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Numero do processo: 19515.003012/2007-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: MULTA PELO ATRASO NA ENTREGA DA DCTF - OBRIGAÇÃO LEGAL - A multa pelo atraso na entrega da DCTF está disposta na Lei e por isso não deve ser afastada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1302-000.986
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Camara / 2ª turma ordinária da primeira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que deste formam parte integrante.
Nome do relator: LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA
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Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3' Camara / 2 a turma ordinária da primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que deste formam parte integrante. rulz7TaLde Matosinho Machado Presidente ma'Moraes de Almeida Nogueira Junqueira at/ora EDITADO EM: joéija633. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (presidente), Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira (vice-presidente), Eduardo de Andrade, Paulo Roberto Cortez, Márcio Rodrigo Frizzo, Andrada Márcio Canuto Natal. Processo n° 19515.003012/2007-07 SI-C3T2 Acórchlo n.° 1302-00.986 Fl. 114 Relatório A autoridade fiscal efetuou em 08/10/2007 lançamento de multa por atraso na entrega das DCTF relativas ao 1 0. a 4°. trimestres de 2002, que só foram entregues pela Recorrente em 24/08/2007. A multa de R$ 1.025.581,68 foi lavrada em 20% dos tributos devidos e declarados. Citada em 10/10/2007 a interessada impugnou o lançamento em 12/11/2007, alegando que a obrigação de entrega da DCTF não foi criada por Lei, mas sim por ato do poder executivo. Considerando a reserva legal da matéria, tal exigência é ilegal, assim corno o é a aplicação de multa pelo atraso na entrega da DCTF. Por ferir o principio da legalidade, da indelegabilidade da competência tributária e da separação de poderes, a exigência tributária ora discutida é inconstitucional. Mais ainda, o lançamento da multa baseia-se na Lei 10.426/02, vigente a partir de 24 de abril de 2002, logo, tal multa não poderia retroagir para alcançar o atraso na entrega da DCTF do primeiro trimestre de 2002. Mais ainda, a impugnante não foi citada para apresentação da DCTF, o que permitiria a redução da multa conforme artigo 7, parágrafo 2, inciso II da mesma Lei. Por último, a multa exigida em percentual do tributo declarado é incompatível com o principio da individualização da pena, com o principio da capacidade contributiva, é desproporcional e pouco razoável, e é confiscatória. Assim, solicitou a interessada o cancelamento do lançamento fiscal. Em 09/08/2010 a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de são Paulo I (DRJ), julgando em parte procedente o lançamento fiscal. Entendeu a DRJ que a multa é devida, pois houve atraso na entrega da DCTF. A entrega da DCTF tem sua base legal no artigo 113 do Código Tributário Nacional. A multa é exigida pela Medida Provisória 16/01 convertida na Lei 10.426/02 e no mais a autoridade administrativa não é competente para apreciar questões de inconstitucionalidade da lei. Por outro lado, como a interessada apresentou a DCTF espontaneamente antes de tomar ciência do inicio de qualquer ação fiscal cabe reduzir a multa pela metade. Ciente da decisão em 16/02/2011, a recorrente apresentou sua defesa em 23/02/2011. Em seu recurso, a interessada reafirma as razões de sua impugnação e esclarece que o julgador administrativo não so pode como deve deliberar sobre a ilegalidade e inconstitucionalidade da lei, sob pena de supressão de instancia. Protesta pela falta de proporcionalidade e razoabilidade da multa mantida pela DRJ na ordem de R$ 500 mil. Assim, pede a reforma da decisão de primeira instancia e o cancelamento e arquivamento do lançamento fiscal. É o relatório. Voto Conselheira Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Relatora 0 recurso voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento. Processo n° 19515.003012/2007-07 SI-C3T2 Acórddo n.° 1302-00.986 Fl. 115 Nos termos do Regimento deste Conselho, não nos cabe afastar a aplicação de Lei sobre o argumento de inconstitucionalidade. A DCTF consiste em obrigação acessória que tem base legal no artigo 113 do Código Tributário Nacional, podendo ser regulada pela autoridade administrativa. A multa pelo atraso na entrega da DCTF é sanção exigida pela Medida Provisória 16/01, convertida na Lei 10.426/02. Cabe a esta autoridade aplicar a lei. A entrega espontânea da DCTF logrou à contribuinte uma redução da multa de 20% para 10% do valor do tributo, ou seja, uma redução de 50% no valor da multa. 0 percentual, além de ser definido expressamente por Lei, parece-me razoável por isso não o enxergo como confiscatório. A sanção pelo atraso na entrega da DCTF cumpre um bem maior a ser preservado, pois é essencial para a proteção da arrecadação tributária por meio dos tributos por homologação e para a justiça social, privilegiando o bom contribuinte que entrega suas declarações em dia ao penalizar o atraso. Nesses termos, nego provimento ao recurso voluntário. raes de Almeida Nogueira Junqueira
score : 1.0
Numero do processo: 11052.720005/2014-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009, 2010
RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO. COMPROVAÇÃO. UNIVERSALIDADE DOS BENS. INOCORRÊNCIA.
A falta de comprovação da responsabilidade por sucessão torna a assunção de despesas de terceiros indedutíveis.
DESPESAS NÃO COMPROVADAS. GLOSA.
Devem ser glosadas as despesas não comprovadas no curso da ação fiscal.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. SÚMULA CARF nº 108
Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
Numero da decisão: 1302-003.094
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Lucia Miceli - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique da Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flavio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: MARIA LUCIA MICELI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009, 2010 RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO. COMPROVAÇÃO. UNIVERSALIDADE DOS BENS. INOCORRÊNCIA. A falta de comprovação da responsabilidade por sucessão torna a assunção de despesas de terceiros indedutíveis. DESPESAS NÃO COMPROVADAS. GLOSA. Devem ser glosadas as despesas não comprovadas no curso da ação fiscal. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. SÚMULA CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1548; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 4.052 1 4.051 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11052.720005/201477 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302003.094 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 19 de setembro de 2018 Matéria GLOSA DE DESPESAS. Recorrente CHEVRON BRASIL LUBRIFICANTE LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010 RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO. COMPROVAÇÃO. UNIVERSALIDADE DOS BENS. INOCORRÊNCIA. A falta de comprovação da responsabilidade por sucessão torna a assunção de despesas de terceiros indedutíveis. DESPESAS NÃO COMPROVADAS. GLOSA. Devem ser glosadas as despesas não comprovadas no curso da ação fiscal. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. SÚMULA CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto da relatora. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Maria Lucia Miceli Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 2. 72 00 05 /2 01 4- 77 Fl. 4052DF CARF MF 2 Henrique da Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flavio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório Trata o presente processo de exigência fiscal formulada contra a recorrente acima identificada, para cobrança dos seguintes créditos tributários relativos aos anos calendário de 2009 e 2010, todos acrescidos de multa de ofício no percentual de 75% e de juros de mora. Tributo Valor IRPJ R$ 12.170.511,42 CSLL R$ 4.381.384,11 De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, o lançamento decorre da glosa das seguintes despesas: 1) Despesas não comprovadas => mesmo intimada, a recorrente não apresentou documentação idônea para respaldar as despesas abaixo discriminadas: Item Data Conta Descrição Valor R$ 1 31/12/10 725838070AD DO OUTRAS DIVERSAS 232.497,18 2 08/12/10 708502228DI DO COMIS VEND CLIENT EXCCIAS AUTO 267.426,97 3 30/11/09 725838070AD DO OUTRAS DIVERSAS 203.892,99 4 31/10/10 725838070AD DO OUTRAS DIVERSAS 199.390,47 5 28/02/10 725838070AD DO OUTRAS DIVERSAS 195.903,88 6 29/12/10 701702123FA67 DO CARRETOS 26.354,65 7 03/11/10 705402123FA68 DO FRETE TRANSFERÊN CIA LUBRIFICANTE 19.076,13 TOTAL 1.144.542,27 Fundamentação Legal: artigos 251 e 264 do RIR/99 2) Despesas não necessárias => glosa de despesas com quitação de dois Autos de Infração de ICMS lavrados pelo Fisco do Estado do Rio de Janeiro contra a Texaco do Brasil S/A Produtos de Petróleo, CNPJ 33.337.122/000127, nos valores de R$ 12.384.307,18 e R$ 24.557.880,00, e ainda as despesas relativas ao pagamento de custas judiciais e de fianças bancárias decorrentes dos processos judiciais em questão, abaixo discriminados: Item Data Descrição Valor (R$) 1 28/09/09 DO BANCARIAS FIANCAS 1.120.874,98 2 31/03/10 DO BANCARIAS FIANCAS 551.250,00 3 27/04/10 TRIBUTOS PAGOS EM AUTO DE INFRAÇÃO 12.384.307,18 4 27/04/10 DO SERV CONT AREA FISCAL 736.736,40 5 27/04/10 DO SERV CONT AREA FISCAL 371.529,21 6 30/04/10 TRIBUTOS PAGOS EM AUTO DE INFRAÇÃO 24.557.880,00 7 30/04/10 DO SERV CONT AREA FISCAL 6.161.175,60 8 30/06/10 DO BANCARIAS FIANCAS 551.250,00 9 30/09/10 DO BANCARIAS FIANCAS 551.250,00 10 29/12/10 DO BANCARIAS FIANCAS 551.250,00 TOTAL 47.537.503,37 Após analisar as alterações societárias que ocorreram com a Texaco do Brasil S/A Produtos de Petróleo e demais empresas do grupo, o auditor fiscal concluiu que as despesas com os Autos de Infração de ICMS são completamente estranhas a recorrente, que Fl. 4053DF CARF MF Processo nº 11052.720005/201477 Acórdão n.º 1302003.094 S1C3T2 Fl. 4.053 3 nunca praticou ou teve relação direta ou indireta com nenhum dos atos ali penalizados pelo fisco Estadual. Portanto, as despesas são indedutíveis por se caracterizarem como mera liberalidade, não se revestindo das características de necessárias, usuais ou normais para as transações ou operações da empresa. Ratifica essa conclusão a decisão do STF, em sede de Recurso Extraordinário, impedindo a recorrente de ser parte no processo judicial. Ademais, as autuações derivam de ato ilícito praticado pela empresa, sendo certo, que parte dos lançamentos tributários se refere à multa de ofício, com caráter punitivo pela prática de tal ato e, conforme vem sinalizando a RFB, tais penalidades seriam indedutíveis, pois não são necessárias a atividade da empresa. Fundamentação Legal: artigo 299 do RIR. A impugnação foi apresentada tempestivamente, e a autoridade julgadora a quo determinou diligência para que intimar a autuada a: 1) Comprovar que os autos de infração lavrados pelo fisco estadual dizem respeito exclusivamente à atividade de produção de lubrificantes explorada, depois da cisão, por Chevron Brasil Lubrificantes LTDA e; 2) Demonstrar que essas mesmas obrigações foram, de fato, transferidas para o patrimônio de Chevron Brasil Lubrificantes LTDA. O auditor fiscal que procedeu à diligência elaborou relatório de fls. 3395/3397, com as seguintes conclusões: Os autos de infração do ICMS não dizem respeito exclusivamente a produção de lubrificantes, vez que parte dos itens era mercadoria destinada à revenda, conforme relatório da autuação de infração. Ademais, não se pode afirmar que houve completa transferência da operação envolvendo lubrificantes, pois os imóveis onde se situavam os estabelecimentos autuados pelo ICMS não foram transferidos a AUTUADA. As obrigações relacionadas às autuações do ICMS não foram contabilmente transferidas à sociedade, como pode ser comprovado pelos Laudos de avaliação constantes das alterações contratuais analisadas e pelo Balanço apresentado. A autuada apresentou manifestação em face ao Relatório de Diligência, com as seguintes observações: em que pese os autos de infração do ICMS, cujas despesas foram objeto de glosa pela autuação combatida neste PAF, envolverem venda e revenda de lubrificantes, não desnatura o caráter operacional à impugnante da correspondente despesa, eis que, como visto, dentre suas atividades sociais, consta não apenas a fabricação, como também a comercialização de lubrificantes. os documentos anexados neste PAF comprovam à exaustão que todo negócio de lubrificantes passivos e ativos migraram da Chevron Brasil LTDA para a impugnante; e Fl. 4054DF CARF MF 4 as obrigações relacionadas aos débitos do ICMS relacionadas ao negócio de lubrificantes, por representarem passivos da referida atividade, foram sim transferidas da Chevron Brasil Ltda para a impugnante e o fato de não estarem segregadas/individualizadas nos registros contábeis em nada desdiz a afirmação, pois, como esclarecido, pela técnica contábil, apenas as contingências tributárias classificadas como perda provável é que devem estar provisionadas na contabilidade da empresa. Em sessão do dia 04 de setembro de 2017, a 1ª Turma de Julgamento da DRJ/Curitiba prolatou Acórdão nº 0660.215, julgando procedente em parte a impugnação, com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010 DESPESAS NÃO COMPROVADAS. MÁFÉ DA SOCIEDADE EMPRESÁRIA. A sociedade empresária agiu de máfé no curso da ação fiscal subtraindo à Autoridade Fiscal a quo a oportunidade de apreciar documentos somente apresentados em sede de impugnação. DADOS VS. INFORMAÇÃO O fato de haver apresentado dados em profusão apresentados em resposta a diversas intimações expedidas pela Autoridade Fiscal não exonera a contribuinte de prestar informações, pois essas não se confundem com aqueles; a informações é o dado tratado segundo algum critério lógico e compartilhável, o que não se verificou no caso em tela. DESPESA ORGINADA DE LANÇAMENTO DE TRIBUTO ESTADUAL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA VS. RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO Documento trazido ao conhecimento pela impugnante demonstra que o vínculo por ela mantido com a sociedade sobre a qual recaiu originalmente o ICMS constituído pelo Estado do Rio de Janeiro era de responsabilidade solidariedade e não por sucessão. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA NATUREZA DE PARTE DOS LANÇAMENTOS EFETUADOS PELO FISCO ESTADUAL. A impugnante não se desincumbiu da obrigação de comprovar que os lançamentos constituídos pela Autoridade Fiscal Estadual diziam respeito à sua atividade precípua de produção e distribuição de lubrificantes. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Dada a determinação legal que não pode ser afastada por Autoridades Administrativa art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430, de Fl. 4055DF CARF MF Processo nº 11052.720005/201477 Acórdão n.º 1302003.094 S1C3T2 Fl. 4.054 5 1996 incidem juros à taxa Selic sobre as multas de ofício. Os débitos relativos às multas de ofício, quando não recolhidos no prazo legal, sujeitamse à incidência de juros de mora. A decisão de primeira instância, com relação à primeira infração, considerou comprovadas as seguintes despesas: Data Descrição Classificação trazida na impugnação Comprovado 08/12/2010 DO COMIS VEND CLIENT EXCCIAS AUTO Comissões de vendas 267.426,97 29/12/2010 DO CARRETOS Fretes 26.354,65 03/11/2010 DO FRETE TRANSFERÊN CIA LUBRIFICANTE Fretes 19.076,13 TOTAL 312.857,75 Com relação à segunda infração, despesas desnecessárias, foram consignadas as seguintes razões de decidir, que mantiveram o lançamento na totalidade: 1) As despesas se referem a três Autos de Infração de ICMS lançados pela Fiscalização do Rio de Janeiro em face a Texaco do Brasil S/A Produtos de Petróleo, CNPJ 33.337.122/000127, conforme tabela seguir, onde constam os valores desembolsados: Auto de Infração Valor Corrigido (Princ. + Enc.) em R$ Motivo Data Ref. Imóvel Item do AI 01.05008901 Indiferente para o feito, porque os gastos relacionados a esse AI se resumem a fianças bancárias. Ausência de Recolhimento do ICMS por estornos de créditos de insumos usados na fabricação de lubrificantes 17/12/1997 R. Silésia 3501 Duque de Caxias RJ 01.0021772 12.384.307,18 + 371.529,21 Não retenção de ICMS sujeito à substituição tributária 24/11/1995 R. Pres. Antônio Carlos 325 Rio de Janeiro RJ 3 e 5 639674 24.577.880,00 + 736.736,40 Ausência de estorno do crédito na retirada da mercadoria industrializada 04/06/1992 Av. Rio de Janeiro 901 Rio de Janeiro RJ 6 e 4 639674 6.161.175,60 Honorários Advocatícios 7 2) Os itens 1, 2, 8, 9 e 10 se referem às fianças bancárias dos Autos de Infração nº 01.05008901 e 01.0021772, conforme tabela a seguir: Auto de Infração Fiança Processo Judicial Data Valor Item do AI 01.05008901 2.004.9146 2002.001.0957501 11/09/2009 492.916,66 01.05008901 2.004.9146 2002.001.0957501 11/09/2009 498.333,33 01.0021772 2.008.4677 2003.021.0088352 11/09/2009 64.458,33 01.0021772 2.008.4677 2003.021.0088352 11/09/2009 65.166,66 Total 1.120.874,98 1 01.05008901 2.004.9146 2002.001.0957501 29/03/2010 487.500,00 01.0021772 2.008.4677 2003.021.0088352 29/03/2010 63.750,00 Total 551.250,00 2 Fl. 4056DF CARF MF 6 01.05008901 2.004.9146 2002.001.0957501 22/06/2010 487.500,00 01.0021772 2.008.4677 2003.021.0088352 22/06/2010 63.750,00 Total 551.250,00 8 01.05008901 2.004.9146 2002.001.0957501 27/09/2010 487.500,00 01.0021772 2.008.4677 2003.021.0088352 27/09/2010 63.750,00 Total 551.250,00 9 01.05008901 2.004.9146 2002.001.0957501 24/12/2010 487.500,00 01.0021772 2.008.4677 2003.021.0088352 24/12/2010 63.750,00 Total 551.250,00 10 3) Houve a análise de cada auto de infração de ICMS, da qual chegouse às seguintes conclusões: 3.1) Auto de Infração nº 01.05008901 Restaram comprovados que (1) o lançamento está relacionado à atividade da autuada, ou seja, fabricação e distribuição de lubrificantes, e (2) ela recebeu o imóvel situado à Rua Silésia nº 3501 Duque de Caxias em função da reorganização societária. Entretanto, consta Parecer proferido em 29/01/2014, pela ProcuradoriaGeral do Estado do Rio de JaneiroRJ, no qual é reconhecida a responsabilidade solidária da autuada, nos termos do artigo 121 do CTN. Neste sentido, ainda há decisão do STF, em sede de Recurso Extraordinário, negando que a autuada assumisse o pólo passivo da execução fiscal. Concluise, portanto, que os gastos não constituem despesas da autuada, porque não são necessários ou normais nos termos do artigo 299, §§ 1º e 2º do RIR/99, bem como, eventualmente, na qualidade de solidária, estes valores podem ser recuperados do contribuinte de fato e de direito. 3.2) Auto de Infração nº 01.0021772 A autuada não comprovou que a autuação é relativa à sua atividade de fabricação ou distribuição de lubrificantes, motivo pelo qual mantém a glosa. 3.3) Auto de Infração nº 639674 O mesmo motivo do lançamento anterior, além de apresentar diversos demonstrativo incapazes de associar o lançamento fiscal do ICMS aos registros contábeis com os respectivos documentos comprobatórios, sendo mantida a glosa. A ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 12/09/2017, conforme Termo de Ciência por Abertura de Documento, fls. 3.898. O recurso voluntário foi apresentado em 11/10/2017, de fls. 3.901/3.972, com as seguintes alegações: Da descabida Acusação Imputada no Acórdão Recorrido. Fl. 4057DF CARF MF Processo nº 11052.720005/201477 Acórdão n.