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Numero do processo: 16095.000151/2010-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Dec 27 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
IPI LANÇADO, ESCRITURADO E NÃO DECLARADO. FALTA DE RECOLHIMENTO.
A falta ou insuficiência de recolhimento do IPI, apurado em procedimento fiscal, implica no lançamento de ofício, com os acréscimos legais.
IPI. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO
A inadimplência da obrigação tributária principal, na medida em que implica descumprimento da norma tributária definidora dos prazos de vencimento, tem natureza de infração fiscal, e, em havendo infração, cabível a aplicação de penalidade.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3402-003.695
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 IPI LANÇADO, ESCRITURADO E NÃO DECLARADO. FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento do IPI, apurado em procedimento fiscal, implica no lançamento de ofício, com os acréscimos legais. IPI. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO A inadimplência da obrigação tributária principal, na medida em que implica descumprimento da norma tributária definidora dos prazos de vencimento, tem natureza de infração fiscal, e, em havendo infração, cabível a aplicação de penalidade. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente. (Assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 00 01 51 /2 01 0- 76 Fl. 169DF CARF MF 2 Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Com base no Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, aprovado pelo Decreto n° 4.544, de 2002 (RIPI/2002), conforme capitulação legal de fl. 83, foi lavrado em 06/04/2010, o Auto de Infração de fls. 81/84 e Termo de Constatação de fls. 72/73, para exigir o valor de R$ 907.687,04 de IPI, R$ 296.754,82 de juros de mora calculados até 26/02/2010 e R$ 680.765,22 de multa proporcional ao valor do imposto, relativo aos períodos de apuração de 2006 e 2007. Por bem consolidar os fatos ocorridos neste processo até o julgamento de primeira instância, colaciono os principais trechos do relatório do Acórdão nº 1430.178, exarado pela 2ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto SP (fls. 125/128), in verbis: "(...) Consoante a descrição dos fatos, de fls. 76v e 77, que remete ao termo de constatação de fls. 69/70, a contribuinte deixou de recolher o imposto registrado na escrita fiscal no que concerne ao período discriminado na ementa deste Acórdão, consoante os valores especificados no demonstrativo de fl. 69v. Em 2006 e 2007, os valores referentes à receita de venda de mercadorias e produtos foram inferiores àqueles utilizados na apuração do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), tendo sido declarados em DCTF apenas alguns valores de pequena monta. O livro Registro de Apuração do IPI serviu de base para a apuração do imposto e o lançamento de oficio apenas abrange os valores não declarados em DCTF. Regularmente cientificado da peça acusativa em 06/06/2010 por meio de procurador (instrumento legal de fl. 92), apresentou o sujeito passivo a impugnação de fls. 81/89 em 06/05/2010, subscrita pelo procurador qualificado no instrumento de fl. 90, em que sustenta que o trabalho fiscal não teria sido aprofundado para a confirmação dos valores levantados apenas mediante o confronto da escrituração fiscal com as declarações (DIPJ, DCTF e DACON), sendo, então, a apuração meramente indiciária, superficial; não teriam sido objeto de verificação a escrituração contábil e notas fiscais de entrada e de saída; sem verificações adicionais, teria sido invertido o anus probandi, com vulneração do princípio da legalidade, pois a atividade de determinação da matéria tributável é privativa do Fisco, bem como o lançamento (CTN, art. 142); por fim, requer que seja dado provimento à impugnação e julgado insubsistente o auto de infração lavrado, com o arquivamento do processo". Sobreveio então o Acórdão da 2ª Turma da DRJ/RPO, negando provimento à impugnação do contribuinte, cuja ementa foi lavrada nos seguintes termos: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 IMPOSTO LANÇADO, ESCRITURADO E NÃO DECLARADO. FALTA DE RECOLHIMENTO. Fl. 170DF CARF MF Processo nº 16095.000151/201076 Acórdão n.º 3402003.695 S3C4T2 Fl. 170 3 É devido o imposto lançado nas notas fiscais de saída, escriturado, não declarado e não recolhido. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada, a Recorrente se socorre a este Conselho, por meio de peça recursal de fls. 133/142, repisando os argumentos expostos em sua impugnação ao lançamento tributário, reafirmando em síntese, que: o procedimento fiscal não possui condições de subsistir, por estar eivado de vícios e equívocos comprometedores de sua validade, devendo ser julgado insubsistente; que os trabalhos encetados pela Fiscalização, para levantamento dos valores seguiram o procedimento de apenas confrontar valores entre aqueles constantes do Livro Registro de Apuração do IPI Modelo 8, em face dos valores de tributos apurados e declarados na Declaração de Imposto de Renda (DIPJ), nas Declarações de Débitos e Créditos Federais (DCTF), no Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais (DACON); que descabe a tributação de valores, sem que a Fiscalização ao menos verificasse a sua consistência com os documentos fiscais de entradas e saídas bem como com os registros contábeis pertinentes do contribuinte; segundo a decisão de 1° grau, a autuação fundamentouse no Livro Registro de Apuração do IPI, sendo totalmente prescindível o levantamento dos valores diretamente das notas fiscais para conferência dos valores transportados. Indícios de irregularidades, com base em meros confrontos de valores, não são elementos idôneos a alicerçar lançamento fiscal; por corolário, a existência de valores nos livros fiscais não constitui ipso facto qualquer confissão irretratável nem tem o condão de criar nenhuma obrigação tributária. A informação do contribuinte somente assume relevância, quando corresponde à hipótese de incidência tributária. Em face do exposto, consubstanciado nas razões fáticas e jurídicas expostas bem como naquelas já deduzidas na fase impugnativa que integram o presente recurso, requer que seja dado provimento ao presente recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra A Recorrente teve ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 23/08/2010, conforme informação AR de fls. 132 e apresentou em 17/09/2010 o recurso voluntário de fls. 133/142, conforme artigo 33, do Decreto 70.235/72. Assim, o recurso é tempestivo e os demais requisitos de admissibilidade encontramse preenchidos, então dele tomo conhecimento. Passo, então, à análise dos argumentos apresentados pela Recorrente em sua peça dirigida ao CARF. Fl. 171DF CARF MF 4 Dos alegados vícios e equívocos no procedimento Alega a Recorrente em seu recurso que "(...) o procedimento fiscal não possui condições de subsistir, por eivado de vícios e equívocos comprometedores de sua validade, devendo ser julgado insubsistente". Com efeito, o lançamento foi efetuada com observância do princípio do devido processo legal, assegurandose ao sujeito passivo o exercício do direito à ampla defesa, havendo sido atendidas todas as garantias processuais, nos termos do art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal, do art. 142 do CTN e arts. 9º e 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, não havendo incidido em quaisquer dos vícios que poderiam retirarlhe a validade. Dessa sorte, não há que se falar em ferimento dos princípios da legalidade sendo descabidas as alegações de vícios e equívocos comprometedores de sua validade apregoadas pela Recorrente, muito menos, seria motivo de nulidade ou de anulabilidade, conforme expressamente previsto, respectivamente, nos arts. 59 e 60 do Decreto nº 70.235/1972. Em suma, neste auto, não existe vícios ou cerceamento de defesa, uma vez que o Recorrente foi regularmente intimada, oferecido os prazos legais para suas contestações, e demonstra pleno conhecimento dos fatos que lhe foram imputados pela fiscalização e apresenta defesa robusta refutando essas imputações em todas as fases processuais. Quanto ao mérito Como se vê, a discussão travada nos autos discute a forma de apuração e existência, ou não, de falta de pagamento de IPI, apurado em procedimento de fiscalização. Conforme o Contrato Social anexado aos autos, a Recorrente explora o ramo de Fabricação de molas e artefatos de arame e aço (fl. 10). Verificase no Termo de Constatação Fiscal elaborado pela fiscalização (fls. 72/73), que a Recorrente declarou, nos anoscalendário de 2006 e 2007, valores a título de receita de venda de mercadorias e produtos inferiores aos que teria usado na apuração do Imposto de Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), de competência estadual. Os saldos devedores de IPI constatados e apurado no referido Termo, têm sua origem na escrituração do Livro Registro de Apuração do IPI, um livro fiscal de importância vital no âmbito da espécie tributária em comento (IPI). Alega a Recorrente que, "(...) que descabe a tributação de valores, sem que a Fiscalização ao menos verificasse a sua consistência com os documentos fiscais de entradas e saídas bem como com os registros contábeis pertinentes do contribuinte". Consta dos autos que a empresa foi intimada (conforme Termo de Inicio de Ação Fiscal fls. 4/5), a apresentar os seguintes documentos, livros fiscais e contábeis, referente ao período fiscalizado: 1. Contrato Social e alterações; 2. arquivos SINTEGRA; 3. Arquivos (em meio digital) dos lançamentos Contábeis; 4. Livro Registro de Documentos Fiscais; 5. Os seguintes Livros Comerciais obrigatórios: Livros Diário, Razão e auxiliares; 6. Livros Fiscais: LALUR, Registro de Entradas, Registro de Saídas, Registro de Apuração do ICMS e Livro de Registro de Apuração do IPI. Vejase, portanto, que o Fisco solicitou e examinou todos os Livros fiscais e contábeis e como bem colocado pela Recorrente, os trabalhos encetados pela Fiscalização, para Fl. 172DF CARF MF Processo nº 16095.000151/201076 Acórdão n.º 3402003.695 S3C4T2 Fl. 171 5 levantamento dos valores seguiram o procedimento de confrontar valores entre aqueles constantes do Livro Registro de Apuração do IPI Modelo 8, em face dos valores de tributos apurados e declarados na Declaração de Imposto de Renda (DIPJ), nas Declarações de Débitos e Créditos Federais (DCTF), no Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais (DACON); Também se encontram apensos aos autos, cópias das DCTF dos anos calendários de 2006 e 2007 (fl. 16/19). Ressaltese que as cópias dos Livros de Registro de Apuração do IPI modelo 8, referente ao período de apuração de janeiro/2006 a dezembro/2007, conforme define a legislação, estão devidamente assinadas pelo Contador da empresa, com visto da autoridade fiscal da Fazenda Estadual e com registro da Junta Comercial e encontramse apensadas aos autos às fls. 20/71. Ressaltase que os mesmos serviram de bases para apuração das diferenças do imposto (IPI). Como é cediço, o Livro Registro de Apuração do IPI é obrigatório para as indústrias e estabelecimentos equiparados, estabelecido pelo Regulamento do IPI. É nele que serão também registrados os débitos e os créditos do imposto, os saldos apurados e outros elementos que venham a ser exigidos. No Livro Registro de Apuração do IPI, apuramse os totais dos valores contábeis e dos valores fiscais das operações de entrada e saída, extraídos dos livros próprios, atendido o Código Fiscal de Operações e Prestações CFOP. Como muito bem asseverado pela decisão a quo, o Livro de Apuração do IPI reflete integralmente os valores de interesse fiscal consignados nas notas fiscais de compra e de venda e que, antes, são transportados para os livros Registro de Entradas (modelo 1) e de Saídas (modelo 2), portanto o livro Registro de Apuração do IPI constitui um resumo fidedigno dos dados presentes naqueles dois livros citados. Seu objetivo é apurar o IPI devido pelo estabelecimento no período. Aduz a Recorrente em seu recurso que "(...) descabe a tributação de valores, sem que a Fiscalização ao menos verificasse a sua consistência com os documentos fiscais de entradas e saídas bem como com os registros contábeis pertinentes do contribuinte"...(...) " segundo a decisão de 1° grau, a autuação fundamentouse no Livro Registro de Apuração do IPI, sendo totalmente prescindível o levantamento dos valores diretamente das notas fiscais para conferência dos valores transportados. Indícios de irregularidades, com base em meros confrontos de valores, não são elementos idôneos a alicerçar lançamento fiscal". Entendo equivocado os argumentos da Recorrente. É dispensável o levantamento dos valores diretamente das notas fiscais (quando for o caso, fazse uma verificação por amostragem das notas fiscais para conferência dos valores transportados para os livros). Frisese, como já citado e consta dos autos, que a fiscalização intimou a empresa a apresentar e analisou toda sua escrituração contábil e fiscal. Quanto a validade das informações registradas (escrituradas) no Livro de Apuração do IPI, notase que tais Livros só poderão ser utilizados depois de visados pela repartição competente do Fisco estadual, salvo se esta dispensar a exigência e os livros forem registrados na Junta Comercial, ou ainda, se o visto for substituído por outro meio de controle previsto na legislação fazendária estadual. Fl. 173DF CARF MF 6 Ainda, é preciso lembrar a força probatória que possuem os livros e a escrituração contábil das empresas, conforme dispõem os artigos 378 e 379 do Código de Processo Civil bem como o artigo 923 do Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR/99), elemento que propiciou ao Conselheiro desta Turma Antonio Carlos Atulim, no Acórdão nº 3402 002.862, identificar o relacionamento de tal força probatória dos livros com a distribuição do ônus da prova no processo administrativo fiscal, in verbis: "Não é demais lembrar que a escrituração contábil goza da presunção de veracidade e legitimidade, a teor do que dispõe o art. 9º, §§ 1º e 2º do Decreto Lei nº 1.598/77. A presunção de veracidade e legitimidade dos registros contábeis opera em dois sentidos. Por um lado, cabe ao fisco o ônus de provar que os lançamentos efetuados não correspondem à realidade, caso pretenda decretar a imprestabilidade da escrituração para fins fiscais. E, de outro lado, cabe ao contribuinte, em caso de inexatidões ou erros eventualmente cometidos, produzir a prova do fato. Versando este processo sobre autos de infração, o ônus da prova das diferenças apuradas era do fisco. E o fisco se desincumbiu desse ônus, pois não contestou a veracidade e a legitimidade dos registros contábeis e declarações prestadas pelo contribuinte, baseando seu trabalho nos documentos produzidos pelo próprio fiscalizado. Sendo assim, cabe ao contribuinte o ônus da prova de comprovar que as diferenças não existem ou que estão incorretas, a teor do previsto no art. 16, III, do Decreto nº 70.235/72". Desta forma, repisandose, neste Livro, que encontramse revestidos de todas as formalidades legais, apuramse os totais dos valores contábeis e dos valores fiscais das operações de entrada e saída, extraídos dos livros próprios, atendido o Código Fiscal de Operações e Prestações CFOP. E foi esta metodologia utilizada pelo Fisco, qual seja, as operações (lançadas na escrita fiscal da empresa), registradas no Livro de Registro do IPI, foram agrupadas mensalmente por CFOP no “Demonstrativo de Apuração das Operações de Venda de Produtos, Mercadorias, e Serviço de Industrialização para Terceiros” e os valores mensais das operações de vendas assim apuradas foram conferidos com as somatórias mensais dos Registros de Saídas de mercadorias. Portanto, é consistente e hígido o lançamento de oficio realizado sobre as diferenças apuradas entre os valores escriturados (nos Livros fiscais) e os valores declarados em DCTF, que não foram objeto de recolhimento. Do art. 142, do CTN e da Multa de oficio aplicada Aduz ainda em seu recurso que "(...) Pelo art. 142 do CTN, compete o ônus da prova de que a matéria tributável, que a base de cálculo existe, ao sujeito ativo da relação tributária e não ao passivo, pois apenas a autoridade administrativa, de forma privativa, tem competência para determinar tais elementos". Pois bem. Consoante com o art. 142 do CTN, o lançamento é “o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penal idade cabível.” Fl. 174DF CARF MF Processo nº 16095.000151/201076 Acórdão n.º 3402003.695 S3C4T2 Fl. 172 7 Na espécie, durante o procedimento fiscal e até a presente fase, não foram apresentados elementos capazes de elidir a exação fiscal, o que indica que a autuada não cumpriu a obrigação do recolhimento do tributo devido, e o não cumprimento do dever jurídico cometido ao sujeito passivo da obrigação tributária enseja que a Fazenda Pública, desde que legalmente autorizada, ao cobrar o valor não pago, imponha sanções ao devedor. A inadimplência da obrigação tributária principal, na medida em que implica descumprimento da norma tributária definidora dos prazos de vencimento, não tem outra natureza que não a de infração fiscal, e, em havendo infração, cabível a aplicação de penalidade, desde que sua imposição se dê nos limites legalmente previstos. A multa pelo não pagamento do tributo devido é imposição de caráter punitivo, constituindose em sanção pela prática de ato ilícito, pelas infrações a disposições tributárias. O permissivo legal que esteia a aplicação das multas punitivas encontrase no artigo 161 do CTN, quando afirma que a falta do pagamento devido enseja a aplicação de juros moratórios “sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária”, extraindose daí o entendimento de que o crédito não pago no vencimento é acrescido de juros de mora e multa de ofício, uma vez que no caso, o débito fiscal foi apurado em procedimento de fiscalização. CONCLUSÃO Por todo o exposto, votase por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto, para manter na íntegra a decisão de primeiro grau. É como voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 175DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11543.005778/2002-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Sep 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/2001 a 31/12/2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL.
Os embargos de declaração se prestam a sanar obscuridade, omissão, contradição ou erro material porventura existentes no Acórdão. Necessário sanar o erro material no resultado do julgamento para indicar que foi negado provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do I. Conselheiro Relator Gilson Macedo Rosenburg Filho.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 3402-003.229
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por acolher os Embargos de Declaração para sanar o vício apontado na decisão embargada, nos termos do voto da Relatora. Ausente ocasionalmente o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
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ERRO MATERIAL. Os embargos de declaração se prestam a sanar obscuridade, omissão, contradição ou erro material porventura existentes no Acórdão. Necessário sanar o erro material no resultado do julgamento para indicar que foi negado provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do I. Conselheiro Relator Gilson Macedo Rosenburg Filho. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por acolher os Embargos de Declaração para sanar o vício apontado na decisão embargada, nos termos do voto da Relatora. Ausente ocasionalmente o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente. (Assinado com certificado digital) Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 57 78 /2 00 2- 64 Fl. 1456DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 06 /09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DEL IGNE 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de Embargos de Declaração de fls. 1.448/1.449 tempestivamente opostos pela Fazenda Nacional para que seja sanado erro material no Acórdão n.º 3402.002.510 proferido em 14/10/2014, ementado nos seguintes termos: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2001 a 31/12/2001 Ementa: CRÉDITO TRIBUTÁRIO. MEDIDA JUDICIAL. LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. A atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, fazendose necessária sempre que presentes os pressupostos legais, não lhe obstando a existência de liminar em mandado de segurança, cuja conseqüência é a mera suspensão de exigibilidade de crédito fiscal. Portanto, o auto de infração é instrumento hábil para constituir o crédito tributário e impor a penalidade aplicável Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator." (fl. 1441) Aduz a Fazenda Nacional que a conclusão indicada no resultado do julgamento do Acórdão estaria em desconformidade com o voto proferido pelo I. Conselheiro Relator Gilson Macedo Rosenburg Filho, que concluiu por negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pela parte. Após despacho do I. Presidente desta turma, às fls. 1.453/1.455, admitindo os Embargos, eles foram distribuídos para esta relatora. É o relatório. Voto Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne Admitidos os Embargos, por tempestivos, entendo que eles devem ser admitidos. Com efeito, a hipótese trazida nos Embargos é de clara ocorrência de erro material no preenchimento do resultado do julgamento do Acórdão, vez que a conclusão do voto, acompanhado por unanimidade naquela oportunidade, foi clara no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pela empresa interessada: Fl. 1457DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 06 /09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DEL IGNE Processo nº 11543.005778/200264 Acórdão n.º 3402003.229 S3C4T2 Fl. 1.457 3 "Portanto, diante da obrigatoriedade de lançamento tributário pela autoridade fiscal quando deparado com a ocorrência do fato gerador e a possibilidade de reversão de decisão judicial não amparada pelo manto da coisa julgada, nego provimento ao recurso voluntário e o mantenho constituído com a exigibilidade suspensa." (fl. 1.445 grifei) Diante disso, necessário dar provimento aos Embargos de Declaração opostos com fulcro nos arts. 65 e 66 do RICARF para que passe a constar a seguinte redação no resultado do julgamento, em conformidade com o voto do Relator proferido naquela oportunidade: "Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator." É como voto. Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora Fl. 1458DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 06 /09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DEL IGNE
score : 1.0
Numero do processo: 10930.903566/2012-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jan 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do Fato Gerador: 16/12/2005
PIS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA.
Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazê-lo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas.
PIS - IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO.
Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.538
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento.
(Assinado com certificado digital)
Antônio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do Fato Gerador: 16/12/2005 PIS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazê-lo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas. PIS - IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Recurso Voluntário Negado.
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REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas. PIS IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negarlhe provimento. (Assinado com certificado digital) Antônio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 35 66 /2 01 2- 90 Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10930.903566/201290 Acórdão n.º 3402003.538 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata os presentes autos de Pedido de Restituição (PER), por meio do qual a Recorrente solicita a restituição do crédito decorrente do pagamento de PIS/PASEP IMPORTAÇÃO. No Despacho Decisório, a autoridade competente da DRF em Londrina/PR, indeferiu o pleito da interessada, uma vez que o DARF informado como origem do crédito estava integralmente utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, "não restando crédito disponível para restituição". Inconformada com a decisão proferida, a empresa apresentou manifestação de inconformidade na qual esclarece tratarse de pessoa jurídica de direito privado que tem como atividade principal a indústria, comércio e exportação de couros de boi. Consigna que a Lei nº 10.865/2004 instituiu as contribuições do PIS e da COFINS sobre a importação de bens e serviços, mas não foi clara em relação à incidência sobre as quantias remetidas ao exterior a representantes comerciais a título de comissões sobre vendas, o que fez com que a Recorrente optasse por recolher as contribuições sobre essas operações. Entretanto, a Receita Federal do Brasil, em resposta a diversas consultas (cita duas), passou a vazar o entendimento de que as comissões de vendas pagas e/ou creditadas a representantes comerciais residentes ou domiciliados no exterior, não estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS Importação. Isso porque, anota a Recorrente, essas operações não configuram hipótese de serviços prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique. Assim, uma vez ter efetuado o pagamento de tributo indevido, tem o direito à restituição na forma prevista no art. 165 do Código Tributário Nacional CTN, devidamente corrigido pela taxa SELIC, conforme prescreve a Lei nº 9.250, de 1995, "ainda que informado o débito em DCTF". Sobreveio, então, o Acórdão nº 06045.909, da DRJ em Curitiba (PR), negando provimento à Manifestação de Inconformidade. Irresignada com a referida decisão, foi interposto o presente recurso voluntário, cujas razões, em suma, são as seguintes: (i) diferente do que entendeu a autoridade julgadora, a empresa recorrente comprovou ser pessoa jurídica de direito privado que tem como atividade principal a indústria, comércio e exportação de couros de boi; (ii) que demonstrou que a Lei n° 10.865, de 2004, que instituiu as contribuições ao PIS/Pasep e COFINS sobre a importação de bens e serviços, não foi clara ao determinar a incidência sobre as quantias pagas, ou remetidas ao exterior, a representantes comerciais domiciliados no exterior a título de comissões sobre vendas; Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10930.903566/201290 Acórdão n.º 3402003.538 S3C4T2 Fl. 4 3 (iii) para não sofrer sanções, optou por recolher as contribuições sobre as quantias remetidas ao exterior (para representantes domiciliados no exterior) incidentes sobre comissões sobre vendas, conforme (DARF's) apresentados; (iv) ocorre que, posteriormente, a própria RFB, através de inúmeras respostas a Soluções de Consultas, passou a definir que as "comissões de vendas pagas e/ou creditadas a representantes comerciais residentes ou domiciliados no exterior não estão sujeitas à incidência da COFINS/PISImportação", por não configurarem hipótese de serviço prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique. Reproduz algumas dessas Solução de Consulta. (v) que o processo administrativo sempre deve buscar a verdade real ou material relativa aos fatos tributários, em decorrência da estrita legalidade tributária, que devem nortear todos os atos da administração fiscal. Com isto, não basta simplesmente argumentar que "prova alguma foi trazida aos autos que comprovassem de que teria havido pagamento a maior ou indevido", para negar a existência do direito creditório; (vi) frisa que os erros contidos em declaração podem e devem ser retificados de ofício, por força da estrita legalidade tributária e nos moldes do art. 147, § 2º do CTN. (vii) que seja reconhecido que os valores indevidamente recolhidos a este título são restituíveis em valores devidamente acrescidos de juros equivalentes à taxa SELIC, na forma da Lei n° 9.250/95; (viii) requer que seja determinada a conversão do julgamento em diligência, a fim de que seja oportunizada apresentação de elementos considerados necessários à complementação da prova ou esclarecimento de dúvidas relativas aos fatos trazidos neste processo. À vista do exposto, espera e requer seja julgado integralmente procedente o presente recurso, a fim de que seja reconhecido o direito creditório e assegurada a restituição das quantias recolhidas indevidamente. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.529, de 13 de dezembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10930.903656/201281, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.529): Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10930.903566/201290 Acórdão n.º 3402003.538 S3C4T2 Fl. 5 4 Emerge do relatado, que o objeto do pedido de ressarcimento tem como fundamento o indébito de PIS/Pasep sobre comissão de venda paga a representantes comerciais residentes/domiciliados no exterior. No referido Despacho Decisório restou consignado que, "(...) A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição". Consta dos autos que o Despacho Decisório questionado está respaldado em informações prestadas pela própria interessada em DCTF, que encontrase ativa até o momento no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil. Ou seja, ao que tudo indica, o contribuinte não retificou a DCTF no que pertine ao pleito em questão, por isso a conclusão do despacho decisório vestibular que o valor sob pedido de ressarcimento foi "integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte". Por outro lado, a Recorrente tenta demonstrar em seu recurso, que não há incidência de contribuições para o PIS Importação sobre remessas realizadas para o exterior para pagamento de comissões à agentes no exterior a título de comissões ali realizadas, por não configurarem hipótese de serviço prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique, e que os valores indevidamente recolhidos a este título são restituíveis e em montantes devidamente acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial SELIC, na forma da Lei n° 9.250/95. Tudo com base na Lei nº 10.865, de 2004 e Soluções de Consultas emitidas pela RFB que cita. Contudo, se de um lado a decisão recorrida tenha asseverado que "(...) como se vê uma das hipóteses de ocorrência do fato gerador das contribuições ao PIS e a COFINS, sobre importação de serviços, é a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior como contraprestação pelo serviço prestado", como alega a peticionante, por outro giro, deixou patente que o ônus da prova quanto ao indébito seria da ora Recorrente, nos seguintes termos: "(...) Mas, para a verificação se os valores remetidos ao exterior atendem às condições estabelecidas em lei para a incidência das contribuições sobre a importação de serviços ou, não se caracterizando o fato gerador da obrigação tributária, há, de fato, o indébito reclamado pela interessada, é crucial que se tenha em mãos documentos que demonstrem a real situação aventada, como contratos firmados com os agentes externos, comprovantes de remessa de valores ao exterior, cópias de notas fiscais, recibos, dentre outros, além da própria escrituração contábil da empresa que reflita essas operações. Ocorre que, no presente caso, prova alguma foi trazida aos autos que comprovassem de que teria havido pagamento a maior ou indevido. Nesse sentido, é bom lembrar que não se permite, depois de iniciado qualquer procedimento fiscal, que seja retificada declaração quando vise a reduzir ou a excluir tributo, a não ser mediante a comprovação do erro em que se funde. É o que Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10930.903566/201290 Acórdão n.º 3402003.538 S3C4T2 Fl. 6 5 determina o art. 147, § 1º, da Lei nº 5.172, de 25/10/1966. E, como visto, o Despacho Decisório questionado está respaldado em informações prestadas pela própria interessada em DCTF, que encontrase ativa até o momento no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil. (sublinhei) E conclui a decisão a quo: "(...) Assim, instaurado o contencioso administrativo, as alegações quanto ao suposto crédito decorrente de recolhimento indevido ou a maior, como no caso em análise, devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal da contribuinte. Dessa forma, uma vez que a conclusão emitida pela autoridade administrativa teve como pressuposto as informações prestadas pela própria interessada em declarações fiscais válidas a produzir efeitos na data da emissão do Despacho Decisório e não havendo prova hábil que contrarie as informações prestadas espontaneamente, demonstrando o pagamento indevido do tributo, é de se manter o indeferimento da restituição pleiteada". Portanto, a lide se resume na questão de atendimento de condições estabelecidas em lei e provas documentais trazidos aos autos, pois para o deslinde do litígio é crucial que se tenha em mãos documentos que demonstrem a real situação aventada, mormente quando o pedido versa sobre suposto pagamento indevido. No caso em análise, por se tratar de pedido de restituição, devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal da recorrente. Documentação essa, frisese, de posse da recorrente por determinação legal, como contratos firmados com os agentes externos, comprovantes de remessa de valores ao exterior, cópias de notas fiscais, recibos, dentre outros, além da própria escrituração contábil da empresa que reflita essas operações. É de conhecimento que a regra fundamental do sistema processual adotado pelo legislador nacional, quanto ao ônus da prova, encontrase cravada no art. 373 do novo Código de Processo Civil, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. E esta formulação também foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída para o Fisco quando realiza o lançamento tributário e para o sujeito passivo, quando formula pedido de repetição de indébito. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10930.903566/201290 Acórdão n.º 3402003.538 S3C4T2 Fl. 7 6 E, no presente caso, é fato que prova alguma foi trazida aos autos pela Recorrente que comprovem que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora ela tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, quer na impugnação, quer agora na fase recursal. Demais disso, o fundamento da decisão recorrida foi justamente este, qual seja, a falta de prova. Mas, contrariando os ditames do ônus da distribuição da prova para provar fato constitutivo de seu direito, insiste que "seja determinada a conversão do julgamento em diligência, a fim de que seja oportunizada apresentação de elementos considerados necessários à complementação da prova". Ora, se toda a documentação para provar o direito que alega está em seu poder, deveria ter a Recorrente produzido tal prova quando da manifestação de inconformidade, ou mesmo em sede de recurso voluntário, o que não ocorreu. Diante desse quadro, entendo que a decisão da DRJ é merecedora de ser mantida pelos seus próprios fundamentos. Conclusão Assim, concluo que por falta de prova hábil acostadas nos autos, ônus seu de produzir, deve ser negado seu pleito. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 61DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18186.007403/2010-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Sep 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO.
A isenção decorrente de moléstia grave somente pode ser reconhecida aos aposentados e pensionistas comprovadamente portadores das moléstias enumeradas no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e alterações. A comprovação se faz mediante apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.
A isenção passa a ser reconhecida a partir da presença cumulativa desses dois requisitos.
Numero da decisão: 2202-003.504
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Márcio Henrique Sales Parada, Martin da Silva Gesto, Rosemary Figueiroa Augusto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Cecília Dutra Pillar, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Wilson Antônio de Souza Correa (Suplente convocado).
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. A isenção decorrente de moléstia grave somente pode ser reconhecida aos aposentados e pensionistas comprovadamente portadores das moléstias enumeradas no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e alterações. A comprovação se faz mediante apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. A isenção passa a ser reconhecida a partir da presença cumulativa desses dois requisitos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Márcio Henrique Sales Parada, Martin da Silva Gesto, Rosemary Figueiroa Augusto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Cecília Dutra Pillar, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Wilson Antônio de Souza Correa (Suplente convocado).
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PROVENTOS DE APOSENTADORIA. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. A isenção decorrente de moléstia grave somente pode ser reconhecida aos aposentados e pensionistas comprovadamente portadores das moléstias enumeradas no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e alterações. A comprovação se faz mediante apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. A isenção passa a ser reconhecida a partir da presença cumulativa desses dois requisitos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Márcio Henrique Sales Parada, Martin da Silva Gesto, Rosemary Figueiroa Augusto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Cecília Dutra Pillar, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Wilson Antônio de Souza Correa (Suplente convocado). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 18 6. 00 74 03 /2 01 0- 02 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 18186.007403/201002 Acórdão n.º 2202003.504 S2C2T2 Fl. 73 2 Trata o presente processo de pedido de restituição do imposto de renda retido na fonte em novembro de 2009, incidente sobre o 13º salário, sob a alegação do Contribuinte de que era portador de moléstia grave. A unidade de origem indeferiu o pedido alegando que o laudo carreado aos autos pelo Contribuinte não era um exame pericial assinado por um médico perito, estando em desacordo com o disposto na Lei nº 9.250/95. O contribuinte manifestou sua inconformidade às fls. 13 a 32, alegando, em suma, que o laudo foi emitido por serviço médico oficial do município de Presidente Prudente (SP). A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cuja decisão foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. IRRF SOBRE 13º SALÁRIO. MOLÉSTIA GRAVE. A isenção relativa a proventos de aposentadoria ou reforma depende da comprovação de que o beneficiário é portador de uma das patologias previstas na legislação, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. A legislação tributária enumera de forma taxativa as patologias que dão ensejo à isenção pleiteada e deve ser objeto de interpretação literal, o que impede estender esse benefício a situações diversas daquelas ali estabelecidas. A conclusão da DRJ foi no seguinte sentido: Concluise que: não é necessário que o laudo especificado em lei seja assinado por médico investido da função de perícia médica; a contribuinte não comprovou ser portadora de moléstia tipificada no art. 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713/88 o qual, por determinação do Código Tributário Nacional, deve ser interpretada literalmente. Cientificado dessa decisão em 12/09/2014, por via postal (A.R. de fl. 46), o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 03/10/2014 (fls. 48 a 68), arguindo que o laudo médico foi emitido por serviço médico oficial do município de Presidente Prudente (SP), o qual estabelece, de forma expressa, ser o examinado portador de moléstia prevista no inciso XIV do art. 6º, da lei nº 7.713/88. Afirma que o laudo médico identificou a doença (Insuficiência Coronária CID I20), estabeleceu a gravidade da doença, a data em que foi contraída e o prazo de validade do laudo de 1 (um) ano. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 18186.007403/201002 Acórdão n.º 2202003.504 S2C2T2 Fl. 74 3 O Recorrente cita o Manual do Ministério da Defesa, na parte que trata de cardiopatia grave, procurando demonstrar que sua doença se enquadra nesse conceito. Ao final, requer que seja reformada a decisão de primeira instância e lhe seja restituída a integralidade dos valores retidos no período solicitado. É o relatório. Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. São necessárias duas condições para que os rendimentos recebidos por portadores de moléstias graves definidas em lei sejam isentos do imposto sobre a renda: (i) ser a moléstia atestada em laudo emitido por serviço médico oficial da União, Estados, DF ou Municípios; (ii) os rendimentos serem provenientes de aposentadoria ou reforma. Lei nº 7.713/1988 Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: [...] XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (destaquei) A Súmula CARF Nº 63 assim dispõe sobre as condições para gozo da isenção do imposto de renda: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão, e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. O Contribuinte apresentou o laudo oficial de fl. 3, emitido por um médico da Secretaria Municipal de Saúde do município de Presidente Prudente (SP), no qual consta ser o paciente portador de insuficiência coronária crônica, classificada como CID I20. Consta, ainda, que o examinado é portador de moléstia prevista no inciso XIV do art. 6º da Lei nº Fl. 74DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 18186.007403/201002 Acórdão n.º 2202003.504 S2C2T2 Fl. 75 4 7.713/1988, desde 27/02/2009, sendo a doença grave, mas passível de controle. O laudo foi emitido em 31/05/2010, com prazo de validade de um ano. A decisão de primeira instância entendeu que a moléstia especificada no laudo (insuficiência coronária crônica), identificada como I20.0, no CID10, não está relacionada no art. 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713/88. Para fundamentar sua conclusão, o voto condutor faz algumas considerações sobre cardiopatia grave, com base em literatura médica. No entanto, não cabe aqui contestar aquilo que atestou a autoridade competente, que é o médico que emitiu o laudo oficial. Ou seja, se o laudo médico afirma que o paciente, ora Contribuinte, é portador de moléstia grave enquadrada no inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713/1988, não é a autoridade julgadora que não é especialista em medicina e não examinou o paciente que irá contrariálo. Aqui cabe transcrever excerto do voto condutor do ilustre Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, em julgamento de caso similar (Acórdão nº 2202003.000). [...] Para que não se alegue que as isenções interpretamse literalmente e que a lei acima transcrita fala em "cardiopatia grave" e não em "doenças isquêmicas do coração", apesar do perito médico do INSS já ter dado parecer favorável ao enquadramento da cardiopatia aqui em comento com o disposto no artigo 6º, inciso XIV da Lei nº 7.713, de 1988, verifiquei também que o Conselho Federal de Medicina, no PROCESSO CONSULTA CFM N° 7.783/2001 PC/CFM/Nº 01/2002, esclareceu que "cardiopatia grave" é tema "complexo e de difícil conceituação", sendo que se inserem em tal conceito diversas doenças do coração, que limitam, progressivamente, a capacidade física, funcional e profissional, a partir de diversos sintomas. Mencionou que “a importância da expressão cardiopatia grave, na área médica, resultou de sua utilização na área jurídica, com implicações em múltiplos campos do Direito, particularmente o Trabalhista, o Previdenciário e o Tributário”. E concluiu que compete à junta médica, com base no exame físico e na análise de exames complementares, recusar ou homologar o entendimento do que seria "cardiopatia grave". (disponível em: http://www.portalmedico.org.br/pareceres/cfm/2002/1_2002.htm ) Dessa forma, o Contribuinte faz jus à isenção legal do imposto de renda sobre o 13º salário do anocalendário 2009. Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator Fl. 75DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 18186.007403/201002 Acórdão n.º 2202003.504 S2C2T2 Fl. 76 5 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 10480.908644/2012-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos que não possuam os atributos da liquidez e certeza.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL.
A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-002.267
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2007 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos que não possuam os atributos da liquidez e certeza. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1943; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10480.908644/201298 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3201002.267 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de agosto de 2016 Matéria Compensação. DCOMP. Recorrente MAUES LOBATO COMERCIO E REPRESENTACOES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos que não possuam os atributos da liquidez e certeza. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Recurso Voluntário Negado. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 86 44 /2 01 2- 98 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.908644/201298 Acórdão n.º 3201002.267 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório MAUES LOBATO COMERCIO E REPRESENTACOES LTDA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. A DRF/Recife emitiu o Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade a contribuinte alegou que os créditos em questão seriam "relativos a pagamentos a maior ou indevidos de PIS ou COFINS", originados "da retificação dos DACON da empresa, após a realização de auditoria interna", onde teria sido constatado que diversos créditos, oriundos das contribuições PIS e COFINS não cumulativas, não teriam sido contabilizados. Afirmou que realizou a retificação de suas DACON para, posteriormente, apresentar as respectivas PER/DComp. Assim, sustenta que os créditos oriundos dos alegados indébitos estariam plenamente demonstrados nos DACON retificadores entregues eletronicamente à SRF, o que dispensaria a juntada desta demonstração ao processo, conforme determinaria o Art. 37 da Lei 9.784/99. Ao final, alegou que o erro de não ter retificado tempestivamente suas DCTF´s não implica na inexistência de seus créditos. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão 03059.538, cuja ementa segue transcrita, na parte essencial: APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 69DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.908644/201298 Acórdão n.º 3201002.267 S3C2T1 Fl. 4 3 Direito Creditório Não Reconhecido Em seu recurso voluntário a contribuinte traz, em resumo, os seguintes argumentos: a) reitera que a origem de seu direito creditório estaria demonstrada no DACON, e que os valores que originaram os pagamentos a maior e retenções já estariam na base de dados da SRF. Neste ponto, aduz que não lhe foi dada oportunidade de conversão do julgamento em diligência, nem teria sido intimada a juntar novas provas, o que teria prejudicado seu direito ao contraditório e à ampla defesa. Por tudo isto, alega, preliminarmente, que teria havido cerceamento de seu direito de defesa, solicitando a anulação da decisão da DRJ; b) reclama que bastaria uma simples comparação dos DACON com os valores recolhidos pela empresa para verificar a procedência do direito pleiteado, alegando que o parágrafo único do Art. 26 do Decreto 7.574/2011 determina que a prova da inveracidade dos fatos registrados caberia à autoridade fiscal. Desta forma, estaria se impondo um ônus injustificado ao contribuinte; c) reclama, ainda, que não teria havido uma recusa fundamentada acerca do pedido de produção de prova posterior, conforme determinaria o Art. 39, par. único, da Lei 9.784/99, que regula o processo administrativo. Portanto, a decisão recorrida deveria ser anulada, conforme determinaria o Art. 53 do mesmo diploma legal. Neste sentido, sustenta que as diretrizes da verdade material devem ser observadas pelos agentes da administração e transcreve ementas de julgados que ilustram seus argumentos; d) solicita, ao final, a anulação da decisão recorrida por violações aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade, informalidade e verdade material. Pede, ainda, que após a anulação da decisão da DRJ seja reconhecido seu direito creditório com a conseqüente homologação das compensações declaradas, ou seja o julgamento convertido em diligência. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.265, de 24/08/2016, proferido no julgamento do processo 10480.908649/201211, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.265): Fl. 70DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.908644/201298 Acórdão n.º 3201002.267 S3C2T1 Fl. 5 4 "Observados os pressupostos recursais, a petição de fls. 43 a 52 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/Brasília/4ª Turma, nº 0359.543, de 27 de fevereiro de 2014. O recorrente invoca, preliminarmente, o princípio processual da verdade material. O que deve ficar assente é que o referido princípio destinase à busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi. Em outras palavras, o principio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento ou por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito, onde se objetiva a restituição de um alegado crédito, seja proposto sem a devida e minuciosa demonstração e comprovação da efetiva existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento, se oportunize tais demonstração e comprovação. Com essa introdução, entendo que deve ser afastada a insinuação recursal, implícita no brado pelo princípio da verdade material, de que esta instância de julgamento estaria obrigada a acolher todos e quaisquer documentos que por ventura acompanhem o recurso, primeiro porque existe um evidente limite temporal para a apresentação de provas no rito instituído pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – PAF que no presente caso é o momento processual da apresentação da manifestação de inconformidade, segundo porque o ônus probatório aqui é do contribuinte, quando este pleiteia um ressarcimento ou uma restituição de indébito, tem a obrigação de comprovar inequivocamente o seu alegado direito creditório no momento que contesta o despacho decisório e instaura o contencioso. No caso, a decisão recorrida não acolheu a alegação de erro na apuração da contribuição social, nem a simples retificação do DACON para efeito de alterar valores originalmente declarados, porque o declarante, em sede de manifestação de inconformidade, não se desincumbiu do ônus probatório que lhe cabia e não juntou nos autos seus registros contábeis e fiscais, acompanhados de documentação hábil, para infirmar a motivo que levou a autoridade fiscal competente a não homologar a compensação ou mesmo para eventualmente comprovar a alegada inclusão indevida de valores na base de cálculo das contribuições, que poderiam levar à reduções de valores dos débitos confessados em DCTF. Novamente, agora já em sede de recurso voluntário, o interessado não aportou aos autos qualquer documentação probatória, limitandose a bradar contra alegadas violações à princípios constitucionais e também a afirmar que todas as informações já constariam na base de dados da SRF, Fl. 71DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.908644/201298 Acórdão n.º 3201002.267 S3C2T1 Fl. 6 5 que portanto não haveria necessidade da juntada de quaisquer outros documentos e ainda, que caso tais informações se revelassem insuficientes, deveria ter sido solicitada a realização de diligência. Conforme bem apontou a decisão da DRJ, a declaração do contribuinte em DCTF constituise em confissão de dívida, o que confere liquidez e certeza à obrigação tributária. No atual momento processual, para se comprovar a liquidez e certeza do crédito informado na Declaração de Compensação seria imprescindível uma cabal demonstração na escrituração contábilfiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, da alegada diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. As alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituemse em verdadeiro ônus processual, uma vez que a juntada das provas aos autos dever ser praticada no tempo certo, sob pena de preclusão, isto porque o processo é um caminhar para a frente, não se admitindo, em regra, ressuscitar questões já ultrapassadas em fases anteriores. Conforme o § 4º do art. 16 do PAF, só é lícito deduzir novas alegações em supressão de instância quando: relativas a direito superveniente, demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Compete ainda ao julgador administrativo conhecer de ofício de matérias de ordem pública, a exemplo da decadência; ou por expressa autorização legal. Finalmente, o § 5º do mesmo dispositivo legal exige que a juntada dos documentos deve ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior.(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 72DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.908644/201298 Acórdão n.º 3201002.267 S3C2T1 Fl. 7 6 (...) Contudo, no caso desses autos, o recorrente sequer se preocupou em trazer oportunamente os documentos que comprovariam suas alegações, ônus que lhe competia, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, segundo o disposto na Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36. Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC). Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A comprovação do valor do tributo efetivamente devido (e, por conseqüência, do direito à restituição de eventual parcela recolhida a maior) no caso concreto deveria ter sido efetuada mediante apresentação oportuna de documentos contábeis e/ou fiscais capazes de efetivamente demonstrar que o valor da contribuição do período de apuração de interesse não teria atingido o valor informado na DCTF vigente quando da emissão do Despacho Decisório aqui analisado, mas apenas o valor informado na DCTF retificadora (que no presente caso sequer efeitos surte quanto à redução deste débito) e no DACON retificador, de caráter meramente informativo. Como o contribuinte sequer procurou juntar aos autos qualquer tipo de documentação na intenção de demonstrar que efetivamente seria titular do alegado direito creditório, eventuais créditos do contribuinte contra a Fazenda Pública ficam sem a devida comprovação de sua certeza e liquidez, atributos indispensáveis para a homologação da compensação pretendida, nos termos do art. 170 do CTN. Restam, portanto, descabidas as demais alegações quanto às supostas violações à ampla defesa, bem como aos demais princípios constitucionais da razoabilidade, proporcionalidade e informalidade. Sobre a jurisprudência trazida à colação pelo recorrente, devese contrapor que se tratam de decisões isoladas, que não se enquadram ao caso em exame e nem vinculam o presente julgamento, podendo cada instância decidir livremente, de acordo com suas convicções. Além disso, tratamse de precedentes que não constituem normas complementares, não têm força normativa, nem efeito vinculante para a administração tributária, pela inexistência de lei nesse sentido, conforme exige o art. 100, II, do CTN. Alertandose para a estrita vinculação das autoridades administrativas ao texto da lei, no desempenho de suas atribuições, sob pena de responsabilidade, motivo pelo qual tais decisões não podem ser aplicadas fora do âmbito dos processos em que foram proferidas. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.908644/201298 Acórdão n.º 3201002.267 S3C2T1 Fl. 8 7 Com essas considerações, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. Winderley Morais Pereira Fl. 74DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Numero do processo: 15504.720813/2011-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. FALTA DE CLAREZA NA DESCRIÇÃO DOS FATOS PELA ACUSAÇÃO FISCAL. INEXISTÊNCIA.
