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Numero do processo: 13609.001009/2010-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/12/2005, 31/12/2006
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO CONTABILIZADOS.
Caracterizam-se como omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS. GLOSA DE CUSTOS.
Cabível o lançamento de oficio de ajuste de base de cálculo do imposto quando a fiscalização comprova se tratar de custos apropriados com base em notas fiscais ilegítimas, ao passo que a contribuinte, regularmente intimada, não logra comprovar, animada em documentação hábil e idônea, a efetividade do ingresso das mercadorias, e da realização, recebimento e utilização dos alegados materiais adquiridos.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/01/2005, 28/02/2005, 31/03/2005, 30/04/2005
PIS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. APURAÇÃO REFLEXA. FALTA DE RECOLHIMENTO DO PIS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA.
O decidido no lançamento do IRPJ deve ser estendido aos demais lançamentos decorrentes, em face da relação de causa e efeito que os vincula.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/01/2005, 28/02/2005, 31/03/2005, 30/04/2005
COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. APURAÇÃO REFLEXA. FALTA DE RECOLHIMENTO DA COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA.
O decidido no lançamento do IRPJ deve ser estendido aos demais lançamentos decorrentes, em face da relação de causa e efeito que os vincula.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Data do fato gerador: 31/12/2005, 31/12/2006
CSLL. FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL. CSLL. OMISSÃO DE RECEITA. CSLL SOBRE RECEITAS OMITIDAS.
O decidido no lançamento do IRPJ deve ser estendido aos demais lançamentos decorrentes, em face da relação de causa e efeito que os vincula.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005, 2006
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ADMINISTRADOR. PRATICA DE ATO EM INFRAÇÃO Á LEI. POSSIBILIDADE.
Demonstrado nos autos, por farta e robusta documentação, que o administrador praticou atos em infração à lei (notas fiscais fraudulentas), não descaracterizado pelos responsáveis regularmente cientificados do lançamento e de sua responsabilidade, mantém-se a responsabilização tributária apontada pela fiscalização.
Numero da decisão: 1301-002.094
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Hélio Eduardo de Paiva Araújo - Relator.
EDITADO EM: 18/08/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio Franco Corrêa, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2005, 31/12/2006 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO CONTABILIZADOS. Caracterizam-se como omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS. GLOSA DE CUSTOS. Cabível o lançamento de oficio de ajuste de base de cálculo do imposto quando a fiscalização comprova se tratar de custos apropriados com base em notas fiscais ilegítimas, ao passo que a contribuinte, regularmente intimada, não logra comprovar, animada em documentação hábil e idônea, a efetividade do ingresso das mercadorias, e da realização, recebimento e utilização dos alegados materiais adquiridos. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/01/2005, 28/02/2005, 31/03/2005, 30/04/2005 PIS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. APURAÇÃO REFLEXA. FALTA DE RECOLHIMENTO DO PIS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. O decidido no lançamento do IRPJ deve ser estendido aos demais lançamentos decorrentes, em face da relação de causa e efeito que os vincula. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/01/2005, 28/02/2005, 31/03/2005, 30/04/2005 COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. APURAÇÃO REFLEXA. FALTA DE RECOLHIMENTO DA COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. O decidido no lançamento do IRPJ deve ser estendido aos demais lançamentos decorrentes, em face da relação de causa e efeito que os vincula. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Data do fato gerador: 31/12/2005, 31/12/2006 CSLL. FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL. CSLL. OMISSÃO DE RECEITA. CSLL SOBRE RECEITAS OMITIDAS. O decidido no lançamento do IRPJ deve ser estendido aos demais lançamentos decorrentes, em face da relação de causa e efeito que os vincula. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005, 2006 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ADMINISTRADOR. PRATICA DE ATO EM INFRAÇÃO Á LEI. POSSIBILIDADE. Demonstrado nos autos, por farta e robusta documentação, que o administrador praticou atos em infração à lei (notas fiscais fraudulentas), não descaracterizado pelos responsáveis regularmente cientificados do lançamento e de sua responsabilidade, mantém-se a responsabilização tributária apontada pela fiscalização.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha - Presidente. (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo - Relator. EDITADO EM: 18/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio Franco Corrêa, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Waldir Veiga Rocha.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2005, 31/12/2006 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO CONTABILIZADOS. Caracterizamse como omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS. GLOSA DE CUSTOS. Cabível o lançamento de oficio de ajuste de base de cálculo do imposto quando a fiscalização comprova se tratar de custos apropriados com base em notas fiscais ilegítimas, ao passo que a contribuinte, regularmente intimada, não logra comprovar, animada em documentação hábil e idônea, a efetividade do ingresso das mercadorias, e da realização, recebimento e utilização dos alegados materiais adquiridos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2005, 28/02/2005, 31/03/2005, 30/04/2005 PIS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. APURAÇÃO REFLEXA. FALTA DE RECOLHIMENTO DO PIS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. O decidido no lançamento do IRPJ deve ser estendido aos demais lançamentos decorrentes, em face da relação de causa e efeito que os vincula. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/01/2005, 28/02/2005, 31/03/2005, 30/04/2005 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 00 10 09 /2 01 0- 11 Fl. 1990DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 8/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/08/2016 por WALDIR VEIGA RO CHA 2 COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. APURAÇÃO REFLEXA. FALTA DE RECOLHIMENTO DA COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. O decidido no lançamento do IRPJ deve ser estendido aos demais lançamentos decorrentes, em face da relação de causa e efeito que os vincula. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/12/2005, 31/12/2006 CSLL. FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL. CSLL. OMISSÃO DE RECEITA. CSLL SOBRE RECEITAS OMITIDAS. O decidido no lançamento do IRPJ deve ser estendido aos demais lançamentos decorrentes, em face da relação de causa e efeito que os vincula. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2006 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ADMINISTRADOR. PRATICA DE ATO EM INFRAÇÃO Á LEI. POSSIBILIDADE. Demonstrado nos autos, por farta e robusta documentação, que o administrador praticou atos em infração à lei (notas fiscais fraudulentas), não descaracterizado pelos responsáveis regularmente cientificados do lançamento e de sua responsabilidade, mantémse a responsabilização tributária apontada pela fiscalização. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente. (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo Relator. EDITADO EM: 18/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio Franco Corrêa, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Waldir Veiga Rocha. Fl. 1991DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 8/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/08/2016 por WALDIR VEIGA RO CHA Processo nº 13609.001009/201011 Acórdão n.º 1301002.094 S1C3T1 Fl. 1.038 3 Relatório RAL ENGENHARIA LTDA., já qualificada nos autos, recorre da decisão proferida pela 3a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) DRJ/BHE, que, por maioria de votos, rejeitou a preliminar de nulidade e, no mérito, julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade, para: · reduzir o IRPJ exigido ao valor de R$ 3.049.353,50 (três milhões, quarenta e nove mil, trezentos e cinqüenta e três reais e cinqüenta centavos), sobre o qual incidem juros de mora; · reduzir a multa proporcional incidente sobre o IRPJ ao valor de R$ 2.623.861,99 (dois milhões, seiscentos e vinte e três mil, oitocentos e sessenta e um reais e noventa e nove centavos); · reduzir a multa exigida isoladamente, pela falta de recolhimento de IRPJ mensal, ao valor de R$ 1.615.554,64 (um milhão, seiscentos e quinze reais, quinhentos e cinqüenta e quatro reais e sessenta e quatro centavos); · reduzir a CSLL exigida ao valor de R$ 1.102.189,94 (um milhão, cento e dois mil, cento e oitenta e nove reais e noventa e quatro centavos), sobre o qual incidem juros de mora; · reduzir a multa proporcional incidente sobre a CSLL ao valor de R$ 951.224,34 (novecentos e cinqüenta e um mil, duzentos e vinte e quatro reais e trinta e quatro centavos); · reduzir a multa exigida isoladamente, pela falta de recolhimento de CSLL mensal, ao valor de R$ 585.379,67 (quinhentos e oitenta e cinco mil, trezentos e setenta e nove reais e sessenta e sete centavos); · reduzir a contribuição para o PIS exigida ao valor de R$ 171.614,81 (cento e setenta e um mil, seiscentos e quatorze reais e oitenta e um centavos), sobre o qual incidem juros de mora e multa proporcional, de 75%; · reduzir a COFINS exigida ao valor de RS 790.468,20 (setecentos e noventa mil, quatrocentos e sessenta e oito reais e vinte centavos), sobre o qual incidem juros de mora e multa proporcional, de 75%. Consta da decisão recorrida o seguinte relato, do qual ora me valho: Trata o presente processo do Auto de Infração de fls. 289/300 lavrado contra a contribuinte em epígrafe para exigência do crédito tributário no valor de R$ 9.051.068,13 (nove milhões, cinqüenta e um mil, sessenta e oito reais e treze centavos), a titulo de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, juros de Fl. 1992DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 8/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/08/2016 por WALDIR VEIGA RO CHA 4 mora, multa proporcional, e multa de oficio qualificada, referente a infrações apuradas, cujos fatos geradores' ocorreram em 31/12/2005 e 31/12/2006; bem como a titulo de Multa Exigida lsoladamente do IRPJ incidente sobre a base de cálculo estimada apurada e não recolhida, cujas datas de aplicação são: 31/01/2005, 28/02/2005, 31/03/2005, 30/04/2005, 31/05/2005, 30/06/2005, 31/07/2005, 31/08/2005, 30/09/2005, 31/10/2005, 31/12/2005, 31/O3/2006, 30/06/2006, 31/07/2006, 31/10/2006, 30/11/2006 e 31/12/2006 Em decorrência, exigiramse também os créditos tributários da Contribuição para o PIS/Pasep, no valor de R$ 415.731,24 (quatrocentos e quinze mil, setecentos e trinta e um reais e vinte e quatro centavos), conforme Auto de Infração de fls. 301/308; da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, no valor de R$ 1.914.884,11 (um milhão, novecentos e quatorze mil, oitocentos e oitenta e quatro reais e onze centavos), conforme Auto de Infração de fls. 309/316; da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, no valor de R$ 2.672.599,00 (dois milhões, seiscentos e setenta e dois mil, quinhentos e noventa e nove reais), conforme Auto de Infração de fls. 317/324. Exigiuse, ainda, crédito tributário a titulo de Multa Exigida Isoladamente da CSLL, incidente sobre a base de cálculo estimada apurada e não recolhida, no valor de R$ 603.350,99 (seiscentos e três mil, trezentos e cinqüenta reais e noventa e nove centavos), cujas datas de aplicação são: 31/01/2005, 28/02/2005, 31/03/2005, 30/04/2005, 31/05/2005, 30/06/2005, 31/07/2005, 31/08/2005, 30/09/2005, 31/10/2005, 31/12/2005, 31/03/2006, 30/06/2006, 31/07/2006, 31/10/2006, 30/11/2006 e 31/12/2006 (fls. 325/327). De acordo com a descrição dos fatos às fls. 291/294, os lançamentos decorreram de ação fiscal levada a efeito junto à contribuinte que apurou infrações à legislação tributária, consubstanciadas em: I Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ: 001 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO CONTABILIZADOS “Omissão de Receita Operacional caracterizada pela falta de contabilização de depósitos bancários, conforme discriminado no Relatório de Auditoria Fiscal, parte integrante deste Auto de Infração. “Enquadramento legal: art. 24 da Lei n"9.249, de 26 de dezembro de 1995; art. 42, da Lei n” 9.430, de 27 de dezembro de 1996, arts. 249, inc. II, 251 e parágrafo único. 