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Numero do processo: 15165.000271/2009-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2011
PIS/PASEP. IMPORTAÇÃO. VALOR ADUANEIRO. RE Nº 559.937.
O STF já decidiu, em repercussão geral, que é inconstitucional a seguinte parte do art. 7º, I, da Lei nº 10.865/04: acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação - ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições, por violação do art. 149, § 2º, III, a, da CF, acrescido pela EC 33/01".
Portanto, devem ser excluídos da base de cálculo do PIS/Pasep-importação e da Cofins-Importação o valor do ICMS e o valor das próprias contribuições, conforme decidiu o STF no julgado do RE nº 559.937
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2011
COFINS. IMPORTAÇÃO. VALOR ADUANEIRO. RE Nº 559.937.
O STF já decidiu, em repercussão geral, que é inconstitucional a seguinte parte do art. 7º, I, da Lei nº 10.865/04: acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação - ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições, por violação do art. 149, § 2º, III, a, da CF, acrescido pela EC 33/01".
Portanto, devem ser excluídos da base de cálculo do PIS/Pasep-importação e da Cofins-Importação o valor do ICMS e o valor das próprias contribuições, conforme decidiu o STF no julgado do RE nº 559.937
Recurso Voluntário provido.
Numero da decisão: 3301-003.860
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, Por unanimidade de votos, Dar Provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri (Relator), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2011 PIS/PASEP. IMPORTAÇÃO. VALOR ADUANEIRO. RE Nº 559.937. O STF já decidiu, em repercussão geral, que é inconstitucional a seguinte parte do art. 7º, I, da Lei nº 10.865/04: acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação - ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições, por violação do art. 149, § 2º, III, a, da CF, acrescido pela EC 33/01". Portanto, devem ser excluídos da base de cálculo do PIS/Pasep-importação e da Cofins-Importação o valor do ICMS e o valor das próprias contribuições, conforme decidiu o STF no julgado do RE nº 559.937 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2011 COFINS. IMPORTAÇÃO. VALOR ADUANEIRO. RE Nº 559.937. O STF já decidiu, em repercussão geral, que é inconstitucional a seguinte parte do art. 7º, I, da Lei nº 10.865/04: acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação - ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições, por violação do art. 149, § 2º, III, a, da CF, acrescido pela EC 33/01". Portanto, devem ser excluídos da base de cálculo do PIS/Pasep-importação e da Cofins-Importação o valor do ICMS e o valor das próprias contribuições, conforme decidiu o STF no julgado do RE nº 559.937 Recurso Voluntário provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, Por unanimidade de votos, Dar Provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri (Relator), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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IMPORTAÇÃO. VALOR ADUANEIRO. RE Nº 559.937. O STF já decidiu, em repercussão geral, que é inconstitucional a seguinte parte do art. 7º, I, da Lei nº 10.865/04: “acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições, por violação do art. 149, § 2º, III, a, da CF, acrescido pela EC 33/01". Portanto, devem ser excluídos da base de cálculo do PIS/Pasepimportação e da CofinsImportação o valor do ICMS e o valor das próprias contribuições, conforme decidiu o STF no julgado do RE nº 559.937 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2011 COFINS. IMPORTAÇÃO. VALOR ADUANEIRO. RE Nº 559.937. O STF já decidiu, em repercussão geral, que é inconstitucional a seguinte parte do art. 7º, I, da Lei nº 10.865/04: “acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições, por violação do art. 149, § 2º, III, a, da CF, acrescido pela EC 33/01". Portanto, devem ser excluídos da base de cálculo do PIS/Pasepimportação e da CofinsImportação o valor do ICMS e o valor das próprias contribuições, conforme decidiu o STF no julgado do RE nº 559.937 Recurso Voluntário provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 16 5. 00 02 71 /2 00 9- 04 Fl. 627DF CARF MF Processo nº 15165.000271/200904 Acórdão n.º 3301003.860 S3C3T1 Fl. 628 2 Fl. 628DF CARF MF Processo nº 15165.000271/200904 Acórdão n.º 3301003.860 S3C3T1 Fl. 629 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, Por unanimidade de votos, Dar Provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri (Relator), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Fl. 629DF CARF MF Processo nº 15165.000271/200904 Acórdão n.º 3301003.860 S3C3T1 Fl. 630 4 Relatório A Recorrente pleiteia a restituição dos valores recolhidos a maior de PIS Importação e Cofins Importação, sob a alegação de alargamento inconstitucional da base de cálculo da contribuição, determinada pelo art. 7º, da Lei nº 10.865/2004. Alega que o dispositivo é inconstitucional e ilegal, na medida em que não respeita o art.149, §2º, III, alínea “a”, da Constituição Federal; o Acordo Geral de Tarifas e Comércio de 1994 (GATT), promulgado pelo Decreto nº 1.355/1994 e ainda, o disposto no art. 110 CTN, por alargar o conceito de “valor aduaneiro”. O despacho decisório não reconheceu o crédito e indeferiu o pedido. Após a impugnação, o colegiado de primeira instância não acatou os argumentos de inconstitucionalidade defendidos pela Recorrente, por impossibilidade da Administração Pública em reconhecer a inconstitucionalidade de lei, julgando improcedente a manifestação de inconformidade e mantendo o despacho decisório que indeferiu o pedido de restituição pleiteada. Em seu recurso voluntário, a Recorrente requer seu provimento interpretandose o artigo 7º, I, da Lei 10.865/2004 de modo compatível com a Constituição, extirpando da base do PISImportação e da Cofins Importação os valores correspondentes ao ICMS e os das próprias Contribuições Sociais, deferindose o pedido de restituição e a homologação da compensação. Em primeira assentada o colegiado do Carf deliberou por converter o julgamento em diligência para que os autos retornassem à Unidade da Receita Federal do Brasil de origem para: (i) informar qual o regime de tributação adotado pelo sujeito passivo à época (lucro real ou lucro presumido); (ii) considerando exclusivamente as DIs, objeto dos autos, segregar as importações realizadas por conta e ordem, própria ou por encomenda, bem como as importações acobertadas por suspensão; e (iii) calcular o montante do PIS e da COFINS sobre o valor aduaneiro relativo às importações próprias ou por encomenda. Em seguida, os autos retornaram para julgamento, incumbindome, por sorteio, relatar e pautar. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri Relator O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Fl. 630DF CARF MF Processo nº 15165.000271/200904 Acórdão n.º 3301003.860 S3C3T1 Fl. 631 5 Desde já é de se registrar que encontramse sob apreciação nessa oportunidade um conjunto doze processos do mesmo sujeito passivo, versando sobre a mesma matéria litigada (alargamento da base de cálculo), diferenciandose quanto às datas dos fatos geradores, conforme planilha a seguir, todos regularmente pautados para julgamento. Processo Modalidade de importação Tributo Período das DI 15165.000271/200904 Conta Própria PIS Importação 2004 a 2005 15165.000272/200941 Conta Própria Cofins Importação 2004 a 2005 15165.000278/200918 Conta Própria PIS Importação 2006 15165.002153/201066 Conta e Ordem PIS Importação Janeiro a maio 2010 15165.002155/201055 Conta e Ordem Cofins Importação Janeiro a maio 2010 15165.002465/201070 Conta e Ordem PIS Importação Maio a junho 2010 15165.002466/201014 Conta e Ordem Cofins Importação Maio a junho 2010 15165003291/201062 Conta e Ordem PIS Importação Agosto 2010 15165003292/201015 Conta e Ordem Cofins Importação Agosto 2010 15165003285/201013 Conta e Ordem PIS Importação Junho a setembro 2010 15165003284/201061 Conta e Ordem Cofins Importação Junho a setembro 2010 15165720786/201131 Conta Própria e Conta e Ordem Cofins Importação 2011 Assim, visando celeridade processual e procedimental, o voto que ora submeto a apreciação do colegiado contempla, simultaneamente, o conjunto dos processos suso relacionados, preservandose contudo a individualidade e autonomia de cada um. 1 Do Mérito 1.1 DA INCONSTITUCIONALIDADE NO ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO Conforme relatado, a matéria posta em controvérsia diz respeito à alegação de inconstitucionalidade no alargamento da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, determinada pelo art. 7º, da Lei nº 10.865/2004, ao incluir o ICMS, bem como as próprias contribuições, na base de cálculo dessas mesmas contribuições sociais incidentes sobre a importação de bens e serviços. Nesse pormenor, faço meus os fundamentos de recente voto proferido pela Conselheira Semíramis de Oliveira Duro nos autos do processo 15165720784201141, Acórdão 3301003.240, de 28 de março de 2017, nos seguintes termos: Quanto à questão expressa de mérito, ou seja, o alargamento da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP trazido pelo art. 7º da Lei nº 10.865/2004, Fl. 631DF CARF MF Processo nº 15165.000271/200904 Acórdão n.º 3301003.860 S3C3T1 Fl. 632 6 ressaltese que o Plenário do STF já declarou inconstitucional a inclusão de ICMS, bem como do PIS/Pasep e da Cofins na base de cálculo dessas mesmas contribuições sociais incidentes sobre a importação de bens e serviços. Tratase do RE nº 559.937, julgado na sistemática de repercussão geral, no qual o STF reconheceu que o art. art. 7º da Lei nº 10.865/2004 extrapolou os limites previstos no artigo 149, §2º, III, “a” da Constituição Federal, nos termos definidos pela Emenda Constitucional nº 33/2001, que prevê o valor aduaneiro como a base de cálculo para as contribuições sociais. A ementa do julgado se reproduz a seguir: Tributário. Recurso extraordinário. Repercussão geral. PIS/COFINS importação. Lei nº 10.865/04. Vedação de bis in idem. Não ocorrência. Suporte direto da contribuição do importador (arts. 149, II, e 195, IV, da CF e art. 149, § 2º, III, da CF, acrescido pela EC 33/01). Alíquota específica ou ad valorem. Valor aduaneiro acrescido do valor do ICMS e das próprias contribuições. Inconstitucionalidade. Isonomia. Ausência de afronta. 1. Afastada a alegação de violação da vedação ao bis in idem, com invocação do art. 195, § 4º, da CF. Não há que se falar sobre invalidade da instituição originária e simultânea de contribuições idênticas com fundamento no inciso IV do art. 195, com alíquotas apartadas para fins exclusivos de destinação. 2. Contribuições cuja instituição foi previamente prevista e autorizada, de modo expresso, em um dos incisos do art. 195 da Constituição validamente instituídas por lei ordinária. Precedentes. 3. Inaplicável ao caso o art. 195, § 4º, da Constituição. Não há que se dizer que devessem as contribuições em questão ser necessariamente não cumulativas. O fato de não se admitir o crédito senão para as empresas sujeitas à apuração do PIS e da COFINS pelo regime nãocumulativo não chega a implicar ofensa à isonomia, de modo a fulminar todo o tributo. A sujeição ao regime do lucro presumido, que implica submissão ao regime cumulativo, é opcional, de modo que não se vislumbra, igualmente, violação do art. 150, II, da CF. 4. Ao dizer que a contribuição ao PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação poderão ter alíquotas ad valorem e base de cálculo o valor aduaneiro, o constituinte derivado circunscreveu a tal base a respectiva competência. 5. A referência ao valor aduaneiro no art. 149, § 2º, III, a, da CF implicou utilização de expressão com sentido técnico inequívoco, porquanto já era utilizada pela legislação tributária para indicar a base de cálculo do Imposto sobre a Importação. 6. A Lei 10.865/04, ao instituir o PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação, não alargou propriamente o conceito de valor aduaneiro, de modo que passasse a abranger, para fins de apuração de tais contribuições, outras grandezas nele não contidas. O que fez foi desconsiderar a imposição constitucional de que as contribuições sociais sobre a importação que tenham alíquota ad valorem sejam calculadas com base no valor aduaneiro, extrapolando a norma do art. 149, § 2º, III, a, da Constituição Federal. 7. Não há como equiparar, de modo absoluto, a tributação da importação com a tributação das operações internas. O PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação incidem sobre operação na qual o contribuinte efetuou despesas com a aquisição do produto importado, enquanto a PIS e a COFINS internas incidem sobre o faturamento ou a receita, conforme o regime. São tributos distintos. Fl. 632DF CARF MF Processo nº 15165.000271/200904 Acórdão n.º 3301003.860 S3C3T1 Fl. 633 7 8. O gravame das operações de importação se dá não como concretização do princípio da isonomia, mas como medida de política tributária tendente a evitar que a entrada de produtos desonerados tenha efeitos predatórios relativamente às empresas sediadas no País, visando, assim, ao equilíbrio da balança comercial. 9. Inconstitucionalidade da seguinte parte do art. 7º, inciso I, da Lei 10.865/04: “acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições, por violação do art. 149, § 2º, III, a, da CF, acrescido pela EC 33/01. 10. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Este Colegiado está vinculado a essa decisão, por imperativo do art. 62, §1º, I, do RICARF. Portanto, sobre essa questão, não há mais o que se discutir, apenas reconhecer a inconstitucionalidade do dispositivo acima indicado, e conseqüentemente acolher o Recurso Voluntário no sentido de que devem ser excluídos da base de cálculo do PIS/Pasepimportação e da CofinsImportação o valor do ICMS e o valor das próprias contribuições, conforme decidiu o STF no julgado acima colacionado. Dispositivo Ante o exposto voto por Dar Provimento ao Recurso Voluntário no sentido de que devem ser excluídos da base de cálculo do PIS/Pasepimportação e da Cofins Importação o valor do ICMS e o valor das próprias contribuições, conforme decidiu o STF no julgado do RE nº 559.937. É como voto. José Henrique Mauri Relator Fl. 633DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.902908/2011-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPROVAÇÃO
Não pode ser homologada uma compensação, cujos créditos não foram comprovados.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.499
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. Recorrente COMERCIAL PARISENTI LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPROVAÇÃO Não pode ser homologada uma compensação, cujos créditos não foram comprovados. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação DCOMP, apresentada pela contribuinte acima qualificada Em análise da compensação intentada, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba/SC decidiu não homologála em razão de que o valor recolhido via DARF, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 29 08 /2 01 1- 42 Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10925.902908/201142 Acórdão n.º 3301003.499 S3C3T1 Fl. 3 2 indicado como fonte do crédito contra a Fazenda Nacional, já havia sido integralmente utilizado para o pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos valores informados no PER/DCOMP. Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, na qual defende, inicialmente, que os débitos exigidos não compensados devem ficar com a exigibilidade suspensa em razão da apresentação da manifestação de inconformidade. Quanto ao mérito, a contribuinte alega, em síntese, que apurou créditos, passíveis de compensação, oriundos do recolhimento indevido de tributos, uma vez reconhecido seu direito de recolher as contribuições – PIS e Cofins – nos moldes previstos no artigo 3º, §2º, inciso III, da Lei nº 9.718/98. A DRJ em Florianópolis (SC) julgou improcedente a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 07030.898. O fundamento adotado foi o de que, quando a compensação declarada pelo sujeito passivo está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é indevido, só se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, em que alega o seguinte: a) que o débito, cuja compensação não foi homologada, deve permanecer com a exigibilidade suspensa, em razão da apresentação do recurso voluntário; b) que não há dispositivo legal que vede a compensação de tributos, nos casos em que a DCTF retificadora, em que foi demonstrada a existência do pagamento indevido, tenha sido apresentada após a transmissão da Declaração de Compensação (DCOMP); e c) que a multa de ofício de 150% cobrada da Recorrente não se aplica a compensações indevidas e que não poderia ser superior a 20%, além de afrontar os princípios da proporcionalidade e finalidade dos atos da administração pública e a própria Consituição Federal, em razão de seu caráter confiscatório. Em relação à alegação mencionada na letra "c", cumpre destacar que o débito, cuja compensação não foi homologada, está sendo cobrado, acrescido de multa de mora de 20% e não de multa de ofício de 150%, além de juros Selic. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.444, de Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10925.902908/201142 Acórdão n.º 3301003.499 S3C3T1 Fl. 4 3 27 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10925.901334/201276, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.444): "O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Tratase de Despacho Decisório que não homologou compensação pleiteada por meio de DCOMP, em razão de o alegado pagamento a maior não constar nos registros da Receita Federal do Brasil (RFB). Nos autos, encontramse a DCOMP, o Despacho Decisório e extratos da RFB, contendo detalhamento da compensação e histórico da transmissão da DCOMP. Não há cópias de Declarações de Débitos e Créditos Federais Tributários Federais (DCTF). Na manifestação de inconformidade, a Recorrente informou que efetuara pagamentos a maior e apresentou as bases legais que dariam suporte à compensação. Nada dispôs sobre a DCTF original, na qual teria sido incluído o DARF indicado na DCOMP como fonte do crédito (pagamento a maior), e tampouco se fora retificada. Também não carreou aos autos cópias de DCTF. A DRJ (fls. 37 a 40) ratificou o Despacho Decisório, sob a alegação de que na data da protocolização da DCOMP, a DCTF que constava no banco de dados da RFB não indicava a existência de crédito, consistente em pagamento a maior de tributo. E que uma DCTF retificadora somente pode suportar uma compensação, cuja DCOMP tenha sido apresentada na mesma data ou posteriormente. No recurso voluntário, foram apresentados os seguintes argumentos para sustentar a compensação: a) que o débito cuja compensação não foi homologada deve permanecer com a exigibilidade suspensa, em razão de apresentação do recurso voluntário; b) que não há dispositivo legal que vede a compensação de tributos, nos casos em que a DCTF retificadora, em que foi demonstrada a existência do pagamento indevido, tenha sido apresentada após a transmissão da Declaração de Compensação (DCOMP); e c) que a multa de ofício de 150% cobrada da Recorrente não se aplica a compensações indevidas e que não poderia ser superior a 20%, além de afrontar os princípios da proporcionalidade e finalidade dos atos da administração pública e a própria Constituição Federal, em razão de seu caráter confiscatório. Em relação à letra "a", nada há que se falar, pois nenhuma controvérsia há sobre a questão: o inc. III do art. 151 da Lei n° 5.172/66 (Código tributário Nacional CTN) dispõe que a apresentação de recurso, nos termos das normas que regulam o processo administrativo, suspende a exigibilidade do crédito tributário. O disposto na letra "c" também não merece comentários, haja vista que não houve lançamento de ofício e, por conseguinte, multa dele derivada. O débito originalmente compensado com o crédito não comprovado está sendo cobrado com o acréscimo de multa de mora de 20% e juros Selic. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10925.902908/201142 Acórdão n.º 3301003.499 S3C3T1 Fl. 5 4 Finalmente, sobre o tema central, a adequação ou não da compensação realizada, parcialmente tratada pela Recorrente na letra "b", voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Não resta dúvida acerca da possibilidade legal defendida pela Recorrente de compensar tributos pagos a maior com débitos tributários. Também não me oporia a legitimar a compensação pretendida, pelo simples fato de que a DCTF retificadora, com indicação do pagamento a maior, tivesse sido apresentada após a protocolização da DCOMP, desde que restasse comprovado que o crédito tributário já existia à época da liquidação do débito tributário. Com efeito, regra geral, a compensação é possível até mesmo se o crédito tiver surgido após o vencimento do débito, desde que a este sejam acrescidos os devidos encargos moratórios. Porém, no caso em tela, não se encontram os elementos probatórios essenciais à confirmação do crédito, quais sejam: a DCTF retificadora propriamente dita e a demonstração do cálculo do débito e sua comparação com o DARF pago, indicando o pagamento a maior. Temos apenas as alegações da Recorrente de que retificara a DCTF e que detinha o crédito. Alegações, contudo, desacompanhadas das devidas comprovações. Desta forma, não me resta alternativa que não a de negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo não se encontram os elementos probatórios essenciais à confirmação do crédito, quais sejam: a DCTF retificadora propriamente dita e a demonstração do cálculo do débito e sua comparação com o DARF pago, indicando o pagamento a maior. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 64DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11040.720465/2012-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 15 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2201-000.249
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto da Redatora Designada. Vencidos o Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra (Relator), que negava provimento ao recurso e o Conselheiro José Alfredo Duarte Filho.que dava provimento. Designado para redigir a resolução a conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz.
Assinado digitalmente.
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente
Assinado digitalmente.
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Assinado digitalmente.
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Redatora designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Daniel Melo Mendes Bezerra.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto da Redatora Designada. Vencidos o Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra (Relator), que negava provimento ao recurso e o Conselheiro José Alfredo Duarte Filho.que dava provimento. Designado para redigir a resolução a conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz. Assinado digitalmente. Carlos Henrique de Oliveira - Presidente Assinado digitalmente. Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator Assinado digitalmente. Ana Cecília Lustosa da Cruz - Redatora designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Daniel Melo Mendes Bezerra.
