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Numero do processo: 12448.737120/2011-57
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. OMISSÃO. OBSCURIDADE. INEXISTÊNCIA.
Os embargos de declaração apenas são cabíveis em face de obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma (art.65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF), hipóteses não presentes no caso concreto.
Numero da decisão: 1103-001.163
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado rejeitar os embargos por unanimidade, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente
(assinado digitalmente)
Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO
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Passivo não Comprovado. Glosa de despesas Embargante COCA COLA INDÚSTRIAS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. OMISSÃO. OBSCURIDADE. INEXISTÊNCIA. Os embargos de declaração apenas são cabíveis em face de obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma (art.65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF), hipóteses não presentes no caso concreto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado rejeitar os embargos por unanimidade, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 71 20 /2 01 1- 57 Fl. 2129DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por EDUARDO MARTI NS NEIVA MONTEIRO Processo nº 12448.737120/201157 Acórdão n.º 1103001.163 S1C1T3 Fl. 2.130 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração interpostos em face do acórdão nº 1103 001.082, de 29/7/14, que recebeu a seguinte ementa (fls.2.031/2.059): PASSIVO COM EXIGIBILIDADE NÃO COMPROVADA. Nos termos do art.40 da Lei nº 9.430/96, a manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada caracteriza omissão de receita (art.281 do Regulamento do Imposto de Renda 1999), cabendo ao contribuinte o ônus da prova para infirmar tal presunção legal, o que não ocorreu no caso concreto. DESPESAS NÃO DEDUTÍVEIS. PERDÃO DE DÍVIDA. As despesas sem comprovação e as decorrentes de mera liberalidade não são dedutíveis. DESPESAS GLOSADAS. CONTRAPARTIDA A CRÉDITO DO PASSIVO. As contrapartidas credoras dos lançamentos contábeis referentes à constituição de despesas glosadas pela autoridade fiscal não podem embasar a presunção legal de omissão de receitas por conta da manutenção, no passivo, de obrigações não comprovadas. Recurso de ofício não provido. LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS O decidido no lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ é aplicável aos autos de infração reflexos, em razão da íntima relação de causa e efeito. PRELIMINAR DE NULIDADE DO ACÓRDÃO DA DRJ. CERCEAMENTO A DIREITO DE DEFESA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A produção de prova pericial depende de juízo da autoridade julgadora, que norteia sua atuação no livre convencimento motivado, razão pela qual não há se falar em nulidade da decisão de primeira instância que a indeferiu por ser prescindível no caso concreto. PRELIMINAR DE NULIDADE. PROCESSO ELETRÔNICO. O fato de os autos serem formados por folhas digitalizadas, ou inseridas pelas partes através de programas de upload, não compromete minimamente a integridade do processo, tampouco a apreciação das provas pelos julgadores. PROVAS. APRESENTAÇÃO. MOMENTO. No processo administrativo tributário federal, não basta o Recorrente alegar fatos. Deve necessariamente instruir sua defesa com as respectivas provas, mormente quando lhe cabe o ônus de produzilas para elidir a presunção legal de omissão de receitas. PEDIDO DE PERÍCIA. DILIGÊNCIA. LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO. Prescinde a realização de perícia quando o Recorrente busca, com tal providência, apenas Fl. 2130DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por EDUARDO MARTI NS NEIVA MONTEIRO Processo nº 12448.737120/201157 Acórdão n.º 1103001.163 S1C1T3 Fl. 2.131 3 carrear provas que já poderiam ter sido apresentadas quando do recurso voluntário. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar a realização de diligências e perícias apenas quando entender necessárias ao deslinde da controvérsia. Sustentou o Embargante, em síntese: (a) omissão quanto à demonstração de que os valores indicados no auto de infração estariam equivocados; (b) necessidade de esclarecimento quanto à relevância de argumentações contempladas no recurso voluntário, inclusive relacionadas ao não provimento do pedido de realização de prova pericial; (c) impropriedade na denegação da perícia, pois “...tem este processo cerca de 2100 páginas, das quais a grande maioria corresponde à juntada de documentos pela recorrente, seja na fase de fiscalização, seja depois de formado o PAF, não se justificando que se denegue pedido de perícia contábil, sob alegação de que a recorrente poderia anexar aos autos mais ainda algumas centenas de documentos”, e (d) conflito de decisões do CARF sobre a conceituação de uma mesma operação. Os embargos de declaração foram distribuídos com base no art.65, §2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (“O presidente da Turma poderá designar conselheiro para se pronunciar sobre a admissibilidade dos embargos de declaração”). É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. Do juízo de admissibilidade Cumpre, inicialmente, verificar a tempestividade dos embargos de declaração. Conforme despacho assinado digitalmente em 17/9/14 (fl.2.074), os autos foram encaminhados à EQDEXEQINTDRFRJ1, para que o contribuinte fosse cientificado dos seguintes documentos: Acórdão de Recurso de Ofício e Recurso Voluntário, Intimação de Resultado de Julgamento, Demonstrativo de Débito “A”, Demonstrativo de Débito “B” e DARF. Consta dos autos Aviso de Recebimento (AR) com data de entrega de correspondência no domicílio fiscal do contribuinte em 19/9/14 (fl.2.075) De acordo com Termo de Solicitação de Juntada (fl.2.077), em 1º/10/14 solicitouse a juntada ao processo do Termo de Vista/Cópia de Processo, dos Contratos Sociais e Alterações e do Documento de Representação. Em 6/10/14, foi solicitada a juntada dos Embargos de Declaração ao processo, conforme Termo de Solicitação de Juntada (fl.2.095). Fl. 2131DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por EDUARDO MARTI NS NEIVA MONTEIRO Processo nº 12448.737120/201157 Acórdão n.º 1103001.163 S1C1T3 Fl. 2.132 4 Por meio do Despacho de Encaminhamento de fl.2.076, de 10/10/14, a EQDEXEQINTDRFRJ1 devolveu o processo à DRFRJ1/DICATCATDEMAIS com a informação que foi “Realizada a intimação conforme solicitado”. Em que pese contar a data de assinatura no Aviso de Recebimento mencionado (fl.2.075), algumas particularidades do caso concreto excepcionalmente desautorizam um juízo de certeza sobre a efetiva ciência do acórdão embargado em 19/9/14. Vejamos. De pronto, notase que no AR não consta minimamente a descrição do conteúdo da correspondente missiva encaminhada pela repartição fazendária. Segundo, o Termo de Vista de Processo (fl.2.078) sugere a ciência dos despachos e decisões constantes do processo somente em 25/9/14, conforme o seu teor, verbis: “Obtive vista do inteiro teor do processo acima, através do recebimento de cópia integral digitalizada em CD, tendo tomado ciência de todos os despachos e decisões nele constantes, até a presente data, conforme solicitação agendada anteriormente nesta Equipe.” Terceiro, que a própria DICAT/DIV/DRFRJ1, ao encaminhar os autos ao CARF, atestou que os embargos foram apresentados no prazo legal (fl.2.127). Sendo assim, à míngua de cabal prova em contrário, considerase ocorrida a ciência do acórdão embargado em 25/9/14, data da obtenção de cópia integral do processo, devendo ser considerada tempestiva a interposição dos embargos de declaração em 29/9/14 (fl.2.097), como confirmado pela unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Inicialmente, o Embargante afirma que seria “...contraditória, ou, pelo menos obscura, a exigência, constante das decisões de 1ª e 2ª instâncias, de que deveria a ora embargante apresentar provas relativas a aspectos do lançamento, que não foram objeto de discussão.”. Quanto ao ponto, referese especificamente ao seguinte excerto, constante da p.21 do acórdão embargado: “[...] Mesmo abstraindo a necessidade de existência de contrato de mútuo atrelado ao contrato de abertura de crédito, a mencionada cláusula contratual não é suficiente por si só para comprovar a dedutibilidade daquele encargo. Caberia ao Recorrente ter demonstrado, e para tanto teve inúmeras oportunidades durante a ação fiscal, bem como no curso processual, que os requisitos acordados entre as partes foram obedecidos. Deveria, ao menos, ter feito a correlação, individualizada, entre os valores glosados pela fiscalização e as respectivas quantias do crédito efetivamente utilizadas (com aplicação dos índices de correção monetária ajustados), e a vinculação aos registros contábeis relativos às correspondentes liberações dos recursos, bem como poderia ter demonstrado o registro de tais fatos contábeis na escrituração de sua controlada, Recofarma, que teria disponibilizado o crédito rotativo. Como bem lembrado no acórdão recorrido: Fl. 2132DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por EDUARDO MARTI NS NEIVA MONTEIRO Processo nº 12448.737120/201157 Acórdão n.º 1103001.163 S1C1T3 Fl. 2.133 5 ‘[...] poderia a interessada ter feito juntar aos autos, por exemplo, a escrituração dos supostos empréstimos na contabilidade de sua controlada Recofarma Indústria do Amazonas Ltda. Ou então extratos bancários seus e de sua controlada com a indicação da movimentação financeira dos empréstimos. Ou ainda o instrumento utilizado para a efetivação do ‘préaviso de, no mínimo, 48 (quarenta e oito) horas’ previsto no contrato de abertura de crédito em contacorrente como condição para a liberação dos recursos’. Vale rememorar, com o intuito de devidamente contextualizar o supratranscrito fundamento, que a exigência lastreouse no art.281 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR 99: “Art.281. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, §2º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 40): ..... III a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada.” Assim, o ônus da prova acerca da manutenção, no passivo, de obrigações exigíveis cabia ao sujeito passivo, restando aos julgadores verificar se a documentação apresentada era capaz de infirmar tal presunção de omissão de receitas. A respeito dos Contratos de Abertura de Crédito em ContaCorrente e Aditivos, celebrados entre a Recofarma Indústria do Amazonas Ltda (Mutuante) e a Cocacola Industriais Ltda (Mutuária), no voto condutor do acórdão embargado assentouse que apenas a apresentação de tais ajustes era insuficiente para demonstrar que os valores apontados pela fiscalização correlacionavamse com as quantias de créditos supostamente utilizadas. Com isso, dada a clareza da decisão, não há se falar em obscuridade. Tampouco em contradição, pois o cerne da questão não se refere ao fato de o Recorrente concordar com os valores escriturados, mas, à ausência de comprovação sobre a exigibilidade de obrigações mantidas no passivo. Também não se vislumbra minimamente a alegada obscuridade ou contradição quanto à apreciação das provas que supostamente afastariam a conclusão da fiscalização relacionada aos dividendos escriturados em conta de passivo. Vejamos, verbis: “[...] Quanto aos lançamentos contábeis efetuados a crédito na conta de passivo nº 0230102000 (CONSOL. AFL – ADIANTAMENTOS US$), a título de dividendos, o Recorrente, como já adiantado, afirmou que, na verdade, tratavamse de novas liberações de quantias do crédito rotativo acordado com a Recofarma. Porém, não apresentou as devidas provas que lastreassem tal alegação, restando sem comprovação hábil os registros na conta de passivo. Constam dos autos espécies de ordens de pagamento da Recofarma para a CocaCola Indústrias Ltda (fls.638/654), disponibilizadas durante o procedimento fiscal, que não se Fl. 2133DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por EDUARDO MARTI NS NEIVA MONTEIRO Processo nº 12448.737120/201157 Acórdão n.º 1103001.163 S1C1T3 Fl. 2.134 6 referem ao valores escriturados na mencionada conta de passivo, descritos como dividendos. Com a impugnação, o autuado anexou uma planilha e respectivos lançamentos contábeis com descrições alusivas a 12 (doze) recebimentos de dividendos (fls.1.321/1.354 e 1.361/1.410), porém nenhum daqueles registros foram considerados pela fiscalização como passivo com exigibilidade não comprovada. À fl.1.356 consta um documento em que a Recofarma requereu a transferência bancária, em 29/6/07, de R$1.655.000,00 para a CocaCola Indústrias Ltda a título de Dividendos. Em outro demonstrativo (fl.1.355), com referência àquela data, desta feita elaborado pela CocaCola Indústrias Ltda, o valor de R$ 1.850.000,00 (R$ 1.655.000,00 + R$ 195.000,00; ambos os valores indicados pela fiscalização) aparece como descrição “Recebimento de Dividendos da Recofarma”. Sem prova em contrário, não havia como a fiscalização, tampouco agora em sede de julgamento, desconsiderar tais descrições.” Prosseguindo, acerca da realização de perícia, o Embargante reafirmou a necessidade nos seguintes termos: “[...] Ressaltese que tem este processo cerca de 2100 páginas, das quais a grande maioria corresponde à juntada de documentos pela recorrente, seja na fase de fiscalização, seja depois de formado o PAF, não se justificando que se denegue pedido de perícia contábil, sob alegação de que a recorrente poderia anexar aos autos mais ainda algumas centenas de documentos. Os equívocos interpretativos acima referidos (itens 2.1/2.2), bem demonstram que, em causa de tal magnitude (quase meio bilhão de reais) e tamanha profusão de documentos, não se pode, em boafé, dispensar um exame metodológico e técnico, visando à completa elucidação da verdade, que somente uma perícia contábil poderá proporcionar. 2.3.5 – Ressaltese mais que os elementos constantes dos autos, desde a época da fiscalização, forneceram à Receita os elementos, que lhe permitiram a realização da autuação, inclusive a quantificação da base de cálculo dos tributos, ou seja do somatório das parcelas advindas do contrato de abertura de crédito. Quantificação esta, a do somatório das parcelas sacadas, da qual como já se ressaltou nesta petição, a recorrente não discorda. Será que a exigência de provas tem a ver com a rejeição desse Tribunal Administrativo às quantias levantadas pela Receita e que constituíram a base de cálculo indiscutida da tributação reclamada? Data venia, o fundamento da objeção formulada no acórdão é obscuro a reclamara esclarecimentos.” Uma vez mais não há se falar em obscuridade, omissão ou contradição do acórdão embargado. Após ter consignado que o Recorrente deixou de apresentar provas que pudessem infirmar as conclusões fiscais, o respectivo voto condutor, com a necessária clareza, indeferiu o pedido de realização de perícia sob a seguinte fundamentação: “[...] Quanto à perícia requerida, a defesa, na impugnação, formulou os seguintes quesitos: Fl. 2134DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por EDUARDO MARTI NS NEIVA MONTEIRO Processo nº 12448.737120/201157 Acórdão n.º 1103001.163 S1C1T3 Fl. 2.135 7 ‘ No que concerne à repactuação de juros (itens 10.9 a 10.9.3), a evidenciação de sua tributação nos anos anteriores à referida repactuação. Distinção entre o efetivo pagamento de dividendos pela Recofarma à CCIL e as quantias recebidas por conta do Contrato de Abertura de Crédito, equivocadamente identificadas como ‘dividendos’, quando lançadas no Passivo Exigível, no curso de 2007. Efetiva remessa de dividendos pela CCIL à sua controladora no exterior, no ano de 2007. Débito da CCIL em relação à Recofarma por conta da aquisição das empresas REMIL e CMR. Correção dos lançamentos de juros com base no disposto no 4º aditivo ao Contrato de Abertura de Crédito, comprovandose não ter havido excesso em relação ao contrato, nem à lei. Pagamentos à Credora, com substancial redução do passivo exigível, no ano de 2007 e subsequentes, reforçando a inexistência de passivo fictício.’ No recurso voluntário, reitera a necessidade de tal providência, principalmente em razão da complexidade do caso e valor do crédito tributário constituído, demonstrando ‘...boa fé e a intenção de absoluta abertura de suas contas, não sendo demasiado repetirse não ser aceitável a sua recusa, em processo de tal monta’. Acontece que, na essência, o que busca a defesa é a abertura de um adicional momento de dilação probatória, relacionada a fatos que já poderiam ter sido comprovados desde o procedimento fiscal, mormente quando consideradas as inúmeras intimações que lhe foram dirigidas pela fiscalização. Do início da ação fiscal, por exemplo, teve ciência o contribuinte em 22/1/10 (fl.36). Quanto às matérias relacionadas às infrações apontadas, a ciência pessoal do Termo de Intimação Fiscal nº 02 ocorreu em 1/6/10 (fl.41), ou seja, dois anos antes da interposição do recurso voluntário. Considerando a data do presente julgamento, mais de dois anos e seis meses da ciência dos autos de infração, poderia, em todo esse tempo, a defesa ter apresentado as provas remanescentes. Vale ainda lembrar que durante a auditoria a fiscalização, não obstante ter efetivado intimação para obter ‘...parecer de auditoria contábil independente [...] a fim de obter opinião de profissional técnico contábil a respeito das demonstrações contábeis da CCIL’, não obteve êxito, tendo o contribuinte afirmado peremptoriamente: “Não possuímos parecer de auditoria independente” (fl.676). Com a necessária objetividade, concluise que o pleito não pode ser acolhido, pois busca unicamente esclarecer fatos que já deveriam ter sido comprovados desde a impugnação, momento inicial de produção probatória, conforme artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72. Nos termos deste mesmo Decreto, a realização de diligências ou perícias, reiterese, justificase somente quando necessárias, a juízo da autoridade julgadora: Fl. 2135DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por EDUARDO MARTI NS NEIVA MONTEIRO Processo nº 12448.737120/201157 Acórdão n.º 1103001.163 S1C1T3 Fl. 2.136 8 Art.18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências, ou perícias, quando entendê las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art.28, in fine. ..... Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Acrescentese que o Recorrente, diante do indeferimento do pleito pela DRJ, não apresentou qualquer novo elemento que pudesse servir para justificar a utilidade de uma perícia ou mesmo diligência.” Quanto à alegada máfé, supostamente caracterizada pela dispensa de “...um exame metodológico e técnico, visando à completa elucidação da verdade”, o Embargante não a demonstrou minimante nas condutas da autoridade fiscal responsável pelos lançamentos, dos doutos Julgadores da Sexta Turma da DRJ – Rio de Janeiro (RJ), do presente Relator e dos demais Conselheiros que acompanharam o seu voto. Ao revés, restou evidenciado em cada uma das instâncias por onde o processo tramitou o alerta de que o contribuinte deveria comprovar devidamente a sua alegação. Acusação de tal magnitude em nada contribui para a elucidação dos fatos, mormente quando se trata de um processo em que houve uma apreciação detalhada de todas as alegações veiculadas na impugnação e no recurso voluntário, o que resultou, inclusive, na exoneração de parcela do crédito tributário constituído. Enfim, não restou comprovada a alegada máfé de quaisquer das autoridades administrativas. De resto, subsiste o compreensível inconformismo da defesa pela não aceitação de sua tese por 8 (oito) dos 9 (nove) julgadores que analisaram o processo (três em primeira instância e cinco no CARF), tendo apenas um único Conselheiro acolhido o pedido de realização de diligência. Por fim, o Embargante reitera alegação veiculada no recurso voluntário, de que decisões administrativas seriam contraditórias. Quanto ao ponto, afirmouse no acórdão embargado que a “...Secretaria da Receita Federal do Brasil considerou ter havido mútuo financeiro entre a Recofarma (Mutuante) e a CocaCola Indústrias Ltda (Mutuária)”. Também se decidiu, à vista do acórdão nº 3102001.688, de 28/11/12, que, para produzir efeitos no presente processo, não bastaria a identificação de o Recorrente ter constado como mutuário, relativamente às quantias disponibilizadas pela Recofarma. Uma vez mais, farseia necessário apresentar provas que atestassem a necessidade das despesas escrituradas com encargos de correção monetária/juros, bem como a exigibilidade de determinados valores mantidos em conta de passivo. Vejamos, verbis: “[...] Da análise do processo e referido acórdão, é verdade que a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil considerou ter havido mútuo financeiro entre a Recofarma (Mutuante) e a CocaCola Indústrias Ltda (Mutuária), ora Recorrente. Fl. 2136DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por EDUARDO MARTI NS NEIVA MONTEIRO Processo nº 12448.737120/201157 Acórdão n.º 1103001.163 S1C1T3 Fl. 2.137 9 Entretanto, repitase, a controvérsia resolvese no campo das provas. Ainda que se admita ter sido o Recorrente mutuário, relativamente às quantias disponibilizadas pela Recofarma e efetivamente utilizadas, importa para se infirmar as infrações comprovar, sem margem para dúvidas a partir de documentação hábil, a necessidade das despesas escrituradas com encargos de correção monetária/juros (vale lembrar que sequer há nos autos qualquer demonstrativo de cálculo que pudesse lastrear os registros) e a exigibilidade de determinados valores mantidos em conta de passivo ao final do anocalendário 2007.” Quando se afirmou que nos autos inexistia demonstrativo de cálculo que pudesse lastrear as despesas escrituradas a título de encargos de correção monetária/juros, por óbvio que não se fazia referência aos registros contábeis em si, mas como se originaram, aos respectivos lastros de escrituração, sendo desprovida de sentido, com a devida licença, a seguinte indagação do Embargante: “2.4.4 Notese, ainda que, na transcrição acima, afirma o julgador que ‘(vale lembrar que sequer há nos autos qualquer demonstrativo de cálculo que pudesse lastrear os registros)’. Cabe indagarse, então, quais teriam sido os fundamentos para o lançamento fiscal nos presentes autos. Se a afirmação é de que não há rastro dos registros referentes ao contrato examinado e considerandose que não há formação de litígio quanto a este ponto, justificase que se peçam, através dos presentes embargos, esclarecimentos sobre quais terão sido os fundamentos da Receita para lançar e quantificar os débitos neste processo! Parece óbvio que, a ser verdadeira a inexistência de demonstração de tais registros, o lançamento teria sido fantasioso e nulo.” Pelo exposto, voto no sentido de REJEITAR os embargos de declaração. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 2137DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por EDUARDO MARTI NS NEIVA MONTEIRO
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Numero do processo: 13855.723263/2011-42
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2403-000.210
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência
Carlos Alberto Mees Stringari
Relator/Presidente
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas De Souza Costa, Ivacir Julio De Souza, Maria Anselma Coscrato Dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência Carlos Alberto Mees Stringari Relator/Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas De Souza Costa, Ivacir Julio De Souza, Maria Anselma Coscrato Dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 55 .7 23 26 3/ 20 11 -4 2 Fl. 4199DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13855.723263/201142 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2403000.210 S2C4T3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto, Acórdão 1437.390 da 9ª Turma, que julgou a impugnação improcedente. A autuação e a impugnação foram assim apresentadas no relatório do acórdão recorrido: Do Relatório Fiscal: Tratase de processo datado de 23/11/2011, com ciência do sujeito passivo em 29/11/2011, composto pelos seguintes AutosdeInfração lavrados pelo descumprimento de obrigações tributárias principais (AIOP): DEBCAD 51.005.7691: contribuições devidas pela empresa incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados (inclusive alíquota para o financiamento dos benefícios em razão da incapacidade laborativa RAT) (Lei 8.212/91, artigo 22, I e II), no valor total de R$ 1.295.658,65 (um milhão, duzentos e noventa e cinco mil, seiscentos e cinqüenta e oito reais e sessenta e cinco centavos), incluindo o principal, juros e multa de ofício. DEBCAD 51.005.7705: contribuições devidas pela empresa a outras entidades e fundos Terceiros incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados (SalárioEducação, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE), no valor total de R$ 341.582,78 (trezentos e quarenta e um mil, quinhentos e oitenta e dois reais e setenta e oito centavos), incluindo o principal, juros e multa de ofício. A autoridade lançadora esclarece que a fiscalização constatou que a autuada utilizou as empresas Geova Batista Machado – EPP, José Rodrigues da Silva EPP e Raquel Batista Machado EPP, todas optantes dos regimes tributários simplificados4, como interpostas pessoas com a finalidade de contratar segurados reduzindo os encargos previdenciários em decorrência da opção por tais regimes tributários. Assim, os empregados formalmente contratados por estas empresas, as quais formalmente eram prestadoras de serviços à autuada, foram considerados, para fins previdenciários, empregados da própria autuada. Discorre acerca da documentação apresentada pela autuada e também, pelas EPP mencionadas (estas últimas foram objeto de diligências realizadas pela autoridade fiscal). Relata depoimentos pessoais dos representantes legais das EPP, a solicitação de esclarecimentos relativos a pagamentos efetuados às EPP e outros fatos relevantes (com as decorrentes respostas dadas pelas empresas) e a emissão de Requisições de Movimentação Fl. 4200DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13855.723263/201142 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2403000.210 S2C4T3 Fl. 4 3 Financeira – RMF para obtenção de informações das EPP junto a instituições bancárias. Prossegue discorrendo acerca dos vínculos de parentesco dos representantes legais das EPP com o Sr. Jânio Machado Rodrigues da Silva (sócio administrador da autuada), e dos vínculos de emprego mantidos pelos representantes legais das EPP antes da constituição destas empresas. Descreve (a) as atividades desenvolvidas pelas EPP; (b) os endereços dos prédios utilizados por elas; (c) a administração das EPP por intermédio de procuradores vinculados à Free Way (notadamente o Sr. Jarbas Maranhas); (d) as características dos contratos de prestação de serviços firmados entre a Free Way e as EPP (com reconhecimento de firma dos signatários com data posterior ao início da ação fiscal); (e) a exclusividade na prestação de serviços no período fiscalizado; (f) a falta de despesas das EPP com os equipamentos pertencentes à Free Way que lhes eram cedidos por comodato para o desempenho de suas atividades; (g) a realização de atividades administrativas das EPP (como representação perante entidades sindicais, elaboração de declarações tributárias) por pessoas vinculadas à Free Way; (h) o pagamento de despesas das EPP pela Free Way não contabilizados corretamente; (i) o efetivo controle destas despesas exercido pela Free Way; (j) a transferência de valores da Geova EPP para a Free Way e seu sócio não contabilizados corretamente; (k) a ausência ou pequeno valor de lucros nas EPP que assim não tinham montantes a esse título para distribuir aos seus sócios; (l) a recontratação imediata pela Free Way da maioria dos empregados demitidos pelas EPP em 2009; (m) a usual prática da Free Way de adiantar valores devidos às EPP para cobrir despesas destas; (n) ações trabalhistas movidas contra a Free Way e a Geova EPP, juntas no pólo passivo. Destaca a prevalência da situação fática sobre aquela formalizada incorretamente (princípio da primazia da realidade sobre a forma) e conclui que os trabalhadores das EPP eram, de fato, empregados da autuada. Assim, o lançamento referese às remunerações dos segurados declaradas nas GFIP destas empresas e constantes em suas folhas de pagamento. Discorre acerca da comparação das multas efetuadas para o período até 11/2008 em decorrência da alteração legislativa introduzida pela Medida Provisória 449/2008 (convertida na Lei 11.941/2009) e por força do disposto no artigo 106, II, “c” do Código Tributário Nacional CTN. Afirma que restou caracterizada a conduta dolosa na utilização de interpostas pessoas optantes dos regimes tributários simplificados, o que impõe: (a) a observância do prazo decadencial de 05 (cinco) anos contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, tendo em vista o disposto nos artigos 150, § 4o e 173, I, ambos do CTN; (b) a responsabilização pessoal do Sr. Jânio Machado Rodrigues Silva – sócio administrador da autuada nos termos do artigo 135 do CTN (foi lavrado o Termo de Responsabilidade Tributária, o qual foi levado à ciência da interessada); e (c) a aplicação da multa qualificada de 150%, Fl. 4201DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13855.723263/201142 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2403000.210 S2C4T3 Fl. 5 4 fundamentada no artigo 