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Numero do processo: 13896.722244/2013-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
PRELIMINAR. EXCLUSÃO DOS SÓCIOS E ADMINISTRADORES DA LISTA DE CORRESPONSÁVEIS.
De acordo com a Súmula CARF nº 88, o fato dos sócios da empresa terem sido relacionados no relatório de vínculos não significa a caracterização da responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas, tendo finalidade meramente informativa.
VÍCIO MATERIAL. FALTA DE MOTIVAÇÃO NO LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA
O ato administrativo de lançamento foi motivado pelo conjunto das razões de fato e de direito que carrearam à conclusão contida na acusação fiscal à luz da legislação tributária compatível com as razões apresentadas no lançamento. O convencimento fiscal está claro, aplicando a legislação que entendeu pertinente ao presente caso.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. LANÇAMENTO CALCADO NA RELAÇÃO DE EMPREGO. NÃO OCORRÊNCIA.
Compete à autoridade lançadora demonstrar os pressupostos do vínculo empregatício, com a presença de todos os elementos necessários à configuração da relação de emprego, para o devido enquadramento previdenciário das pessoas físicas como seguradas empregadas, nos termos de incidência previdenciária destacada no art. 22, incisos I e II da Lei nº 8.212/91.
A autoridade fiscal não logrou êxito em comprovar os requisitos da pessoalidade, habitualidade e subordinação, ensejadores do vínculo empregatício, conforme noticiado na peça acusatória.
Considera-se não contestado o Levantamento FD - Batimento FOPAG x DIRF, conforme estabelecido no artigo 14 c/c do artigo 17 do Decreto nº 70.235/1972.
Numero da decisão: 2401-004.641
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, dar-lhe provimento parcial para excluir o crédito tributário relativo aos levantamentos CE, CP e OB. Votaram pelas conclusões os conselheiros Cleberson Alex Friess, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Miriam Denise Xavier Lazarini.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente.
(assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Cleberson Alex Friess, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Alexandre Tortato e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 PRELIMINAR. EXCLUSÃO DOS SÓCIOS E ADMINISTRADORES DA LISTA DE CORRESPONSÁVEIS. De acordo com a Súmula CARF nº 88, o fato dos sócios da empresa terem sido relacionados no relatório de vínculos não significa a caracterização da responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas, tendo finalidade meramente informativa. VÍCIO MATERIAL. FALTA DE MOTIVAÇÃO NO LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA O ato administrativo de lançamento foi motivado pelo conjunto das razões de fato e de direito que carrearam à conclusão contida na acusação fiscal à luz da legislação tributária compatível com as razões apresentadas no lançamento. O convencimento fiscal está claro, aplicando a legislação que entendeu pertinente ao presente caso. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. LANÇAMENTO CALCADO NA RELAÇÃO DE EMPREGO. NÃO OCORRÊNCIA. Compete à autoridade lançadora demonstrar os pressupostos do vínculo empregatício, com a presença de todos os elementos necessários à configuração da relação de emprego, para o devido enquadramento previdenciário das pessoas físicas como seguradas empregadas, nos termos de incidência previdenciária destacada no art. 22, incisos I e II da Lei nº 8.212/91. A autoridade fiscal não logrou êxito em comprovar os requisitos da pessoalidade, habitualidade e subordinação, ensejadores do vínculo empregatício, conforme noticiado na peça acusatória. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 22 44 /2 01 3- 84 Fl. 1555DF CARF MF 2 Considerase não contestado o Levantamento FD Batimento FOPAG x DIRF, conforme estabelecido no artigo 14 c/c do artigo 17 do Decreto nº 70.235/1972. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, darlhe provimento parcial para excluir o crédito tributário relativo aos levantamentos CE, CP e OB. Votaram pelas conclusões os conselheiros Cleberson Alex Friess, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Miriam Denise Xavier Lazarini. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Cleberson Alex Friess, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Alexandre Tortato e Rayd Santana Ferreira. Fl. 1556DF CARF MF Processo nº 13896.722244/201384 Acórdão n.º 2401004.641 S2C4T1 Fl. 1.556 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão proferida pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) DRJ/BHE, que julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, conforme ementa do Acórdão nº 0255.860 (fls. 1.512/1.525): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 RESPONSABILIZAÇÃO DE SÓCIOS E DE ADMINISTRADORES DA EMPRESA. LANÇAMENTO OU REVISÃO DE OFÍCIO. RELAÇÃO DE EMPREGO. MOTIVO E MOTIVAÇÃO FISCAL. ERRO QUANTO À ALÍQUOTA, E VÍCIO MATERIAL. Cabe à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN, quando do processo de execução fiscal, redirecionar ou não a dívida para os responsáveis legais. Em face do princípio da legalidade, não está a Administração impedida de lançar ou de rever de ofício na hipótese de se verificar erro direito, ou se vier a ser apreciado fato não provado por ocasião do lançamento anterior. Prevalecem as relações concretas sobre as formais quando da análise do vínculo de emprego. Estando os fatos condizentes com a relação jurídica de emprego, conforme demonstrado pela fiscalização, não se pode falar em ausência de motivo e de motivação ao lançamento. Demonstrada e confirmada a relação de emprego, firmase pela correção da alíquota aplicada para as contribuições a cargo dos segurados e de responsabilidade da empresa, e bem assim pela correta cobrança das contribuições devidas a Terceiros (Outras Entidades e Fundos). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O presente processo teve sua origem nos Autos de Infração – DEBCAD nºs 51.020.5410, 51.020.5429, 51.020.5437, 51.020.5445, 51.020.5453 e 51.020.5461, consolidados em 11/11/2013 e apurados conforme descrito a seguir: 1. AI nº 51.020.5410: Contribuições previdenciárias patronais e para o financiamento dos benefícios decorrentes de riscos ambientais do trabalho (GILRAT); 2. AI nº 51.020.5429: Contribuições previdenciárias a cargo dos segurados e de responsabilidade da empresa contratante; Fl. 1557DF CARF MF 4 3. AI nº 51.020.5437: Contribuições devidas a Terceiros (Outras Entidades e Fundos). 4. AI nº 51.020.5445: Multa por deixar a empresa de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço; 5. AI nº 51.020.5453: Multa por deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados a seu serviço; 6. AI nº 51.020.5461: Multa por deixar de exibir documentos ou livros relacionados com as contribuições previstas na Lei nº 8.212, de 24/07/1991. De acordo com o Relatório Fiscal, a fiscalização caracteriza as consultoras de vendas como seguradas empregadas, aduzindo que para executar seu negócio a empresa estrutura a carreira das consultoras de vendas através de uma progressão baseada em desempenho de vendas denominado Carreira Brasil, em que são observados todos os tipos de exigências e benefícios de cargo. Afirma que encontramse presentes todos os elementos de uma relação empregatícia e que, especificamente no que tange à subordinação, deve ser analisada pelo enfoque objetivo, que diz respeito ao modo como o serviço deve ser executado. Para caracterizar a subordinação, faz a análise das atribuições da executiva special, de acordo com o contrato fornecido pela empresa às fls. 173/187, dos benefícios vinculados ao desempenho das consultoras de vendas, tais como bônus, programa troféu sobre rodas, viagens e joias, e conclui que resta caracterizada a subordinação estrutural. Destaca ainda alguns contratos de Diretora de Vendas independente (fls. 188/203 e 204/219), fornecidos pela empresa, com cláusula de rescisão caso a diretora de vendas adote conduta que viole as disposições contratuais, ou caso a unidade de vendas da diretora não consiga manter a produção mínima da unidade de vendas, sendo que o contrato de consultora de beleza da diretora de vendas independente não será automaticamente rescindido, mas permanecerá em vigor para as partes até ser expressamente rescindido; e o contrato referente ao uso de carro da empresa (fls. 220/223), trazido aos autos pela Recorrente. Concluiu que estão presentes todos os pressupostos que caracterizam a existência de vínculo empregatício entre as consultoras que receberam bônus e a Recorrente, considerando estes créditos/pagamentos como salário de contribuição, com incidência de contribuições previdenciárias, os quais foram declarados pela Mary Kay em DIRF no código 0588 – Rendimentos do Trabalho Sem Vínculo Empregatício. Assim, procedeu os seguintes levantamentos: CE Bônus Cons. Empregadas; CP – Benefício Car Programa; OB Outros Benefícios; FD Batimento FOPAG x DIRF. A apuração da base de cálculo das contribuições previdenciárias foram efetuadas levando em consideração a planilha – Bônus janeiro a dezembro de 2009; os benefícios relativos ao programa troféu sobre rodas, calculado à razão de 2/7 (dois sétimos) ou 28,6%, referente ao uso do veículo pelas consultoras nos finais de semana; e os outros benefícios, obtidos das contas Seminário de joias, Viagem diretoras nacionais e viagens diretoras top. Fl. 1558DF CARF MF Processo nº 13896.722244/201384 Acórdão n.º 2401004.641 S2C4T1 Fl. 1.557 5 O Sujeito Passivo tomou ciência da autuação em 11/11/2013 (fl. 1094) e em 11/12/2013 apresentou Impugnações (fls. 1098/1136; 1244/1284; 1377/1416), onde, em síntese alega: AI 51.020.5410: · Em sede de preliminar, aduz que os sócios e administradores da impugnante foram citados como coresponsáveis, sem haver a responsabilização nos termos do artigo 135 do Código Tributário Nacional – CTN. Requer a exclusão dos administradores e sócios na lista de coresponsáveis; · Acerca da venda direta transcreve o artigo 1º da Lei nº 6.586, de 1978, que regulamenta a atividade de comércio porta a porta e que se caracteriza pela a ausência de vínculo empregatício e a assunção dos riscos do negócio; · Que de acordo com a Associação Brasileira de Empresas de Vendas Diretas a venda direta é um sistema de comercialização de bens de consumo e serviços diferenciados, baseado no contato pessoal, entre vendedoras e compradores, fora de um estabelecimento fixo; · Destaca que no site da ABEVD encontramse os esclarecimentos acerca das referidas operações e seus efeitos fiscais, em que: o comerciante ambulante é considerado contribuinte obrigatório para fins previdenciários, e que, além da contribuição previdenciária está sujeito ao IRPF e ao ICMS recolhido pela empresa em nome das consultoras por força da substituição tributária; · Assevera que a consultora tem plena liberdade no gerenciamento dos seus negócios, podendo vender de acordo com os critérios que estabelecer, não se caracterizando como empregadas, mas sim revendedoras que adquirem os produtos e os comercializam diretamente ao consumidor final; · Esclarece que para se tornar uma consultora é necessário que uma consultora atuante indique uma consultora aspirante, que adquirirá o “kit iniciação” e receberá o material de apoio. Com a indicação de novas consultoras (03 novas iniciadas diretas e ativas), a consultora terá direito a um bônus, o qual se baseará no valor líquido dos pedidos de produtos adquiridos pelas iniciadas, sendo essa a forma de pagamento do bônus; · Não se trata de negócio piramidal, como aventado pela fiscalização, conforme quadro comparativo com a distinção de venda direta e negócio piramidal; · Todas as consultoras compram seus produtos diretamente da Mary Kay, sem qualquer intermediário, e não há hierarquia e dependência Fl. 1559DF CARF MF 6 entre as consultoras e a impugnante, bem como hierarquia ou dependência entre as consultoras; · Os rendimentos ocorrem por duas formas: a) Lucro na revenda; b) Bônus, baseado nas aquisições pelas novas consultoras, desde que essas estejam adimplentes em relação aos produtos adquiridos; · Existem outras formas de premiação, tais como o “Car Program”, onde as consultoras que mais se destacaram, passam a ter o direito ao uso de um automóvel (cedido em regime de comodato pela impugnante), ou, ainda, viagens, jóias, bijuterias, os quais estão abertos e disponíveis a todas as consultoras; · Para ocorrer a relação de trabalho os requisitos do artigo 3º da CLT devem estar presentes de forma concomitante; · Pessoalidade: a fiscalização limitouse a afirmar a existência desse elemento, sendo que para a configuração da pessoalidade, seria necessária a vinculação de determinada pessoa na prestação do serviço; · Em diversas ocasiões, a consultora iniciadora recebe o bônus mesmo que não tenha prestado serviço no mês, bastando para tanto que a iniciada tenha adquirido os produtos. Não há habitualidade quando ocorre inconstância no recebimento do bônus; · Onerosidade: não há trabalho gratuito, no entanto, esse elemento, de forma isolada, não seria suficiente para descaracterizar o contrato de trabalho autônomo e transformálo em contrato de emprego; · Subordinação: a fiscalização não provou a sua existência, penas trouxe uma nova linha doutrinária de interpretação da subordinação estrutural a ensejar o vínculo de emprego que, quando aplicada de forma isolada, como feito pela fiscalização, resultaria, em razão da importância da distribuição dos produtos vendidos pela impugnante, até mesmo no vínculo desta com os profissionais dos Correios, o que não se cogita, porque faltaria o poder de direção; · Caso prevalecesse a subordinação estrutural de forma isolada, resultaria em reconhecimento de relação empregatícia com todos que tenham algum tipo de relação de trabalho com a empresa, o que transformaria a Mary Kay na maior empregadora do país com trezentos mil empregados (número aproximado de consultoras ativas); · As únicas regras impostas às consultoras dizem respeito às previstas em lei: (a) atendimento ao Código do Consumidor, (b) não violar regras comerciais, (c) não praticar atos que prejudiquem a imagem da empresa ou de seus produtos; · A própria Receita Federal entendeu que a relação existente é de trabalho autônomo, conforme Autos de Infração lavrados anteriormente; Fl. 1560DF CARF MF Processo nº 13896.722244/201384 Acórdão n.º 2401004.641 S2C4T1 Fl. 1.558 7 · Há ausência de motivação no lançamento em relação aos requisitos habitualidade e subordinação o que macula o ato administrativo por vício material; · Colaciona decisões judiciais e administrativas no sentido de que inexiste relação de emprego com revendedoras de produtos cosméticos, como a Mary Kay; · Assevera que fiscalização, em outras oportunidades, chegou a conclusão da inexistência de relação de emprego e sim de trabalho autônomos; · Junta especialmente decisão judicial de reclamação trabalhista que afasta a relação de emprego de consultora da Mary Kay e aduz que referida consultora foi incluída do Relatório Fiscal como segurada empregada, embora exista decisão com trânsito em julgado em sentido contrário. AI 51.020.5429: · Repete os argumentos aduzidos e diz haver erro de cálculo das contribuições dos segurados, por se tratar de relação de trabalho, e não de emprego, a alíquota aplicada seria de 20%, limitada ao salário de contribuição. AI 51.020.5437: · A impugnante repete os argumentos apresentados e diz não haver a incidência das contribuições ao FNDE, INCRA, SESC, SEBRAE e SENAC, considerando a não ocorrência do fato gerador desses tributos. Os Autos de Infração por descumprimento de obrigações acessórias (51.020.5445, 51.020.5453 e 51.020.5461) foram extintos por pagamento, segundo o Despacho de fl. 1510 da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Barueri, São Paulo. O processo foi encaminhado para apreciação e julgamento, tendo a 6ª Turma da DRJ/BHE (fls. 1512/1525), por unanimidade de votos, julgado pela procedência dos Autos de Infração – AI nº 51.020.5410, 51.020.5429 e nº 51.020.5437 em relação aos levantamentos CE Bônus Cons. Empregadas, CP – Benefício Car Programa, e OB Outros Benefícios, e ainda declarou como não impugnado o levantamento FD Batimento FOPAG x DIRF (no código de retenção 0561 Rendimento do Trabalho Assalariado), nos termos do artigo 14 c/c o artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972. O sujeito passivo foi notificado da decisão, tendo apresentado Recursos Voluntários para cada DEBCAD nºs 51.020.5410, 51.020.5429, 51.020.5437 constante no Processo Administrativo nº 13896.722244/201384, no qual reitera todos os argumentos aduzidos na impugnação, dos quais destacamos os seguintes: · O mercado de cosméticos no Brasil é formado por empresas que utilizam essa forma de comercialização que, sob a ótica do Fl. 1561DF CARF MF 8 revendedor, permite a complementação de sua renda mensal na medida em que aufere lucro na comercialização dos produtos que revende; · Não há que se falar em relação de emprego, razão pela qual não cabe a exigência da contribuição previdenciária com base no art. 22, I da Lei nº 8.212/91; · Inexiste constância no recebimento de bônus o que consubstancia a falta de habitualidade. A consultora é livre na operacionalização de seu negócio; · As cláusulas contratuais transcritas no voto da DRJ para justificar a subordinação constituem regras existentes em qualquer tipo de contrato, o que não caracteriza a subordinação; · O CARF, através do Acórdão nº 2301002.683, ao analisar o elemento subordinação e parâmetros de execução de trabalho, fixou o seu entendimento sobre o tema no sentido de que o mero fornecimento de diretrizes de execução de um determinado serviço não caracteriza subordinação hierárquica necessária à configuração da relação empregatícia. Verificase a subordinação quando da orientação do empregador quanto aos meios de realização do trabalho, e não quanto ao resultado almejado; · O fato de haver diretrizes nos contratos firmados entre a recorrente e as suas consultoras não implica a existência de subordinação, pois as regras tem natureza facultativa; · A própria Receita Federal do Brasil entendeu, em lançamentos anteriores, tratar de contribuintes individuais pelo exercício de atividade por conta própria lançados na contabilidade a título de bônus consultora que compõe a remuneração de pessoa física sem vínculo empregatício. Conclui que tratam de contribuintes individuais intituladas como consultoras de beleza e diretoras de vendas que recebem uma bonificação pelo exercício da sua atividade; · O art. 1º, parágrafo único, inciso XIII da Lei nº 9.784/99 veda a aplicação retroativa de nova interpretação de matéria administrativa já anteriormente avaliada; · Requer a exclusão dos sócios Mary Global INC, Abel Simão Amaro e Mary Kay INC., e dos administradores Álvaro Miguel Polanco, Priscilla Chofi Ramos e Ismael Ferreira Filho da lista de co responsáveis, pois não há no Auto de Infração a demonstração da ocorrência dos requisitos previstos no caput do artigo 135 do CTN, impossibilitando, desta forma, qualquer tipo de responsabilização dos citados; · No mérito, pleiteia o conhecimento e provimento dos Recursos, para reformar integralmente o Acórdão de primeira instância, cancelando o Auto de Infração por vício material, por ausência de motivação (habitualidade e pessoalidade) e por motivação falha (subordinação), Fl. 1562DF CARF MF Processo nº 13896.722244/201384 Acórdão n.º 2401004.641 S2C4T1 Fl. 1.559 9 pois o artigo 22, incisos I e II da Lei nº 8.212/91, se aplica às relações de emprego e, como demonstrado exaustivamente pela Recorrente, esta não mantém este tipo de relação com suas consultoras; há relação de trabalho, isso não se nega e foi reconhecido pela própria Receita Federal em duas oportunidades (DEBCAD 37.093.1564 e DEBCAD 37.260.6113), porém referida relação não está ao alcance dos dispositivos citados. O contribuinte apresentou petição através da qual noticia a superveniência de decisões da Justiça do Trabalho que corroboram com as razões do Recurso Voluntário no tocante à inexistência da relação de emprego entre consultoras independentes e a Recorrente. Cita decisões com relação às seguintes consultoras: Juliete Santos Firmino, Ana Cristina Fialho Barbosa, Elza Maria da Silva Sampaio, Stefania de Borba Quadros, Maria Aparecida Gonçalves Fantoni. Colaciona ainda outros julgados da Justiça especializada, bem como decisão proferida por este Conselho (Sentença do Processo nº 000184387.2012.5.03.0028 – TRF 3ª Região; Acórdão do Processo nº 000026134.2013.5.09.0195 – TRF 9ª Região; Sentença e Acórdão do Processo nº 001017305.2014.5.03.0028 – TRF 3ª Região; Acórdão do Processo nº 001002497.2014.5.03.0031– TRF 3ª Região; Acórdão do Processo nº 0001942 36.2014.5.09.0023 – TRT 9ª Região; Acórdão nº 2402004.992 – 2ª Seção, 4ª Câmara, 2ª Turma do CARF), no intuito de reforçar o argumento da insubsistência do lançamento da forma como foi conduzido, conforme se vê: Sentença do Processo nº 000184387.2012.5.03.0028 Contudo, devese ter em mente que também há certa dose de subordinação nos contratos autônomos, que pode se consubstanciar no estabelecimento de metas, zonas de atuação, estímulos à atuação, estímulos à produção e formas de atualização técnica. (...) Na espécie dos autos, a prestação de serviços da autora à reclamada se deu sob duas roupagens distintas: primeiramente, enquanto consultora de vendas e, posteriormente, enquanto diretora. (...) a autora aderiu a uma proposta de parceria para a comercialização autônoma de produtos, que desenvolveu se como (...) presumidamente favorável à autora durante aproximadamente três anos, período em que teve acesso a novas oportunidades de atuação com melhoria da retribuição financeira, mas sem prejuízo ao modelo inicial, sempre respondendo pelos custos e riscos do empreendimento. Acórdão do Processo nº 000026134.2013.5.09.0195 Registrase que, o entendimento majoritário desta E. 7ª Turma segue no sentido de que a fixação de metas para angariação de novas vendedoras e a exigência de algumas diretrizes, não importa necessariamente em subordinação Fl. 1563DF CARF MF 10 jurídica, pois a reclamada não controlava o modo de prestação de serviços e nem fiscalizava o cotidiano de trabalho da reclamante, a quem incumbia o controle, a organização e a direção do trabalho, conforme a sua conveniência e a lucratividade do negócio. Acórdão do Processo nº 001017305.2014.5.03.0028 Verificase que as reuniões realizadas entre as Diretoras e as Consultoras eram de cunho motivacional, servindo, também, para orientação sobre produtos comercializados pela ré; notese que a cobrança por melhores resultados nas vendas partia da própria demandante, que almejava sua ascensão na empresa a fim de administrar seu grupo de consultoras, o que de fato ocorreu. Acórdão do Processo nº 001002497.2014.5.03.0031 A prova oral aponta com clareza que a reclamante laborava com autonomia e liberdade, sendo ela mesma quem organizava o serviço e assumia o risco em relação aos produtos que comercializava, incumbindolhe, ainda, pagar as despesas respectivas (telefone, gasolina, locação de salas e alimentação). (...) Cumpre anotar também que a reclamante não tinha que prestar contas das vendas que realizava, cabendo destacar que, por inexistir relação de emprego e exclusividade, a consultora podia ter outro emprego e/ou vender outro produto ou marca. Acórdão nº 2402004.992 do CARF Para este Conselheiro está em consonância com o referido princípio protetivo aquele denominado na seara do processo administrativo tributário como verdade material, princípio pelo qual se exige a demonstração cabal dos fatos trazidos pelas partes, permitindo assim ao julgador uma decisão adequada a cada caso concreto, de forma a garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fator gerador e a constituição do crédito tributário. É o relatório. Fl. 1564DF CARF MF Processo nº 13896.722244/201384 Acórdão n.