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Numero do processo: 10140.902312/2011-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.831
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente COMERCIAL FAYAD LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 90 23 12 /2 01 1- 70 Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10140.902312/201170 Acórdão n.º 3302003.831 S3C3T2 Fl. 3 2 Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de COFINS incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06052.262. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10140.902312/201170 Acórdão n.º 3302003.831 S3C3T2 Fl. 4 3 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10140.902312/201170 Acórdão n.º 3302003.831 S3C3T2 Fl. 5 4 A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10140.902312/201170 Acórdão n.º 3302003.831 S3C3T2 Fl. 6 5 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10140.902312/201170 Acórdão n.º 3302003.831 S3C3T2 Fl. 7 6 foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 102DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001379/2009-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
Ementa:
NULIDADE. CANCELAMENTO.
Satisfeitos os requisitos do art. 10 do Decreto 70.235/72 e não tendo ocorrido o disposto no art. 59 do mesmo decreto, não há que se falar em anulação ou cancelamento da autuação.
CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA.
Não há cerceamento à defesa do contribuinte quando os autos estão devidamente instruídos com todos os documentos comprobatórios dos fatos motivadores da autuação e a correspondente fundamentação legal.
DESPESAS OPERACIONAIS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. GLOSA.
Cabível a exigência de ofício sobre valores contabilizados como despesas de auditoria, assessoria e publicação, quando não apresentados documentos hábeis e idôneos a comprovar a efetiva execução do serviço definido por contrato entre as partes.
RECUPERAÇÃO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. ALEGAÇÕES DESACOMPANHADAS DE COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL.
Nos termos do Decreto 70.235/72, a impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar. Cabe, portanto, à impugnante trazer juntamente com suas alegações impugnatórias todos os documentos que dêem a elas força probante.
PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITO. DEDUTIBILIDADE.
As perdas na realização de créditos podem ser consideradas como despesas dedutíveis para efeito de apuração do Lucro Real, desde que devidamente comprovadas, observadas as condições previstas na legislação de regência. À autoridade administrativa cabe cumprir a determinação legal, aplicando o ordenamento vigente às infrações concretamente constatadas.
MULTA DE OFÍCIO. INCORPORAÇÃO. RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA.
A pessoa jurídica incorporadora é responsável pelo crédito tributário da incorporada, respondendo tanto pelos tributos e contribuições como por eventual multa de ofício e demais encargos legais decorrentes de infração cometida pela empresa sucedida, mesmo que formalizados após a alteração societária, mormente se incorporadora e incorporada encontravam-se sob controle comum.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
A utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora decorre de disposição expressa em lei, não cabendo aos órgãos do Poder Executivo afastar sua aplicação.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
A procedência do lançamento de IRPJ, relativo a receitas que deixaram de ser oferecidas à tributação, implica a manutenção da exigência fiscal de CSLL, PIS e Cofins decorrentes dos mesmos fatos.
Numero da decisão: 1402-002.447
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e no mérito dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a dedução no valor de R$ 24.000,00 referente à ABAS. Ausente justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Narder Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 Ementa: NULIDADE. CANCELAMENTO. Satisfeitos os requisitos do art. 10 do Decreto 70.235/72 e não tendo ocorrido o disposto no art. 59 do mesmo decreto, não há que se falar em anulação ou cancelamento da autuação. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não há cerceamento à defesa do contribuinte quando os autos estão devidamente instruídos com todos os documentos comprobatórios dos fatos motivadores da autuação e a correspondente fundamentação legal. DESPESAS OPERACIONAIS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. GLOSA. Cabível a exigência de ofício sobre valores contabilizados como despesas de auditoria, assessoria e publicação, quando não apresentados documentos hábeis e idôneos a comprovar a efetiva execução do serviço definido por contrato entre as partes. RECUPERAÇÃO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. ALEGAÇÕES DESACOMPANHADAS DE COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. Nos termos do Decreto 70.235/72, a impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar. Cabe, portanto, à impugnante trazer juntamente com suas alegações impugnatórias todos os documentos que dêem a elas força probante. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITO. DEDUTIBILIDADE. As perdas na realização de créditos podem ser consideradas como despesas dedutíveis para efeito de apuração do Lucro Real, desde que devidamente comprovadas, observadas as condições previstas na legislação de regência. À autoridade administrativa cabe cumprir a determinação legal, aplicando o ordenamento vigente às infrações concretamente constatadas. MULTA DE OFÍCIO. INCORPORAÇÃO. RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA. A pessoa jurídica incorporadora é responsável pelo crédito tributário da incorporada, respondendo tanto pelos tributos e contribuições como por eventual multa de ofício e demais encargos legais decorrentes de infração cometida pela empresa sucedida, mesmo que formalizados após a alteração societária, mormente se incorporadora e incorporada encontravam-se sob controle comum. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora decorre de disposição expressa em lei, não cabendo aos órgãos do Poder Executivo afastar sua aplicação. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. A procedência do lançamento de IRPJ, relativo a receitas que deixaram de ser oferecidas à tributação, implica a manutenção da exigência fiscal de CSLL, PIS e Cofins decorrentes dos mesmos fatos.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 Ementa: NULIDADE. CANCELAMENTO. Satisfeitos os requisitos do art. 10 do Decreto 70.235/72 e não tendo ocorrido o disposto no art. 59 do mesmo decreto, não há que se falar em anulação ou cancelamento da autuação. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não há cerceamento à defesa do contribuinte quando os autos estão devidamente instruídos com todos os documentos comprobatórios dos fatos motivadores da autuação e a correspondente fundamentação legal. DESPESAS OPERACIONAIS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. GLOSA. Cabível a exigência de ofício sobre valores contabilizados como despesas de auditoria, assessoria e publicação, quando não apresentados documentos hábeis e idôneos a comprovar a efetiva execução do serviço definido por contrato entre as partes. RECUPERAÇÃO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. ALEGAÇÕES DESACOMPANHADAS DE COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. Nos termos do Decreto 70.235/72, a impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar. Cabe, portanto, à impugnante trazer juntamente com suas alegações impugnatórias todos os documentos que dêem a elas força probante. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITO. DEDUTIBILIDADE. As perdas na realização de créditos podem ser consideradas como despesas dedutíveis para efeito de apuração do Lucro Real, desde que devidamente comprovadas, observadas as condições previstas na legislação de regência. À autoridade administrativa cabe cumprir a determinação legal, aplicando o ordenamento vigente às infrações concretamente constatadas. MULTA DE OFÍCIO. INCORPORAÇÃO. RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 13 79 /2 00 9- 79 Fl. 8186DF CARF MF Processo nº 16327.001379/200979 Acórdão n.º 1402002.447 S1C4T2 Fl. 8.187 2 A pessoa jurídica incorporadora é responsável pelo crédito tributário da incorporada, respondendo tanto pelos tributos e contribuições como por eventual multa de ofício e demais encargos legais decorrentes de infração cometida pela empresa sucedida, mesmo que formalizados após a alteração societária, mormente se incorporadora e incorporada encontravamse sob controle comum. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora decorre de disposição expressa em lei, não cabendo aos órgãos do Poder Executivo afastar sua aplicação. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. A procedência do lançamento de IRPJ, relativo a receitas que deixaram de ser oferecidas à tributação, implica a manutenção da exigência fiscal de CSLL, PIS e Cofins decorrentes dos mesmos fatos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e no mérito dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a dedução no valor de R$ 24.000,00 referente à ABAS. Ausente justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Narder Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 8187DF CARF MF Processo nº 16327.001379/200979 Acórdão n.º 1402002.447 S1C4T2 Fl. 8.188 3 Relatório Tratase de julgamento de Recurso Voluntário interposto face v. acórdão da DRJ (fls. 412/445 do 3º volume) que julgou totalmente procedente o Auto de Infração. Tratase do exame dos Autos de Infração do IRPJ e reflexos na CSLL, no PIS e na COFINS, relativos ao anocalendário de 2004, com a aplicação da multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora com base na taxa Selic. Para descrever os fatos dos autos, adoto o relatório da Resolução 1202.000.111, que converteu o julgamento do recurso em diligência, completandoo no que for necessário: Por bem descrever as infrações ocorridas, passo a adotar o relatório do Acórdão nº 1625.075 da DRJ/São Paulo I, de fls. 412 a 445, assim transcrito, na parte que mais interessa: “17. As irregularidades constatadas estão resumidas a seguir: a — baixa pelo pagamento de provisões administrativas: R$539.852,31. Não foram apresentados comprovantes de pagamentos, caracterizandose como despesa não comprovada objeto de glosa; b — baixa de provisão de depósitos judiciais: R$1.171.773,98. Não foi comprovada a baixa da provisão nem em conta patrimonial nem em conta de resultado do referido valor, apesar de efetuada a exclusão no lucro líquido na apuração do lucro real e na base de cálculo da CSLL, caracterizando exclusão indevida; c — ajuste positivo a valor de mercado (R$10.351.753,85) das operações com instrumentos derivativos (swap). Não foi apresentada documentação que comprovasse tratarse a receita de ajuste a valor de mercado e no montante referido. Depreendese ser essa receita tributável, sendo indevida a exclusão efetuada na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL; d — doação a entidades civis: R$445.815,45. Não foi comprovada escrituração do referido pagamento na conta cosif 8.1.7.15 ou outra conta de despesa, caracterizando omissão de receita por presunção legal. Também constatouse inobservância de requisitos legais, eis que a dedutibilidade é condicionada à entidade beneficiária ter sua condição de Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) renovada anualmente. A contribuinte não apresentou a certidão válida para o ano de 2004 e, em pesquisa ao sítio do Ministério da Justiça, observouse que a entidade RITS beneficiária de doação não renovou sua situação desde 2001. Portanto, configura se indedutível a despesa com doação efetuada à RITS no valor de R$ 421.815,45. Fl. 8188DF CARF MF Processo nº 16327.001379/200979 Acórdão n.º 1402002.447 S1C4T2 Fl. 8.189 4 Neste item, antes de continuar o relatório, para evitar confusões, entendo ser importante esclarecer que em relação ao valor de R$ 24.000,00 relativo à doação para a ABAS, foram lavrados Autos de Infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, incluindo a acusação de omissão de receita. Já, para o montante de R$ 421.815,45 relativo à doação para a RITS, foram lavrados apenas Autos de Infração de IRPJ e CSLL, sem a acusação de omissão de receita. Continuando o relatório. e — perdas em operações de crédito: o valor de R$ 1.236.474,99 referente aos encargos dos créditos vencidos até 59 dias foi considerado como perda em prazo inferior ao determinado na Lei 9.430/96, art. 9º, § 1°, III, em razão do fluxo contábil apresentado descrever a exclusão em 1 ano, caracterizando antecipação de despesa e, por conseguinte, postergação do pagamento do imposto. O valor de R$ 1.358.715,87 referente ao saldo devedor deduzido como perda configurou três irregularidades: (i) considerou como perda o valor de R$ 279.392,13 com prazo inferior a 2 anos caracterizando antecipação de despesa e consequente postergação no pagamento de tributos; (ii) não foi demonstrada a respectiva baixa do saldo na parte B do LALUR a suportar a exclusão efetuada na parte A, tendo em vista a contribuinte afirmar se beneficiar da dedutibilidade da reversão da provisão, e (iii) por falta de demonstração da inclusão no lucro líquido através da conta contábil de receita de recuperação de créditos baixados como prejuízo, o valor contábil do crédito recuperado no referido valor. Aqui, entendo ser necessário complementar com informações do próprio TVF, fls. 248/252, para esta infração, fls. 250/252, a qual sintetizo abaixo: a o valor de R$1.236.474,99 (R$523.746,25 + R$712.728,74), que representa o valor dos encargos contabilizados como receita de prestações em atraso vencidas até 59 dias, foi deduzido na apuração do lucro real e na base de cálculo da CSLL no período de 1 ano, conforme depreendese do fluxo contábil apresentado nas respostas de 27/08/2009, item 5, "e", e de 11/09/2009; b De acordo com o art.9.° da Resolução BC 2.682/99: é vedado o reconhecimento no resultado do período de receitas e encargos de qualquer natureza relativos a operações de crédito que apresentem atraso igual ou superior a 60 dias, no pagamento de parcela de principal ou encargos. Art.7.° : a operação classificada como de risco nível H deve ser transferida para a conta de compensação, com o correspondente débito em provisão, após decorridos seis meses da sua classificação nesse nível de risco, não sendo admitido o registro em período inferior. Fl. 8189DF CARF MF Processo nº 16327.001379/200979 Acórdão n.º 1402002.447 S1C4T2 Fl. 8.190 5 c art.11 da Lei 9.430/96: após dois meses do vencimento do crédito, sem que tenha havido seu recebimento, a pessoa jurídica credora poderá excluir do lucro líquido, para determinação do lucro real, o valor dos encargos financeiros incidentes sobre o crédito, contabilizado como receita, auferido a partir do prazo definido neste artigo. d em 27/08/2009, a contribuinte informa o seguinte fluxo contábil dos encargos: valores das baixas correspondem aos sistemas Dsoft e GC, sistemas da empresa Arrendamento Mercantil que controlam a origem do crédito. Os valores correspondem a dois meses de atualização contratual para os créditos vencidos até 59 dias contabilizados em resultado (receita tributável). Após 60 dias de vencimento do crédito ocorre a transferência para prejuízo (contas de compensação), momento em que é tomada a dedutibilidade, na apuração do IRPJ e CSLL, da atualização contabilizada nas contas de receitas tributáveis; e de acordo o disposto acima, observase que o fluxo contábil para reconhecimento da dedutibílidade ocorre quando completa 1 ano, pois para ser considerado prejuízo é necessário que a operação seja classificada como risco H (atraso superior a 180 dias), e permanecer mais 180 dias nesse nível de risco, para que possa se baixada a provisão. Portanto, o momento do reconhecimento da dedutibilidade na base de cálculo do IRPJ e CSLL está em desacordo com o art.1l da Lei 9.430/96. Nos casos de contratos de arrendamento que possuem garantia real, a dedutibilidade somente poderá ser utilizada quando o prazo de vencimento for maior do que 2 anos se iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para seu recebimento; f a contribuinte foi intimada em 04/08/2009, 08/10/2009 e 19 0/2 0 a justificar a dedutibilidade no prazo de 1 ano, em desacordo com o art.9.° da Lei 30/ 6, o entanto entendeu correto o procedimento adotado; g também compõe o valor das perdas com operações de crédito o montante de R$1.358.715,87, correspondente ao saldo devedor da carteira Bozano (incorporada pelo Santander), originário do sistema Dsoft. Conforme informações prestadas na resposta de 27/08/2009, item 5, "f', e em 11/09/2009, a conta de provisão foi baixada contra a conta de operações de arrendamento mercantil (ativo), reconhecendo se o efeito da reversão da provisão na apuração do cálculo do IRPJ e da CSLL quando ocorreu a recuperação do crédito vencido; h em 07/10/2009 foi encaminhada mensagem eletrônica aos representantes da empresa solicitando esclarecer questões relativas a perdas consideradas dedutíveis nas operações de crédito no valor de R$1.358.715,87 e por que foram deduzidos os créditos recuperados com menos de 2 anos no total de R$279.392,13 (R$116.839,09 no 1.° trimestre e R$162.553,04 no 2.° semestre), indicando o registro da receita de recuperação no balancete e o controle do saldo na parte B do LALUR. A contribuinte não se manifestou. Como não foi apresentado o controle da parte B do LALUR, não foi comprovada a tributação da despesa com a provisão, não havendo dedutibilidade a ser usufruída, sendo indevida sua exclusão na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. [...] Fl. 8190DF CARF MF Processo nº 16327.001379/200979 Acórdão n.º 1402002.447 S1C4T2 Fl. 8.191 6 DA IMPUGNAÇÃO Inconformada, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 285325, acompanhada dos documentos de fls. 326403, em síntese alegando que: Das comprovações Despesas operacionais 1. A fiscalização glosou despesas de natureza operacional (auditoria externa, assessoria técnica e publicação de demonstrações financeiras) da empresa, dedutíveis na apuração do lucro real e base de cálculo da CSLL. Como instituição financeira e sociedade anônima, a impugnante é obrigada a publicar suas demonstrações financeiras, bem como têlas auditadas por firma externa. Na realização de suas atividades, é imprescindível a contratação de serviços de assessoria técnica, para implantação e manutenção dos sistemas de operação. 2. Sendo essas despesas usuais, normais e necessárias à atividade da empresa, na forma do art.299 do RIR/99 e PN CST 32/81, a glosa não pode prevalecer, devendo ser cancelados os autos de infração de IRPJ e CSLL. Provisões para depósitos judiciais 3. A impugnante, diante da provável necessidade de dispêndio com depósitos judiciais, registrou nas contas Cosif 1.8.8.40.104, 1.8.8.40.207 e 1.8.8.40.908 provisões para depósitos judiciais no valor de R$1.171.773,98. Em relação a tais registros, a fiscalização afirmou, equivocadamente, que "não foi comprovada a baixa da provisão nem em conta patrimonial nem em conta de resultado do referido valor, contudo foi efetuada a exclusão no lucro líquido na apuração do lucro real e na base de cálculo da CSLL caracterizando uma exclusão indevida." 4. Ao contrário do afirmado no Termo de Verificação Fiscal, a impugnante comprovou e demonstrou, por meio de reuniões com a fiscalização e documentos protocolados em 29/10/2008, 20/07/2009 e 09/10/2009, que não houve exclusão indevida, pois no momento em que ocorre o efetivo dispêndio, o valor provisionado deve ser reconhecido como despesa. 5. De fato, diante da perda efetiva decorrente de depósitos registrados nas referidas contas de provisão, a impugnante excluiu tal despesa da base de cálculo do IRPJ e CSLL. Houve a exclusão do referido valor na parte A do LALUR, enquanto que na parte B, a baixa das provisões. Como não houve exclusão indevida de provisões para depósitos judiciais, requer o cancelamento dos autos de infração também nesse ponto. Não tributação do montante correspondente a ajuste a valor de mercado ("MTM") 6. A fiscalização se equivocou ao considerar tributável suposta receita de R$10.351.753,85 decorrente de operações com derivativos ("swap"), por entender que a impugnante "não apresentou documentação que comprove tratarse a receita de ajuste a valor de mercado e no montante acima referenciado”. Fl. 8191DF CARF MF Processo nº 16327.001379/200979 Acórdão n.º 1402002.447 S1C4T2 Fl. 8.192 7 7. Conforme art.35 da Lei 10.637/2002, os efeitos tributários da avaliação desses derivativos a mercado somente devem ser reconhecidos quando da liquidação desses ativos. Assim, enquanto não houver a liquidação da operação, a valorização decorrente de ajuste a mercado não representa receita tributável, assim como a desvalorização resultante desse mesmo ajuste não é perda dedutível da base de cálculo do IRPJ e CSLL. 8. Em 2004 a impugnante apurou, como resultado do ajuste a valor de mercado das operações com derivativos — swap, valorização de R$10.351.753,85, registrada como receita na conta COSIF 7.1.5.80.119 e desvalorização de R$ 6.250.185,90, registrada como despesa na conta COSIF 8.1.5.50.115.Como referida valorização não representa receita tributável, nem a desvalorização verificada é despesa dedutível, a impugnante adicionou a despesa de R$ 6.250.185,90 e excluiu a receita de R$10.351.753,85 da base de cálculo do IRPJ e CSLL, resultando em variação no resultado do período de R$ 4.101.567,95, devidamente tributado. 9. Frisese que, ao contrário do afirmado pela fiscalização, a impugnante apresentou em 27/08/2009 todos os documentos necessários à comprovação de tais registros: (i) planilha sintética com indicação da movimentação patrimonial (contas 1.3.3.00.003 — ativo e 4.7.1.10.001 — passivo) e de resultado (contas 7.1.5.80.009 — receita e 8.1.5.50.005 — despesa) dos derivativos, em que se verifica a variação no resultado de R$4.101.567,95; (ii) balancete analítico do período, no qual é possível conferir as mencionadas contas COSIF de receita e despesa; e (iii) planilha analítica de controle extracontábil, conforme IN 334/2003, no qual estão registrados todos os contratos de swap que originaram o ajuste a valor de mercado em questão e cujos valores refletem as informações constantes da planilha sintética indicada no item "(i)". [...] Despesas com doações a entidades civis sem fins lucrativos 12. A fiscalização afirmou que as doações no ano de 2004 às entidades RITS e ABAS não teriam atendido os requisitos legais, sendo indedutíveis na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Tal entendimento não pode prosperar em virtude da lei 9.249/95, art.13, c/c a MP 2.11330/ 2001 (cuja edição atual é a MP 2.15835/ 2001), que autorizou a dedutibilidade das doações às Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público — OSCIP, qualificadas segundo normas estabelecidas na Lei 9.790/99. 13. A impugnante cumpriu todos os requisitos para dedução das doações a entidades civis sem fins lucrativos. Tanto a RITS como a ABAS são entidades civis legalmente constituídas no país, sem fins lucrativos e prestam serviços gratuitos aos empregados da Fl. 8192DF CARF MF Processo nº 16327.001379/200979 Acórdão n.º 1402002.447 S1C4T2 Fl. 8.193 8 impugnante e comunidade em geral, tendo natureza de "utilidade pública" conforme pesquisa realizada nos sítios dessas entidades 14. Com relação à necessidade de pagamento das doações por meio de depósito em conta corrente da entidade beneficiária, a impugnante apresentou à fiscalização em 17/09/2009 recibos emitidos pelas entidades nos quais estão indicadas as informações das contas bancárias em que foram creditadas as doações (doc.04). Apresentou também declarações de que as entidades são de utilidade pública e têm o título OSCIP reconhecido pelo Ministério da Justiça. 15. No tocante à entidade RITS, ao contrário do afirmado pela fiscalização, a impugnante apresentou a declaração que lhe foi exigida. Então, embora tais documentos já tenham sido disponibilizados à fiscalização, a impugnante novamente anexa os à presente (doc.05). Ressaltese que a RITS tem sua condição de "utilidade pública" e "OSCIP" notoriamente reconhecida, podendose por exemplo citar sua definição na "Wikipédia". 16. Presentes todas as condições impostas pela lei à dedutibilidade de doações às entidades civis sem fins lucrativos, não pode prosperar a glosa realizada. 17. Também equivocada a afirmação da fiscalização de que faltaria comprovação do registro contábil dessas doações como despesas, pois, se a própria Autoridade Fiscal glosa tais despesas, notório que esses valores foram extraídos dos registros contábeis da impugnante, havendo evidente contradição no termo de verificação fiscal. [...] Regularidade dos lançamentos realizados pela impugnante relativamente às perdas no recebimento de créditos — inexistência de valores a tributar 19. A fiscalização glosou deduções nos valores de R$1.236.474,99 e R$1.358.715,87, relativas a perdas em operações de crédito. 20. Sobre o valor de R$ 1.236.474,99, composto pelas exclusões de R$523.746,25 e R$712.728,74, a autoridade fiscal afirmou que representaria encargos contabilizados como receita de prestações em atraso vencidas até 59 dias. Embora tal informação tenha sido fornecida por meio de respostas protocoladas durante a fiscalização, a impugnante equivocouse ao informar que se tratava de encargos reconhecidos e deduzidos, retificando tal equívoco em reunião realizada com a Sra. Agente Fiscal, ocasião em que explicou, demonstrou e comprovou tais lançamentos contábeis. 21. Em relação à baixa de R$712.728,74, conforme documentos apresentados à fiscalização, a impugnante realizou, ao mesmo tempo, a adição e a exclusão do montante, não havendo redução das bases de cálculo do IRPJ e CSLL a justificar a glosa Fl. 8193DF CARF MF Processo nº 16327.001379/200979 Acórdão n.º 1402002.447 S1C4T2 Fl. 8.194 9 realizada pela fiscalização. Portanto, não há que se falar em exclusão indevida, devendo ser cancelada a glosa realizada. 22. Os montantes de R$523.746,25 e R$1.358.715,87 correspondem a perdas no recebimento de créditos, deduzidas pela impugnante nos termos da Lei 9.430/96, art.9.°. Para créditos com garantia, como no caso em tela, a dedutibilidade alcança os vencidos há mais de dois anos, desde que iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para seu recebimento (o que foi comprovado e reconhecido pela fiscalização no termo de verificação fiscal). 