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Numero do processo: 15504.724960/2014-79
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/2010 a 31/12/2011
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS (PLR). PERIODICIDADE MÁXIMA. DESCUMPRIMENTO. NATUREZA REMUNERATÓRIA DE TODAS AS PARCELAS.
O descumprimento do § 2º do art. 3º da Lei nº 10.101, de 2000, que descreve a vedação do pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de Participação nos Lucros ou Resultados (PLR) da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil, implica incidência de Contribuições Previdenciárias em relação a todos os pagamentos efetuados a esse título e não apenas em relação às parcelas excedentes.
Numero da decisão: 9202-008.081
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Maurício Nogueira Righetti, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva, substituída pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2010 a 31/12/2011 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS (PLR). PERIODICIDADE MÁXIMA. DESCUMPRIMENTO. NATUREZA REMUNERATÓRIA DE TODAS AS PARCELAS. O descumprimento do § 2º do art. 3º da Lei nº 10.101, de 2000, que descreve a vedação do pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de Participação nos Lucros ou Resultados (PLR) da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil, implica incidência de Contribuições Previdenciárias em relação a todos os pagamentos efetuados a esse título e não apenas em relação às parcelas excedentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Maurício Nogueira Righetti, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva, substituída pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 49 60 /2 01 4- 79 Fl. 884DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9202-008.081 - CSRF/2ª Turma Processo nº 15504.724960/2014-79 Trata-se de ação fiscal que originou os seguintes procedimentos: PROCESSO DEBCAD FASE 15504.724958/2014-08 51.061.698-4 (Emp. e SAT) Recurso Especial 15504.724960/2014-79 51.061.699-2 e 51.065.208-5 (Terceiros) Recurso Especial 15504.724961/2014-13 51.041.828-7 (SAT) Ac. 9202-007.495 15504.725110/2014-98 51.061.697-6 (SAT) Ac. 9202-007.496 15504.725797/2014-61 51.061.700-0 (SAT) Recurso Especial O presente processo trata dos Debcads 51.061.699-2 e 51.065.208-5, referentes às Contribuições Previdenciárias a cargo da empresa destinadas a terceiros (FNDE e INCRA), incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados e não recolhida na época própria, proveniente de verbas de natureza salarial decorrentes de reclamatórias trabalhistas e de Participação nos Lucros e Resultados (PLR), no período de 02/2010 a 12/2011. Segundo o Relatório Fiscal (fls. 17 a 27), os pagamentos a título de PLR foram efetuados nas competências de 02/2010, 08/2010 e 11/2010, em descumprimento ao disposto no art. 3º, § 2º, da Lei nº 10.101, de 2000. Em sessão plenária de 08/05/2018, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatando- se o Acórdão nº 2201-004.463 (fls. 770 a 782), assim ementado: "ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Ano-calendário: 2010 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. REQUISITOS. PERIODICIDADE SEMESTRAL. É vedado o pagamento de PLR em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil, sendo que os dois requisitos são cumulativos. O pagamento fora dos limites temporais dá natureza de complementação salarial à totalidade da verba paga a título de participação nos lucros ou resultados. PLR. PAGAMENTO. ADIANTAMENTOS. CORREÇÃO DA BASE DE CÁLCULO Deve ser excluída da base de cálculo sujeita à tributação os valores que, embora constantes da folha de pagamentos, correspondem a adiantamentos pagos em outras competências." A decisão foi assim registrada: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para excluir o valor de R$ 7.315.399,94 da base de cálculo relativa à competência 02/2010." Cientificada, a Fazenda Nacional não interpôs Recurso Especial (fls. 784). Fl. 885DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9202-008.081 - CSRF/2ª Turma Processo nº 15504.724960/2014-79 Cientificado do acórdão em 10/07/2018 (Termo de Ciência por Abertura de Mensagem de fls. 794), o Contribuinte interpôs, em 24/07/2018 (Termo de Solicitação de Juntada de fls. 795), o Recurso Especial de fls. 844 a 867, com fundamento no artigo 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, visando rediscutir a tributação dos valores pagos a título de PLR, sem observância da periodicidade mínima estabelecida no art. 2º, § 3º, da Lei nº 10.101, de 2000. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 28/08/2018 (fls. 870 a 875). Em seu apelo, o Contribuinte alega: - o único critério jurídico sobre o qual se baseou o lançamento diz respeito ao crédito das parcelas da PLR pagas pelo Recorrente "em mais de duas vezes no mesmo ano civil", quais sejam, nos meses de fevereiro, agosto e novembro de 2010; - assim, partindo da premissa de que o plano de pagamento da PLR formulado atendia a todos os parâmetros estabelecidos pela Lei nº 10.101, de 2000, o Contribuinte suscitou em sua defesa que a sua mera execução (pagamento) em contrariedade à regra do art. 3º, § 2º, da citada Lei, não teria o condão de macular todo o programa de regência da PLR, quando muito, apenas a parcela paga em desconformidade com o limite legal estabelecido (máximo de duas vezes ao ano) poderia ser tomada como verbal salarial; - essa interpretação, sob a perspectiva do Contribuinte, é a que melhor se coaduna com os propósitos constitucionais da PLR, pois assegura ao empregado a participação nos resultados da empresa, sem que isso afete a sua remuneração; - com efeito, sob o enfoque dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad, no voto condutor do aresto n. 9202-003.192, asseverou que o descumprimento da regra prevista no § 2º do art. 3º da Lei nº 10.101, de 2000, não macula todo o programa de pagamento da PLR, mas apenas aquela parcela que tenha sido paga em desacordo com a lei; - assim deve ser porque não há regra expressa na Lei nº 10.101, de 2000, determinando que todo o programa de PLR seja desconsiderado, em razão do pagamento de parcelas em desacordo com o limite máximo estabelecido pelo § 2º do art. 3º; - é necessário distinguir entre a formulação do plano e a sua execução; - dessa forma, se o vício decorre da formulação do plano, seja das regras relativas ao alcance do lucro ou do resultado, das condições relativas ao cálculo do valor devido a cada trabalhador ou da própria periodicidade pactuada para os pagamentos, a descaracterização se reporta à totalidade do plano de PLR e à integralidade dos pagamentos realizados; - por outro lado, se o desarranjo ocorreu somente no momento da execução do plano, isto é, do pagamento das parcelas da PLR, apenas aquela que foi creditada em desconformidade com a Lei nº 10.101, de 2000, pode ser desconsiderada e tributada pelas Contribuições Previdenciárias; Fl. 886DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9202-008.081 - CSRF/2ª Turma Processo nº 15504.724960/2014-79 - com efeito, é importante esclarecer, quanto aos pagamentos realizados pelo Recorrente, que, conforme se depreende da análise do resumo da folha de pagamentos acostados aos autos (doc. n. 05 da Impugnação), em fevereiro de 2010 foi quitado o ajuste final relativo à PLR decorrente do Acordo Coletivo de 2009; - observa-se, portanto, que a parcela paga em fevereiro de 2010 sequer estava relacionada ao plano de PLR estabelecido para tal exercício, este sim o objeto da inspeção fiscal; - por sua vez, no que tange ao programa da PLR do ano de 2010, é preciso, aqui, abrir um parêntesis, com o objetivo de esclarecer que ele foi pago com base em dois planos complementares: um próprio, via Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), e outro decorrente da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), conforme expressamente autoriza o art. 3º, § 3º, da Lei nº 10.101, de 2000; - da simples leitura do plano próprio (ACT), denota-se que não há o pagamento de duas PLR's diferentes, já que a parcela prevista na Convenção Coletiva de Trabalho somente será paga se for maior do que aquela prevista no plano próprio (ACT), e neste caso, o que tiver sido pago a título de PLR pelo plano próprio (ACT), será integralmente deduzido para fins de cálculo da PLR estabelecida na Convenção Coletiva de Trabalho; - conforme o disposto no plano próprio do Recorrente de 2010, somente serão feitos dois pagamentos a título de PLR: um, em agosto de 2010, a título de antecipação, e outro em fevereiro de 2011, a título de ajuste final; - contudo, excepcionalmente no exercício de 2010, houve um descasamento na data prevista para a antecipação da PLR do plano próprio (Acordo Coletivo) e aquela prevista para a antecipação do adicional da Convenção Coletiva, de modo que esta última não pôde ser absorvida por aquela, ou seja, apenas o pagamento desta parcela (antecipação do adicional da CCT), a priori, se deu em desconformidade com a legislação; - fechando o parêntesis acima, verifica-se que, em agosto de 2010, foi paga a antecipação da PLR decorrente do Acordo Coletivo de 2010, conforme havia sido estabelecido expressa e corretamente no aludido instrumento contratual, sendo que a quitação do ajuste final somente veio a ser feita em fevereiro de 2011 e não foi alvo de contestação pela Autoridade Fiscal, não obstante este exercício tenha sido objeto da auditoria; - a seu turno, a antecipação do adicional decorrente da Convenção Coletiva de Trabalho de 2010, que deveria ter sido creditada juntamente com a antecipação de PLR prevista pelo Acordo Coletivo de Trabalho, em agosto de 2010, somente veio a ser paga em novembro daquele ano, em razão de um mero desencontro entre as datas estabelecidas no Acordo Coletivo e na Convenção Coletiva de Trabalho; - a prova desse desajuste excepcional decorre do fato de que a quitação do resíduo deste adicional foi feita conjuntamente com a parcela residual da PLR do programa próprio, em fevereiro de 2011, também não tendo sido alvo de oposição pelo Auditor Fiscal; - como exposto, o Acordo Coletivo de 2010 (celebrado entre o recorrente e o sindicato dos bancários em Belo Horizonte), bem como a Convenção Coletiva de 2010 (firmada entre as entidades sindicais das respectivas categorias), estabeleceram, cada qual, regras claras e Fl. 887DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 9202-008.081 - CSRF/2ª Turma Processo nº 15504.724960/2014-79 objetivas no tocante às metas e resultados que deveriam ser atingidos, aos valores que seriam pagos aos empregados e à periodicidade do pagamento, tudo em conformidade com os pressupostos da Lei nº 10.101, de 2000; - dessa forma, apenas o pagamento da antecipação da CCT, em novembro de 2010, teve a sua operacionalização feita de forma contrária ao limite legal, tendo o Recorrente sido obrigado a fazê-lo assim mesmo, em virtude da força normativa da Convenção. Ao final, o Contribuinte pede que seja admitido o recurso, reformando-se a decisão recorrida. O processo foi encaminhado à PGFN em 04/09/2018 (Despacho de Encaminhamento de fls. 876) e, em 19/09/2018 (Despacho de Encaminhamento de fls. 882), foram oferecidas as Contrarrazões de fls. 877 a 881, contendo os seguintes argumentos: - o pagamento de PLR deve atender cumulativamente a vários requisitos e a ausência de um deles é suficiente para desqualificação da verba paga como PLR; - somente os valores pagos com estrita obediência aos comandos previstos na Lei nº 10.101, de 2000, estão fora da esfera de tributação da Contribuição Previdenciária; - a premissa fiscal é a de que o pagamento fora da periodicidade descaracteriza a existência de PLR, devendo-se considerar como remuneração toda a verba paga a esse título, não havendo que se falar em segregação da base de cálculo para identificar os funcionários que receberam mais de dois pagamentos por ano; - desobedecida a periodicidade legalmente prevista e acordada nos próprios planos para pagamento de PLR, não interessa se para alguns ou se para todos, tudo o que for pago a título de PLR deve ser considerado remuneração e, portanto, deve integrar, como de fato integrou, a base de cálculo da Contribuição Previdenciária. Ao final, a Fazenda Nacional pede que seja negado provimento ao recurso. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Trata-se dos Debcads 51.061.699-2 e 51.065.208-5, referentes às Contribuições Previdenciárias a cargo da empresa destinadas a terceiros (FNDE e INCRA), incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados e não recolhida na época própria, proveniente de verbas de natureza salarial decorrentes de reclamatórias trabalhistas e de Participação nos Lucros e Resultados (PLR), no período de 02/2010 a 12/2011. Segundo o Relatório Fiscal (fls. 17 a 27), os pagamentos a título de PLR foram efetuados nas competências de 02/2010, 08/2010 e 11/2010, em descumprimento ao disposto no art. 3º, § 2º, da Lei nº 10.101, de 2000. Fl. 888DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 9202-008.081 - CSRF/2ª Turma Processo nº 15504.724960/2014-79 No acórdão recorrido, o Colegiado entendeu que, excedido o quantitativo legal de pagamentos, todos os pagamentos a esse título devem ser tributados. O Contribuinte, por sua vez, defende que seja considerada tributável apenas a parcela que excedeu o limite. Registre-se que a participação dos empregados no lucro das empresas tem sede constitucional, no Capítulo que trata dos Direitos Sociais: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI - participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; E assim foi editada a Medida Provisória nº 794, de 2004, sucessivamente reeditada até a conversão na Lei nº 10.101, de 2000: Art.1º Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. A citada lei normatizou diversos aspectos da participação no resultado, tais como: forma de negociação, impossibilidade de substituição da remuneração por esse benefício, periodicidade, etc. Ao tratar especificamente da periodicidade do pagamento, o legislador assim especificou, claramente: Art.3° A participação de que trata o art. 2° não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. (...) § 2º É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. (grifei) Destarte, ao efetuar os pagamentos em mais de duas parcelas no mesmo ano civil, o Contribuinte fez tábula rasa do § 2º, acima transcrito. A Lei nº 8.212, de 1991, na alínea “j”, do § 9º, do art. 28, que regula a isenção previdenciária sobre a participação nos lucros, estabelece que não haverá a incidência de contribuições previdenciárias sobre dita verba, porém condiciona o benefício ao pagamento da parcela dos resultados de acordo com a lei específica, no caso, a Lei nº 10.101, de 2000: Art. 28. (...) § 9 Não integram o salário-de-contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; Fl. 889DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 9202-008.081 - CSRF/2ª Turma Processo nº 15504.724960/2014-79 Conclui-se, assim, que em havendo o pagamento em desrespeito à Lei nº 10.101, de 2000, a verba deve ser integrada ao salário-de-contribuição. Ressalte-se que não há que se falar na inclusão, na base de cálculo, de apenas a parcela excedente, uma vez que não se trata simplesmente da extrapolação de um limite e sim da própria desnaturação da verba, sendo irrelevante a motivação que levou a empresa a extrapolar a periodicidade determinada por lei. Quanto à jurisprudência da CSRF, esta corrobora o entendimento esposado no presente voto, conforme a seguir se exemplifica: Acórdão 9202-004.342, de 24/08/2016: "Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2007 a 30/11/2008 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS - REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/2000. PERIODICIDADE SEMESTRAL. É vedado o pagamento de PLR em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil, sendo que os dois requisitos são cumulativos. O pagamento fora dos limites temporais dá natureza de complementação salarial à totalidade da verba paga a título de participação nos lucros ou resultados. No caso, restou comprovado descumprimento do critério da periodicidade para alguns dos empregados." Acórdão nº 9202-007.204, de 25/09/2018: "Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PERIODICIDADE MÁXIMA. DESCUMPRIMENTO. NATUREZA REMUNERATÓRIA DE TODAS AS PARCELAS. O descumprimento do § 2º, do art. 3ª, da Lei nº 10.101/2000 que descreve a vedação do pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil, implica incidência de contribuição previdenciária em relação a todos os pagamentos de PLR e não apenas em relação às parcelas excedentes." Acórdão nº 9202-007.697, de 27/03/2019: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2008 a 30/11/2008 PARTICPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PERIODICIDADE MÁXIMA. DESCUMPRIMENTO. NATUREZA REMUNERATÓRIA DE TODAS AS PARCELAS. O descumprimento do §2º do art. 3º da Lei 10.101/2000 que descreve a vedação do pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou Fl. 890DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 9202-008.081 - CSRF/2ª Turma Processo nº 15504.724960/2014-79 mais de duas vezes no mesmo ano civil, implica incidência de contribuição previdenciária em relação a todos os pagamentos de PLR e não apenas em relação as parcelas excedentes. Acórdão 9202-007.875, de 22/05/2019: "Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2009 a 31/12/2009 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PAGAMENTO EM PERIODICIDADE INFERIOR À FIXADA EM LEI. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. O pagamento de PLR em periodicidade inferior àquela prevista em lei específica conduz à incidência de contribuição previdenciária sobre os valores pagos a esse título. Trago à colação trecho do voto do Acórdão nº 9202-007.697, acima citado, da lavra da Ilustre Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, tratando de caso muito similar ao presente. Na oportunidade, foi adotado o voto do Ilustre Conselheiro Cleberson Alex Friess, cujos fundamentos agrego ao presente voto: "Em relação ao descumprimento legal descrito pela autoridade fiscal, reproduzo os argumentos trazidos pelo relator do processo na Câmara baixa, os quais adoto como razões de decidir, por concordar com seu posicionamento e por entender que a matéria foi suficientemente tratada, senão vejamos trecho do seu voto: (...) 33. A finalidade da instituição pelo legislador desse critério básico para a não incidência da contribuição previdenciária foi buscar evitar a utilização da parcela como uma forma disfarçada de substituição ou complementação da remuneração devida ao segurado empregado. 34. De acordo com o agente fiscal, o contribuinte não seguiu a determinação do § 2º do art. 3º da Lei nº 10.101, de 2000, e realizou, para o mesmo beneficiário, mais de dois pagamentos no ano de 2008. Para ilustrar os fatos, anexou a Planilha 'PLR Múltiplos Pagamentos 2008', que contém, por amostragem, os pagamentos efetuados aos segurados empregados (fls. 268/271). 35. Por sua vez, a recorrente sustenta que o suposto pagamento acima da periodicidade é decorrente de peculiaridades que buscam possibilitar a correta quitação dos valores a título de Participação nos Lucros ou Resultados, em cumprimento da legislação vigente. A parcela excedente é mero ajuste nos pagamentos efetuados aos segurados empregados. (...) 41. Desde já ressalto, com base na disciplina estabelecida pela Lei nº 10.101, de 2000, que não vislumbro obstáculo à coexistência simultânea de diferentes instrumentos de negociação coletiva para regulamentar o pagamento pela empresa da Participação nos Lucros ou Resultados, tais como convenção e acordo coletivo, como forma de adequação às peculiaridades empresariais e aos interesses específicos das partes envolvidas. Da mesma forma, inexiste qualquer vedação no texto legal de regência à fixação de uma parcela de antecipação a título de Participação nos Lucros ou Resultados. Fl. 891DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 9202-008.081 - CSRF/2ª Turma Processo nº 15504.724960/2014-79 42. Em qualquer caso, contudo, é obrigatório o respeito ao critério de periodicidade dos pagamentos disposto no § 2º do art. 3º da Lei nº 10.101, de 2000, uma vez que o legislador ordinário elegeu, como regra cogente, para afastar a incidência da norma tributária, o cumprimento de determinado parâmetro objetivo no que diz respeito à Participação nos Lucros ou Resultados. 43. A partir da documentação que instrui os autos, verifico a existência de vício na própria formulação das regras do Programa de Participação nos Lucros ou Resultados, quando avaliados, em conjunto, os instrumentos de negociação coletiva firmados pelas partes, relativamente ao requisito da periodicidade dos pagamentos. 43.1 Com efeito, por intermédio da CCT 2007, aplicável a todos os segurados empregados, convencionou-se o pagamento no ano de 2008, até o mês de março, de valores a título de Participação nos Lucros ou Resultados (fls. 159/168). Já a CCT 2008 previu, com relação ao respectivo período de avaliação, uma antecipação da Participação nos Lucros ou Resultados, no mês de nov/2008, tanto para a parcela básica quanto ao adicional da participação (fls. 169/178). 43.2 A seu turno, o ACT 2007/2008 estabeleceu uma participação complementar nos resultados para os trabalhadores, cujo pagamento seria efetuado anualmente, junto com a segunda parcela da Participação nos Lucros ou Resultados prevista nas CCT´s (fls. 204/207). 43.3 Ocorre que o aditivo ao ACT 2007/2008 concedeu uma antecipação, no mês de ago/2008, no valor de R$ 750,00 (setecentos e cinquenta reais), descontada por ocasião do pagamento final da participação complementar nos resultados (fls. 208/209). 43.4 No tocante àqueles funcionários elegíveis ao Programa Próprio, nos termos da Cláusula Sexta do ACT 2007/2008, tais como os empregados pertencentes aos níveis de gerente e superintendente, o programa complementar estabeleceu o pagamento semestral da participação nos resultados institucional, com previsão de antecipação de uma parcela no mês de ago/2008 (fls. 241/248). 44. Como se percebe, os pagamentos, para um mesmo trabalhador, nos meses de fev/2008, ago/2008 e nov/2008, de acordo com os exemplos reproduzidos na Planilha "PLR Múltiplos Pagamentos 2008", às fls. 268/271, espelham os compromissos assumidos por meio dos instrumentos de negociação coletiva, cuja própria formatação do programa extrapola a frequência anual de dois pagamentos no mesmo ano civil. 45. Em consequência, à luz do contexto fático-probatório engendrado nos autos, os pagamentos realizados não são reflexos de uma mácula restrita à execução do Programa de Participação nos Lucros ou Resultados, o que poderia justificar, em tese, a tributação apenas sobre as quantias pagas excedentes à periodicidade anual. 46. É obrigatória a compatibilização entre os instrumentos coletivos de negociação para a realização dos pagamentos ao mesmo trabalhador em frequência igual ou superior ao prazo legalmente estipulado e, no máximo, até duas vezes no mesmo ano civil, sob pena de incidência da tributação sobre os valores pagos. 47. Logo, todos os pagamentos em desacordo com o prescrito no § 2º do art. 3º da Lei nº 10.101, de 2000, estão submetidos à incidência da contribuição previdenciária, assim como à tributação reflexa pelas contribuições devidas a terceiros. Em razão da decadência, permanece exigível apenas os valores pagos no mês de nov/2008. (...) Fl. 892DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 9202-008.081 - CSRF/2ª Turma Processo nº 15504.724960/2014-79 Ou seja, da transcrição dos trechos muito bem delineados pelo julgador a quo, não se trata de mera diferença. Ademais, o legislador é claro quando descreve que no art. 3º que a PLR não deve substituir ou complementar a remuneração, vedando o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores em periodicidade inferior a um semestre ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Descabido nesse caso, qualquer interpretação de que as parcelas acima do limite legal, visa complementar. Assim, ao pagar mais de duas vezes, descaracterizado encontra-se todo o PLR do contribuinte, razão pela qual deve ser tributado em sua totalidade. Dessa forma, em relação ao PLR, entendo que restou descumprido o requisito da periodicidade assim como já apreciado pela Turma a quo." (grifei) Assim, incabível a tributação apenas das parcelas excedentes, considerando-se que houve a própria desnaturação da verba como PLR, em virtude da inobservância dos requisitos previstos na Lei nº 10.101, de 2000, de sorte que ao Recurso Especial deve ser negado provimento. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte e, no mérito, nego-lhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 893DF CARF MF
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Numero do processo: 10920.002587/2010-43
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Sep 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/10/2009
MULTA PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. LANÇAMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL EXTINTO POR VÍCIO FORMAL.
