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Numero do processo: 10855.001672/2003-96
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário:2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO.
Não se conhece do recurso interposto após o decurso do prazo de 30 (trinta) dias, previsto no artigo 33 do Decreto n° 70.235/72.
Numero da decisão: 1803-001.211
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Meigan Sack Rodrigues
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RECURSO INTEMPESTIVO. Não se conhece do recurso interposto após o decurso do prazo de 30 (trinta) dias, previsto no artigo 33 do Decreto n° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) SELENE FERREIRA DE MORAES Presidente. (Assinado Digitalmente) Meigan Sack Rodrigues Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (Presidente), Sérgio Rodrigues Mendes, Walter Adolfo Maresch, Sérgio Luiz Bezerra Fl. 265DF CARF MF Impresso em 12/04/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/04/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/04/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10855.001672/200396 Acórdão n.º 180301.211 S1TE03 Fl. 112 2 Presta, Meigan Sack Rodrigues. Ausente justificadamente o Conselheiro Victor Humberto da Silva Maizman. Relatório Tratase de Pedido de Restituição, sob o argumento: “saldo de IRRF sobre aplicações financeiras exercício 2002 não compensado no exercício". O processo 10855.001723/200380 encontrase apenso por se tratar de Declaração de Compensação relacionado com este. Em 30/11/2004, a recorrente formalizou, pelo processo 10855.003170/200481, apensado, a solicitação de retificação do Pedido de Restituição e das Declarações de Compensação alegando erro de fato do referido processo. A autoridade que analisou, na Secretaria da Receita Federal, tal pedido entendeu descabida a retificação das Declarações, fundamentando o seu entendimento no artigo 57 da IN/SRF 460/2004, por se tratar de erro de direito e não erro por inexatidão material, tal como determina a norma. Cita doutrina nesse sentido. Atenta a autoridade que analisou o caso que no processo em tela, a recorrente constatou a inexistência de direito creditório de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) e solicitou a retificação modificando a natureza do crédito para saldo negativo de IRPJ. Com isso verificouse que não se trata de inexatidão material, mas de constatação de erro de interpretação quanto à aplicação do direito, ou seja erro de direito, situação que não encontra suporte na legislação tributária para se efetuar a retificação. Por essa razão, a autoridade considerou não aceito o pedido de retificação formalizado pelo processo 10855.003170/2004 81, e procedeu a análise do direito creditório conforme o Pedido de Restituição constante na folha 1, para tanto iremos reproduzir o relatório disposto pela autoridade: “Quanto ao Pedido de Restituição correspondente aos exercícios de 2003, ano calendário 2002, fl. 16, verificase que, sendo o caso de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, o IRRF, por ser considerado como antecipação do IRPJ apurado ao final do período, não podendo ser compensado com outros tributos. Somente o saldo negativo do IRPJ corretamente apurado na declaração poderia ser restituído ou compensado, desde que atendidas as demais condições legais, das quais se destacam as seguintes, estatuídas no art. 170 do CTN, in verbis: "Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Publica. " Com efeito, a previsão para utilização do valor do IRRF na dedução do IRPJ devido encontra respaldo na Lei n° 8.981/95, in verbis: Fl. 266DF CARF MF Impresso em 12/04/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/04/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/04/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10855.001672/200396 Acórdão n.º 180301.211 S1TE03 Fl. 113 3 'Art. 37. Sem prejuízo dos pagamentos mensais do imposto, as pessoas jurídicas obrigadas ao regime de tributação com base no lucro real (art. 36) e as pessoas jurídicas que não optarem pelo regime de tributação com base no lucro presumido (art. 44) deverão, para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada anocalendário ou na data da extinção. (...) §3°Para efeito de determinação do saldo do imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: (...) c)do Imposto de Renda pago ou Retido na Fonte, incidentes sobre receitas computadas na determinação do lucro real. (...)” Diante do acima exposto, propomos não reconhecer o direito creditório da Interessada relativo ao IRRF. Cumprenos assinalar que apesar do não conhecimento do direito creditório pleiteado no Pedido de Restituição, devemos reconhecer a homologação tácita das Declarações de Compensação protocolados há mais de 5 anos, até o limite do crédito informado em seu Pedido de Restituição, no valor de R$ 118.778,77, fl. 01, em observância ao disposto no § 2 o do Art. 29 da IN SRF 600/2005, transcrito abaixo. A Instrução Normativa SRF n" 600, de 28 de dezembro de 2005, assim dispõe: Art. 29. A autoridade da SRF que não homologar a compensação cientificará o sujeito passivo e intimáloá a efetuar, no prazo de trinta dias, contados da ciência do despacho de não homologação, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. § 1 Não ocorrendo o pagamento ou o parcelamento no prazo previsto no caput, o débito deverá ser encaminhado à PGFN, para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no art. 48. § 2° O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de cinco anos, contados da data da entrega da Declaração de Compensação. Ao vincularmos o crédito informado com os débitos declarados nas Declarações de Compensação constantes na folha 1 do processo 10855.001723/20038, nas folhas 17, 21 e 25 do presente processo, temos como resultado a extinção dos débitos listados na tabela 1: Fl. 267DF CARF MF Impresso em 12/04/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/04/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/04/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10855.001672/200396 Acórdão n.º 180301.211 S1TE03 Fl. 114 4 DECISÃO: Tendo em vista o aqui exposto, proponho: 1. A não aceitação do pedido de retificação solicitado no processo 10855.3170/200481; 2. O não reconhecimento do direito creditório pleiteado no processo 10855.001672/200396; 3. A homologação tácita dos débitos extintos conforme a tabela 01, em observância ao disposto no § 2 o do Art. 29 da IN SRF 600/2005; e 4 . A cobrança dos débitos declarados nas Dcomp listadas na tabela 2 por inocorrência das suas respectivas homologações.” Devidamente cientificada da decisão proferida, a recorrente, de forma tempestiva apresenta suas razões em manifestação de inconformidade, alegando de modo sintético que o período constante do pedido de restituição referese aos saldos do ano de 2002, bem como tal pedido de restituição gerou outro processo (processo administrativo n° 10855.003170/200481) e que neste novo procedimento, a recorrente solicitou a retificação do pedido de restituição e das declarações de compensação já apresentadas, por motivo de erro de fato. Esclarece que o referido erro deuse em função de equívoco no preenchimento de campo do PER/Dcomp, uma vez que fora preenchido o campo "pagamento indevido ou a maior", quando na verdade deveria ser preenchido o campo "saldo negativo de IRPJ". Ocorre que a autoridade que analisou o pedido, na Secretaria da Receita Federal entendeu que a recorrente teria incorrido em "erro de direito" e não em "erro de fato", conforme se pode extrair da documentação colacionada ao pedido de restituição apresentado, quais sejam: os livros fiscais e contábeis da empresa recorrente, que segundo a mesma Fl. 268DF CARF MF Impresso em 12/04/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/04/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/04/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10855.001672/200396 Acórdão n.º 180301.211 S1TE03 Fl. 115 5 demonstram que toda a operação de compensação foi regularmente escriturada. Aduz que as DCTF, relativas aos períodos em questão, foram regularmente processadas e entregues pela empresa contribuinte e que esta apenas cometeu o equívoco quanto ao preenchimento de campos apostos em obrigação acessória, não podendo ser penalizada por tal equívoco com a perda de seu direito creditório previsto em lei. Salienta, ainda, que houve apenas falha de cumprimento de obrigação acessória e não de apropriação indevida de saldos credores de tributos. Discorre sobre a independência entre obrigações acessórias e principais, citando doutrina e jurisprudência. Prossegue transcrevendo trechos do despacho decisório para demonstrar que não houve erro de interpretação do direito, havendo, contudo, apenas erro de preenchimento do campo correspondente. Frisa, em sua defesa que a empresa adotou todos os procedimentos administrativos previstos para sanar tal erro e que realizou suas compensações, atendendo completamente o que prevê a norma legal. Ainda, discorre sobre o parágrafo único do artigo 116 do CTN e sua inconstitucionalidade.. Por fim, requer a reforma total da decisão que indeferiu a restituição pleiteada, anulando o lançamento dos créditos tributários e sua posterior cobrança, em função da não ocorrência da decadência alegada e o deferimento da compensação realizada. A autoridade de primeira instância, ao decidir a demanda na Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ), entendeu pela improcedência da manifestação de inconformidade apresentada pela recorrente, sob os fundamentos que seguem: “O valor do indébito com o qual a contribuinte declarou as compensações objeto deste processo seria originário do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), incidente sobre rendimentos de aplicações financeiras, informado na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ/2003. Com efeito, a repetição de R$ 118.778,77 originariamente pretendida, encontrase aposta na Ficha 12A, a título de imposto de renda retido na fonte, mais especificamente na cifra de R$ 118.778,73, conforme se vê à fl. 28 do processo administrativo n° 10855.003170/200481, apensado ao presente. Nesse prisma, nas razões de fls. 01/04 do processo administrativo n° 10855.003170/200481, a contribuinte revela que ao transmitir as PER/Dcomp vinculadas ao processo administrativo n° 10855.001672/200396 preencheu indevidamente o indébito como "pagamento indevido ou a maior" quando a opção correta seria "saldo negativo de IRPJ". Dessa forma, a requerente, objetivando retificar essas informações, tentou transmitir PER/Dcomp retificadoras, porém em razão da alteração do tipo de crédito, o programa PER/Dcomp impediu as transmissões. Desse modo, em consonância com o artigo 76 da IN/SRF n° 460/2004, a contribuinte apresentou, em formulário papel, Dcompretificadoras, visando a alteração do tipo de crédito para saldo negativo de IRPJ. Registrese que não houve alteração do montante do indébito pretendido, ou seja, na cifra de R$ 118.778,77, conforme o pedido de restituição de fl. 01 dos autos. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 12/04/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/04/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/04/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10855.001672/200396 Acórdão n.º 180301.211 S1TE03 Fl. 116 6 Feitas as necessárias observações, passase à análise dos autos. Conformação do Pedido Primeiramente, no que diz respeito à legislação relativa à apuração do imposto de renda para a pessoa jurídica optante pelo lucro real, temse que os pagamentos efetuados no decorrer dos meses do ano civil, como também as retenções do imposto por fontes pagadoras, configuram antecipações do tributo devido no final do período anual de apuração. Ou seja, a contribuinte, porquanto fez a opção prevista no artigo 2 o da Lei n° 9.430/96, fica obrigada aos recolhimentos mensais por estimativa, com base na receita bruta, devendo, ao final do período de apuração anual, proceder ao confronto entre os valores recolhidos por estimativa, mais as retenções na fonte, e o valor devido de IRPJ apurado. Caso se verificasse que as antecipações implicam valor maior que o devido, a interessada poderia compensar, sem anuência da administração, a diferença negativa com o imposto mensal a ser pago nos meses subsequentes, assegurada, ao final do período anual de apuração, a alternativa de restituição do valor pago a maior ou, ainda, compensar referido saldo negativo com outros tributos, declarando ao Fisco, neste último caso, o encontro de contas, que expressa ou tacitamente o homologará. Compete realçar, pois, que o crédito pretendido, qualquer que seja das três hipóteses de liquidação, possui natureza de saldo negativo de IRPJ, não obstante muitos interessados entenderem que o pedido é de restituição ou compensação (restituição indireta) do próprio tributo recolhido ou retido. Assim sendo, esta Turma de Julgamento tem reiteradamente decidido que a discriminação imprecisa de que o crédito refere se a saldo negativo de IRPJ não desnatura a pretensão repetitória inserta no pedido, eis que no documento de fl. 01 a então Requerente precisou o indébito fiscal, qual seja, imposto de renda retido na fonte sobre aplicações financeiras do ano de 2002 não compensado no exercício, na ordem de R$ 118.778,77, montante este que reflete o valor discriminado na linha 13 da Ficha 12A da DIPJ/2003, conforme fl. 28 do processo n° 10855.003170/200481. Com isso, ficaram suficientemente delimitados os elementos do pretenso indébito: a) tributo; b) valor e c) época do recolhimento. À vista disso, reconheço que a adequação realizada pela contribuinte não importou em inovação do pedido. Em decorrência, divirjo do fundamento da decisão da ilustre Autoridade Fiscal, segundo a qual é incabível a retificação de pedido de restituição ou declaração de compensação por ter a contribuinte solicitado restituição do imposto de renda retido na fonte quando, em realidade, pretendia a restituição de saldo negativo de IRPJ. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 12/04/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/04/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/04/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10855.001672/200396 Acórdão n.º 180301.211 S1TE03 Fl. 117 7 Quanto às alegações da contribuinte de inconstitucionalidade do parágrafo único do artigo 116 do CTN, devese esclarecer, primeiramente, que não houve qualquer menção por parte da autoridade fiscal de desconsideração de ato ou negócio jurídico praticado com a finalidade de se dissimular a ocorrência de fato gerador do tributo. Ademais, sendo as Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) órgãos do Poder Executivo, não lhes compete apreciar a conformidade de normas, validamente editadas, com preceitos emanados da própria Constituição Federal, a ponto de declararlhe a nulidade ou inaplicabilidade ao caso expressamente previsto, haja vista tratarse de matéria reservada, por força de determinação constitucional, ao Poder Judiciário. Em suma, o enfoque que devemos dar nesta análise para apuração do crédito é de determinação do saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 2002, delimitado à cifra de R$ 118.778,77, pois não se pode deferir ao autor mais do que foi requerido. Análise do Direito Creditório Consoante consta da DIPJ/2003, a interessada efetuou cálculo do imposto devido por estimativa com base na receita bruta e em balanços ou balancetes de suspensão e redução, apurandose ao final do ano lucro real. No caso em tela, o saldo negativo demonstrado pela contribuinte, é de R$ 137.756,46 e seria originário do valor do imposto de renda devido (R$ 8.641,25), deduzido do imposto de renda retido na fonte sobre aplicações financeiras (R$ 118.778,73), do imposto de renda pago por estimativa (R$ 27.273,33) e dos incentivos fiscais (R$ 345,65). Dessa forma, cabe perquirir, à luz do disposto na legislação de regência, se a declaração de compensação ora em exame encontrase devidamente instruída, especialmente no que concerne à comprovação de liquidez e certeza do crédito pleiteado. Nesse sentido, o Código Tributário Nacional (CTN), em seu artigo 170, dispõe: "a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda ". A respeito do tema, cumpre transcrever o disposto no Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, mais exatamente os artigos 221 a 232, verbis: "Apuração Anual do Imposto Art. 221. A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma desta Seção deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano (Lei n 9.430, de 1996, art. 2? § 3?). (...) Pagamento por Estimativa Fl. 271DF CARF MF Impresso em 12/04/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/04/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/04/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10855.001672/200396 Acórdão n.º 180301.211 S1TE03 Fl. 118 8 Art. 222. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto e adicional, em cada mês, determinados sobre base de cálculo estimada (Lei n 9.430, de 1996, art. 2°). Parágrafo único. A opção será manifestada com o pagamento do imposto correspondente ao mês de janeiro ou de início de atividade, observado o disposto no art. 232 (Lei « 9.430, de 1996, art. 3, parágrafo único). Base de Cá/cu/o Art. 223. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observadas as disposições desta Subseção (Lei n 9.249, de 1995, art. 15, e Lei n?9.430, de 1996, art. 2?). (....) Suspensão, Redução e Dispensa do Imposto Mensal Art. 230. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso (Lei n 8.981, de 1995, art. 35, e Lei«°9.430, de 1996, art. 2?). (....) Deduções do Imposto Anual Art. 231. Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor (Lei n° 9.430, de 1996, art. 2o, § 4o): (...) III do imposto pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto pago na forma dos arts. 222 a 230 ". Conforme legislação acima, a interessada está obrigada, considerando que é optante pelo lucro real, apuração anual, pagar mensalmente o imposto de renda devido por estimativa com base na receita bruta, com a aplicação de um percentual determinado. Pode também suspender o pagamento desde que proceda aos balancetes mensais, demonstrando que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. No final do ano, o imposto apurado deve ser deduzido dos pagamentos recolhidos sob esta sistemática. Assim, somente o saldo negativo de IRPJ a pagar, calculado ao final do período de apuração, é que se mostra passível de restituição e/ou compensação posterior, nos termos da legislação vigente. No entanto, a apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, no caso, está na dependência da efetiva demonstração, pela requerente, do saldo negativo de IRPJ apurado no final de cada período, anocalendário de 2002, uma vez que os valores recolhidos a título de estimativa, bem como as retenções de imposto de renda, são considerados pela lei como antecipações do imposto de renda devido. Diante dessas considerações, esta Turma de Julgamento tem reiteradamente consignado que em tema de restituição e Fl. 272DF CARF MF Impresso em 12/04/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/04/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/04/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10855.001672/200396 Acórdão n.º 180301.211 S1TE03 Fl. 119 9 compensação de saldo negativo de IRPJ com outros tributos, ou com o próprio, cabe o atendimento de quatro premissas: Ia ) a constatação dos pagamentos ou das retenções; 2a ) a oferta à tributação das receitas que ensejaram as retenções; 3a ) a apuração do indébito, fruto do confronto acima delineado e, 4a) a observância do eventual indébito não ter sido liquidado em autocompensações. Portanto, não basta à interessada alegar o pagamento a maior ou indevido do tributo, mas também deve trazer, por ocasião do presente contencioso, provas, lastreadas em lançamentos contábeis, que identifiquem, inequivocamente, a base de cálculo do IRPJ, o imposto devido, os valores pagos ou retidos antecipadamente, e, por conseguinte, o saldo negativo de IRPJ. Inclusive, por se tratar de contribuinte sujeita ao regime de apuração do imposto com base no lucro real, esta deveria, ao fim de cada períodobase de incidência do imposto, apurar o lucro líquido do exercício mediante a elaboração, com observância das disposições da lei comercial, do balanço patrimonial, da demonstração do resultado do exercício e da demonstração de lucros ou prejuízos acumulados, que serão transcritos no Livro de Apuração de Lucro Real (LALUR), nos termos dos artigos 7o e seu § 4o , e 8o inciso I, ambos do DecretoLei n° 1.598, de 1977, in verbis: "Art 7o O lucro real será determinado com base na escrituração que o contribuinte deve manter, com observância das leis comerciais e fiscais. (....) § 4° Ao fim de cada períodobase de incidência do imposto o contribuinte deverá apurar o lucro líquido do exercício mediante a elaboração, com observância das disposições da lei comercial, do balanço patrimonial, da demonstração do resultado do exercício e da demonstração de lucros ou prejuízos acumulados. Art 8° O contribuinte deverá escriturar, além dos demais registros requeridos pelas leis comerciais e pela legislação tributária, os seguintes livros: I de apuração de lucro real, no qual: a) serão lançados os ajustes do lucro líquido do exercício, de que tratam os §§ 2º e 3°do artigo 6a; b) será transcrita a demonstração do lucro real (§ Io); (....)." Neste contexto, a contribuinte deveria trazer provas, lastreadas em lançamentos contábeis, dentre estas, destacamse: os registros contábeis de conta no ativo do IRPJ a recuperar, a expressão deste direito em balanços ou balancetes, os Livros Diário e Razão, e t c , tudo de forma a ratificar o indébito pleiteado. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 12/04/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/04/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/04/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10855.001672/200396 Acórdão n.º 180301.211 S1TE03 Fl. 120 10 Consoante noção cediça, a escrituração contábil e fiscal mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, conforme dispõe o artigo 923 do RIR/1999: "Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei n? 1.598, de 1977, art. 92, § 1?) ". No presente caso, a recorrente, em sua peça impugnatória, traz como prova desse crédito cópia da declaração de rendimentos de fls. 17/73, informando a existência de saldo negativo de IRPJ, cópia dos informes de rendimentos de fls. 74/98 e cópia das DCTF do anocalendário de 2003. Dos documentos apresentados pela contribuinte, cabem as seguinte observações: a) quanto à DIPJ/2003, externando saldo negativo de IRPJ, cabe observar que a DIPJ tãosomente indicia que a contribuinte teria efetuado pagamento a maior que o devido. Todavia, resumese à seara do indício, vez que a declaração desacompanhada da escrita, não produz o efeito desejado; b) quanto ao IRRF, no valor de R$ 118.778,73, ressaltese que a contribuinte não comprova que os rendimentos sobre os quais incidiu o referido IRRF foram oferecidos à tributação, condição essencial para que este possa ser aproveitado na compensação do imposto apurado no final do período, originando, se for o caso, o saldo negativo de IRPJ. Temse, portanto, que a certeza e liquidez de crédito a título de saldo negativo de IRPJ, para fins de repetição tributária, não se apura em razão do quantum do tributo declarado como devido no ano calendário, mas sim em relação ao quantum mostrado pela contabilidade e outros documentos fiscais, conjuntamente, sendo a declaração de rendimentos e os eventuais pagamentos por estimativa e ainda os informes de retenções apenas elementos da composição. Noutras palavras: por si só, não exprimem a figura do indébito fiscal. Por tais razões, a contribuinte, quando apresenta uma Declaração de Compensação, deve, necessariamente, provar um crédito tributário a seu favor para ter o direito de extinguir um débito tributário constituído em seu nome, de forma que o reconhecimento do indébito tributário seja o fundamento fático e jurídico de qualquer declaração de compensação. Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN).” Fl. 274DF CARF MF Impresso em 12/04/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/04/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/04/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10855.001672/200396 Acórdão n.º 180301.211 S1TE03 Fl. 121 11 Devidamente cientificada da decisão proferida pela autoridade de primeira instância, a recorrente apresenta suas razões em seara de recurso voluntária. É o relatório. Voto Conselheira Meigan Sack Rodrigues. Tratase de Pedido de Restituição, sob o argumento: “saldo de IRRF sobre aplicações financeiras exercício 2002 não compensado no exercício". O processo 10855.001723/200380 encontrase apenso por se tratar de Declaração de Compensação relacionado com este. Em 30/11/2004, a recorrente formalizou, pelo processo 10855.003170/200481, apensado, a solicitação de retificação do Pedido de Restituição e das Declarações de Compensação alegando erro de fato do referido processo. Devidamente intimada a recorrente impugnou tempestivamente, mas não interpôs o recurso voluntário dentro do trintídio legal. Isto porque, conforme se verifica do processo em apreço, a empresa recebeu a intimação, pela via postal, tendo assinado o Aviso de Recebimento (AR), constante das folhas 102, do presente processo, no dia 13.06.2011, uma segundafeira. Não sendo feriado, iniciase o prazo de contagem para a apresentação do recurso voluntário no dia seguinte, qual seja 14.06.2011, terçafeira, findando no dia 13.07.2011, quartafeira. Tudo conforme se verifica da tela abaixo: Ocorre que a recorrente somente ingressou com o seu recurso voluntário no dia 14.07.2011, na quintafeira, conforme se verifica do protocolo firmado na capa do seu recurso, folhas 103 do presente processo, ou seja, 31 dias após o início da contagem; um dia Fl. 275DF CARF MF Impresso em 12/04/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/04/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/04/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10855.001672/200396 Acórdão n.º 180301.211 S1TE03 Fl. 122 12 depois do término do prazo. Assim, o recurso voluntário da contribuinte, ora recorrente, não pode ser conhecido por encontrarse intempestivo. Sobre o prazo para apresentação de recurso, dispõe o art. 33 do Decreto nº 70.235/72, verbis: “Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão.” A contagem do referido prazo deve ser realizada nos termos do art. 52 do mesmo diploma legal, verbis: “Art. 5° Os prazos serão contínuos, excluindose na .sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato.” Pelo exposto, VOTO no sentido de não conhecer do recurso. É o voto. (Assinado Digitalmente) Meigan Sack Rodrigues Relatora Fl. 276DF CARF MF Impresso em 12/04/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/04/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/04/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES
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Numero do processo: 10746.001435/2004-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 1999, 2000
PAGAMENTO SEM CAUSA.