44, I, § 1o da Lei 9.430/96 (redação dada pela Lei 11.488/2007) e artigos 71 a 73 da Lei 4.502/64. Finaliza mencionando a lavratura de Representação Fiscal para Fins Penais –RFFP e prestando informações relativas ao exercício do direito de defesa por parte da autuada. Impugnação: A empresa autuada apresentou impugnação tempestiva contendo, em síntese, os seguintes argumentos: As desconsiderações dos vínculos empregatícios mantidos com as EPP deramse sem a devida comprovação, com intuito meramente arrecadatório e em situação diversa da que estabelece o artigo 50 do Código Civil. Faz considerações acerca do histórico da terceirização das atividades de corte e pesponto no pólo calçadista de Franca. Cita o Termo de Ajuste de Conduta firmado em 1996 pelas indústrias do setor com o Ministério Público do Trabalho e esclarece que a maioria das prestadoras de serviço são empresas familiares, sendo tal realidade do amplo conhecimento na cidade. Quanto aos vínculos familiares entre o sócio da autuada e os titulares das EPP, alega que toda família trabalha no setor (pugna pela juntada posterior de documentos comprobatórios), tendo sido o ofício repassado pelo pai do representante legal da autuada, algo natural, já que a cidade de Franca representa um importante pólo calçadista, com grande parcela da população trabalhando nesse setor. Não se aplica ao caso a Súmula 331 do TST, não sendo ilegal a prestação de serviços por intermédio de empresas legalmente constituídas. Quanto à Geova EPP, aponta a seu favor as declarações prestadas por seu representante legal. Aduz que os serviços prestados condizem com o objeto social da EPP e que havia prestação de serviços para outras empresas além da autuada. A Geova EPP nunca esteve estabelecida em um barracão da autuada (menciona documentos comprobatórios). O fato do Sr. Geova manter concomitantemente vínculo empregatício e a firma individual que prestava serviços a seu empregador não representa qualquer ilegalidade ressaltandose que estas situações ocorreram regularmente, com a fomalização do contrato de emprego do Sr. Geova e a emissão de notas fiscais pelos serviços prestados à Free Way por sua firma individual. Conforme declarou o Sr. Geova, a administração da empresa não ficava só a cargo do Sr. Jarbas Maranhas, mas também do Sr. João Batista Machado (irmão do Sr. Geova). A idéia era que o Sr. João aprendesse com o Sr. Jarbas os procedimentos necessários para gerir a empresa. No entanto, o Sr. João veio a falecer em acidente fatídico em 2005, ocasionando na assunção definitiva da ajuda por parte do Sr. Jarbas. Ainda quanto à ligação do Sr. Jarbas com a Geova EPP e a Fl. 4202DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13855.723263/201142 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2403000.210 S2C4T3 Fl. 6 5 Free Way, não existe proibição legal para que uma pessoa com experiência na área preste serviços a mais de uma empresa e este fato não é apto a demonstrar a ingerência financeira da autuada na EPP, fato que nunca ocorreu. Quanto ao contrato de prestação de serviços, afirma que procederá a juntada de instrumento datado de 2003 e aponta a desnecessidade de formalização por escrito de pacto dessa natureza, motivo pelo qual, não serve como argumento para confirmação da tese do fisco o reconhecimento das firmas em 2011 nos contratos de 20057. A cessão do maquinário gratuitamente pela Free Way à Geova EPP decorre de pactuação nesse sentido quando da celebração do contrato de prestação de serviços. Tratavamse de equipamentos que não estavam sendo utilizados pela autuada e tal prática mostrouse vantajosa financeiramente à esta, ante desconto no preço da prestação de serviços decorrente da cessão das máquinas. A manutenção das máquinas cedidas à Geova EPP pela Free Way decorre da preocupação desta com o maquinário que lhe pertencia, e também resultava em desconto no preço pelos serviços prestados. Quanto à falta de registro contábil do comodato (cessão das máquinas à Geova EPP), tal registro tornase desnecessário ante a gratuidade do empréstimo. Quanto à exclusividade dos serviços prestados pela Geova EPP, o fiscal a menciona apenas para o período de 2006 a 2009 (a limitação a esse período teria fins arrecadatórios?). Além disso, não existe proibição legal para a prestação de serviços exclusivamente a uma tomadora. A emissão e recebimento de um cheque pela mesma pessoa (Sr. Jarbas) justificase pelo fato desta prestar serviços tanto à emissora do cheque (Geova EPP) quanto à beneficiária (Free Way). Repetese a situação quanto à prestação de serviços (elaboração da Declaração do Imposto de Renda) pela Sra. Suraia Palimara à Geova EPP, sendo que tal pessoa física também prestava serviços à Free Way. Não existe ilegalidade nessa situação. Quanto ao contrato firmado pela Geova EPP com a Unimed, a fiscalização apontou que assinava em nome da EPP pessoa não habilitada a tanto, mas depois houve a retificação deste fato, o que foi confirmado pela própria Unimed. No entanto, o contrato sempre existiu e foi cumprido pela Geova EPP. Assim, tratouse de mero erro. A Free Way, com o intuito de acompanhar a regularidade das empresas que lhe prestavam serviços (inclusive em virtude do Termo de Ajuste de Conduta firmado com o Ministério Público do Trabalho MPT), revisava e acompanhava os contratos destas e, por equívoco, este contrato foi assinado pela pessoa que fazia esse trabalho em nome da Free Way. Também em decorrência da necessidade de dar cumprimento ao que fora acordado com o MPT, a Free Way sempre acompanhou as Fl. 4203DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13855.723263/201142 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2403000.210 S2C4T3 Fl. 7 6 homologações das rescisões de contratos de trabalho relativos às empresas que lhes prestavam serviços e também a documentação relativa ao FGTS. A contratação pela Free Way de trabalhadores demitidos pela Geova EPP não tem impedimento legal e decorre do fato de tais trabalhadores terem as qualificações técnicas exigidas para o desempenho do trabalho. A alegação de que a não distribuição de lucros pelas EPP deuse propositalmente não tem nexo, como também a de que havia manobras contábeis para esconder o pagamento de despesas da Geova EPP pela Free Way, imputação com interesse arrecadatório. Não existe qualquer das irregularidades apontadas o que demonstra o histórico fiscal da empresa, sem qualquer débito. Quanto aos depósitos bancários da Geova EPP que não foram justificados por esta, tais fatos dizem respeito apenas à Geova EPP, não se prestando a atribuição da responsabilidade à Free Way. Quanto aos serviços prestados por contadores à Geova EPP, foram devidamente pagos e, qualquer irregularidade também só diz respeito a esta empresa. Conforme declarou o Sr. Geova, sua firma utilizavase de contadores freelance e não existe irregularidade no fato de tais pessoas também prestarem serviços à Free Way. Quanto à afirmação do Sr. Geova de que não sabia quanto pagava de aluguel, o que o auditor fiscal não tinha ciência é que houve negociação no preço dos serviços prestados, com redução do valor em troca das máquinas cedidas. Quanto às atividades do RH, as empregadas da Free Way (Janaína, Regina e Silvana) apenas acompanhavam os serviços da Geova EPP e se não foram identificadas despesas referentes a estes serviços, tal fato deve decorrer da não localização nas folhas de pagamento de empregados que desempenhavam tais atividades. Os depoimentos prestados por exempregados relativos a processos trabalhistas são nulos, por ofensa à ampla defesa e ao contraditório, já que a autuada não foi intimada para acompanhar tais depoimentos. Ademais, o conteúdo destes depoimentos não condiz com a realidade. A informação de que os empregados da Geova EPP quase não viam o Sr. Geova não é relevante, já que este tinha pessoas para representálo e ocupavase na produção da Free Way, até que passou a trabalhar exclusivamente em sua empresa, fato não mencionado. Assim, jamais houve a alegada utilização da Geova EPP para a contratação de empregados da Free Way, visando a supressão da carga previdenciária. Quanto à Raquel EPP, afirma que os serviços prestados condizem com o objeto social desta firma, verificandose sua independência administrativa, financeira e operacional. Fl. 4204DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13855.723263/201142 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2403000.210 S2C4T3 Fl. 8 7 Inexiste irregularidade na cessão à EPP que lhe prestava serviços, do imóvel cedido pela Prefeitura de Ibiraci e com tal prática, o município atingiu a finalidade pretendida, qual seja, a geração de empregos. Não pode ser aceito para a desconsideração da empresa o argumento de que sua titular fora empregada de outra (no caso, a Sra. Raquel foi empregado da José EPP). Não há vedação legal para tanto nem qualquer irregularidade com relação aos vínculos familiares da Sra. Raquel com o Sr. José ou o Sr. Jânio (sócio gerente da Free Way). A existência de várias pessoas da mesma família trabalhando no mesmo setor decorre do fato da cidade de Franca representar um grande pólo calçadista, com boa parte da força de trabalho se ocupando nesse setor. O maquinário foi cedido pela Free Way à Raquel EPP de forma gratuita, por comodato, para o qual não se exige instrumento por escrito. A falta de registro em cartório do contrato ou do reconhecimento de firma dos signatários não invalida o pacto. Quanto à exclusividade dos serviços prestados pela Raquel EPP, x não existe proibição legal para tanto. A alegação da autoridade lançadora de que a não distribuição de lucros pelas EPP deuse propositalmente não tem nexo com a pretendida vinculação destas empresas com a Free Way. Em decorrência de acordo firmado com o MPT, empregados da Free Way acompanhavam os procedimentos da Raquel EPP relativos aos registros e rescisões dos empregados, o que não significa que tais atividades eram realizadas pelos empregados da Free Way. As alegações de que pessoas que trabalhavam para a Raquel EPP prestaram serviços para a José EPP e que a Raquel EPP alugou imóvel e o cedeu para uso da José EPP não guardam relação com a autuada. Quanto aos serviços prestados à Raquel EPP pela Sra. Gilberta, antes do registro de seu vínculo de emprego, a autuada acredita trataremse de serviços eventuais prestados antes que tal pessoa viesse a ser empregada da EPP. Os adiantamentos feitos pela Free Way para pagamento de despesas da Raquel EPP decorreram de solicitações desta, inexistindo ilegalidade nesse procedimento. Os valores exatos se dão em virtude dos pedidos serem feitos no valor da despesa a pagar. Se tais adiantamentos não foram contabilizados pela Raquel EPP, esta empresa deve ser instada a esclarecer a situação e não concluirse por sua condição de interposta empresa da Free Way. Inexiste irregularidade no fato da mesma contadora (Sra. Suraia) ter prestado serviços à Free Way e à Raquel EPP, sabendose que os contadores transmitem declarações de centenas de clientes. Inexistiu qualquer manobra contábil para acobertar pagamentos de despesas da Raquel EPP pela Free Way. A Free Way não pagava as Fl. 4205DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13855.723263/201142 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2403000.210 S2C4T3 Fl. 9 8 contas da prestadora de serviços mas como já dito, muitas vezes fez adiantamentos solicitados pela EPP. Os valores parecidos referentes a alguns meses citados no Relatório Fiscal representam coincidências, numa realidade com inúmeros lançamentos e obrigações das empresas. O pedido feito pelo Sr. Jarbas ao Banco do Brasil para a quitação de uma conta de energia elétrica da Raquel EPP representa um simples favor, não se prestando tal fato para comprovar a condição desta pessoa como procurador da Raquel EPP. Assim, nunca existiu o pagamento de despesas da Raquel EPP pela Free Way ou o controle por esta das despesas daquela. Jamais houve a alegada utilização da Raquel EPP para a contratação de empregados da Free Way, visando a supressão da carga previdenciária. Quanto à José EPP, afirma que os serviços prestados condizem com o objeto social da firma, verificandose a independência administrativa, financeira e operacional desta. O titular da José EPP é pai do Sr. Jânio, sócio gerente da Free Way, e o ensinou a lidar no setor calçadista. Posteriormente, pai e filho tiveram uma parceria empresarial. O maquinário foi cedido pela Free Way à José EPP de forma gratuita, por comodato, para o qual não se exige instrumento por escrito. A falta de registro em cartório do contrato ou do reconhecimento de firma dos signatários não invalida o pacto. Quanto à exclusividade dos serviços prestados pela José EPP, não existe proibição legal para tanto. A alegação da autoridade lançadora de que a não distribuição de lucros pelas EPP deuse propositalmente não tem nexo com a pretendida vinculação destas empresas com a Free Way. Em decorrência de acordo firmado com o MPT, empregados da Free Way acompanhavam os procedimentos da José EPP relativos aos registros e rescisões dos empregados, o que não significa que tais atividades eram realizadas pelos empregados da Free Way. Quanto aos serviços prestados à José EPP pela Sra. Gilberta, após findo o registro de seu vínculo de emprego, a autuada acredita trataremse de serviços eventuais prestados quando tal pessoa não mais era empregada da EPP. As alegações de que pessoas que trabalhavam para a Raquel EPP prestaram serviços para a José EPP e que a Raquel EPP alugou imóvel e o cedeu para uso da José EPP não guardas relação com a autuada. Inexiste irregularidade no fato da mesma contadora (Sra. Suraia) ter prestado serviços à Free Way e à José EPP, sabendose que os contadores transmitem declarações de centenas de clientes. Fl. 4206DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13855.723263/201142 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2403000.210 S2C4T3 Fl. 10 9 Os adiantamentos feitos pela Free Way para pagamento de despesas da José EPP decorreram de solicitações desta, inexistindo ilegalidade nesse procedimento. Os valores exatos se dão em virtude dos pedidos serem feitos no valor da despesa a pagar. Se tais adiantamentos não foram contabilizados pela José EPP, esta empresa deve ser instada a esclarecer a situação e não concluirse por sua condição de interposta empresa da Free Way. Inexistiu qualquer manobra contábil para acobertar pagamentos de despesas da José EPP pela Free Way. A Free Way não pagava as contas da prestadora de serviços mas como já dito, muitas vezes fez adiantamentos solicitados pela EPP. Os valores parecidos referentes a alguns meses citados no Relatório Fiscal representam coincidências, que ocorrem numa realidade com inúmeros lançamentos e obrigações das empresas. Assim, nunca existiu o pagamento de despesas da José EPP pela Free Way ou o controle por esta das despesas daquela. Jamais houve a alegada utilização da José EPP para a contratação de empregados da Free Way, visando a supressão da carga previdenciária. Ainda quanto às EPP, é nulo o depoimento segundo o qual a Sra. Ana Rita G S Berdu trabalhou na Free Way de 2001 a 2009, embora estivesse registrada nesse período como empregada de outras empresas. Tal depoimento foi colhido segundo os interesses do fisco, confundindo o depoente. O fisco pautouse apenas nas alegações iniciais das ações trabalhistas. No entanto, em uma delas os pedidos formulados foram afastados e na outra foi feito um acordo com a Geova EPP. Ademais, eventual coresponsabilidade da Free Way decorreria da prestação de serviços, não da utilização de interposta pessoa na contratação de empregados. Repete que nunca houve tentativa de ocultação da movimentação financeira, verificandose tãosomente adiantamentos e empréstimos que eram devolvidos conforme a Geova EPP dispunha de valores. O valor de R$ 122.000,00 transferido da Geova EPP para a empresa Intercar referese a uma dívida da Geova EPP com a Free Way, que foi saldada com o pagamento deste débito da Free Way. Destaca tratarem se de operações regularmente contabilizadas. As transferências de numerários e cheques emitidos pela Geova EPP em favor do sócio administrador da Free Way e do titular da José EPP não guardam relação com o caso sob análise, posto serem relativos a negócios da Geova EPP com estas pessoas físicas. Além disso, não existe prova de que o valor de R$ 38.581,85 foi depositado em 24/01/2007 nas contas dos Srs. Jânio e José. A emissão de cheque pela Geova EPP no mesmo valor de uma conta que a Free Way tinha para pagar naquela data não significa que o tal cheque foi utilizado para esse pagamento. A Free Way quitou o seu débito com recursos da conta caixa, o que está devidamente documentado. Fl. 4207DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13855.723263/201142 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2403000.210 S2C4T3 Fl. 11 10 Os cheques emitidos pela Geova EPP ao Curtume Tropical decorrem de negócios entre essas empresas. Se o Curtume Tropical utilizou tais cheques para pagar a Free Way, tal fato deuse em decorrência de nova operação, agora entre essas duas empresas. Se a Geova EPP emitiu cheques em favor da Free Way conforme o Relatório Fiscal, está sendo reconhecido que existem os lançamentos fiscais de tais valores, ou seja, existiram empréstimos e adiantamentos entre estas empresas. Reforça que não existe prova da condição aventada pelo fisco de que as EPP eram interpostas pessoas utilizadas pela Free Way para a contratação de empregados com redução de encargos previdenciários. A desconsideração da personalidade jurídica visa a responsabilização das pessoas físicas vinculadas à empresa utilizada abusivamente, atingindo o patrimônio dessas pessoas para a solução dos prejuízos causados (artigo 50 do CC). Só pode ser utilizada em casos excepcionais, prevalecendo em regra, a autonomia patrimonial da entidade. Não corresponde, portanto, à hipótese sob estudo em que se observa a existência de fato e de direito das EPP e a regularidade fiscal e tributária dessas empresas, as quais atuaram regularmente, sem qualquer lesão ou intenção de lesar terceiros. Oportunamente, procederá a juntada de Certidão Negativa de Débitos Trabalhistas. Não houve simulação nem ocultação. A Free Way trabalha dando apoio às parceiras e verificando a regularidade destas quanto aos aspectos tributários e trabalhistas. Transcreve trecho do Termo de Ajustamento de Conduta firmado com o MPT, afirmando que as relações com as EPP deramse nos moldes deste instrumento. Tece considerações acerca do instituto da terceirização. Menciona os artigos da CLT citados no Relatório Fiscal e aduz que tais dispositivos são aplicáveis na esfera trabalhista, não na tributária. Caracterizouse a bitributação, pois, não foram consideradas as contribuições já pagas pelas EPP quando do recolhimento da guia unificada do Simples, que inclui valores a título de contribuições previdenciárias. O auditorfiscal não dispõe de competência para efetuar a desconsideração da personalidade jurídica, mormente sem observar o direito de defesa da empresa. Esta competência pertence ao Poder Judiciário. A situação fática apresentada pela fiscalização não é suficiente para concluir que ocorreu o fato gerador das contribuições lançadas. Impugna a base de cálculo adotada pela fiscalização. Quanto à multa, não pode ser aplicada aquela fundamentada no artigo 32, § 5o da Lei 8.212/91, em virtude da revogação deste dispositivo legal. Fl. 4208DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13855.723263/201142 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2403000.210 S2C4T3 Fl. 12 11 O descumprimento da obrigação acessória não pode ser trasladado em obrigação de dar. A multa aplicada viola a moralidade e razoabilidade administrativas e o direito de propriedade do contribuinte. O AI referente às contribuições destinadas a outras entidades e fundos (Terceiros) é improcedente também porque as EPP – como optantes do Simples – não são sujeitos passivos destes tributos. Quanto à decadência, deve prevalecer a regra insculpida no artigo 150 do CTN, posto não haver comprovação da intenção dolosa mencionada pela fiscalização. Não deve prevalecer a responsabilização pessoal do sócio administrador, já que não agiu de forma dolosa ao contratar os serviços das EPP legalmente constituídas, fazer auditorias e proporcionar o acompanhamento técnico e do controle de qualidade. Ademais, quando cabível, a responsabilização do sócio restringese à hipótese da sociedade não dispor de bens suficientes para o adimplemento das obrigações. Se a Lei Complementar 123/20068 estabelece regime tributário simplificado, não pode o fisco afastar suas disposições em relação às empresas que efetivamente se enquadram nos ditames legais. Deve ser afastada a multa qualificada de 150% posto não se comprovar qualquer fraude, dolo ou conluio. A Representação Fiscal Para Fins Penais deve ser arquivada. O procedimento fiscal afronta o disposto no artigo 5o XX9 da Constituição Federal, criando embaraços ao livre exercício do trabalho. Ocorreu violação aos princípios constitucionais: da segurança jurídica da tributação, da tipicidade fechada, da vinculação do lançamento à lei, da interpretação estrita da lei, da igualdade, da confiança na lei fiscal, da boa fé do contribuinte, e da legalidade. Ao final, pugna pela juntada de novos documentos e prova testemunhal para demonstrar que houve indução nos depoimentos, requerendo prazo para a apresentação do rol de testemunhas. Requer a nulidade dos lançamentos. Ad cautelam, impugna os valores apresentados e requer a realização de perícia técnica. Também veio aos autos peça impugnatória em nome do Sr. Jânio Machado Rodrigues da Silva, na qual repete os argumentos apresentados pela Free Way e já relatados, requerendo a exclusão de sua responsabilidade. Após regularização da representação processual, foram os autos encaminhados à este colegiado para análise e julgamento. É o relatório. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário. Uma vez que os argumentos apresentados na impugnação estão de forma bem detalhada acima apresentados, apresento síntese do alegado e pleiteado no recurso: Fl. 4209DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13855.723263/201142 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2403000.210 S2C4T3 Fl. 13 12 Julgamento unificado com demais autuações – IRRPJ, CSLL, PIS/COFINS e IPI (processos 13855.723641/201198, 13855.723644/201121 e 13855.723642/201132). Excessos cometidos na colheita de informações. Nulidade do procedimento fiscalizatório vício material. O mandado de procedimento fiscal fora instruído com diversos dados e informações produzidos à revelia da Recorrente. Prática da terceirização de serviços na indústria calçadista. Independência das empresas pe pequeno porte prestadoras de serviços. Geova, José Rodrigues e Raquel Batista são empresas totalmente independentes da Recorrente. Embora o levantamento apurado pela fiscalização seja robusto, ele é precário, uma vez que pautase apenas e tão somente em indícios, não passando de presunção. Inaplicabilidade pe multa qualificada Decadência. Compensação da parcela de contribuição previdenciária constante da alíquota do regime simplificado. Afastamento da responsabilidade do sócio administrador da recorrente. Além do recurso voluntário, a Free Way requereu o sobrestamento do processo até que o STF profira decisão acerca da questão do sigilo bancário/requisição de informações financeiras. É o relatório Fl. 4210DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13855.723263/201142 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2403000.210 S2C4T3 Fl. 14 13 Voto O lançamento presente neste processo tem como devedor solidário, conforme Termo de Responsabilidade Solidária, o Sr Janio Machado Rodrigues Silva. Não constatei ciência por parte do devedor solidário da decisão de primeira instância. Entendo necessário cientificálo e abrir prazo para recurso. CONCLUSÃO Voto por baixar o processo em diligência para cientificar o Sr Janio Machado Rodrigues Silva da decisão de primeira instância e abrir prazo para apresentação de recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 4211DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 13605.000307/99-93
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/11/1993 a 31/01/1999
PIS. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. RESOLUÇÃO SF Nº49/1995.
O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (Art. 62-A do anexo II).
O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C do CPC, definiu que para os recolhimentos indevidos que ocorreram antes do advento da LC 118/2005 o prazo para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, deve observar a denominada tese dos cinco mais cinco. (RESP nº 1.002.932).
Recurso extraordinário negado.
Numero da decisão: 9900-000.907
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negaram provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente
(Assinado digitalmente)
Gustavo Lian Haddad Relator
EDITADO EM: 29/01/2015
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente a época do julgamento), Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Antônio Carlos Guidoni Filho (Vice-Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Rafael Vidal de Araújo (Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF), João Carlos de Lima Júnior (Vice-Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Valmar Fonseca de Menezes (Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Valmir Sandri (Vice-Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Jorge Celso Freire da Silva (Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Karem Jureidini Dias (Vice-Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Alexandre Naoki Nishioka (Vice-Presidente da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Gustavo Lian Haddad (Vice-Presidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Ivacir Júlio de Souza (conselheiro convocado) substituiu circunstancialmente (até a votação do item 7 da pauta) o conselheiro Marcelo Oliveira (Presidente da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Manoel Coelho Arruda Júnior (Vice-Presidente da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Elias Sampaio Freire (Presidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Vice-Presidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Henrique Pinheiro Torres (Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Nanci Gama (Vice-Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Joel Miyasaki (Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Rodrigo Cardozo Miranda (Vice-Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Maria Teresa Martínez López (Vice-Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Júlio César Alves Ramos (convocado para ocupar o lugar do Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF) e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva (Vice-Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF), bem assim também foi convocado o conselheiro Antônio Lisboa Cardoso (substituição da conselheira Susy Gomes Hoffman, no dia 8/12/2014) e o Conselheiro Paulo Cortez (em substituição à conselheira Karem Jureidini Dias, no dia 09/12/2014).
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negaram provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Relator EDITADO EM: 29/01/2015 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente a época do julgamento), Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Antônio Carlos Guidoni Filho (Vice-Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Rafael Vidal de Araújo (Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF), João Carlos de Lima Júnior (Vice-Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Valmar Fonseca de Menezes (Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Valmir Sandri (Vice-Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Jorge Celso Freire da Silva (Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Karem Jureidini Dias (Vice-Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Alexandre Naoki Nishioka (Vice-Presidente da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Gustavo Lian Haddad (Vice-Presidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Ivacir Júlio de Souza (conselheiro convocado) substituiu circunstancialmente (até a votação do item 7 da pauta) o conselheiro Marcelo Oliveira (Presidente da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Manoel Coelho Arruda Júnior (Vice-Presidente da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Elias Sampaio Freire (Presidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Vice-Presidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Henrique Pinheiro Torres (Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Nanci Gama (Vice-Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Joel Miyasaki (Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Rodrigo Cardozo Miranda (Vice-Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Maria Teresa Martínez López (Vice-Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Júlio César Alves Ramos (convocado para ocupar o lugar do Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF) e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva (Vice-Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF), bem assim também foi convocado o conselheiro Antônio Lisboa Cardoso (substituição da conselheira Susy Gomes Hoffman, no dia 8/12/2014) e o Conselheiro Paulo Cortez (em substituição à conselheira Karem Jureidini Dias, no dia 09/12/2014).