Havendo decisão definitiva acerca da extinção do lançamento da obrigação principal pela caracterização de vício formal, deve o lançamento da multa pelo descumprimento da obrigação acessória correlata ser cancelado, restando à fiscalização, nos termos do art. 173, parágrafo único do CTN, ratificar a exigência quando da lavratura do novo lançamento.
Numero da decisão: 9202-008.067
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Denny Medeiros da Silveira (suplente convocado).
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa, Patrícia da Silva, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Paula Fernandes, Denny Medeiros da Silveira (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Mário Pereira de Pinho Filho (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, substituída pela conselheira Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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LANÇAMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL EXTINTO POR VÍCIO FORMAL. Havendo decisão definitiva acerca da extinção do lançamento da obrigação principal pela caracterização de vício formal, deve o lançamento da multa pelo descumprimento da obrigação acessória correlata ser cancelado, restando à fiscalização, nos termos do art. 173, parágrafo único do CTN, ratificar a exigência quando da lavratura do novo lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Denny Medeiros da Silveira (suplente convocado). (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa, Patrícia da Silva, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Paula Fernandes, Denny Medeiros da Silveira (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Mário Pereira de Pinho Filho (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, substituída pela conselheira Miriam Denise Xavier. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 25 87 /2 01 0- 43 Fl. 555DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9202-008.067 - CSRF/2ª Turma Processo nº 10920.002587/2010-43 Relatório Trata-se de Auto de Infração por meio do qual é exigida multa pelo descumprimento de obrigação acessória (AI 38 – 37.281.422-0) em razão de a empresa ter deixado de exibir documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei n. 8.212, de 24.07.91, ou apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira, conforme previsto no art. 33, parágrafos 2º e 3º da referida Lei, com redação da MP n. 449, de 03.12.2008, convertida na Lei n. 11.941, de 27.05.2009, combinado com o artigo 233, paragrafo único do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99. Nos termos do relatório fiscal de fls. 06/14, constata a prática de simulação empresarial pela utilização de pessoa jurídica inscrita no Simples no intuito de camuflar fato gerador de Contribuição Previdenciária, foram apurados reflexos na contabilidade e registro de informações pela empresa autuada. Assim se manifestou a fiscalização: 14. Assim, considerando todos os elementos descritos, e a inexistência de fato da empresa OXIPLASMA SERVIÇOS, há de se concluir que a empresa OXIPLASMA INDÚSTRIA, apresentou Livros Diários que contenham informações diversas da realidade ou que omitam a informação verdadeira, quando o fez em relação a lançamentos realizados naquela empresa. 15. A empresa OXIPLASMA INDUSTRIA, também lançou em sua contabilidade, conforme Livro Diário número 32, Registrado na JUCESC sob número 08/300704-0, conta 0306-0018, Viagens e Hospedagens, fatura de Cartão de Crédito com valor inferior ao correto. O valor da fatura com vencimento em 25/03/2006 é de R$ 6.667,73 conforme débito Bradesco conta 95.172/2 Agência 358, e teria sido lançado pelo valor de R$ 2.623,6°, conforme lançamento 00 510468 do dia 27/03/2006. 16. Assim sendo, por apresentar a empresa documento ou livro que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira infringiu disposição do art. 33, parágrafos 2. e 3. da Lei 8.212, de 24/07/91, com redação da MP n. 449, de 03.12.2008, convertida na Lei n. 11.941, de 27.05.2009, combinado com o artigo 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06/05/99. Após o trâmite processual a 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária deu provimento ao Recurso Voluntário, para afastar a exigência da multa. No entendimento do Colegiado, considerando o resultado do julgamento no processo de nº 10920.002588/2010-98 (AI n° 37.281.4190) que concluiu pela improcedência da obrigação principal, por reflexo, deveria a exigência da obrigação acessória também ser julgada improcedente. O acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/10/2009 AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Constitui infração, sujeita à aplicação de multa, deixar a empresa de exibir à Fiscalização quaisquer documentos e/ou livros contábeis relacionados com as contribuições para a Seguridade Social, ou apresenta-los desprovidos das formalidades Fl. 556DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9202-008.067 - CSRF/2ª Turma Processo nº 10920.002587/2010-43 legais exigidas, com informações diversas da realidade ou com omissão de informações verdadeira, nos termos do artigo 33, §§ 2º e 3°, da Lei nº 8.212/91. AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE DE LANÇAMENTO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL JULGADO IMPROCEDENTE EM PARTE. AUTUAÇÃO REFLEXA. OBSERVÂNCIA DECISÃO. Impõe-se a exclusão da multa aplicada decorrente da apresentação de livros contábeis e outros com informações diversas da realidade ou com omissão de informações verdadeiras, cujas constatações foram apuradas em Autuação Fiscal pertinente ao descumprimento de obrigação principal, declarada improcedente, quanto aos fatos geradores vinculados a este processo, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula, o que se vislumbra na hipótese vertente. Recurso Voluntário Provido. Intimada da decisão a Fazenda Nacional apresenta Recurso Especial. Citando como paradigmas os acórdãos 2302-01.163 e 301-30.894, é devolvida a este Colegiado a discussão acerca de duas matérias: - a autonomia das obrigações acessórias em relação às obrigações principais correlatas, para a Recorrente tanto as obrigações acessórias não são dependentes das obrigações principais que o Código Tributário Nacional, no §3º do seu art. 113, dispõe que a sua inobservância as converte em obrigação principal, e - necessidade do aguardar o trânsito em julgado da decisão do processo da obrigação principal para posterior aplicação dos seus efeitos. O contribuinte foi cientificado do Acordão e do Recurso Especial interposto pela Procuradoria Nacional e esgotado o prazo o mesmo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora O recurso preenche os pressupostos legais, razão pela qual reitero e despacho de admissibilidade e dele conheço. Conforme exposto pelo acórdão recorrido o presente lançamento tem como motivação a suposta ocorrência do descumprimento de obrigação acessória consubstanciada no fato de o Contribuinte ter apresentado Livros Diários com informações diversas da realidade ou com omissões sobre informações verdadeiras, quando o fez em relação a lançamentos realizados na empresa OXIPLASMA SERVIÇOS, a qual teve a personalidade jurídica desconsiderada, e cujas contribuições previdenciárias (obrigação principal) pertinentes foram lançadas no AI n° 37.281.4190 – Processo n° 10920.002588/201098, como sendo de responsabilidade da ora autuada. Em que pese, de fato, quando do registro da decisão recorrida ainda não fosse possível prever acerca do resultado final do lançamento apurado por meio do processo nº Fl. 557DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9202-008.067 - CSRF/2ª Turma Processo nº 10920.002587/2010-43 10920.002588/2010-98 – haja vista inexistir o trânsito em julgado do acórdão nº 2401-003.631, hoje, considerando novamente o julgamento em conjunto desses processos o cenário é distinto. O presente processo está apenso ao citado PTA de nº 10920.002588/2010-98, julgado nesta mesma sessão (24.07.2019), tendo o Colegiado entendido pela caracterização de vício formal no lançamento, decisão cujos efeitos devem sem aplicados ao presente caso. Nessas condições, considerando que o mérito das imputações apuradas por meio do processo principal anulado somente será enfrentado em outro momento, quando da lavratura de um novo lançamento fiscal, deve a presente autuação também ser extinta. Assim, diante dos pedidos formulados na peça recursal, nego provimento ao recurso para determinar o cancelamento do lançamento haja vista decisão definitiva no PTA nº 10920.002588/2010-98. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 558DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.000525/2007-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Ano-calendário: 2004
DESPESAS MÉDICAS. RECIBO. COMPROVAÇÃO.
Recibos que contenham a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica - CNPJ do médico ou de outro profissional da área de saúde que prestou o serviço, são documentos hábeis, até prova em contrário, para justificar a dedução a título de despesas médicas autorizada pela legislação. Os recibos que não contemplem os requisitos previstos na legislação poderão ser aceitos para fins de dedução, desde que seja apresentada declaração complementando as informações neles ausentes.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2004
MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA
Em se tratando de crédito tributário apurado em procedimento de ofício, impõe-se a aplicação da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei n o 9.430/1996. INCONSTITUCIONALIDADE
É vedado o afastamento da aplicação da legislação tributária sob o argumento de inconstitucionalidade, por força do disposto no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Matéria que já se encontra pacificada pela Súmula n o 2 do CARF, em vigor desde 22/12/2009.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios dos débitos para com a Fazenda Nacional passaram a ser equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, de acordo com precedentes já definidos pela Súmula nº 4 do CARF, vigente desde 22/12/2009.
Numero da decisão: 2202-000.958
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a dedução de despesas médicas no valor de R$ 21.145,00.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2004 DESPESAS MÉDICAS. RECIBO. COMPROVAÇÃO. Recibos que contenham a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica - CNPJ do médico ou de outro profissional da área de saúde que prestou o serviço, são documentos hábeis, até prova em contrário, para justificar a dedução a título de despesas médicas autorizada pela legislação. Os recibos que não contemplem os requisitos previstos na legislação poderão ser aceitos para fins de dedução, desde que seja apresentada declaração complementando as informações neles ausentes. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2004 MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA Em se tratando de crédito tributário apurado em procedimento de ofício, impõe-se a aplicação da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei n o 9.430/1996. INCONSTITUCIONALIDADE É vedado o afastamento da aplicação da legislação tributária sob o argumento de inconstitucionalidade, por força do disposto no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Matéria que já se encontra pacificada pela Súmula n o 2 do CARF, em vigor desde 22/12/2009. JUROS DE MORA. TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios dos débitos para com a Fazenda Nacional passaram a ser equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, de acordo com precedentes já definidos pela Súmula nº 4 do CARF, vigente desde 22/12/2009.