23. A impugnante utilizouse dessa regra e deduziu da base de cálculo do IRPJ e CSLL perdas no recebimento de créditos no valor de R$ 523.746,25 e R$ 1.358.715,87. Analisandose a planilha utilizada pela fiscalização, verificase que a quase totalidade dos créditos considerados são vencidos há mais de 720 dias. Além disso, como a apuração do IRPJ e da CSLL é anual, o correto seria a fiscalização contar os dias em atraso até o dia 31/12/2004, caso em que teria notado que todas as perdas baixadas decorrem de créditos vencidos há mais de 720 dias. Requer, por isso, seja cancelada a glosa, desconstituindose os lançamentos de IRPJ e CSLL. Na sequência da impugnação, a autuada discorre, ainda, sobre as seguintes matérias: Aduz que a contabilidade faz prova em favor da impugnante; O ônus da prova no processo administrativo tributário cabe ao Fisco; Não poderia a fiscalização se utilizar da presunção para concluir que teria ocorrido dedução de despesas e exclusões indevidas por parte da impugnante; Da nulidade dos autos de infração de PIS e COFINS — ausência de descrição dos fatos/fundamentação; Da impossibilidade do lançamento da multa de ofício na hipótese de responsabilidade tributária por sucessão; Da ilegalidade e inconstitucionalidade da taxa Selic; Da ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa. Em sua impugnação, limitase a juntar os seguintes documentos (fls.391 a 411): certidão de utilidade pública de entidades civis, planilhas com base de cálculo do PIS e COFINS e notas explicativas das demonstrações financeiras. Na sequência, foi emitido do Acórdão nº 1617.213 da DRJ/São Paulo I, de fls. 372 a 403, mantendo integralmente o lançamento, com o seguinte ementário: NULIDADE. CANCELAMENTO. Fl. 8194DF CARF MF Processo nº 16327.001379/200979 Acórdão n.º 1402002.447 S1C4T2 Fl. 8.195 10 Satisfeitos os requisitos do art. 10 do Decreto 70.235/72 e não tendo ocorrido o disposto no art. 59 do mesmo decreto, não há que se falar em anulação ou cancelamento da autuação. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não há cerceamento à defesa do contribuinte quando os autos estão devidamente instruídos com todos os documentos comprobatórios dos fatos motivadores da autuação e a correspondente fundamentação legal. DESPESAS OPERACIONAIS. AUSENCIA DE COMPROVAÇÃO. GLOSA. Cabível a exigência de ofício sobre valores contabilizados como despesas de auditoria, assessoria e publicação, quando não apresentados documentos hábeis e idôneos a comprovar a efetiva execução do serviço definido por contrato entre as partes. RECUPERAÇÃO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. ALEGAÇÕES DESACOMPANHADAS DE COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. Nos termos do Decreto 70.235/72, a impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar. Cabe, portanto, à impugnante trazer juntamente com suas alegações impugnatórias todos os documentos que dêem a elas força probante. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITO. DEDUTIBILIDADE. As perdas na realização de créditos podem ser consideradas como despesas dedutíveis para efeito de apuração do Lucro Real, desde que devidamente comprovadas, observadas as condições previstas na legislação de regência. À autoridade administrativa cabe cumprir a determinação legal, aplicando o ordenamento vigente às infrações concretamente constatadas. MULTA DE OFÍCIO. INCORPORAÇÃO. RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA. A pessoa jurídica incorporadora é responsável pelo crédito tributário da incorporada, respondendo tanto pelos tributos e contribuições como por eventual multa de ofício e demais encargos legais decorrentes de infração cometida pela empresa sucedida, mesmo que formalizados após a alteração societária, mormente se incorporadora e incorporada encontravamse sob controle comum. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora decorre de disposição expressa em lei, não cabendo aos órgãos do Poder Executivo afastar sua aplicação. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. A procedência do lançamento de IRPJ, relativo a receitas que deixaram de ser oferecidas à tributação, implica a manutenção da exigência fiscal de . CSLL, PIS e COFINS decorrentes dos mesmos fatos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 8195DF CARF MF Processo nº 16327.001379/200979 Acórdão n.º 1402002.447 S1C4T2 Fl. 8.196 11 Os principais fundamentos utilizados pelo acórdão recorrido podem ser assim resumidos: 1 foi rejeitada a preliminar de nulidade das autuações por suposto cerceamento do direito de defesa. Os autos de infração contém todos os requisitos exigidos pelo art. 10 de Decreto nº 70.235, de 1972 e alterações, bem como não foi identificada nenhuma das hipóteses de nulidade previstas no art. 59 do mesmo diploma legal. O Termo de Verificação Fiscal descreveu detalhadamente todos os fatos e infrações, de modo a possibilitar a defesa por parte do contribuinte. 2 em relação a glosa de despesas operacionais, pela prestação de serviços de assessoria técnica, apesar de regularmente intimada, a autuada não apresentou documentos que respaldassem os registros contábeis dos lançamentos. O contribuinte é obrigado a manter em boa ordem tanto a escrituração dos fatos contábeis como a documentação que suporta esses lançamentos. A documentação comprobatória da prestação de serviços de auditoria, assessoria e publicação deve englobar, para fins de dedutibilidade, além do vínculo à atividade da empresa, a comprovação do efetivo pagamento e, sobretudo, da efetiva prestação do serviço regularmente contratado, hipóteses não confirmadas no presente caso. 3 Em relação às provisões para depósitos judiciais, o contribuinte excluiu nas partes A e B do LALUR, e na DIPJ (linha 33 da ficha 09 e linha 28 da ficha 17), o valor de R$1.171.773,98 sem contrapartida em conta patrimonial ou de resultado, e sem comprovação documental. Embora intimado no curso da ação fiscal a apresentar documentos que respaldassem os registros contábeis e fiscais, não o fez, tampouco em sede de impugnação apresentou qualquer documento a comprovar a baixa de provisão de depósitos judiciais. 4 Quanto ao montante correspondente a ajuste a valor de mercado nas operações de SWAP, não teria havido a comprovação de que a renda em operações com derivativos — swap no valor de R$10.351.753,85 efetivamente referese ao ajuste referido. Embora a impugnante tenha apresentado planilhas com os lançamentos contábeis das rendas em operações com derivativos swap, balancetes e relatório, deixou de apresentar os documentos que originaram os referidos registros em sua contabilidade. Como afirmado pela própria impugnante, a contabilidade faz prova a favor da contribuinte, mas somente se suportada por documentos hábeis a comprovar os respectivos registros contábeis. 5 A glosa das doações a entidades civis sem fins lucrativos foi mantida sob a justificativa de que a autuada não comprovou a escrituração dos pagamentos no valor de R$ 445.815,45 na conta cosif 8.1.7.15 ou outra conta contábil de despesa e deixou de atender os requisitos legais de dedutibilidade. Também alegou contradição no TVF pois, no seu entender, para o Fisco glosar tais valores teria que extraílos dos próprios registros contábeis da impugnante. Ocorre que tais valores constam da DIPJ AC 2004 da empresa, na qual foram informados como despesa na linha 09 da ficha 5B — Despesas operacionais. É incorreta, portanto, a inferência feita pela impugnante. Quanto à entidade RITS, a impugnante, embora regularmente intimada (fls. 203), não apresentou a respectiva certidão de regularidade OSCIP válida para o anocalendário de 2004. O documento apresentado pela impugnante às fls. 398 não constitui certidão válida expedida por órgão competente da União, apenas mera declaração do responsável pela aplicação dos recursos da entidade. Também as informações Fl. 8196DF CARF MF Processo nº 16327.001379/200979 Acórdão n.º 1402002.447 S1C4T2 Fl. 8.197 12 retiradas de sítios da internet não servem para cumprir a exigência do art.60 da MP 2.15835/ 2001. 6 Em relação à glosa das perdas no recebimento de créditos, o acórdão recorrido fundamenta sua decisão no fato da autuada ter sido intimada (fls. 06) a demonstrar e comprovar a composição do valor de R$ 2.552.282,84 informado na linha 29 da ficha 09 (perdas dedutíveis em operações de crédito) da DIPJ do AC 2004 (fls. 73), tendo apresentado o demonstrativo de fls.74, no qual os valores de R$523.746,25 e R$712.728,74 constam como "baixas de pdd que não transitaram pelo resultado" (sistemas GC e DSOFT) e o valor de R$ 1.358.715,87, como "exclusão — contratos ccp + 5 anos (crediperdas)". No demonstrativo de fls. 76, a contribuinte apresentou relatório no qual informa o valor de R$ 1.358.715,87 como "exclusão — pdd operações recuperadas". Os valores de R$ 523.746,25 e R$ 712.728,74, que representam o valor dos encargos contabilizados como receita de prestações em atraso, foram deduzidos no prazo de um ano conforme o fluxo contábil fornecido pela contribuinte às fls.131, item 5, "e", e fls. 169, informação ratificada pela contribuinte em 16/10/2009 (fls. 220). A autuada foi intimada diversas vezes a esclarecer, entre outros, o motivo da dedutibilidade no prazo de um ano, em desacordo com o art.9° da Lei 9.430/96 (termos de fls. 27, 2829 e 32), porém não atendeu ao solicitado. Quanto às planilhas de fls. 133/168, o saldo devedor indicado na coluna Q informa os valores recuperados nos 1.° e 2.° semestres de 2004, totalizando o valor de R$1.358.715,87, que foi excluído pela contribuinte sob alegação de benefício de reversão provisão. Essa exclusão foi considerada indevida em virtude do contribuinte não ter comprovado a respectiva baixa do saldo no LALUR, parte B, nem demonstrado a inclusão do valor contábil do crédito recuperado no lucro líquido. 7 Quanto à alegada força probante da escrituração, a escrituração mantida com observância dos requisitos legais faz prova a favor da contribuinte dos fatos nela registrados, porém desde que comprovados pelos respectivos documentos hábeis, nos termos do art. 923 do RIR/99. Uma vez que a contribuinte não apresentou os documentos que dariam origem aos respectivos registros contábeis, não há como ser comprovada sua alegação. 8 Em relação à presunção relativa, enfatiza que a presunção de omissão de receita é expressamente autorizada pela legislação, a saber, art.281 do RIR/99 e art.40 da Lei 9.430/96. 9 O ônus da prova, no direito tributário, é dever tanto do agente fiscal (art. 9° do PAF), que fundamentou a autuação em tela nos dispositivos legais contidos no auto de infração, como da impugnante (art.15 e 16 do PAF), que, no caso, não comprovou suas alegações. 10 Da responsabilidade da sucessora quanto à multa de ofício, salienta que o conceito de crédito tributário é mais abrangente que tributo, pois inclui também a penalidade pecuniária. Tal conclusão decorre do disposto nos artigos 113, §1°, e 139 do CTN. Segundo o art. 139 do CTN, o crédito tributário decorre da obrigação principal, e, nos termos do art. 113, § 1°, do CTN, a obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato Fl. 8197DF CARF MF Processo nº 16327.001379/200979 Acórdão n.º 1402002.447 S1C4T2 Fl. 8.198 13 gerador e tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Observese que, quando o legislador teve a intenção de afastar a responsabilidade pela multa de ofício, empregou disposição expressa, a teor do art. 134, parágrafo único, do CTN. A análise conjunta dos artigos 132 e 129 da Seção II — Responsabilidade dos Sucessores do CTN evidencia a responsabilidade da incorporadora pela multa de oficio que compõe o crédito tributário devido pela incorporada. Transcreve jurisprudência judicial e administrativa em apoio a sua tese. 11 Em relação à aplicação dos juros de mora baseado na taxa Selic, a sua utilização está expressamente prevista no artigo 13 da Lei 9.065/95, de modo que cabe à autoridade administrativa se limitar a aplicála, sem emitir qualquer juízo de valor acerca da sua constitucional idade ou outros aspectos de sua validade. Salienta que na presente autuação não constam juros sobre a multa, razão pela qual não pode ser apreciada sua alegação sobre o tema, eis que se trata de matéria aventada em tese. Note se, porém, que a multa lançada possui natureza de obrigação tributária principal, por força do § 1.° do artigo 113 do CTN. 12 Quanto à tributação reflexa, menciona que a decisão quanto à real ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fato gerador de vários tributos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados, ou seja, os lançamentos de CSLL, PIS e Cofins decorrentes da autuação do IRPJ devem seguir o decidido no lançamento principal, considerando as peculiaridades de cada tributo ou contribuição, corretamente expressas em suas respectivas bases de cálculo. Irresignado, o contribuinte apresentou seu recurso voluntário a este colegiado, mediante arrazoado, de fls. 454 a 497, repisando praticamente as mesmas alegações trazidas na peça impugnatória, sem trazer qualquer documento novo. Inconformada com o v. acórdão, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, fls. 454/497, repisando os mesmos argumentos. Em seguida, o Recurso Voluntário foi analisado pela C. 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara, que entendeu que a Recorrente não apresentou documentos relativos a: 1 despesas operacionais; 2 baixa na provisão relativa a depósitos judiciais; e 3 perdas em operações de crédito (primeira ocorrência) e decidiu converter o julgamento em diligência nos seguintes termos: (parte em negrito relativa à segunda ocorrência) A respeito da análise probatória, constato que uma parte das glosas de despesas e de exclusões indevidas se deveu à não entrega, pela autuada, durante o procedimento fiscal, apesar de regularmente intimada, dos respectivos documentos comprobatórios que embasaram os respectivos registros contábeis/fiscais. Fl. 8198DF CARF MF Processo nº 16327.001379/200979 Acórdão n.º 1402002.447 S1C4T2 Fl. 8.199 14 As matérias dessa primeira ocorrência são as seguintes: i) Despesas operacionais relativo à prestação de serviços de auditoria, de assessoria e de publicidade, no valor total de R$ 539.852,31; ii) Baixa da provisão relativa à depósitos judiciais, no valor de R$ 1.171.773,98 (exclusão do lucro líquido); iii) Perdas em operações de crédito, caracterizando antecipação de despesas, no valor de R$1.236.474,99; Uma segunda ocorrência ficou caracterizada como sendo omissão de receitas, pela falta de escrituração na conta cosif 8.1.7.15, ou outra conta de despesa, de pagamento realizado a título de doação a entidade civil, no valor de R$ 24.000,00; Por fim, restou, ainda, uma terceira ocorrência, relativo à glosa de despesas pela falta de comprovação do atendimento das condições de dedutibilidade (doação), bem como exclusão (indevida) de operações de swap pelo valor de mercado, a seguir discriminadas: i) Pagamentos realizados a título de doação a entidades civis por falta de atendimento dos requisitos legais para fins de dedutibilidade do IRPJ e CSLL, no valor de 421.815,45; ii) Ajuste positivo a valor de mercado das operações com instrumentos derivativos (swap), sem a comprovação da efetividade das operações, no valor de 10.351.753,85; A respeito da primeira ocorrência acima mencionada, verifico dos autos que a autuada deixou de apresentar qualquer documento comprobatório que lastreasse as suas alegações, seja na faze impugnatória, seja na presente fase recursal. Com efeito, o art. 16 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e alterações, estabelece que a impugnação deverá mencionar os motivos de fato e de direito, os pontos de discordância e as provas que possuir: [...] Como já mencionado, a autoridade fiscal, ao realizar o procedimento fiscalizatório, intimou a recorrente a apresentar os documentos hábeis e idôneos que lastreavam os registros contábeis/fiscais, deixando a mesma de apresentálos naquele momento, o que acarretou, por conseqüência, a autuação fiscal. Por certo, sabese que a contabilidade faz prova a favor do contribuinte, desde que, evidentemente, os registros estejam lastreados em documentação apta a comprovar os valores ali registrados. Assim, não apresentados qualquer documento em relação à primeira ocorrência na fase impugnatória, nem qualquer indício de que pudesse exibilos na presente fase recursal, ou que tenha se verificada alguma das hipóteses do § 4º do art. 16 acima transcrito, entendo que precluiu o direito de fazêlo quanto à essas matérias, nos termos do art 16 do Decreto nº 70.235, de 1972 e alterações. Fl. 8199DF CARF MF Processo nº 16327.001379/200979 Acórdão n.º 1402002.447 S1C4T2 Fl. 8.200 15 No entanto, em relação à segunda e terceira ocorrências, a defesa apresentou, por ocasião da impugnação, os documentos das fls. 391 a 403, relativo à base de cálculo do PIS/Cofins e relativo às doações a entidades civis, o que comprovaria o atendimento dos requisitos legais para fins de dedutibilidade do IRPJ e CSLL. Situação idêntica ocorre com o ajuste positivo a valor de mercado das operações com instrumentos derivativos (swap), que a fiscalização entendeu como não comprovada a sua efetividade, mas que se encontram discriminadas no Anexo I do presente processo. Além disso, sobre as operações de swap, a recorrente alega, fls. 463/464, que já teria apresentado à fiscalização, por meio de resposta protocolada em 27/08/2009, todos os documentos necessários à comprovação de tais registros, quais sejam: (i) Planilha sintética com a indicação da movimentação patrimonial (contas 1.3.3.00.003 — ativo — e 4.7.1.10.001 — passivo) e de resultado (contas 7.1.5.80.009 — receita — e 8.1.5.50.00.5 — despesa) dos derivativos, em que se verifica a variação no resultado de R$ 4.101.567,95; (ii) Balancete analítico do período, no qual é possível conferir as mencionadas contas COSIF de Receita (7.1.5.80.00.9) e Despesa (8.1.5.50.00.5) ; e (iii) Planilha analítica de controle extracontábil, nos termos do que determina a Instrução Normativa nº 334, de 2003, onde estão registrados todos os contratos de swap que originaram o ajuste a valor de mercado em questão e cujos valores refletem as informações constantes da planilha sintética indicada no item "(i) acima. Diante das situações acima apontadas, verificase que a defesa vem procurando comprovar o seu direito, trazendo ao processo as provas que possui. Assim, considerando que as alegações da autuada podem ter algum fundamento quanto à matéria relativa à inclusão do valor de R$ 24.000,00 na base de cálculo do PIS/Cofins, bem como em relação às matérias apontadas na terceira ocorrência, considerando que o exame das operações de swap exige uma auditoria fiscal aprofundada, por envolver um grande número de contratos e, finalmente, para que se possa decidir com mais segurança o presente litígio, entendo necessário o retorno dos autos à unidade de origem, em DILIGÊNCIA, para que a autoridade fiscal se manifeste sobre os seguintes pontos: a) baseado nas operações listadas no Anexo I do processo, efetuar a análise da ocorrência da efetividade das operações pelo ajuste positivo a valor de mercado das operações com instrumentos derivativos (swap), no valor de 10.351.753,85, passível de exclusão na apuração do lucro real no ano de 2004, nos termos do estabelecido pela IN SRF nº 334, de 2003, tendo em conta a alegação do contribuinte de que teria tributado o ajuste negativo dessas operações no mesmo período, no valor de R$ 4.101.567,95; b) caso entender necessário, intimar a recorrente a apresentar cópias dos contratos das operações ou outros documentos que julgar pertinente; c) efetuar o exame dos documentos juntados na impugnação, de fls. 391 a 398, que atenderiam as condições de dedutibilidade do IRPJ e CSLL pelos pagamentos realizados a título de doação às entidades civis, no valor de 421.815,45; Fl. 8200DF CARF MF Processo nº 16327.001379/200979 Acórdão n.º 1402002.447 S1C4T2 Fl. 8.201 16 d) com base na análise das informações acima, emitir decisão conclusiva a respeito do valor das glosas passíveis de adição/tributação ; e) verificar a inclusão do valor de R$ 24.000,00 na base de cálculo do PIS/Cofins, de acordo com as planilhas das fls. 399 a 403, emitindo parecer a respeito; f) cientificar a recorrente do conteúdo relatório fiscal de diligência, com intimação para se manifestar, querendo, no prazo de 30 dias; g) após, retorno a este CARF para julgamento do recurso voluntário. Conforme determinado na Resolução e após as notificações para a Recorrente apresentar esclarecimentos e documentos (fls.1538/8066), a Autoridade Fiscal juntou aos autos Relatório de Diligência (fls.8067/8084), onde, resumidamente, entendeu que restou comprovado nos autos apenas a segunda ocorrência relativa à doação para a ABAS no importe de R$ 24.000,00. Sendo assim, entendeu a fiscalização que, como os documentos apresentados em relação ao valor da doação para ABAS no montante de R$ 24.000,00 atenderam aos requisitos da Lei nº 9.249/95, art. 13, § 2º, inciso III, alíneas a, b e c, art. 59 e art. 60 da MP nº 2.15835/2001, é legitima sua dedutibilidade na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Por consequência da comprovação, excluiu tal valor de R$ 24.000,00 da base de cálculo do PIS/COFINS e afastou a acusação relativa a omissão de receitas, pela falta de escrituração na conta cosif 8.1.7.15, ou outra conta de despesa, de pagamento realizado a título de doação a entidade civil. Em relação à denominada "terceira ocorrência", a Autoridade Fiscal entendeu que a Recorrente não conseguiu comprovar documentalmente suas alegações. Ato contínuo, após ter sido devidamente notificada, a Recorrente apresentou aos autos (fls. 8089/8102) manifestação sobre a Resposta da Diligência Fiscal e juntou documentos de fls. 8109/8178. Em sua resposta à diligência, a Recorrente deixa de apresentar argumentos em relação à acusação de pagamentos realizados a título de doação a entidades civis, por falta de atendimento dos requisitos legais para fins de dedutibilidade do IRPJ e CSLL, no valor de 421.815,45 (doação feita para empresa RITS glosa/despesas com doações a entidades civis sem fins lucrativos). É o relatório. Fl. 8201DF CARF MF Processo nº 16327.001379/200979 Acórdão n.º 1402002.447 S1C4T2 Fl. 8.202 17 Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche todos os demais requisitos previstos em lei, motivo pelo qual deve ser admitido. Preliminares: Do pedido de cancelamento do auto de infração, da nulidade dos autos de infração de PIS e COFINS por ausência de descrição dos fatos/fundamentação: Em relação às alegações de nulidade ou cerceamento de defesa no que pertine ao Auto de Infração do PIS/COFINS, conforme será visto mais à frente, devido ao cancelamento da exigência do crédito de R$ 24.000,00, entendo que tais requerimentos foram superados (só foi lavrado Auto de Infração de PIS/COFINS em relação ao crédito de R$ 24.000,00). Quanto às demais alegações de nulidade dos Autos de Infração, nego provimento, pois entendo que os todos os Autos de Infração estão claros, devidamente capitulados e precisos. Ademais, foram respeitados todos os requisitos do artigo 10 do Decreto 70.235/72 e art. 142 do CTN, não incorrendo em nenhuma das hipóteses do artigo 59 do mesmo decreto. Tanto foi assim que a Recorrente conseguiu apresentar argumentos de defesa para todas as acusações. Assim, nego provimento à preliminar. Do ônus da prova no direito tributário: O § 4° do art.16 do Decreto 70.235/72 (PAF) reza que a prova documental será apresentada na impugnação. Fl. 8202DF CARF MF Processo nº 16327.001379/200979 Acórdão n.º 1402002.447 S1C4T2 Fl. 8.203 18 Acerca da questão, o art.15 do mesmo Decreto, por sua vez, dita: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (g. n.) Sobre a apresentação de provas, Marcos Vinícius Neder e Maria Teresa Martinez Lopez, na obra "Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado" (Dialética, SP, 2002, pág. 207) lecionam que: (..) No processo administrativo fiscal federal temse como regra que aquele que alega algum fato é quem deve provar. Então, o ônus da prova recai a quem dela se aproveita. Assim, se a Fazenda alega ter ocorrido fato gerador da obrigação tributária, deverá apresentar a prova de sua ocorrência. Se, por outro lado, o interessado aduz a inexistência da ocorrência do fato gerador, igualmente, terá que provar a falta dos pressupostos de sua ocorrência ou a existência de fatores excludentes. Portanto, a obrigação de provar será tanto do agente fiscal conforme disposto na parte final do caput do artigo 9. ° do PAF, como do contribuinte que contesta o auto de infração, conforme se verifica pela redação dada ao artigo 16 do PAF. Assim, o dever de prova é tanto do agente fiscal (art.9° do PAF), que fundamentou a autuação em tela nos dispositivos legais contidos no auto de infração, como da Recorrente (art.15 e 16 do PAF), que deve comprovar suas alegações. Afigurase incorreta, então, a afirmação da Recorrente de que o dever de provar é sempre do Fisco. Doações: No item 19, "d" do TVF (fl.252) descreve a seguinte infração: d. Doação a entidades civis, no valor de R$ 445.815,45. Não foi comprovada escrituração do referido pagamento na conta cosif n° 8.1.7.15 ou outra conta de despesa. Caracterizase o evento como omissão de receita por presunção legal o que autoriza a inversão do ônus da prova ao contribuinte. Também foi constatado a Inobservância dos Requisitos Legais, ou seja, a dedutibilidade fica condicionada que a entidade beneficiária tenha sua condição de OSCIP (Organização da Fl. 8203DF CARF MF Processo nº 16327.001379/200979 Acórdão n.