Descabe a declaração de nulidade, sob a alegação de cerceamento do direito de defesa ou existência de vício material, quando o relatório fiscal e seus anexos contêm a descrição pormenorizada dos fatos imputados ao sujeito passivo, indicam os dispositivos legais que ampararam o lançamento e expõem de forma clara e objetiva os elementos que levaram a fiscalização a concluir pela efetiva ocorrência dos fatos jurídicos desencadeadores do liame obrigacional.
ADICIONAL DESTINADO AO FINANCIAMENTO DO BENEFÍCIO DE APOSENTADORIA ESPECIAL. PRÉVIA INSPEÇÃO "IN LOCO". DESNECESSIDADE.
A legislação tributária não impõe a verificação "in loco" das condições ambientais dos segurados empregados, ou mesmo a manifestação de um profissional da área de segurança ou medicina do trabalho, como requisito necessário, indispensável e prévio à constituição do crédito tributário relativo ao adicional destinado ao financiamento do benefício de aposentadoria especial.
PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. AVALIAÇÃO DO JULGADOR. NECESSIDADE E VIABILIDADE.
O indeferimento da perícia, desde que fundamentado pelo julgador, é motivo insuficiente para a declaração de nulidade da decisão de primeira instância. Como destinatário final da perícia, compete ao julgador avaliar a prescindibilidade e viabilidade da produção da prova técnica, não constituindo a realização do exame pericial um direito subjetivo do interessado.
NULIDADE. FALTA DE APRECIAÇÃO DE DOCUMENTOS ANEXADOS À IMPUGNAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO CONCRETO À PARTE.
Configura medida extrema e desprovida de razoabilidade, que não se coaduna com a finalidade do processo administrativo, a declaração de nulidade da decisão de primeira instância em decorrência da falta de análise de documentos juntados à impugnação relacionados à questão isolada, sem correlação com as demais matérias decididas pelo julgador "a quo".
Ao avaliar a instância recursal que não houve prejuízo concreto à parte e encontrando-se a questão madura para julgamento, o mérito pode ser examinado pelo colegiado, dispensando-se o retorno do processo a uma etapa anterior.
PROVA. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO.
A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, consistindo a juntada posterior uma exceção ao rito procedimental.
DESPACHO DE DILIGÊNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Descabe a declaração de nulidade do despacho de diligência que, cumprindo a sua finalidade, esclarece os pontos duvidosos formulados pela autoridade julgadora.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. ACORDO POSTERIOR AO PERÍODO DE AFERIÇÃO DOS RESULTADOS. AUSÊNCIA DE NEGOCIAÇÃO ENTRE EMPRESA E SEUS EMPREGADOS. PAGAMENTOS EM DESACORDO COM AS FINALIDADES DA LEI Nº 10.101, DE 2000. INCIDÊNCIA DA TRIBUTAÇÃO.
Integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias os valores pagos a título de participação nos resultados em desacordo com a Lei nº 10.101, de 2000.
Está sujeita à tributação a participação nos lucros ou resultados que não foi objeto de negociação prévia entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos previstos na Lei nº 10.101, de 2000.
Da mesma maneira, o acordo firmado quando os resultados já foram alcançados, cujos pagamentos ocorrem em função da comparação entre o volume de vendas previsto e o realizado no período, não atende ao estabelecido na Lei nº 10.101, de 2000, pois não há como incentivar e aferir algo que já foi alcançado.
DIRETORES NÃO EMPREGADOS. PARTICIPAÇÃO ESTATUTÁRIA. REMUNERAÇÃO PELO TRABALHO. INCIDÊNCIA.
A parcela paga a título de participação estatutária a diretores não empregados, nos termos do art. 152 da Lei nº 6.404, de 1976, integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias.
DIRETOR EMPREGADO. RESCISÃO DO CONTRATO DE TRABALHO. GRATIFICAÇÃO POR LIBERALIDADE. CARÁTER EVENTUAL. NÃO INCIDÊNCIA. DECISÃO DO COLEGIADO QUE ACOLHE A CONCLUSÃO DO RELATOR.
Não integram a base de cálculo do salário-de-contribuição as verbas recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário, por força da isenção prevista no art. 28, § 9º, e, item 7, da Lei nº. 8.212, de 1991.
A habitualidade configura-se como principal pressuposto para a incorporação de um pagamento à remuneração do segurado empregado. A verba "gratificação por liberalidade" paga de forma eventual ao diretor empregado na rescisão do contrato de trabalho não integra o seu salário-de-contribuição.
Nada obstante, a maioria dos conselheiros acolheu a conclusão do relator, o qual afastou a incidência da contribuição previdenciária adotando fundamento diverso, por considerar improcedente a motivação do respectivo lançamento fiscal.
EXPOSIÇÃO A AGENTES NOCIVOS. CALOR. ADICIONAL DESTINADO AO FINANCIAMENTO DO BENEFÍCIO DE APOSENTADORIA ESPECIAL.
O adicional destinado ao financiamento do benefício de aposentadoria especial incide sobre a remuneração dos segurados empregados expostos ao agente calor, desde que com medição no limite ou acima do limite de tolerância avaliado segundo o Anexo 3 da NR-15.
EXPOSIÇÃO A AGENTES NOCIVOS. BENZENO. CÁDMIO. ADICIONAL DESTINADO AO FINANCIAMENTO DO BENEFÍCIO DE APOSENTADORIA ESPECIAL.
O adicional destinado ao financiamento do benefício de aposentadoria especial incide sobre a remuneração dos segurados empregados expostos ao agentes benzeno e cádmio avaliados apenas de forma qualitativa, que considera a nocividade pela simples presença no processo produtivo e no ambiente laboral, independentemente de mensuração.
SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. LIMITE MÁXIMO DO SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO.
Tratando-se de contribuinte individual prestador de serviços remunerados a mais de uma empresa que já teve, mensalmente, a contribuição descontada sobre o limite máximo do salário-de-contribuição, não se deve exigir recolhimento adicional no que se refere à contribuição social previdenciária devida pelo segurado.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR COOPERADOS. INTERMEDIAÇÃO DE COOPERATIVA DE TRABALHO. DECISÃO DO PLENÁRIO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF). REPERCUSSÃO GERAL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO (RE) Nº 598.838/SP. INCONSTITUCIONALIDADE.
A decisão definitiva de mérito no RE nº 598.838/SP, proferida pelo STF na sistemática da repercussão geral, declarando a inconstitucionalidade da contribuição da empresa - prevista no inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991 - sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço, relativamente a serviços que lhe sejam prestados por cooperadores, por intermédio de cooperativas de trabalho, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, inclusive quando da exigência fiscal relativa aos descumprimento de obrigações acessórias.
AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 68. ART. 32-A DA LEI Nº 8.212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA.
As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449, de 2008, a qual fez acrescentar o art. 32-A à Lei nº 8.212, de 1991.
Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, c, do CTN sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. ENUNCIADO DA SÚMULA CARF Nº 28
Este Conselho Administrativo é incompetente para se pronunciar sobre controvérsias referentes à representação fiscal para fins penais elaborada pela fiscalização.
(Súmula Carf nº 28)
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2401-004.411
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e rejeitar as preliminares. No mérito do recurso voluntário; (i) Pelo voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO quanto ao lançamento relativo à Participação nos Lucros ou Resultados (PLR). Vencidos os Conselheiros Theodoro Vicente Agostinho, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira e Wilson Antônio de Souza Correa, que davam provimento quanto aos pagamentos destinados aos segurados operacionais; (ii) Por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO quanto à exclusão dos valores lançados a título de "Atribuição Estatutária" paga a segurados não empregados. Vencidos os Conselheiros Theodoro Vicente Agostinho, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira; (iii) Por maioria de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL para excluir do lançamento os valores relativos à "Gratificação Liberalidade" paga a segurado empregado. Vencidos os Conselheiros Arlindo Costa e Silva, Miriam Denise Xavier e Maria Cleci Coti Martins. Os Conselheiros Theodoro Vicente Agostinho, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira e Wilson Antônio de Souza Correa acompanharam o voto do Relator pelas conclusões; (iv) Por maioria de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL para excluir do lançamento relativo aos "Riscos Ocupacionais" os valores incidentes sobre as remunerações dos segurados expostos ao agente nocivo calor, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Arlindo Costa e Silva e Miriam Denise Xavier; (v) Por unanimidade votos, dar provimento parcial para excluir a incidência do adicional para financiamento do benefício de aposentadoria especial sobre os valores pagos a título de Participação nos Lucros ou Resultados (PLR) aos segurados expostos ao agente calor, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Arlindo da Costa e Silva e Miriam Denise Xavier Lazarini que votaram para que fosse utilizado o índice/limite conforme a legislação. (vi) Por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL para, nos termos do voto do Relator, a) excluir os valores do "Levantamento DC", correspondentes a diferenças de contribuições previdenciárias dos segurados empregados na competência 04/2007; b) excluir do lançamento a contribuição previdenciária do contribuinte individual Messias Lopes Sobrinho; e c) tornar insubsistente o Auto de Infração nº 37.342.580-5 (CFL 78); (vii) Por maioria de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL para o recálculo do valor da penalidade pecuniária do AI nº 37.342.578-3 (CFL 68), com aplicação do inciso I do art. 32-A da Lei nº 8.212/91, se e somente se o valor multa assim calculado se mostrar menos gravoso, em atenção ao princípio da retroatividade benigna. Outrossim, o regramento a ser dispensado à aplicação de penalidade pelo descumprimento de obrigação principal, formalizada mediante o lançamento de ofício, deve obedecer à lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, in casu, inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91. Vencidos o Relator e as Conselheiras Miriam Denise Xavier e Maria Cleci Coti Martins. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva fará o voto vencedor quanto à matéria; e (viii) Por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO no que diz respeito às demais matérias. Fez sustentação oral o Dr. Valter Lobato OAB/MG 61.186.
Maria Cleci Coti Martins - Presidente Substituta
Cleberson Alex Friess - Relator
Arlindo da Costa e Silva - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Cleci Coti Martins, Arlindo da Costa e Silva, Wilson Antônio de Souza Correa, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Miriam Denise Xavier Lazarini.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. FALTA DE CLAREZA NA DESCRIÇÃO DOS FATOS PELA ACUSAÇÃO FISCAL. INEXISTÊNCIA. Descabe a declaração de nulidade, sob a alegação de cerceamento do direito de defesa ou existência de vício material, quando o relatório fiscal e seus anexos contêm a descrição pormenorizada dos fatos imputados ao sujeito passivo, indicam os dispositivos legais que ampararam o lançamento e expõem de forma clara e objetiva os elementos que levaram a fiscalização a concluir pela efetiva ocorrência dos fatos jurídicos desencadeadores do liame obrigacional. ADICIONAL DESTINADO AO FINANCIAMENTO DO BENEFÍCIO DE APOSENTADORIA ESPECIAL. PRÉVIA INSPEÇÃO "IN LOCO". DESNECESSIDADE. A legislação tributária não impõe a verificação "in loco" das condições ambientais dos segurados empregados, ou mesmo a manifestação de um profissional da área de segurança ou medicina do trabalho, como requisito necessário, indispensável e prévio à constituição do crédito tributário relativo ao adicional destinado ao financiamento do benefício de aposentadoria especial. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. AVALIAÇÃO DO JULGADOR. NECESSIDADE E VIABILIDADE. O indeferimento da perícia, desde que fundamentado pelo julgador, é motivo insuficiente para a declaração de nulidade da decisão de primeira instância. Como destinatário final da perícia, compete ao julgador avaliar a prescindibilidade e viabilidade da produção da prova técnica, não constituindo a realização do exame pericial um direito subjetivo do interessado. NULIDADE. FALTA DE APRECIAÇÃO DE DOCUMENTOS ANEXADOS À IMPUGNAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO CONCRETO À PARTE. Configura medida extrema e desprovida de razoabilidade, que não se coaduna com a finalidade do processo administrativo, a declaração de nulidade da decisão de primeira instância em decorrência da falta de análise de documentos juntados à impugnação relacionados à questão isolada, sem correlação com as demais matérias decididas pelo julgador "a quo". Ao avaliar a instância recursal que não houve prejuízo concreto à parte e encontrando-se a questão madura para julgamento, o mérito pode ser examinado pelo colegiado, dispensando-se o retorno do processo a uma etapa anterior. PROVA. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, consistindo a juntada posterior uma exceção ao rito procedimental. DESPACHO DE DILIGÊNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Descabe a declaração de nulidade do despacho de diligência que, cumprindo a sua finalidade, esclarece os pontos duvidosos formulados pela autoridade julgadora. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. ACORDO POSTERIOR AO PERÍODO DE AFERIÇÃO DOS RESULTADOS. AUSÊNCIA DE NEGOCIAÇÃO ENTRE EMPRESA E SEUS EMPREGADOS. PAGAMENTOS EM DESACORDO COM AS FINALIDADES DA LEI Nº 10.101, DE 2000. INCIDÊNCIA DA TRIBUTAÇÃO. Integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias os valores pagos a título de participação nos resultados em desacordo com a Lei nº 10.101, de 2000. Está sujeita à tributação a participação nos lucros ou resultados que não foi objeto de negociação prévia entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos previstos na Lei nº 10.101, de 2000. Da mesma maneira, o acordo firmado quando os resultados já foram alcançados, cujos pagamentos ocorrem em função da comparação entre o volume de vendas previsto e o realizado no período, não atende ao estabelecido na Lei nº 10.101, de 2000, pois não há como incentivar e aferir algo que já foi alcançado. DIRETORES NÃO EMPREGADOS. PARTICIPAÇÃO ESTATUTÁRIA. REMUNERAÇÃO PELO TRABALHO. INCIDÊNCIA. A parcela paga a título de participação estatutária a diretores não empregados, nos termos do art. 152 da Lei nº 6.404, de 1976, integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias. DIRETOR EMPREGADO. RESCISÃO DO CONTRATO DE TRABALHO. GRATIFICAÇÃO POR LIBERALIDADE. CARÁTER EVENTUAL. NÃO INCIDÊNCIA. DECISÃO DO COLEGIADO QUE ACOLHE A CONCLUSÃO DO RELATOR. Não integram a base de cálculo do salário-de-contribuição as verbas recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário, por força da isenção prevista no art. 28, § 9º, e, item 7, da Lei nº. 8.212, de 1991. A habitualidade configura-se como principal pressuposto para a incorporação de um pagamento à remuneração do segurado empregado. A verba "gratificação por liberalidade" paga de forma eventual ao diretor empregado na rescisão do contrato de trabalho não integra o seu salário-de-contribuição. Nada obstante, a maioria dos conselheiros acolheu a conclusão do relator, o qual afastou a incidência da contribuição previdenciária adotando fundamento diverso, por considerar improcedente a motivação do respectivo lançamento fiscal. EXPOSIÇÃO A AGENTES NOCIVOS. CALOR. ADICIONAL DESTINADO AO FINANCIAMENTO DO BENEFÍCIO DE APOSENTADORIA ESPECIAL. O adicional destinado ao financiamento do benefício de aposentadoria especial incide sobre a remuneração dos segurados empregados expostos ao agente calor, desde que com medição no limite ou acima do limite de tolerância avaliado segundo o Anexo 3 da NR-15. EXPOSIÇÃO A AGENTES NOCIVOS. BENZENO. CÁDMIO. ADICIONAL DESTINADO AO FINANCIAMENTO DO BENEFÍCIO DE APOSENTADORIA ESPECIAL. O adicional destinado ao financiamento do benefício de aposentadoria especial incide sobre a remuneração dos segurados empregados expostos ao agentes benzeno e cádmio avaliados apenas de forma qualitativa, que considera a nocividade pela simples presença no processo produtivo e no ambiente laboral, independentemente de mensuração. SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. LIMITE MÁXIMO DO SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. Tratando-se de contribuinte individual prestador de serviços remunerados a mais de uma empresa que já teve, mensalmente, a contribuição descontada sobre o limite máximo do salário-de-contribuição, não se deve exigir recolhimento adicional no que se refere à contribuição social previdenciária devida pelo segurado. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR COOPERADOS. INTERMEDIAÇÃO DE COOPERATIVA DE TRABALHO. DECISÃO DO PLENÁRIO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF). REPERCUSSÃO GERAL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO (RE) Nº 598.838/SP. INCONSTITUCIONALIDADE. A decisão definitiva de mérito no RE nº 598.838/SP, proferida pelo STF na sistemática da repercussão geral, declarando a inconstitucionalidade da contribuição da empresa - prevista no inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991 - sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço, relativamente a serviços que lhe sejam prestados por cooperadores, por intermédio de cooperativas de trabalho, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, inclusive quando da exigência fiscal relativa aos descumprimento de obrigações acessórias. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 68. ART. 32-A DA LEI Nº 8.212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449, de 2008, a qual fez acrescentar o art. 32-A à Lei nº 8.212, de 1991. Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, c, do CTN sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. ENUNCIADO DA SÚMULA CARF Nº 28 Este Conselho Administrativo é incompetente para se pronunciar sobre controvérsias referentes à representação fiscal para fins penais elaborada pela fiscalização. (Súmula Carf nº 28) Recurso Voluntário Provido em Parte
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SALÁRIO INDIRETO. PARCELAS DIVERSAS. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. RISCOS OCUPACIONAIS Recorrente ARCELORMITTAL BRASIL S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. FALTA DE CLAREZA NA DESCRIÇÃO DOS FATOS PELA ACUSAÇÃO FISCAL. INEXISTÊNCIA. Descabe a declaração de nulidade, sob a alegação de cerceamento do direito de defesa ou existência de vício material, quando o relatório fiscal e seus anexos contêm a descrição pormenorizada dos fatos imputados ao sujeito passivo, indicam os dispositivos legais que ampararam o lançamento e expõem de forma clara e objetiva os elementos que levaram a fiscalização a concluir pela efetiva ocorrência dos fatos jurídicos desencadeadores do liame obrigacional. ADICIONAL DESTINADO AO FINANCIAMENTO DO BENEFÍCIO DE APOSENTADORIA ESPECIAL. PRÉVIA INSPEÇÃO "IN LOCO". DESNECESSIDADE. A legislação tributária não impõe a verificação "in loco" das condições ambientais dos segurados empregados, ou mesmo a manifestação de um profissional da área de segurança ou medicina do trabalho, como requisito necessário, indispensável e prévio à constituição do crédito tributário relativo ao adicional destinado ao financiamento do benefício de aposentadoria especial. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. AVALIAÇÃO DO JULGADOR. NECESSIDADE E VIABILIDADE. O indeferimento da perícia, desde que fundamentado pelo julgador, é motivo insuficiente para a declaração de nulidade da decisão de primeira instância. Como destinatário final da perícia, compete ao julgador avaliar a prescindibilidade e viabilidade da produção da prova técnica, não AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 08 13 /2 01 1- 87 Fl. 3313DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assin ado digitalmente em 04/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.720813/201187 Acórdão n.º 2401004.411 S2C4T1 Fl. 3.314 2 constituindo a realização do exame pericial um direito subjetivo do interessado. NULIDADE. FALTA DE APRECIAÇÃO DE DOCUMENTOS ANEXADOS À IMPUGNAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO CONCRETO À PARTE. Configura medida extrema e desprovida de razoabilidade, que não se coaduna com a finalidade do processo administrativo, a declaração de nulidade da decisão de primeira instância em decorrência da falta de análise de documentos juntados à impugnação relacionados à questão isolada, sem correlação com as demais matérias decididas pelo julgador "a quo". Ao avaliar a instância recursal que não houve prejuízo concreto à parte e encontrandose a questão madura para julgamento, o mérito pode ser examinado pelo colegiado, dispensandose o retorno do processo a uma etapa anterior. PROVA. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, consistindo a juntada posterior uma exceção ao rito procedimental. DESPACHO DE DILIGÊNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Descabe a declaração de nulidade do despacho de diligência que, cumprindo a sua finalidade, esclarece os pontos duvidosos formulados pela autoridade julgadora. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. ACORDO POSTERIOR AO PERÍODO DE AFERIÇÃO DOS RESULTADOS. AUSÊNCIA DE NEGOCIAÇÃO ENTRE EMPRESA E SEUS EMPREGADOS. PAGAMENTOS EM DESACORDO COM AS FINALIDADES DA LEI Nº 10.101, DE 2000. INCIDÊNCIA DA TRIBUTAÇÃO. Integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias os valores pagos a título de participação nos resultados em desacordo com a Lei nº 10.101, de 2000. Está sujeita à tributação a participação nos lucros ou resultados que não foi objeto de negociação prévia entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos previstos na Lei nº 10.101, de 2000. Da mesma maneira, o acordo firmado quando os resultados já foram alcançados, cujos pagamentos ocorrem em função da comparação entre o volume de vendas previsto e o realizado no período, não atende ao estabelecido na Lei nº 10.101, de 2000, pois não há como incentivar e aferir algo que já foi alcançado. DIRETORES NÃO EMPREGADOS. PARTICIPAÇÃO ESTATUTÁRIA. REMUNERAÇÃO PELO TRABALHO. INCIDÊNCIA. A parcela paga a título de participação estatutária a diretores não empregados, nos termos do art. 152 da Lei nº 6.404, de 1976, integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Fl. 3314DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assin ado digitalmente em 04/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.720813/201187 Acórdão n.º 2401004.411 S2C4T1 Fl. 3.315 3 DIRETOR EMPREGADO. RESCISÃO DO CONTRATO DE TRABALHO. GRATIFICAÇÃO POR LIBERALIDADE. CARÁTER EVENTUAL. NÃO INCIDÊNCIA. DECISÃO DO COLEGIADO QUE ACOLHE A CONCLUSÃO DO RELATOR. Não integram a base de cálculo do saláriodecontribuição as verbas “recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário”, por força da isenção prevista no art. 28, § 9º, e, item 7, da Lei nº. 8.212, de 1991. A habitualidade configurase como principal pressuposto para a incorporação de um pagamento à remuneração do segurado empregado. A verba "gratificação por liberalidade" paga de forma eventual ao diretor empregado na rescisão do contrato de trabalho não integra o seu saláriodecontribuição. Nada obstante, a maioria dos conselheiros acolheu a conclusão do relator, o qual afastou a incidência da contribuição previdenciária adotando fundamento diverso, por considerar improcedente a motivação do respectivo lançamento fiscal. EXPOSIÇÃO A AGENTES NOCIVOS. CALOR. ADICIONAL DESTINADO AO FINANCIAMENTO DO BENEFÍCIO DE APOSENTADORIA ESPECIAL. O adicional destinado ao financiamento do benefício de aposentadoria especial incide sobre a remuneração dos segurados empregados expostos ao agente calor, desde que com medição no limite ou acima do limite de tolerância avaliado segundo o Anexo 3 da NR15. EXPOSIÇÃO A AGENTES NOCIVOS. BENZENO. CÁDMIO. ADICIONAL DESTINADO AO FINANCIAMENTO DO BENEFÍCIO DE APOSENTADORIA ESPECIAL. O adicional destinado ao financiamento do benefício de aposentadoria especial incide sobre a remuneração dos segurados empregados expostos ao agentes benzeno e cádmio avaliados apenas de forma qualitativa, que considera a nocividade pela simples presença no processo produtivo e no ambiente laboral, independentemente de mensuração. SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. LIMITE MÁXIMO DO SALÁRIODE CONTRIBUIÇÃO. Tratandose de contribuinte individual prestador de serviços remunerados a mais de uma empresa que já teve, mensalmente, a contribuição descontada sobre o limite máximo do saláriodecontribuição, não se deve exigir recolhimento adicional no que se refere à contribuição social previdenciária devida pelo segurado. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR COOPERADOS. INTERMEDIAÇÃO DE COOPERATIVA DE TRABALHO. DECISÃO DO PLENÁRIO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF). REPERCUSSÃO GERAL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO (RE) Nº 598.838/SP. INCONSTITUCIONALIDADE. Fl. 3315DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assin ado digitalmente em 04/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.720813/201187 Acórdão n.º 2401004.411 S2C4T1 Fl. 3.316 4 A decisão definitiva de mérito no RE nº 598.838/SP, proferida pelo STF na sistemática da repercussão geral, declarando a inconstitucionalidade da contribuição da empresa prevista no inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991 sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço, relativamente a serviços que lhe sejam prestados por cooperadores, por intermédio de cooperativas de trabalho, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, inclusive quando da exigência fiscal relativa aos descumprimento de obrigações acessórias. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 68. ART. 32A DA LEI Nº 8.212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449, de 2008, a qual fez acrescentar o art. 32A à Lei nº 8.212, de 1991. Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, ‘c’, do CTN sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. ENUNCIADO DA SÚMULA CARF Nº 28 Este Conselho Administrativo é incompetente para se pronunciar sobre controvérsias referentes à representação fiscal para fins penais elaborada pela fiscalização. (Súmula Carf nº 28) Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e rejeitar as preliminares. No mérito do recurso voluntário; (i) Pelo voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO quanto ao lançamento relativo à Participação nos Lucros ou Resultados (PLR). Vencidos os Conselheiros Theodoro Vicente Agostinho, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira e Wilson Antônio de Souza Correa, que davam provimento quanto aos pagamentos destinados aos segurados operacionais; (ii) Por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO quanto à exclusão dos valores lançados a título de "Atribuição Estatutária" paga a segurados não empregados. Vencidos os Conselheiros Theodoro Vicente Agostinho, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira; (iii) Por maioria de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL para excluir do lançamento os valores relativos à "Gratificação Liberalidade" paga a segurado empregado. Vencidos os Conselheiros Arlindo Costa e Silva, Miriam Denise Xavier e Maria Cleci Coti Martins. Os Conselheiros Theodoro Vicente Agostinho, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira e Wilson Antônio de Souza Correa acompanharam o voto do Relator pelas conclusões; (iv) Por maioria de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL para excluir do lançamento relativo aos "Riscos Ocupacionais" os valores incidentes sobre as remunerações dos segurados expostos ao agente nocivo calor, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Arlindo Costa e Silva e Miriam Denise Xavier; (v) Por unanimidade votos, dar provimento parcial para excluir a incidência do adicional para financiamento do benefício de aposentadoria especial sobre os Fl. 3316DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assin ado digitalmente em 04/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.720813/201187 Acórdão n.º 2401004.411 S2C4T1 Fl. 3.317 5 valores pagos a título de Participação nos Lucros ou Resultados (PLR) aos segurados expostos ao agente calor, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Arlindo da Costa e Silva e Miriam Denise Xavier Lazarini que votaram para que fosse utilizado o índice/limite conforme a legislação. (vi) Por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL para, nos termos do voto do Relator, a) excluir os valores do "Levantamento DC", correspondentes a diferenças de contribuições previdenciárias dos segurados empregados na competência 04/2007; b) excluir do lançamento a contribuição previdenciária do contribuinte individual Messias Lopes Sobrinho; e c) tornar insubsistente o Auto de Infração nº 37.342.5805 (CFL 78); (vii) Por maioria de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL para o recálculo do valor da penalidade pecuniária do AI nº 37.342.5783 (CFL 68), com aplicação do inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91, se e somente se o valor multa assim calculado se mostrar menos gravoso, em atenção ao princípio da retroatividade benigna. Outrossim, o regramento a ser dispensado à aplicação de penalidade pelo descumprimento de obrigação principal, formalizada mediante o lançamento de ofício, deve obedecer à lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, in casu, inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91. Vencidos o Relator e as Conselheiras Miriam Denise Xavier e Maria Cleci Coti Martins. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva fará o voto vencedor quanto à matéria; e (viii) Por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO no que diz respeito às demais matérias. Fez sustentação oral o Dr. Valter Lobato OAB/MG 61.186. Maria Cleci Coti Martins Presidente Substituta Cleberson Alex Friess Relator Arlindo da Costa e Silva Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Cleci Coti Martins, Arlindo da Costa e Silva, Wilson Antônio de Souza Correa, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Miriam Denise Xavier Lazarini. Fl. 3317DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assin ado digitalmente em 04/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.720813/201187 Acórdão n.º 2401004.411 S2C4T1 Fl. 3.318 6 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (DRJ/BHE), cujo dispositivo julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Eis a ementa do Acórdão nº 0235.727 (fls. 2.877/2.911): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO A totalidade dos rendimentos devidos, a qualquer título, qualquer que seja a sua forma, inclusive os ganhos habituais sob a forma de utilidades, destinados a retribuir o trabalho, integram o saláriodecontribuição, ressalvadas apenas as parcelas expressamente excluídas de tributação pela legislação previdenciária. RELATÓRIO DE VÍNCULOS NÃO LISTA RESPONSÁVEIS TRIBUTÁRIOS. As informações constantes do “Relatório de Vínculos”, não tem o condão de imputar responsabilidade tributária prevista no CTN às pessoas físicas e jurídicas ali incluídas em razão de se enquadrarem na situação pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração tributária. IMPUGNAÇÃO DE REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS FEITA EM PROCESSO DE DÉBITO. NÃO CABIMENTO. O processo de exigência de crédito fiscal não é o fórum adequado para apresentação de impugnação a processo de Representação Fiscal para Fins Penais. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO POR MEDIDA JUDICIAL. LANÇAMENTO FISCAL. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por medida judicial não veda a sua constituição através de lançamento fiscal, que é procedimento obrigatório e vinculado. DECISÃO JUDICIAL . SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO. INAPLICABILIDADE DE MULTA DE OFÍCIO. È indevida a multa de ofício lançada na constituição do crédito tributário relativo a verba “indenização especial”, eis que, antes do início do procedimento fiscal, encontravase com a exigibilidade suspensa por decisões judiciais liminares vedando atos de cobrança. Entretanto, por impossibilidade operacional Fl. 3318DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assin ado digitalmente em 04/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.720813/201187 Acórdão n.º 2401004.411 S2C4T1 Fl. 3.319 7 dos sistemas de informática da SRFB que emitem os Autos de Infração de exigência de contribuições previdenciárias, a exclusão da penalidade somente poderá se dar na ocasião da extinção do citado crédito tributário. COMPROVAÇÃO DE FATOS RELATIVOS AO AMBIENTE DO TRABALHO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS ADICIONAIS PARA O FINANCIAMENTO DOS BENEFÍCIOS DECORRENTES DE RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO Os fatos relativos ao ambiente do trabalho, para fins da verificação da regularidade das contribuições previdenciárias adicionais para o financiamento dos benefícios decorrentes de riscos ambientais do trabalho, são conhecidos pela Autoridade Fiscal depois de ocorridos, através de elementos de prova que indiretamente com eles se relacionam, quais sejam: os documentos de gerenciamento ambiental do trabalho que as empresas estão obrigadas a preparar. PEDIDO DE PERÍCIA REJEITADO Rejeitase pedido de perícia prescindível ou impraticável. LANÇAMENTO DO TRIBUTO SIMULTÂNEO COM LANÇAMENTO DA MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA CONEXA. AUSÊNCIA DE IMPEDIMENTO LEGAL. A legislação não impede o lançamento simultâneo do tributo não recolhido e da multa por descumprimento de obrigação acessória conexa, sendo que, a suspensão da exigibilidade daquele se refere apenas a atos executórios de sua cobrança, não impedindo o lançamento fiscal desta. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO CUMULADA COM A NÃO INFORMAÇÃO EM GFIP DO SEU FATO GERADOR. AFERIÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. Na hipótese de ausência de recolhimento da contribuição previdenciária cumulada com a não informação em GFIP do seu fato gerador, a aferição da multa mais benéfica ao contribuinte será feita através do cotejo da soma das multas previstas nos revogados artigos 32, §5º e 35, II da Lei 8.212/91, em relação à sanção pecuniária do art. 44, inciso I da Lei 9.430, de 1997, que se destina a punir ambas as infrações referidas nos citados dispositivos da legislação pretérita, e que, agora, na nova ordem jurídica, encontra aplicação no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO DA PROVA A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. Impugnação Improcedente Fl. 3319DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assin ado digitalmente em 04/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.720813/201187 Acórdão n.º 2401004.411 S2C4T1 Fl. 3.320 8 2. Extraise do relatório fiscal, acostado às fls. 59/77, que o processo administrativo é composto por 7 (sete) autos de infração (AI), compreendendo o período de 01/2007 a 12/2007, inclusive décimo terceiro salário, assim formalizados: i) AI nº 37.342.5759, referente às contribuições previdenciárias da empresa incidentes sobre as remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais, inclusive o adicional da contribuição destinado ao financiamento do benefício de aposentadoria especial (fls. 3/26); ii) AI nº 37.342.5767, referente às contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais, incidentes sobre o saláriodecontribuição, não arrecadadas pela empresa (fls. 30/39); iii) AI nº 37.342.5775, referente às contribuições devidas a terceiros, assim compreendidos entidades e fundos: FPAS 507 Código 0079 (fls. 42/50); iv) AI nº 37.342.5783 (obrigação acessória), por ter a empresa apresentado a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias Código de Fundamentação Legal CFL 68 (fls. 53); v) AI nº 37.342.5791 (obrigação acessória), por ter a empresa deixado de descontar a contribuição previdenciária de segurado empregado e contribuinte individual a seu serviço CFL 59 (fls. 54); vi) AI nº 37.342.5805 (obrigação acessória), por ter a empresa apresentado a GFIP com incorreções e/ou omissões em relação a fatos geradores cujas contribuições previdenciárias foram recolhidas CFL 78 (fls. 55); e vii) AI nº 37.342.5813 (obrigação acessória), por ter a empresa deixado de elaborar a folha de pagamento na forma exigida na legislação tributária federal, com a inclusão de todos os segurados a seu serviço CFL 30 (fls. 56). 2.1 Esclarece a autoridade fiscal que a empresa Arcellor Brasil S/A, CNPJ 24.315.012/000173, foi incorporada em 31/8/2007, passando a fazer parte integrante da Companhia Belgo Siderurgia S/A, atual denominação de Arcelormittal Brasil S/A, CNPJ 17.469.701/000177. 2.2 Os fatos geradores lançados, correspondentes à empresa incorporada e incorporadora, foram autuados em nome desta última, embora discriminados em anexos separados. Fl. 3320DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assin ado digitalmente em 04/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.720813/201187 Acórdão n.º 2401004.411 S2C4T1 Fl. 3.321 9 3. Quanto às obrigações principais, expõe a fiscalização que o crédito tributário decorre da incidência de contribuições sobre: i) participação nos Lucros ou Resultados (PLR), referentes a pagamentos a segurados empregados em desacordo com a legislação específica, conforme relação nominal constante dos Anexos I e II, às fls. 78/371 e 372/373 (item 3.1 do relatório, Levantamento Fiscal: PL e PL1); ii) remunerações a contribuintes individuais, conforme discriminado no Anexo V, às fls. 440/441 (item 3.2 do relatório, Levantamento Fiscal: CI e CI1); iii) pagamentos a segurados empregados expostos a agentes nocivos, especificamente calor, benzeno e cádmio, quanto ao adicional destinado ao financiamento do benefício de aposentadoria especial, conforme detalhamento do Anexo VIII, às fls. 444/661 (item 3.3 do relatório, Levantamento Fiscal: RO e RO1); iv) lançamento reflexo sobre os valores pagos a título de PLR aos segurados expostos a riscos ocupacionais relacionados ao levantamento fiscal anterior, concernente ao adicional para custeio da concessão de aposentadoria especial, conforme discriminado no Anexo IX, às fls. 662/678 (item 3.4 do relatório, Levantamento Fiscal: RP); v) valores pagos a diretores, na condição de contribuintes individuais, CNPJ 24.315.012/000173, a título de atribuição estatutária e indenização especial, conforme Anexo VI, às fls. 442 (item 3.5 do relatório, Levantamento Fiscal: AT e ID); vi) valores pagos ao segurado empregado Maurício Lustosa de Cadastro, CNPJ 24.315.012/000173, a título de gratificação por liberalidade e indenização especial, conforme Anexo VII, às fls. 443 (item 3.6 do relatório, Levantamento Fiscal: GL e IE); e vii) diferença da contribuição incidente o saláriode contribuição dos segurados empregados vinculados ao CNPJ 24.315.012/000173 e CNPJ 17.469.701/000177, relativa à competência 04/2007, por ter a empresa adotado tabela desatualizada para o desconto dos segurados, conforme detalhado nos Anexos III e IV, às fls. 374/436 e 437/439 (item 3.7 do relatório, Levantamento Fiscal: DC). 3.1 Para fins de aplicação da multa mais benéfica, consoante alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional (CTN), foram comparadas, por competência, as multas previstas na legislação da época da infração e aquelas implementadas pela legislação superveniente, introduzida pela Fl. 3321DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assin ado digitalmente em 04/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.720813/201187 Acórdão n.º 2401004.411 S2C4T1 Fl. 3.322 10 Medida Provisória (MP) nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. 3.2 A aplicação da multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) foi mais benéfica na competências 01 a 02/2007, 06/2007, 08 a 10/2007 e 13/2007, ao passo que a multa de 24% (vinte e quatro por cento) resultou favorável ao sujeito passivo nas competências 03 a 05/2007, 07/2007 e 11 a 12/2007 (Anexo XIII, às fls. 685). 4. Segundo a fiscalização, quanto à lavratura do AI nº 37.342.5803 (CFL 78), relativo ao descumprimento de obrigação acessória, o sujeito passivo não informou em GFIP os valores das contribuições referentes às cooperativas de trabalho, embora tenha comprovado os recolhimentos sobre o respectivo fato gerador. 4.1 Devido ao princípio da retroatividade benigna, a penalidade foi aplicada somente nas competências 01 a 02/2007, 06/2007 e 08 a 10/2007, totalizando R$ 3.000,00 (três mil reais), nas quais prevaleceu a multa de ofício de 75% (Anexo XI, às fls. 680). 5. O contribuinte foi cientificado da autuação em 14/7/2011, por meio de procurador constituído, conforme fls. 3, 30, 42 e 53 a 56, e impugnou a exigência fiscal, exceto para o AI nº 37.342.5813, extinto em decorrência do pagamento do crédito tributário (fls. 992/1.049, 1.643/1.679, 2.126/2.154, 2.423/2.440, 2.565/2.572, 2.726/2.739 e 2.875). 6. Intimada da decisão de piso via postal em 8/5/2012, segundo fls. 2.913/2.915, a recorrente apresentou recurso voluntário em 8/6/2012, cujos argumentos de defesa estão a seguir resumidos (fls. 2.916/2.980): i) nulidade do processo administrativo, por ausência de motivação no lançamento, tendo em vista que os motivos não se coadunam com a realidade fática e jurídica constantes dos autos, bem como não correspondem aos documentos disponibilizados pela empresa fiscalizada; ii) nulidade da decisão de primeira instância, por desconsiderar diversos documentos anexados à defesa, por negar a juntada de documentos e por indeferir de forma totalmente ilógica a prova pericial requerida nos autos; iii) cancelamento ou suspensão do processo de representação fiscal para fins penais (Processo nº 15504.720814/201121); iv) regularidade dos pagamentos efetuados a título de participação nos lucros ou resultados, por atenderem aos requisitos constitucionais e legais; v) ausência de natureza salarial das parcelas a título de atribuição estatutária, indenização especial e gratificação liberalidade; vi) impossibilidade de cobrança da parcela denominada "indenização especial", diante da existência de decisão judicial que suspende a exigibilidade do respectivo crédito tributário; Fl. 3322DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assin ado digitalmente em 04/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.720813/201187 Acórdão n.º 2401004.411 S2C4T1 Fl. 3.323 11 vii) inexistência no ambiente laboral dos riscos ocupacionais apontados pela fiscalização; viii) no caso dos pagamentos a contribuintes individuais, os valores apontados pela fiscalização referemse a aluguel de imóveis aos proprietários, descabendo a tributação. Especificamente quanto aos pagamentos realizados a Messias Lopes Sobrinho, a empresa reconhece tratarse de contribuinte individual, porém as contribuições foram recolhidas conforme documentos em anexo; ix) ausência de diferença de recolhimento das contribuições devidas pelos segurados na competência 04/2007; x) "bis in idem" da exigência de multa concomitantemente com o auto de infração principal, além de ilegalidade de cobrança da multa pelo descumprimento de obrigação acessória vinculada a tributo que ainda está sendo discutido administrativamente; xi) insubsistência da autuação pelo descumprimento de obrigação acessória cuja obrigação principal restou devidamente cumprida; e xii) a fiscalização incorreu em erro na aplicação do regramento benéfico para as multas, comparando penalidades que não possuem a mesma natureza punitiva, devendo o recálculo da multa pelo descumprimento de obrigação acessória observar o art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, lei posterior e mais benéfica ao contribuinte. 7. Enviados os autos a este Eg. Conselho Administrativo e distribuídos no âmbito desta Turma, o julgamento do recurso voluntário foi convertido em diligência, em sessão de 20/11/2013, nos termos do voto proferido pelo relator originário, Conselheiro Igor Araújo Soares (fls. 3.264/3.275). 7.1 Determinouse a manifestação da unidade de origem sobre os documentos acostados pela recorrente às fls. 3.204/3.210, no sentido de esclarecer se eram suficientes para demonstrar o recolhimento total ou parcial das contribuições vinculadas ao lançamento da rubrica DC, competência 04/2007. 8. A diligência foi cumprida, conforme despacho de fls. 3.279, respondendo a autoridade lançadora a todos os quesitos formulados na Resolução nº 2401000.337, concluindo ao final que: (...) 3 Diante do exposto, o crédito tributário relativo ao lançamento da rubrica DC – Diferenças descontos de segurados, apuradas na competência 04/2007, nos estabelecimentos CNPJ: 24.315.012/000173 e CNPJ: 17.469.701/000177 e filiais fica excluído em sua totalidade. Fl. 3323DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assin ado digitalmente em 04/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.720813/201187 Acórdão n.º 2401004.411 S2C4T1 Fl. 3.324 12 (...) 