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6568488 #
Numero do processo: 35564.006640/2006-26
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Nov 21 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 9202-000.041
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Secretaria da Câmara, para saneamento, especialmente no que tange a reorganização dos autos a partir das fls. 438.. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI

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Resolução nº  9202­000.041  –  2ª Turma  Data  29 de setembro de 2016  Assunto  CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS ­ DECADÊNCIA  Recorrente  ALITER CONSTRUÇÕES E SANEAMENTO LTDA.  Interessado  FAZENDA NACIONAL    Resolvem  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o  julgamento  em  diligência  à  Secretaria  da  Câmara,  para  saneamento,  especialmente  no  que  tange a reorganização dos autos a partir das fls. 438..    (assinado digitalmente)  Luiz Eduardo de Oliveira Santos ­ Presidente em exercício    (assinado digitalmente)  Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri ­ Relatora      Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira  Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira,  Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis  da Costa Bacchieri.           RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 3 55 64 .0 06 64 0/ 20 06 -2 6 Fl. 560DF CARF MF Processo nº 35564.006640/2006­26  Resolução nº  9202­000.041  CSRF­T2  Fl. 560          2 Relatório:  Trata­se  de  Recurso  Especial  interposto  pelo  Contribuinte  contra  acórdão  nº  2402­01.241 ­ 4a Câmara / 2a Turma Ordinária que negou provimento ao Recurso Voluntário e  decidiu, entre outros pontos, pela rejeição da preliminar de decadência do lançamento em razão  da  aplicação  do  art.  173,  I  do CTN,  haja  vista  a  ausência  de  antecipação  do  pagamento  do  tributo, nos termos do voto do Conselheiro Redator.  O acórdão recebeu a seguinte ementa:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS   Período de apuração: 01/09/1997 a 31/05/1998  DECADÊNCIA.  O  Supremo  Tribunal  Federal,  através  da  Súmula  Vinculante  n°  08,  declarou  inconstitucionais  os  artigos  45  e  46  da  Lei  n°  8.212,  de  24/07/91,  devendo,  portanto,  ser  aplicadas  as  regras  do  Código  Tributário Nacional.  SOLIDARIEDADE. ARBITRAMENTO. FISCALIZAÇÃO APENAS NO  TOMADOR DE SERVIÇOS. BENEFÍCIO DE ORDEM.  São solidários com o construtor o proprietário, o incorporador, o dono  da  obra  ou  condômino  da  unidade  imobiliária,  qualquer  que  seja  a  forma  de  contratação  da  construção,  reforma  ou  acréscimo,  são  solidários  com  o  construtor  pelo  cumprimento  das  obrigações  para  com  a  Seguridade  Social,  não  se  aplicando,  em  qualquer  hipótese,  o  benefício de ordem.  RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.  Recurso Especial do contribuinte juntado às fls. 438.  Em  exame  de  admissibilidade  o  recurso  foi  conhecido  tendo  a  matéria  sido  assim delimitada:  A recorrente apresenta paradigmas segundo os quais seria aplicável ao  caso  em  análise  a  regra  do  §4º  do  art.  150  do CTN. Observa  que  o  aresto  atacado  entendeu  o  contrário,  ou  seja,  que  se  devia  aplicar  a  regra do inciso I do art. 173 do mesmo diploma legal, por entender que  não  existe  pagamento  antecipado,  quando  na  realidade  simplesmente  não se sabe se houve ou não antecipação porque o Fisco não apurou  tal fato.  Foram apresentadas contrarrazões pugnando pela manutenção do acórdão.  É o relatório.    VOTO:  Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri ­ Relatora  Fl. 561DF CARF MF Processo nº 35564.006640/2006­26  Resolução nº  9202­000.041  CSRF­T2  Fl. 561          3   Conforme  consta  do  relatório,  trata­se  de  Recurso  Especial  interposto  pelo  Contribuinte contra o 2402­01.241 ­ 4a Câmara / 2a Turma Ordinária do CARF.  Em  que  pese  ter  havido  o  despacho  de  admissibilidade  e  a  manifestação  da  Fazenda  Nacional  em  sede  de  contrarrazões,  a  forma  como  o  processo  se  encontra  hoje  digitalizado  me  impede  de  conhecer  corretamente  das  alegações  do  recurso  interposto  pelo  contribuinte, seja quanto a admissibilidade ­ uma vez que não encontrei nos autos as fls. 443 e  444 onde suponho tenham sido juntados os acórdãos paradigmas, seja em relação ao mérito ­  haja vista a desordem em relação à numeração das páginas.  Diante  do  exposto,  determino  a  conversão  do  julgamento  em  diligência  à  Secretaria para o devido saneamento do processo, especialmente no que tange a reorganização  dos autos a partir das fls. 438.    (assinado digitalmente)  Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri  Fl. 562DF CARF MF

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6549374 #
Numero do processo: 11634.000434/2007-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 03 00:00:00 UTC 2009
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/12/2003 a 31/08/2006 PREVIDENCIÁRIO.OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APRESENTAÇÃO DA GFIP. INFRAÇÃO. A empresa é obrigada a declarar mensalmente na Guia de Recolhimento ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) os dados cadastrais, a totalidade dos fatos geradores ocorridos e outras informações de interesse para a Previdência Social. OBRIGATORIEDADE DE CONCESSÃO PELO FISCO DE PRAZO PARA O SUJEITO PASSIVO CORRIGIR A INFRAÇÃO ANTES DE EFETUAR A LAVRATURA. INEXISTÊNCIA. Não há previsão legal para que a autoridade fiscal, antes de aplicar a penalidade, faculte ao sujeito passivo corrigir infração verificada durante a ação fiscal. ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA NORMA SUPERVENIENTE. Tendo-se em conta a alteração da legislação, que instituiu sistemática de cálculo da penalidade mais benéfica ao sujeito passivo, deve-se aplicar a norma superveniente aos processos pendentes de julgamento. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO AO ERÁRIO. IRRELEVÂNCIA PARA FINS DE APLICAÇÃO DA MULTA POR INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO. A responsabilidade por infração à legislação tributária independe da intenção do agente ou do resultado da conduta. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2003 a 31/08/2006 LANÇAMENTO QUE CONTEMPLA A DESCRIÇÃO DOS FATOS APURADOS NA AÇÃO FISCAL, DOS DISPOSITIVOS LEGAIS INFRINGIDOS E DA CAPITULAÇÃO LEGAL DA MULTA APLICADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA OU DE FALTA DE MOTIVAÇÃO. O fisco ao narrar os fatos verificados, a norma violada e a base legal para aplicação da multa, fornece ao sujeito passivo todos os elementos necessários ao exercício do seu direito de defesa, não havendo o que se falar em prejuízo ao direito de defesa ou falta de motivação do ato, mormente quando os termos da impugnação permitem concluir que houve a prefeita compreensão do lançamento pelo autuado. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE EXAME POR ÓRGÃO ADMINISTRATIVO DE JULGAMENTO. À autoridade administrativa, via de regra, é vedado o exame da constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo vigente. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
Numero da decisão: 2401-000.789
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para, recalcular o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado 44, I da Lei nº 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a titulo de multa nas NFLD correlatas , para as competências nas quais ocorreu lançamento da obrigação principal e o nos termos do art. 32-A, II, a Lei n.° 8.212/1991, para as competências em que não houve lançamento da obrigação principal.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: Kleber Ferreira de Araujo

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6601026 #
Numero do processo: 13605.000263/2003-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 1998 Ementa: DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. SÚMULA VINCULANTE. CTN. ART. 150. PAGAMENTO PARCIAL. Diante do teor da Súmula vinculante nº 8, do Supremo Tribunal Federal, a contagem do prazo de decadência do direito do Fisco efetuar o lançamento de oficio das contribuições sociais deve obedecer às regras previstas no CTN. Tendo sido comprovados os pagamentos parciais nos períodos de apuração, aplica-se a regra do art. 150, § 4°do CTN para a contagem do prazo de decadência quando não configurada hipótese de dolo, fraude ou simulação. Recurso Voluntário provido
Numero da decisão: 3402-003.667
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Esteve presente ao julgamento o Dr. Fernando Tissi, OAB/DF 29.576. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1510; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T2  Fl. 547          1 546  S3­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13605.000263/2003­11  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3402­003.667  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  13 de dezembro de 2016  Matéria  Cofins  Recorrente  COOPERVALE ­ COOPERATIVA DE CONSUMO EMPREGADOS DO  GRUPO CVRD ENTIDADES VINCULADAS LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Ano­calendário: 1998   Ementa:  DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. SÚMULA VINCULANTE.  CTN. ART. 150. PAGAMENTO PARCIAL.   Diante do  teor da Súmula vinculante nº 8,  do Supremo Tribunal Federal,  a  contagem do prazo de decadência do direito do Fisco efetuar o lançamento de  oficio das contribuições sociais deve obedecer às regras previstas no CTN.  Tendo sido comprovados os pagamentos parciais nos períodos de apuração,  aplica­se  a  regra  do  art.  150,  §  4°do  CTN  para  a  contagem  do  prazo  de  decadência quando não configurada hipótese de dolo, fraude ou simulação.  Recurso Voluntário provido      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento  ao  recurso  voluntário.  Esteve  presente  ao  julgamento  o  Dr.  Fernando  Tissi,  OAB/DF 29.576.   (assinado digitalmente)  Antonio Carlos Atulim ­ Presidente  (assinado digitalmente)  Maria Aparecida Martins de Paula ­ Relatora     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 5. 00 02 63 /2 00 3- 11 Fl. 547DF CARF MF     2 Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Antonio  Carlos  Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de  Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos  Augusto Daniel Neto.   Relatório  Trata­se  de  recurso  voluntário  contra  decisão  da  Delegacia  da  Receita  Federal do Brasil em Juiz de Fora/SP, que julgou procedente em parte o lançamento.  Versa o processo de auto de infração eletrônico (fls. 93/105), de 16/06/2003,  para  a  exigência  de Cofins,  multa  de  ofício  e  juros  de mora  calculados  até  junho  de  2003,  decorrente  do  processamento  de DCTF  do  1º  trimestre  do  ano­calendário  1998,  em  face  da  falta  de  recolhimento/pagamento  do  principal  e  declaração  inexata,  conforme  demonstrativo  abaixo:    A autuada apresentou impugnação, mediante a qual afirmou que:  a)  para  o  período  de  apuração  01­01/1998,  da  importância  de R$14.088,98  exigida, já recolheu R$22,96 e, para o restante, houve depósito judicial.  b) para os períodos de apuração 01­02/1998 e 01­03/1998, das importâncias  de R$14.573,30 e R$15.528,41 exigidas, já recolheu R$74,69 e R$636,06 e, para os restantes,  houve depósito judicial.  Mediante  o  ACÓRDÃO  DRJ/JFA  N°  11861  (fls.  133/141),  de  06  de  dezembro de 2005, cuja ementa transcreve­se abaixo, o lançamento foi julgado procedente em  parte:  Assunto:  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social ­ Cofins   Ano­calendário: 1998   Ementa:  SUSPENSÃO  DA  EXIGIBILIDADE.  DEPÓSITO  JUDICIAL.   O  depósito  somente  suspende  a  exigibilidade  do  crédito  tributário  se  for  integral  e  em  dinheiro  (Súmula  112  do  STJ),  vale  dizer,  na  quantia  exigida  pela  Fazenda  Pública,  e  não  naquela reconhecida pelo sujeito passivo.  Lançamento Procedente em Parte  Fl. 548DF CARF MF Processo nº 13605.000263/2003­11  Acórdão n.º 3402­003.667  S3­C4T2  Fl. 548          3 O  julgador de primeira  instância  exonerou parcialmente o  crédito  tributário  da Cofins, relativamente aos pagamentos comprovados pela impugnante, e da multa de ofício,  em face de os débitos terem sido informados ao Fisco em DCTF e da retroatividade benigna  (art. 18 da Lei n.° 10.833/2003 e art. 106 do CTN), mantendo a exigência de Cofins no valor de  R$ 43.456,98, acompanhado de multa de mora e juros de mora.  Cientificada da referida decisão em 06/01/2006 por via postal, a contribuinte  interpôs  recurso voluntário em 25 de  janeiro de 2006, alegando, em síntese: a) É  inaplicável  juros  e multa  na  hipótese  de  "lançamento  preventivo  de  decadência";  b) Houve  violação  ao  princípio da  anterioridade nonagesimal;  c) A cooperativa não obtém  receita,  base de  cálculo  para  a  tributação  pela  COFINS,  bem  como  existe  regra  legal  VIGENTE  de  isenção/não  incidência tributária para os atos cooperativos (arts. 79, 87 e 111 da Lei n° 5.764/71 e art. 6°, I  da LC n° 70/91),  tendo havido ofensa à  isonomia, à hierarquia das  leis, dentre outros  tantos,  razão pela qual a autuação deve se circunscrever a eventual prática de atos não cooperativos.   Requereu ao final a recorrente:  i)  anulação  do  auto  de  infração  ora  combatido,  tendo  em vista  as  inúmeras  ilegalidades  constantes  do mesmo, mormente  em  relação  à  exigência de  valores  relativos  ao  principal, juros moratórios e multa em face de créditos tributários cuja exigibilidade encontra­ se suspensa em virtude de sentença concedendo a segurança pleiteada, bem como em função  dos depósitos judiciais realizados nos autos do processo nº 2001.38.00.022821­5.  ii)  exclusão  dos  valores  relativos  a  Cofins  cuja  apuração  não  observou  o  interregno temporal  inerente a efetivação da anterioridade nonagesimal,  tal como disposto no  art. 195, parágrafo 6° da CF/88, fato este não observado pelo acórdão recorrido, devendo, nesse  ponto, ser reformado.  iii) anulação do auto de infração, posto que exige da recorrente o pagamento  de  valor  referente  a  Cofins,  tomando  por  base  de  cálculo  o  total  de  receitas  auferidas  pela  cooperativa  na  prática  hodierna  de  suas  atividades,  não  reconhecendo  as  peculiaridades  inerentes ao ato cooperativo, nos termos da Lei nº 5.764/71.  A 4ª Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, mediante a Resolução  nº 204­00.532 (fls. 309/315), de 13 de fevereiro de 2008, decidiu por converter o julgamento  em diligência, nesses termos:  (...)  Ocorre  que  o  depósito  constante  da  citada  guia  foi  realizado  com  o  valor  de R$  192.429,76,  referindo­se  ao  ano­calendário  de  1998.  Diante  disso,  não  há  como  aferir  quais  os  valores  depositados  para  cada  período  de  apuração,  nem  tampouco  se  houve o depósito do montante integral ou não. (...)  (...)  Por  conseguinte  e,  considerando  os  articulados  precedentes  e  tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de converter o  presente julgamento em diligência para que o órgão local:  1)  acoste  aos  autos  cópias  das DCTF's  referentes  à  Cofins  do  ano­calendário de 1998;  Fl. 549DF CARF MF     4 2)  indique  quais  períodos  de  apuração  integram  o  depósito  judicial  realizado  no  processo  no  2001.38.00.022821­5  ­  10ª  Vara  Federal  da  Seção  Judiciária  de  Minas  Gerais,  apresentando  demonstrativo  detalhado  de  todos  os  valores  devidos,  dos  valores  recolhidos  e  dos  valores  depositados  da  Cofins referentes a todos os períodos de apuração de 1998;  3) apure os valores referentes a juros de mora calculados sobre  as  diferenças  até  a  data  de  realização  do  depósito  judicial  em  22/08/2001; e   4) intime a contribuinte para juntar aos autos cópia da decisão  que deferiu a liminar no Mandado de Segurança supra citado.  Intime­se,  ainda,  a  contribuinte  para,  caso  queira,  apresentar  seus argumentos face às apurações acima referidas.  (...)  A  diligência  foi  cumprida  com  a  juntada  dos  documentos  solicitados  (fls.  319/501) e os autos retornaram ao CARF para julgamento.  Consta que no mandado de segurança nº 2001.38.00.022821­5 são discutidos  os seguintes pontos (fl. 421):  (...)  A Impetrante, em inicial, aduz:  a) que seu objetivo social é viabilizar a distribuição de bens de  consumo  a  seus  associados,  proporcionando­lhes  melhores  preços.  b)  que  o  tratamento  constitucional  diferenciado,  no  intuito  de  apoiar  e  estimular  o  cooperativismo,  se  reflete  na  isenção  de  Imposto  sobre  a  Renda,  Cofins,  PIS/PASEP  e  Contribuição  Social sobre o Lucro, quanto aos atos cooperados.  c) que o artigo 64 da Medida Provisória 1602/97, em seu artigo  64, determinou para as cooperativas de consumo as incidências  dos  impostos  e  contribuições  de  competência  da  União,  aplicáveis is demais pessoas jurídicas.  d)  que  a  lei  complementar  é  que  deve  dar  tratamento  ao  ato  cooperativo,  sendo  que  o  artigo  69  da  Lei  9532/97  é  inconstitucional, absolutamente nulo.  A impetrante obteve medida liminar e sentença "no sentido de que não seja  aplicado o artigo 69 da Lei 9.532/97, (em conjunto com dispositivos legais que dão suporte à  incidência de tributos federais que tenham como hipótese de incidência a realização de atos de  comércio),  aos  atos  cooperativos  definidos  na  Lei  nº  5.764/71,  face  ao  comando  normativo  existente no artigo 79 desta Lei, no sentido de que o ato cooperativo não implica operação de  mercado nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria".  Foram negados provimento à apelação e à remessa oficial, conforme ementa  que se segue:  Fl. 550DF CARF MF Processo nº 13605.000263/2003­11  Acórdão n.º 3402­003.667  S3­C4T2  Fl. 549          5 TRIBUTÁRIO.  DECADÊNCIA.  INEXISTÊNCIA.  HIERARQUIA  DAS  LEIS.  LEI  5.764/1971.  ATOS  COOPERADOS.  NÃO  INCIDÊNCIA. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO POR LEI ORDINÁRIA  9.532/1997. IMPOSSIBILIDADE.  1. O  tratamento  tributário a  ser dado às cooperativas  deve  ser  estabelecido por lei complementar (CF ­ art. 146, III, c).  2.  Os  atos  tipicamente  cooperados  não  sofrem  incidência  de  tributos, uma vez que sobre eles não incidem o disposto no art.  69, da Lei Ordinária 9.531/1997 ­ os atos cooperativos sujeitam­ se às mesmas normas de incidência dos impostos e contribuições  de  competência  da  União,  aplicáveis  às  demais  pessoas  juridicas.  3.  A  cooperativa  ao  prestar  serviços  a  seus  associados,  sem  interesse  negociaI,  ou  fim  lucrativo,  goza  de  completa  isenção,  porquanto  o  fim  da mesma  não  é  obter  lucro, mas,  sim,  servir  aos associados. Por  isso, o disposto no art. 79 da Lei 5.764/71  (Lei  das  Sociedades  Cooperativas)  que  dispõe  que  o  ato  cooperativo não implica em operação de mercado, nem contrato  de compra e venda de produto ou mercadoria.  4.  Apelação  da  Fazenda  Nacional  e  remessa  oficial  a  que  se  nega provimento.  Consta no sítio do TRF 1ª Região que o julgamento do Recurso Especial e do  Recurso  Extraordinário  da  Fazenda  Nacional  foi  sobrestado  até  o  julgamento  de  recursos  representativos da controvérsia no STJ e no STF.  Mediante  petição  protocolizada  em  19/03/2015,  informou  a  recorrente,  em  síntese, que:  ­  De  plano,  ressalte­se  que  o  suposto  débito  ora  discutido  encontra­se  decaido,  uma  vez  que,  em  razão  de  ter  havido  recolhimento parcial, não há dúvida com relação à aplicação do  art. 150, §4° do CTN (...)  ­  Lembre­se  que  a  lavratura  do  auto  de  infração  ocorreu  em  16/06/2003 e a ciência do contribuinte em 07/07/2003.  ­ A certeza  com relação aos  recolhimentos parciais procedidos  encontra­se às folhas 111 do processo, que identifica três DARFs  nos  valores  de:  R$  22,96  (Janeiro/98);R$ 74,69  (fevereiro/98);  R$ 636,06 (março/98)  ­  Inclusive,  a  decisão  de  1ª  instância  reconhece  tal  incontrovérsia ao dispor que "a razão está com a interessada no  que  se  refere  aos  pagamentos  da  COFINS  nos  valores  de  R$  22,96, R$ 74,69, R$ 626,06, eis que devidamente corifirmados os  recolhimentos por meio dos DARFs (...)  ­  Dessa  forma,  prejudicada  a  manutenção  do  lançamento  preventivo  de  decadência  pretendido  pela  União,  eis  que  atingido pela decadência.  Fl. 551DF CARF MF     6 É o relatório.  Voto             Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora  Atendidos  aos  requisitos  de  admissibilidade,  toma­se  conhecimento  do  recurso voluntário.  A  questão  prejudicial  está  no  prazo  de  decadência  para  o  lançamento  das  contribuições sociais, sujeitas à sistemática do chamado "lançamento por homologação".  Em  20/06/2008,  foi  publicado  no  Diário  Oficial  da  União  o  enunciado  da  Súmula vinculante nº 8, nesses termos:  Em sessão de 12 de  junho de 2008, o Tribunal Pleno editou os  seguintes  enunciados  de  súmula  vinculante  que  se  publicam no  Diário da Justiça  e no Diário Oficial da União, nos  termos do  §4º do art. 2º da Lei n" 11.417/2006:  Súmula vinculante n° 8 ­ São inconstitucionais o parágrafo único  do artigo 5º do Decreto­Lei n°1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da  Lei  n"  8.212/1991,  que  tratam  de  prescrição  e  decadência  de  crédito tributário.  Precedentes:  RE  560.626,  rel.  Min.  Gilmar  Mendes,  j.  12/6/2008; RE 556.664, rel. Min. Gilmar Mendes,  j. 12/6/2008;  RE 559.882, rel. Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 559.943,  rel.  Min  Cármen  Lúcia,  j.  12/6/2008;  RE  106.217,  rel.  Min.  Octavio  Gallotti,  DJ  12/9/1986;  RE  138.284,  rel.  Min.  Carlos  Velloso, DJ 28/8/1992.  Legislação:  Decreto­Lei  n"  1.569/1997,  art.  5",  parágrafo  ú  nico  Lei  n"  8.212/1991,  artigos  45  e  46  CF,  art.  146,  III  Brasilia,  18  de  junho de 2008.  Ministro  Gilmar  Mendes  Presidente"  (DOU  n°117,  de  20/06/2008, Seção I, pág. 1)  Portanto, diante da declaração de  inconstitucionalidade do  art. 45 da Lei nº  8.212/91, há de ser aplicado o prazo de decadência disposto no CTN.  No âmbito do CTN, a questão sobre a aplicação do art. 173, I do CTN ou do  art.  150,  §4º  do  CTN  nos  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação  já  se  encontra  resolvida  pela  aplicação  do  entendimento  do  STJ  no  julgamento  do  recurso  repetitivo REsp  973.733/SC,  de  aplicação  obrigatória  pelos membros  do  CARF,  conforme  esclarece  o  Voto  condutor do Relator Manoel Coelho Arruda Junior no Acórdão nº 9202­003.589– 2ª Turma da  CSRF, de 03 de março de 2015, que:  (...)  Ocorre  que  este  Código  prevê  a  aplicação  de  duas  regras,  aparentemente  conflitantes,  tomando  a  primeira  como  termo  inicial  o  pagamento  indevido  (art.  150, §4º),  e  a  segunda  o  primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento  poderia  ter  sido  realizado  (art.  173,  I).  Cumpre  transcrever  os  referidos dispositivos legais:  Fl. 552DF CARF MF Processo nº 13605.000263/2003­11  Acórdão n.º 3402­003.667  S3­C4T2  Fl. 550          7 (...)  Harmonizando as normas acima transcritas, o Superior Tribunal  de Justiça esclareceu a aplicação do art. 173 para os casos em  que o tributo sujeitar­se a lançamento por homologação:  1) Quando não tiver havido pagamento antecipado;    2) Quando tiver ocorrido dolo, fraude ou simulação;    3) Quando não tiver havido declaração prévia do débito.  Cumpre  transcrever  o  acórdão  prolatado  em  sede  de  Recurso  Especial representativo da controvérsia:  PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO  DE  CONTROVÉRSIA.  ARTIGO  543C,  DO  CPC.  TRIBUTÁRIO.  TRIBUTO  SUJEITO  A  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  INEXISTÊNCIA  DE  PAGAMENTO  ANTECIPADO.  DECADÊNCIA  DO  DIREITO  DE  O  FISCO  CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL.  ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS  PRAZOS  PREVISTOS NOS ARTIGOS  150, §  4º,  e  173,  do  CTN. IMPOSSIBILIDADE.  1.  O  prazo  decadencial  quinquenal  para  o  Fisco  constituir  o  crédito tributário (lançamento de ofício) conta­se do primeiro dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado,  nos  casos  em  que  a  lei  não  prevê  o  pagamento  antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o  mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação  do  contribuinte,  inexistindo  declaração  prévia  do  débito  (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro  Luiz  Fux,  julgado  em  28.11.2007,  DJ  25.02.2008;   AgRg  nos  EREsp  216.758/SP,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006;   e EREsp 276.142/SP,  Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005).  (...)  3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial  rege­se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o  "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento  poderia  ter  sido  efetuado"  corresponde,  iniludivelmente,  ao  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  à  ocorrência  do  fato  imponível,  ainda  que  se  trate  de  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  revelando­se  inadmissível  a  aplicação  cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, §  4º,  e  173,  do  Codex  Tributário,  ante  a  configuração  de  desarrazoado  prazo  decadencial  decenal  (Alberto  Xavier,  "Do  Lançamento  no  Direito  Tributário  Brasileiro",  3ª  ed.,  Ed.  Forense,  Rio  de  Janeiro,  2005,  págs.91/104;   Luciano  Amaro,  "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.  396/400;   e  Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e  Prescrição  no  Direito  Tributário",  3ª  ed.,  Max  Limonad,  São  Paulo, 2004, págs. 183/199).  (...)  Fl. 553DF CARF MF     8 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do  artigo  543C,  do  CPC,  e  da  Resolução  STJ  08/2008.  (REsp  973733/SC,  Rel.  Ministro  LUIZ  FUX,  PRIMEIRA  SEÇÃO,  julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009).  No  voto  lavrado  no  referido  REsp  973.733/SC,  foi  transcrito  entendimento  firmado  em  outros  julgamento  (REsp  766.050∕ PR,  Rel.  Ministro  Luiz  Fux,  DJ  25.02.2008),  que  limitam a aplicação do art. 150, §4º do CTN às hipóteses que  tratam  de  tributo  sujeito  a  lançamento  por  homologação,  "quando ocorrer pagamento antecipado inferior ao efetivamente  devido, sem que o contribuinte  tenha  incorrido em fraude, dolo  ou  simulação,  nem  sido  notificado  pelo  Fisco  de  quaisquer  medidas preparatórias".  No  caso  presente,  o  lançamento  destinado  a  prevenir  a  decadência,  foi  efetuado em 16/06/2003, com ciência da contribuinte em 07/07/2003, para fatos geradores do  primeiro trimestre de 1998, cujos pagamentos mensais parciais restam comprovados nos autos,  inclusive  reconhecidos  pela  decisão  de  primeira  instância,  que  exonerou  parcialmente  a  autuação desses valores. Assim, pela aplicação do art. 150, §4º do CTN, à época da autuação já  havia decaído o direito do Fisco de constituir o crédito tributário pelo lançamento.  Assim,  voto  no  sentido  de  dar  provimento  ao  recurso  voluntário  para  exonerar integralmente o crédito tributário.  É como voto.  (Assinatura Digital)  Maria Aparecida Martins de Paula ­ Relatora                                  Fl. 554DF CARF MF

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Numero do processo: 10218.720896/2013-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008, 2009 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FATO GERADOR ANUAL. DECADÊNCIA. Nos tributos que comportam lançamento por homologação, ocorre a decadência do direito de lançar quando transcorridos cinco anos a contar do fato gerador, ainda que não tenha havido a homologação expressa. Nos termos da legislação do Imposto de Renda Pessoa Física, o fato gerador é anual, considerando-se ocorrido em 31 de dezembro do ano-calendário, em que ocorram a percepção do rendimento e o pagamento do Imposto de Renda, sob a forma de IRRF e de Quotas de IRPF. EXISTÊNCIA DE CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. AUSÊNCIA DE NULIDADE. Instaurado o contencioso administrativo, por meio da impugnação protocolizada, o contribuinte obteve a possibilidade de apresentar argumentos e provas de fato e de direito capazes de afastar a exigência fiscal, em atendimento ao contraditório e à ampla defesa, não havendo que se falar em nulidade. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE. DISPOSIÇÃO LEGAL INFRINGIDA. INOCORRÊNCIA. O erro ou a deficiência no enquadramento legal da infração cometida não acarreta a nulidade do auto de infração, quando restar comprovada a não ocorrência da preterição do direito de defesa, dada a descrição dos fatos contida no auto de infração e a impugnação apresentada pelo Contribuinte contra as imputações que a ele foram feitas.´ DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. LIVRO CAIXA DA ATIVIDADE RURAL. DESPESAS DE CUSTEIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO Por conta do valor elevado da Nota Fiscal relacionada a compra de produto registrado no Livro Caixa da Atividade Rural como despesa de custeio, pode a autoridade fiscal exigir a comprovação do efetivo pagamento do valor consignado na Nota Fiscal apresentada, sob o fundamento legal expresso nos parágrafos do artigo 62 do Decreto nº 3.000, de 1999. INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO DE RESULTADO DA ATIVIDADE RURAL. LIVRO CAIXA DA ATIVIDADE RURAL. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO. Não caracteriza intuito de sonegação fiscal a informação de compensação de prejuízo na apuração do resultado da atividade rural na Declaração de Ajuste Anual, quando se verifica erro no preenchimento da Declaração de Ajuste Anual, pelo exame dos esclarecimentos fornecidos por parte do contribuinte. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. LIVRO CAIXA DA ATIVIDADE RURAL. INVESTIMENTO FEITO COM RECEBIMENTO FUTURO DO PRODUTO. PERÍODO DE RECONHECIMENTO DA DESPESA DE CUSTEIO. Por expressa disposição legal, os investimentos serão considerados despesas no mês de pagamento (Lei nº 8.023, de 1990, art. 4º, §§ 1º e 2º). As despesas de custeio e os investimentos são aqueles necessários à percepção dos rendimentos e à manutenção da fonte produtora, relacionados com a natureza da atividade exercida.
Numero da decisão: 2201-003.345
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade, e no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a glosa de despesa do valor de R$ 7.200.000,00. Assinado digitalmente. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente. Assinado digitalmente. RELATOR - Relatora. EDITADO EM: 23/01/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos do Alberto do Amaral Azeredo, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Denny Medeiros da Silveira (Suplente convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ

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2201­003.345  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  21 de setembro de 2016  Matéria  IRPF  Recorrentes  CLAUDIOMAR VICENTE KEHRNVALD e FAZENDA NACIONAL              .    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Ano­calendário: 2008, 2009  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  FATO  GERADOR  ANUAL.  DECADÊNCIA.  Nos  tributos  que  comportam  lançamento  por  homologação,  ocorre  a  decadência do direito de lançar quando transcorridos cinco anos a contar do  fato gerador, ainda que não tenha havido a homologação expressa.  Nos termos da legislação do Imposto de Renda Pessoa Física, o fato gerador  é anual, considerando­se ocorrido em 31 de dezembro do ano­calendário, em  que ocorram a percepção do rendimento e o pagamento do Imposto de Renda,  sob a forma de IRRF e de Quotas de IRPF.  EXISTÊNCIA  DE CONTRADITÓRIO  E  AMPLA DEFESA.  AUSÊNCIA  DE NULIDADE.  Instaurado  o  contencioso  administrativo,  por  meio  da  impugnação  protocolizada, o contribuinte obteve a possibilidade de apresentar argumentos  e  provas  de  fato  e  de  direito  capazes  de  afastar  a  exigência  fiscal,  em  atendimento ao contraditório e à ampla defesa, não havendo que se falar em  nulidade.  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL  NULIDADE.  DISPOSIÇÃO  LEGAL INFRINGIDA. INOCORRÊNCIA.  O  erro  ou  a  deficiência  no  enquadramento  legal  da  infração  cometida  não  acarreta  a  nulidade  do  auto  de  infração,  quando  restar  comprovada  a  não  ocorrência  da  preterição  do  direito  de  defesa,  dada  a  descrição  dos  fatos  contida  no  auto  de  infração  e  a  impugnação  apresentada  pelo Contribuinte  contra as imputações que a ele foram feitas.´  DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. LIVRO CAIXA DA ATIVIDADE  RURAL.  DESPESAS  DE  CUSTEIO.  FALTA  DE  COMPROVAÇÃO DO  EFETIVO PAGAMENTO     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 8. 72 08 96 /2 01 3- 88 Fl. 1362DF CARF MF     2 Por conta do valor elevado da Nota Fiscal relacionada a compra de produto  registrado no Livro Caixa da Atividade Rural como despesa de custeio, pode  a  autoridade  fiscal  exigir  a  comprovação  do  efetivo  pagamento  do  valor  consignado na Nota Fiscal apresentada, sob o fundamento legal expresso nos  parágrafos do artigo 62 do Decreto nº 3.000, de 1999.  INEXISTÊNCIA  DE  OMISSÃO  DE  RESULTADO  DA  ATIVIDADE  RURAL. LIVRO CAIXA DA ATIVIDADE RURAL. COMPENSAÇÃO DE  PREJUÍZO.  Não caracteriza intuito de sonegação fiscal a informação de compensação de  prejuízo na apuração do resultado da atividade rural na Declaração de Ajuste  Anual,  quando  se  verifica  erro  no  preenchimento  da Declaração  de Ajuste  Anual, pelo exame dos esclarecimentos fornecidos por parte do contribuinte.  DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. LIVRO CAIXA DA ATIVIDADE  RURAL.  INVESTIMENTO  FEITO COM RECEBIMENTO  FUTURO DO  PRODUTO.  PERÍODO  DE  RECONHECIMENTO  DA  DESPESA  DE  CUSTEIO.  Por expressa disposição legal, os investimentos serão considerados despesas  no mês de pagamento (Lei nº 8.023, de 1990, art. 4º, §§ 1º e 2º).  As  despesas  de  custeio  e  os  investimentos  são  aqueles  necessários  à  percepção dos rendimentos e à manutenção da fonte produtora, relacionados  com a natureza da atividade exercida.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento  ao  recurso  de  ofício.  Por  unanimidade  de  votos,  em  rejeitar  as  preliminares  de  nulidade,  e  no mérito,  dar  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário  para  excluir  a  glosa  de  despesa do valor de R$ 7.200.000,00.   Assinado digitalmente.  CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA ­ Presidente.   Assinado digitalmente.  RELATOR ­ Relatora.  EDITADO EM: 23/01/2017  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Carlos  Henrique  de  Oliveira  (Presidente),  Carlos  do  Alberto  do  Amaral  Azeredo,  José  Alfredo  Duarte  Filho  (Suplente  convocado),  Maria  Anselma  Coscrato  dos  Santos  (Suplente  convocada),  Denny  Medeiros  da  Silveira  (Suplente  convocado),  Daniel  Melo  Mendes  Bezerra,  Carlos  Cesar  Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz.    Relatório  Fl. 1363DF CARF MF Processo nº 10218.720896/2013­88  Acórdão n.º 2201­003.345  S2­C2T1  Fl. 3          3 Trata­se de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que julgou  improcedente em parte a impugnação apresentada pelo sujeito passivo.  Nesta oportunidade, utilizo­me do relatório produzido em assentada anterior,  eis que aborda de maneira elucidativa os fatos objeto dos presentes autos, nos termos seguintes:  Contra  o  contribuinte,  devidamente  identificado  nos  autos,  foi  lavrado Auto de Infração de IRPF,  fls. 847/858, para cobrança  de Imposto de Renda Pessoa Física ­ Suplementar, no valor de  R$  1.716.929,35.  Sobre  o  Imposto  de  Renda  Suplementar  foi  lançada Multa de Ofício, no valor de R$ 2.092.314,97. O crédito  tributário totalizou, em 07/11/2013, o valor de R$ 4.461.212,49.  A Multa de Ofício, no valor de R$ 2.092.314,97, compreende um  somatório  de  Multa  de  Ofício  Qualificada,  no  percentual  de  150%, no valor de R$ 1.419.485,91, Multa de Ofício Agravada,  no percentual de 112,50%, no valor de R$ 284.625,00, e Multa  de Ofício, no percentual de 75%, no valor de R$ 388.204,06.  De acordo com o quadro Descrição dos Fatos e Enquadramento  Legal,  continuação  do  Auto  de  Infração  e  o  Termo  de  Verificação Fiscal, fls. 860/889, o crédito tributário é relativo às  Declarações de Ajuste Anual dos exercícios financeiros de 2009  e  2010,  anos­calendário  2008,  e  2009,  respectivamente,  e  decorreu  de  ação  de  fiscalização  externa,  através  de Mandado  de Procedimento Fiscal, para revisão do resultado da atividade  rural.  Na Declaração de Ajuste Anual do exercício financeiro de 2009,  anocalendário2008,  o  resultado  da  atividade  rural,  nela  apurado,  foi  no  valor  de  R$  118.443,75;resultante  de  uma  receita bruta total, no valor de R$ 17.798.108,60, de despesas de  custeio e de investimentos, no valor total de R$ 10.479.664,85, e  compensação de prejuízos de exercícios anteriores, no valor de  R$  7.200.000,00.  Nessa  declaração,  além  da  compensação  de  prejuízos,consta  informação  de  receita  bruta  por  conta  de  adiantamentos  recebidos  em  2008  por  conta  de  venda  para  entrega futura, no valor de R$ 4.600.000,00.  Na Declaração de Ajuste Anual do exercício financeiro de 2010,  anocalendário2009,  o  resultado  tributável  da  atividade  rural,  nela apurado,  foi no valor de R$106.798,27; resultante de uma  receita bruta total, no valor de R$ 9.944.998,84, de despesas de  custeio  e  de  investimentos  no  valor  total  de  R$  9.838.200,57.  Nessa declaração, consta informação de receita bruta por conta  de  adiantamentos  recebidos  em 2009  por  conta  de  venda  para  entrega futura, no valor de R$ 430.000,00.  O  crédito  tributário,  apurado  no  presente  Auto  de  Infração,  tanto  o  apurado  para  o  exercício  financeiro  de  2009,  ano­ calendário  2008,  como  para  o  apurado  para  o  exercício  financeiro de 2010, ano­calendário 2009, decorreu de  infração  de omissão de resultado da atividade rural, relacionada ao Livro  Caixa da atividade rural, nos seguintes valores:  Fl. 1364DF CARF MF     4 1) Para o exercício financeiro de 2009, ano­calendário 2008 ­  Compensação  Indevida  de  Prejuízos  no  valor  de  R$  7.200.000,00  e  correspondente  à  omissão  de  resultado  da  atividade  rural,  no  valor de R$3.441.177,97.  Infração  sujeita a  Multa de Ofício Qualificada, no percentual de 150%, por dolo,  caracterizado pela intenção de diminuir conscientemente a base  de cálculo, com inclusão de prejuízo inexistente.  Inexistência  de  prejuízos  na  atividade  rural  relativamente  aos  exercícios  financeiros  de  2001,  2002,  2003,  2004,  2005,  2006,  2007, 2008, anoscalendário2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005,  2006  2  2007,respectivamente.  Para  todos  esses  exercícios  financeiros  houve  resultado  positivo  da  atividade  rural,  conforme  as  respectivas  Declarações  de  Ajuste  Anual.  No  procedimento  de  fiscalização,  o  contribuinte  foi  intimado  aprestar esclarecimentos sobre a compensação do prejuízo. Não  houve  apresentação  de  nenhum  esclarecimento.  Prevaleceu  as  informações das Declarações de Ajuste Anual, haja vista a falta  de  esclarecimento  e  de  apresentação  do  Livro  Caixa  da  Atividade Rural relativo a aos anos­calendário anteriores, quais  sejam: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005,2006 2 2007;  Abaixo, se demonstra a omissão do resultado da atividade rural,  no  valor  de R$  3.441.177,97,  com  a  glosa  da  compensação de  prejuízos,  no  valor  de  R$  7.200.000,00,  e  o  correspondente  Imposto  de  Renda  Pessoa  Física  Suplementar,  no  valor  de  R$  946.323,94. (...).  2) Para o  exercício  financeiro de 2010, ano­calendário 2009 – omissão  da  receita  bruta  da  atividade  rural  –  adiantamento  recebido  no  ano­calendário  de  2008,  no  valor  de  R$  4.600.000,00, para  futura entregado produto. Receita bruta,  no  valor de R$ 4.600.000,00, não reconhecida no ano­calendário de  2009,  presunção  de  que  o  produto  foi  entregue  no  ano­ calendário  de  2009,  e  correspondente  resultado  da  atividade  rural,  no  valor  de  R$  920.000,00.  Infração  sujeita  a Multa  de  Ofício  Agravada,  no  percentual  de  112,50%,  por  falta  de  resposta ao Termo de Intimação Fiscal;  3) Para  o  exercício  financeiro  de  2010,  ano­calendário  2009  ­ despesas  de  custeio  ou  de  investimento  não  comprovadas,  no  valor total de R$ 7.159.225,97. Notas Fiscais sem comprovação  do  efetivo  pagamento  e  Notas  Fiscais  discriminando  produtos  não  relacionados  à  atividade  rural.  Omissão  de  Resultado  da  Atividade Rural, no valor de R$ 1.882.201,49.  Na Declaração  de Ajuste Anual  foram  informadas  despesas  de  custeio  e  de  investimentos  totalizando  o  valor  de  R$  9.838.220,57.  No  procedimento  de  fiscalização,  o  contribuinte  foi  intimado  a  apresentar  o  Livro Caixa  da Atividade Rural,  a  documentação de respaldo. Foi apresentado o Livro Caixa e as  Notas  Fiscais  relacionadas  às  Despesas  de  Custeio  e  de  Investimentos  escrituradas.  O  autor  do  procedimento  de  fiscalização  selecionou  algumas  Notas  Fiscais,  totalizando  o  valor de R$ 8.467.171,79,e intimou o contribuinte a comprovar o  efetivo  pagamento.  O  contribuinte  logrou  comprovar  algumas  Notas Fiscais, totalizando o valor de R$1.307.945,82. Deixou de  Fl. 1365DF CARF MF Processo nº 10218.720896/2013­88  Acórdão n.º 2201­003.345  S2­C2T1  Fl. 4          5 comprovar  várias  Notas  Fiscais,  totalizando  o  valor  de  R$  7.159.225,97. Infração de Omissão de Resultado da Atividade  Rural,  no  valor  de  R$  1.882.201,49,  sujeitou­se  a  Multa  de  Ofício, no percentual de 75%. Abaixo se demonstra a omissão de  resultado da atividade rural, no valor total de R$ 2.802.201,50,  em  decorrência  da  omissão  de  receita  bruta,  no  valor  de  R$4.600.000,00,  e  das  glosas  de  despesas  de  custeio  e  de  investimentos,  no  valor  de R$7.159.225,97,  e  o  correspondente  Imposto  de  Renda  Pessoa  Física  Suplementar,  no  valor  de  R$770.605,41: (...).  Considerando que, para a infração de omissão de receita bruta,  no  valor deR$ 4.600.000,00, o  lançamento da Multa de Oficio,  foi no percentual de 112,50%, e que, para a infração de falta de  comprovação  do  efetivo  pagamento  relativamente  as  notas  fiscais escrituradas como despesas de custeio, o  lançamento da  Multa de Ofício  foi no percentual de 75%, o Imposto de Renda  Pessoa  Física  Suplementar,  no  valor  de  R$  770.605,41,  foi  rateado,proporcionalmente  aos  valores  das  infrações,  nos  valores de R$ 253.000,00 e R$ 517.605,41, respectivamente.  Há  de  se  esclarecer  que,  tanto  para  o  exercício  financeiro  de  2009, ano calendário 2008, como para o exercício financeiro de  2010,  ano­calendário  2009,  o  autor  do  procedimento  de  fiscalização tomou por resultado da atividade rural  tributável o  valor correspondente a 20% da receita bruta, como valor limite  de tributação, ou seja, entre o resultado efetivo e o valor de 20%  da receita bruta, optou­se pelo menor. Para o presente caso,20%  da receita bruta.  Os  dispositivos  legais  infringidos,  a  penalidade  aplicável  e  a  fundamentação  legal  encontram­se  discriminados  no  Auto  de  Infração.  Após a lavratura do Auto de Infração, que se deu em 07/11/2013,  o  senhor  contribuinte  apresentou,  em  08/11/2013,  os  esclarecimentos e os documentos solicitados no  Termo  de  Constatação  e  Intimação  Fiscal,  cientificado  ao  senhor contribuinte, em 21/10/2013.  O Autor do Procedimento de Fiscalização  tomou conhecimento  do  fato,  desconsiderou  os documentos  apresentados  e  elaborou  Termo  de  Constatação  Fiscal,  fls.  1094/1095,  nos  seguintes  termos:  1.  Em  08/11/2013,  o  sujeito  passivo  acima  identificado  protocolou,  na  Agência  da  Receita  Federal  de  Redenção,  documentos em resposta ao Termo de Constatação e  Intimação  Fiscal lavrado em 18/10/2013 (fls. 843/845).  2. O referido termo, entretanto, estabelecia prazo de 5 dias úteis  para  seu  atendimento.  Uma  vez  que  o  sujeito  passivo  tomou  ciência  do  referido  Termo  em  21/10/2013,  o  prazo  para  seu  Fl. 1366DF CARF MF     6 atendimento  encerrou­se  em  29/10/2013,  conforme  relata  o  Termo de Verificação Fiscal (fls. 860/889).  3. Nesse passo, foram lavrados, em 07/11/2013, um dia antes da  entrega  dos  documentos  descritos  no  item  “1”,  o  Auto  de  Infração e o Termo de Encerramento deste procedimento fiscal,  razão pela qual desconsiderar­se­ão os documentos entregues a  destempo  (fls.  1.083/1.093),  dando  por  certo  o  encerramento  deste procedimento fiscalizatório.  Nos documentos tidos como apresentados a destempo, o senhor  contribuinte  vinha  esclarecendo  que  havia  solicitado  das  instituições  financeiras  as  cópias  dos  cheques  correlacionados  aos  pagamentos  das  Notas  Fiscais  constantes  dos  demonstrativos  objeto  dos  Termos  de  Intimação  Fiscal  e  dos  Termos  de  Reintimação  Fiscal.  Estava  dependendo  do  atendimento  das  instituições  financeiras.  Não  poderia  ser  penalizado  pelo  não  atendimento  das  solicitações  enviadas  às  instituições financeiras, nos termos do Decreto nº7.574, de 2011.  Inconformado  com  o  Auto  de  Infração,  do  qual  tomou  ciência,  em 12/11/2013, por via eletrônica, através do Centro Virtual de  Atendimento  ao  Contribuinte  (portal  e­CAC),  conforme  Termo  de Abertura de Documento, fls. 1096, o contribuinte apresentou  impugnação, em 11/12/2013, fls. 1119/1162, contestando todo o  Auto de Infração.  Para uma melhor compreensão dos fatos, abaixo, se transcrevem  trechos da impugnação. (...).  É o relatório.  A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza julgou  procedente  em  parte  a  impugnação,  restando  mantida,  parcialmente,  a  notificação  de  lançamento, conforme a seguinte ementa:   ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA  ­ IRPF  Ano­calendário: 2008, 2009  DECLARAÇÃO DE  AJUSTE  ANUAL.  LIVRO  CAIXA  DA  ATIVIDADE  RURAL.  INVESTIMENTO  FEITO  COM  RECEBIMENTO FUTURO DO PRODUTO. PERÍODO DE  RECONHECIMENTO DA DESPESA DE CUSTEIO.  Por  disposição  legal,  recursos  financeiros  recebidos  para  entrega  futura do produto da atividade  rural  somente  são  reconhecidos como receita bruta da atividade rural quando  da efetiva  entrega do produto,  nos  termos do Contrato de  Compra  e  Venda  com  Entrega  Futura  do  Produto.  À  semelhança dessa disposição, a aplicação em investimento  com  recebimento  futuro  do  produto  somente  são  reconhecidos  como despesas de custeio quando do efetivo  recebimento  do  produto,  nos  termos  do  Contrato  de  Compra e Venda com Entrega Futura do Produto.  Fl. 1367DF CARF MF Processo nº 10218.720896/2013­88  Acórdão n.º 2201­003.345  S2­C2T1  Fl. 5          7 OMISSÃO  DE  RESULTADO  DA  ATIVIDADE  RURAL.  LIVRO CAIXA DA ATIVIDADE RURAL. COMPENSAÇÃO  INDEVIDA DE PREJUÍZO.  Não  caracteriza  intuito  de  sonegação  fiscal  a  informação  de compensação de prejuízo na apuração do resultado da  atividade rural na Declaração de Ajuste Anual, quando se  verifica  erro  no  preenchimento  da  Declaração  de  Ajuste  Anual,  pelo  exame  dos  esclarecimentos  fornecidos  por  parte do contribuinte. Fato correlacionado à aplicação em  investimento  que  estava  impossibilitado  de  ser  registrado  como  despesas  de  custeio  no  Livro  Caixa  da  Atividade  Rural.  MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. DESCABIMENTO.  Não constatado o intuito de sonegação fiscal, não é cabível  o  lançamento  da  multa  de  ofício  qualificada,  conforme  o  art. 44, inciso II da Lei nº. 9.430, de 1996.  DECLARAÇÃO DE  AJUSTE  ANUAL.  LIVRO  CAIXA  DA  ATIVIDADE  RURAL.  RECEBIMENTO  ANTECIPADO  PARA  ENTREGA  FUTURA  DO  PRODUTO.  FALTA  DE  APRESENTAÇÃO  DO  CONTRATO  DE  VENDA  PARA  ENTREGA  FUTURA.  PERÍODO  DE  RECONHECIMENTO DA RECEITA BRUTA.  A  falta  de  apresentação  do Contrato  de Compra  e Venda  para Entrega Futura, objeto de intimação em procedimento  de fiscalização, por conta da informação de recebimento de  adiantamentos  para  futura  entrega  do  produto,  na  Declaração  de  Ajuste  Anual,  enseja  o  reconhecimento  da  receita  bruta,  no  ano­calendário  do  efetivo  recebimento.  Incabível  o  reconhecimento  da  totalidade  da  antecipação  recebida  para  o  ano­calendário  posterior  ao  do  recebimento, por configurar presunção, sem previsão legal.  DECLARAÇÃO DE  AJUSTE  ANUAL.  LIVRO  CAIXA  DA  ATIVIDADE  RURAL.  DESPESAS  DE  CUSTEIO.  FALTA  DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO  Por  conta  do  valor  elevado da Nota Fiscal  relacionada a  compra de produto registrado no Livro Caixa da Atividade  Rural  como  despesa  de  custeio,  pode  a  autoridade  fiscal  exigir  a  comprovação  do  efetivo  pagamento  do  valor  consignado na Nota Fiscal apresentada, sob o fundamento  legal  expresso nos parágrafos do artigo 62 do Decreto nº  3.000, de 1999.  Registrada a Nota Fiscal como despesa de custeio, obriga­ se o senhor contribuinte a comprovar o efetivo pagamento  através  de  cheque,  transferência  bancária,  boleto  de  Fl. 1368DF CARF MF     8 pagamento,  saques  em  conta  corrente,  devendo  haver  compatibilidade entre data e valor.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2008  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  FATO  GERADOR ANUAL. DECADÊNCIA.  Nos tributos que comportam lançamento por homologação,  ocorre  a  decadência  do  direito  de  lançar  quando  transcorridos  cinco  anos  a  contar  do  fato  gerador,  ainda  que não tenha havido a homologação expressa.  Nos  termos  da  legislação  do  Imposto  de  Renda  Pessoa  Física,  o  fato  gerador  é  anual,  considerando­se  ocorrido  em 31 de dezembro do ano­calendário, em que ocorram a  percepção  do  rendimento  e  o  pagamento  do  Imposto  de  Renda, sob a forma de IRRF e de Quotas de IRPF.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2008, 2009  DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS.  As  decisões  administrativas  não  se  constituem  em normas  gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em  relação a qualquer outra ocorrência,  senão àquela objeto  da decisão.  Aplica­se  a  súmula  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais,  CARF,  com  efeito  vinculante  conforme  Portaria  do  Ministro  da  Fazenda  nº  383,  de  2010.  A  presente  defesa  de  nulidade  do  auto  de  infração  não  é  amparada por nenhuma das súmulas vinculantes.  INEXISTÊNCIA DE HIPÓTESE DE NULIDADE.  Não  se  apresentando,  nos  autos,  as  causas  apontadas  no  art.  59  do  Decreto  nº  70.235,  de  1972,  não  há  que  se  cogitar  em  nulidade  processual,  nem  em  nulidade  do  lançamento.  Impugnação Procedente em Parte  Crédito Tributário Mantido em Parte  Posteriormente,  dentro  do  lapso  temporal  legal,  foi  interposto  recurso  voluntário, no qual a contribuinte sustenta, em síntese:  a) o  cerceamento  do  direito  de  defesa  do  recorrente,  em  razão  inexistência  de  análise  dos  documentos  enviados  à  fiscalização  tempestivamente,  o  que  ocasionou  a  tributação  de  valores  não  tributáveis  e  aplicação  das  multas  penais  acrescidas  de  agravantes, que foram excluídas pela decisão recorrida;  Fl. 1369DF CARF MF Processo nº 10218.720896/2013­88  Acórdão n.º 2201­003.345  S2­C2T1  Fl. 6          9 b) ausência de completa fundamentação legal;  c)  vício  no  MPF  que  ampliou  o  período  de  fiscalização  (aplicação do artigo 173,  I, do CTN e não do artigo 150, § 4º,  que é o caso);   d) a decadência dos fatos geradores ocorridos em 2008;  e) o lançamento do tributo para o ano­calendário de 2008 deu­se  pela glosa do valor de R$ 7.200.000,00 referente à aquisição das  9.000  novilhas  citadas,  em  razão  ausência  de  análise  dos  documentos  de  fls.  1089  a  1093  (cópias  das  notas  fiscais  que  comprovam a entrega do rebanho a cada ano) pela fiscalização;  f)  a  aquisição  do  citado  rebanho  foi  lançada  no  campo  de  prejuízo  de  exercícios  anteriores  a  ser  compensado  equivocadamente,  mas  não  houve  influência  no  resultado  da  atividade rural, pois se tratava de investimento na aquisição de  bovinos;  g) a Decisão de Primeira Instância deve ser revista, pois o Auto  de  Infração  foi  lavrado  em desconformidade  com os  princípios  da Legalidade, Parcialidade,  Impessoalidade e, principalmente,  da Razoabilidade e outros norteadores dos atos administrativos,  haja  vista  que  a  auditora,  ao  glosar  despesas  comprovadas  e  imprescindíveis à atividade econômica exercida pelo fiscalizado,  elevou  a  base  de  cálculo  do  tributo  com  base  em  presunções  pessoais  e  sem  um  mínimo  de  bom  senso  e  razoabilidade,  conforme há de ficar comprovado adiante;  h)  toda  a produção do  requerente  foi  retirada  dos  imóveis  que  ele  explora.  Tal  fato  foi  provado  pelo  recorrente  nos  autos  através das notas fiscais de aquisição de bovinos e notas fiscais  de  despesas  de  manutenção  das  fazendas,  cujos  documentos  constam  às  fls.  50  a  112  (Livro  Caixa)  e  241  a  665  (notas  e  recibos) dos autos;  i) Sejam canceladas as glosa dos montantes de R$2.898.857,00  relativo à “Compra de Gado” e de R$4.232.852,97  relativo às  “Despesas de Custeio/Investimentos”, constantes da Planilha 2,  mantendo­as como Despesas/Investimentos da Atividade Rural e  excluindo­as da base de cálculo do  tributo, pois:1) a aquisição  do  rebanho bovino é  imprescindível para a atividade pecuária,  sendo  considerado  investimento  e  as  demais  despesas  e  custos  representados  pelas  notas  fiscais  e  pagamentos  realizados  a  terceiros,  todos  comprovados  nos  autos,  referem­se a  custeio  e  manutenção da atividade pecuária; 2) a dedução desses valores  está  autorizada  pelo  artigo  62,  §§  1o  e  2o,  IV;  3)  os  recursos  utilizados  para  adquirir  esses  bovinos de  reposição e  pagar  as  despesas  de  custeio  e  manutenção,  indubitavelmente,  tiveram  origem na venda da produção pecuária do próprio contribuinte,  que  vendeu  bovinos  e  prestou  contas  ao  fisco;  4)  As  provas  foram  apresentadas  pelo  recorrente  e  atendem  ao  que  está  prescrito  na  legislação;  5)  A  autoridade  tributária  não  provou  que não ocorreu a aquisição do gado, a compra dos  insumos e  Fl. 1370DF CARF MF     10 gastos com despesas de manutenção, os quais foram declarados  com  coerência  e  proporcionalidade  à  grande  quantidade  de  semoventes  e  área  dos  imóveis  explorados,  simplesmente  presumiu  tal  fato,  desconsiderando  provas  importantíssimas,  como  a  Ficha  de  Controle  Zoo­sanitário  emitida  pela  ADEPARÁ; 6) As glosas foram realizadas com total desrespeito  ao  artigo  62  do  RIR  e  ao  princípio  da  razoabilidade,  sem  critérios e bom senso, ferindo também a capacidade contributiva  do  contribuinte;  que  todos  os  valores  foram  devidamente  comprovados  por  notas  fiscais  idôneas,  portanto,  em  conformidade com o disposto no artigo 62, § 1o e artigo 72, §§ 1o  e  2o,  todos  do  Decreto  3.000/1999  e  artigo  24  do  Decreto  7574/2011; 7) que a autoridade administrativa deve nortear suas  decisões  com  critérios  de  bom senso  e  razoabilidade;  8)  que  o  ônus de provar que não houve a despesa e os investimentos é do  Fisco  e  não  do  contribuinte,  pois  as  provas  apresentadas  são  idôneas.  É o relatório.    Voto             Conselheira Relator  1. Do recurso de ofício  O acórdão recorrido, conforme narrado, consignou a procedência em parte da  impugnação  apresentada,  considerando  a  exigência  do  valor  de R$  1.463.929,35  (exercícios  2009 e 2010) referentes ao Imposto de Renda Pessoa Física, nos termos seguintes:  1)  declarar  não  abrangido  pela  decadência  o  exercício  financeiro de 2009, ano­calendário 2008, quando da ciência do  Auto de Infração;  2) manter a  infração de  compensação  indevida de prejuízo  e o  correspondente  Imposto  de  Renda  Pessoa  Física  Suplementar,  no  valor  de  R$  946.323,94,  relativamente  à  Declaração  de  Ajuste  Anual  do  exercício  financeiro  de  2009,  ano­calendário  2008;  3)  reduzir  a  Multa  de  Ofício  do  percentual  de  150%  para  o  percentual  de  75%  relativamente  ao  exercício  financeiro  de  2009,  ano­calendário  2008,  sobre  a  infração  de  compensação  indevida de prejuízo;  4) considerar inexistente a infração de omissão de receita bruta,  no  valor  de  R$  4.600.000,00,  relativamente  à  Declaração  de  Ajuste  Anual  do  exercício  financeiro  de  2010,  ano­calendário  2009,  exonerando  o  correspondente  Imposto  de  Renda  Pessoa  Física  Suplementar,  no  valor  de  R$  253.000,00,  e,  conseqüentemente,  a Multa  de  Ofício  Agravada,  no  percentual  de 112,50%, no valor de R$ 284.625,00;  Fl. 1371DF CARF MF Processo nº 10218.720896/2013­88  Acórdão n.º 2201­003.345  S2­C2T1  Fl. 7          11 4)  manter  a  infração  de  falta  de  comprovação  do  efetivo  pagamento  relacionada  às  despesas  de  custeio  da  Atividade  Rural, relativamente ao Livro Caixa do ano­calendário de 2009,  mantendo  o  correspondente  Imposto  de  Renda  Pessoa  Física  Suplementar, no valor de R$ 517.605,41, e a Multa de Ofício, no  percentual de 75%, no valor de R$ 388.204,06.  Como se observa da citada conclusão do acórdão, houve exoneração parcial  do crédito referente à omissão da receita bruta no valor de R$ 4.600.000,00 e à multa de ofício  aplicada.  A fiscalização apurou a referida omissão de receita bruta correspondente ao  adiantamento  recebido  no  ano­calendário  de  2008  para  entrega  futura  de  gado  para  abate,  conforme informação disposta na Declaração de ajuste anual do exercício financeiro de 2010.  Em  razão  das  considerações  da  fiscalização,  o  contribuinte  foi  intimado  a  apresentar  Contrato  de  Venda  para  Entrega  Futura,  mas,  não  tendo  sido  apresentados  esclarecimentos, até a data da lavratura do auto de infração, a fiscalização reconheceu a receita  bruta no valor de R$ 4.600.000,00, apurando novo resultado da atividade rural.  Para essa infração, a multa de ofício de 75% foi agravada para 112,50%, pelo  não atendimento à intimação.  No  dia  seguinte  à  lavratura  do  auto  de  infração,  foram  apresentados  esclarecimentos sobre o Contrato de Compra e Venda para Entrega Futura, de modo que restou  identificada a procedência da impugnação.  Entendeu o acórdão recorrido que o valor constante do contrato referido era  R$ 3.600.000,00, e a diferença, no valor de R$ 1.000.000,00, efetivamente  recebido no ano­ calendário de 2008, deveria ter sido levado para compor o livro caixa da atividade rural do ano  de 2008 e não do ano de 2009.  Assim,  encontra­se  acertada  a  decisão  recorrida,  que  descaracterizou  a  infração de omissão de  receita bruta, no valor de R$ 4.600.000,00, para o ano­calendário de  2009 e a consequente improcedência da multa de ofício no percentual de 112,50%.  No que se refere à desqualificação da multa aplicada no percentual de 150%,  referente ao exercício de 2009, sobre a infração de compensação indevida de prejuízo, dispôs o  acórdão recorrido:  Quanto  ao  lançamento  da  Multa  de  Ofício  Qualificada,  no  percentual  de  150%,  no  valor  de R$  1.419.485,91,  concebe­se,  pelos  esclarecimentos  fornecidos  pelo  senhor  contribuinte,  a  improcedência  desse  lançamento,  haja  vista  que  não  se  vislumbra no fato o dolo de sonegação, nos termos dos arts. 71,  72  e  73  da Lei  nº  4.502/64,  como quis  caracterizar  o  autor  do  procedimento de fiscalização.  Desta forma, o percentual da Multa de Ofício será de 75%, com  fundamento no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996.  Fl. 1372DF CARF MF     12 Compulsando­se  os  autos,  de  fato,  verifica­se  que  não  houve  a  conduta  referente à sonegação, consoante demonstrado na análise do recurso voluntário referente à esse  tópico.  2. Do recurso voluntário  2.1. Da decadência  O IRPF obedece ao comando do lançamento por homologação, disciplinado  pelo art. 150, § 4° do Código Tributário Nacional; que reza:  Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos  tributos  cuja  legislação  atribua  ao  sujeito  passivo  o  dever  de  antecipar  o  pagamento  sem  prévio  exame  autoridade  administrativa,  opera­se  pelo  ato  em  a  referida  autoridade,  tomando  conhecimento  da  atividade  assim  exercida  pelo  obrigado, expressamente a homologa.  (...)  §  4°  Se  a  lei  não  fixar  prazo  à  homologação,  será  ele  de  5  (cinco) anos, a contar da ocorrência do  fato gerador; expirado  este  prazo  sem  que  a  Fazenda  Pública  se  tenha  pronunciado,  considera­se homologado o lançamento e definitivamente extinto  o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou  simulação.  Verifica­se, ainda, quanto a esse tema (decadência), que o Superior Tribunal  de Justiça STJ já firmou o entendimento de que a regra do art. 150, § 4º, do CTN, somente deve  ser aplicada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a  existência  de  dolo,  fraude  ou  simulação,  prevalecendo  os  ditames  do  art.  173,  nos  demais  casos. Transcreve­se, a seguir, a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940),  julgado em 12 de agosto de 2009, sendo Relator o Ministro Luiz Fux:  PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO  CPC.  TRIBUTÁRIO.  TRIBUTO  SUJEITO  A  LANÇAMENTO  POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.  INEXISTÊNCIA  DE  PAGAMENTO  ANTECIPADO  DECADÊNCIA  DO  DIREITO  DE  O  FISCO  CONSTITUIR  O  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  TERMO  INICIAL.  ARTIGO  173,  I,  DO  CTN.  APLICAÇÃO  CUMULATIVA  DOS  PRAZOS  PREVISTOS  NOS  ARTIGOS  150,  §  4º,  e  173,  do  CTN.  IMPOSSIBILIDADE.  1.  O  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  (lançamento  de  ofício)  conta­se  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento  antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o  mesmo  inocorre,  sem  a  constatação  de  dolo,  fraude  ou  simulação  do  contribuinte,  inexistindo  declaração  prévia  do  débito  (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel.  Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg  nos  EREsp  216.758/SP,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  julgado  em  22.03.2006,  DJ  10.04.2006;  e  EREsp  276.142/SP,  Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005).  Fl. 1373DF CARF MF Processo nº 10218.720896/2013­88  Acórdão n.º 2201­003.345  S2­C2T1  Fl. 8          13 2.  É  que  a  decadência  ou  caducidade,  no  âmbito  do  Direito  Tributário,  importa  no  perecimento  do  direito  potestativo  de  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  e,  consoante  doutrina  abalizada,  encontra­se  regulada  por  cinco  regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra  da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos  ao  lançamento  de  ofício,  ou  nos  casos  dos  tributos  sujeitos  ao  lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o  pagamento  antecipado  (Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e  Prescrição  no  Direito  Tributário",  3ª  ed.,  Max  Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210).  3.  O  dies  a  quo  do  prazo  qüinqüenal  da  aludida  regra  decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo  certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado"  corresponde,  iniludivelmente,  ao  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  à  ocorrência  do  fato  imponível,  ainda  que  se  trate  de  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  revelando­se  inadmissível  a  aplicação  cumulativa/concorrente  dos  prazos  previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante  a  configuração  de  desarrazoado  prazo  decadencial  decenal  (Alberto  Xavier,  "Do  Lançamento  no  Direito  Tributário  Brasileiro",  3ª  ed.,  Ed.  Forense,  Rio  de  Janeiro,  2005,  págs.  91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed.,  Ed.  Saraiva,  2004,  págs.  396/400;  e  Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e Prescrição  no Direito Tributário",  3ª  ed.,  Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199).  (...)  7.  Recurso  especial  desprovido.  Acórdão  submetido  ao  regime  do  artigo  543C,  do  CPC,  e  da  Resolução  STJ  08/2008.  (destaques do original)  Diante  do  exposto,  conclui­se  que  o  prazo  decadencial  do  IRPF  deve  ser  contado da seguinte forma: (I) ocorrido o pagamento antecipado, aplica­se a regra do art. 150,  § 4°, do CTN; (II) não ocorrendo o pagamento antecipado ou se comprovadas as hipóteses de  dolo, fraude e simulação, deve­se aplicar o disposto no art. 173, inciso I, do CTN.  No caso dos autos, a ciência do auto de infração ocorreu em 23/11/2013 (por  decurso de prazo, sem abertura de correspondência, no domicílio eletrônico), fl. 1100, portanto,  considerando que o fato gerador do imposto de renda pessoa física, referente ao ano de 2008,  ocorreu em 31/12/2008, não houve a decadência suscitada.  2.2. Da inexistência de nulidade do MPF  Aduz o contribuinte a nulidade do  lançamento por vício no MPF, diante da  ampliação das fiscalização do ano­calendário de 2008.  A  jurisprudência  predominante  deste  CARF  já  se  orientou,  seguindo  a  Câmara Superior de Recursos Fiscais, no sentido de que o Mandado de Procedimento Fiscal –  MPF,  se  constitui  de  instrumento  de  controle  administrativo,  advindo  de  norma  também  administrativa, sendo que eventuais  irregularidades em sua prorrogação, extinção, designação  Fl. 1374DF CARF MF     14 de  AFRFB  não  maculam  de  nulidade  o  lançamento,  que  decorre  de  atividade  plenamente  vinculada à lei. Vejamos:  NORMAS PROCESSUAIS. MPF  É  de  ser  rejeitada  a  nulidade  do  lançamento,  por  constituir  o  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  elemento  de  controle  da  administração  tributária,  não  influindo  na  legitimidade  do  lançamento tributário. (Acórdão CSRF no 0202.187)  VÍCIOS  DO  MANDADO  DE  PROCEDIMENTO  FISCAL  MPF.ALEGAÇÃO DE NULIDADE. INEXISTÊNCIA.  Falhas  quanto  a  prorrogação  do  MPF  ou  a  identificação  de  infrações em tributos não especificados, não causam nulidade no  lançamento. Isto se deve ao fato de que a atividade de  lançamento é obrigatória e vinculada, e, detectada a ocorrência  da  situação  descrita  na  lei  como  necessária  e  suficiente  para  ensejar  o  fato  gerador  da  obrigação  tributária,  não  pode  o  agente  fiscal  deixar  de  efetuar  o  lançamento,  sob  pena  de  responsabilidade funcional.  (Acórdão nº 920201.757; sessão de 27/09/2011; Relator Manoel  Coelho Arruda Junior)..  Por bem resumir os argumentos a favor desta  tese,  transcrevo parte do voto  do Acórdão nº 9202 01.637, com a qual comungo:  O  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  MPF,  constitui­se  em  instrumento  de  controle  criado  pela  Administração  Tributária  para dar segurança e transparência à relação fisco­contribuinte,  que  objetiva  assegurar  ao  sujeito  passivo  que  o  agente  fiscal  indicado recebeu da Administração a incumbência para executar  a ação fiscal.  Pelo  MPF  o  auditor  está  autorizado  a  dar  início  ou  a  levar  adiante  o  procedimento  fiscal.  Se  ocorrerem  problemas  com  a  prorrogação  do  MPF  estes  não  invalidam  os  trabalhos  de  fiscalização  desenvolvidos.  Isto  se  deve  ao  fato  de  que  a  atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, e, detectada  a  ocorrência  da  situação  descrita  na  lei  como  necessária  e  suficiente  para  ensejar  o  fato  gerador  da  obrigação  tributária,  não  pode  o  agente  fiscal  deixar  de  efetuar  o  lançamento,  sob  pena de responsabilidade funcional.  Salvo nos casos de ilegalidade, a validade do ato administrativo  é subordinada à legitimidade do agente que o pratica, isto é, ser  titular  do  cargo  ou  função  a  que  tenha  sido  atribuída  a  legitimação  para  a  prática  do  ato.  Assim,  legitimado  o  AFRF  para constituir o crédito tributário mediante lançamento, não há  o que se falar em nulidade por falta do MPF que se constitui em  instrumento de controle da Administração.  Não é possível que eventuais falhas em um simples instrumento de controle,  que objetiva informar ao contribuinte qual a autoridade fiscal executará a ação planejada, bem  como quais os tributos e períodos fiscalizados, possa invalidar o crédito tributário constituído  por autoridade competente, por meio de instrumento formalmente perfeito.  Fl. 1375DF CARF MF Processo nº 10218.720896/2013­88  Acórdão n.º 2201­003.345  S2­C2T1  Fl. 9          15 2.3. Da inexistência de nulidade por cerceamento de defesa ­ ausência de prejuízo à defesa  Sustenta  a  ocorrência  de  cerceamento  do  direito  de  defesa,  em  razão  inexistência  de  análise  dos  documentos  enviados  à  fiscalização  tempestivamente,  o  que  ocasionou a tributação de valores não tributáveis e aplicação das multas penais acrescidas de  agravantes, que foram excluídas pela decisão recorrida.  Cumpre esclarecer que não se pode vislumbrar a existência de nulidade sem  que haja prejuízo ao recorrente.  No  que  se  referem  às  multas  penais,  restou  devidamente  comprovada  a  ausência  de  prejuízo,  considerando  a  exclusão  dos  correspondentes  valores,  consoante  o  disposto na decisão de primeira instância.  Sobre a suposta  tributação de valores não  tributáveis, em razão da ausência  de  análise  da  autoridade  fiscal  dos  documentos  entregues,  cumpre  esclarecer  que  foi  dada  ampla  oportunidade  ao  contribuinte  de  apresentar,  no  decorrer  do  processo  administrativo  fiscal, mormente na fase de impugnação, todos os documentos aptos a ensejar a comprovação  do direito alegado, de modo que também não se vislumbra prejuízo à defesa.  Inclusive,  pelo  que  consta  do  acórdão  recorrido,  os  documentos  foram  devidamente apreciados, fls. 43   Ademais,  verifica­se  que  a  peça  vestibular  do  presente  feito  reveste­se  de  todas as garantias processuais previstas para a constituição do crédito tributário, uma vez que  foram  atendidas  todas  as  solenidades  exigidas  na  norma  instrumental, Decreto  nº  70.235/72,  nos  termos  dos  artigos  9º  e  10,  em  face  do  descumprimento  de  dispositivos  expressos  na  legislação substancial.  2.4. Da ausência de nulidade por falta de enquadramento legal  Aduz  o  recorrente  que  a  ausência  de  enquadramento  legal  ou  capitulação  irregular  é  considerada  vício  insanável  e  tem  por  consequência  a  declaração  de  nulidade  do  auto de infração.  Não  obstante  o  exposto,  conforme  se  verifica  dos  autos,  foi  devidamente  instaurado o processo administrativo, e mesmo diante de eventual  falha na capitulação  legal,  foi  devidamente  descrita  a  infração  cometida  pelo  contribuinte,  de modo que  a  impugnação,  bem como o recurso voluntário apresentaram argumentos contrários aos fatos.  Assim, não se identifica prejuízo na situação narrada, inexistindo nulidade do  auto de infração.  2.5. Das despesas ­ ano­calendário 2008  Sustenta  o  contribuinte  e  reconhece  o  acórdão  recorrido  que  o  prejuízo  da  atividade  rural  (que  foi  glosado)  corresponde,  de  fato,  a  uma  compra  de  novilhos  feita  para  investimento,  por  meio  de  Contrato  de  compra  e  venda  de  Gado  para  entrega  futura  com  garantia real, fls. 1089 a 1092.  Fl. 1376DF CARF MF     16 Foram apresentadas notas fiscais avulsas pelo recebimento das novilhas, fls.  1115/1118.  Por  erro  no  preenchimento  da  DIRPF  a  referida  compra  no  valor  de  R$  7.200.000,00 foi informada no campo destinado à compensação de prejuízos, quando devia ter  sido informada como despesa de custeio.  Assim,  reconhece a Delegacia da Receita a veracidade dos esclarecimentos,  mas  entende  que,  somente  quando  do  recebimento  das  novilhas,  conforme  as  notas  fiscais  avulsas, é que se escrituraria a despesa de custeio correspondente ao valor da nota fiscal avulsa,  conforme trecho abaixo transcrito:  Os  documentos  juntados  aos  processo,  às  fls.  1089/1092,  Contrato de Compra e Venda de Gado para Entrega Futura com  Garantia  Real,  e  às  fls.  1115/1118,  Notas  Fiscais  Avulsas,  respaldam os esclarecimentos, verificando­se o fato exposto nos  esclarecimentos.  Acata­se, portanto, os esclarecimentos, aceitando­se o Contrato  de Compra e Venda de Gado para Entrega Futura com Garantia  Real,  documento  anexado  às  fls.  1089/1092,  bem  como  as  correspondentes  Notas  Fiscais  Avulsas,  anexadas  às  fls.  1115/1118.  Percebe­se, portanto, que o valor de R$ 7.200.000,00, informado  como compensação de prejuízo está correlacionado ao Contrato  de Compra e Venda de Gado para Entrega Futura com Garantia  Real,  bem  como  às  Notas  Fiscais  Avulsas,  não  se  tratando  de  compensação de prejuízo.  Pode­se  concluir  que  de  fato  houve  erro  no  preenchimento  da  Declaração de Ajuste Anual, ao se alocar o valor do Contrato de  Compra  e  Venda  de Gado  para  Entrega  Futura  com Garantia  Real no campo destinado à compensação de prejuízo.  Entretanto,  remanesce  a  infração  de  omissão  no  resultado  da  atividade  rural,  dado  que  o  valor  pago,  no  ano­calendário  de  2008,  pela  venda  antecipada  de  novilhas,  ao  senhor  Antonio  Lucena  Barros,  não  poderia  ser  escriturado  como  despesas  de  custeio no ano­calendário de 2008.  Entende­se,  que,  somente quando do  recebimento  das  novilhas,  fato que se deu nos anos­calendário de 2010, 2011, 2012 e 2013,  conforme  as  Notas  Fiscais  Avulsas,  é  que  se  escrituraria  a  despesa  de  custeio  correspondente  ao  valor  da  Nota  Fiscal  Avulsa.  A  despesa  de  custeio  seria  escriturada  no  Livro Caixa  quando do efetivo recebido das novilhas, no valor da Nota Fiscal  Avulsa.  Ao contrário do disposto no  acórdão  recorrido,  os  investimentos  devem ser  considerados despesas no mês do pagamento, conforme prevê o RIR/99, em seu art. 62, que  nos termos seguintes:  Art. 62. Os investimentos serão considerados despesas no mês de  pagamento (Lei nº 8.023, de 1990, art. 4º, §§ 1º e 2º).  §  1º  As  despesas  de  custeio  e  os  investimentos  são  aqueles  necessários  à  percepção  dos  rendimentos  e  à  manutenção  da  Fl. 1377DF CARF MF Processo nº 10218.720896/2013­88  Acórdão n.º 2201­003.345  S2­C2T1  Fl. 10          17 fonte  produtora,  relacionados  com  a  natureza  da  atividade  exercida.  § 2º Considera­se investimento na atividade rural a aplicação de  recursos financeiros, durante o ano­calendário, exceto a parcela  que  corresponder  ao  valor  da  terra  nua,  com  vistas  ao  desenvolvimento  da  atividade  para  expansão  da  produção  ou  melhoria  da  produtividade  e  que  seja  realizada  com  (Lei  nº  8.023, de 1990, art. 6º):  IV ­ animais de trabalho, de produção e de engorda; (...).  Desse modo, assiste razão ao recorrente quanto à improcedência da glosa do  valor de R$ 7.200.000,00, devendo tal valor ser excluído da exigência fiscal.  2.6.  Da  falta  de  comprovação  do  efetivo  pagamento  das  despesas  de  custeio  e  de  investimento ­ ano­calendário de 2009  Sobre a questão, o contribuinte argüiu que o ônus de provar que não houve a  despesa e os investimentos é do Fisco e não do contribuinte, pois as provas apresentadas são  idôneas.  De posse do Livro Caixa da Atividade Rural e da correspondente  documentação  relativamente  às  despesas  de  custeio,  Notas  Fiscais e Boletos de Pagamento,  totalizando um valor anual de  R$  9.838.200,57,  o  autor  do  procedimento  de  fiscalização  selecionou  algumas  Notas  Fiscais,  totalizando  o  valor  de  R$  8.467.171,79,  para  comprovação  do  efetivo  pagamento.  Desta  forma,  deu­se  por  comprovado  um  total  de  R$  1.371.028,78,  relacionado  a  salários  de  funcionário,  energia  elétrica,  pagamento  de  impostos  e  contribuições,  e  alimentação  dos  funcionários.  Do  valor  total  sujeito  à  comprovação  do  efetivo  pagamento,  o  senhor  contribuinte  logrou  comprovar  algumas  Notas  Fiscais,  totalizando o valor de R$ 1.307.945,82.  Deixou de  comprovar  várias Notas Fiscais,  totalizando o  valor  de R$ 7.159.225,97.  Do  exame  do  procedimento  de  fiscalização,  constata­se  que  o  autor  do  procedimento  de  fiscalização  examinava  os  esclarecimentos e os documentos apresentados em atendimento à  intimação  fiscal,  elaborava  novo  demonstrativo  discriminando  as Notas Fiscais para as quais o senhor contribuinte deixou de  comprovar o efetivo pagamento, e intimava, novamente, o senhor  contribuinte a apresentar documentos que viessem a demonstrar  o efetivo pagamento.  Para efeito de utilização da Nota Fiscal de compra de produto  da  atividade  rural  como  despesa  de  custeio,  relativamente  a  fornecedores  de  novilhas,  benfeitorias,  construções,  utilitários  da  atividade  rural,  despesas  de  manutenção,  material  de  consumo,  material  de  escritório,  combustíveis,  insumos  para  pasto, não basta que o produto, consignado na Nota Fiscal,  se  Fl. 1378DF CARF MF     18 enquadre dentro do conceito de despesas de custeio, é, também,  necessário  que  se  demonstre  o  efetivo  pagamento  e  que  esse  pagamento  tenha  se  originado  de  recurso  próprio  do  contribuinte. Exige­se, também, o efetivo pagamento relacionado  a  folha  de  pagamento,  alimentação  dos  funcionários,  a  pagamento  dos  impostos  e  contribuições  sociais,  conta  de  energia elétrica.  Para o presente caso, constatou­se pagamentos correlacionados  a  Notas  Fiscais  Avulsas  de  compra  de  novilhas,  feitos  com  recurso  de  empresa  da qual  o  senhor  contribuinte  figura  como  sócio,  Juary  Automóveis.  Obviamente,  que  essas  Notas  Fiscais  Avulsas  não  podem  ser  utilizadas  como despesas  de  custeio  no  Livro Caixa da Atividade Rural.  Relativamente  às  Notas  Fiscais  Avulsas  correlacionadas  à  compra  de  novilhas  para  as  quais  se  deixou  de  apresentar  o  comprovante  de  pagamento  ou  algum  outro  documento  que  demonstrasse  o  beneficiário,  o  autor  do  procedimento  de  fiscalização glosou as Notas Fiscais do Livro Caixa da Atividade  Rural.  Do  exame  do  procedimento  fiscal,  constata­se  que  o  autor  do  procedimento  de  fiscalização  levou  em  consideração  as  particularidades  da  atividade  rural,  tais  como  a  forma  de  aquisição de novilhas para engorda e futura venda, destacando a  figura do atravessador, do intermediário e da forma de emissão  da Nota Fiscal Avulsa. O autor do procedimento de fiscalização  deu  por  comprovado  o  efetivo  pagamento  relacionado  a Notas  Fiscais  Avulsas  relacionadas  à  aquisição  de  novilhas,  quando  identificado o beneficiário do pagamento, embora não houvesse  a  coincidência  de  data  e  valor,  como  se  pode  verificar  do  demonstrativo  exposto  no  Termo  de  Verificação  Fiscal  relacionado à Nota Fiscal Avulsa nº 370061, em nome de Jairon  Costa Cardoso.  O  autor  do  procedimento  de  fiscalização  não  aceitou  por  comprovada  a  despesa  de  custeio  relacionada  a  Nota  Fiscal  Avulsa  para  a  qual  o  contribuinte  correlacionou  a  cheque  emitido  pela  empresa  Juary  Automóveis,  da  qual  o  senhor  contribuinte  é  sócio,  a  cheque  nominativo  ao  próprio  senhor  contribuinte,  ou  a débito  em  conta  corrente  bancária  em nome  de terceiros. (...).  Apesar da clareza da fundamentação legal utilizada no Auto de  Infração  para  a  glosa  das  despesas  de  custeio  ou  de  investimentos,  que  foi  a  falta  de  comprovação  do  efetivo  pagamento,  o  senhor  contribuinte,  em  sua  impugnação,  vem  argumentando  que  as  despesas  de  custeio  são  as  necessárias  para a atividade rural, que pagou todos os débitos relacionados  às  Notas  Fiscais,  e  vem  apresentado,  como  prova  a  movimentação  financeira  nas  contas  correntes  bancárias,  declaração de  inexistência de  registro no SPC e na SERASA, e  as Fichas de Atualização Cadastral e de Registro de Vacinação  de  Bovinos  e  Bubalinos,  emitidas  pela  EDEPARÁ,  Agência  de  Defesa Agropecuária do Estado do Pará.  Fl. 1379DF CARF MF Processo nº 10218.720896/2013­88  Acórdão n.º 2201­003.345  S2­C2T1  Fl. 11          19 A documentação juntada na impugnação comprova que o senhor  contribuinte  adquiriu  uma  quantidade  grande  de  bovinos,  no  ano­calendário de 2009, para engorda e venda  futura. É o que  demonstra  as  Notas  Fiscais  Avulsas  e  o  controle  de  vacinação  conforme as Fichas  de Atualização Cadastral  e  de Registro  de  Vacinação de Bovinos e Bubalinos, emitidas pela EDEPARÁ.  Como  já  ressaltado,  o  autor  do  procedimento  de  fiscalização  aceitou algumas Notas Fiscais Avulsas relacionadas à aquisição  de  novilhas.  Não  aceitou  aquelas  correlacionadas  a  cheques  emitidos pela empresa Juary Automóveis, a cheques nominativos  ao senhor contribuinte ou a débitos em conta corrente bancária  em nome de terceiros.  Assim, nesse contexto, cabe observar que as despesas escrituradas no Livro  Caixa  sujeitam­se  à  comprovação,  a  critério  da  autoridade  fiscal,  que  pode  solicitar  a  demonstração do efetivo pagamento relacionado às Notas Fiscais de compra.  Portanto,  não merece  reparo  o  feito  fiscal  que  glosou  as Notas  Fiscais  por  falta  de  comprovação  do  efetivo  pagamento, mantendo­se,  portanto,  a  glosa  no  valor  de R$  7.159.225,97.  Para  efeito  de  tributação,  tem­se  omissão  de  resultado  da  atividade  rural,  no  valor de R$ 1.882.201,50, conforme apurado no Auto de Infração.  E,  considerando  a  inexistência  da  infração  de  omissão  de  receita  bruta,  no  valor de R$ 4.600.000,00, considerando a manutenção das glosas de despesas de  custeio, no  valor de R$ 7.159.225,97, apura­se, relativamente à Declaração de Ajuste Anual do exercício  financeiro  de  2010,  ano­calendário  2009,  Imposto  de  Renda  Pessoa  Física  Suplementar,  no  valor de R$ 517.605,41, sujeitando­se à multa de oficio, no percentual de 75%.  Tendo  em  vista  que  o  contribuinte  reitera  argumentos  sobre  a  parte  da  autuação que já foi excluída, cabe acrescentar que restam mantidas as exclusões efetuadas no  acórdão de impugnação.  Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso  de ofício  e  em REJEITAR as preliminares  e DAR PARCIAL PROVIMENTO  ao  recurso  voluntário para excluir a glosa de despesa do valor de R$ 7.200.000,00.  Assinado digitalmente.  Relator Cecília Lustosa da Cruz ­ Relatora                                Fl. 1380DF CARF MF     20   Fl. 1381DF CARF MF

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6522049 #
Numero do processo: 10580.730459/2012-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVAS APRESENTADAS EM RECURSO VOLUNTÁRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Como regra geral a prova deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual. Contudo, tendo o contribuinte apresentado os documentos comprobatórios no voluntário, razoável se admitir a juntada e a realização do seu exame, pois seria por demais gravoso e contrário ao princípio da verdade material a manutenção da glosa de deduções sem a análise das provas constantes nos autos. Além disso, esta é a ultima instância administrativa para derradeiro reconhecimento, e não sendo atendido, o contribuinte não hesitará em buscar a tutela do seu direito no Poder Judiciário, o que exigiria do Fisco enfrentar a mesma situação, com as provas apresentadas em juízo, podendo a União ser condenada pelas custas do processo. LANÇAMENTO. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. GLOSA DE DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. São dedutíveis as despesas médicas pagas dentro do ano calendário referentes a tratamento do contribuinte e de seus dependentes. Comprovado que o gasto com despesas médicas referem-se à contribuinte, as despesas médicas que haviam sido glosadas devem ser restabelecidas, em razão de ter havi ddo a comprovação documental de todas as despesas utilizadas como dedutíveis. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2201-003.314
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, [por maioria de vostos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Daniel Melo Mendes Bezerra e Denny Medeiros da Silveira(Suplente convocado). Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro José Alfredo Duarte Filho(Suplente convocado). Assinado digitalmente CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente. Assinado digitalmente DANIEL MELO MENDES BEZERRA - Relator. Assinado digitalmente JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO - Redator designado. EDITADO EM: 03/10/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira(Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Denny Medeiros da Silveira(Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Carlos César Quadros Pierre, José Alfredo Duarte Filho(Suplente convocado) e Maria Anselma Coscrato dos Santos(Suplente convocada).
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA

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conteudo_txt : Metadados => date: 2016-10-04T01:31:29Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2016-10-04T01:31:29Z; Last-Modified: 2016-10-04T01:31:29Z; dcterms:modified: 2016-10-04T01:31:29Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:6dd20fea-a723-4a99-8563-8335caddfeb9; Last-Save-Date: 2016-10-04T01:31:29Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2016-10-04T01:31:29Z; meta:save-date: 2016-10-04T01:31:29Z; pdf:encrypted: true; modified: 2016-10-04T01:31:29Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2016-10-04T01:31:29Z; created: 2016-10-04T01:31:29Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2016-10-04T01:31:29Z; pdf:charsPerPage: 2348; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2016-10-04T01:31:29Z | Conteúdo => S2­C2T1  Fl. 93          1 92  S2­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10580.730459/2012­53  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2201­003.314  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  18 de agosto de 2016  Matéria  IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Recorrente  ADAIR CARVALHO ALMEIDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2010  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL.  PROVAS  APRESENTADAS  EM RECURSO VOLUNTÁRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL.  Como regra geral a prova deve ser apresentada na impugnação, precluindo o  direito  de  fazê­lo  em  outro  momento  processual.  Contudo,  tendo  o  contribuinte  apresentado  os  documentos  comprobatórios  no  voluntário,  razoável  se  admitir  a  juntada  e  a  realização  do  seu  exame,  pois  seria  por  demais gravoso e contrário ao princípio da verdade material a manutenção da  glosa de deduções sem a análise das provas constantes nos autos.  Além  disso,  esta  é  a  ultima  instância  administrativa  para  derradeiro  reconhecimento, e não sendo atendido, o contribuinte não hesitará em buscar  a tutela do seu direito no Poder Judiciário, o que exigiria do Fisco enfrentar a  mesma situação, com as provas apresentadas em juízo, podendo a União ser  condenada pelas custas do processo.   LANÇAMENTO. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. GLOSA DE  DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS.  São dedutíveis as despesas médicas pagas dentro do ano calendário referentes  a tratamento do contribuinte e de seus dependentes.  Comprovado que o gasto com despesas médicas referem­se à contribuinte, as  despesas  médicas  que  haviam  sido  glosadas  devem  ser  restabelecidas,  em  razão  de  ter  havi  ddo  a  comprovação  documental  de  todas  as  despesas  utilizadas como dedutíveis.  Recurso Voluntário Provido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 73 04 59 /2 01 2- 53 Fl. 93DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por JOSE ALFREDO DUARTE FILHO, Assinado digitalmente em 03/10 /2016 por JOSE ALFREDO DUARTE FILHO, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por DANIEL MELO MENDES BEZE RRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA     2 Acordam os membros do colegiado, [por maioria de vostos, dar provimento  ao  recurso  voluntário.  Vencidos  os  Conselheiros  Daniel  Melo  Mendes  Bezerra  e  Denny  Medeiros  da  Silveira(Suplente  convocado).  Designado  para  elaborar  o  voto  vencedor  o  Conselheiro José Alfredo Duarte Filho(Suplente convocado).  Assinado digitalmente  CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA ­ Presidente.   Assinado digitalmente  DANIEL MELO MENDES BEZERRA ­ Relator.  Assinado digitalmente   JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO ­ Redator designado.  EDITADO EM: 03/10/2016  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Carlos  Henrique  de  Oliveira(Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Denny  Medeiros  da  Silveira(Suplente  convocado),  Ana  Cecília  Lustosa  da  Cruz,  Carlos  César  Quadros Pierre, José Alfredo Duarte Filho(Suplente convocado) e Maria Anselma Coscrato dos  Santos(Suplente convocada).  Relatório  Trata­se  de  Recurso  Voluntário  interposto  contra  a  decisão  de  primeira  instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte ofertada em face da lavratura  de Notificação de Lançamento de IRPF.  Os  aspectos  principais  do  lançamento  estão  delineados  no  relatório  da  decisão de primeira instância, nos seguintes termos:  “Contra  o  contribuinte  acima  identificado  foi  lavrada  a  Notificação  de  Lançamento  nº  2010/525851157954400,  expedida em 30/07/2012, referente a imposto sobre a renda  de  pessoa  física,  exercício  2010,  ano­calendário  2009,  código  2904,  formalizando  a  exigência  de  imposto  suplementar  no  valor  de  R$  6.062,33  e  seus  consectários  legais,  totalizando  R$  12.020,38,  com  juros  de  mora  calculados  até  31/07/2012,  fls.  5  a  8.  O  lançamento  decorreu  da  apuração  de  dedução  indevida  de  despesas  médicas, no valor de R$22.044,84, pois o contribuinte não  atendeu  ao  Termo  de  Intimação  Fiscal.  Cientificado  da  notificação em 10/08/2012, fls. 18, o contribuinte, por meio  de  procurador,  fls.  3  a  4,  apresentou  impugnação  em  29/08/2012,  fls.  2,  acompanhada  do  documento  de  fls.  9,  contestando  o  lançamento.  Alega  que  o  valor  refere­se  a  despesas  médicas  do  próprio  contribuinte  e  que  o  valor  pago  ao  Funprev,  R$5.240,76,  encontra­se  informado  no  informe de rendimentos. O despacho de fls. 21 assinala que  foi  solicitado  o  cancelamento  da  inscrição  do  crédito  Fl. 94DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por JOSE ALFREDO DUARTE FILHO, Assinado digitalmente em 03/10 /2016 por JOSE ALFREDO DUARTE FILHO, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por DANIEL MELO MENDES BEZE RRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10580.730459/2012­53  Acórdão n.º 2201­003.314  S2­C2T1  Fl. 94          3 tributário  em  dívida  ativa  por  meio  do  processo  nº  10010.005714/06114­ 21. O Despacho Decisório CM 1997,  de  04/07/2014,  fls.  24,  amparando­se  no  Termo  Circunstanciado  de  fls.  22  a  23,  decidiu  por  deferir  a  proposta de manutenção parcial da exigência, alterando o  imposto  suplementar  de  R$6.062,33  para  R$5.805,47.  No  Termo Circunstanciado, a autoridade revisora frisou que o  autuado  apresentou  apenas  um  comprovante  de  despesas  médicas,  referente  ao  plano  de  saúde  Vitalmed,  CNPJ  96.706.718/0001­77,  no  valor  de  R$934,08,  o  qual  foi  aceito  para  a  apuração  do  imposto  devido.  Intimado  do  Despacho  Decisório  e  do  Termo  Circunstanciado  em  11/11/2014, fls. 25, o contribuinte não se manifestou sobre  o resultado.”    Cientificado  do  acórdão  da  DRJ  em  15/10/2015,  o  contribuinte  apresentou  Recurso Voluntário tempestivamente em 06/11/2015, alegando em síntese que:     Foram  apresentados  por  ocasião  da  impugnação  14  (quatorze)  recibos  médicos  e  informe  de  rendimentos  do  FUNPREV,  no  qual  conta  assistência  médica  de  R$  5.240,76.    Junta  cópias  dos  documentos  utilizados  como  despesas  médicas,  odontológicas  e  o  plano  de  saúde,  solicitando  a  reanálise  por  parte  desse  Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais ­ CARF.  Voto Vencido  Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra Relator  Admissibilidade  Como  relatado,  o  Recurso  Voluntário  é  tempestivo.  Ademais,  preenche  os  demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço.  Produção de prova documental na fase recursal  Com relação à apresentação de provas o Decreto nº 70.235/1972 dispõe em  seu art.16:   Art. 16. A impugnação mencionará:   I ­ a autoridade julgadora a quem é dirigida;   II ­ a qualificação do impugnante;   III ­ os motivos de fato e de direito em que se fundamenta,  os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;  (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993).  IV ­ as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda  sejam  efetuadas,  expostos  os  motivos  que  as  justifiquem,  com  a  formulação  dos  quesitos  referentes  aos  exames  Fl. 95DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por JOSE ALFREDO DUARTE FILHO, Assinado digitalmente em 03/10 /2016 por JOSE ALFREDO DUARTE FILHO, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por DANIEL MELO MENDES BEZE RRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA     4 desejados,  assim  como,  no  caso  de  perícia,  o  nome,  o  endereço  e  a  qualificação  profissional  do  seu  perito.  (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993).  V  ­  se  a  matéria  impugnada  foi  submetida  à  apreciação  judicial,  devendo  ser  juntada  cópia  da  petição.  (Incluído  pela Lei nº 11.196, de 2005).  § 1º Considerar­se­á não formulado o pedido de diligência  ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no  inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993).   § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal,  empregar  expressões  injuriosas  nos  escritos  apresentados  no  processo,  cabendo  ao  julgador,  de  ofício  ou  a  requerimento do ofendido, mandar riscá­las. (Incluído pela  Lei nº 8.748, de 1993).   §  3º  Quando  o  impugnante  alegar  direito  municipal,  estadual ou estrangeiro, provar­lhe­á o teor e a vigência, se  assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748,  de 1993.)   §  4º  A  prova  documental  será  apresentada  na  impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê­lo  em  outro  momento  processual,  a  menos  que:  (Incluído  pela Lei nº 9.532, de 1997). (Grifou­se).   a)  fique  demonstrada  a  impossibilidade  de  sua  apresentação  oportuna,  por  motivo  de  força  maior;  (  Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)   b) refira­se a fato ou a direito superveniente ;(Incluído pela  Lei nº 9.532, de 1997)   c)  destine­se  a  contrapor  fatos  ou  razões  posteriormente  trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)   §  5º  A  juntada  de  documentos  após  a  impugnação  deverá  ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em  que  se demonstre,  com  fundamentos,  a ocorrência de uma  das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior.  (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)   § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos  apresentados  permanecerão  nos  autos  para,  se  for  interposto  recurso,  serem  apreciados  pela  autoridade  julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532,  de 1997)   Como  se  vê,  o  §  4º  do  art.  16  do  Decreto  nº  70.235/1972  determina  o  momento processual para juntada de prova documental, sob pena de ocorrer a preclusão.   A  autoridade  julgadora  de  primeira  instância  fundamentou  a  decisão  que  resultou  na  improcedência  da  impugnação,  exclusivamente  no  fato  de  a  contribuinte  não  ter  comprovado  as  suas  alegações  através  de  prova  documental,  tendo  assim  esposado  o  seu  entendimento na parte nuclear do acórdão recorrido:  “Da mesma forma que o Decreto nº 70.235/72 estabelece a  obrigatoriedade do agente do fisco em provar a ocorrência  do  ilícito  fiscal, caput do art. 9º,  também impõe ao sujeito  passivo o ônus de provar o que alega, redação contida no  inciso III do art. 16, sob pena de, não o fazendo, arcar com  as conseqüências legais.”   Fl. 96DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por JOSE ALFREDO DUARTE FILHO, Assinado digitalmente em 03/10 /2016 por JOSE ALFREDO DUARTE FILHO, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por DANIEL MELO MENDES BEZE RRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10580.730459/2012­53  Acórdão n.º 2201­003.314  S2­C2T1  Fl. 95          5 Em sede recursal, pretende a contribuinte a revisão do lançamento através de  um pedido de análise de documentos por este Colegiado, que supostamente comprovariam a  regularidade das deduções de despesas médicas efetuadas.  Todavia,  entendo  que  analisar  a  prova  documental  carreada  ao  presente  Recurso  daria  a  opção  à  contribuinte  de  escolher  a  instância  julgadora  que  melhor  lhe  aprouvesse  para  o  julgamento  do  seu  pedido,  o  que  consistiria  em  uma  inegável  ofensa  às  normas adjetivas que norteiam o processo administrativo fiscal, com a supressão da primeira  instância.  Com isso, não estou a dizer que a regra inserta no o § 4º do art. 16 do Decreto  nº 70.235/1972 é absoluta. O julgador, que é um  intérprete da lei, esta na acepção  lato sensu  deve  aplicar  o  ordenamento  jurídico.  Assim,  a  mencionada  regra  processual  deverá  ser  sopesada com o princípio da verdade material, que deve basilar o julgador ao dirimir as lides  tributárias, quando possível.  No  caso  que  se  cuida,  não  houve  nenhuma  justificativa  apresentada  para  a  não  exibição  de  documentos  no  momento  da  impugnação,  nem  havia  no  momento  do  proferimento  da  decisão  de  piso,  qualquer  indício  probatório,  por  menor  que  fosse,  para  amparar as alegações do sujeito passivo.  De  outro  lado,  meramente  por  apego  ao  debate,  infere­se  dos  recibos  de  despesas acostados aos autos, que estes não possuem a necessária força probatória, eis que não  possuem o endereço do profissional de saúde subscritor, em ofensa ao art. art. 8.º, § 2º, III, da  Lei n.º 9.250, de 26 de dezembro de 1995.  Destarte,  entendo  que  os  documentos  apresentados  intempestivamente  pelo  sujeito passivo não podem ser analisados por este colegiado, sob pena de ficar caracterizada a  supressão da primeira instância.  Conclusão  Diante de todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário.  Assinado digitalmente  Daniel Melo Mendes Bezerra  ­ Relator    Voto Vencedor  Conselheiro  Suplente  Convocado  José  Alfredo  Duarte  Filho,  Redator  Designado.    DA ADMISSIBILIDADE DAS PROVAS  Fl. 97DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por JOSE ALFREDO DUARTE FILHO, Assinado digitalmente em 03/10 /2016 por JOSE ALFREDO DUARTE FILHO, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por DANIEL MELO MENDES BEZE RRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA     6 Em que pese as respeitáveis razões do ilustre Conselheiro Relator, peço vênia  para  manifestar  entendimento  divergente  esposando  posicionamento  conclusivo  diverso  do  adotado pelo ilustre julgador, na linha da jurisprudência relacionada a decisões no âmbito dos  julgamentos na esfera administrativa.  O  regramento  do  instituto  da  preclusão  visa  estabelecer  uma  ordem  no  sistema  processual  com  a  finalidade  de  atingir  um  desempenho  satisfatoriamente  célere  e  ordenado.  Contudo,  se  generalizado,  por  puro  formalismo,  acaba  sendo  aplicado  de  forma  exagerada. É  sabido que, por vezes,  a  ausência de um ato no  limite  temporal  aprazado pode  levar o julgador a proferir uma decisão de forma definitiva, ocasionando a perda de direito a  um julgamento justo na esfera administrativa. Assim, para uma correta e adequada decisão no  contencioso  administrativo  fiscal  o  julgador  deve  se  utilizar  de  todos  os  meios  de  provas  disponíveis ou colocadas a disposição, não deixando de recebê­las em razão de não terem sido  apresentadas no momento da instrução do processo.  A  produção  probatória  que  acontece  em momento  posterior  a  instrução  do  processo  administrativo  pode  ser  de  ordem  complementar  àquelas  provas  apresentadas  anteriormente  ou,  ainda,  aquelas  não  oferecidas  originalmente  no  momento  próprio,  por  impossibilidade real na obtenção dos documentos necessários a comprovação dos fatos e das  alegações apresentadas. Em qualquer caso, a baliza temporal não deve impedir ou dificultar o  exercício do direito no que se refere aos princípios da verdade material, do contraditório e da  ampla defesa.   A  jurisprudência  em  matéria  de  preclusão  na  apresentação  das  provas  no  contencioso  administrativo  está  longe  do  consenso,  mas  tem  conduzido  a  uma  linha  de  entendimentos de concessão elástica no recebimento das provas no recurso, com o objetivo da  obtenção de maior instrumentalidade da essência e conteúdo do processo. Cito a seguir alguns  Acórdãos do CARF, entre outros:  Acórdão CARF 1201­001.447 de 20/09/2016  EMENTA. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica –  IRPJ ­ Ano­calendário: 2002  DOCUMENTAÇÃO  JUNTADA  APÓS  DILIGÊNCIA.  ADMISSIBILIDADE. POSSIBILIDADE.  Via de regra, a prova documental deve ser apresentada em sede  de impugnação, sob pena de preclusão. No entanto, em razão do  Princípio da Verdade Material, deve­se analisar os documentos  apresentados pelo Contribuinte após a impugnação, uma vez que  tal  documentação  visa  reforçar  seu  direito  em  face  da  argumentação apresentada pelo julgador a quo.    Acórdão CARF 2402­004.925 de 08/03/2016  EMENTA.Assunto:  Imposto  sobre  a  Renda  de  Pessoa  Física  –  IRPF ­ Exercício: 2010  NORMAS  GERAIS.  PRECLUSÃO.  DOCUMENTOS  APRESENTADOS  NO  RECURSO.  CONHECIMENTO.  REQUISITOS.  Segundo a  legislação, a prova documental  será apresentada na  impugnação,  precluindo  o  direito  de  o  impugnante  fazê­lo  em  outro  momento  processual,  a  menos  que  fique  demonstrada  a  impossibilidade  de  sua  apresentação  oportuna,  por  motivo  de  força  maior;  refira­se  a  fato  ou  a  direito  superveniente;  ou  destine­se  a  contrapor  fatos  ou  razões  posteriormente  trazidas  aos autos.  Fl. 98DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por JOSE ALFREDO DUARTE FILHO, Assinado digitalmente em 03/10 /2016 por JOSE ALFREDO DUARTE FILHO, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por DANIEL MELO MENDES BEZE RRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10580.730459/2012­53  Acórdão n.º 2201­003.314  S2­C2T1  Fl. 96          7 No  presente  caso,  a  prova  documental  deve  ser  conhecida,  mesmo  após  a  impugnação,  pois  soluciona  a  questão,  é  mero  detalhamento  de  documentos  já  apresentados  desde o  início  do  processo, não ocasionará retorno à etapa processual já superada  e não se demonstra como forma de procrastinar a decisão  final  nos  autos.  LANÇAMENTO.  OBRIGAÇÃO  TRIBUTÁRIA  PRINCIPAL.  GLOSA DE DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS.  São  dedutíveis  as  despesas  médicas  pagas  dentro  do  ano  calendário  referente  a  tratamento  do  contribuinte  e  de  seus  dependentes.  Comprovado  que  o  gasto  com  despesa  médica  refere­se  à  contribuinte, as despesas médicas que haviam sido glosadas em  razão da glosa devem ser restabelecidas.  No presente  caso,  ficou  claro,  pela  documentação apresentada,  que a despesa médica ocorreu, para e com a recorrente, motivo  da dedutibilidade da despesa e, portanto, provimento do recurso.  Recurso Voluntário Provido em Parte.    Acórdão CARF 1102­000.940 de 13/03/2014  EMENTA.Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica –  IRPJ ­ Ano­calendário: 2004  NULIDADE. LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA.  Não é nulo o procedimento fiscal que glosou despesas com juros  após lavrar diversas intimações com pedidos de esclarecimentos  sobre a matéria, aguardando prazo razoável para apresentação  de documentos antes da lavratura do auto de infração.  PRODUÇÃO  DE  PROVAS  NO  VOLUNTÁRIO.  POSSIBILIDADE  PARA  SE  CONTRAPOR  ÀS  RAZÕES  DO  JULGAMENTO  DE  PRIMEIRA  INSTÂNCIA.  PRINCÍPIO  DA  VERDADE MATERIAL.  Como regra geral, a prova documental deve ser apresentada na  impugnação, precluindo do direito de fazê­lo em outro momento  processual.  Contudo, tendo o contribuinte trazido os documentos que julgava  aptos  a  comprovar  seu  direito,  ao  não  ser  bem  sucedido  no  julgamento  de  1a  instância,  razoável  se  admitir  a  juntada  das  provas no voluntário, pois é exceção à regra geral de preclusão  a produção de novos documentos destinados a contrapor fatos ou  razões posteriormente trazidas aos autos.  Ademais, seria por demais gravoso, e contrário ao princípio da  verdade  material,  a  manutenção  da  glosa  de  deduções  sem  a  análise das provas constantes nos autos.  E ainda, sendo esta a última instância administrativa, tal postura  exigiria do contribuinte a busca da tutela do seu direito no Poder  Judiciário,  o  que  exigiria  do  Fisco  a  análise  das  provas  apresentadas em juízo, e ainda condenaria a União pelas custas  do processo.    No âmbito judicial, a Ministra Nancy Andrighi do STJ também se manifestou  pela  prevalência  da  busca  da  verdade  real  sobre  o  formalismo  processual  do  voto,  no REsp  331.550, da seguinte forma:  Fl. 99DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por JOSE ALFREDO DUARTE FILHO, Assinado digitalmente em 03/10 /2016 por JOSE ALFREDO DUARTE FILHO, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por DANIEL MELO MENDES BEZE RRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA     8 “Antes  do  compromisso  com  a  lei,  o  magistrado  tem  um  compromisso com a justiça e com o alcance da função social do  processo, para que este não se torne um instrumento de restrita  observância da forma, distanciando­se da necessária busca pela  verdade real.”   A Ministra também afirmou, no REsp 1.012.306 que:   “a  iniciativa  probatória  do  magistrado,  em  busca  da  verdade  real, com realização de prova de ofício, é amplíssima, porque é  feita no interesse público de efetividade da justiça.”  A  preclusão  no  processo  administrativo  fiscal  federal,  como  também  no  âmbito estadual e municipal, é tratada especialmente no que dispõe o parágrafo 4º, do art. 16,  do Decreto nº 70.235/72, quando diz:   “§  4º  A  prova  documental  será  apresentada  na  impugnação,  precluindo o direito de o impugnante fazê­lo em outro momento  processual, a menos que:  a)  Fique  demonstrada  a  impossibilidade  de  sua  apresentação  oportuna, por motivo de força maior;”   No interesse da verdade material e enriquecimento do conteúdo do processo o  julgador deve sobrepor a essência sobre a formalidade. Neste sentido o termo “motivo de força  maior” deve ser entendido de maneira abrangente porque qualquer ocorrência ou a falta dela  pode  se  transformar  em  razão  impeditiva  para  obtenção  da  prova  até  aquele  momento  da  instrução. Ocorrência ou inocorrência, não necessariamente na gravidade conceitual do termo  “motivo de força maior”, mas que em certos casos se transformam em dificuldades geradoras  de morosidade que impedem o contribuinte do cumprimento da obrigação naquele prazo. Não  se vislumbra a possibilidade do contribuinte propositadamente deixar de apresentar prova no  momento próprio, o que viria em desfavor de sua defesa. Se não o faz quando lhe é de direito  oferecida  a  oportunidade,  certamente  que  é  motivado  por  fatores  alheios  a  sua  vontade.  É  absolutamente  normal  acontecerem  eventos  que  proporcionam  consequências  ou  efeitos  desfavoráveis  ao  contribuinte  no momento  da  coleta  das  provas  e  isso  deve  ser  considerado  pelo julgador para o estabelecimento do equilíbrio do direito entre as partes, em atendimento a  orientação do art. 7º do CPC, como segue:  “Art.  7º  É  assegurada  às  partes  paridade  de  tratamento  em  relação  ao  exercício  de  direitos  e  faculdades  processuais,  aos  meios de defesa, aos ônus, aos deveres e à aplicação de sanções  processuais, competindo ao juiz zelar pelo efetivo contraditório”.  (grifei)  Limitar  a  apresentação  de  provas  a  um  único  momento  no  processo  administrativo  fiscal  pode  ferir  o  princípio  da  ampla  defesa  e  do  contraditório  ao  impedir  o  contribuinte  de  contrapor  fatos  e  reforçar  afirmações  em defesa  de  seus  interesses,  o  que  se  reverte em verdadeira penalidade exatamente pela perda do direito a um julgamento justo. Ao  contrário,  o  julgador  pode  ter  a  iniciativa  de  pedir  diligências  e  solicitar  a  juntada de  novas  provas, entendendo cabível, para o estabelecimento do equilíbrio do direito entre as partes e a  prevalência da verdade real.  Pode­se  afirmar  que o melhor  critério  para  aferição  da  peremptoriedade  do  prazo é aquele que considera a prevalência da essência sobre a forma e não resulte em alteração  no equilíbrio da relação processual, com vantagem a uma das partes em detrimento da outra,  em contrário senso do principio da isonomia no processo.   Fl. 100DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por JOSE ALFREDO DUARTE FILHO, Assinado digitalmente em 03/10 /2016 por JOSE ALFREDO DUARTE FILHO, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por DANIEL MELO MENDES BEZE RRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10580.730459/2012­53  Acórdão n.º 2201­003.314  S2­C2T1  Fl. 97          9 Assim,  em homenagem aos  princípios  da  ampla defesa  e  da verdade  real  a  apresentação de provas no processo administrativo fiscal deve ser acolhida com a elasticidade  temporal na dimensão do  interesse do  julgador na mais  justa decisão da  lide, não permitindo  prevalecer a verdade fictícia quando obstada a oportunidade probatória da verdade real.  Por fim, o novo CPC traz reforço para esse entendimento quando suaviza o  posicionamento anterior que atribuía ao contribuinte, de forma quase que exclusiva, o ônus da  prova, e inaugura a possibilidade das partes atuarem em prol de uma instrução colaborativa, a  fim de oferecer ao julgador melhores subsídios para proferir a decisão, sem que se faça uso da  regra do ônus da prova  de  forma unilateral. Este novo procedimento  está  explicitado no art.  373  e  seus  incisos.  De  forma  semelhante  o  art.  6º  do  CPC  reforça  este  entendimento  colaborativo ao dizer que “Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se  obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva”.  Por  tudo  isso,  no  processo  administrativo  se  faz  necessário  o  exame  das  provas oferecidas mesmo após a impugnação, afastando­se o argumento da preclusão, de forma  a não afrontar o direito do contribuinte ao contraditório e a ampla defesa.    DO MÉRITO  O  lançamento  fiscal  teve  como  elemento  base  a  glosa  total  das  despesas  médicas e plano de saúde utilizado pelo contribuinte como despesas dedutíveis para efeito de  apuração do imposto na Declaração de Ajuste Anual, no valor de R$ 22.044,84 (valores de R$  6.120,00,  R$  6.120,00,  R$  3.259,00,  R$  150,00,  R$  15,00,  R$  200,00,  R$  5.246,76,  R$  934,08).  Por ocasião do pedido de revisão do lançamento na DRJ/BHE, a autoridade  revisora  aceitou  o  comprovante  no  valor  de  R$  934,08  para  efeito  de  apuração  do  imposto  devido, fazendo permanecer os demais valores como não aceitáveis por falta de comprovação.   No  recurso o contribuinte  juntou  toda a documentação que vinha coletando  junto  aos  prestadores  de  serviços  e  comprovações  de  pagamentos  junto  às  instituições  financeiras, como por exemplo, cópia de cheques e relatório médico dos serviços prestados de  maior  valor.  Foram  assim  comprovadas  as  despesas  médicas  em  sua  totalidade  com  os  seguintes  documentos:  valores  de  R$  6.120,00,  R$  6.120,00  e  R$  3.259,00  (este  último  totalizado na soma dos valores: R$ 2.534,00, R$ 85,00, R$ 100,00, R$ 100,00, R$ 85,00, R$  100,00, R$ 85,00, R$ 85,00, R$ 85,00), com recibos de prestação de serviços do profissional  Dr.  Fred  Silva  Menezes  Mattos,  inclusive  com  relatório  técnico  sobre  os  serviços  odontológicos prestados; Recibo do Centro Dermatológico e Medicina Especializada Ltda. no  valor de R$ 150,00; recibo da Dra. Andreia Dias Rocha Freitas no valor de R$ 15,00; Recibo  da Clinica de Vacinação Ltda. ME – VAX no valor de 300,00; documentos da FUNPREV no  valor  de  R$  5.246,76  e  Recibo  da  VITALMED  no  valor  de  934,08,  que  já  tinha  sido  considerado como dedutível do imposto por ocasião da revisão daquela DRJ.  Assim,  fica  mantida  a  dedução  das  despesas  médicas  da  contribuinte  realizadas naquele período e cancelado o lançamento em vista da comprovação documental e  probatória juntada ao processo.  Ante o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário.  Fl. 101DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por JOSE ALFREDO DUARTE FILHO, Assinado digitalmente em 03/10 /2016 por JOSE ALFREDO DUARTE FILHO, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por DANIEL MELO MENDES BEZE RRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA     10 Assinado digitalmente.  José Alfredo Duarte Filho – Redator Designado.                  Fl. 102DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por JOSE ALFREDO DUARTE FILHO, Assinado digitalmente em 03/10 /2016 por JOSE ALFREDO DUARTE FILHO, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por DANIEL MELO MENDES BEZE RRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA

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Numero do processo: 10860.721948/2013-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Nov 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 NORMAS PROCESSUAIS. IMPUGNAÇÃO NÃO CONHECIDA PRECLUSÃO ADMINISTRATIVA. DISCUSSÃO MATÉRIA EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PREJUDICIAL DE TEMPESTIVIDADE. POSSIBILIDADE. RECURSOS VOLUNTÁRIOS SOLIDÁRIOS. A impugnação não conhecida, em face da inobservância dos pressupostos legais para seu conhecimento, in casu, ausência de comprovação da capacidade de postulação do advogado das partes, enseja a preclusão administrativa relativamente às questões suscitadas na defesa inaugural, cabendo recurso voluntário a este Egrégio Conselho tão somente quanto à prejudicial de conhecimento da peça impugnatória. Restando incontroversa a ausência de procuração a legitimar a atuação do advogado das partes, com reconhecimento da própria contribuinte, é defeso ao CARF conhecer do recurso voluntário para se pronunciar a respeito das razões meritórias, as quais não foram contempladas na decisão recorrida, em face da preclusão, sob pena, inclusive, de supressão de instância. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos moldes da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR. DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Com fulcro no artigo 29 do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas e razões ofertadas pela contribuinte, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária, não se cogitando em nulidade da decisão quando não comprovada a efetiva existência de preterição do direito de defesa do contribuinte. DECADÊNCIA. O direito da fazenda pública constituir o crédito tributário da contribuição previdenciária extingue-se com o decurso do prazo decadencial previsto no CTN. Na hipótese de lançamento de ofício de crédito tributário que o sujeito passivo não tenha antecipado o pagamento, aplica-se o disposto no CTN, art. 173, I. Caso tenha havido antecipação do pagamento, aplica-se o disposto no CTN, art. 150, § 4º, conforme súmula CARF nº 99. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA. De conformidade com a jurisprudência dominante neste Colegiado, tratando-se de auto de infração decorrente de descumprimento de obrigação acessória, onde o contribuinte omitiu informações e/ou documentos solicitados pela fiscalização, caracterizando o lançamento de ofício, o prazo decadencial para a constituição do crédito previdenciário é de 05 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. DESCONSIDERAÇÃO DE ATO OU NEGÓCIO JURÍDICO. A autoridade administrativa fiscalizadora pode desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com o fito de dissimular a ocorrência de fato gerador de tributos por ser tal prática inerente a suas atribuições. SALÁRIO INDIRETO. ABONO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INCIDÊNCIA. INOBSERVÂNCIA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. PARECER PGFN/CRJ nº 2114/2011 e ATO DECLARATÓRIO PGFN nº 16/2011. INAPLICABILIDADE. Desincumbindo-se o Fisco do ônus de comprovar o fato gerador das contribuições previdenciárias, cabe ao contribuinte demonstrar, com documentação hábil e idônea, que as verbas concedidas aos segurados empregados e/ou contribuintes individuais se enquadram em uma das hipóteses previstas no § 9°, do artigo 28, da Lei n° 8.212/91, de maneira a rechaçar a tributação imputada. Na hipótese dos autos, assim não o tendo feito, relativamente a verba intitulada Abono Especial, é de se manter a exigência fiscal na forma lançada. Destarte, após o advento do Decreto nº 3.265/99, somente as importâncias pagas aos empregados a título de abonos desvinculados expressamente por lei do salário, não compõem a base de cálculo das contribuições previdenciárias, conforme preceitua o artigo 214, § 9º, alínea “j”, do RPS. Mais a mais, sequer pode se admitir aplicabilidade dos preceitos inscritos no Parecer PGFN/CRJ nº 2114/2011 e Ato Declaratório PGFN nº 16/2011, uma vez não se vislumbrar a necessária eventualidade, bem como a desvinculação ao respectivo salário. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS DA EMPRESA - PLR. OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. IMUNIDADE. REGRAS CLARAS E OBJETIVAS E MECANISMOS DE AFERIÇÃO. NECESSIDADE. A Participação nos Lucros e Resultados - PLR concedida pela empresa aos seus funcionários, como forma de integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, por força do disposto no artigo 7º, inciso XI, da CF, sobretudo por não se revestir da natureza salarial, estando ausentes os requisitos da habitualidade e contraprestação pelo trabalho. Somente nas hipóteses em que o pagamento da verba intitulada de PLR não observar os requisitos legais insculpidos na legislação específica - artigo 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91-, mais precisamente MP nº 794/1994, c/c Lei nº 10.101/2000, é que incidirão contribuições previdenciárias sobre tais importâncias, em face de sua descaracterização como Participação nos Lucros e Resultados. In casu, não obstante a contribuinte ter comprovado ter efetuado os pagamentos a título de PLR com lastro em Programas devidamente formalizados (Acordos Coletivos), nestes não se vislumbra a existência de regras claras e objetivas, bem como mecanismos de aferição pertinentes ao acordado, capazes de legitimar a concessão de aludida verba. PROCEDIMENTO FISCAL. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. CONFIGURAÇÃO. Constatados os elementos necessários à caracterização de Grupo Econômico de fato, deverá a autoridade fiscal assim proceder, atribuindo a responsabilidade pelo crédito previdenciário a todas as empresas integrantes daquele Grupo, de maneira a oferecer segurança e certeza no pagamento dos tributos efetivamente devidos pelo contribuinte, conforme preceitos contidos na legislação tributária, notadamente no artigo 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/91. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. SIMPLES DESCONSIDERAÇÃO DE VÍNCULO PACTUADO - PESSOAS JURÍDICAS E CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. A simples procedência de autuação fiscal, estribada na desconsideração da personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços, com a conseqüente caracterização de segurados empregados, sem que haja uma perfeita demonstração da conduta do contribuinte com o fito de sonegar tributos, não é capaz de comprovar a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Ademais, o artigo 229, § 2º, do Regulamento da Previdência Social-RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, o qual oferece guarida a aludido procedimento, exige tão somente a demonstração da existência dos requisitos do vínculo laboral para que seja procedente o lançamento, nada dissertando a respeito da simulação, que poderá ou não vir a ser demonstrada, não implicando, necessariamente, que um fato conduz a outro, sem que ocorra um aprofundamento em relação à imputação do crime fiscal. PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 32, INCISO IV, § 5º, LEI Nº 8.212/91. Constitui fato gerador de multa, por descumprimento de obrigação acessória, apresentar o contribuinte à fiscalização Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP com omissão de fatos geradores de todas contribuições previdenciárias. AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE DE LANÇAMENTO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL JULGADO PROCEDENTE. AUTUAÇÃO REFLEXA. OBSERVÂNCIA DECISÃO. Impõe-se a manutenção da multa aplicada decorrente da ausência de informação em GFIP de fatos geradores lançados em Autuação Fiscal, pertinente ao descumprimento da obrigação principal, declarada procedente, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula, o que se vislumbra na hipótese vertente. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Com arrimo nos artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-004.511
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer dos recursos voluntários apresentados pelos responsáveis solidários, para, por maioria, negar-lhes provimento. Vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato e Luciana Matos Pereira Barbosa. Votou pelas conclusões o conselheiro Cleberson Alex Friess. Por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário apresentado pelo sujeito passivo, para: a) preliminarmente: a.1) por unanimidade, afastar as preliminares de nulidade do lançamento e da decisão recorrida; a.2) por maioria, reconhecer a decadência no período de 01/08 a 11/08, para as contribuições de segurados apuradas no AI 37.282.267-3, vencidos os conselheiros Maria Cleci Coti Martins, Márcio de Lacerda Martins e Miriam Denise Xavier Lazarini; a.3) por voto de qualidade, negar provimento à arguição de decadência, para as contribuições da empresa apuradas no AI 37.282.266-5, vencidos os conselheiros Rayd Santana Ferreira (relator), Carlos Alexandre Tortato, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa; b) no mérito: b.1) quanto à caracterização dos segurados empregados e contribuintes individuais como prestadores de serviços da autuada, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso, mantendo os levantamentos F1, F2, G1, G2, PL e RA, vencidos os conselheiros Rayd Santana Ferreira (relator), Carlos Alexandre Tortato, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa; b.2) quanto ao pagamento de valores a título de participação nos lucros e resultados, por unanimidade, negar provimento ao recurso, mantendo os levantamentos R1 e R2; b.3) quanto ao pagamento de valores a título de abono especial, por unanimidade, negar provimento ao recurso, mantendo os levantamentos E1 e E2; b.4) quanto à caracterização de grupo econômico, por unanimidade, negar provimento ao recurso; b.5) quanto à multa qualificada, nas competências 12/08 e 13/08, por maioria, dar provimento ao recurso, para reduzir o percentual da multa aplicada para 75%, vencidos os conselheiros Maria Cleci Coti Martins, Márcio de Lacerda Martins e Miriam Denise Xavier Lazarini; b.6) quanto ao auto de infração por descumprimento de obrigação acessória, CFL 68, por unanimidade, negar provimento ao recurso; b.7) quantos às demais alegações, negar provimento ao recurso. Assim, é dado provimento parcial ao recurso, devendo ser excluído do lançamento apurado no Auto de Infração 37.282.267-3, o período de 01/08 a 11/08, e reduzir a multa ao percentual de 75% nas competências 12/08 e 13/08 nos autos de infração 37.282.266-5 e 37.282.267-3. Designado para redigir o voto vencedor a conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini. - Presidente e Redatora designada (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA

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Restando incontroversa a ausência de procuração a legitimar a atuação do advogado das partes, com reconhecimento da própria contribuinte, é defeso ao CARF conhecer do recurso voluntário para se pronunciar a respeito das razões meritórias, as quais não foram contempladas na decisão recorrida, em face da preclusão, sob pena, inclusive, de supressão de instância. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos moldes da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR. DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Com fulcro no artigo 29 do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas e razões ofertadas pela contribuinte, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária, não se cogitando em nulidade da decisão quando não comprovada a efetiva existência de preterição do direito de defesa do contribuinte. DECADÊNCIA. O direito da fazenda pública constituir o crédito tributário da contribuição previdenciária extingue-se com o decurso do prazo decadencial previsto no CTN. Na hipótese de lançamento de ofício de crédito tributário que o sujeito passivo não tenha antecipado o pagamento, aplica-se o disposto no CTN, art. 173, I. Caso tenha havido antecipação do pagamento, aplica-se o disposto no CTN, art. 150, § 4º, conforme súmula CARF nº 99. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA. De conformidade com a jurisprudência dominante neste Colegiado, tratando-se de auto de infração decorrente de descumprimento de obrigação acessória, onde o contribuinte omitiu informações e/ou documentos solicitados pela fiscalização, caracterizando o lançamento de ofício, o prazo decadencial para a constituição do crédito previdenciário é de 05 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. DESCONSIDERAÇÃO DE ATO OU NEGÓCIO JURÍDICO. A autoridade administrativa fiscalizadora pode desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com o fito de dissimular a ocorrência de fato gerador de tributos por ser tal prática inerente a suas atribuições. SALÁRIO INDIRETO. ABONO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INCIDÊNCIA. INOBSERVÂNCIA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. PARECER PGFN/CRJ nº 2114/2011 e ATO DECLARATÓRIO PGFN nº 16/2011. INAPLICABILIDADE. Desincumbindo-se o Fisco do ônus de comprovar o fato gerador das contribuições previdenciárias, cabe ao contribuinte demonstrar, com documentação hábil e idônea, que as verbas concedidas aos segurados empregados e/ou contribuintes individuais se enquadram em uma das hipóteses previstas no § 9°, do artigo 28, da Lei n° 8.212/91, de maneira a rechaçar a tributação imputada. Na hipótese dos autos, assim não o tendo feito, relativamente a verba intitulada Abono Especial, é de se manter a exigência fiscal na forma lançada. Destarte, após o advento do Decreto nº 3.265/99, somente as importâncias pagas aos empregados a título de abonos desvinculados expressamente por lei do salário, não compõem a base de cálculo das contribuições previdenciárias, conforme preceitua o artigo 214, § 9º, alínea “j”, do RPS. Mais a mais, sequer pode se admitir aplicabilidade dos preceitos inscritos no Parecer PGFN/CRJ nº 2114/2011 e Ato Declaratório PGFN nº 16/2011, uma vez não se vislumbrar a necessária eventualidade, bem como a desvinculação ao respectivo salário. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS DA EMPRESA - PLR. OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. IMUNIDADE. REGRAS CLARAS E OBJETIVAS E MECANISMOS DE AFERIÇÃO. NECESSIDADE. A Participação nos Lucros e Resultados - PLR concedida pela empresa aos seus funcionários, como forma de integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, por força do disposto no artigo 7º, inciso XI, da CF, sobretudo por não se revestir da natureza salarial, estando ausentes os requisitos da habitualidade e contraprestação pelo trabalho. Somente nas hipóteses em que o pagamento da verba intitulada de PLR não observar os requisitos legais insculpidos na legislação específica - artigo 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91-, mais precisamente MP nº 794/1994, c/c Lei nº 10.101/2000, é que incidirão contribuições previdenciárias sobre tais importâncias, em face de sua descaracterização como Participação nos Lucros e Resultados. In casu, não obstante a contribuinte ter comprovado ter efetuado os pagamentos a título de PLR com lastro em Programas devidamente formalizados (Acordos Coletivos), nestes não se vislumbra a existência de regras claras e objetivas, bem como mecanismos de aferição pertinentes ao acordado, capazes de legitimar a concessão de aludida verba. PROCEDIMENTO FISCAL. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. CONFIGURAÇÃO. Constatados os elementos necessários à caracterização de Grupo Econômico de fato, deverá a autoridade fiscal assim proceder, atribuindo a responsabilidade pelo crédito previdenciário a todas as empresas integrantes daquele Grupo, de maneira a oferecer segurança e certeza no pagamento dos tributos efetivamente devidos pelo contribuinte, conforme preceitos contidos na legislação tributária, notadamente no artigo 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/91. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. SIMPLES DESCONSIDERAÇÃO DE VÍNCULO PACTUADO - PESSOAS JURÍDICAS E CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. A simples procedência de autuação fiscal, estribada na desconsideração da personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços, com a conseqüente caracterização de segurados empregados, sem que haja uma perfeita demonstração da conduta do contribuinte com o fito de sonegar tributos, não é capaz de comprovar a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Ademais, o artigo 229, § 2º, do Regulamento da Previdência Social-RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, o qual oferece guarida a aludido procedimento, exige tão somente a demonstração da existência dos requisitos do vínculo laboral para que seja procedente o lançamento, nada dissertando a respeito da simulação, que poderá ou não vir a ser demonstrada, não implicando, necessariamente, que um fato conduz a outro, sem que ocorra um aprofundamento em relação à imputação do crime fiscal. PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 32, INCISO IV, § 5º, LEI Nº 8.212/91. Constitui fato gerador de multa, por descumprimento de obrigação acessória, apresentar o contribuinte à fiscalização Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP com omissão de fatos geradores de todas contribuições previdenciárias. AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE DE LANÇAMENTO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL JULGADO PROCEDENTE. AUTUAÇÃO REFLEXA. OBSERVÂNCIA DECISÃO. Impõe-se a manutenção da multa aplicada decorrente da ausência de informação em GFIP de fatos geradores lançados em Autuação Fiscal, pertinente ao descumprimento da obrigação principal, declarada procedente, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula, o que se vislumbra na hipótese vertente. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Com arrimo nos artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. Recurso Voluntário Provido em Parte.