º 1402002.447 S1C4T2 Fl. 8.204 19 Sociedade Civil de Interesse Público) renovada anualmente. O contribuinte não apresentou a referida Certidão válida para o ano de 2004. Em pesquisa ao sítio do Ministério da Justiça observouse que a entidade Rits beneficiária da doação não renovou sua situação desde 2001. Por conseguinte, configura indedutivel a despesa com doação efetuada a Rits no valor de R$ 421.815,45; Em relação à infração sobre a doação para ABAS, no montante de R$ 24.000,00, a própria fiscalização confirmou na diligência que atendeu aos requisitos da Lei nº 9249/95, art. 13, § 2º, inciso III, alíneas a, b e c, art. 59 e art. 60 da MP nº 2.15835/2001 e, por isso, é legitima sua dedutibilidade na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Por conseqüência da comprovação, também deve ser excluído tal valor de R$ 24.000,00 da base de cálculo do PIS/COFINS e afastada a acusação relativa à omissão de receitas, pela falta de escrituração na conta cosif 8.1.7.15, ou outra conta de despesa, de pagamento realizado a título de doação a entidade civil. Desta forma, conforme acima explanado, cancelo a glosa dos R$ 24.000,00, relativa à doação para a ABAS, tanto dos Autos de Infração de IRPJ e CSLL, como o do PIS/COFINS. Em relação à alegação da Recorrente de que a presunção de omissão de receita é relativa e que no presente caso foi utilizada de forma inadequada, devido ao cancelamento do item acima, entendo que tal requerimento perdeu seu objeto. Mesmo por que assim não fosse, entendo que a presunção de omissão de receita é expressamente autorizada pela legislação no art.281 do RIR/99 e art.40 da Lei 9.430/96, razão pela qual é improcedente a alegação de que a presunção neste caso é indevida. A presunção posta na lei e utilizada pela Autoridade Fiscal é juris tantum ou relativa, e pode ser elidida por prova em contrário, apresentada pela Recorrente. Importante ressaltar que a infração de omissão de receita só foi imputada em relação ao créditos de R$ 24.000,00, não abrangendo as doações para a empresa RITS (fl. 258). Em relação à doação dos R$ 421.815,45 feita para empresa RITS , relativa à infração de glosa de despesas com doações a entidades civis sem fins lucrativos (indedutibilidade), conforme muito bem apontado no Relatório de Diligência, e não contraditado pela Recorrente em sua resposta/manifestação, entendo que não restou comprovado nos autos que preencheu os requisitos legais para dedutibilidade do IRPJ e CSLL, motivo pelo qual deve ser mantida tal acusação prevista no Auto de Infração de IRPJ e CSLL. Por fim, convém esclarecer que em relação a tais créditos, não foi lavrado Auto de Infração de PIS/COFINS. Do ajuste positivo ao valor de mercado de operações com derivativos Swap: Fl. 8204DF CARF MF Processo nº 16327.001379/200979 Acórdão n.º 1402002.447 S1C4T2 Fl. 8.205 20 Neste ponto, a discussão cingese na não comprovação de que a receita de R$ 10.351.753,85 em operações com derivativos (swap), referese a ajuste a valor de mercado, não havendo controvérsia quanto ao momento da tributação. Conforme a fiscalização (item 16 do TVF, fl. 250), o arquivo em CD apresentado pela contribuinte não demonstra que o total de receita referente ao ajuste a valor de mercado das operações com swap chega ao valor de R$10.351.753,85, nem foram apresentados documentos que respaldassem os registros contábeis feitos desta forma. A Recorrente, por sua vez, contrapõese à fiscalização alegando que em 27/08/2009 e 17/09/2009 apresentou planilhas com os lançamentos contábeis das rendas em operações com derivativos (swap), balancetes e relatório contendo todos os contratos de swap das operações registradas no período. Todavia, embora a Recorrente tenha apresentado os documentos acima referidos, cabe destacar que não apresentou os documentos que originaram os referidos registros dos R$ 10.351.753,85 em sua contabilidade, referentes ao ajuste a valor de mercado das operações com swap (foi isso o questionado pela Fiscalização). A Fiscalização não contesta que ocorreram as operações com derivativos. A acusação é no sentido de que a Recorrente não conseguiu comprovar que o montante de R$ 10.351.753,85, excluído na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, se refere ao ajuste a valor de mercado, oriundo dos swaps. Para facilitar o entendimento, o TVF, fl.250, descreve a infração da seguinte forma: 16. Ajuste positivo ao valor de mercado de operações com derivativos — Swap no valor de R$ 10.351.753,85: a. O contribuinte não logrou comprovar através de documentação hábil, que a renda em operações com derivativos — Swap, no valor de R$ 10.351.753,85, referese a ajuste a valor de mercado; b. O arquivo em CD apresentado não demonstra que o total de receita referente ao ajuste a valor de mercado das operações com swap quantifica o valor de R$ 10.351.753,85; c. O contribuinte foi intimado através dos Termos de 16/09/2008, 04/08/2009 e 19/10/2009, a apresentar os documentos que respaldassem os registros contábeis, contudo não o fez; d. Portanto, a receita registrada como renda em operações com derivativos na conta 7.1.5.80.009, no valor acima citado, caracteriza se como renda tributável por falta de comprovação de ser a respectiva renda classificada como ajuste a valor de mercado configurando uma exclusão não autorizada na apuração do lucro real e na base de cálculo da CSLL; A presente acusação trata de glosa de crédito relativo à exclusão da apuração do lucro real e na base de cálculo da CSLL, devido à falta de comprovação de Fl. 8205DF CARF MF Processo nº 16327.001379/200979 Acórdão n.º 1402002.447 S1C4T2 Fl. 8.206 21 receita escriturada como ajuste positivo a valor de mercado dos contratos de swap no importe de R$ 10.351.753,85. Segundo a Recorrente, a diferença positiva entre as receitas e a despesas com esses contratos (R$ 4.101.567,95) foi devidamente oferecida à tributação. Ou seja, a marcação positiva de R$ 10.351.753,85 menos o ajuste negativo de mercado no importe de R$ 6.250.185,90 (valores convergentes informados na Ficha 9B da DIPJ Linha 30 ajuste positivo e Linha 17 ajuste a valor de mercado negativo). Após discussão sobre este item dos autos no julgamento do recurso pela C. Turma Ordinária e a decisão pela conversão em diligência; a Fiscalização e a Recorrente se manifestaram por diversas vezes nos autos, resultando na seguinte Resposta de Diligência: 3.4.5 Para entender o valor considerado como ajuste a valor de mercado, precisamos compreender os seguintes conceitos: 3.4.5.1 Conceito de Swap: Uma operação de swap consiste basicamente na troca de índices, onde o valor inicial da operação é valorizado por duas “pontas”. Uma “ativa” ou “comprada” e uma ponta “passiva” ou “vendida”. Assim, o investidor recebe, na liquidação, a diferença entre a ponta ativa e passiva. Cada “ponta” da operação será precificada individualmente, não sendo levado em consideração o fato de que tratase de uma operação composta. 3.4.5.2 O objeto do contrato é a diferença entre o valor nominal, denominado de principal, corrigido pela primeira variável e este mesmo valor corrigido pela segunda variável. 3.4.5.3 MTM: O processo de marcação a mercado consiste em atribuir um preço justo a um determinado ativo ou derivativo, seja pelo preço de mercado, caso haja liquidez, ou seja, na ausência desta, pela melhor estimativa que o preço do ativo teria em uma eventual negociação. 3.4.5.4 No caso em questão, temos um contrato de swap DI x Pre. 3.4.5.5 Portanto, podemos dizer, que de forma simplificada, as fórmulas para obtenção do valor atualizado do swap e o valor de mercado do swap são: Valor notional ou valor do contrato; Valor atualizado da ponta 1: V1= VN x Fórmula. Valor atualizado da ponta 2: V2= VN x Fórmula. Valor do swap: V1 – V2. Se positivo: ganha o investidor de 1; (2 tem que pagar para 1) Se negativo : ganha o investidor de 2. (1 tem que pagar para 2) Fl. 8206DF CARF MF Processo nº 16327.001379/200979 Acórdão n.º 1402002.447 S1C4T2 Fl. 8.207 22 Valor de mercado (MTM) da ponta 1: MTM1 = V1 x Fórmula Valor de mercado (MTM) da ponta 2: MTM2= V2 x Fórmula Valor Valor de mercado do swap (MTM): MTM1 – MTM2. 3.4.5.6 É denominado comprador, o investidor que compra a 1ª variável e venda a 2ª . E denominado vendedor, o investidor que venda a 1ª variável e compra a 2ª. Assim, o valor do swap, se positivo, ganha o comprador, e se negativo, ganha o vendedor, ambos da 1ª variável. Exemplo: contrato 03H03094, mês novembro 2004. Ponta 1 CDI, participante: santander, valor atualizado: 3.322.271,05; Ponta 2 Pré, participante: banespa, valor atualizado: 3.471.945,79; O valor do swap = 12 = (149.674,74). Ganhou o vendedor da ponta pré. Portanto, o Santander tem que pagar ao Banespa. 3.4.5.7 Com base em pesquisa realizada na Internet, encontrei o Manual de marcação a mercado do Santander Asset Management, versão março de 2009, que demonstra a fórmula de cálculo dos valores de mercado de swaps taxapré e DI, páginas 45 e 46, documento anexo a este termo. Apensa para exemplificar como são calculados os parâmetros acima mencionados. 3.4.5.8 No entanto, para o caso específico, o contribuinte foi intimado a apresentar demonstrativo de cálculo do ajuste a valor de mercado, assim como algum relatório da Cetip que convalide as informações de MTM prestadas, a fim de demonstrar como foram obtidos os valores informados na planilha gerencial de swap apresentada, mas na resposta de 06/09/2013, o contribuinte entendeu que não há comprovação a ser apresentada. 3.5 Diante do acima exposto, concluo que: 3.5.1.1 A planilha Gerencial Swap, descrita no item 3.3.2, não discrimina os valores de lucros e prejuízos na operação. 3.5.1.2 O valor reconhecido no resultado como receita de ajuste a valor de mercado de operações de swap no montante de R$ 4.101.567,95, somente está demonstrado na planilha Gerencial de Operações de Swap o montante de R$ 3.774.443,39. 3.5.1.3 Não houve comprovação dos valores informados nas colunas de MTM da Planilha Gerencial Swap que geraram as informações da receita líquida de ajuste a valor de mercado reconhecidas no resultado e excluídas na apuração do lucro real. Fl. 8207DF CARF MF Processo nº 16327.001379/200979 Acórdão n.º 1402002.447 S1C4T2 Fl. 8.208 23 Resumidamente, a Resposta da Diligência concluiu que não restou comprovado nos autos que a respectiva renda/receita se refere exatamente ao montante relativo a ajuste a valor de mercado (MTM MarK to Market ou MaM Marcação a Mercado), não podendo ser excluída da apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Ao analisar os documentos e argumentos postos pelas partes nos autos, entendo que a razão se encontra com a Autoridade Fiscal, que inclusive, além de analisar todos os documentos dos autos referentes a tal assunto, baseou sua diligência no Manual de Marcação a Mercado do Departamento de Risco do próprio Banco Santander, disponível livremente na internet, de onde extraiu os conceitos, métodos para calcular os MTM e verificar se o ajuste feito e escriturado pela Recorrente, questionado nos autos, estava realmente correto e comprovado documentalmente, o que, ao final, chegou à conclusão de que não estavam. No meu entender, a Recorrente não conseguiu demonstrar documentalmente e explicar de forma detalhada como chegou ao montante escriturado a título de ajuste a mercado e excluído da apuração do lucro real (IRPJ) e base de cálculo da CSLL. Desta forma, de acordo com o resultado da diligência e face os documentos constantes nos autos, entendo que a Recorrente não logrou êxito em comprovar que a renda se referia a valor de mercado. Em relação as demais acusações do Auto de Infração, relativas a despesas operacionais de prestação de serviços de auditoria, de assessoria e de publicidade, no valor total de R$ 539.852,31; baixa da provisão relativa a depósitos judiciais, no valor de R$ 1.171.773,98 (exclusão do lucro líquido); e perdas em operações de crédito, caracterizando antecipação de despesas, no valor de R$1.236.474,99 e R$1.358.715,87, assim como registrado no v. acórdão recorrido, bem como na resolução que converteu o julgamento em diligência, entendo que a Recorrente não carreou aos autos tanto na impugnação, como no recurso, documentos passíveis de afastar tais acusações e comprovar suas alegações. Apenas em relação à acusação de perdas em operações de crédito, para melhor fundamentar meu voto e tendo em vista que a Recorrente não apresentou mais nenhuma prova/explicações nos autos após a autuação, utilizo a parte do v. acórdão recorrido, referente a este item: A impugnante, sobre as glosas de deduções nos valores de R$1.236.474,99 e R$1.358.715,87, relativas a perdas em operações de crédito, argumenta que: (i) a autoridade fiscal afirmou que o valor de R$1.236.474,99 (exclusões de R$523.746,25 e R$712.728,74), representaria encargos contabilizados como receita de prestações em atraso vencidas até 59 dias; (ii) embora tal informação tenha sido fornecida por meio de respostas protocoladas durante a fiscalização, a impugnante equivocouse ao informar que se tratava de encargos reconhecidos e deduzidos, retificando tal equívoco em reunião realizada com a Sra. Agente Fiscal, ocasião em que explicou, demonstrou e comprovou tais lançamentos contábeis; (iii) em relação à baixa de R$712.728,74, conforme documentos apresentados à fiscalização, a impugnante realizou, ao mesmo tempo, a adição e a exclusão do montante, não havendo redução das bases de cálculo do IRPJ e CSLL a justificar a glosa realizada pela fiscalização, nem Fl. 8208DF CARF MF Processo nº 16327.001379/200979 Acórdão n.º 1402002.447 S1C4T2 Fl. 8.209 24 exclusão indevida, devendo ser cancelada a glosa realizada; (iv) os montantes de R$523.746,25 e R$1.358.715,87 correspondem a perdas no recebimento de créditos, deduzidas pela impugnante nos termos da Lei 9.430/96, art.9.°; (v) para créditos com garantia, o no caso em tela, a dedutibilidade alcança os vencidos há mais de dois anos, desde que inicie mantidos os procedimentos judiciais para seu recebimento, o que foi comprovado e reconhecido pela fiscalização no termo de verificação fiscal; (vi) a impugnante utilizouse dessa regra e deduziu da base de cálculo do IRPJ e CSLL perdas no recebimento de créditos no valor de R$523.746,25 e R$1.358.715,87; (vii) analisandose a planilha utilizada pela fiscalização, verificase que a quase totalidade dos créditos considerados são vencidos há mais de 720 dias, e além disso, como a apuração do IRPJ e da CSLL é anual, o correto seria a fiscalização contar os dias em atraso até o dia 31/12/2004, caso em que todas as perdas baixadas decorreriam de créditos vencidos há mais de 720 dias; (viii) requer, por isso, seja cancelada a glosa, desconstituindose os lançamentos de IRPJ e CSLL. A impugnante foi intimada (fls. 06) a demonstrar e comprovar a composição do valor de R$2.552.282,84 informado na linha 29 da ficha 09 (perdas dedutíveis em operações de crédito) da DIPJ do AC 2004 (fls. 73), e apresentou o demonstrativo de fls.74, no qual os valores de R$523.746,25 e R$712.728,74 constam como "baixas de pdd que não transitaram pelo resultado" (sistemas GC e DSOFT) e o valor de R$1.358.715,87, como "exclusão — contratos ccp + 5 anos (creli perdas)". No demonstrativo de fls. 76, a contribuinte apresentou relatório no qual informa o valor de R$1.358.715,87 como "exclusão — pdd operações recuperadas". Quanto ao valor de R$1.358.715,87, a contribuinte afirma às fls. 131, item 5, "f', e 170, nota "d", que utilizou o benefício da reversão da provisão. Cabe notar também que a impugnante não comprovou a respectiva baixa do saldo no LALUR parte B que suporte a exclusão efetuada na parte A (fls. 118), nem demonstrou a inclusão no lucro líquido, por meio da conta contábil de receita de recuperação de créditos baixados como prejuízo, do valor contábil do crédito recuperado no referido valor. Não apresentado o controle na parte B do LALUR, não há comprovante de que a despesa com a provisão tenha sido tributada, não havendo dedutibilidade a ser usufruída. Logo, é indevida a exclusão do valor em referência na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Além disso, a contribuinte alega erro no envio de informações à fiscalização, e que teria retificado tal informação em reunião com a auditorafiscal. Contudo, a impugnante não apresentou documentos hábeis e idôneos a comprovar o alegado equívoco. Destaquese que a contribuinte foi intimada diversas vezes a esclarecer, entre outros, o motivo da dedutibilidade no prazo de um ano, em desacordo com o art.9.° da Lei 9.430/96 (termos de fls. 27, 28 29 e 32), porém não atendeu ao solicitado. A respeito da matéria, a Resolução 2.682/99 do Banco Central dispõe que para ser baixada a provisão e considerada como prejuízo é necessário que a operação seja classificada como de risco H (atraso superior a 180 dias) e permanecer mais seis meses nesse nível de risco. Os valores de R$523.746,25 e R$712.728,74, que representam o valor dos encargos contabilizados como receita de prestações em atraso, foram deduzidos no prazo de um ano conforme o fluxo contábil Fl. 8209DF CARF MF Processo nº 16327.001379/200979 Acórdão n.º 1402002.447 S1C4T2 Fl. 8.210 25 fornecido pela contribuinte às fls.131, item 5, "e", e fls. 169, informação ratificada pela contribuinte em 16/10/2009 (fls. 220). Há que se ressaltar que os valores de R$523.746,25 e R$712.728,74 foram extraídos do demonstrativo elaborado pela empresa às fls. 74, valores esses detalhados em base mensal na planilha "controle de provisões", anexada pela contribuinte em sua manifestação de 16/10/2009 (fls.222). Quanto às planilhas de fls. 133168, o saldo devedor indicado na coluna Q informa os valores recuperados nos 1.° e 2.° semestres de 2004, totalizando valor de R$1.358.715,87, que foi excluído pela contribuinte sob alegação de benefício de reversão provisão. Essa exclusão foi considerada indevida em virtude de a contribuinte não ter comprovado a respectiva baixa do saldo no LALUR parte B nem demonstrado a inclusão do valor contábil do crédito recuperado no lucro líquido, conforme explicado anteriormente. E mesmo dentre esses valores, há as parcelas de R$116.839,09 (1.° semestre) e R$162.553,04 (2.° semestre), correspondendo ao montante de R$279.392,13 apontado pela fiscalização no TVF (fls. 252), que também não poderiam ser excluídas do lucro real e base da CSLL por um motivo adicional: não estavam vencidas há mais de dois anos, segundo a regra imposta no arIM, § 1.°, III da Lei 9.430/96, quando da recuperação, conforme planilhas de fls. 133168. Por essa razão, carece de sentido o pedido da impugnante para considerar os dias em atraso até o encerramento do exercício, eis que aí tais créditos já haviam sido recuperados, não mais constituindo perdas. Destaquese que a empresa também foi intimada a se manifestar sobre o motivo de estar deduzindo esses créditos recuperados com menos de 2 anos (fls. 32), porém não atendeu à fiscalização. Portanto, o momento da dedutibilidade de tais valores está em desacordo com o art.9.°, § 1.°, III, da Lei 9.430/96, não podendo a contribuinte dela se utilizar. Assim, como tais matérias cingemse, no caso dos autos, de discussão eminentemente de conteúdo probatório, não resta alternativa, senão mantêlas, conforme decidido pelo v. acórdão recorrido. Importante ressaltar que a contabilidade mantida nos termos da legislação faz prova a favor da Recorrente, desde que os registros estejam lastreados em documentação apta a comprovar os valores ali registrados (923 do RIR/99), o que não restou comprovado nos autos em relação a tais acusações (força probante da escrituração). Da responsabilidade tributária por sucessão relativa à multa de ofício: Sustenta a recorrente em argumento alternativo que por força do disposto no artigo 132, caput, do CTN, não podem subsistir as multas lançadas contra si, porquanto na condição de incorporadora responde apenas pelos tributos devidos pela incorporada (mas não pelas multas de lançamento). Fl. 8210DF CARF MF Processo nº 16327.001379/200979 Acórdão n.º 1402002.447 S1C4T2 Fl. 8.211 26 Segundo descreve o TVF, a operação de incorporação entre empresas do mesmo grupo ocorreu em 2006, vejamos: O procedimento de fiscalização foi determinado inicialmente pelo MPF 08.1.66.00 2008004637 no contribuinte Santander Companhia de Arrendamento Mercantil, CNPJ: 42.291.245/000165. Contudo, em 30/11/2006 o contribuinte fiscalizado foi incorporado pelo Santander Brasil Arrendamento Mercantil S.A, CNPJ: 00.589.171/000106. Por conseguinte, foi emitido o MPF n° 08.1.66.002009 005718 a fim de efetuar os lançamentos cabíveis, tendo em vista o disposto no art.132 do CTN: "A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até a data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas" Assim, tal alegação da Recorrente não pode ser provida, eis que ambas empresas que participaram da operação de incorporação pertenciam, na época dos fatos geradores, ao mesmo grupo. Mesmo após a incorporação continuaram a pertencer ao mesmo grupo econômico. Esta matéria já é pacífica nesta E. Corte Administrativa, conforme pode se verificar no verbete da Súmula 47. Súmula CARF nº 47: Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. Desta forma, nego provimento a este requerimento da Recorrente. Dos juros sobre a multa: Em relação aos juros de mora sobre a multa, esta C. Turma já firmou entendimento de que sua incidência é devida. A partir da leitura do Código Tributário Nacional, concluise que a multa, apesar de não ter a natureza de tributo, faz parte do crédito tributário. Tal afirmação encontra sustentação nos artigos do CTN abaixo transcritos: Fl. 8211DF CARF MF Processo nº 16327.001379/200979 Acórdão n.º 1402002.447 S1C4T2 Fl. 8.212 27 “Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada.”(negritado agora) “Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. “Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta”.(negritado agora) Enquanto o artigo 3° exclui as multas da definição de tributo, os dispositivos seguintes (artigo 113, §1°, e artigo 139) trazemnas para compor o crédito tributário. Por conseguinte, a cobrança das multas lançadas de ofício deve receber o mesmo tratamento dispensado pelo CTN ao crédito tributário. Portanto, aplicase às multas de ofício o mesmo regime jurídico previsto para a cobrança dos tributos. É a conclusão a que chega Celso Ribeiro Bastos (Curso de Direito Financeiro e de Direito Tributário, Saraiva, 2001, pp. 192 a 194): “O § 1º do art. 113 recebe duras críticas da doutrina, devido à redação de sua parte final, onde diz que a obrigação principal pode ter por objeto o pagamento de penalidade pecuniária. É que o próprio art. 3º do Código Tributário Nacional determina que o tributo não pode consistir no pagamento de prestação pecuniária sancionatória de ato ilícito. Há o estabelecimento, pelo menos aparente, de verdadeira contradição, por excluir aquele artigo, de maneira cabal, o pagamento das multas como prestação tributária. Com efeito, a afirmação de que a obrigação principal pode versar sobre penalidade pecuniária quadra mal com o anteriormente exposto. O § 3º do art. 113 visa estabelecer uma sanção destinada a punir aquele que descumpre a obrigação acessória. Escolhe a modalidade de uma penalidade de natureza pecuniária. Até esse ponto os tributaristas marcham concordes. Com efeito, nada mais apropriado do que impor uma sanção pecuniária àquele que descumpre com os deveres acessórios. Mas os mesmos críticos que há pouco encrespavam contra a possibilidade de que a obrigação principal pudesse ter por objeto tanto o pagamento de tributo quanto o de penalidade pecuniária, investem agora contra o fato de a obrigação acessória poder converterse em principal, quando não cumprida. Parece, com efeito, do estrito ponto de vista lógico, proceder a crítica destes autores. Não há Fl. 8212DF CARF MF Processo nº 16327.001379/200979 Acórdão n.º 1402002.447 S1C4T2 Fl. 8.213 28 que falarse em conversão da obrigação acessória em principal, mas sim em sanção. Contudo, a intenção do texto é tão manifesta que acaba por relevar este pecadilho de ordem lógica. É que resulta claro que o que o legislador quis deixar certo é que a multa tributária, embora não sendo, em razão da sua origem, equiparável a tributo, há de merecer o mesmo regime jurídico previsto para sua cobrança. O direito tem estas liberdades, que não precisam ser objeto de escândalo.” (negritado agora) Por sua vez, o artigo 161, do mesmo diploma legal, dispõe que ao crédito tributário não pago no vencimento devem ser acrescidos os juros moratórios. “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária.”(negritado agora) O CTN admite a incidência de juros de mora sobre as multas lançadas de ofício. A expressão “sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis” apenas reforça a idéia de que juros e multa não são excludentes entre si. A incidência de juros sobre as multas de ofício foi introduzida pelo legislador ordinário através da Lei nº 9.430/1996, cujo art. 61 dispõe: "Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro diado mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." (negritado agora) Verificase que a lei utiliza a expressão "débitos decorrentes de tributos e contribuições". Ora, as multas de ofício proporcionais, lançadas em função de infração à legislação tributária de que resulta falta de pagamento de tributo, como é o caso, são débitos decorrentes de tributos e contribuições. Fl. 8213DF CARF MF Processo nº 16327.001379/200979 Acórdão n.º 1402002.447 S1C4T2 Fl. 8.214 29 Não se trata de mera imprecisão terminológica do legislador, mas sim de ampliação do campo de incidência dos juros de mora para abranger também as multas de ofício, o que é perfeitamente compatível com nosso sistema jurídico tributário. Tanto é assim, que a mesma Lei nº 9.430/1996, em seu artigo 43, expressamente prevê essa hipótese no caso de multas lançadas isoladamente: "Art.43.Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." (negritado agora) Desta forma, conforme demonstrado, mostrase perfeita a conclusão a que chegou o Parecer MF/SRF/COSIT/COOPE/SENOG nº 28, de 02 de abril de 1998: "3. (...). Assim, desde 01.01.97, as multas de ofício que não forem recolhidas dentro dos prazos legais previstos estão sujeitas à incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de um por cento no mês de pagamento, desde que estejam associadas a: a) fatos geradores ocorridos a partir de 01.01.97; b) fatos geradores que tenham ocorrido até 31.12.94, se não tiverem sido objeto de pedido de parcelamento até 31.08.95." Também nesse sentido, citase decisão proferida pelo Primeiro Conselho de Contribuintes: “JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, após o seu vencimento, está prevista pelos artigos 43 e 61, § 3º, da Lei 9.430/96.” (1º Conselho de Contribuintes, 3ª Câmara, acórdão 10322197, sessão de 07/12/2005) Fl. 8214DF CARF MF Processo nº 16327.001379/200979 Acórdão n.º 1402002.447 S1C4T2 Fl. 8.215 30 Assim, tem plena previsão legal a incidência de juros moratórios – Taxa Selic sobre a multa aplicada, haja vista esta compor o crédito tributário. Ressaltese que nos demonstrativos de juros e multa constantes dos autos de infração, não há qualquer menção a acréscimo dos juros sobre a parcela referente à multa, mas tão somente sobre o imposto e as contribuições. Tal acréscimo será apurado a partir da data do vencimento da multa. Portanto, esta questão adiantouse em relação à sua cobrança. Tributação reflexa: O que restou decidido no Auto de Infração principal de IRPJ, aplicase aos outros autos de infração reflexos. Pelo exposto e por tudo que consta processado nos autos, conheço do Recurso Voluntário e dou parcial provimento para restabelecer a dedução no valor de R$ 24.000,00 referente à ABAS. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Fl. 8215DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.001697/00-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 1995, 1996
IMPUTAÇÃO DE PAGAMENTO.