º 1302003.094 S1C3T2 Fl. 4.055 7 refuta veementemente os dois primeiros itens da ementa da decisão, que acusa a recorrente de máfé, ao afirmar que não teria apresentado todos os documentos no curso da ação fiscal e alegar que teria anexado documentos em profusão sem a devida explicação. faz questão de firmar seu posicionamento de que sempre atuou de boafé e colaborou incessantemente com o bom andamento do presente caso, respondendo a todas as intimações que recebeu, bem como anexando documentação durante a ação fiscal, conforme fls. 39/1.781, além de apresentar em mídias digitais e emails, o que evidencia a existência de tratamento urbano e cordial entre os agentes fiscais da Receita Federal e os prepostos da recorrente. o único propósito para a inclusão dos dois primeiros itens na ementa da decisão recorrida é constranger o CARF na análise dos documentos carreados pela recorrente neste processo, os quais comprovam o desacerto dos autos de infração lavrados pelo Fisco. afirma que não agiu de máfé ou mesmo dificultou o trabalho da fiscalização, devendo essas descabidas e despropositadas alegações contidas no acórdão serem desconsideradas. Da glosa de despesas Não Necessárias. as despesas estão diretamente relacionados aos gastos incorridos pela recorrente envolvendo os Autos de Infração nº 01.05008901, 01.0021772 e 639674, todos lavrados pelo Fisco do Estado do Rio de Janeiro. a recorrente comprovou que assumiu e escriturou as despesas relacionadas aos aludidos autos de infração, porquanto eles estão relacionados ao negócio de lubrificantes que lhe foi transferido integralmente pela sociedade inscrita no CNP nº 33.337.122/000127, que à época se chamava Chevron Brasil LTDA. por esta razão, e como demonstrado, todos os direitos e obrigações envolvendo o negócio de lubrificantes passaram a ser responsabilidade exclusiva da ora recorrente, por força do artigo 133, inciso I do CTN, conforme atestam os instrumentos societários acostados no processo. a reorganização do Grupo Chevron se deu nas seguintes etapas: · a Texaco Brasil S.A. Produtos de Petróleo, CNPJ. 33.337.122/000127, a partir de 2002, passou a se chamar Chevron Brasil LTDA. · em 2008, o Grupo Chevron iniciou processo de reorganização societária para segregar as atividades de (i) distribuição de combustíveis e (ii) fabricação de lubrificantes, pois pretendia se desfazer do primeiro (i). · a Chevron Brasil transferiu o negócio de lubrificantes para à recorrente Chevron Brasil Lubrificantes LTDA sociedade já constituída da qual a Chevron Brasil era acionista, de maneira Fl. 4058DF CARF MF 8 que a recorrente passou a se dedicar única e exclusivamente ao negócio de lubrificantes. · em decorrência da transferência do fundo de comércio relacionado ao negócio de lubrificantes da Chevron Brasil para a Chevron Lubrificantes, realizado através de Aumento de Capital, nos termos do artigo 1.081 do Código Civil, é certo que a recorrente passou a deter exclusivamente direitos e obrigações relacionadas estritamente ao negócio de distribuição de combustíveis. · a documentação apresentada é o bastante para evidenciar a transferência jurídica do negócio de lubrificantes (direitos e obrigações) da Chevron Brasil (outrora Texaco) para a recorrente, sendo certo que essa transferência implicou na transmissão dos ativos e passivos relacionados ao negócio de lubrificantes. sobre questionamentos levantados no relatório de diligência envolvendo dois estabelecimentos que tratavam do negócio de lubrificantes e que não teriam sido incorporados pela Chevron Lubrificantes na reorganização societária, a recorrente esclareceu que, efetivamente, sob o aspecto societário, tais estabelecimentos permaneceram com a Chevron Brasil por questões meramente burocráticas, mas esse fato, em nenhum momento, poderia indicar que as operações de lubrificantes não teriam sido integralmente assumidas pela recorrente. na reorganização societária, abriu nova filial no mesmo endereço da então filial localizada na Av. Rio de Janeiro, 901, São Cristóvão, Rio de Janeiro RJ. com relação ao estabelecimento situado à Rua Presidente Antônio Carlos, 325, Campos Elíseos, Duque de Caxias, RJ, a recorrente esclareceu que optou por não reabri lo. com base nos documentos acostados, não restam dúvidas de que: (1) a Recorrente recebeu todos os ativos e passivos do negócio de lubrificantes então desenvolvidos pela Chevron Brasil;e (2) a Recorrente registrou em sua contabilidade os ativos e os passivos, inclusive aqueles relacionados às contingências tributárias, que lhe foram vertidos; desta forma, os Autos de Infração do ICMS são inequívocas despesas operacionais da recorrente e, como tal, passíveis de serem dedutíveis para fins de IRPJ e CSLL, pois, além de se referirem ao negócio de lubrificantes, encontravamse lançadas em seu registros contábeis. a recorrente demonstrou que todas as conclusões da diligência não prosperavam, visto que: • em que pese os autos de infração do ICMS envolverem venda e revenda de lubrificantes não desnatura o caráter operacional da correspondente despesa, eis que dentre suas atividades sociais consta a comercialização de lubrificantes; • os documentos comprovam que todo o negócio de lubrificantes passivos e ativos migraram da Chevron Brasil Ltda para a recorrente; Fl. 4059DF CARF MF Processo nº 11052.720005/201477 Acórdão n.º 1302003.094 S1C3T2 Fl. 4.056 9 • as obrigações relacionadas aos débitos do ICMS relacionadas ao negócio de lubrificantes, por representarem passivos da referida atividade, foram transferidas da Chevron Brasil Ltda para a Recorrente e o fato de não estarem segregadas/individualizadas nos registros contábeis em nada desdiz a afirmação, pois, como esclarecido, pela técnica contábil, apenas contingências tributárias classificadas como perda provável é que devem estar provisionadas na contabilidade das empresas. o acórdão ora recorrido se apegou a questões formais para manter a glosa envolvendo o Auto de Infração n° 01.05008900 e não valorou corretamente o extenso conjunto fático probatório para manter as glosas dos Autos de Infração 01.0021772 e 639674. o acórdão recorrido confundiu institutos processuais de casos judiciais envolvendo a Ipiranga e a Chevron Lubrificantes, ora recorrente, para afirmar que a assunção das despesas envolvendo o Auto de Infração n° 01.5008901 teria sido mera liberalidade sendo, pois, indedutíveis, já que, ao assumir o negócio de lubrificantes, a recorrente ostentaria apenas a condição de responsável frente ao crédito tributário, e não de contribuinte. no que se refere às despesas expendidas referentes aos Autos de Infração 01.0021772 e 639674, o acórdão ora recorrido manteve as glosas sob o argumento de que a recorrente não teria conseguido demonstrar que essas autuações estariam relacionadas ao negócio de lubrificantes por ela assumido. todos os documentos acostados pela recorrente conduzem à certeira conclusão de que os Autos de Infração nos. 01.0021772 e 639674 estão intrinsecamente ligados à atividade de lubrificantes. O Equívoco Incorrido pelo Acórdão ao Considerar Indedutíveis as despesas incorridas pela Recorrente envolvendo o Auto de Infração n° 01.5008901 a decisão recorrida concorda que o aludido Auto de Infração está relacionado ao negócio de lubrificantes que foi assumido pela recorrente, mas que figura na condição de mera responsável, e não de contribuinte, não reconhecendo as despesas como dedutíveis. a decisão se baseia em documentos nos quais a recorrente vem solicitando o seu ingresso no pólo passivo de processos que cobram débitos tributários relacionados ao negócio de lubrificantes que lhe foram transferidos pela então Chevron Brasil. ao analisar o documento, o ProcuradorChefe da Procuradoria da Dívida Ativa do Rio de Janeiro atesta que a situação da recorrente se enquadra na hipótese do caput do artigo 133 do CTN, configurando a solidariedade entre as empresas Chevron Brasil (Ipiranga) e a recorrente. o parecer optou por incluir a recorrente no pólo passivo das cobranças com base na solidariedade, entretanto não especificou ou indicou, em nenhum momento, o fundamento legal para esse enquadramento e nem mesmo assentou qual empresa (Chevron Brasil ou Chevron Lubrificantes) ficaria na condição de contribuinte e na condição de responsável. aplicando a regra do artigo 133 do CTN, não há dúvidas que a recorrente responde integralmente pelos tributos relativos ao fundo ou estabelecimento adquiridos, Fl. 4060DF CARF MF 10 devidos até a data do ato, assumindo a condição de contribuinte no lugar da Chevron Brasil (Ipiranga). ao realizar uma interpretação própria do parecer, o acórdão recorrido tirou conclusões totalmente equivocadas quanto à condição da Recorrente em relação ao débito oriundo do Auto de Infração n° 01.5008901. tampouco se sustenta a alusão feita à decisão proferida pelo Ministro Marco Aurélio nos autos do Recurso Extraordinário n° 199.147RJ, quando a recorrente foi admitida como assistente da Ipiranga, ao invés de substituíla naquele processo, pois o pedido feito buscava a aplicação de uma regra processual restrita que autoriza a substituição de uma parte por outra no curso da demanda. o Ministro Marco Aurélio se limitou a observar as regras processuais então vigentes para o julgamento daquele caso, não podendo haver confusão entre o instituto da sucessão empresarial com o pedido de substituição de partes no curso de uma ação judicial, pois são institutos divergentes e independentes, já que a primeira pode ser reconhecida administrativamente, de oficio. não se pode desvirtuar a boafé da recorrente em peticionar no referido Recurso Extraordinário requerendo a substituição processual ou seu ingresso como assistente da então Chevron Brasil (hoje, Ipiranga) para, diante do indeferimento, atestar que esta não ostentaria condição de contribuinte do crédito tributário discutido naquele caso. o Estado do Rio de Janeiro, naquele caso específico, discordou do pedido de substituição processual, eis que ainda não estaria seguro da plena responsabilidade da ora Recorrente pelos débitos tributários da então denominada Chevron Brasil Ltda., atual Ipiranga de Produtos de Petróleo S/A, pois sua venda para o Grupo Ultra havia acabado de se concretizar (março de 2009). já no parecer proferido em setembro de 2014, o ProcuradorChefe da Procuradoria da Dívida Ativa do Estado do Rio de Janeiro, após uma análise mais acurada do assunto administrativamente, afirma que o enquadramento seria na hipótese prevista no artigo 133 do CTN. a menção no acórdão ora recorrido da decisão proferida pelo Ministro Marco Aurélio em meados de 2009 não pode servir como parâmetro para dizer que a recorrente não figura na condição de contribuinte de direito das dívidas tributárias envolvendo o negócio de lubrificantes, especialmente quando se nota que, naquele caso, a análise era essencialmente processual e que já há manifestação posterior da Procuradoria do Estado do Rio de Janeiro reconhecendo, com serenidade, o enquadramento dessas operações nas hipóteses prevista no caput do art. 133 do CTN. é a própria Recorrente, após a reorganização societária, que assume todos os ônus decorrentes do Auto de Infração no 01.05008900, pois, em sua relação com a Ipiranga Produtos de Petróleo S/A, não existem quaisquer dúvidas de que esses débitos são de inteira responsabilidade da Recorrente. a transferência do fundo de comércio de lubrificantes da então Chevron Brasil (atual Ipiranga) para a recorrente implicou na transferência e consequente sucessão, pela recorrente, de todos os direitos e obrigações no desempenho da referida atividade com lubrificantes, de maneira que a expressão "a qualquer título" presente no artigo 133 do Código Tributário Nacional engloba todo e qualquer tipo de aquisição ou transferência. Fl. 4061DF CARF MF Processo nº 11052.720005/201477 Acórdão n.º 1302003.094 S1C3T2 Fl. 4.057 11 não se pode manter o entendimento de que as despesas incorridas envolvendo o Auto de Infração n° 01.5008901 tratarseiam de mera liberalidade da Recorrente, porquanto todos os inúmeros documentos acostados neste processo bem confirmam que a recorrente é, de fato, a contribuinte de direito do referido débito em sucessão à sociedade empresária inscrita no CNPJ sob o n° 33.337.122/000127, atualmente denominada Ipiranga Produtos de Petróleo S/A, ex vi do art. 133, I, do CTN. Da Necessidade de Reforma do Acórdão ao Considerar Indedutiveis as Despesas Incorridas pela Recorrente envolvendo os Autos de Infração nºs. 01.0021772 e 639674 a decisão recorrida manteve as glosas das despesas lançadas envolvendo os Autos de Infração nº 01.0021772 e 639674, sob o fundamento de que não teria havido a demonstração de que tais autuações estejam exclusivamente relacionadas à atividade da recorrente. a DRJ deixou de se manifestar sobre diversos documentos que bem demonstram que há nítida vinculação entre essa cobranças e as atividades envolvendo o negócio de lubrificantes assumido pela recorrente. o Auto de Infração nº 01.0021772 foi lavrado em 1995 contra a então Texaco, objetivando cobrança de ICMS decorrente da suposta não retenção do referido tributo sobre as operações realizadas com lubrificantes, sendo possível identificar esse fato pela análise das Notas Fiscais que foram objeto de autuação. as referidas notas fiscais abarcam os anos de 1991, 1992, 1993 e 1994 todo o período autuado pelo Fisco Estadual e em todas elas é possível identificar claramente que envolvem operações com lubrificantes classificados na TIPI vigente à época com o código 2710.000202 referente à óleos lubrificantes embalados. é possível notar que a ora Recorrente apresentou a inicial da Execução Fiscal n° 2003.021.0088352 (CNJ n° 000872945.2003.8.19.0021) e a respectiva certidão de dívida ativa (fls. 2.230/2.232), em que o Estado do Rio de Janeiro buscou satisfazer o débito oriundo do aludido Auto de Infração, o qual foi inscrito na dívida ativa sob o n° 2003/000.634 8. no sítio eletrônico do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro é possível confirmar o vínculo entre o débito exeqüendo e a supracitada Execução Fiscal, bem como a existência de Embargos à Execução, autuados sob o n° 2004.021.0004869 (CNJ n° 0000500 62.2004.8.19.0021). a recorrente quitou os débitos, sendo proferida sentença de extinção nos Embargos à Execução, no qual restou consignado tratarse de Embargos à Execução opostos por TEXACO BRASIL LTDA em face da Fazenda Estadual, alegando ser improcedente a cobrança de ICMS/Substituição tributária nas operações com graxas e lubrificantes destinadas a revendedores e atacadistas, por vedação expressa na Resolução SEF nº 1.724/90. os documentos comprovam que a recorrente incorreu em despesas relativas aos custos do pagamento da CDA nº 2003.000.6348 (Auto de Infração nº 01.0021772) e o fez por força da responsabilidade legal pelos direitos e obrigações da então Texaco Brasil, no que se refere ao negócio de lubrificantes que lhe fora transferido. Fl. 4062DF CARF MF 12 absoluta pertinência entre a autuação lavrada em 1995 contra a Texaco em razão do exercício da atividade relacionada ao fabrico de lubrificantes e o pagamento desses débitos pela Recorrente, que "herdou" por responsabilidade tributária os direitos e obrigações do negócio de lubrificantes antes detido pela Texaco/Chevron Brasil, ex vi do artigo 133, I, do Código Tributário Nacional. o Auto de Infração nº 639.674 também está relacionado ao negócio de lubrificantes, conforme atestam os documentos de fls. 2.242/2.515. as cópias da petição inicial e da sentença da Ação Anulatória n° 4.620, bem como a cópia da sentença dos Embargos à Execução n° 2.95.0076349, são claras quanto à natureza do débito em discussão, demonstrando que se refere a ICMS devido em decorrência da atividade relacionada a lubrificantes. a recorrente quitou integralmente o valor do débito consubstanciado na CDA nº 930139964975 (Auto de Infração nº 639674), bem como todos os consectários legais, por força da responsabilidade legal pelos direitos e obrigações da então Texaco/Chevron Brasil, no que se refere ao negócio de lubrificantes. daí a absoluta pertinência entre a autuação lavrada em 1992 contra a Texaco em razão do exercício da atividade relacionada ao fabrico de lubrificantes e o pagamento desses débitos efetuado pela Recorrente, que "herdou" por responsabilidade tributária os passivos decorrentes do negócio de lubrificantes da então Texaco/Chevron Brasil, ex vi do artigo 133, I, do Código Tributário Nacional. também foi obrigada ao pagamento de honorários de advocatícios por restar vencida nos autos dos Embargos à Execução nº 2.95.0076349 e nos autos da Ação Anulatória nº 4.620, no valor de R$ 6.161.175,60. por todo exposto acima, afigurase absolutamente correta e legal a dedução das despesas em questão pela Recorrente para fins de apuração do lucro real no ano de 2010, não havendo como se sustentar minimamente o fundamento levantado no acórdão ora recorrido de que não haveria provas de que essas autuações estariam vinculadas às atividades de lubrificantes. Da Glosa de Despesas Não Comprovadas a) do Item 1 despesa de reclassificação entre contas de despesa essa glosa de R$ 232.497,18 se relaciona a ajuste feito da seguinte contabilização em 31/12/2010, débito em conta de despesas diversas nº 725838 e crédito em conta de ativo OPEB nº 701270, diferença entre o valor atribuído ao citado ativo e o seu resultado. este valor não figurou como adição/exclusão para fins do cálculo do IRPJ e da CSLL, não tendo a Recorrente considerado tais despesas como dedutíveis. todas as informações estão no SPED, sendo que a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material dos fatos, com solicitação de documentos que entender necessários. b) dos itens 3, 4 e 5 Royalties. Fl. 4063DF CARF MF Processo nº 11052.720005/201477 Acórdão n.º 1302003.094 S1C3T2 Fl. 4.058 13 as despesas indicadas nos itens 3, 4 e 5 da tabela trazida no início deste tópico correspondem a valores incorridos pela recorrente a título de reembolso de despesas para Chevron Products Company ("CPC"), relativos à cessão de direitos comerciais pela Nippon Oil Corporation ("Nippon") à recorrente. a Nippon, na qualidade de detentora de direitos comerciais para o fabrico e comercialização de lubrificantes com as especificidades determinadas pelas montadoras Honda e Yamaha, firma avenças com algumas empresas, a exemplo do Grupo Chevron, para que este produza e comercialize os lubrificantes a serem utilizados pela Honda e pela Yamaha em seus automóveis e motocicletas. ao ceder tal direito de produção dos lubrificantes ao grupo Chevron, a Nippon faz jus ao recebimento de royalties. no contrato firmado entre a Nippon e a CPC, a Nippon prestará serviços, com transferência de tecnologia, às empresas do Grupo Chevron e emitirá as respectivas faturas à CPC, para fins de facilitar o procedimento de cobrança, centralizandoas em um único devedor. em seguida, a CPC cobra da recorrente a parcela de despesa inerente às atividades da recorrente, que, por sua vez, efetua o reembolso da despesa incorrida, o que justifica os valores de R$199.390,47; R$195.903,88 e R$203.892,99, conforme invoices anexadas aos autos. falta razoabilidade à decisão recorrida ao não querer reconhecer a comprovação destas despesas pelo fato de não conter assinatura das partes no instrumento contratual, quando existem vários outros documentos que dão suporte ao acordo. evidenciado, portanto, o efetivo desembolso dos valores glosados pela fiscalização, e a vinculação entre a despesa e a atividade desempenhada pela Recorrente, tem se como manifestamente comprovada a efetividade e o caráter operacional da referida em questão, merecendo, pois, reforma o acórdão recorrido para que se afaste, outrossim, a glosa referente a estes itens. A Impossibilidade da Incidência de Juros de Mora sobre a Multa de Ofício destaca a impossibilidade da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, sem amparo na lei, mas sim em Portaria MF nº 28, de 02/04/1998, emitido pela Coordenação Geral do Sistema de Tributação (COSIT). o artigo 61 da Lei nº 9.430/96 dispõe a incidência de juros de mora apenas sobre débitos, e não sobre multas de ofício, não havendo margem para qualquer interpretação diversa. diante da ausência de base legal, a jurisprudência do CARF vem pacificando o entendimento de que as multas de ofício não são atualizáveis. Fl. 4064DF CARF MF 14 o artigo 43 da Lei nº 9.430/96 é claro ao dispor sobre incidência de juros de mora sobre o valor da multa apenas quando se tratar de constituição de crédito tributário exclusivamente de multa ou juros. É o relatório. Voto Conselheira Maria Lucia Miceli Relatora O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, assim dele eu conheço. A lide a ser tratada se refere a glosa de despesas de duas naturezas: (1) despesas não necessárias e (2) despesas não comprovadas. Além disso, a recorrente contesta a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Da glosa das despesas não necessárias. As despesas com os Autos de Infrações de ICMS nºs. 01.05008900, 01.0021772 e 639674, lavrados pelo fisco do Estado do Rio de Janeiro em face de Texaco Brasil S.A. Produtos de Petróleo, CNPJ. 33.337.122/000127 (que mudou de nome para Chevron Brasil S.A, e depois para Ipiranga Produtos de Petróleo S.A), foram objeto de glosa por serem completamente estranhas a autuada, já que nunca praticou ou teve relação direta ou indireta com os atos penalizados. Concluiu a autoridade fiscal que estas despesas são indedutíveis, não se revestindo de necessárias, usuais ou normais para as transações da empresas, e sim ato de mera liberalidade. A autoridade fiscal ainda ressalta que as autuações derivam de ato ilícito, sendo certo que parte dos lançamentos tributários se refere à multa de ofício, com caráter punitivo, considerado indedutíveis pela Receita Federal do Brasil, pois não são necessárias à atividade da empresa. Já a principal tese de defesa seria que, com a reorganização societária do grupo, a Chevron Brasil Ltda (antiga Texaco Brasil S.A. Produtos de Petróleo) teria transferido para a recorrente a atividade de fabricação de lubrificante. Esclarece que, por meio de aumento de capital, com base no artigo 1.081 do Código Civil, o fundo de comércio relacionado ao negócio de lubrificantes passou a ser de titularidade da recorrente, com todos seus direitos e obrigações. Por conseguinte, a obrigação do pagamento dos Autos de Infração de ICMS passou a ser de responsabilidade da recorrente, por força do artigo 133, inciso I do CTN. Passo a julgar. Consta nos autos, às fls. 1912/1921, a 11º Alteração Contratual da Chevron Brasil Lubrificantes LTDA (recorrente), registrada na Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro em 29/08/2008, na qual é possível verificar que: => As sócias Chevron Brasil LTDA (ex Texaco do Brasil S/A Produtos de Petróleo) e Chevron Latin America Marketing LLC aumentaram o capital social da Chevron Brasil Lubrificantes LTDA em mais R$ 21.478.317,22, passando de R$ 203.000,00 para R$ 22.681.317,22. Fl. 4065DF CARF MF Processo nº 11052.720005/201477 Acórdão n.