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Numero do processo: 10835.000629/2001-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 11 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2401-000.532
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 35 .0 00 62 9/ 20 01 -8 0 Fl. 568DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 07/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10835.000629/200180 Resolução nº 2401000.532 S2C4T1 Fl. 3 2 Relatório RUI FURLAN, contribuinte, pessoa física, já qualificado nos autos do processo administrativo em referência, teve contra si lavrado o Auto de Infração abaixo declinado, concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente de acréscimo patrimonial a descoberto e da omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos, em relação aos anoscalendário 1996 a 1998, conforme Termo de Verificação Fiscal, às efls. 340/350, e demais documentos que instruem o processo, consubstanciados no AI às efls. 360/366. Tratase de Auto de Infração, lavrado em 17/04/2001, nos moldes da legislação de regência, contra o contribuinte acima identificado, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, decorrentes dos seguintes fatos geradores: a) ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, onde verificouse o excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados/comprovados. b) OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS. Após regular processamento, interposta impugnação, contra exigência fiscal consubstanciada na peça vestibular do feito, a autoridade julgadora de primeira instância achou por bem julgar procedente em parte o lançamento, afastando parte do crédito tributário. Regularmente intimado e inconformado com a Decisão recorrida, o autuado apresentou Recurso Voluntário, às efls. 514/548, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, aduz preliminarmente ser indevido o lançamento em relação ao anocalendário 1997 devendo ser cancelado pelo fato de já ter sido objeto de fiscalização no ano de 1999, pois não é permitida a abertura de fiscalização para um mesmo ano e atinente a mesma matéria já apreciada e considerada regular. Ainda em caráter preliminar, pugna pela nulidade da decisão de primeira instância, por entender que houve cerceamento de defesa, na medida em que o processo só estava disponível no órgão da Receita em 09/05/2001, data esta na qual obteve cópia dos autos, enquanto a ciência do lançamento se deu em 24/04/2001, além de alegar imprecisão e incoerência na descrição de diversos fatos, acarretando o cerceamento de defesa, renovando o pedido nesta oportunidade. Também em sede de preliminar, solicita a conversão do julgamento em diligência, no sentido de serem efetuadas as retificações dos demonstrativos para deles constarem no mês de Janeiro de cada ano os saldos disponíveis nos meses de Dezembro de cada anocalendário objeto do lançamento, bem como excluir os valores a título de dispêndios não provadas nos autos. Fl. 569DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 07/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10835.000629/200180 Resolução nº 2401000.532 S2C4T1 Fl. 4 3 Em relação ao mérito, insurgese contra a pretensão fiscal, sobretudo quanto ao acréscimo patrimonial a descoberto, sustentando que a fiscalização não considerou como recursos/origem os saldos disponíveis dos meses de dezembro de 1995 a 1997, uma vez que analisados esses valores, não haverá acréscimo patrimonial a descoberto. Alega também ter o fiscal elaborado erroneamente os demonstrativos de evolução patrimonial, porquanto esses devem ser confeccionados de forma anual e não mensal como procedeu o auditor fiscal. Esclarece que o questionado acréscimo patrimonial a descoberto não serviu de base para aumentar o seu efetivo patrimônio, constituído de bens e direitos, e, portanto, se não há aumento de riqueza não há o que tributar. Quanto ao ganho de capital na alienação de imóvel rural, argumenta não ter ocorrido efetiva alienação sujeita a apuração de ganho de capital, pois houve na realidade uma desapropriação amigável, razão pela qual se apresenta inconstitucional e indevida a classificação como ganho de capital o resultado obtido com a perda da propriedade por desapropriação, nos termos do artigo 3°, §3° da Lei n° 7.713/88. Em defesa de sua pretensão, colaciona jurisprudência do STJ e do antigo Conselho de Contribuintes. Esclarece, ainda, que não apurou ganho de capital porque considerou o valor de aquisição do DIAT, nos termos do artigo 8° da IN SRF n° 48/1998, e não houve DIAT do ano de alienação pois a CESP daria destinação ao imóvel diversa de atividade rural, conforme documento à fl. 218. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para preliminarmente decretar a nulidade do Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 570DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 07/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10835.000629/200180 Resolução nº 2401000.532 S2C4T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. Não obstante as substanciosas razões meritórias de fato e de direito ofertadas pela contribuinte em seu recurso voluntário, há nos autos questão preliminar, indispensável ao deslinde da controvérsia, que deve ser elucidada, prejudicando, assim, a análise do mérito nesta oportunidade, como passaremos a demonstrar. Com efeito, desde a defesa inaugural o contribuinte pretende seja rechaçada a tributação vinculada ao anocalendário 1997, sustentando que referido período já teria sido objeto de ação fiscal, com a seguinte conclusão: "[...] O contribuinte atendeu a fiscalização apresentando a documentação solicitada no termo de fls. 01. Em 25/05/99, foi intimado a comprovar os itens relacionados na intimação de fls. 27. Apresentou os documentos solicitados, anexos às fls. 28/39. Foi intimado a apresentar os demonstrativos de fluxo de caixa, através da notificação fiscal, datada de 09/06/99. Apresentou os demonstrativos e a documentação que comprova os dados ali demonstrados. Analisados os documentos apuramos que não há crédito tributário a ser constituído. [...]" Por sua vez, a autoridade julgadora de primeira instância confirma a refiscalização do anocalendário de 1997, entendendo estar devidamente regular, adotando as razões de decidir que seguem: "[...] O contribuinte requer seja cancelado o lançamento em relação ao anocalendário 1997, pelo fato de se tratar de nova fiscalização, tendo em vista que em 1999 foi alvo de procedimento fiscal que englobou o ano de 1997, e não seria permitida a reabertura de fiscalização para um mesmo ano e sob uma matéria já apreciada e considerada regular. A legislação abarca a possibilidade de a Fiscalização reexaminar período já anteriormente fiscalizado conforme previsão contida no artigo 906 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto 3.000/99). Esta norma traz, como única exigência para o inicio de nova ação fiscal, a autorização escrita do Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Receita Federal. "Art. 906. Em relação ao mesmo exercício, só é possível um segundo exame, mediante ordem escrita do Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Receita Federal (Lei n2 2.354, de 1954, art. 72, § 22, e Lei,i2 3.470, de 1958, art. 34)." Fl. 571DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 07/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10835.000629/200180 Resolução nº 2401000.532 S2C4T1 Fl. 6 5 Assim, cumprida tal formalidade legal, conforme documento a fl. 06, que é a expressa autorização do Delegado da Receita Federal em Presidente Prudente, há que se rejeitar a preliminar arguida pelo impugnante. [...]" Em seu recurso voluntário, o contribuinte repisa aludida argumentação requerendo seja decretada a improcedência da exigência fiscal pertinente ao anocalendário 1997. Destarte, inobstante a conclusão do julgador de primeira instância, de fato, a refiscalização de período já objeto de anterior ação fiscal encontra amparo na legislação de regência e se apresenta plenamente viável, conquanto que os requisitos legais para tanto sejam observados. Em outra via, a revisão de lançamento anterior ou mesmo conclusões fiscais que não deram margem inicialmente a exigência fiscal, igualmente, encontram guarida no artigo 149 do Código Tributário Nacional, o qual estabelece alguns pressupostos para aludido procedimento. No entanto, antes de se analisar se os requisitos legais para o procedimento de refiscalização e/ou revisão de lançamento foram respeitados, imperioso verificar se os fatos geradores objeto da ação fiscal pretérita, pertinente ao anocalendário de 1997, são os mesmos constantes do presente Auto de Infração, relativamente à aludido período, claro. Sem fazer, ainda, qualquer juízo de valor ou préjulgar a demanda, mister que se tenha conhecimento se as intimações fiscais da primeira ação fiscal (encerrada sem nenhuma exigência fiscal) guardam relação com as intimações fiscais na fiscalização que deu ensejo ao presente crédito tributário. Em outras palavras, naquela primeira oportunidade (ação fiscal) foram solicitados os mesmos documentos, para os mesmos fatos geradores, que estão sendo exigidos nesta última fiscalização. Essa indagação é necessária para verificar, na hipótese de correlação entre os fatos geradores analisados nas duas ações fiscais, quais os motivos que foram considerados no primeiro momento, ensejando o encerramento da fiscalização sem constituição de crédito tributário, bem como neste último procedimento fiscalizatório, com a lavratura do presente lançamento. Nestes termos, não podemos olvidar da existência de refiscalização e/ou revisão de lançamento/conclusões fiscais, o que exige a análise da observância dos pressupostos legais para tanto, sobretudo em face da necessária segurança jurídica do ato administrativo, razão pela qual impõese converter o julgamento em diligência para que o fiscal autuante esclareça as seguintes indagações: 1) Na ação fiscal realizada em 1999, pertinente ao anocalendário 1997, foram analisados os mesmos fatos geradores da presente autuação? 2) Na ação fiscal procedida em 1999, relativamente ao anocalendário 1997, foram exigidos e entregues os mesmos documentos solicitados e fornecidos pela contribuinte nesta última fiscalização? Fl. 572DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 07/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10835.000629/200180 Resolução nº 2401000.532 S2C4T1 Fl. 7 6 3) Caso haja correlação entre os fatos geradores fiscalizados e os documentos colocados a disposição do fisco nas duas fiscalizações, qual a razão que levou a autoridade lançadora a alterar o entendimento inicial pela inexistência de crédito tributário a ser constituído? Por todo o exposto, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO E CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, nos termos encimados, devendo ser oportunizado à contribuinte se manifestar a respeito do resultado da diligência no prazo de 30 (trinta) dias, se assim entender por bem. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira. Fl. 573DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 07/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI
score : 1.0
Numero do processo: 12709.000040/2002-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Dec 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 26/12/2001
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. UNIDADE FUNCIONAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
Restando comprovado nos autos que os diferentes tipos de máquinas e aparelhos importados não se enquadram no conceito de unidade funcional, estabelecido na Nota 4 da Seção de XVI da Nomenclatura, cada máquina segue seu próprio regime de classificação fiscal.
MULTA PROPORCIONAL AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA.
Aplica-se a multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria classificada de maneira incorreta na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM).
FALTA DE FATURA. PENALIDADE.
É cabível a aplicação de multa regulamentar quando inexiste fatura comercial relativa a determinados itens efetivamente importados.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3402-003.441
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Carlos Augusto Daniel Neto. Designado o Conselheiro Antonio Carlos Atulim.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e redator designado.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antonio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 26/12/2001 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. UNIDADE FUNCIONAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Restando comprovado nos autos que os diferentes tipos de máquinas e aparelhos importados não se enquadram no conceito de unidade funcional, estabelecido na Nota 4 da Seção de XVI da Nomenclatura, cada máquina segue seu próprio regime de classificação fiscal. MULTA PROPORCIONAL AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA. Aplica-se a multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria classificada de maneira incorreta na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). FALTA DE FATURA. PENALIDADE. É cabível a aplicação de multa regulamentar quando inexiste fatura comercial relativa a determinados itens efetivamente importados. Recurso voluntário negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1642; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12709.000040/200233 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402003.441 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de novembro de 2016 Matéria Classificação de Mercadorias Recorrente Batz Lightweight Systems do Brasil Ltda. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 26/12/2001 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. UNIDADE FUNCIONAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Restando comprovado nos autos que os diferentes tipos de máquinas e aparelhos importados não se enquadram no conceito de unidade funcional, estabelecido na Nota 4 da Seção de XVI da Nomenclatura, cada máquina segue seu próprio regime de classificação fiscal. MULTA PROPORCIONAL AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA. Aplicase a multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria classificada de maneira incorreta na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). FALTA DE FATURA. PENALIDADE. É cabível a aplicação de multa regulamentar quando inexiste fatura comercial relativa a determinados itens efetivamente importados. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Carlos Augusto Daniel Neto. Designado o Conselheiro Antonio Carlos Atulim. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente e redator designado. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 70 9. 00 00 40 /2 00 2- 33 Fl. 318DF CARF MF 2 Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antonio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão de primeira instância que considerou procedente o lançamento do Imposto de Importação II, Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI, multa de controle administrativo das importações, multa proporcional ao valor aduaneiro e multa por inexistência de fatura comercial, por entender a autoridade fiscal que houve erro na classificação fiscal adotada pela contribuinte para importação de diversas máquinas na posição NCM 8479.89.99 (referente a outras máquinas e aparelhos mecânicos com função própria), por não se tratarem de corpo único. O Auto de Infração lavrado descreve as seguintes infrações: i) a classificação adotada pela recorrente está incorreta, de acordo com o Laudo Técnico; ii) deveriam ter sido utilizados os códigos: 8467.11.90 (adição 001), 8479.89.11 (adição 002), 9031.80.90 (adições 003 e 004), 8479.90.90 (adição 005) e 7415.29.00 (adição 006); iii) não houve recolhimento dos tributos (II e IPI) das adições 005 e 006, códigos 8479.90.90 e 7415.29.00, respectivamente; iv) foram lançados os valores de II e IPI (adições 005 e 006) e a respectiva multa de 75% (art. 44, I, Lei 9430/96); v)foi lançada multa decorrente de importação desamparada de guia de importação ou documento equivalente (multa do controle administrativo); vi)foi lançada multa por inexistência de fatura comercial (multa regulamentar II); vii)foi lançada multa decorrente da classificação errada da mercadoria (multa isolada) (art. 84, I, da Medida Provisória 215835). Para relatar o processo, socorremonos ao relator André Suaki dos Santos, para transcrever o Relatório proferido em sede de decisão na primeira instância: A empresa acima qualificada importou, por meio da Declaração de Importação (Dl) n° 01/12406135, registrada em 26/12/2001 (fls. 23 a 26), a mercadoria descrita como "Estação de montagem, rebitadora e provadora para suporte de montagem do Frontend PQ24, composto de: 03 unid. Einzelnietplãtze – local para rebitar individual; 01 unid. Einzelnietplatz – local para rebitar individual; 02 unid. Biegevorrichtung – dispositivo para dobrar; 01 unid. Prüfvorrichtung – dispositivo de teste; 01 unid. Erweiterung Handmontageplãtze – local para montagem manual; 01 jogo Einbauwerkzeuge – ferramentas intercambiáveis", Fl. 319DF CARF MF Processo nº 12709.000040/200233 Acórdão n.º 3402003.441 S3C4T2 Fl. 3 3 classificando o conjunto no código NCM 8479.89.99, referente a outras máquinas e aparelhos mecânicos com função própria. Por ocasião da verificação física das mercadorias, foi solicitada a emissão de • Laudo Técnico (fls. 32 e 33), que resultou na juntada do documento de fls. 34 a 44, elaborado pelo Engenheiro Mecânico Guilherme Pianovski Júnior (CREA 18.160D PR). Com base nas informações constantes do retrocitado Laudo Pericial, a fiscalização concluiu não se tratar a mercadoria de uma unidade funcional, devendo cada um de seus componentes seguir seu próprio regime de classificação, conforme detalhado a seguir: 08 rebitadeiras manuais, individuais, marca Bollhoff P803 com acionamento pneumático: código NCM 8467.11.90; 01 prensa hidráulica vertical, automática, para aplicar ilhoses metálicas em peças plásticas para veículos, através de conformação, com controlador programável, n° série 1342/1: código NCM 8479.89.11; 01 aparelho para inspeção automática do posicionamento de rebites e ilhoses metálicas com o fim de verificar se todos os rebites e ilhoses foram colocados na peça plástica (parte/peça de veículos), nó série 1342/5: código NCM 9031.80.90; 01 aparelho composto de uma mesa e dispositivos emissores de luz, que tem por função principal indicar ao operador da rebitadeira manual em quais furos ele deve colocar os rebites, n° série 1342/4: código NCM 9031.80.90; 01 jogo de dispositivos/partes e peças de prensa: código NCM 8479.90.90; 06 sacos plásticos com ilhoses e rebites avulsos: código NCM 7415.29.00. Em conseqüência, foram lavrados os Autos de Infração de fls. 01 a 07, 12 a 14 e 18 a 20, integrado pelos demonstrativos de fls. 08 a 11, 15, 16 e 21, onde se exige da contribuinte as quantias de R$ 68,67, a título de Imposto de Importação (II), acrescida de multa de oficio, RS 45,28, relativamente a Imposto sobre Produtos Industrializados (IP1), R$ 125.979,89, referente a multa do controle administrativo das importações (mercadoria importada ao desamparo de Licença de Importação ou documento equivalente), R$ 4.194,22, a titulo de multa proporcional ao valor aduaneiro (mercadoria classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul NCM), e 11$ 6,87, referente a multa por inexistência de Fatura Comercial (produtos: 01 jogo de dispositivos/partes e peças de prensa e 06 sacos de ilhoses e rebites avulsos). Cientificada da autuação, a interessada protocolizou a defesa de fls. 59 a 64, acompanhada dos documentos de tls. 65 a 94, alegando, em síntese, que: o Laudo Técnico que embasou a autuação se encontra prejudicado, uma vez que não esclarece de forma incisiva se o produto analisado se trata de uma estação de montagem, rebitadora e provadora para suporte de montagem do Frontend PQ24 (suporte plástico para radiador e faróis do automóvel VW Polo PQ24), pois tal quesito não foi formulado pelo fisco; Fl. 320DF CARF MF 4 o conjunto em questão é de fato uma linha de montagem com a finalidade de aplicar rebites e ilhoses no referido suporte plástico, conforme explanação detalhada, às fls. 60 e 61, de como funciona tal sistema, composto por dispositivo automático de aplicação de rebites e dobragem de orelhas, primeira bancada rebitadora, segunda bancada rebitadora, terceira bancada rebitadora e bancada provadora; junta as fotografias de fls. 65 a 74, relativas aos vários itens do que seria a estação de montagem, para melhor compreensão da sua tese; os aparelhos importados possuem uma função bem definida, que é a de "aplicar rebites em peças plásticas", estando correta, portanto, a classificação fiscal adotada para a combinação de máquinas, nos termos da Nota 4 da Seção XVI da NCM/SH; como exemplo de aplicação da citada Nota, cita o "Ex" tarifário n° 347, estabelecido pela Resolução Camex n° 1, de 24/01/2002, em que as máquinas ali relacionadas têm a função bem determinada de "aplicar revestimentos em comprimidos e outros núcleos", classificandose o conjunto no código NCM 8479.89.99; mesmo que o reenquadramento tarifário fosse procedente, não seria cabível a multa prevista no art. 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro, visto que a linha de montagem foi corretamente descrita, aplicandose ao caso o disposto no Ato Declaratório • Normativo COSIT n° 12/1997. Por entender que não se encontravam reunidos todos os elementos necessários a formar convicção acerca da matéria, e considerando os questionamentos da empresa em relação ao Laudo Pericial que norteou o feito fiscal, a autoridade julgadora determinou a realização de diligência (fls. 100 e 101) a fim de que técnico credenciado junto à Secretaria da Receita Federal respondesse aos quesitos elencados, visando a uma melhor identificação do produto importado. Em atendimento ao solicitado, o assistente designado — Engenheiro Mecânico Guilherme Pianovski Júnior elaborou a Laudo Técnico de fls. 107 a 116. Ciente do resultado da diligência (fl. 120), a contribuinte não apresentou aditamento à sua impugnação inicial (fl. 121). Diante da Impugnação apresentada pela contribuinte, a DRJ— Florianópolis/SC proferiu Acórdão considerando o lançamento procedente, nos seguintes termos: Fl. 321DF CARF MF Processo nº 12709.000040/200233 Acórdão n.º 3402003.441 S3C4T2 Fl. 4 5 Intimada da decisão, em 09/05/2006, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 08/06/2006, alegando que: Fl. 322DF CARF MF 6 Analisando o Recurso Voluntário do Contribuinte, o Cons. Luiz Roberto Domingo verificou que havia nos autos às fls.89/91 cópia de decisão liminar em Agravo de Instrumento de n°: 2002.04.01.0022906, garantindo a liberação das mercadorias, entretanto, não estava acompanhado nenhum documento pertinente ao Mandado de Segurança impetrado pela Recorrente. Diante disto, resolveu o Colegiado pela conversão do julgamento em diligência, para que fossem apresentados as principais peças processuais do referido Mandado de Segurança (fls.220272). Analisando a documentação acostada em cumprimento de diligência, verificase que o Mandado de Segurança (fls.237238) não possui correspondência com as questões de mérito discutidas nesse processo administrativo, versando exclusivamente sobre a liberação dos produtos retidos no Posto Fiscal frisando inclusive o impetrante que ficaria "ressalvado à autoridade coatora o direito de cobrar o que entende devido, se e quando exigível for, através do procedimento próprio e legal". Dessa forma, concluiuse que o Mandado de Segurança existente não obsta o prosseguimento deste feito em nenhuma de suas questões. Fl. 323DF CARF MF Processo nº 12709.000040/200233 Acórdão n.º 3402003.441 S3C4T2 Fl. 5 7 Todavia, converteuse o julgamento em nova diligência para realização de perícia técnica com o objetivo de dirimir as questões formuladas na Resolução, facultando às partes envolvidas, em 30 dias, efetuarem novos quesitos, antes da elaboração do laudo, e se manifestarem, no prazo de 30 dias, sobre as conclusões do laudo técnico. Tal fato se deu em razão dos quesitos elaborados para o Laudo Técnico apresentado nos autos passarem ao largo de questões relevantes à verificação da existência ou não de uma linha de produção composta por diversas máquinas para realizar conjuntamente uma função bem determinada. O contribuinte foi intimado para realização da perícia técnica e não se manifestou tempestivamente, conforme despacho de fls.315 É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. O cerne da controvérsia reside na correção ou não da classificação fiscal adotada pelo contribuinte na DI nº 01/12406135 (fls.2326), consignadas como: "Estação de montagem, rebitadora e provadora para suporte de montagem do Frontend PQ24, composto de: 03 unid. Einzelnietplãtze – local para rebitar individual; 01 unid. Einzelnietplatz – local para rebitar individual; 02 unid. Biegevorrichtung – dispositivo para dobrar; 01 unid. Prüfvorrichtung – dispositivo de teste; 01 unid. Erweiterung Handmontageplãtze – local para montagem manual; 01 jogo Einbauwerkzeuge – ferramentas intercambiáveis", classificando o conjunto no código NCM 8479.89.99, referente a outras máquinas e aparelhos mecânicos com função própria. Por entender que os aparelhos importados possuem uma função bem definida (montagem, rebitadora e provadora para suporte de montagem do Frontend PQ24), a Recorrente enquadrou o conjunto no código NCM 8479.89.99, referente a outras máquinas e aparelhos mecânicos com função própria. Vejamos, inicialmente, a descrição da atividade desempenhada pelo conjunto de equipamentos, conforme descrição de fls.168170: Primeiramente são colocados 06 rebites do tipo oval na peça plástica através da dispositivo automático de aplicação de rebites e dobragem de orelhas, (Foto 2), que é montada sobre uma bancada de alumínio e é composta por 6 cilindros hidráulicos que aplicam os rebites em uma única operação de Fl. 324DF CARF MF 8 forma automática, sendo que o operador atua apenas na colocação da peça plástica no dispositivo de apoio e na colocação dos rebites nos eixos de rebitagem, em seguida a mesma máquina através de dois dispositivos de dobragem (Foto 3), efetua, também automaticamente, urna deformação(dobragem leve) de 3 graus nas orelhas esquerda e direita da peça (Foto 4), com a finalidade de adequar o ângulo da orelha da peça ao restante da carroceria do veiculo. A peça a seguir é retirada manualmente da dispositivo automático de aplicação de rebites e dobragem de orelhas e passada para a próxima etapa, ou seja, a peça é colocada na primeira bancada rebitadora (Foto 5) onde serão colocados mais 09 rebites de 06 mm. Essa operação é efetuada de forma manual. Tratase de uma bancada de aluminio que composta por um dispositivo de apoio para a peça sistema de iluminação com luz fria e um sistema de iluminação temporizado composto por dispositivos emissores de luz que são montados, cada um em urna posição, com o objetivo de indicar ao operário o local onde devem ser aplicados os rebites (Foto 6) Essa aplicação é toda feita manualmente com auxilio de uma rebitadeira manual de acionamento pneumático. A peça a seguir é retirada manualmente e passada a segunda bancada rebitadora (Foto 7) que efetuará um trabalho semelhante ao da bancada anterior só que aplicando 06 rebites de 06 mm, mais 04 rebites de 05 mm. O sistema de iluminação de luz fria e o sistema de iluminação temporizado com dispositivos emissores de luz também está presente nesta bancada, só que o sistema emissor de luz está colocado em posições diferente do da primeira bancada, pois, os rebites colocados nesta etapa serão aplicados em locais diferentes dos primeiros, na mesma peça, também de forma manual e com o auxílio de urna rebitadeira manual de acionamento pneumático. A peça é novamente retirada e passada a terceira bancada rebitadora (Foto 8) que dispõe dos mesmo equipamentos das bancadas anteriores, só que novamente o sistema de iluminação temporizado emissor de luz está colocado em posições diferentes das duas anteriores pois nesta etapa serão colocados 04 rebites de 05 mm, de forma a terminar a fase de rebitagem da peça plástica. A peça é novamente retirada manualmente e transferida para a bancada provadora (Foto 9), também de alumínio, contendo um dispositivo de apoio (Foto 10) para a peça plástica no qual se encontram instalados sensores magnéticos que atuam na presença de metais, ou seja, quando a peça acabada é colocada nesta última bancada, a mesma registra, no painel existente, se todos os rebites foram corretamente aplicados, caso contrário, o painel indicará através de luzes em quais locais da peça estás faltando o rebite. Se nenhuma lâmpada acender significa que a peça está perfeita e não precisa ser retrabalhada. Esse equipamento é bastante simples pois apenas detecta o metal dos rebites, ou seja, não se Fl. 325DF CARF MF Processo nº 12709.000040/200233 Acórdão n.