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Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto da Redatora Designada. Vencidos o Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra (Relator), que negava provimento ao recurso e o Conselheiro José Alfredo Duarte Filho.que dava provimento. Designado para redigir a resolução a conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz. Assinado digitalmente. Carlos Henrique de Oliveira Presidente Assinado digitalmente. Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Assinado digitalmente. Ana Cecília Lustosa da Cruz Redatora designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Daniel Melo Mendes Bezerra. Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 40 .7 20 46 5/ 20 12 -7 2 Fl. 643DF CARF MF Processo nº 11040.720465/201272 Resolução nº 2201000.249 S2C2T1 Fl. 644 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 1043.566 7ª Turma da DRJ/Porto Alegre (efls. 289/300), que julgou improcedente a sua impugnação. O lançamento em questão referese à exigência de contribuições previdenciárias, GILRAT e contribuições destinadas à terceiros incidentes sobre pagamentos efetuados aos segurados empregados em forma de utilidades (moradia). As infrações constatadas na ação fiscal e que deram ensejo à lavratura em tela foram minuciosamente descritas no Relatório Fiscal, efls. 19/29 e podem, conforme excerto do relatório da decisão a quo, ser assim sintetizadas: QUIP S/A. teve lavrados contra si os seguintes Autos de Infração AIs: a) AI n.º DEBCAD 37.351.4433, no valor de R$ 1.072.516,42 (um milhão e setenta e dois mil, quinhentos e dezesseis reais e quarenta e dois centavos), relativo ao lançamento de contribuições previdenciárias patronais, inclusive aquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados; e b) AI n.º DEBCAD 37.351.4441, no valor de R$ 291.752,62 (duzentos e noventa e um mil, setecentos cinqüenta e dois reais e sessenta e dois centavos), relativo ao lançamento de contribuições destinadas a outras entidades e fundos, no caso, ao Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação FNDE (Salário Educação), Instituto Nacional da Colonização e Reforma Agrária INCRA, Serviço Social da Indústria SESI, Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial SENAI e Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas SEBRAE, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados. Os valores lançados referemse às competências julho de 2007 a dezembro de 2008, e foram consolidados em 24 de abril de 2012. O Relatório Fiscal de fls. 19/29 esclarece que os lançamentos em apreço referemse a contribuições decorrentes do exercício de atividade remunerada de segurados empregados da empresa, e incidiram sobre “pagamentos de ganhos habituais sob forma de utilidades, identificados nos lançamentos contábeis registrados nas contas 4160106 Outros Benefícios Adm, 4160303 Despesas de Condomínio/Iptu e 4160304 Manutenção/Reparos Residenciais”. Os valores desses ganhos habituais não foram declarados nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIPs da empresa, nem incluídos em suas folhas de pagamentos. A DRJ julgou improcedente a impugnação do contribuinte, sob os seguintes argumentos principais: A tese de nulidade do auto de infração por falta de identidade dos beneficiários dos pagamentos não deve prosperar, uma vez que a própria contribuinte não os identificou para o fisco, não podendo se beneficiar da própria torpeza. Fl. 644DF CARF MF Processo nº 11040.720465/201272 Resolução nº 2201000.249 S2C2T1 Fl. 645 3 As hipóteses de isenção são exaustivas e o caso concreto não se enquadra em nenhuma dessas hipóteses previstas no artigo 28, § 9º da Lei nº 8.212/91 combinado com o artigo 214, § 9º do RPS. A própria contribuinte admitiu, de acordo com as declarações presentes às efls. 69/70, que todas as despesas previstas nas contas contábeis 4160303, 4160304 e 4160106, eram de alojamentos fornecidos aos empregados, sendo assim, a utilização dos valores previstos nas respectivas contas para base de cálculo dos tributos não importa em lançamento por arbitramento. A planilha apresentada pela contribuinte distinguindo os valores não pode ser usada como meio probatório, uma vez que se trata de documento produzido pela própria interessada. A decisão de piso restou ementada nos termos abaixo: NULIDADE. Tendo em vista o princípio de que a ninguém é dado beneficiarse de sua própria torpeza, não merece ser considerada alegação acerca de nulidade a que a própria empresa deu ensejo. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. O saláriodecontribuição, para o segurado empregado, corresponde, na forma da lei, à remuneração total por ele auferida junto à empresa, inclusive os ganhos habituais sob a forma de utilidades, excetuadas aquelas parcelas expressamente previstas em lei. FORNECIMENTO DE HABITAÇÃO. O fornecimento de habitação somente não integra o saláriode contribuição, para fins de incidência de contribuições, quando se trate de segurado empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada. Cientificada do acórdão em 03/05/2013, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, tempestivamente, em 04/06/2013, alegando, em síntese, que: O lançamento é nulo por dois motivos, a) não houve a identificação individual dos beneficiários do salário in natura, b) os valores utilizados como base de cálculo, obtidos através de arbitramento, contêm despesas tidas com estabelecimentos comerciais. A falta de mão de obra especializada na cidade, assim como a falta de estrutura do município, fez com que a contribuinte levasse empregados de outras regiões do país, tendo que providenciar habitação para os empregados de outras localidades. Por fim, pediu a improcedência da ação fiscal e o cancelamento do Auto de Infração. Em primeira análise, o recurso foi provido, através de decisão consubstanciada no Acórdão nº 2302003.210, da 2ª Turma, da 3ª Câmara Ordinária, sendo anulado o Fl. 645DF CARF MF Processo nº 11040.720465/201272 Resolução nº 2201000.249 S2C2T1 Fl. 646 4 lançamento pelo reconhecimento de vício formal, uma vez que inexistia referência ao fundamento legal para a aferição indireta. A PGFN interpôs Recurso Especial, que foi julgado pelo Acórdão nº 9202 003.933, da 2ª Turma, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em que se desconsiderada a nulidade anteriormente citada, retornando os autos à este Colegiado para a apreciação de todos pontos levantados no Recurso Voluntário da contribuinte. É o relatório. Voto Vencido Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche aos demais requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Considerações Iniciais Conforme relatado, a preliminar suscitada de nulidade do lançamento por ausência de individualização dos segurados beneficiários do salário utilidade restou superada, eis que há decisão definitiva quanto a esta matéria, devendo essa decisão se restringir ao mérito do lançamento propriamente dito. Do Salário Utilidade Habitação O ponto nodal da controvérsia consiste na determinação da natureza jurídica dos benefícios pagos a título de habitação aos empregados da recorrente. Deverá ser examinado se consiste em verba de natureza indenizatória, fora do campo de incidência da contribuição previdenciária, ou se salário indireto, um plus salarial concedido aos empregados que tenham mudado de residência. O parágrafo 9.°, alínea “m”, do artigo 28 da Lei n.° 8.212/91, acrescentada pela Lei n.° 9.528/97, combinado com o parágrafo 9.°, inciso XII, do artigo 214 do RPS, exclui do saláriodecontribuição, para fins de incidência de contribuições, exclusivamente “os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho”. Nas demais situações, o valor desse benefício compõe a base de cálculo (saláriodecontribuição), para fins de incidência de contribuição. A recorrente alega que tem necessidade de alojar seus “funcionários/colaboradores” quando estes realizam suas atividades de forma presencial no município de Rio Grande/RS, haja vista o déficit habitacional verificado naquela cidade de cerca de dezoito mil moradias , além da ausência de profissionais capacitados, na cidade, para a execução de determinadas tarefas desenvolvidas em seu estabelecimento. Restou evidenciado nos autos que apenas um grupo de empegados faz jus aos benefícios. Os demais segurados que laboram na cidade de Rio Grande/RS custeiam as despesas de habitação com o próprio salário. Em relação ao fornecimento de habitação e sua caracterização como salário utilidadedace, o TST editou a Súmula 367 que esclarece em que situações a habitação Fl. 646DF CARF MF Processo nº 11040.720465/201272 Resolução nº 2201000.249 S2C2T1 Fl. 647 5 fornercimento de benefícios aos empregados podem ser considerados como salárioutilidade, in verbis: Súmula TST 367 Utilidades “in natura”. Habitação. Energia elétrica. Veículo. Cigarro. Não integração ao salário. A habitação, a energia elétrica e veículo fornecidos pelo empregador ao empregado, quando indispensáveis para a realização do trabalho, não têm natureza salarial, ainda que, no caso de veículo, seja ele utilizado pelo empregado também em atividades particulares. O cigarro não se considera salário utilidade em face de sua nocividade à saúde. A citada Súmula 367, que se aplica ao presente caso por força do disposto no art. 110 do CTN, exige que o fornecimento de habitação seja indispensável para a realização do trabalho. Tal requisito, em regra, depende de prova que o fisco deve providenciar, salvo os casos em que for fato notório. Diferentemente do que faz crer a recorrente, Rio Grande/RS é uma cidade brasileira de médio porte que conta com uma elevada oferta de imóveis para compra ou aluguel, e dispõe de uma excelente gama de serviços. Desponta como uma das dez principais cidades do estado do Rio Grande do Sul e, dentre os 5.570 municípios que o país possui atualmente, situase entre os 150 de maior população. Como qualquer trabalhador, os empregados da recorrente ao serem convidados para trabalhar fora de seu domicílio devem ter considerado se o novo salário tornaria vantajosa sua nova situação. Em cidades com oferta de imóveis, dispondo de salário adequado, os trabalhadores poderiam providenciar seu novo domicílio, como fazem os demais empregados da empresa. Com relação às utilidades, boa parte da doutrina e da jurisprudência do TST se alinhou à teoria finalística originalmente defendida por José Martins Catharino na década de 1950 que distingue as utilidades fornecidas “para o trabalho” das utilidades fornecidas “pelo trabalho”. As primeiras , “para o trabalho”, seriam funcionais, instrumentais, verdadeiros equipamentos de trabalho e, portanto, sem natureza salarial; as segundas, “pelo trabalho”, seriam contraprestativas e com natureza salarial. O fornecimento de habitação em cidades com boa oferta de imóveis não pode ser considerado similar a um equipamento de trabalho, pois a esmagadora maioria dos trabalhadores que lá trabalham arcam com o custo da habitação com seu próprio salário. Situação diferente seria o fornecimento de habitação em uma localidade inóspita e que não permitisse que o próprio trabalhador, de qualquer nível, acomodasse a si e a sua família. No caso que se cuida, revelase um nítido caráter contraprestativo no fornecimento da habitação, ocorrendo um plus salarial, um aumento remuneratório disfarçado de custeio da habitação. A conduta da recorrente não encontra guarida no disposto no parágrafo 9.°, alínea “m”, do artigo 28, da Lei n.° 8.212/91, devendo, pois, oferecer à tributação os benefícios concedidos a seus empregados que tenham natureza salarial. Fl. 647DF CARF MF Processo nº 11040.720465/201272 Resolução nº 2201000.249 S2C2T1 Fl. 648 6 Destarte, entendo como correta a inclusão dos valores despendidos com habitação, na base de cálculo da contribuição previdenciária, estando em perfeita harmonia com o balizamentos definidos pelo art. 142 do Código Tributário Nacional. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, negarlhe provimento. ( Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Voto vencedor Ana Cecília Lustosa da Cruz, Redatora designada Conforme narrado, o AIOP DEBCAD 37.351.4433, é referente a contribuições previdenciárias patronais e para o seguro acidente do trabalho incidentes sobre valores pagos aos segurados empregados a título de aluguéis, despesas de condomínio, IPTU, manutenção e reparos em imóveis, nas competências de 07/2007 a 12/2008 e o AIOP DEBCAD 37.351.4441, referese às contribuições arrecadadas para as terceiras entidades, no mesmo período e sobre as mesmas bases. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 19/29, no exame dos registros contábeis da autuada foram identificados pagamentos de utilidades lançados nas contas de despesas 4160106 – Outros Benefícios Administração; 4160303Despesas Condomínio , IPTU e 4160304 – Manutenção /Reparos Residenciais, para os quais foram solicitados, através do Termo de Intimação às fls. 40/41, esclarecimentos sobre a natureza das verbas e a identificação dos beneficiários. Os esclarecimentos prestados pela autuada dão conta de que os pagamentos referiamse a utilidades e benefícios pagos aos colaboradores frente à necessidade de alojamentos dos mesmos na região onde os serviços eram prestados. Que face ao déficit de infraestrutura na cidade de Rio Grande, local da prestação de serviço e que os valores não constavam das folhas de pagamento, tampouco das GFIP’s. A contribuinte, entre outras alegações, aduziu, em sede de recurso voluntário, que na conta contábil que serviu de base para a autuação estão lançados, também, valores de aluguéis não residenciais, mas comerciais, além de despesas de manutenção, limpeza e jardinagem de áreas administrativas e industriais, conforme documentos que anexa. Acostou a recorrente planilha demonstrando que o valor dos alugueres somam R$ 687.649,86, aquém da base de cálculo lançada. Nesse contexto, entendeu o colegiado pela conversão do julgamento em diligência para que seja realizado o cotejamento dos dados dispostos na conta contábil da contribuinte com os documentos por ela acostados, em seu recurso voluntário e no doc. 04 da impugnação, comparandose com os valores exigidos pela fiscalização a esse título, devendo ser elaborada planilha que demonstre as referidas informações, a fim de que seja viabilizada a Fl. 648DF CARF MF Processo nº 11040.720465/201272 Resolução nº 2201000.249 S2C2T1 Fl. 649 7 exclusão dos valores indevidamente constantes da base de cálculo (alugueres e despesas com prédios comerciais). Assinado digitalmente. Ana Cecília Lustosa da Cruz Redatora Designada Fl. 649DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.720198/2013-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
ERRO CONSTATADO. ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. PROCEDÊNCIA. PROVAS APRESENTADAS.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Tendo a contribuinte comprovada a existência de erro ao preencher sua declaração, deve ser cancelada a exigência fiscal decorrente.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2202-003.883
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. PROCEDÊNCIA. PROVAS APRESENTADAS. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Tendo a contribuinte comprovada a existência de erro ao preencher sua declaração, deve ser cancelada a exigência fiscal decorrente. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 01 98 /2 01 3- 31 Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10980.720198/201331 Acórdão n.º 2202003.883 S2C2T2 Fl. 79 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10980.720198/201331, em face do acórdão nº 0639.747, julgado pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (DRJ/CTA) no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: "Trata o presente processo de Notificação de Lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, à fl. 31, lavrada em face do processamento da DIRPF retificadora do exercício de 2010, anocalendário de 2009, que exige R$ 2.940,20 de restituição indevida a devolver acrescidas de juros até 12/2012. Cientificada em 20/12/2012 (fl. 33), a interessada apresentou, em 15/01/2013, a impugnação de fls. 02/03, instruída com os documentos de fls. 04/24, onde alega, em síntese que, apresentou declaração de ajuste tempestivamente e recebeu sua restituição, no valor de R$ 2.940,20, sem considerar o fato de ser portadora de moléstia grave. Em 2012, foi reconhecida sua condição e seu direito à isenção do imposto de renda, retroativo ao exercício de 2008, conforme Parecer Técnico n° 211/2012 e Despacho de Isenção de Imposto de Renda anexos, ambos emitidos pelo Ministério da Defesa. Após proceder à entrega de sua declaração de ajuste retificadora para reaver o imposto retido indevidamente, foi surpreendida com a presente notificação. Por fim, requer o cancelamento da exigência, a restituição do saldo do imposto retido indevidamente e prioridade no julgamento com base no Estatuto do Idoso." A DRJ de origem entendeu pela improcedência da impugnação apresentada pela contribuinte. Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário às fls. 46/48, reiterando as alegações expostas em impugnação. A contribuinte junta ao Recurso, comunicação de inspeção de saúde, cópia do Título de Pensão Militar, cópia do comprovante de rendimentos e retenção de renda na fonte e parecer técnico, com intuito de demonstrar os fatos de seu direito. Junta, também, às fls. 71/74 uma simulação de retificação da DIRPF, onde resultaria em um imposto a restituir de R$ 8.820,72. Alega que não tem como transmitir a declaração retificadora por existir Notificação de Lançamento. Em fl. 70 dos autos apresenta um print screen da tela do programa DIRPF/2010 com a mensagem de erro. É o relatório. Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10980.720198/201331 Acórdão n.º 2202003.883 S2C2T2 Fl. 80 3 Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Primeiramente, cabe referir que em relação aos documentos juntados em fase recursal, entendo que estes devem ser recebidos como prova do alegado pelo contribuinte, por força do princípio da verdade material e do formalismo moderado. Da análise dos autos, constatase que a exigência R$ 2.940,20 de restituição indevida a devolver acrescidas de juros até 12/2012, consubstanciada na Notificação de Restituição indevida de IRPF, à fl. 31, decorre do processamento da declaração de ajuste anual retificadora apresentada pela contribuinte em 05/12/2012 (fls. 26/30). Relativamente à entrega de declarações retificadoras o Regulamento do Imposto de Renda – RIR1999, em seu art. 832, estabelece: Art. 832. A autoridade administrativa poderá autorizar a retificação de rendimentos, quando comprovado erro nela contido, desde que sem interrupção do pagamento do saldo do imposto e antes de iniciado o processo de lançamento de ofício (Decretolei nº 1.967, de 1982, art. 21, e Decretolei nº 1.968, de 23 de novembro de 1982, art. 6º). Parágrafo único. A retificação prevista neste artigo será feita por processo sumário, mediante a apresentação de nova declaração de rendimentos, mantidos os mesmos prazos de vencimento do imposto. (Grifouse). Ainda, como acertadamente referiu a DRJ, nos termos do art. 54 e parágrafo único da IN SRF nº 15, de 2001, "a declaração retificadora substituiu a declaração anterior, dessa forma todas as informações vinculadas à declaração original deixaram de existir, passando a valer as informações consignadas na declaração retificadora para efeito de apuração do imposto, pois, são estes os registros constantes nos sistemas internos da Receita Federal. Relativamente ao pedido de restituição de imposto". O RIR/1999, em seu art. 895 e § 3º, dispõe: Art. 895 Nos casos de pagamento indevido ou a maior de imposto de renda, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá optar pelo pedido de restituição do valor pago indevidamente ou a maior, observado o disposto nos arts. 892 e 900 (Lei nº 8.383, de 1991, art. 66, § 2º, e Lei nº 9.069, de 1995, art. 58). (...) Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10980.720198/201331 Acórdão n.º 2202003.883 S2C2T2 Fl. 81 4 § 2º A Secretaria da Receita Federal expedirá instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo (Lei nº 8.383, de 1991, art. 66, § 4º, e Lei nº 9.069, de 1995, art. 58). A Instrução Normativa RFB nº 1300, de 20 de novembro de 2012, por sua vez, em seu art. 10, estabelece: Art. 10 . Não ocorrendo a devolução prevista no art. 8º ou a dedução nos termos do art. 9º, a restituição do indébito de imposto sobre a renda retido sobre rendimentos sujeitos ao ajuste anual, bem como a restituição do indébito de imposto sobre a renda pago a título de recolhimento mensal obrigatório (carnêleão) ou de recolhimento complementar será requerida pela pessoa física à RFB exclusivamente mediante a apresentação da DIRPF. A declaração retificadora apresentada pela contribuinte, em 05/12/2012 (fls. 26/30), não registra qualquer saldo de imposto a restituir que pudesse ensejar o cancelamento da exigência ora contestada ou reconhecimento de direito à restituição adicional. A DRJ fez, inclusive, o esclarecimento de que o formulário de Pedido de Restituição ou Ressarcimento que acompanha impugnação, não supre a inexistência de saldo de imposto a restituir na DIRPF retificadora e não é documento hábil para pleitear devolução de tributo pago indevidamente em sede de julgamento. Nesse contexto, tendo a legislação pertinente expressamente previsto que o pedido de restituição de indébito de imposto será requerida pela pessoa física à RFB mediante apresentação de DIRPF e que a retificação da declaração deve, quando comprovado erro nela contido, ser feita mediante apresentação de nova declaração a ser apreciada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil – DRF que jurisdiciona o domicílio fiscal do contribuinte. Assim sendo, caberia à contribuinte apresentar nova declaração retificadora para acerto da sua declaração de ajuste anual, informando o imposto de renda pago indevidamente em campo próprio, que será apreciado pela autoridade competente, ressalvado o acolhimento e análise do pedido de restituição já formulado e trazido aos autos com a impugnação, se esta mesma autoridade entender cabível. De fato, enquanto existir o débito desta Notificação de Lançamento, não poderá a contribuinte transmitir a declaração retificadora. O documento de fl. 70 dos autos, no qual a contribuinte apresenta um print screen da tela do programa DIRPF/2010 com a mensagem de erro irá persistir enquanto o débito não for recolhido. Registro que não é possível considerar a simulação de retificação da DIRPF/2010, de fls. 71/74. Ocorre que para se obter uma restituição, é necessário transmitir a declaração, momento no qual a RFB (e não o CARF) irá analisar os valores, podendo glosálos ou não. Se glosados, caberá impugnação para DRJ (1ª. instância) e após, se mantida a glosa, recurso voluntário ao CARF (2ª. instância). No entanto, pela documentação que consta nos autos, em especial as apresentadas em anexo ao recurso voluntário, verificase que a contribuinte é portadora de moléstia grave desde 2008, tendo ela cometido erro no preenchimento da declaração de rendimentos, o que lhe resultou em notificação de lançamento por restituição indevida. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10980.720198/201331 Acórdão n.º 2202003.883 S2C2T2 Fl. 82 5 Ocorre que a contribuinte ao ter sua isenção deferida por laudo médico pericial procedeu em erro ao retificar sua declaração de rendimentos, excluindo o IRRF recolhido, enquanto deveria têlos mantido na DIRPF. Com isso, o imposto a restituir restou a R$ 0,00, ocasionando a notificação de lançamento em questão. Assim, embora não seja possível acolher a simulação de nova declaração retificadora, verificase plausível o afastamento da glosa, de modo a afastar o crédito tributário exigido. Conclusão. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 82DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.720396/2013-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 30 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-000.837
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em determinar que seja realizada a distribuição do processo nº 16682.720312/2013-74 para o relator, tendo em vista a conexão processual, nos termos previstos no art. 6º do RICARF .
(assinado digitalmente)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA PRESIDENTE SUBSTITUTO.