9. Oportunizado o contraditório, a recorrente protocolou petição, em 26/5/2014, em que expõe o seguinte (fls. 3.283/3.287): i) a manifestação da autoridade fiscal confirmou a procedência das razões expostas no recurso voluntário; ii) há nulidade no despacho de diligência, dada a escassez de informações trazidas no documento, porquanto ausentes a memória de cálculo e o extrato atualizado dos créditos tributários lançados e dos valores excluídos; e iii) ante a grande quantidade de documentos e o caráter eminentemente fático e controverso das questões em debate, cabe reafirmar a imprescindibilidade da perícia para demonstrar a ausência de natureza salarial das verbas glosadas, bem como a inexistência dos agentes insalubres apontados pela fiscalização. 10. Não mais integrando o colegiado o relator originário, o processo foi novamente sorteado e redistribuído a este relator (fls. 3.312). 11. Por derradeiro, anoto que vieram os autos sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional. É o relatório. Fl. 3324DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assin ado digitalmente em 04/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.720813/201187 Acórdão n.º 2401004.411 S2C4T1 Fl. 3.325 13 Voto Vencido Conselheiro Cleberson Alex Friess, Relator Juízo de admissibilidade 12. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Preliminares a) Nulidade da autuação. Ausência de motivação no lançamento 13. Argúi a pessoa jurídica recorrente a nulidade das autuações fiscais, por ausência de motivação do ato administrativo de lançamento. Assim não me parece. 14. O relatório fiscal, além de conter a descrição pormenorizada dos fatos que são imputados ao sujeito passivo, expõe de forma clara e objetiva os elementos que levaram a fiscalização a concluir pela efetiva ocorrência dos fatos jurídicos desencadeadores do liame obrigacional. 15. Tanto no que diz respeito às verbas consideradas salariais pela fiscalização, quanto à presença de agentes nocivos à saúde identificados com base em análise dos documentos de gerenciamento ambiental apresentados pela empresa, estão indicadas a origem dos fatos geradores, as bases de cálculo, as alíquotas e a fundamentação legal no relatório fiscal. 16. Em outras palavras, o Fisco motivou o ato de lançamento e descreveu os elementos comprobatórios da ocorrência dos fatos jurídicos, assim como das circunstâncias em que foram verificados, respaldando, por conseguinte, o nascimento da relação jurídica por meio de suporte na linguagem das provas. 17. De mais a mais, os diversos anexos que acompanham o relatório fiscal possibilitam ao autuado o exercício do direito à defesa e ao contraditório previstos na Carta Política de 1988. Tais documentos de apoio estão organizados por competência e fato gerador, contendo nome, código do trabalhador, local de trabalho, função exercida, remuneração, estabelecimento da empresa a que está vinculado e agente nocivo a que está exposto, entre outros dados. 18. A suficiência ou não do conjunto fáticoprobatório carreado pela acusação para amparar a exigência fiscal é aspecto que não está ligado a existência de vício formal ou material no lançamento tributário, senão questão atinente ao próprio juízo de mérito. 19. De tal sorte que a autoridade fiscal motivou adequadamente o ato administrativo, por meio da descrição dos fatos, do enquadramento legal e da demonstração da Fl. 3325DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assin ado digitalmente em 04/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.720813/201187 Acórdão n.º 2401004.411 S2C4T1 Fl. 3.326 14 subsunção à regra matriz de incidência, conforme exigido pelos incisos III e IV do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e pelo art. 142 do CTN, o que proporcionou ao sujeito passivo a possibilidade de produzir as provas hábeis para o fim de demonstrar os fatos que invoca como fundamento à sua pretensão. 20. Logo, ausentes vícios quanto aos pressupostos e elementos do ato administrativo, descabe cogitar a nulidade do lançamento fiscal. b) Nulidade da autuação. Necessidade de inspeção "in loco" 21. Especificamente no tocante ao crédito tributário relacionado à exposição de segurados empregados a agentes insalubres no ambiente de trabalho, a recorrente requer a nulidade da autuação tendo em vista que os fatos geradores apurados pela fiscalização foram baseados em meras presunções. 21.1 Em seu entendimento, como condição prévia ao lançamento tributário, a averiguação técnica nos locais de trabalho seria providência imprescindível, executada por profissional habilitado em medicina e/ou segurança do trabalho, de maneira a aferir a existência dos riscos ocupacionais "in loco". 22. Pois bem. No que tange ao adicional para financiamento da aposentadoria especial a que alude o inciso II do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, exigido com fundamento nos §§ 6º e 7º do art. 57 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, inexiste qualquer determinação em lei, tampouco no âmbito da legislação infralegal, de regramento diferenciado para a realização do procedimento fiscal relacionado à constituição do crédito tributário. 23. De maneira que a fiscalização, tal como se comporta nas demais análises relacionadas aos tributos lançados por homologação, deve verificar o cumprimento das obrigações tributárias segundo as prerrogativas e competências do cargo de auditoria fiscal estabelecidas em lei, exigindo esclarecimentos e informações do sujeito passivo, bem como a exibição de todos os livros e documentos ambientais pertinentes a essas obrigações, procedendo ao lançamento de ofício do crédito tributário quando constatada a omissão do sujeito passivo. 24. Vale dizer que a legislação tributária não impõe a verificação "in loco" das condições ambientais dos segurados empregados ou a manifestação de um profissional da área de segurança ou medicina do trabalho como requisito necessário, indispensável e prévio à constituição do crédito tributário. 25. É verdade que tais elementos enumerados poderão reforçar o conjunto probatório em matéria tributária exigido para a manutenção do crédito tributário, dado que compete ao Fisco demonstrar a ocorrência direta ou indireta do fato jurídico, assim como as circunstâncias em que se verificou. 25.1 Entretanto, a simples ausência no procedimento fiscal não leva a inferir que a fiscalização deixou de provar o fato jurídico e, portanto, não motivou o ato administrativo, caracterizando vício material. 26. Por outro lado, o adicional da contribuição visa ao financiamento da aposentadoria especial e incide, como cediço, exclusivamente sobre a remuneração daquele Fl. 3326DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assin ado digitalmente em 04/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.720813/201187 Acórdão n.º 2401004.411 S2C4T1 Fl. 3.327 15 segurado sujeito às condições especiais. Nada obstante, a exação tributária não está vinculada ao custeio de "uma aposentadoria especial determinada, e sim de todas concedidas pelo sistema".1 27. De fato, no caso do segurado empregado, o regime de financiamento brasileiro da previdência social pública é essencialmente moldado na forma de repartição simples, em que a contribuição, tanto a parte patronal quanto a cota do segurado, é destinada a um fundo único, responsável pelo pagamento de todos os beneficiários do sistema. 27.1 Ao não vincularse a um segurado específico, como se dá no regime de capitalização, a exigência da contribuição sobre a remuneração fica também desatrelada à efetiva concessão de benefício previdenciário para um determinado trabalhador. 27.2 Significa que a exação será devida ainda que o trabalhador cuja prestação de serviço remunerado constituiu o fato jurídico tributário e faz desencadear o nascimento da relação jurídica tributária não venha a obter no futuro o benefício previdenciário, porque desatendeu os requisitos exigidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), ou simplesmente deixou de comproválos quando exigido pela autarquia previdenciária. 27.3 A seu turno, existe a situação oposta, quando a empresa não efetua o recolhimento da contribuição devida e, mesmo assim, ao segurado empregado poderá ser concedido o benefício previdenciário, desde que comprovados a filiação, o vínculo, a respectiva remuneração e os demais requisitos previstos na legislação. 28. Ao contrário do exposto pela recorrente, é indiscutível que o pagamento do adicional pela empresa não garante o benefício de aposentadoria especial. A prestação previdenciária é devida pelo exercício de atividade em condições prejudiciais à saúde, devidamente comprovada pelo obreiro quando do pleito do benefício. 29. Ademais, na busca de equilíbrio atuarial global, via de regra o sistema previdenciário brasileiro contempla uma relação de custeio ligada, direta ou indiretamente, a outra relação jurídica de benefício. Porém, os princípios e as regras aplicáveis ao custeio e benefício não são necessariamente iguais. 29.1 No que tange à empresa e aos segurados obrigatórios, a relação de custeio assume nítida feição tributária e vinculase a um conjunto de princípios e conceitos jurídicos próprios deste ramo do direito, tais como legalidade, tipicidade e compulsoriedade, justificandose a exigência do adicional mesmo não falta de concessão do benefício previdenciário, por motivo alheio à norma tributária. 30. Logo, sem razão a peticionante. c) Nulidade da decisão de primeira instância. Indeferimento da prova pericial 31. Pondera a recorrente pela nulidade da decisão recorrida por ter havido o indeferimento das perícias requeridas na peça vestibular, acarretandolhe o cerceamento do direito de defesa. 1 IBRAHIM, Fábio Zambitte Ibrahim. Curso de direito previdenciário. 10ª ed. Niterói:Editora Impetus, pág. 275. Fl. 3327DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assin ado digitalmente em 04/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.720813/201187 Acórdão n.º 2401004.411 S2C4T1 Fl. 3.328 16 32. O exame pericial é um meio de prova, necessário apenas quando a elucidação de fato ou o exame de matéria demanda o auxílio de um especialista em determinado ramo específico do conhecimento. É dizer que a realização da perícia não constitui direito subjetivo do interessado. 33. Em visto disso, desde que fundamentado pelo julgador, o indeferimento da perícia não é motivo suficiente para declaração de nulidade da decisão de primeira instância. 34. Como destinatário final da perícia, compete ao julgador avaliar a prescindibilidade e viabilidade da produção da prova técnica para a elucidação dos fatos e/ou como instrumento de convicção para a solução da lide. 35. Ao entender prescindível e/ou impraticável a produção de prova pericial requerida pela parte, a decisão impugnada motivou expressamente a sua recusa, devidamente consignada no acórdão, nos termos a seguir reproduzidos (fls. 2.906): Pedido de perícia A defesa requer perícia técnica relativamente aos agentes nocivos, contribuições incidentes sobre pagamentos a contribuintes individuais, PLR, diferenças na competência 04/2007e Atribuição Estatutária. Entretanto, tudo o que a impugnante pretende demonstrar através dos quesitos formulados, inclusive quanto aos agentes nocivos, já analisados nos itens anteriores, independe de conhecimento técnico especializado, capaz de ensejar perícia ou diligência . Conforme anteriormente registramos, a perícia a ser realizada nos dias de hoje, para comprovar as condições ambientais do trabalho em 2007 é impraticável. Nada garante a imutabilidade do ambiente de trabalho com o tempo decorrido. Ademais, os documentos de elaboração obrigatória, relativos ao gerenciamento do ambiente de trabalho, são hábeis a fazer a prova da realidade fática ambiental existente àquela época. No que tange a ocorrência dos fatos geradores das contribuições incidentes sobre as diversas verbas arroladas nos autos, as comprovações dos aspectos abordados nos quesitos apresentados pela defendente também podem ser feitas mediante a simples exibição de documentos. Assim, por considerar a perícia prescindível e/ou impraticável, somos pelo seu indeferimento nos termos do art. 18 do Decreto 70.235/72. 36. Examinando as razões expostas pela decisão de piso, não divirjo da linha de pensamento do julgador "a quo". 37. Quanto aos pagamentos relativos à participação nos lucros ou resultados, gratificação por liberalidade, indenização especial e atribuição estatutária, bem como no que se refere à prestação de serviços pelos contribuintes individuais, o agente fiscal listou contas, Fl. 3328DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assin ado digitalmente em 04/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.720813/201187 Acórdão n.º 2401004.411 S2C4T1 Fl. 3.329 17 nomes, meses e valores das remunerações auferidas pelos segurados, anexando também cópias de convenções e acordo coletivos, conforme Anexos de fls. 78/373, 440/443 e 799/875. 38. A existência de questões controvertidas de direito, como ora identifico, prescindem de análise pericial, de maneira tal que a demonstração da inocorrência de fatos alegados pela autoridade lançadora se dá por meio de provas documentais, mediante juntada diretamente pela interessada de folhas de pagamento, escrituração contábil, declarações fiscais, contratos, acordos coletivos, termos de rescisão de contrato de trabalho, entre outros elementos hábeis e idôneos para demonstrar o direito invocado pela parte. 39. À primeira vista, o julgador administrativo tem conhecimento bastante para avaliar tal situação, independendo a convicção de conhecimento técnico especializado. 39.1 Dessa feita, não enxergo o motivo pelo qual a comprovação das alegações da recorrente não possa ser realizada no corpo dos autos, necessitando de uma avaliação de documentos e provas os quais, como alega a recorrente, supostamente estão localizados na empresa autuada. 39.2 Como cediço, a perícia não é via que se destine a produzir provas de responsabilidade das partes, suprindo o encargo que lhes compete. 40. No tocante à perícia destinada à averiguação dos riscos ambientais e das medidas protetivas adotadas pela empresa, acrescento que é incerta a própria viabilidade da prova pericial. 41. O pedido do sujeito passivo tem por objetivo essencialmente conhecer a realidade fática no ambiente de trabalho, que, segundo o levantamento fiscal, abrangeu distintos estabelecimentos da recorrente, em diferentes municípios, no ano de 2007 (Anexo VIII, às fls. 444/661). 42. Acontece que quando da decisão de primeira instância, no ano de 2011, a utilidade da prova pericial já era bastante questionável, dada a probabilidade concreta de haver desaparecido, ou se modificado, as fontes de prova. Ainda mais agora, no ano de 2016, transcorridos que são quase 10 (dez) anos dos fatos contestados, não me parecendo estar presente o requisito da praticabilidade exigido para a realização do exame pericial. 43. Ressalto, por oportuno, que a constituição do crédito tributário apoiouse em dados retirados de demonstrações ambientais fornecidas pela empresa, as quais foram elaboradas com base em trabalho "in loco", contemporâneo aos fatos geradores, realizado por profissionais habilitados em medicina e segurança do trabalho contratados pelo sujeito passivo para esse fim. 44. Ainda com a finalidade de evidenciar a necessidade de assessoramento de um perito para o lançamento fiscal, a recorrente reproduz trecho da Ordem de Serviço Conjunta INSS/DAF nº 98, de 9 de junho de 1999, a qual estabeleceu procedimentos para a fiscalização das empresas com segurados que exerçam atividade que permita a concessão de aposentadoria especial: 7 – Ao verificar que as características no ambiente de trabalho da empresa divergem do laudo técnico, a fiscalização deverá oficiar o fato ao Serviço de Segurança e Saúde do Trabalho da Fl. 3329DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assin ado digitalmente em 04/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.720813/201187 Acórdão n.º 2401004.411 S2C4T1 Fl. 3.330 18 Delegacia Regional do Trabalho – DRT e solicitar assessoramento técnico da Perícia Médica do INSS, com a emissão de parecer. 7.1 – No ofício, deverá ser solicitada a ciência ao INSS do parecer conclusivo da inspeção efetuada. (destaque no original) 45. Tal normativo, porém, foi revogado pela Instrução Normativa INSS/DC nº 57, de 10 de outubro de 2001, a qual não repetiu a exigência de assessoramento técnico de perito médico do INSS. 46. Além do que o ato normativo aplicavase à situação de constatação pela fiscalização previdenciária de divergências entre o ambiente de trabalho e o laudo técnico de condições ambientais do trabalho, hipótese diversa dos autos, cuja autuação levou em consideração as informações constantes dos documentos fornecidos pela empresa correspondentes ao gerenciamento do ambiente de trabalho. 47. Logo, sem razão a recorrente. d) Nulidade da decisão de primeira instância. Falta de análise de documentos anexados à defesa 48. Clama o sujeito passivo pela decretação de nulidade da decisão de primeira instância, em decorrência da desconsideração de diversos documentos anexados à defesa. 49. Ocorre que ao confrontar impugnação e decisão de piso, não verifico a malfada omissão generalizada que foi suscitada pela recorrente. 49.1 A meu ver, cuidase de mero inconformismo do sujeito passivo com a linha de pensamento adotada pela decisão recorrida, contrária, evidentemente, ao seu ponto de vista, o que não significa afirmar que o acórdão proferido pelo colegiado de primeira instância contém vícios insanáveis que o tornam nulo, na medida em que o votocondutor detalhou e explicou o não acolhimento das razões da impugnante, concluindo de forma lógica, ao final, pela improcedência da impugnação. 50. Nada obstante, há uma questão pontual levantada pelo sujeito passivo na fase de impugnação, realçada no recurso voluntário, a qual não recebeu um tratamento adequado pelo acórdão recorrido. 50.1 Refirome ao pedido para cancelamento da autuação em relação às verbas percebidas pelo segurado Messias Lopes Sobrinho, reconhecido pela empresa como contribuinte individual e lotado em unidade do mesmo grupo empresarial, em virtude da declaração em GFIP e recolhimento das contribuições devidas, conforme documentos acostados pelo interessado às fls. 1.454/1.559, novamente carreados aos autos na fase de recurso voluntário, às fls. 3.121/3.202. 50.2 Quanto a essa matéria, não houve apreciação expressa pelo colegiado "a quo", hipótese em que a recorrente pugna pela declaração de nulidade da decisão de primeira instância. Fl. 3330DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assin ado digitalmente em 04/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.720813/201187 Acórdão n.º 2401004.411 S2C4T1 Fl. 3.331 19 51. A questão foi arguida pelo sujeito passivo na impugnação no meio do tópico sobre contribuintes individuais, em que a defesa concentrouse em afirmar que os pagamentos que efetuou mediante recibos não foram destinados a remunerar a prestação de trabalho por contribuintes individuais, mas sim a proprietários de imóveis que alugaram tais locais para a empresa (fls. 1.040/1.041). 51.1 Exceção a esses motivos, o sujeito passivo expôs, em um único parágrafo, o assunto concernente às declarações fiscais contendo o nome e a remuneração de Messias Lopes Sobrinho 52. Pois bem. É certo que a decisão que se omite na apreciação de fato ou tese exposta na impugnação é passível de nulidade, por cerceamento do direito de defesa. 53. Todavia, a regra de nulidade deve ser tratada com temperamento, compatibilizandoa com os princípios da eficiência e do interesse público na solução da lide. Não só isso, mas também que a decretação da nulidade de ato administrativo pressupõe a avaliação de ter havido um prejuízo concreto à parte. 54. Em virtude dos diferentes fatos geradores apurados pela fiscalização, e incluídos em um mesmo processo administrativo, foram também inúmeras as questões e os pedidos apresentados pelo sujeito passivo na peça impugnatória, os quais se repetem no recurso, englobando o ato administrativo decisório, em verdade, vários julgamentos sobre matérias distintas, tendo o colegiado "a quo" se pronunciado sobre todos os pontos alegados, à exceção da situação do contribuinte individual Messias Lopes Sobrinho. 55. Portanto, cuidase de questão isolada, sem qualquer correlação com as demais matérias discutidas no processo administrativo, que dela não dependem e podem ser avaliadas pelo julgador de forma independente. A omissão da decisão recorrida não irradiou efeitos para as demais matérias colocadas em discussão. 56. Entendo que declarar a nulidade da decisão de primeira instância, no caso sob exame, constitui uma medida extrema e desprovida de razoabilidade, que não se coaduna com a finalidade do processo administrativo. 57. Adicionalmente, não estou convencido do prejuízo concreto que tenha sofrido a recorrente, pois as cópias de GFIPs colacionadas aos autos, às fls. 1.454/1.559 e 3.121/3.202, dizem respeito à prestação de serviços pelo segurado Messias Lopes Sobrinho, na condição de contribuinte individual, ao Consórcio UHE Guilman Amorim, CNPJ 05.521.579/000232, pertencente, segundo à recorrente, ao Grupo ArcelorMittal; enquanto que os fatos geradores identificados pela fiscalização na contabilidade e em recibos de pagamento a autônomos, segundo planilha de fls. 440/441, referemse ao CNPJ 17.469.701/000177 (na época dos fatos geradores, Companhia Belgo Siderurgia S/A). 57.1 De mais a mais, também não há equivalência entre as remunerações indicadas em GFIP e os valores discriminados na planilha fiscal. 58. Nesse contexto fático, a decisão de piso, certamente, não reconheceria direito ao sujeito passivo em maior extensão a que pode conceder o colegiado de segunda instãncia, em exame recursal. Fl. 3331DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assin ado digitalmente em 04/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.720813/201187 Acórdão n.º 2401004.411 S2C4T1 Fl. 3.332 20 59. Por consequência, encontrandose a questão madura para julgamento, o mérito pode ser avaliado em segunda instância, dispensandose o retorno do processo a uma etapa anterior. 60. Concluo, desse modo, que não deve ser declarada a nulidade da decisão de primeira instância, avaliandose o mérito da questão posta pelo sujeito passivo mais adiante neste voto. e) Nulidade da decisão de primeira instância. Indeferimento da juntada de documentos 61. Requer também a recorrente a nulidade da decisão de primeira instância pelo fato do indeferimento do pedido de juntada de contratos de aluguel e recibos de pagamentos que comprovariam a natureza dos pagamentos considerados pela fiscalização como destinados a contribuintes individuais. 62. Diante da multiplicidade de objetos que envolvem a atuação, a impugnação sustentou a exiguidade do prazo de 30 (trinta) dias para apresentação de defesa e para a busca da documentação comprobatória da verdadeira natureza dos pagamentos glosados pela fiscalização. 63. Por sua vez, a decisão de piso destacou que a juntada extemporânea de documentos, como regra, sujeitase às hipóteses arroladas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, o que não foi demonstrado pelo sujeito passivo : Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (...) Fl. 3332DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assin ado digitalmente em 04/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.720813/201187 Acórdão n.º 2401004.411 S2C4T1 Fl. 3.333 21 64. Penso que agiu bem o colegiado "a quo". É de verse que há uma limitação temporal à produção de provas. O momento de apresentação das provas é na impugnação, consistindo a juntada posterior uma exceção ao rito procedimental. 65. O mero discurso sobre dificuldades na localização das provas é motivo demasiadamente genérico para acatar a apresentação de documentos extemporâneos. Ademais, a relação de contribuintes individuais trazido pela fiscalização, conforme fls. 440/441, é composta de aproximadamente 10 (dez) nomes, repetidos ao longo dos meses, não me parecendo haver complexidade na colheita dos supostos elementos de prova no acervo do sujeito passivo. 66. Logo, sem razão a recorrente. f) Nulidade do despacho de diligência 67. Ao se pronunciar a respeito do resultado da diligência determinada pela Resolução nº 2401000.337, a recorrente assinalou padecer de nulidade o despacho emitido pela autoridade lançadora: "(...) na medida em que não trouxe a memória de cálculos referente aos valores excluídos e remanescentes nos autos, não sendo possível aferir a quantia que ainda está em discussão na esfera administrativa, nem mesmo se a reformulação guardou coerência como que fora determinado pelo CARF." 68. Discordo do ponto de vista da recorrente. A diligência fiscal foi determinada para esclarecer ponto controvertido específico ao deslinde do julgamento, quanto à parte do lançamento do crédito tributário relacionado às diferenças apuradas pela fiscalização na competência 04/2007 para as contribuições devidas pelos segurados e recolhidas pela empresa. 68.1 Segundo a petição recursal, as guias de recolhimento anexadas aos autos, conforme fls. 3.203/3.210, comprovavam o recolhimento integral das diferenças apuradas pela fiscalização naquela competência (fls. 2.961/2.962). 68.2 Ao cumprir rigorosamente o determinado pelo colegiado, o resultado da diligência fiscal atingiu seu objetivo, na medida em que esclareceu o ponto duvidoso, manifestandose pela exclusão do referido crédito tributário em sua totalidade. 69. Tendo em conta o posicionamento da autoridade lançadora, tornase, a princípio, despicienda a memória de cálculo ou o fornecimento de elementos adicionais pelo agente fiscal, pois não haveria mais discussão na esfera administrativa sobre a específica parcela do crédito tributário. 69.1 Adicionalmente, acresço que relativamente aos demais fatos geradores a recorrente não alega ter havido recolhimentos, mas sim defende a insubsistência integral do lançamento quanto às rubricas autuadas, por inexistência do fato jurídicotributário e da consequente relação tributária. 70. Logo, sem razão a recorrente, mais uma vez. Fl. 3333DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assin ado digitalmente em 04/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.720813/201187 Acórdão n.º 2401004.411 S2C4T1 Fl. 3.334 22 Mérito a) Participação nos lucros ou resultados PLR (item 3.1 do relatório fiscal e Anexos I e II, às fls. 78/373) 71. Diz a Carta Política de 1988: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; (grifouse) (...) 72. Como se percebe da leitura do trecho destacado, a PLR desvinculada da remuneração é um direito social previsto expressamente no texto constitucional. Entretanto, tratase de preceito de eficácia limitada, pois submetido ao regramento definido em lei, o qual lhe dá capacidade de produzir os efeitos visados pelo legislador constituinte. 73. Ainda que a lei admita certa flexibilidade na negociação e elaboração do instrumento de ajuste entre empresas e empregados, prevendo formalidades, critérios e parâmetros mínimos ou mesmo indutivos, em alguns casos, a PLR desvinculada da remuneração está condicionada, necessariamente, à observância do estabelecido pela lei ordinária. 74. No âmbito das contribuições previdenciárias, a Lei nº 8.212, de 1991, contém previsão de não incidência tributária para a participação nos lucros ou resultados da empresa, desde que paga ou creditada de acordo com a lei específica: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; (...) 75. A lei específica a que alude a lei previdenciária é a Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000, a qual disciplinou a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa, nos termos da regulamentação exigida pelo inciso XI do art. 7º da Constituição da República de 1988. Reproduzo, abaixo, alguns dos seus artigos: Art. 1º Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração Fl. 3334DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assin ado digitalmente em 04/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.720813/201187 Acórdão n.º 2401004.411 S2C4T1 Fl. 3.335 23 entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7º, inciso XI, da Constituição. Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (...) Art. 3º A participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade (...) § 3º Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. (...) 76. Após avaliar as convenções e acordos coletivos de trabalho disponibilizados pela empresa, acostados às fls. 799/825 e 831/875, a fiscalização concluiu que as parcelas pagas a título de PLR no decorrer do ano de 2007, inclusive valores residuais de 2006 ou antecipações de 2008, não atendiam à legislação pertinente, integrando a remuneração e o saláriodecontribuição. Fl. 3335DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assin ado digitalmente em 04/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.720813/201187 Acórdão n.º 2401004.411 S2C4T1 Fl. 3.336 24 76.1 Para melhor compreensão das conclusões a que chegou a autoridade lançadora, destaco um trecho da acusação fiscal (fls. 64): (...) 3.1.9 Do exposto, concluímos que, os pagamentos da PLR baseados nas Convenções Coletivas e Acordo Coletivo de 30/10/2007 foram efetuados independentemente de qualquer meta ou resultado, configurandose verdadeira gratificação ou premiação, sem nenhum caráter de “participação nos lucros ou resultados”, desvirtuando completamente o disposto no art. 3º, caput, da Lei que rege a matéria, quando assevera que a participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado. 3.1.10 Sendo assim, os pagamentos efetuados pela empresa a seus empregados, a título de “Participação nos Lucros e Resultados”, face à ausência de metas preestabelecidas, apresentação e comprovação de mecanismos de aferição das informações pertinentes ao acordado, não se enquadram no previsto no art. 214, § 9º, inciso X do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06 de maio de 1999. (grifouse) (...) 76.2 Dada a ausência de um regulamento específico, a fiscalização informou que os pagamentos a título de PLR aos segurados vinculados ao CNPJ 24.315.012/000173 foram efetuados pela empresa utilizandose dos mesmos critérios estabelecidos para o CNPJ 17.469.701/000177. 77. Em contraponto, o sujeito passivo defendeu que as verbas pagas aos trabalhadores estavam em consonância com os ditames legais e constitucionais, obedecendo ao disposto na Lei nº 10.101, de 2000. 77.1 Ainda na fase investigatória prestou esclarecimentos à fiscalização, conforme fls. 826/829, posteriormente detalhado e complementado quando da interposição da impugnação e do recurso voluntário. 78. Em síntese, a empresa declarou que utilizou dois critérios para o pagamento da PLR no ano de 2007. O primeiro, destinado a participação dos empregados de nível operacional; e o segundo, para os segurados empregados de nível técnico, superior e cargos gerenciais. 79. Quanto aos segurados de nível operacional, foram fixadas metas gerais de qualidade da empresa, cuja distribuição dos valores deuse com base nos resultados das vendas alcançadas pela empresa naquele exercício. 80. No que toca ao segundo grupo de empregados, de nível técnico, superior e gerencial, foi elaborado, em colaboração com as diversas áreas gerenciais da pessoa jurídica, um plano de metas mantido espontaneamente pela empresa, nos termos do § 3º do art. 3º da Lei nº 10.101, de 2000. Fl. 3336DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assin ado digitalmente em 04/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.720813/201187 Acórdão n.º 2401004.411 S2C4T1 Fl. 3.337 25 80.1 A negociação atendeu a legislação pertinente, existindo uma avaliação criteriosa das metas e apuração de resultados, mediante um "plano de gestão de desempenho", em que a fórmula de cálculo da PLR leva em consideração as avaliações de desempenho empresarial e individual. 80.2 O referido plano espontâneo foi juntado às fls. 1.156/1.178, acompanhando algumas avaliações individuais de desempenho relativas a empregados não operacionais, com a finalidade de proporcionar uma noção da forma de apuração da PLR (fls. 1.179/1.221). 80.3 Registra ainda a recorrente que as avaliações realizadas em março de 2008 não foram extemporâneas, porquanto feitas antes do prazo final de pagamento da PLR. Os pagamentos efetuados aos segurados empregados administrativos no ano de 2007 foram apenas adiantamentos. 81. Pois bem. Inicio a análise pela previsão de pagamentos aos segurados empregados denominados operacionais, a partir do que consta nos instrumentos de negociação juntados aos autos. 81.1 Nesse sentido, copio o que dispõe o Acordo Coletivo de fls. 1.125/1.126, firmado entre a Arcelormittal Brasil S/A e o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Belo Horizonte e Contagem, que foi assinado em 30/10/2007, documento mencionado pela recorrente, cujo conteúdo na parte relativa ao pagamento da PLR assemelhase, em essência, aos demais acordos trazidos aos autos, tais como o Termo de Acordo Coletivo, assinado em 3/12/2007, às fls. 1.127/1.128, Acordo Coletivo de Trabalho, assinado em 1º/11/2006, às fls. 1.140/1.141, Acordo Coletivo de Trabalho 2006/2007, assinado em 13/12/2006, às fls. 1.153/1.115, e o Acordo Coletivo de Trabalho 2007/2008, datado de 29/11/2007, às fls. 3.108/3.114: PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS DA EMPRESA Em atendimento ao artigo 7º, inciso XI, da Constituição Federal e em atendimento pleno à Lei 10.101, de 19/12/2000 considerando por critérios e condições os resultados econômico financeiros do ano de 2007, bem como em decorrência dos resultados alcançados, a ArcelorMittal Brasil concederá a todos os empregados operacionais no mês de novembro de 2007 a Participação nos Lucros e Resultados no valor de R$ 4.975,00 (Quatro mil novecentos e setenta e cinco reais), compensandose neste valor a importância de R$ 1.300,00 (hum mil e trezentos reais), concedidos a titulo de PLR, em maio de 2007. (...) § 10 A Empresa concedeu o valor acordado em função da comparação entre o volume de vendas previsto e o realizado. (grifouse) (...) 82. Em termos da legislação aplicável à PLR, o § 1º do art. 2º da Lei nº 10.101, de 2000, reproduzido linhas acima, enumera de forma exemplificativa, e não taxativa ou exaustiva, os critérios para a fixação dos direitos de participação dos empregados nos Fl. 3337DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assin ado digitalmente em 04/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.720813/201187 Acórdão n.º 2401004.411 S2C4T1 Fl. 3.338 26 resultados da empresa, tais como índice de produtividade, qualidade e programas de metas e resultados. 82.1. De maneira que, embora condicionado às finalidades e exigências da lei, as partes têm liberdade para fixar os critérios e condições da fruição da PLR, sendo válida, a princípio, a escolha de qualquer resultado que interesse à empresa. 83. A seu turno, não há óbice que a participação dos empregados seja definida de uma forma geral, por setores ou mesmo de forma individualizada, conforme melhor amoldese às características e aos objetivos da empresa. 84. No entanto, é fundamental não perder de vista que a participação nos lucros ou resultados é um instrumento de integração entre o capital e o trabalho, constituindose em ferramenta à disposição da empresa para motivar e integrar o trabalhador no objeto empresarial, com vistas ao alcance de uma meta ou resultado futuro. 85. Quero dizer que o acordo entre as partes deve incentivar o alcance dos resultados pactuados previamente, com regras claras e objetivas a respeito da contribuição dos empregados, delimitada individual ou coletivamente, com mecanismos de aferição do acordado, requisitos os quais, se cumpridos, darão direito à retribuição financeira ao trabalhador. 86. Não há como incentivar e aferir o resultado que já ocorreu. Segundo o instrumento negocial acima reproduzido, a PLR decorreu de resultados alcançados, em função da comparação entre o volume de vendas previsto e o realizado. 86.1 Quando assinado o acordo, portanto, já havia uma situação perfeitamente definida e certa na empresa, caracterizando o pagamento, em verdade, como prêmio por liberalidade da empresa. 87. Não se está pondo em dúvida que os resultados econômicofinanceiros obtidos pela empresa em 2007 superaram aqueles referentes ao ano de 2006; afirmase tão somente que o acordo foi celebrado quando já eram conhecidos os parâmetros tomados para o pagamento da PLR. 87.1 Saliento que os autos carecem de documentos comprobatórios de ter havido prévia negociação e acordo entre as partes envolvidas, antes do alcance dos resultados, mediante a fixação, por exemplo, do volume de vendas e dos resultados esperados para o ano de 2007. 88. Com olhos nos fins a que se propõe o direito social estatuído no inciso XI do art. 7º da Constituição, a negociação prévia ao alcance dos objetivos, antes de apurado, é requisito indispensável para se admitir a existência de uma participação dos empregados nos resultados da empresa. 89. A recorrente afirma que os empregados estavam cientes de que o aumento dos resultados econômicos era um critério indispensável para a distribuição da PLR, pois recorrente ao longo dos anos. Além dessa afirmação não encontrar respaldo em documentação idônea que instrui os autos, só o parâmetro "aumento de resultado", sem números concretos previamente acordados e divulgados, é critério demasiadamente subjetivo, deixando de atender as condições da Lei nº 10.101, de 2000. Fl. 3338DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assin ado digitalmente em 04/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.720813/201187 Acórdão n.º 2401004.411 S2C4T1 Fl. 3.339 27 89.1 Apenas quando da assinatura do termo de acordo, com a participação do respectivo sindicato, concretizase a negociação entre as partes e o ato consensual está apto a produzir efeitos jurídicos. 90. Deixo claro, por oportuno, que não comungo do entendimento conservador quanto à necessidade de assinatura do ajuste antes do início do período de apuração. Tampouco, no outro extremo, alinhome àqueles que defendem como suficiente tão somente a formalização do acordo não suceder ao pagamento da PLR. 91. A interpretação sistemática do inciso XI do art. 7º da Constituição da República de 1988 c/c Lei nº 10.101, de 2000, revela a obrigatoriedade de prévia pactuação dos termos do acordo para autorizar a fruição do benefício fiscal, com antecedência razoável, avaliada no caso concreto, para que se possa incentivar a produtividade do empregado e este adotar medidas para atingir as metas ou os resultados préestabelecidos. A toda a evidência, resultado já implementado não atende a esse critério. 92. No que tange à PLR recebida pelos empregados de nível administrativo, técnicos, gerentes e profissionais de nível superior, aponta a recorrente que foi convencionada e distribuída conforme § 9º do Acordo Coletivo de fls. 1.125/1.126, alhures já mencionado. Eis o texto do dispositivo do acordo (fls. 1.126): § 9º As datas e valores constantes da presente clausula não se aplicam aos empregados de nível administrativo (gerentes, assistente técnico, vendedor, médico do trabalho, analista de recursos humanos, analista financeiro, analista contábil, analista de marketing, técnico assistente, coordenador técnico, comprador, técnico financeiro, secretária bilingue, técnico enfermagem do trabalho, técnico de materiais, técnico de segurança do trabalho, técnico coordenador, técnico de eletrônica, técnico de manutenção, técnico de programação de produção, técnico contábil, secretaria da diretoria, coordenador de transportes, técnico de administração de vendas, técnico de programação e expedição, cheques de departamento) que receberão no mês de maio do ano de 2008, o valor mínimo negociado acima, podendo a empresa fazer uma antecipação na forma da lei. (grifouse) 93. Observo que relativamente aos empregados não operacionais, o documento ressalva que as datas e os valores não se aplicam a esse grupo de trabalhadores, não contendo o instrumento de negociação coletiva qualquer indicação de metas e resultados a serem atingidos, tampouco faz remissão a um detalhamento, em documento apartado, dos direitos subjetivos e regras adjetivas acordados. 94. A empresa pondera que a disciplina normativa, com respaldo nesse acordo coletivo, encontrase detalhada em um plano próprio, amparado no "programa de gestão de desempenho", no qual constam os objetivos estratégicos e outros objetivos do programa, com referência expressas aos beneficiários, às metas estipuladas para aferição do desempenho pessoal (metas do grupo empresarial, metas corporativas e metas específicas) e definição dos indicadores utilizados, periodicidade e forma de apuração e distribuição da PLR (fls. 1.156/1.178). Fl. 3339DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assin ado digitalmente em 04/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.720813/201187 Acórdão n.º 2401004.411 S2C4T1 Fl. 3.340 28 95. Não obstante, a Lei nº 10.101, de 2000, prevê que a participação necessariamente será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos seguintes procedimentos, escolhidos de comum acordo pelas partes: i) comissão paritária, integrada por um representante do sindicato (art. 2º, inciso I); ou ii) convenção ou acordo coletivo (art. 2º, inciso II). 96. À luz dos conjunto fáticoprobatório carreado aos autos, estão ausentes elementos de convicção que possam atestar com segurança que a fixação dos critérios e das condições do plano ocorreu mediante negociação entre a empresa e os empregados, na forma prevista na Lei nº 10.101, de 2000. 96.1 Ao não haver indícios fortes e contundentes de negociação entre as partes a respeito do plano próprio trazido aos autos, a hipótese da sua elaboração unilateral pela empresa acaba não podendo ser afastada. 97 Aduz a recorrente também que no § 3º do art. 3º da Lei nº 10.101, de 2000, o legislador menciona a possibilidade de compensação de valores na hipótese de um programa de participação nos lucros ou resultados mantido espontaneamente pela empresa. Reproduzo novamente o preceptivo legal: Art. 3º (...) § 3º Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. (...) 98. Acontece que o art. 2º da Lei nº 10.101, de 2000, autoriza apenas duas hipóteses de procedimento para elaboração de PLR, conforme incisos I e II. Logo, ao reportarse a programas mantidos espontaneamente pela empresa, é de se convir que a lei pretendeu referir se à participação oriunda da comissão paritária escolhida pela empresa e empregados, integrada, também por um representante indicado pelo sindicado da categoria (inciso I), em contraposição às obrigações surgidas dos acordos ou convenções coletivas de trabalho firmados pelas partes (inciso II). 98.1 Tal interpretação sistemática possibilita a coexistência, para o mesmo período de aferição, de dois distintos programas de PLR, desde que no âmbito do regramento da Lei nº 10.101, de 2000. 99. Evidentemente, não há óbice para que a empresa implemente facultativamente uma participação dos empregados nos lucros, mediante uma iniciativa unilateral, como previsto, por exemplo, no art. 58 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: Art 58 Podem ser excluídas do lucro líquido do exercício, para efeito de determinar o lucro real, as participações nos lucros da pessoa jurídica: I atribuídas a seus empregados segundo normas gerais aplicáveis, sem discriminações, a todos que se encontrem na mesma situação, por dispositivo do estatuto ou contrato social, Fl. 3340DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assin ado digitalmente em 04/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.720813/201187 Acórdão n.º 2401004.411 S2C4T1 Fl. 3.341 29 ou por deliberação da assembléia de acionistas ou sócios quotistas; (...) 99.1 Porém, nessa hipótese, será um participação alheia aos benefícios da Lei nº 10.101, de 2000. 100. Exposto nesses termos, entendo que a autoridade fiscal procedeu de modo correto ao considerar os valores pagos a título de PLR no ano de 2007 como integrantes da remuneração e do saláriodecontribuição dos segurados empregados, por estarem em desconformidade com o que prescreve a Lei nº 10.101, de 2000. 101. Deixo de efetuar análise adicional a respeito de outros argumentos de defesa contra a pretensão fiscal, por absoluta desnecessidade e irrelevância para o deslinde desta parte do julgamento. 101.1 À vista do conteúdo da acusação fiscal, os fundamentos acima delineados são mais que suficientes para explicitar as minhas razões pelas quais deve ser mantido, na íntegra, o crédito tributário exigido. b) Verba "Atribuição Estatutária", paga aos diretores não empregados (item 3.5 do relatório fiscal e Anexo VI, às fls. 442) 102. Segundo a peça recursal a verba denominada de “atribuição estatutária” a diretores não empregados corresponde a uma PLR paga de acordo com a Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, de maneira tal que escapa à tributação previdenciária, por força da alínea "j" do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991. 103. Acontece que a alínea "j" do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991, ao excluir da incidência tributária a participação nos lucros ou resultados da empresa paga ou creditada de acordo com lei específica, referese à Lei nº 10.101, de 2000, destinada tão somente aos segurados empregados. 104. Ao explicitar a norma de não incidência, o inciso X do § 9º do art. 214 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999, toma o cuidado de acrescentar a expressão "empregado": Art. 214 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: (...) X a participação do empregado nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; (grifouse) (...) 105. Isso porque a Lei nº 10.101, de 2000, não trata de pagamentos a trabalhadores não empregados, constando expressamente em seu corpo o regramento destinado à negociação entre empresa e seus empregados: Fl. 3341DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assin ado digitalmente em 04/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.720813/201187 Acórdão n.