º 3402003.441 S3C4T2 Fl. 6 9 trata de um equipamento sofisticado de controle ou medida como se faz crer pela classificação apontada pela fiscalização, pois a função básica dele é detectar a presença do metal, pois se for colocada uma meda em cima do sensor ele também acusará a presença do metal e a lâmpada correspondente ao ponto se apagará. Permeia o caso, pois, um esforço de interpretação da Nota 4 da Seção XVI da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM/SH), principal fundamento da defesa apresentada pela interessada, que aduz: "Quando uma máquina ou combinação de máquinas seja constituída de elementos distintos (mesmo separados ou ligados entre si por condutos, dispositivos de transmissão, cabos elétricos ou outros dispositivos), de forma a desempenhar conjuntamente uma função bem determinada, compreendida em uma das posições do Capitulo 84 ou do Capítulo 85, o conjunto classificase na posição correspondente à função que desempenha." A nota acima deixa claro que um conjunto de máquinas representa uma unidade funcional para fins de classificação fiscal estando suas partes separadas ou ligadas por condutos, dispositivos de transmissão, cabos elétrico ou outros dispositivos, bastando que todas desempenhem conjuntamente uma função determinada. Os Laudos Técnicos de fls.3444 e 107116, ambos elaborados pelo Sr. Guilherme Pianovski Júnior, engenheiro credenciado junto à Inspetoria da RFB em Curitiva, indicam a inexistência de uma unidade funcional, como se verifica nas respostas de fl. 114: O perito entende que as diversas "Estações POLO" desempenhariam uma única função, mas que a unidade funcional seria desqualificada pela existência da "Mesa de Teste Polo", cuja função é descrita, conforme laudo do mesmo (fl.43), nos seguintes termos: Fl. 326DF CARF MF 10 Tratase, portanto, inequivocamente de um dispositivo de verificação e inspeção automática da atividade realizada pelas demais estações de colocação dos rebites. Tal caracterização se enquadra exatamente no item III das Considerações Gerais da Seção XVI das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias (NESH), verbis: III. APARELHOS, INSTRUMENTOS E DISPOSITIVOS AUXILIARES Os aparelhos, instrumentos e dispositivos auxiliares de controle, medida, verificação (manômetros, termômetros, indicadores de nível, etc., contadores de voltas ou de produção, interruptores horários, quadros, armários e cabinas de comando ou reguladores automáticos) apresentados com as máquinas em que são normalmente utilizados, seguem o regime da máquina quando destinados a medir, controlar, comandar, regular uma máquina determinada (constituída, conforme o caso, por uma combinação de máquinas (ver parte VI, abaixo) OU UMA UNIDADE FUNCIONAL (ver parte VII, abaixo)). Todavia, os aparelhos, instrumentos e dispositivos auxiliares destinados à medida, controle, comando ou regulação de várias máquinas (incluído o caso de máquinas idênticas), obedecem o seu próprio regime. Depreendese, da leitura do dispositivo, que a despeito da "Mesa de Teste Polo" não fazer parte da unidade funcional por não ter a função das demais estações, o fato de ser um instrumento de inspeção e verificação das demais máquinas a sujeito ao mesmo regime de classificação da unidade funcional. Diante disso, parece claro que a existência de um dispositivo de inspeção não desqualificaria a classificação da unidade funcional adotada para todo o conjunto. Quanto às rebitadeiras manuais, indicadas pela fiscalização no código 8467.11.90, elas devem ser classificadas de acordo com o regime aplicado às peças intercambiáveis, é dizer, na mesma classificação da unidade funcional, nos termos da Nota Complementar 1 da Seção XVI do NCM/SH, verbis: As ferramentas para montagem ou manutenção e os utensílios intercambiáveis seguirão o regime das máquinas sempre que se apresentem para despacho juntamente com estas e que sejam do tipo e quantidade normalmente vendidos com a máquina, Fl. 327DF CARF MF Processo nº 12709.000040/200233 Acórdão n.º 3402003.441 S3C4T2 Fl. 7 11 não se somando seu peso ao da máquina, quando a classificação desta estiver condicionada ao peso. Será aplicado o mesmo regime aos catálogos, folhetos e plantas que contenham informações relativas ao funcionamento, manutenção, reparo ou utilização das máquinas que acompanham. Ademais, a decisão a quo se baseou no laudo técnico para desqualificar a unidade funcional em razão da inexistência de um sistema de transporte das peças ao longo da linha de montagem, com base na resposta ao quesito 4 de fl.109: A respeito da configuração das unidades funcionais, verificase o item VII das Considerações Gerais da Seção XVI das NESH: VII. UNIDADES FUNCIONAIS (Nota 4 da Seção) Aplicase esta Nota quando uma máquina ou uma combinação de máquinas são constituídas por elementos distintos concebidos para executar conjuntamente uma função bem determinada incluída numa das posições do Capítulo 84 ou, mais freqüentemente, do Capítulo 85. O fato de que, por razões de comodidade, por exemplo, estes elementos estejam separados ou interligados por condutos (de ar, de gás comprimido, de óleo, etc.), dispositivos de transmissão, cabos elétricos ou outros dispositivos, não se opõe à classificação do conjunto na posição correspondente à função que este executa. Ora, há que se perceber de pronto um problema argumentativo na decisão recorrida e na afirmação do engenheiro responsável pelo laudo técnico, pois buscam desqualificar a presença de uma unidade funcional pela ausência de transporte automatizado entre os equipamentos, que no caso em tela é feito por funcionários que levam de uma estação para outra, durante o procedimento de colocação dos rebites. Há, pois, uma equivocada equiparação entre unidade funcional e linha de montagem a primeira, como já foi dito, se caracteriza por uma combinação de máquinas concebidas para, conjuntamente, realizar uma determinada função, ao passo que a segunda é definida como "um conjunto de equipamentos em estações de trabalho dispostas sequencialmente, geralmente ligadas entre si por um sistema contínuo de movimentação de materiais.". É dizer, enquanto um deles é caracterizado funcionalmente (pela unidade de função), o outro é caracterizado pela presença de um sistema automatizado de movimentação de materiais. São coisas absolutamente distintas e independentes! Fl. 328DF CARF MF 12 Resta absolutamente possível uma linha de montagem que não configure uma unidade funcional (basta que se pensem nas extensas linhas de montagem automotivas), ou mesmo uma unidade funcional independente de linha de montagem, como nos exemplos que as próprias NESH trazem. Ademais, quando há a necessidade de uma linha de transporte a NESH é expressa, a exemplo das máquinas de montagem de lâmpadas incandescentes, o que demonstra o caráter excepcional dessa exigência. Conquanto bem identificando os elementos fáticos relativos aos equipamentos importados, o laudo foi conduzido por quesitos que não se aproximavam diretamente do núcleo da discussão, como forma de conduzir ao entendimento pretendido pela fiscalização. Essa constatação foi feita já na Resolução nº 3402000.742: Todavia, como mencionado pela Recorrente na sua Impugnação, ao manifestarse acerca do Laudo Técnico acostado em fls.3950, os quesitos elaborados pela Inspetoria da Receita Federal de Curitiba passam ao largo de questões relevantes à verificação da existência ou não de uma linha de produção composta por diversas máquinas para realizar conjuntamente uma função bem determinada. Verificase que os 32 quesitos elaborados para o Laudo Técnico mencionado pressupõem, em sua elaboração, um isolamento de cada um dos produtos importados e as capacidades individuais de cada um, sem considerálos em relação ao produto final da linha de montagem sustentada pelo Recorrente e seus produtos finais, quais sejam, as peças plásticas(Suporte do radiador e dos faróis) que serão utilizadas na montagem de automóveis VW modelo POLO PQ 24. Em razão da não realização da perícia solicitada à partir dos quesitos indicados, tornase necessário a análise da questão à partir dos laudos existentes e das regras interpretativas da NCM/SH e da NESH, para se chegar a uma conclusão sobre a classificação fiscal do equipamento. Pois bem, duas conclusões podem ser alcançadas: Primeiro, há uma distinção clara entre unidade funcional e linha de montagem, reconhecida pela própria NESH, de modo que a inexistência de um dispositivo de transporte automatizado não se presta a descaracterizar a vinculação funcional entre diversas máquinas, nos termos da própria Nota 4 da Seção XVI do NCM/SH. Segundo, de todos os equipamentos importados, apenas a mesa de teste não está relacionada à função aplicar ilhoses e rebites em peças plásticas, mas que por força do item III da Seção XVI da NESH deve ter seu regime jurídico equiparado à unidade funcional a que se presta a inspeção e controle. São esses dois os fundamentos da autuação fiscal e da decisão a quo, que a nosso ver são facilmente afastados diante dos dispositivos normativos acerca da interpretação e aplicação das regras de classificação fiscal, os quais devem ser observados fielmente pelos agentes administrativos. Como bem coloca Paulo de Barros Carvalho: (...) Sobressai o entendimento de que as regras gerais de interpretação do SH, bem como as demais notas explicativas, acrescidas das disposições interpretativas da NCM, a despeito do tom descritivo que seus nomes sugerem, devem ser compreendidas como discurso prescritivo e integrante do direito Fl. 329DF CARF MF Processo nº 12709.000040/200233 Acórdão n.º 3402003.441 S3C4T2 Fl. 8 13 posto, uma vez que a ele foram incorporadas pela adoção dessas classificações nas regrasmatrizes dos tributos incidentes sobre a importação. (Prefácio in ASSIS JR, Milton Carmo. Classificação Fiscal de Mercadorias. São Paulo: Quartier Latin, 2015). Portanto, em razão de rigorosa aplicação das regras interpretativas de classificação fiscal, entendemos correta a colocação do conjunto no código NCM 8479.89.99, referente a outras máquinas e aparelhos mecânicos com função própria, por se caracterizarem como unidade funcional, com a "mesa de testes" a receber essa qualificação por sua relação com os demais. Correto o entendimento do Recorrente quanto à classificação, caem por terra as multas aplicadas, inclusive a relativa à ausência de Licença de Importação, haja vista que a classificação fiscal na posição adotada pelo Contribuinte está sujeita a licenciamento automático. Ante o exposto, voto por dar PROVIMENTO INTEGRAL ao Recurso Voluntário do Contribuinte. Carlos Augusto Daniel Neto Relator Voto Vencedor Conselheiro Antonio Carlos Atulim, redator designado. Conforme deflui dos autos, o contribuinte, com base na Nota 4 da Seção XVI da Nomenclatura, pretende enquadrar o conjunto de mercadorias por ele importado no código 8479.89.99 como "outras máquinas e aparelhos mecânicos com função própria, não especificados nem compreendidos noutras posições deste Capítulo". A Nota 4 da Seção XVI, da Nomenclatura, possui o seguinte teor: Quando uma máquina ou combinação de máquinas seja constituída de elementos distintos (mesmo separados ou ligados entre si por condutos, dispositivos de transmissão, cabos elétricos ou outros dispositivos), de forma a desempenhar conjuntamente uma função bem determinada, compreendida em uma das posições do Capítulo 84 ou do Capítulo 85, o conjunto classificase na posição correspondente à função que desempenha. A aplicação dessa Nota exige que o conjunto de máquinas desempenhe uma função bem determinada, enquadrável em uma das posições dos Capítulos 84 ou 85, independentemente de as máquinas estarem conectadas por cabos, dutos ou dispositivos de transmissão. Observem senhores conselheiros que uma das partes destacadas da transcrição utilizou a conjunção "ou", o que significa que as máquinas podem (i) estar ligadas Fl. 330DF CARF MF 14 por algum tipo de conexão física; (ii) estar completamente separadas; e (iii) alguns equipamentos podem estar conectados entre si de alguma forma e outros não. O "ou" foi usado como partícula inclusiva. Sendo assim, tanto faz a forma como os componentes estão conectados entre si e também pouco importa que não estejam conectados. O que importa é que o conjunto desempenhe uma função específica e que essa função seja de uma máquina enquadrável nos capítulos 84 ou 85. No processo existe prova técnica constituída por dois laudos, nos quais o perito oficial constatou que o conjunto não exerce uma função específica de máquina enquadrável nos Capítulos 84 ou 85. Os laudos indicam as funções individuais de cada equipamento e asseguram que o conjunto não desempenha nenhuma função específica. A função de dobrar e arrebitar é específica da prensa hidráulica e não do conjunto. Ao contrário do que sustentou o ilustre relator, os laudos exploraram os requisitos necessários para estabelecer se o conjunto se enquadra ou não nas disposições da Nota 4 da Seção XVI e foram inteiramente corroborados pelas declarações da defesa em sede de impugnação. Vejamos. A referência à expressão "linha de montagem" apareceu no processo pela primeira vez na impugnação. Foi o contribuinte quem alegou que os produtos vão passando sequencialmente pelos equipamentos. E tal expressão, aliada à descrição da operação e do emprego sequencial das máquinas (fls. 66/67 da impugnação), confirmam tudo aquilo que foi constatado nos laudos. Conforme o próprio contribuinte confessou, os equipamentos constituem uma linha de produção onde cada máquina executa uma etapa do trabalho, que culmina na produção de uma peça plástica que será aplicada em um veículo automotor do Capítulo 87. A Nota 4 da Seção XVI não se aplica a linhas de produção, mas sim a equipamentos que, trabalhando em conjunto, desempenham uma função específica, passível de enquadramento em uma das posições dos Capítulos 84 e 85 da Nomenclatura. Exemplo disso, são as unidades evaporadoras e condensadoras, que no conjunto constituem um aparelho de ar condicionado do tipo "split". Essas unidades podem ser vendidas separadamente, pois podem se destinar à reposição de unidades danificadas em aparelhos de ar condicionados já instalados. Mas também podem ser vendidas ou importadas aos pares, sendo que neste caso, o funcionamento em conjunto desempenha uma função bem determinada, que é a de climatizar ambientes. Essa função bem determinada corresponde à função dos aparelhos de ar condicionado "split" da posição 8415. E nesta hipótese, as unidades condensadoras e evaporadoras deixarão de ser classificadas nas posições específicas e serão enquadradas na posição designada para o aparelho de ar condicionado do tipo "split" (posição 8415), por aplicação da RGI nº 1 combinada com a Nota 4 da Seção XVI (vide Acórdãos 3403 003.537 e 3302002.116). No caso deste processo, a situação fática em nada se identifica com os requisitos exigidos pela Nota 4 da Seção XVI, pois os equipamentos importados não trabalham em conjunto, mas sim de forma sequencial. Cada equipamento esgota a função para a qual foi concebido de forma individual, somente se obtendo o resultado no final de uma linha de montagem. A prevalecer a tese da defesa, teríamos que admitir que as diversas máquinas que constituem a linha de produção de uma montadora de veículos, por exemplo, deveriam ser Fl. 331DF CARF MF Processo nº 12709.000040/200233 Acórdão n.º 3402003.441 S3C4T2 Fl. 9 15 classificadas em conjunto e não individualmente, como se a linha inteira constituísse um conjunto voltado para a obtenção de veículos. Obviamente que não é esse o escopo na da Nota 4 da Seção XVI, que faz referência à máquina ou combinação de máquinas constituídas por elementos distintos, de forma a desempenhar conjuntamente uma função bem determinada, compreendida em uma das posições dos Capítulos 84 ou 85. No caso concreto, os equipamentos não trabalham conjuntamente, mas sim individualmente, constituindo uma linha de produção, conforme foi admitido pela defesa. Portanto, os equipamentos, ainda que importados em conjunto pelo contribuinte, devem seguir cada qual seu próprio regime de classificação fiscal, tal como restou decidido no Acórdão de primeira instância, cujos fundamentos adoto em sua integralidade como se aqui estivessem transcritos, nos termos e para os fins do art. 50, parágrafo único, da Lei nº 9.784/991. Com esses fundamentos, atrevome a divergir do ilustre relator originário para votar no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 332DF CARF MF 16 Fl. 333DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10805.723795/2012-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Dec 27 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO.
Confirmado que o processo no qual foi proferido o acórdão recorrido (PTA n.º 10805.721926/2013-53) se encerrou definitivamente, com intimação da Procuradoria da Fazenda Nacional em 2014 e manifestação expressa da parte pela ausência de interesse recursal, não cabe conhecer da discussão invocada nos Embargos opostos nos presentes autos, vez que preclusa.
Embargos Não Conhecidos.
Numero da decisão: 3402-003.452
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por unanimidade de votos, não se tomou conhecimento dos Embargos de Declaração, nos termos do voto da Relatora. Esteve presente ao julgamento o Dr. João Marcos Colussi, OAB/SP 109.143.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO. Confirmado que o processo no qual foi proferido o acórdão recorrido (PTA n.º 10805.721926/2013-53) se encerrou definitivamente, com intimação da Procuradoria da Fazenda Nacional em 2014 e manifestação expressa da parte pela ausência de interesse recursal, não cabe conhecer da discussão invocada nos Embargos opostos nos presentes autos, vez que preclusa. Embargos Não Conhecidos.
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SERVIÇOS PRESTADOS PELA PRÓPRIA AGÊNCIA DE TURISMO. Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado OPERADORA E AGENCIA DE VIAGENS TUR LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO. Confirmado que o processo no qual foi proferido o acórdão recorrido (PTA n.º 10805.721926/201353) se encerrou definitivamente, com intimação da Procuradoria da Fazenda Nacional em 2014 e manifestação expressa da parte pela ausência de interesse recursal, não cabe conhecer da discussão invocada nos Embargos opostos nos presentes autos, vez que preclusa. Embargos Não Conhecidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por unanimidade de votos, não se tomou conhecimento dos Embargos de Declaração, nos termos do voto da Relatora. Esteve presente ao julgamento o Dr. João Marcos Colussi, OAB/SP 109.143. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente. (Assinado com certificado digital) Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 72 37 95 /2 01 2- 68 Fl. 415DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratamse de Embargos de Declaração de fls. 383/387 opostos nos presentes autos pela Fazenda Nacional para que seja sanada suposta omissão no Acórdão n.º 3402 002.4341, proferido em 19/08/2014 no processo n.º 10805.721926/201353 e posteriormente acostado ao presente processo conforme despacho de saneamento de fl. 377. 1 Acórdão ementado nos seguintes termos: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2009 Recurso de Ofício PIS. AGÊNCIA E OPERADORA DE TURISMO E VIAGEM. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. LEI N° 11.771/2008. COMISSÃO DE INTERMEDIAÇÃO. A receita auferida por agência de turismo por meio de intermediação de negócios relativos à atividade turística, prestados por conta e em nome de terceiros, será o correspondente à comissão ou ao adicional percebido em razão da intermediação de serviços turísticos, nos termos do art. 27, da Lei n° 11.771/2008, devendo ser cancelada a exigência que impõe tributação sobre o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano calendário: 2009 COFINS. AGÊNCIA E OPERADORA DE TURISMO E VIAGEM. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. LEI N° 11.771/2008. COMISSÃO DE INTERMEDIAÇÃO. A receita auferida por agência de turismo por meio de intermediação de negócios relativos à atividade turística, prestados por conta e em nome de terceiros, será o correspondente à comissão ou ao adicional percebido em razão da intermediação de serviços turísticos, nos termos do art. 27, da Lei n° 11.771/2008, devendo ser cancelada a exigência que impõe tributação sobre o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica. Recurso de Ofício Negado. Recurso Voluntário ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/Pasep NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não padece de nulidade o auto de infração que seja lavrado por autoridade competente, com observância ao art. 142, do CTN, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, e que permita ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quanto se constata que o mesmo conhece a matéria fática e legal, exercendo, atentamente, o seu direito de defesa. PIS. ART. 3º, DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 62, §1o, I, do RICARF. A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS, exigidas na égide da Lei nº 9.718/98, é o faturamento e, em virtude da inconstitucionalidade do seu art. 3o, §1o, declarada em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Aplicação do art. 62A do RICARF. PIS. AGÊNCIA E OPERADORA DE TURISMO E VIAGEM. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. COMISSÃO. RESULTADOS AUFERIDOS NAS OPERAÇÕES EM CONTA ALHEIA POR FORNECEDORES DE SERVIÇOS. RECEITA BRUTA. IMPOSSIBILIDADE. As operadoras de viagem e agências de turismo sujeitas ao regime cumulativo devem apurar e recolher a contribuição ao PIS sobre o faturamento, assim entendido como sendo a comissão pela intermediação dos serviços prestados pelos fornecedores de serviços de transporte, hospedagem, locadoras de veículos e afins, nos termos do art. 27, da Lei n° 11.771/2008, não se sujeitando a tributar os valores das receitas de seus fornecedores que constituemse resultado das operações em conta alheia dos terceiros e componente da receita bruta dos mesmos (art. 31, da Lei n° 8.981/95), que não se confunde com o conceito de faturamento pertinente ao regime cumulativo. Fl. 416DF CARF MF Processo nº 10805.723795/201268 Acórdão n.º 3402003.452 S3C4T2 Fl. 402 3 Os aclaratórios foram apresentados em 03/02/2015 com indicação, na epígrafe, do processo no qual o acórdão foi proferido (PTA n.º 10805.721926/201353). Após despacho do I. Presidente desta turma, às fls. 391/397, admitindo os Embargos, eles foram distribuídos para esta relatora. Contudo, diante da aparente concomitância entre o presente processo e o PTA n.º 10805.721926/201353, foi proferido o despacho desta relatora às fls. 410, requerendo que fossem anexados aos presentes autos a cópia integral daquele processo, o que foi realizado em 07/10/2016. Em análise daqueles autos, atestase que eles se tratam de processo de representação fiscal decorrente do desmembramento do presente processo (PTA n.º 10805.723795/201268) em razão da aparente não apresentação de Recurso Voluntário pelo contribuinte. É o que se depreende do termo de Representação n.º 12/2013 (fl. 2 do PTA n.º 10805.721926/201353): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano calendário: 2009 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não padece de nulidade o auto de infração que seja lavrado por autoridade competente, com observância ao art. 142, do CTN, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, e que permita ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quanto se constata que o mesmo conhece a matéria fática e legal, exercendo, atentamente, o seu direito de defesa. COFINS. ART. 3º, DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 62, §1o, I, do RICARF. A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS, exigidas na égide da Lei nº 9.718/98, é o faturamento e, em virtude da inconstitucionalidade do seu art. 3o, §1o, declarada em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Aplicação do art. 62A do RICARF. COFINS. AGÊNCIA E OPERADORA DE TURISMO E VIAGEM. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. COMISSÃO. RESULTADOS AUFERIDOS NAS OPERAÇÕES EM CONTA ALHEIA POR FORNECEDORES DE SERVIÇOS. RECEITA BRUTA. IMPOSSIBILIDADE. As operadoras de viagem e agências de turismo sujeitas ao regime cumulativo devem apurar e recolher a contribuição ao PIS sobre o faturamento, assim entendido como sendo a comissão pela intermediação dos serviços prestados pelos fornecedores de serviços de transporte, hospedagem, locadoras de veículos e afins, nos termos do art. 27, da Lei n° 11.771/2008, não se sujeitando a tributar os valores das receitas de seus fornecedores que constituemse resultado das operações em conta alheia dos terceiros e componente da receita bruta dos mesmos (art. 31, da Lei n° 8.981/95), que não se confunde com o conceito de faturamento pertinente ao regime cumulativo. Recurso Voluntário Provido." (fls. 356/357) Fl. 417DF CARF MF 4 Assim, aquele processo foi instruído com cópia integral do presente processo até a prolação da decisão de primeira instância, com o desmembramento dos débitos que foram excluídos por aquela decisão (cujo controle foi mantido no presente PTA n.º 10805.723795/201268), e a transferência dos débitos remanescentes para o PTA n.º 10805.721926/201353. Contudo, após este desmembramento processual, foi confirmado naqueles autos que o Recurso Voluntário apresentado pelo sujeito passivo (não acostado aos presentes autos, frisese), era tempestivo, conforme Termo de Constatação Fiscal da Delegacia de origem (fls. 382/383 do PTA n.º 10805.721926/201353). Por conseguinte, considerando que aquele processo estava integralmente instruído, foi proferido naqueles autos o Acórdão n.º 3402002.434, oportunidade em que foram julgados tanto o Recurso de Ofício (que seria analisado no presente processo, frisese novamente), como o Recurso Voluntário. Desta forma, com a prolação do Acórdão n.º 3402002.434 no processo n.º 10805.721926/201353, que julgou improcedente o Recurso de Ofício e procedente o Recurso Voluntário, o presente PTA n.º 10805.723795/201268 perdeu seu objeto, vez que o que permanecia aqui em discussão (valores excluídos pela decisão de primeira instância e objeto de Recurso de Ofício), foi integralmente analisado naquela oportunidade. Fl. 418DF CARF MF Processo nº 10805.723795/201268 Acórdão n.º 3402003.452 S3C4T2 Fl. 403 5 E foi exatamente em razão desta preclusão da discussão dos presentes autos que foi proferido o despacho de saneamento de fl. 377, abaixo transcrito para melhor visualização: "Versa o presente processo sobre recurso de ofício, em face do Acórdão 40.556, de 22 de abril de 2013, proferido pela 3ª Turma da DRJ Campinas. O recurso de ofício entrou na pauta da reunião de novembro de 2014 deste colegiado. Entretanto, determinei a retirada de pauta, em virtude da constatação de que o recurso de ofício já havia sido julgado pela Segunda Turma Ordinária desta Câmara no bojo do processo nº 10805.721926/201353, que culminou no Acórdão 3402002.434. Tendo em vista o princípio da preclusão, que veda a este órgão de julgamento proferir decisão sobre questão já decidida, considero exaurida esta instância com a prolação do Acórdão 3402002.434, ora juntado a estes autos. Com esses fundamentos, proponho a devolução do processo à Delegacia da Receita Federal de origem para que seja executado o comando do Acórdão 3402 002.434." (fl. 377 grifei) Novamente nos voltando à análise do processo n.º 10805.721926/201353, vislumbrase que a Fazenda Nacional foi intimada do teor integral do Acórdão n.º 3402 002.434 em 10/09/2014 (fl. 425 daquele processo), apresentando, em 14/10/2014, uma petição informando a não apresentação de Recurso Especial (fl. 426 daquele processo), abaixo reproduzida: Fl. 419DF CARF MF 6 Após a intimação do sujeito passivo, foi proferido o extrato de encerramento do processo n.º 10805.721926/201353, às fls. 439/442 daqueles autos. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Maysa de Sá Pittondo Deligne Pelo relato acima detalhado, evidente que a Fazenda Nacional pretendeu restaurar nos Embargos de Declaração apresentados nos presentes autos uma discussão já definitivamente encerrada no processo competente (PTA n.º 10805.721926/201353). Naqueles autos, agora acostados à integra ao presente processo, a lide posta sob apreciação foi integralmente julgada com a prolação do Acórdão n.º 3402002.434, do qual a Fazenda foi devidamente intimada em setembro/2014, com a correspondente manifestação pelo desinteresse na apresentação de Recurso Especial. Naquele processo, a Fazenda igualmente deixou de apresentar Embargos de Declaração no prazo oportuno. Assim, evidente que se operou a preclusão, tendo a Fazenda Nacional perdido a oportunidade de se manifestar quanto à eventual omissão do Acórdão proferido no momento e nos autos oportunos. Diante de todo o exporto, voto por não conhecer dos embargos fazendários, vez que preclusa a discussão nele trazida, devendo os presentes autos serem devolvidos à Delegacia da Receita Federal de origem para que seja executado o comando do Acórdão 3402 002.434, nos termos já determinados no despacho de fls. 377. É como voto. Relatora Maysa de Sá Pittondo Deligne Fl. 420DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.013233/2002-18
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1997 a 30/11/1997
EMBARGOS.CORREÇÃO DE EQUÍVOCO MATERIAL
Inexatidões materiais que redundam em contradição com o disposto na decisão, devem ser corrigidos sem alteração do resultado do acórdão embargado.
