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Numero do processo: 10675.002500/2006-09
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2002
ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. TEMPESTIVIDADE. INÍCIO DA AÇÃO FISCAL
A partir do exercício de 2001, tornou-se requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural a apresentação de Ato Declaratório Ambiental - ADA, protocolizado junto ao Ibama. A partir de uma interpretação teleológica do dispositivo instituidor, é de se admitir a apresentação do ADA até o início da ação fiscal. No caso em questão, o ADA não foi apresentado. Assim, não é possível a exclusão da área de APP declarada da base de cálculo do ITR .
Numero da decisão: 9202-005.406
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora), Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
(Assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Júnior - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SEBASTIAO ANTONIO DA SILVA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. TEMPESTIVIDADE. INÍCIO DA AÇÃO FISCAL A partir do exercício de 2001, tornouse requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural a apresentação de Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolizado junto ao Ibama. A partir de uma interpretação teleológica do dispositivo instituidor, é de se admitir a apresentação do ADA até o início da ação fiscal. No caso em questão, o ADA não foi apresentado. Assim, não é possível a exclusão da área de APP declarada da base de cálculo do ITR . Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora), Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 25 00 /2 00 6- 09 Fl. 271DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora (Assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Júnior Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Tratase de auto de infração lavrado contra o Contribuinte e por meio do qual exigese o Imposto Territorial Rural ITR relativo ao exercício de 2002. Conforme descrição dos fatos (fl. 47 e ss) a autuação é decorrente do fato de o contribuinte, mesmo intimado, não ter consegui fazer provas do seu direito à isenção do ITR sobre as áreas declaradas em sua DITR transmitida em 27/09/2002. No entendimento do fiscal, o contribuinte deixou de cumprir os requisitos legais para fazer jus ao benefício da isenção, mais precisamente não comprovou a existência de averbação das áreas de reserva legal/preservação permanente em data anterior a ocorrência do fato gerador como também não apresentou o Ato Declaratório Ambiental ou seu respectivo requerimento até a data fixada pela legislação. Foi apontado ainda irregularidades quanto as áreas declaradas de benfeitorias e quanto ao Valor da Terra Nua VTN apurado. Cobrase o imposto sobre o valor total da área tributável apurada, qual seja, 2.038,6ha e com base no novo VTN apurado. Intimado o contribuinte apresentou impugnação de fls. 58 e seguintes. Sucintamente, esclarecemos que em suas razões de defesa o contribuinte propõem a discussão acerca da necessidade de apresentação de ADA e averbação para fim que utilização da isenção do ITR e forma de cálculo do Valor da Terra Nua apurado pela fiscalização. Junta Laudo Técnico de Avaliação do Imóvel datado de 23/10/2006 e por meio do qual é faz considerações acerca das áreas de utilização limitada e ainda sobre o valor do imóvel na época da ocorrência do fato gerador. A Delegacia de Julgamento, afastando a preliminar de ilegalidade do lançamento e realização de perícia, manteve o lançamento. Quanto as áreas de reserva legal manteve a glosa sob a fundamentação de que não foi devidamente comprovada a averbação tempestiva dessa área de utilização limitada à margem da matrícula do imóvel, nem a protocolização tempestiva do Ato Declaratório Ambiental — ADA, junto ao IBAMA/órgão conveniado. Quanto ao VTN entendeu que teor do laudo trazido aos autos não atendeu aos requisitos da Associação Brasileira de Normas Técnicas — ABNT, no caso, a NBR 8799/85, não se mostrando hábil para alteração do VTN apurado. Por fim, em relação as áreas de Fl. 272DF CARF MF Processo nº 10675.002500/200609 Acórdão n.º 9202005.406 CSRFT2 Fl. 272 3 benfeitoria acolheu as informações prestadas pelo contribuinte às fls. 30, contudo referida alteração trouxe implicações apenas cadastrais, não tendo qualquer efeito sobre o crédito tributário apurado. Em seu Recurso Voluntário (fls. 111) o Contribuinte citando jurisprudência deste Conselho reitera suas argumentações de defesa. Por meio do acórdão nº 220101.113 a 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária deu provimento parcial ao Recurso Voluntário para restabelecer a área de utilização limitada equivalente a 97,0ha e considerar como VTN o valor indicado pelo contribuinte em laudo técnico de avaliação do imóvel juntado aos autos. Referido acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001 Ementa: ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO. EXCLUSÃO DA TRIBUTAÇÃO. A comprovação da área de preservação permanente, para efeito de sua exclusão da base de cálculo do ITR, não depende exclusivamente de seu reconhecimento pelo IBAMA por meio de Ato Declaratório Ambiental ADA ou da protocolização tempestiva do requerimento do ADA, uma vez que a efetiva existência pode ser comprovada por meio de Laudo Técnico e outras provas documentais idôneas. DIVERGÊNCIA ENTRE A ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL INFORMADAS NA DITR. ERRO DE FATO. No caso de evidente erro de fato no preenchimento da informação da DITR, comprovado com documentais hábeis, que a área declarada de reserva legal, efetivamente é de preservação permanente e sendo ambas não sujeitas ao ITR, a mesma deve ser restabelecida. ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO. REQUISITO. Para efeito de sua exclusão da base de cálculo do ITR, a área de reserva legal deve estar averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. PROVA MEDIANTE LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO. REVISÃO. Cabe revisão do valor arbitrado do VTN, quando questionado pelo contribuinte, mediante a apresentação de laudo técnico de avaliação elaborado por entidade de reconhecida capacitação técnica ou profissional devidamente habilitado, nos termos do parágrafo 4° do artigo 3° da Lei 8.847/94. Recurso Voluntário Provido em Parte. Fl. 273DF CARF MF 4 Inconformada a Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência. Duas foram as matérias arguidas no recurso: 1) Necessidade de apresentação de ADA. Citando como paradigmas os acórdãos 30134352 e 30239144 a Recorrente esclarece que enquanto o acórdão impugnado dispensa a comprovação da área de preservação permanente por meio de protocolização tempestiva do ADA pelo contribuinte junto ao IBAMA ou órgão ambiental conveniado, os paradigmas afirmam tratar a referida declaração de requisito indispensável à fruição da isenção do ITR nos termos do art. 17O da Lei nº 6.938/81. 2) Requisitos necessários do laudo. Redução do VTN. Citando como paradigma o acórdão 30335.648 a Fazenda Nacional pede a reforma do julgado pelo fato de o laudo técnico utilizado não ter demonstrado a existência de características particulares desvantajosas que impedissem a apuração com base no SIPT Sistema de Preços de Terra. Contribuinte intimado do acórdão e do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional apresentou contrarrazões e ainda recurso especial, ao qual foi negado seguimento. Em sessão de julgamento ocorrida em 25 de novembro de 2016, detectouse a necessidade de complementação do exame de admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional haja vista o mesmo ter sido omisso quanto a segunda divergência apontada "Valor da Terra Nua". Diante disto, por meio da Resolução nº 9202.000.064, esta Câmara Superior determinou a conversão do julgamento do recurso em diligência à câmara recorrida, para saneamento do feito. Complementado a admissibilidade, a ilustre Presidente de Câmara, por meio do despacho de fls. 487 e seguintes, entendeu pela inexistência de divergência interpretativa em relação ao tema acima suscitado, esclareceu que as soluções diversas adotadas pelos acórdãos não estão ancoradas em interpretações divergentes de lei, mas sim são devidas aos diferentes conjuntos probatórios constantes de cada processo e concluiu: Assim, integrandose os dois despachos de admissibilidade, resulta o SEGUIMENTO PARCIAL do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, admitindose a rediscussão na Instância Especial da seguinte matéria: obrigatoriedade de apresentação do ADA para reconhecimento de isenção do ITR sobre as áreas de preservação permanente A Fazenda Nacional tomou ciência do despacho que deu seguimento parcial ao seu recurso nos termos da petição de fls. 268. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Fl. 274DF CARF MF Processo nº 10675.002500/200609 Acórdão n.º 9202005.406 CSRFT2 Fl. 273 5 Conforme exposto no relatório, o objeto do recurso é a discussão acerca dos requisitos necessários para que o contribuinte tenha direito a exclusão de áreas classificadas como de preservação permanente do cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, requisitos para aplicação da exoneração prevista no art. 10, §1º inciso II, 'a' da Lei nº 9.393/96, que até 1º de janeiro de 2013, possuía a seguinte redação: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; (...) Sabese que o ITR, previsto no art. 153, VI da Constituição Federal e no art. 29 do CTN, é imposto de apuração anual que possui como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana de município, em 1º de janeiro de cada ano. Analisando as característica da base de cálculo eleita pelo legislador conjuntamente com o teor do art. 10 da Lei nº 9.393/96 é possível concluir fato que coaduna com a característica extrafiscal do ITR, que somente há interesse da União que sejam tributadas áreas tidas como produtivas/aproveitáveis, havendo ainda uma preocupação em se 'compensar' àqueles que um vez tolhidos do exercício pleno de sua propriedade sejam ainda mais onerados pela incidência de um tributo. As áreas caracterizadas como de preservação permanente e de reserva legal diante das limitações que lhe são impostas, por expressa determinação legal são excluídas do cômputo do VTN – Valor da Terra Nua, montante utilizado para a obtenção da base de cálculo do ITR. Por essa razão, no entendimento desta Relatora, o inciso II acima citado ao conceituar “área tributável” não prevê uma isenção, ele nos traz na verdade uma hipótese de não incidência do ITR. Entretanto, para que a propriedade, o domínio útil ou a posse dessas áreas não caracterize fato gerador do imposto é necessário que o imóvel rural preencha as condições, no presente caso, previstas na então vigente Lei nº 4.771/65. As características da Área de Preservação Permanente e da Área de Reserva Legal estavam descritas, respectivamente no art. 2º (com redação dada pela Lei nº 7.803/89) e 16 (com redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) do Código Florestal de 1965: Fl. 275DF CARF MF 6 Art. 2° Consideramse de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: 1 de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura; 2 de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura; 3 de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura; 4 de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura; 5 de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais; h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação. i) nas áreas metropolitanas definidas em lei. Parágrafo único. No caso de áreas urbanas, assim entendidas as compreendidas nos perímetros urbanos definidos por lei municipal, e nas regiões metropolitanas e aglomerações urbanas, em todo o território abrangido, obervarseá o disposto nos respectivos planos diretores e leis de uso do solo, respeitados os princípios e limites a que se refere este artigo. (...) Art. 16. As florestas de domínio privado, não sujeitas ao regime de utilização limitada e ressalvadas as de preservação permanente, previstas nos artigos 2° e 3° desta lei, são suscetíveis de exploração, obedecidas as seguintes restrições: Fl. 276DF CARF MF Processo nº 10675.002500/200609 Acórdão n.º 9202005.406 CSRFT2 Fl. 274 7 a) nas regiões Leste Meridional, Sul e CentroOeste, esta na parte sul, as derrubadas de florestas nativas, primitivas ou regeneradas, só serão permitidas, desde que seja, em qualquer caso, respeitado o limite mínimo de 20% da área de cada propriedade com cobertura arbórea localizada, a critério da autoridade competente; b) nas regiões citadas na letra anterior, nas áreas já desbravadas e previamente delimitadas pela autoridade competente, ficam proibidas as derrubadas de florestas primitivas, quando feitas para ocupação do solo com cultura e pastagens, permitindose, nesses casos, apenas a extração de árvores para produção de madeira. Nas áreas ainda incultas, sujeitas a formas de desbravamento, as derrubadas de florestas primitivas, nos trabalhos de instalação de novas propriedades agrícolas, só serão toleradas até o máximo de 30% da área da propriedade; c) na região Sul as áreas atualmente revestidas de formações florestais em que ocorre o pinheiro brasileiro, "Araucaria angustifolia" (Bert O. Ktze), não poderão ser desflorestadas de forma a provocar a eliminação permanente das florestas, tolerandose, somente a exploração racional destas, observadas as prescrições ditadas pela técnica, com a garantia de permanência dos maciços em boas condições de desenvolvimento e produção; d) nas regiões Nordeste e Leste Setentrional, inclusive nos Estados do Maranhão e Piauí, o corte de árvores e a exploração de florestas só será permitida com observância de normas técnicas a serem estabelecidas por ato do Poder Público, na forma do art. 15. § 1º Nas propriedades rurais, compreendidas na alínea a deste artigo, com área entre vinte (20) a cinqüenta (50) hectares computarseão, para efeito de fixação do limite percentual, além da cobertura florestal de qualquer natureza, os maciços de porte arbóreo, sejam frutícolas, ornamentais ou industriais. (Parágrafo único renumerado pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989) § 2º A reserva legal, assim entendida a área de , no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada, a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. (Incluído pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989) § 3º Aplicase às áreas de cerrado a reserva legal de 20% (vinte por cento) para todos os efeitos legais. (Incluído pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989) Interpretando os dispositivos percebemos além de diferenças ecológicas existentes entre uma APP e uma ARL, diferença formal/procedimental na constituição dessas áreas. Fl. 277DF CARF MF 8 Em relação a Área de Preservação Permanente, salvo as hipóteses previstas no art. 3º da Lei nº 4.771/65 as quais requerem declaração do Poder Público para sua caracterização, nos demais casos estando área pleiteada localizada nos espaços selecionados pelo legislador, caracterizada estava pelo só efeito da lei, sem necessidade de cumprimento de qualquer outro requisito uma APP. Para tanto basta ao Contribuinte apresentar provas robustas sobre a condição do seu imóvel. A discussão quanto a necessidade de apresentação do ADA para fins da não incidência do ITR sobre áreas de Preservação Permanente é polêmica, isso porque tratase de exigência inicialmente prevista por meio de norma infralegal, valendo citar a IN SRF nº 67/97. Nem a Lei nº 9.393/96, nem a Lei nº 4.771/65 exigiam o ADA para fins de constituição da respectiva área ou para fins de apuração do imposto. Por tal razão, após amplo debate concluise que para os fatos geradores ocorridos até o ano de 2000, era dispensável a apresentação do ADA, conclusão que pode ser ilustrada pela seguinte ementa do STJ : PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO TERRITORIAL RURAL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. ISENÇÃO. EXIGÊNCIA CONTIDA NA IN SRF Nº 67/97. IMPOSSIBILIDADE. (...) 2. De acordo com a jurisprudência do STJ, é prescindível a apresentação do ADA Ato Declaratório Ambiental para que se reconheça o direito à isenção do ITR, mormente quando essa exigência estava prevista apenas em instrução normativa da Receita Federal (IN nº 67/97). Ato normativo infralegal não é capaz de restringir o direito à isenção do ITR, disciplinada nos termos da Lei nº 9.393/96 e da Lei 4.771/65. 3. Na hipótese, discutese a exigibilidade de tributo declarado em 1997, isto é, antes da entrada em vigor da Lei 10.165/00, que acrescentou o § 1º ao art. 17O da Lei 6.938/81. Logo, é evidente que esse dispositivo não incide na espécie, assim como também não há necessidade de se examinar a aplicabilidade do art. 106, I, do CTN, em virtude da nova redação atribuída ao § 7º do art. 10 da Lei 9.393/96 pela MP nº 2.16667/01. 4. Recurso especial não provido. (REsp 1.283.326/RS, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 8/11/2011, DJe 22/11/2011.) Tal entendimento fundamentouse na regra de que a norma jurídica que regulamenta o conteúdo de uma lei é veículo secundário e infralegal e, portanto, seu conteúdo e alcance deve se restringir aos comandos impostos pela lei em função da qual foi expedida. Neste sentido uma instrução normativa não poderia prever condição não exigida pela norma originária, mormente quando tal condição dependia de manifestação de órgão cuja atuação não se vinculava com o objetivo da norma desoneração tributária. Tal discussão assume um novo viés com a criação do art. 17O da Lei nº 6.938/81. Fl. 278DF CARF MF Processo nº 10675.002500/200609 Acórdão n.º 9202005.406 CSRFT2 Fl. 275 9 Em 29.01.2000 foi editada a Lei nº 9.960/00 que acrescentou o citado art. 17 O à Lei nº 6.938/81, nesta oportunidade, por meio do §1º, o legislador expressamente previu que a utilização do ADA para efeito de redução do valor do ITR era opcional. Ocorre que tal previsão não produziu efeitos, pois antes mesmo da ocorrência de um novo fato gerador do ITR o referido artigo foi radicalmente modificado pela Lei nº 10.165, publicada em 27 de dezembro de 2000, a qual tornou o ADA instrumento obrigatório para fins de ITR: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1oA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA.(Incluído pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 2o O pagamento de que trata o caput deste artigo poderá ser efetivado em cota única ou em parcelas, nos mesmos moldes escolhidos pelo contribuinte para o pagamento do ITR, em documento próprio de arrecadação do IBAMA.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 3o Para efeito de pagamento parcelado, nenhuma parcela poderá ser inferior a R$ 50,00 (cinqüenta reais). (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 4o O inadimplemento de qualquer parcela ensejará a cobrança de juros e multa nos termos dos incisos I e II do caput e §§ 1oA e 1o, todos do art. 17H desta Lei.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 5o Após a vistoria, realizada por amostragem, caso os dados constantes do ADA não coincidam com os efetivamente levantados pelos técnicos do IBAMA, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, para as providências cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) Diante desta alteração normativa discutese agora se lei posterior teria o condão de condicionar a aplicação de norma específica de não incidência tributária à realização de dever extra fiscal. Se diz extra fiscal porque como conceituado pelo próprio órgão o ADA nada mais é que um documento de cadastro das áreas do imóvel junto ao IBAMA. Destacase: a função do ADA é apenas informar ao IBAMA a existência de área de interesse ambiental em propriedade, posse ou domínio de particular área essa reconhecida seja pela própria lei no caso de APP, ou por meio da averbação no caso da ARL. É documento meramente informativo de uma área já existente, ou seja, o ADA não é Fl. 279DF CARF MF 10 requisito para constituição de áreas não consideradas pelo legislador quando da delimitação do fato gerador do ITR. É por essa razão que compartilho do entendimento de que o ADA não tem reflexos sobre a regra matriz de incidência do ITR, a ausência de documento informativo ou sua apresentação intempestiva não pode gerar como efeito a desconsideração de área reconhecidamente classificada como não tributada pelo legislador. Assim, é notável o conflito existente entre o art. 10, §1º, II da Lei nº 9.393/96 e o art. 17O da Lei nº 6.938/81, antinomia que deve ser solucionada pela aplicação do critério da especialidade, devendo prevalecer neste sentido a norma que dispõe sobre o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, qual a Lei nº 9.393/96. Por fim, embora utilizandose de outros fundamentos, é importante mencionar que o Poder Judiciário, por meio do Superior Tribunal de Justiça tem firmado jurisprudência no sentido de que o ADA nunca foi, mesmo com a criação do art. 17O, requisito para desoneração do ITR, desoneração essa entendida pelos Ministros como isenção. Essa orientação do STJ foi recentemente reconhecida pela própria Fazenda Nacional por meio do Parecer PGFN/CRJ/Nº 1329/2016 que atualizou o Item 1.25 da Lista de Dispensa de Contestar e Recorrer prevista no art.2º, V, VII e §§ 3º a 8º, da Portaria PGFN Nº 502/2016. Pela relevância, peço vênia para transcreve parte do parecer: a) Área de reserva legal e área de preservação permanente * Data da alteração da redação do resumo e da Observação 1, bem como da inclusão da Observação 2: 05/09/2016 Precedentes: AgRg no Ag 1360788/MG, REsp 1027051/SC, REsp 1060886/PR, REsp 1125632/PR, REsp 969091/SC, REsp 665123/PR e AgRg no REsp 753469/SP. Resumo: O STJ entendeu que, por se tratar de imposto sujeito a lançamento que se dá por homologação, dispensase a averbação da área de preservação permanente no registro de imóveis e a apresentação do Ato Declaratório Ambiental pelo Ibama para o reconhecimento das áreas de preservação permanente e de reserva legal, com vistas à concessão de isenção do ITR. Dispensase também, para a área de reserva legal, a prova da sua averbação (mas não a averbação em si) no registro de imóveis, no momento da declaração tributária. Em qualquer desses casos, se comprovada a irregularidade da declaração do contribuinte, ficará este responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa. OBSERVAÇÃO: Caso a matéria discutida nos autos envolva a prescindibilidade de averbação da reserva legal no registro do imóvel para fins de gozo da isenção fiscal, de maneira que este registro seria ou não constitutivo do direito à isenção do ITR, devese continuar a contestar e recorrer. Com feito, o STJ, no EREsp 1.027.051/SC, reconheceu que, para fins tributários, a averbação deve ser condicionante da isenção, tendo eficácia constitutiva. Tal hipótese não se confunde com a necessidade ou não de comprovação do registro, visto que a prova da averbação é dispensada, mas não a existência da averbação em si. OBSERVAÇÃO 2: A dispensa contida neste item não se aplica para as demandas relativas a fatos geradores posteriores à vigência da Lei nº 12.651, de 2012 (novo Código Florestal). Fl. 280DF CARF MF Processo nº 10675.002500/200609 Acórdão n.º 9202005.406 CSRFT2 Fl. 276 11 PARECER PGFN/CRJ/No 1329/2016 Documento público. Averbação e prova da Área de Reserva Legal e da Área de Preservação Permanente. Natureza jurídica do registro. Ato Declaratório Ambiental. Isenção do Imposto Territorial Rural. Item 1.25, “a”, da Lista de dispensa de contestar e recorrer. Art. 10, II, “a”, e § 7º da Lei nº 9.393, de 1996. Lei nº 12.651, de 2012. Lei 10.165, de 2000. (...) II.1 Exame da jurisprudência sobre o questionamento feito à luz da legislação anterior à Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000 que deu nova redação ao art. 17O da Lei nº 6.938, de 27 de dezembro de 2000 e à Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012 Novo Código Florestal (...) 12. Após as considerações acima, restam incontroversas, no âmbito da Corte de Justiça, à luz da legislação aplicável ao questionamento, as posições abaixo: (i) é indispensável a preexistência de averbação da reserva legal no registro de imóveis como condição para a concessão de isenção do ITR, tendo aquela, para fins tributários, eficácia constitutiva; (ii) a prova da averbação da reserva legal não é condição para a concessão da isenção do ITR, por se tratar de tributo sujeito à lançamento por homologação, sendo, portanto, dispensada no momento de entrega de declaração, bastando apenas que o contribuinte informe a área de reserva legal; (iii) é desnecessária a averbação da área de preservação permanente no registro de imóveis como condição para a concessão de isenção do ITR, pois tal área se localiza a olho nu; e (iv) é desnecessária a apresentação do ADA para que se reconheça o direito à isenção do ITR. (...) II.2 Considerações relacionadas ao questionamento à luz da legislação anterior à Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012 Novo Código Florestal. (...) 21. Em que pese tal possibilidade de interpretação, o STJ utilizouse do teor do § 7º no art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, para reforçar a tese de que o ADA é inexigível, tendo, ao que tudo indica, desprezado o conteúdo do art. 17O, caput e §1º, da Lei nº 6.938, de 2000, pois não foram encontradas decisões enfrentando esse regramento. Além disso, registrou que, como o dispositivo é norma interpretativa mais benéfica ao contribuinte, deveria retroagir. 22. Essa argumentação consta no inteiro teor dos acórdãos vencedores que trataram do tema, bem como na ementa do REsp nº 587.429/AL, senão vejamos: Fl. 281DF CARF MF 12 Trecho do voto da Ministra Eliana Calmon, Relatora do REsp nº 665.123/PR: Como reforço do meu argumento, destaco que a Medida Provisória 2.166 67, de 24/08/2001, ainda vigente, mas não prequestionada no caso dos autos, fez inserir o § 7º do art. 10 da Lei 9.393/96 para deslindar finalmente a controvérsia, dispensando o Ato Declaratório Ambiental nas hipótese de áreas de preservação permanente e de reserva legal para fins de cálculo do ITR [...] Trecho do voto do Ministro Benedito Gonçalves, Relator do REsp nº 1.112.283/PB: Assim, considerando a superveniência de lei mais benéfica (MP 2.16667, de 24 de agosto de 2001), que prevê a dispensa de prévia apresentação pelo contribuinte do ato declaratório expedido pelo Ibama, impõese a aplicação do princípio insculpido no art. 106, do CTN. Trecho do voto do Ministro Benedito Gonçalves, Relator do REsp nº 1.108.019/SP: Assim, considerando a superveniência de lei mais benéfica (MP 2.16667, de 24 de agosto de 2001), que prevê a dispensa de prévia apresentação pelo contribuinte do ato declaratório expedido pelo Ibama, impõese a aplicação do princípio insculpido no art. 106, do CTN. "PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE.EXCLUSÃO. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO DO IBAMA. MP.2.16667/2001. APLICAÇÃO DO ART. 106, DO CTN. RETROOPERÂNCIA DA LEX MITIOR. 1. Recorrente autuada pelo fato objetivo de ter excluído da base de cálculo do ITR área de preservação permanente, sem prévio ato declaratório do IBAMA, consoante autorização da norma interpretativa de eficácia ex tunc consistente na Lei 9.393/96. 2. A MP 2.16667, de 24 de agosto de 2001, ao inserir § 7º ao art.10, da lei 9.393/96, dispensando a apresentação, pelo contribuinte, de ato declaratório do IBAMA, com a finalidade de excluir da base de cálculo do ITR as áreas de preservação permanente e de reserva legal, é de cunho interpretativo, podendo, de acordo com o permissivo do art. 106, I, do CTN, aplicarse a fator pretéritos, pelo que indevido o lançamento complementar, ressalvada a possibilidade da Administração demonstrar a falta de veracidade da declaração contribuinte. 3. Consectariamente, forçoso concluir que a MP 2.16667, de 24 de agosto de 2001, que dispôs sobre a exclusão do ITR incidente sobre as áreas de preservação permanente e de reserva legal, consoante § 7º, do art. 10, da Lei 9.393/96, veicula regra mais benéfica ao contribuinte, devendo retroagir, a teor disposto nos incisos do art.106, do CTN, porquanto referido diploma autoriza a retrooperância da lex mitior. 4. Recurso especial improvido." (REsp 587.429/AL, Rel. Ministro Luiz Fux, PRIMEIRA TURMA, DJe de 2/8/2004) Fl. 282DF CARF MF Processo nº 10675.002500/200609 Acórdão n.º 9202005.406 CSRFT2 Fl. 277 13 23. A partir das colocações postas, concluise que, mesmo com a vigência do art. 17O, caput e §1º, da Lei nº 6.938, de 1981, com a redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000, até a entrada em vigor da Lei nº 12.651, de 2012, o STJ continuou a rechaçar a exigência do ADA com base no teor do § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996. 24. Consequentemente, caso a ação envolva fato gerador de ITR, ocorrido antes da vigência da Lei nº 12.651, de 2012, não há motivo para discutir em juízo a obrigação de o contribuinte apresentar o ADA para o gozo de isenção do ITR, diante da pacificação da jurisprudência. (...) Assim, diante de todo o exposto, considerando a existência de laudo técnico (fls. 95) atestando a existência de uma área de preservação permanente no total de 97 ha, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO DA FAZENDA NACIONAL para manter a decisão de recorrida. (Assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Voto Vencedor Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Redator designado Com a devida vênia ao voto da nobre relatora, ouso discordar de seu posicionamento quanto aos requisitos para exclusão das áreas de preservação permanente. Acerca do tema, entendo que a fruição da redução da base de cálculo do ITR (possuidora, a meu ver de natureza isentiva), seja por áreas de preservação permanente ou de interesse ecológico, encontra um de seus requisitos legais claramente estabelecido, desde 2000, a partir do disposto no art. 17O da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, em especial em seu caput e parágrafo 1º, com atual redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000, verbis: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000)(...)o. § 1oA utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) (g.n.) Fl. 283DF CARF MF 14 Ou seja, mandatório, para que se admita a redução da base tributável de áreas a título de Preservação Permanente ou de Interesse Ecológico, que constem as mesmas de ADA entregue ao IBAMA. Tratase aqui, notese, de dispositivo legal específico, posterior à Lei no. 9.393, de 1996, restando, assim, quando da instituição de tal requisito, plenamente respeitado o princípio da Reserva Legal. Notese ser plenamente consistente a coexistência de tal obrigação com a vigência e aplicação da Lei no. 9.393, de 1996, sem qualquer tipo de antinomia. Ainda, de se rejeitar qualquer argumentação de revogação do dispositivo pelo §7° do art. 10 da Lei n.° 9.393, de 1996, instituído pela Medida Provisória n.° 2.166 67/01. O que se estabelece ali é uma desnecessidade de comprovação prévia tão somente no momento da declaração (DITR), sendo perfeitamente factível, porém, que, posteriormente, em sede de ação fiscal, sejam demandados elementos necessários à comprovação do constante na DITR do declarante e realizado o lançamento no caso de insuficientes elementos comprobatórios, a partir do expressamente disposto nos arts. 14 e 15 daquela mesma Lei no. 9.393, de 1996. Tal posicionamento encontrase muito bem detalhado no âmbito do Acórdão CSRF 9202003.620, de 04 de março de 2015, no qual funcionei como Redator ad hoc do voto vencedor em substituição ao redator do voto designado, Dr. Alexandre Naoki Nishioka, adotando assim aqui seus fundamentos a seguir como razões de decidir, verbis: "(...) Pois bem. Muito embora inexistisse, até o exercício de 2000, qualquer fundamento para a exigência da entrega do ADA como requisito para a fruição da isenção, com o advento da Lei Federal n.° 10.165/2000 alterouse a redação do §1° do art. 17 O da Lei n.° 6.938/81, que passou a vigorar da seguinte forma: "Art. 17O. (...) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória." Ora, de acordo com uma interpretação evolutiva do referido dispositivo legal, isto é, cotejandose o texto aprovado quando da edição da Lei n.° 9.960/00, em contraposição à modificação introduzida pela Lei n.° 10.165/00, verificase que, para o fim específico da legislação tributária, passouse a exigir a apresentação do ADA, como requisito inafastável para a fruição da redução da base de cálculo prevista pela Lei n.° 9.393/96, mais especificamente por seu art. 10, §1°, II. Assim, sendo certo que as normas que instituem isenções devem ser interpretadas de forma estrita, ainda que não se recorra somente ao seu aspecto literal, como se poderia entender de urna análise superficial do art. 111, do Código Tributário Nacional, fato é que, no que atine às regras tratadas como exclusão do crédito tributário pelo referido codex, a legislação não pode ser interpretada de maneira extensiva, de maneira que não há como afastar a exigência do ADA para o fim específico de possibilitar a redução da base de cálculo do ITR. Fl. 284DF CARF MF Processo nº 10675.002500/200609 Acórdão n.º 9202005.406 CSRFT2 Fl. 278 15 (...)" Atendose mais especificamente ao caso em questão, notase, ao compulsar os autos, que o referido requisito de entrega do ADA sequer foi efetivamente cumprido. Ainda a propósito, agora quanto à questão do momento da entrega do ADA, com a devida vênia aos Conselheiros que adotam posicionamento diverso, entendo que o melhor posicionamento é, novamente em linha com o adotado no âmbito do mesmo Acórdão CSRF 9202003.620, admitir a protocolização do Ato Declaratório Ambiental até o início da ação fiscal, com fulcro nos seguintes fundamentos: "(...) Feita esta observação, relativa, portanto, à obrigatoriedade de apresentação do ADA, cumpre mover à análise do prazo em que poderia o contribuinte protocolizar referida declaração no órgão competente. No que toca a este aspecto específico, tenho para mim que é absolutamente relevante uma digressão a respeito da mens legis que norteou a alteração do texto do art. 17O da Lei n.° 6.938/81. Analisandose, nesse passo, o real intento do legislador ao estabelecer a obrigatoriedade de apresentação do ADA, podese inferir que a mudança de paradigma deveuse a razões atinentes à efetividade da norma isencional, especialmente no que concerne à aferição do real cumprimento das normas ambientais pelo contribuinte, de maneira a permitir que este último possa usufruir da redução da base de cálculo do ITR. Em outras palavras, a efetiva exigência do ADA para o fim específico da fruição da redução da base de cálculo do ITR foi permitir uma efetiva fiscalização por parte da Receita Federal da preservação das áreas de reserva legal ou de preservação permanente, utilizandose, para este fim específico, do poder de polícia atribuído ao IBAMA. Em síntese, podese afirmar que a alteração no regramento legal teve por escopo razões de praticabilidade tributária, a partir da criação de um dever legal que permita, como afirma Helenílson Cunha Pontes, uma "razoável efetividade da norma tributária'" (PONTES, Helenílson Cunha. O princípio da praticidade no Direito Tributário (substituição tributária, plantas de valores, retenções de fonte, presunções e ficções, etc.): sua necessidade e seus limites. In: Revista Internacional de Direito Tributário, v. 1, n.° 2. Belo Horizonte, jul/dez2004, p. 57) , no caso da norma isencional. De fato, no caso da redução da base de cálculo do ITR, mais especificamente no que atine às áreas de interesse ambiental lato senso, além da necessidade de fiscalizar um número extenso de contribuintes, exigirseia, não fosse a necessidade da obrigatória protocolização do ADA, que a Receita Federal tomasse para si o dever de fiscalizar o extenso volume de Fl. 285DF CARF MF 16 propriedades rurais compreendido no território nacional, o que, do ponto de vista econômico, não teria qualquer viabilidade. Por esta razão, assim, passouse, com o advento da Lei Federal n.° 10.165/00 a exigir, de forma obrigatória, a apresentação do ADA para o fim de permitir a redução da base de cálculo do ITR, declaração esta sujeita ao poder de polícia do IBAMA. Tratandose, portanto, da interpretação do dispositivo em comento, deve o aplicador do direito, neste conceito compreendido o julgador, analisar o conteúdo principiológico que norteia referido dispositivo legal, a fim de conferirlhe o sentido que melhor se amolda aos objetivos legais. Partindose desta premissa basilar, verificase que o art. 17O da Lei n.° 6.938/81, em que pese o fato de imprimir, de forma inafastável, o dever de apresentar o ADA, não estabelece qualquer exigência no que toca à necessidade de sua protocolização em prazo fixado pela Receita Federal para o fim específico de permitir a redução da base de cálculo do ITR. A exigência de protocolo tempestivo do ADA, para o fim específico da redução da base de cálculo do ITR, não decorre expressamente de lei, mas sim do art. 10, §3°, I, do Decreto n.° 4.382/2002, que, inclusive, data de setembro de 2002, (...). (...) Com efeito, sendo certo que a instituição de tributos ou mesmo da exclusão do crédito tributário, na forma como denominada pelo Código Tributário Nacional, são matérias que devem ser integralmente previstas em lei, na forma como estatuído pelo art. 97, do CTN, mais especificamente no que toca ao seu inciso VI, não poderia sequer o poder regulamentar estabelecer a desconsideração da isenção tributária no caso da mera apresentação intempestiva do ADA. Repisese, nesse sentido, que não se discute que a lei tenha instituído a obrigatoriedade da apresentação do ADA, mas, sim, que o prazo de seis meses, contado da entrega da DITR, foi instituído apenas por Instrução Normativa, muito posteriormente embasada pelo Decreto n.° 4.382/2002, o que, com a devida vênia, não merece prosperar. Em virtude, portanto, da ausência de estabelecimento de um critério rígido quanto ao prazo para a apresentação do ADA, eis que não se encontra previsto em lei, cumpre recorrer aos mecanismos de integração da legislação tributária, de maneira a imprimir eficácia no disposto pelo art. 17O da Lei n.° 6.398/81. Dentre os mecanismos de integração previstos pelo ordenamento jurídico, dispõe o Código Tributário Nacional, em seu art. 108, I, que deve o aplicador recorrer à analogia, sendo referida opção vedada apenas no que toca à instituição de tributos não previstos em lei, o que, ressaltese, não é o caso. Nesse esteio, recorrendose à analogia para o preenchimento de referida lacuna, devese recorrer à legislação do ITR relativa às demais declarações firmadas pelo contribuinte, mais Fl. 286DF CARF MF Processo nº 10675.002500/200609 Acórdão n.º 9202005.406 CSRFT2 Fl. 279 17 especificamente no que atine à DIAT e à DIAC, expressamente contempladas pela Lei n.° 9.393/96, aplicadas ao presente caso tendose sempre em vista o escopo da norma inserida no texto do art. 17O da Lei n.° 6.398/81, isto é, imprimir praticabilidade à aferição da existência das áreas de reserva legal e preservação permanente, para o fim específico da isenção tributária. Pois bem. Sendo certo que a apresentação do ADA cumpre o papel imprimir praticabilidade à apuração da área tributável, verificase que cumpre o escopo norma a sua entrega até o início da fiscalização, momento a partir do qual a apresentação já não mais cumprirá seu desiderato. De fato, até o início da fiscalização em face do contribuinte, verificase que a entrega do ADA possibilitará a consideração, por parte da Receita Federal, da redução da base de cálculo do ITR, submetendo as declarações do contribuinte ao pálio do órgão ambiental competente e retirando referida aferição do âmbito da Receita Federal do Brasil. A entrega, portanto, ainda que intempestiva, muito embora pudesse ensejar a aplicação de uma multa específica, caso existisse referida norma sancionatória, seria equivalente à retificação das demais declarações relativas ao ITR, isto é, da DIAT e da DIAC, devendo, pois, ter o mesmo tratamento que estas últimas, em consonância com o que estatui o brocardo jurídico "ubi eadem ratio, ibi eaedem legis dispositio", isto é, onde há o mesmo racional, a legislação não pode aplicar critérios distintos. À guisa do exposto, portanto, no que toca à entrega do ADA, tenho para mim que cumpre seu desiderato até o momento do início da fiscalização, a partir do qual a omissão do contribuinte ensejou a necessidade de fiscalização específica relativa ao recolhimento do ITR, o que implica nos custos administrativos inerentes a este fato. Assim, aplicase ao ADA, de acordo com este entendimento basilar, a regra prevista pelo art. 18 da Medida Provisória n.° 2.18949/01, que assim dispõe, verbis: "Art. 18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa." De acordo com a interpretação que ora se sustenta, pois, é permitida a entrega do ADA, ainda que intempestivamente, desde que o contribuinte o faça até o início da fiscalização. (grifei) (...)" Fl. 287DF CARF MF 18 Repetindose uma vez mais que como, no caso em questão, não houve entrega do ADA, é de se manter a glosa da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR perpretada pela autoridade lançadora. Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional quanto à matéria, reformandose o recorrido para manter a glosa realizada pela autoridade lançadora. È como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 288DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.025193/99-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 1995, 1996
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EXISTÊNCIA DE OMISSÃO.
Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando se constata a existência de omissão do colegiado em ponto sobre o qual deveria pronunciar.
PRECLUSÃO PROCESSUAL. MATÉRIA NÃO CONTESTADA EM IMPUGNAÇÃO.
Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.
Recurso Voluntário Conhecido em Parte.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3302-003.737
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher, parcialmente, os Embargos de Declaração, para rerratificar o Acórdão embargado.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes De Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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EXISTÊNCIA DE OMISSÃO. Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando se constata a existência de omissão do colegiado em ponto sobre o qual deveria pronunciar. PRECLUSÃO PROCESSUAL. MATÉRIA NÃO CONTESTADA EM IMPUGNAÇÃO. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Recurso Voluntário Conhecido em Parte. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher, parcialmente, os Embargos de Declaração, para rerratificar o Acórdão embargado. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 02 51 93 /9 9- 03 Fl. 1672DF CARF MF Processo nº 10480.025193/9903 Acórdão n.º 3302003.737 S3C3T2 Fl. 1.673 2 Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes De Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Trata o presente de julgamento de embargos acolhidos no Acórdão nº 3202 000.71 para apreciação de matéria omitida no Acórdão nº 30133.349 relativa ao pleito de aproveitamento dos créditos de entrada que não foram considerados pela fiscalização. A autuação decorreu de saída dos produtos industrializados abaixo mencionados, com incorreção na classificação fiscal e alíquotas adotadas: a) Removedores de esmalte, obtidos da mistura de álcool e acetona, apresentados em embalagens de volumes diversos (95, 100, 200, 480 e 950ml) e denominados nas notas fiscais de saída ora como "Removedor de Esmalte Acetona Guararapes", ora simplesmente como "Acetona Guararapes". A classificação correta seria 3304.30.0300, com alíquota de 30%; b) Frascos plásticos de diversas capacidades volumétricas. A classificação correta seria 3923.30.0000, com aliquota de 10%. Em impugnação, a recorrente refutou a classificação fiscal do removedor de esmalte e dos frascos plásticos, além do fato de que nos cinco anos anteriores, a fiscalização não questionou a adoção das alíquotas utilizadas pela recorrente o que configuraria prática reiterada, alegou, ainda, falta de provas do alegado pelo Fisco, a utilização da taxa Selic como juros de mora e a necessidade de perícia. A DRJ proferiu a Decisão nº 1.329/99, a qual foi anulada por não apreciação de prova produzida pela recorrente. No segundo julgamento, a A DRJ considerou o lançamento procedente, nos termos da seguinte ementa: FALTA DE LANÇAMENTO DO IMPOSTO. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO — A saída de produtos tributados, com falta de destaque do imposto em decorrência de erro de classificação fiscal, implica no lançamento de oficio do que deixou de ser recolhido por iniciativa do sujeito passivo, acrescido dos consectários legais. Classificação de Mercadorias CLASSIFICAÇÃO FISCAL — Da simples característica dos produtos "Acetona Guararapes" e "Frascos Plásticos", é possível, com o auxilio exclusivo das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado, obter a classificação fiscal na TIPI: 3304.30.0300 e 3923.30.0000, respectivamente. Processo Administrativo Fiscal PERfCIAS — Dispensável a produção de perícias quando os documentos integrantes dos autos revelamse suficientes para formação de convicção e conseqüente julgamento defeito. Fl. 1673DF CARF MF Processo nº 10480.025193/9903 Acórdão n.º 3302003.737 S3C3T2 Fl. 1.674 3 Normas Gerais do Direito Tributário ONUS DA PROVA — Os documentos fiscais emitidos fazem prova contra seu autor, sendo licito a este demonstrar que as informações ali constantes não correspondem à verdade dos fatos. Normas Gerais do Direito Tributário PRATICAS REITERADAS — As práticas reiteradas, previstas no art. 100, III, do CTIV, representam uma posição sedimentada do fisco na aplicação da legislação tributária e devem ser acatadas como boa interpretação da lei. Processo Administrativo Fiscal JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A utilização da taxa Selic para cálculo dos juros moratórios decorre de expressa disposição legal. ARGUIÇÃO DE INCOSTITUCIONALIDADE E/OU ILEGALIDADE — Não compete à autoridade administrativa, com fundamento em juízo sobre constitucionalidade de norma tributária, negar aplicação da lei ao caso concreto. Prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário, por fiança de dispositivo constitucional. Lançamento Procedente. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário (efls. 786/806), repisando as alegações deduzidas em impugnação, além de acrescer a alegação da necessidade de se abater o IPI dos insumos utilizados na fabricação dos produtos tributados, de acordo com o artigo 82, inciso I do antigo regulamento de IPI Decreto nº 87.981/1982 e a exorbitância da multa de ofício de 75%. Na sessão de 25/01/2006, a Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes converteu o julgamento em diligência para verificar a destinação das embalagens. Cumprida a diligência, a turma proferiu o Acórdão nº 30133.349, negando provimento ao recurso voluntário, nos seguintes termos: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/1995 a 31/12/1996 Ementa: CLASSIFICAÇÃO FISCAL. IPI. ACETONA — 0 produto "Acetona", ainda que seja um conjunto orgânico de constituição química definida apresentado isoladamente, mas cujo acondicionamento seja para venda a retalho e cuja destinação é a remoção de esmalte (de unhas) tem sua classificação fiscal na posição 3304.30.0300. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. FRASCOS PLÁSTICOS. Frascos plásticos classificamse no código NBM 3923.30.0000, independentemente de sua destinação. Fl. 1674DF CARF MF Processo nº 10480.025193/9903 Acórdão n.º 3302003.737 S3C3T2 Fl. 1.675 4 PROVA PERICIAL — Quando o fundamento do lançamento não está pautado exclusivamente na composição química do produto e não seja esse o ponto fulcral da lide, 6 dispensável a produção de perícias. JUROS DE MORA — Taxa Selic. A utilização da Taxa Selic para cálculo dos juros moratórios decorre de expressa disposição legal. OBSERVÂNCIA DE NORMAS. MULTAS E JUROS DE MORA A nãodetecção das irregularidades pela fiscalização em ações anteriores não pode ser confundida com homologação de prática de atos infracionais nem arguida para a invocação do principio benigno de que trata o art. 100, inciso III, e parágrafo único, do CTN, para efeitos de exclusão dos acréscimos de multa e de juros moratórios. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Cientificada, a recorrente opôs embargos em face do referido acórdão, os quais foram acolhidos em parte, mediante o Acórdão nº 3202000.71, para apreciação da matéria relativa ao crédito de IPI relativo aos insumos utilizados nos produtos fabricados. Na forma regimental, o processo foi remetido a este relator para inclusão em pauta. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. Os embargos foram admitidos apreciação de matéria omitida no Acórdão nº 30133.349 relativa ao pleito de aproveitamento dos créditos de entrada que não foram considerados pela fiscalização. Verificase que na impugnação (efls. 559/574), a recorrente nada objetou quanto à falta de aproveitamento de qualquer crédito pela fiscalização, mas impugnou apenas as matérias relativas à classificação fiscal do removedor de esmalte e dos frascos plásticos, à configuração de práticas reiteradas (que remonta novamente à classificação fiscal), à falta de provas do alegado pelo Fisco, à utilização da taxa Selic como juros de mora e à necessidade de perícia. Apenas em recurso voluntário, às efls. 802, a recorrente alegou eventual falta de consideração de IPI nas entradas de insumos utilizados nos produtos objeto da autuação, conforme abaixo: "NÃO FOI ABATIDO 0 VALOR DO IPI DA ENTRADA Ainda que se admita, só para argumentar, a exigência fiscal do IPI que ora se discute, é de ser compensado da exigência, o IPI dos insumos utilizados na fabricação dos produtos, tendo em vista o Fl. 1675DF CARF MF Processo nº 10480.025193/9903 Acórdão n.º 3302003.737 S3C3T2 Fl. 1.676 5 principio da nãocumulatividade (exvi do artigo 81, I do RIPI), segundo o qual: "Os estabelecimentos industriais têm direito ao crédito do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridas para emprego na industrialização de produtos tributados, exceto os de aliquota zero e os isentos, incluindose entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente". Portanto, Senhores Julgadores. Deixar de compensar do imposto exigido, o devido na compra dos insumos, é ferir o principio constitucional da nãocumulatividade. Esta regra da compensação, está também consubstanciada no artigo 11 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999 e farta jurisprudência dominante, tanto a nível administrativo como no judiciário. A não consideração do crédito relativo aos insumos implica dizer que o valor da imputação fiscal padece de improcedência, e não sendo função desse órgão a atividade de lançamento, a Denúncia deve ser considerada Improcedente de pleno direito. Assim sendo, por esse motivo, deve ser declarado a improcedência do presente auto, ou que seja determinada ã compensação dos valores destacado nas notas fi scais de entrada e constante da declaração de IRPJ, AnoCalendário 1996. — Doc. 04." Constatase, assim, que houve preclusão processual relativa a esta alegação, pois que não foi contestada no momento adequado, ou seja, na impugnação, conforme o disposto no artigo 17 do Decreto nº 70.235/1972, abaixo transcrito: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Neste sentido, citamse diversos acórdãos deste Conselho: Acórdão nº 9303004.171: MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Nos termos do art. 17 do Decreto 70235/72, a matéria não impugnada, à exceção das matérias de ordem pública, está excluída do litígio e o crédito tributário respectivo tornase consolidado. Na ausência do litígio, a matéria não pode ser analisada em sede de Recurso Voluntário. Acórdão nº 3301003.104: MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Acerca das infrações detectadas apontadas pela fiscalização, o montante do crédito tributário lançado, compreendendo o imposto, a multa de mora e a multa de ofício, sobre nada disso a impugnante se pronunciou, caracterizandose, por força do disposto no art.17 do Decreto 70.235/72, a preclusão quanto a Fl. 1676DF CARF MF Processo nº 10480.025193/9903 Acórdão n.º 3302003.737 S3C3T2 Fl. 1.677 6 essas matérias sobre as quais não houve contestação expressa por parte da ora impugnante. Acórdão nº 3402003.181: PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO DE MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72 considerase preclusa a questão que não tenha sido suscitada expressamente em impugnação, de modo que sua colocação na peça recursal dirigida ao CARF não deve ser conhecida. Diante do exposto, voto para não conhecer da alegação de falta de aproveitamento de créditos de IPI relativos a insumos utilizados nos produtos autuados, mantendose o resultado do julgamento proferido no Acórdão nº 30133.349. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 1677DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.963675/2008-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jul 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2003
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO
Entende-se por denúncia espontânea aquela que é feita antes de a autoridade administrativa tomar conhecimento da infração, ou antes, do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionada com a infração denunciada. Realizado o pagamento antes do ato fiscalizatório a multa de mora deve ser excluída (Resp nº 1.149.022/SP).
Recurso Voluntário Provido
Direito Creditório Reconhecido
Numero da decisão: 3302-004.448
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
EDITADO EM: 06/07/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2003 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO Entende-se por denúncia espontânea aquela que é feita antes de a autoridade administrativa tomar conhecimento da infração, ou antes, do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionada com a infração denunciada. Realizado o pagamento antes do ato fiscalizatório a multa de mora deve ser excluída (Resp nº 1.149.022/SP). Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2003 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO Entendese por denúncia espontânea aquela que é feita antes de a autoridade administrativa tomar conhecimento da infração, ou antes, do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionada com a infração denunciada. Realizado o pagamento antes do ato fiscalizatório a multa de mora deve ser excluída (Resp nº 1.149.022/SP). Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. EDITADO EM: 06/07/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 96 36 75 /2 00 8- 12 Fl. 174DF CARF MF 2 Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo. Relatório Por bem descrever e retratar a realidade dos fatos, adoto e transcrevo o relatório da decisão de piso de fls. 9497: Tratase de Declaração de Compensação (Dcomp) com aproveitamento de suposto pagamento a maior. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de homologação parcial da compensação (fl. 3 – a numeração de referência é sempre a da versão digital do processo), porque, embora tenha sido constatada a procedência do crédito original informado no PER/Dcomp, ele revelou se insuficiente para quitar o débito informado. Cientificada do despacho decisório em 05/01/2009 (fl. 7), a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 02/02/2009 (fls. 13/17), na qual alega que: • efetuou a compensação de débito de PIS/Pasep não cumulativo (código de receita 6912) referente ao período de apuração junho/2003, com crédito oriundo de pagamento a maior a título de PIS/Pasep cumulativo (código de receita 8109) referente ao mesmo período de apuração; • por equívoco, ao invés de quitar o débito de PIS/Pasep por intermédio de dois Darfs distintos para os valores correspondentes aos códigos de receita 6912 e 8109, efetuou o recolhimento por meio de guia única, refletindo tal equívoco na DCTF original enviada em 10/04/2004; • não podia sanar o equívoco cometido por meio de retificação do Darf, pois o art. 10, inciso I, da Instrução Normativa nº 403, de 2004, não permite o desdobramento em dois documentos; • procedeu à retificação da DCTF de modo a alocar corretamente os débitos apurados a título de PIS/Pasep cumulativo e não cumulativo e, para informar a quitação desses débitos vinculou o recolhimento sob o código de receita 8109 e a compensação formalizada para o código de receita 6912; • o valor que está sendo exigido se refere à aplicação da multa de mora, que de fato não foi levada em conta na compensação efetuada, tendo em vista que os débitos foram integralmente quitados em 15/07/2003, tempestivamente, por meio de Darf, estando o montante recolhido, desde então, disponível aos cofres públicos, não havendo que se falar em mora. A Turma "a quo", por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade através do acórdão de nº 1647.629, cuja ementa assim restou sintetizada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10880.963675/200812 Acórdão n.º 3302004.448 S3C3T2 Fl. 3 3 Ano calendário: 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. VALORAÇÃO. CRÉDITOS. DÉBITOS. FALTA DE EQUIVALÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. Na compensação declarada pelo sujeito passivo, o crédito deve ser acrescido de juros compensatórios e o débito, se já vencido, sofre a incidência de juros de mora e multa de mora até a data da apresentação do PER/Dcomp. A falta de equivalência entre o total do crédito e do débito assim valorados implica a homologação apenas parcial da compensação efetuada. Intimada da decisão combatida em 18.12.2014 (fls.101), a Recorrente interpôs recurso voluntário em 29.12.2014 (fls. 104121), requerendo, em síntese, a reforma da decisão de piso com base nos seguintes fundamentos: (i) estão configurados os requisitos necessários da denúncia espontânea, nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional; e (ii) deve ser observado o princípio da verdade material, considerando que a Recorrente realizou o pagamento do tributo devido dentro do prazo previsto em lei, sendo inaplicável a exigência de multa de mora. É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo Relator I Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 18.12.2014 (fls.101) e protocolou Recurso Voluntário em 29.12.2014 (fls. 1041121), dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche o requisito de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Mérito Em síntese apartada, a Recorrente argumenta que houve denúncia espontânea da infração nos termos do art. 138 do CTN, de modo que o débito merece ser cancelado. Pois bem. O art. 161 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional – CTN, estatui que o “crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantias previstas nesta lei ou em lei tributária.” Por sua vez, o art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, determina que os “débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 176DF CARF MF 4 Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso”. Em se tratando de compensação, dispõe o art. 28 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005 e o art. 36 da Instrução Normativa SRF nº 900, de 30 de dezembro de 2008 que “os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação”. Neste cenário, evidenciase que a exigência de multa de mora quando de recolhimento em atraso consiste na regra geral a ser observada, em obediência aos dispositivos legais citados, sem prejuízo de outros que também a prevêem. Por outro lado, há causa excludente de penalidade prevista no artigo 138, do Código Tributário Nacional, que assim dispõe: “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Em relação a matéria concernente a aplicação denúncia espontânea, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do Recurso Especial no nº 1.149.022/SP, realizado sob o regime do recurso repetitivo, disciplinado no art. 543C do Código de Processo Civil (do antigo CPC), já pacificou seu entendimento nos seguintes termos: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008) Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10880.963675/200812 Acórdão n.º 3302004.448 S3C3T2 Fl. 4 5 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ; Resp 1.149.022; Relator: Ministro Luiz Fux; Data do julgamento: 09.06.2010) Do que se infere da decisão supra citada, é que o benefício da denúncia espontânea será aplicado aos casos em que não houver declaração do débito e, quando o contribuinte realizar o pagamento antes de qualquer procedimento fiscal. A respeito disso, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional lavrou os Pareceres PGFN/CRJ nºs 2.113 e 2.124, de 10 de novembro de 2011, aprovados pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda consoante despachos publicados em 15 de dezembro de 2011, os quais, amparados em pacífica jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça sobre o tema, admitem, respectivamente, inexistir diferença entre multa moratória e multa punitiva, vez que ambas são excluídas em caso de configuração da denúncia espontânea e que a denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento fiscal), notificando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. Em conseqüência, tais pareceres recomendam sejam autorizadas a não apresentação de contestação, a não interposição de recursos e a desistência dos já interpostos nas ações judiciais correspondentes, desde que inexista outro fundamento relevante. Assim sendo, em 20 de dezembro de 2011 foram lavrados os Atos Declaratórios PGFN nºs 4 e 8, que declaram que ficam autorizadas a não apresentação de contestação, a não interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante “com relação às ações e decisões judiciais que fixem o entendimento no sentido da exclusão da multa moratória quando da configuração da denúncia espontânea, ao entendimento de que inexiste diferença entre multa moratória e multa punitiva, nos moldes do art. 138 do Código Tributário Nacional” e “nas ações judiciais que discutam a Fl. 178DF CARF MF 6 caracterização da denúncia espontânea na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), notificando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente”, nessa ordem. Nesse contexto, quanto à exclusão da multa pela denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN, inferese que essa somente se aplica, data venia, em circunstâncias bastante específicas, cumprindo verificar ou não a sua ocorrência em cada caso concreto. Compulsando os autos, verificase que no preenchimento da PER/DCOMP em análise, entregue em 17.11.2004 (fls. 0812), a Recorrente informou débitos de PIS, código de receita 6912 (PISNão Cumulativo), relativos ao mês de junho de 2003, sem considerar a multa de mora. Consultando a DCTF entregue pela Recorrente em 10.05.2004 (fls.8889), constatase que o débito de PIS, código de receita 6912, relativo ao mês de junho de 2003, não havia sido declarado quando foi objeto de pedido de compensação por meio da Dcomp. Adicionalmente, não há notícia de nenhum procedimento fiscal com relação ao débito de PIS, código de receita 6912, relativo ao mês de junho de 2003 informado na Declaração de Compensação, o qual, conforme já mencionado, também não havia sido previamente confessado por meio de DCTF. Assim, considerando que a Recorrente efetuou o pagamento do débito não declarado antes de qualquer procedimento fiscalizatório e, com base no entendimento proferido pelo Ministro Luiz Fux no RESP anteriormente citado, reconheço o benefício da denúncia espontânea, descabendo a exigência de multa de mora em relação ao débito sob análise. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator Fl. 179DF CARF MF
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Numero do processo: 13839.903361/2011-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.002
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente AUTO R COMERCIAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 33 61 /2 01 1- 60 Fl. 89DF CARF MF Processo nº 13839.903361/201160 Acórdão n.º 3302004.002 S3C3T2 Fl. 3 2 Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de COFINS incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06049.529. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; Fl. 90DF CARF MF Processo nº 13839.903361/201160 Acórdão n.º 3302004.002 S3C3T2 Fl. 4 3 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 13839.903361/201160 Acórdão n.º 3302004.002 S3C3T2 Fl. 5 4 A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Fl. 92DF CARF MF Processo nº 13839.903361/201160 Acórdão n.º 3302004.002 S3C3T2 Fl. 6 5 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 93DF CARF MF Processo nº 13839.903361/201160 Acórdão n.º 3302004.002 S3C3T2 Fl. 7 6 foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 94DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.005397/93-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1990, 1991, 1992, 1993
RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO.
A matéria não contestada na impugnação é insuscetível de conhecimento em grau recursal.
IRPF. SINAIS EXTERIORES DE RIQUEZA. GASTOS INCOMPATÍVEIS COM A RENDA DISPONÍVEL DO CONTRIBUINTE. FIXAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO. TÉCNICA DE ARBITRAMENTO. DIREITOS HEREDITÁRIOS. INVEROSSIMILHANÇA DA VERSÃO APRESENTADA. SÚMULA 182 DO TFR. INAPLICABILIDADE. CUSTÓDIA POLICIAL DE VALORES. NÃO ALTERAÇÃO DO FATO GERADOR.
1. O art. 6º, § 1º, da Lei 8.021/90 constitui-se em técnica de fixação da base de cálculo do imposto de renda nos lançamentos de ofício.
2. De conformidade com o citado preceito legal, os rendimentos do contribuinte serão arbitrados com base na renda presumida, mediante utilização de sinais exteriores de riqueza, caracterizados pela realização de gastos incompatíveis com a renda disponível.