279, 287 e 288, do Regulamento do Imposto de Renda de 1999, Decreto n” 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR de 1999). " Multa de Ofício: 75% art. 44, inc. I, da Lei n° 9.430, de 1996. 002. CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS. GLOSA DE CUSTOS. “Glosa de custos de Material de Construção, por utilizar de documentos fiscais inidôneos. Os valores apurados, o procedimento fiscal e a constatação da fraude estão discriminados no Relatório de Auditoria Fiscal, parte integrante deste auto de Infração. " “Enquadramento legal: arts. 249, inc. I, 251 e parágrafo único, 290, 299 e 300, do RIR de 1999. " Multa de Ofício: 150% art. 44, inc. II, da Lei n° 9.430, de 1996. 003. MULTAS ISOLADAS. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. Fl. 1993DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 8/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/08/2016 por WALDIR VEIGA RO CHA Processo nº 13609.001009/201011 Acórdão n.º 1301002.094 S1C3T1 Fl. 1.039 5 "Falta de pagamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, incidente sobre a base de cálculo estimada mensalmente em função de balanços de suspensão ou redução, conforme discriminado no Relatório de Auditoria Fiscal e demonstrada na planilha “Apuração Multa Isolada IRPJ/CSLL ", parte integrante deste Auto de Infração. " “Enquadramento legal: Arts. 222 e 843 do RIR de 1999 c/c art. 44 § 1°, inc. IV, da Lei n 9.430, de 1996, alterado pelo art. 14, da Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007, c/c art. 106, inc. II, alínea da Lei n" 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Atualmente, art. 44, inc. II, alínea da Lei n"9.430, de 1996. " Consolidação do credito tributário por percentual de multa (75% e 150%) Consolidação do credito tributário por matéria: II Contribuição para o Programa de Integração Social PIS. 001 PIS INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA APURAÇÃO REF LEXA. FALTA DE RECOLHIMENTO DO PIS INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA De acordo com a descrição dos fatos às fls. 303/304, o lançamento do PIS teve por base as infrações enunciadas no ITEM (001 OMISSAO DE RECEITAS) do Auto de Infração do IRPJ, e foi enquadrado nos arts. 1° , 3° e 4°, da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002. III Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. 001 COFINS INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA APURAÇÃO REFLEXA. FALTA DE RECOLHIMENTO DA COFINS INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA De acordo com a descrição dos fatos às fls. 311/312, o lançamento da Cofins teve por base as infrações enunciadas no item (001 OMISSÃO DE RECEITAS) do Auto de Infração do IRPJ, e foi enquadrado nos arts. 1° , 3° e 5°, da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro e 2003. IV Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL. 001 CSLL FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL. 002 CSLL OMISSÃO DE RECEITA. CSLL SOBRE RECEITAS OMITIDAS. De acordo com a descrição dos fatos às fls. 319/321, o lançamento da CSLL teve por base as infrações enunciadas nos no itens (001 OMISSÃO DE RECEITAS e 002 CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS GLOSA DE CUSTOS) do Auto de Infração do IRPJ, e foi enquadrado no art. 2° e §§, da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988; art. 24, da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995; art. 1°, da Lei n° 9.316, de 22 de novembro de 1996; art. 28, da Lei n° 9.430, de 1996; e art. 37, da Lei n° 10.637, de 2002. Consolidação do credito tributário por percentual de multa (75% e 150%) Consolidação do credito tributário por matéria: V MULTA EXIGIDA ISOLADAMENTE CSLL 001 MULTAS ISOLADAS. FALTA DE RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE A BASE ESTIMADA. Fl. 1994DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 8/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/08/2016 por WALDIR VEIGA RO CHA 6 “Falta de pagamento da Contribuição Social incidente sobre a base de cálculo estimada mensalmente em função de balanços de suspensão ou redução, conforme discriminado no Relatório de Auditoria Fiscal e demonstrada na Planilha “Apuração Multa Isolada IRPJ/CSLL parte integrante deste Auto de Infração. " Enquadramento legal: Arts. 222 e 843 do RIR de 1999, c/c art. 44, § 1°, inc. IV, da Lei n 9.430, de 1996, alterado pelo art. 14, da Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007, c/c art. 106, inc. II, alínea "c", da Lei n"5.172, de 25 de outubro de 1966. Atualmente, art. 44, inc. II, alínea “b da Lei n"9.430, de 1996. Impugnação A contribuinte foi cientificada dos autos de infração por via postal em 02 de agosto de 2010, conforme comprova o Aviso de Recebimento “AR”, à fl. 360. O sujeito Passivo Solidário (Sr. Eduardo Barcellos Góes Sócio responsável), também foi cientificado do termo de sujeição passiva e dos autos de infração, por via postal, em 13 de agosto de 2010, conforme comprovam os Avisos de Recebimentos “AR” dos Correios, às fls. 370/371. lnconformada com as exigências a contribuinte autuada apresentou uma única petição para impugnar todos os lançamentos do IRPJ, CSLL, Cofins, PIS e Multa isolada de CSLL (fls. 374 e 376/390), que foi recepcionada em 01 de setembro de 2010. O sujeito passivo solidário não apresentou impugnação própria. A autuada expendeu em síntese, observados os subtítulos grifos e destaques da petição, as seguintes razões comuns a todos os lançamentos: DOS FATOS nos termos do MPF nº 0611300/00100/08 a RFB realizou ação fiscal no contribuinte, com fita de "apurar irregularidades envolvendo o prefeito do município de Lagoa Santa MG e a pessoa jurídica fiscalizada que fora contratada para prestar serviços de obras de pavimentação; no curso da ação fiscal foram requeridos, por meio de termos de intimações fiscais, a apresentação de diversos documentos, planilhas e demais elementos hábeis comprobatórios de movimentação de “Caixa; no entanto, segundo esclarece, sempre teria adotado um escritório terceirizado de contabilidade que se responsabilizou pela contabilização de todos os documentos das atividades da empresa; somente por ocasião do desenvolvimento da ação fiscal da RFB teria tomado conhecimento da situação do arquivamento de sua documentação, o que dificultou a apresentação dos elementos requeridos nas intimações; em face dessa circunstância, informa que partiu para montagem de estruturação interna de contabilidade, arquivamento e controles internos; a debilidade de seus sistemas de registro e arquivo de documentos se evidenciou, ainda, na forma simplificada adotada pelo escritório de contabilidade, que registrava todos os documentos relativos aos recebimentos de serviços prestados, bem como pagamentos inerentes ã realização destes serviços tais como custos, despesas, impostos, salários, despesas financeiras, etc, à conta “CAIXA " da empresa; .a fiscalização lhe deu ciência de vários termos requerendo esclarecimentos, documentos e demais elementos, que procurou atender na medida do possível; .como resultado da ação fiscal, lhe foram imputadas infrações, as quais resultaram nas autuações por: “Omissão de Receitas Depósitos Bancários “Glosa Fl. 1995DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 8/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/08/2016 por WALDIR VEIGA RO CHA Processo nº 13609.001009/201011 Acórdão n.º 1301002.094 S1C3T1 Fl. 1.040 7 de Custos Notas Fiscais Inidôneas", “CSLL/ PIS/ COFINS Apuração Reflexa e “Multa Exigida Isoladamente Estimativa IRPJ/CSLL. “1. OMISSÃO DE RECEITA DEPÓSITOS BANCÁRIOS.” Aduz que a fiscalização alegou que a empresa teria adotado o procedimento de “efetuar lançamentos nas contas Bancos sem quaisquer correspondências com os demais lançamentos contábeis, e que não havia conseguido comprovar e juntar os documentos relativos aos depósitos bancários, durante o processo de intimação fiscal Diz que dentro desse contexto teria a esclarecer o que se segue: a) a contabilidade da empresa teria adotado o procedimento de contabilizar toda a documentação relativa à recebimentos e pagamentos via rubrica de “CAIXA de tal modo não haveria que se falar em movimentação bancária, pois, contabilmente, a movimentação bancária não era controlada; poderseia dizer que os bancos funcionavam apenas como os "cofres " onde a empresa mantinha em segurança seus valores b) a totalidade dos valores lançados a DEBITO da conta “CAIXA " (ENTRADAS DE “CAIXA ') durante os exercícios de 2005 e 2006 referese unicamente aos faturamentos realizados pela empresa contra os seus clientes à época da realização dos serviços e/ou são provenientes de financiamentos bancários realizados pela RAL junto à rede de bancos com os quais a empresa mantinha um relacionamento comercial financeiro de suporte às suas operações, conforme podemos demonstrar nos quadros a seguir “em anexo, estariam seguindo as cópias xerox dos razões, onde constam registrados os lançamentos destacados [...] diz que “esses lançamentos estão contabilizados à conta “CAIXA conforme consta dos Diário/Razões em anexo sustenta ter verificado que diversos lançamentos que compõem a autuação fiscal, considerados como Omissão de Receitas Depósitos Bancários, estariam devidamente contabilizados, bem como que pode verificar que a origem dos recursos está fundamentada em notas fiscais regularmente emitidas e cujos valores foram oferecidos à tributação na época apropriada; fica demonstrado inequivocamente também que a movimentação bancária era parte integrante dos valores do "Caixa", perfeitamente suportado pelos valores apresentados no Diário regularmente escriturado da empresa, sendo que a transferência de valores interbancários não afetava o saldo de “Caixa” da empresa, uma vez que a mesma não realizava o controle dos saldos bancários contabilizados via lançamentos individualizados por instituição, motivo pelo qual a empresa repugna a ação da fiscalização quanto à classificação de depósitos interbancários realizados pela empresa, bem como a movimentação de recursos do “Caixa” da empresa para depósito em bancos diversos como Omissão de Receitas Depósitos Bancários. " diz que adiante está apresentando uma “lista dos valores e as notas fiscais que correspondem aos valores contabilizados como ENTRADAS DE CAIXA que em uma apuração mais apurada da documentação, apresentam correspondência direta de Fl. 1996DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 8/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/08/2016 por WALDIR VEIGA RO CHA 8 valores que foram movimentados pelo "Caixa" da instituição e que, indevidamente, estão apresentados na autuação fiscal [...] aduz, ainda mais, que de acordo com