º 2401004.411 S2C4T1 Fl. 3.342 30 Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: (grifouse) I comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. (...) 106. Mais recentemente, o Supremo Tribunal Federal (STF) analisou a disciplina jurídica relativa à participação nos lucros ou resultados prevista no inciso XI do art. 7º da Carta Política de 1988. 106.1 Concluiu a Corte Suprema que sendo o preceito constitucional de eficácia limitada, a regulamentação somente se operou com a edição da Medida Provisória nº 794, de 29 de dezembro de 1994, reeditada inúmeras vezes até a conversão na Lei nº 10.101, de 2000, incidindo contribuição previdenciária relativamente aos fatos geradores concretizados antes da vigência daquele ato normativo. 106.2 Eis a ementa do Recurso Extraordinário (RE) nº 569.441/RS, submetido a sistemática de repercussão geral, relator Ministro Dias Toffoli e redator do Acórdão Ministro Teori Zavascki, julgado na sessão de 30/10/2014: EMENTA: CONSTITUCIONAL E PREVIDENCIÁRIO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. NATUREZA JURÍDICA PARA FINS TRIBUTÁRIOS. EFICÁCIA LIMITADA DO ART. 7º, XI, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE ESSA ESPÉCIE DE GANHO ATÉ A REGULAMENTAÇÃO DA NORMA CONSTITUCIONAL. 1. Segundo afirmado por precedentes de ambas as Turmas desse Supremo Tribunal Federal, a eficácia do preceito veiculado pelo art. 7º, XI, da CF – inclusive no que se refere à natureza jurídica dos valores pagos a trabalhadores sob a forma de participação nos lucros para fins tributários – depende de regulamentação. 2. Na medida em que a disciplina do direito à participação nos lucros somente se operou com a edição da Medida Provisória 794/94 e que o fato gerador em causa concretizouse antes da vigência desse ato normativo, deve incidir, sobre os valores em questão, a respectiva contribuição previdenciária. 3. Recurso extraordinário a que se dá provimento. 107. De modo que não há como acolher o entendimento da recorrente de que a expressão "lei específica" contida na alínea "j" do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991, referese a mais de uma lei ordinária, além da Lei nº 10.101, de 2000, abarcando a distribuição de valores com base na Lei nº 6.404, de 1976. Fl. 3342DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assin ado digitalmente em 04/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.720813/201187 Acórdão n.º 2401004.411 S2C4T1 Fl. 3.343 31 108. Acresce a recorrente, como argumentação de defesa, que as parcelas não podem compor o saláriodecontribuição do trabalhador em razão do cumprimento de todos os requisitos para a distribuição da participação nos lucros aos administradores elencados no art. 152 da Lei nº 6.404, de 1976. 109. Para melhor compreensão da previsão contida na Lei das sociedades anônimas, transcrevo o art. 152 da Lei nº 6.404, de 1976: Remuneração Art. 152. A assembléiageral fixará o montante global ou individual da remuneração dos administradores, inclusive benefícios de qualquer natureza e verbas de representação, tendo em conta suas responsabilidades, o tempo dedicado às suas funções, sua competência e reputação profissional e o valor dos seus serviços no mercado. § 1º O estatuto da companhia que fixar o dividendo obrigatório em 25% (vinte e cinco por cento) ou mais do lucro líquido, pode atribuir aos administradores participação no lucro da companhia, desde que o seu total não ultrapasse a remuneração anual dos administradores nem 0,1 (um décimo) dos lucros (artigo 190), prevalecendo o limite que for menor. § 2º Os administradores somente farão jus à participação nos lucros do exercício social em relação ao qual for atribuído aos acionistas o dividendo obrigatório, de que trata o artigo 202. 110. Os pagamentos realizados a título de "atribuição estatutária", também conhecidos como "participação estatutária", como ora se cuida, não se equiparam a valores decorrentes da remuneração de capital. 110.1 A remuneração do administrador pode ser composta por duas parcelas, uma fixa, conhecida como prólabore (art. 150, caput) e outra variável, consistente na participação nos lucros da companhia por ações, conforme definido pelos acionistas (art. 150, § 1º). Em um e outro caso, não há como liberar a empresa da tributação, porquanto as verbas possuem natureza remuneratória. 110.2 É verdade que a participação estatutária dos administradores, assim como o pagamento de dividendos aos acionistas, são contabilizadas em contas de patrimônio líquido, mediante redução do lucro acumulado, e não mediante débito em contas de resultado do exercício social. 110.3. Porém, tal característica contábil comum é insuficiente para agregar a natureza de remuneração do capital à participação estatutária. O dividendo pago a acionista decorre da participação acionária na sociedade, ao passo que a participação estatutária ao diretor não empregado é paga em razão da prestação do trabalho. 111. De mais a mais, para fins da incidência da tributação previdenciária, a exigência de habitualidade das parcelas recebidas pelo segurado restringese somente aos ganhos sob a forma de utilidades, denominados "in natura". Fl. 3343DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assin ado digitalmente em 04/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.720813/201187 Acórdão n.º 2401004.411 S2C4T1 Fl. 3.344 32 111.1 A legislação tributária não faz menção ao requisito da habitualidade para os ganhos em pecúnia, de tal modo que estão incluídos no campo de incidência das contribuições previdenciárias, nos termos da Lei nº 8.212, de 1991, todos os pagamentos em dinheiro destinados a retribuir o trabalho, quer sejam habituais ou não. 112. Mantémse, assim, o crédito tributário exigido pela fiscalização. c) Verba "Indenização Especial", paga a segurado empregado e diretor não empregado (itens 3.5 e 3.6 do relatório fiscal e Anexos VI e VII, às fls. 442 e 443) 113. Informa a recorrente que foram interpostas ações judiciais para discussão das parcelas pagas, a título de "indenização especial", ao segurado empregado Maurício Lustosa de Castro e ao diretor Leonardo D M Horta, autuadas sob o nº 2007.38.00.0251726 e 2007.38.00.0120575, respectivamente (fls. 1.372/1.425). 114. A decisão de piso reconheceu a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, por força da concessão de medida liminar e de tutela antecipada nos autos judiciais acima mencionados, antes do início do procedimento fiscal. 115. Destinada a autuação fiscal a prevenir a decadência, nos termos do art. 63 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a decisão "a quo" afastou apenas a incidência da multa de ofício ou de mora: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. 116. Não merece reforma a decisão recorrida, pois examinou adequadamente a questão, indo ao encontro do entendimento sumulado neste Conselho, conforme enunciados das Súmulas nº 1 e 17, abaixo vazadas: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 3344DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assin ado digitalmente em 04/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.720813/201187 Acórdão n.º 2401004.411 S2C4T1 Fl. 3.345 33 Súmula CARF n° 17: Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. d) Verba "Gratificação Liberalidade", paga a diretor empregado (item 3.6 do relatório fiscal e Anexo VII, às fls. 443) 117. A recorrente contesta a incidência da tributação sobre a verba denominada “Gratificação Liberalidade”, paga nas competências 03 a 05/2007, ao segurado empregado Maurício Lustosa de Castro, alto executivo da empresa. 117.1 Segundo defende, tratouse de pagamento eventual, e não habitual como entendeu a fiscalização, com origem em um evento certo e determinado – desligamento do funcionário dos quadros da empresa ainda que tal pagamento tenha sido dividido em três parcelas, por mera questão de disponibilidade financeira. 117.2 Reafirma, dessa maneira, a impossibilidade de tributação dos pagamentos recebidos a título de ganho eventual, dada a exclusão expressa pelo item 7 da alínea "e" do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991. Eis o dispositivo: Art. 28 (...) § 9º Não integram o salário de contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) e) as importâncias: (...) 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (...) 118. Atento à acusação fiscal, verifico que a fiscalização assim justificou a inclusão das parcelas no lançamento de ofício (fls. 69): (...) 3.6.2 A gratificação paga por liberalidade não integra o saláriodecontribuição de acordo com a Lei 8.212/91, art.28, parágrafo 9, letra “e7” desde que o pagamento seja efetuado eventualmente. Os valores pagos ou creditados ao segurado empregado a título de “Gratificação por Liberalidade” (código rubrica 0121) foram pagos nas competências 03/2007, 04/2007 e 05/2007 o que descaracteriza a eventualidade. (...) Fl. 3345DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assin ado digitalmente em 04/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.720813/201187 Acórdão n.º 2401004.411 S2C4T1 Fl. 3.346 34 119. Sob só esse ângulo de compreensão da matéria não posso concordar com a autoridade lançadora. 119.1. Para a autoridade fiscal, a eventualidade do pagamento tem como face inversa a habitualidade. Se fosse um único pagamento, a gratificação paga por liberalidade seria eventual e não integraria o saláriodecontribuição, nos termos do item 7 da alínea "e" do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991. 119.2 Em outras palavras, para justificar a tributação, a acusação fiscal entende que o pagamento em três competências descaracterizou a eventualidade. 120. De modo distinto, penso que a eventualidade da remuneração na legislação previdenciária está associada a incerteza, a imprevisão do seu pagamento. 120.1 Ainda que recebida a parcela mediante pagamento único, porém destinada a retribuir o trabalho, poderá haver tributação, na medida em que estão incluídos no campo de incidência das contribuições previdenciárias, segundo os arts. 22 e 28 da Lei nº 8.212, de 1991, todos os pagamentos em pecúnia destinados a retribuir o trabalho, sejam eles habituais ou não, por liberalidade ou ajustados contratualmente, incluído, nessa delimitação, também o ganho eventual. 121. A verba em discussão foi paga em razão de um evento determinado e único, isto é, o desligamento dos quadros da empresa do empregado Maurício Lustosa de Castro, em mar/2007 (fls. 1.391). A natureza jurídica e o motivo a que ela se propõe não se alteram pelo número de parcelas em que foi dividida para pagamento. 121.1 A importância foi disponibilizada pelo empregador em virtude da atividade laboral desenvolvida pelo segurado ao longo dos anos, como retribuição pelos serviços prestados. O seguinte trecho da impugnação confirma a assertiva (fls. 1.025): "(...) estava sendo desligado dos quadros da empresa (...) momento no qual entendeu a empresa ser oportuno o oferecimento de uma gratificação a um funcionário que, durante tantos anos, prestou com zelo e disposição as funções altamente qualificadas que lhe foram disponibilizadas na administração da empresa." 122. Ocorre que não há notícias que foi pactuada previamente, nada apontando no sentido de que o segurado empregado tinha conhecimento de que tal pagamento seria realizado quando implementada a condição para o seu recebimento estipulada pelo empregador. 122.1 Por conseguinte, dada a imprevisibilidade da sua ocorrência, cabe conceituar como eventual o pagamento dessa gratificação por liberalidade. 123. Contudo, ressalvo a minha posição particular, já que entendo que o ganho eventual a que alude o item 7 da alínea "e" do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991, deve estar expressamente desvinculado do salário por força de lei, para só então não integrar a remuneração do segurado empregado. 123.1 Com efeito, por meio da alínea "j" do inciso V do § 9º do art. 214 do RPS, o Poder Executivo não repetiu a redação original da Lei nº 8.212, de 1991. Além de suprimir o Fl. 3346DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assin ado digitalmente em 04/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.720813/201187 Acórdão n.º 2401004.411 S2C4T1 Fl. 3.347 35 artigo "os" que antecede "abonos", explicitou que a desvinculação do salário deverá decorrer da lei: "ganhos eventuais e abonos expressamente desvinculados do salário por força de lei". 123.2 Segundo a redação da Lei nº 8.212, de 1991, o legislador não separou os ganhos eventuais e os abonos em alíneas distintas. Com mais evidência, o regulamento também não o quis fazer, porquanto poderiam, ambos os diplomas, dar tratamento distinto a cada uma das espécies, como se infere do rol de parcelas não integrantes do saláriodecontribuição detalhado no § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991, e no § 9º do art. 214 do RPS. 123.3 Quanto ao termo "expressamente", a contribuição previdenciária é espécie de tributo. Mais que razoável, portanto, que estejam expressas em lei a definição de parcelas integrantes e não integrantes da remuneração, assim como as respectivas situações e condições, por ser inconcebível deixar a exclusão da tributação ao alvedrio do sujeito passivo. 124. Nada obstante o ponto de vista acima exposto, não se deve extrapolar os termos da acusação fiscal, sob pena de haver indevida inovação na motivação do lançamento pelo julgador administrativo. 125. Logo, tendo em conta a motivação do lançamento consignada no relatório fiscal, em confronto com a eventualidade da percepção da verba, conforme acima justificado, cabe afastar a tributação sobre os pagamentos a título de "Gratificação Liberalidade", que foram detalhados pela fiscalização no item 3.6 e Anexo VII do relatório fiscal. 126. Em observância ao § 8º do art. 63 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho Administrativo, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, deixo registrado que a maioria dos Conselheiros, quando da deliberação da Turma, acolheu apenas a conclusão deste relator, que afastou a tributação incidente sobre a "gratificação por liberalidade". 126.1 Segundo a maioria do colegiado, a habitualidade configurase como principal pressuposto para a incorporação de um pagamento à remuneração do segurado empregado. 126.2 Não integram a base de cálculo do saláriodecontribuição as verbas “recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário”, por força da isenção prevista no art. 28, § 9º, e, item 7, da Lei nº. 8.212, de 1991. 126.3 Uma vez paga de forma eventual a "gratificação por liberalidade", ainda que dividido o pagamento ao segurado empregado em parcelas por razões de fluxo de caixa da empresa, resta caracterizada a desvinculação do conceito de remuneração para fins de incidência da contribuição previdenciária. e) Riscos ocupacionais no ambiente de trabalho (item 3.3 do relatório fiscal e Anexo VIII, às fls. 444/661) 127. Relativamente ao ano de 2007, a fiscalização constituiu crédito tributário referente ao adicional da contribuição previdenciária de que trata o inciso II do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991, exigido com fundamento nos §§ 6º e 7º do art. 57 da Lei nº 8.213, de 1991. Fl. 3347DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assin ado digitalmente em 04/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.720813/201187 Acórdão n.º 2401004.411 S2C4T1 Fl. 3.348 36 127.1 Tal exação destinase ao financiamento do benefício de aposentadoria especial, o qual é concedido em razão de exposição permanente a agentes nocivos, nos termos dos arts. 57 e 58 da mesma Lei nº 8.213, de 1991. Transcrevo os dispositivos legais pertinentes: Lei nº 8.212, de 1991 Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (...) Lei nº 8.213, de 1991 Art. 57. A aposentadoria especial será devida, uma vez cumprida a carência exigida nesta Lei, ao segurado que tiver trabalhado sujeito a condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física, durante 15 (quinze), 20 (vinte) ou 25 (vinte e cinco) anos, conforme dispuser a lei. (...) § 6º O benefício previsto neste artigo será financiado com os recursos provenientes da contribuição de que trata o inciso II do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, cujas alíquotas serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, conforme a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. § 7º O acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às condições especiais referidas no caput. (...) 128. De acordo com o relatório fiscal, a atividade econômica principal da empresa é a exploração da indústria siderúrgica, seus correlatos e derivados. 128.1 Com a finalidade de identificar a existência de riscos ambientais em níveis ou concentrações que prejudiquem a saúde ou a integridade física do trabalhador, a autoridade lançadora examinou as demonstrações do gerenciamento do ambiente de trabalho, disponibilizadas à fiscalização após intimação. 128.2 . Do exame documental, a fiscalização constatou o reconhecimento de diversos agentes de risco ambiental, tais como ruído, calor, benzeno, tolueno, fumos metálicos, poeira de sílica e óleos minerais. Fl. 3348DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assin ado digitalmente em 04/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.720813/201187 Acórdão n.º 2401004.411 S2C4T1 Fl. 3.349 37 128.3 A autoridade fiscal avaliou os agentes reconhecidos, as medições e os limites de tolerância informados, os agentes qualitativos e a distribuição de equipamentos de proteção individual para os agentes quantitativos. 128.4 Ao finalizar a auditoria documental, concluiu que a gestão ambiental da empresa estava insatisfatória apenas quanto aos trabalhadores expostos aos agentes calor, benzeno e cádmio, nos termos abaixo reproduzidos, em relação aos quais foi efetuado o lançamento de ofício, discriminandose no Anexo VIII o nome do trabalhador, local de trabalho e os agentes nocivos a que estava exposto (fls. 67): "3.3.5 Assim, consideramos apenas os trabalhadores que estão sujeitos às condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física, expostos aos seguintes agentes: �CALOR (com medição no limite ou acima do limite de tolerância); �BENZENO e CÁDMIO agentes considerados insalubres em decorrência de inspeção realizada no local de trabalho, para os quais não existe limite seguro de exposição, constantes dos Anexos 13 e 13A da Norma Regulamentadora nº 15 do Ministério do Trabalho e Emprego." 129. Como contrarrazões, a recorrente afirma que são improcedentes as constatações da fiscalização, restando ausente a insalubridade apontada, pois: i) no caso do calor, é controlado por medidas administrativas; ii) no caso do benzeno, não é encontrado nas usinas, mas mesmo que fosse, não ultrapassaria o nível de exposição e iii) no caso do cádmio, é totalmente neutralizado pelo uso de máscaras. 130. Analisemos os agentes nocivos à saúde apontados pela fiscalização, separadamente: e.1) Agente calor 131. Como argumento inicial, a recorrente declara que instituiu um esquema de intervalos de descanso e revezamento entre os segurados submetidos a altas temperaturas, conforme dispõe o Anexo nº 3 da Norma Regulamentadora (NR) nº 15, do Ministério do Trabalho, o qual estabelece limites de tolerância para exposição ao calor, acima do qual haverá probabilidade de dano à saúde do trabalhador, durante a sua vida laboral. 131.1 Entretanto, pondera a recorrente, para a efetiva verificação da prática desses repousos é necessário um investigação "in loco", posto que a análise de documentos não permite afirmar a ocorrência ou não dos descansos. 132. Tal linha de defesa não me parece convincente. Fl. 3349DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assin ado digitalmente em 04/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.720813/201187 Acórdão n.º 2401004.411 S2C4T1 Fl. 3.350 38 133. A uma, porque a empresa apenas alega que implantou uma política de descanso e revezamento, porém não apresenta um mínimo indício desses fatos por meio de documentos contemporâneos. 134. A duas, porque tal fato alegado, mesmo que fosse comprovado, não tem o condão de descaracterizar a exposição desses empregados ao risco no ambiente de trabalho. 134.1 O Quadro nº 1 do Anexo nº 3 da NR nº 15 prevê o período de descanso necessário frente ao período efetivamente trabalhado, levando em conta o índice de calor do ambiente, aliado ao tipo de atividade desenvolvida pelo trabalhador. 134.2 A previsão de períodos de repouso em ambiente de exposição ao calor mais ameno, devido ao regime de descanso no próprio local, não significa intermitência, não descaracteriza a exposição do trabalhador ao agente nocivo e nem lhe retira o direito à aposentadoria especial. 135. Quanto ao agente calor, somente foram considerados pela fiscalização os casos que estavam no limite ou acima do limite de tolerância, tendo em vista as avaliações ambientais exibidas pela empresa. 136. Em outra linha argumentativa, a recorrente aponta falha de interpretação da fiscalização quanto às informações constantes dos documentos de gerenciamento do ambiente de trabalho. 136.1 Afirma que na hipótese de medição da temperatura ambiente com base no Índice de Temperatura Efetiva, o resultado deve ser interpretado seguindo os critérios da NR nº 17, do Ministério do Trabalho, que trata da ergonomia, cujos parâmetros não geram a exposição a agentes nocivos. 136.2 Ao revés, quando a exposição ao calor é avaliada através do Índice de Bulbo Úmido Termômetro de Globo (IBUTG), a interpretação, para fins de verificar a ultrapassagem dos limites de tolerância do agente físico, deverá observar o Anexo 3 da NR nº 15. 137. Com efeito, assiste razão à recorrente nesse ponto do recurso voluntário. 137.1. Para fins de avaliação das condições de insalubridade, é adotado o IBUTG. Em contrapartida, o Índice de Temperatura Efetiva é utilizado como parâmetro na determinação de conforto térmico, conforme alínea "b" do item 17.5.2 da NR nº 17: 17.5.2. Nos locais de trabalho onde são executadas atividades que exijam solicitação intelectual e atenção constantes, tais como: salas de controle, laboratórios, escritórios, salas de desenvolvimento ou análise de projetos, dentre outros, são recomendadas as seguintes condições de conforto: a) níveis de ruído de acordo com o estabelecido na NBR 10152, norma brasileira registrada no INMETRO; b) índice de temperatura efetiva entre 20oC (vinte) e 23oC (vinte e três graus centígrados); (grifouse) c) velocidade do ar não superior a 0,75m/s; Fl. 3350DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assin ado digitalmente em 04/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.720813/201187 Acórdão n.º 2401004.411 S2C4T1 Fl. 3.351 39 d) umidade relativa do ar não inferior a 40 (quarenta) por cento. 138. Ao compulsar as demonstrações ambientais colacionadas pela fiscalização, as quais serviram de base para o seu trabalho de auditoria, verifico a utilização da técnica de medição pelo IBUTG (fls. 911, por exemplo) e, em outros casos, o uso do Índice de Temperatura Efetiva, em que o limite de tolerância (LT) está delimitado pela faixa de 20 a 23ºC (fls. 931, por exemplo). 139. Relativamente às medições dos ambientes pelo Índice de Temperatura Efetiva, a fiscalização considerou o limite de tolerância como 23 ºC. 139.1 Para melhor visualização da questão controvertida, eis um exemplo extraído do Anexo VIII, referente à avaliação técnica ambiental de fls. 931, há pouco mencionada (fls. 449): Comp Nome do Funcionário GHE Função Ruído Calor/LT 200701 Élcio Lúcio Mendes 218 Oper Equip Sinterização 87 24,14/23,00 * Calor: temperatura medida no ambiente de trabalho; LT: limite de tolerância 140. É de se concluir, assim, que o levantamento fiscal quanto ao agente calor, utilizando o Índice de Temperatura Efetiva como parâmetro para o limite de tolerância, nos moldes da NR nº 17, é inapropriado para aferir a nocividade do agente. 140.1 A hipótese capaz de trazer ou ocasionar danos à saúde ou à integridade física do trabalhador para o fim do direito à aposentadoria especial exige avaliação segundo a metodologia trabalhista prevista no Anexo nº 3 da NR n º 15. 141. Logo, cabe decotar do crédito tributário lançado a contribuição previdenciária exigida no tocante aos segurados expostos ao agente nocivo calor, exclusivamente quando a nocividade foi identificada pela ultrapassagem do limite de tolerância avaliado a partir do Índice de Temperatura Efetiva, exceto se houver exposição ao benzeno e/ou cádmio para o mesmo trabalhador. 142. A exclusão do lançamento fiscal deve ser realizada com base nos dados da planilha do Anexo VIII, às fls. 444/661, observando a coluna "Calor/LT", quando o denominador for igual a 23,00. Enfatizando, novamente, desde que inexistente a informação de exposição do trabalhador ao benzeno e/ou cádmio. e.2) Agente benzeno 143 Inicialmente, a recorrente afirma que não há exposição dos empregados ao agente benzeno, visto que os resultados a que chegaram a avaliação técnica de 2007 não são confiáveis. 143.1 Tomando por base o Laudo Técnico de Condições Ambientais do Trabalho (LTCAT) referente ao ano de 2005, foi realizada uma nova avaliação de 2009, nos mesmos locais de trabalho, onde se constatou a inexistência de benzeno no ambiente das unidades produtivas (fls. 1.427/1.444). Fl. 3351DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assin ado digitalmente em 04/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.720813/201187 Acórdão n.º 2401004.411 S2C4T1 Fl. 3.352 40 143.2 Segundo a empresa fiscalizada, ainda que os documentos não correspondam ao ano da autuação, devem e podem ser considerados, uma vez que não ocorreram modificações nos locais nem nas atividades desenvolvidas, sendo as conclusões aplicáveis igualmente ao ano de 2007. 144. Em adição, defende que mesmo na hipótese de exposição ao benzeno, os valores indicados na autuação não ultrapassam os limites de tolerância permitidos no Brasil, cuja exposição aceitável para as empresas siderúrgicas é de 2,5 (dois e meio) ppm. 145. Pois bem. A fiscalização analisou a avaliação ambiental da época dos fatos geradores, efetuada por entidade contratada pela própria empresa, e identificou a existência do agente nocivo benzeno em alguns estabelecimentos e locais de trabalho. 145.1 A princípio, documentos dos anos de 2005 e 2009 não são aptos a desqualificar a análise realizada "in loco" por empresa e profissionais habilitados no ano de 2007. 145.2 Mais que isso, a documentação acostada aos autos pela recorrente com o propósito de invalidar a análise de 2007 não refuta a confiabilidade dos dados colhidos pela fiscalização. 145.3 Observo, igualmente, que os resultados de análise de compostos orgânicos voláteis, às fls. 1.442/1.444, anexados com o propósito de contestar a acusação fiscal, são referentes especificamente ao estabelecimento produtivo instalado no município de João Monlevade, CNPJ 17.469.701/006612. 145.4 Porém, segundo a planilha do Anexo VIII de fls. 444/661, o benzeno foi identificado não só nesse local de trabalho, mas também em outros estabelecimentos da recorrente, em distintos municípios e em concentrações diferentes (fls. 444/446, por exemplo). 146. A seu turno, a nocividade gerada por agentes químicos não requer, necessariamente, a análise quantitativa de sua concentração no ambiente do trabalho, bastando a simples exposição do trabalhador a agentes cancerígenos. 147. O critério qualitativo do risco, ou seja, sem haver exposição efetiva a limite de tolerância, já estava reconhecido pela Instrução Normativa INSS/PRES nº 11, de 20 de setembro de 2006, aplicável no ano de 2007. Reproduzo o conteúdo do seu art. 157: Art. 157. O núcleo da hipótese de incidência tributária, objeto do direito à aposentadoria especial, é composto de: I nocividade, que no ambiente de trabalho é entendida como situação combinada ou não de substâncias, energias e demais fatores de riscos reconhecidos, capazes de trazer ou ocasionar danos à saúde ou à integridade física do trabalhador; II permanência, assim entendida como o trabalho não ocasional nem intermitente, durante quinze, vinte ou vinte cinco anos, no qual a exposição do empregado, do trabalhador avulso ou do cooperado ao agente nocivo seja indissociável da produção do bem ou da prestação do serviço, em decorrência da subordinação jurídica a qual se submete. Fl. 3352DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assin ado digitalmente em 04/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.720813/201187 Acórdão n.º 2401004.411 S2C4T1 Fl. 3.353 41 § 1º Para a apuração do disposto no inciso I, há que se considerar se o agente nocivo é: I apenas qualitativo, sendo a nocividade presumida e independente de mensuração, constatada pela simples presença do agente no ambiente de trabalho, conforme constante nos Anexos 6, 13, 13A e 14 da Norma Regulamentadora nº 15 (NR 15) do Ministério do Trabalho e Emprego MTE, e no Anexo IV do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, para os agentes iodo e níquel; (grifouse) II quantitativo, sendo a nocividade considerada pela ultrapassagem dos limites de tolerância ou doses, dispostos nos Anexos 1, 2, 3, 5, 8, 11 e 12 da NR15 do MTE, por meio da mensuração da intensidade ou da concentração, consideradas no tempo efetivo da exposição no ambiente de trabalho. (...) 148. O Decreto nº 8.123, de 16 de outubro de 2013, ao alterar o art. 68 do RPS, passou a conter expressamente a previsão de aposentadoria especial pela simples exposição do trabalhador a agentes nocivos reconhecidamente cancerígenos em humanos: Art. 68. (...) § 2º A avaliação qualitativa de riscos e agentes nocivos será comprovada mediante descrição: I das circunstâncias de exposição ocupacional a determinado agente nocivo ou associação de agentes nocivos presentes no ambiente de trabalho durante toda a jornada; II de todas as fontes e possibilidades de liberação dos agentes mencionados no inciso I; e III dos meios de contato ou exposição dos trabalhadores, as vias de absorção, a intensidade da exposição, a frequência e a duração do contato. § 3º A comprovação da efetiva exposição do segurado aos agentes nocivos será feita mediante formulário emitido pela empresa ou seu preposto, com base em laudo técnico de condições ambientais do trabalho expedido por médico do trabalho ou engenheiro de segurança do trabalho § 4º A presença no ambiente de trabalho, com possibilidade de exposição a ser apurada na forma dos §§ 2º e 3º, de agentes nocivos reconhecidamente cancerígenos em humanos, listados pelo Ministério do Trabalho e Emprego, será suficiente para a comprovação de efetiva exposição do trabalhador. (grifouse) (...) 149. No caso do benzeno, o Anexo 13A da NR nº 15 tratao como substância comprovadamente cancerígena, para a qual não existe limite seguro de exposição: Fl. 3353DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assin ado digitalmente em 04/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.720813/201187 Acórdão n.º 2401004.411 S2C4T1 Fl. 3.354 42 Benzeno 1. O presente Anexo tem como objetivo regulamentar ações, atribuições e procedimentos de prevenção da exposição ocupacional ao benzeno, visando à proteção da saúde do trabalhador, visto tratarse de um produto comprovadamente cancerígeno. (...) 6. Valor de Referência Tecnológico VRT se refere à concentração de benzeno no ar considerada exeqüível do ponto de vista técnico, definido em processo de negociação tripartite. O VRT deve ser considerado como referência para os programas de melhoria contínua das condições dos ambientes de trabalho. O cumprimento do VRT é obrigatório e não exclui risco à saúde. 6.1. O princípio da melhoria contínua parte do reconhecimento de que o benzeno é uma substância comprovadamente carcinogênica, para a qual não existe limite seguro de exposição. Todos os esforços devem ser dispendidos continuamente no sentido de buscar a tecnologia mais adequada para evitar a exposição do trabalhador ao benzeno. (grifouse) (...) 7. Os valores estabelecidos para os VRTMPT são: 1,0 (um) ppm para as empresas abrangidas por este Anexo (com exceção das empresas siderúrgicas, as produtoras de álcool anidro e aquelas que deverão substituir o benzeno a partir de 1º.01.97). 2,5 (dois e meio) ppm para as empresas siderúrgicas. 150. O direito á aposentadoria especial, no caso da exposição ocupacional ao benzeno, não tem relação com o Valor de Referência Tecnológico (VTR), como quer a recorrente, cujo índice foi construído com a finalidade de subsidiar programas de melhoria contínua das condições dos ambientes de trabalho, não significando a exclusão do direito ao benefício previdenciário nas hipóteses em que houver a exposição inferior a 2,5 ppm, quando mensurado em empresas siderúrgicas. 151. Sem razão, portanto, a recorrente. e.3) Agente cádmio 152. Por fim, quanto à presença do cádmio, a recorrente afirma que adota medidas protetivas, fornecendo aos seus empregados equipamentos de proteção individual, tal como máscara contra pó, que eliminam por completo à nocividade do agente (fls. 1.446/1453). 153. Com o propósito de afastar a aposentadoria especial é medida insuficiente, porquanto a linha de raciocínio quanto à nocividade desse agente químico é semelhante àquela exposta no tópico anterior. Fl. 3354DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assin ado digitalmente em 04/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.720813/201187 Acórdão n.º 2401004.411 S2C4T1 Fl. 3.355 43 153.1 Os riscos ocupacionais decorrentes do cádmio devem ser avaliados apenas de forma qualitativa, e não quantitativa como se exige, por exemplo, para o calor, visto que o benefício de aposentadoria especial considera a presença desse agente nocivo no processo produtivo e no ambiente laboral. 153.2 Lembro, inclusive, que a lista de atividades no Anexo IV do RPS, nas quais pode haver a exposição ao cádmio, é meramente exemplificativa. 154. Por ser cancerígeno, especialmente doenças no pulmão e lesões ao fígado e rins, não há qualquer limite estabelecido na legislação brasileira, tampouco limite seguro de tolerância para a presença de poeiras e fumos que contenham partículas de cádmio, conforme se constata do Anexo 13 da NR nº 15, mesmo que a empresa fornece e os trabalhadores utilizem máscaras contra pó. 155. Em síntese, os equipamentos de proteção individual não são suficientes, por si só, para descaracterizar os riscos ocupacionais resultantes da presença comprovada do cádmio no ambiente laboral. 156. Logo, mantémse o lançamento do crédito tributário. f) Adicional para financiamento da aposentadoria especial sobre as parcelas de PLR (item 3.4 do relatório fiscal e Anexo IX, às fls. 662/678) 157. Esclarece a fiscalização que realizou o lançamento de ofício correspondente ao adicional para financiamento da aposentadoria especial, na alíquota de 6% (seis por cento), incidente sobre os valores pagos a título de PLR para os segurados empregados expostos a riscos ocupacionais, conforme discriminado no Anexo IX, às fls. 662/678. 158 Uma vez tributável a parcela da PLR distribuída no exercício de 2007, de acordo com a fundamentação constante deste voto, é devida a cobrança do adicional para financiamento da aposentadoria especial sobre tais parcelas pagas aos segurados empregados expostos aos agentes nocivos calor, benzeno e cádmio. 159. Nada obstante, a fim de manter a congruência decisória deste voto, é insubsistente a cobrança do adicional relativamente aos segurados empregados expostos ao agente calor, cuja nocividade foi avaliada pela fiscalização com base no Índice de Temperatura Efetiva, desde que inexistente a informação de exposição desse mesmo trabalhador ao benzeno e/ou cádmio (subtópico "Agente calor"). 160. A exclusão do lançamento fiscal deve ser realizada a partir dos dados da planilha do Anexo IX, às fls. 662/678, observando a coluna "Calor/LT", quando o denominador for igual a 23,00. g) Contribuintes individuais (item 3.2 do relatório fiscal e Anexo V, às fls. 440/441) 161. Nessa parte do recurso voluntário, o sujeito passivo contesta o lançamento de ofício relativo às remunerações de contribuintes individuais, discriminadas no Anexo V, às fls. 440/441. Fl. 3355DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assin ado digitalmente em 04/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.720813/201187 Acórdão n.º 2401004.411 S2C4T1 Fl. 3.356 44 161.1 Argumenta que os pagamentos dizem respeito, na verdade, a valores de aluguéis devidos a proprietários de imóveis, em decorrência da locação dos seus bens à recorrente. 162. Todavia, com bem salientou a decisão de piso, não juntou os contratos de aluguéis, nem qualquer outra prova hábil e idônea a demonstrar suas alegações. 162.1 Mesmo na fase recursal, nenhum documento acrescenta, repetindo apenas o inconformismo com o indeferimento pela decisão de primeira instância do pedido de juntada extemporânea de provas, questão examinada neste voto, como preliminar (subtópico "e"). 163. Portanto, desprovida de comprovação as suas alegações, em linguagem de provas, cabe manter o lançamento fiscal. 164. Especificamente quanto à autuação relativa aos pagamentos realizados ao segurado empregado Messias Lopes Sobrinho, a questão preliminar, suscitada pela recorrente, também foi examinada na parte inicial deste voto (subtópico "d"). 165 No tocante ao mérito, como já adiantado, as cópias de GFIP às fls. 1.454/1.559, repetidas às 3.121/3.202, referemse à prestação de serviços pelo segurado Messias Lopes Sobrinho, na condição de contribuinte individual, categoria 13, ao Consórcio UHE Guilman Amorim, CNPJ 05.521.579/000232, pertencente, segundo à recorrente, ao Grupo ArcelorMittal. 165.1 Ao passo que os fatos geradores identificados pela fiscalização na contabilidade e em recibos de pagamento a autônomos, segundo planilha de fls. 440/441, dizem respeito ao CNPJ 17.469.701/000177, inscrição cadastral da Companhia Belgo Siderurgia S/A, denominação à época dos fatos geradores. 166. Como se sabe, é situação usual uma pessoa física, na condição de contribuinte individual, prestar serviços a mais de uma empresa ou mesmo, concomitantemente, exercer atividade como segurado empregado. 166.1 De modo que os documentos elaborados em nome do Consórcio UHE Guilman Amorim, CNPJ 05.521.579/000232, não são provas contundentes e irrefutáveis que os fatos geradores apurados pela fiscalização, às fls. 440/441, foram declarados em GFIP. 167. Adicionalmente, verifico a falta de congruência entre as remunerações declaradas em GFIP e exigidas pela fiscalização. 167.1 A título de exemplo, comparase a competência 02/2007. Enquanto a fiscalização apurou o valor de R$ 1.807,77 (fls. 440), a correspondente GFIP, em nome do Consórcio UHE Guilman Amorim, CNPJ 05.521.579/000232, indica a remuneração de R$ 4.425,00 (fls. 1.553/1.159). 167.2 Qual o motivo da diferença? Não há o mínimo esclarecimento pela parte recorrente. 168. Dessa feita, em vista do conjunto fáticoprobatório não estou convencido que as GFIP acostadas pela recorrente são provas suficientes para afastar integralmente a tributação sobre a remuneração do segurado Messias Lopes Sobrinho, conforme fls. 440/441. Fl. 3356DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assin ado digitalmente em 04/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.720813/201187 Acórdão n.º 2401004.411 S2C4T1 Fl. 3.357 45 169. Não obstante, as GFIPs revelam que o contribuinte individual teve, mensalmente, a contribuição descontada sobre o limite máximo do saláriodecontribuição, não devendo sofrer, tampouco exigirse da empresa, qualquer recolhimento adicional no que se refere à contribuição devida pelo segurado. 170. Logo, cabe decotar do crédito tributário, por competência, a contribuição previdenciária não descontada do segurado Messias Lopes Sobrinho [Sobinho], exigida pela fiscalização de acordo com os valores discriminados na coluna "contrib. seg. devida" do Anexo V, às fls. 440/441. h) Diferenças de contribuições dos segurados apuradas na competência 04/2007 (item 3.7 do relatório fiscal e Anexos III e IV, às fls. 374/439) 171. De acordo com às fls. 69 do relatório fiscal: 3.7.1 Na competência 04/2007, o contribuinte ao efetuar o cálculo das contribuições a serem descontados dos segurados empregados deixou de atualizar a tabela dos saláriosde contribuição para o estabelecimento CNPJ 17.469.701/000177 e filiais e para o CNPJ: 24.315.012/000173. Assim, efetuou desconto dos segurados das contribuições a menor para toda a competência. 172 A questão foi objeto de diligência fiscal, determinada às fls. 3.264/3.275, com cumprimento pela autoridade lançadora às fls. 3.279. 172.1 Em resposta aos quesitos da diligência fiscal, a autoridade pronunciouse e manifestouse, à guisa de conclusão, nos termos abaixo reproduzidos: (...) 3 Diante do exposto, o crédito tributário relativo ao lançamento da rubrica DC Diferenças descontos de segurados, apuradas na competência 04/2007, nos estabelecimentos CNPJ: 24.315.012/000173 e CNPJ: 17.469.701/000177 e filiais fica excluído em sua totalidade. (...) 173. Tratase de matéria eminentemente fática, em que o agente fiscal avaliou as alegações e os documentos de pagamento juntados pela recorrente às fls. 3.204/3.210, concluindo que os recolhimentos efetuados eram suficientes para demonstrar a quitação integral das contribuições lançadas na competência 04/2007, relativas às contribuições previdenciárias a cargo dos segurados empregados. 174. Dessa feita, são improcedentes os valores lançados no Levantamento DC, referente à competência 04/2007, consequentemente, devem ser excluídos do respectivo auto de infração. Fl. 3357DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assin ado digitalmente em 04/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.720813/201187 Acórdão n.º 2401004.411 S2C4T1 Fl. 3.358 46 i) Multas pelo descumprimento de obrigação principal e de obrigação acessória i.1) Considerações gerais 175. De início, a recorrente destaca a abusividade da cobrança da multa pela não declaração de fatos geradores em GFIP, sobretudo por sequer haver descumprimento de obrigação principal. 176. Sem razão. Não há que se confundir obrigação principal e acessória, definidas que estão no art. 113 do CTN: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. 176.1 Mesmo na hipótese de recolhimento do tributo devido, a falta de uma conduta positiva ou negativa por parte do contribuinte, exigida pela legislação tributária no interesse da arrecadação ou da fiscalização, tal como a prestação de informação de fatos geradores em documento fiscal, autoriza a aplicação de penalidade. 177. Prossegue a recorrente afirmando a improcedência da multa por descumprimento de obrigação acessória quando comprovada a boafé do contribuinte e quando não tenha a conduta causado prejuízo ao Erário. 177.1 Cuidase de argumentação principiológica, que encontra resistência no texto da lei, conforme art. 136 do CTN: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. 178. Ademais, a falta de inclusão de segurados e remunerações em GFIP, recolhidas ou não as respectivas contribuições previdenciárias, não acarreta consequências apenas no âmbito tributário, na medida em que as informações do documento alimentam também o banco de dados do Regime Geral de Previdência Social para fins de cálculo e concessão de benefícios previdenciários (art. 32, § 2º, da Lei nº 8.212, de 1991, e art. 29A, caput, da Lei nº 8.213, de 1991). 179. Por sua vez, a avaliação de eventual desrespeito aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade na imposição de penalidades pela não declaração de contribuições Fl. 3358DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assin ado digitalmente em 04/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.720813/201187 Acórdão n.º 2401004.411 S2C4T1 Fl. 3.359 47 previdenciárias em GFIP que foram previamente recolhidas, segundo a recorrente, ou pela aplicação de multa pela ausência de desconto da contribuição a cargo do segurado, quando concomitantemente exigido o pagamento da obrigação principal, na qualidade de responsável tributário, é tarefa exclusiva do Poder Judiciário, porquanto implica verificação da compatibilidade da norma jurídica com os preceitos constitucionais. 180. Como sabido, argumentos desse jaez são inoponíveis na esfera administrativa. Nesse sentido, não só o art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, como também o enunciado da Súmula nº 2, deste Conselho, assim redigida: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 181. Afirma a recorrente que a autuação pelo descumprimento de obrigação acessória não poderia ser lavrada enquanto não houvesse o julgamento administrativo relativo às obrigações principais. 182. Não é verdade. Seja na hipótese de identificar o não recolhimento do tributo devido, seja a conduta de descumprimento de obrigação acessória, a autoridade fiscal está obrigada a realizar o lançamento de ofício, sob pena de responsabilidade funcional, consoante art. 142 do CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. 183. De mais a mais, não há qualquer óbice legal à lavratura simultânea de auto de infração pelo não recolhimento do tributo e por descumprimento das obrigações acessórias correlatas. 183.1 O art. 151 do CTN referese à suspensão da exigibilidade do crédito tributário, não à possibilidade de a autoridade fiscal efetuar o lançamento, o que significa dizer que a suspensão diz respeito apenas aos atos executórios da cobrança, não sendo obstáculo à constituição do crédito tributário. 183.2 Além disso, a interposição de defesa única, aliada a julgamento em conjunto dos autos de infração, como ora ocorre, impede decisões despidas de congruência quanto às obrigações principal e acessória vinculada, respeitandose, por consequência, o direito de defesa e os demais preceitos do processo administrativo fiscal. i.2) Auto de Infração nº 37.342.5805 (CFL 78) 184. Nesse auto de infração, aplicouse multa pelo descumprimento de obrigação acessória por ausência da prestação de informações em GFIP quanto aos valores pagos às cooperativas de serviço (item 12 do relatório fiscal e Anexos X e XI, às fls. 679/680). Fl. 3359DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assin ado digitalmente em 04/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.720813/201187 Acórdão n.