3. Os bens e direitos recebidos entre 1953 a 1975 não poderiam justificar gastos ocorridos quase quatro décadas depois.
4. Ademais, o patrimônio constante das declarações de bens foi utilizado pelo Fisco na metodologia comprobatória adotada para justificar os recursos aplicados pela parte.
5. De acordo com o verbete sumular 182 TFR, "é ilegítimo o lançamento do Imposto de Renda arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários".
6. Todavia, o lançamento não foi embasado apenas em extratos.
7. A par disso, o Superior Tribunal de Justiça já superou o óbice retratado na Súmula encimada, mormente após a vigência da Lei 8.021/90, que se constitui no fundamento da autuação.
8. O contribuinte não infirma que realizou a ação que se constitui como núcleo ou materialidade do fato gerador do imposto de renda (aquisição de renda), limitando sua insurgência em evento posterior à realização do citado fato jurídico (a indisponibilidade decorrente da custódia policial).
9. No caso concreto, o destino da renda não altera a realização do fato gerador. Vale dizer, o posterior decréscimo patrimonial não afasta a possibilidade de tributação, pouco importando se tal decréscimo tenha ocorrido como resultado de operação policial ou mesmo de qualquer ato volitivo do contribuinte.
Numero da decisão: 2402-005.841
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso, para, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Waltir de Carvalho, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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SINAIS EXTERIORES DE RIQUEZA Recorrente JOSE CARLOS ALVES DOS SANTOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1990, 1991, 1992, 1993 RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO. A matéria não contestada na impugnação é insuscetível de conhecimento em grau recursal. IRPF. SINAIS EXTERIORES DE RIQUEZA. GASTOS INCOMPATÍVEIS COM A RENDA DISPONÍVEL DO CONTRIBUINTE. FIXAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO. TÉCNICA DE ARBITRAMENTO. DIREITOS HEREDITÁRIOS. INVEROSSIMILHANÇA DA VERSÃO APRESENTADA. SÚMULA 182 DO TFR. INAPLICABILIDADE. CUSTÓDIA POLICIAL DE VALORES. NÃO ALTERAÇÃO DO FATO GERADOR. 1. O art. 6º, § 1º, da Lei 8.021/90 constituise em técnica de fixação da base de cálculo do imposto de renda nos lançamentos de ofício. 2. De conformidade com o citado preceito legal, os rendimentos do contribuinte serão arbitrados com base na renda presumida, mediante utilização de sinais exteriores de riqueza, caracterizados pela realização de gastos incompatíveis com a renda disponível. 3. Os bens e direitos recebidos entre 1953 a 1975 não poderiam justificar gastos ocorridos quase quatro décadas depois. 4. Ademais, o patrimônio constante das declarações de bens foi utilizado pelo Fisco na metodologia comprobatória adotada para justificar os recursos aplicados pela parte. 5. De acordo com o verbete sumular 182 TFR, "é ilegítimo o lançamento do Imposto de Renda arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários". 6. Todavia, o lançamento não foi embasado apenas em extratos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 00 53 97 /9 3- 88 Fl. 4720DF CARF MF 2 7. A par disso, o Superior Tribunal de Justiça já superou o óbice retratado na Súmula encimada, mormente após a vigência da Lei 8.021/90, que se constitui no fundamento da autuação. 8. O contribuinte não infirma que realizou a ação que se constitui como núcleo ou materialidade do fato gerador do imposto de renda (aquisição de renda), limitando sua insurgência em evento posterior à realização do citado fato jurídico (a indisponibilidade decorrente da custódia policial). 9. No caso concreto, o destino da renda não altera a realização do fato gerador. Vale dizer, o posterior decréscimo patrimonial não afasta a possibilidade de tributação, pouco importando se tal decréscimo tenha ocorrido como resultado de operação policial ou mesmo de qualquer ato volitivo do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso, para, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Waltir de Carvalho, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 4721DF CARF MF Processo nº 10166.005397/9388 Acórdão n.º 2402005.841 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Contra o contribuinte em epígrafe foi lavrado Auto de Infração de IRPF, anoscalendário 1990 a 1993, lastreado na realização de sinais exteriores de riqueza caracterizados pela existência de gastos incompatíveis com a renda disponível. O contribuinte impugnou o Auto de Infração, sendo o lançamento considerado procedente em parte pela DRJ/BSA, em 27/02/1998, através da decisão DRJ/BSB/DIRCO/Nº 215/98 (fls. 1310 e seguintes). O sujeito passivo foi intimado da decisão em 07/04/1998 (fl. 1394) e interpôs recurso voluntário em 07/05/1998, no qual deduziu as seguintes teses recursais, divididas nos tópicos adiante relacionados: 1. conceito constitucional de renda, fato gerador e base de cálculo do imposto de renda pessoa física: a) discorre amplamente sobre o fato gerador e a base de cálculo do imposto de renda; 2. direitos hereditários doados pela mãe ao contribuinte: b) a julgadora não poderia negar que o recorrente era herdeiro de uma verdadeira fortuna; c) a documentação comprova que desde 1953 até 1975 o recorrente e sua mãe receberam vultosas somas de dinheiro, derivados de direito de herança; d) os documentos são uma prova inconteste de que todos os gastos realizados pelo recorrente, que deram motivação para o lançamento, tiveram origem em datas determináveis e que tais rendas não podem ser atingidas pelo imposto de renda; e) a vasta documentação inverteu o ônus da prova em face da fiscalização, pois, se através do auto de infração o Fisco arbitrou a renda com base nos gastos do recorrente, a impugnação comprovou que ele recebeu numerário suficiente para justificar os gastos; f) caberia ao Fisco comprovar que o recorrente não teria recebido a herança, ou então que, recebido, já a teria utilizado; 3. proibição da Súmula 182 do TFR, aplicabilidade da Lei 8.021/90: g) a renda presumida foi tirada única e exclusivamente dos extratos bancários do contribuinte; Fl. 4722DF CARF MF 4 4. custódia policial dos US$ 304.000,00, entrega espontânea de moeda estrangeira à CPMI, tributação sobre valores sequestrados, relação de propriedade sobre os bens apreendidos, disponibilidade do rendimento: h) não se poderia querer tributar todos os valores sequestrados em moeda estrangeira, pois os mesmos representam um decréscimo patrimonial; i) tendo em vista que os dólares e outros bens do recorrente, cuja disponibilidade jurídica e econômica foi perdida durante o exercício de 1993, não foram considerados como perda patrimonial para a apuração do imposto, este procedimento deve ser adotado de imediato, para que não se realize um confisco; 5. juros de mora equivalentes à TRD, juros de mora com base na taxa Selic: j) a cobrança de juros de mora com base na TR/TRD e na SELIC afronta três dispositivos diferentes: (i) TR, TRD e SELIC têm natureza remuneratória e não podem ser utilizadas como juros moratórios; (ii) violação ao art. 161, § 1º, do Código Tributário Nacional; e (iii) violação ao art. 192, § 3º, da Constituição Federal; 6. erros de cálculo no lançamento do imposto: k) existem erros de cálculo nos levantamentos da fiscalização e que até a presente data não tinham sido objeto de impugnação: (i) inexistência de valor tributável na competência 08/90; (ii) valores levados à tributação em duplicidade; (iii) transferência de conta corrente para aplicação financeira; (iv) cheques que não estão no processo; e (v) cheques assinados pela filha. A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional apresentou as contrarrazões de fls. 1496/1510, nas quais defendeu a legalidade do lançamento e se insurgiu contra todos os argumentos levantados em sede recursal. Em análise do pleito, a Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes converteu o julgamento em diligência, (fls. 760 a 789) determinando o retorno dos autos à Delegacia até o trânsito em julgado da Medida Cautelar de Seqüestro nº 94.00.130384, em trâmite na 8ª Vara Federal, por entender que o destino dos valores questionados no âmbito administrativo depende da ação judicial. É o relatório. Fl. 4723DF CARF MF Processo nº 10166.005397/9388 Acórdão n.º 2402005.841 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento Farseá a apreciação do recurso voluntário, visto que interposto no prazo legal, o que não significa que será totalmente conhecido. Com efeito, o recurso não deve ser conhecido no tocante às matérias a serem tratadas nos tópicos 1.1 e 1.2, conforme adiante se verá. 1.1 DOS JUROS DE MORA Em sede recursal, o sujeito passivo se insurge contra a cobrança de juros de mora com base na TR/TRD e na SELIC, vez que, no seu entender, tais juros teriam natureza remuneratória e não poderiam ser utilizados como juros moratórios. Argumenta, também, que teria havido violação ao art. 161, § 1º, do Código Tributário Nacional e ao art. 192, § 3º, da Constituição Federal. Tais teses, contudo, não foram ventiladas na impugnação, sendo insuscetíveis, pois, de conhecimento em grau recursal. Na impugnação, o contribuinte limitouse a afirmar que a TRD somente seria exigível a partir de agosto de 1991, no que foi atendido pela DRJ, que a decotou do lançamento no período compreendido entre 4 de fevereiro a 29 de julho de 1991. A impugnação da exigência, a qual deve ser formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, instaura a fase litigiosa do procedimento, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo sujeito passivo. Somente a impugnação regular é capaz de atrair o poderdever do Estado de fazer a prestação jurisdicional, dirimindo a controvérsia iniciada com o lançamento fiscal mas efetivamente instaurada com a sua (da impugnação) apresentação. Vejase, nesse sentido, os seguintes dispositivos constantes do Decreto nº 70.235/1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. ......................................................................................................... Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Fl. 4724DF CARF MF 6 ......................................................................................................... Art. 16. A impugnação mencionará: [...] ......................................................................................................... Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. ......................................................................................................... Justamente em função da falta de impugnação, a DRJ não julgou as matérias ora suscitadas, de forma que o seu conhecimento aviltaria o princípio constitucional do duplo grau de jurisdição. Cumpre acrescentar que "as normas de preclusão são indispensáveis ao devido processo legal e, de modo algum, relevamse incompatíveis com o direito de ampla defesa"1. 1.2 ERROS DE CÁLCULO NO LANÇAMENTO DO IMPOSTO Em grau recursal, o sujeito passivo afirma que existiriam erros de cálculo nos levantamentos da fiscalização e que até a presente data não tinham sido objeto de impugnação. Ora, como esse supostos erros de cálculo não haviam sido apontados no momento processual oportuno, isto é, na impugnação, é inegável que não se instaurou qualquer litígio a seu respeito e, consequentemente, ocorreu a preclusão. É o que se demonstrou no tópico anterior, ao qual apenas se remete para evitar reiteração. 2 Da tributação com base em sinais exteriores de riqueza O art. 6º, § 1º, da Lei 8.021/90 constituise, claramente, em técnica de fixação da base de cálculo do imposto de renda nos lançamentos de ofício. Art. 6° O lançamento de ofício, além dos casos já especificados em lei, farseá arbitrandose os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. § 1° Considerase sinal exterior de riqueza a realização de gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte. De conformidade com o citado preceito legal, os rendimentos do contribuinte serão arbitrados com base na renda presumida, mediante utilização de sinais exteriores de riqueza, caracterizados pela realização de gastos incompatíveis com a sua renda disponível. A Constituição Federal, ao outorgar à União a competência para instituir o imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, reflexamente definiu que a renda seria a base de cálculo do imposto e que o contribuinte seria o seu titular. 1 FERRAGUT, Maria Rita. As provas e o direito tributário: teoria e prática como instrumentos para a construção da verdade jurídica. São Paulo: Saraiva, 2016, p. 61. Fl. 4725DF CARF MF Processo nº 10166.005397/9388 Acórdão n.º 2402005.841 S2C4T2 Fl. 5 7 Na mesma toada, o art. 43, inc. I, do Código Tributário Nacional, preleciona que o imposto tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda, a qual, de seu turno, pode ser real, arbitrada ou presumida (art. 44). Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; [...] Art. 44. A base de cálculo do imposto é o montante, real, arbitrado ou presumido, da renda ou dos proventos tributáveis. O arbitramento nos lançamentos de ofício ainda está previsto no art. 148 do Código. Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Logo, e corroborandose o que se afirmou, o art. 6º, § 1º, da Lei 8.021/90 apenas visa a delinear a base de cálculo do imposto na hipótese que especifica sinais exteriores de riqueza configurados pela realização de gastos incompatíveis. A existência de sinais exteriores de riqueza, como o próprio rótulo sugere, demonstra a existência de obtenção de renda, resultante da aquisição de riqueza nova, passível, portanto, de tributação. Em sendo assim, a notável exposição feita pelo recorrente em nada altera o lançamento (ao contrário, o corrobora), o qual está estribado em bases constitucionais e infra constitucionais, e tem como fato gerador a aquisição de renda. 3 Dos direitos hereditários O recorrente não comprovou que recebeu numerário suficiente, a título de direitos hereditários doados, para justificar os gastos ocorridos nos anoscalendário 1990 a 1993. O próprio sujeito passivo alega que os bens e direitos teriam sido recebidos de 1953 a 1975, sendo que tais bens e direitos não poderiam justificar gastos ocorridos quase quarenta anos depois, salvo inequívoca comprovação da existência de saldo remanescente utilizado nos anosbase objeto de lançamento, o que não ocorreu. Fl. 4726DF CARF MF 8 Ademais, o patrimônio constante nas declarações de bens foi utilizado pelo Fisco na metodologia comprobatória adotada para justificar os recursos aplicados pela parte. Significa dizer que "eventual reflexo dos direitos hereditários percebidos pelo contribuinte, acaso incorporados aos seu patrimônio, já foi, portanto, integrado ao levantamento fiscal" (v. fl. 1328). Vejase, exemplificativamente, que na apuração do valor tributável foram considerados como recursos as aplicações em contascorrentes, as aplicações financeiras e os saldos em cadernetas de poupanças, conforme "FLUXO DE CAIXA" de fls. 800 e seguintes. Por outro lado, a decisão recorrida fez um exame atento dos documentos juntados pelo recorrente, para concluir, de forma escorreita, pela "inverossimilhança da versão apresentada" (v. fl. 1326). Em sendo assim, a par da total falta de razoabilidade da tese invocada em sede de impugnação e recurso voluntário (valores auferidos de 1953 a 1975 como origens dos gastos efetuados quase quatro décadas depois), constatase que o Fisco tomou em consideração os montantes que o recorrente tinha nos anos de 1990 a 1993, não tendo o interessado comprovado, nem mesmo indiciariamente, as suas alegações. É sabido que o Direito brasileiro adotou o sistema da persuasão racional do julgador, ou livre convencimento motivado, conforme se depreende do art. 371 do Código de Processo Civil e do art. 9º do Decreto 70.235/72, sistema segundo o qual "o julgador é livre para decidir segundo seu convencimento, que necessariamente deve estar pautado no conjunto probatório constante dos autos"2. Isto é, muito embora o julgador tenha um certo grau de liberdade de apreciação, ele está vinculado à prova dos autos, sendo que, no caso in concreto, não se convence da tese formulada pelo sujeito passivo, mas sim do acerto do lançamento, não havendo, ainda, que se cogitar de qualquer inversão do ônus da prova em prejuízo da Fazenda Pública, mormente porque ela se dignou de comprovar e de determinar o fato gerador da matéria tributável. 4 Da Súmula 182 do TFR O recorrente afirma que a renda presumida foi tirada única e exclusivamente dos seus extratos bancários, o que atrairia a aplicação da Súmula TRF 182. Pois bem. De acordo com o aludido verbete sumular, "é ilegítimo o lançamento do Imposto de Renda arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários". Todavia, e em primeiro lugar, o lançamento não foi embasado apenas em extratos, conforme se depreende do anexo "FLUXOS DE CAIXA" de fls. 800 e seguintes. Ademais, e em segundo lugar, o colendo Superior Tribunal de Justiça já superou o óbice retratado na Súmula encimada, mormente após a vigência da Lei 8.021/90, que se constitui no fundamento do presente lançamento. Vejase: 2 FERRAGUT, Maria Rita. As provas e o direito tributário: teoria e prática como instrumentos para a construção da verdade jurídica. São Paulo: Saraiva, 2016, p. 91. Fl. 4727DF CARF MF Processo nº 10166.005397/9388 Acórdão n.º 2402005.841 S2C4T2 Fl. 6 9 TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO NÃO ANTECIPADO PELO CONTRIBUINTE. INCIDÊNCIA DO ART. 173, I, DO CTN. IMPOSTO DE RENDA. ARBITRAMENTO. DEPÓSITOS E EXTRATOS BANCÁRIOS. SÚMULA 182/TFR. REEXAME. SÚMULA 7/STJ. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO DO TRIBUTO. MULTA MORATÓRIA. INCIDÊNCIA DO ART. 44, I E II, DA LEI N. 9.430/96. ACÓRDÃO RECORRIDO EM SINTONIA COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. VIOLAÇÃO DE DISPOSITIVOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE DE EXAME. [...] 4. A jurisprudência desta Corte inaugurou novo entendimento no sentido da inaplicabilidade da Súmula 182/TFR (''é ilegítimo o lançamento do imposto de renda arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários''), e da possibilidade de autuação do Fisco com base em demonstrativos de movimentação bancária, em decorrência da aplicação imediata da Lei n. 8.021/90 e Lei Complementar n. 105/2001, como exceção ao princípio da irretroatividade tributária. [...] (EDcl no AgRg no REsp 1343926/PR, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 04/12/2012, DJe 13/12/2012) ......................................................................................................... TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. AUTUAÇÃO COM BASE APENAS EM DEMONSTRATIVOS DE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA LC 105/01. INAPLICABILIDADE DA SÚMULA 182/TFR. [...] 10. A súmula 182 do extinto TFR, diante do novel quadro legislativo, tornouse inoperante, sendo certo que, in casu: "houve processo administrativo, no qual a Autora apresentou a sua defesa, a impugnar o lançamento do IR lastreado na sua movimentação bancária, em valores aproximados a 1 milhão e meio de dólares (fls. 43/4). Segundo informe do relatório fiscal (fls. 40), a Autora recebeu numerário do Exterior, em conta CC5 , em cheques nominativos e administrativos, supostamente oriundos de “um amigo estrangeiro residente no Líbano” (fls. 40). Na justificativa do Fisco (fls. 51), que manteve o lançamento, a tributação teve a sua causa eficiente assim descrita, verbis: “Inicialmente, devese chamar a atenção para o fato de que os depósitos bancários em questão estão perfeitamente identificados, conforme cópias dos cheques de fls. 15/30, não havendo qualquer controvérsia a respeito da autenticidade dos mesmos. Além disso, devese observar que o objeto da tributação não são os depósitos bancários em si, mas a Fl. 4728DF CARF MF 10 omissão de rendimentos representada e exteriorizada por eles." 3. Recurso especial provido. (REsp 792.812/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 13/03/2007, DJ 02/04/2007, p. 242) Logo, a decisão a quo deve ser mantida neste ponto. 5 Da custódia policial de US$ 304.000,00 O recorrente assevera que não se poderia querer tributar todos os valores sequestrados em moeda estrangeira, pois os mesmos representariam um decréscimo patrimonial. Ocorre que o sujeito passivo não nega ter auferido tal valor. Expressandose de outra forma, o contribuinte não infirma que realizou a ação que se constitui como núcleo ou materialidade do fato gerador do imposto de renda (aquisição de renda), limitando sua insurgência em evento posterior à realização do citado fato jurídico (a indisponibilidade decorrente da custódia policial). Ora, é indubitável que, no caso concreto, o destino da renda não altera em nada a realização do fato gerador. Vale dizer, o posterior decréscimo patrimonial não afasta a possibilidade de tributação, pouco importando se tal decréscimo tenha ocorrido como resultado de operação policial ou mesmo de qualquer ato volitivo do contribuinte. A obrigação de pagar tributo nasce com a realização do fato gerador, conceituado pelo Código Tributário Nacional como a situação definida em lei como necessária e suficiente à ocorrência da citada obrigação (art. 114). De forma extremamente didática, o ilustre professor Luciano Amaro decompõe o fato gerador em elementos3, o que pode ser sintetizado da seguinte forma: · elemento material: ação ou situação que se identifica como núcleo ou materialidade do fato gerador (ex.: aquisição de renda, importação de mercadorias, propriedade de imóvel urbano, propriedade de veículo automotor); · elemento subjetivo: se desdobra no sujeito ativo (credor da obrigação) e passivo (o devedor), cuja identificação geralmente é feita em função do aspecto material, mormente porque o sujeito passivo realiza a ação ou espelha a situação prevista legalmente; · elemento valorizador ou quantitativo: base de cálculo (medida legal de grandeza do fato gerador) e alíquota (usualmente representada por um percentual); · elemento espacial: o fato gerador do tributo é um acontecimento que ocorre em algum lugar (ex.: em território nacional, no Estado do Paraná); 3 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 14. ed. rev. São Paulo: Saraiva, 2008, p. 263267. Fl. 4729DF CARF MF Processo nº 10166.005397/9388 Acórdão n.º 2402005.841 S2C4T2 Fl. 7 11 · elemento temporal: o fato ocorre no tempo, o que é relevante para determinação da lei aplicável, dos prazos de recolhimentos, ou exercício de direitos, etc. Neste caso concreto, é incontroverso e está documentalmente comprovado que o recorrente (sujeito passivo) adquiriu a renda (ação que se identifica como núcleo do fato gerador do imposto de renda) em tempo e espaço determinados, de tal forma que ele deve à União (sujeito ativo) o imposto correspondente a tal renda, tendo sido identificados, portanto, todos os elementos do fato gerador da obrigação de pagar tributo. Se em momento subsequente ele veio a ter a indisponibilidade da riqueza anteriormente adquirida, é óbvio que não houve qualquer repercussão nos elementos do fato gerador, subsistindo, assim, o dever de pagar o tributo. Tal conclusão, a propósito, demonstra a possibilidade de julgamento do presente processo administrativo, independentemente da Medida Cautelar de Sequestro aludida no relatório desta decisão, o que se reforça, ainda, pela independência das esferas administrativa, cível e penal4. 6 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido CONHECER PARCIALMENTE do recurso voluntário, para, na parte conhecida, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci 4 STJ, REsp 1386018/RS, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 24/09/2013, DJe 01/10/2013. Fl. 4730DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18336.001539/2005-72
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 26/10/2000
IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. PREFERÊNCIA TARIFÁRIA PREVISTA
EM ACORDO INTERNACIONAL. CERTIFICADO DE ORIGEM.
A preferência tarifária deve ser aplicada ainda quando houver a interveniência de terceiro de país não signatária do Acordo Internacional, desde que haja comprovação que a mercadoria objeto seja proveniente de país signatário do Acordo Internacional.
No caso vertente, constatou-se que os documentos emitidos demonstraram a correspondência, mantendo a rastreabilidade das operações, permitindo, de per si, identificar a origem da mercadoria. O que resta considerar como atendidas todas as condições estabelecidas pela legislação vigente e, por efeito, aplicar a preferência tarifária.
Numero da decisão: 9303-005.000
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Júlio César Alves Ramos, Andrada Márcio Canuto Natal e Charles Mayer de Castro Souza, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor quanto ao conhecimento o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama - Relatora
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 26/10/2000 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. PREFERÊNCIA TARIFÁRIA PREVISTA EM ACORDO INTERNACIONAL. CERTIFICADO DE ORIGEM. A preferência tarifária deve ser aplicada ainda quando houver a interveniência de terceiro de país não signatária do Acordo Internacional, desde que haja comprovação que a mercadoria objeto seja proveniente de país signatário do Acordo Internacional. No caso vertente, constatou-se que os documentos emitidos demonstraram a correspondência, mantendo a rastreabilidade das operações, permitindo, de per si, identificar a origem da mercadoria. O que resta considerar como atendidas todas as condições estabelecidas pela legislação vigente e, por efeito, aplicar a preferência tarifária.