º 2401004.641 S2C4T1 Fl. 1.560 11 Voto Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Levantamentos não impugnados Os levantamentos FD Batimento FOPAG x DIRF (código 0561), não foram contestados inicialmente, o que enseja à aplicação do art. 17 do Decreto nº 70.235/72. Preliminarmente Requer a pessoa jurídica Recorrente, em sede preliminar, a exclusão dos sócios e administradores da recorrente da lista de corresponsáveis, por não ter ocorrido a responsabilização nos termos do art. 135 do Código Tributário Nacional. De acordo com a Súmula CARF nº 88, o fato dos sócios da empresa terem sido relacionados no relatório de vínculos (fl. 50), não significa a caracterização da responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas, tendo finalidade meramente informativa. Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Ademais, o lançamento foi constituído exclusivamente em nome da empresa como sujeito passivo tributário, razão pela qual, rejeito a exclusão dos sócios e administradores da recorrente do relatório de vínculos, em virtude da sua finalidade meramente informativa. Com relação à alegação de nulidade do lançamento por ausência de motivação, entendo que não assiste razão à Recorrente. No presente caso, o ato administrativo de lançamento foi motivado pelo conjunto das razões de fato e de direito que carrearam à conclusão contida na acusação fiscal à luz da legislação tributária compatível com as razões apresentadas no lançamento. Não há falta de correspondência entre a descrição dos fatos e a regra matriz de incidência contida no Fl. 1565DF CARF MF 12 lançamento. O convencimento fiscal está claro, aplicando a legislação que entendeu pertinente ao presente caso. Se as razões do lançamento são suficientes ou não, será analisado no mérito. No que tange ao pleito de cancelamento dos Autos de Infração por vício material em virtude de insuficiência na motivação do lançamento, entendo que a presente alegação se confunde com o mérito do recurso e será apreciada a seguir, quando da análise dos fundamentos que ampararam a acusação fiscal. Do Mérito A principal controvérsia que envolve o processo administrativo em debate, diz respeito à natureza jurídica dos serviços prestados pelas consultoras de vendas da Recorrente, mais especificamente, o enquadramento das pessoas físicas que realizam as vendas como seguradas empregadas. Primeiramente, é certo que cabe à fiscalização desconsiderar os atos e os negócios jurídicos que não retratam a realidade dos fatos, embasada nos artigos 118 e 149 do CTN, que prevêem a primazia da realidade sobre os atos jurídicos realizados. Art. 118 . A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose: I – da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; II – dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos Art. 149 – O lançamento é efetuado e revisto de oficio pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) VII – quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação. Essa atribuição da fiscalização é reforçada quando se trata do correto enquadramento dos segurados empregados, para fins de cobrança da contribuição previdenciária devida. Nesse sentido, dispõe o artigo 33 da Lei no 8.212/91 : Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das Fl. 1566DF CARF MF Processo nº 13896.722244/201384 Acórdão n.º 2401004.641 S2C4T1 Fl. 1.561 13 contribuições devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 4o Na falta de prova regular e formalizada pelo sujeito passivo, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mão de obra empregada, proporcional à área construída, de acordo com critérios estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa corresponsável o ônus da prova em contrário.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). A esfera administrativa e judiciária são independentes, portanto, a existência de Ação Trabalhista não atrapalha ou influencia no andamento da Ação Administrativa. No entanto, cabe ao julgador administrativo analisar a existência dos fatos da forma como descritos na acusação fiscal. Como se vê, o lançamento foi amparado na caracterização da relação de emprego entre as consultoras de venda e a Recorrente, e a consequente consideração das remunerações referente ao bônus consultora de vendas, ao benefício do car program e aos outros benefícios – seminários joias e viagens diretoras, como salário de contribuição, com a incidência da contribuição previdenciária destacada no art. 22, incisos I e II da Lei nº 8.212/91. Nessa seara tributária, compete à autoridade lançadora demonstrar os pressupostos do vínculo empregatício, com a presença dos elementos necessários à configuração da relação de emprego para o devido enquadramento previdenciário das pessoas físicas indicadas nos relatórios (fls. 224/568 e 690/1088), como seguradas empregadas. Consoante se destaca no Relatório do Processo Administrativo, a acusação fiscal se restringiu a identificar a prestação de serviços desenvolvida pelas consultoras de vendas como caracterizadora da relação de emprego de acordo com os pressupostos estabelecidos nos arts. 2º e 3º da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). O Auditor Fiscal descreve no Relatório que a remuneração das consultoras de vendas ocorre não só da forma direta, através de bônus progressivo sobre as vendas, mas também de forma indireta através de premiações e gratificações, tais como o Car Program, Viagens, Joias. Afirma que, além de restarem comprovados os elementos da pessoalidade, nãoeventualidade e onerosidade, encontrase evidenciada a subordinação estrutural, na medida Fl. 1567DF CARF MF 14 em que as consultoras de vendas integram a dinâmica estrutural de funcionamento da tomadora de serviços. Diante da decisão de piso que firmou entendimento no sentido de que os fatos estão condizentes com a relação jurídica de emprego, aduziu a Recorrente em sua peça recursal, a inexistência dos elementos da pessoalidade, habitualidade (nãoeventualidade) e subordinação. Asseverou ainda que a própria Receita Federal do Brasil, em duas oportunidades, por ocasião da lavratura dos Autos de Infração DEBCAD´s nºs 37.093.1564 e 37.260.6113, entendeu que a relação jurídica entre a Recorrente e suas consultoras era de trabalho autônomo, e como tal seria tributada pela contribuição estabelecida no caput do art. 21 da Lei 8.212/91. No caso em tela, a acusação fiscal se restringiu à imposição tributária identificada conforme os fatos previstos no art. 20, 22, incisos I e II e 28, inciso I, da Lei nº 8.212/91, sob a alegativa da existência da relação de emprego e não sob o enfoque do trabalho autônomo (contribuinte individual art. 21 da Lei nº 8.212/91). Este é o limite da análise do mérito. A motivação da acusação encontrase respaldada no pagamento do salário de contribuição ao segurado empregado, conforme normas positivadas na Lei nº 8.212/91: Art. 20. A contribuição do empregado, inclusive o doméstico, e a do trabalhador avulso é calculada mediante a aplicação da correspondente alíquota sobre o seu saláriodecontribuição mensal, de forma não cumulativa, observado o disposto no art. 28, de acordo com a seguinte tabela: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos. Em face da delimitação do litígio instaurado, cumpre a verificação do preenchimento fáticojurídico estabelecido nos arts. 2º e 3º da CLT de modo a legitimar a cobrança perfectibilizada nos Autos de Infração. A Consolidação das Leis do Trabalho caracteriza a relação de emprego nos seguintes termos: Fl. 1568DF CARF MF Processo nº 13896.722244/201384 Acórdão n.º 2401004.641 S2C4T1 Fl. 1.562 15 Art. 2º Considerase empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. Art. 3º Considerase empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário. Com efeito, é certo que a onerosidade é inerente às relações de trabalho consubstanciadas em um labor humano. No entanto, referido elemento não é suficiente para a caracterização da relação de emprego, cabendo, outrossim, a análise dos demais requisitos para averiguar a condição de segurado empregado. Segundo se depreende da resposta ao Termo de Intimação Fiscal nº 2, a Recorrente esclareceu que a consultora de beleza independente Mary Kay inicia o seu negócio através da indicação de outra consultora independente. A cada três novas consultoras iniciadas, a consultora iniciadora tem direito ao recebimento de bônus sobre o valor dos produtos que as consultoras iniciadas adquirirem. Existe ainda a política de premiação através de pontuação alcançada tal como um plano de milhagens. O troféu sobre rodas (car program) é uma premiação às diretoras de vendas independentes que atingem determinado nível de produção/pontuação e adquirem o direito de uso de um carro, mediante aceite do contrato de uso do carro, em que a consultora passa a ser responsável pelos custos de manutenção e de uso do veículo, tais como, combustível, troca de óleo, revisões e reparos, multas de trânsito e pontuação na carteira, bem como o pagamento da franquia quando o seguro for acionado. Conforme se verifica, a consultora independente compra os produtos diretamente da Mary Kay para os comercializar ao consumidor final, tendo total liberdade para gerir os seus negócios da forma que lhe seja mais rentável, delimitar sua área de atuação em qualquer lugar do território nacional, conceder descontos ou vender de forma parcelada, assumindo totalmente os riscos da transação comercial. O produto adquirido pode até não ser vendido, caso não consiga comercializálo ou queira adquirilo para si. Notoriamente, os riscos da atividade econômica são assumidos pela própria pessoa física que dirige a prestação do serviço e, dentro da sua liberdade econômica, poderá revender produtos e arregimentar novas consultoras. Destaquese que a consultora de vendas poderá se fazer substituir por outra pessoa, como um parente, um encarregado de vendas, o que, a meu ver, desconfigura a pessoalidade na prestação do serviço. A liberdade no horário é uma das características desse tipo de vendedora de produtos cosméticos. Não existe a habitualidade que caracteriza uma relação de emprego. O tempo para vender ou arregimentar novas revendedoras para a obtenção de bônus é de livre escolha da consultora. Ademais, não há constância no recebimento e nem no valor do bônus em virtude da liberdade na sua forma de trabalho. Não se configura, portanto, o requisito da habitualidade (não eventualidade). No que tange à subordinação, a acusação fiscal afirma a sua existência como o dever de obediência, sujeição às regras, orientações e normas estabelecidas pelo empregador inerentes ao contrato, à função, desde que balizadas pelos limites legais. Fl. 1569DF CARF MF 16 Detalha a fiscalização que, da análise dos contratos com as consultoras, evidenciase uma extensa sequencia de atribuições a serem cumpridas, demonstrando a existência de diretrizes rígidas de atuação que revelam o poder diretivo da empresa autuada quanto à realização das atividades de vendas e coordenação. Conclui pela existência dos pressupostos que caracterizam o vínculo empregatício entre as consultoras que recebem bônus e a Recorrente. De efeito, mesmo aqueles que defendem a doutrina da subordinação estrutural nas relações empregatícias, observam que esse critério não pode ser aplicado de forma isolada para definição e conceituação da figura do trabalhador subordinado, denominado empregado. A questão da subordinação deve ser apurada de forma individualizada para cada fato, não comportando apuração de forma genérica, conforme efetuado pela acusação fiscal. . A existência do poder diretivo do empregador, é imprescindível para a determinação do vínculo de emprego. Notoriamente, em análise à prática da venda de produtos de beleza, leva ao caminho da relação de trabalho autônomo, não empregatício, pela própria liberdade no exercício da atividade. O que existe é um contrato com diretrizes em que a consultora de vendas atende se lhe aprouver. Nesse contexto, cabe observar que mesmo em uma relação de trabalho autônomo existe um determinado parâmetro na sua realização, uma diretriz, uma orientação quanto ao resultado almejado, o que não significa trabalho subordinado. O cumprimento de determinados objetivos constantes nos contratos de diretora independente e no contrato de uso de carro, são características comuns aos mais diversos contratos, em que as partes tem direitos e obrigações, mas nem por isso tem o condão de transformar essa relação em empregatícia. Tanto isto é verdade que a vendedora de produtos cosméticos Mary Kay pode exercer sua atividade de vendas mesmo na condição de empregada de qualquer outra empresa, em face da liberdade quanto aos meios de realização do trabalho de vendas, o que afasta o requisito da subordinação. Vejase que mesmo na atividade de representante comercial autônomo, regulamentada pela Lei nº 4.886/65, existem obrigações e condições que não afastam a relação de trabalho autônomo, sendo a atividade exercida com exclusividade ou não: Art. 1º Exerce a representação comercial autônoma a pessoa jurídica ou a pessoa física, sem relação de emprego, que desempenha, em caráter não eventual por conta de uma ou mais pessoas, a mediação para a realização de negócios mercantis, agenciando propostas ou pedidos, para, transmitilos aos representados, praticando ou não atos relacionados com a execução dos negócios. Art. 27. Do contrato de representação comercial, além dos elementos comuns e outros a juízo dos interessados, constarão obrigatoriamente: a) condições e requisitos gerais da representação; b) indicação genérica ou específica dos produtos ou artigos objeto da representação; c) prazo certo ou indeterminado da representação Fl. 1570DF CARF MF Processo nº 13896.722244/201384 Acórdão n.º 2401004.641 S2C4T1 Fl. 1.563 17 d) indicação da zona ou zonas em que será exercida a representação; e) garantia ou não, parcial ou total, ou por certo prazo, da exclusividade de zona ou setor de zona; f) retribuição e época do pagamento, pelo exercício da representação, dependente da efetiva realização dos negócios, e recebimento, ou não, pelo representado, dos valores respectivos; g) os casos em que se justifique a restrição de zona concedida com exclusividade; h) obrigações e responsabilidades das partes contratantes: i) exercício exclusivo ou não da representação a favor do representado; j) indenização devida ao representante pela rescisão do contrato fora dos casos previstos no art. 35, cujo montante não poderá ser inferior a 1/12 (um doze avos) do total da retribuição auferida durante o tempo em que exerceu a representação. Art. 41. Ressalvada expressa vedação contratual, o representante comercial poderá exercer sua atividade para mais de uma empresa e empregála em outros misteres ou ramos de negócios. Como visto, não obstante as orientações realizadas pela empresa Recorrente para melhor desempenho nas atividades de vendas, para a ocorrência da subordinação seria necessária a demonstração adicional da intensidade do poder diretivo e disciplinar do empregador. Caso a intensidade das ordens no tocante à prestação de serviços seja do tomador, resta afastada a autonomia e caracterizada a subordinação, o que, no entendimento desta julgadora, não restou demonstrado. Não obstante o esforço fiscal de trazer toda a fundamentação teórica acerca da subordinação, é frágil a caracterização do vínculo empregatício com vistas à incidência da contribuição previdenciária prevista no art. 22, incisos I e II da Lei nº 8.212/91, quando a acusação fiscal sequer traz, de maneira individualizada, a demonstração da relação das consultoras constantes nos demonstrativos de bônus com a empresa Recorrente. a caracterização, como já afirmado, foi feita de forma genérica. Conquanto das decisões da justiça especializada não vinculem este Conselho, insta ressaltar, como argumentação, que em sua peça recursal, a empresa Recorrente cita a decisão já transitada em julgado, exarada pelo Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região nos autos do Processo nº 02259201203003002 RO, movida por Juliete Santos Firmino contra a Mary Kay, em que foi declarada a inexistência de vínculo empregatício. O nome da referida consultora encontrase na relação anexada à acusação fiscal (fl. 325, 351, 377, 412, 441, 477, 514, 834, 865, 894, 932, 964, 1003, 1041). Vejamos a ementa a seguir transcrita: Fl. 1571DF CARF MF 18 VÍNCULO DE EMPREGO – INEXISTÊNCIA. Os elementos dos autos revelam que a autora trabalhava com autonomia, sendo senhora da sua força de trabalho, não sofrendo ingerência diretiva e disciplinar da tomadora na sua atividade profissional, restando, portanto, afastada a subordinação jurídica, elemento caracterizador do vínculo empregatício. Do Voto da Desembargadora Relatora destacamos os seguintes trechos: Insta esclarecer que o fato de a consultora ter que se reportar à diretora e esta, à diretora de nível superior, não é relevante para o reconhecimento do vínculo de emprego, uma vez que essa terceira não fiscalizava o modo de execução dos serviços, mas apenas o andamento das vendas – o que é consentâneo com o art. 28 da Lei 4.886/65, in verbis: “O representante comercial fica obrigado a fornecer ao representado, segundo as disposições do contrato ou, sendo este omisso, quando lhe for solicitado, informações detalhadas sobre o andamento dos negócios a seu cargo, devendo dedicarse à representação, de modo a expandir os negócios do representado e promover seus produtos”. As assertivas da reclamante de que “havia metas e pontuações que para serem mantidas induziam à compra dos referidos kits, inclusive para manter o cargo de Diretora; (...) que em caso de deixar de efetuar vendas não alcançaria as metas propostas e sofreria queda na sua posição (...); que a reclamada tem controle das vendas de produtos para as consultoras, deduzindo que os primeiros foram vendidos quando novos produtos são adquiridos” denotam apenas um controle da ré quanto aos resultados da consultora ou diretora, os quais poderiam representar benefícios à própria consultora ou diretora. [...] Esclareçase que o fato de inexistir um contrato escrito de representação comercial e o atendimento aos requisitos formais exigidos pela lei 4.886/65 não atrai o reconhecimento do vínculo empregatício entre as partes. Afinal, vigora na seara trabalhista o princípio da primazia da realidade, sendo que o trabalho prestado pela reclamante afigurase como nítida prestação de serviços autônomos – não havendo falar em teletrabalho ou trabalho parassubordinado. Mesmo que houvesse exigência de prestação de serviços para um único tomador, isso não afastaria a caracterização de trabalho autônomo, vez que autorizada pelos arts. 27, “i”, e 41 da referida lei 4.886/65. Elucidese ainda que o fato de a obreira ter atuado na atividade fim da reclamada também não atrai, por si só, o elemento Fl. 1572DF CARF MF Processo nº 13896.722244/201384 Acórdão n.º 2401004.641 S2C4T1 Fl. 1.564 19 pretendido, pois a configuração da relação de emprego só se perfaz com a presença dos cinco elementos fáticosjurídicos já mencionados anteriormente – o que não acontece na espécie em exame. Notese que as decisões judiciais proferidas pela justiça do trabalho através das quais ressai afastado o liame empregatício de consultoras que constam na planilha de bônus utilizada pelo fiscal no lançamento, apenas corroboram com o fato de que a relação de trabalho existente no presente caso não configura uma relação de emprego, que deve ser apurada de forma individualizada, conforme abaixo elencadas: Ana Cristina Fialho Barbosa (citada às fls. 231, 250, 269, 290, 313, 337, 365, 394, 427, 463, 501, 539, 699, 726, 755, 787, 818, 849, 881, 913, 950, 988, 1028 e 1064) Processo nº 001700943.2013.5.16.0003 TRT 16ª Região EMENTA VENDEDORA. VÍNCULO DE EMPREGO. NÃO CONFIGURADO. A confissão da autora, constante no seu depoimento, revela que atuava com autonomia, uma vez que comprova os produtos da reclamada, podendo revendêlos a preço inferior ao fixado em tabela, além do que não prestava contas das vendas realizadas e, ainda, arcava com os prejuízos decorrentes dos descontos eventualmente concedidos a suas clientes e do insucesso na venda dos produtos, não se configurando, portanto, os requisitos do art. 3º da CLT, não havendo que se falar em vínculo empregatício, razão pela qual se impõe a manutenção da sentença recorrida. Elza Maria da Silva Sampaio (citada às fls. 450, 486, 523, 559, 974, 1013, 1049 e 1080) Processo nº 001017305.2014.5.03.0028 – TRT 3ª Região RELAÇÃO DE EMPREGO. NÃO CONFIGURAÇÃO. AUSÊNCIA DOS REQUISITOS DOS ARTS 2º E 3º DA CLT. Para a configuração da relação de emprego, é imprescindível a comprovação de todos os pressupostos ou requisitos dos artigos 2º e 3º da CLT, pois a ausência de prova da existência de quaisquer deles constitui óbice ao reconhecimento do liame empregatício. Stefania de Borba Quadros (citada às fls. 501,540, 1028 e 1065) Processo nº 000022091.2012.5.04.0211 – Vara do Trabalho de Torres 4ª Região (...) Ao que percebo, o reclamante atuava como uma espécie de intermediário na venda de produtos (de beleza) da reclamada, já Fl. 1573DF CARF MF 20 que tinha liberdade na forma de atuação e de clientes, pois a empresa apenas estipulava os preços mínimos dos produtos, tendo a autora autonomia para vendêlos sem prestar contas. De registrar que ao laborar em locais distantes da sede da empresa, por óbvio que tinha autonomia em dias e horas de trabalho. (...) Destarte rejeito o pedido de declaração de existência de vínculo de emprego. Maria Aparecida Gonçalves Fantoni (citada às fls. 566 e 1086) Processo nº 1114084.2013.5.03.0028 TRT 3ª Região Em face do exposto, resolvo, na ação trabalhista movida por MARIA APARECIDA GONÇALVES FANTONI em face de MARY KAY DO BRASIL, REJEITAR os pedidos formulados. Em vista de todo o exposto, entendo que a autoridade fiscal não logrou êxito em comprovar os requisitos da pessoalidade, habitualidade e subordinação, ensejadores do liame empregatício, conforme noticiado na peça acusatória. Assim, ante a insuficiência de fundamentação por parte da autoridade autuante que permita a subsunção dos fatos (relação de emprego) à norma (incidência de contribuições sociais previdenciária a cargo da pessoa jurídica por remuneração dos empregados), deve ser julgado insubsistente o lançamento. Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário, para, no mérito, DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO, para tornar insubsistente os lançamentos exigido nos Autos de Infração DEBCAD´s nºs 51.020.5410, 51.020.5429 e 51.020.5437, exonerando o valor total dos créditos referente aos levantamentos: CE Bônus Cons. Empregadas; CP – Benefício Car Programa; OB Outros Benefícios, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Fl. 1574DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10425.001365/2009-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
IRRF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. COMPROVANTES DE RETENÇÃO.
