição de insumos para a industrialização em que a divida com o fornecedor é quitada através da cessão dos créditos. Tal negócio jurídico possibilita a capitalização da empresa, uma vez que não saem recursos do seu caixa. Não saindo recursos do seu caixa, mas havendo o fornecimento de insumos por parte do fornecedor, não resta dúvida de que a empresa obteve disponibilidade financeira e patrimonial com a cessão do crédito de ICMS.” Pensemos novamente sobre a lógica do lucro real, para que se configure a natureza desse ingresso e se verifique o tratamento fiscal também para o lucro presumido, situação versada no caso concreto. O IPI e o ICMS pagos na aquisição de mercadorias para revenda e de insumos da produção industrial (matériasprimas, materiais intermediários e embalagens) não devem integrar o custo, quando forem recuperáveis mediante crédito nos livros fiscais pertinentes. Os impostos recuperáveis pagos na aquisição de mercadorias e insumos da Fl. 248DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13052.000162/200505 Acórdão n.º 910101.442 CSRFT1 Fl. 9 9 produção podem ser contabilizados, por ocasião da aquisição desses bens, em contas próprias, classificáveis no ativo como “IPI a Recuperar” e "ICMS a Recuperar”. Do exposto, verificase que o crédito de ICMS a que faz jus o contribuinte e compõe o crédito acumulado, passível de cessão para terceiros, não compõe sequer o custo, mas é desde início um ativo da empresa que por ele pagou. É um ativo porque ao adquirir insumo, o ICMS recolhido nessa aquisição lhe gera direito a crédito para apuração do ICMS ao final devido. A manutenção desse crédito, ainda que a saída não seja tributada ou seja imune, a exemplo da exportação, e a apuração do crédito acumulado passível de cessão, decorre da disposição de lei no âmbito da competência tributária respectiva. Contabilmente, esse crédito, insisto, é um ativo, que antes implicou num sacrifício financeiro da empresa quando da aquisição do insumo. Esse ativo pode ser trocado por outro, conforme requisitos do ente tributário respectivo, na cessão do crédito do ICMS, não havendo, in casu, qualquer acréscimo patrimonial ou sequer recuperação de custo, porquanto é desde início segregado do custo do produto adquirido. No âmbito do Imposto sobre a Renda apurado pelo lucro real, a cessão desse crédito só comporia sua apuração se, por alguma razão, o montante do ICMS recolhido não implicasse em crédito e tivesse sido lançado a custo e, aí sim, estarseia diante de uma recuperação de custo anteriormente apropriada. Apesar de o acórdão recorrido ter tratado como recuperação de custo, diferenciando a natureza de tal ingresso com aquele que corresponde a uma receita, e concluindo também pela sua não tributação, ainda que por razão de decidir diversa, não divirjo da conclusão do acórdão recorrido. Se de um lado a cessão de crédito desempenha, segundo o Direito Civil, o mesmo papel da compra e venda de bens corpóreos e, em última instância, dessa transação se tenha ingresso em definitivo que possa se classificar como receita, tal natureza de crédito, por outro lado, não é classificada como receita bruta, porquanto não se trata de venda de bens nem de serviços prestados, tampouco de operação de conta alheia, hipóteses abarcadas na definição de receita bruta dada pela Lei nº 8.981/95. O que se tem, no limite, é a possibilidade de existir um ganho de capital, se o valor da cessão for superior ao valor do crédito registrado. Uma coisa é a receita que deve ser integralmente adicionada à base do imposto, outra coisa é uma eventual alienação que gere ganho de capital, sendo tão somente o resultado positivo passível de tributação. De outra parte, e como usualmente ocorre, se o valor da cessão é inferior ao crédito, esse deságio gera um ganho tributável no adquirente. Ora, no presente caso não há qualquer acusação de diferença positiva entre o valor da cessão e do crédito de ICMS, mas a mera acusação que o ICMS recuperável deveria ser tributado pelo valor integral quando de sua cessão, do que discordo frontalmente. Nesse sentido, cito trecho do acórdão nº 110200.318, sessão de 02/09/2010: Concluindo, na esteira do raciocínio antes expendido, de que o crédito de ICMS não é um custo, mas sim um direito do contribuinte, integrante do seu ativo, forçoso reconhecer que o custo de aquisição deste direito corresponde precisamente ao valor que foi registrado em sua contabilidade como "ICMS Recuperável" por ocasião das compras efetuadas, lembrando que, no momento da aquisição, conforme antes exposto, o adquirente registra em seu ativo dois valores distintos: o valor da matériaprima estocada e o valor do ICMS incidente sobre a referida compra. Tendo este crédito sido cedido a terceiros, houve receita, conforme demonstrado. Contudo, tratandose de alienação de direito pertencente à pessoa jurídica, não será esta receita que deverá ser Fl. 249DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13052.000162/200505 Acórdão n.º 910101.442 CSRFT1 Fl. 10 10 acrescida à base de cálculo do imposto de renda com base no lucro presumido, mas sim o resultado positivo dela decorrente, se houver. As mesmas conclusões aplicamse à CSLL, único objeto do presente processo, por força do disposto no artigo 29, II da Lei nº 9.430/96. Assim, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional nesta parte. Por todo o exposto, concluo por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso da Fazenda para reestabelecer a exigência fiscal, no que tange à tributação pela CSLL do crédito presumido de IPI para ressarcimento do PIS e COFINS. (assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias Fl. 250DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS
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