Comprovado nos autos que os pagamentos efetuados não tiveram a destinação indicada pelo sujeito passivo, qual seja, realização de projeto financiado pela Sudam, retornando de forma ilícita aos seus sócios, reais beneficiários, correta a exigência de imposto de renda na fonte.
MULTA QUALIFICADA.
Comprovado a intuito de fraude, aplica-se a multa qualificada nos termos do art. 44, II, da Lei n° 9.430/96.
PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DISCUSSÃO. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA.
Incabível na esfera administrativa a discussão de que uma determinada norma legal não é aplicável por ferir princípios constitucionais, pois essa competência é atribuída exclusivamente ao Poder Judiciário, na forma dos artigos 97 e 102 da Constituição Federal. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO.
A vedação quanto à instituição de tributo com efeito confiscatório é dirigida ao legislador e não ao aplicador da lei.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999, 2000
DECADÊNCIA. HIPÓTESE DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. INÍCIO DA CONTAGEM DO PRAZO. PRECEDENTE DO STJ NO RECURSO ESPECIAL N° 973.733/SC.
A existência de dolo, fraude ou simulação, afasta a possibilidade de homologação do pagamento de que trata o § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional e remete a contagem do prazo decadencial para a regra geral prevista no art. 173, inc. I, do mesmo diploma legal, qual seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Precedente do STJ no Recurso Especial n° 973.733/SC julgado nos termos do art. 543-C do CPC o que implica, em razão do disposto no art. 62, §2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 343/2015, vinculação dos membros deste Colegiado à tese vencedora no âmbito do STJ.
Tratando-se de fato gerador mais longínquo relativo ao ano-calendário de 1999, o lançamento poderia ter sido feito nesse mesmo ano-calendário, e o primeiro dia para contagem do prazo decadencial iniciou-se em 01 de janeiro de 2000, tendo como data fatal para o lançamento o dia 31 de dezembro de 2004. Tendo o lançamento sido cientificado ao contribuinte em 03 de dezembro de 2004, não há que se falar em decadência.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-002.416
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a arguição de decadência e a preliminar de nulidade, não conhecer do recurso nas questões atinentes à inconstitucionalidade e, na parte conhecida, negar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto que passam a integrar este julgado. Ausente justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 1999, 2000 PAGAMENTO SEM CAUSA. Comprovado nos autos que os pagamentos efetuados não tiveram a destinação indicada pelo sujeito passivo, qual seja, realização de projeto financiado pela Sudam, retornando de forma ilícita aos seus sócios, reais beneficiários, correta a exigência de imposto de renda na fonte. MULTA QUALIFICADA. Comprovado a intuito de fraude, aplica-se a multa qualificada nos termos do art. 44, II, da Lei n° 9.430/96. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DISCUSSÃO. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. Incabível na esfera administrativa a discussão de que uma determinada norma legal não é aplicável por ferir princípios constitucionais, pois essa competência é atribuída exclusivamente ao Poder Judiciário, na forma dos artigos 97 e 102 da Constituição Federal. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO. A vedação quanto à instituição de tributo com efeito confiscatório é dirigida ao legislador e não ao aplicador da lei. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1999, 2000 DECADÊNCIA. HIPÓTESE DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. INÍCIO DA CONTAGEM DO PRAZO. PRECEDENTE DO STJ NO RECURSO ESPECIAL N° 973.733/SC. A existência de dolo, fraude ou simulação, afasta a possibilidade de homologação do pagamento de que trata o § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional e remete a contagem do prazo decadencial para a regra geral prevista no art. 173, inc. I, do mesmo diploma legal, qual seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Precedente do STJ no Recurso Especial n° 973.733/SC julgado nos termos do art. 543-C do CPC o que implica, em razão do disposto no art. 62, §2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 343/2015, vinculação dos membros deste Colegiado à tese vencedora no âmbito do STJ. Tratando-se de fato gerador mais longínquo relativo ao ano-calendário de 1999, o lançamento poderia ter sido feito nesse mesmo ano-calendário, e o primeiro dia para contagem do prazo decadencial iniciou-se em 01 de janeiro de 2000, tendo como data fatal para o lançamento o dia 31 de dezembro de 2004. Tendo o lançamento sido cientificado ao contribuinte em 03 de dezembro de 2004, não há que se falar em decadência. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Recurso Voluntário Negado.
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Comprovado nos autos que os pagamentos efetuados não tiveram a destinação indicada pelo sujeito passivo, qual seja, realização de projeto financiado pela Sudam, retornando de forma ilícita aos seus sócios, reais beneficiários, correta a exigência de imposto de renda na fonte. MULTA QUALIFICADA. Comprovado a intuito de fraude, aplicase a multa qualificada nos termos do art. 44, II, da Lei n° 9.430/96. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DISCUSSÃO. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. Incabível na esfera administrativa a discussão de que uma determinada norma legal não é aplicável por ferir princípios constitucionais, pois essa competência é atribuída exclusivamente ao Poder Judiciário, na forma dos artigos 97 e 102 da Constituição Federal. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO. A vedação quanto à instituição de tributo com efeito confiscatório é dirigida ao legislador e não ao aplicador da lei. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999, 2000 DECADÊNCIA. HIPÓTESE DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. INÍCIO DA CONTAGEM DO PRAZO. PRECEDENTE DO STJ NO RECURSO ESPECIAL N° 973.733/SC. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 74 6. 00 14 35 /2 00 4- 43 Fl. 3814DF CARF MF Processo nº 10746.001435/200443 Acórdão n.º 1402002.416 S1C4T2 Fl. 3.815 2 A existência de dolo, fraude ou simulação, afasta a possibilidade de homologação do pagamento de que trata o § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional e remete a contagem do prazo decadencial para a regra geral prevista no art. 173, inc. I, do mesmo diploma legal, qual seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Precedente do STJ no Recurso Especial n° 973.733/SC julgado nos termos do art. 543C do CPC o que implica, em razão do disposto no art. 62, §2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 343/2015, vinculação dos membros deste Colegiado à tese vencedora no âmbito do STJ. Tratandose de fato gerador mais longínquo relativo ao anocalendário de 1999, o lançamento poderia ter sido feito nesse mesmo anocalendário, e o primeiro dia para contagem do prazo decadencial iniciouse em 01 de janeiro de 2000, tendo como data fatal para o lançamento o dia 31 de dezembro de 2004. Tendo o lançamento sido cientificado ao contribuinte em 03 de dezembro de 2004, não há que se falar em decadência. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a arguição de decadência e a preliminar de nulidade, não conhecer do recurso nas questões atinentes à inconstitucionalidade e, na parte conhecida, negarlhe provimento, nos termos do relatório e voto que passam a integrar este julgado. Ausente justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 3815DF CARF MF Processo nº 10746.001435/200443 Acórdão n.º 1402002.416 S1C4T2 Fl. 3.816 3 Relatório O presente processo foi objeto da Resolução nº 1402000.170 proferida na sessão de 05 de março de 2013. Repito o relatório então apresentado, complementandoo ao final. PEDRA GRANDE S/A recorreu a este Conselho, fls. 3105/3160, representada por advogado, contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, que julgou procedente a exigência de IRFonte, no valor total de R$ 9.461.282,93 (incluindo multa de oficio de 150% e juros de mora calculados até 29/10/2004), pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Este processo foi anteriormente julgado pela Quarta Câmara do 1o. Conselho de Contribuintes, em 6/03/2008, que mediante acórdão 10423068, fls. 2788 e seguintes não conheceu do recurso voluntário por intempestivo. A contribuinte ingressou com embargos, questionando a intempestividade, que foram rejeitados. A seguir apresentou recurso especial de divergência, cujo seguimento foi negado, mediante reexame do presidente da CSRF (fls. 2934 a 2968). O contribuinte foi intimado porem não se manifestou, unidade de origem encaminhou os autos para cobrança executiva pela PFN, fls. 2984 e seguintes. O contribuinte impetrou então Mandado de Segurança e obteve liminar em 21/10/2010(MS 2198156.2010.4.01340043), fls. 3075 e seguintes, determinando a apreciação do recurso voluntário administrativo. O processo foi apreciado por esta Turma na sessão de 14/12/2010, sendo convertido em diligência, mediante resolução n º 140200.027, cujo voto condutor abaixo transcrevo: “(...) Conforme relatado o lançamento decorreu do fato de que vários pagamentos efetuados pelo sujeito passivo às empresas Brasfértil Agroindustrial Norte, Construtora Crescimento, Construtora Dantas e Agroverde, detalhados nos demonstrativos às fl. 363/368, em verdade, teriam sido desviados para outros beneficiários, sem justificativa da causa ou identificação do mesmo, ensejando o lançamento de IRRF no percentual de 35%. Vejamos alguns pontos que conduziram a autoridade fiscal à conclusão apresentada: as empresas Construtora Crescimento, Construtora Dantas e Agroverde endossaram ao portador todos os cheques recebidos, os quais foram depositados em uma mesma conta no Bancoob. A empresa Brasfértil Agroindustrial endossou e depositou seis cheques recebidos na mesma conta. Consta que esta empresa também recebeu pagamentos mediante cheques avulsos (emitidos no caixa do banco), ou seja, recebeu pagamentos em dinheiro; Fl. 3816DF CARF MF Processo nº 10746.001435/200443 Acórdão n.º 1402002.416 S1C4T2 Fl. 3.817 4 conforme informação obtida na internet, o Bancoob integra a estrutura do Sistema de Cooperativas de Crédito do Brasil (Sicoob). O Sicoob, por sua vez, abrange diversas cooperativas, entre as quais a Cooperativa de Crédito Rural de Brasília Ltda (Credibrasilia), onde a empresa Brasfértil Representações e Serviços Ltda, cujos sócios também são sócios quotistas do sujeito passivo, possui contacorrente; consta que as empresas Brasfértil Agroindustrial e Dantas não possuíam contas bancárias; a empresa Agroverde, mesmo possuindo conta no Bradesco, endossou ao portador os cheques, tendo sido os mesmos depositados na conta do Bancoob; a empresa Crescimento declarou que não prestou serviço ao sujeito passivo e teve suas notas extraviadas pelo seu contador, por sinal o mesmo contador do sujeito passivo, da Brasfértil Agroindustrial e da Dantas; os períodos abrangidos pelos pagamentos às empresas coincidem com períodos de grande movimento de depósitos na conta da Brasfértil Representações e Serviços na Credibrasília; as notas fiscais emitidas pelos beneficiários não têm equivalência de valores com os pagamentos. Conforme asseverado na decisão recorrida, os fatos apurados pela autoridade fiscal demonstram que a contribuinte obteve um financiamento público para a realização de projeto agroindustrial na região de sua abrangência e arquiteta uma rede de empresas para superfaturar pagamentos por serviços prestados, apropriandose de grande parte dos valores recebidos da Sudam, mas não efetivamente gastos no projeto. Esse procedimento não é novo e, via de regra, os projetos são com custos muito inferiores aos lançados nas notas fiscais emitidas. No caso presente, afirma a fiscalização, que o retorno dos valores pagos superfaturados era feito por meio da conta no Bancoob, instituição integrante de grupo financeiro onde a empresa Brasfértil Representações, de propriedade dos mesmos sócios do sujeito passivo, mantinha conta corrente. Tal qual asseverado na decisão recorrida, “(...)ainda que a execução da obra restasse comprovada, o que não ocorreu no caso, vez que o sujeito passivo não anexou qualquer prova aos autos de tal fato (alegou que juntou relatórios de acompanhamento do projeto emitidos pela Sudam e fotos, os quais não constam nos autos), os pagamentos efetuados não estariam justificados pelo projeto, vez que claramente destinados a encobrir desvio do valor financiado para os sócios do sujeito passivo.” E continua: “A juntada dos contratos de prestação de serviços ou de vendas efetuados com as empresas Brasfértil Agroindustrial Norte, Dantas e Crescimento, não servem como prova de que os pagamentos destinaramse ao projeto aprovado pela Sudam, vez que não conseguem explicar o porquê dos valores terem sido desviados para uma mesma conta no Bancoob. Tais contratos provam apenas que tais empresas tinham consciência da irregularidade cometida e, quando muito, servem como prova de que tais empresas iriam prestar algum serviço ou fornecer alguma material, o que pode ter ocorrido, fato este que não está sendo discutido. O cerne da questão é o desvio dos pagamentos efetuados em benefício de sócios do sujeito passivo, a meu ver bem caracterizado pela autoridade fiscal.”(grifei) Fl. 3817DF CARF MF Processo nº 10746.001435/200443 Acórdão n.º 1402002.416 S1C4T2 Fl. 3.818 5 Outro registro relevante do voto condutor do acórdão recorrido, em consonância com a acusação fiscal é no sentido de que “o sujeito passivo não está sendo prejudicado indevidamente por irregularidades cometidas pelas outras empresas no cumprimento de suas obrigações tributárias, mas está sendo autuado pela existência de um conjunto de indícios que demonstram o desvio do financiamento da Sudam para o enriquecimento ilícito de seus sócios. Em nenhum momento o sujeito passivo conseguiu ou, ao menos, tentou explicar a relação entre as empresas, a conta no Bancoob, a conta no Credibrasília e a Brasfértil Representações. Preferiu passar ao largo, atacando somente pontos abordados pela autoridade fiscal como reforço das conclusões alcançadas.” Portanto, o litígio passa à margem da implantação do projeto em si, até porque seria preciso uma auditoria técnica para verificar a quantidade de recursos efetivamente aplicada no que foi realizado e isso não tem qualquer influencia direta na autuação, haja vista que a acusação fiscal é que parte dos recursos que a autuada recebeu da Sudam foram desviado para outros fins e beneficiários diversos, daí a exigência de IRFonte sobre tais pagamentos. Pois bem, o art. 29 do Decreto 70.235/1972 estabelece: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Estamos em um julgamento colegiado, num grupo de 6 julgadores e normalmente temos diferentes níveis de convencimento diante dos fatos e das provas. Todavia, no presente caso, acredito seja senso comum que os elementos da conta corrente no Bancoob na qual teriam sido depositados os valores pagos pela empresa poderá convergir os entendimentos dos julgadores. Entendo, pois, que a instituição financeira deva ser oficiada para (i)identificar o titular da aludida conta, (ii)informar se existem procuradores autorizados a movimentála, (iii) fornecer cópia dos documentos de abertura da conta, (iv) fornecer extratos e cópias frente e verso dos cheques ou documentos de saque de valores acima de R$ 10.000,00. A Fiscalização pode fazer outras verificações e procedimentos, em estrita consonância com o escopo da diligencia visando seu êxito, qual seja, elucidar nos autos o destino mediato dos pagamentos efetuados pela autuada. Ao final, deverá lavrar termo consubstanciado e cientificar a contribuinte para, caso deseje, manifestarse no prazo de 30 dias. Os procedimentos fiscais para cumprir a diligência resultaram na juntada dos documentos de fls. 3173 a 3395. Ao final dos trabalhos foi lavrado relatório de fls. 3396 e 3397 nos seguintes termos: “(...) A Cooperativa de Credito Rural de Brasília Ltda foi intimado através do TERMO DE INTMAÇÃO FISCAL. n° 01 a: (1) INFORMAR o titular da contacorrente, referente aos cheques relacionados no referido termo, emitidos pela empresa Pedra Grande S/A, tendo como beneficiários as seguintes empresas: Crescimento Construtora Imobiliária Ltda CNPJ: 03.611.089/000110, Agroverde Ltda CNPJ: Fl. 3818DF CARF MF Processo nº 10746.001435/200443 Acórdão n.º 1402002.416 S1C4T2 Fl. 3.819 6 25.084.856/000113, Brasfértil Agroindustrial Norte Ltda CNPJ:00.647,412/000118 e W.b. Sousa e Cia Ltda CNPJ: 38.134.516/000100 (cópias dos cheques consta nos autos). Esses cheques foram objetos de endosso e depositados em contacorrente mantida junto a esta instituição; (2) Informar se existem procuradores autorizados a movimentála; (3) Fornecer cópia dos documentos de abertura da aludida conta, extratos e cópias (frente e verso) dos cheques ou documentos de saque de valores acima de R$ 10.000,00 no período de 01/1999 a 12/2000. A intimação deus e em 05 de setembro de 2011 por via postal com Aviso de Recebimento (AR) no RJ 09415630 0 BR. 3. Da resposta do contribuinte O contribuinte apresentou resposta ,datada de 26 de setembro de 2011, onde prestou os seguintes esclarecimentos e documentos: • O favorecido pelos créditos relacionados no termo de intimação fiscal é a empresa Brasfértil Indústria e Comércio de Fertilizantes Ltda conta corrente 2500, inscrita no CNPJ 32.915.670/000124 (folhas 3212 e 3213); • O procurador constituído era Rubens Barbosa Nogueira, CPF: 361.610.63115 instrumento registrado no 2 ° Oficio de Notas e Registro Civil e Protesto de Títulos de Sobradinho Brasília DF livro 370, folha 124; • O contribuinte encaminhou cópias da Ficha de Matrícula, da Ata de Aprovação, do Cartão de abertura da Contacorrente, da Procuração, da Solicitação de Desligamento e Eliminação da Cooperativa, do Diário Auxiliar Contas Correntes Período de Janeiro de 1999 a Dezembro de 2000, dos cheques de valores acima de R$ 10.000,00, saques, entre outros (folhas 3217 a 3395). Não foram apresentados os extratos bancários do período solicitado. 5. Informações Gerais O Sujeito Passivo receberá uma via do presente relatório por via postal, mediante Aviso de Recebimento (AR) RJ 09415631 3 BR, para manifestação no prazo de 30 ( trinta ) dias , se desejar. (...)” Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação em 26/01/2012, fls. 3409 e seguintes, na qual afirma que a diligência quebrou indevidamente o sigilo bancário da empresa, pelo que deve ser declarada sua nulidade. Ao final requer (verbis): 1) Seja conhecida, posto que preenchidos os requisitos fixados, a Manifestação aqui expressa; Fl. 3819DF CARF MF Processo nº 10746.001435/200443 Acórdão n.