(assinado digitalmente)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - RELATOR.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: WINDERLEY MORAIS PEREIRA (Presidente), JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, CASSIO SCHAPPO, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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PRODUTOS FARMACÊUTICOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em determinar que seja realizada a distribuição do processo nº 16682.720312/201374 para o relator, tendo em vista a conexão processual, nos termos previstos no art. 6º do RICARF . (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA – PRESIDENTE SUBSTITUTO. (assinado digitalmente) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA RELATOR. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: WINDERLEY MORAIS PEREIRA (Presidente), JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, CASSIO SCHAPPO, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 285 apresentado em face da decisão de primeira instância da DRJ/SP de fls. 261 que julgou improcedente a impugnação do contribuinte face do lançamento do Auto de Infração de fls. 97 lavrado sob a suspeita de insuficiência de recolhimento de PIS e Cofins não cumulativo em razão de possível receita advinda de prestação de serviços. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .7 20 39 6/ 20 13 -4 6 Fl. 406DF CARF MF Processo nº 16682.720396/201346 Resolução nº 3201000.837 S3C2T1 Fl. 406 2 Como de costume desta Turma de julgamento, reproduzo o relatório da decisão de primeira instância, conforme segue: "Tratam os autos de lançamentos de contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e contribuição para o financiamento da Seguridade Social (COFINS) plasmados, respectivamente, no: a) Auto de Infração à fl. 97, cujo crédito tributário exigido – considerandose a contribuição social (PIS), juros de mora calculados até março de 2013 e multa de ofício de 75% – resulta R$980.697,47, fatos geradores indicados à fl. 106, bem como que a descrição dos fatos e enquadramento legal se encontram às fls. 101 e 106; b) Auto de Infração às fls. 98 e 99, cujo crédito tributário exigido – considerandose a contribuição social (COFINS), juros de mora calculados até março de 2013 e multa de ofício de 75% – resulta R$4.517.151,89, fatos geradores indicados à fl. 118, bem como que a descrição dos fatos e enquadramento legal se encontram às fls. 103 e 118. 2. Consta que, às fls. 6 a 45, foi lavrado o Termo de Verificação Fiscal, por meio do qual a Autoridade Fiscal atesta que, ao verificar a composição das receitas informadas no Dacon, intimou a Contribuinte a demonstrar, dentre outros, quais receitas ali informadas deixaram de ser incluídas na base de cálculo do PIS e COFINS relativamente a fatos geradores ocorridos em 2008. Em razão do atendimento às intimações, a Autoridade Fiscal formou sua convicção sobre a referida constatação, que diz respeito a implicações fiscais de determinadas operações realizadas entre a Contribuinte e seus fornecedores. Em síntese, a Autoridade Fiscal entendeu que os recebimentos auferidos pela Contribuinte por conta da concessão [...] de desconto maior [a seus clientes] que o praticado no mercado [nas operações de revenda de produtos farmacêuticos], reduzindo a margem de venda, por solicitação da indústria, bem como pela realização [...] de gastos em campanhas promocionais, ações de marketing, por solicitação da indústria farmacêutica, teriam a natureza jurídicotributária de receita e, consequentemente, nunca deveriam ter sido excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS. 2.1. Às fls. 40 a 43 encontramse os seguintes esclarecimentos acerca da forma como se deu a apuração do crédito tributário para fins de lançamento: [...]Os valores de receita lançados mensalmente foram extraídos da contabilidade da empresa, especificamente das contas 36012002 – Receitas Financeiras/Verba Operação Logística, 33081003 Outras Receitas Despesas Operac / Outras Desp Oper e dos lançamentos a crédito na conta 32011007 – Custos/Diferença de Estoque. O valor da receita nas duas primeiras contas foi obtido pela diferença entre o saldo final e o saldo inicial de cada mês, excluindose os lançamentos de provisão de impostos e de contribuições a pagar, ou seja os valores provisionados para PIS/Cofins, quando debitados foram adicionados ao valor da coluna “Diferença” e quando creditados foram subtraídos, conforme quadros abaixo: Conta 36012002 – Receitas Financeiras/Verba Operação Logística (...) Fl. 407DF CARF MF Processo nº 16682.720396/201346 Resolução nº 3201000.837 S3C2T1 Fl. 407 3 33081003 Outras Receitas Despesas Operac / Outras Desp Oper (...) Foram lançadas as diferenças entre o valor apurado pela fiscalização e aquele informado no DACON, conforme demonstrado na folha 9 deste Termo. Com relação aquele quadro houve a retificação, para menor, do valor em duas competências (ABRIL e MAIO), em decorrência dos ajustes de lançamentos de PIS/Cofins, demonstrados nos quadros anteriores, resultando nos seguintes valores lançados (última coluna): (...) Com relação a conta 32011005 Custos/Diferença de Estoque, foram classificadas como receitas de bonificação os valores creditados nessa conta oriundos da conta 21012092 Transitória Fornecedores (Verba a Apropriar). A própria fiscalizada em sua resposta ao TIF n° 06, relatadas nas folhas 7 e 8 deste Termo, afirmou que as verbas recebidas da Indústrias eram reclassificadas para esta conta quando recebidas em forma de bonificação em mercadorias. A bonificação neste caso se traduz como pagamento por serviços prestados e não como mera liberalidade do Fornecedor, o que caracterizaria uma doação. Em qualquer um dos casos, o ingresso dessas mercadorias configura uma receita para a fiscalizada que não foi oferecida à tributação do PIS e da Cofins. Em sua resposta ao TIF n° 09, datada de 22 de novembro de 2012, a fiscalizada afirmou que: " Pela presente, vimos esclarecer o questionamento apontado no item 1 no termo de intimação em referência: Os lançamentos a crédito na conta 33081001 foram oriundos de registro de Nfs de bonificação como receita. Estes foram mensalmente estornados, pois toda bonificação recebida pela Profarma é para pagar algum tipo de verba a receber da indústria, portanto iâ foram registradas anteriormente como receita." (grifei) O razão contábil dessas três contas, relativos ao período aqui lançado, foram anexados a este Termo (Anexos I, II e III). No caso da conta Custos/Dif de Estoque foram selecionados apenas aqueles lançamentos que configuraram pagamento de verba em mercadoria, por eles denominado de "bonificação OL", conforme histórico. O cálculo das contribuições devidas em cada mês foi demonstrado no Demonstrativo de Apuração das contribuições do Auto de Infração. Não foram apropriados neste Auto de Infração os créditos informados no DACON dos meses aqui lançados, porque os mesmos já haviam sido considerados no processo administrativo do Auto de Infração n° 16682.720005/201393. [...]3. Irresignada contra o lançamento, apresentou a Contribuinte Impugnação às fls. 140 a 173, por meio da qual, valendose de doutrina pátria, jurisprudência da própria Secretaria da Receita Federal do Brasil, pretende afastar as alegações da Autoridade Fiscal. Eis, a seguir, fragmentos de sua peça impugnativa: Fl. 408DF CARF MF Processo nº 16682.720396/201346 Resolução nº 3201000.837 S3C2T1 Fl. 408 4 [...] [foi apurado] suposta dedução indevida e não inclusão de receitas na base de cálculo do PIS e COFINS, nas competências de março a agosto e outubro a dezembro de 2008, resultando na lavratura de autos de infração, os quais pretendem a exigência dessas contribuições no montante de R$ 5.497.849,36 (incluídos multa e juros). [...]13. [...] a Impugnante discorda do entendimento manifestado pela as valores questionados pela fiscalização para fundamentar o lançamento em ambas as hipóteses, eis que foram corretas as exclusões ou não inclusões por ela realizadas na base de cálculo do PIS e da COFINS, pelas seguintes razões: (i) Reembolso de Despesas com Marketing: [...] Nesse caso, a Impugnante promove, a pedido da indústria farmacêutica (laboratório que são seus fornecedores), campanhas promocionais e ações de marketing que tem por objetivo incrementar as vendas dos produtos farmacêuticos fornecidos pelos laboratórios que estão patrocinando a campanha. Os gastos com essas campanhas e ações são inicialmente suportados pela Impugnante, contudo, posteriormente, são reembolsados pelos laboratórios relacionados à campanha ou ação. Como se tratava de reembolso de despesas de marketing, realizadas em benefício dos fornecedores, tendo por objetivo recompor os dispêndios efetuados pela Impugnante, apesar de corresponder a um ingresso de recursos, não importava em incremento de seu patrimônio, não podendo ser caracterizado como receita para fins de incidência do PIS e da COFINS na sistemática nãocumulativa. Por essa razão, a Impugnante procedia a exclusão desses valores da base de cálculo dessas contribuições; [...] (ii) Ressarcimento por Desconto concedido a Clientes: [...] Nesse caso, a Impugnante, a pedido de alguns fornecedores, praticava descontos bastante significativos na venda de produtos farmacêuticos para determinados clientes, importando na redução da sua margem de lucro. Visando a recomposição dessa margem, o fornecedor, que tinha interesse na ampliação da sua posição no mercado, efetuava para a Impugnante o ressarcimento desse desconto concedido aos clientes. Considerando que tais descontos e o consequente ressarcimento estavam vinculados à venda de produtos sujeitos ao regime monofásico de apuração do PIS e da COFINS, a Impugnante procedia a exclusão desses valores da base de cálculo do PIS e da COFINS. Vale notar, ainda, que, no caso ora analisado, não há qualquer razão para caracterizar que os valores recebidos decorreriam de uma prestação de serviços, até porque a fiscalização não trouxe qualquer prova nesse sentido. Além disso, com relação ao trechos em que a autoridade fiscal entendeu que se tratava de receita para a venda dos produtos, vale esclarecer que também não se trata de receita para a venda,mas de receita decorrente da própria venda, visto que visava [a] recompor a margem de lucro da venda realizada com preço inferior ao usualmente praticado. Logo, considerando que tal ressarcimento está vinculado a desconto concedido na venda de produtos farmacêuticos sujeitos ao regime monofásico de apuração do PIS e da COFINS, a Impugnante acertadamente procedeu a exclusão ou não inclusão desses valores na base de cálculo do PIS e da COFINS. Fl. 409DF CARF MF Processo nº 16682.720396/201346 Resolução nº 3201000.837 S3C2T1 Fl. 409 5 [...]17. [...] a Impugnante realiza campanhas promocionais e ações de marketing, a pedido da indústria farmacêutica (laboratórios que são seus fornecedores), a qual tem por objetivo incrementar as vendas dos produtos farmacêuticos por eles fabricados e fornecidos, bem como fidelizar e ampliar a sua rede de clientes. 18. Os custos dessas campanhas e ações são inicialmente suportados pela Impugnante. Posteriormente, tais custos são reembolsados à Impugnante pelos laboratórios relacionados à campanha ou ação, os quais são os beneficiários diretos do resultado atingido. [...]23. [...] é de suma importância que haja uma correta identificação do conceito de receita para verificação da incidência ou não do PIS e da COFINS. Até porque, ainda que receita tenha um conteúdo mais amplo que faturamento, tal conteúdo não é suficiente para abranger qualquer ingresso ou entrada de recursos, conforme restará demonstrado. [...]28. [...] a doutrina é clara ao afirmar que, só há receita para fins de incidência do PIS e da COFINS quando há um dado positivo que se agrega ao patrimônio da pessoa jurídica, capaz de gerar um acréscimo patrimonial. 29. No caso ora analisado [...], uma parte dos ingressos de recursos recebidos pela Impugnante de seus fornecedores (Conta n.º 33081003 – Outras Receitas Despesas Operacionais/ Outras Despesas Operacionais) referirseia ao reembolso de despesas com ações promocionais e campanhas de marketing realizadas a pedido daqueles. 30. [...] em se tratando da hipótese em que o ingresso de recursos não se enquadra no conceito de receita, assim entendido aquele ingresso que importe em um incremento patrimonial, como acima demonstrado, é evidente que não deve compor a base de cálculo das referidas contribuições. Logo, não há razão para a existência de um dispositivo legal prevendo a sua exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS quando ele sequer deve ser incluído. 31. Essa é exatamente a hipótese dos reembolsos de despesas de marketing recebidos pela Impugnante da indústria farmacêutica. Tais reembolsos visam apenas a sua recomposição patrimonial, em razão de gastos por ela efetivados a pedido de seus fornecedores com campanhas de marketing e ações promocionais. 32. A autoridade fiscal deixou de verificar que, quando a Impugnante assume a responsabilidade pelo pagamento de custos e despesas da indústria farmacêutica, seja com recursos próprios ou com recursos recebidos, de um jeito ou de outro esses gastos devem ser reembolsados pela indústria, não constituindo uma receita sua. [...]30. [...] é evidente que os valores recebidos pela Impugnante a título de reembolso de despesas com marketing não representam receitas e, consequentemente, não devem compor a base de cálculo do PIS e da COFINS. 37. [...] No presente caso, fazendo referência aos lançamentos contábeis realizados pela Impugnante, os quais foram tão ampla e confusamente citados no Termo de Verificação Fiscal, o que ocorria é que a Fl. 410DF CARF MF Processo nº 16682.720396/201346 Resolução nº 3201000.837 S3C2T1 Fl. 410 6 Impugnante, quando realizava os gastos com marketing efetuava um lançamento a débito em sua conta transitória do passivo relativa a fornecedores e uma contrapartida a crédito em resultado. 38. Ou seja, com esse lançamento contábil, a Impugnante indevidamente conferia, por competência, a esses valores que seriam reembolsados pelos fornecedores, um tratamento de receita, importando na sua consequente inclusão na base de cálculo do PIS e da COFINS. 39. Tendo em vista que [...] tais reembolsos com despesas de marketing não representavam receita, quando do seu efetivo recebimento, a Impugnante efetuava uma reversão dessa receita, importando na consequente exclusão desses valores na base de cálculo do PIS e da COFINS. 40. Em verdade, o que se tem nesse caso, são lançamentos contábeis realizados para evitar um efeito fiscal que a própria legislação não prevê, já que a mera inclusão desses reembolsos na base de cálculo do PIS e da COFINS implicaria em uma tributação absolutamente indevida e não prevista na legislação. [...]44. [...] [haveria outra] parcela do lançamento [que se refere] [...] a ingressos relativos a ressarcimento recebido pela Impugnante em decorrência de descontos concedidos a seus clientes a pedido do fornecedor, os quais importaram na redução da sua margem de lucro. [...]52. [...] a Impugnante esclarece que, por solicitação da indústria farmacêutica, concedia descontos a certos revendedores, sendo certo que, em alguns casos, esses descontos eram superiores aos normalmente praticados. 53. Tendo em vista que esses descontos importavam em redução expressiva da margem de lucro da Impugnante e que eram concedidos a pedido de determinado fornecedor, que tinha interesse na fidelização e ampliação de seus clientes, tal fornecedor acordava com a Impugnante o posterior ressarcimento do valor correspondente ao desconto concedido. 54. Os ressarcimentos visavam, assim, recompor a margem de lucro da Impugnante, em virtude do prejuízo causado em face da concessão de desconto maior que a prática habitual, conforme se comprova pelas notas fiscais apresentadas à fiscalização. 55. [...] esses ressarcimentos, conforme o caso, poderiam ser efetivados por meio de bonificação em mercadoria, desconto comercial na nota fiscal, duplicata emitida pelo fornecedor ou depósito em dinheiro, como esclarecido durante o procedimento fiscal. [...]57. [...] a fiscalização preferiu simplesmente desconsiderar tais esclarecimentos e, a partir de informações constantes em diversos documentos acerca das operações realizadas pela Impugnante, dentre as quais a prestação de serviços, considerar, sem qualquer prova, que os reembolsos recebidos decorreriam da prestação de serviços. O simples fato de constar no site da empresa a descrição dessa atividade, assim como em texto elaborado para outros fins e por Fl. 411DF CARF MF Processo nº 16682.720396/201346 Resolução nº 3201000.837 S3C2T1 Fl. 411 7 pessoas alheias às práticas contábeis, jamais pode ser utilizado para o enquadramento dos ingressos de ressarcimentos em questão como receitas de prestação de serviço. 60. Apenas para fins de exemplificação, a fiscalização buscou extrair partes do Prospecto de Distribuição Pública, que é um documento complexo a ser utilizado pela companhia e pelos coordenadores da oferta pública em seus esforços para colocação das ações junto aos investidores. Logo, esse é um documento de finalidade publicitária e não pode importar em qualquer efeito contábil e fiscal! [...]72. [...] Ao assim proceder, a fiscalização acabou por violar o princípio constitucional da estrita legalidade dos tributos, previsto no inciso I do artigo 150 da Constituição Federal [...]. 73. Na autuação ora questionada, os fatos alegados pela autoridade fiscal carecem justamente de prova inequívoca, visto que se baseiam em meros indícios ou presunção simples, ambos calcados em um juízo de probabilidade. [...] [...]82. [...] não resta dúvida de que, afastada a imputação pretendida pela fiscali, sem qualquer prova, de que os ressarcimentos recebidos pela Impugnante refererseiam a receitas de prestação de serviços ou a receitas para a venda de mercadorias em verdadeira afronta ao princípio da legalidade, é evidente que tais ressarcimentos foram acertadamente excluídos ou não incluídos na base de cálculo do PIS e da COFINS pela Impugnante, devendo ser julgada improcedente também essa parcela do lançamento. [...]3.1. Ao final de sua argumentação, solicita a Contribuinte que seja julgado improcedente os lançamentos combatidos." Este Acórdão de primeira instância da DRJ/SP de fls. 261 foi publicado com a seguinte Ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Exercício: 2008 BASE DE CÁLCULO. RECEITA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. Integram a base de cálculo da contribuição a receita auferida em contrapartida pela prestação de um serviço, em observância ao disposto no art. 1º da Lei n.º 10.637, de 2002. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Exercício: 2008 BASE DE CÁLCULO. RECEITA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. Integram a base de cálculo da contribuição a receita auferida em contrapartida pela prestação de um serviço, em observância ao disposto no art. 1º da Lei n.º 10.833, de 2003. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido." Os autos digitais foram distribuídos e pautados para julgamento conforme regimento interno deste Conselho. Relatório proferido. Fl. 412DF CARF MF Processo nº 16682.720396/201346 Resolução nº 3201000.837 S3C2T1 Fl. 412 8 Voto Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme o Direito Tributário, a legislação, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme portaria de condução e Regimento Interno deste Conselho, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e considerando tempestivo, o Recurso Voluntário deve ser conhecido. A autoridade de origem concluiu pela insuficiência de recolhimentos do Pis e Cofins não cumulativos, primeiro por entender que não se trata de verbas originadas da venda dos produtos, mas sim para a venda dos produtos, ao tratar da bonificação dada aos consumidores pelo contribuinte e financiada pelos laboratórios e, assim, não se poderia aceitar o regime monofásico previsto na Lei 10.147/2000, uma vez que a alíquota zero valeria somente nas operações de vendas das mercadorias. Em segundo, por entender que a natureza das verbas das contas transitórias de bonificação da indústria teriam natureza de receitas advindas da prestação de serviços uma vez que, segundo o site eletrônico do contribuinte e seu contrato social, este presta serviços de marketing e operações logísticas. Contudo, mantémse relação de causa e efeito entre o processo mencionado nas fls. 07 dos autos, processo de n.º 16682720.312/201374, conforme trecho seguinte: Diante do exposto, a Secam deve realizar a distribuição do Processo Administrativo de nº 16682720.312/201374 ao relator, conforme o Art. 6.º do Anexo II do Regimento Interno deste conselho. Voto proferido. (assinatura digital) Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 413DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.001731/2007-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2001 a 28/02/2002
RECURSO DE OFÍCIO. RETIFICAÇÕES NO LANÇAMENTO. APROPRIAÇÕES REALIZADAS. DESPROVIMENTO.
Considerando que a própria autoridade fiscal reconheceu o equívoco cometido e retificou o lançamento por meio diligência fiscal, deve ser mantida a decisão da DRJ que convalidou a nova apuração.
RELAÇÃO DE CO-RESPONSÁVEIS. CORESP. NÃO ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.
A relação de co-responsáveis (CORESP) não atribui responsabilidade tributária.
NOVAS DILIGÊNCIAS. NOVAS RETIFICAÇÕES. APROPRIAÇÕES REALIZADAS. DEFERIMENTO.
Considerando que a própria autoridade fiscal reconheceu o equívoco cometido e retificou o lançamento por meio diligência fiscal, devem ser acolhidas as retificações realizadas no lançamento, que considerou apropriações realizadas pela contribuinte.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIARIA. AGROINDUSTRIA. SUBSTITUIÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO.
Para a empresa agroindustrial, com o advento da Lei n° 10.256/01, a contribuição da empresa prevista nos incisos I e II do art. 22 da Lei n° 8.212/91 e a destinada ao SENAR foi substituída pelas incidentes sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção.
AGROINDÚSTRIA. EXPORTAÇÃO INDIRETA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES.
Ê obrigação da agroindústria recolher as contribuições previstas no art. 22-A da Lei n° 8.212/91 nas operações efetuadas no mercado interno, independente do destino final do produto comercializado. Aplica-se o disposto no inciso I do § 2° do art. 149 da Constituição Federal somente quando a produção é comercializada diretamente pelo produtor com adquirente no exterior.
SENAR. NATUREZA JURÍDICA. CONTRIBUIÇÃO DEVIDA INCIDENTE SOBRE AS RECEITAS DECORRENTES DE EXPORTAÇÃO.
Ê devida a contribuição destinada ao SENAR incidente sobre receitas decorrentes de exportação em virtude da sua natureza jurídica ser de contribuição de interesse de categorias econômicas.
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. RECÁLCULO. MP 449/2008. LEI 11.941/2009.
Aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, e não declarados em GFIP, aplica-se a multa mais benéfica, obtida pela comparação do resultado entre a soma da multa vigente à época da ocorrência dos fatos geradores (obrigação principal) e da multa por falta de declaração em GFIP vigente à época da materialização da infração (obrigação acessória), com a multa de ofício (75%) prevista no artigo 35-A, da Lei nº 8.212/1991.
A comparação das multas deverá ser realizada no momento do pagamento ou parcelamento do débito, nos termos do art. 2º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04/12/2009.
Numero da decisão: 2202-003.907
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Quanto ao recurso voluntário, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para: a) manter a tributação relativa à contribuição da empresa no valor de R$ 1.069.729,05 e à contribuição de terceiros no valor de R$ 229.320,65, conforme tabela de fls. 734/735; e b) aplicar ao cálculo da multa a Portaria Conjunta RFB/PGFN nº 14/2009; vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto (Relator), Junia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que deram provimento parcial em maior extensão para reduzir a multa para trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, limitada ao percentual de 20% (art. 61 da Lei nº 9.430/96). Foi designada a Conselheira Cecilia Dutra Pillar para redigir o voto vencedor. .
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
(assinado digitalmente)
Cecilia Dutra Pillar - Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2001 a 28/02/2002 RECURSO DE OFÍCIO. RETIFICAÇÕES NO LANÇAMENTO. APROPRIAÇÕES REALIZADAS. DESPROVIMENTO. Considerando que a própria autoridade fiscal reconheceu o equívoco cometido e retificou o lançamento por meio diligência fiscal, deve ser mantida a decisão da DRJ que convalidou a nova apuração. RELAÇÃO DE CO-RESPONSÁVEIS. CORESP. NÃO ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. A relação de co-responsáveis (CORESP) não atribui responsabilidade tributária. NOVAS DILIGÊNCIAS. NOVAS RETIFICAÇÕES. APROPRIAÇÕES REALIZADAS. DEFERIMENTO. Considerando que a própria autoridade fiscal reconheceu o equívoco cometido e retificou o lançamento por meio diligência fiscal, devem ser acolhidas as retificações realizadas no lançamento, que considerou apropriações realizadas pela contribuinte. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIARIA. AGROINDUSTRIA. SUBSTITUIÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO. Para a empresa agroindustrial, com o advento da Lei n° 10.256/01, a contribuição da empresa prevista nos incisos I e II do art. 22 da Lei n° 8.212/91 e a destinada ao SENAR foi substituída pelas incidentes sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção. AGROINDÚSTRIA. EXPORTAÇÃO INDIRETA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Ê obrigação da agroindústria recolher as contribuições previstas no art. 22-A da Lei n° 8.212/91 nas operações efetuadas no mercado interno, independente do destino final do produto comercializado. Aplica-se o disposto no inciso I do § 2° do art. 149 da Constituição Federal somente quando a produção é comercializada diretamente pelo produtor com adquirente no exterior. SENAR. NATUREZA JURÍDICA. CONTRIBUIÇÃO DEVIDA INCIDENTE SOBRE AS RECEITAS DECORRENTES DE EXPORTAÇÃO. Ê devida a contribuição destinada ao SENAR incidente sobre receitas decorrentes de exportação em virtude da sua natureza jurídica ser de contribuição de interesse de categorias econômicas. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. RECÁLCULO. MP 449/2008. LEI 11.941/2009. Aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, e não declarados em GFIP, aplica-se a multa mais benéfica, obtida pela comparação do resultado entre a soma da multa vigente à época da ocorrência dos fatos geradores (obrigação principal) e da multa por falta de declaração em GFIP vigente à época da materialização da infração (obrigação acessória), com a multa de ofício (75%) prevista no artigo 35-A, da Lei nº 8.212/1991. A comparação das multas deverá ser realizada no momento do pagamento ou parcelamento do débito, nos termos do art. 2º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04/12/2009.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Quanto ao recurso voluntário, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para: a) manter a tributação relativa à contribuição da empresa no valor de R$ 1.069.729,05 e à contribuição de terceiros no valor de R$ 229.320,65, conforme tabela de fls. 734/735; e b) aplicar ao cálculo da multa a Portaria Conjunta RFB/PGFN nº 14/2009; vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto (Relator), Junia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que deram provimento parcial em maior extensão para reduzir a multa para trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, limitada ao percentual de 20% (art. 61 da Lei nº 9.430/96). Foi designada a Conselheira Cecilia Dutra Pillar para redigir o voto vencedor. . (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator (assinado digitalmente) Cecilia Dutra Pillar - Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