a fiscalização, tendo em vista dúvidas quanto à legitimidade das notas fiscais, foram efetuadas intimações aos fornecedores para confirmar a operação e apresentar documentos comprobatórios dos valores recebidos; como resultado, teriam sido as seguintes, as respostas obtidas: “Comercial WJE LTDA Hiper Frios (HVPJ 01.582.422/0001 85 (Anexo IV, fls. 37 a 45). Informa que seu objetivo social sempre foi “comércio varejista de produtos alimentícios frios, bebidas e enlatados". Que não conhece e nunca teve transação comercial com a empresa Ral Engenharia Ltda, e que jamais comercializou material de construção. Apresenta documentos que comprovam a falsidade das Notas Fiscais utilizadas pela Ral Engenharia Ltda, e contabilizados como Custos Material de Construção. O próprio contribuinte, de posse de cópia das Notas utilizadas pela Ral Engenharia Ltda, enumera diversas inconsistências naquelas Notas em confronto com as Notas originais e verdadeiras” “GERALDO MONTEIRO DE OLIVEIRA Sabor e Saúde CNPJ 06.773.362/000100 (Anexo IV fls. 05 a 28). Esclarece também que “nunca fez quaisquer vendas à firma Ral Engenharia Ltda” nunca teve comércio de material de construção e que funciona “dentro de uma academia de ginástica” no ramo de bar e lanchonete" contrapõe então que em relação aos aspectos supra transcritos, tem a dizer em sua defesa a) que efetuou as compras de diversos materiais de construção e que as mercadorias chegaram na empresa acompanhadas destas Notas Fiscais; b) que não tem como presumir a inidoneidade do vendedor; c) nem tampouco, se o vendedor encontrase em situação irregular perante os fiscos estaduais, municipais e federais, o que é uma obrigação do Estado; d) é uma empresa de médio porte, sem estrutura para fiscalizar seus fornecedores tarefa essa que cabe aos órgãos fiscalizadores e) agiu de boafé e não tem poder de questionar os documentos fiscais; f) repudia a afirmação da fiscalização de que teria restado provada a manifesta intenção de obter vantagem indevida, por meio de fraude, com utilização de documentação não idônea para suportar apropriação de custos, com fito de reduzir tributos devidos, g) efetuou os pagamentos, tal e qual todos os demais pagamentos efetuados pela empresa, ou seja, via “Caixa " e estão devidamente contabilizados; h) os pagamentos foram efetuados em dinheiro, em cheques, em TEDs. Porem o transcurso do tempo dificulta recompor todos os pagamentos individualizados, ainda mais em virtude de exigüidade do prazo; Fl. 1997DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 8/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/08/2016 por WALDIR VEIGA RO CHA Processo nº 13609.001009/201011 Acórdão n.º 1301002.094 S1C3T1 Fl. 1.041 9 “3. CSLL / PIS / COFINS APURAÇÃO REFLEXA. “4. MULTA ISOLADA ESTIMATIVA IRPJ/CSLL.” diz, textualmente que: “Como a empresa não concorda definitivamente com a presente autuação nos termos como foi colocado relativo aos I) Omissão de Receitas Depósitos Bancários e 2) Glosa de Custos Notas Fiscais Inidôneas, não há que se falar em CSLL /PIS / COFINS/ apuração reflexa, e 4) multa isolada estimativa IRPJ/CSLL bem como os acessórios juros de mora e multa proporcional. " .em decorrência de todo exposto, conclui que “vem impugnar totalmente a autuação fiscal relativa ao auto de infração n” 0611300/00100/08 processo n” 13609 001009/201011 relativamente a todos os tributos e contribuições e seus acessórios juros de mora e multa proporcional" Anexos a Impugnação: Colhese do expediente de fl. 374, de autoria da defendente, informação de que com a impugnação aos autos de infração “segue em anexo 1 Cópia do Auto de Infração IRPJ CSLL COFINS PIS Portaria RFB nº 666/2008; 2 Termo de Impugnação relativo ao AUTO DE INFRAÇÃO; 3 Cópia do Contrato Social Consolidado da Ral Engenharia Ltda; 4 Cópia dos Razões de Jan/2005 a Dez/2006 relativa a movimentação de “Caixa” da Ral Engenharia Ltda; 5 Cópia da Carteira de Identidade do Sr. Eduardo Barcellos Góes; 6 Cópia de Notas Fiscais Emitidas. ” Efetivamente, são os seguintes elementos probatórios aportados aos autos: a) cópias reprográficas de atos constitutivos do registro do comércio (fls. 391/402); b) cópia reprográfica de documento de identidade do sócio responsável (fl. 403); c) cópias reprográficas dos autos de infração (fls. 404/447); d) cópias reprográficas de determinadas páginas do livro Razão, espelhando apenas a movimentação da conta “Caixa ”, e recortes do movimento residual de algumas outras contas aleatórias de acordo com sua posição gráfica em cada mês, no período de janeiro a dezembro de 2005 e de 2006 (fls. 448/676); e) cópias reprográficas de “Nota Fiscal Fatura de Serviços ”, de sua emissão, n“s 2626 a 2838, emitidas entre 10/01/2005 a 18/12/2006 (fls. 677/860); Autos do Processo: Os autos do processo foram formalizados em: Volume 1 (fls. 01 a 287); Volume 2, fls (288/488); Volume 3 (fls. 489/689); Volume 4 (fls. 690/871); Anexo I (fls. 01 a 222); Anexo Il (fls.01/296); Anexo III (fls. 01/327); e Anexo IV (fls. 01/98). Fl. 1998DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 8/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/08/2016 por WALDIR VEIGA RO CHA 10 Arrolamento de Bens e Direitos: Inferese dos documentos de fls. 363/364, que foi lavrado o competente “TERMO DE CIENTIFICA ÇAO DE ARROLAMENTO DE BENS E DIREITOS Pedido de dilação de prazo Por meio do expediente recepcionado na Repartição de origem em 11/08/2010 (fl. 367), a contribuinte autuada, ante a justificativa de mudança de sistema de gestão, controles internos, etc, requereu prorrogação pelo prazo de 90 (noventa) dias para apresentar impugnação. A repartição de origem, mediante despacho fundamentado (fl. 368), indeferiu o pleito e cientificou a interessada por via postal, conforme atesta Aviso de Recebimento “AR”, dos Correios à fl. 369. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA Nos termos de motivação e de fundamentação expendida no “Termo de Sujeição Passiva Solidária" de fls. 358/359, a fiscalização imputou a responsabilidade solidária pelo crédito tributário apurado ao sócio Sr. Eduardo Barcellos Góes, CPF 217.442.11604, nos seguintes termos No exercício das funções de auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, imputamos a responsabilidade solidária ao Sr. Eduardo Barcellos Góes, CPF 217. 442.11604, pelo crédito tributário apurado, objeto dos processos em epígrafe, em nome do contribuinte Ra/ Engenharia Ltda, CNPJ 01.182.232/0001 70. Durante o procedimento fiscal executado junto à Ral Engenharia Ltda foram apuradas várias infrações à legislação tributária. Constatouse que o Sr. Eduardo Barcellos Góes, por ser sócio e principal gestor da Ra/ Engenharia Ltda, participou das infrações cometidas pela empresa e tinha interesse nas situações encontradas. Apurouse ainda que o mesmo agiu com excesso de poderes, inclusive com infração á lei penal. Restou caracterizada a sujeição passiva solidária nos termos do art. 124, I, da Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional). Todo o histórico do trabalho, com infrações apuradas e fundamentação legal, está melhor discriminado no Relatório de Auditoria Fiscal, parte integrante do Auto de Infração, cuja ciência ao contribuinte também darseá nesta data. O sujeito passivo solidário poderá verificar a autenticidade do Mandado de Procedimento Fiscal utilizando o programa Consulta Mandado de procedimento Fiscal, disponível na página da Secretaria da Receita Federal do Brasil na Internet, (www.receita.fazenda.gov.br), onde deverão ser informados o número do CNPJ e 0 código de acesso constante neste termo. Assim, para preservar os interesses da Fazenda Nacional, fica o sujeito passivo solidário, Eduardo Barcellos Góes, CIENTIFICADO das exigências tributárias de que tratam os Autos de Infração lavrados nesta data contra o sujeito passivo supra referido, relativamente ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e seus reflexos, multa isolada de IRPJ/CSLL e Imposto Fl. 1999DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 8/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/08/2016 por WALDIR VEIGA RO CHA Processo nº 13609.001009/201011 Acórdão n.º 1301002.094 S1C3T1 Fl. 1.042 11 de Renda Retido na Fonte nos anoscalendário de 2005 e 2006. Uma via de cada Auto de Infração, juntamente com o presente Termo e a cópia dos documentos lavrados durante o procedimento fiscal, são enviados neste ato. O sujeito passivo solidário foi devidamente cientificado do Termo de Sujeição Passiva e do Auto de Infração, por via postal, conforme atestam os Avisos de Recebimento “AR”, dos Correios, às fls. 370/371, respectivamente. Representação Fiscal para Fins Penais Depreendese de excerto do “Relatório de Auditoria Fiscal ", que: “Em conformidade com a Portaria n° 665, de 24/04/2208, será formalizada representação fiscal para fins penais por estar configurado crime definido nos arts. 1° e 2° da Lei n° 8.137, de 27 de dezembro de 1990, que trata dos crimes contra a ordem tributária. Compulsandose o Sistema de Cadastramento de Processos da Receita Federal “COMPROT", verificase que foi lavrada a competente Representação Fiscal para Fins Penais, e que ela foi formalizada no Processo n° 13609.001010/201045. A 3ª Turma da DRJ/BHE, analisou os argumentos apresentados pela impugnante, proferindo decisão para julgar improcedente sua manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2005, 31/12/2006 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO CONTABILIZADOS. Caracterizamse como omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS. GLOSA DE CUSTOS. Cabível o lançamento de oficio de ajuste de base de cálculo do imposto quando a fiscalização comprova se tratar de custos apropriados com base em notas fiscais ilegítimas, ao passo que a contribuinte, regularmente intimada, não logra comprovar, animada em documentação hábil e idônea, a efetividade do ingresso das mercadorias, e da realização, recebimento e utilização dos alegados materiais adquiridos. MULTAS ISOLADAS. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE A BASE DE CALCULO ESTIMADA. Cabível lançamento de oficio da multa isolada por falta de recolhimento do IRPJ sobre a base estimada, quando o sujeito passivo não efetuar o pagamento ou recolhimento integral da antecipação do imposto. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2005, 28/02/2005, 31/03/2005, 30/04/2005, 31/05/2005, 31/08/2005, 31/10/2005, 30/11/2005, 31/12/2005, 31/03/2006, 30/04/2006, 31/05/2006, 30/06/2006, 31/08/2006, 31/10/2006, 30/11/2006 Fl. 2000DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 8/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/08/2016 por WALDIR VEIGA RO CHA 12 PIS INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA APURAÇÃO REFLEXA. FALTA DE RECOLHIMENTO DO PIS INCIDENCIA NÃO CUMULATIVA O decidido no lançamento do IRPJ deve ser estendido aos demais lançamentos decorrentes, em face da relação de causa e efeito que os vincula. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/01/2005, 28/02/2005, 31/03/2005, 30/04/2005, 31/05/2005, 31/08/2005, 31/10/2005, 30/11/2005, 31/12/2005, 31/03/2006, 30/04/2006, 31/05/2006, 30/06/2006, 31/08/2006, 31/10/2006, 30/1 1/2006 COFINS INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. APURAÇÃO REFLEXA. FALTA DE RECOLHIMENTO DA COFINS _ INCIDENCIA NAO CUMULATIVA O decidido no lançamento do IRPJ deve ser estendido aos demais lançamentos decorrentes, em face da relação de causa e efeito que os vincula. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/12/2005, 31/12/2006 CSLL. FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL. CSLL OMISSÃO DE RECEITA. CSLL SOBRE RECEITAS OMITIDAS. O decidido no lançamento do IRPJ deve ser estendido aos demais lançamentos decorrentes, em face da relação de causa e efeito que os vincula. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/01/2005, 28/02/2005, 31/03/2005, 30/04/2005, 31/05/2005, 30/06/2005, 31/07/2005, 31/08/2005, 30/09/2005, 31/10/2005, 31/12/2005, 31/03/2006, 30/06/2006, 31/07/2006, 31/10/2006, 30/1 1/2006, 31/12/2006 MULTAS ISOLADAS. FALTA DE RECOLHIMENTO DA CONTRIBUICAO SOCIAL SOBRE A BASE ESTIMADA. Cabível lançamento de oficio da multa isolada por falta de recolhimento da CSLL sobre a base estimada, quando o sujeito passivo não efetuar o pagamento ou recolhimento integral da antecipação do imposto. A ora recorrente, devidamente cientificada do acórdão recorrido, apresenta recurso voluntário tempestivo, onde repisa os argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 2001DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 8/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/08/2016 por WALDIR VEIGA RO CHA Processo nº 13609.001009/201011 Acórdão n.º 1301002.094 S1C3T1 Fl. 1.043 13 Voto Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo A contribuinte foi cientificada do teor do acórdão da DRJ/RJ1 e intimada ao recolhimento dos débitos de IRPJ e reflexos em 16/09/2013 (fl. 16.354), e apresentou em 16/10/2014, recurso voluntário e demais documentos, juntados às fls. 16.357 à 16.392. Uma vez atendidos os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, e sendo o mesmo tempestivo, dele conheço. Trata o presente processo do auto de infração de fls. 56 a 88, lavrado pela DRF/RJ2, no qual consta a exigência de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 62 e 63, e do termo de verificação fiscal de fls. 52 a 55, o lançamento do IRPJ se deve a apuração da existência de depósitos de origem não comprovada com arbitramento do lucro no período de junho a dezembro de 2008, uma vez que o contribuinte, sujeito à tributação com base no lucro real, não possuía escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, conforme por ele declarado, e ainda por apresentar declaração de inatividade para o exercício em que houve movimentação financeira apurada com base nos extratos bancários, bem como nos dois anos seguintes, em que também efetuou movimentação financeira expressiva, razão pela qual também foi aplicada a multa de ofício qualificada em 150%. O recorrente se insurge contra as seguintes matérias, as quais serão analisadas uma a uma a seguir: 1) Omissão de Receitas Depósitos Bancários de Origem não Comprovada Alega a recorrente que o lançamento de ofício jamais poderia ter se dado porque os depósitos bancários estão devidamente contabilizados e que as movimentações estão devidamente fundamentadas em Notas Fiscais regularmente emitidas e cujos valores foram devidamente oferecidas à tributação. Ocorre que os depósitos bancários que foram devidamente comprovados via apresentação das respectivas Notas Fiscais, já foram acolhidos pela DRJ/BHE através do voto vencedor que reproduzo abaixo: O impugnante justificou os depósitos com as notas fiscais acima identificadas. Cópias dessas notas foram trazidas aos autos (fls. 735, 738, 739, 835). Como bem esclareceu o relator em seu voto, os valores nelas destacados, deduzidos das retenções a título de INSS e ISS, coincidem, exatamente, com os valores dos depósitos. [...] Dada a coincidência de valores, há de se admitir a correlação entre as operações representadas pelas referidas notas fiscais e os depósitos. Verificouse, Fl. 2002DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 8/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/08/2016 por WALDIR VEIGA RO CHA 14 ainda, a escrituração das operações no Diário, denotando o reconhecimento da receita (fls. 41, 58, 59 do Anexo II e fl. 103 do Anexo III). Os valores destacados nas notas fiscais foram lançados a débito na conta “Contas a Receber” e crédito na conta “Receita de Serviços”. As datas dos lançamentos são também compatíveis com as datas dos depósitos. Portanto, há de se considerar que esses depósitos tenham origem em receitas contabilizadas, devendo ser excluídos do montante das receitas omitidas. Ou seja, as movimentações bancárias que foram devidamente comprovadas, já foram objeto de análise e reconhecimento por parte do órgão a quo. Àquelas movimentações que não foram devidamente comprovadas por meio de documentação hábil e idônea, será aplicada a presunção legal prevista no ordenamento. A presunção de omissão de receitas proveniente de depósitos bancários de origem não comprovada, e sua forma de tributação, estão assim previstas no art. 42, da Lei nº 9.430/96: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. Fl. 2003DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 8/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/08/2016 por WALDIR VEIGA RO CHA Processo nº 13609.001009/201011 Acórdão n.º 1301002.094 S1C3T1 Fl. 1.044 15 § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Não olvido que os artigos acima são mera presunção legal e de que esta presunção específica é do tipo relativo, ou seja, cabem prova em contrário. Contudo, o legislador conferiu ao Fisco uma presunção válida e legal, incumbindo ao contribuinte, provar, através de documentação hábil e idônea que a referida presunção não possa subsistir. No caso concreto destes autos, o interessado não logrou comprovar, com a documentação adequada a presunção legal de omissão de receita, razão pela qual não vejo motivo para que se considera ilegal ou invalida a conclusão da autoridade fiscal. A fim de comprovar a questão colocada nestes autos, vejamos trecho do Termo de Verificação Fiscal que trata do presunção de omissão de receitas oriunda de depósitos bancários não contabilizados: [...] O contribuinte apresentou os extratos bancários Anexo I em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal n° 02. Porém, vale salientar que o sujeito passivo não contabilizava a conta Bancos. Somente após o recebimento do TIF n° 02 foi que o contribuinte elaborou um livro denominado “Razão Auxiliar de Disponibilidades”, que serviria para contemplar o registro contábil das operações bancárias. Este livro apresenta apenas a soma dos depósitos/créditos e dos saques/pagamentos mensais, porém sem qualquer discriminação analítica e sem qualquer relação com a conta Caixa registrada nos livros contábeis Anexos II (2005) e III (2006). Ou seja, foi uma tentativa de regularizar a contabilização da conta Bancos. Contudo, como é usual nesses tipos de procedimento retroativos, foram feitos lançamentos na conta Banco sem qualquer correspondência com os demais lançamentos contábeis. Também deve ser salientado que os lançamentos efetuados na contabilidade do contribuinte foram realizados de forma bem sintética, não se conseguindo, a contento, verificar os devidos movimentos contábeis. Após um exaustivo trabalho de compilação, digitação, depuração e análise dos lançamentos, foi elaborada uma tabela com aqueles valores que não havia comprovação no livro Diário. Esclarecese que foram excluídos os resgates de aplicações, as transferências e os estornos. O contribuinte _foi, então, intimado TIF n° 04 a comprovar a origem dos valores creditados/depositados em suas contas corrente, conforme planilha ao Termo. O contribuinte, conforme já mencionado no histórico, informa que toda a comprovação estaria nos livros contábeis entregues anteriormente e que o extrato bancário era “auto explicativo”. Na tentativa de se evitar cometer alguma injustiça e com objetivo de acelerar o procedimento fiscal, foi efetuada uma nova conferência de todos os lançamentos bancários com os livros Diário e Razão, buscando comprovar a origem dos valores depositados. Nessa análise; alguns lançamentos foram confirmados, porém, em diversos outros lançamentos ainda não fora possível a comprovação, por não haver correspondência nos livros contábeis, mesmo verificando em dias próximos. Assim, foi o contribuinte intimado a novamente comprovar, com documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados/depositados nas contascorrentes. O Termo Fl. 2004DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 8/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/08/2016 por WALDIR VEIGA RO CHA 16 de Intimação Fiscal foi o de n° 10, recebido em 18/02/2010, acompanhado do Anexo com a planilha dos novos dados. Mais uma vez a resposta do contribuinte foi evasiva e lacônica, pois informou que já havia apresentado a resposta em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal n° 02. Vimos que, no TIF n° 02, foi apresentado pelo contribuinte o extrato bancário. Conforme já dito no histórico, ainda não satisfazendo com as respostas, que pouco acrescentaram ao procedimento, e em busca da verdade material, foi elaborado o Termo de Reintimação Fiscal n° 12, este entregue pessoalmente, para o contribuinte comprovar, com documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados/depositados nas contascorrentes. Foi inclusive mencionado no Termo que o não atendimento caracterizaria a omissão de receita prevista no art. 42 da Lei n° 9.430/96. A ciência pessoal do Termo, ocorrida em 17/03/2010 foi feita' após explicar todo o procedimento fiscal a um dos contadores da empresa e ao gerente da empresa, filho do sócio Eduardo Góes, e um dos sócios da holding do grupo. Houve uma entrega parcial de documentos, referente aos pagamentos/saques do período de Janeiro a Julho de 2005. Porém, tais documentos nada comprovaram. Apesar de citar vários pagamentos efetuados, não havia qualquer relação com os valores debitados nas contas correntes do contribuinte. O contribuinte ainda solicitou um pedido adicional de prazo de 90(noventa) dias para apresentar o restante da documentação. Mesmo considerando um prazo desproporcional, pelas diversas oportunidades que já haviam sido dadas, passado este prazo de 90 dias, não houve qualquer manifestação do contribuinte. Ou seja, oportunidades para os esclarecimentos não faltaram. Como visto, foram dadas ao contribuinte todas as possibilidades para explicação e juntada de documentos, mas ele não quis, ou não pode, manifestar objetivamente. Assim, não restam dúvidas quanto a correção do procedimento adotado pela fiscalização, sendo considerados os depósitos efetuados na conta corrente da interessada como receita omitida, em decorrência da presunção legal, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430/96, razão pela qual não merece nenhum reparo a autuação neste aspecto, combinado com o fato de que o interessado não apresentou qualquer tipo de prova que pudesse afastar a referida presunção de omissão de receitas, em que pese as várias oportunidades em que teve para assim fazêlo. 2) Glosa de Custos No que diz respeito à glosa de despesas, mediante a desclassificação de notas fiscais, alega a recorrente que o acórdão recorrido é, literalmente, contrário a jurisprudência dos tribunais pátrios. Aduz que se o contribuinte contrata serviços ou compra mercadorias de sociedade empresária regularmente constituída, registrada na Junta Comercial, e efetua o pagamento contra a apresentação de nota fiscal age com boa fé. Não há como glosar a despesa respectiva, apenas porque a Receita Federal a considera inidônea. Pois bem, contextualizados os fatos, verificase que a hipótese dos autos, em relação à glosa de custos, sem deu em razão da documentação comprobatória de suporte da apropriação de tais custos serem baseadas em notas fiscais falsificadas, uma vez que a fiscalização comprovou que não eram de emissão dos emitentes nelas consignados. Fl. 2005DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 8/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/08/2016 por WALDIR VEIGA RO CHA Processo nº 13609.001009/201011 Acórdão n.