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PREFERÊNCIA TARIFÁRIA PREVISTA EM ACORDO INTERNACIONAL. CERTIFICADO DE ORIGEM. A preferência tarifária deve ser aplicada ainda quando houver a interveniência de terceiro de país não signatária do Acordo Internacional, desde que haja comprovação que a mercadoria objeto seja proveniente de país signatário do Acordo Internacional. No caso vertente, constatouse que os documentos emitidos demonstraram a correspondência, mantendo a rastreabilidade das operações, permitindo, de per si, identificar a origem da mercadoria. O que resta considerar como atendidas todas as condições estabelecidas pela legislação vigente e, por efeito, aplicar a preferência tarifária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Júlio César Alves Ramos, Andrada Márcio Canuto Natal e Charles Mayer de Castro Souza, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor quanto ao conhecimento o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 33 6. 00 15 39 /2 00 5- 72 Fl. 323DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3201002.054, da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário, consignando acórdão com a seguinte ementa (Grifos meus): “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 26/10/2000 ALADI. PREFERÊNCIA TARIFÁRIA. CERTIFICADO DE ORIGEM E FATURAS COMERCIAIS. INTERMEDIAÇÃO. PAÍS NÃO SIGNATÁRIO. Apresentadas as razões de fato e de direito que justifiquem eventual erro formal na divergência entre o certificado de origem e a fatura comercial, e demonstrado que o erro não prejudicou a verificação da certificação de origem, deve ser mantida o regime de preferência e redução tarifária previsto no âmbito do Acordo da ALADI. Constam dos autos todas as faturas (originária e do interveniente) o BL e o Certificado de Origem, todos ligados entre si. Recurso a que se dá provimento.” Fl. 324DF CARF MF Processo nº 18336.001539/200572 Acórdão n.º 9303005.000 CSRFT3 Fl. 317 3 Insatisfeita com a decisão, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, trazendo, entre outros, que: · Embora o Certificado de Origem traga explicitamente indicado como País exportador a Venezuela, fazendo referência expressa à fatura comercial de nºs 1214230, que teria sido emitida naquele país, ressalta o autuante que a fatura que de fato instruiu a DI, foi a Pfico PIFSB 1189/00, emitida pela empresa PETROBRAS INTERNATIONAL FINANCE COMPANY Pifco, localizada nas Ilhas Cayman, estando referida empresa qualificada na declaração de importação em apreço como exportadora; · Independentemente de qualquer apreciação quanto à legalidade da operação realizada pela contribuinte, para efeito de fruição da redução tarifária prevista no Acordo da ALADI, constatase que há uma divergência documental relevante, uma vez que o certificado de origem traz informação discrepante com relação à fatura comercial apresentada e, por conseguinte, quanto ao país exportador da mercadoria, declarado na DI. · Com efeito, a certificação da origem é feita em função da fatura comercial que acoberta determinada partida de mercadoria, objeto de tratamento Tributário diferenciado por força de acordo internacional. Tanto assim, que o formuláriopadrão adotado para formalizar a mencionada certificação possui um campo próprio destinado a informação expressa do número da fatura a que se relaciona. Assim, o Certificado de Origem apresentado ampara exclusivamente a quantidade de mercadoria coberta pela fatura comercial nele indicada. · Cabe destacar que a finalidade única do Certificado de Origem é a de assegurar, por meio de uma declaração padrão, que as mercadorias objeto de intercâmbio, beneficiadas com os tratamentos preferenciais negociados, são efetivamente originárias e procedentes do país declarante, e que cumprem, obrigatoriamente, com os requisitos fixados entre as partes; Fl. 325DF CARF MF 4 · Assim, para fruição do tratamento tarifário previsto é necessário que tal declaração acompanhe a documentação de exportação, quando de sua apreciação para fins de desembaraço aduaneiro. Em Despacho às fls. 253 a 255, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Contrarrazões ao Recurso Especial da Fazenda Nacional foram apresentadas pelo sujeito passivo que, trouxe, entre outros: · Que não há divergência necessária à admissibilidade do recurso especial, eis que a concessão ou não do benefício nos autos dos pretensos acórdãos indicados como paradigmas foi essencialmente influenciada pela insuficiência de provas; · A triangulação comercial é prática internacional comum adotada por razões comerciais de alongamento de prazo para pagamento e ampliação de fontes de captação de recursos; · No ordenamento jurídico brasileiro, o Certificado de Origem é documento suficiente para a comprovação da origem da mercadoria importada de país integrante da ALADI – para fins de tratamento tributário favorecido; · Restou incontroverso que a mercadoria importada foi expedida diretamente da Venezuela para o Brasil. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que o recurso não deva ser conhecido, vez que não foi demonstrada a divergência jurisprudencial nos termos do art. 67 do RICARF/2015. Fl. 326DF CARF MF Processo nº 18336.001539/200572 Acórdão n.º 9303005.000 CSRFT3 Fl. 318 5 Ora, no acórdão recorrido foi consignada a seguinte ementa (Grifos meus): “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 26/10/2000 ALADI. PREFERÊNCIA TARIFÁRIA. CERTIFICADO DE ORIGEM E FATURAS COMERCIAIS. INTERMEDIAÇÃO. PAÍS NÃO SIGNATÁRIO. Apresentadas as razões de fato e de direito que justifiquem eventual erro formal na divergência entre o certificado de origem e a fatura comercial, e demonstrado que o erro não prejudicou a verificação da certificação de origem, deve ser mantida o regime de preferência e redução tarifária previsto no âmbito do Acordo da ALADI. Constam dos autos todas as faturas (originária e do interveniente) o BL e o Certificado de Origem, todos ligados entre si. Recurso a que se dá provimento.” Ademais, consta do voto desse acórdão (Grifos meus): “[...] Registrese que o Certificado de Origem (efl. 21) indica como País exportador a Venezuela, fazendo referência expressa à mercadoria acobertada (querosene de aviação) pela fatura comercial de nº 1214230, que teria sido emitida naquele país. A fatura apresentada pelo importador, como documento de instrução da DI, foi a Pifco – fatura nº PIFSB1189/2000, anexada à efl. 22 emitida pela empresa PETROBRAS INTERNATIONAL FINANCE COMPANY PIFCO, localizada nas Ilhas Cayman, país não signatário do ACE 39, estando referida empresa qualificada na respectiva DI como exportadora. Constam dos autos todas as faturas (originária e do interveniente) o BL e o Certificado de Origem, todos ligados entre si. No caso concreto, verificase que a Recorrente justificou, em sua defesa, a operação de triangulação comercial, na qual interpõe Fl. 327DF CARF MF 6 entre si e a PDVSA Petroleo y Gás, S.A. (PDVSA), a Petrobrás International Finance Company (Pifco), sendo essa a razão pela qual as invoices mencionadas no certificado de origem eram emitida pela PDVSA contra a Pifco, e não contra a Recorrente. A Pifco figurava como agente pagador da Recorrente, mas o destino das mercadorias sempre foi o Brasil, uma vez que a recorrente era a destinatária do querosene de aviação adquirido na Venezuela. Argumenta a recorrente que essa triangulação comercial é uma operação realizada rotineiramente por vários atores do comércio internacional, não havendo qualquer ilegalidade na referida prática. A questão que se põe, é se deve se sobrepor a verdade material quanto à origem da mercadoria importada, uma vez que esta não foi questionada, tendo sido negado o benefício da preferência tarifária, tendo em vista que o número da fatura comercial (1214230) indicado no campo reservado à declaração de origem diverge da fatura comercial que instruiu a DI, logo, às alegações fáticas da recorrente, e sendo o único fundamento para o lançamento a constatação de erros formais em certificado de origem decorrente da triangulação comercial por ela realizada, ou seja, divergência entre o certificado de origem e a fatura comercial, e demonstrado que o erro não prejudicou a verificação da certificação de origem, deve ser mantida o regime de preferência e redução tarifária previsto no Acordo no âmbito da ALADI;dessa maneira, não há como prosperar o lançamento ora combatido.” Em síntese, vêse que resta claro que, no presente caso, prevaleceu a busca pela verdade material em relação ao apontamento da divergência entre o certificado de origem e a fatura comercial, eis que foi considerado pelo Colegiado que a indicação dessa divergência não prejudicou a verificação da certificação de origem e a procedência da mercadoria. O que conclui aquele Colegiado pela manutenção do regime de preferência e redução tarifária previsto no Acordo no âmbito da ALADI. Fl. 328DF CARF MF Processo nº 18336.001539/200572 Acórdão n.º 9303005.000 CSRFT3 Fl. 319 7 No acórdão indicado como paradigma – 9303003.102, temse que O Colegiado afastou a preferência tarifária, conforme voto do relator: “[...] As importações efetuadas ao abrigo do benefício de redução tarifária entre os países membros da Aladi para gozarem do favor fiscal devem preencher todos os requisitos estabelecidos no respectivo acordo firmado pelos membros dessa Associação. Dentre esses requisitos apresentase como essencial a comprovação da origem da mercadoria, que, nas importações realizadas no âmbito da Aladi, a comprovação dessa origem dáse, exclusivamente, por meio do certificado de origem. Por conseguinte, O Fisco só pode reconhecer o direito ao favor fiscal quando a importação for realizada ao amparo de toda a documentação exigida. Sendo que o ônus probatório da regularização documental compete ao importador. Assim, a apresentação da documentação exigida, dentre esta o certificado de origem que ampare a mercadoria submetida a despacho, é pressuposto de validade do regime de tributação utilizado pelo importador. [...] Todavia as disposições acima não se aplicam à espécie dos autos, posto que, da documentação carreada aos autos, não se verifica a participação de um operador, nos moldes previstos na Resolução acima transcrita. A uma porque a falta de vinculação entre o certificado de origem e a fatura comercial ilide a prova da intermediação de um operador de terceiro país. A única evidência extraída da documentação juntada pela autuada é de que houve participação de sociedade empresária situada nas Ilhas Cayman, que fatura e exporta para o Brasil mercadoria, para a qual se pretende aplicar preferências tarifárias pactuadas entre este e a Venezuela, com base nos acordos firmados no âmbito da ALADI. A duas porque a alegada operação triangular não foi respaldada Fl. 329DF CARF MF 8 pelo certificado de origem, para efeito de gozo da redução tarifária, como exige a legislação.” Sendo assim, nesse caso, vêse claro que não há divergência entre os arestos, eis que se entendeu o Colegiado do acórdão paradigma que: · A apresentação da documentação exigida, dentre esta, o certificado de origem que ampare a mercadoria submetida a despacho, é pressuposto de validade do regime de tributação utilizado pelo importador; · A operação triangular não foi respaldada pelo Certificado de Origem, para efeito de gozo da redução tarifária, como exige a legislação Ou seja, da mesma forma que o acórdão recorrido que entendeu que os documentos comprobatórios atestando a origem da mercadoria é essencial, tanto que após análise dos documentos comprobatórios, considerou a aplicação da redução tarifária. Em vista de todo o exposto, por considerar que se tratam de entendimentos consonantes, entendo que não há que se conhecer do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Caso essa conselheira seja vencida quanto ao não conhecimento do Recurso Especial da Fazenda, passo a analisar o cerne da discussão – – qual seja, se, no caso vertente, devese ou não aplicar a preferência tarifária percentual. Contrarrazões devem ser consideradas, vez que tempestivas. Vêse que tal discussão se resume se a preferência tarifária deve ou não ser aplicada quando houver a interveniência de terceiro de país não signatária do Acordo Internacional ou se, independentemente da r. interveniência, deve ser adotada se a mercadoria for remetida diretamente do país produtor – Venezuela, no presente caso para o Brasil. Em relação à essa discussão e depreendendose da análise dos documentos comprobatórios acostados nos autos desse processo, entendo que assiste Fl. 330DF CARF MF Processo nº 18336.001539/200572 Acórdão n.º 9303005.000 CSRFT3 Fl. 320 9 razão ao sujeito passivo. O que, por conseguinte, devese manter a decisão do acórdão recorrido. Ora, a preferência tarifária é dada pelo Acordo Internacional firmado entre os países signatários – permitindo a fruição da preferência a atos comerciais quando as mercadorias objeto da comercialização forem originárias dos países signatários. Tal Acordo, inclusive, permite a intermediação, desde que seja preservada a integridade da mercadoria. Tanto é assim que foi efetivamente prevista hipóteses de exceções no art. 4º, da Resolução ALADI/CR 78 – Regime Geral de Origem (RGO), aprovada pelo Decreto 98.836/90, in verbis: “CUARTO.Para que las mercancias originarias se beneficien de los tratamientos preferenciales, las mismas deben haber sido expedidas directamente del país exportador al país importador. Para tales efectos, se considera como expedición directa: a) Las mercancias transportadas sin pasar por el território de algún país no participante del acuerdo. b) Las mercancias transportadas en tránsito por uno o más países no participantes, com o sin transbordo o almacenamiento temporal, bajo la vigilancia de la autoridade aduanera competente em tales países, siempre que: i) el tránsito esté justificado por razones geográficas o por consideraciones relativas a requerimientos del transporte; ii) no estén destinadas al comercio, uso o empleo en el país de tránsito; y iii) no sufran, durante su transporte y depósito, ninguna operación distinta a la carga y descarga o manipuleo para mantenerlas en buenas condiciones o assegurar su conservación.” (Art. 40, “b”, (ii) da Resolução ALADI nº 78 – Regime Geral de Origem da Aladi) “Quarto – Para que as mercadorias originárias se beneficiem dos tratamentos preferenciais, as mesmas devem ter Fl. 331DF CARF MF 10 sido expedidas diretamente do país exportador para o país importador. Para esses efeitos, considerase como expedição direta: a) As mercadorias transportadas sem passar pelo território de algum país não participante do acordo. b) As mercadorias transportadas em trânsito por um ou mais países não participantes com ou sem transbordo ou armanezamento temporário, sob a vigilância da autoridade aduaneira competente nesses países, desde que: (i) o Trânsito esteja justificado por motivos geográficos ou por considerações referentes a requerimentos de transporte; (ii) não estejam destinadas ao comércio, uso ou emprego no país de trânsito; e (iii) não sofram durante seu transporte e depósito, qualquer operação diferente da carga e descarga ou manuseio para mantêlas em boas condições ou assegurar sua conservação.” Tal dispositivo traz que se deve manter a preferência tarifária, quando preservada a origem da mercadoria importada, ou, quando menos, seja possível comprovar tal preservação de origem. Ademais, cabe trazer que pelos documentos analisados, embora tivesse ocorrido a triangulação comercial, as mercadorias foram transportadas diretamente da Venezuela para o Brasil. E a mercadoria foi originada da Venezuela, conforme atesta o Certificado de Origem emitido pelo país produtor da mercadoria juntamente com a fatura emitida no país interveniente, conhecimento de embarque, acostados aos autos. O que, por conseguinte, não resta dúvida de que as mercadorias eram, procedentes da Venezuela e que, por óbvio, foram atendidos os requisitos para que a importadora se beneficiasse do tratamento preferencial. Fl. 332DF CARF MF Processo nº 18336.001539/200572 Acórdão n.º 9303005.000 CSRFT3 Fl. 321 11 Vêse que, no que tange à aceitação dos documentos comprobatórios apresentados pelo sujeito passivo, a própria Receita Federal do Brasil traz orientação em seu site http://idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/aduaneira/manuais/despachode importacao/topicos1/despachodeimportacao/documentosinstrutivosdo despacho/outrosdocumentos (Grifos meus): “Na importação de mercadoria que goze de tratamento tributário favorecido em razão de sua origem, sua comprovação será feita por qualquer meio julgado idôneo, em conformidade com o estabelecido no correspondente acordo internacional (art. 563 do Regulamento Aduaneiro). Assim, quando solicitada aplicação de preferência tarifária, os despachos de mercadorias originárias de países signatários destes acordos devem ser instruídos com Certificados de Origem, emitidos por entidade competente.” Ou seja, de que a comprovação da origem da mercadoria deve ser feita por qualquer documento idôneo. O que é o caso, haja vista que a própria autoridade fazendária não contesta sua não veracidade/oficialidade. Essa orientação está em consonância com o art. 434 do Regulamento Aduaneiro aplicável à época (Decreto 91.030/85), in verbis: “Art. 434. No caso de mercadoria que goze de tratamento tributário favorecido em razão de sua origem, a comprovação desta será feita por qualquer meio julgado idôneo. Parágrafo único – Tratandose de mercadoria importada de País Membro da Associação LatinoAmericana de Integração – ALADI, quando solicitada a aplicação de reduções tarifárias negociadas pelo Brasil, a comprovação constará de certificado de origem emitido por entidade competente, de acordo com modelo aprovado pela citada Associação.” Fl. 333DF CARF MF 12 O que, por conseguinte, é de se entender que não se deve descaracterizar as operações realizadas sob o pálio do tratamento tributário favorecido. E forçoso entender, assim, que as operações não atenderam ao disposto no art. 4º, letra “a”, da Resolução nº 78. Cabe, assim, concluir que os documentos emitidos e devidamente apresentados demonstram a correspondência da mercadoria e mantêm a rastreabilidade, permitindo identificar sem qualquer dúvida a origem da mercadoria. Pressuposto essencial para a aplicação da preferência tarifária. O fato de os produtos terem sido faturados em país que não é membro da ALADI, não desnatura o conceito de origem para fins de fruição do tratamento preferencial, pois o que importa é que o Certificado de Origem tenha sido emitido pelo país membro efetivo da ALADI Venezuela. E a carga veio diretamente para o país. Não tendo sido registrada a primeira compra e a revenda somente porque o sistema SISCOMEX impede tais registros. No que tange à operação triangular, vêse ainda que a Resolução 232, promulgada pelo Decreto 2.865/98, passou expressamente a admitila. E a Resolução 252 manteve o mesmo regramento explícito em seu art. 9º, in verbis: “Nono – Quando a mercadoria objeto de intercâmbio for faturada por um operador de um terceiro país, membro ou não da Associação, o produtor ou exportador do país de origem deverá indicar no formulário respectivo, no campo relativo a “observações”, que a mercadoria objeto de sua Declaração será faturada de um terceiro país, identificando o nome, denominação ou razão social e domicílio do operador que, em definitivo, será o que fature a operação a destino. Na situação a que se refere o parágrafo anterior e, excepcionalmente, se no momento de expedir o certificado de origem não se conhecer o número da fatura comercial emitida por um operador de um terceiro país, o campo correspondente do certificado não deverá ser preenchido. Nesse caso, o importador apresentará à administração aduaneira correspondente uma declaração juramentada que justifique o fato, onde deverá indicar, Fl. 334DF CARF MF Processo nº 18336.001539/200572 Acórdão n.º 9303005.000 CSRFT3 Fl. 322 13 pelo menos, os números e datas da fatura comercial e do certificado de origem que amparam a operação de importação.” Em vista de todo o exposto, considerando que todas as condições estabelecidas na legislação vigente foram observadas pelo sujeito passivo, visto a comprovação da origem das mercadorias. É fato incontroverso que Certificado de Origem indica como País exportador a Venezuela, fazendo referência expressa à mercadoria acobertada (querosene de aviação) pela fatura comercial de nº 1214230, que teria sido emitida naquele país. A fatura apresentada pelo importador, como documento de instrução da DI, foi a Pifco – fatura nº PIFSB1189/2000, anexada à emitida pela empresa PETROBRAS INTERNATIONAL FINANCE COMPANY PIFCO, localizada nas Ilhas Cayman, país não signatário do ACE 39, estando referida empresa qualificada na respectiva DI como exportadora. É de se trazer que constam dos autos todas as faturas (originária e do interveniente) o BL e o Certificado de Origem, todos ligados entre si. E, no que tange à descrição, cabe insurgir com o art. 1º do Acordo 91 do Comitê de Representantes da ALADI (Grifos meus): “Primeiro – A descrição dos produtos incluídos na Declaração que acredita o cumprimento dos requisitos de origem estabelecidos pelas disposições em vigor deverá coincidir com a que corresponde ao produto negociado, classificado de conformidade com a NALADI, e com a constante na fatura comercial que acompanha os documentos apresentados para seu despacho aduaneiro.” Tal dispositivo é claro ao trazer que a descrição dos produtos deverá coincidir com o produto negociado e com a fatura comercial que acompanha os documentos apresentados – o que é o caso. Fl. 335DF CARF MF 14 Proveitoso ainda mencionar que tal entendimento está consoante às decisões judiciais emanadas sobre o assunto. Frisese a jurisprudência exarada pelo TRF 1 (Grifos meus): PROCESSUAL CIVIL – TRIBUTÁRIO – AGRAVO REGIMENTAL – LIMINAR/TUTELA ANTECIPADA – IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO – REDUÇÃO DA TARIFA EM RAZÃO DE ACORDO ENTRE PAÍSES MEMBROS DA ALADI – BENS COM ORIGEM E DESTINADOS A PAÍSES INTEGRANTES DA ALADI – TRIANGULAÇÃO VIRTUAL COM PAÍS NÃO MEMBRO – BENEFÍCIO FISCAL GARANTIDO – PRECEDENTES. 1. In casu, é perfeitamente aplicável o disposto no art. 557, § 1ºA, do CPC, em face da manifesta sintonia da decisão agravada com a jurisprudência dominante neste eg. Tribunal e no colendo Superior Tribunal de Justiça. 2. Nessa perspectiva, "O art. 557, § 1ºA, do CPC, conferindo ao relator competência para dar provimento monocraticamente ao agravo, sem que isso signifique afronta ao princípio do contraditório, da ampla defesa, e/ou violação de normas legais, porque atende à agilidade da prestação jurisdicional, não se limita aos casos de prévia jurisprudência dominante ou súmulas das Cortes Superiores". (AGTAG 006897242.2009.4.01.0000/DF; Desembargador Federal Luciano Tolentino Amaral, Sétima Turma, Decisao de 23/02/2010, Publicado no eDJF1 de 12/03/2010, p. 465). 3. No caso vertente, o Juiz oficiante, ao justificar sua decisão, esclareceu que: "(...) encontramse nos autos cópias dos Conhecimentos de Transporte (Bills of Lading), que comprovam que os produtos foram embarcados da Venezuela e transportados diretamente para o Brasil." Com efeito, "Havendo"Certificado de Origen","Bill of Landing"e"Invoice"provando que o combustível importado é de origem venezuelana (país integrante da ALADI), despachado desse país diretamente para o Brasil (também integrante da ALADI), autorizase, em princípio, a redução da tarifa do Imposto sobre Importação , nos termos do Acordo de Fl. 336DF CARF MF Processo nº 18336.001539/200572 Acórdão n.º 9303005.000 CSRFT3 Fl. 323 15 Complementação Econômica n.º 39 (ratificado pelo Decreto 3.138, de 16 AGO 1999)". (AG 006762940.2011.4.01.0000 / PA, Rel. DESEMBARGADOR FEDERAL LUCIANO TOLENTINO AMARAL, SÉTIMA TURMA, eDJF1 p.1087 de 21/09/2012).” E, nesse sentido, a jurisprudência exarada pelo TRF5 (Grifos meus): “EMENTA TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS À EXECUÇÃO. IMPOSTO DE IMPORTACAO. APRESENTAÇÃO DO CERTIFICADO DE ORIGEM. DOCUMENTO TIDO COMO INDISPENSÁVEL PELA NORMA FISCAL PARA CONCESSÃO DE BENEFÍCIO DE REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. RECONHECIMENTO DO TRATAMENTO DIFERENCIADO PELO DESPACHO ADUANEIRO. REVISÃO DO LANÇAMENTO POSTERIOR CALCADA EM FORMALIDADE EXARCEBADA SEM PREVISÃO EM LEI. IMPOSSIBILIDADE. 1. Embargos à execução visando afastar a cobrança de débito fiscal constituído por auto de infração lavrado com base no indeferimento da redução da alíquota do Imposto de Importação em 28% (vinte e oito por cento), incidente sobre produto originário da Colômbia em razão de benefício previsto nas regras inerentes à Associação LatinoAmericana de Integração ALADI. A Alfândega, num primeiro momento, examinou a documentação apresentada na Declaração de Importação, considerandoa hábil ao desembaraço aduaneiro com a redução da alíquota pretendida, o que resultou na liberação da mercadoria sem nenhuma questinamento. Depois, a Autoridade Fiscal procedeu à revisão do lançamento, com fundamento no art. 149, IV, do Código Tributário Nacional, considerando que o despacho de importação não se encontrava instruído com documento necessário, na espécie o original do Certificado de Origem. Fl. 337DF CARF MF 16 2. O Certificado de Origem é documento essencial à obtenção de tratamento fiscal diferenciado na importação, nos termos pretendido pelo ora apelante. 3. O art. 434 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 91.030/85, o qual vigia a época da importação, estabelece que a comprovação da origem da mercadoria "será feita por qualquer meio julgado idôneo". O Auditor que revisou o lançamento não afirma que o documento apresentado é inverossível e nem indica qualquer vício que possa afastar a indoneidade do Certificado de Origem apresentado, mas apenas se apegou em mera formalidade exacerbada de que não constava o original do documento, exigência essa que, aliás, não tem previsão expressa na legislação que rege a matéria. 4. Não é razoável a exigência feita pela Autoridade Fiscal para conceder o tratamento tributário diferenciado, uma vez que não há nenhuma cogitação de que o bem importado não adveio de país membro da ALADI, nem que o documento é inidôneo ou ainda que não se adequa ao modelo aprovado pela própria Associação. 5. A Alfândega já havia examinado a documentação apresentada na Declaração de Importação, concluindo, na ocasião, que havia preenchido os requisitos para concessão da redução da alíquota do imposto de importacao por ter a mercadoria origem de país membro da ALADI. 6. Se é verdade que o ato a revisão do lançamento goza de presunção relativa de legitimidade e veracidade, também é verdade que o primeiro ato da administração, que, ao proceder ao desembaraço aduaneiro, considerou correta a documentação apresentada, também o goza da mesma presunção. Desse modo, como não é questionado nos autos o fato de a mercadoria ter sido mesmo proveniente de país intergrante da ALADI (Colômbia), o contribuinte não pode ser prejudicado no caso em questão. 7. A Fazenda Nacional poderira ter trazido aos autos elementos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito do autor (art. 333, II, do CPC), mas não o fez. Fl. 338DF CARF MF Processo nº 18336.001539/200572 Acórdão n.º 9303005.000 CSRFT3 Fl. 324 17 8. Inversão do ônus da sucumbência. Honorários de sucumbência arbitrados em R$ 2.000,00, nos termos do art. 20, § 4º, do CPC. 9. Apelação provida. Tal decisão caminha junto com o meu entendimento – qual seja, de que o Regulamento Aduaneiro estabelece que a comprovação da origem da mercadoria "será feita por qualquer meio julgado idôneo". E ainda traz que o Auditor que revisou o lançamento não afirma que o documento apresentado é inverossível e nem indica qualquer vício que possa afastar a idoneidade do Certificado de Origem apresentado, mas apenas se apegou em mera formalidade exacerbada de que não constava o original do documento, exigência essa que, aliás, não tem previsão expressa na legislação que rege a matéria. É de se conferir ainda precedente do STJ (Grifos meus): “RECURSO ESPECIAL Nº 1.331.366 CE (2012/01334579) RELATOR : MINISTRO HERMAN BENJAMIN RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL PROCURADOR : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECORRIDO : PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRAS ADVOGADO : CANDIDO FERREIRA DA CUNHA LOBO E OUTRO(S) DECISÃO Tratase de Recurso Especial (art. 105, III, "a", da CF) interposto contra acórdão do Tribunal Regional Federal da 5ª Região assim ementado: TRIBUTÁRIO E INTERNACIONAL. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. MERCADORIA ORIGINÁRIA DE PAÍS MEMBRO DA ALADI. TRIANGULAÇÃO VIRTUAL COM PAÍS NÃO MEMBRO. BENEFÍCIO FISCAL GARANTIDO. 1 A PETROBRAS PETRÓLEO BRASILEIRO S/A ajuizou a presente ação de rito ordinário contra a UNIÃO (FAZENDA NACIONAL), objetivando a repetição de valores supostamente Fl. 339DF CARF MF 18 recolhidos a maior a título de Imposto de Importação, relativamente a operações de importação de produtos derivados do petróleo de origem venezuelana. Segundo afirma, a antiga SRC Secretaria da Receita Federal desconsiderou a existência do Acordo de Alcance Parcial de Complementação Econômica n 027 (Decreto n. 1381, de 30/01/1995), celebrado entre o Brasil e a Venezuela, ao amparo do disposto no Tratado de Montevidéu 1980 e da Resolução 2 do Conselho de Ministros da Associação Latino Americana de Integração (ALADI), e o Acordo de Preferências Tarifárias Regional n' 04 (PTR04), assinado pelos países membros da ALADI, que reduziram a alíquota do Imposto de Importação para 12% (doze por cento). II O Acordo n 91 do Comitê de Representantes, em sua redação originária, assim como a Resolução n. 78, esta em relação à Venezuela, não vedava a compra de produto de país signatário com interveniência de terceiros, com a finalidade de se fazer a alavancarem financeira da operação de importação, e sem o trânsito efetivo da mercadoria por esse terceiro país. No caso dos autos, os produtos foram comprados pela PETROBRAS na Venezuela, revendidos a empresas subsidiárias (Petrobrás Intemational Finance Company PIFCO e Braspetro Oil Services Co. BRASOIL), localizadas em terceiro pais não integrante da ALADI, no caso Ilhas Cayman, sem que, entretanto, tenha sido efetivamente transitado por este país. III O fato de os produtos terem sido faturados pelas subsidiárias da PETROBRAS nas Ilhas Cayman, país que não é membro da ALADI, não desnatura o conceito de origem para fins de fruição do tratamento preferencial, pois o que importa é que o Certificado de Origem tenha sido emitido pelo país produtor, no caso, a Venezuela, membro efetivo da ALADI. IV Apelação provida. Repetição do indébito garantida, com atualização pela SELIC. Honorários advocatíciosfixados em R$ 2.000, 00 (dois mil reais). Os Embargos de Declaração foram parcialmente acolhidos, rejeitandose a alegação de prescrição. Fl. 340DF CARF MF Processo nº 18336.001539/200572 Acórdão n.º 9303005.000 CSRFT3 Fl. 325 19 A recorrente sustenta, em Recurso Especial, violação do art. 535 do CPC, com base na não apreciação da matéria ventilada nos Embargos de Declaração. Aduz ofensa aos arts. 23, II e §§ 2º, II, e 4º, I, do Decreto 70.235/72 e 195 do DecretoLei 5.884/43. Memorial apresentado pelo recorrido. É o relatório. Decido. Os autos foram recebidos neste Gabinete em 11.10.2014. A irresignação não merece prosperar. O Tribunal de origem, ao decidir a questão, consignou (fls. 636/STJ): No que tange à alegação de prescrição do direito de pleitear a nulidade do lançamento, assim como de requerer a repetição do indébito tributário, verificase que, de fato, o acórdão foi omisso, por se tratar de matéria sobre a qual deveria ter havido manifestação de oficio. A FAZENDA NACIONAL defende que, a PETROBRAS teria sido notificada do lançamento em 12/07/1999, razão pela qual somente poderia ter, ajuizado a ação pleiteando a nulidade do lançamento até 12/07/2004. Sem embargo, a cópia do AR Aviso de Recebimento (fi. 243), ao meu sentir, não é suficiente para comprovar a data da comunicação do lançamento do tributo, porquanto se encontra firmado por recebedor não identificado. Rejeito, pois, a alegação de prescrição da pretensão de anular o ato de lançamento. (Grifei). Extraise do excerto acima transcrito e dos termos do Recurso Especial que o acolhimento da pretensão recursal é obstado pelo disposto na Súmula 7/STJ, porquanto implica reexame dos elementos probatórios de regularidade da notificação. Diante do exposto, nego provimento ao Recurso Especial. Publiquese. Intimemse. Brasília (DF), 1º de abril de 2014. Fl. 341DF CARF MF 20 MINISTRO HERMAN BENJAMIN Relator” Em vista de todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Voto Vencedor Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza Redator Designado Discordamos da il. Relatora. Entendemos que o recurso especial deve ser conhecido. Com efeito, enquanto o acórdão recorrido decidiu que, no caso examinado, a divergência entre o certificado de origem e a fatura comercial não prejudicou a verificação da certificação de origem – daí entendeu aplicável o favor fiscal –, o acórdão recorrido, analisando idêntica operação de triangulação praticada pela mesma contribuinte, chegou a uma conclusão oposta, ou seja, que não era de se aplicar o benefício fiscal. A divergência, portanto, é patente. Ante o exposto, conheço do recurso especial interposto pela Procuradoria. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 342DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.720161/2008-76
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
ARL. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO TEMPESTIVA. DISPENSA DO ADA ATO.DECLARATÓRIO AMBIENTAL.
Incabível a manutenção da glosa da ARL Área de Reserva Legal, por falta de apresentação de ADA Ato Declaratório Ambiental, quando consta a respectiva averbação na matrícula do imóvel efetuada antes da ocorrência do fato gerador.