Embargos acolhidos e parcialmente providos.
Numero da decisão: 9100-000.873
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, acolher e dar provimento parcial aos Embargos de declaração para rerratificar o acórdão embargado.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Valmar Fonsêca de Menezes - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Antônio Carlos Guidoni Filho (VicePresidente da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Rafael Vidal de Araújo (Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF), João Carlos de Lima Júnior (VicePresidente da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Valmar Fonseca de Menezes (Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Valmir Sandri (VicePresidente da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Jorge Celso Freire da Silva (Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Karem Jureidini Dias (VicePresidente da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Alexandre Naoki Nishioka (VicePresidente da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Gustavo Lian Haddad (VicePresidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Ivacir Júlio de Souza (conselheiro convocado) substituiu circunstancialmente (até a votação do item 7 da pauta) o conselheiro Marcelo Oliveira (Presidente da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Manoel Coelho Arruda Júnior (VicePresidente da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Elias Sampaio Freire (Presidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (VicePresidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Henrique Pinheiro Torres (Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Nanci Gama (VicePresidente da 1ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Joel Miyasaki (Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Rodrigo Cardozo Miranda (VicePresidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Maria Teresa Martínez López (VicePresidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Júlio César Alves Ramos (convocado para ocupar o lugar do Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF) e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva (VicePresidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF), bem assim também foi convocado o conselheiro Antônio Lisboa Cardoso (substituição da conselheira Susy Gomes Hoffman, no dia 8/12/2014) e o Conselheiro Paulo Cortez (em substituição à conselheira Karem Jureidini Dias, no dia 09/12/2014) e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento).
Nome do relator: Relator
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, acolher e dar provimento parcial aos Embargos de declaração para rerratificar o acórdão embargado. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (Assinado digitalmente) Valmar Fonsêca de Menezes - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Antônio Carlos Guidoni Filho (VicePresidente da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Rafael Vidal de Araújo (Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF), João Carlos de Lima Júnior (VicePresidente da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Valmar Fonseca de Menezes (Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Valmir Sandri (VicePresidente da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Jorge Celso Freire da Silva (Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Karem Jureidini Dias (VicePresidente da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Alexandre Naoki Nishioka (VicePresidente da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Gustavo Lian Haddad (VicePresidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Ivacir Júlio de Souza (conselheiro convocado) substituiu circunstancialmente (até a votação do item 7 da pauta) o conselheiro Marcelo Oliveira (Presidente da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Manoel Coelho Arruda Júnior (VicePresidente da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Elias Sampaio Freire (Presidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (VicePresidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Henrique Pinheiro Torres (Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Nanci Gama (VicePresidente da 1ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Joel Miyasaki (Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Rodrigo Cardozo Miranda (VicePresidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Maria Teresa Martínez López (VicePresidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Júlio César Alves Ramos (convocado para ocupar o lugar do Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF) e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva (VicePresidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF), bem assim também foi convocado o conselheiro Antônio Lisboa Cardoso (substituição da conselheira Susy Gomes Hoffman, no dia 8/12/2014) e o Conselheiro Paulo Cortez (em substituição à conselheira Karem Jureidini Dias, no dia 09/12/2014) e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento).
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DE CONSTRUÇÃO CIVIL LTDA. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1997 a 30/11/1997 EMBARGOS.CORREÇÃO DE EQUÍVOCO MATERIAL Inexatidões materiais que redundam em contradição com o disposto na decisão, devem ser corrigidos sem alteração do resultado do acórdão embargado. Embargos acolhidos e parcialmente providos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, acolher e dar provimento parcial aos Embargos de declaração para rerratificar o acórdão embargado. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Valmar Fonsêca de Menezes Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Antônio Carlos Guidoni Filho (VicePresidente da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Rafael Vidal de Araújo (Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF), João Carlos de Lima Júnior (VicePresidente da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Valmar Fonseca de Menezes (Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Valmir Sandri (VicePresidente da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Jorge Celso Freire da Silva (Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Karem Jureidini Dias (VicePresidente da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Alexandre Naoki Nishioka (VicePresidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 32 33 /2 00 2- 18 Fl. 528DF CARF MF Processo nº 10980.013233/200218 Acórdão n.º 9100000.873 CSRFPL Fl. 3 2 da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Gustavo Lian Haddad (VicePresidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Ivacir Júlio de Souza (conselheiro convocado) substituiu circunstancialmente (até a votação do item 7 da pauta) o conselheiro Marcelo Oliveira (Presidente da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Manoel Coelho Arruda Júnior (VicePresidente da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Elias Sampaio Freire (Presidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (VicePresidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Henrique Pinheiro Torres (Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Nanci Gama (VicePresidente da 1ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Joel Miyasaki (Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Rodrigo Cardozo Miranda (VicePresidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Maria Teresa Martínez López (VicePresidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Júlio César Alves Ramos (convocado para ocupar o lugar do Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF) e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva (VicePresidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF), bem assim também foi convocado o conselheiro Antônio Lisboa Cardoso (substituição da conselheira Susy Gomes Hoffman, no dia 8/12/2014) e o Conselheiro Paulo Cortez (em substituição à conselheira Karem Jureidini Dias, no dia 09/12/2014) e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento). Relatório Adoto, por oportuno, o relatório do despacho de fl. XX, em virtude de apresentação de embargos à decisão desta Corte. Tratase de embargos de declaração (fls. 496) interposto pelo Delegado/DRFB/CuritibaPR, com fundamentação no § l°, do art. 27 do então vigente Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, correspondente ao § 1 0, do artigo 41 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais RICSRF, aprovado pela portaria MF n° 147/2007, contra decisão do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais consubstanciada no Acórdão n° 0000.050 (fls. 484 a 492) de 15 de dezembro de 2008 que proveu por unanimidade o recurso extraordinário da çontribuinte, conforme ementa a seguir: “Assunto: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. Exercício: .1.999 DECADÊNCIA — SÚMULA VINCULANTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL , RECONHECENDO AINCONSTITUICIONALIDAE DOS ARTIGOS 45 E 46 DA LEI N° 8.212, DE 1.991 APLICAÇÃO DA SÚMULA — RECONHECIMENTO DA EXIGÊNCIA DO CRÉDITO TRIBUTARIO. A decisão do Supremo Tribunal Federal e a edição de Súmula Vinculante reconhecendo que são inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 1.991, que tratam de prescrição e decadência do crédito tributário, têm efeito vnculante em relação à administração pública direta e indireta. Reconhecida á inconstituéionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212 de 1991, e versando a exigência do lançamento sobre fato gerador Fl. 529DF CARF MF Processo nº 10980.013233/200218 Acórdão n.º 9100000.873 CSRFPL Fl. 4 3 ocorrido há mais de cinco anos, impõese a reforma da decisão recorrida para dar provimento ao recurso e, reconhecendo a decadência, cancelar a exigência do crédito tributário. Recurso extraordinário Provido” Às fls. 493 , consta à intimação ao Senhor Procurador da Fazenda Nacional, credenciado junto a Câmara Superior de Recursos Fiscais, da decisão consúbstanciada no Acórdão supra, nos termos do § 2° do art. 37, c/c inciso VII do art. 11 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007. Não houve manifestação por parte do procurador. Em seqüência, tempestivamente, o Delegado da Receita Federal do Brasil emCuritiba, na qualidade de autoridade encarregada da execução do Acórdão referenciado, propõe os EMBARGOS DE DECLARAÇAO ao referido acórdão, em face de contradição contida na sua decisão argumentando: “O referido acórdão deu provimento ao recurso extraordinário "para afastar a aplicação do árt. 45 da Lei n° 8.212/1991, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente processo". Ocorre ,que o voto do relator, apesar de constar que deu provimento ao recurso, o fez de forma parcial, . pois reconheceu a decadência apenas para o mês de novembro de 1997 e primeira quinzena de dezembro de 1997, sendo que no presente processo' foràm lançados débitos dos períodos de apuração de 01/97 a 12/97. Aliás, embora o contribuinte não tenha efetuado pagamento, o acordão reconheceu que a decadência do direito de lançar, para tributos de base mensal, começa a fluir do primeiro dia do mês seguinte ao da ocorrência do fato gerador, aplicando indistintamente, havendo ou não pagamento, o art. 150, § 4° do CTN, destoando da orientação contida no Parecer PGFN/CAT n° 1.617/2008, para o, qual a decadência começa a correr do primeiro dia do exercício seguinte ' àquele em 'que o lançamento poderia ter sido efetuado, ao consignar que a inexistência de pagamento justifica a utilização da regra do art. 173 do CTN, para efeitos de fixação do dies a quo dos prazos de caducidade, projetados nas contribuições previdenciárias. Por fim; requer seja sanada a irregularidade. A Presidência do CARF acatou parcialmente os embargos interpostos, nos seguintes termos: “Na análise da materia verificase que assiste razão, somente em parte, ao embargante, Delegado da Receita Federal, do Brasil em Curitiba — PR. Isto porque, é entendimento pacificado no CARF que nos lançamentos por homologação, que é o caso da "Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS" objeto do acórdão, os valores tenham ou não sido recolhidos o prazo decadencial de cinco anos é contado a partir do primeiro dia no mês seguinte ao da ocorrência do fato gerador. E mais. 0 parecer da PGFN/CAT n.° 1.617/2008 citado pelo embargante é irrelevante quanto ao deslinde da pendência, pois o CARF não está subordinado a esses pareceres. Fl. 530DF CARF MF Processo nº 10980.013233/200218 Acórdão n.º 9100000.873 CSRFPL Fl. 5 4 Quanto a ter constado no acórdão que o voto e no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso para reconhecer a decadência e a extinção dos créditos tributários, cujos fatos geradores ocorreram no mês de novembro de 1997 e, na primeira quinzena de dezembro de 1997 — é mister consignar que a autuação corresponde não somente ao periodo citado, mas a todos os meses do ano de janeiro'a dezembro de 1997. (...) Assim pertinente o embargo no tangente. à decadência dos valores lançados e correspondentes à segunda quinzena de dezembro de 1997 e a não manifestação no acórdão sobre a decadência referente aos meses de janeiro a outubro de 1997. Ante o exposto, conforme ó artigo 41, § 2.°, do RICSRF/2007 determino seja o processo submetido à deliberação do PLENO da Câmara Superior de Recursos Fiscais para fazer frente à contradição apontada, isto é, a decadência dos valores correspondentes aos meses de janeiro a outubro de 1997 e à segunda quinzena do mês de dezembro de 1997. É o relatório, no essencial. Voto Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes, Relator Verifico, de pronto, que os embargos, da forma como foram acolhidos e com cuja fundamentação concordo, apenas se prestarão para corrigir um equívoco na elaboração do voto condutor do Acórdão, ao não mencionar períodos que por uma razão lógica se são anteriores aos considerados alcançados pela decadência, não poderiam escapar do seu efeito fulminante. Assim, sem maiores delongas ou comentários desnecessários, voto por dar provimento parcial aos embargos para correção do equívoco material, relativo aos períodos em referência. (Assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Fl. 531DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10665.903405/2008-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. IMPUTAÇÃO.
Uma vez que o contribuinte deixou de calcular os juros e multa devidos em conformidade com o art. 61 da Lei n.º 9.430/96, as compensações por ele apresentadas foram recalculadas em conformidade com o procedimento de imputação proporcional autorizado pelos artigos 28, §1º da Instrução Normativa n.º 600/2005, vigente à época da emissão dos pedidos de
compensação. Despacho decisório lavrado em conformidade com a legislação aplicável como confirmado na Diligência Fiscal realizada.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3402-003.525
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
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JUROS E MULTA Recorrente ZPP INDUSTRIA E EXPORTACAO LTDA - EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. IMPUTAÇÃO. Uma vez que o contribuinte deixou de calcular os juros e multa devidos em conformidade com o art. 61 da Lei n.º 9.430/96, as compensações por ele apresentadas foram recalculadas em conformidade com o procedimento de imputação proporcional autorizado pelos artigos 28, §1º da Instrução Normativa n.º 600/2005, vigente à época da emissão dos pedidos de compensação. Despacho decisório lavrado em conformidade com a legislação aplicável como confirmado na Diligência Fiscal realizada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim - Presidente. (Assinado com certificado digital) Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora. Fl. 143DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Por trazer uma síntese do processo até a apresentação do Recurso Voluntário, peço vênia para transcrever o relatório da Resolução n.º 3402-000.688, que converteu o presente processo em diligência: "Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido: Por intermédio do PER n° 37380.92192.080806.1.5.013188 (retificador do de n° 29699.05505.210104.1.1.013884) o contribuinte em epígrafe pleiteou, em 08/08/2006, o ressarcimento do IPI atinente ao 2° trimestre/2003, no montante de R$ 21.567,24, decorrente do crédito presumido apurado no período (fl. 27v). Vinculadas ao citado PER transmitiu as DCOMPs n° 13149.90928.290104.1.3.012602 e 42274.20904.080806.1.3.019855, conforme telas dos sistemas de controle da SRF anexadas, nesta data, às fls. 39/41. A análise da petição do interessado se deu por via eletrônica, da qual resultou o Despacho Decisório de fl. 20. O saldo credor foi integralmente reconhecido, mas a compensação declarada por intermédio da DCOMP n° 42274.20904.080806.1.3.019855 foi parcialmente homologada, pois, foi efetivada com débito vencido sem inclusão dos respectivos acréscimos legais. Houve, então, no encontro de contas o cálculo da multa e juros de mora, resultando amortização parcial do débito compensado e apuração de saldo devedor após imputação proporcional do valor utilizado na compensação (conforme Detalhamento da Compensação, fl. 42), objeto de cobrança com acréscimo de multa de mora e juros de mora. Cientificado do Despacho Decisório e intimado a recolher o crédito tributário decorrente da não homologação parcial da compensação, em 02/12/2008 (fl. 21), manifestou a pleiteante a sua inconformidade em 15/12/2008 (fl. 01), por meio do arrazoado de fls. 01/06, alegando, em síntese, que: => as DCOMPs transmitidas em 08/08/2006 para compensação do débito do 4° trimestre/2005 são as de número 09346.16266.080806.1.7.011458 (retificadora da de n° 24052.64326.300106.1.3.017587), 00071.85630.080806.1.3.013292, 29293.62342.080806.1.3.017278, 34277.56168.080806.1.3.010212, 26328.25368.080806.1.3.015909 e 42274.20904.080806.1.3.019855; => “compensou também os juros e multa devidos conforme se comprova com uma análise perfunctória das declarações 3ªe 4ª acima"; => "uma vez que foi compensado principal, multa e juros, deve se levar em consideração todas as declarações unificadamente, caso contrário, os juros e multa compensados nas 3ªe 4ª declarações seriam em vão"; => a atualização dos créditos, com base na taxa Selic, cuja jurisprudência administrativa no sentido de sua admissão já se consolidou, foi ignorada pela fiscalização; Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10665.903405/2008-05 Acórdão n.º 3402-003.525 S3-C4T2 Fl. 144 3 Ao final requer seja o crédito devido corrigido monetariamente e sejam consideradas todas as DCOMP transmitidas para compensação do débito (principal, multa e juros de mora). A 3ª Turma de Julgamento da DRJ Juiz de Fora (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 0930576, de 16 de julho de 2010, cuja ementa abaixo reproduzo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 COMPENSAÇÃO. DÉBITOS VENCIDOS. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA. Na compensação, sobre os débitos vencidos, na data do encontro de contas (data de valoração) incidem multa de mora de 0,33% ao dia, limitada a 20%, e juros de mora calculados com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. A falta de consignação dos acréscimos moratórios na DCOMP implicará a não homologação parcial da compensação e a exigência do tributo objeto da compensação não homologada com os respectivos acréscimos legais. Inconformado com a decisão da DRJ, apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta, em síntese, que: a) Transmitiu várias DComp's visando compensar um débito existente relativo ao 4° trimestre de 2005 no valor de R$ 7.924,82 de IRPJ. Ocorre que ao invés de analisar os valores compensados como um todo, o sistema da Receita Federal analisou-os separadamente, o que, ao invés de extinguir o débito em razão da compensação feita no exato montante do valor devido, acabou gerando débitos remanescentes praticamente impossíveis de serem compensados da forma como estipula o sistema da Receita Federal; b) O fisco determina que o contribuinte deve calcular a multa e juros incidentes sobre o valor de cada débito confessado, fato que dificulta a compensação por parte do sujeito passivo. O processo de compensação de valores devidos deve ser um processo simples, rápido e prático não podendo o contribuinte gastar mais tempo do que o necessário para fazer contas pequenas em cima de valores que ao final, totalizarão a mesma quantia; c) A forma de compensação de valores referentes ao principal, multa e juros, se todos de uma vez, ou se separadamente de acordo com a porcentagem devida, em nada influenciarão na quitação final do débito, uma vez que ao final do processo de compensação os valores compensados, não importa de que forma, serão suficientes para extinguir o objeto da obrigação; d) A grave falha ocorrida no sistema de leitura dos Perdcomp's da Receita Federal do Brasil foi que tal sistema eletrônico analisou as compensações considerando que estavam ausentes os juros e a multa. Na verdade, existem outras compensações para este mesmo período e mesmo tributo, as quais contém a multa e os juros devidos, motivo pelo qual, essas DComp's não podem ser analisadas isoladamente e sim, em conjunto. A soma dos valores extemporâneos foi compensada da seguinte forma: 1) compensou-se o total remanescente do principal, no valor de R$ 3.099,14; 2) Foram igualmente compensados os juros de mora, correspondentes a 8,28% do saldo remanescente, no importe total de R$ 256,60; 3) Foi também compensado o valor atinente A multa de mora incidente sobre o saldo remanescente, no percentual de 20%, qual seja, de R$ 619,82. Conforme se vê, foram 5 compensações feitas em uma mesma data para liquidar o débito de IRPJ remanescente referente ao 4º trimestre de 2005. Considerando as compensações como um todo, ao final, chegamos ao valor do principal devido inicialmente, de R$ 7.924,48, acrescido de multa e juros sobre o saldo Fl. 145DF CARF MF 4 remanescente, já que foram compensados em atraso, totalizando ao final o montante de R$ 8.800,90; e) O pedido de atualização monetária formulado não consiste em inovação do pedido original como dispôs a Delegacia da Receita Federal em seu despacho decisório. Trata-se de algo intrínseco ao crédito, sendo, portanto incontestável o direito do contribuinte à correção monetária com base na taxa SELIC. Termina sua petição recursal pedindo a reforma do acórdão vergastado, para fins determinar que as compensações feitas sejam consideradas integralmente de modo a extinguir o débito remanescente. Alternativamente, requer a realização de diligência para a devida instrução processual. É o relatório." (fls. 120/122 - grifei) Reconhecida a tempestividade do Recurso Voluntário, o processo foi convertido em diligência pela referida resolução, nos seguintes termos: "Como já relatado, o sujeito passivo apresentou na mesma data seis declarações de compensação buscando a extinção do débito do IRPJ referente ao 4º trimestre de 2005. É fato que o valor total do principal apresentado nas declarações de compensação corresponde com o valor declarado em DCTF. Também é incontroverso que o recorrente buscou quitar a multa e os juros de mora com declarações específicas. Reproduzo o quadro contido no acórdão vergastado que explica as operações efetuadas pelo sujeito passivo em sua busca incansável pela extinção do débito do IRPJ: Declaração de compensação Data principal multa juros total 09346.16266.080806.1.7.011458 08/08/06 4.825,34 - - 4.825,34 00071.85630.080806.1.3.013292 08/08/06 670,03 - - 670,03 29293.62342.080806.1.3.017278 08/08/06 - - 13,58 13,58 34277.56168.080806.1.3.010212 08/08/06 764,33 619,82 243,02 1.627,17 26328.25368.080806.1.3.015909 08/08/06 600,47 - - 600,47 2274.20904.080806.1.3.019855 08/08/06 1.064,31 - - 1.064,31 Total 7.924,48 619,82 256,60 8.800,90 Uma análise preliminar no quadro acima, nos indica que o recorrente pode ter razão em suas alegações. Contudo, esse Colegiado não tem as ferramentas necessárias para fazer o cotejo entre o valor ressarcido, acrescentado da correção, e o valor devido, corrigido com a multa e os juros de mora. Assim sendo, converto o julgamento em diligência com (sic.) para que a Unidade de Origem faça o tratamento manual das declarações de compensação contidas no quadro acima e apresente suas conclusões acerca da extinção do débito do IRPJ referente ao 4º trimestre de 2005." (fl. 123 - grifei) O Resultado da diligência fiscal foi proferido às fls. 126/133, entendendo que houve a extinção, pela compensação, de parte dos débitos de IRPJ objeto do processo, remanescendo um débito passível de cobrança: "Do exposto, consolidamos na tabela abaixo o resultado da execução da compensação, conforme regras definidas na Instrução Normativa SRF nº 600/2005, considerando a retificação da compensação realizada automaticamente na DCOMP nº 29293.62342.080806.1.3.01-7278. Resultado da execução da compensação DCOMP Crédito compensado com principal Crédito compensado com multa Crédito compensado com juros Crédito valorado utilizado Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10665.903405/2008-05 Acórdão n.º 3402-003.525 S3-C4T2 Fl. 145 5 09346.16266.080806.1.7.01-1458 4.825,34 0,00 0,00 4.825,34 00071.85630.080806.1.3.01-3292 522,33 104,46 43,24 670,03 29293.62342.080806.1.3.01-7278 0,00 0,00 0,00 0,00 34277.56168.080806.1.3.01-0212 764,33 152,86 63,28 980,47 26328.25368.080806.1.3.01-5909 468,10 93,62 38,75 600,47 2274.20904.080806.1.3.01-9855 829,68 165,93 68,69 1.064,30 TOTAL 7.409,78 516,87 213,96 8.140,61 Portanto, do total do débito de IRPJ referente ao 4º trimestre de 2005, igual a R$ 7.924,48 (sete mil, novecentos e vinte e quatro reais e quarenta e oito centavos), foi compensado R$ 7.409,78 (sete mil, quatrocentos e nove reais e setenta e oito centavos), restando saldo devedor no valor de R$ 514,70 (quinhentos e quatorze reais e setenta centavos), sobre o qual incidem juros e multa de mora, abaixo calculados. Saldo devedor de IRPJ referente ao 4º trimestre de 2005 Valor total atualizado para pagamento até 30/11/2014 Principal Juros de mora (90,22%)* Multa de mora (20%) Total 514,70 4.825,34 0,00 0,00 * Taxa SELIC acumulada desde fevereiro de 2006 até outubro de 2014 mais 1,00% referente a novembro de 2014." (fls. 132/133) Não tendo sido apresentada manifestação pela Recorrente após sua regular intimação, o processo retornou para este CARF para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Maysa de Sá Pittondo Deligne Reconhecida a tempestividade do Recurso, passa-se às suas razões. Como relatado, a discussão travada no presente processo não se refere à validade do crédito, integralmente reconhecido, mas sim quanto aos acréscimos moratórios no débito que não teriam sido quitados pela Recorrente quando da compensação. Pela análise da Diligência Fiscal realizada (fls. 126/133), vislumbra-se que o único argumento trazido no Recurso Voluntário foi afastado vez que, após a análise conjunta das DCOMPs emitidas que teriam quitado o débito de IRPJ do 2º trimestre de 2005 (R$ 7.924,48), foi confirmado um débito remanescente passível de cobrança (principal de R$ 514,70), superior àquele apontado no presente despacho decisório (principal de R$ 234,63). Nesse sentido, após analisar os valores compensados como um todo como pleiteado pela Recorrente, com a correspondente imputação dos pagamentos considerando as datas de transmissão das DCOMPs, foi confirmada a existência de débito remanescente passível de cobrança. Fl. 147DF CARF MF 6 Assim, uma vez que o contribuinte deixou de calcular os juros e multa devidos em conformidade com o art. 61 da Lei n.º 9.430/96 1 , as compensações por ele apresentadas foram recalculadas em conformidade com o procedimento de imputação proporcional autorizado pelos artigos 28, §1º da Instrução Normativa n.º 600/2005, vigente à época da transmissão dos pedidos de compensação, fundamento este devidamente trazido no Relatório da Diligência: "Art. 28. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 52 e 53 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. § 1º A compensação total ou parcial de tributo ou contribuição administrados pela SRF será acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais." (grifei) Assim, ao contrário do que aduz a Recorrente, a discussão aqui travada não se refere à atualização do crédito compensado pela SELIC, mas da insuficiência do crédito em razão da necessidade de incluir o devido acréscimo moratório no débito compensado, procedimento este realizado em conformidade com a legislação aplicável. Desta forma, com fulcro na Diligência realizada, não nos cabe aqui fazer maiores digressões a não ser manter o Despacho Decisório vez que o crédito reconhecido é insuficiente para compensar o débito declarado na compensação objeto deste processo, com o devido acréscimo moratório. Nesse sentido, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora 1 "Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998)" Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10665.903405/2008-05 Acórdão n.º 3402-003.525 S3-C4T2 Fl. 146 7 Fl. 149DF CARF MF
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Numero do processo: 19311.720393/2011-57
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
CONHECIMENTO. VALORAÇÃO DE PROVAS SUPOSTAMENTE DECORRENTES DA MESMA SITUAÇÃO FÁTICA.
Em se tratando do acórdão recorrido e do(s) paradigmas de mesma situação fática com caracterizada identidade probatória, é de se conhecer do feito, sob pena de se possibilitar a manutenção de decisões definitivas conflitantes em sede administrativa diante de idêntico suporte fático-probatório.
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. AUSÊNCIA DE PROVAS. CONCESSÃO DE SERVIÇO PÚBLICO DE TRANSPORTE COLETIVO DE PASSAGEIROS. RETENÇÃO.