A imputação de pagamento é prerrogativa da Fazenda Pública que apenas pode ser exercida caso não haja anterior manifestação do contribuinte pleiteando o pagamento de determinado débito.
Numero da decisão: 1401-001.063
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara, 1ª Turma Ordinária do Conselho
Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em CONHECER e REJEITAR os embargos.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Karem Jureidini Dias
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1995, 1996 IMPUTAÇÃO DE PAGAMENTO. A imputação de pagamento é prerrogativa da Fazenda Pública que apenas pode ser exercida caso não haja anterior manifestação do contribuinte pleiteando o pagamento de determinado débito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara, 1ª Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em CONHECER e REJEITAR os embargos. (ASSINADO DIGITALMENTE) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Karem Jureidini Dias. Ausente justificadamente o Conselheiro Maurício Pereira Faro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 00 16 97 /0 0- 18 Fl. 411DF CARF MF Excluído Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0617.16422.35SG. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10280.001697/0018 Acórdão n.º 1401001.063 S1C4T1 Fl. 6 2 Relatório Cuidase de Despacho SEORT/DRF/BEL emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belém/PA, para encaminhar o presente processo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, em razão dos processos a este juntados por apensação (Processos n° 10280.001695/0084 e n° 10280.001696/0047) terem sido remetidos a este Tribunal, respectivamente, pelos Despachos SEORT n° 0021/2010 e 0022/2010. Assim, pretende a DRJ viabilizar a apreciação conjunta do presente processo aos processos apensados. Tratase de pedido de restituição/compensação (fls. 01/02) de débito de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido dos meses de outubro de 1995 e janeiro a novembro de 1996, decorrentes do FM 1999003530 com créditos referentes a supostos pagamentos a maior efetuados em 30/01/1997, 30/05/1997 e 30/06/1997. Apesar de inicialmente deferido pelo Parecer 0816/2000, foi proferido Despacho que declarou nula a decisão anterior, sob o fundamento de que não houve apreciação do mérito da questão, indeferindo o pedido de compensação/restituição, já que não estaria demonstrado que os pagamentos são indébitos passíveis de repetição. Em face do referido despacho, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 96/99) na qual alegou que restou demonstrado que os créditos utilizados foram suficientes para compensar todo o débito decorrente do FM nº 199900.35300. Aduz, ainda, que houve erro de preenchimento nas DCTF`s do ano de 1997, nas quais constaram os valores recolhidos e não os valores efetivamente apurados com relação ao IRPJ e a CSLL, dizendo, também, que foi orientado pela Autoridade Fiscalizadora que não era necessário a retificação das DCTF`s, embora estas divergissem da DIPJ, visto que o controle de arrecadação daquele ano era feito pela DIRPJ e não pela DCTF. Argumenta que os valores de IRPJ e CSLL foram recolhidos a maior, pois, à época, a Recorrente tinha duas opções de apuração (apuração anual com recolhimento de estimativa mensal ou apuração mensal com recolhimento do imposto apurado) e que os lançamentos contábeis foram feitos com atraso e, para não incorrer em multa, a Recorrente recolheu os valores mesmo sem os ter efetivamente apurado, recolhendo montante superior ao devido. Comprovaria tal alegação, as DCTF`s apresentadas com erro e os DARF`s de recolhimento, em divergência com as DIPJ`s. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém entendeu por bem indeferir a solicitação. Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, no qual reiterou as razões expostas na Manifestação de Inconformidade, aduzindo, ainda, que retificou as DIRPJ dos anos de 1995, 1996 e 1997, e que as mesmas foram acatadas pela SEORT da DRF de Belém. Argumenta que apresentou seus livros Diário e Razão ao SEORT, no qual se comprova que nos quatro trimestres de 1997 apurou IRPJ nos valores de R$ 11.931,88; R$ 8.836,67; R$ 7.639,96 e R$ 7.812,72, a fim de liquidar tais valores, utilizouse de DARF nos valores de R$ 13.725,86; R$ 11.763,05; R$ 11.208,85 (fevereiro, março e julho de 1997). Alega que optou pelo lucro real trimestral e não pelo estimado, apenas realizando pagamentos das estimativas nos meses de janeiro e fevereiro de 1997. Invoca o princípio da verdade Fl. 412DF CARF MF Excluído Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0617.16422.35SG. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10280.001697/0018 Acórdão n.º 1401001.063 S1C4T1 Fl. 7 3 material e da segurança jurídica, segundo o qual a administração não poderia, após 3 anos, rever o ato que deferiu a compensação. Em novembro de 2006, a Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes entendeu por bem converter o julgamento em diligência (fls. 180/189) para que fossem verificados os seguintes pontos: “a) qual foi a decisão do Processo decorrente da FM 1999 00.5530; b) juntada da DIRPJ retificadora; b) quais os fundamentos para a decisão 0305/20014 frente à reitificadora; c) respondido, frente aos assentamentos contábeis e fiscais da recorrente, qual a verdade material da opção do lucro realizada naquele exercício; b.1) anual (com estimativas e/ou balancete se suspensão); b.2) mensal c) demais esclarecimentos que a autoriadade dilgenciante entenda necessário ao esclarecimento do litígio.” Em cumprimento à diligência solicitada, o SEORT da DRF em Belém apresentou as seguintes conclusões (fls. 194/196): “Pois bem. Os referidos períodos (1995, 1996 e 1997) já foram analisados quanto à opção do lucro do contribuinte e quanto às DIRPJ retificadoras, por meio das Informações nºs. 160/2008 e 162/2008, exaradas nos processos nºs. 10280.001696/0047 e 10280.001695/0084, respectivamente. Isso atende os requisitos “b” e “d” do item 2. Prosseguindo, quanto à letra “c” do item 2, assumo que o Conselho de Contribuintes deseja perquerir os fundamentos da Decisão nº 0816/2000, fls. 24/25, vez que está é a decisão que consta deste processo. Os elementos para responder a essa questão estavam e estão à disposição da autoridade que requisitou a diligência tratada na Resolução nº 10800.390, do mesmo modo que estão à disposição desta autoridade, que profere o presente ato. Nesse sentido, o Parecer SEORT/DRF;BEL nº 0383/2003, em seu item 2.3, deixa clara a minha modesta opinião, que ora ratifico, no sentido de que a decisão de fls. 24/25 não traz (ao menos explicitamente) fundamentos de mérito que permitam inferir as premissas que serviram de espeque às suas conclusões. Mencionado óbice inferencial se ratifica, quando se constata que os recolhimentos de IRPJ e CSLL, havidos por meio dos DARF`s de fls. 03/04, assumidos como indébitos pela citada decisão, não foram confrontados com os débitos de IRPJ e CSLL Fl. 413DF CARF MF Excluído Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0617.16422.35SG. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10280.001697/0018 Acórdão n.º 1401001.063 S1C4T1 Fl. 8 4 correspondentes, a fim de que exsurgisse clara a sua condição de pagamentos indevidos. Tivesse tal procedimento ocorrido, não restariam dúvidas acerca de qual seria a DIRPJ tida como fundamento da decisão sob comento. Por fim, quanto ao quesito “a” do item 2, registro que a FM nº 199900.5530, em verdade ostento o nº 199903003530, conforme documentos de fls. 191/192; O resultado deste trabalho foi apuração de “diferenças passíveis de cobrança” (ver fl. 16). Colhese, então, que não houve lançamento, até porque se tratava de operação de “combate à inadimplência”. Não houve, assim, resultado que demandasse a instauração de processo em razão da FM em foco (fl. 192).” Cumpre ressaltar que foram juntados ao presente os processos de nº 10280.001696/0047 e 10280.001695/0084. Sobreveio o acórdão de n° 120200.035, da 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, em sessão de 13 de maio de 2009, que, por unanimidade de votos, deu provimento ao Recurso Voluntário, em decisão que restou assim ementada: IMPUTAÇÃO DE PAGAMENTO – A imputação de pagamento é prerrogativa da Fazenda Pública que apenas pode ser exercida caso não haja anterior manifestação do contribuinte pleiteando o pagamento de determinado débito. Em 25 de janeiro de 2010 sobreveio o Despacho SEORT requerendo o encaminhamento do presente processo ao CARF para a apreciação conjunta deste aos processos apensados (Processo 10280.001695/0084 e Processo 10280.001696/0047), que também foram encaminhados para a elucidação de questões fundamentais para a implementação da decisão do CARF. É o relatório. Voto Conselheira Karem Jureidini Dias, Relatora Recebo o Despacho emitido pela SEORT e os acolho como Embargos, nos termos no artigo 65 do RICARF. Esclareço que no presente processo não há qualquer dúvida a ser dirimida, porquanto o presente foi apensado com o Processo de n° 10280.001696/0047 e com o Processo de n° 10280.001695/0084 (Termo de Juntada às fls. 387), sendo certo que, do que consta do Despacho, não surgiram dúvidas sobre o julgamento do 1° Processo. Já quanto aos efeitos do julgamento deste processo e daqueloutro de n° 10280.001695/0084, esclareço que eventuais dúvidas são dirimidas no julgamento dos embargos relativos aquele último processo. Conforme restou decidido no presente processo, os valores a título de compensação foram homologados pela própria Fazenda pela Decisão de n° 0861/00, deferidos, Fl. 414DF CARF MF Excluído Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0617.16422.35SG. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10280.001697/0018 Acórdão n.º 1401001.063 S1C4T1 Fl. 9 5 portanto, antes de qualquer imputação realizada de ofício. Imputação esta que foi posteriormente afastada. A decisão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais foi no sentido da impossibilidade de realização da imputação no caso vertente, na medida em que tal prerrogativa da Fazenda só pode ser exercida caso não haja anterior manifestação do contribuinte pleiteando a quitação de determinado débito por meio da compensação. Portanto, não há que se rediscutir o quanto já decidido no Acórdão 1202 00.035, da 2ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, pelo que conheço do presente Despacho, mas nego lhe qualquer efeito infringente. Sala das Sessões, em 09 de outubro de 2013 (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias Fl. 415DF CARF MF Excluído Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0617.16422.35SG. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por KAREM JUREIDINI DIAS em 11/11/2013 15:28:26. Documento autenticado digitalmente por KAREM JUREIDINI DIAS em 11/11/2013. Documento assinado digitalmente por: JORGE CELSO FREIRE DA SILVA em 11/12/2013 e KAREM JUREIDINI DIAS em 11/11/2013. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 09/06/2017. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP09.0617.16422.35SG Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Outros". 3) Selecione a opção "eAssinaRFB - Validação e Assinatura de Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 102800016970018. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 13888.901145/2014-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jun 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jul 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 25/11/2009
NULIDADE. AUSÊNCIA. MOTIVAÇÃO EXISTENTE NO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA DO CERCEAMENTO DE DEFESA.
É incabível a argüição de nulidade do despacho decisório por cerceamento de defesa quando presente a motivação para o indeferimento do pedido de compensação.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA
Incumbe à interessada o ônus processual de provar o direito resistido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.460
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DIREITO DE CRÉDITO. Recorrente FISCHER INDÚSTRIA MECÂNICA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 25/11/2009 NULIDADE. AUSÊNCIA. MOTIVAÇÃO EXISTENTE NO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA DO CERCEAMENTO DE DEFESA. É incabível a argüição de nulidade do despacho decisório por cerceamento de defesa quando presente a motivação para o indeferimento do pedido de compensação. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA Incumbe à interessada o ônus processual de provar o direito resistido. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 11 45 /2 01 4- 47 Fl. 53DF CARF MF Processo nº 13888.901145/201447 Acórdão n.º 3302004.460 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de declaração de compensação, não homologada em razão de o DARF informado na Dcomp ter sido utilizado para quitar outros débitos da recorrente, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP, conforme despacho decisório constante nos autos. Em manifestação de inconformidade, a recorrente alegou que: 1. O despacho decisório é nulo, pois sem maiores esclarecimentos, indeferiu a compensação sem se dar ao trabalho de intimar a recorrente para esclarecer os fatos, considerando o pagamento indisponível, sem motivar o porquê da indisponibilidade, causando cerceamento de defesa por ausência de motivação; 2. O despacho deveria explicar o significado da expressão "disponibilidade do crédito", pois o que parece à recorrente é que se trata de encontro de contas entre o débito recolhido mediante DARF e o crédito declarado em DCTF; 3. No mérito, a recorrente defendeu que incluiu na base de cálculo do IPI não somente receitas de faturamento, mas também outras que não compuseram o faturamento, conforme teses abarcadas pelo STF sobre a ampliação do conceito de faturamento, tendo o pedido como base a declaração de inconstitucionalidade, em consonância com o disposto na Lei nº 9.430/1996; 4. Necessária a produção posterior de provas, uma vez que, de acordo com o artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972, não foi possível à recorrente entender a motivação do indeferimento do despacho, razão pela qual não produziu as provas na impugnação. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 14055.541. O fundamento adotado, em síntese, foi a inexistência de nulidade e a necessidade de comprovação pelo contribuinte do direito creditório pretendido. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as razões aduzidas na impugnação, quanto à falta de motivação do despacho decisório, da decisão da DRJ, causando cerceamento de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.452, de Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13888.901145/201447 Acórdão n.º 3302004.460 S3C3T2 Fl. 4 3 30 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 13888.900063/201485, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.452): O recurso voluntário interposto atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A recorrente alega apenas nulidades em seu recurso voluntário, nada referindo ao mérito, como fizera em manifestação de inconformidade. Concernente à nulidade do despacho, está claro que o indeferimento foi causado pela indisponibilidade do valor pleiteado pela recorrente, referente ao DARF de julho/2008 uma vez que fora utilizado no PA de julho/2008, conforme e fls. 38, não restando assim saldo disponível, restando evidente a motivação do indeferimento. Em manifestação, a recorrente alegou, no mérito, que se tratava de erro na base de cálculo do IPI, em razão de a tese do alargamento da base de cálculo ter sido declarada inconstitucional pelo STF. Inicialmente, esclareçase que a matéria de direito, superficialmente levantada pela recorrente em sua manifestação, se referia à PIS/Pasep e Cofins faturamento, pelo que se pode depreender, não se aplicando ao IPI, cujos fatos geradores estavam dispostos no artigo 341 do Decreto nº 4.544/2002 (vigente à época dos fatos) e não referiam a faturamento, mas a saídas dos estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, e ao desembaraço aduaneiro de produto de procedência estrangeira. Quanto à alegação de nulidade da decisão da DRJ, não há reparos a se fazer na decisão que já havia exposto a motivação do despacho, acrescentando que caberia à recorrente a produção de prova de eventual pagamento indevido ou a maior que devido. O procedimento correto a ser tomado pela recorrente seria a retificação da DCTF, gerando assim um saldo credor, ou, na fase de manifestação de inconformidade, ter apresentado as provas de seu direito, como preceitua o artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972 e o artigo 333 da Lei nº 5.869/1973 (antigo CPC) vigente à época dos fatos. Ocorre que a recorrente não se desincumbiu de tal ônus, restando não comprovadas suas alegações. Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, em razão do pagamento indevido ou a maior de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI. 1 Art. 34. Fato gerador do imposto é (Lei nº 4.502, de 1964, art. 2º): I o desembaraço aduaneiro de produto de procedência estrangeira; ou II a saída de produto do estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13888.901145/201447 Acórdão n.º 3302004.460 S3C3T2 Fl. 5 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 56DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15463.722476/2014-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
DESPESAS MÉDICAS. PLANO DE SAÚDE.
Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes a plano de saúde efetuados pelo contribuinte, cujo beneficiário seja o próprio declarante ou seus dependentes, desde que comprovados mediante documentação hábil e idônea. Lei nº 9.250/1995, art. 8º, inc. II, § 2º.
Numero da decisão: 2202-003.871
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente
(assinado digitalmente)
Cecilia Dutra Pillar - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: CECILIA DUTRA PILLAR
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 DESPESAS MÉDICAS. PLANO DE SAÚDE. Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes a plano de saúde efetuados pelo contribuinte, cujo beneficiário seja o próprio declarante ou seus dependentes, desde que comprovados mediante documentação hábil e idônea. Lei nº 9.250/1995, art. 8º, inc. II, § 2º.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente (assinado digitalmente) Cecilia Dutra Pillar - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
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PLANO DE SAÚDE. Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes a plano de saúde efetuados pelo contribuinte, cujo beneficiário seja o próprio declarante ou seus dependentes, desde que comprovados mediante documentação hábil e idônea. Lei nº 9.250/1995, art. 8º, inc. II, § 2º. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente (assinado digitalmente) Cecilia Dutra Pillar Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 46 3. 72 24 76 /2 01 4- 39 Fl. 71DF CARF MF 2 Trata o presente processo de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas (fls. 09/14), decorrente de revisão da Declaração de Ajuste Anual do IRPF do exercício de 2013, ano calendário de 2012, em que foram glosados valores indevidamente deduzidos a título de despesas médicas pagos à Amil Assistência Médica Internacional S/A, no valor de R$ 16.174,68, por falta de identificação dos beneficiários do plano de saúde e valores pagos à Neurofisiologia Dr. Sérgio Szklerz, no valor de R$ 490,00, por se referir a despesas efetuada para não dependente da declarante. Foi apresentada impugnação tempestiva e parcial, onde a interessada afirmou que as despesas com plano de saúde no valor de R$ 15.919,84 são da própria titular. Não se insurgiu quanto à diferença de glosas de R$ 744,84. Anexou "Informações para a Declaração do Imposto de Renda", firmada pelo Clube Militar, identificando os pagamentos mensais realizados para a AMIL no ano de 2012 (fls. 15). A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE), julgou improcedente a impugnação, conforme acórdão de fls. 31/36, pois o documento apresentado pela contribuinte não informa se o plano é individual ou existem outros beneficiários. Cientificada dessa decisão por via postal em 10/07/2015 (A.R. de fls. 43), a interessada interpôs Recurso Voluntário em 31/07/2015 (fls. 46/47), alegando ser a titular e única beneficiária do plano de saúde Amil, não havendo nenhum dependente vinculado a seu plano. Anexa declaração do Clube Militar neste sentido (fls. 55). É o Relatório. Voto Conselheira Cecilia Dutra Pillar Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais formalidades legais, portanto dele conheço. O presente recurso resumese à controvérsia acerca da não aceitação de documentos relativos a despesas médicas pagas pela declarante e destinadas a plano de saúde, no valor de R$ 15.919,84, por falta de identificação do plano tratarse de modalidade individual ou possuir mais de um beneficiário. Em seu recurso a interessada juntou às fls. 55, declaração firmada pelo Clube Militar onde consta que a Sra. Lais realizou pagamentos no ano de 2012, em favor da Amil Assistência Médica Internacional S/A, no valor de R$ 15.919,84 e que a segurada não tem nenhum dependente vinculado ao seu plano. Reconheço que o Decreto 70.235/1972, que regulamenta o processo administrativo fiscal, limita a apresentação posterior de provas, restringindoa aos casos previstos no § 4º do seu art. 16, porém a jurisprudência deste Conselho vem se consolidando no sentido de que essa regra geral não impede que o julgador conheça e analise novos documentos ofertados após a defesa inaugural, em observância aos princípios da verdade material e da instrumentalidade dos atos administrativos, sobretudo quando são capazes de rechaçar em parte ou integralmente a pretensão fiscal, bem como se prestam a corroborar alegações suscitadas desde o início do processo. Nesse sentido os seguintes acórdãos da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: 9202002.587, 920201.633, 920202.162 e 920201.914. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 15463.722476/201439 Acórdão n.º 2202003.871 S2C2T2 Fl. 72 3 Deste modo, com base nas provas apresentadas, há que se restabelecer a dedução a título de despesas médicas, destinadas ao plano de saúde pago pela declarante em seu próprio benefício no valor de R$ 15.919,84. Conclusão Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Cecilia Dutra Pillar Relatora Fl. 73DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10825.002406/2004-19
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003
RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS
É condição para que o recurso especial seja admitido que se comprove que colegiados distintos, analisando a mesma legislação aplicada a fatos ao menos assemelhados, tenham chegado a conclusão díspares. Sendo distinta a legislação analisada pela recorrida em confronto com aquela versada nos pretendidos paradigmas, ou opostas as situações fáticas, não se admite o recurso apresentado.
Numero da decisão: 9303-005.044
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional.
Rodrigo da Costa Possas - Presidente em exercício.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Marcio Canuto Natal, Demes Brito, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Possas (Presidente em exercício).
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
1.0 = *:*
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camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS É condição para que o recurso especial seja admitido que se comprove que colegiados distintos, analisando a mesma legislação aplicada a fatos ao menos assemelhados, tenham chegado a conclusão díspares. Sendo distinta a legislação analisada pela recorrida em confronto com aquela versada nos pretendidos paradigmas, ou opostas as situações fáticas, não se admite o recurso apresentado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional. Rodrigo da Costa Possas - Presidente em exercício. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Marcio Canuto Natal, Demes Brito, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Possas (Presidente em exercício).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1418; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10825.002406/200419 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303005.044 – 3ª Turma Sessão de 12 de abril de 2017 Matéria RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ESTRUTEL CONSTRUÇÕES METÁLICAS LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS É condição para que o recurso especial seja admitido que se comprove que colegiados distintos, analisando a mesma legislação aplicada a fatos ao menos assemelhados, tenham chegado a conclusão díspares. Sendo distinta a legislação analisada pela recorrida em confronto com aquela versada nos pretendidos paradigmas, ou opostas as situações fáticas, não se admite o recurso apresentado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional. Rodrigo da Costa Possas Presidente em exercício. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Marcio Canuto Natal, Demes Brito, Erika Costa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 00 24 06 /2 00 4- 19 Fl. 304DF CARF MF 2 Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Possas (Presidente em exercício). Relatório Insurgese a Fazenda Nacional contra decisão que, em 2010, afastou o alargamento da base de cálculo da COFINS determinado pelo art. 3º, § 1º da Lei 9.718 em respeito a sua declaração de inconstitucionalidade. Concretamente, entendeuse não integrar aquela base de cálculo a receita proveniente do crédito presumido de IPI deferido. A Fazenda Nacional traz como paradigma acórdão, prolatado em 2006, que entendeu impossível estender decisão, ainda que proferida pelo Pleno do STF no controle difuso de constitucionalidade, a contribuinte outro que não tenha integrado a ação específica. É o Relatório. Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS São relevantes as datas dos acórdãos para determinar o não conhecimento do apelo da Fazenda Nacional. É que, à época de cada julgamento, distintas eram as disposições regimentais. Em 2006, data em que prolatada a decisão pretendida como paradigma de divergência, vigia o Regimento dos Conselhos de Contribuintes baixado pela Portaria MF 55/98 cujo art. 47 estabelecia: Art. 22A. No julgamento de recurso voluntário, de ofício ou especial, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação, em virtude de inconstitucionalidade, de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo em vigor. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I – que já tenha sido declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em ação direta, após a publicação da decisão, ou pela via incidental, após a publicação da resolução do Senado Federal que suspender a execução do ato; II – objeto de decisão proferida em caso concreto cuja extensão dos efeitos jurídicos tenha sido autorizada pelo Presidente da República; III – que embasem a exigência do crédito tributário: a) cuja constituição tenha sido dispensada por ato do Secretário da Receita Federal; ou Fl. 305DF CARF MF Processo nº 10825.002406/200419 Acórdão n.º 9303005.044 CSRFT3 Fl. 3 3 b) objeto de determinação, pelo ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, de desistência de ação de execução fiscal. (Artigo incluído pelo art. 5º da Portaria MF nº 103, de 23/04/2002) Vejase que, mesmo após a edição da Portaria 103, não havia disposição regimental autorizativa da extensão antes de baixada resolução do Senado Federal. E esse é, precisamente, o fundamento da decisão paradigma. Já a decisão recorrida foi proferida já em 2010, no âmbito do CARF, cujo regimento interno1 já autorizava aquela extensão. De se conferir: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Distintas, pois, as legislações por aplicar, tomadas, por óbvio em sentido lato. Não conheço do recurso. É como voto. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator 1 Portaria MF 256/2009 Fl. 306DF CARF MF 4 Fl. 307DF CARF MF
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Numero do processo: 12571.000208/2009-80
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS.