Numero da decisão: 9202-005.351
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Júnior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2005 ARL. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO TEMPESTIVA. DISPENSA DO ADA ATO.DECLARATÓRIO AMBIENTAL. Incabível a manutenção da glosa da ARL Área de Reserva Legal, por falta de apresentação de ADA Ato Declaratório Ambiental, quando consta a respectiva averbação na matrícula do imóvel efetuada antes da ocorrência do fato gerador.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Júnior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
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ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO TEMPESTIVA. DISPENSA DO ADA ATO.DECLARATÓRIO AMBIENTAL. Incabível a manutenção da glosa da ARL Área de Reserva Legal, por falta de apresentação de ADA Ato Declaratório Ambiental, quando consta a respectiva averbação na matrícula do imóvel efetuada antes da ocorrência do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Júnior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 01 61 /2 00 8- 76 Fl. 331DF CARF MF 2 Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial, fls. 302/311, interposto pela Fazenda Nacional, em face do acórdão nº, 2101002.549 julgado na sessão do dia 6 de março de 2015, pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção, o qual deu provimento em parte ao recurso, para restabelecer a exclusão da tributação sobre a área de Reserva Legal averbada." A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 RESERVA LEGAL CONSTITUÍDA. TERMO DE RESPONSABILIDADE DE AVERBAÇÃO DE RESERVA LEGAL. Reconhecimento de Reserva Legal que tenha sido constituída e averbada com a participação do órgão ambiental na definição/aprovação das áreas. SIPT. PROVA CONTRÁRIA. O direito de prova do VTN informado na DITR é do contribuinte. Caso não exerça esse direito, aplicase o arbitramento, conforme o art.14 da lei Lei nº 9.393/1996. Recurso Voluntário Provido em Parte. Na origem, trata o presente processo de Auto de Infração relativo a ITR, exercício 2005. por intermédio do qual lhe é exigido crédito tributário no montante de R$27.003,37, dos quais R$10.981,00 correspondem a imposto, R$8.235,75 a multa de ofício, e R$7.786,62, a juros de mora calculados até 31/10/2006. juros de mora calculados até 31/10/2006. Diante de tal lançamento, a Contribuinte apresentou impugnação de efls. 40/48, alegando a insubsistência do Auto de Infração. A 1ª Turma da DRJ de Brasília/DF, conforme acórdão nº 0322.385, de efls. 91/100, julgou procedente o lançamento. Intimado de tal decisão, houve a interposição de Recurso Voluntário, efls. 108/117, que foi julgado pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção, na sessão do dia 27 de outubro de 2011, sendo dado parcial provimento ao recurso voluntário Após a decisão que deu parcial provimento ao Recurso Voluntário, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de efls. 134/150, requerendo a reforma do acórdão recorrido para que seja restabelecida a decisão de 1ª instância. Acórdãos ns. 30130.475:e 30236.585, utilizados como paradigmas, apresentam as seguintes ementas: "ÁREA DE RESERVA LEGAL. Fl. 332DF CARF MF Processo nº 10120.720161/200876 Acórdão n.º 9202005.351 CSRFT2 Fl. 332 3 A Área do imóvel definida como de reserva legal so poderá ser considerada isenta se a averbação tiver ocorrido na data da ocorrência do fato gerador do ITR/97, e não em data posterior. Negado provimento por unanimidade". (Acórdão referente ao processo nº 10920.000964/0094) "IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL TTR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. A área de reserva legal somente será considerada para efeito de exclusão tributada e aproveitável do imóvel rural quando devidamente averbada ha margem da inscrição de matricula do referido imóvel , junto ao Registro de Imóveis competente, em data anterior ã da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos da legislação pertinente. Nos casos de ''posse", o Termo de Compromisso de Averbação e Preservação de Florestas, celebrado com órgão ambiental estadual, substitui a averbação daquela Area, nos termos supraindicados, sujeitandose, contudo, ao mesmo limite temporal da referida averbação. JUROS DE MORA CALCULADOS COM BASE NA TAXA REFERENCIAL DO SISTEMA ESPECIAL DE LIQUIDAÇÃO E CUSTÓDIA SELIC. O cálculo dos juros e mora com base na taxa SELIC está expressamente previsto no parágrafo 3Q, do artigo 61, da Lei n 9 9.430, de 1996, sendo que os mesmos incidem sobre todos os créditos tributários vencidos e não pagos. MULTA DE OFÍCIO. 0 art. 44, da Lei n9.430, de 1996, prevê a aplicação de multa de oficio nos casos em que o contribuinte não cumpre a obrigação tributária espontaneamente, tendo a mesma função punitiva. NEGADO PROVIMENTO AO RECURSO PELO VOTO DE QUALIDADE". Conforme despacho de efls. 154/157, o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional foi admitido, para que seja rediscutida a necessidade de prévia averbação no registro de imóveis e de apresentação tempestiva do ADA, para comprovação da área de Reserva Legal. O Contribuinte tomou ciência do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e do despacho de admissibilidade do Recurso Especial, conforme o AR de folhas 165 não apresentou contrarrazões de folhas 167/171 requerendo que seja negado provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. É o relatório. Fl. 333DF CARF MF 4 Voto Conselheira Patrícia da Silva Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade razão pela qual o conheço. Conforme Exame de admissibilidade de efls. 154/157, O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional pretende a rediscussão de uma matéria: (i) a necessidade de prévia averbação no registro de imóveis e de apresentação tempestiva do ADA, para comprovação da área de Reserva Legal. O contribuinte anexou aos autos documentos de processo junto ao IBAMA, datado de 10/05/2002 (anterior ao fato gerador), que trata de AVERBAÇÃO DE RESERVA LEGAL da propriedade Fazenda Bom Jardim, com área de 13.515,00ha Ao analisar o presente caso, a DRJ alegou que: " A área declarada de utilização limitada/reserva legal, integralmente glosada pela autoridade fiscal, além de estar averbada à época do respectivo fato gerador, deveria ter o requerimento tempestivo do Ato Declaratório Ambiental ADA, para fins de exclusão do ITR." Neste mesmo sentido, essa E. CSRF já se manifestou no acórdão 9202 005.124, razão pela qual adoto o posicionamento ali expresso. A questão controvertida diz respeito à exigência da averbação da área de reserva legal a época dos fatos geradores para fins de isenção do ITR. Para se dirimir a controvérsia, é importante destacar, do Imposto Territorial Rural ITR, tributo sujeito ao regime de lançamento por homologação, a sistemática relativa à sua apuração e pagamento, e para isso adoto as razões do acórdão 9202.02146, proferido pela Composição anterior da 2ª Turma da Câmara Superior, da lavra do Conselheiro Elias Sampaio Freire. Para tanto, devemos analisar a legislação aplicável ao tema e para isso transcrevo os trechos que interessam do art. 10 da Lei nº 9.393/96: (...) Como se percebe da leitura do citado artigo, a área de reserva legal é isenta de ITR, e como este é um imposto sujeito a lançamento por homologação o contribuinte deverá declarar a área isenta sem a necessidade de comprovação, sujeito a sanções caso reste comprovada posteriormente a falsidade das declarações. A Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989 (Código Florestal Brasileiro, prevê a obrigatoriedade de averbação da área de Fl. 334DF CARF MF Processo nº 10120.720161/200876 Acórdão n.º 9202005.351 CSRFT2 Fl. 333 5 reserva legal no registro de imóveis competente, nos seguintes termos: (...) Conforme apontado anteriormente, cingese a controvérsia acerca da necessidade de prévia averbação da reserva legal para fins de nãoincidência do Imposto Territorial Rural ITR. Bem como existência de ADA para reconhecimento da área como de preservação permanente. O argumento principal da Fazenda Nacional reside no fato de que para fins de isenção de ITR, a partir do exercício 2001, inclusive este, o ADA deve ser protocolizado no IBAMA no prazo de seis meses, contado do termo final para a entrega da respectiva DITR. Saliento que a partir de 2001, para fins de redução do ITR, a previsão expressa é a de que haja comprovação de que houve a comunicação tempestiva ao órgão de fiscalização ambiental, e que isso ocorra por meio de documentação hábil. Entendo aqui que a documentação hábil engloba um conjunto de documentos possíveis e não apenas o protocolo de ADA. A meu ver não é necessário que a averbação da reserva legal seja realizada antes do fato gerador, pois se a área tinha condições de ser considerada isenta, e o foi posteriormente, é o que importa para consagração do Direito do Contribuinte, em virtude da aplicação da Verdade Material, privilegiada nos Processos Administrativos Federais por força da Lei 9784/99. A área de reserva legal é isenta do ITR, consoante o disposto no art. 10, § 1º, II, "a", da Lei 9.393, de 19 de dezembro de 1996, por isso considero equivocado o condicionamento do reconhecimento do referido benefício à prévia averbação dessa área no Registro de Imóveis, posto que a averbação na matrícula do imóvel não é ato constitutivo do direito de isenção, mas meramente declaratório ante a proteção legal que tal área recebe. A averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel feita após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR, ante a proteção legal estabelecida pelo artigo 16 da Lei nº 4.771/1965. Do mesmo modo, que no tocante a comprovação da existência da área de utilização limitada para fins de APP, a meu ver não é necessária única e exclusivamente por meio de ADA, pois adoto o entendimento de que existem outros documentos hábeis a esta comprovação. Isso é quanto ao direito. Passo agora a análise das provas. No caso dos autos, observo que o contribuinte apresenta ADA datado de 20.12.2005 e Laudo Técnico de dezembro de 2005, os Fl. 335DF CARF MF 6 quais considero como documento hábil para comprovação legal exigida em lei, mesmo para o exercício de 2002. Quanto a APP, saliento que no meu entendimento pessoal para configuração da área de preservação ambiental não é obrigatório que a comprovação da natureza da área se dê por meio da exibição de ADA, podendo esta ser feita por qualquer meio de prova. Contudo saliento aqui que a maioria do colegiado entende diferente, devendo para comprovação de APP o ADA ser anterior ao inicio da ação fiscal 26.05.2006 e para comprovação da área de reserva legal, que a averbação da área antes da data do fato gerador supre a inexistência do ADA. Assim entendo deva ser mantido o acórdão recorrido, pois a averbação da área de reserva legal antes do fato gerador supre a ausência de ADA para área de reserva legal, quanto a APP o ADA anterior ao inicio da ação fiscal pode ser aceito como documento hábil, servindo como comunicação a autoridade florestal ou ambiental. Diante de todo exposto nego provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 336DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.902739/2010-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 1999
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações.
Numero da decisão: 1301-002.304
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
[assinado digitalmente]
Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício: 1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 27 39 /2 01 0- 95 Fl. 230DF CARF MF Processo nº 16327.902739/201095 Acórdão n.º 1301002.304 S1C3T1 Fl. 3 2 BANCO VOLKSWAGEN S.A., já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP, que indeferiu os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da DEINF/SP. Trata a lide de Pedido de Restituição (PER/DCOMP), no qual o alegado direito creditório é decorrente de pagamento indevido ou a maior da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Posteriormente, o contribuinte usou esse alegado direito creditório para a compensação com débito de sua titularidade, mediante a Declaração Eletrônica de Compensação (PER/DCOMP), transmitida em 2008. Consta dos autos intimação, informando ao contribuinte que o DARF por ele especificado não teria sido localizado nos sistemas da RFB e instandoo à regularização. Não consta do processo qualquer resposta ou providência do contribuinte. A unidade administrativa que primeiro analisou os pedidos formulados pela empresa (DEINF/SP) negou homologação à compensação. O motivo foi a não localização do DARF nos sistemas da RFB, mesmo após a intimação acima referida. Em sua manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório, a interessada, inicialmente, junta comprovante de arrecadação obtido no sítio eletrônico da Receita Federal. Na sequência, esclarece: Esse recolhimento foi indevidamente efetuado pelo Recorrente, uma vez que ele dispunha de decisão judicial definitiva, proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 89.00112058, que o exonerava do recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, no período de 1988 a 09/1997 (data do trânsito em julgado da decisão judicial). Nem se alegue que o pagamento foi efetuado após o trânsito em julgado da decisão judicial exoneratória e com os benefícios previstos na Lei n° 9779/99, tendo em vista que, além desses fatos não servirem de fundamento para a negativa do pedido de restituição, o recolhimento se deu porque a própria Secretaria da Receita Federal, mesmo em face da decisão judicial favorável ao Recorrente, insistia na cobrança de tais valores, ao argumento de que os efeitos da decisão judicial alcançavam apenas a CSLL relativa ao exercício de 1989. Apenas com a decisão do 1º Conselho de Contribuintes (acórdão n° 101 93.610), proferida em 19/09/01, com acórdão formalizado em 11/12/01, que reconheceu expressamente o direito de um dos litisconsortes do ora Recorrente, no Mandado de Segurança n° 89.00112058, de não recolher a CSLL, no período de 1990 a 1997, ou seja, desde a propositura da medida judicial até o trânsito em julgado da decisão favorável, o que se deu em 02/09/97, é que o Recorrente obteve a comprovação de que também estava desobrigado do recolhimento da CSLL nesse período e que, portanto, tinha direito de reaver os montantes indevidamente recolhidos: "Ementa: IRPJ Normas Gerais. Lançamento Tributário. Sentença Judicial. Trânsito em Julgado. Efeitos. A sentença judicial reconhecendo a inconstitucionalidade dos artigos 1º, 2º, 3º e 8º, da Lei n° 7689, de 1988, e, de consequência, desobrigando a pessoa jurídica do recolhimento da CSLL, irradia seus efeitos jurídicos até o período no qual tenha ocorrido seu trânsito em julgado. Fl. 231DF CARF MF Processo nº 16327.902739/201095 Acórdão n.º 1301002.304 S1C3T1 Fl. 4 3 Recurso conhecido e provido. Trecho do Voto do Conselheiro Sebastião Rodrigues Cabral — Relator: Nesta linha de raciocínio, e considerando que no presente caso: i) A sentença judicial que acolheu a pretensão da Recorrente, no sentido de desobrigála do recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido instituída pela Lei n° 7689, de 1988, transitou em julgado em 02 de setembro de 1997, tal qual atestado na Certidão fornecida pela 10ª Vara Federal, anexa aos autos às fls.; ii) O Mandado de Segurança interposto pela Recorrente, em 1989, objetivou a dispensa do recolhimento da referida Contribuição sob alegação de inconstitucionalidade da lei que a instituiu (n° 7689, de 1988), o que foi integralmente reconhecido pela referida sentença transitada em julgado; iii) O auto de infração guerreado no presente processo pretende exigir da Recorrente a Contribuição Social relativa aos períodosbase de 1990 a 1994, portanto, anteriores ao trânsito em julgado da sentença judicial; só nos resta concluir que referidos períodos estão albergados pela 'coisa julgada', sendo defeso ao Fisco exigir a Contribuição em causa relativamente àqueles períodosbase." Assim, deve ser prontamente revisto o despachodecisório, ora recorrido, ante a comprovação do recolhimento indevido, a ensejar o direito à restituição, nos termos do artigo 165, I, do Código Tributário Nacional. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e indeferiu a solicitação. Ciente da decisão de primeira instância e com ela inconformada, a interessada apresentou recurso voluntário, mediante o qual oferece, em apertada síntese, os seguintes argumentos: Acerca do prazo para pleitear o indébito, a recorrente se reporta ao Pedido Eletrônico de Restituição, ao Pedido de Restituição protocolado na Deinf e sustenta que estaria plenamente respeitado, no caso, o prazo prescricional de cinco anos, previsto no art. 168, I, do CTN. A recorrente afirma ter anexado aos autos cópia do Mandado de Segurança nº 89.00112058, em que foi proferida a decisão transitada em julgado que a exonerava do recolhimento da CSLL de 1988 até 09/1997 (data do trânsito em julgado). Da mesma forma, anexa documentos que comprovam ser a recorrente a sucessora de Autolatina Financiadora S/A, que foi parte no processo judicial. A interessada reitera, ainda, os argumentos trazidos na Manifestação de Inconformidade, acerca da decisão proferida pelo 1º Conselho de Contribuintes em 2001. Conclui com o pedido de provimento de seu recurso e homologação da compensação declarada. É o Relatório. Voto Fl. 232DF CARF MF Processo nº 16327.902739/201095 Acórdão n.º 1301002.304 S1C3T1 Fl. 5 4 Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 1301002.287, de 12/04/2017, proferido no julgamento do processo 16327.900370/201248, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 1301002.287): O recurso voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Gira a lide em torno de pedido de restituição, posteriormente cumulado com declaração de compensação. No atual estágio da discussão administrativa, o alegado direito creditório não foi reconhecido por dois fundamentos autônomos, ou seja, cada um deles é suficiente, por si só, para o não reconhecimento do direito creditório. O primeiro fundamento adotado pelo julgador de primeira instância, de caráter preliminar, foi o transcurso do prazo para pleitear o indébito. Alega a recorrente que deveria ter sido considerado o período transcorrido entre a data do recolhimento, em 1999, e a data do protocolo do pedido de restituição, em 2004. Com isso, restaria atendido o prazo de cinco anos de que trata o art. 168, I, do CTN. Examinando a decisão recorrida, constatase que, efetivamente, houve um equívoco do julgador ao não considerar o pedido de restituição originalmente formulado em 2004. Isso fica evidenciado na afirmação de que “... observase que somente em 2008 veio pleitear compensação do referido crédito, ou seja, cerca de sete anos após ‘obter a comprovação’, e nove após a extinção do débito, pelo pagamento”. Ora, a declaração de compensação é datada de 2008, mas reportase ao anterior pedido de restituição, e é esse pedido que deve ser considerado, para fins da contagem do prazo para a repetição de indébito. No entanto, como se verá a seguir, a correção desse equívoco não trará modificação na conclusão. Esse prazo, se de cinco ou dez anos, bem assim a determinação dos termos inicial e final para a contagem, já foram objeto de acirrados debates, tanto no âmbito administrativo quanto no judicial. A inovação legislativa (arts. 3º e 4º da Lei Complementar nº 118/2005) tentou pacificar a questão, mas somente aumentou as divergências, tanto doutrinárias quanto jurisprudenciais. Finalmente, a questão foi pacificada pelo Poder Judiciário. De especial interesse, o Recurso Especial nº 1.002.932, de 25/11/2009, prolatado pelo STJ no regime do art. 543C do CPC então vigente, e o Recurso Extraordinário nº 566.321, de 04/08/2011, proferido pelo STF no regime do art. 543B do mesmo diploma legal. A reiterada aplicação administrativa dessas decisões conduziu à aprovação, em 09/12/2013, pelo Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, da súmula CARF nº 91, a seguir reproduzida. Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Fl. 233DF CARF MF Processo nº 16327.902739/201095 Acórdão n.º 1301002.304 S1C3T1 Fl. 6 5 As súmulas CARF são de observância obrigatória pelos membros deste órgão administrativo, a teor do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e alterações supervenientes. No caso concreto, o pedido de restituição foi protocolado em 2004, antes da data limite prevista na súmula, aplicandose, portanto, o prazo prescricional de dez anos. O termo inicial da contagem é, também nos termos da súmula, a data do fato gerador. O fato gerador foi fixado pela própria interessada no pedido de restituição. Desta forma, para fatos geradores completados anteriormente a 12/02/1994 o prazo prescricional já se encontrava encerrado no momento do pedido de restituição. Observese que a data do recolhimento não é considerada para este fim, muito menos a circunstância alegada pela interessada acerca do julgamento administrativo de um auto de infração no qual o sujeito passivo seria um dos litisconsortes na ação judicial. Não se vislumbra qual a relação entre aquele julgamento administrativo e o prazo para a formulação do pedido de restituição aqui discutido. A constatação que se impõe é de que o decurso do prazo prescricional impede que seja atendido o pleito da interessada, independentemente de quaisquer considerações de mérito, negandose provimento ao recurso voluntário. O segundo fundamento adotado pelo julgador de primeira instância para o indeferimento do pleito foi a falta de comprovação do direito. O seguinte excerto do voto condutor do acórdão recorrido é elucidativo: Observese que a empresa não trouxe a petição inicial e nenhuma peça do processo judicial que afirma amparala, de forma a se poder verificar a correção de sua alegação central de mérito, o que, como demonstrado acima, seria ônus da empresa. E, em consulta ao sítio do TRF da 3ª Região, utilizandose do número de processo judicial fornecido pela Interessada, na opção “Consulta Processual – Visualizar Processo” a empresa não aparece como parte, mas sim as seguintes empresas: Consórcio Nacional Ford Ltda., Autolatina S/A, Autolatina Financiadora S/A Crédito Financiamento e Investimentos e Ford Brasil S/A. Junto com o recurso voluntário, a interessada faz acostar aos autos peças do processo judicial, e documentos que, segundo ela, comprovariam ser a recorrente sucessora da Autolatina Financiadora S/A, que foi parte no processo judicial. Compulsando os autos, especialmente as peças processuais do Mandado de Segurança nº 89.112058, constato que a impetrante foi Consórcio Nacional Ford Ltda., e que posteriormente foram admitidos como litisconsortes: (i) Autolatina S/A; (ii) Autolatina Financiadora S/A – Crédito, Financiamento e Investimentos; e (iii) Ford Brasil S/A. Prosseguindo na análise, encontro Ata da AGE de 31/05/1996 de Banco Autolatina S.A., na qual se registra a cisão parcial dessa pessoa jurídica, com a versão de parcela de seu patrimônio para o Banco Ford S/A e a mudança do nome da parcela remanescente da cisão do Banco Autolatina S/A para Banco Volkswagen S/A (a interessada). Na sequência, encontro também o Protocolo da cisão e versão do patrimônio. No entanto, não encontro prova de que Banco Autolatina S/A fosse parte da ação judicial. No documento datado de 17/02/2004, dirigido à DEINF/SP, a interessada se identifica como “BANCO VOLKSWAGEN S/A., atual denominação de BANCO AUTOLATINA S.A., anteriormente denominado AUTOLATINA Fl. 234DF CARF MF Processo nº 16327.902739/201095 Acórdão n.º 1301002.304 S1C3T1 Fl. 7 6 FINANCIADORA S.A., ...”. Mas tratase de mera afirmação, da qual não encontro prova documental nos autos. Apesar de saber que esse ponto foi um dos fundamentos adotado pelo julgador de primeira instância para negar seu pedido, a interessada apresentou apenas o documento da cisão parcial de Banco Autolatina S/A e posterior mudança de nome da parcela remanescente para Banco Volkswagen S/A, não se preocupando em rastrear e comprovar os eventos societários desde a litisconsorte na ação judicial (Autolatina Financiadora S/A – Crédito, Financiamento e Investimentos) até a atual pessoa jurídica, nem os direitos que teriam sido transmitidos em cada um desses eventos. Em se tratando de pedido de restituição, é ônus de quem alega o direito creditório comprovar o que alega, especialmente, no caso sob análise, que a pessoa jurídica que efetuou o recolhimento seria a sucessora em todos os direitos e obrigações da pessoa jurídica que foi parte na ação judicial. Ao não se encontrar nos autos essa comprovação, também por esse motivo o recurso voluntário há que ser negado. Os dois fundamentos autônomos anteriormente discutidos já seriam (e são) suficientes para que o recurso voluntário seja desprovido. Penso, entretanto, que uma consideração adicional há de ser feita. É que o pagamento em questão foi feito em 1999, ao amparo do art. 17 da Lei nº 9.779/1999. Confirase seu teor (grifos não constam do original): Art.17.Fica concedido ao contribuinte ou responsável exonerado do pagamento de tributo ou contribuição por decisão judicial proferida, em qualquer grau de jurisdição, com fundamento em inconstitucionalidade de lei, que houver sido declarada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em ação direta de constitucionalidade ou inconstitucionalidade, o prazo até o último dia útil do mês de janeiro de 1999 para o pagamento, isento de multa e juros de mora, da exação alcançada pela decisão declaratória, cujo fato gerador tenha ocorrido posteriormente à data de publicação do pertinente acórdão do Supremo Tribunal Federal.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) §1oO disposto neste artigo estendese:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 2158 35, de 2001) Iaos casos em que a declaração de constitucionalidade tenha sido proferida pelo Supremo Tribunal Federal, em recurso extraordinário;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIa contribuinte ou responsável favorecido por decisão judicial definitiva em matéria tributária, proferida sob qualquer fundamento, em qualquer grau de jurisdição;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIIaos processos judiciais ajuizados até 31 de dezembro de 1998, exceto os relativos à execução da Dívida Ativa da União.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 235DF CARF MF Processo nº 16327.902739/201095 Acórdão n.º 1301002.304 S1C3T1 Fl. 8 7 §2oO pagamento na forma do caput deste artigo aplicase à exação relativa a fato gerador:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Iocorrido a partir da data da publicação do primeiro Acórdão do Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal, na hipótese do inciso I do § 1o;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIocorrido a partir da data da publicação da decisão judicial, na hipótese do inciso II do § 1o;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIIalcançado pelo pedido, na hipótese do inciso III do § 1o.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) §3oO pagamento referido neste artigo:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Iimporta em confissão irretratável da dívida;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIconstitui confissão extrajudicial, nos termos dos arts. 348, 353 e 354 do Código de Processo Civil;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) [...] Insisto: os pagamentos nesses termos são confissão irretratável da dívida e confissão extrajudicial. Ou seja, ainda que pudessem ser superados os dois fundamentos anteriormente expostos, o pedido de restituição encontraria obstáculo inarredável na disposição expressa da lei acima transcrita. Supondose, como hipótese argumentativa, que a interessada fosse, como afirma, sucessora da litisconsorte na ação judicial, o fato é que espontaneamente decidiu abrir mão do direito conquistado na ação judicial (possivelmente por vêlo ameaçado por reiteradas manifestações do STF no sentido da inconstitucionalidade da CSLL apenas para o primeiro ano de sua vigência) e parcelar o valor da contribuição para os anos subsequentes. A recorrente afirma que somente fez os pagamentos porque a Receita Federal insistia na cobrança, mesmo em face da decisão judicial que havia obtido. Ora, esse era o entendimento administrativo à época, atualmente ainda mais reforçado, tanto pelo sucesso obtido em ações rescisórias diversas propostas perante o Poder Judiciário, quanto por Pareceres da douta PGFN. Se a interessada tivesse plena convicção de seu direito, seu procedimento teria sido o de aguardar o lançamento e discutilo administrativa e judicialmente, nunca o de se antecipar, confessando a dívida de forma irretratável e recolhendo o tributo. A recorrente reclama, ainda, que esse aspecto não teria sido fundamento para a negativa do pedido de restituição, pelo que não poderia, agora, ser abordado. Observese que a DEINF/SP originalmente negou o pedido porque o pagamento (DARF) não foi identificado nos sistemas da RFB. Apesar de intimada, a interessada não se preocupou em trazer aos autos os esclarecimentos que Fl. 236DF CARF MF Processo nº 16327.902739/201095 Acórdão n.º 1301002.304 S1C3T1 Fl. 9 8 permitissem essa correta identificação. Essa questão foi plenamente superada em primeira instância. Somente então foi possível avançar e questionar outros aspectos, a saber, o prazo para pleitear o indébito e a comprovação do direito alegado. Quanto a este último aspecto, o julgador a quo se deteve na falta das peças do processo judicial e na falta de comprovação de que a interessada no processo administrativo fosse também uma das partes do processo judicial. Penso que as considerações aqui tecidas sobre esse ponto nada mais são do que um aprofundamento acerca da análise de mérito do pedido. Seriam, talvez, dispensáveis, como dito anteriormente, mas em nada prejudicam, antes reforçam a conclusão. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha Fl. 237DF CARF MF
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Numero do processo: 10120.902761/2011-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
PIS/COFINS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS NOVOS SUBMETIDOS AO REGIME MONOFÁSICO PARA REVENDA. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO PELO COMERCIANTE ATACADISTA E VAREJISTA. VEDAÇÃO LEGAL.
No regime não-cumulativo das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, por expressa determinação legal, é vedado ao comerciante atacadista e varejista, o direito de descontar ou manter crédito referente às aquisições de veículos novos sujeitos ao regime monofásico concentrado no fabricante e importador. A aquisição de veículos relacionados no art. 1º da Lei n° 10.485/02, para revenda, quando feita por comerciantes atacadistas ou varejistas desses produtos, não gera direito a crédito do PIS/COFINS, dada a expressa vedação, consoante os art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, b, c/c da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003.
CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. ART. 17 DA LEI Nº 11.033/2004. IMPOSSIBILIDADE.
A manutenção dos créditos, prevista no art. 17 da Lei nº 11.033/04, não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.343
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques dOliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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TOMADA DE CRÉDITOS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. Recorrente COTRIL MOTORS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 PIS/COFINS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS NOVOS SUBMETIDOS AO REGIME MONOFÁSICO PARA REVENDA. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO PELO COMERCIANTE ATACADISTA E VAREJISTA. VEDAÇÃO LEGAL. No regime nãocumulativo das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, por expressa determinação legal, é vedado ao comerciante atacadista e varejista, o direito de descontar ou manter crédito referente às aquisições de veículos novos sujeitos ao regime monofásico concentrado no fabricante e importador. A aquisição de veículos relacionados no art. 1º da Lei n° 10.485/02, para revenda, quando feita por comerciantes atacadistas ou varejistas desses produtos, não gera direito a crédito do PIS/COFINS, dada a expressa vedação, consoante os art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, “b”, c/c da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003. CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. ART. 17 DA LEI Nº 11.033/2004. IMPOSSIBILIDADE. A manutenção dos créditos, prevista no art. 17 da Lei nº 11.033/04, não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 27 61 /2 01 1- 56 Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10120.902761/201156 Acórdão n.º 3301003.343 S3C3T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d’Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Ressarcimento PER, formulado através do programa PER/Dcomp, por intermédio do qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de COFINS NãoCumulativa – Mercado Interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado. A origem do direito creditório alegado seria o saldo credor acumulado em razão da aquisição de produtos monofásicos (veículos novos). A Recorrente tem como atividade comercial a compra e venda, no atacado e varejo, de veículos novos e peças em geral, relacionadas na Lei nº 10.485/02. A Lei nº 10.485/02, no art. 3º, § 2º, I e II, prescreve que os produtos nela relacionados têm as alíquotas de PIS e COFINS reduzidas a 0% relativamente à receita bruta auferida por comerciantes atacadistas e varejistas. A Recorrente alega que com a edição das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, os produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 compõem a sua receita bruta para efeito de apuração de PIS e COFINS sob o regime da nãocumulatividade e que a manutenção dos créditos decorrentes da aquisição desses produtos tem como fundamento legal o art. 17 da Lei n° 11.033/2004 e o pedido de ressarcimento em espécie tem como fundamento legal o art. 16 da Lei n° 11.116/2005. Assim, com esse entendimento, os créditos de COFINS nãocumulativa, objeto do ressarcimento deste processo fiscal pela Recorrente, têm origem exclusiva na aplicação direta das alíquotas previstas nas leis 10.637/02 (PIS) e 10.833/03 (COFINS), que introduziram a nova sistemática do regime da nãocumulatividade para ambas as Contribuições, sobre o valor de aquisição dos produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos), pois a alíquota da Contribuição nas saídas subsequentes desses produtos foi reduzida a 0%. Então, a controvérsia nestes autos é o direito ao creditamento, no regime não cumulativo, dos valores de aquisição dos produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos), ou seja, crédito com origem nas aquisições de produtos com incidência monofásica. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06050.382. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que há vedação legal e normativa para o aproveitamento do crédito das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, nas vendas submetidas à incidência monofásica. Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10120.902761/201156 Acórdão n.º 3301003.343 S3C3T1 Fl. 4 3 Tanto na manifestação de inconformidade, quanto em seu recurso voluntário, a Recorrente tece longo arrazoado para justificar o seu direito ao creditamento, para tanto interpreta a legislação federal e o princípio constitucional da nãocumulatividade. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.248, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.902719/201135, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.248): O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Não há direito ao creditamento, no regime nãocumulativo, dos valores de aquisição dos produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos), conforme se justifica a seguir. Os art. 1o e 3o da Lei n° 10.485/2002 prescrevem: Art. 1o.As pessoas jurídicas fabricantes e as importadoras de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto no 4.070, de 28 de dezembro de 2001, relativamente à receita bruta decorrente da venda desses produtos, ficam sujeitas ao pagamento da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, às alíquotas de 2% (dois por cento) e 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), respectivamente. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Art. 3o As pessoas jurídicas fabricantes e os importadores, relativamente às vendas dos produtos relacionados nos Anexos I e II desta Lei, ficam sujeitos à incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS às alíquotas de: II 2,3% (dois inteiros e três décimos por cento) e 10,8% (dez inteiros e oito décimos por cento), respectivamente, nas vendas para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10120.902761/201156 Acórdão n.º 3301003.343 S3C3T1 Fl. 5 4 § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Assim, para os veículos classificados nos códigos 87.01 a 87.06 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI e dos produtos relacionados nos Anexos I e II, a cobrança da COFINS terá incidência monofásica, com alíquotas diferenciadas para as pessoas jurídicas fabricantes e importadoras. O regime monofásico concentra a cobrança do tributo em uma etapa da cadeia produtiva, desonerando a etapa seguinte. E ainda, a referida lei reduziu a zero as alíquotas da COFINS incidentes sobre as receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas ou varejistas com a venda desses mesmos produtos. O regime monofásico impõe que o fabricante ou importador dos produtos (monofásicos) recolham o PIS/COFINS em uma alíquota diferenciada e majorada, bem como a fixação de alíquota zero de PIS/COFINS sobre a receita auferida com a venda dos mesmos pelos demais participantes da cadeia produtiva (distribuidores, atacadistas e varejistas). Então, não se cogita do sistema de compensação entre créditos e débitos. Deste modo, a Lei nº 10.485/02 fixou a tributação devida ao PIS e à COFINS no início da cadeia produtiva, fabricantes e/ou importadores de veículos automotores e autopeças, estabelecendo alíquota mais elevada nesta etapa de comercialização, desonerando a fase em que se integram as concessionárias, mediante atribuição de alíquota zero, nos termos dos seus artigos 2º, § 2º, II; 3º, § 2º, I e II; e 5º, parágrafo único, esses dispositivos não foram revogadas pela Lei nº 10.833/03. A incidência monofásica das contribuições discutidas incorre na inviabilidade lógica e econômica do reconhecimento de crédito recuperável pelos comerciantes varejistas e atacadistas, pois inexistente cadeia tributária após a venda destinada ao consumidor final, razão pela qual o art. 17 da Lei nº 11.033/04, afigurase incompatível com este caso. Ademais, não há crédito em relação aos veículos classificados nos códigos 87.01 a 87.06 da TIPI e aos produtos relacionados nos Anexos I e II da Lei nº 10.485/2002 adquiridos para revenda, por vedação expressa dos art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, “b”, c/c da Lei nº 10.833/2003, verbis: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (...) b) no § 1º do art. 2º desta Lei; Art. 2º Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art.1º, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10120.902761/201156 Acórdão n.º 3301003.343 S3C3T1 Fl. 6 5 § 1º Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) III no art. 1º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) IV no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Logo, pela redação dos dispositivos supracitados, é expressamente vedado descontar créditos calculados em relação aos veículos classificados nos códigos 87.01 a 87.06 da TIPI e aos produtos relacionados nos Anexos I e II da Lei nº 10.485, de 2002, adquiridos para revenda. Alega a Recorrente que teria direito ao creditamento com base no art. 17 da Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Esse dispositivo não se aplica ao caso em comento, pelas seguintes razões: 1 Referese a “manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados” nas operações de vendas com isenção, alíquota zero ou nãoincidência da COFINS, ou seja, tratase de créditos legalmente autorizados da COFINS (neste caso o crédito está proibido); 2 É regra geral que coexiste com vedação ao creditamento por norma específica e 3 Não revoga expressa ou tacitamente o inciso I, alínea “b”, do art. 3º da Lei nº 10.833/03. Por fim, quanto a argumentos de inconstitucionalidade da vedação ao creditamento, por afronta ao princípio da nãocumulatividade, saliento que sobre esta matéria o CARF não pode se pronunciar, de acordo com a Súmula nº 2 (O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária). Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, dos valores de aquisição dos produtos relacionados Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10120.902761/201156 Acórdão n.º 3301003.343 S3C3T1 Fl. 7 6 na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos) aplicase tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 122DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.721155/2014-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012
USUFRUTUÁRIOS. TITULARES DOS JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO DE RECEITAS PELA NUA-PROPRIETÁRIA DAS AÇÕES.