º 2401004.411 S2C4T1 Fl. 3.360 48 185. Acontece que em sessão do STF realizada no dia 23/4/2014, o plenário da Corte, no julgamento do RE nº 595.838/SP, com repercussão geral reconhecida, da relatoria do Ministro Dias Toffoli, reconheceu a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991, acrescentado pela Lei nº 9.876, de 1999. Eis a ementa desse julgado: Recurso extraordinário. Tributário. Contribuição Previdenciária. Artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Sujeição passiva. Empresas tomadoras de serviços. Prestação de serviços de cooperados por meio de cooperativas de Trabalho. Base de cálculo. Valor Bruto da nota fiscal ou fatura. Tributação do faturamento. Bis in idem. Nova fonte de custeio. Artigo 195, § 4º, CF. 1. O fato gerador que origina a obrigação de recolher a contribuição previdenciária, na forma do art. 22, inciso IV da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, não se origina nas remunerações pagas ou creditadas ao cooperado, mas na relação contratual estabelecida entre a pessoa jurídica da cooperativa e a do contratante de seus serviços. 2. A empresa tomadora dos serviços não opera como fonte somente para fins de retenção. A empresa ou entidade a ela equiparada é o próprio sujeito passivo da relação tributária, logo, típico “contribuinte” da contribuição. 3. Os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus cooperados, não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. 4. O art. 22, IV da Lei nº 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99, ao instituir contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, extrapolou a norma do art. 195, inciso I, a, da Constituição, descaracterizando a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da cooperativa, com evidente bis in idem. Representa, assim, nova fonte de custeio, a qual somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art. 195, § 4º com a remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. 5. Recurso extraordinário provido para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. (grifei) 185.1 Em 18/12/2014, ao apreciar os embargos de declaração interpostos pela União no RE nº 595.838/SP, a Corte rejeitou o pedido de modulação de efeitos da decisão que declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991. 185.2 Por fim, o RE nº 595.838/SP transitou em julgado em 9/3/2015. 186. Diante desse contexto fático, o § 2º do art. 62 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho RICARF , aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, com a redação dada pela Portaria MF nº 152, de 3 de maio de 2016, assim estabelece: Fl. 3360DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assin ado digitalmente em 04/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.720813/201187 Acórdão n.º 2401004.411 S2C4T1 Fl. 3.361 49 Art. 62. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. 187. Como se vê, o dispositivo de lei que justificava o lançamento da contribuição previdenciária foi considerado em descompasso com o texto constitucional, em decisão definitiva de mérito proferida pelo STF, na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil, devendo tal entendimento ser reproduzido no âmbito deste Conselho. 188. Logo, afastado o fundamento jurídico que sustentava a obrigação principal, não há razão para aplicar penalidade pela omissão de informação em GFIP no campo "Valores pagos à Cooperativas de Trabalho", devendo ser declarada a improcedência do crédito tributário constituído por meio do AI nº 37.342.5805 (CFL 78). i.3) Auto de Infração nº 37.342.5791 (CFL 59) 189. De acordo com a fiscalização, a empresa deixou de descontar a contribuição previdenciária devida pelos segurados a seu serviço, incidente sobre as parcelas relativas à PLR paga aos segurados empregados e sobre a remuneração paga aos contribuintes individuais, conforme Anexos I a VII. 190. O valor da multa aplicada é fixo, independente do número de ocorrências, não havendo alteração do montante da penalidade em função da quantidade de segurados ou de descontos não realizados. 191. Evidenciada a natureza remuneratória das parcelas recebidas pelos segurados, ainda que parcialmente afastada em casos específicos, conforme consignado neste voto, cabe manter a cobrança da penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória. 192. Ressalto que não ocorre "bis in idem" com o auto de infração pelo descumprimento de obrigação principal, sob o nº 37.342.5767, como alega a recorrente, porquanto a penalidade imposta tem origem no descumprimento de obrigação acessória, de caráter não pecuniário, prevista na alínea "a" do inciso I do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991, c/c art. 4º da Lei nº 10,666, de 8 de maio de 2003, o que, evidentemente, não se confunde com a exigência de cumprimento da obrigação principal, na condição de responsável tributário (art. 33, § 5º, da Lei nº 8.212, de 1991). i.4) Auto de Infração nº 37.342.5783 (CFL 68) 193. Dada a procedência parcial dos fatos geradores não declarados em GFIP, deverá ser refeito o cálculo da penalidade discriminado no Anexo XII, às fls. 681/684, quando da execução do julgado, para supressão dos fatos geradores e do valores não declarados que restaram excluídos ao longo deste voto, inclusive no que tange aos valores pagos a cooperativas de trabalho. Fl. 3361DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assin ado digitalmente em 04/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.720813/201187 Acórdão n.º 2401004.411 S2C4T1 Fl. 3.362 50 194. Ressalto que será mantida a autuação sob o nº 37.342.5783 naquelas competências em que o comparativo das multas for mais benéfico ao contribuinte, conforme critério da retroatividade benigna exposto no tópico seguinte. i.5) Critério de cálculo da multa para aplicação da retroatividade benigna 195. Em relação às multas, alega a recorrente a incorreção do critério utilizado pela fiscalização para aplicar a retroatividade benigna prevista na alínea "c" do inciso II do art. 106 do CTN. 195.1 Por ser a legislação atual visivelmente mais benéfica ao contribuinte, requer o recálculo da multa pelo descumprimento de obrigação acessória em GFIP, aplicandose o disposto no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. 195.2 O demonstrativo de cálculo da multa efetuado pela fiscalização encontrase no Anexo XIII, às fls. 685. 196. Pois bem. São várias as vertentes interpretativas, inclusive no âmbito do contencioso administrativo, a respeito da aplicação do princípio da retroatividade benigna ao regime de multas estatuído na Lei nº 8.212, de 1991. 197. Em que pese todos os bons argumentos, tenho entendido como mais adequado, até o momento, o mesmo critério utilizado pela fiscalização, visto que respeita a proibição de dupla penalização pela prática de uma mesma conduta infracional e compara penalidades incidentes sobre condutas idênticas. 198. Como se sabe, devido às alterações promovidas na Lei nº 8.212, de 1991, pela MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, em matéria de penalidade relacionada a infrações anteriores a 12/2008. 199. Sob a égide da legislação vigente à época dos fatos geradores da autuação, a não apresentação ou apresentação com incorreções da GFIP, independentemente da existência ou não de tributo a recolher, resultava em imposição de multa com fundamento nos §§ 4º a 6º, inciso IV, do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991. Essa penalidade dizia respeito, portanto, ao descumprimento de obrigação acessória: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (...) § 4º A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável Fl. 3362DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assin ado digitalmente em 04/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.720813/201187 Acórdão n.º 2401004.411 S2C4T1 Fl. 3.363 51 equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo: (...) § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. § 6º A apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa de cinco por cento do valor mínimo previsto no art. 92, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitadas aos valores previstos no § 4º. (...) 200. Por sua vez, ao se verificar na ação fiscal, além do descumprimento de obrigação acessória, a falta de recolhimento das contribuições previdenciárias, ainda havia o lançamento do crédito tributário, com aplicação da multa então prevista no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, cuja natureza vinculavase ao descumprimento de obrigação principal: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (...) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (...) 201. A MP nº 449, de 2008, introduziu uma nova sistemática de multas. A penalidade por incorreção ou omissão nas informações na GFIP passou a ser tratada no art. 32A, em substituição aos §§ 4º a 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 3363DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assin ado digitalmente em 04/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.720813/201187 Acórdão n.º 2401004.411 S2C4T1 Fl. 3.364 52 Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo. (...) § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. 202. Já o art. 35A trouxe para o contexto da legislação previdenciária a multa do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, nas hipóteses de lançamento de ofício das contribuições previdenciárias, isto é, quando do descumprimento de obrigação principal (não recolher tributo): Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 203. De sorte que o art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, ao estabelecer um percentual fixo de multa de 75% (setenta e cinco por cento), em seu inciso I, sobre o valor da contribuição não declarada, impõe uma única multa tanto para a conduta do não recolhimento das contribuições previdenciárias, quanto para a falta de GFIP ou sua apresentação deficiente em relação a essas mesmas contribuições. Transcrevo a literalidade do inciso I do art. 44: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (grifei) (...) 204. É de verse que na legislação atual, verificado simultaneamente o descumprimento de obrigação principal e acessória relacionadas às contribuições previdenciárias (não recolher, falta de declaração e/ou declarar com incorreções/omissões), haverá a incidência de apenas uma penalidade, qual seja a multa de ofício do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, introduzida por força do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 3364DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assin ado digitalmente em 04/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.720813/201187 Acórdão n.º 2401004.411 S2C4T1 Fl. 3.365 53 205. Assim, as multas previstas nos §§ 4º a 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, restaram substituídas pela multa do art. 32A da mesma Lei, na hipótese que tenha sido aplicada isoladamente, sem a imposição de penalidade pelo descumprimento da obrigação de recolher a contribuição previdenciária. Somente nesse contexto fático, o que não ocorre nos autos, será cabível tal comparação para fins da definição da norma jurídica mais benéfica ao sujeito passivo. 206. Ao revés, na hipótese de lançamentos correlatos pela falta de pagamento e declaração inexata na GFIP relacionada à contribuição previdenciária, como ora se cuida, a multa prevista no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, e aquela dos §§ 4º e 6º do art. 32 da mesma Lei, foram substituídas por uma única multa (ex vi do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991). 207. Ressalvase, entretanto, a hipótese de autuação por incorreções ou omissões de informações em GFIP relativa a fato gerador não contemplado pela aplicação da multa de ofício prevista no art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991 (inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996). 207.1 Como é o caso exposto pela fiscalização do recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal relativamente aos valores pagos a cooperativa de trabalho, cujos montantes não fizeram parte do lançamento de ofício da obrigação principal, por ter a empresa comprovado todos os recolhimentos efetuados para este fato gerador. 207.2 Nessa hipótese, é possível a convivência simultânea da multa de ofício (75%) e multa pelo descumprimento de obrigação acessória (CFL 78). 208. Dessa feita, com fez a autoridade fiscal, às fls. 685, para se verificar a situação mais benéfica ao sujeito passivo, no caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, há que se realizar a seguinte comparação de penalidades entre mesmas contribuições, por competência: a) legislação anterior: somatório da multa aplicada nos moldes do inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991 (obrigação principal), e das multas aplicadas na forma dos §§ 4º a 6º do art. 32 da mesma Lei (obrigação acessória); e b) legislação atual: multa de ofício de 75% prevista no art. 35 A da Lei nº 8.212, de 1991, e introduzida pela MP nº 449, de 2008, sem qualquer limitação, acrescentado, se for o caso, a multa pela incorreção ou omissão de informações relativa a fato gerador não contemplado pela aplicação da multa de ofício. 209. No entanto, deverá ser refeito o cálculo da multa para efeitos da retroatividade benigna, quando da execução do julgado, devido ao afastamento da tributação sobre determinados valores lançados pela fiscalização, detalhado neste voto, incluindo a exclusão da penalidade autuada sob o nº 37.342.5803, referente aos valores pagos a cooperativas de trabalho. 209.1 Vale dizer, no que toca às penalidades impostas na ação fiscal para fatos geradores de contribuições previdenciárias, deverá ser reavaliada a situação final mais benéfica Fl. 3365DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assin ado digitalmente em 04/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.720813/201187 Acórdão n.º 2401004.411 S2C4T1 Fl. 3.366 54 à recorrente por competência, utilizandose do mesmo critério de cálculo adotado pela fiscalização, nos seguintes termos: i) legislação anterior: multa no percentual de 24% + multa do AI CFL 68; e ii) legislação atual: multa no percentual de 75%. 210. Para o lançamento fiscal reflexo no tocante às contribuições previdenciárias da empresa, relativo às contribuições para outras entidades e fundos, o percentual da multa equivale a 24% , para todas as competências (AI nº 37.342.5775). j) Cancelamento ou suspensão da representação fiscal para fins penais 211. Este colegiado não é competente para se pronunciar sobre controvérsias relativas à representação fiscal para fins penais, consoante posição consolidada no enunciado da Súmula nº 28: Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. 212. De qualquer modo, segundo a Portaria RFB nº 2.439, de 21 de dezembro de 2010, enquanto não proferida a decisão final, na esfera administrativa, sobre a exigência fiscal do crédito tributário relacionado ao ilícito penal, a tramitação dos autos da representação penal formalizada permanecerá suspensa. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário, REJEITAR as preliminares e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para: a) excluir a tributação sobre a verba denominada "Gratificação Liberalidade" (item 3.6 do relatório fiscal); b) excluir a incidência do adicional para financiamento do benefício da aposentadoria especial sobre as remunerações dos segurados expostos ao agente calor, exclusivamente nos casos em que a nocividade foi identificada pela ultrapassagem do limite de tolerância avaliado com base no Índice de Temperatura Efetiva, desde que inexistente a informação de exposição do mesmo trabalhador ao benzeno e/ou cádmio; (item 3.3 do relatório fiscal); c) excluir a incidência do adicional para financiamento do benefício da aposentadoria especial sobre os valores pagos a título de PLR aos segurados expostos ao agente calor, exclusivamente nos casos em que a nocividade foi identificada pela ultrapassagem do limite de tolerância avaliado com base no Índice de Temperatura Efetiva, desde que inexistente a Fl. 3366DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assin ado digitalmente em 04/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.720813/201187 Acórdão n.º 2401004.411 S2C4T1 Fl. 3.367 55 informação de exposição do mesmo trabalhador ao benzeno e/ou cádmio (item 3.4 do relatório fiscal); d) excluir as contribuições previdenciárias não descontadas do segurado Messias Lopes Sobrinho, conforme coluna "contrib. seg. devida" do Anexo V, às fls. 440/441 (item 3.2 do relatório fiscal); e) excluir os valores lançados a título de diferenças de contribuições dos segurados na competência 04/2007, conforme Levantamento DC (item 3.7 do relatório fiscal); f) tornar insubsistente o AI nº 37.342.5805 (CFL 78), lavrado em decorrência da omissão em GFIP dos valores pagos a cooperativas de trabalho; g) recalcular quando da execução do julgado, o valor da multa imposta no AI nº 37.342.5783 (CFL 68), tendo em vista as exclusões acima mencionadas, nas quais se incluem os valores pagos a cooperativa de trabalho, mantendose a autuação naquelas competências em que o comparativo das multas, pelo critério da retroatividade benigna, for mais benéfico ao sujeito passivo; e h) recalcular quando da execução do julgado, tendo em vista as exclusões realizadas (itens "a" a "f"), as penalidades impostas na ação fiscal para fatos geradores de contribuições previdenciárias, de forma a reavaliar a situação mais benéfica à recorrente por competência, utilizandose do mesmo critério de cálculo adotado pela fiscalização, mediante comparação entre: i) penalidades impostas sob a égide da legislação anterior à Lei nº 11.941, de 2009 (autuações por descumprimento de obrigação acessória e de obrigação principal); e ii) penalidade prevista atualmente pelo art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991 (multa de ofício de 75%). É como voto. Cleberson Alex Friess Fl. 3367DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assin ado digitalmente em 04/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.720813/201187 Acórdão n.º 2401004.411 S2C4T1 Fl. 3.368 56 Voto Vencedor Arlindo da Costa e Silva, Redator Designado I. AUTO DE INFRAÇÃO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CFL 68. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES E/OU INCORREÇÕES. ART. 32A DA LEI Nº 8.212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. Urge, de plano, ser destacado que no Direito Tributário vigora o princípio tempus regit actum, conforme expressamente estatuído pelo art. 144, caput, do CTN, de modo que o lançamento tributário é regido pela lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Código Tributário Nacional CTN Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. §1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. §2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Nessa perspectiva, dispõe o código tributário, ad litteram, que o fato de a norma tributária haver sido revogada, ou modificada, após a ocorrência concreta do fato jurígeno imponível, não se constitui motivo legítimo, tampouco jurídico, para se desconstituir o crédito tributário correspondente. O princípio jurídico suso invocado, no entanto, não é absoluto, sendo excepcionado pela superveniência de lei nova, nas estritas hipóteses em que o ato jurídico tributário, ainda não definitivamente julgado, deixar de ser definido como infração ou deixar de ser considerado como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo, ou ainda, quando a novel legislação lhe cominar penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Ocorre, no entanto, que as normas jurídicas que disciplinavam a cominação de penalidades decorrentes da não entrega de GFIP ou de sua entrega contendo incorreções Fl. 3368DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assin ado digitalmente em 04/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.720813/201187 Acórdão n.º 2401004.411 S2C4T1 Fl. 3.369 57 foram alteradas pela Lei nº 11.941/2009, produto da conversão da Medida Provisória nº 449/2008. Tais modificações legislativas resultaram na aplicação de sanções que se mostraram mais benéficas ao infrator que aquelas então derrogadas. Nesse panorama, a supracitada Lei federal revogou os §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212/91, fazendo introduzir no bojo desse mesmo Diploma Legal o art. 32A, ad litteris et verbis: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas:. I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e. II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no §3º deste artigo. §1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento.. §2º Observado o disposto no §3º deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou. II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. §3 A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. Originariamente, a conduta infracional consistente em apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores era, originariamente, punível com pena pecuniária correspondente a cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo 4º do art. 32 da Lei nº 8.212/91. Todavia, a Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, alterou a memória de cálculo da penalidade em tela, passando a impor a multa de R$ 20,00 (vinte reais) para cada Fl. 3369DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assin ado digitalmente em 04/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.720813/201187 Acórdão n.º 2401004.411 S2C4T1 Fl. 3.370 58 grupo de dez informações incorretas ou omissas, mantendo inalterada a tipificação legal da conduta punível. A multa acima delineada será aplicada ao infrator independentemente de este ter promovido ou não o recolhimento das contribuições previdenciárias correspondentes, a teor do inciso I do art. 32A acima transcrito, fato que demonstra tratarse a ora discutida imputação, de penalidade administrativa motivada, unicamente, pelo descumprimento de obrigação instrumental acessória. Assim, a sua mera inobservância consubstanciase infração e implica a imposição de penalidade pecuniária, em atenção às disposições estampadas no art. 113, §3º do CTN. Nada obstante, a Secretaria da Receita Federal do Brasil editou a IN RFB nº 1.027/2010, que assim dispôs em seu art. 4º: Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 22/04/2010 Art. 4º A Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, passa a vigorar acrescida do art. 476A: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. §1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. §2º A comparação de que trata este artigo não será feita no caso de entrega de GFIP com atraso, por se tratar de conduta para a qual não havia antes penalidade prevista. Fl. 3370DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assin ado digitalmente em 04/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.720813/201187 Acórdão n.º 2401004.411 S2C4T1 Fl. 3.371 59 Óbvio está que os dispositivos selecionados encartados na IN RFB nº 1.027/2010 extravasaram o campo reservado pela CF/88 à atuação dos órgãos administrativos, que não podem ultrapassar o âmbito da norma legal que rege a matéria ora em relevo, tampouco inovar o ordenamento jurídico. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008, não vislumbramos existir motivo para serem somadas as multas por descumprimento da obrigação principal e com aquelas decorrentes da inobservância de obrigações acessórias, para, em seguida, se confrontar tal somatório com o valor da multa calculada segundo a metodologia descrita no art. 35A da Lei nº 8.212/1991, para, só então, se apurar qual a pena administrativa se revela mais benéfica ao infrator. Entendo não proceder a tese que defende a comparação entre a multa de ofício prevista no art. 35A com a soma da multa de mora prevista no art. 35, II, e a multa pelo descumprimento de obrigação acessória prevista no art. 32, IV, todos da Lei nº 8.212/91, para fins de determinação da penalidade mais benéfica ao infrator, visando à aplicação do Princípio da Retroatividade Benigna inscrito no art. 106, II, ‘c’, do CTN. Isso porque não procede, ao meu sentir, a alegação de que a multa pelo descumprimento de Obrigação Principal formalizada mediante Lançamento de Ofício prevista no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, estaria apenando, conjuntamente, tanto descumprimento da Obrigação Tributária Principal lançada quanto o Obrigação Tributária Acessória estampada no art. 32, IV, da Lei nº 8.212/91, a justificar o somatório de multas. Tratamse de duas condutas absolutamente distintas, autônomas e independentes, portando cada uma natureza jurídica diferenciada, regramento jurídico diverso, tipificação específica e distinta, e penalidade própria. Tanto que o Contribuinte pode proceder das seguintes maneiras: I) Recolher o tributo devido e declarar integralmente os fatos geradores correspondentes nas GFIP. II) Recolher o tributo devido e declarar parcialmente os fatos geradores correspondentes nas GFIP. III) Recolher o tributo devido e não entregar as GFIP correspondentes. IV) Recolher parcialmente o tributo devido e declarar integralmente os fatos geradores correspondentes nas GFIP. V) Recolher parcialmente o tributo devido e declarar parcialmente os fatos geradores correspondentes nas GFIP. VI) Recolher parcialmente o tributo devido e não entregar as GFIP correspondentes. VII) Não recolher qualquer tributo devido e declarar integralmente os fatos geradores correspondentes nas GFIP. Fl. 3371DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assin ado digitalmente em 04/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.720813/201187 Acórdão n.º 2401004.411 S2C4T1 Fl. 3.372 60 VIII) Não recolher qualquer tributo devido e declarar parcialmente os fatos geradores correspondentes nas GFIP. IXI) Não recolher qualquer tributo devido e não entregar as GFIP correspondentes. A declaração de todos os Fatos Geradores de Contribuição Previdenciária nas GFIP é uma obrigação acessória prevista no inciso IV da Lei nº 8.212/91. A declaração parcial dos fatos geradores na GFIP (hipóteses II, V e VIII) constituise violação à obrigação acessória acima citada, e implica a aplicação imediata da penalidade prevista no § 5º do mesmo artigo 32 já mencionado, inexistindo qualquer regramento que exclua a aplicação de tal multa caso tenha ocorrido lançamento de ofício da Obrigação Tributária Principal correspondente. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (...) §4º A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo: 0 a 5 segurados 1/2 valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo §5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. Fl. 3372DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assin ado digitalmente em 04/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.720813/201187 Acórdão n.º 2401004.411 S2C4T1 Fl. 3.373 61 De outro eito, a não declaração dos fatos geradores na GFIP (hipóteses III, VI e IX) também se configura como violação à mesma obrigação acessória assentada no inciso IV da Lei nº 8.212/91, e importa na aplicação imediata da penalidade prevista no §4º do mesmo artigo 32 já citado, inexistindo qualquer regramento que exclua a aplicação de tal multa caso tenha ocorrido lançamento de ofício da Obrigação Tributária Principal correspondente. De outro giro, o não recolhimento total ou parcial da Obrigação Tributária Principal (hipóteses IV a IX) configurase caso determinante para o lançamento de ofício, nos termos do art. 37 da Lei nº 8.212/91 c.c. art. 142 do CTN, inexistindo qualquer regramento que exclua a aplicação da multa pelo descumprimento da obrigação acessória prevista no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91, nas hipóteses em que os fatos geradores correspondentes não tenham sido declarados, ou tenham sido declarados de maneira incompleta na GFIP correspondente. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. §1º Recebida a notificação do débito, a empresa ou segurado terá o prazo de 15 (quinze) dias para apresentar defesa, observado o disposto em regulamento. §2º Por ocasião da notificação de débito ou, quando for o caso, da inscrição na Dívida Ativa do Instituto Nacional do Seguro Social INSS, a fiscalização poderá proceder ao arrolamento de bens e direitos do sujeito passivo, conforme dispuser aquela autarquia previdenciária, observado, no que couber, o disposto nos §§ 1º a 6º, 8º e 9º do art. 64 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997. Código Tributário Nacional Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Ora... A extinção do crédito tributário decorrente de infração a obrigação tributária constituise hipótese de anistia, a qual se encontra contida no campo da reserva legal, nos termos do art. 97, VI, do CTN, somente podendo ser concedida mediante lei específica federal (in casu) que regule exclusivamente a anistia, ou a correspondente contribuição, a teor do §6º do art. 150 da CF/88. Fl. 3373DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assin ado digitalmente em 04/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.720813/201187 Acórdão n.º 2401004.411 S2C4T1 Fl. 3.374 62 Código Tributário Nacional Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: (...) VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. (...) Art. 175. Excluem o crédito tributário: I a isenção; II a anistia. Parágrafo único. A exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela consequente. Constituição Federal de 1988 Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) §6º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, §2º, XII, ‘g’. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3/93) Notese que de acordo com o disposto no inciso I do art. 111 do CTN, só há que se falar em exclusão de crédito tributário nas hipóteses expressamente previstas na lei específica, o que, convenhamos, não é o presente caso, uma vez que inexiste qualquer previsão no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, que exclua o Crédito Tributário decorrente do descumprimento da Obrigação Tributária Acessória estampada no art. 32, IV, da Lei nº 8.212/91. Código Tributário Nacional Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; Merece ser citado que antes da vigência da MP nº 449/2008 pairava uma dúvida na Fiscalização a respeito do procedimento a ser adotado nos casos em que o Fl. 3374DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assin ado digitalmente em 04/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.720813/201187 Acórdão n.º 2401004.411 S2C4T1 Fl. 3.375 63 Contribuinte declarava os fatos geradores nas GFIP, mas não procedia ao recolhimento do tributo devido. A legislação tributária afirmava que o Crédito Tributário encontravase lançado (art. 33, §7º, da Lei nº 8.212/91), contudo, o art. 37 da mesma lei determinava a lavratura do lançamento de ofício, uma vez que restava configurado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições em foco. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘d’ e ‘e’ do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256/2001). §7º O crédito da seguridade social é constituído por meio de notificação de débito, autodeinfração, confissão ou documento declaratório de valores devidos e não recolhidos apresentado pelo contribuinte. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528/97). (...) Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. Parágrafo único. Recebida a notificação do débito, a empresa ou segurado terá o prazo de 15 (quinze) dias para apresentar defesa, observado o disposto em regulamento. A MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, veio a estabelecer um novo procedimento, na medida em que estatuiu que o lançamento de ofício não seria mais necessário nas hipóteses em que houvesse declaração dos fatos geradores nas GFIP, conforme se depreende da nova redação do citado art. 37 da Lei nº 8.212/91. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 37. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento. (grifos nossos) Fl. 3375DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assin ado digitalmente em 04/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.720813/201187 Acórdão n.º 2401004.411 S2C4T1 Fl. 3.376 64 Portanto, a contar da vigência da MP nº 449/2008, as hipóteses de conduta do Contribuinte passaram a receber o seguinte tratamento por parte da Fiscalização: I) O Contribuinte recolheu o tributo devido e declarou integralmente os fatos geradores correspondentes nas GFIP – Conduta regular. Nada a fazer. II) O Contribuinte recolheu o tributo devido e declarou parcialmente os fatos geradores correspondentes nas GFIP – Aplicação de multa pelo descumprimento de Obrigação Acessória, conforme inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. III) O Contribuinte recolheu o tributo devido e não entregou a GFIP Aplicação de multa pelo descumprimento de Obrigação Acessória, conforme inciso II do art. 32A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. IV) O Contribuinte recolheu parcialmente o tributo devido e declarou integralmente os fatos geradores correspondentes nas GFIP – Não cabe lançamento de ofício. Cobrança administrativa do débito declarado e não recolhido, com a multa de mora prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. V) O Contribuinte recolheu parcialmente o tributo devido e declarou parcialmente os fatos geradores correspondentes nas GFIP – Lançamento de ofício da parcela não recolhida, acrescida da multa prevista no art. 35A da Lei nº 8.212/91, e Aplicação de multa pelo descumprimento de Obrigação Acessória, conforme inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, em relação aos fatos geradores não declarados. VI) O Contribuinte recolheu parcialmente o tributo devido e não entregou a GFIP Lançamento de ofício da parcela não recolhida, acrescida da multa prevista no art. 35A da Lei nº 8.212/91, e Aplicação de multa pelo descumprimento de Obrigação Acessória, conforme inciso II do art. 32A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. VII) O Contribuinte não recolheu qualquer tributo devido e declarou integralmente os fatos geradores correspondentes nas GFIP Não cabe lançamento de ofício. Cobrança administrativa do débito declarado e não recolhido, com a multa de mora prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. VIII) O Contribuinte não recolheu qualquer tributo devido e declarou parcialmente os fatos geradores correspondentes nas GFIP Cobrança administrativa do débito correspondente aos fatos geradores declarados e não recolhido, acrescido da multa de mora prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009; Lançamento de ofício da parcela não recolhida correspondente aos fatos geradores não declarados, acrescida da multa prevista no art. 35A da Lei nº 8.212/91, e Aplicação de multa pelo descumprimento de Obrigação Acessória, Fl. 3376DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assin ado digitalmente em 04/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.720813/201187 Acórdão n.º 2401004.411 S2C4T1 Fl. 3.377 65 conforme inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, em relação aos fatos geradores não declarados. IX) O Contribuinte não recolheu qualquer tributo devido e não entregou a GFIP Lançamento de ofício do tributo devido, acrescido da multa prevista no art. 35A da Lei nº 8.212/91, e Aplicação de multa pelo descumprimento de Obrigação Acessória, conforme inciso II do art. 32A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Assim, o Lançamento de Ofício somente deve ocorrer nas hipóteses em que não tenha havido o recolhimento do tributo e, cumulativamente, não tenha havido declaração ou tenha havido declaração incorreta dos fatos geradores nas GFIP correspondentes, como assim determina o art. 44 da Lei nº 9.430/96 c.c. art. 35A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, "in verbis": Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) Ou seja, o disposto no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96 apenas restringe a lavratura do lançamento de ofício às hipóteses em que não houve recolhimento total ou parcial do tributo devido e, cumulativamente, não se operou a entrega da GFIP ou entregouse a GFIP com informações inexatas ou omissas. Não se deslembre que a legislação previdenciária tomou “emprestada” uma norma tributária que havia sido redigida em conformidade com a Legislação Fazendária já preexistente, fato que explica o não casamento perfeito dos termos utilizados em ambos os ramos do Direito Tributário em questão. Se nos antolha, portanto, que o exame da retroatividade benigna deve se adstringir ao confronto entre a penalidade imposta pelo descumprimento de obrigação acessória, calculada segundo a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores e a penalidade pecuniária prevista na novel legislação pelo descumprimento da mesma obrigação acessória, não havendo que se imiscuir com a multa decorrente de lançamento de ofício de obrigação tributária principal. Lé com lé, cré com cré. (Jurandir Czaczkes Chaves, 1967). Tal retroatividade não se coaduna com a hipótese prevista no art. 106, II, ‘c’, do CTN, a qual se circunscreve a penalidades aplicáveis a infrações tributárias de idêntica Fl. 3377DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assin ado digitalmente em 04/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.720813/201187 Acórdão n.º 2401004.411 S2C4T1 Fl. 3.378 66 natureza jurídica, in casu, penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação acessória. Notese que o princípio tempus regit actum somente será afastado quando a lei nova cominar ao FATO PRETÉRITO, in casu, o descumprimento de determinada obrigação acessória, penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Dessarte, nos termos do CTN, para fins de retroatividade de lei nova, é incabível a comparação entre (a) o somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 e das multas aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32, ambos da Lei nº 8.212/991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e (b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212/91, acrescido pela Lei nº 11.941/2009, inexistindo regra de hermenêutica que nos autorize a extrair dos documentos normativos acima revisitados interpretação jurídica que admita a comparação entre a multa derivada do somatório previsto na alínea ‘a’ do inciso I do art. 476A da IN RFB nº 971/2009 e o valor da penalidade prevista na alínea ‘b’ do inciso I do mesmo dispositivo legislativo suso aludido, para fins de retroatividade de lei tributária mais benéfica. De outro eito, mas trigo de outra safra, o art. 97 do CTN estatui que somente a lei formal pode dispor sobre a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos e tratar de hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Código Tributário Nacional CTN Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do §3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. (...) Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: Fl. 3378DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assin ado digitalmente em 04/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.720813/201187 Acórdão n.º 2401004.411 S2C4T1 Fl. 3.379 67 a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Mostrase flagrante que a alínea ‘a’ do inciso I do art. 476A da Instrução Normativa RFB nº 971/2009, acrescentado pela IN RFB nº 1.027/2010, é tendente a excluir, sem previsão de lei formal, penalidade pecuniária imposta pelo descumprimento de obrigação acessória nos casos em que a multa de ofício, aplicada pelo descumprimento de obrigação principal, for mais benéfica ao infrator. Tal hipótese não se enquadra, de forma alguma, na situação de retroatividade benigna prevista pelo art. 106, II, ‘c’, do CTN, pois emprega como parâmetros de comparação penalidades de natureza jurídica diversa, uma pelo descumprimento de obrigação principal e a outra, pelo descumprimento de obrigação acessória. Há que se reconhecer que as penalidades acima apontadas são autônomas e independentes entre si, pois que a aplicação de uma não afasta a incidência da outra e vice versa. Nesse contexto, não se trata de retroatividade da lei mais benéfica, mas, sim, de dispensa de penalidade pecuniária estabelecida mediante Instrução Normativa, favor tributário que somente poderia emergir da lei formal, a teor do inciso VI, in fine, do art. 97 do CTN. É mister ainda destacar que o art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela Medida Provisória nº 449/2008, apenas se refere ao lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 dessa mesma Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a outras entidades e fundos, não produzindo qualquer menção às penalidades administrativas decorrentes do descumprimento de obrigação acessória, assim como não o faz o remetido art. 44 da Lei nº 9.430/96. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido Fl. 3379DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assin ado digitalmente em 04/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.720813/201187 Acórdão n.º 2401004.411 S2C4T1 Fl. 3.380 68 apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) §1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) (...) §2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488/2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Assim, em virtude da total independência e autonomia entre as obrigações tributárias principal e acessória, o preceito inscrito no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, não projeta qualquer efeito sobre os Autos de Infração lavrados em razão exclusiva de descumprimento de obrigação acessória associada às Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. Uma vez que a penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória encontrase prevista em lei, somente o Poder Legislativo dispõe de competência para dela dispor. A legislação complementar, na forma de Instrução Normativa emanada do Poder Executivo, é pai pequeno no terreiro, não podendo dispor autonomamente de forma contrária a diplomas normativos de mais graduada estatura na hierarquia do ordenamento jurídico, in casu, a lei formal, e assim extrapolar os limites de sua competência concedendo anistia para exclusão Fl. 3380DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assin ado digitalmente em 04/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.720813/201187 Acórdão n.º 2401004.411 S2C4T1 Fl. 3.381 69 de crédito tributário, em flagrante violação às disposições insculpidas no §6º do art. 150 da CF/88, o qual exige lei em sentido estrito. Vislumbrase inaplicável, portanto, a referida IN RFB nº 1.027/2010, por ser flagrantemente ilegal. Como demonstrado, é possível a aplicação da multa isolada em GFIP, mesmo que o sujeito passivo haja promovido, tempestivamente, o exato recolhimento do tributo correspondente, conforme assentado no art. 32A da Lei nº 8.212/91. Nesse contexto, afastada por ilegalidade a norma estatuída pela IN RFB nº 1.027/2010, por representar a novel legislação encartada no art. 32A da Lei nº 8.212/91 um benefício ao contribuinte, verificase a incidência do preceito encartado na alínea ‘c’ do inciso II do art. 106 do CTN, devendo ser observada a retroatividade benigna, sempre que a multa decorrente da sistemática de cálculo realizada na forma prevista no art. 32A da Lei nº 8.212/91 cominar ao Sujeito Passivo uma penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência da infração. Assim, tratandose o presente caso de hipótese de entrega de GFIP contendo informações incorretas ou com omissão de informações, deverá ser aplicada a penalidade prevista no inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91, tomandose em consideração, inclusive, as exclusões deferidas pelo Colegiado no julgamento do Recurso Voluntário, se e somente se a multa assim calculada se mostrar mais benéfica ao Recorrente. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 3381DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assin ado digitalmente em 04/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS
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Numero do processo: 13888.001585/2005-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
EMBARGOS. OMISSÃO E OBSCURIDADE. EFEITOS INFRINGENTES.
Deve ser acolhido o Embargo que aponta omissão e obscuridade, e que leva à necessidade de apreciar preliminar e matéria de mérito que implica em revisão da decisão recorrida.
COMBUSTÍVEIS. DIREITO A CRÉDITO. CONSUMIDOS NO TRANSPORTE DE MÃO DE OBRA E DE INSUMOS E BENS PARTES DO PROCESSO DE CULTIVO E PRODUÇÃO AGRÍCOLA. POSSIBILIDADE.
Fazem jus a crédito os dispêndios com combustíveis que se referem a transporte de empregados e de mão de obra na área do cultivo e colheita da cana de açúcar, transporte aéreo para aplicação de produtos na área cultivada, transporte de resíduos, transportes nas atividades de colheita e na fase de tratamento da cana e dos subprodutos da cana, antes da obtenção do produto final (açúcar ou álcool).
Numero da decisão: 3401-003.207
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, acolher os embargos, com efeitos infringentes, para admitir o direito de crédito em relação aos gastos com combustíveis utilizados no transporte de empregados e de mão de obra na área cultivada, transporte de resíduos, transportes nas atividades de colheita e na fase de tratamento da cana e dos subprodutos da cana, antes da obtenção do produto final (açúcar e álcool), vencido o Conselheiro Robson José Bayerl, quanto ao transporte de empregados/mão de obra e de resíduos, e o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida, quanto aos resíduos.
