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Numero do processo: 10280.903668/2012-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Sep 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA. PRODUTOS SUJEITOS À SISTEMÁTICA MONOFÁSICA. IMPOSSIBILIDADE.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º da Lei 10.637/2002, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º da referida lei. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Numero da decisão: 3402-006.760
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Muller Nonato Cavalcanti Silva (suplente convocado), Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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BENS PARA REVENDA. PRODUTOS SUJEITOS À SISTEMÁTICA MONOFÁSICA. IMPOSSIBILIDADE. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º da Lei 10.637/2002, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º da referida lei. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Muller Nonato Cavalcanti Silva (suplente convocado), Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra o Acórdão da DRJ, que não reconheceu o direito creditório pleiteado, mantendo o indeferimento do ressarcimento e a não homologação da compensação declarada. Regularmente cientificado, o contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário repisando os argumentos trazidos em sua manifestação de inconformidade, na qual, alega a existência de créditos pelas aquisições de produtos (combustíveis) para revenda, sujeitos à AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 36 68 /2 01 2- 15 Fl. 58DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3402-006.760 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10280.903668/2012-15 alíquota zero, dentro do regime da incidência monofásica, com fundamento no art. 16 da MP nº 206/2004, convalidado no art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004. Alega que a vedação ao aproveitamento de créditos foi tacitamente revogada com a superveniência da referida Lei nº 11.033, e que está submetida ao regime de apuração não cumulativa das contribuições, mesmo com a tributação monofásica dos produtos adquiridos, sendo permitido o aproveitamento dos créditos. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº. 3402-006.756, de 20 de agosto de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10280.903665/2012-73. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3402-006.756): “A questão trazida a julgamento centra-se na possibilidade do ressarcimento e/ou da utilização por compensação de créditos oriundos da aquisição de combustíveis derivados de petróleo para revenda, submetidos à incidência monofásica do PIS e da COFINS. A Recorrente alega que qualquer vedação à manutenção de créditos das contribuições estaria revogada em razão da superveniência do artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garantiria o direito ao creditamento sempre que as saídas estiverem submetidas à alíquota zero, sem exceções; e que o artigo 3º, I, “b”, da Lei 10.833/2003, não se aplicava às saídas efetuadas por distribuidores e varejistas, mas tão somente às saídas promovidas por importadores e industriais, não se aplicando ao seu caso. Incialmente, passo a transcrição do dispositivo legal da Lei nº10.833/2003 que trata da possibilidade de creditamento em relação às aquisições de bens para revenda: Art. 3º. Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I - bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3º do art. 1º desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) b) nos §§ 1º e 1º-A do art. 2º desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) [...] § 2º. Não dará direito a crédito o valor: Fl. 59DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3402-006.760 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10280.903668/2012-15 [...] II - da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. O art. 3º, I, da Lei 10.833/2003 dispõe que a pessoa jurídica poderá descontar do valor apurado na forma do art. 2º créditos calculados em relação a bens adquiridos para revenda, com as seguintes exceções: (a) em relação às mercadorias e produtos referidos no inciso III do § 3º do art. 1º, ou seja, mercadorias sujeitas à substituição tributária; e (b) nos §§ 1º e 1º-A do art. 2º, ou seja, na aquisição das mercadorias sujeitas à incidência monofásica. O texto legal é expresso na impossibilidade de crédito na aquisição das mercadorias sujeitas à incidência monofásica, inclusive combustíveis adquiridos pela recorrente. A recorrente alega que o artigo 17 da Lei 11.033/2004, regulou a situação, permitindo a manutenção dos créditos vinculados às saídas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência. Transcrevo o referido dispositivo legal: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Entendo que tal dispositivo legal não trouxe nenhuma nova regra à apuração das contribuições, mas apenas esclareceu situações porventura controversas, conforme expressamente dispõe a exposição de motivos da MP 206/2004, que originou tal norma. Trata-se apenas da manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados às operações com saídas não sujeitas ao pagamento da contribuição. Não se trata de permissão para creditamento de aquisições de produtos que não se sujeitaram ao pagamento das contribuições, ou em outras situações excepcionadas (como a monofasia e a substituição tributária), mas permitir a manutenção do crédito das contribuições que efetivamente foram pagas nas aquisições daqueles produtos que se sujeitarão a saídas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência. Ou seja, os créditos vinculados às vendas são mantidos, não criados. Trata-se daqueles créditos já previstos pela norma, com as exclusões impostas, não novas possibilidades de créditos. Não se trata de restringir o direito ao crédito das contribuições na não- cumulatividade, mas permiti-la apenas naquelas situações determinadas pelo legislador, sem qualquer ofensa ao princípio da não-cumulatividade. Destaca-se que o legislador, ao criar tal sistemática de apuração, já considerou as etapas da cadeia produtiva, as margens estimadas, e a vedação para o crédito nas aquisições. Permitir o creditamento nas situações sujeitas à sistemática monofásica é desvirtuar todo o sistema de Fl. 60DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3402-006.760 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10280.903668/2012-15 apuração das contribuições, permitindo um ganho indevido por parte do sujeito passivo, afrontando a concorrência e outros setores econômicos que não teriam tal possibilidade. A melhor doutrina não diverge de tal entendimento. Assim leciona o professor André Mendes Moreira, com a clareza que lhe é peculiar: "Quando a não-cumulatividade do PIS/COFINS entrou a viger, os contribuintes sujeitos à monofasia (produtores e importadores) foram mantidos na sistemática cumulativa. Dessa forma, essa categoria e empresas não adquiriu o direito - concedido a todos os que foram sujeitos à não-cumulatividade - de descontar créditos sobre suas aquisições. Entretanto, quando o PIS e a COFINS incidentes na importação foram criados pela Lei nº 10.865/04, a carga tributária sobre todos os contribuintes sujeitos ao regime cumulativo foi majorada. Isso porque as contribuições devidas na importação só geram créditos se a pessoa jurídica estiver sujeita à apuração não-cumulativa do PIS/COFINS. Assim, para que o PIS/COFINS-importação fosse melhor absorvido pelos contribuintes monofásicos (sujeitos até então à cumulatividade), a Lei nº 10.865/04 revogou o dispositivo que excepcionava a monofasia do regime não- cumulativo. Essa medida resultou na subsunção dos contribuintes monofásicos às regras da não-cumulatividade, desde que apurassem o seu IRPJ pelo lucro real e não se enquadrassem em nenhuma das demais exceções ao novel regime previstas na legislação. Com essa modificação, as pessoas jurídicas obrigadas ao recolhimento monofásico do PIS/COFINS foram autorizadas a descontar não somente os créditos previstos no art. 3º das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, mas também os relativos às contribuições pagas na importação. Por outro lado, os distribuidores, atacadistas e varejistas que adquirirem bens tributados no sistema monofásico - e que têm, portanto, as vendas desses produtos gravadas à alíquota zero do PIS/COFINS - foram proibidos de se creditar do PIS/COFINS monofásico recolhido na etapa anterior. Obviamente, se esses distribuidores, atacadistas ou varejistas auferirem receitas com a venda de produtos sujeitos à apuração regular (não- monofásica) do PIS/COFINS, poderão se creditar normalmente, bastando proporcionalizar suas despesas, consoante reconhece a própria RFB" (A Não- Cumulatividade dos Tributos, 2ª edição revista e ampliada, Editora Noeses, 2012, p. 453/455). Por fim, importa-nos destacar a exceção expressa à regra imposta pelo inciso I do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, estabelecida pelo art. 24 da Lei nº 11.727/2008: Art. 24. A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, produtora ou fabricante dos produtos relacionados no § 1º do art. 2º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, pode descontar créditos relativos à aquisição desses produtos de outra pessoa jurídica importadora, produtora ou fabricante, para revenda no mercado interno ou para exportação. Fl. 61DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3402-006.760 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10280.903668/2012-15 § 1º Os créditos de que trata o caput deste artigo correspondem aos valores da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins devidos pelo vendedor em decorrência da operação. § 2º Não se aplica às aquisições de que trata o caput deste artigo o disposto na alínea b do inciso I do caput do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e na alínea b do inciso I do caput do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003.”(grifou-se) Portanto, conclui-se que o inciso I do caput do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 permite creditamento em relação a bens adquiridos para revenda e veda creditamento em relação a: 1) mercadorias em relação às quais as contribuições tenham sido exigidas anteriormente em razão de substituição tributária (inciso III do §3º do art. 1º da Lei nº 10.833, de 2003); 2) produtos sujeitos anteriormente à cobrança concentrada ou monofásica das contribuições (§ 1º do art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003), exceto no caso em que pessoa jurídica produtora ou fabricante de tais produtos os adquire para revenda de outra pessoa jurídica importadora, produtora ou fabricante desses mesmos produtos (§ 2º do art. 24 da Lei nº 11.727, de 2008). Destaca-se que a recorrente é revendedora dos produtos sujeitos à sistemática monofásica, e não produtora ou fabricante de tais produtos, não sendo possível o creditamento em relação a tais aquisições. Esse entendimento já foi firmado por este colegiado em diversos julgados recentes: Acórdão nº 3402-006.469, de 24 de abril de 2019 CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. REGIME MONOFÁSICO. AQUISIÇÃO DE COMBUSTÍVEIS. DIREITO A CRÉDITO. FRETE. REVENDA. VAREJISTA. POSSIBILIDADE. O artigo 3º, inciso I das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 garante o direito ao crédito correspondente aos produtos adquiridos para revenda, mas excetua textualmente o direito ao crédito da aquisição de combustíveis, os quais são tributados pela Contribuições pelo regime monofásico (artigo 3º, inciso I, alínea "b"). Tal exceção, contudo, não invalida o direito ao crédito referente ao frete pago pelo comprador do combustível para revenda, que compõe o custo de aquisição do produto (art. 289, §1º do RIR/99). Isto porque o frete é uma operação autônoma em relação à aquisição do combustível, paga à transportadora, na sistemática de incidência da não-cumulatividade. Sendo os regimes de incidência distintos, do produto (combustível) e do frete (transporte), permanece o direito ao crédito referente ao frete pago pelo comprador do combustível para revenda Acórdão nº 3402-006.573, de 25 de abril de 2019 PIS/COFINS. GÁS NATURAL. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. RESTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Diversamente do que ocorre na sistemática da substituição tributária pra frente, no tributação monofásica não há previsão de restituição da quantia paga de tributo em etapa anterior da cadeia de circulação ou produção do produto. Fl. 62DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3402-006.760 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10280.903668/2012-15 Na tributação monofásica, as contribuições são devidas sobre as receitas referentes à etapa em que houve a incidência com alíquota diferente de zero, independentemente de quaisquer outras etapas da mesma cadeia. Acórdão nº 3402-006.670, de 23 de maio de 2019 NÃO-CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS MONOFÁSICOS PARA REVENDA. CRÉDITOS. GLOSA. Por expressa determinação legal, é proibida apuração de créditos relativos à aquisição de produtos sujeitos à tributação monofásica destinados à revenda com alíquota zero. É permitida somente a manutenção dos créditos decorrentes de custos, despesas e encargos vinculados às vendas com alíquota zero, quando devidamente comprovados. Acórdão 3402-005.600, de 26 de setembro de 2018 CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA. PRODUTOS SUJEITOS À SISTEMÁTICA MONOFÁSICA. IMPOSSIBILIDADE. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo. É como voto.” Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Apesar do voto se referir apenas a COFINS, há perfeita correlação legal estabelecida pela Lei 10.637/2002, que permite aplicar o mesmo entendimento. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo. (documento assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 63DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.100145/2005-59
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEREMPÇÃO.
O recurso voluntário deve ser interposto no prazo previsto no art. 33 do Decreto n- 70.235/72. Não observado este preceito, dele não se toma conhecimento.
Recurso voluntário não conhecido, por perempto.
Numero da decisão: 2102-000.014
Decisão: ACORDAM os Membros da SEGUNDA TURMA ORDINÁRIA da PRIMEIRA CÂMARA da SEGUNDA SEÇÃO do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos, não se conheceu do recurso, por perempto.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: WALBER JOSÉ DA SILVA
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Numero do processo: 19647.005756/2007-52
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Sep 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1999
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA E DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. CONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Não se conhece de Recurso Especial quando não indicados paradigmas aptos à demonstração da divergência suscitada.
A ausência de similitude fática entre o acórdão recorrido e os acórdãos paradigmas impossibilitam o conhecimento do recurso especial, pois não se mostra possível a identificação da divergência jurisprudencial suscitada.
EXISTÊNCIA DE MAIS DE UM FUNDAMENTO SUFICIENTE PARA A MANUTENÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. AUSÊNCIA DE PARADIGMAS CORRESPONDENTES. INEXISTÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL. ÓBICE AO CONHECIMENTO DO RECURSO.
A pretensão recursal de reforma de decisão, que toma como base mais de um fundamento autônomo para sua manutenção, precisa ser acompanhada dos acórdãos paradigmas correspondentes, sob pena de configuração de ausência de interesse recursal e, por decorrência, de não conhecimento do recurso.
Numero da decisão: 9202-008.035
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Votou pelas conclusões o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Patrícia da Silva, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Paula Fernandes, Denny Medeiros da Silveira (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Mário Pereira de Pinho Filho (Presidente em Exercício). Ausente a Conselheira Maria Helena Cotta Cardoso, substituída pela Conselheira Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1999 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA E DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. CONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial quando não indicados paradigmas aptos à demonstração da divergência suscitada. A ausência de similitude fática entre o acórdão recorrido e os acórdãos paradigmas impossibilitam o conhecimento do recurso especial, pois não se mostra possível a identificação da divergência jurisprudencial suscitada. EXISTÊNCIA DE MAIS DE UM FUNDAMENTO SUFICIENTE PARA A MANUTENÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. AUSÊNCIA DE PARADIGMAS CORRESPONDENTES. INEXISTÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL. ÓBICE AO CONHECIMENTO DO RECURSO. A pretensão recursal de reforma de decisão, que toma como base mais de um fundamento autônomo para sua manutenção, precisa ser acompanhada dos acórdãos paradigmas correspondentes, sob pena de configuração de ausência de interesse recursal e, por decorrência, de não conhecimento do recurso.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Votou pelas conclusões o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Patrícia da Silva, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Paula Fernandes, Denny Medeiros da Silveira (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Mário Pereira de Pinho Filho (Presidente em Exercício). Ausente a Conselheira Maria Helena Cotta Cardoso, substituída pela Conselheira Miriam Denise Xavier.