º 1301002.094 S1C3T1 Fl. 1.045 17 Em que pese os estabelecimentos existirem de fato, eles não se dedicam à comercialização de materiais de construção, mas sim comércio varejista de bar, lanchonete, bebidas, e afins, de modo tal que não restaram dúvidas de que as notas fiscais apresentadas não foram por eles emitidas e reportavam operações fictícias. Assim, toda a jurisprudência trazida à colação pela recorrente não se aplicam ao caso concreto, uma vez que estas tratam de matéria diferente daquele tratada nestes autos. Aqui estamos diante do alegado (e comprovado) fato de que as notas fiscais que deram origem a determinados custos apropriados no resultado da interessada eram falsas. A fiscalização ao tentar confirmar junto às pessoas jurídicas que constavam como tendo sido emitentes das notas fiscais, apurou indícios graves, precisos e convergentes que ensejaram a certificação de que os custos estavam esteados em documentos fiscais inidôneos. Diante de todo exposto não há como negar legitimidade ao lançamento efetuado, ao contrário do que pleiteia a defendente, haja vista que se trata de situação expressamente prevista nas normas fiscais, que transferem, para a contribuinte, o ônus da prova das operações objeto de documentos fiscais, quando tais documentos não são idôneos. 3) Da Multa Confiscatória Reitera a recorrente as razões da impugnação, sobre o caráter evidentemente confiscatório, da multa de 150%: uma vez e meia o valor da operação. Pois bem, a propósito, a infração à qual foi aplicada a multa de oficio qualificada diz respeito a glosa de custos que foram apropriados com base em notas fiscais cuja ilegitimidade foi comprovada pela fiscalização, bem como a conduta artificiosa da contribuinte responsável, em face da apresentação de documentação inidônea. A multa aplicada está fundamentada no art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430, de 1996 (atual art. 44, § 1°, da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pela Lei n° 11.488/2007), que determina a aplicação da multa de 150% (cento e cinqüenta por cento) nos casos de evidente intuito de fraude, que é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. “Art 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (...) II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n” 4.502. de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. " Por meio do art. 14 da Medida Provisória n° 351, de 22 de janeiro de 2007, convertida na Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007, foi alterada a redação desse dispositivo, como segue: Fl. 2006DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 8/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/08/2016 por WALDIR VEIGA RO CHA 18 Art. 14. O art. 44 da Lei n° 9.430. de 27 de dezembro de l996, passa a vigorar com a seguinte redação “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: “I de setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; § 1 O percentual de multa de que trata 0 inciso 1 do caput será duplicado nos casos previstos nos arts. 71 , 72 e 73 da Lei n° 4.502. de 1964. independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Aditese que, justamente por haver constatado a existência de fatos que, em tese, configuram ilícitos penais, o fiscal autuante lavrou a correspondente Representação Fiscal Para Fins Penais, que foi formalizada no Processo n° 13609.001010/201045. Por conseguinte, diante da clarividência dos textos das normas citadas no enquadramento legal do agravamento, afigurase despiciendo e improficuo se estender em debate sobre a multa contraditada, haja vista que assoma indubitável que a sanção imposta obedece a comando legal em vigor, descabendo, pois, à autoridade julgadora, justamente por expressa falta de previsão legal, cogitar de eximir a defendente, eis que o procedimento adotado pela fiscalização não discrepa da legislação. Salientese, em complementação, que por força da Súmula CARF nº 02, este colegiado não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei. Assim, eventual caráter confiscatório da lei que instituiu a multa majorada não poderá ser discutida administrativamente, devendo a interessada, se assim o desejar, ingressar com tal pleito no judiciário. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Nego, pois, a não aplicação da multa qualificada sob o argumento de ser a mesma confiscatória, por não ter competência para tanto. Deixo de analisar a questão da concomitância da multa isolada e multa de ofício, por não ter sido este fato questionado em sede de Recurso Voluntário, estando, a meu ver, abarcado pelo instituto da preclusão. 4) Lançamentos Reflexos As infrações apuradas para o imposto de Renda da Pessoa Jurídica geram reflexo na determinação da base de cálculo das contribuições da CSLL, PIS e Cofins. 5) Responsabilidade Solidária Alega a recorrente que a origem da exigência fiscal é incompetência ou desorganização do antigo contador da que levaram à sua demissão. Não há má fé, dolo nem beneficio do administrador da sociedade, com a falta de prova dos pagamentos que, efetivamente, foram realizados. Fl. 2007DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 8/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/08/2016 por WALDIR VEIGA RO CHA Processo nº 13609.001009/201011 Acórdão n.º 1301002.094 S1C3T1 Fl. 1.046 19 Aduz ainda que, no caso concreto, o conjunto probatório não deixa dúvida de que os pagamentos foram efetivamente realizados e não é justo nem razoável impor ao administrador, ora Recorrente, a responsabilidade solidária nem a responsabilidade subsidiária, pois não agiu com dolo, não agiu com má fé. A autuação é resultado falha na organização, não de dolo nem de beneficio do Recorrente. Razão não assiste à recorrente. Segundo a fiscalização o sócio Sr. Eduardo Barcellos Góes, exerce a gerência da empresa e é o real beneficiário das infrações cometidas, especialmente na majoração de custos e conseqüente redução indevida de tributos e contribuições, mediante o artifício de utilização de notas fiscais inidôneas. Por esse motivo, com fundamento nos arts. 124, inciso I e 135, inciso III, estendendolhe a notificação dos Autos de Infração e do “Relatório de Auditoria Fiscal. Para melhor contextualização, transcrevese excerto do circunstanciação efetuada no “Relatório de Auditoria Fiscal " (fls. 330/350): “DA SOLIDARIEDADE A empresa Ral Engenharia Ltda foi constituída em 29/04/1996, com Capital Social de R$ 640.000,00, tendo como objetivo social a execução de serviços de engenharia, saneamento, dragagem, urbanismo, montagens, obras de implantação de terraplenagem e pavimentação, instalações industriais, administração e fiscalização de obras por conta própria ou de terceiros, operando em todo território nacional. No período objeto da fiscalização, o quadro societário era composto pelos sócios Eduardo Barcellos Góes, CPF 217.442.11604, responsável pela sua administração, e Erege Participações Ltda, CNPJ 01.115.348/000197, cujo representante e sócio majoritário também é o Sr. Eduardo B. Góes. As demais cotas minoritárias da Erege Participações são de seus filhos. Ou seja, formalmente, é o Sr. Eduardo Barcellos Góes o responsável pela gestão da empresa, com amplos e gerais poderes para administrar e gerir os negócios. Ele também é o maior beneficiário das atividades lucrativas da empresa, responsável pela parte financeira e com interesses em suas operações comerciais. Além das procurações e das correspondências de atendimento às intimações emitidas nesta fiscalização pelo próprio responsável, foram juntadas ao processo algumas cópias de documentos que comprovam toda a ligação do Sr. Eduardo Góes com as operações da empresa. (...) Sendo o responsável pela gerência da empresa. sócio beneficiário e com interesse em todas as atividades financeiras e comerciais da Ral Engenharia Ltda. também o Sr. Eduardo B. Góes é responsável pelas infrações cometidas pelo contribuinte. Infrações estas identificadas e apuradas neste procedimentos fiscal. Destarte. atribuise a responsabilidade solidária ao Sr. Eduardo Barcellos Góes. CPF 217.442.11604, pelo crédito tributário apurado em nome do contribuinte Ral Engenharia Ltda. nos termos do art. 124, inciso l, da Lei n° 5.172/66, assim disposto: (...) Fl. 2008DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 8/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/08/2016 por WALDIR VEIGA RO CHA 20 Conforme demonstrado anteriormente, o mesmo exerce a gerência da empresa é o real beneficiário das infrações cometidas. Da mesma forma. em função de constatação de crime contra a Ordem Tributária, por meio da utilização pela fiscalizada de Notas Fiscais inidôneas. fraudadas, comprovase a conduta ilícita intencional por parte da sociedade. na pessoa de seu sócio. gerente e representante. Sr. Eduardo B. Góes. Caracteriza assim a infração a lei prevista no art. 135, III do Código Tributário Nacional, respondendo também pessoalmente o Sr. Eduardo Góes pelas obrigações tributárias resultantes desses atos. (...) Para reservar os interesses da Fazenda Nacional, utilizando o Termo de Sujeição Passiva Solidária, estendemos a notificação deste Relatório de Auditoria Fiscal, assim como dos Autos de Infração e documentos anexos, ao Sr. Eduardo Barcellos Góes, qualificado nos termos dos artigos 124, inciso I e 135, inciso III, da Lei 5.172/66 (Código Tributário Nacional), como SOLIDARIAMENTE RESPONSÁVEL pelo crédito tributário constituído, cientificandoo das obrigações resultantes. Não vejo problemas Sujeição Passiva Solidária, senão vejamos. Nos termos do artigo 135, inciso III, do CTN, para que a cobrança do crédito tributário da pessoa jurídica seja redirecionada para a pessoa de seus diretores, gerentes ou representantes legais, obrigatoriamente, há de serem observados seus pressupostos legais, quais sejam: que haja excesso de poder ou infração à lei, nos atos praticados. O Termo de Sujeição Passiva (fls 91 e 92) lavrado em desfavor da recorrente comprova sua atuação em infração à lei, haja vista a existência de documentos fiscais falsos. Ressaltese que, interpretando a expressão “infração de lei, contrato social ou estatutos”, expressa no mencionado artigo 135 do CTN, é pacífico que não é sempre que a pessoa física pode ser responsabilizada por débitos contraídos pela pessoa jurídica. A mera ausência do pagamento de tributos não pode ser caracterizada como infração à lei, contrato social ou estatutos1. Fazse necessária a prova de que o administrador da pessoa jurídica tenha se beneficiado pessoalmente com a inadimplência ou tenha dissolvido irregularmente a sociedade, para haver eventual caracterização de sua responsabilidade tributária. Aplicase o artigo 135, inciso III, do CTN se ficar claramente comprovado pelo Fisco que a obrigação tributária é resultante de atos praticados pelos sócios com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. No caso em tela, restou devidamente comprovada a infração à lei através da existência de documentos falsos. Diante de todo o acima exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Sala de sessões, 09 de agosto de 2016. 1 Esse entendimento já é, inclusive, sumulado: “o inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por si só, a responsabilidade solidária do sóciogerente” (Súmula nº 430 do STJ, DJe 13/05/2010). Fl. 2009DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 8/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/08/2016 por WALDIR VEIGA RO CHA Processo nº 13609.001009/201011 Acórdão n.º 1301002.094 S1C3T1 Fl. 1.047 21 (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo Relator Fl. 2010DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 8/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/08/2016 por WALDIR VEIGA RO CHA
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Numero do processo: 11070.000407/2008-95
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Sep 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2000 a 31/01/2005
MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. CONHECIMENTO.
