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Numero do processo: 10850.721622/2015-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 13 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2202-000.724
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os Membros da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Márcio Henrique Sales Parada, Martin da Silva Gesto, Rosemary Figueiroa Augusto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Cecília Dutra Pillar, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Wilson Antônio de Souza Correa (Suplente convocado).
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os Membros da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Márcio Henrique Sales Parada, Martin da Silva Gesto, Rosemary Figueiroa Augusto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Cecília Dutra Pillar, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Wilson Antônio de Souza Correa (Suplente convocado).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2025; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 114 1 113 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10850.721622/201511 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2202000.724 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 22 de setembro de 2016 Assunto IRPF moléstia grave Recorrente JOÃO MANGINI (ESPÓLIO) Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os Membros da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Márcio Henrique Sales Parada, Martin da Silva Gesto, Rosemary Figueiroa Augusto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Cecília Dutra Pillar, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Wilson Antônio de Souza Correa (Suplente convocado). Relatório Trata o presente processo de Notificação de Lançamento em virtude de uma omissão de rendimentos do trabalho recebidos pela pessoa física acima identificada, no valor total de R$ 265.921,36, referente à fonte pagadora São Paulo Previdência (SPPREV), no ano calendário de 2012, resultando em um crédito tributário apurado de R$ 12.810,36, incluídos juros de mora e multa de ofício de 75%. A contribuinte apresentou impugnação alegando que os rendimentos considerados como omitidos são isentos, por se tratar de proventos de aposentadoria, reforma ou pensão recebidos por portador de moléstia grave (cardiopatia grave) desde o ano de 2002. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .7 21 62 2/ 20 15 -1 1 Fl. 114DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10850.721622/201511 Resolução nº 2202000.724 S2C2T2 Fl. 115 2 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife (PE) julgou improcedente a impugnação, cuja decisão foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 PROVENTOS DE APOSENTADORIA. MOLÉSTIA GRAVE. AUSÊNCIA DE REQUISITO ESSENCIAL AO GOZO DA ISENÇÃO PRETENDIDA. Para o gozo da isenção pretendida o interessado há de ser aposentado e apresentar laudo médico oficial que comprove a moléstia grave definida nos termos da lei. No caso faltou comprovação da moléstia grave através de laudo médico expedido por entidade oficial competente. Não atendido requisito legal essencial. A conclusão da DRJ foi no seguinte sentido: No caso concreto, quanto ao anocalendário focado (2012), conforme foi corretamente registrado pela autoridade lançadora, embora seja a alegação de que o contribuinte era portador de moléstia grave, o laudo médico apresentado não foi emitido por entidade oficial competente, isto é, tratase de laudo preparado por médico particular, o qual não satisfaz para fins de comprovação do adimplemento dos requisitos legais para o gozo da isenção pleiteada. Cientificado dessa decisão em 11/09/2015, por via postal (A.R. de fl. 94), o Espólio da Contribuinte, por meio de procurador, apresentou Recurso Voluntário em 09/10/2015 (fl. 95), alegando apenas que o imposto já fora efetivamente pago em DIRPF original do exercício 2013. É o relatório. Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. O Contribuinte não se insurgiu, em seu recurso voluntário, contra a decisão da DRJ em relação ao não atendimento de uma das condições para o gozo da isenção, qual seja, a comprovação da moléstia grave por meio de laudo médico oficial. Ele somente alegou que o imposto já havia sido pago por ocasião da apresentação da DIRPF original do exercício 2013. Dessa forma, não cabe aqui analisar a questão da isenção por moléstia grave, posto que essa matéria se encontra fora do litígio, por não ter sido recorrida. Resta, portanto, discutir o tema relativo ao pagamento tempestivo do imposto devido. Entendo que os valores recolhidos pelo Contribuinte antes do início do procedimento fiscal, quando ele gozava de espontaneidade, não podem ser exigidos com multa de ofício. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10850.721622/201511 Resolução nº 2202000.724 S2C2T2 Fl. 116 3 CTN Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Não se pode exigir, por meio de Notificação de Lançamento, multa de ofício sobre um crédito tributário que foi extinto pelo pagamento, nos termos do artigo 156, inciso I, do Código Tributário Nacional – CTN. O pagamento antecipado, conforme dispõe o § 1º do artigo 150 do CTN, extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. Mesmo que não ocorra a homologação, o pagamento feito extingue a obrigação tributária. Apenas se o pagamento realizado não for suficiente para extinguila totalmente, caberá o lançamento de ofício para exigência da diferença. CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. [..] Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; [...] Muito embora a declaração retificadora realmente substitua a declaração original, fato é que o pagamento extingue o crédito tributário, conforme prevê o inciso I do art. 156 do CTN. No entanto, no presente caso, não constam dos autos nenhuma informação sobre a declaração original apresentada pelo Contribuinte nem sobre os pagamentos efetuados relativos àquela declaração. Portanto, penso que o processo ainda não se encontra em condições de ter um julgamento justo, razão pela qual voto no sentido de o julgamento ser convertido em diligência para que a repartição de origem tome as seguintes providências: 1. Anexe aos autos cópia da Declaração de Ajuste Anual original do exercício 2013 (anocalendário 2012); 2. anexe aos autos os comprovantes de pagamentos (DARFs) correspondentes ao imposto de renda do exercício 2013 (anocalendário 2012), informando se os mesmos encontramse disponíveis ou se foram restituídos; Fl. 116DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10850.721622/201511 Resolução nº 2202000.724 S2C2T2 Fl. 117 4 3. após, dê vista ao Recorrente do resultado essa diligência, com prazo de 30 (trinta) dias para, querendo, se pronunciar. Após vencido o prazo, os autos deverão retornar a esta Turma para inclusão em pauta de julgamento. É o meu voto. (Assinatura digital) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator Fl. 117DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 11516.004201/2010-72
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNA FEDERAL.
O art. 22, IV da Lei n.º 8.212/91, que prevê a incidência de contribuição previdenciária nos serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho foi julgado inconstitucional, por unanimidade de votos, pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal.RE 595.838/SP, com repercussão geral reconhecida.
DECISÕES DEFINITIVAS DO STF E STJ. SISTEMÁTICA PREVISTA PELOS ARTIGOS 543-B E 543-C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL.
Nos termos do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria/MF nº 343/2015, art. 62 §2º, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil (Lei nº 5.869/73), deverão ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
Recurso Especial do Contribuinte Provido
Numero da decisão: 9202-004.313
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente-Substituto
(Assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente-Substituto), , Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNA FEDERAL. O art. 22, IV da Lei n.º 8.212/91, que prevê a incidência de contribuição previdenciária nos serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho foi julgado inconstitucional, por unanimidade de votos, pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal.RE 595.838/SP, com repercussão geral reconhecida. DECISÕES DEFINITIVAS DO STF E STJ. SISTEMÁTICA PREVISTA PELOS ARTIGOS 543-B E 543-C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. Nos termos do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria/MF nº 343/2015, art. 62 §2º, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil (Lei nº 5.869/73), deverão ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Recurso Especial do Contribuinte Provido
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COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNA FEDERAL. O art. 22, IV da Lei n.º 8.212/91, que prevê a incidência de contribuição previdenciária nos serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho foi julgado inconstitucional, por unanimidade de votos, pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal.RE 595.838/SP, com repercussão geral reconhecida. DECISÕES DEFINITIVAS DO STF E STJ. SISTEMÁTICA PREVISTA PELOS ARTIGOS 543B E 543C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. Nos termos do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria/MF nº 343/2015, art. 62 §2º, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil (Lei nº 5.869/73), deverão ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Recurso Especial do Contribuinte Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 42 01 /2 01 0- 72 Fl. 4276DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em dar lhe provimento. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos PresidenteSubstituto (Assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (PresidenteSubstituto), , Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Fl. 4277DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11516.004201/201072 Acórdão n.º 9202004.313 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório O Auto de Infração Debcad nº 37.304.6448, referese ao lançamento de contribuições devidas à Seguridade Social, a cargo do sujeito passivo, correspondentes a parte da empresa, no percentual de 15% (quinze por cento) incidente sobre o valor bruto das faturas emitidas contra a entidade, no período de janeiro de 2005 a dezembro de 2007, referentes ao fornecimento de serviços médicohospitalares e serviços odontológicos, realizados por cooperativas de trabalho O sujeito passivo interpôs Recurso Voluntário contra a Decisão Administrativa de 1ª Instância aviada no Acórdão nº 0725.909, proferido pela 5ª Turma da DRJ/FNS/SC, que, por unanimidade de votos, julgou a impugnação procedente em parte, exonerando do crédito lançado o valor de R$ 5.419.528,17 (cinco milhões, quatrocentos e dezenove mil, quinhentos e vinte e oito reais e dezessete centavos), e mantendo o valor de R$ 11.397.988,51 (onze milhões, trezentos e noventa e sete mil, novecentos e oitenta e oito reais e cinquenta e um centavos). Da Decisão proferida, a DRJ/FNS interpôs RECURSO DE OFÍCIO ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), na forma do art. 366, I, §§ 2º e 3º, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Em sessão plenária de 14/08/2013, foi negado provimento ao Recurso de Ofício e ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2302002.689 (fls. 4151/4192 ), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 150, § 4°, DO CTN. Se a definição legal do fato gerador da contribuição previdenciária da empresa apóiase na totalidade da remuneração no decorrer do mês (art. 22, I, II e III, da Lei n° 8.212/1991), consequentemente, todo e qualquer pagamento acaba por se referir à totalidade no mês. Assim, havendo alguma antecipação de pagamento, atraise, para toda aquela competência, para todo aquele fato gerador, a aplicação do parágrafo 4º, do art. 150 do CTN, desde que não haja caracterização de dolo, fraude ou sonegação. Precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COOPERATIVA DE TRABALHO DA ÁREA DA SAÚDE. ART. 22, IV DA LEI Nº 8.212/91. É devida a contribuição previdenciária a cargo da empresa, relativamente aos serviços que lhe são prestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho, Fl. 4278DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 incidente à alíquota de quinze por cento sobre os valores brutos consignados nas respectivas notas fiscais/fatura/recibos. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVA DE TRABALHO. REDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. Na prestação de serviços de cooperados, por intermédio de cooperativa de trabalho, havendo previsão contratual de fornecimento de material ou a utilização de equipamento próprio ou de terceiros, exceto os equipamentos manuais, esses valores serão deduzidos da base de cálculo da contribuição, desde que discriminados na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços e comprovado o custo de aquisição dos materiais e de locação de equipamentos de terceiros, se for o caso. MULTA DE MORA. VIOLAÇÃO A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. INOCORRÊNCIA. Não configura violação a princípios constitucionais a imputação de penalidade pecuniária em razão de não cumprimento tempestivo de obrigação de natureza tributária, quando aplicada em estreita sintonia com as normas legais tributárias vigentes e eficazes. Foge à competência deste Colegiado o exame da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas na CF/88, eis que tal atribuição foi reservada pela própria Constituição, com exclusividade, ao Poder Judiciário. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A perícia tem como destinatária final a Autoridade Julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendolhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Recurso Voluntário Negado Recurso de Ofício Negado Cientificado do acórdão em 10/04/2014, fl. 4206, o contribuinte interpôs, tempestivamente, Embargos de Declaração que foram rejeitados. Cientificado do resultado dos embargos em 21/07/2014 (fl. 4239), apresentou em 01/08/2014, o recurso especial em análise (fls. 4241/4263). Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho fls. 4267 a 4272. O recorrente traz como alegações: · Que não está obrigado ao recolhimento da contribuição prevista no inciso IV do artigo 22 da Lei n.º 8.212/91, incidente sobre os pagamentos que repassa às cooperativas por conta e ordem de seus beneficiários e que, inclusive, já foi reconhecida a inconstitucionalidade da exação pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral. Fl. 4279DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11516.004201/201072 Acórdão n.º 9202004.313 CSRFT2 Fl. 4 5 · Que de acordo com o Regimento Interno do CARF, artigo 62A, os julgamentos de mérito proferidos pelo STF com repercussão geral reconhecida, e pelo STJ, em sede de recursos repetitivos devem, obrigatoriamente, serem reproduzidos pelos conselheiros no âmbito do CARF. Faz referência a diversos acórdãos da Câmara Superior de Recursos Fiscais que decidiram neste sentido. · Que declarada a inconstitucionalidade da exação, o acórdão deve ser reformado e cancelada a autuação. · Que, apenas por argumentação, vem demonstrar que a matéria foi prequestionada e em sede de recurso voluntário demonstrou que não arca com nenhum custo decorrente da disponibilização dos planos de saúde a seus associados, atuando apenas como operacionalizadora. · Que não arca com o ônus decorrente dos serviços médicos prestados por intermédio das cooperativas de trabalho. · Que não é tomadora do serviço ou devedora na relação jurídica. · Que não realiza os serviços médicohospitalares e odontológicos previstos no seu Regulamento e descritos nas notas fiscais consideradas pelo Fisco. Aduz que os serviços são efetuados por profissionais e instituições conveniadas à recorrente. · Que no caso concreto não se vislumbra a ocorrência do fato gerador porque o pagamento da remuneração aos segurados autônomos que prestam serviços não é realizado pela recorrente e os serviços são prestados em favor dos seus associados, pessoas físicas. · Requer, por fim, o provimento do recurso especial para cancelar a exigência da contribuição previdenciária incidente sobre as notas fiscais de prestação de serviços por cooperativas de trabalho médico e odontológico, seja em face da inconstitucionalidade da exação, seja porque os serviços não são prestados em favor da recorrente. Devidamente cientificada em a PGFN disse que não haverá manifestação. É o relatório. Fl. 4280DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Compulsando os autos, é de se ver que o levantamento referese à contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de serviços prestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho, nos termos do art. 22, inciso IV, da Lei 8.212/1991, com redação conferida pela Lei 9.876/1999. Lei 8.212/1991: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: ... IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Entretanto, tal dispositivo foi julgado inconstitucional, por unanimidade de votos pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, nos autos do Recurso Extraordinário n° 595.838/SP, com repercussão geral reconhecida., não havendo base jurídica para a manutenção da autuação. De acordo com o artigo 62, §2o do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09/06/2015, as decisões definitivas de mérito do STF e do STJ, na sistemática dos artigos 543B e 543C da Lei 5.869/1973 (Código de Processo Civil CPC), devem ser reproduzidas pelas Turmas do CARF. Portaria MF n° 343 (Regimento Interno do CARF): Art. 62. (...) § 2o As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. È de se ver que a partir da competência 03/2000, tornouse devida por parte da empresa tomadora (contratante) a contribuição de 15% (quinze por cento) sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Entretanto, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 595838/SP, com repercussão geral reconhecida, esse fato gerador instituído pela Lei 9.876/1999 foi declarado inconstitucional pelo STF e, por força do artigo 62, §2o do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09/06/2015, as Turmas deste Conselho devem reproduzir o mesmo entendimento em seus acórdãos. Fl. 4281DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11516.004201/201072 Acórdão n.º 9202004.313 CSRFT2 Fl. 5 7 Em 25/02/2015 foi publicada a decisão definitiva do STF, proferida na sessão de 18/12/2014, no sentido de declarar inconstitucional a exação em questão, nos seguintes termos: “[...] Publicado acórdão, DJE, DATA DE PUBLICAÇÃO DJE 25/02/2015 ATA Nº 16/2015. DJE nº 36, divulgado em 24/02/2015. (...) EMB.DECL. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO (RE) 595.838 EMENTA: Embargos de declaração no recurso extraordinário. Tributário. Pedido de modulação de efeitos da decisão com que se declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Declaração de inconstitucionalidade. Ausência de excepcionalidade. Lei aplicável em razão de efeito repristinatório. Infraconstitucional. [...]” Com isso, percebese que a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) – proferida no sentido de que o fato gerador incidente sobre o valor bruto da nota fiscal/fatura de serviços prestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho (art. 22, inciso IV, da Lei 8.212/1991), é inconstitucional –, tornouse definitiva em 25/02/2015 e, além disso, foi adotada a sistemática da repercussão geral (artigo 543B da Lei 5.869/1973, Código de Processo Civil), restando a esta Turma de julgamento reproduzila em seus acórdãos. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso interposto pelo sujeito passivo, para cancelar a exigência contida no Auto de Infração debcad 37.304.6448, relativa às contribuições previdenciárias incidentes sobre valor bruto da nota fiscal/fatura de serviços prestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 4282DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10932.720101/2011-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 02 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1102-000.120
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declinar competência para a 3ª Seção, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Documento assinado digitalmente.
Albertina Silva Santos de Lima - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima, João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barretto, José Sérgio Gomes, e Francisco Alexandre dos Santos Linhares. Ausente, justificadamente, o conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: Não se aplica
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score : 1.0
Numero do processo: 10930.903664/2012-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jan 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do Fato Gerador: 18/04/2006
PIS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA.
Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazê-lo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas.
PIS - IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO.
Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.632
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento.
(Assinado com certificado digital)
Antônio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento. (Assinado com certificado digital) Antônio Carlos Atulim - Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
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REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas. PIS IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negarlhe provimento. (Assinado com certificado digital) Antônio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 36 64 /2 01 2- 27 Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10930.903664/201227 Acórdão n.º 3402003.632 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata os presentes autos de Pedido de Restituição (PER), por meio do qual a Recorrente solicita a restituição do crédito decorrente do pagamento de PIS/PASEP IMPORTAÇÃO. No Despacho Decisório, a autoridade competente da DRF em Londrina/PR, indeferiu o pleito da interessada, uma vez que o DARF informado como origem do crédito estava integralmente utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, "não restando crédito disponível para restituição". Inconformada com a decisão proferida, a empresa apresentou manifestação de inconformidade na qual esclarece tratarse de pessoa jurídica de direito privado que tem como atividade principal a indústria, comércio e exportação de couros de boi. Consigna que a Lei nº 10.865/2004 instituiu as contribuições do PIS e da COFINS sobre a importação de bens e serviços, mas não foi clara em relação à incidência sobre as quantias remetidas ao exterior a representantes comerciais a título de comissões sobre vendas, o que fez com que a Recorrente optasse por recolher as contribuições sobre essas operações. Entretanto, a Receita Federal do Brasil, em resposta a diversas consultas (cita duas), passou a vazar o entendimento de que as comissões de vendas pagas e/ou creditadas a representantes comerciais residentes ou domiciliados no exterior, não estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS Importação. Isso porque, anota a Recorrente, essas operações não configuram hipótese de serviços prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique. Assim, uma vez ter efetuado o pagamento de tributo indevido, tem o direito à restituição na forma prevista no art. 165 do Código Tributário Nacional CTN, devidamente corrigido pela taxa SELIC, conforme prescreve a Lei nº 9.250, de 1995, "ainda que informado o débito em DCTF". Sobreveio, então, o Acórdão nº 06046.005, da DRJ em Curitiba (PR), negando provimento à Manifestação de Inconformidade. Irresignada com a referida decisão, foi interposto o presente recurso voluntário, cujas razões, em suma, são as seguintes: (i) diferente do que entendeu a autoridade julgadora, a empresa recorrente comprovou ser pessoa jurídica de direito privado que tem como atividade principal a indústria, comércio e exportação de couros de boi; (ii) que demonstrou que a Lei n° 10.865, de 2004, que instituiu as contribuições ao PIS/Pasep e COFINS sobre a importação de bens e serviços, não foi clara ao determinar a incidência sobre as quantias pagas, ou remetidas ao exterior, a representantes comerciais domiciliados no exterior a título de comissões sobre vendas; Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10930.903664/201227 Acórdão n.º 3402003.632 S3C4T2 Fl. 4 3 (iii) para não sofrer sanções, optou por recolher as contribuições sobre as quantias remetidas ao exterior (para representantes domiciliados no exterior) incidentes sobre comissões sobre vendas, conforme (DARF's) apresentados; (iv) ocorre que, posteriormente, a própria RFB, através de inúmeras respostas a Soluções de Consultas, passou a definir que as "comissões de vendas pagas e/ou creditadas a representantes comerciais residentes ou domiciliados no exterior não estão sujeitas à incidência da COFINS/PISImportação", por não configurarem hipótese de serviço prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique. Reproduz algumas dessas Solução de Consulta. (v) que o processo administrativo sempre deve buscar a verdade real ou material relativa aos fatos tributários, em decorrência da estrita legalidade tributária, que devem nortear todos os atos da administração fiscal. Com isto, não basta simplesmente argumentar que "prova alguma foi trazida aos autos que comprovassem de que teria havido pagamento a maior ou indevido", para negar a existência do direito creditório; (vi) frisa que os erros contidos em declaração podem e devem ser retificados de ofício, por força da estrita legalidade tributária e nos moldes do art. 147, § 2º do CTN. (vii) que seja reconhecido que os valores indevidamente recolhidos a este título são restituíveis em valores devidamente acrescidos de juros equivalentes à taxa SELIC, na forma da Lei n° 9.250/95; (viii) requer que seja determinada a conversão do julgamento em diligência, a fim de que seja oportunizada apresentação de elementos considerados necessários à complementação da prova ou esclarecimento de dúvidas relativas aos fatos trazidos neste processo. À vista do exposto, espera e requer seja julgado integralmente procedente o presente recurso, a fim de que seja reconhecido o direito creditório e assegurada a restituição das quantias recolhidas indevidamente. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.529, de 13 de dezembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10930.903656/201281, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.529): Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10930.903664/201227 Acórdão n.º 3402003.632 S3C4T2 Fl. 5 4 Emerge do relatado, que o objeto do pedido de ressarcimento tem como fundamento o indébito de PIS/Pasep sobre comissão de venda paga a representantes comerciais residentes/domiciliados no exterior. No referido Despacho Decisório restou consignado que, "(...) A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição". Consta dos autos que o Despacho Decisório questionado está respaldado em informações prestadas pela própria interessada em DCTF, que encontrase ativa até o momento no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil. Ou seja, ao que tudo indica, o contribuinte não retificou a DCTF no que pertine ao pleito em questão, por isso a conclusão do despacho decisório vestibular que o valor sob pedido de ressarcimento foi "integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte". Por outro lado, a Recorrente tenta demonstrar em seu recurso, que não há incidência de contribuições para o PIS Importação sobre remessas realizadas para o exterior para pagamento de comissões à agentes no exterior a título de comissões ali realizadas, por não configurarem hipótese de serviço prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique, e que os valores indevidamente recolhidos a este título são restituíveis e em montantes devidamente acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial SELIC, na forma da Lei n° 9.250/95. Tudo com base na Lei nº 10.865, de 2004 e Soluções de Consultas emitidas pela RFB que cita. Contudo, se de um lado a decisão recorrida tenha asseverado que "(...) como se vê uma das hipóteses de ocorrência do fato gerador das contribuições ao PIS e a COFINS, sobre importação de serviços, é a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior como contraprestação pelo serviço prestado", como alega a peticionante, por outro giro, deixou patente que o ônus da prova quanto ao indébito seria da ora Recorrente, nos seguintes termos: "(...) Mas, para a verificação se os valores remetidos ao exterior atendem às condições estabelecidas em lei para a incidência das contribuições sobre a importação de serviços ou, não se caracterizando o fato gerador da obrigação tributária, há, de fato, o indébito reclamado pela interessada, é crucial que se tenha em mãos documentos que demonstrem a real situação aventada, como contratos firmados com os agentes externos, comprovantes de remessa de valores ao exterior, cópias de notas fiscais, recibos, dentre outros, além da própria escrituração contábil da empresa que reflita essas operações. Ocorre que, no presente caso, prova alguma foi trazida aos autos que comprovassem de que teria havido pagamento a maior ou indevido. Nesse sentido, é bom lembrar que não se permite, depois de iniciado qualquer procedimento fiscal, que seja retificada declaração quando vise a reduzir ou a excluir tributo, a não ser mediante a comprovação do erro em que se funde. É o que Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10930.903664/201227 Acórdão n.º 3402003.632 S3C4T2 Fl. 6 5 determina o art. 147, § 1º, da Lei nº 5.172, de 25/10/1966. E, como visto, o Despacho Decisório questionado está respaldado em informações prestadas pela própria interessada em DCTF, que encontrase ativa até o momento no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil. (sublinhei) E conclui a decisão a quo: "(...) Assim, instaurado o contencioso administrativo, as alegações quanto ao suposto crédito decorrente de recolhimento indevido ou a maior, como no caso em análise, devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal da contribuinte. Dessa forma, uma vez que a conclusão emitida pela autoridade administrativa teve como pressuposto as informações prestadas pela própria interessada em declarações fiscais válidas a produzir efeitos na data da emissão do Despacho Decisório e não havendo prova hábil que contrarie as informações prestadas espontaneamente, demonstrando o pagamento indevido do tributo, é de se manter o indeferimento da restituição pleiteada". Portanto, a lide se resume na questão de atendimento de condições estabelecidas em lei e provas documentais trazidos aos autos, pois para o deslinde do litígio é crucial que se tenha em mãos documentos que demonstrem a real situação aventada, mormente quando o pedido versa sobre suposto pagamento indevido. No caso em análise, por se tratar de pedido de restituição, devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal da recorrente. Documentação essa, frisese, de posse da recorrente por determinação legal, como contratos firmados com os agentes externos, comprovantes de remessa de valores ao exterior, cópias de notas fiscais, recibos, dentre outros, além da própria escrituração contábil da empresa que reflita essas operações. É de conhecimento que a regra fundamental do sistema processual adotado pelo legislador nacional, quanto ao ônus da prova, encontrase cravada no art. 373 do novo Código de Processo Civil, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. E esta formulação também foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída para o Fisco quando realiza o lançamento tributário e para o sujeito passivo, quando formula pedido de repetição de indébito. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10930.903664/201227 Acórdão n.º 3402003.632 S3C4T2 Fl. 7 6 E, no presente caso, é fato que prova alguma foi trazida aos autos pela Recorrente que comprovem que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora ela tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, quer na impugnação, quer agora na fase recursal. Demais disso, o fundamento da decisão recorrida foi justamente este, qual seja, a falta de prova. Mas, contrariando os ditames do ônus da distribuição da prova para provar fato constitutivo de seu direito, insiste que "seja determinada a conversão do julgamento em diligência, a fim de que seja oportunizada apresentação de elementos considerados necessários à complementação da prova". Ora, se toda a documentação para provar o direito que alega está em seu poder, deveria ter a Recorrente produzido tal prova quando da manifestação de inconformidade, ou mesmo em sede de recurso voluntário, o que não ocorreu. Diante desse quadro, entendo que a decisão da DRJ é merecedora de ser mantida pelos seus próprios fundamentos. Conclusão Assim, concluo que por falta de prova hábil acostadas nos autos, ônus seu de produzir, deve ser negado seu pleito. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 61DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.908651/2012-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2005
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos que não possuam os atributos da liquidez e certeza.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL.