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RETIFICAÇÕES NO LANÇAMENTO. APROPRIAÇÕES REALIZADAS. DESPROVIMENTO. Considerando que a própria autoridade fiscal reconheceu o equívoco cometido e retificou o lançamento por meio diligência fiscal, deve ser mantida a decisão da DRJ que convalidou a nova apuração. RELAÇÃO DE CORESPONSÁVEIS. CORESP. NÃO ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. A relação de coresponsáveis (CORESP) não atribui responsabilidade tributária. NOVAS DILIGÊNCIAS. NOVAS RETIFICAÇÕES. APROPRIAÇÕES REALIZADAS. DEFERIMENTO. Considerando que a própria autoridade fiscal reconheceu o equívoco cometido e retificou o lançamento por meio diligência fiscal, devem ser acolhidas as retificações realizadas no lançamento, que considerou apropriações realizadas pela contribuinte. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIARIA. AGROINDUSTRIA. SUBSTITUIÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO. Para a empresa agroindustrial, com o advento da Lei n° 10.256/01, a contribuição da empresa prevista nos incisos I e II do art. 22 da Lei n° 8.212/91 e a destinada ao SENAR foi substituída pelas incidentes sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção. AGROINDÚSTRIA. EXPORTAÇÃO INDIRETA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Ê obrigação da agroindústria recolher as contribuições previstas no art. 22A da Lei n° 8.212/91 nas operações efetuadas no mercado interno, independente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 17 31 /2 00 7- 31 Fl. 770DF CARF MF Processo nº 10865.001731/200731 Acórdão n.º 2202003.907 S2C2T2 Fl. 771 2 do destino final do produto comercializado. Aplicase o disposto no inciso I do § 2° do art. 149 da Constituição Federal somente quando a produção é comercializada diretamente pelo produtor com adquirente no exterior. SENAR. NATUREZA JURÍDICA. CONTRIBUIÇÃO DEVIDA INCIDENTE SOBRE AS RECEITAS DECORRENTES DE EXPORTAÇÃO. Ê devida a contribuição destinada ao SENAR incidente sobre receitas decorrentes de exportação em virtude da sua natureza jurídica ser de contribuição de interesse de categorias econômicas. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. RECÁLCULO. MP 449/2008. LEI 11.941/2009. Aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, e não declarados em GFIP, aplicase a multa mais benéfica, obtida pela comparação do resultado entre a soma da multa vigente à época da ocorrência dos fatos geradores (obrigação principal) e da multa por falta de declaração em GFIP vigente à época da materialização da infração (obrigação acessória), com a multa de ofício (75%) prevista no artigo 35A, da Lei nº 8.212/1991. A comparação das multas deverá ser realizada no momento do pagamento ou parcelamento do débito, nos termos do art. 2º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04/12/2009. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Quanto ao recurso voluntário, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para: a) manter a tributação relativa à contribuição da empresa no valor de R$ 1.069.729,05 e à contribuição de terceiros no valor de R$ 229.320,65, conforme tabela de fls. 734/735; e b) aplicar ao cálculo da multa a Portaria Conjunta RFB/PGFN nº 14/2009; vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto (Relator), Junia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que deram provimento parcial em maior extensão para reduzir a multa para trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, limitada ao percentual de 20% (art. 61 da Lei nº 9.430/96). Foi designada a Conselheira Cecilia Dutra Pillar para redigir o voto vencedor. . (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 771DF CARF MF Processo nº 10865.001731/200731 Acórdão n.º 2202003.907 S2C2T2 Fl. 772 3 (assinado digitalmente) Cecilia Dutra Pillar Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário e de Ofício interpostos nos autos do processo nº 10865.001731/200731, em face do acórdão nº 1422.409 julgado pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (DRJ/RPO) no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar procedente em parte a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: No presente processo constam autos de infração cuja ciência do sujeito passivo deuse em 11/06/2012, mediante o recebimento pessoal pelo representante legal da autuada, conforme consta no formulário inicial dos autos de infração (fls.570; 594). Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD/ DEBCAD n° 37.014.9122 lançado pela fiscalização contra a empresa acima identificada e suas filiais, referentes As contribuições devidas A Seguridade Social, parte da empresa, inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa, decorrente dos riscos ambientais do trabalho e aquelas destinadas As outras entidades e fundos, ditas 'terceiros' (SENAR). Constituemse fatos geradores das contribuições sociais objeto desta NFLD a comercialização, pela agroindiistria, da produção rural própria ou adquirida de terceiros, industrializada ou não, durante período que compreende as competências novembro/2001 a fevereiro/2002, valores extraídos de sua contabilidade conforme relatório fiscal e seus anexos demonstrativos. O crédito assim constituído importa em R$ 11.478.900,91 (Onze milhões, quatrocentos e setenta e oito mil, novecentos reais e noventa e um centavos), consolidado em 27/10/2006. A empresa interessada apresentou impugnação tempestiva alegando, em síntese e preliminarmente, que: i) a autuação é Fl. 772DF CARF MF Processo nº 10865.001731/200731 Acórdão n.º 2202003.907 S2C2T2 Fl. 773 4 nula pela inclusão sem embasamento legal dos componentes da diretoria como coresponsáveis pelo débito, o que redunda em cerceamento de defesa da Impugnante; tal inclusão também fere o disposto no art. 135 do Código Tributário Nacional — CTN, posto que não existe menção sobre a origem da responsabilidade atribuída aos diretores (cita jurisprudências), e postula pela exclusão deles do pólo passivo; ii) a Impugnante não se enquadra no conceito de agroindústria, portanto não pode figurar como sujeito passivo da contribuição disposta no art. 22 A da Lei n° 8.212/91; sustenta que a atividade rural de florestamento e reflorestamento é acessória à atividade principal de industrialização da celulose, o que a poria a margem do conceito de produtor rural; iii) o lançamento é nulo por não considerar na apuração da eventual contribuição devida os valores efetivamente recolhidos pela Impugnante A Seguridade Social, relativos A parte da empresa nos termos do artigo 22, I e II da Lei n° 8.212/91 (anexa Guias de recolhimento GPS e GFIPs atinentes a estes recolhimentos). No mérito argumenta que: iv) erroneamente o lançamento faz incluir na base de calculo da contribuição os valores relativos As vendas efetuadas pela Impugnante com destino especifico à exportação, ainda que efetuadas a empresas estabelecidas no território nacional (exportação indireta); faz menção ao DecretoLei n° 1.248/72, para concluir que há tratamento desigual As receitas de vendas equiparadas por lei A exportação; v) o lançamento fiscal afrOnta o art. 195, I da Constituição Federal, na medida em que a letra 'b' deste inCiso estabelece a hipótese da contribuição incidir sobre a receita ou o faturamento da empresa, não podendo subsistir a contribuição da COFINS, incidente sobre o faturamento, e a pretendida contribuição sobre a receita da comercialização da produção; vi) o artigo 22A da Lei n° 8.212/91 viola: o principio da isonomia, pois tributa de forma mais onerosa a empresa que industrializa produtos rurais próprios e/ou adquiridos de terceiros, em relação Aquelas que apenas adquirem produtos rurais de terceiros; da mesma forma o indigitado artigo fere o principio da equidade, que veda tratamento desigual a contribuintes em situação equânime; ainda, vislumbra afronta ao principio da capacidade contributiva, pelo excessivo ônus tributário sem causa para este agravamento; vii) a contribuição para o SENAR afronta o artigo 62 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias e o art. 240 da CF, posto que esta somente pode ter por base de cálculo a folha de salários dos empregados da atividade rural. Ao final, requer que todos os recolhimentos efetuados no período objeto da autuação, efetuados sob a égide do artigo 22, I e II da Lei n° 8.212/91 sejam considerados e abatidos das contribuições lançadas e o acolhimento de suas alegações para julgar improcedente a Notificação Fiscal em debate. Em análise preliminar do processo e da defesa entendeu o Serviço de Contencioso Administrativo do Órgão de origem e, posteriormente, esta 6 ª Turma, retornar o processo em diligência para que o fiscal autuante apurasse o crédito da empresa decorrente da contribuição recolhida efetuada com Fl. 773DF CARF MF Processo nº 10865.001731/200731 Acórdão n.º 2202003.907 S2C2T2 Fl. 774 5 base na folha de salários (art. 22, I e II da lei no 8.212/91), mediante análise das GPS e GFIPs trazidas aos autos. Assim fez a Auditoria Fiscal, apurando o saldo remanescente das contribuições devidas, considerando crédito da empresa as contribuições recolhidas conforme planilhas demonstrativas anexas As fls. 316/317/318, reabrindo prazo para o contribuinte apresentar adendo à sua Impugnação, em vista dos cálculos efetuados. Valendose desta prerrogativa e dentro do prazo concedido, mediante vistas e cópias do processo, protocolou o contribuinte complemento à sua Impugnação alegando, em síntese, que diante da diligencia realizada resta comprovada a nulidade da notificação impugnada, já que ao lavrar a exigência, não foram considerados os valores efetivamente recolhidos nos períodos de apuração autuados, que deveriam ter sido abatidos do cálculo da contribuição exigida. No mais, reitera in totum os termos de sua impugnação original. É a síntese, apertada, do essencial. A DRJ de origem entendeu pela procedência em parte da impugnação apresentada pelo contribuinte. Inconformado, quanto ao que foi vencido, o contribuinte apresentou recurso voluntário às fls. 399/439, reiterando as alegações expostas em impugnação. Entre os requerimentos, está para que seja designada nova diligência a fim de que se aproprie o crédito de R$ 565.324,58. O contribuinte juntou aos autos as guias de recolhimento da previdência social, assim como um resumo geral por filial dos créditos. O acórdão proferido julgou necessário retificar o crédito tributário, acolhendo o pedido em Impugnação de abater os recolhimentos efetuados tendo por base de cálculo a folha de salário dos empregados, tendo retificado o lançamento em conformidade com os termos do anexo DADR – Discriminativo Analítico do Débito Retificado, demonstrado no voto e colacionado a seguir: Em 12/11/2009, à fl. 464, a contribuinte protocola pedido, onde requer que "seja determinado o recálculo da multa objeto da presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, observandose as disposições do artigo 35 da Lei n° 8.212/91, com redação dada pela Lei n° 11.941/09." Com a chegada dos autos ao CARF, foi proferida a Resolução nº 2403 000.196 (fls. 626/653), onde a conclusão do Conselheiro Relator Paulo Maurício Pinheiro Monteiro foi a seguinte: Fl. 774DF CARF MF Processo nº 10865.001731/200731 Acórdão n.º 2202003.907 S2C2T2 Fl. 775 6 CONVERTER o presente processo em DILIGÊNCIA para que a Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do contribuinte informe: (i) em relação a cada um dos recolhimentos referentes a GPS e a Guias de Recolhimento de Termo de Cooperação SESI/ SENAI/ FNDE, conforme o listado na tabela acima, se tal valor de recolhimento deve ser considerado ou não para efeito de retificação do crédito tributário e qual o motivo para tal retificação ou não; (ii) ao final, considerandose as retificações porventura feitas ou não, informar qual o valor remanescente do crédito tributário em cada competência; A AuditoriaFiscal, no Termo de Informação Fiscal, às fls. 543 a 544, informa as apropriações feitas em relação aos recolhimentos feitos pela Recorrente: 2. EM CUMPRIMENTO A DILIGÊNCIA DETERMINADA (FLS. 486/488), PASSO A INFORMAR: 2.1. ALGUMAS GPS ACOSTADAS AOS AUTO PELA RECORRENTE EM SEDE IMPUGNAÇÃO, NÃO FORAM CONSIDERADAS NA RETIFICAÇÃO INICIAL, TENDO EM VISTA ENTENDIMENTO DE APROPRIAR SOMENTE GPS DE ESTABELECIMENTOS NOS QUAIS HOUVERAM LEVANTAMENTOS DE DÉBITOS (COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUTO RURAL). 2.2. EM ATENDIMENTO A DETERMINAÇÃO DE FLS. 486 VERSO, PASSO A RETIFICAR O DÉBITO CONFORME DEMONSTRADO NAS FOLHAS SEGUINTES (PLANILHA), PROCEDENDO O ABATIMENTO DOS RECOLHIMENTOS DE 11/2001 A 01/2002, INDEPENDENTE DE HAVER CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO PARA O ESTABELECIMENTO CORRESPONDENTE. FORAM UTILIZADOS A TOTALIDADE DAS GPS APRESENTADAS PELO CONTRIBUINTE, COM OS SEGUINTES CRITÉRIOS: 2.2.1. FORAM APROPRIADAS (DEDUZIDAS) GPS SEMPRE RELATIVAS A MESMA COMPETÊNCIA DO DÉBITO, INCLUSIVE A RELATIVA AO 13° SALÁRIO DE 2001, APROPRIADA NA COMPETÊNCIA 12/2002, COLUNA 14 DA PLANILHA. 2.2.2. PARA OS VALORES RECOLHIDOS A MAIOR, POR COMPETÊNCIA, EM CONFRONTO COM O DÉBITO APURADO (COLUNAS 13 E 17) DE QUAISQUER ESTABELECIMENTOS, FORAM TRANSFERIDOS (DEDUZIDOS AS SOBRAS) DO VALOR APURADO PARA O ESTABELECIMENTO CNPJ N° 51.468.791/002325 (MAIOR VALOR). 2.3. O DÉBITO REMANESCENTE (DE/PARA) ESTÁ DEMONSTRADO NA SEQÜÊNCIA, COLUNAS 20 A 25. Fl. 775DF CARF MF Processo nº 10865.001731/200731 Acórdão n.º 2202003.907 S2C2T2 Fl. 776 7 Devidamente intimada, a Recorrente apresentou Manifestação à Diligência Fiscal, às fls. 670/674, na qual alega que faltou a apropriação de valores de contribuições previdenciárias que foram efetivamente recolhidos com base na folha de salários, um primeiro valor total de R$ 184.312,00 e um segundo valor de R$ 381.012,65, relacionado ao pagamento das contribuições previdenciárias sobre o 13° salário do ano de 2001: (i) Não obstante a significativa diminuição do débito principal, em detida análise da planilha de fls. 610/614, as Recorrentes concluíram que a D. Fiscalização ainda não apropriou valores de contribuições previdenciárias que foram efetivamente recolhidos com base na folha de salários. O primeiro montante, não corretamente apropriado, está relacionado aos recolhimentos realizados pelo estabelecimento de CNPJ n° 51.468.791/000110, competências de novembro/2001 a fevereiro/2002. No "II Demonstrativo de Contribuições Recolhidas" (coluna 7 da planilha), a D. Fiscalização descreveu os créditos de contribuições previdenciárias apropriados para cada estabelecimento. Ocorre que os créditos abatidos para o estabelecimento de CNPJ n° 51.468.791/000110 são inferiores aos recolhidos no período. Assim, com a intenção de ilustrar o ora afirmado, segue planilha que demonstra o montante devido a título de contribuição previdenciária para o estabelecimento de CNPJ n° 51.468.791/000110 no período e o que foi apropriado pela D. Fiscalização (coluna n° 07 da planilha): Competência Segurados Empresa Terceiros Total da Guia Aproveitado na diligência Não aproveitado nov/01 R$ 25.507,58 R$ 191.670,80 R$ 5.754,85RS 222.933.23R$ 165.051,98 R$ 26.618,82 dez/01 R$ 25.475,07 R$ 248.556,90 R$ 5.427,76RS 279.459,73 R$ 156.048,00 R$ 92.508,90 jan/02 R$ 24.793,09 RS 192.546,16 R$ 5.282,46RS 222.621,71 RS 151.870,78 R$ 40.675,38 fev/02 R$ 25.210,29 R$ 181.767,23 R$ 5.469,85RS 212.447,37 R$ 157.258,33 R$ 24.508,90 Total R$ 184.312,00 Portanto, da análise da documentação que ora se requer a juntada e do resultado da diligência, concluise que o crédito de R$ 184.312,00 não foi abatido do débito em cobrança nestes autos, o que gera reflexos na multa e nos juros. (ii) Além da incorreta apropriação acima descrita, a D. Fiscalização também deixou de considerar o montante de R$ 381.012,65 relacionado ao pagamento das contribuições previdenciárias sobre o 13° salário do ano de 2001. Fl. 776DF CARF MF Processo nº 10865.001731/200731 Acórdão n.º 2202003.907 S2C2T2 Fl. 777 8 Na descrição do resultado da diligência fiscal, consignouse no item n°.2.1 que "foram apropriados (deduzidas) GPS relativas a mesma competência do débito, inclusive a relativa ao 13° salário de 2001, apropriada na competência de 12/2001, coluna 14 da planilha". Nesse ponto, notase que após realizadas as apropriações dos débitos de dezembro/01 com os seus respectivos créditos para a mesma competência, remanesceu débito de R$ 358.253,00 (vide "total" para dezembro/01 coluna n° 12). Nos termos aduzidos pela D. Fiscalização, na coluna n° 14 houve a transferência do crédito relacionado às contribuições previdenciárias que recaíram sobre o 13° salário para abatimento com o débito remanescente em dezembro/01. O crédito relacionado ao 13° salário é de R$ 739.265,58, subtraindoo do débito remanescente de dezembro/01, R$ 358.253,00, concluise que as Recorrentes ainda possuem crédito de R$ 381.012,58. Entretanto, tal crédito não foi utilizado para apropriação nas competências subsequentes, de janeiro ou fevereiro/2002, ou anteriores. Nesse sentido, somandose R$ 184.312,00 ao R$ 381.012,58, concluise que as Recorrentes ainda possuem R$ 565.324,58 de crédito a ser abatido nestes autos, o que acarretará em uma diminuição significativa do débito principal e respectivos reflexos na multa e nos juros, na hipótese da autuação ser mantida pelos fundamentos de direito. Com o retorno dos autos ao CARF, foi o processo pautado para julgamento, sendo, proferida na sessão de julgamento a Resolução nº 2403000.303 (fls. 695/725), onde a conclusão do Conselheiro Relator Paulo Maurício Pinheiro Monteiro foi a seguinte: "CONVERTER o presente processo em DILIGÊNCIA para que a Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do contribuinte informe: (i) se procede a alegação do contribuinte de que na Diligência Fiscal faltou a apropriação de valores de contribuições previdenciárias, que foram efetivamente recolhidos com base na folha de salários, um primeiro valor total de R$ 184.312,00, referente às competências nov/2001, dez/2001, jan/2002 e fev/2002, conforme tabela acima. (ii) em relação ao tópico (i), se tais valores de recolhimento devem ser considerados ou não para efeito de retificação do crédito tributário e qual o motivo para tal retificação ou não; (iii) se procede a alegação do contribuinte de que na Diligência Fiscal faltou a apropriação de valores de contribuições previdenciárias, que foram efetivamente recolhidos com base na folha de salários, no valor de R$ 381.012,65, relacionado ao pagamento das contribuições previdenciárias sobre o 13° salário do ano de 2001. Fl. 777DF CARF MF Processo nº 10865.001731/200731 Acórdão n.º 2202003.907 S2C2T2 Fl. 778 9 (iv) em relação ao tópico (iii), se tais valores de recolhimento devem ser considerados ou não para efeito de retificação do crédito tributário e qual o motivo para tal retificação ou não; (v) ao final, considerandose as retificações porventura feitas ou não, informar qual o valor remanescente do crédito tributário em cada competência; (vi) se há processo judicial na qual a Recorrente seja parte, por qualquer modalidade processual, com o mesmo objeto do presente processo administrativotributário." A Informação Fiscal (fl. 730/735) foi a seguinte: Tópico (i): Não é procedente a alegação do contribuinte. Tópico (ii): Os valores (total R$ de 184.312,00), relativos ao item acima, não devem ser considerados para efeito de retificação do crédito tributário, tendo em vista tratarse de contribuições devidas e recolhidas pela empresa incidentes serviços prestados por contribuintes individuais, art. 221, inciso III, da Lei n° 8212/91, não substituídas pela Contribuição sobre a Receita Bruta da comercialização da produção conf. art. 22A2 do mesmo diploma legal. As competências e valores devidos estão demonstradas na planilha ora anexada ao processo, coluna H (base de cálculo) e coluna K (contribuição), reproduzida parcialmente abaixo, elaborada com base em elementos (Folhas de Pagamento) apresentados pela empresa a esta Auditoria em diligência anterior, para compor a revisão de recurso. [...] Tópico (iii): É procedente a alegação do sujeito passivo. O valor (R$ 381.025,65) não foi efetivamente deduzido, considerando que houve inconsistência na formula utilizada na planilha de apuração. Tópico (iv): O valor referente ao tópico anterior, 13° salário, deve ser considerado e a apropriação foi recalculada e retificada, conforme demonstrado nas colunas U, V e W da planilha. [...] Tópico (v): Considerando as retificações efetuadas, ficam como remanescentes os valores, conforme abaixo: Fl. 778DF CARF MF Processo nº 10865.001731/200731 Acórdão n.º 2202003.907 S2C2T2 Fl. 779 10 Tópico (vi): Relativamente a informações sobre demais processos judiciais da Recorrente, proponho remessa ao SECAT para as devidas informações. Fl. 779DF CARF MF Processo nº 10865.001731/200731 Acórdão n.º 2202003.907 S2C2T2 Fl. 780 11 Após, a contribuinte manifestou sua ciência do resultado da diligência. Por fim, retornam os autos a este Conselho. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator RECURSO DE OFÍCIO O recurso de ofício foi apresentado, reunindo os requisitos de admissibilidade. Portanto dele conheço. Como já relatado, a DRJ, após analisar os argumentos trazidos pelo ora Recorrente, em sede de impugnação, proferiu despacho, determinando diligência para que o fiscal autuante apurasse o crédito da empresa decorrente da contribuição recolhida efetuada com base na folha de salários (art. 22, I e II da lei no 8.212/91), mediante análise das GPS e GFIPs trazidas aos autos. Assim fez a Auditoria Fiscal, apurando o saldo remanescente das contribuições devidas, considerando crédito da empresa as contribuições recolhidas conforme planilhas demonstrativas anexas As fls. 316/317/318, reabrindo prazo para o contribuinte apresentar adendo à sua Impugnação, em vista dos cálculos efetuados. Valendose desta prerrogativa e dentro do prazo concedido, mediante vistas e cópias do processo, protocolou o contribuinte complemento à sua Impugnação alegando, em síntese, que diante da diligencia realizada resta comprovada a nulidade da notificação impugnada, já que ao lavrar a exigência, não foram considerados os valores efetivamente recolhidos nos períodos de apuração autuados, que deveriam ter sido abatidos do cálculo da contribuição exigida. A DRJ, por sua vez, acatou a retificação promovida pela autoridade fiscal e julgou procedente em parte o lançamento. Portanto, tendo a própria autoridade fiscal reconhecido o equívoco cometido e retificado o lançamento, nos termos em que alegado pela contribuinte, e tendo a DRJ convalidado a nova apuração, entendo que não merece reparos a decisão recorrida nesse aspecto. Isto posto, entendo que não merece provimento o recurso de ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. 1. Da Relação de Coresponsáveis CORESP Fl. 780DF CARF MF Processo nº 10865.001731/200731 Acórdão n.º 2202003.907 S2C2T2 Fl. 781 12 Insurgese contra a existência do anexo relatório de coresponsáveis pelo débito CORESP, que no seu entender inclui indevidamente no pólo passivo os diretores da empresa, sem embasamento legal para tanto e em afronta a dispositivo do CTN que prevê responsabilização pessoal dos agentes mediante atos praticados com excesso de poder ou infração à lei. Entendeu a DRJ de origem que o fato dos diretores constarem do relatório CORESP do presente lançamento, não significa que são solidariamente responsáveis pelos valores levantados pela auditoria fiscal nem que estejam arrolados no pólo passivo da obrigação tributária, pois somente a pessoa jurídica é que tem contra si o débito lançado. Vejamos a fundamentação do acórdão da DRJ: "Os citados nomes dos diretores apenas compõem listagem de "... todas as pessoas fisicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação" , na hipótese de que, futuramente, venha a ser apurada a responsabilidade por infrações à lei previdenciária, ou violação ao contrato social, nos termos do artigo 135, inciso III, do CTN, trazido à baila pelo contribuinte. Assim, os diretores da empresa constam do anexo "Relação de Coresponsáveis CORESP" apenas como subsidio à Procuradoria Regional na hipótese da necessidade de execução judicial do crédito previdenciário, após a conclusão do contencioso administrativofiscal, em se verificando a responsabilidade solidária pela atividade empresarial fraudulenta. Neste momento, terseá uma investigação e aprofundamento da análise acerca do contribuinte para aquilatar a existência de dolo, fraude ou má administração por parte dos diretores, ou, ainda, violação a lei ou ao contrato. Ademais, o chamamento dos representantes legais na pessoa dos diretores para responder com seus bens particulares por divida de natureza tributária é medida que se adota no caso de esta não dispor de bens suficientes para a satisfação da divida. E isto só acontece em fase de execução fiscal, em consonância com o parágrafo 3º, do artigo 4°, da Lei n° 6.830/80, que trata da cobrança judicial da Divida Ativa da Fazenda Pública, mormente depois de se verificarem infrutíferas as tentativas de localização de bens da própria empresa, após eventual apuração de atuação dolosa ou culposa dos administradores. Portanto, a relação de coresponsáveis anexa a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito cumpre o dever de fornecer os elementos necessários para que o órgão executor da divida fiscal possa atender ao disposto no inciso I, do parágrafo 5°, do artigo 2°, da Lei n° 6.830/80, na hipótese de futura inscrição do débito em divida ativa. Assim, figuram no relatório de coresponsáveis todos os representantes do contribuinte, com informação do período de atuação, sem imputarlhes responsabilidade pelo débito. Não cabe discussão na via administrativa se as pessoas listadas neste Fl. 781DF CARF MF Processo nº 10865.001731/200731 Acórdão n.º 2202003.907 S2C2T2 Fl. 782 13 relatório agiram ou não com dolo, excesso de poderes ou infração à lei." Portanto, verificase que os diretores da empresa constam do anexo "Relação de Coresponsáveis CORESP" apenas como subsidio à Procuradoria da Fazenda Nacional na hipótese da necessidade de execução judicial do crédito previdenciário, após a conclusão do contencioso administrativo fiscal, em se verificando a responsabilidade solidária pela atividade empresarial fraudulenta. Assim, não havendo responsabilidade tributária no momento imputada as pessoas arroladas como coresponsáveis (CORESP), não merece reparos o acórdão da DRJ neste ponto, não devendo ser conhecido o recurso da contribuinte neste ponto. 2. Da agroindústria e sua contribuição substitutiva Versa o tópico sobre eventual não enquadramento da contribuinte no conceito de empresa agroindustrial e, consequentemente, da impossibilidade de figurar no pólo passivo da contribuição prevista no art. 22A da Lei n° 8.212/91. Sustenta a empresa não se subsumir ao conceito de produtor rural pelo exercício subsidiário da atividade rural de florestamento e reflorestamento. Ainda uma vez, não assiste razão à Impugnante. próprio comando legal traz a definição da agroindústria, para efeitos da contribuição previdenciária. Seria ela "... o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou da produção própria é adquirida de terceiros ..". Por sua vez, o conceito de produtor rural, debatido pelo contribuinte, encontramolo desde a Instrução Normativa INSS/DC n° 068, de 10 de maio de 2002. É ele: I produtor rural a pessoa física ou jurídica, proprietária ou não, que desenvolve, em área urbana ou rural, a atividade agropecuária, pesqueira ou silvicultural, bem como a extração de produtos primários, vegetais ou animais, em caráter permanente ou temporário, diretamente ou por intermédio de prepostos; Tal conceito vem sendo reproduzido ao longo dos tempos pelos diversos comandos normativos que a este sucederam, guardando basicamente o seu conceito original. Tal é o teor da vigente IN 03/2005, que o reproduz textualmente, acrescentando apenas a distinção entre produtor rural pessoa física e produtor rural pessoa jurídica. De qualquer modo, temos que os conceitos exarados de produtor rural subsumemse integralmente à atividade então mantida pela Impugnante que, nesta qualidade, dedicavase, entre outras atividades, também a de florestamento e reflorestamento para posterior transformação na industrialização da celulose, papel e papelão, caracterizandose integralmente como agroindústria. Curioso notar que este enquadramento encontra respaldo na própria peça de Impugnação apresentada, quando à fls. 134, último parágrafo, o patrono da empresa que a ela subscreve assevera, verbis: Fl. 782DF CARF MF Processo nº 10865.001731/200731 Acórdão n.