O sujeito passivo tem direito à dedução do imposto retido pelas fontes pagadoras incidentes sobre receitas auferidas e oferecidas à tributação, do valor do imposto devido ao final do período de apuração, ainda que não tenha recebido o comprovante de retenção ou não possa mais obtê-lo, desde que consiga provar, por quaisquer outros meios ao seu dispor, que efetivamente sofreu as retenções que alega.
Numero da decisão: 1302-002.076
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alberto Pinto Souza Junior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Apoarecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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Saldo Negativo de IRPJ. Recorrente CAMDESA CAMPINA GRANDE DIESEL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 IRRF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. COMPROVANTES DE RETENÇÃO. O sujeito passivo tem direito à dedução do imposto retido pelas fontes pagadoras incidentes sobre receitas auferidas e oferecidas à tributação, do valor do imposto devido ao final do período de apuração, ainda que não tenha recebido o comprovante de retenção ou não possa mais obtêlo, desde que consiga provar, por quaisquer outros meios ao seu dispor, que efetivamente sofreu as retenções que alega. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alberto Pinto Souza Junior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Apoarecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich e Luiz Tadeu Matosinho Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 42 5. 00 13 65 /2 00 9- 61 Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10425.001365/200961 Acórdão n.º 1302002.076 S1C3T2 Fl. 212 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 1150.949, proferido em 27 de agosto de 2015, pela 3ª Turma da DRJRecife/PE, mediante o qual os membros do colegiado acordaram, por unanimidade, em julgar parcialmente procedente a manifestação de inconformidade, conforme sintetizado na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 RETENÇÃO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado se o contribuinte possuir comprovante hábil de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. A manifestação de inconformidade foi apresentada em face de decisão da autoridade administrativa da DRFCampina Grande/PB, que homologou parcialmente o pedido de compensação de saldo negativo do IRPJ apurado no anocalendário 2002, apresentado por meio do PER/DComp nº 32771.02160.300604.1.3.029003 (efls. 2), no qual a interessada pleiteou o crédito no montante original de R$ 29.745,52, tendo o Despacho Decisório deferido o valor de R$ 14.524,10 (efls. 24/28). A parcela do crédito não reconhecido deveuse à falta de comprovação do Imposto de Renda Retido na Fonte — IRRF, conforme consta da decisão recorrida, verbis: A homologação parcial da compensação teve como fundamento a falta de comprovação de parcela de composição do crédito, informada no PER/DCOMP, relativa ao IRRF. Parcelas de composição do crédito informada e não confirmada: IRRF código 6800 – R$ 14.650,81, fonte pagadora CNPJ nº 60.748.948/000112; código 6800 R$ 546,07, fonte pagadora CNPJ nº 00.000.000/006394; código 5706 R$ 0,60, fonte pagadora CNPJ nº 02.558.115/000121 e código 5706 R$ 0,40, fonte pagadora CNPJnº 02.558.129/000145, no valor total de R$ 15.197,88, conforme demonstrado no Parecer DRF/CGD/PB/SARAC nº 238/2009, fls. 24/27. Também não foi confirmado o valor de R$ 23,54 relativo ao IRRF incidente sobre os juros do capital próprio uma vez que a respectiva receita não consta da linha 23 da ficha 6A da DIPJ correspondente. Onde deve constar os valores recebidos a título de remuneração do capital próprio. De acordo com o relatório da decisão recorrida, a interessada apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese: verbis: Cientificada em 10/02/2010, a interessada apresentou recurso voluntário em 12/03/2010, no qual reitera suas alegações no sentido de que os documentos apresentados são suficientes para comprovar o imposto de renda retido na fonte, a despeito das fontes pagadoras não terem fornecidos os comprovantes de rendimentos e informado os valores na DIRF. Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10425.001365/200961 Acórdão n.º 1302002.076 S1C3T2 Fl. 213 3 com relação ao valor de R$23,54 relativo relativo ao IRRF sobre juros do capital próprio, ocorreu erro no preenchimento da DIPJ quando parte das receitas foram declaradas na linha 26 e outra parte na linha 43 da DIPJ, o que se prova por sua escrituração contábil, o valor correto do IRRF é R$23,34; para comprovar os outros valores não confirmados traz os Comprovantes de Rendimentos e do Imposto Retido na Fonte, docs. 14 a 24, fornecidos pelas fontes pagadoras; pede considerara totalmente homologada a compensação e seja desconsiderada a cobrança encaminhada. O acórdão recorrido acresceu ao valor já reconhecido no despacho decisório a importância de R$ 6.692,29, cujos créditos entendeu estarem comprovados. Cientificada em 29/10/2015, a interessada interpôs recurso voluntário em 27/11/2015, no qual alega: a) Apesar do acórdão recorrido ter considerado inadequados os documentos das fontes pagadoras (Banco do Brasil e Banco Bradesco), com retenções somando 7.959,52, deve ser levado em consideração a importância e a credibilidade das fontes pagadoras, bem como o fato de terem sido reconhecidas e tributadas as receitas obtidas com aplicações financeiras, lançadas na linha n4 da Ficha 06A (DOC. 18). b) Que, ainda que existisse saldo a recolher, o valor indicado no DARF de cobrança encaminhado (R$ 10.356,90), estaria incorreto, pois somandose o saldo reconhecido inicialmente (R$ 14.524,10) ao deferido no acórdão recorrido (R$ 6.692,29), em face do crédito pleiteado na compensação (R$ 29.745,52), apurarseia um saldo devedor de R$ 8.529,13. Ao final pede que seja reconhecida integralmente o crédito pleiteado, homologandose o pedido de compensação e, em consequência, seja dado provimento ao recurso voluntário. Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10425.001365/200961 Acórdão n.º 1302002.076 S1C3T2 Fl. 214 4 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos regimentais. Assim, dele conheço. A questão controvertida no recurso referese à comprovação de IRRF sobre rendimentos de aplicações financeiras que deixou de ser reconhecido no saldo negativo de IRPJ apurado pela contribuinte no anocalendário de 2002, objeto do pedido de compensação analisados nestes autos. A recorrente trouxe em sua impugnação diversos documentos visando comprovar o IRRF que deixou de ser reconhecido pela autoridade que analisou o pedido de compensação (docs. efls. 87/97). A autoridade julgadora de primeiro grau acolheu os comprovantes de rendimentos apresentados às fls. 91 e 93 (CNPJ. 60.746.948/000112 IRRF: R$ 6.691,29), fls. 96 (CNPJ. 02.558.115/000121 IRRF R$ 0,60) e fls. 97 (CNPJ. 02.558.129/000145 IRRF: R$ 0,40), reconhecendo um crédito adicional a compensar de R$ 6.692,29. Com relação aos demais comprovantes apresentados, a autoridade julgadora de primeiro grau entendeu que não eram hábeis para comprovar o IRRF, nestes termos: Os documentos apresentados para comprovação do IRRF código 6800 relativo à fonte pagadora CNPJ nº 00.000.000/006394, fls. 87/88, não socorrem a contribuinte porque não são adequados à comprovação da retenção efetuada. São Informes de Rendimentos Financeiros emitidos pelo Banco do Brasil, não se revestem das formalidades legalmente exigidas e já referidas nesse voto. Da mesma forma o documento apresentado, fl.95, se trata de extrato de conta corrente emitido pelo Bradesco não se revestindo das formalidades legais exigidas. Com a devida vênia, entendo que os documentos de efls. 87/88 apresentados para comprovação do IRRF código 6800 relativo à fonte pagadora CNPJ nº 00.000.000/0063 94 Banco do Brasil contém todos os elementos de identificação da fonte pagadora, do beneficiário, da natureza e valor dos rendimentos e do IRRF retido, bem como do período de apuração e são suficientes para comprovar os valores retidos indicados no PER/DCOMP e na DIPJ como originários daquela fonte pagadora, conforme demonstrado na tabela abaixo: Fonte Pagadora CNPJ RENDTO IRRF EFLS. Código de Retenção 1.086,93 217,37 87 375,21 75,04 88 189,28 37,86 89 BANCO DO BRASIL S/A 00000000/006394 1.079,11 215,80 90 TOTAIS 2.730,53 546,07 Com relação ao documento de efls. 95 embora seja um extrato de características um pouco diferentes dos anteriormente citados, contém igualmente todos os Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10425.001365/200961 Acórdão n.º 1302002.076 S1C3T2 Fl. 215 5 elementos de identificação da fonte pagadora, do beneficiário, da natureza e valor dos rendimentos e do IRRF retido, bem como do período de apuração e correspondem exatamente à diferença que deixou de ser reconhecida (R$ 7.959,52) do valor pleiteado de IRRF relativo à fonte pagadora Banco Bradesco S/A sob o código de retenção 6800 (R$ 14.650,81), conforme demonstrado na tabela abaixo: Fonte Pagadora CNPJ RENDTO IRRF FLS. Código de Retenção 14.001,10 2.800,20 91 6800 348,61 69,71 93 6800 19.115,84 3.821,38 93 6800 BANCO BRADESCO S/A 60746948/000112 39.800,23 7.959,52 95 6800 TOTAIS 73.265,78 14.650,81 Observo, também, que o valor informado a título de Receitas Financeiras na DIPJ (Linha 24 Ficha 06A efls. 12) no montante de R$ 239.488,49 é, inclusive, superior à soma total dos rendimentos de aplicações financeiras indicados na DIPJ e PER/DCOMP, cujo IRRF compôs o saldo negativo pleiteado. Entendo que assiste razão à recorrente no que se refere à comprovação apresentada. Embora os documentos juntados aos autos não sejam os previstos nas instruções normativas instituídas pela administração tributária federal, contém os elementos para, em conjunto com os demais elementos apresentados, fazer prova a favor do sujeito passivo. É fato que o contribuinte para ter direito a abater do valor do imposto devido ao final do período de apuração os montantes retidos pelas fontes pagadoras, incidentes sobre receitas auferidas e oferecidas à tributação nesse mesmo período deve apresentar o comprovante de retenção, emitido em seu nome pela fonte pagadora, conforme o disposto no art. 55 da Lei nº 7.450/1985, verbis: Art 55 O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Todavia, essa exigência tem sido relativizada nas hipóteses em que o contribuinte não tenha recebido esse comprovante e/ou não tenha como obtêlo, desde que consiga fazer prova, por outros meios ao seu dispor, de que efetivamente sofreu as retenções que alega, conforme a jurisprudência deste CARF, verbis: Acórdão nº 1301 00.769, de 24/11/2011 – 3ª Câmara/1ª TO SALDO NEGATIVO DE IRPJ. IRRF. COMPROVANTE DE RENDIMENTOS. AUSÊNCIA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. VALORES CONSTANTES DA DIRF. O contribuinte tem direito a abater do valor do imposto devido ao final do período de apuração os montantes retidos pelas fontes pagadoras, incidentes sobre receitas Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10425.001365/200961 Acórdão n.º 1302002.076 S1C3T2 Fl. 216 6 auferidas e oferecidas à tributação nesse mesmo período. Para tanto, deve apresentar o comprovante de rendimentos fornecido pelas fontes pagadoras, ou fazer prova da efetividade das retenções mediante quaisquer outros meios ao se u alcance. Em assim não sendo, correta a decisão de primeira instância que considerou comprovados apenas os valores declar ados pelas fontes pagadoras em DIRF. Acórdão nº 130200.945 – 05/07/2012 3ª Câmara / 2ª TO IRRF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. COMPROVANTES DE RETENÇÃO. O sujeito passivo tem direito à dedução do imposto retido pelas fontes pagadoras incidentes sobre receitas auferidas e oferecidas à tributação, do valor do imposto devido ao final do período de apuração, ainda que não tenha recebido o comprovante de retenção ou não possa mais obtêlo, desde que consiga provar, por quaisquer outros meios ao seu dispor, que efetivamente sofreu as retenções que alega. Desta feita, inexistindo indícios de que os documentos apresentados não sejam autênticos e considerando as informações prestadas pelo sujeito passivo em sua DIPJ e o conjunto de elementos carreados aos autos, entendo que devem ser considerado comprovado o valor do IRRF de 7.959,52 (doc. efls. 95) retido sob o código 6800 pelo Banco Bradesco S/A. Assim, deve ser reconhecido um crédito adicional ao montante de saldo negativo já reconhecido, no valor de R$ 8.505,59. A interessada não trouxe nenhum argumento ou documento novo com vistas à comprovar o oferecimento à tributação das receitas com Juros sobre o Capital Próprio, que sofreram a retenção do IR no montante de R$ 23,54, nada havendo a alterar nesse sentido em relação ao acórdão recorrido. Por fim, não conheço das alegações da recorrente acerca dos valore indicados em DARF de cobrança em face do indeferimento parcial da restituição, pois tratase de matéria alheia aos autos, uma vez que derivada apenas da liquidação do acórdão de primeiro grau, de forma que não integra o litígio instaurado. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório adicional de R$ 8.505,59 que, somado ao crédito total já reconhecido (R$ 21.216,39) ), passa a totalizar R$ 29.721,98, e, homologar as compensações pleiteadas até o montante do direito creditório reconhecido. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10425.001365/200961 Acórdão n.º 1302002.076 S1C3T2 Fl. 217 7 Fl. 217DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13127.720061/2015-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
INCLUSÃO DE RENDIMENTOS COM BASE NA DIRF. ERRO DE PREENCHIMENTO DO APLICATIVO DE LANÇAMENTO.
Cancela-se o lançamento baseado em informações de Dirf, quando ocorre erro de preenchimento no aplicativo do lançamento.
Numero da decisão: 2202-003.718
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício
(Assinado digitalmente)
MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar, Marcio Henrique Sales Parada e Theodoro Vicente Agostinho (Suplente Convocado)
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 INCLUSÃO DE RENDIMENTOS COM BASE NA DIRF. ERRO DE PREENCHIMENTO DO APLICATIVO DE LANÇAMENTO. Cancela-se o lançamento baseado em informações de Dirf, quando ocorre erro de preenchimento no aplicativo do lançamento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício (Assinado digitalmente) MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Presidente. (Assinado digitalmente) JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar, Marcio Henrique Sales Parada e Theodoro Vicente Agostinho (Suplente Convocado)
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ERRO DE PREENCHIMENTO DO APLICATIVO DE LANÇAMENTO. Cancelase o lançamento baseado em informações de Dirf, quando ocorre erro de preenchimento no aplicativo do lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício (Assinado digitalmente) MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Presidente. (Assinado digitalmente) JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar, Marcio Henrique Sales Parada e Theodoro Vicente Agostinho (Suplente Convocado) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 12 7. 72 00 61 /2 01 5- 05 Fl. 44DF CARF MF 2 Relatório O contribuinte acima identificado foi notificado (fls. 5/8) de glosas na sua declaração de ajuste anual do Imposto de Renda do exercício 2013, anocalendário 2012. A declaração alterada (fls. 10/14) tinha como resultado do ajuste a inexistência de saldo a pagar ou a restituir, com a opção pelo modelo simplificado. A alteração acarretou o lançamento de imposto suplementar, no valor de R$ 10.307.957,99. Foi incluído o rendimento considerado omitido no valor de R$ 37.806.381,00 proveniente do Tribunal de Contas dos Municípios do Estado de Goiás, CNPJ 02.600.963/000151, com IR Fonte de R$ 75.719,19, decorrentes das diferenças entre os valores declarados (zero de rendimentos e imposto retido) e os constantes da Dirf da fonte pagadora. O contribuinte apresentou Impugnação (fls. 2) alegando que o valor contestado não foi recebido. Para comprovar o alegado, juntou o comprovante de rendimentos emitido pela fonte pagadora (fls. 3), onde consta a informação do total de rendimentos recebidos pelo contribuinte no montante de R$ 378.063,81. Ao admitir ter recebido o valor de R$ 378.063,81 (que conta do comprovante de rendimentos), a DRF Goiânia calculou o imposto suplementar sobre a parte acatada pelo contribuinte (R$ 15.170,76) e transferiu a cobrança para o processo nº 13127.720063/201596. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Recife (PE) deu provimento à impugnação em decisão cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 INCLUSÃO DE RENDIMENTOS COM BASE NA DIRF. ERRO DE PREENCHIMENTO DO APLICATIVO DE LANÇAMENTO. Cancelase o lançamento baseado em informações de Dirf, quando ocorre erro de preenchimento no aplicativo do lançamento. Como o crédito exonerado supera o limite de R$ 1.000.000,00 foi apresentado recurso de ofício, nos termos do art. 34, I, do Decreto nº 70.235/72. É o relatório Fl. 45DF CARF MF Processo nº 13127.720061/201505 Acórdão n.º 2202003.718 S2C2T2 Fl. 41 3 Voto Conselheira Relatora JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO Trata o presente processo de evidente erro formal, conforme reconhecido pela DRJ: As alterações promovidas pela fiscalização na declaração do contribuinte consistiram na inclusão do rendimento e do respectivo imposto retido na fonte, informações estas obtidas na Dirf da fonte pagadora Tribunal de Contas dos Municípios. Os valores da Dirf coincidem com os do comprovante de rendimentos. Como o valor do IR Fonte inserido pela fiscalização está correto, podese inferir que houve um erro de digitação na inclusão do valor do rendimento, por ocasião do uso do aplicativo de lançamento por parte do auditor. Provavelmente o responsável pelo procedimento confundiu ponto com vírgula e acrescentou dois zeros ao número, passando de R$ 378.036,81 para R$ 37.803.681,00. Isto acarretou o imposto suplementar de R$ 10.307.957,99. O contribuinte admitiu a omissão do rendimento constante do informe de sua fonte pagadora. O imposto suplementar decorrente desta omissão (R$ 15.170,76) já foi transferido para outro processo com vistas à cobrança imediata. Assim, resta cancelar a cobrança do imposto remanescente neste processo, o qual decorreu do erro apontado no item anterior. Em face do exposto, nego provimento ao Recurso de Ofício. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Fl. 46DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10711.723041/2012-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 25/05/2009
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO.