A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-002.272
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2005 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos que não possuam os atributos da liquidez e certeza. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
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DCOMP. Recorrente MAUES LOBATO COMERCIO E REPRESENTACOES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos que não possuam os atributos da liquidez e certeza. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Recurso Voluntário Negado. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 86 51 /2 01 2- 90 Fl. 67DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.908651/201290 Acórdão n.º 3201002.272 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório MAUES LOBATO COMERCIO E REPRESENTACOES LTDA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito de Contribuição para o PIS/Pasep. A DRF/Recife emitiu o Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade a contribuinte alegou que os créditos em questão seriam "relativos a pagamentos a maior ou indevidos de PIS ou COFINS", originados "da retificação dos DACON da empresa, após a realização de auditoria interna", onde teria sido constatado que diversos créditos, oriundos das contribuições PIS e COFINS não cumulativas, não teriam sido contabilizados. Afirmou que realizou a retificação de suas DACON para, posteriormente, apresentar as respectivas PER/DComp. Assim, sustenta que os créditos oriundos dos alegados indébitos estariam plenamente demonstrados nos DACON retificadores entregues eletronicamente à SRF, o que dispensaria a juntada desta demonstração ao processo, conforme determinaria o Art. 37 da Lei 9.784/99. Ao final, alegou que o erro de não ter retificado tempestivamente suas DCTF´s não implica na inexistência de seus créditos. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão 03059.545, cuja ementa segue transcrita, na parte essencial: APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 68DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.908651/201290 Acórdão n.º 3201002.272 S3C2T1 Fl. 4 3 Em seu recurso voluntário a contribuinte traz, em resumo, os seguintes argumentos: a) reitera que a origem de seu direito creditório estaria demonstrada no DACON, e que os valores que originaram os pagamentos a maior e retenções já estariam na base de dados da SRF. Neste ponto, aduz que não lhe foi dada oportunidade de conversão do julgamento em diligência, nem teria sido intimada a juntar novas provas, o que teria prejudicado seu direito ao contraditório e à ampla defesa. Por tudo isto, alega, preliminarmente, que teria havido cerceamento de seu direito de defesa, solicitando a anulação da decisão da DRJ; b) reclama que bastaria uma simples comparação dos DACON com os valores recolhidos pela empresa para verificar a procedência do direito pleiteado, alegando que o parágrafo único do Art. 26 do Decreto 7.574/2011 determina que a prova da inveracidade dos fatos registrados caberia à autoridade fiscal. Desta forma, estaria se impondo um ônus injustificado ao contribuinte; c) reclama, ainda, que não teria havido uma recusa fundamentada acerca do pedido de produção de prova posterior, conforme determinaria o Art. 39, par. único, da Lei 9.784/99, que regula o processo administrativo. Portanto, a decisão recorrida deveria ser anulada, conforme determinaria o Art. 53 do mesmo diploma legal. Neste sentido, sustenta que as diretrizes da verdade material devem ser observadas pelos agentes da administração e transcreve ementas de julgados que ilustram seus argumentos; d) solicita, ao final, a anulação da decisão recorrida por violações aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade, informalidade e verdade material. Pede, ainda, que após a anulação da decisão da DRJ seja reconhecido seu direito creditório com a conseqüente homologação das compensações declaradas, ou seja o julgamento convertido em diligência. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.265, de 24/08/2016, proferido no julgamento do processo 10480.908649/201211, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.265): "Observados os pressupostos recursais, a petição de fls. 43 a 52 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/Brasília/4ª Turma, nº 0359.543, de 27 de fevereiro de 2014. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.908651/201290 Acórdão n.º 3201002.272 S3C2T1 Fl. 5 4 O recorrente invoca, preliminarmente, o princípio processual da verdade material. O que deve ficar assente é que o referido princípio destinase à busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi. Em outras palavras, o principio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento ou por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito, onde se objetiva a restituição de um alegado crédito, seja proposto sem a devida e minuciosa demonstração e comprovação da efetiva existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento, se oportunize tais demonstração e comprovação. Com essa introdução, entendo que deve ser afastada a insinuação recursal, implícita no brado pelo princípio da verdade material, de que esta instância de julgamento estaria obrigada a acolher todos e quaisquer documentos que por ventura acompanhem o recurso, primeiro porque existe um evidente limite temporal para a apresentação de provas no rito instituído pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – PAF que no presente caso é o momento processual da apresentação da manifestação de inconformidade, segundo porque o ônus probatório aqui é do contribuinte, quando este pleiteia um ressarcimento ou uma restituição de indébito, tem a obrigação de comprovar inequivocamente o seu alegado direito creditório no momento que contesta o despacho decisório e instaura o contencioso. No caso, a decisão recorrida não acolheu a alegação de erro na apuração da contribuição social, nem a simples retificação do DACON para efeito de alterar valores originalmente declarados, porque o declarante, em sede de manifestação de inconformidade, não se desincumbiu do ônus probatório que lhe cabia e não juntou nos autos seus registros contábeis e fiscais, acompanhados de documentação hábil, para infirmar a motivo que levou a autoridade fiscal competente a não homologar a compensação ou mesmo para eventualmente comprovar a alegada inclusão indevida de valores na base de cálculo das contribuições, que poderiam levar à reduções de valores dos débitos confessados em DCTF. Novamente, agora já em sede de recurso voluntário, o interessado não aportou aos autos qualquer documentação probatória, limitandose a bradar contra alegadas violações à princípios constitucionais e também a afirmar que todas as informações já constariam na base de dados da SRF, que portanto não haveria necessidade da juntada de quaisquer outros documentos e ainda, que caso tais informações se revelassem insuficientes, deveria ter sido solicitada a realização de diligência. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.908651/201290 Acórdão n.º 3201002.272 S3C2T1 Fl. 6 5 Conforme bem apontou a decisão da DRJ, a declaração do contribuinte em DCTF constituise em confissão de dívida, o que confere liquidez e certeza à obrigação tributária. No atual momento processual, para se comprovar a liquidez e certeza do crédito informado na Declaração de Compensação seria imprescindível uma cabal demonstração na escrituração contábilfiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, da alegada diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. As alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituemse em verdadeiro ônus processual, uma vez que a juntada das provas aos autos dever ser praticada no tempo certo, sob pena de preclusão, isto porque o processo é um caminhar para a frente, não se admitindo, em regra, ressuscitar questões já ultrapassadas em fases anteriores. Conforme o § 4º do art. 16 do PAF, só é lícito deduzir novas alegações em supressão de instância quando: relativas a direito superveniente, demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Compete ainda ao julgador administrativo conhecer de ofício de matérias de ordem pública, a exemplo da decadência; ou por expressa autorização legal. Finalmente, o § 5º do mesmo dispositivo legal exige que a juntada dos documentos deve ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior.(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) Fl. 71DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.908651/201290 Acórdão n.º 3201002.272 S3C2T1 Fl. 7 6 Contudo, no caso desses autos, o recorrente sequer se preocupou em trazer oportunamente os documentos que comprovariam suas alegações, ônus que lhe competia, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, segundo o disposto na Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36. Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC). Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A comprovação do valor do tributo efetivamente devido (e, por conseqüência, do direito à restituição de eventual parcela recolhida a maior) no caso concreto deveria ter sido efetuada mediante apresentação oportuna de documentos contábeis e/ou fiscais capazes de efetivamente demonstrar que o valor da contribuição do período de apuração de interesse não teria atingido o valor informado na DCTF vigente quando da emissão do Despacho Decisório aqui analisado, mas apenas o valor informado na DCTF retificadora (que no presente caso sequer efeitos surte quanto à redução deste débito) e no DACON retificador, de caráter meramente informativo. Como o contribuinte sequer procurou juntar aos autos qualquer tipo de documentação na intenção de demonstrar que efetivamente seria titular do alegado direito creditório, eventuais créditos do contribuinte contra a Fazenda Pública ficam sem a devida comprovação de sua certeza e liquidez, atributos indispensáveis para a homologação da compensação pretendida, nos termos do art. 170 do CTN. Restam, portanto, descabidas as demais alegações quanto às supostas violações à ampla defesa, bem como aos demais princípios constitucionais da razoabilidade, proporcionalidade e informalidade. Sobre a jurisprudência trazida à colação pelo recorrente, devese contrapor que se tratam de decisões isoladas, que não se enquadram ao caso em exame e nem vinculam o presente julgamento, podendo cada instância decidir livremente, de acordo com suas convicções. Além disso, tratamse de precedentes que não constituem normas complementares, não têm força normativa, nem efeito vinculante para a administração tributária, pela inexistência de lei nesse sentido, conforme exige o art. 100, II, do CTN. Alertandose para a estrita vinculação das autoridades administrativas ao texto da lei, no desempenho de suas atribuições, sob pena de responsabilidade, motivo pelo qual tais decisões não podem ser aplicadas fora do âmbito dos processos em que foram proferidas. Com essas considerações, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações." Fl. 72DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.908651/201290 Acórdão n.º 3201002.272 S3C2T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. Winderley Morais Pereira Fl. 73DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Numero do processo: 10580.725382/2010-38
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
RECONHECIMENTO DE OFÍCIO DE VÍCIO MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE.
Não cabe o reconhecimento de nulidade, por eventual vício material, quando a matéria não tiver sido devidamente admitida, como objeto do recurso especial.
IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA.
Incide o IRPF sobre os valores de natureza remuneratória, ainda que classificados como indenizatórios pela fonte pagadora.
Precedentes do STF e do STJ.
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE.
Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se o regime de competência.
Recurso especial provido em parte.
Numero da decisão: 9202-004.071
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em não conhecer a preliminar de nulidade por vício material suscitada de ofício pela Conselheira Ana Paula Fernandes, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López. Por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. Votaram pelas conclusões os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Gerson Macedo Guerra.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
EDITADO EM: 17/08/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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IMPOSSIBILIDADE. Não cabe o reconhecimento de nulidade, por eventual vício material, quando a matéria não tiver sido devidamente admitida, como objeto do recurso especial. IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores de natureza remuneratória, ainda que classificados como indenizatórios pela fonte pagadora. Precedentes do STF e do STJ. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose o regime de competência. Recurso especial provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 53 82 /2 01 0- 38 Fl. 315DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.725382/201038 Acórdão n.º 9202004.071 CSRFT2 Fl. 23 2 Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em não conhecer a preliminar de nulidade por vício material suscitada de ofício pela Conselheira Ana Paula Fernandes, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López. Por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, pelo voto de qualidade, em darlhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. Votaram pelas conclusões os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Gerson Macedo Guerra. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator EDITADO EM: 17/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10580.720254/200964. O presente Recurso Especial trata de pedido de Análise de Divergência motivado pelo Contribuinte, em face de Acórdão proferido em julgamento de recurso voluntário. Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física dos exercícios 2005, 2006 e 2007, anoscalendário 2004, 2005, e 2006, em razão de a autoridade fiscal ter classificado como rendimentos tributáveis, valores declarados como isentos ou não tributáveis tal como informado pela Fonte Pagadora Tribunal de Justiça do Estado da Bahia. Referidos rendimentos correspondem a diferença entre a transformação de Cruzeiros Reais para Unidade Real de Valor – URV, reconhecidas e pagas em 36 meses, de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Estadual nº 8.730/2003 do Estado da Bahia. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas Fl. 316DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.725382/201038 Acórdão n.º 9202004.071 CSRFT2 Fl. 24 3 quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, consequentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Foi interposta impugnação foi indeferida em sede de julgamento de primeira instância. O Contribuinte interpôs Recurso, ao qual foi dado parcial provimento ao recurso para tão somente excluir a multa de ofício. O Contribuinte apresentou Recurso Especial ao qual foi dado parcial seguimento, para reapreciação apenas da matéria questão da natureza indenizatória, ou não. Em reexame, o exame de admissibilidade foi confirmado pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Apresentadas contrarrazões pela Fazenda Nacional, vieram os autos conclusos. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.026, de 21/06/2016, proferido no julgamento do processo 10580.720254/200964, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto vencedor proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.026): Em primeiro lugar, não conheço da preliminar de nulidade do lançamento, por vício material, suscitada de ofício pela Sra. Conselheira relatora. Com efeito, esta matéria não tendo sido admitida em sede de recurso especial, não está em discussão e, portanto, dela não conheço. Além disso, apenas para fins de esclarecimento, registrese que não vejo qualquer nulidade no lançamento da forma que ele foi realizado. Com efeito, o lançamento foi realizado com base em dispositivo vigente, cuja interpretação não havia sido considerada à época inconstitucional. Portanto, não há que se falar em nulidade. Entrando, agora, no mérito propriamente dito, entendo que a verba recebida tem caráter remuneratório e, assim, deve ser tributada. Questão dessa natureza já foi trazida, em 03/03/2015, Fl. 317DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.725382/201038 Acórdão n.º 9202004.071 CSRFT2 Fl. 25 4 à 2ª Turma desta Câmara Superior, no acórdão 9202003.585. Naquela ocasião, acompanhei o voto do relator Alexandre Naoki Nishioka, entendendo tratarse de verba de natureza remuneratória, e por isso peço vênia para adotar aqui os mesmos argumentos como razão de decidir, assim transcrevendoos: (...) Conforme dispõe o art. 2º da referida Lei, tais valores são relativos a “diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor – URV”. Da leitura do artigo, denotase que o pagamento de tais valores deveuse à necessidade de manutenção do valor real do salário, de forma a corrigir erros anteriores no cálculo da conversão da moeda nacional. A lei estadual acima citada não buscou, por meio do pagamento das diferenças, a recomposição de um prejuízo, ou dano material, sofrido pelo contribuinte, mas a compensação em razão da ausência de oportuna correção no valor nominal do salário, verificada quando da alteração da moeda. Portanto, tais valores integram a remuneração percebida pelo contribuinte, constituindo parte integrante de seus vencimentos. Estáse diante, pois, de acréscimo patrimonial tributável pelo Imposto de Renda, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional, entendimento que fora inclusive salientado pelo acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA). Buscando reforçar o argumento, requereu o contribuinte a aplicação da Resolução n.º 245 do STF, assim como de consulta administrativa realizada pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, os quais disporiam acerca da remuneração dos magistrados. No entanto, mencionadas normas não se aplicam ao fim pretendido pelo contribuinte, ao contrário do que decidiu o acórdão recorrido. Inicialmente, cumpre salientar que a dita resolução dispôs acerca da forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que trata o art. 2º e parágrafos da Lei n.º10.474/2002, considerandoo como de natureza indenizatória. Neste sentido, o inciso I do art. 1º trouxe a forma de cálculo deste abono: “I apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei nº 10.474, de 2002 (Resolução STF nº 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)”. A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do abono as verbas referentes à diferença de URV, de onde Fl. 318DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.725382/201038 Acórdão n.º 9202004.071 CSRFT2 Fl. 26 5 se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre o abono salarial tratado pela norma e a diferença da URV, conforme se verifica de voto da Ministra Eliana Calmon: “Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)” (STJ, Recurso Especial n.º 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010) E tal também foi o entendimento do Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida nos autos do Recurso Extraordinário n.º 471.115, do qual se colaciona o seguinte excerto: “Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução no. 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, temse que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)” (STF, Recurso Extraordinário n.º 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010) Concluise, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pelo Recorrente, razão pela qual deverão compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional. Assim, com base na argumentação exposta, sendo verbas remuneratórias as diferenças de URV recebidas, sobre elas incide imposto de renda da pessoa física. Todavia, cumpre verificar o quantum devido. Entendo que o tributo devido deva ser calculado de acordo com as tabelas vigentes à época em que seriam devidas as diferenças recebidas. Sobre o tema, cabe referir a discussão travada no processo 11040.001165/200591, com voto vencedor da lavra do conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, cujos fundamentos, abaixo reproduzidos, acompanho. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.725382/201038 Acórdão n.º 9202004.071 CSRFT2 Fl. 27 6 Verifico, a propósito, que a matéria em questão foi tratada recentemente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto de trânsito em julgado em 11/12/2014, feito que teve sua repercussão geral previamente reconhecida (em 20 de outubro de 2010), obedecida assim a sistemática prevista no art. 543B do Código de Processo Civil vigente. Obrigatória, assim, a observância, por parte dos Conselheiros deste CARF dos ditames do Acórdão prolatado por aquela Suprema Corte em 23/10/2014, a partir de previsão regimental contida no art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Reportandome ao julgado vinculante, noto que, ali, se acordou, por maioria de votos, em manter a decisão de piso do STJ acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, devendo ocorrer a "incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência (...)", afastandose assim o regime de caixa. Todavia, inicialmente, de se ressaltar que em nenhum momento se cogita, no Acórdão, de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei nº 7.713, de 1988, notese, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional. A propósito, de se notar que os dispositivos legais que embasaram o lançamento constantes de efl. 12, em nenhum momento foram objeto de declaração de inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concretu. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute, ainda que em montante diverso daquele apurado quando do lançamento, o qual, repitase, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria mais gravosa, entendese, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pelo contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando o contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.725382/201038 Acórdão n.º 9202004.071 CSRFT2 Fl. 28 7 Assim, com a devida vênia ao posicionamento do relator, entendo que, a esta altura, ao se esposar o posicionamento de exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, notese, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento antiisonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, ao serem agora consideradas as tabelas/alíquotas vigentes à época, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do RE do contribuinte na matéria admitida, por darlhe provimento em parte, para determinar o cálculo do crédito tributário devido, considerando o regime de competência. Em face do acima exposto, voto no sentido de não conhecer da preliminar de nulidade por vício material suscitada, conheço do Recurso Especial do Contribuinte para, no mérito, darlhe provimento parcial, para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 321DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10980.933376/2009-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003
ART. 3º, §1º DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. RECEITA. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 62, §2º, do RICARF. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CABIMENTO.
A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS é o faturamento e, em virtude de inconstitucionalidade declarada em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Aplicação do art. 62, §2º do RICARF.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-003.417
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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Alargamento da base de cálculo. Recorrente CONSTRUTORA TOMASI LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003 ART. 3º, §1º DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. RECEITA. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 62, §2º, do RICARF. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CABIMENTO. A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS é o faturamento e, em virtude de inconstitucionalidade declarada em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Aplicação do art. 62, §2º do RICARF. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 93 33 76 /2 00 9- 14 Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10980.933376/200914 Acórdão n.º 3402003.417 S3C4T2 Fl. 0 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Curitiba/PR que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte, a qual pretendeu a reforma do despacho decisório, que, por sua vez, indeferiu a homologação da compensação de créditos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. A não homologação se deveu a inexistência do crédito informado, vez que o mesmo havia sido integralmente utilizado. Em sua manifestação a interessada alega que o crédito decorre da declaração de inconstitucionalidade, pelo STF, do §1º do art. 3º da Lei nº9.718, de 1998, e que aproveitou o referido crédito nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Cita e transcreve jurisprudência administrativa e, ressaltando o contido no art. 165 do CTN, insiste no direito à restituição. Ao final, pede a homologação da compensação. Sobreveio então o Acórdão 06041.141, da DRJ/CTA/PR, julgando improcedente a manifestação de inconformidade da Contribuinte. Irresignada, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este Conselho repisando os argumentos trazidos em sede de manifestação de inconformidade. É o relatório Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.399, de 29 de setembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10980.911525/201010, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.399): "O recurso voluntário é tempestivo, com base no que dispõe o artigo 33 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, bem como atende as demais condições de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A questão de direito controversa no presente processo é amplamente conhecida. Tratase do inconstitucional alargamento da base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (“Cofins”), sobre o qual cumpre tecer algumas breves explanações. Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10980.933376/200914 Acórdão n.º 3402003.417 S3C4T2 Fl. 0 3 A Cofins, sucessora do FINSOCIAL, foi disciplinada pela Lei n. 9.718, de 27 de novembro de 1998 (“Lei n. 9.718/98”). Nos termos do artigo 3º da citada Lei, ficou estabelecido que a Cofins incidiria sobre a receita bruta de pessoa jurídica. Por sua vez, o §1º do mesmo artigo veio definir o que abrangia o termo "receita", dispondo que: entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Contudo, à época da edição da Lei n. 9.718/98, a Constituição da República brasileira, em seu artigo 195, estabelecia que as Contribuições Sociais a serem recolhidas aos Cofres da União pelos empregadores, dentre as quais se enquadra a Cofins, somente poderiam incidir sobre o “faturamento”. Diante dessa delimitação constitucional, o Supremo Tribunal Federal (“STF”) declarou que o §1º do artigo 3º da Lei n. 9.718/98 é inconstitucional, no julgamento dos Recursos Extraordinários (“RE”) n. 357950, 390840, 358273, 346084 e 336134 em 09 de novembro de 2005. Posteriormente, o Pretório Excelso, no julgamento do RE n. 585.235, publicado em 28/11/2008, julgou pela aplicação da repercussão geral sobre matéria em exame, reconhecendo a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. A ementa do referido julgado foi lavrada nos seguintes termos: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Isto porque, segundo o entendimento dos Ministros do STF, esse dispositivo alargou indevidamente a base de cálculo da COFINS, uma vez que igualou o conceito de faturamento (ou receita operacional) ao conceito de receita . Explicase. Enquanto o faturamento é constituído pelas receitas advindas da venda de bens e serviços, a receita compreende "entrada de recursos financeiros remuneradores dos diferentes negócios jurídicos da atividade empresarial”, segundo a lição de José Antonio Minatel. 1 Assim, o faturamento (espécie) é menos amplo que a receita (gênero). 1 MINATEL, José Antonio. Conteúdo do Conceito de Receita e Regime Jurídico para sua Tributação. MP Editora. São Paulo, 2005, p. 132. Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10980.933376/200914 Acórdão n.º 3402003.417 S3C4T2 Fl. 0 4 Ocorre que tais conceitos não podem ser livremente manejados pelo legislador, pois o artigo 110 do Código Tributário Nacional determina que: A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Destarte, se a Constituição determinava que a COFINS somente poderia incidir sobre o faturamento; e o faturamento constitui as receitas provenientes da venda de bens e serviços pela pessoa jurídica; conclui se pela inconstitucionalidade da lei que determina a incidência sobre a receita sem sentido amplo, pois essa é mais abrangente que o faturamento. 2 Buscando solucionar os vícios constitucionais de que padecia a Lei n. 9.718/98, o Poder Legislativo editou a Emenda Constitucional n. 20, de 15 de dezembro de 1998 (“EC n. 20/98”). Tal Emenda alterou o texto do artigo 195 da Constituição, o qual restou positivado nos seguintes dizeres: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício;(Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998). Em síntese, a EC n. 20/98 alargou a hipótese de incidência das contribuições sociais devidas pelo empregador, uma vez que a partir de então não só o faturamento pode ser tributado, como também a receita em sentido amplo. 2 Ademais, há de se ressaltar que a Lei n. 9.718/98 tem status jurídico de lei ordinária, o que torna ainda mais patente a sua inconstitucionalidade, tendo em vista que somente por meio de lei complementar é que poderia ser criada outra fonte de custeio da seguridade social (incidente sobre outra materialidade), nos termos do artigo 195, §4 e do artigo 154, inciso I, ambos da Constituição. Disto depreendese que somente seria legítima a cobrança da COFINS sobre a receita, hipótese que na época não estava prevista no rol de incisos do artigo 195 da Constituição, caso tal situação tivesse sido instituída por meio de lei complementar. Afinal, tratarseia de nova fonte de custeio da seguridade social. Como a Lei n. 9.718/98 foi votada e publicada pelo rito legislativo próprio das leis ordinárias, mais uma vez concluise pela inconstitucionalidade da exação. Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10980.933376/200914 Acórdão n.º 3402003.417 S3C4T2 Fl. 0 5 Entretanto, essa mudança no texto da Constituição não teve o poder de convalidar os dizeres da Lei n. 9.718/98, pois o sistema jurídico brasileiro não admite a constitucionalidade superveniente, vale dizer, tendo sido promulgada e publicada lei que contraria a Constituição, não é possível que posterior alteração da própria Constituição, por via de emenda, traga de forma retroativa a validade da lei. Foi assim que decidiu o STF. Pois bem. Tendo sido decidida a questão em sede de recurso extraordinário com repercussão geral reconhecida, tornase imperioso o seu acatamento por este Conselho, nos moldes do artigo 62, §2º do Regimento Interno do CARF, o qual prescreve a necessidade de reprodução, pelos Conselheiros, das decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática da repercussão geral: § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Nesse sentido, é tranquila a jurisprudência do Conselho a respeito da necessidade de reprodução das decisões proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da Cofins – citadas alhures aos processos administrativos fiscais, nos quais os contribuintes formulam pedidos de restituição de valores indevidamente pagos a título da contribuição social em questão, exatamente como ocorre no presente caso. Destaco a seguir alguns julgados representativos do entendimento sobre a matéria: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/02/1999 a 30/06/2000 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. 10 ANOS. PEDIDO REALIZADO ANTES DA ENTRADA EM VIGOR DA LEI COMPLEMENTAR 118/2005. O prazo decadencial para o direito de restituição de tributos sujeitos ao lançamento por homologação é de 10 (dez) anos, a contar do fato gerador quando o pedido for realizado antes da entrada em vigor da Lei Complementar 118/2005, conforme entendimento do STF. COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzemse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10980.933376/200914 Acórdão n.º 3402003.417 S3C4T2 Fl. 0 6 compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF. COFINS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO DE TRIBUTO. POSSIBILIDADE. Caracterizado o pagamento a maior ou indevido da contribuição, o contribuinte tem direito à repetição do indébito, segundo o disposto no art. 165, I, do Código Tributário Nacional (CTN). Recurso Voluntário Provido (Processo 11618.002043/200519, MARCOS ANTONIO BORGES, Nº Acórdão 3801001.835) Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 28/02/1999 a 31/05/2000 DECADÊNCIA. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. LEI COMPLEMENTAR 118/05. O prazo estabelecido na Lei Complementar 118/05 somente se aplica para os processos protocolizados a partir 9 de junho de 2005, e que anteriormente a este limite temporal aplicase a tese de que o prazo para repetição ou compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação é de dez anos, contado de seu fato gerador, de acordo com decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzemse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF. PIS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO DE TRIBUTO. POSSIBILIDADE. Caracterizado o pagamento a maior ou indevido da contribuição, o contribuinte tem direito à repetição do indébito, segundo o disposto no art. 165, I, do Código Tributário Nacional (CTN). Recurso Voluntário Provido. (Processo 13855.001146/200586, Relator(a) FLAVIO DE CASTRO PONTES, Nº Acórdão , 3801001.722) COFINS. ART. 3º, DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DO Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10980.933376/200914 Acórdão n.º 3402003.417 S3C4T2 Fl. 0 7 ART. 62, §1o, I, do RICARF. RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO. CABIMENTO. A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS é o faturamento e, em virtude de inconstitucionalidade declarada em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Aplicação do art. 62A do RICARF. COFINS. ART. 3º, §1º, DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO. CABIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. Em face da inconstitucionalidade da alteração da base de cálculo da contribuição a COFINS, promovida pelo art. 3º, §1º, da Lei nº 19.718/98, é cabível o deferimento da restituição do indébito, devendo a autoridade preparadora verificar a comprovação do pagamento indevido ou a maior para compor o crédito a ser deferido ao contribuinte. Sobre o crédito apurado incide correção pela incidência da SELIC desde a data do pagamento indevido ou a maior, na forma do §4º, do Art. 39, da Lei nº 9.250/95. Recurso Parcialmente Provido. (Processo 10950.000184/200626, Relator(a) JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Acórdão 3402001.697) COFINS. FALTA DE RECOLHIMENTO. Mantémse o lançamento quando constatada a falta de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, no período compreendido pelo auto de infração. COFINS. COMPENSAÇÃO. PROCEDIMENTO PRÓPRIO. Eventual direito à compensação da COFINS, em razão de recolhimento indevido ou efetuado a maior, deve ser apreciado no procedimento administrativo próprio de restituição/compensação, e não em processo de formalização de exigência de crédito tributário. Todavia, nada impede Requerêla em procedimento próprio. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. APRECIAÇÃO. COMPETÊNCIA. O conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF não é competente para apreciar pedidos de restituição/compensação. A competência é da unidade da Receita Federal que jurisdiciona o contribuinte. Aos órgãos julgadores do CARF compete o julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (art. 1º da Portaria MF nº 256/2009) MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO E PERCENTUAL. LEGALIDADE Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10980.933376/200914 Acórdão n.º 3402003.417 S3C4T2 Fl. 0 8 Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei. COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL. POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF. Recurso Voluntário Provido em Parte (Processo 10680.006962/200880, Relator(a) JOSE LUIZ BORDIGNON, Acórdão 3801000.984) Portanto é incontroverso o bom direito da Recorrente em relação à restituição dos recolhimentos indevidamente feitos a título de Cofins, no período de apuração em questão, haja vista que a presente lide administrativa tem como objeto principal a declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 pelo STF (alargamento inconstitucional da base de cálculo da Cofins). Com efeito, como já tive a oportunidade de destacar em dissertação sobre o tema: Tanto a edição de leis inconstitucionais como a cobrança de tributos com base em tais leis tributárias inconstitucionais são atos ilícitos praticados pelo Poder Público. O primeiro constitui ilícito constitucional (edição de lei contrária aos dizeres da Constituição), enquanto o segundo caracteriza ilícito tributário (cobrança pelo Estado e consequente pagamento pelo contribuinte de tributo inválido). Lembrando que as normas jurídicas em sua feição completa são impreterivelmente dotadas de uma sanção em caso de descumprimento, aos citados atos ilícitos o ordenamento jurídico atrela as respectivas sanções: a declaração de inconstitucionalidade, com o objetivo de preservar a integralidade e coerência da ordem jurídica; e a restituição de tributos inconstitucionais, cuja função é conferir segurança jurídica e isonomia aos administrados. 3 Cumpre ainda salientar que à restituição de tributos inconstitucional, cuja natureza e regime jurídico são tributários, são totalmente aplicáveis as regras relativas às demais hipóteses de repetição de indébito dispostas no CTN (artigo 165 a 169). Entretanto, com relação ao quantum devido como restituição do tributo inconstitucional, compete à autoridade administrativa preparadora, com 3 LAURENTIIS, Thais de. Restituição de Tributo Inconstitucional. São Paulo: Noeses, 2015. Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10980.933376/200914 Acórdão n.º 3402003.417 S3C4T2 Fl. 0 9 base na documentação apresentada pelo contribuinte no decorrer do processo administrativo, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Por fim, saliento que apurado o crédito, os valores originais devem sofrer correção pela incidência da SELIC, desde a data do pagamento indevido, como impõe o artigo 39, §4º da Lei nº 9.250/95, até a data do efetivo aproveitamento dos créditos pelo contribuinte. Dispositivo Por tudo quanto exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, haja vista a necessidade de liquidação do julgado, nos termos descritos acima." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dáse parcial provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o direito à restituição dos valores recolhidos com amparo no § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 (declarado inconstitucional pelo STF), devendo o montante do direito creditório ser apurado pela unidade de origem. assinado digitalmente Antonio Carlos Atulim Fl. 142DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.723744/2012-35
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
AGROINDÚSTRIA. CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO. PRODUTO FABRICADO.
O crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925/2004 corresponde a 60% ou a 35% de sua alíquota de incidência em função da natureza do produto a que a agroindústria deu saída e não da origem do insumo que aplicou para obtê-lo.
Numero da decisão: 9303-004.352
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran, Valcir Gassen, Júlio César Alves Ramos, Luiz Augusto do Couto Chagas, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello. Ausentes os conselheiros Demes Brito e Andrada Márcio Canuto Natal.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran, Valcir Gassen, Júlio César Alves Ramos, Luiz Augusto do Couto Chagas, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello. Ausentes os conselheiros Demes Brito e Andrada Márcio Canuto Natal.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 AGROINDÚSTRIA. CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO. PRODUTO FABRICADO. O crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925/2004 corresponde a 60% ou a 35% de sua alíquota de incidência em função da natureza do produto a que a agroindústria deu saída e não da origem do insumo que aplicou para obtêlo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 37 44 /2 01 2- 35 Fl. 1289DF CARF MF Processo nº 10120.723744/201235 Acórdão n.º 9303004.352 CSRFT3 Fl. 1.283 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran, Valcir Gassen, Júlio César Alves Ramos, Luiz Augusto do Couto Chagas, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello. Ausentes os conselheiros Demes Brito e Andrada Márcio Canuto Natal. Relatório Cuidase de recurso especial interposto pela Procuradoria , tempestivamente apresentado, em face de acórdão oriundo da Segunda Turma Ordinária da 4ª Câmara que interpretou o art. 8º, § 3º da Lei n.° 10.925/04 e considerou que o percentual ali previsto é determinado de acordo com os produtos fabricados e não com os insumos adquiridos, embora sobre estes incida. A decisão tem a seguinte ementa quanto à matéria: (...) COFINS NÃO CUMULATIVO CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDÚSTRIA BASE DE CÁLCULO E ALÍQUOTA DO CRÉDITO PRESUMIDO LEI Nº 10.925/04 (ART. 8º) Embora tendo como base de cálculo o valor dos insumos adquiridos, o crédito presumido (art. 8º da Lei nº 10.925/04) deferido às agroindústrias (inclusive cooperativas) que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, destinadas à alimentação humana ou animal, é determinado com base no redutor da alíquota incidente sobre a mercadoria produzida ou comercializada pelas referidas agroindústrias, conforme se trate de produtos de origem animal ou vegetal. Recurso Voluntário Provido em Parte. A Fazenda Nacional aponta divergência jurisprudencial com entendimento manifestado pela Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara desta Terceira Seção do CARF nas decisões (Acórdãos nº 330200.788 e nº 330201.916) cujas ementas transcreve no corpo de seu recurso e que dizem, respectivamente: Fl. 1290DF CARF MF Processo nº 10120.723744/201235 Acórdão n.º 9303004.352 CSRFT3 Fl. 1.284 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 AGROINDÚSTRIA. INSUMOS. PERCENTUAL DE APURAÇÃO. O percentual de apuração da alíquota aplicável sobre os créditos, prevista no art. 8o, § 3o, da Lei no 10.925, de 2004, é determinado em função do produto adquirido e não do fabricado. Recurso Voluntário Negado. CRÉDITO PRESUMIDO. ATIVIDADES AGROINDUSTRIAIS. ALÍQUOTA APLICÁVEL EM RELAÇÃO AO INSUMO ADQUIRIDO. As pessoas jurídicas sujeitas à sistemática de nãocumulatividade da Cofins e da Contribuição ao PIS que produzirem mercadorias relacionadas no caput do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, desde que atendidos todos os requisitos exigidos pela legislação tributária, poderão usufruir crédito presumido, na forma disposta nesse artigo e respectivos parágrafos, calculado sobre o valor dos bens adquiridos de pessoa física ou de outros fornecedores descritos no § 1º do mencionado artigo, sendo a alíquota definida pela natureza do insumo adquirido. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido através do despacho exarado às fls. 1238. Não houve interposição de contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora Fl. 1291DF CARF MF Processo nº 10120.723744/201235 Acórdão n.º 9303004.352 CSRFT3 Fl. 1.285 4 Inicialmente cabe mencionar que o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e, a meu ver, encontramse reunidos os pressupostos de admissibilidade. A questão controversa nos autos referese à discussão da alíquota a ser utilizada para o cálculo do crédito presumido das atividades agroindustriais. De um lado, o Fisco alega que a alíquota aplicável sobre os insumos adquiridos para a agroindústria, prevista no art. 8º, § 3º, da Lei n.º 10.925/04, é determinado em função do produto adquirido, ou seja, a alíquota de 35% sobre as aquisições de bovino vivo, classificado no capítulo 1 da NCM, posição 01.02. De outro lado, a Contribuinte entende que o percentual a ser aplicado é 60%, em função da natureza do produto a que a agroindústria deu saída, e não da origem do insumo que aplicou para obtêlo. Que no caso concreto, os créditos presumidos de 60% aplicamse aos insumos de origem animal classificados nos capítulos 2 a 4 da NBM. No caso dos presente autos, a empresa realmente deu saída a produtos do capítulo 2 da NCM (carnes e miudezas, comestíveis). Desta maneira, não assiste razão à Recorrente, pois, o art. 33 da Lei n.º 12.865/13 acresceu enunciado interpretativo ao art. 8° da Lei n.º 10.925/04, senão vejamos: Art. 33. O art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Art. 8º ............................................................................................ § 1º ................................................................................................. I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e 18.01, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM); ............................................................................................. Fl. 1292DF CARF MF Processo nº 10120.723744/201235 Acórdão n.º 9303004.352 CSRFT3 Fl. 1.286 5 § 10. Para efeito de interpretação do inciso I do § 3º, o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos ali referidos." (NR) O referido § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 possui a seguinte redação: § 3º O montante do crédito a que se referem ocapute o § 1º deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2o da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no art. 2o da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2, 3, 4, exceto leite in natura, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18;(Redação dada pela Lei nº 13.137, de 2015) Portanto, o valor de crédito presumido é determinado pela aplicação da alíquota de 60% (sessenta por cento) para as empresas que produzam mercadorias de origem animal nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18. Verificase também que o legislador elegeu o critério da natureza do "produto" a ser produzido como método de discriminação das alíquotas. Assim, se o produto a ser produzido (ao qual os insumos agregados/consumidos) for de origem animal ou vegetal (carne), deverá ser aplicada a alíquota de 60%, independente da qualificação desses insumos. Assim, o legislador expressamente consignou a natureza interpretativa do § 10 do art. 8º da Lei n.º 10.925/04, incluído pela Lei n.º 12.865/13. Desta forma, conforme determinação do art. 106, I, do Código Tributário Nacional, aplicase o entendimento de que o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por Fl. 1293DF CARF MF Processo nº 10120.723744/201235 Acórdão n.º 9303004.352 CSRFT3 Fl. 1.287 6 cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos referidos no inciso I do § 3º do art. 8º da Lei n.º 10.925/04, de forma retroativa, alcançando os fatos geradores objeto do presente lançamento. Assim, devese reconhecer o direito à apropriação do crédito presumido na forma do artigo 8°, § 3°, inciso I, da Lei n.º 10.925, de 2004, ou seja, no equivalente a 60% das alíquotas básicas previstas no art. 2º da Lei n.º 10.637, de 2002, e no art. 2º da Lei n.º 10.833, de 2003. Conclusões Finais Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda. É como voto. Érika Costa Camargos Autran Fl. 1294DF CARF MF
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Numero do processo: 10865.722574/2011-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
NULIDADES NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
Não se apresentando as causas elencadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, não há falar em nulidade no processo administrativo fiscal.
PRELIMINAR. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
O Termo de Verificação Fiscal relata de forma clara e completa a descrição dos fatos, os procedimentos fiscais adotados, as verificações efetuadas, as conclusões obtidas e os fundamentos de fato e de direito em que se apoia a autuação.
O Mandado de Procedimento Fiscal é um instrumento interno de controle administrativo que não interfere na competência do Auditor-Fiscal para proceder ações fiscais ou constituir créditos tributários, porquanto essa competência é instituída por lei.
Não invalida o lançamento decorrente de revisão da declaração de ajuste anual a ausência de intimação prévia do contribuinte para prestar esclarecimentos.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL.
O parágrafo 4º, do art. 61, do Decreto nº 3.000/99 postergou o fato gerador da incidência do imposto, nos casos de alienações a prazo de produtos oriundos da atividade rural, de modo que tais vendas apenas serão consideradas receitas na data do seu efetivo recebimento (comprovado pelas compensações), alterando, por consequência, o momento do fato gerador.
IRPF GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE DIREITOS.
Nas vendas a prazo o fato gerador do Imposto de Renda se realiza com o efetivo pagamento da parcela acordada pelas partes, devendo este ser o momento para contagem do prazo decadencial. Se a extinção da obrigação se deu por compensação, sua data será considerada termo inicial do prazo decadencial.
Se os dispêndios realizados com a cultura em formação, cuja cessão de direitos é o objeto do ganho de capital, foram alocados como despesas da atividade rural, nos termos da legislação aplicável à tributação dessa atividade, não é possível considerá-los como custo na operação objeto do ganho de capital.
Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2301-004.813
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, (a) por unanimidade de votos rejeitar as seguintes preliminares (a.1) nulidade do auto de infração por ausência de intimação do recorrente na fase de fiscalização; (a.2) relacionadas ao mandado de procedimento fiscal e (a.3) ausência de provas do fato jurídico tributário, referente à compensação; (b) por unanimidade de votos, considerar definitiva a exclusão do responsável tributário Abengoa; (c) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício; (d) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário em relação à omissão de rendimentos da atividade rural; (e) pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário em relação aos valores relacionados ao ganho de capital; vencida a relatora e os Conselheiros Fabio Piovesan Bozza e Gisa Barbosa Gambogi Neves. Redigirá o voto vencedor o Conselheiro João Bellini Júnior. Acompanhou o julgamento da Dra. Maria Leonor Leite Vieira, OAB/SP 53.665.
(Assinado digitalmente)
João Bellini Júnior Presidente e Redator Designado
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Gisa Barbosa Gambogi Neses, Julio Cesar Vieira Gomes, Andrea Brose Adolfo, Alice Grecchi, Fabio Piovesan Bozza.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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Não se apresentando as causas elencadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, não há falar em nulidade no processo administrativo fiscal. PRELIMINAR. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. O Termo de Verificação Fiscal relata de forma clara e completa a descrição dos fatos, os procedimentos fiscais adotados, as verificações efetuadas, as conclusões obtidas e os fundamentos de fato e de direito em que se apoia a autuação. O Mandado de Procedimento Fiscal é um instrumento interno de controle administrativo que não interfere na competência do AuditorFiscal para proceder ações fiscais ou constituir créditos tributários, porquanto essa competência é instituída por lei. Não invalida o lançamento decorrente de revisão da declaração de ajuste anual a ausência de intimação prévia do contribuinte para prestar esclarecimentos. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL. O parágrafo 4º, do art. 61, do Decreto nº 3.000/99 postergou o fato gerador da incidência do imposto, nos casos de alienações a prazo de produtos oriundos da atividade rural, de modo que tais vendas apenas serão consideradas receitas na data do seu efetivo recebimento (comprovado pelas compensações), alterando, por consequência, o momento do fato gerador. IRPF GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE DIREITOS. Nas vendas a prazo o fato gerador do Imposto de Renda se realiza com o efetivo pagamento da parcela acordada pelas partes, devendo este ser o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 72 25 74 /2 01 1- 87 Fl. 1302DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 momento para contagem do prazo decadencial. Se a extinção da obrigação se deu por compensação, sua data será considerada termo inicial do prazo decadencial. Se os dispêndios realizados com a cultura em formação, cuja cessão de direitos é o objeto do ganho de capital, foram alocados como despesas da atividade rural, nos termos da legislação aplicável à tributação dessa atividade, não é possível considerálos como custo na operação objeto do ganho de capital. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, (a) por unanimidade de votos rejeitar as seguintes preliminares (a.1) nulidade do auto de infração por ausência de intimação do recorrente na fase de fiscalização; (a.2) relacionadas ao mandado de procedimento fiscal e (a.3) ausência de provas do fato jurídico tributário, referente à compensação; (b) por unanimidade de votos, considerar definitiva a exclusão do responsável tributário Abengoa; (c) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício; (d) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário em relação à omissão de rendimentos da atividade rural; (e) pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário em relação aos valores relacionados ao ganho de capital; vencida a relatora e os Conselheiros Fabio Piovesan Bozza e Gisa Barbosa Gambogi Neves. Redigirá o voto vencedor o Conselheiro João Bellini Júnior. Acompanhou o julgamento da Dra. Maria Leonor Leite Vieira, OAB/SP 53.665. (Assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Presidente e Redator Designado (Assinado digitalmente) Alice Grecchi – Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Gisa Barbosa Gambogi Neses, Julio Cesar Vieira Gomes, Andrea Brose Adolfo, Alice Grecchi, Fabio Piovesan Bozza. Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até a apresentação da impugnação pelo contribuinte, adoto de forma livre o relatório do Acórdão proferido pela 16ª Turma da DRJ/SP1, nº 1653.151, constante em fls. 958/995: Contra o contribuinte em epígrafe foi lavrado o auto de infração de fls. 449 a 454, para a constituição do crédito tributário relativo ao imposto de renda pessoa física, no valor de R$ 33.073.510,48, acrescido de multa de ofício de R$ 24.805.132,86, além de juros de mora calculados até novembro de 2011. Fl. 1303DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10865.722574/201187 Acórdão n.º 2301000.813 S2C3T1 Fl. 1.223 3 Consta da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 451) que foram apuradas as seguintes infrações: omissão de rendimentos da atividade rural, recebidos no ano calendário de 2007, no valor de R$ 20.907.841,29. Enquadramento legal: arts. 57 a 61, 71 e 83 do RIR/1999 (Decreto nº 3.000/1999), art. 1o, inciso I e parágrafo único, da Medida Provisória n° 340/2006; omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos, auferidos em setembro de 2007, no valor de R$ 220.490.069,84. Enquadramento legal: art. 21 da Lei n° 8.981/1995; arts. 117, 118, 120, 121, § 2o, 122 a 125, 128, 129, 131, 132, 133, parágrafo único, 134, 136, 138 a 141 do RIR/1999; arts. 23 e 24 da Lei n° 9.250/1995; arts. 38 a 40 da Lei n° 11.196/2005. O Termo de Verificação Fiscal de fls. 446 a 448, integrante do auto de infração, relata o que segue: em ação fiscal efetuada junto à pessoa jurídica Abengoa Bioenergia Agroindústria Ltda., CNPJ n° 06.252.818/000188, anteriormente denominada Sociedade Agrícola Dedini Ltda., da qual o autuado era sócio, foram apuradas, em relação ao contribuinte pessoa física, as seguintes irregularidades: omissão de receita da atividade rural e ganho de capital auferido na alienação de bens e direitos, em condomínio com outras pessoas físicas, cujo percentual de participação do autuado era de 77% (setenta e sete por cento); os fatos e o embasamento jurídico que sustentam a imposição fiscal encontramse detalhados no Termo de Verificação, Encerramento de Fiscalização e Representação Fiscal lavrado contra a referida empresa, que é parte integrante do presente Termo de Verificação Fiscal; não houve necessidade de intimação prévia do contribuinte pessoa física, pois todos os elementos e esclarecimentos necessários à formação da convicção do Fisco quanto à existência das infrações foram colhidos durante a diligência fiscal na sociedade da qual era sócio e têm o contribuinte como signatário (contratos, aditivos e seus anexos); referidos elementos foram cotejados com as declarações de rendimentos (DIRPF) dos anoscalendário de 2006 e 2007, constantes dos bancos de dados da Receita Federal do Brasil, e os elementos contábeis utilizados referemse a período em que o contribuinte era sócio da pessoa jurídica (então denominada) Sociedade Agrícola Dedini, e, portanto, são de seu prévio conhecimento; I Demonstrativo de individualização dos valores para o condômino I.1 Ganho de Capital (alienação de direitos) Ganho de Capital apurado pelo Condomínio em dezembro de 2006 R$ 285.751.005,24 Fl. 1304DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 dezembro de 2006 Ganho de Capital apurado pelo Condomínio em fevereiro de 2007 R$ 560.134,84 Ganho de Capital apurado pelo Condomínio em abril de 2007 RS 39.599,97 Total do Ganho de Capital auferido (quitado pelo cessionário em 09/2007) R$ 286.350.740,05 Valor que cabe ao Condômino Marcio Milan de Oliveira (77%) R$ 220.490.069,84 Imposto de Renda Devido sobre o Ganho de Capital no mês da quitação R$ 33.073.510,48 I.2 Receita da Atividade Rural (alienação de bens da atividade rural) Receita Total R$ 27.153.040,63 Valor que cabe ao Condômino Marcio Milan de Oliveira (77%) R$ 20.907.841,29 I.2.1 Recomposição do Resultado da Atividade Rural no ano calendário de 2007 MÊS RECEITA BRUTA MENSAL (R$) DESPESAS DE CUSTEIO/ INVESTIMENTO (R$) Janeiro 18.500,00 2.079.098,00 Fevereiro 679.535,00 1.301,00 Março 1.749.268,00 2.082.254,00 Abril 7.306.471,00 4.660.711,00 Maio 20.192,00 410.984,00 Junho 34.500,00 268.095,00 Julho 37.207,00 135.842,00 Agosto 761.059,00 479.089,00 *Setembro (Omissão) 20.910.322,29 193.917,00 Outubro 3.254.510,00 900.548,00 Novembro 10.000,00 169.321,00 Fl. 1305DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10865.722574/201187 Acórdão n.º 2301000.813 S2C3T1 Fl. 1.224 5 Dezembro 56.969.347,00 42.987.729,00 TOTAL 91.750.911,29 54.368.894,00 * No mês de setembro o valor declarado foi de R$ 2.481,00. Foi acrescentado o valor da omissão de R$ 20.907.841,29 APURAÇÃO DO RESULTADO TRIBUTÁVEL (R$) Discriminação Valores (R$) Receita bruta total 91.750.911,29 Despesas de custeio e investimento 54.368.896,00 Resultado 1 37.382.015,00 Prejuízo de exercício anterior 188.632.816,00 Resultado após compensação do prejuízo 151.250.800,71 Opção pelo arbitramento sobre a receita bruta 18.350.182,26 RESULTADO TRIBUTÁVEL 151.250.800,71 INFORMAÇÕES PARA O EXERCÍCIO SEGUINTE Prejuízo a compensar 151.250.800,71 Valor dos adiantamentos recebidos em 2007 por conta de venda para entrega futura 0,00 APURAÇÃO DO RESULTADO NÃOTRIBUTÁVEL Valor dos adiantamentos recebidos até 2006 referente a produtos entregues em 2007 1.009.248,06 RESULTADO NÃOTRIBUTÁVEL 36.372.767,23 nesse ponto, a exigência fiscal fica restrita à Redução do Prejuízo Compensável a partir do anocalendário de 2008, de R$ 172.158.656,00 para R$ 151.280.800,71; quanto à redução dos prejuízos a compensar, o contribuinte deverá efetuar os ajustes necessários em seus livros e documentos relativos à atividade rural; se dos ajustes resultar apuração de resultado tributável positivo nos anoscalendário a partir de 2008, o contribuinte deverá providenciar a retificação das Declarações de Rendimentos e recolher os eventuais novos valores devidos, com os acréscimos legais; Fl. 1306DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 para possibilitar ao autuado o exercício de seu direito de ampla defesa, sãolhe fornecidas cópias dos documentos, contemporâneos aos fatos, e das respostas às intimações, relativamente à ação fiscal empreendida junto à pessoa jurídica da qual era sócio à época e que serviram de suporte às conclusões da fiscalização. No Termo de Verificação, Encerramento de Fiscalização e Representação Fiscal acima referido, juntado às fls. 426/445, consignouse o que segue, em resumo: conforme relatado no Termo de Encerramento Parcial da Ação Fiscal realizada junto à empresa Abengoa Bioenergia Agroindústria Ltda., denominada, à época dos fatos investigados, Sociedade Agrícola Dedini Ltda., os trabalhos fiscais prosseguiram com vistas à verificação da capitalização da sociedade por pessoas jurídicas do então Grupo Dedini Agro (Usinas de Açúcar e Álcool), com créditos detidos junto ao Consórcio de Pessoas Físicas, capitaneado por Márcio Milan de Oliveira, visando o preparo do grupo Dedini Agro para venda ao grupo espanhol Abengoa Bioenergia, ocorrida em 2007; as empresas do então Grupo Dedini Agro, hoje Grupo Abengoa, diretamente envolvidas nos fatos que serão relatados, são assim identificadas: a) Dedini Açúcar e Álcool Ltda., hoje denominada Abengoa Bioenergia São João Ltda., CNPJ n° 03.106.412/000107, doravante denominada DAA/ABSJ; b) Dedini S.A. Indústria e Comércio, hoje denominada Abengoa Bioenergia São Luiz S.A., CNPJ n° 56.617.244/000172, doravante denominada DIC/ABSL; c) Sociedade Agrícola Dedini Ltda., depois denominada Abengoa Bioenergia Agrícola Ltda. e hoje denominada Abengoa Bioenergia Agroindústria Ltda., CNPJ n° 06.252.818/000188, doravante denominada SAD/ABAG; d) Condomínio de Pessoas Físicas, doravante denominado MMO, constituídos pelos seguintes produtores rurais: Adriano Giannetti Dedini Ometto CPF n° 126.413.00826 (5%) Lucianna Dedini Ometto James CPF n° 110.139.13833 (4%) Márcio Milan de Oliveira CPF n° 081.113.55866 (77%) Mario Dedini Ometto CPF n° 015.953.85800 (12%) Wanda Maria Giannetti Dedini Ometo CPF n° 044.227.43864 (2%) referidas pessoas físicas eram, à época dos fatos, sócias na Sociedade Agrícola Dedini Ltda. (SAD), mantendo na pessoa jurídica o mesmo percentual de participação em MMO; Fl. 1307DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10865.722574/201187 Acórdão n.º 2301000.813 S2C3T1 Fl. 1.225 7 no curso do procedimento fiscal, a diligenciada informou que o aumento de capital na SAD/ABAG, ocorrido no anocalendário de 2007, de R$ 20.000,00 para R$ 270.867.075,00, tem suporte em ativos entregues pela DIC/ABSL e pela DAA/ABSJ, que passaram, então, a ser sócias da SAD/ABAG; os ativos utilizados na integralização de capital, segundo a diligenciada, estão representados por créditos detidos pelas investidoras junto a MMO, que era formado pelos, até então, únicos sócios da própria SAD, receptora do capital; a fiscalizada, que é sucessora por incorporação das subscritoras de capital, foi intimada a apresentar à fiscalização os seguintes documentos, elementos e esclarecimentos: 1) demonstrar a efetiva substância econômica dos créditos junto às pessoas físicas integrantes de MMO, que lhe foram entregues, detalhando, com documentos hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores, a formação desses ativos nas subscritoras (incorporadas), descrevendo todos os detalhes do relacionamento dos condôminos com as credoras; 2) detalhar e demonstrar o destino final desses ativos e, em caso de realização dos créditos, comprovar o efetivo recebimento dos valores. a fiscalizada foi ainda intimada a demonstrar, com documentos hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores, a origem, a formação, operação por operação, a efetiva substância econômica e a real exigibilidade dos débitos para com MMO, constantes do passivo da SAD, atual Abengoa Bioenergia Agroindústria Ltda., CNPJ n° 06.252.818/000188, na data da sua baixa por compensação com créditos junto ao mesmo condomínio, recebidos em integralização de capital, de outras pessoas jurídicas; diante de tudo quanto se pôde constatar e das respostas da diligenciada (expedientes de fls. 06/18 e 22/31 e transcrições às págs. 03/08 do Termo, fls. 428/433), é possível chegar às seguintes conclusões: MMO foi constituído com o objetivo de explorar a atividade rural de produção de cana de açúcar, em terras próprias e/ou de terceiros (mediante contratos de parceria/arrendamento) e das próprias Usinas compradoras da cana produzida (DIC e DAA); grande parte dos custos/despesas e investimentos da atividade rural de MMO era custeada pelas Usinas (DIC e DAA) compradoras, com exclusividade, da cana produzida e era mantido um "contascorrentes" entre as Usinas e MMO; no encerramento desse relacionamento empresarial entre DIC, DAA e MMO, as Usinas eram credoras de MMO, em 31/12/2006, pelo valor de R$ 254.600.906,57; Fl. 1308DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 referido valor figurou, respeitados os percentuais de cada um, nas Fichas de Dívidas e Ônus Reais da Atividade Rural da DIRPF/2007 (ano calendário de 2006) dos condôminos; esse montante de crédito é que foi entregue pelas Usinas (DIC e DAA) em integralização de capital da SAD; embora os condôminos fossem sócios da SAD, receptora dos créditos, ficou acordado na Resolução n° 06 da 3a Alteração Contratual de 28/02/2007, registrada na JUCESP em 06/07/2007, que a integralização de capital pelos sócios ingressantes não alteraria o percentual de participação dos sócios anteriores (os próprios condôminos), que continuaram a deter na sociedade o mesmo percentual que detinham anteriormente ao aumento do capital social; a SAD realizou, no mesmo ano de 2007, os créditos ativados, mediante recebimento de bens e direitos do Condomínio, avaliados no montante de R$ 323.487.672,98 assim composto: a) R$ 286.350.739,85 referentes aos direitos consubstanciados nos contratos de parcerias agrícolas, cedidos por MMO à SAD, e b) R$ 37.136.933,13 referentes a bens e direitos que compunham o ativo imobilizado, contas a receber, ativo diferido, adiantamentos a fornecedores e estoques de MMO; na essência, os negócios jurídicos tiveram como propósito a transferência de toda a atividade de MMO para a SAD, ou seja, a alienação para a SAD dos direitos que os condôminos detinham sobre os contratos das lavouras de cana e das benfeitorias/investimentos na atividade rural do Condomínio; o valor assim obtido foi, parcialmente, utilizado na liquidação integral de suas dívidas para com as Usinas, já na SAD, que as recebeu em subscrição de capital feita pelas Usinas, credoras originais; destacase aqui que a alienação dos direitos sobre os contratos de parceria nas lavouras de cana não se constituiu em venda de produtos rurais, pois o que se alienou foram os direitos sobre as safras futuras, em formação (ainda não eram produtos rurais), conforme cláusulas do Contrato de Cessão a seguir transcritas: 1 – O CEDENTE cede e transfere à CESSIONÁRIA todos os direitos e obrigações que lhe decorrem dos Instrumentos Particulares de Contrato de Parceria Agrícola e Compra e Venda de CanadeAçúcar, firmados até a data de assinatura desse instrumento, relacionados em seu ANEXO, que, rubricados pelas partes dele passa a fazer parte, operandose a cessão, nos termos e condições contidos nas cláusulas abaixo. 