Nos contratos administrativos de concessão de serviço público de transporte coletivo de passageiros o particular executa em seu nome, por sua conta e risco, o serviço delegado. Assim, inexistindo provas de que a Administração Pública exercia qualquer interferência direta nos serviços desempenhados pelos trabalhadores contratados, descaracterizado está o conceito de cessão de mão-de-obra para fins de aplicação da retenção prevista no art. 31 da Lei nº 8.212/91.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9202-004.394
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora), Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Gerson Macedo Guerra, que não o conheceram, e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Junior e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (presidente em exercício). Designado para redigir o voto vencedor quanto ao conhecimento o conselheiro Heitor de Souza Lima Junior.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RETENÇÃO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SÃO PAULO SECRETARIA MUNICIPAL DE TRANSPORTES ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Anocalendário: 2006, 2007, 2008 CONHECIMENTO. VALORAÇÃO DE PROVAS SUPOSTAMENTE DECORRENTES DA MESMA SITUAÇÃO FÁTICA. Em se tratando do acórdão recorrido e do(s) paradigmas de mesma situação fática com caracterizada identidade probatória, é de se conhecer do feito, sob pena de se possibilitar a manutenção de decisões definitivas conflitantes em sede administrativa diante de idêntico suporte fáticoprobatório. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. CESSÃO DE MÃO DEOBRA. AUSÊNCIA DE PROVAS. CONCESSÃO DE SERVIÇO PÚBLICO DE TRANSPORTE COLETIVO DE PASSAGEIROS. RETENÇÃO. Nos contratos administrativos de concessão de serviço público de transporte coletivo de passageiros o particular executa em seu nome, por sua conta e risco, o serviço delegado. Assim, inexistindo provas de que a Administração Pública exercia qualquer interferência direta nos serviços desempenhados pelos trabalhadores contratados, descaracterizado está o conceito de cessão de mãodeobra para fins de aplicação da retenção prevista no art. 31 da Lei nº 8.212/91. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora), Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Gerson Macedo Guerra, que não o conheceram, e, no mérito, por unanimidade de votos, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 72 03 93 /2 01 1- 57 Fl. 1016DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Junior e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (presidente em exercício). Designado para redigir o voto vencedor quanto ao conhecimento o conselheiro Heitor de Souza Lima Junior. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Redator designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Fl. 1017DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19311.720393/201157 Acórdão n.º 9202004.394 CSRFT2 Fl. 1.017 3 Relatório Tratase de auto de infração lavrado contra o Município de São Paulo, por meio do qual exigese o recolhimento da Contribuição Previdenciária prevista no art. 31, §3º da Lei nº 8.212/91, com redação dada pela Lei nº 9.711/98, c/c o art. 219, §2º, inciso XIX do regulamento da Previdência, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, caracterizada pela retenção de 11% sobre o valor do documento fiscal emitido em razão da prestação de serviço de transporte público de passageiros. O entendimento do fiscal foi no sentido de os serviços prestados pelas empresas contratadas mediante contrato administrativo de concessão de serviço público, regido pelas Leis nº 8.666/93 e 8.987/95, caracterizam verdadeira cessão de mãodeobra em favor da municipalidade e como tal estariam sujeitos a retenção da citada contribuição. O lançamento foi lavrado também contra a concessionária prestadora do serviço, classificada como responsável solidária da obrigação tributária. Em sede de Impugnação a Prefeitura Municipal de São Paulo defende que no caso em tela inexiste cessão de mãodeobra. Estaríamos diante de prestação de serviço público de transporte à população por meio de concessionários, os quais recebem como contrapartida as tarifas pagas pelos usuários os verdadeiros tomadores do serviço, portanto não haveria fato gerador do tributo. Argumenta que se quer foi feita a verificação se houve o devido recolhimento da contribuição pela empresa prestadora do serviço. A empresa solidária, entre outros argumentos, reforça o entendimento de inexistir fato gerador ensejador da retenção, tece esclarecimentos acerca das diferenças de concessão de serviço público e mera prestação de serviço ao Poder Público, afirma ter efetuado o recolhimento da totalidade da Contribuição Previdenciária incidente sobre a folha de pagamento dos funcionários vinculados ao contrato administrativo, defende a inexistência de solidariedade e questiona a base de cálculo apurada. A Delegacia de Julgamento acolhendo os argumentos das Impugnantes julgou procedente as impugnações. Para o colegiado nos contratos de concessão de serviço publico nos moldes do ora discutido não há cessão de mãodeobra. Expôs, por meio de um verdadeiro tratado, que não tendo sido configurada a cessão de mãodeobra, assim entendida a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a sua atividade fim, não há que se falar em obrigação de reter e recolher à previdência social a importância correspondente a 11% do valor da nota fiscal ou fatura emitida pela empresa contratada. Afastou ainda, expressamente, ad argumentandum tantum, a solidariedade passiva. Em recurso de ofício o Colegiado a quo confirmou, sem qualquer ressalva a decisão da Delegacia de Julgamento. Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional citando acórdão paradigma que segundo ela trataria de situação fática exatamente idêntica a do acórdão recorrido, mudando apenas a empresa contratada. Naquela oportunidade o colegiado entendeu estar caracterizada a cessão de mão obra na prestação de serviço de transporte urbano de passageiros no Município de São Paulo. Fl. 1018DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 Foram apresentadas contrarrazões reiterando os argumentos da peça de impugnação e requerendo a manutenção da decisão recorrida por seus próprios fundamentos. É o relatório. Fl. 1019DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19311.720393/201157 Acórdão n.º 9202004.394 CSRFT2 Fl. 1.018 5 Voto Vencido Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Da delimitação da lide: Apenas à título de esclarecimento destaco que o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional insurgiuse apenas contra a parte da decisão que julgou o lançamento improcedente em razão da não caracterização da cessão de mãodeobra. Tanto a decisão da Delegacia de Julgamento quanto o acórdão recorrido, apesar de afastarem a ocorrência do fato gerador abordaram a questão da responsabilidade tributária e em ambas decisões concluise pela inaplicabilidade do instituto ao presente processo. Tal conclusão não foi objeto do recurso. Reforça as explicações acima o fato de o acórdão paradigma, apesar de ter concluído pela existência da cessão de mãodeobra, ter decido no sentido de inexistir solidariedade passiva entre a Prefeitura de São Paulo e a empresa cessionária do serviço de transporte. Também no entendimento daquele colegiado o "comando contido no inciso I do artigo 124 do CTN, que prevê a responsabilidade daqueles que têm interesse comum na ocorrência do fato gerador, não se aplica às hipóteses de contratação de serviços prestados mediante cessão de mãodeobra, pois a lei é clara ao delimitar a responsabilidade exclusiva do contratante (art. 31 c.c. art. 33, § 5°, da Lei n° 8.212/91)". Do conhecimento do recurso: Analisando o teor da decisão recorrida, do Recurso Especial e do acórdão apontado com paradigma, julgo pertinente haver uma reavaliação do juízo de admissibilidade da peça recursal. A Fazenda Nacional ao interpor seu recurso, afirma que a decisão recorrida, na parte em que considerou que os serviços de transporte coletivo público de passageiros noticiados nos autos não foram executados mediante cessão de mãodeobra, divergiu do entendimento dado ao Acórdão nº 2302003.083 da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária. Para a recorrente "a situação fática trazida no acórdão paradigma é exatamente idêntica à do acórdão recorrido, qual seja, caracterização de cessão de mãodeobra na prestação de serviço de transporte urbano de passageiros no Município de São Paulo, mudando apenas a empresa contratada". Lembramos que o recurso é baseado no art. 67, do Regimento Interno (RICARF), o qual define que caberá recurso especial de decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. Fl. 1020DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 No presente caso, ambas decisões recorrida e paradigma possuem o mesmo entendimento acerca da legislação, qual seja, é cabível a retenção de 11% sobre o valor do documento fiscal emitido em contratos administrativos que envolvem transporte coletivo de passageiros desde que fique configura cessão de mãodeobra. Percebese, portanto, que o objetivo do recurso interposto é na verdade a realização da revisão do juízo de valor exercido pelos julgadores da turma a quo, fato que conforme já me manifestei em outras ocasiões deveria ser suficiente para ensejar o não conhecimento do recurso. De toda forma, conhecendo o entendimento majoritário deste colegiado faço também outro apontamento que a meu ver nos leva a mesma conclusão. Segundo se depreende do relatório do acórdão paradigma o contrato objeto daquele lançamento, apesar de possuir traços semelhantes com o contrato ora discutido, possui uma especificidade: tratase de contrato de prestação de serviço, não submetido a processo de licitação e firmado única e exclusivamente para atender demanda emergencial da Municipalidade. E para chegar a minha conclusão cito parte do voto do Conselheiro André Luís Mársico Lombardi, relator do acórdão paradigma: Compatibilidade entre Cessão de Mãodeobra e Concessão. Natureza Jurídica do Contrato. Nomen Iuris. Conceitos Doutrinários x Realidade dos Autos. Da análise dos autos, destacase, de largada, que importa muito pouco, para o presente voto, a forma de contratação dos serviços, se mediante delegação, nas suas formas de permissão e concessão; ou por intermédio de mero contrato administrativo de prestação de serviço. Importanos, muito mais, como, efetivamente, foram cumpridas as obrigações das partes, se mediante cessão de mão deobra ou não. (grifei) Ora, se nos dois processos estivéssemos diante de contratos administrativos de concessão de serviço público derivados do mesmo certame licitatório, poderíamos até supor que ambos seriam iguais, ou pelo menos semelhantes, não havendo qualquer variação substancial em suas cláusulas capaz de afastar o entendimento daquele colegiado caso o presente processo o fosse submetido. Ocorre que pelas circunstâncias fáticas que envolveram a celebração do contrato analisado pelo acórdão paradigma e a respectiva prestação do serviço (atendimento a uma situação emergencial), apesar da semelhança exposta pelo relatório, não tenho segurança em afirma que estamos diante de instrumentos com conteúdos análogos e cujos serviços foram prestados segundo as mesmas regras. Importante mencionar ainda o fato de (após o exame de admissibilidade) ter ocorrido a reforma do acórdão paradigma, tendo essa Câmara Superior em sua composição anterior e por unanimidade dos votos, concluído pela não configuração da "cessão de mãode obra determinada na Lei 8.212/1991 (colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços), mas sim a prestação de serviço determinado, em que o prestador assume o risco da atividade econômica, motivo do cancelamento do lançamento e do conseqüente provimento do recurso do contribuinte citado." Diante do exposto voto pelo não conhecimento do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Fl. 1021DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19311.720393/201157 Acórdão n.º 9202004.394 CSRFT2 Fl. 1.019 7 Do mérito: Vencida quanto ao conhecimento, passo a me manifestar quanto ao mérito do recurso o qual, conforme acima esclarecido, limitase a discutir se há nos autos elementos suficientes para caracterizar como cessão de mãodeobra a prestação de serviço público de transporte de passageiros contratado mediante contrato administrativo de concessão de serviço público. E neste aspecto comungo do entendimento externado pela decisão da Delegacia Fiscal e também do colegiado a quo para os quais inexiste provas quanto a ocorrência da cessão de mãodeobra haja vista a ausência de caracterização de um dos elementos essenciais: colocação do segurados empregados da contratada à disposição da contratante. A obrigação dos tomadores de serviços de cessão de mãodeobra de reterem 11% sobre as faturas e notas fiscais correspondentes está prevista no art. 31 da lei nº 8.212/91, com a seguinte redação: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mãodeobra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5o do art. 33 desta Lei. § 1o O valor retido de que trata o caput deste artigo, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, poderá ser compensado por qualquer estabelecimento da empresa cedente da mãodeobra, por ocasião do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos seus segurados. § 2o Na impossibilidade de haver compensação integral na forma do parágrafo anterior, o saldo remanescente será objeto de restituição. § 3o Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. § 4o Enquadramse na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes serviços: I limpeza, conservação e zeladoria; II vigilância e segurança; Fl. 1022DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 III empreitada de mãodeobra; IV contratação de trabalho temporário na forma da Lei no 6.019, de 3 de janeiro de 1974. § 5o O cedente da mãodeobra deverá elaborar folhas de pagamento distintas para cada contratante. § 6o Em se tratando de retenção e recolhimento realizados na forma do caput deste artigo, em nome de consórcio, de que tratam os arts. 278 e 279 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, aplicase o disposto em todo este artigo, observada a participação de cada uma das empresas consorciadas, na forma do respectivo ato constitutivo. No caso do serviços de transporte de passageiros a obrigatoriedade da retenção está prevista no art. 219, §2º, XIX do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99: Art.219. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5º do art. 216. §1º Exclusivamente para os fins deste Regulamento, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, independentemente da natureza e da forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 3 de janeiro de 1974, entre outros. §2º Enquadramse na situação prevista no caput os seguintes serviços realizados mediante cessão de mãodeobra: ... XIX operação de transporte de passageiros, inclusive nos casos de concessão ou subconcessão; ... A leitura dos dispositivos acima revelam que só estará obrigado à retenção aquele que contrata a cessão de mãodeobra. Assim, na prática, em cada contrato administrativo de prestação de serviços em favor do Poder Público, deve ser observado se há o elemento caracterizador da cessão de mãodeobra, qual seja, se os empregados do cedente são postos à disposição do tomador dos serviços, à semelhança do que ocorre em uma relação de emprego. Ora, como exaustivamente esclarecido na decisão de primeira instância e na decisão recorrida, estamos diante de contrato administrativo de concessão de serviço público de prestação de transporte coletivo de passageiros. Tal contrato é regido pelas leis 8.666/93 e 8.987/95 sendo que essa em seu art. 2º, II, conceitua concessão de serviço publico como sendo a delegação de funções essenciais do estado à pessoa jurídica ou consórcio de empresas que demonstre capacidade para seu desempenho, por sua conta e risco e por prazo determinado: Fl. 1023DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19311.720393/201157 Acórdão n.º 9202004.394 CSRFT2 Fl. 1.020 9 O Doutrinador Hely Lopes Meirelles, na obra Direito Administrativo Brasileiro, 30ª edição, p. 370/371, esclarece que "serviços concedidos são todos aqueles que o particular executa em seu nome, por sua conta e risco, remunerados por tarifa, na forma regulamentar, mediante delegação contratual ou legal do Poder Público concedente. Serviço concedido é serviço do Poder Público, apenas executado por particular em razão da concessão". Os professores Roque Antonio Carrazza e Eduardo Domingos Bottallo (in Revista Dialética de Direito Tributária nº 169. p. 136), sintetizaram muito bem a diferença ora discutida: A cessão (ou locação) é espécie do gênero prestação de serviços e se configura quando esforço humano posto à disposição do contratante (tomador dos serviços) consiste na própria colocação da mãodeobra, para que este dela faça uso, segundo suas conveniências e necessidades. Por outro lado, pode haver a contratação de prestação de serviços mediante utilização de pessoal pertencente a quadro próprio do prestador, que se encarrega da respectiva execução, ou, em outras palavras, de dar cumprimento à assumida obrigação de fazer. Nestes casos, embora exista prestação de serviços, não há cessão de mãodeobra. Como vemos, o elemento diferenciador entre a prestação de serviço (gênero) e a cessão ou locação de mãodeobra (espécie) reside no seguinte: se não houver subordinação dos empregados ao contratante (tomador de serviços), não haverá cessão ou locação de mãodeobra, mas apenas prestação de serviço. Já pelo contrário, se a sujeição dos empregados às ordens do tomador do serviço for característica marcante do contrato, então, aí sim, haverá autêntica prestação de serviços mediante cessão ou locação de mãodeobra. Diante dessa premissa é possível afirmar com segurança que no caso concreto não houve cessão de mão de obra, afinal o objeto do contrato era exatamente a prestação de um serviço pelo particular e não a contratação de mão de obra pelo Município. Para Prefeitura de São Paulo não importava a forma como os segurados empregados da contratada iriam executar o serviço, esses trabalhavam sob a gerência da própria contratada, o que lhe importava era o produto final da prestação: transporte eficiente, contínuo e com segurança a todos os cidadãos. Na prática são poucos os contratos de concessão de serviço público celebrados pela Administração Pública em que esta interfere diretamente nos trabalhos desenvolvidos pelo particular contratado, na grande maioria dos casos o ente não exerce qualquer ato de coordenação direta sobre os trabalhos da empresa contratada. Em regra o Poder Público limitase a verificar o regular cumprimento do contrato nos termos em que fixado pelo edital e essa interferência indireta é decorrência lógica do fato de a concessão ser sempre feita no interesse da coletividade, e, assim sendo, o concessionário ter o dever de prestar o serviço em condições adequadas para o público. A própria Constituição Federal, art. 175, parágrafo único, prevê esse Poder Dever da Administração Pública de regulamentar e fiscalizar os contratos de concessão de serviços públicos, exigindo do legislador a edição de lei para dispor sobre (I) o regime das Fl. 1024DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 10 empresas concessionárias e permissionárias de serviços públicos, o caráter especial de seu contrato e de sua prorrogação, bem como as condições de caducidade, fiscalização e rescisão da concessão ou permissão; (II) os direitos dos usuários; (III) política tarifária; e (IV) a obrigação de manter serviço adequado. E aqui estamos falando da já citada Lei nº 8.987/95, cujo art. 23 traz quais são as cláusulas essenciais que devem constar dos contratos administrativos de concessão de serviço público: Art. 23. São cláusulas essenciais do contrato de concessão as relativas: I ao objeto, à área e ao prazo da concessão; II ao modo, forma e condições de prestação do serviço; III aos critérios, indicadores, fórmulas e parâmetros definidores da qualidade do serviço; IV ao preço do serviço e aos critérios e procedimentos para o reajuste e a revisão das tarifas; V aos direitos, garantias e obrigações do poder concedente e da concessionária, inclusive os relacionados às previsíveis necessidades de futura alteração e expansão do serviço e conseqüente modernização, aperfeiçoamento e ampliação dos equipamentos e das instalações; VI aos direitos e deveres dos usuários para obtenção e utilização do serviço; VII à forma de fiscalização das instalações, dos equipamentos, dos métodos e práticas de execução do serviço, bem como a indicação dos órgãos competentes para exercêla; VIII às penalidades contratuais e administrativas a que se sujeita a concessionária e sua forma de aplicação; IX aos casos de extinção da concessão; X aos bens reversíveis; XI aos critérios para o cálculo e a forma de pagamento das indenizações devidas à concessionária, quando for o caso; XII às condições para prorrogação do contrato; XIII à obrigatoriedade, forma e periodicidade da prestação de contas da concessionária ao poder concedente; XIV à exigência da publicação de demonstrações financeiras periódicas da concessionária; e XV ao foro e ao modo amigável de solução das divergências contratuais. Mais uma vez tomando os ensinamentos do Administrativista Hely Lopes Meirelles (Direito Administrativo Brasileiro, 30ª edição p. 379/380) ressaltamos: a "fiscalização do serviço concedido cabe ao Poder Público concedente, que é o fiador da sua regularidade e boa execução perante os usuários. Já vimos que serviços públicos e serviços de Fl. 1025DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19311.720393/201157 Acórdão n.º 9202004.394 CSRFT2 Fl. 1.021 11 utilidade pública são sempre serviços para o público. Assim sendo, é dever do concedente exigir sua prestação em caráter geral, permanente, regular, eficiente e com tarifas módicas (art. 6º, §1º). Para assegurar esses requisitos, indispensáveis em todo serviço concedido, reconhecese à Administração Pública o direito de fiscalizar as empresas, com amplos poderes de verificação de sua administração, contabilidade, recursos técnicos, econômicos e financeiros, principalmente para conhecer a rentabilidade do serviço, fixar as tarifas e punir as infrações regulamentares e contratuais." A meu ver as cláusulas integrantes do contrato celebrado entre a Prefeitura de São Paulo, por meio de sua Secretaria Municipal de Transportes, e o particular prestador do serviço, que na visão da Fiscalização ajudaram a caracterizar a cessão de mão de obra, são cláusulas que visaram exclusivamente dar cumprimento a determinação legal. Vale citar: trajetos e horários das viagens, quantidade e qualidade dos recursos materiais e humanos empregados, forma de remuneração direta (tarifas) e indireta (receitas adicionais), entre outros. No mais, parece inexistir fundamento para a alegação de que teria ocorrido a cessão de mãodeobra pelo simples fato de que a empresa contratada deixou de contar com a força do labor dos profissionais 'cedidos', ou seja, esses não estariam disponíveis para realização de outro trabalho; por questão lógica uma mesma pessoa não pode, em um mesmo momento, desempenhar suas funções em dois locais distintos. Vale citar ainda, que inexistia no contrato qualquer cláusula de exclusividade de atuação de determinado funcionário. Portanto, não havia qualquer impedimento do trabalhador ser deslocado pelo particular para exercer outras funções, o que havia era o impedimento de que o serviço fosse interrompido, devendo a contratada diligenciar no sentido de haver a manutenção do número de funcionários suficientes para o seu fiel cumprimento do contrato. Destacase que entre cláusulas contratuais que tratavam de mãodeobra havia apenas a exigência de operar somente com pessoal devidamente capacitado e habilitado, mediante contratações regidas pelo direito provado e legislação trabalhista, assumindo todas as obrigações delas decorrentes, não se estabelecendo qualquer relação jurídica entre os terceiros contratados pelo operador e o Poder Público, e ainda a obrigação de apresentar, quando solicitado, a comprovação de regularidade das obrigações previdenciárias e para com o FGTS. O fato de haver previsão de serem estabelecidos critérios (cláusula 19.1.25) para realização dos descontos das parcelas da remuneração dos funcionários destinados ao pagamento do INSS, a meu ver, tratase de questões operacional necessária. Estamos diante de um mesmo serviço que visa atender usuários de todo o município, entretanto é prestado por pessoas jurídicas distintas. Para não haver tratamento desigual entre os funcionários contatados pelo particular, gerando conflitos que poderiam prejudicar a correta prestação do serviço em sua totalidade, era crível que se estabelecesse um tratamento padrão. No mais, importante citar que o art. 71 da Lei nº 8.666/93 deixa claro que a responsabilidade pelos 'encargos trabalhistas' é da empresa contratada, sendo o Poder Público solidário apenas nos casos do descumprimento das obrigações previdenciárias: Art. 71. O contratado é responsável pelos encargos trabalhistas, previdenciários, fiscais e comerciais resultantes da execução do contrato. Fl. 1026DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 12 § 1o A inadimplência do contratado, com referência aos encargos trabalhistas, fiscais e comerciais não transfere à Administração Pública a responsabilidade por seu pagamento, nem poderá onerar o objeto do contrato ou restringir a regularização e o uso das obras e edificações, inclusive perante o Registro de Imóveis. § 2o A Administração Pública responde solidariamente com o contratado pelos encargos previdenciários resultantes da execução do contrato, nos termos do art. 31 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. E aqui julgo pertinente fazer uma consideração sobre a remissão ao art. 31 da Lei nº 8.212/91. Por ora tenho dúvidas se a intenção do legislador foi a de exigir dos entes públicos a retenção dos 11% sobre a prestação do serviço. Isso porque a redação do art. 71 da Lei nº 8.666/93 foi dada pela Lei nº 9.032/95, sendo que nessa época a redação do art. 31 da Lei nº 8.212/95 não trazia qualquer previsão de retenção, na verdade apenas afirmava nos termos do parágrafo segundo que a Administração Pública era responsável solidária com os contratantes em relação aos débitos previdenciários. A obrigação da retenção surge a primeira vez apenas em 1998, com redação dada ao art. 31 pela Lei nº 9.711. Por fim, apesar de não ser esse o entendimento da maioria deste colegiado, manifestome que deve ser considerado o fato de que a retenção cobrada nada mais é do que uma antecipação do valor devido à título de contribuição correspondente aos 20% sobre a remuneração paga aos segurados. Assim, mesmo que tenha sido descumprida a obrigação e mesmo que haja a presunção de retenção nos termos do art. 33, §5º da Lei nº 8.212/91, a meu ver, essa regra não legitima a cobrança em duplicidade do crédito tributário, ou seja, havendo prova de que a empresa contratada pagou corretamente o débito (como ocorre nos autos), seria inviável exigirse o correlato crédito do Poder Público. Diante do exposto, ausente qualquer prova capaz de caracterizar cessão de mão de obra, nego provimento ao recurso interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 1027DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19311.720393/201157 Acórdão n.º 9202004.394 CSRFT2 Fl. 1.022 13 Voto Vencedor Heitor de Souza Lima Junior, Redator designado Com a devida vênia ao posicionamento esposado pela Relatora, ouso discordar quanto ao conhecimento do pleito. Inicialmente, admito já ter me posicionado no sentido de não estar contemplada na cognição desta instância a solução de divergências decorrentes de exclusiva divergente valoração probatória na instância ordinária, a qual deveria ser resolvida através do instituto processual da conexão entre feitos (vide, a propósito, Declaração de Voto no âmbito do Acórdão CSRF 9202004.252, de 22 de junho de 2016). Todavia, vislumbro necessidade de rever o referido posicionamento, especificamente no caso em que haja identidade fáticoprobatória nítida entre Acórdão recorrido e paradigma, de forma a que, uma vez também não mais se devendo declarar conexos os processos (recomendável somente a conexão até o momento da distribuição, agora, em meu entendimento), caso não se conheça do Recurso, possa se estar a referendar decisões definitivas conflitantes em termos de critério jurídico aplicado em casos com nítida identidade fático probatória. Explico melhor. Há casos em que, repitase, temse: a) Identidade fático probatória caracterizada entre os feitos recorrido e paradigma(s); b) As decisões de piso são conflitantes em termos do critério jurídico aplicado aos dois cenários fáticoprobatórios (idênticos para fins de aplicação da solução jurídica) e c) Não é mais recomendável que se declare, a esta altura, a conexão entre os feitos, visto que um deles ou ambos já foi objeto de distribuição, de forma a que, assim, reste priorizado por este Órgão o princípio do juiz natural e garantida, desta forma, a completa imparcialidade deste Conselho, objetivonúcleo de tal princípio. Em tal cenário (e somente neste cenário, onde presentes as três condições acima, de forma cumulativa) entendo que, a fim de evitar a insegurança jurídica que adviria da prolação, por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de duas soluções jurídicas distintas, de caráter definitivo, diante de idênticos arcabouços fáticoprobatórios, deva se debruçar também esta Câmara Superior, aqui, sobre o Recurso Especial admitido, buscandose, assim, que se tenha, no âmbito deste CARF, decisões jurídicas uniformes acerca de um mesmo tema, quando considerados idênticos cenários fáticoprobatórios. Feita tal digressão e atendome especificamente agora ao caso em concreto, novamente com a devida vênia ao entendimento esposado pela Relatora, vislumbro clara identidade entre as situações fáticas dos Acórdãos recorrido e paradigma e também entre os contratos utilizados para fins de contratação do transporte público de passageiros sob análise nos feitos recorrido e paradigmático, não interferindo, em meu entendimento, para fins de análise da caracterização ou não do instituto de cessão de mão de obra (cerne do caso em questão), nem o nomen juris do contrato e nem a modalidade sob o qual foi realizado (mesmo certame licitatório ou não), sendo relevante, sim, a meu ver, a coincidência entre as cláusulas contratuais de interesse para análise do instituto, de forma a ter restado caracterizada, assim, a identidade fáticoprobatória supramencionada. Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 14 Destarte, diante de tal cenário, em que pese meu entendimento anteriormente manifestado acerca do limite de cognição desta Turma estar limitada a solução de divergências de natureza exclusivamente interpretativa, curvome, aqui, uma vez, repitase, caracterizada as divergentes decisões de piso em cenários fáticoprobatórios idênticos para fins de caracterização do instituto de cessão de mão de obra, e, também repetindo, uma vez não mais recomendável a reunião dos feitos por conexão a esta altura (há feito distribuído já em julgamento), à necessidade de se conhecer do pleito fazendário, sob pena de se estar a promover grave insegurança jurídica pela possibilidade de manutenção, por este CARF, de decisões administrativas definitivas conflitantes, sem que se caracterize, entre os diferentes casos, dessemelhança suficiente, seja quanto à situação fática, seja quanto aos elementos de prova relevantes para a decisão do feito. Assim, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10480.005060/97-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Sep 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 1996
MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. PRECLUSÃO PROCESSUAL. ANÁLISE DO RECURSO VOLUNTÁRIO.