É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitar-se à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do Decreto Lei nº 37/66.
MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE A CARGA. APLICAÇÃO POR MANIFESTO DE CARGA. IMPOSSIBILIDADE. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE.
A multa regulamentar sancionadora da infração por omissão ou atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por empresa de transporte internacional de carga deve ser aplicada uma única vez por viagem do veículo transportador e não por cada manifesto de carga da mesma viagem. Contudo, se não estiverem presentes nos autos informações suficientes que comprovem a penalização por cada manifesto de carga, não há como cancelar o lançamento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-002.525
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi De Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 25/05/2009 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitar-se à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do Decreto Lei nº 37/66. MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE A CARGA. APLICAÇÃO POR MANIFESTO DE CARGA. IMPOSSIBILIDADE. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. A multa regulamentar sancionadora da infração por omissão ou atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por empresa de transporte internacional de carga deve ser aplicada uma única vez por viagem do veículo transportador e não por cada manifesto de carga da mesma viagem. Contudo, se não estiverem presentes nos autos informações suficientes que comprovem a penalização por cada manifesto de carga, não há como cancelar o lançamento. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi De Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario.
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MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA Recorrente CEVA FREIGHT MANAGEMENT DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 25/05/2009 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitarse à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do Decreto Lei nº 37/66. MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE A CARGA. APLICAÇÃO POR MANIFESTO DE CARGA. IMPOSSIBILIDADE. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. A multa regulamentar sancionadora da infração por omissão ou atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por empresa de transporte internacional de carga deve ser aplicada uma única vez por viagem do veículo transportador e não por cada manifesto de carga da mesma viagem. Contudo, se não estiverem presentes nos autos informações suficientes que comprovem a penalização por cada manifesto de carga, não há como cancelar o lançamento. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 72 30 41 /2 01 2- 57 Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10711.723041/201257 Acórdão n.º 3201002.525 S3C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi De Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario. Relatório Tratase de processo referente à exigência de multa pelo descumprimento da obrigação de prestar informação sobre veículo, operação realizada ou carga transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. A irregularidade identificada consta do tópico "Dos Fatos", parte da Descrição dos Fatos do Auto de Infração. Segundo o relatado, consistiu na prestação intempestiva de informação referente ao conhecimento eletrônico (CE) ali indicado, o que acarretou no bloqueio automático do conhecimento no sistema Carga, conforme extrato anexado aos autos. Diante dos fatos apurados, a fiscalização entendeu configurada a infração tipificada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003, e aplicou a multa ali cominada. Não conformada com a exigência, a contribuinte apresentou Impugnação, cujo principal argumento de defesa foi assim sintetizado pela DRJ: Bis in Idem. A impugnante foi penalizada mais de uma vez pela mesma conduta, uma vez que foram cobradas multas pelo atraso na entrega de informações referentes a cargas transportadas no mesmo navio/viagem, conforme processos administrativos indicados, não podendo subsistir mais de uma penalidade para o mesmo fato, conforme estabelece a legislação de regência. Assim, se infração houve, nesses casos só poderia ser aplicada multa uma única vez, consoante já decidiu a própria Receita Federal na Solução de Consulta Interna (SCI) nº 8, de 14/2/2008. Ao final a impugnante requer que seja cancelado o lançamento ou, subsidiariamente, que seja aplicado o entendimento de que só é cabível uma multa em relação a cada navio/viagem, excluindose as penalidades excedentes. A DRJ/Fortaleza julgou improcedente a impugnação apresentada, mantendo a exigência da penalidade nos termos do Acórdão 08033.095. No recurso voluntário foram repisadas as alegações trazidas na impugnação. É o relatório. Voto Winderley Morais Pereira, Relator. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10711.723041/201257 Acórdão n.º 3201002.525 S3C2T1 Fl. 4 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.523, de 21 de fevereiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10711.724209/201241, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão, (Acórdão 3201002.523): "Conforme o Direito Tributário, a legislação, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme portaria de condução e Regimento Interno deste Conselho, apresento e relato o seguinte voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e considerando o tempestivo Recurso Voluntário, dele conheço. A alegação da fiscalização de 'Não Prestação de Informação sobre Carga Transportada' e a consequente aplicação de multa de R$ 5.000,00 prevista no Art. 107 do DL 37/66, em razão do descumprimento do prazo previsto na IN RFB 800/2007, Art. 22, ocorreu em razão da fiscalização ter constatado que o contribuinte era consignatário e deveria ter cumprido o prazo em no máximo até 29/07/09 às 07:58, sendo que desconsolidou o mercante agregado HBL de fls. 23 e 24 às 18:00 do mesmo dia 29. Conforme alegação de bis in idem do contribuinte em seu Recurso Voluntário, a autuação seria atrelada a dois outros autos de infração, Processos Administrativos de n°. 10711.724.250/201218 e 10711.724.251/201262, com os mesmos fatos e penalidade. Vencido no voto de diligência, para que fossem juntadas aos autos cópias dos mencionados processos e fosse verificada a possibilidade da duplicidade da pena, conforme Resolução por mim proposta na sessão de Janeiro deste ano, é certo que devo proceder à análise do mérito desta lide. Em que pese existir precedente favorável à situação do contribuinte, como o encontrado no Acórdão 3102001.988 deste Conselho, que determinou que a multa regulamentar sancionadora da infração por omissão ou atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por empresa de transporte internacional de carga deve ser aplicada uma única vez por viagem do veículo transportador e não por cada manifesto de carga da mesma viagem, como fora consignado na autuação, não houve comprovação da existência de duplicidade ou do bis in idem, tampouco argumentos capazes de prejudicar o lançamento fiscal ou contradizer os argumentos utilizados pela turma de origem que afirmou 'que as multas aplicadas foram decorrentes de condutas similares, porém, relativas a fatos distintos'. Mas cópias dos Autos de Infração, um demonstrativo analítico, com os registros relativos às operações tratadas em cada processo apontado no recurso, não foram juntados pelo contribuinte. Esta situação (não juntada de documentos ou provas) diverge do previsto no Art. 16, inciso III e §4º, do inciso V , do Decreto nº 70.235/72, bem como do artigo 373, inciso II, do Código de Processo Civil. Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10711.723041/201257 Acórdão n.º 3201002.525 S3C2T1 Fl. 5 4 Nestes termos, considerando que a Recorrente deixou de comprovar suas alegações, não há como acolher o pedido de nulidade do lançamento suscitado pela contribuinte. Restam prejudicados os demais argumentos do contribuinte, pois todos são decorrentes da alegação de bis in idem, exceto pela alegação de aplicação do princípio da razoabilidade, o que certamente teria valia porque é um princípio constitucional, contudo, está correta a fundamentação legal do lançamento, vigente e aplicável aos fatos narrados. O lançamento capitulou corretamente a multa regulamentar pela não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, prevista no artigo 107, inciso IV, alínea "e", do Decreto Lei º 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833/2003, pelo fato da Recorrente ter prestado informações sobre a desconsolidação da carga fora do preceitos e prazos previstos nos artigo 22 e 50, da Instrução Normativa SRF nº 800/2007. Assim, deve ser aplicada a multa prevista pela letra “e” do inciso IV, art. 107 do Decreto nº 37, isso é, no montante de R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Diante do exposto, votase por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para manter o lançamento em uma só multa no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais)." Quanto à questão do bis in idem, da mesma forma que no caso do paradigma a contribuinte não juntou ao presente processo "cópias dos Autos de Infração, um demonstrativo analítico, com os registros relativos às operações tratadas em cada processo apontado no recurso". Não comprovada a ocorrência de duplicidade da exigência, não há como acolher o pleito de nulidade do presente lançamento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Fl. 118DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13864.000363/2009-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Reconhece-se a higidez da base de cálculo apurada obtida através da escrituração contábil da própria empresa, não havendo que se falar em nulidade do lançamento.
COMPETÊNCIA DO AUDITOR-FISCAL PARA VERIFICAÇÃO DA CONTABILIDADE. MATÉRIA SUMULADA.
Súmula CARF nº 8: O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador.
PRINCÍPIO DA AUTONOMIA DOS ESTABELECIMENTOS. ART. 127, II, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. INAPLICABILIDADE AO CASO CONCRETO.
Mostra-se correto o procedimento fiscal de lançamento no estabelecimento matriz quando a empresa deixa de apresentar documentos impossibilitando a determinação exata do fato gerador em cada estabelecimento.
ASSISTÊNCIA MÉDICA. NECESSIDADE DE EXTENSÃO À TOTALIDADE DOS EMPREGADOS E DIRIGENTES. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO.
O pagamento de assistência médica, em desacordo com a norma legal, integra a base de cálculo do salário-de-contribuição para fins de contribuição previdenciária, sendo expressamente exigido que a empresa disponibilize a participação no plano à totalidade dos seus segurados empregados e dirigentes para que deixe de incidir contribuição previdenciária sobre valores pagos a esse título.
Numero da decisão: 2301-004.947
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por conhecer do recurso voluntário, para acolher apenas, e parcialmente, a preliminar de vinculação processual para determinar a apensação do processo nº 13864.000363/2009-73 ao processo nº 13864.000362/2009-29, rejeitando as demais preliminares, e, no mérito, negar provimento ao Recurso interposto.
(assinado digitalmente)
Andrea Brose Adolfo - Presidente em exercício e Relatora.
EDITADO EM: 17/03/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, Andrea Brose Adolfo (Presidente em exercício e Relatora), Fábio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Julio Cesar Vieira Gomes e Maria Anselma Coscrato dos Santos (suplente convocada).
Nome do relator: ANDREA BROSE ADOLFO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Reconhece-se a higidez da base de cálculo apurada obtida através da escrituração contábil da própria empresa, não havendo que se falar em nulidade do lançamento. COMPETÊNCIA DO AUDITOR-FISCAL PARA VERIFICAÇÃO DA CONTABILIDADE. MATÉRIA SUMULADA. Súmula CARF nº 8: O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. PRINCÍPIO DA AUTONOMIA DOS ESTABELECIMENTOS. ART. 127, II, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. INAPLICABILIDADE AO CASO CONCRETO. Mostra-se correto o procedimento fiscal de lançamento no estabelecimento matriz quando a empresa deixa de apresentar documentos impossibilitando a determinação exata do fato gerador em cada estabelecimento. ASSISTÊNCIA MÉDICA. NECESSIDADE DE EXTENSÃO À TOTALIDADE DOS EMPREGADOS E DIRIGENTES. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. O pagamento de assistência médica, em desacordo com a norma legal, integra a base de cálculo do salário-de-contribuição para fins de contribuição previdenciária, sendo expressamente exigido que a empresa disponibilize a participação no plano à totalidade dos seus segurados empregados e dirigentes para que deixe de incidir contribuição previdenciária sobre valores pagos a esse título.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por conhecer do recurso voluntário, para acolher apenas, e parcialmente, a preliminar de vinculação processual para determinar a apensação do processo nº 13864.000363/2009-73 ao processo nº 13864.000362/2009-29, rejeitando as demais preliminares, e, no mérito, negar provimento ao Recurso interposto. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo - Presidente em exercício e Relatora. EDITADO EM: 17/03/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, Andrea Brose Adolfo (Presidente em exercício e Relatora), Fábio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Julio Cesar Vieira Gomes e Maria Anselma Coscrato dos Santos (suplente convocada).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Reconhecese a higidez da base de cálculo apurada obtida através da escrituração contábil da própria empresa, não havendo que se falar em nulidade do lançamento. COMPETÊNCIA DO AUDITORFISCAL PARA VERIFICAÇÃO DA CONTABILIDADE. MATÉRIA SUMULADA. Súmula CARF nº 8: O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. PRINCÍPIO DA AUTONOMIA DOS ESTABELECIMENTOS. ART. 127, II, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. INAPLICABILIDADE AO CASO CONCRETO. Mostrase correto o procedimento fiscal de lançamento no estabelecimento matriz quando a empresa deixa de apresentar documentos impossibilitando a determinação exata do fato gerador em cada estabelecimento. ASSISTÊNCIA MÉDICA. NECESSIDADE DE EXTENSÃO À TOTALIDADE DOS EMPREGADOS E DIRIGENTES. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. O pagamento de assistência médica, em desacordo com a norma legal, integra a base de cálculo do saláriodecontribuição para fins de contribuição previdenciária, sendo expressamente exigido que a empresa disponibilize a participação no plano à totalidade dos seus segurados empregados e dirigentes para que deixe de incidir contribuição previdenciária sobre valores pagos a esse título. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 00 03 63 /2 00 9- 73 Fl. 236DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por conhecer do recurso voluntário, para acolher apenas, e parcialmente, a preliminar de vinculação processual para determinar a apensação do processo nº 13864.000363/200973 ao processo nº 13864.000362/200929, rejeitando as demais preliminares, e, no mérito, negar provimento ao Recurso interposto. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Presidente em exercício e Relatora. EDITADO EM: 17/03/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, Andrea Brose Adolfo (Presidente em exercício e Relatora), Fábio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Julio Cesar Vieira Gomes e Maria Anselma Coscrato dos Santos (suplente convocada). Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal DEBCAD nº 37.180.8448, lavrado pela fiscalização contra a empresa em epígrafe, no montante R$ 151.813,97 (cento e cinquenta e um mil, oitocentos e treze reais e noventa e sete centavos).consolidado em 29/09/2009, relativo às contribuições previdenciárias devidas pelos segurados empregados, incidentes sobre as remunerações relativas à assistência médica e odontológica, no período de 01/2005 a 12/2005, não declaradas nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP. De acordo com o Relatório Fiscal (efls. 11/18) os fatos geradores foram agrupados no Levantamento AM2 Assistência Médico Odontológica, decorrente de verificação nos registros contábeis o pagamento de assistência médica/odontológica a apenas parte dos segurados da empresa, contrariando o disposto no art. 28, §9º, 'q' da Lei nº 8.212/1991. Conforme informação da empresa "a assistência medica é conferida a todos os funcionários, dos diferentes; estabelecimentos da empresa, situados no Estado de São Paulo, quais sejam São José dos. Campos e São Caetano do Sul, em virtude da observância da Convenção Coletiva da categoria a que está jungindo, situação esta diversa nos estabelecimentos situados nos Estados do Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, em que as Convenções Coletivas não contemplam tal auxilio aos funcionários." Intimada a apresentar a relação nominal dos beneficiários da assistência médica/odontológica/plano de saúde, discriminando por estabelecimento (CNPJ), competência (mês) e nome do empregado (nome do beneficiário e outros dados identificadores do mesmo), a empresa não atendeu à intimação sob a alegação de que as faturas não individualizam os funcionários eventualmente beneficiados. Fl. 237DF CARF MF Processo nº 13864.000363/200973 Acórdão n.º 2301004.947 S2C3T1 Fl. 237 3 As bases de cálculo das contribuições previdenciárias foram obtidas através dos lançamentos contábeis nas contas de despesas com assistência médica e odontológica e atribuídas ao estabelecimento centralizador (matriz), uma vez que a empresa não forneceu as informações que permitissem a vinculação a cada um dos estabelecimentos envolvidos, estando discriminados na Planilha 2 (anexa ao AI). Também em decorrência da falta de informação por parte da empresa, foi necessário determinar as contribuições dos segurados empregados por meio de aferição indireta, mediante a aplicação da alíquota mínima de 8% . A contabilidade foi fornecida à fiscalização em meio digital no padrão MANAD Manual de Arquivos Digitais, conforme solicitação fiscal. Foram considerados apenas os valores despendidos pela própria empresa, excluindose os valores lançados como participação (desconto) dos segurados empregados A multa aplicada foi de 75%, nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212/1991, com redação dada pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, por mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, c, CTN) comparada às multas previdenciárias vigentes na época da ocorrência dos fatos geradores. Tal comparativo encontrase na Planilha 1 anexa ao AI. Cientificada em 15/10/2009, a autuada apresentou impugnação de efls. 109/130, com juntada de documentos de efls. 131/145, onde traz as alegações à seguir sintetizadas, nos termos do relatório do acórdão atacado: as normas sindicais dos Estados do Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul não dispõem sobre a assistência médica/odontológica; houve erro material na apuração da base de cálculo, como se verifica do cotejo das folhas de pagamento com a Planilha 2, parte integrante do Auto de Infração; deve ser reconhecida a incompetência material do Auditor Fiscal para proceder a análise de escrituração contábil, uma vez que o mesmo não possui vínculo junto ao Conselho de Contabilidade; há conexão do presente com os processos nº 13864.000362/200929 e nº 13864.000364/200918, razão pela qual devem ser julgados em conjunto; o legislador complementar, ao tratar das situações jurídicas tributárias afetas aos diferentes estabelecimentos, colacionou, no inciso II, do artigo 127 do Código Tributário Nacional, expressa autonomia e independência jurídica, sobretudo nas situações capazes de ensejar o nascimento de obrigação tributária; o inciso IV do § 2º do art. 458 da CLT afastou, expressamente, qualquer tentativa de configurar assistência médica/odontológica como resquício de salário in natura; e as decisões dos Tribunais têm sido nesse sentido, ou seja, que a assistência médica/odontológica possui natureza indenizatória. Fl. 238DF CARF MF 4 A 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas DRJ/CPS, em sessão de 21/10/2011, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, nos termos do Acórdão nº 0535.526, assim redigido: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 ASSISTÊNCIA MÉDICA. NECESSIDADE DE EXTENSÃO À TOTALIDADE DOS EMPREGADOS E DIRIGENTES. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. O pagamento de assistência médica, em desacordo com a norma legal, integra a base de cálculo do saláriodecontribuição para fins de contribuição previdenciária, sendo expressamente exigido que a empresa disponibilize a participação no plano à totalidade dos seus segurados empregados e dirigentes para que deixe de incidir contribuição previdenciária sobre valores pagos a esse título. FISCALIZAÇÃO. AUDITORFISCAL. COMPETÊNCIA. HABILITAÇÃO EM CONTABILIDADE. EXIGÊNCIA INCABÍVEL. A competência do AuditorFiscal para o exame da contabilidade da empresa é decorrente da lei, a qual não exige habilitação para tanto. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada da decisão em 10/11/2011 (efls. 163), apresentou Recurso Voluntário em 09/12/2011 (efls. 168/190), repisando as alegações da impugnação. Em 23/01/2013, os membros da 3ª Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento resolveram converter o julgamento em diligência, nos termos da Resolução nº 2803000.155 (efls. 194/196), para que autoridade lançadora manifestese sobre o confronto informação a informação que fundamentou o lançamento com a documentação e diferenças das bases de cálculo apuradas e apontadas pela Recorrente. Em 07/01/2016 a autoridade autuante anexou Informação Fiscal de efls. 200/206 (e anexos efls. 207/218), na qual ratifica as bases de cálculo utilizada no Auto de Infração, concluindo que "5.2. Ficou demonstrado que a determinação das bases de cálculo feita pelo AuditorFiscal possui plena correção e materialidade, pois são fiéis aos lançamentos contábeis apresentados (item 3, e seus subitens, da presente IF)." 3. Do Método de apuração das bases de cálculo pelo Auditor Fiscal, quando da ação fiscal. Uma vez que se trata de remuneração indireta, em forma de utilidades custeadas pelo contribuinte, o modo de estabelecer seu valor monetário é determinar o valor de custo para o contribuinte. Tal determinação foi obtida pela maneira tecnicamente correta e legalmente prevista: por meio da verificação das contas de despesas do contribuinte; de modo a constatarse o quanto foi reconhecido, em sua contabilidade, como despesa com a assistência médica/odontológica, fornecida aos seus empregados. Fl. 239DF CARF MF Processo nº 13864.000363/200973 Acórdão n.