º 1402002.416 S1C4T2 Fl. 3.820 7 2) No mérito, dêlhe provimento, declarando a nulidade, por ilegal, da diligência ordenada, pela indevida quebra de sigilo que macula o procedimento. Por meio da Resolução nº 1402000.170, o colegiado assim decidiu: Apesar de ter pautado o presente processo para julgamento, ao elaborar o voto constatei que para cumprir a Resolução desta Turma, a Fiscalização necessitou fazer requisições de documentos junto a instituição financeira, configurando “quebra do sigilo bancário” da empresa, conforme registrado no Relatório de Diligência fiscal de fls. 3396, fato questionado pela recorrente (fl. 3.409). Em conformidade com o artigo 62A, § 1º, do /regimento Interno do CARF, “Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B.” Assim, em face da repercussão geral atribuída ao Recurso Extraordinário nº 601314, pelo Supremo Tribunal Federal, e do artigo 62A, § 1º, do Regimento Interno do CARF, propugno pelo sobrestamento do julgamento do presente processo para aguardar a decisão do Supremo Tribunal Federal, no recurso acima referido. Em razão de o atual Regimento Interno do CARF não mais prever o sobrestamento do julgamento em razão do reconhecimento da repercussão geral, e o relator original não mais compor os quadros do CARF, os autos foram a mim distribuídos para relato. É o relatório. Fl. 3820DF CARF MF Processo nº 10746.001435/200443 Acórdão n.º 1402002.416 S1C4T2 Fl. 3.821 8 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. 1 ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário apresentado é tempestivo e assinado por procurador devidamente habilitado. Preenchidos os demais pressupostos para sua admissibilidade, dele, portanto, tomo conhecimento. Em relação à arguição de decadência, deixo para analisála ao final pois dependerá da manutenção, ou não, da multa qualificada. 2 NULIDADE POR DESCUMPRIMENTO DE DECISÃO JUDICIAL Segundo o Recorrente, o Ministério Público requisitara abertura de inquérito policial em julho de 2001, visando investigar supostas irregularidades cometidas quanto à obtenção e utilização de verbas liberadas pelo Finam. Em consequência disto, fora aberto no dia 26/11/2001 processo judicial para quebra do sigilo bancário, o que foi indeferido. Da decisão, não houve qualquer recurso, transitando em julgado em 2003. Acontece que após a decisão judicial, que ocorreu em dezembro de 2002, o Ministério Publicou requisitou à Receita Federal (fevereiro de 2003) para que adotasse providências no sentido de apurar irregularidades/desvios de recursos oriundos do Finam. Para o Recorrente, a autoridade fiscal teria ignorando a decisão judicial, requerendo ao Banco da Amazônia (Basa) cópia de documentos bancários. Segundo seu entendimento, o Fisco estaria impedido de se valer dos dados protegidos pela decisão judicial. Por essas razões, o lançamento deveria ser declarado nulo. Entendo não assistir razão ao Recorrente. A autoridade fiscal intimou o contribuinte a apresentar seus extratos bancário, tendo os mesmos sido alcançados pela Fiscalização mediante entrega realizada pelo próprio fiscalizado. Desse modo, a argumentação de que a intimação feita pela autoridade fiscal para a apresentação dos extratos bancários, e a sua consequente entrega pelo sujeito passivo, implicaria descumprimento de decisão judicial anterior não faz qualquer sentido. Não consta dos autos a ocorrência de qualquer resistência por parte do autuado no sentido de não fornecer ao Fisco os documentos solicitados, também não há qualquer decisão judicial que impedisse o Fisco de solicitar os extratos bancários ao contribuinte. Poderia o contribuinte se opor a isso, manejando, se fosse o caso, as demandas judiciais que entendesse cabíveis, mas assim não o fez, não havendo, portanto, que se falar em descumprimento de determinação judicial. Além disso, poderia o Fisco, desde que preenchidos os requisitos estabelecidos no art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001, e do Decreto nº 3.724, de 2001, ter acesso às informações bancárias do contribuinte, poder esse considerado constitucional pelo Fl. 3821DF CARF MF Processo nº 10746.001435/200443 Acórdão n.º 1402002.416 S1C4T2 Fl. 3.822 9 Supremo Tribunal Federal no julgamento das Ações Diretas de Inconstitucionalidade números 2390, 2386 e 2397. Nesse cenário, voto por rejeitar a arguição de nulidade. 3 MÉRITO Em resumo, assim arguiu o Recorrente em relação ao mérito da exigência: o A documentação apresentada composta por projetos, escrituras, contratos, alvarás, certidões e outros, inclusive com fotografias do empreendimento e notícias publicadas em jornais da região, bem assim por relatórios de acompanhamento da Sudam e seus expedientes oficiais, afastariam definitivamente qualquer acusação de desvio de finalidade de dinheiro público, demonstrando de forma cabal e irrefutável que o empreendimento financiado com recursos dos sócios e da Sudam teria sido implantado dentro das estritas normas de fiscalização quanto à execução de suas etapas.; o As obras e serviços pagos foram executados, conforme pode ser visto nos relatórios de acompanhamento da Sudam, que conferiu e atestou a progressão das etapas do empreendimento; o No que se refere às pessoas jurídicas fornecedoras de bens e prestadoras de serviços, a autoridade fiscal autuante em nenhum momento pôs em dúvida a existência das mesmas, baseandose em suposições de que elas não teriam “capacidade financeira e operacional para as vultosas quantias paga”, sem que se possa entender o que ele pretende com tal ilação; o Com a Agroverde não houve contrato escrito em função das operações referiremse a venda de bens e equipamentos, não sendo exigido pela Sudam, neste caso, instrumento específico para o fim, bastando documento fiscal e prova de entrega das mercadorias. Sobretudo em relação aos equipamentos adquiridos da Agroverde, os auditores fiscais poderiam ter comprovado a sua existência, o que não teria ocorrido; o Improcedente a afirmação fiscal de que a Brasfértil Agroindustrial Norte não possuía qualquer movimentação bancária em qualquer instituição financeira, vez que, conforme comprovantes em anexo (extrato bancário e cópia de cheque), constatase que tal empresa era titular da conta bancária no. 11.95106, agência nº 0705, do Bradesco; o Com relação ao contrato de prestação de serviços com a Construtora Crescimento, anexa cópia de Discriminativo Analítico de Débitos dessa e comprovante de matrícula da obra junto ao INSS. O depoimento do contador da construtora rebateria as acusações contra seu desempenho funcional e de suposta subtração de talonários de notas fiscais, etc. Ao contrário do que a representante da construtora Fl. 3822DF CARF MF Processo nº 10746.001435/200443 Acórdão n.º 1402002.416 S1C4T2 Fl. 3.823 10 afirmou à RFB, foram executadas as obras objeto de emissão das notas fiscais; o A autuação estaria baseada em meras presunções, consideradas pela jurisprudência administrativa como insuficientes para fundamentar lançamentos. Prefere, numa postura tendenciosa, acreditar piamente nas declarações inverídicas de outras pessoas jurídicas que querem se esquivar de problemas com o fisco, haja vista suas irregularidades no cumprimento das próprias obrigações tributárias; o Seria injusto que infrações alheias sejam utilizadas para atribuirlhe o cometimento de desvio de recursos da Sudam e de fraude. Pois bem, a exigência decorreu do fato de que alguns pagamentos efetuados pelo sujeito passivo às empresas Brasfértil Agroindustrial Norte, Construtora Crescimento, Construtora Dantas e Agroverde não teriam sua causa comprovada, ensejando o lançamento de IRRF no percentual de 35%, nos termos do art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995. Entendo que seja válida a reprodução do trecho do voto condutor do aresto recorrido: 21. Saliento, a seguir, alguns pontos, que conduziram a autoridade fiscal à conclusão apresentada, os quais considero mais relevantes: · As empresas Construtora Crescimento, Construtora Dantas e Agroverde endossaram ao portador todos os cheques recebidos, os quais foram depositados em uma mesma conta no Bancoob. A empresa Brasfértil Agroindustrial endossou e depositou seis cheques recebidos na mesma conta. Consta que esta empresa também recebeu pagamentos mediante cheques avulsos (emitidos no caixa do banco), ou seja, recebeu pagamentos em dinheiro; · Conforme informação obtida na internet, o Bancoob integra a estrutura do Sistema de Cooperativas de Crédito do Brasil (Sicoob). O Sicoob, por sua vez, abrange diversas cooperativas, entre as quais a Cooperativa de Crédito Rural de Brasília Ltda (Credibrasilia), onde a empresa Brasfértil Representações e Serviços Ltda, cujos sócios também são sócios quotistas do sujeito passivo, possui contacorrente; · Consta que as empresas Brasfertil Agroindustrial e Dantas não possuíam contas bancárias; · A empresa Agroverde, mesmo possuindo conta no Bradesco, endossou ao portador os cheques, tendo sido os mesmos depositados na conta do Bancoob; · A empresa Crescimento declarou que não prestou serviço ao sujeito passivo e teve suas notas extraviadas pelo seu contador, por sinal o mesmo contador do sujeito passivo, da Brasfértil Agroindustrial e da Dantas; Fl. 3823DF CARF MF Processo nº 10746.001435/200443 Acórdão n.º 1402002.416 S1C4T2 Fl. 3.824 11 · Os períodos abrangidos pelos pagamentos às empresas coincidem com períodos de grande movimento de depósitos na conta da Brasfértil Representações e Serviços na Credibrasília; · As notas fiscais emitidas pelos beneficiários não têm equivalência de valores com os pagamentos. 22. Os fatos acima expostos, apurados pela autoridade fiscal, demonstram claramente a ocorrência de uma operação muito comum, de conhecimento público, em projetos financiados pela Sudam: uma empresa obtém financiamento para a realização de projeto agroindustrial na região de abrangência e arquiteta uma rede de empresas, em conluio, para superfaturar pagamentos por serviços prestados, apropriandose de grande parte dos valores recebidos da Sudam, mas não efetivamente gastos no projeto. Nessas operações os projetos são executados diretamente pelas empresas envolvidas no conluio ou por terceiros, com custos muito inferiores aos lançados nas notas fiscais emitidas. 23. No caso, o retorno dos valores pagos superfaturados era feito por meio da conta no Bancoob, instituição integrante de grupo financeiro onde a empresa Brasfértil Representações, de propriedade dos mesmos sócios do sujeito passivo, mantinha conta corrente. 24. Ainda que a execução da obra restasse comprovada, o que não ocorreu no caso, vez que o sujeito passivo não anexou qualquer prova aos autos de tal fato (alegou que juntou relatórios de acompanhamento do projeto emitidos pela Sudam e fotos, os quais não constam nos autos), os pagamentos efetuados não estariam justificados pelo projeto, vez que claramente destinados a encobrir desvio do valor financiado para os sócios do sujeito passivo. 25. A juntada dos contratos de prestação de serviços ou de vendas efetuados com as empresas Brasfértil, Agroindustrial Norte, Dantas e Crescimento, não servem como prova de que os pagamentos destinaramse ao projeto aprovado pela Sudam, vez que não conseguem explicar o porquê dos valores terem sido desviados para uma mesma conta no Bancoob. Tais contratos provam apenas que tais empresas tinham consciência da irregularidade cometida e, quando muito, servem como prova de que tais empresas iriam prestar algum serviço ou fornecer alguma material, o que pode ter ocorrido, fato este que não está sendo discutido. O cerne da questão é o desvio dos pagamentos efetuados em benefício de sócios do sujeito passivo, a meu ver bem caracterizado pela autoridade fiscal. 26. Quanto ao argumento do sujeito passivo de que a autoridade fiscal teria errado ao afirmar que a Brasfértil Agroindustrial não possuía conta bancário, cabe razão ao mesmo, conforme pode ser verificado na documentação anexada às fl. 474/483. 27. Contudo, tal fato não influencia em nada a conclusão alcançada pela autoridade fiscal, vez que tratouse de uma informação adicional no intuito de reforçar o fato principal demonstrado, qual seja, o desvio do financiamento. A Brasfértil Agroindustrial, conforme dito antes, teve parte de seus “pagamentos” depositada no Bancoob: este é o núcleo da infração e da argumentação trazida pela autoridade fiscal. Fl. 3824DF CARF MF Processo nº 10746.001435/200443 Acórdão n.º 1402002.416 S1C4T2 Fl. 3.825 12 28. Em relação à empresa Crescimento, entendo caber razão ao sujeito passivo quanto à afirmação de que a sócia desta estaria prestando informações falsas à SRF. Senão vejamos: · afirmou que não contratou com o sujeito passivo, sendo que consta cópia do contrato às fl. 485/487, datado de maio de 2000, exatamente o mês em que começaram os pagamentos, bem assim comprovação da execução de algum serviço na matrícula do sujeito passivo no INSS (Fl. 488/490); · afirmou que não emitiu as notas fiscais, as quais foram preenchidas pelo contador (mesmo do sujeito passivo), que havia sumido com talonário de notas. Informou que descobriu tal fato após fiscalização da previdência e que demitiu o contador, acionandoo administrativamente e judicialmente. Ora, efetivamente se olharmos a letra do contador no documento à fl. 275, poderseá concluir que as notas foram preenchidas por ele. Porém não quer dizer que ele tenha extraviado as notas e as preenchido sem o conhecimento da empresa, vez que mesmo após descobrir a irregularidade em decorrência da fiscalização do INSS, a empresa continuou utilizando os serviços do contador; fatos, estes, incompatíveis. 29. De qualquer sorte, a existência de contrato também não influencia a conclusão do auto de infração, não servindo como prova de que os pagamentos destinaramse ao projeto aprovado pela Sudam, vez que não conseguem explicar o porquê dos valores terem sido desviados para uma mesma conta no Bancoob. Os fatos apurados pela autoridade fiscal com base no depoimento da sócia são apenas uma informação adicional no intuito de reforçar o fato principal demonstrado, qual seja, o desvio do financiamento. 30. Por fim, saliento que o sujeito passivo não está sendo prejudicado indevidamente por irregularidades cometidas pelas outras empresas no cumprimento de suas obrigações tributárias, mas está sendo autuado pela existência de um conjunto de indícios que demonstram o desvio da financiamento da Sudam para o enriquecimento ilícito de seus sócios. Em nenhum momento o sujeito passivo conseguiu ou, ao menos, tentou explicar a relação entre as empresas, a conta no Bancoob, a conta no Credibrasília e a Brasfértil Representações. Preferiu passar ao largo, atacando somente pontos abordados pela autoridade fiscal como reforço das conclusões alcançadas. 31. Lembro que a existência de um conjunto de indícios, devidamente documentados, serve como prova de determinado fato, sendo prescindível uma prova direta. Conforme se observa a decisão recorrida já bem delineou a principal questão posta nos autos: o Recorrente não conseguiu demonstrar o pagamento das notas fiscais glosadas. Não se questiona se o empreendimento objeto da operação junto à Sudam foi ou não efetivado, mas sim de suposto superfaturamento na operação, verificação estranha aos procedimentos adotados pela Sudam em seus relatórios, que somente apontam a existência da obra e os valores desembolsados. Vejase que a Sudam não teve acesso aos documentos angariados aos autos, que demonstram que a circulação dos recursos referentes a pagamentos realizados a fornecedores distintos, acabaram para fluir para uma mesma conta bancária. Fl. 3825DF CARF MF Processo nº 10746.001435/200443 Acórdão n.º 1402002.416 S1C4T2 Fl. 3.826 13 E as informações requeridas na diligência solicitadas por este colegiado são muito esclarecedoras: a conta bancária que foi alimentada com os recursos referentes aos pagamentos das notas fiscais objeto de glosa é de Brasfértil Agroindustrial, pertencente aos acionistas pessoas físicas da fiscalizada, ambas possuindo, inclusive, o mesmo contador. Destaco os pontos já levantados pela autoridade fiscal autuante: o Nos meses de maio, junho, agosto, setembro e outubro de 2000, A Brasfértil Representações movimentou em sua conta nesta instituição R$ 61.080,63; R$ 1.110.425,22; R$ 679.503,96; R$ 1.780.386,52 e R$ 338.692,64, respectivamente, sendo que declarou à SRF receitas brutas mensais de R$ 4.776,82; R$ 315.255,00; R$ 55,00; R$ 1.344,00 e R$ 0,00, respectivamente (fl. 351, 356/360); o Os cheques emitidos pela fiscalizada para o pagamento de vendas e serviços para as empresas diligenciadas atingiram os seguintes montantes: RE 130.000,00 (maio/2000), R$ 553.250,00 (junho/2000), R$ 533.900,00 (agosto/2000), R$ 1.270.784,00 (setembro/2000) e R$ 157.700,00 (outubro/2000); o Então, com base no exposto nos marcadores acima e aventando, por consequência, entendeu haver forte indício de que os recursos recebidos da Sudam no ano 2000 foram injetados em Brasfértil. Contudo, intimada a apresentar os extratos bancários de sua conta no Credibrasília, referente aos períodos de maio a outubro de 2000, não houve atendimento às informações solicitadas. Portanto, mostraramse acertadas as informações requeridas na diligência determinada por este colegiado, acabando por dar ainda mais força probatória aos indícios convergentes já reunidos pela Fiscalização no sentido de que os pagamentos das notas fiscais objeto de glosa haviam retornado aos sócios da Fiscalizada por meio de Brasfértil Agroindustrial. O que a autoridade fiscal não conseguira comprovar naquela oportunidade (a titularidade da conta bancária em que os pagamentos de distintos fornecedores foram depositados), restou elucidado com a realização da diligência. Desse modo, além dos fortes argumentos já entabulados pela decisão de primeira instância, com os quais concordo em sua integralidade, a demonstração cabal de que os pagamentos das notas fiscais objeto de glosa retornaram aos próprios sócios da Recorrente permitem concluir, com absoluta tranquilidade, que o procedimento adotado pelo Fisco foi correto, devendose manter as glosas de custos. Por essas razões, todos os demais argumentos do Recorrente a respeito dos serviços prestados e da realização do empreendimento perdem, definitivamente, qualquer valor probante. Por fim, em relação ao argumento de que a diligência determinada por este colegiado quebrou indevidamente o sigilo bancário da empresa, em face da suposta inconstitucionalidade, perdem sentido diante do decidido pelo STF nas Ações Diretas de Inconstitucionalidade números 2390, 2386 e 2397 por força do disposto no art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001, e do Decreto nº 3.724, de 2001. Assim sendo, voto por manter a glosa de custos. Fl. 3826DF CARF MF Processo nº 10746.001435/200443 Acórdão n.