Comprovado nos autos que a manifestação de inconformidade foi apresentada após trinta dias, contados da data em que foi feita a intimação da exigência, conforme previsto no artigo 15 do Decreto nº. 70.235, de 1972, correta a decisão do Colegiado de primeiro grau que reconhece a intempestividade
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2201-003.301
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Assinado digitalmente
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Denny Medeiros da Silveira (Suplente Convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
1.0 = *:*
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FLUXO COMÉRCIO E ASSESSORIA INTERNACIONAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 1996 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. PRECLUSÃO PROCESSUAL. ANÁLISE DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Comprovado nos autos que a manifestação de inconformidade foi apresentada após trinta dias, contados da data em que foi feita a intimação da exigência, conforme previsto no artigo 15 do Decreto nº. 70.235, de 1972, correta a decisão do Colegiado de primeiro grau que reconhece a intempestividade Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Denny Medeiros da Silveira (Suplente Convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 00 50 60 /9 7- 87 Fl. 510DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10480.005060/9787 Acórdão n.º 2201003.301 S2C2T1 Fl. 511 2 Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 3ª Turma da DRJ/REC(Fls. 480), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: A interessada acima qualificada formalizou pedido de restituição relativo ao Imposto de Renda na Fonte IRRF no ano calendário de 1995, cumulado com pedidos de compensação de débitos diversos no valor de R$ 38.289,85 (fls. 01/38). 2. Através do Despacho Decisório de fls. 2961297, com ciência da empresa em 03/04/2000, a Delegacia da Receita Federal em Recife deferiu o pedido da contribuinte, reconhecendo o direito creditório no montante pleiteado e autorizando a compensação dos débitos até o limite do crédito reconhecido. 3. Em 20/12/2004 (fls. 379/382 e 400), a empresa foi informada dos débitos extintos pela compensação e intimada a pagar os débitos remanescentes, ou seja, aqueles para cuja satisfação o crédito reconhecido não foi suficiente Tais débitos importam em R$ 737,79. 4. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 17/01/2005 (fls.383/387), alegando, em síntese: a) que a impugnação é tempestiva; b) que a homologação parcial do crédito não foi justificada; c) que o direito creditório pleiteado havia sido integralmente reconhecido em despacho anterior e d) que o indeferimento parcial do pedido se deu após o prazo de cinco anos previsto na legislação. 5. Requereu, ao final, a homologação (sic) da compensação. 6. Informação Fiscal de fls. 413/415 considerou que: a) a contribuinte não se manifestou nos trinta dias seguintes ao despacho decisório; b) não ocorreu indeferimento de parte do crédito, e sim cálculos equivocados da empresa no tocante à atualização dos débitos e créditos; c) não há que se falar em homologação tácita com o decurso do prazo de cinco anos, vez que o pedido de compensação não foi convertido em declaração de compensação. Fl. 511DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10480.005060/9787 Acórdão n.º 2201003.301 S2C2T1 Fl. 512 3 7. Cientificada da Informação Fiscal, a contribuinte apresentou nova manifestação (fls. 436/442), contestando o despacho oficial e reiterando seus argumentos antes esposados. Passo adiante, a 3ª Turma da DRJ/REC entendeu por bem não conhecer da impugnação, por intempestiva, em decisão que restou assim ementada: Ementa: IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. EFEITOS. A defesa apresentada fora do prazo legal não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento e, em conseqüência, não comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações nela contidas. Cientificado em 01/09/2006 (Fls. 493), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 12/09/2006 (fls. 486 a 492), argumentando em síntese: (...) Através da intimação fiscal de 01.11.05, o fisco adotou o entendimento de que quando da homologação do crédito no valor original, não houve por parte do contribuinte nenhuma manifestação no sentido de pleitear que o crédito fosse efetivamente atualizado monetariamente, de modo que somente poderia proceder a compensação do valor original do crédito, o que fere frontalmente tos princípios mais comezinhos do direito tributário pátrio. ... (...) Acontece que não haveria necessidade de manifestação formal por parte do contribuinte posto que a legislação vigente, contempla que: Uma vez reconhecido o crédito por parte da autoridade fiscal, este será efetivado mediante a atualização monetária até a data da efetiva compensação e ou restituição. Assim, quando a Auditora Fiscal procedeu em 17.11.2004 a análise do Pedido de Compensação, transformado em Declaração de Compensação, efetivamente já havia transcorrido o lapso temporal de cinco anos contados da data da Declaração de Compensação de modo que uma vez operada a prescrição, já decaiu o direito de o fisco federal negar guarida a compensação efetivamente procedida . ... (...) Ademais, a negativa ora procedida e impugnada não foi realizada dentro do prazo de cinco anos, conforme determina a legislação vigente, de modo que não poderia o fisco federal, somente agora, após decorridos mais de cinco anos da compensação, excluir parte do crédito efetivamente compensado. (...) Outrossim, quanto a alegada NÃO CONVERSÃO DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO EM DECLARAÇÃO DE Fl. 512DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10480.005060/9787 Acórdão n.º 2201003.301 S2C2T1 Fl. 513 4 COMPENSAÇÃO, tendo em vista que a IN 460/2002, não socorre o contribuinte, posto que não poderia retroagir para alcançar períodos passados, o Contribuinte aduz em sua defesa que o próprio texto da IN 460/2002, que autoriza a conversão de que se cuida, ademais ainda que assim o comando da IN 460/2002, não autorizasse, por princípio tributário insculpido no artigo 106 do código Tributário Nacional a lei tributária sempre retroage para beneficiar o contribuinte,... (...) ... que seja DADO PROVIMENTO ao presente RECURSO VOLUNTÁRIO para o fim de que: a) Seja afastada a alegação de intempestividade da Manifestação de Inconformidade, posto que fora recebida em 02 de dezembro de 2005, contra a Decisão datada de 01 de outubro de 2005, e somente cientificada a contribuinte em 10 de novembro de 2005, logo dentro do prazo de trinta dias para sua interposição. b) Seja declarado decadente o direito do fisco em negar o pleito de compensação integral de que se cuida , referente ao credito oriundo da compensação do Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF sobre serviços prestados a pessoas jurídicas no ano calendário de 1997, requerida e compensada em 05 de fevereiro de 1998, com desconsideração da Intimação Fiscal datada de 17.11.2004 , tendo em vista que o prazo para homologação ou não da compensação declarada pelo sujeito passivo é de cinco anos contados da data da efetiva Compensação . c) Seja homologada a compensação integral da compensação procedida, para o pleno restabelecimento do direito e para que se cumpra a justiça fiscal. O processo foi direcionado a 6a Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes que em 1o de Setembro de 2008 (fls. 494), informou que de acordo com o art. 20, I, "a", do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007 (DOU de 28 de junho de 2007), os recursos voluntários relativos à tributação de pessoa jurídica devem ser julgados pelas Câmaras Primeira, Terceira, Quinta, Sétima e Oitava do Primeiro Conselho de Contribuintes, portento a ä Câmara não seria competente para apreciar o litígio. Desta forma o processo foi redirecionado apara Segunda Seção do CARF, sendo agora distribuído para este conselheiro. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Fl. 513DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10480.005060/9787 Acórdão n.º 2201003.301 S2C2T1 Fl. 514 5 Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Considerando que a ciência do Despacho Decisório de fls. 300/301, pela recorrente deuse em 03/04/2000 (fls.300 e 301) e que a sua manifestação de inconformidade foi protocolada em 17/01/2005 (fls.388), é notório que a peça da defesa foi interposta intempestivamente. No entanto a recorrente apresentou recurso voluntário, onde reitera as alegações da manifestação de inconformidade, que sequer foram apreciadas no julgamento de primeira instância, dada a sua reconhecida intempestividade, e afirma que a manifestação de inconformidade é tempestiva. Correto é o entendimento exarado pela 3a Turma da DRJ/REC em seu julgamento: 9. Cumpre realçar, de início, a impossibilidade de impugnação contra aviso de cobrança no âmbito do contencioso administrativo. Assim é que, se a pretensão do sujeito passivo é discutir a intimação de fls. 379/382, o foro apropriado para tal demanda não é a Delegacia de Julgamento, e sim a unidade que expediu a cobrança, em conformidade com o que prescreve o Regimento Interno da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF n° 030, de 25 de fevereiro de 2005: "(...) Art. 142. À Divisão de Controle e Acompanhamento Tributário Dicat, aos Serviços de Controle e Acompanhamento 'Tributário Secat e às Seções de Controle e Acompanhamento Tributário Sacat das DRF compete: (...) XXVI pronunciarse sobre solicitação de retificação de lançamento e manifestação do contribuinte em relação a avisos de cobrança; ( ...) " (g. n) 10. A competência das Delegacias da Receita Federal de Julgamento encontrase prevista no art. 224 do Regimento Interno, que se transcreve: “Art. 224. Às Delegacias da Receita Federal de Julgamento – DRJ compete: 1 julgar, em primeira instancia, conforme Anexo V, processos administrativos fiscais de determinação e exigência de créditos tributários, os relativos a exigência de direitos antidumping, compensatórios e de salvaguardas comerciais, e de manifestação de inconformidade do sujeito passivo contra apreciações dos Inspetores e dos Delegados da Receita Federal em processos administrativos relativos, à restituição, compensação, ao Fl. 514DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10480.005060/9787 Acórdão n.º 2201003.301 S2C2T1 Fl. 515 6 ressarcimento, à imunidade, à suspensão, à isenção e à redução de tributos e contribuições administrados pela SRF, e (...) 11. No presente processo, portanto, a única discussão cabível no âmbito deste colegiado seria quanto a manifestação de inconformidade contra o despacho decisório exarado pela autoridade a quo acerca do pedido de restituição/compensação. É o que se passa a analisar. Por oportuno, ressalto que, por ocasião em que a contribuinte foi intimada do despacho decisório, no ano 2000, o art. 74 da Lei 9.430/96 ainda não havia sido modificado com a inclusão dos parágrafos que cuidaram de estabelecer a declaração de compensação e a fixação dos prazos de manifestação de inconformidade. Deste modo, por ocasião da intimação do despacho decisório que indeferiu o pedido de restituição/compensação e fixou a exigência fiscal, o prazo para a interposição de inconformidade estava estabelecido no art 15 do Decreto nº. 70.235, de 1972, in verbis: “Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência.” Vêse que os dispositivos citados deixam claro que somente a impugnação/manifestação, interposta dentro do prazo recursal, é instrumento jurídico hábil a instaurar o processo administrativo, sendo a tempestividade dessa, pressuposto intransponível para a prática do ato processual. Insta mencionar ainda, que este Conselho já decidiu diversas vezes, que o fato da impugnação/manifestação de inconformidade ser intempestiva, não instaura o processo administrativo fiscal e só cabe ao colegiado se pronunciar sobre matéria que venha a se insurgir contra a declaração de intempestividade propriamente dita, ou seja, caso o recorrente alegue que não houve intempestividade. Dessa forma, dada a jurisprudência pacífica, entendo ter sido correta a decisão recorrida, que não conheceu a manifestação de inconformidade, posto que, de fato, o litígio administrativo só se instaura com a impugnação/manifestação de inconformidade apresentada tempestivamente. Ante tudo acima exposto e o que mais contam nos autos, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 515DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10480.005060/9787 Acórdão n.º 2201003.301 S2C2T1 Fl. 516 7 Fl. 516DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10580.720555/2009-98
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
RECONHECIMENTO DE OFÍCIO DE VÍCIO MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE.
Não cabe o reconhecimento de nulidade, por eventual vício material, quando a matéria não tiver sido devidamente admitida, como objeto do recurso especial.
IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA.
Incide o IRPF sobre os valores de natureza remuneratória, ainda que classificados como indenizatórios pela fonte pagadora.
Precedentes do STF e do STJ.
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE.
Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se o regime de competência.
Recurso especial provido em parte.
Numero da decisão: 9202-004.045
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em não conhecer a preliminar de nulidade por vício material suscitada de ofício pela Conselheira Ana Paula Fernandes, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López. Por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. Votaram pelas conclusões os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Gerson Macedo Guerra.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
EDITADO EM: 17/08/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 RECONHECIMENTO DE OFÍCIO DE VÍCIO MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE. Não cabe o reconhecimento de nulidade, por eventual vício material, quando a matéria não tiver sido devidamente admitida, como objeto do recurso especial. IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores de natureza remuneratória, ainda que classificados como indenizatórios pela fonte pagadora. Precedentes do STF e do STJ. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se o regime de competência. Recurso especial provido em parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em não conhecer a preliminar de nulidade por vício material suscitada de ofício pela Conselheira Ana Paula Fernandes, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López. Por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. Votaram pelas conclusões os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Gerson Macedo Guerra. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator EDITADO EM: 17/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
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IMPOSSIBILIDADE. Não cabe o reconhecimento de nulidade, por eventual vício material, quando a matéria não tiver sido devidamente admitida, como objeto do recurso especial. IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores de natureza remuneratória, ainda que classificados como indenizatórios pela fonte pagadora. Precedentes do STF e do STJ. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose o regime de competência. Recurso especial provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 05 55 /2 00 9- 98 Fl. 277DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720555/200998 Acórdão n.º 9202004.045 CSRFT2 Fl. 23 2 Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em não conhecer a preliminar de nulidade por vício material suscitada de ofício pela Conselheira Ana Paula Fernandes, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López. Por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, pelo voto de qualidade, em darlhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. Votaram pelas conclusões os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Gerson Macedo Guerra. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator EDITADO EM: 17/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10580.720254/200964. O presente Recurso Especial trata de pedido de Análise de Divergência motivado pelo Contribuinte, em face de Acórdão proferido em julgamento de recurso voluntário. Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física dos exercícios 2005, 2006 e 2007, anoscalendário 2004, 2005, e 2006, em razão de a autoridade fiscal ter classificado como rendimentos tributáveis, valores declarados como isentos ou não tributáveis tal como informado pela Fonte Pagadora Tribunal de Justiça do Estado da Bahia. Referidos rendimentos correspondem a diferença entre a transformação de Cruzeiros Reais para Unidade Real de Valor – URV, reconhecidas e pagas em 36 meses, de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Estadual nº 8.730/2003 do Estado da Bahia. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas Fl. 278DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720555/200998 Acórdão n.º 9202004.045 CSRFT2 Fl. 24 3 quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, consequentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Foi interposta impugnação foi indeferida em sede de julgamento de primeira instância. O Contribuinte interpôs Recurso, ao qual foi dado parcial provimento ao recurso para tão somente excluir a multa de ofício. O Contribuinte apresentou Recurso Especial ao qual foi dado parcial seguimento, para reapreciação apenas da matéria questão da natureza indenizatória, ou não. Em reexame, o exame de admissibilidade foi confirmado pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Apresentadas contrarrazões pela Fazenda Nacional, vieram os autos conclusos. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.026, de 21/06/2016, proferido no julgamento do processo 10580.720254/200964, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto vencedor proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.026): Em primeiro lugar, não conheço da preliminar de nulidade do lançamento, por vício material, suscitada de ofício pela Sra. Conselheira relatora. Com efeito, esta matéria não tendo sido admitida em sede de recurso especial, não está em discussão e, portanto, dela não conheço. Além disso, apenas para fins de esclarecimento, registrese que não vejo qualquer nulidade no lançamento da forma que ele foi realizado. Com efeito, o lançamento foi realizado com base em dispositivo vigente, cuja interpretação não havia sido considerada à época inconstitucional. Portanto, não há que se falar em nulidade. Entrando, agora, no mérito propriamente dito, entendo que a verba recebida tem caráter remuneratório e, assim, deve ser tributada. Questão dessa natureza já foi trazida, em 03/03/2015, Fl. 279DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720555/200998 Acórdão n.º 9202004.045 CSRFT2 Fl. 25 4 à 2ª Turma desta Câmara Superior, no acórdão 9202003.585. Naquela ocasião, acompanhei o voto do relator Alexandre Naoki Nishioka, entendendo tratarse de verba de natureza remuneratória, e por isso peço vênia para adotar aqui os mesmos argumentos como razão de decidir, assim transcrevendoos: (...) Conforme dispõe o art. 2º da referida Lei, tais valores são relativos a “diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor – URV”. Da leitura do artigo, denotase que o pagamento de tais valores deveuse à necessidade de manutenção do valor real do salário, de forma a corrigir erros anteriores no cálculo da conversão da moeda nacional. A lei estadual acima citada não buscou, por meio do pagamento das diferenças, a recomposição de um prejuízo, ou dano material, sofrido pelo contribuinte, mas a compensação em razão da ausência de oportuna correção no valor nominal do salário, verificada quando da alteração da moeda. Portanto, tais valores integram a remuneração percebida pelo contribuinte, constituindo parte integrante de seus vencimentos. Estáse diante, pois, de acréscimo patrimonial tributável pelo Imposto de Renda, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional, entendimento que fora inclusive salientado pelo acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA). Buscando reforçar o argumento, requereu o contribuinte a aplicação da Resolução n.º 245 do STF, assim como de consulta administrativa realizada pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, os quais disporiam acerca da remuneração dos magistrados. No entanto, mencionadas normas não se aplicam ao fim pretendido pelo contribuinte, ao contrário do que decidiu o acórdão recorrido. Inicialmente, cumpre salientar que a dita resolução dispôs acerca da forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que trata o art. 2º e parágrafos da Lei n.º10.474/2002, considerandoo como de natureza indenizatória. Neste sentido, o inciso I do art. 1º trouxe a forma de cálculo deste abono: “I apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei nº 10.474, de 2002 (Resolução STF nº 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)”. A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do abono as verbas referentes à diferença de URV, de onde Fl. 280DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720555/200998 Acórdão n.º 9202004.045 CSRFT2 Fl. 26 5 se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre o abono salarial tratado pela norma e a diferença da URV, conforme se verifica de voto da Ministra Eliana Calmon: “Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)” (STJ, Recurso Especial n.º 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010) E tal também foi o entendimento do Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida nos autos do Recurso Extraordinário n.º 471.115, do qual se colaciona o seguinte excerto: “Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução no. 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, temse que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)” (STF, Recurso Extraordinário n.º 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010) Concluise, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pelo Recorrente, razão pela qual deverão compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional. Assim, com base na argumentação exposta, sendo verbas remuneratórias as diferenças de URV recebidas, sobre elas incide imposto de renda da pessoa física. Todavia, cumpre verificar o quantum devido. Entendo que o tributo devido deva ser calculado de acordo com as tabelas vigentes à época em que seriam devidas as diferenças recebidas. Sobre o tema, cabe referir a discussão travada no processo 11040.001165/200591, com voto vencedor da lavra do conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, cujos fundamentos, abaixo reproduzidos, acompanho. Fl. 281DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720555/200998 Acórdão n.º 9202004.045 CSRFT2 Fl. 27 6 Verifico, a propósito, que a matéria em questão foi tratada recentemente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto de trânsito em julgado em 11/12/2014, feito que teve sua repercussão geral previamente reconhecida (em 20 de outubro de 2010), obedecida assim a sistemática prevista no art. 543B do Código de Processo Civil vigente. Obrigatória, assim, a observância, por parte dos Conselheiros deste CARF dos ditames do Acórdão prolatado por aquela Suprema Corte em 23/10/2014, a partir de previsão regimental contida no art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Reportandome ao julgado vinculante, noto que, ali, se acordou, por maioria de votos, em manter a decisão de piso do STJ acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, devendo ocorrer a "incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência (...)", afastandose assim o regime de caixa. Todavia, inicialmente, de se ressaltar que em nenhum momento se cogita, no Acórdão, de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei nº 7.713, de 1988, notese, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional. A propósito, de se notar que os dispositivos legais que embasaram o lançamento constantes de efl. 12, em nenhum momento foram objeto de declaração de inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concretu. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute, ainda que em montante diverso daquele apurado quando do lançamento, o qual, repitase, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria mais gravosa, entendese, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pelo contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando o contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720555/200998 Acórdão n.º 9202004.045 CSRFT2 Fl. 28 7 Assim, com a devida vênia ao posicionamento do relator, entendo que, a esta altura, ao se esposar o posicionamento de exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, notese, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento antiisonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, ao serem agora consideradas as tabelas/alíquotas vigentes à época, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do RE do contribuinte na matéria admitida, por darlhe provimento em parte, para determinar o cálculo do crédito tributário devido, considerando o regime de competência. Em face do acima exposto, voto no sentido de não conhecer da preliminar de nulidade por vício material suscitada, conheço do Recurso Especial do Contribuinte para, no mérito, darlhe provimento parcial, para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 283DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10980.910912/2010-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005
ART. 3º, §1º DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. RECEITA. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 62, §2º, do RICARF. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CABIMENTO.