Somente geram direito a crédito de PIS/COFINS, na condição de insumos, os gastos com itens - bens ou serviços - utilizados na produção de outros bens ou na prestação de serviços. Nesse conceito, pois, não se incluem itens consumidos previamente ao início do processo produtivo ou a ele posteriores.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-005.026
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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CONCEITO DE INSUMO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado DITZEL & SANCHES LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. Somente geram direito a crédito de PIS/COFINS, na condição de insumos, os gastos com itens bens ou serviços utilizados na produção de outros bens ou na prestação de serviços. Nesse conceito, pois, não se incluem itens consumidos previamente ao início do processo produtivo ou a ele posteriores. Recurso Especial do Procurador Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3803002.894, que, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao Recurso Voluntário, consignando a seguinte ementa: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 57 1. 00 02 08 /2 00 9- 80 Fl. 395DF CARF MF Processo nº 12571.000208/200980 Acórdão n.º 9303005.026 CSRFT3 Fl. 3 2 ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Os gastos com combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos da sociedade e as despesas com manutenção de veículos da frota própria, empregados no processo produtivo ensejam o creditamento da Contribuição Social não cumulativa. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO Os encargos de depreciação sobre semireboque, peças para caminhão e outros relacionados, incorporados ao ativo imobilizado, e empregados no processo produtivo, adquiridos depois de 30/04/2004, ensejam direito a crédito. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, trazendo que: · Para efeito de crédito do tributo, a legislação esclarece que se incluem no conceito de insumo, além das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, itens que se incorporam ao bem produzido, os bens que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos/alterados no processo de industrialização em função de ação exercida diretamente sobre o produto, salvo se compreendidos no ativo permanente; · No caso concreto, os insumos glosados pela autoridade fiscal, embora não sejam bens do ativo permanente e tenham tido alguma relação com o processo industrial, não tiveram contato físico direto, nem exerceram diretamente ação no produto industrializado, não se enquadrando, portanto, na condição de insumo para o aproveitamento do crédito da contribuição. Mediante Despacho do Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção do CARF, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Contrarrazões ao recurso foram apresentadas pelo sujeito passivo, que trouxe, entre outros argumentos: · Que deve ser mantido o entendimento do colegiado do acórdão recorrido, eis que proveu o recurso voluntário para admitir a inclusão dos custos referentes aos gastos com combustíveis e Fl. 396DF CARF MF Processo nº 12571.000208/200980 Acórdão n.º 9303005.026 CSRFT3 Fl. 4 3 lubrificantes utilizados em veículos da empresa e às despesas com manutenção de veículos da frota própria, fundamentando que para a caracterização do bem ou serviço como insumo, é suficiente o seu emprego no processo de produção, ainda que não haja contato direto com o produto em fabricação; · Os combustíveis e lubrificantes utilizados, seja no transporte dos produtos destinados à venda, seja no transporte da matériaprima utilizada em seu processo produtivo, geram direito a crédito, já que atendem aos critérios de pertinência e essencialidade; · As despesas com bens e serviços de manutenção de veículos utilizados no transporte de produtos destinados à venda e de matériaprima geram direito a crédito, haja vista que tais bens, ainda que indiretamente, são aplicados no processo produtivo. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.003, de 12/04/2017, proferido no julgamento do processo 12571.000207/200935, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303005.003): Da Admissibilidade "O Recurso Especial é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade do recurso interposto pela Fazenda Nacional, eis que, confrontando os conceitos de “insumo” empregados pelos arestos envolvidos é irrefragável a confirmação do dissídio jurisprudencial. Quanto às Contrarrazões apresentadas, devem ser consideradas, eis que tempestivas." Do Mérito "Designoume a Presidência para a redação do acórdão já que a proposta da relatora, de negar provimento ao recurso da Fazenda, não restou acolhida. Frisese, desde logo, que a decisão combatida já aplicou entendimento de que as Instruções Normativas da SRF, ao equipararem o Fl. 397DF CARF MF Processo nº 12571.000208/200980 Acórdão n.º 9303005.026 CSRFT3 Fl. 5 4 conceito de insumo para fins das contribuições ao do IPI o restringiram em excesso. Sendo sua aplicação, porém, o objeto do recurso da Fazenda Nacional, natural começar pelos motivos que me levam a rejeitar tal exigência, uma vez que, embora nisso não divirja da i. relatora, essa rejeição, para mim, leva a diferente conclusão. É que, acredito já seja de conhecimento amplo, também não adiro à tese de que o conceito de insumos que permitem a tomada de créditos, nos termos do art. 3º da Lei 10.637, para o PIS e do art. 3º da Lei 10.833, para a COFINS, seja tão restrito quanto o pretendido por elas. Mas apenas rejeitar o critério da IN SRF também não nos leva muito longe. Parece igualmente óbvio que permitir a inclusão de toda e qualquer despesa, desde que aceita pela legislação do IRPJ, tampouco está em conformidade com o texto legal, que tanto se esmerou em enunciar as hipóteses ensejadoras. Por isso, para avançar na fixação de um critério para tal conceito que seja suficientemente flexível para permitir a análise de qualquer item, fixeime na expressão legal "bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviço e na produção ou fabricação..."1. Dessa expressão, algumas conclusões se impõem de plano; a) os beneficiários do crédito podem ser fabricantes, mas também "produtores", e mesmo prestadores de serviço; b) um serviço pode se enquadrar como tal, e mesmo que "utilizado na prestação de serviço". Essas observações preliminares já são suficientes para rejeitar a pretensão de utilizar o critério há muito aceito para o IPI: que o bem candidato a gerador de crédito entre em contato físico com o bem que está sendo industrializado. Por óbvio, ela não se aplica nem à "prestação de serviço", nem a um serviço como insumo. Mas uma atenta leitura do §4º do art. 8º da IN 4042 deixa igualmente claro que a SRF não o pretendeu aplicar aos serviços em qualquer das "pontas". Pretende fazêlo, porém, sempre que se estiver cuidando de "produção ou fabricação", aparentemente tomando as duas expressões como sinônimas. E é aí, a meu ver, que começam os problemas. Por primeiro, não me parece que o legislador da 10.833 (assim como o da 10.637) tenha buscado equiparar as expressões, atento que estava à 1 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes; 2 § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; Fl. 398DF CARF MF Processo nº 12571.000208/200980 Acórdão n.º 9303005.026 CSRFT3 Fl. 6 5 possibilidade de que a "produção" ensejadora de crédito no âmbito das contribuições não corresponda a uma efetiva industrialização nos termos do IPI. Como é cediço, fora daquele contexto produção pode se referir, e no mais das vezes se refere, a um conjunto de atividades bem maior, que inclui, entre outras, a atividade agropecuária, bem como a agroindustrial. Ainda assim, como em todos os casos há um produto físico gerado ao final de um processo produtivo, pareceria, em princípio, razoável a adoção daquele critério mesmo quando de industrialização em sentido estrito não se tratasse. O problema, entretanto, é que o critério do Parecer Normativo CST 65/79 destinase a definir o que se poderia enquadrar no conceito de "produto intermediário" apenas referido mas não definido no art. 25 da Lei 4.502/643 . Ou seja, ele não é destinado à definição do que seja insumo, mas do que seja produto intermediário, ou mais precisamente, de qual seria o critério para considerar um bem como consumido no processo produtivo. Sobre esse ponto, peço licença para reproduzir considerações que expendi em julgamento realizado ainda no antigo Conselho de Contribuintes, no já distante ano de 20084: Como se disse no relatório, o contribuinte recorre de decisão que lhe negou o ressarcimento de saldo credor originado no registro de créditos de IPI em relação às aquisições de energia elétrica, produto considerado pelo IPI como nãotributado. Entende possível incluir a energia elétrica consumida no processo produtivo entre os “produtos que, embora não se integrando ao produto final, são consumidos no processo produtivo, desde que não compreendidos entre os bens do Ativo Permanente”, consoante redação do art. 147 do Regulamento do IPI baixado pelo Decreto 2.637/98 (atual art. 164 do Regulamento baixado em 2002). A SRF considera, com base no Parecer Normativo CST nº 65/79, entre outros, que não, visto não ter contato físico com o produto em elaboração. Para mim, a decisão recorrida não merece reparos. É que, embora lastreada na orientação do Parecer Normativo, a que está vinculada, e com a qual não concordo inteiramente, o que fez foi dar correta aplicação ao princípio da nãocumulatividade. Para melhor compreensão, necessário um registro, ainda que breve, da evolução legislativa da matéria. Como se sabe, a Lei nº 4.502/64, foi a última a regular o extinto Imposto Sobre o Consumo instituído pelo Decretolei nº 7.404/45 e transformado no IPI. Na evolução legislativa daquele imposto é que se vai encontrar pela primeira vez tentativa de aplicação do princípio 3 Art. 164. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a MP, PI e ME , adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; 4 Julgamento do recurso voluntário nº 147.752, no Processo 10830.000989/200474, sessão de agosto de 2008 Fl. 399DF CARF MF Processo nº 12571.000208/200980 Acórdão n.º 9303005.026 CSRFT3 Fl. 7 6 de tributação sobre o valor agregado. Tratase, como é de sabença geral, da disposição do art. 213 da Lei nº 3.520/58: Art. 213 ... 2º Os fabricantes pagarão o impôsto com base nas vendas de mercadorias tributadas, apuradas quinzenalmente, deduzido, no mesmo período o valor do impôsto relativo às matérias primas e outros produtos adquiridos a fabricantes ou importadores ou importados diretamente, para emprêgo na fabricação e acondicionamento de artigos ou produtos tributados; Após ser regulamentada pelo Decreto 45.422/59, essa lei foi alterada pela de nº 4.153, já em 1962, na qual se promoveu grande ampliação do instituto. Vejamos: Art. 34. O artigo 148 do atual Regulamento do Imposto de Consumo aprovado pelo Decreto nº 45.422, passa a vigorar com as seguintes alterações: a) As palavra As palavras "nas vendas de mercadorias tributadas" são substituídas pelas seguintes: "nas entregas a consumo de mercadorias tributadas"; b) Para os fins do art. 148, entendemse como adquiridos para emprêgo na fabricação e acondicionamento de artigos ou produtos tributados: na fabricação as matérias primas ou artigos e produtos secundários ou intermediários que, integrando o produto final ou sendo consumidos total ou parcialmente no processo de sua fabricação, sejam utilizados na sua composição, elaboração, preparo, obtenção e confecção, inclusive na fase de aprêsto e acabamento. Portanto, além das matérias primas, davam direito de abatimento do valor devido as aquisições dos chamados produtos secundários e intermediários. Na busca de distinção entre eles, confirmouse a definição mais ou menos consensual de que produtos intermediários são os que partilham com as matérias primas o caráter de se integrarem fisicamente aos produtos fabricados, delas diferindo apenas pelo fato de já serem produtos prontos, passíveis, assim, de utilização adicional. Já os produtos secundários é que consistiam naqueles que, embora não se integrando ao produto final, fossem consumidos, total ou parcialmente, no processo de fabricação. Ocorre que a Lei nº 4.502/64 suprimiu a referência a produtos secundários como possibilitadores de dedução do IPI devido pelas saídas. Confiramse os artigos da Lei 4.502 que cuidaram da matéria: Art. 25. Para efeito do recolhimento, na forma do art. 27, será deduzido do valor resultante do cálculo. I o impôsto relativo às matériasprimas produtos intermediários e embalagens, adquiridos ou recebidos para emprêgo na industrialização e no acondicionamento de produtos tributados; Fl. 400DF CARF MF Processo nº 12571.000208/200980 Acórdão n.º 9303005.026 CSRFT3 Fl. 8 7 II o impôsto pago por ocasião do despacho de produtos de procedência estrangeira ou da remessa de produtos nacionais ou estrangeiras para estabelecimentos revendedores ou depositários. Art. 27. A importância a recolher será: I no caso do inciso I do artigo anterior a resultante do cálculo do impôsto; II No caso do inciso II a necessária à manutenção de saldo suficiente para cobertura do impôsto devido pela saída dos produtos; III no caso do inciso III a resultante do cálculo do impôsto relativo aos produtos saídos do estabelecimento produtor na quinzena anterior, deduzida: a) do valor do impôsto relativo as matérias primas, produtos intermediários e embalagens, adquiridos no mesmo período, quando se tratar de estabelecimento industrial; b) do valor do impôsto pago por ocasião do despacho ou da remessa, quando se tratar de estabelecimento importador, arrematante ou revendedor, considerados, para efeito da apuração, os capítulos de classificação dos produtos. § 1º Será excluído do crédito o impôsto relativo às matérias primas, produtos intermediários e embalagens que forem objeto de revenda ou que forem empregados na industrialização ou no acondicionamento de produtos isentos e não tributados. § 2º O devedor remisso, sujeito ao recolhimento antecipado, utilizar seá do crédito de impôsto, mediante adição ao seu saldo. § 3º O impôsto relativo às matériasprimas, produtos intermediários e embalagens, adquiridos a revendedores não contribuintes, será calculado, para efeito de crédito mediante aplicação da alíquota a que estiver sujeito o produto sôbre 50% (cinqüenta por cento) do seu valor constante da nota fiscal. § 4º Em qualquer hipótese, o direito ao crédito do impôsto será condicionado às exigências de escrituração estabelecidas nesta lei e em seu regulamento, e, quando não exercido na época própria, só poderá sêlo, cumprida a formalidade do inciso I do art. 76 ou quando o seu valor fôr incluído em reconstituição de escrita, efetuada pela fiscalização. § 5º Quando ocorrer saldo credor numa quinzena, será êle transportado para a quinzena seguinte, sem prejuízo da obrigação do contribuinte apresentar ao órgão arrecadador, dentro do prazo legal previsto para o recolhimento, a guia demonstrativa dêsse saldo. Ainda assim, o primeiro regulamento do IPI já editado após a Lei 4.502 – Decreto 56.791/65 – ao “regulamentar” o dispositivo acima, estabeleceu: Art. 27. Para efeito do recolhimento, será deduzido do valor resultante do cálculo, na forma do art. 29: I o impôsto relativo às matériasprimas, produtos intermediários e embalagens, adquiridos ou recebidos para emprêgo na Fl. 401DF CARF MF Processo nº 12571.000208/200980 Acórdão n.º 9303005.026 CSRFT3 Fl. 9 8 industrialização e no acondicionamento de produtos tributados, compreendidos, entre os primeiros, aquêles que, embora não se integrando no nôvo produto, são consumidos no processo de industrialização; Ou seja, mantevese a possibilidade de dedução do imposto pago sobre os produtos secundários, agora “apelidados” de produtos intermediários. Ainda mais, sua redação irrestrita parece permitir que aí se incluíssem mesmo os produtos para uso e consumo e os constituintes de máquinas e equipamentos, visto que nem mesmo quanto a estes houve qualquer restrição. Tal largueza de conceitos, porém, não vinha sendo aceita pelo Fisco, o que suscitou diversos questionamentos ao Poder Judiciário quanto à abrangência do conceito de produtos intermediários. Em diversos julgados proferidos, a partir de 1966, no âmbito do STF (RMS 19.625GB, julgado em 20/6/1966, relator Ministro Victor Gomes; Recurso Extraordinário 18.661PE, julgado pelo Pleno em 16/10/1968 sob relatoria do Ministro Aliomar Baleeiro), firmouse o entendimento de que a expressão poderia sim englobar produtos que fossem apenas consumidos no processo industrial, desde que cumpridos, porém, dois requisitos primordiais: que os produtos consumidos fossem essenciais e específicos à fabricação em questão (vide votos condutores das decisões mencionadas). Pelo primeiro, requerse que o processo produtivo não se possa completar na ausência daquele “produto intermediário”; pelo segundo, que não sejam eles de uso comum, indiscriminado a todo e qualquer processo industrial. Destarte, o primeiro requisito determinava a exclusão, entre outros, da energia elétrica usada para iluminação, ainda que do ambiente onde se realizasse a produção, que poderia perfeitamente prosseguir sem a sua presença (salvo, talvez, situações muito específicas de ausência completa de iluminação natural).Também dos combustíveis empregados para acionamento de máquinas e equipamentos (em que também se pode utilizar a eletricidade). Pelo segundo, afastouse a aplicação ao desgaste de equipamentos físicos (depreciação de máquinas, equipamentos e instrumentos), componentes da estrutura física do estabelecimento, porque comuns a praticamente todo processo industrial. Tentando, ao meu ver, dar aplicação a essas restrições impostas pelo Judiciário é que o Regulamento seguinte, baixado pelo Decreto 70.163/72, acresceu a necessidade de que o consumo se desse de forma “imediata e integral”, bem como incluiu a restrição aos bens integrantes do ativo permanente. Suscitou, porém, novos questionamentos judiciais (Recurso Extraordinário ao STF nº 79.601RS, de 1974, também relatado pelo Ministro Aliomar Baleeiro e, no extinto Tribunal Federal de Recursos, a Apelação Cível nº 44.781SP, de 1978, relatada pelo Ministro Carlos Velloso). Em ambos, ratificaram os Tribunais Superiores os critérios estabelecidos nos julgamentos anteriores, Fl. 402DF CARF MF Processo nº 12571.000208/200980 Acórdão n.º 9303005.026 CSRFT3 Fl. 10 9 mesmo com a mudança de redação introduzida no Regulamento do Imposto. Daí, viuse o Poder Executivo instado a alterar novamente a redação dos decretos regulamentares posteriores, que deixaram de trazer a restrição quanto ao consumo imediato e integral. Essa ausência, então, suscitou a edição do mencionado Parecer Normativo nº 65/79, pela Coordenação do Sistema de Tributação da SRF, que vincula a possibilidade de crédito ao emprego sobre o produto em elaboração.Tratase de nova tentativa de dar aplicação aos critérios aceitos no Poder Judiciário5. Embora imprecisa, tal definição, a meu ver, atinge o cerne da discussão, ao menos para a grande maioria dos processos industriais. É que, salvo honrosas exceções que têm de ser comprovadas caso a caso, não vemos, em princípio, como considerar essenciais e específicos ao processo artigos que sequer entrem em contato direto com o produto em elaboração. De todo modo, restringindose a discussão do presente feito, à energia elétrica, dúvida não tenho de que, de ordinário, ela não pode ser considerada produto intermediário mesmo nessa mais ampla 5 O que resulta claro nos itens 8 a 10 do citado Parecer Normativo: 8. No caso, entretanto, a própria exegese histórica da norma desmente esta acepção, de vez que a expressão "incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando no novo produto, forem consumidos no processo de industrialização" é justamente a única que consta de todos os dispositivos anteriores (inciso I do art. 27 do Decreto nº 56.791/65, inciso I do art. 30 do Decreto nº 61.514/67 e inciso I do art. 32 do Decreto nº 70.162/72), o que equivale a dizer que foi sempre em função dela que se fez a distinção entre os bens que, não sendo matériasprimas nem produtos intermediários stricto sensu, geram ou não direito ao crédito, isto é, segundo todos estes dispositivos, geravam o direito os produtos que, embora não se integrando no novo produto, fossem consumidos no processo de industrialização. 8.1. A norma constante do direito anterior (inciso I do art. 32 do Decreto nº 70.162/72), todavia, restringia o alcance do dispositivo, dispondo que o consumo do produto, para que se aperfeiçoasse o direito ao crédito, deveria se dar imediata e integralmente. 8.2. O dispositivo vigente (inciso I do art. 66 do RIPI/79), por sua vez, deixou de registrar tal restrição, acrescentando, a título de inovação, a parte final referente à contabilização no ativo permanente. 9. Como se vê, o que mudou não foi o critério, que continua sendo o do consumo do bem no processo industrial, mas a restrição a este. 10. Resumese, portanto, o problema na determinação do que se deva entender como produtos "que, embora não se integrando no novo produto, forem consumidos, no processo de industrialização", para efeito de reconhecimento ou não do direito ao crédito. 10.1. Como o texto fala em "incluindose entre as matériasprimas e os produtos intermediários", é evidente que tais bens hão de guardar semelhança com as matériasprimas e os produtos intermediários stricto sensu, semelhança esta que reside no fato de exercerem na operação de industrialização função análoga a destes, ou seja, se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida. 10.2. A expressão "consumidos", sobretudo levandose em conta que as restrições "imediata e integralmente", constantes do dispositivo correspondente do Regulamento anterior, foram omitidas, há de ser entendida em sentido amplo, abrangendo, exemplificativamente, o desgaste, o desbaste, o dano e a perda de propriedades físicas ou químicas, desde que decorrentes de ação direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre o insumo. 10.3. Passam, portanto, a fazer jus ao crédito, distintamente do que ocorria em face da norma anterior, as ferramentas manuais e as intermutáveis, bem como quaisquer outros bens que, não sendo partes nem peças de máquinas, independentemente de suas qualificações tecnológicas, se enquadrem no que ficou exposto na parte final do subitem 10.1 (se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida). Fl. 403DF CARF MF Processo nº 12571.000208/200980 Acórdão n.º 9303005.026 CSRFT3 Fl. 11 10 acepção. Há, por certo, situações em que a energia elétrica cumpre aqueles requisitos: tratase daqueles processos que requerem a separação molecular, via eletrólise, para que o processo possa continuar. Presentes aí a essencialidade e a especificidade, mas também a aplicação sobre o produto em elaboração como requer o Parecer. Assim, não demonstrado nos presentes autos que a energia elétrica é empregada dessa forma, ou de alguma similar, não vejo como acatar sua inclusão no conceito de produtos intermediários, mesmo na mais ampla definição que a eles se deu nos últimos regulamentos do IPI. E isso bastaria à negativa de provimento do recurso do contribuinte. Mas, como disse, esse é apenas o primeiro dos requisitos, e a energia elétrica também não cumpre o segundo: não há IPI algum para gerar crédito. Deveras, a energia elétrica está fora do campo de incidência do imposto, merecendo na TIPI a expressão NT – de não tributado. É certo que há outra linha de questionamento judicial, esta mais recente, que diz respeito a essa necessidade de que tenha havido destaque de IPI na aquisição feita. Mas esses questionamentos, normalmente, a isso se resumem, sendo indiscutível o enquadramento do produto adquirido na condição de matéria prima ou produto intermediário. Por isso, o “quase ineditismo” deste recurso, a que fiz referência no relatório. Nele se discutem os dois requisitos. Com efeito, aqui se tem um produto que, segundo as disposições do Parecer Normativo, não é matéria prima, produto intermediário nem material de embalagem e que também não sofreu o gravame do imposto. E quanto a esse último aspecto, da forma mais importante, isto é, não está sequer no seu campo de incidência. Da leitura das leis instituidoras da nãocumulatividade das contribuições não chego à conclusão de que, para elas, também se precise demarcar o que significa "ser consumido no processo produtivo". Seja porque a expressão legal não é essa, como também porque não se está a definir produto intermediário, mas sim insumo. Já se vê daí que, com as escusas sempre necessárias, não tenho como partilhar a premissa de sua excia. o ministro Herman Benjamim, citado no voto do dr. Henrique. É que, a meu ver, a legislação do IPI não identifica o conjunto formado por matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem ao conceito de insumo. Para tanto, é óbvio, não basta dizer que aquele conjunto é insumo; é preciso, mais, dizer que só ele o é. Mas, longe disso, a este último não é dada qualquer definição formal naquela legislação, a começar pela Lei 4.502/64 em que sequer se encontra o vocábulo "insumos". Mesmo nos decretos regulamentares, o que se diz ou sempre se pode ler é que aquele conjunto é insumo; nada há sobre a recíproca. Assim, pareceme, mesmo para o legislador do IPI, matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem formam um subconjunto do conjunto mais amplo dos insumos. Aliás, de não ser assim, desnecessárias seriam as diversas ressalvas a itens passíveis de enquadramento no conjunto maior. Especialmente, no artigo definidor dos créditos não se precisaria especificar que ele se restringe Fl. 404DF CARF MF Processo nº 12571.000208/200980 Acórdão n.º 9303005.026 CSRFT3 Fl. 12 11 àquele subconjunto; bastaria autorizálo aos "insumos", que seria a mesma coisa. A consequência lógica dessa divergência é que não se precisa pensar em legisladores tributários distintos. Mesmo admitindo que o conceito de insumos deva ser uno para todos os efeitos tributários, nada há que impeça usarse o que proponho aqui: bem utilizado no processo produtivo e aí "consumido" ainda que não por um contato físico com o produto em elaboração. Mas é preciso demarcar bem quando começa o processo produtivo, pois, como já reiterou suficientemente a doutrina, não se está aqui limitado aos "produtores" no sentido do IPI, isto é, a lei não está a cuidar apenas de processos industriais, stricto sensu, embora seja aqui o caso. Destarte, quando o produto final gerado (e a ser vendido) depende de uma etapa prévia, ainda não exatamente industrial, mas que seja realizada pela mesma empresa, não vejo nenhuma incompatibilidade com a lei em considerar também integrante do processo essa etapa prévia, como ocorre em diversas cadeias produtivas, a exemplo da celulose, do álcool etc. Embora irrelevante para o presente caso, o critério genérico há de ser, portanto, o do início das operações que culminarão com a obtenção daquilo que gerará a receita da empresa, esta que será a base de cálculo da exação. E em se tratando aqui de uma simples operação industrial, parece fácil identificálo com o início das operações tipicamente industriais como o faz também a IN SRF. Assim, nesses casos de empreendimentos tipicamente industriais minha única divergência com o critério da IN SRF se prende à exigência de que os insumos tenham contato físico com o produto final, o que já excluiria, de plano, todos os serviços, mas não só. Por ele, também ficariam de fora todos os itens normalmente glosados no IPI embora participantes efetivos do processo, onde se desgastam, também sem controvérsia, mesmo sem ter "contato" com o produto em elaboração. De outra banda, não adiro à noção de essencialidade que é por muitos advogada. Como primeiro contraargumento, porque, preservada a premissa econômica de racionalidade do empresário, seria difícil encontrar algum item efetivamente empregado no processo, e portanto gerador de custo, sem que haja necessidade para tal, no mínimo, para que o produto final seja aceito pelo consumidor. De fato, esse critério apenas nos leva a uma nova dificuldade, qual seja, a delimitação do grau de necessidade do item em consideração: seria ela estritamente técnica ou também econômica, no sentido acima? A primeiro opção nos levaria a ter de nos embrenhar nas minúcias de cada processo produtivo; a segunda, a aceitar praticamente todo e qualquer gasto. Em segundo lugar, porque há inúmeros itens, especialmente de serviços, que são "essenciais ao", mas não "utilizados no", processo produtivo. Além desse requisito, considero igualmente excluídos pela expressão "utilizados no processo produtivo" os bens que devem compor o ativo permanente, o que significa que, em meu entender, a legislação das Fl. 405DF CARF MF Processo nº 12571.000208/200980 Acórdão n.º 9303005.026 CSRFT3 Fl. 13 12 contribuições preservou este específico óbice existente quanto ao IPI. E assim concluo porque, quanto a eles, a legislação permitiu a dedução da despesa de depreciação e desde que o bem ativado seja efetivamente empregado no processo produtivo o que inviabiliza a tomada de crédito sobre o valor integral da aquisição de uma só vez. Rejeitados, assim, os demais critérios, o da IN, o da essencialidade e o da apropriação de custos nos termos da legislação do IR, analiso cada item candidato a insumo sob o duplo ponto de vista: a) participa efetivamente do processo produtivo? b) aí se desgasta em menos de um ano, de modo a não ser ativado? Respostas afirmativas a ambas levamme a aceitálo. Passando, então, ao caso concreto, vêse que se debate a despesa com combustíveis e lubrificantes empregados em frota própria, que é utilizada para transportar a matéria prima e os produtos elaborados. Conforme se comprova da simples leitura da passagem transcrita, a lei apenas deferiu o creditamento com esses itens "quando utilizados como insumo na fabricação de produtos ou prestação de serviços". Necessário, pois, que elas se refiram a atividades que ocorram durante o processo produtivo, o que não se dá tanto no transporte de matérias primas a serem nele empregadas, nem com respeito a transporte de produtos finais dele decorrentes. O segundo item objeto de polêmica referese a bens utilizados na manutenção de tais veículos. A negativa tem o mesmo respaldo, ainda que aqui com mais intensidade, pois sequer estão eles mencionados em qualquer dos incisos do ato legal. Com efeito, o legislador apenas autorizou o creditamento, no que se relaciona aos bens do ativo permanente, quando se trate de depreciação. Não há, pois, tal direito em ambas as situações para os que, como este conselheiro, advogam a tese acima exposta. Com tais considerações, entendeu o colegiado descabido o creditamento deferido na decisão recorrida, e deu provimento ao recurso da Fazenda Nacional." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 406DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.720154/2011-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.783
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente RENAUTO AUTOMÓVEIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 01 54 /2 01 1- 70 Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10120.720154/201170 Acórdão n.º 3302003.783 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de PIS/PASEP incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06049.298. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10120.720154/201170 Acórdão n.º 3302003.783 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10120.720154/201170 Acórdão n.º 3302003.783 S3C3T2 Fl. 5 4 § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10120.720154/201170 Acórdão n.º 3302003.783 S3C3T2 Fl. 6 5 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10120.720154/201170 Acórdão n.º 3302003.783 S3C3T2 Fl. 7 6 Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 132DF CARF MF
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Numero do processo: 11128.729723/2013-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 27/10/2008
MULTA REGULAMENTAR. SISCOMEX CARGA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA CARGA. IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE.