Robson José Bayerl - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Rodolfo Tsuboi, Fenelon Moscoso de Almeida e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: Relator Eloy Eros da Silva Nogueira
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 EMBARGOS. OMISSÃO E OBSCURIDADE. EFEITOS INFRINGENTES. Deve ser acolhido o Embargo que aponta omissão e obscuridade, e que leva à necessidade de apreciar preliminar e matéria de mérito que implica em revisão da decisão recorrida. COMBUSTÍVEIS. DIREITO A CRÉDITO. CONSUMIDOS NO TRANSPORTE DE MÃO DE OBRA E DE INSUMOS E BENS PARTES DO PROCESSO DE CULTIVO E PRODUÇÃO AGRÍCOLA. POSSIBILIDADE. Fazem jus a crédito os dispêndios com combustíveis que se referem a transporte de empregados e de mão de obra na área do cultivo e colheita da cana de açúcar, transporte aéreo para aplicação de produtos na área cultivada, transporte de resíduos, transportes nas atividades de colheita e na fase de tratamento da cana e dos subprodutos da cana, antes da obtenção do produto final (açúcar ou álcool).
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OMISSÃO E OBSCURIDADE. EFEITOS INFRINGENTES. Deve ser acolhido o Embargo que aponta omissão e obscuridade, e que leva à necessidade de apreciar preliminar e matéria de mérito que implica em revisão da decisão recorrida. COMBUSTÍVEIS. DIREITO A CRÉDITO. CONSUMIDOS NO TRANSPORTE DE MÃO DE OBRA E DE INSUMOS E BENS PARTES DO PROCESSO DE CULTIVO E PRODUÇÃO AGRÍCOLA. POSSIBILIDADE. Fazem jus a crédito os dispêndios com combustíveis que se referem a transporte de empregados e de mão de obra na área do cultivo e colheita da cana de açúcar, transporte aéreo para aplicação de produtos na área cultivada, transporte de resíduos, transportes nas atividades de colheita e na fase de tratamento da cana e dos subprodutos da cana, antes da obtenção do produto final (açúcar ou álcool). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, acolher os embargos, com efeitos infringentes, para admitir o direito de crédito em relação aos gastos com combustíveis utilizados no transporte de empregados e de mão de obra na área cultivada, transporte de resíduos, transportes nas atividades de colheita e na fase de tratamento da cana e dos subprodutos da cana, antes da obtenção do produto final (açúcar e álcool), vencido o Conselheiro Robson José Bayerl, quanto ao transporte de empregados/mão de obra e de resíduos, e o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida, quanto aos resíduos. Robson José Bayerl Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 15 85 /2 00 5- 10 Fl. 514DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 10/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 2 Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Rodolfo Tsuboi, Fenelon Moscoso de Almeida e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Trata o presente de Embargos ingressados nos termos do artigo 65 do RICARF em vigor, face o Acórdão n. 3401003.063 proferido por esta turma na sessão de 26 de janeiro de 2016, cuja Ementa ficou assim redigida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos do PIS não cumulativo e da COFINS não cumulativo, entendese que produção de bens não se restringe ao conceito de fabricação ou de industrialização; e que insumos utilizados na fabricação ou na produção de bens destinados a venda não se restringe apenas às matérias primas, aos produtos intermediários, ao material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, mas alcança os fatores necessários para o processo de produção ou de prestação de serviços e obtenção da receita tributável, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Os serviços diretamente utilizados no processo de produção dos bens dão direito ao creditamento do PIS não cumulativo e da COFINS não cumulativo incidente em suas aquisições. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INTERPRETAÇÃO COMPREENSIVA. DESPESAS COM ALUGUEL DE PROPRIEDADE RURAL. O arrendamento de um prédio, assim considerado uma construção (coisa acessória), não se dá de forma independente e autônoma, mas pressupõe o arrendamento de uma construção (coisa acessória) mais o bem imóvel sobre o qual a mesma foi erigida (coisa principal). Logo, se é lícito ao contribuinte descontar créditos com relação ao arrendamento de um todo que compreende o acessório mais o principal, acredito que não existem razões para se vedar o desconto de créditos quando se tratar de arrendamento de um bem imóvel sem acessão coisa principal, que é parte do todo. Por isso, não há como deixar de reconhecer o direito à apuração de créditos do PIS não cumulativo Fl. 515DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 10/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 13888.001585/200510 Acórdão n.º 3401003.207 S3C4T1 Fl. 3 3 e da COFINS não cumulativo em relação as despesas de aluguel de propriedade rural. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. DESPESAS DE EXPORTAÇÃO. Em relação as despesas de exportação, apenas as despesas de frete do produto destinado à venda, ou de armazenagem, geram direito ao crédito do Cofins ou do Pis não cumulativo. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. DESPESAS DE EXPORTAÇÃO. COMERCIAL EXPORTADORA. VEDAÇÃO LEGAL. O direito de utilizar o crédito do PIS não cumulativo e da Cofins não cumulativa não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim especifico de exportação, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. APROVEITAMENTO. COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. Apenas os créditos do PIS não cumulativo e da Cofins não cumulativa apurados, respectivamente, na forma do art. 3º da Lei n. 10637/2992 e do art. 3º da Lei n.º 10.833/2003 podem ser objetos de aproveitamento para fins de compensação ou ressarcimento. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Regra geral, considerase definitiva, na esfera administrativa, a exigência relativa matéria que não tenha sido expressamente contestada no recurso. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CONTESTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. As alegações apresentadas no recurso devem vir acompanhadas das provas correspondentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado dar parcial provimento ao recurso, nos seguintes termos: i) Despesas e custos relacionados às oficinas por unanimidade de votos, parcial provimento, nos termos do voto do relator; ii) Despesas relacionadas diretamente ao preparo da cana de açúcar para se tornar insumo na produção do álcool e do açúcar por unanimidade de votos, provimento, nos termos do voto do relator; iii) Despesas relacionadas a armazenamento por unanimidade de votos, provimento, nos termos do voto do relator; iv) Despesas de materiais elétricos e de materiais de construção das conta contábeis da área agrícola por unanimidade de votos, negouse provimento, nos termos do voto; v) Despesas e custos com serviços de manutenção (i) das oficinas e (ii) dos armazéns pagos a pessoas jurídicas por maioria de votos, deuse parcial provimento, nos termos do voto, vencido o Conselheiro Robson José Bayerl, que dava provimento em menor extensão; vi) Comissões e corretagens e gastos em venda e comercialização, pagas a pessoas jurídicas por unanimidade de votos, negouse provimento; vii) Despesas de transporte pagos a PJ Por maioria de votos, deuse provimento, Fl. 516DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 10/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 4 nos termos do voto, vencido o Conselheiro Robson José Bayerl; viii) Despesas com aluguel de veículos por unanimidade, negouse provimento; ix) Despesas com aluguel e arrendamento rural PF e PJ por maioria de votos, deuse parcial provimento para os valores pagos a pessoas jurídicas, vencidos os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, Rosaldo Trevisan e Robson José Bayerl, designado o Conselheiro Augusto Fiel Jorge d'Oliveira para redigir o voto vencedor; x) Despesas portuárias, despesas com armazenagem e despesas com documentação e estadias, nas operações de exportação por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso; xi) Despesas de exportação pela proporcionalidade das receitas de exportação por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso. O recurso alega que houve omissão e/ou obscuridade com relação á seguinte matéria: glosa dos gastos com combustíveis usados no transporte. É o relatório. Voto Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. Este processo cuida de pedido de ressarcimento da contribuição social e das Declarações de Compensação a ele vinculadas, por meio dos quais a contribuinte requer, primeiramente, reconhecimento de créditos da contribuição social em comento, do regime não cumulativo (PIS ou COFINS mercado externo nos termos do art. 3o da Lei n. 10.627/2002 e Lei n° 10.833/2003). A contribuinte alega possuir créditos no período de apuração, referentes a custos, despesas e encargos vinculados às receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior. A auditoria fiscal propôs glosas, confirmadas pela autoridade administrativa no Despacho Decisório, que, somadas, reduziram o pretendido e solicitado pelo contribuinte DISPONÍVEL para as compensações. E concluíram não existir saldo disponível para o ressarcimento tratado neste processo. Após apreciar a manifestação de inconformidade, os Julgadores de 1º piso não acolheram as alegações da contribuinte e mantiveram as glosas fiscais. Este colegiado apreciou o recurso voluntário e, na sessão de 26 de janeiro de 2016, decidiu darlhe parcial provimento. Senhores Conselheiros, proponho que analisemos a matéria questionada nos Embargos, e dessa maneira verifiquemos a existência da omissão ou da obscuridade aventada e, se admitida, passemos à apreciação do mérito. Creio que nesse andar, conjugando a decisão de admissão do recurso com a decisão de mérito da matéria, ganharemos em eficiência e objetividade. Matéria: glosa dos gastos com combustíveis usados no transporte. Fl. 517DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 10/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 13888.001585/200510 Acórdão n.º 3401003.207 S3C4T1 Fl. 4 5 A autoridade fiscal firmou seu entendimento de que insumo, utilizado na fabricação ou produção de bens destinados à venda, compreende “a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam, incluídos no ativo imobilizado (IN 404/04, art. 8o, § 4o c/c § 9o)”. Além desse entendimento, adotado como critério para a glosa, a autoridade fiscal glosou também as despesas relacionados a centros de custos que não estavam diretamente vinculados á produção e fabricação dos produtos vendidos. Nesse conjunto, estavam os gastos com combustíveis usados no transporte. A contribuinte trouxe ao contraditório as razões por que defende a legalidade e correção dos créditos apurados a partir desses gastos. Em resumo: sobre as despesas com combustíveis que os combustíveis foram adquiridos para o transporte do produto para exportação e que são indispensáveis à atividade agroindustrial. Argumenta que não há como se negar que a atividade agroindustrial integrada demanda grandes espaços, e, por isso mesmo, uma movimentação muito grande de máquinas e veículos, seja na colheita e nos transporte de matériaprima dos fundos agrícolas para a indústria, seja no transporte de máquinas, equipamentos e, sobretudo, adubos e produtos químicos aos diversos fundos agrícolas onde são aplicados. Sem mencionar o transporte da mão de obra que é indispensável em todo o processo de plantio, tratos culturais, colheita e industrialização. Em decorrência da necessidade de constante vigilância das lavouras, em todo o seu estágio, são necessárias diligências diárias aos diversos fundos agrícolas por agrimensores, agrônomos e demais empregados qualificados para a finalidade de tratar da cultura. E que todo esse transporte se faz em sua grande parte por meio de veículos próprios e de terceiros movidos à gasolina ou álcool ou, na hipótese de ônibus, óleo diesel. Sem combustível, portanto, não há como se conceber o plantio, os tratos culturais, a colheita, o transporte e, por fim, a industrialização da canadeaçúcar. ... resta patente que os combustíveis se consubstanciam em verdadeiro insumo de produção intrinsecamente ligados ao processo agroindustrial e, conseqüentemente, à atividade da Recorrente. Os julgadores de 1ºpiso, sobre combustíveis utilizados no transporte, decidiram que a legislação equiparou os combustíveis aos demais bens considerados como insumos, desde que aqueles também sejam utilizados diretamente no processo produtivo, de fabricação do açúcar e do álcool destinado à venda. Portanto, em seu entendimento, não haveria que se falar em creditamento na aquisição de combustíveis utilizados no transporte da produção para a exportação ou mesmo da mãodeobra utilizada no processo agrícola, como pleiteou expressamente a recorrente. A aquisição de combustíveis geraria direito a crédito apenas quando utilizado como insumo na fabricação dos bens destinados à venda. No caso, não aceitaram as alegações da contribuinte. Fl. 518DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 10/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 6 Essa matéria foi contraditada novamente pela contribuinte, vindo para julgamento da 2ª instância. No voto do Conselheiro relator constaram as seguintes considerações e decisões a respeito dessa matéria: Sobre as despesas e custos relacionados às oficinas (a) Depreendo, portanto, que as despesas com combustíveis, lubrificantes, consumo de água, materiais de manutenção e materiais elétricos nas oficinas de serviços de limpeza operativa, de serviços auxiliares, de serviços elétricos, de caldeiraria e de serviços mecânicos e automotivos para as máquinas, equipamentos e veículos utilizados no processo produtivo da canadeaçúcar, ou seja, sua semeadura, colheita e transporte até a usina onde será fabricado o açúcar, atendem ao critério para caracterização como insumos. (b) CONTUDO, as despesas relacionadas aos centros de custos: "Diretoria Industrial/Administração planejamento", "Manutenção Conservação Civil" e "brigada de incêndio", "Central de ar condicionado", "Serviços Auxiliares", Funcionários afastados industrial, incentivo vale transporte industrial , não têm demonstradas pela recorrente a sua característica de insumo e a sua vinculação com o processo de produção propriamente dito e com os produtos vendidos. Por falta de comprovação e previsão legal, entendo que as glosas devem ser mantidas. Proponho dar PARCIAL provimento ao recurso neste item. (GRIFOS ACRESCIDOS) Sobre as despesas relacionadas diretamente ao preparo da cana de açúcar para se tornar insumo na produção do álcool e do açúcar Com a mesma razão anteriormente exposta, entendo que atendem aos critério para caracterização como insumo as despesas e custos com combustíveis, consumo de água e materiais elétricos para emprego nas atividades: balança de cana; destilaria de álcool; ensacamento de açúcar; fabricação de açúcar; fermentação; geração de energia (turbo gerador); geração de vapor (caldeiras); laboratório teor de sacarose; lavagens de cana/ residuais; mecanização industrial; preparo e moagem; recepção e armazenagem; transporte industrial; tratamento do caldo; captação de água; rede de restilo; refinaria granulado. Proponho dar provimento ao recurso neste item. (GRIFOS ACRESCIDOS) Como se vê, o voto tratou da matéria, propondo provimento ao recurso quanto a este ítem. Contudo, no desdobrar da sessão, faltou a apreciação dos Conselheiros sobre a seguinte parte do voto do relator, com considerações e proposição diretamente vinculadas a essa matéria. Vejamos: Glosa das despesas de transporte pagos a PJ e dos gastos relacionados a transportes a autoridade fiscal e os julgadores a quo decidiram que essas despesas não podem Fl. 519DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 10/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 13888.001585/200510 Acórdão n.º 3401003.207 S3C4T1 Fl. 5 7 ser consideradas insumo e não podem gerar credito na apuração da contribuição em questão. Consultei os documentos que instruem este processo, as planilhas demonstrando a apuração das receitas, as despesas e os centros de custos e, nelas, vejo dois tipos de categorias de serviços de transporte: 1º) as que se referem a transporte de empregados e de mão de obra no contexto do cultivo e colheita da cana de açúcar, transporte aéreo para aplicação de produtos na área cultivada, transporte de resíduos, transportes nas atividades de colheita e na fase de tratamento da cana e dos subprodutos da cana, antes da obtenção do produto final (açúcar ou alcool); 2º) as que se referem a transporte de produtos acabados e os serviços de transporte que não se relacionam diretamente com as atividades de cultivo, colheita e tratamento da cana de açúcar e de seus subprodutos, antes da obtenção do produto final açúcar ou alcool. Nesse ponto, entendo que razão assiste à recorrente quando se trata da primeira categoria acima, de gastos e custos agrícolas, pois elas se referem a serviços e insumos necessários ao processo de produção da cana e seus derivados, e também transporte de pessoal no âmbito das colheitas, e, a meu ver, guardam relação direta com a produção de cana de açúcar. Mas entendo que razão não lhe assiste quanto ao segundo grupo de despesas acima indicado, pois não guardam relação direta com o processo de produção da cana, de seus derivados, e também com a fabricação de açúcar e alcool. Entendo que a glosa deve ser mantida para essa segunda categoria, pois não se trata de insumo necessário tendo em vista as especificidades do processo da colheita de cana de açúcar, nem se enquadram na previsão para obtenção de créditos a partir de despesas de transporte. Proponho dar PARCIAL provimento ao recurso neste aspecto. A meu ver, o texto do Acórdão recorrido traz obscuridade que deve ser sanada, para que fique expresso e julgado o entendimento de que os gastos com combustíveis usados no transporte podem gerar crédito nos termos que constam do voto, o que justificam dar parcial provimento ao recurso voluntário neste item. Por essas razões, proponho seja admitido, conhecido e apreciado este Embargo, e no mérito passe a constar do Acórdão recorrido o entendimento favorável ao provimento PARCIAL do recurso neste item. CONCLUSÃO FINAL Fl. 520DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 10/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 8 Seja acolhido o Embargo para dar PARCIAL provimento ao recurso voluntário na matéria glosa dos gastos com combustíveis usados no transporte, e que essa decisão altere o que consta como dispositivo conclusivo do Acórdão recorrido, com efeitos infringentes, cuja Ementa passa ser acrescida do seguinte: COMBUSTÍVEIS. DIREITO A CRÉDITO. CONSUMIDOS NO TRANSPORTE DE MÃO DE OBRA E DE INSUMOS E BENS PARTES DO PROCESSO DE CULTIVO E PRODUÇÃO AGRÍCOLA. POSSIBILIDADE. Fazem jus a crédito os dispêndios com combustíveis que se referem a transporte de empregados e de mão de obra no contexto do cultivo e colheita da cana de açúcar, transporte aéreo para aplicação de produtos na área cultivada, transporte de resíduos, transportes nas atividades de colheita e na fase de tratamento da cana e dos subprodutos da cana, antes da obtenção do produto final (açúcar ou alcool). Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Relator Fl. 521DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 10/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10935.724079/2013-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2012
AQUISIÇÃO DE PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. SUBRROGAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO. LEI Nº10.256/2001. CONTRIBUIÇÃO TERCEIROS SENAR. INAPLICABILIDADE DO RE 363.852/MG DO STF.
A contribuição do empregador rural pessoa física e do segurado especial referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social e ao financiamento das prestações por acidente do trabalho, é de 2% e 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, respectivamente, nos termos do art. 25 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001.
A não apreciação no RE 363.852/MG dos aspectos relacionados a inconstitucionalidade do art. 30, IV da Lei 8212/2001; sendo que o fato de constar no resultado do julgamento inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97 não pode levar a interpretação extensiva de que fora declarada também a inconstitucionalidade do art. 30, IV, considerando a ausência de fundamentos jurídicos no próprio voto condutor.
MULTA DE OFÍCIO. PREVISÃO LEGAL. APLICAÇÃO.
A multa de ofício decorre de expressa previsão legal, não podendo a autoridade julgadora valorar os efeitos de sua aplicação.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício decorre de expressa previsão legal.
Numero da decisão: 2201-003.336
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre que não analisava a questão do FUNRURAL unicamente em face da disposição da Súmula CARF nº 2.
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente.
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Maria Anselma Coscrato Dos Santos (Suplente convocada), Denny Medeiros Da Silveira (Suplente convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos César Quadros Pierre, Ana Cecilia Lustosa Da Cruz.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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SUBRROGAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO. LEI Nº10.256/2001. CONTRIBUIÇÃO TERCEIROS SENAR. INAPLICABILIDADE DO RE 363.852/MG DO STF. A contribuição do empregador rural pessoa física e do segurado especial referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social e ao financiamento das prestações por acidente do trabalho, é de 2% e 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, respectivamente, nos termos do art. 25 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001. A não apreciação no RE 363.852/MG dos aspectos relacionados a inconstitucionalidade do art. 30, IV da Lei 8212/2001; sendo que o fato de constar no resultado do julgamento “inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97” não pode levar a interpretação extensiva de que fora declarada também a inconstitucionalidade do art. 30, IV, considerando a ausência de fundamentos jurídicos no próprio voto condutor. MULTA DE OFÍCIO. PREVISÃO LEGAL. APLICAÇÃO. A multa de ofício decorre de expressa previsão legal, não podendo a autoridade julgadora valorar os efeitos de sua aplicação. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício decorre de expressa previsão legal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 72 40 79 /2 01 3- 01 Fl. 7012DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre que não analisava a questão do FUNRURAL unicamente em face da disposição da Súmula CARF nº 2. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Maria Anselma Coscrato Dos Santos (Suplente convocada), Denny Medeiros Da Silveira (Suplente convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos César Quadros Pierre, Ana Cecilia Lustosa Da Cruz. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão que julgou improcedente a impugnação ao lançamento de contribuições previdenciárias devidas pelo adquirente de produto rural de produtor pessoa física e daquelas destinadas ao Senar, também devidas pelo adquirente por subrogação. Os motivos ensejadores do lançamento tributário se encontram no Relatório Fiscal (fls 62 do processo digitalizado). O período fiscalizado está compreendido entre janeiro de 2009 até dezembro de 2012. Na ação fiscal foram constituídos os seguintes documentos de crédito: · Auto de Infração Debcad n° 51.003.3652, no valor de R$ 870.545,57 , atualizado até outubro de 2013, referente ao valor do tributo, juros e multa de ofício, relativo a diferenças de RAT lançadas por erro de alíquota no período de 2010 a 2102. Débito formalizado por meio do processo 10935.721936/201311 que foi objeto de parcelamento, consoante se observou em consulta ao eprocesso. · Auto de Infração Debcad n° 51.003.3660, no valor de R$ 2.566.029,62, atualizado até outubro de 2013, referente ao valor do tributo, juros e multa de ofício, relativo à contribuição devida, por Fl. 7013DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10935.724079/201301 Acórdão n.º 2201003.336 S2C2T1 Fl. 7.012 3 subrogação, pelo adquirente de produto rural de produtor pessoa física (FUNRURAL). · Auto de Infração Debcad n° 51.003.3679, no valor de R$ 244.383,77, atualizado até outubro de 2013, referente ao valor do tributo, juros e multa de ofício, relativo à contribuição devida, por subrogação, pelo adquirente de produto rural de produtor pessoa ao SENAR. O crédito tributário constituído se refere a período de janeiro de 2009 a dezembro de 2012. O lançamento tributário se aperfeiçoou com a ciência pessoal do devedor principal em 28 de outubro de 2013 (fls 6786). Inconformado, o devedor principal apresenta impugnação (fls. 6790), tempestivamente. A 7ª Turma da DRJ Ribeirão Preto, por unanimidade, por meio do Acórdão 1450.160 (fls. 6910), decidiu pela improcedência da impugnação. Tal decisão contém o seguinte relatório, que adoto, por sua clareza e precisão: Tratase o presente de Autos de Infração de Obrigação Principal – AIOPs, relativos ao período de 01/2010 a 12/2012, concernentes a contribuições do produtor rural pessoa física, devidas pelo adquirente por subrogação, lavrados e com ciência ao contribuinte em 28/10/2013, sendo: Debcad nº 51.003.3660, no valor de R$ 2.566.029,62 (dois milhões, quinhentos e sessenta e seis mil, vinte e nove reais e sessenta e dois centavos), referente a contribuições sociais – parte da empresa e aquelas destinadas ao INSS para o financiamento dos benefícios decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (RAT); Debcad nº 51.003.3679, no valor de R$ 244.383,77 (duzentos e quarenta e quatro mil, trezentos e oitenta e três reais e setenta e sete centavos), referente à contribuição a outras entidades e fundos (terceiros), no caso o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – SENAR. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 62/73, para fins de verificação da regularidade na apuração e recolhimento do Funrural (SENAR), foi solicitado ao contribuinte que apresentasse os registros das notas fiscais por ele emitidas, além de demonstrativo da comercialização da produção rural declarada em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social – GFIP. A partir das informações fornecidas, foi gerada a planilha de fls. 90/182, com as notas fiscais de entrada relacionadas às operações sujeitas à incidência do Funrural, tendo sido excluídas aquelas referentes a operações de compras realizadas com pessoas jurídicas, as que não se referem a produtos de origem animal ou vegetal e as entradas não sujeitas à incidência da contribuição em questão, tais como devolução de vendas, Fl. 7014DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 4 retorno de animal do estabelecimento produtor e retorno de insumo não utilizado. Foi também apresentado pelo sujeito passivo o Demonstrativo Funrural 2009_2012 (fls. 1.443/1.632), composto pelo CNPJ do estabelecimento adquirente, código e descrição do produto e do fornecedor, n.º da nota fiscal, data de emissão, código fiscal da operação, base de cálculo, alíquota e o valor do Funrural descontado. Conciliando as informações fiscais com os registros contábeis verificouse que, para uma parte das operações, houve o efetivo desconto da contribuição previdenciária rural no momento da comercialização com os produtores pessoas físicas, sua declaração em GFIP e seu recolhimento, confirmado pela fiscalização no sistema de conta corrente (recolhimentos) da Receita Federal do Brasil. Informa ainda o Relatório Fiscal que foram identificadas outras operações sujeitas â incidência do Funrural para as quais a contribuição previdenciária não foi descontada do produtor rural pessoa física no momento da aquisição dos produtos, o que contraria o art. 30, IV da Lei nº 8.212/91, que determina que as empresas adquirentes, consumidoras ou consignatárias, ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física de que trata o art. 12, V, “a” da citada Lei nº 8.212/91 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei. Os valores não declarados em GFIP referemse a aquisições de ovos férteis incubáveis, matrizes de fêmea recriada, matrizes de macho recriada e mudas de jambolão. Com exceção das mudas, esses produtos referemse a aquisições realizadas de parceiros outorgados no sistema de parceria de produção integrada. As operações cujos fatos geradores foram omitidos em GFIP encontramse detalhadas na planilha anexa Comercialização da Produção Rural PF Fora da Gfip, onde cada registro é composto pelo CNPJ do estabelecimento, a data de emissão, número e série da nota fiscal, o nome do fornecedor, código CFOP1, descrição do produto, o valor da comercialização, a alíquota e contribuição rural devida (fls. 90/182). De acordo com o sistema informatizado GFIPWeb da Receila Federal, que registra as informações prestadas pelo contribuinte por meio da GFIP, verificase que foram entregues as guias em todas as competências abrangidas pela auditoria fiscal, porém os documentos foram apresentados com o campo destinado a informar a Comercialização da Produção Rural PF com valor inferior ao real, omitindo parte do montante das contribuições devidas em relação a esse fato gerador, existindo, portanto, uma diferença na declaração e no recolhimento das contribuições previdenciárias, tendo sido os valores apurados tratados como omissão de informações em GFIP e objetos do presente lançamento fiscal. Foram analisados os seguintes elementos, dentre outros: Fl. 7015DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10935.724079/201301 Acórdão n.º 2201003.336 S2C2T1 Fl. 7.013 5 consultas aos sistemas informatizados da Receita Federal dados cadastrais da empresa, conta corrente dos recolhimentos efetuados e histórico dos créditos já constituídos e/ou em dívida ativa; GFIPWeb para verificação das informações prestadas pelo sujeito passivo por meio das GFIPs; folhas de pagamento; documentação relativa à comercialização da produção rural; escrituração contábil; escrituração fiscal. Também foi lavrado, na mesma ação fiscal, o AIOP Debcad nº 51.003.3652, integrante do Processo Comprot nº 10935.721936/201311, relativo ao período de 01/2010 a 12/2012, no valor de R$ 870.545,57, no qual foram apuradas contribuições destinadas ao financiamento dos benefícios decorrentes de riscos ambientais do trabalho (RAT). Impugnação Tempestivamente, a autuada apresentou impugnação de fls. 6.790/6.829, na qual alega, resumidamente: (...)" (destaques não constam do acórdão da DRJ) Cientificado, por via postal (AR fls. 6949), em 20 de maio de 2014, o contribuinte interpõe tempestivamente, em 18 de junho, recurso voluntário (fls. 6952). Consta de seu apelo, em síntese, as seguintes alegações: · Inconstitucionalidade da contribuição prevista no artigo 25 da Lei nº 8.212/91 em face da estipulação de base de cálculo não prevista na Carta. Necessidade de edição de lei complementar para tal fim. · Não obstante a edição da Lei nº 10.256/01, após a promulgação da EC nº 20/98, tal norma alterou apenas o caput da Lei de Custeio, permanecendo os incisos I e II de tal artigo, remanescendo portanto o vício de inconstitucionalidade. · Não obstante o vício apontado quanto à lei 10.256/01, alega a impossibilidade de constitucionalização superveniente. · Alega também ausência de base de cálculo e alíquotas constitucionalmente válidas. · Argui ausência de previsão legal do fato gerador da contribuição, pois não consta do artigo 25 da Lei de Custeio o fato imponível tampouco o momento ou o local de sua consumação. Fl. 7016DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 6 · Pede a aplicação do artigo 62 do RICARF em face da decisão proferida pelo STF que reconheceu a inconstitucionalidade mencionada. · Alternativamente, alega a não incidência do FUNRURAL sobre a quota parte que retorna à empresa em razão do contrato de parceria. · Argumenta inconstitucionalidade reversa da contribuição ao SENAR. · Cumulativamente, argumenta não incidir o FUNRURAL sobre a aquisição de matrizes para recria, por serem bens destinados ao ativo imobilizado. · Alega caráter confiscatório da multa de ofício aplicada. · Se insurge contra a aplicação de juros de mora, a taxa SELIC, sobre a multa de ofício. Os processos foram distribuídos, por sorteio eletrônico, para este Conselheiro. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Presentes os requisitos de admissibilidade, passo a conhecer do recurso e analisálo na ordem de suas alegações. DA ESTIPULAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NÃO PREVISTA NO TEXTO CONSTITUCIONAL NECESSIDADE DE LEI COMPLEMENTAR POSSIBILIDADE DE RECONHECERSE A ILEGALIDADE DA NORMA RE 363.852/MG DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ART . 25, DA LEI N° 8.212/1991 Alega a Recorrente a necessidade de lei complementar para definir a base de cálculo da contribuição e que por tal previsão constar de lei ordinária, Lei nº 8.212/91, exsurge o vício da inconstitucionalidade formal. Alega ainda (fls. 6962): "Dessa forma, por ter sido instituída por meio de simples Lei ' ordinária, a contribuição em tela afigurase manifestamente inconstitucional. Buscando sanar essa inconstitucionalidade, a Governo editou a Emenda Constitucional n° 20/1998, que alterou a redação do artigo 195, I, da Constituição Federal para incluir entre as bases de cálculo das contribuições sociais a "receita". Todavia, conforme decidido pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal nos autos dos RE's nos 357.950, 390.840, 358.273 e 346.084, nos quais restou declarada a inconstitucionalidade do Fl. 7017DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10935.724079/201301 Acórdão n.º 2201003.336 S2C2T1 Fl. 7.014 7 artigo 3o, § Io, da Lei 9.718/98, a Emenda Constitucional não tem o condão de validar lei anterior inconstitucional. Ou seja, segundo decidiu o STF, o ordenamento jurídico brasileiro não comporta a constitucionalização superveniente. Inclusive, esse foi o entendimento que levou o Egrégio Supremo Tribunal Federal a declarar a inconstitucionalidade da contribuição prevista no art. 25, da Lei n° 8.212/1991, por meio do recente julgamento do RE n° 363.852/MG, conforme ementa a seguir transcrita: RECURSO EXTRAORDINÁRIO PRESSUPOSTO ESPECÍFICO VIOLÊNCIA À CONSTITUIÇÃO ANÁLISE CONCLUSÃO. Porque o Supremo, na análise da violência à Constituição, adota entendimento quanto à matéria de fundo do extraordinário, a conclusão a que chega deságua, conforme sempre sustentou a melhor doutrina José Carlos Barbosa Moreira , em provimento ou desprovimento do recurso, sendo impróprias as nomenclaturas conhecimento e não conhecimento. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL COMERCIALIZAÇÃO DE BOVINOS PRODUTORES RURAIS PESSOAS NATURAIS SUBROGAÇÃO LEI N° 8.212/91 ARTIGO 195, INCISO I, DA CARTA FEDERAL PERÍODO ANTERIOR À EMENDA CONSTITUCIONAL N° 20/98 UNICIDADE DE INCIDÊNCIA EXCEÇÕES COFINS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PRECEDENTE INEXISTÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR. Ante o texto constitucional, não subsiste a obrigação tributária subrogada do adquirente, presente a venda de bovinos por produtores rurais, pessoas naturais, prevista nos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis n° 8.540/92 e n° 9.528/97. Aplicação de leis no tempo considerações. (STF, RE 363852, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 03/02/2010, DJe071 DIVULG 22042010 PUBLIC 23042010 EMENT VOL0239804 PP00701) Atento a tal fato, o Governo editou a Lei n.° 10.256/2001 posterior à EC n.° 20/1998 que alterou a redação (apenas e tão somente) do caput do artigo 25 da Lei n.° 8.870/1994, buscando reinstituir a contribuição em tela sem o vício formal que lhe atingia. Devese atentar, contudo, para o fato de que a Lei n.° 10.256/2001 alterou apenas o caput do artigo 25 da Lei n.° 8.870/1994. Assim, os incisos I e II do dispositivo em questão, que determinam que a contribuição social incida sobre a "receita bruta da comercialização da produção rural", permanecem com a redação dada pela Lei n.° 8.870/1994, que é anterior à EC n.° 20/1998, e cuia redação é cristalinamente inconstitucional. Ora, resta claro que, apesar da edição da EC n.° 20/1998 e da Lei n.° 10.256/2001, a inconstitucionalidade da contribuição em comento permanece, eis que sua base de cálculo inicialmente Fl. 7018DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 8 prevista na Lei n.° 8.870/1994 foi estipulada contrariamente à Constituição Federal." (destaques constam do recurso) O tema é apreço é sobejamente conhecido por este Colegiado. A CSRF, por meio do Acórdão 9202003.707, prolatado em 27 de janeiro de 2016 e de lavra da Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, tratou do tema. Reproduzo, com a devida licença, o voto da eminente Relatora, por contar com minha total concordância, inclusive quanto às razões de decidir: "DA ALEGADA INCONSTITUCIONALIDADE DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE A RECEITA BRUTA PROVENIENTE DA AQUISIÇÃO DE PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA A base do Recurso referese a discussão não apenas da aplicação de decisão do STF, bem como a delimitação do alcance da referida decisão, e quais os dispositivos legais teriam sido efetivamente declarados inconstitucionais pelo STF, por meio do RE363.852/MG Assim, quanto ao mérito da questão cumprenos apreciar não apenas os dispositivos legais que abarcam a matéria, mas também as decisões emanadas pelo STF a respeito da questão, considerando o recurso apresentado pela PFN, bem como a decisão exarada pelo Acórdão nº 2401002.843. A presente autuação referese a contribuições devidas à seguridade social, parcela devida pelo produtor rural, pessoa física (conforme relatório fiscal), incidentes sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, (compra de bovinos para abate) bem como da contribuição destinada ao SENAR e ao SAT/RAT no período de 01/2007e12/2008. A contribuição sobre a comercialização da produção está descrita no art.25 da Lei8212/91, conforme identificado pela autoridade fiscal: Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de:(Redação alterada pela Lei nº 10.256/01. Vigência a partir de 01/11/01,ver §3º do art.4º da MP nº 83/02, convertida na Lei nº 10.666/03 e nota no final do art I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; (Redação alterada pela Lei nº 9.528/97. Vigência a partirde11/12/97 II0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para o financiamento das prestações por acidente do trabalho.(Redação alterada pela MP nº 1.523/96, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97)" A subrrogação descrita neste AIOP está respaldada no que dispõe o art. 30, III, da Lei 8.212/91, com redação da lei 9528/97, conforme relatório de fundamentos legais FLD, fls. 67: Fl. 7019DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10935.724079/201301 Acórdão n.º 2201003.336 S2C2T1 Fl. 7.015 9 "Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação alterada pela Lei n° 8.620/93) a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25 até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da operação de venda ou consignação da produção, independentemente de essas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, na forma estabelecida em regulamento; a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação alterada pela MP n° 1.5239/97 e reeditada até a conversão na Lei n° 9.528/97)" Sobre tais valores foi aplicada a alíquota de 0,1% até 12/2001 e 0,2% a partir de 01/2002, de acordo com o FPAS 744. A alíquota de contribuição devida ao SENAR foi alterada face nova redação dada pelo art. 3° da Lei 10.256/2001 no art. 6° da Lei 9.528/1997. "Art.6° A contribuição do empregador rural pessoa física e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), criado pela Lei n° 8.315, de 23 de dezembro de 1991, é de zero vírgula dois por cento, incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural." (NR) Com base no exposto, devidamente respaldado encontrarseia o trabalho da auditoria fiscal. O problema surge face o julgamento pelo STF o Recurso Extraordinário n° 363.852, cujo Plenário deu provimento ao recurso em acórdão com a seguinte ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO PRESSUPOSTO ESPECÍFICO VIOLÊNCIA À CONSTITUIÇÃO ANÁLISE CONCLUSÃO Porque o Supremo, na análise da violência à Constituição, adora entendimento quanto à matéria de fundo extraordinário, a conclusão a que chega deságua, conforme sempre sustentou a melhor doutrina José Carlos Barbosa Moreira , em provimento ou desprovimento do recurso, sendo impróprias as nomenclaturas conhecimento e não conhecimento. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL COMERCIALIZAÇÃO DE BOVINOS PRODUTORES RURAIS PESSOAS NATURAIS SUBROGAÇÃO LEI N° 8.212/91 ART. 195, INCISO I, DA CARTA FEDERAL PERÍODO ANTERIOR À EMENDA Fl. 7020DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 10 CONSTITUCIONAL Nº 20/98 UNICIDADE DE INCIDÊNCIA EXCEÇÕES CONFINS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PRECEDENTE INEXISTÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR Ante o texto constitucional, não subsiste a obrigação tributária subrogada do adquirente, presente a venda de bovinos, por produtores rurais, pessoas naturais, prevista os artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis n° 8.540/92 e 9.528/97. Aplicação de leis no tempo considerações (g.n.) Discutese, naqueles autos, a constitucionalidade da contribuição exigida com base art. 25 da Lei n° 8.212/91, com redação dada pelas Leis 8.540/1992 e 9.528/97, incidente sobre o valor da comercialização da produção rural, tendo como contribuinte o Empregador Rural Pessoa Física. Confesso que a interpretação trazido pelo acórdão recorrido realmente foi por mim adotada em relação aos primeiros processos analisados acerca do tema, todavia, após um estudo mais sistematizado acerca da matéria, considerando diversas ponderações trazidas por conselheiros deste Conselho, tive a oportunidade de alterar meu entendimento acerca do tema, conforme posicionamento adotado em diversos outros votos aos quais tive a oportunidade de relatar. Dessa forma, passo a proferir meu entendimento acerca do tema, que encontrase em consonância com os argumentos colacionados pela PFN. É sabido que a Constituição da República de 1988 estabeleceu a tributação incidente sobre a comercialização da produção rural para os casos de economia familiar (art. 195, § 8° da CR). Em face disso, a Lei n° 8.212/91, art. 25, originariamente determinava que apenas os segurados especiais (produtor rural individual, sem empregados, ou que exerce a atividade rural em regime de' economia familiar) passariam a contribuir de forma diversa, mediante a aplicação de uma alíquota sobre a comercialização da produção. Todavia, com a edição das Leis n. 8.540, 9.528, que alteraram a redação do art. 25 da Lei n° 8.212/91, passouse a exigir tanto do empregador rural pessoa física como do segurado especial a contribuição com base no valor da venda da produção rural. Quanto a este ponto o Supremo Tribunal Federal manifestouse pela inconstitucionalidade da exação questionada, conforme decisão proferida no RE 363.852, no sentido de que houve a criação de uma nova fonte de custeio da Previdência Social e que tal iniciativa teria de ser tomada mediante a aprovação de lei complementar, conforme prevê o § 4° do art. 195 da Constituição da República. Impende saber se este modelo previdenciário trazido pela atual redação do art. 25 da Lei n° 8.212 (introduzida pela Lei 10.256 e demais dispositivos já mencionados) se amoldaria aos preceitos constitucionais previstos no art. 195 da Constituição Federal. Portanto, de pronto, podemos concluir que a exigência de contribuições sobre a aquisição da produção rural de pessoas físicas até a edição da lei 10.256/2001, ou seja, para lançamentos que envolvem competências até a edição da Fl. 7021DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10935.724079/201301 Acórdão n.º 2201003.336 S2C2T1 Fl. 7.016 11 referida lei, encontramse abarcada pelo manto da inconstitucionalidade conforme decisão proferida pelo STF, acima transcrita. Dita decisão merece ser levada em consideração nos presentes autos, uma vez o Regimento Interno do CARF, art. 62A, parágrafo 1°, in verbis, dispõe: "§ 1° Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B." Notase que o objeto do RE 363.852 referese à discussão da constitucionalidade dos dispositivos da Lei n° 8.212/1991 nas redações dadas pelas Leis 8.540/1992 e 9.528/1997, ambas anteriores à Emenda Constitucional n° 20/1998. Portanto, decidiu o STF que a inovação da contribuição sobre comercialização de produção rural da pessoa física não encontrava respaldo na Carta Magna até a Emenda Constitucional 20/98, decidindo expressamente pela inconstitucionalidade acerca das Leis 8.540/92 e 9.528/97, razão pela qual compete a este Conselho, em observância ao art. 62A determinar a improcedência dos lançamento envolvendo períodos anteriores. Confirmando, ainda mais o posicionamento a ser adotado o referido precedente RE 363.852 foi ao depois aplicado em regime de repercussão geral por meio do julgamento do Recurso Extraordinário n° 596.177/RS (art. 543B do Código de Processo Civil)5, cuja ementa encontrase abaixo transcrita: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA.INCIDÊNCIA SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO.ART. 25 DA LEI 8.212/1991, NA REDAÇÃO DADA PELO ART. 1° DA LEI 8.540/1992. INCONSTITUCIONALIDADE. I Ofensa ao art. 150, II, da CF em virtude da exigência de dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador. II Necessidade de lei complementar para a instituição de nova fonte de custeio para a seguridade social. III RE conhecido e provido para reconhecer a inconstitucionalidade do art. 1° da Lei 8.540/1992, aplicandose aos casos semelhantes o disposto no art. 543B do CPC. (RE 596177, Relator Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Tribunal Pleno, julgado em 01/08/2011, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO, DJe165 de 29082011) Vale também transcrever posição do Dr. Rafael de Oliveira Franzoni, Procurador da Fazenda Nacional, que em seu artigo: "A CONSTITUCIONALIDADE DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL Fl. 7022DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 12 DO EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA: Análise da jurisprudência do STF e do TRFda 4aRegião", assim conclui acerca das deciões proferidas no âmbito do STF: "Ou seja, o que era apenas um precedente tornouse um posicionamento consolidado no âmbito do Supremo Tribunal Federal sobre a inconstitucionalidade da contribuição previdenciária prevista no art. 25 da Lei n° 8.212/1991, inclusive com as alterações decorrentes das Leis n°s 8.540/1992 e 9.528/97, no que atine ao empregador rural pessoa física. Sendo assim, em face da força persuasiva especial e diferenciadaô proveniente dos julgamentos proferidos sob a nova sistemática da repercussão geral, é muito provável que seja tal entendimento seja seguido pelos demais órgãos do Poder Judiciário, independentemente da não existência de efeito vinculante a qualificar o controle difuso de constitucionalidade. Vale registrar, por oportuno, que a contribuição previdenciária do segurado especial, também regulada pelo art. 25 da Lei nº 8.212/91, não foi afetada pela decisão da Suprema Corte no Recurso Extraordinário nº 596.177/RS, haja vista que o seu fundamento constitucional é distinto e independente da exação incidente sobre o empregador rural pessoa física. O daquela, reside ele no § 8°; ao passo que o desta, no inciso I, ambos do art. 195 do Texto Magno. Se assim é, a declaração de inconstitucionalidade de que se cuida foi parcial, isto é, apenas parte da norma contida no texto do já citado art. 25 foi julgada nula e, portanto, extirpada do ordenamento jurídico. Mas este ponto será mais amiudemente examinado em tópico apartado" Assim, até a edição da Emenda Constitucional n° 20/98 o art. 195, inciso I, da CF previa como bases tributáveis de contribuições previdenciárias a folha de salários, o faturamento e o lucro, não havendo qualquer menção à receita como base tributável, o que macula a contribuição criada com base na receita da comercialização. "Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: 1 do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional n°20, de 1998) a)a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagosou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe presteserviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pelaEmenda Constitucional n°20, de 1998) b)a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional n°20, de 1998) c)o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional n°20, de 1998)" Fl. 7023DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10935.724079/201301 Acórdão n.º 2201003.336 S2C2T1 Fl. 7.017 13 Assim, há que se destacar que a Lei n° 10.256/2001, deu nova redação ao art. 25 da Lei n° 8.212/1991 que passou a assim vigorar: "Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; (Redação dada pela Lei n° 9.528, de 10.12.97). II 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho." Assim, a partir da referida lei, existiria respaldo para o lançamento de contribuições, conforme acima descrito e consolidado tal entendimento por decisão proferida pelo Ministro Joaquim Barbosa no julgamento do RE 585684, senão vejamos: "No julgamento do RE 363.852 (rel. min. Marco Aurélio, DJe de .3.04.2010), o Pleno desta Corte considerou inconstitucional o tributo cobrado nos termos dos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis n° 8.540/92 e n° 9.528/97. Assim, o acórdão recorrido divergiu dessa orientação. Ante o exposto, conheço do recurso extraordinário e doulhe parcial provimento, para proibir a cobrança da contribuição devida pelo produtor rural empregador pessoa física, cobrada com base na Lei 8.212/1991 e as que se seguiram até a Lei 10.256/2001. [grifo nosso] (RE 585684, Relator Min. JOAQUIM BARBOSA, julgado em 10/02/2011, publicado no DJe038 de 25/02/2011)" Isto posto, com a entrada em vigor da Lei n° 10.256/2001, editada sob o manto constitucional aberto pela Emenda Constitucional n° 20/98, passam a ser devidas as contribuições sociais a cargo do empregador rural pessoa física, às alíquotas de 2% e 0,1% incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, nos termos assinalados no art. 25 da Lei n° 8.212/91, com a redação que lhe foi introduzida pela Lei n° 10.256/2001. O caso ora sob análise, conforme acima destacamos, envolve contribuições para o período de 01/01/2007 a 31/12/2008, ou seja, em período integralmente coberto pela regência da Lei n° 10.256/2001, não havendo que se falar em inconstitucionalidade da exação, pois esta decorre diretamente da norma tributária inserida no ordenamento pelo diploma legal, e não sob as contribuições descritas nas leis n° 8.540/92 e 9.528/97, declaradas inconstitucionais pelo STF. Esse entendimento já vinha sendo corriqueiramente aplicado nos julgados desta turma do colegiado, contudo, ao adentrarmos a Fl. 7024DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 14 questão da subrrogação descrita no art. 30, IV da lei 8212/91, nas redações dadas pelas leis n° 8.540/92 e 9.528/97, entendeu a decisão a quo, que a subrrogação, acabou no resultado do julgamento sendo por derradeira também declarada inconstitucional, o que resultava na inviabilizando da utilização da sistemática de subrrogação nos casos de aquisição de produção rural de produtores rurais pessoas físicas. Todavia, as decisões proferidas no âmbito dos Tribunais Regionais Federais ao apreciar diversos casos incidentais envolvendo a mesma questão, bem como a decisão de outras turmas deste mesmo Conselho, nos levaram a reapreciar posicionamento antes adotado e a interpretar a decisão do próprio STF sob outra ótica, como passamos abaixo a discorrer. Citese do TRF: "TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA EMPREGADOR. PRESCRIÇÃO. LC O STF ao julgar o RE nº 363.852, declarou inconstitucional as alterações trazidas pelo art. 1º da Lei nº 8.540/92, eis que instituíram nova fonte de custeio por meio de lei ordinária, sem observância de obrigatoriedade de lei complementar para tanto. 