A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS é o faturamento e, em virtude de inconstitucionalidade declarada em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Aplicação do art. 62, §2º do RICARF.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-003.400
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005 ART. 3º, §1º DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. RECEITA. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 62, §2º, do RICARF. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CABIMENTO. A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS é o faturamento e, em virtude de inconstitucionalidade declarada em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Aplicação do art. 62, §2º do RICARF. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
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Alargamento da base de cálculo. Recorrente CONSTRUTORA TOMASI LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005 ART. 3º, §1º DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. RECEITA. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 62, §2º, do RICARF. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CABIMENTO. A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS é o faturamento e, em virtude de inconstitucionalidade declarada em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Aplicação do art. 62, §2º do RICARF. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 09 12 /2 01 0- 39 Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10980.910912/201039 Acórdão n.º 3402003.400 S3C4T2 Fl. 0 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Curitiba/PR que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte, a qual pretendeu a reforma do despacho decisório, que, por sua vez, indeferiu a homologação da compensação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. A não homologação se deveu a inexistência do crédito informado, vez que o mesmo havia sido integralmente utilizado. Em sua manifestação a interessada alega que o crédito decorre da declaração de inconstitucionalidade, pelo STF, do §1º do art. 3º da Lei nº9.718, de 1998, e que aproveitou o referido crédito nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Cita e transcreve jurisprudência administrativa e, ressaltando o contido no art. 165 do CTN, insiste no direito à restituição. Ao final, pede a homologação da compensação. Sobreveio então o Acórdão 06041.123, da DRJ/CTA/PR, julgando improcedente a manifestação de inconformidade da Contribuinte. Irresignada, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este Conselho repisando os argumentos trazidos em sede de manifestação de inconformidade. É o relatório Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.399, de 29 de setembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10980.911525/201010, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.399): "O recurso voluntário é tempestivo, com base no que dispõe o artigo 33 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, bem como atende as demais condições de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A questão de direito controversa no presente processo é amplamente conhecida. Tratase do inconstitucional alargamento da base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (“Cofins”), sobre o qual cumpre tecer algumas breves explanações. Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10980.910912/201039 Acórdão n.º 3402003.400 S3C4T2 Fl. 0 3 A Cofins, sucessora do FINSOCIAL, foi disciplinada pela Lei n. 9.718, de 27 de novembro de 1998 (“Lei n. 9.718/98”). Nos termos do artigo 3º da citada Lei, ficou estabelecido que a Cofins incidiria sobre a receita bruta de pessoa jurídica. Por sua vez, o §1º do mesmo artigo veio definir o que abrangia o termo "receita", dispondo que: entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Contudo, à época da edição da Lei n. 9.718/98, a Constituição da República brasileira, em seu artigo 195, estabelecia que as Contribuições Sociais a serem recolhidas aos Cofres da União pelos empregadores, dentre as quais se enquadra a Cofins, somente poderiam incidir sobre o “faturamento”. Diante dessa delimitação constitucional, o Supremo Tribunal Federal (“STF”) declarou que o §1º do artigo 3º da Lei n. 9.718/98 é inconstitucional, no julgamento dos Recursos Extraordinários (“RE”) n. 357950, 390840, 358273, 346084 e 336134 em 09 de novembro de 2005. Posteriormente, o Pretório Excelso, no julgamento do RE n. 585.235, publicado em 28/11/2008, julgou pela aplicação da repercussão geral sobre matéria em exame, reconhecendo a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. A ementa do referido julgado foi lavrada nos seguintes termos: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Isto porque, segundo o entendimento dos Ministros do STF, esse dispositivo alargou indevidamente a base de cálculo da COFINS, uma vez que igualou o conceito de faturamento (ou receita operacional) ao conceito de receita . Explicase. Enquanto o faturamento é constituído pelas receitas advindas da venda de bens e serviços, a receita compreende "entrada de recursos financeiros remuneradores dos diferentes negócios jurídicos da atividade empresarial”, segundo a lição de José Antonio Minatel. 1 Assim, o faturamento (espécie) é menos amplo que a receita (gênero). 1 MINATEL, José Antonio. Conteúdo do Conceito de Receita e Regime Jurídico para sua Tributação. MP Editora. São Paulo, 2005, p. 132. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10980.910912/201039 Acórdão n.º 3402003.400 S3C4T2 Fl. 0 4 Ocorre que tais conceitos não podem ser livremente manejados pelo legislador, pois o artigo 110 do Código Tributário Nacional determina que: A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Destarte, se a Constituição determinava que a COFINS somente poderia incidir sobre o faturamento; e o faturamento constitui as receitas provenientes da venda de bens e serviços pela pessoa jurídica; conclui se pela inconstitucionalidade da lei que determina a incidência sobre a receita sem sentido amplo, pois essa é mais abrangente que o faturamento. 2 Buscando solucionar os vícios constitucionais de que padecia a Lei n. 9.718/98, o Poder Legislativo editou a Emenda Constitucional n. 20, de 15 de dezembro de 1998 (“EC n. 20/98”). Tal Emenda alterou o texto do artigo 195 da Constituição, o qual restou positivado nos seguintes dizeres: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício;(Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998). Em síntese, a EC n. 20/98 alargou a hipótese de incidência das contribuições sociais devidas pelo empregador, uma vez que a partir de então não só o faturamento pode ser tributado, como também a receita em sentido amplo. 2 Ademais, há de se ressaltar que a Lei n. 9.718/98 tem status jurídico de lei ordinária, o que torna ainda mais patente a sua inconstitucionalidade, tendo em vista que somente por meio de lei complementar é que poderia ser criada outra fonte de custeio da seguridade social (incidente sobre outra materialidade), nos termos do artigo 195, §4 e do artigo 154, inciso I, ambos da Constituição. Disto depreendese que somente seria legítima a cobrança da COFINS sobre a receita, hipótese que na época não estava prevista no rol de incisos do artigo 195 da Constituição, caso tal situação tivesse sido instituída por meio de lei complementar. Afinal, tratarseia de nova fonte de custeio da seguridade social. Como a Lei n. 9.718/98 foi votada e publicada pelo rito legislativo próprio das leis ordinárias, mais uma vez concluise pela inconstitucionalidade da exação. Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10980.910912/201039 Acórdão n.º 3402003.400 S3C4T2 Fl. 0 5 Entretanto, essa mudança no texto da Constituição não teve o poder de convalidar os dizeres da Lei n. 9.718/98, pois o sistema jurídico brasileiro não admite a constitucionalidade superveniente, vale dizer, tendo sido promulgada e publicada lei que contraria a Constituição, não é possível que posterior alteração da própria Constituição, por via de emenda, traga de forma retroativa a validade da lei. Foi assim que decidiu o STF. Pois bem. Tendo sido decidida a questão em sede de recurso extraordinário com repercussão geral reconhecida, tornase imperioso o seu acatamento por este Conselho, nos moldes do artigo 62, §2º do Regimento Interno do CARF, o qual prescreve a necessidade de reprodução, pelos Conselheiros, das decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática da repercussão geral: § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Nesse sentido, é tranquila a jurisprudência do Conselho a respeito da necessidade de reprodução das decisões proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da Cofins – citadas alhures aos processos administrativos fiscais, nos quais os contribuintes formulam pedidos de restituição de valores indevidamente pagos a título da contribuição social em questão, exatamente como ocorre no presente caso. Destaco a seguir alguns julgados representativos do entendimento sobre a matéria: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/02/1999 a 30/06/2000 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. 10 ANOS. PEDIDO REALIZADO ANTES DA ENTRADA EM VIGOR DA LEI COMPLEMENTAR 118/2005. O prazo decadencial para o direito de restituição de tributos sujeitos ao lançamento por homologação é de 10 (dez) anos, a contar do fato gerador quando o pedido for realizado antes da entrada em vigor da Lei Complementar 118/2005, conforme entendimento do STF. COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzemse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10980.910912/201039 Acórdão n.º 3402003.400 S3C4T2 Fl. 0 6 compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF. COFINS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO DE TRIBUTO. POSSIBILIDADE. Caracterizado o pagamento a maior ou indevido da contribuição, o contribuinte tem direito à repetição do indébito, segundo o disposto no art. 165, I, do Código Tributário Nacional (CTN). Recurso Voluntário Provido (Processo 11618.002043/200519, MARCOS ANTONIO BORGES, Nº Acórdão 3801001.835) Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 28/02/1999 a 31/05/2000 DECADÊNCIA. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. LEI COMPLEMENTAR 118/05. O prazo estabelecido na Lei Complementar 118/05 somente se aplica para os processos protocolizados a partir 9 de junho de 2005, e que anteriormente a este limite temporal aplicase a tese de que o prazo para repetição ou compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação é de dez anos, contado de seu fato gerador, de acordo com decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzemse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF. PIS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO DE TRIBUTO. POSSIBILIDADE. Caracterizado o pagamento a maior ou indevido da contribuição, o contribuinte tem direito à repetição do indébito, segundo o disposto no art. 165, I, do Código Tributário Nacional (CTN). Recurso Voluntário Provido. (Processo 13855.001146/200586, Relator(a) FLAVIO DE CASTRO PONTES, Nº Acórdão , 3801001.722) COFINS. ART. 3º, DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DO Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10980.910912/201039 Acórdão n.º 3402003.400 S3C4T2 Fl. 0 7 ART. 62, §1o, I, do RICARF. RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO. CABIMENTO. A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS é o faturamento e, em virtude de inconstitucionalidade declarada em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Aplicação do art. 62A do RICARF. COFINS. ART. 3º, §1º, DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO. CABIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. Em face da inconstitucionalidade da alteração da base de cálculo da contribuição a COFINS, promovida pelo art. 3º, §1º, da Lei nº 19.718/98, é cabível o deferimento da restituição do indébito, devendo a autoridade preparadora verificar a comprovação do pagamento indevido ou a maior para compor o crédito a ser deferido ao contribuinte. Sobre o crédito apurado incide correção pela incidência da SELIC desde a data do pagamento indevido ou a maior, na forma do §4º, do Art. 39, da Lei nº 9.250/95. Recurso Parcialmente Provido. (Processo 10950.000184/200626, Relator(a) JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Acórdão 3402001.697) COFINS. FALTA DE RECOLHIMENTO. Mantémse o lançamento quando constatada a falta de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, no período compreendido pelo auto de infração. COFINS. COMPENSAÇÃO. PROCEDIMENTO PRÓPRIO. Eventual direito à compensação da COFINS, em razão de recolhimento indevido ou efetuado a maior, deve ser apreciado no procedimento administrativo próprio de restituição/compensação, e não em processo de formalização de exigência de crédito tributário. Todavia, nada impede Requerêla em procedimento próprio. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. APRECIAÇÃO. COMPETÊNCIA. O conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF não é competente para apreciar pedidos de restituição/compensação. A competência é da unidade da Receita Federal que jurisdiciona o contribuinte. Aos órgãos julgadores do CARF compete o julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (art. 1º da Portaria MF nº 256/2009) MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO E PERCENTUAL. LEGALIDADE Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10980.910912/201039 Acórdão n.º 3402003.400 S3C4T2 Fl. 0 8 Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei. COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL. POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF. Recurso Voluntário Provido em Parte (Processo 10680.006962/200880, Relator(a) JOSE LUIZ BORDIGNON, Acórdão 3801000.984) Portanto é incontroverso o bom direito da Recorrente em relação à restituição dos recolhimentos indevidamente feitos a título de Cofins, no período de apuração em questão, haja vista que a presente lide administrativa tem como objeto principal a declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 pelo STF (alargamento inconstitucional da base de cálculo da Cofins). Com efeito, como já tive a oportunidade de destacar em dissertação sobre o tema: Tanto a edição de leis inconstitucionais como a cobrança de tributos com base em tais leis tributárias inconstitucionais são atos ilícitos praticados pelo Poder Público. O primeiro constitui ilícito constitucional (edição de lei contrária aos dizeres da Constituição), enquanto o segundo caracteriza ilícito tributário (cobrança pelo Estado e consequente pagamento pelo contribuinte de tributo inválido). Lembrando que as normas jurídicas em sua feição completa são impreterivelmente dotadas de uma sanção em caso de descumprimento, aos citados atos ilícitos o ordenamento jurídico atrela as respectivas sanções: a declaração de inconstitucionalidade, com o objetivo de preservar a integralidade e coerência da ordem jurídica; e a restituição de tributos inconstitucionais, cuja função é conferir segurança jurídica e isonomia aos administrados. 3 Cumpre ainda salientar que à restituição de tributos inconstitucional, cuja natureza e regime jurídico são tributários, são totalmente aplicáveis as regras relativas às demais hipóteses de repetição de indébito dispostas no CTN (artigo 165 a 169). Entretanto, com relação ao quantum devido como restituição do tributo inconstitucional, compete à autoridade administrativa preparadora, com 3 LAURENTIIS, Thais de. Restituição de Tributo Inconstitucional. São Paulo: Noeses, 2015. Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10980.910912/201039 Acórdão n.º 3402003.400 S3C4T2 Fl. 0 9 base na documentação apresentada pelo contribuinte no decorrer do processo administrativo, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Por fim, saliento que apurado o crédito, os valores originais devem sofrer correção pela incidência da SELIC, desde a data do pagamento indevido, como impõe o artigo 39, §4º da Lei nº 9.250/95, até a data do efetivo aproveitamento dos créditos pelo contribuinte. Dispositivo Por tudo quanto exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, haja vista a necessidade de liquidação do julgado, nos termos descritos acima." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dáse parcial provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o direito à restituição dos valores recolhidos com amparo no § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 (declarado inconstitucional pelo STF), devendo o montante do direito creditório ser apurado pela unidade de origem. assinado digitalmente Antonio Carlos Atulim Fl. 69DF CARF MF
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Numero do processo: 11065.004850/2004-81
Turma: Sexta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2007
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - AUTO DE INFRAÇÃO -
NULIDADE - Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados em
desacordo com a lei e com manifesto cerceamento do direito de defesa. Inocorrendo qualquer das hipóteses referidas, não há que se falar em nulidade.
IRF - PAGAMENTO SEM CAUSA - TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA -
ALÍQUOTA - Os pagamentos efetuados ou os recursos entreguem a
terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando incomprovada a operação ou a sua causa sujeita-se à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte à alíquota de 35%.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA - No caso de lançamento de ofício,
será aplicada multa calculada sobre o crédito tributário apurado no percentual de 150% quando ficar evidente o intuito de fraudar o Fisco, conforme apuração realizada pela autoridade autuante e nos fatos revelados nos autos do processo.
Recurso negado.
Numero da decisão: 106-16.121
Decisão: ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRF- ação fiscal - ñ retenção ou recolhimento(antecipação)
Nome do relator: Luiz Antonio de Paula
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: 10616121_11065004850200481_200702; xmp:CreatorTool: Smart Touch 1.7; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dcterms:created: 2016-09-09T13:58:24Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: 10616121_11065004850200481_200702; pdf:docinfo:creator_tool: Smart Touch 1.7; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:encrypted: false; dc:title: 10616121_11065004850200481_200702; Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: ; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:subject: ; meta:creation-date: 2016-09-09T13:58:24Z; created: 2016-09-09T13:58:24Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 38; Creation-Date: 2016-09-09T13:58:24Z; pdf:charsPerPage: 1386; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; pdf:docinfo:custom:Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; meta:keyword: ; producer: Eastman Kodak Company; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Eastman Kodak Company; pdf:docinfo:created: 2016-09-09T13:58:24Z | Conteúdo => , " MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA Processo nO. Recurso nO. Matéria Recorrente Recorrida Sessão de Acórdão nO. 11065.004850/2004-81 147.631 IRF - Ano(s): 1999 a 2003 COMUNIDADE EVANGÉLICA LUTERANA SÃO PAULO - CELSP 58 TURMA/DRJ-PORTO ALEGRE/RS 28 DE FEVEREIRO DE 2007 106-16.121 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - AUTO DE INFRAÇÃO - NULIDADE - Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados em desacordo com a lei e com manifesto cerceamento do direito de defesa. Inocorrendo qualquer das hipóteses referidas, não há que se falar em nulidade. IRF - PAGAMENTO SEM CAUSA - TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA - ALíQUOTA - Os pagamentos efetuados ou os recursos entreguem a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando incomprovada a operação ou a' sua causa sujeita-se à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte à alíquota de 35%. MULTA DE OFíCIO QUALIFICADA - No caso de lançamento de ofício, será aplicada multa calculada sobre o crédito tributário apurado no percentual de 150% quando ficar evidente o intuito de fraudar o Fisco, conforme apuração realizada pela autoridade autuante e nos fatos revelados nos autos do processo. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por COMUNIDADE EVANGÉLICA LUTERANA SÃO PAULO - CELSP. ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e votoq?-i a in ( grar o presente julgado. JOSÉ RIBA j JARROS PENHA PRESIDENT ~ ...LYhda- LUIZ ANfONIO DE PAULA RELATOR FORMALIZADO EM: ,o 1 JUN 2007 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 11065.004850/2004-81 106-16.121 f Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros SUELI EFIGÊNIA MENDES DE BRITTO, JOSÉ CARLOS DA MATTA RIVITTI, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, ANA NEYLE OLíMPIO HOLANDA, ISABEL APARECIDA STUANI (suplente convocada) e GONÇALO BONET ALLAG~~ 2 ('.I I .J MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. Recurso nO. Recorrente 11065.004850/2004-81 106-16.121 147.631 COMUNIDADE EVANGÉLICA LUTERANA SÃO PAULO - CELSP RELATÓRIO COMUNIDADE EVANGÉLICA LUTERANA SÃO PAULO - CELSP, já qualificada nos autos, inconformada com a decisão de primeiro grau de fls. 2095-2111, prolatada pelos Membros da 5a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre - RS, mediante Acórdão DRJ/POA n° 5.731, de 19 de maio de 2005, recorre a este Conselho de Contribuintes pleiteando a sua reforma, nos termos do Recurso Voluntário de fls. 2125-2144. 1. Dos Procedimentos Fiscais Em face da contribuinte acima mencionada, foi lavrado em 18/11/2004, o Auto de Infração - Imposto de Renda Retido na Fonte, fls. 1720-1774, com ciência pessoal ao representante da autuada em 19/11/2004 - fI. 1721, exigindo-se o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 40.247.435,96, sendo: R$ 13.226.628,76 de imposto de renda retido na fonte; R$ 7.203.943,83 de juros de mora (calculados até 29/10/2004) e, R$ 19.816.863,37 de multa de ofício (150%), referente aos fatos geradores ocorridos nos anos de 2000 a 2003. Da ação fiscal resultou a constatação da falta de recolhimento do imposto de renda retido na fonte sobre pagamentos sem causa ou de operação não comprovada. A síntese do trabalho desenvolvido pelas autoridades lançadoras encontra-se no extenso Relatório da Ação Fiscal de fls. 1777-1823 e seus anexos de fls. 1824-1836, donde destaco os seguintes trechos, in verbis: -1) 3 , . J .l MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 11065.004850/2004-81 106-16.121 (...) 2. A ORIGEM DA AÇÃO FISCAL: f 4 A presente fiscalização teve início em 23/05/2003 (Termo de Início fls. 137 a 142) e decorreu das fraudes apuradas na DRF Santa Maria, que tratam, basicamente, de aliciamento de servidores públicos para transferências irregulares de créditos entre empresas. A questão inicia-se na empresa VALE COUROS TRADING S/A, CNPJ 91.489.542/0001-25, que teria estabelecido um "balcão de negociações" de créditos inexistentes em montante superior a R$ 94.000.000,00, dos quais R$ 26.000.000,00 teriam sido adquiridos pela CELSP. A fiscalizada pleiteou junto à Receita Federal o reconhecimento de créditos no valor de R$ 11.521.457,35 e R$ 14.583.585,34, através dos processos 11060.002252/2002-55 e 11060.002251/2002-19, para serem utilizados na quitação de débitos no REFIS. Tal pleito foi negado pela Receita Federal. O Ministério Público Federal disponibilizou a fiscalização da DRF de Novo Hamburgo, o relatório da Representação Fiscal para Fins Penais elaborada pela comissão que averiguou os fatos ocorridos em Santa Maria através do ofício OF/CRIM/PRN/NH/N°0075/2004 (fi. 110). Segundo consta nesse relatório, o esquema das fraudes estaria ligado, em última instância, a CESAR DE LA CRUZ MENDOZA ARRIETA, CPF 017.969.107-40, pessoa que esteve envolvida em fraudes contra o INSS, conforme relatório da "CPI destinada a ínvestigar irregularidades nas concessões de benefícios previdenciários", publicado no Diário do Congresso de 02/09/94, Seção 1, Suplementos 1 a 8. O nome de Arrieta não aparece diretamente no caso em questão, no entanto, as empresas envolvidas têm a participação societária de SONIA REGINA SODER, CPF 537.556.260-04, que, conforme o relatório da comissão, seria sua companheira tendo inclusive um filho em comum. Constatou-se ainda, no processo administrativo que investigou a fraude, que o modus operandi utilizado a época da investigação da CPI, é semelhante ao que está sendo praticado no RS, apresentando em comum o aliciamento de servidores públicos, negociações envolvendo a compra e venda de ativos financeiros como Títulos da Dívida Externa e oferecimento do mesmo imóvel, localizado em Ubatuba-SP, pertencente à Siegfried Waldemar Max Franz Griesbach (CPF 065.588.287-15), como garantia de parcelamento de débitos junto à SRF e ao INSS. Tal imóvel também foi utilizado na negociação com a CELSP como será descrito adiante, indicando que Siegfried seria um ativo participante dos negócios direta ou indiretamente ligados a Arriet~ . ~_ I I J MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA L Processo n°. Acórdão nO. 11065.004850/2004-81 106-16.121 Constam nos cadastros da Receita Federal, sob responsabilidade de SONIA REGINA SODER, as seguintes empresas, doravante denominadas "Grupo SRS" : Monex Consultoria e Participações S. C. Limitada, CNPJ 03.079.322/0001-66; SRS - Prestação de Serviços, Consultoria e Assessoria Empresarial Uda., CNPJ 02.464.707/0001-84; SRS - Consultoria, Assessoria e Administração Empresarial S/C Uda., CNPJ 03.652.055/0001-74. (...) 6. DA MULTA QUALIFICADA Considerando-se a conduta adotada pela fiscalizada, foi elaborada Representação Fiscal para Fins Penais (processo administrativo nO 11065.004852/2004-70) e aplicada multa de ofício qualificada de 150%, com base no art. 957, 11 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nO3.000 de 26/03/99. A aplicação da multa qualificada, prevista no inciso li, pressupõe que seja comprovado o evidente intuito de fraude. A fraude, num sentido mais abrangente, consiste em uma ação ou omissão, promovida com má-fé, tendente a ocultar uma verdade ou a fugir de um dever. No caso da multa qualificada, a legislação tributária faz menção aos artigos 71, 72 e 73 da Lei no 4.502/1964, a seguir transcritos, definindo três situações distintas: sonegação, fraude e conluio. Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I - da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; /I - das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos no artigo 71 e 72..J) 5 ~..•, . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 11065.004850/2004-81 106-16.121 Nas três situações previstas na Lei 4.502/64, há que se caracterizar o dolo. Por sua vez, o conceito de dolo encontra-se no inciso I do art. 18 do Decreto-lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 - Código Penal, ou seja, crime doloso é aquele em que o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzi-lo. Isso significa que o agente deve conhecer os atos que realiza e a sua significação, além de estar disposto a produzir o resultado deles decorrentes. No curso da ação fiscal, verificamos dois conjuntos de fatos que caracterizam pagamentos sem causa por parte da Comunidade Evangélica Luterana São Paulo, nos termos da legislação aplicável: a) Foram identificados pagamentos sem causa a um grupo de empresas de mesmo controle societário no montante de R$ 21.141.817,30. As empresas beneficiárias foram SRS - Consultoria, Assessoria e Administração Empresarial S/C LTDA, CNPJ 03.652.055/0001-74, SRS - Prestação de Serviços Consultoria e Assessoria Empresarial LTOA, CNPJ 02.464.707/0001-84, e MONEX Consultoria e Participações S/C L TOA, CNPJ 03.079.322/0001-66. Na tentativa de ocultar a inexistência de motivo para os pagamentos, foram confeccionados contratos cujo objeto seria consultorias, aluguéis de títulos da divida externa brasileira e aluguel de título americano emitido pela Indiana Railway Company. No curso da fiscalização, ficou comprovado que esses contratos foram simulações, cujos objetos inexistiam, conforme descrito nos itens 3.1 a 3.3. b) Foi comprovada a realização de pagamentos no valor de R$ 3.520.000,00 a Nadir Genari por conta de direitos creditórios que teriam sido adquiridos pela CELSP para utilização na quitação de dívida da instituição com o Banco do Brasil. Após sucessivas intimações, a CELSP não comprovou a existência do direito creditório objeto da compra nem a tentativa de quitação da dívida no Banco do Brasil com a utilização do mesmo. Não se pode afirmar que esses fatos tenham sido apenas um erro, restando configurada a intenção dolosa na conduta adotada pelo contribuinte, com o propósito específico de impedir ou retardar o conhecimento, pelo fisco, do fato gerador do tributo e, na tentativa de manter a imunidade condicionada, ocultar a aplicação de recursos em objetivos diversos da sua finalidade 7. RESUMO DA AÇÃO FISCAL {6 Da análise dos diversos contratos entre a CELSP e as empresas representadas por Sonia Soder ("Grupo SRS'?, referidos neste relatório, resta uma certeza: eles não passaram de uma tentativa de justificar pagamentos sem causa de uma instituição de educação amparada pela imunidade condicionada proporcionada pela Constituição Federal. 