º 1402002.416 S1C4T2 Fl. 3.827 14 4 MULTA QUALIFICADA Pois bem, a multa de 150% sobre o imposto de renda e contribuições apuradas com base em provas diretas, prevista no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação vigente à época dos fatos geradores, foi aplicada porque entendeu a autoridade fiscal haver dolo na conduta adotada pelo Recorrente. Para melhor entendimento, transcrevese, a seguir, o art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, vigente à época dos fatos geradores: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Como visto, nos termos inciso II do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, só é admitida a aplicação da multa no percentual de 150%, nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, que assim dispõem: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente; Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. Desse modo, a multa de 150% de que trata o inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 terá aplicação sempre que em procedimento fiscal constatarse a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio. Vêse que, para enquadrar determinado ilícito fiscal nos dispositivos dessa lei, há necessidade que esteja caracterizado o dolo. O dolo, que se relaciona com a consciência Fl. 3827DF CARF MF Processo nº 10746.001435/200443 Acórdão n.º 1402002.416 S1C4T2 Fl. 3.828 15 e a vontade de agir, é elemento de todos os tipos penais de que trata a Lei nº 4.502, de 1964, ou seja, a vontade de praticar a conduta, para a subsequente obtenção do resultado. Deve ficar demonstrada que a conduta praticada teve o intuito consciente voltado a suprimir ou reduzir o pagamento do tributo ou contribuições devidos. No caso concreto, comprovouse a ocorrência de fraude, estando presente a intenção, o dolo, haja vista a clara montagem de toda uma estrutura de empresas e operações para desviar os montantes recebidos a título de financiamento da Sudam, retornando os recursos desembolsados pelo Recorrente para conta bancária em nome de pessoa jurídica cujos titulares são as próprias pessoas físicas sócias do Recorrente. Somase a isso ainda a existência de evidente o conluio, em razão da participação consciente de todas as empresas envolvidas, sem a qual não seria possível a concretização da operação ilícita levada a efeito. No que tange às questões que envolvem os demais princípios constitucionais e inconstitucionalidade de leis apontadas pela Recorrente, seu mérito não pode ser analisado por este Colegiado. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Devese observar que as supostas ofensas aos princípios constitucionais levam a discussão para além das possibilidades de juízo desta autoridade. No âmbito do procedimento administrativo tributário, cabe, tão somente, verificar se o ato praticado pelo agente do fisco está, ou não, conforme à lei, sem emitir juízo de constitucionalidade das normas jurídicas que embasam aquele ato. Ademais, o próprio Regimento Interno do CARF, em seu art. 62, dispõe que “Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.” O caso concreto não se enquadra nas exceções elencada no parágrafo único de tal dispositivo regimental, portanto, as normas atacadas são de aplicação cogente aos membros do CARF. Por fim, sobre a matéria este Conselho já pacificou seu entendimento por meio da Súmula nº 2, cujo teor é o seguinte: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em relação aos argumentos sobre confisco, esclareçase, ainda, que a vedação à utilização de tributo com efeito de confisco, preceituada pelo art. 150, IV, da Constituição da República Federativa do Brasil não se destina aos aplicadores da Lei, mas sim ao Poder Legislativo, que deve tomar em consideração tal preceito quando da elaboração das leis. Desse modo, voto por manter a qualificação da penalidade. 5 JUROS DE MORA No que tange ao questionamento da aplicação da taxa Selic, até mesmo em razão de expressa disposição legal, a matéria encontrase absolutamente pacificada no âmbito Fl. 3828DF CARF MF Processo nº 10746.001435/200443 Acórdão n.º 1402002.416 S1C4T2 Fl. 3.829 16 do CARF, tendo sido alvo, inclusive de súmula, cujo enunciado número 4 recebeu a seguinte redação: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Conforme determina o caput do art. 72 do Regimento Interno do CARF, os enunciado da súmula CARF são de observância obrigatória por parte de seus membros. Desse modo, correta a aplicação da taxa Selic sobre os tributos apurados. 6 DA ARGUIÇÃO DE DECADÊNCIA Em relação à contagem do prazo decadencial, não se pode ignorar que o STJ entendeu em caráter definitivo (julgamento de recurso representativo de controvérsia, nos termos do art. 543C, do CPC) que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, a questão do pagamento antecipado é relevante para definição do prazo, assim como a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, conforme se observa na ementa do REsp 973.733/SC, 1ª Seção, Dje 18/09/2009, de relatoria do Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA.ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre,sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra Fl. 3829DF CARF MF Processo nº 10746.001435/200443 Acórdão n.º 1402002.416 S1C4T2 Fl. 3.830 17 da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, antea configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii)a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. No caso concreto, mantida a multa qualificada, confirmouse também a ocorrência de dolo, consequentemente, o início da contagem do prazo decadencial deve se dar com base no disposto no art. 173, I, do Código Tributário Nacional, ou seja, no primeiro dia após o exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido realizado. Tratandose de imposto de renda retido na fonte, o lançamento poderia ter sido efetuado no próprio anocalendário a que se referem os pagamentos. Como o fato gerador mais longínquo referese ao anocalendário de 1999, o lançamento poderia ter sido feito nesse mesmo anocalendário, e o primeiro dia para contagem do prazo decadencial iniciouse em 01 de janeiro de 2000, tendo como data fatal para o lançamento o dia 31 de dezembro de 2004. Desse modo, tendo o lançamento sido cientificado ao contribuinte em 03 de dezembro de 2004, não há que se falar em decadência. Fl. 3830DF CARF MF Processo nº 10746.001435/200443 Acórdão n.º 1402002.416 S1C4T2 Fl. 3.831 18 Rejeito, assim, a arguição de decadência. 5 CONCLUSÃO Isso posto, voto por rejeitar a arguição de decadência e a preliminar de nulidade, não conhecer do recurso nas questões atinentes à inconstitucionalidade e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Relator Fl. 3831DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.674788/2009-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2006
DATA DA COMPENSAÇÃO. VALORAÇÃO DOS CRÉDITOS E DÉBITOS.
Na compensação declarada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais até a data da entrega da apresentação do PER/DCOMP, na forma da legislação de regência.
COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. DATA DA APRESENTAÇÃO DA DCOMP
No caso de apresentação de DCOMP após o vencimento do tributo a ser compensado haverá acréscimos legais ao débito. A falta de equivalência entre o total de crédito e de débitos apontados como compensáveis, valorados na forma da legislação que rege a espécie, impõe a homologação apenas parcial da DCOMP apresentada pelo sujeito passivo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.382
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa, Maria Eduarda e Valcir Gassen, que davam provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2006 DATA DA COMPENSAÇÃO. VALORAÇÃO DOS CRÉDITOS E DÉBITOS. Na compensação declarada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais até a data da entrega da apresentação do PER/DCOMP, na forma da legislação de regência. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. DATA DA APRESENTAÇÃO DA DCOMP No caso de apresentação de DCOMP após o vencimento do tributo a ser compensado haverá acréscimos legais ao débito. A falta de equivalência entre o total de crédito e de débitos apontados como compensáveis, valorados na forma da legislação que rege a espécie, impõe a homologação apenas parcial da DCOMP apresentada pelo sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado.
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DCOMP TRANSMITIDA APÓS VENCIMENTO DO DÉBITO. Recorrente ESPN DO BRASIL EVENTOS ESPORTIVOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2006 DATA DA COMPENSAÇÃO. VALORAÇÃO DOS CRÉDITOS E DÉBITOS. Na compensação declarada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais até a data da entrega da apresentação do PER/DCOMP, na forma da legislação de regência. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. DATA DA APRESENTAÇÃO DA DCOMP No caso de apresentação de DCOMP após o vencimento do tributo a ser compensado haverá acréscimos legais ao débito. A falta de equivalência entre o total de crédito e de débitos apontados como compensáveis, valorados na forma da legislação que rege a espécie, impõe a homologação apenas parcial da DCOMP apresentada pelo sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa, Maria Eduarda e Valcir Gassen, que davam provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 47 88 /2 00 9- 27 Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10880.674788/200927 Acórdão n.º 3301003.382 S3C3T1 Fl. 3 2 d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório A recorrente acima qualificada apresentou Declaração de Compensação pleiteando a compensação de débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela SRF, com créditos de PIS (código de receita 8109), decorrentes de pagamento supostamente indevido ou a maior. Por meio do Despacho Decisório emitido pela DERATSP, a compensação declarada foi homologada parcialmente, sob o fundamento de que constatouse a procedência do crédito original informado no PER/DCOMP, reconhecendose o valor do crédito pretendido. Entretanto, o crédito reconhecido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, tempestivamente, alegando, em síntese, que: a) O valor original utilizado para a compensação, foi recolhido no mesmo prazo de vencimento dos créditos tributários compensados; b) Assim, não se apropriou de juros pela taxa Selic sobre os valores declarados no PER/DCOMP, e não imputou multa e juros sobre os créditos tributários compensados, pois são do mesmo período de apuração; c) Faz planilha para comparação dos períodos de apuração e datas de vencimento. d) Tratase de evidente cobrança equivocada, e apresenta como provas as cópia dos documentos relativos aos lançamentos contestados e a procuração de nomeação do representante legal que assina a manifestação de inconformidade; e) Demonstrada a insubsistência e improcedência do processo, requer seja cancelado o processo reclamado. A DRJ/SP1 indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 16038.225. O fundamento adotado foi o de que, na compensação declarada pelo sujeito passivo, os créditos são acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrem a incidência de acréscimos legais até a data da entrega do PER/DCOMP, na forma da legislação de regência. A recorrente repetiu os argumentos da impugnação no recurso voluntário. É o relatório. Voto Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10880.674788/200927 Acórdão n.º 3301003.382 S3C3T1 Fl. 4 3 Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.231, de 28 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10880.667966/200963, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.231): "O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. Constatase que a controvérsia do processo permanece a mesma desde a 1ª instância, com a contribuinte alegando que o DARF utilizado como pagamento a maior para a compensação foi pago dentro do prazo de vencimento do tributo e por isso, não se conformando com a cobrança de acréscimos legais no momento da efetiva compensação. Entretanto, como veremos adiante, o valor do crédito foi insuficiente para quitar o débito, em função dos acréscimos legais ao débito compensado, atualizados até a data da apresentação do PER/DCOMP, em virtude do atraso entre seu vencimento e a formalização da compensação. A DCOMP em tela, foi formalizada pela interessada para compensar débito de COFINS – não cumulativa (código de receita 5856), vencido em 15/06/2004, com créditos de COFINS (código de receita 2172), cuja data de arrecadação foi 15/06/2004. De acordo com o Despacho Decisório emitido pela DERAT/SP, constatouse a procedência do crédito original informado no PER/DCOMP. No entanto, o mesmo foi insuficiente para quitar os débitos informados em consequência da data de apresentação da DCOMP, e por este motivo a compensação foi homologada parcialmente. A recorrente alega que o valor original utilizado para a compensação foi recolhido no mesmo prazo de vencimento dos créditos tributários compensados, e sendo assim, não poderia haver multa e juros sobre os referidos créditos, pois são do mesmo período de apuração. Como bem dito no acórdão recorrido, a contribuinte equivocouse em relação à forma de valoração do crédito e do débito que informou em sua declaração de compensação, ao não efetuar os cálculos relativos aos acréscimos legais, o que gerou um saldo devedor, e consequentemente, a homologação parcial da compensação. Constatase que a data do envio do PER/DCOMP é quando se formaliza a extinção do débito por compensação, de acordo com o que dispõe a Lei nº 9.430/1996, abaixo transcrita: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10880.674788/200927 Acórdão n.º 3301003.382 S3C3T1 Fl. 5 4 administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) Portanto, a extinção do débito por compensação ocorre na data de envio do PER/DCOMP. No caso concreto, a interessada enviou a PER/DCOMP em 21/01/2007 para compensar débito cujo vencimento se deu em 15/06/2004, portanto, é fato que o débito já estava vencido quando foi extinto pela compensação. Assim, partir da data do vencimento passaram a incidir sobre o débito os acréscimos legais, quais sejam, multa de mora e juros, nos termos do artigo 61 da Lei 9.430/1996, abaixo transcrito: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º. A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º. O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º. Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. No recurso voluntário, a recorrente repete o argumento de que o pagamento utilizado para a compensação foi realizado no mesmo prazo de vencimento do débito compensado, mas tal fato não a socorre, pois a utilização do crédito tributário ocorre apenas com a apresentação do PER/DCOMP, que ocorreu após o vencimento do débito compensado. Assim, cumpre transcrever o artigo 28 da IN SRF nº 600/2005, em vigor à época da transmissão do PER/DCOMP: Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10880.674788/200927 Acórdão n.º 3301003.382 S3C3T1 Fl. 6 5 Art. 28. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 52 e 53 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. § 1º A compensação total ou parcial de tributo ou contribuição administrados pela SRF será acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. (...) Logo, os débitos vencidos, vinculados a PER/DCOMP, serão acrescidos de multa de mora, calculada a partir do primeiro dia subsequente à data de vencimento até a data da entrega do PER/DCOMP, quando se formaliza a compensação; bem como sofrerão a incidência de juros referentes à taxa SELIC, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Em relação aos créditos utilizados na compensação, as regras para valoração vigentes à época da transmissão do PER/DCOMP estão contidas no artigo 52 da IN SRF nº 600/2005, também transcrita: Art. 52. O crédito relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição, será restituído ou compensado com o acréscimo de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) para títulos federais, acumulados mensalmente, e de juros de 1% (um por cento) no mês em que: (...) II – houver a entrega da Declaração de Compensação; (...) § 1º No cálculo dos juros Selic de que trata o caput, observarseá, como termo inicial de incidência: (...) III – na hipótese de pagamento indevido ou a maior: a) o mês de janeiro de 1996, se o pagamento tiver sido efetuado antes de 1º de janeiro de 1996; b) a data da efetivação do pagamento, se este tiver sido efetuado entre 1º de janeiro de 1996 e 31 de dezembro de 1997; ou c) o mês subseqüente ao do pagamento, se este tiver sido efetuado após 31 de dezembro de 1997; Por isso, foi apurado o saldo devedor indicado no Despacho Decisório e a compensação foi parcialmente homologada. Portanto, não se está desprezando o princípio da verdade material e nem está havendo enriquecimento sem causa do Fisco, como alega a recorrente. Simplesmente, está sendo cobrado o atraso entre a Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10880.674788/200927 Acórdão n.º 3301003.382 S3C3T1 Fl. 7 6 data do vencimento do tributo e o seu necessário pagamento, que, no caso em tela, deuse no momento da apresentação da DCOMP. Assim, tendo em vista tudo o acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a DCOMP foi transmitida em data posterior à do vencimento do(s) débito(s) compensado(s). Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 96DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.001661/2007-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/2003 a 31/12/2004, 01/03/2005 a 31/05/2006
COFINS. PIS. APURAÇÃO. CUMULATIVIDADE. LEI Nº 9.718/98.
A sistemática de apuração das contribuições do PIS e da COFINS até o advento das Leis números 10.637/2002 e 10.833/2003, alteradas pelas Leis números 10.865/2004 e 10.865/2004, obedecia às regras previstas pela Lei n 9.718/98, no caso concreto, estava submetida apuração das contribuições do PIS e da COFINS no período anterior ao evento das novéis leis pela sistemática cumulatividade, apuração pela sistemática não cumulativa altera a base de cálculo, impõe o lançamento no sentido de constituir o crédito tributário.
APURAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. COFINS. PIS. CUMULATIVIDADE. LEI Nº 9.718/98.
No período de apuração pelo regime cumulativo, caso concreto, o lançamento observou o alargamento da base de cálculo em obediência à decisão do STF, sendo assim, cabe manter o lançamento.
EXCLUSÃO DE ICMS DA BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
O ICMS faz parte da base de cálculo, diante da inexistência de previsão legal não pode ser excluída, no caso concreto, correto a decisão que determinou à inclusão.
Recurso Negado.
Numero da decisão: 3302-003.497
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário.
DOMINGOS DE SÁ FILHIO - Relator.
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Jose Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho (relator), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Deroulede, Sarah Maria Linhares de Araujo e Walker Araujo.