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RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. RESOLUÇÃO SF Nº49/1995. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C do CPC, definiu que para os recolhimentos indevidos que ocorreram antes do advento da LC 118/2005 o prazo para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, deve observar a denominada tese dos “cinco mais cinco”. (RESP nº 1.002.932). Recurso extraordinário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negaram provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 5. 00 03 07 /9 9- 93 Fl. 424DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad – Relator EDITADO EM: 29/01/2015 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente a época do julgamento), Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Antônio Carlos Guidoni Filho (VicePresidente da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Rafael Vidal de Araújo (Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF), João Carlos de Lima Júnior (VicePresidente da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Valmar Fonseca de Menezes (Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Valmir Sandri (VicePresidente da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Jorge Celso Freire da Silva (Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Karem Jureidini Dias (VicePresidente da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Alexandre Naoki Nishioka (VicePresidente da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Gustavo Lian Haddad (VicePresidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Ivacir Júlio de Souza (conselheiro convocado) substituiu circunstancialmente (até a votação do item 7 da pauta) o conselheiro Marcelo Oliveira (Presidente da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Manoel Coelho Arruda Júnior (VicePresidente da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Elias Sampaio Freire (Presidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (VicePresidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Henrique Pinheiro Torres (Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Nanci Gama (VicePresidente da 1ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Joel Miyasaki (Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Rodrigo Cardozo Miranda (VicePresidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Maria Teresa Martínez López (Vice Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Júlio César Alves Ramos (convocado para ocupar o lugar do Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF) e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva (VicePresidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF), bem assim também foi convocado o conselheiro Antônio Lisboa Cardoso (substituição da conselheira Susy Gomes Hoffman, no dia 8/12/2014) e o Conselheiro Paulo Cortez (em substituição à conselheira Karem Jureidini Dias, no dia 09/12/2014). Fl. 425DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13605.000307/9993 Acórdão n.º 9900000.907 CSRFPL Fl. 10 3 Relatório Em 18/08/1999, o contribuinte Qualitec e Serviços, por meio dos documentos de fls. 04/09, solicitou a compensação dos valores recolhidos a título de PIS, nos períodos de apuração de novembro de 1993 a janeiro de 1999, com base nos Decretos Leis nº 2.445 e nº 2.449, ambos de 1988, os quais tiveram suas eficácias suspensas pela Resolução do Senado nº 49, de 10/10/1995. A Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, ao apreciar o recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, exarou o acórdão n° CSRF/0203.199 que se encontra às fls. 359/363 e cuja ementa é a seguinte: “PIS. RESTITUIAÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. RESOLUÇÃO SF Nº 49/1995 – A contagem do prazo decadencial para pleitear a repetição de indevida incidência apenas se inicia a partir da data em que a norma foi declarada inconstitucional, vez que o sujeito passivo não poderia perder direito que não podia exercitar. Precedentes do STF. Recurso especial negado.” Intimada do acórdão em 10/07/2009 (fls. 364) a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs o recurso extraordinário de fls. 366/380, em que sustenta divergência entre o acórdão recorrido e os Acórdãos CSRF/0105.858 e CSRF/0105.773, proferidos pela 1ª Câmara Superior de Recursos Fiscais, e o Acórdão CSRF/0400.810, proferido pela 4ª Câmara Superior de Recursos Fiscais. Ao Recurso Extraordinário da Procuradoria da Fazenda Nacional foi dado seguimento, conforme Despacho nº 910000.389 de 14/01/2011 (fls. 393/394). Intimado sobre a admissão do recurso extraordinário interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional o contribuinte apresentou suas contrarrazões (fls. 397/411). É o Relatório. Fl. 426DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator O recurso extraordinário interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional sustenta divergência entre o acórdão recorrido e os Acórdãos CSRF/0105.858 de 2008, CSRF/0105.773 de 2007 e CSRF/0400.810 de 2008, em relação ao dies a quo para contagem do prazo para apresentação de pleito de repetição de indébito. Os Acórdãos supracitados, encontramse assim ementados: “DECADÊNCIA. – Em razão da determinação contida no artigo 3º da Lei Complementar n° 118/05 que, em caráter interpretativo do disposto no inciso I do artigo 168 do Código Tributário Nacional, determina que a extinção do crédito tributário ocorre no momento do pagamento antecipado, prescindindo da homologação dos procedimentos efetuados pelo administrado, é no momento do pagamento que se inicia a contagem do prazo de cinco anos para que o contribuinte possa pleitear a restituição. Recurso especial negado.” (CSRF/01 05.858 de 2008) “RESTITUIÇÃO – O prazo extintivo do direito de pleitear a repetição de tributo indevido ou pago a maior, sujeito a lançamento por homologação, esgotase com o decurso de cinco anos contados da data do pagamento antecipado, nos precisos termos dos arts. 156, I, 165, I, 168 e 150, §§ 1º e 4º, do Código Tributário Nacional (CTN). Recurso especial negado.” (CSRF/0105.773de 2007) “PEDIDO DE RESTITUIÇÃO – ILL – O direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, perece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro (art. 165, incisos I e II , e 168, inciso I, do CTN, e entendimento do Superior Tribunal de Justiça). Recurso Especial do Procurador Provido” (CSRF/0400.810 de 2008) O dissídio jurisprudencial resta claro nas ementas e nos registros dos resultados dos acórdãos em confronto: enquanto no acórdão recorrido a contagem dos cinco anos iniciase a partir da declaração de inconstitucionalidade da norma, nos acórdãos paradigmas é a partir da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado. Dessa forma, conheço do recurso extraordinário interposto. No mérito, o Regimento Interno deste E. Conselho, conforme alteração promovida pela Portaria MF n.º 586/2010 no artigo 62A do anexo II, introduziu dispositivo que determina, in verbis, que: “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e Fl. 427DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13605.000307/9993 Acórdão n.º 9900000.907 CSRFPL Fl. 11 5 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” No que diz respeito ao prazo para apresentação de pedido de restituição de tributo declarado inconstitucional ou cuja não incidência foi reconhecida pela administração tributária, o Superior Tribunal de Justiça, ao julgar o RESP nº 1.110.578, nos termos do artigo 543C, do CPC, consolidou entendimento diverso, conforme se verifica da ementa a seguir transcrita: “TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TAXA DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO DE OFÍCIO. 1. O prazo de prescrição quinquenal para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento de ofício, é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, qual seja, a data do efetivo pagamento do tributo, a teor do disposto no artigo 168, inciso I, c.c artigo 156, inciso I, do CTN. (Precedentes: REsp 947.233/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 23/06/2009, DJe 10/08/2009; AgRg no REsp 759.776/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/03/2009, DJe 20/04/2009; REsp 857.464/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/02/2009, DJe 02/03/2009; AgRg no REsp 1072339/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/02/2009, DJe 17/02/2009; AgRg no REsp. 404.073/SP, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, Segunda Turma, DJU 31.05.07; AgRg no REsp. 732.726/RJ, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, Primeira Turma, DJU 21.11.05) 2. A declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso) é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional tanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de ofício. (Precedentes: EREsp 435835/SC, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, Rel. p/ Acórdão Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/03/2004, DJ 04/06/2007; AgRg no Ag 803.662/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/02/2007, DJ 19/12/2007) 3. In casu, os autores, ora recorrentes, ajuizaram ação em 04/04/2000, pleiteando a repetição de tributo indevidamente recolhido referente aos exercícios de 1990 a 1994, ressoando inequívoca a ocorrência da prescrição, porquanto transcorrido o lapso temporal quinquenal entre a data do efetivo pagamento do tributo e a da propositura da ação. Fl. 428DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008.” Assim, com o advento da decisão acima referida, temse que é irrelevante para fins de contagem do prazo para a restituição de tributos pagos indevidamente a declaração de inconstitucionalidade ou reconhecimento de não incidência com efeitos erga omnes. Por outro lado, no que diz respeito ao prazo de decadência para restituição de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o Superior Tribunal de Justiça, ao julgar o RESP nº 1.002.932, também segundo a sistemática do artigo 543C, do CPC, consolidou o seguinte entendimento: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. AUXÍLIO CONDUÇÃO. IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. 1. O princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC 118, de 9 de fevereiro de 2005, aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, posto norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação corespectiva. 2. O advento da LC 118/05 e suas conseqüências sobre a prescrição, do ponto de vista prático, implica dever a mesma ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a repetição do indébito é de cinco a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. 3. Isto porque a Corte Especial declarou a inconstitucionalidade da expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional", constante do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar 118/2005 (AI nos ERESP 644736/PE, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 06.06.2007). 4. Deveras, a norma inserta no artigo 3º, da lei complementar em tela, indubitavelmente, cria direito novo, não configurando lei meramente interpretativa, cuja retroação é permitida, consoante apregoa doutrina abalizada: "Denominamse leis interpretativas as que têm por objeto determinar, em caso de dúvida, o sentido das leis existentes, sem introduzir disposições novas. {nota: A questão da caracterização da lei interpretativa tem sido objeto de não pequenas divergências, na doutrina. Há a corrente que exige uma declaração expressa do próprio legislador (ou do órgão de que emana a norma interpretativa), afirmando ter a lei (ou a norma jurídica, que não se apresente como lei) caráter interpretativo. Fl. 429DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13605.000307/9993 Acórdão n.º 9900000.907 CSRFPL Fl. 12 7 Tal é o entendimento da AFFOLTER (Das intertemporale Recht, vol. 22, System des deutschen bürgerlichen Uebergangsrechts, 1903, pág. 185), julgando necessária uma Auslegungsklausel, ao qual GABBA, que cita, nesse sentido, decisão de tribunal de Parma, (...) Compreensão também de VESCOVI (Intorno alla misura dello stipendio dovuto alle maestre insegnanti nelle scuole elementari maschili, in Giurisprudenza italiana, 1904, I,I, cols. 1191, 1204) e a que adere DUGUIT , para quem nunca se deve presumir ter a lei caráter interpretativo "os tribunais não podem reconhecer esse caráter a uma disposição legal, senão nos casos em que o legislador lho atribua expressamente" (Traité de droit constitutionnel, 3a ed., vol. 2o, 1928, pág. 280). Com o mesmo ponto de vista, o jurista pátrio PAULO DE LACERDA concede, entretanto, que seria exagero exigir que a declaração seja inseri da no corpo da própria lei não vendo motivo para desprezála se lançada no preâmbulo, ou feita noutra lei. Encarada a questão, do ponto de vista da lei interpretativa por determinação legal, outra indagação, que se apresenta, é saber se, manifestada a explícita declaração do legislador, dando caráter interpretativo, à lei, esta se deve reputar, por isso, interpretativa, sem possibilidade de análise, por ver se reúne requisitos intrínsecos, autorizando uma tal consideração . (...) ... SAVIGNY coloca a questão nos seus precisos termos, ensinando: "tratase unicamente de saber se o legislador fez, ou quis fazer uma lei interpretativa, e, não, se na opinião do juiz essa interpretação está conforme com a verdade" (System dês heutigen romischen Rechts, vol. 8o, 1849, pág. 513). Mas, não é possível dar coerência a coisas, que são de si incoerentes, não se consegue conciliar o que é inconciliável. E, desde que a chamada interpretação autêntica é realmente incompatível com o conceito, com os requisitos da verdadeira interpretação (v., supra, a nota 55 ao n° 67), não admira que se procurem torcer as conseqüências inevitáveis, fatais de tese forçada, evitandose lhes os perigos. Compreendese, pois, que muitos autores não aceitem o rigor dos efeitos da imprópria interpretação. Há quem, como GABBA (Teoria delta retroattività delle leggi, 3a ed., vol. 1o, 1891, pág. 29), que invoca MAILHER DE CHASSAT (Traité de la rétroactivité des lois, vol. 1o, 1845, págs. 131 e 154), sendo seguido por LANDUCCI (Trattato storicoteorico pratico di diritto civile francese Ed italiano, versione ampliata del Corso di diritto civile francese, secondo il metodo dello Zachariæ, di Aubry e Rau, vol. 1o e único, 1900, pág. 675) e DEGNI (L'interpretazione della legge, 2a ed., 1909, pág. 101), entenda que é de distinguir quando uma lei é declarada interpretativa, mas encerra, ao lado de artigos que apenas esclarecem, outros introduzido novidade, ou modificando dispositivos da lei interpretada. PAULO DE LACERDA (loc. cit.) reconhece ao juiz competência para verificar se a lei é, na verdade, interpretativa, mas somente quando ela própria afirme que o é. LANDUCCI (nota 7 à pág. 674 do vol. cit.) é de Fl. 430DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 prudência manifesta: "Se o legislador declarou interpretativa uma lei, devese, certo, negar tal caráter somente em casos extremos, quando seja absurdo ligála com a lei interpretada , quando nem mesmo se possa considerar a mais errada interpretação imaginável. A lei interpretativa, pois, permanece tal, ainda que errônea, mas, se de modo insuperável, que suplante a mais aguda conciliação, contrastar com a lei interpretada, desmente a própria declaração legislativa. " Ademais, a doutrina do tema é pacífica no sentido de que: "Pouco importa que o legislador, para cobrir o atentado ao direito, que comete, dê à sua lei o caráter interpretativo. É um ato de hipocrisia, que não pode cobrir uma violação flagrante do direito" (Traité de droit constitutionnel, 3ª ed., vol. 2º, 1928, págs. 274275)." (Eduardo Espínola e Eduardo Espínola Filho, in A Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro, Vol. I, 3a ed., págs. 294 a 296). 5. Consectariamente, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002, segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada." ). 6. Desta sorte, ocorrido o pagamento antecipado do tributo após a vigência da aludida norma jurídica, o dies a quo do prazo prescricional para a repetição/compensação é a data do recolhimento indevido. 7. In casu, insurgese o recorrente contra a prescrição qüinqüenal determinada pelo Tribunal a quo, pleiteando a reforma da decisão para que seja determinada a prescrição decenal, sendo certo que não houve menção, nas instância ordinárias, acerca da data em que se efetivaram os recolhimentos indevidos, mercê de a propositura da ação ter ocorrido em 27.11.2002, razão pela qual forçoso concluir que os recolhimentos indevidos ocorreram antes do advento da LC 118/2005, por isso que a tese aplicável é a que considera os 5 anos de decadência da homologação para a constituição do crédito tributário acrescidos de mais 5 anos referentes à prescrição da ação. 8. Impende salientar que, conquanto as instâncias ordinárias não tenham mencionado expressamente as datas em que ocorreram os pagamentos indevidos, é certo que os mesmos foram efetuados sob a égide da LC 70/91, uma vez que a Lei 9.430/96, vigente a partir de 31/03/1997, revogou a isenção concedida pelo art. 6º, II, da referida lei complementar às sociedades civis de prestação de serviços, tornando legítimo o pagamento da COFINS. Fl. 431DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13605.000307/9993 Acórdão n.º 9900000.907 CSRFPL Fl. 13 9 9. Recurso especial provido, nos termos da fundamentação expendida. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008.” Como se verifica do voto condutor do Ministro Luiz Fux, restou consagrada a tese de que o prazo para a repetição ou compensação dos tributos sujeitos a lançamento por homologação começa a fluir decorridos 05 (cinco) anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio computado desde o termo final do prazo atribuído ao Fisco para verificação do quantum devido. Disto resultou o que se convencionou chamar de tese dos “cinco mais cinco”, que por ter sido acolhida pelo STJ em decisão sob a sistemática do recurso repetitivo (art. 543 C do CPC) deve ser reproduzida por este julgador, nos termos do art. 62A do Regime Interno do CARF. No presente caso, o pedido de restituição foi protocolado em 18/8/1999 e se refere a recolhimento das contribuições ao PIS cujos fatos geradores ocorreram entre novembro de 1993 (pagamento efetuado em dezembro de 1993) e janeiro de 1999 (pagamento efetuado em fevereiro de 1999). Verifico, portanto, que o pedido foi apresentado dentro do prazo de dez anos consagrado pelo STJ. Destarte, voto no sentido de conhecer do recurso extraordinário interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 432DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10235.720032/2007-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. EXIGÊNCIA DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA) POR LEI.
A partir do exercício de 2001, com a introdução do art. 17-O da Lei nº 6.938, de 1981, por força da Lei nº 10.165, de 2000, o Ato Declaratório Ambiental (ADA) passou a ser obrigatório para fins de exclusão da Área de Preservação Permanente da base de cálculo do ITR.
ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. EXIGÊNCIA DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA) E AVERBAÇÃO CARTORÁRIA.
A área de utilização limitada/reserva legal, para fins de exclusão do ITR, faz-se necessária ser reconhecida como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização em tempo hábil do requerimento do competente Ato Declaratório Ambiental (ADA), fazendo-se também necessária a sua averbação à margem da matrícula do imóvel até a data do fato gerador do imposto.
VTN. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente mencionada pelo recorrente em seu recurso voluntário.
Numero da decisão: 2202-002.942
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
ANTONIO LOPO MARTINEZ - Presidente.
MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA, DAYSE FERNANDES LEITE (Suplente convocada) e RAFAEL PANDOLFO.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. EXIGÊNCIA DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA) POR LEI. A partir do exercício de 2001, com a introdução do art. 17O da Lei nº 6.938, de 1981, por força da Lei nº 10.165, de 2000, o Ato Declaratório Ambiental (ADA) passou a ser obrigatório para fins de exclusão da Área de Preservação Permanente da base de cálculo do ITR. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. EXIGÊNCIA DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA) E AVERBAÇÃO CARTORÁRIA. A área de utilização limitada/reserva legal, para fins de exclusão do ITR, faz se necessária ser reconhecida como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização em tempo hábil do requerimento do competente Ato Declaratório Ambiental (ADA), fazendose também necessária a sua averbação à margem da matrícula do imóvel até a data do fato gerador do imposto. VTN. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente mencionada pelo recorrente em seu recurso voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 23 5. 72 00 32 /2 00 7- 18 Fl. 230DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 ANTONIO LOPO MARTINEZ Presidente. MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA, DAYSE FERNANDES LEITE (Suplente convocada) e RAFAEL PANDOLFO. Relatório Por bem sintetizar os fatos ocorridos até a decisão de primeira instância, reproduzo o relatório do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF) – DRJ/BSB. Pela notificação de lançamento nº 02402/00001/2007 (fls. 01), a contribuinte em referência foi intimada a recolher o crédito tributário de R$ 408.904,86, resultante do lançamento do ITR/2004, da multa proporcional (75,0%) e dos juros de mora calculados até 28/09/2007, tendo como objeto o imóvel denominado “Fazenda Santo Ambrósio” (NIRF 3.550.2452),com área total declarada de 38.000,0 ha, localizado no município de Chaves – PA. A descrição dos fatos, o enquadramento legal das infrações, os demonstrativos de apuração do imposto devido e de multa de ofício/juros de mora encontramse às fls. 02/05. A ação fiscal proveniente dos trabalhos de revisão interna da DITR/2004, iniciouse com o termo de intimação de fls. 06/07, para a contribuinte apresentar, dentre outros, os seguintes documentos de prova: Cópia do Ato Declaratório Ambiental – ADA requerido ao IBAMA e da matrícula do registro imobiliário, com a averbação da área de reserva legal; laudo técnico com ART/CREA e memorial descritivo do imóvel, no caso de área de preservação permanente prevista no art. 2º do Código Florestal, e certidão do órgão competente no caso de estar prevista no seu art. 3º, com o respectivo ato do poder público; laudo de avaliação do imóvel, com ART/CREA, nos termos da NBR 14653 da ABNT, com fundamentação e grau de precisão II, contendo todos os elementos de pesquisa identificados. Em atendimento, foram apresentados os documentos de fls. 09/98. Após análise desses documentos e da DITR/2004, a autoridade fiscal glosou integralmente a área informada de reserva legal (19.000,0 ha) e aumentou a área de preservação permanente, de 9.000,0 ha para 9.650,0 ha, além de Fl. 231DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10235.720032/200718 Acórdão n.º 2202002.942 S2C2T2 Fl. 231 3 desconsiderar o VTN declarado de R$ 344.531,32 (R$ 9,06/ha), arbitrandoo em R$ 2.085.820,00 (R$ 54,89/ha), com base no SIPT, da Receita Federal, com o conseqüente aumento das áreas tributável e aproveitável o imóvel, da alíquota de cálculo e do VTN tributável, apurando imposto suplementar de R$ 186.314,70, conforme demonstrado às fls. 04. Cientificada do lançamento em 09/10/2007 (fls. 100), a contribuinte protocolou em 07/11/2007 (fls. 101) a impugnação de fls. 103/108, exposta nesta sessão e lastreada nos documentos de fls. 109/171, alegando, em síntese: após ter atendido à intimação inicial, foi intimada a recolher o crédito tributário citado, conforme procedimento fiscal parcialmente transcrito; a presente defesa se baseia em laudo técnico econômicoambiental, elaborado por profissional habilitada, que demonstra ser a área de reserva legal de 7.722,137 há e a de preservação permanente de 18.037,575 ha, no teor da Medida Provisória nº 2.16667/ 2001, além de estabelecer criteriosamente o real valor desse imóvel. Ao final, mediante a prova substancial trazida aos autos, requer seja considerada improcedente a notificação de lançamento referente ao imóvel Fazenda Santo Ambrósio, a ser reavaliado conforme laudo técnico apresentado. Ressalvase que as referências à numeração das folhas deste processo, feitas no relatório e no voto, aludem aos autos originalmente formalizados em papel, antes de sua conversão em meio digital, no qual as referidas folhas estão reproduzidas sob a forma de imagem. A DRJ/BSB julgou improcedente a impugnação, cuja decisão foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 DAS ÁREAS AMBIENTAIS DE RESERVA LEGAL E DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Para serem excluídas do cálculo do imposto, essas áreas pretendidas deveriam ter sido objeto de Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado em tempo hábil junto ao IBAMA, e a área de reserva legal ter sido averbada tempestivamente em cartório. DO VALOR DA TERRA NUA VTN. Deverá ser mantido o VTN arbitrado para o ITR/2004 pela autoridade fiscal com base no Sistema de Preço de Terras – SIPT da Receita Federal, referendado por laudo técnico de avaliação com ART, apresentado pela contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido As referências à numeração de folhas serão feitas considerando a digitalização efetuada, ou seja, após a conversão de papel em meio digital, conforme numeração do eprocesso e serão identificadas como efls. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 Cientificado da decisão em 20 de março de 2013 (efl. 208), o contribuinte, por meio de procurador legalmente habilitado, interpôs recurso voluntário em 8 de abril de 2013 (efls. 209 a 228), no qual alega, em síntese: O Auto de Infração e o acórdão recorrido consideraram o lançamento correto com base na intempestividade do ADA e da averbação no cartório, o que afronta diretamente os termos do § 7º e da alínea “a”, do inciso II, do § 1º, do art. 10, da Lei nº 9.393/96; A Receita Federal não provou que a declaração não é verdadeira, conforme exige o § 7º, limitandose a afirmar que o ADA deveria ter sido protocolado no IBAMA até 31/03/1996; discorda de que houve intempestividade na apresentação do ADA e na averbação da área de reserva legal, face à comprovação constante na Certidão apresentada às fls. 110 a 114 do processo 10235.720022/200855, referente ao lançamento do ITR/2005; o laudo técnicoambiental e mapa anexado, além da Certidão de Averbação de Reserva Legal e o ADA comprovam o direito pleiteado; a impugnação foi feita com base no laudo técnicoambiental, o qual demonstra que a área de reserva legal é de 7.722,137 ha e a de preservação permanente de 18.037,574, em conformidade com o disposto na Medida Provisória nº 2.16667, de 24/08/2001; o ADA não é exigível no caso de reserva legal, em razão da expressa dispensa do § 7º, do art. 10, da Lei nº 9.393/96, assim como pelo fato de que a alínea “a” não faz referência a qualquer ato administrativo, ao contrário das áreas de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas (alínea “b”, do inciso II, do § 1º, do art. 10), ou imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aquícola ou florestal (alínea “c”); essa interpretação foi acolhida pelas turmas do STJ, conforme decisões colacionadas; a introdução do § 7º no art. 10, da Lei nº 9.393/96 teve apenas o objetivo de esclarecer que é inexigível ato declaratório ambiental prévio para exclusão das áreas de reserva legal e de preservação permanente, o que já decorria com clareza da alínea “a” do inciso II, do § 1º, do artigo 10; Ao final, requer a anulação do lançamento efetuado. É o relatório. Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e, portanto, deve ser conhecido. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10235.720032/200718 Acórdão n.º 2202002.942 S2C2T2 Fl. 232 5 O recorrente se insurge apenas contra as glosas das Áreas de Preservação Permanente e de Reserva Legal, não se pronunciando sobre o Valor da Terra Nua, razão pela qual entendo que essa matéria está fora do litígio nesta instância, nos termos do artigo 17 do Decreto 70.235/72: “Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)”. Das Áreas de Preservação Permanente e de Reserva Legal O contribuinte apresentou a DITR com as seguintes áreas: Área de Preservação Permanente de 9.000,0 ha e Área de Reserva Legal de 19.000,0 ha. Durante a ação fiscal, em atendimento à intimação efetuada, o contribuinte apresentou cópia de um ADA do ano de 1997 (efl. 13), protocolizado no IBAMA em 14/07/2000, com Área de Preservação Permanente de 9.650,0 ha e Área de Reserva Legal de 19.000,0 ha. Não apresentou, entretanto, a averbação da área de reserva legal no cartório de registro de imóveis. A Fiscalização glosou a Área de Reserva Legal de 19.000,00 ha, por falta de averbação cartorária e alterou a Área de Preservação Permanente de 9.000,0 ha para 9.650,0 ha (efl. 05), considerando o ADA de 1997. Em sua impugnação, o contribuinte apresentou cópia do ADA protocolizado no IBAMA em 06/11/2007 (efl. 183), com essas áreas: Área de Preservação Permanente de 18.037,5 ha e Área de Reserva Legal de 7.722,1 ha. Conforme certidão apresentada nos autos do processo nº 10235.720022/200855 (efls. 121 e 122), referente ao lançamento do ITR/2005 desse mesmo imóvel rural, consta a averbação de 20% da superfície do imóvel referido como reserva legal, efetuado em 10/04/2008. Assim, tanto a protocolização do ADA como a averbação no cartório foram providenciadas após o início da ação fiscal. Da Lei nº 9.393/96, verificase que, na apuração do imposto devido, devem ser excluídas da área tributável as áreas de preservação permanente e de reserva legal, além daquelas de interesse ecológico, as imprestáveis para qualquer exploração agrícola, as submetidas a regime de servidão florestal, as cobertas por florestas nativas e as alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas, nos seguintes termos: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: Fl. 234DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 a) de preservação permanente e de reserva legal ,previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; (revogado) b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) a áreas sob regime de servidão florestal; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001); . e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (Incluído pela Lei nº 11.428, de 2006) f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) [...] Para exclusão das áreas de Utilização Limitada/Reserva Legal, duas condições necessitam ser atendidas: a averbação à margem da matrícula do imóvel no cartório de registro de imóveis competente e a sua informação no Ato Declaratório Ambiental (ADA), sendo que ambas as exigências devem ser supridas à época a que se refere a Declaração do ITR. Para as áreas de Preservação Permanente, é necessária a apresentação tempestiva Ato Declaratório Ambiental (ADA). Quanto à exigência do ADA para as áreas de Preservação Permanente as de Utilização Limitada/Reserva Legal, em momento anterior à alteração promovida no artigo 17 O da Lei nº 6.938/81 pela Lei nº 10.165, de 27/12/2000, apenas Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal disciplinavam essa obrigação. Em face da ausência de amparo legal para sua exigência, para fatos ocorridos até o exercício 2000, o CARF elaborou a Súmula nº 41, que dispõe: “A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000”. Entretanto, no presente caso o exercício em questão é o de 2005, sendo inaplicável a súmula. É que, para exercícios posteriores a 2000, o artigo 17O da Lei nº 6.938/81, com a redação dada pela Lei nº 10.165, de 27/12/2000 passou a dispor: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1ºA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA.(Incluído pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) Fl. 235DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10235.720032/200718 Acórdão n.º 2202002.942 S2C2T2 Fl. 233 7 Assim, a exigência do ADA para fins de exclusão da base de cálculo do ITR encontra respaldo legal, a partir do exercício 2001. Verificase, portanto, que a Fiscalização agiu corretamente em somente considerar o ADA apresentado tempestivamente, ou seja, o ADA de 1997, com Área de Preservação Permanente de 9.650,0 ha. Em relação à obrigatoriedade da averbação à margem da matrícula do imóvel no cartório de registro de imóveis competente, para as áreas de Reserva Legal, o artigo 16 da Lei nº 4.771/1965, vigente até 28/05/2012, quando foi revogado pela Lei nº 12.651, de 25/05/2012, assim dispunha: Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) I oitenta por cento, na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) II trinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra área, desde que esteja localizada na mesma microbacia, e seja averbada nos termos do § 7o deste artigo; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) III vinte por cento, na propriedade rural situada em área de floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do País; e (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) IV vinte por cento, na propriedade rural em área de campos gerais localizada em qualquer região do País. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) [...] § 8º A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) A reserva legal constitui uma restrição de exploração das áreas de vegetações nativas e a sua averbação cartorária tem a função de dar publicidade dessa restrição a terceiros. Assim, entendo ser condição essencial para a constituição de reserva legal a sua averbação à margem da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente. A sua exclusão da área tributável do ITR somente é possível se cumprida tal exigência. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 Nesse sentido é o entendimento da Primeira Seção do STJ, conforme julgado abaixo: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. ITR. ISENÇÃO. ART. 10, §1º, I, aDA LEI 9.3/96. AVERBAÇÃO DA ÁREA DA RESERVA LEGAL NO REGISTRO DE IMÓVEIS. NECESSIDADE. ART. 16, § 8º, DA LEI 4.771/65. 1. A Primeira Seção firmou entendimento de que a isenção do ITR relativa à área de Reserva Legal está condiconada à prévia averbação desse espaço no registro do imóvel. Precedentes: ERsp 1.310.871/PR, Rel. Ministro Ari Pargendler, DJe 04/11/2013; ERsp 1.027.051/SC, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, DJe 21/10/2013. 2. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1.243.685/PR, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, DJe 16/12/2013). Como a averbação da área de reserva legal no registro de imóveis competente somente ocorreu em 10/04/2008 (efls. 121 e 122 do processo nº 10235.720022/200855, referente ao lançamento do ITR/2005 desse mesmo imóvel rural), ou seja, intempestivamente, entendo por correto o procedimento da Fiscalização de glosar as áreas de reserva legal declaradas pelo contribuinte. Ressaltese que não se questiona a existência de tais áreas, mas apenas que os requisitos legais para a concessão da isenção não foram atendidos. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator Fl. 237DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 16004.720381/2012-99
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/05/2008 a 31/10/2010
CONCOMITÂNCIA.
Constatado que a mesma matéria discutida em sede administrativa também foi submetida ao crivo do judiciário, configura em renúncia a sua discussão em sede administrativa, impõe aplicação da Súmula CARF nº 01, consequentemente, o não conhecimento da parte levada ao judiciário.
DISCORDÂNCIA. BASE DE CÁLCULO. PROVA.