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RECIBO. COMPROVAÇÃO. Recibos que contenham a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ do médico ou de outro profissional da área de saúde que prestou o serviço, são documentos hábeis, até prova em contrário, para justificar a dedução a título de despesas médicas autorizada pela legislação. Os recibos que não contemplem os requisitos previstos na legislação poderão ser aceitos para fins de dedução, desde que seja apresentada declaração complementando as informações neles ausentes. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA Em se tratando de crédito tributário apurado em procedimento de ofício, impõese a aplicação da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei no 9.430/1996. INCONSTITUCIONALIDADE É vedado o afastamento da aplicação da legislação tributária sob o argumento de inconstitucionalidade, por força do disposto no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Matéria que já se encontra pacificada pela Súmula no 2 do CARF, em vigor desde 22/12/2009. JUROS DE MORA. TAXA SELIC A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios dos débitos para com a Fazenda Nacional passaram a ser equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia Selic para títulos federais, acumulada Fl. 1DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA Assinado digitalmente em 17/02/2011 por NELSON MALLMANN, 16/02/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA 2 mensalmente, de acordo com precedentes já definidos pela Súmula no 4 do CARF, vigente desde 22/12/2009. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a dedução de despesas médicas no valor de R$ 21.145,00. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Relatora Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, João Carlos Cassuli Junior, Antonio Lopo Martinez, Ewan Teles Aguiar, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA Assinado digitalmente em 17/02/2011 por NELSON MALLMANN, 16/02/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA Processo nº 10840.000525/200791 Acórdão n.º 220200.958 S2C2T2 Fl. 2 3 Relatório Contra a contribuinte acima qualificada foi lavrada a Notificação de Lançamento de fl. 23, integrada pelos documentos de fls. 24 e 25, pela qual se exige a importância de R$14.396,02, a título de Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar, ano calendário 2004, acrescida de multa de ofício de 75% e juros de mora. Em consulta à Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fl. 24, verificase que foram apuradas as seguintes infrações: 1. glosa de despesas médicas no valor de R$27.941,00, por falta de comprovação; 2. glosa de contribuição à previdência privada e Fapi, no montante de R$24.408,17, por falta de comprovação. DA IMPUGNAÇÃO Inconformado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 1 a 19, instruída com os documentos de fls. 20 a 34, cujo resumo se extraí da decisão recorrida (fls. 38 e 39): Na impugnação apresentada às fls.01/19, em 11/10/2007, a Impugnante alega em síntese que: • Tem direito à dedução das despesas declaradas e comprovadas, sendo indevida a glosa efetuada pela fiscalização; • Está apresentando os comprovantes que demonstram claramente as despesas médicas e odontológicas efetuadas, e estão em conformidade com os requisitos exigidos pelo Regulamento do Imposto de Renda, em seu art. 80; • Somente caberia a exigência de cheques ou extratos bancários para a comprovação das despesas médicas, no caso de não ser possível a prova, por documento, que preencha os requisitos estabelecidos no art. 80 do RIR/99; • A Notificação de Lançamento encontra fundamento tão somente em mera presunção arbitrária, eis que, simplesmente, desconsidera os recibos de despesas médicas apresentados, sem qualquer prova de suas inidoneidades; • A aplicação dos juros à Taxa SELIC, apesar de previsto em norma de patamar de lei ordinária, contraria norma de escalão hierárquico superior, notadamente a regra contida no art. 161; § 1° do CTN, sendo sua aplicação totalmente improcedente; • A multa aplicada ofende aos princípios da razoabilidade ou proporcionalidade e da proibição do confisco, portanto, forçoso o cancelamento da multa imposta, devendo, no mínimo, ser reduzida ao patamar de 20% (vinte por cento) em conformidade com o art. 61, § 2°, da Lei n° 9.430/96. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Fl. 3DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA Assinado digitalmente em 17/02/2011 por NELSON MALLMANN, 16/02/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA 4 Apreciando a impugnação apresentada, a 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo II (SP) julgou procedente em parte o lançamento, proferindo o Acórdão no 1731.916 (fls. 37 a 47), de 18/05/2009, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 GLOSA DE DEDUÇÕES COM DESPESAS MÉDICAS. O direito às suas deduções condicionase à comprovação não só da efetividade dos serviços prestados, mas também dos correspondentes pagamentos. Artigo 80, §1o, III, do Regulamento de Imposto de Renda (Decreto n° 3.000/99). GLOSA DE DEDUÇÃO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA/FAPI Restabelecese a dedução com Previdência Privada pleiteada na declaração de ajuste anual, à vista da comprovação documental. JUROS. Os juros calculados pela taxa SELIC são aplicáveis aos créditos tributários não pagos no prazo de vencimento consoante previsão do §1° do artigo 161 do CTN, artigo 13 da Lei n.° 9.065/95 e artigo 61 da Lei n.° 9.430/96. MULTA DE OFÍCIO. ARGÜIÇÃO DE EFEITO CONFISCATÓRIO. A multa de 75%, prescrita no artigo 44, inciso I, da Lei 9.430/1996, é aplicável sempre nos lançamentos de ofício realizados pela Fiscalização da Receita Federal do Brasil. As multas de ofício não possuem natureza confiscatória, constituindose antes em instrumento de desestímulo ao sistemático inadimplemento das obrigações tributárias, atingindo, por via de conseqüência, apenas os contribuintes infratores, em nada afetando o sujeito passivo cumpridor de suas obrigações fiscais. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas e judiciais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual os seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. A decisão a quo restabeleceu o valor da contribuição à previdência privada declarada pela contribuinte e manteve integralmente a glosa das despesas médicas. DO RECURSO Cientificado do Acórdão de primeira instância, em 01/06/2009 (vide AR de fl. 49 verso), o contribuinte apresentou, em 30/06/2009, tempestivamente, o recurso de fls. 50 a 73, firmado por seu procurador (vide instrumento de mandato de fl. 20), no qual, após breve relato dos fatos, reitera os termos de sua impugnação. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA Assinado digitalmente em 17/02/2011 por NELSON MALLMANN, 16/02/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA Processo nº 10840.000525/200791 Acórdão n.º 220200.958 S2C2T2 Fl. 3 5 DA DISTRIBUIÇÃO Processo que compôs o Lote no 03, distribuído para esta Conselheira na sessão pública da Segunda Turma da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais de 18/08/2010, veio numerado até à fl. 74 (última folha digitalizada)1. 1 Não foi encaminhado o processo físico a esta Conselheira. Recebido apenas o arquivo digital. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA Assinado digitalmente em 17/02/2011 por NELSON MALLMANN, 16/02/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA 6 Voto Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Despesas médicas Inicialmente, cumpre esclarecer que não se discorda de que o ônus da prova é de quem acusa ou de quem pleiteia algo em face de outra pessoa e, por conseguinte, cabe ao fisco o ônus da prova da infração imputada ao contribuinte, demonstrando e comprovando a ocorrência do fato gerador diretamente vinculado à obrigação fiscal exigida. Contudo, em se tratando de situações em que há a redução da base de cálculo do imposto, em razão de certos privilégios ou benefícios concedidos pela legislação, compete ao contribuinte comprovar que tem direito a eles, caso contrário, está o fisco autorizado a efetuar as glosas correspondentes. No caso das deduções da base de cálculo do ajuste anual, o art. 73 do Decreto no 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99), estabelece expressamente que o contribuinte pode ser instado a comprovar ou justificar tais deduções, deslocando para ele o ônus probatório. No caso das despesas médicas, a Lei no 9.250, de 26 de dezembro de 1995, assim dispõe: Art. 8o A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; [...] § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; Fl. 6DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA Assinado digitalmente em 17/02/2011 por NELSON MALLMANN, 16/02/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA Processo nº 10840.000525/200791 Acórdão n.º 220200.958 S2C2T2 Fl. 4 7 III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; [...] De acordo com o dispositivo legal acima transcrito, podem ser deduzidos da base de cálculo do ajuste anual os pagamentos efetuados pelo contribuinte a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, bem como os pagamentos efetuados aos planos de saúde, desde que relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Ainda de acordo com a lei, o contribuinte deve comprovar as despesas médicas incorridas mediante apresentação de documento que especifique o pagamento, com indicação do nome, endereço e CPF ou CNPJ de quem prestou o serviço. Até prova em contrário, atendidos os requisitos legais, os recibos fornecidos pelo profissional da área de saúde nos quais esteja consignado que o pagamento deuse em razão de tratamento prestado ao contribuinte ou a seus dependentes são documentos hábeis para comprovar a prestação do serviço. A legislação não exige que o profissional discrimine o serviço prestado, até porque eles devem guardar sigilo em razão do exercício de sua profissão. Além disso, não há na legislação nada que proíba o pagamento em dinheiro e, muito menos, que obrigue o contribuinte a apresentar outra prova que demonstre a transferência efetiva de numerário (cópia de cheque, saque da conta corrente do contribuinte ou depósito feito na conta do beneficiário etc), além do próprio recibo fornecido pelo prestador do serviço. Nesse sentido, cabe invocar o art. 320 do Novo Código Civil (Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002), em que se admite o uso de instrumento particular, como os recibos ora analisados, como forma de quitação: Art. 320. A quitação, que sempre poderá ser dada por instrumento particular, designará o valor e a espécie da dívida quitada, o nome do devedor, ou quem por este pagou, o tempo e o lugar do pagamento, com a assinatura do credor, ou do seu representante. Parágrafo único. Ainda sem os requisitos estabelecidos neste artigo valerá a quitação, se de seus termos ou das circunstâncias resultar haver sido paga a dívida. Assim, não cabe à fiscalização fazer ilações quanto à forma de pagamento sem apresentar elementos de prova contundentes que conduzam a conclusão de que os serviços não foram efetivamente pagos. Por fim, não há nenhum óbice à utilização de recibos comuns pelos médicos dentistas ou outro profissional da saúde, desde que contenham as informações requeridas na legislação. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA Assinado digitalmente em 17/02/2011 por NELSON MALLMANN, 16/02/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA 8 Feitas essas digressões, passase à análise da documentação apresentada pelo contribuinte. Os recibos e notas fiscais abaixo discriminados, possuem a perfeita identificação do prestador do serviço de acordo com os requisitos legais (nome, endereço e CPF ou CNPJ), e, portanto, comprovam o pagamento de serviços médicos, odontológicos e hospitalares prestados à contribuinte, durante o anocalendário fiscalizado, razão pela qual essas despesas devem ser restabelecidas a título de dedução de despesas médica. Prestador do Serviço Documentos (folhas) Valor (em Reais) Clínica de Medicina Tradicional Chinesa 29 120,00 Dra. Juçara Montaldi 30 200,00 Fundação de Apoio ao Ensino, Pesquisa e Assistência do Hospital das Clínicas da FURPUSP 31 25,00 Dr. Marcos Virgílio de Lazari 33 e 34 20.800,00 Total 21.145,00 Caso duvidasse da idoneidade desses documentos, caberia a fiscalização ter se aprofundado mais na ação fiscal, diligenciando junto ao profissional, consultando os órgãos representativos de classe para verificar a aptidão técnica e profissional para a execução dos serviços ou carreando outros elementos de prova que pudessem demonstrar, de forma incontestável, que tais documentos não correspondiam aos fatos neles contidos, o que não ocorreu. Quanto as demais despesas pleiteadas, essas não podem ser restabelecidas. Nos recibos de fls. 27 e 28, o nome de quem teria efetuado o pagamento está incompleto, consta apenas “Maria Tereza”, razão pela qual não pode ser aceito para fins de dedução. Da mesma forma, o recibo de fl. 32 não serve para comprovar despesas médicas, uma vez que não foi emitido pelo prestador do serviço. Destarte, há que se restabelecer despesas médicas no montante de R$21.145,00. Multa de oficio Quanto à alegação de violação aos princípios constitucionais da proporcionalidade, razoabilidade e do nãoconfisco, verdade é que, em se tratando de falta de pagamento ou recolhimento de tributo, apurada em procedimento de ofício, a autoridade lançadora deve aplicar a multa de lançamento de ofício, prevista no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, não podendo deixar de aplicála ou reduzir seu percentual ao seu livre arbítrio. A multa de mora de 20% só poderia ser aplicada se o presente crédito tributário não decorresse de um lançamento de ofício, mas sim de um procedimento de iniciativa do próprio sujeito passivo, no qual a única infração cometida fosse o atraso de recolhimento. Isto porque, uma vez que as multas de ofício estão previstas em ato legal vigente, regularmente editado, descabida mostrase qualquer manifestação deste Colegiado no sentido do afastamento de sua aplicação/eficácia, por força do disposto no art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pela Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010), que regula o julgamento administrativo de segunda instância. Ademais, esse entendimento já se encontra sumulado pelo CARF, desde 22/12/2009: Fl. 8DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA Assinado digitalmente em 17/02/2011 por NELSON MALLMANN, 16/02/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA Processo nº 10840.000525/200791 Acórdão n.º 220200.958 S2C2T2 Fl. 5 9 Súmula CARF No 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Taxa Selic Na verdade, a exigência dos juros apurados a partir da Taxa SELIC está prevista, de forma literal, no artigo 13 da Lei no 9.065, de 20 de junho de 1995 e no § 3o do art. 61 da Lei no 9.430/1996, não havendo como afastála sem expurgar, também, tais dispositivos literais de lei. Ademais, esta matéria já se encontra pacificada no âmbito deste Tribunal Administrativo, nos termos da Súmula no 4 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em, em vigor desde 22/12/2009: Súmula CARF no 4: A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Destarte, há que se referendar o feito fiscal naquilo que se relaciona com a aplicação da Taxa SELIC como juros de mora. Conclusão Diante do exposto, voto por DAR provimento PARCIAL ao recurso, para restabelecer despesas médicas no valor total de R$21.145,00. (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Fl. 9DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA Assinado digitalmente em 17/02/2011 por NELSON MALLMANN, 16/02/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA
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Numero do processo: 13971.000771/2008-27
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Aug 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2000 a 31/12/2006
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL.
Comprovado nos autos o pagamento parcial este é considerado apto a atrair a aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, §4, do CTN.
Numero da decisão: 9202-007.850
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. Comprovado nos autos o pagamento parcial este é considerado apto a atrair a aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, §4, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 07 71 /2 00 8- 27 Fl. 1347DF CARF MF Processo nº 13971.000771/200827 Acórdão n.º 9202007.850 CSRFT2 Fl. 1.348 2 Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício). Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pelo Contribuinte face ao acórdão 240200.122, proferido pela 2ª Turma Ordinária / 4ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. O presente auto de infração decorre das contribuições devidas à Seguridade Social, no valor de 12.083.107,86 (doze milhões, oitenta e três mil, cento e sete reais e oitenta e seis centavos), correspondentes à contribuição doe segurados e da empresa, destinadas ao financiamento dos benefícios decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT) e a outras entidades e fundos (terceiros) INCRA e SEBRAE. As contribuições objeto da NFLD não foram objeto de declaração nas guias de FGTS e GFIP. O lançamento compreende o período de 08/2000 a 12/2006, tendo a recorrente sido devidamente notificada do lançamento em 12.03.2008.O Contribuinte apresentou a impugnação de fls. 289/321. A DRJ julgou totalmente improcedente a impugnação, mantendo integralmente o crédito tributário. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 288/332, por meio do qual aduziu o recorrente, em preliminar, existência de decadência relativamente aos fatos geradores ocorridos antes de 12.03.2003, e, no mérito, aduziu, dentre outras, ser a multa abusiva e confiscatória. A 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 901/910, DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Ordinário, determinando a exclusão do auxiliocreche da base de cálculo, e mantendose na integralidade os períodos posteriores. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Período de apuração: 01/08/2000 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIARIA DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4°, DO CTN. É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento das contribuições previdenciárias. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PRÊMIO ASSIDUIDADE. PLANOS DE SAÚDE. SEGURO DE VIDA. O salário de contribuição é compreendido Fl. 1348DF CARF MF Processo nº 13971.000771/200827 Acórdão n.º 9202007.850 CSRFT2 Fl. 1.349 3 como a remuneração, na qual se considera a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer titulo, inclusive as gorjetas. Somente são permitidas as exclusões expressamente previstas no artigo 28, § 9° da Lei 8.212/91. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. AUXÍLIO CRECHE. O auxilio creche, concedido pelas empresas aos filhos de seus funcionários menores de 06 (seis) anos, a teor do art. 28, 9 °, "m", da Lei 8., não integram o salário de contribuição, possuindo nítido caráter indenizatório, sendo dispensada a comprovação dos gastos efetuados conforme iterativa jurisprudência. COOPERATIVA DE TRABALHO. A contribuição previdenciária incide sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços prestados pelos cooperados através de cooperativa de trabalho. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIARIAS. SEBRAE. MULTA. EXCESSIVIDADE. Falece ao Conselho de Contribuintes a competência para análise da constitucionalidade de normas tributárias, atividade privativa do Poder Judiciário, nos termos da Súmula n.02. SELIC. APLICAÇÃO. LEGALIDADE. Nos termos da Súmula n. 03 do Eg. Segundo Conselho de Contribuintes é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIG para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Recurso Voluntário provido em parte Às fls. 917/921, a Fazenda Nacional apresentou Embargos de Declaração, arguindo erro material da data constante sobre o prazo decadencial, os quais foram acolhidos pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 923/928, “para sanar a contradição apontada e retificar o voto condutor e sua parte dispositiva, no que se refere a decadência, para reconhecer a extinção do lançamento das competências até 11/2000, nos termos do art. 173, I, do CTN”. Às fls. 1053/1063, o Contribuinte apresentou Embargos de Declaração, arguindo erro material da data constante sobre o prazo decadencial, os quais foram acolhidos pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 1071/1076, e re ratificados às fls. 1080/1084, para “para reconhecer a extinção do lançamento das competências até 11/2002, nos termos do art. 173, I, do CTN”. Às fls. 1094/1148, o Contribuinte interpôs Recurso Especial, arguindo divergência jurisprudencial em relação as seguintes matérias: 1. Nulidade parcial do Acórdão que julgou os Embargos de Declaração da contribuinte. Apesar de a contribuinte ter apresentado Embargos de Declaração elencando uma série de fundamentos não analisados pelo Acórdão recorrido, o Acórdão que julgou os Embargos de Declaração se limitou a consignar trechos do voto anteriormente proferido e a afirmar que não existiam os vícios apontados pela empresa. Diferentemente, o acórdão paradigma concluiu que "A ausência de análise de argumento devidamente ventilado em Recurso Voluntário caracteriza inequívoco cerceamento de defesa. Este vício impinge a nulidade do ato, por força do que dispõe o art. 59, inciso II do Decreto 70.235/72"; 2. Prazo decadencial do auto de infração. O acórdão recorrido Fl. 1349DF CARF MF Processo nº 13971.000771/200827 Acórdão n.