1;) MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 11065.004850/2004-81 106-16.121 O que realmente ocorreu foi a transferência, pela CELSP, de R$ 21.141.817,30 oriundos da educação para as empresas de Sonia Soder, sem nenhuma contraprestação que justificasse pagamentos dessa monta ou mesmo de ínfima parcela do valor referido. No intuito de dissimular o pagamento sem causa, foram criados contratos particulares sem nenhuma comprovação de que tenham sido efetivamente assinados nas datas neles referidas, já que nem reconhecimento de firma dos signatários existe. Tais contratos foram sendo apresentados de forma esporádica ao longo da fiscalização como se constata, por exemplo, com os contratos de empréstimo do título americano e com o contrato de assessoria firmado em 18/12/01. Pelas datas registradas nos mesmos, se realmente refletem a data de sua elaboração, já existiam na data do início da fiscalização, no entanto só foram apresentados à medida que o procedimento investigativo da Receita Federal avançava no sentido de descaracterizar a seriedade dos contratos já apresentados anteriormente. A estratégia da CELSP em tentar dissimular os pagamentos sem causa foi tão falha que a própria fiscalizada passou a confundir-se nas respostas às intimações fiscais. Ora apresentou respostas incoerentes, ora se contradisse, ora respondeu em relação a contrato diverso do questionado. Tamanhas são as contradições da CELSP em relação às operações com o "Grupo SRS" que torna-se difícil, se não impossível, apresentar a descrição dos contratos e dos efeitos deles decorrentes de forma didática. Na verdade. de fato, nenhum dos contratos existiu. O que realmente existiu foi o pagamento sem causa da vultosa quantia de R$ 21.141.817,30 ao "Grupo SRS", conforme reconhecido pela própria CELSP em lista de pagamentos apresentada e constante nos extratos bancários. Como já referido, o privilégio da imunidade constitucional condicionada obriga as instituições por ele beneficiadas a "aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais" (Artigo 14, Inciso " do Código Tributário Nacional). O mesmo-se constata em relação ao contrato firmado com Nadir Genari, que ensejou o pagamento de R$ 3.520.000,00 pela pretensa aquisição de direitos creditórios que nunca foram comprovados, conforme descrito no item 4{1 7 .I.,' MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA Processo n°. Acórdão nO. 11065.004850/2004-81 106-16.121 8 2. Da Impugnação e Julgamento de Primeira Instância Às fls. 1838-1851, a autuada, por intermédio de seu representante legal (Mandato - fI. 1852) insurgiu-se contra a exigência fiscal, apresentando a peça impugnatória, acompanhada das cópias dos documentos juntados às fls. 1854-2092. O Relator do r. Acórdão recorrido assim sintetizou as razões da impugnação (fls. 2104-2106): (...) 3. 1 Inicialmente, a impugnante faz uma referência à excelência e à seriedade da entidade - CELSP, responsável pela ULBRA - e enfatizando a relevância de sua atuação. Em seguida, alega ser vítima das pessoas citadas no preâmbulo do relatório (possivelmente referindo- se a "Cesar de la Cruz Mendoza Arrieta", "Sonia Regina Soder" e às empresas do Grupo SRS) na quais teria depositado sua confiança e, assim, realizado os pagamentos em tela, de boa-fé. 3.2 Conclui, assim, que o conteúdo do "Relatório de Ação Fiscal" derivaria de juízo estritamente subjetivo dos autores. Cita exemplificativa mente a afirmação da folha 34 do citado relatório "ressalta-se que a nota promissória não está com firma reconhecida" e conclui que, pelo fato de firma reconhecida não ser requisito de validade da cártula, as acusações seriam, em sua completude, meras deduções baseadas em presunções simples. 3.3 Alega, a impugnante, ter esclarecido detalhadamente os serviços prestados pelo Grupo SRS, que suportariam os pagamentos efetuados. Nessa seara, afirma que os serviços consistiriam em orientação profissional procedimental, sendo irrelevante a ausência da assinatura dos profissionais indicados, "às vezes com a apresentação de minutas de petições, simples ou complexas, que servem de conteúdo para o trabalho final a ser realizado pelo departamento jurídico ou qualquer outro setor encarregado da necessária resolução, sendo posteriormente assinado por quaisquer dos profissionais habilitados" (grifos na transcrição). 3.3.1 Especificamente com referência à alegada participação do Grupo SRS na prestação de serviços no âmbito da Representação Fiscal para Fins Penais, afirma a impugnante que a efetiva participação do Grupo SRS teria ocorrido na defesa administrativa do processo administrativo de exigência de crédito tributário (lRF) 11065.000656/2002-64 - que ensejou a citada representação e que teria tramitado sob a orientação e assessoramento da contratada. Alega, J t /Í• MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO, 11065.004850/2004-81 106-16.121 ainda, que tal orientação resultou em desgastes para a Instituição - CELSP. 3.3.2 Quanto à prestação de serviços de assessoria e consultoria, alega ser impossível, de antemão, delimitar as específicas atividades a serem prestadas no momento da contratação e que, nesses casos, haveria efetiva prestação de serviços, sendo despicienda a participação formal dos contratados. 3.3.3 Quanto ao pagamento (efetuado pela CELSP ao Grupo SRS), alegadamente relativo às ações protocoladas na Justiça Federal e no STF, visando o trancamento de ações penais contra dirigentes da entidade, afirma que, mesmo tratando-se de ações em que os interessados são pessoas físicas, haveria interesse da entidade em sua defesa. 3.3.4 Com relação à alegada prestação de serviços de recuperação de créditos de PIS, apresenta laudo contábil que, segundo a impugnante, faz prova dos serviços prestados pela SRS. 3.3.5 Quanto à alegada prestação de serviços de consultoria financeira, a impugnante apresenta nota fiscal de serviço prestado pela empresa LEXIS Consultoria Empresarial Ltda. à SRS, no valor de R$ 820.000,00. 3.3.6 O trabalho de consolidação de débitos tributários teria proporcionado sua consolidação para efeitos de inclusão no REFIS, como afirma constar nos registros contábeis da instituição. 3.3.7 Com relação às ação judicial proposta contra o Banco Central do Brasil por restrições impostas pelo órgão, afirma que o efetivo valor da ação é inestimável e que o valor da causa, no montante de R$ 1.000, ao, foi colocado no processo apenas como referência para o cálculo das custas processuais. Aduz que, nesses casos, é perfeitamente plausível que os honorários advocatícios ultrapassem o valor da causa. f9 3.4 No que diz respeito aos títulos, a impugnante alega que os pagamentos efetuados não teriam sido por conta única dos referidos títulos, mas também pela prestação de serviços. Afirma que não utilizaria tais títulos para quitação de tributos federais, bem como afirma, ter adimplido sua parte (pagamento de valores) e que, somente a posteriori, foi comunicado da impossibilidade do cumprimento contratual. 3.4. 1 Alega que aceitou, para ressarcimento do valor por ela dispendido, o recebimento de um imóvel que, segundo um laudo de avaliação, teria valor superior ao de seus pagamentos. Entretanto, afirma que o valor do imóvel (bem como sua adequação à destinação pela impugnante pretendida) não se confirmou e que optou pela1;) MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 11065.004850/2004-81 106-16.121 propositura de ação judicial em face das contratadas, afirmando que tal ação estaria "sendo implementada pelo departamento jurídico" , conforme declaração à fi. 1.846. 3.4.2 Afirma, também, que, na eventual ação contra as empresas SRS Prestação de Serviços e MONEX buscará também recomposição patrimonial em razão da aquisição da posição temporária relativa aos títulos da Indiana Coai Rail Way. 3.5 Afirma que a informação prestada às fls. 317, 324 a 331 e 1.460, ;untamente com planilhas apresentadas no curso da ação fiscal, fazem certas as quantias pagas e a identificação dos respectivos contratos. 3.6 Com relação à contabilização, comenta os lançamentos efetuados, com o objetivo de demonstrar sua adequação aos termos dos contratos celebrados. 3.7 Afirma não ter efetuado nenhum pagamento à SEKERI e, por tal razão, não ter ocorrido a tradição dos títulos, alegando que "se a SRS, em sua relação com a Sekeri efetuou algum pagamento, por certo que essa relação não produz reflexos no negócio jurídico com a requerente", conforme declaração à fi. 1.848. 3.8 Com relação à contratação com Nadir Genari, reafirma que, por conta do inadimplemento, manejou ação judicial contra ela. Afirma não ter podido apresentar a procuração outorgada por Nadir Genari para José Carlos Amisani por conta do agravamento do relacionamento com Nadir Genari, decorrente da ação judicial contra ela proposta. 3.9 Conclui afirmando que "não há adequação típica" e que "a exigência teve como pressuposto a conclusão assentada em presunção de que os pagamentos efetuados correspondiam a pagamentos sem causa", conforme declaração à fi. 1.849. 3.10 Com relação ao agravamento da multa, alega que não houve intuito de fraude, pois se houvesse evidente intuito de fraude, por certo que essas infrações não estariam escancaradamente registradas em seus registros contábeis. I10 Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pela impugnante, os membros da 5a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre - RS acordaram, por unanimidade de votos, em manter integralmente o crédito tributário referente ao auto de infração, nos termos do Acórdão DRJ/POA nO5.731, de 19 de maio de 2005, fls. 2095-2111, conforme ementa do decisório, a seguir transcrita..:g MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 11065.004850/2004-81 106-16.121 Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003 Ementa: Pagamento sem comprovação da. operação ou da causa. Incidência do imposto exclusivamente na fonte. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, todo pagamento efetuado, ou recurso entregue a terceiros ou sócios por pessoas jurídicas, contabilizados ou não, quando não comprovada a operação ou a sua causa. No presente caso, foram inequívocos os pagamentos e as causas alegadas se mostraram inverídicas, pela incompatibilidade das alegações com os elementos probatórios levantados pela fiscalização: (1) pagamentos a pessoas envolvidas em esquemas de utilização de créditos inexistentes para quitação de débitos tributários (1.a) pagamentos a título de aluguel de título da dívida externa brasileira, com o impossível objetivo, alegado, de quitação de tributos federais e sem comprovação sequer da titularidade do locador - com a subseqüente destinação, alegada, de aquisição de um terreno que não foi sequer registrado no Registro de Imóveis; (1.b) pagamentos a título de aluguel de títulos do séc. XIX, de empresas ferroviárias americanas, sem valor de mercado, com o impossível objetivo, alegado, de melhoria do balanço; (1.c) pagamentos a título de serviços de Assessoria e Consultoria Jurídica, sem prova da efetiva prestação, da participação dos beneficiários e dos custos incorridos, bem como em valores incoerentes com a complexidade e a necessidade dos procedimentos alegada mente efetuados; (2) pagamentos a pessoa que sofre 33 ações cíveis e 9 ações criminais, sem garantias reais, alegada mente para quitação de débito da fiscalizada junto ao Banco do Brasil, sem prova de qualquer tentativa de quitação do referido débito por parte da beneficiária dos pagamentos. Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003 Ementa: Multa majorada por infração qualificada. Cabível a aplicação de multa majorada por infração qualificada baseada em elementos que comprovem a ação dolosa do sujeito passivo. Lançamento Procedente 3. Do Recurso Voluntário A impugnante foi cientificada do referido acórdão, por via postal, em 20/06/2005 "AR" - fi. 2124 e, ainda irresignada com a decisão de Primeira Instância19 11 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 11065.004850/2004-81 106-16.121 interpôs, por intermédio de seu representante legal, o Recurso Voluntário de fls. 2125- 2144, que pode ser assim sintetizado: - merece integral reforma a r. decisão recorrida que se limitou a reafirmar as acusações constantes do Relatório Fiscal, anexo ao Auto de Infração impugnado e objeto do presente recurso; - as acusações fiscais resultaram de juízo estritamente subjetivo das autoridades lançadoras que chegaram até mesmo a consignar como motivo ensejador da tributação a ausência de reconhecimento de firma na Nota Promissória, objeto da execução movida contra Nadir Genari; - em processo apartado (11065.004851/2004-25) implementou-se a suspensão da imunidade da CELSP, cujo fato tramita em separado, no que tange às disposições do 9 9, do art. 32, da Lei n° 9.430, de 1996; - no curso da ação fiscal, restou comprovado que todos os pagamentos referidos na acusação encontram-se devidamente escriturados, como esclarecido por ocasião das respostas apresentadas às intimações de n° 01 a 13; - todos os lançamentos contábeis resultaram e tiveram como base o negócio subjacente retratado nos contratos firmados; - devidamente impugnada, foi a exigência mantida pela r. decisão recorrida, cujos termos, por sua semelhança com o relatório fiscal, mais se assemelha a um libelo acusatório; - reafirmando os termos da acusação fiscal diz textualmente: A fiscalização concluiu que, na tentativa de ocultar a inexistência de motivo para os pagamentos ocorridos, foram confeccionados contratos (apresentados de forma esporádica ao longo da fiscalização) caracterizando simulação (fi. 2097, último parágrafo); - todavia, no que diz respeito ao pressuposto de que a verdade não sabe se ocultar, quando da lavratura do Relatório de Ação Fiscal, ao esclarecer a origem desta {) 12 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 11065.004850/2004-81 106-16.121 ação fiscal que culminou com a autuação, relata o autor do procedimento, que os referidos contratos foram apreendidos anteriormente, na operação denominada Santa Maria, realizada nas empresas MONEX e SRS; _ a ação fiscal teve origem precisamente na anterior apreensão dos contratos, do que decorre a inequívoca certeza de que os referidos contratos não foram confeccionados posteriormente, com o intuito de ocultar a inexistência dos motivos para os pagamentos ocorridos, mas sim, por ocasião da efetiva contratação nos moldes ali consignados; _ nas acusações das autoridades fiscais f1agra-se a evidente afirmação de simulação na prática dos atos jurídicos retratados nos contratos; _ entretanto, para que ocorra a simulação a ponto de invalidar um ato jurídico é necessário que se demonstre de forma cristalina a ocorrência dos pressupostos fáticos descritos no S 10, do art. 167, do Código Civil Brasileiro; _ todas as razões e fundamentos elencados na r. decisão têm assento em meras presunções, meras conjecturas, sem apontar um fato sequer, com precisão, que pudesse autorizar semelhante acusação; _ em sede de jurisprudência administrativa que guarda inteira pertinência com o caso dos autos, cita-se exemplificativamente o Acórdão n° 107-04.745 e o Acórdão 101-92.729, transcrevendo-se suas ementas e, em relação ao primeiro acórdão, transcreveu trechos do mesmo; ainda, consignou já na impugnação, uma questão de significativa relevância, que sequer fora apreciada pela decisão recorrida, que consistiu na contratação para aquisição e fornecimento de títulos da dívida externa brasileira, embora tenha adimplido a sua parte efetuando os adiantamentos, entretanto, as contratadas comunicaram a impossibilidade do cumprimento contratual, colocando como alternativa para ressarcir os adiantamentos, o imóvel localizado no Município de Ubatuba; _ e, que na ocasião, fora apresentado o Laudo de Avaliação, expedido pelo INSS, 13 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 11065.004850/2004-81 106-16.121 29.605.333,33 e, como não lhe restava alternativa na ocasião, aceitou a compensação e escriturou o imóvel em seu ativo imobilizado; - chegou mesmo a desenvolver estudo visando a implementação de um amplo projeto ecológico no local; - a partir daí , obteve informações a respeito da área que estava comprometida por invasões institucionalizadas pelo próprio Município de Ubatuba; - diante disso, optou pela propositura de ação judicial em face das contratadas SRS e MONEX; - e, quanto ao contrato de aquisição temporário das posições da Indiano Coai Rail Way, promoveu igualmente ação anulatória ,cujo feito tramita sob o n° 001/1.05.2164180-6, perante a 148 Vara Cível do Foro Central da Comarca de Porto Alegre-RS; - de igual forma, buscou-se ressarcir dos prejuízos relativos ao contrato com Nadir Genari através de ação judicial; - pelas razões expostas, não há como se sustentar a acusação de pagamento sem causa a ensejar a exigência de imposto sobre renda exclusivamente na fonte à alíquota de 35%, sobretudo quando tal exigência, como no caso presente, visava à suspensão da imunidade de que é detentora; - ainda, improcede a exigência fiscal do IR-Fonte nos termos do Parecer Normativo n° 01, de 2002 e da jurisprudência administrativa, em razão de que, estando os beneficiários submetidos à declaração de ajuste, devidamente identificados já que "a responsabilidade, encerrado o ano-calendário, é do beneficiário do rendimento ..."; - a finalidade da exigência do imposto na fonte foi à suspensão da imunidade, uma vez que é ilegal, conforme o art. 12, alínea "f', que prevê o recolhimento do IRF, assim como o art. 13 da Lei n° 9.532, de 1997; - destaca um outro fundamento que enseja a inexigibilidade e a total improcedência da ação fiscal, sendo que nos anexos 01 a 05 do Relatório da Ação 4} 14 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 11065.004850/2004-81 106-16.121 1 Fiscal, consta a apuração semanal dos pagamentos efetuados e, ao formular a exigência contida no Auto de Infração transportou para o lançamento, como base de cálculo, quantias totalmente distintas daquelas elencadas no Relatório, representando inequívoco erro na fixação da base de cálculo; - a respeito desse último argumento, transcreve jurisprudência do Conselho de Contribuintes; - e, no final, ainda argumenta que é absolutamente improcedente a imposição de multa qualificada à acusação de dolo, fraude e simulação, já que agiu de boa fé, não ocultando as operações e registrando as mesmas em lançamentos contábeis, além de ter prestado os esclarecimentos solicitados; - que a fraude não se presume, devendo estar cabalmente comprovada, de forma incontroversa; - na realidade, no caso presente, não seria cabível sequer multa simples, porque não foram materializados os fatos, objeto do lançamento, assim como outros vícios insanáveis; - ainda, que o julgamento que conduziu à r. decisão recorrida e que fundamenta na exigência de IRFonte como suporte para a suspensão da imunidade, objeto do processo n° 11065.004851/2004-25, na esteira do que dispõe o 9 9°, do art. 32, da lei n° 9430, de 1996, deveria estar reunida com aquela num único processo para serem decididas simultaneamente; - essa determinação legal, não fora observada, revelando mais uma das ilegalidades perpetradas no presente feito. À fI. 2145, consta o despacho administrativo com a informação de que a autuada apresentou arrolamento de bens imóveis, formalizado através do processo n° 13002.00031/2004-91, nos termos do art. 1°, parágrafos 1° e 2° da Instrução Normativa SRF n° 264, de 20/12/2002.{1 15 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 11065.004850/2004-81 106-16.121 Por ocasião da sustentação oral, dentre as razões que consubstanciaram a ação fiscal, o representante legal da Recorrente ainda acrescentou que: - os mesmos valores tidos nos presentes autos com pagamentos sem causa e sobre os quais se exige IRRF, serviram igualmente de base para a cobrança tributária em outra fiscalização levada a efeito nas empresas beneficiárias daqueles rendimentos; - sendo assim, concluiu que sob a mesma base está sendo exigido o tributo sob duas modalidades, ou seja: da recorrente, na condição de pagadora e da beneficiária do rendimento o IRPJ e demais reflexos; - para comprovar o alegado, requer a juntada aos autos, cópia do recurso manejado pela MONEX no Processo n° 11080.003283/2004-57, obtida com aquela empresa, onde se vê no Anexo 11 do referido recurso, a quantia de R$ 754.000,00, escriturada em sua contabilidade, constando expressamente no Razão Analítico, como receita tributada na exigência contrastada e, em seu Anexo IV, a cópia da referida nota fiscal, onde afirma representar oferecimento à tributação em duplicidade; A pedido da Recorrente juntou-se aos presentes autos, cópias dos documentos de fls. 2172-2375. É o Relatóri~ (I 16 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 11065.004850/2004-81 106-16.121 VOTO Conselheiro LUIZ ANTONIO DE PAULA, Relator O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo art. 33, do Decreto nO 70.235, de 06 de março de 1972, tendo sido interposto por parte legítima, razão porque dele tomo conhecimento. o presente Recurso Voluntário tem por objeto reformar o Acórdão prolatado no âmbito da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre - RS, que por unanimidade de votos os Membros da 58 Turma, mediante Acórdão DRJ/POA n° 5.731, de 19 de maio de 2005, acordaram em julgar procedente o lançamento. A exigência fiscal, ora combatida, é decorrente da falta de recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte sobre pagamento(s) sem causa/operação não comprovada, cuja irregularidade configura infração ao art. 674, 9 1° do RIR/99, tendo matriz legal o art. 61, da Lei n° 8.981, de 1995. Por uma questão de ordem, há de se analisar as preliminares levantadas pela contribuinte, questionando a validade do feito fiscal para, em seguida, examinar-se os argumentos quanto ao mérito. A Recorrente, de início argumenta que não procede a exigência fiscal do IRRF formulada em 18/11/2004, para colher situações dos anos-calendários de 2000 a 2003, por força do instituído no art. 10, do Parecer Normativo SRF n° 01, de 24/09/2002 e de remansosa jurisprudência do Conselho de Contribuintes. o fato gerador do imposto de renda na fonte, ora combatido, não se confunde com os demais em que são tributados os beneficiários dos rendimentos, por terem auferido renda de qualquer natureza:{) 17 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 11065.004850/2004-81 106-16.121 Aqui, a norma legal determina que incorre na tributação exclusiva na fonte, a alíquota de 35%, à pessoa jurídica que realizar pagamento cuja causa não se comprova, sendo, portanto, o sujeito passivo da obrigação tributária relativa ao pagamento sem causa, aquele que assim o proceder. Esta é a situação do caso em tela, onde a recorrente está sendo acusada de ter efetuado pagamentos e não se confirmando a causa fundada na prestação de serviços, fornecimento de bens e redução de conta do passivo, etc, ocorre, portanto, o fato gerador do Imposto de Renda na Fonte, por força da legislação que fundamenta o lançamento, art. 674, 9 1°, do RIRl99, com matriz no art. 61, da Lei n° 8.981, de 1995. O referido parecer trata da responsabilidade pelo IRRF nas várias. situações em que não seja feita a retenção pela fonte pagadora e, define em um dos casos, "a responsabilidade, encerrado o ano-calendário, é do beneficiário do rendimento". Refere-se, portanto, à retenção na fonte que tem a natureza de antecipação do imposto, não o sendo aqui exigido, conforme já relatado, uma vez que o presente lançamento é do imposto de renda na fonte sobre pagamento sem causa, em cumprimento ao disposto no art. 61, da Lei n° 8.981, de 1995, que define a incidência do imposto exclusivamente na fonte, in verbis: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. (destaque posto) LJ E ainda, o parecer dispõe que a responsabilidade somente não seria da fonte pagadora no caso dela estar impossibilitada de efetuar a retenção do imposto em virtude de decisão judicial, porém, esta hipótese, a princípio, não é aplicável ao caso do pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado. 19 18 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 11065.004850/2004-81 106-16.121 Desta forma, denota-se que não cabe razão à recorrente, pois, o argumento apresentado de que a responsabilidade pelo imposto, depois de encerrado o ano-calendário é da beneficiária do rendimento, não se amolda ao caso em análise. Em outro tópico, a Recorrente se defende no sentido de que o motivo para manter o lançamento fundamenta-se na finalidade da ,exigência do IRRF, que foi a suspensão da imunidade, portanto, sendo ilegal, já que a alínea "f', do art. 12, da Lei n° 9.532, de 1997 estaria suspenso com eficácia erga omnes, derivada de controle concentrado. Em limine, destaco que o lançamento do IRRF sobre pagamentos sem causa é autônomo e independe da suspensão da imunidade, pois, encontra respaldo no art. 61, da Lei n° 8.981, de 1995 (reproduzido no art. 674, do RIR/99), não estando relacionado com as previsões legais definidas nos artigos citados pela recorrente. Ainda, ressalto que de acordo com o 9 1o, do artigo 14 do Código Tributário Nacional - CTN, constatada a falta de retenção de tributo que lhe caberia reter na fonte, o caminho a ser perseguido pela autoridade fiscal é o da suspensão do benefício. Não obstante este fato, ainda é importante mencionar que, a condição de imunidade de uma determinada entidade não exclui a atribuição, por lei, à mesma, da sua condição de responsável pelos tributos que lhe caiba reter na fonte. Acerca do IRRF, não há necessidade da prévia suspensão da imunidade para que este lançamento seja efetuado. Este entendimento decorre justamente da redação do 9 1o, do art. 90 do CTN, in verbis: Art. 9° É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...)11 19 ._---_._----_.- ---------------------_ .... J MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 11065.004850/2004-81 106-16.121 ~ 10 O disposto no inciso IV não exclui a atribuição, por lei, às entidades nele referidas, da condição de responsáveis pelos tributos que lhes caiba reter na fonte, e não as dispensa da prática de atos, previstos em lei, assecuratórios do cumprimento de obrigações tributárias por terceiros. Em relação às instituições de educação imunes, não há na legislação um dispositivo com teor semelhante ao do 1°, do art. 9° do CTN, de onde se conclui que a sua responsabilidade pela retenção dos tributos enquadra-se na regra geral que atribui esta responsabilidade à fonte pagadora, a exemplo do art. 717 do RIR/99, em relação ao imposto sobre a renda. Assim, reitero que, nesta hipótese, o lançamento fiscal também independe de eventual suspensão prévia da imunidade que venha a ser feita pela autoridade lançadora, mesmo porque, a não retenção de tributo não é motivo de suspensão da imunidade, a teor do disposto no art. 15, da Lei n° 9.532, de 1997. Desta forma, o motivo para manter a exigência não foi a suspensão da imunidade, como entendeu a recorrente. A Recorrente, ainda, assevera que os valores constantes no Auto de Infração são totalmente distintos daqueles relacionados no Relatório da Ação Fiscal (anexos 01 a 05, onde consta a apuração semanal dos pagamentos efetuados), o que representa erro na fixação da base de cálculo, tornando-se absolutamente insubsistente a ação fiscal. Cotejando os anexos do Relatório de Ação Fiscal de fls. 1825-1836, embora nominados de "Apuração Semanal", trazem, na verdade, a apuração diária dos pagamentos sem causa, já que esta é a base para a incidência do imposto, ora lançado. I20 Na verificação dos valores demonstrados nos anexos do Relatório da Ação Fiscal (fls. 1825-1836) e os valores diários transportados para o Auto de Infração (fls. 1722-1733), constato a coincidência entre eles, destacando que nos casos em que foram realizados mais de um pagamento sem causa, na mesma data, os valores constantes dos anexos do Relatório foram somados para cálculo do tributo incidente naquela data, estando lançados no Auto de Infração pelo total do dia correspondente. ~ MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 11065.004850/2004-81 106-16.121 Desta forma, não há que se falar em descompasso entre os valores dos pagamentos efetuados que seriam submetidos ao IRRF e aqueles transportados para o Auto de Infração, como pretendeu a recorrente. A Recorrente alega que o presente processo deveria tramitar apensado ao processo de suspensão da imunidade, nos termos do 9 9°, do art. 32 da Lei n° 9.430, de 1996. Por ser oportuno e, no sentido de melhor analisar a argumentação da recorrente, transcrevo o referido diploma legal: Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Art. 32. A suspensão da imunidade tributária, em virtude da falta de observância de requisitos legais, deve ser procedida de conformidade- com o disposto neste artigo. S 1° Constatado que entidade beneficiária de imunidade de tributos federais de que trata a alínea c do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal não está observando requisito ou condição previsto nos arts. 9°, S 1°, e 14, da Lei nO5.172, de 25 de outubro de 1996 - Código Tributário Nacional, a fiscalização tributária expedirá notificação fiscal, na qual relatará os fatos que determinam à suspensão do benefício, indicando inclusive a data da ocorrência da infração. S 2° A entidade poderá, no prazo de trinta dias da ciência da notificação, apresentar as alegações e provas que entender necessárias. S 3° O Delegado ou Inspetor da Receita Federal decidirá sobre a procedência das alegações, expedindo o ato declaratório suspensivo do benefício, no caso de improcedência, dando, de sua decisão, ciência à entidade. S 4° Será igualmente expedido o ato suspensivo se decorrido o prazo previsto no S 2° sem qualquer manifestação da parte interessada. S 5° A suspensão da imunidade terá como termo inicial a data da prática da infração. S 6° Efetivada a suspensão da imunidade: -P 21 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 11065.004850/2004-81 106-16.121 I - a entidade interessada poderá, no prazo de trinta dias da ciência, apresentar impugnação ao ato declaratório, a qual será objeto de decisão pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento competente; /I - a fiscalização de tributos federais lavrará auto de infração, se for o caso. S 7° A impugnação relativa à suspensão da imunidade obedecerá às demais normas reguladoras do processo administrativo fiscal. ~ 8° A impugnação e o recurso apresentados pela entidade não terão efeito suspensivo em relação ao ato declaratório contestado. 