Discordando da base de cálculo ou de inclusão indevida, cabe ao contribuinte demonstrar o desacerto da fiscalização por meio de prova lícita e robusta, alegação por si só não possui condão de contradizer o trabalho fiscal.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3403-003.462
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não se tomou conhecimento do recurso em relação à matéria submetida ao crivo do Poder Judiciário e, na parte conhecida, negar provimento. O Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Alexandre Kern.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Fenelon Moscoso de Almeida, Ivan Allegretti e Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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Constatado que a mesma matéria discutida em sede administrativa também foi submetida ao crivo do judiciário, configura em renúncia a sua discussão em sede administrativa, impõe aplicação da Súmula CARF nº 01, consequentemente, o não conhecimento da parte levada ao judiciário. DISCORDÂNCIA. BASE DE CÁLCULO. PROVA. Discordando da base de cálculo ou de inclusão indevida, cabe ao contribuinte demonstrar o desacerto da fiscalização por meio de prova lícita e robusta, alegação por si só não possui condão de contradizer o trabalho fiscal. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não se tomou conhecimento do recurso em relação à matéria submetida ao crivo do Poder Judiciário e, na parte conhecida, negar provimento. O Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Alexandre Kern. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 72 03 81 /2 01 2- 99 Fl. 608DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 08/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Fenelon Moscoso de Almeida, Ivan Allegretti e Luiz Rogério Sawaya Batista. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário visando modificar a decisão de piso que manteve intacto o lançamento de IPI referente ao período de apuração de 31.05.2008 a 31.10.2010. O procedimento fiscalizatório foi desencadeado em razão das ações judiciais interpostas relativas ao período fiscalização buscando provimento judicial que lhe permitisse classificar o açúcar cristal e o açúcar refinado produzido nas safras de: 2008/2009, 2009/2010 e 2010/2011, na subposição 1701.99.00 da TIPI (sacarose quimicamente pura), alegando que o seu produto possui grau de pureza superior a 99,5 graus, preenchendo, portanto, o requisito objetivo ali previsto, diante da resistência fazendária em conferir correta aplicação à TIPI, consequentemente, enquadrar na alíquota zero. A impetração do mandado de segurança não restou deferida à liminar, bem como, em grau de recurso. Desistência da ação mandamental. Logo em seguida interpôs Ação Ordinária Declaratória (com pedido de antecipação de tutela) sob o nº 000564987.2010.4.03.6106, distribuído em 26/07/2010, o que restou indeferida. Decisão essa agravada, também restou frustrada. Houve depósito judicial relacionado às saídas ocorridas no período de maio de 2008 a março de 2009. Discordando do entendimento da contribuinte que visava o não pagamento de IPI sustentando que o produto dispõe de grau de polarização acima de 99,5 sacarose quimicamente pura, lavrou o auto de infração, justificandoo, que o ato de possuir 99,5% de sacorese não é o bastante, fazse necessário o atendimento de outros critérios para classificar como sacarose quimicamente pura na acepção das subposições 1701.11 e 1701.12, o açúcar em bruto em peso no estado seco, uma percentagem de sacarose que corresponda a uma leitura no polarímetro inferior a 99,5%. A fiscalização assevera: “É indiscutível que qualquer aluno de conhecimento razoável do ensino médio que tenha na sua grade curricular a disciplina de química, ao efetuar leitura na locução “Sacarose quimicamente pura”, diretamente pensará num produto livre de resíduos. Não há dúvida que um dos princípios que imperam sobre o tributo é o da seletividade, o que significa que, em linhas bem simples, quanto mais essencial o produto terá suas alíquotas menores, e outros, digamos mais supérfluos teriam suas alíquotas maiores. Ora, se os açúcares em bruto, da posição 1701.1, cujo grau de impureza4 é bem maior que os da posição 1701.9 se tributa em 5 %, (que se diga que os açúcares em bruto não servem para o consumo nas mesas das famílias e sim para a indústria alimentícia). Pergunto: Como que um produto destinado ao consumidor final, portanto menos essencial Fl. 609DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 08/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 16004.720381/201299 Acórdão n.º 3403003.462 S3C4T3 Fl. 8 3 poderia ser tributado à alíquota ZERO, é totalmente ilógico sobre a principal perspectiva do princípio da seletividade. Penso que a sacarose quimicamente pura é tributada sobre a alíquota neutra em virtude de suas várias aplicações a medicamentos, produtos “diet”, etc.. Me surpreende como empresas que insistem nesta idéia que seus açúcares produzidos seriam na verdade SACAROSE QUIMICAMENTE PURA5, com argumento tão pífio. Com efeito, trazemos à colação os resultados das análises laboratoriais realizados pelo Centro Tecnológico Falcão Bauer (Laboratório Oficial) 6, no qual foram analisados os açúcares cristal e refinado produzidos pela fiscalizada, safras 2009/2010 e 2010/2011 (refinado) e 2008/2009, 2009/2010 e 2010/2011 (cristal). A tabela abaixo resume os resultados aos quesitos formulados nos pedidos de análise laboratorial (fls.nº. 215/226) . Ressaltese que a fiscalizada foi instada a formular quesitos, conforme Intimação fiscal nº 09, às folhas de nº 208/210, a mesma quedou se inerte. Conforme se pode verificar, as autoridades regularmente inscritas no CRQ 7, em resposta aos quesitos formulados, atestam especificamente em quais critérios a produção de açúcar da fiscalizada diverge dos padrões estabelecidos pela ciência. 8 Com relação ao quesito 6.2 (Matéria Insolúvel), as amostras da safra cristal de 09/10, não se enquadra nos parâmetros científicos. Com relação ao quesito 6.3 (Perda na secagem), as amostras da safra refinado de 09/10, e 10/11 não se enquadram nos parâmetros científicos. Com relação ao quesito 6.5 (Acidez (% de ácido acético)) as amostras colhidas (todas as safras) também não se enquadram nos padrões científicos. E finalmente, em resposta ao quesito nº 6.9, quando perguntado se: “Utilizandose os métodos científicos universalmente aceitos pela comunidade científica, é possível afirmar que o conteúdo das amostras é sacarose quimicamente pura”, a resposta é uníssona para as amostras relativas as duas safras : “Não se trata de sacarose quimicamente”. Em razão disso foi lavrado o auto de infração com o objetivo de constituir o crédito tributário com observação da lavra do agente fiscal encarregado: “Das bases de cálculo – apuração do imposto Os valores (base de cálculo e valor do IPI não destacado) que compõem as vendas de açúcar, foram informados pelo contribuinte, conforme Fl. 610DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 08/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 resposta às folhas de nº 170/174, em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal Fls. 02/06. Reproduzimos as planilhas apresentadas pelo estabelecimento denominadas “Apuração de IPI...”em planilha eletrônica cálculo, demonstrada adiante, no sentido de padronizar as informações fornecidas. Convém ressaltar que o IPI destacado nas saídas, com inclusão do débito nas DCTF foram subtraído do quantum a lançar no presente auto, conforme resumo DCTF Fls. 300/301 e 17ª coluna da Tabela de Apuração. Ressaltese que as bases de cálculo informadas pelo contribuinte, mencionadas acima foram cotizadas com os arquivos digitais das notas fiscais de venda, apresentados no layout definido pelo Ato Declaratório Executivo Cofis nº 15/2001. Os comprovantes da entrega dos mesmos encontramse anexados as folhas de nº 155/156; 157/161; 186/187; 188/192. Repisase que os valores depositados (depósitos judiciais) referentes às competências 05/2008 a 03/2009, no total de R$ 9.964.156,24, conforme comprovantes às folhas de nº 121/124, demonstrados na coluna 15 da tabela adiante não foi subtraído do montante do tributo constituído em virtude de que depósitos judiciais não terem a prerrogativa de constituir crédito tributário a favor da fazenda pública, motivo este é que se constitui o CT em sua totalidade. Para a reconstituição da escrita fiscal do IPI do estabelecimento, foram utilizados os débitos e créditos do imposto, tendo como origem o Livro de registro de Apuração do IPI apresentado pelo contribuinte às folhas de nº 15/35. Com relação ao saldo credor existente em 06/2007, no valor de R$ 2.304.000,09 (fls. 21), tal cifra não foi considerada na reconstituição da escrita em virtude do exaurimento de tal crédito, em lançamento outrora efetuado de ofício, contido nos Procedimentos Administrativo nº 16004.001001/200756 e 16004 001052200788, conforme cópia do demonstrativo de reconstituição (Fls. 302/309) cientificado ao Diretor da empresa, juntamente com os Autos da época. A partir do Livro de Apuração do IPI efetuamos a reconstituição da escrita fiscal do IPI, cujos demonstrativos encontramse em anexo: a) Demonstrativo dos dados apurados (livro RAIPI antes da reconstituição); b) Demonstrativo de reconstituição da escrita fiscal (com os dados da fiscalização). 4.1) Do erro na transposição de saldo no RAIPI (período de 06/2010 a 09/2010 e 11/2010) Importante ressaltar que houve erro na transcrição de saldos credores de um mês para o outro1, iniciandose em 06/2010, a crédito, no valor de R$ 158.535,95, os quais foram devidamente regularizados durante os períodos de 07/2010, 08/2010, 09/2010 e 11/2010, nos valores respectivos de R$ 3,66, R$ 0,65, R$ 5.827,80 e R$ 152.703,84 (a débito), cuja soma se equivale ao valor de R$ 158.535,95, conforme se verifica as folhas de nº 91/104; 117/120 (06210 a 102010) e 445/448 (11/2010)”. Fl. 611DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 08/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 16004.720381/201299 Acórdão n.º 3403003.462 S3C4T3 Fl. 9 5 A Contribuinte ao impugnar o lançamento, inicialmente afirma que a legalidade da cobrança do referido tributo está sendo contestada nos autos da ação judicial processo 000564987.2010.4.03.6106, relativamente às safras 2008/2009, 2009/2010 e 2010 a 2011. Assegura que ação nº 2008.61.06.0038585 teria sido extinta por adesão ao REFIS de que trata a Lei nº 11.941/2009, com conseqüente conversão em renda dos depósitos judiciais respectivos, com a concordância da União Federal. Ressalta que em relação ao período de 05/2008 a 03/2009, o objeto do auto de infração, há depósitos judiciais convertidos em renda da União, o que evidência o descabimento do lançamento tributário. Diz que os depósitos convertidos em renda, evidentemente que não seria cabível seu novo lançamento, requereu exclusão do lançamento dos valores convertidos em renda, bem como, juros e multa. Diz inicialmente que houve lançamento a maior sobre a base de cálculo de óleo fusel. O agente fiscal ao proceder ao cálculo di IPI cometeu erro, visto que, a partir de maio de 1999 passou a recolher o IPI sobre o açúcar refinado polarização abaixo de 99,5%, deixando apenas de recolher o IPI sobre a sacarose quimicamente pura. Sendo assim, considerando o valor final da planilha utilizada, já está incluso o valor de IPI pago sobre o açúcar refinado. De modo que, excluído o IPI recolhido, na totalização da base de cálculo, encontrase a diferença ser subtraída do montante calculado de R$ 1.397.071,24 – doc. 5 da planilha, valores estes que deve ser excluídos do montante lançado. No mérito contradiz a motivação da fiscalização, afirmando: “A esse respeito, frisese desde já que, não importa quais ou quais análises, conceitos, estudos ou o que se possa imaginar a respeito do que é sacarose quimicamente pura. O que importa, para fins de classificação fiscal pela TIPI, é a conceituação veiculada pela TIPI. E a TIPI considera sacarose quimicamente pura os açúcares com grau de polarização acima de 99,5%. É adequado ressaltar que o sistema tributário nacional tem por base e primeiro fundamento o princípio da legalidade, e não por análise ou interpretação quaisquer. Não fosse isso, a própria Fazenda Pública Federal se confunde todo o tempo, ao afirmar ora que o açúcar devria ter polarização de 100%, ora que seriam necessários “outros critérios” (um tanto quanto subjetivo) para que se firmasse o conceito de sacarose quimicamente pura. Ou seja, a questão centralizase no fato de que parte do açúcar produzido pela requerente (NCM 17), é classificado pela própria tabela TIPI, na subposição 1701.99.00 – Ex.01, por possuir uma porcentagem de sacarose que corresponde a uma leitura superior a 99,5% no polarímetro”. A decisão recorrida acolhe parte dos argumentos, como se infere das ementas: “Ementa: APURAÇÃO DO IPI. DEPÓSITO JUDICIAL TRANSFORMADO EM PAGAMENTO DEFINITIVO. EXTINÇÃO PROPORCIONAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Fl. 612DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 08/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO 6 O depósito judicial convertido em renda da União transforma se em pagamento definitivo, e equivalese ao próprio pagamento para quitação do tributo. Deve, assim, ser considerado na apuração do IPI devido. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2008 a 31/10/2010 Ementa: ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A PRETENSÃO. É imprescindível que as alegações contraditórias a questões de fato tenham o devido acompanhamento probatório. Quem não prova o que afirma, não pode pretender ser tida como verdade a existência do fato alegado, para fundamento de uma solução que atenda ao pedido feito. AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. A propositura pela contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto.” Em sede recursal a Recorrente reprisa seus argumentos tecidos na fase inicial, sem manifestar expressamente quanto concomitância. É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. Cuidase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos necessários ao conhecimento. A contenda trazida pelas partes se refere à incidência de IPI sobre a comercialização de açúcar de cana com sacarose quimicamente pura com grau de polarização acima de 99,5%, classificado pela TIPI na subposição 1701.99.00 Ex. 01, alíquota zero. Essa matéria como afirma a Recorrente foi submetida à apreciação do Poder Judiciário, cujo deslinde darseá pelo provimento judicial, cabendo as partes acatarem o que lá for decidido. Em que pese a Recorrente sustentar em suas razões tratarse de matéria de classificação em conformidade com a TIPI, a verdade que é a tese por ela defendida encontra submetida ao crivo do Judiciário. Defende, administrativamente e no judiciário, que o produto produzido e comercializado possui grau de sacarose quimicamente pura com grau de polarização acima de 99,5%, e, os açucaras com esse grau deve ser classificados na subposição 1701.99.00 ex. 01, cuja alíquota é zero. Não se vislumbra distinção entre as matérias administrativa e judicial. Em sendo assim, a vedação é a contida pela Súmula CARF nº 01. Fl. 613DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 08/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 16004.720381/201299 Acórdão n.º 3403003.462 S3C4T3 Fl. 10 7 “Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” Nesse ponto andou bem o julgador de piso, portanto, não há como examinar a matéria de fundo. DO ERRO DE CÁLCULO DO ÓLEO FUSEL. Examinando a planilha elaborada pela fiscalização, a qual tomou como certo os dados informados pelo contribuinte, não menciona apuração de imposto em relação ao óleo fusel, apenas se refere a açúcar. A planilha de fls. 169/173 (do contribuinte) consigna o valor da base de cálculo, alíquota e o valor do imposto. Não há totalização, tanto vertical quanto horizontal, para que se possa aferir se o total do imposto declarado em DCTF estava contemplado. De outro lado o contribuinte deixou de anexar demonstrativo apontando que o valor do IPI referente ao óleo fusel foram declarado e que o fiscal tivesse incluído na apuração da determinação do débito total. Embora não é o que se vê da planilha da fiscalização, naquele demonstrativo apuração dos fatos geradores se referem a açúcar de cana. Sem prova contundente de que a fiscalização obrou em erro, dificulta acudir o pleito. Diante do exposto, deixo de conhecer da matéria submetida ao judiciário, na parte conhecida nego provimento ao recurso. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 614DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 08/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO
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Numero do processo: 14041.000007/2004-91
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2000
NORMAS GERAIS. IRPF. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. IDÊNTICO DESCUMPRIMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Não cabe a aplicação concomitante da multa de lançamento de oficio com multa isolada, apuradas em face da mesma omissão.
Numero da decisão: 9202-003.536
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Relator), Maria Helena Cotta Cardozo e Carlos Alberto Freitas Barreto, que votaram por dar provimento ao recurso.
Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Oliveira.
(Assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
Presidente
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos
Relator
(Assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Eduardo de Souza Leão (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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IRPF. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. IDÊNTICO DESCUMPRIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não cabe a aplicação concomitante da multa de lançamento de oficio com multa isolada, apuradas em face da mesma omissão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Relator), Maria Helena Cotta Cardozo e Carlos Alberto Freitas Barreto, que votaram por dar provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Oliveira. (Assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 00 07 /2 00 4- 91 Fl. 947DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 14041.000007/200491 Acórdão n.º 9202003.536 CSRFT2 Fl. 254 2 (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Eduardo de Souza Leão (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada). Fl. 948DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 14041.000007/200491 Acórdão n.º 9202003.536 CSRFT2 Fl. 255 3 Relatório Tratase de auto de infração do Imposto de Renda da Pessoa Física IRPF, referente aos exercícios 1999 e 2000, anoscalendário 1998 e 1999, tendo sido cientificado o contribuinte em 20/04/2004, conforme AR de fl. 213. O lançamento decorre da redução da base de cálculo do carnêleão, pleiteada indevidamente, cumulada com multa isolada pela falta/insuficiência de recolhimento mensal do mesmo carnêleão. Inicialmente, analisando a impugnação do contribuinte, a autoridade julgadora de 1a. instância , na forma de Acórdão de fls. 398 a 408. decidiu pela procedência em parte do lançamento, para acatar a preliminar de decadência referente ao ano calendário de 1998, restabelecendo, ainda, despesa efetivamente comprovada por documento hábil (mais especificamente a despesa de R$ 600,00 referente ao mês de abril de 1999, de fl. 286) e procedendo à redução de oficio da multa isolada do patamar de 75% para 50%, alterando, desta forma, o valor do imposto suplementar para R$ 15.225,49 e o da multa isolada para R$ 9.629,93. Atacada a decisão de 1a. instância através do Recurso Voluntário de fls. 414 a 433, o Acórdão nº 10249.501, da 2a Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes (fls. 438 a 447), julgado na sessão plenária de 05 de fevereiro de 2009, decidiu “por unanimidade de votos, reduzir a multa isolada para 50%. Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir a multa isolada relativa a glosa de livro caixa, por aplicação concomitante com a multa de ofício, nos termos do voto do Relator.” Transcrevese a ementa do julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000 IRPF. LIVRO CAIXA. TABELIÃO. DESPESAS COM TRANSPORTE E LOCOMOÇÃO. Nos termos do artigo. 75, parágrafo único, do RIR, as despesas com transporte e locomoção não são dedutíveis. IRPF. LIVRO CAIXA. DESPESAS. COMPROVAÇÃO. As despesas de livro caixa devem ser comprovadas por meio de documentação hábil e idônea, que deve ser guardada pelo contribuinte durante o curso do prazo de decadência e prescrição, IRPF. LIVRO CAIXA. APLICAÇÃO DE CAPITAL. A legislação distingue despesas com bens de capital e gastos com bens de consumo, autorizando a dedução dos últimos. Fl. 949DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 14041.000007/200491 Acórdão n.º 9202003.536 CSRFT2 Fl. 256 4 MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. A multa isolada não pode ser exigida concomitantemente com a multa de ofício. Precedentes da 2 a Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Recurso parcialmente provido. É de se relatar, a propósito, a partir de análise detalhada dos elementos do Auto de Infração de fls. 85, 90 e 91, dos demonstrativos de despesas glosadas de livrocaixa de fls. 113/114 e da informação de fls. 473, 474 e 475 (esta última validada a partir destes elementos anteriores) que, apesar do disposto no recorrido, não há que se falar, no âmbito do presente, em multa isolada aplicada outra que não aquela oriunda de glosa de despesas efetuadas no livro caixa, e ainda, que, a redução do percentual ali propugnada pelo Colegiado a quo, repitase, já havia sido realizada também no âmbito do Acórdão de 1a. instância sem a existência de Recurso de Oficio, o que torna, em meu entendimento, destarte, despicienda a parte final do Acórdão recorrido que trata da redução da multa. Ou seja, entendo caracterizada no recorrido a exclusão total da multa isolada objeto de lançamento. Cientificada de tal decisão em 30 de março de 2010, a Fazenda Nacional insurgese contra tal decisão através de Recurso Especial de fls. 450 a 459, com fulcro no art. 7o, inciso I, do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF no 147, de 25 de junho de 2007, uma vez que, ainda que reconhecendo o trânsito em julgado da redução da alíquota da multa isolada lançada para o patamar de 50%, (vide item 5 de e fls. 453), alega a FN estar caracterizada, no âmbito do recorrido, contrariedade a dispositivo de lei, consubstanciado no §1o, inciso III, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 19996 (atual inciso II, a, do art. 44 II a da mesma Lei), ao ali ter se promovido a exclusão da multa isolada imposta ao contribuinte. Alega a recorrente que não há que se falar em duplicidade de penalização pela mesma infração,uma vez que são penalidades aplicáveis em situações bastante diferenciadas entre si quanto à natureza das infrações cometidas, sendo que a Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, prevê claramente que a multa decorrente do descumprimento do regime de carnêleão não possui nenhuma relação com o pagamento ou não de imposto pelo contribuinte quando do ajuste anual, vedada ao caso a aplicação da equidade. Assim, pede que seja restabelecida a multa isolada pela falta de recolhimento do IRPJ devido a título do carnê leão aplicada sobre os valores glosados pela fiscalização a título de livro caixa. O despacho de fl. 461 deu seguimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Cientificado do acórdão e do recurso especial em 05 de janeiro de 2011 (fl. 466), o contribuinte não apresentou recurso especial da parte que lhe foi desfavorável, oferecendo, porém, contrarrazões ao especial da Fazenda (fls. 467 a 470), onde defende a manutenção do recorrido com supedâneo em vasta jurisprudência administrativa oriunda deste Conselho que propugna pela impossibilidade da aplicação concomitante das duas multas em questão. É o relatório. Fl. 950DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 14041.000007/200491 Acórdão n.º 9202003.536 CSRFT2 Fl. 257 5 Voto Vencido Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator Tratase de recurso especial da Fazenda Nacional para discutir a possibilidade de se cumular a multa de ofício por falta de recolhimento do IRPF incidente sobre rendimentos auferidos durante o anocalendário, computados em livrocaixa (assim, sujeitos ao “carnêleão”) com a multa isolada decorrente da insuficiência de recolhimento mensal devido na mesma sistemática. Verifico que aqui a presente autuação aplicou a multa de ofício de 75% a título de falta de recolhimento do IRPF de valores sujeitos à titulo de carnêleão cumulada com multa isolada de 75% pela insuficiência do recolhimento mensal devido. A propósito, sou forçado a reconhecer que a jurisprudência deste Conselho há muito se assentou no sentido de não admitir a cobrança concomitante de multa de ofício incidente sobre rendimentos constantes do livrocaixa sujeitos ao carnêleão e não tributados quando do ajuste anual e da multa isolada por falta do recolhimento mensal devido no mesmo carnêleão, notese, baseado nos mesmos rendimentos. Afirmase que aplicar duas penalidades sobre a mesma base de cálculo resulta em verdadeiro bin in idem, o que não é admitido no direito pátrio. Apesar da força dos argumentos, ainda não consegui me convencer de sua correção. Penso que a aplicação conjunta das duas multas é decorrência direta do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e de que não existe dupla penalidade pela mesma infração, uma vez que a multa isolada pune o não recolhimento mensal do carnêleão, nos termos do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, enquanto a multa de ofício pune a falta de tributação de parte ou da totalidade dos rendimentos constantes declaração de ajuste anual, sendo necessárias punições diferentes para condutas ilícitas diversas. Do mesmo modo, não encontro qualquer óbice na legislação tributária para a adoção da mesma base de cálculo para penalidades relativas a duas infrações distintas. Não vejo qualquer semelhança com o fenômeno do bis in idem, onde se cobra o mesmo tributo de um mesmo contribuinte sobre um mesmo fato gerador. Entretanto, como o art. 14 da Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007, posteriormente convertida na Lei nº 11.488, de 15 de junho 2007, reduziu o percentual dessa multa de 75% para 50%, há que se aplicar a retroatividade benigna do art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, consoante já realizado pela autoridade julgadora de 1a. instância, relembrando aqui, que, na forma relatada, se verificou, quando da presente análise recursal, que não há incidência da multa isolada sobre insuficiências de recolhimento outras que não aquelas oriundas de glosas de despesas indevidamente deduzidas no livro caixa. Fl. 951DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 14041.000007/200491 Acórdão n.º 9202003.536 CSRFT2 Fl. 258 6 Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso para, no mérito, dar provimento ao recurso especial do Procurador da Fazenda Nacional para restabelecer a multa isolada de 50% aplicável à matéria que permanece em litígio (glosas de despesas efetuadas em livro caixa para o anocalendário de 1999, a menos da glosa indevida de R$ 600,00 do mês de abril/99 apontada pela autoridade julgadora de 1a. instância). (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 952DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 14041.000007/200491 Acórdão n.º 9202003.536 CSRFT2 Fl. 259 7 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Oliveira, Designado Com todo respeito ao excelso relator, divirjo de sua conclusão sobre a possibilidade de aplicação, nesse caso, de multas de ofício e isolada, concomitantemente. A questão em litígio é a aplicação concomitante das multas qualificada e da multa isolada pelo não recolhimento do carnê leão. Nesse sentido, devemos decidir se é vedada sua aplicação concomitante, conforme a lei 9.430, de 1996. Em nosso entender, havendo a dupla incidência da penalidade sobre a mesma conduta, a multa isolada não deve prevalecer. Esse é o entendimento de várias decisões do CARF, conforme voto de excelsos conselheiros citados abaixo: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2005, 2006 MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA MESMA BASE DE CÁLCULO Pacífica a jurisprudência deste Primeiro Conselho de Contribuintes de que não cabe a aplicação concomitante da multa de lançamento de ofício com multa isolada, apuradas em face da mesma omissão (Acórdão CSRF nº 0104.987, de 15/06/2004). Recurso Voluntário Provido ... A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, ao tratar do auto de infração com tributo e sem tributo, dispôs: Art. 44 – Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I – de setenta e cinco por cento, nos casos de pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II – (omissis). § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: Fl. 953DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 14041.000007/200491 Acórdão n.º 9202003.536 CSRFT2 Fl. 260 8 I – juntamente com o tributo ou contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; II – isoladamente quando o tributo ou contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; III – isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) na forma do art. 8º da Lei n.º 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazêlo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste; Não se quer, nesta esfera administrativa, proclamar a inconstitucionalidade do § 1º, inciso III, da Lei nº 9.430, de 1996. Tratase, sim, de interpretála de forma sistemática, em harmonia com o ordenamento jurídico onde está inserida, do qual, a toda evidência, faz parte e deve ser incluída até mesmo (e principalmente) a Constituição, bem assim as leis complementares dela decorrentes. Não é o caso, por conseguinte, de se afastar por completo a aplicação da multa isolada. Será ela pertinente quando a autoridade tributária, valendose da prerrogativa de fiscalizar o contribuinte no próprio anocalendário (RIR/99, art. 907, parágrafo único), ou mesmo em momento posterior a este, detectar a falta de recolhimento mensal. Aí a multa terá lugar, mesmo que o autuado não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste. Verificado que o contribuinte deixou de efetuar o recolhimento mensal obrigatório (carnêleão), sobre rendimentos que também foram objeto de lançamento de ofício, ou seja, havendo a dupla incidência da penalidade sobre a mesma base de cálculo, a multa isolada não deve prevalecer. Nesse sentido é a interpretação dada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais: MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO – CONCOMITÂNCIA – MESMA BASE DE CÁLCULO – A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1º, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996) e da multa de ofício (incisos I e II, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996) não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo.” (Câmara Superior do Conselho de Contribuintes / Primeira turma, Processo 10510.000679/200219, Acórdão n° 0104.987, julgado em 15/06/2004). Com efeito, na exigência de tributo por auto de infração ou notificação de lançamento não há espaço para se incluir concomitantemente a cobrança da multa de lançamento de ofício isolada, sobre a mesma omissão que gerou o lançamento do tributo, acrescido da multa de ofício. Haveria, aí, um bis in idem. Fl. 954DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 14041.000007/200491 Acórdão n.º 9202003.536 CSRFT2 Fl. 261 9 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso, para excluir do lançamento a exigência da multa isolada. (Acórdão 210101.070, 14/04/2011, Relator: José Reimundo Tosta Santos) ... "MULTA ISOLADA DE OFÍCIO DECORRENTE DE CARNÊLEÃO NÃO PAGO. INCIDÊNCIA CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFÍCIO VINCULADA AO IMPOSTO LANÇADO NO AJUSTE ANUAL. RENDIMENTOS OMITIDOS RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICA OU DE FONTE DO EXTERIOR QUE GERAM UMA DUPLA PENALIDADE COM MESMA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. . ... Mansamente assentada na jurisprudência do Primeiro Conselho de Contribuintes e do CARF que a multa isolada do carnêleão não pode ser cobrada concomitantemente com a multa de ofício que incidiu sobre o imposto lançado, este em decorrência da colação no ajuste anual do rendimento que deveria ter sido submetido ao recolhimento mensal obrigatório, pois ambas têm a mesma base de cálculo, implicando em dupla penalidade em decorrência da omissão de um mesmo rendimento, procedimento vedado em nosso ordenamento. ... Por outro lado, no tocante à imputação da multa isolada sobre o carnêleão não pago, que incidiria sobre os mesmos rendimentos que geraram o imposto lançado, com multa de ofício vinculada, entende esta instância julgadora que não pode conviver a duplicidade de cominações, como se demonstra a seguir. No caso em que os rendimentos sujeitos ao carnêleão são colacionados pela autoridade fiscal no ajuste anual, a jurisprudência administrativa de há muito tempo assentouse na impossibilidade da imputação de uma dupla penalidade pecuniária ao autuado pela omissão dos rendimentos recebidos de pessoa física, uma vinculada ao imposto devido (a multa de ofício vinculada ao imposto devido no ajuste anual, no percentual de 75% do imposto) e outra pelo não recolhimento do carnêleão (multa de ofício isolada, tendo como base de cálculo o imposto não antecipado mensalmente – carnêleão), ao fundamento de que a omissão dos rendimentos recebidos de pessoa física seria a base de cálculo para a apuração de imposto anual e daquele que deveria ter sido antecipado, com a multa de 75% incidente sobre cada uma das bases anteriores. Em essência, uma mesma conduta (omissão de rendimentos percebidos de pessoa física), vulnerando um único bem jurídico (a arrecadação do estado), levaria a uma dupla penalidade, o que não é admitido em nosso sistema jurídico. Para tanto, vejamse as seguintes ementas: Fl. 955DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 14041.000007/200491 Acórdão n.º 9202003.536 CSRFT2 Fl. 262 10 Acórdão nº CSRF/0104.987, sessão de 15 de junho de 2004, relatora a conselheira Leila Maria Scherrer Leitão MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO – CONCOMITÂNCIA –MESMA BASE DE CÁLCULO – A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1º, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996) e da multa de ofício (incisos I e II, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996) não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo. Acórdão nº 10248.216, sessão de 26 de janeiro de 2007, relator o conselheiro Antonio José Praga de Sousa PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR NACIONAIS JUNTO AO PNUD TRIBUTAÇÃO – São tributáveis os rendimentos decorrentes da prestação de serviço junto ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento –PNUD, quando recebidos por nacionais contratados no País, por faltarlhes a condição de funcionário de organismos internacionais, este detentor de privilégios e imunidades em matéria civil, penal e tributária. (Acórdão CSRF 0400.024 de 21/04/2005). MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA MESMA BASE DE CÁLULO A aplicação concomitante da multa isolada e da multa de oficio não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo (Acórdão CSRF nº 0104.987 de 15/06/2004). Acórdão nº 10422.058, sessão de 06 de dezembro de 2006, relator o conselheiro Nelson Mallmann RENDIMENTOS RECEBIDOS DE ORGANISMOS INTERNACIONAIS UNESCO/ONU A isenção de imposto de renda sobre rendimentos pagos pelos organismos internacionais é privilégio exclusivo dos funcionários que satisfaçam as condições previstas na Convenção sobre Privilégio e Imunidades das Nações Unidas, recepcionada no direito pátrio pelo Decreto nº. 22.784, de 1950 e pela Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Agências Especializadas da Organização das Nações Unidas, aprovada pela Assembléia Geral do Organismo em 21 de novembro de 1947, ratificada pelo Governo Brasileiro por via do Decreto Legislativo nº. 10, de 1959, promulgada pelo Decreto nº. 52.288, de 1963. Não estão albergados pela isenção os rendimentos recebidos pelos técnicos a serviço da Organização, residentes no Brasil, sejam eles contratados por hora, por tarefa ou mesmo com vínculo contratual permanente. LEGITIMIDADE PASSIVA Os Organismos Internacionais que possuem imunidade de jurisdição não se submetem à legislação interna brasileira, portanto deles não se pode exigir a retenção e o recolhimento do imposto de renda sobre valores pagos às pessoas físicas. Estas têm seus rendimentos sujeitos à tributação mensal, na forma de carnêleão. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA CONCOMITÂNCIA É incabível, por expressa disposição legal, Fl. 956DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 14041.000007/200491 Acórdão n.º 9202003.536 CSRFT2 Fl. 263 11 a aplicação concomitante de multa de lançamento de ofício exigida com o tributo ou contribuição, com multa de lançamento de ofício exigida isoladamente. (Artigo 44, inciso I, § 1º, itens II e III, da Lei nº. 9.430, de 1996). Acórdão nº 10616.124, sessão de 28 de fevereiro de 2007, relator o conselheiro José Ribamar Barros Penha IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. REMUNERAÇÃO AUFERIDA POR NACIONAIS JUNTO AO PNUD. TRIBUTAÇÃO – Estão sujeitos a tributação do Imposto de Renda os rendimentos auferidos junto ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD em contraprestação de serviço contratados em território nacional, uma vez não preenchida a condição de funcionário do organismo internacional. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA ISOLADA CONCOMITANTE – É de ser afastada a aplicação de multa isolada concomitantemente com multa de ofício tendo ambas a mesma base de cálculo. No ponto, é de se afastar a multa isolada que incidiu sobre o recolhimento mensal obrigatório (carnêleão) não pago. (Acórdão 21.02002.363, 20/11/2012, Relator: Giovanni Christian Nunes Campos) Nossa conclusão, portanto, conforme a jurisprudência citada acima, baseiase na verificação de que na exigência do tributo já há a aplicação de penalidade, multa de ofício, impedindo que sobre a mesma base e conduta se inclua concomitantemente a cobrança da multa de lançamento de oficio isolada. CONCLUSÃO: Em razão do exposto:, voto em negra provimento ao recurso da nobre PGFN, nos termos do voto. (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 957DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 14041.000007/200491 Acórdão n.º 9202003.536 CSRFT2 Fl. 264 12 Fl. 958DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 13629.001816/2009-61
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
LEI COMPLEMENTAR Nº 105 de 2001. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES FINANCEIRAS DIRETAMENTE AO FISCO. PRESUNÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE. REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. PROCEDIMENTO FISCAL.