1 . 1 – Excetuase da cessão objeto deste contrato os direitos sobre a canadeaçúcar a ser colhida e entregue às INTERVENIENTES ANUENTES até o encerramento da Safra 2006/2007, cujos pagamentos serão realizados ao CEDENTE para atendimento a compromissos anteriormente assumidos, passando o pagamento a ser realizado à CESSIONÁRIA a partir da Safra 2007/2008. Fl. 1309DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10865.722574/201187 Acórdão n.º 2301000.813 S2C3T1 Fl. 1.226 9 não obstante, nas DIRPF/2008 (anocalendário de 2007), apresentadas pelas pessoas físicas integrantes de MMO, ainda figuravam, indevidamente, as dívidas para com a SAD, que já haviam sido liquidadas por compensação, diversamente dos bens e direitos da atividade rural, relativamente a MMO, que nelas não mais constavam; não consta nas DIRPF dos condôminos, nem em 2006, nem em 2007, o oferecimento à tributação da receita da atividade rural correspondente à alienação dos bens e direitos dessa atividade (considerados custos/despesas/investimento em anos anteriores) e não houve apuração e/ou pagamento do ganho de capital auferido com a alienação dos direitos dos contratos de parceria nas lavouras de cana; do valor dos bens e direitos alienados, constituem receita da atividade rural os valores relativos a ativo imobilizado e estoque de insumos e matérias intermediários listados nos Anexos I e V do Contrato de Cessão e Transferência de Ativos e Outras Avenças, celebrado em 01 de dezembro de 2006 e aditado em 31 de dezembro de 2006 (Anexos I e II); 28 de fevereiro de 2007 (Anexos I e II) e 30 de abril de 2007 (Anexo I): a) Anexo I R$ 15.759.591,54 (01/12/2006) b) Anexo V R$ 2.843.060,97 (01/12/2006) c) Anexo I R$ 38.471,64 (31/12/2006) d) Anexo II R$ 1.283.739,30 (31/12/2006) e) Anexo I R$ 253.890,85 (28/02/2007) f) Anexo II R$ 261.321,23 (28/02/2007) g) Anexo I R$ 6.712.965.10 (30/04/2007) Total R$ 27.153.040,63 se lícito foi o planejamento tributário consistente em manter toda a estrutura "empresarial" do Condomínio (empregados, contabilidade, faturamento, almoxarifado, oficinas, etc.) na sede da SAD, com a consideração das receitas e custos/despesas/investimentos nas pessoas físicas dos sócios, beneficiandose, até 2007, do tratamento tributário diferenciado dado à exploração de atividade rural por pessoas físicas, o Condomínio deverá arcar com todas as consequências jurídicas advindas do seu encerramento, de fato, em 2007; somente assim procedendo é que é possível considerar válido o aumento de capital na Sociedade Agrícola Dedini, eis que os ativos recebidos das Usinas subscritoras (DIC e DAA) tinham sua substância econômica representada pelos créditos a receber das pessoas físicas fornecedoras de cana de açúcar; Fl. 1310DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 10 a realização dos créditos teria se dado pelo recebimento de todos os bens e direitos do Condomínio, cuja avaliação foi, em sua maior parte, centrada nos contratos de parcerias agrícolas (lavouras de cana de açúcar mantida pelos próprios condôminos e/ou em parceria com terceiros); assim, na essência, os beneficiários finais foram os condôminos, pessoas físicas, que alienaram o negócio (lavouras de cana) para a pessoa jurídica, em troca das dívidas que tinham para com ela, sem prejuízo da responsabilidade solidária da pessoa jurídica que teve interesse comum nas situações que constituíram fato gerador do imposto de renda e, principalmente pelo fato de a SAD ter assumido todo o ativo e passivo do Condomínio, tornandose sucessora, de fato e de direito, nas atividades então exercidas por MMO, conforme se vai detalhar em termo próprio de atribuição de responsabilidade; as benfeitorias, despesas e investimentos na atividade rural foram decisivos para eliminação, até o ano de 2006, de resultados positivos da atividade rural de MMO (constantes prejuízos), portanto, a recuperação desses dispêndios, seja pela via da alienação dos bens, direitos e benfeitorias, seja pela eliminação das dívidas da atividade rural, são receitas tributáveis de MMO; da mesma forma, a atribuição de valor para a alienação dos direitos contidos nos contratos de parcerias agrícolas constitui valor de alienação de direitos, sujeito à apuração do ganho de capital; não há custos/despesas a serem atribuídos aos direitos alienados, uma vez que eventuais dispêndios na formação das lavouras já foram todos alocados como despesas da atividade rural, nos termos da legislação aplicável à tributação dessa atividade; ainda que, remotamente, se pudesse cogitar que o valor atribuído aos direitos cedidos à SAD o foi apenas para viabilizar a baixa das dívidas da atividade, haveria acréscimo patrimonial sujeito à tributação pelo imposto de renda, pela eliminação das obrigações das pessoas físicas; no caso específico, não é cabível eventual alegação de que a baixa de dívida é fato jurídico cujo acréscimo patrimonial não representa ingresso de caixa para a pessoa física, pois a contrapartida das dívidas assumidas pelos condôminos representou despesa/custo/investimento na atividade rural, que reduziram o resultado tributável dos períodos de apuração; é preciso, no mínimo, reverter agora esses dispêndios recuperados pela via da alienação dos bens e direitos da atividade rural; o Contrato e seus aditivos previam pagamento do valor das alienações dos direitos e benfeitorias de forma parcelada ou a prazo futuro, a partir de 01/12/2006, entretanto, eram feitas compensações contábeis em contas correntes que somente foram concluídas em 09/2007 (conforme lançamentos contábeis transcritos nas págs. 18 e 19 do Termo, fls. 443/444); assim, considerase que as alienações das benfeitorias à SAD, ocorridas 2006 e 2007, foram efetivamente liquidadas no anocalendário de Fl. 1311DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10865.722574/201187 Acórdão n.º 2301000.813 S2C3T1 Fl. 1.227 11 2007, em face do regime legal de caixa deferido à atividade rural das pessoas físicas; quanto ao ganho de capital na alienação de direitos, auferidos em 2006 e 2007, por conta do recebimento a prazo ou futuro (regime de caixa), considerase, em benefício do contribuinte, que o oferecimento à tributação (tributação em separado e exclusiva) deveria se dar em setembro de 2007. Às fls. 457 a 463, anexouse o Termo de Atribuição de Responsabilidade Tributária, do qual a empresa Abengoa Bioenergia Agroindústria Ltda. (anteriormente denominada Sociedade Agrícola Dedini Ltda.), CNPJ n° 06.252.818/000188, foi cientificada em 23 de novembro de 2011 e que lhe atribuiu a responsabilidade tributária nos termos dos artigos 124, inciso I, e 133 do Código Tributário Nacional, com fundamento nas razões que seguem: a alienação pelos condôminos dos seus bens, direitos e obrigações à própria pessoa jurídica da qual eram sócios (SAD), em troca das dívidas que tinham para com duas outras pessoas jurídicas (DIC e DAA) que se tornaram sócias da SAD, a partir da entrega dos ativos financeiros, cujas substâncias econômicas eram os próprios débitos dos condôminos, denota, claramente, que a SAD participou ativamente das situações jurídicas que constituíram os fatos geradores das obrigações tributárias, restando evidente o interesse jurídico comum; algumas filiais da SAD, abertas ainda no ano de 2006, tinham como endereço propriedades rurais onde MMO exercia suas atividades rurais (de acordo com o quadro constante do termo, fls. 459/460); conforme se pode constatar da Planilha Eletrônica denominada "Modelo Analítico Dinâmico dos Trabalhadores na GFIP", MMO possuía, em dezembro de 2006, 785 trabalhadores, dos quais 654 foram demitidos nesse mês (término da safra 2006/2007), restando 131 trabalhadores; esses trabalhadores remanescentes, de janeiro de 2007 a julho de 2007, com exceção de alguns poucos, provavelmente demitidos antes (informação que não constou da GFIP de MMO), foram sendo transferidos para a SAD; chama a atenção, e reforça o interesse comum da pessoa jurídica responsabilizada nas situações que constituíram os fatos geradores, o fato de que funcionários administrativos graduados que estavam registrados como empregados de MMO estão entre os últimos transferidos, sem demissão, para a então Sociedade Agrícola Dedini; entre esses funcionários transferidos de MMO para SAD está, por exemplo, a Dra. Luciana Scantamburlo Scatolin, advogada e procuradora do hoje Grupo Abengoa, que foi a pessoa encarregada de atender à fiscalização; há um outro fato inusitado que bem mostra a imbricação existente entre a SAD (responsabilizada) e MMO: o capitão do condomínio, com 77% Fl. 1312DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 12 de participação, Márcio Milan de Oliveira, foi, em agosto de 2007, logo após a finalização da transferência das atividades exercidas por MMO para SAD, e quando já havia deixado a sociedade na pessoa jurídica, contratado como empregado da mesma SAD, tudo conforme a Planilha Eletrônica denominada "Modelo Analítico Dinâmico dos Trabalhadores na GFIP", antes referida; é sugestiva a matéria jornalística publicada quando de sua saída do atual Grupo Abengoa (transcrita no Termo, fl. 461); ainda que se pudesse argumentar que a situação antes exposta não configura a solidariedade referida no artigo 124 do CTN, a assunção de todo o ativo e passivo do condomínio pela pessoa jurídica configura a situação jurídica retratada no artigo 133 do Código Tributário Nacional; a aquisição da universalidade do patrimônio de MMO pela SAD provase pelos próprios contratos e seus aditivos anexos aos autos (conforme trechos transcritos no Termo, fl. 462); tanto os condôminos alienantes quanto a SAD continuaram a exercer as atividades agrícolas ligadas ao plantio de canadeaçúcar, como se pode verificar nas Declarações de Imposto de Renda das Pessoas Físicas (DIRPF) e na Consolidação do Contrato Social da SAD na 3a Alteração Contratual (JUCESP 251.972/070, Sessão de 06/07/2007). O contribuinte foi cientificado em 28/11/2011 (fl. 464) e, em 26/12/2011, por intermédio de procurador, apresentou a impugnação de fls. 475 a 511, acompanhada dos documentos de fls. 512 a 766. Após breve relato de fatos já descritos pela Fiscalização, alega a defesa o que segue, em síntese: com a formalização do "Instrumento Particular de Contrato de Cessão de Direitos e Obrigações, e Outras Avenças" (fls. 528 a 530), MMO passou a ser credor de SAD e, após a conclusão das duas operações societárias de aumento do capital de SAD, esta também passou a deter um crédito contra MMO; havia cláusula específica no contrato de cessão de direitos dispondo que a compensação entre esses créditos e débitos demandaria ciência e autorização expressa de ambas as partes envolvidas; embora os condôminos não tenham sido, em momento algum, informados ou cientificados, a SAD, já sob a administração do Grupo Abengoa e, portanto, não tendo mais nenhuma relação com o Impugnante, promoveu a baixa dos débitos de MMO, mediante liquidação por compensação, baixando, por conseguinte, os créditos detidos pelas pessoas físicas; pois é justamente nesse ponto que se fixou o Agente Fiscal para argumentar que os integrantes de MMO teriam auferido ganho de capital no momento em que teria se realizado o valor da cessão de direitos pela compensação unilateral realizada pela SAD; além do mais, a realização dos valores da cessão de ativos pela compensação unilateral de SAD teria desencadeado omissão de receita da Fl. 1313DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10865.722574/201187 Acórdão n.º 2301000.813 S2C3T1 Fl. 1.228 13 atividade rural, por força do artigo 61, § 1o, III, do RIR/1999, no que tange à cessão dos ativos e benfeitorias agrícolas, além de ganho de capital na cessão de direitos de MMO para SAD, na proporção da participação de cada comunheiro; o valor da cessão de ativos foi considerado como omissão de receita da atividade rural, tendo sido recomposto o resultado da atividade rural do Impugnante, ocasionando o lançamento de imposto suplementar; ocorre que o auto de infração está eivado de inconsistências formais que apontam para sua nulidade, citandose, de imediato, a ausência de comprovação de formalização da compensação dos créditos e débitos entre MMO e SAD, momento eleito pelo Agente Fiscal como gatilho da incidência tributária. a autuação foi concluída sem que houvesse qualquer intimação fiscal do Impugnante para esclarecimentos, o que também evidencia a nulidade do procedimento fiscal, o auto de infração jamais poderia considerar o valor da cessão de direitos do condomínio como ganho de capital da pessoa física comunheira, na medida em que tal montante tem natureza de receita da atividade rural e somente seria tributado com o efetivo recebimento dos valores, que, repitase, não poderiam ser objeto de compensação automática, nos termos que dispõe a legislação civil que rege o instituto da compensação, bem como em observância à expressa disposição contratual regulando as condições em que poderiam ser operacionalizadas compensações dos débitos e créditos recíprocos de SAD e MMO; ainda que ganho de capital fosse, o Agente Fiscal jamais poderia ter desconsiderado o custo de aquisição dos direitos cedidos, que neste caso, deveriam ser os investimentos e custeio para formação da lavoura; o Agente Fiscal fundamentou sua alegação tão somente na informação unilateral prestada pela SAD (já nessa época sob o controle societário do Grupo Abengoa e sem qualquer vínculo com o Impugnante), sem ter ao menos confirmado essa informação em documentos contábeis e financeiros e, mais do que isso, sem ter intimado o Impugnante para comprovação da liquidação mútua da dívida e do crédito por compensação; nem se diga que é o caso de presunção, uma vez que o fato de existência da compensação não admite esta espécie probatória que tampouco é legalmente autorizada para o caso; conforme balancetes de MMO e Declarações de Imposto de Renda do Impugnante, acostados à Impugnação, a quase totalidade dos créditos e débitos recíprocos entre SAD e MMO ainda permanecem devidamente registrados no ativo e no passivo, aguardando o vencimento de seu termo e o seu efetivo pagamento para que sejam tributados pelo regime de caixa; a violação da segurança jurídica e da transparência é notória em vários aspectos do procedimento fiscalizatório, em especial pelo fato de que toda Fl. 1314DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 14 fiscalização foi conduzida sobre a pessoa jurídica SAD, sem qualquer ciência dos participantes de MMO; em que pese não haver instauração de contraditório na etapa de fiscalização, os procedimentos de fiscalização devem seguir requisitos mínimos para que a ação fiscal tenha atos cristalinos e de plena ciência do contribuinte, necessários a garantir o direito do contribuinte à segurança, à previsibilidade e principalmente, afastálo do arbítrio; tanto isso é verdade que o próprio Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) e o Termo de Início de Ação Fiscal devem ser previamente notificados ao Contribuinte, prevendo prazos e, principalmente, o direito do contribuinte de explicar sua situação fiscal antes de qualquer autuação; o MPF tem obrigatoriamente que conter o escopo e a extensão da fiscalização, conforme artigo 9o da Portaria da Receita Federal do Brasil n° 11.371/2007; tivesse o Agente Fiscal adotado a cautela de intimar os participantes de MMO, dentre eles o Impugnante, poderia ser adotada interpretação diversa daquela dada no termo de encerramento e até impedir a lavratura do auto; a falta de razoabilidade e a transgressão da segurança jurídica ficam evidentes quando se colacionam as datas de abertura do Mandado de Procedimento Fiscal para o Impugnante e a lavratura do auto de infração ora combatido, já que o MPF está datado de 21 de novembro de 2011, enquanto que o auto de infração foi lavrado apenas 2 (dois) dias depois, ou seja, em 23 de novembro de 2011; o Agente Fiscal apenas lavra o MPF para cumprimento de um requisito formal, sem satisfazer as funções e objetivos do documento, qual seja, dar transparência à atividade fiscal e garantir a segurança jurídica dos contribuintes, tendo como único propósito evitar o transcurso do prazo decadencial; os lançamentos foram efetuados nos anos de 2006 e 2007, partindo da premissa fiscal de que nessa época teriam se completado os requisitos legais para compensação de valores; no entanto, a compensação civil, na forma como regida pelos artigos 368 e seguintes do Código Civil, somente admite compensação de dívidas líquidas, vencidas e de coisas fungíveis; conforme se observa do instrumento de confissão de dívida entre MMO e DIC/DAA (fls. 622/626), a quitação se daria com a entrega de cana de açúcar de safra futura, ou seja, da safra de 2007/2008; assim, a dívida de MMO para com DIC/DAA, posteriormente passada à SAD, por conta das integralizações de capital, somente seria exigível a partir da safra de 2007/2008, ou seja, após a data eleita pelo Agente Fiscal como gatilho para tributação do ganho de capital; Fl. 1315DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10865.722574/201187 Acórdão n.º 2301000.813 S2C3T1 Fl. 1.229 15 nos exatos termos do artigo 369 do CC, as dívidas jamais poderiam ter sido compensadas em 2006/2007, pois, nessa época, a dívida de MMO com as usinas, posteriormente repassada para indústria agrícola, não era exigível, eis que não vencida; a compensação dos valores, por expressa disposição legal (cláusula 2.4.1 do “Termo Aditivo ao Instrumento Particular de Contrato de Cessão de Direitos e Obrigações e Outras Avenças", fl. 548), dependia de prévio e formal consentimento dos participantes de MMO, sob pena de se tornar um ato inválido; a compensação jamais poderia terse operado de forma unilateral, como pretendeu o Agente Fiscal, primeiramente porque o Código Civil (art. 369) prevê, expressamente, a condição de exigível das dívidas, o que não ocorre no presente caso, e, em segundo plano, pela cláusula contratual de necessidade de prévio consentimento das partes, o que está de pleno acordo com o artigo 375 do Código Civil e com a teoria da autonomia da vontade das partes; nem se diga que é o caso de aplicação do artigo 123 do CTN e limitação das transações particulares, haja vista que os termos aditivos do contrato de cessão de direitos não pretendiam modificar a responsabilidade e a situação de sujeito passivo, mas apenas que o fato jurídico e particular da compensação, que poderia ou não desencadear uma tributação, somente ocorreria após cessadas as condições previamente acordadas; ainda que se olvidasse da não ocorrência da compensação no caso concreto, ainda assim careceria de melhor fundamentação o lançamento fiscal, uma vez que os valores recebidos por MMO em razão da cessão de direitos para SAD não poderiam ser considerados como ganho de capital, mas sim receita da atividade rural; os direitos sobre os contratos de parceria agrícola, transferidos por MMO para SAD, enquadramse na expressão "bens utilizados, exclusivamente, na exploração da atividade rural", do artigo 61 do RIR/1999, do que decorre a conclusão de que os valores da contrapartida desta cessão têm natureza de receita bruta da atividade rural e assim deveriam ser tributados, caso considerese liquidados; a expressão "bens" da norma envolve não somente os bens corpóreos utilizados na atividade rural (tratores, utensílios de irrigação e plantio, etc), mas também os incorpóreos, tal como é o direito derivado de um contrato de parceria agrícola; a doutrina civil admitem que os bens intangíveis também são dotados de valor econômico e suscetíveis de apropriação; a legislação acerca da matéria entende que a renda da atividade rural abrange não só o fruto do trabalho, mas também o fruto do capital em situações específicas, tais como a venda de bens e direitos do ativo que são empregados exclusivamente na atividade rural; Fl. 1316DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 16 a intenção do legislador jamais foi a de segregar produto do capital e produto do trabalho rural de forma tão simplória, tanto é que no inciso V do mesmo artigo 61, §1°, do RIR/1999, admitiuse, inclusive, que o montante referente à transferência de bens para integralização de capital também seria considerado receita da atividade rural; a Instrução Normativa n° 83/2001 considera como ganho da atividade rural os valores das vendas e cessões dos bens e direitos adquiridos como investimentos, bem como os valores atribuídos aos bens e direitos utilizados na exploração da atividade rural e que foram utilizados para fins de integralização de capital; de modo análogo, é possível tributar como receita decorrente da atividade rural o produto de um contrato firmado entre um Condomínio Rural e uma Sociedade Agrícola, que tem por objetivo, apenas e exclusivamente, transferir do primeiro para o segundo todas as lavouras já formadas a custa de pesados investimentos e que ainda estão em seu ciclo econômico de produção; a própria Receita Federal do Brasil já sedimentou o entendimento de que o valor decorrente da transferência comercial de um direito, como bem incorpóreo, deve ser tributado como receita da atividade rural, conforme Processo de Consulta n° 263/04, SRRF/8ª RF; no presente caso, o direito sobre os contratos de parceria tinha valor econômico considerável, o que pode ser verificado no laudo de avaliação (fls. 531 a 536); em que pese a denominação do contrato ser "cessão de direitos", a cessão na sua essência é sobre o fruto imediato e futuro da atividade agrícola e assim deve ser tributado; o valor cedido à SAD deve ser considerado como receita bruta da atividade rural, haja vista que a transferência, em seu substrato, foi do valor que seria percebido por MMO em futura exploração da atividade rural; a própria legislação tributária e o Regulamento do Imposto de Renda, ao tratarem da receita bruta da atividade rural, fazem menção a bens utilizados na exploração da atividade rural, abrangendo, portanto, tanto os bens corpóreos como os incorpóreos, como os direitos; apesar de o contrato celebrado entre SAD e MMO versar sobre uma cessão de direitos, a simples análise de sua essência e da lógica econômica e jurídica que o norteia, conforme demonstrado no Laudo de Avaliação que lhe serve de suporte, permite depreender que o seu real objeto é o ressarcimento de todos os investimentos que foram feitos ao longo dos anos por MMO, que gerariam frutos futuros, permitindo a percepção de renda diretamente vinculada à exploração da atividade rural; o próprio Agente Fiscal se contradiz ao atribuir a responsabilidade solidária à Abengoa Bioenergia Agroindústria Ltda. (atual denominação de SAD), ou, ao menos, reconhece tacitamente que se trata de receita bruta da atividade rural; Fl. 1317DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10865.722574/201187 Acórdão n.