9 9° Caso seja lavrado auto de infração, as impugnações contra o ato declaratório e contra a exigência de crédito tributário serão reunidas em. um único processo, para serem decididas simultaneamente. ~- ~ 10. Os procedimentos estabelecidos neste artigo aplicam-se, também, às hipóteses de suspensão de isenções condicionadas, quando a entidade beneficiária estiver descumprindo as condições ou requisitos impostos pela legislação de regência. (destaque posto) Da leitura dos parágrafos 6° e 9°, do art. 32, há de se verificar que os mesmos referem-se apenas aos autos de infração que foram lavrados como conseqüência da suspensão da imunidade, o que não é o caso em questão, pois, como já mencionado anteriormente, o presente auto de infração de IRRF por pagamentos sem causa, é autônomo e independe da condição da entidade ser imune ou não. Assim, entendo não ser possível correlacionar o presente processo (IRRF - pagamento sem causa) e o processo da suspensão de imunidade. Portanto, rejeito o argumento de que há a necessidade da tramitação deste processo apensado àquele. A Recorrente assevera, também, que as acusações fiscais resultaram de juízo estritamente subjetivo das autoridades lançadoras, li ••• que chegaram até mesmo a consignar como motivo ensejador da tributação a ausência de reconhecimento de firma {) 22 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 11065.004850/2004-81 106-16.121 na Nota Promissória objeto da execução movida contra Nadir Genari (p. 34, primeiro parágrafo do Relatório de Ação Fiscal)". Da leitura atenta do Relatório da Ação Fiscal, observo que esse fato . apontado pela Recorrente (ausência do reconhecimento de firma em objeto da execução movida contra Nadir Genari) apenas está citado no referido Relatório - fi. 34, todavia, não há nos presentes autos, a confirmação da importância do fato para a caracterização do pagamento sem causa. Pelo contrário, como se observa à fI. 35 do Relatório Fiscal, as autoridades autuantes concluíram que não se comprovou o real motivo da saída dos recursos para pagamentos à Nadir Genari, citando seis fatos agravantes, não estando ali relacionado o fato alegado pela recorrente, sobre o reconhecimento ou não de firma da Nota Promissória, in verbis: (...) Verifica-se portanto que: a) Não houve comprovação da existência do crédito; b) Ocorreu a insólita situação de o representante da CELSP na assinatura do contrato ter também recebido em sua conta corrente valores referentes ao pagamento de Nadir Genari, embora não tenha sido apresentada procuração para o feito; c) Não houve comprovação por parte do Banco do Brasil de que tais direitos creditórios tenham sido utilizados em uma tentativa de quitação do débito da CESLP junto ao banco; d) Está comprovado com documentos e declarações da fiscalizada que houve o pagamento de R$ 3.520.000,00 a Nadir Genari ou por conta desta; e) Não foi apresentada a certidão narratória da pretensa execução movida pela CELSP contra Nadir Genari, comprovando que a mesma ação tenha sido efetiva e não mero ajuizamento com fins de dar aparência de seriedade ao negócio. Mesmo que seja efetiva a ação, não há qualquer garantia que o valor pago possa ser recuperado; {) 23 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA Processo nO. Acórdão n°. 11065.004850/2004-81 106-16.121 f) Nadir Genari possui um histórico de envolvimento com numerosas ações judiciais como pólo passivo, conforme descrito acima. Da análise dos autos, verifico que durante a ação fiscal, as autoridades autuantes procederam a uma exaustiva investigação dos contratos entre a CELSP e as empresas representadas por Sônia Soder (Grupo SRS) e, dos procedimentos adotados pela recorrente, que sem dúvida alguma, permitiram concluir que li ••• não passaram de uma tentativa de justificar pagamentos sem causa de uma instituição de educação amparada pela imunidade condicionada proporcionada pela Constituição Federal". E por último, relembro que a atividade administrativa do lançamento é vinculada e obrigatória, nos termos do parágrafo único, do art. 142 do CTN, significando que a aplicação da lei tributária ao caso concreto foi feita segundo os estritos termos da lei, sem se levar em consideração as razões subjetivas, como entendeu a recorrente. Nem poderia ser diferente, pois, estando o tributo submetido ao princípio da legalidade, todos os aspectos da sua hipótese de incidência se esgotam na descrição legal, sem que reste à autoridade administrativa a menor margem de discricionariedade na verificação do fato tributável. Além de vinculada, essa atuação administrativa é obrigatória, como já acima citado, em primeiro lugar, porque a arrecadação do tributo reveste-se de interesse público e, por isso, é indisponível, fato que, por sua vez, confere obrigatoriedade à atuação da Administração. Em segundo lugar, porque a execução forçada não poderá ser promovida sem o título executivo, que é materialmente constituído pelo lançamento. Assim, concluo que as acusações fiscais não resultaram de juízo estritamente subjetivo, como entendeu a recorrente, pois, as autoridades lançadoras observaram estritamente a previsão legal para o caso em tela. Uma vez analisadas e rejeitadas as preliminares argüidas pela recorrente, mesmo sendo tratadas juntamente com as outras questões de fato, passo para o exame das razões de mérito abordadas na peça recursal de fls. 2125-2144. ou seja:~ 24 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA Processo n°. Acórdão nO. 11065.004850/2004-81 106-16.121 A Recorrente salienta que a fiscalização se contradiz ao dizer que "...na tentativa de ocultar a inexistência de motivos para os pagamentos ocorridos, foram confeccionados contratos apresentados de forma esporádica ao longo da fiscalização", ao mesmo tempo em que afirma que "os referidos contratos foram apreendidos anteriormente ao início da Ação Fiscal em uma operação denominada Santa Maria, realizada nas empresas MONEX e SRS". Neste tópico, não vislumbro qualquer contradição por parte das autoridades lançadoras, pois, em função das inúmeras constatações de transferências de recursos pela CELSP, no valor de R$ 21.141.817,30 oriundos da educação para as empresas do Grupo SRS, sem nenhuma contraprestação que pudesse justificar os pagamentos desses valores. Na tentativa de legitimar tais pagamentos, a entidade autuada apresentou dois contratos (que já eram do conhecimento da fiscalização), pois, foram apreendidos em operação da Polícia Federal. E, no decorrer do desenvolvimento da ação fiscal, na medida em que a fiscalização avançava no procedimento investigatório para provar que os objetos desses primeiros contratos inexistiam, outros novos foram apresentados para tentar justificar os mesmos pagamentos e lançamentos contábeis. Os novos contratos mencionados (aluguel de título americano e contrato de assessoria) com datas de assinaturas anteriores ao início da fiscalização, já deveriam ter sido apresentados no início da ação fiscal, entretanto, foram entregues posteriormente às autoridades lançadoras, conforme descrito à fI. 42 do Relatório da Ação Fiscal. Do exposto, entendo que não houve qualquer' contradição por parte das autoridades autuantes. Ainda, a Recorrente prossegue alegando que as razões e fundamentos da autuação, tanto nas conclusões dos autuantes, quanto na r. decisão recorrida, estão assentadas em meras presunções, sem apontar um fato que pudesse autorizar semelhante acusação. ~ 25 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA O lançamento objeto da presente lide está fundamentado no artigo 61 e 99 da Lei nO8.981, de 1995, que assim dispõe: 11065.004850/2004-81 106-16.121 Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. ~ 1° A incidência prevista no caput aplica-se, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o ~ 2°, do art. 74 da Lei n° 8.383, de 1991. ~ 2° Considera-se vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. ~ 3° O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. Portanto, para a aplicação deste dispositivo a efetuação do pagamento é pressuposto material para a ocorrência da incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte. Há, pois, que existir a prova cabal de que os pagamentos foram realizados, individualizando os valores (que constituem a base de cálculo tributável) e 26 l' ~ Consoante se verifica no caput e no 9 2° do art. 61 da Lei nO8.981, de 1995, supra, a incidência do imposto ocorre no momento do "pagamento a beneficiário não identificado" ou do "pagamento sem causa". Com o disposto no referido artigo, a lei fiscal introduziu limites à livre convicção da autoridade administrativa ao estabelecer para sua aplicação, a existência de provas necessárias, determinando que, para a imputação da ocorrência de infração tipificada, restam comprovados os valores efetivos desses pagamentos e as datas em que estes ocorreram; exige-se, pois, prova documental específica, prova direta e não indiciária. Não há qualquer dúvida de que o artigo 61 da Lei nO8.981, de 1995, prevê a incidência tributária do IRRF em relação aos pagamentos não identificados, sem causa ou de operação não comprovada - circunstâncias independentes entre si. Processo nO. Acórdão nO. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 11065.004850/2004-81 106-16.121 datas (que determinam o momento de ocorrência do fato gerador), uma vez que a hipótese para a aplicação da presunção legal é a existência de um fato concreto, o pagamento, que deve ser claramente identificado pela sua data e valor. O texto legal supra transcrito estabelece a seguinte situação fática: houve pagamento, mas não se sabe a quem ou, não se comprova a operação ou mesmo a sua causa. A dúvida não pode vicejar sobre o pressuposto material da hipótese de incidência - o pagamento, a saída de numerário da empresa - sobre o qual a Fiscalização tem o ônus probandi. Neste tópico, ao contrário das alegações da recorrente, as autoridades lançadoras demonstraram claramente, nos termos do detalhado Relatório da Ação Fiscal de fls. 1777-1836, que foram realizados os pagamentos sem comprovação da operação ou de sua causa nele quantificados, in verbis: (...) 5.2. Quantificação dos Pagamentos sem Comprovação da Operação 5.2.1. Operações com o "Grupo SRS" , SRSa ea agamentos a PAGAMENTOS A SRS INFORMADOS PELA CELSP COM SAlDAS CORRESPONDENTES NO EXTRATO 2000 2001 2002 2003 Lista de pagamentos aDresentada (fls ....... ): CheQues 1.536.996,00 11.067.041,60 4.816.956,91 1.076.245,20 Avisos de Débito/Deoósito 0.00 46.500,00 992.16147 50.000,00 Cópias de cheques Que não costam da lista 0,00 0,00 1.555.916,12 000 TOTAIS ANUAIS 1.536.996,00 11.113.541,60 7.365.034,50 1.126.245,20 ) TOTAL DO PERIODO , , 21.141.817,30 T b I 5 P Os valores dos pagamentos sem causa à SRS estão demonstrados nos anexos nO 02, 03, 04 e 05. A data considerada como do efetivo pagamento foi a constante no extrato bancário, exceto para 2003 que, por não terem sido apresentados extratos, foi considerada a data informada pela fiscalizada na relação de pagamentos (fls. 324 a 331). {) 27 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA Processo nO. Acórdão n°. 11065.004850/2004-81 106-16.121 S.2.2.0perações com Nadir Genari Em 2000, ficou comprovado pagamento para Nadir Genari no valor de RS 3.520.000,00, conforme demonstrado na tabela abaixo. No anexo nO 06 apresentamos a apuração do pagamento sem causa à Nadir Genari para o lançamento do imposto de renda na fonte. Tabela 6: Comprovantes dos Pagamentos Realizados à Nadir Genari (fls. 192 a 204 e 1430 a 1441). Data Valor Documento apresentado 21/09/00 220.000,00 Cópia de recibo de depósio para José Carlos Amisani (procurador) 21/09/00 440.000,00 Cópia do cheque nO328567 para Nadir Genari 27/09/00 660.000,00 Cópia do cheque n° 328568 para Nadir Genari 09/10/00 1.100.000,00 Cópia do cheque n° 329110 e recibo de depósito para Nadir Genari 18/10/00 500.000,00 Cópia do cheque n° 19 e recibo de depósito para Nadir Genari 25/10/00 600.00000 Cópia do cheque n° 329112 e recibo de depósito para Nadir Genari TOTAL 3.520.000,00 5.2.3. Do Lançamento de IRRF sobre os Pagamentos sem Causa A tributação do pagamento sem causa está disciplinada no artigo 61 da Lei n° 8.981/95, matriz legal do artigo 674 do RIR/99, ... (...) A legislação tributária coloca, então, em nível de igualdade o pagamento a beneficiários não identificados e o pagamento sem a comprovação da operação ou a sua causa. Diante da constatação da realização dos pagamentos sem causa, a fiscalização efetuou o lançamento de todos os pagamentos realizados ao Grupo SRS e os pagamentos a Nadir Genari, conforme apurado nos itens anteriores. Nos termos do Parágrafo 3° do Art 674 do RIR, a base de cálculo foi reajustada, tendo sido aplicada a alíquota de 35%. É de se esclarecer, que é cristalino que os pressupostos de incidência sejam diversos, ou seja: "quando não for indicada a operação", "quando não for indicada a causa", e "quando o comprovante do pagamento não individualizar o beneficiário", Como também é evidente que os pressupostos de incidência previstos neste artigo, não são cumulativos, isto é, basta ocorrer um deles para que ocorra o fato gerador do imposto de renda na fonte. }£} 28 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 11065.004850/2004-81 106-16.121 Enfim, a matéria se encontra longamente debatida no processo, sendo despiciendo maiores considerações, razão pela qual, estou convicto que a farta documentação carreada aos autos não só evidencia, como. comprova de forma inequívoca o desembolso indevido de recursos de uma entidade de educação para outros fins, que não o pagamento de despesas ou custos operacionais. Assim, resta evidenciado nos autos que a exação não resulta de mera presunção ou suspeita, tendo, ao contrário, respaldo em fatos fartamente documentados. A Recorrente consigna na peça recursal que já na impugnação apontava como de significativa relevância, para o contrato de fornecimento de títulos da dívida externa brasileira, de 04/01/00, onde efetuou adiantamentos que possibilitassem as aquisições, mas, foi informada pelas contratadas que estas não poderiam cumprir o contrato. E, diante disso, a Recorrente assevera que teriam as contratadas apresentado um imóvel situado no Município de Ubatuba (SP), de propriedade de Siegfried Max, que teria sido avaliado pelo INSS no valor de R$ 55.510.000,00 a fração de 75 (setenta e cinco) alqueires. E, dessa avaliação, extraiu-se a conclusão de que 40 (quarenta) alqueires valeriam R$ 29.605.333,33 e, como não lhe restava outra alternativa, na ocasião, aceitou em compensação pelos pagamentos efetuados, para assegurar a recomposição patrimonial, tendo inclusive escriturado o referido imóvel em seu ativo imobilizado. E ainda, continua afirmando que desenvolveu estudos visando a implementação de um amplo projeto ecológico no local. E, somente a partir daí obteve informações a respeito da área, tendo finalmente, após ciência do Relatório de Ação Fiscal, a informação de que a área estava comprometida por invasões institucionalizadas pelo próprio Município de Ubatuba-SP. {} 29 .. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA Processo n°. Acórdão nO. 11065.004850/2004-81 106-16.121 E, diante disso, optou pela propositura de ação judicial em face das contratadas SRS e MONEX, visando à rescisão contratual cumulada com perdas e danos. Ainda assim, a recorrente asseverou que o contrato para a aquisição temporária de títulos da Indiana Coai Rail Way, cuja imprestabilidade era desconhecida até a ciência do Relatório da Ação Fiscal, também, promoveu igualmente a ação anulatória. Por ser oportuno, destaco os fundamentos das autoridades autuantes, onde também, descreveram, de forma bastante clara, a inconsistência das provas apresentadas pela autuada, no sentido de tentar justificar os pagamentos efetuados, que da leitura e análise dos autos pode-se extrair o que se segue: I) Contrato de 04/01/00, visando a assessoria para fornecimento de Títulos da Dívida Externa Brasileira, tendo como contrapartida o pagamento de R$ 18.000.000,00, sendo R$ 8.000.000,00 no recebimento dos títulos e o restante em 36 parcelas, vencendo a primeira, 30 dias após a entrega dos Títulos da Dívida Externa; - nas cláusulas terceira e quarta do referido contrato estão previstos que os honorários, seriam pagos às contratadas no valor de R$ 18.000.000,00, sendo R$ 8.000.000,00 no recebimento dos títulos e o restante dividido em 36 parcelas mensais de igual valor, vencendo a primeira 30 dias após a entrega dos Títulos da Dívida Externa; - assim, está devidamente evidenciado que nenhuma parcela haveria de ser paga anteriormente à entrega dos títulos, portanto, é incompreensível como a recorrente fez adiantamentos em montante próximo ao total previsto no contrato sem sequer ter recebido os títulos; - que os pagamentos foram efetuados não pairam dúvidas, contudo, apesar de reiteradamente intimada à fiscalizada, em nenhum momento apresentou comprovação de que os referidos títulos fossem de titularidade das contratadas; .p 30 t f if MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 11065.004850/2004-81 106-16.121 . _ posteriormente, apresentou distrato que teria sido assinado em 07/01/03, em face do não cumprimento de suas obrigações contratuais; - o Grupo SRS ofereceu uma compensação de R$ 13.000.000,00, referente à parcela de 90 (noventa) hectares de um imóvel em Ubatuba de propriedade de Siegfried Max; _ o valor atualizado (IGP-M) da propriedade, levando-se em conta o montante pago por Siegfried aos proprietários de parcelas da área, em 19/09/97, na data vigente do contrato com a CELSP, era de R$ 434.000,00 por 578 ha; - ainda, a autuada jamais comprovou a averbação da aquisição no Registro de Imóveis e, posteriormente, reconheceu que a área era imprestável, já que estava invadida. 11) Contrato de 15/12/00, para aluguel de TOEs. O objetivo alegado era quitar tributos federais através da utilização de títulos alugados. que deveriam ser devolvidos ao final do contrato. - na data que os títulos deveriam ser devolvidos, foi lavrado um distrato; - apesar de reiteradamente intimada, a fiscalizada jamais comprovou a existência dos títulos, sempre alegando que desistira do negócio; 1 - Contratos de Título Americano e de Assessoria - à medida que a Fiscalização avançava no sentido de descaracterizar os primeiros contratos, foram apresentados mais dois contratos a fim de justificar os pagamentos feitos: - aluguel de título emitido pela Ferrovia americana Indiana Railway, no século XIX, pelo qual a fiscalizada pagou R$ 3.153.000,00; - através de diligências realizadas pela Embaixada dos EUA no Brasil, junto à SEC (equivalente nos Estados Unidos à Comissão de Valores Mobiliários - CVM) e, também perante as empresas especializadas (em títulos antigos e em venda de objetos antigos via internet), comprovou-se que o referido título tem valor apenas para 31 1 ! I t,. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 11065.004850/2004-81 106-16.121 colecionadores, sendo possível ser adquirido pelo preço de 75 (setenta e cinco) dólares americanos; - e ainda, o Tesouro Americano, em 22/04/2004, afirmou não ter informações sobre o título, já que o mesmo não é de emissão do governo dos EUA, mas sim, de uma empresa privada (fI. 315); - assim, há de se concluir que fica devidamente caracterizada a fraude, no sentido de repassar recursos financeiros de R$ 3.153.000,00 às empresas SRS e MONEX, através de um contrato com objeto de aluguel de um título, sem qualquer valor; 2) Contrato de Assessoria para assuntos gerais, assinado em 18/12/01. - intimada a prestar esclarecimentos acerca dos serviços que teriam sido prestados, a fiscalizada não conseguiu comprová-los. - na verdade, os serviços que teriam sido prestados, referiam-se a serviços prestados por outras empresas ou mesmo, e os procedimentos efetuados, que sequer demandaram qualquer atitude da entidade autuada. Pagamentos a Nadir Genari - a CELSP firmou contrato com Nadir Genari, ensejando o pagamento de R$ 3.520.000,00 pela pretensa aquisição de direitos creditórios que seriam utilizados para quitar dívida da instituição no Banco do Brasil; - a existência dos direitos creditórios ou mesmo a tentativa de utilizá-los para quitar a dívida bancária jamais foi comprovada, apesar de reiteradas intimações; - cumpre referir que em alguns dos lançamentos, o histórico indica "Pagamentos a SRS Nadir Genari". I32 Também, entendo ser inútil examinar o fato dos pagamentos efetuados encontrarem-se ou não escriturados, pois, o art. 61, ~ 10, da Lei n° 8.981, de 1995 é claro ao dispor que "a incidência prevista no capuf aplica-se, também, aos pagamentos {} J .t III ,). - .. . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 11065.004850/2004-81 106-16.121 efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa". Desta forma, estou convicto que a extensa documentação constante dos autos não só evidencia como comprova de forma inequívoca, o desembolso indevido de recursos da entidade de educação para outros fins que não o pagamento de despesas/custos operacionais, restando evidenciado que a exação não resulta de mera presunção ou suspeita, tendo, ao contrário, respaldo em fatos que estão fartamente documentados. E, por último, destaco recente julgado desta Sexta Câmara: Ementa: IRF. PAGAMENTO SEM CAUSA. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA. ALíQUOTA - Os valores relativos a pagamentos efetuados ou os recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando incomprovada a operação ou a sua causa não esteja vinculada ao objetivo da sociedade empresária sujeitam-se à tributação exclusiva do Imposto de Renda à alíquota de 35%. MUL TA DE OFíCIO QUALIFICADA - No caso de lançamento de ofício, será aplicada multa calculada sobre o crédito tributário apurado no percentual de 150% quando ficar evidente o intuito de fraudar o Fisco conforme apuração realizada pela autoridade autuante e nos fatos revelados nos autos do processo. Recursos de Ofício e Voluntário negados. (Primeiro Conselho, Sexta Câmara, Acórdão n° 106-15.286, Relator José Ribamar Barros Penha, julgado em 26/01/2006) (destaque posto) A respeito da aplicação da multa de ofício, a Recorrente alega ser improcedente a imposição da multa de ofício qualificada (150%), já que agiu de boa-fé, não ocultando as operações e registrando-as em sua contabilidade, além de ter prestado os esclarecimentos solicitados. Ainda, assevera que a fraude não se presume e, no presente caso, a afirmação de que se ela existiu é fruto de juízo subjetivo dos autores do procedimento fiscal. Além do mais, a Recorrente argumenta que se flagra nas acusações constantes no Relatório da Ação Fiscal evidente afirmação de simulação na prática dos 33 { MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA Processo n°. .Acórdão nO. 11065.004850/2004-81 106-16.121 atos jurídicos retratados nos contratos. E, para que ocorra a simulação a ponto de invalidar um ato jurídico é necessário que se demonstre de forma cristalina a ocorrência dos pressupostos fáticos descritos no S 1°, do art. 167, do Código Civil Brasileiro. No presente caso, a fiscalização propôs a aplicação da multa qualificada, nos termos do art. 44, inciso 11,da Lei nO9.430, de 1996, que remete aos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502, de 1964, in verbis: Lei nO9.430. de 27 de dezembro de 1996. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I - de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte. 11- cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definidos nos arts. 71 72, e 73 da Lei nO4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Os artigos da Lei nO 4.502/1964, indicados no inciso acima transcrito, assim preceituam: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I - da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; " - das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. J9 34 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 11065.004850/2004-81 106-16.121 Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71e 72. A Lei nO4.729, de 1965, assim definiu sonegação fiscal. Art. 1° Constitui crime de sonegação fiscal: I - prestar declaração falsa ou omitir, total ou parcialmente, informação que deva ser produzida a agentes das pessoas jurídicas de direito público interno, com a intenção de eximir-se, total ou parcialmente, do pagamento de tributos, taxas e quaisquer adicionais devidos por lei; 11 - inserir elementos inexatos ou omitir rendimentos ou operação de qualquer natureza em documentos ou livros exigidos pelas leis fiscais, com a intenção de exonerar-se do pagamento de tributos devidos à Fazenda Pública; 111 - alterar faturas e quaisquer documentos relativos a operações mercantis com o propósito de fraudar a Fazenda Pública, IV - Fornecer ou emitir documentos graciosos ou alterar despesas majorando-as, com o objetivo de obter dedução de tributos devidos à Fazenda Pública, sem prejuízo das sanções administrativas cabíveis. Para aplicar a multa qualificada no percentual de 150%, é necessária a comprovação de que a ação ou omissão do contribuinte foi dolosa, requisito este indispensável para seu enquadramento nos tipos dos artigos 71, 72 e 73 da Lei nO4.502, de 1964. O conceito de dolo está disposto no inciso I, do art. 18 do Decreto-lei n° 2.848, de 7 de dezembro de 1940 - Código Penal, ou seja, crime doloso é aquele em que o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzí-Io. O dolo no caso em questão está caracterizado pelo uso de contratos que não correspondiam à realidade dos fatos, com o propósito específico de impedir ou retardar o conhecimento do fato gerador do tributo pelo Fisco. Desta forma, a conduta da autuada se enquadra no conceito do evidente intuito de fraude e a penalidade a ser aplicada sobre o imposto lançado de ofício é efetivamente a multa de 150%, conforme estabelece o art. 44, inciso 11, da Lei n° 9430, I de 1996. 11 35 I MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 11065.004850/2004-81 106-16.121 A conduta observada no artigo 72 citado, ocorre quando o sujeito, naquela hipótese, impede ou retarda a ocorrência do fato gerador da obrigação. Refere- se antes a situações em que, por simulação, a ocorrência do fato gerador é ocultada mediante ato artificioso, simulado. Passando ao conceito de simulação no Código Civil, citado pela recorrente, menciono o disposto no 91°, do art. 167, que retrata: Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. 9 1° Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I - aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; /I - contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; 111- os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós-datados. Partindo do conceito legal de simulação e seguindo o que diz a doutrina - onde realmente é retratado de forma científica o fenômeno - vê-se que esta admite que -na simulação haja um caso de desacordo entre a vontade dos envolvidos e a declaração dessa vontade, isto é, uma incompatibilidade entre a forma e o conteúdo. Isto ocorre quando os sujeitos desses atos ilícitos encobrem um negócio real (vontade) mediante outra forma (declaração de vontade) que não a usual. Constroem um cenário de aparência verdadeira, mas, que se revela mera simulação. Há inúmeras decisões reconhecendo a capacidade do Fisco de desconsiderar administrativamente os efeitos de contratos maculados por simulação, não devendo persistir, para efeitos tributários, o negócio jurídico praticado, restando em via de conseqüência, a subsunção do fato às normas pertinentes a estes tributos. Por último, ressalto ser igualmente improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, porque tais decisões mesmo que proferidas por órgãos colegiados, sem uma lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário. k1 36 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 11065.004850/2004-81 106-16.121 Destarte, não podem ser estendidos genericamente a outros casos, eis que somente se aplicam sobre a questão em análise e apenas vinculam as partes envolvidas naqueles litígios. Nesse sentido, determina o inciso 11, do art. 100 da Lei nO5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional): Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: (...) /I - as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; (destaque posto). Por fim, destaco que por ocasião da sustentação oral, dentre as razões que infirmaram a ação fiscal, o representante legal da recorrente acrescentou que os mesmos valores tidos nos presentes autos como pagamentos sem causa e sobre os quais se exige imposto de renda retido na fonte, serviram igualmente de base de cálculo para a exigência tributária em outra fiscalização levada a efeito nas empresas beneficiárias daqueles rendimentos. No sentido de comprovar o alegado na sustentação oral, o representante legal da recorrente requereu a juntada aos autos de documentos, os quais foram numerados de fls. 2143 a 2375. Da análise da referida assertiva e dos documentos apresentados pela recorrente, verifico que não cabe razão a ela, pois, não são os mesmos valores que serviram de base para a presente autuação e os que foram levados a efeito na empresa beneficiária - MONEX. Na verdade foram lavrados os autos de infração do IRPJ e seus decorrentes, PIS, COFINS e Contribuição Social, por ter a fiscalização constatado a omissão de receitas a partir de documentos apreendidos na sede da empresa SRS Prestação de Serviços, cumprindo o Mandado de Busca e Apreensão expedido pela 1a Vara Federal de Santa Maria - RS, dentre eles diversos talonários de notas fiscais L 37 1 -I, I;", Ii .....' L. (~. f'" ~'" :~i MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 11065.004850/2004-81 106-16.121 emitidas, com valores cuja soma excedia aos das receitas informadas pelo contribuinte nas DCTF respectivas. A recorrente aponta no caso específico no valor de R$ 754.000,00 (15/12/2002), que estaria devidamente escriturado na contabilidade daquela empresa (MONEX) com a correspondente nota fiscal emitida em nome da CELSP (fls. 2218 e 2313). Ora, basta verificar nos Anexos do Relatório da Ação Fiscal os valores específicos que serviram na quantificação dos pagamentos sem comprovação das operações realizadas com o "Grupo SRS" e Nadir Genari autuados no presente caso, que não se verá nenhum valor de R$ 754.000,00 de pagamento realizado à empresa MONEX. Apenas no sentido de apresentar os valores dos pagamentos ocorridos no mês de dezembro do ano de 2002 para o "Grupo SRS", os quais constam da presente autuação, identifica-se os seguintes valores: R$ 200.000,00 (18/12/2002); R$ 20.000,00 (19/12/2002); R$ 53.267,00 (23/12/2002) e, R$ 1.088,08 (26/12/2002). E, em relação aos pagamentos efetuados para Nadir Genari, não se encontra nenhum valor, constante da autuação, efetuado no ano de 2002. Portanto, é totalmente descabida a alegação da recorrente de que os mesmos valores tidos nos presentes autos como pagamentos sem causa e sobre os quais se exige o imposto de renda na fonte, serviram igualmente de base para exigência tributária em outra fiscalização, levado a efeito nas empresas beneficiárias daqueles rendimentos. Do exposto, voto em rejeitar as preliminares argüidas pela recorrente, para no mérito NEGAR provimento ao recurso. Sala das Sessões - DF, em 28 de fevereiro de 2007. ~ LUIZ ANTONIO DE PAULA 38 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009 00000010 00000011 00000012 00000013 00000014 00000015 00000016 00000017 00000018 00000019 00000020 00000021 00000022 00000023 00000024 00000025 00000026 00000027 00000028 00000029 00000030 00000031 00000032 00000033 00000034 00000035 00000036 00000037 00000038
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