A Constituição Federal de 1988 facultou à Administração Tributária, nos termos da lei, a criação de instrumentos/mecanismos que lhe possibilitassem identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte, respeitados os direitos individuais, especialmente com o escopo de conferir efetividade aos princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva (artigo 145, § 1º).
Quando o Fisco, nos termos da Lei Complementar 105 de 2001, recebe diretamente das instituições financeiras informações sobre a movimentação das contas bancárias dos contribuintes, sem prévia autorização judicial, mas com regular procedimento fiscal instaurado, constatada sua imprescindibilidade a juízo da autoridade administrativa competente, e não há decisão definitiva do Poder Judiciário dizendo da inconstitucionalidade de tal dispositivo, nos casos que foram especificados e regulamentados por normas posteriores, sustentar que a expressão diretamente ao Fisco deve ser interpretada no sentido de que desde que haja ordem judicial é, data venia, negar aplicação da lei.
O CARF NÃO É COMPETENTE PARA SE PRONUNCIAR SOBRE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA.
É o teor da Súmula CARF nº 2. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula, de observância obrigatória pelos seus membros (Regimento Interno, art. 72).
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF Nº 26:
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei Nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-003.946
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de prova ilícita por quebra de sigilo bancário. Vencido o Conselheiro Adriano Keith Yjichi Haga que acolhia a preliminar. No mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente o Conselheiro Flavio Araujo Rodrigues Torres.
Nome do relator: Marcio Henrique Sales Parada
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FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES FINANCEIRAS DIRETAMENTE AO FISCO. PRESUNÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE. REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. PROCEDIMENTO FISCAL. A Constituição Federal de 1988 facultou à Administração Tributária, nos termos da lei, a criação de instrumentos/mecanismos que lhe possibilitassem identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte, respeitados os direitos individuais, especialmente com o escopo de conferir efetividade aos princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva (artigo 145, § 1º). Quando o Fisco, nos termos da Lei Complementar 105 de 2001, recebe diretamente das instituições financeiras informações sobre a movimentação das contas bancárias dos contribuintes, sem prévia autorização judicial, mas com regular procedimento fiscal instaurado, constatada sua imprescindibilidade a juízo da autoridade administrativa competente, e não há decisão definitiva do Poder Judiciário dizendo da inconstitucionalidade de tal dispositivo, nos casos que foram especificados e regulamentados por normas posteriores, sustentar que a expressão “diretamente ao Fisco” deve ser interpretada no sentido de que “desde que haja ordem judicial” é, data venia, negar aplicação da lei. O CARF NÃO É COMPETENTE PARA SE PRONUNCIAR SOBRE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. É o teor da Súmula CARF nº 2. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula, de observância obrigatória pelos seus membros (Regimento Interno, art. 72). DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 62 9. 00 18 16 /2 00 9- 61 Fl. 150DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13629.001816/200961 Acórdão n.º 2801003.946 S2TE01 Fl. 151 2 Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF Nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei Nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de prova ilícita por quebra de sigilo bancário. Vencido o Conselheiro Adriano Keith Yjichi Haga que acolhia a preliminar. No mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente o Conselheiro Flavio Araujo Rodrigues Torres. Relatório Em desfavor do contribuinte acima identificado foi lavrado Auto de Infração, em 22/09/2009, relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, ano calendário de 2006, exercício de 2007, onde foi exigido o montante de R$ 312.426,88 a título de imposto, acrescido de multa proporcional no percentual de 150%, no importe de R$ 468.640,32, e mais juros de mora calculados pela Selic. Narra a Autoridade Fiscal responsável pelo lançamento, no Termo de Verificação Fiscal anexo (fl. 10 e ss), em resumo, que: a ação foi iniciada 24/03/2009, com a lavratura de Termo de Início de Fiscalização, tendo o contribuinte sido intimado a apresentar recibo de entrega da DIRPF e extratos bancários de contas correntes. Houve pedido de prorrogação do prazo para atendimento, envio de reintimação fiscal e, mesmo assim, o interessado não apresentou os documentos; Fl. 151DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13629.001816/200961 Acórdão n.º 2801003.946 S2TE01 Fl. 152 3 citando a Lei Complementar nº 105, de 2001, e regulamentações posteriores, diz que a Fiscalização emitiu requisição de informações sobre movimentação financeira (RMF) diretamente à instituição bancária, recebendo os documentos. Esclarece que em 09/06/2009 e 05/07/2009, posteriormente ao prazo concedido nas intimações, o contribuinte entregou voluntariamente (fl. 72/73) os mesmos extratos da conta corrente e da poupança; da análise dos extratos, o contribuinte foi então intimado a comprovar, com documentação hábil e idônea, a origem dos recursos representados por créditos em suas contas bancárias; não tendo o contribuinte justificado os depósitos bancários em sua conta corrente, a fiscalização considerou a totalidade dos depósitos por ela selecionados como omissão de receita, com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96; foram consideradas nesse Auto as deduções permitidas por lei para efeito de imposto de renda. Foi utilizado o desconto permitido no modelo de Declaração simplificada para cálculo do imposto, método mais benéfico ao contribuinte, pois este não apresentou a Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física 2007/2006; foi lançada ainda a multa por não entrega de declaração, no importe de 20% do imposto a pagar, que monta R$ 62.485,38, cobrada através do processo administrativo fiscal de número 13629.001818/200951; entendeu ainda que a conduta do contribuinte torna evidente a tentativa de retardar o conhecimento do fato gerador pela autoridade fazendária. Foi constatada uma movimentação em sua conta corrente de mais de um milhão de reais depositados durante o ano, e apresentada uma Declaração Anual de Isento em 2007. Intimado a justificar esta vultuosa discrepância, o contribuinte se omitiu. Assim sendo aplicouse a multa qualificada de 150%. Inconformado com o lançamento, o contribuinte apresentou Impugnação, na folha 100. Manifestase, em resumo, dizendo que: a) a exação está lastreada apenas nos valores de depósitos bancários na conta corrente do contribuinte, no ano de 2006, portanto baseada em presunção legal; b) entende imprescindível que seja comprovada a utilização dos valores, evidenciando assim "sinais exteriores de riqueza", sendo que o simples depósito não constitui fato gerador do imposto sobre a renda; c) cita doutrina, jurisprudência e artigos do CTN; d) o contribuinte é um representante comercial, responsável pelo recebimento de vendas por ele concretizadas e, portanto, não há como admitir que o montante geral dos depósitos bancários em sua conta seja passível de tributação; e) manifestase ainda contrário à tipificação da conduta como fraude, para questionar a aplicação da multa no percentual de 150%, que seria confiscatória. Não anexou nenhum documento relativo aos depósitos. A Impugnação do contribuinte foi analisada pela DRJ em Juiz de Fora/MG que, em suma, assim dispôs: não era autoridade competente para se manifestar sobre ofensa da lei a princípios constitucionais, o que compete exclusivamente ao Poder Judiciário; Fl. 152DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13629.001816/200961 Acórdão n.º 2801003.946 S2TE01 Fl. 153 4 citando o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, defendeu a tributação conforme a presunção estabelecida legalmente, aplicável ao caso. Disse que com a chamada "inversão do ônus da prova", daí decorrente, caberia ao contribuinte comprovar suas alegações sobre o exercício da atividade de representante comercial; em relação à multa aplicada, após discorrer sobre a motivação apresentada pela Autoridade Fiscal, dolo, fraude e sonegação, entendeu que havia uma "ausência do elemento subjetivo" necessário, e manifestouse pela redução da multa a 75%, conforme previsto no artigo 44, da Lei nº 9.430, de 1996; disse ainda que, ante o pedido de produção de prova, caberia ao contribuinte apresentar as provas que tivesse juntamente com a Impugnação, conforme artigo 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. Decidiuse, então, pela procedência parcial da impugnação, apenas para afastar a aplicação da multa de ofício qualificada (150%), aplicandose o percentual de 75%. Cientificado dessa decisão em 08/12/2009, conforme AR na folha 124, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 07/01/2010, com protocolo na folha 125. Em sede de recurso, manifesta assim sua inconformidade: ter a Autoridade Julgadora se furtado a apreciar matéria de índole constitucional constitui afronta ao princípios da ampla defesa e do devido processo legal. Transcreve Acórdão do antigo Conselho de Contribuintes, de 1997; combate a exação calcada na presunção estabelecida pelo artigo 42, da Lei nº 9.430, de 1996, citando o princípio da legalidade, para concluir que as presunções só poderiam ser aplicadas se forem indispensáveis, em face da impossibilidade da produção da prova direta; respeitada a legalidade, e ante fortes indícios, relacionados a "outros meios", da ocorrência do fato gerador; conclui que o artigo 42 da citada Lei seria inconstitucional, após analisar antigas jurisprudências do TRF, anteriores a ela. Diz ainda que o pressuposto para a sua verificação, qual seja, o acesso direto as informações bancárias (quebra do sigilo diretamente pelo Fisco em decorrência da Lei Complementar n. 105/2001), feriria os princípios da inviolabilidade, da privacidade e intimidade, do devido processo legal e da separação dos poderes; Em conclusão, repete as alegações da Impugnação sobre a atividade de representante comercial do Recorrente, não anexa qualquer documento em relação aos depósitos ou à atividade alegada, e PEDE, então, que seja julgado insubsistente o Auto de Infração. O recurso foi encaminhado a este CARF e, em 18 de setembro de 2013, decidiu esta Turma Especial pelo sobrestamento do julgamento, haja vista a matéria tratada envolver o acesso direto, pelo Fisco, a informações bancárias do contribuinte, o que foi expressamente questionado, conforme relatado. Transcrevo parte da Resolução: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62 A, §§1º e 2º do Regimento do CARF. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13629.001816/200961 Acórdão n.º 2801003.946 S2TE01 Fl. 154 5 (...) Assim sendo, a discussão sobre os depósitos bancários lançados, neste caso, enquadrase nos termos do art. 62 A e parágrafos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, verbis: Art. 62 A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543 B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Ocorre que os parágrafos do dispositivo supracitado foram revogados por decisão do Sr. Ministro da Fazenda, em novembro de 2013, não mais existindo impedimento à apreciação da matéria. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e, atendidas as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. A numeração de folhas a que me refiro a seguir é a identificada após a digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf). PRELIMINAR. O fornecimento das informações sobre movimentação bancária do contribuinte obtidas pelo Fisco com fulcro na Lei Complementar 105 de 2001, por meio de procedimento administrativo, sem prévia autorização judicial, é assunto na esfera das matérias de “repercussão geral” no Supremo Tribunal Federal, conforme o Recurso Extraordinário (RE) 601.314, cuja ementa vai aqui transcrita: EMENTA CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, Fl. 154DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13629.001816/200961 Acórdão n.º 2801003.946 S2TE01 Fl. 155 6 SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. (RE 601314/RG, Relator (a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, julgado em 22/10/2009, DJe218 DIVULG 19112009 PUBLIC 20.11.2009 EMENT VOL 0238307 PP01422) A ementa pareceme clara ao estabelecer que a Corte Suprema deverá decidir, especificamente, sobre a possibilidade legal, estabelecida pela Lei Complementar nº 105 de 2001, de que informações sobre movimentações bancárias dos contribuintes sejam fornecidas pelas instituições financeiras “diretamente ao Fisco”. Essa é a questão. Foi, inclusive, atribuída ao tema a repercussão geral, tendo o Tribunal, em outras ocasiões, determinado o sobrestamento do julgamento de recursos que versem sobre o mesmo, como se pode observar a seguir: Decisão: Vistos. Verifico que a discussão acerca da violação, ou não, aos princípios constitucionais que asseguram ser invioláveis a intimidade e o sigilo de dados, previstos no art. 5º, X e XII, da Constituição, quando o Fisco, nos termos da Lei Complementar 105/2001, recebe diretamente das instituições financeiras informações sobre a movimentação das contas bancárias dos contribuintes, sem prévia autorização judicial teve sua repercussão geral reconhecida no RE nº 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Dessa forma, dados os reflexos da decisão a ser proferida no referido recurso, no deslinde do caso concreto, determino o sobrestamento do presente feito, até o julgamento do citado RE nº 601.314/SP. Publiquese. Brasília, 13 de junho de 2012. Ministro Dias Toffoli Relator Documento assinado digitalmente (RE 410054 AgR, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 13/06/2012, publicado em DJe120 DIVULG 19/06/2012 PUBLIC 20/06/2012).(grifei) DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA – PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA – SIGILO DADOS BANCÁRIOS – FISCO – AFASTAMENTO – ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 – BAIXA À ORIGEM. 1. Reconsidero o ato de folhas 343 a 344. 2. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 3. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, havendo a intimação do acórdão de origem ocorrido posteriormente à data em que iniciada a vigência do sistema da repercussão geral, bem como presente o objetivo maior do instituto – evitar que o Supremo, em prejuízo dos trabalhos, tenha o tempo tomado com questões repetidas – , determino a devolução dos autos ao Tribunal Regional Federal da 3ª Fl. 155DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13629.001816/200961 Acórdão n.º 2801003.946 S2TE01 Fl. 156 7 Região. Façoo com fundamento no artigo 328, parágrafo único, do Regimento Interno deste Tribunal, para os efeitos do artigo 543B do Código de Processo Civil. 4. Publiquem. Brasília, 3 de novembro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator(AI 714857 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 03/11/2011, publicado em DJe217 DIVULG 14/11/2011 PUBLIC 16/11/2011).(grifei) Observo que não obstante a decisão do Pretório Excelso tomada no julgamento do RE nº 389.808, datada de dezembro de 2010, de relatoria do Ministro Marco Aurélio, o próprio MinistroRelator, em 03/11/2011, determinou a devolução de autos que tratam do mesmo assunto ao Tribunal de origem para que se aguarde o julgamento do RE nº 601.314/SP, que concluiu pela repercussão geral do tema. Assim, em nosso sistema jurídico, as leis presumemse válidas e constitucionais, até declaração do Poder Judiciário em contrário. Não há decisão definitiva do STF dizendo da inconstitucionalidade de dispositivos da LC nº 105 de 2001, que autorizam o fornecimento de informações bancárias dos contribuintes “diretamente ao Fisco”, nos casos que foram especificados e regulamentados por normas posteriores. Sustentar que a expressão “diretamente ao Fisco” deve ser interpretada no sentido de que “desde que haja ordem judicial” é, a meu ver, negar aplicação da lei, que requer apenas que haja procedimento administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso, e confere à autoridade administrativa a consideração sobre a imprescindibilidade do exame dos dados, como foi aqui o caso. LC 105/2001 Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Quanto aos argumentos que erigem o sigilo bancário ao patamar constitucional, para se conciliar, em interpretação conforme a Constituição, sua garantia com as necessidades e deveres do Fisco, concluindose que somente com ordem judicial o dispositivo da Lei Complementar nº 105, de 2001, seria aplicável, destacase excerto do Voto do Ministro Sepúlveda Pertence, quando do julgamento, pelo STF, do MS 21.729, DJ 19/10/2001: “O sigilo bancário só existe no Direito brasileiro por força de lei ordinária. Não entendo que se cuide de garantia com status constitucional. Não se trata de “intimidade” protegida no inciso X do art. 5º da Constituição Federal. Da minha leitura, no inciso XII da Lei Fundamental, o que se protege, e de modo absoluto, até em relação ao Poder Judiciário, é a ‘comunicação de dados’ e não os ‘dados’, o que tornaria impossível qualquer investigação administrativa. Reportome, no caso, brevitatis causao, a um primoroso estudo a respeito do Professor Tércio Sampaio Ferraz Júnior. Em princípio, por isso, se admitiria que a lei autorizasse autoridades administrativas, com função Fl. 156DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13629.001816/200961 Acórdão n.º 2801003.946 S2TE01 Fl. 157 8 investigatória e sobretudo o Ministério Público, a obter dados relativos a operações bancárias”. (apud CASSONE, Vitório. Sigilo Bancário: Critério de Interpretação Constitucional. RET 55, maijun/07, p. 84) A matéria relativa à utilização de informações bancárias por parte da RFB encontrase pacificada no STJ, que decidiu, em sede de recurso repetitivo, que a autoridade fazendária pode ter acesso direto às operações bancárias do contribuinte até mesmo para constituição de créditos tributários anteriores à vigência da Lei Complementar nº 105 de 2001, ainda que sem o crivo do Poder Judiciário. A ementa do acórdão submetido ao rito do art. 543 C do CPC está assim redigida: QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A FATOS IMPONÍVEIS ANTERIORES À VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR 105/2001. APLICAÇÃO IMEDIATA. ARTIGO 144, § 1º, DO CTN. EXCEÇÃO AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE. 1. A quebra do sigilo bancário sem prévia autorização judicial, para fins de constituição de crédito tributário não extinto, é autorizada pela Lei 8.021/90 e pela Lei Complementar 105/2001, normas procedimentais, cuja aplicação é imediata, à luz do disposto no artigo 144, § 1º, do CTN. 2. ... 4. O § 3º, do artigo 11, da Lei 9.311/96, com a redação dada pela Lei 10.174, de 9 de janeiro de 2001, determinou que a Secretaria da Receita Federal era obrigada a resguardar o sigilo das informações financeiras relativas à CPMF, facultando sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente. 5. ... 6. As informações prestadas pelas instituições financeiras (ou equiparadas) restringemse a informes relacionados com a identificação dos titulares das operações e os montantes globais mensalmente movimentados, vedada a inserção de qualquer elemento que permita identificar a sua origem ou a natureza dos gastos a partir deles efetuados (artigo 5º, § 2º, da Lei Complementar 105/2001). ... 12. A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 facultou à Administração Tributária, nos termos da lei, a criação de instrumentos/mecanismos que lhe possibilitassem identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte, respeitados os direitos individuais, especialmente com o escopo de conferir efetividade aos princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva (artigo 145, § 1º). Fl. 157DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13629.001816/200961 Acórdão n.º 2801003.946 S2TE01 Fl. 158 9 13. Destarte, o sigilo bancário, como cediço, não tem caráter absoluto, devendo ceder ao princípio da moralidade aplicável de forma absoluta às relações de direito público e privado, devendo ser mitigado nas hipóteses em que as transações bancárias são denotadoras de ilicitude, porquanto não pode o cidadão, sob o alegado manto de garantias fundamentais, cometer ilícitos. Isto porque, conquanto o sigilo bancário seja garantido pela Constituição Federal como direito fundamental, não o é para preservar a intimidade das pessoas no afã de encobrir ilícitos. ... 20. Recurso especial da Fazenda Nacional provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Por fim, há que ser bem ressaltado, apesar da alegações do Recorrente, que ainda no transcorrer do procedimento fiscal, o mesmo concordou em fornecer os extratos bancários, com as mesmas informações, como se observa nos documentos de folhas 72/73. Apenas no recurso entendeu por alegar que a obtenção dos extratos feriria direitos à privacidade ou intimidade. MÉRITO Conforme artigo 72 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, as "decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória" pelos seus membros. Sobre a matéria relativa à tributação com base em depósitos bancários de origem não comprovada há várias delas em vigor, que indicam entendimentos convergentes, em inúmeros julgamentos. A utilização de súmulas, que também são aplicadas pelos Tribunais Judiciários, visa a conferir confiança, segurança e eficiência aos julgamentos administrativos, dentre outros princípios a serem observados pela Administração Pública. Praticamente todas as alegações deste recurso se resolvem com a aplicação de súmulas. Quanto a dever a Autoridade Administrativa apreciar a constitucionalidade de lei tributária, a jurisprudência citada pelo Recorrente encontrase superada neste CARF, inclusive com a edição de sua Súmula nº 2, de observância obrigatória neste julgamentos: Súmula nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Assim, correto o entendimento proferido pela Autoridade Julgadora Recorrida, que também será aplicado aqui. Nesse sentido, citando Marcos Vinicius Neder: “Entre nós, Marçal Justen Filho admite o juízo de inconstitucionalidade de lei no âmbito administrativo.... Por outro lado, é importante lembrar que as decisões administrativas são espécies de ato administrativo e, como tal, sujeitamse ao controle do Judiciário. Se, por acaso, a Fl. 158DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13629.001816/200961 Acórdão n.º 2801003.946 S2TE01 Fl. 159 10 fundamentação do ato administrativo baseouse em norma inconstitucional, o Poder que tem a atribuição para examinar a existência de tal vício é o Poder Judiciário. Afinal, presumemse constitucionais os atos emanados do Legislativo, e, portanto, a eles vinculamse as autoridades administrativas.” (NEDER, Marcos Vinícius. Processo administrativo fiscal federal comentado: (decreto nº 70.235/72 e lei nº 9.784/99) / Marcos Vinícius Neder, Maria Teresa Martinez López, 2ª ed. São Paulo: Dialética, 2004, p. 46/7/8) A possibilidade da análise dessas matérias pelo Poder Executivo já foi alvo de críticas da Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul, que em Nota Pública emitida em 10/11/2000, cujo trecho parcial transcrevemos a seguir para concordar com suas conclusões, assim manifestouse: “A Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul promove, hoje, 10/11/2000, Dia da Mobilização em Defesa do cumprimento das leis e decisões judiciais, em suma, do Estado Democrático de Direito... (...) Denuncia o descumprimento de leis em pleno vigor, sem declaração judicial de sua inconstitucionalidade, única forma de sustar sua eficácia, em regime democrático. (...) O açambarcamento pelo Executivo das funções reservadas a outros Poderes, notadamente as de controle exclusivo de constitucionalidade e solução dos conflitos intersubjetivos pelo Judiciário,ou de elaboração legislativa e orçamentária pelo Poder Legislativo, em representação da soberania popular, desgarante o cidadão, rompe o recíproco controle dos Poderes, solapa a democracia e constrói ditaduras. (Porto Alegre, 10 de novembro de 2000) Portanto, estando em vigor o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, resta ao Julgador administrativo verificar a conformidade do lançamento com a lei tributária. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Quanto a matéria relativa a autuação com base apenas em presunção de renda caracterizada pelos depósitos bancários, baseada exclusivamente nos extratos, destaco que já há entendimento pacificado no âmbito do CARF, com a seguinte Súmula, que é de aplicação obrigatória por estes Conselheiros, como já citado: Súmula CARF nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Assim, não há que se falar em "sinais exteriores de riqueza". Isso porque existe, no caso, a inversão do ônus da prova, não necessitando o Fisco demonstrar que aquele Fl. 159DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13629.001816/200961 Acórdão n.º 2801003.946 S2TE01 Fl. 160 11 depósito tratase de ingresso patrimonial inédito na esfera de disponibilidade do contribuinte, portanto passível de tributação, cabendo ao sujeito passivo demonstrar o contrário. As presunções legais são admitidas em diversos casos para fins de tributação e isso não é inovação ou exclusividade da legislação brasileira. Além disso, é claro o caput do dispositivo legal, abaixo transcrito, que reputo bastar para fundamentar este entendimento. Diz o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13629.001816/200961 Acórdão n.º 2801003.946 S2TE01 Fl. 161 12 A comprovação da origem dos recursos deve ser feita "individualizadamente", como expressamente prescrito no § 3º do artigo 42, da Lei em comento. Alegar que os depósitos têm origem em atividade de representante comercial, de forma genérica, não é suficiente para ilidir in totum o lançamento, como pretende o Recorrente. Não encontro nos autos um único documento que comprove o exercício dessa atividade, um único registro documental de compra/venda intermediada, uma única relação entre ela e qualquer dos depósitos que foram individualizadamente listados pela Auditoria fiscal. Temos ainda a Súmula nº 32: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. CONCLUSÃO A presunção estabelecida no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, portanto, é peculiar e traz para o Contribuinte o ônus de demonstrar a origem dos depósitos. Assim, depósitos para os quais não haja registro documental, ao menos com razoável correspondência de datas e valores, findam por serem considerados como omissão de rendimentos, com uma finalidade maior de combater atividades ilícitas, como o tráfico, o contrabando e o descaminho, dentre outras, evitando que contas bancárias sejam utilizadas para a movimentação de recursos a elas correspondentes. Não é, portanto, simples ferramenta de aumento de arrecadação, como alude o Recorrente. Caberia a ele, simplesmente, documentar e demonstrar a licitude e a extensão de sua atividade. Dessa feita, VOTO por rejeitar a preliminar de prova ilícita por quebra de sigilo bancário e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 161DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN
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Numero do processo: 10865.903911/2008-30
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1802-000.577
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do Voto do Relator.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa- Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Correa (Presidente), Ester Marques Lins de Sousa, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Nelso Kichel, , Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano (Suplente Convocado).