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RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA E DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. CONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial quando não indicados paradigmas aptos à demonstração da divergência suscitada. A ausência de similitude fática entre o acórdão recorrido e os acórdãos paradigmas impossibilitam o conhecimento do recurso especial, pois não se mostra possível a identificação da divergência jurisprudencial suscitada. EXISTÊNCIA DE MAIS DE UM FUNDAMENTO SUFICIENTE PARA A MANUTENÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. AUSÊNCIA DE PARADIGMAS CORRESPONDENTES. INEXISTÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL. ÓBICE AO CONHECIMENTO DO RECURSO. A pretensão recursal de reforma de decisão, que toma como base mais de um fundamento autônomo para sua manutenção, precisa ser acompanhada dos acórdãos paradigmas correspondentes, sob pena de configuração de ausência de interesse recursal e, por decorrência, de não conhecimento do recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Votou pelas conclusões o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente em Exercício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 57 56 /2 00 7- 52 Fl. 670DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Patrícia da Silva, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Paula Fernandes, Denny Medeiros da Silveira (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Mário Pereira de Pinho Filho (Presidente em Exercício). Ausente a Conselheira Maria Helena Cotta Cardoso, substituída pela Conselheira Miriam Denise Xavier. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão n.º 280300.420 proferido pela 3ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento do CARF, em 2 de dezembro de 2010, no qual restou consignada a seguinte ementa, fl. 577: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01 /02/1996 a 31 /01 /1999 PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO 1, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal reconheceu a inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei n ° 8.212 de 1991, conforme Súmula Vinculante n ° 8, de 12 de junho de 2008. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I, do CTN. Encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial todos os fatos geradores apurados pela fiscalização. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado O recurso mencionado anteriormente (fls. 582 a 584), foi admitido por meio do Despacho de fls. 587 a 589, para rediscutir a natureza do vício do lançamento e a existência da decadência. Em seu recurso, aduz a Fazenda, em síntese: a) a existência de divergência jurisprudencial, pois o acórdão recorrido deu provimento ao recurso do contribuinte para anular o lançamento por vício material, em virtude da ausência de fundamentação legal, exposição clara dos fatos e critérios de apuração adequados, e, por outro lado, os acórdãos paradigmas sinalizam a imprecisão no enquadramento legal da infração imputada ao sujeito passivo ou qualquer outra contrariedade ao art. 142 do CTN gera nulidade por vício formal; Fl. 671DF CARF MF Processo nº 19647.005756/200752 Acórdão n.º 9202008.035 CSRFT2 Fl. 3 3 b) pela leitura dos dispositivos relativos à nulidade, percebese que os requisitos neles indicados possuem natureza formal e não material; c) o lançamento tributário é anulado por vício formal quando não se obedece às formalidades necessárias ou indispensáveis à existência do ato, isto é, às disposições de ordem legal para sua feitura; d) o acórdão recorrido se mostra equivocado ao afirmar que a deficiência encontrada na NFLD constituiu vício material, eis que o vício existente no lançamento inicial é de natureza formal, visto que relacionado a elemento de exteriorização do ato administrativo; e) tendo em vista que o primeiro lançamento foi anulado por vício formal em 26.08.2066, um lançamento substitutivo somente poderia ser realizado até 26.08.2011. Assim, dado o fato de que. a ciência da presente NFLD se deu em 15.06.2007, temse que não se operou a decadência; f) deve ser reformada a decisão recorrida. Intimada, a Contribuinte apresentou Contrarrazões, fls. 625 e seguintes, aduzindo, em suma, o não conhecimento do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, em razão da ausência de similitude fática e ausência de divergência jurisprudencial. Considerando a irregularidade da procuração apresentada, foi realizada a Intimação n.º 344/2012 ao procurador da Contribuinte, fl. 631, para a reapresentação da procuração retificada. Contudo, não consta dos autos o atendimento à solicitação da Delegacia da Receita Federal. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora 1. Do conhecimento A Notificação Fiscal de Lançamento do Débito (NFLD) n.º 37.009.7238, em análise, foi lavrada em substituição à NFLD n.º 35.028.7317, anulada pela 4ª Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS, consoante o Relatório Fiscal de fls. 170 a 173. O Acórdão recorrido, ao analisar o Recurso Voluntário interposto pela Contribuinte, consignou o entendimento no sentido da existência de vício material e não formal do lançamento anterior, ou seja, reviu a natureza do vício atribuído ao lançamento substituído, objeto do Acórdão Decisório n.º 1903/2005, da 4ª Câmara de Julgamento do CRPS. Fl. 672DF CARF MF 4 O Relator da decisão a quo, que foi acompanhado pelo Colegiado, por unanimidade, fundamentou a revisão da qualificação do vício na inexistência de coisa julgada administrativa e, conseqüentemente, considerou impossível o reinício da contagem do prazo decadencial de cinco anos a partir da anulação do lançamento. Portanto, por não ter ocorrido o reinício do prazo decadencial, segundo consta do Acórdão vergastado, a data da cientificação da primeira NFLD foi em 28.09.2006, e a última competência que teve os créditos lançados foi 01/1999, de modo que o crédito tributário restou extinto pela decadência. Então concluiu o Colegiado de segunda instância: “extintos os créditos oriundos da incidência da norma tributária sobre os fatos geradores anteriores a 1ª de janeiro de 2001, ou seja, a decadência operou em todos os créditos constituídos nas competências anteriores a 11/2000, antes mesmo da lavratura da NFLD substitutiva”. Nesse contexto, a Procuradoria da Fazenda Nacional insurgese quanto à natureza do vício apontado no referido Acórdão e aduz a inocorrência da extinção do crédito tributário pela decadência. Extraise dos autos que foi identificada a necessidade de retificação da procuração apresentada pelo representante legal do contribuinte, e, portanto, foi realizada intimação para a regularização do instrumento, mas não consta dos autos a apresentação de nova procuração, motivo pelo qual, formalmente, não há como considerar as contrarrazões apresentadas. Feitas essas considerações iniciais, passo à análise da admissibilidade do Recurso sob julgamento. A fim de demonstrar a divergência sustentada em seu recurso, a Procuradoria apresentou os seguintes paradigmas: Fl. 673DF CARF MF Processo nº 19647.005756/200752 Acórdão n.º 9202008.035 CSRFT2 Fl. 4 5 1. ACÓRDÃO PARADIGMA N.º 30333365 ITR/1999. VÍCIO FORMAL. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. Constatada insuficiência na descrição dos fatos e no enquadramento legal é de se reconhecer a nulidade do lançamento por vicio formal e cerceamento ao direito de defesa. A imprecisão do lançamento é particularmente notada na identificação do sujeito passivo, na caracterização do imóvel sobre o qual deve recair o lançamento, e na descrição da motivação e respectivo enquadramento legal para a autuação. Recurso de oficio negado. (...).8. Assim, em respeito ao contraditório e à ampla defesa, assegurados no art. 5º da CF, não tendo havido a devida informação ao contribuinte dos motivos que levaram à majoração de ofício da base de cálculo declarada para o ITR, por ser insuficiente a descrição dos elementos fáticos e jurídicos que embasaram a autuação, e por não estar corretamente indicado o sujeito passivo da obrigação, deve ser reconhecido que a descrição feita no auto de infração dificultou a compreensão dos fatos pelo Contribuinte prejudicando o seu direito de defesa. Dessa forma, por vício formal, deve ser declarada a nulidade do lançamento. Se for o caso, a critério do órgão local, novo lançamento poderá ser efetuado em boa e devida forma no prazo previsto no inciso II do art. 173 do CTN. (...). 2. ACÓRDÃO PARADIGMA 20217752 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/1992 a 31/07/1994 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. AUTO DE INFRAÇÃO NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE REQUISITOS ESSENCIAIS. O ato administrativo de lançamento deve revestirse de todas as formalidades exigidas em lei, sendo nulo por vício de forma o auto de infração que não contiver todos os requisitos prescritos como obrigatórios pelo art. 10 do Decreto n2 70.235/72 e art. 142 do CTN. Processo anulado. (...). O recorrente alega, em preliminar, que o auto de infração é nulo, por cerceamento do direito de defesa, tendo em vista que não houve a perfeita descrição dos fatos e enquadramento legal e também não foi demonstrada a forma de determinação da base de cálculo tributada. No auto de infração, à fl. 02, a descrição da infração foi feita da seguinte forma: "/ — FALTA DE RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL Valores de COFINS devidos pela não declaração e pelo não recolhimento do tributo desde a sua instituição." Em seguida o Auditor Fiscal relacionou as bases de cálculo tributadas e os dispositivos legais infringidos, como sendo os arts. 1 2, 22, 32, 42 e 52 da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991. Foram juntados ao auto de infração cópias dos balancetes de maio de 1992 a agosto de 1994, sem nenhuma informação adicional. Não foi elaborado termo de verificação fiscal ou documento assemelhado, que pudesse esclarecer ao contribuinte a razão da tributação. Também não foi efetuado nenhum demonstrativo que indicasse quais as receitas integraram a base de cálculo tributada em cada período de apuração. (...). Fl. 674DF CARF MF 6 O acórdão recorrido trata da existência de vício material e da decadência, no âmbito da análise das Contribuições Sociais Previdenciárias, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01 /02/1996 a 31 /01 /1999 PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO 1, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal reconheceu a inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei n ° 8.212 de 1991, conforme Súmula Vinculante n ° 8, de 12 de junho de 2008. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I, do CTN. Encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial todos os fatos geradores apurados pela fiscalização. Com a leitura dos julgados acima, notase a inexistência de similitude fática entre os paradigmas e o Acórdão recorrido, pois este trata de um lançamento substitutivo, no qual houve alteração da natureza do vício declarado anteriormente, por diversas falhas da NFLD, quais sejam: a) o auditor fiscal lançou valores lançados da contabilidade e considerouos como salário de contribuição sem certificar se da real natureza da verba paga, invertendo indevidamente o ônus da prova para o sujeito passivo em comprovar que sobre tais valores não incidiria contribuição previdenciária; b) o auditor notificante efetuou um arbitramento da contribuição dos segurados pela aplicação da alíquota mínima sem qual quer motivação, uma vez que teve acesso a toda documentação da empresa para apurar os reais valores, também não justificou ou mesmo mencionou tal procedimento no relatório fiscal, bem como não o fundamentou no relatório; c) o auditor notificante desconsiderou compensações efetuadas pela notificada e não fez qualquer menção nos autos que realizara tal procedimento que só veio a ser conhecido nos autos quando da apresentação da defesa da recorrente; d) o lançamento não demonstrou a certeza e liquidez, mesmo após todas as alterações efetuadas pela SRP. Ademais, o acórdão vergastado também trata do reconhecimento da extinção do crédito tributário pela decadência. Já o primeiro paradigma dispõe sobre a nulidade por vício formal em um lançamento comum, em razão da majoração da base de cálculo declarada para o ITR, da Fl. 675DF CARF MF Processo nº 19647.005756/200752 Acórdão n.º 9202008.035 CSRFT2 Fl. 5 7 ausência de descrição dos elementos fáticos e jurídicos que embasaram a autuação e da ilegitimidade passiva. Quanto ao segundo paradigma, foi considerado o vício formal, no lançamento referente `a Cofins, em decorrência da falha na descrição dos fatos e do enquadramento legal, da ausência de demonstração da forma de identificação da base de cálculo, bem como da ausência de Termo de Verificação Fiscal. Assim, mostrase inequívoca a distinção fática entre os julgados, tendo em vista que se referem a tipos de lançamentos distintos (o recorrido analisa NFLD substitutiva e os paradigmas não), vícios distintos, inclusive referemse a tributos distintos, com contornos próprios, o que acarreta a impossibilidade de identificação da divergência jurisprudencial suscitada. Além disso, ainda que assim não o fosse, para o deslinde da controvérsia e eventual reforma da decisão, seria necessário revolver a matéria referente à decadência, tópico sobre o qual não houve apresentação de paradigma. Portanto, no meu entender, mesmo que se pudesse revisitar o vício para discutir a sua natureza, tal discussão não seria apta a ensejar alteração referente à decadência tributária (extinção do crédito), fundamento autônomo para a manutenção da decisão recorrida. Desse modo, seja em razão da ausência de similitude fática entre o acórdão recorrido e os acórdãos paradigmas, e, por conseqüência, de identificação da divergência jurisprudencial, ou em razão da ausência de interesse recursal, pois, diante da existência de mais de um fundamento apto à manutenção da decisão recorrida, Fazenda não apresentou paradigmas sobre todos, não há como conhecer do recurso. Diante do exposto, voto por não conhecer do Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Fl. 676DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.007103/2008-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. AUSÊNCIA DA DE DOCUMENTAÇÃO QUE VINCULE A CONTA BANCÁRIA AO FISCALIZADO. AUSÊNCIA DE IDENTIFICAÇÃO DOS DEPÓSITOS. IMPOSSIBILIDADE DO LANÇAMENTO ANCORAR-SE NA PRESUNÇÃO DO ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96. Considerando que a autoridade não sabia quando ocorreram os depósitos bancários, não poderia tomar as remessas bancárias para conta de terceiro pelos primeiros para efetuar a tributação do caput art. 42 da Lei nº 9.430/96 (Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações). Ora, é de conhecimento geral que apenas os depósitos bancários podem ser presumidos como rendimentos
omitidos, jamais eventuais débitos ou remessas bancárias. Não se conhecendo os depósitos, inviável se ancorar na presunção citada.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2102-001.536
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
provimento ao recurso.
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. AUSÊNCIA DA DE DOCUMENTAÇÃO QUE VINCULE A CONTA BANCÁRIA AO FISCALIZADO. AUSÊNCIA DE IDENTIFICAÇÃO DOS DEPÓSITOS. IMPOSSIBILIDADE DO LANÇAMENTO ANCORARSE NA PRESUNÇÃO DO ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96. Considerando que a autoridade não sabia quando ocorreram os depósitos bancários, não poderia tomar as remessas bancárias para conta de terceiro pelos primeiros para efetuar a tributação do caput art. 42 da Lei nº 9.430/96 (Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações). Ora, é de conhecimento geral que apenas os depósitos bancários podem ser presumidos como rendimentos omitidos, jamais eventuais débitos ou remessas bancárias. Não se conhecendo os depósitos, inviável se ancorar na presunção citada. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Fl. 203DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0819.14438.PGOB. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 10/10/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Em face do contribuinte LUIZ ROBERTO GARCIA, CPF/MF nº 163.940.38920, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 18/11/2008, auto de infração (fls. 82 a 88), com ciência postal em 24/11/2008 (fl. 89), a partir de ação fiscal iniciada em 28/08/2008 (fl. 52). Abaixo, discriminase o crédito tributário constituído pelo auto de infração, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 169.149,08 MULTA DE OFÍCIO NO PERCENTUAL DE 150% SOBRE O IMPOSTO LANÇADO R$ 253.723,62 Ao contribuinte foi imputada uma omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no anocalendário 2003, com a seguinte motivação (excertos do relatório de encerramento da ação fiscal – fls. 66 e seguintes): Conforme breve relato elaborado na decisão prolatada em 29 de abril de 2004 (fls 006 a 010) pelo MM. Juiz Federal Sérgio Fernando Moro da 2ª Vara Criminal Federal de Curitiba, inicialmente foi constatada, pelo Banco Central e pelo Ministério Público Federal, a remessa de quantias milionárias para o exterior através de contas CC5 mantidas em instituições financeiras em Foz do Iguaçu. Devido a suspeita fundada sobre a licitude de boa parte dessas remessas, visto que, em muitas, para se burlar a fiscalização do Banco Central, o titular do numerário não depositava diretamente na conta CC5, assim agindo apenas através de interposta pessoa, um "laranja", que abria conta corrente fraudulenta em uma instituição financeira, normalmente, também em Foz do Iguaçu. No decorrer das investigações teria sido constatado que boa parte do numerário teve como destino contas mantidas na Agência do Banestado em Nova York e para descobrir o destino final de tais numerários foi decretada a quebra do sigilo bancário das movimentações bancárias daquela agência. A quebra do sigilo mostrouse necessária para a separação dos ativos lícitos dos ilícitos visto que o mero fato da manutenção de conta no exterior não é por si só crime. Posteriormente, após a constatação de que o numerário que teria transitado pela Agência do Banestado em Nova York teria, também, sido remetido para diversas outras contas mantidas em Fl. 204DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0819.14438.PGOB. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10920.007103/200838 Acórdão n.º 210201.536 S2C1T2 Fl. 2 3 diversas outras instituições financeiras, foram decretadas novas quebras de sigilos em 14/08/2003 e em 12/09/2003. (...) Ainda, conforme o relato do MM. Juiz Federal da 2ª Vara Criminal Federal de Curitiba, as mídias e documentação examinadas à época referemse aos materiais que (contas do MTBCBCHudson Bank, Safra Bank, bem como conta titularizada pela Lespan mantida no Citibank) fazem parte daquele material recebido (das autoridades norteamericanas). (...) As informações e documentos trazidos ao pais pela autoridade policial, e, conforme decisão do Juiz Federal Sergio Fernando Moro, aquelas informações e documentos foram compartilhados à Receita Federal para que fossem utilizados na instrução das atividades especificas, o que permitiu a análise dos mesmos pela "Equipe Especial de Fiscalização" constituída nos termos da Portaria SRF n° 463, de 30/04/2004 (fls 011), integrado por representantes das areas de Fiscalização, Aduana e Pesquisa e Investigação (todos da Secretaria da Receita Federal). Com base nesses elementos evidenciouse que diversos contribuintes nacionais enviaram e/ou receberam divisas para/do exterior, à revelia do sistema financeiro nacional, remetendo ou se beneficiando de recursos em divisas estrangeiras, utilizandose de contas mantidas na "LESPAN S.A", que é uma casa de câmbio uruguaia, também conhecida como "Casa Gales", dentre outras instituições, as quais representavam "doleiros" brasileiros e/ou empresas "offshore" com participação de brasileiros. (...) Por oportuno, cabe esclarecer que sociedades "offshore" são sociedades localizadas fora das fronteiras de um pais. Assim, uma "offshore company" é uma entidade situada no exterior, sujeita a um regime legal diferente, "extraterritorial" em relação ao pais de domicilio de seus associados. Mas a expressão é aplicada mais especificamente a sociedades constituídas em "paraísos fiscais", onde gozam de privilégios tributários (impostos reduzidos ou até mesmo isenção de impostos). E isso só se tornou possível quando alguns países adotaram a política da isenção fiscal, para atrair investimentos e capitais estrangeiros. Na América Latina o Uruguai é um exemplo típico dessa política não obstante a sua ausência da lista da Receita Federal. Finalmente, da análise dos dados e documentos disponibilizados à época para a Secretaria da Receita Federal foram identificadas operações de remessas de 11/ recursos do exterior em que se identificou o nome do Sr LUIZ ROBERTO GARCIA, CPF 163.940.38920, conforme se verifica na documentação (fls 012 a 018) encaminhada à Delegacia da Receita Federal em Fl. 205DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0819.14438.PGOB. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 Joinville/SC, as quais foram produzidas pela "Equipe Especial de Fiscalização" acima mencionada. Inicio da ação fiscal (...) I — DO PROCEDIMENTO FISCAL Em 19 de agosto de 2008, foi emitido o MPFF/Mandado de Procedimento FiscalFiscalização n° 09.2.02.002008009950, cuja ciência se deu através do Termo de Início de Procedimento Fiscal (fls 049 a 051). Em 22 de agosto de 2008, lavrei Termo de Inicio de Procedimento Fiscal, sendo que o contribuinte foi cientificado do mesmo, juntamente com o MPFF, em 28 de agosto de 2008, conforme respectivo AR (fls 052). Em 08 de setembro de 2008, o fiscalizado apresentou resposta informando que no anocalendário de 2003 não remeteu recursos ao exterior e nem foi beneficiário de recursos enviados por ele próprio ou por terceiros (fls 053). Em 15 de setembro de 2008, lavrei o Termo de Intimação Fiscal n° 01/2008 (fls 054 a 056), tendo sido cientificado do mesmo em 19 de setembro de 2008, conforme respectivo AR (fis 057). Em 25 de setembro de 2008, o fiscalizado, através de seu procurador, protocolou resposta (fls 058) em atendimento à intimação reiterando o que já respondeu em atendimento ao Termo Inicial e apresentou procuração (fls 059). Em 10 de outubro de 2008, lavrei o Termo de Intimação Fiscal n° 02/2008 (fls 060 a 062), tendo sido cientificado do mesmo em 16 de outubro de 2008, conforme respectivo AR (fls 063). Em 20 de outubro de 2008, o fiscalizado protocolou resposta por escrito (fls 064). 2INFRAÇÃO 2.1 OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS Introdução Conforme histórico relatado na decisão proferida pelo M.M. Juiz Federal Sérgio Fernando Moro da 2a Vara Criminal Federal de Curitiba, o Banco Central e o Ministério Público Federal constataram remessas de valores milionários utilizando contas CC5 mantidas em instituições financeiras da cidade de Foz do IguaçuPr (fls. 006 a 010). Descobriuse que boa parte desses recursos teve como destino contas mantidas na Agência do Banco Banestado em Nova York, e, em seguida, os valores eram remetidos para outras instituições financeiras onde os destinatários finais (Pessoas Físicas e empresas "offshores") mantinham suas contas. Dentre essas instituições financeiras figura a Lespan S.A. Fl. 206DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0819.14438.PGOB. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10920.007103/200838 Acórdão n.º 210201.536 S2C1T2 Fl. 3 5 Vale lembrar que conforme relato do Juiz acima referido, as investigações efetuadas até aquele momento revelaram a existência no Brasil de um verdadeiro sistema financeiro paralelo, à margem do sistema oficial, o qual seria controlado por "doleiros" e as transações por eles realizadas manterseiam a margem de qualquer controle oficial, constituindo ambiente propicio à sonegação fiscal, evasão de divisas e, ainda, lavagem de dinheiro. Em relação as contas mantidas no MTBCBCHudson Bank e as contas da Lespan S/A mantidas no Citibank e também no MTB, de acordo com o referido Juiz, ha em síntese: • registro de que várias dessas contas teriam recebido numerário de contas da Agência do Banestado em Nova York e das contas da Beacon Hill no Chase de Nova York, que, por sua vez, constituía o destino de numerário remetido, de forma fraudulenta, do Brasil; • registro de que várias delas seriam controladas por "doleiros" brasileiros e utilizadas para a realização de operações de câmbio ilegais e; • informação de que essas contas e as instituições que as manteriam estavam sob investigação das autoridades norte americanas por suspeita de lavagem de dinheiro. Posteriormente, após exame e processamento dos dados apurados a partir dos documentos e mídias eletrônicas foi possível constatar a ocorrência de diversas movimentações financeiras em contas mantidas naquelas instituições, em dólares, e, dentre as quais, identificouse o nome do Sr LUIZ ROBERTO GARCIA, CPF 163.940.38920, como ordenante de transferências de recursos do exterior efetuadas durante o ano calendário de 2003. Conforme documentação reproduzida pela "Equipe Especial de Fiscalização Portaria SRF n° 463/04" e encaminhada a Delegacia da Receita Federal de Joinville/SC, o fiscalizado foi ordenante de remessas de recursos do exterior no montante de US $ 210,000.00 (fls 012 a 022). Na tabela a seguir apresentada estão relacionados outros dados relativos as transferências em comento: (...) Na tabela acima observase que o nome do ordenante da remessa realizada em 28 de maio de 2003 constou como Luiz Garcia e não Luiz Roberto Garcia (ora fiscalizado), entretanto, o número do ordenante nas três remessas é 303010053, ou seja, ambos tratamse da mesma pessoa. Além disso, o endereço do ordenante também é o mesmo em todas as remessas realizadas. Importante ressaltar que o endereço fornecido pelo ordenante, conforme constou dos documentos produzidos pela "Equipe Especial de Fiscalização" é a "Rua Joao Stoeberl 317 São Bento Fl. 207DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0819.14438.PGOB. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 do Sul/SC 89290000 Brasil". Como se verifica, o "Stoeberl" tratase provavelmente de origem germânica, portanto, apenas quem tem o conhecimento correto da sua grafia faria o seu registro corretamente. Destaco, ainda, que o número do imóvel indicado nos referidos documentos é o 317, portanto guardando relação com número do imóvel 217, onde localizam as suas (do fiscalizado) três empresas conforme pesquisas realizadas nos sistemas da SRF (fls 027 a 029) e na Internet (f Is 030 a 035). De acordo com referidas pesquisas, a "Interbrasil Comercial Exportadora S/A" e a "PlanorComércio Exterior de Móveis Ltda" atuam no ramo de comércio exterior e foram abertas em 20.04.1995 e em 27.04.1987, respectivamente. A terceira empresa que é denominada de "Planinter Participações Ltda" foi aberta em 27.03.2008. Em verificação realizada in loco (na "Rua João Stoeberl") não localizei o n° 317 na citada rua, e, posteriormente obtive informações junto à CelescCentrais Elétricas de Santa Catarina de que não consta registro do número 317 na referida rua, embora tenha constatada a inexistência de terreno baldio, ou seja, inexiste imóvel sem instalação de energia elétrica no interstício territorial urbano onde deveria localizarse o imóvel com aquele número. Ressalto, ainda, que a Celesc é a única companhia que presta serviço de fornecimento de energia elétrica naquela cidade. Tal fato reforça ainda mais a tese de que o ora fiscalizado tenha agido com viés doloso. É oportuno enfatizar que o procedimento utilizado nas remessas está margem do Sistema Financeiro Nacional, logo, os "operadores" de tal mecanismo utilizaram artifícios que dificultaram ao máximo a identificação das pessoas envolvidas, o que justificaria a indicação de imóvel com número fictício. (...) Das Intimações e Respostas No Termo de Início da Ação Fiscal solicitei ao fiscalizado para que informasse se durante o anocalendário de 2003 havia remetido recursos ao exterior ou se foi beneficiário de recursos enviado ao exterior. Além disso, solicitei que fossem apresentados os documentos comprobatórios hábeis e idôneos para comprovação da informação prestada na resposta a ser encaminhada (fls 049 a 051). Em atendimento ao Termo Inicial o fiscalizado apresentou resposta em 08 de setembro de 2008 (fls 053) informando que não remeteu recursos ao exterior e que não foi beneficiário de recursos enviados ao exterior por ele próprio ou por terceiros. Considerandose a resposta acima mencionada, em 15 de setembro de 2008 lavrei o Termo de Intimação Fiscal n° 01/2008 (fls 054 a 056) através do qual cientifiqueio da identificação de diversas remessas de recursos ao exterior (conforme constou no referido termo) bem como o ora fiscalizado como ordenante das mesmas. Fl. 208DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0819.14438.PGOB. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10920.007103/200838 Acórdão n.º 210201.536 S2C1T2 Fl. 4 7 Ademais, foi cientificado das datas, dos valores remetidos em US $, n°s das respectivas transações e o nome do recebedor (instituição intermediária). Isto posto, solicitei que justificasse a origem de tais recursos. Mesmo tendo sido cientificado da identificação das remessas de recursos utilizando procedimentos a margem do Sistema Financeiro Nacional, bem como de seu nome como ordenante de tais remessas, o ora fiscalizado novamente negou a autoria das mesmas, porem, desta feita inovou requerendo cópias dos documentos, verbis: "2. Assim requer as cópias dos documentos que indicam à Receita Federal que o fiscalizado teria remetido ao exterior os valores constantes do Termo de Intimação Fiscal no 01/2008, para que possa contestar tal informação ou prestar maiores esclarecimentos." Ressalto que na solicitação efetuada não indicou a norma legal em que fundamentava tal pedido. Preliminarmente, para fins de registro, cabe esclarecer que o Procedimento Fiscal tratase da etapa em que a Receita Federal busca esclarecimentos junto ao fiscalizado e assim intima para apresentação de seus registros documentais bem como dos comprovantes que dão suporte aos mesmos. Nesta fase o fiscalizado tem a oportunidade de apresentar seus esclarecimentos, portanto, é possível ocorrer que determinado Procedimento Fiscal seja encerrado sem culminar na lavratura do Auto de Infração. Entretanto, se, no termino do trabalho de "investigação" a autoridade fiscal responsável pelo procedimento constatar a ocorrência de eventual ilícito tributário praticado será lavrado o respectivo Auto de Infração. Nesse momento é gerado e registrado um número, o qual da origem ao processo administrativo propriamente dito. Portanto, após ser cientificado do referido Auto o fiscalizado tem prazo de 30 (trinta) dias para efetuar pagamento ou, se for o caso, apresentar impugnação. Nesta última hipótese, caso seja de seu interesse, o fiscalizado terá acesso integral As peças dos Autos para elaboração de sua defesa. Isto posto, a solicitação acima foi desconsiderada por ser inoportuna. Posteriormente, em 10 de outubro de 2008, lavrei o Termo de Intimação Fiscal no 02/2008 (fls 060 a 062) tendo em vista a constatação do termo "incoming" (no contexto significa internação de recursos) nos documentos que identificam as mencionadas remessas. Portanto, invés de recursos remetidos ao exterior (como constou no TIF no 01/2008) tratamse de recursos remetidos do exterior. Fl. 209DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0819.14438.PGOB. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 8 Em atendimento ao TIF nº 02/2008, o fiscalizado protocolou resposta em 20 de outubro de 2008 (fls 064), através do qual informou que não ordenou nem foi beneficiário das transferências de recursos do exterior. Quanto A reiteração dos documentos solicitados no T1F n° 01/2008 não há o que acrescer, posto que já foi esclarecido acima. Depósito Bancário (...) Portanto, a lei determina que os rendimentos omitidos são considerados recebidos quando do seu crédito pela instituição financeira. No caso em concreto, considerouse que os créditos foram disponibilizados quando o fiscalizado ordenou as remessas (porque tinha créditos) em dólar dos Estados Unidos da América, portanto, é oportuno socorrerse ao disposto na INSTRUÇÃO NORMATIVA n° 246, de 20 de novembro de 2002, o qual dispõe em seu § 3° do art. 3° que: (...) 3 EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE/MULTA MAJORADA Por oportuno, importante esclarecer que o contribuinte fiscalizado é pessoa esclarecida, pois, de acordo com a natureza da ocupação principal informada na DIRPF 2004 é dirigente de empresa. Tal fato leva a concluir que o fiscalizado tem instrução suficiente que lhe propicia compreensão e discernimento acerca dos rendimentos que devem ser oferecidos à tributação na declaração, bem como a reconhecer se determinado procedimento de remessa de recursos é licito ou não. Face ao exposto, e considerando que o contribuinte em tela: • Omitiu da Declaração de Ajuste Anual apresentada em 2004, relativo ao anocalendário de 2003, os recursos que estavam no exterior; • Foi o ordenante de remessas de recursos remetidos do exterior utilizando procedimentos à margem do Sistema Financeiro Nacional, agindo de forma a dificultar que as instituições governamentais de controle tomassem conhecimento das referidas operações e, por extensão, do Fato Gerador dos rendimentos auferidos bem como da sua origem; • Negou a autoria das remessas mesmo diante das provas materiais mencionadas nos Termos de Intimações Fiscais n°s 01 e 02/2008, revelando assim o seu mais profundo desejo de impedir que os órgãos fiscalizadores tomem conhecimento acerca da ocorrência das transações financeiras sob análise, não resta dúvida de que o fiscalizado teve intenção de ocultar a origem dos rendimentos auferidos e de reduzir o montante de rendimentos tributáveis oferecidos tributação, reduzindo desta forma o valor do imposto de renda a pagar e assumindo o risco de tal conduta. Conforme definido nos Art. 71 e 72 da Lei 4.502/64: Fl. 210DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0819.14438.PGOB. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10920.007103/200838 Acórdão n.º 210201.536 S2C1T2 Fl. 5 9 "Art. 71 Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72 Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. " Nestas duas situações, há que ser caracterizado o dolo, cujo conceito encontrase definido no inciso I do art. 18 do Decreto lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 Código Penal: Art. 18 Dizse o crime: I — doloso, quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzilo; (...)"(grifo meu). Face ao exposto, não resta dúvida de que as infrações ao Regulamento do Imposto de Renda citadas foram cometidas intencionalmente pelo contribuinte. Desta forma, incorreu, também, no art. 957 do RIR/99, segundo o qual: (...) Portanto, com base no artigo transcrito acima, está sendo aplicada multa majorada de 150% à infração objeto do item 2.1. (grifouse nestes autos) Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento. A 5ª Turma da DRJ/CTA, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 0629.281, de 19 de novembro de 2010 (fls. 120 a 125). O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 06/12/2010 (fl. 128). Irresignado, interpôs recurso voluntário em 20/12/2010 (fl. 129). No voluntário, o recorrente alega, em síntese, que: I. nada tem a ver com as remessas a si imputadas, sendo que não pode ser compelido a fazer uma prova negativa de que não efetuou as remessas, como exigido pela autoridade autuante. Ademais, a única Fl. 211DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0819.14438.PGOB. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 10 prova de que o autuado fez as remessas é a identidade de nome em duas das remessas (e identidade parcial na terceira), sendo que o nome do contribuinte é extremamente comum no sul do país, havendo múltiplos homônimos nos cadastros da Receita Federal, e sequer existe identidade no endereço da documentação com aquele possuído pelo autuado no País; II. mesmo que o contribuinte fosse titular da conta bancária que deu origem aos depósitos na conta Lespan, não há nos autos qualquer comprovação de depósitos em conta do contribuinte, mas remessas que teriam originado os créditos na conta auditada. Ora, não havendo comprovação de depósitos em conta bancária do contribuinte, está o fisco obrigado a comprovar ter o contribuinte omitido rendimentos, o que não restou demonstrado nestes autos; III. como a própria fiscalização assevera que toda a movimentação objeto da presente operação judicial foi feita à margem do sistema financeiro nacional, a partir de fraudes, deveria o fisco, antes de acusar o contribuinte de ter efetuado tais remessas, ter diligenciado junto aos bancos para apresentação do cadastro do titular, dos documentos utilizados para abertura da conta, da assinatura consignada no cadastro etc., para assim ter certeza de que utilizava as contas bancárias; IV. “Vejase que o próprio fato de, em um documento constar nome que não é o nome completo do contribuinte e de, em todos, o endereço ser próximo, mas não o do Contribuinte, já indica a fragilidade dessas informações, que só com uma análise mais aprofundada nos dados constantes do cadastro da conta na instituição financeira poderia levar a conclusões definitivas. Não se pode efetuar lançamento de imposto embasado em meras suposições. Há que a efetividade da participação do sujeito passivo com a ocorrência do fato gerador do tributo estar plenamente comprovada” (fl. 136 – excerto do recurso voluntário). O contribuinte somente pode entender que foi vítima desse esquema fraudulento, pois se tencionasse esconder as movimentações financeiras, não utilizaria seu próprio nome, inclusive incompleto, como devem ter agido os reais proprietários dos valores; V. a hipótese dos autos não se subsume aos limites do art. 42 da Lei nº 9.430/96, pois o contribuinte foi autuado como ordenante das remessas para a conta Lespan, ou seja, da pretensa conta bancária do contribuinte teria ocorrido débitos e não créditos, como exigido pelo artigo citado. Ademais, o titular da conta bancária que teria recebido os créditos (Lespan) não foi intimado, não se podendo falar em aperfeiçoamento da presunção legal em foco; VI. mesmo que considere o contribuinte como sujeito passivo da presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96, ele também não foi intimado a comprovar a origem dos depósitos bancários, já que a autoridade autuante se negou a fornecer a documentação constante dos autos; VII. por fim, absolutamente incabível o exasperamento da multa de ofício, porque o contribuinte não poderia declarar a conta bancária na Fl. 212DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0819.14438.PGOB. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10920.007103/200838 Acórdão n.º 210201.536 S2C1T2 Fl. 6 11 DIRPFexercício 2004, como exigido pela autoridade autuante, pois renegou a origem dela (e das remessas) e sequer se comprovou a existência de saldos em 31/12/2003. É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 06/12/2010 (fl. 128), segundafeira, e interpôs o recurso voluntário em 20/12/2010 (fl. 129), dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 05/01/2011, quartafeira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. Antes de apreciar especificamente o caso em discussão, trazemse as considerações que este relator fez no Acórdão nº 2102001.252, sessão 15 de abril de 2011, unânime para dar provimento ao recurso, desta Turma de Julgamento, abaixo transcritas em itálico, em face das autuações feitas pela Receita Federal do Brasil no notório caso Beacon Hill (e seus desdobramentos, a partir das investigações do Banestado), que se amoldam à perfeição ao caso ora em debate, verbis: O lançamento em discussão não pode prosperar por múltiplos motivos, como se discorre a seguir. Primeiramente, há fundada dúvida sobre a correção da imputação das movimentações financeiras à contribuinte fiscalizada. Nos autos, a partir das informações das mídias eletrônicas, vêse que uma pessoa chamada Josefina Pita figura nas movimentações como Detail Payment (detalhes de pagamento), que são “observações relativas à transação realizada (pode incluir agência do banco creditado, remetente original, o beneficiário final e respectiva conta, etc)” (fls. 77 e 78 c/c a fl. 86), tendo como beneficiário final a empresa Maquina Corp S/A. Ora, o nome completo da recorrente (MARIA JOSEFINA DA COSTA PITA) não é citado em tais mídias, não havendo qualquer indicação de documento de identificação público (cédula de identidade, CPF, passaporte) que vincule a fiscalizada, de forma iniludível, às transações financeiras. Ademais, figurando como Detail Payment, a referida pessoa poderia ser remetente original ou beneficiário final dos recursos, o que, por si só, cria dúvida sobre se as movimentações poderiam ser de fato rendimentos omitidos. Assim, se a contribuinte fosse remetente, não se poderia falar em omissão de rendimentos no tocante a tais remessas, pois elas teriam sido oriundas de rendimentos auferidos em um momento anterior, pois ninguém pode transferir um valor de que tem a propriedade se não o auferiu anteriormente. De outra banda, se fosse beneficiária final das transferências financeiras, desde que se clarificasse a origem e causa das movimentações, demonstrando que eram rendimentos omitidos, possível, então, a sujeição passiva no caso em debate. Ocorre que a investigação não esclareceu a questão ora aventada, como se demonstrará a seguir. Fl. 213DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0819.14438.PGOB. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 12 Além da fragilidade da imputação das próprias transferências à contribuinte fiscalizada, o que por si só seria fundamento suficiente para fazer soçobrar o lançamento, há motivos outros a levar ao cancelamento da exação lançada. Desde pelo menos 2007, o então Primeiro Conselho de Contribuintes, hoje CARF, vem apreciando a tributação de fatos geradores imputados a contribuintes, cuja documentação proveniente dos Estados Unidos foi assenhoreada pela Justiça Federal e Polícia Federal, no caso denominado Banestado/Bacon Hill, com posterior repasse à Receita Federal do Brasil. A análise de múltiplos casos neste Conselho, inclusive sob relatoria deste conselheiro relator, demonstrou a necessidade de uma análise criteriosa desta documentação, pois em diversos casos se verificou, no final, que a imputação fiscal (e das remessas financeiras) aos contribuintes era indevida. Um dos casos que este Conselheiro relator julgou foi o Recurso nº 150.911, quando se prolatou o Acórdão nº 10616.978, Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, sessão de 26 de junho de 2008, unânime para reconhecer a ilegitimidade passiva do fiscalizado. No caso se apreciava remessas feitas para o exterior por determinado contribuinte, em contas administradas pela mesma BHSC – Beacon Hill Service Corporation, quando, ao final, comprovouse que o doleiro havia imputado falsamente ao fiscalizado as remessas, encobrindo o real remetente, como se descobriu em inquérito levado a efeito pela Polícia Federal. Outro exemplo que demonstrou a necessidade do cuidado que se deve ter com tal documentação ocorreu com o julgamento do recurso nº 158.453, Acórdão nº 210200366, nesta mesma Segunda Turma da Primeira Câmara da Segunda Seção do CARF, relator este Conselheiro, sessão de 29/10/2009, unânime para dar provimento ao recurso do contribuinte, lançamento que imputava uma remessa de mais de seis milhões de dólares ao então fiscalizado, quando parecia claro o despropósito dessa medida, como se vê no fundamento do voto, abaixo: Inicialmente, este Conselheiro relator, concluída a leitura do relatório, defendeu uma nova conversão do feito em diligência, visando acostar a estes autos a conclusão do Inquérito Policial nº 109/2007 DPF/PNG/PR. Entretanto, nas discussões que se seguiram na Turma, formouse uma ampla maioria pelo provimento do recurso, em decorrência dos claros indícios de que o contribuinte não poderia ser o proprietário dos recursos expatriados, tudo aliado à ausência de comprovação de como o contribuinte teria se favorecido pelas remessas para exterior, por consumo ou acréscimo patrimonial, prova essa que deveria ter sido produzida pela autoridade autuante, o que não ocorreu no caso vertente. Assim, melhor ponderando, percebi que a posição da douta maioria melhor se adequava ao caso em discussão, o que me levou a retificar meu voto, aderindo ao entendimento dominante, como exposto a seguir. O presente lançamento foi o primeiro caso apreciado pela então Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes em face de contribuintes Fl. 214DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0819.14438.PGOB. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10920.007103/200838 Acórdão n.º 210201.536 S2C1T2 Fl. 7 13 autuados no bojo da chamada operação Beacon Hill (caso Banestado), com a composição de Conselheiros estabelecida a partir do segundo semestre de 2007. Na assentada que converteu o primevo julgamento em diligência, a Sexta Câmara entendeu por bem solicitar uma cópia assinada do Laudo da Polícia Federal, que fossem intimados os procuradores das contas off shore mantidas no exterior, nas quais transitaram os recursos, bem como fosse demandada a Justiça Federal, com o fito de trazer para estes autos cópia de eventual processo criminal em desfavor do recorrente, aqui com o intuito de aclarar quem seria o real proprietário dos recursos, já que era pouco plausível a responsabilidade do contribuinte pela movimentação alienígena, da ordem de mais de 6 milhões de dólares, quando se percebia o pequeno patrimônio do recorrente declarado ao fisco brasileiro, tudo aliado ao pequeno comércio no segmento de celulares e o diminuto crédito bancário do recorrente no Brasil. A diligência não trouxe elementos para uma conclusão definitiva sobre a propriedade dos recursos expatriados, mas apareceram inúmeros indícios que demonstram a impropriedade de se imputar ao recorrente como aplicação de recursos no fluxo de caixa o montante de US$ 6.010.477,00. Registramse os indícios: § rendimentos de pouca monta nas declarações de ajuste anual, aliado a pequeno patrimônio declarado; § participação societária na empresa Americana Comércio de Celulares LtdaME, pequena revenda da operadora CLARO, localizada exatamente no elemento de conexão (endereço) que permitiu vincular o contribuinte às transferências financeiras para o estrangeiro (informação trazida pela fiscalização – fl. 178 – e corroborada pela Polícia Federal – fls. 416 a 418); § a ordem judicial de quebra do sigilo bancário do aqui fiscalizado (fls. 425 a 428) trouxe um registro no título “Gastos no exterior efetuados com Cartão de Crédito Internacional”, no total de US$ 1.492,74, em nome do réu (fls. 433 e 434), informado pelo Banco Central, e extratos bancários da conta corrente do fiscalizado, mantida no Banco do Brasil, nos anos de 2001 a 2003 (fls. 468 a 539), com limite de crédito de R$2.000,00, tudo a demonstrar um pequeno dispêndio em moeda estrangeira, bem como um diminuto limite de crédito em bancos brasileiros, Fl. 215DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0819.14438.PGOB. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 14 quando se compara aos montantes dos valores pretensamente de propriedade do contribuinte; § depoimento prestado pelo fiscalizado à Polícia Federal, em 07/02/2008, quando o depoente, sofrendo a imputação do tipo previsto no art. 22, § único, da Lei nº 7.492/86, negou que tivesse feitas remessas financeiras para o exterior e que nunca movimentou valores através da conta Gabanas Capital, mantida no MTB HUDSON BANK. Ainda, não conhecia as pessoas dos Srs. Sidney Catenaci, Sidney Catenaci Júnior e Alessandro Guarneri Catenaci. Por fim, recordou que seu tio Yassin Taha fora proprietário de uma casa de câmbio em Paranaguá, denominada Lamistur Cambio Turismo, tendo utilizado o endereço da loja da Rua Faria Sobrinho, nº 466, para receber correspondências que tinham a inscrição “BANK”, sendo certo que o Sr. Yassin tem um bom padrão de vida (fls. 436 a 438); § depoimento prestado pelo Sr.Yassin Taha a Polícia Federal, na qual o depoente asseverou que fora proprietário de uma casa de câmbio denominada Lamistur, porém nunca teria operado com contas CC5 e Dólarcabo, conhecendo de vista os Srs. Catenacis. Ainda afirmou que utilizara o endereço da Rua Faria Sobrinho para receber correspondência, e que o seu sobrinho, aqui fiscalizado, não teria condições financeiras ou patrimoniais para fazer remessas de vulto para o exterior (fls. 462 e 463); § petição de 19/09/2008, na qual o Exmo. Sr. Procurador da República João Vicente Beraldo Romão solicitou ao Juízo do feito a execução de novas diligências, em decorrência de documentação entregue no Ministério Público Federal, em 09/06/2008, pelo Sr. Sami Mohamad Zahra, e, entre outras considerações, asseverou que os documentos que solicitam transferência de valores são assinados por pessoas jurídicas, sendo elas a Technomig e a Libras Ltd., e as assinaturas apostas parecem ser de Yassin Taha; § em novo interrogatório levado a efeito pelo Sr. Yassin Taha na Polícia Federal, acompanhado do advogado Victor Geraldo Jorge, o Sr. Yassin negou qualquer vinculação com a documentação entregue pelo Sr. Sami no MPF, sendo que reconheceu que as assinaturas nos documentos de movimentação financeira trazidas pelo Sr. Sami eram parecidas com a sua, porém afirmou que não partiram de seu punho (fls. 611 e 612). Aqui claramente transparece o objetivo do Sr. Fl. 216DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0819.14438.PGOB. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10920.007103/200838 Acórdão n.º 210201.536 S2C1T2 Fl. 8 15 Taha em afastar sua responsabilidade pela movimentação, porém não houve imputação de tais condutas ao recorrente; § solicitação de exame pericial nos documentos de fls. 215 a 218 dos autos judiciais (Mandado de Procedimento Fiscal, com original juntado a estes autos administrativos – fl. 3), já que pretensamente constaria uma anotação feita pelo Sr. Yassin, assumindo a autoria das movimentações financeiras em debate, pela autoridade policial (vide as fls. 561 a 564 e 630 deste feito administrativo), datado de 06/04/2009. O conjunto de indícios acima parece indicar claramente que o recorrente, Sr. Sami Mohamad Zahra, não seria o real responsável pelas transferências financeiras no montante de US$ 6.010.477,00 para a instituição financeira estrangeira MTB Hudson Bank, e ainda transparece menos plausível que o Sr. Sami Zahra fosse o real proprietários dos valores expatriados. Ao revés, parece claro que o responsável pelas transferências financeiras seria o tio do recorrente, o Sr. Yassin Taha. Por tudo, a partir da negativa da contribuinte fiscalizada de que não efetuou as remessas para o exterior, da ausência de registro de viagens para os Estados Unidos em seu passaporte e de qualquer documento que a vinculasse de forma iniludível à movimentação financeira, parece claro o despropósito de associála as movimentações financeiras de fls. 77 e 78, unicamente a partir da identidade parcial de seu nome nos registros eletrônicos já citados. Porém, para demonstrar a impropriedade da tributação no presente caso, há mais pontos a serem aventados. Para se imputar ao contribuinte uma omissão de rendimentos, com apuração do imposto correspondente, mister demonstrar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível, na forma do art. 142 do CTN. Ora, não se concebe como se pode imputar uma omissão de rendimentos recebidos do exterior, quando não se sabe quem foi a fonte pagadora, qual a origem ou a causa dos rendimentos, como ocorreu no caso vertente. Observese que uma transferência bancária sem identificação de causa ou origem em prol do fiscalizado, no Brasil ou no exterior, em si mesma, não pode se subsumir ao conceito de renda. Eventualmente, caso a transferência seja para crédito em conta corrente do contribuinte, a fiscalização poderia se valer da presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96, que informa que créditos bancários de origem não comprovada são presumidos como rendimentos omitidos, isso desde que constassem nos autos os extratos bancários e demais informações dos depositantes (como ficha de Fl. 217DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0819.14438.PGOB. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 16 cadastro de depositantes), de forma que restasse iniludível a manutenção de conta bancária alienígena. Porém da presunção acima não se valeu a fiscalização. A autoridade fiscal imputou uma omissão de rendimentos pretensamente percebidos no exterior, sem indicar a fonte pagadora, a origem ou causa da operação, ou seja, não demonstrou qual matéria tributável que estava sob a incidência do imposto de renda. Na verdade, asseverou que a contribuinte seria ordenante das remessas, e daí presumiu a omissão de rendimentos, como se vê no trecho abaixo do relatório fiscal (fl. 3), verbis: 3. Da análise das informações repassadas pela Justiça Federal constatouse que, nos anos de 2000, 2001 e 2002, a fiscalizada efetuou operações financeiras no exterior, atuando como ordenante divisas através de conta/subconta no Banco Chase de Nova York mantida/administrada por Beacon Hill Service Corporation Conta RIGLER n" 530765047. As operações mencionadas totalizam US$ 202.876, nas datas e valores a seguir discriminados: Claramente, se o contribuinte era ordenante das remessas, estas não poderiam ser os rendimentos omitidos, pois, como já asseverado antes, eventual auferimento de rendimentos pretéritos, estes passíveis de tributação, é que poderiam gerar as remessas (que a fiscalizada teria, pretensamente, figurado como ordenante). Nestes autos, repisese, em nenhum momento se desnudou a natureza das transferências financeiras, quando tinham sido auferidas, de que se tratavam, não se demonstrando a matéria tributável. E, por fim, há um quarto óbice a impedir que o presente lançamento prospere. Tratase da forma de tributação escolhida pela autoridade fiscal. Explicase. Suponha, por hipótese, que a autoridade fiscal tivesse demonstrado que a contribuinte tivesse efetuado as remessas para o exterior, beneficiandose delas, direta (por consumo, gastos ou acréscimos patrimonial) ou indireta (em prol de terceiros). A partir desse cenário, poderia confeccionar fluxos de caixas mensais, confrontando os rendimentos auferidos em face dos dispêndios (remessas feitas ao exterior e outros), apurando o acréscimo patrimonial a descoberto, ou seja, indicaria em quais meses a contribuinte não teria rendimentos declarados para fazer frente aos dispêndios, daí surgindo omissões de rendimentos (“estouro de caixa”). A metodologia acima foi utilizada pela autoridade fiscal (entretanto, registrese, sem a comprovação de como a contribuinte teria se beneficiado das transações), que confeccionou os fluxos de caixa, registrou como dispêndios as remessas financeiras, confrontou os rendimentos declarados em face das aplicações (dispêndios) de recursos e, ao final, intimou o contribuinte a justificar a variação patrimonial a descoberto (fls. 34 a 38). Porém, de forma inexplicável, desconsiderou a metodologia acima, passou a considerar as transações financeiras, em si mesmas, como rendimentos omitidos recebidos no exterior, quando, no fluxo de caixa, as transações tinham figurado como dispêndios (despesas). Ora, mais uma vez, se uma transação financeira é despesa, dispêndio, não pode ser, ao mesmo tempo, rendimento, pois este somente pode ter sido auferido em momento anterior, e para se chegar a eventual rendimento Fl. 218DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0819.14438.PGOB. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10920.007103/200838 Acórdão n.º 210201.536 S2C1T2 Fl. 9 17 omitido a partir da despesa, mister considerar os rendimentos já declarados pelo contribuinte, como se faz em um fluxo de caixa que apura acréscimo patrimonial a descoberto. Apenas o confronto dos rendimentos declarados em face dos dispêndios pode gerar omissões de rendimento, passível de tributação na forma do art. 3º, § 1º (última parte), da Lei nº 7.713/88. A confusão acima, tratando as remessas financeiras ao mesmo tempo como dispêndios e como rendimentos nestes autos, indica o terreno movediço pisado pela autoridade fiscal. Ademais, mesmo considerando que a contribuinte tivesse efetuado as transações financeiras, caso não se comprovasse como ela tinha se beneficiado com elas, a partir de consumo, acréscimo patrimonial ou benefício de terceiro, como ocorreu nestes autos, tais transações não poderiam funcionar como dispêndio no fluxo de caixa que apurasse eventual acréscimo patrimonial a descoberto. Tal entendimento encontrase hoje cristalizado na Súmula CARF nº 67: Em apuração de acréscimo patrimonial a descoberto a partir de fluxo de caixa que confronta origens e aplicações de recursos, os saques ou transferências bancárias, quando não comprovada a destinação, efetividade da despesa, aplicação ou consumo, não podem lastrear lançamento fiscal. Em um caso como o presente, caso se tratasse de remessas financeiras efetivamente feitas pelo contribuinte, com comprovação do benefício auferido por ele, poderseia confeccionar fluxos de caixa, apurando eventual acréscimo patrimonial a descoberto. De outra banda, caso o contribuinte fosse o beneficiário final das transações, trazendose os extratos bancários da conta estrangeira, com efetiva comprovação de que o contribuinte era correntista de tal conta, poderseia utilizar a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96 (omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada)1. Porém nada disso ocorreu nestes autos. Com todas as considerações acima, voto no sentido de DAR provimento ao recurso. Pelo acima exposto, vêse que não se pode tomar a documentação assenhoreada no exterior como uma verdade indiscutível de que as pessoas que figuraram nas mídias eram os reais proprietários dos valores. Ainda, a demonstrar a dificuldade em se clarificar a materialidade tributária a partir dessa documentação obtida nos Estados Unidos, esse relator já viu a fiscalização se valer, em casos como o presente, das seguintes modalidades de tributação: § pagamentos sem causa ou a beneficiários não identificados (Acórdão nº 10616.978, sessão de 26 de junho de 2008, Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes); 1 E não se diga que seria impossível conseguir a documentação de eventual conta mantida no estrangeiro, pois como se viu no Acórdão nº 210200.432, relator este Conselheiro, sessão de 03 de dezembro de 2009, unânime apenas para desqualificar a multa de ofício, e Acórdão nº 210200410, relator este Conselheiro, sessão de 02 de dezembro de 2009, recurso negado, ambos desta Segunda Turma da Primeira Câmara da Segunda Seção do CARF, a partir da mesma operação judicial destes autos, vieram aos processos administrativos fiscais respectivos a documentação das contas bancárias. Fl. 219DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0819.14438.PGOB. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 18 § omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada (Acórdão nº 10617.003, sessão de 06 de agosto de 2008, Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes; Acórdão nº 210200329, sessão de 23 de setembro de 2009, da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção; Acórdão nº 210201.042, sessão de 09 de fevereiro de 2011, da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção); § omissão de rendimentos recebidos de fontes do exterior (Acórdão nº 2102001.252 , sessão de 15 de abril de 2011, da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção); § acréscimo patrimonial a descoberto (Acórdão nº 10617.029, sessão de 07 de agosto de 2008, Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes; Acórdão nº 210200366, sessão de 29 de outubro de 2009, da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção; Acórdãos nºs 210201.170 e 210201.171, ambos na sessão de 17 de março de 2011, da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção). Ora, uma mesma documentação bancária, como as informações nas mídias descritas no relatório deste voto, não pode gerar procedimentos fiscais que utilizam formas de tributação tão diversas. Isso é um sintoma claro de que não se consegue enxergar a materialidade do pretenso fato gerador a partir de tais mídias, sendo elas, no máximo, um indício que poderia dar origem a investigações mais aprofundadas por parte da fiscalização, e não considerálas como provas robustas a alicerçar qualquer lançamento tributário (exceto no caso em que se conseguiu agregar os extratos bancários das contas do exterior, com cadastros de depositante, restando iniludível que o contribuinte tinha contas bancárias alhures, e se pôde fazer uso da presunção legal do art. 42 da Lei nº 9.430/96, como se viu nos Acórdãos descritos na nota de rodapé antes citada). No caso destes autos, não se trouxe aos autos qualquer documentação das eventuais contas bancárias mantidas pelo contribuinte no estrangeiro, sendo certo que os créditos na conta Lespan somente poderiam dar ensejo à aplicação da presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96 contra a própria Lespan ou, caso comprovado que o aqui fiscalizado era o real detentor da conta bancária auditada (do Lespan), imputarlhe a presunção na forma do art. 42, § 5º, da Lei nº 9.430/96 (Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento), porém dessa comprovação não se desincumbiu a fiscalização. Ademais, se a autoridade fiscal tencionava imputar a presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada ao contribuinte, necessariamente deveria ter disponibilizado a documentação que demonstraria a titularidade de contas mantidas no exterior, como expressamente solicitado pelo contribuinte (fls. 58 e 64), e não somente solicitar esclarecimentos no tocante a pretensas remessas (fls. 54 a 56 e 60 a 62), até porque a cabeça do art. 42 da Lei nº 9.430/96 (Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações) expressamente exige a intimação do titular da conta bancária para esclarecer a origem dos depósitos, e da posição de ordenante Fl. 220DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0819.14438.PGOB. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10920.007103/200838 Acórdão n.º 210201.536 S2C1T2 Fl. 10 19 de uma remessa financeira para determinada conta bancária não se pode inferir disso um depósito bancário, considerado rendimento presumido, em desfavor do ordenante (poderseia considerar a presunção em favor do beneficiário da remessa). Parece claro que a autoridade não seguiu o procedimento descrito na Lei, que é mais um argumento para fazer soçobrar o lançamento. Com todas as considerações acima, entendo que assiste razão ao contribuinte, devendo ser cancelado o lançamento, com provimento do recurso voluntário. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 221DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0819.14438.PGOB. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS em 10/10/2011 14:35:32. Documento autenticado digitalmente por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS em 10/10/2011. Documento assinado digitalmente por: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS em 10/10/2011. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 20/08/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP20.0819.14438.PGOB Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 3D5C7FF781F16263BFFF7167BCA667592CEC6458 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10920.007103/2008-38. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10880.954386/2008-22
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Data do fato gerador: 15/07/2000
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SITUAÇÕES FÁTICAS DISTINTAS. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece do recurso especial de divergência quando as situações fáticas a eles associadas não tem similitude, impossibilitando verificar se os colegiados teriam posicionamentos distintos ou convergentes frente a elas. No caso concreto, trata-se de erro do valor declarado em DCTF sem a apresentação de qualquer documento suportando o pedido ao longo de todo processo, enquanto o paradigma trata de erro no preenchimento de PER/DCOMP, mesmo após a análise de documentação pela fiscalização previamente ao despacho decisório.
Numero da decisão: 9303-008.857
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/07/2000 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SITUAÇÕES FÁTICAS DISTINTAS. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece do recurso especial de divergência quando as situações fáticas a eles associadas não tem similitude, impossibilitando verificar se os colegiados teriam posicionamentos distintos ou convergentes frente a elas. No caso concreto, trata-se de erro do valor declarado em DCTF sem a apresentação de qualquer documento suportando o pedido ao longo de todo processo, enquanto o paradigma trata de erro no preenchimento de PER/DCOMP, mesmo após a análise de documentação pela fiscalização previamente ao despacho decisório.