Em virtude da reserva de usufruto dos direitos econômicos, a titularidade dos rendimentos provenientes dos JCP é dos usufrutuários das ações, razão pela qual não há que se falar no reconhecimento de receitas dos JCP pela nua-proprietária.
USUFRUTO. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. TRIBUTAÇÃO. INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA.
No caso dos rendimentos pagos ou creditados a título de juros sobre capital próprio, o legislador tributário deixou de atribuir ao instituto do usufruto efeitos tributários específicos, o que implica remeter o intérprete aos efeitos típicos decorrentes do direito privado.
Numero da decisão: 1402-002.445
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone que votou por negar provimento, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. Designado o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Relator
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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TITULARES DOS JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO DE RECEITAS PELA NUA PROPRIETÁRIA DAS AÇÕES. Em virtude da reserva de usufruto dos direitos econômicos, a titularidade dos rendimentos provenientes dos JCP é dos usufrutuários das ações, razão pela qual não há que se falar no reconhecimento de receitas dos JCP pela nua proprietária. USUFRUTO. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. TRIBUTAÇÃO. INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. No caso dos rendimentos pagos ou creditados a título de juros sobre capital próprio, o legislador tributário deixou de atribuir ao instituto do usufruto efeitos tributários específicos, o que implica remeter o intérprete aos efeitos típicos decorrentes do direito privado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone que votou por negar provimento, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. Designado o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 11 55 /2 01 4- 44 Fl. 1018DF CARF MF Processo nº 16327.721155/201444 Acórdão n.º 1402002.445 S1C4T2 Fl. 1.019 2 (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Relator (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (presidente). Fl. 1019DF CARF MF Processo nº 16327.721155/201444 Acórdão n.º 1402002.445 S1C4T2 Fl. 1.020 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada em face de decisão exarada pela 1ª Turma da DRJ/POA em sessão de 28 de outubro de 2015 (fls. 918/935)1, que julgou improcedente a impugnação apresentada e manteve os lançamentos perpetrados pelo Fisco. Os autos de infração de IRPJ e CSLL estão assim lavrados (fls. 461/483): a) IRPJ b) CSLL DA ACUSAÇÃO FISCAL Segundo o TV (fls. 443/460), são estas as irregularidades apontadas pelo Fisco, conforme bem resumido no relatório da decisão recorrida, aqui adotado: 1 A numeração referida das fls., quando não houver indicação contrária, é sempre a digital Fl. 1020DF CARF MF Processo nº 16327.721155/201444 Acórdão n.º 1402002.445 S1C4T2 Fl. 1.021 4 “O presente processo trata do pagamento de juros a título de remuneração do capital próprio. O interessado, acionista controlador do Itaú Unibanco Holding S/A., não registrou como receitas suas parte dos juros sobre o capital próprio pagos pela sociedade investida relativamente à totalidade das ações de propriedade do investidor. O interessado alega que os frutos de parte do investimento não lhe pertencem, uma vez constituído o usufruto em favor de terceiros. Relativamente às ações sobre as quais constituído o usufruto, somente restaria ao interessado a nuapropriedade. Por tal motivo, seria incabível o registro reclamado pelo fisco. Para os agentes do Estado, os juros sobre o capital próprio constituem receita do acionista. Essa, em apertada síntese, a questão ventilada nos autos. O trabalho fiscal apontou ser o interessado uma sociedade holding pura, porquanto seu objeto social exclusivo é “a titularidade e o exercício do controle acionário da sociedade denominada Itaú Unibanco Banco Múltiplo S.A. (“ITAÚ UNIBANCO”) a qual está inscrita no CNPJ sob o nº 60.872.504/000123, devendo manter, de forma direta e em caráter permanente, a propriedade de ações representativas de, pelo menos, 51% das ações com direito a voto de emissão do ITAÚ UNIBANCO.” (fl. 450). Assim, por sua natureza de holding pura, as receitas que poderiam ser auferidas pelo interessado são aquelas que remuneram o investidor, quais sejam a equivalência patrimonial, os dividendos e os juros sobre o capital próprio. No caso sob exame, o acionista/interessado não registrou parte das receitas a ele devidas em função de juros sobre o capital próprio pagos por investida (Itaú Unibanco Holding S/A.). Isso se deu em razão de pacto firmado com terceiros (usufruto), gerando uma situação denominada pela fiscalização como inusitada, porquanto a referida receita é intrínseca às atividades de uma holding pura (fl. 451). Os agentes do fisco indicaram afronta aos termos do art. 123 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, o Código Tributário Nacional (CTN). Confirase o texto da lei: “Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes.” O usufruto, uma convenção particular, não seria oponível à Fazenda Pública para fins de modificar a definição legal do sujeito passivo. Essa acusação toma por premissa a fixação do beneficiário dos juros sobre o capital próprio por via do art. 9º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, nos seguintes termos: “Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP.” Se o beneficiário dos juros sobre o capital próprio é o acionista, no caso das sociedades por ações, caberia ao acionista reconhecer essa receita e Fl. 1021DF CARF MF Processo nº 16327.721155/201444 Acórdão n.º 1402002.445 S1C4T2 Fl. 1.022 5 tributála. Não seria possível, tendo em vista os termos do art. 123 do CTN, a transferência da receita para terceiro (usufrutuário) por meio de convenção particular, porquanto restaria modificado o sujeito passivo da obrigação tributária fixada em lei. Verifiquese os precisos termos do trabalho fiscal (fls. 451 e 457): “Fica claro que, para fins tributários, os contribuintes dos rendimentos advindos dos JCP pagos são os titulares, sócios ou acionistas da pessoa jurídica que efetua o pagamento. E não poderia ser diferente, afinal, como o próprio nome já diz, tratase de remuneração do valor investido pelos titulares, sócios ou acionistas.” “Portanto, para fins tributários, os contribuintes dos rendimentos advindos dos JCP pagos são os titulares, sócios ou acionistas da pessoa jurídica que efetua o pagamento, pois se trata de remuneração do valor investido pelos titulares, sócios ou acionistas. A lei atribui a sujeição passiva dos tributos incidentes sobre as receitas de JCP aos titulares, sócios e acionistas da pessoa jurídica pagante. Apesar da fiscalizada ter apenas a nua propriedade das ações gravadas conferida por meio de instrumento particular, era ela a acionista da pessoa jurídica que efetuou o pagamento e não as pessoas físicas e jurídicas usufrutuárias de direitos econômicos em razão de gravame. Portanto, no presente caso, o sujeito passivo dos tributos lançados é a fiscalizada, nos termos da lei, Desta maneira, as receitas dos Juros sobre o Capital Próprio deveriam ter sido registradas em sua contabilidade e oferecidas à tributação.” Diante desse cenário, a fiscalização requereu ao interessado o cálculo dos juros sobre o capital próprio passíveis de pagamento por ele, tendo em vista os limites fixados em lei (fl. 438). A resposta apresentada consta das folhas 439 a 442. Esses dados podem assim ser resumidos (fl. 448): Constam dos autos, também, os juros sobre o capital próprio deduzidos pelo interessado do seu resultado. Confirase: Fl. 1022DF CARF MF Processo nº 16327.721155/201444 Acórdão n.º 1402002.445 S1C4T2 Fl. 1.023 6 Após isso, efetuou o cálculo do efeito tributário da omissão da receita atinente aos juros sobre o capital próprio repassados diretamente aos usufrutuários, levando em consideração os repasses informados pelo interessado à folha 164 dos autos. Confirase (fl. 459): Os excessos acima indicados configuraram os fatos geradores do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ fl. 462) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL fl. 475). Frente a esses fatos, houve a exigência de R$ 154.106.358,65 a título de IRPJ (fl. 461) e R$ 55.503.663,13 a título de CSLL (fl. 474). Tais valores, acrescidos de juros de mora e multa de ofício (75%), atingiram o total de R$ 423.031.862,78”. DA IMPUGNAÇÃO (fls. 649/665) Ainda lançando mão do relatório da decisão contestada, reproduzo a síntese da impugnação apresentada junto à Turma Julgadora de 1º Piso: “Inicialmente, o requerente relata a estruturação societária adotada pelo conglomerado financeira em função da unificação dos grupos Itaú e Unibanco. Confirase (fls. 650 e 651): “A estruturação da IUPAR – ITAÚ UNIBANCO PARTICIPAÇÕES S.A., ora impugnante, decorreu da associação entre os antigos controladores do Itaú (GRUPO ITAÚ) e os antigos controladores do Unibanco (GRUPO MOREIRA SALLES), em razão da qual houve: a) a unificação das atividades dos dois conglomerados financeiros, sob o controle indireto do ITAÚ UNIBANCO HOLDING S.A. (ITAÚ UNIBANCO HOLDING) e b) a unificação, nessa holding, de todo o quadro acionário das antigas instituições financeiras.” “Para essa finalidade é que foi estruturada a IUPAR – ITAÚ UNIBANCO PARTICIPAÇÕES S.A., ora impugnante, na qual os dois grupos aportaram ações votantes, de emissão do ITAÚ Fl. 1023DF CARF MF Processo nº 16327.721155/201444 Acórdão n.º 1402002.445 S1C4T2 Fl. 1.024 7 UNIBANCO HOLDING, que totalizaram 51% do seu capital votante, sendo que o controle da IUPAR, Impugnante, foi partilhado entre os dois grupos, passando cada um a deter 50% do capital votante dessa companhia. Tendo em vista que a Impugnante se destinou apenas ao exercício do controle compartilhado do ITAÚ UNIBANCO HOLDING, sendo esse seu objeto exclusivo, suas acionistas integralizaram seu capital mediante aporte tãosomente da nuapropriedade e dos direitos de voto de parte das ações conferidas à Impugnante. Os direitos patrimoniais (ou seja, o direito ao recebimento de dividendos e juros sobre capital próprio) sobre essa parcela de ações do ITAÚ UNIBANCO HOLDING não foram transferidos para a impugnante, dada a reserva de usufruto feita pelas acionistas da Impugnante. Em resumo: a) a conferência de parte das ações ao capital social da impugnante contemplou apenas a nuapropriedade e o direito de voto, e não os referidos direitos patrimoniais; b) outra parcela de ações foi conferida sem a instituição do usufruto. Assim sendo, apenas em relação a essa segunda parcela, a Impugnante adquiriu a titularidade tanto dos direitos políticos quanto dos direitos patrimoniais.” Segundo o impugnante, a transferência exclusiva do direito de voto acima referida ocorreu em função do propósito do requerente, que é o controle político da sociedade Itaú Unibanco Holding S.A.. Parte dos acionistas do impugnante não transferiu o direito aos frutos das ações, mas somente a nuapropriedade dos títulos. Dessa forma, restou assegurado ao impugnante o exercício dos direitos políticos decorrentes da titularidade das ações, direito fundamental para o exercício do controle. O usufruto teria sido devidamente averbado nos termos do art. 40 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Como os frutos das ações pertencem aos acionistas do impugnante, incabível o registro dos juros sobre o capital próprio como receitas do requerente. Discorre, então, sobre os direitos daquele que é proprietário pleno de ações: dispor, votar e fruir. Trata do usufruto e aponta a possibilidade legalmente prevista da instituição do usufruto sobre ações. Diante disso, conclui (fls. 653 e 654): “23. Ou seja, o proprietáriopleno das ações pode (como ocorreu no caso concreto) aportar na companhia a propriedadenua das ações mais o direito de voto, reservando para si a propriedade fruto (traduzida no usufruto dos direitos patrimoniais: dividendos e juros sobre o capital próprio). 24. A companhia, ao distribuir lucros relativos às ações gravadas com o usufruto patrimonial, deve pagar os dividendos ou os juros sobre o capital próprio para os usufrutuários e não para os nu proprietários.” Alegou, também, a existência de razão econômica para a remessa apenas da nuapropriedade de parte das ações que forma o acervo de ações da sociedade Itaú Unibanco Holding S.A. em poder do impugnante: a Fl. 1024DF CARF MF Processo nº 16327.721155/201444 Acórdão n.º 1402002.445 S1C4T2 Fl. 1.025 8 inexistência da necessidade de recursos financeiros elevados para a sua manutenção. Por se tratar de holding pura, não se faz necessário o desempenho de atividades estranhas a esse mister, que é, por natureza, pouco custoso. Destaca, nesse passo, que a operação engendrada pelos acionistas não foi questionada sob o ângulo da validade formal. Confirase (fl. 655): “32. Notese que, em nenhum momento, a Fiscalização questionou a validade formal ou jurídica da instituição do usufruto e tampouco cogitou de abuso, ou seja, não constituiu motivo da autuação a alegação de abuso de forma ou abuso de direito. 33. Embora seja sabido que não cabe à DRJ apreciar, in casu, tais aspectos, por não poder o órgão julgador inovar o lançamento, alterando o motivo da autuação, a Impugnante registra que a normalidade da forma e a regularidade do exercício do direito estão alinhados e em harmonia com a razão jurídica e econômica da instituição do usufruto.” Quanto à aplicação do art. 123 do CTN, o impugnante indica o conteúdo e o alcance da norma, colimando demonstrar que não se aplica ao caso dos autos. A norma estaria dirigida às convenções “que tenham por objeto a definição de quem será o responsável por pagar tal ou qual tributo” (fl. 655). O fisco não resta obrigado por essas convenções. Exige o tributo daquele que figura no pólo passivo da obrigação tributária consoante a lei. A convenção só pode ser válida entre as partes. As normas que fixam a responsabilidade pelo pagamento dos tributos são imperativas, não sendo viável o contorno da norma pela vontade dos particulares. O requerente, então, conclui seu raciocínio da seguinte forma (fls. 656 e 657): “46. Resulta evidente que o discutido art. 123 do CTN nada tem a ver com a criação do direito real de usufruto, como nada tem a ver com a transferência da propriedade de mercadorias, entre outros tantos negócios jurídicos mediante os quais se transferem ou se instituem direitos reais. 47. A aplicação do art. 123 do CTN não pode darse com abstração da titularidade dos bens, direitos ou frutos que componham a hipótese legal de incidência. 48. Obrigação tributária só nasce se e quando ocorrer fato gerador relativo ao bem ou direito ou frutos a eles pertinentes e será sujeito passivo quem mantiver com a situação concreta um dos vínculos previstos no art. 121 do CTN. Identificado esse sujeito passivo, é ele que não poderá ser substituído por outra pessoa, em razão de convenções particulares.” Como a legislação tributária não fixa o nuproprietário como sendo o sujeito passivo da obrigação tributária decorrente da incidência do IRPJ e da CSLL sobre o pagamento de juros sobre o capital próprio pagos ao usufrutuário de ações, não teria havido qualquer substituição no pólo passivo da eventual obrigação tributária por via de convenção Fl. 1025DF CARF MF Processo nº 16327.721155/201444 Acórdão n.º 1402002.445 S1C4T2 Fl. 1.026 9 particular. Aquilo que não existe, não pode ser modificado. Verifiquese o raciocínio do impugnante (fl. 657): “Se o usufrutuário é a pessoa que realiza o fato gerador (recebimento de frutos do bem), a definição legal de sujeito passivo enlaça o usufrutuário e o art. 123 poderia repelir eventual convenção para transferir do usufrutuário para outra pessoa a condição de sujeito passivo da obrigação.” Sob o ângulo temporal, o requerente informa que jamais foi titular do direito sobre os frutos das ações, uma vez que as ações foram por ele recebidas já com o gravame do usufruto. Dessa forma, não se pode acusála de ter aberto a mão de rendimentos, porquanto jamais os teve. Assim, não se sustenta a tese de omissão de receita. Argumenta que o aporte de ações na impugnante fez aumentar a arrecadação, uma vez que parte das ações foi conferida com a propriedade plena. Esses tributos antes não existiam. No entender do requerente, a fiscalização agrediu a materialidade do fato gerador, porquanto lhe atribuiu receitas que pertenceriam a terceiros (usufrutuários). Apresenta, então, a seguinte conclusão (fl. 660): “70. Em suma, descabe fundamento à pretensão fiscal, dado que: a) os juros sobre o capital próprio nunca pertenceram à nua proprietária das ações; b) por isso mesmo, a impugnante, nua proprietária, não abriu mão de nenhuma receita que a ela pertencesse; c) sendo responsabilidade inerente as usufrutuárias, não cabe a aplicação do art. 123 do CTN (a não ser na hipótese – que não é a dos autos – de as usufrutuárias transferirem para outrem o ônus fiscal).” No que diz respeito aos termos do art. 9º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, refuta a acusação fiscal que indica o dever da companhia de pagar os juros sobre o capital próprio ao nuproprietário, uma vez que esse seria o acionista. A tese seria esdrúxula, porquanto o titular do direito de receber os juros seria o usufrutuário. Compara com outra situação para mostrar o equívoco: o inquilino que paga o aluguel para o usufrutuáriolocador, e não para o nuproprietário. Alega não haver sentido em eventual pagamento de aluguel ao nuproprietário. Efetivado o registro cabível do usufruto, a companhia deve efetuar o pagamento dos frutos (dividendos e juros sobre o capital próprio) ao titular do direito (usufrutuário). O registro foi provado durante a fiscalização e jamais restou questionado. E arremata (fl. 661): “78. Nem o art. 123 do CTN nem o art. 9º da Lei 9.249/95 permitem ignorar a realidade concreta, que foi a transferência (apenas) da nuapropriedade das ações para a IUPAR, com o direito de voto, e a permanência do direito patrimonial sobre essas ações com os acionistas da IUPAR.” Refere decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas a respeito do tema (Acórdão nº 2.765 da 2ª Turma), que reconhece os efeitos tributários do usufruto de ações. Confirase ementa: Fl. 1026DF CARF MF Processo nº 16327.721155/201444 Acórdão n.º 1402002.445 S1C4T2 Fl. 1.027 10 (...) Cita também, em seu favor, o Parecer Normativo CST nº 16, de 14 de janeiro de 1972. A consulta objeto do ato trata de situação fática na qual dois doadores reservaram para si o usufruto de terras destinadas à exploração agrícola. Advindo a morte de um dos doadores, restou aplicada regra contratual segundo a qual a guarda e a administração dos bens ficaria a cargo do doador sobrevivente. Esse administrador assumiria o ônus tributário decorrente da exploração agrícola. Caberia ao doador sobrevivente repassar aos nusproprietários 50% dos rendimentos líquidos auferidos com a exploração agrícola. A administração tributária determinou que a receita auferida por cada um dos beneficiários (usufrutuário e donatários) fosse reconhecida nas respectivas declarações de rendimentos, bem como não ser oponível ao fisco a regra atinente ao ônus tributário, tendo em vista os termos do art. 123 do CTN. Confirase a parte final do ato administrativo: (...) Reclama, subsidiariamente, de erro no cálculo da exigência fiscal. O primeiro aspecto a considerar no cálculo seria a exigência da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) formulada com base nos mesmo fatos que deram ensejo à presente autuação. Tais valores deveriam ter sido deduzidos das bases de cálculo do IRPJ e da CSL. O segundo aspecto a considerar diz respeito ao cálculo dos limites previstos no art. 9º da Lei nº 9.249, de 1995. O contribuinte, em sua impugnação (fls. 665 e 666), reclama de equívoco fiscal na apuração desses limites. Requer a aplicação do disposto no art. 73 da Lei nº 12.973, de 13 de maio de 2014. Apresenta o cálculo dos limites que entende corretos (fls. 739, 741, 743 e 745) em contraposição com aqueles informados no curso da fiscalização e utilizados na apuração dos tributos devidos (fls. 442, 441, 440 e 439). Solicita, em suma, a utilização de dados contábeis em consonância com a Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, em especial após as alterações implementadas por via da Lei nº 11.638, de 28 de dezembro de 2007. Por fim, questiona a incidência de juros sobre a multa de ofício. Alega que a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, prevê que os débitos de tributos e contribuições serão acrescidos de multa de mora e que, sobre aqueles débitos, incidirão juros de mora, e não sobre o valor da multa de mora. Assim, se os juros de mora não incidem sobre a multa de mora, não cabe aplicar tais juros sobre a multa de ofício. Sustenta que o artigo 164 do CTN, ao tratar de crédito tributário, separa claramente tributo, juros de mora e penalidades. Igual distinção ocorre no artigo 161, caput, do CTN. Assim, não seriam aplicáveis à multa de ofício os juros de mora previstos no artigo 161 do CTN.” DA REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA (fls. 764/766) Fl. 1027DF CARF MF Processo nº 16327.721155/201444 Acórdão n.º 1402002.445 S1C4T2 Fl. 1.028 11 A Unidade Julgadora de 1º Piso determinou a realização de diligência com o fito de trazer maiores informações, em resolução assim resumida pela decisão recorrida: “O contribuinte, em sua impugnação (fls. 665 e 666), reclama de equívoco fiscal na apuração dos limites previstos no art. 9º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1976. Requer a aplicação do disposto no art. 73 da Lei nº 12.973, de 13 de maio de 2014. Apresenta o cálculo dos limites que entende corretos (fls. 739, 741, 743 e 745) em contraposição com aqueles informados no curso da fiscalização e utilizados na apuração dos tributos devidos (fls. 442, 441, 440 e 439). Requer, em suma, a utilização de dados contábeis em consonância com a Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, em especial após as alterações implementadas por via da Lei nº 11.638, de 28 de dezembro de 2007. Diante das alegações apresentadas, solicitase à unidade preparadora que, observado o disposto no art. 73 da Lei nº 12.973 de 2014, bem como no art. 59 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, identifique os limites previstos no art. 9º da Lei nº 9.249, de 1995, e apure os efeitos desses limites sobre a exigência fiscal constante dos autos.” Determinação que foi atendida e cujo resultado encontrase assim resumido: “2. Esclareçase preliminarmente que o limite para os Juros sobre Capital Próprio utilizado nos lançamentos tributários constantes do referido processo foi fornecido pelo próprio contribuinte e auditado pelo AFRFB responsável pelos lançamentos, a partir dos dados contábeis disponíveis. 3. Estabelece o art. 73 da Lei n° 12.973 de 2014: Art. 73. Para os anoscalendário de 2008 a 2014, para fins do cálculo do limite previsto no art. 9° da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, a pessoa jurídica poderá utilizar as contas do patrimônio líquido mensurado de acordo com as disposições da Lei n° 6.404, de 15 de dezembro de 1976. § 1º No cálculo da parcela a deduzir prevista no caput, não serão considerados os valores relativos a ajustes de avaliação patrimonial a que se refere o § 3° do art. 182 da Lei n° 6.404, de 15 de dezembro de 1976. § 2º No anocalendário de 2014, a opção ficará restrita aos não optantes das disposições contidas nos arts. 1º e 2º e 4º a 70 desta Lei. Conforme se constata, na redação do caput consta que "a pessoa jurídica poderá utilizar" (sublinhamos) e não que "deverá utilizar", ou seja, se a pessoa jurídica optou por não utilizar nos cálculos apresentados quando da fiscalização as contas de PL como disposto no caput, não caberia à fiscalização fazêlo. 11. Com base no PLIFRS, aplicando a TJLP e os "Ajustes de Valor Patrimonial", a empresa chegou aos seguintes valores de "Despesa Fl. 1028DF CARF MF Processo nº 16327.721155/201444 Acórdão n.º 1402002.445 S1C4T2 Fl. 1.029 12 Máxima Dedutível de Juros sobre o Capital Próprio" (vide doe. 03, anexo ao doc. CRTUAF219/2015): 2009: 723.398.823,91 2010: 812.406.450,83 2011: 926.098.944,36 2012: 1.030.137.111,73 12. A aplicação dos limites acima à planilha constante do Termo de Verificação n° 02/2013.006570 resulta nos seguintes "excessos de dedução", que correspondem às bases de cálculo dos lançamentos tributários de IRPJ e CSLL, cabendo aos Srs. Julgadores a decisão sobre sua aplicação concreta ao caso em pauta:” Cientificada do resultado da diligência, a autuada não se manifestou. DA DECISÃO RECORRIDA (fls. 918/935) Analisando o litígio, a 1ª Turma da DRJ/POA considerou procedentes os lançamentos, mantendo a autuação, em Acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010, 2011, 2012 Juros sobre o capital próprio. A lei é clara quanto ao destinatário do pagamento dos juros sobre o capital próprio, que é o titular, sócio ou acionista da pessoa jurídica pagadora. No caso de uma sociedade por ações, o pagamento deve ser feito ao acionista. O usufruto das ações não retira do nuproprietário a condição de acionista. O nuproprietário é o beneficiário dos juros sobre o capital próprio. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Não havendo, no lançamento objurgado, a incidência de juros sobre a multa de ofício, não se conhece do recurso quanto à matéria por falta de competência. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido DO RECURSO VOLUNTÁRIO A recorrente foi cientificada do R. decisum em 04/11/2015 (fls. 940), e apresentou Recurso Voluntário em 27/11/2015 (fls. 942/962), reprisando em grande parte os Fl. 1029DF CARF MF Processo nº 16327.721155/201444 Acórdão n.º 1402002.445 S1C4T2 Fl. 1.030 13 argumentos expostos na impugnação inicial, discorrendo longamente acerca do instituto do usufruto e sua aplicação ao caso concreto e, sequencialmente, rebatendo ponto a ponto a decisão recorrida, reafirmando a correção do seu procedimento e o equívoco do Fisco ao perpetrar os lançamentos. Combate a possível incidência de juros sobre a multa de ofício e conclui requerendo o provimento do recurso voluntário. DAS CONTRARRAZÕES DA PGFN A Fazenda Pública comparece aos autos (fls. 996/1013) pugnando pela correção do procedimento fiscal e da decisão recorrida, afastando, de forma pontual, todos os argumentos expressos pela recorrente no recurso voluntário. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Voto Vencido Conselheiro Paulo Mateus Ciccone – Relator Fl. 1030DF CARF MF Processo nº 16327.721155/201444 Acórdão n.º 1402002.445 S1C4T2 Fl. 1.031 14 O Recurso Voluntário é tempestivo e a recorrente está corretamente representada (fls. 965/967), sendo dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que o recebo e dele conheço. Não há preliminares. Passo ao mérito. A discussão tem quatro tomos: i) o principal, que cuida de fixar se os JCP devem ser pagos/creditados aos proprietários das ações ou aos usufrutuários delas; ii) subsidiariamente, se os valores lançados (em outro processo) a título de PIS e COFINS deveriam ter sido deduzidos das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL aqui apreciados; iii) ainda subsidiariamente, se o cálculo dos limites previstos no art. 9º da Lei nº 9.249, de 1995 teria sido corretamente observado pelo Fisco na consecução dos lançamentos; e, iv) por fim, se incidiriam juros sobre a multa de ofício. Principio pelo ponto central da lide, ou seja, a quem devem ser pagos/creditados os JCP no caso de ações gravadas com cláusula de usufruto. A simples análise do tema já mostra o conflito de entendimento existente entre a recorrente e o Fisco, mais ainda porque a matéria não tem sido frequente neste Colegiado Administrativo, talvez pelo fato de poucos contribuintes terem lançado mão de procedimento semelhante ao que aqui se vê. Neste cenário, a última decisão disponibilizada a que se pôde ter acesso é datada de 21/10/2014, Acórdão nº 1103001.123, da 3ª Turma da 1º Câmara da 1º Sejul, ainda com a composição de seis Conselheiros, processo decidido favoravelmente ao sujeito passivo, por maioria de votos. Para melhor compreensão do tema, impende rever a evolução histórica dos JCP, ainda que de forma resumida. Já antecipadamente à sua entrada no mundo jurídico, ocorrida pela Lei nº 9.249, de 26/12/1995, art. 9º, autores de contabilidade faziam referência a uma forma de remuneração do capital, ressaltando, todavia (certamente tolhidos pela legislação tributária que, à época, interferia de forma desmedida na ciência contábil), sua não aceitação como “despesa”, esta entendida para fins fiscais. Nesse contexto, pouco antes da promulgação da mencionada Lei, A. Lopes de Sá e A. M. Lopes de Sá2, escreviam (destaques não são do original): “JUROS SOBRE CAPITAL – Valor que deve apresentar o interesse ou compensação do capital aplicado em uma empresa, e que, segundo 2 in “CUSTO” – Dicionário de Contabilidade – 9ª Ed. – São Paulo – Atlas, 1995 – pgs. 273/274) Fl. 1031DF CARF MF Processo nº 16327.721155/201444 Acórdão n.