Nome do relator: Domingos de Sá Filhio
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2003 a 31/12/2004, 01/03/2005 a 31/05/2006 COFINS. PIS. APURAÇÃO. CUMULATIVIDADE. LEI Nº 9.718/98. A sistemática de apuração das contribuições do PIS e da COFINS até o advento das Leis números 10.637/2002 e 10.833/2003, alteradas pelas Leis números 10.865/2004 e 10.865/2004, obedecia às regras previstas pela Lei n 9.718/98, no caso concreto, estava submetida apuração das contribuições do PIS e da COFINS no período anterior ao evento das novéis leis pela sistemática cumulatividade, apuração pela sistemática não cumulativa altera a base de cálculo, impõe o lançamento no sentido de constituir o crédito tributário. APURAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. COFINS. PIS. CUMULATIVIDADE. LEI Nº 9.718/98. No período de apuração pelo regime cumulativo, caso concreto, o lançamento observou o alargamento da base de cálculo em obediência à decisão do STF, sendo assim, cabe manter o lançamento. EXCLUSÃO DE ICMS DA BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. O ICMS faz parte da base de cálculo, diante da inexistência de previsão legal não pode ser excluída, no caso concreto, correto a decisão que determinou à inclusão. Recurso Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 16 61 /2 00 7- 65 Fl. 1328DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. DOMINGOS DE SÁ FILHIO Relator. Ricardo Paulo Rosa Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Jose Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho (relator), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Deroulede, Sarah Maria Linhares de Araujo e Walker Araujo. Relatório Cuidam os autos de Recurso Voluntário em razão do r. Acórdão da DRJ em Recife/PE objetivando o afastamento do crédito tributário constituído por meio do auto de infração de número 0819000/00895/06, referente aos períodos de apurações 01/05/2003 a 31/12/2004 e 01/03/2005 a 31/05/2006 para a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS e para o Programa de Integração Social – PIS. Consta da descrição dos fatos e enquadramento legal que durante o procedimento de verificações obrigatórias foram constatadas divergências entre os valores declarados e/ou recolhidos, e, os valores escriturados conforme “Termo de Constatação Fiscal”. A base tributável são os valores constantes da planilha que compõe o Termo de Constatação Fiscal, registrando, que foram analisados os valores da contribuição para a COFINS e o PIS correspondentes aos fatos geradores compreendidos entre maio de 2003 e dezembro de 2006. A impugnação referente o PIS encontra às fls. 406/555 e à COFINS às fls. 274/389. A sustentação é de que o fato gerador da obrigação tributária para incidência do PIS e COFINS é unicamente o faturamento, observando que o conceito de faturamento é definido como sendo: “receita bruta decorrente da venda de bens e de prestação de serviços”. Alega, ainda, que é vedado ao legislador ordinário definir como faturamento algo além de tal limite. O inconformismo emerge da ampliação da base de cálculo determinada por intermédio da Lei n. 9.718, de 27 de novembro de 1998. Aduz também a impossibilidade da inclusão do valor do ICMS na base de cálculo na determinação do valor das referidas contribuições. Demonstra resistência à imposição de juros moratórios com base na Taxa Selic, aplicação da multa de ofício no percentual de 75%, sustentando, para tanto, ser inconstitucional. Fl. 1329DF CARF MF Processo nº 19515.001661/200765 Acórdão n.º 3302003.497 S3C3T2 Fl. 8 3 Essa Turma por meio da Resolução 340300.149 entendeu por bem converter o julgamento em diligência para que fosse feito detalhamento da base de cálculo, após a conclusão dos trabalhos desse vista a Interessada. O resultado da diligência encontra às fls. 831/836, transcrevese parte do parecer que se julga importante ao deslinde da questão: “... Com o intuito de demonstrar os levantamentos efetuados, foram elaboradas três planilhas, a primeira, intitulada Levantamento da Base de Cálculo, subtítulo PIS 05 a 12/2003 e 01/2004, elaborada em separado da COFINS, tendo em vista que no período o PIS, por força das disposições da Lei 10.637/2002, foi apurado pelo critério da não cumulatividade. Nesta planilha, na coluna B estão relacionados os valores das vendas brutas, de acordo com as informações dos balancetes contábeis apresentados pela empresa e que se encontram anexos ao processo. Também com base nos balancetes, na coluna C, estão relacionados os descontos incondicionais e na coluna D, os conhecimentos cancelados. Na coluna E, temse a base de cálculo dos débitos do PIS, resultado da coluna B, subtraída das colunas C e D. Na coluna F, temos a base de cálculo dos créditos do PIS, conforme informado nas planilhas apresentadas pelo contribuinte. Na coluna G, temos o valor do PIS apurado pela diligência, resultado da aplicação da alíquota de 1,65%, sobre a diferença resultante da subtração da coluna E, base de cálculo dos débitos, pela coluna F, base de cálculo dos créditos. Nas colunas H e I, temos os valores do PIS apurados pelo contribuinte e os valores do PIS apurados pela fiscalização, quando da lavratura do auto de infração, respectivamente. A segunda planilha, intitulada Levantamento da Base de Cálculo, subtítulo COFINS — 05 a 12/2003 e 01/2004, apresenta as colunas A, B, C, D e E, com valores idênticos aos da primeira planilha. No entanto, nesta planilha não consta a coluna referente à base de cálculo dos créditos, tendo em vista que, no período de maio 2003 a janeiro de 2004, a COFINS não se submetia ao critério da não cumulatividade, o que só veio a ocorrer a partir de fevereiro de 2004, com base na lei 10.833/2003. Na coluna F, estão demonstrados os valores da COFINS apurados pela diligencia e na coluna G, temos os valores da COFINS apurados pela fiscalização, quando da lavratura do auto de infração. Deixamos de registrar os valores da COFINS apurados pelo contribuinte no período, tendo em vista que foi realizada apuração com base na não cumulatividade, procedimento que não tem base legal que o ampare. Fl. 1330DF CARF MF 4 A terceira planilha, intitulada Levantamento da Base de Cálculo, subtítulo PIS e COFINS, demonstra a base de cálculo das duas contribuições a partir de fevereiro de 2004, e demais períodos objeto da autuação. Ressaltese que, conforme está demonstrado nas planilhas, às chamadas outras receitas não foram incluídas nas bases de cálculo das contribuições para o PIS e para a COFINS, tendo sido considerado, tão somente, as vendas brutas, subtraídas das exclusões. Como pode ser verificado nos balancetes dos períodos, constam outras receitas na escrituração contábil da empresa, a exemplo de juros recebidos sobre duplicatas, descontos obtidos, e receitas financeiras, mas, conforme os levantamentos realizados, estas receitas não foram incluídas na base de cálculo no momento da autuação”. (grifo é nosso) Manifestou a Recorrente em relação ao resultado e as planilhas que demonstra à base de cálculo, às fls. 840/845. Aponta omissão quanto à indicação da fonte utilizada para confecção da 3ª planilha nos moldes como indicado na primeira e segunda, em razão de que os dados são distintos daqueles consignados em planilha fornecida pela Recorrente. Alega a impossibilidade de questionar e impugnar. Alude, ainda, nulidade da decisão recorrida pelo dever de apreciação das alegações de cunho constitucional em sede administrativa, em razão de não estar pedido à declaração de inconstitucionalidade, mas sim que não seja aplicada as regras em matéria julgada pelo STF como inconstitucional; Também em relação aplicação da Taxa Selic; Nulidade do Acórdão DRJ por fala de produção de prova pericial; É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. Cuidase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual tomo conhecimento. As Declarações de Informações Econômicas Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) colecionadas às fls. 28/199 afasta qualquer dúvida de que a Recorrente encontra submetida apuração do Imposto de Renda pela sistemática do Lucro Real. Toda argumentação sustentada pela Interessada é quanto o alargamento da base de cálculo, assunto esse quando apreciado pelo STF restou reconhecido à inconstitucionalidade do inciso I, do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Esse processado foi sobrestado em razão da matéria trazida em sede recursal relativa à inclusão de ICMS à base de cálculo, e, em decorrência de estar essa matéria incluída no rol dos assuntos submetidos à repercussão geral perante o STF, decidiuse aguardar o desfecho perante a Suprema Corte, por vedação expressa ao exame em sede administrativa antes da apreciação do STF, o que obstaculava o conhecimento em sede administrativa, óbice afastado com a novel modificação introduzida ao Regimento Interno do CARF, passase analisar os fundamentos do recurso interposto. Fl. 1331DF CARF MF Processo nº 19515.001661/200765 Acórdão n.º 3302003.497 S3C3T2 Fl. 9 5 Insurgese a Recorrente em relação à ampliação da base de cálculo para a apuração da Contribuição Para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS e para o Programa de Integração Social – PIS, relativo ao período de apuração de maio de 2003 a dezembro de 2006. Assim, em primeiro lugar cabe demarcar à incidência sob a égide da Lei n. 9.718/98, cujo alcance atinge os fatos geradores ocorridos até março de 2003. O alargamento da base de cálculo previsto no inciso 1º, do art. 3º, da Lei n. 9.718/98 foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. No entanto, o entendimento da mais alta Corte do País, consolidado é da inconstitucionalidade do parágrafo 1o do artigo 3o da Lei 9.718/98, que ampliou a base de cálculo do PIS e da COFINS, reconhecendo que a receita bruta é o faturamento, isto é, venda de mercadorias e a prestação de serviços. O mesmo não aconteceu com o artigo 8º do mesmo diploma legal, que disciplinou o aumentou de alíquota da contribuição, de 2% para 3%, que foi considerado constitucional pela Corte, uma vez que não existe a necessidade de lei complementar para tratar do aumento da alíquota. Entretanto, o período de apuração objeto do lançamento fiscal, no período da vigência da norma da Lei 9.718/98, foi obedecido o que restou decidido pelo STF, incluído à base de cálculo tãosó as receitas oriundas do faturamento e da prestação de serviços, o que restou esclarecido por meio da Diligência Fiscal, que detalhou as receitas: “No entanto, nesta planilha não consta a coluna referente à base de cálculo dos créditos, tendo em vista que, no período de maio 2003 a janeiro de 2004, a COFINS não se submetia ao critério da não cumulatividade, o que só veio a ocorrer a partir de fevereiro de 2004, com base na lei 10.833/2003. Na coluna F, estão demonstrados os valores da COFINS apurados pela diligencia e na coluna G, temos os valores da COFINS apurados pela fiscalização, quando da lavratura do auto de infração. Deixamos de registrar os valores da COFINS apurados pelo contribuinte no período, tendo em vista que foi realizada apuração com base na não cumulatividade, procedimento que não tem base legal que o ampare.” Acusação da fiscalização que o contribuinte apurou a contribuição pela sistemática da não cumulatividade no período que a COFINS ainda encontrava disciplinada pelas regras contidas na Lei nº 9.718/98. É contra essa acusação que a contribuinte deveria ter debatido e apontado o desacerto cometidos quando do lançamento. Ao contrário, pleiteou pericia fiscal, mesmo diante da informação de que o valor lançado à base de cálculo se referia ao faturamento, mês a mês, sem inclusão de outras receitas distintas do faturamento. Fato de fácil verificação, até porque a fiscalização indicou que os dados foram extraídos dos balancetes fornecidos pela Recorrente. “Ressaltese que, conforme está demonstrado nas planilhas, às chamadas outras receitas não foram incluídas nas bases de cálculo das contribuições para o PIS e para a COFINS, tendo sido considerado, tão somente, as vendas brutas, subtraídas das Fl. 1332DF CARF MF 6 exclusões. Como pode ser verificado nos balancetes dos períodos, constam outras receitas na escrituração contábil da empresa, a exemplo de juros recebidos sobre duplicatas, descontos obtidos, e receitas financeiras, mas, conforme os levantamentos realizados, estas receitas não foram incluídas na base de cálculo no momento da autuação.” Nos demais período, pelo fato da Contribuinte apurar o Imposto de Renda pelo Lucro Real, está além do alcance da norma da Lei 9.718/98, cuja base de cálculo ampliada fora rechaçada por decisão do STF. De modo que, após o mês de dezembro de 2002 no tocante as contribuições devidas ao PIS e a COFINS a partir de fevereiro de 2004, inclusive, essa matéria passou a ser disciplinada pela legislação em vigor, ou seja, as Leis números 10.637/2002 e 10.833/2003, alteradas pelas Leis números 10.865/2004 e 10.865/2004. A novel legislação impõe todas as pessoas jurídicas que auferirem receitas, independentemente de sua denominação ou classificação contábil inclusão à base de cálculo para determinar o valor devido das contribuições, COFINS e ao PIS/PASEP. Essas receitas compreendem a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. O art. 1o da Lei n. 10.637/2002, dispõe: “Art. 1o A contribuição para o PIS/PASEP tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP é o valor do faturamento, conforme definido no caput.” Não há dúvida de que ampliação da base cálculo contemplada pela Lei n. 9.718/98, cujo inciso primeiro do art. 3o foi declarado inconstitucional pela Suprema Corte, ressuscitado por meio da Lei n. 10.637, de 30 de dezembro de 2002, com respaldo da Emenda Constitucional de número 20, este mesmo diploma legal também introduziu a sistemática das contribuições não cumulativas. Assim, após o advento da legislação retro mencionada, a base de cálculo das contribuições passou a ser a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, inclusive as variações monetárias ativas, sendo, portanto, irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas, observado as exclusões contempladas pela norma disciplinadora, essa novel sistemática agora não tão nova, se refere tãosó aos contribuintes submetidos apuração do Imposto de Renda pelo regime de Lucro Real, continuando na regra da Lei nº 9.718/98 aquelas empresas que apuram o Imposto de Renda pelo regime presumido, mantendo apuração pelo sistema anterior a vigências da Lei nº 10.637/02. Como se vê das planilhas acostadas aos autos, a inclusão de outras receitas encontra albergada pela Lei n. 10.637/2002, que passou alcançar os fatos geradores a partir de março de 2003, portanto, incensurável o lançamento, devendo subsistir o crédito tributário constituído. Fl. 1333DF CARF MF Processo nº 19515.001661/200765 Acórdão n.º 3302003.497 S3C3T2 Fl. 10 7 Como se sabe a discussão acerca da inclusão ou não do ICMS e ISS na base de cálculo do PIS e da COFINS vem de longa data, e, tratase de questão polêmica, ainda, pendente de julgamento pelo Supremo Tribunal Federal. No caso concreto não há previsão legal que autorize a exclusão desses impostos da base de cálculo, motivo pelo qual andou bem o julgador de piso em manter intacta a base de cálculo demonstrada pela fiscalização, consequentemente, o crédito tributário. Assim, voto pelo conhecimento do recurso, mas nego provimento. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 1334DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.900038/2012-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 06 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3401-001.010
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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COMPENSAÇÃO. ALARGAMENTO. Recorrente RODOBENS CAMINHÕES PERNAMBUCO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER que pretende obter reconhecimento de direito creditório das contribuições por suposto pagamento a maior. O sistema informatizado da Receita Federal emitiu o Despacho Decisório em processamento automatizado indeferindo o pedido, afirmando que o valor do DARF de onde viria o crédito já estava totalmente comprometido em quitação de débito constante de declaração prestada pelo contribuinte ao Fisco. A contribuinte manifestou inconformidade, explicando que: 1. A autoridade de administração e a autoridade fiscal não tomaram conhecimento das razões da contribuinte para seu direito, nem se aprofundaram em sua análise, nem buscaram investigar os fatos; a contribuinte não foi intimada a explicar os fundamento do seu pedido antes do despacho decisório; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .9 00 03 8/ 20 12 -2 4 Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10480.900038/201224 Resolução nº 3401001.010 S3C4T1 Fl. 3 2 2. seu direito repousa no fato de que ela indevidamente tinha incluído na base de cálculo do tributo receitas (tais como receitas financeiras, e outras), face a declaração de inconstitucionalidade pelo STF para o § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/1998; pois a base de tributação deve se cingir às receitas de faturamento pela venda de mercadorias e da prestação de serviços. 3. Pede a reunião dos vários processos administrativos que tratam da mesma matéria/tributo, mudando apenas os períodos de apuração, para serem julgados na mesma ocasião. Os Julgadores de 1º piso não acolheram o pedido de reunião dos vários processos. Eles também consideraram improcedente o recurso da contribuinte, entendendo pela insuficiência de provas pelo alegado. Seria da contribuinte o ônus de provar o direito objeto do seu pedido, no momento da interposição da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legalmente previstas, nos termos do art. 16, caput, III e §4°, do Decreto 70.235/72, conforme consta do voto da decisão recorrida. Concluíram, os Julgadores a quo, pelo não reconhecimento do direito creditório, nos termos do Acórdão 11041.034. Inconformada, a contribuinte ingressou com recurso voluntário por meio do qual repisou as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade, e acrescentou as seguintes: ● não é verdade que houve insuficiência de provas, pois apresentou planilha, balancete e livro obrigatório da contabilidade da contribuinte; ● a autoridade fiscal não questionou a efetividade dos pagamentos em discussão; ● não pode prevalecer o entendimento esposados pelos julgadores de 1º piso de que houve preclusão para a juntada de provas; isso fere o disposto na letra "c" do § 4º do artigo 16 do Decreto n. 70.235, de 1972 (apresentar provas que se destine a contrapor fatos e razões posteriormente trazidas aos autos). Cita doutrina, acórdãos e jurisprudências; ● a falta de retificação da DCTF não deve servir de justificativa para não se analisar e se deferir o direito da contribuinte; ● Não procede o entendimento dos Julgadores a quo de que a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998 proferida pelo STF não seja de observação obrigatória no processo administrativo fiscal; ● a Verdade Material deve prevalecer, e a autoridade deve realizar um exame completo dos fatos. É o relatório Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10480.900038/201224 Resolução nº 3401001.010 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401000.984, de 25 de janeiro de 2017, proferida no julgamento do processo 10480.900040/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3401000.984): "Tempestivo o Recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Temos diante de nós mais um caso de despacho decisório processado automaticamente, sem que haja qualquer intervenção humana para rever o seu teor e a eventual existência de razões para questionar sua conclusão. É freqüente, nessas situações, que a contribuinte somente compreenda totalmente a situação quando recebe a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento mantendo o indeferimento eletrônico inicial, geralmente por falta de provas ou de contra argumentações por parte da contribuinte. Nessa toada, há os que se escudam no instituto da preclusão probatória para justificar a impossibilidade de reverter as negativas até então impostas à contribuinte. Coerente com minhas propostas de votação anteriores em situações semelhantes, baseado no argumento de que o princípio da verdade material deve prevalecer, relativizando as formalidades e os institutos preclusivos e assemelhados, e no argumento de que não é do interesse público maior praticar a injustiça fiscal qual seja, a manutenção no Tesouro do pagamento indevido , é que proponho que se tome providências para garantir substantivamente o contraditório (e não apenas formalmente) e para se verificar a verdade do alegado pelas partes. As teses que esposo divergem das postas no acórdão de 1º piso: (a) para uma visão absoluta do ônus probatório e do instituto da preclusão probatória, argumento em favor de que prevaleça a Verdade Material, e que os julgadores do processo administrativo possam agir e determinar providências nessa direção, aliás como expus em outros votos quando fiz alusão aos modelos trazidos pelo novo CPC; (b) que a negativa em pedidos de restituição e/ou compensações motivada pela inexistência de créditos líquidos e certos passe a considerar que a liquidez e certeza possam ser demonstradas ao longo do processo administrativo, não se limitando ao que o instruiu antes de sua chegada à instância de julgamento. Ressalto que a contribuinte, segundo que foi relatado, em sua primeira contestação havia juntado balancetes e planilhas, o que poderia ser no mínimo considerado princípio de prova. Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10480.900038/201224 Resolução nº 3401001.010 S3C4T1 Fl. 5 4 Por isso, tendo em vista que a administração tributária de jurisdição não apreciou as razões do suposto direito creditório, proponho a este Colegiado a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. Que se dê ciência à contribuinte desta decisão e também do relatório conclusivo e da informação fiscal resultantes da diligência, e prazo de 30 dias para ela se manifestar em cada uma dessas intimações." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento deste processo em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 208DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13982.000555/2009-33
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 30/11/2008
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.719
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 30/11/2008 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido.
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 2. 00 05 55 /2 00 9- 33 Fl. 299DF CARF MF Processo nº 13982.000555/200933 Acórdão n.º 9202004.719 CSRFT2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10660.722287/201173. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo ofereceu contrarrazões, pugnando pela negativa de provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.650, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10660.722287/201173, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.650): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 300DF CARF MF Processo nº 13982.000555/200933 Acórdão n.º 9202004.719 CSRFT2 Fl. 4 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De início, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime, pacificou o entendimento de que, na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61, da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262, de 23/06/2016, cuja ementa a seguir se transcreve: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 301DF CARF MF Processo nº 13982.000555/200933 Acórdão n.º 9202004.719 CSRFT2 Fl. 5 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, é necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o parágrafo anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106, do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA, somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP, não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que, na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, correspondente aos 75% previstos no art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32, da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingido pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime, proferido no Acórdãonº9202004.499, de 29/09/2016: Fl. 302DF CARF MF Processo nº 13982.000555/200933 Acórdão n.º 9202004.719 CSRFT2 Fl. 6 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 303DF CARF MF Processo nº 13982.000555/200933 Acórdão n.º 9202004.719 CSRFT2 Fl. 7 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 304DF CARF MF Processo nº 13982.000555/200933 Acórdão n.º 9202004.719 CSRFT2 Fl. 8 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 305DF CARF MF Processo nº 13982.000555/200933 Acórdão n.º 9202004.719 CSRFT2 Fl. 9 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Nesse passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 306DF CARF MF Processo nº 13982.000555/200933 Acórdão n.º 9202004.719 CSRFT2 Fl. 10 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 307DF CARF MF Processo nº 13982.000555/200933 Acórdão n.º 9202004.719 CSRFT2 Fl. 11 10 Em face ao exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 308DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.695792/2009-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2005
DATA DA COMPENSAÇÃO. VALORAÇÃO DOS CRÉDITOS E DÉBITOS.