º 1302003.094 S1C3T2 Fl. 4.059 15 => A sócia quotista Chevron Brasil LTDA subscreveu a totalidade das novas quotas, mediante a conferência ao capital da sociedade, dos bens descritos e caracterizados no Laudo de Avaliação Patrimonial, datado de 31/07/2008, a saber: a) imóvel situado na Rua Silésia, nº 3501, Duque de Caxias, Rio de Janeiro. b) todas as acessões, benfeitorias, acessórios, equipamentos e demais elementos ativos e passivos relacionados às atividades de fabricação de lubrificantes desenvolvidas no Imóvel e pormenorizados no Laudo de Avaliação ("Bens Acessórios"). O Laudo de Avaliação do dia 31/07/2008, acostado aos autos às fls. 3.460/3.462, juntamente com o Anexo de fls. 3.463/3.601, discriminam em detalhes todos os ativos que foram transferidos para a recorrente. Ocorreram outras duas alterações do contrato social da recorrente, todas ainda em 2008, onde o capital social foi aumentado com a conferência de imóveis da Chevron Brasil LTDA, todos situados no Estado de São Paulo. As alterações do contrato social estão acompanhadas dos respectivos Laudos de Avaliação a valor contábil dos equipamentos e imóveis que foram incorporados ao capital social da recorrente. Cumpre esclarecer que nenhum destes imóveis estão relacionados com os citados Autos de Infração de ICMS. Após essa reorganização societária, a Chevron Brasil LTDA foi alienada pelo Grupo Chevron ao Grupo Ultra (Ultra Participações S.A), controlador da Sociedade Brasileira de Participações (SBP), com a posterior alteração do seu nome para Ipiranga Produtos de Petróleo S.A. Em sua defesa, a recorrente afirma que essa documentação seria bastante para evidenciar a transferência jurídica do negócio de lubrificantes (direitos e obrigações) da Chevron Brasil LTDA (ex Texaco do Brasil S/A Produtos de Petróleo) para recorrente, não só dos ativos mas também dos passivos relacionados aos negócios de lubrificantes. Sob este argumento, entende que seria responsável pelas despesas relativas aos autos de infração de ICMS, motivo pelo qual deduziu a base tributável do IRPJ e CSLL. Colocadas as alterações societárias, cumpre analisar a aplicação no presente caso da responsabilidade por sucessão, prevista no artigo 133, inciso I do CTN, que assim determina: Art. 133. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato: I integralmente, se o alienante cessar a exploração do comércio, indústria ou atividade; Para que a responsabilidade por sucessão ocorra, é necessária a aquisição de fundo de comércio, ou estabelecimento comercial, a qualquer título. Diz a doutrina que fundo de comércio, ou estabelecimento comercial, deve ser entendido como a universalidade de Fl. 4066DF CARF MF 16 bens, que podem ser corpóreos ou incorpóreos e que viabilizam a atividade empresarial, nos termos do artigo 1.142 do Código Civil. Além disso, deve também o alienante cessar a exploração do comércio para que a responsabilidade pelos tributos sejam do adquirente. Neste ponto, temos que esclarecer alguns requisitos para que seja caracterizada a responsabilidade por sucessão nos termos do artigo 133, inciso I do CTN, tendo em vista as alegações de defesa da recorrente. Já foi definido que faz parte do fundo de comércio a universalidade dos bens afetados ao negócio de lubrificantes. Ou seja, seriam todos os imóveis da Chevron Brasil LTDA afetados para essa atividade específica, e que deveriam ser adquiridos pela recorrente, ainda que por meio de aumento de capital via conferência de bens. Cotejando as informações constantes nos autos, não é possível afirmar que este requisito foi cumprido. Muito pelo contrário. Como visto anteriormente, os lançamentos de ICMS, que decorrem da atividade com lubrificante, seja sua fabricação ou comercialização, ocorreram nos seguintes imóveis: Auto de Infração Motivo Data Ref. Imóvel 01.05008901 Ausência de Recolhimento do ICMS por estornos de créditos de insumos usados na fabricação de lubrificantes 17/12/1997 R. Silésia 3501 Duque de Caxias RJ 01.0021772 Não retenção de ICMS sujeito à substituição tributária 24/11/1995 R. Pres. Antônio Carlos 325 Rio de Janeiro RJ 639674 Ausência de estorno do crédito na retirada da mercadoria industrializada 04/06/1992 Av. Rio de Janeiro 901 Rio de Janeiro RJ Acerca deste quesito para caracterização da responsabilidade por sucessão, o auditor fiscal consignou no relatório de diligência que não se pode afirmar que houve completa transferência da operação envolvendo lubrificantes, pois os imóveis onde se situavam os estabelecimentos autuados pelo ICMS não foram transferidos a AUTUADA. De fato, apenas o imóvel situado na Rua Silésia, nº 3501, Duque de Caxias, Rio de Janeiro, foi utilizado para o aumento do capital conforme a 11ª Alteração do Contrato Social, sendo transferida sua titularidade para a recorrente. Quanto aos demais imóveis, a recorrente alega que: 1) Os estabelecimentos foram encerrados pela Ipiranga Produtos de Petróleo S.A logo após assumir o negócio de distribuição de combustíveis pertencentes à Chevron Brasil LTDA, conforme documentos de fls. 3.442 e 3.444. Ocorre que esses documentos comprovam que: i) O estabelecimento situado a Avenida Rio de Janeiro, 901, São Cristóvão, Rio de Janeiro, só teve baixa em 28/10/2010. ii) O estabelecimento situado R. Pres. Antônio Carlos 325, Duque de Caxias, Rio de Janeiro, só teve baixa em 11/12/2014. Notase que os estabelecimentos foram encerrados após os pagamentos das despesas com os citados autos de infração, à exceção do pagamento da fiança bancária em 24/12/2010, no valor de R$ 551.250,00. Fl. 4067DF CARF MF Processo nº 11052.720005/201477 Acórdão n.º 1302003.094 S1C3T2 Fl. 4.060 17 2) Que abriu nova filial precisamente no mesmo endereço da então filial localizada na Av. Rio de Janeiro, 901, São Cristóvão, Rio de Janeiro, RJ, nos termos da Ata da Deliberação de Diretoria realizada em 05/06/2008. De pronto, causa estranheza a existência de duas filias de empresas distintas no mesmo endereço, já que o encerramento deste imóvel só ocorreu em 28/10/2010. De toda forma, pelo Princípio da Identidade, elas não se confundem, não podendo ser fundamento para caracterização da responsabilidade por sucessão, como apregoa a recorrente. 3) Afirma que, quanto ao imóvel situado à Rua Presidente Antônio Carlos, nº 325, Campos Elíseos, Duque de Caxias, RJ, preferiu não reabrilo, visto que optou por manter um único estabelecimento para concentrar as atividades de depósito e armazenagem de lubrificantes. Mais uma vez é de se estranhar essa argumentação, pois a recorrente sequer tinha titularidade sobre o estabelecimento para decidir reabrir, e o estabelecimento, de titularidade da Ipiranga Produtos de Petróleo S.A. só teve baixa em 11/12/2014. Do exposto, a comprovação de que houve a transferência da universalidade dos bens, afetados nas atividades de lubrificantes, seja sua fabricação ou seu comércio, restou prejudicada. Consequentemente, a alegada responsabilidade por sucessão prevista no inciso I do artigo 133 do CTN, que justificaria a assunção das dívidas com os auto de infração de ICMS em questão, não está demonstrada. Esta constatação já é suficiente para concluir que as despesas com estes lançamentos foram, de fato, mera liberalidade. Continuando, a recorrente justifica a inexistência de registro contábil no Passivo dos valores devidos dos Autos de Infração de ICMS, conforme Laudos de Avaliação apresentados, alegando que teria observado o Pronunciamento Técnico CPC 25. Esclarece que, na época da transferência de todo o negócio de lubrificantes da Chevron Brasil LTDA para a recorrente, os Autos de Infração vinham sendo avaliados pelos advogados como perda possível, motivo pelo qual nenhum dos dois se encontrava provisionado na contabilidade da autuada. Sem adentrar no mérito da classificação das despesas como perda possível e a ausência de provisão nos assentamentos contábeis friso que os débitos estavam em execução fiscal desde 2002, com carta fiança firmada com Bradesco em 2008 destaco que, ainda regendo a alienação de uma pessoa jurídica, o artigo 1.146 do Código Civil determina que o adquirente responde pelo pagamento dos débitos anteriores à transferência, desde que devidamente escriturados: Art. 1.146. O adquirente do estabelecimento responde pelo pagamento dos débitos anteriores à transferência, desde que regularmente contabilizados, continuando o devedor primitivo solidariamente obrigado pelo prazo de um ano, a partir, quanto aos créditos vencidos, da publicação, e, quanto aos outros, da data do vencimento. Ainda acerca desta questão, a recorrente traz aos autos demonstrações financeiras de 31/12/2008, nas quais afirma que já constavam passivos da atividade de lubrificantes que herdou da Chevron Brasil LTDA, no valor de R$ 28.121.627,00, valor que incluiria os citados Autos de Infração de ICMS/RJ. Fl. 4068DF CARF MF 18 Ocorre que, da leitura das Notas Explicativas do Demonstrativo Financeiro de 31 de dezembro de 2008 e 2007, fls. 3.816/3.817, consta que "As obrigações tributárias referemse, principalmente, à discussão quanto à adequada interpretação da Lei nº 1.423/89 ICMS, relativa a transações de venda e transferência de produtos interestaduais, no estado do Amazonas." (grifei) Mais uma vez, sua defesa não encontra respaldo na documentação apresentada. Ou seja, a ausência de qualquer registro contábil destes valores a pagar (conta de Passivo) na recorrente, quando da subscrição do capital com a conferência dos bens imóveis, não favorece a comprovação de que teria assumido a responsabilidade para o pagamento dos autos de infração da então subscritora Chevron Brasil S.A. Por fim, também não colabora com a tese da recorrente as decisões no âmbito das ações de execução. Como mencionado no Termo de Verificação Fiscal, nos autos do Recurso Extraordinário nº 63.874/2009, no qual foi pleiteado admissão no processo em substituição a Chevron Brasil, a recorrente foi admitida apenas como assistente no processo de execução, restando consignado no voto do Ministro Marco Aurélio que, nos autos, não havia demonstração inequívoca de ter a requerente assumido a responsabilidade pelos débitos fiscais de Chevron Brasil LTDA. A recorrente tenta justificar a decisão do ministro no fato de que o Estado do Rio de Janeiro teria discordado do pedido de substituição processual, eis que não estaria seguro da plena responsabilidade da recorrente pelos débitos tributários da então denominada Chevron Brasil LTDA. Argumenta que a venda da Chevron Brasil LTDA para o Grupo Ultra havia acabado de se concretizar (março de 2009), de maneira que era pouco provável que o Estado do Rio de Janeiro, na qualidade de credor do crédito tributário, concordasse imediatamente com a substituição processual sem antes realizar uma análise mais aprofundada da reorganização societária e capacidade financeira das empresas envolvidas. Não concordo com as alegações da recorrente. Os fatos que supostamente ensejariam a responsabilidade por sucessão da recorrente seriam os aumentos de capital com a transferência dos estabelecimentos afetados à atividade com o lubrificante, que ocorreram durante o anocalendário de 2008. A alienação da Chevron Brasil LTDA para o Grupo Ultra em nada afeta a demonstração da subsunção dos fatos ocorrido em 2008 ao disposto no artigo 133, inciso I do CTN. Registro que a decisão do Ministro Marco Aurélio ocorreu em 30 de maio de 2009. Entretanto, em que pese a decisão desfavorável, a recorrente efetuou os pagamentos relativos aos Autos de Infração de ICMS, objeto de glosa no presente lançamento, por conta e risco, no período de 28/09/2009 a 29/10/2010. A recorrente ainda cita decisão favorável a sua defesa, da Procuradoria da Dívida Ativa do Estado do Rio de Janeiro prolatada em setembro/2014, que analisou o requerimento de reconhecimento de responsabilidade tributária, envolvendo os Autos de Infração de ICMS, nº 01.500890 (glosa das despesas com fiança bancária estabelecimento situado a Rua Silésia, nº 3501, Campos Elíseos) e nº 01.0018653. A recorrente traz o seguinte trecho da citada decisão: Fl. 4069DF CARF MF Processo nº 11052.720005/201477 Acórdão n.º 1302003.094 S1C3T2 Fl. 4.061 19 Ocorre que a recorrente trouxe apenas parte da decisão que seria, aparentemente, mais favorável a sua tese. Entretanto, da leitura da decisão, acostada aos autos às fls. 2.942/2.949, a conclusão é que restou afastada a responsabilidade por sucessão, prevista no artigo 133 do CTN, como demonstrado a seguir: Ou seja, do parecer que fundamentou o Recurso Extraordinário, em 2009 até 2014, a Procuradoria da Dívida Ativa do Estado do Rio de Janeiro não se convenceu de que teria ocorrida a sucessão da responsabilidade, prevista no artigo 133 do CTN. Tanto que assim concluiu seu parecer: Sendo estas as considerações cabíveis, encaminho o presente à superior consideração rogando: a) autorização para, afastando a caracterização de sucessão, reconhecer a responsabilidade tributária solidária entre à requerente CHEVRON BRASIL LUBRIFICANTES LTDA e sua sócia majoritária CHEVRON BRASIL LTDA pelos débitos consubstanciados nas CDAs nº 2002/0064539 e 2007/2761487, sem olvidar que, após a autorização, deverá esta Especializada promover as devidas anotações nas mencionadas CDAs, informando ao Procurador responsável pelas Execuções Fiscais para devida comunicação em juízo; Acatando a análise da Procuradoria da Dívida Ativa do Estado do Rio de Janeiro, a decisão foi de "autorizar o reconhecimento de responsabilidade tributária solidária entre a Requerente CHEVRON BRASIL LUBRIFICANTES LTDA e sua sócia majoritária CHEVRON BRASIL LTDA pelos débitos consubstanciados nas CDAs nº 2002/0064539 e 2007/2761487, cabendo à Procuradoria da Dívida Ativa promover as devidas anotações nas mencionadas CDAs. " Mais uma vez é importante destacar a cronologia dos fatos. A decisão autorizando o reconhecimento da responsabilidade solidária, reprisese, não por sucessão, só ocorreu em 25 de setembro de 2014, e tão somente para o Auto de Infração nº 01.500890, lavrado no único estabelecimento comercial que foi incorporado pela recorrente com o aumento de capital, situado na Rua Silésia, nº 3501, Duque de Caxias, Rio de Janeiro. Nestes termos, a conclusão do auditor fiscal é irretocável tanto no TVF quando no relatório de diligência, pois os pagamentos ocorridos entre 28/09/2009 a 29/10/2010, relativos às despesas glosadas, a recorrente os fez por mera liberalidade, em função de inexistência da responsabilidade por sucessão ou qualquer outro vínculo que a tornasse parte do pólo passivo da obrigação tributária estabelecida naqueles autos de infração. Logo, são despesas indedutíveis nos termos do artigo 299 do RIR/99. Fl. 4070DF CARF MF 20 Por todo acima exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário quanto à infração da glosa das despesas não necessárias. Da glosa das despesas não comprovadas Analisaremos cada item desta infração, abaixo discriminados: Data Conta Descrição Valor R$ 1 31/12/10 725838070AD DO OUTRAS DIVERSAS 232.497,18 3 30/11/09 725838070AD DO OUTRAS DIVERSAS 203.892,99 4 31/10/10 725838070AD DO OUTRAS DIVERSAS 199.390,47 5 28/02/10 725838070AD DO OUTRAS DIVERSAS 195.903,88 TOTAL 831.684,52 Item 1 Despesa de reclassificação entre contas de despesa, no valor de R$ 232.497,18. Acerca desta despesa, consta no TVF que, tendo em vista os documentos apresentados, indicariam se tratar de ajuste feito envolvendo vários anoscalendário, sem que tenha ocorrido qualquer explicação por parte da então fiscalizada. Em sua defesa, a recorrente confirma tratarse de ajuste contábil feito em 31/12/2010, com débito em conta de despesas diversas nº 725838 e crédito em conta de ativo OPEB nº 701270, que seria a diferença entre o valor atribuído ao citado ativo e o seu resultado. Alega que este ajuste não foi considerado como dedutível, não figurando, portanto, como adição/exclusão para fins de apuração do IRPJ e CSLL. Aduz que caberia ao julgador a quo solicitar maiores informações ao agente fiscal sobre essa glosa, pois todas as informações relativas a esse assunto constam do SPED. Para demonstrar o valor ajustado, consta nos autos, às fls. 1.551, o demonstrativo a seguir, apresentado durante a ação fiscal: Da análise das informações prestadas pela recorrente, é possível constatar inconsistências. No recurso voluntário, esclarece que, para o acerto, fez lançamento à débito em conta de despesas diversas ( nº 725838), mas que não teria afetado na adição/exclusão para fins de apuração do IRPJ/CSLL. Não entendo como isso, contabilmente, seria possível, pois o lançamento a débito em conta de despesas (resultado) reduzirá o lucro líquido, devendo o Fl. 4071DF CARF MF Processo nº 11052.720005/201477 Acórdão n.º 1302003.094 S1C3T2 Fl. 4.062 21 mesmo valor ser adicionado para anular seus efeitos, fato que a recorrente categoricamente negou ter feito. Por outro lado, esclarece que o ajuste ocorreu na conta de Ativo OPEB nº 701270. Entretanto, o demonstrativo apresentado durante a fiscalização aponta que a diferença envolveria as contas nº 273105 e 273106. Diante dos esclarecimentos inconsistente, concluo que a glosa da despesa no valor de R$ 232.497,18 deve ser mantida. Itens 3, 4 e 5 Royalties. Segundo a recorrente, as despesas de R$ 203.892,99, R$ 199.390,47 e R$ 195.903,88 seriam reembolsos pagos a empresa do grupo, Chevron Products Company, responsável pelo pagamento de royalties em virtude de contrato de cessão de direitos comerciais firmado com a Nippon Oil Comporation. Para comprovar sua defesa, apresentou o contrato original (2.520/2.539) e traduzido (2.787/2.899) firmado entre a Nippon Oil Comporation e a Chevron Products Company (CPC), bem como os invoices dos pagamentos. Consta no contrato, item B4. Concessão de Licença, subitem (ii) que o Licenciado não poderá sublicenciar a qualquer terceiro, inclusive suas filiais, qualquer direito de licença atribuída ao Licenciado nos termos deste instrumento, e não deve tentar ou esforçarse para conceder tal direito ou licença, sem a prévia autorização escrita do Licenciante. Nas definições dos termos usados no contrato, Artigo A, filial significa qualquer outra pessoa, direta ou indiretamente controladora ou controlada ou sob controle comum direito ou indireto com essa determinada pessoa, incluindo empresamatriz da tal pessoa especificada. Ou seja, os termos acordados no contrato firmado entre a Nippon e a CPC não permite qualquer sublicenciamento para terceiros, ainda que mesmo grupo. Logo, o reembolso das despesas com royalties, pagos a CPC, não tem qualquer respaldo. Não consta sequer, nos autos, um comunicado ou acordo entre a recorrente e a CPC neste sentido. Pelo exposto, concluo que a glosa destes valores deve ser mantida. A Impossibilidade da Incidência de Juros de Mora sobre a Multa de Ofício (f) A impossibilidade de incidência de juros SELIC sobre a multa de oficio Por fim, a recorrente contesta a cobrança dos juros de mora sobre a multa de ofício. Ocorre que esta matéria já se encontra sumulada pelo CARF, devendo esta conselheira observála: Súmula CARF nº 108 Fl. 4072DF CARF MF 22 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Logo, na determinação do crédito tributário devido, os juros de mora deverão incidir sobre a multa de ofício, e calculados tendo por base a taxa SELIC. Logo, nego provimento ao recurso voluntário neste ponto. CONCLUSÃO Por todo acima exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Maria Lucia Miceli Relatora Fl. 4073DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.938966/2009-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório.
PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO.
Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia.
PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE.
O indeferimento de pedido de diligência ou perícia não configura vício de nulidade da decisão de primeira instância, por cerceamento ao direito de defesa, nos casos em que a autoridade julgadora, fundamentadamente, demonstra que a produção da prova pericial e realização da diligência eram desnecessárias e prescindíveis para o deslinde da controvérsia.
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE.
No âmbito do processo administrativo fiscal, em que formalizado pedido de ressarcimento de direito creditório, o ônus da prova recai sobre o contribuinte autor pedido.
RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DE IPI. SALDO CREDOR RESSARCÍVEL DO PERÍODO TOTALMENTE ABSORVIDO POR DÉBITOS DE PERÍODO SUBSEQUENTE.
O valor do ressarcimento limita-se ao menor saldo credor apurado entre o encerramento do trimestre e o período de apuração anterior ao da protocolização do pedido. Sendo o saldo credor do período do ressarcimento totalmente absorvido por débitos de trimestres subsequentes, o menor saldo credor é nulo e inexiste, portanto, direito creditório a ser reconhecido.
Numero da decisão: 3402-005.443
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator.