º 2301000.813 S2C3T1 Fl. 1.230 17 se a fiscalização imputa à SAD a responsabilidade solidária pela dívida tributária, nos termos do artigo 133 do CTN, automaticamente está presumindo que esta divida advém da atividade rural, uma vez que o marco para que a responsabilização ocorra é a continuidade da exploração dessa atividade; o auto de infração, ao tributar o Impugnante pelo ganho de capital em detrimento da tributação pela atividade rural, não só incorreu em erro grosseiro como acabou por onerar de forma gravosa uma atividade que é primordial para a economia pátria, tolhendo o Impugnante de deduzir suas despesas de custeio e investimento, quebrando toda a sistemática de incidência tributária da atividade rural; a formação de lavoura, economicamente mensurável, só foi possível mediante a aplicação de recursos financeiros, caracterizados por despesas de custeio e investimentos, custeadas pelas usinas DIC e SAD, conforme averiguado no instrumento particular de confissão de dívida (fls. 622 a 626); MMO sempre considerou a totalidade dos valores decorrentes da cessão de direitos e ativos para SAD como receita bruta da atividade rural, procedendo à tributação nos termos da Lei n° 8.023/1990 e demais normativos correlatos, computandose as despesas de custeio e investimento para formação da lavoura e a receita obtida no efetivo mês de pagamento ou recebimento, formando o resultado da atividade rural do condomínio e de cada comunheiro, na proporção de sua participação, considerandose, ainda, os prejuízos de anos anteriores; é importante verificar, nos balancetes de MMO e nas DIRPF (fls. 687 a 748, 750 a 753 e 759 a 766), que há reconhecimento dos valores que foram efetivamente liquidados pela SAD com autorização de MMO; a receita bruta total pelos balancetes aponta um montante de R$ 262.551.798,03 que, confrontado com o verificado pelo Agente Fiscal (R$ 313.503.780,68), monta a quantia de R$ 50.951.982,60 que já foi reconhecido nas DIRPF dos comunheiros, na proporção da sua participação; considerando os valores dos balancetes, DIRPF e, principalmente, as liquidações efetuadas pela SAD, foram criados alguns cenários diferentes, sendo que, em todos eles, há uma sensível redução de eventual valor que seria tributado; no primeiro cenário, foram considerados os saldos de prejuízos acumulados em 31/12/2010 e a premissa de que os créditos de MMO somente poderiam ser liquidados com expressa autorização deste, considerando assim os valores já liquidados e admitindo a hipótese de que o residual seria imediatamente tributável, ignorando a legislação que determina a aplicação de regime de caixa na atividade rural; Fl. 1318DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 18 nesse cenário, encontraríamos um valor tributável de R$ 5.663.906,85, conforme a planilha discriminativa (fl. 749) e com base no balancete de 31/12/2010, que é muito inferior ao valor tributável do auto de infração, considerando, ainda a limitação de participação do Impugnante no condomínio; em um segundo cenário, partindo da premissa de que todos os valores relativos a cessão de direitos e ativos de MMO foram liquidados pela SAD ainda no ano de 2006, a análise dos balancetes e das DIRPF do condôminos acarretaria um valor tributável de R$ 6.139.619,77 para todo o condomínio, conforme demonstra a planilha elucidativa (fl. 754), considerando, ainda, a participação do Impugnante; na remota hipótese de serem descartadas todas as consistentes argumentações do Impugnante e ser considerado o valor da cessão de direitos como efetivamente liquidado e com natureza de ganho de capital, ainda assim estaríamos falando de auto de infração maculado por erro grosseiro e imprestável, haja vista que o Agente Fiscal desconsidera, por completo, o marco básico da tributação do ganho de capital, qual seja, o custo de aquisição; o custo de aquisição não poderia ser outro que não o valor total empregado na formação das lavouras, que são objeto dos contratos de parceria agrícola e que constituíam os direitos cedidos por MMO para SAD, montante esse que corresponde à soma das despesas de custeio e investimentos de MMO, subsidiadas pela DIC e pela SAD; a própria autoridade fiscal parece reconhecer que os valores objeto do contrato de cessão tinham por objetivo, também, possibilitar que MMO recuperasse os investimentos que foram feitos para a formação das lavouras cedidas e que ainda estavam em fase de exploração econômica (conforme se depreenderia da leitura do 4º parágrafo do item “9” do Termo de Verificação, Encerramento de Fiscalização e Representação Fiscal, em sua página “10”, fl. 435, transcrito na pág. 34 da impugnação, fl. 508); se esses investimentos não foram ainda recuperados, uma vez que a atividade rural de MMO, conforme ressalta a autoridade fiscal, sempre apurou prejuízos, careceria de lógica, razoabilidade e proporcionalidade a tributação da integralidade dos valores objeto dos contratos de cessão celebrados com a SAD, sem qualquer atribuição de "custo de aquisição", nem que esse custo seja, ao menos, a parcela dos "prejuízos" controlados na DIRPF do Impugnante; se seria esse o mínimo que se poderia exigir, em uma situação onde o Condomínio alienante de seus direitos de exploração das safras já plantadas e em produção continuasse a exploração da atividade rural, quanto mais o seria em uma situação como a presente, onde o pressuposto utilizado para fundamentar a exigência fiscal foi, justamente, a suposta constatação do encerramento de fato das atividades do Condomínio; a forma utilizada para apuração do imposto de renda devido na presente situação não apenas é arbitrária e abusiva, mas também confiscatória, por implicar em nítida exigência de imposto sobre o Fl. 1319DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10865.722574/201187 Acórdão n.º 2301000.813 S2C3T1 Fl. 1.231 19 patrimônio e não sobre a renda, além de exigência de imposto de renda sobre a integralidade dos valores objeto dos contratos de cessão de direitos, sem qualquer dedução dos elevados valores que foram aplicados para formação das lavouras em exploração, bem como, na manutenção ad eternum dos "prejuízos decorrentes da exploração da atividade rural" na DIRPF das pessoas físicas, dado o "encerramento de fato" das atividades rurais de MMO em 2007 (conforme constaria no 1o parágrafo do item “9” do Termo de Verificação, Encerramento de Fiscalização e Representação Fiscal, em sua página “10”, fl. 435, transcrito na pág. 35 da impugnação, fl. 509). Ao final, requer: a) o cancelamento do Auto de Infração, em face das alegadas nulidades e inconsistências formais do lançamento tributário; b) caso assim não se entenda, a improcedência do lançamento fiscal em função da invalidade do ato de compensação entre MMO e SAD, eleito como gatilho para incidência tributária; c) o reconhecimento do equivoco grosseiro da fiscalização, que teria entendido ser ganho de capital a receita proveniente de atividade rural, o que acarretaria, ao menos, a sensível redução do montante tributário, pela recomposição dos valores e consideração das despesas de custeios e investimento, bem como dos valores já tributados; d) se for considerado como ganho de capital o valor da cessão de direitos de MMO para SAD e, ainda, admitido que foi efetivada a liquidação por compensação, que seja reduzido o montante tributário em decorrência da necessidade de que seja atribuído como custo de aquisição o valor das despesas de custeios e investimento para formação das lavouras objeto de cessão, se não for o caso de cancelamento da autuação pelo aludido erro material. Protesta por provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, em especial a juntada de novos documentos e a realização de prova pericial ou diligência, caso se entenda necessária sua realização para apuração dos valores dos investimentos efetuados na atividade rural pelo Impugnante. A pessoa jurídica apontada como responsável solidária, Abengoa Bionergia Agroindústria Ltda., representada por procurador, conforme fls. 480 a 485 do Processo n° 13889.720028/201211, apenso ao presente, apresentou, em 23/12/2011, a impugnação de fls. 467 a 479 do referido processo, na qual alega o que segue, em resumo: segundo a Fiscalização, o interesse comum, previsto no artigo 124, inciso I, do CTN, teria se caracterizado na alienação pelos condôminos dos seus bens, direitos e obrigações à própria pessoa jurídica da qual eram sócios (Impugnante); dessa forma, teria a Impugnante participado ativamente das situações jurídicas que constituíram os fatos geradores das obrigações tributárias; Fl. 1320DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 20 alega, ainda, a Fiscalização que a existência de filiais da Impugnante, nos mesmos endereços em que o Condomínio explorava a atividade rural, bem como a contratação de trabalhadores que haviam sido desligados anteriormente, também representaria o interesse comum capaz de atrair a responsabilidade solidária; o entendimento Fiscal desvirtua o conceito de interesse comum, exposto na norma do artigo 124, I, do CTN, pois o correto entendimento do preceito normativo aponta para o fato de que os responsáveis solidários estejam de um mesmo lado da relação jurídicotributária, o que implica dizer que, em uma operação de compra e venda, comprador e vendedor jamais podem ser solidariamente responsabilizados pela aplicação do inciso I do artigo 124 do CTN; o Fiscal confunde o interesse comum que possibilita a configuração da solidariedade com interesse econômico; a jurisprudência já afirmou que estas figuras jurídicas são amplamente distintas, especialmente para configuração de responsabilidade solidária (transcreve ementa de decisão judicial nas págs. 06 e 07 da impugnação, fls. 472 e 473 do processo apenso); o simples fato de todas as pessoas físicas integrantes do Condomínio terem sido sócias da Impugnante à época dos fatos não pode configurar, por si só, o interesse comum, capaz de atrair a responsabilidade subsidiária do artigo 124, I, do CTN; sob esse enfoque, o Superior Tribunal de Justiça afastou pretensões dessa natureza, em hipóteses de relação de natureza societária entre empresas (transcreve ementas de julgados nas págs. 07 e 08 da impugnação, fls. 473 e 474 do processo apenso); no presente caso, apesar de se tratar de um condomínio de pessoas físicas e uma empresa, podese fazer uma analogia dos fatos com a expressão “mesmo grupo econômico”; também em relação ao artigo 133 do CTN, não cabe a imputação de responsabilidade à Impugnante, já que tal preceito normativo visa evitar ações fraudulentas no sentido de que se constituam novos empreendimentos "limpos" e que não carreguem o fardo das dívidas tributárias do antigo estabelecimento à beira da quebra ou já insolvente; diante dessa premissa, a responsabilização da SAD não poderia ocorrer, de forma alguma, em caso em que se tributa o ganho de capital da pessoa física, pois essa tributação, na própria interpretação da fiscalização, não decorre da atividade do condomínio rural, mas sim de uma cessão de direitos alheia à atividade rural, da qual se apurou um ganho de capital; não há o mínimo nexo de casualidade entre o lançamento tributário de ganho de capital na alienação de bem de pessoa física e a responsabilidade solidária de pessoa; Fl. 1321DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10865.722574/201187 Acórdão n.º 2301000.813 S2C3T1 Fl. 1.232 21 jurídica que mantém a exploração de atividade agrícola da pessoa física autuada, pois não é este o descritivo da norma inserta no artigo 133 do CTN; ou o Fisco entende que é ganho de capital e promove a cobrança sobre as pessoas físicas integrantes do condomínio, ou se admite que se trata de atividade rural, oportunidade em que até poderia ser responsabilizada a SAD, mas que demandaria uma total correção dos valores, uma vez que, a teor das disposições legais sobre o assunto (Lei n° 8.023/90 e IN SRF n° 83/2001), a tributação da atividade rural de produtor pessoa física é demasiadamente menos onerosa daquela do ganho de capital; a solidariedade não pode ser presumida, de acordo com o artigo 265 do Código Civil, devendo resultar de lei, em conformidade com o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (julgado mencionado na pág. 12 da impugnação, fl. 478 do processo apenso). Protesta pelo aproveitamento das razões de mérito aduzidas nas defesas apresentadas pelas pessoas físicas integrantes do condomínio rural, a serem julgadas em conjunto com a impugnação ora em referência. Por fim, requer o cancelamento do Termo de Atribuição de Responsabilidade Tributária, por entender não configurada a responsabilidade solidária da impugnante, e apresenta solicitação concernente a intimações a serem expedidas. O feito foi instruído com o documento de fls. 770 a 881, colhido no curso do procedimento fiscal que deu origem à autuação, e com consulta ao banco de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), de fl. 882. Pelo Despacho de fls. 883 e 884, determinouse o retorno dos autos à Delegacia de origem, para a realização de diligência na SAD/ABAG, com vistas à adoção das seguintes providências: a) esclarecer a forma e a(s) data(s) de extinção da parte das obrigações da SAD/ABAG perante MMO, não liquidada mediante compensação; b) trazer aos autos a cópia da alteração do contrato social da SAD/ABAG, formalizada por ocasião da retirada do contribuinte em epígrafe do quadro societário. No expediente de fl. 918, a diligenciada afirma que “não houve extinção de obrigações em relação a MMO que não seja mediante compensação”. Anexa cópia do Instrumento Particular de 5ª Alteração do Contrato Social da SAD, fls. 919 a 935. O contribuinte foi intimado a apresentar os esclarecimentos e elementos acima referidos e a se manifestar sobre o resultado da diligência, tendo trazido aos autos razões já aduzidas por ocasião da impugnação (fls. 894 a 897 e 950 a 956), centradas na tese de invalidade das compensações de Fl. 1322DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 22 dívidas recíprocas levadas a efeito pela SAD, porquanto teriam sido realizadas de forma unilateral. Decorreu in albis o prazo para a SAD/ABAG manifestarse sobre o resultado da diligência. A Turma de Primeira Instância, julgou procedente em parte a impugnação, conforme ementa abaixo transcrita: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 PRELIMINAR. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há que se cogitar de nulidade do lançamento efetuado por autoridade competente, com a observância dos requisitos exigidos na legislação de regência. O Mandado de Procedimento Fiscal é um instrumento interno de controle administrativo que não interfere na competência do AuditorFiscal para proceder ações fiscais ou constituir créditos tributários, porquanto essa competência é instituída por lei. Não invalida o lançamento decorrente de revisão da declaração de ajuste anual a ausência de intimação prévia do contribuinte para prestar esclarecimentos. GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE DIREITOS. Evidenciada nos autos a quitação parcial do valor da cessão de direitos, mediante compensação de débitos recíprocos entre cedente e cessionária, exonerase o crédito tributário relativo à parcela cuja quitação não restou comprovada. Não há previsão legal para a tributação do valor correspondente à cessão de direitos sobre safras futuras como receita da atividade rural ou para a compensação de prejuízos acumulados da atividade rural com rendimentos de outra natureza. A apreciação de teses contra a constitucionalidade ou legalidade de leis ou atos normativos é privativa do Poder Judiciário. Não há custo a ser atribuído à operação, porquanto os dispêndios realizados com a cultura em formação foram alocados como despesas da atividade rural, nos termos da legislação aplicável à tributação dessa atividade. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL. Comprovada nos autos a quitação parcial do valor da alienação de bens utilizados na exploração da atividade rural, mediante compensação de débitos recíprocos entre alienante e adquirente, o valor omitido é inferior ao apurado pela fiscalização. Em consequência, alterase o saldo do prejuízo a compensar em anoscalendário subsequentes. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 Fl. 1323DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10865.722574/201187 Acórdão n.º 2301000.813 S2C3T1 Fl. 1.233 23 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Não subsiste a atribuição de responsabilidade solidária, nos termos do artigo 124, inciso I, do Código Tributário Nacional (CTN), à pessoa que figura como adquirente nas operações que ensejaram o lançamento, por ser descabida a atribuição de responsabilidade solidária a pessoas que figuram em polos opostos da relação jurídica. A responsabilidade referida no artigo 133 do CTN abrange os tributos relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, não alcançando os tributos não vinculados à exploração da respectiva atividade, como é o caso do imposto sobre o ganho de capital na alienação de direitos pela pessoa física. No que tange à omissão de rendimentos correspondentes à alienação dos bens utilizados na atividade rural, haveria responsabilidade subsidiária da adquirente, caso houvesse imposto a ser exigido, porquanto o alienante prosseguiu na exploração da atividade. Entretanto, na situação dos autos, o procedimento fiscal resultou em redução do prejuízo a compensar em anoscalendário subsequentes. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte" O contribuinte foi cientificado do Acórdão n° 1653.151 da 16ª Turma da DRJ/SP1 em 06/12/2013 (fl. 1.001 pdf). Sobreveio Recurso Voluntário em 03/01/2014 (fls. 1.003/1.062 pdf), no qual, o contribuinte, em suma, ratificou as razões da impugnação. Tendo em vista a interposição de Recurso de Ofício, nos termos do artigo 34, I, do Decreto 70.325, de 6 de março de 1972, e de acordo com a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, o processo foi encaminhado para este Egrégio Conselho. Em sessão realizada dia 25/01/2016, o julgamento foi convertido em diligência Resolução 2301000.560 (fls. 1.107/1.130), pois fora constatado que a empresa Abengoa Bionergia Agroindústria Ltda não havia sido intimada da decisão de primeira instância. Em 12/02/2016, às fls. 1.118, a contribuinte supracitada foi devidamente intimada. Em 11/03/2016, a empresa Abengoa Bionergia Agroindústria Ltda. apresentou petição denominada de contrarrazões ao recurso de ofício (fls. 1.200/1.215), basicamente discorrendo sobre a impossibilidade de ser responsabilizada solidariamente e postulando pela manutenção da decisão recorrida, negandose provimento ao recurso de ofício. É o relatório. Passo a decidir. Fl. 1324DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 24 Voto Vencido Conselheira Relatora Alice Grecchi Os recursos ora analisados, possuem os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merecem ser conhecidos. O auto de infração foi lavrado contra o recorrente com base em duas infrações: omissão de rendimentos da atividade rural e omissão/apuração incorreta de ganhos de capital auferidos na alienação de bens ou direitos pelo Condomínio Agrícola Márcio Milan de Oliveira e Outros (MMO), visto que este cedeu à SAD (Sociedade Agrícola Dedini) os seus ativos e os direitos sobre contratos de parceria agrícola. No final do ano de 2006, os integrantes do Condomínio Agrícola MMO transferiram os seus ativos e os direitos sobre as parcerias rurais à empresa Sociedade Agrícola Dedini (SAD), da qual eram sócios na mesma proporção da participação no condomínio. Desta forma, em 14 de novembro de 2006 foi celebrado o “Instrumento Particular de Contrato de Cessão de Direitos e Obrigações, e Outras Avenças”, por meio do qual o Condomínio MMO transferiu à SAD todos os direitos e obrigações dos contratos de parceria agrícolas. Foi elaborado um “Laudo de Avaliação da Cultura da Cana de Açúcar” que concluiu que o valor dos direitos de exploração das lavouras de cana de açúcar de propriedade do Condomínio MMO atingiria a quantia de R$ 280.157.514,64 (duzentos e oitenta milhões, cento e cinquenta e sete mil, quinhentos e quatorze reais e sessenta e quatro centavos). Em 1o de dezembro de 2006, através do “Contrato de Cessão e Transferência de Ativos e Outras Avenças”, o Condomínio MMO cedeu à SAD a titularidade dos seus ativos, constituídos por: (a) bens da conta de Ativo Imobilizado, (b) direitos a receber (adiantamentos a empregados, seguros), (c) direitos referentes aos projetos e desenvolvimento de logística e pesquisas relacionadas ao melhoramento genético da cana de açúcar; (d) direito relacionado aos adiantamentos a fornecedores; (e) estoque de insumos. Com efeito, antes de adentrar no mérito passo a analisar as preliminares arguidas pelo recorrente: NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DO RECORRENTE NA FASE DE FISCALIZAÇÃO Efetivamente resta inconteste que o recorrente não foi intimado na fase de fiscalização, uma vez que o próprio fiscal autuante afirma em fl. 446: “Os fatos e o embasamento jurídico que sustentam a imposição fiscal encontramse detalhados no “Termo de Verificação, encerramento de Fiscalização e Representação Fiscal”, lavrado contra a pessoa jurídica da qual o autuado também era sócio. Referido Termo é parte integrante do presente Termo de Verificação Fiscal e, conseqüentemente, do Auto de Infração lavrado. Não houve necessidade de expedição de Intimação prévia a contribuinte pessoas física, pois todos os elementos e Fl. 1325DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10865.722574/201187 Acórdão n.º 2301000.813 S2C3T1 Fl. 1.234 25 esclarecimentos necessários formação de convicção do fisco quanto à existência das infrações foram colhidos durante a diligência fiscal na sociedade da qual era sócio e tem o contribuinte como signatário (Contratos, Aditivos e seus Anexos). Referidos elementos foram cotejados com as suas Declarações de Rendimentos (DIRPF) dos anoscalendário de 2006 e 2007 constantes dos Bancos de Dados da Receita Federal do Brasil. Os elementos contábeis utilizados são de período em que o contribuinte era sócio da pessoa jurídica Sociedade Agrícola Dedini (SAD) e, portanto, são de seu prévio conhecimento.” O Termo de Verificação Fiscal de fls. 446/448 relata de forma clara e completa a descrição dos fatos, os procedimentos fiscais adotados, as verificações efetuadas, as conclusões obtidas e os fundamentos de fato e de direito em que se apoia a autuação. Em sua defesa, o contribuinte revela ter conhecimento preciso da autuação que lhe foi imputada. Na esteira da Decisão a quo, na hipótese de revisão da declaração de ajuste anual, o lançamento poderá ser efetuado com base nos elementos de que dispuser a repartição, nos termos do artigo 835, § 2o, do Regulamento do Imposto de Renda (RIR Decreto no 3.000/1999), in verbis: Art. 835. As declarações de rendimentos estarão sujeitas a revisão das repartições lançadoras, que exigirão os comprovantes necessários (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 74). (...) § 2° A revisão será feita com elementos de que dispuser a repartição, esclarecimentos verbais ou escritos solicitados aos contribuintes, ou por outros meios facultados neste Decreto (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 74, § 1o). O direito ao contraditório e à ampla defesa foram assegurados, nos termos do artigo 14 e seguintes do Decreto n° 70.235/1972, desde a impugnação, através de diligências determinadas pela DRJ, bem como no presente recurso. Ademais, nesse sentido cabe transcrever excertos das contrarrazões da PGFN ( fl. 1075): “Por outro lado, o contribuinte ainda busca embasar sua tese no art. 196 da Lei n° 5.172, de 19662, e no art. 7º do Decreto n° 70.235, de 19723. Todavia, os dispositivos citados pelo recorrente não prevêem a obrigatoriedade de intimar o contribuinte para prestar esclarecimentos, ainda mais quando se considera que a autoridade fiscal já tem em seu poder todos os documentos que julgava necessários para realizar o lançamento. Implica dizer que, se a Fiscalização tinha conhecimento de todos os fatos que considerava suficientes para lançar o crédito tributário, não havia quaisquer esclarecimentos que o Fl. 1326DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 26 contribuinte deveria fazer. Isso demonstra que a “intimação para prestar esclarecimentos” ato que o recorrente, repetidas vezes, salienta que deixou de ser praticado e que, por isso, o lançamento seria nulo mostravase absolutamente dispensável. Tratase de uma questão até mesmo lógica: por que deveria haver intimação do contribuinte se a autoridade fiscal havia formado sua convicção a respeito dos fatos e das infrações tributárias? Seguindo a mesma linha de raciocínio, perguntase: a racionalidade do procedimento de lançamento de créditos tributários realmente demanda que a autoridade fiscal realize um ato inócuo? Devese intimar os contribuinte para “esclarecer” algo que não precisa de esclarecimento?” Visto que a intimação do recorrente, na fase de fiscalização, comprovadamente, restou dispensável, rejeito a presente preliminar. NULIDADE – MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL No que tange à alegação de descumprimento das normas que estabelecem as regras de emissão do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), tratase de instrumento que se destina ao planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais relativos ao tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, podendo até acarretar sanções disciplinares, mas não a nulidade dos atos praticados pelo Auditor, em conformidade com a jurisprudência pacífica da Câmera Superior de Recursos Fiscais, cujas ementas seguem abaixo transcritas: MPF DESCUMPRIMENTO DA PORTARIA SRF 3007/2001 NULIDADE – O desrespeito à previsão de indicação no MPFF de período fiscalizado e autuado não implica na nulidade dos atos administrativos posteriores, porque Portaria do Secretário da Receita Federal não pode interferir na investidura de competência do AFRF de fiscalizar e promover lançamento; ademais, o descumprimento de algum item do art. 7 da Portaria SRF 3007/2001 não traz como consequência a nulidade do ato. Recurso voluntário negado. (Acórdão CSRF nº 40105558, julgado em 04.12.2006) MPF FALTA DE RENOVAÇÃO NO PRAZO REGULAMENTAR NULIDADE INOCORRÊNCIA – O desrespeito à renovação do MPF no prazo previsto na Portaria SRF 1265/99 não implica na nulidade dos atos administrativos posteriores. Recurso voluntário negado. (Acórdão CSRF nº 40105189, julgado em 14.03.2005) Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Ano calendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 NORMAS PROCESSUAIS MPF É de ser rejeitada a nulidade do lançamento, por constituir o Mandado de Procedimento Fiscal elemento de controle da administração tributária, não influindo na legitimidade do lançamento tributário. Recurso especial negado. (Acórdão CSRF nº 40106085, julgado em 11.11.2008) Por isso, rejeito esta preliminar. Fl. 1327DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10865.722574/201187 Acórdão n.