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SITUAÇÕES FÁTICAS DISTINTAS. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece do recurso especial de divergência quando as situações fáticas a eles associadas não tem similitude, impossibilitando verificar se os colegiados teriam posicionamentos distintos ou convergentes frente a elas. No caso concreto, trata-se de erro do valor declarado em DCTF sem a apresentação de qualquer documento suportando o pedido ao longo de todo processo, enquanto o paradigma trata de erro no preenchimento de PER/DCOMP, mesmo após a análise de documentação pela fiscalização previamente ao despacho decisório. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 43 86 /2 00 8- 22 Fl. 263DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-008.857 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10880.954386/2008-22 Relatório Trata-se de pedido eletrônico de compensação de créditos originários de pagamento indevido ou a maior de PIS - Faturamento, que ultrapassaria o crédito devido. A DERAT em São Paulo emitiu despacho decisório eletrônico, no qual informava que o valor pago pela DARF encontrava-se integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, por isso não homologou a referida compensação. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegadno que o valor por ela informado originariamente em DCTF, seria equivocado. Não comprova nem demonstra como foram apurados os novos valores e argumenta que a não homologação da compensação levaria ao enriquecimento ilícito da Fazenda Nacional. A DRJ competente exarou o acórdão considerando improcedente a manifestação de inconformidade do sujeito passivo para manter o lançamento. Irresignada, a contribuinte, interpôs recurso voluntário, repisando as razões da impugnação. O recurso voluntário foi apreciado pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, resultando no acórdão nº 3401-004.152, que lhe negou provimento. Recurso especial da contribuinte A contribuinte interpôs recurso especial de divergência, sustentando a divergência com relação à duas matérias: 1) possibilidade de conversão do julgamento em diligência e 2) preclusão da produção de provas em momento processual posterior à fase de impugnação. Para primeira matéria, a contribuinte toma por paradigma o acórdão nº 3301- 003.968, no qual se admitiu realização de diligência, diversamente do que ocorreu no acórdão recorrido Já no tocante à segunda matéria, o sujeito passivo esgrime os arestos paradigmas de nº 1401-001.856 e nº 101-96.829, que permitiriam a produção de provas em momento processual posterior ao da impugnação.. O recurso teve seguimento negado pelo Presidente da Câmara. Agravo da contribuinte Cientificada do resultado do despacho que negou seguimento ao seu recurso especial, a contribuinte apresentou agravo à Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais - Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF que o acolheu parcialmente para determinar o retorno dos autos à 4ª câmara da 3ª seção de julgamento, com o intuito de exame dos demais Fl. 264DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-008.857 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10880.954386/2008-22 pressupostos de admissibilidade do recurso especial, para além do prequestionamento, relativamente à matéria "possibilidade de conversão do julgamento em diligência". Em face do despacho que acolheu parcialmente o agravo, foi realizada nova análise do recurso especial de divergência da contribuinte, sendo-lhe dado seguimento para que seja apreciada apenas quanto a matéria "possibilidade de conversão do julgamento em diligência". Contrarrazões da Fazenda Cientificada do despacho de admissibilidade do recurso especial, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 9303-008.852, de 16 de julho de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.954381/2008-08, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcreve-se como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303-008.852): “O recurso especial de divergência da contribuinte é tempestivo. Conhecimento Uma análise mais acurada do acórdão utilizado para paragonar a matéria leva-me á reconsideração da admissibilidade do recurso especial de divergência. Ocorre que o acórdão paradigma nº 3301-003.968, se estabeleceu sobre a seguinte matéria fática, extraída de seu relatório (e-fl. 173): Tratam-se de pedidos de ressarcimento de folhas 103 a 150, transmitidos em julho de 2008 através do sistema PER/DCOMP. Nestes o contribuinte busca o ressarcimento de créditos apurados sob o regime da não cumulatividade da COFINS, vinculados às vendas no mercado interno (artigo 17 da Lei n° 11.033/2004). (...) A DRF Vitória, por meio do despacho decisório de fl. 470, amparado no Parecer/Seort nº 2127 (fls. 462 a 469) não reconheceu o direito creditório pleiteado pelo contribuinte, uma vez que não identificou qualquer saída no mercado interno, enquadrada dentre aquelas com direito a crédito passível de ressarcimento (saídas não sujeitas à contribuição). Conseqüentemente indeferiu os pedidos de ressarcimento. Fl. 265DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-008.857 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10880.954386/2008-22 Cientificada do despacho, a interessada, inconformada, apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 472 a 480, em parte transcrita a seguir: Em cumprimento ao Termo de Intimação Fiscal n° 01/2010, a empresa, ora RECORRENTE, esclareceu que os créditos apurados são vinculados a operações com mercado interno e exportação, com base na receita bruta auferida mensalmente, bem como apresentou diversos documentos solicitados pela Fiscalização, tanto em relação aos créditos de PIS quanto aos de COFINS, no período compreendido entre o 1° trimestre de 2005 e 4° trimestre de 2007. (Negritei e sublinhei.) Nesses excertos, transparece claramente que a situação fática é distinta daquela havida no acórdão recorrido, pois neste se trata de despacho decisório eletrônico, que confronta pagamentos realizados em DARF com créditos constituídos em DCTF da própria contribuinte e naquele paradigma há despacho com análise prévia da fiscalização com relação aos créditos, fundada em documentação apresentada pela contribuinte, conforme acima destacado. A discussão se estabeleceu sobre serem ou não os créditos pleiteados vinculados à receitas da exportação ou do mercado interno. Como a DRJ que apreciou a manifestação de inconformidade da contribuinte concordou com o disposto no despacho decisório, a contribuinte interpôs recurso voluntário alegando (e-fl. 175): Apresenta a Recorrente Recurso Voluntário em face da referida decisão alegando em síntese que o que houve foi um erro no preenchimento da PER/DCOMP, porquanto os valores pleiteados foram equivocadamente preenchidos nos PER/DCOMP's no campo dos créditos vinculados ao mercado interno quando, de fato, tratavam-se de créditos vinculados a receitas de exportação, que foi apresentada toda a documentação comprobatória do referido fato e que tratando-se de mero erro material esse não deve ser tomado como elemento para indeferir o Ressarcimento pleiteado. Que a documentação carreada aos autos demonstra com clareza a existência do crédito (Negritei) Ou seja, a discussão levada ao CARF no acórdão paradigma foi com relação a erro de preenchimento de PER/DCOMP, em face da discussão sobre documentação apresentada pela contribuinte à fiscalização, diferentemente do caso presente, em que se alega erro do valor declarado em DCTF sem a apresentação de qualquer documento suportando o pedido, mesmo em sede de recurso voluntário. No meu entendimento, o acórdão a quo se estabeleceu sobre situação fática distinta daquela do acórdão paradigma, pois nele não havia qualquer suporte probatório que trouxesse dúvidas ao julgador para ensejar a realização de diligência, enquanto no paradigma apresentado, no procedimento anterior ao despacho decisório já se estabelecera litígio quanto às provas, o que gerou a necessidade de os julgadores terem maiores esclarecimentos. O que pretendeu o relator do voto vencido no acórdão nº 3401-004.146, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que foi fulcro para o julgamento do acórdão aqui recorrido, na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, utilizando-se de voto havido em Resolução nº 3401-000.964, a qual propôs a conversão em diligência para situação análoga à presente (esta sim, pagamento indevido ou a maior em dissonância com declaração em DCTF), foi igualmente converter aquele processo em diligência, sendo vencido pela maioria. Contudo, ainda que se pretendesse utilizar como paradigma a Resolução nº 3401- 000.964, referida pelo relator vencido no acórdão nº 3401-004.146, isso não seria possível, pois careceria de sua indicação diretamente no recurso especial de divergência da contribuinte, bem como da demonstração analítica com base nele. Concluindo, os julgadores não viram elementos probatórios que dessem razão para a conversão do julgamento do processo em diligência, sendo esta situação fática distinta, portanto, daquela do aresto paradigma nº 3301-003.968, apresentado pela contribuinte em seu recurso especial de divergência. Fl. 266DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 9303-008.857 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10880.954386/2008-22 Por essas razões, voto por não conhecer do recurso especial de divergência da contribuinte. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por não conhecer do recurso especial de divergência do sujeito passivo.” Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por não conhecer do recurso especial de divergência do sujeito passivo. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 267DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.940370/2014-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2013
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DIREITO CREDITÓRIO INTEGRALMENTE DEFERIDO PELA REPARTIÇÃO FISCAL DE ORIGEM. RECURSO VOLUNTÁRIO. FALTA DE INTERESSE RECURSAL
Não se conhece de recurso voluntário, em processo de compensação tributária, cujo direito creditório pleiteado foi integralmente deferido pela decisão da unidade de origem da Receita Federal e nas razões do recurso as matérias agitadas estão superadas e/ou são estranhas, não afetas ao objeto do processo.
Numero da decisão: 1301-004.023
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por falta de interesse recursal da recorrente.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: NELSO KICHEL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2013 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DIREITO CREDITÓRIO INTEGRALMENTE DEFERIDO PELA REPARTIÇÃO FISCAL DE ORIGEM. RECURSO VOLUNTÁRIO. FALTA DE INTERESSE RECURSAL Não se conhece de recurso voluntário, em processo de compensação tributária, cujo direito creditório pleiteado foi integralmente deferido pela decisão da unidade de origem da Receita Federal e nas razões do recurso as matérias agitadas estão superadas e/ou são estranhas, não afetas ao objeto do processo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por falta de interesse recursal da recorrente. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente. (assinado digitalmente) Nelso Kichel- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
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DIREITO CREDITÓRIO INTEGRALMENTE DEFERIDO PELA REPARTIÇÃO FISCAL DE ORIGEM. RECURSO VOLUNTÁRIO. FALTA DE INTERESSE RECURSAL Não se conhece de recurso voluntário, em processo de compensação tributária, cujo direito creditório pleiteado foi integralmente deferido pela decisão da unidade de origem da Receita Federal e nas razões do recurso as matérias agitadas estão superadas e/ou são estranhas, não afetas ao objeto do processo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por falta de interesse recursal da recorrente. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 94 03 70 /2 01 4- 81 Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10880.940370/201481 Acórdão n.º 1301004.023 S1C3T1 Fl. 86 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10880.940370/201481 Acórdão n.º 1301004.023 S1C3T1 Fl. 87 3 Relatório Tratase do Recurso Voluntário apresentado em face do Acórdão da 2ª Turma da DRJ/Belo Horizonte que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. Quantos aos fatos: que, nos autos do Processo nº 10880.939478/201421, em 24/07/2014 a contribuinte apresentou PER/DCOMP, informando compensação tributária: a) Débito confessado: R$ 2.411,38. IRRF Rendimento do Trabalho Assalariado, código de receita 0561, PA junho/2014, data de vencimento 18/07/2014 , valor R$ 2.411,38. b) Crédito utilizado: R$ 2.184,62 (original) IRRF Rendimento do Trabalho Assalariado, código de receita 0561, PA 31/05/2013, data de vencimento e Arrecadação 20/06/2013, valor do pagamento DARF R$ 2.374,53. Valor de pagamento indevido ou a maior: crédito na data de transmissão da DCOMP: R$ 2.184,62 (original). c) débito remanescente: que o crédito pleiteado foi totalmente deferido pela DERAT/São Paulo pelo Despacho Decisório de 08/10/2014, porém o valor do crédito deferido foi insuficiente para quitação do referido débito confessado na DCOMP. O débito remanescente, então, foi transferido para o presente processo, in verbis: (...) PROCESSO/PROCEDIMENTO: 10880.939478/201421 INTERESSADO: OCTONAL COMERCIO E SERVICOS DE INFORMATICA LTDA EPP Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10880.940370/201481 Acórdão n.º 1301004.023 S1C3T1 Fl. 88 4 DESTINO: ARQUIVO ÚNICO Arquivo DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO Processo de Crédito encerrado (totalmente deferido). A Manifestação de Inconformidade respectiva está sendo tratada no Processo de Débito n° 10880940370/201481. Arquivese o presente processo. DATA DE EMISSÃO : 30/10/2014 (...) Na sessão de 22/05/2018, a 2ª Turma da DRJ/Belo Horizonte julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, frisando: (...) Motivação do Despacho Decisório O despacho não deixa dúvida quanto à sua motivação: o crédito utilizado no PER/DCOMP em análise, apesar de todo reconhecido no despacho decisório, não foi suficiente para quitar integralmente os débitos. A divergência entre despacho decisório e PER/DCOMP está nos acréscimos legais incidentes sobre o débito compensado. Os valores considerados pelo fisco foram expostos em documento colocado à disposição do contribuinte, intitulado "PER/DCOMP Despacho Decisório Detalhamento da Compensação". Demonstra se, assim, que o despacho traz, de forma explícita, a motivação da homologação parcial. A exposição é clara e exaustiva. (...) ACRÉSCIMOS LEGAIS SOBRE O DÉBITO COMPENSADO Como dito, o crédito utilizado no PER/DCOMP em análise já foi todo reconhecido no despacho decisório, mas foi insuficiente para quitar integralmente os débitos. A divergência entre despacho decisório e PER/DCOMP está nos acréscimos legais incidentes sobre o débito compensado. No PER/DCOMP, juntado aos autos nas fls. 31 a 35, foram informados valores de juros de mora e de multa de mora iguais a zero. No "Detalhamento da Compensação" (fl. 40), foram computados valores diferentes de zero. (...) Só parte da compensação do PER/DCOMP n.º 20191.79442.240714.1.3.048387 foi homologada. Sua operacionalização foi feita de acordo com os dispositivos legais Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10880.940370/201481 Acórdão n.º 1301004.023 S1C3T1 Fl. 89 5 citados. As informações expostas foram colocadas à disposição do contribuinte no documento "PER/DCOMP Despacho Decisório Detalhamento da Compensação" (fl. 40). Na manifestação de inconformidade, o interessado se omite quanto a esses dados. Mantêmse, pois, as compensações, na forma demonstrada no despacho decisório em lide. Sobre o débito compensado incidem juros e multa de mora, calculados entre a data de vencimento e a data de transmissão do PER/DCOMP. (...) Ciente do acórdão da RFJ/Belo Horizonte no Domicílio Eletrônico em 18/07/2018, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 20/07/2018, cujas razões não dizem respeito à lide objeto dos presentes autos. A contribuinte suscitou: que o despacho decisório seria nulo, pois denegou integralmente o direito creditório pleiteado sem qualquer fundamentação; que o despacho decisório é um ato administrativo vinculado, sendo necessário preencher os requisitos atribuídos pela lei, ou seja, é necessário fundamentação; que é nula aplicação da multa isolada de 50% do art. 74 da Lei 9.430/96, antes da decisão definitiva no processo administrativo em que se discute o direito creditório denegado. Por fim, então, pediu a nulidade do despacho decisório, ato administrativo vinculado, que denegara, integralmente, o direito creditório demandado, por vício insanável, ou seja, por falta de fundamentação. É o relatório. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10880.940370/201481 Acórdão n.º 1301004.023 S1C3T1 Fl. 90 6 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. Não conheço do Recurso Voluntário por falta de interesse recursal. Veja. Nos autos do Processo nº 10880.939478/201421, o direito creditório pleiteado pela recorrente já foi integralmente deferido pelo despacho decisório da unidade de origem da Receita Federal DERAT/São Paulo e a compensação tributária, objeto daqueles autos, foi homologada parcialmente, por insuficiência do crédito para quitação do débito confessado, conforme já relatado. Aqui, nestes autos, está sendo controlado o débito remanescente da DCOMP objeto daqueles autos. Como visto, o direito creditório pleiteado foi integralmente deferido e sequer foi suficiente para quitação do débito confessado na DCOMP objeto do Processo nº 10880.939478/201421. Entretanto, a contribuinte, indevidamente, ainda utilizou o mesmo direito creditório (crédito) em centenas de DCOMP objeto de diversos processos, conforme consta do voto condutor da decisão recorrida que, nessa parte, transcrevo, in verbis: (...) PER/DCOMP RELACIONADOS AO MESMO DARF. O valor do DARF identificado no PER/DCOMP analisado não é suficiente para fazer frente a todas as compensações com ele pretendidas. O DARF do presente processo, com código de receita 0561, período de apuração 31/05/2013, data de arrecadação em 20/06/2013, no valor de R$ 2.374,53, foi utilizado em 247 PER/DCOMP, para compensar débitos que somam R$ 612.713,19. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10880.940370/201481 Acórdão n.º 1301004.023 S1C3T1 Fl. 91 7 (...) (...) Nesta instância recursal, nas razões do recurso, a recorrente agitou matérias superadas e/ou estranhas, não afetas aos presentes autos: que o despacho decisório seria nulo, pois teria denegado integralmente o direito creditório pleiteado sem qualquer fundamentação; que o despacho decisório é um ato administrativo vinculado, sendo necessário preencher os requisitos atribuídos pela lei, ou seja, é necessário fundamentação; que é nula aplicação da multa isolada de 50%, do art. 74 da Lei 9.430/96, antes da decisão definitiva no processo administrativo em que se discute o direito creditório denegado. Por fim, ainda, reiterou pedido de nulidade do despacho decisório, ato administrativo vinculado, que teria denegado, integralmente, o direito creditório demandado, pela existência de vício insanável, ou seja, por falta de fundamentação da decisão. Ora, como já demonstrado, o direito creditório pleiteado já foi integralmente deferido e utilizado pela DCOMP, conforme Processo nº 10880.939478/201421, em decisão devidamente fundamentada. No caso, não se conhece do recurso voluntário, em processo de compensação tributária, por falta de interesse recursal, pois : a) o direito creditório (crédito) já foi totalmente deferido e consumido pela DCOMP objeto dos autos do Processo nº 10880.939478/201421; b) nestes autos apenas há controle do débito remanescente (débito em aberto), pela insuficiência/inexistência de crédito para sua quitação; c) nas razões do recurso, a recorrente agitou matérias superadas e/ou estranhas, não afetas ao objeto do processo. Por tudo que foi exposto, voto para não conhecer do recurso voluntário por falta de interesse recursal da recorrente. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10880.940370/201481 Acórdão n.º 1301004.023 S1C3T1 Fl. 92 8 É como voto. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 92DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14041.001179/2008-14
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Aug 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONTRARRAZÕES. MATÉRIA ESTRANHA À LIDE. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de contrarrazões quanto a matérias estranhas ao Recurso Especial.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. DEMONSTRAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. CONHECIMENTO.
A demonstração da divergência e o atendimento aos demais pressupostos necessários ao seguimento de recurso especial importam seu conhecimento.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA E DE TERCEIROS. AUXÍLIO EDUCAÇÃO. DEPENDENTES. INCIDÊNCIA.
À época dos fatos geradores objeto do lançamento, não havia previsão legal para a isenção de contribuições previdenciárias em relação valores pagos a título de auxílio educação a dependentes de empregados e dirigentes vinculados a empresa.
Numero da decisão: 9202-008.050
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente das contrarrazões do sujeito passivo.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa, Patrícia da Silva , Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Paula Fernandes, Denny Medeiros da Silveira (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Mário Pereira de Pinho Filho (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, substituída pela conselheira Miram Denise Xavier.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONTRARRAZÕES. MATÉRIA ESTRANHA À LIDE. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de contrarrazões quanto a matérias estranhas ao Recurso Especial. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. DEMONSTRAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. CONHECIMENTO. A demonstração da divergência e o atendimento aos demais pressupostos necessários ao seguimento de recurso especial importam seu conhecimento. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA E DE TERCEIROS. AUXÍLIO EDUCAÇÃO. DEPENDENTES. INCIDÊNCIA. À época dos fatos geradores objeto do lançamento, não havia previsão legal para a isenção de contribuições previdenciárias em relação valores pagos a título de auxílio educação a dependentes de empregados e dirigentes vinculados a empresa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente das contrarrazões do sujeito passivo. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa, Patrícia da Silva , Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Paula Fernandes, Denny Medeiros da Silveira (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Mário Pereira de Pinho Filho (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, substituída pela conselheira Miram Denise Xavier.