º 2202003.907 S2C2T2 Fl. 783 14 Durante o período objeto da presente autuação, a Impugnante desenvolveu subsidiariamente a atividade de florestamento e reflorestamento, com vistas a produzir a madeira (matéria prima) empregada na industrialização da celulose, papel e papelão. Além da madeira que produziu durante o período da autuação, aplicada no processo de industrialização, a Impugnante também adquiriu esta matériaprima de terceiros produtores rurais. Conforme referido, estes são os exatos termos do conceito de produtor rural aplicável ao contribuinte, ou seja, aquele que se dedica à extração de produtos primários, vegetais ou animais, para depois submetêlos à industrialização. Como é sabido, o setor primário é aquele que se dedica a produzir matériaprima para a transformação em produtos industrializados. Na Impugnante, a produção da madeira nas atividades de florestamento e reflorestamento, longe de ser atividade acessória, eventual ou subsidiária, cumpria com este papel, na faceta rural da empresa, posteriormente levada à industrialização da celulose, papel e papelão. Ressaltese que tal situação ocorreu com a vigência da Lei n° 10.256 a partir de 01/11/01, quando da edição do Decreto n° 4.032 de 26/11/2001 que regulamentou a contribuição em pauta, no âmbito previdenciário, até fevereiro/2002, quando a notificada transferiu seus parques florestais para outra empresa do grupo, segundo o relato fiscal. Deste modo, ainda que demonstrado que somente 0,25% do faturamento da empresa no período de apuração fosse decorrente de atividade de florestamento e reflorestamento, não verifico a existência de fundamentação legal para excluir a contribuinte de agroindústria. Portanto, não há como acolher os argumento da contribuinte de fls. 501/607 (petição protocolada posterior ao recurso voluntário, com documentos em anexo) de que seu faturamento decorrente de atividade rural era ínfimo e que, portanto, não seria agroindústria. Portanto, carece de fundamentos o contribuinte quanto a este ponto. 3. Da base de cálculo (exportação indireta) A contribuinte contesta a incidência de contribuição sobre mercadoria destinada à exportação, por fundamento na imunidade prevista na Constituição Federal. Com efeito, com o advento da Emenda Constitucional n° 33/01, o art. 149, § 2°, inciso I, da Constituição Federal, passou a ter a seguinte redação: Art. 149 (...) § 2 As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação (..) Como bem referido pelo acórdão da DRJ, o art. 149, § 2°, inciso I, da Constituição Federal, na redação dada pela Emenda Constitucional nº 33/01, retirou da esfera da tributação as contribuições sociais e as de intervenção sobre o domínio econômico incidentes sobre as receitas decorrentes de exportação. Daí decorre que as contribuições sociais, como as destinadas ao financiamento da Seguridade Social, passaram a não ser mais devidas se incidentes sobre receitas decorrentes de exportação, em face da imunidade prevista no referido art. 149, § 2°, inciso I, da CF/88. Fl. 783DF CARF MF Processo nº 10865.001731/200731 Acórdão n.º 2202003.907 S2C2T2 Fl. 784 15 Ocorre, contudo, que o dispositivo constitucional acima citado abrange de forma irrestrita toda e qualquer receita decorrente de exportação, mas não estende tal beneficio as operações no mercado interno, ainda que essas operações se dêem com o fim especifico de exportação futura. Isto posto, a legislação previdenciária, em consonância com os limites estabelecidos no texto constitucional, dispõe sobre a imunidade prevista no inciso I do § 2° do art. 149 da CF/88, registrando que não ocorre a incidência de tributação exclusivamente quando a produção é comercializada diretamente com o adquirente domiciliado no exterior. Tal é o disposto na IN nº 03/2005, confirase: Art. 245. Não incidem as contribuições sociais de que trata este Capitulo sobre as receitas decorrentes de exportação de produtos, cuja comercialização ocorra a partir de 12 de dezembro de 2001, por força do disposto no inciso I do § 2° do art. 149 da Constituição Federal, alterado pela Emenda Constitucional n° 33, de 11 de dezembro de 2001. § 1° Aplicase o disposto neste artigo exclusivamente quando a produção é comercializada diretamente com adquirente domiciliado no exterior. § 2º A receita decorrente de comercialização com empresa constituída e em funcionamento no Pais é considerada receita proveniente do comércio interno e não de exportação, independentemente da destinação que esta dará ao produto. Pelo exposto, agiu bem a fiscalização ao considerar base de cálculo do tributo lançado, quando identificou a rubrica contábil 3.02.01.01.003, qual seja, "Vendas ao Mercado Externo", com operações realizadas entre empresas do mesmo grupo e outras operações efetuadas com empresas igualmente sediadas no Brasil, independente do destino final do produto. Ora, não há respaldo legal para não incidência, imunidade ou isenção de contribuições sociais devidas à Seguridade Social, quando a produção rural destinada à exportação não seja comercializada diretamente com o adquirente situado no exterior, ou ainda, que a imunidade constitucional aventada abrange tais fatos. 4. Alegações de inconstitucionalidade. Nos termos da Súmula CARF nº 02,o CARF não possui competência para analisar e decidir sobre matéria constitucional, conforme súmula vigente, de utilização obrigatória, conforme Regimento Interno deste Conselho. Por tais razões, rejeitase a preliminar suscitada pelo contribuinte. Portanto, não conhecidas as alegações quanto a violação de princípios constitucionais e contrariedade a Constituição Federal. 5. Retificações efetuadas em diligências fiscais após julgamento de primeira instância Tendo a própria autoridade fiscal reconhecido o equívoco cometido e retificado o lançamento, entendo que deve ser acolhida as retificações efetuadas em diligência Fl. 784DF CARF MF Processo nº 10865.001731/200731 Acórdão n.º 2202003.907 S2C2T2 Fl. 785 16 fiscal, de modo que ficam remanescente os valores, conforme tabela de fls. 734/735, cujo valor total é abaixo reproduzido: SAT/RAT Terceiros Empresa/Rural 0,00 229.320,65 1.069.729,05 Compreendeu a autoridade fiscal que procede a alegação do contribuinte de que na Diligência Fiscal faltou a apropriação de valores de contribuições previdenciárias, que foram efetivamente recolhidos com base na folha de salários, no valor de R$ 381.012,65, relacionado ao pagamento das contribuições previdenciárias sobre o 13° salário do ano de 2001. Assim, o valor referente ao tópico anterior, 13° salário, deve ser considerado e a apropriação foi recalculada e retificada, conforme demonstrado nas colunas U, V e W da planilha de fls. 732/734, devendo ser excluído R$ 739.265,64, a título de Empresa/Rural. Ainda, "os valores (total R$ de 184.312,00), relativos ao item acima, não devem ser considerados para efeito de retificação do crédito tributário, tendo em vista tratarse de contribuições devidas e recolhidas pela empresa incidentes serviços prestados por contribuintes individuais, art. 22, inciso III, da Lei n° 8212/91, não substituídas pela Contribuição sobre a Receita Bruta da comercialização da produção. As competências e valores devidos estão demonstradas na planilha ora anexada ao processo, coluna H (base de cálculo) e coluna K (contribuição), reproduzida parcialmente abaixo, elaborada com base em elementos (Folhas de Pagamento) apresentados pela empresa a esta Auditoria em diligência anterior, para compor a revisão de recurso". Por fim, em relação ao tópico (i), onde a diligência deveria dizer se procede a alegação do contribuinte de que na Diligência Fiscal faltou a apropriação de valores de contribuições previdenciárias, que foram efetivamente recolhidos com base na folha de salários, um primeiro valor total de R$ 184.312,00, referente às competências nov/2001, dez/2001, jan/2002 e fev/2002, a Informação Fiscal foi no sentido de que não procede a alegação da contribuinte. 6. Multa aplicada Primeiramente, necessário referir que o pedido de recálculo de multa se deu após a interposição de recurso voluntário, em 12/11/2009, consoante se verifica à fl. 464 dos autos. Na ocasião, a contribuinte protocola pedido, onde requer que "seja determinado o recálculo da multa objeto da presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, observandose as disposições do artigo 35 da Lei n° 8.212/91, com redação dada pela Lei n° 11.941/09." Pois bem. Entendo que o pedido de aplicação de multa mais benéfica, por força de retroatividade benigna, pode ser realizado a qualquer tempo. Deste modo, passo a analisar tal questão. Na data da ocorrência do fato gerador das contribuições sociais em questão, qualquer outro dispositivo que dispunha sobre normas punitivas aplicas à falta ou ao atraso do seu recolhimento, ou seja, não incidia sobre tais infrações multa de ofício. Assim, o atraso ou Fl. 785DF CARF MF Processo nº 10865.001731/200731 Acórdão n.º 2202003.907 S2C2T2 Fl. 786 17 não pagamento das contribuições era punido única e exclusivamente pela multa de mora, cujo percentual variava segundo o momento do adimplemento. Somente há que se falar em aplicação de multa de ofício aos fatos geradores ocorridos após a vigência da MP nº 449/08, a qual acrescentou a Lei nº 8.212/91 o art. 35A que prevê expressamente que nos casos de lançamento de ofício das contribuições sociais previstas no art. 11 do mesmo diploma aplicarseá o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430/96 multa de ofício de 75%, podendo esta ser majorada a 150% caso ocorram as hipóteses de qualificação. Desse modo, antes da edição da Medida Provisória nº 449/08, aos fatos geradores que ensejavam aplicação de penalidade pelo atraso ou pelo não pagamento das contribuições sociais aplicavase multa de mora em percentual que variava, conforme data do efetivo pagamento, de 24% a 100% (art. 35, II e III da Lei 8.212/91 com redação anterior à Lei nº 10.941/09); Após a Medida Provisória nº 449/08, nos termos do art. 61, a multa de mora é única e fixada em trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, limitada ao percentual de 20% (art. 61 da Lei nº 9.430/96). Evidente, portanto, que a norma construída a partir da edição da Medida Provisória nº 449/08 é mais benéfica ao contribuinte, pois está limitada ao percentual de 20%, devendo ser aplicado o disposto no art. 106, II, alínea "c", do CTN, que impõe a aplicação retroativa de lei que comina penalidade menos gravosa ao contribuinte. Deste modo, a multa de mora deve ficar limitada a 20%, nos termos da fundamentação. Conclusão Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício e, quanto ao recurso voluntário, voto por dar parcial provimento ao recurso para i) manter a tributação relativa à contribuição da empresa no valor de R$ 1.069.729,05 e à contribuição de terceiros no valor de R$ 229.320,65, conforme a tabela de fls. 734/735; ii) reduzir a multa de mora para trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, limitada ao percentual de 20% (art. 61 da Lei nº 9.430/96). (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Voto Vencedor Conselheira Cecilia Dutra Pillar Redatora designada Multas Peço licença para divergir do voto do Ilustre Relator apenas no que pertine às multas incidentes sobre contribuições previdenciárias não declaradas em GFIP (Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social) e incluídas em lançamento fiscal, que é o caso dos autos. Fl. 786DF CARF MF Processo nº 10865.001731/200731 Acórdão n.º 2202003.907 S2C2T2 Fl. 787 18 Verificase que, de acordo com o Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal TEAF de fls. 35/36, na mesma ação fiscal foram constituídos diversos créditos previdenciários, sejam autuações por descumprimento de obrigação principal, por descumprimento de obrigações acessórias e também débitos confessados pelo sujeito passivo. Nos termos do art. 144 do CTN, o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. À época da ocorrência dos fatos geradores, as penalidades de multa estavam disciplinadas pelo artigo 35 da Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei nº 9.876/1999, nos seguintes termos: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação;(Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) Fl. 787DF CARF MF Processo nº 10865.001731/200731 Acórdão n.º 2202003.907 S2C2T2 Fl. 788 19 b) setenta por cento, se houve parcelamento;(Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) (sem grifos no original) Observase que a legislação de regência remete os percentuais de multa ao momento do pagamento das obrigações previdenciárias em atraso, prevendo multas diferenciadas para pagamento espontâneo (inciso I), para pagamento de contribuições incluídas em Notificação Fiscal de Lançamento, ou seja, o lançamento de ofício, realizado pela Autoridade Fiscal (inciso II) ou pagamento de obrigações inscritas em dívida ativa (inciso III). Salientese que, apesar da denominação de "multa de mora" expressa no caput do artigo 35 em referência, concluise ser "de ofício" a natureza jurídica da multa aplicada sobre as contribuições inseridas em lançamento fiscal (prevista no inciso II). A Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, trouxe significativas alterações na sistemática das multas aplicáveis, dando nova redação ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991 e incluindo o artigo 35A, que passaram a dispor: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Deste modo, a multa pelo pagamento em atraso das obrigações não incluídas em notificação fiscal de lançamento (anteriormente prevista no art. 35, inciso I) passou a ser de 0,33% ao dia, limitada a 20%, nos termos do atual art. 35, caput, da Lei nº 8.212/1991, que faz remissão ao art. 61, da Lei nº 9.430/1996. Por sua vez, para as obrigações lançadas de ofício, a multa (antes prevista no art. 35, inciso II) passou a ser fixa, de 75%, nos termos do art. 35A, da mesma Lei, que remete ao art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996. Notase que a multa decorrente do lançamento de ofício, prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430/96, é única, no importe de 75% e visa apenar, de forma conjunta, tanto o não Fl. 788DF CARF MF Processo nº 10865.001731/200731 Acórdão n.º 2202003.907 S2C2T2 Fl. 789 20 pagamento do tributo devido quanto a não declaração do tributo em GFIP, sem haver como mensurar o que foi aplicado para punir uma ou outra infração. Até o advento das alterações promovidas pela MP 449/2008, os contribuintes submetidos a auditoria fiscal eram autuados tanto pela conduta do inadimplemento de contribuições (obrigação principal) quanto pela falta de declaração das contribuições devidas em GFIP (descumprimento de obrigação acessória). As multas por descumprimento de obrigação acessória (também constituídas em lançamento de ofício) aplicadas na vigência da legislação anterior sobre as infrações relativas à falta/inexatidão de declarações em GFIP estavam previstas no art. 32, §§ 4º, 5º e 6º, da Lei nº 8.212/1991. Assim, com relação aos fatos geradores ocorridos até 11/2008, a verificação da penalidade mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, alínea "c", do CTN) deve considerar os tributos na forma como se encontram na data da comparação: (a) no caso em que o contribuinte incorreu em mora, ao efetuar o recolhimento em atraso espontaneamente, a penalidade original do art. 35, I, da Lei nº 8.212/1991 deve ser comparada à penalidade da nova redação do art. 35; (b) para as competências incluídas em lançamento de ofício, a multa por falta de pagamento do tributo (aplicada com base na antiga redação do art. 35, II da Lei nº 8.212/1991) também deve ser somada às multas por falta/inexatidão de GFIP (estipuladas na redação anterior do art. 32, §§ 4º, 5º, 6º, da Lei nº 8.212/1991), e o resultado deve ser comparado com a multa prevista no art. 35A, da Lei nº 8.212/1991, na redação atual, que conduz ao art. 44, I, da Lei nº 9.430/96 (75%). Este procedimento está disciplinado no art. 476A, da Instrução Normativa (IN) da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) nº 971/2009 e corroborado pela Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 4 de dezembro de 2009, DOU 08/12/2009, a qual determina em seu art. 2º que a análise da penalidade mais benéfica será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, ou no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), caso não haja regularização, ocasião em que os lançamentos, se necessário, serão retificados. Isto porque a multa estabelecida no artigo 35 da Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei nº 9.876/1999 e aplicável à obrigação principal, varia em função da época em que venha a ocorrer o pagamento do crédito tributário. Como foram lavrados diversos créditos tributários na mesma ação fiscal, cabe esclarecer que os créditos tributários vinculados ao auto de infração por omissões em GFIP estão identificados na planilha de fls. 785/786 do processo nº 10865.001733/200720, que contém o auto de infração Debcad nº 37.014.9181 (decorrente de descumprimento da obrigação acessória de declarar todos os fatos geradores em GFIP), de modo que para a observância do princípio da retroatividade benigna, previsto no art. 106, II, alínea "c", do CTN, a análise da penalidade mais benéfica deverá ser realizada no momento do pagamento ou do parcelamento dos débitos pelo contribuinte, considerando todos os processos vinculados. Nesse contexto, a tese esposada pelo i. Relator não prevalece pois este processo decorre de lançamento de ofício, não sendo aplicável a sistemática da multa para pagamento espontâneo. Fl. 789DF CARF MF Processo nº 10865.001731/200731 Acórdão n.º 2202003.907 S2C2T2 Fl. 790 21 Por todo o exposto, voto por manter as multas nos percentuais aplicados, conforme a legislação de regência, devendo, quando da regularização dos créditos tributários, ser verificada a retroatividade benigna na forma da Portaria Conjunta RFB/PGFN nº 14/2009. (assinado digitalmente) Cecilia Dutra Pillar Redatora designada Fl. 790DF CARF MF
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Numero do processo: 10882.907211/2012-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/12/2010
ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.245
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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BASE DE CÁLCULO. ICMS. Recorrente INDÚSTRIA DE MÁQUINAS MIRUNA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/12/2010 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório Tratase de pedido de PER/DCOMP para restituição de créditos de COFINS, cujo pedido foi indeferido, via despacho decisório. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 72 11 /2 01 2- 92 Fl. 46DF CARF MF Processo nº 10882.907211/201292 Acórdão n.º 3302004.245 S3C3T2 Fl. 3 2 Inconformada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese: que o ICMS destacado nas vendas não pode ser considerado como faturamento ou como receita bruta, não devendo, por isso, ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS; que a inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições em tela desrespeita o preceito do artigo 110 do CTN; que o STF, por meio do RE 240.785/MG, manifestou o entendimento de excluir o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Sobreveio, então, julgamento da DRJ/Belo Horizonte, que indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 02050.848. A contribuinte, então, apresentou recurso voluntário repisando os argumentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.158, de 23 de maio de 2017, proferido no julgamento do processo 10283.902818/201235, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.158): "1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, a ciência do acórdão ocorreu em 28 de agosto de 2014, fls. 50, e o recurso foi protocolado em 29 de setembro de 2014, fls. 52. Tratase, portanto, de recurso tempestivo e de matéria que pertence a este colegiado. 2. Do mérito 2.1. Do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1.144.469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10882.907211/201292 Acórdão n.º 3302004.245 S3C3T2 Fl. 4 3 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMS ST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10882.907211/201292 Acórdão n.º 3302004.245 S3C3T2 Fl. 5 4 ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10882.907211/201292 Acórdão n.º 3302004.245 S3C3T2 Fl. 6 5 RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10882.907211/201292 Acórdão n.º 3302004.245 S3C3T2 Fl. 7 6 (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente; no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706 RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento encontramse, desde já, fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. 3. Conclusão Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário, mas, no mérito, nego provimento." Da mesma forma que no caso do paradigma, no presente processo o recurso voluntário também foi apresentado tempestivamente. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10882.907211/201292 Acórdão n.º 3302004.245 S3C3T2 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Ricardo Paulo Rosa Fl. 52DF CARF MF
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Numero do processo: 12466.000607/2010-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 11/03/2010
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DESCRIÇÃO DETALHADA DA MERCADORIA INSUFICIENTE PARA DEFINIÇÃO DO CORRETO TRATAMENTO ADUANEIRO E TARIFÁRIO. INDEFERIMENTO.
Deve ser indeferido o pedido de restituição do imposto de importação para Declaração de Importação (DI) na qual a mercadoria não esteja corretamente descrita, com todos os elementos suficientes à definição do correto tratamento aduaneiro e tarifário pleiteado.
CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. SISTEMA HAMONIZADO. ACORDO INTERNACIONAL. ATIVIDADE JURÍDICA QUE NÃO SE CONFUNDE COM PERÍCIA.
A classificação de mercadorias é atividade jurídica, calcada nas Regras constantes do Sistema Harmonizado, fruto de acordo regularmente incorporado ao ordenamento jurídico nacional, com estatura de paridade com alei ordinária brasileira, e não se confunde com a perícia. O perito, técnico em determinada área (química, mecânica, elétrica etc.) informa, se necessário, quais são as características e a composição da mercadoria, especificando-a, e o especialista em classificação (conhecedor das regras do SH e de outras normas complementares), então, classifica a mercadoria, seguindo tais disposições normativas.
CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. NOME COMERCIAL. "NPEL 128". DESNECESSIDADE DE PERÍCIA.
Tendo o produto a ser classificado nome comercial que o individualize tecnicamente (no caso, "NPEL 128"), desnecessária a demanda por perícia, diante da existência de fichas técnicas sobre a mercadoria, especificando suas características.
CARF. SOLUÇÕES DE CONSULTA E DIVERGÊNCIA DA RFB. NÃO VINCULAÇÃO.
O CARF, por ser órgão externo à RFB, não é vinculado por Soluções de Consulta e de Divergência por ela emitidas, podendo emitir juízo independente sobre classificação de mercadorias, desde que calcado nas Regras do Sistema Harmonizado, e nas normas que o complementam, internacional, regional e nacionalmente.
Numero da decisão: 3401-003.766
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. A Conselheira Larissa Nunes Girard atuou em substituição ao Conselheiro Robson José Bayerl, ausente justificadamente.