Na compensação declarada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais até a data da entrega da apresentação do PER/DCOMP, na forma da legislação de regência.
COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. DATA DA APRESENTAÇÃO DA DCOMP
No caso de apresentação de DCOMP após o vencimento do tributo a ser compensado haverá acréscimos legais ao débito. A falta de equivalência entre o total de crédito e de débitos apontados como compensáveis, valorados na forma da legislação que rege a espécie, impõe a homologação apenas parcial da DCOMP apresentada pelo sujeito passivo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.396
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa, Maria Eduarda e Valcir Gassen, que davam provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2005 DATA DA COMPENSAÇÃO. VALORAÇÃO DOS CRÉDITOS E DÉBITOS. Na compensação declarada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais até a data da entrega da apresentação do PER/DCOMP, na forma da legislação de regência. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. DATA DA APRESENTAÇÃO DA DCOMP No caso de apresentação de DCOMP após o vencimento do tributo a ser compensado haverá acréscimos legais ao débito. A falta de equivalência entre o total de crédito e de débitos apontados como compensáveis, valorados na forma da legislação que rege a espécie, impõe a homologação apenas parcial da DCOMP apresentada pelo sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa, Maria Eduarda e Valcir Gassen, que davam provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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DCOMP TRANSMITIDA APÓS VENCIMENTO DO DÉBITO. Recorrente ESPN DO BRASIL EVENTOS ESPORTIVOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005 DATA DA COMPENSAÇÃO. VALORAÇÃO DOS CRÉDITOS E DÉBITOS. Na compensação declarada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais até a data da entrega da apresentação do PER/DCOMP, na forma da legislação de regência. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. DATA DA APRESENTAÇÃO DA DCOMP No caso de apresentação de DCOMP após o vencimento do tributo a ser compensado haverá acréscimos legais ao débito. A falta de equivalência entre o total de crédito e de débitos apontados como compensáveis, valorados na forma da legislação que rege a espécie, impõe a homologação apenas parcial da DCOMP apresentada pelo sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa, Maria Eduarda e Valcir Gassen, que davam provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 69 57 92 /2 00 9- 29 Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10880.695792/200929 Acórdão n.º 3301003.396 S3C3T1 Fl. 3 2 d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório A recorrente acima qualificada apresentou Declaração de Compensação pleiteando a compensação de débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela SRF, com créditos de COFINS (código de receita 2172), decorrentes de pagamento supostamente indevido ou a maior. Por meio do Despacho Decisório emitido pela DERATSP, a compensação declarada foi homologada parcialmente, sob o fundamento de que constatouse a procedência do crédito original informado no PER/DCOMP, reconhecendose o valor do crédito pretendido. Entretanto, o crédito reconhecido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, tempestivamente, alegando, em síntese, que: a) O valor original utilizado para a compensação, foi recolhido no mesmo prazo de vencimento dos créditos tributários compensados; b) Assim, não se apropriou de juros pela taxa Selic sobre os valores declarados no PER/DCOMP, e não imputou multa e juros sobre os créditos tributários compensados, pois são do mesmo período de apuração; c) Faz planilha para comparação dos períodos de apuração e datas de vencimento. d) Tratase de evidente cobrança equivocada, e apresenta como provas as cópia dos documentos relativos aos lançamentos contestados e a procuração de nomeação do representante legal que assina a manifestação de inconformidade; e) Demonstrada a insubsistência e improcedência do processo, requer seja cancelado o processo reclamado. A DRJ/SP1 indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 16036.860. O fundamento adotado foi o de que, na compensação declarada pelo sujeito passivo, os créditos são acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrem a incidência de acréscimos legais até a data da entrega do PER/DCOMP, na forma da legislação de regência. A recorrente repetiu os argumentos da impugnação no recurso voluntário. É o relatório. Voto Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10880.695792/200929 Acórdão n.º 3301003.396 S3C3T1 Fl. 4 3 Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.231, de 28 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10880.667966/200963, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.231): "O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. Constatase que a controvérsia do processo permanece a mesma desde a 1ª instância, com a contribuinte alegando que o DARF utilizado como pagamento a maior para a compensação foi pago dentro do prazo de vencimento do tributo e por isso, não se conformando com a cobrança de acréscimos legais no momento da efetiva compensação. Entretanto, como veremos adiante, o valor do crédito foi insuficiente para quitar o débito, em função dos acréscimos legais ao débito compensado, atualizados até a data da apresentação do PER/DCOMP, em virtude do atraso entre seu vencimento e a formalização da compensação. A DCOMP em tela, foi formalizada pela interessada para compensar débito de COFINS – não cumulativa (código de receita 5856), vencido em 15/06/2004, com créditos de COFINS (código de receita 2172), cuja data de arrecadação foi 15/06/2004. De acordo com o Despacho Decisório emitido pela DERAT/SP, constatouse a procedência do crédito original informado no PER/DCOMP. No entanto, o mesmo foi insuficiente para quitar os débitos informados em consequência da data de apresentação da DCOMP, e por este motivo a compensação foi homologada parcialmente. A recorrente alega que o valor original utilizado para a compensação foi recolhido no mesmo prazo de vencimento dos créditos tributários compensados, e sendo assim, não poderia haver multa e juros sobre os referidos créditos, pois são do mesmo período de apuração. Como bem dito no acórdão recorrido, a contribuinte equivocouse em relação à forma de valoração do crédito e do débito que informou em sua declaração de compensação, ao não efetuar os cálculos relativos aos acréscimos legais, o que gerou um saldo devedor, e consequentemente, a homologação parcial da compensação. Constatase que a data do envio do PER/DCOMP é quando se formaliza a extinção do débito por compensação, de acordo com o que dispõe a Lei nº 9.430/1996, abaixo transcrita: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10880.695792/200929 Acórdão n.º 3301003.396 S3C3T1 Fl. 5 4 administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) Portanto, a extinção do débito por compensação ocorre na data de envio do PER/DCOMP. No caso concreto, a interessada enviou a PER/DCOMP em 21/01/2007 para compensar débito cujo vencimento se deu em 15/06/2004, portanto, é fato que o débito já estava vencido quando foi extinto pela compensação. Assim, partir da data do vencimento passaram a incidir sobre o débito os acréscimos legais, quais sejam, multa de mora e juros, nos termos do artigo 61 da Lei 9.430/1996, abaixo transcrito: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º. A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º. O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º. Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. No recurso voluntário, a recorrente repete o argumento de que o pagamento utilizado para a compensação foi realizado no mesmo prazo de vencimento do débito compensado, mas tal fato não a socorre, pois a utilização do crédito tributário ocorre apenas com a apresentação do PER/DCOMP, que ocorreu após o vencimento do débito compensado. Assim, cumpre transcrever o artigo 28 da IN SRF nº 600/2005, em vigor à época da transmissão do PER/DCOMP: Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10880.695792/200929 Acórdão n.º 3301003.396 S3C3T1 Fl. 6 5 Art. 28. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 52 e 53 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. § 1º A compensação total ou parcial de tributo ou contribuição administrados pela SRF será acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. (...) Logo, os débitos vencidos, vinculados a PER/DCOMP, serão acrescidos de multa de mora, calculada a partir do primeiro dia subsequente à data de vencimento até a data da entrega do PER/DCOMP, quando se formaliza a compensação; bem como sofrerão a incidência de juros referentes à taxa SELIC, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Em relação aos créditos utilizados na compensação, as regras para valoração vigentes à época da transmissão do PER/DCOMP estão contidas no artigo 52 da IN SRF nº 600/2005, também transcrita: Art. 52. O crédito relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição, será restituído ou compensado com o acréscimo de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) para títulos federais, acumulados mensalmente, e de juros de 1% (um por cento) no mês em que: (...) II – houver a entrega da Declaração de Compensação; (...) § 1º No cálculo dos juros Selic de que trata o caput, observarseá, como termo inicial de incidência: (...) III – na hipótese de pagamento indevido ou a maior: a) o mês de janeiro de 1996, se o pagamento tiver sido efetuado antes de 1º de janeiro de 1996; b) a data da efetivação do pagamento, se este tiver sido efetuado entre 1º de janeiro de 1996 e 31 de dezembro de 1997; ou c) o mês subseqüente ao do pagamento, se este tiver sido efetuado após 31 de dezembro de 1997; Por isso, foi apurado o saldo devedor indicado no Despacho Decisório e a compensação foi parcialmente homologada. Portanto, não se está desprezando o princípio da verdade material e nem está havendo enriquecimento sem causa do Fisco, como alega a recorrente. Simplesmente, está sendo cobrado o atraso entre a Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10880.695792/200929 Acórdão n.º 3301003.396 S3C3T1 Fl. 7 6 data do vencimento do tributo e o seu necessário pagamento, que, no caso em tela, deuse no momento da apresentação da DCOMP. Assim, tendo em vista tudo o acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a DCOMP foi transmitida em data posterior à do vencimento do(s) débito(s) compensado(s). Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 96DF CARF MF
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Numero do processo: 11040.001111/93-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/07/1990 a 31/03/1992
FINSOCIAL. FALTA DE RECOLHIMENTO.
A falta ou insuficiência de recolhimento do Finsocial constitui infração que autoriza a lavratura do competente Auto de Infração, para a constituição do crédito tributário.
BASE DE CÁLCULO. APURAÇÃO.
A base de cálculo para apuração do Finsocial baseou-se nos elementos disponibilizados pela interessada (receita total mês a mês e estoque do semestre ou do ano, no qual se encontravam segregados quantitativos de associados e não associados). Recurso de Ofício a que não se conhece e Recurso Voluntário a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3201-002.612
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em não conhecer do recurso de ofício e negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM- Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausência justificada de Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento do Finsocial constitui infração que autoriza a lavratura do competente Auto de Infração, para a constituição do crédito tributário. BASE DE CÁLCULO. APURAÇÃO. A base de cálculo para apuração do Finsocial baseouse nos elementos disponibilizados pela interessada (receita total mês a mês e estoque do semestre ou do ano, no qual se encontravam segregados quantitativos de associados e não associados). Recurso de Ofício a que não se conhece e Recurso Voluntário a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em não conhecer do recurso de ofício e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 00 11 11 /9 3- 65 Fl. 1093DF CARF MF 2 Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausência justificada de Charles Mayer de Castro Souza. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho de Contribuintes, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: A decisão anterior desta DRJ emitida no presente processo foi cancelada pelo Acórdão CARF 310100.284. Suprido o vício processual que ocasionou o cancelamento, o processo encontrase em condições para julgamento. A seguir o histórico. A interessada acima qualificada impugna (fls. 95 a 126), tempestivamente, o lançamento efetivado através de ação fiscal realizada na referida empresa, onde apurouse falta de recolhimento do FINSOCIAL sobre o faturamento dos períodos de apuração de julho/1990 a março/1992, no valor de lançamento equivalente a 914.441,56 UFIR de principal da contribuição e valor total, incluída multa e juros moratórios, de 2.959.711,99 UFIR (Auto de Infração e Relatório de Auditoria de fls. 73 a 88). Os fiscais autuantes relatam que a interessada impetrou mandado de segurança questionando a constitucionalidade da exação. Foram realizados depósitos judiciais para alguns dos períodos, conforme decisão judicial na qual foi concedida liminar mediante o depósito das parcelas devidas, posteriormente revogada. A decisão final estabeleceu a constitucionalidade do Finsocial à alíquota de 0,5%. A partir de novembro de 1991 não mais teriam sido realizados depósitos judiciais, não tendo também sido efetuados pagamentos nem declaração dos valores devidos. Constatouse também insuficiência dos valores apurados entre julho e novembro de 1990 e depósitos insuficientes de dezembro de 1990 até outubro de 1991. A autuada se constitui em empresa cooperativa arrozeira, atuando também com não associados, sendo que sobre estas atividades incide a Contribuição para o FINSOCIAL. A base de cálculo foi obtida através do percentual anual (períodos de apuração de 1990 e 1991) ou semestral (para os períodos de apuração de 1992) das operações tributáveis (com terceiros) sobre as totais da cooperativa, tendo em vista que a mesma não possui controle permanente de estoques, o que impossibilitou a aferição mensal entre as atividades tributáveis (com terceiros) e as não tributáveis (com cooperados), aí incluídas operações que a interessada efetuava com terceiros relativamente a produtos beneficiados. O levantamento dos valores tributáveis encontra respaldo nos documentos da própria cooperativa, obtidos através de intimações dos fiscais. A impugnação apresentada questiona determinados elementos da ação fiscal que não dizem respeito diretamente ao lançamento de Finsocial, em função do procedimento como um todo ser mais abrangente, envolvendo, por exemplo, o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica. Com relação ao lançamento ora em análise, questiona a constitucionalidade da contribuição, Fl. 1094DF CARF MF Processo nº 11040.001111/9365 Acórdão n.º 3201002.612 S3C2T1 Fl. 1.094 3 finalizando por reconhecêla devida à alíquota de 0,5%, conforme decisão do STF. Relata ter ingressado com Mandado de Segurança em janeiro de 1991, quando passou a efetuar depósitos até novembro de 1991, quando interrompeu a efetivação dos depósitos ante manifestações públicas de altos representantes do Governo no sentido da extinção da exação. Considerase credora de valores referentes ao FINSOCIAL tendo em vista os pagamentos efetuados de setembro de 1989 até fevereiro de 1990 (alíquota de 1%) e de março a novembro de 1990 (alíquota de 1,2%), mesmo considerando os valores não depositados dos meses de novembro e dezembro de 1991 e janeiro a março de 1992. Alega também, baseada na assertiva de ter realizado pagamento a maior que o devido, ser inaceitável a aplicação de multa e juros sobre os valores pagos tempestivamente e a maior que o devido. Da mesma forma, considera improcedente a cobrança desses encargos no período de 31/12/1990 a 30/10/1991, vez que depositou judicialmente tais valores, fazendoo a maior. De qualquer maneira, e ante as quantias depositadas judicialmente, o crédito tributário teria sua exigibilidade suspensa por força do artigo 151, II, do Código Tributário Nacional. No tocante aos juros aplicados, insurge se também por estarem os mesmos baseados na variação da TRD. Quanto aos valores cobrados, reclama das alíquotas superiores a 0,5%, quando reconhecida a inconstitucionalidade da sua majoração pelo STF. Considerando a única alíquota legalmente praticável, nos meses em que o FINSOCIAL não foi pago nem depositado, o valor do seu débito seria de 79.191,72 UFIR. Alega que, considerando os valores pagos pelas alíquotas majoradas de setembro de 1989 a junho de 1990 e de julho a outubro de 1991, resulta um crédito relativo ao FINSOCIAL a seu favor no valor de 174.925,4205 UFIR. De acordo com o artigo 66 da Lei n° 8.383/91, impõe se a compensação dos valores pagos a maior com os valores não depositados no período de novembro/91 a março/92. Relativamente aos valores que serviram de base de cálculo, irresignase a interessada, alegando ter sempre utilizado a correta aplicação dos índices percentuais que determinam as operações isentas e as tributáveis, desqualificada pela fiscalização que adotou um percentual anual, aplicando o uniformemente mês a mês, desconhecendo a sazonalidade das operações com arroz e a diminuição da comercialização com terceiros quando intensificadas as operações com os associados. Tal método teria resultado em graves distorções. Reconhece a necessidade de elaboração de planilhas mensais para apontar o percentual de cada tipo de operação. Especificamente em relação aos percentuais das atividades tributadas, alega contradições da fiscalização entre os percentuais constantes do Auto de Infração objeto de outro processo (IRPJ) e do presente. Requer seja desqualificado o Auto de Infração e reapuradas as diferenças pagas à maior sob a rubrica FINSOCIAL, para compensálas, nos termos do artigo 66 da Lei n° 8.383/91, com o devido no Auto de Infração relativamente aos períodos de apuração de novembro /91 a março/92. Fl. 1095DF CARF MF 4 Tendo em vista a alegação da interessada relativamente a valores pagos a maior e a constatação, pelos elementos juntados ao processo, da conversão em renda da União de parcelas dos depósitos judiciais, foi o processo mandado à repartição de origem, Delegacia da Receita Federal em Pelotas (DRF/PEL), para comprovação e verificação do efetivo recolhimento a maior que o devido relativo aos períodos de apuração de setembro de 1989 a novembro de 1990 (fls. 198/200). A Informação Fiscal de fls. 294/296, baseada nos documentos cujas cópias foram juntadas às fls. 201/277 e Demonstrativos de fls. 278/293, esclarece que existe concordância entre a empresa e a fiscalização no que tange aos valores do faturamento dos períodos em que a interessada alega pagamentos a maior do Finsocial, anteriores ao Auto de Infração, utilizando, porém, a fiscalização, índices de rateio diferentes da empresa. A diligência comprova que a interessada pagava o Finsocial em valor inferior ao devido, tanto é assim que o somatório do faturamento mensal obtido com operações com terceiros não correspondia ao faturamento anual das mesmas operações, o qual lhe era muito superior. Com base no acerto das bases de cálculo mensais, e considerando o período a partir de janeiro de 1989, resultou que a empresa poderia compensar o valor equivalente a 26.277,3249 BTNF. Com o retorno do processo, foi emitida a Decisão DRJ/PAE n°. 014/259/1999 (fls. 301 a 315), que deu parcial provimento a impugnação. Quanto a parte excluída, houve interposição de recurso de ofício para o Conselho de Contribuintes, encaminhado no presente processo. O Conselho de Contribuintes, através do Acórdão 20213.774, de 21/05/2002, negou provimento ao recurso de ofício, mantendo a exclusão determinada pela DRJ. De acordo com as normas vigentes à época, o processo foi apartado, tendo sido aberto o processo 11040003.763/9901 para seguimento da parte mantida do auto de infração. Foi apresentado recurso voluntário (fls. 329 a 360), sendo o processo encaminhado ao Conselho de Contribuintes após longa discussão judicial findada em prol da recorrente. O órgão julgador de segunda instância, já denominado Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), proferiu o Acórdão 310100.284, de 27/11/2009 (fls. 919 e 920), que deu provimento ao recurso voluntário, entendendo que houve desprestígio aos princípios constitucionais do contraditório e ampla defesa. Considerou que os novos elementos juntados em diligência, sem a reabertura do prazo para impugnação, viciou o processo, assistindo razão à recorrente no pleito de nulidade da decisão de primeira instância e declarando: "..a nulidade do processo, a partir da intimação da diligência fiscal que culminou na informação fiscal de fls. 298 a 300, devendo ser novamente* intimada a recorrente da indigitada diligência, desta feita com a reabertura do™ prazo de 30 dias para manifestarse, querendo, e após seja novamente julgada a sua impugnação... " (grifo do Acórdão, fl. 919, verso, e 920). A DRF/PEL cumpriu (stricto sensu) o determinado. Para tanto, desarquivou o presente processo, juntando o processo 11040003.763/9901 no qual foi emitido o Acórdão do CARF em questão, reestabelecendo a situação no momento processual em que deveria ter sido dada a ciência devida da diligência. Por conseqüência, todos os valores originais do auto de infração estão novamente cadastrados no presente processo. O contribuinte tomou ciência em 30/04/2010, apresentando complementação da impugnação em Fl. 1096DF CARF MF Processo nº 11040.001111/9365 Acórdão n.