º 1402002.445 S1C4T2 Fl. 1.032 15 algumas teorias, deverá ser incluído no custo de um produto (teoria de economistas e de raríssimos contabilistas); despesa figurativa que representa o valor que renderia um capital aplicado. A inclusão do valor dos juros sobre o capital como fator de custeio é bastante discutida ainda, por efeito de confusões que se estabelecem em nossa doutrina. Os juros sobre o capital não devem ser incluídos como fator de custo de operação, mas, apenas, extraordinariamente, para efeito de estudos de rentabilidade do capital e não de sua reditibilidade”. De se ver que o tema era quase um tabu, sendo entendido mais como um assunto afeto aos economistas que aos contabilistas, muito provavelmente pelo engessamento que a legislação tributária, mormente do IR, exercia sobre a Contabilidade e os profissionais da área. Muito a propósito: “A imputação dos juros sobre o capital próprio ao custo é matéria discutida em Contabilidade e a maior parte de nossos melhores autores concorda em não admitir tal como custo, pois julga que isto é mais um problema de Economia que de Contabilidade”.3 Nesse caminhar, foi necessária a devida permissão legislativa para que o assunto mudasse de cenário, ganhando a forma e a dimensão de hoje, o que se fez pela Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 9º, cuja redação atual é a seguinte: Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. § 1º O efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados.(Redação dada pela Lei nº 9.430, de 1996) § 2º Os juros ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de quinze por cento, na data do pagamento ou crédito ao beneficiário. § 3º O imposto retido na fonte será considerado: I antecipação do devido na declaração de rendimentos, no caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real; II tributação definitiva, no caso de beneficiário pessoa física ou pessoa jurídica não tributada com base no lucro real, inclusive isenta, ressalvado o disposto no § 4º; § 4º (Revogado pela Lei nº 9.430, de 1996) § 5º No caso de beneficiário sociedade civil de prestação de serviços, submetida ao regime de tributação de que trata o art. 1º do DecretoLei nº 2.397, 3 ibidem – pg. 120 – destaque acrescido pela Relatoria Fl. 1032DF CARF MF Processo nº 16327.721155/201444 Acórdão n.º 1402002.445 S1C4T2 Fl. 1.033 16 de 21 de dezembro de 1987, o imposto poderá ser compensado com o retido por ocasião do pagamento dos rendimentos aos sócios beneficiários. § 6º No caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real, o imposto de que trata o § 2º poderá ainda ser compensado com o retido por ocasião do pagamento ou crédito de juros, a título de remuneração de capital próprio, a seu titular, sócios ou acionistas. § 7º O valor dos juros pagos ou creditados pela pessoa jurídica, a título de remuneração do capital próprio, poderá ser imputado ao valor dos dividendos de que trata o art. 202 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, sem prejuízo do disposto no § 2º. § 8º Para os fins de cálculo da remuneração prevista neste artigo, não será considerado o valor de reserva de reavaliação de bens ou direitos da pessoa jurídica, exceto se esta for adicionada na determinação da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido. (Vide Medida Provisória nº 627, de 2013) (Vigência) § 9º. (Revogado pela Lei nº 9.430, de 1996) § 10. (Revogado pela Lei nº 9.430, de 1996) § 11. (Vide Medida Provisória nº 627, de 2013) (Vigência) Importante verificar que o artigo 35 dispôs que referida Lei entraria em vigor a partir de 1º de janeiro de 1.996, oportunidade em que também passou a viger outro dispositivo (art. 10)4 que excluiu da tributação do IR, os lucros e dividendos calculados com base nos resultados das pessoas jurídicas, em quaisquer de suas formas de apuração (Lucros Real, Presumido ou Arbitrado). A conjugação destes dois dispositivos (arts. 9º e 10) mostra que a intenção do legislador foi a de permitir que os empreendedores e investidores nos capitais das empresas mantivessem tais investimentos nas próprias pessoas jurídicas de que participassem recebendo, em contrapartida, remuneração por tal aplicação, ao invés de buscarem tais frutos no mercado financeiro. Em outras palavras, os JCP nada mais são e representam, que a compensação do capital investido por alguém, pessoa física ou jurídica, em uma empresa. Nesta trilha, não só se isentaram os “lucros” da tributação, como se permitiu que sobre o Capital e outras contas do Patrimônio Líquido se calculassem e pagassem JCP aos detentores de ações, quotas ou participações societárias (ou mesmo empreendedores individuais) permitindo, ainda, a reaplicação de tais montantes ao próprio Capital, aumentando a base de cálculo dos Juros. 4 Art. 10. Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior. Parágrafo único. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista. Fl. 1033DF CARF MF Processo nº 16327.721155/201444 Acórdão n.º 1402002.445 S1C4T2 Fl. 1.034 17 Tudo isso sem olvidar que a lei trouxe uma tributação extremamente favorecida no caso de beneficiárias pessoas físicas (15% de IRRF, ao invés de 27,5% na Declaração de ajuste anual) e o fato de as pessoas jurídicas tributadas pelo Lucro Real poderem deduzir tais montantes das bases imponíveis de IRPJ e CSLL (geralmente 34%). Neste hiato, imprescindível lembrar o contexto existente no Brasil quando a Lei nº 9.249/1995 foi promulgada. Até 1995 existia no País a Correção Monetária dos Balanços (CMB), sistema pelo qual os saldos credores ou devedores da CMB (confronto entre contas do Ativo Permanente e Patrimônio Líquido), resultavam em, i) lucro inflacionário, sobre o qual o tributo devido poderia ser diferido para pagamento quando de sua realização, ou, ii) despesas, dedutíveis in actu. Extinta a Correção Monetária com o advento do Plano Real, a CMB foi também expurgada do sistema contábil e fiscal. Com isso, dado que às obrigações junto a terceiros, assim como às aplicações financeiras continuaram sendo imputados juros, com evidente desequilíbrio patrimonial e reflexos tributários caso as contas do Patrimônio Líquido não seguissem sendo igualmente atualizadas pelo mesmo critério, o legislador acenou com o surgimento da figura aqui analisada, ou seja, a dos Juros sobre o Capital Próprio, calculados com base na variação pro rata dia da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) e sobre contas previamente definidas, permitindo a remuneração, a título de “juros”, ao sócio, acionista ou empreendedor individual. Surge daí a condição legal para seu pagamento, condicionada à existência de lucros antes da dedução dos próprios juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados, pagamento que a lei determina seja feito a titular, sócios ou acionistas (art. 9º, caput)5. Para melhor compreensão dos pressupostos ensejadores do nascimento dos Juros sobre o Capital Próprio no ordenamento jurídico, fundamental que se perscrute a exposição de motivos do Projeto de Lei nº 913/1995, origem do artigo 9º da Lei 9.249/1995 (atrás reproduzido), quando se perceberá que a intenção de permitir a dedução dos JCP do imposto de renda da pessoa jurídica que realiza o pagamento ou crédito dos Juros sobre o Capital Próprio foi baseada no princípio da isonomia, isto porque, antes da referida alteração legislativa, as pessoas jurídicas que possuíam capital financiado de terceiros, podiam deduzir os juros desse tipo de empréstimo da base de cálculo do imposto de renda, não havendo, entretanto, previsão legal para a mesma dedução no caso de investimento com capital próprio. Vejase o que diz a exposição de motivos do Projeto de Lei nº 913/1995 (depois Lei nº 9.249/1995) em relação ao artigo 9º: 5 Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. Fl. 1034DF CARF MF Processo nº 16327.721155/201444 Acórdão n.º 1402002.445 S1C4T2 Fl. 1.035 18 “A permissão da dedução de juros pagos ao acionista até o limite proposto [variação da Taxa de Juros de Longo Prazo – TJLP], em especial, deverá provocar um incremento das aplicações produtivas nas empresas brasileiras, capacitandoas a elevar o nível de investimentos, sem endividamento, com evidentes vantagens no que se refere à geração de empregos e ao crescimento sustentado da economia. Objetivo a ser atingido mediante a adoção de política tributária moderna e compatível com aquela praticada pelos demais países emergentes, que competem com o Brasil na captação de recursos internacionais para investimentos”. O deputado Antonio Kandir, relator do PL nº 913/1995, destacou seu entendimento a respeito do que viria a ser o artigo 9º, da Lei: “A medida visa a estimular o autofinanciamento das empresas, pela redução da diferença de tratamento que a atual legislação confere ao capital próprio e ao capital de terceiros. Como se sabe, os juros sobre empréstimos (capital de terceiros) são dedutíveis na determinação da base de cálculo do imposto de renda, enquanto os encargos implícitos sobre a parcela do capital próprio não podem ser deduzidos. Com isso, a empresa que se financia de formas preponderante com empréstimos de terceiros tem a vantagem comparativa com outra empresa do mesmo porte, que opera no mesmo setor, mas que prefira financiarse com capital próprio, pois que a primeira deverá pagar menos imposto de renda do que a segunda. (...) Os encargos implícitos sobre o capital próprio consistem no seu custo de oportunidade, vale dizer, no custo equivalente ao quanto renderia se aplicado no mercado financeiro”. O que o legislador buscou, portanto, foi criar um ambiente propício para que se aumentasse o autofinanciamento das empresas, gerando aumento em sua liquidez, sem endividamento, mediante a formação de capitais próprios, de seus acionistas ou sócios, em detrimento do uso dos empréstimos. Situação que se sintetiza na brilhante lição de Marco Aurélio Greco6 “Neste contexto é que aparece a figura das opções fiscais, que serão figuras criadas pelo ordenamento, propositalmente formuladas e colocadas à disposição do contribuinte para que delas se utilize, conforme a sua conveniência”. Postas estas premissas, podese afirmar que no Brasil o legislador optou por permitir uma forma mista de remuneração do capital para os investidores, a saber: i) dividendos; e, ii) juros sobre capital próprio, destacandose, TODAVIA, que essa divisão não é meramente acadêmica ou didática, pois dela resultam efeitos tributários diferentes, conforme se verá adiante. Esclareçase: ainda que tenham por fim remunerar o capital dos investidores, lucros e JCP têm contornos legais e tributários opostos, bem ao revés do entendimento de alguns de que os JCP possuem natureza de dividendos. Sobre os efeitos tributários antagônicos dos JCP e dos dividendos, a definição da Procuradora Federal Tarsila Ribeiro Marques Fernandes em artigo apresentado na rede mundial de computadores no dia 05/06/20137 é extremamente pertinente: 6 Planejamento Fiscal e Interpretação da Lei tributária – Dialética – 1998 – São Paulo. 7 Tarsila Ribeiro Marques Fernandes – Procuradora Federal Graduada em Direito pela UFPE – PósGraduada em Direito Público – artigo disponível no site www.conteudojuridico.com.br Fl. 1035DF CARF MF Processo nº 16327.721155/201444 Acórdão n.º 1402002.445 S1C4T2 Fl. 1.036 19 “Os dividendos são uma parte dos lucros de uma empresa que é dividida entre os acionistas. Nesse sentido, pessoas, físicas ou jurídicas, que possuem ações, títulos ou fundos mútuos, podem receber dividendos de tais investimentos. Cabe esclarecer que tanto os dividendos quanto os juros sobre capital próprio são formas de remuneração do investidor, com uma grande diferença tributária, uma vez que o pagamento dos dividendos não confere à pessoa jurídica o direito à dedução do imposto de renda, uma vez que há isenção do imposto de renda para o beneficiário. (...) Quaisquer valores pagos a título de dividendos como forma de remunerar os acionistas não são tributados, razão pela qual os investidores recebem integralmente os valores distribuídos (...) diferentemente do que acontece no Brasil em relação aos juros sobre capital próprio, que é considerado, como visto anteriormente, um custo dedutível da apuração do seu lucro real para fins de tributação do imposto de renda”. Dizendo de modo mais claro, lucros e dividendos estão fora da tributação do IR quando distribuídos, os JCP submetemse a toda uma sistemática de imposição tributária (na fonte, de forma exclusiva, quando os recebedores forem pessoas físicas), como antecipação, se beneficiários pessoas jurídicas, além de seu caráter de dedutibilidade na fonte pagadora (PJ com regime de tributação pelo Lucro Real). Resumidamente podese afirmar com segurança que: i) lucros e dividendos significam a participação do sócio/acionista/empreendedor individual no resultado positivo da atividade empresarial; e, ii) JCP revestemse de nítidos e indiscutíveis contornos de “remuneração do capital investido dos acionistas/sócios”, ou, no dizer do deputado Antonio Kandir, relator do Projeto que se transformou na Lei nº 9.249/1995: “os encargos implícitos sobre o capital próprio consistem no seu custo de oportunidade, vale dizer, no custo equivalente ao quanto renderia se aplicado no mercado financeiro”. Nesta linha é que o Código Civil de 2002, por seu artigo 1.0078 ÚNICA E TÃO SOMENTE cuidou de permitir que os lucros pudessem ser distribuídos de forma desigual às participações dos sócios/acionistas no capital, NÃO FAZENDO QUALQUER REFERÊNCIA EM RELAÇÃO AOS JCP (sempre lembrando que, quando da promulgação da Lei nº 10.406/2002, os JCP já existiam no ordenamento legal há sete anos, de modo que, se fosse intenção do legislador equiparar ambos institutos, o teria feito naquela oportunidade). 8 Art. 1.007. Salvo estipulação em contrário, o sócio participa dos lucros e das perdas, na proporção das respectivas quotas, mas aquele, cuja contribuição consiste em serviços, somente participa dos lucros na proporção da média do valor das quotas. Fl. 1036DF CARF MF Processo nº 16327.721155/201444 Acórdão n.º 1402002.445 S1C4T2 Fl. 1.037 20 Contextualmente, enquanto o Código Civil permite distribuição desproporcional dos lucros, os Juros sobre o Capital Próprio, por sua nítida natureza compensatória do investimento realizado e seu claro caráter de “custo de oportunidade”, só podem ser calculados sobre o Capital e na EXATA PROPORÇÃO da participação dos investidores no referido capital, sob pena de completo desvirtuamento do instituto. Mal comparando, mas bem comparando, imaginese uma sociedade de dois sócios, “A” e “B”, na qual o primeiro detenha 20% do capital e o segundo os restantes 80%. Se ambos deliberarem que os JCP serão pagos meio a meio, ou seja, 50% para cada um, como é que “A” (que só tem 20%) poderá habilitarse a receber 50% de juros sobre o capital próprio se o capital próprio que possui é apenas 20%? Como poderá receber juros sobre um capital que não detém?! Um verdadeiro absurdo sob o ângulo da própria lógica jurídica e cotidiana. Pois bem, feitas estas digressões, vejamos como se comportariam tais premissas no caso de o beneficiário do pagamento ou crédito dos JCP não ser o proprietário das ações, mas o usufrutuário delas. Que o usufruto é matéria afeta ao Direito Civil e frequenta nosso ordenamento jurídico há mais de uma centena de anos (cf. Código de 1916), é absolutamente pacífico. Que, como largamente assentado pela recorrente, o usufruto se constitui em direito real (Código Civil de 2002, artigo 1.225, IV), também induvidoso. Como é induvidoso que o usufruto pode recair sobre bens móveis ou imóveis, de um patrimônio inteiro ou parte dele9, que se estende aos acessórios da coisa e seus acrescidos10 e que sua transferência não se pode dar por alienação, sendo lícito cederse seu exercício por título gratuito ou oneroso11. Certo ainda que o usufrutuário tem direito à posse, uso, administração e percepção dos frutos (CC/2002, artigo 1394) e, em caso de título de crédito com usufruto, o detentor do usufruto terá direito a perceber os frutos e a cobrar as respectivas dívidas (ibidem, artigo 1395). Com este cenário estampado parece ter razão a recorrente quando pugna, exaustivamente, que os beneficiários dos JCP pagos/creditados seriam os usufrutuários e não os proprietários das ações, de modo que os lançamentos exigindo o reconhecimento da receita na contribuinte autuada não fariam sentido e, por isso, deveriam ser cancelados. 9 Código Civil – Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Art. 1.390. O usufruto pode recair em um ou mais bens, móveis ou imóveis, em um patrimônio inteiro, ou parte deste, abrangendolhe, no todo ou em parte, os frutos e utilidades. 10 Art. 1.392. Salvo disposição em contrário, o usufruto estendese aos acessórios da coisa e seus acrescidos. (ibidem) 11 Art. 1.393. Não se pode transferir o usufruto por alienação; mas o seu exercício pode ceder se por título gratuito ou oneroso. (ibidem) Fl. 1037DF CARF MF Processo nº 16327.721155/201444 Acórdão n.º 1402002.445 S1C4T2 Fl. 1.038 21 Em que pese a sempre brilhante argumentação do patrono da recorrente em todas as peças que produz, ouso dela discordar. É certo, como dito antes, que ao usufruto e aos usufrutuários aplicamse as normas expressas na legislação civil. Também é certo que, na forma dos artigos 109 e 110 do CTN12, os princípios gerais de direito privado podem ser utilizados no âmbito do direito para pesquisa de definição, conteúdo e alcance dos seus institutos, conceitos e formas, “mas não para definição dos respectivos efeitos tributários” e que a legislação tributária “não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado” e, desta forma, “definir ou limitar competências tributárias”. Todavia, e aí me parece residir a grande divergência de raciocínio entre as partes em combate, não houve por parte do Fisco, como quer fazer entender a recorrente, uma interpretação equivocada da legislação tributária, ao contrário, a Autoridade Fiscal única e tão somente assumiu legislação própria e específica da seara tributária (e não de natureza civil), aplicandoa ao caso concreto. Ou seja, não desvirtuou nem modificou nem alterou conceitos e formas de direito privado para imputar obrigações tributárias. Exatamente ao inverso. Os conceitos eram fechadamente de matéria fiscal, expressos na Lei nº 9.249, de 1996, de modo que impensável supor que a lei civil (direito privado), por um de seus institutos, “usufruto” possa ser fundamento para afastar regra de natureza específica e voltada ao Direito Tributário (ramo de direito público). Isso porque, como antes já relatado, os JCP surgiram no Brasil com cunho estritamente fiscal, tanto que sequer dele cuida a lei societária (Lei nº 6.404/1976), sempre lembrando que a lei nº 9.249/1996 (JCP) foi editada 20 anos após a dita Lei das S/A que, diga se, já sofreu inúmeras alterações, ampliações e revogações, sem que JAMAIS este tópico tenha sido a ela incorporado pelo legislador. Em síntese, como bem apontado pela Procuradoria Fazendária em suas contrarrazões, “os JCP não estão previstos em normas de direito privado, mas em norma específica tributária” (fls. 1009), de forma que se está diante de um instituto com faceta exclusiva do Direito Tributário, impondo concluir que, regidos os JCP unicamente pelo art. 9º da Lei nº 9.249, de 1996, encontramse a salvo de que um instituto privado possa vir a lhes modificar o regime jurídico tributário. Mais a mais, o fato de a Lei nº 6.404/1976 fazer referência ao usufruto e permitir pagamento de dividendos aos usufrutuários de ações em nada modifica o quadro aqui estampado, muito ao contrário o reforça, isto porque na referida lei só se tratou de dividendos, em nenhum momento de “juros sobre capital próprio”. 12 Art. 109. Os princípios gerais de direito privado utilizamse para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários. Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Fl. 1038DF CARF MF Processo nº 16327.721155/201444 Acórdão n.º 1402002.445 S1C4T2 Fl. 1.039 22 Enfaticamente, “os juros sobre o capital não ostentam o mesmo caráter jurídico dos dividendos” (Edmar Oliveira Andrade Filho). Ainda nas palavras do renomado autor, “aqueles remuneram os investidores em razão da indisponibilidade dos recursos enquanto os dividendos os remuneram pelo sucesso do empreendimento”.13 (negritouse). Fábio Konder Comparato14 leciona: “Os juros calculamse sobre quantia fixa (principal), em função do tempo decorrido. Os dividendos, embora calculados sobre quantia fixa, só podem ser pagos com os resultados positivos obtidos na exploração empresarial, resultados esses cuja variação não está ligada à fluência do tempo”. Para Umberto Navarrini e G. Fagella (in “Das Sociedades Comerciais – v.2 – Rio de Janeiro – José Konfino – 1950 – fls. 532 – citado por Edmar Oliveira Andrade Filho obra citada – fls. 448): “A oposição entre dividendos e juros é aqui marcada de maneira decidida: os primeiros representam o lucro da sociedade, os outros deveriam representar a compensação pelos riscos que os sócios correm”. Ou seja, SEMPRE E SEMPRE, os juros remuneram o capital investido pelos acionistas, sócios ou empreendedor individual. Os dividendos são parte do lucro obtido. Para que estes existam é necessário que o resultado seja positivo. Para que aqueles sejam pagos/creditados, basta a existência de valores positivos no Patrimônio Líquido da sociedade sobre o qual serão calculados. Se os dividendos têm previsão na norma societária (por exemplo, artigos 26, 42, 111, 118, da Lei nº 6.404/1976) e o usufruto e usufrutuário são destacados no mesmo diploma legal (artigos 40, 114) e, mais especificamente ainda, o artigo 205 prevê pagamento de dividendos a usufrutuários15, na legislação que cuida dos JCP (Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995) não se vê UMA ÚNICA CITAÇÃO, por mínima que seja, de que os juros possam ser pagos a “usufrutuários”. Muito diversamente, a redação do artigo 9º é claríssima no sentido de determinar a remuneração do investidor que aportou recursos na pessoa jurídica, ou seja, aquele que retirou recursos próprios e, acreditando no empreendimento do qual participa, deixou de aplicálo em outros investimentos e carreouos à própria empresa. Vejase (destacado): Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, 13 Edmar Oliveira Andrade Filho – in Imposto de Rendas das Empresas – 10ª Ed. Atlas – SP – 2013 – fls. 447/448 14 Direito Empresarial – São Paulo – Saraiva – 1990 fls. 164165) 15 Art. 205. A companhia pagará o dividendo de ações nominativas à pessoa que, na data do ato de declaração do dividendo, estiver inscrita como proprietária ou usufrutuária da ação. Fl. 1039DF CARF MF Processo nº 16327.721155/201444 Acórdão n.º 1402002.445 S1C4T2 Fl. 1.040 23 sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. Na trilha da jurisprudência deste Colegiado (Ac. n° 10196.692) IRPJ — JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO — Os juros sobre capital próprio investido pela sociedade em outra empresa não têm natureza de lucro ou dividendo, mas de receita financeira. Regime jurídico tributário diferenciado. Os juros recebidos em decorrência de aplicação capital próprio em outra pessoa jurídica compõem a base de cálculo do IRPJ. (grifamos) Foi vista antes, a exposição de motivos que compôs o PL nº 913/1995, posteriormente Lei nº 9.249/1995. Vejase abaixo a exposição de motivos quando da conversão do PL na própria Lei: 10. Com vistas a equiparar a tributação dos diversos tipos de rendimentos do capital, o Projeto introduz a possibilidade de remuneração do capital próprio investido na atividade produtiva, permitindo a dedução dos juros pagos aos acionistas, até o limite da variação da Taxa de Juros de Longo prazo TJLP; compatibiliza as alíquotas aplicáveis aos rendimentos provenientes de capital de risco àquelas pela qual são tributados os rendimentos do mercado financeiro; desonera os dividendos; caminha na direção da equalização do tratamento tributário do capital nacional e estrangeiro; e revoga antiga isenção do imposto de renda incidente sobre a remessa de juros para o exterior, prevista no Decreto Lei nº 1.215, de 1972 (arts. 9º a 12, § 2º do art. 13, art. 28, e inciso I do art. 32), a fim de que não ocorra qualquer desarmonia no tratamento tributário que se pretende atingir. Igualandose, para esse fim, o aplicador nacional e estrangeiro. 11. A permissão de dedução de juros pagos ao acionista, até o limite proposto, em especial, deverá provocar um incremente das aplicações produtivas nas empresas brasileiras capacitandoas a elevar nível de investimentos, sem endividamento, com evidentes vantagens no que se refere à geração de empregos e ao crescimento sustentado da economia. Objetivo a ser atingido mediante a adoção de política tributária moderna e compatível com aquela praticada pelos demais países emergentes, que competem com o Brasil na capacitação de recursos internacionais para investimento. O Superior Tribunal de Justiça, ao apreciar o Recurso Especial nº 1.169.202 – SP, que tratou do direito de voto relativamente a ações objeto de usufruto vidual (usufruto em função de herança), adotou posição que não destoa da acima esposada. Confirase excerto do voto da Ministra Nancy Andrighi: “(...) Acrescentese a isso o fato de que o nuproprietário permanece acionista, inobstante o usufruto, e sofre os efeitos das decisões tomadas nas assembléias em que o direito de voto é exercido”. (grifouse) Em resumo, pela literal definição do artigo 9º, da Lei nº 9.249, de 26/12/1995, os JCP devem se pagos ao acionista. Mesmo que constituído o usufruto sobre as ações, o nuproprietário permanece sendo o acionista. É a ele, então, que devem ser pagos os juros, tendo em vista a relação jurídica travada no âmbito tributário. Não ao usufrutuário. Neste momento, permitome voltar aos dizeres dos artigos 109 e 110 do CTN, olhandoos agora sob novo enfoque. Fl. 1040DF CARF MF Processo nº 16327.721155/201444 Acórdão n.º 1402002.445 S1C4T2 Fl. 1.041 24 Se não é permitido subverter as normas, conteúdo e alcance dos institutos de direito privado (Direito Civil) para definir os respectivos efeitos tributários e se a legislação tributária “não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado” para “definir ou limitar competências tributárias”, a mão inversa sofre a mesma ou até maior restrição, digase, não é possível, como quer a recorrente, ampararse em conceitos e definições de caráter privado (usufruto e usufrutuários) para obter um benefício que a lei fiscal, ou seja, lei tributária, NÃO CONCEDEU. Ora, como exaustivamente visto, os JCP não fazem parte do arcabouço de normas de direito privado, mas, sim, norma de específica vigência na área tributária, ou seja, a celeuma envolve instituto exclusivo da esfera do direito tributário, de tal forma que regidos exclusivamente pelo que foi disposto no art. 9º da Lei nº 9.249, de 1996, não se permite que instituto de natureza privada possa modificar seu regime jurídico. Por todos estes pontos, plenamente relevantes e pertinentes a remessa ao artigo 123 do CTN (ratificada pela decisão recorrida), posto que aplicável tal dispositivo ao caso sob análise, valendo registrar os argumentos expressos pelo voto condutor do acórdão recorrido acerca da matéria: “Sobre a aplicação da norma constante do art. 123 do CTN ao caso dos autos, o impugnante a entende equivocada. Defende que os juros sobre o capital próprio consistem em direito do usufrutuário. Os juros a ele pertenceriam desde o pagamento ou crédito inicial. Dito de outra forma, não teria havido a transferência do encargo fiscal. Consoante já demonstrado à saciedade, a lei tributária determina o contrário, ou seja, que o pagamento ou crédito dos juros se dá em favor do acionista, que é o nuproprietário. Dessa forma, a operação engendrada pelo impugnante redundou na transferência do encargo fiscal do sujeito passivo legalmente eleito (acionista/nuproprietário) para terceiro (usufrutuário). Passo seguinte é a interpretação da regra insculpida no art. 123 do CTN.Seria a regra circunscrita às convenções que tenham por objeto a definição de quem será o responsável pelo pagamento do tributo? Ou também seria aplicável às convenções que não tivessem esse objeto de forma explícita, mas que atingissem o efeito da transferência do encargo fiscal? Entendo que a segunda hipótese é aquela que consta da regra. Repriso a norma: “Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes.” A meu juízo, a expressão “relativas à responsabilidade” deve ser entendida como “relacionadas com a responsabilidade”. O fim colimado pela norma é vedar que ajustes privados alterem a definição legal do sujeito passivo. No caso do autos, a convenção particular (usufruto) não possui por objeto específico a responsabilidade pelo pagamento, mas imprime alteração na sujeição passiva, segundo o entendimento do impugnante (os juros sobre o capital próprio pertencem ao usufrutuário Fl. 1041DF CARF MF Processo nº 16327.721155/201444 Acórdão n.