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado e Renato Vieira de Ávila.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 11/03/2010 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DESCRIÇÃO DETALHADA DA MERCADORIA INSUFICIENTE PARA DEFINIÇÃO DO CORRETO TRATAMENTO ADUANEIRO E TARIFÁRIO. INDEFERIMENTO. Deve ser indeferido o pedido de restituição do imposto de importação para Declaração de Importação (DI) na qual a mercadoria não esteja corretamente descrita, com todos os elementos suficientes à definição do correto tratamento aduaneiro e tarifário pleiteado. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. SISTEMA HAMONIZADO. ACORDO INTERNACIONAL. ATIVIDADE JURÍDICA QUE NÃO SE CONFUNDE COM PERÍCIA. A classificação de mercadorias é atividade jurídica, calcada nas Regras constantes do Sistema Harmonizado, fruto de acordo regularmente incorporado ao ordenamento jurídico nacional, com estatura de paridade com alei ordinária brasileira, e não se confunde com a perícia. O perito, técnico em determinada área (química, mecânica, elétrica etc.) informa, se necessário, quais são as características e a composição da mercadoria, especificando-a, e o especialista em classificação (conhecedor das regras do SH e de outras normas complementares), então, classifica a mercadoria, seguindo tais disposições normativas. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. NOME COMERCIAL. "NPEL 128". DESNECESSIDADE DE PERÍCIA. Tendo o produto a ser classificado nome comercial que o individualize tecnicamente (no caso, "NPEL 128"), desnecessária a demanda por perícia, diante da existência de fichas técnicas sobre a mercadoria, especificando suas características. CARF. SOLUÇÕES DE CONSULTA E DIVERGÊNCIA DA RFB. NÃO VINCULAÇÃO. O CARF, por ser órgão externo à RFB, não é vinculado por Soluções de Consulta e de Divergência por ela emitidas, podendo emitir juízo independente sobre classificação de mercadorias, desde que calcado nas Regras do Sistema Harmonizado, e nas normas que o complementam, internacional, regional e nacionalmente.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. A Conselheira Larissa Nunes Girard atuou em substituição ao Conselheiro Robson José Bayerl, ausente justificadamente. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado e Renato Vieira de Ávila.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1999; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 312 1 311 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12466.000607/201081 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401003.766 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de maio de 2017 Matéria ADUANA CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Recorrente CISA TRADING S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 11/03/2010 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DESCRIÇÃO DETALHADA DA MERCADORIA INSUFICIENTE PARA DEFINIÇÃO DO CORRETO TRATAMENTO ADUANEIRO E TARIFÁRIO. INDEFERIMENTO. Deve ser indeferido o pedido de restituição do imposto de importação para Declaração de Importação (DI) na qual a mercadoria não esteja corretamente descrita, com todos os elementos suficientes à definição do correto tratamento aduaneiro e tarifário pleiteado. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. SISTEMA HAMONIZADO. ACORDO INTERNACIONAL. ATIVIDADE JURÍDICA QUE NÃO SE CONFUNDE COM PERÍCIA. A classificação de mercadorias é atividade jurídica, calcada nas Regras constantes do Sistema Harmonizado, fruto de acordo regularmente incorporado ao ordenamento jurídico nacional, com estatura de paridade com alei ordinária brasileira, e não se confunde com a perícia. O perito, técnico em determinada área (química, mecânica, elétrica etc.) informa, se necessário, quais são as características e a composição da mercadoria, especificandoa, e o especialista em classificação (conhecedor das regras do SH e de outras normas complementares), então, classifica a mercadoria, seguindo tais disposições normativas. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. NOME COMERCIAL. "NPEL 128". DESNECESSIDADE DE PERÍCIA. Tendo o produto a ser classificado nome comercial que o individualize tecnicamente (no caso, "NPEL 128"), desnecessária a demanda por perícia, diante da existência de fichas técnicas sobre a mercadoria, especificando suas características. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 06 07 /2 01 0- 81 Fl. 312DF CARF MF 2 CARF. SOLUÇÕES DE CONSULTA E DIVERGÊNCIA DA RFB. NÃO VINCULAÇÃO. O CARF, por ser órgão externo à RFB, não é vinculado por Soluções de Consulta e de Divergência por ela emitidas, podendo emitir juízo independente sobre classificação de mercadorias, desde que calcado nas Regras do Sistema Harmonizado, e nas normas que o complementam, internacional, regional e nacionalmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. A Conselheira Larissa Nunes Girard atuou em substituição ao Conselheiro Robson José Bayerl, ausente justificadamente. ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado e Renato Vieira de Ávila. Relatório Versa o presente sobre o Pedido de Reconhecimento de Crédito decorrente de Retificação da Declaração de Importação (DI) no 09/00564746, registrada em 14/01/2009, e desembaraçada em 15/01/2009, em canal verde. Na retificação efetuada na DI (da classificação da mercadoria importada, “NPEL 128 – Resina Epóxida sem carga inorgânica, na forma líquida”, do código NCM 3907.30.29 para o código NCM 2910.90.90), pleiteiase o direito de restituição do imposto de importação, em função da diferença de alíquota entre os códigos, no valor de R$ 17.120,47, com fundamento “em decisão favorável proferida no Agravo de Instrumento no 2008.01.00.0706389/DF (originário do Mandado de Segurança no 2008.34.00.0029650). Os documentos referentes à DI e às retificações se encontram às fls. 3 a 10.1 Depois de ter vista aos autos da ação judicial, a fiscalização narra, na informação de fls. 111 a 113, que a empresa entendeu lhe ser favorável a decisão na Solução de Consulta SRRF/DIANA no 291, de 29/09/2006 (fls. 76 a 80, relativa, entre outros, a “NPEL 128”, a ser importado pela empresa, entendido como classificado no código NCM 2910.90.90), e que não houve apreciação da classificação da mercadoria pelo juízo, pelo que se recomendava a revisão aduaneira da DI. Anexase ainda aos autos a Solução de Divergência no 17, de 24/10/2007, proferida pela CoordenaçãoGeral de Administração Aduaneira (COANA), que reforma a Solução de Consulta SRRF/DIANA no 291/2006, entendendo como correta a 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 313DF CARF MF Processo nº 12466.000607/201081 Acórdão n.º 3401003.766 S3C4T1 Fl. 313 3 classificação do produto de nome comercial “NPEL 128” no código NCM 3907.30.29 (fls. 81 a 86). No parecer conclusivo de fls. 117 a 121, narra a fiscalização que: (a) na Solução de Consulta SRRF/DIANA no 291/2006 a empresa informa que a mercadoria objeto da consulta seria o composto epóxi fenólico NPEL 134 e NPEL 128, matériaprima para fabricação de resina epóxida, enquanto nas DI declara que a mercadoria importada seria resina epóxida NPEL 134 e NPEL 138; (b) a COANA expressamente reformou a Solução de Consulta SRRF/DIANA no 291/2006, em 24/10/2007, estabelecendo que o composto epóxi fenólico NPEL 128 classificase no código NCM 3907.30.29; (c) diante da reforma, a empresa foi cientificada sobre a improcedência da retificação, diante da divergência na descrição, e da impossibilidade de laudo técnico, em função de já estarem as mercadorias fora do recinto alfandegado; (d) que a empresa reconhece que existe a resina epóxida NPEL 128, mas que não a importa, mas sim a matériaprima composto epóxi fenólico NPEL 128; (e) a empresa impetrou o Mandado de Segurança no 2008.34.00.0029650 buscando fosse declarada a nulidade da Solução de Divergência COANA no 17/2007, mantendose os efeitos da Solução de Consulta SRRF/DIANA no 291/2006, sendo a sentença pela improcedência do pedido, havendo, no Agravo de Instrumento no 2008.01.00.0706389 sido autorizada a suspensão dos efeitos da Solução de Divergência COANA no 17/2007, mediante depósito judicial da diferença de tributos; (f) embora a empresa pleiteie a nulidade da referida solução de consulta, suas declarações de importação versam sobre resina epóxida NPEL 128, e não sobre a mercadoria objeto da consulta, como atesta o próprio exportador (NAN YA PLASTIC CORP); e (g) a empresa não se desincumbe do ônus de provar que as mercadorias declaradas pelo importador e pelo exportador na declaração de importação (e em outras 48 DI) como “resina epóxida NPEL 128” em verdade se tratavam de “composto epóxi fenólico NPEL 128”. Com fundamento em tal informação, o pedido de restituição é indeferido pelo Despacho Decisório de fl. 130, datado de 11/04/2013. Ciente do despacho em 02/12/2013 (fl. 130), a empresa apresenta, em 30/12/2013, a Manifestação de Inconformidade de fls. 132 a 143, sustentando, basicamente, que: (a) importa “composto epóxi fenólico NPEL 128”, utilizado como matériaprima para fabricação de resina epóxi, e o classifica no código NCM 29.10.90.90, recolhendo o imposto de importação á alíquota de 2%; (b) a classificação foi confirmada na Solução de Consulta SRRF/DIANA no 291/2006; (c) a empresa demandou retificação da DI, alterando o código NCM de 3907.30.29 para 29.10.90.90, e a autoridade fiscal a retificou e desembaraçou, mas tal retificação foi irregularmente tornada sem efeito pelo despacho decisório, sob o pretexto de que não mais se teria condição de avaliar as condições da mercadoria importada; (d) no despacho decisório, que reconhece a retificação efetuada pela fiscalização, não foi apresentada qualquer razão para que esta fosse desconsiderada; e (e) a alegação de que não havia mais condições de verificar a mercadoria é improcedente, visto que tal avaliação já foi realizada por diversas vezes pelo fisco (v.g., em agosto de 2003). A decisão de primeira instância, proferida em 28/05/2015 (fls. 219 a 225) é, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, e pela negativa de diligência, pelos seguintes fundamentos: (a) a solução de consulta formulada pelo sujeito passivo revela o pronunciamento formal da Administração sobre a classificação de mercadorias suscitada pelo consulente; (b) o pedido de retificação foi deferido por entender a autoridade fiscal que a decisão proferida no Agravo de Instrumento, ao deferir o efeito suspensivo ao recurso de apelação proposto pela requerente, implicaria atendimento ao pedido formulado pela interessada de retificação da DI em questão; (c) no momento do registro da DI encontravase em Fl. 314DF CARF MF 4 vigor a Solução de Divergência COANA no 17/2007, que determinava a classificação dos produtos denominados "resina epóxida NPEL128 e NPEL134” na NCM 3907.30.29, devendo tal norma ser cumprida pela Administração e pelo julgador administrativo da RFB; e (d) o efeito suspensivo atribuído ao recurso de agravo de instrumento pelo C.P.C. se refere unicamente às decisões de cunho positivo, ou seja, àquelas que concedem algo, não podendo tal efeito suspender uma tutela que havia sido negada pelo juízo a quo. Após ciência da decisão da DRJ, em 03/06/2015 (termo de fl. 229), a empresa apresenta o Recurso Voluntário de fls. 231 a 248, em 26/06/2015 (fl. 287), alegando reiterar os argumentos expressos na manifestação de inconformidade (de que houve retificação pela autoridade aduaneira, aceitando a alteração na classificação, e de que é inaplicável ao caso a Solução de Divergência COANA no 17/2007, porque a empresa importa “composto epóxi fenólico NPEL 128”, utilizado como matériaprima para fabricação de resina epóxi, e não “resina epóxi”, como comprovam os laudos técnicos juntados aos autos), e agregando que: (a) houve decadência, contandose mais de 5 anos entre a aceitação da retificação da DI e a decisão da DRJ; (b) em nome da verdade material, deve ser demandada diligência, para análise dos laudos elaborados, sob pena de nulidade; e (c) houve alteração de critério jurídico utilizado para a classificação fiscal, e a homologação do lançamento se deu com a retificação da DI e com a concordância da classificação fiscal adotada pela recorrente. Às fls. 291 a 311 são apresentadas cópias de peças judiciais (mandado de segurança e petição) nas quais se percebe que o juízo deferiu liminar para que se desse andamento, no prazo de quinze dias, a 19 processos administrativos, no CARF, entre os quais o presente. Em 30/03/2017, o processo foi a mim sorteado, para inclusão em pauta. Ao final de abril, fui informado, por email, pela assessoria jurídica do CARF, de que haveria decisão judicial determinando o julgamento imediato do processo, pelo que o incluí na primeira pauta subsequente. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso voluntário apresentado atende os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. O cerne da questão tratada no presente processo, e jamais submetida a juízo pela empresa, é a correta classificação das mercadorias importadas na DI no 09/00564746. Contudo, há que se enfrentar, preliminarmente, as alegações da empresa de que teria havido decadência. Das preliminares Fl. 315DF CARF MF Processo nº 12466.000607/201081 Acórdão n.º 3401003.766 S3C4T1 Fl. 314 5 A alegação de decadência é afastada de plano por revelar simples equívoco da recorrente em relação aos termos a serem utilizados para contagem do prazo, pois a empresa toma o julgamento da DRJ como se fosse a negativa originária do direito de restituição, olvidandose de que a DRJ é mera instância recursal, e que a negativa deriva do despacho decisório da unidade local (11/04/2013 fl. 130), que não apresenta interstício superior a cinco anos em relação ao pedido de restituição (datado de 11/03/2010 – fl. 3). Ainda como preliminar, cabe destacar que as Soluções de Consulta e de Divergência vinculam a RFB, instituição da qual faz parte tanto a autoridade aduaneira que aceitou a retificação quanto a DRJ. A Lei no 9.430/1996 o esclarece, em seus artigos 48 e 50: Art. 48. No âmbito da Secretaria da Receita Federal, os processos administrativos de consulta serão solucionados em instância única. (...) § 11. A solução da divergência acarretará, em qualquer hipótese, a edição de ato específico, uniformizando o entendimento, com imediata ciência ao destinatário da solução reformada, aplicandose seus efeitos a partir da data da ciência. § 12. Se, após a resposta à consulta, a administração alterar o entendimento nela expresso, a nova orientação atingirá, apenas, os fatos geradores que ocorram após dado ciência ao consulente ou após a sua publicação pela imprensa oficial. (...) Art. 50. Aplicamse aos processos de consulta relativos à classificação de mercadorias as disposições dos arts. 46 a 53 do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972 e do art. 48 desta Lei. § 1o O órgão de que trata o inciso I do § 1o do art. 48 poderá alterar ou reformar, de ofício, as decisões proferidas nos processos relativos à classificação de mercadorias. § 2o Da alteração ou reforma mencionada no parágrafo anterior, deverá ser dada ciência ao consulente. § 3o Em relação aos atos praticados até a data da ciência ao consulente, nos casos de que trata o § 1o deste artigo, aplicamse as conclusões da decisão proferida pelo órgão regional da Secretaria da Receita Federal. (...)” Assim, descabe à DRJ se manifestar sobre o conteúdo de Solução de Consulta ou de Divergência. Passamos, no entanto, a analisar a alegação de que a mercadoria importada efetivamente não corresponde àquela constante na Solução de Divergência COANA no 17/2007, porque a empresa importa “composto epóxi fenólico NPEL 128”, utilizado como matériaprima para fabricação de resina epóxi, e não “resina epóxi”. Para avaliar a afirmação, há que se estar certo sobre haver identidade entre a mercadoria importada e aquela presente na Solução de Consulta e na Solução de Divergência. Fl. 316DF CARF MF 6 Da mercadoria efetivamente importada Na DI no 09/00564746, em análise no presente processo, a empresa declara as mercadorias que está a importar, no campo “descrição detalhada da mercadoria”, como (fl. 9): A DI no 09/00564746, recordese, foi registrada em 14/01/2009, e desembaraçada em 15/01/2009, em canal verde (ou seja, com desembaraço automático pelo sistema SISCOMEX, sem ter havido verificação da mercadoria nem exame dos documentos de importação). A empresa, no campo livre “informações complementares” da referida DI, não sujeito a críticas ou a seletividade, pelo SISCOMEX, já informava que discordava da classificação que ela própria declarava na DI, dando a entender que algo a compelia a classificar o produto em tal código NCM (fl. 8): O pedido de retificação, alterando a classificação do código NCM 3907.30.29 para o código NCM 2910.90.90, mantendo intacta a descrição detalhada da mercadoria, aqui já transcrita, foi apresentado após o desembaraço, pelo importador, invocando decisão judicial (no Agravo de Instrumento no 2008.01.00.0706389/DF, relativo ao Mandado de Segurança no 2008.34.00.0029650 – peças judiciais às fls. 87 a 108). Reparese, por fim, que o pedido de retificação, apesar de alterar a classificação, mantém no texto das informações complementares a mensagem (que passa a ser contraditória) de que “a mercadoria NPEL 128 objeto da adição 001 foi classificada na posição (sic) 3907.30.29 em que pese não concordar, por entender que a classificação correta é a NCM 2910.90.90”. E adicionese que o pedido de retificação foi feito pelo importador, e inserido no SISCOMEX pela fiscalização tão somente porque após o desembaraço o importador não mais consegue, por si, inserir demandas de retificação no referido sistema. É o que dispõe a norma infralegal que disciplina a matéria, IN RFB no 680/2006, em seus artigos 44 e 45: “Art. 44. A retificação de informações prestadas na declaração, ou a inclusão de outras, no curso do despacho aduaneiro, ainda que por exigência da fiscalização aduaneira, será feita, pelo importador, no Siscomex. (...) Fl. 317DF CARF MF Processo nº 12466.000607/201081 Acórdão n.º 3401003.766 S3C4T1 Fl. 315 7 § 3o Em qualquer caso, a retificação da declaração não elide a aplicação das penalidades fiscais e sanções administrativas cabíveis. Art. 45. A retificação da declaração após o desembaraço aduaneiro, qualquer que tenha sido o canal de conferência aduaneira ou o regime tributário pleiteado, será realizada: I de ofício, na unidade da SRF onde for apurada, em ato de procedimento fiscal, a incorreção; ou II mediante solicitação do importador, formalizada em processo e instruída com provas de suas alegações e, se for o caso, do pagamento dos tributos, direitos comerciais, acréscimos moratórios e multas, inclusive as relativas a infrações administrativas ao controle das importações, devidos, e do atendimento de eventuais controles específicos sobre a mercadoria, de competência de outros órgãos ou agências da administração pública federal. (...) § 7o A retificação a que se refere o caput independe do procedimento de revisão aduaneira de toda a declaração de importação que, caso necessário, poderá ser proposta à unidade da SRF com jurisdição para fins de fiscalização dos tributos incidentes no comércio exterior, sobre o domicílio do importador.(...)” (grifo nosso) No caso, a retificação foi feita a pedido (e não de ofício), tendo sido recomendada a revisão aduaneira pela fiscalização, tendo em vista que a aceitação definitiva da retificação pendia de decisão judicial. Tudo conforme a legislação aduaneira. Das ações judiciais (AI no 2008.01.00.0706389/DF e MS no 2008.34.00.0029650) No relatório da sentença proferida no Mandado de Segurança em epígrafe, resta bem sintetizada a demanda da empresa em juízo: Fl. 318DF CARF MF 8 Adotando descrição da mercadoria diferente daquela que usou (e não retificou) na DI, a empresa afirma expressamente que formulou consulta em relação a tal mercadoria, e que a revisão efetuada pela COANA seria equivocada, por tratar de produtos diferentes dos que importa. Exemplar a informação do juízo de que a via mandamental é inadequada para discutir a classificação da mercadoria no Sistema Harmonizado: Passa, então, o Poder Judiciário apenas a analisar eventuais vícios na decisão da RFB, não os encontrando. E não há, nos autos, nenhuma decisão judicial em sentido contrário, sendo a única tutela obtida em juízo a referente à necessidade de análise célere do pleito pela Administração, e a presente no Agravo de Instrumento no 2008.01.00.0706389, no seguinte sentido: Fl. 319DF CARF MF Processo nº 12466.000607/201081 Acórdão n.º 3401003.766 S3C4T1 Fl. 316 9 A decisão judicial no Agravo de Instrumento é entendida pela autoridade local (fls. 111 a 113) como autorizando a empresa a classificar a mercadoria no código NCM 2910.90.90: E, por isso, é efetuada a retificação solicitada, no SISCOMEX, em 05/04/2010 (fls. 90/91), entendendose que a decisão judicial amparava a classificação a partir da interposição, em 24/01/2008 (fl. 115). No entanto, a restituição não é autorizada, tendo em vista que a descrição detalhada da mercadoria na DI, e endossada pelo exportador nas faturas comerciais, é incompatível com a tratada na Solução de Consulta (fl. 120): Fl. 320DF CARF MF 10 Daí o indeferimento da restituição, que não contrapõe a decisão judicial, nem a retificação efetuada, pois discute tema diverso: a ausência de prova de que a mercadoria efetivamente importada na DI se tratava de “composto epóxi fenólico NPEL 128”, contrariando a própria declaração da empresa e do exportador: Equivocado, assim, o argumento de defesa que entende que o indeferimento da restituição constitui uma rediscussão da retificação efetuada na classificação, e que a classificação correta seria, segundo o fisco, a indicada na Solução de Divergência COANA no 17/2007. Dita reclassificação, demandada pela empresa e efetuada pelo fisco “em decorrência de determinação judicial”, não constituiu a razão de indeferimento, mas a impossibilidade de se saber se a mercadoria efetivamente importada era a descrita pelo importador e pelo exportador como “resina epóxida, sem carga inorgânica, na forma líquida” (tanto antes quanto depois da reclassificação), endossada pela indisponibilidade da mercadoria para análise. Da Solução de Consulta SRRF/DIANA no 291, de 29/09/2006 A empresa, apesar de não incluir a referida Solução de Consulta no campo referente à justificativa da retificação, expressamente a menciona em sua defesa, defendendo que trata exatamente dos produtos que importa. Vejase, sobre o tema, a descrição no relatório da consulta (fl. 76): Fl. 321DF CARF MF Processo nº 12466.000607/201081 Acórdão n.º 3401003.766 S3C4T1 Fl. 317 11 No relatório da Solução de Consulta são mencionados diversos laudos, de períodos e declarações distintos, mas com o mesmo nome comercial de “NPEL 128”, um deles (FUCAMP) concluindo que a mercadoria era “resina epóxida, sem carga inorgânica, na forma líquida”, outro (IPT), que era uma “resina epóxi”, e outros (Maria C. H. Tcharbadjian e USP) que era “composto epóxi fenólico”. Não tendo sido possível ao laboratório da Aduana (LABOR) analisar a mercadoria, a classificação foi feita com base nas informações prestadas pelo consulente, como assevera a conclusão da Solução de Consulta (sintética, por sequer trafegar pelos textos das posições e notas do Sistema Harmonizado fl. 80): Assim, sequer houve análise efetiva da mercadoria pela Aduana durante o processo que culminou na Solução de Consulta SRRF/DIANA no 291/2006. Mas o relatório da Solução de Consulta é suficiente para que perceba que havia diferentes entendimentos a respeito do que seria o produto de nome comercial “NPEL 128”. Poderia ser o produto de nome comercial “NPEL 128” uma “resina epóxida, sem carga inorgânica, na forma líquida” (exatamente como a recorrente declarou na DI e como declarou o exportador na fatura comercial) ou um “composto epóxi fenólico” (como a própria recorrente defende que era o produto que importava). É nesse sentido que busca a Solução de Divergência COANA no 17/2007, com base na própria ficha técnica do produto de nome comercial “NPEL 128”, sua definição, obtendo o seguinte resultado: A nosso ver, então, pouco resta a eventual laudo técnico, sendo fácil classificar o produto a partir das próprias informações sobre sua composição, fornecidas na ficha técnica. E foi exatamente o que fez a Solução de Divergência COANA no 17/2007, que, indubitavelmente, trata do mesmo produto “NPEL 128”, agora sim percorrendo detidamente as Regas do Sistema Harmonizado. Aliás, se não tratasse de tal produto a divergência sequer faria sentido que ela reformasse a Solução de Consulta SRRF/DIANA no 291/2006. Vejase, para afastar qualquer dúvida, de qual produto do qual trata a solução de divergência (fl. 82): Fl. 322DF CARF MF 12 Assim, pouco importa que a empresa, ao alterar a classificação, tenha eventualmente esquecido de alterar também a descrição detalhada da mercadoria de “resina epóxida, sem carga inorgânica, na forma líquida” para “composto epóxi fenólico”. Isso porque o produto tem nome comercial conhecido, que permite, tecnicamente, sua categorização (“NPEL 128”). A prestação de informação incorreta na descrição da mercadoria tem como consequência, aqui, apenas o afastamento da discussão sobre esta conter todos os elementos necessários ao correto tratamento aduaneiro e enquadramento tarifário pleiteado, visto que o presente processo não trata de multa por erro na descrição da mercadoria. Entendemos, sabendo do que se trata o “NPEL 128”, ser possível a classificação da mercadoria, segundo as regras do Sistema Harmonizado, acordo internacional do qual o Brasil é signatário, tendo sido regularmente incorporado seu texto ao ordenamento jurídico nacional, o que confere ao tratado a estatura de paridade com a lei ordinária brasileira, como entende o STF (v.g., ADIN no 1.480/DF). Inócua, assim, a realização de diligências, pois se sabe a própria composição da mercadoria, em grau suficiente para se ter certeza sobre sua classificação no Sistema Harmonizado, qualquer que seja sua descrição detalhada na DI. No entanto, cabe esclarecer que o contencioso que a DRJ não podia oferecer à empresa, discutindo o mérito das Soluções de Consulta e Divergência, pode ser objeto de análise por este CARF, órgão externo à RFB. Na sequência, tratase do tema, após considerações iniciais esclarecedoras sobre a classificação de mercadorias. Da classificação de mercadorias A classificação de mercadorias se presta primordialmente à uniformização internacional. De nada adiantaria, por exemplo, pactuar alíquotas sobre o imposto de importação internacionalmente, se não fosse possível designar sobre quais produtos recai o acordo. A "Babel" de idiomas sempre foi um fator de dificuldade para o controle tributário e aduaneiro, e também para a elaboração de estatísticas de comércio internacional, e é agravada pelas diversas denominações que uma mercadoria pode ter mesmo dentro de um mesmo idioma (v.g., no Brasil, a tangerina, também denominada de mexerica, bergamota ou mimosa, entre outros). Embora haja registro de iniciativas no século XIX, na Europa, de confecção de listas alfabéticas de mercadorias, é em 29/12/1913, em Bruxelas, na segunda Conferência Internacional sobre Estatísticas Comerciais, que 29 países chegam à primeira nomenclatura de real importância, dividindo o universo de mercadorias em 186 posições, agrupadas em cinco capítulos: animais vivos, alimentos e bebidas, matériaprima ou simplesmente preparada, produtos manufaturados, e ouro e prata. Depois de diversas iniciativas, como a Nomenclatura de Genebra, da década de 30 do século passado, e a Nomenclatura Aduaneira de Bruxelas, de 1950, com o nome alterado, em 1974, para Nomenclatura do Conselho de Cooperação Fl. 323DF CARF MF Processo nº 12466.000607/201081 Acórdão n.º 3401003.766 S3C4T1 Fl. 318 13 Aduaneira – NCCA, chegase à Convenção do “Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias" (SH), aprovada em 1983, e que entrou em vigor internacional em 1o de janeiro de 1988.2 A Convenção do SH é hoje aplicada em âmbito mundial, não só entre os 155 países signatários, mas em suas relações com terceiros. No Brasil, a referida convenção foi aprovada pelo Decreto Legislativo no 71, de 11/10/1988, e promulgada pelo Decreto no 97.409, de 23/12/1988, com depósito internacional do instrumento de ratificação em 08/11/1988. Desde 1o de janeiro de 1989, a convenção é plenamente aplicável no Brasil, tendo, segundo entendimento dominante em nossa suprema corte, "status" de paridade com a lei ordinária.3 O Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (SH) é uma nomenclatura estruturada sistematicamente buscando assegurar a classificação uniforme de todas as mercadorias (existentes ou que ainda existirão) no comércio internacional, e compreende seis Regras Gerais Interpretativas (RGI), Notas de Seção, de Capítulo e de Subposição, e 21 seções, totalizando 96 capítulos, com 1.244 posições, várias destas divididas em subposições de 1 travessão (primeiro nível) ou dois (segundo nível), formando aproximadamente 5.000 grupos de mercadorias, identificados por um código de 6 dígitos, conhecido como Código SH.4 Desde que não contrariem o estabelecido no SH, os países ou blocos regionais podem estabelecer complementos aos seis dígitos internacionalmente acordados, e utilizar a codificação inclusive para temas e tributos internos. A Nomenclatura Comum do MERCOSUL (NCM), que serve de base à aplicação da Tarifa Externa Comum (TEC), acrescenta aos seis dígitos formadores do código do Sistema Harmonizado mais dois, um referente ao item (sétimo dígito) e outro ao subitem (oitavo dígito). A inclusão de um par de dígitos efetuada na NCM demandou ainda a edição de Regras Gerais Complementares (RGC) às seis Regras Gerais do SH (para disciplinar a interpretação no que se refere a itens e subitens) e de Notas Complementares.5 2 DALSTON, Cesar Olivier. Classificando Mercadorias: uma Abordagem Didática da Ciência da Classificação de Mercadorias. 