Nome do relator: LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do Voto do Relator. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente. (assinado digitalmente) Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Correa (Presidente), Ester Marques Lins de Sousa, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Nelso Kichel, , Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano (Suplente Convocado). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 65 .9 03 91 1/ 20 08 -3 0 Fl. 638DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 31/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.903911/200830 Resolução nº 1802000.577 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de pedido de compensação de débitos da responsabilidade da contribuinte com através de suposto crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo, concernente ao período de apuração 01/2003. A Receita Federal não reconheceu o direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologou a compensação declarada, sob o argumento de que o crédito pleiteado já foi objeto de análise, em processos relativos aos PER/DCOMP de n.° 10769.54888.101203.1.3.048007, 01850.16010.101203.1.3.040542, 33592.14380.151203.1.3.040927, 28623.05598.250804.1.3.017067, 22743.16824.020904.1.3.040251, 08891.60465.080904.1.3.045809, 30276.47095.140904.1.3.049480 e 15738.53242.210906.1.7.045707, tendo sido constatado que o crédito pleiteado foi totalmente utilizado nos PER/DCOMP n.o s 28623.05598.250804.1.3.047067, 22743.16824.020904.1.3.040251, 08891.60465.080904.1.3.045809, 30276.47095.140904.1.3.049480 e 15738.53242.210906.1.7.045707. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando que haveria crédito suficiente para pagamento do débito informado na PER/DCOMP, e requerendo a homologação da compensação declarada. Em sessão de 29 de março de 2011, a 5ª Turma da DRJ/RPO proferiu o Acórdão 1433.103, julgando improcedente a manifestação de Inconformidade e não reconhecendo o direito creditório, sob a alegação de que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior de tributo, cujo ônus probatório é sempre do contribuinte. Aduz que no caso dos autos a recorrente optou pela sistemática de apuração pelo Lucro Real Apuração Anual para IRPJ, situação em que o contribuinte realiza os pagamentos no decorrer dos meses do ano civil por estimativa, o que configura antecipações do tributo devido no final do período anual de apuração, e não pagamento antecipado. Assim, tratandose de mera antecipação, não há que se falar em pagamento indevido ou a maior passível de repetição. Alega que ao final do anocalendário, caso a contribuinte apure saldo negativo do tributo, resta então configurado o pagamento indevido ou a maior, o qual é passível de restituição ou compensação, daí porque, inclusive, o marco inicial de contagem de decadência para repetição ou para o lançamento se dá no último dia do exercício e não nas datas em que realizadas as antecipações. Afirmou ainda a Turma Julgadora que os recolhimentos mensais por estimativa a maior efetuados durante o anocalendário pela interessada não são pagamentos a maior passíveis de compensação em cada mês, pois não representam créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda. Alega que o pedido de compensação baseouse em suposto crédito do tipo "pagamento indevido ou a maior" de IRPJ estimativa mensal, código de arrecadação 2362, sendo o objeto do pedido incompatível com a legislação de regência. Fl. 639DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 31/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.903911/200830 Resolução nº 1802000.577 S1TE02 Fl. 4 3 Por fim, declara que, para que fosse possível a compensação requerida, caberia à contribuinte trazer documentos probatórios específicos, o que não ocorreu. Do Recurso Inconformada, recorreu a contribuinte em face da decisão que não reconheceu o direito creditório e não homologou a correspondente declaração de compensação, apresentando, em suma, os seguintes argumentos: Que está sujeita ao recolhimento do Imposto sobre a Renda (IRPJ), tendo se submetido à sistemática de apuração pelo Lucro Real Apuração Anual, no anocalendário de 2003. Que procedeu ao recolhimento durante todo o anocalendário, porém, em virtude de problemas em sua escrituração contábil, a Recorrente recolheu aleatoriamente, a fim de não se inserir em mora, a estimativa/guia embatida no valor de R$ 800.000,00. Que após a devida correção de sua escrituração contábil, constatouse que o valor efetivamente devido desta estimativa seria de R$ 162.507,06, o que resulta num direito de crédito compensatório. Afirma que demonstrou o equívoco dos números informados, mas que mesmo assim a DRJ manteve a decisão de nãohomologação das compensações efetuadas, porém, sob outros argumentos, extrapolando os limites da sua esfera de competência. Requer o retorno dos autos à fiscalização para nova decisão quanto a homologação ou não da compensação declarada. Requer, por fim, a reforma parcial do Acórdão ora recorrido, para afastar a “decisão de nãohomologação sob fundamento diverso do apontado pela fiscalização”, ou alternadamente, a análise da documentação contábil juntada aos autos. Esse o relatório. VOTO Conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Relator Da Tempestividade A ciência do Acórdão deuse em 23/05/2011 e o Recurso Voluntário foi apresentado em 17/06/2011. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Do Mérito Tratase de Recurso Voluntário interposto por Fazenda Sete Lagoas Agrícola S/A em face da decisão que não reconheceu o direito creditório e não homologou as correspondentes declarações de compensação. Fl. 640DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 31/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.903911/200830 Resolução nº 1802000.577 S1TE02 Fl. 5 4 De acordo com o que consta dos autos, a DRF não reconheceu direito creditório a seu favor, sob o fundamento de que o crédito pleiteado já fora totalmente utilizado em outras PER/DECOMP’s. Uma vez ofertada manifestação de inconformidade, sob alegação de que as compensações supostamente responsáveis pelo consumo de todo o crédito não haviam sido homologadas, foi a mesma julgada pela DRJ Ribeirão Preto que, desta feita, indeferiu a compensação por entender que o recolhimento de estimativa indevido ou a maior não gera crédito passível de compensação. É fato que a DRJ adotou como razões de decidir diferentes daquelas usadas pela DRF. Por conta disso, (i) não restou definida a argumentação expendida pelo contribuinte segundo a qual as compensações responsáveis pelo consumo do crédito não estariam homologadas; e (ii) caso optante pela argumentação segundo a qual a estimativa não é passível de geração de crédito a compensar, teria violado expressamente súmula do CARF. É entendimento deste Conselho que o recolhimento por estimativa pode gerar crédito, e portanto, ser compensável, , nos termos da súmula 84, cujo teor é o seguinte: "Súmula CARF 84 Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação" Sendo assim, impõese instrução complementar destes autos, para que se considere o alegado crédito, analisando, à luz da documentação trazida aos autos, se o mesmo existe na medida em que o contribuinte alega possuílo e se, realmente, por força de todos os PER/DCOMP apresentados, teria ou não tal crédito sido consumido noutras compensações; ou se, por outro lado, haveria saldo credor a compensar. Contudo, a solução do presente processo demanda uma instrução complementar. Pelo exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência a fim de que, à luz das explicações trazidas pelo contribuinte com sua manifestação de inconformidade, mais toda a documentação ofertada em vários volumes, a autoridade fiscal reexamine a pretendida compensação. Esse o meu Voto. Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira Relator (assinado digitalmente) Fl. 641DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 31/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
score : 1.0
Numero do processo: 19647.000601/2009-91
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 20/08/2008 a 01/06/2010
IPI. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. BENEFÍCIO FISCAL. COMPROVAÇÃO DE QUITAÇÃO DE TRIBUTOS FEDERAIS.
A redução de alíquota de IPI em operação tributada por este imposto caracteriza benefício fiscal, cuja concessão ou reconhecimento se condiciona à comprovação pela contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais, o que se aplica a cada operação beneficiada com a redução.
BENEFÍCIO FISCAL. CONCESSÃO E RECONHECIMENTO. ATO DECLARATÓRIO.
O Ato Declaratório Executivo configura ato administrativo legítimo para a Administração Tributária Federal constituir ou terminar situações individuais de reconhecimento de redução de alíquota de imposto.
BENEFÍCIO FISCAL. CONCESSÃO E RECONHECIMENTO. COMPROVAÇÃO DA QUITAÇÃO DE TRIBUTOS FEDERAIS. VERIFICAÇÃO. ATIVIDADE VINCULADA.
É vinculada a atividade da Administração Tributária de verificação do atendimento pela contribuinte da comprovação de quitação de tributos federais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.400
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento parcial ao recurso. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Sérgio Celani. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Daiane Ambrosino, OAB/SP 294.123.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relatora.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 20/08/2008 a 01/06/2010 IPI. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. BENEFÍCIO FISCAL. COMPROVAÇÃO DE QUITAÇÃO DE TRIBUTOS FEDERAIS. A redução de alíquota de IPI em operação tributada por este imposto caracteriza benefício fiscal, cuja concessão ou reconhecimento se condiciona à comprovação pela contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais, o que se aplica a cada operação beneficiada com a redução. BENEFÍCIO FISCAL. CONCESSÃO E RECONHECIMENTO. ATO DECLARATÓRIO. O Ato Declaratório Executivo configura ato administrativo legítimo para a Administração Tributária Federal constituir ou terminar situações individuais de reconhecimento de redução de alíquota de imposto. BENEFÍCIO FISCAL. CONCESSÃO E RECONHECIMENTO. COMPROVAÇÃO DA QUITAÇÃO DE TRIBUTOS FEDERAIS. VERIFICAÇÃO. ATIVIDADE VINCULADA. É vinculada a atividade da Administração Tributária de verificação do atendimento pela contribuinte da comprovação de quitação de tributos federais. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento parcial ao recurso. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Sérgio Celani. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Daiane Ambrosino, OAB/SP 294.123. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relatora. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo.
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REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. BENEFÍCIO FISCAL. COMPROVAÇÃO DE QUITAÇÃO DE TRIBUTOS FEDERAIS. A redução de alíquota de IPI em operação tributada por este imposto caracteriza benefício fiscal, cuja concessão ou reconhecimento se condiciona à comprovação pela contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais, o que se aplica a cada operação beneficiada com a redução. BENEFÍCIO FISCAL. CONCESSÃO E RECONHECIMENTO. ATO DECLARATÓRIO. O Ato Declaratório Executivo configura ato administrativo legítimo para a Administração Tributária Federal constituir ou terminar situações individuais de reconhecimento de redução de alíquota de imposto. BENEFÍCIO FISCAL. CONCESSÃO E RECONHECIMENTO. COMPROVAÇÃO DA QUITAÇÃO DE TRIBUTOS FEDERAIS. VERIFICAÇÃO. ATIVIDADE VINCULADA. É vinculada a atividade da Administração Tributária de verificação do atendimento pela contribuinte da comprovação de quitação de tributos federais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento parcial ao recurso. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 06 01 /2 00 9- 91 Fl. 165DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.000601/200991 Acórdão n.º 3801004.400 S3TE01 Fl. 3 2 Paulo Sérgio Celani. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Daiane Ambrosino, OAB/SP 294.123. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJRecife, abaixo transcrito: A empresa Primo Schincariol Ind de Cerv e Refrig do Nordeste S/A solicitou que a DRF/REC encaminhasse ao Coordenador – Geral COSIT, pedido de habilitação para usufruir a redução do IPI incidente sobre refrigerante classificado no código 2202.10.00 da TIPI. A referida redução de alíquota foi instituída pelo Decreto 75.659, de 1975 (TIPI/75), e foi norma reproduzida nas TIPI’s posteriores, estando vigente ainda hoje (TIPI/2012). Na época do protocolo da solicitação, o contribuinte baseou seu pedido no inciso I do art.65 do RIPI/2006 (Decreto 4.544/06): “Art.65. Haverá redução: I das alíquotas de que tratam as Notas Complementares NC (211) e NC (221) da TIPI , que serão declaradas, em cada caso, pela SRF, após audiência do órgão competente do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA, quanto ao Fl. 166DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.000601/200991 Acórdão n.º 3801004.400 S3TE01 Fl. 4 3 cumprimento dos requisitos previstos para a concessão do benefício; Nota Complementar (NC) da TIPI (Decreto nº 6.006, de 2006) NC (221) Ficam reduzidas de cinqüenta por cento as alíquotas do IPI relativos aos refrigerantes e refrescos, contendo suco de fruta ou extrato de sementes de guaraná, classificados no código 2202.10.00, que atendam aos padrões de identidade e qualidade exigidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e estejam registrados no órgão competente desse Ministério. Conforme verificado pela repartição fiscal de origem, ao regular o tema, o Decreto 75.808, de 2 de junho de 1975, incluiu na tabela (TIPI) o “ex” relativo aos refrigerantes, refrescos e néctares que contiverem suco de fruta, de acordo com os padrões fixados pelo Ministério da Agricultura, e que possuíam “Certificados de Registro” expedido pelo órgão competente daquele Ministério. Reduzindo em 50% a alíquota do IPI. Além disso, o referido Decreto 75.008/75 assim determinou nos seus artigos 2º e 3º: “Art.2º. A redução de alíquota conferida pelo art.1º do Decreto número 75.659, de 25 de abril de 1975, relativas a bebidas incluídas no destaque constante no Anexo a que se refere o artigo anterior, será declarada pela Secretaria da Receita Federal, em cada caso, após audiência do órgão competente do Ministério da Agricultura quanto à conformidade do produto com as características exigidas nos padrões de identidade e qualidade estabelecidas pelo Decreto número 73.267, de 6 de dezembro de 1973, e pelos atos complementares baixados por aquele Ministério. Art.3º. Os Ministérios da Fazenda e Agricultura expedirão as normas complementares necessárias à execução do disposto neste Decreto. Veio, então, a Portaria Interministerial MF/MA nº 113, de 04 de março de 1977, determinando aos interessados na fruição do benefício fiscal requerer ao Coordenador Geral do Sistema de Tributação da SRF (atual COSIT), informando os elementos nela indicados, isto é, (i) identificação do requerente, (ii) identificação do produto para o qual se requer o reconhecimento da redução de alíquota e, (iii) o número do Certificado de Registro do Produto, expedido pelo órgão competente do Ministério da Agricultura. Conforme relatado, no Parecer SEORT/RECIFE/2011, segundo o procedimento previsto, coube à unidade local da Receita Federal após formalizar o processo, informar sobre os antecedentes fiscais da requerente e encaminhálo ao Ministério da Agricultura (MA). A DRF/REC encaminhou este processo ao Serviço de Inspeção Vegetal(SIV), da Delegacia do Ministério da Agricultura, Fl. 167DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.000601/200991 Acórdão n.º 3801004.400 S3TE01 Fl. 5 4 Pecuária e Abastecimento – MAPA em Recife/PE, para verificação do cumprimento dos requisitos previstos para o reconhecimento da redução pleiteada. Depois de realizados os procedimentos sob a alçada do MAPA, que culminaram com a concessão do Certificado de Registro dos Produtos: Preparado Líquido para Refrigerante de Guaraná (Schin Guaraná), Registro PE05896000606,Preparado Líquido para Refrigerante de Laranja (Schin Laranja), Registro PE05896000584,Preparado Líquido para Refrigerante de Cola (Schin Cola), Registro PE05896000614ePreparado Líquido para Refrigerante de Limão (Schin Limão), Registro PE05896000592,o processo retornou à unidade da Receita Federal para encaminhamento à COSIT. No entanto, pela Portaria nº 2, de 12 de setembro de 1995, o Coordenador da COSIT, delegou essa competência às elegacias da Receita Federal para apreciarem os pleitos referentes ao reconhecimento dessa redução de alíquota, e providenciar, se for o caso, a expedição do pertinente Ato Declaratório. A repartição fiscal de origem informou no processo, no Parecer SEORT/RECIFE/2011, que em consulta aos sistemas de controle da RFB, em 22.07.2011, constatou que a requerente possui débitos em cobrança no SIEF, além de constar como inadimplente no CADIN, por débitos junto à PFN. Informou que a necessidade dessa análise de antecedentes fiscais decorre da Lei 9.069/95, a qual determina no seu art. 60, que qualquer reconhecimento de benefício fiscal relativo a tributo administrado pela Receita Federal fica condicionado à comprovação, pelo contribuinte, da quitação respectiva. Por outro lado, verificouse no sistema CNPJ, que a situação cadastral da requerente era de empresa baixada desde 01/06/2010, por incorporação à empresa PRIMO SCHINCARIOL IND DE CERV E REFRIG S/A – CNPJ 50.221.019/000136 . A repartição fiscal de origem observou que o Decreto 7.212/2010 (RIPI),no seu art. 176, caput e inciso I, prevê a transferência, por sucessão, de benefícios fiscais concedidos por prazo certo e em função de determinadas condições à pessoa jurídica que vier a ser incorporada, mediante requerimento da incorporadora, e desde que observados os limites e condições fixados na legislação que instituiu o benefício, em especial quanto aos aspectos vinculados ao tipo de atividade e de produto. (Grifos meus). Mas, o supracitado Parecer SEORT/RECIFE/2011 entendeu que a interessada perdeu a legitimidade para requerer, porque a partir de sua baixa tornouse inexistente, e a sucessora não havia se habilitado no processo;que caso a sucessora ainda desejasse a habilitação poderia requerela em nome próprio. Concluiuse,no entanto, que a procuração da empresa ao representante legal que encaminhou o pedido se encontrava vencida, e como a representada havia sido extinta não seria possível sua renovação. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.000601/200991 Acórdão n.º 3801004.400 S3TE01 Fl. 6 5 Recomendouse assim ao Sr. Delegado da DRF/REC que declarasse extinto o processo com base no art.52 da Lei 9.784/99, porque a finalidade ou o objeto da decisão terseia tornado impossível, inútil ou prejudicado pelo fato superveniente da extinção da empresa requerente. A decisão da DRF/REC, com base no Parecer SEORT/RECIFE/2011, foi por declarar EXTINTO O PROCESSO DE SOLICITAÇÃO DE HABILITAÇÃO da pessoa jurídica PRIMO SCHINCARIOL IND DE CERV E REFRIG DO NORDESTE S/A – CNPJ 01.278.018/000384. Cientificouse a empresa sucessora dessa decisão, (…), facultandolhe o direito de interpor recurso no prazo de 10 (dez) dias,contado da ciência do Despacho Decisório, a ser protocolizado na DRF/Recife/PE, nos termos do art.59 da Lei 9.784/99. A sucessora PRIMO SCHINCARIOL IND DE CERV E REFRIG S/A,protocolou seu recurso contra o despacho decisório, na DRF/REC, (…), podendo ser assim sintetizadas as razões essenciais de contestação: 1. A PRIMO SCHINCARIOL IND DE CERV E REFRIG DO NORDESTES/A solicitou habilitação para usufruir da redução da alíquota do IPI sobre os refrigerantes SCHIN GUARANÁ, SCHIN LARANJA, SCHIN COLA E SCHIN LIMÃO , nos termos do RIPI, art. 65, Ic/c a NC 221(da TIPI). 2. Importante esclarecer que a pretensão se alicerçou na NC 221(TIPI) e na declaração expedida pela Coordenação de Inspeção Vegetal do MA. Ao analisar o pedido, a Receita Federal em Recife decidiu extinguir o processo, alegando inexistência da parte solicitante, em razão de sua incorporação pela ora recorrente, sem que esta tivesse se habilitado, apresentando novo requerimento neste mesmo processo. 3. Ainda que a ora recorrente não tenha se habilitado no presente processo, é imperioso reconhecer que a até a data de incorporação (01.06.2010), a redução de alíquota de IPI era devida à empresa incorporada PRIMO SCHINCARIOL IND DE CERV EREFRIG DO NORDESTE. Observeseque até 01.06.2010 o CNPJ da referida incorporada estava em plena atividade, e somente foi baixado nessa data. 4. Assim, considerandoseque os requisitos estavam presentes, desde o momento da solicitação pela empresa (só posteriormente) incorporada, e que até 01/06/2010 a referida empresa estava em plena atividade, não restam dúvidas de que até tal data a redução de alíquota de IPI lhe era devida. 5. Frisase que a solicitação foi devidamente instruída com cópia do registro do produto no MA, o qual atestou que o produto em questão atende aos padrões de identidade e qualidade exigidos. Não havendo qualquer óbice para se negar o reconhecimento da redução de alíquota de IPI até 01/06/2010. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.000601/200991 Acórdão n.º 3801004.400 S3TE01 Fl. 7 6 6. Importa, ainda, consignar, que a regularidade fiscal não é condição para a concessão da redução de alíquota de IPI requerida. O art. 60 da Lei 9.069/95aplicase quando da concessão de benefício fiscal, o que não é o caso da redução de alíquota do IPI, pois é tratamento objetivamente atribuído a um determinado produto que preenche os requisitos estabelecidos na NC 221da TIPI. Os requisitos exigidos na NC 221da TIPI foram cumpridos conforme exposto mais acima. Ante o exposto pede que seja provido seu recurso, para que seja deferido o pedido de redução de alíquota do IPI incidente sobre os refrigerantes SCHIN GUARANÁ, SCHIN LARANJA, SCHIN COLA E SCHIN LIMÃO, desde a data dos respectivos registros efetuados pelo MAPA e até 01/06/2010, à empresa PRIMO SCHINCARIOL IND DE CERV E REFRIG DONORDESTE S/A. Analisando o litígio, a DRJRecife por unanimidade de votos, preliminarmente, reconheceu a sua competência para apreciar a matéria e, no mérito, julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, para declarar que remanesce o processo, mas negou provimento ao direito pleiteado por persistir sem comprovação a regularidade fiscal da manifestante, conforme ementa abaixo transcrita: NORMAS PROCESSUAIS. RITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FEDERAL. COMPETÊNCIA DA DRJ. PROCESSO SANEADO. Embora a decisão recorrida haja intimado a interessada a apresentar recurso, nos termos do art.56 da Lei nº 9.784/96 (LGPAF), no prazo de dez dias, com base no rito da referida Lei Geral, a repartição de origem procedeu de modo saneador ao encaminhar o recurso à DRJ. É a DRJ que possui competência para apreciar, segundo o rito do Decreto nº 70.235/72, procedimento que busca o reconhecimento do benefício de redução da alíquota de tributos administrados pela RFB, conforme previsto no inciso IV do art.233 da Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012 (Regimento Interno da RFB). HABILITAÇÃO PARA FRUIÇÃO DE REDUÇÃO DO IPI. Houve certificação, por parte do Ministério da Agricultura e Abastecimento (MAPA), quanto aos padrões de identidade e qualidade do produto, e de seu respectivo registro, reconhecendo à interessada, incorporada no curso do processo, a satisfação desses requisitos legalmente exigidos para a fruição do benefício fiscal especificado. DIREITO À REDUÇÃO DE ALÍQUOTA DO IPI. SUCESSÃO POR INCORPORAÇÃO. Tratase de pedido de reconhecimento do direito à redução da alíquota de IPI, prevista na NC 221da TIPI/2006, mediante o cumprimento dos requisitos legais para a fruição do benefício fiscal. Depois de reconhecido, esse direito é passível de transferência à empresa sucessora (incorporadora) mediante habilitação no processo. Por economia processual, a repartição Fl. 170DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.000601/200991 Acórdão n.º 3801004.400 S3TE01 Fl. 8 7 fiscal de origem poderia e deveria ter solicitado a habilitação da sucessora no âmbito deste mesmo processo, iniciado pela empresa posteriormente incorporada. HABILITAÇÃO DA SUCESSORA SUPRIDA. O PROCESSO REMANESCE. A pendência do requerimento de habilitação da sucessora não é razão plausível para extinção de ofício do processo, mas sim recomendava à autoridade administrativa o devido saneamento processual. Esse saneamento tornouse suprido pelo teor da manifestação de inconformidade apresentada pela incorporadora, principal interessada, acompanhada de documentos, conjunto cujo teor apresenta mais substância do que o mero requerimento de habilitação da sucessora previsto no caput do art. 176 do RIPI/2010. A busca de reconhecimento do direito à redução de alíquota do IPI era direito da incorporada, e passou a ser direito da incorporadora, objeto processual que justifica o seguimento do processo até a solução do litígio. FRUIÇÃO DO BENEFÍCIO FISCAL. FALTA COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL. IMPEDIMENTO LEGAL. Persiste óbice à expedição do ato declaratório. O reconhecimento da redução deve observar não apenas os requisitos legais específicos à fruição do benefício fiscal, mas também deve se enquadrar na regra geral imposta pelo art.60 da Lei 9.069/95. A fruição de qualquer benefício fiscal federal se submete a esse crivo. O benefício de redução da alíquota de IPI de que trata o presente processo está também condicionada à comprovação da quitação de tributos e contribuições federais. O contribuinte apresentou, tempestivamente, recurso voluntário no qual argüi o seguinte: · Que os requisitos para a concessão da alíquota reduzida do IPI estão previstos na NC 221 da TIPI a qual vinculase apenas aos elementos objetivos do produto, quais sejam, o atendimento aos padrões de identidade, qualidade e composição, bem como regular registro perante o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. E que tais requisitos foram prontamente atendidos pela Recorrente; · Que elementos subjetivos, relativo à pessoa jurídica solicitante, são irrelevantes para fins de enquadramento na NC 221 da TIPI. Traz, nesse sentido, decisão exarada pela DRJ em Santarém. Reforça que a regra trazida pelo art. 60 da lei 9.069/95 aplicase somente à concessão de benefícios fiscais, o que não é o caso da redução de alíquota do IPI prevista na NC 221 da TIPI, pois tratase de um tratamento atribuído objetivamente a determinado produto que preencha os requisitos estabelecidos na legislação. Nesse sentido, colaciona decisão exarada pela DRJ em Juiz de Fora; Fl. 171DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.000601/200991 Acórdão n.º 3801004.400 S3TE01 Fl. 9 8 · Que no momento em que efetuou o pedido de redução de alíquota do IPI trouxe aos autos cópia da certidão conjunta positiva com efeitos de negativa de débitos relativos aos tributos federais e à dívida ativa da União. E que se no decorrer do processo, que se prolongou por morosidade da própria autoridade fiscal em analisar o presente pedido, surgiram eventuais débitos em seu desfavor, estes não podem prejudicar seu direito ao reconhecimento da redução de alíquota do IPI. Colaciona decisão do antigo Conselho de Contribuintes nessa linha. · Salienta ainda que a empresa incorporadora da Recorrente encontrase com sua situação fiscal regular, anexando certidão que comprova tal situação. · Por fim, salienta que a redução em comento deverá ser aplicada a partir do momento em que a autoridade competente realizou o reconhecimento da adequação dos produtos aos requisitos previstos em lei. É o relatório. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.000601/200991 Acórdão n.º 3801004.400 S3TE01 Fl. 10 9 Voto Vencido Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. De pronto, entendo que não devem prosperar as alegações do Recorrente no sentido de que a redução de alíquota concedida pela NC 221 não constitui um benefício fiscal e que, por conseguinte, não se sujeita ao requisito de regularidade fiscal exigido pelo artigo 60 da Lei 9.069/95. Tratase, sim, de desoneração fiscal objetiva, cuja concessão está vinculada à qualidade de um produto, e não ao contribuinte propriamente dito, impregnada de sentido fina1ístico, pois se vale da redução da alíquota do IPI como mecanismo de indução de um comportamento. Vêse, pois, que corresponde invariavelmente a um incentivo ou benefício fiscal Tal prática foi autorizada pelo legislador constitucional, que inseriu o § 6º no artigo 150 da Carta Magna: § 6º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2º, XII, g. Há que se destacar ainda a Lei de Responsabilidade Fiscal, que limita a ação do legislador na concessão de incentivos de natureza tributária em seu art. 14, e que assim prescreve: Art. 14. § 1o A renúncia compreende anistia, remissão, subsídio, crédito presumido, concessão de isenção em caráter não geral, alteração de alíquota ou modificação de base de cálculo que implique redução discriminada de tributos ou contribuições, e outros benefícios que correspondam a tratamento diferenciado. Fato é que a concessão de incentivos fiscais não se insere na seara do direito tributário, mas no campo da política tributária. O fim visado não é beneficiar o seu destinatário, que apenas usufrui desse benefício por via indireta. E nada obsta que o legislador condicione subjetivamente o contribuinte, para fins de fruição de um privilégio fiscal de natureza extrafiscal, ao atendimento de certos requisitos de interesse público. Por conseguinte, entendo que a redução de alíquota prevista na NC 221 da TIPI corresponde, sim, a um benefício fiscal e que, portanto, enquanto tal, deve observância ao disposto no artigo 60 da Lei 9065/95, que reza que a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Fl. 173DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.000601/200991 Acórdão n.º 3801004.400 S3TE01 Fl. 11 10 Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. Não obstante, fato é também que,quando da apresentação do pedido de redução de alíquota, o contribuinte apresentou a documentação apta e suficiente para a comprovação de sua regularidade fiscal. Ora, caso o agente fazendário observasse o prazo estipulado pelo artigo 241da Lei no. 9.784/1999, para efetuar a apreciação do pedido envolvendo o benefício fiscal, o Recorrente não teria negado o seu pedido, porquanto se encontrava regular. A regularidade fiscal deve ser examinada no momento da opção do contribuinte. Vale lembrar que esta Turma Especial, num caso idêntico envolvendo esse mesmo contribuinte, em decisão da lavra do nobre Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, já examinou assunto semelhante decidindo da seguinte forma: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 2006 MOMENTO DA COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL Comprovada a regularidade fiscal no momento da apresentação do pedido de reconhecimento de redução de alíquota, deve ser o mesmo deferido. Recurso Voluntário Provido.(Acórdão no. 3801001.594 do Processo 10855.000847/200691) Nesta mesma linha é o teor da Súmula 37 do CARF, assim expressa: Súmula CARF nº 37: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. Vale destacar também que, mesmo que se entendesse insuficiente a prova de regularidade fiscal quando da apresentação do pedido de redução de alíquota, a empresa que incorporou a Recorrente encontrase fiscalmente regular, conforme comprova a documentação juntada ao presente Recurso. E, de acordo com o posicionamento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, emitida no Processo no. 10768.014100/9908, para fins de prova da regularidade em relação aos tributos e contribuições federais a que alude o art. 60 da Lei n° 9.069/95, não se pode negar ao contribuinte o direito de mostrar sua regularidade fiscal no curso do Processo Administrativo, pois o objetivo da Lei é a regularidade fiscal do contribuinte, independentemente do momento em que a prova é feita. Porém, no que tange ao momento de aplicação do benefício fiscal, que a Recorrente entende dever ser aplicada a partir do momento em que a autoridade competente 1 Art. 24. Inexistindo disposição específica, os atos do órgão ou autoridade responsável pelo processo e dos administrados que dele participem devem ser praticados no prazo de cinco dias, salvo motivo de força maior. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.000601/200991 Acórdão n.º 3801004.400 S3TE01 Fl. 12 11 realizou o reconhecimento da adequação dos produtos aos requisitos previstos em lei, posicionome de forma diversa. Adoto como razões o voto de relatoria do já citado nobre Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, no Processo no. 13334.000275/200960, também envolvendo esse mesmo contribuinte e acatado unanimemente por esta Turma Especial: A norma não informa que a SRF pode determinar o momento em que se possa utilizar o benefício, mas é claro que o contribuinte precisa do respectivo ato declaratório emitido pela SRF porque a norma estabelece que cabe a SRF declarar que a empresa está apta a utilizálo, ouvido o Ministério competente. A declaração por parte da Receita Federal é cumprimento de obrigação acessória fundamental à fruição do benefício. O inadimplemento da obrigação acessória prejudica o sujeito ativo na medida em que deixa de cumprir a finalidade controlística para a qual foi criada e priva o contribuinte da benesse constante da prestação principal com efeitos ex tunc do seu protocolo, porque a lei a exige. Portanto, em razão da redução da alíquota do IPI nos termos do artigo 65 do Decreto nº 4.544/02 e da “NC (221)” estar condicionada à qualidade dos produtos contemplados em referidas normas atestado pelo MAPA e à declaração da Secretaria da Receita Federal até a expedição do Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010. Como a opção do contribuinte ocorre somente quando do pedido realizado na SRF, o prazo para usufruir desse benefício igualmente só pode ocorrer a partir do protocolo do pleito, como corretamente decidiu a DRJ. Por tudo, voto pelo conhecimento e parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito da Recorrente à alíquota reduzida do IPI a partir do protocolo do pleito junto à Receita Federal do Brasil. Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel – Relatora Voto Vencedor Conselheiro Paulo Sérgio Celani, Redator Designado. Legitimidade do Ato Declaratório e vinculação da atividade administrativa. Nos termos da Portaria SRF nº 001, de 2/1/2001 DOU de 9.1.2001, vigente à época do pedido apresentado, e da Portaria RFB nº 1.098, de 8/8/2013, em vigor, a competência para a prática do atos editados e dos despachos proferidos deve obedecer às atribuições fixadas em lei, norma infralegal ou, sendo o caso, ato de delegação de competência. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.000601/200991 Acórdão n.º 3801004.400 S3TE01 Fl. 13 12 Estes atos são agrupados em função da matéria sobre as quais versam e compreendem, entre outros, o Ato Declaratório Executivo (ADE), que serve para constituir ou por termo a situações individuais em face da legislação tributária e aduaneira, bem assim preservar direitos, reconhecer situações preexistentes ou possibilitar seu exercício. Aplicamse, especialmente, nos casos de: reconhecimento ou suspensão de isenção; suspensão de imunidade; declaração de inaptidão; exclusão de regimes tributários especiais; concessão de registro especial de fabricantes ou importadores; divulgação, quando exigida, de extratos de despachos decisórios concessivos. Logo, o ADE constitui ou põe termo a situações individuais envolvendo reconhecimento de isenção, suspensão de imunidade e exclusão de regime tributário especial. Se o ADE pode constituir ou terminar o reconhecimento de isenção, cuja modalidade condicional poderia se equiparar a redução de alíquota discutida nestes autos, bem como resultar em suspensão de imunidade, que possui status constitucional, logo, privilegiado em relação à redução de alíquota, por que não poderia constituir ou por termo a situações individuais de reconhecimento de redução de alíquota? Dizer que o Ato Declaratório declara direitos ou reconhece situações preexistentes não significa dizer que, nestes casos, está dispensada ou proibida à autoridade administrativa a verificação da existência destes direitos ou situações. Pelo contrário. A autoridade administrativa, cujas atividades são vinculadas, não pode deixar de verificar o cumprimento de lei, no caso, o art. 60 da Lei nº 9.069, de 1995, que diz: “Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. (Vide Lei nº 11.128, de 2005).” Também impõem ao agente público a exigência de comprovação de quitação de tributos as seguintes normas. Constituição Federal de 1988:: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (...) § 3º. A pessoa jurídica em débito com o sistema da seguridade social, como estabelecido em lei, não poderá contratar com o Poder Público nem dele receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios. (...)” Fl. 176DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.000601/200991 Acórdão n.º 3801004.400 S3TE01 Fl. 14 13 Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 dispõe: “Art. 47. É exigida Certidão Negativa de DébitoCND, fornecida pelo órgão competente, nos seguintes casos: I – da empresa: a) na contratação com o Poder Público e no recebimento de benefícios ou incentivo fiscal ou creditício concedido por ele. (...) Redução de alíquota é benefício fiscal. Não cabe afirmar que a redução de alíquota não é um benefício fiscal. Vejamse os arts. 150, §6º, e 165, 6º, da Constituição Federal de 1988: “Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) §6º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, §2º, XII, g. (...)” “Art. 165. Lei de iniciativa do Poder Executivo estabelecerão: (...) §6º O projeto de lei orçamentária será acompanhado de demonstrativo regionalizado do efeito, sobre as receitas e despesas, decorrente de isenções, anistias, remissões, subsídios e benefícios de natureza financeira, tributária e creditícia. (...)” Também a Lei de Responsabilidade Fiscal, citada pela Conselheira Maria Inês Caldeira da Silva Pereira Murgel, ampara o entendimento de que a redução de alíquota é benefício fiscal, logo, aplicase ao caso o art. 60 da Lei 9.069, de 1995. Momento da comprovação da regularidade fiscal. Conforme normas citadas nas sessões anteriores, a comprovação da quitação de tributos federais deve ser feita para o recebimento de benefícios fiscais. No caso da redução da alíquota de IPI, a comprovação deve amparar todas as operações de saídas de produtos industrializados do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial, porque a cada operação tributada pelo IPI, a redução significa um benefício fiscal. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.000601/200991 Acórdão n.º 3801004.400 S3TE01 Fl. 15 14 Por isso, não basta comprovar a regularidade fiscal apenas no momento do requerimento do benefício. Assim dispõe a Lei nº 4.502, de 30/11/1964, quanto ao IPI: Art. 2º Constitui fato gerador do impôsto: I quanto aos produtos de procedência estrangeira o respectivo desembaraço aduaneiro; II quanto aos de produção nacional, a saída do respectivo estabelecimento produtor. “Art . 13. O impôsto será calculado mediante aplicação das alíquotas constantes da Tabela anexa sôbre o valor tributável dos produtos na forma estabelecida neste Capítulo. Art. 14. Salvo disposição em contrário, constitui valor tributável: (Redação dada pela Lei nº 7.798, de 1989) (...) II quanto aos produtos nacionais, o valor total da operação de que decorrer a saída do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial. (Redação dada pela Lei nº 7.798, de 1989) § 1º. O valor da operação compreende o preço do produto, acrescido do valor do frete e das demais despesas acessórias, cobradas ou debitadas pelo contribuinte ao comprador ou destinatário. (Redação dada pela Lei nº 7.798, de 1989) (...)” O momento do fato gerador é o da saída do produto do estabelecimento contribuinte. O quantum do imposto é o resultado da aplicação da alíquota constante da Tabela do IPI sobre o valor da operação. Para cada operação em que se aplique uma alíquota reduzida, temse uma operação realizada com benefício fiscal. Cada operação realizada com o benefício está sujeita à fiscalização, logo, cada operação submetese ao reconhecimento do benefício, o que leva à conclusão de que a beneficiada deve estar amparada pela certidão de quitação de tributos federais não apenas no momento do pedido de redução de alíquota, mas, durante todo o tempo em que usufrua da concessão do benefício. Nos autos ficou claro que, no momento em que a autoridade administrativa analisou o requerimento, a contribuinte encontravase em situação impeditiva da emissão da certidão negativa de débitos, motivo suficiente para indeferir o pedido. A partir do momento em que a contribuinte passou a reunir as condições necessárias e suficientes para fruição do benefício fiscal, poderia ela pleitear novamente seu reconhecimento. Como conseqüência do que aqui foi dito e tendo em vista que não se está a analisar operações realizadas pela contribuinte entre o protocolo do requerimento e este Fl. 178DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.000601/200991 Acórdão n.º 3801004.400 S3TE01 Fl. 16 15 julgamento, logo, ainda que se considere eventual atendimento, neste momento, às condições para fruição do benefício, não se pode decidir que tais operações sejam alcançadas pelo benefício. A Súmula CARF nº 37, que trata de outras situações fáticas, não se aplica ao benefício da redução de alíquota de IPI, que como visto acima ocorre em cada operação tributada por este imposto. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Fl. 179DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10480.723385/2010-65
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2007, 2008
FALTA DE RETENÇÃO E DE RECOLHIMENTO. MULTA. OBRIGAÇÃO DA FONTE PAGADORA.
Após o encerramento do período de apuração, a responsabilidade pelo pagamento do respectivo imposto passa a ser do beneficiário dos rendimentos, cabível a aplicação, à fonte pagadora, da multa pela falta de retenção ou de recolhimento, prevista no art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007, ainda que os rendimentos tenham sido submetidos à tributação no ajuste.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
O oferecimento dos rendimentos à tributação pelo beneficiário, combinado com o recolhimento de multa de mora pela fonte pagadora, não caracteriza denúncia espontânea, relativamente à obrigação desta última, de reter e recolher o imposto.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-003.580
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda. Vencidos os Conselheiros, Gustavo Lian Haddad (Relator), Manoel Coelho Arruda Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Maria Teresa Martinez Lopez, que votaram por negar provimento ao Recurso. Designada a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo para redigir o voto vencedor. Declarou-se impedido o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Gustavo Lian Haddad Relator
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Redatora - Designada
EDITADO EM:08/03//2015
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Tereza Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada).
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2007, 2008 FALTA DE RETENÇÃO E DE RECOLHIMENTO. MULTA. OBRIGAÇÃO DA FONTE PAGADORA. Após o encerramento do período de apuração, a responsabilidade pelo pagamento do respectivo imposto passa a ser do beneficiário dos rendimentos, cabível a aplicação, à fonte pagadora, da multa pela falta de retenção ou de recolhimento, prevista no art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007, ainda que os rendimentos tenham sido submetidos à tributação no ajuste. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. O oferecimento dos rendimentos à tributação pelo beneficiário, combinado com o recolhimento de multa de mora pela fonte pagadora, não caracteriza denúncia espontânea, relativamente à obrigação desta última, de reter e recolher o imposto. Recurso especial provido.
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MULTA. OBRIGAÇÃO DA FONTE PAGADORA. Após o encerramento do período de apuração, a responsabilidade pelo pagamento do respectivo imposto passa a ser do beneficiário dos rendimentos, cabível a aplicação, à fonte pagadora, da multa pela falta de retenção ou de recolhimento, prevista no art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007, ainda que os rendimentos tenham sido submetidos à tributação no ajuste. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. O oferecimento dos rendimentos à tributação pelo beneficiário, combinado com o recolhimento de multa de mora pela fonte pagadora, não caracteriza denúncia espontânea, relativamente à obrigação desta última, de reter e recolher o imposto. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda. Vencidos os Conselheiros, Gustavo Lian Haddad (Relator), Manoel Coelho Arruda Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Maria Teresa Martinez Lopez, que votaram por negar provimento ao Recurso. Designada a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo para redigir o voto vencedor. Declarouse impedido o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 33 85 /2 01 0- 65 Fl. 926DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad – Relator (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Redatora Designada EDITADO EM:08/03//2015 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Tereza Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada). Relatório Em face de Companhia Energética de Pernambuco CELPE foi lavrado o auto de infração de fls. 02/09 para a exigência de multa e juros isolados em razão da falta de retenção e recolhimento de imposto de renda retido na fonte (“IRRF”) sobre valores de juros sobre o capital próprio distribuídos a pessoa jurídica em 2007 e 2008. Em sessão de 19/07/2012, a Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, ao apreciar o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, exarou o acórdão 220201.842, que se encontra às fls. 839/854 e cuja ementa é a seguinte: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2007, 2008 FALTA DE RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DO IRRF MULTA EXIGIDA ISOLADAMENTE LEI Nº 10.488, DE 2007 – RETROATIVIDADE BENIGNA Aplicase a ato ou fato pretérito, não definitivamente julgado, a legislação que deixe de definilo como infração ou que lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática.” Fl. 927DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10480.723385/201065 Acórdão n.º 9202003.580 CSRFT2 Fl. 25 3 A anotação do resultado do julgamento indica que a Turma, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário para reconhecer que a legislação deixou de prever penalidade para a falta de retenção e recolhimento do IRRF quando este não puder mais ser exigido da fonte pagadora e que tal despenalização deveria ser aplicada de forma retroativa ao caso dos autos, ainda não julgado definitivamente. Intimado do acórdão, o Procurador da Fazenda Nacional interpôs o recurso especial de fls. 856/867, requerendo a reforma do acórdão recorrido e o consequente restabelecimento da multa com base na divergência com o acórdão paradigma 210200.465. Ao recurso especial foi dado seguimento, conforme Despacho s/n de 14/02/2013 (fls. 869/872) do Presidente da Câmara a quo. Regularmente intimada da admissão do recurso especial interposto pelo procurador em 08/05/2013 (fls. 877), a interessada apresentou contrarrazões (fls. 879/900), alegando em preliminar a inadmissibilidade do recurso especial e no mérito a sua improcedência. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator O recurso especial interposto pelo Procurador da Fazenda Nacional atende aos pressupostos de admissibilidade para seu conhecimento. Sustenta a Fazenda Nacional divergência entre o acórdão recorrido e o acórdão paradigma 210200.465, proferido pela 2ª Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Sessão deste CARF em processo que, tal como o presente, cuidava de auto de infração lavrado para a cobrança de multa isolada pela falta de retenção e recolhimento de IRRF que não podia mais ser exigido da fonte pagadora. No julgamento do acórdão paradigma, a 2ª Turma da Primeira Câmara concluiu que havia previsão legal para a aplicação da multa isolada sobre a qual se controverte nestes autos. Vejase, neste sentido, a respectiva ementa: “IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2003 IRRF FALTA DE RETENÇÃO MULTA EXIGIDA DA FONTE PAGADORA Havendo previsão legal expressa para sua exigência, nos termos do art. 9° da Lei n" 10.426/2002, deve ser mantido o lançamento que exige da fonte pagadora a multa incidente sobre a falta de retenção e recolhimento do IRRF. MULTA DE OFICIO QUALIFICADA. EMPRESA DE MARKETING DE INCENTIVO. MANOBRA PARA OCULTAR A Fl. 928DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. SONEGAÇÃO. HIGIDEZ DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA LANÇADA. Os pagamentos feitos por intermédio do cartão de incentivo, com a utilização de empresa de marketing como intermediária, são, na verdade, uma grosseira manobra diversionista com o fito de ocultar do fisco a tributação que deveria incidir sobre tais pagamentos. Hígida a qualificação da multa de oficio, já que se demonstrou à sociedade a manobra perpetrada pelo fiscalizado para simular situações não existentes, ocultando da fiscalização o conhecimento da ocorrência do fato gerador, que é o conhecido legalmente como sonegação (art. 71 da Lei n°4.502/64). O voto da I. Conselheira Relatora do acórdão paradigma reconhece a aplicabilidade da multa isolada nos casos de falta de retenção e pagamento de imposto de renda na fonte quando o tributo não pode mais ser exigido da fonte pagadora, verbis: “Tratase de lançamento para exigência de multa e juros isolados em razão da falta de retenção e recolhimento do IRRF incidente sobre pagamentos efetuados a pessoas físicas. A multa isolada foi exigida no percentual de 150%, nos termos do art. 44, II da Lei n° 9.430/96. O lançamento está fundamentado no art. 9° da Lei n° 10.426/02. Sustenta a Recorrente que esta multa não lhe poderia mais ser exigida, uma vez que o referido art. 44 da Lei n° 9.430/96 fora alterado por meio da Lei nº 11.488/07 (MP 351/2007), tendo sido revogada a exigência isolada da multa. Esta nova norma deveria ser aplicada retroativamente ao caso vertente, nos termos do art. 106 do CTN. (...) Como se vê, a legislação suscitada pela Recorrente não só alterou o art. 44 da Lei n° 9.430/96, como também alterou a legislação que dá suporte a este lançamento, mantendo a exigência da multa referida no art. 44 nas hipóteses em que a fonte pagadora deixar de reter o tributo devido quando dos pagamentos por ela efetuados. Sendo assim, não há que se falar, aqui, na aplicação retroativa do art. 44 da Lei n° 9.430/96, pois existe uma norma especifica que prevê a aplicação da multa em comento. (...)” O I. Conselheira Relatora restou vencida apenas quanto à redução da multa aplicada no caso (de 150% para 75%), tal como se depreende do voto vencedor, verbis: “Com a devida vênia a nobre relatora, a quem tenho elevado respeito por seus ponderados posicionamentos jurídicos em votos prolatados no âmbito desta Turma de julgamento, ouso discordar da desqualificação da multa de oficio, como proposto no voto vencido, (...)” (grifei) Se a divergência se instaurou quanto à qualificação da multa, pressuposto que deve ser admitido é que o colegiado concordou sobre ser aplicável a multa de ofício à fonte pagadora, nos casos em que não se lhe pode mais exigir o pagamento do principal de IRRF que não foi retido ou recolhido no prazo devido. Fl. 929DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10480.723385/201065 Acórdão n.º 9202003.580 CSRFT2 Fl. 26 5 Uma vez que a hipótese analisada pelo acórdão paradigma (multa isolada sobre valores de IRRF não retidos ou recolhidos) é comparável com a dos autos e que as conclusões adotadas no acórdão paradigma são suficientes para, se aplicadas ao caso dos autos, determinar a reforma do acórdão recorrido, entendo comprovada a divergência. No mérito, cuidase de controvérsia acerca da revogação da possibilidade legal de aplicação da multa isolada em face da fonte pagadora para hipóteses de falta de retenção ou de falta de recolhimento do IRRF quando o valor principal tributo já não pode mais ser cobrado dela. Preliminarmente, porém, alega o contribuinte que eventual responsabilidade que poderia ter em relação às supostas infrações foi elidida por denúncia espontânea. Isto porque, consoante os documentos juntados às fls. 672 a 690 dos autos, efetuou pagamentos correspondentes a 0,33% dos valores de IRRF sobre os pagamentos de juros sobre capital próprio, nas respectivas datas de vencimento das obrigações tributárias, sob código de receita 6380 MULTA ISOLADA IRRF (ART. 43 L.9430). Os pagamentos efetuados pelo contribuinte estão ilustrados na tabela abaixo: Data JCP IRRF Vcto. Multa lançada Recolhimento Data do recolhimento 31/05/2007 16.398.763,14 2.459.814,47 06/06/2007 1.844.860,85 8.117,39 06/06/2007 31/07/2007 16.398.763,14 2.459.814,47 06/08/2007 1.844.860,85 8.117,39 06/08/2007 31/10/2007 15.771.488,05 2.365.723,21 07/11/2007 1.774.292,41 7.806,89 07/11/2007 31/12/2007 15.986.061,62 2.397.909,24 07/01/2008 1.798.431,93 7.913,10 07/01/2008 30/04/2008 16.846.814,28 2.527.022,14 07/05/2008 1.895.266,61 8.339,17 07/05/2008 31/07/2008 16.846.814,28 2.527.022,14 06/08/2008 1.895.266,61 8.339,17 06/08/2008 31/10/2008 16.942.697,75 2.541.404,66 06/11/2008 1.906.053,50 8.386,64 06/11/2008 31/12/2008 16.879.074,14 2.531.861,12 07/01/2009 1.898.895,84 8.355,14 07/01/2009 Nos termos do Parecer Normativo nº 01/2002, a responsabilidade da fonte pagadora pelo imposto retido na fonte como antecipação do devido pelo beneficiário do pagamento se extingue no prazo fixado para que o beneficiário pessoa física apresente sua declaração de ajuste anual ou no fim do período de apuração do beneficiário pessoa jurídica: “IRRF. ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO APURADO PELO CONTRIBUINTE. RESPONSABILIDADE. Quando a incidência na fonte tiver a natureza de antecipação do imposto a ser apurado pelo contribuinte, a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e recolhimento do imposto extinguese, no caso de pessoa física, no prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual, e, no caso de pessoa jurídica, na data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual.” Caso a falta de retenção ou recolhimento do IRRF seja verificada antes dos prazos acima (primeiro momento), devem ser exigidos da fonte pagadora principal, multa de ofício e juros de mora. Caso a falta seja verificada após tais datas (segundo momento), Fl. 930DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 determinada o citado Parecer Normativo que sejam exigidos da fonte pagadora apenas juros de mora e multa de ofício, de forma isolada: “IRRF. ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO APURADO PELO CONTRIBUINTE. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. PENALIDADE. Constatada a falta de retenção do imposto, que tiver a natureza de antecipação, antes da data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, e, antes da data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, serão exigidos da fonte pagadora o imposto, a multa de ofício e os juros de mora. Verificada a falta de retenção após as datas referidas acima serão exigidos da fonte pagadora a multa de ofício e os juros de mora isolados, calculados desde a data prevista para recolhimento do imposto que deveria ter sido retido até a data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, ou, até a data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica; exigindose do contribuinte o imposto, a multa de ofício e os juros de mora, caso este não tenha submetido os rendimentos à tributação.” Para analisar a ocorrência ou não de denúncia espontânea, no caso de IRRF, o art. 138 do CTN deve ser lido à luz das disposições do Parecer Normativo 01/2002. Nos termos do art. 138 do CTN, a responsabilidade do sujeito passivo por infrações é excluída pela denúncia espontânea da falta cometida acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo e dos juros de mora. No que tange ao IRRF, da perspectiva da fonte pagadora somente é o caso de pagar o tributo se ainda não vencidos os prazos do Parecer Normativo 01/2002, quais sejam, o prazo para entrega da declaração rendimentos se o beneficiário for pessoa física, ou o fim do período de apuração do imposto de renda se o beneficiário for pessoa jurídica. É dizer, antes de referidos prazos, a denúncia espontânea do IRRF pela fonte pagadora se perfaz pelo pagamento do principal do tributo e dos respectivos juros de mora. Depois de referidos prazos, a denúncia espontânea do IRRF pela fonte pagadora se perfaz mediante o simples pagamento dos juros de mora apurados no período entre o vencimento do IRRF e a data fixada para que o beneficiário pessoa física apresente sua declaração de ajuste anual ou a data do fim do período de apuração do imposto de renda pelo beneficiário pessoa jurídica. Em se tratando de denúncia espontânea, em nenhuma hipótese deve ser exigida da fonte pagadora qualquer tipo de penalidade – seja a multa de mora ou a multa pelo lançamento de ofício. Em qualquer dos casos, deve a fonte pagadora informar às autoridades fiscais sobre a infracão cometida antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionados com a infração. Fl. 931DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10480.723385/201065 Acórdão n.º 9202003.580 CSRFT2 Fl. 27 7 No caso dos autos, entendo que a denúncia espontânea somente restou configurada para os fatos geradores de IRRF ocorridos em dezembro de 2007 e em dezembro de 2008. Consoante a tabela acima ilustra, o contribuinte pagou, na data dos respectivos vencimentos dos fatos geradores de IRRF autuados 0,33% do valor devido, a título de multa de mora. Depois de efetuar tais pagamentos, o contribuinte comunicou a falta às autoridades tributárias antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionados com a infração. Os pagamentos realizados pelo contribuinte com referência aos fatos geradores de IRRF ocorridos em maio, julho e outubro de 2007, e em abril, julho e outubro de 2008, ainda antes do encerramento do período de apuração do imposto pelo beneficiário pessoa física, para se adequarem ao preceito do art. 138 do CTN, deveriam ter incluído o principal do IRRF devido. Quanto aos fatos geradores do IRRF ocorridos em dezembro de 2007 e dezembro de 2008, para os quais o contribuinte efetuou pagamento de 0,33% do valor do principal (a título de multa de mora) em janeiro de 2008 e janeiro de 2009, respectivamente, e, depois do pagamento, comunicou às autoridades sobre a infração cometida (fls. 672 e 687), entendo que ocorreu denúncia espontânea. Isto porque, nas datas em que efetuou os pagamentos e as comunicações, não estava mais sujeito ao pagamento do principal do imposto. Também não havia juros de mora a pagar, tendo em vista que o vencimento destes débitos de IRRF se deu posteriormente ao fim do prazo estabelecido pelo Parecer Normativo nº 01/2002. Deste modo, a denúncia espontânea, para os fatos geradores de dezembro de 2007 e dezembro de 2008 se perfez pela comunicação da infração às autoridades tributárias pelo contribuinte. Digase, o contribuinte trouxe aos autos elementos que demonstram a contabilização de referidos pagamentos de juros sobre capital próprio pelo respectivo beneficiário. Com referida comunicação, poderia o Fisco ter verificado junto ao beneficiário o efetivo oferecimento à tributação de tais rendimentos. A tabela que segue sumariza as conclusões acima: Período de apuração Multa lançada Houve denúncia espontânea 31/05/2007 1.844.860,85 Não 31/07/2007 1.844.860,85 Não 31/10/2007 1.774.292,41 Não 31/12/2007 1.798.431,93 Sim 30/04/2008 1.895.266,61 Não 31/07/2008 1.895.266,61 Não 31/10/2008 1.906.053,50 Não 31/12/2008 1.898.895,84 Sim Fl. 932DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 Por outro lado, para os períodos em relação aos quais não houve reconhecimento de denúncia espontânea a base legal da multa de ofício isolada aplicada foi o art. 9º da Lei 10.426/2002 c/c art. 44 da Lei 9.430/96. Em sua redação original, o art. 9º da Lei 10.426/2002 dispunha que: “Art. 9º. Sujeitase às multas de que tratam os incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a fonte pagadora obrigada a reter tributo ou contribuição, no caso de falta de retenção ou recolhimento, ou recolhimento após o prazo fixado, sem o acréscimo de multa moratória, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” A redação original do art. 9º acima referido fazia referência ao art. 44, I e II da Lei 9.430/96, cuja redação contemporânea à edição da Lei 10.426/2002 era a seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; II isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; III isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazêlo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste; IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; (...)” O art. 44 da Lei 9.430/96 previa, nos dois incisos de seu caput a que o art. 9º da Lei 10.426/2002 se referia, multas de 75% para a falta de pagamento de tributo ou para os casos de pagamento após o vencimento, sem o acréscimo da multa de mora, e de 150%, para casos de evidente intuito de fraude dos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64. Fl. 933DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10480.723385/201065 Acórdão n.º 9202003.580 CSRFT2 Fl. 28 9 O § 1º de referido artigo, por sua vez, estabelecia expressamente que as multas previsas no caput poderiam ser cobradas de forma isolada em determinados casos, especialmente nos casos em que o tributo havia sido pago após o prazo de vencimento, mas sem o acréscimo da multa moratória. Neste contexto é que foi editado o art. 9º da Lei 10.426/2002, para estender a aplicação das multas do art. 44 da Lei 9.430/96 aos casos de falta de retenção ou recolhimento de impostos ou contribuições, e também para os casos de recolhimento após o prazo de vencimento sem o acréscimo da multa de mora. A hipótese de aplicação isolada da multa pela não retenção ou não recolhimento do IRRF sempre esteve relacionada com a possibilidade de cobrança da multa mesmo quando o principal do tributo foi recolhido, mas o foi após o vencimento e sem o acréscimo da multa moratória. Isto é, devido à particularidade do IRRF retido a título de antecipação do imposto devido pelo beneficiário reconhecida no Parecer Normativo 01/2002, após o encerramento do período de apuração pelo beneficiário a obrigação jurídica de pagar o imposto se extingue para a fonte pagadora, tal como se extinguiria tivesse a fonte pagadora feito o recolhimento do IRRF sem o acréscimo da multa de mora. Vejase, neste sentido, os itens 15 e 16 do Parecer Normativo 01/2002: “Penalidades aplicáveis pela nãoretenção ou nãopagamento do imposto 15. Verificada, antes do prazo para entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, ou, antes da data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, a nãoretenção ou recolhimento do imposto, ou recolhimento do imposto após o prazo sem o acréscimo devido, fica a fonte pagadora, conforme o caso, sujeita ao pagamento do imposto, dos juros de mora e da multa de ofício estabelecida nos incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (art. 957 do RIR/1999), conforme previsto no art. 9º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, verbis: Lei nº 10.426, de 2002 ‘Art. 9º Sujeitase às multas de que tratam os incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a fonte pagadora obrigada a reter tributo ou contribuição, no caso de falta de retenção ou recolhimento, ou recolhimento após o prazo fixado, sem o acréscimo de multa moratória, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Parágrafo único. As multas de que trata este artigo serão calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição que deixar de ser retida ou recolhida, ou que for recolhida após o prazo fixado.’ RIR/1999 Fl. 934DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 10 ‘Art. 957. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de imposto (Lei nº 9.430, de 1996, art. 44): I de setenta e cinco por cento nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II de cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Parágrafo único. As multas de que trata este artigo serão exigidas (Lei nº 9.430, de 1996, art. 44, § 1º): I juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago; II isoladamente, quando o imposto houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; (...).’ 16. Após o prazo final fixado para a entrega da declaração, no caso de pessoa física, ou, após a data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, a responsabilidade pelo pagamento do imposto passa a ser do contribuinte. Assim, conforme previsto no art. 957 do RIR/1999 e no art. 9º da Lei nº 10.426, de 2002, constatando se que o contribuinte: a) não submeteu o rendimento à tributação, serlheão exigidos o imposto suplementar, os juros de mora e a multa de ofício, e, da fonte pagadora, a multa de ofício e os juros de mora; b) submeteu o rendimento à tributação, serão exigidos da fonte pagadora a multa de ofício e os juros de mora. 16.1. Os juros de mora devidos pela fonte pagadora, nas situações descritas nos itens "a" e "b" acima, calculamse tomando como termo inicial o prazo originário previsto para o recolhimento do imposto que deveria ter sido retido, e, como termo final, a data prevista para a entrega da declaração, no caso de pessoa física, ou, a data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica. 16.2. A pessoa jurídica sujeita à tributação do imposto de renda com base de cálculo estimada, a que se refere o art. 2º da Lei nº 9.430, de 1996, que não tenha submetido à tributação os rendimentos sujeitos à retenção na fonte que devam ser incluídos na base de cálculo estimada, fica sujeita à multa isolada prevista no inciso IV do § 1º do art. 44 da referida Lei, e caso não inclua Fl. 935DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10480.723385/201065 Acórdão n.º 9202003.580 CSRFT2 Fl. 29 11 tais rendimentos na apuração anual, serlheão exigidos o imposto suplementar, os juros de mora e a multa de ofício.” A Medida Provisória 303/2006 alterou a redação do art. 44 da Lei 9.430/96 para extinguir a possibilidade de cobrança de multa por lançamento de ofício nos casos em que o sujeito passivo efetua o recolhimento a destempo e sem o acréscimo da multa moratória devida. Contudo, referida medida provisória não foi convertida em lei e perdeu eficácia. Nova alteração na redação do art. 44 da Lei 9.430/96 sobreveio com a adoção da Medida Provisória 351/2007, posteriormente convertida na Lei 11.488/2007, também com a idéia de suprimir a possibilidade de cobrança de multa por lançamento de ofício nos casos em que o sujeito passivo efetua o recolhimento do tributo depois do vencimento mas a multa de mora. Foi o art. 14 da Lei 11.488/2007 que deu a redação vigente do art. 44 da Lei 9.430/96: “Art. 14. O art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação, transformandose as alíneas a, b e c do § 2o nos incisos I, II e III: ‘Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8º da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1º. O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. I (revogado); II (revogado); III (revogado); IV (revogado); Fl. 936DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 12 V (revogado pela Lei no 9.716, de 26 de novembro de 1998). § 2º. Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. ................................................. ’ (NR)” Verificase que a redação dada ao art. 44 da Lei 9.430/96 pelo art. 14 da Lei 11.488/2007 suprimiu todas as referências a “tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora” e, especialmente, revogou a previsão do inciso II do § 1º da redação anterior, que previa a possibilidade de exigência isolada da multa de ofício nesta hipótese. O art. 16 da Lei 11.488/2007 também deu nova redação ao próprio art. 9º da Lei 10.426/2002: “Art. 16. O art. 9o da Lei no 10.426, de 24 de abril de 2002, passa a vigorar com a seguinte redação: ‘Art. 9º. Sujeitase à multa de que trata o inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicada na forma de seu § 1º, quando for o caso, a fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição no caso de falta de retenção ou recolhimento, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. ..................................................... ’ (NR)” Na alteração promovida no art. 9º da Lei 10.426/2002, também se verifica a supressão da expressão “ou recolhimento após o prazo fixado, sem o acréscimo de multa moratória”. Na nova redação conferida ao artigo 9º da Lei n. 10.426, de 2002, a multa aplicável por falta de retenção é aquela prevista no artigo 44, I da Lei n. 9.430, de 1996, sendo esta exigível apenas em conjunto com tributo não recolhido ou declarado nas hipóteses em que isto assim sucede. No caso da falta de retenção na fonte, na hipótese em que o tributo ainda pode ser exigido da fonte pagadora, em que a este se agregará multa de oficio. A única previsão de multa exigida isoladamente é a do inciso II do artigo 44 da Lei n. 9.430, para os casos de falta de antecipação de IRPJ ou IRPF durante o ano, e tal inciso não é referido pelo artigo 9º da Lei n. 10.426, de 2002. O legislador quando refere ou remete algo o faz com sentido e intenção próprias, não cabendo a construção de norma individual e concreto que se utilize de enunciado prescritivo inexistente. Nem se diga que a referência feita pelo artigo 9º da Lei n. 10.426 apenas ao inciso I do artigo 44 é apenas acidental e dirigida ao percentual de 75% a ser aplicado. O Fl. 937DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10480.723385/201065 Acórdão n.º 9202003.580 CSRFT2 Fl. 30 13 enunciado remete ao regime jurídico do artigo 44, inciso I, e não ao percentual nele previsto, ao referir “a multa de que trata o artigo 44, inciso I da Lei n. 10.426”. Ainda que pudesse haver dúvida quanto à melhor capitulação legal, em se tratando de norma que prescreve penalidades (e apenas nesta hipótese) a dúvida se resolve em favor da interpretação mais favorável ao apenado, por expressa direção do comando do artigo 112 do CTN. Pois bem. Tendo em vista que com o advento da Lei n. 11.488 de 2007 não há mais base legal para o lançamento de multa de ofício nos casos em que o IRRF não retido ou não recolhido não pode mais ser exigido da fonte pagadora, mas sim diretamente do beneficiário, devese aplicar tal conclusão de forma retroativa a casos ainda não definitivamente julgados, nos termos do artigo 106 do CTN. Esta 2ª Turma da CSRF já chegou a esta mesma conclusão em julgamentos anteriores, na sessões de 14/02/2012 (acórdão 9202001.938) e 29/11/2011 (acórdão 9202001.886), cujas ementas foram assim redigidas: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE – IRRF Anocalendário: 2001 IRRF TRIBUTO RECOLHIDO A DESTEMPO DENÚNCIA ESPONTÂNEA MULTA MORATÓRIA INDEVIDA. O instituto da denúncia espontânea, previsto no artigo 138 do Código Tributário Nacional, exclui a responsabilidade pela infração e impede a exigência de multa de mora, quando o tributo devido for pago, com os respectivos juros de mora, antes do início do procedimento fiscal e em momento anterior à entrega de DCTF, de GIA, de GFIP, entre outros, tal qual se verifica neste feito. Por força do artigo 62A do RICARF, aplicase ao caso a decisão proferida pelo Egrégio STJ, sob o rito do recurso repetitivo, nos autos do REsp n° 1.149.022/SP. Ademais, salvo melhor juízo, a própria ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional reconheceu a procedência desta tese através do Ato Declaratório n° 04/2011 (DOU de 21/12/2011, p. 36). MULTA DE OFÍCIO ISOLADA IMPROCEDÊNCIA RETROATIVIDADE BENIGNA. A multa isolada exigida pelo recolhimento extemporâneo de tributo, desacompanhado da multa de mora, tinha previsão legal no artigo 44, incisos I e II, § 1°, inciso II e § 2°, da Lei n° 9.430/96. Ocorre, que referido dispositivo legal restou alterado pela Medida Provisória n° 351, de 22/01/2007, convertida na Lei n° 11.488/2007, sendo que a penalidade em apreço deixou de existir. Aplicação ao caso do princípio da retroatividade benigna (artigo 106 do CTN). Recurso especial provido.” “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE – IRRF Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 FONTE PAGADORA. AUSÊNCIA DE RETENÇÃO E RECOLHIMENTO. SUPERVENIÊNCIA DA LEI N° Fl. 938DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 14 11.488/2007. RETROATIVIDADE BENIGNA. EXCLUSÃO DA MULTA PREVISTA NO INCISO II DO ARTIGO 44 DA LEI N° 9430/96. A multa isolada prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei n° 9430/96, foi expressamente excluída, relativamente à fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição no caso de falta de retenção ou recolhimento, com fundamento na Lei n° 11.488/2007. Aplicação do artigo 106, inciso II, “c”, do CTN. FONTE PAGADORA. NÃO EXIGIBILIDADE DO IMPOSTO. PARECER NORMATIVO COSIT n° 01/2002. CONSEQUENTE NÃO INCIDÊNCIA DA MULTA PREVISTA NO INCISO 44, INCISO I, DA LEI N° 9.430/96. Não mais sendo exigível da fonte pagadora a imposto não recolhido, não há respaldo para incidência, consequentemente, da respectiva multa.” Diante do exposto, voto por conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional para, no mérito, negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 939DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10480.723385/201065 Acórdão n.º 9202003.580 CSRFT2 Fl. 31 15 Voto Vencedor Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, Designada Discordo do Ilustre Conselheiro Relator, pelas razões a seguir expostas. Tratase de exigência, formalizada em 2010, de multa por falta de retenção e recolhimento de Imposto de Renda Retido na Fonte, quando da distribuição de juros sobre capital próprio para a empresa Neoenergia S/A, nos anoscalendário de 2007 e 2008. Os pagamentos dos rendimentos foram efetuados de maio de 2007 a dezembro de 2008. Referida multa foi aplicada à fonte pagadora, Companhia Energética de Pernambuco – CELPE, com fundamento no art. 9º, da Lei nº 10.426, de 24/04/2002, com a redação dada pelo artigo 16, da Lei nº 11.488, de 15/06/2007. No acórdão recorrido, dita penalidade foi afastada, mediante a aplicação de suposta retroatividade benigna (art. 106, inciso II, “a”, do CTN), considerandose que ela teria sido extinta inicialmente pela Medida Provisória n° 303, de 29/06/2006, que perdera eficácia, e depois pela Medida Provisória n° 351, de 22/01/2007, convertida na Lei n° 11.488, de 15/06/2007. De plano, constatase que todos os fatos geradores objeto da autuação (de maio de 2007 a dezembro de 2008) ocorreram já na vigência da Medida Provisória nº 351, de 22/01/2007, portanto se a penalidade ora tratada houvesse efetivamente sido extinta – o que aqui não se admite – ela haveria de ser afastada pela aplicação direta das citadas MP e Lei, e não por meio do art. 106, II, “a”, do CTN. Entretanto, tal nuance não merece maiores considerações, já que a multa em tela nunca foi extinta, conforme será demonstrado. Primeiramente, esclareçase que não está sendo exigido o Imposto de Renda devido pela beneficiária dos rendimentos, que é a empresa Neoenergia S/A. Tampouco está sendo cobrada multa pelo recolhimento do IRRF fora do prazo sem aplicação de multa de mora. O que está sendo cobrado, no presente caso, é unicamente a multa pelo não cumprimento, por parte da fonte pagadora – CELPE – da obrigação de efetuar a retenção e o recolhimento do IRRF, a título de antecipação. A penalidade em tela foi instituída pela Medida Provisória nº 16, de 27/12/2001, convertida na Lei nº 10.426, de 2002, que assim estabelecia, em sua redação original: “Art.9º. Sujeitase às multas de que tratam os incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a fonte pagadora obrigada a reter tributo ou contribuição, no caso de falta de retenção ou recolhimento, ou recolhimento após o prazo fixado, sem o acréscimo de multa moratória, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Fl. 940DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 16 Parágrafo único. As multas de que trata este artigo serão calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição que deixar de ser retida ou recolhida, ou que for recolhida após o prazo fixado.” O dispositivo acima não deixa a menor brecha para que se entenda que a penalidade nele prevista poderia ser exigida de outra forma, que não a isolada. Com efeito, a penalidade está sendo aplicada à fonte pagadora, que não é a beneficiária dos rendimentos, portanto resta descartada qualquer possibilidade de cobrança desta multa juntamente com o imposto, cujo ônus, repitase, não é da fonte pagadora, e sim do beneficiário. Confirmando esse entendimento, o parágrafo único especifica a base de cálculo da multa, que nada mais é que o tributo que deixou de ser retido ou recolhido. O art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, por sua vez, tinha a seguinte redação: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I. de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II. cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. §1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; II. isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; III. isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazêlo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste; IV. isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; V. isoladamente, no caso de tributo ou contribuição social lançado, que não houver sido pago ou recolhido. (...)” Como se pode constatar, o art. 44, acima, não trata de multas incidentes sobre imposto cobrado por meio de responsabilidade tributária de fonte pagadora, e sim de Fl. 941DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10480.723385/201065 Acórdão n.º 9202003.580 CSRFT2 Fl. 32 17 penalidades que recaem diretamente sobre o imposto exigido do sujeito passivo, na qualidade de contribuinte, que relativamente ao Imposto de Renda é o próprio beneficiário dos rendimentos. Nesse passo, nenhuma das modalidades de exigência elencadas no § 1º se amolda à exigência estabelecida no art. 9º da Lei nº 10.426, de 2002, portanto não há que se falar que este último dispositivo tenha se referido ao art 44 da Lei nº 9.430, de 1996, para tomar de empréstimo algo além dos percentuais nele estabelecidos – 75% e 150%. Isso porque a problemática que envolve as modalidades de exigência das penalidades constantes do § 1º do art. 44 – vinculadas ao imposto ou exigidas isoladamente – não se coaduna com a multa por falta de retenção na fonte. Esta, quando exigida, obviamente será isolada, eis que o principal, ou seja, o imposto, será cobrado não da fonte pagadora, mas sim, repitase, do beneficiário dos rendimentos. Com estas considerações, constatase que a referência feita pelo art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, aos incisos I e II, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, está focada nos incisos I e II do caput, e não nos incisos I e II do § 1º, do contrário estarseia atribuindo à fonte pagadora o papel de sujeito passivo contribuinte do tributo, e não o de mera intermediária entre este e o Fisco, responsabilidade esta conferida por lei. Ora, se os incisos I e II do caput do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, tratam de penalidades aplicáveis ao sujeito passivo na qualidade de contribuinte, que no caso do Imposto de Renda é o próprio beneficiário dos rendimentos, e o art. 9º da Lei nº 10.426, de 2002, trata exclusivamente de multa por descumprimento da obrigação de reter e recolher o tributo, aplicável à fonte pagadora na qualidade de responsável, o único elemento passível de empréstimo, do art. 44 para o art. 9º, diz respeito efetivamente aos percentuais de 75% ou 150%. Com efeito, não existe qualquer outro liame entre os dois dispositivos legais. Corroborando este entendimento, a Exposição de Motivos da Medida Provisória nº 16, de 27/12/2001, que foi convertida na Lei nº 10.426, de 2002, encaminhada ao Congresso Nacional, assim esclarece: “Os arts. 7º a 9º ajustam as penalidades aplicáveis a diversas hipóteses de descumprimento de obrigações acessórias relativas a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, reduzindoas ou, no caso do art. 9º, instituindo nova hipótese de incidência, preenchendo lacuna da legislação anterior.” (grifei) O texto acima não deixa dúvidas, no sentido de que o art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, trata unicamente de multa por descumprimento de obrigação acessória pela fonte pagadora, portanto descartase a sua exigência juntamente com o respectivo imposto, cujo ônus é do beneficiário dos rendimentos. Ademais, fica patente que se trata de nova hipótese de incidência, o que também a desvincula definitivamente das hipóteses de incidência elencadas no § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, eis que estas já existiam no ordenamento jurídico muito antes do advento da Medida Provisória nº 16, de 2001. Com a edição da Medida Provisória nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.488, de 15/06/2007, foi alterado o art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, dentre outras finalidades, para extinguir a multa de ofício incidente sobre o pagamento de tributo ou contribuição fora do prazo, desacompanhado de multa de mora. Dito dispositivo legal passou a ter a seguinte redação: Fl. 942DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 18 “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I. de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II. de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8º da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (...)” Assim, o art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, foi reformulado, mantendose a aplicação das multas de ofício vinculadas ao tributo, nos percentuais de 75% e 150%, a primeira mantida no inciso I, do caput, e a segunda não mais abrigada no inciso II, do caput, mas sim no inciso I, do §1º. O inciso II, do caput, que anteriormente continha a multa no percentual de 150%, passou a prever a multa isolada, no percentual de 50%, nos casos de falta de pagamento do carnêleão e de falta de pagamento do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido devido por estimativa (alíneas “a” e “b”). Quanto à multa isolada pelo pagamento de tributo ou contribuição fora do prazo sem o acréscimo de multa de mora, esta foi extinta. Observese que a extinção da multa isolada acima destacada, levada a cabo pela nova redação do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, promovida pela Lei nº 11.488, de 2007, não tem qualquer reflexo nas multas do art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, eis que, conforme já patenteado no presente voto, os dois dispositivos legais tratam de penalidades distintas, o primeiro disciplinando as exigências em face do sujeito passivo contribuinte, que no caso do Imposto de Renda é o beneficiário dos rendimentos, e o segundo regulamentando a incidência pelo descumprimento de obrigação de retenção e recolhimento do tributo pela fonte pagadora, na qualidade de responsável. Como ficou assentado, a conexão entre os dois dispositivos diz respeito unicamente aos percentuais de 75% e 150%. Tanto é assim que o art. 9º teve de sofrer também um ajuste, em função da realocação da multa de 150% (do caput para o § 1º). Ademais, também havia neste dispositivo a previsão de aplicação de multa de ofício à fonte pagadora, pelo recolhimento em atraso do Imposto de Renda Retido na Fonte, sem o acréscimo da multa de mora. Assim, na mesma linha da exclusão levada a cabo na nova redação do art. 44, esta penalidade teria de ser excluída do art 9º, já que não haveria sentido em permanecer no ordenamento jurídico apenas para apenar a fonte pagadora. Confirase a alteração do art. 9º, promovida pela mesma Lei nº 11.488, de 2007: Fl. 943DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10480.723385/201065 Acórdão n.º 9202003.580 CSRFT2 Fl. 33 19 “Art. 9º Sujeitase à multa de que trata o inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicada na forma de seu § 1º, quando for o caso, a fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição no caso de falta de retenção ou recolhimento, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Parágrafo único. As multas de que trata este artigo serão calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição que deixar de ser retida ou recolhida, ou que for recolhida após o prazo fixado.” Ora, se a multa pela falta de retenção e recolhimento na fonte houvesse sido efetivamente extinta, não haveria qualquer razão para que se alterasse o art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, como foi feito acima. A alteração visa claramente adaptar esse dispositivo à nova topografia do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, o que de forma alguma sinaliza que dita penalidade teria sido extinta. Além disso, repitase que a nova redação visou excluir a exigência de multa de ofício pelo recolhimento, pela fonte pagadora, do IRRF fora do prazo sem multa de mora, tal como ocorrera com penalidade semelhante, que antes também era imposta ao beneficiário do rendimento, relativamente ao recolhimento do principal. Assim, igualouse a exoneração desta penalidade, tanto em face do sujeito passivo contribuinte da obrigação principal, como perante a fonte pagadora, na qualidade de responsável pela obrigação de reter e recolher o tributo. As conclusões acima ficam evidenciadas no quadro comparativo a seguir: Redação original do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 Redação do art. 44, dada pela MP nº 351, de 2007, convertida na Lei nº 11.488, de 2007 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I. de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II. cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. §1o As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; II. isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; III. isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazêlo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste; IV. isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I. de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II. de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Fl. 944DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 20 fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; Redação original do art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002 Art. 9º. Sujeitase às multas de que tratam os incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a fonte pagadora obrigada a reter tributo ou contribuição, no caso de falta de retenção ou recolhimento, ou recolhimento após o prazo fixado, sem o acréscimo de multa moratória, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Parágrafo único. As multas de que trata este artigo serão calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição que deixar de ser retida ou recolhida, ou que for recolhida após o prazo fixado. Redação do art. 9º, dada pela MP nº 351, de 2007, convertida na Lei nº 11.488, de 2007 Art. 9o Sujeitase à multa de que trata o inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicada na forma de seu § 1o, quando for o caso, a fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição no caso de falta de retenção ou recolhimento, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Parágrafo único. As multas de que trata este artigo serão calculadas sobre a totalidade u diferença de tributo ou contribuição que deixar de ser retida ou recolhida, ou que for recolhida após o prazo fixado. Além de todas as razões que conduzem à conclusão de que não ocorreu a alegada extinção da multa de ofício pela falta de retenção ou recolhimento do IRRF, destacase o fato de que a adoção de tal tese equivaleria a admitirse a instituição de uma obrigação – retenção e recolhimento do imposto pela fonte pagadora – sem o estabelecimento de sanção, o que seria inusitado no Sistema Tributário Nacional. Ademais, ninguém põe em dúvida a manutenção da multa pela falta de recolhimento do carnêleão, que pressupõe relação entre pessoas físicas, que nem sempre possuem estrutura para cumprir com a obrigação, sendo que quem recolhe a antecipação, nesse caso, é o próprio contribuinte que arca com o encargo financeiro do tributo, descartada a possibilidade de apropriação indébita. Nesse passo, causa ainda maior perplexidade a conclusão de que a multa pela falta de retenção e recolhimento do imposto pela fonte pagadora teria sido extinta, já que as fontes pagadoras, na sua maciça maioria, são pessoas jurídicas, que dispõem de meios adequados ao cumprimento da obrigação. Acrescentese que a retenção na fonte sem o respectivo recolhimento caracteriza apropriação indébita, portanto terseia ainda a possibilidade do cometimento de crime, sem qualquer previsão de sanção na esfera tributária, o que também seria inédito no Sistema Tributário Nacional. Quanto à suposta denúncia espontânea, o Relator a considerou cabível, nos casos em que foi efetuado recolhimento de multa de mora após a data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento teria sido tributado. Entretanto, no entender desta Conselheira, há que se diferenciar o imposto devido, cuja obrigação principal é do beneficiário do rendimento, da multa pela falta de retenção/recolhimento do IRRF, cuja obrigação é da fonte pagadora, na qualidade de responsável. Assim, após a data prevista para o encerramento do período de apuração, o que cessa é a responsabilidade da fonte pagadora sobre o recolhimento do tributo – cuja obrigação passa a ser do beneficiário. Entretanto, a falta de responsabilidade sobre o recolhimento do tributo não exime a fonte pagadora do pagamento da multa pelo descumprimento da obrigação de reter e recolher o imposto, e é exatamente esta a exigência que ora se analisa. Com efeito, não há como acolherse a pretensão do contribuinte autuado, que é a fonte pagadora, de eximirse da multa por descumprimento de sua obrigação de reter e recolher o imposto, invocando a denúncia espontânea, ao argumento de que os rendimentos foram oferecidos à tributação, obrigação esta que não é sua, mas sim do respectivo Fl. 945DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10480.723385/201065 Acórdão n.º 9202003.580 CSRFT2 Fl. 34 21 beneficiário. Nesse passo, assim estabelece o item 16 do Parecer Normativo COSIT nº 1, de 2002, que deve ser considerado na sua integralidade, e não apenas em parte. Confirase: “16. Após o prazo final fixado para a entrega da declaração, no caso de pessoa física, ou, após a data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, a responsabilidade pelo pagamento do imposto passa a ser do contribuinte. Assim, conforme previsto no art. 957 do RIR/1999 e no art. 9º da Lei nº 10.426, de 2002, constatandose que o contribuinte: a) não submeteu o rendimento à tributação, serlheão exigidos o imposto suplementar, os juros de mora e a multa de ofício, e, da fonte pagadora, a multa de ofício e os juros de mora; b) submeteu o rendimento à tributação, serão exigidos da fonte pagadora a multa de ofício e os juros de mora.” Destarte, ainda que os rendimentos tenham sido oferecidos à tributação, remanesce a aplicação da penalidade pela falta de retenção e recolhimento por parte da fonte pagadora. Destarte, não há que se falar em denúncia espontânea, quando a obrigação tributária do denunciante não foi por ele cumprida. Finalmente, quanto ao Acórdão nº 9202001.938, de 14/02/2012, citado pelo Relator em seu voto, este não trata de multa pela falta de retenção e de recolhimento do IRRF, como no presente caso, mas sim de multa de ofício sobre recolhimento fora do prazo, sem o acréscimo de multa de mora, penalidade esta que, conforme restou assentado no presente voto, efetivamente foi extinta. Confirase os respectivos trechos da ementa e do voto condutor deste acórdão: Ementa “(...) MULTA DE OFÍCIO ISOLADA IMPROCEDÊNCIA RETROATIVIDADE BENIGNA. A multa isolada exigida pelo recolhimento extemporâneo de tributo, desacompanhado da multa de mora, tinha previsão legal no artigo 44, incisos I e II, § 1°, inciso II e § 2°, da Lei n° 9.430/96. Ocorre, que referido dispositivo legal restou alterado pela Medida Provisória n° 351, de 22/01/2007, convertida na Lei n° 11.488/2007, sendo que a penalidade em apreço deixou de existir. Aplicação ao caso do princípio da retroatividade benigna (artigo 106 do CTN). Recurso especial provido.” Voto “É fácil perceber, pois, que a previsão para incidência da multa isolada pelo recolhimento extemporâneo de tributo, desacompanhado da multa de mora, exigida no caso em apreço, foi revogada.” (grifei) Assim, entende esta Conselheira que a multa de ofício pela falta de retenção ou de recolhimento de IRRF pela fonte pagadora nunca foi extinta, permanecendo vigente no Fl. 946DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 22 ordenamento jurídico. Tal entendimento encontra respaldo na jurisprudência do CARF, aqui representada pelos Acórdãos nºs 2201002.676 e 210200.465, cujas ementas a seguir são transcritas: “IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2007 IRRF. FALTA DE RETENÇÃO/RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. CABIMENTO. É cabível a aplicação da multa isolada sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição que deixar de ser retida, conforme dispõe o art. 9º da Lei n.° 10.426/2002. PERÍCIA OU DILIGÊNCIA. Indeferese o pedido de perícia ou diligência quando a sua realização revelese prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora. SELIC. SÚMULA CARF N° 4. “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. (Relator Eduardo Tadeu Farah) “IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2003 IRRF FALTA DE RETENÇÃO MULTA EXIGIDA DA FONTE PAGADORA Havendo previsão legal expressa para sua exigência, nos termos do art. 9° da Lei nº 10.426/2002, deve ser mantido o lançamento que exige da fonte pagadora a multa incidente sobre a falta de retenção e recolhimento do IRRF. MULTA DE OFICIO QUALIFICADA. EMPRESA DE MARKETING DE INCENTIVO. MANOBRA PARA OCULTAR A OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. SONEGAÇÃO. HIGIDEZ DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA LANÇADA. Os pagamentos feitos por intermédio do cartão de incentivo, com a utilização de empresa de marketing como intermediária, são, na verdade, uma grosseira manobra diversionista com o fito de ocultar do fisco a tributação que deveria incidir sobre tais pagamentos. Hígida a qualificação da multa de oficio, já que se demonstrou à sociedade a manobra perpetrada pelo fiscalizado para simular situações não existentes, ocultando da fiscalização o conhecimento da ocorrência do fato gerador, que é o conhecido legalmente como sonegação (art. 71 da Lei n°4.502/64). (Relatora Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti) Fl. 947DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10480.723385/201065 Acórdão n.º 9202003.580 CSRFT2 Fl. 35 23 Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 948DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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