º 2301000.813 S2C3T1 Fl. 1.235 27 COMPENSAÇÃO – AUSÊNCIA DE PROVAS DO FATO JURÍDICO TRIBUTÁRIO. O recorrente alega que “havia cláusula específica no contrato de cessão de direitos dispondo que a compensação entre esses créditos e débitos demandaria ciência e autorização expressa de ambas as partes envolvidas. ” Argumenta que a Fiscalização elegeu o momento da incidência tributária quando da compensação dos créditos e débitos existentes entre o condomínio de produtores rurais capitaneado pelo contribuinte (MMO), e a empresa Sociedade Agrícola Dedini Ltda., CNPJ 06.252.818/000188, atual Abengoa Bioenergia Agroindústria Ltda. (SAD ou SAD/ABAG), mediante registros contábeis efetuados nessa última. Neste item, transcrevo como fundamentos para julgar a questão, excertos das contrarrazões da PGFN de fls. 1.086/1.089: III.1 – Compensação realizada pela SAD/ABAG dos créditos detidos em face do condomínio MMO A questão relativa à compensação dos valores devidos pelo condomínio MMO com os créditos que este condomínio possuía em face da SAD/ABAG somente pode ser compreendida se analisarmos como eram as operações de produção e venda de canadeaçúcar. Notadamente, importante relembrar que os custos com a atividade agrícola desenvolvida por MMO eram subsidiados pelas usinas DIC/ABSL e DAA/ABSJ. Conforme descrito acima, o condomínio MMO firmava contratos de parceria agrícola, de modo a conseguir terras para realizar o plantio e cultivo de canade açúcar. Por sua vez, DIC/ABSL e DAA/ABSJ atuavam como agentes financiadores da atividade agrícola, se encarregando de oferecer os recursos financeiros solicitados por MMO. A contrapartida para as usinas DIC/ABSL e DAA/ABSJ vinha na forma do compromisso, assumido por MMO, de entregar para as referidas usinas a produção de canadeaçúcar – sendo que essa obrigação era prevista no próprio contrato de parceria agrícola, estabelecido entre MMO e os proprietários das glebas rurais. Dentro desse contexto, o procedimento seguido pelas usinas e MMO era o seguinte: a cada mês, eram contabilizadas as despesas custeadas pela DIC/ABSL e pela DAA/ABSJ; por seu turno, o condomínio MMO reconhecia o valor da dívida e oferecia como garantia ao pagamento da mesma dívida as lavouras de canade açúcar, na forma de penhor agrícola. Para esclarecer melhor, vale a pena transcrever trecho de um “Instrumento de Confissão de Dívida”, por meio do qual o condomínio MMO (DEVEDOR) reconhecia seu débito com a DIC/ABSL (CREDORA): Considerando que o DEVEDOR é fornecedor de canadeaçúcar para a CREDORA, e que as operações entre as partes são registradas em conta corrente, nas quais são contemplados, além da entrega da matéria prima a crédito do DEVEDOR, empréstimos financeiros e despesas decorrentes de movimentação diversas, suportadas pela CREDORA a débito do primeiro, e cujo resultado líquido é apurado mês a mês; Fl. 1328DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 28 1 – O DEVEDOR, (...) confessa dever à CREDORA a importância de R$ 9.926.626,29 (nove milhões, novecentos e vinte e seis mil, seiscentos e vinte e seis reais e vinte e nove centavos), referente ao saldo devedor da conta corrente a que se refere o considerando acima, apurado no mês de novembro de 2006, estando as movimentações devidamente contabilizadas nas contas correspondentes. 2 – Que em decorrência da dívida ora confessada, o DEVEDOR promete e obrigase a resgatála, mediante o fornecimento à CREDORA de 239.567 (duzentas e trinta e nove mil, quinhentas e sessenta e sete) toneladas de canadeaçúcar, cortada no campo, da seguinte forma 2.1 – Na safra agrícola 2008/2009, 239.567 toneladas de canadeaçúcar; 3 – Para garantia de pagamento da dívida confessada o DEVEDOR emite, neste ato, uma Nota Promissória, no valor de R$ 9.926.626,29 (nove milhões, novecentos e vinte e seis mil, seiscentos e vinte e seis reais e vinte e nove centavos), com vencimento à vista, a qual reconhece como líquida, certa e exigível, para todos os fins e efeitos de direito e deste contrato. Um dos motivos apresentados pelo recorrente como obstáculo à compensação é que as dívidas do condomínio MMO não estariam vencidas na época da compensação, requisito elencado no art. 369 do Código Civil de 2002, para que ocorra a compensação. A suposta inexigibilidade da dívida encontraria suporte na maneira do pagamento das dívidas contraídas por MMO, isto é, a quitação aconteceria apenas com a entrega da lavoura. É com base nisso que o contribuinte argumenta que as dívidas ainda não seriam exigíveis. Entretanto, essa interpretação dos fatos não encontra suporte se considerarmos o contexto das operações entre as usinas DIC/ABSL e DAA/ABSJ e o condomínio MMO. Com efeito, basta lembrar que os recursos financeiros necessários para implementar o cultivo e produção de canadeaçúcar eram disponibilizados pelas usinas. Esses valores repassados ao condomínio MMO foram objeto de contrato de confissão de dívida, no qual o referido condomínio reconheceu a sua obrigação perante as usinas DIC/ABSL e DAA/ABSJ. Implica dizer que as dívidas de MMO eram líquidas, certas e poderiam ser exigidas pelas usinas. Corrobora essa afirmação o conteúdo do documento acima transcrito – daí sua relevância –, visto que as notas promissórias emitidas por MMO representavam, sim, uma dívida líquida, certa e exigível – no caso, as dívidas com as usinas pelos financiamentos da lavoura de canadeaçúcar. Nesse ponto, convém salientar que, apesar de o Grupo ABENGOA ter apresentado somente um dos vários “Instrumento Particular de Contrato de Confissão de Dívida” firmados pelo condomínio MMO, não há motivos para duvidar que todos as confissões de dívida tenham seguido esse modelo. Com efeito, o representante do GRUPO ABENGOA deixou expresso que o documento apresentado serviria como exemplo, o que evidencia que não era necessário trazer todos os documentos de confissão de dívida, pois todos teriam o mesmo conteúdo. Por sua vez, também merece ser mencionado que o documento entregue à Fiscalização dizia respeito somente a uma dívida perante a DIC/ABSL. A partir disso, poderia ser levantado que essa realidade não se aplicaria aos créditos reconhecidos pelo condomínio MMO em favor da DAA/ABSJ. Nesse ponto, vale lembrar que se tratavam de operações envolvendo o mesmo grupo empresarial – na época, o GRUPO DEDINI –, razão pela qual mostrase perfeitamente válido assumir que a mesma sistemática observada em relação à DIC/ABSL encontravase nos documentos de confissão de dívida firmados com a DAA/ABSJ. Afinal, não faria nenhum sentido que as empresas pertencentes ao mesmo grupo empresarial – a DIC/ABSL e a DAA/ABSJ –, situadas na mesma região, desempenhando a mesma Fl. 1329DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10865.722574/201187 Acórdão n.º 2301000.813 S2C3T1 Fl. 1.236 29 atividade empresarial resolvessem adotar formas distintas de negociar os termos dos contratos de parceria agrícola, estabelecidos com o condomínio MMO. Feitas essas considerações, resta evidente que as dívidas assumidas em favor da DIC/ABSL e da DAA/ABSJ possuíam os atributos de liquidez, certeza e exigibilidade – ao contrário do que foi afirmado pelo recorrente. Dessa maneira, se essas mesmas dívidas foram utilizadas para integralizar aumento de capital da SAD/ABAG, não haveria óbice legal para que fossem extintas por meio de compensação – quando a SAD/ABAG tornouse, ao mesmo tempo, credora e devedora do condomínio MMO. A segunda alegação do recorrente é no sentido de que a autoridade fiscal não teria comprovado a efetiva compensação dos débitos e créditos, tendo a Fiscalização se baseado em atos unilaterais praticados pela SAD/ABAG. De acordo com o recorrente, a SAD/ABAG teria descumprido os termos do contrato de cessão de direitos firmado entre esta pessoa jurídica e o condomínio MMO. Isso porque o citado contrato previa a possibilidade de compensação para a liquidação das dívidas de MMO, mas desde que o condomínio concordasse com essa operação. Não obstante, após o GRUPO ABENGOA ter se tornado controlador das pessoas jurídicas que compunha o GRUPO DEDINI – entre elas a SAD/ABAG, a DIC/ABSL e a DAA/ABSJ – a SAD/ABAG teria realizado unilateralmente a compensação dos débitos e créditos relativos ao MMO. Novamente, o contribuinte apresenta os fatos de maneira descontextualizada. Em primeiro lugar, a comprovação de que houve compensação encontrase nos registros contábeis da SAD/ABAG, conforme destacado pela DRJ/SP1: Após a contribuição dos créditos para a Intimada, estes foram liquidados, ainda em 2007, mediante compensação com passivos da Intimada em face de MMO. Os seguintes lançamentos contábeis foram registrados pela Intimada: Crédito de R$ 19.447.099,27 conta razão 1.10.03.001.0007 (Clientes curto prazo MMO) de 01/03/2007 lote 000131 sequência 000002/0003; Débito de R$ 1.799.521,74 conta razão 2.10.01.001.0009 (Fornecedores curto prazo MMO) de 01/03/2007 lote 000131 sequência 000002/0001; Débito de R$ 17.647.577,53 conta razão 2.10.01.001.0009 (Fornecedores curto prazo MMO) de 01/03/2007 lote 000131 sequência 000002/0002; Crédito de R$ 164.649.705,58 conta razão 1.10.03.001.0007 (Clientes curto prazo MMO) de 30/09/2007 lote 000916 sequência 000001/0002; Débito de R$ 164.649.705,58 conta razão 2.10.01.001.0009 (Fornecedores curto prazo MMO) de 30/09/2007 lote 000916 sequência 000001/0001; Crédito de R$ 88.063.656,37 conta razão 1.15.01.002.0004 (Clientes longo prazo MMO) de 30/09/2007 lote 000916 sequência 000001/0004; Débito de R$ 88.063.656,37 conta razão 2.20.01.001.0004 (Fornecedores longo prazo MMO) de 30/09/2007 lote 000916 sequência 000001/0003. A tese do contribuinte é de que o condomínio MMO não teria autorizado expressamente a compensação. Para que se admita essa hipótese como verdadeira, Fl. 1330DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 30 seria preciso imaginar que apenas a SAD/ABAG teria se beneficiado com a operação, enquanto o contribuinte aceitava passivamente sua situação desvantajosa. Ora, srs. Conselheiros, se a SAD/ABAG compensou indevidamente os crédito e débitos oriundos de suas operações com o condomínio MMO, a consequência é que os integrantes do condomínio não receberam os valores que lhe caberiam em virtude da cessão de direitos e bens, realizadas em novembro e dezembro de 2006. Com efeito, para a SAD/ABAG, suas dívidas com o condomínio MMO estavam liquidadas e não precisaria entregar mais nenhuma quantia aos integrantes do referido condomínio. Portanto, também rejeito esta preliminar. MÉRITO Cabe inicialmente analisar o Recurso de Ofício. Tendo em vista que a Autoridade Autuante, considerou que os fatos geradores, tanto da omissão de rendimentos da atividade rural, bem como do ganho de capital na alienação de bens e direitos, ocorreram com a compensação de créditos recíprocos. Do total constante do Auto de Infração de R$ 313.503.780,68 (R$286.350,740,05 Ganho de Capital e R$ 27.153.040,63 – Receita da Atividade Rural), restou comprovado que foram extintos por compensação de créditos recíprocos, o valor total de R$ 272.160.461,22, a quantia de R$ 242.804.084,27 referese a cessão de direitos (Ganho de Capital) e, a importância de R$ 29.356.376,95, a alienação de ativos, cujo valor tributável é de R$ 20.922.067,76 (Receita da Atividade Rural), conforme demonstrativo abaixo: Alienação de Ativos Mês Cessão de Direitos Total Tributável dez/06 402.322,62 41.008,09 26.834,66 jan/07 3.423.235,89 349.906,46 228.970,00 fev/07 403.153,46 41.955,35 27.454,53 mar/0 7 18.773.204,75 1.914.384,83 1.252.725,37 abr/07 1.133.032,88 116.350,78 76.137,03 mai/07 13.748.701,01 1.402.245,33 917.594.14 jun/07 6.153.625,44 1.872.061,48 1.837.423,02 jul/07 558.046,42 848.783,19 815.825,80 ago/07 439.465,16 45.656,55 29.876,50 set/07 159.077,58 17.077,10 11.174,83 out/07 1.582.909,78 1.358.456,38 1.280.735,73 nov/07 203.936,91 21.649,54 14.166,92 dez/07 6.547.069,95 668.194,77 437.249,88 jan/08 13.481.522,12 1.374.149,64 899.209,03 fev/08 30.555,03 3.114,42 2.038,00 mar/08 133.514.867,01 13.608.953,39 8.905.357,43 abr/08 30.555,03 208.531,15 203.735,65 mai/08 30.555,03 3.114,42 2.038,00 jun/08 30.555,03 3.114,42 2.038,00 jul/08 30.555,03 3.114,42 2.038,00 ago/08 363.943,69 37.096,19 24.274,82 set/08 83.556,11 8.516,74 5.573,14 out/08 1.068.971,94 1.269.563,11 1.210.891,48 nov/08 4.634,93 1.491,71 976,14 Fl. 1331DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10865.722574/201187 Acórdão n.º 2301000.813 S2C3T1 Fl. 1.237 31 dez/08 14.634,93 1.491,71 976,14 jan/09 14.634.93 1.491,71 976,14 fev/09 14.634,93 1.491,71 976,14 mar/09 40.552.126,68 4.133.412,36 2.704.801,28 Total 242.804.084,27 29.356.376,95 20.922.067,76 Uma vez que o valor tributável relativo ao impugnante é de R$ 186.959.144,89, resultante da aplicação do percentual de participação no condomínio, de 77% (setenta e sete por cento), sobre o montante tributável, de R$ 242.804.084,27, remanesce a exigência do imposto sobre o ganho de capital na alienação de direitos, de R$ 28.043.871,73. A alteração no Resultado da Atividade Rural, em virtude da redução do valor da omissão de rendimentos para R$ 16.109.992,17 (=R$ 20.922.067,76 x 77%) resta abaixo demonstrada: MÊS RECEITA BRUTA MENSAL (R$) DESPESAS DE CUSTEIO/ INVESTIMENT O R$ Janeiro 18.500,00 2.079.098,12 Fevereiro 679.535,07 1.301,84 Março 1.749.268,93 2.082.254,90 Abril 7.306.471,18 4.660.711,49 Maio 20.192,12 410.984,96 Junho 34.500,00 268.095,21 Julho 37.207,55 135.842,09 Agosto 761.059,92 479.089,21 Setembro (Omissão) 16.112.473,62 193.917,06 Outubro 3.254.510,41 900.548,78 Novembro 10.000,00 169.321,30 Dezembro 56.969.347,01 42.987.729,64 Total 86.953.065,81 54.368.894,60 * Valor declarado de R$ 2.481,45 + omissão de R$ 16.109.992,17. APURAÇÃO DO RESULTADO TRIBUTÁVEL (R$) Discriminação Valores (R$) Receita bruta total 86.953.065,81 Despesas de Custeio e Investimento 54.368.894,60 Resultado I 32.584.171,21 Prejuízo de exercício anterior 188.632.816,00 Resultado após compensação do prejuízo 156.048.644,79 Opção pelo arbitramento sobre a receita bruta 17.390.613,16 RESULTADO TRIBUTÁVEL 156.048.644,79 INFORMAÇÕES PARA O EXERCÍCIO SEGUINTE Prejuízo a compensar 156.048.644,79 Valor dos adiantamentos recebidos em 2007 por conta de venda pra entrega futura 0,00 Fl. 1332DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 32 APURAÇÃO DO RESULTADO NÃOTRIBUTÁVEL Valor dos adiantamentos recebidos até 2006 referente a produtos entregues em 2007 1.009.248,06 RESULTADO NÃO TRIBUTÁVEL 31.574.923,15 Portanto, o valor do prejuízo a compensar a partir do ano calendário de 2008 fica alterado para R$ 156.048.644,79." Da análise dos autos, dentro da premissa utilizada pelo Auto de Infração que ambas as infrações ocorrem com as respectivas compensações, entendo que o Recurso de Ofício não merece provimento, não há reparos a serem realizados na decisão a quo, uma vez que a mesma realizou as alterações reduzindo os valores lançados até o montante dos respectivos valores efetivamente compensados. Ou seja: o Auto de Infração lançou o valor de R$ 313.503.780,68 (R$286.350,740,05 Ganho de Capital e R$ 27.153.040,63 – Receita da Atividade Rural), quando os valores extintos por compensação foram de R$ 272.160.461,22, sendo a quantia de R$ 242.804.084,27 referese a cessão de direitos (Ganho de Capital) e, a importância de R$ 29.356.376,95, a alienação de ativos, cujo valor tributável é de R$ 20.922.067,76 (Receita da Atividade Rural), portanto não merece reparos a Decisão. Assim, nego provimento ao Recurso de Ofício. No que tange a Responsabilidade Tributária da Abengoa, sua exclusão resta definitiva pela Decisão a quo, nos termos constantes da respectiva ementa, abaixo transcrita: RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Não subsiste a atribuição de responsabilidade solidária, nos termos do artigo 124, inciso I, do Código Tributário Nacional (CTN), à pessoa que figura como adquirente nas operações que ensejaram o lançamento, por ser descabida a atribuição de responsabilidade solidária a pessoas que figuram em polos opostos da relação jurídica. A responsabilidade referida no artigo 133 do CTN abrange os tributos relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, não alcançando os tributos não vinculados à exploração da respectiva atividade, como é o caso do imposto sobre o ganho de capital na alienação de direitos pela pessoa física. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL Passo a analise do mérito da infração de omissão de rendimentos da atividade rural. Considerando que foram rejeitadas as preliminares, entendo que efetivamente ocorreu o fato gerador quanto à primeira infração, em consonância com a legislação de regência, abaixo transcrita: LEI 8.023, DE 12 DE ABRIL DE 1990: Fl. 1333DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10865.722574/201187 Acórdão n.º 2301000.813 S2C3T1 Fl. 1.238 33 Art. 1º Os resultados provenientes da atividade rural estarão sujeitos ao Imposto de Renda de conformidade com o disposto nesta lei. Art. 4º Considerase resultado da atividade rural a diferença entre os valores das receitas recebidas e das despesas pagas no anobase. § 1º É indedutível o valor da correção monetária dos empréstimos contraídos para financiamento da atividade rural. § 2º Os investimentos são considerados despesas no mês do efetivo pagamento. § 3º Na alienação de bens utilizados na produção, o valor da terra nua não constitui receita da atividade agrícola e será tributado de acordo com o disposto no art. 3º, combinado com os arts. 18 e 22 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988. Art. 5º A opção do contribuinte, pessoa física, na composição da base de cálculo, o resultado da atividade rural, quando positivo, limitarseá a vinte por cento da receita bruta no ano base. (grifei) DECRETO Nº 3.000, DE 26 DE MARÇO DE 1999: Art. 61. A receita bruta da atividade rural é constituída pelo montante das vendas dos produtos oriundos das atividades definidas no art. 58, exploradas pelo próprio produtorvendedor. § 1º Integram também a receita bruta da atividade rural: I os valores recebidos de órgãos públicos, tais como auxílios, subvenções, subsídios, aquisições do Governo Federal AGF e as indenizações recebidas do Programa de Garantia da Atividade Agropecuária PROAGRO; II o montante ressarcido ao produtor agrícola, pela implantação e manutenção da cultura fumageira; III o valor da alienação de bens utilizados, exclusivamente, na exploração da atividade rural, exceto o valor da terra nua, ainda que adquiridos pelas modalidades de arrendamento mercantil e consórcio; IV o valor dos produtos agrícolas entregues em permuta com outros bens ou pela dação em pagamento; V o valor pelo qual o subscritor transfere os bens utilizados na atividade rural, os produtos e os animais dela decorrentes, a título da integralização do capital. § 2º Os adiantamentos de recursos financeiros, recebidos por conta de contrato de compra e venda de produtos agrícolas para entrega futura, serão computados como receita no mês da efetiva entrega do produto. Fl. 1334DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 34 § 3º Nas vendas de produtos com preço final sujeito à cotação da bolsa de mercadorias ou à cotação internacional do produto, a diferença apurada por ocasião do fechamento da operação compõe a receita da atividade rural no mês do seu recebimento. § 4º Nas alienações a prazo, deverão ser computadas como receitas as parcelas recebidas, na data do seu recebimento, inclusive a atualização monetária. § 5º A receita bruta, decorrente da comercialização dos produtos, deverá ser comprovada por documentos usualmente utilizados, tais como nota fiscal do produtor, nota fiscal de entrada, nota promissória rural vinculada à nota fiscal do produtor e demais documentos reconhecidos pelas fiscalizações estaduais. (grifei) Verificase assim que o parágrafo 4º, do art. 61, do Decreto nº 3.000/99 postergou o fato gerador da incidência do imposto, nos casos de alienações a prazo, de modo que tais vendas apenas serão consideradas receitas na data do seu efetivo recebimento, alterando, por consequência, o momento do fato gerador. Embora o contrato de cessão e transferências dos ativos tenha ocorrido em 2006 e alguns de seus aditivos tenham ocorrido em 2007, o fato gerador se concretizou com as respectivas compensações, por ser uma forma de extinção das obrigações conforme art. 368 do Código Civil. Art. 368. Se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem. O Contrato de Cessão e transferência de Ativos (fls. 580 e seguintes) firmado em 01/12/2006 traz a venda do ativo imobilizado no anexo I, no valor de R$ 15.759.591,54, os adiantamentos a empregados, seguros, etc., no Anexo II, no valor de R$ 918.721,23, os projetos e desenvolvimento de logistica, pesquisa genética da canadeaçúcar no Anexo III, no valor de R$ 221.337,44, adiantamentos a fornecedores no Anexo IV, no valor de R$ 8.685.415,68, insumos, bens do almoxarifado, motomecanização, combustíveis e lubrificantes, Anexo V, no valor de R$ 2.843.060,97, perfazendo um total de R$ 28.428.126,86, com cláusula para pagamento em 42 parcelas mensais, com valores diversos sendo a primeira parcela em 01/12/2006 e a última 01/10/2011. O primeiro aditamento (fls. 593 e seguintes) foi firmado em 31/12/2006, no valor total de R$ 1.356.849,40, com prazo para pagamento em parcela única no dia 30/06/2007. O segundo aditamento (fls. 601 e seguintes) foi firmado em 28/02/2007, no valor total de R$ 515.212,08, com prazo para pagamento em parcela única no dia 30/06/2007. O terceiro aditamento (fls. 613 e seguintes) foi firmado em 30/04/2007, no valor total R$ 6.836.744,79, referente à contas a receber, não se tratando de receita da atividade rural. As compensações ocorreram no período de 01/03/2007 a 30/09/2007, conforme informado pela SAD/ABAG, no expediente de fls. 06 a 18, abaixo transcritas: Após a contribuição dos créditos para a Intimada, estes foram liquidados, ainda em 2007, mediante compensação com passivos da Intimada em face de MMO. Os seguintes lançamentos contábeis foram registrados pela Intimada: Fl. 1335DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10865.722574/201187 Acórdão n.º 2301000.813 S2C3T1 Fl. 1.239 35 Crédito de R$ 19.447.099,27 conta razão 1.10.03.001.0007 (Clientes curto prazo MMO) de 01/03/2007 lote 000131 sequência 000002/0003; Débito de R$ 1.799.521,74 conta razão 2.10.01.001.0009 (Fornecedores curto prazo MMO) de 01/03/2007 lote 000131 sequência 000002/0001; Débito de R$ 17.647.577,53 conta razão 2.10.01.001.0009 (Fornecedores curto prazo MMO) de 01/03/2007 lote 000131 sequência 000002/0002; Crédito de R$ 164.649.705,58 conta razão 1.10.03.001.0007 (Clientes curto prazo MMO) de 30/09/2007 lote 000916 sequência 000001/0002; Débito de R$ 164.649.705,58 conta razão 2.10.01.001.0009 (Fornecedores curto prazo MMO) de 30/09/2007 lote 000916 sequência 000001/0001; Crédito de R$ 88.063.656,37 conta razão 1.15.01.002.0004 (Clientes longo prazo MMO) de 30/09/2007 lote 000916 sequência 000001/0004; Débito de R$ 88.063.656,37 conta razão 2.20.01.001.0004 (Fornecedores longo prazo MMO) de 30/09/2007 lote 000916 sequência 000001/0003. Portanto, embora o auto de infração tenha presumido que a ocorrência do fato gerador se deu em momento único, qual seja, em 30/09/2007, verificase que tal presunção em nada prejudicou o contribuinte, pois se no caso houvesse apurado imposto a pagar, o índice de incidência da taxa SELIC seria menor, posto que as compensações iniciaram ainda em 01/03/2007. Logo, sendo incontroverso nos autos que a cessão e transferências dos ativos tributáveis tratamse de omissão de rendimentos da atividade rural, cujo fato gerador ocorre na data dos respectivos recebimentos, momento em que é considerada receita tributável pela legislação de regência, havendo comprovação do pagamento através da compensação, deve ser mantido o lançamento, observada as exclusões efetuadas pela decisão a quo. GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS. No que tange ao ganho de capital, constatase várias ilegalidades no Auto de infração: Primeira ilegalidade – do Fato Gerador Sendo o lançamento, ato através do qual se identifica a ocorrência do fato gerador, determinase a matéria tributável, calculase o montante devido, nos termos do art. 142, do CTN, portanto a descrição adequada dos fatos constituise em requisito essencial à validade do lançamento. Além do disposto no art. 10, III, do Decreto nº 70.235, de 1972, o art. 144 do CTN estabelece que o lançamento reportase a data da ocorrência do fato gerador. Em outras palavras, há que se observar o critério material, temporal e espacial. Fl. 1336DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 36 Um dos requisitos indispensável à incidência do tributo é a existência de provas da ocorrência do fato gerador. Não há margem para que o Fisco presuma a existência de fatos geradores não previstos na norma tributária. Os fatos necessitam de enquadramento perfeito na norma para que surja a obrigação tributária. A presunção não pode ser utilizada para caracterização da ocorrência do fato gerador. O ganho de capital, sujeitase à incidência do imposto de renda, sob a forma de tributação definitiva, o cálculo e o pagamento do imposto deve ser efetuado em separado dos demais rendimentos tributáveis recebidos no mês, sendo que o fato gerador ocorre na data da realização do negócio jurídico, oportunidade em que o tributo é calculado como venda à vista e apenas o prazo para pagamento é postergado para momento futuro. Não se pode confundir critério temporal com prazo de pagamento do tributo. O primeiro integra a regra matriz e diz respeito ao surgimento da obrigação, ao passo que o segundo apenas estabelece prazos para pagamento, não guardando qualquer correspondência com o fato jurídico tributário. Conforme preceitua a legislação abaixo transcrita: Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. Art. 21. O ganho de capital percebido por pessoa física em decorrência da alienação de bens e direitos de qualquer natureza sujeitase à incidência do imposto sobre a renda, com as seguintes alíquotas: [...] § 2º Os ganhos a que se refere este artigo serão apurados e tributados em separado e não integrarão a base de cálculo do Imposto de Renda na declaração de ajuste anual, e o imposto pago não poderá ser deduzido do devido na declaração. Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999. Art. 140. Nas alienações a prazo, o ganho de capital deverá ser apurado como venda à vista e tributado na proporção das parcelas recebidas em cada mês, considerandose a respectiva atualização monetária, se houver (Lei nº 7.713, de 1988, art. 21). Sendo que os contratos de cessão e seus respectivos adendos ocorreram nas seguintes datas e valores: Fls. 528/530 – Contrato Cessão de Direitos e Obrigações de 14/11/2006 – contratos de parceria de compra e venda de canadeaçúcar cuja avaliação fora realizada no valor de R$280.157.514,64, através de Laudo datado de 01/12/2006; Fls. 537/552 – 1º Termo Aditivo de 01/12/2006 – forma de pagamento; Fls. 556/563 – 2º Termo Aditivo de 31/12/2006 – estoque de tratos culturais, cana produção, cana em formação – R$5.593.490,60; Fls. 564/571 – 3º Termo de Aditivo de 28/02/2007 – lavoura de canade açúcar formada após 01/01/2007 –R$ 560.134,84; Fls. 572/579 – 4º Termo de Aditivo de 30/04/2007 – estoque cana produção – R$39.599,77. O fato gerador, em se tratando de ganho de capital, ocorreu nas datas dos respectivos contratos, mas limitouse o Fisco a presumir que tal fato gerador ocorreu com a compensação e presumiu que está se realizou em setembro de 2007, portanto não podia o Fisco presumir um fato gerador, não previsto na legislação de regência, aleatoriamente Fl. 1337DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10865.722574/201187 Acórdão n.º 2301000.813 S2C3T1 Fl. 1.240 37 fixando a ocorrência do fato gerador na data de 30/09/2007, sem amparo legal e nem nas provas dos autos. Frisase que o imposto de renda sobre ganho de capital, a tributação é definitiva e em separado dos demais rendimentos, devendo o imposto ser pago, via de regra, até o último dia útil do mês subsequente àquele em que o ganho houver sido percebido (art. 30, § 3o, inciso I da IN SRF 84/2001). Nas alienações a prazo, todavia, o ganho de capital deverá ser apurado como venda à vista, mas o pagamento será postergado para momento futuro, quando os recebimentos se efetivarem. Ou seja, o Legislador estabeleceu como critério temporal o momento da realização do negócio jurídico, dilatando o prazo para pagamento do tributo em tantas parcelas quanto forem acordadas contratualmente. Em relação ao critério temporal, transcrevo trecho extraído do Acórdão nº 92 00.809 da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, julgado na sessão de 10 de maio de 2010: Inicialmente, destaco que nas vendas a prazo, com ganho de capital, o fato gerador ocorre no momento da alienação do bem ou do direito e o pagamento do imposto é diferido para a data do recebimento. A circunstância do artigo 21 da Lei n° 7.713, de 1988, prever pagamento do imposto em data posterior, como ocorre, por exemplo, na declaração de ajuste anual das pessoas físicas, em que o fato gerador, decorrente dos rendimentos do trabalho, se dá em 31 de dezembro, com declaração entregue e imposto apurado no mês de abril do ano seguinte, não altera a data do fato gerador e nem muda o marco inicial do prazo decadencial. Nos casos de venda em várias parcelas, temse o fato gerador no momento da alienação, com vencimento do imposto, de forma proporcional, na medida em que os pagamentos forem sendo realizados. A propósito dos fatos relacionados à venda a prazo, o artigo 140, do Regulamento do Imposto de Renda, consolidado por meio do Decreto n° 3.000, de 1999, assim dispõe: Art. 140 Nas alienações a prazo, o ganho de capital deverá ser apurado como venda à vista e tributado na proporção das parcelas recebidas em cada mês, considerandose a respectiva atualização monetária, se houver (Lei n° 7 713, de 1988, artigo 21). § 1º Para efeito do disposto no caput, deverá ser calculada a relação percentual do ganho de capital sobre o valor de alienação que será aplicada sobre cada parcela recebida. (grifei) No caso dos autos, relativamente a este item, os fatos geradores ocorreram nas datas das respectivas alienações: canadeaçúcar, objeto do Contrato de Cessão firmado em 14/11/2006, no valor de R$280.157.514,64 (fls. 528/530); estoque de tratos culturais, cana produção e cana em formação, objeto do 2º Termo Aditivo firmado em 31/12/2006, no valor de Fl. 1338DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 38 R$5.593.490,60 (fls. 556/563); lavoura de canadeaçúcar formada após 01/01/2007, objeto do 3º Termo de Aditivo firmado em 28/02/2007, no valor de R$ 560.134,84 (fls. 564/571); e, estoque cana produção, objeto do 4º Termo de Aditivo firmado em 30/04/2007, no valor de R$ 39.599,77 (fls. 572/579) Em relação ao ganho de capital, há de se observar que o fato gerador ocorre no momento da alienação do bem ou do direito e o pagamento do imposto é diferido para a data do recebimento, ademais, a tributação é realizada em separado, não integrando o ajuste anual. Razão pela qual, o fato gerador, ocorre na data da alienação não se deslocando para o final do anocalendário. Constatase, dessa forma, que em relação ao Contrato de Cessão de Direitos e Obrigações firmado em 14/11/2006, o lançamento ocorreu passados mais de cinco anos da data do fato gerador do Imposto sobre a Renda incidente sobre ganhos de capital, tendo em vista que o fato gerador ocorreu no momento da alienação (14/11/2006), cujo imposto deverá ser apurado como venda à vista e diferido o pagamento na proporção das parcelas recebidas em cada mês. Ainda que o Contribuinte seja obrigado a reportar tal ocorrência em sua declaração de rendimentos, é assente que tal não desvirtua o momento em que é devido o imposto, inclusive sujeito a cálculo em apartado. Neste sentido, colaciono excertos da ementa ao Acórdão da Câmara Superior nº 9202003.702, Processo 10850.002612/200179, julgado em 27/01/2016 de relatoria Do Ilustre Conselheiro Dr. Luiz Eduardo de Oliveira Santos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Período de apuração: 31/10/1996 a 30/04/1999 DECADÊNCIA. IRPF. GANHO DE CAPITAL O ganho de capital sujeitase à incidência do imposto de renda, sob a forma de tributação definitiva, para cada operação de alienação contratada, devendo o cálculo e o pagamento do imposto serem efetuados em separado dos demais rendimentos tributáveis recebidos no mês. Esse imposto está sujeito ao lançamento por homologação e havendo pagamento do imposto, ainda que parcial, o termo de início do prazo de cinco anos para a Fazenda Pública exercer seu direito de revisálo e constituir o crédito, é a data da ocorrência do fato gerador. Inexistindo tal pagamento, o prazo se inicia no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. [...] Recurso especial provido em parte. (g.n.) Por esta conclusão, o lançamento relativamente ao Contrato de Cessão de Direitos e Obrigações no valor de R$ R$280.157.514,64, está decaído, tendo em vista que a tributação sobre o ganho de capital é definitiva, ou seja, não se sujeita a ajuste na declaração e independe de prévio exame da autoridade administrativa, de modo que o lançamento é por homologação (art. 150, § 4º do CTN), devendo o prazo decadencial ser contando da ocorrência Fl. 1339DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10865.722574/201187 Acórdão n.º 2301000.813 S2C3T1 Fl. 1.241 39 do fato gerador e, a Lei estabeleceu como critério temporal o momento da realização do negócio jurídico. Assim, considerando que o contribuinte somente foi cientificado do lançamento em 28/11/2011 (fl. 464), em relação ao Contrato de Cessão de Direitos e Obrigações (fls. 528/530), o crédito tributário já havia sido fulminado pela decadência. Concluise que com base na primeira ilegalidade, que alterou, no Auto de Infração, a data do fato gerador, restaram lançadas parcelas decaídas referentes ao ganho de capital decorrente do Contrato de Cessão cujo o objeto é a alienação de contratos de parceria de compra e venda de canadeaçúcar, o qual foi firmado em 14/11/2006, no valor de R$ 280.157.514,64. Segunda ilegalidade – da Base de Cálculo Ocorre que, ao apurar o ganho de capital obtido pelo Condomínio, a Fiscalização entendeu que tais valores seriam maiores do que o efetivo valor objeto de compensação. No seu entender, o Condomínio teria apurado um ganho de capital da ordem de R$286.350.740,10. Ao cotejarmos a hipótese de incidência com a base de cálculo apurada verificamos incongruência entre os valores considerados pela Fiscalização como recebidos e aqueles utilizados na base de cálculo para apuração do tributo. Inclusive, em parte, restaram corrigidos pela Decisão a quo, alterando a base de cálculo do tributo. Os enunciados das normas individuais e concretas, abaixo transcritas, determinam que a base de cálculo do ganho de capital compreenderá a diferença positiva, entre o valor de alienação e o custo de aquisição: Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 Art. 134. Na apuração do ganho de capital de bens adquiridos por meio de arrendamento mercantil, será considerado custo de aquisição o valor residual do bem acrescido dos valores pagos a título de arrendamento (Lei nº 9.250, de 1995, art. 24). 138. O ganho de capital será determinado pela diferença positiva, entre o valor de alienação e o custo de aquisição, apurado nos termos dos arts. 123 a 137 (Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 2º, Lei nº 8.383, de 1991, art. 2º, § 7º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 17). Art. 140. Nas alienações a prazo, o ganho de capital deverá ser apurado como venda à vista e tributado na proporção das parcelas recebidas em cada mês, considerandose a respectiva atualização monetária, se houver (Lei nº 7.713, de 1988, art. 21). § 1º Para efeito do disposto no caput, deverá ser calculada a relação percentual do ganho de capital sobre o valor de alienação que será aplicada sobre cada parcela recebida. Admitir que a venda da lavoura de canadeaçúcar seja na integra ganho de capital, deixando de considerar qualquer custo na sua aquisição, conforme consta no item “9” do Termo de Verificação, Encerramento de Fiscalização e Representação Fiscal (fl. 435), que “não há custos/despesas a serem atribuídos aos direitos alienados, uma vez que eventuais dispêndios na formação das lavouras já foram todos alocados como despesas da atividade Fl. 1340DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 40 rural, nos termos da legislação aplicável à tributação dessa atividade”. Quando consta da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física – DIRPF Prejuízo Compensável a partir do anocalendário de 2008, de R$ 172.158.656,00, informado pelo relatório fiscal. É querer tributar não ganho de capital e sem prejuízos acumulados, pois os investimentos foram tratados como despesas da atividade rural e receita obtida como ganho de capital. Admitindose a tributação sobre ganho de capital, a fiscalização deveria ter realizado os abatimentos referentes aos gastos para formação das lavouras, pois a atribuição do custo zero de aquisição é a exceção à regra de acordo com o §4º, do art. 16, da Lei n.º 7.713/88. Portanto a segunda ilegalidade constante do Auto de Infração encontrase na apuração da base de cálculo, pois deixou de ser tributada apenas a diferença positiva determinada pela legislação que rege a matéria, passando a tributar, embutidos na base de cálculo apurada, os prejuízos acumulados. Terceira ilegalidade – Natureza da Receita A Administração Pública tem o dever de investigar livremente a verdade material diante do caso concreto, analisando todos os elementos necessários à existência e conteúdo do fato jurídico. A tributação não poderá basearse em mera verossimilhança, probabilidade ou verdade material aproximada. Pelo contrário, veiculará conclusão provável do ponto de vista fático, mas certa do jurídico. Cabia a autoridade fiscal demonstrar de forma inequívoca o auferimento do ganho de capital. Na relação jurídicotributária o onus probandi incumbit ei qui dicit. Salvo no caso das presunções legais, cabe ao Fisco investigar, diligenciar, demonstrar e provar a efetiva ocorrência do fato jurídico tributário, no sentido de realizar a legalidade, o devido processo legal, a verdade material, o contraditório e a ampla defesa. Dentro desta premissa, cabe transcrever, excertos, das conclusões finais elaboradas pela Autoridade Fiscal, nas quais restando consignadas as seguintes conclusões (fls. 433/434): [...] 1) O Condomínio de Pessoas Físicas, capitaneado por Márcio Milan de Oliveira (MMO), composto por ele e pelas demais pessoas físicas sócias da pessoa jurídica então denominada Sociedade Agrícola Dedini (SAD), foi constituído com o objetivo de explorar a atividade rural de produção de cana de açúcar, em terras próprias e ou de terceiros (mediante contratos de parceria/arrendamento) e das próprias Usinas compradoras da cana produzida (DIC e DAA); 2) Grande parte dos custos/despesas e investimentos da atividade rural do Condomínio era custeada pelas Usinas (DIC e DAA) compradoras, com exclusividade, da cana produzida. Mantinhase assim um “contas correntes” entre as Usinas e o Condomínio (MMO); [...] 5) A SAD realizou, no mesmo ano de 2007, os créditos ativados, mediante recebimento de bens e direitos do Condomínio, avaliados no montante de R$ 323.487.672,98 (trezentos e vinte e três milhões, quatrocentos e oitenta e sete mil, seiscentos e setenta e dois reais e noventa e oito centavos): 5.1) Esse montante estava assim composto: Fl. 1341DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10865.722574/201187 Acórdão n.º 2301000.813 S2C3T1 Fl. 1.242 41 a) R$ 286.350.739,85 referentes aos direitos relativos aos contratos de parcerias agrícolas, cedidos pela MMO à SAD; e b) R$ 37.136.933,13 referentes a bens e direitos que compunham o ativo imobilizado, contas a receber, ativo diferido, adiantamentos a fornecedores e estoques, de MMO. 6) Na essência, os negócios jurídicos tiveram como propósito a transferência de toda a atividade do Condomínio (MMO) para a Sociedade Agrícola Dedini (SAD). Em outras palavras, os condôminos alienaram para a SAD os direitos que detinham sobre os contratos das lavouras de cana e as benfeitorias/investimentos na atividade rural do Condomínio. O valor assim obtido foi, parcialmente, utilizado na liquidação integral de suas dívidas para com as Usinas, já na SAD, que as recebeu em subscrição de capital feita pelas Usinas, credoras originais; 6.1) Destacase aqui que a alienação dos direitos sobre os contratos de parceria nas lavouras de cana não se constituiu em venda de produtos rurais, pois o que se alienou foram os direitos sobre as safras futuras, em formação (ainda não eram produtos rurais). Tanto que, no Contrato de Cessão, a Cláusula “1” e “1.1”, estão assim redigidas: “1 O CEDENTE cede e transfere à CESSIONÁRIA todos os direitos e obrigações que lhe decorrem dos Instrumentos Particulares de Contrato de Parceria Agrícola e Compra e Venda de CanadeAçúcar, firmados até a data de assinatura desse instrumento, relacionados em seu ANEXO, que, rubricados pelas partes dele passa a fazer parte, operandose a cessão, nos termos e condições contidos nas cláusulas abaixo. 1.1 — Excetuase da cessão objeto deste contrato os direitos sobre a canadeaçúcar a ser colhida e entregue às INTERVENIENTES ANUENTES até o encerramento da Safra 2006/2007, cujos pagamentos serão realizados ao CEDENTE para atendimento a compromissos anteriormente assumidos, passando o pagamento a ser realizado à CESSIONÁRIA a partir da Safra 2007/2008. ” Verificase nas conclusões supratranscritas, que a própria Autoridade Fiscal reconhece que a atividade rural desenvolvida pelo Condomínio consistia na produção de cana de açúcar, ou seja, na lavoura de cana. No entanto, apesar de considerar que a lavoura canavieira é atividade rural, cujos investimentos foram alocados como despesas da atividade rural e utilizados para dedução do resultado da atividade rural, a Autoridade Fiscal entendeu que os valores obtidos com o negócio jurídico em questão caracterizarseia como cessão de diretos, sujeita à apuração do ganho de capital. Os contratos transferiram toda a atividade do Condomínio, isso significa que a SAD passou a ser detentora da atividade rural de produção de cana de açúcar desenvolvida pelo Condomínio, ou seja, foi transferida a lavoura de cana de açúcar. Analisandose o laudo acostado aos autos constatase que há apenas um equívoco na nomenclatura do contrato quando denomina de “safras futuras” porque em verdade o que foi vendido foi a lavoura de canadeaçúcar, visto que esta é composta de rizomas em diversos estágios de plantação, que podem tem vários anos, os quais serão responsáveis para as próximas colheitas. Fl. 1342DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 42 Da leitura do art. 61, do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, e da respostas às perguntas 499 e 522 do Perguntas e Respostas IRPF/2013, constatase que a receita da atividade rural é composta de conceito amplo em relação a respectiva atividade: Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 Art. 61. A receita bruta da atividade rural é constituída pelo montante das vendas dos produtos oriundos das atividades definidas no art. 58, exploradas pelo próprio produtorvendedor. § 1º Integram também a receita bruta da atividade rural: I os valores recebidos de órgãos públicos, tais como auxílios, subvenções, subsídios, aquisições do Governo Federal AGF e as indenizações recebidas do Programa de Garantia da Atividade Agropecuária PROAGRO; II o montante ressarcido ao produtor agrícola, pela implantação e manutenção da cultura fumageira; III o valor da alienação de bens utilizados, exclusivamente, na exploração da atividade rural, exceto o valor da terra nua, ainda que adquiridos pelas modalidades de arrendamento mercantil e consórcio; IV o valor dos produtos agrícolas entregues em permuta com outros bens ou pela dação em pagamento; V o valor pelo qual o subscritor transfere os bens utilizados na atividade rural, os produtos e os animais dela decorrentes, a título da integralização do capital. § 2º Os adiantamentos de recursos financeiros, recebidos por conta de contrato de compra e venda de produtos agrícolas para entrega futura, serão computados como receita no mês da efetiva entrega do produto. § 3º Nas vendas de produtos com preço final sujeito à cotação da bolsa de mercadorias ou à cotação internacional do produto, a diferença apurada por ocasião do fechamento da operação compõe a receita da atividade rural no mês do seu recebimento. § 4º Nas alienações a prazo, deverão ser computadas como receitas as parcelas recebidas, na data do seu recebimento, inclusive a atualização monetária. § 5º A receita bruta, decorrente da comercialização dos produtos, deverá ser comprovada por documentos usualmente utilizados, tais como nota fiscal do produtor, nota fiscal de entrada, nota promissória rural vinculada à nota fiscal do produtor e demais documentos reconhecidos pelas fiscalizações estaduais. Perguntas e Respostas IRPF/2013 499 Considerase receita da atividade rural a cessão de direito à aquisição, por meio de consórcio, de bem destinado à atividade rural? Não, tributase como ganho de capital a transferência (cessão de direito à aquisição de bem) enquanto não recebido o bem. Entretanto, no caso de bem já contemplado, considerase receita da atividade rural o valor recebido pela cessão do próprio bem. (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 Regulamento do Imposto sobre a Renda RIR/1999, art. 62, §§ 5º e 6º; Instrução Normativa SRF nº 83, de 11 de outubro de 2001, arts. 5º, e 17, §§ 2º e 3º) Fl. 1343DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10865.722574/201187 Acórdão n.º 2301000.813 S2C3T1 Fl. 1.243 43 522 Quais são os gastos que podem ser considerados investimentos? De forma geral, considerase investimento a efetiva aplicação de recursos financeiros, durante o anocalendário, que vise ao desenvolvimento da atividade rural para a expansão da produção e melhoria da produtividade e seja realizado com: 1 benfeitorias resultantes de construção, instalações, melhoramentos, culturas permanentes, essências florestais e pastagens artificiais; 2 aquisição de tratores, implementos e equipamentos, máquinas, motores, veículos de carga ou utilitários usados diretamente na atividade rural, utensílios e bens de duração superior a um ano e animais de trabalho, de produção e de engorda; 3 serviços técnicos especializados, devidamente contratados, visando a elevar a eficiência do uso dos recursos da propriedade ou exploração rural; 4 insumos que contribuam destacadamente para a elevação da produtividade, tais como: reprodutores, sementes e mudas selecionadas, corretivos do solo, fertilizantes, vacinas e defensivos vegetais e animais; 5 atividades que visem especificamente à elevação socioeconômica do trabalhador rural, tais como: casas de trabalhadores, prédios e galpões para atividades recreativas, educacionais e de saúde; 6 estradas que facilitem o acesso ou a circulação na propriedade; 7 instalação de aparelhagem de comunicação e de energia elétrica; 8 bolsas de estudo para formação de técnicos em atividades rurais, inclusive gerentes de estabelecimentos e contabilistas. (Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, art. 4º, § 2º; Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 Regulamento do Imposto sobre a Renda RIR/1999, art. 62; Instrução Normativa SRF nº 83, de 11 de outubro de 2001, art. 8º) Portanto, todos os bens e direitos que tenham relação com a atividade rural, à exceção da terra nua, têm sido considerados receita da atividade rural, quando da sua alienação, de modo que não resta dúvida que a receita da venda da lavoura de canadeaçúcar, configura se em receita da atividade rural. Constatase, aqui, a terceira ilegalidade por erro na classificação da natureza da Receita. Com fundamento nas três ilegalidades apontadas, voto no sentido de nulificar o lançamento, no que tange ao GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS, por vício material, visto que o auto de infração não preenche os requisitos constantes do art. 142 do Código Tributário Nacional, havendo equívoco na construção do lançamento quanto à verificação das condições legais para a exigência do tributo. Acrescentase que no presente caso, o vício está na própria verificação e demonstração da ocorrência do fato gerador da obrigação, o que pertence ao núcleo material da autuação. Ante o exposto voto no sentido de: Fl. 1344DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 44 a) REJEITAR AS PRELIMINARES; b) EXCLUIR a Responsabilidade Tributária da Abengoa, por exclusão definitiva da Decisão a quo; b) NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício e ao Recurso Voluntário em relação a Omissão de Rendimentos da Atividade Rural; c) DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário em relação à omissão de Ganhos de Capital, para declarar a nulidade do lançamento por vício material. (Assinado digitalmente) Relatora Alice Grecchi Voto Vencedor Conselheiro João Bellini Júnior, redatordesignado. Não obstante as ponderadas razões da Conselheira Relatora, a qual saúdo, peço vênia para dela divergir unicamente quanto aos valores relacionados ao ganho de capital, pelas razões expostas a seguir. Por primeiro, não há qualquer nulidade no lançamento. É consabido que no processo administrativo fiscal as causas de nulidade se limitam às que estão elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972: Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Parágrafo acrescentado pela Lei 8.748, de 1993.) A teor do art. 60 do mesmo diploma legislativo, as irregularidades, incorreções e omissões diferentes das retromencionadas não configuram nulidade, devendo ser sanadas se “resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio”: Fl. 1345DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10865.722574/201187 Acórdão n.º 2301000.813 S2C3T1 Fl. 1.244 45 Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio Não existindo, neste processo, ato ou termo lavrado por pessoa incompetente, nem despacho ou decisão proferido por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, não há falar em nulidade do lançamento. Caso verificados erros nos aspectos materiais do fato gerador – o que não é o caso dos autos – não há falarem nulidade, mas em provimento do recurso voluntário, para conformar o lançamento aos ditames legais e/ou aos fatos imponíveis. Quanto ao que a Conselheira Relatora entende ser a primeira ilegalidade do auto de infração – a presunção, pelo Fisco, de fato gerador não previsto em lei, aleatoriamente fixando a ocorrência do fato gerador em 30/09/2007 – diferentemente, penso que foram estritamente observadas as datas dos fatos geradores aplicáveis ao caso. Isso porque a jurisprudência deste Carf se assentou no sentido de que nas vendas a prazo o fato gerador do imposto sobre a renda se realiza com o efetivo pagamento da parcela acordada pelas partes, devendo este ser o momento para contagem do prazo decadencial: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008 IRPF GANHO DE CAPITAL ALIENAÇÃO DE AÇÕES A PRAZO. FATO GERADOR APURAÇÃO DA DECADÊNCIA Nas vendas a prazo o fato gerador do Imposto de Renda se realiza com o efetivo pagamento da parcela acordada pelas partes, devendo este ser o momento para contagem do prazo decadencial. (Ac. 9202003.820, 08 de março de 2016) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007, 2008, 2009, 2010 IRPF GANHO DE CAPITAL VENDA DE IMÓVEL A PRAZO. COMPROVANTE DE PAGAMENTO DE PARTE DO IMPOSTO. APLICAÇÃO DO ART. 150, §4º DO CTN. Nas vendas a prazo o fato gerador do Imposto de Renda se realiza com o efetivo pagamento da parcela acordada pelas partes, devendo este ser o momento para contagem do prazo decadencial. Havendo comprovação nos autos da ocorrência do pagamento do imposto, ainda que parcial, devese aplicar o art. 150, §4º do CTN, tomandose como termo inicial para o prazo decadencial a data da ocorrência dos fatos geradores. (Ac. 9202003.771, de 16 de fevereiro de 2016) Fl. 1346DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 46 Para entender como ocorreu o ganho de capital, é importante entender o contexto das operações realizadas pelo recorrente. Para tanto, me utilizo do resumo efetuado pala PGFN (efls. 1070 a 1072), o qual, lido e conferido, assumo como meu: O contribuinte MARCIO MILAN DE OLIVEIRA e outras pessoas físicas formavam um condomínio, cujo objetivo era a exploração de atividades agrícolas voltada precipuamente para o cultivo de canadeaçúcar. Esse condomínio de pessoas físicas era denominado "MARCIO MILAN DE OLIVEIRA E OUTROS" (MMO) e explorava atividades agrícolas em propriedades rurais de terceiros, razão pela qual eram firmados entre o MMO e os terceiros contratos de parceria agrícola. A partir desses acordos de parceria, o MMO obtinha autorização para utilizar a terra e produzir canadeaçúcar, enquanto a contrapartida aos proprietários da terra consistia em uma parcela da produção. Portanto, na estrutura do negócio encontravamse, de um lado, MMO e os "parceiros proprietários". Por sua vez, havia ainda os interessados em adquirir a produção de canadeaçúcar, isto é, os compradores da safra, que figuravam nos contratos de parceria agrícola justamente na qualidade de "compradores" e se comprometiam a comprar toda a lavoura de canadeaçúcar produzida por MMO. No caso dos autos, sobressai a participação das Usinas DEDINI S.A. INDÚSTRIA E COMÉRCIO (DIC/ABSL) e da DEDINI AÇÚCAR E ÁLCOOL LTDA. (DAA/ABSJ) atualmente integrantes do GRUPO ABENGOA como compradoras das lavouras de cana deaçúcar. Nesse ponto, importante ressaltar que as compradoras não se limitavam a adquirir a produção, mas também custeavam a maior parte dos gastos do condomínio MMO. Essa informação consta da resposta dada pelo GRUPO ABENGOA á intimação feita pela autoridade fiscal (fl. 07 e ss.), na qual afirma que os gastos incluíam por exemplo, pagamentos de fornecedores, tributos, folha de pagamento e financiamentos. "Além disso, a DIC/ABSL e DAA/ABSJ também recebiam montantes que deveriam ser pagos a MMO. Todas as movimentações eram relacionadas com o custeio agrícola de MMO. ". Portanto, temse que a DIC/ABSL e a DAA/ABSJ financiavam a atividade agrícola desenvolvida pelo MMO, enquanto este condomínio reconhecia as dívidas com aquelas usinas e oferecia como garantia ao pagamento da dívida a própria produção agrícola na forma de contratos de confissão de dívida e constituição de penhor agrícola. As operações funcionavam da seguinte forma: DIC/ABSL e DAA/ABSJ detinham créditos contra o condomínio MMO; por seu turno, MMO quitava suas dívidas com DIC/ABSL e DAA/ABSJ mediante a venda das lavouras de canadeaçúcar. Em 14 de novembro de 2006, iniciaramse operações envolvendo o condomínio MMO, a SOCIEDADE AGRÍCOLA DEDINI LTDA (SAD/ABAG) e as usinas DIC/ABSL e DAA/ABSJ. Naquela data, Fl. 1347DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10865.722574/201187 Acórdão n.