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CONTRARRAZÕES. MATÉRIA ESTRANHA À LIDE. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de contrarrazões quanto a matérias estranhas ao Recurso Especial. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. DEMONSTRAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. CONHECIMENTO. A demonstração da divergência e o atendimento aos demais pressupostos necessários ao seguimento de recurso especial importam seu conhecimento. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA E DE TERCEIROS. AUXÍLIO EDUCAÇÃO. DEPENDENTES. INCIDÊNCIA. À época dos fatos geradores objeto do lançamento, não havia previsão legal para a isenção de contribuições previdenciárias em relação valores pagos a título de auxílio educação a dependentes de empregados e dirigentes vinculados a empresa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente das contrarrazões do sujeito passivo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 11 79 /2 00 8- 14 Fl. 797DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa, Patrícia da Silva , Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Paula Fernandes, Denny Medeiros da Silveira (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Mário Pereira de Pinho Filho (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, substituída pela conselheira Miram Denise Xavier. Relatório Tratase de Auto de Infração, Debcad nº 37.156.7424, relativo a contribuições sociais previdenciárias não declaradas em GFIP, parte da empresa, inclusive a destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais a serviço da empresa. Em sessão plenária de 15/02/2016, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2201002.852 (fls. 618/644), com o seguinte resultado: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para: a) Acolher a preliminar de decadência até a competência 10/2003 (inclusive), vencidos os Conselheiros MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, MÁRCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado) e HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR; b) No mérito, por unanimidade de votos, afastar a tributação sobre o auxílio alimentação. Quanto à bolsa de estudos, por maioria de votos, afastar a tributação sobre essas verbas, vencido o Conselheiro MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, que dava provimento em menor extensão e os Conselheiros HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR e MÁRCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), que negavam provimento. O acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2007 ISENÇÃO. DIREITO ADQUIRIDO. Inexiste direito adquirido à isenção com base no Decreto Lei 1.572/1977. Não há razão para falarse em direito à imunidade por prazo indeterminado. DECADÊNCIA. Fl. 798DF CARF MF Processo nº 14041.001179/200814 Acórdão n.º 9202008.050 CSRFT2 Fl. 3 3 O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional. Havendo recolhimentos aplicase a regra do § 4º do artigo 150 do CTN. EDUCAÇÃO. BOLSAS DE ESTUDOS. Não incide tributação sobre o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. ALIMENTAÇÃO IN NATURA Sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. REGULAMENTAÇÃO. Não ofende ao Princípio da Legalidade a regulamentação através de decreto do conceito de atividade preponderante e da fixação do grau de risco. Recurso Voluntário Provido em Parte O processo foi encaminhado à PGFN em 03/05/2016 que, em 06/06/2016, opôs, tempestivamente, embargos de declaração (fls. 646/649), alegando, em síntese, omissão, pois não teria sido “possível confirmar a informação no sentido de que há recolhimento parcial da contribuição previdenciária objeto dos autos exatamente nas competências em análise”. Tendo sido acolhidos os embargos de declaração, em sessão de 04/07/2017, foi prolatado novo Acórdão nº 2201003.737 (fls. 671/676), com o resultado a seguir descrito: Fl. 799DF CARF MF 4 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos de declaração apresentados para, sanando a omissão identificada, mencionar que o documento que embasa a decisão prolatada encontrase no arquivo nãopaginável anexado à fl. 569 do processo eletrônico. O processo foi encaminhado à PGFN para ciência do Acórdão de Embargos em 03/08/2017 que, em 14/09/2017, interpôs o Recurso Especial (fls. 678/692), no intuito de rediscutir a matéria: incidência de contribuições sociais sobre as bolsas de estudos destinadas a dependentes de segurados a serviço da empresa. À guisa de paradigmas foram apresentados os Acórdãos nº 2403001.705 e 240102.389, cujas ementas, na parte que interessa à presente análise, transcrevese a seguir: Acórdão nº 2403001.705 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 [...] PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO CONCESSÃO DE BOLSA DE ESTUDO A DEPENDENTES DE EMPREGADOS LEGISLAÇÃO À ÉPOCA DO FATO GERADOR SALÁRIO INDIRETO O saláriodecontribuição compreende a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer titulo, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho. Não integram o saláriodecontribuição apenas o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo. À época do fato gerador, no período 01/2005 a 12/2006, incide contribuição social previdenciária nas bolsas de estudos concedidas a dependentes de empregados. [...] Acórdão nº 240102.389 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2005 [...] DISPONIBILIZAÇÃO DE PLANO EDUCACIONAL E ODONTOLÓGICO APENAS A EMPREGADOS COM DETERMINADO TEMPO DE VÍNCULO COM A EMPRESA. NÃO ATENDIMENTO A REGRA QUE ESTABELECE QUE A ISENÇÃO É CONDICIONADA AO FORNECIMENTO DO BENEFÍCIO A TODOS OS EMPREGADOS E DIRIGENTES. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. Fl. 800DF CARF MF Processo nº 14041.001179/200814 Acórdão n.º 9202008.050 CSRFT2 Fl. 4 5 O estabelecimento norma empresarial que permita a fruição de plano educacional e odontológico apenas por empregados com determinado tempo de permanência na empresa, pela legislação vigente à época dos fatos geradores, feria a regra de isenção que exige que o benefício seja estendido a todo o quadro funcional, acarretando na incidência de contribuição sobre a verba. [...] Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho datado de 09/10/2017 (fls. 695/704), que considerou como apto a instaurar a divergência somente o Acórdão nº 2403001.705. A representante da Fazenda Nacional apresenta os seguintes argumentos: não caberia a aplicação da Lei nº 12.513/2011, que promoveu alterações na Lei nº 8.212/91, em especial no art. 28, § 9º, alínea “t” para verificar os requisitos da não incidência tributária, uma vez que assim fazendo, estarseia aplicando retroativamente uma lei tributária a caso por ela não albergado, em contrariedade expressa ao art. 106, do Código Tributário Nacional, conforme alhures exposto, e que, no presente caso, os fatos geradores objetos do lançamento ocorreram em momento anterior ao advento da Lei nº 12.513/2011; a decisão recorrida teria achado por bem se valer de norma posterior – Lei nº 12.513/2011, ainda não vigentes à época da ocorrência dos fatos geradores – aplicandoa retroativamente e, por conseqüência, afastando a norma então em vigor (art. 28, § 9º, alínea “t”, da Lei nº 8.212/91 com a redação dada pela Lei nº 9.711/1998); que teria acontecido foi um “aparente” conflito temporal de normas. como regra, os conflitos da lei no tempo devem ser resolvidos sob a ótica do milenar Princípio da Irretroatividade (e exceções), que, no direito tributário, é extraído da combinação da Lei de Introdução ao Código Civil com o art. 101 do Código Tributário Nacional; tal postulado jurídico, significaria que a lei (tributária ou não) somente se aplicará fatos ocorridos após o início da sua vigência de acordo com a noção tradicional de segurança jurídica e que, esse princípio, seria regra geral do ordenamento pátrio e não se confundiria com o princípio da irretroatividade tributária, que se destinaria especificamente a “impedir”, como garantia negativa (direito fundamental de 1ª geração), a cobrança de tributo anterior à edição de lei. essa regra comportaria exceções nas mais variadas searas do direito. No âmbito tributário, haveria ressalvas ao referido princípio, pois se permitiria que a lei voltasse ao passado, se o dissesse expressamente (e não houvesse vedação constitucional ou do próprio CTN), ou nas exceções previstas no CTN. Entretanto, se nada disso ocorrer, ela vigoraria para futuro, seguindo a LICC; no presente caso, verificase que a Lei nº 12.513/2011 não dispõe expressamente sobre a possibilidade de retroatividade da lei. Pelo contrário, que o art. 21 seria claro em afirmar que a “Lei entra em vigor na data de sua Fl. 801DF CARF MF 6 publicação”. Tampouco se poderia dizer que esse diploma legal seria expressamente interpretativo para se poder falar na sua retroatividade. que, no tocante à retroação prevista no CTN, se deveria analisar seu art. 106 que excepcionaria a regra da irretroatividade. O referido dispositivo legal permitiria a lei voltarse ao passado, o que dispensaria disposição expressa de lei, nas hipóteses de lei interpretativa e de “lei mitior” quanto a infrações ou penalidades; não haveria qualquer infração que atraísse a retroatividade de norma. O que se discute são requisitos para usufruto de um favor fiscal: isenção de contribuições previdenciárias. Pelo fato de não se preencher determinado requisito, não se poderia considerar como cometida uma infração, mas sim como devido o tributo correspondente. E tributo, na dicção do art. 3º do CTN, não seria penalidade; aqueles que cumprem os requisitos estabelecidos no art. 28, § 9º, da Lei nº 8.212/91, vêem afastada a incidência de contribuições previdenciárias; os demais recaem na previsão geral que é a exigência dos tributos devidos, nos termos do art. 28 e incisos da mesma lei. Não há previsão de sanções (decorrência lógica de eventual “infração”) para a empresa que eventualmente não cumpre as condições previstas no art. 28, § 9º, da Lei nº 8.212/91; a Lei nº 12.513/2011 jamais poderia estar “deixando de definir uma infração”, pois infrações não haveria. O que teria ocorrido é que a legislação tributária, em razão de política tributáriofinanceira, alterou os requisitos para que os contribuintes pudessem usufruir da não incidência de contribuições previdenciárias; a nova redação conferida à alínea “t”, do § 9º, art. 28, da Lei nº 8.212/91 sequer pode ser considerada como “mais favorável” ao contribuinte, pois, se de um lado excluiria exigências e incluiria outros possíveis beneficiários dos planos educacionais eventualmente concedidos pelas empresas aos seus funcionários, de outro traria novas condições e restrições até então não existentes para que o contribuinte pudesse ver afastada a exigência das contribuições devidas; a decisão recorrida teria se pautado numa avaliação equivocada das normas. Isso porque, a análise da antiga e nova redação do art. 28, parágrafo 9º, alínea “t”, Lei nº 8.212, foi realizada de forma parcial. O acórdão recorrido passou ao largo da análise dos itens 1 e 2 que compõem a alínea “t”, com a redação conferida pela Lei nº 12.513/2011; quando se observa, na análise de um conflito temporal de normas, se caberá ou não retroatividade de uma determinada norma por se entender que é mais benéfica, é vedado ao órgão julgador proceder a uma combinação da legislação nova com a antiga; nessa linha, poderseia argumentar que ou uma norma é mais benéfica ou não é. E, para tanto, deverseia levar em consideração a sua integralidade; a doutrina e jurisprudência é vedaria a conjugação de legislações, antiga e nova, apenas com o fim de favorecer o contribuinte, ainda que a título de aplicar retroativamente a legislação mais benéfica. Seja porque uma norma assim híbrida configuraria criação de novo direito, com violação do tão caro princípio da legalidade, seja porque a montagem de uma norma com fragmentos de outras revela uma interpretação do direito positivo que afronta a lógica e a ordenação inerentes ao sistema jurídico como algo racional. Ou Fl. 802DF CARF MF Processo nº 14041.001179/200814 Acórdão n.º 9202008.050 CSRFT2 Fl. 5 7 até mesmo seja porque não é dado ao julgador imiscuirse no papel de legislador positivo. quanto ao art. 106, inciso II, alínea “b”, do Código Tributário Nacional (CTN), o legislado colocaria uma condição para a configuração daquela hipótese: “quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo”; não se poderia cogitar que o art. 28, § 9º, alínea “t”, da Lei nº 8.212/91 pudesse tratar da exigência de determinada conduta ou inação. O que viria ali prevista é uma benesse fiscal, ainda que cercada de condições, requisitos e restrições; por outro lado, ainda que se cogitasse essa tese, o fato é que não haveria lugar para a incidência dessa norma no caso, em razão da ressalva feita no fim do texto: “desde que (...) não tenha implicado em falta de pagamento de tributo”. E o fato é que a Lei nº 12.513/2011, segundo a interpretação adotada pela decisão recorrida (controvertida neste recurso, conforme demonstrado acima), implica na falta de pagamento de tributo; estaríamos diante de dois sistemas (com relevantes diferenças) de isenção de contribuições previdenciárias que se sucederam no tempo ambos atendendo a razões de política tributáriofinanceira reinantes em suas respectivas épocas; “retroativadade benigna” no direito tributário faria referência às sanções e o CTN deixaria isso muito claro. Não seria qualquer tratamento benéfico da legislação que retroagiria, não seria essa a inteligência do sistema tributário. Por fim, requer a PGFN que seja conhecido e provido o Recurso Especial, restabelecendose a exigência do que tange à verba objeto de discussão. Os autos foram, então, à unidade da Receita Federal do Brasil de origem para ciência do Contribuinte, dos acórdãos de recurso voluntário e de embargos, do Recurso Especial e do despacho que lhe deu seguimento, o que se deu em 10/11/2017 (fl. 710), tendo sido opostos embargos de declaração, em 17/11/2017, os quais foram rejeitados, conforme despacho de fls. 773/778. Também em 17/11/2017, foram apresentadas contrarrazões ao recurso especial da PGFN (fls. 751/770), em que se alega em resumo o que segue: a PGFN não teria comprovado a similaridade entre as situações fáticas apontadas no acórdão recorrido e no paradigma utilizado (Acórdão 2401 02.389) e tampouco em que medida e por qual razão eles teriam adotado solução dissonante com a do acórdão recorrido; o acórdão recorrido teria tratado da concessão de bolsas de estudos a todos os empregados e o paradigma citado, cuidaria de situação diversa, na qual as bolsas eram concedidas não a todos os funcionários, mas apenas a uma parcela deles com determinado tempo de permanência na empresa; seriam, portanto, questões manifestamente distintas da discutida neste feito, razão pela qual incidiria a contribuição previdenciária, o que não é o caso em tela; Fl. 803DF CARF MF 8 os descontos concedidos pela Recorrida à título de bolsas de estudos a seus funcionários e a dependentes destes com finalidade eminentemente social, não integram o salário de contribuição e por essa razão não precisam ser informados em GFIP; o que estabeleceria o art. 28, § 9º, “t” da Lei nº 8.212/91, os valores que a Recorrida despende com a formação de seus empregados estariam, conforme reconhece a legislação de regência, fora do âmbito de incidência da contribuição à cota patronal (art. 28, § 9º, “t” da Lei nº 8.212/91), assim como quaisquer ajudas, desde que não representem substituição do salário em espécie, fornecidas pelo empregador em prol da educação tanto de seus empregados quanto de seus dependentes, não representariam “salário”, logo, não seriam informações a serem prestadas em GFIP ou em guias de recolhimento do FGTS; o texto legal não faria qualquer diferença entre valores gastos pelo empregador com a educação e aprimoramento de seus funcionários e valores gastos pelo empregador com a educação de seus dependentes. Tanto assim o seria que a Lei nº 8.212/91 preveria a exclusão do auxílio creche da base de cálculo da contribuição em questão; tanto a Lei nº 8.212/91 quanto o RPS reconhecem que não estariam abrangidos pelo campo de incidência da norma os valores gastos pelo empregador com educação básica e que a educação básica é na maioria das hipóteses, cursada por crianças e não, por trabalhadores; no mesmo sentido, se verificaria a redação do art. 12 da Lei nº 11.096/05, que ao possibilitar que as bolsas concedidas a funcionários e seus dependentes sejam apropriadas como assistência social, acabaria por colocar fim a qualquer questionamento acerca da inclusão de tais benefícios como fato gerador de cota patronal; considerando as peculiaridades do caso concreto, em que a Recorrida é, segundo o Superior Tribunal de Justiça, entidade beneficente de assistência social, dedicada à área de educação, seria, no mínimo, um contrassenso, que lhe fosse defeso patrocinar a educação de seus próprios funcionários e respectivos dependentes, ou que fosse obrigada a oferecer tais valores à tributação; a Recorrida paga in natura o auxílio alimentação, a seus empregados, o que a teor da lei e da Jurisprudência, afastarias a incidência de contribuição previdenciária, por não se revestir esse auxílio de natureza salarial, independente de a entidade ser ou não inscrita no PAT, até por que o ato administrativo é meramente declaratório, e não, constitutivo; no caso presente, arcando com a maior parte das despesas de alimentação de seus empregados, a Recorrida prestaria in natura auxílio alimentação, que, a teor da lei e da Jurisprudência, não sofreria a incidência de contribuição previdenciária, por não se revestir de caráter remuneratório, mas de mero estímulo a que a prestação dos serviços contratados se desenvolva em condições de maior e melhor produtividade; não integrariam a base de cálculo da contribuição em questão, independentemente de haver ou não inscrição no PAT, o fornecimento in natura da alimentação pelo empregador ao empregado, o que a PGFN teria reconhecido em parecer de 2011; considerando que a matéria objeto do presente feito já foi exaustivamente apreciada pelo STJ e pelo CARF, esperase que as mesmas conclusões sejam Fl. 804DF CARF MF Processo nº 14041.001179/200814 Acórdão n.º 9202008.050 CSRFT2 Fl. 6 9 aplicadas ao caso, confirmando o acórdão recorrido, por seus próprios e jurídicos fundamentos. A Contribuinte encerra suas Contrarrazões requerendo que o Recurso Especial da PGFN seja negado, mantendose o decidido no acórdão recorrido, na parte em que deu parcial provimento ao seu recurso, para exonerar o crédito tributário. Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Relator Conhecimento O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir se atende aos demais pressupostos de admissibilidade em virtude das alegações trazidas em sede de Contrarrazões, também tempestivas. Antes de iniciar a análise quanto ao conhecimento do Recurso Especial, importa esclarecer que a matéria devolvida à apreciação deste Colegiado restringese à incidência de contribuições sociais sobre as bolsas de estudos destinadas a dependentes de segurados a serviço da empresa. Portanto, as contrarrazões não serão conhecidas na parte que trata da decadência, do auxílio educação destinado aos próprios empregados e das contribuições incidentes sobre valores pagos a título de auxílio alimentação in natura, posto que tais matérias não são objeto da presente lide. Segundo argumenta o Sujeito Passivo, o § 8º do art. 69 do Anexo II do Regimento Interno do CARF – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, exige não somente a mera transcrição das ementas, mas, “impõe, na verdade, a transcrição do voto paradigma e seu confronto com o voto condutor do Acórdão recorrido”, o que somente poderia ser realizado a partir da elaboração de texto em que se demonstrasse a similaridade das situações postas em juízo e a disparidade das soluções encontradas para a interpretação da lei tributária. Esse cuidado não teria sido tomado, visto que não restou comprovada a similaridade entre as situações fáticas apontadas no acórdão recorrido e no paradigma utilizado, Acórdão nº 240102.389. A respeito desse assunto, dispõe o RICARF: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) [...] Fl. 805DF CARF MF 10 § 6º Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência arguida indicando até 2 (duas) decisões divergentes por matéria. [...] § 8º A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. § 9º O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia de publicação de até 2 (duas) ementas. § 10. Quando a cópia do inteiro teor do acórdão ou da ementa for extraída da Internet deve ser impressa diretamente do sítio do CARF ou do Diário Oficial da União. Da leitura dos dispositivos encimados, notase que inexiste exigência regimental para que o voto dos acórdãos indicados como paradigma sejam transcritos no corpo do recurso especial, tampouco a necessidade de seu confronto com o voto condutor do acórdão recorrido, como defende a Contribuinte. O que o Regimento Interno preconiza é a demonstração da legislação interpretada de forma divergente e que essa demonstração seja feita de forma analítica, com a indicação de até duas decisões proferidas por turmas de julgamento distintas daquela responsável pela prolação do decisum afrontado. Vejase, que alternativamente à apresentação do inteiro teor das decisões cotejadas, os §§ 9º e 10 acima possibilitam a apresentação tãosomente das ementas de tais julgados, ao revés do infere a Recorrida. Além do que, do exame da peça recursal, constatase que a Fazenda Nacional desincumbiuse do ônus imposto pela RICARF, tendo comprovado adequadamente a existência do dissídio interpretativo, sobretudo em face ao Acórdão nº 2403001.705. Senão vejamos trechos do apelo: Divergindo do entendimento sufragado na decisão atacada, os paradigmas abaixo indicados, tratando de questões fáticas similares concernentes ao cumprimento dos requisitos estampados no § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, para fins de não incidência das contribuições previdenciárias, adotaram tese jurídica diversa. Vejase: [...] Para demonstrar a existência do dissídio alegado, fazse necessário transcrever alguns excertos dos acórdãos indicados como paradigmas: Acórdão nº 2403001.705 “Por outro lado, a questão central da argumentação da Recorrente é a incidência ou não de contribuição social previdenciária nas bolsas de estudos concedidas aos dependentes de empregados. Vejamos. A redação à época dos fatos geradores do art. 28, §9°, alínea t, Lei 8.212/1991, ou seja sem a redação dada pela Lei 12.513/2011, dispõe que não integra o salário de Fl. 806DF CARF MF Processo nº 14041.001179/200814 Acórdão n.º 9202008.050 CSRFT2 Fl. 7 11 contribuição o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21, da Lei 9.394/1996, bem como a cursos de capacitação e qualificação profissionais desde que não utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo. Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). No Relatório Fiscal, às fls. 01 a 35, há a comprovação de que a Recorrente concedeu bolsas de estudos a dependentes de empregados: (...) Desta forma, considero correto o lançamento efetuado pela AuditoriaFiscal posto que a concessão de bolsas de estudos para dependentes de empregados integra o salário de contribuição, posto não se enquadrar na hipótese de não incidência de contribuição social previdenciária conforme disposição expressa da redação do art. 28, § 9º, t, Lei 8.212/1991. Diante do exposto, não prospera a alegação da Recorrente. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, NO MÉRITO, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO.” [...] Os excertos acima colhidos evidenciam que a decisão guerreada encampou o entendimento de que deverá ser aplicada a regra estampada no art. 28, § 9°, alínea “t”, da Lei 8.212/1991, com redação dada pela Lei 12.513/2011. Adotando posicionamento diametralmente oposto diante de situação fática similar, os órgãos de julgamento prolatores dos paradigmas entenderam que a lei a ser aplicada ao caso deve ser aquela vigente à época dos fatos geradores e como os casos discutidos referiamse a fatos ocorridos antes da vigência da Lei nº 12.513/2011, os requisitos para a isenção de contribuições previdenciárias a serem observados pelos contribuintes autuados deveriam ser aqueles estampados no art. 28, § 9°, alínea “t”, da Lei 8.212/1991, com sua redação anterior à Lei nº 12.513/2011. Fl. 807DF CARF MF 12 Anotese que ambos os arestos indicados como paradigmas foram proferidos após a publicação da Lei nº 12.513/2011. Observase que a divergência se dá em relação ao disposto no art. 28, § 9°, alínea “t”, da Lei 8.212/1991. Enquanto o acórdão recorrido entendeu que no caso deveria a nova redação concedida ao dispositivo em questão pela Lei nº 12.513/2011 ser aplicada retroativamente para averiguar o cumprimento dos requisitos da isenção de contribuições previdenciárias, os paradigmas sufragaram tese diversa. Os paradigmas aplicaram a legislação vigente à época de ocorrência dos fatos geradores, isto é, o art. 28, § 9°, alínea “t”, da Lei 8.212/1991 com a redação dada pela Lei nº 9.711/1998. Concluíram, então, que tal norma não abriga interpretação que possibilite incluir o auxílioeducação pago aos dependentes dos empregados na isenção objeto de análise. Portanto, a divergência se dá em relação à interpretação do disposto no art. 28, § 9°, alínea “t”, da Lei 8.212/1991 e à inadequada aplicação da redação advinda da Lei 12.513/2011. (Grifos do Recurso Especial) Da simples leitura desses excertos do Recurso Especial constatase que, em relação ao Acórdão nº 2403001.705, diante de contextos fáticos semelhantes, os colegiados recorrido e paradigmático chegaram a conclusões absolutamente dissonantes. E mais, a legislação interpretada de forma divergente, restou claramente evidenciada. A respeito do argumento segundo o qual não teria restado comprovada a similaridade entre as situações fáticas retratadas no Acórdão 240102.389 e na decisão recorrida, convém esclarecer que essa constatação foi feita ainda quando da análise de admissibilidade do Recurso Especial, onde se reconheceu que referido julgado não se prestava a demonstrar divergência de interpretação da legislação tributária. Contudo, para que o apelo tenha seguimento é suficiente que dissídio se instaure em relação a somente uma das decisões apresentadas à guisa de paradigma. Em virtude dessas considerações, conheço do Recurso Especial. Mérito Depreendese do Relatório Fiscal que o lançamento diz respeito a contribuições previdenciárias relativas à parte da empresa, que têm como fato gerador a concessão de salários indiretos, correspondentes a bolsas de estudos concedidas a empregados a serviço da pessoa jurídica, bem assim a seus dependentes. Importa ressaltar mais uma vez que a matéria em litígio restringese à incidência de contribuições sociais sobre as bolsas de estudos destinadas aos dependentes dos empregados e, em razão disso, não serão feitas quaisquer considerações sobre o auxílio educação atribuído aos próprios empregados. Entendeu o Colegiado a quo que a norma que trata da isenção não faz restrição à educação fornecida a dependentes e, uma vez cumpridos os demais requisitos legais, não incide tributação sobre bolsas de estudos a eles concedidas. A Fazenda Nacional, por seu turno, entende que embora o legislador ordinário tenha excluído expressamente os valores relativos a planos educacionais da base de cálculo da contribuição, elencou critérios para o gozo desse benefício e, uma vez não comprovado o cumprimento desses critérios, os valores relativos a tais planos constituemse em parcela integrante da base de cálculo das contribuições incidentes sobre a folha de salários. Acrescenta que a isenção prevista na Lei de Custeio não alcança as bolsas de estudo fornecidas a dependentes dos segurados da Previdência Social. Fl. 808DF CARF MF Processo nº 14041.001179/200814 Acórdão n.º 9202008.050 CSRFT2 Fl. 8 13 Para a Contribuinte, os valores das bolsas de estudo não integram o salário contribuição por não constituírem remuneração pelo trabalho em virtude de sua finalidade social. Destaca que, a teor do que estabelece o art. 28, § 9º, “t” da Lei nº 8.212/91, as ajudas fornecidas pelo empregador em prol da educação tanto de seus empregados quanto de seus dependentes, não representam salário e que a tributação está sujeita aos princípios da legalidade e da tipicidade estrita (arts. 150, I da CF e 97 do CTN), a atividade do lançamento, afirma, está vinculada a essa legislação. Infere que não cabe à fiscalização exigir tributo sem amparo legal, com suposto lastro em procedimentos arbitrários, despidos de razoabilidade e que levam a exigência de tributo inexistente. De acordo com as contrarrazões, é nítido que o texto legal não faz qualquer diferença entre valores gastos pelo empregador com a educação e aprimoramento de seus funcionários e valores gastos pelo empregador com a educação de seus dependentes. Tanto é assim que a Lei nº 8.212/1991 prevê a exclusão do auxílio creche da base de cálculo da contribuição em questão. No entender da Recorrida, tanto a Lei nº 8.212/1991 quanto o Regulamento da Previdência Social reconhecem que não estão abrangidos pelo campo de incidência da norma os valores gastos pelo empregador com educação básica e que, a educação básica é, na maioria das hipóteses, cursada por crianças e não, por trabalhadores. A contribuinte faz referência ao art. 12 da Lei nº 11.096/2005, o qual no seu entender, ao possibilitar que as bolsas concedidas a funcionários e seus dependentes sejam apropriadas como assistência social, acaba por colocar fim a qualquer questionamento acerca da inclusão de tais benefícios como fato gerador de cota patronal. Primeiramente, cumpre ressaltar que a tributação pelas contribuições previdenciárias tem regramento próprio, estabelecido pela Lei nº 8.212/1991. Assim, o art. 12 da Lei n° 11.096/05 que, digase de passagem, não faz nenhuma referência a isenção de contribuições previdenciária, não serve de amparo ao Sujeito Passivo. Além disso, o Direito Previdenciário encontra baliza na própria Constituição Federal e, com relação ao custeio do sistema de previdência, o art. 195 da CF/1988 é que estabelece as bases sobre as quais podem incidir as contribuições: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais:(Vide Emenda Constitucional nº 20, de 1998) I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre:(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício;(Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) [...] II do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata Fl. 809DF CARF MF 14 o art. 201;(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) [...] (Grifouse) Outro dispositivo constitucional de fundamental importância à matéria em debate é o § 11 do art. 201 da Constituição que estabelece: Art. 201. [...] § 11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. [...] Na esteira do texto constitucional os arts. 22 e 28 da Lei nº 8.212/1991 estabeleceram as bases sobre as quais incidem as contribuições previdenciárias a cargo de empregados e empregadores. Confirase: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57e58 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998). a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. [...] Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: Fl. 810DF CARF MF Processo nº 14041.001179/200814 Acórdão n.º 9202008.050 CSRFT2 Fl. 9 15 I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; [...] Reparese que a base de cálculo das contribuições abrange a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título aos empregados, incluindose nessa relação os ganhos habituais percebidos sob a forma de utilidades, o que inclui, por óbvio, o auxílio educação. Donde se depreende que, em se tratando de utilidades disponibilizadas pela empresa aos obreiros que lhe prestam serviços, sua inclusão na base de cálculo da contribuição previdenciária dependerá da verificação dos seguintes requisitos: a) onerosidade; b) retributividade; e c) habitualidade. Inexistem dúvidas quanto ao caráter oneroso do benefício concedido pelo Sujeito Passivo, sendo desnecessário tecer maiores comentários a esse respeito. Do mesmo modo, tendo a vantagem sido atribuída regularmente aos empregados da empresa em benefícios de seus dependentes, resta nítido seu caráter habitual. Com relação à retribuitividade, temse benesse oferecida no contexto da relação laboral, restando caracterizada sua índole contraprestativa, pois o que motivou sua concessão foi justamente o fato de os beneficiários prestarem serviço ao Sujeito Passivo. De outra parte, como as bolsas de estudos aqui referidas ostentam natureza nitidamente remuneratória, sua exclusão da base de cálculo das contribuições previdenciárias vai depender de previsão expressa em norma de caráter tributário, mormente no § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991, que, no que se refere a isenção, relaciona exaustivamente as parcelas ao abrigo desse favor legal no âmbito da Lei de Custeio Previdenciário. Especificamente com relação a educação, à época da ocorrência dos fatos geradores das contribuições objeto do presente lançamento, a alínea “t” do referido § 9º, na assim dispunha: Art. 28. [...] § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: [...] t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo;(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). Fl. 811DF CARF MF 16 Notese que a isenção referida nos dispositivo acima abrangia: planos educacionais que visassem à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996; e cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa. Referido plano: não poderia ser utilizado em substituição de parcela salarial; e deveria ser extensivo a todos os empregados e dirigentes da empresa. Desse modo, para que a contribuinte pudesse se valer da isenção, faziase necessária a estrita observância dos critérios estabelecidos em lei. Contudo, conforme destacado no Relatório Fiscal, as bolsas de estudo objeto da autuação foram ofertadas a dependentes dos empregados do Sujeito Passivo e a norma isentiva, na redação vigente à época dos fatos geradores, não contemplava a isenção para esse tipo de benefício. Não se pode olvidar que, sendo a isenção uma modalidade de exclusão do crédito tributário, a legislação relativa a esse favor legal deve ser interpretada literalmente, a teor do que estatui o art. 111 do Código Tributário Nacional. Portanto, não há como considerar satisfeitos os critérios estabelecidos para a isenção quando se está diante, como visto acima, de flagrante desrespeito à norma de regência. Diante da obrigatoriedade de interpretação literal da norma isentiva, não vejo como razoável suscitar a isenção concedida às parcelas pagas a título de auxílio creche a pretexto de estender o benefício fiscal ao auxílio educação destinado a dependentes de empregados, pois tratamse de rubricas absolutamente diversas. Do mesmo modo, não há como acolher o argumento de que o fato de a educação básica ser cursada, na maioria das hipóteses por crianças, tenha o condão de estender a isenção aqui referida às bolsas de estudo destinada a dependentes, posto que a norma legal, vigente à época dos fatos geradores objeto do lançamento, não conduz a esse entendimento. Quisesse o legislador estender a isenção a planos educacionais destinados a dependentes de segurados empregados, teria feito referência expressa nesse sentido no texto legal. Aliás, a Lei nº 12.513/2011 até estendeu a isenção de contribuições previdenciárias e terceiros tanto a plano educacional quanto bolsa que vise à educação básica de dependentes de empregados. Porém, essa norma não acode o Sujeito Passivo, em virtude ser posterior aos fatos geradores que suscitaram o lançamento ora examinado. É que o art. 144 do CTN preconiza que “lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada”. Apercebase que o lançamento foi efetuado em observância ao que dispõe o Código Tributário Nacional e a Lei nº 8.212/1991, não havendo que se falar em desobediência a princípios como o da legalidade, da tipicidade estrita ou de qualquer outro. Quanto às decisões administrativas e judiciais suscitadas pelo Sujeito Passivo, essas encerram contextos fáticos específicos, com arcabouço probatório próprio, e aplicamse as partes envolvidas nos litígios respectivos e não vinculam o julgador administrativo. Fl. 812DF CARF MF Processo nº 14041.001179/200814 Acórdão n.º 9202008.050 CSRFT2 Fl. 10 17 Conclusão Em virtude do exposto, conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional, e, no mérito, doulhe provimento; e conheço das parcialmente das Contrarrazões da Contribuinte. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 813DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.727886/2011-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Sep 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2009
DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO
É passível de dedução da base de cálculo do Imposto de Renda a despesa médica declarada e devidamente comprovada por documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 2301-006.344
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Ausente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa.
(assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sheila Aires Cartaxo Gomes - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Wilderson Botto (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. A Conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, em razão da ausência, foi substituída pelo Conselheiro Virgílio Cansino Gil, suplente convocado.
Nome do relator: SHEILA AIRES CARTAXO GOMES
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DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO É passível de dedução da base de cálculo do Imposto de Renda a despesa médica declarada e devidamente comprovada por documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Ausente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa. (assinado digitalmente) João Maurício Vital - Presidente. (assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Wilderson Botto (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. A Conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, em razão da ausência, foi substituída pelo Conselheiro Virgílio Cansino Gil, suplente convocado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 78 86 /2 01 1- 23 Fl. 88DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-006.344 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.727886/2011-23 Relatório Autuação e Impugnação Trata o presente processo, de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física (notificação de lançamento fls. 28 a 33), acrescido de multa de ofício e juros de mora totalizando o valor de R$ 11.596,43, referente ao ano ano-calendário 2009. Por bem descreverem os fatos e as razões da impugnação, adoto o relatório da decisão de primeira instância, o qual transcrevo a seguir: DA NOTIFICAÇÃO O processo refere-se a Notificação de Lançamento, fl(s). 28 a 33, relativa ao(s) ano(s)calendário de 2009. Foi exigido o valor de R$ 11.598,43. O valor do imposto de renda pessoa física é de R$ 3.639,73. A notificação decorreu da Dedução Indevida de Despesa Médica. DA INFORMAÇÃO FISCAL O procedimento fiscal encontra-se relatado nos autos, em síntese: • Dedução Indevida de Despesas Médicas Foi glosado o valor de R$ 13.235,40 deduzido indevidamente a título de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. Complementação dos Fatos Despesas médicas com planos de saúde glosadas parcialmente, realizadas para não dependentes na declaração: AMIL ASSISTÊNCIA MEDICA INTERNACIONAL S.A. R$ 377,00 AMICO SAÚDE LTDA R$ 4.218,40 Despesa médica glosada por não se revestir das formalidades exigidas e/ou falta de identificação do beneficiário do serviço prestado: MARCELO PITANGA MIGUEL R$ 8.640,00 DA IMPUGNAÇÃO A Notificação de Lançamento foi lavrada em 02/05/2011. A ciência pelo(a) contribuinte ocorreu em 16/05/2011, fl 41. O(a) contribuinte ingressou com a impugnação de fl(s) 2 a 3 em 08/06/2011, alegando, em síntese: • Venho requerer, preliminarmente, a verificação dos comprovantes das despesas médicas e do plano de saúde, citados nos fatos, para análise e ajuste do que se faz necessário. • Observando que não inclui dois comprovantes de despesas da Clivo (Centro Livre de Odontologia ) CNPJ n 02.950.719/000119 no valor de R$ 2.290,00 encontrados por Fl. 89DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-006.344 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.727886/2011-23 mim quando procurava os comprovantes das despesas glosadas, tendo em vista a impossibilidade de fazer Declaração Retificadora em face da lavratura da Notificação, solicito considerar tal fato. • No mérito, após a descrição do direito em que me fundamento, dos pontos de discordância e das razões e provas que possuo, os quais anexo a essa impugnação, venho requerer a apreciação dos mesmos a fim de que possa a autoridade fiscal verificar que houve o correto recolhimento do tributo, devendo, assim, ser desconstituído o débito objeto do mencionado auto de infração. Acórdão de Primeira Instância Os membros da 15 a Turma da DRJ-SP1, por unanimidade de votos, julgaram a impugnação improcedente, na forma do relatório e voto (fls. 47 a 53) conforme transcrição de ementa seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano-calendário: 2009 RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante só é admissível antes de notificado o lançamento. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS. REQUISITOS LEGAIS. Para fazer prova das despesas médicas pleiteadas como dedução na declaração de ajuste anual, os recibos emitidos devem atender aos requisitos exigidos pela legislação do imposto de renda pessoa física. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Recurso Voluntário Cientificada dessa decisão em 07/07/2015 (fl.59), a contribuinte interpôs em 30/07/2015 recurso voluntário (fl. 62), no qual reitera os mesmos argumentos trazidos na impugnação e acrescenta que os valores inerentes as glosas da AMIL e AMICO foram apartados e parcelados pelo processo n o 12448-727887/2011-78. É o relatório. Voto Conselheira Sheila Aires Cartaxo Gomes - Relatora Conhecimento O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Fl. 90DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-006.344 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.727886/2011-23 Preliminares Não foram alegadas questões preliminares no recurso voluntário. Mérito A recorrente insurge-se contra a decisão de primeiro grau, alegando descabimento das glosas de despesas médicas apuradas na notificação de lançamento de fls. 28 a 33. No procedimento fiscal foram glosadas as seguintes deduções de despesas médicas: Cumpre esclarecer que os valores referentes às glosas dos planos de sáude AMIL e AMICO foram apartados e parcelados pelo processo no 12448-727887/2011-78. Em relação ao beneficiário MARCELO PITANGA MIGUEL, verifica-se pela leitura do relatório fiscal que as deduções foram glosadas em razão dos comprovantes apresentados estarem em desacordo com as formalidades especificadas no art. 80, § 1º, II e III do RIR Decreto nº 3.000/99. Com base nos incisos II e III do parágrafo 2º do art. 8º da Lei 9.250/95, devem constar dos recibos apresentados para comprovar as despesas médicas efetuadas a indicação do beneficiário do tratamento e do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas CNPJ do profissional prestador dos serviços. Para o beneficiário MARCELO PITANGA MIGUEL, psicoterapeuta, a recorrente, durante o procedimento fiscal, apresenta declaração e recibos (fls. 5 e 6) emitidos pelo profissional, afirmando que a contribuinte foi sua paciente no ano calendário 2009, na especialidade de psicanálise, com ausência do endereço e CPF do beneficiário. Em sede de recurso, são apresentados novos recibos que suprem as irregularidades apontadas no procedimento fiscal (fls. 63 a 76). Analisando os autos também verifico que foram apresentados: - Guia de atendimento do Fundo de Assistência de Saúde do Servidor (fl. 07), que comprova a necessidade de afastamento da recorrente por problemas psiquiátricos; - Encaminhamento de médico endocrinologista para tratamento psiquiátrico de compulsão alimentar noturna, depressão e libação alimentar (fls. 8 e 9); - Cartões de marcação de consultas do Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia Luiz Capriglione (fls. 10 a 12, 19 e 20); Fl. 91DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2301-006.344 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.727886/2011-23 - Receituários com prescrições de medicamentos para transtorno psicológico (fl. 13, 16 e 17); - Declarações que atestam tratamentos psiconeuroendocrinológicos com o uso de medicamentos controlados (fls 14, 15 e 18); Verifica-se pelos documentos supracitados que a recorrente, em função de transtornos psicológicos, necessitava de acompanhamento psicoterápico durante o ano calendário de 2009. Assim, entendo que as informações constantes dos recibos foram complementadas e ratificadas pela documentação apresentada, e, nada mais havendo nos autos que os desabone, voto por dar provimento ao recurso, para excluir a glosa no valor de R$ 8.640,00. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do recurso, e, no mérito, dar-lhe provimento. É como voto (assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes Fl. 92DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11051.000099/2007-45
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
VIGÊNCIA DA NORMA NO TEMPO. IRRETROATIVIDADE. ART. 103 DO CTN.