º 2301004.947 S2C3T1 Fl. 238 5 3.1. As bases de cálculo apuradas foram explicitadas, nos autos de infração, por meio de planilha contendo lançamentos contábeis em contas relacionadas às despesas do contribuinte com o fornecimento de assistência médico/odontológica aos segurados empregados. Para facilitar a localização e a referência aos dados contidos nessa planilha de bases de cálculo, repetimos a mesma nesta IF, sob a denominação de Planilha 1 Determinação das bases de cálculo (anexa), contendo três páginas. 3.1.1. Os lançamentos contábeis foram obtidos por meio de arquivos digitais, fornecidos pelo contribuinte, contendo os lançamentos feitos em seus livrosdiário. Para maiores detalhes remetese, uma vez mais, aos Relatórios Fiscais dos autos de infração, presentes nos citados processos. 3.1.2. As contas, relacionadas às despesas com o fornecimento de assistência médico/odontológica aos segurados empregados, localizadas, foram: Cód Conta Descrição da Conta 410202001 Convenio Médico Odont. Oper 410202036 Assit. Médica Particular Custo Oper 420203074 Convênio Médico Odont. Adm 3.1.3. Para que se possa evidenciar, ainda mais, a correção e materialidade das bases de cálculo apuradas, presentes na Planilha 1, são anexadas planilhas com o razão das contas referidas no item anterior (3.1.2), extraídos a partir dos arquivos digitais fornecidos pelo contribuinte, contendo os lançamentos contábeis feitos em seus livrosdiário. Tais planilhas foram denominadas: Planilha 2 (2 páginas); Planilha 3 (1 página) e Planilha 4 (1 página). 3.1.4. Conforme se pode constatar dos históricos dos lançamentos presentes nas planilhas citadas (3.1.3), os valores à débito, das referidas contas, correspondem aos pagamentos feitos pela empresa aos planos/fornecedores de assistência médico/odontológica. Por outro lado, os valores contábeis à crédito, das referidas contas, corresponderiam a descontos, na remuneração dos empregados, das participações dos mesmos, no custeio de parte da assistência médico/odontológica fornecida pela empresa/contribuinte. Assim, os saldos das contas (débitos menos créditos) correspondem aos valores de despesas efetivamente arcados pela empresa; com o custeio da assistência médico/odontológica, fornecida a seus empregados; ou seja, descontada a participação própria do empregado. (grifos no original) A recorrente apresentou nova manifestação (efls. 227/232) alegando que "o agente fiscal limitarase a ratificar o trabalho realizado ao longo do procedimento fiscalizatório, todavia, as incongruência apresentadas pelo contribuinte e, como inclusive fora observada pelo Ilustre Relator Sr. Antonio Flávio Silveira Morato, às fls. 6.666 dos autos, no Fl. 240DF CARF MF 6 que se refere a confirmação quanto a existência de divergência entre os valores lançados pela fiscalização e as folhas de pagamentos, evidencia a existência de erro incorrido na apuração da base de cálculo jungida ao lançamento (...) resulta na hialina nulidade do levantamento fiscal". É o relatório. Voto Conselheira Andrea Brose Adolfo Relatora Admissibilidade Verificados os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto e passo à sua análise. Preliminares Nulidade da autuação. Erro na apuração da base de cálculo. Vício material. A recorrente pugna, em preliminar, pela nulidade do levantamento fiscal, em decorrência de erro material na determinação da base de cálculo das contribuições previdenciárias apurada pela fiscalização, uma vez que não teriam sido computados todos os valores descontados dos segurados referente a assistência médica/odontológica conforme folhas de pagamento. Sustenta que tal erro ficaria evidente no cotejo entre os valores lançados e os valores constantes das folhas de pagamento. Baixados os autos em diligência para manifestação do Auditorfiscal autuante, especialmente em razão da expressiva quantidade de documentos acostados junto com a impugnação, este manifestouse pela correção das bases de cálculo lançadas concluindo que : 5.1. As diferenças entre os valores de bases de cálculos apuradas pelo AuditorFiscal, quando da ação fiscal, e os apresentados pelo contribuinte, em sua impugnação, se devem exclusivamente aos valores considerados das participações dos empregados no custeio de parte da assistência médico/odontológica fornecida (item 4, e seus subitens, da presente IF). O AuditorFiscal apurouas com base em lançamentos contábeis. O impugnante com base na folha de pagamentos. 5.1.1. O contribuinte, na impugnação, apresentou os seus cálculos, alegando tomar por base as folhas de pagamentos. Entretanto, não explicitou que rubricas considerou para chegar aos valores consolidados que apresenta em sua impugnação. Face a essa omissão do contribuinte, foi necessário, para atender às determinações do Carf, que o AuditorFiscal, em um trabalho de "engenharia reversa", determinasse um conjunto de rubricas que permitisse chegar aos mesmos resultados que o contribuinte, quanto aos valores considerados das participações Fl. 241DF CARF MF Processo nº 13864.000363/200973 Acórdão n.º 2301004.947 S2C3T1 Fl. 239 7 dos empregados no custeio de parte da assistência médico/odontológica fornecida. Então, nesses termos, podese afirmar que estes valores apresentados pelo contribuinte possuem materialidade no estrito sentido de que corresponderiam às folhas de pagamentos acostadas na impugnação (exceto pela divergência na competência 10/2005, citada no item 4.2.3.3, da presente IF). Entretanto, os mesmos carecem de correção, pois estão, conforme demonstrado, em desconformidade com os lançamentos contábeis. 5.2. Ficou demonstrado que a determinação das bases de cálculo feita pelo AuditorFiscal possui plena correção e materialidade, pois são fiéis aos lançamentos contábeis apresentados (item 3, e seus subitens, da presente IF). 5.2.1. Considerandose o Capítulo IV Da Escrituração, do Código Civil, artigos de 1.179 a 1.195, em especial os artigos: "Art. 1.177. Os assentos lançados nos livros ou fichas do preponente, por qualquer dos prepostos encarregados de sua escrituração, produzem, salvo se houver procedido de máfé, os mesmos efeitos como se o fossem por aquele. Parágrafo único. No exercício de suas funções, os prepostos são pessoalmente responsáveis, perante os preponentes, pelos atos culposos; e, perante terceiros, solidariamente com o preponente, pelos atos dolosos.", e "Art. 1.184. No Diário serão lançadas, com individuação, clareza e caracterização do documento respectivo, dia a dia, por escrita direta ou reprodução, todas as operações relativas ao exercício da empresa." e, também, o Art. 33 da Lei 8.212/91; fica evidente que, havendo conflito de informações entre a escrituração contábil e outras fontes, prevalecerá a escrituração contábil. De forma alguma poderia o AuditorFiscal desprezar as informações dos lançamentos contábeis, que são o objeto, por excelência, da atividade de auditoria. 5.2.2. Transcrevese a manifestação da DRJ/CPS (Acórdão 05 35.542 9a. Turma da DRJ/CPS Fl. 6663, do processo 13864.000362/200929), nos processos sob comento, que, entendese, muito bem abordou e esclareceu de forma taxativa a questão: "Nos termos do art. 1.177 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil), a escrituração contábil, quando formalmente elaborada, observandose os princípios contábeis e requisitos essenciais de registro, tem valor probante para todos os efeitos judiciais e extrajudiciais. Com efeito, ainda que as folhas de pagamento juntadas apresentem valores diversos aos tomados pela fiscalização, isto é, diferentes dos constantes em sua escrituração contábil, como pretende fazer crer a Autuada, temos que somente a comprovação de que promoveu a devida e necessária retificação do lançamento contábil é que permitiria Fl. 242DF CARF MF 8 modificar o lançamento, uma vez que os valores utilizados pela fiscalização foram extraídos dos registros contábeis do sujeito passivo. Entretanto, nada comprovou nesse sentido, ou seja, que promoveu retificação e/ou estorno dos lançamentos (registros) contábeis correspondentes, conforme exige a Resolução nº 596, de 14061985 (vigente à época), do Conselho Federal de Contabilidade.". 5.3. Em síntese, nos termos do que consta na presente IF, refutadas as alegações do contribuinte, restou demonstrada a integral correção e materialidade das bases de cálculo apuradas quando da ação fiscal. Notase que o lançamento foi efetuado com base nos livros contábeis apresentados pela empresa e que, apesar de o auditorfiscal ter conseguido verificar quais as rubricas compunham os valores apresentados pela recorrente, esta não demonstrou a existência dos lançamentos contábeis correspondentes. Ou seja, como bem ressaltado pela autoridade lançadora, a discrepância de valores originase na forma de apuração pela contabilidade regular ou pela folha de salários. Assim, verificada a higidez da base de cálculo apurada, uma vez que a mesma foi obtida com base na própria escrituração contábil da empresa, não há que se falar em nulidade do lançamento. Competência Do AuditorFiscal Para Verificação Da Contabilidade. Matéria Sumulada. A recorrente, apesar de reconhecer que tal matéria já está sumulada por este Conselho, insiste na alegação de nulidade por incompetência material do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil para proceder a análise da escrita contábil por não possuir vínculo junto ao Conselho de Contabilidade. A súmula CARF nº 8 trata do assunto: Súmula CARF nº 8: O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Por força do Regimento Interno do CARF (art. 72, Anexo II da Portaria MF nº 343, de 2015) as súmulas são de observância obrigatória pelos seus membros. Portanto, também não acolho essa preliminar de nulidade. Apensamento dos autos Com relação a esta preliminar, cabe esclarecer que o processo nº 13864.000364/200918 (que trata das contribuições para outras entidades e fundos) já está apenso ao processo nº 13864.000362/200929 (contribuições previdenciárias patronais). Por outro lado, o presente processo (nº 13864.000363/200973 que trata das contribuições previdenciárias dos segurados), não, e tendo em vista que os documentos acostados aos autos do processo nº 13864.000362/200929 servem também para o processo ora analisado, entendo que os mesmos devem ser apensos. Fl. 243DF CARF MF Processo nº 13864.000363/200973 Acórdão n.º 2301004.947 S2C3T1 Fl. 240 9 Assim, acolho a preliminar, para que seja apensado ao processo nº 13864.000362/200929, o processo de nº 13864.000363/200973. Todavia, estando todos os processos pautados para esta mesma sessão de julgamento, em obediência ao Regimento Interno do CARF, em especial o art. 6º, que trata da vinculação processual, não há nenhum prejuízo à recorrente. Mérito Do conceito legal de estabelecimento: intelecção do inciso II do artigo 127 do CTN. A empresa, por força de convenção coletiva de trabalho, "promove o pagamento do auxílio médico/odontológico a totalidade de seus funcionários, inclusive diretores vinculados ao estabelecimento da matriz e de São Caetano do Sul, (...) situação esta que não se repete nos estabelecimentos (filiais) instalados nos Estados do Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro (...)"(efl. 188). Aduz que o art. 127, II do CTN consagra a independência e autonomia dos estabelecimentos, portanto a parte final do art. 28, § 9º, q, da Lei nº 8.212/1991 obrigatoriedade de extensão do benefício à "totalidade de empregados e dirigentes da empresa" deve ser interpretada como totalidade de empregados e dirigentes do estabelecimento. Entendo que não assiste razão à recorrente. A alínea ‘q’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991 dispõe que não integra o saláriodecontribuição. o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa Ocorre que o legislador resolveu instituir hipótese de não incidência da contribuição previdenciária ao valor relativo à assistência médica ou odontológica, condicionandoa à extensão do benefício à totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. Por sua vez, o art. 15 da Lei de Custeio da Seguridade Social conceitua empresa como a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, assim como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional, e a ela equipara: o contribuinte individual em relação a segurado que lhe presta serviço, bem como a cooperativa, a associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, a missão diplomática e a repartição consular de carreira estrangeiras. Importa salientar, ainda, que, por se tratar de regra isentiva, a norma deve ser interpretada literalmente, a teor do disposto no artigo 111, II, da Lei nº 5.172, de 1966, Código Tributário Nacional CTN, sob pena de violação aos princípios da reserva legal e da isonomia. Por seu turno, no presente caso, como registrado no Relatório Fiscal, o lançamento foi efetuado no estabelecimento matriz por falta de apresentação da relação Fl. 244DF CARF MF 10 nominal dos beneficiários da assistência médica/odontológica/plano de saúde, discriminando por estabelecimento (CNPJ), competência (mês) e nome do empregado. Assim, ao deixar de apresentar a relação dos segurados abrangidos pela assistência médica/odontológica, a recorrente impossibilitou a correta identificação da base de cálculo pertencente a cada estabelecimento e também não apresentou os valores correspondentes a cada estabelecimento nas peças recursais. Portanto, sem razão a recorrente. Natureza Jurídica do Auxílio Assistência Médica/Odontológica. Por fim, a recorrente alega que a os valores pagos a título de assistência médica/odontológica/convênio não devem compor a base de cálculo das contribuições previdenciárias por não integrarem o conceito de verba salarial, ao contrário, possuírem natureza indenizatória. Nesta toada, cabe transcrever os ensinamentos do Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, em seu voto proferido no Acórdão nº 2401004.286 (sessão de 13/04/2016): Grassa no seio dos que operam no mètier do Direito do Trabalho a serôdia ideia de que a remuneração do empregado é constituída, tão somente, por verbas representativas de contraprestação de serviços efetivamente prestados pelos empregados. A retidão de tal concepção poderia até ter sua primazia aferida ao tempo da promulgação do DecretoLei nº 5.452/43 (nos idos de 1943), que aprovou a Consolidação das Leis do Trabalho. Hoje, não mais. (...) Registrese, por relevante, que o entendimento a respeito do alcance do termo “remuneração” esposado pelos diplomas jurídicos mais atuais se divorciou de forma substancial daquele conceito antiquado presente na CLT. O baluarte desse novo entendimento tem sua pedra fundamental fincada na própria Constituição Federal, cujo art. 195, I, alínea “a”, estabelece: Constituição Federal de 1988 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (grifos nossos) Do marco primitivo constitucional deflui que a base de incidência das contribuições em realce não é mais o salário, mas, sim, a “folha de salários”, propositadamente no plural, a Fl. 245DF CARF MF Processo nº 13864.000363/200973 Acórdão n.º 2301004.947 S2C3T1 Fl. 241 11 qual é composta, segundo a mais autorizada doutrina, por todos os lançamentos efetuados em favor do trabalhador em contraprestação direta pelo trabalho efetivo prestado à empresa, acrescido dos “demais rendimentos do trabalho, pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício”, parcela esta que abraça todas as demais rubricas devidas ao trabalhador em decorrência do contrato de trabalho, de molde que, toda e qualquer espécie de contraprestação paga pela empresa, a qualquer título, aos segurados obrigatórios do RGPS encontram se abraçadas, em gênero, pelo conceito de Salário de Contribuição. Nessa perspectiva, todo e qualquer lançamento a conta de despesa da empresa representativa de rubrica paga, devida ou creditada a segurado obrigatório do RGPS, que tiver por motivação e origem o trabalho realizado pela pessoa física em favor do Contribuinte, ostentará natureza jurídica remuneratória, e como tal, base de cálculo das contribuições previdenciárias. Na prática, inexiste dificuldade em tal discernimento. Basta hipoteticamente suprimir o trabalho realizado pela pessoa física na consecução do objeto social da sociedade. A importância que deixar de ser vertida a essa pessoa corresponderá, assim, à parcela do trabalho que o obreiro dedicou à empresa. Ao revés, a fração que ainda for devida à pessoa, independentemente do eventual labor físico ou intelectual por ela realizado, representará mera liberalidade do empregador. Como visto, o próprio Legislador Constituinte honrou deixar consignado no Texto Constitucional a real amplitude da base de incidência da contribuição social em destaque: as contribuições previdenciárias incidem não somente a “folha de salários”, como também, sobre os “demais rendimentos do trabalho, pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício”. Tal compreensão caminha em harmonia com as disposições expressas no §11 do artigo 201 da Constituição Federal, que estendeu a abrangência do conceito de salário (Instituto de Direito do Trabalho) para abraçar os ganhos habituais do empregado, recebidos a qualquer título. Constituição Federal de 1988 Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) §11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição Fl. 246DF CARF MF 12 previdenciária e consequente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Assim, a contar da EC n° 20/98, todas as verbas recebidas com habitualidade pelo empregado, qualquer que seja a sua origem e título, passam a integrar, por força de norma constitucional, o conceito jurídico de SALÁRIO (Instituto de Direito do Trabalho) e, nessa condição, passam a compor obrigatoriamente o SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO (Instituto de Direito Previdenciário) do segurado, se sujeitando compulsoriamente à incidência de contribuição previdenciária e repercutindo no benefício previdenciário do empregado. (...) A norma constitucional acima citada não exclui da tributação, de maneira alguma, as rubricas recebidas em espécie de forma eventual. A todo ver, a norma constitucional em questão fez incorporar ao SALÁRIO (instituto de direito do trabalho) todos os ganhos habituais do empregado, a qualquer título. Ocorre, contudo, que o conceito de SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO (instituto de direito previdenciário) é muito mais amplo que o conceito trabalhista mencionado, compreendendo não somente o SALÁRIO (instituto de direito do trabalho), mas, também, os INCENTIVOS SALARIAIS, assim como os BENEFÍCIOS. Assim, as verbas auferidas de forma eventual podem se classificar, conforme o caso, ou como incentivos salariais ou como benefícios. Em ambos os casos, porém, integram o conceito de Salário de Contribuição, nos termos e na abrangência do art. 28 da Lei nº 8.212/91, observadas as excepcionalidades contidas em seu §9º. Leinº8.212,de24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) (...) Notese que o conceito jurídico de Salário de contribuição, base de incidência das contribuições previdenciárias, foi estruturado de molde a abraçar toda e qualquer verba recebida pelo obreiro, a qualquer título, em decorrência não somente dos serviços efetivamente prestados, mas também, no interstício em que o trabalhador estiver à disposição do empregador, nos termos do contrato de trabalho. Fl. 247DF CARF MF Processo nº 13864.000363/200973 Acórdão n.º 2301004.947 S2C3T1 Fl. 242 13 Advirtase que o termo “remunerações” encontrase empregado no caput do transcrito art. 28 em seu sentido amplo, abarcando todos os componentes atomizados que integram a contraprestação da empresa aos segurados obrigatórios que lhe prestam serviços. Em verdade, até mesmo a remuneração referente ao tempo ocioso em que o empregado permanecer à disposição do empregador não escapa da amplitude do conceito de salário de contribuição. Tais conclusões decorrem de esforços hermenêuticos que não ultrapassam a literalidade dos enunciados normativos supratranscritos, eis que o texto legal revelase cristalino ao estabelecer, como base de incidência, o “total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título”. Nesses termos, compreendemse no conceito legal de remuneração os três componentes do gênero, assim especificados pela doutrina: 1 Remuneração Básica – Também denominada “Verbas de natureza Salarial”. Referese à remuneração em dinheiro recebida pelo trabalhador pela venda de sua força de trabalho. Diz respeito ao pagamento fixo que o obreiro aufere de maneira regular, na forma de salário mensal ou na forma de salário por hora. 2 Incentivos Salariais São programas desenhados para recompensar funcionários com bom desempenho. Os incentivos são concedidos sob diversas formas, como bônus, gratificações, prêmios, participação nos resultados a título de recompensa por resultados alcançados, dentre outros. 3 Benefícios Quase sempre denominados como “remuneração indireta”. Muitas empresas, além de ter uma política de tabela de salários, oferecem uma série de benefícios ora em pecúnia, ora na forma de utilidades ou “in natura”, que culminam por representar um ganho patrimonial para o trabalhador, seja pelo valor da utilidade recebida, seja pela despesa que o profissional deixa de desembolsar diretamente. Nesse novel cenário, a regra primária importa na tributação de toda e qualquer verba paga, creditada ou juridicamente devida ao empregado, ressalvadas aquelas que a própria lei excluir do campo de incidência. No caso específico das contribuições previdenciárias, a regra de excepcionalidade encontrase estatuída no parágrafo 9º do citado art. 28 da Lei nº 8.212/91, o qual, dada a sua relevância, transcrevemos em sua integralidade: (...) (grifos no original) Importa salientar, ainda, que, por se tratar de regra isentiva, a norma deve ser interpretada literalmente, a teor do disposto no artigo 111, II, da Lei nº 5.172, de 1966, Código Tributário Nacional CTN, sob pena de violação aos princípios da reserva legal e da isonomia. Fl. 248DF CARF MF 14 Apesar de reconhecer o caráter assistencialista promovido pela recorrente, somente com a extensão do benefício aos empregados e dirigentes das demais filiais poderse ia afastar a incidência das contribuições previdenciárias sobre o auxílio médico/odontológico fornecido pela empresa. Conclusão Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário, para acolher apenas, e parcialmente, a preliminar de vinculação processual para determinar a apensação do processo nº 13864.000363/200973 ao processo nº 13864.000362/200929, rejeitando as demais preliminares, e, no mérito, negar provimento ao Recurso interposto. É como voto. Andrea Brose Adolfo Relatora Fl. 249DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.727231/2014-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2010 a 31/12/2012
CERCEAMENTO DE DEFESA
Não configura cerceamento de defesa a impossibilidade de dilação do prazo de defesa, em razão do estrito cumprimento das disposições legais que regulam a matéria.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS PRECATÓRIOS. DETERMINAÇÃO JUDICIAL.