O conhecimento do recurso especial demanda a comprovação, pelo recorrente, de divergência jurisprudencial. Para isso é necessário trazer aos autos acórdão paradigma em que, enfrentando-se situação semelhante àquela tratada no acórdão recorrido, tenha aplicado a legislação de regência de forma diversa.
Hipótese em que isso não ocorreu.
PREVIDENCIÁRIO - AUTO DE INFRAÇÃO - AQUISIÇÃO DE PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA - SUB-ROGAÇÃO.
O Acórdão do RE 363.852/MG declarou a inconstitucionalidade do art. 25 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 9.528/1997, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional n° 20/98, venha a instituir a contribuição". Com o advento da lei 10.256/2001, ficou legitimada a cobrança de contribuições sobre a aquisição do produtor rural pessoa física, sem prejuízo do procedimento de sub-rogação, previsto no art. 30, IV, da lei 8.212/1991, que em momento algum foi considerado inconstitucional.
Recurso especial da Fazenda Nacional provido e do Contribuinte não conhecido.
Numero da decisão: 9202-004.338
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencida a conselheira Patrícia da Silva, que lhe negou provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial do Contribuinte.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Ausente, justificadamente o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Recorrentes FAZENDA NACIONAL e COOPERATIVA TRITICOLA SANTA ROSA LTDA. FAZENDA NACIONAL e COOPERATIVA TRITICOLA SANTA ROSA LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2000 a 31/01/2005 MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. CONHECIMENTO. O conhecimento do recurso especial demanda a comprovação, pelo recorrente, de divergência jurisprudencial. Para isso é necessário trazer aos autos acórdão paradigma em que, enfrentandose situação semelhante àquela tratada no acórdão recorrido, tenha aplicado a legislação de regência de forma diversa. Hipótese em que isso não ocorreu. PREVIDENCIÁRIO AUTO DE INFRAÇÃO AQUISIÇÃO DE PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA SUBROGAÇÃO. O Acórdão do RE 363.852/MG declarou a inconstitucionalidade do art. 25 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 9.528/1997, “até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional n° 20/98, venha a instituir a contribuição". Com AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 00 04 07 /2 00 8- 95 Fl. 254DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11070.000407/200895 Acórdão n.º 9202004.338 CSRFT2 Fl. 255 2 o advento da lei 10.256/2001, ficou legitimada a cobrança de contribuições sobre a aquisição do produtor rural pessoa física, sem prejuízo do procedimento de sub rogação, previsto no art. 30, IV, da lei 8.212/1991, que em momento algum foi considerado inconstitucional. Recurso especial da Fazenda Nacional provido e do Contribuinte não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencida a conselheira Patrícia da Silva, que lhe negou provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial do Contribuinte. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Ausente, justificadamente o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Do Processo, até a Decisão Recorrida Trata o presente processo de auto de infração DEBCAD nº 37.048.5521 (AI), às efls. 002 a 032, cientificados ao contribuinte em 02/04/2008, com relatório fiscal às e fls. 033 a 035. O lançamento trata das contribuições destinadas à Seguridade Social e a outras entidades decorrentes da receita bruta auferida pelo produtor rural — pessoa física e pelo segurado especial proveniente da comercialização da sua produção. A cooperativa, discutia judicialmente (ação 1999.71.00.0145129) a legalidade da contribuição social incidente sobre o valor da comercialização do produto rural. Sem que a ação já tivesse transitado em julgado, o sujeito passivo efetuou compensações relativas As contribuições objeto da ação judicial. O artigo 170A do Código Tributário Nacional, Lei n° 5.172 de 25 de outubro de 1966, determina que é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial, pelo sujeito passivo, antes do transito em julgado da Fl. 255DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11070.000407/200895 Acórdão n.º 9202004.338 CSRFT2 Fl. 256 3 respectiva decisão judicial, motivo pelo qual foi lavrada a presente NFLD com o intuito de lançar os valores compensados pelo sujeito passivo. O lançamento importou num montante de R$ 7.631.868,58. A contribuinte, às efls. 043 a 062, impugnou o lançamento, em 24/04/2008. A 3ª Turma da DRJ/STM, em acórdão de nº 189.333 (efls. 115 a 119), de 14/07/2008, acatou a preliminar de decadência suscitada na impugnação, não conheceu da impugnação na parte objeto da ação judicial e declarou definitivamente constituído na esfera administrativa o crédito previdenciário remanescente no valor de R$ 3.121.773,16. Em face da parcela exonerada exceder R$ 1.000.000,00, houve recurso de ofício ao então 2º Conselho de Contribuintes, nos termos do art. 366. inciso II do Regulamento da Previdência Social — RIS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99 e do art. 1º, da Portaria/MF n° 03. de 03 de janeiro de 2008. Inconformada, em 10/10/2008, a contribuinte apresentou recursos voluntários, às efls. 121 a 138, nos quais argumentava, em síntese: · considera que inexiste necessidade de prévio reconhecimento judicial para a realização do procedimento compensatório e por isso iniciou procedimento de compensação de seu crédito com amparo na Lei n° 8.383/91 e com base na decisão judicial proferida no curso da ação nº 199971000145129, que determina a inexigibilidade da contribuição social sobre comercialização rural em diversas competências; · que a notificada está compensando crédito decorrente da ação judicial e que diz respeito ao período em que as Leis que regulamentaram as hipóteses de tributação atuais não estavam vigentes; · que está compensando pagamentos indevidos efetuados pela Cooperativa, relativos ao período de 01.08.91 a 01.04.93 (contribuição incidente sobre a venda do produtor pessoa física), e ao período de 01.08.91 a 01.08.94 (contribuição incidente sobre a venda do produtor pessoa jurídica); · que possui decisão judicial com trânsito em julgado parcial, não mais passível de modificação neste item, uma vez que foi proferida decisão pelo STJ e que não houve recurso do INSS em relação à tal decisão; · que não houve mera inadimplência de tributo, mas sim antecipação de crédito líquido e certo, por isso é improcedente a autuação formalizada, devendo ser revista a imputação pretendida, ou ainda que assim não se entenda, seja suspensa a exigibilidade da pretensa divida até o término da ação judicial que busca o reconhecimento da inexigibilidade do tributo; · a inconstitucionalidade da norma relativa à incidência das contribuições relativas à comercialização da produção rural em face do Recurso Extraordinário n° 363.852/MG; · que fosse suspensa a emissão de Representação Penal ao Ministério Público Federal, alega que merece reforma a decisão proferida, eis Fl. 256DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11070.000407/200895 Acórdão n.º 9202004.338 CSRFT2 Fl. 257 4 que compete ao Delegado da Receita Federal a emissão do referido documento e que a legislação determina que o mesmo somente seja feito após o trânsito em julgado do processo administrativo, conforme disposto no art. 83, da Lei n° 9.430/96; O recurso voluntário foi apreciado pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento em 12/03/2012, resultando no acórdão 230102.620, às efls. 143 a 158, que tem a seguinte ementa: Ementa: AQUISIÇÃO DE PRODUTO RURAL DE PESSOA FÍSICA É devida, pelo produtor rural pessoa física, contribuição previdenciária incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção. RESPONSABILIDADE DO ADQUIRENTE A empresa adquirente da produção de produtores rurais pessoas físicas fica subrogada nas obrigações de tais produtores e está obrigada a arrecadar, mediante desconto, a contribuição previdenciária por ele devida. COMPENSAÇÃO – GLOSA Constatada a compensação de valores efetuada indevidamente pela empresa ou em desacordo com o permitido pela legislação tributária, será efetuada a glosa dos valores e constituído o crédito tributário por meio do instrumento competente, sem prejuízo das penalidades cabíveis. MATÉRIA SUB JUDICE – CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL– RENÚNCIA Em razão da decisão judicial se sobrepor à decisão administrativa, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, antes ou depois do lançamento, implica renúncia ao contencioso administrativo fiscal relativamente à matéria submetida ao Poder Judiciário. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS É dever da auditoria fiscal, ao tomar ciência da ocorrência, em tese, de crime contra a ordem tributária emitir Representação Fiscal para Fins Penais. O processo administrativo fiscal não é o instrumento competente para discutir a ação penal e para a apresentação de provas da ocorrência, em tese, do crime contra ordem tributária, devendo a notificada demonstrar seu inconformismo em relação à apresentação de provas nos autos do processo de ação penal relacionada, e não nos autos do processo administrativo que discute o lançamento de débito. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11070.000407/200895 Acórdão n.º 9202004.338 CSRFT2 Fl. 258 5 O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação acessória punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. Assim, deverão ser cotejadas as penalidades da redação anterior e da atual do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. O acórdão teve o seguinte teor: Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, no mérito, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram pelo provimento do recurso; II) Por maioria de votos: a) em manter a aplicação da multa, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento da multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a) Designado(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; III) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento às demais alegações apresentadas pela Recorrente, nos termos do voto da Relatora. Redator designado: Leonardo Henrique Pires Lopes. RE da Fazenda A Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência RE, às efls. 175 a 187, em 07/11/2014. Indica como paradigmas para divergência o acórdão: nº 2401 00.120 da 1ª Turma da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF. A divergência foi assim exposta (efls. 180 e 181): Ao examinar a matéria pertinente à multa aplicada, o acórdão recorrido entendeu que deveria ser aplicada ao caso a retroatividade benigna, sob o fundamento de que o artigo 35, caput, da Lei nº 8.212/1991 deveria ser observado e comparado com a atual redação emprestada pela Lei nº 11.941/2009. E como na atual redação, há remissão ao art. 61 da Lei nº Fl. 258DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11070.000407/200895 Acórdão n.