2 Com o advento da EC n° 20/98, o art. 195, I, da CF/88 passou a ter nova redação, com o acréscimo do vocábulo "receita". 3 Em face do novo permissivo constitucional, o art. 25 da Lei8.212/91, na redação dada pela Lei 10.25ô/01, ao prever a contribuição do empregador rural pessoa física como incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção, não se encontra eivado de inconstitucionalidade" (apelação nº 000242212.2009.404.7104, Rel DEsFED Ma. de Fátima Labarrère, 1ª Turma do TRF04, julgada em 11/05/10) Quanto a este ponto, apreciando os diversos julgamentos realizados no âmbito do CARF, valhome de um especificamente, do ilustre Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, datado de 18 de abril de 2013 Acórdão 230202.445, da FRIGO VALE INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CARNES LTDA, que de forma fantástica analisou profundamente os efeitos das decisões dos tribunais sobre a sistemática da SUBRROGAÇÃO, determinando a procedência da autuação. O posicionamento referenciado no acórdão mostroume muito mais acertada, do que aquele até então por mim adotado, razão pela qual adotoo como razão de decidir, transcrevendo a parte pertinente abaixo: "3.1.4.DA SUBROGAÇÃO Por derradeiro, mas não menos importante, restanos apreciar a questão atávica à subrogação do adquirente, do consignatário ou da cooperativa pelo cumprimento das obrigações do empregador rural pessoa física e do segurado especial assentadas no art. 25 da Lei n° 8.212/91. Fl. 7025DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10935.724079/201301 Acórdão n.º 2201003.336 S2C2T1 Fl. 7.018 15 Verificase no voto condutor acima revisitado, que a matéria atinente à subrogação em momento algum foi discutida no julgamento do Supremo Sodalício. Com efeito, o Supremo não se pronunciou acerca de nenhum vício de inconstitucionalidade a macular a subrogação, até porque esta foi expressamente prevista na própria Lex Excelsior. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) §7° A lei poderá atribuir a sujeito passivo de obrigação tributária a condição de responsável pelo pagamento de imposto ou contribuição, cujo fato gerador deva ocorrer posteriormente, assegurada a imediata e preferencial restituição da quantia paga, caso não se realize o fato gerador presumido. (Incluído pela Emenda Constitucional n° 3, de 1993) Assim proclamou o Min. Marco Aurélio, ad litteris et verbis: "Ante esses aspectos, conheco o provejo o recurso interposto para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrogação sobre a ""receita bruta proveniente da comercialização da produção rural" de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1° da Lei n° 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, com redação atualizada até a Lei n° 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional n° 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência." Olhando com os olhos de ver, o Min. Marco Aurélio não declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 30 da Lei n° 8.212/91, mas, tão somente, a inconstitucionalidade do art. 1° da Lei n° 8.540/92, o qual, dentre outras tantas providências, "deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91". Lei n°8.540, de 22 de dezembro de 1992 Art. 1° A Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, passa a vigorar com alterações nos seguintes dispositivos: "Art. 12 ... V ... a) a pessoa física, proprietária ou não, que explora atividade agropecuária ou pesqueira, em caráter permanente ou temporário, diretamente ou por intermédio de prepostos e com Fl. 7026DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 16 auxílio de empregados, utilizados a qualquer título, ainda que de forma não contínua; b) a pessoa física, proprietária ou não, que explora atividade de extração mineral garimpo , em caráter permanente ou temporário, diretamente ou por intermédio de prepostos e com auxílio de empregados, utilizados a qualquer título, ainda que de forma não contínua; c) o ministro de confissão religiosa e o membro de instituto de vida consagrada e de congregação ou de ordem religiosa, este quando por ela mantido, salvo se filiado obrigatoriamente à Previdência Social em razão de outra atividade, ou a outro sistema previdenciário, militar ou civil, ainda que na condição de inativo; d)o empregado de organismo oficial internacional ou estrangeiro em funcionamento no Brasil, salvo quando coberto por sistema próprio de previdência social; e)o brasileiro civil que trabalha no exterior para organismo oficial internacional do qual o Brasil é membro efetivo, ainda que lá domiciliado e contratado, salvo quando coberto por sistema de previdência social do país do domicílio; Art. 22 §5° O disposto neste artigo não se aplica à pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 desta Lei. Art. 25. A contribuição da pessoa física e do segurado especial referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: dois por cento da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; um décimo por cento da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento de complementação das prestações por acidente de trabalho. §1° O segurado especial de que trata este artigo, além da contribuição obrigatória referida no "caput", poderá contribuir, facultativamente, na forma do art. 21 desta Lei. §2° A pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12, contribui, também, obrigatoriamente, na forma do art. 21 desta Lei. §3° Integram a produção, para os efeitos deste artigo, os produtos de origem animal ou vegetal, em estado natural ou submetidos a processos de beneficiamento ou industrialização rudimentar, assim compreendidos, entre outros, os processos de lavagem, limpeza, descaroçamento, pilagem, descascamento, lenhamento, pasteurização, resfriamento, secagem, fermentação, embalagem, cristalização, fundição, carvoejamento, cozimento, destilação, moagem, torrefação, bem como os subprodutos e os resíduos obtidos através desses processos. Fl. 7027DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10935.724079/201301 Acórdão n.º 2201003.336 S2C2T1 Fl. 7.019 17 §4°Não integra a base de cálculo dessa contribuição a produção rural destinada ao plantio ou reflorescimento, nem sobre o produto animal destinado a reprodução ou criação pecuária ou granjeira e a utilização como cobaias para fins de pesquisas científicas, quando vendido pelo próprio produtor e quem a utilize diretamente com essas finalidades, e no caso de produto vegetal, por pessoa ou entidade que, registrada no Ministério da Agricultura, do Abastecimento e da Reforma Agrária, se dedique ao comércio de sementes e mudas no País. § 5° (VETADO) (...) Art. 30......... IV o adquirente, o consignatário ou a cooperativa ficam sub rogados nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; X a pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e o segurado especial são obrigados a recolher a contribuição de que trata o art. 25 desta Lei no prazo estabelecido no inciso III deste artigo, caso comercializem a sua produção no exterior ou diretamente, no varejo, ao consumidor" Ora, caros leitores, o fato de o art. 1° da Lei n° 8.540/92 ter sido declarado, na via difusa, inconstitucional, não implica ipso facto que todas as modificações legislativas por ele introduzidas sejam tidas por inconstitucionais. A pensar assim, seria inconstitucional a fragmentação da alínea 'a' do inciso V do art. 12 da Lei n° 8.212/91, nas alíneas 'a' e 'b' do mesmo dispositivo legal, sem qualquer modificação em sua essência, assim como a remuneração das alíneas 'b', 'c' e 'd' do mesmo inciso V acima citado para 'c', 'd' e 'e', respectivamente, sem qualquer modificação de texto. (...) E o que falar, então, sobre a constitucionalidade do Inciso VII do art. 12 da Lei n° 8.212/91, o qual, embora citado pelo Sr. Min. Marco Aurélio, sequer se houve por ele tocado pelo art. 1° da Lei n° 8.540/92. Seria, assim, o Inciso VII do art. 12 da Lei n° 8.212/91 inconstitucional simplesmente e tão somente porque fora citado pelo Min. Marco Aurélio em seu voto? Não nos parece ser essa a melhor exegese do caso em debate. (... ) Aditese que o inciso IX do art. 93 da CF/88 determina, taxativamente, que todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário, aqui incluído por óbvio o STF, devem ser públicos, e fundamentadas todas as suas decisões, sob pena de nulidade. Ora ... No julgamento do RE 363.852/MG inexiste qualquer menção, ínfima que seja, a possíveis vícios de inconstitucionalidade na subrogação encartada no inciso IV do art. 30 da Lei n° 8.212/91. Fl. 7028DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 18 Aliás, o vocábulo "subrogação" assim como a referência ao "inciso IV do art. 30 da Lei n° 8.212/91" somente são mencionados na conclusão do Acórdão, ocasião em que o Sr. Min. Relator desobriga os recorrentes do RE 363.852/MG da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrogação sobre a "receita bruta proveniente da comercialização da produção rural" de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, e que é declarada inconstitucionalidade do art. 1° da Lei n° 8.540/92, o qual deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, com redação atualizada até a Lei n° 9.528/97." Realmente, enquanto relatora de processo envolvendo questão idêntica, tive a oportunidade de verificar o texto integral da decisão do Ministro Marco Aurélio no acórdão RE 363.852, o mesmo não adentrou em momento algum a apreciação da inconstitucionalidade do art. 30, III e IV da lei 8212/91, o que ao meu ver, impede a extensão dos efeitos da inconstitucionalidade das contribuições instituídas lei 8.540/92, o qual deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, com redação atualizada até a Lei n° 9.528/97, para as contribuições lançadas após a lei 10.256/2001. Todavia, não foi apenas esse fato mencionado no voto do ilustre Conselheiro Arlindo da Costa, que me levou a alterar o posicionamento até então adotado. Senão vejamos, outro texto do acórdão que novamente adoto como razões de decidir: "A quatro, porque a responsabilidade pelo recolhimento das contribuições de que trata o art. 25 da Lei n° 8.212/91 foi determinada ao adquirente, ao consignatário e à cooperativa, expressamente, pelo inciso III do art. 30 da Lei n° 8.212/91, o qual não foi igualmente atingido, sequer de raspão, pelos petardos da declaração de inconstitucionalidade aviada no RE n° 363.852/MG, permanecendo tal obrigação tributária ainda vigente e eficaz, mesmo em relação ao empregador rural pessoa física após a publicação da Lei n° 10.256/2001, produzindo todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 25 A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os inciso I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (Redação dada pela Lei n° 10.256/2001). I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; (Redação dada pela Lei n° 9.528/97). II 0,% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho. (Redação dada pela Lei n° 9.528/97). Fl. 7029DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10935.724079/201301 Acórdão n.º 2201003.336 S2C2T1 Fl. 7.020 19 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas, observado o disposto em regulamento: (...) a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25, até o dia 2 do mês subsequente ao da operação de venda ou consignação da produção, independentemente de estas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528/97) a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528/97)" É certo que o disposto no inciso IV do art. 30 da Lei n° 8.212/91 já seria bastante e suficiente para impingir ao adquirente, consumidor, consignatário e à cooperativa o dever jurídico de recolher as contribuições incidentes sobre a comercialização de produção rural. Mas o Legislador Ordinário foi mais seletivo: Isolou, propositadamente, no inciso III do art. 30 da Lei de Custeio da Seguridade Social, a obrigação tributária do adquirente, do consumidor, do consignatário e da cooperativa de recolher a contribuição de que trata o art. 25 dessa mesma lei, no prazo normativo, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, outorgando ao Regulamento da Previdência Social a competência para dispor sobre a forma de efetivação de tal obrigação acessória. Acomodou no inciso IV do art. 30 da Lei n° 8.212/91, de maneira genérica, a subrogação do adquirente, do consumidor, do consignatário e da cooperativa nas demais obrigações, de qualquer naipe, do empregador rural pessoa física e do segurado especial decorrentes do art. 25 desse Diploma Legal, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física. Da análise dos dispositivos legais acima selecionados, restou visível que a obrigação da empresa adquirente, consumidora, consignatária e a cooperativa pelo recolhimento das contribuições previstas no art. 25 da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 10.256/2001, decorre não da norma inscrita no Fl. 7030DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 20 inciso IV do art. 30 da Lei le Custeio da Seguridade Social, mas, sim, do preceito assentado no inciso III desse mesmo dispositivo legal, em atenção ao princípio jurídico da especialidade na solução dos conflitos aparentes de normas jurídicas, que faz com que a norma específica prevaleça sobre aquela editada de maneira genérica, princípio eternizado no brocardo latino "lex specialis derogat generali". A cinco, porque o próprio dispositivo do Acórdão do RE 363.852/MG declara a "inconstitucionalidade do artigo 1° da Lei n° 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, com redação atualizada até a Lei n° 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional n° 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial". Salta aos olhos que a sanatória da inconstitucionalidade vislumbrada pela Suprema Corte depende, tão somente, da promulgação de legislação nova, arrimada na EC n° 20/98, que institua a contribuição então viciada. Tais exigências houveramse por integralmente supridas com a promulgação da Lei n° 10.256, de 09 de julho de 2001, sob cuja égide ocorreram todos os fatos geradores contidos no presente lançamento tributário. (...) Avulta, de todo o exposto, que o provimento permeado no Acórdão do STF em tela visou a desobrigar o recorrente do RE 363.852/MG da retenção e do recolhimento da contribuição social sobre a "receita bruta proveniente da comercialização da produção rural" de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, ou do seu recolhimento por subrogação, não por defeito jurídico no instituto da sub rogação, mas, sim, por vício de inconstitucionalidade da própria exação em si considerada. Ou seja, face aos argumentos colacionados pelo voto condutor no processo acima transcrito, concluo que deve ser julgado procedente o lançamento por subrrogação em relação a aquisição da produção rural do produtor rural pessoa física sob os seguintes aspectos. a) Primeiramente a não apreciação no RE 363.852/MG dos aspectos relacionados a inconstitucionalidade do art. 30, IV da Lei 8212/2001; sendo que o fato de constar no resultado do julgamento "inconstitucionalidade do artigo 1° da Lei n° 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, com redação atualizada até a Lei n° 9.528/97" não pode levar a interpretação extensiva de que fora declarada também a inconstitucionalidade do art. 30, IV, considerando a ausência de fundamentos jurídicos no próprio voto condutor. b) Segundo, o próprio dispositivo do Acórdão do RE 363.852/MG que declarou a inconstitucionalidade fez constar: "até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional n° 20/98, venha a instituir a contribuição". Ou seja, considerando que a lei 10.256/2001, cobriu de legitimidade a cobrança de contribuições sobre a aquisição do produtor rural pessoa física, por derradeiro, não tendo o RE 363.852 declarado a inconstitucionalidade do art. 30, IV da lei 8212/91, a Fl. 7031DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10935.724079/201301 Acórdão n.º 2201003.336 S2C2T1 Fl. 7.021 21 subrrogação consubtanciada neste dispositivo encontrase também legitimada. Ademais a obrigação legal de arrecadar as contribuições descritas no art. 25 não encontra respaldo apenas no art. 30, IV da lei 8212/91, mas também na obrigação legal esculpida no inciso III do mesmo artigo (conforme relatório FLD): "III a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de ue trata o art. 25, até o dia 2 do mês subsequente ao da operação de venda ou consignação dap.odução, independentemente de estas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528/97) (grifos nossos) Quanto a utilização do inciso III do art. 30 da lei 8212/91, como fundamento para legitimação da sistemática de adoção da subrrogação, destacamos, que esse critério só precisa ser utilizado, caso se entendesse que realmente o art. 30, IV da lei 8212/91, tivesse sido declarado inconstitucional no RE 363.852, fato, que no meu entender restou superado, pelos argumentos trazidos anteriormente no presente voto. Conforme destacado no trecho do inciso III, a lei remeteu a regulamento a instituição da sistemática, para que a empresa adquirente promova o recolhimento da contribuição prevista no art. 25 da lei 8212/91. Na função de regulamentar não apenas o inciso III, mas inúmeros outros pontos da lei 8212/91, foi editado o Decreto n° 3.048/1999, aprovando o Regulamento da Previdência Social, ainda hoje em vigor, cujos artigos 200, 200A e 216 instituíram a obrigação acessória da empresa adquirente, consumidora, consignatária ou da cooperativa, na condição de subrogada, a arrecadar, mediante desconto e a recolher as contribuições sociais incidentes sobre a receita bruta oriunda da comercialização da produção devidas pelo produtor rural pessoa física e pelo segurado especial. Senão vejamos: Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. n° 3.048/99 Art. 200. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam o inciso I do art. 201 e o art. 202, e a do segurado especial, incidente sobre a receita bruta da comercialização da produção rural, é de: (Redação dada pelo Decreto n° 4.032, de 2001) Idois por cento para a seguridade social; e IIzero vírgula um por cento para o financiamento dosbenefícios concedidos em razão do grau de incidência deincapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais dotrabalho. (... ) Fl. 7032DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 22 §4° Considerase receita bruta o valor recebido ou creditado pela comercialização da produção, assim entendida a operação de venda ou consignação. §5º Integram a produção, para os efeitos dos incisos I e II do caput, os produtos de origem animal ou vegetal, em estado natural ou submetidos a processos de beneficiamento ou industrialização rudimentar, assim compreendidos, entre outros, os processos de lavagem, limpeza, descaroçamento, pilagem, descascamento, lenhamento, pasteurização, resfriamento, secagem, socagem, fermentação, embalagem, cristalização, fundição, carvoejamento, cozimento, destilação, moagem e torrefação, bem como os subprodutos e os resíduos obtidos através desses processos. (...) § 7º A contribuição de que trata este artigo será recolhida: I Pela empresa adquirente, consumidora ou consignatária oua cooperativa, que ficam subrogadas no cumprimento das obrigações do produtor rural pessoa física de que trata a alínea"a" do inciso V do caput do art. 9° e do segurado especial, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com estes ou com intermediário pessoa física, exceto nos casos do inciso III; (grifos nossos) II pela pessoa física não produtor rural, que fica subrogada no cumprimento das obrigações do produtor rural pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do caput do art. 9° e do segurado especial, quando adquire produção para venda, no varejo, a consumidor pessoa física; ou III pela pessoa física de que trata alínea "a" do inciso V do caput do art. 9° e pelo segurado especial, caso comercializem sua produção com adquirente domiciliado no exterior,diretamente, no varejo, a consumidor pessoa física, a outro produtor rural pessoa física ou a outro segurado especial. §8° O produtor rural pessoa física continua obrigado a arrecadar e recolher ao Instituto Nacional do Seguro Social a contribuição do segurado empregado e do trabalhador avulso a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, nos mesmos prazos e segundo as mesmas normas aplicadas às empresas em geral. Art. 200A. Equiparase ao empregador rural pessoa física o consórcio simplificado de produtores rurais, formado pela união de produtores rurais pessoas físicas, que outorgar a um deles poderes para contratar, gerir e demitir trabalhadores rurais, na condição de empregados, para prestação de serviços, exclusivamente, aos seus integrantes, mediante documento registrado em cartório de títulos e documentos. (Incluído pelo Decreto n°4.032/2001) §1° O documento de que trata o caput deverá conter a identificação de cada produtor, seu endereço pessoal e o de sua propriedade rural, bem como o respectivo registro no Instituto Fl. 7033DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10935.724079/201301 Acórdão n.º 2201003.336 S2C2T1 Fl. 7.022 23 Nacional de Colonização e Reforma Agrária ou informações relativas à parceria, arrendamento ou equivalente e à matrícula no INSS de cada um dos produtores rurais. (Incluído pelo Decreto n°4.032/2001) § 2º O consórcio deverá ser matriculado no INSS, na forma por este estabelecido, em nome do empregador a quem hajam sido outorgados os mencionados poderes. (Incluído pelo Decreto n°4.032/2001) Art. 200B. As contribuições de que tratam o inciso I do art. 201 e o art. 202, bem como a devida ao Serviço Nacional Rural, são substituídas, em relação à remuneração paga, devida ou creditada ao trabalhador rural contratado pelo consórcio simplificado de produtores rurais de que trata o art. 200A, pela contribuição dos respectivos produtores rurais. (Incluído pelo Decreto n°4.032/2001) Art. 216. A arrecadação e o recolhimento das contribuições e de outras importâncias devidas à seguridade social, observado o que a respeito dispuserem o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal, obedecem às seguintes normas gerais: I A empresa é obrigada a: (...) a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 200 no prazo referido na alínea "b" do inciso I, no mês subsequente ao da operação de venda ou consignação da produção rural, independentemente de estas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com o intermediário pessoa _física; (grifos nossos) IV o produtor rural pessoa física e o segurado especial são obrigados a recolher a contribuição de que trata o art. 200 no prazo referido na alínea "b" do inciso I, no mês subsequente ao da operação de venda, caso comercializem a sua produção com adquirente domiciliado no exterior, diretamente, no varejo, a consumidor pessoa física, a outro produtor rural pessoa física ou a outro segurado especial; V o produtor rural pessoa física é obrigado a recolher a contribuição de que trata o inciso II do caput do art. 201 no prazo referido na alínea "b" do inciso I; (Revogado pelo Decreto n° 3.452/2000) (...) §5° O desconto da contribuição e da consignação legalmente determinado sempre se presumirá feito, oportuna e regularmente, pela empresa, pelo empregador doméstico, pelo adquirente, consignatário e cooperativa a isso obrigados, não Fl. 7034DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 24 lhes sendo lícito alegarem qualquer omissão para se eximirem do recolhimento, ficando os mesmos diretamente responsáveis pelas importâncias que deixarem de descontar ou tiverem descontado em desacordo com este Regulamento. CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS AO SENAR Quanto às contribuições destinadas ao Senar, as mesmas possuem previsão no art. 6° da Lei n 9.528 de 1997, nestas palavras: "Art. 6° A contribuição do empregador rural pessoa física e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), criado pela Lei no 8.315, de 23 de dezembro de 1991, é de zero vírgula dois por cento, incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural. (Redação dada pela Lei n° 10.256, de 9.7.2001)" Essas contribuições não foram objeto de reconhecimento de inconstitucionalidade no Recurso Extraordinário n 363.852. Desse modo, permanece a exação tributária. Porém, tais contribuições eram recolhidas pelo substituto tributário e não pelos produtores rurais; a transferência da responsabilidade para os substitutos está prevista no art. 94 da Lei n 8.212, art. 3° da Medida Provisória n 222 de 2004, combinado com o art. 30, inciso IV da I 'i n 8.212 de 1991. Uma vez tendo sido afastada a dúvida acerca da declaração de inconstitucionalidade do art. 30, inciso III e IV plenamente respaldado encontrase o exigência legal objeto do presente lançamento. DAS INCONSTITUCIONALIDADES APONTADAS Face todo o exposto, no que tange a arguição de inconstitucionalidade de legislação previdenciária não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade seja questionada, razão pela qual são aplicáveis os prazos e regras regulados na Lei n ° 8.212/1991. Dessa forma, quanto à inconstitucionalidade/ilegalidades não há razão para a recorrente. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Nesse sentido, entendo pertinente transcrever trecho do Parecer/CJ n ° 771, aprovado pelo Ministro da Previdência Social em 28/1/1997, que enfoca a questão: Cumpre ressaltar que o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Ora, essa assertiva não quer dizer que a administração não tem o dever de propor ou aplicar leis compatíveis com a Constituição. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei, porque o Fl. 7035DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10935.724079/201301 Acórdão n.º 2201003.336 S2C2T1 Fl. 7.023 25 seu destinatário entende ser inconstitucional, quando não há manifestação definitiva do STF a respeito. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. No mesmo sentido posicionase este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF ao publicar a súmula n°. 2 aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes. SÚMULA N. 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Com o objetivo de melhor esclarecer ao recorrente a fundamentação das contribuições ora exigidas, valhome da própria legislação do lançamento, que embora questionada pelo recorrente, encontrase em vigor, razão pela qual é suficiente para manutenção do lançamento em questão. Face ao exposto, entendo que não há qualquer reparo a ser feito na decisão de primeira instância, razão pela qual nego provimento ao recurso do recorrente." O extenso voto tem o condão de aclarar toda a questão das pretensas inconstitucionalidades arguidas no Recurso que aqui se examina. Não há pronunciamento do Pretório Excelso, vinculante, sobre eventual incompatibilidade entre os preceitos da Lei de Custeio atinentes a contribuição previdenciária devida pelo produtor rural pessoa física e que deve ser recolhida pelo adquirente de sua produção, após o advento da Lei nº 10.256/01, que alterou a Lei de Custeio. Com essa afirmação, escorada na fundamentação acima transcrita, entendo não caber razão ao Recorrente no tocante às alegações de inconstitucionalidade. Por esse motivo, deixo de rebater ponto a ponto os argumentos constantes nos itens: I) 3.1.1, subitens: · A), acima mencionado; · B), intitulado Da Superveniência da Lei n.° 10.256/2001 Impossibilidade de Constitucionalização Superveniente Fl. 7036DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 26 · C), intitulado Da Ausência de Previsão Legal do Fato Gerador da Contribuição Ofensa ao Princípio da Legalidade. · D) inti tulado Da Aplicação da Decisão Proferida pelo STF que Reconheceu a Inconstitucionalidade do FUNRURAL Art. 62, do RICARF II) 3.2. subitem: · 3.2.1, intitulado Da Inconstitucionalidade Reflexa da Contribuição ao SENAR Recurso negado nessas partes. DA NÃO INCIDÊNCIA DO FUNRURAL SOBRE A QUOTA PARTE QUE RETORNA À EMPRESA EM RAZÃO DO CONTRATO DE PARCERIA Alternativamente, alega a Recorrente não incidir o Funrural sobre os contratos de parceria. Nesse sentido, argumenta (fls. 6978): Nesse aspecto restringese o acórdão recorrido a afirmar que a alegação bObre o entendimento do Poder Judiciário sobre a matéria aduzida detém efeito somente entre as partes envolvidas, não sendo extensiva as demais empresas. Não obstante, reconhece o próprio acórdão vergastado que "os valores não declarados em GFIP referemse a aquisições de ovos férteis incubáveis, matrizes de fêmea recriada, matrizes de macho recriada e mudas de iambolão." E "Com exceção das mudas, esses produtos referemse a aquisições realizadas de parceiros outorgados no sistema de parceria de produção integrada." Dessa forma, cabe a Recorrente insistir em seus argumentos para demonstrar a não incidência da contribuição sobre a quota parte do parceiro produtor rural, por inexistir qualquer operação de venda, não gerando, assim, qualquer receita ao parceiro produtor rural. Como atestado pela r. fiscalização, a Recorrente dedicase à produção de ovos férteis, pintos de corte e matrizes recriadas e, para melhor viabilizar seu negócio, mantém com produtores rurais de pequeno porte um sistema comumentemente denominado de "integração", consistente numa parceria para produção de ovos férteis, assim considerados aqueles ovos que estão aptos à incubação e nascimento de pintos de um dia, gerados por aves matrizes, conforme contratos de parceiras constante nos autos (fls. 493 e seguintes dos autos). Dessa parceria resultam frutos ou lucros, mas também ocorrem riscos ou prejuízos, todos partilhados entre os parceiros. O contrato de parceria prevê obrigações e resultados para ambas as partes. Fl. 7037DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10935.724079/201301 Acórdão n.º 2201003.336 S2C2T1 Fl. 7.024 27 Assim, incumbe ao parceiro produtor rural o ônus pelo pagamento do ITR, garantir as condições de tráfego nas vias de acesso ao aviário, facilitar a coleta de amostra dos lotes de aves e ovos, acompanhar a criação das aves e a produção de ovos, adequar as instalações para prevenir acidentes, observar as normas de biosseguridade, dentre outras obrigações. Já à Recorrente compete fornecer as ave matrizes (com idade entre 20 e 23 semanas) para produzirem os ovos férteis destinados à incubação, fornecer rações, vacinas, medicamentos e desinfetantes para a criação das aves, promover assistência técnica e veterinária, promover a retirada da produção de ovos que lhe serão entregues, fornecer embalagem adequada, contratar seguro, dentre outras obrigações. Dessa conjugação de esforços e de atribuições, resultam os frutos, que são repartidos entre os parceiros, na proporção pactuada, podendo, no entanto, haver prejuízos, que também são divididos proporcionalmente. Tudo Isso resta contratado e documentado, conforme averiguado pela r. fiscalização. Terminado o processo de produção de ovos férteis, estes retornam à empresa para incubação e posterior nascimento de pintos de um dia em duas cotaspartes, consoante acordado previamente: uma cotaparte que corresponde ao parceiro produtor rural e outra cotaparte que pertence à empresa e que simplesmente retorna à proprietária. Importante destacar, contudo, que, no caso em apreço, inexiste a hipótese de incidência do FUNRURAL, razão pela qual o tributo é inexigível. Isso porque, sobre a parte que tãosó retorna à empresa não há comercialização, o produtor rural parceiro não aufere qualquer vantagem sobre ela, decorrendo daí a inexistência do necessário fato gerador para o surgimento da obrigação tributária. Portanto, quando a Recorrente recebe em seu estabelecimento industrial os animais em retorno, há uma simples movimentação de bens dos quais é titular, sem qualquer transferência de propriedade, não ocorrendo, aí, o fato gerador desta contribuição. Esse é, inclusive, o entendimento do Poder Judiciário, conforme decisões a seguir ementadas: (...)" Sobre o tema, assim se manifestou a autoridade lançadora no Relatório Fiscal (fls 68): "34. Na resposta ao pedido de esclarecimentos enviado por email em 12.08.21013 (folhas 207 a 698 do Anexo 2h) o sujeito passivo justifica que as aquisições de ovos férteis não foram declaradas em GFIP por se tratar de produção pelo sistema de integração em que os insumos são enviados para o parceiro e o mesmo fica com parte da produção, a qual é vendida para a Fl. 7038DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 28 empresa. Junta alguns contratos de parceria integrada para a produção de ovos férteis e para a cria e recria de matrizes ( folhas 699 a 732 do Anexo 2h). 35. Não restam dúvidas de essas compras estão sujeitas à incidência do Funrural por se enquadrarem nos conceitos de produtor e produção rural, adquirente, subrogação e parceria definidos nos arts. 165 e 168 da IN 971: (...) 36. Ou seja, na parceria de produção rural integrada também ocorre a comercialização de produção rural com incidência de contribuição previdenciária, diferenciandose esta forma de produção apenas no que diz respeito a partilha do resultado, em que uma parte é considerada produção própria do parceiro outorgante e outra como produção adquirida de terceiro. O fato gerador, a base de cálculo das contribuições e as alíquotas serão determinadas em função da categoria de cada parceiro perante o RGPS no momento da destinação dos respectivos quinhões." Sobre o tema, assim se pronunciou a decisão de piso (fls. 6926): "Não tem razão a impugnante em suas alegações, em função do disposto na legislação que trata da matéria: Lei nº 8.212/91: Art. 25.(...) § 10. Integra a receita bruta de que trata este artigo, além dos valores decorrentes da comercialização da produção relativa aos produtos a que se refere o § 3° deste artigo, a receita proveniente: (Incluído pela Lei nº 11.718, de 2008). I – da comercialização da produção obtida em razão de contrato de parceria ou meação de parte do imóvel rural; (Incluído pela Lei nº 11.718, de 2008). Decreto nº 3.048/99: Art. 200 (...) § 4o Integra a receita bruta de que trata este artigo, além dos valores decorrentes da comercialização da produção relativa aos produtos a que se refere o § 5o, a receita proveniente: (Redação dada pelo Decreto nº 6.722, de 2008). I da comercialização da produção obtida em razão de contrato de parceria ou meação de parte do imóvel rural; (Incluído pelo Decreto nº 6.722, de 2008). Da mesma forma dispõe a legislação infralegal vigente a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13/10/2009 (IN 971): Art. 172. Integra também a receita bruta de que trata o inciso I do art. 171, além dos valores decorrentes da comercialização da produção relativa aos produtos a que se refere o § 1º do art. 171, a receita proveniente: Fl. 7039DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10935.724079/201301 Acórdão n.º 2201003.336 S2C2T1 Fl. 7.025 29 I da comercialização da produção obtida em razão de contrato de parceria ou meação de parte do imóvel rural; Além disso, assim dispõe o Relatório Fiscal à fl. 69: 36. (...) na parceria de produção rural integrada também ocorre a comercialização de produção rural com incidência de contribuição previdenciária, diferenciandose esta forma de produção apenas no que diz respeito à partilha do resultado, em que uma parte é considerada produção própria do parceiro outorgante e a outra como produção adquirida de terceiro. O fato gerador, a base de cálculo das contribuições e as alíquotas serão determinadas em função da categoria de cada parceiro perante o RGPS no momento da destinação dos respectivos quinhões. 37. No caso presente, as contribuições lançadas referemse tão somente à comercialização da produção atribuida ao parceiro outorgado e vendida ao próprio outorgante. (grifamos)" Não há reparos no procedimento fiscal tampouco na decisão de primeiro grau. A Lei de Custeio, o Regulamento da Previdência Social e a Instrução Normativa RFB nº 971, são explícitos sobre a incidência da contribuição substitutiva inclusive nos contratos que aqui se analisa. Ressaltese ainda a lisura do procedimento fiscal no tocante a apuração da base de cálculo adequada para o caso em apreço. Recurso negado também nessa parte. DA NÃO INCIDÊNCIA DO FUNRURAL SOBRE A AQUISIÇÃO DE MATRIZES PARA RECRIA – BEM DESTINADO AO ATIVO IMOBILIZADO DA IMPUGNANTE Cumulativamente, argui a Recorrente não incidir o Funrural sobre a aquisição de matrizes. São seus argumentos (fls 6978) "Quanto à alegação de que não são base de cálculo do FUNRURAL a aquisição de matrizes para recria, entendeu o v. acórdão que não merece prosperar o argumento vez que não haveria qualquer fundamento que embase a não sujeição de tais aquisições às contribuições do produtor rural pessoa física, devidas pelo adquirente por subrogação, pelo fato de serem destinadas para o seu ativo imobilizado. Ocorre que também não há previsão legal para a incidência do FUNRURAL sobre a aquisição de matrizes, que servem para a reprodução de aves de postura e de corte, pelo que devem ser excluídas da base de cálculo do FUNRURAL, em atenção ao princípio da estrita legalidade tributária. Frisase, novamente, que as aves matrizes são o resultado do pacote tecnológico desenvolvido pelo setor genético da avicultura e funcionam como uma máquina, pronta para produzir em série o produto final: o pinto de um dia, capaz de ser transformado, no tempo e nas condições esperadas, no Fl. 7040DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 30 frango que a indústria de abate promete entregar ao consumidor. Importante destacar que o desenvolvimento de aves matrizes demanda investimentos específicos em alojamento, alimentação e manejo diferenciados, cuja verticalização pode ser justificável para o produtor genético, posto que do processo de reprodução depende o sucesso de seu produto." Novamente não assiste razão à Recorrente. Sobre o tema, mais uma vez acertadamente, assim decidiu a DRJ: "Consultando a legislação que rege as contribuições previdenciárias – Lei nº 8.212/91 e Decreto nº 3.048/99 , não encontramos qualquer fundamento que embase a alegação da autuada de não sujeição de tais aquisições às contribuições do produtor rural pessoa física, devidas pelo adquirente por sub rogação, pelo fato de serem destinadas a seu ativo imobilizado. Na verdade, assim dispunha o art. 25, § 4º da Lei nº 8.212/91: Art. 25 (...) § 4º Não integra a base de cálculo dessa contribuição a produção rural destinada ao plantio ou reflorestamento, nem sobre o produto animal destinado a reprodução ou criação pecuária ou granjeira e a utilização como cobaias para fins de pesquisas científicas, quando vendido pelo próprio produtor e quem a utilize diretamente com essas finalidades, e no caso de produto vegetal, por pessoa ou entidade que, registrada no Ministério da Agricultura, do Abastecimento e da Reforma Agrária, se dedique ao comércio de sementes e mudas no País. (Incluído pela Lei n º 8.540, de 22.12.92)(grifamos) Também dispunha o art. 200, § 6º do Decreto nº 3.048/99: Art. 200 (...) § 6º Não integra a base de cálculo da contribuição de que trata este artigo: (...) III o produto animal destinado à reprodução ou criação pecuária ou granjeira; (grifamos) Ocorre que a Lei nº 11.718, de 20/06/2008, revogou o § 4º do art. 25 da Lei nº 8.212/91 e o Decreto nº 6.722, de 30/12/2008, revogou o § 6º do art. 200 do RPS, o que nos permite concluir que está correto o procedimento da fiscalização ao levantar as contribuições sociais sobre a aquisição desses produtos rurais." Nítida a alteração legislativa no sentido da incidência tributária. Há sim, amparo a tributação na aquisição de matrizes para recria. Fl. 7041DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10935.724079/201301 Acórdão n.º 2201003.336 S2C2T1 Fl. 7.026 31 Se antes do advento da Lei nº 11.718/08, a isenção era patente, expressa no texto legal, hoje o silencio da Lei de Custeio é o prenuncio da incidência tributária, quanto mais ao se observar a alteração legislativa. Nesse sentido caminha a melhor doutrina. Luis Eduardo Schoueri, asseva (Direito Tributário, 3ª ed., Ed Saraiva, pg. 649/656) que a norma isentiva própria, quando revogada, equivale a postulação de incidência tributária. Por todo o exposto, nego provimento ao recurso também nessa parte. DO CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA APLICADA Se insurge o recorrente contra a multa aplicada. São seus argumentos (fls 6986): "Além de tudo o que fora exposto e pelo Princípio da Eventualidade, necessário discorrer que, consoante se observa na autuação fiscal em comento, a multa capitulada, nas condições e percentuais aplicados, tanto no DEBCAD n° 51.008.9100, quanto no DEBCAD n° 51.008.9097, além de absolutamente indevida, assume o caráter de abuso do poder fiscal, posto que manifestamente confiscatória. A multa que se impõe a título de sanção é desproporcional à suposta infração cometida, afigurandose nitidamente confiscatória, e que se desfigura em função do seu montante excessivo, em relação à infração tributária, mormente num País que experimenta inflação próxima a zero. Com efeito, em um sistema em que há previsão de juros para indenizar e correção monetária para manter o cunho liberatório da moeda, a imposição de multas elevadas caracteriza o confisco do patrimônio da Recorrente. (...) O princípio da capacidade econômica do contribuinte e a vedação do confisco hoje são princípios constitucionais expressos em matéria tributária (art. 145, § Io e art. 150, IV, ambos da CF/88). Embora dirigidos literalmente aos impostos (capacidade contributiva) e aos tributos (utilizálos com efeito de confisco), tais postulados se espraiam por todo o sistema tributário, atingindo por Inteiro o crédito tributário na sua acepção mais lenta, como conceituado pelo art. 133 e seus parágrafos do Código Tributário Nacional. Querse dizer, numa palavra: eles atingem as penas fiscais tanto quanto os tributos. Decorre da vedação prevista no art. 150, IV, da Constituição Federal que não é permitido aos entes federativos instituírem encargos com efeito de confisco. Tal impedimento se constitui como ferramenta hábil à manutenção do caráter punitivo da qual a multa deve ser constituída sem que cause ofensa ao direito de propriedade, igualmente estabelecido na Constituição, devendo ser arbitrada de fornia proporcional à suposta infração cometida pelo contribuinte." Fl. 7042DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 32 A multa de ofício, e seu percentual, decorrem expressamente de lei, no caso da Lei nº 9.430/96, não cabendo nenhum juízo de discricionariedade à Autoridade Lançadora.Tampouco pode, este Colegiado, valorar a questão da proporcionalidade da sanção ou os efeitos confiscatórios da multa legalmente prevista. Não obstante o exposto, mister reconhecer que tanto a jurisprudência deste colegiado, como também a do STF, como se verifica no AgRRExt 547.559 SC, Min Rosa Weber, julgado em 26/11/2013, reconhecem a aplicabilidade da punição esculpida na Lei nº 9.430/96: "DIREITO TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO. PROPORCIONALIDADE DA MULTA. IMPOSSIBILIDADE DE REAPRECIAÇÃO DE FATOS E PROVAS. SÚMULA 279/STF. ACÓRDÃO RECORRIDO PUBLICADO EM 19.12.2006. O Tribunal a quo, na hipótese em tela, lastreouse no contexto probatório para firmar seu convencimento acerca da legalidade da multa de 75% imposta à recorrente, assinalando tratarse de multa punitiva e não confiscatória que atendeu finalidade educativa e de repressão a condutas infratoras. Portanto, aferir a ocorrência de eventual violação ao preceito constitucional invocado no apelo extremo, decorrente de efeito confiscatório da multa, somente seria possível mediante exame do conjunto fáticoprobatório, o que é vedado em sede extraordinária e enseja a aplicação do enunciado da Súmula 279 da Corte. Agravo regimental conhecido e não provido." Recurso negado nessa parte. DO AFASTAMENTO DA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Consta do recurso (fls 6989): "Superados os tópicos anteriores, insurgese a Recorrente contra a incidência dos juros sobre a multa de ofício, vez que tal imposição contraria o ordenamento jurídico brasileiro. Nesse tocante o d. acórdão recorrida consignou o seguinte: "Inicialmente, fazse necessário esclarecer que a SELIC incide sobre o valor originário, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo para o pagamento da contribuição devida e não sobre a multa, como aduz a impugnante.". No entanto, em seguida afirma que "como há lei determinando expressamente a aplicação da taxa SELIC, Improcedem as alegações da impugnante.". No mínimo contraditórias as afirmações da Recorrida." Não observo a contradição apontada. Ao reverso, o argumento constante da decisão de piso é determinante. As multas tributárias seguem a sorte do crédito tributário, por Fl. 7043DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10935.724079/201301 Acórdão n.º 2201003.336 S2C2T1 Fl. 7.027 33 expressa disposição legal (art. 113 do CTN), sendo assim, corrigidas ao longo do tempo pelos juros moratórios. Corroborando tal entendimento, a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira no voto condutor do Acórdão 9202002003.765, de 16/02/16, explicitou: "Ao contrário do que entende o recorrente, a aplicação de juros sobre multa de ofício é devida, na medida em que a penalidade compõe o crédito apurado. De acordo com o art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN é autorizada a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício. Fazendo parte do crédito juntamente com o tributo, devem ser aplicados à multa os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. Nesse sentido, já se manifestou esta Câmara, em outras oportunidades, como no processo 10.768.010559/200119, Acordão 920201.806 de 24 de outubro de 2011, cuja ementa transcrevo a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Ano calendário:1997 JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO APLICABILIDADE O art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo. Recurso especial negado. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Precedentes do Tribunal Regional da 4ª Região. Recurso Especial Negado. A matéria sob exame pode ser dividida em duas questões, que se completam. A primeira, diz respeito à própria possibilidade genérica da incidência de juros sobre a multa, e centrase na interpretação do artigo 161 do CTN; a segunda questão envolve a discussão sobre a existência ou não de previsão legal para a exigência de juros sobre a multa, cobrados com base na taxa Selic. Sobre a incidência de juros de mora o citado art. 161 do CTN prevê o seguinte: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Fl. 7044DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 34 § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.” Inicialmente entendo que o art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo. Ou seja, tanto a multa como o tributo compõem o crédito tributário, devendolhes ser aplicado os mesmos procedimentos e os mesmos critérios de cobrança, devendo, portanto, sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Ademais, não haveria porque o valor da multa permanecer congelado no tempo. Por seu turno o § 1.º do art. 161 do CTN, ao prever os juros moratórios incidentes sobre os créditos não satisfeitos no vencimento, estipula taxa de 1% ao mês, não dispondo a lei de modo diverso. Abriu, dessa forma, possibilidade ao legislador ordinário tratar da matéria, o que introduz a segunda questão: a da existência ou não de lei prevendo a incidência de juros sobre a multa de oficio com base na taxa Selic. O artigo 43 da Lei nº 9.430/96 traz previsão expressa da incidência de juros sobre a multa. Confirase in verbis: "Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." Esse entendimento se coaduna com a Súmula nº 45 do extinto Tribunal Federal de Recursos, que já previa a correção monetária da multa: "As multas fiscais, sejam moratórias ou punitivas, estão sujeitas à correção monetária." Considerando a natureza híbrida da taxa SELIC, representando tanto taxa de juros reais quanto de correção monetária, justifica se a sua aplicação sobre a multa. Precedentes do Tribunal Regional da 4ª Região: “TRIBUTÁRIO. AÇÃO ORDINÁRIA. REPETIÇÃO. JUROS SOBRE A MULTA. POSSIBILIDADE. ART. 113, § 3º, CTN. LEI Nº 9.430/96. PREVISÃO LEGAL. Fl. 7045DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10935.724079/201301 Acórdão n.º 2201003.336 S2C2T1 Fl. 7.028 35 1. Por força do artigo 113, § 3º, do CTN, tanto à multa quanto ao tributo são aplicáveis os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. E não poderia ser diferente, porquanto ambos compõe o crédito tributário e devem sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Não haveria porque o valor relativo à multa permanecer congelado no tempo. 2. O artigo 43 da Lei nº 9.430/96 traz previsão expressa da incidência de juros sobre a multa, que pode, inclusive, ser lançada isoladamente. 3. Segundo o Enunciado nº 45 da Súmula do extinto TFR "As multas fiscais, sejam moratórias ou punitivas, estão sujeitas à correção monetária." 4. Considerando a natureza híbrida da taxa SELIC, representando tanto taxa de juros reais quanto de correção monetária, justificase a sua aplicação sobre a multa.” (APELAÇÃO CÍVEL Nº 2005.72.01.0000311/ SC, Relator: Desembargador Federal Dirceu de Almeida Soares) “TRIBUTÁRIO. ART. 43 DA LEI 9.430/96. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS MORATÓRIOS. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a exigência fiscal consistente na incidência de juros moratórios sobre multa de ofício aplicada ao contribuinte. Inteligência do artigo 43 da Lei 9.430/96 c/c art. 113, § 3, do CTN 2. Improvida a apelação.” (APELAÇÃO CÍVEL Nº 2004.70.00.0263869/ PR, Relator: Juiz Federal Décio José da Silva). Destarte, entendo que é legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Conforme descrito acima, os juros de mora sobre a multa são devidos em função do § 3º do art. 113 do CTN, pois tanto a multa quanto o tributo compõe o crédito tributário. Esse entendimento encontra precedentes da 2ª Turma da CSRF: Acórdão nº 920201.806 e Acórdão nº 920201.991. Destacase ainda que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) reconheceu a legalidade dos juros de mora sobre a multa de oficio (AgRg no REsp 1.1335.688/PR; REsp 1.129.990PR; REsp 834.681MG)." Recurso negado também nessa parte. CONCLUSÃO Por todo o exposto e pelos fundamentos explicitados, voto por conhecer do recurso e negarlhe provimento. assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira Relator Fl. 7046DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 36 Fl. 7047DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10380.724827/2014-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Sep 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
DOENÇA GRAVE. NÃO COMPROVAÇÃO. ISENÇÃO. NÃO RECONHECIMENTO.