A compensação de créditos provenientes de precatórios de que tratam os §§9º e 10º do art. 100 da Constituição Federal se sujeita a atos normativos que tratam especificamente da matéria.
A compensação com base em decisão judicial deve ser limitada aos débitos objeto da sentença ou acórdão transitados em julgado.
Numero da decisão: 2201-003.571
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Assinado digitalmente.
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente.
Assinado digitalmente.
ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ - Relatora.
EDITADO EM: 29/04/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Daniel Melo Mendes Bezerra.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS PRECATÓRIOS. DETERMINAÇÃO JUDICIAL. A compensação de créditos provenientes de precatórios de que tratam os §§9º e 10º do art. 100 da Constituição Federal se sujeita a atos normativos que tratam especificamente da matéria. A compensação com base em decisão judicial deve ser limitada aos débitos objeto da sentença ou acórdão transitados em julgado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente. Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ Relatora. EDITADO EM: 29/04/2017 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 72 31 /2 01 4- 02 Fl. 17931DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Daniel Melo Mendes Bezerra. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Nesta oportunidade, utilizome do relatório produzido em assentada anterior, eis que aborda de maneira elucidativa os fatos objeto dos presentes autos, nos termos seguintes: Tratase de Auto de Infração de Obrigações Principais (AIOP) acostado às fls. 32, lavrado no DEBCAD nº 51.066.8607, consolidado em 25/08/2014, no valor original (sem juros e multa) de R$ 9.460.563,98, relativo ao período de 01/06/2010 a 30/12/2012, contendo a cobrança de contribuições previdenciárias decorrente de glosa de compensações indevidas. A ciência do sujeito passivo deuse em 03/09/2014 mediante recebimento por via postal, conforme Aviso de Recebimento AR constante de fls.304 do processo de lançamento. O presente lançamento é composto pelo levantamento GC – GLOSA DE COMPENSAÇÃO contendo as contribuições informadas em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) e compensadas pelo órgão público nas competências 06/2010 a 12/2012. No Relatório Fiscal de fls.43/53, o auditorfiscal registra todos os fatos apurados, bem como os procedimentos adotados na ação fiscal, contudo, especificamente, sobre o auto de infração em pauta informa que: Foi solicitado ao contribuinte, no TIPF, que apresentasse à fiscalização a memória de cálculo das compensações efetuadas e as guias de recolhimento que originaram os créditos compensados. Sendo que até a presente data o mesmo não apresentou nenhum dos documentos solicitados (Tal fato ensejou a lavratura do AIOA CFL 38). Foi apresentado à fiscalização um processo (2008.81.00.0164829 da Justiça Federal) em que o município questiona a união sobre as diferenças de complementação do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério FUNDEF, retroativamente, a partir de 2003. Na análise do mesmo verificamos que foi dado ao município o direito de compensarse dos valores a ele devidos pela União com os valores constantes dos débitos constantes dos DEBCAD's apresentados pela Receita Federal do Brasil. Portanto não cabia Fl. 17932DF CARF MF Processo nº 10380.727231/201402 Acórdão n.º 2201003.571 S2C2T1 Fl. 3 3 ao município o direito de compensarse de valores declarados em GFIP, pois se assim o fizesse extrapolaria a decisão judicial. Às fls. 222/233 o auditor anexa peças processuais relacionadas ao processo judicial referido. Cientificado da autuação o órgão público oferece a impugnação de fls. 17.893/17.900, onde após transcrever parte do relatório fiscal, pede a nulidade da autuação, em face de ter o seu direito de defesa prejudicado pelo exíguo prazo de 30 dias para analisar o procedimento da fiscalização que dispôs de vários meses para concluir um vasto processo de lançamento. Reclama da dificuldade de entender o lançamento, pois no anexo identificado como Fundamentos Legais do Débito FLD, a fiscalização relaciona uma infinidade de atos legais justificativos do lançamento, sem especificações claras. Assevera que o princípio da "ampla defesa e o contraditório estão sendo vilipendiados nos presentes autos pelo claríssimo motivo de que para produzir defesa técnica é necessário antes de qualquer coisa, entender a metodologia da auditoria, fazer as conferências de bases levantadas, analisar se as informações foram todas devidamente anotadas, colher documentos, averiguar as mais de 300 folhas que compreendem a totalidade do procedimento de fiscalização em que os presentes autos estão incluídos, de forma ser humanamente impossível o cumprimento de tal tarefa quando se tem concomitantemente outras a serem executadas". O órgão público explica que a compensação realizada teve origem no reconhecimento judicial, conforme processo nº 2008.81.00.0164829 da 2a Vara da Justiça Federal no Ceará, que lhe concedeu o direito de receber da União, valores referentes a diferenças de complementação do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério FUNDEF, retroativamente, a partir de 2003. Aduz que lhe foi dada a opção de se compensar com os débitos previdenciários do município junto à Receita Federal do Brasil, inclusive os débitos já devidamente lançados e/ou em parcelamento. Na decisão não especificava que os débitos a serem compensados, seriam somente aqueles constituídos de ofício. Como o valor dos débitos constituídos foi menor que o crédito oriundo da ação judicial, o município efetuou compensações com os débitos declarados em GFIP, pois os entendeu como débitos declarados, ainda que não constituídos em processo de lançamento. Conclui sua impugnação formulando os seguintes pedidos: Tornar insubsistente o Auto de Infração n° 51.066.8607, por absoluta falta de fundamentação, de vez que inexistiu o detalhamento devido e necessário no relatório fiscal, com prejuízo ao oferecimento da defesa; Fl. 17933DF CARF MF 4 reconhecer a nulidade, por total incompatibilidade entre o descrito como fato gerador, pelo auditor, e o estabelecido pelas normas legais; realizar, no decorrer do processo todas as demais provas possíveis e permitidas em direito, inclusive juntadas de documentos novos e perícia. É o Relatório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora MG julgou improcedente a impugnação, restando mantida a notificação de lançamento, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2010 a 30/12/2012 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DESCRIÇÃO DOS FATOS E FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. Restando evidenciado, que a descrição dos fatos e enquadramento legal encontramse suficientemente claros para propiciar o entendimento das infrações imputadas, descabe acolher alegação de nulidade do auto de infração. PEDIDO DE PRODUÇÃO POSTERIOR DE PROVAS Indeferese o pedido de produção extemporânea de provas, quando não são atendidas as exigências contidas na norma de regência do contencioso administrativo fiscal vigente à época da Impugnação. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS PRECATÓRIOS. A compensação de créditos provenientes de precatórios de que tratam os §§9º e 10º do art. 100 da Constituição Federal se sujeita a atos normativos que tratam especificamente da matéria. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foi interposto recurso voluntário, no qual a contribuinte sustentou, em síntese, que: a) houve cerceamento de defesa e consequente nulidade absoluta de todos os atos do processo, considerando o prazo exíguo de 30 dias para apresentação de impugnação; b) houve "levantamento forçoso", o que atenta contra os princípios que norteiam o Estado Democrático de Direito; c) o município obteve judicialmente, conforme o processo n.º 2008.81.00.164829 da 2ª Vara da Justiça Federal no Ceará, o Fl. 17934DF CARF MF Processo nº 10380.727231/201402 Acórdão n.º 2201003.571 S2C2T1 Fl. 4 5 direito de receber da União, valores referentes a diferenças de complementação do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério FUNDEF, retroativamente, a partir de 2003; d) foi dada a opção de compensar as referidas diferenças com os débitos previdenciários do município, inclusive os débitos já devidamente lançados e/ou em parcelamento, sendo que a decisão não especificou que os débitos a serem compensados seriam somente aqueles constituídos de ofício e, como o valor dos débitos constituídos foi menor que o crédito oriundo da ação fiscal, o município efetuou compensações com os débitos declarados em GFIP, porém não pagos, mas que eram débitos; e) o auditor deu interpretação pessoal à decisão judicial e entendeu que os débitos, embora declarados, ainda não estavam constituídos e, portanto, não poderiam ser objeto de compensação, sendo o lançamento despropositado. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade. 1. Da preliminar de cerceamento do direito de defesa Aduz o contribuinte que o lançamento deve ser anulado devido ao exíguo prazo concedido para a apresentação do recurso (30 dias), o que teria impossibilitado o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa. Ocorre que a legislação que rege o processo administrativo fiscal prevê expressamente o prazo para interposição de recurso, como determina o art. 33 do Decreto n.º 70.235/72, independentemente do número de decisões lavradas contra o contribuinte: da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Compulsandose os autos verificase que foi apresentada defesa pelo contribuinte enfrentando efetivamente o objeto da autuação fiscal, dentro do prazo legal. Dessa forma, não prosperam as argumentações no sentido de defender a existência de nulidade do processo administrativo por violação ao direito de defesa. Cumpre ainda ressaltar que o lançamento encontrase devidamente fundamentado e motivado, em consonância com o que determina a legislação que rege o processo administrativo fiscal, notadamente o art. 10, do Decreto 70.235/72. Fl. 17935DF CARF MF 6 Portanto, não há que se falar em anulação do lançamento fiscal, no que rejeito a preliminar levantada pelo contribuinte. 2. Do mérito Conforme narrado, o presente lançamento é composto pelo levantamento GC – GLOSA DE COMPENSAÇÃO contendo as contribuições informadas em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) e compensadas pelo órgão público nas competências 06/2010 a 12/2012. A controvérsia em análise trata da possibilidade de compensação de créditos que contém contribuições informadas em GFIP, com base em decisão judicial que determinou a compensação consoante art. 36 da Lei 12.431/2011, nos seguintes termos: PROCESSO N°. 001648216.2008.4.05.8100 CLASSE 206 EXECUÇÃO DE SENTENÇA CONTRA FAZENDA PÚBLICA. AUTOR: MUNICÍPIO DE MARACANAU RÉU: UNIÃO FEDERAL (Juiz Federal Substituto da 2ª Vara, senhor(a) FELINI DE OLIVEIRA WANDERLEY. Fortaleza, 24/08/2011) Cuidase de pedido formulado pelo Município de Maracanaú no sentido de que sejam incluídos na compensação instituída pela EC n° 62/2009 os débitos constantes na notificação 07/2011 (fl. 418), bem como que sejam suspensos os descontos nas parcelas do FPM em decorrência dos referidos débitos e daqueles cuja compensação fora deferida na decisão de fls. 386/390. Segundo argumenta, o Município de Maracanaú vem sofrendo prejuízos em virtude da demora na efetiva compensação, bem como que os saldos dos débitos já sofreram significativas alterações em função dos descontos já efetuados. Juntou documentos (fls. 418/426). Decido. Analisando os autos, verifico que a decisão de fls. 386/390, na parte que deferiu a compensação dos débitos nos moldes instituídos pela EC n° 62/2009, transitou em julgado, tendo em vista que, nas razões do recurso de Agravo de Instrumento interposto pelo Município de Maracanaú, a parte agravante se insurge apenas no tocante ao indeferimento do pedido de destaque dos honorários contratuais. Em acréscimo, o Município de Maracanaú expressamente se manifestou à fl. 393 no sentido de concordar com a compensação em conformidade com o que restou decidido por este Juízo, enquanto que a União manifestouse ciente da referida decisão, informando que nada tinha a requerer (fl. 412). Isso posto, defiro o pedido de f.s. 415/417. Certifique a Secretaria o trânsito em julgado da decisão de fls. 386/390, na parte que deferiu a compensação dos débitos nos moldes instituídos pela EC n° 62/2009. Após, intimese a UNIÃO acerca da atualização de valores a serem compensados (fls. 421/426v), bem como acerca do trânsito em julgado da decisão que autorizou a compensação, a Fl. 17936DF CARF MF Processo nº 10380.727231/201402 Acórdão n.º 2201003.571 S2C2T1 Fl. 5 7 fim de dar cumprimento às disposições do art. 36 da Lei n° 12.431/2011, inclusive no tocante à suspensão dos atos de cobrança dos débitos a serem compensados conforme parágrafo quinto do referido dispositivo legal. Inexistindo óbice, a compensação deverá também abranger os DEBCADS mencionados na notificação 07/2011 (fl. 418), quais sejam: 372558755, 371864267, 372558780, 372558810, 372558836, 370424689, 372558828, 372558763, 370424638, 372558798,372558801 e 372558771. O ente público deverá ainda, no prazo de 30 (trinta) dias, juntar aos autos os dados para preenchimento dos documentos de arrecadação referentes aos débitos compensados (art. 36, § 2°, Lei n° 12.431/2011). O acórdão recorrido assim se manifestou sobre a compensação: Da sentença e dispositivos legais acima transcritos, vêse que a decisão concedeu ao Município de Maracanaú CE o direito à compensação, todavia, condicionada às regras impostas pela Lei 12.431/2011 que, nos termos do seu art. 30 §§1ºa 6º, determina como sujeitos à compensação com créditos provenientes de precatórios da União, os débitos líquidos e certos, inscritos ou não em dívida ativa da União, incluídos os débitos parcelados, precedidos de identificação e indicação da Fazenda Pública, requisitos estes que não se aplicam aos valores indevidamente compensados objeto da presente glosa, haja vista não se enquadrarem nas disposições legais que trata o processo judicial. Diante do exposto, inferese que o Município de Maracanaú, sem observar os termos da sentença, ignorando os trâmites legais estabelecidos no processo judicial, à revelia da Fazenda Pública, sob o argumento de ter ainda crédito com a União, realizou, indevidamente, compensação de contribuições previdenciárias declarada em GFIP . Ao contrário do fundamento sustentado pelo acórdão recorrido, entendo que o débito compensado (declarado em GFIP) possui o caráter descrito no artigo 30 da Lei 12.431/2011 (débitos líquidos e certos), pois as informações prestadas à administração tributária mediante GFIP tem efeito de declaração de dívida, conforme dispõe a Lei n.º 8.212/1991: "Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV – declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do Fl. 17937DF CARF MF 8 FGTS; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (Vide Lei nº 13.097, de 2015) (...)§ 2º A declaração de que trata o inciso IV do caput deste artigo constitui instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, e suas informações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Portanto, reconhecidos os créditos, conforme a decisão judicial, e constituído o débito através de GFIP, tornase possível a compensação. Esse entendimento encontrase em consonância com a pacífica jurisprudência do STJ, conforme se vê do acórdão exarado no bojo do REsp. n.° 1.143.094/SP, cujo julgamento se deu na sistemática dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC): "PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA.ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VERIFICAÇÃO DE DIVERGÊNCIAS ENTRE VALORES DECLARADOS NA GFIP E VALORES RECOLHIDOS (PAGAMENTO A MENOR). TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO (CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA). DESNECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO SUPLETIVO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO CONSTITUÍDO POR ATO DE FORMALIZAÇÃO PRATICADO PELO CONTRIBUINTE (DECLARAÇÃO). RECUSA AO FORNECIMENTO DE CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO (CND) OU DE CERTIDÃO POSITIVA COM EFEITOS DE NEGATIVA (CPEN). POSSIBILIDADE. 1. A entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando a Fazenda Pública de qualquer outra providência conducente à formalização do valor declarado (Precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 2. A Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) foi definida pelo Decreto 2.803/98 (revogado pelo Decreto 3.048/99), consistindo em declaração que compreende os dados da empresa e dos trabalhadores, os fatos geradores de contribuições previdenciárias e valores devidos ao INSS, bem como as remunerações dos trabalhadores e valor a ser recolhido a título de FGTS. As informações prestadas na GFIP servem como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo INSS. 3. Portanto, a GFIP é um dos modos de constituição do créditos devidos à Seguridade Social, consoante se dessume da leitura do artigo 33, § 7º, da Lei 8.212/91 (com a redação dada pela Lei 9.528/97), segundo o qual "o crédito da seguridade social é constituído por meio de notificação de débito, autodeinfração, confissão ou documento declaratório de valores devidos e não recolhidos apresentado pelo contribuinte". Fl. 17938DF CARF MF Processo nº 10380.727231/201402 Acórdão n.º 2201003.571 S2C2T1 Fl. 6 9 4. Deveras, a relação jurídica tributária inaugurase com a ocorrência do fato jurídico tributário, sendo certo que, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a exigibilidade do crédito tributário se perfectibiliza com a mera declaração efetuada pelo contribuinte, não se condicionando a ato prévio de lançamento administrativo, razão pela qual, em caso de não pagamento ou pagamento parcial do tributo declarado, afigura se legítima a recusa de expedição da Certidão Negativa ou Positiva com Efeitos de Negativa (Precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1.123.557/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 25.11.2009). (...)" Assim, por ser considerada confissão de dívida, a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) e, por conseguinte, os débitos nelas declarados, prescindem do lançamento de ofício, haja vista que tais declarações não só informam a existência do débito tributário, como constituem definitivamente os tributos ali declarados. Não obstante tal entendimento, temse que a presente compensação é conseqüência do disposto em decisão judicial, e, não sendo as contribuições declaradas em GFIP objeto da sentença que determinou a compensação de alguns DEBCADS, correta encontrase a glosa. Observase que foi dado ao Município o direito de compensarse dos valores a ele devidos pela União com os valores constantes dos DEBCADs apresentados pela Receita Federal do Brasil, não cabendo ao contribuinte o direito de compensarse de valores declarados em GFIP, o que extrapola a decisão judicial. Diante do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente. Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Fl. 17939DF CARF MF
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Numero do processo: 17460.000743/2007-40
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2000 a 30/06/2004
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.997
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 46 0. 00 07 43 /2 00 7- 40 Fl. 297DF CARF MF Processo nº 17460.000743/200740 Acórdão n.º 9202004.997 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10380.005876/200753. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.792, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.005876/200753, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.792): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 298DF CARF MF Processo nº 17460.000743/200740 Acórdão n.º 9202004.997 CSRFT2 Fl. 0 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 299DF CARF MF Processo nº 17460.000743/200740 Acórdão n.º 9202004.997 CSRFT2 Fl. 0 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 300DF CARF MF Processo nº 17460.000743/200740 Acórdão n.º 9202004.997 CSRFT2 Fl. 0 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 301DF CARF MF Processo nº 17460.000743/200740 Acórdão n.º 9202004.997 CSRFT2 Fl. 0 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 302DF CARF MF Processo nº 17460.000743/200740 Acórdão n.º 9202004.997 CSRFT2 Fl. 0 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 303DF CARF MF Processo nº 17460.000743/200740 Acórdão n.º 9202004.997 CSRFT2 Fl. 0 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 304DF CARF MF Processo nº 17460.000743/200740 Acórdão n.º 9202004.997 CSRFT2 Fl. 0 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 305DF CARF MF Processo nº 17460.000743/200740 Acórdão n.º 9202004.997 CSRFT2 Fl. 0 10 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 306DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10768.005839/2005-39
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano calendário:2002
DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO.
A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF após o prazo fixado na legislação tributária enseja a aplicação de multa independentemente de prévia intimação da Administração Tributária.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano calendário: 2002
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA.
Nos termos da Súmula CARF nº 02, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de
lei tributária.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ENTREGA DE DECLARAÇÕES.