º 1402002.445 S1C4T2 Fl. 1.042 25 desde o seu pagamento ou crédito inicial). Sob esse ângulo, a aplicação do art. 123 do CTN ao caso dos autos se apresenta correta”. Resumindo, é impensável que uma norma cogente e de observância compulsória, advinda do Poder Público, possa ter seus contornos e responsabilidades alteradas meramente por uma convenção entre partes privadas e assim modificar o sujeito passivo previamente fixado por lei. No caso concreto, a se aceitar tal tese estarseia modificando o sujeito passivo eleito pela lei fiscal (Lei nº 9.249/1995), ou seja, o ACIONISTA, proprietário das ações, substituindoo pelo “usufrutuário”, figura jurídica advinda do direito privado e não citada na norma legal em momento algum. Em síntese, nenhuma convenção ou negócio entre particulares pode servir como fundamento para alterar o que foi definido na legislação tributária. O entendimento dado pela recorrente à matéria levaria à substituição da sujeição passiva tributária, em clara violação ao que dispõe o art. 123 do CTN e art. 9º da Lei nº 9.249, de 1996. Seria o mesmo que aceitar, por exemplo, que um acordo de natureza privada pudesse determinar ao Poder Público Municipal que lançasse o IPTU de um imóvel contra o “inquilino” deste imóvel e não contra o “proprietário”, só porque no contrato de locação estaria definido que o ônus financeiro deste tributo correria por conta do citado inquilino. Claro que este tipo de contrato existe e é bem comum (o inquilino arcar com o ônus do IPTU do imóvel alugado), mas ele só tem valor entre as partes, ou seja, o morador geralmente reembolsa o montante do imposto ao proprietário que faz o pagamento do tributo ao município, na qualidade de contribuinte que é. Ou seja, o IPTU é lançado contra o proprietário e não em desfavor do inquilino, não sendo possível alterarse o sujeito passivo eleito pela lei, posto que inadmissível opor acordo de cunho privado aos ditames da legislação tributária, conforme literal disposição do artigo 123 do CTN. Por fim, entendo carecer razão à recorrente quanto às alegações de que o Fisco teria questionado a criação da empresa IUPAR ou que o usufruto sobre as ações tenha sido feito irregularmente. Na verdade, o que o Fisco questionou foi a interpretação das normas tributárias pela autuada, com a consequente apuração dos tributos que a contribuinte estava obrigada a recolher aos cofres públicos, tidos como feitos de modo irregular, jamais interferir em procedimentos de natureza privada e privativa do sujeito passivo. Em linguajar diverso, o que a Autoridade Fiscal suscitou foram os efeitos tributários que a contribuinte pretendeu conferir às receitas provenientes de JCP. Neste eito, absolutamente irrelevante a afirmação da recorrente de que “se os acionistas não tivessem aportado ações na Recorrente, os tributos que o Fisco perceberia seriam menores” (RV – fls. 955 – destaque no original). Não se trata de que os tributos devidos e recolhidos sejam “maiores” ou “menores”. Tratase, sim, da correta aplicação da norma jurídica. Fl. 1042DF CARF MF Processo nº 16327.721155/201444 Acórdão n.º 1402002.445 S1C4T2 Fl. 1.043 26 Neste panorama, por tudo o que se viu até agora, é possível chegarse à inevitável pergunta: “Os usufrutuários das ações, acionistas da recorrente, estariam impedidos, de receber os benefícios dos JCP?” Ou, mudando os dizeres do questionamento, “pode o Fisco intrometerse em contratos de natureza estritamente privadas e celebrados por particulares, desqualificandoos?” Em ambos os casos a resposta, certamente, é NÃO! O que o Fisco pode, sim, é exigir, à vista da estrita obediência aos regramentos legais que permeiam a legislação tributária, que tais pagamentos de JCP – exclusivamente sob o ângulo do direito fiscal, sejam à referida legislação subordinados. Só isso. Não se trata de invasão indevida a atos praticados por particulares e contratos de natureza privada, mas de submeter tais acordos aos perímetros da lei. Concretamente, nada, mas nada mesmo! poderia impedir que os acionistas da IUPAR fossem remunerados pelo pagamento de JCP, mas não na categoria de “usufrutuários” como pretendido, recebendo pagamentos feitos pela empresa da qual a IUPAR é a acionista (e não eles, usufrutuários), no caso, Itaú Unibanco Holding S/A, mas, sim, recebendo os benefícios dos juros quando pagos pela recorrente, IUPAR, na qualidade de acionistas que são desta sociedade e não daquela (Itaú Unibanco Holding S/A) . Neste cenário, a recorrente receberia, como acionista que é da Itaú Unibanco Holding S/A, os JCP pagos pela sua investida e, subsequentemente, se entendesse viável, calcularia e pagaria juros sobre o capital próprio para seus acionistas (no caso, as pessoas físicas/jurídicas) que compõem sua estrutura societária, e aí não mais como USUFRUTUÁRIOS, mas como ACIONISTAS. Esquematicamente: 1. Itaú Unibanco Holding S/A pagaria JCP à sua acionista IUPAR 2. IUPAR pagaria JCP a seus acionistas pessoas físicas/jurídicas Neste fotograma simbólico, o Fisco não poderia impedir, criar obstáculos ou impor óbices ao procedimento. Com este singelo e elementar procedimento estariam atendidas as legislações fiscais e societárias e o questionamento do Fisco inexistiria. Assumindo postura diferente, ainda que por razões de manter o controle das decisões na empresa investida (o que é bastante lógico sob o ponto de vista societário), tenha sido engendrada toda a engenharia que estampa sua estrutura social, a verdade é que acabou por atrair para si o ônus de enfrentar a legislação fiscal, visto ter esta outra dimensão além das que se relacionam com o direito privado, exatamente por envolver o interesse público. Fl. 1043DF CARF MF Processo nº 16327.721155/201444 Acórdão n.º 1402002.445 S1C4T2 Fl. 1.044 27 Neste patamar, reforcese, ainda que sob o enfoque civil, comercial e societário não haja o que opor ao acordado e decidido pela recorrente em sua vida social privada, debaixo da ótica fiscal o regramento tem outra configuração, tanto que permitiu à Autoridade Fiscal perpetrar os lançamentos ora analisados. Voltando um pouco atrás, tivesse a recorrente procedido como assentado neste voto, digase, tivesse ela tivesse recebido os JCP da investida (Itaú Unibanco Holding S/A) e posteriormente pago os JCP a seus acionistas (agora não mais como usufrutuários) e nada seria questionado. Ocorre que, na verdade, este modus operandi traz um “problema”: aumento da carga tributária, nem sempre – ou quase nunca! – interessante para os contribuintes. Realidade observada com perspicácia por Hiromi Higuchi et alli16: “A vantagem fiscal do pagamento de juros sobre o capital próprio desaparece quando a beneficiária é pessoa jurídica, por vários motivos. A pessoa jurídica, na redistribuição de juros sobre o capital próprio, terá que observar as condições de dedutibilidade, nem sempre possíveis de serem cumpridas. A redução para zero das alíquotas de PIS e COFINS incidentes sobre as receitas financeiras, de que trata o Decreto nº 5.164, de 2004, substituído pelo Decreto nº 5.442, de 2005, excluiu do benefício os juros sobre o capital próprio. Com isso, as empresas tributadas pelo lucro real pagam PIS e COFINS de 9,25% sobre a receita recebida. Se a beneficiária dos juros sobre o capital próprio for tributada pelo lucro presumido, além de pagar o PIS e a COFINS de 3,65%, os juros recebidos entram na base de cálculo de IRPJ e CSLL a título de outros rendimentos, sem aplicação dos percentuais de presunção do lucro, ou seja, 15% mais 9% sem a incidência do adicional. Em alguns grupos empresariais, entre a pessoa jurídica produtiva e a pessoa física investidora encontramse duas ou três pessoas jurídicas meramente investidoras. Nesta hipótese, o aumento de ônus tributário de 9,25% ocorre em cada pagamento na cadeia de participação societária porque a pessoa jurídica que paga os juros, a despesa financeira não gera nenhum crédito de PIS e COFINS”. (destacouse). Concluindo, o beneficiário dos JCP pagos/creditados é o acionista que detém a nuapropriedade das ações, ainda que gravadas com cláusula de usufruto e não os usufrutuários, sendo inaplicável perfilar institutos jurídicos diferentes (dividendos e juros sobre capital próprio) como se fossem simétricos, primeiro porque um é destacado do lucro e exige resultado positivo para que possa ser distribuído e o outro é remuneração de recursos próprios do investimento feito pelo acionista; depois porque suas bases legais são diferentes, os dividendos e os eventuais usufrutos gravados sobre ações sustentandose na Lei nº 6.404/1976 e os JCP com fulcro em Lei Fiscal de caráter específico que não se refere, em momento algum, à possibilidade de os pagamentos serem feitos a “usufrutuários”. 16 Hiromi Higuchi, Fabio Hiroshi Higuchi e Celso Hiroyoki Higuchi – Imposto de Renda das Empresas – Interpretação e Prática – 35ª Ed. – IR Publicações Ltda. – São Paulo – 2010 – fls. 119/120 Fl. 1044DF CARF MF Processo nº 16327.721155/201444 Acórdão n.º 1402002.445 S1C4T2 Fl. 1.045 28 De outro lado, acordos entre partes não podem ser opostos ao Fisco para modificar a definição legal do sujeito passivo relativamente às obrigações tributárias correspondentes (CTN, art. 123) sendo tais acordos, como o próprio nome diz, nada mais que res inter alios17 e como tal devem ser tratados. Assim, não reconhecida pela recorrente a receita dos JCP pagos/creditados pela Itaú Unibanco Holding S/A, correta a imputação feita pela Fiscalização, exigindo o IRPJ e a CSLL devidos. Em relação aos aspectos invocados subsidiariamente, i) se os valores lançados (em outro processo) a título de PIS e COFINS deveriam ter sido deduzidos das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL aqui apreciados, e, ii) se o cálculo dos limites previstos no art. 9º da Lei nº 9.249, de 1995 teria sido corretamente observado pelo Fisco na consecução dos lançamentos, adoto a posição da decisão recorrida por bem exprimir o contexto e com ela concordar, sem ressalvas: “No que diz respeito à consideração das exigências da Cofins e do PIS para fins da apuração das exigências do IRPJ e da CSLL, entendo que a dedução seja contrária aos termos da lei. Segundo o art. 41 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, os tributos são dedutíveis da base de cálculo do IRPJ segundo o regime de competência, excetuada a hipótese na qual a exigibilidade do tributo a ser deduzido estiver com a exigibilidade suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art. 151 do CTN. Dentre as hipóteses de suspensão referidas na norma, encontram se “as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo” (inciso III). As exigências da Cofins e do PIS cuja dedução é reclamada foram objeto do processo administrativo nº 16327.720751/201415. Em 10 de março de 2015, a 3ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém manteve o lançamento da Cofins e do PIS. Em 14 de abril de 2015, o contribuinte apresentou recurso voluntário dirigido ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Assim, diante dos termos da lei, incabível a dedução reclamada”. (*) O art. 73 da Lei nº 12.973, de 2014, facultou ao contribuinte a utilização de dados contábeis em consonância com a Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, em especial após as alterações implementadas por via da Lei nº 11.638, de 28 de dezembro de 2007, para fins de cálculo dos limites previstos no art. 9º da Lei nº 9.249, de 1995. A norma que outorgou a faculdade foi editada no dia 13 de maio de 2014. O contribuinte foi instado a apresentar os valores das contas do patrimônio líquido e o conseqüente cálculo dos limites de dedução dos juros sobre o capital próprio em 16 de outubro de 2014 (fl. 436). Em função dessa solicitação fiscal, o contribuinte apresentou seus cálculos em 12 de novembro de 2014 (fl. 437). Indicou cálculos realizados em 4 de novembro de 2014 (fls. 439, 440 e 441). Concluise, assim, que o contribuinte não havia exercido a opção a ele disponibilizada desde 13 de maio de 2014. Por tal motivo, incabível a alteração do lançamento em função da possibilidade prevista no art. 73 da Lei nº 12.973, de 2014”. 17 Coisa entre terceiros Fl. 1045DF CARF MF Processo nº 16327.721155/201444 Acórdão n.º 1402002.445 S1C4T2 Fl. 1.046 29 (*) Posição que permanecia inalterada quando do julgamento deste processo em março/2017. DOS JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Rebelase a recorrente contra a possibilidade da imposição de juros de mora sobre a multa de ofício aplicada no lançamento. Embora ressalve, de plano, que a incidência de juros de mora à taxa Selic sobre a Multa de Ofício, é questão superveniente ao presente lançamento, é se apreciar a matéria, já que, inexoravelmente, tal acréscimo virá integrar o crédito tributário objeto de discussão. Consoante dizer do art. 113 do Código Tributário Nacional – CTN, a obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária, entendida esta como decorrente de obrigação tributária principal. E se referido crédito tributário (penalidade) não for pago integralmente no vencimento deve ser acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, aplicandose a taxa de 1% ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso (art. 161, § 1º, do CTN): “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.”(negrejouse e grifouse) Assim, a cobrança de juros de mora sobre a penalidade pecuniária cabível encontra fundamento de validade no próprio CTN. Por outro lado, só é plausível se falar na incidência de juros de mora pelo atraso no recolhimento quando o crédito tributário inadimplido sujeitase a prazo de vencimento, o que ocorre com relação ao tributo, à contribuição e à multa de ofício, e não com a multa de mora, a menos que esta última seja exigida isoladamente, mediante lançamento de ofício. Valendose da exceção legal contida no art. 161, § 1º, do CTN, a Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, dispôs que, a partir de 1º de abril de 1995, sobre os tributos e contribuições sociais não recolhidos no prazo de vencimento incidem juros de mora calculados à taxa Selic (art. 13): Lei nº 9.065, de 1995: Fl. 1046DF CARF MF Processo nº 16327.721155/201444 Acórdão n.º 1402002.445 S1C4T2 Fl. 1.047 30 Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a 2, da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995: “Art. 84. Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1º de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna; (...).” Seguindoa, a Lei nº 9.430, de 1996, foi mais genérica, dispondo que os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições, com fato gerador ocorrido a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos no vencimento, serão acrescidos de juros de mora à taxa Selic (art. 61): “Multas e Juros Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo Fl. 1047DF CARF MF Processo nº 16327.721155/201444 Acórdão n.º 1402002.445 S1C4T2 Fl. 1.048 31 até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Consistindo a multa de lançamento de ofício em débito para com a União, de natureza de obrigação tributária principal, correta a interpretação de que, sobre referida penalidade incidem juros à taxa Selic, a partir do seu vencimento. Corroboram, ainda, a conclusão acima, as razões abaixo dispostas. De fato, a mesma Lei nº 9.430, de 1996, reportandose especificamente à multa de mora inadimplida, dispôs que sobre ela incidem juros de mora à taxa Selic, quando exigida de ofício, isolada ou conjuntamente (art. 43): “Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Com efeito, como já ressaltado anteriormente, sobre a multa de mora não há de se cogitar na incidência de juros, pois referida penalidade pecuniária é desprovida de vencimento, exceto quando exigida mediante lançamento de ofício, como regula o dispositivo supra, momento o qual se impõe um prazo legal para o seu adimplemento. Da mesma forma ocorre com relação aos juros. Estes não têm vencimento legal para o seu cumprimento, a menos que exigidos por meio de lançamento de ofício. Resta claro, pelo dispositivo acima transcrito, que sobre a penalidade exigida de ofício incidem juros de mora à taxa Selic. No âmbito do Poder Judiciário, o Superior Tribunal de Justiça, em recente decisão, já legitimou a incidência dos juros sobre a totalidade do crédito tributário, aí incluída a multa de ofício. Vejase: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Fl. 1048DF CARF MF Processo nº 16327.721155/201444 Acórdão n.º 1402002.445 S1C4T2 Fl. 1.049 32 Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. AgRg no REsp 1.335.688PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/2012 DJe 10/12/2012 Acresçase que a matéria já está amplamente consolidada nesta Corte no âmbito das três turmas da CSRF: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão 9101002.180, CSRF, 1ª Turma) JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC.A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu inadimplemento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (Acórdão 9202003.821, CSRF 2ª Turma) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. (Acórdão 9303003.385, CSRF, 3ª Turma). Assim, neste item, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício lançada. Concluindo, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendo integralmente a decisão recorrida. É como voto. Brasília (DF), em 10 de abril de 2017. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 1049DF CARF MF Processo nº 16327.721155/201444 Acórdão n.º 1402002.445 S1C4T2 Fl. 1.050 33 Voto Vencedor Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Redator Designado. Em quem pesem os excelentes argumentos do i. Conselheiro Relator, ouso discordar de seu entendimento. Conforme relatado, as acionistas da Recorrente subscreveram parcela de seu capital mediante aporte de ações do ITAÚ UNIBANCO HOLDING, com reserva de usufruto dos direitos patrimoniais. Desse modo, a Recorrente tornouse titular somente da nua propriedade e do direito de voto dessas ações. No entender da Recorrente, os usufrutuários se mantiveram na titularidade do direito aos dividendos e aos juros sobre capital – JCP atribuído àquelas ações. Para o Fisco, os rendimentos de JCP deveriam ser atribuídos ao sócio ou acionista da fonte pagadora (nuaproprietária – a Recorrente), não havendo que se falar no pagamento desses juros em favor dos usufrutuários. Compulsando os autos, concluise que é fato inconteste que a Recorrente, nuaproprietária, não recebeu juros sobre capital próprio pagos por ITAÚ UNIBANCO HOLDING. Também é incontroverso que os beneficiários dos referidos JCP foram os acionistas da fonte pagadora. Na lavratura do auto de infração, em momento algum, imputouse qualquer ato simulado, como, por exemplo, o fato de os JCP terem sido pagos diretamente aos acionistas da Recorrente (usufrutuários), mas repassados ardilosa e dolosamente para a Recorrente (nua proprietária). Nessa linha de raciocínio, a Recorrente estaria sendo tributada por não ter recebido uma renda que, no entender do Fisco, deveria ter recebido? A meu ver, sim. Com a devida vênia aos que entendem de modo contrário, entendo estarmos diante de hipótese em que se desejou tributar quem efetivamente não auferiu renda. Conforme salientado, se a acusação fosse de simulação, no sentido de que o fato realmente ocorrido teria sido o pagamento de JCP à Recorrente, camuflado por supostos pagamentos a seus acionistas, poderseia discutir se realmente há fato tributável a imporse à Recorrente. No caso concreto, com o perdão da redundância, o lançamento impõe “tributação sobre a renda” de quem não auferiu renda. Em sentido semelhante, assim decidiu em CARF em lançamento envolvendo a matéria sob exame: [...] USUFRUTUÁRIOS SÃO EFETIVOS TITULARES DOS JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO DE RECEITAS PELA AUTUADA, NUAPROPRIETÁRIA DAS AÇÕES. Em virtude da reserva de usufruto dos direitos econômicos, a titularidade dos rendimentos provenientes dos JCP foi corretamente interpretada pela autuada como sendo dos seus sócios, usufrutuários das ações do Banco Daycoval, razão Fl. 1050DF CARF MF Processo nº 16327.721155/201444 Acórdão n.º 1402002.445 S1C4T2 Fl. 1.051 34 pela qual não há que se falar no reconhecimento de receitas dos JCP pela autuada e, por óbvio, na sua omissão. [...] (Acórdão 1103001.123) Partindose da premissa adotada pela autoridade fiscal autuante de que o JCP somente poderia ter sido pago aos acionistas da fonte pagadora, o lançamento poderia ter atacado outras frentes: cobrar eventual diferença de imposto dos reais beneficiários dos rendimentos em questão (no caso, os acionistas da Recorrente), bem como glosar na fonte pagadora (ITAÚ UNIBANCO HOLDING) os valores contabilizados como JCP, pois, se os valores foram efetivamente pagos a quem não faria jus ao JCP, os valores pagos não seriam dedutíveis. Nesse mesmo sentido este colegiado já decidiu no acórdão 1402002.119, de minha lavra. Vejase a parte de ementa de tal julgado que interessa ao caso concreto: JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. PAGAMENTO DESPROPORCIONAL À PARTICIPAÇÃO NO CAPITAL SOCIAL Os juros sobre capital próprio que são dedutíveis na apuração do resultado tributável são somente os que são pagos ou creditados individualizadamente a cada titular, sócio ou acionista a título de remuneração do capital. Não se enquadram como tal e são indedutíveis os juros pagos ou creditados que excederem ao que beneficiário teria direito de acordo com sua participação no capital social da empresa. Conforme bem delineado em tal precedente, como os JCP não são despesas incorridas ao natural, entendo que, para sua dedutibilidade, fazse necessário o preenchimento de todos os requisitos legais exigidos para tanto. Por conseguinte, os valores pagos em descompasso com a legislação não poderiam ser considerados despesas com juros sobre capital próprio. Logo, tornamse despesas indedutíveis. Mas não foi esse o procedimento adotado pelo Fisco. Simplesmente por essas razões, entendo que o recurso voluntário já poderia ser provido, eis que consta no polo passivo da obrigação sujeito que não pode ser considerado contribuinte ou responsável pelo crédito tributário em questão. Mas há razões adicionais e independentes para tanto. Ao contrário do afirmado pela autoridade fiscal e confirmado pela DRJ, entendo que os usufrutuários fazem sim direito aos JCP. A matéria em litígio diz respeito à interpretação da legislação tributária atinente ao pagamento de JCP diretamente ao usufrutuário em decorrência de rendimentos produzidos pelas participações societárias que foram objeto de usufruto. Cumprese então analisar o conteúdo das normas jurídicas que se extrai do art. 9º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. Para tanto, fazse necessário destacar o disposto no art. 109 do Código Tributário Nacional – CTN, verbis: Art. 109. Os princípios gerais de direito privado utilizamse para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus Fl. 1051DF CARF MF Processo nº 16327.721155/201444 Acórdão n.º 1402002.445 S1C4T2 Fl. 1.052 35 institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários. Visto sob esse prisma, há de se levar em consideração que o conceito a ser aplicado ao usufruto deve ser extraído a partir do conjunto normativo do direito privado, uma vez que tal instituto é inteiramente regulado pelo Código Civil. É importante ressaltar que, se por um lado, é lícito ao legislador conferir efeitos tributários próprios a tal instituto, tal liberdade não é dada ao intérprete. Contudo, no âmbito tributário, o legislador não atribuiu ao instituto do usufruto efeitos tributários específicos. Nesse contexto, mesmo para fins tributários devemse interpretar as operações envolvendo usufruto de acordo com os efeitos típicos decorrentes do direito privado, e, tratandose de usufruto de ações, necessário se faz lançar mão das normas de direito societário. De acordo com o art. 1.228 do Código Civil, o proprietário tem a faculdade de usar, gozar e dispor da coisa, e o direito de reavêla do poder de quem quer que injustamente a possua ou detenha. Já os artigos 1.390 a 1.394 do Código Civil tratam do usufruto, o qual, em apertada síntese, pode ser tratado como uma cisão das faculdades inerentes ao direito de propriedade, hipótese em que o direito real de obtenção dos frutos e das utilidades é conferido a outrem. Enquanto o usufrutuário passa a deter a posse direta da coisa (com direito real de uso e gozo do bem), inclusive mediante exploração econômica do bem (direito a rendimentos e acessórios), o nuproprietário permanece com a faculdade de dispor do bem. Para que não pairem dúvidas a respeito da possibilidade de usufruto em caso de ações, a Lei nº 6.404, 15 de dezembro de 1976 Lei das S/A dispõe em diversos artigos sobre tal instituto, a saber: Outros Direitos e Ônus Art. 40. O usufruto, o fideicomisso, a alienação fiduciária em garantia e quaisquer cláusulas ou ônus que gravarem a ação deverão ser averbados: [...] Voto das Ações Gravadas com Usufruto Art. 114. O direito de voto da ação gravada com usufruto, se não for regulado no ato de constituição do gravame, somente poderá ser exercido mediante prévio acordo entre o proprietário e o usufrutuário. [...] Direito de Preferência Art. 171. Na proporção do número de ações que possuírem, os acionistas terão preferência para a subscrição do aumento de capital. [...] Fl. 1052DF CARF MF Processo nº 16327.721155/201444 Acórdão n.º 1402002.445 S1C4T2 Fl. 1.053 36 § 5º No usufruto e no fideicomisso, o direito de preferência, quando não exercido pelo acionista até 10 (dez) dias antes do vencimento do prazo, poderá sêlo pelo usufrutuário ou fideicomissário. [...] Pagamento de Dividendos Art. 205. A companhia pagará o dividendo de ações nominativas à pessoa que, na data do ato de declaração do dividendo, estiver inscrita como proprietária ou usufrutuária da ação. [...] Vêse que em total sintonia com o Código Civil, o art. 205 da Lei das S/A é claro ao determinar que os dividendos serão pagos ao usufrutuário da ação. Embora eu não tenha dúvidas de que JCP e dividendos não se confundem, também não o tenho de que o JCP deve ser atribuído ao usufrutuário, e não ao nuproprietário. Vejamos o que dispõe o art. 9º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995: Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. [...] § 7º O valor dos juros pagos ou creditados pela pessoa jurídica, a título de remuneração do capital próprio, poderá ser imputado ao valor dos dividendos de que trata o art. 202 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, sem prejuízo do disposto no § 2º. [grifo nosso] Partindose do disposto no § 7º desse dispositivo legal, se prevalecer o raciocínio do ilustre Conselheiro Relator de que os JCP devem ser pagos aos acionistas (nu proprietário) e não aos usufrutuários, como seria possível a aplicação do § 7º do art. 9º da Lei nº 9.249/95 que possibilita à pessoa jurídica imputar aos dividendos obrigatórios (art. 202 da Lei das S/A) o valor pago a título de JCP, se esses mesmos dividendos devem ser pagos aos usufrutuários? Se o art. 205 da Lei das S/A determina que o pagamento dos dividendos seja feito ao proprietário da ação (acionista) ou ao usufrutuário da ação e o § 7º do art. 9º da Lei nº 9.249/95 possibilita que os JCP sejam pagos sejam imputados aos dividendos obrigatórios, o que ocorreria se determinada sociedade anônima resolvesse distribuir somente dividendos obrigatórios aos usufrutuários, imputando a esses os valores de JCP? Ora, se o legislador tributário quisesse impossibilitar que o JCP fosse pago ao usufrutuário não teria editado o § 7º do art. 9º da Lei nº 9.249/95, citando, inclusive, o art. 202 da Lei das S/A, inserto no capítulo destinado aos dividendos. A interpretação dada pelo Fisco impossibilitaria que determinada pessoa jurídica pudesse imputar os JCP a dividendos obrigatórios a serem pagos a usufrutuários de Fl. 1053DF CARF MF Processo nº 16327.721155/201444 Acórdão n.º 1402002.445 S1C4T2 Fl. 1.054 37 suas ações, rasgando o disposto no § 7º do art. 9º da Lei nº 9.249/95. Tal interpretação, portanto, não se mostra adequada. Nesse mesmo sentido decidiuse no Acórdão 2401004.568: [...] Em linha de aderência com o retratado neste voto, nenhum efeito tributário específico atribuiu o legislador ao usufruto. Embora o regime jurídico esteja regulado pela Lei nº 9.249, de 1995, o legislador não impôs limitações ao recebimento pelo usufrutuário de valores a título de juros sobre capital próprio, que, em razão da instituição do usufruto, a ele pertencem. Configurase restritiva a interpretação de que a expressão "acionista", tal como inserida na "cabeça" do art. 9º da Lei nº 9.249, de 1995, diga respeito somente ao beneficiário que detém a participação acionária direta na pessoa jurídica, na condição de proprietário pleno ou mesmo de possuidor da nua propriedade dos ativos, com exclusão das pessoas físicas usufrutuárias dos direitos econômicos. O legislador não adotou esse tipo de restrição, mesmo porque a instituição do usufruto não altera a natureza jurídica dos frutos percebidos pelo usufrutuário. É da essência do usufruto o aproveitamento dos rendimentos pelo usufrutuário, em harmonia com as disciplinas previstas nas leis civil e societária, que abrange, entre outros, os juros sobre capital próprio. A condição de usufrutuário implica considerálo acionista, para fins de percepção dos juros sobre capital próprio. De fato, como dito, o usufrutuário detém a titularidade secundária das participações acionárias. [...] E por essas razões, estribadas nas normas do Código Civil e da Lei das S/A, não há que se falar em convenção particular oposta à Fazenda Pública para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes (art. 123 do CTN). Tratase de efeitos advindos de normas de direito privado e, e não de convenção particular, e que, portanto, não possuem o condão de alterar a definição legal do sujeito passivo da obrigação tributária. No caso concreto, a obrigação tributária jamais nasceu perante a Recorrente (nuaproprietária), uma vez que não auferiu rendimentos de JCP pagos por ITAÚ UNIBANCO HOLDING. Isso posto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 1054DF CARF MF
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