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2401­004.511  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  20 de setembro de 2016  Matéria  CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Recorrente  GLOBO CENTRAL DE USINAGEM LTDA E OUTROS  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008  NORMAS  PROCESSUAIS.  IMPUGNAÇÃO  NÃO  CONHECIDA  PRECLUSÃO  ADMINISTRATIVA.  DISCUSSÃO  MATÉRIA  EM  SEGUNDA  INSTÂNCIA.  PREJUDICIAL  DE  TEMPESTIVIDADE.  POSSIBILIDADE. RECURSOS VOLUNTÁRIOS SOLIDÁRIOS.  A  impugnação  não  conhecida,  em  face  da  inobservância  dos  pressupostos  legais  para  seu  conhecimento,  in  casu,  ausência  de  comprovação  da  capacidade  de  postulação  do  advogado  das  partes,  enseja  a  preclusão  administrativa  relativamente  às  questões  suscitadas  na  defesa  inaugural,  cabendo  recurso  voluntário  a  este  Egrégio  Conselho  tão  somente  quanto  à  prejudicial de conhecimento da peça impugnatória.  Restando  incontroversa  a  ausência  de  procuração  a  legitimar  a  atuação  do  advogado das partes,  com reconhecimento da própria contribuinte,  é defeso  ao CARF conhecer  do  recurso  voluntário  para  se  pronunciar  a  respeito  das  razões meritórias, as quais não foram contempladas na decisão recorrida, em  face da preclusão, sob pena, inclusive, de supressão de instância.  NULIDADE.  CERCEAMENTO  DO  DIREITO  DE  DEFESA  E  DO  CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA.  Tendo o  fiscal  autuante  demonstrado  de  forma  clara  e  precisa  os  fatos  que  suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e  do  contraditório,  bem  como  em  observância  aos  pressupostos  formais  e  materiais  do  ato  administrativo,  nos  moldes  da  legislação  de  regência,  especialmente  artigo  142  do  CTN,  não  há  que  se  falar  em  nulidade  do  lançamento.  NORMAS  GERAIS  DIREITO  TRIBUTÁRIO.  LIVRE  CONVICÇÃO  JULGADOR. DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 72 19 48 /2 01 3- 59 Fl. 1491DF CARF MF     2  Com fulcro no artigo 29 do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora de  primeira  instância,  na  apreciação  das  provas  e  razões  ofertadas  pela  contribuinte,  formará  livremente  sua  convicção,  podendo  determinar  diligência que entender necessária, não se cogitando em nulidade da decisão  quando  não  comprovada  a  efetiva  existência  de  preterição  do  direito  de  defesa do contribuinte.  DECADÊNCIA.  O  direito  da  fazenda  pública  constituir  o  crédito  tributário  da  contribuição  previdenciária  extingue­se  com o decurso do prazo decadencial  previsto no  CTN.  Na  hipótese  de  lançamento  de  ofício  de  crédito  tributário  que  o  sujeito  passivo não tenha antecipado o pagamento, aplica­se o disposto no CTN, art.  173, I.  Caso tenha havido antecipação do pagamento, aplica­se o disposto no CTN,  art. 150, § 4º, conforme súmula CARF nº 99.  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  DESCUMPRIMENTO  DE  OBRIGAÇÃO  ACESSÓRIA.  LANÇAMENTO  DE  OFÍCIO.  DECADÊNCIA.  De conformidade com a jurisprudência dominante neste Colegiado, tratando­ se de auto de infração decorrente de descumprimento de obrigação acessória,  onde  o  contribuinte  omitiu  informações  e/ou  documentos  solicitados  pela  fiscalização, caracterizando o lançamento de ofício, o prazo decadencial para  a  constituição  do  crédito  previdenciário  é  de  05  (cinco)  anos  contados  do  primeiro dia do  exercício  seguinte  àquele  em que o  lançamento poderia  ter  sido efetuado, nos termos do 173, inciso I, do Código Tributário Nacional.  DESCONSIDERAÇÃO DE ATO OU NEGÓCIO JURÍDICO.  A  autoridade  administrativa  fiscalizadora  pode  desconsiderar  atos  ou  negócios  jurídicos  praticados  com o  fito  de  dissimular  a  ocorrência de  fato  gerador de tributos por ser tal prática inerente a suas atribuições.  SALÁRIO  INDIRETO.  ABONO  ESPECIAL.  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  INCIDÊNCIA.  INOBSERVÂNCIA  LEGISLAÇÃO  DE  REGÊNCIA.  PARECER  PGFN/CRJ  nº  2114/2011  e  ATO  DECLARATÓRIO PGFN nº 16/2011. INAPLICABILIDADE.  Desincumbindo­se  o  Fisco  do  ônus  de  comprovar  o  fato  gerador  das  contribuições  previdenciárias,  cabe  ao  contribuinte  demonstrar,  com  documentação  hábil  e  idônea,  que  as  verbas  concedidas  aos  segurados  empregados  e/ou  contribuintes  individuais  se  enquadram  em  uma  das  hipóteses previstas no § 9°,  do  artigo 28, da Lei n° 8.212/91, de maneira  a  rechaçar  a  tributação  imputada.  Na  hipótese  dos  autos,  assim  não  o  tendo  feito,  relativamente  a  verba  intitulada  Abono  Especial,  é  de  se  manter  a  exigência fiscal na forma lançada.  Destarte,  após  o  advento  do Decreto  nº  3.265/99,  somente  as  importâncias  pagas aos empregados a título de abonos desvinculados expressamente por lei  do salário, não compõem a base de cálculo das contribuições previdenciárias,  conforme preceitua o artigo 214, § 9º, alínea “j”, do RPS. Mais a mais, sequer  pode se admitir aplicabilidade dos preceitos inscritos no Parecer PGFN/CRJ  nº  2114/2011  e  Ato  Declaratório  PGFN  nº  16/2011,  uma  vez  não  se  Fl. 1492DF CARF MF Processo nº 10860.721948/2013­59  Acórdão n.º 2401­004.511  S2­C4T1  Fl. 1.492          3  vislumbrar  a  necessária  eventualidade,  bem  como  a  desvinculação  ao  respectivo salário.  PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS DA EMPRESA ­ PLR.  OBSERVÂNCIA  À  LEGISLAÇÃO  DE  REGÊNCIA.  IMUNIDADE.  REGRAS  CLARAS  E  OBJETIVAS  E  MECANISMOS  DE  AFERIÇÃO.  NECESSIDADE.  A Participação nos Lucros e Resultados  ­ PLR concedida pela empresa  aos  seus funcionários, como forma de integração entre capital e trabalho e ganho  de  produtividade,  não  integra  a  base  de  cálculo  das  contribuições  previdenciárias,  por  força  do  disposto  no  artigo  7º,  inciso  XI,  da  CF,  sobretudo  por  não  se  revestir  da  natureza  salarial,  estando  ausentes  os  requisitos da habitualidade e contraprestação pelo trabalho.  Somente nas hipóteses em que o pagamento da verba intitulada de PLR não  observar os requisitos legais insculpidos na legislação específica ­ artigo 28,  § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91­, mais precisamente MP nº 794/1994, c/c  Lei nº 10.101/2000,  é que  incidirão contribuições previdenciárias  sobre  tais  importâncias,  em  face  de  sua  descaracterização  como  Participação  nos  Lucros e Resultados.  In  casu,  não  obstante  a  contribuinte  ter  comprovado  ter  efetuado  os  pagamentos  a  título  de  PLR  com  lastro  em  Programas  devidamente  formalizados  (Acordos  Coletivos),  nestes  não  se  vislumbra  a  existência  de  regras  claras  e objetivas,  bem como mecanismos de  aferição pertinentes  ao  acordado, capazes de legitimar a concessão de aludida verba.  PROCEDIMENTO  FISCAL.  GRUPO  ECONÔMICO  DE  FATO.  CONFIGURAÇÃO.  Constatados os elementos necessários à caracterização de Grupo Econômico  de  fato,  deverá  a  autoridade  fiscal  assim  proceder,  atribuindo  a  responsabilidade pelo crédito previdenciário a  todas as empresas integrantes  daquele Grupo, de maneira a oferecer segurança e certeza no pagamento dos  tributos efetivamente devidos pelo contribuinte, conforme preceitos contidos  na  legislação  tributária,  notadamente  no  artigo  30,  inciso  IX,  da  Lei  nº  8.212/91.  NORMAS  GERAIS  DE  DIREITO  TRIBUTÁRIO.  DOLO,  FRAUDE  OU  SIMULAÇÃO.  NÃO  OCORRÊNCIA.  SIMPLES  DESCONSIDERAÇÃO  DE  VÍNCULO  PACTUADO  ­  PESSOAS  JURÍDICAS  E  CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS.  A  simples  procedência  de  autuação  fiscal,  estribada  na  desconsideração  da  personalidade  jurídica  das  empresas  prestadoras  de  serviços,  com  a  conseqüente  caracterização  de  segurados  empregados,  sem  que  haja  uma  perfeita  demonstração  da  conduta  do  contribuinte  com  o  fito  de  sonegar  tributos,  não  é  capaz  de  comprovar  a  ocorrência  de  dolo,  fraude  ou  simulação.  Ademais,  o  artigo  229,  §  2º,  do  Regulamento  da  Previdência  Social­RPS,  aprovado  pelo  Decreto  nº  3.048/99,  o  qual  oferece  guarida  a  aludido  procedimento,  exige  tão  somente  a demonstração  da  existência  dos  requisitos  do  vínculo  laboral  para  que  seja  procedente  o  lançamento,  nada  dissertando a respeito da simulação, que poderá ou não vir a ser demonstrada,  Fl. 1493DF CARF MF     4  não  implicando,  necessariamente,  que  um  fato  conduz  a  outro,  sem  que  ocorra um aprofundamento em relação à imputação do crime fiscal.  PREVIDENCIÁRIO.  AUTO  DE  INFRAÇÃO.  INOBSERVÂNCIA  DE  OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 32, INCISO IV, § 5º, LEI Nº 8.212/91.   Constitui fato gerador de multa, por descumprimento de obrigação acessória,  apresentar o  contribuinte  à  fiscalização Guias  de Recolhimento  do FGTS  e  Informações à Previdência Social ­ GFIP com omissão de fatos geradores de  todas contribuições previdenciárias.  AUTO  DE  INFRAÇÃO  DECORRENTE  DE  LANÇAMENTO  POR  DESCUMPRIMENTO  DE  OBRIGAÇÃO  PRINCIPAL  JULGADO  PROCEDENTE. AUTUAÇÃO REFLEXA. OBSERVÂNCIA DECISÃO.  Impõe­se  a  manutenção  da  multa  aplicada  decorrente  da  ausência  de  informação  em  GFIP  de  fatos  geradores  lançados  em  Autuação  Fiscal,  pertinente ao descumprimento da obrigação principal, declarada procedente,  em  face  da  íntima  relação  de  causa  e  efeito  que  os  vincula,  o  que  se  vislumbra na hipótese vertente.  PAF.  APRECIAÇÃO  DE  INCONSTITUCIONALIDADE  NO  ÂMBITO  ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE.  Com  arrimo  nos  artigos  62  e  72,  e  parágrafos,  do  Regimento  Interno  do  Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ­ CARF, c/c a Súmula nº 2, às  instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de  inconstitucionalidade, cabendo­lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação  vigente, por extrapolar os limites de sua competência.  Recurso Voluntário Provido em Parte.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer dos  recursos voluntários apresentados pelos  responsáveis solidários, para, por maioria, negar­lhes  provimento.  Vencidos  os  conselheiros  Carlos  Alexandre  Tortato  e  Luciana  Matos  Pereira  Barbosa.  Votou  pelas  conclusões  o  conselheiro  Cleberson  Alex  Friess.  Por  unanimidade  de  votos,  conhecer  do  recurso  voluntário  apresentado  pelo  sujeito  passivo,  para:  a)  preliminarmente: a.1) por unanimidade, afastar as preliminares de nulidade do lançamento e da  decisão recorrida; a.2) por maioria, reconhecer a decadência no período de 01/08 a 11/08, para  as  contribuições de  segurados  apuradas no AI 37.282.267­3, vencidos os  conselheiros Maria  Cleci Coti Martins, Márcio de Lacerda Martins e Miriam Denise Xavier Lazarini; a.3) por voto  de  qualidade,  negar  provimento  à  arguição  de  decadência,  para  as  contribuições  da  empresa  apuradas no AI 37.282.266­5, vencidos os conselheiros Rayd Santana Ferreira (relator), Carlos  Alexandre  Tortato,  Andréa  Viana  Arrais  Egypto  e  Luciana  Matos  Pereira  Barbosa;  b)  no  mérito:  b.1)  quanto  à  caracterização  dos  segurados  empregados  e  contribuintes  individuais  como prestadores de serviços da autuada, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso,  mantendo os levantamentos F1, F2, G1, G2, PL e RA, vencidos os conselheiros Rayd Santana  Ferreira  (relator),  Carlos  Alexandre  Tortato,  Andréa  Viana  Arrais  Egypto  e  Luciana Matos  Pereira  Barbosa;  b.2)  quanto  ao  pagamento  de  valores  a  título  de  participação  nos  lucros  e  resultados,  por unanimidade, negar provimento  ao  recurso, mantendo os  levantamentos R1 e  R2; b.3) quanto ao pagamento de valores  a  título de abono especial, por unanimidade, negar  provimento ao recurso, mantendo os  levantamentos E1 e E2; b.4) quanto à caracterização de  grupo  econômico,  por  unanimidade,  negar  provimento  ao  recurso;  b.5)  quanto  à  multa  Fl. 1494DF CARF MF Processo nº 10860.721948/2013­59  Acórdão n.º 2401­004.511  S2­C4T1  Fl. 1.493          5  qualificada,  nas  competências  12/08  e  13/08,  por  maioria,  dar  provimento  ao  recurso,  para  reduzir o percentual da multa  aplicada para 75%, vencidos os  conselheiros Maria Cleci Coti  Martins, Márcio de Lacerda Martins e Miriam Denise Xavier Lazarini; b.6) quanto ao auto de  infração  por  descumprimento  de  obrigação  acessória,  CFL  68,  por  unanimidade,  negar  provimento ao recurso; b.7) quantos às demais alegações, negar provimento ao recurso. Assim,  é dado provimento parcial ao recurso, devendo ser excluído do lançamento apurado no Auto de  Infração 37.282.267­3, o período de 01/08 a 11/08, e reduzir a multa ao percentual de 75% nas  competências  12/08  e  13/08  nos  autos  de  infração  37.282.266­5  e  37.282.267­3.  Designado  para redigir o voto vencedor a conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini.      (assinado digitalmente)  Miriam Denise Xavier Lazarini. ­ Presidente e Redatora designada    (assinado digitalmente)  Rayd Santana Ferreira ­ Relator      Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier  Lazarini,  Carlos Alexandre Tortato,  Cleberson Alex  Friess,  Luciana Matos  Pereira  Barbosa,  Marcio  de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais  Egypto, Maria Cleci Coti Martins  e Rayd  Santana Ferreira.  Fl. 1495DF CARF MF     6    Relatório  GLOBO  CENTRAL  DE  USINAGEM  LTDA.  E  OUTROS.,  contribuinte,  pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a  este Conselho da decisão da 16a Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP, Acórdão nº 14­50.339,  às  e­fls.  1005/1045,  que  julgou  procedente  os  lançamentos  fiscais  lavrados  em  17/12/2013,  referente às contribuições sociais devidas ao INSS, correspondentes à parte da empresa e dos  segurados e ao financiamento dos benefícios da incapacidade laborativa decorrente dos riscos  ambientais  do  trabalho,  além  da  aplicação  de  multa  por  descumprimento  de  obrigações  acessórias, em relação ao período de 01/01/2008 a 31/12/2008, conforme Relatório Fiscal, às e­ fls. 29/54, consubstanciados nos seguintes Autos de Infração:  1) AIOP n° 37.282.266­5  ­ à parte da  empresa e para o  financiamento dos  benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes  dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT);  2) AIOP n° 37.282.267­3 ­ à parte dos segurados empregados;  3) AIOP n° 37.282.265­7 (CFL 68)  ­ autuação por infração ao disposto no  artigo  32,  inciso  IV,  §  5º,  da  Lei  nº  8.212/91,  por  ter  o  contribuinte  apresentado  Guia  de  Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações a Previdência Social ­GFIP, com dados não  correspondentes a  todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme consta  do relatório fiscal da infração, fls. 82/83.  De  conformidade  com  o  Relatório  Fiscal,  os  fatos  geradores  das  contribuições  previdenciárias  ora  lançadas  encontram­se  discriminados  nos  levantamentos  abaixo elencados:  ­ Levantamento F1/F2,G1/G2, PL e RA, – declarado em GFIPcontribuições  da parte da empresa incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados que prestaram  serviços  a  autuada  (Globo Central) mas  formalmente  estavam  registrados  na  empresa Globo  Equipamentos  Industriais Ltda/ME, nos estabelecimentos CNPJ nº 71.821.342/0001­10  (Lev.  F1  e G1)  e CNPJ  nº  71.821.342/0002­00  (Lev.  F2  e G2)  e  ainda  contribuições  da  parte  da  empresa  incidentes  sobre  o  pro  labore  pago  aos  administradores  por  serviços  prestados  a  autuada mas formalmente vinculados a Globo Equipamentos (Lev PL e RA) conforme folhas  de pagamento e GFIP.  Os  valores  lançados  nos  levantamentos  acima  descritos  foram  apurados  na  análise  das  Folhas  de  pagamentos/FP  e  GFIP,  período  01/2008  a  13/2008,  declaradas  pela  Globo Equipamentos Industriais Ltda/ME, nos estabelecimentos CNPJ nº 71.821.342/0001­10  e CNPJ nº 71.821.342/0002­00, valores discriminados no Anexo I.  ­  Levantamento  R1/R2  ­  Participação  nos  Lucros  e  Resultados  – contribuições da parte dos segurados empregados e da empresa incidentes sobre remuneração  indireta,  não  declaradas  em  GFIP,  a  título  de  Participação  nos  Lucros  e  Resultados  em  desacordo com a Lei nº 10.101/2000, conforme valores discriminados no Anexo II e apurados  nas  folhas  de  pagamento  de  empregados  formalmente  registrados  na  empresa  Globo  Equipamentos  Industriais  Ltda/ME,  CNPJ  nº  71.821.342/0001­10  (Lev.  R1)  e  CNPJ  nº  71.821.342/0002­00  (Lev.  R2), mas  que  efetivamente  prestavam  serviços  a  autuada  (Globo  Central);  Fl. 1496DF CARF MF Processo nº 10860.721948/2013­59  Acórdão n.º 2401­004.511  S2­C4T1  Fl. 1.494          7  ­  Levantamento  E1/E2  Abono  Especial  ­  contribuições  da  parte  dos  segurados empregados e da empresa incidentes sobre remuneração indireta, a título de "Abono  Salarial Especial/ASE", pago aos segurados empregados formalmente registrados na empresa  Globo Equipamentos Industriais Ltda.­ ME, CNPJ n° 71.821.342/0001­10 (Lev. El) e CNPJ n°  71.821.342/0002­00  (Lev.  E2),  mas  que  efetivamente  prestavam  serviços  a  autuada  (Globo  Central), relacionados no Anexo III. A remuneração indireta não foi declarada em GFIP e não  foi  considerada  como  base  de  cálculo  sob  o  argumento  de  que  estaria  expressamente  desvinculada do salário, conforme Convenção Coletiva de Trabalho ­ CCT.  Após  regular  processamento,  interposta  impugnação  contra  exigência  fiscal  consubstanciada na peça vestibular do feito, a autoridade julgadora de primeira instância achou  por bem julgar procedente o lançamento.  Regularmente  intimada e  inconformada com a Decisão  recorrida, a autuada  GLOBO  CENTRAL  DE  USINAGEM  LTDA.  apresentou  Recurso  Voluntário,  às  e­fls.  1050/1088, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes  razões.  Preliminarmente,  requer  sejam  consideradas/admitidas  as  impugnações  ofertadas, igualmente, pelos demais responsáveis solidários, suscitando que agiram de maneira  correta  ao  anexar  uma  única  impugnação,  não  podendo  essa  ser  desconsiderada  quanto  aos  demais  responsáveis  por  mera  falta  de  procuração,  sob  pena  de  cerceamento  do  direito  de  defesa. A corroborar sua tese, traz à colação as respectivas procurações e recursos voluntários  de cada solidário.  Também  em  sede  preliminar,  sustenta  que  os  fatos  geradores  apurados  até  15/12/2008  foram  atingidos  pela  decadência  partindo­se  do  pressuposto  de  que  as  contribuições  previdenciárias  se  sujeitam  ao  lançamento  por  homologação  e,  a  partir  da  ocorrência  do  fato  gerador,  o  fisco  dispõe  de  cinco  anos  para  homologar  o  lançamento  ou  lançar  de  ofício  em  valores  superiores  aqueles  declarados  pelo  contribuinte.  Transcreve  doutrina a respeito.  Ainda  em  caráter  preliminar,  suscita  a  ilegitimidade  passiva  da  Globo  Usinagem  e,  por  conseguinte,  a  inexistência  de  responsabilidade  solidária,  uma  vez  que  os  supostos  débitos  se  referem  à  contribuições  previdenciárias  incidentes  sobre  os  pagamentos  efetuados  aos  administradores  e  funcionários  registrados  pela  empresa  GLOBO  EQUIPAMENTOS,  portanto,  não  devidos  pela  ora  autuada,  sobretudo  em  razão  de  se  caracterizaram, no período fiscalizado, como pessoas jurídicas completamente distintas.  Esclarece que o Fiscal sequer realizou diligências para verificar se realmente  os  funcionários  da  Globo  Equipamentos  trabalhavam  para  a  Globo  Usinagem,  baseando­se  exclusivamente em documentos e imagens extraídas da internet, meios que, isoladamente, não  se prestam como provas do vínculo empregatício entre os funcionários e a autuada.  Aduz que a fiscalização não poderia considerar como responsáveis solidários  os sócios e a empresa Globo Equipamentos,  impondo seja afastada a legitimidade passiva de  aludidos contribuintes.  Igualmente, em sede preliminar, requer seja decretada a nulidade da decisão  de primeira  instância, diante da inúmeras omissões/contradições  incorridas, além da ausência  da  devida  motivação,  especialmente  ao  não  adentrar  à  todas  alegações  de  fato  e  de  direito  Fl. 1497DF CARF MF     8  constantes da defesa inaugural. A título de exemplo, o julgador recorrido não se manifestou a  respeito  da  cobrança  de  tributos  retroativos  por  regime  tributário  mais  oneroso  em  face  da  exclusão do Simples Nacional da empresa Globo Equipamentos, sob a alegação de que não foi  interposta defesa nos autos do processo referente à exclusão daquele regime de tributação.  Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo  fiscal,  insurge­se  contra  a  exclusão  do  SIMPLES  com  efeitos  retroativos,  alegando  que  as  empresas Globo Equipamentos e Globo Usinagem foram constituídas em épocas distintas, com  regimes tributários diversos, objetos sociais e quadros societários totalmente distintos, como se  verifica das fichas cadastrais juntadas aos autos.  Acrescenta que somente em 2012 referidas empresas foram registradas com o  mesmo  objeto  social  e  o  mesmo  quadro  societário,  demonstrando  que  à  época  do  período  fiscalizado  (01/2009  a  12/2011)  referidas  pessoas  jurídicas  eram  completamente  distintas.  Esclarece que somente a partir de 09/2012 os sócios diretores e fundadores passaram a integrar  de  forma  conjunta  o  quadro  societário  da Globo Usinagem,  consoante  se  comprova no  item  3.9.2  do  Relatório  Fiscal,  não  havendo  se  falar,  portanto,  em  ocorrência  de  fraude  ou  simulação.  Reconhece  a  existência  de  grupo  econômico  de  fato,  tendo  em  vista  que  à  época da resposta à intimação fiscal, em 03/09/2013, as empresas já operavam com o mesmo  objeto  social  e  quadro  societário,  em  que  pese  não  ter  ocorrido  confusão  patrimonial,  mas  simples transações negociais entre tais pessoas jurídicas.  Afirma  que  a  empresa Globo  Equipamentos  Industriais,  à  época  dos  fatos,  estava  enquadrada  no  regime  tributário  do  Simples  Nacional  e  recolheu  os  tributos  devidos  nesta sistemática conforme a Lei Complementar nº 123/2006, não podendo haver retrocesso na  cobrança por outro regime mais oneroso, sob pena de ferir os princípios da segurança jurídica,  capacidade contributiva e não confisco, bem como do artigo 103 do CTN.  Contrapõe­se  ao  lançamento  fiscal,  sustentando  não  haver  comprovação  do  vínculo empregatício entre os  funcionários da empresa Globo Equipamentos com a Empresa  Globo Usinagem, como já aduzido em sede de preliminar.  Opõe­se  à  exigência  consubstanciada  na  peça  vestibular  do  feito,  sob  o  argumento de inexistir natureza salarial nos pagamentos efetuados a título de abono especial e  de participação nos lucros e resultados, pois realizados de forma eventual, sem habitualidade e  de  acordo  com  convenção  coletiva,  não  havendo  se  falar  em  incidência  de  contribuições  previdenciárias.  Em  defesa  de  sua  pretensão,  traz  à  colação  jurisprudência  administrativa  a  respeito da matéria.  Relativamente aos valores pagos a título de Abono Especial, alegam que fora  concedido  com  base  em  Convenções  Coletivas  com  o  SINDIPEÇAS  e  o  Sindicato  dos  Metalúrgicos da Força Sindical 2009/2011 e 2011/2013, não  se  aplicando no caso o § 1º do  artigo 457 da CLT, que conceitua salário.  Ressalta  que  a  Participação  nos  Lucros  e  Resultados  tem  natureza  jurídica  indenizatória  e  não  se  integra  à  remuneração  do  trabalhador,  ainda  que  concedida  em  inobservância  do  período  e  quantidade  de  parcelas  pagas,  o mesmo  ocorrendo  com  o  aviso  prévio indenizado que tem caráter indenizatório pelo ato imotivado de dispensa do trabalhador,  conforme se extrai da jurisprudência transcrita na peça recursal.  Fl. 1498DF CARF MF Processo nº 10860.721948/2013­59  Acórdão n.º 2401­004.511  S2­C4T1  Fl. 1.495          9  Defende que, não havendo incidência de contribuições previdenciárias sobre  o  aviso  prévio  indenizado,  abono  salarial  e  PLR,  inexiste  a  necessidade  de  observância  às  obrigações  acessórias  pertinentes.  Suscita  a  boa  fé  da  contribuinte,  eis  que  somente  deixou  observar aludidos deveres instrumentais por não considerar tais rubricas como base de cálculo  de  contribuições  previdenciárias,  não  havendo,  portanto,  se  falar  em  intuito  de  fraude  na  apuração dos tributos supostamente devidos.  Opõe­se, igualmente, à aplicabilidade da multa qualificada, sobretudo diante  da  ausência  da  efetiva  comprovação  do  dolo,  fraude  ou  simulação,  não  sendo  possível  caracterizar as agravantes pela mera falta de recolhimento do tributo.  Por  fim,  requer  o  conhecimento  e  provimento  do  seu  recurso,  para  desconsiderar  os  Autos  de  Infração,  tornando­os  sem  efeito  e,  no  mérito,  sua  absoluta  improcedência.  Igualmente,  os  demais  responsáveis  solidários,  sócios  e  a  empresa  Globo  Equipamentos  Indústria Ltda.,  apresentaram Recursos Voluntários,  basicamente  repisando os  argumentos de fato e de direito acima descritas, reforçando especialmente a insubsistência da  atribuição  de  responsabilidade  àqueles  em  face  da  caracterização  do  Grupo  Econômico  de  Fato.  Não houve apresentação de contrarrazões.  É o relatório.  Fl. 1499DF CARF MF     10    Voto Vencido  Conselheiro Rayd Santana Ferreira ­ Relator  Antes  mesmo  de  adentrar  às  questões  preliminares  e  de  mérito  suscitadas  pelos  contribuintes  elencados  nos  autos,  mister  se  faz  analisar  os  recursos  voluntários  interpostos de maneira apartada, diante das respectivas especificidades, senão vejamos.  DOS  RECURSOS  VOLUNTÁRIOS  DOS  RESPONSÁVEIS  SOLIDÁRIOS  Presente  o  pressuposto  de  admissibilidade,  por  ser  tempestivo,  conheço  do  recurso e passo ao exame das alegações recursais.  Preliminarmente, pretendem os responsáveis solidários, sócios das empresas  integrantes  do  Grupo  Econômico  de  Fato  e  a  Globo  Equipamentos  Indústria  Ltda.  sejam  consideradas/admitidas as impugnações ofertadas, suscitando que agiram de maneira correta ao  anexar  uma  única  impugnação,  não  podendo  essa  ser  desconsiderada  quanto  aos  demais  responsáveis por mera  falta de procuração,  sob pena de cerceamento do direito de defesa. A  corroborar  sua  tese,  traz  à colação as  respectivas procurações  e  recursos voluntários de  cada  solidário.  Não  obstante  as  substanciosas  razões  de  fato  e  de  direito  ofertadas  pelos  responsáveis  solidários,  seus  pleitos  no  sentido  de  admitir/conhecimento  das  defesas  inaugurais, não merecem acolhimento.  Destarte, conforme se depreende da decisão de primeira instância, o julgador  recorrido achou por bem não conhecer das impugnações de referidos contribuintes, o fazendo  sob a égide dos seguintes fundamentos:  "[...]    Ressalto  que  muito  embora  a  peça  impugnatória  faça  referência  à  Globo  Central  de  Usinagem  e  Outros,  o  que  de  início leva a crer que houve interposição de defesa por todos os  coobrigados,  não  houve  qualquer  juntada  de  procuração  em  nome dos sócios arrolados como solidários e da empresa Globo  Equipamentos  Industriais  Ltda  ME,  motivo  pelo  qual  entendo  como  ausente  impugnação  por  parte  dos  solidários,  constantes  dos Termos de Sujeição Passiva fls. 385/459. [...]"  Com  efeito,  a  apresentação  de  impugnação  ao  lançamento  fiscal,  no  prazo  legal,  instaura  a  fase  litigiosa  do  procedimento,  conforme  estabelece  o  artigo  14  do mesmo  Diploma Legal, nos seguintes termos:  “Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do  procedimento.”  Neste  diapasão,  não  conhecida  a  defesa/impugnação  dar­se­á  a  preclusão  processual/administrativa  em  relação  à  matéria  de  mérito,  cabendo  tão  somente  recurso  Fl. 1500DF CARF MF Processo nº 10860.721948/2013­59  Acórdão n.º 2401­004.511  S2­C4T1  Fl. 1.496          11  voluntário, com efeito suspensivo da exigência fiscal, para discussão da prejudicial relativa ao  conhecimento da impugnação.  Na  hipótese  dos  autos,  restando  incontroversa  a  ausência  de  procuração  a  legitimar  a  atuação  do  advogado  das  partes  na  defesa  inaugural,  com  reconhecimento  da  própria contribuinte,  é defeso  ao CARF conhecer do  recurso voluntário para se pronunciar  a  respeito das razões meritórias, as quais não foram contempladas na decisão recorrida, em face  da preclusão, sob pena, inclusive, de supressão de instância.  Dessa  forma,  VOTO  NO  SENTIDO  DE  CONHECER  DOS  RECURSOS  VOLUNTÁRIOS  E  NEGAR­LHES  PROVIMENTO,  mantendo  incólume  a  decisão  de  primeira  instância,  em  relação  ao  não  conhecimento  das  impugnações  de  aludidos  contribuintes, pelos seus próprios fundamentos.  DO RECURSO VOLUNTÁRIO DA AUTUADA ­ GLOBO CENTRAL  DE USINAGEM LTDA.  Presente  o  pressuposto  de  admissibilidade,  por  ser  tempestivo,  conheço  do  recurso e passo ao exame das alegações recursais.  PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO  Preliminarmente, pretende a contribuinte  seja decretada a nulidade do  feito,  sob  o  argumento  de  que  a  autoridade  lançadora  não  logrou  motivar/fundamentar  o  ato  administrativo  do  lançamento,  de  forma  a  explicitar  clara  e  precisamente  os  motivos  e  dispositivos  legais  que  embasaram  as  autuações,  contrariando  a  legislação  de  regência,  notadamente o artigo 142 do Código Tribunal e, bem assim, os princípios da ampla defesa e do  contraditório.  Em  que  pesem  as  substanciosas  razões  ofertadas  pela  contribuinte,  seu  inconformismo,  contudo,  não  tem  o  condão  de  prosperar.  Do  exame  dos  elementos  que  instruem  o  processo,  conclui­se  que  o  lançamento,  corroborado  pela  decisão  recorrida,  apresenta­se formalmente incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude.  De fato, o ato administrativo deve ser fundamentado, indicando a autoridade  competente, de forma explícita e clara, os fatos e dispositivos legais que lhes deram suporte, de  maneira a oportunizar ao contribuinte o pleno exercício do seu consagrado direito de defesa e  contraditório, sob pena de nulidade.  E  foi  precisamente o que  aconteceu com o presente  lançamento. A  simples  leitura  dos  anexos  da  autuação,  especialmente  o  “Fundamentos  Legais  do  Débito  –  FLD”,  Relatório Fiscal e demais  informações  fiscais, não deixa margem de dúvida  recomendando a  manutenção do lançamento.  Consoante  se  positiva  dos  anexos  encimados,  a  fiscalização  ao  promover  o  lançamento demonstrou de forma clara e precisa os fatos que lhes suportou, ou melhor, os fatos  geradores  das  contribuições  previdenciárias  e  multas  ora  exigidas,  não  se  cogitando  na  nulidade formal do procedimento.  Melhor  elucidando,  os  cálculos  dos  valores  objetos  do  lançamento  foram  extraídos  das  informações  constantes  dos  sistemas  previdenciários  e  fazendários,  bem  como  Fl. 1501DF CARF MF     12  dos Livros Diários, folhas e recibos de pagamentos de salários, GFIP’s e demais documentos  contábeis,  fornecidos  pela  própria  recorrente,  rechaçando  qualquer  dúvida  quanto  à  regularidade  do  procedimento  adotado  pelo  fiscal  autuante,  como  procura  demonstrar  à  autuada, uma vez que agiu da melhor forma, com estrita observância à legislação de regência.  Mais  a  mais,  a  exemplo  da  defesa  inaugural,  a  contribuinte  não  trouxe  qualquer elemento de prova capaz de comprovar que o lançamento encontra­se maculado por  vício  em  sua  formalidade  e/ou  materialidade,  escorando  seu  pleito  em  simples  arrazoado  desprovido de demonstração do sustentado.  Destarte,  quanto  à  pretensa  ausência  demonstração  da  existência  dos  requisitos  do  vínculo  empregatício,  tendente  a  amparar  a  caracterização  procedida  pela  fiscalização, bem como outras questões  relativas à pretensa  insubsistência do  trabalho  fiscal,  contemplaremos como razões de mérito no momento oportuno.  PRELIMINAR NULIDADE DECISÃO RECORRIDA  Ainda preliminarmente, requer a autuada a decretação da nulidade da decisão  recorrida,  por  entender  que  a  autoridade  julgadora  de  primeira  instância  deixou  de  apreciar  parte das alegações inseridas em sua defesa inaugural, em total preterição do direito de defesa  da contribuinte.  Muito embora a contribuinte lance referida assertiva, não faz prova ou indica  qual a efetiva omissão que o julgador guerreado teria incorrido, capaz de ensejar a preterição  do seu direito de defesa. Como se observa do decisum atacado, de fato, a autoridade julgadora  não adentrou a todas as alegações suscitadas pela então impugnante.  Tal fato isoladamente, porém, não tem o condão de configurar preterição do  direito de defesa da contribuinte, mormente quando esta não afirma qual  teria sido o prejuízo  decorrente da conduta do julgador de primeira instância.  Ademais, a jurisprudência de nossos Tribunais Superiores, a qual vem sendo  seguida à risca por esta instância administrativa, entende que o simples fato de o julgador não  dissertar a propósito de todas as razões recursais do contribuinte não implica em nulidade da  decisão, mormente  quando  a  recorrente  lança  uma  infinidade  de  argumentos  desprovidos  de  qualquer amparo legal ou lógico ou mesmo impertinente, o que se vislumbra no caso vertente.  A corroborar esse entendimento, cumpre trazer à baila Acórdão exarado pela  5ª Turma do STJ, nos autos do HC 35525/SP, com sua ementa abaixo transcrita:  “HABEAS  CORPUS.  PROCESSO  PENAL.  NEGATIVA  DE  AUTORIA. NULIDADE DA SENTENÇA. LIVRE CONVICÇÃO  MOTIVADA  DO  MAGISTRADO.  ORDEM  PARCIALMENTE  CONHECIDA E, NESSA EXTENSÃO, DENEGADA.  [...]  2. O só fato de o julgador não se manifestar a respeito de um ou  outro  argumento  da  tese  defendida  pelas  partes  não  tem  o  condão de caracterizar ausência de fundamentação ou qualquer  outro  tipo  de  nulidade,  por  isso  que  não  o  exigem,  a  lei  e  a  Constituição,  a  apreciação  de  todos  os  argumentos  apresentados,  mas  que  a  decisão  judicial  seja  devidamente  motivada,  ainda  que  por  razões  outras  (Princípio  da  Livre  Convicção  Motivada  e  Princípio  da  Persuasão  Racional,  art.  Fl. 1502DF CARF MF Processo nº 10860.721948/2013­59  Acórdão n.º 2401­004.511  S2­C4T1  Fl. 1.497          13  157  do  CPP).  [...]”  (Julgamento  de  09/08/2007,  Publicado  no  DJ de 10/09/2007)  Nesse  sentido,  basta  que  o  julgador  adentre  as  questões  mais  importantes  suscitadas  pelo  recorrente,  decidindo  de  forma  fundamentada  e  congruente,  para  que  sua  decisão tenha plena validade.  No  presente  caso,  extrai­se  da  defesa  inaugural  que  a  contribuinte  traz  à  colação  inúmeras  alegações,  inclusive,  relativamente  à  exclusão  do  regime  de  tributação  do  SIMPLES,  não  oponíveis  neste  PF,  eis  que  deveriam  ter  sido  objeto  de  inconformismo  nos  autos  do  processo  administrativo  próprio,  bem  como  a  propósito  da  suposta  inconstitucionalidade  da multa  e  outras  que  não  são  capazes  de  rechaçar  a  pretensão  fiscal.  Assim,  não  se  pode  exigir  que  o  julgador  exponha  e  refute  tais  razões  infundadas  ou  impertinentes.  DECADÊNCIA  ­  DESCUMPRIMENTO  DE  OBRIGAÇÃO  PRINCIPAL  Em  suas  alegações  recursais,  pretende  o  contribuinte  seja  acolhida  a  decadência  fatos  geradores  apurados  até  15/12/2008  foram  atingidos  pela  decadência,  aplicando­se o prazo qüinqüenal a partir da ocorrência do fato gerador, conforme disposto no  artigo 150, § 4º do CTN, sobretudo considerando que houve recolhimentos por meio de DARF  Simples nas competências do débito.  Consoante se infere dos autos, uma vez afastada a multa qualificada, conclui­ se que a pretensão do contribuinte merece acolhimento. Do exame dos elementos que instruem  o  processo,  constata­se  que  o  Acórdão  recorrido,  inobstante  as  sempre  bem  fundamentadas  razões  de  direito  dos  ilustres  julgadores  recorridos,  apresenta­se  em  descompasso  com  o  entendimento consolidado no Superior Tribunal de Justiça, especialmente nos autos de Recurso  Repetitivo, de observância obrigatória por este Colegiado, como passaremos a demonstrar.  O exame dessa matéria impõe sejam levadas a efeito algumas considerações,  senão vejamos.  O artigo 45, inciso I, da Lei nº 8.212/91, estabelece prazo decadencial de 10  (dez) anos para a apuração e constituição das contribuições previdenciárias, como segue:  “Art.  45  –  O  direito  da  Seguridade  Social  apurar  e  constituir  seus créditos extingue­se após 10 (dez) anos contados:  I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito  poderia ter sido constituído;  [...]”  Por  outro  lado,  o  Código  Tributário  Nacional  em  seu  artigo  173,  caput,  e  inciso  I,  determina  que  o  prazo  para  se  constituir  crédito  tributário  é  de  05  (cinco)  anos,  contados do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado, in verbis:  “Art.  173. O  direito  de  a Fazenda Pública  constituir  o  crédito  tributário extingue­se após 5 (cinco) anos, contados:  Fl. 1503DF CARF MF     14  I  –  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento poderia ter sido efetuado;  [...]”  Com  mais  especificidade,  o  artigo  150,  §  4º,  do  CTN,  contempla  a  decadência para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, nos seguintes termos:  “Art. 150 ­ O lançamento por homologação, que ocorre quanto  aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de  antecipar  o  pagamento  sem  prévio  exame  da  autoridade  administrativa, opera­se pelo ato em que a referida autoridade,  tomando  conhecimento  da  atividade  assim  exercida  pelo  obrigado, expressamente a homologa.  [...]  § 4º ­ Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco  anos  a  contar  da  ocorrência  do  fato  gerador;  expirado  esse  prazo  sem  que  a  Fazenda  Pública  se  tenha  pronunciado,  considera­se homologado o lançamento e definitivamente extinto  o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou  simulação.”  O núcleo da questão reside exatamente nesses três artigos, ou seja, qual deles  deve  prevalecer  para  as  contribuições  previdenciárias,  tributos  sujeitos  ao  lançamento  por  homologação.  Ocorre que, após muitas discussões a respeito do tema, o Supremo Tribunal  Federal, em 11/06/2008, ao julgar os RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, por unanimidade de  votos, declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, oportunidade em que  aprovou  a  Súmula  Vinculante  nº  08,  abaixo  transcrita,  rechaçando  de  uma  vez  por  todas  a  pretensão do Fisco:  “Súmula  nº  08:  São  inconstitucionais  o  parágrafo  único  do  artigo  5º  do  Decreto­lei  1569/77  e  os  artigos  45  e  46  da  Lei  8.212/91,  que  tratam  de  prescrição  e  decadência  de  crédito  tributário.”  Registre­se,  ainda,  que  na  mesma  Sessão  Plenária,  o  STF  achou  por  bem  modular  os  efeitos  da  declaração  de  inconstitucionalidade  em  comento,  estabelecendo,  em  suma, que somente não retroagem à data da edição da Lei em relação a pedido de restituição  judicial  ou  administrativo  formulado  posteriormente  à  11/06/2008,  concedendo,  por  conseguinte, efeito ex tunc para os créditos pendentes de julgamentos e/ou que não tenham sido  objeto de execução fiscal.  Consoante se positiva da análise dos autos, a controvérsia a respeito do prazo  decadencial  para  as  contribuições  previdenciárias,  após  a  aprovação/edição  da  Súmula  Vinculante  nº  08,  passou  a  se  limitar  a  aplicação  dos  artigos  150,  §  4º,  ou  173,  inciso  I,  do  Código Tributário Nacional.  Indispensável  ao  deslinde  da  controvérsia,  mister  se  faz  elucidar,  resumidamente,  as  espécies  de  lançamento  tributário  que  nosso  ordenamento  jurídico  contempla, como segue.  Fl. 1504DF CARF MF Processo nº 10860.721948/2013­59  Acórdão n.º 2401­004.511  S2­C4T1  Fl. 1.498          15  Primeiramente  destaca­se  o  lançamento  de  ofício  ou  direto,  previsto  no  artigo  149  do  CTN,  onde  o  fisco  toma  a  iniciativa  de  sua  prática,  por  razões  inerentes  a  natureza  do  tributo  ou  quando  o  contribuinte  deixa  de  cumprir  suas  obrigações  legais.  Já  o  lançamento por declaração ou misto, contemplado no artigo 147 do mesmo Diploma Legal,  é  aquele  em que o  contribuinte  toma a  iniciativa do procedimento,  ofertando  sua declaração  tributária, colaborando ativamente. Alfim, o lançamento por homologação, inscrito no artigo  150 do Códex Tributário, em que o contribuinte presta as informações, calcula o tributo devido  e  promove  o  pagamento,  ficando  sujeito  a  eventual  homologação  por  parte  das  autoridades  fazendárias.  Dessa forma, estando às contribuições previdenciárias sujeitas ao lançamento  por homologação, defende parte dos julgadores e doutrinadores que a decadência a ser aplicada  seria aquela constante do artigo 150, § 4º, do CTN, levando­se em consideração a natureza do  tributo  atribuída  por  lei,  independentemente  da  ocorrência  de  pagamento,  entendimento  compartilhado por este conselheiro.  Ou seja, a regra para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o  artigo  150,  §  4º,  do  Código  Tributário,  o  qual  somente  não  prevalecerá  nas  hipóteses  de  ocorrência de dolo,  fraude ou  conluio,  o que  ensejaria o deslocamento do prazo decadencial  para o artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal.  Não é demais lembrar que o lançamento por homologação não se caracteriza  tão  somente  pelo  pagamento.  Ao  contrário,  trata­se,  em  verdade,  de  um  procedimento  complexo, constituído de vários atos independentes, culminando com o pagamento ou não.  Observe­se, pois, que a ausência de pagamento não desnatura o  lançamento  por homologação, especialmente quando a sujeição dos tributos àquele lançamento é conferida  por  lei.  E,  esta,  em  momento  algum  afirma  que  assim  o  é  tão  somente  quando  houver  pagamento.  Não fosse assim, o que se diria quando o contribuinte apura prejuízos e não  tem nada a recolher, ou mesmo quando encontra­se beneficiado por isenções e/ou imunidades,  onde,  em  que  pese  haver  o  dever  de  elaborar  declarações  pertinentes,  informando  os  fatos  geradores dos tributos dentre outras obrigações tributárias, deixa de promover o pagamento do  tributo em razão de uma benesse fiscal?  Cabe ao Fisco, porém, no decorrer do prazo de 05 (cinco) anos, contados do  fato  gerador  do  tributo,  nos  termos  do  artigo  150,  §  4º,  do  CTN,  proceder  à  análise  das  informações  prestadas  pelo  contribuinte  homologando­as  ou  não,  quando  inexistir  concordância. Neste último caso, promover o lançamento de ofício da importância que imputar  devida.  Aliás, como afirmado alhures, a regra nos tributos sujeitos ao lançamento por  homologação  é  o  prazo  decadencial  insculpido  no  artigo  150,  §  4º,  do  CTN,  o  qual  dispôs  expressamente  os  casos  em  que  referido  prazo  deslocar­se­á  para  o  artigo  173,  inciso  I,  na  ocorrência de dolo, fraude ou simulação comprovados. Somente nessas hipóteses a legislação  específica  contempla  a  aplicação  de  outro  prazo  decadencial,  afastando­se  a  regra  do  artigo  150,  §  4º.  Como  se  constata,  a  toda  evidência,  a  contagem  do  lapso  temporal  em  comento  independe de pagamento.  Fl. 1505DF CARF MF     16  Ou  seja,  comprovando­se  que o  contribuinte  deixou  efetuar  o  recolhimento  dos tributos devidos e/ou promover o autolançamento com dolo, utilizando­se de instrumentos  ardilosos (fraude e/ou simulação), o prazo decadencial será aquele inscrito no artigo 173, inciso  I, do CTN. Afora essa situação, não se cogita na aplicação daquele dispositivo legal. É o que se  extrai da perfunctória leitura das normas legais que regulamentam o tema.  Por  outro  lado,  alguns  julgadores  e  doutrinadores  entendem  que  somente  aplicar­se­ia  o  artigo  150,  §  4º,  do CTN quando  comprovada  a  ocorrência  de  recolhimentos  relativamente  ao  fato  gerador  lançado,  seja  qual  for  o  valor.  Em  outras  palavras,  a  homologação dependeria de antecipação de pagamento para  se caracterizar,  e a  sua ausência  daria  ensejo  ao  lançamento  de  ofício,  com  observância  do  prazo  decadencial  do  artigo  173,  inciso I.  Ressalta­se, ainda, o entendimento de outra parte dos juristas, suscitando que  o artigo 150, 4º, do Código Tributário Nacional, prevalecerá quando o contribuinte promover  qualquer ato  tendente  a apuração da base de cálculo do  tributo devido,  seja pelo pagamento,  escrituração contábil, declaração do imposto em documento próprio, etc. Melhor elucidando, o  contribuinte deverá adotar algum procedimento com o fito de apurar o tributo para que pudesse  se cogitar em “homologação”.  Afora  posicionamento  pessoal  a  propósito  da matéria,  por  entender  que  as  contribuições previdenciárias devem observância ao prazo decadencial do artigo 150, § 4o, do  Códex Tributário, independentemente de antecipação de pagamento, salvo quando comprovada  a ocorrência de dolo,  fraude ou  simulação, o  certo  é que  a partir  da  alteração do Regimento  Interno  do  CARF  (artigo  62­A),  introduzida  inicialmente  pela  Portaria MF  nº  586/2010,  os  julgadores  deste  Colegiado  estão  obrigados  a  “reproduzir”  as  decisões  do  STJ  tomadas  por  recurso repetitivo, razão pela qual deixaremos de abordar aludida discussão, mantendo a tese  que a aplicação do dispositivo  legal  retro depende da existência de  recolhimentos do mesmo  tributo no período objeto do lançamento, na forma decidida por aquele Tribunal Superior nos  autos do Resp n° 973.733/SC, assim ementado:  “PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543­C,  DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO  POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.  INEXISTÊNCIA  DE  PAGAMENTO  ANTECIPADO.  DECADÊNCIA  DO  DIREITO  DE  O  FISCO  CONSTITUIR  O  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  TERMO  INICIAL.  ARTIGO  173,  I,  DO  CTN.  APLICAÇÃO  CUMULATIVA  DOS  PRAZOS  PREVISTOS  NOS  ARTIGOS  150,  §  4º,  e  173,  do  CTN.  IMPOSSIBILIDADE.  1.  O  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  (lançamento  de  ofício)  conta­se  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento  antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o  mesmo  inocorre,  sem  a  constatação  de  dolo,  fraude  ou  simulação  do  contribuinte,  inexistindo  declaração  prévia  do  débito  (Precedentes  da Primeira  Seção: Resp  766.050/PR, Rel.  Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg  nos  EREsp  216.758/SP,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  julgado  em  22.03.2006,  DJ  10.04.2006;  e  EREsp  276.142/SP,  Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005).  Fl. 1506DF CARF MF Processo nº 10860.721948/2013­59  Acórdão n.º 2401­004.511  S2­C4T1  Fl. 1.499          17  2.  É  que  a  decadência  ou  caducidade,  no  âmbito  do  Direito  Tributário,  importa  no  perecimento  do  direito  potestativo  de  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  e,  consoante  doutrina  abalizada,  encontra­se  regulada  por  cinco  regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra  da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos  ao  lançamento  de  ofício,  ou  nos  casos  dos  tributos  sujeitos  ao  lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o  pagamento  antecipado  (Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e  Prescrição  no  Direito  Tributário",  3ª  ed.,  Max  Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210).  3.  O  dies  a  quo  do  prazo  qüinqüenal  da  aludida  regra  decadencial  rege­se  pelo  disposto  no  artigo  173,  I,  do  CTN,  sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado"  corresponde,  iniludivelmente,  ao  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  à  ocorrência  do  fato  imponível,  ainda  que  se  trate  de  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  revelando­se  inadmissível  a  aplicação  cumulativa/concorrente  dos  prazos  previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante  a  configuração  de  desarrazoado  prazo  decadencial  decenal  (Alberto  Xavier,  "Do  Lançamento  no  Direito  Tributário  Brasileiro",  3ª  ed.,  Ed.  Forense,  Rio  de  Janeiro,  2005,  págs.  91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed.,  Ed.  Saraiva,  2004,  págs.  396/400;  e  Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e Prescrição  no Direito Tributário",  3ª  ed.,  Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199).  5.  In casu, consoante assente na origem: (i) cuida­se de  tributo  sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege  de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não  restou  adimplida  pelo  contribuinte,  no  que  concerne  aos  fatos  imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro  de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos  deu­se em 26.03.2001.  6.  Destarte,  revelam­se  caducos  os  créditos  tributários  executados,  tendo  em  vista  o  decurso  do  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  que  o  Fisco  efetuasse  o  lançamento  de  ofício  substitutivo.   7.  Recurso  especial  desprovido.  Acórdão  submetido  ao  regime  do artigo 543­C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.”  Na esteira desse raciocínio, uma vez delimitado pelo STJ e, bem assim, pelo  Regimento  Interno  do  CARF  que  nos  lançamentos  por  homologação  a  antecipação  de  pagamento é  indispensável à aplicação do  instituto da decadência, nos  cabe  tão somente nos  quedar a aludida conclusão e constatar ou não a sua ocorrência.  Entrementes,  a controvérsia em relação a  referido  tema encontra­se distante  de  remansoso  desfecho,  se  fixando  agora  em  determinar  o  que  pode  ser  considerado  como  antecipação de pagamento nas  contribuições previdenciárias,  sobretudo em  face das diversas  modalidades e/ou procedimentos adotados por ocasião do lançamento fiscal.  Fl. 1507DF CARF MF     18  In  casu,  porém,  despiciendas maiores  elucubrações  a  propósito  da matéria,  uma vez que a simples análise dos autos nos leva a concluir pela existência de antecipação de  pagamento,  por  tratar­se,  em  parte,  de  salário  indireto,  portanto,  diferenças  de  contribuições,  eis  que  a  contribuinte  promoveu  o  recolhimento  das  contribuições  incidentes  sobre  a  remuneração  reconhecida  (salário  normal),  fato  relevante  para  a  aplicação  do  instituto,  nos  termos  da  decisão  do  STJ  acima  ementada,  a  qual  estamos  obrigados a observar.  Aliás, o Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em Sessão realizada  em  09/12/2013,  afastou  qualquer  dúvida  quanto  ao  tema,  determinando  que  tratando­se  de  tributação  sobre  salário  indireto,  impõe­se  à  adoção  do  prazo  decadencial  inscrito  no  artigo  150, § 4º, do CTN, como se verifica da Súmula CARF n° 99, aprovada naquela oportunidade,  com o seguinte Enunciado:  “Para  fins  de  aplicação  da  regra  decadencial  prevista  no  art.  150,  §  4°,  do  CTN,  para  as  contribuições  previdenciárias,  caracteriza  pagamento  antecipado  o  recolhimento,  ainda  que  parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na  competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo  que  não  tenha  sido  incluída,  na  base  de  cálculo  deste  recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida  no auto de infração.”  Observa­se, que a hipótese  tratada nos autos é exatamente aquela em que a  Súmula  encimada  se  aplica,  eis  que  o  Acórdão  recorrido  rechaçou  a  adoção  do  prazo  decadencial  inscrito  no  artigo  150,  §  4°,  do CTN,  por  considerar  cada  rubrica  integrante  do  salário de contribuição separadamente e não a remuneração como um todo, entendimento que  restou definitivamente afastado pela Súmula retro.  Destarte,  tendo  a  fiscalização  constituído  o  crédito  previdenciário  em  17/12/2013, com a devida ciência da contribuinte constante da folha de rosto das autuações, a  exigência  fiscal  resta  parcialmente  fulminada  pela  decadência,  relativamente  aos  fatos  geradores  ocorridos  no  período  de 01/1998  a 11/1998,  os  quais  se  encontram  fora  do  prazo  decadencial inscrito no dispositivo legal supra, impondo seja decretada a improcedência parcial  do feito.  PRELIMINAR  DE  DECADÊNCIA  –  DESCUMPRIMENTO  DE  OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA ­ AIOAC n° 37.282.265­7 (CFL 68)  Igualmente,  para  o  auto  de  infração  por  descumprimento  de  obrigação  acessória, vindica a contribuinte seja acolhida a decadência de 05 (cinco) anos nos termos do  artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, em detrimento ao prazo inscrito no artigo 173,  inciso I, do mesmo Diploma legal, na forma decidida no Acórdão recorrido.  Inicialmente,  mister  destacar  que  corroboramos  com  a  conclusão  da  tese  aventada  pela  contribuinte,  no  sentido  da  aplicação  do  prazo  decadencial  inserido  no  artigo  150,  §  4°,  do  CTN,  não  em  face  da  pretensa  existência  de  recolhimentos,  uma  vez  que  a  presente autuação decorre de descumprimento de obrigação acessória e não principal, onde se  cogitaria em antecipação de pagamento, mas, sim, por conta do decisum exarado nas autuações  por  descumprimento  de  obrigação  principal,  onde  sustentamos  a  decadência  com  base  no  dispositivo legal supra, impondo seja levada a efeito a mesma decisão nestes autos em virtude  da relação de causa e efeito que os vincula.  Fl. 1508DF CARF MF Processo nº 10860.721948/2013­59  Acórdão n.º 2401­004.511  S2­C4T1  Fl. 1.500          19  No  entanto,  submetida  referida  tese  a  julgamento  perante  a  2a  Turma  da  CSRF,  última  instância  recursal,  nos  autos  do  processo  administrativo  fiscal  n°  35434.000658/2006­08, aquele Egrégio Colegiado, por ampla maioria de votos, entendeu por  bem manter  a  aplicabilidade  do  prazo  decadencial  previsto  no  artigo  173,  inciso  I,  do CTN,  ainda que na notificação/autuação correlata tenha sido reconhecida a decadência do artigo 150,  §  4°,  do mesmo Diploma Legal,  consoante  se  positiva do Acórdão  n°  9202­002.193,  com  a  seguinte ementa:  Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias  Período de apuração: 01/01/1999 a 31/05/2004  AUTO  DE  INFRAÇÃO.  PENALIDADE  DECORRENTE  DO  DESCUMPRIMENTO  DE  OBRIGAÇÃO  ACESSÓRIA.  DECADÊNCIA.  O prazo decadencial aplicável à exigência de multa decorrente  de omissão de informações em GFIP é aquele previsto no artigo  173,  inciso  I,  do  CTN,  ou  seja,  tem  inicio  no  primeiro  dia  do  exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido  efetuado. [...]  Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte.  [...]"  Dessa  forma,  inobstante compartilhar com o  inconformismo da contribuinte  na forma explicitada acima (conquanto que nas notificações/autuações correlatas a decadência  tenha  sido  acolhida  com  base  no  artigo  150,  §  4°,  do  CTN),  este  Colegiado  e  a  CSRF  já  sedimentaram  o  entendimento  de  que  tratando­se  de  auto  de  infração  decorrente  de  descumprimento de obrigação acessória, in casu, ausência de informação de fatos geradores em  GFIP's, caracterizando lançamento de ofício,  impõe­se a aplicação do artigo 173,  inciso I, do  Código Tributário Nacional,  independentemente  da  espécie  de  infração  incorrida,  razão  pela  qual nos quedamos a aludido raciocínio, em homenagem a economia processual.  Nessa  toada,  é  de  se  manter  a  ordem  legal  no  sentido  de  acolher  o  prazo  decadencial  de  05  (cinco)  anos,  nos  termos  do  artigo  173,  inciso  I,  do  Código  Tributário  Nacional,  na  forma  admitida  pelo  Acórdão  recorrido,  devendo  ser  rejeitada  a  preliminar  de  decadência suscitada pela contribuinte.  DO MÉRITO  DA  DESCONSIDERAÇÃO  DA  PERSONALIDADE  JURÍDICA  DA  EMPRESA GLOBO EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS LTDA.  Consoante  relatado  alhures,  a  presente  autuação  fora  lavrada  a  partir  da  desconsideração  da  contabilidade  e  da  personalidade  jurídica  da  empresa  GLOBO  EQUIPAMENTOS  INDUSTRIAIS  LTDA,  prestadora  de  serviços  à  autuada,  com  a  conseqüente  caracterização  dos  valores  pagos  àquela  empresa  como  remuneração  dos  segurados empregados e (pró­labore) dos sócios da recorrente, apurada por arbitramento.  Com  mais  especificidade,  de  acordo  com  o  Relatório  Fiscal,  a  ilustre  autoridade  lançadora  achou  por  bem  desconsiderar  a  personalidade  jurídica  da  empresa  Fl. 1509DF CARF MF     20  GLOBO  EQUIPAMENTOS  INDUSTRIAIS  LTDA,  considerando  os  seus  segurados  empregados  e  contribuintes  individuais  como,  de  fato,  vinculados  à  autuada,  diante  da  constatação  de  simulação,  evasão  e  elisão  fiscal  na  constituição  da  pessoa  jurídica  desconsiderada,  com  propósito  exclusivo  de  se  beneficiar  de  sistema  de  tributação  menos  oneroso  –  SIMPLES,  não  possuindo  endereço  ou  estrutura  própria,  ocupando  o  mesmo  domicílio da autuada, cujos sócios também compõe o seu quadro societário.  Conclui que a contabilidade das empresas sob análise não espelha a realidade  econômica e financeira da autuada, o que ensejou a desconsideração de sua escrita contábil e o  levantamento das contribuições previdenciárias por arbitramento, com fulcro no artigo 33, § 6°,  da Lei n° 8.212/91, vigente à época nos seguintes termos:  “Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete  arrecadar,  fiscalizar,  lançar  e  normatizar  o  recolhimento  das  contribuições  sociais  previstas  nas  alíneas  "a",  ‘b"  e  "c"  do  parágrafo  único  do  art.  11,  bem  como  as  contribuições  incidentes  a  título  de  substituição;  e  à  Secretaria  da  Receita  Federal  –  SRF  compete  arrecadar,  fiscalizar,  lançar  e  normatizar  o  recolhimento  das  contribuições  sociais  previstas  nas alíneas "d" e "e" do parágrafo único do art. 11, cabendo a  ambos  os  órgãos,  na  esfera  de  sua  competência,  promover  a  respectiva  cobrança  e  aplicar  as  sanções  previstas  legalmente.  (Redação alterada pela Lei nº 10.256/01)  [...]  § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou  informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional  do Seguro Social ­ INSS e o Departamento da Receita Federal ­  DRF  podem,  sem  prejuízo  da  penalidade  cabível,  inscrever  de  ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou  ao segurado o ônus da prova em contrário.  [...]  § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro  documento  da  empresa,  a  fiscalização  constatar  que  a  contabilidade  não  registra  o  movimento  real  de  remuneração  dos  segurados  a  seu  serviço,  do  faturamento  e  do  lucro,  serão  apuradas,  por  aferição  indireta,  as  contribuições  efetivamente  devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.”  Nesse  sentido,  estando  o  lançamento  escorado  em  uma  presunção  legal,  incumbe  à  fiscalização  demonstrar  e  comprovar  os  motivos  que  a  levaram  a  utilizar  deste  procedimento  excepcional  e,  conseqüentemente,  fundamentá­lo  na  legislação  de  regência,  fazendo  constar  dos  autos  do  processo,  nos  anexos  pertinentes,  a  norma  legal  esteio  da  exigência fiscal, sob pena de nulidade e/ou improcedência do feito.  Em  suas  razões  recursais,  pretende  a  contribuinte  a  reforma  da  decisão  recorrida,  a  qual  manteve  a  exigência  fiscal  em  sua  plenitude,  aduzindo,  dentre  inúmeros  argumentos,  que  o  procedimento  eleito  pela  fiscalização  ao  promover  o  lançamento  não  encontra amparo legal na legislação de regência, notadamente quando não se apresentou claro e  preciso em suas conclusões ao desconsiderar a personalidade jurídica da empresa prestadora de  serviços.  Fl. 1510DF CARF MF Processo nº 10860.721948/2013­59  Acórdão n.º 2401­004.511  S2­C4T1  Fl. 1.501          21  Sustenta, ainda, não ter sido comprovada pelo fiscal autuante a ocorrência da  hipótese  de  incidência  prevista  na  legislação  de  regência,  ou  seja,  o  pagamento  de  remunerações  a  segurados  empregados  e  contribuintes  individuais,  mormente  quando  considerou,  indevidamente,  pagamentos  realizados  pela  autuada  a  outra  pessoa  jurídica  regularmente constituída, dentro do padrão legal.  Não  obstante  as  substanciosas  razões  de  fato  e  de  direito  ofertadas  pela  fiscalização  e  autoridade  julgadora  de  primeira  instância  em  defesa  da  manutenção  da  exigência  fiscal  em  comento,  o  inconformismo  da  contribuinte  merece  prosperar,  como  demonstraremos ao longo desse arrazoado.  Destarte,  em  que  pese  à  grande  celeuma  que  envolve  o  tema,  é  certo  que  atualmente o Fisco dispõe de  alguns mecanismos para  apuração de  crédito  tributário quando  constatadas operações/transações realizadas pelo contribuinte com a finalidade de se esquivar  da tributação.  Em  verdade,  trata­se  da  eterna  discussão  a  propósito  da  legalidade  do  planejamento tributário e seus limites. Em outras palavras, o verdadeiro conflito existente entre  a Elisão e Evasão Fiscal.  Referido  tema, aliás, vem  tomando espaço em grandes Congressos  e outros  Encontros  Tributários,  com  propostas,  inclusive,  de  elaboração  de  normas  antielisivas,  buscando  cercar  as  condutas  dolosas,  simuladas  dos  contribuintes  objetivando  se  afastar  do  campo de incidência da obrigação tributária.  Na seara do direito previdenciário,  a própria  legislação de  regência oferece  mecanismos  para  a  desconsideração  da  relação  contratual  firmada  entre  o  contribuinte  e  os  prestadores de serviços, sejam segurados empregados, contribuintes individuais, outras pessoas  jurídicas, etc.  Exemplo  de  tais  prerrogativas,  o  artigo  229,  §  2°,  do  Regulamento  da  Previdência Social  – RPS,  aprovado pelo Decreto  nº  3.048/1999,  impõe ao Auditor Fiscal  a  obrigação  de  considerar  os  contribuintes  individuais  (autônomos)  ou  outros  prestadores  de  serviços como segurados empregados, quando verificados os requisitos legais, in verbis:  “Art. 229.  [...]  § 2º ­ Se o Auditor Fiscal da Previdência Social, constatar que o  segurado  contratado  como  contribuinte  individual,  trabalhador  avulso,  ou  sob  qualquer  outra  denominação,  preenche  as  condições  referidas  no  inc.  I  «caput»  do  art.9º,  deverá  desconsiderar  o  vínculo  pactuado  e  efetuar  o  enquadramento  como segurado empregado.”  Observe­se do artigo supracitado, que o legislador ao mencionar “[...] ou sob  qualquer outra denominação [...]”, deu margem a desconsideração da personalidade  jurídica  de empresas, quando constatados os requisitos para tanto.  Indispensável ao deslinde da controvérsia, cumpre transcrever os preceitos do  artigo 3º, da CLT, in verbis:  Fl. 1511DF CARF MF     22  “Art. 3º. Considera­se empregado toda pessoa física que prestar  serviços  de  natureza  não  eventual  a  empregador,  sob  a  dependência deste e mediante salário.”  Assim, verificados todos os requisitos necessários à caracterização do vínculo  empregatício  do  suposto  tomador  de  serviços  com  os  tidos  prestadores  de  serviços,  a  autoridade  administrativa,  de  conformidade  com  os  dispositivos  legais  encimados,  tem  a  obrigação de  caracterizar  como  segurado empregado qualquer  trabalhador que preste  serviço  ao  contribuinte  nestas  condições,  fazendo  incidir,  conseqüentemente,  as  contribuições  previdenciárias sobre as remunerações pagas ou creditadas em favor daqueles.  A partir do permissivo legal encimado, inúmeros são os lançamentos em  que  o  Fisco  desconsidera  o  vínculo  pactuado  entre  os  prestadores  de  serviços  (contribuintes  individuais  e  empresas)  e  a  contribuinte  contratante,  promovendo  a  caracterização  dessas  pessoas  como  segurados  empregados,  conquanto  de  devidamente  demonstrada  à  existência  dos  pressupostos  da  relação  empregatícia,  quais  sejam,  subordinação,  remuneração  e  não  eventualidade.  Neste  caso,  diga­se  de  passagem,  inexiste a necessidade da comprovação de eventuais atos simulados, para a caracterização  dos  segurados  empregados,  bastando  à  demonstração  da  presença  dos  requisitos  do  vínculo  laboral,  podendo  ou  não  haver  o  intuito  doloso,  fraudulento  ou  simulatório  objetivando suprimir tributos.  Na  hipótese  dos  autos,  relativamente  aos  segurados  empregados  caracterizados,  o  procedimento  adotado  pela  autoridade  lançadora  fora  aquele  inscrito  na  norma legal retro.  Entrementes,  não  basta  que  a  autoridade  lançadora  inscreva  no  Relatório  Fiscal tais requisitos, quais sejam, subordinação, remuneração e não eventualidade, o que,  in  casu,  sequer  ocorreu.  Deve,  em  verdade,  deixar  explicitamente  comprovada  de  forma  individualizada  a  existência  dos  pressupostos  legais  da  relação  empregatícia,  sob  pena  de  improcedência  do  lançamento  por  ausência  de  comprovação  do  fato  gerador  do  tributo,  e  cerceamento do direito de defesa do contribuinte.  É o que determina o artigo 37 da Lei nº 8.212/91, na redação vigente à época  da ocorrência dos fatos geradores, nos seguintes termos:  “Art. 37. Constatado o atraso  total ou parcial no recolhimento  de  contribuições  tratadas  nesta  Lei,  ou  em  caso  de  falta  de  pagamento  de  benefício  reembolsado,  a  fiscalização  lavrará  notificação  de  débito,  com  discriminação  clara  e  precisa  dos  fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que  se referem, conforme dispuser o regulamento.” (grifamos)  No  caso  vertente,  inobstante  o  substancioso  trabalho  fiscal  em  relação  à  desconsideração  da  personalidade  jurídica  da  empresa  elencada  no  processo,  a  ilustre  autoridade  lançadora,  ao  promover  a  caracterização  dos  funcionários  da  pessoa  jurídica  desconsiderada  como  segurados  empregados  da  autuada,  não  logrou  motivar  o  presente  lançamento, mais precisamente no Relatório Fiscal, deixando de demonstrar e comprovar, na  forma  que  o  caso  exige,  os  requisitos  legais  necessários  à  configuração  do  vínculo  empregatício, acima mencionados.  Aliás, sequer listou quais seriam os segurados empregados caracterizados ou  mesmo  os  serviços  prestados,  impossibilitando,  além  da  defesa  da  contribuinte,  o  próprio  Fl. 1512DF CARF MF Processo nº 10860.721948/2013­59  Acórdão n.º 2401­004.511  S2­C4T1  Fl. 1.502          23  julgamento  da  regularidade do  feito. Ora,  não  se  sabe  sob  quais  condições  os  serviços  eram  prestados, qual a modalidade, etc.  Referida omissão afronta de forma flagrante os preceitos contidos no artigo  142 do Código Tributário Nacional que, ao atribuir a competência privativa do lançamento a  autoridade administrativa,  igualmente, exige que nessa atividade o  fiscal autuante descreva e  comprove a ocorrência do fato gerador do tributo lançado, como segue:  “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa  constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido  o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  correspondente,  determinar  a  matéria  tributável,  calcular  o  montante  do  tributo  devido,  identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da  penalidade cabível.”  In casu, com mais razão a fiscalização deverá comprovar a ocorrência do fato  gerador  das  contribuições  previdenciárias  exigidas,  tendo  em vista  tratar­se de  procedimento  excepcional  de  desconsideração  de  personalidade  jurídica  e,  conseqüente,  caracterização  de  segurados  empregados.  Aliás,  o  artigo  37  da  Lei  nº  8.212/91,  supratranscrito,  com  mais  especificidade, impõe ao fiscal autuante a discriminação clara e precisa dos fatos geradores do  débito constituído.  Repita­se, para que tal procedimento tenha validade e esteja em consonância  com a legislação de regência, não é suficiente a alegação genérica da autoridade administrativa  de  que  constatou  a  existência  dos  pressupostos  da  relação  de  emprego,  devendo  haver  comprovação da existência efetiva do vínculo laboral, abordando cada requisito necessário para  tanto,  de maneira  individualizada  ou  por  tipo  de  trabalho  desenvolvido  pelos  prestadores  de  serviços.  Destarte, os atos administrativos, conforme se depreende do artigo 50 da Lei  nº 9.784/99, que  regulamenta o processo administrativo no âmbito da Administração Pública  Federal, devem ser motivados, sob pena de nulidade, in verbis:  “Art.  50.  Os  atos  administrativos  deverão  ser  motivados,  com  indicação dos fatos e fundamentos jurídicos [...]  §1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente [...]”  A jurisprudência administrativa oferece proteção a esse entendimento, como  faz certo os Acórdãos com suas ementas abaixo transcritas:  “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2002 a 31/07/2004  NORMAS  PROCEDIMENTAIS.  DESCONSIDERAÇÃO  PERSONALIDADE  JURÍDICA  E  CARACTERIZAÇÃO  DE  SEGURADOS EMPREGADOS. Somente nas hipóteses  em que  restar  constatada  a  efetiva  existência  dos  elementos  constituintes da relação empregatícia entre o suposto "tomador  de  serviços" e os "prestadores de  serviços", poderá o Auditor  Fiscal caracterizar o contribuinte individual (autônomo) como  segurado  empregado,  ou mesmo  promover  a  desconsideração  Fl. 1513DF CARF MF     24  da personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços,  com fulcro no artigo 229, § 2°, do Regulamento da Previdência  Social­RPS, aprovado pelo Decreto n" 3.048/99.  RELATÓRIO  FISCAL  DA  NOTIFICAÇÃO.  OMISSÕES.  O  Relatório  Fiscal  tem  por  finalidade  demonstrar/explicitar  de  forma  clara  e  precisa  todos  os  procedimentos  e  critérios  utilizados  pela  fiscalização  na  constituição  do  crédito  previdenciário, possibilitando ao contribuinte o pleno direito da  ampla defesa e contraditório.   Omissões ou incorreções no Relatório Fiscal, relativamente aos  critérios de apuração do crédito tributário  levados a efeito por  ocasião  do  lançamento  fiscal,  que  impossibilitem  o  exercício  pleno do direito de defesa e contraditório do contribuinte, enseja  a  nulidade  material  da  notificação,  mormente  tratando­se  de  caracterização de segurados empregados, onde os requisitos do  vínculo  empregatício  devem  restar  circunstanciadamente  comprovados.PROCESSO ANULADO.” (1ª TO da 4ª Câmara da  2ª SJ do CARF, Processo n° 35474.000201/2006­19 – Acórdão  n° 2401­00.544, Sessão de 19/08/2009) (grifamos)  Em outras palavras, deveria constar do Relatório Fiscal de forma destrinçada  a  demonstração  da  efetiva  existência  dos  requisitos  necessários  à  caracterização  dos  trabalhadores  da  pessoa  jurídica  desconsiderada  como  segurados  empregados  da  autuada,  corroborado,  por  exemplo,  com  quadro  contendo  nome  de  todos  os  prestadores  de  serviços  tidos  como  empregados  da  recorrente  e  respectivos  serviços  desenvolvidos,  possibilitando  a  contribuinte  o  exercício  pleno  da  ampla  defesa  e  do  contraditório,  sob  pena  de  incorrer  em  cerceamento do direito de defesa. Mas não é o que se verifica no presente caso.  No  presente  caso,  ao  promover  o  lançamento  levando  a  efeito  a  caracterização dos prestadores de serviços da pessoa jurídica desconsiderada como segurados  empregados da autuada, o ilustre fiscal autuante, em seu Relatório Fiscal, simplesmente inferiu  ter  efetuado  tal  enquadramento,  a  partir  da  desconsideração  da  personalidade  jurídica  da  empresa  GLOBO  EQUIPAMENTOS  INDUSTRIAIS  LTDA,  sem  conquanto  demonstrar/comprovar  de  forma  pormenorizada  seu  entendimento, maculando  o  lançamento  em comento.  Relativamente,  aos  prestadores  de  serviços  contribuintes  individuais,  vinculados  de  ofício  à  autuada,  o  mesmo  entendimento  encimado,  quanto  aos  segurados  empregados, se presta a rechaçar a pretensão fiscal.  Isto  porque,  em  que  pese  inexistir  a  necessidade  de  demonstração  dos  requisitos  da  relação  laboral,  pela  própria  essência  eventual  do  serviço  prestado,  há  a  necessidade de se promover à vinculação de aludidos prestadores de serviços com a empresa  autuada.  Não basta para tanto, simplesmente, trazer à colação elementos se prestariam  a demonstrar a vinculação societária entre as duas empresas, para se atribuir automaticamente a  vinculação dos contribuintes individuais de uma pessoa jurídica para outra.  Com  efeito,  é  preciso  que  haja  um  mínimo  aprofundamento  nos  serviços  prestados,  indicando as pessoas que  figuram como contribuintes  individuais, deslocados para  outra  empresa,  de maneira  a  oferecer  condições  à  validade  do  lançamento  e  a  oportunizar  a  Fl. 1514DF CARF MF Processo nº 10860.721948/2013­59  Acórdão n.º 2401­004.511  S2­C4T1  Fl. 1.503          25  própria ampla defesa da contribuinte e, por conseguinte, viabilizar o julgamento da demanda,  com elementos robustos, suscetíveis de comprovação.  Ora, como se deslocar o vínculo de um prestador de serviço de uma empresa  para outra,  sem que decline ao menos a espécie de  serviço prestado e, bem assim, o próprio  prestador do serviço?  É exatamente o que ocorrera no caso dos autos, onde a fiscalização entendeu  por bem deslocar o vínculo dos segurados empregados e contribuintes individuais da empresa  desconsiderada para a  recorrente, sem conquanto se aprofundar no exame dos elementos que  envolvem  os  fatos,  sem  listar  tais  segurados  ou  informar  quais  serviços  eram  prestados,  por  exemplo.  A  rigor,  a  partir  da  caracterização  do Grupo Econômico  de Fato  procedida  pela fiscalização, inexistiria razão para realizar a desconsideração da personalidade jurídica da  empresa  GLOBO  EQUIPAMENTOS  INDUSTRIAIS  LTDA.,  com  o  consequente  deslocamento  de  seus  funcionários  à  autuada,  bastando  admitir  a  sua  exclusão  retroativa  do  SIMPLES,  ensejando  a  constituição  do  presente  crédito  tributário,  chamando  a  autuada  GLOBO USINAGEM para responder solidariamente pelo débito.  Partindo  dessas  premissas,  ao  deixar  de  demonstrar/comprovar  a  existência  dos  requisitos  da  relação  laboral  entre  os  prestadores  de  serviços  com  a  empresa  autuada,  GLOBO CENTRAL DE USINAGEM Ltda., deixou a fiscalização do se desincumbir do ônus  necessários a procedimentos dessa natureza, o que impõe reconhecer a improcedência do feito.  DAS DEMAIS QUESTÕES SUSCITADAS PELA CONTRIBUINTE  Uma vez vencido nas razões encimadas, mister ser faz contemplar as demais  alegações de mérito suscitados pela contribuinte, o que passaremos a proceder.  Em  suas  razões  recursais,  pretende  a  contribuinte  a  reforma  da  decisão  recorrida,  a  qual  manteve  parte  substancial  da  exigência  fiscal,  dissertando  a  propósito  da  pretensa  não  incidência  de  contribuições  previdenciárias  sobre  as  verbas  pagas  a  título  de  Aviso Prévio Indenizado, Participação nos Lucros e Resultados e Abono Especial, além de se  insurgir  contra  as  penalidades  aplicadas  nas  autuações  por  descumprimento  de  obrigações  acessória e principal, como passaremos a analisar de maneira individualizada adiante.  Em  defesa  de  sua  pretensão,  elabora  substancioso  arrazoado  contemplando  com  especificidade  as  verbas  concedidas  aos  segurados  empregados,  acima  elencadas,  concluindo estarem fora do campo de incidência das contribuições previdenciárias.  Em virtude das 03 (três) verbas lançadas na presente autuação como salário  indireto, cada uma com suas peculiaridades, analisaremos a questão posta nos autos de maneira  individualizada,  após  transcrição  dos  dispositivos  legais  que  regulamentam  a matéria,  senão  vejamos.  Antes  de  adentrar  as  questões  de mérito,  é  de  bom  alvitre  trazer  à  baila  o  disposto nos artigos 111, inciso II e 176, do CTN, indispensáveis ao deslinde da lide, in verbis:  “Art. 111.  Interpreta­se literalmente a legislação tributária que  disponha sobre:  Fl. 1515DF CARF MF     26  I – suspensão ou exclusão do crédito tributário;  II – outorga de isenção;  III – dispensa do cumprimento de obrigações acessórias””  Art.  176.  A  isenção,  ainda  quando  prevista  em  contrato,  é  sempre  decorrente  de  lei  que  especifique  as  condições  e  requisitos  exigidos  para  a  sua  concessão,  os  tributos  a  que  se  aplica e, sendo o caso, o prazo de sua duração.”  Extrai­se dos dispositivos legais supracitados que qualquer espécie de isenção  que  o  Poder  Público  pretenda  conceder  deve  decorrer  de  lei  disciplinadora,  sendo  sua  interpretação literal e não extensiva.  Por  sua  vez,  as  importâncias  que  não  integram  a  base  de  cálculo  das  contribuições  previdenciárias  estão  expressamente  listadas  no  artigo  28,  §  9º,  da  Lei  nº  8.212/91, o qual estabelece os pressupostos legais para que não se caracterizem como salário­ de­contribuição, visando garantir os direitos dos empregados, como segue:  “Art. 28. Entende­se por salário­de­contribuição:  [...]  § 9º Não  integram o salário­de­contribuição para os  fins desta  Lei,  exclusivamente:  (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.528,  de  10.12.97)  a)  os  benefícios  da  previdência  social,  nos  termos  e  limites  legais, salvo o  salário­maternidade;  (Redação dada pela Lei nº  9.528, de 10.12.97).   b)  as  ajudas  de  custo  e  o  adicional  mensal  recebidos  pelo  aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973;   c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas  de  alimentação  aprovados  pelo  Ministério  do  Trabalho  e  da  Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de  1976;  d)  as  importâncias  recebidas  a  título  de  férias  indenizadas  e  respectivo  adicional  constitucional,  inclusive  o  valor  correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o  art. 137 da Consolidação das Leis do Trabalho­CLT;  (Redação  dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97).   e)  as  importâncias:  (Alínea  alterada  e  itens  de  1  a  5  acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97   1.  previstas  no  inciso  I  do  art.  10  do  Ato  das  Disposições  Constitucionais Transitórias;   2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de  outubro  de  1988,  do  empregado  não  optante  pelo  Fundo  de  Garantia do Tempo de Serviço­FGTS;   3.  recebidas a  título da  indenização de que  trata o art.  479 da  CLT;   Fl. 1516DF CARF MF Processo nº 10860.721948/2013­59  Acórdão n.º 2401­004.511  S2­C4T1  Fl. 1.504          27  4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei  nº 5.889, de 8 de junho de 1973;   5. recebidas a título de incentivo à demissão;  6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e  144 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998).  7.  recebidas  a  título  de  ganhos  eventuais  e  os  abonos  expressamente  desvinculados  do  salário;  (Redação  dada  pela  Lei nº 9.711, de 1998).  8.  recebidas  a  título  de  licença­prêmio  indenizada;  (Redação  dada pela Lei nº 9.711, de 1998).  9. recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei  nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; (Redação dada pela Lei nº  9.711, de 1998).  f)  a  parcela  recebida  a  título  de  vale­transporte,  na  forma  da  legislação própria;  g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente  em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado,  na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528,  de 10.12.97).  h)  as  diárias  para  viagens,  desde  que  não  excedam  a  50%  (cinqüenta por cento) da remuneração mensal;  i)  a  importância  recebida a  título de bolsa de complementação  educacional  de  estagiário,  quando  paga  nos  termos  da  Lei  nº  6.494, de 7 de dezembro de 1977;   j)  a participação nos  lucros ou  resultados da  empresa, quando  paga ou creditada de acordo com lei específica;   l)  o  abono  do  Programa  de  Integração  Social­PIS  e  do  Programa  de  Assistência  ao  Servidor  Público­PASEP;  (Alínea  acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)  m)  os  valores  correspondentes  a  transporte,  alimentação  e  habitação  fornecidos  pela  empresa  ao  empregado  contratado  para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em  canteiro  de  obras  ou  local  que,  por  força  da  atividade,  exija  deslocamento  e  estada,  observadas  as  normas  de  proteção  estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada  pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)  n)  a  importância  paga  ao  empregado  a  título  de  complementação  ao  valor  do  auxílio­doença,  desde  que  este  direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa;  (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)  o)  as  parcelas  destinadas  à  assistência  ao  trabalhador  da  agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870,  Fl. 1517DF CARF MF     28  de  1º  de  dezembro  de  1965;  (Alínea  acrescentada  pela  Lei  nº  9.528, de 10.12.97).  p)  o  valor  das  contribuições  efetivamente  pago  pela  pessoa  jurídica  relativo  a  programa  de  previdência  complementar,  aberto  ou  fechado,  desde  que  disponível  à  totalidade  de  seus  empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º  e  468  da  CLT;  (Alínea  acrescentada  pela  Lei  nº  9.528,  de  10.12.97)  q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou  odontológico,  próprio  da  empresa  ou  por  ela  conveniado,  inclusive  o  reembolso  de  despesas  com  medicamentos,  óculos,  aparelhos  ortopédicos,  despesas  médico­hospitalares  e  outras  similares,  desde  que  a  cobertura  abranja  a  totalidade  dos  empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela  Lei nº 9.528, de 10.12.97)   r)  o  valor  correspondente  a  vestuários,  equipamentos  e  outros  acessórios  fornecidos  ao  empregado  e  utilizados  no  local  do  trabalho  para  prestação  dos  respectivos  serviços;  (Alínea  acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)   s)  o  ressarcimento  de  despesas  pelo  uso  de  veículo  do  empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a  legislação  trabalhista,  observado  o  limite máximo  de  seis  anos  de  idade,  quando  devidamente  comprovadas  as  despesas  realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)   t)  o  valor  relativo  a  plano  educacional  que  vise  à  educação  básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro  de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais  vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que  não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos  os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação  dada pela Lei nº 9.711, de 1998).  u)  a  importância  recebida  a  título  de  bolsa  de  aprendizagem  garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo  com  o  disposto  no  art.  64  da  Lei  nº  8.069,  de  13  de  julho  de  1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)   v)  os  valores  recebidos  em  decorrência  da  cessão  de  direitos  autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)   x) o valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea  acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) ”  Com  mais  especificidade,  contemplando  as  verbas  em  epígrafe,  o  Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, em seu artigo  214, § 9°, prescreve a não incidência de contribuições previdenciárias nas seguintes condições,  in verbis:  “Art. 214. Entende­se por salário­de­contribuição:  [...]  § 9º Não integram o salário­de­contribuição, exclusivamente:  Fl. 1518DF CARF MF Processo nº 10860.721948/2013­59  Acórdão n.º 2401­004.511  S2­C4T1  Fl. 1.505          29  [...]  VI ­ a parcela recebida a título de vale­transporte, na forma da  legislação própria;  [...]    