º 9202007.850 CSRFT2 Fl. 1.350 4 interpretou que no caso de decadência de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o art. 150, § 4º do CTN só seria aplicado quando fosse constatada a ocorrência de recolhimento, caso contrário, seria aplicado o art. 173, inciso I, do CTN. Entretanto, essa não é a melhor solução, conforme as decisões dos acórdãos paradigmas: estando as Contribuições Previdenciárias sujeitas ao lançamento por homologação, a decadência a ser aplicada seria aquela constante do art. 150, § 4º do CTN, levandose em consideração a natureza do tributo atribuída por lei, independentemente da ocorrência de pagamento. Nessa hipótese, é perfeitamente legal e possível afirmar que a ausência do pagamento não desnatura o lançamento por homologação, mormente quando a sujeição dos tributos àquele lançamento é conferida por lei; 3. Não incidência das contribuições sobre as seguintes verbas pagas pela empresa: (a) participação dos administradores nos resultados da empresa. Apesar de ser incontroverso que a participação dos administradores nos resultados da empresa sempre foi paga conforme a sistemática prevista na Lei n° 6.404/76, o acórdão recorrido asseverou que deveriam incidir contribuições previdenciárias sobre tal verba. Já o acórdão paradigma é bastante claro: "Do que posto, temos que, para a configuração do fato gerador, a autoridade fiscal deveria ter apontado o descumprimento dos requisitos elencados, o que não foi feito. Ao contrário, a recorrente traz elementos que corroboram com o alegado de que cumpriu as determinações legais, afastando assim a incidência previdenciária, consoante art. 28, §9°, 'j' da lei 8212/91. (...) A hipótese em comento diz respeito a distribuição de resultados aos administradores, prevista na lei 6404/76, não se confundindo com remuneração pelo serviço prestado"; (b) PPR – Programa de Participação nos Resultados da empresa (suposto "prêmio absenteísmo/assiduidade"). Em ambos os processos – acórdãos recorrido e paradigma, o Fisco considerou que a participação nos resultados, paga pela empresa aos funcionários, seria "prêmio assiduidade". Todavia, o paradigma consignou que: "Discordo da solução adotada no julgamento de origem. Entendo que o critério da assiduidade, que consistia no cumprimento integral da jornada de trabalho não é suficiente para transfigurar a forma acordado pelos celebrantes da Convenção Coletiva de Trabalho". Ou seja, enquanto o acórdão recorrido entendeu que o PPR seria, na verdade, "prêmio assiduidade", o paradigma asseverou que, quando a assiduidade é uma das metas a serem atingidas para se receber o PPR (como no caso da contribuinte), sobre essa verba não poderiam incidir as contribuições. (c) Plano de saúde. Diferentemente do que decidiu o acórdão recorrido, o acórdão paradigma firmou o entendimento de que, quando o benefício (plano de saúde) se estende a todos os empregados e dirigentes da empresa, sobre ele não incidem contribuições previdenciárias; e (d) Seguro de vida. Enquanto para o acórdão recorrido devem incidir contribuições sobre essa verba, para o paradigma isso não pode ocorrer quando ela atinja a totalidade dos funcionários e dirigentes . Às fls. 1265/1273, a 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, DANDO PARCIAL SEGUIMENTO ao recurso em relação apenas à segunda divergência, relativa ao prazo decadencial do tributo, restando mantido o despacho em sede de Reexame de Admissibilidade pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, às fls. 1274. Às fl. 1276/1280, a Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões, ratificando os argumentos da decisão para requerer a sua manutenção na parte recorrida pelo Contribuinte. Às fls. 1283 e ss., o processo veio a julgamento, porém, observado que o processo se encontrava com irregularidades processuais, foi determinada diligência para levantar os débitos e respectivos recolhimentos de contribuições previdenciárias patronais, dos segurados e destinada a terceiros sobre a remuneração dos segurados empregados sobre a folha Fl. 1350DF CARF MF Processo nº 13971.000771/200827 Acórdão n.º 9202007.850 CSRFT2 Fl. 1.351 5 de pagamentos, contribuintes individuais e cooperativas de trabalho, nas competências de 12/2002 a 03/2003, e para elaborar relatório conclusivo. A União tomou ciência, à fl. 1311, e o Contribuinte também foi cientificado, conforme fl. 1317. À fl. 1323, o processo veio novamente à julgamento, contudo foi verificado que a diligência determinada às fls. 1283 e ss. não foi cumprida, por isso, determinouse novamente o retorno dos autos, fazendose necessário os esclarecimentos solicitados em sede de resolução (Resolução n° 9202000.088). A diligência restou cumprida pela DRJ, às fls. 1336/1337, através da qual a Delegacia de fiscalização informou as Contribuições declaradas e recolhidas no período em discussão (competências anteriores a março/2003), listando as rubricas por competência e valores, sendo, portanto, suficientes, para o deslinde da questão. INCLUÍDO O Contribuinte cientificado, conforme fl. 1339, motivando apresentação de Manifestação, às fls. 1343/1344, fazendo constar que “em relação à contribuição previdenciária sobre os pagamentos efetuados a cooperativas de trabalho, prevista no inciso IV, do art. 22, da Lei nº 8.212/1991, foi declarada inconstitucional pelo STF no julgamento, sob a sistemática do art. 543B do CPC/73, do RE nº 595.838/SP”. Os autos retornaram conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. O presente auto de infração decorre das contribuições devidas à Seguridade Social, no valor de 12.083.107,86 (doze milhões, oitenta e três mil, cento e sete reais e oitenta e seis centavos), correspondentes à contribuição doe segurados e da empresa, destinadas ao financiamento dos benefícios decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT) e a outras entidades e fundos (terceiros) INCRA e SEBRAE. O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial, apresentado pelo Contribuinte trouxe para análise a seguinte divergência: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Decadência Pagamento apto a atrair o art. 150, § 4º, do CTN. O Recurso Especial apresentado pelo Contribuinte trouxe para análise a divergência jurisprudencial no tocante à decadência, afirmando que, conforme entendeu o acórdão paradigma, o pagamento de contribuição incidente sobre qualquer rubrica da folha de Fl. 1351DF CARF MF Processo nº 13971.000771/200827 Acórdão n.º 9202007.850 CSRFT2 Fl. 1.352 6 salário caracteriza a antecipação de pagamento, devendo, assim, ser utilizada a regra prevista no artigo 150, § 4°, do CTN. O Recurso Especial insurgiuse tão somente quanto à tese decadencial, conforme relatado alhures. Pois bem, para tratar da decadência do direito da Fazenda Nacional em lançar de ofício o imposto em questão é preciso analisar o fato gerador deste tributo. No presente caso tratase de Contribuição Previdenciária, cujo auto de infração discute o descumprimento de obrigação principal, a empresa recorrente deixou de recolher a contribuição devida sobre a remuneração de seus empregados. Estamos tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, onde parte da obrigação foi omitida pelo contribuinte e lançada de ofício pela Receita Federal, ensejando a dúvida entre a aplicação do disposto no art. 150, §4 ou 173, I, do CTN. Para elidir esta discussão, necessário se faz que se observem outros requisitos. Embora o contribuinte tenha de fato omitido parte das receitas em sua declaração e isso tenha ensejado o lançamento de ofício, é preciso que se observe se houve adiantamento do pagamento do imposto devido ou de parte dele. Contudo, embora minha simpatia com a tese esposada pela Fazenda Nacional no tocante a aplicação do art. 173, I, nos casos de lançamento de ofício, no caso em tela, por força do artigo 62 do RICARF havendo orientação firmada no RE 973.733SC, me filio ao atual entendimento do STJ, no qual ficou definido que havendo o adiantamento de pelo menos parte do pagamento do imposto, este atrai a aplicação do art. 150, § 4 do CTN. Observese a Ementa do referido julgado: AGRAVO REGIMENTAL. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ICMS. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, E 173, DO CTN. IMPOSSIBILIDADE. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. (RECURSO REPETITIVO RESP 973.733SC). Relator(a) Ministro LUIZ FUX (1122) Órgão Julgador T1 PRIMEIRA TURMA Data do Julgamento 02/03/2010 Data da Publicação/Fonte DJe 16/03/2010 1. O tributo sujeito a lançamento por homologação, em não ocorrendo o pagamento antecipado pelo contribuinte, incumbe ao Fisco o poderdever de efetuar o lançamento de ofício substitutivo, que deve obedecer ao prazo decadencial estipulado pelo artigo 173, I, do CTN, segundo o qual o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. (...) Fl. 1352DF CARF MF Processo nº 13971.000771/200827 Acórdão n.º 9202007.850 CSRFT2 Fl. 1.353 7 3. Desta sorte, como o lançamento direto (artigo 149, do CTN) poderia ter sido efetivado desde a ocorrência do fato gerador, é do primeiro dia do exercício financeiro seguinte ao nascimento da obrigação tributária que se conta o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário, na hipótese, entre outras, da não ocorrência do pagamento antecipado de tributo sujeito a lançamento por homologação, independentemente da data extintiva do direito potestativo de o Estado rever e homologar o ato de formalização do crédito tributário efetuado pelo contribuinte ... (...) 5. À luz da novel metodologia legal, publicado o julgamento do Recurso Especial nº 973.733/SC, submetido ao regime previsto no artigo 543C, do CPC, os demais recursos já distribuídos, fundados em idêntica controvérsia, deverão ser julgados pelo relator, nos termos do artigo 557, do CPC (artigo 5º, I, da Res. STJ 8/2008). 6. Agravo regimental desprovido. A doutrina também se manifesta neste sentido: O prazo para homologação é, também, o prazo para lançar de ofício eventual diferença devida. O prazo deste § 4° tem por finalidade dar segurança jurídica às relações tributárias. Ocorrido o fato gerador e efetuado o pagamento pelo sujeito passivo no prazo do vencimento, tal como previsto na legislação tributária, tem o Fisco o prazo de cinco anos, a contar do fato gerador, para emprestar definitividade a tal situação, homologando expressa ou tacitamente o pagamento realizado, com o que chancela o cálculo realizado pelo contribuinte. É neste prazo para homologação que o Fisco deve promover a fiscalização, analisando o pagamento efetuado e, no caso de entender que é insuficiente, fazer o lançamento de ofício através da lavratura de auto de infração, em vez de chancelálo pela homologação. Com o decurso do prazo de cinco anos contados do fato gerador, portanto, ocorre a decadência do direito do Fisco de lançar eventual diferença. A regra do § 4° deste art. 150 é regra especial relativamente à do art. 173, I, deste mesmo Código. E, havendo regra especial, prefere à regra geral. Não há que se falar em aplicação cumulativa de ambos os artigos, conforme se pode ver em nota ao art. 173, I, do CTN”. (PAULSEN, Leandro, 2014). Grifo nosso. Nessa perspectiva, cumpre enfatizar que o cerne da questão aqui debatida reside na análise da existência de pagamento antecipado de parte da contribuição exigida, cujo reconhecimento tem a aptidão de atrair a incidência do art. 150, § 4.º, do CTN. Em não havendo tal antecipação de pagamento, a aplicação do art. 173, I, do CTN é impositiva. Para o exame da ocorrência de pagamento antecipado parcial, para os fins ora pretendidos, afigurase óbvia a necessidade de se verificar se o contribuinte pagou parte do débito tributário objeto de cobrança, e não daqueles afetos a outros fatos. Da análise dos autos não restava evidente este recolhimento, o que motivou a baixa do processo em diligência, a fim de elucidar tais questões. Do relatório apresentado pela unidade fiscalizadora foi possível detectar recolhimentos a título de folha de pagamento, os quais aproveitam a rubrica discutida na Fl. 1353DF CARF MF Processo nº 13971.000771/200827 Acórdão n.º 9202007.850 CSRFT2 Fl. 1.354 8 infração vinculada a este processo – correspondentes à contribuição dos segurados e da empresa, destinadas ao financiamento dos benefícios decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT) e a outras entidades e fundos (terceiros) INCRA e SEBRAE. No caso em tela, portanto, não assiste razão ao acórdão recorrido, devendo este ser reformado já que comprovado que o Contribuinte efetuou a antecipação de seu pagamento. Assim, considerando que houve a comprovação do adiantamento de parte da contribuição previdenciária devida face a existência de pagamento antecipado tal reconhecimento tem a aptidão de atrair a incidência do art. 150, § 4.º, do CTN Nestes termos deve ser declarada a decadência das competências anteriores a março de 2003. Diante do exposto, recebo o Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, para no mérito darlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 1354DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10945.900180/2009-61
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Exercício: 2004
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO COMPROVANDO A RETENÇÃO NA FONTE. AGÊNCIAS DE TURISMO, OBRIGAÇÃO DE EFETUAR A RETENÇÃO. NOVA ANÁLISE DO DIREITO CREDITÓRIO PELA UNIDADE LOCAL.
No caso empresas de turismo, a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto é da própria prestadora (agência de turismo) incidentes sobres as comissões por ela auferidas. O contribuinte juntou aos autos, dentro do prazo legal, elementos probatórios hábeis à comprovação do direito alegado, os quais justificam uma nova análise do direito creditório vindicado.
Numero da decisão: 1003-000.784
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para determinar o retorno dos autos à Unidade Local para analisar o direito creditório decorrente de saldo negativo de IRPJ, exercício 2004, considerando as informações e provas colacionadas aos presentes autos no recurso voluntário. Havendo a constatação de liquidez e certeza do crédito a título de saldo negativo de IRPJ, que seja realizada a homologação da DCOMP objeto desse processo.
(documento assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Wilson Kazumi Nakayama e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente)
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
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APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO COMPROVANDO A RETENÇÃO NA FONTE. AGÊNCIAS DE TURISMO, OBRIGAÇÃO DE EFETUAR A RETENÇÃO. NOVA ANÁLISE DO DIREITO CREDITÓRIO PELA UNIDADE LOCAL. No caso empresas de turismo, a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto é da própria prestadora (agência de turismo) incidentes sobres as comissões por ela auferidas. O contribuinte juntou aos autos, dentro do prazo legal, elementos probatórios hábeis à comprovação do direito alegado, os quais justificam uma nova análise do direito creditório vindicado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para determinar o retorno dos autos à Unidade Local para analisar o direito creditório decorrente de saldo negativo de IRPJ, exercício 2004, considerando as informações e provas colacionadas aos presentes autos no recurso voluntário. Havendo a constatação de liquidez e certeza do crédito a título de saldo negativo de IRPJ, que seja realizada a homologação da DCOMP objeto desse processo. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente (documento assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Wilson Kazumi Nakayama e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 90 01 80 /2 00 9- 61 Fl. 334DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1003-000.784 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10945.900180/2009-61 Relatório Trata-se de recurso voluntário contra acórdão de nº 06-36.427, de 12 de abril de 2012, da 2ª Turma da DRJ/CTA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Por economia processual e por entender suficientes as informações constantes no Relatório do acórdão da DRJ, reproduzo-o abaixo: Trata o processo das Declaração de Compensação Per/Dcomp, todas retificadoras enviadas em 12/01/2008 e em 28/02/2008, de págs. 2/49, relativas à compensação de débitos 599301 IRPJ PJ optantes pelo lucro real/Estimativa mensal, 12/2003 a 08/2004, com direito creditório de Saldo Negativo (SN) de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ do exercício 2004, no valor original total requerido de R$ 13.815,75. 2. A DRF em Foz do Iguaçu/PR, depois de ter intimado a empresa a esclarecer a divergência entre os valores constantes da Dcomp e os da Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ (em 08/08/2008, pág. 53, sem que conste resposta do contribuinte), emitiu o Despacho Decisório de págs. 52, 54/58, em 18/02/2009, nº de rastreamento 821026708, comunicando que não homologou as compensações declaradas porque o valor do SN IRPJ na DIPJ difere e é inferior ao que é requerido nas Dcomp; apurou o saldo devedor consolidado correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 27/02/2009, no valor do principal de R$ 13.815,75, acrescido de multa e juros de mora. 3. Regularmente cientificada desse Despacho Decisório por via postal (AR recebido em 05/03/2009, pág. 53), a contribuinte apresentou, tempestivamente, em 17/03/2009, a manifestação de inconformidade de págs. 59/61, com os documentos de págs. 62/124. 4. Informa que o regime de tributação no ano calendário de 2003 foi lucro estimado, portanto, apurou o IRPJ sobre a receita bruta e pagou de conformidade com Darfs e Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF, código 8045, que anexa. 5. Demonstra a evolução dos recolhimentos efetuados, do IRRF e IRPJ compensados do ano calendário de 2003 à pág. 59, computando saldo credor inicial de 31/12/2002, no valor de R$ 2.953,49, nos meses de 01 a 05/2003 e um “Saldo a compensar/2004” de R$ 4.609,17; explica que, em dezembro, apurou o Balanço Geral do ano calendário de 2003, com base em balancetes de redução/suspensão, apurando IRPJ devido no ano no valor de 15.005,78, tendo compensado R$. 10.537,16 mais o saldo remanescente de 2002 no valor de R$ 2.953,49; houve IRRF no valor de R$ 6.124,30, totalizando R$ 19.614,95, resultando um saldo a compensar para ano calendário de 2004 o valor de R$ 4.609,17. 6. À pág. 60, efetua demonstrativo análogo referente ao ano-calendário 2004, partindo do saldo credor de R$ 4.609,17 de 31/12/2003 e apurando no final o saldo credor de IRPJ em 31/12/2004 (a ser compensado em 2005) no valor de R$ 9.975,74; explica que, em dezembro, foi apurado o Balanço Geral do ano calendário de 2004, com base em balanço de redução/suspensão, não apurando IRPJ por ter apresentado prejuízo, apresentando, portanto um saldo a compensar para os exercícios seguintes no valor de R$ 9.975,74, proveniente do saldo a compensar de 2003, no valor de R$. 4.609,17, mais o imposto pago em 2004 no valor de R$ 2.642,08 e mais o IRRF em 2004 no valor de R$ 2.636,54, perfazendo o total ser compensado futuramente no valor de R$ 9.975,74. 