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório. PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE. O indeferimento de pedido de diligência ou perícia não configura vício de nulidade da decisão de primeira instância, por cerceamento ao direito de defesa, nos casos em que a autoridade julgadora, fundamentadamente, demonstra que a produção da prova pericial e realização da diligência eram desnecessárias e prescindíveis para o deslinde da controvérsia. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, em que formalizado pedido de ressarcimento de direito creditório, o ônus da prova recai sobre o contribuinte autor pedido. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DE IPI. SALDO CREDOR RESSARCÍVEL DO PERÍODO TOTALMENTE ABSORVIDO POR DÉBITOS DE PERÍODO SUBSEQUENTE. O valor do ressarcimento limita-se ao menor saldo credor apurado entre o encerramento do trimestre e o período de apuração anterior ao da protocolização do pedido. Sendo o saldo credor do período do ressarcimento totalmente absorvido por débitos de trimestres subsequentes, o menor saldo credor é nulo e inexiste, portanto, direito creditório a ser reconhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1836; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.938966/200953 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3402005.443 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de julho de 2018 Matéria RESSARCIMENTO IPI Recorrente BRACOL HOLDING LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório. PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE. O indeferimento de pedido de diligência ou perícia não configura vício de nulidade da decisão de primeira instância, por cerceamento ao direito de defesa, nos casos em que a autoridade julgadora, fundamentadamente, demonstra que a produção da prova pericial e realização da diligência eram desnecessárias e prescindíveis para o deslinde da controvérsia. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, em que formalizado pedido de ressarcimento de direito creditório, o ônus da prova recai sobre o contribuinte autor pedido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 89 66 /2 00 9- 53 Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10880.938966/200953 Acórdão n.º 3402005.443 S3C4T2 Fl. 3 2 RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DE IPI. SALDO CREDOR RESSARCÍVEL DO PERÍODO TOTALMENTE ABSORVIDO POR DÉBITOS DE PERÍODO SUBSEQUENTE. O valor do ressarcimento limitase ao menor saldo credor apurado entre o encerramento do trimestre e o período de apuração anterior ao da protocolização do pedido. Sendo o saldo credor do período do ressarcimento totalmente absorvido por débitos de trimestres subsequentes, o menor saldo credor é nulo e inexiste, portanto, direito creditório a ser reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Relatório Trata o presente processo de análise de PER/DCOMP apresentado pela interessada, através da qual requer o ressarcimento de crédito de IPI. A autoridade administrativa prolatou Despacho Decisório eletrônico, por meio do qual indeferiu o pedido de ressarcimento apresentado no PER/DCOMP, com a seguinte fundamentação: Constatação de utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subsequentes ao trimestre em referência, até a data da apresentação do PER/DCOMP. O sujeito passivo apresentou Manifestação de Inconformidade, requerendo a reforma da decisão, pelas seguintes razões, em síntese: · Preliminarmente, a nulidade do despacho decisório por ter sido emitido por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil e não pela autoridade competente prevista no art. 43 da IN SRF no 600/2005; · nulidade do despacho decisório pela falta da intimação para a recorrente se manifestar sobre o fim da instrução; Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10880.938966/200953 Acórdão n.º 3402005.443 S3C4T2 Fl. 4 3 · nulidade do despacho decisório pela inexistência de motivação demonstrando as razões do indeferimento do pedido, resultando em cerceamento do direito de defesa. · No mérito, alega possuir o direito ao ressarcimento; · requer a correção do ressarcimento pela SELIC; · requer a realização de perícia e diligência, informando que não juntou os documentos comprobatórios do direito creditório por serem em grande quantidade. Por meio do acórdão nº 14035.082,a DRJ em Ribeirão Preto não acolheu as razões de defesa da manifestante, e manteve o Despacho Decisório da DERAT/SP. Regularmente cientificado, o contribuinte tempestivamente apresentou seu Recurso Voluntário, repisando as alegações de sua manifestação de inconformidade, em síntese: (i) preliminarmente, a nulidade da decisão recorrida pelo indeferimento do pedido de perícia e diligência e pela falta de apreciação de relevante questão; (ii) incompetência do AFRFB; (iii) falta da intimação para a recorrente se manifestar sobre o fim da instrução; (iv) inexistência de motivação; (v) cerceamento do direito de defesa. No mérito, alega (vi) o seu direito ao ressarcimento; e (vii) a correção pela SELIC. Requer (viii) a realização de diligência e perícia. Requer o acolhimento e provimento do recurso, para reconhecimento do direito creditório pleiteado; subsidiariamente, requer o cancelamento do Despacho Decisório e a emissão de nova decisão; cancelamento do Acórdão recorrido por ter negado seu direito à realização de perícia e diligência; e reconhecimento da incidência da Taxa SELIC sobre o valor dos créditos do IPI pleiteados, bem como a homologação das compensações realizadas até o montante do crédito cujo ressarcimento for reconhecido administrativamente. O processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento e posteriormente distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra , Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.440 de 24 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.933860/200963, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10880.938966/200953 Acórdão n.º 3402005.443 S3C4T2 Fl. 5 4 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.440): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. A questão trazida a este colegiado cingese sobre direito creditório não reconhecido pela constatação de utilização integral do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subsequentes ao trimestre em referência, até a data da apresentação do PER/DCOMP. Em sede de preliminar a recorrente alegou nulidade da decisão recorrida e do Despacho Decisório. Preliminar de nulidade da decisão recorrida A recorrente alega nulidade do acórdão recorrido por cerceamento do direito de defesa, baseada em dois argumentos: (i) indeferimento dos pedidos de perícia e diligência formulados; e (ii) não apreciação de parte dos argumentos de defesa. Referente ao primeiro argumento, a recorrente alegou que a negativa de seu pedido de perícia e diligência formulado na impugnação cerceou seu direito de defesa, especialmente pela quantidade de documentos envolvidos que inviabilizou a anexação dos mesmos nos autos. Alega que tais documentos dariam suporte documental para o reconhecimento de seu direito creditório. A turma julgadora a quo entendeu que não se encontrava presente as condições para o deferimento dos pedidos de diligência e produção pericial formulados, com fundamento nos artigos 18 e 28 do Decreto 70.235/72, a seguir transcritos: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de oficio ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (redação dada pelo art. 1° da Lei n° 8.748/93). Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado também o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. (redação dada pelo art. 1° da Lei n° 8.748/93) Perfeitamente fundamentada a decisão, não há que se considerar qualquer nulidade na decisão. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10880.938966/200953 Acórdão n.º 3402005.443 S3C4T2 Fl. 6 5 O julgador a quo entendeu que seria desnecessária a perícia solicitada pela impugnante, por entendêla dispensável para o deslinde do julgamento. Recordese que a realização de perícia somente se justifica se a análise do acervo probatório exige conhecimento técnico especializado. E essa condição, inequivocamente, não se vislumbra no caso em tela, uma vez que as provas necessárias à comprovação do direito creditório pleiteado cingemse a documentos fiscais e contábeis, cuja análise prescinde do parecer de especialista. Quanto ao segundo argumento, de nulidade da decisão pela falta de apreciação de questões levantadas na Manifestação de Inconformidade (item II.1.1 A Incompetência do AFRFB e item II.1.3 A Inexistente Motivação), também não assiste razão à recorrente. Consta expressamente do voto condutor do acórdão recorrido, no subtítulo “preliminares” a expressa manifestação da turma julgadora sobre a autoridade competente para a assinatura do Despacho Decisório e sobre a motivação para a glosa do crédito, conforme constatase pela simples leitura dos seguintes excertos da decisão: “A manifestante requer a nulidade do despacho decisório que indeferiu totalmente o pedido, alegando cerceamento do direito de defesa, pois não haveria a motivação para a glosa dos créditos. Improcedente a alegação da contribuinte, pois não houve ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. O cerceamento do direito de defesa se dá pela criação de embaraços ao conhecimento dos fatos e das razões de direito à parte contrária. [...] Também não procede a alegação de que o Despacho Decisório é nulo porque não foi assinado por autoridade competente. Como se verifica à fl. 40, o Despacho foi assinado pelo titular da DERAT/São Paulo. O que confundiu a manifestante é que os cargos de Delegado são ocupados por auditores da Receita Federal. Assim, além de auditor, o signatário do Despacho é também o titular da DERAT.” Portanto, rejeitase as preliminares de nulidade da decisão recorrida. Preliminar de nulidade do Despacho Decisório A recorrente alega nulidade do Despacho Decisório com base em dois argumentos: (i) incompetência do AFRFB; (ii) falta da intimação para a recorrente se manifestar sobre o fim da instrução; e (iii) inexistência de motivação e cerceamento do direito de defesa. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10880.938966/200953 Acórdão n.º 3402005.443 S3C4T2 Fl. 7 6 Quanto ao primeiro argumento, de incompetência do AFRFB, a recorrente demonstra seu total desconhecimento da estrutura funcional da Secretaria da Receita Federal do Brasil, visto que a autoridade administrativa titular da unidade (DERAT/SP) é um AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, e, por isso, consta tal cargo no Despacho Decisório emitido pela unidade. Ou seja, o documento foi assinado pela autoridade competente (Delegado da DERAT), cujo cargo era AFRFB. A recorrente alega também a nulidade pela falta de intimação para sua manifestação sobre o fim da instrução, fato que teria descumprida uma formalidade essencial prevista no artigo 44 da Lei n° 9.784/99, verbis: Art. 44. Encerrada a instrução, o interessado terá o direito de manifestarse no prazo máximo de dez dias, salvo se outro prazo for legalmente fixado. Também neste ponto não assiste razão à recorrente, visto que a norma específica que rege o Processo Administrativo Fiscal é o Decreto 70.235/72, aplicandose apenas subsidiariamente as regras da Lei n° 9.784/99. No caso em questão, inexiste tal determinação no PAF, que dispõe sobre a intimação em seu artigo 23, e sobre o prazo para a impugnação em seu artigo 15. Quanto à alegação de nulidade do Despacho Decisório pela inexistência de motivação, a decisão a quo já destacou sua total improcedência, e nenhuma outra razão foi trazida à lide. Expressamente o Despacho Decisório informa o fundamento da negativa do direito creditório pleiteado: “Constatação de utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subsequentes ao trimestre em referência, até a data da apresentação do PER/DCOMP”. Também foi trazido aos autos pela autoridade fiscal o "Demonstrativo da apuração após o período do ressarcimento", detalhando como ocorreu a utilização do saldo credor do trimestre no abatimento de débitos em períodos subsequentes. Dessa forma, nenhum vício de motivação ou mesmo qualquer cerceamento de direito de defesa pode ser imputado ao Despacho Decisório, que trouxe as informações necessárias para o pleno conhecimento das razões do fisco no indeferimento do pleito. Portanto, rejeitase as preliminares de nulidade do Despacho Decisório. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10880.938966/200953 Acórdão n.º 3402005.443 S3C4T2 Fl. 8 7 Mérito No mérito, a recorrente alega seu direito ao ressarcimento do crédito do IPI pleiteado no Pedido de Ressarcimento e a devida correção pela SELIC. Entretanto, não apresenta nenhuma prova de seu direito. Conforme já exposto, a glosa ocorreu pela constatação de utilização integral saldo credor passível de ressarcimento entre o encerramento do trimestre e o período de apuração anterior à data de transmissão da PER/DCOMP, conforme demonstrativo de apuração emitido juntamente com o Despacho Decisório. Transcrevo excerto do voto condutor do acórdão recorrido, que traz a apreciação do julgador acerca da questão, fundamentos que adoto no presente voto: “A verificação eletrônica da legitimidade do valor pleiteado pelo contribuinte consiste no cálculo do saldo credor de IPI passível de ressarcimento apurado ao fim do trimestre calendário a que se refere o pedido. Outra verificação consiste em analisar se esse saldo se mantem na escrita até o período imediatamente anterior ao da transmissão do PER/DCOMP. Constatada a utilização integral ou parcial do saldo credor existente no final do trimestre, glosase a diferença encontrada. O fundamento para tal procedimento está baseado no sistema de apuração e utilização dos créditos do imposto, em conformidade com o artigo 195, do RIPI/2002: Art. 195. Os créditos do imposto escriturados pelos estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, serão utilizados mediante dedução do imposto devido pelas saídas de produtos dos mesmos estabelecimentos (Constituição, art. 153, §3º, inciso II, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 49). §1º. Quando, do confronto dos débitos e créditos, num período de apuração do imposto, resultar saldo credor, será este transferido para o período seguinte, observado o disposto no §2º. (Lei n°5.172, de 1996, art. 49, parágrafo único, e Lei n°9779, de 1999, art. 11). §2º. O saldo credor de que trata o §1º, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10880.938966/200953 Acórdão n.º 3402005.443 S3C4T2 Fl. 9 8 MP, PI e ME, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero ou imunes, que o contribuinte não puder deduzir do imposto devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 207 a 209, observadas as normas expedidas pela SRF (Lei n2 9.779, de 1999, art. 11). Certo é que o saldo credor de IPI apurado em um determinado trimestre e utilizado para abatimento de débitos de trimestres posteriores exaurese e, por conseguinte, não pode ser ressarcido. Caso contrário, a contribuinte deveria recolher aqueles débitos que foram compensados com referidos créditos. Conforme se verifica no "DEMONSTRATIVO DA APURAÇÃO APÓS O PERÍODO DO RESSARCIMENTO" (fls. 09/10), a totalidade do saldo credor existente no final do trimestre em referência, e que foi objeto do presente PER/DCOMP, foi consumido no abatimento de débitos e não poderia ser incluído no pedido de ressarcimento, estando corretos a glosa e o indeferimento realizados pela delegacia de origem.” Não foi trazido aos autos nenhum elemento que poderia modificar a decisão, que permanece válida em todos os seus fundamentos. Quanto ao direito à correção dos créditos pela SELIC, nada há que ser decidido pela inexistência de qualquer direito creditório passível de ser ressarcido e corrigido. Dessa forma, rejeitase as alegações da recorrente, também no mérito. Por fim, rejeitase também os pedidos de perícia e diligência apresentados na peça recursal, cujas razões foram as mesmas suscitadas na fase processual anterior e já rechaçada pela DRJ, sob o fundamento que seria desnecessária e dispensável para o deslinde do julgamento. Destacase o disposto no artigo 29 do PAF, que dispõe que as diligências são determinadas pela autoridade julgadora, na apreciação da prova, caso entenda necessárias. Entretanto, destacase que a recorrente não apresentou qualquer documento comprobatório do crédito pleiteado, nem na fase de impugnação, nem nesta fase recursal, em descumprimento do artigo 15 do PAF que Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10880.938966/200953 Acórdão n.º 3402005.443 S3C4T2 Fl. 10 9 determina a instrução dos documentos comprobatórios juntamente com a impugnação. Não procede qualquer alegação que poderia justificar a total ausência de provas por parte daquele que requer o direito, mesmo aquela que aponta a quantidade de documentos envolvidos que inviabilizaria sua anexação aos autos. A prova deve ser feita nos autos, não fora dele, e no momento oportuno. Portanto, indeferese os pedidos de diligência e perícia, rejeitase os pedidos de cancelamento do Despacho Decisório e do acórdão recorrido, pelas razões acima expostas Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Fl. 92DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.008542/2002-96
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1997
LUCRO REAL. FALTA DE RECOLHIMENTO.
Caracterizada a falta de recolhimento, ressalva-se à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente.
Numero da decisão: 1003-000.167
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1997 LUCRO REAL. FALTA DE RECOLHIMENTO. Caracterizada a falta de recolhimento, ressalva-se à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997 LUCRO REAL. FALTA DE RECOLHIMENTO. Caracterizada a falta de recolhimento, ressalvase à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração nº 0047440 às fls. 0919, com a exigência do crédito tributário no valor total de R$151.265,09. Em relação ao 3º trimestre de 1997 consta na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) nº 0000100199800243171 o débito no valor de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 00 85 42 /2 00 2- 96 Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10880.008542/200296 Acórdão n.º 1003000.167 S1C0T3 Fl. 184 2 R$133.134,66 a título de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional, código de receita 2917, apurado com base no lucro real. No que se refere ao 4º trimestre de 1997 consta na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) nº 0000100199800243198 o débito no valor de R$18.130,43 a título de multa de ofício isolada, código de receita 6378. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: O presente Auto de Infração da realização de Auditoria Interna na(s) DCTF discriminadas [...], conforme INSRF n° 045 e 077/98. Foi(ram) constatada(s) irregularidade(s) no(s) crédito(s) vinculado(s) informado(s) na(s) DCTF, conforme indicada(s) no Demonstrativo de Créditos Vinculados não Confirmados (Anexo I), e/ou no "Relatório de Auditoria Interna de Pagamentos Informados na(s) DCTF" (Anexos la ou Ib), e /ou "Demonstrativo de Pagamentos Efetuados Após o Vencimento" (Anexos IIa ou IIb), e/ou no "Demonstrativo do Crédito Tributário a Pagar" (Anexo III) e/ou no "Demonstrativo de Multa e/ou Juros a Pagar Não Pagos ou Pagos a Menor" (Anexo IV). [...] FALTA DE RECOLHIMENTO OU PAGAMENTO DO PRINCIPAL, DECLARAÇÃO INEXATA, conforme Anexo III. "DEMONSTRATIVO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO A PAGAR", em anexo. ARTS 27 e 32 DL 5844/43; ART 6 E PARS DL 1598/77; ARTS 25 E 36 (C/ALT ART 1 L 9065/95) L 8981/95 COMB C/ ARTS 27, 29 E 30 L 9249/95); ARTS 1 E 3 E PARS 1 E 2 (C/ALT ART 4 L 9430/96) E ART 25 E INCS (COMB C/ ART 1 L 9430/96) L 9249/95; ART 1 E PARS, ART 4, 5 e PARS 1, 2 E 4, ARTS 17, 58 e 60 L 9430/96. [...] FALTA DE PAGAMENTO DE MULTA DE MORA, conforme Anexo IV "DEMONSTRATIVO DE MULTA E/OU JUROS A PAGAR NÃO PAGOS OU PAGOS A MENOR", em anexo. ART 160 L 5172/66; ART 1 L 9249/95; ARTS 43 E44 INCS I E II E PAR 1 INC II E PAR 2 L 9430/96. Consta no Despacho Decisório DERAT/SP nº 1296, de 19.09.2014, efls. 66 71: O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior (art. 149, VIII, CTN). 1. Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte acima identificado, em decorrência de inexatidão de valores declarados por meio de DCTF, conforme descrição dos fatos e fundamentação legal à fl. 15. 2. Cientificado do lançamento e não concordando com a exigência, o contribuinte apresentou a impugnação tempestiva de fls. 03 a 05, com seus argumentos de defesa. 3. Os demonstrativos de consolidação e recálculo de fls. 66 a 70 apresentam o resultado da análise do lançamento, sendo que o saldo remanescente apontado à fl. 70 prossegue para o julgamento da impugnação. 4. Diante do exposto, nos termos dos artigos 145, inciso III, e 149, inciso VIII, ambos da lei 5.172/66 (CTN), proponho o cancelamento dos créditos tributários improcedentes constantes dos demonstrativos de fls. 66 a 70. Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10880.008542/200296 Acórdão n.º 1003000.167 S1C0T3 Fl. 185 3 [...] RESUMO DOS CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS LANÇADOS COM REVISÃO DO LANÇAMENTO [...] VALORES EM R$ DISCRIMINAÇÃO VALOR LANÇADO E IMPUGNADO VALOR IMPROCEDENTE SALDO REMANESCENTE Principal 49.582,76 44.018,33 5.564,43 Multa de Mora Vinculada 37.187,07 33.013,75 4.173,32 Multa de Mora Isolada 0,00 0,00 0,00 Juros de Mora Isolda 0,00 0,00 0,00 Multa de Ofício Isolada 18.130,43 0,00 18.130,43 TOTAL 104.900,26 77.032,08 27.868,18 Cientificada, a Recorrente apresenta a impugnação. Está registrado como ementa do Acórdão da 15ª Turma/DRJ/RPO/SP nº 1287.188, de 20.04.2017, efls. 8386: Ementa: PAGAMENTO. INSUFICIÊNCIA. EXIGÊNCIA DE OFÍCIO. Comprovados o não pagamento ou o pagamento a menor de tributo, revelase cabível a exigência de ofício. AUDITORIA INTERNA. DCTF. MULTA ISOLADA. INAPLICABILIDADE. Com a entrada em vigor da Lei nº 11.488/2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei n. º 9.430/96, não há mais sustentação legal para a exigência da multa de ofício isolada. Inteligência do art. 106 do CTN, que determina a aplicação a ato pretérito não definitivamente julgado a lei que deixe de definilo como infração ou lhe comine penalidade menos severa. Impugnação Procedente em Parte [...] Notificada em 12.05.2017, efl. 90, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 12.06.2017, efls. 9395, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Em relação a parte litigiosa, diz que: Na decisão recorrida, o douto julgador reconheceu parcialmente o recolhimento dos débitos, mas acatou o parecer, fls. 66/71, o qual apontou diferença existente ainda de R$ 5.564,43. A recorrente não pode se conforma com a r. decisão ora recorrida, vez que constam nos autos os comprovantes de todos os valores apontados no auto de infração. Assim, é logicamente impossível a existência de diferença quando há o cotejamento entre os valores apontados no auto de infração e os valores recolhidos por meio de DARFs. Explicando melhor, basta que o nobre relator faça o cotejo entre os valor informado no auto de infração e o valor recolhimento pela recorrente para que se tenha certeza do cumprimento da obrigação tributária, gerando divergência no encontro de contas devido ao fato de erro de preenchimento da DCTF do período, mas solucionado mediante o competente envelopamento. Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10880.008542/200296 Acórdão n.º 1003000.167 S1C0T3 Fl. 186 4 No que concerne ao pedido conclui que: Por estas razões de fato, a recorrente requer a reforma da decisão recorrida para reconhecer o pagamento integral dos valores apontados no auto de infração É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente discorda da diferença em relação ao IRPJ do 3º trimestre de 1997 no valor principal de R$5.564,43 apurado com base no lucro real. O lucro real, trimestral ou anual, é determinado pelo lucro líquido do período de apuração ajustado, nos termos legais, pelas adições dos valores que não sejam dedutíveis e dos os ganhos e rendimentos de capital e pelas exclusões dos valores autorizados, do prejuízo fiscal apurado em períodos de apuração anteriores, das perdas no recebimento de créditos decorrentes das suas atividades e das provisões expressamente autorizadas. Caracterizada a falta de recolhimento, ressalvase à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente1. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais2. A Instrução Normativa RFB nº 45, de 05 de maio de 1998, que vigorava à época, previa: Art. 1º As Declarações de Contribuições e Tributos Federais DCTF relativas aos trimestres do anocalendário de 1998 e anteriores serão elaboradas com observância do disposto na 1 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 2 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10880.008542/200296 Acórdão n.º 1003000.167 S1C0T3 Fl. 187 5 Instrução Normativa SRF No 073, de 19 de dezembro de 1996, e nesta Instrução Normativa. Art. 2º Os saldos a pagar, relativos a cada imposto ou contribuição, serão enviados para inscrição em Dívida Ativa da União, imediatamente após o término dos prazos fixados para a entrega da DCTF. § 1º Os saldos a pagar relativos ao Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas IRPJ e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL serão objeto de verificação fiscal, em procedimento de auditoria interna, abrangendo as informações prestadas nas DCTF e na Declaração de Rendimentos, antes do envio para inscrição em Dívida Ativa da União. § 2º Os demais valores informados na DCTF, serão, também, objeto de auditoria interna. § 3º Os créditos tributários, apurados nos procedimentos de auditoria interna a que se referem os parágrafos anteriores, serão exigidos por meio de lançamento de ofício, com o acréscimo de juros moratórios e multa, moratória ou de ofício, conforme o caso, efetuado com observância do disposto na Instrução Normativa SRF Nº 094, de 24 de dezembro de 1997. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos (art. 14, art. 15 e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. Analisando a Planilha de Valores Alocados na Análise da Impugnação, fls. e 6670, temse que: PAGAMENTOS ALOCADOS NA ANÁLISE DE IMPUGNAÇÃO VALORES EM R$ CRÉDITO TRIBUTÁRIO DO AI DADOS DO PAGAMENTO PA REC DT VENC VALOR NÚMERO RECEITA PA DT VENC DT ARREC VALOR PRINC/MULTA/JUROS VALOR UTILIZADO PRINC/M/J TIPO ALOCAÇÃO 01 07/1997 2917 31/10/1997 49.582,76 1569636698 0220 30/09/1997 31/10/1997 31/10/1997 16.527,59 16.527,59 MANUAL 0,00 0,00 0,00 0,00 01 07/1997 2917 31/10/1997 49.582,76 1597261758 0220 30/09/1997 28/11/1997 28/11/1997 16.527,59 16.527,59 MANUAL 0,00 0,00 165,28 01 07/1997 2917 31/10/1997 49.582,76 1619212318 0220 30/09/1997 29/12/1997 22/12/1997 16.527,59 10.963,15 MANUAL 0,00 0,00 667,71 0,00 Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10880.008542/200296 Acórdão n.º 1003000.167 S1C0T3 Fl. 188 6 Verificase que do total do pagamento no valor de R$17.195,29 de IRPJ nº 16192123188, receita nº 0220, recolhido em 22.12.1997 somente foi alocado para extinção do tributo do período de apuração de novembro de 1997 nos presentes autos o valor de R$10.963,15, conforme consta detalhado nos sistemas internos da RFB Consulta Dados de Pagamento, efls. 5960. Consta Acórdão da 15ª Turma/DRJ/RPO/SP nº 1287.188, de 20.04.2017, e fls. 8386, cujos fundamentos de fato e direito são acolhidos de plano nessa segunda instância de julgamento (art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999): O trabalho da revisão fiscal identificou todos os recolhimentos de Darf que pudessem ser alocados aos débitos lançados. Desse trabalho resultou a confirmação da disponibilidade de parte dos pagamentos defendidos, precisamente R$ 44.018,33. A outra parte já estava alocada a débito estranho ao processo. Consultas efetuadas nos sistemas desta Secretaria permitem concluir que o resíduo de débito permanece sem adimplemento. Assim, fiandome no parecer da autoridade lançadora, entendo que o interessado não elidiu totalmente a imputação de falta de pagamento lançada nestes autos. Dessa forma, voto pela procedência desse débito remanescente de R$ 5.564,43, a ser acrescido da multa de ofício de 75% e dos juros moratórios. Diversamente do que consta no recurso voluntário, da Recorrente está sendo exigido corretamente o IRPJ devido conforme Demonstrativo de Débito, efl. 88: AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO EM 14/5/2002 IRPJ DÉBITO Acésc Receita PA/EX Período Expr. Principal Multa Red. Legal Mon Vencimento Saldo Vencimento Valor Referencial Multa Saldo Multa 2917 03/1997 TRIMESTRAL REAL 31/10/1997 5.564,43 11/07/2002 5.564.43 75,00% 4.173,32 30% O erro de fato é aquele que se situa no conhecimento e compreensão das características da situação fática tais como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos. A Administração Tributária tem o poder/dever de revisar de ofício o procedimento quando se comprove erro de fato quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. A este poder/dever corresponde o direito de a Recorrente retificar e ver retificada de ofício a informação fornecida com erro de fato, desde que devidamente comprovado (art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e incisos I e III do art. 145 e inciso IV do art. 149 do Código Tributário Nacional). Caracterizada a falta de recolhimento, ressalvase à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente. No presente caso a Recorrente não comprova sua alegação. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10880.008542/200296 Acórdão n.º 1003000.167 S1C0T3 Fl. 189 7 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Em assim sucedendo, voto em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 189DF CARF MF
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Numero do processo: 13737.000804/2007-21
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2005
DCTF. ATRASO NA ENTREGA. MULTA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA IMPOSSIBILIDADE.
Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração
Numero da decisão: 1003-000.158
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
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CRÉDITO RURAL DE RIO BONITO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2005 DCTF. ATRASO NA ENTREGA. MULTA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA IMPOSSIBILIDADE. Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 73 7. 00 08 04 /2 00 7- 21 Fl. 81DF CARF MF Processo nº 13737.000804/200721 Acórdão n.º 1003000.158 S1C0T3 Fl. 3 2 Tratase de recurso voluntário contra acórdão de nº 1220.603, de 22 de agosto de 2008, da 5ª Turma da DRJ/RJOI, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente, mantendo o lançamento da multa por atraso na entrega da DCTF. Aos 04/12/2007, a Recorrente apresentou impugnação contra Auto de Infração fls. 10, que autuou a mesma por atraso na entrega de DCTF relativa ao 1º/trimestre/2005. A DRJ/ RJOI analisou a impugnação e julgou o pedido da Recorrente improcedente, nos moldes da ementa abaixo: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2005 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. DENUNCIA ESPONTÂNEA. O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a DCTF; porquanto as responsabilidades acessórias autônomas, sem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN. Lançamento Procedente Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou recurso voluntário que, em síntese, destaca: (i) que a decisão da DRJ incorreu em erro, visto que se deveria levar em consideração o fato das declarações terem sido protocoladas independentemente de qualquer diligência fiscal e, por isso, deve vigorar a denúncia espontânea. (ii) que cumpriu espontaneamente a obrigação de entrega da DCTC, antes de qualquer iniciativa ou providência por parte do Fisco e, por conseguinte, o cumprimento espontâneo de obrigações acessórias a destempo está abrigado pelo art. 138 do CTN, o qual esclarece que a responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea. (iii) por fim, requereu a anulação do auto de infração contestado. É o Relatório. Voto Conselheira Bárbara Santos Guedes, Relatora O recurso é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual deles tomo conhecimento e passo a apreciar. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 13737.000804/200721 Acórdão n.º 1003000.158 S1C0T3 Fl. 4 3 DA DECADÊNCIA A Recorrente defende em seu Recurso Voluntário que parte do valor lançado pela autoridade fiscal havia sido alcançado pela decadência e são, por conseqüência, indevidos. Em suas razões de recurso, a mesma contesta o fato da utilização do art. 173, I do CTN, defendendo ser a matéria regulada pelo art. 150, $ 4º do mesmo diploma legal. Para esclarecer a questão, fazse oportuno analisar as modalidades de lançamentos tributários, quais sejam: de ofício, por declaração e por homologação. Para a solução do presente litígio, vamos analisar apenas os lançamentos de ofício e por homologação. O lançamento de ofício é aquele no qual a autoridade administrativa, independente de existir qualquer tipo de autuação ou participação do sujeito passivo, verifica se está presente a ocorrência do fato gerador, ele mesmo determina a matéria tributável, calcula o montante do tributo, identifica o sujeito passivo e, se este for o caso, sugere a aplicação da penalidade cabível. O lançamento por homologação, por sua vez, é quando o próprio sujeito passivo informa a existência do fato gerador, calcula o tributo e efetua o pagamento, sem que a autoridade administrativa tenha praticado qualquer ato. A essa caberá apenas verificar a correição do pagamento e efetuar o lançamento tributário. O fisco possui prazo de 5 (cinco) anos para constituir o crédito tributário, fato que ocorre com a notificação do lançamento ao sujeito passivo da obrigação tributária. A contagem do prazo de decadência dependerá do tipo de lançamento tributário, isso porque o dies a quo para a contagem do prazo decadencial pode ser verificado nos artigos 173 e 150, $4º do CTN. Os tributos sujeitos ao lançamento por homologação obedecem a regra do art. 150, $4º do CTN, enquanto os tributos com lançamento de ofício sujeitamse à regra do art. 173, I do CTN. No caso dos presentes autos, não restam dúvidas que estamos diante de lançamento de ofício, visto que o ente público se valeu unicamente das informações armazenadas nos seus sistemas, não havendo a necessidade de qualquer informação por parte do sujeito passivo. A multa pelo atraso na DCTF se configura a partir da ausência de entrega da declaração até o último dia do prazo. A partir do dia seguinte a data final para entrega já incide a multa independente de qualquer informação por parte do sujeito passivo. Segundo o art. 173, I, do CTN o prazo começa a contar no primeiro dia do exercício seguinte à prática do fato gerador, para a modalidade de lançamento de ofício (art. 149 do CTN). No caso dos presentes autos, a empresa praticou o fato gerador da aplicação da multa para o primeiro semestre do anocalendário de 2005. O prazo decadencial para a constituição do crédito começa a contar, então, a partir do dia 1º (primeiro) dia de janeiro do ano de 2006, exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. O prazo decadencial tem seu termo final em 31/12/2011. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 13737.000804/200721 Acórdão n.º 1003000.158 S1C0T3 Fl. 5 4 Na hipótese de lavratura de auto de infração AI, podese afirmar que o crédito tributário estará constituído somente a partir do momento em que o sujeito passivo autuado toma ciência do referido AI, isto é, com a consumação do ato de lançamento pela sua notificação regular (CTN, art. 145). No presente caso, a data da ciência do AI foi 06/11/2007 (fls. 28), anterior, portanto, ao termo final da decadência. Isto posto, rejeito a arguição da decadência. DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA Quanto a análise da denúncia espontânea, a Recorrente declara ter cumprido espontaneamente a falta de apresentação da DCTF antes de qualquer iniciativa ou providência por parte do Fisco e defende que o cumprimento espontâneo de obrigações acessórias está abrangido no art. 138 do CTN. Inicialmente, cumpre observar que a Recorrente não contestou o atraso na entrega da declaração, nem o cálculo que foi realizado no tocante ao valor da multa, limitando se, apenas, a alegar a existência de denúncia espontânea para o caso em análise. Em relação à figura da denúncia espontânea, contemplada no art.138 do CTN, frisese a sua inaplicabilidade ao fato, porque, juridicamente, só é possível haver denúncia espontânea de fato desconhecido pela autoridade, o que não é o caso do atraso na entrega da declaração, que se toma ostensivo com o decurso do prazo fixado para a sua entrega tempestiva. O STJ já se posicionou sobre o assunto e, em decisão unânime da 1ª Turma, o RE da Fazenda Nacional n° 246.963/PR (acórdão publicado em 05/06/2000 no Diário da Justiça da União DJUe): Tributário. Denúncia espontânea. Entrega com atraso de declaração de contribuições e tributos federais DCTF. 1. A entidade "denúncia espontânea” não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF. 2. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. 3. Recurso especial provido. Oportuno transcrever o partes do voto do relator, Min. José Delgado: A extemporaneidade na entrega de declaração do tributo é considerada como sendo o descumprimento, no prazo fixado pela norma, de uma atividade fiscal exigida do contribuinte. É regra de conduta formal que não se confunde com o não pagamento do tributo, nem com as multas decorrentes por tal procedimento. A responsabilidade de que trata o art. 138, do CTN, é de pura natureza tributária e tem sua vinculação voltada para as obrigações principais e acessórias àquelas vinculadds. .. As denominadas obrigações acessórias autônomas não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN Elas se impõem' como normas necessárias para que possa ser exercida a atividade Fl. 84DF CARF MF Processo nº 13737.000804/200721 Acórdão n.º 1003000.158 S1C0T3 Fl. 6 5 administrativa fiscalizadora do tributo, sem qualquer laço com os efeitos de qualquer fato gerador do mesmo. A multa aplicada é em decorrência do poder de polícia exercido pela administração pelo não cumprimento de regra de conduta imposta a uma determinada categoria de contribuinte. Não obstante os fundamentos acima expostos, o CARF também já possui posição consolidada sobre a questão, conforme se depreende da Súmula 49 deste Conselho: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Em suma, a exoneração da multa pelo atraso na entrega de declaração fundada na Denúncia espontânea não se aplica aos casos de multas decorrentes de descumprimento de obrigações acessórias. Isso se explica pelo fato da natureza da obrigação acessória, que é autônoma do tributo cobrado. Assim, quando se descumpre a obrigação acessória, nasce um direito autônomo à cobrança (art. 113, § 3°, do CTN). Isto posto, voto por não acolher a preliminar de decadência e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 85DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10148.001251/2008-56
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO. RENDIMENTOS. ISENÇÃO.
Portador de doença grave comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico da União, dos Estados, do DF e dos Municípios tem isentos do Imposto de Renda seus rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão recebidos a partir do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão, do mês de emissão do laudo ou parecer que reconheça a moléstia, se esta for contraída após a concessão do benefício, ou da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial.
Numero da decisão: 2002-000.278
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Fábia Marcília Ferreira Campelo.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004 PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO. RENDIMENTOS. ISENÇÃO. Portador de doença grave comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico da União, dos Estados, do DF e dos Municípios tem isentos do Imposto de Renda seus rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão recebidos a partir do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão, do mês de emissão do laudo ou parecer que reconheça a moléstia, se esta for contraída após a concessão do benefício, ou da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial.
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ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. Recorrente MARIA HELENA RODRIGUES CUNHA SEPULVEDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO. RENDIMENTOS. ISENÇÃO. Portador de doença grave comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico da União, dos Estados, do DF e dos Municípios tem isentos do Imposto de Renda seus rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão recebidos a partir do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão, do mês de emissão do laudo ou parecer que reconheça a moléstia, se esta for contraída após a concessão do benefício, ou da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Fábia Marcília Ferreira Campelo. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 8. 00 12 51 /2 00 8- 56 Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10148.001251/200856 Acórdão n.º 2002000.278 S2C0T2 Fl. 61 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 12/18), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual da contribuinte acima identificada, relativa ao exercício de 2005. Essa alteração implicou na redução do imposto a restituir de R$10.324,49 para R$2.584,90. A notificação consigna a omissão de rendimentos, recebidos do Instituto de Previdência dos Servidores Militares de MG, no valor de R$54.005,45. Impugnação Cientificada à contribuinte em 6/8/2008, a NL foi objeto de impugnação, em 19/8/2008, à fl. 2/18 dos autos, na qual a contribuinte alegou que os rendimentos seriam isentos por ser ela portadora de moléstia grave e que naquela ocasião juntava laudo pericial que comprovaria a situação relatada. A impugnação foi apreciada na 4ª Turma da DRJ/JFA que, por unanimidade, julgou a impugnação improcedente, em decisão assim ementada (fls. 42/48): IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. A isenção do IRPF alcança as pensões e proventos de aposentadoria e reforma recebidos por pessoas portadoras de doença grave listada em lei, não se estendendo tal beneficio a casos de moléstia não contemplada na legislação tributária de regência. Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 19/1/2009 (fl. 52), a contribuinte apresentou relatório médico de fl.54. Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do artigo 23B, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, e suas alterações (fl.36). Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10148.001251/200856 Acórdão n.º 2002000.278 S2C0T2 Fl. 62 3 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade Da análise dos autos, constatase que, após a ciência da contribuinte da decisão a quo, consta tão somente a anexação ao presente do relatório médico de fl.54, sem a data de recebimento. Não obstante, constatase que o carimbo relativo à numeração de fls. do processo em papel demonstra que ao Aviso de Recebimento foi atribuída a numeração 26 e, em seguida, vem o relatório médico constando como fl.29. Depreendese que, por ocasião da digitalização do processo em papel, ocorreu um erro que acabou por não incluir parte do recurso da contribuinte. Não obstante, nesta sessão de julgamento, estão em julgamento outros três processos de interesse da contribuinte, também julgados em conjunto pela DRJ e para os quais a contribuinte apresentou recursos na mesma ocasião e de igual teor. Assim, entendo desnecessário remeter os autos à Unidade de origem para saneamento dos autos e informação quanto à ciência da recorrente, sendo de se utilizar os elementos dos outros três processos, de forma a não postergar ainda mais a decisão destes autos. Registrese que se trata de processo formalizado no ano de 2008 e que, dez anos depois, ainda não foi dada uma resposta ao pleito da contribuinte. Dessa forma, entendo que é de se considerar que o recurso foi apresentado tempestivamente e atende aos requisitos de admissibilidade, cabendo seu conhecimento. Mérito A teor da legislação de regência, reproduzida na decisão de piso, para a configuração da isenção do imposto de renda aos portadores de moléstia grave, devem concorrer, concomitantemente, dois requisitos: a comprovação da doença por intermédio de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios e, ainda, exigese que os rendimentos estejam relacionados à aposentadoria, reforma ou pensão. Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10148.001251/200856 Acórdão n.º 2002000.278 S2C0T2 Fl. 63 4 No caso, a decisão de piso considerou que nenhum dos dois requisitos foi atendido: A contribuinte não trouxe à colação documentação hábil capaz de comprovar a data de concessão de sua pensão ou aposentadoria, conforme for o caso. Tal fato, por si só, já seria suficiente para indeferir o pleito passivo. Como segunda condição acima mencionada, há que restar comprovado ser a contribuinte portadora de uma das doenças previstas no texto legal. Para tanto, trouxe a requerente o Relatório Médico fornecido por médico do Hospital Escola Universidade Federal do Triângulo Mineiro Uberaba MG, dando conta de que a Sra. Maria Helena Rodrigues Cunha Sepúlveda (ora notificada) "Encontrase em tratamento desde 1999 e portadora de doença de Alzheimer CID: G30.1 (doença não passível de cura)." Sem imiscuirse na validade de tal Relatório Médico para o fim pretendido pela peticionária, em face dos ditames do §4°, do art. 39, do RIR/99, temse que, efetivamente, o diagnóstico de Mal de Alzheimer, por si só, não gera direito à isenção de que trata o já mencionado art. 39, XXXIII, do RIR199, tendo em vista não constar expressamente dentre as doenças graves lá relacionadas. Entretanto, há de se alertar a existência de situações em que é atestada a presença de alienação mental, ainda que decorrente do Mal de Alzheimer, estando tal alienação presente na lista de doenças graves que dão direito à isenção do imposto, devendo este diagnóstico ser comprovado mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, o que, na espécie, também não ocorreu. (destaques acrescidos) Como já tratado neste voto, consta dos autos somente o relatório médico de fl.54, mas, nos outros três processos da contribuinte, foi apresentada declaração expedida pelo Instituto de Previdência dos Servidores Militares do Estado de Minas Gerais, informando ser ela pensionista daquele instituto desde 17 de abril de 1991, conforme reprodução abaixo: Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10148.001251/200856 Acórdão n.º 2002000.278 S2C0T2 Fl. 64 5 Dessa feita, resta comprovado que os rendimentos decorrem de pensão. O Relatório Médico expedido pelo Hospital Escola da Universidade Federal do Triângulo Mineiro indica ser a contribuinte portadora de Doença de Alzheimer desde 1999 com alienação mental e que necessita de ajuda contínua para realizações de atividades da vida diária (fl.54). Filiome à corrente que considera que o mal de alzheimer é moléstia que se insere na expressão "alienação mental", estando, portanto, dentro do rol das moléstias previstas em lei, conforme inclusive indica o novo laudo juntado por ela. Nesse sentido, seguem ementas de julgados emanados do CARF e da CSRF: Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10148.001251/200856 Acórdão n.º 2002000.278 S2C0T2 Fl. 65 6 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 MOLÉSTIA GRAVE. MAL DE ALZHEIMER. ALIENAÇÃO MENTAL ISENÇÃO. Os rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão, auferidos pelos portadores de moléstia grave comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, estão isentos do imposto de renda, nos termos do artigo 6°, inciso XIV, da Lei n° 7.713, de 1988, com a redação que lhe foi dada pela Lei n° 8.541, de 1992, combinado com o artigo 30 da Lei n° 9.250, de 1955. Nos casos de alienação mental é possível considerarse como laudo pericial emitido por serviço médico oficial o laudo do médico perito designado pelo Juízo no curso de ação judicial de interdição, desde que conste a data inicial da doença. Havendo nos autos laudos médicos confirmando de que o contribuinte é portador do chamado Mal de Alzheimer e que o quadro clínico apresentado caracteriza sua alienação mental, é de se concluir que o mesmo tem direito ao gozo da isenção prevista no artigo 6°, inciso XIV, da Lei n° 7.713, de 1988, com a redação que lhe foi dada pela Lei n° 8.541, de 1992. (Acórdão nº 220201.708, de 14 de março de 2012) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 IRPF. MOLÉSTIA GRAVE. DOENÇA DE ALZHEIMER. DEMÊNCIA O estado de alienação mental ou a síndrome demencial ou constituída da demência senil causada pela Doença de Alzheimer configura o pressuposto de “moléstia grave” previsto na legislação para fins de isenção do imposto sobre proventos de aposentadoria e pensão.. (Acórdão nº 9202005.441, de 23 de maio de 2017) Quanto à entidade emissora do laudo, tratase de hospital universitário e de ensino, pertencente a estrutura de pessoa jurídica de direito público e, portanto, dentro do conceito de serviço médico oficial. Assim, restando comprovado que a recorrente cumpriu os preceitos legais para a obtenção de isenção do IR sobre os rendimentos de sua pensão, é de se cancelar a omissão apontada na autuação. Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10148.001251/200856 Acórdão n.º 2002000.278 S2C0T2 Fl. 66 7 Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 66DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.721066/2009-64
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
PIS/PASEP E COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS.