2. ed. São Paulo: Aduaneiras, 2014, p. 182187; BIZELLI, João dos Santos. Classificação fiscal de mercadorias. São Paulo: Aduaneiras, 2003, p. 14; e TREVISAN, Rosaldo. A revisão aduaneira de classificação de mercadorias na importação e a segurança jurídica: uma análise sistemática. In: BRANCO, Paulo Gonet; MEIRA, Liziane Angelotti; CORREIA NETO, Celso de Barros (coords.). Tributação e Direitos Fundamentais conforme a jurisprudência do STF e do STJ. São Paulo: Saraiva, 2012, p. 358361. 3 Sobre a estatura de paridade dos tratados internacionais regularmente incorporados ao ordenamento jurídico brasileiro com as leis, vejase a ADIn n. 1.480DF. 4 Além do constante estabelecimento de atualizações na nomenclatura, decorrentes de descobertas e aperfeiçoamentos de novos produtos, há publicações complementares que auxiliam no processo de designação e classificação de mercadorias, como as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado NESH (expressando o posicionamento oficial do CCAOMA), o índice alfabético do Sistema Harmonizado e das Notas Explicativas, publicado pelo CCAOMA, os pareceres de classificação emitidos pelo Comitê do Sistema Harmonizado, criado pela convenção, e os atos normativos emitidos por autoridades nacionais a respeito de classificação de mercadorias. 5 Em 01/01/1995, tendo em vista o Tratado de Assunção, os entendimentos havidos no âmbito do Mercosul, e a publicação do Decreto n. 1.343, de 23/12/1994, a antiga Tarifa Aduaneira do Brasil (TAB), que utilizava dez dígitos (os seis do SH mais dois para itens e dois para subitens), deu lugar à Tarifa Externa Comum (TEC), uniformemente adotada por todos os membros do bloco. Tal evolução serviu de base à substituição, em 01/01/1997, após a publicação do Decreto n. 1.767, de 28/12/1995, da Nomenclatura Brasileira de Mercadorias (NBM) pela Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). Fl. 324DF CARF MF 14 Assim, se o Brasil, por exemplo, pactua internacionalmente as alíquotas máximas (no âmbito da Organização Mundial do Comércio OMC) ou a alíquota extrabloco (no âmbito do MERCOSUL) do imposto de importação para determinada classificação, tais pactos são aplicáveis ao que se entende internacionalmente abarcado por tal classificação. Não pode assim, o Brasil, dar a determinada expressão, utilizada na nomenclatura do SH, significado ou amplitude distinta da ali estabelecida, de modo a tornar não uniforme o termo, internacionalmente, sob pena de ser a medida, inclusive, interpretada como tratamento discriminatório no âmbito da OMC (Artigos I e III do GATT). É notório que a classificação de mercadorias é hoje tema complexo, que demanda atenção de especialistas na matéria. No entanto, não se pode confundir especialistas em classificação de mercadorias com especialistas em informar o que são determinadas mercadorias (em geral, peritos). O perito não tem a função de classificar mercadorias na nomenclatura. O perito químico, por exemplo, tem a função, entre outras, de, a partir da composição de determinada mercadoria, informar qual é seu nome técnico e quais são suas características. Esses aspectos são eminentemente técnicos. A classificação de mercadorias é atividade jurídica, a partir de informações técnicas. O perito, técnico em determinada área (mecânica, elétrica etc.) informa, se necessário, quais são as características e a composição da mercadoria, especificandoa, e o especialista em classificação (conhecedor das regras do SH e outras normas complementares), então, classifica a mercadoria, seguindo tais disposições normativas. Tais atividades não se confundem. No presente processo, já se sabe o nome técnico da mercadoria, e as características necessárias a sua classificação, e, por isso, é realmente inócua a diligência demandada pela empresa. Podese, então, classificar a mercadoria com fundamento nas Regras do Sistema Harmonizado à luz das informações prestadas nos próprios elementos já carreados aos autos. Cabe, no entanto, informar que a análise de classificação fiscal a ser empreendida por este colegiado administrativo, no curso do contencioso, no caso concreto, não se confunde com aquela que foi objeto de Solução de Consulta e de Solução de Divergência, aplicável, de forma geral, à empresa, o que é melhor esclarecido no tópico seguinte. Da relação do processo contencioso de classificação de mercadorias com o processo de consulta sobre classificação de mercadorias É um pressuposto do Sistema Harmonizado que para toda e qualquer mercadoria existente haja uma e tãosomente uma classificação correta na codificação de seis dígitos internacionalmente acordada (à qual, como exposto, foram agregados posteriormente, em 1995, dois dígitos, no âmbito do MERCOSUL). Na era da complexidade e da multifuncionalidade, contudo, nem sempre é fácil (aliás, quase sempre é difícil) identificar a correta classificação das mercadorias. Ainda mais porque a classificação envolve temas técnicos multidisciplinares, a serem apreciados à luz das Regras Gerais acordadas internacionalmente, e com auxílio de mecanismos gerenciados pela própria Convenção que disciplina o Sistema Harmonizado. Fl. 325DF CARF MF Processo nº 12466.000607/201081 Acórdão n.º 3401003.766 S3C4T1 Fl. 319 15 O Sistema Harmonizado, como estabelece a própria convenção (Artigo 1o, “a”), compreende as posições (quatro primeiros dígitos) e subposições (quinto e sexto dígitos) e seus respectivos códigos numéricos, as Notas de Seção, de Capítulo e de Subposição, bem como as seis Regras Gerais para interpretação (Anexo da Convenção), permitindo desdobramentos regionais (como o efetuado no âmbito do MERCOSUL, com a inclusão de item e subitem/sétimo e oitavo dígitos, e de duas Regas Gerais Complementares). A convenção cria ainda um Comitê (Artigo 6o), composto por representantes dos Estados Partes, estando entre as funções do Comitê (Artigo 7o, “b”) “redigir as Notas Explicativas, Pareceres de Classificação e outros pareceres para interpretação do Sistema Harmonizado” e formular recomendações em caso de controvérsias entre Estados Partes sobre interpretação e aplicação da convenção (Art. 10, 2). Assim, são hoje instrumentos para interpretação e aplicação das Regras do Sistema Harmonizado, além do texto da própria Convenção (e suas emendas), as seguintes publicações complementares: (a) as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH)6, expressando o posicionamento do Conselho de Cooperação Aduaneira/CCA (conhecido como Organização Mundial de Aduanas/OMA), o índice alfabético do SH, também publicado pela OMA; e os pareceres de classificação emitidos pelo Comitê do SH7. Ao lado destes atos internacionais há ainda manifestações no âmbito do MERCOSUL8 e atos normativos nacionais, como Instruções Normativas (IN) da RFB e Atos Declaratórios Interpretativos da RFB (ADI). Para que o comerciante, industrial ou importador classifique as mercadorias a serem transacionadas neste vasto universo, seja para fins tributários, de tratamento administrativo ou outro, ou ainda para simples finalidade estatística, é preciso um conhecimento específico nem sempre disponível internamente nas empresas. E, como a classificação fiscal incorreta pode ocasionar, por exemplo, uma maior (ou menor) tributação, uma permissão (ou restrição, ou ainda vedação) à importação, ou mesmo a aplicação de penalidades, tornouse necessário o estabelecimento de um mecanismo pelo qual o órgão público nacional aplicador da convenção esclarecesse previamente aos comerciantes/industriais/importadores a correta classificação as mercadorias transacionadas, contribuindo para a segurança jurídica no comércio (nacional ou internacional). Antes mesmo da existência do Sistema Harmonizado, o processo de consulta sobre classificação de mercadorias já esteve9 inserido no próprio texto da norma que disciplina o processo administrativo de determinação e exigência de crédito tributário, Decreto no 70.235/1972 (arts. 46 a 58), que estabelecia processo em instância única (art. 54, III, “a”), a ser julgado pelo Coordenador do Sistema de Tributação. 6 A última versão traduzida para língua portuguesa das NESH foi aprovada pela Instrução Normativa no 1.260/2012. Segundo o art. 94, parágrafo único do atual Regulamento Aduaneiro (Decreto n. 6.759/2009), a interpretação do conteúdo das posições e desdobramentos da NCM será feita com observância das Regras Geria Interpretativas e Complementares, das Notas Complementares e, subsisiariamente, das NESH. 7 A IN RFB n. 1.459, de 28/03/2014 aprova o texto dos pareceres de classificação do Comitê do SH, e adota as decisões correspondentes. 8 A Comissão de Comércio do MERCOSUL (CCM) tem um Comitê Técnico (CT n. 1 "Tarifas, Nomenclatura e Classificação de Mercadorias") específico para o tratamento do tema. 9 Em verdade, ainda está ali inserido, devendose, na aplicação dos artigos correspondentes, observar também os comandos legais posteriores, que prevalecem em caso de divergência com a disicplina estabelecida no Decreto n. 70.235/1972. Fl. 326DF CARF MF 16 Já sob a égide do Sistema Harmonizado, a consulta sobre classificação de mercadorias ganha, no Brasil, disciplina legal e processo próprios, nos arts. 48 e 50 da Lei no 9.430/1996, aqui já citados, e que mantêm a apreciação em instância única, por órgão central (se a consulta for efetuada também por órgão central ou entidade representativa de âmbito nacional) ou regional da Secretaria da Receita Federal (hoje RFB). O texto do comando legal revela clara preocupação com a celeridade, com a eficiência, com a publicidade e com a segurança jurídica. E a disciplina da lei, em matéria de classificação de mercadorias, vem tanto nos Regulamentos Aduaneiros (Decreto no 4.543/2002 art. 701; e Decreto no 6.759/2009 – art. 790), como nas diversas (e sucessivas) Instruções Normativas da RFB sobre a matéria, sempre mantida a instância única, aliada à disciplina para recurso de divergência e da representação. Efetuei análise detalhada do tema em Declaração de Voto apresentada no Acórdão no 3403 003.186, de 20/08/2014, no qual também discuti os efeitos da consulta sobre o processo administrativo contencioso (naquele caso, referente a auto de infração, que adapto a este, que trata de pedido de restituição). Podese afirmar que a consulta sobre classificação de mercadorias se presta aparentemente a duas finalidades: (a) sanar dúvida do comerciante/industrial/importador sobre caso concreto, e (b) confirmar (ou não) o entendimento do comerciante/industrial/importador sobre a classificação empregada, protegendoo contra eventuais entendimentos diversos nas unidades fiscais da RFB. Há ainda uma terceira finalidade (relevante, mas pouco explorada), que seria a manutenção da livre concorrência (finalidade que não será tratada aqui por fugir ao escopo direto deste estudo).10 Contudo, ao analisar a legislação sobre a matéria, percebese que a primeira finalidade (sanar dúvida) é apenas aparente, pois no momento da consulta a empresa já deve indicar a classificação fiscal adotada e a pretendida, e os correspondentes critérios utilizados, (além de dados técnicos detalhados). Ademais, a consulta não se destina a mera prestação de assessoria jurídica ou contábilfiscal pela RFB. Retirase, assim, do cenário, a sedutora argumentação de que a consulta se presta a simplesmente ajudar o comerciante/industrial/importador a entender as Regras do Sistema Harmonizado ou a ensinálo como classificar as mercadorias que deseja transacionar. Concluise, então, que a real finalidade da consulta é confirmar (ou não) o entendimento do comerciante/industrial/importador sobre a classificação empregada, protegendoo contra eventuais entendimentos diversos nas unidades fiscais da RFB. E tal propósito é suficientemente nobre e homenageia a segurança jurídica, pois evita que a empresa, detentora de resposta oficial da RFB sobre qual é a classificação do produto transacionado seja surpreendida com entendimentos regionais, locais ou até individuais do fisco em sentido diverso. Abremse, assim, três possibilidades, em relação à consulta, partindose da premissa (para tornar mais completo o exemplo) de que a classificação adotada seja diferente 10 Se um comerciante/industrial/importador tem convicção da classificação adotada para determinado produto, mas tem ciência de que seus concorrentes utilizam outra classificação (às vezes, simplesmente para recolher menos tributos ou fugir a controles administrativos/aduaneiros), deveria existir um mecanismo tão ágil quanto a consulta para que, numa espécie de delação em prol da livre concorrência, o fisco pudesse garantir o recolhimento uniforme de tributos e o exercício uniforme dos controles apropriados. O próprio formulário eletrônico de consulta deveria permitir que a empresa revelasse (se soubesse) quais outras empresas comercializam/industrializam/importam o mesmo produto, e as respectivas classificações adotadas. Isso certamente contribuiria em proporção mais larga que a inicialmente imaginada pela IN para a uniformização da classificação de mercadorias no país. Fl. 327DF CARF MF Processo nº 12466.000607/201081 Acórdão n.º 3401003.766 S3C4T1 Fl. 320 17 da pretendida (e de que a empresa cumpra as demais regras necessárias à formulação da consulta, principalmente no que se refere à espontaneidade): (a) a resposta à consulta confirma a classificação adotada; (b) a resposta à consulta confirma a classificação pretendida; e (c) a resposta à consulta indica como correta uma terceira classificação. Em qualquer dos casos, durante o período da consulta (do protocolo até o 30o dia seguinte à ciência do resultado) não se pode iniciar qualquer procedimento fiscal relativamente à mercadoria consultada, e não são devidos acréscimos moratórios no caso de eventual pagamento. São os efeitos do próprio procedimento interno, independentemente do resultado da consulta. Sintetizando nosso raciocínio, também detalhado na Declaração de Voto formulada no Acórdão no 3403003.186, de 20/08/2014, temos que o atendimento ao resultado da solução de consulta/divergência impede a lavratura pela RFB de auto de infração em relação à matéria consultada. E o não atendimento ao resultado da solução de consulta, por sua vez, permite a lavratura da autuação, ou a negativa de restituição, que devem ser objeto de julgamento por rito absolutamente diverso daquele inerente ao processo de consulta, e com apreciação restrita à matéria objeto da autuação ou do pedido de restituição. No processo de consulta a solução dada pelo fisco se alastra no tempo, além do período que vai da consulta até a ciência do consulente. Não havendo disposição posterior (v.g. solução divergente, revogação de ofício ou ato normativo superveniente), os efeitos são eternos. E no processo de consulta sempre haverá a indicação da classificação correta, seja ela a adotada pelo consulente, a pretendida pelo consulente, ou outra. No processo de determinação e exigência de crédito tributário, referente a autuação ou a pedido de restituição, a solução dada restringese ao caso concreto analisado, sendo imprestável a vincular a fiscalização em casos ou períodos diversos, ainda que para o mesmo produto e para a mesma empresa. E em tal processo, não há a necessidade de que o julgador chegue à classificação correta. Basta que consiga comprovar que a classificação/argumentação adotada na autuação ou no pedido de restituição estava correta ou que deve ser afastada (sem que seja necessário seguir a busca pela classificação correta). Em suma, o afastamento dos efeitos da consulta se dá apenas dentro do rito processual relacionado às consultas, e não no rito de determinação e exigência de crédito tributário, ou de pedido de restituição, no qual a análise é restrita ao caso autuado, no período autuado, com os elementos constantes na autuação (sejam ou não eles simples cópia dos externados na Solução de Consulta/Divergência). E, por óbvio, a resposta obtida no processo de consulta não inibe o contencioso administrativo provocado pelo fisco em autuação, ou pela empresa, em pedido de restituição. Por isso, ao mesmo tempo em que se compreende ter a DRJ alegado estar vinculada pela Solução de Consulta/Divergência, decindindo ser a classificação aquela já fixada pela RFB e informada à própria empresa, passase aqui, no CARF, órgão externo à RFB, a analisar a procedência do pedido de restituição, no caso concreto, e com efeitos somente sobre ele, de forma independente ao resultado da Solução de Consulta/Divergência. Da classificação da mercadoria importada (“NPEL 128”) Fl. 328DF CARF MF 18 Como exposto no tópico anterior, a descrição do produto de nome comercial “NPEL 128” deixa pouca margem de dúvidas ao classificador. E a ficha técnica indicada na Solução de Divergência não representa palpite sobre o produto extraído da internet, mas efetivamente ficha técnica de instituição especialista no tema. Aliás, não é difícil endossar a definição do “NPEL 128” nos sites especializados sobre o tema, inclusive fazendo menção ao fabricante “NAN YA”: “NAN YA EPOXY RESIN NPEL128 General: NPEL128 is a liquid resin,which is manufactured from bisphenolA and epichlorohydrin. It is recognized as standard form which vari ations have been developed. Cured NPEL128 always offers quality and high purity properties in applications,such as maximun mechanical strength,good chemical resistance and excellent heat resistance,etc.” (disponível em: http://www.compositesone.com/wp content/uploads/2013/07/NPEL128.pdf, acesso em 09 mai.2017) “Product Class:Resin Product Name:NPEL128 Supplier Name:NanYa NPEL128 is a liquid resin, which is manufactured from bisphenolA and epichlorohydrin. It is recognized as the standard form which variations have been developed. Cured NPEL128 always offers quality and high purity properties in applications, such as maximum mechanical strength, good chemical resistance and excellent heat resistance, etc.” (disponível em: http://www.fitzchem.com/npel128.html, acesso em 09 mai.2017) “IDENTIFICATION OF THE PRODUCT AND OF THE COMPANY Trade name: NPEL128 Company identification: NAN YA Plastics Corporation Ingredients: BisphenolA epoxy resin(number average molecular weight < 700)” (disponível em: http://www.ankushenterprise.com/pdf/epoxy_resins/epoxyNPEL 128.pdf, acesso em 09 mai.2017) “Nan Ya NPEL128 Multiple Nan Ya Plastics Corp NPEL128 is a liquid Bisphenol A type epoxy resin.” (disponível em: http://maroon.maroongroupllc.com/products/nan ya%20npel128, acesso em 09 mai.2017) “NPEL 128R Technical DataSheet | Supplied by Nan Ya Fl. 329DF CARF MF Processo nº 12466.000607/201081 Acórdão n.º 3401003.766 S3C4T1 Fl. 321 19 Lesscrystallizable, epoxy resin produced with bisphenolA and epichlorohydrin. Used in cationic electrodeposition coating and solventfree paint. Offers nonvolatility when curing, small shrinkage, very good dimension stability and electric and mechanism properties, water and chemical resistance, very good adhesive performance with metals, woods, concrete, ceramic and glass, very good performance on hardness and abrasion and storage stability. Can be used in combination with various hardeners, diluents and fillers.” (disponível em: http://coatings.specialchem.com/product/rnanyanpel128r, acesso em 09 mai.2017) Veja que não se está exemplificando o exposto com sítios de “blogs” ou “wikipedia”, ou sites leigos/vulgares sobre o tema, mas em catálogos internacionais, por meio dos quais, inclusive, é possível comprar o produto de nome comercial “NPEL 128”, produzido pelo fabricante “NAN YA”. E, sabendose das características do produto, não é difícil acompanhar o raciocínio empreendido na Solução de Divergência COANA no 17/2007, o que, por óbvio, não se confunde com aplicála ao caso. De acordo com a Regra Geral Interpretativa (RGI) no 1, do Sistema Harmonizado: “Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes”. Vejamos, então, os textos das posições em discussão, a posição 29.10, defendida como correta pela empresa no pedido de retificação e a posição 39.07, na qual a empresa originalmente classifica os produtos: Para se resolver o presente contencioso, desnecessário seguir adiante na classificação (determinando, na sequência, o quinto, o sexto, o sétimo e o oitavo dígitos do código NCM, obrigatoriamente nessa ordem, em função da RGI no 6 e da Regra Geral Complementar – RGC no 1), bastando informar qual a posição correta (quatro primeiros dígitos, que é por onde se inicia a classificação, em obediência à RGI no1, aqui já transcrita. E a mesma RGI no1 remete às notas de capítulo, como a Nota 1, “a” do Capítulo 29, que estabelece: Fl. 330DF CARF MF 20 Como o equivalente epóxido do “NPEL 128” se estende ao longo de uma faixa, não se pode entender ser o produto de constituição química definida, sendo incabível a classificação na posição 29.10. Logo, a classificação do “NPEL 128” jamais poderia ser a solicitada na retificação (código NCM 2910.90.90). Por mais que não seja aqui necessário endossar a classificação externada na Solução de Divergência COANA no 17/2007 (código NCM 3907.30.29), bastando afastar a posição pretendida no pedido de restituição, cabe destacar que, internacionalmente, há precedentes no sentido de que o código SH correto é 3907.30, como a lista de concessões tarifárias da Nova Zelândia, afetada pelo mesmo Sistema Harmonizado (SH), com vigor internacional, nos seis primeiros dígitos: 3907.30.09: Epoxy resin, viz: NPEK114, NPEK115, NPEK 132, NPEF164X, NPEF170, NPEF185, Free Free 99 999554E 3/03 NPSN134X90, NPSN901X75, NPEF187, NPES601, NPES604, NPES607, NPES609A, NPEL128, NPES609C, NPES609D, NPES627, NPES629, NPES901, NPES902, NPES903, NPES904, NPES301, NPSN301X65, NPSN 301X75. (grifo nosso) (disponível em: http://www.customs.govt.nz/news/resources/listsandguides/docu ments/approvals.pdf, acesso em 09 mai.2017) Caso se desejasse adquirir o produto, adicionese ainda, a título ilustrativo, que as informações dos exportadores/vendedores, disponíveis em seus sítios web, informam (v.g., Resin NPEL Buyers e Drum NPEL Buyers) ser a classificação tarifária no código SH 3907.30. E, recordese, os seis primeiros dígitos, conforme o SH, são de caráter internacional. Reiterese que o CARF, por ser órgão externo à RFB, não é vinculado pelas Soluções de Consulta e Divergência por ela emitidas, podendo analisar de forma independente a matéria, como aqui se faz, por mais que haja coincidência de argumentos em relação àqueles invocados na Solução de Divergência COANA no 17/2007. Assim, é absolutamente irrelevante, neste julgamento administrativo, eventual afastamento judicial da Solução de Divergência COANA no 17/2007, pois as razões de decidir desta turma não são dela extraídas, mas apenas com ela coincidentes. No pedido de restituição, é inegável que a empresa discorda da própria descrição detalhada da mercadoria por ela inserida (e mantida) na DI, e endossada pelo exportador. Com razão, então, a unidade local em indeferir o pleito, por carência probatória. E, aqui neste voto, destacase que, ainda que, eventualmente, superada a alegação de carência probatória, em virtude do aqui exposto, em relação ao nome comercial do produto, restaria incorreta a classificação demandada. E não pode o colegiado autorizar a restituição de quantia que se sabe indevida. Com relação à alegação de alteração de critério jurídico, inaugurada no recurso voluntário, com fundamento no artigo 146 do Código Tributário Nacional, é Fl. 331DF CARF MF Processo nº 12466.000607/201081 Acórdão n.º 3401003.766 S3C4T1 Fl. 322 21 conveniente destacar que aqui que, ao contrário dos processos comumente tratados por este colegiado sobre o tema, encontrase, efetivamente, no caso, uma alteração de critério jurídico. O critério jurídico (seja ele correto ou incorreto) fixado pela fiscalização, para a empresa, após a ciência da Solução de Consulta SRRF/DIANA no 291, de 29/09/2006, era o de que a classificação do produto de nome comercial “NPEL 128” se dava no código NCM 2910.90.90. E tal entendimento foi revisto pela Solução de Divergência COANA no 17, de 24/10/2007, que passou a entender que o mesmo produto deveria ser classificado no código NCM 3907.30.29. Reparese que não poderia o novo entendimento externado na Solução de Divergência COANA no 17/2007 retroagir a importações da empresa efetuadas antes de sua emissão (em 2006, por exemplo). Mas não é o que se vê nos autos, que trata de importação de 2009. E a retificação proposta após o desembaraço aduaneiro e registrada no SISCOMEX pela fiscalização, a pedido da empresa, está longe de constituir um critério jurídico, ou uma homologação de lançamento, afinal de contas, deuse em função de decisão judicial, a título precário, e que ainda pendia de análise definitiva. Se houve, em tal ato de retificação, um critério jurídico, tal critério seria o seguinte: “respeitese a decisão judicial”. Tal decisão judicial até podia ser um óbice à apreciação pelos órgãos que necessitavam da Solução de Divergência COANA no 17/2007 para decidir, como a unidade local da RFB e a DRJ, mas tal problema não se apresenta neste tribunal administrativo, que pode emitir decisões de forma independente à externada em Soluções de Consulta e Divergência proferidas pela RFB. Para fazer jus à restituição, deveria a empresa comprovar que a mercadoria que sempre declarou como “resina epóxi” não era resina epóxi (erro de fato), não com laudos técnicos contraditórios, mas com demonstração inequívoca, ou ao menos convincente o suficiente para demandar diligência a fim de melhor esclarecer os fatos. Mas, a nosso ver, tal tarefa esbarraria, ainda, na comprovação da correção da classificação demandada, diante da existência de nome comercial para o produto, como aqui exposto. E fracassa a defesa nas duas providências. Das considerações finais Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 332DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13161.002136/2007-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
IMPOSTO TERRITORIAL RURAL - ITR. IMÓVEL DESTINADO À PROGRAMA DE REASSENTAMENTO. AUSÊNCIA. ANIMUS DOMINI. ILEGITIMIDADE PASSIVA.
Inexistindo animus domini da contribuinte em relação à imóvel rural adquirido exclusivamente para implementação de Programa de Reassentamento.
In casu, objetivando a mitigação dos impactos sócio-ambientais da UHE Eng. Sérgio Motta, impõe-se o reconhecimento da ilegitimidade passiva da empresa para figurar no pólo passivo da obrigação tributária concernente à aludido imóvel, conforme precedentes deste Colegiado, sobretudo quando o conjunto probatório constante dos autos comprova que os pequenos proprietários rurais e agricultores já se encontravam imitidos na posse do imóvel rural em epígrafe, ainda que precariamente, desde 2001.