A prestação de informação a destempo sobre a carga transportada no Siscomex Carga configura a infração regulamentar definida na alínea e do inciso IV do artigo 107 do Decreto-lei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, sancionada com a multa regulamentar fixada no referido preceito legal.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 27/10/2008
MULTA REGULAMENTAR. INFRAÇÃO ADUANEIRA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE.
1. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação ou entrega de documentos à administração aduaneira, uma vez que tal fato configura a própria infração.
2. A multa por atraso na prestação de informação, no Siscomex, sobre dados de embarque de mercadoria exportada não é passível de denúncia espontânea, porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração.
AGENTE DE CARGA. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÃO. RESPONSABILIDADE PELA MULTA APLICADA. POSSIBILIDADE.
O agente de carga, na condição de representante do transportador e a este equiparado para fins de cumprimento da obrigação de prestar informação sobre a carga transportada no Siscomex Carga, tem legitimidade passiva para responder pela multa aplicada por infração por atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por ele cometida.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 27/10/2008
INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA. ALEGAÇÃO DE PROBLEMA NO ACESSO AO SISTEMA DE REGISTRO. AUSÊNCIA DE PROVAS. AFASTAMENTO DA PENALIDADE. IMPOSSIBILIDADE.
A mera alegação de que o atraso na prestação de informação sobre veículo, operação ou carga foi motivado por impossibilidade de acesso sistema (Siscomex Carga), desprovida comprovação do fato, segundo as regras de contingência estabelecidas, não configura condição suficiente para afastar a aplicação da multa cominada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.050
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 27/10/2008 MULTA REGULAMENTAR. SISCOMEX CARGA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA CARGA. IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE. A prestação de informação a destempo sobre a carga transportada no Siscomex Carga configura a infração regulamentar definida na alínea e do inciso IV do artigo 107 do Decreto-lei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, sancionada com a multa regulamentar fixada no referido preceito legal. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 27/10/2008 MULTA REGULAMENTAR. INFRAÇÃO ADUANEIRA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. 1. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação ou entrega de documentos à administração aduaneira, uma vez que tal fato configura a própria infração. 2. A multa por atraso na prestação de informação, no Siscomex, sobre dados de embarque de mercadoria exportada não é passível de denúncia espontânea, porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração. AGENTE DE CARGA. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÃO. RESPONSABILIDADE PELA MULTA APLICADA. POSSIBILIDADE. O agente de carga, na condição de representante do transportador e a este equiparado para fins de cumprimento da obrigação de prestar informação sobre a carga transportada no Siscomex Carga, tem legitimidade passiva para responder pela multa aplicada por infração por atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por ele cometida. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 27/10/2008 INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA. ALEGAÇÃO DE PROBLEMA NO ACESSO AO SISTEMA DE REGISTRO. AUSÊNCIA DE PROVAS. AFASTAMENTO DA PENALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. A mera alegação de que o atraso na prestação de informação sobre veículo, operação ou carga foi motivado por impossibilidade de acesso sistema (Siscomex Carga), desprovida comprovação do fato, segundo as regras de contingência estabelecidas, não configura condição suficiente para afastar a aplicação da multa cominada. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 27/10/2008 MULTA REGULAMENTAR. SISCOMEX CARGA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA CARGA. IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE. A prestação de informação a destempo sobre a carga transportada no Siscomex Carga configura a infração regulamentar definida na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, sancionada com a multa regulamentar fixada no referido preceito legal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 27/10/2008 MULTA REGULAMENTAR. INFRAÇÃO ADUANEIRA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. 1. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação ou entrega de documentos à administração aduaneira, uma vez que tal fato configura a própria infração. 2. A multa por atraso na prestação de informação, no Siscomex, sobre dados de embarque de mercadoria exportada não é passível de denúncia espontânea, porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração. AGENTE DE CARGA. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÃO. RESPONSABILIDADE PELA MULTA APLICADA. POSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 72 97 23 /2 01 3- 05 Fl. 135DF CARF MF Processo nº 11128.729723/201305 Acórdão n.º 3302004.050 S3C3T2 Fl. 3 2 O agente de carga, na condição de representante do transportador e a este equiparado para fins de cumprimento da obrigação de prestar informação sobre a carga transportada no Siscomex Carga, tem legitimidade passiva para responder pela multa aplicada por infração por atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por ele cometida. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 27/10/2008 INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA. ALEGAÇÃO DE PROBLEMA NO ACESSO AO SISTEMA DE REGISTRO. AUSÊNCIA DE PROVAS. AFASTAMENTO DA PENALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. A mera alegação de que o atraso na prestação de informação sobre veículo, operação ou carga foi motivado por impossibilidade de acesso sistema (Siscomex Carga), desprovida comprovação do fato, segundo as regras de contingência estabelecidas, não configura condição suficiente para afastar a aplicação da multa cominada. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Tratase de processo referente à exigência de multa pelo descumprimento da obrigação de prestar informação sobre veículo, operação realizada ou carga transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Nos termos do relatado no acórdão recorrido, de acordo com a descrição dos fatos constante no Auto de Infração, a autuada concluiu a destempo a desconsolidação das cargas relativas ao conhecimento eletrônico (CE) genérico ali identificado (MasterHouse Bill of LadingMHBL), em razão de ter informado com atraso o CE agregado (House Bill of LadingHBL) especificado. Para demonstrar a irregularidade apurada, a autoridade lançadora também apresentou dados referentes à embarcação, viagem, escala, data da atracação, manifesto eletrônico relativos à carga cujo atraso na informação deu ensejo ao lançamento. Na sequência a fiscalização discorreu sobre o Siscomex Carga e sua norma regente, a IN RFB nº 800/2007, destacando a abrangência do termo transportador nela utilizado, e os prazos estabelecidos para prestar as informações exigidas (arts. 22 e 50 da referida IN, e art. 64 do ADE Corep nº 3/2008). Fl. 136DF CARF MF Processo nº 11128.729723/201305 Acórdão n.º 3302004.050 S3C3T2 Fl. 4 3 Em seguida, falou da responsabilidade legal do transportador e da penalidade aplicável em caso de descumprimento da obrigação em foco (arts. 37 e 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966), enfatizando a natureza objetiva dessa responsabilidade, que independe da intenção do agente ou responsável, bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (art. 94 do DL 37/1966). A autoridade lançadora prosseguiu seu relato explanando acerca da motivação da obrigação imposta, destacando sua importância na definição prévia de procedimentos a serem aplicados, objetivando proporcionar maior segurança e racionalidade ao controle aduaneiro de cargas. Foi descrita a nova sistemática de controle implementada a partir de 2002, quando a fiscalização aduaneira passou a ter foco mais abrangente, de forma a alcançar não apenas os importadores e exportadores, mas todos os intervenientes envolvidos nas operações de comércio exterior. Dando seguimento, a fiscalização comentou sobre a interpretação da norma que prescreve a multa imposta. Foi considerado que, com base no art. 112 do CTN, deve ser considerada a conclusão veiculada na Solução de Consulta Interna Cosit nº 8/2008, relativamente à quantidade de multas a serem aplicadas. No tópico seguinte, intitulado “DA APLICAÇÃO DA PENALIDADE IMPOSTA”, foi feita detalhada abordagem a respeito da denúncia espontânea e chegada à conclusão que, apesar de sua aplicabilidade ter sido estendida às penalidades de natureza administrativa (Lei nº 12.350/2010), não foram atendidos os requisitos próprios desse instituto. Para reforçar seu entendimento, a autoridade lançadora recorreu à doutrina e também à jurisprudência administrativa e judicial. Na sequência a fiscalização falou sobre a materialidade da infração, que considerou devidamente caracterizada, e sobre os intervenientes aduaneiros designados pela legislação, tendo em vista o disposto no art. 76, § 2º, da Lei nº 10.833/2003 e nos arts. 3º a 5º da IN RFB nº 800/2007. Concluiu que, com base na documentação juntada aos autos, era a autuada, na condição de consignatária do citado CE genérico, a responsável por prestar as informações relativas aos correspondentes CEs agregados incluídos com atraso. A penalidade foi formalizada no Auto de Infração em debate. Cientificado da exação, o sujeito passivo, apresentou impugnação alegando, em síntese: a) Ilegitimidade passiva. O prazo estabelecido pela IN RFB n° 800/2007 não se aplica à impugnante, que na condição de agente de carga, não se confunde com a atividade do transportador, que é o sujeito das obrigações instituídas pela referida Norma. A classificação da impugnante como tal distorce conceito de direito privado, o que é expressamente vedado pelo art. 110 do CTN. b) Denúncia espontânea. Conforme se depreende dos autos, ainda que a destempo, as informações foram prestadas pela própria impugnante, antes do início de fiscalização. Assim não é cabível a multa exigida, pois se aplica ao caso o instituto da denúncia espontânea, consoante dispõe o art. 102, § 2º, do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 12.350/2010. Fl. 137DF CARF MF Processo nº 11128.729723/201305 Acórdão n.º 3302004.050 S3C3T2 Fl. 5 4 c) Inaplicabilidade de multa no período de contingência do Siscomex Carga. As operações objeto da autuação ocorreram no chamado “período de contingência”, em que o cumprimento dos prazos da IN RFB nº 800/2007 não era exigido, já que o Siscarga não estava integralmente disponível para utilização pelos agentes e desconsolidadores. Dessa forma, evidenciado que a impugnante não poderia agir de outra forma, a aplicação de multa no presente caso afronta, além do princípio da inexigibilidade de conduta diversa, o da razoabilidade, que impõe à Administração Pública o dever de agir com bom senso, prudência e moderação, levando em conta a relação de proporcionalidade entre os meios empregados e a finalidade a ser alcançada, bem como as circunstâncias que envolvem a prática do ato. Ao final a impugnante pedia o cancelamento do lançamento. Sobreveio a decisão de primeira instância, em que, por unanimidade de votos, os integrantes do Colegiado de primeiro grau rejeitaram a preliminar de ilegitimidade passiva e, no mérito, julgaram a impugnação improcedente e mantiveram integralmente a exigência fiscal, nos termos do Acórdão 0833.494. Após ciência ao acórdão de primeira instância, a autuada protocolou recurso voluntário em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na peça impugnatória. Em aditamento, alegou que o acórdão recorrido não dera aos fatos em análise a correta interpretação, aplicando equivocadamente a legislação vigente; e que os argumentos expostos na impugnação foram refutados por simples negativa, sem que se levantassem razões jurídicas hábeis a infirmálos. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.022, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 11128.730402/201345, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.022): O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. O litígio cingese aos seguintes pontos: a) ilegitimidade passiva da recorrente; b) impossibilidade de aplicação da multa durante o período de contingência do Siscomex Carga; e c) excludente de responsabilidade por denúncia espontânea da infração. Previamente a análise controvérsia, cabe destacar que a aplicação da penalidade em apreço foi motivada pela prática da infração tipificada, genericamente, na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei 10.833/2003, a seguir transcrito: Fl. 138DF CARF MF Processo nº 11128.729723/201305 Acórdão n.º 3302004.050 S3C3T2 Fl. 6 5 Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaa porta, ou ao agente de carga; (...) E em relação à prestação de “informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute” no Siscomex Carga, para conferir efetividade a referida norma penal em branco, foi editada a Instrução Normativa RFB 800/2007, que estabeleceu a forma e o prazo para a prestação das referidas informações. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal que integra o presente Auto de Infração (fls. 01/05), a conduta que motivou a imputação da multa em apreço foi a prestação da informação a destempo, no Siscomex Carga, dos dados relativos ao conhecimento eletrônico (HBL) CE 150805190343826, vinculado à operação de desconsolidação do Conhecimento Eletrônico SubMaster (MHBL) CE 150805184751721, conforme explicitado no trecho que segue transcrito: O Agente de Carga CEVA FREIGHT MANAGEMENT DO BRASIL LTDA, CNPJ 03.229.138/000406, concluiu a desconsolidação relativa ao Conhecimento Eletrônico Sub Master (MHBL) CE 150805184751721 a destempo às 09h52min do dia 09/10/2008, segundo o prazo previamente estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, para o seu conhecimento eletrônico agregado (HBL) CE 150805190343826. A carga objeto da desconsolidação em comento foi trazida ao Porto de Santos acondicionada nos Containers NYKU7940080, NYKU7104578 e NYKU7149079, pelo Navio M/V CAPE CHARLES, em sua viagem 101W, no dia 07/10/2008, com atracação registrada às 18h26min. Os documentos eletrônicos de transporte que ampararam a chegada da embarcação para a carga são Escala 08000222050, Manifesto Eletrônico 1508501842589, Conhecimento Eletrônico Master MBL 150805183878000, Conhecimento Eletrônico SubMaster MHBL 150805184751721 e Conhecimento Eletrônico Agregado HBL 150805190343826. Especificamente, no que tange à prestação de informação sobre a conclusão da operação de desconsolidação, os prazos permanentes e temporários foram estabelecidos, respectivamente, no art. 22, “d”, III, e art. 50, parágrafo único, da Instrução Normativa RFB 800/2007, que seguem transcritos. Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: Fl. 139DF CARF MF Processo nº 11128.729723/201305 Acórdão n.º 3302004.050 S3C3T2 Fl. 7 6 [...] III as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. [...] Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. (Redação dada pela IN RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. (grifos não originais) No caso, como as informações sobre a operação de desconsolidação ocorreu antes de 1º de abril de 2009, a recorrente estava obrigada a cumprir o prazo estabelecido no norma temporária, inscrita no inciso II do parágrafo único do art. 50 destacado. Os extratos colacionados aos autos, contendo o registro da conclusão referida operação de desconsolidação, comprovam que a informação fora prestada pela recorrente fora do prazo estabelecido no citado preceito normativo, ou seja, as informações foram prestadas somente às 09h52min do dia 9/10/2008 (data/hora da inclusão no Siscomex Carga do conhecimento eletrônico agregado HBL 150805190343826), portanto, após a atracação da embarcação no Porto de Santos, ocorrida no dia 07/10/2008, às 18h26min. Logo, fica claramente evidenciado que a recorrente praticou a conduta infracionária em apreço. Além disso, não resta qualquer dúvida que a conduta praticada pela recorrente subsumese perfeitamente à hipótese da infração descrita nos referidos preceitos legal e normativo. Aliás, em relação à materialidade da mencionada infração inexiste controvérsia nos autos. Apresentadas essas breves considerações, passase a analisar as razões de defesa suscitadas pela recorrente. Da ilegitimidade passiva A recorrente alegou que, na condição de agente de carga, no período compreendido entre a data da vigência da Instrução Normativa RFB 800/2007 até 1º de abril de 2009, ela não estava obrigada a respeitar o prazo estabelecido no art. 22 da citada IN, nem o prazo estabelecido no inciso II do parágrafo único do art. 50 do citado ato, sob o argumento de que este último preceito normativo aplicavase apenas ao transportador. A alegação da recorrente não procede, porque, embora o disposto no parágrafo único do art. 50 da referida IN tenha se referido apenas ao Fl. 140DF CARF MF Processo nº 11128.729723/201305 Acórdão n.º 3302004.050 S3C3T2 Fl. 8 7 transportador, não se pode olvidar que, para fins de cumprimento de obrigação acessória perante o Siscomex Carga, o termo transportador compreende o agente de carga e demais pessoas jurídicas que presta serviços de transporte e emite conhecimento de carga, discriminadas no inciso IV do § 1º do art. 2º da Instrução Normativa RFB 800/2007, a seguir transcrito: Art. 2º Para os efeitos desta Instrução Normativa definese como: [...] V transportador, a pessoa jurídica que presta serviços de transporte e emite conhecimento de carga; [...] § 1º Para os fins de que trata esta Instrução Normativa: [...] IV o transportador classificase em: a) empresa de navegação operadora, quando se tratar do armador da embarcação; b) empresa de navegação parceira, quando o transportador não for o operador da embarcação; c) consolidador, tratandose de transportador não enquadrado nas alíneas "a" e "b", responsável pela consolidação da carga na origem; (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.473, de 2 de junho de 2014) d) desconsolidador, no caso de transportador não enquadrado nas alíneas “a” e “b”, responsável pela desconsolidação da carga no destino; e (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) e) agente de carga, quando se tratar de consolidador ou desconsolidador nacional; [...] Além disso, há expressa menção na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, que o agente de carga responde pela referida penalidade, se prestar informação sobre a carga fora do prazo estabelecido. No caso em tela, é fato incontroverso que, em relação às operações de desconsolidação que executou, a recorrente atuou como representante do transportador estrangeiro, no País. Logo, dada essa condição, era dela a responsabilidade de proceder o registro tempestivo, no Siscomex Carga, dos dados sobre as operações que executou em nome da empresa de navegação representada. Dessa forma, tratandose de infração à legislação aduaneira e tendo em vista que a recorrente concorreu para a prática da questionada infração, induvidosamente, ela deve responder pela correspondente Fl. 141DF CARF MF Processo nº 11128.729723/201305 Acórdão n.º 3302004.050 S3C3T2 Fl. 9 8 penalidade aplicada, conforme dispõe o inciso I do art. 95 do Decretolei nº 37, de 1966, a seguir transcrito: Art. 95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; [...]. Assim, na condição de agente e, portanto, mandatário do transportador estrangeiro, a recorrente estava obrigada a prestar, tempestivamente, as informações no Siscomex Carga sobre a carga transportada pelo seu representado. Em decorrência dessa atribuição e por ter cumprido a destempo a dita obrigação, a autuada foi quem cometeu a infração capitulada na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833, de 2003, por conseguinte, deve responder pela infração em apreço. Por fim, cabe ainda ressaltar que, os termos do caput do art. 94 do Decreto lei 37/1966, no âmbito da legislação aduaneira, constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que “importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste Decretolei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completá los”. Com base nessas consideração, resta demonstrado que a recorrente deve ser mantida polo passivo da autuação, porque há expressa previsão legal que nesse sentido. Da inaplicabilidade da multa na fase de contingência do Siscomex Carga. Em relação a esse ponto, a recorrente alegou que não havia que se falar em aplicação ou descumprimento dos prazos estabelecidos pela “IN RFB 800/2007, vez que ao operador não restava qualquer alternativa para a imputação das informações no sistema”. Segundo a recorrente, a exigência do cumprimento de uma obrigação sem que lhe fosse oferecidos os meios indispensáveis para tanto feriria o princípio da razoabilidade e o instituto da inexigibilidade de conduta diversa. Este Relator está de pleno acordo com a recorrente de que imputar infração ao usuário do Sistema por descumprimento de obrigação que ele não cumpriu ou não poderia cumprir por falhas operacionais ou ausência de meios necessários, revelase, nitidamente, irrazoável e desproporcional, conforme alegado. Porém, como se trata de alegação que envolve situação de natureza fática, a recorrente tinha o dever de comprovála, o que não ocorreu no caso em tela. E na distribuição do ônus prova, prevista o art. 373, II, da Lei 13.105/2015, que instituiu o vigente Código de Processo Civil (CPC), que corresponde ao art. 333, II, do CPC anterior, por ser fato relevante para isentar a recorrente da exigência, não era suficiente a simples alegação de que não havia meios para prestar informações sobre a carga. Dada a alegada impossibilidade, cabia a recorrente o dever prová la, o que não ocorreu. Neste sentido, prevendo a possibilidade de falhas de funcionamento, na fase inicial de implantação do sistema, foram fixados os procedimentos a serem adotados pelos usuários, nos termos dos arts. 1º, 2º e 4º, III da IN RFB 835/2008, a seguir transcritos: Fl. 142DF CARF MF Processo nº 11128.729723/201305 Acórdão n.º 3302004.050 S3C3T2 Fl. 10 9 Art. 1º Na impossibilidade de acesso ao Siscomex Carga, por mais de duas horas consecutivas, em virtude de problemas de ordem técnica do sistema, ou na ocorrência de fatores operacionais que prejudiquem o fluxo de comércio exterior, as operações relativas ao controle de embarcações e cargas em portos alfandegados, conforme estabelecido na Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007, observarão os procedimentos previstos nesta Instrução Normativa. Art. 2º Compete ao chefe da unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), no âmbito de sua jurisdição, reconhecer a impossibilidade de acesso ao sistema, por razões de ordem técnica, e autorizar a adoção dos procedimentos de contingência. Parágrafo único. A data e a hora da restauração do acesso ao sistema deverá ser registrada nos documentos de autorização, para fins de auditoria e controle. Art. 4º Na hipótese do art. 2º, restaurado o acesso ao sistema: [...] III relativamente à informação dos manifestos, conhecimento eletrônico (CE) e itens, o transportador deverá informar todos os manifestos, CE e itens no sistema, relacionálos e solicitar à RFB a baixa dos bloqueios decorrentes da informação após o prazo estabelecido. [...] (grifos não originais) Assim, como a recorrente não trouxe aos autos nenhum elemento de prova, em que demonstrado a impossibilidade de acesso ao Sistema, conforme procedimentos disciplinados nos referidos preceitos normativos, a alegação suscitada não tem qualquer relevância. A recorrente alegou ainda que era descabida a exigência de prova da indisponibilidade do Sistema, porque a própria edição da IN RFB 835/2008 já constituía prova de que o Sistema não funcionava adequadamente. Essa alegação também não procede, porque não é verdade que a referida IN reconheceu a impossibilidade de funcionamento do Sistema, mas, na possibilidade dessa situação vir a ocorrer e, caso ocorresse, o usuário deveria adotar os procedimentos nela estabelecidos com vistas a resguardálo da imposição de qualquer sanção. Da denúncia espontânea da infração. A recorrente alegou a denúncia espontânea da infração cometida, para excluir a multa que lhe fora aplicada, sob o argumento de que as informações foram prestadas antes de qualquer ato da fiscalização, portanto, em conformidade com o previsto no art. 102, § 2º, do Decretolei 37/1966, com redação dada pela Lei 12.350/2010, a seguir reproduzido: Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá Fl. 143DF CARF MF Processo nº 11128.729723/201305 Acórdão n.