7. O contribuinte protocolizou ainda em, 28/04/2009, Requerimento de Baixa de débito 5993 IRPJ de 03/2003, no valor de R$ 559,00, indevidamente compensado na retificadora Dcomp nº 14141.41767.120108.1.7.023903, quando a intenção era Fl. 335DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1003-000.784 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10945.900180/2009-61 compensar o débito de 03/2004; comprova o erro de fato com o recolhimento referente a 03/2003 em Darf e a Dcomp original nº 23397.81573.2900404.1.3.021480 de 29/04/2004, págs. 127/148; à pág. 149, o despacho da DRF em Foz do Iguaçu/PR, acatando as razões referentes a erro de fato, o que não altera o resultado do Despacho Decisório deste processo, contestado. A 2ª Turma da DRJ/CTA julgou a manifestação de inconformidade improcedente, e não reconheceu o crédito informado pela contribuinte, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/01/2004, 27/02/2004, 31/03/2004, 30/04/2004, 31/05/2004, 30/06/2004, 31/07/2004, 31/08/2004, 30/09/2004 PER/DCOMP ELETRÔNICO NÃO HOMOLOGADO. CRÉDITO DE SALDO NEGATIVO DE IRPJ NÃO CONFIRMADO. Correta não homologação de compensação se a existência de crédito de saldo negativo de IRPJ pleiteado não é confirmada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Outros Valores Controlados A contribuinte foi intimada do acórdão proferido pela DRJ no dia 08/05/2012 (e- fls.190) e, irresignada com a decisão, apresentou Recurso Voluntário aos 01/06/2012, conforme razões abaixo sintetizadas: - Por se tratar de empresa do ramo de agência de viagens e turismo, as retenções de Imposto de Renda tem tratamento diferenciado, no qual o recolhimento do imposto deve ser efetuado pela pessoa jurídica beneficiária do rendimento, ficando a fonte pagadora desobrigada da retenção; - Destaca que o imposto de renda retido na fonte foi recolhido com o código 8045 e os mesmos foram declarados em DCTF e informados na Ficha 43 da DIPJ/2003, ano calendário 2002; DIPJ 2004, ano calendário 2003 e DIPJ 2005, ano calendário 2004; - A Recorrente anexou DARF recolhidos pela empresa nos ano calendários de 2002, 2003 e 2004 como prova dos recolhimentos, bem como juntou comprovantes anuais de retenção enviadas às fontes pagadoras para constarem m sua DIRF como se retido fosse. É o Relatório. Voto Conselheiro Bárbara Santos Guedes, Relator. O recurso é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. Fl. 336DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1003-000.784 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10945.900180/2009-61 O presente processo refere-se às Per/Dcomp retificadoras (e-págs. 02 a 49), todas requerendo o reconhecimento do direito creditório de Saldo Negativo de IRPJ do exercício 2004, apurado em 31/12/2003, a fim de quitar débitos de estimativas de IRPJ, código 5993, dos meses 12/2003 e 01 a 08/2004. A compensação não foi homologada, porque o saldo negativo informado na DIPJ do período não corresponde ao valor do saldo negativo apontado no Per/Dcomp. O valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de credito foi de R$ 16.661,46 e o valor do saldo negativo Informado na DIPJ foi R$ 4.609,17. Em julgamento na primeira instância administrativa, depois de analisar as informações disponíveis no sistema, a DRJ/CTA verificou não existir saldo negativo de IRPJ em 31/12/2003, e destacou que o contribuinte relacionou valores retidos por seus clientes no total de R$ 6.702,08, porém, sem apresentar comprovantes dessas retenções. Em seu Recurso Voluntário, a Recorrente destaca que, por se tratar de empresa do ramo de agência de viagens e turismo, as retenções de Imposto de Renda tem tratamento diferenciado, no qual o recolhimento do imposto deve ser efetuado pela pessoa jurídica beneficiária do rendimento, ficando a fonte pagadora desobrigada da retenção e juntou aos autos os DARFs recolhidos pela empresa nos ano-calendários de 2002, 2003 e 2004 e anexou os comprovantes anuais de retenção enviadas às fontes pagadoras para que essas informassem em suas respectivas DIRFs. Destacou ainda a Recorrente na sua peça de defesa que o Imposto de Renda Retido na Fonte foi recolhido com o código 8045, constando os referidos DARFs nas respectivas DCTF e na Ficha do Demonstrativo do Imposto de Renda Retido na Fonte da DIPJ de cada ano. A Recorrente, assim, em grau de recurso voluntário, acostou novos documentos ao processo, os quais, segundo defende, são suficientes para comprovar as retenções na fonte não reconhecidas pela decisão de primeira instância. A Lei nº 11.771/2009, que instituiu a Política Nacional de Turismo, especificou as atividades que competem às agências de turismo, conforme artigo abaixo: Art. 27. Compreende-se por agência de turismo a pessoa jurídica que exerce a atividade econômica de intermediação remunerada entre fornecedores e consumidores de serviços turísticos ou os fornece diretamente. § 1o São considerados serviços de operação de viagens, excursões e passeios turísticos, a organização, contratação e execução de programas, roteiros, itinerários, bem como recepção, transferência e a assistência ao turista. § 2o O preço do serviço de intermediação é a comissão recebida dos fornecedores ou o valor que agregar ao preço de custo desses fornecedores, facultando-se à agência de turismo cobrar taxa de serviço do consumidor pelos serviços prestados. § 3o As atividades de intermediação de agências de turismo compreendem a oferta, a reserva e a venda a consumidores de um ou mais dos seguintes serviços turísticos fornecidos por terceiros: I - passagens; II - acomodações e outros serviços em meios de hospedagem; e Fl. 337DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1003-000.784 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10945.900180/2009-61 III - programas educacionais e de aprimoramento profissional. Conclui-se, portanto, que a receita auferida pelas agências de turismo é composta, entre outras, pela comissão recebida dos fornecedores de serviços turísticos, entre os quais se encontram as pessoas que atuam nos meios de hospedagem, passagens e venda de excursões. A retenção do imposto de renda na fonte, relativamente aos pagamentos a título de comissões, encontra-se disciplinada no inciso I do art. 53 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985: Art 53 - Sujeitam-se ao desconto do imposto de renda, à alíquota de 5% (cinco por cento), como antecipação do devido na declaração de rendimentos, as importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas: I - a título de comissões, corretagens ou qualquer outra remuneração pela representação comercial ou pela mediação na realização de negócios civis e comerciais; A regulamentação do dispositivo legal acima foi efetuada pela Instrução Normativa SRF nº 153, de 5 de novembro de 1987, abaixo descrito: O Secretário da Receita Federal, no uso da competência que lhe foi delegada pelo Ministro da Fazenda por meio da Portaria Ministerial nº 371, de 29 de julho de 1985, e tendo em vista as disposições do artigo 53, I, da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, e do artigo 2º do Decreto-Lei nº 1.056, de 21 de outubro de 1969, RESOLVE: 1 - O recolhimento do imposto de renda previsto no inciso I do art. 53 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, será efetuado pela pessoa jurídica que receber de outras pessoas jurídicas importâncias a título de comissões e corretagens relativas a: (...) e) vendas de passagens, excursões ou viagens. 2 - As pessoas jurídicas que pagarem ou creditarem as comissões e corretagens referidas no item 1 ficam desobrigadas de efetuar a retenção do imposto. 2.1 - Neste caso, a beneficiária da comissão ou corretagem deverá fazer constar do documento comprobatório o valor do imposto que assume a responsabilidade de recolher. 3 - Quando houver repasse de parte da comissão relativa a determinada operação, o recolhimento será efetuado pelo valor líquido recebido pela pessoa jurídica, assim considerada a diferença entre o valor das comissões recebidas e o das repassadas a outra(s) pessoa(s) jurídica(s) em cada quinzena. 4 - O recolhimento do imposto será efetuado até o último dia da quinzena seguinte àquela em que as comissões e corretagens tenham sido recebidas com indicação do código 8045 (Comissões e Serviços de Propaganda - art. 53 da Lei nº 7.450/85) no campo 20 do Documento de Arrecadação de Receitas Federais - DARF. Conclui-se, pois, que a regulamentação do setor buscou concentrar nas agências de turismo a responsabilidade pela retenção e pelo recolhimento do imposto de renda na fonte, incidente sobre as comissões por elas percebidas. A responsabilidade pelo recolhimento do imposto na fonte é exclusivamente da agência de turismo, pessoa jurídica beneficiária da comissão. Essa também foi conclusão Fl. 338DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1003-000.784 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10945.900180/2009-61 extraída das da Soluções de Consulta nº 11, de 08 de março de 2018 e nº 22, de 16 de janeiro de 2017. Logo, de fato, as informações e documentos trazidos pela Recorrente em seu recurso voluntário configuram, ao meu sentir, documentos indispensáveis para a sua defesa e devem ser analisados pela DRF de Foz do Iguaçú para verificar se as retenções apontadas pela Recorrente na manifestação de inconformidade estão comprovadas através dos DARFs e Declarações de Rendimentos acostados ao recurso voluntário. A Declaração de Compensação é um processo que visa restituir quantias pagas a título de tributos ou contribuições que são administrados pela Receita Federal do Brasil, que foram recolhidos indevidamente ou ainda, quando o valor pago é maior do que aquele realmente devido. Ela é uma das formas de extinção do crédito tributário, previsto na legislação fiscal federal. É importante observar que os diplomas normativos de regências da matéria, quais sejam o art. 170 do Código Tributário Nacional e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deixam clara a necessidade da existência de direto creditório líquido e certo no momento da apresentação do Per/DComp, hipótese em que o débito confessado encontrar-se-ia extinto sob condição resolutória da ulterior homologação. A decisão da DRJ, porém, estava fundamentada primordialmente na ausência de comprovação do crédito e, em razão desse posicionamento, a Recorrente acostou novos documentos para comprovar suas alegações. A autoridade julgadora, por outro lado, deve se orientar pelo princípio da verdade material quando da apreciação das prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. O princípio da ampla defesa, por outro lado, garante ao contribuinte o direito de defender-se plenamente de todos os fatos e fundamentos dentro do processo administrativo. Em que pese ter a Recorrente juntado os documentos apenas em grau de recurso, em obediência à verdade material que deve pautar os processos administrativos e da formalidade moderada e na permissão concedida pelo art. 38 da Lei 9.784/99, o contribuinte tem a possibilidade de juntar documentos indispensáveis para sua defesa mesmo após a manifestação de inconformidade. Por essa razão, entendo não ter havido a preclusão para a juntada de provas nesse caso específico e, para evitar prejuízo à defesa ou evitar supressão de instância de julgamento, haja vista que as questões trazidas no recurso voluntário não foram enfrentadas nas instâncias anteriores, deve o processo retornar à DRF de origem para que seja possível analisar as declarações da Recorrente quanto à demonstração da liquidez e certeza do crédito, através da análise dos documentos juntados nesta oportunidade. À luz dos documentos contábeis juntados aos autos, verifica-se tratar-se de hipótese que faz jus a uma nova análise pela Unidade Local do direito creditório alegado. Fl. 339DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1003-000.784 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10945.900180/2009-61 Por todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para determinar o retorno dos autos à Unidade Local para analisar o direito creditório decorrente de saldo negativo de IRPJ, exercício 2004, considerando as informações e provas colacionadas aos presentes autos no recurso voluntário. Havendo a constatação de liquidez e certeza do crédito a título de saldo negativo de IRPJ, que seja realizada a homologação da DCOMP objeto desse processo. (documento assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 340DF CARF MF
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Numero do processo: 18471.001840/2006-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Aug 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, a legislação autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Os créditos bancários não comprovados de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, cujo somatório não supere R$ 80.000,00 no ano-calendário, não perfazem rendimentos omitidos para efeito de lançamento.
ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova para modificar ou desconstituir crédito contido em lançamento tributário é do contribuinte.
Numero da decisão: 2402-007.500
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, não se conhecendo da alegação quanto à aplicação concomitante da multa de ofício com multa isolada, e, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Sergio da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Paulo Sergio da Silva e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: PAULO SERGIO DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, a legislação autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Os créditos bancários não comprovados de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, cujo somatório não supere R$ 80.000,00 no ano-calendário, não perfazem rendimentos omitidos para efeito de lançamento. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova para modificar ou desconstituir crédito contido em lançamento tributário é do contribuinte.
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PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, a legislação autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Os créditos bancários não comprovados de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, cujo somatório não supere R$ 80.000,00 no anocalendário, não perfazem rendimentos omitidos para efeito de lançamento. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova para modificar ou desconstituir crédito contido em lançamento tributário é do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, não se conhecendo da alegação quanto à aplicação concomitante da multa de ofício com multa isolada, e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 18 40 /2 00 6- 11 Fl. 522DF CARF MF Processo nº 18471.001840/200611 Acórdão n.º 2402007.500 S2C4T2 Fl. 523 2 (documento assinado digitalmente) Paulo Sergio da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Paulo Sergio da Silva e Renata Toratti Cassini. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 501) pelo qual a recorrente se indispõe contra decisão em que a autoridade de julgadora de primeiro grau considerou apenas parcialmente procedente impugnação contra lançamento de IRPF, no valor de R$ 105.324,11 (acrescidos de juros e multa de ofício) e multa isolada no valor de R$ 7.896,97, incidentes sobre omissão de rendimento de trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas físicas e rendimentos caracterizados em depósitos bancários sem origem comprovada, em relação aos exercícios de 2002 a 2005. Consta do relatório do acórdão recorrido o seguinte resumo dos fatos verificados até então: Foi instaurado procedimento riscai mediante Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) nº 07.1.90.002006014199 (fls. 01 a 02), datado de 22/09/2006, o qual delimitou a atuação fiscal em relação ao imposto sobre a renda relativo ao período compreendido entre 01/2001 a 12/2004. As Declarações de Ajuste Anual entregues encontramse apensas às fls. 03 a 16. Dando seqüência ao procedimento instaurado, foi lavrado Termo de Início de Fiscalização com escopo de obter esclarecimentos complementares sobre variados depósitos realizados em contacorrente de titularidade conjunta da fiscalizada com seu cônjuge, já anteriormente intimado, e extratos bancários. Decorreu deste ato a apensação dos documentos de fls 18 a 24. Diante dos elementos de prova colecionados, a Fiscalização lavrou Auto de Infração, consubstanciado no Termo de Verificação de Infração de fls. 162 a 170, em virtude dc apuração das seguintes infrações: 1. Omissão de rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoa física no anocalendário de 2002 no valor de R$ 31.571.00; 2. Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, nos anoscalendário de 2001 a 2004. 3. Falta de recolhimento do imposto de renda da pessoa física devido a titulo de carnêleão. Cientificado na pessoa de seu procurador em 27/12/2006, a parte apresentou impugnação de fls. 186 a 209 cm 25/01/2007, na qual defende a revisão do lançamento mediante a seguinte argumentação: 1. Preliminarmente, defende a nulidade do lançamento por entender afrontado por esta o princípio da legalidade, uma vez que o lançamento teria sido feito ao arrepio Fl. 523DF CARF MF Processo nº 18471.001840/200611 Acórdão n.º 2402007.500 S2C4T2 Fl. 524 3 das prescrições legais. Adita que o art 9a do Decreto n? 70.235, de 6 dc março de 1972, determina a instrução obrigatória do lançamento com todos os elementos de prova hábeis a sustentálo, tornando incabível a inversão do ônus de prova. 2. No mérito, diz que rendimentos pertinentes ao Sr Mario Klinger em virtude da prestação de serviços na área de administração de obras lhe foram erroneamente impingidos como omissão de rendimentos de pessoas físicas sujeitos a camêleâo (fls 203). 3. No mérito, defende que o uso de presunções simples pelo Fisco exige o esgotamento do campo probatório, enfatizando o poderdever deste em produzir e apresentar as provas de "todos os fatos que renderam ensejo à exigência fiscal que foi objeto do lançamento". 4. Quanto à omissão caracterizada por depósito bancário, argúi desrespeito ao limite objetivo imposto pelo inciso II do § 3o do art 42 da Lei n2 9.430, de 1996, com redação dada pela Lei n2 9.481, de 1997, para os anoscalendário de 2001 e 2002. 5. Sobre o tema, enfatiza ainda a perfeita comprovação de valores relativos à venda do imóvel na Rua José Linhares (R$ 65.000,00) e da devolução de empréstimo pela filha do contribuinte, Sr MARIANA KLINGER (R$ 133.152,09), apensamos novos documentos. 6. Acresce ainda que muitos depósitos foram seguidos de saques e que a sobra era novamente depositada perfazendo uma cadeia repetitiva com a mesma origem, e cita que o tema já fora abordado pela Consulta SRRF 7ª RF/DISIT ne 123, de 30 de abril de 2001. 7. Clama pela necessária repercussão sobre a multa isolada da consideração de somente parte dos rendimentos como seu pagamento pela atividade de gerenciador de obras, uma vez que provada fazer jus somente à parcela do valor contratado. Por fim, invoca o direito de apresentar oportunamente os elementos de prova ainda não colhidos em virtude da dependência de terceiros. Ao analisar o caso, decidiu a autoridade julgadora pela procedência parcial da sua impugnação, conforme as seguintes ementas: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Período de apuração: 01/01/2001 a31/12/2004 NULIDADE DO LANÇAMENTO POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Se o autuado revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a urna, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa impugnação, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, a legislação autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 524DF CARF MF Processo nº 18471.001840/200611 Acórdão n.º 2402007.500 S2C4T2 Fl. 525 4 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Os créditos bancários não comprovados de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, cujo somatório não supere R$ 80.000,00 no anocalendário, não perfazem rendimentos omitidos para efeito de lançamento. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova for atribuído ao contribuinte por presunção legal, caberá a ele a prova da origem dos depósitos bancários em conta de sua titularidade. DEVOLUÇÃO DE EMPRÉSTIMO NÃO COMPROVADA. A alegação da existência de empréstimos realizados a terceiros ou a devolução deste, deve vir acompanhada de prova inequívoca da efetiva transferência do numerário entre mutuante e mutuário para desfazimento da presunção. Irresignada, em 22.12.2010, a contribuinte apresentou recurso voluntário trazendo, em síntese, as mesmas alegações da impugnação, desta feita, porém, omitindose quanto à nulidade do lançamento e inovando ao abordar argumentos relacionados à ilegalidade da aplicação concomitante de multa de ofício e de multa isolada. Pede ao final, a recorrente, a improcedência integral do auto de infração. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Sergio da Silva, Relator. Da admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais para sua admissibilidade e, portanto, deve ser conhecido, exceto quanto à alegação de ilegalidade da aplicação concomitante de multa de ofício e multa isolada, por tal matéria não ter sido prequestionada na impugnação. Dos rendimentos recebidos de pessoas físicas pelo marido da recorrente A contribuinte aduz que rendimentos recebidos de pessoas físicas por seu marido foram erradamente a si imputados, devendo por isso tais valores serem excluídos do lançamento. Sobre tal alegação, deve ser esclarecido que parte da exigência de IRPF no lançamento em apreço trata de rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas físicas, cujos valores foram auferidos ao longo do anocalendário de 2002, no montante total de R$ 31.571,00, tendo sido os fatos geradores foram expressamente confessados pela contribuinte ao longo do procedimento fiscal (fls 42 e 44). Assim, quanto a este item, não cabe razão à recorrente. Da omissão de receita referente a depósitos bancários sem origem comprovada Fl. 525DF CARF MF Processo nº 18471.001840/200611 Acórdão n.º 2402007.500 S2C4T2 Fl. 526 5 Relativamente ao exame da defesa apresentada sobre fatos caracterizadores de omissão de receita relacionada a depósitos bancários sem origem comprovada, deve ser esclarecido que a auditoria, com fulcro no art. 42, §6º, da Lei 9430/1996, dividiu proporcionalmente o total dos valores creditados em conta corrente conjunta (conforme pode ser constatada da comparação dos valores relacionados às folhas 154a 164 e planilha de folhas 174), cuja origem não foi comprovada pelos titulares das contas envolvidas (ou seja: a recorrente Minnie Klinger e seu marido Mario Klinger (PAF 18841.001839/200688)). Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) § 6 Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Assim, não cabe aqui alegar que o valor creditado é ligado a um ou a outro titular da conta bancária considerada, mas esclarecer, mediante comprovação de origem, que o valor depositado não caracteriza fato gerador do tributo sob exame, razão pela qual fica afastado o pedido de exclusão do depósito de R$ 15.040,00, efetuado em 01.06.2001. Da aplicação do limite mensal de R$12.000,00 e anual de R$ 80.000,00 Quanto à alegação de que a decisão recorrida não aplicou corretamente a regra da exclusão do somatório mensal até R$12.000,00 e anual de R$ 80.000,00, previsto no art. 42, §3º, II, da Lei 9430/1996, devendo ser excluídos diversos depósitos realizados no decorrer dos anos calendários de 2002 a 2004, contidos no auto de infração. Não obstante a interpretação flexível utilizada pelo julgador do primeiro grau (ao afastar todos os valores menores de R$ 12.000,00, sem considerar o somatório mensal dos depósitos, fls. 493), fato que beneficiou sobremaneira a contribuinte na decisão de primeira instância, tal entendimento não encontra guarida no presente voto, pois, entendese que, nos termos da norma de regência, o valor mensal de R$ 12.000,00 e anual de R$ 80.000,00 são aplicados ao somatório dos depósitos realizados ao longo do período, antes da divisão proporcional do valor dos créditos sem origem comprovada, em relação aos cotitulares das contasconjuntas consideradas. Assim, não há correção a ser realizada quanto a este aspecto. Da comprovação de origem do depósito de R$ 64.000,00 Quanto à alegação de que o crédito de R$ 64.000,00 (50% R$ 32.000,00) refere à valor obtido com a venda de imóvel, por concordar com o entendimento adotado pela autoridade de piso, com fulcro no art. 57, §3º, do RICARF, colacionase o seguinte excerto da decisão recorrida, tratando dessa matéria. Fl. 526DF CARF MF Processo nº 18471.001840/200611 Acórdão n.º 2402007.500 S2C4T2 Fl. 527 6 No tocante ao depósito de R$ 64.000,00, cumprenos dizer que não são trazidos aos autos novos elementos de prova. Assim, passase à análise dos já existentes. A escritura pública lavrada em 10/05/2001 (fl 36 verso) para instrumentalizar a compra e venda do imóvel localizado na RUA JOSÉ LINHARES, efetivamente informa ter sido repassado ao interessado em data anterior à lavratura, cheque 000011 da agência 0022 do Unibanco (banco 479) no valor de R$ 65.000,00, cheque este que, segundo extrato à fl 19 do anexo I, foi depositado em 02/05/2001 em conta no Banco Unibanco (agência 476, conta 1126277). Não obstante, a análise do mesmo extrato na data em que o cheque teria sido compensado não nos permite confirmar a argumentação do impugnante de ter ocorrido saque no valor de R$ 1.000,00 para fazer frente a despesas cartorárias, do que redundaria em efetivo depósito de apenas R$ 64.000,00, sob o qual pretende afastar a tributação. Em verdade, é preciso que se diga que o valor tributado foi depositado em espécie no banco Citibank S.A no dia 10/05/2001, conforme fl 194 do anexo. Ora, seja pela ocorrência de depósitos em diferentes instituições bancárias (Unibanco e Citibank), do que decorre a impossibilidade de valores depositados em cheque serem prontamente considerados como dinheiro em função da necessidade de compensação; seja pela não coincidência de datas entre os depósitos (02/05/2001 no Unibanco e 10/05/2001 no Citibank); seja pela diferença de meios de pagamento (cheque e espécie); entendo ser impossível atribuir verossimilhança à tese do recorrente. Assim, não cabe razão à impugnante quanto a este item. Da comprovação de origem do depósito de R$ 133.152,09 Aduz a impugnante, também, que o crédito de R$ 133.152,09 refere a valor obtido com a venda de imóvel, entretanto, sobre tal alegação, por concordar mais uma vez com o entendimento adotado pela autoridade de piso, com fulcro no art. 57, §3º, do RICARF, colacionase o excerto da decisão recorrida, tratando dessa matéria. Não é rara de ver famílias brasileiras ajudando filhos em forma de doações e empréstimos, que, tendo em vista à proximidade sangüínea do vínculo, caracteriza se pela informalidade dos registros. Todavia, é necessário entender que o lançamento que por ora se analisa é lastreado em uma presunção relativa, cujo ônus de elidir é dc quem alega. Dito isto, vislumbrase que o empréstimo citado além de não constar informado nas declarações entregues pelo recorrente (fls 04 a 14), também não encontra suporte econômico nos rendimentos declarados, uma vez que estes são informados em montante aquém ao valor emprestado. Tampouco está registrada a devolução do numerário pela filha mutuária. De outro rumo, o extrato à fl 183 do anexo 1, vêse que a suposta devolução de empréstimo tomou forma pelo depósito de um cheque em caixa expresso. Todavia a microfilmagem deste elemento de prova de produção muito simplificada não resta apenso aos autos. É de bom alvitre dizer que aqui não se escolhe provas, mas pretendese demonstrar que outros elementos de maior eficácia para comprovação da efetividade da Fl. 527DF CARF MF Processo nº 18471.001840/200611 Acórdão n.º 2402007.500 S2C4T2 Fl. 528 7 transferência de recursos entre mutuário e mutuante, poderiam ter sido carreados em lugar da declaração firmada à fl 229. Sobre a declaração emitida pela suposta mutuária, no máximo, pode ser considerada como indício pelo fato de não retratar a operação em si, isto é, não é representativa do negócio jurídico firmado (empréstimo), tão somente dele dá notícia a ser ratificada ou não por outros indícios ou provas. Frisese, inclusive, que devido à relação parental entre mutuante e mutuária, tal documento dotase de extremada vulnerabilidade no que tange ao seu valor probante. É bom dizer que este entendimento não dista daquele pacificamente comungado na esfera administrativa, inclusive no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), no sentido de que a operação de empréstimo, para ser aceita, deve ser comprovada por meio de documentação hábil e idónea a atestar a efetiva entrega do numerário, bem como deve ser compatível com os rendimentos e disponibilidades financeiras declaradas pelo credor à data da doação. (...) Assim, não cabe razão à impugnante quanto a este item. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER PARCIALMENTE do recurso voluntário apresentado, para, na parte conhecida, NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo o crédito tributário discutido. Assinado digitalmente Paulo Sergio da Silva – Relator Fl. 528DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.911459/2010-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 30/06/2002
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE.
As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Isto porque, com relação a prova dos fatos e o ônus da prova, dispõem o artigo 36, caput, da Lei nº 9.784/99 e o artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, que cabe à Recorrente, autora do processo administrativo de restituição/compensação, o ônus de demonstrar o direito que pleiteia. Não tendo sido apresentada documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito.
Numero da decisão: 3402-006.819
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Muller Nonato Cavalcanti Silva (suplente convocado), Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/06/2002 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Isto porque, com relação a prova dos fatos e o ônus da prova, dispõem o artigo 36, caput, da Lei nº 9.784/99 e o artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, que cabe à Recorrente, autora do processo administrativo de restituição/compensação, o ônus de demonstrar o direito que pleiteia. Não tendo sido apresentada documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Muller Nonato Cavalcanti Silva (suplente convocado), Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-09-16T18:37:59Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-09-16T18:37:59Z; Last-Modified: 2019-09-16T18:37:59Z; dcterms:modified: 2019-09-16T18:37:59Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-09-16T18:37:59Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-09-16T18:37:59Z; meta:save-date: 2019-09-16T18:37:59Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-09-16T18:37:59Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-09-16T18:37:59Z; created: 2019-09-16T18:37:59Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2019-09-16T18:37:59Z; pdf:charsPerPage: 2167; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-09-16T18:37:59Z | Conteúdo => S3-C 4T2 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10880.911459/2010-14 Recurso Voluntário Acórdão nº 3402-006.819 – 3ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 20 de agosto de 2019 Recorrente COMPANHIA DE GAS DE SAO PAULO COMGAS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/06/2002 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Isto porque, com relação a prova dos fatos e o ônus da prova, dispõem o artigo 36, caput, da Lei nº 9.784/99 e o artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, que cabe à Recorrente, autora do processo administrativo de restituição/compensação, o ônus de demonstrar o direito que pleiteia. Não tendo sido apresentada documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Muller Nonato Cavalcanti Silva (suplente convocado), Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra o Acórdão da DRJ, que não reconheceu o direito creditório pleiteado, mantendo a decisão administrativa pela não homologação da compensação efetivada. Regularmente cientificado, o contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário, repisando os seguintes argumentos trazidos em sua manifestação de inconformidade: alega, em síntese, que a composição dos valores apontados como crédito referia-se a compensações AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 14 59 /2 01 0- 14 Fl. 108DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3402-006.819 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.911459/2010-14 efetuadas, não se tratando de pagamentos efetuados por DARF, sendo suficiente o valor passível de compensação na PER/DCOMP em análise. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº. 3402-006.814, de 20 de agosto de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10880.690896/2009-47. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3402-006.814): “A questão trazida a julgamento centra-se na comprovação da existência e suficiência do crédito objeto da compensação. Constata-se que o valor apontado como crédito na PERDCOMP em questão seria um pagamento através do DARF, que não foi localizado pela unidade de origem nos sistemas da RFB, razão pela qual não foi homologada a compensação pleiteada. Na Manifestação de Inconformidade e no Recurso Voluntário a Requerente alega que a composição do valor apontado como crédito não seria um pagamento efetuado através de DARF, mas de compensações efetuadas através de diversas PERDCOMPs, cujos débitos foram retificados. Entretanto, não apresenta qualquer elemento probatório, lastreado em sua escrita contábil e fiscal, para corroborar seu pretenso direito. Com relação a prova dos fatos e o ônus da prova, dispõem o artigo 36, caput, da Lei nº 9.784/99 e o artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, abaixo transcritos, que caberia à Recorrente, autora do presente processo administrativo, o ônus de demonstrar o direito que pleiteia: Art. 36 da Lei nº 9.784/99. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 373 do Código de Processo Civil. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; No presente caso, a Recorrente afirma que teria apurado créditos de PIS/COFINS, contudo, para comprovar a liquidez e certeza de seu alegado crédito é imprescindível que seja demonstrada através da escrituração contábil e fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a Fl. 109DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3402-006.819 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.911459/2010-14 diminuição do valor do débito correspondente ao período de apuração em questão. Se os valores se referiam a compensações efetuadas indevidamente ou a maior, caberia à parte que alega apresentar documentos contábeis e fiscais para demonstrar o recolhimento/compensação efetuada a maior, com a recomposição da base de cálculo do tributo objeto da retificação. A Recorrente não juntou aos autos nenhum documento contábil ou fiscal capaz de comprovar a liquidez e certeza do crédito apontado, mas somente a informação que tal valor seria um saldo de outras PERDCOMPs, cujos valores seriam suficientes para tanto, mesmo após a decisão recorrida ter apontado a insuficiência de sua alegação e a irregularidade no procedimento. Mesmo considerando uma possível flexibilidade na admissão de provas após a impugnação/manifestação de inconformidade, não foram apresentadas provas suficientes para demonstrar o alegado erro cometido, e o lastro contábil/fiscal que poderia comprovar a retificação da declaração que teria gerado o saldo a compensar. Portanto, não tendo sido em nenhum momento comprovada pela Recorrente a liquidez e certeza do crédito pleiteado, não há reparos a serem feitos quanto ao Acórdão recorrido. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo. É como voto.” Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo. (documento assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 110DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001573/2008-35
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Aug 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/1995 a 31/07/1996, 01/10/1996 a 31/10/1998
DECISÕES DE SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. AUSÊNCIA DE RECURSO. DEFINITIVIDADE.
São definitivas as decisões de segunda instância das quais não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição.
RELATÓRIO DE DILIGÊNCIA. MANUTENÇÃO DOS FUNDAMENTOS DA AUTUAÇÃO. INOCORRÊNCIA DE INOVAÇÃO.
Não há que se falar em inovação quando os esclarecimentos prestados pela Fiscalização em virtude de diligência demandada pelos órgãos de julgamento administrativos prestam-se exclusivamente a esclarecer dúvidas por eles suscitadas, sem que tenham ocorrido alterações nos fundamentos jurídicos do lançamentos.
Numero da decisão: 9202-007.464
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencida a conselheira Ana Paula Fernandes (relatora), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
(Assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva, substituída pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: Relator
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencida a conselheira Ana Paula Fernandes (relatora), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora (Assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva, substituída pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
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AUSÊNCIA DE RECURSO. DEFINITIVIDADE. São definitivas as decisões de segunda instância das quais não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição. RELATÓRIO DE DILIGÊNCIA. MANUTENÇÃO DOS FUNDAMENTOS DA AUTUAÇÃO. INOCORRÊNCIA DE INOVAÇÃO. Não há que se falar em inovação quando os esclarecimentos prestados pela Fiscalização em virtude de diligência demandada pelos órgãos de julgamento administrativos prestamse exclusivamente a esclarecer dúvidas por eles suscitadas, sem que tenham ocorrido alterações nos fundamentos jurídicos do lançamentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencida a conselheira Ana Paula Fernandes (relatora), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 15 73 /2 00 8- 35 Fl. 826DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho – Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva, substituída pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 2201004.076, proferido pela 1ª Turma / 2ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de crédito lançado pela fiscalização (NFLD DEBCAD 35.605.9065 consolidado em 05/09/2003), no valor de R$ 277.646,05, acrescidos de juros e multa, contra a empresa acima identificada que, de acordo com o Relatório Fiscal (fls. 47/50), referese às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa, dos segurados, e às destinadas ao financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho – SAT (até 06/1997), e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT (a partir de 07/1997), referentes às competências 05/1995 a 07/1996 e 10/1996 a 10/1998. As contribuições foram apuradas com base no instituto da responsabilidade solidária, decorrente de serviços prestados mediante cessão de mãodeobra, de acordo com o artigo 31 da Lei no 8.212/1991 (anterior à Lei nº 9.711 de 20/11/1998), com redação vigente à época dos fatos geradores, pela empresa HELIVIA AERO TÁXI LTDA CNPJ 15.818.545/000187, em cumprimento ao contrato 101.2.013.959. O Contribuinte apresentou a impugnação, às fls. 67/73. O Prestador de Serviços (HELIVIA AERO TÁXI LTDA CNPJ 15.818.545/000187) igualmente apresentou impugnação às fls. 77/79. A DRJ/SDR, às fls. 507/521, julgou pela parcial procedência da impugnação apresentada. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 532/565. O Prestador de Serviços (HELIVIA AERO TÁXI LTDA CNPJ 15.818.545/000187) também apresentou Recurso Voluntário, às fls. 614/636. A 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara de Julgamento da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 691/712, DEU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para reconhecer a nulidade do lançamento tributário por vício material em face da ausência de comprovação da ocorrência do fato gerador. A Decisão restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Fl. 827DF CARF MF Processo nº 18471.001573/200835 Acórdão n.º 9202007.464 CSRFT2 Fl. 10 3 Período de apuração: 01/05/1995 a 31/07/1996, 01/10/1996 a 31/10/1998 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MEDIANTE CESSÃO DE MÃODEOBRA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO CONTRATANTE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE QUE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS OCORREU MEDIANTE CESSÃO DE MÃODEOBRA É dever do Fisco, sob pena de ocorrência de vício material, a comprovação de que houve a prestação de serviço mediante cessão de mão de obra, para que haja responsabilidade solidária entre o contratante e o prestador de serviços pelas obrigações decorrentes da Lei de Custeio da Seguridade Social, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. Art. 31 da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 9.032/95. Às fls. 714/732, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, arguindo divergência jurisprudencial acerca da seguinte matéria: Preliminar/Nulidade Inexistência de vício/vício formal versus vício material descrição imprecisa do fato gerador. Anotou inicialmente que a matéria sobre a qual versa a presente divergência jurisprudencial é circunscrita às normas gerais do processo administrativo tributário. Logo, particularidades como o fato de se tratar de um ou outro tributo, ou a diversidade dos elementos faltantes não influem na demonstração do dissídio. Cotejando o acórdão recorrido juntamente com os acórdãos trazidos à divergência, verificase, de plano, a semelhança das questões fáticas ali envolvidas, tendo em vista que, em todos os casos, houve uma descrição deficiente no relatório fiscal de modo a efetivamente demonstrar a ocorrência do fato gerador das contribuições lançadas. Entretanto, em que pese tenham enfrentado situações semelhantes, os acórdãos cotejados chegam a conclusões inteiramente distintas. Isso porque, enquanto o acórdão recorrido deu provimento ao recurso voluntário em relação à cessão de mão de obra, como se o motivo da autuação nunca tivesse existido, os acórdãos paradigmas entenderam que tais vícios na caracterização ou mesmo na comprovação do fato gerador somente acarretam a nulidade do lançamento e ainda assim por vício formal. A Turma a quo entendeu por prover o recurso voluntário, reconhecendo a nulidade do lançamento tributário arguida, pela ocorrência de vício material, em face da ausência de comprovação da ocorrência do fato gerador ensejador da obrigação tributária. Segundo seus fundamentos, a fiscalização não comprovou, ao realizar o lançamento original, a cessão de mão de obra. Para o acórdão recorrido, o Relatório Fiscal foi vago ao se reportar a existência da cessão de mão de obra, descrevendo apenas que o objeto do contrato, sem especificar os motivos que levaram o INSS a constatar a existência da cessão de mãodeobra. O vício somente foi suprido com a confecção de Relatório Fiscal Complementar. Os acórdãos paradigmas, por outro lado, entenderam de forma diversa. Para os precedentes, no caso de o Relatório Fiscal não demonstrar de forma clara e precisa, todos os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito previdenciário e descrevendo de forma completa o fato gerador devese anular o lançamento por vício formal. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, às fls. 735/739, a 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, DEU SEGUIMENTO ao recurso, concluindo restar demonstrada a divergência de interpretação em relação à seguinte matéria: Preliminar/Nulidade Inexistência de vício/vício formal versus vício material descrição imprecisa do fato gerador. Fl. 828DF CARF MF 4 Cientificado à fl. 747, o Contribuinte apresentou Contrarrazões, às fls. 803/, alegando, preliminarmente, não cumprimento de requisito formal ao não juntar o inteiro teor do paradigma, divergência não comprovada e decurso de prazo decadencial. No mérito, reforçou argumentos anteriores e requereu o não provimento do recurso da União. O Prestador de Serviços (HELIVIA AERO TÁXI LTDA CNPJ 15.818.545/000187) foi cientificado à fl. 820, mantendose inerte. Vieram os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora DO CONHECIMENTO O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Embora alegação do Contribuinte de que o Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional se fundamenta numa divergência não comprovada e com ausência de similitude fática, ouso discordar. Em suas razões de recurso a Fazenda Nacional utilizouse de argumentos corroborados pelas reiteradas decisões desta corte. Importante frisar que a matéria sobre a qual versa a presente divergência jurisprudencial é circunscrita às normas gerais do processo administrativo tributário. Logo, particularidades como o fato de tratarse de um ou outro tributo, ou a diversidade dos elementos faltantes não influem na demonstração do dissídio. A decisão recorrida diverge do entendimento proferido nos acórdãos paradigmas, os quais consignam que a falta de comprovação da ocorrência do fato gerador, acarreta tãosomente a nulidade por vício de forma. Cotejando o acórdão recorrido juntamente com os acórdãos trazidos à divergência, verificase, de plano, a semelhança das questões fáticas ali envolvidas, tendo em vista que, em todos os casos, houve uma descrição deficiente no relatório fiscal de modo a efetivamente demonstrar a ocorrência do fato gerador das contribuições lançadas. Entretanto, em que pese tenham enfrentado situações semelhantes, os acórdãos cotejados chegam a conclusões inteiramente distintas. Isso porque, enquanto o acórdão recorrido deu provimento ao recurso voluntário em relação à cessão de mão de obra, como se o motivo da autuação nunca tivesse existido, os acórdãos paradigmas entenderam que tais vícios na caracterização ou mesmo na comprovação do fato gerador somente acarretam a nulidade do lançamento e ainda assim por vício formal. Fl. 829DF CARF MF Processo nº 18471.001573/200835 Acórdão n.º 9202007.464 CSRFT2 Fl. 11 5 DO MÉRITO Tratase de crédito lançado pela fiscalização (NFLD DEBCAD 35.605.9065 consolidado em 05/09/2003), no valor de R$ 277.646,05, acrescidos de juros e multa, contra a empresa acima identificada que, de acordo com o Relatório Fiscal (fls. 47/50), referese às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa, dos segurados, e às destinadas ao financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho – SAT (até 06/1997), e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT (a partir de 07/1997), referentes às competências 05/1995 a 07/1996 e 10/1996 a 10/1998. As contribuições foram apuradas com base no instituto da responsabilidade solidária, decorrente de serviços prestados mediante cessão de mãodeobra, de acordo com o artigo 31 da Lei no 8.212/1991 (anterior à Lei nº 9.711 de 20/11/1998), com redação vigente à época dos fatos geradores, pela empresa HELIVIA AERO TÁXI LTDA CNPJ 15.818.545/000187, em cumprimento ao contrato 101.2.013.959. O Acórdão recorrido deu provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial, apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a seguinte divergência: Preliminar/Nulidade Inexistência de vício/vício formal versus vício material descrição imprecisa do fato gerador. Para o melhor deslinde da questão é importante observar a questão de prova bem delimitada e decidida pelo acórdão do colegiado a quo: Em que pese a total falta de técnica jurídica dos membros do Conselho de Recursos da Previdência Social posto que não houve nenhum vício na decisão recorrida e sim no lançamento tributário como sobejamente demonstrado pelos Conselheiros que se manifestaram resta claro que o comando do Colegiado foi no sentido da elaboração de novo relatório fiscal do qual constasse a comprovação da prestação de serviços mediante cessão de mãodeobra, além de elementos que permitissem a constituição do crédito por responsabilidade solidária do contratante. Forçoso reconhecer que tal decisão expressa, inequivocamente, a constatação de que o lançamento tributário padecia de vício em sua constituição. Qualquer outra inferência invalidaria o comando expresso, constante do decisum, do retorno do procedimento tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária ao passo inicial, ou seja, a busca pelo Fisco dos elementos comprobatórios e por isso constitutivos, da obrigação tributária decorrente da prática, pelo sujeito passivo, dos fatos eleitos pelo legislador como fato imponíveis. Imperioso ressaltar que embora este Conselheiro discorde totalmente da necessidade de comprovação pelo Fisco da Fl. 830DF CARF MF 6 existência de crédito, ou impossibilidade de constituição deste no devedor principal, posto que tal entendimento atingiria mortalmente o instituto da responsabilidade solidária como posta pelo artigo 31 da Lei nº 8.212/91, vigente à época do lançamento a questão do lançamento por responsabilidade solidária, por ser questão relativa ao mérito da discussão, não será por mim aqui enfrentada, vez que entendo que as questões relativas ao lançamento tributário são preliminares e prejudiciais à análise do mérito. Voltando a questão do lançamento, uma vez anulada a DN, foi iniciado novo procedimento fiscal visando a elaboração de relatório fiscal complementar consoante se observa do despacho do Serviço do Contencioso Administrativo da Delegacia da Receita Previdenciária RJ Centro, fls. 190 e 195 A Fazenda Nacional insurgese, quanto a alegação de que o fato gerador não restou bem delineado nos autos, bem como quanto ao apontamento da natureza do vício como material. A Fazenda Nacional argumenta que o correto seria, nos mesmo termos do paradigma, anular o lançamento em face de deficiência na atividade da autoridade fiscal, conceituando, entretanto, tal vício como formal, permitirá o reinício do prazo para lançamento, nos termos do art. 173, II, do CTN (relançamento). E nesse ponto merece ser citado o acórdão recorrido ao explicitar que era “Patente a inovação dos argumentos do Fisco no Relatório Fiscal Complementar. Tal inovação significa na prática a realização de novo lançamento tributário, posto que a comprovação da ocorrência do fato gerador ensejador da obrigação tributária no caso em tela a contratação de empresa prestadora de serviços mediante cessão de mãodeobra só restou comprovada por meio do mencionado relatório aditivo.” Em que pese o argumento da Fazenda Nacional, entendo que o auto de infração original padece de deficiência oriunda da ausência de êxito da fiscalização em demonstrar a correta comprovação do fato gerador, qual seja, a existência da cessão de mão de obra, , motivo pelo qual deve ser cancelado o Auto de Infração de obrigação principal, por vício material, que consiste em vício irreparável ao lançamento, eis que materialmente este não se sustenta. Inegável o vício esculpido no lançamento original. Necessária a produção de novo procedimento administrativo para a constituição do crédito tributário. Em face ao exposto, conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional para no mérito negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 831DF CARF MF Processo nº 18471.001573/200835 Acórdão n.º 9202007.464 CSRFT2 Fl. 12 7 Voto Vencedor Mário Pereira de Pinho Filho – Redator designado Não obstante as razões suscitadas pela i. Relatora, afora no que se refere ao conhecimento, entendo que os elementos constantes do autos e as normas que regem a matéria objeto de divergência conduzem a conclusões diversas daquela esposada no voto vencido. No caso vertente, para o deslinde da controvérsia, necessário fazer uma breve analise dos meandros que envolveram o Processo Administrativo Fiscal – PAF entre o lançamento e a decisão adotada pelo Colegiado Ordinário. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 47/50), o lançamento fora efetuado com base no instituto da responsabilidade solidária em razão de serviços prestados mediante cessão de mão de obra, à luz o artigo 31 da Lei nº 8.212/1991, na redação anterior à Lei nº 9.711/1998), pela empresa HELIVIA AERO TÁXI LTDA. Embora a autuação tenha sido julgada procedente pela DecisãoNotificação – DN nº 17.401.4/0418/2004 (fls. 109/116), a 2ª Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS resolveu anular a decisão de primeira instância administrativa (Acórdão CRPS nº 1760/2004 – fls. 134/138) por entender necessária a verificação, pelo Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, quanto a existência do credito previdenciário junto ao prestador dos serviços. Vejamos o inteiro teor da ementa do referido julgado: EMENTA. PREVIDENCIÁRIO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. É necessário que o INSS constate a existência do crédito previdenciário junto ao contribuinte (prestador de serviços). Somente diante da não apresentação ou da apresentação deficiente (pelo prestador de serviços) da documentação contábil e trabalhista necessária a comprovar a extinção da obrigação previdenciária, poderia o INSS arbitrar, junto ao responsável solidário, as contribuições que entender devidas. Anulação da decisãonotificação. Nos termos do voto condutor da decisão do CRPS, o Instituto Nacional do Seguro Social deveria diligenciar junto à cessionária de mãodeobra para verificar a existência do crédito tributário que se buscou imputar à responsável solidária, de forma a evitar cobrança em duplicidade de obrigações já adimplidas e justificar o procedimento adotado. Nos termos da decisão do CRPS: Não foram trazidos aos autos evidencias de qualquer procedimento fiscal tendente a verificar o descumprimento da obrigação principal pelo contribuinte (neste caso as empresas prestadoras de serviços mediante cessão de mãodeobra). A incompreensível omissão de procedimentos de auditoria estende Fl. 832DF CARF MF 8 se aos casos de fiscalização total das empresas prestadoras de serviço ou de adesão destas ao REFIS, ou opção pelo SIMPLES; situações trazidas a lume, com freqüência, após o lançamento do crédito, na fase de defesa ou recursal. Isso posto, entendo que o INSS deve apresentar elementos, com base na contabilidade do contribuinte (prestador de serviços), que justifique o procedimento adotado. A despeito do inconformismo da Secretaria da Receita Previdenciária, manifestado por meio do pedido de revisão de fls. 140/144, o CRPS não conheceu desse apelo, tendo mantido sua decisão, de conformidade com o Acórdão nº 1046/2006 (fls. 156/158). Os autos foram remetidos à Fiscalização que, em atendimento à diligência demanda pelo Acórdão nº 1760/2004, emitiu a Informação Fiscal de fl. 188, noticiando que a prestadora de serviços, HELIVIA AERO TÁXI LTDA, fora regularmente notificada do lançamento, tendo inclusive apresentado impugnação específica (fls. 77/79). Além disso, nos termos da Informação Fiscal: 2 – Em atendimento ao contido na fl. 120, primeiro parágrafo, efetuouse pesquisa nos sistemas informatizados da SRFB (CNAF/CFE), sendo analisadas as informações disponíveis relativas à empresa contratada prestadora dos serviços, e constatouse não existir qualquer ação fiscal efetuada junto a esta. 3 – Procedeuse a pesquisa no SISTEMA DE COBRANÇA – MF/RFB – verificandose que a empresa não aderiu ao parcelamento especial da Lei n. 9964/2000 – REFIS – assim como, ao parcelamento especial da Lei no. 10684/2003 PAES(fl166). Reaberto o contencioso, e tendo sido notificadas das informações prestadas pelo Fisco, com deferimento de prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, somente a prestadora de serviços, HELIVIA AERO TÁXI LTDA, apresentou manifestação reiterando os termos da peça impugnatória. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (DRJ/RJO), por seu turno, considerou caracterizada a cessão de mãodeobra, bem assim a responsabilidade solidária. Ainda segundo a DRJ/RJO, os documentos apresentados conjuntamente com as peças impugnatórias não se mostraram aptos a infirmar o lançamento. Por essa razão, os apelos foram julgados procedentes em parte, somente para excluir do lançamento as competência atingidas pela decadência, em virtude a edição da Súmula Vinculante do STF nº 8. Não obstante, o Colegiado a quo entendeu ser o lançamento nulo por vício material. Consoante consignado no Acórdão nº 2201004.076, “não houve nenhum vício na decisão recorrida e sim no lançamento”. Segundo se infere, “o comando do Colegiado foi no sentido da elaboração de novo relatório fiscal do qual constasse a comprovação da prestação de serviços mediante cessão de mãodeobra além de elementos que permitissem a constituição do crédito por responsabilidade solidária do contratante”. A decisão recorrida insurgese ainda contra a Informação Fiscal (identificada no decisum como Relatório Fiscal Complementar), a qual teria representado “patente inovação. Na prática, de acordo com voto condutor do acórdão recorrido, estarseia diante de um novo Fl. 833DF CARF MF Processo nº 18471.001573/200835 Acórdão n.º 9202007.464 CSRFT2 Fl. 13 9 lançamento, “posto que a comprovação da ocorrência do fato gerador ensejador da obrigação tributária – no caso em tela a contratação de empresa prestadora de serviços mediante cessão de mãodeobra – só restou comprovada por meio do mencionado relatório aditivo”. Pois bem. Segundo se demonstrou acima, o juízo proferido pela 2ª Câmara de Julgamento do CRPS foi por anular a decisão de primeira instância administrativa, com vistas à adoção de providências tendentes a prevenir a exigência de contribuição em duplicidade. Tanto assim que o voto condutor do Acórdão 1760/2004 foi concluído da seguinte forma: Vistos e relatados os presentes autos, em sessão realizada hoje, ACORDAM os membros da Segunda Câmara de Julgamento do CRPS, por Unanimidade em ANULAR A DECISÃO NOTIFICAÇÃO (DN), de acordo com o voto do(a) Relator(a) e sua fundamentação . (Grifouse) De se frisar que não somente a conclusão do voto, mas a ementa do aresto é, do mesmo modo, suficientemente clara no sentido de que a nulidade apontada pelo CRPS foi referente à decisão de primeira instância administrativa. Com a devida vênia, não há no julgado nenhum argumento que aponte no sentido de que a intenção daquele Colegiado teria sido de anular o lançamento, como se inferiu na decisão recorrida. A despeito da afirmação de que a decisão do CRPS não tenha tido a melhor técnica possível, o fato é que não houve fundamentação, conclusão ou ainda acórdão determinando a anulação da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, mas sim a Decisão Notificação, com expressa determinação para que a Secretaria da Receita Previdenciária adotasse as providências relacionadas naquele decisum. Além do que, o inciso II do art. 42 do Decreto 70.235/1972 é expresso no sentido de que, no âmbito do Processo Administrativo Fiscal – PAF, sendo incabível a oposição de recurso ou tendo esgotadose o prazo para sua interposição, as decisões administrativas de segunda instância tornamse definitivas. Senão vejamos o teor do dispositivo: Art. 42. São definitivas as decisões: [...] II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; [...] No caso concreto, não se tem notícias sobre a interposição de qualquer espécie de recurso pela Autuada questionando a anulação da DecisãoNotificação ou pugnando pela nulidade do lançamento, ou seja, a decisão materializada pelo Acórdão CRPS nº 1760/2004 tornouse definitiva por inércia da Autuada e da prestadora de serviços, não sendo admissível qualquer questionamento a seu respeito na esfera administrativa. Asseverese que a norma processual impossibilita a adoção de procedimentos tendentes a reverter decisões que tenham tornadose imutáveis. Reiterese que o Sujeito Passivo, além de não haver questionado o acórdão do CRPS, defendeu a validade da decisão tal como proferida, por meio das contrarrazzões de fls. 147/150. E mais, além de não ter apresentado qualquer manifestação em relação aos Fl. 834DF CARF MF 10 apontamentos expostos pelo Fisco quando notificada do resultado da diligência demandada pelo CRPS, de modo a complementar a peça impugnatória, por ocasião do recurso voluntário, não trouxe a Autuada (ou a prestadora de serviços) nenhum questionamento a respeito da validade do lançamento. De se esclarecer que a manifestação trazida aos autos pela prestadora de serviços em vista do resultado da diligência não faz referência aos efeitos da decisão do CRPS. Diante disso, entendo não ser plausível que o julgador administrativo adote decisão com base em fundamentos estranhos aos erigidos nos apelos manejados pelos Contribuintes. Aliás, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/1970, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta e a discordância do sujeito passivo em relação ao lançamento devem ser por ele suscitados, e não pelo julgador administrativo, ainda na fase impugnatória. Confirase: Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] Além do que, o art. 141 do Código de Processo Civil, que abaixo se transcreve, é expresso quanto à vedação imposta aos julgadores em conhecer de questões que não tenham sido fomentada por quem, em virtude de lei (como é o caso), tinha a incumbência de fazêlo: Art. 141. O juiz decidirá o mérito nos limites propostos pelas partes, sendolhe vedado conhecer de questões não suscitadas a cujo respeito a lei exige iniciativa da parte. Por tudo o que até aqui se expôs, considero que se deva afastar as razões arguidas no aresto atacado, que redundou na alteração do resultado do julgamento proferido pelo CRPS por meio do Acórdão nº 1760/2004 (de anulação da DecisãoNotificação para anulação do lançamento por vício material), tendo em vista que referida decisão há muito se tornou definitiva na esfera administrativa e que não houve manifestação alguma do Sujeito Passivo nesse sentido. Outra questão erigida na decisão vergastada é de que Informação Fiscal resultante da diligência demandada pelo CRPS significaria inovação, isto é, novo lançamento. Mais uma vez não vejo como concordar com tal argumento. Compulsando o Relatório Fiscal, constatase que a Fiscalização procedeu ao lançamento das contribuições com base, dentre outros, em contratos locação de helicópteros para transporte de pessoas e materiais designados pela empresa autuada, incluindo a mãode obra para a operação e manutenção das aeronaves, em observância ao art. 124 do Código Tributário Nacional (CTN) e aos arts. 31 e 33 da Lei 8.212/1991. Por outro lado, a Informação Fiscal resultante da diligência requerida pelo CRPS prestouse tãosomente a esclarecer, com base em pesquisa realizada nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil, que a prestadora dos serviços contratados mediante cessão de mãodeobra não foi submetida a procedimento fiscal com Fl. 835DF CARF MF Processo nº 18471.001573/200835 Acórdão n.º 9202007.464 CSRFT2 Fl. 14 11 vistas à cobrança dos mesmos tributos exigidos da tomadora, bem assim não aderiu aos parcelamentos especiais da Lei nº 9.964/2000 – REFIS ou da Lei nº 10.684/2003 – PAES. Apercebase que, ao revés do que restou consignado no acórdão guerreado, a providência adotada pelo Fisco não representou nenhuma inovação no lançamento, prestando se exclusivamente a esclarecer que os créditos constituídos na tomadora de serviços não foram exigidos da cessionária de mãodeobra ou por ela confessados. Aliás, esse procedimento visou justamente esclarecer uma preocupação externada no acórdão do CRPS, que anulou a Decisão Notificação nº 17.401.4/0418/2004, quanto a hipótese de exigência desses valores em duplicidade. Por fim, não vejo como isso possa ter influenciado na verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, na determinação da matéria tributável, no cálculo do tributo devido ou ainda na identificação dos sujeitos passivos. Em outras palavras, não se está diante de infringência alguma ao art. 142 do CTN ou ainda ao art. 9º do Decreto nº 70.235/1972. Os fundamentos jurídicos que deram suporte à autuação, art. 124 do Código Tributário Nacional (CTN) e arts. 31 e 33 da Lei 8.212/1991, permaneceram exatamente os mesmos, não se verificando qualquer tipo de inovação que pudesse dar ensejo à verificação de fato imponente diverso daquele que fora evidenciado quando da autuação. Em face do exposto, voto por conhecer e dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 836DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.725062/2010-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Aug 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. FASE LITIGIOSA NÃO INSTAURADA. INTEMPESTIVIDADE NÃO SUSCITADA EM RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO PROCESSUAL.