O art. 103, I do CTN determina que os atos normativos exarados pela RFB são vigência na data de publicação. Não há regra para retroatividade de norma tributária para alcançar fatos geradores consumados. Lei sujeita à condição suspensiva até regulamentação do benefício pela RFB.
Numero da decisão: 3003-000.373
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Antônio Borges Presidente
(documento assinado digitalmente)
Müller Nonato Cavalcanti Silva Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Vinícius Guimarães, Marcio Robson Costa e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MULLER NONATO CAVALCANTI SILVA
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 VIGÊNCIA DA NORMA NO TEMPO. IRRETROATIVIDADE. ART. 103 DO CTN. O art. 103, I do CTN determina que os atos normativos exarados pela RFB são vigência na data de publicação. Não há regra para retroatividade de norma tributária para alcançar fatos geradores consumados. Lei sujeita à condição suspensiva até regulamentação do benefício pela RFB.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Presidente (documento assinado digitalmente) Müller Nonato Cavalcanti Silva Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Vinícius Guimarães, Marcio Robson Costa e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-08-28T02:37:18Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-08-28T02:37:18Z; Last-Modified: 2019-08-28T02:37:18Z; dcterms:modified: 2019-08-28T02:37:18Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-08-28T02:37:18Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-08-28T02:37:18Z; meta:save-date: 2019-08-28T02:37:18Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-08-28T02:37:18Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-08-28T02:37:18Z; created: 2019-08-28T02:37:18Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2019-08-28T02:37:18Z; pdf:charsPerPage: 1550; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-08-28T02:37:18Z | Conteúdo => S3-TE03 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 11051.000099/2007-45 Recurso Voluntário Acórdão nº 3003-000.373 – 3ª Seção de Julgamento / 3ª Turma Extraordinária Sessão de 16 de julho de 2019 Recorrente AGROPECUARIA CANOA MIRIM S.A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 VIGÊNCIA DA NORMA NO TEMPO. IRRETROATIVIDADE. ART. 103 DO CTN. O art. 103, I do CTN determina que os atos normativos exarados pela RFB são vigência na data de publicação. Não há regra para retroatividade de norma tributária para alcançar fatos geradores consumados. Lei sujeita à condição suspensiva até regulamentação do benefício pela RFB. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges – Presidente (documento assinado digitalmente) Müller Nonato Cavalcanti Silva – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Vinícius Guimarães, Marcio Robson Costa e Müller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra acórdão proferido pela 2ª Turma da DRJ de Porto Alegre nos autos do processo de PER/DCOMP. Por bem retratar a narrativa fática, adoto o relatório elaborado pela instância a quo: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 1. 00 00 99 /2 00 7- 45 Fl. 317DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3003-000.373 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11051.000099/2007-45 Trata-se de manifestação de inconformidade contra indeferimento parcial de pedido de ressarcimento/compensação (PER/DECOMP), relativo ao saldo credor de Cofins não cumulativa analisado no período de outubro a dezembro de 2005, vide relatório fiscal, fls. 163/165 e despacho decisório, fls. 183/184. O interessado discorda da glosa parcial, pois não se conforma com o recálculo da Cofins devida no mês de dezembro de 2005 em face da constatação de operações de vendas, anteriores a 04/04/2006, nas quais o contribuinte utilizou a sistemática da suspensão da contribuição. Sustenta que teria sido desconsiderada a existência da IN SRF 636/2006, a qual admitiria a suspensão da exigibilidade das contribuições e o creditamento a partir de 1 de agosto de 2004, em respeito ao disposto no seu Art. 5°. Considera também que como a IN 636/2006 só teria sido revogada em julho de 2006, pela IN 660/2006, inexistia a limitação levantada pela fiscalização com fundamento na IN 660/2006. Isso posto, conclui que quando a empresa teria usado o benefício da suspensão nas vendas de 12/2005, estaria ao abrigo do Art. 50 da IN SRF 636/2006, que lhe deu efeitos retroativos a 08/2004. Assim, requer o acolhimento de sua inconformidade parcial, com o cancelamento da glosa referente às vendas com suspensão, pelas razões acima expostas. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade lavrando a ementa transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 Ementa: VENDA COM SUSPENSÃO DE PRODUTOS IN NATURA. Até 04/04/2006, não era possível a venda com a suspensão prevista no art. 90 da Lei n° 10.925/2004, por não estarem, ainda, normatizados os termos e condições requeridos no § 2° do mesmo artigo. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Em sede de Recurso Voluntário a Recorrente limita-se a repetir os exatos termos da manifestação de inconformidade de fl. 183/184, que de forma bastante sintética alega que a suspensão das contribuições ao PIS e COFINS, prevista no art. 9º da Lei n° 10.925/2004, que concede o benefício a empresas cerealistas (beneficiamento e secagem de grãos) que também pratica sua comercialização, nos termos a serem estabelecidos pela Receita Federal do Brasil. A regulamentação da suspensão das contribuições foi veiculada pela Instrução Normativa 660/2006, momento em que o benefício cumpre a condição estabelecida por Lei. Contudo, a Recorrente alega que a ausência de ato normativo da RFB, mesmo quando expressamente exigido por Lei, não é fato impeditivo para a fruição da suspensão das contribuições dentro do período de 08/2004 à 04/2006. Ainda, com a edição da IN os efeitos seriam automaticamente retroativos e, por seu turno, aptos a alcançar fatos geradores já consumados. Ao fim pede o reconhecimento do benefício desde a promulgação da Lei 10.925/2004, compreendendo o PA 10/2005 à 12/2005, e que seja dado total provimento ao Recurso Voluntário. Fl. 318DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3003-000.373 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11051.000099/2007-45 São os fatos. Voto Conselheiro Müller Nonato Cavalcanti Silva, Relator. O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos formais de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA VIGÊNCIA DA NORMA NO TEMPO Cumpre destacar que a vigência das normas tributárias veiculadas por atos administrativos segue a regra do art. 103, I do CTN, que tem por termo inicial a data da publicação. Art. 103. Salvo disposição em contrário, entram em vigor: I - os atos administrativos a que se refere o inciso I do artigo 100, na data da sua publicação; Não há previsão no ordenamento jurídico pátrio, em particular nas regras especial de Direito Tributário, modalidade de retroatividade de ato normativo, lei ou qualquer outro dispositivo de caráter geral e abstrato. Tal não poderia ser diferente com as Instruções Normativas 636/2006 e 660/2006 da SRF, que têm como marco inicial de vigência a data da publicação, 04/04/2006. É bastante claro, portanto, que não deve prosperar o argumento da Recorrente que intenta fazer valer efeitos retroativos das instruções normativas para alcançar fatos geradores já consumados com a suspensão das contribuições para o PIS e COFINS às empresas cerealistas. Não nos esqueçamos, entrementes, que o próprio art. 9º da Lei 10.925/2004 condiciona o benefício à regulamentação pela RFB. Não existem dúvidas que o legislador ordinário intentou a imposição de condição suspensiva até pronunciamento do Fisco: "Art. 9º A incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS fica suspensa na hipótese de venda dos produtos in natura de origem vegetal, classificados nas posições 09.01, 10.01 a 10.08, 12.01 e 18.01, todos da NCM, efetuada pelos cerealistas que exerçam cumulativamente as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar os referidos produtos, por pessoa jurídica e por cooperativa que exerçam atividades agropecuárias, para pessoa jurídica tributada com base no lucro real, nos termos e condições estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal." Sendo pelo que expressamente estabelece a letra da Lei, a suspensão das contribuições só passou a ter efeitos quando da publicação das INs 636/2006 e 660/2006, sem qualquer previsão de efeitos retroativos. Tendo em vista que são estes os únicos argumentos veiculados na manifestação de inconformidade de fls. 203/204 e no Recurso Voluntário, valho-me do artigo 57, §3º do RICARF Fl. 319DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3003-000.373 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11051.000099/2007-45 para adotar como razões de decidir o acórdão da DRJ/POA, pois comungo do entendimento esboçado pelos julgadores de primeira instância: “Deve-se inicialmente registrar que o interessado, em sua manifestação de inconformidade, afirma que todas as irregularidades encontradas pela fiscalização serão objeto de questionamento e a seguir listou-as, uma a uma, conforme constam nos itens 4.1 a 4.3 do relatório fiscal. Entretanto, ao desenvolver sua contestação, com argumentos devidamente fundamentados, questionou apenas a glosa referente à não inclusão, na base de cálculo da contribuição, das receitas oriundas de operações de vendas nas quais utilizou a sistemática da suspensão da contribuição. Desta forma, torna-se definitiva, na esfera administrativa, a discussão quanto às demais irregularidades autuadas. Por oportuno, cabe citar o art. 17 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, com a redação dada pelo art. 67 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, que assim estabelece: "Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante." Sobre a parcela referente à glosa relativa às vendas com suspensão de tributos anteriores a 04/04/2006, é importante frisar que tal suspensão de PIS e Cofins foi inicialmente prevista pelo art. 9° da Lei n° 10.925, de 23 de julho de 2004, que é uma norma de eficácia limitada. Isso porque esta lei condiciona a mencionada suspensão aos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, a quem cabe dar os contornos da fruição do benefício fiscal. Transcreve-se o dispositivo legal a seguir: "Art. 90 A incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS fica suspensa na hipótese de venda dos produtos in natura de origem vegetal, classificados nas posições 09.01, 10.01 a 10.08, 12.01 e 18.01, todos da NCM, efetuada pelos cerealistas que exerçam cumulativamente as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar os referidos produtos, por pessoa jurídica e por cooperativa que exerçam atividades agropecuárias, para pessoa jurídica tributada com base no lucro real, nos termos e condições estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal. " grifou-se) Portanto, trata-se de dispositivo legal de eficácia limitada, o qual pode entrar em vigor na data da sua publicação, mas somente tem eficácia após a sua regulamentação. Posteriormente, essa suspensão de PIS e Cofins prevista no inc. III do art. 9° da Lei no 10.925/2004, foi inicialmente regulamentada pela Instrução Normativa SRF n° 636, publicada no DOU de 04/04/2006, a qual foi revogada pela Instrução Normativa n° 660, que passou a produzir efeitos a partir de 04/04/2006, data da publicação da primeira instrução normativa, a partir de quando o assunto passou a ser regulamentado e, por consequência, a suspensão do PIS e da Cofins em tela passou a ter eficácia, ou, em outras palavras, passou e ter efeitos no mundo fático. Aliás, há que se considerar que, se as instruções normativas não dispusessem a respeito do termo inicial dos seus efeitos, esses iniciariam, salvo melhor juízo, a partir da publicação das mesmas, por se tratar, como visto acima, de regulamentação de norma de eficácia limitada. A propósito, a impetrante não poderia estar vendendo com suspensão desde a publicação da lei simplesmente por não saber quais seriam esses termos e condições que seriam estabelecidos pela SRF. Como exemplo, cite-se a condição que diz respeito ao preenchimento da nota fiscal de acordo com o disposto no art. 2°, § 2° da IN 660/2006, a qual deve conter a expressão "Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da Cofins". Como poderia o contribuinte haver cumprido essa exigência antes da publicação da IN? Também se deve salientar que uma venda com suspensão das contribuições tem repercussão no restante da cadeia produtiva, o que não ocorre na Fl. 320DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3003-000.373 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11051.000099/2007-45 hipótese de crédito presumido. Esse o motivo de haver tratamento diferenciado para as duas situações, as quais não são equivalentes. Por último, deve-se também destacar que todos os pedidos do interessado foram entregues antes da vigência da primeira Instrução Normativa, IN/SRF 636, de 04/04/2006, restando-se esvaziados os seus argumentos de que seus pedidos teriam sido convalidados pela vigência da mesma e antes da vigência da segunda IN 660/2006. Portanto, até 04/04/2006, não era possível a venda com a suspensão prevista no art. 9° da Lei n° 10.925/2004, por não estarem, ainda, estabelecidos os termos e condições requeridos no § 22 do mesmo artigo. Por todo o exposto, pode-se verificar que se tratam de dispositivos de leis em vigor, regularmente aprovadas pelo Poder Legislativo, competindo exclusivamente ao Poder Judiciário decidir sobre sua constitucionalidade, não podendo ser afastada sua aplicação no julgamento administrativo.” Por todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para no mérito negar-lhe provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Müller Nonato Cavalcanti Silva Fl. 321DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18186.726747/2013-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/2013 a 31/03/2013
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. HIPÓTESES DE CABIMENTO.
Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma.
Não havendo, no caso julgado, nenhum vício no acórdão embargado, os embargos devem ser rejeitados.
Numero da decisão: 3201-005.546
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Hélcio Lafetá Reis, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Hélcio Lafetá Reis, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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HIPÓTESES DE CABIMENTO. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma. Não havendo, no caso julgado, nenhum vício no acórdão embargado, os embargos devem ser rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Hélcio Lafetá Reis, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Trata-se de embargos de declaração opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional – PFN, em face do Acórdão nº 3201-005.109, de 27/02/2019, assim ementado: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2013 a 31/03/2013 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 18 6. 72 67 47 /2 01 3- 59 Fl. 3222DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-005.546 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18186.726747/2013-59 LENHA. COMBUSTÍVEL. CRÉDITO PRESUMIDO. ART. 8º DA LEI Nº 10.925/2004. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal classificadas nos capítulos 15 e 23 da NCM e utiliza lenha, adquirida de pessoas físicas, como combustível na produção tem direito ao presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Alega-se que o acórdão embargado incorreu numa omissão, qual seja, no fato de que, embora tenha reconhecido o crédito presumido sobre aquisições de lenha, não se saberia exatamente em qual estágio do processo produtivo se insere a utilização da caldeira. Ter-se-ia deixado claro, no acórdão embargado, que um dos motivos pelos quais esse crédito não fora reconhecido foi a falta de identificação do estágio da produção onde a caldeira é utilizada. O acórdão embargado, contudo, não esclareceu se houve ou não essa comprovação ou mesmo se tal prova seria irrelevante e o porquê. O despacho de admissibilidade encontra-se às fls. 3211/3212. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso deve ser conhecido. A Embargante alega omisso o acórdão embargado, ao fundamento de que não se adentrou no tema concernente ao estágio do processo produtivo em que há a utilização da caldeira, onde a lenha, cujo crédito nele se reconheceu, é consumida. Esse tema, contudo, só foi referido no acórdão prolatado pela DRJ, visto que o único fundamento adotado pela fiscalização para promover a glosa do crédito de PIS/Cofins sobre a aquisição de lenha se deu pelo fato de terem sido realizadas a pessoas físicas. É o que se dispôs no único parágrafo do Despacho Decisório em que a matéria foi abordada: Compra de pessoa física 38. Nessa mesma linha constatamos que o interessado listou diversas aquisições de canola em grãos, jumento macho/fêmea e lenha de eucalipto realizadas de pessoa física. Tendo em vista que sobre essas aquisições não incide PIS e Cofins não cumulativos, essas operações também foram glosadas da base de cálculo do crédito. (g.n.) E sendo este o único fundamento utilizado pela fiscalização para promover a glosa do crédito correspondente, omissão não há, porquanto devidamente enfrentado no acórdão embargado: Diferentemente do que adotado no acórdão recorrido, entendemos que a Recorrente faz jus, sim, ao crédito presumido na aquisição de lenha. Observe-se a redação conferida ao art. 8º da Lei 10.925, de 2004: Fl. 3223DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-005.546 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18186.726747/2013-59 Art. 8 o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) A Recorrente produz mercadorias classificadas nos capítulos 15 e 23 da NCM e utiliza a lenha, adquirida de pessoas físicas, como combustível na produção. Portanto, embora não faça jus ao crédito básico, porquanto a aquisição se deu desonerada das contribuições, tem direito ao presumido. O que se esqueceu de dizer no acórdão embargado, aqui concordamos, é que a DRJ acresceu fundamentos ao Despacho Decisório para negar o crédito sobre a aquisição de lenha, mas o tema, aliás, sequer foi levantado no recurso voluntário. Nada mais que isso. Ante o exposto, voto por REJEITAR os embargos de declaração. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 3224DF CARF MF
score : 1.0