º 9202004.338 CSRFT2 Fl. 259 6 9.430/96, entendeu que o patamar da multa aplicada estaria limitado a 20% (§ 2º do art. 61). Ao revés, o paradigma adotou solução diametralmente oposta. Para o órgão prolator do paradigma, o art. 35 da Lei nº 8.212/1991 deveria agora ser observado à luz da norma introduzida pela Lei nº 11.941/2009, qual seja, o art. 35A que, por sua vez, faz remissão ao art. 44, da Lei nº 9.430/96. No julgado paradigma, a aplicação da retroatividade benigna na forma de aplicação do art. 61, § 2º, da Lei nº 9.430/1996 (norma à qual a atual redação do caput do art. 35 com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009 faz remissão) foi rechaçada de forma expressa. O Presidente da 3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF através do despacho nº 2300418/2014, de efls. 190 a 193, deu seguimento ao RE por entender preenchidos os requisitos legais para sua admissibilidade em 18/11/2014. RE do contribuinte Cientificada do despacho nº 2300418/2014 em 03/12/2014, a contribuinte apresentou Recurso Especial de Divergência (RE), às efls. 197 a 205. A contribuinte apresentou julgado que utiliza de lógica diversa para a decisão sobre o mesmo litígio: alcance de declaração de inconstitucionalidade, sobre lançamentos de contribuição incidente sobre a comercialização da produção rural estabelecida no art. 25 da Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei nº 10.256/2001. Enquanto a decisão recorrida decidiu que as contribuições podem ser exigidas, a decisão paradigma, por unanimidade, decidiu que não há como exigir as contribuições, pois foram alcançadas pela declaração de inconstitucionalidade Como paradigma da divergência, arrola o acórdão nº 2401003.012 prolatado pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento. Requer por fim que seja admitido o seu RE para obter a reforma do acórdão recorrido. O Presidente da Segunda Seção de Julgamento do CARF, através do despacho de efls. 232 a 237, em 05/06/2015, deu seguimento ao RE interposto pela contribuinte para que fosse reapreciada a questão do alcance da declaração de inconstitucionalidade sobre lançamentos de contribuição incidente sobre a comercialização da produção rural estabelecida no art. 25 da Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei nº 10.256/2001. Contrarrazões da Fazenda Cientificada do RE do contribuinte em 25/09/2015 (efl. 238), a Procuradoria da Fazenda, em 08/10/2015, às efls. 239 a 251, apresentou contrarrazões a ele. Naquela peça, a Procuradora da Fazenda, no fechamento (efl. 250 e 251), afirma: "...a declaração de inconstitucionalidade veiculada no RE n.º 363.852/MG se referiu, exclusivamente, ao caput do art. 25 da Lei de Custeio, com redação dada pela Lei n.º 8.540/92, na parte Fl. 259DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11070.000407/200895 Acórdão n.º 9202004.338 CSRFT2 Fl. 260 7 dirigida ao empregador rural pessoa física. Em outros termos, a declaração de inconstitucionalidade foi apenas parcial, permanecendo válidos e constitucionais os incisos I e II do artigo 25. Da mesma forma, o art. 30, inciso IV, da Lei n.º 8.212/91 somente deixa de ser aplicado nos limites da declaração de inconstitucionalidade, ou seja, apenas em relação ao empregador rural pessoa física e se existente o mesmo contexto jurídico analisado no julgamento do STF. No caso concreto, os fatos geradores que deram origem à obrigação tributária ocorreram no período de 01/2008 a 12/2010. Ou seja, após a Lei n.º 10.256/2001, editada com arrimo na EC 20/98, de forma que é plenamente válida a cobrança dos créditos tributários constituídos pelo auto de infração." Em conclusão, a Procuradora da Fazenda requer a que seja denegado o RE da contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Os recursos são tempestivos e atendem os demais requisitos de admissibilidade e, portanto, deles conheço. Por uma questão de prejudicialidade, analisarei primeiramente o RE da contribuinte RE e em seguida o da Fazenda Nacional. RE da contribuinte Conhecimento O Recurso Especial da Contribuinte apresenta uma questão acerca de seu conhecimento que merece destaque. Em que pese ter, na qualidade de Presidente da Câmara recorrida, ter dado seguimento ao Recurso Especial da Contribuinte, agora, como relator, tive a oportunidade de aprofundarme na análise do recurso especial e refaço meu entendimento, conforme a seguir apresentado. O acórdão recorrido enfrentou as questões da definitividade, no âmbito administrativo, do lançamento referente a crédito tributário discutido em ação judicial e da impossibilidade de compensação de valores em discussão na esfera judicial, antes do trânsito em julgado da correspondente ação judicial. Somente como questão de fundo, se discutiu no acórdão recorrido a questão da inconstitucionalidade da exação por subrrogação. Com efeito, Fl. 260DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11070.000407/200895 Acórdão n.º 9202004.338 CSRFT2 Fl. 261 8 essa discussão de fundo é o objeto da ação judicial e não o objeto imediato do processo administrativo. Ocorre que o acórdão paradigma não trata das questões da concomitância da discussão administrativa e judicial do crédito tributário e da compensação desse crédito antes do trânsito em julgado da ação judicial. Com efeito, o acórdão paradigma trata tão somente da questão de fundo, qual seja, a inconstitucionalidade da exação por subrrogação. Ora, para que ficasse demonstrada a divergência jurisprudencial capaz de implicar o conhecimento do Recurso Especial, seria necessário que a recorrente trouxesse aos autos, a título de acórdão paradigma, uma decisão que enfrentando a situação de concomitância da discussão nas esferas administrativa e judicial do crédito tributário decorrente da subrrogação e de compensação antes do trânsito em julgado, tivesse dado provimento ao recurso da contribuinte. Entretanto, não foi isso o que ocorreu. Portanto, voto por não conhecer do recurso especial da Contribuinte. Mérito Caso reste vencido quanto ao conhecimento, passo agora à análise do mérito do recurso. Entendo que deva ser negado provimento ao recurso, haja vista que a referida decisão do STF não se referiu à inconstitucionalidade do art. 30, inc. IV, da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 9.528 de 10/12/1997, mas à inconstitucionalidade da própria tributação do produtor rural, pessoa física, com base na receita bruta ou no faturamento, pois, até a vigência da EC 20 de 15/12/1998, essa receita demandaria lei complementar para sua tributação. Se esta não pode ser tributada a subrogação inexistiria por mera conseqüência lógica e não por inconstitucionalidade própria. A partir da referida emenda constitucional e da existência de nova lei regulando a relação jurídica da pessoa física com o fato gerador, a subrogação do art. 30, inc. IV, automaticamente incide. Argumentos que apóiam tal entendimento constam de forma clara e didática em voto da ilustre Conselheira Dra. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira no acórdão nº 2401003.896 da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara desta Segunda Seção, por isso peço vênia para transcrevêlo: Quanto ao mérito cumprenos apreciar não apenas os dispositivos legais que abarcam a matéria, mas também as decisões emanadas pelo STF a respeito da matéria, considerando o recurso apresentado pelo recorrente. O presente AIOP referese a contribuições devidas à seguridade social, parcela devida pelo produtor rural, pessoa física (conforme relatório fiscal), incidentes sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, (compra de bovinos para abate) bem como da contribuição destinada ao SENAR e ao SAT/RAT no período de 01/2010 a 12/2010. A contribuição sobre a comercialização da produção está descrita no art. 25 da Lei 8212/91: Fl. 261DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11070.000407/200895 Acórdão n.º 9202004.338 CSRFT2 Fl. 262 9 Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (Redação alterada pela Lei n° 10.256/01. Vigência a partir de 01/11/01, ver § 3° do art. 4° da MP n° 83/02, convertida na Lei n° 10.666/03 e nota no final do art I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; (Redação alterada pela Lei n° 9.528/97. Vigência a partir de 11/12/1997 II 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para o financiamento das prestações por acidente do trabalho. (Redação alterada pela MP n° 1.523/96, reeditada até a conversão na Lei n° 9.528/97 A subrogação descrita nesta NFLD está respaldada no que dispõe o art. 30, IV, da Lei 8.212/91, com redação da lei 9528/97: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação alterada pela Lei n° 8.620/93) IV a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação alterada pela MP n° 1.5239/97 e reeditada até a conversão na Lei n° 9.528/97) Sobre tais valores foi aplicada a alíquota de 0,1% até 12/2001 e 0,2% a partir de 01/2002, de acordo com o FPAS 744. A alíquota de contribuição devida ao SENAR foi alterada face nova redação dada pelo art. 3° da Lei 10.256/2001 no art. 6° da Lei 9.528/1997. "Art.6° A contribuição do empregador rural pessoa física e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), criado pela Lei n° 8.315, de 23 de dezembro de 1991, é de zero vírgula dois por cento, incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural." (NR) Com base no exposto, devidamente respaldado encontrarseia o trabalho da auditoria fiscal. O problema surge a partir do não fosse o julgamento pelo STF o Recurso Extraordinário n° 363.852, cujo Plenário deu provimento ao recurso em acórdão com a seguinte ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO PRESSUPOSTO ESPECÍFICO VIOLÊNCIA À CONSTITUIÇÃO Fl. 262DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11070.000407/200895 Acórdão n.º 9202004.338 CSRFT2 Fl. 263 10 ANÁLISE CONCLUSÃO Porque o Supremo, na análise da violência à Constituição, adota entendimento quanto à matéria de fundo extraordinário, a conclusão a que chega deságua, conforme sempre sustentou a melhor doutrina José Carlos Barbosa Moreira , em provimento ou desprovimento do recurso, sendo impróprias as nomenclaturas conhecimento e não conhecimento. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL COMERCIALIZAÇÃO DE BOVINOS PRODUTORES RURAIS PESSOAS NATURAIS SUBROGAÇÃO LEI N° 8.212/91 ART. 195, INCISO I, DA CARTA FEDERAL PERÍODO ANTERIOR À EMENDA CONSTITUCIONAL N° 20/98 UNICIDADE DE INCIDÊNCIA EXCEÇÕES COFINS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PRECEDENTE INEXISTÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR Ante o texto constitucional, não subsiste a obrigação tributária subrogada do adquirente, presente a venda de bovinos, por produtores rurais, pessoas naturais, prevista os artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis n° 8.540/92 e 9.528/97. Aplicação de leis no tempo considerações (g.n.) Discutese, naqueles autos, a constitucionalidade da contribuição exigida com base no art. 25 da Lei n° 8.212/91, com redação dada pelas Leis 8.540/1992 e 9.528/97, incidente sobre o valor da comercialização da produção rural, tendo como contribuinte o Empregador Rural Pessoa Física. É sabido que a Constituição da República de 1988 estabeleceu a tributação incidente sobre a comercialização da produção rural para os casos de economia familiar (art. 195, § 8° da CR). Em face disso, a Lei n° 8.212/91, art. 25, originariamente determinava que apenas os segurados especiais (produtor rural individual, sem empregados, ou que exerce a atividade rural em regime de' economia familiar) passariam a contribuir de forma diversa, mediante a aplicação de uma alíquota sobre a comercialização da produção. Todavia, com a edição das Leis n. 8.540, 9.528, que alteraram a redação do art. 25 da Lei n° 8.212/91, passouse a exigir tanto do empregador rural pessoa física como do segurado especial a contribuição com base no valor da venda da produção rural. Quanto a este ponto o Supremo Tribunal Federal manifestouse pela inconstitucionalidade da exação questionada, conforme decisão proferida no RE 363.852, no sentido de que houve a criação de uma nova fonte de custeio da Previdência Social e que tal iniciativa teria de ser tomada mediante a aprovação de lei complementar, conforme prevê o § 4° do art. 195 da Constituição da República. Impende saber se este modelo previdenciário trazido pela atual redação do art. 25 da Lei n° 8.212 (introduzida pela Lei 10.256 e demais dispositivos já mencionados) se amoldaria aos preceitos constitucionais previstos no art. 195 da Constituição Federal. Portanto, de pronto podemos concluir que a exigência de contribuições sobre a aquisição da produção rural de pessoas físicas até a edição da lei 10.256/2001, ou seja, para lançamentos que envolvem competências até a edição da referida lei, encontramse abarcada pelo manto da inconstitucionalidade conforme decisão proferida pelo STF, acima transcrita. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11070.000407/200895 Acórdão n.