O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária", na qual, para definir insumos, busca-se a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte.
Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço.
FRETE DE INSUMOS E PRODUTOS SEMI-ELABORADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS.
A transferência de matérias-primas extraídas das minas para as fábricas constitui-se em etapa essencial do ciclo produtivo, ainda mais quando se considera a distância que separa as unidades mineradoras dos complexos industriais e a diversidade de locais onde as minas estão situadas. Além disso, é característica da atividade da Recorrida a produção do próprio insumo, até mesmo como forma de ter a segurança de não interrupção do processo produtivo dos fertilizantes. Nesse cenário, portanto, mostra-se imprescindível a contratação do frete junto à terceira pessoa jurídica para transferência entre estabelecimentos da mesma empresa - frete pago em decorrência do transporte dos minerais das minas até o complexo industrial local onde é produzido o fertilizante, inserindo-se no conceito de insumo.
Assim, os valores decorrentes da contratação de fretes de insumos (matérias-primas), produtos semi-elaborados e produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática não-cumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em insumos essenciais no seu processo de industrialização.
Nos termos do §8º, do art. 63 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, importa consignar ser o entendimento da maioria do Colegiado, que acompanhou a Relatora pelas conclusões, que o conceito de insumo é mais restritivo, podendo ser reconhecido o direito ao crédito de PIS e COFINS não-cumulativos quando o bem ou serviço a ser considerado como insumo estiver estritamente vinculado à produção da mercadoria.
Numero da decisão: 9303-007.079
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Jorge Olmiro Lock Freire e Rodrigo da Costa Pôssas.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 PIS/PASEP E COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária", na qual, para definir insumos, busca-se a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. FRETE DE INSUMOS E PRODUTOS SEMI-ELABORADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. A transferência de matérias-primas extraídas das minas para as fábricas constitui-se em etapa essencial do ciclo produtivo, ainda mais quando se considera a distância que separa as unidades mineradoras dos complexos industriais e a diversidade de locais onde as minas estão situadas. Além disso, é característica da atividade da Recorrida a produção do próprio insumo, até mesmo como forma de ter a segurança de não interrupção do processo produtivo dos fertilizantes. Nesse cenário, portanto, mostra-se imprescindível a contratação do frete junto à terceira pessoa jurídica para transferência entre estabelecimentos da mesma empresa - frete pago em decorrência do transporte dos minerais das minas até o complexo industrial local onde é produzido o fertilizante, inserindo-se no conceito de insumo. Assim, os valores decorrentes da contratação de fretes de insumos (matérias-primas), produtos semi-elaborados e produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática não-cumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em insumos essenciais no seu processo de industrialização. Nos termos do §8º, do art. 63 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, importa consignar ser o entendimento da maioria do Colegiado, que acompanhou a Relatora pelas conclusões, que o conceito de insumo é mais restritivo, podendo ser reconhecido o direito ao crédito de PIS e COFINS não-cumulativos quando o bem ou serviço a ser considerado como insumo estiver estritamente vinculado à produção da mercadoria.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Jorge Olmiro Lock Freire e Rodrigo da Costa Pôssas. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
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CRÉDITO. FRETE NO TRANSPORTE DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado GALVANI INDÚSTRIA, COMÉRCIO E SERVIÇOS S.A. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 PIS/PASEP E COFINS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária", na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. FRETE DE INSUMOS E PRODUTOS SEMIELABORADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. A transferência de matériasprimas extraídas das minas para as fábricas constituise em etapa essencial do ciclo produtivo, ainda mais quando se considera a distância que separa as unidades mineradoras dos complexos industriais e a diversidade de locais onde as minas estão situadas. Além disso, é característica da atividade da Recorrida a produção do próprio insumo, até mesmo como forma de ter a segurança de não interrupção do processo produtivo dos fertilizantes. Nesse cenário, portanto, mostrase imprescindível a contratação do frete junto à terceira pessoa jurídica para transferência entre estabelecimentos da mesma empresa frete pago em decorrência do transporte dos minerais das minas até o complexo industrial local onde é produzido o fertilizante, inserindose no conceito de insumo. Assim, os valores decorrentes da contratação de fretes de insumos (matérias primas), produtos semielaborados e produtos acabados entre AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 10 66 /2 00 9- 64 Fl. 208DF CARF MF Processo nº 10830.721066/200964 Acórdão n.º 9303007.079 CSRFT3 Fl. 3 2 estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática nãocumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em insumos essenciais no seu processo de industrialização. Nos termos do §8º, do art. 63 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, importa consignar ser o entendimento da maioria do Colegiado, que acompanhou a Relatora pelas conclusões, que o conceito de insumo é mais restritivo, podendo ser reconhecido o direito ao crédito de PIS e COFINS nãocumulativos quando o bem ou serviço a ser considerado como insumo estiver estritamente vinculado à produção da mercadoria. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Jorge Olmiro Lock Freire e Rodrigo da Costa Pôssas. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10830.721066/200964 Acórdão n.º 9303007.079 CSRFT3 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL com fulcro nos artigos 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, buscando a reforma do Acórdão nº 3302002.982 proferido pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento. Na parte de interesse ao presente julgamento, o colegiado a quo reconheceu o direito de crédito da contribuição sobre o frete pago no transporte de insumos entre estabelecimentos da empresa. A Fazenda Nacional alega divergência com relação ao entendimento adotado no acórdão recorrido de que existe previsão legal para crédito de PIS e COFINS nãocumulativos sobre valores de fretes pagos, pelo transporte entre estabelecimentos do mesmo proprietário, de insumos minérios extraídos de minas e enviados a complexos industriais. Sustenta existir direito ao crédito somente com relação ao frete na operação de venda, e quando o ônus for suportado pelo vendedor. Foi dado seguimento ao recurso especial mediante despacho de admissibilidade proferido pelo Presidente da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por se ter entendido como comprovada a divergência jurisprudencial. A Contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial postulando a negativa de provimento. É o Relatório. Fl. 210DF CARF MF Processo nº 10830.721066/200964 Acórdão n.º 9303007.079 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.071, de 11/07/2018, proferido no julgamento do processo 10830.721056/200929, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303007.071): "Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento. Mérito A discussão principal posta nos autos referese ao conceito de insumos para determinação se pode ser utilizado pela Contribuinte como crédito de PIS e COFINS não cumulativos os gastos incorridos com o pagamento de frete de insumos (minério e matéria prima) entre seus estabelecimentos industriais. A priori, explicitase o conceito de insumos adotado no presente voto, para posteriormente adentrarse à análise dos itens individualmente. A sistemática da nãocumulatividade para as contribuições do PIS e da COFINS foi instituída, respectivamente, pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002 (PIS) e pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003 (COFINS). Em ambos os diplomas legais, o art. 3º, inciso II, autorizase a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda.1 1 Lei nº 10.637/2002 (PIS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; [...]. Lei nº 10.8332003 (COFINS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...]II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10830.721066/200964 Acórdão n.º 9303007.079 CSRFT3 Fl. 6 5 O princípio da nãocumulatividade das contribuições sociais foi também estabelecido no §12º, do art. 195 da Constituição Federal, por meio da Emenda Constitucional nº 42/2003, consignandose a definição por lei dos setores de atividade econômica para os quais as contribuições sociais dos incisos I, b; e IV do caput, dentre elas o PIS e a COFINS. 2 A disposição constitucional deixou a cargo do legislador ordinário a regulamentação da sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Por meio das Instruções Normativas nºs 247/02 (com redação da Instrução Normativa nº 358/2003) (art. 66) e 404/04 (art. 8º), a Secretaria da Receita Federal trouxe a sua interpretação dos insumos passíveis de creditamento pelo PIS e pela COFINS. A definição de insumos adotada pelos mencionados atos normativos é excessivamente restritiva, assemelhandose ao conceito de insumos utilizado para utilização dos créditos do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, estabelecido no art. 226 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI). As Instruções Normativas nºs 247/2002 e 404/2004, ao admitirem o creditamento apenas quando o insumo for efetivamente incorporado ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, aproximandose da legislação do IPI que traz critério demasiadamente restritivo, extrapolaram as disposições da legislação hierarquicamente superior no ordenamento jurídico, a saber, as Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, e contrariaram frontalmente a finalidade da sistemática da nãocumulatividade das contribuições do PIS e da COFINS. Patente, portanto, a ilegalidade dos referidos atos normativos. Nessa senda, entendese igualmente impróprio para conceituar insumos adotarse o parâmetro estabelecido na legislação do IRPJ Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, pois demasiadamente amplo. Pelo raciocínio estabelecido a partir da leitura dos artigos 290 e 299 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), poderseia enquadrar como insumo todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços como um todo. Em Declaração de Voto apresentada nos autos do processo administrativo nº 13053.000211/200672, em sede de julgamento de recurso especial pelo Colegiado da 3ª Turma da CSRF, o ilustre Conselheiro Gileno Gurjão Barreto assim se manifestou: [...] permaneço não compartilhando do entendimento pela possibilidade de utilização isolada da legislação do IR para alcançar a definição de "insumos" pretendida. Reconheço, no entanto, que o raciocínio é auxiliar, é instrumento que pode ser utilizado para dirimir controvérsias mais estritas. Isso porque a utilização da legislação do IRPJ alargaria sobremaneira o conceito de "insumos" ao equiparálo ao conceito contábil de "custos e despesas operacionais" que abarca todos os custos e despesas que contribuem para a atividade de uma empresa (não apenas a sua produção), o que distorceria a interpretação da legislação ao ponto de tornála inócua e ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; [...] 2 Constituição Federal de 1988. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: [...] b) a receita ou o faturamento; [...] IV do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. [...]§ 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (grifouse) Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10830.721066/200964 Acórdão n.º 9303007.079 CSRFT3 Fl. 7 6 de resultar em indesejável esvaziamento da função social dos tributos, passando a desonerar não o produto, mas sim o produtor, subjetivamente. As Despesas Operacionais são aquelas necessárias não apenas para produzir os bens, mas também para vender os produtos, administrar a empresa e financiar as operações. Enfim, são todas as despesas que contribuem para a manutenção da atividade operacional da empresa. Não que elas não possam ser passíveis de creditamento, mas tem que atender ao critério da essencialidade. [...] Estabelece o Código Tributário Nacional que a segunda forma de integração da lei prevista no art. 108, II, do CTN são os Princípios Gerais de Direito Tributário. Na exposição de motivos da Medida Provisória n. 66/2002, in verbis, afirmase que “O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep.” Assim sendo, o conceito de "insumos", portanto, muito embora não possa ser o mesmo utilizado pela legislação do IPI, pelas razões já exploradas, também não pode atingir o alargamento proposto pela utilização de conceitos diversos contidos na legislação do IR. Ultrapassados os argumentos para a não adoção dos critérios da legislação do IPI nem do IRPJ, necessário estabelecerse o critério a ser utilizado para a conceituação de insumos. Diante do entendimento consolidado deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, inclusive no âmbito desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, o conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária" construída pelo CARF, na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Conceito mais elaborado de insumo, construído a partir da jurisprudência do próprio CARF e norteador dos julgamentos dos processos, no referido órgão, foi consignado no Acórdão nº 9303003.069, resultante de julgamento da CSRF em 13 de agosto de 2014: [...] Portanto, "insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei no. 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Nessa linha relacional, para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao menos, para Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10830.721066/200964 Acórdão n.º 9303007.079 CSRFT3 Fl. 8 7 tornálo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo de produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido). Portanto, para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo gerador de crédito de PIS e COFINS, imprescindível a sua essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente, bem como haja a respectiva prova. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. O entendimento está refletido no voto do Ministro Relator Mauro Campbell Marques ao julgar o recurso especial nº 1.246.317MG, sintetizado na ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10830.721066/200964 Acórdão n.º 9303007.079 CSRFT3 Fl. 9 8 se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõe se considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) (grifouse) Portanto, são insumos, para efeitos do art. 3º, II da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003, todos os bens e serviços pertinentes ao processo produtivo e à prestação de serviços, ou ao menos que os viabilizem, podendo ser empregados direta ou indiretamente, e cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo e da prestação do serviço, objetando ou comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica. Ainda no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, o tema foi recentemente julgado pela sistemática dos recursos repetitivos nos autos do recurso especial nº 1.221.170 PR, no sentido de reconhecer a ilegalidade das Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004 e aplicação de critério da essencialidade ou relevância para o processo produtivo na conceituação de insumo para os créditos de PIS e COFINS no regime não cumulativo. Até a presente data da sessão de julgamento desse processo não houve o trânsito em julgado do acórdão do recurso especial nº 1.221.170PR pela sistemática dos recursos repetitivos, pois pendente de julgamento de embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional. Fazse a ressalva do entendimento desta Conselheira, que não é o da maioria do Colegiado, que conforme previsão contida no art. 62, §2º do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os conselheiros já estão obrigados a reproduzir referida decisão. A controvérsia em exame gravita em torno da possibilidade de ser considerados como insumos os gastos decorrentes da contratação de fretes de matériasprimas entre estabelecimentos da mesma empresa, de fretes de insumos e de produtos em elaboração para transferência entre estabelecimentos da Contribuinte. Os minerais, principal insumo da produção dos fertilizantes, são extraídos pela Recorrida de minas distantes do complexo industrial, havendo a necessidade de seu transporte, por meio de frete pago a terceira pessoa jurídica, até o local da produção do fertilizante. A Contribuinte sustenta desenvolver atividade econômica em toda a cadeia de produção de fertilizantes, sendo responsável não só pela fabricação do mesmo, como também pela extração dos minerais e o beneficiamento de uma parte dos insumos utilizados no processo produtivo. Por isso, defende que as despesas com frete contratado na aquisição dos insumos, bem como para a realização das transferências de matériasprimas dos estabelecimentos mineradores para as unidades industriais são essenciais para o processo produtivo e confecção do produto fertilizantes. No caso dos autos, temse que a extração dos minerais ocorre em minas da própria Contribuinte que é a produtora dos fertilizantes, sendo que o principal insumo para a fabricação do seu produto são os minerais, portanto, necessários e essenciais à atividade da empresa. Para a movimentação da matériaprima até o estabelecimento onde é produzido o fertilizante, é preciso contratar frete pago a terceira pessoa jurídica. Tal frete, por estar diretamente ligado ao processo produtivo/fabril, deve ser considerado como insumo. Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10830.721066/200964 Acórdão n.º 9303007.079 CSRFT3 Fl. 10 9 Conforme se verifica da descrição do processo produtivo efetuada pela Recorrida, a mesma atua em toda a cadeia de produção de fertilizantes, sendo responsável pela fabricação do mesmo e também pela extração e beneficiamento de parte dos insumos utilizados no processo produtivo. Traz como exemplo, o concentrado de fosfático pó, que [...] é gerado e encaminhado de sua unidade de Lagamar, em Minas Gerais, para o Complexo Industrial da Paulínia, em São Paulo, onde, agregado a outros insumos, alguns dos quais adquiridos de terceiros, dá origem ao fertilizante, produto final daquela. A transferência de matériasprimas extraídas das minas para as fábricas constituise em etapa essencial do ciclo produtivo, ainda mais quando se considera a distância que separa as unidades mineradoras dos complexos industriais e a diversidade de locais onde as minas estão situadas. Além disso, é característica da atividade da Recorrida a produção do próprio insumo, até mesmo como forma de ter a segurança de não interrupção do processo produtivo dos fertilizantes. Nesse cenário, portanto, mostrase imprescindível a contratação do frete junto à terceira pessoa jurídica para transferência entre estabelecimentos da mesma empresa frete pago em decorrência do transporte dos minerais das minas até o complexo industrial local onde é produzido o fertilizante, inserindose no conceito de insumo. Assim, os valores decorrentes da contratação de fretes de insumos (matérias primas), produtos semielaborados e produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática nãocumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em insumos essenciais no seu processo de industrialização. No mesmo sentido, já se pronunciou essa 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais no julgamento que resultou no Acórdão n.º 9303005.156, de relatoria da nobre conselheira Tatiana Midori Migiyama: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008 CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na operação” de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo frete na operação de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE MATÉRIASPRIMAS ENTRE ESTABELECIMENTOS Os fretes na transferência de matériasprimas entre estabelecimentos, essenciais para a atividade do sujeito passivo, eis que vinculados com as etapas de industrialização do produto e seu objeto social, devem ser enquadrados como insumos, nos termos do art. 3º, inciso II, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso II, da Lei 10.637/02. Cabe ainda refletir que tais custos nada diferem daqueles relacionados às máquinas de esteiras que levam a matériaprima de um lado para o outro na fábrica para a continuidade da produção/industrialização/beneficiamento de determinada mercadoria/produto. PIS. COFINS. CRÉDITO. NÃO CUMULATIVIDADE. FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS TRIBUTADOS COM ALÍQUOTA ZERO OU ADQUIRIDOS COM SUSPENSÃO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10830.721066/200964 Acórdão n.º 9303007.079 CSRFT3 Fl. 11 10 Não há previsão legal para aproveitamento dos créditos sobre os serviços de fretes utilizados na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições ao PIS e a Cofins. Por fim, nos termos do §8º, do art. 63 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, importa consignar ser o entendimento da maioria do Colegiado, que acompanhou a Relatora pelas conclusões, que o conceito de insumo é mais restritivo, podendo ser reconhecido o direito ao crédito de PIS e COFINS nãocumulativos quando o bem ou serviço a ser considerado como insumo estiver estritamente vinculado à produção da mercadoria. Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 217DF CARF MF
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Numero do processo: 12893.000010/2008-82
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004
INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC.
É devida a correção monetária pela taxa Selic sobre o crédito presumido de IPI objeto de pedido de ressarcimento/restituição, consoante Resp nº 1.035.847/RS, de aplicação obrigatória por este Conselho, pois submetido à sistemática dos recursos repetitivos pelo STJ.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL. 360 DIAS.
A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça - STJ, no julgamento do REsp 1.035.847/RS, sob o rito do art. 543-C do CPC, firmou entendimento no sentido de que o aproveitamento de créditos escriturais, em regra, não dá ensejo à correção monetária, exceto quanto obstaculizado injustamente o creditamento pela Fazenda.
É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco" (Súmula 411/STJ). Em tais casos, a correção monetária, pela taxa SELIC, deve ser contada a partir do fim do prazo de que dispõe a administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 dias (art.24 da Lei nº11.457/07), nos termos do REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543-C do CPC e da Resolução 8/STJ.