Não havendo comprovação de que o Interessado é portador de uma das enfermidades apontadas na legislação de regência como necessárias para o reconhecimento da isenção, resulta impossível reconhecer o direito ao benefício fiscal pretendido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.432
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário para, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo Presidente
(assinado digitalmente)
Túlio Teotônio de Melo Pereira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Mario Pereira de Pinho Filho, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Amílcar Barca Teixeira Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Bianca Felicia Rothschild e Theodoro Vicente Agostinho.
Nome do relator: TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA
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DOENÇA GRAVE. ISENÇÃO. Recorrente JORGE LIMA ROCHA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 DOENÇA GRAVE. NÃO COMPROVAÇÃO. ISENÇÃO. NÃO RECONHECIMENTO. Não havendo comprovação de que o Interessado é portador de uma das enfermidades apontadas na legislação de regência como necessárias para o reconhecimento da isenção, resulta impossível reconhecer o direito ao benefício fiscal pretendido. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 48 27 /2 01 4- 42 Fl. 157DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo – Presidente (assinado digitalmente) Túlio Teotônio de Melo Pereira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Mario Pereira de Pinho Filho, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Amílcar Barca Teixeira Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Bianca Felicia Rothschild e Theodoro Vicente Agostinho. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO Processo nº 10380.724827/201442 Acórdão n.º 2402005.432 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Inicialmente, transcrevemos o relatório da decisão recorrida (fls. 111/116), por bem retratar os fatos ocorridos até aquele momento: Para o Contribuinte identificado no preâmbulo, foi emitida, por Auditor FiscaL da DRF Fortaleza (CE), a Notificação de Lançamento de fls. 89/92, referente ao imposto de renda pessoa física do exercício 2011. Foi apurado imposto a pagar de R$ 5.681,54, mais multa de ofício e juros de mora. A Notificação de Lançamento originouse da revisão da Declaração de Ajuste Anual ND n° 03/34.221.833, quando foram alterados os dados nela informados em decorrência da seguinte irregularidade: • Rendimentos Indevidamente Considerados como Isentos por Moléstia Grave, no valor de R$ 74.194,36. Fonte pagadora: Fundo Financeiro da Previdência Social dos Servidores Públicos. O enquadramento legal e a descrição dos fatos foram anotados na Notificação de Lançamento. A autoridade lançadora esclarece que a doença constante no Laudo Médico Pericial emitido pela Polícia Militar da Bahia Angina Estável "CID10:I20" não está elencada na Lei como moléstia isentiva do imposto de renda. Depois da ciência do lançamento, o Contribuinte apresenta Impugnação e documentos comprobatórios às fls. 2/82 e 103/106. Em resumo, após expor a situação envolvendo sua saúde, o Impugnante alega que é portador de Cardiopatia Grave com Angina Estável, por isso, seus rendimentos oriundos de aposentadoria por invalidez são isentos do imposto de renda. Requer a procedência da Impugnação. A impugnação foi julgada improcedente, em 20/11/2015, por meio do acórdão no 0369.626 3a Turma da DRJ/BSB (fls. 111/116) fundamentada nos seguintes termos: Compulsando todos os documentos trazidos aos autos, constata se que o Centro de Perícias Médicas Militares da Polícia Militar do Estado da Bahia, por meio da Ata de Inspeção expedida por na Sessão n° 005/CPMM/05/2007, com a participação de 3 (três) médicos da corporação, registrou que o Contribuinte foi diagnosticado como portador da doença classificada no "CID:X I20 (Angina estável)", fls. 11/12. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO 4 Referida doença não está relacionada na norma legal como uma das moléstias que confere isenção de imposto de renda sobre rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão. O Contribuinte firma entendimento em sua peça de resistência que a doença mencionada no parágrafo anterior caracteriza cardiopatia grave, todavia, nos autos não consta qualquer documento emitido por médico vinculado ao serviço de saúde da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios classificando a doença CID:XI20 (Angina estável) como cardiopatia grave. Nesse passo, depois de apreciar as alegações ofertadas pelo Impugnante e os documentos trazidos aos autos, concluise que persiste a motivação da infração registrada pela autoridade lançadora na descrição dos fatos. Diante do exposto, encaminho o meu VOTO pela IMPROCEDÊNCIA da Impugnação. Cientificado da decisão da DRJ em 29/12/2015 (f. 120), o sujeito passivo apresentou recurso voluntário (fls. 122/123), em 21/01/2016, aduzindo, em síntese que: 1. conforme II Diretriz de cardiopatia grave, manual de perícias médicas e parecer do dr. Israel Ribeiro, médico perito do INSS, a classificação da doença de que sofre o requerente é cardiopatia grave; 2. o laudo fornecido pelo perito do INSS levou à concessão da aposentadoria por invalidez; 3. reconhecida também a moléstia e o direito à restituição do imposto de renda, nos autos do processo no 10380.729877/201335, onde julga procedente e faz a devolução do valor retido. Anexa documentos (fls. 124/143). Requer que seja acolhido o recurso e cancelada a exigência fiscal. É o relatório. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO Processo nº 10380.724827/201442 Acórdão n.º 2402005.432 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Túlio Teotônio de Melo Pereira Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade pelo que deve ser conhecido. Isenção decorrente de doença grave Temse em pauta recurso voluntário no qual o Interessado pretende que seja reconhecido seu direito à isenção do imposto de renda pessoa física incidente sobre os rendimentos provenientes de reserva remunerada, alegando que é portador de doença grave. Para o gozo da isenção pleiteada, a Lei no 7.713/1988 estabelece os seguintes requisitos: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviços, e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerosemúltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (Redação dada pela Lei nº 8.541, de 1992) (Vide Lei 9.250, de 1995) (...) XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão. (Incluído pela Lei nº 8.541, de 1992) (grifouse) Dos dispositivos transcritos, verificase que são dois os requisitos para o exercício do direito à isenção pleiteada: Fl. 161DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO 6 a) que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, reforma ou pensão; b) que o contribuinte seja portador de uma das doenças enumeradas no inciso XIV, do art. 6o, da Lei no 7.713/1988. Ademais, partir do anocalendário 1996, a Lei no 9.250/1995 qualificou a comprovação do segundo requisito nos seguintes termos: Art. 30 A partir de 1° de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6° da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. (grifouse) Com a impugnação, o recorrente trouxe, além de outros documentos, cópia de ata de inspeção de saúde, emitido pelo Departamento de Saúde da Polícia Militar/BA, datado de 07/05/2007, concluindo pelo diagnóstico de angina estável, CID X I 20. No recurso voluntário, o contribuinte insiste que sofre de cardiopatia grave, conforme laudo fornecido por perito do INSS, que teria levado à concessão da aposentadoria por invalidez. No entanto, compulsando os documentos juntados ao recurso (fls. 124/143), não consta qualquer documento, emitido por médico vinculado ao serviço de saúde da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, com diagnóstico de que o contribuinte é portador de cardiopatia grave. A II diretriz brasileira de cardiopatia grave e o manual de perícias médicas são normas técnicas dirigidas aos médicos, e não à autoridade julgadora administrativa, razão por que as mesmas não aproveitam ao recorrente. O único documento que consta nos autos firmado pelo dr. Israel Ribeiro (f. 128) não foi intitulado parecer, como pretende o recorrente, nem faz o diagnóstico da suposta cardiopatia grave. Além disso, não foi emitido por serviço médico oficial, e nem sequer o signatário se identificou como médico perito do INSS, como afirmado na peça recursal. Assim, revelouse imprestável para a finalidade pretendida no recurso. Quanto a este documento ter conduzido à concessão da aposentadoria por invalidez, além de tal fato não restar comprovado nos autos, também não levaria obrigatoriamente à conclusão do direito à isenção, visto tratarse de institutos distintos, cada um com suas normas e requisitos próprios. Por fim, devese dizer que o despacho decisório DRF/FOR/Seort, exarado nos autos processo no 10380.729877/201335, não tem efeito vinculante, mas somente tem validade para a controvérsia ali debatida, qual seja, reconhecer o direito creditório relativo ao exercício 2009, anocalendário 2008. No referido despacho decisório, entendeuse que parecer do centro de perícias médicas militares, emitido pela Polícia Militar da Bahia, reconhece cardiopatia grave desde 07/05/2007. No entanto, referido "parecer" não foi trazido aos autos pelo recorrente, pelo que a decisão, desprovida dos elementos probatórios, também não aproveita ao Interessado. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO Processo nº 10380.724827/201442 Acórdão n.º 2402005.432 S2C4T2 Fl. 5 7 Do exposto, temse que o recorrente não logrou êxito em comprovar que é portador de uma das enfermidades listadas no artigo 6°, inciso XIV, da Lei n° 7.713/1988, pelo que é impossível reconhecer o direito à isenção pleiteada. Recurso sem provimento na matéria. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Túlio Teotônio de Melo Pereira. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 10665.000836/2010-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 04 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1401-000.303
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, EM DECLINAR competência para à Terceira Seção de Julgamento, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Jorge Celso Freire da Silva. .
Nome do relator: Não se aplica
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, EM DECLINAR competência para à Terceira Seção de Julgamento, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Jorge Celso Freire da Silva. . RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 65 .0 00 83 6/ 20 10 -2 4 Fl. 1605DF CARF MF Processo nº 10665.000836/201024 Resolução nº 1401000.303 S1C4T1 Fl. 1.791 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário e de ofício no Acórdão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal em Belo HorizonteMG. Adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância, compondo em parte este relatório: Foram lavrados contra o contribuinte acima identificado os presentes Autos de Infração, relativos à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS (fls. 03/11) e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins (fls. 14/22), correspondentes aos períodos de apuração de janeiro a dezembro de 2005, nos montantes respectivos de R$ 1.009.634,42 e R$ 4.650.437,83, incluindo multa de ofício qualificada (150%) e juros de mora. As autuações ocorreram em virtude da falta/insuficiência de recolhimento do PIS e da Cofins nãocumulativos, nos períodos acima identificados, conforme o Termo de Verificação Fiscal (TVF), de fls. 24/29, cuja apuração encontrase discriminada nos demonstrativos de fls. 30/46. No TVF, a fiscalização esclarece que foi reconstituída a apuração dos créditos de PIS e Cofins nãocumulativos com base na documentação apresentada pelo contribuinte e nas informações constantes dos bancos de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Em relação aos insumos, não foram consideradas as aquisições de pneus, câmaras, peças e acessórios para veículos próprios ou locados, utilizados no transporte de produtos acabados. Também não foram considerados os insumos adquiridos de pessoa física. Foram objeto de glosa as aquisições de carvão vegetal das pessoas jurídicas E. A. da MaiaCarvão, Carvão do Brasil Ltda. e Caiçara Agro Ind. e Pecuária S/A, para as quais o contribuinte não apresentou os documentos que embasassem os lançamentos registrados em seu Livro Diário, ou seja, os efetivos comprovantes de pagamentos. Para todas essas empresas foi constatada situação fiscal irregular. ^ As aquisições de "ferro gusa de formato irregular" das pessoas jurídicas Pentágono Com. de Ferro e Aço Ltda., Açomig Com. de Sucatas Ltda., Trevo Ferro e Aço Ltda., Dinaço Ind. e Com. de Ferro e Aço Ltda., Discoaço Ind. e Com. Ltda. e Estiraço Ind. e Com. de Aço. Ltda. foram glosadas por terem sido apresentadas notas fiscais inidôneas referentes a todas as operações (Atos Declaratórios de inidoneidade publicados) e por não comprovação efetiva do pagamento. Foram apresentados pelo contribuinte algumas cópias de cheques para os quais foram verificados preenchimentos, saques e depósitos que não comprovam o pagamento às empresas vendedoras. Também foram realizadas diligências em algumas das empresas. Aquelas encontradas negaram terem realizado as operações de venda, além de esclarecerem que não produzem ou comercializam ferro gusa. Não foram considerados os dispêndios com combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos próprios ou alugados, no transporte de produtos acabados, e os gastos com manutenção, reparos e peças de tais veículos (serviços prestados por pessoa Fl. 1606DF CARF MF Processo nº 10665.000836/201024 Resolução nº 1401000.303 S1C4T1 Fl. 1.792 3 jurídica). Foram glosadas as despesas com aluguel de veículos e de andaimes e as despesas lançadas na conta "00223 Serviços Terceiros PJ" (serviços portuários, de embarque e outros serviços), por não se tratar de despesas com fretes. Após as deduções das próprias contribuições devidas, não remanesceu crédito passível de ressarcimento/compensação, mas sim saldos de PIS/Cofins a pagar que foram lançados de ofício com a aplicação da multa qualificada (150%) e elaboração de representação fiscal para fins penais, por terem sido cometidas infrações que se enquadram no previsto nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964. Os dispositivos legais infringidos constam na Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is) dos referidos Autos de Infração (fls. 05/16). Irresignado, tendo sido cientificado em 30/06/2010 (fl. 1179), o autuado apresentou, em 28/07/2010, acompanhadas dos documentos de fls. 1246/1466, as suas razões de defesa (fls. 1184/1245), a seguir resumidas: Narrando os fatos considerados pelo fisco na formalização dos presentes lançamentos, aduz ser pretensioso e improcedente o trabalho fiscal, por não se encontrar lastreado em fatos típicos que a lei enumera com sendo excludente do direito do destinatário ou tomador dos serviços de deduzir, a título de crédito, o que é devido na operação antecedente pela incidência dos mesmos tributos. Como o conceito de faturamento utilizado pelo legislador na instituição do PIS e da Cofins é amplo e sem qualquer restrição, não há restrições ao creditamento, em consonância com o que dispõe o art. 110 do CTN. E quando a lei não restringe o direito ao crédito na ocorrência de determinado fato, cumprindo integralmente o princípio da nãocumulatividade, não é dado ao intérprete e aplicador da lei o direito de estornar o crédito legalmente apropriado com base em acusações que não retiram dos fatos os efeitos jurídicos que lhes são próprios. Quanto ao estorno de créditos relativos à aquisição de pneus, câmaras, peças e acessórios para veículos próprios ou locados, utilizados no transporte de produtos acabados, considerados indevidos por não se enquadrarem no conceito de insumos previsto no art. 66, §5°, I, a, da IN SRF n° 247, de 2002, deve se levar em conta que a fabricação ou produção precisa ser vista e tratada como um processo e não como resultado, ou seja, devem ser consideradas as diversas fases do processo produtivo. Dessa forma, não é porque pneus, câmaras e peças para os veículos não integram o produto que as aquisições não tenham sido feitas para utilização no processo produtivo. Explica que os produtos semielaborados são transportados internamente, de um setor de produção para outro, para acabamento/complementação ou para estocagem. E enquanto o resultado do processo "produto final" não chegar ao local de onde sairá do estabelecimento para os destinatários, estará em fase de fabricação/produção. Assim, tudo que se consome nas diversas fases do processo e que gera "custos de produção" deve ser entendido como insumo para efeito de creditamento, pois foi utilizado no processo de produção de bens destinados à venda. Nesse sentido, a IN n° 247, de 2002, conceituou com insumo tudo o que se adquire e é utilizado no processo produtivo, obedecendo ao princípio legal da nãocumulatividade. Sobre o estorno de créditos apropriados nas aquisições de carvão vegetal das pessoas jurídicas E. A. da MaiaCarvão e Carvão do Brasil Ltda., tece considerações acerca do princípio da legalidade e do art. 142 do CTN e afirma que o fisco, na conclusão dos seus trabalhos, equivocouse na aplicação do que estabelece a lei, pois microempresa é pessoa jurídica domiciliada no país e as aquisições de bens e serviços delas se enquadram no inciso I do art. 3o das Leis n°s 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003. Não consta dessas leis que o descumprimento de obrigações acessórias por parte Fl. 1607DF CARF MF Processo nº 10665.000836/201024 Resolução nº 1401000.303 S1C4T1 Fl. 1.793 4 das remetentes ou a não comunicação ao fisco de valores faturados com o intuito de fugir à obrigação de pagar tributo, exclui das destinatárias o direito ao creditamento. Assim, houve transferência de obrigação ou vedação de direito assegurado em lei, sendo que o respectivo estorno de créditos deve ser julgado improcedente, sob pena de se atribuir ao fisco o poder de declarar e não de apurar o tributo. Meras suspeitas, como as levantadas pelo fisco, não são o bastante para comprovar origem diversa das mercadorias adquiridas, que foram acobertadas com documentos fiscais idôneos, e não são suficientes para descaracterizar as operações realizadas. Não pode o fisco, lastreado em desconfianças, exigir tributo extrapolando o critério de apuração instituído em lei, pois não há nos autos nada que permita deduzir que as operações não foram, de fato, realizadas pelos emitentes das notas fiscais. Tal procedimento fiscal é uma tentativa de inverter o ônus da prova que, como se sabe, compete a quem acusa. Sobre o assunto, transcreve entendimentos doutrinários. Acrescenta que, por não ter conseguido provas no sentido de que as compras foram irreais, o fisco se apegou à forma de pagamento para, menosprezando os registros contábeis, levantar suspeitas quanto aos desembolsos contabilizados. Mas, nas compras à vista, o próprio documento fiscal é suficiente para justificar a contabilização da quitação. E o fato de as compras terem sido liquidadas mediante a entrega de numerário baixado na conta caixa não implica em qualquer vício passível de ensejar obrigação tributária por mera dedução e não macula as operações em si, não sendo possível se afirmar que tais operações não ocorreram ou que são originárias de outras pessoas que não as remetentes. A respeito das aquisições de carvão vegetal de empresas consideradas, pelo fisco, como inidôneas, diz não concordar com o procedimento da fiscalização do Estado, que, suspeitando de irregularidades em diversos caminhões carregados com carvão vegetal no aguardo do descarregamento, decidiu por substituir as notas fiscais emitidas na origem por uma nota fiscal avulsa, indicando no campo para identificação da remetente a expressão "diversos contribuintes", em vez de emitir uma nota fiscal para cada carregamento. No campo das informações complementares, apontou como motivo da substituição a suspeita de tratarse de documentos falsos ou inidôneos. Porém, o fisco não tem poderes para declarar a inidoneidade, que é vício do documento cuja apuração e divulgação exige expediente próprio e somente produz efeitos contra terceiros a partir da publicação do ato declaratório no Diário Oficial. Explica que foi nomeada depositária das mercadorias até a solução das suspeitas levantadas, quando acertou o compromisso assumido com as remetentes efetivando o pagamento das compras, conforme lançamento no livro diário. E não é porque o fisco levantou suspeita no momento da substituição das notas fiscais que a suposta inidoneidade, que até hoje não restou comprovada, tornouse verdade absoluta para o fim desejado pelo fisco. Sobre o tema, cita julgados dos Tribunais. Afirma que as notas fiscais elencadas no Auto de Infração são idôneas, porquanto confeccionadas e aprovadas pelas repartições fiscais de suas circunscrições e emitidas dentro de seus prazos legais de utilização, sendo que as operações mercantis foram realizadas antes dos atos declaratórios de inidoneidade. Não obstante, efetivamente recebeu as mercadorias, registrou tempestivamente as operações e pagou aos fornecedores o valor da compra, conforme se extrai dos seus livros fiscais e societários. As empresas fornecedoras foram devida e tempestivamente autorizadas pelo fisco a emitir as notas fiscais e os atos declaratórios foram publicados na imprensa oficial em data posterior às das efetivações das compras/vendas mercantis, e por isso não têm o condão de provocar efeito retroativo. Também não existe máfé ou conluio quando do creditamento dos tributos. É certo e induvidoso que as operações foram realizadas com empresa estabelecida no país e que as mercadorias adquiridas foram utilizados como Fl. 1608DF CARF MF Processo nº 10665.000836/201024 Resolução nº 1401000.303 S1C4T1 Fl. 1.794 5 insumo, o que assegura o seu direito ao creditamento. Cita e transcreve o art. 5o, II, da CF/1988, julgado do STF e o art. 103 do CTN. Faz apontamentos acerca da irretroatividade dos atos administrativos (art. 100, I, do CTN) e dos princípios da irretroatividade e da anterioridade das leis, trazendo doutrina e jurisprudência dos tribunais acerca desse assunto. Afirma que à época das transações comerciais pactuadas com os fornecedores inexistia qualquer óbice ou restrição junto à Secretaria de Estado da Fazenda, o que torna os negócios havidos do revestimento de ato jurídico perfeito. Os lançamentos foram efetivados em obediência às normas vigentes e todas as compras de insumos foram devidamente pagas, conforme constatado nos registros contábeis. A empresa Pentágono Comércio de Ferro e Aço Ltda. somente foi declarada inapta no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica por meio de ADE de 26/11/2009, publicado em 27/11/2009. Já o Estado de Minas Gerais somente em 01/10/2007 emitiu Ato Declaratório considerando inidôneos os documentos por ela emitidos a partir de 03/06/2004. Pelos motivos já expostos, o Ato só produz efeitos contra terceiros a partir de sua publicação no Diário Oficial. Ademais, contribuinte estabelecido em Minas Gerais não tem como fiscalizar o cumprimento das obrigações dos remetentes nos seus respectivos Estados de origem. Quanto à empresa Açomig Com. de Sucatas Ltda., embora aponte o fisco que os documentos por ela emitidos foram declarados inidôneos, está assente no Sintegra (Consulta Pública ao Cadastro do Estado de Minas Gerais) que a restrição aos créditos originários das notas por ela emitidas teve início em 30/12/2008. Ao tempo das entradas e dos pagamentos devidamente contabilizados nenhuma restrição havia em relação aos créditos apropriados. Diante de tais fatos, verificase que foram estornadas as aquisições dessas empresas somente porque os pagamentos foram efetivados com recursos disponíveis no caixa, registrados com base nos próprios documentos, não havendo lei alguma proibindo o registro das compras à vista. Aquele que efetiva o pagamento da sua obrigação e faz prova da sua existência pelo documento que acobertou a operação mercantil tem o direito de exigir recibo e não obrigação de preenchêlo ou utilizálo na efetivação do respectivo registro. As condições insertas na lei que asseguram o creditamento restringemse à utilização das mercadorias como insumos e que elas tenham sido adquiridas de empresa estabelecida no país. Se tais operações foram quitadas ou não, pouco importando a forma de pagamento, não dá o direito ao fisco de estornar o crédito. E a inidoneidade das notas fiscais não modifica a destinação dada aos insumos e tampouco faz com que as emitentes percam a condição de empresa estabelecida no país na data das compras. No que se refere às empresas Estiraço Indústria e Comércio de Ferro e Aço Ltda., Trevo Ferro e Aço Ltda., Discoaço Ind. e Com. Ltda. e Dinaço Indústria e Comércio de Ferro e Aço Ltda., cujas notas fiscais de AIDFs específicos foram declaradas inidôneas por meio de Atos Declaratórios publicados em 2005 e 2008, aduz que não dispõe de controle das AIDFs de suas fornecedoras, a ponto de ser responsabilizada pela impressão e utilização de documentos nas condições alegadas. O que deveria fazer e fez foi exigir da fornecedora a comprovação de inscrição nos órgão públicos (CNPJ, Sintegra, etc), nos quais, nas datas das operações, não havia apontamento de quaisquer irregularidades. Alega que ao ser intimada para apresentar as notas fiscais e a comprovação dos respectivos pagamentos, prontamente cumpriu a intimação, apresentando cópias dos cheques nominais entregues aos respectivos fornecedores que foram, posteriormente, Fl. 1609DF CARF MF Processo nº 10665.000836/201024 Resolução nº 1401000.303 S1C4T1 Fl. 1.795 6 descontados ou compensados na sua conta corrente. Houve, contudo, casos em que os pagamentos foram efetivados com utilização dos recursos disponíveis no caixa. Ressalta que a destinação dos cheques entregues no pagamento das mercadorias não deturpa a utilização dada aos referidos produtos e tampouco faz com que não tenham sido fornecidos por empresa estabelecida no país. E não há na lei dispositivo que fixe como condição ao creditamento a satisfação dos pressupostos que o fisco utiliza no embasamento dos estornos. Por mais que levante suspeitas sobre as condições do negócio, a realização das operações está notoriamente comprovada pelos registros fiscais, identificadas as origens e certificada a utilização dos insumos no controle da produção e do estoque. Além do mais, os atos declaratórios de inidoneidade foram publicados após a consumação das compras e não comprovam a sua ilicitude. Também as declarações unilaterais fornecidas por algumas das fornecedoras talvez para se desincumbirem de obrigações ficais não constituem prova cabal em seu desfavor. E se elas não efetivaram o registro das notas ou extraviaram os documentos, a responsabilidade pelo uso não pode ser transferida para os adquirentes de boafé, com base numa simples declaração assinada pelo responsável por tais documentos. Com relação à glosa dos créditos derivados do pagamento de aluguéis de veículos e andaimes, entende que o legislador não limitou o conceito de máquinas e equipamentos disposto na lei, estendendo o direito ao crédito aos aluguéis pagos a pessoa jurídica na locação de veículos e mesmo de andaimes. Isso porque toda empresa que produz, também comercializa, e, na conservação de suas instalações, é obrigada a promover reformas e ajustes, atividades que são próprias da empresa, muito embora não constituam razão primordial da sua existência. Se a lei não limita o creditamento ao pagamento de aluguéis de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo, ao fisco não compete restringir o sentido da norma, pois ao intérprete não é dado o direito de restringir onde a lei não restringe. Sobre as glosas referentes a fretes sobre vendas, o fisco desconsiderou o crédito derivado do pagamento de serviços indispensáveis à conclusão dos negócios celebrados pela empresa, cujas contratações fazem parte dos custos próprios das atividades que explora. Ao contribuinte é assegurado o direito ao creditamento do valor dos serviços contratados de pessoas jurídicas estabelecidas no país que geram custos. E na promoção de suas vendas para o exterior é obrigada, nos termos do contrato que celebra, a cobrir todas as despesas incorridas até a complementação do embarque. O legislador não limitou o conceito de serviços contratados, estendendo o direito ao crédito a todos e quaisquer serviços contratados de pessoas jurídicas estabelecidas no país que impliquem ônus para o contratante no exercício das suas atividades. E, se a lei não limita o creditamento às contratações de serviços indispensáveis à produção em si (§2° do art. 3o das Leis n°s 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003), ao fisco não compete restringir o sentido da norma. Discorre sobre o caráter confiscatório da multa, aplicada no percentual de 150%, que fere o art. 150, IV, da CF/1998, pois: não se trata de reprimir a fraude fiscal, nem delito de contrabando, descaminho ou sonegação fiscal; as irregularidade apontadas são improcedentes, na forma das razões fáticas e legais deduzidas e da documentação apresentada; e, inexistindo o principal, o acessório inexiste. Para que haja o agravamento da penalidade, que constitui exceção à regra do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, é preciso que o fisco comprove que houve evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, que não pode ser presumido em função do resultado gerado pelo ato em si (falta ou pagamento a menor do tributo). E não houve prova, por parte do fisco, de que o fato resulta da prática de Fl. 1610DF CARF MF Processo nº 10665.000836/201024 Resolução nº 1401000.303 S1C4T1 Fl. 1.796 7 fraude, como exige o art. 116 do CTN, mas meras suposições. E na dúvida em relação ao fato em si ou acerca do seu enquadramento nos termos da lei, aplicase o disposto no art. 112 do CTN, que determina a adoção da solução mais favorável ao acusado. O que se vê na ação impugnada é a tentativa de se fazer valer o indício, fato extremamente duvidoso, em detrimento do direito constitucionalmente assegurado ao contribuinte, menosprezandose os efeitos das normas que o protegem da arbitrariedade, na defesa pura e simples da arrecadação. A apropriação do crédito foi lastreada em documentos válidos sobre os quais o fisco apenas levantou suspeitas, podendo ser considerada apenas como indício que, por sua vez, não constitui prova bastante para imputação da obrigação de pagar o tributo e muito menos da multa no percentual aplicado. Não houve prova cabal da obrigação exigida, tampouco da ocorrência do disposto nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964. Acerca do tema, transcreve entendimentos doutrinários e jurisprudência do Conselho de Contribuintes, destacando a Súmula CARF n° 25. Além disso, deve ser observada a capacidade contributiva do contribuinte, princípio expresso no §1° do art. 145 da CF/1998 que assegura somente serem tributados os contribuintes na medida de suas aptidões, pois, caso contrário, o tributo revestirá caráter confiscatório. Acrescenta que, na apuração dos débitos de PIS e Cofins, o fisco incluiu indevidamente nas bases de cálculo o valor destacado nas notas fiscais a título de ICMS, tributo que integra o valor da operação e que está sendo taxado na cobrança das contribuições. Tal cobrança de tributo sobre tributo é inconstitucional, posto que configura a tributação de riqueza que não pertence ao contribuinte, mas sim ao erário estadual. Sobre o assunto, transcreve julgado do STF. Por fim, requer seja recebida a presente impugnação, sejam apreciadas, conhecidas e recebidas todas as arguições e julgadas improcedentes as exigências fiscais formalizadas. É o relatório. A DRJ MANTEVE os lançamentos, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 Os valores referentes a partes e peças de reposição para os veículos ligados ao processo produtivo podem compor a base de cálculo dos créditos a serem descontados do PIS, exclusivamente na condição desses veículos serem utilizados para o transporte de matériasprimas, produtos intermediários e bens em fabricação dentro do estabelecimento industrial, ao longo da linha de produção, ou quando esta se dê em etapas, entre os diferentes locais em que seja realizada. Pode ser descontado o crédito do PIS calculado em relação ao valor dos aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, utilizados nas atividades da empresa, desde que pagos a pessoa jurídica. Não há previsão legal para cálculo do crédito em relação ao aluguel de veículos ou andaimes. Para que a aquisição de um serviço possa gerar crédito para a apuração do PIS é preciso que seja caracterizado como insumo, ou seja, deve ser aplicado ou consumido na produção de bens ou na prestação de serviços. Fl. 1611DF CARF MF Processo nº 10665.000836/201024 Resolução nº 1401000.303 S1C4T1 Fl. 1.797 8 Todos os meios de prova legais e moralmente legítimos são hábeis a fazer prova dos fatos que consubstanciam a imputação, notadamente as provas indiretas (indícios) que se revelarem copiosas e convergentes. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis. No caso de comprovada falsidade/inidoneidade e de indícios de irregularidade na emissão das notas fiscais, cabe ao contribuinte apresentar provas, por meio de documentos hábeis e idôneos, da efetiva aquisição dos produtos. A multa de ofício será qualificada, no percentual de 150%, conforme estabelece a lei, sempre que houver o intuito de fraude, devidamente caracterizado em procedimento fiscal, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. A arguição de inconstitucionalidade não é oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites da sua competência. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 Os valores referentes a partes e peças de reposição para os veículos ligados ao processo produtivo podem compor a base de cálculo dos créditos a serem descontados da Cofins, exclusivamente na condição desses veículos serem utilizados para o transporte de matériasprimas, produtos intermediários e bens em fabricação dentro do estabelecimento industrial, ao longo da linha de produção, ou quando se esta se dê em etapas, entre os diferentes locais em que seja realizada. Pode ser descontado o crédito da Cofins calculado em relação ao valor dos aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, utilizados nas atividades da empresa, desde que pagos a pessoa jurídica. Não há previsão legal para cálculo do crédito em relação ao aluguel de veículos ou andaimes. Para que a aquisição de um serviço possa gerar crédito para a apuração da Cofins é preciso que seja caracterizado como insumo, ou seja, deve ser aplicado ou consumido na produção de bens ou na prestação de serviços. Todos os meios de prova legais e moralmente legítimos são hábeis a fazer prova dos fatos que consubstanciam a imputação, notadamente as provas indiretas (indícios) que se revelarem copiosas e convergentes. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis. No caso de comprovada falsidade/inidoneidade e de indícios de irregularidade na emissão das notas fiscais, cabe ao contribuinte apresentar provas, por meio de documentos hábeis e idôneos, da efetiva aquisição dos produtos. A multa de ofício será qualificada, no percentual de 150%, conforme estabelece a lei, sempre que houver o intuito de fraude, devidamente Fl. 1612DF CARF MF Processo nº 10665.000836/201024 Resolução nº 1401000.303 S1C4T1 Fl. 1.798 9 caracterizado em procedimento fiscal, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. A arguição de inconstitucionalidade não é oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites da sua competência. Irresignada com a decisão de primeira instância a interessada interpôs recurso voluntário (fls. 1496 a 1505) a este CARF, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação. É o relatório. Fl. 1613DF CARF MF Processo nº 10665.000836/201024 Resolução nº 1401000.303 S1C4T1 Fl. 1.799 10 VOTO Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator. O Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria Nº 256, DE 22 DE JUNHO DE 2009, em seu anexo II define objetivamente as competências de cada uma das Seções, nos seguintes termos: Art. 4° À Terceira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Contribuição para o PIS/PASEP e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), inclusive as incidentes na importação de bens e serviços; II Contribuição para o Fundo de Investimento Social (FINSOCIAL); III Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI); IV Crédito Presumido de IPI para ressarcimento da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS; (...) (grifei) Conforme relatado, foram lavrados autos de infração do PIS e da COFINS. E como visto acima, a competência para julgamento dos recursos que envolvem tais tributos é da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO. À vista do que vai acima exposto, meu voto é no sentido declinar da competência para que o julgamento do recurso se dê na 3a Seção de julgamento do CARF. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 1614DF CARF MF
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