º 3302004.050 S3C3T2 Fl. 11 10 a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) [...] § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) A alegação da recorrente não procede, porque a denúncia da infração, no caso em tela, não restou configurada, haja vista que, embora realizada antes do “início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração” (CTN, art. 138, parágrafo único), no caso em tela, as informações foram prestadas após a “entrada do veículo procedente do exterior”, o que afasta a aplicação da referida excludente de responsabilidade, segundo preceitua o art. 683, § 3º, do Decreto 6.759/2009 (Regulamento Aduaneiro de 2009 RA/2009), que tem o mesmo teor do art. 612, § 3º, do Decreto 4.543/2002, Regulamento Aduaneiro (RA/2002) anterior, vigente à época dos fatos, in verbis: Art. 612. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso [...] § 3º Depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador. (grifos não originais) Porém, ainda que tal restrição não se aplicasse à infração em apreço, o que se admite apenas para argumentar, melhor sorte não teria a recorrente, porque a infração em apreço, inequivocamente, não é passível de denúncia espontânea, pela razões aduzidas no voto da lavra deste Conselheiro que serviu de fundamento da decisão consignada no Acórdão nº 3102002.187, de 26 março de 2014, cujos excertos relevantes, que aqui adotase como fundamento de decidir, seguem transcritos: Da denúncia espontânea da infração. Alegou a recorrente que, no caso em tela, era incabível a aplicação de qualquer penalidade, porque às informações sobre a carga transportada fora feita a tempo e antes de qualquer intimação ou de qualquer outra notificação porventura expedida pela fiscalização aduaneira, o que configurava denúncia espontânea da infração, nos termos do art. 138 do CTN e do art. 102 do Decretolei nº 37, de 1966. Não procede a alegação da recorrente, pois, no caso em comento, não se aplica o instituto da denúncia espontânea da infração previsto no art. 138 do CTN e tampouco o específico da infração a legislação aduaneira estabelecido no art. 102 do Decretolei n° 37, de 1966, com as novas redações dadas pelo Decretolei nº 2.472, de 01 de setembro de 1988 e pela Lei nº 12.350, de 20 dezembro de 2010, a seguir reproduzido: Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a Fl. 144DF CARF MF Processo nº 11128.729723/201305 Acórdão n.º 3302004.050 S3C3T2 Fl. 12 11 imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) (grifos não originais) O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que Fl. 145DF CARF MF Processo nº 11128.729723/201305 Acórdão n.º 3302004.050 S3C3T2 Fl. 13 12 têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citado a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 11128.729723/201305 Acórdão n.º 3302004.050 S3C3T2 Fl. 14 13 [...].1 (destaques do original) No mesmo sentido, o entendimento manifestado pela 3ª Turma da CSRF, por meio do Acórdão nº 9303003.552, cujo enunciado da ementa segue reproduzido: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 07/06/2006 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decretolei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado. 2 No âmbito dos Tribunais Regionais Federais (TRF), o entendimento tem sido o mesmo. A título de exemplo, citase trechos do enunciado da ementa e do voto condutor do do TRF da 4ª Região, proferido no julgamento da Apelação Cível nº 500599981.2012.404.7208/SC, que seguem parcialmente transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIAESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966.2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas.3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...] Voto. 1 BRASIL. CARF, 3ª Seção, 1ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, Ac. 3102002.187, de 26/03/2014, rel. José Fernandes do Nascimento. 2 BRASIL. CARF, CSRF, 3ª Turma, Ac. 9303003.552, de26/04/2016, rel. Rodrigo da Costa Pôssas. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 11128.729723/201305 Acórdão n.º 3302004.050 S3C3T2 Fl. 15 14 [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...]3. Também com base no mesmo entendimento, a questão tem sido decidida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme confirma, a título de exemplo, o recente acórdão proferido no julgamento do REsp 1613696/SC, cujo enunciado da ementa segue transcrito: O art. 107 do Decretolei 37, de 1966, por sua vez, estabelece a penalidade de multa, no caso de descumprimento da obrigação acima mencionada. Oportuno anotar, ainda, que a declaração do embarque das mercadorias é obrigação acessória e sua apresentação intempestiva caracteriza infração formal, cuja penalidade não é passível de ser afastada pela denúncia espontânea.”. 4 Com base nessas considerações, afastase a alegada excludente de responsabilidade por denúncia espontânea, suscitada pela recorrente. Da conclusão. Por todo o exposto, votase por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, para manter na íntegra o acórdão recorrido." Ressaltese que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo: a) a conduta que motivou a imputação da multa em apreço foi a prestação da informação a destempo, no Siscomex Carga, dos dados relativos a conhecimento eletrônico (HBL), vinculado à operação de desconsolidação do Conhecimento Eletrônico SubMaster (MHBL), Conhecimentos Eletrônicos cujos números constam da descrição dos fatos do Auto de Infração deste; b) as informações sobre a operação de desconsolidação ocorreram antes de 1º de abril de 2009, o que sujeita a recorrente a cumprir o prazo estabelecido na norma temporária, inscrita no inciso II do parágrafo único do art. 50 da Instrução Normativa RFB 800/2007; 3 BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 500599981.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013. 4 BRASIL. STJ. REsp 1613696/SC. Rel. Min. Herman Benjamim. Decisão Monocrática de 2/9/2016. Fl. 148DF CARF MF Processo nº 11128.729723/201305 Acórdão n.º 3302004.050 S3C3T2 Fl. 16 15 c) os extratos colacionados aos autos, contendo o registro da conclusão da referida operação de desconsolidação, comprovam que a informação fora prestada pela recorrente fora do prazo estabelecido no citado preceito normativo, ou seja, após a atracação da embarcação no Porto de Santos, ficando claramente evidenciado que a recorrente praticou a conduta infracionária em apreço. Desta forma, os fundamentos adotados para manter exigência da penalidade no caso do paradigma, também justificam sua manutenção nos presentes autos. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Ricardo Paulo Rosa Fl. 149DF CARF MF
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Numero do processo: 10480.725292/2011-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2008
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. AQUISIÇÃO DE ÁLCOOL ANIDRO PARA FINS CARBURANTES PARA ADICIONAR À GASOLINA. CRÉDITO. DISTRIBUIDOR. IMPOSSIBILIDADE, ANTES DA EFETIVA APLICAÇÃO DA LEI N. 11.727/2008.
Antes da efetiva aplicação da Lei no 11.727/2008, a legislação que rege a Contribuição para o PIS/PASEP vedava o desconto de créditos, pelas distribuidoras, nas aquisições de álcool anidro para fins carburantes, ainda que sua venda fosse efetuada após a adição à Gasolina A.
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. AQUISIÇÃO E REVENDA. ALÍQUOTA ZERO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. CRÉDITO SOBRE ARMAZENAGEM E FRETES NA VENDA. DISTRIBUIDOR. LEI No 10.637/2002 (INCISO IX DO ART. 3o). POSSIBILIDADE.
As revendas, por distribuidoras, de produtos sujeitos a tributação concentrada, ainda que as receitas sejam tributadas à alíquota zero, possibilitam desconto de créditos relativos a despesas com armazenagem e frete nas operações de venda, conforme artigo 3o, IX da Lei no 10.637/2002.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI VIGENTE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF 2.
No processo administrativo, o julgador não tem competência para se manifestar sobre eventual alegação de inconstitucionalidade de lei vigente.
Numero da decisão: 3401-003.813
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em dar parcial provimento ao recurso voluntário apresentado, da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos, para afastar as glosas referentes a despesas de "armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda"; (b) por maioria de votos, para (b1) manter as glosas sobre "álcool anidro", vencidos Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira e André Henrique Lemos; e (b2) manter as glosas sobre "serviços utilizados como insumos", vencidos Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira e André Henrique Lemos, tendo o Conselheiro Tiago Guerra Machado acompanhado o relator pelas conclusões, por carência probatória. Os votos do relator, e dos conselheiros Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira e Eloy Eros da Silva Nogueira foram coletados em abril de 2017.
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Cleber Magalhães (suplente), André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2008 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. AQUISIÇÃO DE ÁLCOOL ANIDRO PARA FINS CARBURANTES PARA ADICIONAR À GASOLINA. CRÉDITO. DISTRIBUIDOR. IMPOSSIBILIDADE, ANTES DA EFETIVA APLICAÇÃO DA LEI N. 11.727/2008. Antes da efetiva aplicação da Lei no 11.727/2008, a legislação que rege a Contribuição para o PIS/PASEP vedava o desconto de créditos, pelas distribuidoras, nas aquisições de “álcool anidro para fins carburantes”, ainda que sua venda fosse efetuada após a adição à “Gasolina A”. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. AQUISIÇÃO E REVENDA. ALÍQUOTA ZERO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. CRÉDITO SOBRE ARMAZENAGEM E FRETES NA VENDA. DISTRIBUIDOR. LEI No 10.637/2002 (INCISO IX DO ART. 3o). POSSIBILIDADE. As revendas, por distribuidoras, de produtos sujeitos a tributação concentrada, ainda que as receitas sejam tributadas à alíquota zero, possibilitam desconto de créditos relativos a despesas com armazenagem e frete nas operações de venda, conforme artigo 3o, IX da Lei no 10.637/2002. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI VIGENTE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF 2. No processo administrativo, o julgador não tem competência para se manifestar sobre eventual alegação de inconstitucionalidade de lei vigente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 52 92 /2 01 1- 56 Fl. 1786DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado em dar parcial provimento ao recurso voluntário apresentado, da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos, para afastar as glosas referentes a despesas de "armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda"; (b) por maioria de votos, para (b1) manter as glosas sobre "álcool anidro", vencidos Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira e André Henrique Lemos; e (b2) manter as glosas sobre "serviços utilizados como insumos", vencidos Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira e André Henrique Lemos, tendo o Conselheiro Tiago Guerra Machado acompanhado o relator pelas conclusões, por carência probatória. Os votos do relator, e dos conselheiros Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira e Eloy Eros da Silva Nogueira foram coletados em abril de 2017. ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Cleber Magalhães (suplente), André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Versa o presente sobre os 17 PER/DCOMP de fls. 2 a 751, resumidos na tabela de fls. 1334/1335, invocando crédito de Contribuição para o PIS/PASEP, do 3o trimestre de 2004 ao 3o trimestre de 2008, totalizando R$ 5.055.289,80 (os ressarcimentos referentes à COFINS, para o mesmo período, foram reunidos no processo administrativo no 10480.725293/201109). No despacho decisório de fls. 1495/1496, é integralmente indeferida a demanda, não havendo, por decorrência, homologação das compensações atreladas aos ressarcimentos. Na informação fiscal que ampara a decisão (Relatório de Fiscalização de fls. 1334 a 1367), narrase que: (a) a empresa apurou créditos relativos a bens utilizados como insumos nas aquisições de “álcool anidro”, que é misturado à gasolina tipo “A”, para formar a gasolina tipo “C”, sendo que tais aquisições não geravam direito a crédito até 30/09/2008, por vedação expressa contida na alínea “a” do inciso I do artigo 3o das leis de regência das contribuições (Lei no 10.637/2002 e no 10.833/2003), e também não geravam crédito em função do texto do artigo 42, II da Medida Provisória no 2.15835/2001, confirmado o entendimento em soluções de consulta e decisões administrativas; (b) não geram crédito os serviços utilizados como insumos pelas distribuidoras de combustíveis, que são empresas comerciais, conforme artigo 3o, II da Lei no 10.833/2003; e (c) o crédito referente a armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, previsto no artigo 3o, IX das mesmas leis de regência, é condicionado ao principal, ou seja, a que os produtos transportados ou armazenados tenham direito ao crédito. Ciente do despacho decisório em 13/09/2011 (fl. 1547), a empresa apresentou manifestação de inconformidade em 11/10/2011 (fls. 1498 a 1521), defendendo, 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 1787DF CARF MF Processo nº 10480.725292/201156 Acórdão n.º 3401003.813 S3C4T1 Fl. 1.787 3 basicamente, que: (a) as distribuidoras de combustíveis estão sujeitas ao regime não cumulativo das contribuições, tendo direito à tomada de créditos; (b) há expressa previsão normativa para que os combustíveis gerem créditos das contribuições; (c) há campo próprio nos DACON 2004/2005, para informação do valor das aquisições de insumos para fabricação de gasolina e suas correntes; (d) os insumos correspondem a quaisquer elementos, custos e despesas operacionais, necessários à produção de bens ou serviços; (e) o álcool anidro/“etanol anidro” é insumo, assim como a gasolina “A”, para produção da gasolina “C”, não sendo adquirido para revenda ou com fins carburantes, como demonstrado em laudo técnico; (f) para confirmar o entendimento do direito ao crédito, por parte das distribuidoras, em relação a etanol anidro, a legislação foi alterada, na Medida Provisória no 413/2008, convertida na Lei no 11.727/2008 (artigo 7o, § 15), mantendo o direito ao crédito, mas condicionando a forma de aproveitamento a ato do Poder Executivo, conforme soluções de consulta; (g) há precedente judicial que autoriza o crédito para serviços de logística e armazenagem caso semelhante; (h) a vedação prevista na IN SRF no 900/2008 não se aplica ao álcool anidro, mas somente ao álcool hidratado; (i) mesmo nas aquisições de produtos com alíquota zero, há direito ao crédito, assegurado pelo artigo 17 da Lei no 11.033/2004; e (j) é possível o creditamento do valor referente a despesa com armazenagem e frete de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, mesmo no caso de produtos sujeitos a incidência monofásica, como já se entendeu em solução de consulta. Em 04/02/2014, ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 1555 a 1563), no qual se acorda unanimemente em julgar improcedente a manifestação de inconformidade, sob os seguintes fundamentos: (a) o álcool anidro era vendido à distribuidora com alíquota zero, conforme artigo 42, II da Medida Provisória no 2.15835/2001, e possui fins carburantes, ao contrário do que alega a defesa, não gerando direito ao crédito, por expressa vedação legal, constante no artigo 1o, § 3o, IV combinado com o artigo 3o, I, “a” das leis de regência; (b) o artigo 17 da Lei no 11.033/2004 não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda; (c) a previsão para desconto de crédito em relação a aquisições de álcool anidro adveio com a Lei no 11.727/2008 (artigo 7o, § 15), apenas para aquisições a partir de 01/10/2008; (d) não há previsão para créditos referentes a frete e armazenagem de bens para os quais não haja direito ao crédito; e (e) as decisões administrativas e judiciais não vinculam, salvo nos casos legalmente estabelecidos, o julgamento administrativo. Cientificada da decisão de piso em 26/03/2014 (fl. 1571), a empresa interpôs recurso voluntário, basicamente reiterando os argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade, e agregando parecer (fls. 1709 a 1773) no qual se entende existir direito ao crédito, endossado na peça recursal. Em 19/05/2016 o processo foi a mim distribuído, não tendo sido indicado para pauta nos meses novembro e dezembro de 2016, por estarem as sessões suspensas por determinação do CARF. O processo, derradeiramente, não foi indicado para o mês de janeiro de 2017, por ser a pauta mera reprodução da referente ao mês de outubro de 2016, que também teve a sessão suspensa por determinação do CARF. E foi indicado para a pauta de fevereiro de 2017, mas não incluído, pelo presidente, em função do volume de processos a julgar. Em março de 2017, o processo foi retirado de pauta por determinação do presidente, para correção no voto, decorrente de equívoco na detecção de perempção. Em abril de 2017, pediu vistas o Conselheiro André Henrique Lemos, depois de o relator proferir seu voto, sendo acompanhado pelos Conselheiros Robson José Bayerl e Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, abrindo divergência o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, que dava Fl. 1788DF CARF MF 4 provimento também em relação às aquisições de álcool anidro e serviços utilizados como insumos. Sustentou, na ocasião pela recorrente o advogado Natanael Martins, OAB/SP no 60.723. Em maio de 2017, por fim, o processo foi retirado de pauta por falta de tempo hábil para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator Cabe verificar, inicialmente, se o recurso preenche os requisitos de admissibilidade e, portanto, dele se deve tomar conhecimento. E a dúvida, nesse aspecto, resumese à questão da tempestividade, analisada a seguir. Da tempestividade da peça recursal Quando o processo foi pautado, na sessão de março de 2017, entendi, inicialmente, ser intempestiva a peça recursal. Isso porque tomei em conta que o recurso voluntário apresentado (fl. 1686 a 1708), apesar de indicar a data de 16/04/2014, ao final, está sem assinatura, por ter sido anexado eletronicamente. E a data de anexação eletrônica é 02/05/2014, como se percebe no rodapé de todas as folhas do recurso voluntário, e no documento de fl. 1774: Assim, a efetiva data de interposição do recurso voluntário seria 02/05/2014, fora do prazo de trinta dias previsto no artigo 33 do Decreto no 70.235/1972, tendo em vista que a ciência à decisão de piso indubitavelmente se deu em 26/03/2014, conforme termo de fl. 1571. No entanto, durante a sessão de julgamento, faziam os memoriais da recorrente menção à data de protocolo do recurso voluntário como sendo 22/04/2014, indicando o registro da data à fl. 1574 do processo. Fl. 1789DF CARF MF Processo nº 10480.725292/201156 Acórdão n.º 3401003.813 S3C4T1 Fl. 1.788 5 Ao consultar tal folha do processo, percebi já haver nos autos também uma via assinada e digitalizada da peça recursal, com indicação de protocolo de 22/04/2014, mas não intitulada de “Recurso Voluntário”, e sim de “Documentos Diversosoutros”: Retirei, então, o processo de pauta, para correção no voto, decorrente de equívoco na detecção de perempção, por ter tomado em conta a data constante da peça intitulada “Recurso Voluntário” quando havia outra, antes, datada de 22/04/2014, com a íntegra do recurso, porém intitulada “Documentos Diversosoutros”. É de se destacar que ambas as peças recursais (o recurso assinado, digitalizado, e com data de protocolo de 22/04/2014 – fls. 1574 a 1596, e o não assinado, e inserido eletronicamente – fls. 1686 a 1708) são absolutamente idênticas. E, sendo tempestivo o recurso apresentado em 22/04/2014 – fls. 1574 a 1596, dele se toma conhecimento, passandose, a seguir, à análise de seu conteúdo. Das aquisições de álcool anidro A imputação fiscal para indeferimento do direito de crédito é a de que a empresa apurou créditos relativos a bens utilizados como insumos nas aquisições de “álcool anidro”, que é misturado à gasolina tipo “A”, para formar a gasolina tipo “C”, sendo que tais aquisições não geravam direito a crédito até 30/09/2008, por vedação expressa contida na alínea “a” do inciso I do artigo 3o das leis de regência das contribuições (Lei no 10.637/2002 e no 10.833/2003), e também não geravam crédito em função do texto do artigo 42, II da Medida Provisória no 2.15835/2001, confirmado o entendimento em soluções de consulta e decisões administrativas. Em sua defesa, alega a empresa que as distribuidoras estão sujeitas à sistemática da não cumulatividade, na qual há direito à tomada de crédito, havendo expressa previsão para a tomada de crédito em relação a combustíveis, além de campo próprio no DACON 2004/2005 para registro das aquisições de insumos para fabricação de gasolina e suas correntes. Defende a empresa que os insumos correspondem a quaisquer elementos, custos e despesas operacionais, necessários à produção de bens ou serviços, e que o álcool anidro, assim como a gasolina “A”, são insumos para produção da gasolina “C”, e não foi adquirido para revenda ou com fins carburantes (o que alega demonstrar com laudo técnico, na manifestação de inconformidade, e endossa com parecer, no recurso voluntário). Fl. 1790DF CARF MF 6 No que se refere a tais alegações, é de se destacar, preliminarmente, que a Constituição não assegura nãocumulatividade irrestrita ou ilimitada. E sequer diz que a lei fixará os casos de cumulatividade, sendo a contrário senso os demais casos de não cumulatividade. O texto constitucional permite à lei definir exatamente os setores para os quais operará a nãocumulatividade. E também não dispõe que para tais setores a nãocumulatividade será irrestrita ou ilimitada, como parece sustentar a defesa, alicerçada por parecer. É nesse contexto que surgem os dispositivos legais que regem as contribuições nãocumulativas, basicamente as Leis no 10.637/2002 (Contribuição para o PIS/PASEP) e no 10.833/2003 (COFINS), que limitam/restringem a nãocumulatividade referida no texto constitucional. Portanto, o simples fato de apurarse a contribuição pela sistemática não cumulativa não garante à empresa créditos em relação a quaisquer operações, mas somente àquelas para as quais exista previsão legal de amparo. Na redação original das leis de regência (artigos 3o, I da Lei no 10.637/2002 e da Lei no 10.833/2003), permitiase o desconto de créditos em relação a bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o das citadas leis (respectivamente, as adquiridas com substituição tributária e com incidência monofásica). Com o advento da Lei no 10.865/2004, a exceção referente à aquisição de produtos com incidência monofásica deu lugar à que versa sobre a aquisição de “álcool para fins carburantes”, que passou a não integrar a base de cálculo das contribuições. Assim, de um lado o legislador excluiu da base de cálculo das contribuições a receita de venda de álcool para fins carburantes, e, de outro, impediu o desconto de créditos nas aquisições de tais produtos. Tais comandos em relação a álcool para fins carburantes subsistiram até 2008, quando a Medida Provisória no 413/2008, depois convertida na Lei no 11.727/2008, simplesmente revogou a disposição excepcional do inciso IV do § 3o do art. 1o das leis de regência das contribuições. A fiscalização invoca ainda o artigo 42, II da Medida Provisória no 2.158 35/2001, que reduziu a zero as alíquotas das contribuições incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de álcool para fins carburantes, quando adicionado à gasolina, auferida por distribuidores. Tal redução também vigorou até a edição da Medida Provisória no 413/2008, posteriormente convertida na Lei no 11.727/2008, que instituiu mecanismo específico para a geração de créditos nas aquisições de álcool (artigo 7o). Assim, a glosa fiscal não se deve ao não enquadramento do álcool anidro no conceito de insumos, para efeito do inciso II do artigo 3o do art. 1o das leis de regência das contribuições, sendo irrelevante a discussão a respeito da amplitude de tal conceito nestes autos. Ao contrário do que normalmente ocorre em glosas de créditos das contribuições nos processos analisados por este colegiado, no presente processo a fiscalização não confronta o conceito de insumos tido como derivado da legislação do IPI (visível na decisão da DRJ) com aquele pretensamente decorrente da legislação do IRPJ (presente nas peças de defesa), mas simplesmente efetua a glosa com base em três comandos legais: o artigo 42, II da Medida Provisória no 2.15835/2001, e os artigos 3o, I, “a” da Lei no 10.637/2002 e da Lei no 10.833/2003, com a redação dada pela Lei no 10.865/2004. Fl. 1791DF CARF MF Processo nº 10480.725292/201156 Acórdão n.