Numero da decisão: 9303-007.431
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para considerar incidência da Taxa Selic somente a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) contados da data do protocolo do pedido, sobre o montante do crédito deferido em sede de decisão judicial, vencidas as Conselheiras Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento parcial em menor extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Demes Brito.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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É devida a correção monetária pela taxa Selic sobre o crédito presumido de IPI objeto de pedido de ressarcimento/restituição, consoante Resp nº 1.035.847/RS, de aplicação obrigatória por este Conselho, pois submetido à sistemática dos recursos repetitivos pelo STJ. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL. 360 DIAS. A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça STJ, no julgamento do REsp 1.035.847/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, firmou entendimento no sentido de que o aproveitamento de créditos escriturais, em regra, não dá ensejo à correção monetária, exceto quanto obstaculizado injustamente o creditamento pela Fazenda. É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco" (Súmula 411/STJ). Em tais casos, a correção monetária, pela taxa SELIC, deve ser contada a partir do fim do prazo de que dispõe a administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 dias (art.24 da Lei nº11.457/07), nos termos do REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para considerar incidência da Taxa Selic somente a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 3. 00 00 10 /2 00 8- 82 Fl. 558DF CARF MF Processo nº 12893.000010/200882 Acórdão n.º 9303007.431 CSRFT3 Fl. 559 2 contados da data do protocolo do pedido, sobre o montante do crédito deferido em sede de decisão judicial, vencidas as Conselheiras Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento parcial em menor extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Demes Brito. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora (assinado digitalmente) Demes Brito Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL (fls. 389 a 403), com fulcro no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, buscando a reforma do Acórdão nº 3402002.002 (fls. 220 a 226) proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 31 de janeiro de 2013, no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI COMO RESSARCIMENTO DE PIS E COFINS. LEI Nº 9.363/96. BASE DE CÁLCULO. ENERGIA ELÉTRICA, COMBUSTÍVEIS E AFINS. SÚMULA CARF Nº 19. Apenas são passíveis de integrar a base de cálculo do crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.363, de 1996, a aquisição de matéria prima, produtos intermediários e materiais de embalagens, não se enquadrando como tais a energia elétrica, o bagaço de cana, lenha, o óleo 3A e afins, utilizados como combustíveis e fontes de energia elétrica, uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto. Aplicação da Súmula nº 19, do CARF. Fl. 559DF CARF MF Processo nº 12893.000010/200882 Acórdão n.º 9303007.431 CSRFT3 Fl. 560 3 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXEGESE DO RESP 1.035.847/RS. PRECEDENTES DO STJ. APLICAÇÃO DO ART. 62A, DO RICARF. A partir do julgamento, pelo STJ, do REsp 1.035.847/RS, de relatoria do Min. Luiz Fux, submetido ao rito dos Recursos Repetitivos (CPC, art. 543 C), foi firmado entendimento no sentido de que é devida a atualização pela SELIC dos créditos objeto de pedido de ressarcimento ou compensação, por resistência ilegítima da Administração, ainda que seja decorrente da demora na análise do respectivo processo administrativo. Direito a atualização do crédito ressarciendo desde o protocolo do pedido até o efetivo aproveitamento, via restituição ou compensação. Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte. Devidamente intimada, a Fazenda Nacional opôs embargos de declaração (fls. 370 a 375) alegando omissão, em razão da aplicação do art. 62A do RICARF, aprovado pela Portaria n.º 256/2009, em face do julgamento do REsp n.º 993.164 pelo Superior Tribunal de Justiça. Os embargos foram conhecidos e rejeitados, consoante Acórdão nº 3402002.177 (fls. 378 a 384), em razão da inexistência do vício apontado. Na sequência, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial suscitando divergência jurisprudencial quanto à não incidência da taxa Selic nos pedidos de ressarcimento de crédito presumido de IPI, colacionando como paradigma os acórdãos n.º 3403001.856. Conforme despacho s/n.º, de 25 de agosto de 2015 (fls. 516 a 518), foi dado seguimento ao recurso especial da Procuradoria, por ter sido comprovada a existência de divergência jurisprudencial. A Contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial da Fazenda Nacional (fls. 527 a 538), requerendo, preliminarmente, o seu não conhecimento e, no mérito, a negativa de provimento. O presente processo foi distribuído a essa Relatora, estando apto a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Fl. 560DF CARF MF Processo nº 12893.000010/200882 Acórdão n.º 9303007.431 CSRFT3 Fl. 561 4 Voto Vencido Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando analisarse o atendimento aos demais requisitos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (anteriormente Portaria MF n.º 256/2009). Em sede de contrarrazões, sustenta a Contribuinte, em síntese, que não deve ser conhecido o recurso especial da Fazenda Nacional pois a tese da incidência da taxa Selic sobre o crédito presumido de IPI já teria sido superada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, bem como teria sido objeto de decisão em sede de recurso repetitivo pelo STJ. Segue trecho da fundamentação das contrarrazões: [...] na data da interposição do recurso fazendário, a tese debatida pela Fazenda Nacional já estava superada no âmbito do CARF, motivo pelo qual o recurso ora contra razoado não poderia sequer ter sido admitido. Também à luz do inciso II do parágrafo 12 do art. 67 do RICARF em vigor, aprovado pela Portaria MF n. 343/15 o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional não deve ser admitido, tendo em vista que a matéria já foi superada com a adoção do entendimento proferido pelo Superior Tribunal de Justiça ("STJ"), nos autos do Recurso Especial n. 993.164MG e n. 1.035.847RS, julgados sob o regime do recurso repetitivo, tendo havido o trânsito em julgado de ambas as decisões. Portanto, não merece qualquer acolhimento a pretensão fazendária, pois não há que se falar em divergência jurisprudencial, eis que a matéria já foi superada pela jurisprudência da própria CSRF, bem como o entendimento da matéria já foi pacificado pelo STJ em sede de recurso repetitivo. [...] À época do despacho de admissibilidade a jurisprudência da CSRF não se encontrava consolidada quanto a todos os aspectos da incidência da taxa Selic, razão pela qual deve ter prosseguimento o recurso. Fica clara a divergência existente entre os acórdãos recorrido e paradigma, conforme se depreende de trecho extraído do despacho de admissibilidade (fl. 517): [...] A divergência suscitada pela d. Procuradoria diz respeito à incidência da taxa Selic sobre o ressarcimento, deferido (sem oposição ilegítima) e efetivamente usufruído, de crédito presumido do IPI. Fl. 561DF CARF MF Processo nº 12893.000010/200882 Acórdão n.º 9303007.431 CSRFT3 Fl. 562 5 Visando comprovar a divergência suscitada a Recorrente apresentou, como paradigma, o Acórdão nº 3403001.856, cujo inteiro teor da ementa foi transcrita no recurso. Na decisão recorrida foi concedida a incidência da taxa Selic a partir da data da protocolização do pedido de ressarcimento até o efetivo ressarcimento ou compensação, incidência autorizada sobre a totalidade dos créditos reconhecidos pela unidade de origem, em razão da demora no ressarcimento, ainda que já efetivamente usufruídos pelo contribuinte via ressarcimento em espécie ou compensação, [...] Por sua vez, no paradigma representado pelo Acórdão nº 3403001.856, de 26/11/2012, firmou entendimento diverso, no sentido de que só há autorização para atualização monetária, com base na variação da taxa Selic, quando há oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito, não aplicável quando o direito de crédito é integralmente aproveitado, [...] Além disso, o acórdão indicado como paradigma pela Procuradoria da Fazenda Nacional, de n.º 3403001.856, foi proferido em 26/11/2012, portanto, em data posterior à prolação dos julgados em sede de recurso repetitivo pelo Superior Tribunal de Justiça: o REsp n.º 993.164, que trata da possibilidade de inclusão das aquisições de cooperativas e pessoas físicas na base de cálculo do crédito presumido de IPI, foi julgado em 13/12/2010 e publicado em 17/12/2010; o REsp nº. 1.035.847, que trata da incidência da taxa Selic sobre os pedidos de ressarcimento do crédito presumido de IPI, foi julgado em 24/06/2009, e publicado em 03/08/2009. Assim, inaplicável a disposição contida no art. 67, §12º, inciso II, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF n.º 343/2015, devendo ter prosseguimento o recurso especial da Fazenda Nacional. Mérito No mérito, a controvérsia posta no recurso especial da Fazenda Nacional cinge se à não incidência da taxa Selic nos pedidos de ressarcimento de crédito presumido de IPI, por ter sido deferido e usufruído sem oposição de ato estatal Incidência da taxa Selic sobre o ressarcimento de crédito presumido de IPI No acórdão recorrido, foi determinada a incidência da taxa Selic desde o protocolo do pedido até o efetivo aproveitamento, via restituição ou compensação, a recair sobre os valores deferidos pela DRF, "[...] e não à totalidade do pedido apresentado pelo contribuinte, pois que o valor não reconhecido, devendo incidir a correção sobre os créditos efetivamente existentes e deferidos pela Autoridade Pública". Com relação à atualização do ressarcimento de crédito presumido de IPI, instituído pela Lei nº 9.363/96, pela taxa Selic, o Superior Tribunal de Justiça posicionouse no sentido de ser cabível a correção monetária, por meio do julgamento do recurso especial nº 1035847/RS, pela sistemática dos recursos repetitivos do art. 543C do Código de Processo Fl. 562DF CARF MF Processo nº 12893.000010/200882 Acórdão n.º 9303007.431 CSRFT3 Fl. 563 6 Civil de 1973 (correspondente ao art. 1.036 do Novo Código de Processo Civil), que recebeu a seguinte ementa: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel.Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1035847/RS, Rel. Ministro oLUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009) (grifouse) O caso julgado em sede de recursos repetitivos pelo Superior Tribunal de Justiça aplicase ao presente processo administrativo, uma vez que também tratou de pedido de ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI da Lei nº 9.363/96, decorrente de impedimento interposto por atos normativos infralegais para aproveitamento do benefício. Portanto, deverá haver a incidência da correção monetária pela taxa Selic sobre o montante a ser ressarcido, conforme entendimento já consolidado neste Colegiado exemplificativamente citamse os acórdãos n.º 9303007.011, 9303006.884, 9303007.155 e 9303006.998. Fl. 563DF CARF MF Processo nº 12893.000010/200882 Acórdão n.º 9303007.431 CSRFT3 Fl. 564 7 No caso dos autos, houve a oposição estatal ilegítima a obstar o aproveitamento do crédito presumido de IPI: o direito creditório da Contribuinte foi deferido parcialmente, nos termos do despacho decisório (fls. 145 a 154), direito de crédito posteriormente mantido em sede de julgamento de manifestação de inconformidade e de recurso voluntário. Em que pese não ter havido reconhecimento do crédito pelas instâncias de julgamento após a prolação do despacho decisório, em sede de mandado de segurança foi deferida parte do direito creditório a que buscava a Contribuinte, comando judicial que deve ser observado nos autos do processo administrativo (fls. 350 a 351). Portanto, dúvidas não há quanto à possibilidade de incidência da correção monetária sobre o valor a ser ressarcido. Nesse sentido, é o entendimento já consolidado desta 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, como se vê no Acórdão n.º 9303007.012, de relatoria do Ilustre Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas. Com relação ao termo inicial da incidência da taxa Selic, tem prevalecido neste Colegiado entendimento no seguinte sentido, do qual não compartilha esta Relatora: é cabível a correção monetária pela taxa Selic sobre o montante a ser ressarcido/restituído a título de crédito presumido de IPI, a contar do fim do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) de que dispõe a Administração Pública para análise do pedido, independentemente da época do protocolo do requerimento (art. 24 da Lei nº 11.457/07); referida construção de entendimento veio embasada no Resp nº 1.138.206/RS, submetido a julgamento pela sistemática dos recursos repetitivos pelo Superior Tribunal de Justiça, no qual restou definido como prazo razoável para a Administração analisar processo o interregno de 360 (trezentos e sessenta dias); além disso, quando inaugurada a posição nesta 3ª Turma da CSRF, foi invocado o AgRg no Resp nº 1.467.934/RS, cujo Relator é o Ministro Sérgio Kukina, não submetido ao rito dos recursos repetitivos, no qual foi externado o posicionamento de que, tendo em vista o prazo de 360 dias estabelecido no Resp nº 1.138.206/RS, a partir do final do referido prazo é que deveria incidir a correção monetária pela taxa Selic sobre o montante objeto do pedido de ressarcimento, por ter entendido o Ministro, naquele caso específico, que somente a partir dessa data caracterizarseia a mora administrativa. Anteriormente, nos julgamentos realizados por esta 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a exemplo do Acórdão nº 9303005.172, de 17/05/2017, o posicionamento que prevalecia é de que tendo ocorrido o indeferimento injustificado do pedido de ressarcimento do crédito presumido de IPI, o qual posteriormente vem a ser reconhecido em sede de julgamento pela DRF ou pelo CARF, a correção monetária pela taxa Selic deveria incidir sobre o valor inicialmente indeferido, e desde a data do protocolo do pedido de ressarcimento. Há também corrente segundo a qual deverá incidir a correção monetária pela taxa Selic sobre o montante a ser ressarcido que foi reconhecido nas instâncias administrativas de julgamento pelo CARF, desde a data do protocolo do pedido, até o efetivo recebimento, em espécie ou por meio de compensação com outros tributos. Este o posicionamento adotado por esta Conselheira, por entender que a demora do aproveitamento do crédito de IPI dáse a partir Fl. 564DF CARF MF Processo nº 12893.000010/200882 Acórdão n.º 9303007.431 CSRFT3 Fl. 565 8 do momento em que veiculado o pedido de ressarcimento, quando optou a Contribuinte por exercer o seu direito e restou caracterizada a mora do Fisco. Portanto, temse o entendimento de que: (a) é devida a correção monetária pela taxa Selic sobre o crédito presumido de IPI quando o seu aproveitamento decorre de oposição ilegítima do Fisco, nos termos do Resp nº 1035847/RS, submetido ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil de 1973 (correspondente ao art. 1.036 do Novo Código de Processo Civil), de observância obrigatória pelos conselheiros do CARF, consoante art. 62, §2º do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2015; e (b) o termo inicial da correção monetária deve ser a data do protocolo do pedido de ressarcimento, até o efetivo recebimento do crédito, em espécie ou por meio de compensação com outros tributos. Com referido posicionamento acerca do termo inicial da incidência de correção monetária pela taxa Selic, não se está descumprindo a exigência regimental de observância dos julgados proferidos pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recursos repetitivos (art. 62, §2º do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2009). Explicase: (i) no Resp nº 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC (correspondente ao art. 1.036 do Novo Código de Processo Civil), a questão submetida a julgamento referiuse "à fixação, pelo Poder Judiciário, de prazo razoável para a conclusão de processo administrativo fiscal", tendo sido firmada a tese de que "Tanto para os requerimentos efetuados anteriormente à vigência da Lei 11.457/07, quanto aos pedidos protocolados após o advento do referido diploma legislativo, o prazo aplicável é de 360 dias a partir do protocolo dos pedidos (art. 24 da Lei 11.457/07)". Não houve no julgamento a fixação de termo inicial para a incidência de correção pela taxa Selic sobre o montante a ser ressarcido/restituído nos processos administrativos. A ementa do referido julgado foi redigida nos seguintes termos: TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. DURAÇÃO RAZOÁVEL DO PROCESSO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL FEDERAL. PEDIDO ADMINISTRATIVO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA DECISÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. APLICAÇÃO DA LEI 9.784/99. IMPOSSIBILIDADE. NORMA GERAL. LEI DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECRETO 70.235/72. ART. 24 DA LEI 11.457/07. NORMA DE NATUREZA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. A duração razoável dos processos foi erigida como cláusula pétrea e direito fundamental pela Emenda Constitucional 45, de 2004, que acresceu ao art. 5º, o inciso LXXVIII, in verbis: "a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação." 2. A conclusão de processo administrativo em prazo razoável é corolário dos princípios da eficiência, da moralidade e da razoabilidade. (Precedentes: MS 13.584/DF, Rel. Ministro JORGE MUSSI, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 13/05/2009, DJe 26/06/2009; REsp 1091042/SC, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/08/2009, DJe 21/08/2009; MS 13.545/DF, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, TERCEIRA SEÇÃO, julgado Fl. 565DF CARF MF Processo nº 12893.000010/200882 Acórdão n.º 9303007.431 CSRFT3 Fl. 566 9 em 29/10/2008, DJe 07/11/2008; REsp 690.819/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22/02/2005, DJ 19/12/2005) 3. O processo administrativo tributário encontrase regulado pelo Decreto 70.235/72 Lei do Processo Administrativo Fiscal , o que afasta a aplicação da Lei 9.784/99, ainda que ausente, na lei específica, mandamento legal relativo à fixação de prazo razoável para a análise e decisão das petições, defesas e recursos administrativos do contribuinte. 4. Ad argumentandum tantum, dadas as peculiaridades da seara fiscal, quiçá fosse possível a aplicação analógica em matéria tributária, caberia incidir à espécie o próprio Decreto 70.235/72, cujo art. 7º, § 2º, mais se aproxima do thema judicandum, in verbis: "Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (Vide Decreto nº 3.724, de 2001) I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos." 5. A Lei n.° 11.457/07, com o escopo de suprir a lacuna legislativa existente, em seu art. 24, preceituou a obrigatoriedade de ser proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo dos pedidos, litteris: "Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte." 6. Deveras, ostentando o referido dispositivo legal natureza processual fiscal, há de ser aplicado imediatamente aos pedidos, defesas ou recursos administrativos pendentes. 7. Destarte, tanto para os requerimentos efetuados anteriormente à vigência da Lei 11.457/07, quanto aos pedidos protocolados após o advento do referido diploma legislativo, o prazo aplicável é de 360 dias a partir do protocolo dos pedidos (art. 24 da Lei 11.457/07). 8. O art. 535 do CPC resta incólume se o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 9. Recurso especial parcialmente provido, para determinar a obediência ao prazo de 360 dias para conclusão do procedimento sub judice. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1138206/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/08/2010, DJe 01/09/2010) (ii) o AgRg no Resp nº 1.467.934/RS, de Relatoria do Ministro Sérgio Kukina, trouxe o entendimento de que a correção monetária pela taxa Selic do montante a ser ressarcido deve darse a partir do fim do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) de que dispõe a Administração para apreciar o pedido de ressarcimento, pois, no seu entender, a partir daquele momento estaria caracterizada a mora administrativa, tendose embasado no Resp nº 1.138.206/RS, citado anteriormente. O AgRg no recurso especial nº 1.467.934/RS não foi submetido ao rito do art. 543C do CPC/73 (correspondente ao art. 1.036 do Novo CPC), razão pela qual não é de observância obrigatória. Os fundamentos do julgado foram sintetizados na seguinte ementa: Fl. 566DF CARF MF Processo nº 12893.000010/200882 Acórdão n.º 9303007.431 CSRFT3 Fl. 567 10 TRIBUTÁRIO. CRÉDITOS DE PIS/COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. RESSARCIMENTO. APRECIAÇÃO DO PEDIDO ADMINISTRATIVO PELO FISCO. ESCOAMENTO DO PRAZO DE 360 DIAS PREVISTO NO ART. 24 DA LEI 11.457/07. RESISTÊNCIA ILEGÍTIMA CONFIGURADA. SÚMULA 411/STJ. CORREÇÃO MONETÁRIA DEVIDA. TERMO INICIAL. TAXA SELIC 1. A Primeira Seção desta Corte Superior, no julgamento do REsp 1.035.847/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, firmou entendimento no sentido de que o aproveitamento de créditos escriturais, em regra, não dá ensejo à correção monetária, exceto quanto obstaculizado injustamente o creditamento pelo fisco. 2. "É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco" (Súmula 411/STJ). 3. Em tais casos, a correção monetária, pela taxa SELIC, deve ser contada a partir do fim do prazo de que dispõe a administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 dias (art. 24 da Lei 11.457/07). Nesse sentido: REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 4. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg no REsp 1467934/RS, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 24/02/2015, DJe 06/03/2015) Com relação ao AgRg no REsp 1467934/RS, foram opostos embargos de divergência pela empresa recorrente naquele processo perante o Superior Tribunal de Justiça, alegando que o termo inicial para a incidência da correção monetária pela taxa Selic deveria ser a data do protocolo do pedido. O recurso foi conhecido e, no julgamento de mérito concluído em 22/02/2018, negado provimento, por maioria de votos, mantendose o termo inicial da incidência da taxa Selic a partir dos 360 (trezentos e sessenta dias) do protocolo do pedido. Não obstante o resultado do julgamento, cujo acórdão ainda não foi publicado, mantémse posicionamento no sentido de que : é devida a correção monetária pela taxa Selic sobre o crédito presumido de IPI objeto de pedido de ressarcimento/restituição, consoante Resp nº 1.035.847/RS, de aplicação obrigatória por este Conselho, pois submetido à sistemática dos recursos repetitivos pelo STJ; a incidência da correção monetária darseá desde a data do protocolo do pedido de ressarcimento até o efetivo recebimento do crédito pela Contribuinte, em espécie ou por meio de compensação com outros tributos. Portanto, dáse provimento parcial ao recurso especial da Fazenda Nacional para reconhecer a possibilidade de incidência da taxa Selic somente sobre o montante que foi deferido em sede de decisão judicial, com termo inicial da data do protocolo do pedido. Dispositivo Fl. 567DF CARF MF Processo nº 12893.000010/200882 Acórdão n.º 9303007.431 CSRFT3 Fl. 568 11 Diante do exposto, provimento parcial ao recurso especial da Fazenda Nacional para reconhecer a possibilidade de incidência da taxa Selic somente sobre o montante que foi deferido em sede de decisão judicial, com termo inicial da data do protocolo do pedido. É o voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Voto Vencedor Conselheiro Demes Brito Redator designado. Em que pese os argumentos do voto da Ilustre Conselheira Relatora, discordo diametralmente de seu entendimento. O Recurso foi apresentado tempestivamente e atende os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deles tomo conhecimento, passo a decidir. A matéria divergente posta a julgamento nesta E.Câmara Superior, diz respeito a incidência ou não da taxa SELIC, sobre o cálculo de crédito presumido de IPI a ressarcir, bem como o termo inicial de incidência. Com efeito, na forma de reiterada jurisprudência oriunda do STJ, é cabível a inclusão na base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96, das aquisições efetuadas junto a pessoas físicas e cooperativas bem como a aplicação da taxa Selic acumulada, a título de “atualização monetária” do valor requerido, quando o seu deferimento decorre de ilegítima resistência por parte da Administração tributária (RESP 993.164). Embora, o STJ tenha definido aplicação da Taxa Selic acumulada a título de “atualização monetária” do valor requerido, quando o seu deferimento decorre de ilegítima resistência por parte da Administração, entendo que os processos ao crivo de julgamento desta E. Câmara Superior, a turma deve analisar detidamente se houve ou não "oposição estatal" ou "ilegítima resistência por parte da Administração Pública". Nos processos de minha relatoria, adoto o entendimento expresso do STJ de que o aproveitamento de créditos escriturais, em regra, não dá ensejo à correção monetária, exceto quanto obstaculizado injustamente pelo fisco, caracterizada a mora administrativa (REsp 1.035.847/RS, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, e Súmula 411/STJ). E ainda, também justificada a imposição de correção monetária, pela taxa SELIC, a contar do fim do prazo que a administração tinha para apreciar o pedido, que é de 360 dias, independentemente da época do requerimento (art. 24 da Lei 11.457/07), conforme decidiu a Corte Superior ao apreciar o REsp. 