X  ­  a  participação  do  empregado  nos  lucros  ou  resultados  da  empresa,  quando  paga  ou  creditada  de  acordo  com  lei  específica;  § 10. As parcelas referidas no parágrafo anterior, quando pagas  ou  creditadas  em  desacordo  com  a  legislação  pertinente,  integram o  salário­de­contribuição para  todos os  fins  e efeitos,  sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis. [...]”  Como  se  observa,  tendo  a  autoridade  lançadora  inserido  os  pagamentos  realizados pela empresa aos segurados empregados e/ou contribuintes individuais no conceito  de  remuneração  (salário­de­contribuição),  nos  termos  do  artigo  28  da  Lei  n°  8.212/91,  comprovando/demonstrado  com  especificidade  a  natureza  remuneratória  das  verbas  concedidas,  impõe­se  ao  contribuinte  afastar a pretensão  fiscal  enquadrando  tais pagamentos  em uma das hipóteses de não incidência, isenção ou imunidade elencadas na norma encimada,  observando, porém, os requisitos legais para tanto.  Em outras palavras, desincumbindo­se o Fisco do ônus de comprovar o fato  gerador das contribuições previdenciárias, cabe ao contribuinte demonstrar, com documentação  hábil  e  idônea,  que  as  verbas  concedidas  aos  segurados  empregados  e/ou  contribuintes  individuais  se  enquadram  em  uma  das  hipóteses  previstas  no  §  9°,  do  artigo  28,  da  Lei  n°  8.212/91, de maneira a rechaçar a tributação imputada.  Voltando à análise do caso sub examine, a contribuinte se insurgiu contra a  tributação  de  todas  as  verbas  pagas  aos  seus  funcionários,  razão  pela  qual  passaremos  a  analisar  os  argumentos  relacionados  a  tais  rubricas  individualmente,  em  razão  de  suas  peculiaridades,  arrimadas  especialmente  na  jurisprudência  administrativa  e  atual  de  nossos  Tribunais Superiores, senão vejamos:  A) DA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS  Pretende a contribuinte  a  reforma da decisão  recorrida, aduzindo para  tanto  que  as  verbas  pagas  pela  empresa  aos  segurados  empregados  a  título  de  Participação  nos  Resultados  não  se  equiparam  àquelas  que  compõem  a  base  de  cálculo  das  contribuições  previdenciárias,  tendo  em  vista  a  inexistência  dos  requisitos  necessários  à  caracterização  de  salário­de­contribuição.  Em  defesa  de  sua  pretensão,  elabora  substancioso  arrazoado  contemplando  com especificidade os requisitos dispostos na legislação de regência, concluindo estar fora do  campo de incidência das contribuições previdenciárias.  Antes mesmo  de  se  adentrar  as  questões  de mérito  propriamente  ditas,  em  relação ao caso concreto, mister se faz trazer à baila a legislação de regência que regulamenta a  verba sub examine, bem como alguns estudos a propósito da matéria, senão vejamos:  Fl. 1519DF CARF MF     30  A  Constituição  Federal,  por  meio  de  seu  artigo  7º,  inciso  XI,  instituiu  a  Participação dos empregados nos Lucros e Resultados da empresa, como forma de integração  entre capital e  trabalho e ganho de produtividade, desvinculando­a expressamente da base de  cálculo das contribuições previdenciárias, como segue:  “Art.  7º  São  direitos  dos  trabalhadores  urbanos  e  rurais,  além  de outros que visem à melhoria de sua condição social:  [...]  XI  –  participação  nos  lucros,  ou  resultados,  desvinculada  da  remuneração,  e,  excepcionalmente,  participação  na  gestão  da  empresa, conforme definido em lei;”  Por  seu  turno,  a  legislação  tributária  ao  regulamentar  a  matéria,  impôs  algumas condições para que as importâncias concedidas aos segurados empregados a título de  participação nos lucros e resultados não integrassem o salário de contribuição, a começar pelo  artigo 28, § 9º, alínea “j”, que assim preceitua:  “Art. 28. [...]  § 9º Não  integram o salário­de­contribuição para os  fins desta  lei:  [...]  j – a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando  paga  ou  creditada  de  acordo  com  a  lei  específica.”  (grifos  nossos)  Em atendimento ao estabelecido na norma encimada, a Medida Provisória nº  794/1994, tratando especificamente da questão, determinou em síntese o seguinte:  “Art.  2º  Toda  empresa  deverá  convencionar  com  seus  empregados,  mediante  negociação  coletiva,  a  forma  de  participação destes em seus lucros ou resultados.  Parágrafo  único.  Dos  instrumentos  decorrentes  da  negociação  deverão constar  regras  claras e objetivas quanto à  fixação dos  direitos  substantivos  da  participação  e  das  regras  adjetivas,  inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao  cumprimento  do  acordado,  periodicidade  da  distribuição,  período de  vigência e prazos para  revisão do acordo, podendo  ser  considerados,  entre  outros,  os  seguintes  critérios  e  condições:  a)  índices  de  produtividade,  qualidade  ou  lucratividade  da  empresa; e  b)  programas  de  metas,  resultados  e  prazos,  pactuados  previamente.  Art.  3º A participação de que  trata o artigo 2º não  substitui  ou  complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem  constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista ou  previdenciário.  [...]  Fl. 1520DF CARF MF Processo nº 10860.721948/2013­59  Acórdão n.º 2401­004.511  S2­C4T1  Fl. 1.506          31  §  2º  É  vedado  o  pagamento  de  qualquer  antecipação  ou  distribuição  de  valores  a  título  de  participação  nos  lucros  ou  resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre.  [...]”  Após reedições a MP retro fora convertida na Lei nº 10.101/2000,  trazendo  em seu bojo algumas inovações, notadamente quanto a forma/periodicidade do pagamento de  tais verbas, senão vejamos:  “Art.  2º A participação nos  lucros ou  resultados  será objeto de  negociação  entre  a  empresa  e  seus  empregados,  mediante  um  dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de  comum acordo:   I ­ comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um  representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria;   II ­ convenção ou acordo coletivo.   §  1º  Dos  instrumentos  decorrentes  da  negociação  deverão  constar  regras  claras  e  objetivas  quanto  à  fixação dos  direitos  substantivos  da  participação  e  das  regras  adjetivas,  inclusive  mecanismos  de  aferição  das  informações  pertinentes  ao  cumprimento  do  acordado,  periodicidade  da  distribuição,  período de vigência e prazos para  revisão do acordo, podendo  ser  considerados,  entre  outros,  os  seguintes  critérios  e  condições:  I  ­  índices  de  produtividade,  qualidade  ou  lucratividade  da  empresa;   II  ­  programas  de  metas,  resultados  e  prazos,  pactuados  previamente.   §  2º  O  instrumento  de  acordo  celebrado  será  arquivado  na  entidade funcional dos trabalhadores.  [...]  Art.3º  A  participação  de  que  trata  o  art.  2º  não  substitui  ou  complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem  constitui  base  de  incidência  de  qualquer  encargo  trabalhista,  não se lhe aplicando o princípio da habitualidade.   [...]  §  2º  É  vedado  o  pagamento  de  qualquer  antecipação  ou  distribuição  de  valores  a  título  de  participação  de  lucros  ou  resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre  civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil.   [...]”  Em  suma,  extrai­se  da  evolução  da  legislação  específica  relativa  à  participação nos lucros e resultados que existem dois momentos a serem apartados quanto aos  requisitos  para  não  incidência  das  contribuições  previdenciárias.  Para  o  período  até  Fl. 1521DF CARF MF     32  29/06/1998, era vedado o pagamento em periodicidade inferior a um semestre. Posteriormente  a 30/06/1998, além da  exigência acima, passou a  ser proibido o pagamento de mais de duas  parcelas no mesmo ano civil.  No que tange aos demais requisitos, especialmente àqueles inscritos no artigo  2º,  as  disposições  legais  continuaram  praticamente  as  mesmas,  exigindo  regras  claras  e  objetivas relativamente ao método de aferição e concessão da verba em comento.  Atualmente,  a  Lei  n°  10.101/2000  se  apresenta  com  algumas  alterações  introduzidas pela Lei n° 12.832, de 20/07/2013, que deixaremos de  contemplar  em  razão de  não fazer qualquer efeito na hipótese dos autos, que trata de fatos geradores pretéritos a aludido  Diploma Legal.  A  teor  dos  preceitos  inscritos  na  legislação  encimada,  constata­se  que  a  Participação  nos  Lucros  e  Resultados,  de  fato,  constitui  uma  verdadeira  imunidade,  eis  que  desvinculada da tributação das contribuições previdenciárias por força da Constituição Federal,  em virtude de se caracterizar como verba eventual e incerta.  Entrementes,  não  é  a  simples  denominação  atribuída  pela  empresa  à  verba  concedida aos funcionários, in casu, PLR, que irá lhe conferir a não incidência dos tributos ora  exigidos.  Em  verdade,  o  que  importa  é  a  natureza  dos  pagamentos  efetuados,  independentemente da denominação pretendida pela contribuinte. E, para que a verba possua  efetivamente  a  natureza  de  Participação  nos  Lucros  e  Resultados,  indispensável  se  faz  a  conjugação  dos  pressupostos  legais  inscritos  na  MP  nº  794/1994  e  reedições,  c/c  Lei  nº  10.101/2000, dependendo do período fiscalizado.  Nessa  esteira  de  entendimento,  é  de  fácil  conclusão  que  as  importâncias  pagas  aos  segurados  empregados  intituladas  de  PLR  somente  sofrerão  incidência  das  contribuições  previdenciárias  se  não  estiverem  revestidas  dos  requisitos  legais  de  aludida  verba. Melhor  elucidando,  a  tributação  não  se  dá  sobre  o  valor  da  PLR, mas,  tão  somente,  quando assim não restar caracterizada.  Por  sua  vez,  a  interpretação  do  caso  concreto  deve  ser  levada  a  efeito  de  forma objetiva, nos limites da legislação específica. Em outras palavras, a autoridade fiscal e,  bem assim, o julgador não poderão deixar de observar os pressupostos legais de caracterização  de  tal  verba,  sendo defeso,  igualmente,  a  atribuição de  requisitos/condições que não  estejam  contidos nos dispositivos legais que regulamentam a matéria, a partir de meras subjetividades,  sobretudo quando arrimadas em premissas que não constam dos autos, sob pena, inclusive, de  afronta ao Princípio da Legalidade.  Por outro lado, convém frisar que tratando­se de imunidade, os pagamentos a  título de PLR não devem observância aos  rigores  interpretativos  insculpidos nos artigos 111,  inciso  II  e  176,  do  CTN,  os  quais  contemplam  as  hipóteses  de  isenção,  com  necessária  interpretação  restritiva  da  norma.  Ao  contrário,  no  caso  de  imunidade,  a  doutrina  e  jurisprudência  consolidaram  entendimento  de  que  a  interpretação  da  norma  constitucional  poderá  ser  mais  abrangente,  de  maneira  a  fazer  prevalecer  a  própria  vontade  do  legislador  constitucional  ao  afastar  a  tributação de  tais verbas,  o que não  implica dizer que  a PLR não  deve observância ao regramento específico e que a norma constitucional que a prescreve é de  eficácia plena.  Na hipótese vertente, passando à análise das razões do lançamento, impõe­se  confrontar os fundamentos de fato e direito que escoram a pretensão fiscal, com as alegações  Fl. 1522DF CARF MF Processo nº 10860.721948/2013­59  Acórdão n.º 2401­004.511  S2­C4T1  Fl. 1.507          33  recursais  da  contribuinte,  alegando  ter  observado  todos  sos  pressupostos  legais  de  referida  verba.  Com  efeito,  ao  considerar  os  valores  pagos  a  título  de  PLR  como  remuneração,  a  autoridade  fiscal  adotou  como  fundamento  à  sua  empreitada  os  seguintes  fundamentos:  "[...]    6.9.  A  simples  leitura  dos  acordos  coletivos  apresentados  (acima  extratificados)  evidencia  que  os  mesmos,  independentemente  de  qualquer  critério  (regras,  índices  e  programas  de  meta  e  resultados),  fixam  o  valor  total  da  participação  nos  PLR  2010  e  2011,  respectivamente,  como  pagamento  sendo  feito,  inclusive, em desacordo com o previsto  na redação original do § 2º do Art. 3º da Lei nº 10.101/00. Assim  sendo, não resta dúvida de que a norma legal de que devam ser  estabelecidos parâmetros claros e objetivos para pagamento da  PLR, bem como regras adjetivas, visa buscar o engajamento de  cada empregado na obtenção das metas estabelecidas no acrdo  ou  convenção  coletiva,  que  devam  ser  os  mais  específicos  possíveis e estritamente vinculados à realidade laboral de cada  trabalhador. Assim, o empregado sentir­se motivado para atingir  aquelas  metas  vinculadas  diretamente  a  sua  atuação  ou,  no  mínimo,  ao  desempenho  conjunto  do  setor  em  que  exerce  suas  atividades. Deste modo,  resta  evidente  que  não  atende  ao  bem  jurídico tutelado pela previsão legal da participação nos lucros  ou resultados a mera definição de valores a ser distribuídos aos  empregados.    6.10.  Conclui­se,  então,  que  a  "PLR  ­  Participação  nos  Lucros ou Resultados" paga no período de 01//2009 a 12/2011,  objeto do presente Lançamento Fiscal, não se acha contemplada  em  nenhuma  das  hipóteses  de  exclusão  de  incidência  de  contribuições sociais, possuindo, isto sim, natureza salarial, logo  integram o salário­de­contribuição, sofrendo, consequentemente,  a incidência das contribuições devidas, uma vez que não nos foi  apresentado o acordo coletivo estabelecendo/fixando os critérios  (regras, índices, prazos e programas de meta e resultados). Tais  valores  estão  devidamente  discriminados  e  individualizados  no  ANEXO III do presente relatório, e  lançados, de forma mensal,  no Relatório de Lançamentos, parte integrante deste AIOP. [...]"  Em  que  pesem  as  substanciosas  razões  ofertadas  pela  contribuinte,  seu  inconformismo,  contudo,  não  tem  o  condão  de  prosperar.  Do  exame  dos  elementos  que  instruem  o  processo,  conclui­se  que  a  decisão  recorrida  merece  ser  mantida,  pelos  seus  próprios fundamentos.  Não  obstante  as  substanciosas  razões  de  fato  e  de  direito  ofertadas  pela  contribuinte,  seu  inconformismo,  contudo,  não  tem  o  condão  de  prosperar,  impondo  seja  mantida a exigência fiscal, quanto a PLR, em sua plenitude, como passaremos a demonstrar.  Isto porque, o requisito basilar para o pagamento da Participação nos Lucros  e Resultados é a instituição do Programa formalizado em uma das modalidades constantes da  Fl. 1523DF CARF MF     34  legislação  de  regência,  estabelecendo,  no  mínimo,  regras  claras  e  objetivas,  bem  como  mecanismos de aferição pertinentes ao acordado, capazes de legitimar a concessão de aludida  verba  Sem a instrumentalização do Programa de PLR, com requisitos mínimos, não  se pode aferir sob quais condições referida verba será paga, representando absoluta afronta aos  preceitos  da  Lei  n°  10.101/2000,  os  quais  são  de  observância  obrigatória  para  aqueles  contribuintes que pretendem conceder a PLR.  Não  se  sabe,  por  exemplo,  se  a  empresa  terá  que  obter  lucro  ou  algum  resultado no decorrer de um período de maneira a justificar tal pagamento. A rigor, na forma  que fora concedida a PLR, esta será paga  independentemente de qualquer  fato, bastando que  seja empregado, o que reforça a tese de se caracterizar como efetiva remuneração.  A  fazer  prevalecer  este  entendimento,  como  muito  bem  delineado  pela  autoridade  fiscal  ao  promover  o  lançamento,  do  instrumento  que  pretendeu  oferecer  as  condições à PLR paga pela contribuinte,  inexistem a  toda evidência  regras claras e objetivas  quanto  à  fixação  dos  direitos  substantivos  da  participação  e  das  regras  adjetivas,  inclusive  mecanismos  de  aferição  das  informações  pertinentes  ao  cumprimento  do  acordado,  pressupostos mínimos ao pagamento de aludida verba.  Como  acima  alinhavado,  no  presente  caso  a  tributação  da  verba  paga  pela  empresa se justifica exatamente em razão de não se revestir das características da PLR, o que  se fosse verdade, afastaria a incidência de contribuições previdenciárias.  Em  outras  palavras,  o  que  se  tributa  é  a  verba  que  tem  natureza  eminentemente  salarial,  uma  vez  não  observados  os  pressupostos  para  não  incidência  das  contribuições previdenciárias,  desnaturando,  assim,  a  intitulada PLR concedida pela  empresa  que, em verdade, se apresenta como remuneração na sua essência.  B) DO ABONO ESPECIAL  No que  tange  aos  pagamentos  concedidos  aos  segurados  a  título  de Abono  Especial,  contrapõe­se à pretensão  fiscal,  sustentando que estão  fora do campo de  incidência  das  contribuições  previdenciárias,  porquanto  pagos  por mera  liberalidade  do  empregador,  de  forma eventual, na forma do item 7, alínea "e", do § 9º, do artigo 28, da Lei nº 8.212, de 1991,  não  havendo  a  comprovação  por  parte  da  autoridade  fiscal  de  que  tais  valores  estivessem  vinculados  a  fatores  de  eficiência,  assiduidade,  tempo  de  serviço  e  outros  relacionados  ao  desenvolvimento do labor.  Inobstante  as  alegações  de  fato  e  de  direito  ofertadas  pela  contribuinte,  o  entendimento acima alinhavado não é capaz de rechaçar a exigência fiscal, mormente quando  pagos em desconformidade com a legislação de regência.  Isto  porque,  uma  vez  a  autoridade  fiscal  se  desincumbindo  do  ônus  de  comprovar a ocorrência do fato gerador do tributo, o que ocorrera in casu, cabe ao contribuinte  demonstrar  que  os  pagamento  concedidos  aos  seus  segurados  não  possuem  natureza  remuneratória, o que não se vislumbra no caso vertente.  Destarte, relativamente aos abonos pagos em virtude de Convenção Coletiva,  o  exame  da  matéria  impõe  sejam  separados  dois  períodos.  Anteriormente  ao  advento  do  Decreto  nº  3.265/99,  e  após  a  sua  edição,  que,  ao  regulamentar  referida  hipótese  de  não  incidência de contribuição previdenciária, impôs condição legal para tanto, senão vejamos.  Fl. 1524DF CARF MF Processo nº 10860.721948/2013­59  Acórdão n.º 2401­004.511  S2­C4T1  Fl. 1.508          35  De conformidade com a legislação previdenciária, as importâncias recebidas  pelos  segurados empregados a  título de abono,  expressamente desvinculadas do salário,  com  espeque no artigo 28, § 9º, alínea “e”, item 7, da Lei nº 8.212/91, com redação dada pela Lei nº  9.711,  de  21  de  novembro  de  1998,  não  integram  a  base  de  cálculo  das  contribuições  previdenciárias, como segue:  “Art. 28. [...]  § 9º. Não integram o salário­de­contribuição para os fins desta  Lei, exclusivamente:  [...]  e) as importâncias:  [...]  7.  recebidas  a  título  de  ganhos  eventuais  e  os  abonos  expressamente desvinculados do salário;”  Ao regulamentar o dispositivo legal encimado, o RPS, em seu artigo 214, §  9º, alínea “j”, na forma estabelecida pelo Decreto nº 3.265/99, restringiu seus efeitos, impondo  nova condição nos seguintes termos:  “Art. 214. Entende­se por salário­de­contribuição:  [...]  § 9º ­ Não integram o salário­de­contribuição, exclusivamente:  [...]  j)  ganhos  eventuais  e  abonos  expressamente  desvinculados  do  salário por força de lei;”  Como se verifica, antes do Decreto nº 3.265/99, de 30 de novembro de 1999,  para  que  os  valores  pagos  aos  segurados  empregados  a  título  de  abono  não  integrassem  o  salário  de  contribuição,  observados  os  requisitos  legais,  não  precisariam  estar  desvinculados  expressamente  mediante  lei.  Bastaria,  a  não  vinculação  expressa,  servindo  para  tanto  Acordos/Convenções Coletivas.  Na hipótese vertente,  consoante  se  infere da  análise dos  autos,  a  recorrente  pagou  aos  seus  funcionários  abonos  decorrentes  de  Convenção  Coletiva  fora  do  período  compreendido entre 21/11/1998 (edição da Lei 9.711) a 30/11/1999 (edição do Decreto 3.265),  que  não  estariam  sujeitas  às  contribuições  previdenciárias,  conquanto  que  expressamente  desvinculadas  pelos  instrumentos  que  os  concederam,  e  obedecidas  às  normas  regulamentadoras.  Assim,  tratando­se  o  presente  caso  de  abonos  decorrentes  de  Convenção  Coletiva, relativamente a competência posterior à edição do Decreto 3.265 (30/11/99), o qual  exigiu a desvinculação expressa em lei para não incidência de contribuições previdenciárias, ao  regulamentar a Lei nº 8.212/91, por meio do artigo 214, § 9º, alínea “j”, do Decreto 3.048/99,  deve  ser  mantido  o  lançamento  na  forma  constituída  pelas  razões  de  fato  e  de  direito  que  passamos a desenvolver.  Fl. 1525DF CARF MF     36  Ao admitir a não incidência de contribuições previdenciárias incidentes sobre  as  verbas  pagas  a  título  de  abono,  ainda  que  decorrentes  de  Convenção  Coletiva,  posteriormente  a edição  do Decreto nº 3.265/99,  como pretende  a contribuinte,  teríamos  que  interpretar o artigo 214, § 9º,  alínea “j”, do RPS, de  forma extensiva, o que vai de encontro  com a legislação de regência, como acima demonstrado.  Com efeito, nos termos do dispositivo legal retro, não integram o salário de  contribuição  as  importâncias  recebidas  pelo  empregado  ali  elencadas,  expressamente  desvinculadas do salário mediante lei, não se podendo interpretar a legislação instituidora dessa  isenção extensivamente, de forma a desconsiderar a exigência de “lei”, a pretexto da existência  de Convenção Coletiva que trouxe em seu bojo a desvinculação pretendida, tendo em vista que  não pode ser considerada como “lei”  stricto  sensu,  a qual emana do poder  legislativo, muito  embora não se negue a força normativa da Convenção Coletiva, conquanto que congruentes à  legislação de regência.  Em  outra  via,  somente  a  título  elucidativo,  sequer  pode  se  admitir  aplicabilidade dos preceitos inscritos no Parecer PGFN/CRJ nº 2114/2011 e Ato Declaratório  PGFN  nº  16/2011,  os  quais  afastam  a  incidência  de  Abonos  Únicos  nos  termos  da  jurisprudência  consolidada pelo STJ,  uma vez  não  se  vislumbrar  a  necessária  eventualidade,  bem  como  a  desvinculação  ao  respectivo  salário  nos  valores  pagos  pela  contribuinte  na  hipótese dos autos:  A propósito  da matéria,  o  julgador  de primeira  instância  foi muito  feliz  ao  rechaçar o pleito da contribuinte, como segue:  "[...]    Por  outra  banda,  ainda  que  se  considere  entendimento  jurisprudencial do STJ no sentido de que o abono único, previsto  em Convenção Coletiva de Trabalho, não sofre a incidência de  contribuição previdenciária, o caso em questão não se subsume  a  situação  posta  no  Parecer  PGFN/CRJ  nº  2114/2011  e  ato  declaratório PGFN 16/2011,  que determina  a  não  interposição  de recursos em casos como tal:  Assunto: Nas ações judiciais que visem obter a declaração  de  que  sobre  o  abono  único,  previsto  em  Convenção  Coletiva  de Trabalho,  desvinculado do  salário  e  pago  sem  habitualidade,  não  há  incidência  de  contribuição  previdenciária.  A  embasar  tal  ato  declaratório  extraio  o  seguinte  acórdão  do STJ:  Processo Civil  e Tributário. Contribuição Previdenciária  e  FGTS.  Abono  Único  Previsto  em  Convenção  Coletiva  de  Trabalho.  Art.  28,  §  9º,  'e',  Item  7,  da  Lei  8.212/91.  Eventualidade  e  Desvinculação  do  Salário,  no  Caso.  Não  Incidência. Precedentes de Ambas As Turmas da 1ª Seção.  Recurso Especial Provido.  VOTO­VISTA  O EXMO. SR. MINISTRO TEORI ALBINO ZAVASCKI:  1. Trata­se de recurso especial interposto contra acórdão do  Tribunal Regional Federal da 1ª Região que,  em mandado  Fl. 1526DF CARF MF Processo nº 10860.721948/2013­59  Acórdão n.º 2401­004.511  S2­C4T1  Fl. 1.509          37  de  segurança preventivo  visando à afastar a  incidência da  contribuição previdenciária e do FGTS sobre o abono único  pago em função da Cláusula 46ª da Convenção Coletiva de  Trabalho 2002/2003, deu provimento às apelações do INSS  e  da  Fazenda  Nacional  e  à  remessa  oficial,  reformando  a  sentença que concedera a ordem.  (...)  Pedi vista.  2.  Acompanho  o  relator  apenas  quanto  à  inexistência  de  violação ao artigo 535 do CPC.  Divirjo, todavia, em relação à questão da incidência ou não  da contribuição previdenciária e do FGTS sobre os valores  pagos a  título de  "abono único" decorrentes de  convenção  coletiva de trabalho.  (...)  Ora, considerando a disposição contida no art. 28, § 9º, 'e',  item 7, da Lei 8.212/91, é possível concluir que o referido  abono  não  integra  a  base  de  cálculo  do  salário  de  contribuição,  já  que  o  seu  pagamento  não  é  habitual  ­  observe­se  que,  na  hipótese,  a  previsão  de  pagamento  é  única, o que revela a eventualidade da verba ­, e não  tem  vinculação  ao  salário  ­  note­se  que,  no  caso,  o  benefício  tem valor fixo para todos os empregados e não representa  contraprestação  por  serviços,  tendo  em  vista  a  possibilidade  dos  empregados  afastados  do  trabalho  também  receberem  a  importância.  Nesse  contexto,  é  indevida a  incidência da contribuição previdenciária sobre  as  importâncias  recebidas  a  título  de  "abono  único"  previstas na cláusula acima referida. ( grifei)  (...)  (STJ, REsp 819.552/BA, 1ª Turma, Rel. Min. Luiz Fux, Rel.  p/ acórdão Teori Albino Zavascki, DJe 18/5/2009)    Como dito anteriormente, a situação posta nestes autos não  se subsume ao enunciado do Ato Declaratório PGFN nº 16/2011,  como pode se verificar das cláusulas concessivas do abono nas  convenções coletivas de trabalho 2009/2011:  CLÁUSULA 2 ­ ABONO PECUNIÁRIO  As  empresas  concederão,  em  caráter  especial  e  eventual,  aos  empregados  um  ABONO  PECUNIÁRIO  ESPECIAL,  totalmente  desvinculado  do  salário,  equivalente  a  17%  (Dezessete  por  cento)  do  salário  base  vigente  em  31  de  Outubro  de  2009,  em  duas  parcelas  de  8,5%  (oito  e meio  por  cento)  cada,  a  serem  pagas,  a  primeira  até  04  de  Dezembro  de  2009  e  a  segunda  até  18  de  Dezembro  de  2009,  aplicados até  o  teto  salarial  de R$ 4.555,00  (quatro  mil quinhentos e cinqüenta e cinco reais).  Fl. 1527DF CARF MF     38  1 ­ Os empregados que ganham acima do  teto receberão o  ABONO em duas parcelas nas seguintes condições:  Até  04  de  Dezembro/2009  :  valor  fixo  de  R$  387,18  (trezentos e oitenta e sete reais e dezoito centavos)  Até  18  de  Dezembro/2009  :valor  fixo  de  R$  387,18  (trezentos e oitenta e sete reais e dezoito centavos)  Parágrafo  único:  Estes  abonos  são  devidos  apenas  aos  empregados  com  contrato  de  trabalho  vigente  em  31  de  Outubro de 2009 e que estejam trabalhando na empresa na  época de seus pagamentos.  CONVENÇÃO  COLETIVA  DE  TRABALHO  2011/2013  CLÁUSULA 2 ­ ABONO PECUNIÁRIO  As  empresas  concederão,  em  caráter  especial  e  eventual,  aos  empregados  um  ABONO  PECUNIÁRIO  ESPECIAL,  totalmente  desvinculado  do  salário,  equivalente  a  26%  (vinte  seis  por  cento)  do  salário  base  vigente  em  31  de  Outubro  de  2011,  em  duas  parcelas  de  13%  (treze  por  cento) cada, a serem pagas, a primeira até 02 de dezembro  de  2011  e  a  segunda  até  16  de  dezembro  de  2011,  aplicados até o teto salarial de R$ 6.000,00 (seis mil reais).  1 ­ Os empregados que ganham acima do teto receberão o  ABONO em duas parcelas nas seguintes condições:  •  Até  02  de  dezembro  de  2011:  valor  fixo  de  R$  780,00  (setecentos e oitenta reais).  •  Até  16  de  dezembro  de  2011:  valor  fixo  de  R$  780.00  (setecentos e oitenta reais).  Parágrafo  único:  Estes  abonos  são  devidos  apenas  aos  empregados  com  contrato  de  trabalho  vigente  em  31  de  Outubro de 2011 e que estejam trabalhando na empresa na  época de seus pagamentos.    Veja­se  que  os  pagamentos  foram  feitos  em  duas  parcelas  no  ano,  e  com  vinculação  ao  salário  (porcentagem do  salário)  condições  estas  impostas  também  na  cláusula  na  convenção  coletiva 2011/2013.    Ademais, se considerarmos que em todo o período de 2008  a 2013 o abono especial foi pago em continuidade, não há que se  falar em eventualidade pois já se incorporaram a expectativa do  trabalhador em receber tal verba.    Como  é  cediço  os  ganhos  habituais  integram  a  remuneração do segurado empregado, a teor do artigo 201, § 11  da Constituição Federal, verbis:  [...]    O que é determinante para caracterizar a habitualidade é o  conhecimento  prévio  de  que  os  valores  serão  concedidos,  ou  seja, uma vez que se torna uma prática constante, como no caso  do  abono  especial,  existe  a  expectativa  do  empregado  no  Fl. 1528DF CARF MF Processo nº 10860.721948/2013­59  Acórdão n.º 2401­004.511  S2­C4T1  Fl. 1.510          39  recebimento  destes  valores.  Essa  previsão  retira  o  caráter  de  eventualidade,  constituindo  tais  valores  em  base  de  cálculo  de  contribuição previdenciária.    Dessa  forma,  o  lançamento  das  contribuições  incidentes  sobre  o  abono  pecuniário  especial  deve  ser  mantido  nos  seus  exatos termos.  [...]"  Nesse  sentido,  não  se  cogita  da  exclusão  dos  levantamentos  relativos  as  verbas sub examine posteriormente ao advento do Decreto nº 3.265/99, uma vez que o fiscal  autuante, bem como autoridade recorrida, em posterior análise do processo, agiram da melhor  forma,  com  estrita  observância  à  legislação  de  regência,  especialmente  ao  artigo  214,  §  9º,  alínea “j”, do RPS.  DO GRUPO ECONÔMICO DE FATO  De conformidade com os elementos que instruem os autos, no entendimento  da  fiscalização,  ficou  constatada  a  existência  de  grupo  econômico  de  fato  entre  a  autuada  (Globo Central de Usinagem Ltda.) e a empresa Globo Equipamentos Industriais, diante  da  manutenção  de  direção,  controle  ou  administração  comum  nas  empresas,  vinculando­se  umas  às  outras,  as  quais  respondem  solidariamente  pelo  presente  crédito  previdenciário,  nos  termos legislação tributária, conforme restou consignado no Relatório Fiscal.  Irresignada, a autuada ofertou recurso voluntário, repisando as razões de fato  e  de  direito  arguidas  em  sede  de  impungnação,  suscitando,  ainda,  a  impossibilidade  da  atribuição da responsabilidade solidária àquelas contribuintes.  A corroborar sua tese, defende que não há comprovação documental de que  há confusão patrimonial entre as sociedades empresárias, de maneira a ensejar a solidariedade  imputada  pela  fiscalização,  notadamente  quando  a  Recorrente  não  se  submete  ou  exerce  qualquer controle e administração sobre as demais empresas,  inclusive, no que diz  respeito a  condução  das  atividades  destas,  não  havendo  entre  elas  relação  de  dependência,  mas  simplesmente transações negociais entre tais pessoas jurídicas.  Quanto  à  caracterização  do  grupo  econômico  procedida  pela  fiscalização,  com  a  respectiva  atribuição  de  responsabilidade  pelo  crédito  tributário  ora  lançado  a  todas  empresas integrantes daquele grupo, melhor sorte não está reservada às contribuintes.  Conforme restou devidamente demonstrado no Relatório Fiscal da Autuação  e,  bem  assim,  na  decisão  recorrida,  as  empresas  ali  arroladas  fazem  parte  efetivamente  de  Grupo  Econômico  de  fato,  respondendo  solidariamente  pelo  crédito  previdenciário  que  se  contesta.  Como  é  de  conhecimento  daqueles  que  lidam  com  o  direito  tributário,  a  solidariedade previdenciária/tributária é legal e obriga os sujeitos passivos do fato gerador da  contribuição  da  seguridade  social,  desde  que  suas  regras  sejam  corretamente  aplicadas  e  o  procedimento fiscal regularmente conduzido.  Nesse  sentido,  os  artigos  121,  124  e  128  do  Código  Tributário  Nacional,  assim prescrevem:  Fl. 1529DF CARF MF     40  “ Art.  121  ­  Sujeito  passivo  da  obrigação principal  é  a  pessoa  obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária.  Parágrafo Único ­ O sujeito passivo da obrigação principal diz­ se:  I  ­  contribuinte,  quando  tenha  relação  pessoal  e  direita  com  a  situação que constitua o respectivo fato gerador;  II  ­  responsável,  quando,  sem  revestir  a  condição  de  contribuinte,  sua  obrigação  decorra  de  disposição  expressa  de  lei.  Art.124 ­ São solidariamente obrigadas:  I  ­  as  pessoas  que  tenham  interesse  comum  na  situação  que  constitua o fato gerador da obrigação principal;  II ­ as pessoas expressamente designadas por lei.  Parágrafo  Único  ­  A  solidariedade  referida  neste  artigo  não  comporta benefício de ordem.  Art.128  ­  Sem  prejuízo  do  disposto  neste  capítulo,  a  lei  pode  atribuir  de  modo  expresso  a  responsabilidade  pelo  crédito  tributário  a  terceira  pessoa,  vinculada  ao  fato  gerador  da  respectiva  obrigação,  excluindo  a  responsabilidade  do  contribuinte  ou  atribuindo­a  este  em  caráter  supletivo  do  cumprimento total ou parcial da referida obrigação.”  Por sua vez, a Lei nº 6.404/76, igualmente, oferece proteção ao entendimento  da autoridade fiscal, ao conceituar Grupo Econômico em seus artigos 265 e 267, nos seguintes  termos:  “ Art. 265 ­ A sociedade controladora e suas controladas podem  constituir,  nos  termos  deste  Capítulo,  grupo  de  sociedades,  mediante convenção pela qual se obriguem a combinar recursos  ou  esforços  para  a  realização  dos  respectivos  objetos,  ou  a  participar de atividades ou empreendimentos comuns.  § 1º ­ A sociedade controladora, ou de comando do grupo, deve  ser  brasileira,  e  exercer,  direta  ou  indiretamente,  e  de  modo  permanente, o controle das sociedades  filiadas, como  titular de  direitos  de  sócio  ou  acionista,  ou mediante  acordo  com  outros  sócios ou acionistas.  §  2º  ­  A  participação  recíproca  das  sociedades  do  grupo  obedecerá ao disposto no artigo 244.  Art.  267  ­  O  grupo  de  sociedades  terá  designação  de  que  constarão as palavras "grupo de sociedades" ou "grupo".  Parágrafo  Único  ­  Somente  os  grupos  organizados  de  acordo  com  este  Capítulo  poderão  usar  designação  com  as  palavras  "grupo" ou "grupo de sociedade".”  Em outra via, o § 2º, do artigo 2º da CLT, ao tratar da matéria, estabelece o  seguinte:  Fl. 1530DF CARF MF Processo nº 10860.721948/2013­59  Acórdão n.º 2401­004.511  S2­C4T1  Fl. 1.511          41  “Art.  2º  Considera­se  empregador  a  empresa  individual  ou  coletiva,  que,  assumindo  os  riscos  de  atividade  econômica,  admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviços.  § 1º [...]  §  2º  Sempre  que  uma  ou mais  empresas,  tendo,  embora,  cada  uma  delas,  personalidade  jurídica  própria,  estiverem  sob  a  direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo  industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica,  serão,  para  os  efeitos  da  relação  de  emprego,  solidariamente  responsáveis  a  empresa  principal  e  cada  uma  das  subordinadas.”  Com mais especificidade, em relação aos procedimentos a serem observados  pelos Auditores fiscais da RFB ao promoverem o lançamento, notadamente quando tratar­se de  caracterização  de  Grupo  Econômico,  o  artigo  30,  inciso  IX,  da  Lei  nº  8.212/91,  não  deixa  dúvida quanto a matéria posta nos autos, recomendando a manutenção do feito, in verbis:  “ Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou  de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às  seguintes normas:  [...]  IX  ­  as  empresas  que  integram  grupo  econômico  de  qualquer  natureza  respondem  entre  si,  solidariamente,  pelas  obrigações  decorrentes desta lei;”  No presente caso, ao contrário do entendimento da recorrente, inúmeros fatos  levaram à fiscalização a concluir pela existência de Grupo Econômico de fato, conforme restou  registrado no Relatório da Autuação Fiscal, corroborado pela decisão recorrida.  Em  suma,  extrai­se  dos  autos  que  a  gestão  administrativa  das  empresas  é  centralizada  no mesmo  endereço,  existindo  uma  verdadeira  confusão  contábil  e  patrimonial,  bem como identidade do quadro societário, além das próprias  informações constantes do site  www.globousinagem.com.br, ratificando o entendimento da fiscalização.  Dessa forma, resta claro que as empresas do Grupo Econômico de fato têm,  efetivamente, interesse comum no fato gerador dos tributos ora exigidos, na forma estipulada  no  artigo  124,  inciso  I,  do  CTN,  impondo  a manutenção  do  feito  em  sua  plenitude,  não  se  cogitando em ilegalidade e/ou irregularidade na atuação fiscal.  DA MULTA QUALIFICADA  Consoante  acima  explicitado,  ao  constituir  o  crédito  tributário,  o  fiscal  autuante  aplicou  a  multa  qualificada  inscrita  no  artigo  44,  §  1º,  da  Lei  nº  9.430/96,  por  considerar que a contribuinte agiu de forma reiteradamente fraudulenta, ao adotar a conduta de  utilização  de  empresas  interpostas  na  contratação  de  seus  empregados,  bem  como  praticou  sonegação de contribuições previdenciárias, conduta esta que é trata nos arts. 71 e 72 da Lei nº  4.502/1964;  Em suas razões recursais, aduz a contribuinte que a Fiscalização não se deu  ao  trabalho  de  identificar,  taxativamente,  além  de  comprovar,  a  conduta  da  Recorrente  nas  Fl. 1531DF CARF MF     42  situações  descritas  pelos  dispositivos  legais  utilizados  para  fundamentação  do  Auto  de  Infração,  não  havendo  se  falar  em  aludida  penalidade,  mesmo  porque  não  se  comprovou  o  evidente intuito doloso ou mesmo a ocorrência simultânea de sonegação, fraude e conluio por  parte da autuada, capaz de justificar referida imputação, ao contrário do assentado no Relatório  Fiscal.  No  âmbito  das  contribuições  previdenciárias,  anteriormente  administradas  pela Secretaria da Receita Previdenciária, na maioria dos casos inexistia o devido cuidado em  caracterizar a conduta dolosa do contribuinte para efeito de comprovação dos crimes fiscais do  dolo, fraude ou simulação. A fiscalização tão somente informava à notificada da existência de  Representação Fiscal para Fins Penais quando da lavratura da notificação fiscal.  Isto porque, além de inexistir multa de ofício qualificada, àquela época, vigia  o  artigo  45  da  Lei  nº  8.212/91,  o  qual  contemplava  o  prazo  decadencial  de  10  (dez)  anos,  independentemente  de  antecipação  de  pagamento  e/ou  ocorrência  de  dolo,  fraude  ou  simulação.  Após a unificação das Secretarias das Receitas Previdenciária e Federal, em  Receita Federal  do Brasil  (“Super Receita”),  as  contribuições previdenciárias passaram a  ser  administradas  pela  RFB  que,  em  curto  lapso  temporal,  compatibilizou  os  procedimentos  fiscalizatórios  e,  por  conseguinte,  de  constituição  de  créditos  tributários,  estabelecendo,  igualmente, para os tributos em epígrafe multas de ofício a serem aplicadas em observância à  Lei n° 9.430/1996, conforme alterações na legislação introduzidas pela Lei nº 11.941/2009.  Diante desses  fatos, com a declaração da  inconstitucionalidade do artigo 45  da Lei nº 8.212/91, associada com os novos procedimentos adotados pela RFB e a transferência  de  competência  para  julgamento  das  contribuições  previdenciárias  do  CRPS  para  o  CARF,  passou  a  ser  de  extrema  importância  a  comprovação  da  ocorrência  de  dolo,  fraude  ou  simulação,  para  efeito  de  aplicação  do  prazo  decadencial,  do  artigo  150,  §  4,  ou  artigo  173,  inciso I, do CTN.  Na esteira desse raciocínio, antes mesmo de se adentrar ao mérito da questão,  cumpre trazer à baila os dispositivos legais que atualmente regulamentam a matéria, que assim  prescrevem:  “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as  seguintes multas:  I  ­  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata;  [...]  § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste  artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da  Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de  outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.  Por sua vez, os artigos 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/64, ao contemplarem as  figuras do “dolo, fraude ou sonegação”, estabelecem o que segue:  “Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a  impedir ou retardar,  total ou parcialmente, o conhecimento por  parte da autoridade fazendária:   Fl. 1532DF CARF MF Processo nº 10860.721948/2013­59  Acórdão n.º 2401­004.511  S2­C4T1  Fl. 1.512          43  I  ­  da  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal, sua natureza ou circunstâncias materiais;   II ­ das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar  a  obrigação  tributária  principal  ou  o  crédito  tributário  correspondente.   Art  .  72.  Fraude  é  toda  ação  ou  omissão  dolosa  tendente  a  impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal,  ou  a  excluir  ou  modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o  montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento.   Art  . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas  naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos  arts. 71 e 72.”  Consoante  se  infere  dos  dispositivos  legais  acima  transcritos,  impõe­se  à  autoridade lançadora a observância dos parâmetros e condições básicas previstas na legislação  de regência em casos de  imputação da multa qualificada (in casu, exclusivamente do crime),  que somente poderá ser  levada a efeito quando àquela estiver convencida do cometimento do  crime  (dolo,  fraude  ou  simulação),  devendo,  ainda,  relatar  todos  os  fatos  de  forma  pormenorizada, possibilitando ao contribuinte a devida análise da conduta que lhe está sendo  atribuída e, bem assim, ao procurador de que o delito fora efetivamente praticado.  Em outras palavras, não basta à indicação da conduta dolosa, fraudulenta ou  simulatória, a partir de meras presunções e/ou subjetividades, impondo a devida comprovação  por  parte  da  autoridade  fiscal  da  intenção  pré­determinada  do  contribuinte,  demonstrada  de  modo  concreto,  sem  deixar  margem  a  qualquer  dúvida,  visando  impedir/retardar  o  recolhimento do tributo devido.  Este  entendimento,  aliás,  encontra­se  sedimentado  no  âmbito  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  –  CARF,  conforme  se  extrai  dos  julgados  com  suas  ementas abaixo transcritas:  “MULTA AGRAVADA – Fraude – Não pode  ser presumida ou  alicerçada  em  indícios.  A  penalidade  qualificada  somente  é  admissível  quando  factualmente  constatada  as  hipóteses  de  fraude,  dolo  ou  simulação.”  (8ª  Câmara  do  1°  Conselho  de  Contribuintes – Acórdão n° 108­07.561, Sessão de 16/10/2003)  (grifamos)  “ MULTA QUALIFICADA  – NÃO CARACTERIZAÇÃO  –  Não  tendo sido comprovada de forma objetiva o resultado do dolo, da  fraude  ou  da  simulação,  descabe  a  qualificação  da  penalidade  de  ofício  agravada.”  (2ª  Câmara  do  1°  Conselho  de  Contribuintes – Acórdão n° 102­45.625, Sessão de 21/08/2002)  “MULTA DE OFÍCIO – AGRAVAMENTO – APLICABILIDADE  – REDUÇÃO DO PERCENTUAL – Somente deve ser aplicada a  multa  agravada  quando  presentes  os  fatos  caracterizadores  de  evidente intuito de fraude, como definido nos artigos 71 a 73 da  Lei n° 4.502/64, fazendo­se a sua redução ao percentual normal  de 75%, para os demais casos, especialmente quando se referem  Fl. 1533DF CARF MF     44  à  infrações  apuradas  por  presunção.”  (8ª  Câmara  do  1°  Conselho de Contribuintes – Acórdão n° 108­07.356, Sessão de  16/04/2003) (grifamos)  Em  decorrência  da  jurisprudência  uníssona  nesse  sentido,  o  então  1º  Conselho de Contribuintes consagrou de uma vez por todas o entendimento acima alinhavado,  editando a Súmula nº 14, determinando que:   “ Súmula 1ºCC nº 14: A simples apuração de omissão de receita  ou  de  rendimentos,  por  si  só,  não  autoriza  a  qualificação  da  multa  de  ofício,  sendo  necessária  a  comprovação  do  evidente  intuito de fraude do sujeito passivo.”  Assim,  impende  analisar  os  autos  detidamente  de  maneira  a  elucidar  se  o  fiscal autuante logrou comprovar que a contribuinte agiu com dolo, com o intuito de fraudar ou  simular a hipótese de incidência da obrigação tributária.  Com efeito, cabe à autoridade lançadora demonstrar de forma pormenorizada  suas razões no sentido de que a contribuinte agiu com dolo, fraude ou simulação, para efeito da  conclusão/comprovação do crime arquitetado pela autuada.  Na hipótese vertente,  o  ilustre  fiscal  autuante  escorou  a aplicação da multa  qualificada nos seguintes termos constantes do Relatório Fiscal, item 9, in verbis:  "[...]    Como  base  nas  informações  e/ou  documentos  informados  exaustivamente no  item 3 deste Relatório Fiscal  ­ REFISC,  fica  evidente que buscando a extinção/redução dos tributos devidos à  Fazenda  Nacional,  o  sujeito  passivo  (GLOBO  CENTRAL)  omitiu,  reiteradamente,  ser  o  empregador/contratante  DE  FATO  dos  segurados  empregados  que  efetivamente  lhe  prestavam  serviços  mas  estavam  formalmente  registrados  ou  vinculados  em  empresa  diversa  (GLOBO  EQUIPAMENTOS  ­  SOLIDÁRIA),  visando  usufruir  artificial  e  indevidamente  dos  benefícios  do  regime  de  tributação  do  Simples  Nacional  desta  última,  ocultando,  desta  forma,  o  efetivo  valor  da  obrigação  tributária principal  e  impedindo o  conhecimento da ocorrência  dos fatos geradores, evidencia a intenção dolosa da empresa no  cometimento  da  infração  e  implica  qualificação  da  multa  de  ofício, aplicada com base no §1º do art. 44 da Lei n° 9.430/96  c/c art. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30/11/1964. [...]”  Como se observa, da leitura do excerto do Relatório Fiscal acima transcrito,  não  podemos  afirmar  com  a  segurança  que  o  caso  exige  ter  a  contribuinte  agido  com  dolo  objetivando suprimir tributos, mesmo porque não houve um aprofundamento do fiscal autuante  a  este  respeito,  de  maneira  a  proceder  à  subsunção  do  fato  (conduta  da  empresa)  à  norma  (tipificação penal).  Em verdade, a fiscalização fez uma verdadeira remissão ao mérito da própria  demanda,  relativamente  à  contratação  de  empresas  para  prestar  serviços  com  natureza  da  relação  empregatícia,  não  declinando  precisamente  qual  teria  sido  a  conduta  dolosa  da  contribuinte no sentido de suprimir tributos e/ou mascarar o seu fato gerador.  Com efeito, o fato de constar do Relatório Fiscal da Autuação as razões que  levaram  à  fiscalização  a  desconsiderar  a  personalidade  jurídica  das  empresas  prestadoras  de  Fl. 1534DF CARF MF Processo nº 10860.721948/2013­59  Acórdão n.º 2401­004.511  S2­C4T1  Fl. 1.513          45  serviços,  caracterizando  os  respectivos  sócios  como  segurados  empregados  da  autuada  não  suprime  o  dever  legal  do  fisco  de  justificar  e  comprovar  o  crime  a  ser  imputado  ao  contribuinte.  A  Egrégia  Segunda  Turma  da  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais,  adotando o mesmo entendimento encimado, já se manifestou a propósito da matéria em caso da  mesma natureza, nos seguintes termos:  “[...]  NORMAS  GERAIS  DE  DIREITO  TRIBUTÁRIO.  DOLO,  FRAUDE  OU  SIMULAÇÃO.  NÃO  OCORRÊNCIA.  SIMPLES  DESCONSIDERAÇÃO DE VÍNCULO PACTUADO ­ PESSOAS  JURÍDICAS  E  CARACTERIZAÇÃO  DE  SEGURADOS  EMPREGADOS.  A  simples  procedência  de  notificação  fiscal,  estribada  na  desconsideração  de  personalidade  jurídica  das  empresas  prestadoras  de  serviços,  com  a  consequente  caracterização  de  segurados  empregados,  sem  que  haja  uma  perfeita demonstração da conduta do contribuinte com o fito de  sonegar  tributos,  não  é  capaz  de  comprovar  a  ocorrência  de  dolo,  fraude  ou  simulação  de  maneira  a  deslocar  o  prazo  decadencial do artigo 150, § 4°, para o artigo 173, inciso I, do  Código  Tributário  Nacional.  Ademais,  o  artigo  229,  §  2º,  do  Regulamento da Previdência Social­RPS, aprovado pelo Decreto  nº  3.048/99,  o  qual  oferece  guarida  a  aludido  procedimento,  exige  tão  somente  a  demonstração  da  existência  dos  requisitos  do vínculo laboral para que seja procedente o lançamento, nada  dissertando a respeito da simulação, que poderá ou não vir a ser  demonstrada,  não  implicando,  necessariamente,  que  um  fato  conduz a outro, sem que ocorra um aprofundamento em relação  à  imputação  do  crime  fiscal.”  (Acórdão  n°  9202­01.127  –  Processo n° 16095.000604/2007­69, Sessão de 19/10/2010)  Não bastasse isso, no presente caso, o que torna ainda mais digno de realce é  que  a  própria  Lei  n°  11.196/2005  contempla  a  possibilidade  de  prestação  de  serviços  de  natureza  intelectual  mediante  pessoa  jurídica.  Assim,  independentemente  da  comprovação  efetiva da prestação de serviços nesta modalidade, é certo que a própria legislação de regência  possibilita inúmeras interpretações quanto à forma de contratação de prestadores de serviços.  Neste  sentido,  a  mera  interpretação  equivocada  da  contribuinte  quanto  a  aplicabilidade da norma legal, não pode ensejar a aplicação de multa qualificada, arrimada em  crime  de  sonegação  fiscal,  sem  que  a  fiscalização  se  aprofunde  na  matéria,  demonstrando  cabalmente  a  conduta  dolosa  da  empresa  com maiores  elementos  e  esclarecimentos,  não  se  prestando  para  tanto  a  justificativa  da  desconsideração  da  personalidade  jurídica  daquelas  prestadoras de serviços.  Partindo  dessa  premissa,  o  simples  fato  da  pretensa  procedência  do  lançamento  em  relação  ao  mérito,  legitimando  a  desconsideração  procedida  pela  autoridade  lançadora,  a  partir  da  comprovação  dos  requisitos  do  vínculo  laboral,  não  implica  dizer  necessariamente que a contribuinte cometeu o CRIME de simulação e/ou sonegação. Mesmo  porque o  dispositivo  legal  que  contempla  tal  procedimento,  qual  seja,  o  artigo  229,  §  2º,  do  Regulamento  da  Previdência  Social­RPS,  aprovado  pelo  Decreto  nº  3.048/99,  exige  Fl. 1535DF CARF MF     46  exclusivamente  a  comprovação  dos  pressupostos  da  relação  empregatícia,  inscritos  no  artigo  12, inciso I, alínea “a” da Lei nº 8.212/91. Nada menciona sobre dolo, fraude ou simulação.  Nesse sentido, a análise fática de casos dessa natureza impõe primeiramente e  necessariamente  a  verificação  da  demonstração  da  existência  de  tais  requisitos  (do  vínculo  empregatício), o que não ocorre quanto à simulação, que poderá vir elucidada/comprovada ou  não.  Dessa  forma,  repita­se, o  fato de se considerar procedente o  lançamento, se  for o caso, estribado na desconsideração da personalidade jurídica e consequente caracterização  de segurados empregados, não quer dizer necessariamente que há o crime de simulação, dolo  ou  fraude  comprovados.  Impõe­se,  assim,  um  aprofundamento  maior  no  tema  por  parte  do  fiscal autuante ao pretender  imputar  tais crimes ao contribuinte, de forma a comprovar, além  dos pressupostos do vínculo laboral, a conduta criminosa da autuada.  No  caso  sob  análise,  não  vislumbramos  a  demonstração  da  ocorrência  do  CRIME de simulação, com a segurança que o caso exige.  Pretender  vincular  uma  conduta  a  outra  (desconsideração  de  personalidade  jurídica  com  a  caracterização  de  segurados  empregados  e  crime  de  simulação)  implicará  considerar a existência de simulação em todo lançamento julgado procedente, em que houver  referido  procedimento,  olvidando­se  que  o  fundamento  legal  que  o  justifica  nada  fala  sobre  simulação, não exigindo a sua comprovação para justificá­lo.  A  rigor,  podemos  traçar  um  paralelo  entre  essa  situação  com  a  simples  constatação de omissão de receitas/rendimentos, em que a Sumula nº 14 do Primeiro Conselho  de Contribuintes  já  firmou  o  entendimento  que,  isoladamente,  não  se  presta  a  caracterizar  a  conduta dolosa do contribuinte.  Em  outras  palavras,  tal  qual  no  caso  de  simples  omissão  de  receitas/rendimentos, a simples demonstração da existência dos pressupostos da relação laboral  entre  os  prestadores  de  serviços  e  a  contribuinte,  ainda  que  a  partir  da  desconsideração  do  vínculo pactuado e da personalidade jurídica de empresas, por si só, não é capaz de comprovar  a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, como se vislumbra na hipótese dos autos.  Não  fosse  assim,  teríamos  que  considerar  automaticamente  dolosa,  fraudulenta ou simulatória a conduta do contribuinte toda vez que houver a caracterização de  prestadores de serviços como segurados empregados, o que, em nosso entender, não representa  a  intenção  do  legislador  ao  impor  a  comprovação  daquelas  condutas  para  efeito  da  demonstração do crime.  DOS  DESCUMPRIMENTOS  DE  OBRIGAÇÕES  ACESSÓRIAS  ­  Debcad nº 37.282.265­7  Como  se  verifica  dos  autos  do  processo,  em  decorrência  da  mesma  ação  fiscal,  fora  lavrado em face da contribuinte o Auto de  Infração Debcad nº 37.282.265­7 por  descumprimento de obrigação acessória.  Trata­se de autuação por infração ao disposto no artigo 32, inciso IV, § 5º, da  Lei  nº  8.212/91,  por  ter  o  contribuinte  apresentado  Guia  de  Recolhimento  do  Fundo  de  Garantia e Informações a Previdência Social ­GFIP, com dados não correspondentes a todos os  fatos  geradores  de  contribuições  previdenciárias,  conforme  consta  do  relatório  fiscal  da  infração, fls. 82/83.  Fl. 1536DF CARF MF Processo nº 10860.721948/2013­59  Acórdão n.º 2401­004.511  S2­C4T1  Fl. 1.514          47  Neste  sentido,  uma  vez  que  o  recurso  voluntário  da  autuada  simplesmente  repisa  as  alegações  de  fato  e de  direito  suscitadas  em  sede de  impugnação,  peço  vênia  para  transcrever excerto da decisão recorrida a respeito dos temas, in verbis:  “[...]    Argumenta ainda o impugnante que a multa no valor de R$  188.911,80,  referente  ao  Debcad  nº  37.282.265­7,  deve  ser  afastada, pois não deixou de atender a fiscalização e apresentou  toda a documentação que possuía, além de que as  informações  dos funcionários não poderiam ser enviadas pela Globo Central  de  Usinagem  uma  vez  que  laboravam  no  quadro  da  Globo  Equipamentos.    Contudo,  como  já  analisado  no  corpo  deste  Voto,  restou  confirmada  a  existência  dos  fatos  geradores  de  contribuições  previdenciárias,  quais  sejam,  pagamentos  a  segurados  empregados e contribuintes individuais que prestaram serviços a  autuada mas  que  formalmente  estavam  registrados  na  empresa  Globo Equipamentos,  corroborando­se  o  quanto  afirmado  pela  fiscalização:  a empresa GLOBO EQUIPAMENTOS (optante pelo SIMPLES)  foi  utilizada,  exclusivamente,  para  registrar  em  seu  nome  os  empregados  da GLOBO CENTRAL,  deixando  de  reconhecer  indevidamente  as  contribuições  sociais  sobre  as  remunerações  dos segurados, a cargo do empregador.   Dessa forma, constatado que houve apresentação de GFIP com  dados não correspondentes aos fatos geradores de contribuições  previdenciárias, a multa deve ser mantida nas competências 01 a  11/2008, de acordo com o prescrito no artigo 32, inciso IV, § 5°  da Lei nº 8.212/91, verbis:  Art. 32. A empresa também é obrigada a:  (...)  IV  ­  informar  mensalmente  ao  Instituto  Nacional  do  Seguro  Social­INSS,  por  intermédio  de  documento  a  ser  definido  em  regulamento,  dados  relacionados  aos  fatos  geradores  de  contribuição previdenciária e outras informações de interesse do  INSS (...)  §  5º  A  apresentação  do  documento  com  dados  não  correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena  administrativa  correspondente  à  multa  de  cem  por  cento  do  valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos  valores previstos no parágrafo anterior. grifei"  Verifica­se  que,  de  acordo  com  o  Relatório  Fiscal,  a  recorrente  não  apresentou  a  documentação  e/ou  informações  exigidas  pela  fiscalização  na  forma  que  determina a  legislação previdenciária,  incorrendo na  infração prevista nos dispositivos  legais  supracitados, o que ensejou a aplicação da multa, nos termos do Regulamento da Previdência  Fl. 1537DF CARF MF     48  Social, como procedeu, corretamente, a fiscal autuante, não se cogitando em improcedência do  lançamento como pretende a recorrente.  Como se observa, em suas razões recursais, pretende a contribuinte a reforma  do  Acórdão  recorrido,  o  qual  manteve  a  exigência  fiscal  em  sua  plenitude,  suscitando,  sinteticamente,  questões  relativas  à  autuação  fiscal  por  descumprimento  de  obrigações  principais lançada neste mesmo procedimento, sobretudo insurgindo­se contra o procedimento  eleito  pela  autoridade  fiscal  ao  proceder  àquele  lançamento,  a  partir  da  desconsideração  da  personalidade  jurídica das  empresas prestadoras de  serviços,  com a  respectiva  caracterização  de  seus  funcionários  e  sócios  como  segurados  empregados  e  contribuintes  individuais  da  contratante.  Constata­se,  assim,  que  muito  embora  se  tratar  de  autuação  face  à  inobservância  de  obrigações  acessórias,  os  argumentos  da  recorrente  dizem  respeito  basicamente a obrigações principais, o que por si só seria capaz de ensejar o não conhecimento  do  recurso  voluntário,  por  trazer  em  seu  bojo  questões  estranhas  ao  auto  de  infração  sob  análise.  Com efeito, a contribuinte faz uma verdadeira confusão ao tratar da questão,  trazendo à colação argumentos relativos à constituição de créditos previdenciários decorrentes  do descumprimento de obrigações principais.  Consoante  se  positiva  do  artigo  113  do  Código  Tributário  Nacional,  as  obrigações  tributárias  são  divididas  em  duas  espécies,  principal  e  acessória.  A  primeira  diz  respeito à ocorrência do fato gerador do tributo em si, por exemplo, recolher ou não o tributo  propriamente dito, extinguindo juntamente com o crédito decorrente.  Por outro lado, a obrigação acessória, relaciona­se às prestações positivas ou  negativas,  constantes  da  legislação  regência  de  interesse  da  arrecadação  ou  fiscalização  tributária, sendo exemplo de seu descumprimento a contribuinte deixar de informar em GFIP  os fatos geradores de todas contribuições previdenciárias, situação que se amolda ao caso sub  examine.  Entrementes, como o auto de infração fora lavrado em razão de a contribuinte  ter  deixado  de  informar  em  GFIP’s  a  totalidade  das  remunerações  dos  funcionários  das  empresas  prestadoras  de  serviços,  que  tiveram  a  personalidade  jurídica  desconsiderada,  caracterizados  como  segurados  empregados  e  contribuintes  individuais  da  recorrente,  cujas  contribuições  previdenciárias  obrigação  principal  foram  lançadas  nos  AI's  pertinentes,  onde  ocorrera  a  explicitação  de  todo  procedimento  eleito  pela  fiscalização  ao  promover  o  lançamento,  impõe­se adotar a decisão levada a efeito naquele processo, diante da relação de  causa e efeito que os vincula.  Na  esteira  desse  entendimento,  uma  vez  mantida  a  exigência  fiscal  consubstanciada no procedimento de desconsideração da personalidade  jurídica das empresas  prestadoras de serviços, com a respectiva caracterização dos seus funcionárias como segurados  empregados  e  contribuintes  individuais,  cujas  remunerações  não  foram  informadas  pela  contribuinte/autuada em GFIP's, razão da presente autuação, aludida decisão deve, igualmente,  ser adotada neste julgamento, mantendo­se, por conseguinte, a penalidade, na linha do decidido  no processo principal.  DA  APRECIAÇÃO  DE  QUESTÕES  DE  INCONSTITUCIONALIDADES/ILEGALIDADES  NA  ESFERA  ADMINISTRATIVA.  Fl. 1538DF CARF MF Processo nº 10860.721948/2013­59  Acórdão n.º 2401­004.511  S2­C4T1  Fl. 1.515          49  Relativamente  às  questões  de  inconstitucionalidades  arguidas  pela  contribuinte, além dos procedimentos adotados pela fiscalização, bem como a multa e juros ora  exigida encontrarem respaldo na legislação previdenciária, cumpre esclarecer, no que tange a  declaração de ilegalidade ou inconstitucionalidade, que não compete aos órgãos julgadores da  Administração Pública exercer o controle de constitucionalidade de normas legais.  Note­se,  que  o  escopo  do  processo  administrativo  fiscal  é  verificar  a  regularidade/legalidade  do  lançamento  à  vista  da  legislação  de  regência,  e  não  das  normas  vigentes  frente  à  Constituição  Federal.  Essa  tarefa  é  de  competência  privativa  do  Poder  Judiciário.  A  própria  Portaria MF  nº  353/2015,  que  aprovou  o  Regimento  Interno  do  Conselho Administrativo  de  Recursos  Fiscais  ­  CARF,  é  por  demais  enfática  neste  sentido,  impossibilitando o afastamento de leis, decretos, atos normativos, dentre outros, a pretexto de  inconstitucionalidade ou ilegalidade, nos seguintes termos:  “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do  CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento  de  inconstitucionalidade.  §  1º  O  disposto  no  caput  não  se  aplica  aos  casos  de  tratado,  acordo internacional, lei ou ato normativo:  I  ­  que  já  tenha  sido  declarado  inconstitucional  por  decisão  definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;  II ­ que fundamente crédito tributário objeto de:  a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos  do art. 103­A da Constituição Federal;  b)  Decisão  definitiva  do  Supremo  Tribunal  Federal  ou  do  Superior  Tribunal  de  Justiça,  em  sede  de  julgamento  realizado  nos termos dos arts. 543­B e 543­C da Lei nº 5.869, de 1973, ou  dos arts.  1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015  ­ Código de  Processo  Civil,  na  forma  disciplinada  pela  Administração  Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016)  c)  Dispensa  legal  de  constituição  ou  Ato  Declaratório  da  Procuradoria­Geral  da  Fazenda  Nacional  (PGFN)  aprovado  pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos  termos dos arts. 18 e  19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002;  d)  Parecer  do  Advogado­Geral  da  União  aprovado  pelo  Presidente  da  República,  nos  termos  dos  arts.  40  e  41  da  Lei  Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e  e) Súmula da Advocacia­Geral da União, nos termos do art. 43  da  Lei  Complementar  nº  73,  de  1993.  (Redação  dada  pela  Portaria MF nº 39, de 2016)  § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo  Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria  infraconstitucional,  na  sistemática  dos  arts.  543­B  e  543­C  da  Fl. 1539DF CARF MF     50  Lei  nº  5.869,  de  1973,  ou  dos  arts.  1.036  a  1.041  da  Lei  nº  13.105,  de  2015  ­  Código  de  Processo  Civil,  deverão  ser  reproduzidas pelos conselheiros no  julgamento dos recursos no  âmbito do CARF.  (Redação dada pela Portaria MF nº  152,  de  2016)”  Observe­se, que somente nas hipóteses contempladas nos parágrafos e incisos  do dispositivo regimental encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência, o  que não se vislumbra no presente caso.  A corroborar esse entendimento, a Súmula CARF nº 02, assim estabelece:  “O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de lei tributária.”  E,  segundo  o  artigo  72,  e  parágrafos,  do  Regimento  Interno  do  CARF,  as  Súmulas, que são o resultado de decisões unânimes, reiteradas e uniformes, serão de aplicação  obrigatória por este Conselho.  Finalmente, o artigo 102, I, “a” da Constituição Federal, não deixa dúvida a  propósito da discussão sobre  inconstitucionalidade, que deve ser debatida na esfera do Poder  Judiciário, senão vejamos:  “Art.  102.  Compete  ao  Supremo  Tribunal  Federal,  precipuamente, a guarda da Constituição, cabendo­lhe:  I – processar e julgar, originariamente:  a)  a  ação  direta  de  inconstitucionalidade  de  Lei  ou  ato  normativo  federal  ou  estadual  e  a  ação  declaratória  de  constitucionalidade de Lei ou ato normativo federal;  [...]”  Dessa forma, não há como se acolher a pretensão da contribuinte, também em  relação à ilegalidade e inconstitucionalidade de normas ou atos normativos que fundamentaram  o presente lançamento.  No  que  tange  a  jurisprudência  trazida  à  colação  pela  recorrente,  mister  elucidar,  com  relação  às  decisões  exaradas  pelo  Judiciário,  que  os  entendimentos  nelas  expressos sobre a matéria ficam restritos às partes do processo judicial, não cabendo a extensão  dos efeitos jurídicos de eventual decisão ao presente caso, até que nossa Suprema Corte tenha  se manifestado em definitivo a respeito do tema.  Quanto às demais argumentações da contribuinte, não se cogita em analisá­ las,  uma  vez  não  serem  capazes  de  ensejar  a  reforma  da  decisão  recorrida,  especialmente  quando desprovidos de qualquer amparo legal ou fático, bem como já devidamente rechaçadas  pelo julgador de primeira instância.  Por todo o exposto, estando a Autuação Fiscal sub examine em consonância  com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO:  1)  CONHECER  DOS  RECURSOS  VOLUNTÁRIOS  dos  responsáveis  solidários,  sócios  das  empresas  integrantes  do  Grupo  Econômico  de  Fato  e  a  Globo  Equipamentos Indústria Ltda, E NEGAR­LHES PROVIMENTO;  Fl. 1540DF CARF MF Processo nº 10860.721948/2013­59  Acórdão n.º 2401­004.511  S2­C4T1  Fl. 1.516          51  2) CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO da autuada, Globo Central  de  Usinagem  Ltda.,  E  DAR­LHE  PROVIMENTO  PARCIAL,  no  sentido  de  afastar  a  qualificação da multa e decretar a decadência dos fatos geradores referentes ao período do 01 a  11/2008, relativamente aos AIOP's nºs 37.282.266­5 e 37.282.267­3, pelas razões de fato e de  direito acima esposadas.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Rayd Santana Ferreira.  Fl. 1541DF CARF MF     52    Voto Vencedor  Conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini – Redatora Designada  Este voto limita­se à parte em que o conselheiro relator restou vencido.  DECADÊNCIA  No presente caso foram apuradas contribuições de segurados, lançadas no AI  37.282.267­3, e contribuições da empresa, lançadas no AI 37.282.266­5.  Apesar  desta  redatora  designada  ter  sido  vencida,  por maioria  de  votos  foi  afastada a multa qualificada.  Assim,  para  verificar  se  houve  decadência,  quando  se  tratar  de  crédito  tributário  o  qual  o  sujeito  passivo  tenha  antecipado  o  pagamento  do  tributo,  aplica­se  o  disposto no CTN, art. 150, § 4º:   Art.  150.  O  lançamento  por  homologação,  que  ocorre  quanto  aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de  antecipar  o  pagamento  sem  prévio  exame  da  autoridade  administrativa, opera­se pelo ato em que a referida autoridade,  tomando  conhecimento  da  atividade  assim  exercida  pelo  obrigado, expressamente a homologa.  [...]  § 4º Se a  lei  não fixar prazo a homologação,  será ele de cinco  anos,  a  contar  da  ocorrência  do  fato  gerador;  expirado  esse  prazo  sem  que  a  Fazenda  Pública  se  tenha  pronunciado,  considera­se homologado o lançamento e definitivamente extinto  o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou  simulação.  Por outro lado, quando ocorrer lançamento de ofício de crédito tributário que  o sujeito passivo não tenha antecipado o pagamento, aplica­se o disposto no CTN, art. 173, I:   Art.  173.  O  direito  de  a  Fazenda  Pública  constituir  o  crédito  tributário extingue­se após 5 (cinco) anos, contados:  I  ­  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento poderia ter sido efetuado;  As  contribuições  previdenciárias  ora  lançadas  são  as  previstas  na  Lei  8.212/91, artigos 20 e 22:  Art. 20. A contribuição do empregado, inclusive o doméstico, e a  do  trabalhador  avulso  é  calculada  mediante  a  aplicação  da  correspondente  alíquota  sobre  o  seu  salário­de­contribuição  mensal, de  forma não cumulativa, observado o disposto no art.  28, de acordo com a seguinte tabela:  Fl. 1542DF CARF MF Processo nº 10860.721948/2013­59  Acórdão n.º 2401­004.511  S2­C4T1  Fl. 1.517          53  Art.  22.  A  contribuição  a  cargo  da  empresa,  destinada  à  Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de:  Assim,  para  a  contribuição  de  segurados,  prevista  na Lei  8.212/91,  art.  20,  lançada  no  AI  37.282.267­3,  prevaleceu  a  tese  do  relator  de  que  houve  princípio  de  recolhimento, portanto, excluiu­se deste lançamento o período de 01/08 a 11/08.  Aplicou­se ao caso o disposto na Súmula CARF nº 99:  Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150,  4°,  do CTN,  para  as  contribuições  previdenciárias,  caracteriza  pagamento  antecipado  o  recolhimento,  ainda  que  parcial,  do  valor  considerado  como  devido  pelo  contribuinte  na  competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo  que  não  tenha  sido  incluída,  na  base  de  cálculo  deste  recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida  no auto de infração.  Contudo,  para  a  contribuição  previdenciária  patronal,  prevista  na  Lei  8.212/91,  art.  22,  não  houve  qualquer  recolhimento,  pois  a  empresa Globo Equipamentos  se  auto­declarava como do Simples, não havendo que se falar em pagamento antecipado sobre as  rubricas lançadas pela fiscalização, devendo ser observado o CTN, art. 173, I.  Logo,  se  o  lançamento  ocorreu  em  12/13,  poderia  retroagir  a  12/07  (vencimento da obrigação em 01/08). A partir desta data o lançamento poderia ser constituído.  Portanto, o prazo decadencial começou a fluir em 1/1/09, extinguindo­se o direito da Fazenda  Pública  efetuar  o  lançamento  em 31/12/13,  não  tendo  se operado,  à  época  do  lançamento,  a  decadência em relação aos valores lançados no AI 37.282.266­5.     CARACTERIZAÇÃO DOS SEGURADOS COMO PRESTADORES DE  SERVIÇOS DA AUTUADA  O lançamento teve por base o que determina a Lei 8.212/91, artigo 30, inciso  I, alínea ‘b’ e artigo 33:  Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de  outras  importâncias  devidas  à  Seguridade  Social  obedecem  às  seguintes normas:  I ­ a empresa é obrigada a:  [...]  b) recolher o produto arrecadado na forma da alínea anterior, a  contribuição a que se refere o inciso IV do art. 22, assim como  as  contribuições a  seu  cargo  incidentes  sobre as  remunerações  pagas,  devidas  ou  creditadas,  a  qualquer  título,  aos  segurados  empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a  seu serviço [...]  Art.  33.  À  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  compete  planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas  à  tributação,  à  fiscalização,  à  arrecadação,  à  cobrança  e  ao  recolhimento  das  contribuições  sociais  previstas  no  parágrafo  Fl. 1543DF CARF MF     54  único do art. 11 desta Lei, das contribuições  incidentes a  título  de substituição e das devidas a outras entidades e fundos.  Conforme Relatório Fiscal, fls. 29/54, a fiscalização concluiu, pela análise da  documentação  que  lhe  foi  apresentada,  que  apesar  de  existirem  duas  empresas  formalmente  constituídas, a Globo Equipamentos Industriais Ltda ­ ME (optante pelo Simples Nacional) tem  servido tão somente para abrigar de forma simulada a prestação de serviços do sujeito passivo  Globo  Central  de  Usinagem  Ltda.  Assim,  concluiu  que  os  trabalhadores  formalmente  registrados  na  Globo  Equipamentos  estão  vinculados  a  Globo  Central  de  Usinagem,  ora  autuada,  que  se  utiliza  da  Globo  Equipamentos,  por  meio  de  simulação/fraude,  com  a  finalidade de usufruir indevidamente dos benefícios tributários do regime do Simples Nacional,  instituído pela Lei Complementar 123/06.   Consta do Relatório fiscal, em síntese, que:  ·  As  despesas  com  a  remuneração  de  segurados  da  empresa  Globo  Equipamentos superam em 438% a receita bruta declarada, enquanto  que  na  Globo  Central  a  massa  salarial  representa  apenas  2,4%  do  faturamento, que é 26 vezes maior que da Globo Equipamentos.  ·  No  período  de  01/08  a  12/11,  em  média,  90%  das  operações  de  "vendas de produtos e/ou industrialização efetuada para terceiros" da  Globo Equipamentos tinham como cliente principal a Globo Central.  ·  Da  análise  realizada  nos  documentos  auditados  da  empresa  Globo  Equipamentos  Industriais,  constatou­se  que  pagamentos  foram  realizados de forma direta com recursos oriundos exclusivamente da  Globo Central  de Usinagem,  tais  como:  remuneração  dos  segurados  empregados  e  pró­labore  dos  segurados  contribuintes  individuais;  recolhimento  de GPS(Guia  da  Previdência  Social);  recolhimento  de  GRF  (Guia  de  Recolhimento  do  Fundo  de  Garantia  por  Tempo  de  Serviço);  e  DARF  0561  (Documento  de  Arrecadação  de  Receitas  Federais).  ·  Nas  Folhas  de  Pagamentos  e  GFIP  da  Globo  Equipamentos,  competências  01/08  e  02/08,  04/08  a  08/08,  foram  constatados  pagamentos  de  pró­labore  aos  sócios,  Mauro  Aparecido  de  Paula  Ferreira e Antonio Claudio Chavette, porém estes foram formalmente  excluídos do quadro societário da referida empresa desde 12/11/2007,  o  que  demonstra  confusão  patrimonial  e  gestão  empresarial  atípica  entre as duas empresas.  ·  Na  análise  da  contabilidade  da  Globo  Equipamentos,  a  fiscalização  constatou:  o  em todo o período auditado (01/2008 a 12/2011) a ausência de  registros  de  despesas  com  aquisição  de  matérias  primas,  energia  elétrica,  combustíveis,  aluguel  ou  depreciação  de  instalações  e  equipamentos  e  ausência  de  registros  de  instalações e equipamentos no ativo;  o  os custos ou despesas com mão­de­obra (salários, pró­labore,  férias,  13°  salário,  rescisões),  os  encargos  sociais  (INSS,  Fl. 1544DF CARF MF Processo nº 10860.721948/2013­59  Acórdão n.º 2401­004.511  S2­C4T1  Fl. 1.518          55  FGTS), bem como, despesas com alimentação do trabalhador,  vale­transporte, assistência médica e demais benefícios, foram  registrados  à  crédito  na  conta  “1.01.01.04.01  –  Globo  Central”;  o  a  existência  de  valores  nos  exercícios  de  2008  a  2011,  na  conta “2.01.01.02.01 Empréstimos Coligadas Globo Central”,  em contrapartida com a conta “1.01.01.01.01 Caixa Geral” ou  “1.01.01.04.01­  Globo  Central”,  sem  que  houvesse  comprovação  dos  créditos.  A  Globo  Equipamentos  foi  intimada mediante o Termo de  Intimação nº 01,  a  apresentar  documentos  referentes  aos  empréstimos,  tais  como  contratos  de mútuo, depósitos ou cheques, porém limitou­se a informar  que faz parte de um grupo econômico reconhecido.  ·  Na  análise  da  contabilidade  da  Globo  Central,  a  fiscalização  constatou:  o  os  empréstimos  citados  anteriormente  não  estão  lançados  na  contabilidade do credor (Globo Central);  o  no ano calendário 2008, os custos/despesas com mão­de­obra  (salários,  férias  e  13°  salário),  encargos  sociais  com  FGTS,  despesas com alimentação do trabalhador,  o  vale­transporte,  assistência  médica  e  demais  benefícios,  lançados na conta "4.02.01.01.01­ Apuração do Resultado do  Exercício"  da  Globo  Central  estavam  incompatíveis  com  a  massa  salarial/número  de  segurados  declarados  em GFIP  em  2008.  o  nos  anos  calendário  2009  a  2011,  há  valores  lançados  a  Débito,  nas  contas  de  "Serviços  Prestados  Por  Pessoa  Jurídica",  e  a  Crédito  na  conta  "Banco”  com  histórico  contendo as expressões genéricas "Pago Globo Equipamentos  ", dentre outras,  a  indicar que as despesas  com mão­de­obra,  encargos  sociais,  despesas  com  demais  benefícios  referentes  aos  colaboradores  registrados  na  Globo  Equipamentos  estão  “camuflados”  na  escrituração  contábil  da  Globo  Central,  como  custos/despesas  com  prestação  de  serviços  por  pessoa  jurídica, no caso, pela Globo Equipamentos.  ·  Concluiu  a  fiscalização  que  houve  utilização  indevida  de  microempresa/empresa  de  pequeno  porte  (Globo  Equipamentos),  optante  pelo  Simples  Nacional,  para  registrar  os  empregados  nesta,  com  a  finalidade  de  deixar  de  reconhecer  as  contribuições  sociais  patronais  incidentes  sobre  a  folha  de  pagamento,  sendo  desconsiderada a prestação de serviços formalmente constituída entre  as empresas.  Fl. 1545DF CARF MF     56  A recorrente afirma não haver comprovação do vínculo empregatício entre os  funcionários da empresa Globo Equipamentos com a Empresa Globo Usinagem.  Entendeu o  relator que  houve desconsideração  da personalidade  jurídica da  empresa Globo Equipamentos Industriais Ltda e que não houve a demonstração dos requisitos  da relação de emprego dos trabalhadores com a autuada.  Em  que  pese  o  entendimento  da  autuada  e  o  do  relator,  eles  não  podem  prosperar.  A  Lei  12.529/11,  que  dispõe  sobre  a  prevenção  e  repressão  às  infrações  contra a ordem econômica, determina:  Art. 34. A personalidade jurídica do responsável por infração da  ordem econômica poderá ser desconsiderada quando houver da  parte deste abuso de direito,  excesso de poder,  infração da  lei,  fato ou ato ilícito ou violação dos estatutos ou contrato social.   Assim,  a  lei  determina  a  desconsideração  da  personalidade  jurídica  quando  constatado  abuso  de  direito,  excesso  de  poder,  infração  da  lei,  fato  ou  ato  ilícito  ou  violação do estatuto ou contrato, não  importando qual a aparência ou a  forma com a qual se  pretendeu revestir o sujeito passivo.  Contudo,  o  que  se  verifica  nos  autos  não  é  a  desconsideração  da  personalidade  jurídica  da  empresa  Globo  Equipamentos  Industriais  Ltda,  mas  sim  a  desconsideração de atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a  ocorrência do fato gerador do tributo.  O próprio CTN, art. 149, VII, e a Lei 8.212/91, art. 33, § 3o, estabelecem a  obrigação do Fisco realizar o lançamento, em se constatando irregularidades ou ilegalidades.  A  identificação  de  situações  de  fato  que  possam  constituir  irregularidades  visando à elisão ou sonegação de tributos constitui atividade inerente e vinculada da auditoria­ fiscal. Por isso, constatado o fato, impõe­se o lançamento fiscal, e, uma vez que seja realizado  com  a  observância  dos  princípios  constitucionais  aplicáveis,  não  há  que  se  falar  em  irregularidade.  A fiscalização, diante da situação fática verificada, conforme suficientemente  descrito  e  comprovado  no Relatório  Fiscal,  concluiu  que  todos  os  funcionários  formalmente  contratados pela empresa Globo Equipamentos Industriais Ltda são trabalhadores empregados  ou  contribuintes  individuais  da  empresa  ora  autuada. Desta  forma,  desconsiderou  o  negócio  jurídico praticado com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador da contribuição  previdenciária, entendendo que, na verdade, é a Globo Central de Usinagem Ltda que contrata  e remunera todos os trabalhadores que lhe prestam serviço.  A Lei 8.212/91, que estabelece as regras que regem a filiação obrigatória de  trabalhadores ao Regime Geral de Previdência Social, dispõe que:  Art.  12.  São  segurados  obrigatórios  da  Previdência  Social  as  seguintes pessoas físicas:  I ­ como empregado:   [...]  V ­ como contribuinte individual: [...]  Fl. 1546DF CARF MF Processo nº 10860.721948/2013­59  Acórdão n.º 2401­004.511  S2­C4T1  Fl. 1.519          57  Assim, uma vez constatado pela fiscalização que há a vinculação obrigatória  de um trabalhador ao Regime Geral de Previdência Social, cabe à autoridade fiscal, sob pena  de responsabilidade funcional, desconsiderar a forma sob a qual a prestação se deu, para, com  base  na  realidade  emergente,  apurar  contribuições  devidas  e  condutas  incompatíveis  com  a  legislação tributária aplicável.  Do  contrário,  esvaziar­se­ia  inteiramente  a  obrigatoriedade  das  normas  previdenciárias  e  da  filiação  dos  segurados,  deixando  a  questão  inteiramente  ao  arbítrio,  interesses  e  conveniências  dos  pactuantes,  causando,  conforme  o  caso,  prejuízo  ao  financiamento da previdência social decorrente de fraude.  Por  sua  vez,  o  Regulamento  da  Previdência  Social,  aprovado  pelo Decreto  3.048/99, dispõe que:  Art.229.   [...]  § 2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o  segurado  contratado  como  contribuinte  individual,  trabalhador  avulso,  ou  sob  qualquer  outra  denominação,  preenche  as  condições  referidas  no  inciso  I  do  caput  do  art.  9º,  deverá  desconsiderar  o  vínculo  pactuado  e  efetuar  o  enquadramento  como segurado empregado (grifo nosso)  Vê­se  que  a  autoridade  administrativa  fiscal  possui  a  prerrogativa  de  desconsiderar atos ou negócios jurídicos que não reflitam a realidade, notadamente, na hipótese  de ocorrência de simulação/fraude como ocorrido no presente caso, sendo tal poder da própria  essência da atividade fiscalizadora que não pode ficar adstrita aos aspectos formais dos atos e  fatos.   Logo, uma vez verificado que o  sujeito passivo  utiliza de  simulação/fraude  para esquivar­se do pagamento de tributo, o auditor fiscal tem o dever de aplicar a legislação  tributária  de  acordo  com  os  fatos  por  ele  constatados  em  detrimento  da  verdade  jurídica  aparente  (formal).  Dito  de  outra  forma,  uma  vez  evidenciada  a  conduta  simulatória  ou  fraudulenta,  não  resta  outra  opção  à  fiscalização,  a  não  ser  descaracterizar  a  relação  formal  existente  e  considerar,  para  efeitos  do  lançamento  tributário,  a  relação  real  entre  as  pessoas  jurídicas  e  segurados,  identificando  corretamente  o  sujeito  passivo  da  relação  jurídica  tributária.   Isso é o que se depreende, inclusive, do disposto no CTN:  Art.  142.  Compete  privativamente  à  autoridade  administrativa  constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido  o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  correspondente,  determinar  a  matéria  tributável,  calcular  o  montante  do  tributo  devido,  identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da  penalidade cabível.  Parágrafo  único.  A  atividade  administrativa  de  lançamento  é  vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.  [...]  Fl. 1547DF CARF MF     58  Art.  149.  O  lançamento  é  efetuado  e  revisto  de  ofício  pela  autoridade administrativa nos seguintes casos:  [...]  VII ­ quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em  benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação;  No  presente  caso,  a  auditoria  fiscal  (que  se  baseou  em  informações  e  situações de fato) concluiu que durante o período fiscalizado, em relação aos fatos geradores de  contribuições  previdenciárias  e  para  outras  entidades  e  fundos,  apesar  de,  do  ponto  de  vista  formal,  os  segurados  estarem  registrados  em  uma  pessoa  jurídica,  a  Globo  Equipamentos  Industriais  Ltda  ­  ME,  a  prestação  de  serviços  e  a  remuneração  formalizada  se  referia  à  empresa Globo Central de Usinagem Ltda.  Uma  vez  que  os  trabalhadores  que  constam  das  folhas  de  pagamento  da  Globo  Equipamentos  (empresa  optante  do  Simples),  na  realidade,  prestam  serviços  para  a  autuada, são devidas as contribuições patronais ora lançadas.  Não há que se falar que não foram caracterizados os vínculos empregatícios.  A  fiscalização  considerou  como  segurados  empregados  e  contribuintes  individuais  os  reconhecidamente como tal na folha de pagamento da empresa Globo Equipamentos.  Os argumentos apresentados pela impugnante, contrapondo­se aos elementos  fáticos verificados pela fiscalização, não são suficientes para afastar o trabalho fiscal.  Importante  esclarecer  que  a  Administração  deve  ater­se  aos  enunciados  da  legislação que norteiam as obrigações do contribuinte perante a Seguridade Social. Acrescente­ se que, nos  termos do art. 123 do CTN, as convenções particulares não podem ser opostas à  Fazenda Pública.  CONCLUSÃO  Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário para:  a)  não  acolher  a  alegação  de  decadência  do  crédito  apurado  no  AI  37.282.266­5;  b)  manter  a  caracterização  dos  segurados  empregados  e  contribuintes  individuais como prestadores de serviços da autuada.    (assinado digitalmente)  Miriam Denise Xavier Lazarini.                Fl. 1548DF CARF MF