Numero da decisão: 2401-004.983
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
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IMÓVEL DESTINADO À PROGRAMA DE REASSENTAMENTO. AUSÊNCIA. ANIMUS DOMINI. ILEGITIMIDADE PASSIVA. Inexistindo animus domini da contribuinte em relação à imóvel rural adquirido exclusivamente para implementação de Programa de Reassentamento. In casu, objetivando a mitigação dos impactos sócioambientais da UHE Eng. Sérgio Motta, impõese o reconhecimento da ilegitimidade passiva da empresa para figurar no pólo passivo da obrigação tributária concernente à aludido imóvel, conforme precedentes deste Colegiado, sobretudo quando o conjunto probatório constante dos autos comprova que os pequenos proprietários rurais e agricultores já se encontravam imitidos na posse do imóvel rural em epígrafe, ainda que precariamente, desde 2001. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 00 21 36 /2 00 7- 38 Fl. 614DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 615DF CARF MF Processo nº 13161.002136/200738 Acórdão n.º 2401004.983 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório CESP COMPANHIA ENERGÉTICA DE SÃO PAULO, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos auto do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 1a Turma da DRJ em Campo Grande/MS, Acórdão nº 04 17.673/2009, às efls. 582/587, que julgou procedente o lançamento fiscal, referente ao Imposto sobre a Propriedade Rural ITR, em relação ao exercício 2004, conforme Auto de Infração, às efls. 256/259, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Auto de Infração, lavrado em 21/12/2007 (AR. fl. 252), nos moldes da legislação de regência, contra a contribuinte acima identificada, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, decorrente do seguinte fato gerador: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR . FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL. Falta de recolhimento do Imposto sobre a Propriedade Terrítorial Rural: Imóvel Rural: NIRF 0.742.2172 REASSENTAMENTO RURAL DA FAZENDA SANTA ANA e NIRF 3.096.7511 REASSENTAMENTO RURAL DA FAZENDA MINEIRA; DITR (Declar. ITR): Exercício 2004; Declarante e Contribuinte: 60.933.603/000178 CESP COMPANHIA ENERGÉTICA DE SÃO PAULO. Conforme laudos técnicos apresentados, matrículas, mapas e anotações de responsabilidade técnica (ART), os dois referidos NIRF's (N o de Imóvel na Receita Federal) compõem, para fins do ITR, conforme legislação vigente, um único imóvel rural, pois as áreas dos dois NIRF's constituem uma área contínua de mesmo proprietário. Portanto, nos cálculos do presente Auto de Infração foram considerados em conjunto (somados), os valores declarados nas respectivas DITR's do citado exercício dos dois NIRF's. Também, de forma análoga, foram considerados em conjunto os valores apurados. Em complemento, deverão ser adotadas as seguintes providências: 1) cancelamento de um dos NIRF's (NIRF 3.096.7511) e das respectivas DITR"s; 2) atualização do outro NIRF, para fins de alteração da área total (NIRF 0.742.2172) e retificação das respectivas DITR's, com exceção das DITR's dos exercícios de 2003, 2004 e 2005 (objetos de lançamento de ofício).[...] Fl. 616DF CARF MF 4 Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às efls. 594/613, procurando demonstrar a total improcedência do Auto, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, reitera as razões da impugnação, esclarecendo tratar de área adquirida para que fosse implantado o reassentamento rural Fazenda Santa Ana e Mineira, objetivando a mitigação dos impactos sócioambientais da UHE Eng. Sérgio Motta, ou seja, após a ocupação dos lotes pelos beneficiários o imóvel não mais se encontra em poder da Recorrente. Assevera que os poderes inerentes ao domínio não mais estão em poder da Recorrente, diante disto, se os poderes da propriedade não se encontram mais reunidos em suas mãos, os beneficiários, na condição de possuidor do imóvel, que é contribuinte tanto da obrigação acessória como da principal e não a CESP, nos termos do artigo 4” da Lei n° 9393/96, colacionando jurisprudência judicial e administrativa. Esclarece tratarse não de locação de áreas, mas sim de transferência definitiva dos lotes, para que os beneficiários levantem vantagens econômicas, o que a toda evidência difere totalmente do contrato de arrendamento, portanto não sendo legitima passiva da obrigação tributária. Insurgese quanto ao entendimento adotado pela DRJ da exigência de apresentação do ADA para exclusão da tributação sobre áreas de preservação permanente e/ou de utilização limitada. Argumenta que os documentos acostados aos autos demonstram de forma cabal tratarse de área de preservação permanente, não estando apenas referida área descrita no ADA, o que a toda evidência não necessita de averbação tendo em vista que a determinação é legal e em relação a todas as propriedades. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 617DF CARF MF Processo nº 13161.002136/200738 Acórdão n.º 2401004.983 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso voluntário. Conforme se depreende da análise do Recurso Voluntário, pretende a recorrente a reforma do Acórdão em vergasta, alegando, em síntese, primeiramente esclarecendo tratar de área adquirida para que fosse implantado o reassentamento rural Fazenda Santa Ana e Mineira, objetivando a mitigação dos impactos sócioambientais da UHE Eng. Sérgio Motta, ou seja, após a ocupação dos lotes pelos beneficiários o imóvel não mais se encontra em poder da Recorrente. Assevera que os poderes inerentes ao domínio não mais estão em poder da Recorrente, diante disto, se os poderes da propriedade não se encontram mais reunidos em suas mãos, os beneficiários, na condição de possuidor do imóvel, que é contribuinte tanto da obrigação acessória como da principal e não a CESP, nos termos do artigo 4” da Lei n° 9393/96, colacionando jurisprudência judicial e administrativa. Esclarece tratarse não de locação de áreas, mas sim de transferência definitiva dos lotes, para que os beneficiários levantem vantagens econômicas, o que a toda evidência difere totalmente do contrato de arrendamento, portanto não sendo legitima passiva da obrigação tributária. Como se observa, sinteticamente, a discussão travada nos presentes autos diz respeito à legitimidade passiva da contribuinte, relativamente ao imóvel rural em comento, em face do Programa de Reassentamento instituído pela autuada, com o fito de atender objetivando a mitigação dos impactos sócioambientais da Usina Hidrelétrica Eng. Sérgio Motta. De um lado, a contribuinte aduz que após a implantação do loteamento, procedeu a entrega dos lotes aos ribeirinhos, por meio do Termo Provisório de Entrega e Recebimento de Obra, e, desde então, os possuidores passaram a gozar e usufruir economicamente da respectiva área, como se proprietários fossem; portanto a responsabilidade por qualquer ônus tributário cabe exclusivamente aos possuidores, por serem detentores do poder econômico da propriedade; Em outra via, a ilustre autoridade lançadora entendeu que os documentos apresentados pela contribuinte comprovam que os imóveis com NIRF 07422172 e 30967511 compõem, para fins do ITR, um único imóvel, por se tratarem de área contínua de um mesmo proprietário, e, portanto, os valores declarados nas respectivas DITRs foram considerados em conjunto para apuração do imposto; sendo legitima passiva. Por sua vez, a Delegacia de Julgamento, o nobre relator do voto condutor do Acórdão recorrido acolheu a pretensão fiscal, entendo que enquanto não transferida a propriedade de partes do imóvel para cada um dos assentados, a situação do imóvel total não se enquadra nas definições de imunidade ou isenção. Após as breves considerações retro, passando à análise meritória, concluise que o pleito da contribuinte merece acolhimento, por espelhar a melhor interpretação a respeito do tema, em consonância com a farta e mansa jurisprudência administrativa, impondo a Fl. 618DF CARF MF 6 reforma do Acórdão recorrido com o fito de restabelecer a ordem legal nesse sentido, como passaremos a demonstrar. Destarte, como a contribuinte vem defendendo desde o primeiro momento, o imóvel rural objeto do lançamento fora adquirido precipuamente para atender ao Programa de Reassentamento sob análise. A CESP em cumprimento ao estabelecido no EIA RIMA, adquiriu, respectivamente em 02/07/1997 e 04/01/2001 áreas de Terras totalizando 2.967,5236 hectares, localizadas no município de Anaurilândia MS, com as denominações especiais de Fazenda Santa Ana e Fazenda Mineira, visando a implantação do Projeto de Reassentamento Populacional Rural das aludidas Fazendas, com a consequente relocação das famílias classificadas como Beneficiárias do citado Projeto. Em suma, extraise dos elementos que instruem o processo, especialmente do Termo de Esclarecimento a Intimação Fiscal, dos diversos Termos Provisórios de Entrega e Recebimento de Obra e do protocolo junto ao INCRA, que a recorrente, de fato, adquiriu aludido imóvel rural visando tão somente atender ao Programa de Reassentamento retromencionado. Inexiste, à toda evidência, o animus domini da autuada em relação àquele imóvel, capaz de justificar a presente tributação, na forma que exigem os artigos 1º e 4º, da Lei nº 9.363/1996, in verbis: Art. 1º O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano. Art. 4º Contribuinte do ITR é o proprietário de imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título. No mesmo sentido, prescreve o artigo 31 do Código Tributário Nacional, senão vejamos: Art. 31. Contribuinte do imposto é o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título. Neste ponto, aliás, impende suscitar que os dispositivos retro, alternativamente, são por demais enfáticos ao estabelecerem que o contribuinte do ITR é o proprietário do imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título, reforçando o entendimento de que, inobstante a autuada ser à época a proprietária do imóvel, não detinha o domínio útil, uma vez que os possuidores, a qualquer título, eram os reassentados, afastando, assim, sua legitimidade passiva. Com a devida vênia aos que divergem desse entendimento, compartilhamos com aqueles que defendem não caber à autoridade fiscal, discricionariamente, escolher o contribuinte a partir de sua propriedade (uma das hipóteses legais), afastandose dos elementos que comprovam a inexistência de seu domínio útil e, bem assim, a posse a qualquer título dos reassentados (duas das hipóteses legais). Dessa forma, estando as Fazendas Santa Ana e Mineira vinculadas, desde a sua aquisição, ao Programa de Reassentamento implementado pela contribuinte, em razão da Construção da Usina Engenheiro Sérgio Motta (Porto Primavera), a recorrente assumiu a responsabilidade, de minimizar impactos causados à população ribeirinha, cujas terras foram alagadas pelo Reservatório da UHE supracitada, conforme.se comprova, na Licença de Operação, expedida em 01 de dezembro de 2000 pelo Ministério do Meio Ambiente Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA. Melhor elucidando, a contribuinte não dispôs do imóvel rural em debate para exercer outras atividades, senão a implementação do programa de reassentamento daqueles agricultores rurais. Fl. 619DF CARF MF Processo nº 13161.002136/200738 Acórdão n.º 2401004.983 S2C4T1 Fl. 5 7 A propósito da matéria, dissertou com muita propriedade o ilustre Conselheiro relator do Acórdão nº 30334.793, exarado nos autos do processo nº 10935.001999/200530, com a mesma matéria fática, conforme se verifica da ementa e do excerto de suas alegações abaixo transcritas, as quais peço vênia para adotar como razões de decidir, in verbis: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Terminal Rural – ITR Exercício: 2002 Ementa: ITR/2002. ILEGALIDADE PASSIVA. EMPRESA GERADORA DE ENERGIA. ÁREA DESTINADA PARA REASSENTAMENTO. FAZENDA LIASI. ÁREA DE INTERESSE SOCIAL REGULADA POR LEI. Não se formou a relação jurídicotributária entre a União e a autuada, tendo em vista a aquisição de imóvel para cumprimento, previsto em Decreto Estadual (Decreto nº 1.658 de 14.03.1996), o que torna o imóvel inalienável, indisponível e não utilizável, a não ser para a única finalidade prevista no referido Decreto. [...] VOTO [...] No caso em estudo, há de ser analisada a responsabilidade da empresa Recorrente pelo débito tributário, relativa ao ITR/2002, que lhe é exigido no Auto de Infração de fls. 5665, uma vez que afastada, as demais questões travadas nos autos acabam por prejudicadas. Com efeito, dispõe a Lei nº 9.393/96 que rege a matéria: “Art. 1º O imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano. Art. 4º Contribuinte do ITR é o possuidor a qualquer título”. Ainda, o art. 31 do CTN é taxativo e expresso ao considerar quem é o contribuinte do ITR: a) o proprietário do imóvel; ou. b) o titular do seu domínio; ou. c) o possuidor do imóvel a qualquer título. Assim sendo, da leitura dos artigos supra transcritos, concluise que o ITR poderá ser exigido de qualquer das pessoas que se prenda ao imóvel rural, em uma das modalidades elencadas. Logo, a Fazenda Pública está autorizada a exigir o tributo de qualquer uma delas que se ache vinculada ao imóvel, não havendo determinado a referida legislação ordem de preferência quanto à responsabilidade pelo pagamento do imposto. Contudo, noticia a empresa Recorrente que a área em questão foi destinada para cumprimento do interesse social, Fl. 620DF CARF MF 8 para fins de desapropriação, com a finalidade de reassentamento, a área da Fazenda em questão. O art. 3º do referido decreto afirma que: “Fica reconhecida a necessidade de desapropriação das áreas descritas para reassentamento dos proprietários desapropriados e produtores rurais semterra da bacia de acumulação de águas da Usina Hidrelétrica de Santo Caxias, ficando autorizada a Companhia Paranaense de Energia – COPEL a promover a subdivisão dos imóveis ora declarados de interesse social e alienar as partes mediante autorga das competentes escrituras públicas.” Alega ainda que com a autorga da concessão pelo Poder concedente – União Federal, para estudos, implantação e exploração do potencial energético denominado Salto Caxias, no rio Iguaçu, contratou, por força da Lei 6.938/81, a elaboração dos Estudos de Impacto Ambiental e do Relatório de Impacto Ambiental, culminando com o Projeto Básico Ambiental – PBA, o qual previu a implantação de diversos programas ambientais, entre os quais o Programa de Reassentamento, tudo devidamente aprovado pelo órgão licenciador estadual conforme Licença de Instalação nº 044/94IAP. Juntou aos autos três Escrituras Públicas de Desapropriação (fls. 1021), matrículas dos imóveis (fls.2240), Laudos Pericial (fls. 4754), cópia dos Decretos nº 1.658/96 e nº 2005/96 (fls.8893), Escrituras Públicas de Dação em Pagamento com encargos (fls. 94171) e cópia da Resolução nº 19 do INCRA (fls. 230231), que demonstram o assentamento de 26 famílias no terreno objeto do auto de infração. Desta feita, pela impossibilidade de se imputar animus domini à empresa autuada, já que o imóvel rural se encontrava afetado, desde sua aquisição, ao cumprimento do Programa de Reassentamento da Usina Hidrelétrica da Salto Caxias, em conformidade com o Decreto nº 1.658/96, não se pode enquadrar a Recorrente no pólo passivo da obrigação tributária de que trata o Auto de Fração em discussão. No mesmo sentido, envolvendo o mesmo Contribuinte, colaciono dentre outros dois julgados deste Terceiro conselho de Contribuintes: 30334.068 e 30334.083. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto no sentido de acolher a preliminar de ilegitimidade passiva, afastando a exigência tributária em tela. [...]” Outro não foi o entendimento levado a efeito nos autos do processo nº 10935.001992/200518, igualmente da mesma matéria fática, consoante se positiva do Acórdão nº 30334.781, com sua ementa e parte do voto abaixo transcritos: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL: ITR Exercício: 2001 ITR/2001. ILEGITIMIDADE PASSIVA. EMPRESA GERADORA DE ENERGIA. ÁREA DESTINADA PARA REASSENTAMENTO. FAZENDA CENTENÁRIO. ÁREA DE INTERESSE SOCIAL REGULADA POR LEI. Fl. 621DF CARF MF Processo nº 13161.002136/200738 Acórdão n.º 2401004.983 S2C4T1 Fl. 6 9 Não se formou a relação jurídicotributária entre a União e a autuada, tendo em vista a aquisição de imóvel para cumprimento de Programa de Reassentamento, previsto em Decreto Estadual (Decreto nº 466 de 24.02.1995), o que torna o imóvel inalienável, indisponível e não utilizável, a não ser para única finalidade prevista no referido Decreto. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. [...] VOTO [...] Não se trata de haver ou não programa oficial de reassentamento, mas antes de haver ou não a possibilidade de ser a Recorrente incluída no pólo passivo da relação tributária ou não, nos termos do artigo 4º da Lei 9393/96 e do artigo 31 do CTN. Conforme constam dos autos, as terras eram afetadas ao reassentamento de famílias, que viviam em áreas desapropriadas para a construção de usina de energia, amparada no Decreto 466/95. As terras não forma expropriadas para uso da concessionária de serviço público, nem para sua exploração ou uso sob qualquer aspecto, tendo a mesma atuado no esteio do Decreto acima referido. Não houve, portanto, animus domini em relação a essa área. Corrobora essa afirmação o fato de que a Recorrente repassou prontamente os lotes a posses das famílias reassentadas, tendo gradativamente transferido sua propriedade, como comprovam as certidões de escrituras públicas anexadas aos autos. Em outras palavras, a área objeto do auto de infração em tela jamais foi de uso, fruição ou disponibilidade da Recorrente, estando sua propriedade muito próxima da União. Ora, somente a posse plena, sem subordinação, i.e., posse qualificada pelo animus domini, é que pode ensejar a incidência de ITR. Esse entendimento encontrase literalmente transcrito em publicações da SRF, dentre os quais o “Manual de Perguntas e Respostas do ITR” (vide pág. 21, pergunta 37, da edição de 2002). Restando claro que nunca houve animus domini por parte da Recorrente em relação a área ora discutida, não pode a mesma ser sujeito passivo da obrigação tributária aventada, de forma que VOTO no sentido de acolher a preliminar de ilegitimidade passiva, cancelando, por conseguinte, o lançamento fiscal em questão.[...] A fazer prevalecer esse entendimento, mister citar, ainda, os Acórdãos nºs 30239.416, 30239.413, 30239.726, 30334.884, 30334.781, 30334.782, 30334.783, 303 34.793, 30334.794, 30334.795, 30334.796, 30333.394, 30333.395, 30333.396, 303 34.275 e 30334.070, contemplando matéria análoga. Fl. 622DF CARF MF 10 Não bastasse isso, o conjunto probatório constante dos autos oferece proteção ao pleito da contribuinte, porquanto comprova que desde 2001 os reassentados já se encontravam imitidos na posse do imóvel rural em epígrafe, ainda que precariamente, consoante se infere do Termo Provisório de Entrega e Recebimento de Obra formalizados em 04/06/2001. Na esteira desse raciocínio, além de prosperarem as argumentações da contribuinte quanto a ilegitimidade passiva, notadamente quando inexistente o animus domini do imóvel rural, não faria sentido que para um mesmo contribuinte, mesma matéria fática e provas, fosse adotado entendimento antagônico ao anteriormente proferido, impondo seja reformado o Acórdão recorrido, para excluir a empresa do pólo passivo da presente obrigação tributária, como restou devidamente demonstrado. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em dissonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO E DARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 623DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.907776/2011-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2006
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVO.
É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo.
Numero da decisão: 2402-005.824
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2006 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVO. É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo - Presidente (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2006 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVO. É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 77 76 /2 01 1- 71 Fl. 159DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 16327.907776/201171 Acórdão n.º 2402005.824 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 120/129) interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte – DRJ/BHE (fls. 106/112), que considerou improcedente manifestação de inconformidade do contribuinte (fls. 2/8) em face de Despacho Decisório (fls. 50/52) que não homologou compensação informada em Declaração de Compensação – DCOMP (fls. 45/49). Por bem retratar as informações trazidas na DECOMP, os fundamentos aduzidos no Despacho Decisório que examinou o pleito compensatório do sujeito passivo e as considerações trazidas pela recorrente em sua manifestação de inconformidade, reproduzse trechos correspondentes do relatório do Acórdão nº 0256.513, da 3ª Turma da DRJ/BHE: Declaração de compensação (DCOMP) Em 08/12/2006, a interessada transmitiu à RFB a DCOMP nº 16815.60109.081206.1.3.043813, na qual informa, a título de crédito, pagamento a maior do código 3223 (IRRF Resgate de previdência privada Pessoa Física). Os dados do DARF informado na DCOMP são os seguintes: · Período de Apuração: 31/03/2006 · CNPJ: 51.990.695/000137 · Código da Receita: 3223 · Data de Vencimento: 10/04/2006 · Valor do Principal: 4.138.656,76 · Valor da Multa: 0,00 · Valor dos Juros: 0,00 · Valor Total do Darf: 4.138.656,76 · Data de Arrecadação: 10/04/2006 Vale destacar ainda as seguintes informações prestadas na DCOMP: · Valor Original do Crédito Inicial: 337.033,42 · Crédito Original na Data da Transmissão: 337.033,42 · Total do Crédito Original Utilizado nesta DCOMP: 337.033,42 Despacho decisório de não homologação da compensação Fl. 161DF CARF MF 4 Em 04/10/2011, emitiuse o despacho decisório eletrônico nº 005593455, que não homologou a compensação declarada na referida DCOMP. Segundo o despacho decisório, a partir das características do DARF discriminado na DCOMP, foi localizado um pagamento, mas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados na DCOMP, conforme abaixo demonstrado: NÚMERO DO PAGAMENTO VALOR ORIGINAL TOTAL PROCESSO(PR)/ PERDCOMP(PD)/ DÉBITO(DB) VALOR ORIGINAL UTILIZADO 2479146991 4.138.656,7 6 PD: 41184.98749.100506.1.3.041271 22.727,27 Db: cód 3208 PA 31/03/2006 1.008,77 Db: cód 3223 PA 31/03/2006 4.114.920,72 VALOR TOTAL 4.138.656,76 Ciência do despacho decisório Em 17/10/2011, a interessada foi cientificada, por via postal, do referido despacho decisório (fls. 39). Manifestação de inconformidade Em 16/11/2011, apresentouse manifestação de inconformidade, cujo teor pode ser assim resumido: 1. Síntese dos fatos: · O crédito utilizado na compensação resultou de DARF recolhido a maior, em 10/04/2006, a título de IRRF do código 3223. · Do valor pago de R$ 4.138.656,76, era devido o montante de R$ 3.777.887,30, o que resultou num crédito na importância original de R$ 360.769,46. · Parte deste crédito é objeto da DCOMP, no importe original de R$ 337.033,42. · Por erro material incorrido, deixouse de retificar a DCTF do 1º trimestre de 2006. 2. Da tempestividade da presente manifestação de inconformidade: · É tempestiva a manifestação de inconformidade. 3. Do mérito erro de fato cometido pelo contribuinte: · O mérito reside na demonstração, clara e inequívoca, que a requerente incorreu em simples erro de fato ao deixar de explicitar, na DCTF, o crédito a que tem direito. · Após o recolhimento do DARF, no valor de R$ 4.138.656,76, constatouse que parte de tal recolhimento resultou indevido. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 16327.907776/201171 Acórdão n.º 2402005.824 S2C4T2 Fl. 4 5 · Diante disto, efetuouse o devido registro contábil dos valores a compensar no Razão Contábil e procedeuse à compensação, deixando de retificar, todavia, a DCTF. · O erro de fato levado a efeito é meramente acidental e não substancial, de forma que em nada influiu na validade do ato jurídico realizado, no caso a compensação de IRRF. · Não houve alteração na substância do ato jurídico praticado, tão pouco em seus caracteres fundamentais como o valor do crédito utilizado e o débito indicado para compensação · Não é aceitável que a autoridade fiscal deixe de homologar a compensação, como resultado de equívoco acidental, sob pena de a União se locupletar ilicitamente ao receber, novamente, um débito já extinto por compensação. · Transcrevese trecho do acórdão 10807.639, do Primeiro Conselho de Contribuintes. · Citase doutrina de Celso Ribeiro Bastos. · A inobservância na forma (a ausência de retificação na DCTF) jamais poderá alterar a realidade fática dos acontecimentos. · O simples fato de deixar de retificar a DCTF não invalida a compensação, nem leva a concluir pela suposta inexistência do crédito objeto da compensação como ato jurídico capaz de extinguir o crédito tributário, sob pena de afronta ao princípio da verdade material. · Citamse decisões do CARF. · Era devido o montante de R$ 3.777.887,30, resultando crédito de R$ 360.769,46, utilizado na DCOMP em questão. 4. Do pedido final: · Com base no erro de fato acima, sanável a qualquer tempo, requerse a retificação ex officio da DCTF, para explicitar o crédito no valor original de R$ 360.769,46. · Requerse também a reconsideração do despacho decisório, a fim de que seja validado o direito creditório, bem como a compensação de parte deste com o débito objeto da DCOMP. A DRJ/BHE considerou improcedente em parte a manifestação de inconformidade, conforme se depreende da ementa da decisão recorrida: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO – DCOMP A homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo condicionase à confirmação da existência e Fl. 163DF CARF MF 6 suficiência do crédito nela utilizado, observadas as demais disposições normativas pertinentes. Manifestação de Inconformidade Improcedente Cientificado da decisão a quo, o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual repisa as questões suscitadas na Manifestação de Inconformidade e requer que se julgue procedente a declaração de compensação realizada na DCOMP n° 16815.60109.081206.1.3.043813, com a consequente homologação do débito de IRRF nela compensado. É o relatório. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 16327.907776/201171 Acórdão n.º 2402005.824 S2C4T2 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho – Relator Quanto à tempestividade do recurso voluntário interposto, verificase que não houve cumprimento de tal requisito de admissibilidade. O Recorrente foi intimado da decisão de primeira instância, por meio de despacho eletrônico, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC), conforme documento de fl. 117, em 08/07/2014. Por sua vez, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário apresentando as alegações relatadas acima e, a respeito da tempestividade, limitouse a afirmar que: tendo em vista que o Recorrente tomou ciência do Acórdão via DTE Domicílio Tributário no dia 08/07/2014 (quartafeira), o termo inicial para contagem do prazo para apresentação do presente Recurso iniciouse no dia 23/07/2014 , e tem como termo final o dia 22/08/2014. Portanto, o presente Recurso Voluntário é tempestivo. Em decorrência dos elementos fáticos constantes nos autos, verificase que o recurso voluntário foi interposto em 22/8/2014, conforme carimbo dos Correios, aposto na primeira folha do referido apelo (fl. 120). De acordo com o parágrafo único art. 5º do Decreto nº 70.235, de 1972 – diploma que trata do contencioso administrativo fiscal no âmbito federal – os prazos para a interposição de recurso voluntário iniciamse e vencem em dia de expediente normal e são contados de forma contínua, excluindose da contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Vejamos Art. 5º. Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Salientase que, em se tratando de recurso enviado por via postal, a sua tempestividade é aferida pela data de envio da correspondência ao órgão preparador do processo (circunscrição do domicílio fiscal da recorrente). Em outras palavras, o que importa para verificar a tempestividade da peça recursal é que ela tenha sido entregue nos Correios dentro do prazo legalmente previsto, nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/1972, transcrito abaixo: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão.(g.n.) Fl. 165DF CARF MF 8 No caso concreto, temse que o sujeito passivo foi informado da decisão de primeira instância administrativa por meio eletrônico. Em decorrência disso, a data de ciência é regida pelas disposições contidas no inciso III do § 2º do art. 23 do Decreto nº 70.235/1972. Vejamos: Art. 23. Farseá a intimação: [...] III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante:(Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou(Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo.(Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] § 2° Considerase feita a intimação: [...] III se por meio eletrônico:(Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo;(Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) [...] Ressaltese que embora conste dos autos documento (fl. 118) que informa que a ciência por decurso de prazo ocorreria em 23/07/2014, tendo o recorrente aberto o documento enviado ao Portal eCAC em 08/07/2014 (vide Termo de Abertura de Documento de fl. 117), nos termos da alínea “a” do inciso III do § 2º do art. 23 do Decreto nº 70.235/1972, é essa (08/07/204) a data de ciência da decisão. Assim, na espécie, o recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 08/07/2015 (terçafeira). Dessa forma, levandose em consideração que os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão, nos exatos termos do parágrafo único do art. 5º do Decreto nº 70.235/1972, o prazo para interposição de recurso teve início em 09/07/2014 (quartafeira). O trigésimo dia ocorreu em 07/08/2014 (quintafeira). Entretanto o recurso somente foi apresentado ao Fisco em 22/08/2014 (sextafeira), portanto, fora do prazo recursal. Nesse sentido, resta claro que o contribuinte não verificou o prazo para imnterposição do recurso, somente vindo a apresentálo após o vencimento do interstício legal que se encerrou em 07/08/2014 e não o dia 22/08/2014 (data de apresentação da peça recursal). Fl. 166DF CARF MF Processo nº 16327.907776/201171 Acórdão n.º 2402005.824 S2C4T2 Fl. 6 9 Em face desse quadro fático, impõese afirmar a ocorrência da intempestividade do apelo do contribuinte, não devendo prosperar o exame das demais alegações postuladas no recurso. CONCLUSÃO: Diante do exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário em razão da sua intempestividade. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 167DF CARF MF
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