º 2301000.813 S2C3T1 Fl. 1.245 47 o condomínio MMO resolveu transferir as atividades agrícolas que desempenhava para a pessoa jurídica SOCIEDADE AGRÍCOLA DEDINI LTDA (SAD/ABAG), na qual as pessoas que compunha o condomínio MMO detinham participação societária na mesma proporção que lhes cabia no citado condomínio. Assim, o contribuinte MARCIO MILAN DE OLIVEIRA, por exemplo, possuía 77% de participação no MMO e a mesma porcentagem de quotas representativas do capital social da SAD/ABAG. Para realizar a transferência das atividades agrícolas, foi estabelecido que MMO cederia os direitos que lhe pertenciam para a SAD/ABAG, direitos estes relativos aos contratos de parceria agrícola até então firmados pelo condomínio MMO. Em decorrência dessa cessão de direitos, a SAD/ABAG passou a dever para MMO o montante total de R$ 286.350.739,85, a ser pago em parcelas, conforme termos e condições estipulados contratualmente. Por seu turno, em 1º de dezembro de 2006, o condomínio MMO transferiu bens e direitos que compunham seu ativo imobilizado, contas a receber, ativo diferido, adiantamentos a fornecedores e estoques, em favor da SAD/ABAG conforme relação de bens e direitos constante dos anexos do contrato e aditivos. Com essa operação, a SAD/ABAG passou a ter mais uma dívida com o condomínio MMO, dessa vez no valor R$37.136.933,13, a ser pago em parcelas. Além dessas cessões de direitos e de bens, houve operações realizadas pelas usinas DIC/ABSL e DAA/ABSJ, de um lado, e a SAD/ABAG, de outro. Nesse ponto, vale lembrar que o condomínio MMO contava com recursos financeiros disponibilizados pelas mencionadas usinas para custear suas atividades agrícolas. Dessa maneira, conforme exposto acima, a DIC/ABSL e DAA/ABSJ ficavam com direitos de crédito em face de MMO; em contrapartida, o condomínio MMO quitava suas dívidas mediante a entrega da produção de canadeaçúcar. Foram justamente esses direitos de crédito, detidos pela DIC/ABSL e DAA/ABSJ, que foram utilizados na integralização de aumento de capital da SAD/ABAG, ocorrido em 28 de fevereiro de 2007. O aumento de capital foi no montante de R$ 254.600.906.59, sendo que a DIC/ABSL foi responsável pela integralização de R$118.431.397,00, enquanto a DAA/ABSJ contribuiu com R$ 136.169.509,59. Igualmente, em 16 de julho de 2007, houve novo aumento de capital da SAD/ABAG, subscrito pela DIC/ABSL e integralizado mediante a entrega de outros créditos detidos em face de MMO, no valor de R$ 16.246.167,27. O resultado dessas operações foi o seguinte: • MMO possuía crédito no valor de R$ 323.487.672,98, em face de SAD/ABAG; Fl. 1348DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 48 • SAD/ABAG possuía crédito no montante de R$ 270.847.073,86, em face de MMO; • DIC/ABSL e DAA/ABSJ trocaram direitos de crédito em face de MMO por participação societária na SAD/ABAG, tornandose sócios quotistas desta. Por fim, em 30 de setembro de 2007, a SAD/ABAG, já sob o controle do GRUPO ABENGOA, realizou a compensação dos créditos que detinha contra o condomínio MMO com os débitos que possuía em face do mesmo condomínio. No que diz respeito à dívida proveniente da cessão de direitos sobre contratos de parceria agrícola, de acordo com o entendimento da autoridade fiscal, a referida compensação significou ganho de capital para os integrantes do condomínio MMO, sendo que, no caso do autuado, esse ganho não foi oferecido à tributação. Além disso, a compensação efetivada por SAD/ABAG também extinguiu a dívida desta pessoa jurídica oriunda da cessão dos bens do ativo imobilizado, contas a receber, ativo diferido, adiantamentos a fornecedores e estoques que pertenciam a MMO e foram transferidos para SAD/ABAG. Desse modo, a liquidação desta parcela do débito de SAD/ABAG proporcionou aos integrantes de MMO receita de atividade rural que, igualmente, deveria ter sido oferecida à tributação. Considerando que o recorrente não incluiu essas receitas de atividade rural na apuração do imposto de renda, a Fiscalização lançou o crédito tributário respectivo, sob a acusação de omissão de receitas tributáveis. (Grifouse.) Como ressaltado, em 30/09/2007 a SAD efetuou a compensação dos créditos que detinha contra o condomínio MMO com os débitos que possuía em face do mesmo condomínio. A referida compensação significou ganho de capital para os integrantes do condomínio MMO, sendo que, no caso do autuado, esse ganho não foi oferecido à tributação. Não há sentido em se afirmar que a operação foi concluída sem prévia extinção das obrigações entre integrantes do grupo alienante, uma vez que tal operação foi realizada a no contexto da reorganização societária do Grupo Dedini Agro, com vistas à sua venda para o Grupo Abengoa. A venda do Grupo Dedini Agro foi formalizada por “Contrato de Compra e Venda de Quotas” (efls. 770 a 881), celebrado em 04/08/2007. A SAD participa do contrato como interveniente e anuente. Restou estabelecida a data de 30/09/2007 como termo final para a conclusão do negócio (Cláusula II – Fechamento do contrato, subitem 2.1, efl. 808); tal data coincide com a data na qual se ultimou a extinção das obrigações recíprocas entre SAD e MMO, e, logo, com o auferimento, por seus integrantes, entre eles o recorrente, de ganho de capital não oferecido à tributação. Ou seja, a conclusão do negócio de compra e venda do Grupo Dedini, do qual não se tem notícia de qualquer contestação por qualquer das partes envolvidas é prova direta da compensação e, consequentemente, do ganho de capital. Gizo que a compensação foi devidamente contabilizada pela SAD, conforme ela próprio informa às fls. 06 a 18, conforme transcrição a seguir, e que constitui prova direta das operações: Fl. 1349DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10865.722574/201187 Acórdão n.º 2301000.813 S2C3T1 Fl. 1.246 49 Após a contribuição dos créditos para a Intimada, estes foram liquidados, ainda em 2007, mediante compensação com passivos da Intimada em face de MMO. Os seguintes lançamentos contábeis foram registrados pela Intimada: Crédito de R$ 19.447.099,27 conta razão 1.10.03.001.0007 (Clientes – curto prazo MMO) de 01/03/2007 lote 000131 sequência 000002/0003; Débito de R$ 1.799.521,74 conta razão 2.10.01.001.0009 (Fornecedores – curto prazo MMO) de 01/03/2007 lote 000131 sequência 000002/0001; Débito de R$ 17.647.577,53 conta razão 2.10.01.001.0009 (Fornecedores curto prazo MMO) de 01/03/2007 lote 000131 sequência 000002/0002; Crédito de R$ 164.649.705,58 conta razão 1.10.03.001.0007 (Clientes –curto prazo MMO) de 30/09/2007 lote 000916 sequência 000001/0002; Débito de R$ 164.649.705,58 conta razão 2.10.01.001.0009 (Fornecedores curto prazo MMO) de 30/09/2007 lote 000916 sequência 000001/0001; Crédito de R$ 88.063.656,37 conta razão 1.15.01.002.0004 (Clientes longo prazo MMO) de 30/09/2007 lote 000916 sequência 000001/0004; Débito de R$ 88.063.656,37 conta razão 2.20.01.001.0004 (Fornecedores longo prazo MMO) de 30/09/2007 lote 000916 sequência 000001/0003. Também penso que não ocorreu a apontada segunda ilegalidade do lançamento, consistente na apuração da base de cálculo, por não ter sido tributada, na apuração do ganho de capital, “apenas a diferença positiva determinada pela legislação que rege a matéria, passando a tributar, embutidos na base de cálculo apurada, os prejuízos acumulados”. Ocorre que o recorrente continuou a dedicarse à atividade rural, como se comprova à vista de suas declarações de ajuste anual (DAA) correspondentes aos anos calendário de 2008 a 2010 (efls. 709 a 748). A tributação do ganho de capital na alienação de bens e direitos de qualquer natureza dáse na forma prevista no artigo 21 da Lei 8.981, de 1995: Art. 21. O ganho de capital percebido por pessoa física em decorrência da alienação de bens e direitos de qualquer natureza sujeitase à incidência do Imposto de Renda, à alíquota de quinze por cento. § 1° O imposto de que trata este artigo deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente ao da percepção dos ganhos. § 2° Os ganhos a que se refere este artigo serão apurados e tributados em separado e não integrarão a base de cálculo do Fl. 1350DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 50 Imposto de Renda na declaração de ajuste anual, e o imposto pago não poderá ser deduzido do devido na declaração. Correta, assim, a autoridade lançadora ao consignar no item 9 do Termo de Verificação, Encerramento de Fiscalização e Representação Fiscal (efl. 435), que “não há custos/despesas a serem atribuídos aos direitos alienados, uma vez que eventuais dispêndios na formação das lavouras já foram todos alocados como despesas da atividade rural, nos termos da legislação aplicável à tributação dessa atividade”. (Grifouse.) Igualmente, entendo que não existe a mencionada terceira ilegalidade, por erro na classificação da natureza da Receita, a qual teria ocorrido por nãop ter sido considerada como receita da atividade rural a receita da venda da lavoura da canadeaçúcar correspondente, ao que o laudo acostado aos denomina de “safras futuras”. A análise do “Instrumento Particular de Contrato de Cessão de Direitos e obrigações e outras Avenças" (efl. 81 e seguintes), que possui como partes o Condomínio MMO, na qualidade de cedente; a SAD, como cessionária; e a DIC, a título de interveniente anuente, esclarece ser o objeto do contrato os direitos sobre safra futura. Convém recordar mais uma vez o contexto no qual foi realizado o negócio jurídico e o que as partes buscavam quando resolveram efetivar referido negócio; para tanto, esclarece os “considerandos” previstos no “Instrumento de Cessão de Direitos e Obrigações”, os quais esclarecem que: (a) o condomínio MMO resolveu ceder as operações agrícolas para a SAD; (b) a relação entre MMO e a DIC (interveniente) implicava a venda de toda a safra de canadeaçúcar para a DIC, ao mesmo tempo em que o condomínio MMO assumia obrigações, ou seja, realizava penhores agrícolas para garantir suas dívidas com a DIC; e (c) a cessão objeto desse contrato partiu da premissa de que era possível transferir os contratos de parceria agrícola, visto que estes continham “cláusula expressa autorizando sua cessão a terceiros” (a cláusula 14 dos contratos de parceria agrícola) (efl. 82): CONSIDERANDO que os acima nomeados e qualificados parceiros que compõem o CEDENTE, resolveram transferir a totalidade de suas operações agrícolas para uma pessoa jurídica, passando a deter, nos mesmo percentuais de participação de cada um na parceria, a totalidade do capital social da CESSIONÁRIA; CONSIDERANDO que as INTERVENIENTES ANUENTES adquirem, a cada safra, a totalidade da produção de canade açúcar do CEDENTE, e que este, comumente, presta garantias em operações financeiras realizadas pelas mesmas, sob a forma de constituição de penhor agrícola sobre a referida produção; CONSIDERANDO que os contratos de parceria agrícola firmados pelo CEDENTE com os proprietários e/ou detentores a qualquer título de direitos de exploração de imóveis rurais, contêm cláusula expressa autorizando sua cessão a terceiros, independentemente de comparecimento dos mesmos nos respectivos instrumentos de cessão, z’desde que o CEDENTE garanta pagamento dos direitos deles decorrentes; O recorrente defende que tudo não passou de uma venda de lavouras de cana deaçúcar para a SAD, lavouras estas que pertenciam ao condomínio MMO. Para reforçar sua tese, cita a cláusula 5 do “Instrumento Particular de Contrato de Cessão de Direitos e Obrigações e Outras Avenças”. Contudo, ao se analisar a citada cláusula contratual, notase que ela regula a definição do preço a ser pago pela cessionária – e não o objeto do negociado Fl. 1351DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10865.722574/201187 Acórdão n.º 2301000.813 S2C3T1 Fl. 1.247 51 entre a MMO e a SAD. Por outro lado, se a alegação do recorrente fosse verdadeira, teríamos que somente o resultado da atividade agrícola – correspondente, no caso, às lavouras de cana deaçúcar – teria sido transferida para a SAD. Entretanto, os termos do contrato acima transcrito são claros ao demonstrar que o objeto do negócio consistia na cessão dos contratos de parceria agrícola, de modo que todos direitos e obrigações assumidos pelos parceiros agrícolas seriam transferidos e se estabeleceriam novos parceiros, a saber, a SAD e os proprietários ou detentores de direitos de exploração dos imóveis rurais. Tal conclusão é confirmada pelo disposto nas seguintes cláusulas do “"Instrumento de Cessão de Direitos e Obrigações” (efl. 83): 1 O CEDENTE cede e transfere á CESSIONÁRIA todos os direitos e obrigações que lhe decorrem dos Instrumentos Particulares de Contrato de Parceria Agrícola e Compra e Venda de CanadeAçúcar, firmados até a data de assinatura este instrumento, relacionadas em seu ANEXO, que, rubricado pelas partes dele passa a fazer parte, operandose a cessão nos termos e condições contidos nas cláusulas abaixo. 1.1 – Excetuase da cessão objeto deste contrato os direitos sobre a canadeaçúcar a ser colhida e entregue às INTERVENIENTES ANUENTES até o encerramento da Safra 2006/2007, cujos pagamentos serão realizados ao CEDENTE, para o atendimentos a compromissos anteriormente assumidos, passando o pagamento a ser realizado à CESSIONÁRIA a partir da Safra 2007/2008. 1.2 Os Instrumentos Particulares de Contrato de Parceria Agrícola e Compra e Venda de CanadeAçúcar que vierem a ser firmados após a data de assinatura deste instrumento, e até a data do encerramento dos fornecimentos da Safra 2006/2007, serão objeto de cessão pelo CEDENTE à CESSIONÁRIA, e serão devidamente relacionados no fornecimentos da Safra 2006/2007 supra referidos. 2 A CESSIONÁRIA declara conhecer todas as cláusulas e condições estabelecidas nos contratos ora cedidos, obrigandose ao integral cumprimento de todos os seus termos. 3 Assumindo os direitos e obrigações do CEDENTE a CESSIONÁRIA, observando o disposto na cláusula 4 deste pacto, obrigase a entregar às INTERVENIENTES ANUENTES toda a canadeaçúcar produzida nas áreas objeto dos contratos ora cedidos, promovendo, inclusive, a renovação das lavouras quando necessário, até seu cabal cumprimento. 4 A CESSIONÁRIA pelo presente instrumento e melhor forma de direito, obrigase a assumir e a dar cabal cumprimento a todas as garantias prestadas pelo CEDENTE nas operações financeiras realizadas pelas INTERVENIENTES ANUENTES, em conjunto ou isoladamente, mediante constituição de penhor agrícola sobre a produção de canadeaçúcar, na forma como disposto em cada contrato, os quais declara, para todos os fins e Fl. 1352DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 52 efeitos de direito, conhecer integralmente e concordar expressamente com todos os seus termos e condições. A assunção das garantias ora formalizada estendese desde a data em que goram formalizadas, até a data do integral cumprimento de todas as obrigações garantidas junto aos credores. 4.1 A CESSIONÁRIA obrigase, ainda, à partir desta data, na condição de titular de todos os direitos e obrigações decorrentes dos contratos objeto desta cessão, relacionados no ANEXO, a prestar as garantias necessárias às operações financeiras que forem realizadas, em conjunto ou isoladamente, pelas INTERVENIENTES ANUENTES, firmando os respectivos contratos, e admitindo a constituição de penhor agrícola sobre a produção de canadeaçúcar nos volumes e valores que se fizerem necessários para sua regular implementação. (...) 7 Permanecem em vigor e inalteradas todas as demais cláusulas e condições dos Contrato relacionados no ANEXO, ora cedidos, que não tenham sido, expressa ou tacitamente, modificadas pela celebração deste instrumento, restando claro que, conforme previsto na cláusula 2 supra, o CEDENTE garante o cumprimento de todas as cláusulas e condições dispostas nos contratos de parceria agrícola relacionados no ANEXO do presente instrumento. (Grifouse.) No mesmo sentido o “Termo Aditivo ao Instrumento Particular de Contrato de Cessão de Direitos e Obrigações e Outras Avenças”, no qual figuram MMO (cedente), SAD (cessionária) e DICL e DAA (intervenientes anuentes) (efl. 112 e seguintes): CONSIDERANDO QUE: I) Na data de 14/11/06, as Partes firmaram o Instrumento Particular de Contrato de Cessão de Direitos e Obrigações e Outras Avenças ('Contrato') por meio do qual o CEDENTE cedeu e transferiu à CESSIONÁRIA todos os direitos e obrigações decorrentes de parte dos Contratos de Parceria Agrícola e Compra e Venda de CanadeAçúcar por ele celebrados com terceiros até 31/10/06 e que se encontram descritos no Anexo ao referido instrumento; CLÁUSULA I OBJETO DO CONTRATO 1.1 Pelo presente instrumento particular, o CEDENTE cede e transfere à CESSIONÁRIA todos os direitos e obrigações decorrentes dos Contratos relacionados no anexo I, bem como dos Contratos relacionados no Anexo II que, rubricados pelas Partes, passam a fazer parte integrante e indissociável deste Aditivo. 1.1.1 Incluemse na presente cessão, todos os valores, garantias e obrigações derivadas dos direitos ora cedidos, ficando a CESSIONÁRIA, a partir deste momento, investida na qualidade de única e legítima titular de tais direitos. CLÁUSULA II PREÇOS E CONDIÇÕES DE PAGAMENTO Fl. 1353DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10865.722574/201187 Acórdão n.º 2301000.813 S2C3T1 Fl. 1.248 53 2.1 Pela presente cessão dos direitos relacionados aos Contratos relacionados no Anexo I e Anexo II, bem como pela cessão objeto do Contrato, a CESSIONÁRIA deverá pagar ao CEDENTE o montante total de R$ 280.157.514,64 (duzentos e oitenta milhões, cento e cinqüenta e sete mil, quinhentos e quatorze reais e sessenta e quatro centavos). (...) 2.4.1 A CESSIONÁRIA poderá, ainda, desde que mediante prévia expressa concordância do CEDENTE, quitar as parcelas relacionadas na Cláusula 2.2 acima por meio de compensação de valores a ela devidos pelo CEDENTE, nos termos do art. 368 do Código Civil. 2.5 Uma vez verificado o efetivo pagamento ou a compensação das importâncias descritas na Cláusula 2.2, o CEDENTE outorgará automaticamente à CESSIONÁRIA plena, rasa e geral quitação das parcelas recebidas, para nada mais reclamar, seja a que título, tempo ou modo for. (Grifouse.) Resta comprovado, assim, que o objeto da cessão era realmente os direitos e obrigações vinculados aos contratos de parceria agrícola, incluindo as safras futuras de cana deaçúcar. Porém, isso não transforma o objeto do contrato em compra e venda de lavouras de canadeaçúcar. A SAD (cessionária) passou a deter não somente o direito sobre as safras, mas também uma série de obrigações atinentes à atividade agrícola. O bem negociado foram os próprios contratos de parceria agrícola, cujo valor econômico estava atrelado às safras futuras de canadeaçúcar. Diante do exposto, voto, nesta questão do ganho de capital, de negar provimento ao recurso voluntário. João Bellini Júnior – redatordesignado. Fl. 1354DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 10480.012396/2001-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Sep 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1997
AUSÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA
Não há cerceamento ao direito de defesa, se a autoridade julgadora de primeiro grau deixa de analisar a acusação de saldo credor de caixa, porque o contribuinte não questionou este ponto na impugnação.
Numero da decisão: 1401-001.665
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
ANTONIO BEZERRA NETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, RICARDO MAROZZI GREGORIO, LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, AURORA TOMAZINI DE CARVALHO.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ANTONIO BEZERRA NETO Presidente. (assinado digitalmente) GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, RICARDO MAROZZI GREGORIO, LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, AURORA TOMAZINI DE CARVALHO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 01 23 96 /2 00 1- 25 Fl. 403DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 31/08/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 11/09/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO 2 Relatório Inicialmente, cumprenos avisar que as páginas indicadas terão por referência a numeração do processo eletrônico. Tratase de recurso voluntário tempestivo (fls. 392397) contra decisão da DRJ (fls. 368372), que considerou não impugnada parte da exigência fiscal. A referida exigência tratase de auto de infração de IRPJ e tributos decorrentes por omissão de receita presumida calcada em (i) omissão de compras e (ii) saldo credor de caixa. A decisão recorrida deu provimento à impugnação para afastar a exigência no tocante à acusação de omissão de compras, mas considerou não impugnada a outra parte. No recurso voluntário, a defesa aduz que: 1) Impugnou a questão do saldo credor de caixa, ainda que sem rigor tecnico; 2) Juntou, já por ocasião da impugnação, planilha demonstrativa da incorreção do lançamento e razão com a conta caixa; 3) Bastaria a análise dessa escrita para verificar que o lançamento relativamente ao saldo credor de caixa é indevido; 4) O Conselho sempre se manifestou que o julgamento deve adotar a verdade real; 5) A DRF, ao não decidir, cerceou o seu direito de defesa; 6) Por fim, pede a anulação da decisão recorrida para que outra seja proferida no seu lugar com o fim de se manifestar sobre a questão omitida. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes De fato, a decisão recorrida aduziu expressamente que o contribuinte não impugnou a matéria atinente ao saldo credor de caixa. Abaixo, reproduzo trecho do voto condutor em que consta essa análise: Fl. 404DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 31/08/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 11/09/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 10480.012396/200125 Acórdão n.º 1401001.665 S1C4T1 Fl. 404 3 Pois bem, li na integralidade a peça impugnatória e, com efeito, lá não existe, nem sequer transversalmente qualquer referência à questão do saldo credor de caixa. Aliás, o recorrente aduz ter juntado, com a impugnação, uma planilha e o livro razão relativamente à conta caixa, o que demonstraria a improcedência da autuação e, sobretudo, a sua intenção de impugnar a exigência nesta parte. Nada obstante, não informa em quais páginas do processo esses documentos estão. Eu folheie os volumes e nada encontrei. Na verdade, só encontrei os documentos a que o contribuinte faz referência na impugnação. É que, na própria peça impugnatória, o contribuinte relaciona os documentos juntados, mas lá não constam os documentos que diz, agora no recurso voluntário, ter juntado naquela época. Abaixo, reproduzo o trecho da impugnação: A despeito do meu esforço para encontrar os documentos citados, isso não mudaria em nada a minha convicção e o desfecho do meu voto. Só fiz esse esforço, porque tais elementos poderiam ser relevantes para a convicção de outros conselheiros. De minha parte, já me manifestei noutros julgados que a simples juntada de papeis ao processo não caracteriza prova do que se pretende alegar. É necessário estabelecer a relação entre o alegado e os papeis juntados. Ora, se a simples juntada de papeis não corresponde à atividade de provar, menos ainda corresponderia à atividade de alegar. No processo administrativo, a verdade real é um dos vetores que conduzem os julgamentos, mas desde que o interessado tenha se insurgido especificamente contra a exigência tributária. Afinal, tributo é uma prestação de cunho patrimonial e, portanto, um direito disponível. Fl. 405DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 31/08/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 11/09/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO 4 Sem a impugnação específica sobre a matéria atinente à acusação de saldo credor de caixa, agiu bem a autoridade julgadora de primeiro grau ao deixar de analisar a matéria e considerar o lançamento definitivo nesta parte. Voto, pois, por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator Fl. 406DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 31/08/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 11/09/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO
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