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Numero do processo: 11050.002966/2004-44
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jan 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2000 LEGITIMIDADE PASSIVA. PROPRIETÁRIO DE IMÓVEL RURAL. PROMESSA DE COMPRA E VENDA. DECISÃO JUDICIAL. REGIME DO ART. 543-C, DO CPC. O promitente vendedor é parte legítima para figurar no pólo passivo da execução fiscal que busca a cobrança de ITR, nas hipóteses em que não há registro imobiliário do ato translativo de propriedade (Recurso Especial nº 1.073.846/SP).
Numero da decisão: 9202-004.607
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado a quo para apreciação das demais questões postas no recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO

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Acórdão nº  9202­004.607  –  2ª Turma   Sessão de  25 de novembro de 2016  Matéria  NORMAS GERAIS ­ SUJEIÇÃO PASSIVA  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  NELLY NEVES DAS NEVES    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ­ ITR  Exercício: 2000  LEGITIMIDADE  PASSIVA.  PROPRIETÁRIO  DE  IMÓVEL  RURAL.  PROMESSA  DE  COMPRA  E  VENDA.  DECISÃO  JUDICIAL.  REGIME  DO ART. 543­C, DO CPC.   O  promitente  vendedor  é  parte  legítima  para  figurar  no  pólo  passivo  da  execução  fiscal que busca a cobrança de  ITR, nas hipóteses em que não há  registro  imobiliário  do  ato  translativo  de  propriedade  (Recurso  Especial  nº  1.073.846/SP).      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do  colegiado, por  unanimidade  de  votos,  em conhecer  do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito,  em dar­lhe provimento, com retorno dos  autos  ao  colegiado  a  quo  para  apreciação  das  demais  questões  postas  no  recurso  voluntário.  Votaram pelas conclusões os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo  Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.  (assinado digitalmente)  Luiz Eduardo de Oliveira Santos ­ Presidente em exercício   (assinado digitalmente)  Maria Helena Cotta Cardozo ­ Relator    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros: Maria  Helena  Cotta  Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 0. 00 29 66 /2 00 4- 44 Fl. 114DF CARF MF     2 Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de  Oliveira Santos (Presidente em exercício).    Relatório  Em  sessão  plenária  de  15/08/2012,  foi  dado  provimento  ao  Recurso  Voluntário s/n, prolatando­se o Acórdão 2101­01.825 (fls. 85 a 89), assim ementado:  "ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  PROPRIEDADE  TERRITORIAL RURAL ­ ITR  Exercício: 2000  ILEGITIMIDADE  PASSIVA.  ESCRITURA  PÚBLICA  DE  PROMESSA DE COMPRA E VENDA.  IMISSÃO NA POSSE. A  imissão  na  posse do  imóvel  é  o  ato  de  tornar  legal a  posse  da  coisa  antes  do  pagamento  total  do  preço  da  compra,  e  o  possuidor a qualquer título é contribuinte do ITR, por expressa  determinação legal.  Recurso Voluntário Provido"  O  processo  foi  enviado  à  PGFN  em  10/07/2013  (Despacho  de  Encaminhamento  de  fls.  213)  e,  em  12/07/2013,  a  Fazenda  Nacional  interpôs  o  Recurso  Especial de fls. 214 a 230 (Despacho de Encaminhamento de fls. 231), visando rever a questão  da sujeição passiva, quando o fato gerador ocorre na vigência do contrato de promessa de  compra e venda do imóvel, mas antes da transmissão definitiva da propriedade.  Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 10/02/2014  (fls. 102/103).  No Recurso Especial, a Fazenda Nacional alega, em síntese:  ­  inicialmente,  é  imperioso  destacar  que  a questão  jurídica  em debate  já  se  encontra solucionada definitivamente pelo STJ, sob a sistemática do art. 543­C do CPC, cuja  decisão deve ser seguida pelo CARF, em atenção ao art. 62­A do RICARF;  ­  o  entendimento  do  STJ  é  irreparável,  encontrando­se  a  ementa  com  o  seguinte teor:  PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO  DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543­C, DO CPC. EMBARGOS  À EXECUÇÃO FISCAL. ITR. CONTRATO DE PROMESSA DE  COMPRA  E  VENDA  DO  IMÓVEL  RURAL.  LEGITIMIDADE  PASSIVA  AD  CAUSAM  DO  POSSUIDOR  DIRETO  (PROMITENTE  COMPRADOR)  E  DO  PROPRIETÁRIO/POSSUIDOR  INDIRETO  (PROMITENTE  VENDEDOR).  DÉBITOS  TRIBUTÁRIOS  VENCIDOS.  TAXA  SELIC. APLICAÇÃO. LEI 9.065/95.  1.  A  incidência  tributária  do  imposto  sobre  a  propriedade  territorial rural­ITR (de competência da União), sob o ângulo do  aspecto material da regra matriz, é a propriedade, o domínio útil  ou  a  posse  de  imóvel  por  natureza,  como  definido  na  lei  civil,  Fl. 115DF CARF MF Processo nº 11050.002966/2004­44  Acórdão n.º 9202­004.607  CSRF­T2  Fl. 115          3 localizado  fora  da  zona  urbana  do  Município  (artigos  29,  do  CTN, e 1º, da Lei 9.393/96).  2. O proprietário do imóvel rural, o  titular de seu domínio útil,  ou  o  seu  possuidor  a  qualquer  título,  à  luz  dos  artigos  31,  do  CTN, e 4º, da Lei 9.393/96, são os contribuintes do ITR.  3.  O  artigo  5º,  da  Lei  9.393/96,  por  seu  turno,  preceitua  que:  "Art.  5º  É  responsável  pelo  crédito  tributário  o  sucessor,  a  qualquer título, nos termos dos arts. 128 a 133 da Lei nº 5.172,  de 25 de outubro de 1966 (Sistema Tributário Nacional).  4. Os  impostos  incidentes  sobre o patrimônio  (Imposto  sobre a  Propriedade  Territorial  Rural  ­  ITR  e  Imposto  sobre  a  Propriedade Predial e Territorial Urbana ­ IPTU) decorrem de  relação  jurídica tributária instaurada com a ocorrência de fato  imponível  encartado,  exclusivamente,  na  titularidade  de  direito  real,  razão  pela  qual  consubstanciam  obrigações  propter  rem,  impondo­se  sua  assunção  a  todos  aqueles  que  sucederem  ao  titular do imóvel.  5. Conseqüentemente, a obrigação tributária, quanto ao IPTU e  ao  ITR,  acompanha  o  imóvel  em  todas  as  suas  mutações  subjetivas,  ainda  que  se  refira  a  fatos  imponíveis  anteriores  à  alteração da titularidade do imóvel, exegese que encontra reforço  na  hipótese  de  responsabilidade  tributária  por  sucessão  prevista  nos artigos 130 e 131, I, do CTN, verbis: "Art. 130. Os créditos  tributários  relativos  a  impostos  cujo  fato  gerador  seja  a  propriedade, o domínio útil  ou  a posse de bens  imóveis, e bem  assim os relativos a taxas pela prestação de serviços referentes a  tais bens, ou a contribuições de melhoria, subrogam­se na pessoa  dos  respectivos  adquirentes,  salvo  quando  conste  do  título  a  prova de sua quitação. Parágrafo único. No caso de arrematação  em hasta pública, a sub­rogação ocorre sobre o respectivo preço.  Art.  131.  São  pessoalmente  responsáveis:  I  ­  o  adquirente  ou  remitente,  pelos  tributos  relativos  aos  bens  adquiridos  ou  remidos; (Vide Decreto Lei nº 28, de 1966) (...)"  6.  O  promitente  comprador  (possuidor  a  qualquer  título)  do  imóvel,  bem  como  seu  proprietário/promitente  vendedor  (aquele  que  tem  a  propriedade  registrada  no  Registro  de  Imóveis), consoante entendimento exarado pela Primeira Seção  do  STJ,  quando  do  julgamento  dos  Recursos  Especiais  1.110.551/SP e 1.111.202/SP (submetidos ao rito do artigo 543­ C, do CPC), são contribuintes responsáveis pelo pagamento do  IPTU  (Rel.  Ministro  Mauro  Campbell  Marques,  julgado  em  10.06.2009, DJe 18.06.2009).  7.  É  que,  nas  hipóteses  em  que  verificada  a  "contemporaneidade"  do  exercício  da  posse  direta  e  da  propriedade  (e  não  a  efetiva  sucessão  do  direito  real  de  propriedade,  tendo  em  vista  a  inexistência  de  registro  do  compromisso  de  compra  e  venda  no  cartório  competente),  o  imposto sobre o patrimônio poderá ser exigido de qualquer um  dos  sujeitos  passivos  "coexistentes",  exegese  aplicável  à  Fl. 116DF CARF MF     4 espécie, por força do princípio de hermenêutica ubi eadem ratio  ibi eadem legis dispositio.  8.  In  casu,  a  instância  ordinária  assentou  que:  (i)  "...  os  fatos  geradores  ocorreram  entre  1994  e  1996.  Entretanto,  o  embargante firmou compromisso de compra e venda em 1997, ou  seja,  após  a  ocorrência  dos  fatos  geradores.  O  embargante,  ademais,  apenas  juntou  aos  autos  compromisso  de  compra  e  venda,  tal  contrato  não  transfere  a  propriedade.  Não  foi  comprovada  a  efetiva  transferência  de  propriedade  e,  o  que  é  mais  importante,  o  registro  da  transferência  no  Cartório  de  Registro de Imóveis, o que garantiria a publicidade do contrato  erga  omnes.  Portanto,  correta  a  cobrança  realizada  pela  embargada."  (sentença)  (ii)  "Com  base  em  afirmada  venda  do  imóvel  em  novembro/97,  deseja  a  parte  apelante  afastar  sua  legitimidade  passiva  executória  quanto  ao  crédito  tributário  descrito, atinente aos anos 1994 a 1996,  sendo que não  logrou  demonstrar  a  parte  recorrente  levou  a  registro,  no  Cartório  imobiliário pertinente, dito compromisso de venda e compra.  Como  o  consagra  o  art.  29,  CTN,  tem  por  hipótese  o  ITR  o  domínio  imobiliário,  que se adquire mediante  registro  junto à  Serventia do local da coisa: como se extrai da instrução colhida  junto ao feito, não demonstra a parte apelante tenha se dado a  transmissão  dominial,  elementar  a  que  provada  restasse  a  perda  da  propriedade  sobre  o  bem  tributado.  Sendo  ônus  do  originário embargante provar o quanto afirma, aliás já por meio  da preambular, nos  termos do § 2º do art. 16, LEF, bem assim  em face da natureza de ação de conhecimento desconstitutiva da  via  dos  embargos,  não  logrou  afastar  a  parte  apelante  a  presunção de certeza e de liquidez do título em causa. Cobrando  a União ITR relativo a anos­base nos quais proprietário do bem  o  ora  recorrente,  denota  a  parte  recorrida  deu  preciso  atendimento ao dogma da legalidade dos atos administrativos e  ao da estrita legalidade tributária." (acórdão recorrido)  9.  Conseqüentemente,  não  se  vislumbra  a  carência  da  ação  executiva  ajuizada  em  face  do  promitente  vendedor,  para  cobrança de débitos  tributários atinentes ao ITR, máxime à  luz  da  assertiva  de  que  inexistente,  nos  autos,  a  comprovação  da  translação  do  domínio  ao  promitente  comprador  através  do  registro no cartório competente.  10. A Taxa SELIC é legítima como índice de correção monetária  e de juros de mora, na atualização dos débitos tributários pagos  em  atraso,  ex  vi  do  disposto  no  artigo  13,  da  Lei  9.065/95  (Precedentes  do  STJ:  REsp  947.920/SC,  Rel.  Ministra  Eliana  Calmon,  Segunda  Turma,  julgado  em  06.08.2009,  DJe  21.08.2009;  AgRg  no  Ag  1.108.940/RS,  Rel.  Ministro  Herman  Benjamin,  Segunda  Turma,  julgado  em  04.08.2009,  DJe  27.08.2009;  REsp  743.122/MG,  Rel.  Ministra  Denise  Arruda,  Primeira  Turma,  julgado  em  26.02.2008,  DJe  30.04.2008;  e  EREsp  265.005/PR,  Rel.  Ministro  Luiz  Fux,  Primeira  Seção,  julgado em 24.08.2005, DJ 12.09.2005).  11.  Destarte,  vencido  o  crédito  tributário  em  junho  de  1998,  como restou assente no Juízo a quo, revela­se aplicável a Taxa  Selic, a título de correção monetária e juros moratórios.  Fl. 117DF CARF MF Processo nº 11050.002966/2004­44  Acórdão n.º 9202­004.607  CSRF­T2  Fl. 116          5 13. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime  do  artigo  543­C,  do  CPC,  e  da  Resolução  STJ  08/2008.  Proposição  de  verbete  sumular.  (REsp  1073846/SP,  Rel.  Ministro  LUIZ  FUX,  PRIMEIRA  SEÇÃO,  julgado  em  25/11/2009, DJe 18/12/2009)  ­  naquele  julgado,  o  STJ  apenas  confirmou  a  jurisprudência  consolidada,  também  na  forma  de  recurso  repetitivo,  no  que  tange  ao  IPTU,  sendo  os  fundamentos  aplicáveis ao ITR;  ­  de  fato,  segundo  o  art.  4º  da  Lei  nº  9.393/96,  contribuinte  do  ITR  é  o  proprietário de imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título;  ­  a  lei  faculta  à  Administração  Tributária  cobrar  o  tributo  tanto  do  proprietário, quando do titular do domínio útil ou possuidor;  ­ havendo a concomitância entre a posse direta do titular do domínio útil ou  possuidor e a posse indireta do proprietário, "o imposto sobre o patrimônio poderá ser exigido  de qualquer um dos sujeitos passivos  'coexistentes', exegese aplicável à espécie, por  força do  princípio de hermenêutica ubi eadem ratio ibi eadem legis dispositio";  ­  na  hipótese  em  tela,  o  contrato  de  compra  e  venda  continha,  inclusive,  cláusula resolutória expressa (§ único da cláusula sétima), no sentido de que a inadimplência  do promitente comprador importaria em rescisão do contrato e, portanto, no não cumprimento  do dever de transmissão definitiva da propriedade;  ­  evidentemente,  a  promessa  irretratável  de  compra  e  venda  não  é  negócio  jurídico translativo do direito de propriedade, embora se caracteriza como um direito real;  ­ com isso, nota­se que a capacidade contributiva do proprietário (promitente  vendedor) foi preservada, pois ele continuava auferindo riqueza do imóvel rural, mediante as  parcelas mensais pagas pelo promitente vendedor;  ­  tanto  o  possuidor  como  o  proprietário  são  partes  legítimas  para  ocupar  o  pólo passivo da relação jurídica do ITR, seja pelo que dispõe o art. 4º da Lei nº 9.393/96, que  instituiu  o  tributo,  seja  pelo  que  prescreve  o  art.  31  do  CTN,  merecendo  ser  confirmado  o  entendimento do acórdão paradigma e a jurisprudência assente do STJ.  Ao final, a Fazenda Nacional pede o provimento do recurso, reformando­se o  acórdão recorrido.  Cientificada  do  acórdão,  do  Recurso  Especial  da  Fazenda  Nacional  e  dos  despachos que lhe deram seguimento parcial em 23/04/2014 (AR de fls. 108), a Contribuinte  quedou­se silente.    Voto             Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo ­ Relatora  Fl. 118DF CARF MF     6 O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende  aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido.  Trata o presente recurso, de exigência do ITR ­ Imposto Territorial Rural do  exercício de 2000,  relativo  ao  imóvel  rural  denominado Estância Rincão  (NIRF 1058263­0),  localizado no Município de Rio Grande/RS.  O  tributo  foi  exigido  do  proprietário  do  imóvel,  que  alegou  ilegitimidade  passiva,  tendo em vista promessa de compra e venda realizada em 1997, sem a transferência  efetiva do  bem,  porém com  imissão  na posse. A Fazenda,  por  sua  vez,  alega  a  legitimidade  passiva da proprietária.  A Lei nº 5.172, de 1966 ­ CTN, assim dispõe, relativamente ao ITR:  Art.  29.  O  imposto,  de  competência  da  União,  sobre  a  propriedade  territorial  rural  tem  como  fato  gerador  a  propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza,  como definido  na  lei  civil,  localização  fora da  zona urbana do  Município.  (...)   Art. 31. Contribuinte do imposto é o proprietário do imóvel, o  titular de seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título.  (grifei)  A Lei nº 9.393, de 1996, que regulamentou o ITR, assim estabeleceu:  "Art. 1º O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ­ ITR,  de  apuração  anual,  tem  como  fato  gerador  a  propriedade,  o  domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora  da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano.  § 1º O ITR incide inclusive sobre o imóvel declarado de interesse  social para fins de reforma agrária, enquanto não transferida a  propriedade, exceto se houver imissão prévia na posse.  (...)  Art. 4º Contribuinte do ITR é o proprietário de imóvel rural, o  titular  de  seu  domínio  útil  ou  o  seu  possuidor  a  qualquer  título."  De plano, cabe destacar que a lei não estabelece qualquer benefício de ordem,  no  que  tange  ao  contribuinte  do  ITR.  Nesse  passo,  ressalta­se  que  a  própria  Contribuinte  qualificou­se  como  tal,  ao  apresentar  a  DIAT  ­  Documento  de  Informação  e  Apuração  do  ITR/2000  em  seu  nome  (fls.  13),  apurando  inclusive  o  tributo  que  considerou  devido.  Com  efeito,  a  irresignação  acerca  da  sujeição  passiva  somente  ocorreu  quando  dela  foi  exigida  a  diferença de imposto.   No  que  tange  a  eventual  alteração  de  dados  cadastrais,  inclusive  de  titularidade, a mesma Lei nº 9.393, de 1996, assim dispõe:  "Art. 6º O contribuinte ou o seu sucessor comunicará ao órgão  local  da  Secretaria  da  Receita  Federal  (SRF),  por  meio  do  Documento  de  Informação  e  Atualização  Cadastral  do  ITR  ­  DIAC,  as  informações  cadastrais  correspondentes  a  cada  Fl. 119DF CARF MF Processo nº 11050.002966/2004­44  Acórdão n.º 9202­004.607  CSRF­T2  Fl. 117          7 imóvel,  bem  como  qualquer  alteração  ocorrida,  na  forma  estabelecida pela Secretaria da Receita Federal.  §  1º É obrigatória,  no  prazo  de  sessenta dias,  contado de  sua  ocorrência, a comunicação das seguintes alterações:  I ­ desmembramento;  II ­ anexação;  III ­ transmissão, por alienação da propriedade ou dos direitos  a ela inerentes, a qualquer título;  IV ­ sucessão causa mortis;  V ­ cessão de direitos;  VI ­ constituição de reservas ou usufruto.  § 2º As informações cadastrais integrarão o Cadastro de Imóveis  Rurais  ­  CAFIR,  administrado  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  que  poderá,  a  qualquer  tempo,  solicitar  informações  visando à sua atualização."  A despeito da clareza das determinações acima, observa­se que, no presente  caso, no DIAC ­ Documento de Informação e Atualização Cadastral de fls. 12, o campo 6, que  abrigaria a comunicação acerca de eventual transmissão de direitos inerentes à propriedade, a  qualquer título, não contém qualquer informação.  Assim,  não  há  que  se  falar  em  ilegitimidade  passiva,  já  que  a Contribuinte  detinha  a propriedade  do  imóvel,  o  que  já  é  suficiente  para,  no  presente  caso,  caracterizar  a  sujeição passiva.  Quanto  ao  acórdão  recorrido,  o  fundamento  para  a  declaração  de  ilegitimidade  passiva  foi  o  fato  de  haver  ocorrido  a  imissão  na  posse  em  1997,  ou  seja,  previamente  ao  fato  gerador,  em 1º de  janeiro de 2000. Entretanto,  a Lei  nº 9.393, de 1996,  somente faz essa ressalva no caso específico de imóvel declarado de interesse social para fins  de reforma agrária, o que não é o caso dos presentes autos. Confira­se:  "Art. 1º O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ­ ITR,  de  apuração  anual,  tem  como  fato  gerador  a  propriedade,  o  domínio útil ou a posse de imóvel por natureza,  localizado fora  da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano.  §  1º  O  ITR  incide  inclusive  sobre  o  imóvel  declarado  de  interesse  social  para  fins  de  reforma  agrária,  enquanto  não  transferida a propriedade,  exceto  se houver  imissão prévia na  posse.  (...)  Art.  4º Contribuinte do  ITR é o proprietário de  imóvel  rural, o  titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título."  Destarte,  a  sujeição  passiva,  no  caso  do  ITR,  não  comporta  benefício  de  ordem,  sendo que  a  regra geral  é  a  exigência do  ITR  em  face do proprietário,  enquanto não  Fl. 120DF CARF MF     8 transferida a propriedade, o que no presente caso legitima a Contribuinte como sujeito passivo  do ITR/2000.  Nesse  sentido o Recurso Especial nº 1.073.846/SP, Rel. Ministro Luiz Fux,  proferido  pela Primeira  Seção,  em 25/11/2009  (DJ  de  18/12/2009),  submetido  ao  regime do  artigo 543­C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008:  PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO  DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543­C, DO CPC. EMBARGOS  À EXECUÇÃO FISCAL. ITR. CONTRATO DE PROMESSA DE  COMPRA  E  VENDA  DO  IMÓVEL  RURAL.  LEGITIMIDADE  PASSIVA  AD  CAUSAM  DO  POSSUIDOR  DIRETO  (PROMITENTE  COMPRADOR)  E  DO  PROPRIETÁRIO/POSSUIDOR  INDIRETO  (PROMITENTE  VENDEDOR).  DÉBITOS  TRIBUTÁRIOS  VENCIDOS.  TAXA  SELIC. APLICAÇÃO. LEI 9.065/95.  1.  A  incidência  tributária  do  imposto  sobre  a  propriedade  territorial rural­ITR (de competência da União), sob o ângulo do  aspecto material da regra matriz, é a propriedade, o domínio útil  ou  a  posse  de  imóvel  por  natureza,  como  definido  na  lei  civil,  localizado  fora  da  zona  urbana  do  Município  (artigos  29,  do  CTN, e 1º, da Lei 9.393/96).  2. O proprietário do imóvel rural, o  titular de seu domínio útil,  ou  o  seu  possuidor  a  qualquer  título,  à  luz  dos  artigos  31,  do  CTN, e 4º, da Lei 9.393/96, são os contribuintes do ITR.  3.  O  artigo  5º,  da  Lei  9.393/96,  por  seu  turno,  preceitua  que:  "Art.  5º  É  responsável  pelo  crédito  tributário  o  sucessor,  a  qualquer título, nos termos dos arts. 128 a 133 da Lei nº 5.172,  de 25 de outubro de 1966 (Sistema Tributário Nacional).  4. Os  impostos  incidentes  sobre o patrimônio  (Imposto  sobre a  Propriedade  Territorial  Rural  ­  ITR  e  Imposto  sobre  a  Propriedade Predial e Territorial Urbana ­ IPTU) decorrem de  relação  jurídica tributária instaurada com a ocorrência de fato  imponível  encartado,  exclusivamente,  na  titularidade  de  direito  real,  razão  pela  qual  consubstanciam  obrigações  propter  rem,  impondo­se  sua  assunção  a  todos  aqueles  que  sucederem  ao  titular do imóvel.  5. Conseqüentemente, a obrigação tributária, quanto ao IPTU e  ao  ITR,  acompanha  o  imóvel  em  todas  as  suas  mutações  subjetivas,  ainda  que  se  refira  a  fatos  imponíveis  anteriores  à  alteração da titularidade do imóvel, exegese que encontra reforço  na  hipótese  de  responsabilidade  tributária  por  sucessão  prevista  nos artigos 130 e 131, I, do CTN, verbis: "Art. 130. Os créditos  tributários  relativos  a  impostos  cujo  fato  gerador  seja  a  propriedade, o domínio útil  ou  a posse de bens  imóveis, e bem  assim os relativos a taxas pela prestação de serviços referentes a  tais bens, ou a contribuições de melhoria, subrogam­se na pessoa  dos  respectivos  adquirentes,  salvo  quando  conste  do  título  a  prova de sua quitação. Parágrafo único. No caso de arrematação  em hasta pública, a sub­rogação ocorre sobre o respectivo preço.  Art.  131.  São  pessoalmente  responsáveis:  I  ­  o  adquirente  ou  remitente,  pelos  tributos  relativos  aos  bens  adquiridos  ou  remidos; (Vide Decreto Lei nº 28, de 1966) (...)"  Fl. 121DF CARF MF Processo nº 11050.002966/2004­44  Acórdão n.º 9202­004.607  CSRF­T2  Fl. 118          9 6.  O  promitente  comprador  (possuidor  a  qualquer  título)  do  imóvel,  bem  como  seu  proprietário/promitente  vendedor  (aquele  que  tem  a  propriedade  registrada  no  Registro  de  Imóveis), consoante entendimento exarado pela Primeira Seção  do  STJ,  quando  do  julgamento  dos  Recursos  Especiais  1.110.551/SP e 1.111.202/SP (submetidos ao rito do artigo 543­ C, do CPC), são contribuintes responsáveis pelo pagamento do  IPTU  (Rel.  Ministro  Mauro  Campbell  Marques,  julgado  em  10.06.2009, DJe 18.06.2009).  7.  É  que,  nas  hipóteses  em  que  verificada  a  "contemporaneidade"  do  exercício  da  posse  direta  e  da  propriedade  (e  não  a  efetiva  sucessão  do  direito  real  de  propriedade,  tendo  em  vista  a  inexistência  de  registro  do  compromisso  de  compra  e  venda  no  cartório  competente),  o  imposto sobre o patrimônio poderá ser exigido de qualquer um  dos  sujeitos  passivos  "coexistentes",  exegese  aplicável  à  espécie, por força do princípio de hermenêutica ubi eadem ratio  ibi eadem legis dispositio.  8.  In  casu,  a  instância  ordinária  assentou  que:  (i)  "...  os  fatos  geradores  ocorreram  entre  1994  e  1996.  Entretanto,  o  embargante firmou compromisso de compra e venda em 1997, ou  seja,  após  a  ocorrência  dos  fatos  geradores.  O  embargante,  ademais,  apenas  juntou  aos  autos  compromisso  de  compra  e  venda,  tal  contrato  não  transfere  a  propriedade.  Não  foi  comprovada  a  efetiva  transferência  de  propriedade  e,  o  que  é  mais  importante,  o  registro  da  transferência  no  Cartório  de  Registro de Imóveis, o que garantiria a publicidade do contrato  erga  omnes.  Portanto,  correta  a  cobrança  realizada  pela  embargada."  (sentença)  (ii)  "Com  base  em  afirmada  venda  do  imóvel  em  novembro/97,  deseja  a  parte  apelante  afastar  sua  legitimidade  passiva  executória  quanto  ao  crédito  tributário  descrito, atinente aos anos 1994 a 1996,  sendo que não  logrou  demonstrar  a  parte  recorrente  levou  a  registro,  no  Cartório  imobiliário pertinente, dito compromisso de venda e compra.  Como  o  consagra  o  art.  29,  CTN,  tem  por  hipótese  o  ITR  o  domínio  imobiliário,  que se adquire mediante  registro  junto à  Serventia do local da coisa: como se extrai da instrução colhida  junto ao feito, não demonstra a parte apelante tenha se dado a  transmissão  dominial,  elementar  a  que  provada  restasse  a  perda  da  propriedade  sobre  o  bem  tributado.  Sendo  ônus  do  originário embargante provar o quanto afirma, aliás já por meio  da preambular, nos  termos do § 2º do art. 16, LEF, bem assim  em face da natureza de ação de conhecimento desconstitutiva da  via  dos  embargos,  não  logrou  afastar  a  parte  apelante  a  presunção de certeza e de liquidez do título em causa. Cobrando  a União ITR relativo a anos­base nos quais proprietário do bem  o  ora  recorrente,  denota  a  parte  recorrida  deu  preciso  atendimento ao dogma da legalidade dos atos administrativos e  ao da estrita legalidade tributária." (acórdão recorrido)  9.  Conseqüentemente,  não  se  vislumbra  a  carência  da  ação  executiva  ajuizada  em  face  do  promitente  vendedor,  para  Fl. 122DF CARF MF     10 cobrança de débitos tributários atinentes ao ITR, máxime à luz  da  assertiva  de  que  inexistente,  nos  autos,  a  comprovação  da  translação  do  domínio  ao  promitente  comprador  através  do  registro no cartório competente.  (...)  13. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime  do  artigo  543­C,  do  CPC,  e  da  Resolução  STJ  08/2008.  Proposição de verbete sumular."  A verbete a ser sumulado, proposto pelo Ministro Luiz Fux foi o seguinte:   O  promitente  vendedor  é  parte  legítima  para  figurar  no  pólo  passivo  da  execução  fiscal  que  busca  a  cobrança  de  ITR  nas  hipóteses em que não há registro  imobiliário do ato  translativo  de propriedade.  Diante do exposto, conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no  mérito,  dou­lhe  provimento,  afastando  a  ilegitimidade  passiva  e  determinando  o  retorno  dos  autos  ao  Colegiado  de  origem,  para  julgamento  das  demais  questões  objeto  do  Recurso  Voluntário.  (assinado digitalmente)  Maria Helena Cotta Cardozo                               Fl. 123DF CARF MF