º 3401003.813 S3C4T1 Fl. 1.789 7 Por isso, descabe, neste tópico, analisar as alegações que versam sobre a amplitude do conceito de insumo na legislação que rege as contribuições, tão frequentes nos trabalhos rotineiros deste colegiado. A existência de campo próprio em no DACON 2004/2005 também não se constitui em argumento plausível de defesa, visto que não possui vínculo direto, nem poderia fundamentar juridicamente o direito de crédito que se está a discutir especificamente neste processo. De todos os argumentos inicialmente apresentados pela defesa, o único que apresenta relevância, e merece ser discutido, não é jurídico, mas fático/técnico: o de que o álcool não foi adquirido para revenda ou com fins carburantes. Logo ao início da manifestação de inconformidade (fl. 1493), a empresa enfatiza que adquire “Álcool Etílico Anidro Carburante – AEAC”, que afirma ser atualmente designado como “ETANOL ANIDRO CARBURANTE”, e é misturado pelos distribuidores à “Gasolina A”, para formar a “Gasolina C” (conforme Resolução ANP no 36/2005). Daí a empresa sustentar que o álcool anidro se trata de insumo (assim como a “Gasolina “A”) para a formulação de “Gasolina “C”, conforme parecer que anexa à defesa. Nesse sentido, alega a empresa (fls. 1511 e 1591): Parece, assim, sustentar a empresa, inicialmente com esforço argumentativo alicerçado em dicionário de uso comum e no conceito de insumos, que o “Álcool Etílico Anidro Carburante – AEAC” não tem fins carburantes, mas somente a “Gasolina C”, que com ele é obtida. Mas, recordese, a glosa não tem por fundamento o desenquadramento do álcool anidro do conceito de insumo do inciso II do artigo 3o das leis de regência das Fl. 1792DF CARF MF 8 contribuições, mas sim as vedações expressas presentes em outros comandos legais, aplicáveis inclusive aos bens enquadrados como insumo pelo referido inciso II. Parece ainda pouco relevante que o álcool anidro tenha diversos fins (v.g., indústria de solventes, ou de plásticos) visto que no presente processo, pelo que consta nos autos, ele é reconhecidamente utilizado para obtenção de “Gasolina “C”. É preciso aqui resgatar o texto da Medida Provisória na qual se funda a imputação fiscal (artigo 42, II da Medida Provisória no 2.15835/2001), na redação vigente à época dos fatos em apreço: “Art. 42. Ficam reduzidas a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de: (...) II álcool para fins carburantes, quando adicionado à gasolina, auferida por distribuidores;” (grifo nosso) Deixasse de ser carburante o “álcool para fins carburantes” quando adicionado à gasolina, pelo distribuidor, nenhum sentido faria o texto da Medida Provisória. Não nos convence, assim, o argumento de que o “álcool para fins carburantes” adicionado à gasolina, pela empresa, deixaria de ser carburante pelo simples fato de à “Gasolina A” se misturar, gerando a “Gasolina C”. O julgador de piso também percebeu a fragilidade do argumento de defesa, nesse aspecto (fl. 1560): “14. A propósito, diferente do afirmado pela empresa em sua manifestação, o álcool anidro tem, sim, fins carburantes, diferenciandose do hidratado apenas pela adição da água ao último. Prova disso é o texto do inciso II do art. 42 acima transcrito, que trata do “álcool para fins carburantes, quando adicionado à gasolina”. Considerando que o álcool hidratado não é adicionado à gasolina, por óbvio o dispositivo referese ao anidro.” E o mesmo julgador da DRJ endossou seus argumentos com a informação de que, segundo o artigo 8o, VII, “a” da Lei no 10.637/2002 (aplicável a ambas as contribuições, por força do artigo 15 da Lei no 10.833/2003), a tributação das receitas auferidas com a venda de álcool para fins carburantes era concentrada. Assim, o que busca a recorrente é creditarse em relação a aquisições com alíquota zero (cf. artigo 42, II da Medida Provisória no 2.15835/2001), e excluídas da base de cálculo das contribuições (cf. artigos 1o, § 3o, IV da Lei no 10.637/2002 e da Lei no 10.833/2003, com a redação dada pela Lei no 10.865/2004, aos quais fazem remissão os artigos 3o, I, “a” da Lei no 10.637/2002 e da Lei no 10.833/2003, também com a redação dada pela Lei no 10.865/2004), sujeitandose a monofasia (cf. artigo 8o, VII, “a” da Lei no 10.637/2002 e artigo 15 da Lei no 10.833/2003). E, para tal desconto de crédito, não havia nenhum fundamento na legislação que rege as contribuições, no período mencionado. Fl. 1793DF CARF MF Processo nº 10480.725292/201156 Acórdão n.º 3401003.813 S3C4T1 Fl. 1.790 9 Assim concluiu a Primeira Turma da Terceira Câmara desta Seção, ao julgar os autos relativos à COFINS, para a mesma empresa, referentes ao mesmo período que aqui se está a apreciar: “ÁLCOOL ANIDRO PARA ADIÇÃO À GASOLINA. CRÉDITO. Até 30 de setembro de 2008, não havia direito a créditos da Cofins para distribuidora de combustíveis, sobre aquisição de álcool anidro para fins de adição à gasolina” (Acórdão no 3301 003.051, Rel. Cons. Valcir Gassen, maioria, Redator Designado Cons. Luiz Augusto do Couto Chagas, sessão de 21/07/2016) À mesma conclusão chegou tal turma, ao analisar contencioso diverso referente à Contribuição para o PIS/PASEP, no período de janeiro a março de 2006: CRÉDITO DE PIS. COMPRA DE ÁLCOOL E GASOLINA. A compra de álcool anidro para fins carburantes e a compra de gasolina "A" com a intenção de obtenção de gasolina "C" não geram crédito de PIS para distribuidora de combustíveis. (Acórdão no 3301003.050, Rel. Cons. Luiz Augusto do Couto Chagas, maioria, sessão de 21/07/2016) (...) Como bem disse a decisão recorrida, no período objeto do pedido, feita a tributação do PIS do álcool combustível, quando adicionado à gasolina, era pelo regime cumulativo e sujeito À alíquota zero. Portanto, na sua comercialização não há que se falar em crédito na sua aquisição, mesmo que a venda seja após a adição à Gasolina A. A defesa sustenta ainda que a Medida Provisória no 413/2008, depois convertida na Lei no 11.727/2008, não estaria a criar um direito de crédito, mas simplesmente a confirmálo, com caráter declaratório, e a remeter o cálculo a ato do Poder Executivo, afirmando (fls. 1514 e 1593) que: A alegação demanda leitura cuidadosa dos dispositivos citados, e acompanhamento do processo legislativo que culminou na alteração da norma legal. A redação final do artigo 7o da Lei no 11.727/2008, no que se refere à matéria, e que defende a recorrente nada criar, dispõe: “Art. 7o O art. 5o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, passa a vigorar com a seguinte redação: Fl. 1794DF CARF MF 10 (...) § 13. O produtor, importador ou distribuidor de álcool, inclusive para fins carburantes, sujeito ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, pode descontar créditos relativos à aquisição do produto para revenda de outro produtor, importador ou distribuidor. § 14. Os créditos de que trata o § 13 deste artigo correspondem aos valores da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins devidos pelo vendedor em decorrência da operação. § 15. O disposto no § 14 deste artigo não se aplica às aquisições de álcool anidro para adição à gasolina, hipótese em que os valores dos créditos serão estabelecidos por ato do Poder Executivo. § 16. Observado o disposto nos §§ 14 e 15 deste artigo, não se aplica às aquisições de que trata o § 13 deste artigo o disposto na alínea “b” do inciso I do caput do art. 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e na alínea “b” do inciso I do caput do art. 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003.” (grifo nosso) Mas simples leitura do texto revela que a legislação passa a instituir sistemática diferenciada, e que só endossa que as aquisições de álcool para adição a gasolina são classificadas pela legislação tributária como revenda. Tanto que o legislador precisou expressamente excluir tal revenda da vedação ao desconto de créditos. Preliminarmente contraditória, assim, a argumentação da empresa, pois se o que ela realiza não é uma revenda, o artigo não lhe favorece, nem retroativamente, nem futuramente. E, no mérito, o artigo é inegavelmente constitutivo, estabelecendo o artigo 41, IV da mesma Lei no 11.727/2008 que a alteração produzia efeitos a partir do primeiro dia do quarto mês subsequente ao da publicação da lei, o que não se revela compatível com uma norma declaratória. O que passou a lei a fazer foi, sim, permitir o desconto excepcional de crédito, nos valores a serem estabelecidos pelo Poder Executivo. Ademais, em relação à alegação de defesa no sentido de que mesmo as vendas de mercadoria com alíquota zero gerariam créditos, conforme expressa previsão na Lei no 11.033/2004 (que resulta da conversão da Medida Provisória no 206/2004), cabe destacar que deriva de leitura descontextualizada do comando legal, que trata das saídas com alíquota zero de aquisições tributadas (remetendo a créditos do vendedor), e não das aquisições com alíquota zero. No mais, é importante salientar que nenhum dos precedentes colacionados pela recorrente se amolda à situação temporal e material do presente processo, e que tais precedentes, assim como o parecer anexado no recurso voluntário, revelam entendimentos que não vinculam o julgador, nem obstam a livre apreciação das matérias pelo colegiado. Pelo exposto, são totalmente improcedentes as alegações de defesa em relação à matéria. Fl. 1795DF CARF MF Processo nº 10480.725292/201156 Acórdão n.º 3401003.813 S3C4T1 Fl. 1.791 11 Dos serviços utilizados como insumos / despesas de armazenagem e fretes na operação de venda No que se refere a serviços / armazenagem e fretes na operação de venda, as motivações para o indeferimento do direito de crédito foram: (a) o fato de serem as distribuidoras de combustíveis empresas comerciais, não gerando crédito os serviços por ela utilizados como insumos, conforme artigo 3o, II da Lei no 10.833/2003; e (b) a previsão, no artigo 3o, IX das leis de regência das contribuições, de que o crédito referente a armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda é condicionado ao principal, ou seja, a que os produtos transportados ou armazenados tenham direito ao crédito. Na manifestação de inconformidade, a defesa foi extremamente sintética e genérica, afirmando que é possível o creditamento do valor referente a despesa com armazenagem e frete de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, mesmo no caso de produtos sujeitos a incidência monofásica, como já se entendeu em solução de consulta (no 573, de 23/11/2004), afirmando que há precedente judicial que autoriza o crédito para serviços de logística e armazenagem caso semelhante. Percebese que a Solução de Consulta apontada trata de revenda (o que aparentemente contradiz a tesemestra da recorrente), e condiciona o crédito às exceções legais (exatamente aquelas obstadas pela fiscalização, e aqui destacadas), e a decisão judicial versa sobre o conceito de insumos, em abstrato. Tais precedentes são, aqui, tomados em conta da mesma forma que os mencionados no tópico anterior, tãosomente na formação da convicção do julgador. No recurso voluntário, em tópico intitulado “do direito aos créditos de PIS e COFINS relativos às despesas de frete e armazenagem” (fls. 1593/1596), a empresa afirma que há expressa possibilidade de desconto de créditos em relação a tais rubricas no artigo 3o, IX das leis de regência das contribuições, e que a previsão é redundante, em função do princípio da nãocumulatividade, reiterando a menção à Solução de Consulta no 573, de 23/11/2004: No mais, afirma que a distinção de tratamento entre comerciantes, distribuidores e varejistas, em relação a prestadores e serviços e estabelecimentos industriais, afronta o princípio da nãocumulatividade e a isonomia tributária. Sobre a afronta a princípios constitucionais por norma legal vigente, não cabe manifestação desta corte administrativa, em função da Súmula CARF no 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Fl. 1796DF CARF MF 12 Basta, assim, que sejam examinadas administrativamente as normas legais vigentes, assumidas como constitucionais (salvo em caso de expressa declaração de inconstitucionalidade pelo juízo competente). Como se destacou no tópico anterior, a nãocumulatividade constitucionalmente estabelecida não é irrestrita, havendo, v.g., nas leis de regência das contribuições, ditames que condicionam o desconto de créditos a determinadas operações. E o desconto referente a serviços, em geral, e a armazenagem e fretes, em específico, encontrase nos artigos 3o, II e IX, e 15 da Lei no 10.833/2003, na redação vigente no período analisado: “Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (...) II bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; (...) IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor;” (grifo nosso) Diferentemente do que sustenta a recorrente, não vejo como redundantes os textos dos incisos II e IX aqui reproduzidos. Por outro lado, diferentemente do que sustenta a fiscalização, entendo que a impossibilidade de desconto de crédito em relação ao bem não “contamina” o desconto de créditos em relação aos serviços a ele vinculados (inciso II). Já expressei meu posicionamento sobre a matéria, que aqui reitero, v.g., em diversos acórdãos julgamentos efetuados pela extinta Terceira Turma desta 4ª Câmara: “COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. SERVIÇOS VINCULADOS A AQUISIÇÕES DE BENS COM ALÍQUOTA ZERO. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. É possível o creditamento em relação a serviços sujeitos a tributação (transporte, carga e descarga) efetuados em/com bens não sujeitos a tributação pela contribuição. (Acórdãos no 3403 001.937 a 944, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, maioria, sessão de 19/03/2013) (...) A fiscalização não reconhece o crédito por ausência de amparo normativo, e afirma que o frete e as referidas despesas integram o custo de aquisição do bem, sujeito à alíquota zero (por força do art. 1o da Lei no 10.925/2004), o que inibe o creditamento, conforme a vedação estabelecida pelo inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 10.637/2002 (em relação à Contribuição para o Fl. 1797DF CARF MF Processo nº 10480.725292/201156 Acórdão n.º 3401003.813 S3C4T1 Fl. 1.792 13 PIS/Pasep), e pelo inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 10.833/2003 (em relação à Cofins): Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 2o Não dará direito a crédito o valor: (...) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei no 10.865, de 2004) Contudo, é de se observar que o comando transcrito impede o creditamento em relação a bens não sujeitos ao pagamento da contribuição e serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Não trata o dispositivo de serviços sujeitos a tributação efetuados em/com bens não sujeitos a tributação (o que é o caso do presente processo). Improcedente assim a subsunção efetuada pelo julgador a quo no sentido de que o fato de o produto não ser tributado “contaminaria” também os serviços a ele associados. Vejase que é possível um bem não sujeito ao pagamento das contribuições ser objeto de uma operação de transporte tributada. E que o dispositivo legal citado não trata desse assunto. Assim, o simples fato de o serviço se referir a bem sujeito a alíquota zero na aquisição não impossibilita o direito de crédito, desde que o serviço efetivamente tenha sido sujeito a tributação na etapa anterior, e não esteja enquadrado nas vedações ao desconto de crédito (v.g., alíquota zero). No presente processo, as negativas de crédito, afora as aqui já analisadas no tópico anterior (aquisições de álcool), referemse a “serviços utilizados como insumo”, “fretes e armazenagem na operação de venda” e “outras operações com direito ao crédito” (estas sequer contestadas especificamente pela recorrente). No que se tange aos “serviços utilizados como insumos”, apesar de se discordar de um dos argumentos fiscais, há que se endossar o outro fundamento utilizado pela fiscalização para a manutenção do indeferimento do crédito: de que o fato de serem as distribuidoras de combustíveis empresas comerciais impossibilita a geração de créditos de serviços utilizados como insumos, conforme artigo 3o, II da Lei no 10.833/2003. Efetivamente, tal inciso é restrito a empresas industriais e prestadoras de serviço, não permitindo o entendimento de que para outros segmentos empresariais haveria o direito de crédito. E entender que isso violaria princípios constitucionais como a isonomia ou a não cumulatividade, como defende a recorrente, esbarraria na já mencionada Súmula CARF no 2. Fl. 1798DF CARF MF 14 Pelo exposto, deve ser mantido o indeferimento no que se refere a “serviços utilizados como insumo”, restando analisar, derradeiramente, a negativa de crédito relativa a “fretes e armazenagem na operação de venda”, na qual a alegação da fiscalização é objetiva (fl. 1366): Nenhuma das partes no processo (nem a defesa nem o fisco) sequer se preocupou em detalhar em que consistiriam tais despesas, que aqui serão assumidas, em razão da ausência de controvérsia a respeito do tema, como efetivamente relacionadas a “armazenagem e frete na operação de venda”, rubrica expressamente contemplada no inciso IX do artigo 3o da Lei no 10.833/2003. Usando o texto do referido inciso IX (“armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor”), a primeira parte e a terceira (“armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, ... quando o ônus for suportado pelo vendedor”) sequer são discutidas pela fiscalização, resumindose o contencioso à segunda parte do texto (“... nos casos dos incisos I e II, ...”). O fundamento adotado pela fiscalização para o indeferimento, pelo que se vê no excerto transcrito do relatório fiscal, é o de que o direito ao aproveitamento de crédito descrito no inciso IX estaria condicionado ao principal, ou seja, a terem direito a crédito os produtos que transporta e armazena a empresa. E tal conclusão deriva dos seguintes comandos citados pelo fisco: os artigos 3o, II e IX, e 15 da Lei no 10.833/2003 (aqui já transcritos), e os artigos 2o, § 1o, e 3o, I, “b” das leis de regência: “Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento): (...) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (...) Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (...) b no § 1o do art. 2o desta Lei.” (grifo nosso) Fl. 1799DF CARF MF Processo nº 10480.725292/201156 Acórdão n.º 3401003.813 S3C4T1 Fl. 1.793 15 Não vejo, no entanto, nos citados comandos legais, vedação ao direito de crédito em relação a “armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda” (inciso IX) dos bens produzidos (inciso II) ou revendidos (inciso I). No caso concreto, estáse diante de “armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda” (inciso IX) de bens adquiridos para revenda (inciso I), ainda que tais bens estejam sujeitos à alíquota zero das contribuições, não tendo o fisco questionado se o ônus teria sido suportado pelo vendedor, simplesmente se contentando a fiscalização com o fato de a aquisição do produto revendido ser tributada à alíquota zero e, por consequência, não gerar crédito. Tal argumento fiscal foi suficiente também na visão da DRJ e até na visão do CARF (no “processoirmão”, referente à COFINS, em relação à mesma empresa e ao mesmo período): “DESPESAS DE ARMAZENAGEM E FRETE NAS OPERAÇÕES DE VENDA. Não tem direito ao crédito das despesas de frete a armazenagem previstas no inciso IX do art. 3o da Lei n o 10.833, de 2003, quando não houver o direito relativo aos bens adquiridos para revenda ou insumos de produção.” (sic) (Acórdão no 3301003.051, Rel. Cons. Valcir Gassen, maioria, Redator Designado Cons. Luiz Augusto do Couto Chagas, sessão de 21/07/2016) A nosso ver, no entanto, tal fundamento é insuficiente para o indeferimento, não existindo no inciso IX a restrição apontada. Ainda que as aquisições sejam relativas a álcool anidro, que, como destacou a DRJ, estava sujeito à tributação monofásica, isso não obsta o direito ao crédito sobre armazenagem e frete na revenda, como decidiu recentemente a Câmara Superior de Recursos Fiscais: COFINS NÃOCUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS SUJEITAS AO REGIME DE TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA ("MONOFÁSICA"). DIREITO A CRÉDITO SOBRE GASTOS INCORRIDOS COM FRETE NA REVENDA. As revendas, distribuidoras e atacadistas de produtos sujeitas a tributação concentrada pelo regime nãocumulativo, ainda que, as receitas sejam tributadas à alíquota zero, podem descontar créditos relativos ás despesas com frete nas operações de venda, quando por elas suportadas na condição de vendedor, conforme dispõe o art. 3, IX das Leis nos 10.637/2002 para o PIS/Pasep e 10.833/2003 para a COFINS. (Acórdão no 9303004.310, Rel. Conselheiro Demes Brito, maioria, vencido o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, sessão de 15/09/2016) (grifo nosso) Em tal julgado, merece destaque, pela clareza e pela percepção matemática da sistemática relativa às contribuições, a declaração de voto do Conselheiro Júlio César Alves Ramos: Fl. 1800DF CARF MF 16 “..; parece consolidado o entendimento de que, quando um dado artigo legal faz remissão a situação ou caso disciplinado em outro, apenas está alcançando a hipótese nele mencionada, não "encampando" restrições lá eventualmente presentes. Nesse sentido, quando o inciso IX ora em discussão remete ao inciso I, apenas quer evitar repetir que se trata da revenda, aí prevista, não avançando à exclusão dos setores lá consignada. Em suma, podem se creditar pelo frete e pela armazenagem todos aqueles que pratiquem revenda, mesmo que o crédito pela revenda em si esteja vedado. Pode parecer estranho, à primeira vista, que assim seja, uma vez que o distribuidor nada pagará a título das contribuições, reduzida que foi sua alíquota a zero. Mas um exame mais acurado revela que não. É o segundo argumento, da neutralidade, abaixo detalhado, que acresço ao voto do n. relator. Como sabemos todos, a sistemática da nãocumulatividade tem como motivação evitar a cumulação de incidências. O seu objetivo, pois, é tãosomente o de garantir que o valor efetivamente recolhido não supere o que resulta da multiplicação da alíquota ad valorem pelo preço final do bem ou serviço submetido à tributação. Nela, nada impede que todo o valor devido se concentre numa dada etapa da cadeia produtiva, final ou não. Ela estará garantida, nesse caso, desde que as demais etapas sejam desoneradas da tributação, por exemplo, por redução a zero de sua alíquota. (...) Para reforçar o argumento, talvez seja válido tentar um simples exemplo numérico. Admitamos, assim, que um dado produto tenha seu preço no varejo fixado pelo fabricante em R$1.000,00, saindo da fábrica por R$740,00 e do distribuidor, por R$900,00, dos quais R$100,00 correspondam ao frete pago, sobre o qual incidiram normalmente as contribuições de forma não cumulativa. Na ausência de concentração, as contribuições devidas (espero não errar as contas) na saída do fabricante somariam R$68,45, do distribuidor, R$83,25 e do varejista, R$92,50. Do valor que deve, o distribuidor pode se creditar dos R$68,45 devidos até a etapa anterior mais R$9,25 do frete pago; recolhe, portanto, R$5,55. O varejista se creditaria dos R$83,25 e recolheria os restantes R$9,25. No total, R$ 92,50 teriam sido efetivamente recolhidos (68,45 + 5,55 + 9,25 + 9,25), valor que corresponde exatamente à alíquota de 9,25% aplicada sobre o preço final. Mantida a hipótese da neutralidade, esse mesmo valor deve ser recolhido após a concentração. Vejamos se é isso que ocorre se não se permitir o crédito e mantido tudo o mais: na saída do fabricante incidiriam as contribuições às novas alíquotas de 10,3% e 2,2%, somando 12,5%. Na saída do industrial, portanto, são devidos R$92,50. Distribuidor e varejista nada recolhem. No entanto, o distribuidor continua a "pagar", sobre o frete que contrata, outros R$ 9,25, que, supostamente, são recolhidos pelo Fl. 1801DF CARF MF Processo nº 10480.725292/201156 Acórdão n.º 3401003.813 S3C4T1 Fl. 1.794 17 prestador do serviço. Desse modo, não se permitindo o crédito dessa última parcela, o total efetivamente recolhido passa, só pela concentração, a R$ 92,50 + 9,25 = 101,75, exatos R$ 9,25 a mais do que ocorria na sua ausência.” (grifo nosso) Alinhome, conforme entendimento preliminar aqui já revelado sobre o tema, ao posicionamento externado na citada declaração de voto, que endossa matematicamente as considerações jurídicas sobre a possibilidade de desconto de créditos em relação a “armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda” (inciso IX), devendo, no presente processo, ser afastado o único fundamento que respondia pelo indeferimento do direito de crédito em relação a tal rubrica. No recurso voluntário, apesar de insistir a recorrente na tese de que as despesas de “armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda” seriam insumos, confundindo o teor do inciso II do o do inciso IX, por entendêlos redundantes, apresenta argumento, ao final do recurso voluntário (fl. 1596) no sentido de que o direito de crédito relativo aos bens para revenda (tese à qual a recorrente contraditoriamente resiste, mas mantém, alternativamente) ou insumos geram o direito ao crédito em relação a despesas de “armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda”, após tecer considerações sobre o mecanismo de implementação da nãocumulatividade. Assim, merece provimento o recurso unicamente em relação às glosas referentes a despesas de “armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda”. Das considerações finais Pelo exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, para afastar as glosas referentes a despesas de “armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda”. Rosaldo Trevisan Fl. 1802DF CARF MF
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