º 3201002.612 S3C2T1 Fl. 1.095 5 28/05/2010 (fls. 937 a 939). Argumenta que, quando da realização da diligência, em 1999, já estava extinto o direito de exame dos valores do período 01/1989 a 06/1990, assim, não poderia a fiscalização considerar e compensar períodos de recolhimento alegado como insuficientes no cálculo do crédito, para o qual foi autorizada a compensação. Indica, inclusive, que tal já foi objeto de determinação judicial favorável nos embargos à execução n° 2004.71.10.0030541. Requer seja pronunciada a "decadência" em relação a estes períodos e a procedência do pleito da peça impugnatória. O pleito foi deferido em parte, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão 1027.242, de 02/09/2010, proferida pelos membros da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS, cuja ementa dispõe, verbis: Assunto: Outros tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/07/1990 a 31/03/1992 FINSOCIAL. ALÍQUOTA. Deve ser cancelada a exigência de Finsocial no que exceder a aplicação da alíquota de 0,5%. BASE DE CÁLCULO. APURAÇÃO. A base de cálculo fundamentouse nos elementos disponibilizados pela interessada (receita total mês a mês e estoque do semestre ou do ano, no qual se encontravam segregados quantitativos de associados e não associados). DEPÓSITOS JUDICIAIS. Os depósitos judiciais quando convertidos em renda da União extinguem o crédito tributário dos respectivos períodos de apuração, pelos valores efetivamente depositados, na mesma forma que um pagamento em Darf. RECALCULO. INDÉBITO. O pagamento a maior resultado do recálculo de valores lançados de um período de apuração auditado deve ser compensado com a exigência de outro período. TRD. JUROS DE MORA. Por determinação contida no art. 1o da IN SRF no 32/1997, a TRD, aplicada como juros de mora no período compreendido entre 04/02/1991 e 29/07/1991, deve ser subtraída do lançamento. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O julgamento de primeira instância considerou procedente em parte a impugnação, ou seja, para reduzir os valores lançados para os constantes da fl. 954 (papel) (e fl. 1059) a serem acrescidos da multa de oficio de 50% nos períodos de fevereiro a maio de 1991 e 75% de junho de 1991 em diante, nos termos do relatório e voto, bem como recorrer de ofício a este CARF, cujo valor ultrapassa R$ 1.000.000,00, valor vigente, à época. Fl. 1097DF CARF MF 6 Inconformado, a recorrente apresenta recurso voluntário, tempestivamente, onde basicamente repisa os argumentos anteriormente apresentados, insistindo em: que não foi reconhecido a sazonalidade nas operações de terceiros, da mesma forma, deve ser reconhecida a decadência do direito do fisco de revisar em janeiro de 1999, lançamento efetivo de janeiro/89 a julho de 1990. O processo digitalizado foi redistribuído e encaminhado a esta Conselheira para prosseguimento, de forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM RECURSO DE OFÍCIO De acordo com o relatado, o julgamento de primeira instância considerou procedente em parte a impugnação, ou seja, reduziu os valores lançados para os constantes da fl. 954 (papel) a serem acrescidos da multa de oficio de 50% nos períodos de fevereiro a maio de 1991 e 75% de junho de 1991 em diante, nos termos do relatório e voto, bem como recorrer de ofício ao CARF, cujo valor ultrapassa R$ 1.000.000,00. Observase, à fl. 971 (papel) e efl. 1078, o demonstrativo do débito, ou melhor, do valor do imposto exonerado e multa exonerada, nos valores de (cerca de) R$ 701.641,00 e multa de R$ 472.748,00; respectivamente. Inicialmente, por conta da recente Portaria MF n° 63, de 09/02/2017 que disciplina novo limite de alçada para interposição de recurso de ofício, cujo valor é de R$ 2.500.000,00, logo, não se conhece o recurso de ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO O recurso voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Versa o presente de Auto de Infração de falta de recolhimento do Finsocial sobre o faturamento dos períodos de apuração de julho/1990 a março/1992, conforme AI à fl. 79 (papel), Demonstrativos às fls. 72/78; bem como minuciosa Descrição dos fatos (fl.80 papel). A ciência do respectivo AI deuse em 30/12/1993. Tratase de um processo antigo, cujo débito foi apurado em BTNF, cruzeiro e UFIR e passou por diversas fases, quais sejam: Em 28/12/1993 foi lavrado Auto de Infração relativo a FINSOCIAL (ciência em 30/12/1993), objeto do processo 11040.001111/9365. O contribuinte supra foi cientificado do lançamento em 30/12/1993 e apresentou impugnação em 31/01/1994. Fl. 1098DF CARF MF Processo nº 11040.001111/9365 Acórdão n.º 3201002.612 S3C2T1 Fl. 1.096 7 Em 25/06/1999 a DRJ Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre (RS), após a realização de diligência por esta Delegacia da Receita Federal DRF (Pelotas), proferiu a DECISÃO DRJ/PAE N° 014/259/1999 (efl. 383e ss.), a qual considerou o lançamento parcialmente procedente. Como houve a interposição de Recurso de Ofício ao Conselho de Contribuintes relativamente ao(s) débito(s) exonerado(s), foi cadastrado o processo 11040.003763/9901, para onde foram transferidos os valores mantidos, sendo o processo 11040.001111/9365 remetido em 27/12/1999 ao Conselho de Contribuintes, por intermédio da DRJ/Porto Alegre/RS, para julgamento do Recurso de Ofício. Em 24/11/1999 o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, no processo 11040.003763/9901, que foi provido através do Acórdão n° 310100.284 Ia Câmara / Ia Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, declarando a nulidade do processo a partir da intimação da diligência fiscal, e determinando que a interessada fosse novamente intimada da diligência, com abertura de prazo de 30 dias para manifestarse e, após, fosse novamente julgada a impugnação, independentemente do uso, por parte da recorrente, do seu direito de manifestarse sobre a diligência. Em cumprimento ao acórdão acima referido, foi lavrado em 16/04/2010 o Termo de Entrega de Documentos e Intimação Fiscal DRF/PEL/SAFIS 01/2010, de fl. 509. Logo: que seja desfeita a transferência do crédito tributário para o processo 11040.003763/9901, voltando o controle integral do crédito tributário lançado para o processo 11040.001111/9365. que o processo 11040.003763/9901 seja anexado ao de n° 11040.001111/9365, posto que perdeu seu objeto. Considerando ainda que o Termo de Entrega de Documentos e Intimação Fiscal DRF/PEL/SAFIS 01/2010 foi lavrado no processo 11040.003763/99 01, que perdeu o objeto em função da declaração da nulidade do processo a partir da intimação da diligência fiscal, e tendo em vista o contido no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 06/03/1972, remeto à consideração superior, propondo: que seja considerado nulo o Termo de Entrega de Documentos e Intimação Fiscal DRF/PEL/SAFIS 01/2010, por ter sido efetuado no curso do processo 11040.003763/9901, que perdeu seu objeto. que se proceda à intimação do contribuinte nos termos do Acórdão n° 310100.284 Ia Câmara / Ia Turma Ordinária no processo 11040.001111/9365. que se adotem as demais providências determinadas no Acórdão n° 310100.284 Ia Câmara / 1 a Turma Ordinária. Fl. 1099DF CARF MF 8 Em sendo assim, o contribuinte foi cientificado e nova decisão DRJ foi expedida, conforme acórdão de nº 1027.242, de 02/09/2010, proferida pelos membros da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS. Verificase, de pronto, que a autoridade julgadora de primeira instância julgou como o lançamento por parcialmente procedente, considerando indevida a aplicação das alíquotas da contribuição em tela em níveis superiores a 0,5%, retirando da exação os valores referentes aos depósitos judiciais, com os consectários correspondentes, e considerou a compensação de valores pagos a maior, com alíquotas superiores a 0,5%, no período de fevereiro/89 a junho/90, no valor de 26.277,3249 UFIR, considerando os cálculos efetuados em diligência fiscal. Também, reduziu o percentual da multa de oficio aplicada em 100% a 75%, com base no artigo 44, I, da Lei n° 9.430/96, c/c o artigo 106, II, c, do Código Tributário Nacional, e determinou a retirada dos juros de mora aplicados com base na TRD, no período de 04 de fevereiro a 29 de julho de 1991, com base na IN SRF n°32/97. A fiscalização ressalta, quando da confecção do AI, que a interessada impetrou mandado de segurança questionando a constitucionalidade da exação. Foram realizados depósitos judiciais para alguns dos períodos, conforme decisão judicial na qual foi concedida liminar mediante o depósito das parcelas devidas, posteriormente revogada. A decisão final estabeleceu a constitucionalidade do Finsocial à alíquota de 0,5%. A partir de novembro de 1991 não mais teriam sido realizados depósitos judiciais, não tendo também sido efetuados pagamentos nem declaração dos valores devidos. Constatouse também insuficiência dos valores apurados entre julho e novembro de 1990 e depósitos insuficientes de dezembro de 1990 até outubro de 1991. A Recorrente constitui em empresa cooperativa arrozeira, atuando também com não associados, sendo que sobre estas atividades incide a Contribuição para o FINSOCIAL. A base de cálculo foi obtida através do percentual anual (períodos de apuração de 1990 e 1991) ou semestral (para os períodos de apuração de 1992) das operações tributáveis (com terceiros) sobre as totais da cooperativa, tendo em vista que a mesma não possui controle permanente de estoques, o que impossibilitou a aferição mensal entre as atividades tributáveis (com terceiros) e as não tributáveis (com cooperados), aí incluídas operações que a interessada efetuava com terceiros relativamente a produtos beneficiados. O levantamento dos valores tributáveis encontra respaldo nos documentos da própria cooperativa, obtidos através de intimações dos fiscais. Em sua defesa, afirma ser credora de valores referentes ao FINSOCIAL, tendo em vista os pagamentos efetuados de setembro de 1989 até fevereiro de 1990 (alíquota de 1%) e de março a novembro de 1990 (alíquota de 1,2%), mesmo considerando os valores não depositados dos meses de novembro e dezembro de 1991 e janeiro a março de 1992. E de acordo com o artigo 66 da Lei n° 8.383/91, impõese a compensação dos valores pagos a maior com os valores não depositados no período de novembro/91 a março/92. Por conta do alegado, como já historiado, de valores pagos a maior e a constatação, pelos elementos juntados ao processo, da conversão em renda da União de parcelas dos depósitos judiciais, foi o processo mandado à repartição de origem, Delegacia da Receita Federal em Pelotas (DRF/PEL), para comprovação e verificação do efetivo recolhimento a maior que o devido relativo aos períodos de apuração de setembro de 1989 a novembro de 1990 (fls. 198/200 (papel). A Informação Fiscal de fls. 294/296, baseada nos documentos cujas cópias foram juntadas às fls. 201/277 e Demonstrativos de fls. 278/293 (papel), esclarece que existe concordância entre a empresa e a fiscalização no que tange aos valores do faturamento dos Fl. 1100DF CARF MF Processo nº 11040.001111/9365 Acórdão n.º 3201002.612 S3C2T1 Fl. 1.097 9 períodos em que a interessada alega pagamentos a maior do Finsocial, anteriores ao Auto de Infração, utilizando, porém, a fiscalização, índices de rateio diferentes da empresa. A diligência comprova que a interessada pagava o Finsocial em valor inferior ao devido, tanto é assim que o somatório do faturamento mensal obtido com operações com terceiros não correspondia ao faturamento anual das mesmas operações, o qual lhe era muito superior. Com base no acerto das bases de cálculo mensais, e considerando o período a partir de janeiro de 1989, resultou que a empresa poderia compensar o valor equivalente a 26.277,3249 BTNF. Pelo visto, foram realizados diversos demonstrativos de imputação de pagamentos, por conta da alegação da Recorrente de existirem vários pagamentos a maior de FINSOCIAL (até novembro de 1990), na diligência solicitada pela DRJ/POA, quando a mesma solicitou que fossem refeitos os cálculos, levando em conta esses pagamentos, depósitos (imputação), levando em conta a limitação da alíquota de 0,5%, então não há que falar em inovação do Auto de InfraçãoAI, e sim fatos que foram considerados, por conta da própria alegação da Recorrente. Então, verificado já, que os créditos tributários decorrentes de aplicação de alíquota superior a 0,5% foram cancelados, ante a decisão judicial favorável à empresa, no entanto, a falta ou insuficiência de recolhimento do Finsocial constitui infração que autoriza a lavratura do competente Auto de Infração, para a constituição do crédito tributário, saldo este, analisado em sede de recurso voluntário. Como bem ressaltado na decisão DRJ: Já os valores depositados em juízo correspondentes a alíquota superior a 0,5% não podem ser considerados. Como consequência da decisão judicial, foi deteminada a conversão em renda proporcional daqueles valores depositados judicialmente (41,66% quando a alíquota era de 1,2% e 25% quando a alíquota era de 2,0%), tendo sido o restante devolvido ao contribuinte mediante alvará fornecido pela Justiça Federal. Ressaltese que os depósitos não foram integrais, o que ficou caracterizado no lançamento. Aceita a imputação dos depósitos convertidos como pagamento, serão cobrados os acréscimos moratórios devidos, no caso dos depósitos efetuados após o vencimento da contribuição. A base de cálculo encontrada pela fiscalização não merece reparos. Não há divergência quanto ao Finsocial ser um gravame de incidência mensal sobre o faturamento, que não atinge as operações com associados. As planilhas apresentadas pela empresa não demonstraram vinculação com a contabilidade. A soma das receitas com terceiros das planilhas a cada ano era muito inferior ao valor apurado pela fiscalização com base na contabilidade. Mostrou, a fiscalização, que a empresa não considerou, por exemplo, as aquisições de arroz beneficiado, todas de terceiros. Destaquese que a empresa apenas elaborava demonstrativos sobre o estoque anualmente e não apresentou dados contábeis mensais confiáveis que permitissem a aferição. Sendo indispensável a 'apuração mensal para obtenção da base de Fl. 1101DF CARF MF 10 cálculo do Finsocial, nas condições encontradas, perfeitamente justificável o procedimento de rateio mensal a partir do percentual entre operações cooperativadas (não tributáveis) e não cooperativadas (tributáveis) obtido a partir dos estoques de final de ano, discriminando as operações com cooperados e com nãocooperados. Logo, os valores depositados em juízo correspondentes a alíquota superior a 0,5% não podem ser considerados e foram devolvidos ao contribuinte mediante alvará fornecido pela Justiça Federal. Ressaltese que os depósitos não foram integrais, o que ficou caracterizado no lançamento. Enfim, os depósitos judiciais quando convertidos em renda da União extinguem o crédito tributário dos respectivos períodos de apuração, pelos valores efetivamente depositados, para fins de amortização da dívida. Pois bem, a fiscalização apurou valores maiores do que aqueles depositados, então, foram cobrados os acréscimos para os depósitos realizados após o vencimento da contribuição (imputação da fl. 190papel). E quanto a base de cálculo fundamentouse nos elementos disponibilizados pela interessada (receita total mês a mês e estoque do semestre ou do ano, no qual se encontravam segregados quantitativos de associados e não associados). Ou melhor, o levantamento dos valores tributáveis encontra respaldo nos documentos da própria cooperativa, levantados através de intimações dos fiscais autuantes e cujas cópias foram juntadas aos autos. Inclusive, sobre a sazonalidade alegada pela Recorrente, a mesma teria que ter sido demonstrada por ela quando da elaboração dos seus demonstrativos mensais. Em relação aos valores cotejados (recálculo), bem como pleito de compensação; importante transcrever trechos da decisão a quo, que explicam bem a situação, na qual concordo pelos motivos expostos, abaixo: Na apuração do indébito de Finsocial, acima referido, foram cotejados os períodos em que foram apurados pagamentos a maior com aqueles em que os pagamentos foram insuficientes. Os meses de pagamentos a maior foram 02/89 e 07/90 / até 11/90, e os de insuficiência dc recolhimento o de 01/89 e 03/89 até 06/90. Após a devida ciência da diligência efetuada, na manifestação entregue em 28/05/2010 (fls. 937 a 939), a empresa argumenta que, quando de sua realização, em janeiro de 1999, não poderiam ser considerados insuficientes os recolhimentos e descontados valores até junho de 1990, já homologados, inclusive em auditoria feita pela unidade (CAD ~ cobrança administrativa domiciliar). Indica inclusive já ter sido essa “decadência” reconhecida em embargos à execução, transcrevendo trecho da decisão (processo judicial n° 2004.71.10.0030541). Registrese que, apesar do argumento agora apresentado, foi a empresa que solicitou, em sua primeira manifestação, a consideração em compensação dos pagamentos a maior que teria realizado desde setembro de 1989. Neste aspecto, deve ser dado provimento ao pleito da empresa, embora não exatamente pelos mesmos fundamentos. Com relação à manifestação do judiciário, citada pela interessada, é de se mencionar que não produz efeitos no presente processo, até porque a execução fiscal foi cancelada a partir da determinação judicial para seguimento do recurso voluntário, reformando a decisão administrativa que havia negado seguimento ao mesmo (ver documentos anexados às fls. 941 a 947). Extinto o débito na via administrativa, há perda de Fl. 1102DF CARF MF Processo nº 11040.001111/9365 Acórdão n.º 3201002.612 S3C2T1 Fl. 1.098 11 interesse processual, tendo sido extinto o processo judicial sem resolução do mérito. 'l`al determinação, inclusive, é objeto de contestação por parte da empresa, que solicita a apreciação do mérito. Dessa forma, a matéria (“decadência” para descontar débitos na apuração de crédito da empresa) restou não apreciada pelo judiciário, não sendo a sua discussão exaurida naquela instância. Vejase que se trata de execução fiscal iniciada pela Fazenda Nacional, não havendo a propositura pelo contribuinte de ação judicial, o que implicaria a renúncia à instância administrativa. Repisese, ainda, que não se trata de lançamento de crédito tributário, mas sim de desconto na apuração de saldo credor do período. E por fim, quanto à questão da compensação autorizada inicialmente com crédito anterior e seus cálculos empresa solicita a compensação de seus créditos com fundamento no art. 66 da Lei 8.383/91. Com efeito, na época, era possível a chamada “autocompensação” ...... A empresa poderia, portanto, ter efetuado compensação de crédito de Finsocial com débito de Finsocial em sua contabilidade. Não é o caso, sendo que nada foi alegado neste sentido e é contestada a forma de apuração dos débitos. Na autocompensação, o crédito é sempre anterior ao débito. Tambem não é o caso do presente processo, de acordo com 0 apurado em diligência pela DRF/PEL, os débitos eram, via de regra, anteriores aos créditos. Desse modo, não há fundamento legal a sustentar a compensação inicialmente pleiteada. Não seria possível, nem mesmo, estabelecer o marco inicial do procedimento a ser adotado. Neste processo, a empresa solicita inicialmente a consideração do período a partir de setembro de 1989, enquanto a DRF calculou a partir de janeiro do mesmo ano. Já para 0 período objeto da auditoria efetuada (06/90 a 03/92), poderia ser efetuada de ofício a compensação, evitando a constituição de crédito tributário quando existente indébito referente a outro período em análise, para o qual também a empresa havia perdido a espontaneidade. Dessa forma; deve ser feito o ajuste, compensando os pagamentos indevidos com os valores apurados. Procedeuse novo cálculo com base no já apurado nos autos, em especial na planilha da fl. 292 e no resultado da diligência de fls. 294 a 296. Os créditos decorrentes dos pagamentos a maior de Finsocial com a alíquota limitada a 0,5%, referentes aos períodos julho,a novembro de 1999 (inicialmente lançados) serviram para quitar os valores devidos em dezembro de 1990 e janeiro de 1991,e quitar parcialmente o valor de fevereiro de 1991, de acordo com o demonstrativo anexo a este Acórdão e que dele é parte integrante. Os valores mantidos, do lançamento constam no demonstrativo;(Listagem de Débitos/Saldos Remanescentes), a serem acrescidos da multa de ofício de 50% nos períodos de fevereiro a maio de 1991 e 75% de junho de 1991 em diante (valores em moeda da época, Fl. 1103DF CARF MF 12 de acordo com o constante nos sistemas de controle, facilitando o cumprimento deste Acórdão Em sendo assim, não há que se reformar a decisão de piso, baseada, inclusive em informação fiscal, através de diligência citada, portanto, mantémse a decisão da DRJ/POA. Considerando, ainda, que Recorrente não trouxe aos autos nenhuma razão de fato ou de direito relevante capaz de desencadear modificação no julgamento recorrido, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. É como voto. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 1104DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000498/2003-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998
RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO.