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Numero do processo: 19311.720343/2012-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Feb 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 ALÍQUOTA GILRAT. A alíquota da contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT) é determinada de acordo com a atividade preponderante do contribuinte e o respectivo grau de risco. MULTA E JUROS. Declarada procedentes as contribuições lançadas devem ser aplicados os juros e a multa legalmente estabelecidos. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.583
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso e negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO

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2402­005.583  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  19 de janeiro de 2017  Matéria  CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RAT  Recorrente  MUNICÍPIO DE FRANCO DA ROCHA PREFEITURA MUNICIPAL  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009  ALÍQUOTA GILRAT.  A  alíquota  da  contribuição  destinada  ao  financiamento  dos  benefícios  concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa  decorrente  dos  riscos  ambientais  do  trabalho  (GILRAT)  é  determinada  de  acordo com a atividade preponderante do contribuinte e o respectivo grau de  risco.  MULTA E JUROS.   Declarada  procedentes  as  contribuições  lançadas  devem  ser  aplicados  os  juros e a multa legalmente estabelecidos.  Recurso Voluntário Negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 72 03 43 /2 01 2- 51 Fl. 473DF CARF MF     2    Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do  recurso e negar­lhe provimento.      (assinado digitalmente)  Kleber Ferreira de Araújo ­ Presidente e Relator      Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Kleber  Ferreira  de  Araújo,  Ronnie  Soares  Anderson,  Jamed  Abdul  Nasser  Feitoza,  Túlio  Teotônio  de  Melo  Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild  e João Victor Ribeiro Aldinucci.  Fl. 474DF CARF MF Processo nº 19311.720343/2012­51  Acórdão n.º 2402­005.583  S2­C4T2  Fl. 3          3    Relatório  Trata­se de recurso  interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 14­ 43.774 de lavra da 17.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ  em Ribeirão Preto (SP), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir  o Auto de Infração AI n.º 51.023.470­4.  O lançamento em questão refere­se à exigência da contribuição destinada ao  financiamento  do  benefício  concedido  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT.  De  acordo  com  o  relatório  fiscal,  fls.  12/23, malgrado  a  alíquota GILRAT  para os órgãos da administração pública no período do lançamento fosse 2%, o sujeito passivo  efetuou o recolhimento da contribuição exigida aplicando a alíquota de 1%.  As  bases  de  cálculo  utilizadas  para  apuração  foram  obtidas  da  Guia  de  Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social  ­ GFIP.  Em razão da suposta prática de crime contra a ordem  tributária,  foi  lavrada  Representação Fiscal Para Fins Penais ­ RFFP.  Cientificado do AI em 16/10/2012, o sujeito passivo apresentou impugnação,  na qual alega que a maioria dos seus servidores que não são vinculados ao Regime Próprio de  Previdência  Social  atuam  na  área  de  educação,  exceto  no  período  de  férias,  assim  a  sua  atividade preponderante para os segurados do Regime Geral de Previdência Social  ­ RGPS é  educação, cuja alíquota da contribuição GILRAT é 1%, não havendo diferenças a recolher.  Alega  que  no  período  do  lançamento  não  ocorreu  qualquer  acidente  de  trabalho com seus servidores, além de que o INSS não mensurou qualquer índice relativo aos  acidentes por ramo atividade.  Sustenta que é incabível a aplicação de juros sobre multa.  Pede que seja afastada qualquer  imputação penal, haja vista que não houve  dolo  dos  seus  gestores,  até  porque  os  cálculos  para  recolhimento  das  contribuições  são  efetuados por uma empresa contratada para este fim.  A DRJ declarou improcedente a impugnação em acórdão assim ementado:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÕES  SOCIAIS  PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009  CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS AO FINANCIAMENTO DOS  BENEFÍCIOS  PREVIDENCIÁRIOS  DECORRENTES  DE  ACIDENTE  DO  TRABALHO.  GRAU  DE  RISCO.  ENQUADRAMENTO  FEITO  POR  REGULAMENTO.  LEGALIDADE.  Fl. 475DF CARF MF     4  É  admissível  que  o  Regulamento  promova  a  disciplina  de  aspectos  materiais  tangíveis  pela  hipótese  de  incidência  da  contribuição  previdenciária  destinada  ao  financiamento  dos  benefícios  decorrentes  de  acidente  do  trabalho,  na  medida  em  que se constituem aspectos imprevisíveis ao legislador ordinário.  ADICIONAL  AO  GILRAT.  FATOR  DE  PREVENÇÃO  ACIDENTÁRIA. VIGÊNCIA DA LEI NO TEMPO Descabe falar­ se  em  aplicação  da  regra  do  Fator  de  Prevenção  Acidentária  FAP  em  relação  aos  fatos  geradores  ocorridos  antes  da  sua  vigência.  JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE.  A  contribuição  previdenciária  não  recolhida  sujeita­se  à  incidência  de  juros,  calculados  com  base  na  taxa  do  Sistema  Especial  de  Liquidação  e  Custódia  SELIC,  nos  termos  da  legislação de regência.  MULTA. INCIDÊNCIA.  Sobre a contribuição previdenciária não recolhida incide multa  de ofício, na forma da legislação em vigor.  DELEGACIA  DE  JULGAMENTO.  COMPETÊNCIA.  REPRESENTAÇÃO  FISCAL.  IMPOSSIBILIDADE  DE  MANIFESTAÇÃO.  Dentre  as  competências  da  Delegacia  de  Julgamento  da  Secretaria  da  Receita  Federal  não  se  encontra  a manifestação  sobre a representação fiscal para fins penais.  Inconformado, o sujeito passivo interpôs recurso no qual  inicialmente relata  os principais fatos processuais. Depois, afirma que os documentos acostados demonstram que a  sua atividade preponderante é "educação" cuja contribuição GILRAT é calculada a alíquota de  1%, a qual foi devidamente recolhida.  Considerando  que  o  número  de  servidores  na  área  educacional  suplanta  o  quantitativo  de  servidores  em  outras  áreas,  a  única  conclusão  possível  é  que  a  atividade  preponderante  da  recorrente  é  "educação",  cujo  grau  de  risco  é  leve,  nos  termos  do  Regulamento da Previdência Social ­ RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/1999.  Apresenta jurisprudência do STJ que abonaria a sua tese, insistindo que deve  ser considerado o grau de risco leve, que implica em uma alíquota de 1% para a contribuição  exigida.  Diz que não se registrou em suas dependências qualquer acidente de trabalho  no ano de 2009, demais disso não houve por parte do INSS a divulgação acerca da estatística  acidentária por ramo de atividade.  Não é cabível a exigência de juros e multa, posto que as contribuições foram  recolhidas regularmente e no prazo legal.  Ao final, pede o cancelamento da lavratura.  O julgamento nesta turma foi convertido em diligência mediante a Resolução  n.º 2402­000.524, de 17/02/2016, para que  a autoridade  lançadora se pronunciasse  acerca da  Fl. 476DF CARF MF Processo nº 19311.720343/2012­51  Acórdão n.º 2402­005.583  S2­C4T2  Fl. 4          5  documentação acostada pelo sujeito passivo para comprovar suas alegações, principalmente o  Relatório de Riscos Ocupacionais, fls. 343 e segs.  No  seu  pronunciamento  de  fls.  450  e  segs.,  o  fisco  afirmou  que  intimou  o  ente  público  a  esclarecer  a  divergência  entre  os  dados  da  GFIP  e  aqueles  constantes  no  Relatório de Riscos Ocupacionais, todavia, a Gestora do Núcleo de Administração de Pessoal  em conjunto com a Diretora de Gestão de Pessoal do Município emitiram o documento de fl.  449, dando conta de desconheciam o citado Relatório e que confirmavam os dados informados  mediante a GFIP.  Foi apresentado levantamento para verificação da atividade preponderante da  Prefeitura, onde se conclui que a maioria dos  trabalhadores  sujeitos  ao RGPS  laboravam em  atividades cujo grau de risco é médio, com alíquota de 2%.  Ao  ente  recorrente  foi  facultada  a  oportunidade  de  se  contrapor  ao  pronunciamento do fisco, todavia, não houve manifestação.  É o relatório.  Fl. 477DF CARF MF     6    Voto             Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo ­ Relator  A  admissibilidade  do  recurso  foi  apreciada  na  sentada  anterior,  tendo­se  concluído pelo seu conhecimento.  A exigência da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos  em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do  trabalho  (GILRAT)  é  prevista  no  art.  22,  II  da  Lei  n  °  8.212/1991,  alterada  pela  Lei  n  °  9.732/1998, que fixou as alíquotas distintas, 1%, 2% e 3%, para a incidência da contribuição ao  SAT:  Art.  22.  A  contribuição  a  cargo  da  empresa,  destinada  à  Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de:  (...)   II para o  financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58  da Lei no 8.213, de 24 de  julho de 1991, e daqueles concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa  decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o  total das  remunerações  pagas  ou  creditadas,  no  decorrer  do  mês,  aos  segurados empregados e trabalhadores avulsos:  (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998).  a)  1%  (um  por  cento)  para  as  empresas  em  cuja  atividade  preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado  leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade  preponderante  esse  risco  seja  considerado  médio;  c)  3%  (três  por  cento)  para  as  empresas  em  cuja  atividade  preponderante  esse risco seja considerado grave.  O Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/1999,  no art. 202, define a atividade preponderante, para o enquadramento legal nos correspondentes  graus de riscos das atividades desenvolvidas pelas empresas:  "Art.202.  A  contribuição  da  empresa,  destinada  ao  financiamento  da  aposentadoria  especial,  nos  termos  dos  arts.  64  a  70,  e  dos  benefícios  concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa  decorrente  dos  riscos  ambientais  do  trabalho  corresponde  à  aplicação  dos  seguintes  percentuais,  incidentes  sobre  o  total  da  remuneração  paga,  devida  ou  creditada  a  qualquer  título,  no  decorrer  do mês,  ao  segurado empregado e trabalhador avulso:  I  ­  um  por  cento  para  a  empresa  em  cuja  atividade  preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado  leve;  II  dois  por  cento  para  a  empresa  em  cuja  atividade  preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado  médio; ou  Fl. 478DF CARF MF Processo nº 19311.720343/2012­51  Acórdão n.º 2402­005.583  S2­C4T2  Fl. 5          7   III  três  por  cento  para  a  empresa  em  cuja  atividade  preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado  grave.  § 1º As alíquotas constantes do caput serão acrescidas de doze,  nove ou seis pontos percentuais, respectivamente, se a atividade  exercida  pelo  segurado  a  serviço  da  empresa  ensejar  a  concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte  e cinco anos de contribuição.  §  2º  O  acréscimo  de  que  trata  o  parágrafo  anterior  incide  exclusivamente  sobre  a  remuneração  do  segurado  sujeito  às  condições  especiais  que  prejudiquem  a  saúde  ou  a  integridade  física.  §  3º  Considera­se  preponderante  a  atividade  que  ocupa,  na  empresa,  o  maior  número  de  segurados  empregados  e  trabalhadores avulsos.  §  4º  A  atividade  econômica  preponderante  da  empresa  e  os  respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação  de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco,  prevista no Anexo V.  §  5º  O  enquadramento  no  correspondente  grau  de  risco  é  de  responsabilidade  da  empresa,  observada  a  sua  atividade  econômica preponderante e será feito mensalmente, cabendo ao  Instituto Nacional do Seguro Social rever o autoenquadramento  em qualquer tempo.  ...  § 10. Será devida contribuição adicional de doze,  nove ou  seis  pontos  percentuais,  a  cargo  da  cooperativa  de  produção,  incidente  sobre  a  remuneração  paga,  devida  ou  creditada  ao  cooperado  filiado,  na  hipótese  de  exercício  de  atividade  que  autorize  a  concessão  de  aposentadoria  especial  após  quinze,  vinte  ou  vinte  e  cinco  anos  de  contribuição,  respectivamente.(Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003)  § 11. Será devida contribuição adicional de nove, sete ou cinco  pontos percentuais, a cargo da empresa tomadora de serviços de  cooperado  filiado  a  cooperativa  de  trabalho,  incidente  sobre  o  valor  bruto  da  nota  fiscal  ou  fatura  de  prestação  de  serviços,  conforme  a  atividade  exercida  pelo  cooperado  permita  a  concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte  e  cinco  anos  de  contribuição,  respectivamente.  (Redação  dada  pelo Decreto nº 4.729/2003)  § 12. Para os fins do § 11, será emitida nota fiscal ou fatura de  prestação de  serviços específica para a atividade exercida pelo  cooperado  que  permita  a  concessão  de  aposentadoria  especial.(Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003).  Considerando  que  o  levantamento  elaborado  pelo  fisco  acerca  da  atividade  preponderante do órgão público fiscalizado, com base nos dados informados na GFIP, permite  Fl. 479DF CARF MF     8  concluir  que  o  grau  de  risco  a  que  estavam  sujeitos  a maioria  dos  segurados  do  RGPS  era  médio,  deve  ser  considerado  procedente  o  lançamento  relativo  à  diferença  de  alíquota  GILRAT,  posto  que  o  recorrente,  malgrado  tenha  sido  regularmente  intimado  do  pronunciamento do fisco em sede de diligência, não se contrapôs.  Sendo  procedentes  as  contribuições  lançadas,  também  o  são  os  juros  e  a  multa impostos.  Conclusão  Voto por conhecer do recurso e negar­lhe provimento.    (assinado digitalmente)  Kleber Ferreira de Araújo                               Fl. 480DF CARF MF

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6491117 #
Numero do processo: 13005.720025/2011-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Sep 12 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3402-000.817
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 29/08/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13005.720025/2011­96  Resolução nº  3402­000.817  S3­C4T2  Fl. 1.709          2 Encaminhados  os  referidos  pleitos  à  SAFIS/DRF  em  Santa  Cruz  do  Sul/RS,  esta, em todos esses processos, propôs glosa de valores nos seguintes termos, (transcrevo como  exemplo o que consta no PA 13005.720742/2010­37), o que foi acatado pelo correspondente  despacho decisório:    Do transcrito, observa­se que o agente fiscal ao fundar a glosa fez referência ao  processo do auto de infração, sem transcrevê­la nos processos de ressarcimento/compensação.  Nas  manifestações  de  inconformidade  opostas  aos  despachos  decisórios  nos  referidos PA, a requerente adentrou no mérito das glosas conforme consta do processo do auto  de infração, de nº 13005.721311/2011­79, a que alude as informações fiscais, e que abrange os  períodos objetos dos pedidos de ressarcimento de PIS/COFINS sob análise. Isto porque, como  dito,  o  relatório  fiscal  que motivou  o  lançamento  e  as  glosas  nos  processos  em  análise  não  foram  anexadas  aos mesmos.  E  justamente  por  essa  omissão  foi  que  a DRJ/POA baixou  os  processos  em  diligência  para,  dentre  outras  questões,  determinar  que  fosse  anexado  a  esses  processos "uma cópia daquele relatório que amparou o referido Auto de Infração", o que veio a  ser feito.  A  DRJ/POA,  em  29/04/2014,  manteve  (fls.  500/532)  a  glosa  em  seus  termos  originais.  Não  resignada,  a  empresa  recorreu  dessa  decisão.  O  Acórdão  3202­000.295,  de  15/10/2014,  converteu  o  julgamento  em  diligência  para  que  a  recorrente  fosse  intimada  a  apresentar  laudo  técnico  que  descrevesse  detalhadamente  seu  processo  produtivo,  o  que  foi  feito, conforme acostado aos autos. O órgão local replicou o laudo, em suma concluindo "que  fosse  a  intenção  do  legislador  que  o  conceito  de  insumo  alcançasse  todas  as  despesas  necessárias  ao  desenvolvimento  da  atividade  econômica,  como  pretende  o  contribuinte,  não  haveria necessidade de elencar uma a uma as hipóteses de creditamento".  É o relatório.        Fl. 1710DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 29/08/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13005.720025/2011­96  Resolução nº  3402­000.817  S3­C4T2  Fl. 1.710          3 VOTO  Emerge do relato que todos os períodos de apuração dos processos da recorrente  por mim pautados para esta sessão de julgamento, arrolados no relatório, estão abarcados pelo  auto de infração constante do processo 13005.721311/2011­79. E o entendimento desta Turma  Ordinária é que o destino dos processos de ressarcimento/compensação quando a análise dos  mesmo der azo  a glosas  e que  em  função dessas  tenha havido  lançamento de ofício,  estarão  aqueles  vinculados  ao  decidido  neste.  Com  efeito,  julgado  o  lançamento,  a  própria  unidade  local da RFB pode liquidar os processos de ressarcimento/compensação aos termos do que se  tornar julgado em definitivo naquele. Por isso, entendo que os processos em questão deveriam  estar apensados aos autos do processo de lançamento.  Ou,  em  outros  termos,  entende­se  haver  prejudicialidade  da  análise  dos  processos  administrativos  de  PER/DCOMP  em  relação  ao  decidido  no  processo  do  auto  de  infração.  Deveras,  a  decisão  nos  autos  do  processo  administrativo  onde  esteja  encartada  a  exigência  fiscal  vinculará  a  decisão  nos  processos  de  PER/DCOMP  dos  períodos  e  tributos  abrangidos pelo período da autuação. Justamente por esta causa que esses processos deveriam  "correr" apensados ao processo de cobrança de crédito tributário, assim vinculados ao decidido  neste. Mas não foi isso que ocorreu in casu, pois embora absolutamente conexos, tiveram seu  iter processual apartado, o que, a meu juízo, não faz o menor sentido.  No presente caso ocorreu o inverso, pois o julgamento do recurso voluntário no  processo  do  auto  de  infração  a  que  aludi,  examinando­o  no  e­processo,  nos  termos  da  Resolução 3403­000.464, de 27/06/2013, foi convertido em diligência para que   "...os autos  retornem ao órgão preparador,  onde deverão aguardar a  solução  definitiva dos processos administrativo­fiscais em que se debate a existência e a extensão do  direito ao ressarcimento (autos cujos números estão relacionados às fls. 2.183/4). Tão logo a  cópia da decisão última de cada um deles seja  trasladada para estes autos, a autoridade de  origem encarregada da diligência deverá elaborar quadro demonstrativo, a fim de identificar  a porção do crédito definitivamente reconhecida à recorrente e, eventualmente, a parcela que  lhe foi recusada".  E  em  cumprimento  à  essa  diligência,  o  processo  13005.721311/2011­79  (AI)  encontra­se na repartição local de origem, na ARF Montenegro/RS.  Sem embargo, o que vimos entendendo é que o julgamento do auto de infração é  que é prejudicial, vinculando os processos de PER/DCOMP dos mesmos períodos de apuração  ao que nele for decidido. Nesse rumo foram julgados os acórdãos 3402­003.120, 3402­003.121  e 3402­003.122, em 23/06/2015, ementados nos seguintes termos:  COMPENSAÇÃO ­ VINCULAÇÃO AO LANÇAMENTO  O destino da compensação vincula­se ao decidido no processo cujo objeto é  o  lançamento  do  IPI  que  glosou  os  créditos  que  foram  compensados  refazendo  a  escrita  do  IPI  e  lançando  eventual  saldo  devedor.  Assim,  invalidado  o  lançamento,  que  abarca  o  período  de  apuração  do  crédito  compensado,  por  decisão  do CARF,  em  decorrência  restitui­se  o  crédito  à  escrita fiscal e homologa­se a compensação feita com arrimo naquele.  E nosso  entendimento não destoa do da Administração Tributária,  pois  vai  ao  encontro  do  que  consigna  a  Portaria  RFB  nº  354,  de  11/03/2016  (DOU  14/03/2016),  que  Fl. 1711DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 29/08/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13005.720025/2011­96  Resolução nº  3402­000.817  S3­C4T2  Fl. 1.711          4 "dispõe sobre a formalização de processos relativos a tributos administrados pela Secretaria da  Receita Federal (RFB)". Estatui seu artigo 3º:  Art. 3° Os autos serão juntados por apensação nos seguintes casos:  I  ­  recurso  hierárquico  relativo  à  compensação  considerada  não  declarada e ao lançamento de ofício de crédito tributário, inclusive da  multa isolada, dela decorrente;  II  ­  autos  de  exigências  de  crédito  tributário  relativo  a  infrações  apuradas  no  Sistema  Integrado  de  Pagamento  de  Impostos  e  Contribuições  das Microempresas  e  das Empresas  de Pequeno Porte  (Simples) que tiverem dado origem à exclusão do sujeito passivo dessa  forma de  pagamento  simplificada,  autos  de  exclusão  do  Simples  e  os  possíveis  autos  de  lançamentos  de  ofício  de  crédito  tributário  decorrente dessa exclusão em anos­calendário subsequentes que sejam  constituídos  contemporaneamente  e  pela  mesma  unidade  administrativa; e   III ­  indeferimento de pedido de ressarcimento ou não homologação  de DCOMP e o lançamento de ofício deles decorrentes.  § 1° No caso de que trata o inciso III do caput, o processo principal  ao qual devem ser apensados os demais será:  I ­ o que contiver os autos de infração, se houver; ou   II  ­  o  de  reconhecimento  de  direito  creditório  mais  antigo,  não  existindo autuação.  §  2° A  apensação,  na  hipótese  a  que  se  refere  o  inciso  III  do  caput,  deve ser efetuada:  I ­ depois do decurso do prazo de contestação dos autos de infração e  dos despachos decisórios e envolverá todos os processos para os quais  tenham  sido  apresentadas  impugnações  e  manifestações  de  inconformidade,  observado  o  disposto  no  §  18  do  art.  74  da  Lei  n°  9.430, de 27 de dezembro de 1996; e ...  Portanto,  forte  nessa  norma  administrativa,  decido  converter  o  presente  julgamento em diligência para determinar que este e os demais processos (13005.720742/2010­ 37,  13005.720743/2010­81,  13005.720027/2011­85,  13005.720025/2011­96,  13005.720038/2011­65, 13005.72041/2011­89, 13005.720363/2011­28 e 13005.720364/2011­ 72) retornem à repartição de origem (ARF Montenegro/RS), devendo ser todos apensados ao  processo  13005.721311/2011­79,  no  qual  se  controverte  o  auto  de  infração,  anexando  nele  (processo do auto de infração) todas as decisões dos processos em referência, acima listados, e  ora em julgamento.   Feito  isso,  deve  o  processo  13005.721311/2011­79  regressar  a  esta  Terceira  Seção do CARF para novo sorteio e posterior julgamento.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Fl. 1712DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 29/08/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13005.720025/2011­96  Resolução nº  3402­000.817  S3­C4T2  Fl. 1.712          5 Jorge Olmiro Lock Freire    Fl. 1713DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 29/08/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM

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Numero do processo: 10183.720127/2006-03
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Ano-calendário: 2005 ITR.. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA - RESERVA LEGAL. CERTIDÃO DE REGISTRO OU CÓPIA DA MATRÍCULA DO IMÓVEL COM AVERBAÇÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL; - DATA ANTERIOR AO FATO GERADOR - ATO CONSTITUTIVO. A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor é ato constitutivo da área de reserva legal; portanto, somente após a sua prática é que o sujeito passivo poderá suprimi-Ia da base de cálculo para apuração do ITR, independentemente da apresentação do ADA. Recurso Especial do Procurador Negado
Numero da decisão: 9202-004.386
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Ano-calendário: 2005 ITR.. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA - RESERVA LEGAL. CERTIDÃO DE REGISTRO OU CÓPIA DA MATRÍCULA DO IMÓVEL COM AVERBAÇÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL; - DATA ANTERIOR AO FATO GERADOR - ATO CONSTITUTIVO. A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor é ato constitutivo da área de reserva legal; portanto, somente após a sua prática é que o sujeito passivo poderá suprimi-Ia da base de cálculo para apuração do ITR, independentemente da apresentação do ADA. Recurso Especial do Procurador Negado