Conforme dispõe a Súmula CARF nº 49, a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
Numero da decisão: 1803-001.031
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: IRF- ação fiscal - outros
Nome do relator: Walter Adolfo Maresch
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MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF após o prazo fixado na legislação tributária enseja a aplicação de multa independentemente de prévia intimação da Administração Tributária. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. Nos termos da Súmula CARF nº 02, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ENTREGA DE DECLARAÇÕES. Conforme dispõe a Súmula CARF nº 49, a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira De Moraes Presidente. (assinado digitalmente) Fl. 73DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 11/10/201 1 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10768.005839/200539 Acórdão n.º 180301.031 S1TE03 Fl. 65 2 Walter Adolfo Maresch Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (Presidente), Sérgio Rodrigues Mendes, Walter Adolfo Maresch, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Meigan Sack Rodrigues e Victor Humberto da Silva Maizman. Relatório RIO SUL LINHAS AÉREAS S/A, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ RIBEIRÃO PRETO (SP), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos. Trata o presente processo de Auto de Infração de fl. 14, por meio do qual foi exigido do interessado o crédito tributário de R$ 362.354,40, referente à multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, relativa ao ano calendário de 2003. 2. O interessado, inconformado, impugnou a autuação, alegando em síntese que a multa imposta revestese de caráter confiscatório, ferindo o principio da capacidade contributiva e da proporcionalidade e razoabilidade.e, finalizando, diz que a denúncia espontânea afasta a responsabilidade por infrações. A DRJ RIO DE JANEIRO/RJ I, através do acórdão 1217.949, de 22 de janeiro de 2008 (fls. 32/34), julgou procedente o lançamento, ementando assim a decisão: ASSUNTO; OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2002 DCTF. Multa por Atraso na Entrega da Declaração. A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF após o prazo fixado na legislação tributária enseja a aplicação de multa. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa nos moldes da legislação que a instituiu. MULTA POR ATRASO. DENUNCIA ESPONTÂNEA devida a multa no caso de entrega da declaração fora do prazo estabelecido ainda que o contribuinte o faça espontaneamente. Ciente da decisão em 14/02/2008, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 35v), apresentou o recurso voluntário em 07/03/2008 fls. 37/43, onde reitera integralmente os argumentos da inicial. É o relatório. Fl. 74DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 11/10/201 1 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10768.005839/200539 Acórdão n.º 180301.031 S1TE03 Fl. 66 3 Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de auto de infração de multa por atraso na entrega de DCTF relativa ao 3º Trimestre de 2002, com vencimento em 14/02/2002 e entrega em 31/01/2003. Alega a recorrente em síntese: a) A insubsistência de multa pelo atraso na entrega de DCTF ante o instituto da denúncia espontânea preconizada no art. 138 do Código Tributário Nacional; b) O caráter confiscatório da multa aplicada considerando o princípio constitucional da não utilização de tributo com caráter de confisco aplicável também às penalidades. Não assiste razão à interessada. Com efeito, conforme já restou assentado em diversos julgados desta turma e do CARF, o descumprimento de obrigação acessória formal relativa ao prazo de entrega de declarações, não está ao abrigo do instituto da denúncia espontânea preconizada no art. 138 do Código Tributário Nacional, estando o entendimento consolidado através de súmula, com a seguinte ementa: Súmula CARF nº 49. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Do mesmo modo, a análise de questões atinentes à constitucionalidade da lei tributária sobre o suposto efeito confiscatório da multa por atraso na entrega de declarações, encontram óbice em súmula do CARF, com seguinte ementa: Súmula CARF nº 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. O entendimento externado através de súmula do CARF é de observância obrigatória por parte deste colegiado julgador administrativo, conforme dispõe o art. 72 do Regimento Interno do CARF: Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 75DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 11/10/201 1 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10768.005839/200539 Acórdão n.º 180301.031 S1TE03 Fl. 67 4 (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator Fl. 76DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 11/10/201 1 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH
score : 1.0
Numero do processo: 10875.906546/2012-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2003
BASE DE CÁLCULO PIS/PASEP E COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS SOBRE VENDAS DEVIDO NA CONDIÇÃO DE CONTRIBUINTE. IMPOSSIBILIDADE.
A parcela relativa ao ICMS, devido sobre operações de venda na condição de contribuinte, inclui-se na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3302-003.546
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado, que dava provimento.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède e Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1574; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10875.906546/201282 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302003.546 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de janeiro de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES. BASE DE CÁLCULO. ICMS. Recorrente ATLANTA QUÍMICA INDUSTRIAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/06/2003 BASE DE CÁLCULO PIS/PASEP E COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS SOBRE VENDAS DEVIDO NA CONDIÇÃO DE CONTRIBUINTE. IMPOSSIBILIDADE. A parcela relativa ao ICMS, devido sobre operações de venda na condição de contribuinte, incluise na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado, que dava provimento. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède e Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Tratase de Pedido de Restituição cujo direito creditório é oriundo de recolhimento informado como indevido ou a maior que o devido a título de Cofins. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 65 46 /2 01 2- 82 Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10875.906546/201282 Acórdão n.º 3302003.546 S3C3T2 Fl. 3 2 A Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte emitiu despacho decisório eletrônico indeferindo a restituição pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débito(s) do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Após ser intimada, a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade que foi julgada improcedente por intermédio do Acórdão 02050.791. Em síntese, entendeu a DRJ que não existe previsão legal para excluir o ICMS da base de cálculo das contribuições, do que resultou mantido o indeferimento do pleito de restituição. Inconformada, a Recorrente interpôs recurso voluntário pugnando pelo reconhecimento de seu direito creditório. O principal argumento da defesa é o de que o ICMS não pode ser considerado como faturamento da empresa, não podendo, desta forma, compor a base de cálculo das contribuições. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.520, de 26 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10875.906543/201249, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.520): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. No que tange à exclusão do ICMS devido nas operações de venda, na condição de contribuinte, o §2º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998 estabeleceu as hipóteses de exclusão da base de cálculo das contribuições, à época dos fatos: § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; II as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10875.906546/201282 Acórdão n.º 3302003.546 S3C3T2 Fl. 4 3 III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; (Vide Medida Provisória nº 1.99118, de 2000) (Revogado pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. Verificase no inciso I, que o ICMS incidente nas operações na condição de contribuinte (próprio) não foi elencado como parcela a ser excluída da base de cálculo. Juridicamente e contabilmente, o ICMS compõe a receita de venda e consiste em redutor da receita bruta. A legislação, ao longo do tempo, dispôs sobre a receita bruta, sempre indicando que os impostos incidentes sobre a venda a compunham. Assim, citamse o artigo 12 do Decretolei nº 1.598/1977, o artigo 187 da Lei nº 6.404, o artigo 31 da Lei nº 8.981/1995, bem como a IN SRF nº 51/1978: Decretolei nº 1.598/1977: Art 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. Art. 12. A receita bruta compreende: (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) I o produto da venda de bens nas operações de conta própria; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) II o preço da prestação de serviços em geral; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) III o resultado auferido nas operações de conta alheia; e (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) IV as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica não compreendidas nos incisos I a III. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. § 1o A receita líquida será a receita bruta diminuída de: (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) I devoluções e vendas canceladas; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) II descontos concedidos incondicionalmente; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) III tributos sobre ela incidentes; e (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) IV valores decorrentes do ajuste a valor presente, de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, das operações vinculadas à receita bruta. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Lei nº 6.404/1976: Art. 187. A demonstração do resultado do exercício discriminará: I a receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos; II a receita líquida das vendas e serviços, o custo das mercadorias e serviços vendidos e o lucro bruto; Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10875.906546/201282 Acórdão n.º 3302003.546 S3C3T2 Fl. 5 4 IN SRF nº 51/1978: 1. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens, nas operações de conta própria, e o preço dos serviços prestados (artigo 12 do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977). 2. Na receita bruta não se incluem os impostos nãocumulativos cobrados do comprador ou contratante impostos nãocumulativos cobrados do comprador ou contratante (imposto sobre produtos industrializados e imposto único sobre minerais do País) e do qual o vendedor dos bens ou prestador dos serviços seja mero depositário. Imposto não cumulativo é aquele em que se abate, em cada operação, o montante de imposto cobrado nas anteriores. 3. Igualmente não se computam no custo de aquisição das mercadorias para revenda e das matériasprimas os impostos mencionados no item anterior, que devam ser recuperados. 4. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta da vendas e serviços, diminuídas (a) das vendas canceladas, (b) dos descontos e abatimentos concedidos incondicionalmente e (c) dos impostos incidentes sobre as vendas. 4.1 Vendas canceladas correspondentes a anulação de valores registrados como receita bruta de vendas e serviços; eventuais perdas ou ganhos decorrentes de cancelamento de venda, ou de rescisão contratual, não devem afetar a receita líquida de vendas e serviços, mas serão computados nos resultados operacionais. 4.2 Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de vendas, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. 4.3 Para os efeitos desta Instrução Normativa reputamse incidentes sobre as vendas os impostos que guardam proporcionalmente com o preço da venda ou dos serviços, mesmo que o respectivo montante integra a base de cálculo, tais como o imposto de circulação de mercadorias, o imposto sobre serviços de qualquer natureza, o imposto de exportação, o imposto único sobre energia elétrica, o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes etc. Neste sentido o STJ publicou as súmulas 69 e 94, cujos enunciados dispõem: Súmula n. 68 : "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". É de se concluir que a legislação inclui o ICMS incidente sobre as vendas no conceito de receita bruta, excluindoo apenas do conceito de receita líquida. Sobre o tema, há decisões recentes do STJ entendendo pela inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições, como o AgRg no REsp 1576424 / RS, de 10/03/2016, cuja ementa transcrevese: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SUBSTITUTIVA. ARTS. 7º e 8º DA LEI Nº 12.546/2011. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO, MUTATIS MUTANDIS, DA ORIENTAÇÃO FIRMADA NO RESP Nº 1.330.737/SP, REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA RELATIVA À INCLUSÃO Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10875.906546/201282 Acórdão n.º 3302003.546 S3C3T2 Fl. 6 5 DO ISSQN NA BASE DE CÁLCULO DO PIS/PASEP E DA COFINS NA SISTEMÁTICA NÃOCUMULATIVA. 1. A possibilidade de inclusão, na receita bruta, de parcela relativa a tributo recolhido a título próprio foi pacificada, por maioria, pela Primeira Seção desta Corte em 10.6.2015, quando da conclusão do julgamento do recurso representativo da controvérsia REsp nº 1.330.737/SP, de relatoria do Ministro Og Fernandes, ocasião em que se concluiu que o ISSQN integra o conceito maior de receita bruta, base de cálculo do PIS/Pasep e da COFINS. 2. As razões que fundamentam o supracitado recurso especial representativo de controvérsia se aplicam, mutatis mutandis, à inclusão das parcelas relativas ao ICMS na base de cálculo da contribuição substitutiva prevista nos arts. 7º e 8º da Lei nº 12.546/2011. Precedente: REsp nº 1.528.604, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 17.9.2015. 3. A contribuição substitutiva prevista nos arts. 7º e 8º da Lei nº 12.546/2011, da mesma forma que as contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS na sistemática não cumulativa previstas nas Leis n.s 10.637/2002 e 10.833/2003, adotou conceito amplo de receita bruta, o que afasta a aplicação ao caso em tela do precedente firmado no RE n. 240.785/MG (STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 08.10.2014), eis que o referido julgado da Suprema Corte tratou das contribuições ao PIS/Pasep e COFINS regidas pela Lei n. 9.718/98, sob a sistemática cumulativa que adotou, à época, um conceito restrito de faturamento. Precedente. 4. Agravo regimental não provido. Ressaltase que a inclusão do ISS na base de cálculo das contribuições foi considerada legítima e julgada sob a sistemática de recursos repetitivos no REsp 1.330.737/SP, em 10/06/2015, que possuiu a seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C DO CPC E RESOLUÇÃO STJ N. 8/2008. PRESTADOR DE SERVIÇO. PIS E COFINS. INCLUSÃO DO ISSQN NO CONCEITO DE RECEITA OU FATURAMENTO. POSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO DOS ARTS. 109 E 110 DO CTN. 1. Para efeitos de aplicação do disposto no art. 543C do CPC, e levando em consideração o entendimento consolidado por esta Corte Superior de Justiça, firmase compreensão no sentido de que o valor suportado pelo beneficiário do serviço, nele incluindo a quantia referente ao ISSQN, compõe o conceito de receita ou faturamento para fins de adequação à hipótese de incidência do PIS e da COFINS. 2. A orientação das Turmas que compõem a Primeira Seção deste Tribunal Superior consolidouse no sentido de que "o valor do ISSQN integra o conceito de receita bruta, assim entendida como a totalidade das receitas auferidas com o exercício da atividade econômica, de modo que não pode ser dedutível da base de cálculo do PIS e da COFINS" (REsp 1.145.611/PR, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 8/9/2010; AgRg no REsp 1.197.712/RJ, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 9/6/2011; AgRg nos EDcl no REsp 1.218.448/RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 24/8/2011; AgRg no AREsp 157.345/SE, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 2/8/2012; AgRg no AREsp 166.149/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 28/08/2012, DJe 4/9/2012; EDcl no AgRg no REsp 1.233.741/PR, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 7/3/2013, DJe 18/3/2013; AgRg no AREsp 75.356/SC, Rel. Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10875.906546/201282 Acórdão n.º 3302003.546 S3C3T2 Fl. 7 6 Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 15/10/2013, DJe 21/10/2013). 3. Nas atividades de prestação de serviço, o conceito de receita e faturamento para fins de incidência do PIS e da COFINS deve levar em consideração o valor auferido pelo prestador do serviço, ou seja, valor desembolsado pelo beneficiário da prestação; e não o fato de o prestador do serviço utilizar parte do valor recebido pela prestação do serviço para pagar o ISSQN Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza. Isso por uma razão muito simples: o consumidor (beneficiário do serviço) não é contribuinte do ISSQN. 4. O fato de constar em nota fiscal informação no sentido de que o valor com o qual arcará o destinatário do serviço compreende quantia correspondente ao valor do ISSQN não torna o consumidor contribuinte desse tributo a ponto de se acolher a principal alegação das recorrentes, qual seja, de que o ISSQN não constituiu receita porque, em tese, diz respeito apenas a uma importância que não lhe pertence (e sim ao município competente), mas que transita em sua contabilidade sem representar, entretanto, acréscimo patrimonial. 5. Admitir essa tese seria o mesmo que considerar o consumidor como sujeito passivo de direito do tributo (contribuinte de direito) e a sociedade empresária, por sua vez, apenas uma simples espécie de "substituto tributário", cuja responsabilidade consistiria unicamente em recolher aos cofres públicos a exação devida por terceiro, no caso o consumidor. Não é isso que se tem sob o ponto de vista jurídico, pois o consumidor não é contribuinte (sujeito passivo de direito da relação jurídicotributária). 6. O consumidor acaba suportando o valor do tributo em razão de uma política do sistema tributário nacional que permite a repercussão do ônus tributário ao beneficiário do serviço, e não porque aquele (consumidor) figura no polo passivo da relação jurídicotributária como sujeito passivo de direito. 7. A hipótese dos autos não se confunde com aquela em que se tem a chamada responsabilidade tributária por substituição, em que determinada entidade, por força de lei, figura no polo passivo de uma relação jurídico tributária obrigacional, cuja prestação (o dever) consiste em reter o tributo devido pelo substituído para, posteriormente, repassar a quantia correspondente aos cofres públicos. Se fosse essa a hipótese (substituição tributária), é certo que a quantia recebida pelo contribuinte do PIS e da COFINS a título de ISSQN não integraria o conceito de faturamento. No mesmo sentido se o ônus referente ao ISSQN não fosse transferido ao consumidor do serviço. Nesse caso, não haveria dúvida de que o valor referente ao ISSQN não corresponderia a receita ou faturamento, já que faticamente suportado pelo contribuinte de direito, qual seja, o prestador do serviço. 8. Inexistência, portanto, de ofensa aos arts. 109 e 110 do CTN, na medida em que a consideração do valor correspondente ao ISSQN na base de cálculo do PIS e da COFINS não desnatura a definição de receita ou faturamento para fins de incidência de referidas contribuições. 9. Recurso especial a que se nega provimento. De fato, as mesmas razões utilizadas no repetitivo acima são aplicáveis na análise da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, o que restou configurado no julgamento do REsp nº 1.144.469, em 10/08/2016, sob a sistemática de recursos repetitivos, embora não possa ser aplicado pelo artigo 62 do RICARF, Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10875.906546/201282 Acórdão n.º 3302003.546 S3C3T2 Fl. 8 7 pois que ainda não transitado em julgado. A certidão deste julgamento constante no site do Superior Tribunal de Justiça traz o seguinte teor: AUTUAÇÃO RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL ADVOGADO : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECORRENTE: HUBNER COMPONENTES E SISTEMAS AUTOMOTIVOS LTDA ADVOGADOS: ANETE MAIR MACIEL MEDEIROS HENRIQUE GAEDE E OUTRO(S) RECORRIDO : OS MESMOS ASSUNTO: DIREITO TRIBUTÁRIO Crédito Tributário Base de Cálculo CERTIDÃO Certifico que a egrégia PRIMEIRA SEÇÃO, ao apreciar o processo em epígrafe na sessão realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão: "Prosseguindo no julgamento, a Seção, por unanimidade, deu provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e, por maioria, vencidos os Srs. Ministros Relator e Regina Helena Costa, negou provimento ao recurso especial da empresa recorrente, nos termos do voto do Sr. Ministro Mauro Campbell Marques, que lavrará o acórdão." Votaram com o Sr. Ministro Mauro Campbell Marques os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Assusete Magalhães, Sérgio Kukina, Gurgel de Faria, Diva Malerbi (Desembargadora convocada do TRF da 3a. Região) e Humberto Martins. Quanto à jurisprudência do STF, não obstante o RE 240.785 ter sido julgado favorável à tese defendida pela recorrente, não há, ainda, posicionamento definitivo no STF, uma vez que o RE 574.906 RG/PR, sob repercussão geral, ainda não foi julgado. Assim, enquanto não julgado o recurso extraordinário sob repercussão geral, devese prestigiar a legislação vigente que considera o ICMS das operações próprias como componente do preço de venda. Neste mesmo sentido, é a posição pacífica deste Conselho, como decidido no Acórdão nº 9303003549, de 17/03/2016, cuja ementa transcrevese: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 Cofins. Base de Cálculo. Exclusão ICMS. Por se tratar de imposto próprio, que não comporta a transferência do encargo, a parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS. Precedentes do STJ (Súmulas n°s 68 e 94). Às autoridades administrativas e tribunais que não dispõem de função legislativa não podem conceder, ainda que sob fundamento de isonomia, benefícios de exclusão da base de cálculo do crédito tributário em favor daqueles a quem o legislador não contemplou com a vantagem A mesma conclusão se estende à Contribuição ao PIS. Por fim, quanto ao pedido de encaminhamento das notificações ao patrono da recorrente, esclareçase que as intimações no processo administrativo fiscal de exigência de crédito tributário são regidas pelo artigo 23 do Decreto nº 70.235/72, consolidado no artigo 10 do Decreto nº 7.574/2011, o qual prevê as formas pessoal, por via postal, telegráfica ou qualquer outro meio com prova de recebimento no domicílio tributário, ou por meio eletrônico, não sujeitos a ordem de preferência, e, Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10875.906546/201282 Acórdão n.º 3302003.546 S3C3T2 Fl. 9 8 ainda, por edital, caso os meios anteriores sejam improfícuos, nos termos abaixo transcritos: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) III se por meio eletrônico: (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 12.844, de 2013) IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 4º Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10875.906546/201282 Acórdão n.º 3302003.546 S3C3T2 Fl. 10 9 II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 5º O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 6º As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Portanto, o pedido efetuado carece de previsão legal. Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 133DF CARF MF
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Numero do processo: 11829.720036/2012-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 05/02/2007 a 26/12/2011
EMBARGOS. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA OMISSÃO.
Devem ser rejeitados os embargos que não logram demonstrar a alegada omissão na decisão recorrida.
Numero da decisão: 3401-003.403
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, rejeitar os Embargos interpostos.
Robson José Bayerl - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice Presidente).
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 05/02/2007 a 26/12/2011 EMBARGOS. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA OMISSÃO. Devem ser rejeitados os embargos que não logram demonstrar a alegada omissão na decisão recorrida.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, rejeitar os Embargos interpostos. Robson José Bayerl - Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice Presidente).