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. Neste mesmo diapasão, a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça STJ, sedimentou o entendimento de que, nos termos do artigo 24 da lei nº11.457/07, a Administração Pública deve obedecer ao prazo de 360 dias para decidir sobre os pedidos de ressarcimento, independentemente da época do requerimento (REsp 1.138.206/RS, submetido Fl. 568DF CARF MF Processo nº 12893.000010/200882 Acórdão n.º 9303007.431 CSRFT3 Fl. 569 12 ao rito do art. 543C do CPC/73). Assim, o marco inicial da correção monetária, levando em consideração os termos da Lei nº 11.457/2007, é o fim do prazo que a Administração tinha para apreciar o pedido, que é de 360 dias. Confiramse recentes julgados: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. IPI. CREDITAMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. SÚMULA 411/STJ. TERMO INICIAL: 360 DIAS APÓS PROTOCOLADO O PEDIDO DE RESSARCIMENTO. VERBA HONORÁRIA FIXADA EM R$ 5.000,00. VALOR NÃO CONSIDERADO IRRISÓRIO PELO STJ, CONSIDERANDO O VALOR ATRIBUÍDO À CAUSA (R$ 200.000,00) E O DECAIMENTO PARCIAL DAS AUTORAS. AGRAVO INTERNO DAS CONTRIBUINTES A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. Encontrase pacificado o entendimento da 1a. Seção desta Corte de que eventual possibilidade de aproveitamento dos créditos escriturais não dá ensejo à correção monetária, exceto se tal creditamento for injustamente obstado pela Fazenda, considerandose a mora na apreciação do requerimento administrativo de ressarcimento feita pelo Contribuinte como um óbice injustificado. Aplicase a essa hipótese o enunciado 411 da Súmula do STJ, segundo o qual é devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco. A propósito, 1a. Seção do STJ consolidou esse entendimento por ocasião do julgamento do REsp. 1.035.847/RS, relatado pelo ilustre Ministro LUIZ FUX e julgado sob o regime do art. 543C do CPC/1973. 2. O marco inicial da correção monetária só pode ser o término do prazo conferido à Administração Tributária para o exame dos requerimentos de ressarcimento, qual seja, 360 dias após o protocolo dos pedidos. Precedentes: AgInt no REsp. 1.581.330/SC, Rel. Min. GURGEL DE FARIA, DJe 21.8.2017; AgRg no AgRg no REsp. 1548446/RS, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, DJe 10.12.2015; AgRg no AgRg no REsp. 1.255.025/SC, Rel. Min. HERMAN BENJAMIN, DJe 8.9.2015. [...] 6. Agravo Interno das Contribuintes a que se nega provimento. (AgInt no REsp 1348672/SC, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 28/11/2017, DJe 5/12/2017) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CRÉDITOS ESCRITURAIS. APROVEITAMENTO. RESISTÊNCIA INJUSTIFICADA DO FISCO CORREÇÃO MONETÁRIA. TERMO A QUO. 1. A jurisprudência do STJ firmou o posicionamento de que éincabível a correção monetária de créditos escriturais como regra, exceto na Fl. 569DF CARF MF Processo nº 12893.000010/200882 Acórdão n.º 9303007.431 CSRFT3 Fl. 570 13 hipótese de ocorrer "vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário", situação em que "postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco" (REsp 1035847/RS RECURSO ESPECIAL 2008/00448972, Relator Ministro LUIZ FUX, Primeira Seção, Data de Julgamento 24/06/2009, DJe 03/08/2009, julgado pela sistemática dos recursos repetitivos). 2. Concedido à Administração Pública o prazo máximo de 360 dias, a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte, para que seja proferida decisão administrativa (art. 24 da Lei n. 11.457/2007), a interpretação literal e teleológica de tal dispositivo legal conduz à conclusão de que somente após o término desse prazo é que deve incidir a correção monetária pela taxa Selic. 3. Agravo interno desprovido. (AgInt no REsp 1637361/RS, Rel. Ministro GURGEL DE FARIA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 28/9/2017, DJe 13/11/2017) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. CRÉDITO ESCRITURAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. TERMO A QUO. LEI 11.457/2007. DISSÍDIO INTERNO NÃO DEMONSTRADO. ACÓRDÃO EM SINTONIA COM A JURISPRUDÊNCIA DAS TURMAS DE DIREITO PÚBLICO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 168/STJ. 1. Agravo regimental contra decisão que indeferiu liminarmente embargos de divergência que versam sobre o termo inicial da correção monetária de créditos tributários objeto de pedido de ressarcimento. 2. Não há similitude entre os acórdãos confrontados, tendo em vista que o acórdão embargado, para decidir a questão relativa ao termo a quo da correção monetária, ponderou o prazo estipulado pela Lei 11.451/07 para a Administração analisar o pedido de ressarcimento, sendo que essa lei nem sequer foi sopesada no julgamento do aresto apontado como paradigma. 3. Ademais, o entendimento adotado pelo acórdão embargado, de que após a vigência do art. 24 da Lei 11.457/2007 a correção monetária de ressarcimento de créditos de ocorre após o prazo de 360 dias para análise do pedido administrativo, encontrase em conformidade com a jurisprudência das Turmas de Direito Público. Precedentes: AgRg no REsp 1.465.567/PR, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe 24/3/2015; REsp 1.240.714/PR, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 10/9/2013; AgRg no REsp 1.353.195/SP, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 5/3/2013; AgRg no REsp 1.232.257/SC, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe 21/2/2013; AgRg nos EDcl Fl. 570DF CARF MF Processo nº 12893.000010/200882 Acórdão n.º 9303007.431 CSRFT3 Fl. 571 14 no REsp 1.222.573/RS, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 7/12/2011. Incide, pois, a Súmula 168/STJ. 4. Agravo regimental não provido. (AgRg nos EREsp 1490081/SC, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/6/2015, DJe 1º/7/2015. Os Tribunais vem decidido da mesma forma, ou seja, no que diz respeito a incidência da taxa SELIC e o seu termo inicial, as decisões ultrapassadas vinham no sentido de que, havendo pedido administrativo de restituição e/ou compensação dos créditos tributários, formulado pela Contribuinte, a eventual "resistência ilegítima" da Fazenda Pública, configurada pela demora em analisar o pedido, ensejaria a sua constituição em mora, sendo devida a correção monetária dos respectivos créditos a partir da data de protocolo do pedido. Ocorre, contudo, que recentemente o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento de Embargos de Divergência, uniformizou entendimento no sentido de que a correção monetária deve incidir apenas após o encerramento do prazo legal (360 dias contados da data do protocolo administrativo) concedido à autoridade fiscal para analisar os pedidos administrativos de ressarcimento, senão vejamos: TRIBUTÁRIO. AÇÃO ORDINÁRIA. PEDIDO ADMINISTRATIVO. TAXA SELIC. TERMO INICIAL DA CORREÇÃO MONETÁRIA. 1. Caracterizada a mora do Fisco ao analisar o pedido administrativo de reconhecimento de crédito escritural ou presumido (quando extrapolado o prazo de análise do pedido), deve incidir correção monetária, pela taxa SELIC. 2. O termo inicial da correção monetária de ressarcimento de crédito de PIS/COFINS nãocumulativo ocorre somente após escoado o prazo de 360 dias para a análise do pedido administrativo pelo Fisco, consoante entendimento pacificado pelo Superior Tribunal de Justiça quando do julgamento dos Embargos de Divergência no Recurso Especial n.º 1.461.607/SC. (TRF4 AC: 50001491820184047117 RS 500014918.2018.4.04.7117, Relator: ROGER RAUPP RIOS, Data de Julgamento: 10/10/2018, PRIMEIRA TURMA) Não é diferente o entendimento desta E. Câmara Superior. Vejamos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL. 360 DIAS. Não existe previsão legal para a incidência da Taxa SELIC nos pedidos de ressarcimento de IPI. O reconhecimento da atualização monetária só é possível em face de decisões do STJ na sistemática dos Recursos Repetitivos, quando existentes atos administrativos que indeferiram parcial ou totalmente os pedidos, e o entendimento neles consubstanciados foi revertido nas instâncias administrativas de Fl. 571DF CARF MF Processo nº 12893.000010/200882 Acórdão n.º 9303007.431 CSRFT3 Fl. 572 15 julgamento, sendo assim considerados oposição ilegítima ao seu aproveitamento. Configurada esta situação, a Taxa SELIC incide sobre a parcela revertida no contencioso a favor do contribuinte, mas somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido, pois, antes deste prazo, não existe permissivo, nem mesmo jurisprudencial, com efeito vinculante, para a sua incidência. (3ª Turma da CSRF Acórdão nº 9303007.011, Relator: Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, data de julgamento: 14 de junho de 2018). Como visto, o Poder Judiciário sedimentou o entendimento de que, nos termos do artigo 24 da lei nº11.457/07, a Administração Pública deve obedecer ao prazo de 360 dias para decidir sobre os pedidos de ressarcimento, independentemente da época do requerimento (REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC/73). Assim, o marco inicial da correção monetária, levando em consideração os termos da Lei nº 11.457/2007, é o fim do prazo que a Administração tinha para apreciar o pedido, que é de 360 dias. Sem embargo, as conclusões da Ilustre Relatora vencida, não se coaduna com os princípios da eficiência e celeridade processual, concluise que sua leitura não atingiu os objetivos de aplicação do artigo 24 da Lei n° 11.457/2007 aos processos administrativos fiscais, inclusive aos requerimentos efetuados antes de sua vigência, que de modo vinculante estabeleceu um prazo razoável para duração do processo do processo administrativo, ou seja, para que a autoridade administrativa de origem desse uma solução aos pedidos de restituição, ressarcimento e afins seria de 360 dias. Ora, se a administração tem o prazo de 360 dias para solucionar os processos administrativos de ressarcimento, há previsão legal para incidência da correção monetária sobre referidos pedidos, a conclusão inequívoca transmitida por esses julgados é que não há possibilidade de incidência da correção monetária neste interregno, uma vez que este seria o prazo razoável determinado na lei. Diametralmente oposto no voto vencido, in caso como se observa nas razões de decidir da Relatora Vencida, é visível o prejuízo suportado pela Contribuinte, em razão da postergação de um prazo razoável para solução de lide, não há justificativa para o que não se pode justificar, a incidência de correção monetária pela Taxa Selic desde o protocolo do pedido, colide com os princípios da celeridade e eficiência. Por oportuno, esclareço que o processo administrativo fiscal esta adstrito as regras positivadas do sistema, neste sentido, invoco o magistério do Professor Luiz Orlando Junior Zanon (pg.104,105106) o qual em sua tese de Doutorado, Teoria Complexa do Direito1, esclarece a correta inserção das normas no plano sistêmico. In verbis: "O Positivismo Jurídico pressupõe que o Direito é formado exclusivamente (ou ao menos preponderantemente) por Regras Jurídicas, como sinônimo de Normas Jurídicas positivadas, devidamente fixadas pelos parlamentares (no sistema codificado) ou estabelecidas em precedentes judiciais anteriores (no 1 ZANON JUNIOR, Orlando Luiz. Teoria Complexa do Direito. Florianópolis: Cejur, 2013. Fl. 572DF CARF MF Processo nº 12893.000010/200882 Acórdão n.º 9303007.431 CSRFT3 Fl. 573 16 modelo judiciário ou consuetudinário)2 No primeiro cenário (civil law, statutory law ou code based legal system), a Regra Jurídica é o resultado da interpretação de um texto elaborado pelo legislador, no sentido de reconstruir sua intenção ao prolatar o dispositivo normativo, como se fosse um procedimento de adivinhação de qual teria sido a solução dada pelo órgão legiferante, acaso diante do caso concreto. E, no segundo (common law ou judge made law), a Regra Jurídica pode ser extraída não só da legislação, mas também do texto de um precedente anterior, num esforço de verificar qual seria a solução que teria sido dada pelo Poder Legislativo para reger o novo caso, nos pontos relevantes em que é precisamente similar ao julgamento anterior. Em ambas hipóteses, a interpretação e a aplicação do Direito são consideradas, pela generalidade dos juspositivistas [...] (com a notável ressalva de Kelsen), como meramente reprodutoras de sentidos já previamente fixados por Regras Jurídicas anteriores, que já guardam a resposta para solução do novo problema emergido no tecido social”. (pg.104,105106). [...]. Dispositivo Ex positis, em razão da resistência ilegítima configurada, dou provimento parcial ao Recurso, para considerar incidência da Taxa Selic somente a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) contados da data do protocolo do pedido, sobre o montante do crédito deferido em sede de decisão judicial. É como voto. (assinado digitalmente) Demes Brito 2 DIMOULIS, Dimitri. Positivismo jurídico: Introdução a uma teoria do direito e defesa do pragmatismo jurídicopolítico. São Paulo: Método, 2006. p. 68: “Isso indica que ser positivista no âmbito jurídico significa escolher como exclusivo objeto de estudo o direito que é posto por uma autoridade e, em virtude disso, possui validade (direito positivo)”; e, p. 131: “Partindo dessa delimitação negativa, o PJ stricto sensu afirma a absoluta identidade entre o conceito de direito e o direito efetivamente posto pelas autoridades competentes, isto é, pelas autoridades que, em razão de uma constelação de poder, possuem a capacidade de impor o direito”. E FERRAJOLI, Luigi. Principia iuris: teoría del derecho y de la democracia. V 1. Madrid: Trotta, 2011. p. 395457. Especialmente, p. 396: “Las normas son reglas que pertenecen al derecho positivo em cuanto son efectos jurídicos puestos o causados por actos (T8.11, T8.12). Obviamente, em tanto que reglas, las normas son significados de preceptos (T8.13), a los que vienen asociadas em cada caso mediante interpretación jurídica”. Fl. 573DF CARF MF Processo nº 12893.000010/200882 Acórdão n.º 9303007.431 CSRFT3 Fl. 574 17 Fl. 574DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.920091/2009-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO COM EMPREGO DE MATERIAIS.
Demonstrada a legitimidade das retificações implementadas na DIPJ e DCTF para reduzir o percentual utilizado no cálculo do lucro presumido de 32% para 8%, uma vez que há nos autos elementos de prova, que permitiram verificar que efetivamente havia o emprego de materiais na atividade de construção civil.
Numero da decisão: 1401-002.864
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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PERCENTUAL. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO COM EMPREGO DE MATERIAIS. Demonstrada a legitimidade das retificações implementadas na DIPJ e DCTF para reduzir o percentual utilizado no cálculo do lucro presumido de 32% para 8%, uma vez que há nos autos elementos de prova, que permitiram verificar que efetivamente havia o emprego de materiais na atividade de construção civil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 00 91 /2 00 9- 33 Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10880.920091/200933 Acórdão n.º 1401002.864 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão da DRJ/SP1 que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por considerar não comprovado o valor confessado na DCTF não é o correto, mediante prova material da existência do direito pleiteado. Conforme despacho decisório mantido DERAT/DIORT/EQPIR/SPO não reconheceu o direito creditório pleiteado no valor de R$ 5.450,30 e, conseqüentemente, não homologou nesses autos o PER/DCOMP n° 41698.05407.281006.1.3.047413, uma vez que o pagamento discriminado como indébito, de Imposto de Renda sobre Lucro Presumido, no valor de R$ 7.267,07, código 2089, recolhido em 30/04/2003, encontravase integralmente utilizado para quitação de débito correspondente. Mesmo após a Manifestação de Inconformidade, restou mantido integralmente o Despacho Decisório. Inconformada, interpôs Recurso Voluntário reiterando os argumentos da manifestação de inconformidade com o objetivo de ver convalidadas as compensações realizadas. É o relatório do essencial. Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10880.920091/200933 Acórdão n.º 1401002.864 S1C4T1 Fl. 4 3 Tabela do plano Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.851, de 16/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.693171/2009 19, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.851): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais requisitos de admissibilidade, por isso, dele conheço. Temos que o acórdão recorrido indeferiu o pleito da recorrente considerando que ela não apresentou esclarecimento ou justificativa para a retificação da DIPJ, porém analisando as declarações entregues, constatouse a retificação da DIPJ e DCTF para reduzir o percentual utilizado no cálculo do lucro presumido de 32% para 8%. De acordo com as declarações originais, a receita bruta da contribuinte auferida no período em questão seria oriunda unicamente de prestação de serviços, sem o emprego de materiais. A retificação implementada, assim, demonstra que a contribuinte passou a entender que aquelas mesmas atividades teriam incluído o emprego de materiais, visto que o percentual de 8% que passou a utilizar é aplicável para a prestação de serviços de construção com emprego de materiais. Na decisão de piso foi considerado que tão somente a discriminação do objeto social constante do Contrato Social da empresa construtora ("ramo da construção civil, reformas, execução de projetos e atividades afins") não é suficiente para identificar a(s) atividade(s) que originara auferidas no período alcançado pelas declarações retificadoras, posto que era necessária apresentação de documentos que pudessem demonstrar a natureza das atividades a que se referiram os rendimentos declarados e que poderia esclarecer qual(is) o(s) correto(s) percentual(is) aplicável(is), se de 8%, tal como pretendido, se de 32%, ou mesmo de percentuais diversificados, conforme § 2° do artigo 15 da Lei n° 9.249/95. Em sede de Voluntário, a Recorrente aduz ser sua faculdade a compensar crédito que possuía junto ao Fisco decorrente de pagamento a maior com débitos a recolher que autorizavam nos moldes previstos no art. 170 do CTN e que a necessidade de reforma do Despacho Decisório está justamente no fato de que não homologação da compensação se deu por conta da análise pela Secretaria da Receita Federal do Brasil das informações constantes da DIPJ e DCTF ORIGINAIS e não Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10880.920091/200933 Acórdão n.º 1401002.864 S1C4T1 Fl. 5 4 das informações constantes nas declarações RETIFICADORAS, tendo o breve entendimento de que o sistema do referido órgão não havia processado as informações retificadas. Esclarece a Recorrente que preocupouse em relatar que as informações relativas ao cálculo do IRPJ em questão foram retificadas, sem detalhar com precisão o cálculo utilizado por entender que não era o objeto questionado no Despacho Decisório, que digase de passagem foi processado de modo eletrônico. A DRJ, reconheceu que a justificativa da alteração do cálculo foi a verificação de que foi utilizado percentual INCORRETO de presunção de lucro, visto que, como a Recorrente emprega materiais em TODAS as obras que realiza, o percentual correto de presunção de lucro é de 8% em conformidade com o Ato Declaratório Normativo Cosit n.° 6 de 13 de janeiro de 1997 e não de 32% como efetuado anteriormente por contabilista que prestava serviços Recorrente na época, contudo indeferiu o crédito pleiteado, dada a ausência de comprovação por parte da Recorrente de que fazia jus ao percentual de presunção de lucro de 8%. Notase que a Recorrente só foi possível saber o real motivo do indeferimento da compensação do crédito pleiteado, após ciência do resultado do julgamento da DRJ, tendo apresentado Recurso Voluntário precisamente para demonstrar a legitimidade das retificações implementadas na DIPJ e DCTF para reduzir o percentual utilizado no cálculo do lucro presumido de 32% para 8%, trazendo para os autos os seguintes elementos de prova, que permitiram verifica que efetivamente havia o emprego de materiais na atividade de construção civil. Com base na análise dos documentos juntados, resta demonstrado que a Recorrente, atendeu ao critérios para que pudesse ter sua base de cálculo para o imposto de renda determinada pela aplicação do percentual de 8% sobre sua receita bruta, especificamente em relação ao ramo da construção civil, atendeu ao Ato Declaratório Normativo Cosit n° 6, de 13 de janeiro de 1997 e seus critérios: "I Na atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal será: a) 8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade; b) 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mãodeobra, ou seja, sem o emprego de materiais." A retificação implementada, assim, demonstra que a contribuinte passou a entender que aquelas mesmas atividades teriam incluído o emprego de materiais, visto que o percentual de 8% que passou a utilizar é aplicável para a prestação de serviços de construção com emprego de materiais, razão pela qual lhe era possível refazer o cálculo do IRPJ levando em Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10880.920091/200933 Acórdão n.º 1401002.864 S1C4T1 Fl. 6 5 consideração a base de cálculo de presunção de 8%, bem como de compensar o valor do tributo recolhido a maior, adotando os procedimentos legais de retificação das obrigações acessórias e apresentação de PER/DCOMP. Por estas razões, dou provimento ao Recurso Voluntário. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 136DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.014274/2007-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005
RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda.
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Numero da decisão: 2402-006.347
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1535; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.014274/200797 Recurso nº 1 De Ofício Acórdão nº 2402006.347 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 03 de julho de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SERVES CONSTRUÇÕES S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindose valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 42 74 /2 00 7- 97 Fl. 1388DF CARF MF Processo nº 10380.014274/200797 Acórdão n.º 2402006.347 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, tendo em vista que o crédito exonerado, principal e encargos de multa, relativos a contribuições previdenciárias de custeio, beneficio, terceiros e sanções pecuniárias, superava a época o valor de alçada estipulado no art. 1º da Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008. O valor objeto de exoneração é inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), vindo a julgamento apenas o Recurso de Oficio. É o relatório." Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pelo Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza, digno relator da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018: Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária “Antes de adentrar a análise do caso concreto, importa observar que o presente julgamento terá efeitos sobre lote repetitivo, eis que o caso em foco foi eleito como paradigma e terá seu resultado aplicado ao lote a que esta relacionado, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF. Fl. 1389DF CARF MF Processo nº 10380.014274/200797 Acórdão n.º 2402006.347 S2C4T2 Fl. 4 3 Admissibilidade. Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, tendo em vista que, à época em que foi proferida a decisão de primeira instância administrativa, o crédito exonerado superava o valor de alçada estipulado estabelecido em ato próprio. De acordo com o I do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) II deixar de aplicar pena de perda de mercadorias ou outros bens cominada à infração denunciada na formalização da exigência. § 1º O recurso será interposto mediante declaração na própria decisão. § 2° Não sendo interposto o recurso, o servidor que verificar o fato representará à autoridade julgadora, por intermédio de seu chefe imediato, no sentido de que seja observada aquela formalidade. (Grifouse) O colegiado a quo proferiu decisão em que julgou parcialmente procedente a impugnação, exonerando créditos relativos ao principal e encargos de multas em valor inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil de reais) Cabe ao colegiado julgar a admissibilidade do Recurso de Oficio e, constatandose que o crédito exonerado é inferior àquele que levaria o caso a um reexame necessário na atualidade, não conhecer de referido recurso. O limite referido está posto na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, in verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. Fl. 1390DF CARF MF Processo nº 10380.014274/200797 Acórdão n.º 2402006.347 S2C4T2 Fl. 5 4 § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. Ainda que à época do julgamento de primeira instância tal valor permitisse a interposição do Recurso de Oficio ora julgado, ao caso deve ser aplicado o limite de dispensa atualmente vigente, conforme entendimento consolidado neste Conselho, nos termos da Súmula CARF 103: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Conclusão Ante ao exposto voto por não conhecer do Recurso de Oficio em razão de o crédito exonerado ser inferior ao limite estabelecido no art. 1º a Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, aplicável ao caso conforme Súmula CARF 103. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza” Conclusão Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Ofício (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 1391DF CARF MF
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