A apresentação intempestiva da impugnação impede a instauração da fase litigiosa do processo administrativo e restringe a análise do Recurso Voluntário apenas às questões contrárias à declaração de intempestividade, quando suscitadas, não se conhecendo das demais questões em virtude da preclusão.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 2201-005.220
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário, por este tratar exclusivamente de matéria sobre a qual não se instaurou o litígio administrativo.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Sávio Salomão de Almeida Nóbrega - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: SAVIO SALOMAO DE ALMEIDA NOBREGA
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FASE LITIGIOSA NÃO INSTAURADA. INTEMPESTIVIDADE NÃO SUSCITADA EM RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. A apresentação intempestiva da impugnação impede a instauração da fase litigiosa do processo administrativo e restringe a análise do Recurso Voluntário apenas às questões contrárias à declaração de intempestividade, quando suscitadas, não se conhecendo das demais questões em virtude da preclusão. Recurso Voluntário Não Conhecido. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário, por este tratar exclusivamente de matéria sobre a qual não se instaurou o litígio administrativo. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Sávio Salomão de Almeida Nóbrega - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 50 62 /2 01 0- 50 Fl. 128DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-005.220 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.725062/2010-50 Trata-se de Auto de Infração DEBCAD n. 37.314.759-7 lavrado por descumprimento da obrigação acessória prescrita no artigo 32, IV da Lei n. 8.212/91, combinado com o artigo 225, IV, § 4º do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048/99. Verifica-se do Relatório Fiscal de fls. 6/9 que a ASSOCIAÇÃO BENEFICENTE DOS MILITARES DAS FORÇAS ARMADAS – ABEMIFA deixou de incluir em GFIP os valores pagos a título de serviços prestados pela cooperativa de trabalho médico denominada UNIMED durante as competências de 01/2006 a 12/2007. Notificada da autuação por via postal em 22.10.2010 (fls. 20) a ABEMIFA apresentou defesa em 24.01.2011 (fls. 27/34), tendo elencado basicamente as seguintes alegações: (i) Em preliminar de tempestividade, que o Auto de Infração foi recebido em 22.12.2010 (quarta-feira) e que nos termos do artigo 15 do Decreto n. 70.235/72 teria até o dia 22.01.2011 (sábado), prorrogável até o dia 24.01.2011 (segunda-feira), para apresentar impugnação; (ii) Que nos termos da Constituição Federal e do CTN as entidades de assistência social no exercício das suas funções e de suas finalidades estatutárias são imunes; (iii) Que na condição de tomadora de serviços não é responsável pelo recolhimento das contribuições sociais, uma vez que o artigo 22, IV da Lei n. 8.212/91 somente se aplica a atos cooperados ou prestados por intermédio de cooperativas de trabalho, não sendo o caso da UNIMED, porquanto os serviços de plano de saúde não são atos cooperados; e (iv) Que não é tomadora dos serviços, mas, mera intermediadora entre os associados e o fornecedor, de sorte que por não apresentar receita ou faturamento não ocorre o fato gerador da contribuição objeto da autuação. A DRF-SECAT-EQPROF de Belo Horizonte constatou, em despacho de fls. 93, que a ABEMIFA havia apresentado impugnação intempestiva, protocolada em 24.01.2011. Contudo, tendo em conta que ABEMIFA havia alegado a tempestividade como preliminar da impugnação a 8ª Turma da DRJ/BHE entendeu por apreciar tal questão, nos termos do Ato Declaratório Normativo COSIT n. 15, de 12.7.1996. Em acórdão de fls. 95/99, a DRJ/BHE não conheceu da impugnação em virtude da intempestividade, conforme se verifica dos seguintes trechos: “Conforme dispõe o Decreto 70.235/72, artigo 15, o prazo para apresentação de impugnação em processo administrativo de fiscal é de 30 dias. O termo inicial para contagem do referido prazo, nos termos do Decreto70.235/72, artigo 15, é a data em que for feita a intimação da exigência. [...] No presente caso, conforme relatado, o sujeito passivo foi cientificado da presente autuação em 22/12/2010 (quarta-feira), conforme se verifica pela análise da cópia de AR de fl. 20. Dessa feita, o prazo para apresentação da impugnação começou a fluir em 23/12/2010 (quinta-feira) e expirou em 21/1/2011 (sexta-feira). Entretanto, a impugnação somente foi apresentada em 24/1/2011 (segunda-feira) conforme carimbo de protocolo à fl. 27 e de acordo com despacho de fl. 93. Restando, portanto, evidenciada a intempestividade da impugnação.” Fl. 129DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-005.220 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.725062/2010-50 Notificada da decisão em 31.08.2012 (fls. 104), a ABEMIFA apresentou Recurso Voluntário em 27.09.2012 (fls. 107/125) alegando apenas razões de mérito sem, contudo, questionar quaisquer elementos da declaração de intempestividade da impugnação exarada pela 1ª Instância de Julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Relator. Embora o presente Recurso Voluntário tenha sido formalizado com observância ao prazo legal insculpido no artigo 33 do Decreto n. 70.235/72, verifico que a recorrente não faz qualquer questionamento acerca da intempestividade declarada na decisão recorrida. Por essa razão, entendo que o recurso não merece ao menos ser conhecido. A teor do que alude o artigo 14 do Decreto n. 70.235/72, a impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo. Significar dizer que a apresentação de impugnação intempestiva equivale à ausência de impugnação, de sorte que não havendo impugnação não se instaura litígio ou fase litigiosa de procedimento administrativo. Todavia, caso o autuado suscite a tempestividade como preliminar da impugnação – foi o que ocorreu no caso em tela – tal questão deve ser analisada pela 1ª Instância de julgamento, nos termos do que dispõe o Ato Declaratório Normativo COSIT n. 15, de 12.7.1996. Ocorre que a decisão de 1ª Instância que acaba julgando impugnação intempestiva limita-se a analisar a arguição de tempestividade suscitada pelo autuado. Apenas em relação a essa questão é que se instaura a fase litigiosa a que alude o artigo 14 do Decreto n. 70.235/72. As demais questões constantes da peça impugnatória não passam nem perto de ser objeto de exame. Com efeito, se a 1ª Instância de julgamento não adentrou à análise das questões meritórias constantes da respectiva defesa, não caberia a este Tribunal enquanto órgão de 2ª Instância de julgamento administrativo fazê-lo, porquanto tais questões encontram-se processualmente preclusas. É nesse sentido que há muito vem se manifestando este Tribunal: “IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA - NÃO CONHECIMENTO DAS RAZÕES DO RECURSO. Não se conhece das razões de recurso, como tal, contra decisão de primeira instancia, que não apreciou formalmente o mérito da exigência, à vista de comprovada intempestividade da impugnação. [...] (Processo n. 10283.001421/91-11. Acórdão n. 107-2.169. Conselheiro Relator Dícler de Assunção. Sessão de 25.04.1995. Publicado em 22.12.2009).” “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA — PRECLUSÃO PROCESSUAL: A declaração de intempestividade da impugnação, pela decisão de primeiro grau, além de impedir a instauração da fase litigiosa do procedimento, restringe o mérito a ser examinado no âmbito do recurso voluntário, que fica limitado à contrariedade oferecida a essa declaração (...)”. (Processo n. 10880.013371/91-67. Acórdão n. 108-05.814, Conselheiro Relator José Antonio Minatel. Publicado em 15.07.1999). Fl. 130DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-005.220 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.725062/2010-50 Aliás, as decisões mais recentes acabam corroborando essa linha de raciocínio. Confira-se: “IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. PRELIMINAR DE TEMPESTIVIDADE ALEGADA EM RECURSO VOLUNTÁRIO. CONHECIMENTO DA MATÉRIA. A impugnação intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento, exceto se a preliminar de tempestividade for suscitada em Recurso Voluntário, situação em que será cabível o julgamento desta matéria, conforme explicita o Ato Declaratório Normativo nº 15, de 12 de julho de1996, publicado no D.O.U. de 16 /07/1996. [...] (Processo n. 10410.005814/2005-85. Acórdão n. 2401-006.207. Conselheira Relatora Luciana Matos Pereira Barbosa. Publicado em 28.05.2019).” Tendo em vista que a ABEMIFA não suscitou em seu Recurso Voluntário quaisquer questões acerca da intempestividade da impugnação declarada na decisão recorrida, não há como se vislumbrar de qualquer matéria que possa ser suscetível de análise por parte deste órgão de 2ª instância de julgamento. Por último, sabendo-se que a autuação fiscal discutida nos presentes autos diz respeito ao descumprimento de obrigação acessória que é reflexo da exigência de contribuições previdenciárias incidentes sobre valores pagos a título de serviços prestados por cooperativas de trabalho, talvez coubesse à autoridade preparadora revisar o lançamento nos termos dos artigos 145, III e 149, I, ambos do Código Tributário Nacional, bem assim pelo poder de autotutela da administração pública (Súmula n. 473/STF), uma vez que o STF declarou a inconstitucionalidade do artigo 22, IV da Lei n. 8.212/91 no julgamento do Recurso Extraordinário com Repercussão Geral Reconhecida n. 595.838/SP. Conclusão Por todo o exposto e por tudo que consta nos autos, voto por não conhecer do presente Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Sávio Salomão de Almeida Nóbrega Fl. 131DF CARF MF
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Numero do processo: 10283.005157/2003-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Sep 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Ano-calendário: 1993, 1994
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 91.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. (Vinculante, conformePortaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018).
Numero da decisão: 3301-006.683
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar parcial provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o prazo de dez anos para apresentação do pedido de restituição/compensação e determinar à Unidade de Origem que realize a análise do crédito considerado decaído.
(documento assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marco Antonio Marinho Nunes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente de Turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: MARCO ANTONIO MARINHO NUNES
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DECADÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 91. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. (Vinculante, conformePortaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar parcial provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o prazo de dez anos para apresentação do pedido de restituição/compensação e determinar à Unidade de Origem que realize a análise do crédito considerado decaído. (documento assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (documento assinado digitalmente) Marco Antonio Marinho Nunes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente de Turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Cuida-se de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 6626 – 3ª Turma da DRJ/BEL, por meio do qual, por unanimidade, foi indeferida a solicitação da contribuinte relacionada a Pedido de Restituição, protocolado em 15/09/2003, fundado em pagamentos indevidos de Contribuição Social para o Programa de Integração Social (PIS) realizados com base nos Decretos-Leis nºs 2.445 e 2.449/88, nos períodos de apuração 08/1993 a 06/1994 e 10/1994, no valor de R$ 4.775,16. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 51 57 /2 00 3- 15 Fl. 192DF CARF MF http://idg.carf.fazenda.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-006.683 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10283.005157/2003-15 O Pedido de Restituição encontra-se acompanhado de duas Declarações de Compensação. A primeira, protocolada em 15/09/2003, onde foi usado parcela do crédito pleiteado para compensar débito de PIS do período de apuração 08/2003, no valor de R$ 844,48. E a segunda, protocolada em 15/10/2003, usada para compensar outra parcela do suposto crédito com débito de PIS do período de apuração 09/2003, no valor de R$ 981,36. Por bem descrever os fatos, adoto, com as devidas complementações, o relatório constante da decisão de primeira instância, que reproduzo a seguir: Relatório Versa o presente processo sobre pedido de restituição/compensação protocolado na data de 15.09.2003, conforme documento fl 01, no valor de R$ 4.775,16, e tem como referência valores recolhidos a maior em favor do PIS, no período de agosto de 1993 a junho de 1994 e outubro de 1994, conforme planilha, fl 2, e que pleiteia compensar com valores devidos para a mesma contribuição dos meses: agosto e setembro de 2003, de acordo com as Declarações de Compensação constante às fls 5 e 26, respectivamente. 2. O processo foi analisado na Delegacia de Origem que indeferiu a solicitação formulada pelo sujeito passivo por entender que havia ultrapassado o prazo de decadência, através do PARECER DRF/MNS/SEORT datado de 11 de agosto de 2004, fls 29 a 36, do qual tomou ciência em 18.08.2004, conforme “AR”, fl 37. 3. Inconformado o sujeito passivo recorreu da decisão da primeira instância a esta Delegacia de Julgamento, na data de 13.09.2004, fls 38 a 40, onde aduziu em seu favor, em resumo,. o seguinte: a) Que não merece prosperar a interpretação dada pelo órgão recorrido adequando o art. 156 do CTN ao presente caso, que merece ser reformada tal decisão; b) Que o entendimento do Egrégio Superior Tribunal de Justiça é de que o prazo decadencial começa a correr depois de decorrido 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador, somado mais cinco e transcreveu o voto do Ministro César Asfor Rocha no ERES/SP nº 43.502; c) Finalmente requereu reforma na decisão administrativa e o reconhecimento da restituição/compensação realizada pela recorrente. Devidamente processado, a 3ª Turma da DRJ/BEL, por unanimidade de votos, julgou o recurso improcedente, conforme Acórdão nº 01-6.626, datado de 05/09/2006, cujo voto da relatora transcrevo a seguir: Voto 4. A impugnação é tempestiva e atende aos requisitos de admissibilidade previstos nos arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72, dela tomo conhecimento. 5. Analisando os documentos acostados ao processo verifica-se que o sujeito passivo pleiteou a restituição/compensação de créditos recolhidos em favor do PIS, no período de agosto de 1993 a junho de 1994 e outubro de 1994, conforme planilha, fl 2, na data de 15.09.2003, fl 01, depois de decorrido o prazo decadencial de 5 (cinco) anos. Fl. 193DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-006.683 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10283.005157/2003-15 6. Para melhor fundamentar a decisão ora emanada em que se considera que decaiu o direito do sujeito passivo, na via administrativa, requerer tal compensação, transcrevemos abaixo os textos legais que tratam de prazos: a) Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional) “Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvando o disposto no § 4º do art. 162, nos seguintes casos: I – cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; Art. 168. O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I – nas hipóteses dos incisos I e II do art. 165, da data da extinção do crédito tributário;” b) Ato Declaratório SRF nº 096, de 26 de novembro de 1999 “ I – o prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extingue-se após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário – arts. 165, I e 168, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional). 7. Isto posto, voto no sentido de INDEFERIR a solicitação do sujeito passivo. Cientificada do julgamento de primeiro grau, a contribuinte apresenta Recurso Voluntário em que reafirma sua tese de prazo decenal (5 + 5 anos) para o pleito de restituição aplicado aos tributos sujeitos a lançamento por homologação e apresenta outra tese: de que o prazo de 05 anos, no caso em exame, deveria ser contado a partir da data da publicação da Resolução do Senado Federal nº 49/95, de 09/10/1995, ou seja, 10/10/1995. É o relatório. Voto Conselheiro Marco Antonio Marinho Nunes, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. A questão do prazo para pleitear a restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação encontra-se pacificada no âmbito deste Colegiado com a edição da Súmula CARF nº 91, de efeito vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018. Súmula CARF nº 91 Fl. 194DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-006.683 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10283.005157/2003-15 Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). De acordo com a citada súmula, o termo que separa o tratamento diferenciado quanto ao prazo decadencial (se 10 ou 05 anos) é a data 09/06/2005. Assim, aos pedidos de restituição formulados até essa data aplica-se o prazo decenal, contado do fato gerador. E, logicamente, para aqueles protocoladas a partir de tal data, o prazo é quinquenal, contado do pagamento indevido. No caso concreto, a Recorrente apresentou seu pedido administrativo de restituição na data 15/09/2003, fazendo jus, portanto, à aplicação do prazo prescricional de 10 anos, nos termos acima citados, independentemente, portanto, da data da publicação da Resolução do Senado Federal nº 49/95, de 09/10/1995 (DOU 10/10/1995), que suspendeu, com eficácia erga omnes, a execução dos diplomas legais declarados inconstitucionais pelo STF. Aplicando-se o prazo de 10 anos ao presente caso, e tendo-se em conta que o pedido de restituição, protocolado em 15/09/2003, abrange recolhimentos que vão desde 17/09/1993 a 10/11/1994 (ver planilha à fl. 04), efetuados para os fatos geradores 31/08/1993 a 30/06/1994 e 31/10/1994, observo que se operou a decadência unicamente para pleitear a restituição/compensação quanto ao pagamento relativo ao fato gerador 31/08/1993, pois a decadência, in casu, somente alcança fatos anteriores a 09/1993. Pelas razões acima, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o prazo de dez anos para apresentação do pedido de restituição/compensação e determinar à Unidade de Origem que realize a análise do crédito considerado decaído. (documento assinado digitalmente) Marco Antonio Marinho Nunes Fl. 195DF CARF MF http://idg.carf.fazenda.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf
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