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ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 05/02/2007 a 26/12/2011 EMBARGOS. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA OMISSÃO. Devem ser rejeitados os embargos que não logram demonstrar a alegada omissão na decisão recorrida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, rejeitar os Embargos interpostos. Robson José Bayerl Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice Presidente). Relatório Tratase de Embargos de Declaração interpostos pela PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL ao amparo do Regimento Interno do Conselho Administrativo de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 82 9. 72 00 36 /2 01 2- 38 Fl. 5254DF CARF MF 2 Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, em face do Acórdão nº 3401003.107, que possui a seguinte ementa e o seguinte dispositivo decisório: Processo n° 11829.720036/201238 Recurso n° Voluntário Acórdão n° 3401003.107 4a Câmara 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de fevereiro de 2016 Matéria REVISÃO ADUANEIRA. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Recorrente SAMSUNG ELETRÔNICA DA AMAZÔNIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 05/02/2007 a 26/12/2011 REVISÃO ADUANEIRA. IMPORTAÇÃO. E de cinco anos, a contar da data do registro da DI, o prazo para a autoridade proceder á revisão aduaneira das importações. O artigo 54 do DL 37/1966 é lei que autoriza a administração rever as declarações prestadas por contribuinte e os lançamentos pendentes de homologação. Independentemente do canal em que se efetivou o despacho aduaneiro, o resultado da revisão assim realizada não significa mudança de critério jurídico. Aplicase o artigo 146 do CTN apenas naquilo que a revisão divergir com relação ao anteriormente estabelecido por exigência formal da autoridade fiscal no despacho aduaneiro ou em revisão antecedente, e que tenha sido integrado definitivamente na declaração em análise. A revisão aduaneira não está limitada pelo disposto no artigo 149 do CTN. O artigo 54 do DL 37/1966 também autoriza a revisão dos lançamentos homologados. DESPACHO ADUANEIRO E CRITÉRIO JURÍDICO. Apenas a exigência feita pela autoridade fiscal durante o despacho e incorporada na Declaração prestada pelo contribuinte constitui critério jurídico para os fins da inteligência do artigo 146 do CTN, de modo a exigir o artigo 149 do CTN para condicionar a revisão aduaneira. O desembaraço feito sem exigência fiscal não formula critério jurídico limitador da revisão aduaneira nos termos do artigo 146 do CTN. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DA PARTE FINAL DO INCISO I DO ARTIGO 7° DA LEI N° 10.865/2004. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário n° 559.007, ao qual foi aplicado o regime da repercussão geral, declarou a inconstitucionalidade da parte final do inciso I do artigo 7° da Lei n° 10.865, de 30/04/2004, tendo afastado da norma, consequentemente, o alargamento do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições". Em sintonia com aludida decisão a redação atual do dispositivo em comento estabelece, simplesmente, que a base de cálculo do PIS/Pasep importação e da COFINS Importação sobre "a entrada de bens estrangeiros no território nacional" (inciso I do caput do artigo 3°) será "o valor aduaneiro"", redação a qual foi dada pelo artigo 26 da Lei n° 12.865, de 09/10/2013. MORA E PENALIDADES NA REVISÃO ADUANEIRA DE MUITAS IMPORTAÇÕES. AFASTAMENTO. Apesar de não se tratar de uma mudança de critério jurídico, a posição firmada a partir da revisão aduaneira que nega a prática reiterada das autoridades do despacho, exercidas individualmente, configura a situação para a qual se deve invocar a aplicação da lei posta no parágrafo único do artigo 100 do CTN, a ser aplicada nos termos da competência estatuída pela lei do Fl. 5255DF CARF MF Processo nº 11829.720036/201238 Acórdão n.º 3401003.403 S3C4T1 Fl. 3 3 processo administrativo fiscal (Decreto n. 70.235, de 1972) e estatuída na lei aduaneira (artigo 97 e 101 do DL 37/1966). PENALIDADES NA REVISÃO ADUANEIRA DE MUITAS IMPORTAÇÕES. AFASTAMENTO. EXISTÊNCIA DE DEFINIÇÃO DA CLASSIFICAÇÃO EM ATO DA ADMINISTRAÇÃO ADUANEIRA TRIBUTÁRIA. É de se afastar a penalidade quando a classificação fiscal determinada a partir de revisão aduaneira confrontar a adotada pelo importador que seria idêntica à classificação definida em ato da administração para o mesmo produto. Esta é a inteligência do Código Aduaneiro, onde se encontra lei (artigo 97 e 101 do Decretolei n. 37, de 1966) que prevê o afastamento das penalidades quando o importador tiver adotado em suas importações entendimento ou definição de classificação firmada pela administração aduaneira ou tributária, mesmo que o importador não seja o destinatário dessa manifestação da administração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, dar parcial provimento ao recurso, nos seguintes termos: (a) preliminar de nulidade por cerceamento de defesa negouse provimento, por unanimidade; (b) preliminar de decadência deuse provimento para excluir as Declarações de Importação DIs registradas anteriormente a 08/11/2007, por unanimidade, nos termos do voto, sendo que o Conselheiro Robson José Bayerl acompanhou pelas conclusões; (c) inclusão do ICMS e das próprias contribuições na apuração do PIS e COFINS deuse provimento, por unanimidade; (d) classificação fiscal negouse provimento, por unanimidade; (e) Revisão Aduaneira e a mudança de critério jurídico (aplicação do artigo 146 do CTN) deuse provimento parcial, por maioria, nos termos do voto do relator, vencidos os Conselheiros Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, que dava provimento às declarações de importação parametrizadas para o canal vermelho, e o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que dava provimento; (e) exclusão de penalidades e juros deuse provimento ao recurso, por unanimidade, nos termos do voto, e (f) suspensão do IPI no período posterior a março de 2009 negouse provimento ao recurso, por maioria, vencidos os Conselheiros Augusto Fiel Jorge d' O1iveira,Waltamir Barreiros e Elias Fernandes Eufrásio, que convertiam em diligência para verificação do cumprimento dos requisitos. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco apresentará declaração de voto. Robson José Bayerl Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Trata o presente de Autos de Infração que constituíram e exigem Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, PISImportação, COFINSImportação, multa por lançamento de ofício (Lei n. 9.430/1996), multa regulamentar (administrativa aduaneira por erro de classificação MP 2.15835/2001) e juros de mora. A autoridade lançadora, em procedimento de revisão aduaneira, concluiu que houve recolhimento de tributos a menor que o devido, nas importações de "Painéis (display) de Cristal Líquido (LCD)" realizadas pela Recorrente nos anos de 2007 a 2011, em decorrência da utilização, pela Recorrente, na classificação dos produtos, da NCM 9013.80.10, quando, no entender da Fiscalização, deveria ter sido adotado a NCM 8517.70.99. Os Julgadores de 1º piso mantiveram integralmente a exigência fiscal. Fl. 5256DF CARF MF 4 Entretanto, os Julgadores de 2º piso divergiram dessas decisões. Primeiro reconheceram a decadência para excluir as Declarações de Importação DIs registradas anteriormente a 08/11/2007. Para as declarações de importação restantes, este colegiado entendeu correta a classificação posta pela autoridade fiscal e manteve a exigência dos tributos; entretanto, o Colegiado de 2º piso afastou as penalidades tributárias, as penalidades administrativas e os acréscimos legais. A Embargante, centrandose s.m.j. sobre penalidade administrativa aduaneira, afirma que o acórdão recorrido foi omisso quanto a ser a decadência matéria reservada a Lei Complementar, no caso a Lei n. 5.172/1966, especificamente o inciso I do seu artigo 173, uma vez que o voto condutor se fundamentou no artigo 139 do Decretolei n. 37/1966. A Embargante cita o Recurso Especial decidido pelo STJ sob a sagração do rito repetitivo (REsp 973.733/SC). Conclui que o acórdão descumpriu o § 2º do art. 62 e o artigo 72, ambos do Regimento Interno do CARF, e que, considerando o que dispõe o CTN, não se deu a decadência aludida pelo acórdão. O Exame de admissibilidade concluiu para submissão dos Embargos à sua apreciação em sessão regular de julgamento colegiado. É o relatório Voto Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. Tempestivo o recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Os Embargos trazem a seguinte argumentação para apontar a suposta omissão no acórdão recorrido: O r. acórdão deu parcial provimento ao recurso voluntário, sob o fundamento de decadência da penalidade aduaneira. Diz a respeito a ementa do r. acórdão, verbis: PENALIDADES NA REVISÃO ADUANEIRA DE MUITAS IMPORTAÇÕES. AFASTAMENTO. EXISTÊNCIA DE DEFINIÇÃO DA CLASSIFICAÇÃO EM ATO DA ADMINISTRAÇÃO ADUANEIRA TRIBUTÁRIA. É de se afastar a penalidade quando a classificação fiscal determinada a partir de revisão aduaneira confrontar a adotada pelo importador que seria idêntica à classificação definida em ato da administração para o mesmo produto. Esta é a inteligência do Código Aduaneiro, onde se encontra lei (artigo 97 e 101 do Decretolei n. 37, de 1966) que prevê o afastamento das penalidades quando o importador tiver adotado em suas importações entendimento ou definição de classificação firmada pela administração aduaneira ou tributária, mesmo que o importador não seja o destinatário dessa manifestação da administração." Fl. 5257DF CARF MF Processo nº 11829.720036/201238 Acórdão n.º 3401003.403 S3C4T1 Fl. 4 5 No que tange ao tributo, o colegiado entendeu aplicável as regras do Código Tributário Nacional. Portanto, considerando a ausência de pagamento, houve aplicação do dispositivo constante do art. 173, I, do CTN. No entanto, após discorrer acerca da decadência das multas aduaneiras e dos tributos lançados, o ilustre Relator, de forma bastante sucinta, considerou pertinente a utilização da regra relativa do art. 139 do Decreto lei 37/66 em relação à penalidade. Eis trecho do julgado: "Sobre a aplicação do artigo 139 do Decretolei n. 37, de 1966 Também creio que deve ser respeitado os limites postos pelo artigo 139 do DL 37/1066 para a constituição e exigência de penalidade. As regras de decadência dadas pelo CTN se referem a tributos, mas não às penalidades do direito aduaneiro. Por isso, proponho a este Colegiado que as multas administrativas referentes a infrações anteriores a 08 de novembro de 2007 considerando os cinco anos desde a ciência dos autos de infração devem ser desconstituídas por força desse dispositivo legal. Decretolei n. 37, de 1966: Art. 138 O direito de exigir o tributo extinguese em 5 (cinco) anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado. (Redação dada pelo DecretoLei n° 2.472, de 01/09/1988) Parágrafo único. Tratandose de exigência de diferença de tributo, contarseá o prazo a partir do pagamento efetuado. (Redação dada pelo DecretoLei n° 2.472, de 01/09/1988) Art.139 No mesmo prazo do artigo anterior se extingue o direito de impor penalidade, a contar da data da infração. Conclusão sobre regras de prescrição e decadência Tendo em vistas as considerações postas aqui, neste tópico, proponho que sejam mantidas as exigências dos tributos das Declarações de Importação cujo registro tenha sido posterior a 08 de novembro de 2007 e as exigências das multas administrativas cuja infração tenha ocorrido após essa mesma data." O r. acórdão passou ao largo da seguinte questão: a decadência do crédito tributário é matéria reservada à Lei Complementar, o Código Tributário Nacional, atraindo a aplicação do disposto no CTN, art. 173, inciso I. Foi omisso, portanto, quanto a este ponto. Espancando qualquer dúvida sobre a questão, o e. STJ decidiu no recurso especial repetitivo, verbis: "PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS Fl. 5258DF CARF MF 6 PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4°, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3a ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4°, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3a ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10a ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3a ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973.733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009)" Portanto, cabe concluir que a decadência tributária está sob a regência do CTN e não outra norma. Resta, pois, concluir que o r. acórdão descumpriu o RICARF, art. 62, § 2°, e art. 72. Ante ao exposto, cabe concluir que não decaiu o direito à imposição da multa. Fl. 5259DF CARF MF Processo nº 11829.720036/201238 Acórdão n.º 3401003.403 S3C4T1 Fl. 5 7 De fato, no voto condutor, a argumentação que se apóia no artigo 139 do Decretolei n. 37/1966 deixou de prospectar no CTN e na jurisprudência eventuais regras e definições aplicáveis ao caso, concorrentemente àquele artigo. Para procurar esclarecer as razões postas pelo Conselheiro relator, peço licença para, de forma resumida, recuperálas. Primeiramente, o Acórdão questionado remeteu ao artigo 54 do Decretolei n. 37, de 1966, para designar o prazo máximo de cinco anos, contado da data do fato gerador, para que a Administração conclua o procedimento de revisão aduaneira. Os julgadores de 1º piso haviam afastado esse artigo 54 no entendimento de que a regra de decadência definida pelo CTN deveria prevalecer sobre o DL 37/1966 por ser aquele de posição hierárquica superior a este, aquele é Lei Complementar. O acórdão de 2º piso não acolheu esse entendimento, pois considerou: 1º) que a lei posta pelo artigo 54 do DL 37/1966 é mais específica do que as posta pelo CTN (que tratam de decadência) face ao procedimento administrativo de revisão aduaneira; 2º) aquela é posterior a esta; 3º) no encontro entre as duas fontes legais, primeiramente se deve verificar a regra do citado artigo 54, e em seguida a regra de decadência tributária; 4º) o CTN não suprime a validade e aplicação do artigo 54; 5º) na origem, a Lei n. 5.172, de 1966 e o DL 37/1966 devem ser vistas como possuindo a mesma dignidade no ordenamento jurídico, respeitando suas especificidades. As declarações de importação submetidas à revisão aduaneira foram registradas entre 05/02/2007 e 26/12/2011, e a contribuinte tomou ciência do relatório resultante dessa revisão aduaneira em 08 de novembro de 2012. A aplicação do prazo dado pelo artigo 54 do DL 37/1966 significa que a data de 08 de novembro de 2007 cinco anos antes seria o termo inicial para se concluir a revisão e dar ciência à contribuinte. Não seria necessário dar ciência deste resultado através de auto de infração, mas neste caso foi assim que essa ciência se deu. Na visão do relator, não se está discutindo decadência tributária, mas prazo para que um procedimento administrativo aduaneiro possa ser realizado e concluído. O Colegiado decidiu que esse prazo fundamentou a exclusão da parte do lançamento baseado nas declarações de importação anteriores a essa data limite. Além disso, em segundo lugar, quanto à decadência tributária, o acórdão recorrido também acolheu a tese de que, para o Imposto de Importação, deverseia aplicar a regra do inciso I do artigo 173 do CTN pois não houve recolhimento ou pagamento antecipado, mas que para os demais tributos, seria aplicável a regra do § 4º do artigo 150 do CTN, pela existência de recolhimento ou pagamento antecipado em cada um deles, nas importações validamente submetidas a revisão aduaneira. Em terceiro lugar, propriamente quanto às penalidades administrativas aduaneiras, o Conselheiro relator invocou o disposto no artigo 139 do Decretolei n. 37, de Fl. 5260DF CARF MF 8 1966, para ressaltar o prazo máximo de cinco anos, contado da ocorrência, para a autoridade fiscal lavrar as autuações e exigilas. Em quarto lugar, o Colegiado reconheceu que o caso se subsume às hipóteses dadas pelo parágrafo único do artigo 100 do CTN c/c com seu inciso III, e pelos artigos 97 e 101 do Decretolei n. 37/1966, o que implicou em afastar a exigência de penalidades e juros de mora. O Acórdão questionado apresentou essas quatro razões concorrentes para chegar a decisões tomadas naquela sessão. Os Embargos discutem que não teria havido decadência da multa administrativa, pois a matéria é reservada para Lei complementar e se deveria aplicar a regra da Lei n. 5.172/1966. E que o julgado do REsp 973.733/SC confirma essa visão. Respeitosamente, não consigo chegar a esta conclusão. A decisão recorrida foi clara ao expor que a coexistência da Lei n. 5.172, de 1966, com o Decretolei n. 37, de 1966, não se resume à argumentação de suposta superioridade hierárquica entre elas. Há que haver cuidadosa análise caso a caso para evitar simplificações que impliquem em descumprimento da inteligência da ordem jurídica. Preciso ressaltar que, no caso tratado neste processo, não estamos a apreciar situação em que se avente a existência de dolo, fraude ou simulação com propósito de prejudicar a Fazenda Nacional. A autoridade fiscal, em procedimento administrativo, decidiu que a classificação fiscal adequada seria diferente da adotada nas muitas importações desembaraçadas em anos passados, mas ela não imputou que teria havido dolo ou fraude. Também ressalto que a visão esposada pela decisão embargada é a de que há mais de uma regra de extinção do direito por decurso de prazo; e que esse tipo de regra não se restringe à tributária definida no CTN; e que a ocorrência desse tipo de extinção do direito se dá individualmente a cada direito em sua materialidade (por exemplo: para uma mesma declaração de importação, há a decadência do imposto de importação, que não inclui a decadência do IPI, que não inclui a extinção do direito de constituir e exigir multa administrativa). No caso, a regra do artigo 54 do DL 37, de 1966, foi considerada específica para os procedimentos aduaneiros de revisão. Este prazo de cinco anos tem natureza administrativa e é exclusiva para revisão aduaneira, enquanto as regras da decadência são gerais para o crédito tributário. Apenas por hipótese, pareceme possível que a autoridade fiscal tivesse dado ciência do resultado de revisão aduaneira dentro do prazo de cinco anos, mas que essa data limite não fosse coincidente com o prazo da decadência tributária. Fl. 5261DF CARF MF Processo nº 11829.720036/201238 Acórdão n.º 3401003.403 S3C4T1 Fl. 6 9 De fato, o acórdão recorrido não pontuou que a exigência fiscal não havia acusado ter havido fraude, dolo ou simulação. Esse acórdão adotou a regra do § 4º do art. 150 do CTN para o IPI, para o PIS Importação e para o COFINS Importação, por ter havido pagamento antecipado. E adotou a regra do inciso I do artigo 173 do CTN para o Imposto de Importação. Mas, em adição, o voto condutor firmou que não haveria como exigir tributo por que o próprio procedimento de revisão aduaneira não poderia ser considerado válido para as DI registradas antes de 08/11/2007. A exigência dos tributos tem sua fonte nesse procedimento administrativo. Invalidado esse procedimento, faltaria materialidade para se fundamentar a exigência tributária. Essas considerações me parecem necessárias. Mas esse não é exatamente o foco dos Embargos. Voltemos para o que foi questionado: a multa administrativa. E preciso resublinhar que não estamos a tratar de situação em que haja acusação de fraude, dolo ou simulação. A penalidade administrativa (multa por erro na classificação) foi afastada pelos seguintes motivos: 1º) para as declarações de importação anteriores a 08/11/2007 por que elas foram excluídas por força do artigo 54 do DL 37/1966, tendo em vista se tratar de revisão aduaneira, pelas razões já posta naquele acórdão e neste voto; 2º) para as declarações de importação anteriores a 08/11/2007 por que elas foram excluídas por força do artigo 139 do DL 37/1966, tendo em vista se tratar de multa administrativa aduaneira, pelas razões já posta naquele acórdão (e não se tratar de situação com fraude, dolo ou simulação); 3º) para todas as declarações de importação, inclusive as posteriores a 08/11/2007, por força dos artigos 97 e 101 do DL 37/1966, tendo em vista a situação se referir a divergência a respeito de classificação fiscal, e no período aludido ter havido decisão administrativa com adoção de NCM diferente da proposta pela autoridade na revisão aduaneira. 4º) para todas as declarações de importação, inclusive as posteriores a 08/11/2007, por força do inciso III e parágrafo único do artigo 100 do CTN, tendo em vista se tratar de revisão aduaneira que afasta despachos aduaneiros que representam prática reiterada da autoridade fiscal. A regra do artigo 139 do DL 37/1966 informa que não se pode constituir e exigir penalidade depois do decurso do prazo de cinco anos a contar da data da infração. Em minha interpretação, essa regra tem como pressuposto que não houve fraude, dolo ou Fl. 5262DF CARF MF 10 simulação. Caso contrário, o dies a quo seria outro que não a data da infração, mais o primeiro dia do exercício seguinte. O Acórdão recorrido esposou a visão de que a regra do artigo 139 do DL 37/1966, com o prazo contando a partir da data da infração, é válida, não sendo necessário combinála com a regra do inciso I do art. 173 do CTN. Essa decisão deve ser considerada correta, pois não havia imputação de dolo, fraude ou simulação. Por isso, não procede a alegação dos Embargos que de que deveria prevalecer a regra do CTN, inclusive por ser ela lei de hierarquia superior. Do mesmo modo, como vimos na apreciação e nas considerações feitas neste voto e no Acórdão recorrido, não procede a alegação dos Embargos que a decadência é matéria reservada ao CTN. Ademais, em meu entendimento, não houve a omissão citada nos Embargos, pois não seria o caso de trazer a regra do inciso I do artigo 173 do CTN, pois não houve dolo, fraude ou simulação. A regra de um prazo para a exigência da penalidade administrativa não pode se confundir com a regra de um prazo para a exigência tributária estrito senso, mesmo que elas se apóiem na mesma lei. Não estamos a analisar penalidade tributária, mas penalidade de natureza estritamente administrativa. Também não se aplicaria ao caso a decisão do REsp 973.733/SC, pois ela define a regra do inciso I do art. 173 do CTN aos casos em que tenha havido dolo, fraude ou simulação. Mas este não é o caso. Essa decisão também não pretende que a regra de prazo para penalidade de natureza tributária se imponha à regra de prazo para penalidade de natureza estritamente administrativa. Logo, não procede ainda a acusação dos Embargos de que o Acórdão recorrido desobedeceu o § 2º do art.62 e do art. 72 do Regulamento do CARF. E acrescento que, pelas razões aqui expostas, também não houve desatenção com relação à Súmula CARF n. 72, bem como à Súmula CARF n. 101. Proponho, então, a este Colegiado, conhecidos os Embargos, não lhe seja dado provimento. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Relator Fl. 5263DF CARF MF
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