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS     2   Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar­lhe provimento.    (assinado digitalmente)  Luiz Eduardo de Oliveira Santos ­ Presidente em Exercício    (assinado digitalmente)  Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora    Participaram  do  presente  julgamento,  os  Conselheiros  Luiz  Eduardo  de  Oliveira  Santos  (Presidente  em  Exercício),  Maria  Helena  Cotta  Cardozo,  Patricia  da  Silva,  Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior,  Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.   Fl. 613DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10183.720127/2006­03  Acórdão n.º 9202­004.386  CSRF­T2  Fl. 3          3 Relatório  Trata­se  de  notificação  de  lançamento  (fls.  01/05)  relativo  ao  Imposto  Territorial Rural – ITR, relativo ao exercício de 2005, do imóvel denominado Glebas Raposo  Tavares e Santa Rosa, (NIRF 6.417.342­9), localizado no município de Apiacás/MT, por meio  do qual se exige crédito  tributário no valor de R$ 3.376.686,66,  incluídos multa de ofício no  percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora.  Conforme  descrição  dos  fatos,  o  contribuinte,  intimado  a  apresentar  documentos para comprovar a isenção relativa às áreas de preservação permanente e utilização  limitada, bem como a área ocupada com benfeitorias, não logrou apresentá­los, e por isso, os  valores  referentes  a  esses  itens  foram  alterados  para  cobrança  do  imposto  suplementar  conforme prevista em lei. Da mesma forma, o VTN declarado foi desconsiderado e arbitrado o  valor constante do Laudo Técnico apresentado pelo contribuinte.   A  autuada  apresentou  impugnação  (fls.  111/138),  tendo  a  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  em  Campo  Grande/MS  julgado  o  lançamento  procedente,  mantendo o imposto total.   Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados  ao CARF para julgamento do mesmo.   No Acórdão de Recurso Voluntário, o Colegiado, por unanimidade de votos,  deu parcial provimento ao recurso para restabelecer a área averbada de reserva legal de 37.500  hectares e adotar o VTN de R$ 12,02/hectare.   Portanto,  em  sessão  plenária  de  21/10/2010,  deu­se  parcial  provimento  ao  recurso, prolatando­se o Acórdão nº 2101­000.846, assim ementado:  “ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  PROPRIEDADE  TERRRITORIAL RURAL ­ ITR  Exercício: 2005  ITR ­ INFORMAÇÕES PRESTADAS NA DECLARAÇÃO.  Cabe  ao  fisco  verificar  a  exatidão  das  informações  prestadas  pelo  sujeito  passivo  na  declaração  do  tributo,  sendo  que  os  meios  utilizados  para  tal  aferição  devem  ser  aqueles  determinados  pela  lei,  no  sentido  de  que  o  declarante,  quando  solicitado,  apresente  os  documentos  de  suporte  aos  dados  declarados.  EXCLUSÃO  DA  BASE  DE  CÁLCULO  ­  ÁREA  DE  PRESERVAÇÃO  PERMANENTE  ­  ATO  DECLARATÓRIO  AMBIENTAL  ­  EXECÍCIO  POSTERIOR  A  2001  ­  EXIGIBILIDADE.  Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, após a vigência  da  Lei  n°  10.165,  de  27/12/2000,  se  tornou  imprescindível  a  Fl. 614DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS     4 informação  em  ato  declaratório  ambiental  protocolizado  no  prazo legal.  ÁREA  DE  UTILIZAÇÃO  LIMITADA  ­  RESERVA  LEGAL  ­  AVERBAÇÃO ­ ATO CONSTITUTIVO.  A  averbação  no  registro  de  imóveis  da  área  eleita  pelo  proprietário/possuidor  é  ato  constitutivo  da  reserva  legal;  portanto,  somente  após  a  sua  prática  é  que  o  sujeito  passivo  poderá suprimi­la da base de cálculo para apuração do ITR.  VALOR  DA  TERRA  NUA  ­  VTN  ­  LAUDO  TÉCNICO  DE  AVALIAÇÃO.  O laudo técnico emitido por entidade de reconhecida capacidade  técnica  ou  profissional  devidamente  habilitado,  apto  a  demonstrar  as  características  particulares  desfavoráveis  do  imóvel, é documento hábil ao embasamento da revisão do VTN.  Recurso Provido em Parte.”  O  processo  foi  encaminhado  para  ciência  da  Fazenda  Nacional,  em  14/02/2011  para  cientificação  em  até  30  dias,  nos  termos  da  Portaria  MF  nº  527/2010.  A  Fazenda Nacional opôs,  tempestivamente,  no mesmo dia, Embargos de Declaração alegando  omissão  do  acórdão  ao  não  se  pronunciar  a  respeito  da  exigência  do  ADA  protocolado  tempestivamente para o reconhecimento das referidas áreas como Reserva Legal; e a respeito  do  atendimento,  pelo  laudo  de  fls.  41/62  (e  anexos)  utilizando  para  a  revisão  do VTN,  das  normas da ABNT; sobre o fato do documento não se reportar à data do fato gerador e ter sido  elaborado  com  base  em  opiniões  de  informantes,  sem  apresentação  de  documentos  comprobatórios; e sobre a falta de pesquisa de valores e demonstração das peculiaridades do  imóvel  que  justificassem  sua  valoração  inferior  aos  demais  imóveis  do  município.  Tais  embargos foram rejeitados de acordo com o despacho s/nº da 1ª Câmara, de 31/01/2012.  Novamente intimada, em 17/05/2012, para cientificação em até 30 dias, nos  termos  da  Portaria  MF  nº  527/2010,  a  Fazenda  Nacional  interpôs,  tempestivamente,  em  21/05/2012,  o  Recurso  Especial.  Em  seu  recurso  visa  a  reforma  da  decisão  recorrida,  mantendo­se a glosa referente à área indicada como de reserva legal.    Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho s/nº da 1ª  Câmara, de 04/02/2014.  Em seu Recurso Especial, a Recorrente traz as seguintes alegações:  ­  que  da  análise  das  alegações  e  da  documentação  apresentadas  pelo  contribuinte,  com  a  finalidade  de  justificar  a  área  de  reserva  legal,  confirma­se  o  não  cumprimento da exigência de apresentação de ADA perante o  IBAMA ou órgão conveniado,  relativamente ao ITR do exercício de 2005.  ­ que a Lei nº 9.393/96 prevê a exclusão das áreas de preservação permanente  e reserva legal da incidência do ITR, em seu art. 10, inciso II, in verbis:  "Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo  contribuinte,  independentemente  de  prévio  procedimento  da  administração  tributária,  nos  prazos  e  condições  estabelecidos  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  sujeitando­se  a  homologação posterior.  Fl. 615DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10183.720127/2006­03  Acórdão n.º 9202­004.386  CSRF­T2  Fl. 4          5 § 1° Para os efeitos de apuração do ITR, considerar­se­á:  I ­ VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a:  a)  construções,  instalações  e  benfeitorias;  b)  culturas  permanentes  e  temporárias;  e)  pastagens  cultivadas  e  melhoradas; d) florestas plantadas;  II ­área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas:  a)  de  preservação  permanente  e  de  reserva  legal,  previstas  na  Lei n° 4.771, de 15 de  setembro de 1965,  com a redação dada  pela  Lei  IV  7.803,  de  18  de  julho  de  1989;  b)  de  interesse  ecológico  para  a  proteção  dos  ecossistemas,  assim  declaradas  mediante  ato  do  órgão  competente,  federal  ou  estadual,  e  que  ampliem  as  restrições  de  uso  previstas  na  alínea  anterior;  c)  comprovadamente  imprestáveis  para  qualquer  exploração  agrícola,  pecuária,  granjeira,  agrícola  ou  florestal,  declaradas  de  interesse  ecológico  mediante  ato  do  órgão  competente,  federal  ou  estadual;  d)  sob  regime  de  servidão  florestal  ou  ambiental;  e)  cobertas  por  florestas  nativas,  primárias  ou  secundárias  em  estágio  médio  ou  avançado  de  regeneração;  (...).”  ­ que o citado dispositivo legal  trata de concessão de benefício  fiscal,  razão  pela qual  deve  ser  interpretado  literalmente,  de  acordo  com o  art.  111  do Código Tributário  Nacional, e que, inclusive, o CARF editou a Súmula nº 41 sobre o tema: “A não apresentação  do Ato Declaratório Ambiental  (ADA) emitido pelo  IBAMA, ou órgão conveniado, não pode  motivar o lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000”.  ­ que, pelo enunciado transcrito acima podemos deduzir que, se a ausência do  ADA  não  poderia  motivar  lançamento  de  ofício  relativo  a  fatos  geradores  ocorridos  até  o  exercício  de  2000,  após  este  período,  com  a  publicação  da  Lei  nº  10.165/00,  que  alterou  o  conteúdo  do  art.  17­O,  §1º  da  Lei  nº  6.938/81,  o  lançamento  pode  e  deve  ser  feito,  como  ocorreu no caso dos autos.  ­  que a Lei nº 10.165/00,  ao  alterar o  conteúdo do art.  17­O, §1º da Lei nº  6.938/81  não  fez  qualquer  ressalva  quanto  a  casos  em  que  a  apresentação  do  ADA  seria  dispensável, não cabendo ao intérprete da lei, no caso o I. relator, fazê­lo.  ­ Que o RI­CARF, em seu art. 72, prevê, em relação a temas sumulados, que  “as  decisões  reiteradas  e  uniformes  do  CARF  serão  consubstanciadas  em  súmula  de  observância  obrigatória  pelos  membros  do  CARF”  e  no  §4º  desse  mesmo  artigo,  que  “as  súmulas  aprovadas  pelos  Primeiro,  Segundo  e  Terceiro  Conselhos  de  Contribuintes  são  de  adoção  obrigatória  pelos  membros  do  CARF”,  e  que,  uma  vez  que  o  tema  discutido  no  presente  recurso,  qual  seja,  a necessidade de  apresentação  tempestiva do ADA para gozo de  isenção  do  ITR,  é  objeto  de Súmula  editada  pelo CARF,  tal  entendimento  é  de  observância  cogente pelos demais membros do órgão, motivo pelo qual o acórdão deve ser modificado de  plano em favor da Fazenda Nacional.  ­  que,  portanto,  para  efeito  de  exclusão  das  áreas  de  reserva  legal  e  de  preservação  permanente  da  incidência  do  ITR,  é  necessário  que  o  contribuinte  comprove  o  reconhecimento  formal  específica  e  individualmente  da  área  como  tal,  apresentando  o ADA  Fl. 616DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS     6 respectivo  ou  protocolizando  requerimento  de  ADA  perante  o  IBAMA  ou  em  órgãos  ambientais  delegados  por  meio  de  convênio,  no  prazo  de  seis  meses,  contado  a  partir  do  término do prazo fixado para a entrega da declaração, conforme IN SRF nº 43/97, com redação  dada pela IN SRF nº 67/97.  ­ que a Instrução Normativa SRF nº 73, de 18/07/2000, ao tratar da matéria,  confirma, em seu art. 17, inciso II, a exigência relativa ao prazo de seis meses, contados da data  final de entrega de DITR, para que o contribuinte protocolizasse o requerimento do ADA junto  ao Ibama.  ­ que, da mesma  forma, a  IN SRF nº 60, de 06/06/2001, que  revogou a  IN  SRF n° 73/2000, consolidou, em seu art. 17, caput e incisos, a exigência de lei, in verbis:  "Art.  17.  Para  fins  de  apuração  do  ITR,  as  áreas  de  interesse  ambiental, de preservação permanente ou de utilização limitada  serão reconhecidas mediante ato do IBAMA ou órgão delegado  por convênio, observado o seguinte:  I ­ as áreas de reserva legal e de servidão florestal, para fins de  obtenção  do  ato  declaratório  do  IBAMA,  deverão  estar  averbadas  à  margem  da  inscrição  da  matricula  do  imóvel  no  registro  de  imóveis  competente,  conforme  preceitua  a  Lei  If  4.771, de 1965;  II ­ o contribuinte terá o prazo de seis meses, contado a partir da  data  final da entrega da DITR, para protocolizar  requerimento  do ato declaratório junto ao IBAMA;  III ­ se o contribuinte não requerer, ou se o requerimento não for  deferido  pelo  IBAMA,  a  Secretaria  da  Receita  Federal  fará  lançamento suplementar, recalculando o ITR devido."   ­ que, de igual modo, a IN SRF nº 256/2002, posteriormente editada, prevê a  obrigatoriedade do ADA,  e que,  ao  estabelecer  a necessidade de  reconhecimento pelo Poder  Público,  a Administração Tributária,  por meio de  ato  normativo,  fixou condição para  a não­ incidência  tributária  sobre  as  áreas  de  preservação  permanente  e  de  utilização  limitada,  elencadas e definidas no Código Florestal e na legislação do ITR.  ­  que  a  exigência  do ADA não  caracteriza  obrigação  acessória,  visto  que  a  sua  exigência  não  está  vinculada  ao  interesse  da  arrecadação  ou  da  fiscalização  de  tributos,  nem se converte, caso não apresentado ou não requerido a tempo, em penalidade pecuniária,  definida no art. 113, §§ 2° e 3º, da Lei n°5.172/1966 (Código Tributário Nacional — CTN), ou  seja, a ausência do ADA não enseja multa regulamentar ­ o que ocorreria caso se tratasse de  obrigação acessória ­, mas sim incidência do imposto.  ­  que  é  equivocado  o  entendimento  de  que  não  existe mais  a  exigência  de  prazo  para  apresentação  de  ADA,  em  virtude  do  disposto  no  §7º  do  art.  10  da  Lei  n°  9.393/1996, incluído pelo art. 3º da Medida Provisória n° 2.166­67, de 24/08/2001, que assim  dispõe:  " §7º A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas  de que tratam as alíneas "a" e "c" do inciso II, § 1°, deste artigo,  não está sujeita à previa comprovação por parte do declarante,  ficando  o  mesmo  responsável  pelo  pagamento  do  imposto  correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique  Fl. 617DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10183.720127/2006­03  Acórdão n.º 9202­004.386  CSRF­T2  Fl. 5          7 comprovado  que  a  sua  declaração  não  é  verdadeira,  sem  prejuízo de outras sanções aplicáveis."  ­  que  o  que  não  é  exigido  do  declarante  é  a  prévia  comprovação  das  informações prestadas, ficando o contribuinte responsável por preencher os dados relativos às  áreas de preservação permanente e de utilização limitada, apurar e recolher o imposto devido, e  apresentar a sua DITR,  sem que lhe seja exigida qualquer comprovação naquele momento; e  somente  se  solicitado pela Secretaria da Receita Federal,  o  contribuinte deverá  apresentar  as  provas das situações utilizadas para dispensar o pagamento do tributo.  ­ que a necessidade de apresentação do ADA é clara e irrefutável, tanto que o  Decreto  nº  4.382,  de  19/09/2002,  que  regulamenta  a  tributação,  fiscalização,  arrecadação  e  administração do ITR (Regulamento do ITR), e que consolidou toda a base legal deste tributo,  assim dispõe em seu art. 10:  "Art.  10. Área  tributável  é a área  total do  imóvel,  excluídas as  áreas:  I ­ de preservação permanente (Lei nº 4.771, de 15 de setembro  de  1965  ­ Código Florestal,  arts.  2º  e  3º,  com a  redação dada  pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989, art. 1°);  II  ­  de  reserva  legal  (Lei  nº  4.771,  de  1965,  art.  16,  com  a  redação  dada  pela  Medida  Provisória  n°  2.166­67,  de  24  de  agosto de 2001, art. 1º);  III  ­ de reserva particular do patrimônio natural  (Lei n° 9.985,  de 18 de julho de 2000, art. 21; Decreto n° 1.922, de 5 de junho  de 1996);  IV  ­  de  servidão  florestal  (Lei  nº  4.771,  de  1965,  art.  44­A,  acrescentado pela Medida Provisória n° 2.166­67, de 2001);  V  ­  de  interesse  ecológico  para  a  proteção  dos  ecossistemas,  assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou  estadual,  e  que  ampliem  as  restrições  de  uso  previstas  nos  incisos  I e  II do caput deste artigo  (Lei n° 9.393, de 1996, art.  10, § 1º, inciso II, alínea " b" );  VI  ­  comprovadamente  imprestáveis  para  a  atividade  rural,  declaradas  de  interesse  ecológico  mediante  ato  do  órgão  competente, federal ou estadual (Lei n" 9.393, de 1996, art. 10, §  1º, inciso II, alínea " c" ).  (...)  § 2º A área total do imóvel deve se referir à situação existente na  data  da  efetiva  entrega  da  Declaração  do  Imposto  sobre  a  Propriedade Territorial Rural ­ DITR.  § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel  rural a que se refere o caput deverão:  I  ­  ser  obrigatoriamente  informadas  em  Ato  Declaratório  Ambiental  ­ ADA,  protocolado pelo  sujeito  passivo no  Instituto  Brasileiro  do  Meio  Ambiente  e  dos  Recursos  Naturais  Fl. 618DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS     8 Renováveis  ­  IBAMA,  nos  prazos  e  condições  fixados  em  ato  normativo (Lei n° 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17­0, § 5°,  com  a  redação  dada  pelo  art.  1º  da  Lei  n°  10.165,  de  27  de  dezembro de 2000); e  II ­ estar enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos I a VI  em 1° de janeiro do ano de ocorrência do fato gerador do ITR.”  ­  que  a  Coordenação­Geral  de  Tributação  (Cosit),  que  tem  a  competência  regimental  de  interpretar  a  legislação  tributária  no  âmbito  da  Secretaria  da  Receita  Federal,  editou a Solução de Consulta Interna n° 12, de 21/05/2003, que ratifica o entendimento acima  exposto, sendo oportuna a transcrição do trecho final do citado ato:  “3.1.  Diante  do  exposto,  conclui­se  que,  para  fins  de  exclusão  das áreas não tributáveis da incidência do ITR, o sujeito passivo  deverá, cumulativamente:  a) atender a todas as condições exigidas para a caracterização  de cada área declarada como não tributável; e  b)  informar,  obrigatoriamente,  as  áreas  mencionadas  no  item  "a"  em  ADA,  protocolado  no  lbama  no  prazo  de  seis  meses,  contado  a  partir  do  término  do  período  de  entrega  da  declaração,  obrigatoriedade  esta  que  foi  imposta  desde  o  exercício  de  1997,  com  base  na  Instrução  Normativa  SRF  nº  43/97,  com  a  redação  dada  pela  Instrução  Normativa  SRF  nº  67/97, ambas de 1997; na  Instrução Normativa SRF ni° 73/00,  de  2000,  e  a  partir  do  exercício  de  2001,  com  base  na  Lei  n°  6.938, de 1981, com a redação dada pela Lei n° 10.165, de 2000,  e Instruções Normativas SRF nº 60, de 2001, e nº 256, de 2002.  3.2. Portanto, respondendo às questões formuladas na Consulta  Interna:  a)  a  falta  de  ADA,  protocolado  no  lbama,  implica  o  não  reconhecimento pela SRF das áreas de preservação permanente  ou de utilização limitada;  b)  a  SRF  deve  exigir  toda  a  documentação  comprobatória  das  áreas  de  preservação  permanente  ou  de  utilização  limitada,  inclusive o ADA protocolado  tempestivamente  no  lbama,  sendo  que este não substitui os demais documentos exigíveis;  c)  alem  de  todos  os  demais  documentos  comprobatórios  das  áreas  de  preservação  permanente  ou  de  utilização  limitada,  deverá ser apresentada pelo contribuinte cópia do ADA entregue  ao  lbama, não sendo suficiente a apresentação do protocolo de  entrega,  sendo  que,  na  hipótese  de  descumprimento  de  tais  exigências,  ou  se,  após  vistoria  realizada  pelo  lbama,  seus  técnicos  verificarem  que  os  dados  constantes  no  Ato  não  coincidem com os efetivamente levantados e, por conseqüência,  lavrarem, de oficio, novo ADA, contendo os dados reais, deverá  ser  apurado o  ITR  efetivamente  devido  e  efetuado,  de  oficio,  o  lançamento  da  diferença  de  imposto  com  os  acréscimos  legais  cabíveis."  ­ que a exigência do ADA encontra­se consagrada na Lei nº 6.938, de 31 de  agosto de 1981, art. 17­0, §1º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27/12/2000,  Fl. 619DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10183.720127/2006­03  Acórdão n.º 9202­004.386  CSRF­T2  Fl. 6          9 e  que  esse  diploma  reitera  os  termos  da  Instrução Normativa  n°  43/97,  no  que  concerne  ao  meio  de  prova  disponibilizado  aos  contribuintes  para  o  reconhecimento  das  áreas  de  preservação permanente e de utilização limitada, com vista à redução da incidência do ITR.  ­  que  a  obrigatoriedade  da  apresentação  do  ADA  não  representa  qualquer  violação de direito ou do princípio da  legalidade, pelo contrário,  alinha­se com a norma que  consagrou o benefício tributário (art. 10, §1º, II da Lei nº 9.393/96), apontando os meios para a  comprovação da existência das áreas de preservação permanente e de utilização limitada.  ­ que a obrigatoriedade do ADA, portanto, não desborda da regulamentação  dos dispositivos legais, porquanto não viola direitos do contribuinte, alem de lhe ser claramente  favorável; e que o contribuinte não pode querer valer­se da exclusão das áreas  tributáveis da  incidência do ITR sem cumprir as exigências previstas na legislação.   ­  que  não  é  juridicamente  sustentável  a  tese  segundo  a  qual,  diante  da  declaração do contribuinte de que sua propriedade está inserida em área de utilização limitada e  de preservação permanente, não possa a autoridade pública exigir a comprovação do alegado  através  da  documentação  competente,  uma  vez  que  o  direito  ao  beneficio  legal  deve  estar  documentalmente  comprovado,  e  que  o ADA,  apresentado  tempestivamente,  é  o  documento  exigido para tal fim.  ­  que,  no  presente  processo,  não  se  discute  a  materialidade,  ou  seja,  a  existência  efetiva  das  áreas  de  reserva  legal  (utilização  limitada),  e  sim  busca­se  o  cumprimento de uma obrigação prevista na legislação, referente à área de que se trata, para fins  de exclusão da tributação.  ­ que, no caso concreto, o Recorrente não apresentou o ADA, razão pela qual  deve ser mantida a glosa efetivada pela fiscalização.  Cientificado do Acórdão nº 2101­000.846, do Recurso Especial da Fazenda  Nacional  e  do Despacho de Admissibilidade  admitindo  o Resp  da PGFN,  em 09/07/2014,  o  contribuinte apresentou, tempestivamente, em 24/07/2014, contrarrazões.  Em sua contrarrazões, o contribuinte alega que:  ­  o  ITR,  de  competência  da  União,  é  um  tributo  de  caráter  extrafiscal,  destinando­se,  desde  a  sua  criação,  a  desestimular  a  manutenção  de  latifundiários  rurais  improdutivos,  não  tendo  por  finalidade  a  simples  arrecadação  em  benefício  do  Tesouro  Nacional, conforme expressamente previsto no art. 153, §4º, inciso I da Constituição Federal.  ­ O ITR é, portanto, um imposto que incide sobre a propriedade rural passível  de exploração, graduado de acordo com a produtividade efetiva da propriedade; assim é que,  calcula­se  o  Valor  da  Terra  Nua  ­  VTN,  excluindo­se  do  valor  do  imóvel  os  valores  das  construções, instalações, benfeitorias, culturas permanentes e temporárias, pastagens e florestas  plantadas  e  deduzindo­se  as  áreas  cujo  aproveitamento  econômico  é  obstado  por  limitações  administrativas impostas pela legislação ambiental (reserva legal e preservação permanente), e  sobre  esse  valor  aplica­se  uma  alíquota  progressiva  determinada  em  função  do  Grau  de  Utilização – GU.  ­  ficam  excluídas  da  área  tributável,  portanto,  sem  quaisquer  outras  condições, as áreas de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771/65,  Fl. 620DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS     10 com redação dada pela Lei nº 7.803/89, além de outras de interesse ecológico – Lei nº 9.393,  art.  10,  §1º,  inciso  II,  letras  a,  b,  c  e  d;  reconhecendo  ao  proprietário  de  terras  produtivas  o  direito a uma tributação mais favorecida e ao proprietário de áreas de preservação ambiental, o  direito  incondicional  de  excluí­las  da  tributação,  na  medida  em  que  não  são  passíveis  de  exploração econômica.  ­ o imóvel em questão nos autos do presente processo tem um total de 75.000  ha,  totalmente  tomado  pela  floresta  tropical;  localizam­se  na  região  de  influência  da  Bacia  Amazônica, com clima tropical de temperatura e umidade elevadas, de reduzida capacidade de  uso;  em  toda  a  extensão  do  imóvel  há  apenas  uma  clareira  de  cerca  de  20  ha,  onde  foi  construída uma casa e uma pista de pouso, permanecendo o restante da área com a cobertura  florestal  original  intacta,  estando  situada  dentro  de  uma  vastíssima  extensão  de  terras  consideradas  pela  FUNAI,  desde  1999,  como  pertencentes  ao  patrimônio  indígena,  não  havendo,  portanto,  nenhuma  possibilidade  de  se  obter  licença  de  desmatamento  ou  explorar  recursos naturais ali existentes.  ­ o §8º do art. 16 do Código Florestal determina que as áreas de reserva legal  devem ser averbadas no Registro Geral de Imóveis competente, ficando vedada a alteração de  sua  destinação,  nos  casos  de  transmissão  a  qualquer  título  ou  de  desmembramento  da  área,  sendo  que  esse  procedimento  destina­se  apenas  a  dar  publicidade  e  a  tornar  eficaz,  perante  terceiros, a existência dessa limitação administrativa, com as restrições impostas à utilização da  propriedade  atingida  e  com  a  delimitação  da  área  assim  gravada  já  aprovada  pelo  órgão  ambiental competente, e, portanto, para o proprietário de terras, as  limitações administrativas  estabelecidas  pela  Lei  nº  4.777/65,  que  impedem  a  supressão  da  vegetação  nativa  e,  em  conseqüência,  a  exploração  econômica  da  propriedade,  resultam  automaticamente  da  lei,  produzindo efeitos que independem da qualquer outro requisito.  ­  a  Recorrente  efetuou,  em  17  de  abril  de  1998,  a  averbação  da  área  de  reserva legal, comprometendo­se perante o IBAMA a cumprir os Termos de Responsabilidade  e Preservação da Floresta constantes das matrículas dos imóveis e gravando 50% da área total  do imóvel como de utilização limitada, conforme certidões do 1º Serviço Notarial e Registral  de  Presidente  Prudente,  valendo­se  para  isso  dos  serviços  técnicos  de  um  engenheiro  agrônomo.  ­  no  que  se  refere  às  demais  áreas,  o  laudo  elaborado  pelo  engenheiro  agrônomo contratado pela Recorrente, apresentado à Receita Federal em 19/08/05, identificou  um total de 25.000 ha ao longo dos diversos cursos d’água que cruzam as propriedades, que se  caracterizam como áreas de preservação permanente, na forma do art. 2º do Código Florestal;  e, portanto, em decorrência do disposto nesse artigo, pelo efeito da lei somente, ou seja, sem  necessidade de qualquer outro requisito, além dos 80% que constituem área de reserva legal,  outros 33%, aproximadamente, da área do imóvel constituem área de preservação permanente,  cuja exploração econômica também é vedada pela legislação ambiental, ficando, dessa forma,  respeitada  a situação  real do  imóvel,  cuja área aproveitável não poderia  exceder 17% de sua  área total, em razão das áreas de reserva legal e de preservação permanente estabelecidas nos  arts. 2º e 16 do Código Florestal.  ­  a  existência  de  referidas  áreas  jamais  foi  questionada,  quer  no  auto  de  infração, quer no acórdão recorrido, sendo que a autoridade autuante fundamentou a glosa da  totalidade  das  áreas  de  preservação  ambiental  –  aí  incluídas  tanto  as  áreas  de  preservação  permanente como as áreas de reserva legal – unicamente na inexistência do Ato Declaratório  Ambiental do IBAMA (ADA), sob o argumento de que a apresentação deste documento seria  indispensável para a dedução de referidas áreas da base de cálculo do ITR.  Fl. 621DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10183.720127/2006­03  Acórdão n.º 9202­004.386  CSRF­T2  Fl. 7          11 ­  ressalta­se  que  o  ADA,  documento  que  segundo  a  Fazenda  Nacional  é  essencial  para  a  exclusão  das  áreas  declaradas  como  de  preservação  permanente  da  área  tributável  do  imóvel,  se  consubstancia  em  um  simples  formulário  preenchido  e  protocolado  junto ao IBAMA, no qual não existe campo para a discriminação das áreas de reserva legal e  de  preservação  permanente,  não  passando  de  mero  espelho  do  que  é  declarado  pelo  contribuinte na DITR e que, além disso, no intuito de satisfazer as exigências apresentadas pela  fiscalização, a Recorrente requereu, em 30/05/2007, o protocolo do ADA junto ao IBAMA, no  qual encontram­se elencadas as áreas de preservação permanente e de reserva legal declaradas  no DITR 2005.  ­ o direito à dedução das áreas de preservação ambiental da base de cálculo  do  ITR  não  configura  benefício  fiscal  oferecido  pela  Fazenda,  mas  nítida  hipótese  de  não  incidência  decorrente  da  própria  natureza  do  tributo,  na  forma  como  foi  definido  na  Constituição  Federal  de  1988  e,  portanto,  a  não  incidência  do  ITR  sobre  as  áreas  de  preservação ambiental é um reflexo do caráter extrafiscal que lhe foi atribuído pelo legislador  constituinte e  é  justamente por esta  razão que o direito  à dedução destas  áreas não pode  ser  subordinado ao preenchimento de requisitos formais estabelecidos pela Administração.  ­  a  Lei  nº  10.165/2000, mencionada  nos  fundamentos  do  auto  de  infração,  alterou a redação do art. 17­O da Lei nº 6.938/81, que passou a vigorar com a seguinte redação:  “Art.  17­O.  Os  proprietários  rurais  que  se  beneficiarem  com  redução do valor do Imposto Territorial Rural – ITR, com base  em  Ato  Declaratório  Ambiental  –  ADA,  deverão  recolher  ao  IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei  nº 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.  (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000)  §1º­A. A Taxa  de Vistoria  a  que  se  refere  o  caput  deste  artigo  não  poderá  exceder  a  dez  por  cento  do  valor  da  redução  do  imposto proporcionada pelo ADA.  §1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar  do ITR é obrigatória (...)”  ­ o §1º do art. 17­O transcrito acima, de fato, determina que a utilização do  ADA para efeito de  redução do valor a pagar do  ITR é obrigatória,  todavia, basta  ler  todo o  artigo  para  concluir  que  essa  exigência  é  aplicável  somente  às  áreas  rurais  que,  para  se  qualificarem  como  fatores  de  redução  do  valor  do  Imposto  sobre  a  Propriedade  Territorial  Rural devam sujeitar­se à vistoria do IBAMA.  ­ o Código Florestal  prevê duas hipóteses distintas de áreas de preservação  permanente, em seus arts. 2º e 3º. No art. 3º estabelece que:  “Art.  3º  Consideram­se,  ainda,  de  preservação  permanente,  quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas  e demais formas de vegetação natural destinadas:  a) a atenuar a erosão das terras; b) a fixar as dunas; c) a formar  faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar  a  defesa  do  território  nacional  a  critério  das  autoridades  militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor  científico ou histórico;  f) a asilar exemplares da fauna ou flora  Fl. 622DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS     12 ameaçados  de  extinção;  g)  a  manter  o  ambiente  necessário  à  vida  das  populações  silvícolas;  h)  a  assegurar  condições  de  bem­estar público.”  ­ as áreas elencadas nesse artigo somente serão consideradas de preservação  permanente  quando  assim  declaradas  por  ato  do  Poder  Público,  diversamente  do  que  ocorre  com  as  áreas  de  preservação  permanente  previstas  no  art.  2º  da  mesma  lei,  que  assim  se  caracterizam pelo só efeito da Lei; assim é que o disposto no art. 17­O da Lei nº 6.938/81 se  destina  apenas  “aos  proprietários  rurais  que  se beneficiarem  com  redução  do  valor  do  ITR  com base no ADA” que declare como de preservação permanente as áreas previstas no art. 3º  do Código Florestal, o que não é o caso da Recorrente – que se enquadra nas espécies previstas  do  art.  2º  do  Código  Florestal  –  não  estando  sua  existência  sujeita  à  prévia  verificação  e  expedição de ato do Poder Público.  ­ de acordo com o disposto no art. 8º, §2º da Lei nº9.393/96, o valor da terra  nua que constitui a base de cálculo do ITR deve corresponder ao valor de mercado do imóvel,  individualizado de acordo com as suas particularidades, e não o valor médio das propriedades  na região.  ­  a  totalidade  das  áreas  das  fazendas  denominadas  Santa  Rosa  e  Gleba  Raposo Tavares II, objeto deste processo administrativo, encontra­se, desde 1993, em processo  de identificação e demarcação, pela União Federal, da Reserva Indígena Kayabi, sendo que a  Constituição Federal, em seu artigo 231, reconhece aos índios os direitos originários sobre as  terras que tradicionalmente ocupam, atribuindo à União o dever de demarcá­las e de proteger o  direito dos índios à sua posse permanente e usufruto exclusivo das riquezas do solo, dos rios e  dos lagos nela existentes e, portanto, ao detentor de título dominal, ao possuidor ou ocupante, a  qualquer título, das terras integrantes do Patrimônio Indígena não se reconhece direito algum,  ainda  que  as  possua  de  boa  fé,  com  título  de  proprietário  registrado  e  derivado  de  cadeia  dominal  de  longa  data,  posto  que  a  tais  títulos  não  se  atribui  validade  e  eficácia,  eis  que  se  consideram inalienáveis e imprescritíveis os direitos reconhecidos às tribos indígenas.   ­  a  exploração  econômica dos  imóveis  inviabilizou­se  a partir  do momento  em que se iniciou o procedimento de identificação da terra indígena, uma vez que jamais serão  outorgados  ao  seu  possuidor  ou  ocupante  quaisquer  autorizações  ou  licenças  para  o  desmatamento  necessário  ao  desenvolvimento  de  atividades  agrícolas  ou  pastoris,  ou  para  a  prática  de  quaisquer  outros  atos  ou  atividades  econômicas  que  envolvam  a  utilização  dos  recursos naturais ali existentes, e portanto, não existe “mercado” para a negociação das terras  discutidas aqui nesse processo.  ­ a Recorrente é proprietária apenas formalmente dos imóveis tributados, pois  substancialmente o seu direito de propriedade foi completamente esvaziado, não tendo, de fato,  como exercer, com proveito, quaisquer dos poderes inerentes ao domínio, e por conseqüência,  o Valor da Terra Nua ­ VTN – dos imóveis rurais atingidos por restrições dessa natureza torna­ se irrisório.  É o relatório.  Fl. 623DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10183.720127/2006­03  Acórdão n.º 9202­004.386  CSRF­T2  Fl. 8          13 Voto             Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira ­ Relatora  PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE  O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende  aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido.  Da  análise  dos  autos,  vê­se  que  a  discussão  trata  da  necessidade  de  protocolização  tempestiva  do  Ato  Declaratório  Ambiental  (ADA)  junto  ao  IBAMA  e  de  averbação  tempestiva  no  registro  de  imóvel  para  fins  dedução  de  área  de  Reserva  Legal,  quando  da  apuração  da  base  de  cálculo  do  ITR,  relativo  ao  exercício  de  2005,  do  imóvel  denominado Glebas Raposo Tavares e Santa Rosa.  É  sabido  que  na  legislação  que  abarca  a matéria  a  Reserva  Legal  tem  por  requisito  formal, ou seja, condição para sua consideração  tributária, ou seja, dedução da área  para apuração do ITR, a existência dos seguintes procedimentos:  (a) apresentação tempestiva de requerimento ao IBAMA de Ato  Declaratório Ambiental (ADA), no qual é informada a metragem  da  área  destinada  à  Reserva  Legal  que,  de  acordo  com  a  localização, corresponde a um percentual da área do imóvel;  e,   (b)  a  averbação dessa  área  na matrícula  da  propriedade  rural  no Registro de Imóveis antes da ocorrência do fato gerador, em  1º de janeiro do ano calendário. Saliente­se que o ADA somente  passou a ser requisito com o advento da Lei no 10.165, de 27 de  dezembro  de  2000,  e  a  averbação,  com  o  advento  da  Lei  nº  7.803, de 18 de julho de 1989  Vejam­se os seguintes dispositivos extraídos da Lei nº 9.393/96:  Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo  contribuinte,  independentemente  de  prévio  procedimento  da  administração  tributária,  nos  prazos  e  condições  estabelecidos  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  sujeitando­se  a  homologação posterior.  § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá:  (...)  II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas:  a)  de  preservação  permanente  e  de  reserva  legal,  previstas  na  Lei no 12.651, de 25 de maio de 2012   b)  de  interesse  ecológico  para  a  proteção  dos  ecossistemas,  assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou  estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea  anterior;   Fl. 624DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS     14 c)  comprovadamente  imprestáveis  para  qualquer  exploração  agrícola,  pecuária,  granjeira,  aqüícola  ou  florestal,  declaradas  de  interesse  ecológico  mediante  ato  do  órgão  competente,  federal ou estadual;   d) sob regime de servidão ambiental;   e)  cobertas  por  florestas  nativas,  primárias  ou  secundárias  em  estágio médio ou avançado de regeneração;   f)  alagadas  para  fins  de  constituição  de  reservatório  de  usinas  hidrelétricas autorizada pelo poder público.  (...)  § 7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas  de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo,  não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante,  ficando  o  mesmo  responsável  pelo  pagamento  do  imposto  correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique  comprovado  que  a  sua  declaração  não  é  verdadeira,  sem  prejuízo de outras sanções aplicáveis.  O artigo 17­O da Lei nº 6.938/81, com a redação que lhe foi dada pela Lei nº  10.165/2000, passou a prever que:  Art.  17­O.  Os  proprietários  rurais  que  se  beneficiarem  com  redução  do  valor  do  Imposto  sobre  a  Propriedade  Territorial  Rural  –  ITR,  com  base  em  Ato  Declaratório  Ambiental  ADA,  deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11  do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título  de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000)  § 1º A. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo  não  poderá  exceder  a  dez  por  cento  do  valor  da  redução  do  imposto  proporcionada  pelo ADA.(Incluído  pela  Lei  nº  10.165,  de 2000)  §  1º  A  utilização  do  ADA  para  efeito  de  redução  do  valor  a  pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de  2000)  Percebe­se  que  a  apresentação  do  ADA  pelo  contribuinte  ao  IBAMA  ou  órgão  conveniado  –  até  que  haja  uma  vistoria  pelo  órgão  competente  e  a  ratificação  ou  retificação  das  declarações  ali  contidas  –  restringe­se  a  informações  prestadas  pelo  próprio  contribuinte  ao  órgão  ambiental  acerca  da  existência  de  áreas  que  possuem  algum  interesse  ecológico.   Tenho  que  o  §  1º  do  art.  17­O  instituiu  a  obrigatoriedade  apenas  para  situações em que o benefício de redução do ITR ocorra com base no ADA, ou seja, depende do  reconhecimento ou declaração por ato do Poder Público.   Quanto  aos  documentos  necessários  para  comprovação  da  ARL  ­  área  de  Reserva Legal podemos concluir que a própria Administração Pública entende que o ADA tem  efeito  meramente  declaratório,  não  sendo  o  único  documento  comprobatório  da  área  de  preservação permanente, podendo ser levando em conta, dentre outros, ∙ Certidão de registro  ou  cópia  da  matrícula  do  imóvel  com  averbação  da  Área  de  Reserva  Legal,  ,  que  especifique e discrimine a área de interesse ambiental.  Assim,  no  exame  do  caso  concreto,  se  faz  necessário  investigar  se  o  contribuinte,  até  o  início  do  procedimento  fiscal  –  11  de  abril  de  2006  (fls.  11/12),  data  da  Fl. 625DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10183.720127/2006­03  Acórdão n.º 9202­004.386  CSRF­T2  Fl. 9          15 ciência da intimação, já havia informado a órgão ambiental estadual ou federal a existência das  áreas de reserva legal pleiteadas, se houve averbação da área de reserva  legal, e se  tais áreas  estão  devidamente  identificadas  e  passíveis  de  serem  ratificadas  pelos  órgãos  competentes.  Compulsando­se  os  autos  verifica­se  que  o  ADA  relativo  ao  exercício  de  2000  fora  apresentado  ao  IBAMA  em  30  de maio  de  2007,  ou  seja,  posteriormente  ao  início  da  ação  fiscal (11/04/2006).  Com  o  objetivo  de  comprovar  a  existência  da  área  de  preservação  permanente, o contribuinte fez prova do registro da área no Registro de imóveis.  Na espécie,  às  folhas  37  e  seguintes,  consta  que  a  área  de  reserva  legal  de  37.500  hectares  (48.871,38  (50%)+26.128,62  50%)=TOTAL 37.500  foi  objeto  de  averbação  no CRI em 16/04/1998, caracterizando a espontaneidade do contribuinte em face da autoridade  fiscalizadora tributária, tendo em vista ser esse a averbação em data anterior ao fato gerador.  Neste sentido, é o entendimento do seguinte julgado:  Acórdão nº 210101.862, sessão de 12 de março de 2012 (excerto  de ementa)  ÁREA DE  RESERVA  LEGAL.  NECESSIDADE OBRIGATÓRIA  DA AVERBAÇÃO À MARGEM DA MATRÍCULA DO IMÓVEL  RURAL  NO  CARTÓRIO  DE  REGISTRO  DE  IMÓVEIS.  HIGIDEZ.  AVERBAÇÃO  ATÉ  O  MOMENTO  ANTERIOR  AO  INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. NECESSIDADE.  O art. 10, § 1º, II, “a”, da Lei nº 9.393/96 permite a exclusão da  área  de  reserva  legal  prevista  no  Código  Florestal  (Lei  nº  4.771/65)  da  área  tributável  pelo  ITR,  obviamente  com  os  condicionantes do próprio Código Florestal, que, em seu art. 16,  §  8º,  exige  que  a  área  de  reserva  legal  deve  ser  averbada  à  margem  da  inscrição  de  matrícula  do  imóvel,  no  registro  de  imóveis  competente,  sendo  vedada  a  alteração  de  sua  destinação,  nos  casos  de  transmissão,  a  qualquer  título,  de  desmembramento  ou  de  retificação  da  área,  com  as  exceções  previstas no Código Florestal. A averbação da área de  reserva  legal  no  Cartório  de  Registro  de  Imóveis  –  CRI  é  uma  providência que potencializa a extrafiscalidade do ITR, devendo  ser exigida como requisito para fruição da benesse tributária.  Afastar a necessidade de averbação da área de  reserva  legal  é  uma interpretação que vai de encontro à essência do ITR, que é  um imposto essencialmente, diria,  fundamentalmente, de feições  extrafiscais.  De  outra  banda,  a  exigência  da  averbação  cartorária da área de reserva  legal vai ao encontro do aspecto  extrafiscal do ITR, devendo ser privilegiada. Ainda, enquanto o  contribuinte  estiver  espontâneo  em  face  da  autoridade  fiscalizadora tributária, na forma do art. 7º, § 1º, do Decreto nº  70.235/72 ( O início do procedimento excluía a espontaneidade  do  sujeito  passivo  em  relação  aos  atos  anteriores  e,  independentemente  de  intimação  a  dos  demais  envolvidos  nas  infrações verificadas), poderá averbar no CRI a área de reserva  legal,  podendo  fruir  da  benesse  tributária.  Porém,  iniciado  o  procedimento  fiscal  para  determinado  exercício,  a  espontaneidade  estará  quebrada,  e  a  área  de  reserva  legal  Fl. 626DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS     16 deverá sofrer o ônus do ITR, caso não tenha sido averbada antes  do início da ação fiscal.  Acórdão  nº  210201.815,  sessão  de  8  de  fevereiro  de  2012  (excerto).  Aliás esse já foi o entendimento adotado pela câmara a quo, onde trecho voto  da relatora, que também utilizado como razões de decidir:  Quanto  à  Área  de  Utilização  Limitada  —  Reserva  Legal,  necessária a  sua averbação à margem da matricula do  imóvel,  para comprovar a sua exclusão na base de cálculo do tributo.  O mandamento que determinou a averbação da área de reserva  legal à margem da inscrição de matricula do imóvel, no registro  de imóveis competente, foi inserido no § 8% do artigo 16 da Lei  n°  4.771,  de  15/09/1965  ­  o  chamado  Código  Florestal,  pelo  artigo  V  da  Medida  Provisória  n°  2.166­67,  de  24/0812001,  litteris:  Art.  16.  As  florestas  e  outras  formas  de  vegetação  nativa,  ressalvadas  as  situadas  em  área  de  preservação  permanente,  assim  como  aquelas  não  sujeitas  ao  regime  de  utilização  limitada  ou  objeto  de  legislação  específica,  são  suscetíveis  de  supressão, desde que sejam mantidas, a  título de  reserva  legal,  no mínimo:  §  8°  A  área  de  reserva  legal  deve  ser  averbada  à margem  da  inscrição  de  matrícula  do  imóvel,  no  registro  de  imóveis  competente,  sendo  vedada  a  alteração  de  sua  destinação,  nos  casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou  de retificação da área, com as exceções previstas neste Código.  (destaques da transcrição)  Nestes  termos,  a  averbação  AV­2/11.560  (fl.  83­verso),  aos  17/04/1998,  à  Matrícula  n°  11.560,  do  1°  Serviço  Notarial  e  Registral  da  Comarca  de  Alta  Floresta  (MT),  em  que  está  gravada  a  área  de  24.435,69  lia  corno  de  Reserva  Legal,  e  a  averbação  AV­2/11.567  (fl.  84­verso),  aos  17/04/1998,  à  Matricula  n°  11.567,  do  1°  Serviço  Notarial  e  Registral  da  Comarca de Alta Floresta (MT), em que está gravada a área de  13.064,31  lia  corno  de  Reserva  Legal,  o  que  é  suficiente  para  que  se  restabeleça  a  exclusão  na  base  de  cálculo  do  ITR,  no  valor total de 37.500,00 lia.  Por  oportuno,  cabe  ressaltar  que  a  averbação  de  determinada  área imobiliária como reserva legal não se trata de formalidade,  mas sim de ato constitutivo, vez que modifica o direito real sobre  o imóvel, conforme determina o artigo 1.227 do Código Civil:  Art.  1.227.  Os  direitos  reais  sobre  imóveis  constituídos,  ou  transmitidos por atos entre vivos, só se adquirem com o registro  no  Cartório  de  Registro  de  Imóveis  dos  referidos  títulos  (arts.1.245 a 1.247), .salvo os casos expressos neste Código.  Adernais,  que  é  urna  peculiaridade  da  reserva  legal  a  eleição,  pelo proprietário, da parcela do imóvel, não inferior a 20%, que  será  reservada  para  a  proteção  ambiental,  por  tal,  somente  se  constitui  reserva  legal  com  a  averbação  daquela  área  no  registro  de  imóveis,  o  que  lure  revestirá  dos  efeitos  contra  terceiros.  Fl. 627DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10183.720127/2006­03  Acórdão n.º 9202­004.386  CSRF­T2  Fl. 10          17 Assim,  a  Lei  n°  4.771,  de  15/09/1965,  passou  a  exigir  a  averbação  no  registro  público,  o  que  implica  que  a  sua  utilização se submeta às limitações legais.  Nesse sentido, o entendimento do Supremo Tribunal Federal rio  julgamento  do  Mandado  de  Segurança  n°  22688­9/PB,  de  relatoria do Ministro Moreira Alves (DJ de 28/04/2000), em que  se discutiam os efeitos da constituição de reserva  legal sobre o  cálculo  da  produtividade  de  imóvel  ern  processo  de  desapropriação  para  fins  de  reforma  agrária,  cuja  ementa  a  seguir se transcreve:  EMENTA: Mandado  de  Segurança.  Desapropriação  de  imóvel  rural para fins de reforma agrária.  Preliminar de perda de objeto da segurança que se rejeita.  No mérito,  não  fizeram  os  impetrantes  prova  da  averbação  da  área  de  reserva  legal  anteriormente  à  vistoria  do  imóvel,  ci  jo  laudo (fls. 71) é de 09.05.96, ao passo que a averbação existente  nos autos data de 26.11.96 (fls. 73­verso), posterior inclusive ao  Decreto em causa, que é de 06.09.96.  Mandado de segurança indeferido.  Em  voto­vista,  proferido  naquele  julgamento,  o  Ministro  Sepúlveda Pertence assim se pronunciou:  Entendo que esse dispositivo não se refere a rara fração ideal do  imóvel, mas as áreas  identificadas ou  identificáveis. Desde que  sejam conhecidas as áreas de efetiva preservação permanente e  as  protegidas  pela  legislação  ambiental  devem  ser  tidas  como  aproveitadas.  Assim,  por  exemplo,  as  matas  ciliares,  as  nascentes, as margens de cursos de água, as áreas de encosta, os  manguezais.  A  reserva  legal  não  é  uma  abstração  matemática.  Há  de  ser  entendida conto tinta parte determinada do imóvel.  Sent  que  esteja  identificada,  não  é  possível  saber  se  o  proprietário veirn cumprindo as obrigações positivas e negativas  que a legislação annbiental lhe impõe.  Por  outro  lado,  se  sabe  onde  concretamente  se  encontra  a  reserva, se ela não foi medida e demarcada, enz caso de divisão  ou desmembramento de imóvel, o que dos novos proprietários só  estaria obrigado por a preservar vinte cento da sua parte.  Desse modo, a cada nova divisão ou desmembramento, haveria  uma diminuição do tamanho reserva, proporcional à diminuição  do tamanho do imóvel, com o que restaria frustrada a proibição  da  mudança  de  sua  destinação  nos  casos  de  transmissão  a  qualquer  titulo  ou  de  desmembramento,  que  a  lei  florestal  prescreve.  Estou assim em que, sem a averbação determinada pelo §2° do  art. 16 da Lei n° 4.771165, não existe a reserva legal.  [...]  Fl. 628DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS     18 Sob  estes  entendimentos,  somente  deve  ser  subtraída  da  área total do imóvel para o fim de cálculo da incidência do  1TR  a  área  de  reserva  florestal  identificada  no  registro  imobiliário.  [...]  Com o objetivo de esclarecer indico os pontos relevante:  DT DO FATO GERADOR: 01/01/2005  REGISTRO  17/04/1998  ,  FL.  46  e  seguintes:  48.871,38  (50%) + 26.128,62 (50%) = TOTAL 37.500  DATA DO PROTOCOLO DO ADA (FLS. 383/386  DT ­ 29/05/2007  ÁREA DE RESERVA LEGAL ­ 13.064,31 C/REGISTRO +  24.435,69 C/REGISTRO = 37.500,00  14.661,41 ­ SEM REGISTRO  7.838,59 ­ SEM REGISTRO  INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL ­ AO INÍCIO DA AÇÃO  FISCAL ­ (11/04/2006)  Nestes termos, conforme descrito no acórdão recorrido, restando comprovada  a averbação em data anterior ao fato gerador, devem ser computadas as áreas de reserva legal  37.500/ ha , excluindo­as desse modo, da área tributável do ITR no exercício em exame, posto  ser  esse  instrumento  capaz  de  constituir,  independente  da  apresentação  do ADA. Esse  só  se  faria  exigível  caso  foi  o  instrumento  adotado  pelo  sujeito  passivo  como  elemento  único  e  suficiente para comprovar a área descrita na DITR.  CONCLUSÃO  Face todo o exposto voto por CONHECER DO RECURSO da procuradoria,  para no mérito NEGAR­LHE PROVIMENTO.  É como voto.    (assinado digitalmente)  Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.                               Fl. 629DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS

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