A matéria não contestada na impugnação é insuscetível de conhecimento em grau recursal.
DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. LEI COMPLEMENTAR 105/2001. REQUISITOS OBJETIVOS. TRANSLADO DO DEVER DE SIGILO DA ESFERA BANCÁRIA PARA A FISCAL. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. REPERCUSSÃO GERAL. RICARF. DEVER DE REPRODUÇÃO.
1. O Supremo Tribunal Federal, em recurso extraordinário com repercussão geral, decidiu que o art. 6º da Lei Complementar 105/01 estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal, não sendo inconstitucional.
2. O § 2º do art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF determina que as decisões de mérito proferidas pelo Supremo, com repercussão geral, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos.
IMPOSTO DE RENDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS PROBATÓRIO DO SUJEITO PASSIVO.
1. O art. 42 da Lei 9.430/1996 cria um ônus em face do contribuinte, ônus este consistente em demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira. Por outro lado, o consequente normativo resultante do descumprimento desse dever é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratando-se, pois, de receita ou rendimento omitido.
2. Tal disposição legal é de cunho eminentemente probatório e afasta a possibilidade de se acatar afirmações genéricas e imprecisas. A comprovação da origem, portanto, deve ser feita de forma minimamente individualizada, a fim de permitir a mensuração e a análise da coincidência entre as origens e os valores creditados em conta bancária.
JUROS MORATÓRIOS. TERMO INICIAL.
Os juros de mora são calculados a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.642
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso, para, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1998 RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO. A matéria não contestada na impugnação é insuscetível de conhecimento em grau recursal. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. LEI COMPLEMENTAR 105/2001. REQUISITOS OBJETIVOS. TRANSLADO DO DEVER DE SIGILO DA ESFERA BANCÁRIA PARA A FISCAL. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. REPERCUSSÃO GERAL. RICARF. DEVER DE REPRODUÇÃO. 1. O Supremo Tribunal Federal, em recurso extraordinário com repercussão geral, decidiu que o art. 6º da Lei Complementar 105/01 estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal, não sendo inconstitucional. 2. O § 2º do art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF determina que as decisões de mérito proferidas pelo Supremo, com repercussão geral, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos. IMPOSTO DE RENDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS PROBATÓRIO DO SUJEITO PASSIVO. 1. O art. 42 da Lei 9.430/1996 cria um ônus em face do contribuinte, ônus este consistente em demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira. Por outro lado, o consequente normativo resultante do descumprimento desse dever é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratando-se, pois, de receita ou rendimento omitido. 2. Tal disposição legal é de cunho eminentemente probatório e afasta a possibilidade de se acatar afirmações genéricas e imprecisas. A comprovação da origem, portanto, deve ser feita de forma minimamente individualizada, a fim de permitir a mensuração e a análise da coincidência entre as origens e os valores creditados em conta bancária. JUROS MORATÓRIOS. TERMO INICIAL. Os juros de mora são calculados a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo. Recurso Voluntário Negado.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS Recorrente LAERTE DE GOMES TALARICO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO. A matéria não contestada na impugnação é insuscetível de conhecimento em grau recursal. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. LEI COMPLEMENTAR 105/2001. REQUISITOS OBJETIVOS. TRANSLADO DO DEVER DE SIGILO DA ESFERA BANCÁRIA PARA A FISCAL. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. REPERCUSSÃO GERAL. RICARF. DEVER DE REPRODUÇÃO. 1. O Supremo Tribunal Federal, em recurso extraordinário com repercussão geral, decidiu que o art. 6º da Lei Complementar 105/01 estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal, não sendo inconstitucional. 2. O § 2º do art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF determina que as decisões de mérito proferidas pelo Supremo, com repercussão geral, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos. IMPOSTO DE RENDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS PROBATÓRIO DO SUJEITO PASSIVO. 1. O art. 42 da Lei 9.430/1996 cria um ônus em face do contribuinte, ônus este consistente em demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira. Por outro lado, o consequente normativo resultante do descumprimento desse dever é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratandose, pois, de receita ou rendimento omitido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 04 98 /2 00 3- 90 Fl. 173DF CARF MF 2 2. Tal disposição legal é de cunho eminentemente probatório e afasta a possibilidade de se acatar afirmações genéricas e imprecisas. A comprovação da origem, portanto, deve ser feita de forma minimamente individualizada, a fim de permitir a mensuração e a análise da coincidência entre as origens e os valores creditados em conta bancária. JUROS MORATÓRIOS. TERMO INICIAL. Os juros de mora são calculados a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso, para, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 19515.000498/200390 Acórdão n.º 2402005.642 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Inicialmente, adotase parte do relatório da decisão recorrida, o qual bem retrata os fatos e os fundamentos do lançamento, da impugnação e dos incidentes ocorridos até então: Contra o Sujeito Passivo acima identificado foi lavrado Auto de Infração do Imposto de Renda Pessoa Física IRPF (fls. 123/126), para formalização e cobrança do crédito tributário nele estipulado, no valor total de R$ 52.956,43, inclusive encargos legais. A infração teve por suporte fático a omissão de rendimentos, no anocalendário de 1998, caracterizada por valores creditados em contas de depósitos e de investimentos mantidas em instituições financeiras, em relação as quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme "Termo de Verificação Fiscal" anexo ao Auto de Infração às fls. 121/122. Inconformado com a exigência da qual tomou ciência em 14/03/2003, via postal (Aviso de Recebimento — AR, fl. 128), o contribuinte apresentou impugnação em 09/04/2003 (fls. 130/131), fundamentando sua defesa nos argumentos abaixo elencados: aduz que os juros de mora são devidos a partir do momento em que o pagamento do débito pode ser exigido e, no caso vertente, o imposto de renda referese à declaração de ajuste anual de 1999, ano base de 1998, e teria que ser pago a partir de maio de 1999, data a partir da qual começaria a incidir os juros de mora; de maio de 1999, época do vencimento da divida, até fevereiro de 2003, data do lançamento, o lapso temporal chegou a 46 meses que, com a taxa de 1% ao mês, alcança a taxa acumulada de 46%; entretanto a repartição fiscal aplicou a taxa acumulada de 64,68%, sendo, por isso, inaceitável; requer a exclusão da multa de ofício de 75% que foi aplicada, com base na eqüidade e no poder discricionário da administração, bem como os antecedentes do contribuinte, que sempre se pautou adequadamente para com o Fisco e que o incidente de 1998 foi involuntário. Diante do exposto, requer o contribuinte que seja efetuado novo cálculo, reduzindo os juros de mora e excluindo a multa de ofício e que seja determinado o parcelamento do novo valor, com o maior número de parcelas, de acordo com as normas vigentes à época do futuro lançamento, como de direito e eqüidade. Fl. 175DF CARF MF 4 Em sessão realizada em 12 de abril de 2007, a DRJ julgou a impugnação improcedente, conforme decisão assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 1998 Omissão de Rendimentos. Depósitos Bancários. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 10 de janeiro de 1997, o artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários cuja origem dos recursos não for comprovada pelo titular, mormente se a movimentação financeira for incompatível com os rendimentos declarados. Juros de Mora. Taxa Selic. Os juros de mora são calculados pela taxa Selic a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Multa de Oficio. Aplicase no lançamento de ofício a multa de 75% (setenta e cinco por cento) incidente sobre o tributo apurado, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96. Lançamento Procedente O recorrente foi intimado da decisão em 16/11/2007 (fl. 150) e interpôs recurso voluntário em 17/12/2007 (fls. 158 e seguintes), no qual suscitou as seguintes teses de defesa: (a) Da incorreção dos juros e da multa aplicados; (b) Da proteção constitucional ao sigilo bancário. Sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 176DF CARF MF Processo nº 19515.000498/200390 Acórdão n.º 2402005.642 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento Farseá a apreciação do recurso voluntário, visto que interposto no prazo legal, o que não significa que será totalmente conhecido. 2 Da proteção constitucional ao sigilo bancário Em extenso arrazoado, o recorrente pede o cancelamento do débito fiscal, em função da ilegalidade da quebra de seu sigilo bancário. Equivocouse o contribuinte. O § 2º do art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF determina que as decisões de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal STF e pelo Superior Tribunal de Justiça STJ na sistemática dos arts. 543B e 543C do CPC deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos. Até pelo uso do verbo (deverão), vêse que se trata de norma cogente, de aplicação obrigatória por parte deste Conselho. A matéria recursal, reiteradamente debatida no Judiciário e neste Conselho, foi solucionada definitivamente pelo STF por ocasião do julgamento do RE 601.314, com repercussão geral, Rel. Min. Edson Fachin, tema 225, redigido nos seguintes termos: Tema 225 a) Fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001; b) Aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Como se vê, o citado tema trata exatamente da matéria suscitada pelo recorrente. Naquele recurso extraordinário, a Suprema Corte decidiu que "o art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal". Segue a ementa do julgado: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES Fl. 177DF CARF MF 6 FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento.(RE 601314, Relator(a): Min. EDSON FACHIN, Tribunal Pleno, julgado em 24/02/2016, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe198 DIVULG 15 092016 PUBLIC 16092016) Eis, ainda, o conteúdo da decisão prolatada: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto do Relator, apreciando o tema 225 da repercussão geral, conheceu do recurso e a este negou provimento, vencidos os Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. Por maioria, o Tribunal fixou, quanto ao item “a” do tema em questão, a seguinte tese: “O art. 6º da Fl. 178DF CARF MF Processo nº 19515.000498/200390 Acórdão n.º 2402005.642 S2C4T2 Fl. 5 7 Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”; e, quanto ao item “b”, a tese: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”, vencidos os Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. Ausente, justificadamente, a Ministra Cármen Lúcia. Presidiu o julgamento o Ministro Ricardo Lewandowski. Plenário, 24.02.2016. A análise do tema, da ementa e do acórdão do recurso extraordinário demonstram que o caso julgado sob o regime da repercussão geral é idêntico ao dos autos. Em sendo assim, deve ser aplicado o art. 62, § 2o, do RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343/2015, segundo o qual as decisões definitivas de mérito do STF e do STJ, na sistemática dos artigos 543B e 543C do CPC, devem ser reproduzidas pelas suas Turmas. Expressandose de outra forma, negase provimento ao recurso voluntário nesse particular. No mais, o art. 42 da Lei 9.430/1996 cria um ônus em face do contribuinte, ônus este consistente em demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira. Por outro lado, o consequente normativo resultante do descumprimento desse dever é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratandose, pois, de receitas ou rendimentos omitidos. Tal disposição legal é de cunho eminentemente probatório e afasta a possibilidade de se acatar afirmações genéricas e imprecisas. A comprovação da origem, portanto, deve ser feita de forma minimamente individualizada, a fim de permitir a mensuração e a análise da coincidência entre as origens e os valores creditados em conta bancária. O § 3º do citado artigo, ao prever que os créditos serão analisados individualizadamente, corrobora a afirmação acima e não estabelece, para o Fisco, a necessidade de comprovar o acréscimo de riqueza nova por parte do fiscalizado. A título ilustrativo, segue o texto da regra: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. Fl. 179DF CARF MF 8 §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Lei nº 9.481, de 19971) §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) O art. 4º da Lei 9.481/1997 alterou os valores a que se refere o inc. II do § 3º acima para R$ 12.000,00 e R$ 80.000,00, respectivamente. Na mesma toada, a Súmula CARF nº 612. A não comprovação da origem dos recursos viabiliza a aplicação da norma presuntiva, caracterizandoos como receitas ou rendimentos omitidos. Destarte, e de acordo com a regra legal, não é que os depósitos bancários, por si só, caracterizam disponibilidade de rendimentos, mas sim os depósitos cujas origens não foram comprovadas em processo regular de fiscalização. 1 Art. 4º Os valores a que se refere o inciso II do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passam a ser de R$ 12.000,00 (doze mil reais) e R$ 80.000,00 (oitenta mil reais), respectivamente. 2 Súmula CARF nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. Fl. 180DF CARF MF Processo nº 19515.000498/200390 Acórdão n.º 2402005.642 S2C4T2 Fl. 6 9 Expressandose de outra forma, o sujeito passivo pode comprovar, exemplificativamente, que o recurso é atinente a uma doação ou a um empréstimo, ou mesmo que são aplicáveis as hipóteses dos incs. I e II do § 3º retro mencionado. Não o fazendo, aplicase o consequentemente normativo da presunção, com a consequente constituição do crédito tributário dela decorrente. Mutatis mutandis, o verbete sumular CARF nº 26 preceitua o seguinte: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. O Superior Tribunal de Justiça reconhece a legalidade do imposto cobrado com base no art. 42, como se vê no precedente abaixo: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. ALEGAÇÕES GENÉRICAS DE OFENSA AO ART. 535 DO CPC. SÚMULA 284/STF. IMPOSTO DE RENDA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ART. 42 DA LEI 9.430/1996. LEGALIDADE. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. INCIDÊNCIA DO ART. 173, I, DO CTN. [...] 4. A jurisprudência do STJ reconhece a legalidade do lançamento do imposto de renda com base no art. 42 da Lei 9.430/1996, tendo assentado que cabe ao contribuinte o ônus de comprovar a origem dos recursos a fim de ilidir a presunção de que se trata de renda omitida (AgRg no REsp 1.467.230/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 28.10.2014; AgRg no AREsp 81.279/MG, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 21.3.2012). [...] (AgRg no AREsp 664.675/RN, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/05/2015, DJe 21/05/2015) Mais ainda, aquele Tribunal Superior vem consignando a inaplicabilidade da Súmula 182/TRF, que preconizava a ilegitimidade do imposto lançado com base em extratos bancários (EDcl no AgRg no REsp 1343926/PR, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 04/12/2012, DJe 13/12/2012 e REsp 792.812/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 13/03/2007, DJ 02/04/2007, p. 242). 3 Dos juros e da multa 3.1 DOS JUROS O recorrente se insurge contra o cálculo dos juros. Fl. 181DF CARF MF 10 No seu entender, eles devem ser computados a partir do mês de maio de 1999, e não de 1998. Todavia, e segundo se depreende do DEMONSTRATIVO DE MULTA E JUROS DE MORA de fl. 129, a fiscalização partiu do pressuposto de que o IRPF venceu em 30/04/1999, e não 1998, como equivocadamente sugerido pelo recorrente. Isto é, ainda que a DRJ, por eventual erro material, tenha consignado 30/04/1998, fato é que a autoridade lançadora considerou a data correta. A autoridade ainda citou o § 3º do art. 61 da Lei 9.430/1996, que prelciona que os juros de mora são calculados “a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo”, de forma que, iniludivelmente, não há qualquer desacerto no cálculo dos juros moratórios. Logo, negase provimento ao recurso nesse particular. Ainda quanto aos juros, o sujeito passivo argumenta que, no período de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, não há mora, defendendo, assim, a inexigibilidade da referida rubrica. Todavia, essa tese não foi ventilada na impugnação, sendo insuscetível, pois, de conhecimento em grau recursal. A impugnação da exigência, a qual deve ser formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, instaura a fase litigiosa do procedimento, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo sujeito passivo. Somente a impugnação regular é capaz de atrair o poderdever do Estado de fazer a prestação jurisdicional, dirimindo a controvérsia iniciada com o lançamento fiscal mas efetivamente instaurada com a sua (da impugnação) apresentação. Vejase, nesse sentido, os seguintes dispositivos constantes do Decreto 70.235/1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. ......................................................................................................... Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. ......................................................................................................... Art. 16. A impugnação mencionará: [...] ......................................................................................................... Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Fl. 182DF CARF MF Processo nº 19515.000498/200390 Acórdão n.º 2402005.642 S2C4T2 Fl. 7 11 ......................................................................................................... Em função da falta de impugnação, a DRJ não julgou a matéria ora suscitada, de forma que o seu conhecimento aviltaria o princípio constitucional do duplo grau de jurisdição. Destarte, não se conhece da tese segundo a qual, no período de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, não há mora, sendo inexigíveis os juros. 3.2 DA MULTA O recorrente assevera que a multa de ofício deve ser reduzida, diante dos princípios da razoabilidade, da proporcionalidade e do não confisco. Tal tese também não foi objeto da impugnação, sendo inteiramente aplicáveis as conclusões do tópico anterior. Com efeito, a impugnação se limitou a afirmar que a fiscalização teria o poder discricionário para reduzir o valor da sanção imposta, em função do princípio da equidade. Logo, não se conhece do recurso quantos aos fundamentos da razoabilidade, da proporcionalidade e do não confisco. 4 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de CONHECER PARCIALMENTE do recurso voluntário, para, na parte conhecida, NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos da fundamentação. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 183DF CARF MF
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Numero do processo: 11444.000945/2007-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2007
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.895
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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BOTTI EPP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2007 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 44 4. 00 09 45 /2 00 7- 11 Fl. 367DF CARF MF Processo nº 11444.000945/200711 Acórdão n.º 9202004.895 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10380.005876/200753. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.792, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.005876/200753, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.792): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 368DF CARF MF Processo nº 11444.000945/200711 Acórdão n.º 9202004.895 CSRFT2 Fl. 0 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 369DF CARF MF Processo nº 11444.000945/200711 Acórdão n.º 9202004.895 CSRFT2 Fl. 0 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 370DF CARF MF Processo nº 11444.000945/200711 Acórdão n.º 9202004.895 CSRFT2 Fl. 0 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 371DF CARF MF Processo nº 11444.000945/200711 Acórdão n.º 9202004.895 CSRFT2 Fl. 0 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 372DF CARF MF Processo nº 11444.000945/200711 Acórdão n.º 9202004.895 CSRFT2 Fl. 0 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 373DF CARF MF Processo nº 11444.000945/200711 Acórdão n.º 9202004.895 CSRFT2 Fl. 0 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 374DF CARF MF Processo nº 11444.000945/200711 Acórdão n.º 9202004.895 CSRFT2 Fl. 0 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 375DF CARF MF Processo nº 11444.000945/200711 Acórdão n.º 9202004.895 CSRFT2 Fl. 0 10 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 376DF CARF MF
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