º 9202004.338 CSRFT2 Fl. 264 11 (...) Notase que o objeto do RE 363.852 referese à discussão da constitucionalidade dos dispositivos da Lei n° 8.212/1991 nas redações dadas pelas Leis 8.540/1992 e 9.528/1997, ambas anteriores à Emenda Constitucional n° 20/1998. Portanto, decidiu o STF que a inovação da contribuição sobre comercialização de produção rural da pessoa física não encontrava respaldo na Carta Magna até a Emenda Constitucional 20/98, decidindo expressamente pela inconstitucionalidade acerca das Leis 8.540/92 e 9.528/97, razão pela qual compete a este Conselho, em observância ao art. 62A determinar a improcedência dos lançamento envolvendo períodos anteriores. Confirmando, ainda mais o posicionamento a ser adotado o referido precedente RE 363.852 foi ao depois aplicado em regime de repercussão geral por meio do julgamento do Recurso Extraordinário n° 596.177/RS (art. 543B do Código de Processo Civil)5, cuja ementa encontrase abaixo transcrita: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA.INCIDÊNCIA SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO.ART. 25 DA LEI 8.212/1991, NA REDAÇÃO DADA PELO ART. 1° DA LEI 8.540/1992. INCONSTITUCIONALIDADE. I Ofensa ao art. 150, II, da CF em virtude da exigência de dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador. II Necessidade de lei complementar para a instituição de nova fonte de custeio para a seguridade social. III RE conhecido e provido para reconhecer a inconstitucionalidade do art. 1° da Lei 8.540/1992, aplicandose aos casos semelhantes o disposto no art. 543B do CPC. (RE 596177, Relator Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Tribunal Pleno, julgado em 01/08/2011, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO, DJe165 de 29082011) Vale também transcrever posição do Dr. Rafael de Oliveira Franzoni, Procurador da Fazenda Nacional, que em seu artigo: "A CONSTITUCIONALIDADE DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DO EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA: Análise da jurisprudência do STF e do TRFda 4aRegião", assim conclui acerca das deciões proferidas no âmbito do STF: Ou seja, o que era apenas um precedente tornouse um posicionamento consolidado no âmbito do Supremo Tribunal Federal sobre a inconstitucionalidade da contribuição previdenciáriaprevista no art. 25 da Lei n° 8.212/1991, inclusive com as alterações decorrentes das Leis n°s 8.540/1992 e 9.528/1997, no que atine ao empregador rural pessoa física. Sendo assim, em face da força persuasiva especial e diferenciada6 proveniente dos julgamentos proferidos sob a nova sistemática da repercussão geral, é muito provável que seja tal entendimento seja seguido pelos demais órgãos do Poder Judiciário, independentemente da não existência de Fl. 264DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11070.000407/200895 Acórdão n.º 9202004.338 CSRFT2 Fl. 265 12 efeito vinculante a qualificar o controle difuso de constitucionalidade. Vale registrar, por oportuno, que a contribuição previdenciária do segurado especial, também regulada pelo art. 25 da Lei n° 8.212/1991, não foi afetada pela decisão da Suprema Corte no Recurso Extraordinário n° 596.177/RS, haja vista que o seu fundamento constitucional é distinto e independente da exação incidente sobre o empregador rural pessoa física. O daquela reside ele no § 8°; ao passo que o desta, no inciso I, ambos do art. 195 do Texto Magno. Se assim é, a declaração de inconstitucionalidade de que se cuida foi parcial, isto é, apenas parte da norma contida no texto do já citado art. 25 foi julgada nula e, portanto, extirpada do ordenamento jurídico. Mas este ponto será mais amiudemente examinado em tópico apartado. Assim, até a edição da Emenda Constitucional n° 20/98 o art. 195, inciso I, da CF previa como bases tributáveis de contribuições previdenciárias a folha de salários, o faturamento e o lucro, não havendo qualquer menção à receita como base tributável, o que macula a contribuição criada com base na receita da comercialização. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional n°20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional n°20, de 1998) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional n°20, de 1998) c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional n°20, de 1998 Assim, há que se destacar que a Lei n° 10.256/2001, deu nova redação ao art. 25 da Lei n° 8.212/1991 que passou a assim vigorar: Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (Redação dada pela Lei n° 10.256, de 2001). Fl. 265DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11070.000407/200895 Acórdão n.º 9202004.338 CSRFT2 Fl. 266 13 I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; (Redação dada pela Lei n° 9.528, de 10.12.97). II 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho. Assim, a partir da referida lei, existiria respaldo para o lançamento de contribuições, conforme acima descrito e consolidado tal entendimento por decisão proferida pelo Ministro Joaquim Barbosa no julgamento do RE 585684, senão vejamos: No julgamento do RE 363.852 (rel. min. Marco Aurélio, DJe de 23.04.2010), o Pleno desta Corte considerou inconstitucional o tributo cobrado nos termos dos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis n° 8.540/92 e n°9.528/97. Assim, o acórdão recorrido divergiu dessa orientação. Ante o exposto, conheço do recurso extraordinário e doulhe parcial provimento, para proibir a cobrança da contribuição devida pelo produtor rural empregador pessoa física, cobrada com base na Lei 8.212/1991 e as que se seguiram até a Lei 10.256/2001. [grifo nosso] (RE .568 4, Relator Min. JOAQUIM BARBOSA, julgado em 10/02/2011, publicado no DJe038 de 25/02/2011) Isto posto, com a entrada em vigor da Lei n° 10.256/2001, editada sob o manto constitucional aberto pela Emenda Constitucional n° 20/98, passam a ser devidas as contribuições sociais a cargo do empregador rural pessoa física, às alíquotas de 2% e 0,1% incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, nos termos assinalados no art. 25 da Lei n° 8.212/91, com a redação que lhe foi introduzida pela Lei n° 10.256/2001. O caso ora sob análise, conforme acima destacamos, envolve contribuições para o período de 01/2010 a 12/2010, ou seja, em período integralmente coberto pela regência da Lei n° 10.256/2001, não havendo que se falar em inconstitucionalidade da exação, pois esta decorre diretamente da norma tributária inserida no ordenamento pelo diploma legal, e não sob as contribuições descritas nas leis n° 8.540/92 e 9.528/97, declaradas inconstitucionais pelo STF. Esse entendimento já vinha sendo corriqueiramente aplicado nos julgados desta turma do colegiado, contudo, ao adentrarmos a questão da subrrogação descrita no art. 30, IV da lei 8.212/91, nas redações dadas pelas leis n° 8.540/92 e 9.528/97, entendeu a turma, que a subrrogação, acabou no resultado do julgamento sendo por derradeira também declarada inconstitucional, o que resultava na inviabilizando da utilização da sistemática de subrrogação nos casos de aquisição de produção rural de produtores rurais pessoas físicas. Todavia, as decisões proferidas no âmbito dos Tribunais Regionais Federais ao apreciar diversos casos incidentais envolvendo a mesma questão, bem como a decisão de outras turmas deste mesmo Conselho, nos levaram a reapreciar posicionamento antes adotado e a interpretar a decisão do próprio STF sob outra ótica, como passamos abaixo a discorrer. Citese do TRF: Fl. 266DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11070.000407/200895 Acórdão n.º 9202004.338 CSRFT2 Fl. 267 14 "TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA EMPREGADOR. PRESCRIÇÃO. LC 118/05. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. 1 O STF, ao julgar o RE n° 363.852, declarou inconstitucional as alterações trazidas pelo art. 1° da Lei n° 8.540/92, eis que instituíram nova fonte de custeio por meio de lei ordinária, sem observância da obrigatoriedade de lei complementar para tanto. 2 Com o advento da EC n° 20/98, o art. 195, I, da CF/88 passou a ter nova redação, com o acréscimo do vocábulo "receita". 3 Em face do novo permissivo constitucional, o art. 25 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 10.256/01, ao prever a contribuição do empregador rural pessoa física como incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, não se encontra eivado de inconstitucionalidade." (Apelação n° 000242212.2009.404.7104, Rel. Des. Fed. Mª de Fátima Labarrère, 1ª Turma do TRF4, julgada em 11/05/10) Quanto a este ponto, apreciando os diversos julgamentos realizados no âmbito do CARF, valhome de um especificamente, do ilustre Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, datado de 18 de abril de 2013 Acórdão 230202.445, da FRIGO VALE INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CARNES LTDA, que de forma fantástica analisou profundamente os efeitos das decisões dos tribunais sobre a sistemática da SUBRROGAÇÃO, determinando a procedência da autuação. O posicionamento referenciado no acórdão mostroume muito mais acertada, do que aquele até então por mim adotado, razão pela qual adotoo como razão de decidir, transcrevendo a parte pertinente abaixo: 3.1.4.DA SUBROGAÇÃO Por derradeiro, mas não menos importante, restanos apreciar a questão atávica à subrogação do adquirente, do consignatário ou da cooperativa pelo cumprimento das obrigações do empregador rural pessoa física e do segurado especial assentadas no art. 25 da Lei n° 8.212/91. Verificase no voto condutor acima revisitado, que a matéria atinente à subrogação em momento algum foi discutida no julgamento do Supremo Sodalício. Com efeito, o Supremo não se pronunciou acerca de nenhum vício de inconstitucionalidade a macular a subrogação, até porque esta foi expressamente prevista na própria Lex Excelsior. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) §7° A lei poderá atribuir a sujeito passivo de obrigação tributária a condição de responsável pelo pagamento de imposto ou contribuição, cujo fato gerador deva ocorrer Fl. 267DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11070.000407/200895 Acórdão n.º 9202004.338 CSRFT2 Fl. 268 15 posteriormente, assegurada a imediata e preferencial restituição da quantia paga, caso não se realize o fato gerador presumido. (Incluído pela Emenda Constitucional n° 3, de 1993) Assim proclamou o Min. Marco Aurélio, ad litteris et verbis: "Ante esses aspectos, conheço e provejo o recurso interposto para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por sub rogação sobre a "receita bruta proveniente da comercialização da produção rural" de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1° da Lei n° 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, com redação atualizada até a Lei n° 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional n° 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência.” Olhando com os olhos de ver, o Min. Marco Aurélio não declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 30 da Lei n° 8.212/91, mas, tão somente, a inconstitucionalidade do art. 1° da Lei n° 8.540/92, o qual, dentre outras tantas providências, "deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91". Lei n° 8.540, de 22 de dezembro de 1992 Art. 1° A Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, passa a vigorar com alterações nos seguintes dispositivos: Art. 12 ..... V......... a) a pessoa física, proprietária ou não, que explora atividade agropecuária ou pesqueira, em caráter permanente ou temporário, diretamente ou por intermédio de prepostos e com auxilio de empregados, utilizados a qualquer título, ainda que de forma não continua; b) a pessoa física, proprietária ou não, que explora atividade de extração mineral garimpo , em caráter permanente ou temporário, diretamente ou por intermédio de prepostos e com auxilio de empregados, utilizados a qualquer titulo, ainda que de forma não continua; c) o ministro de confissão religiosa e o membro de instituto de vida consagrada e de congregação ou de ordem religiosa, este quando por ela mantido, salvo se filiado obrigatoriamente à Previdência Social em razão de outra atividade, ou a outro sistema previdenciário, militar ou civil, ainda que na condição de inativo; Fl. 268DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11070.000407/200895 Acórdão n.º 9202004.338 CSRFT2 Fl. 269 16 d) o empregado de organismo oficial internacional ou estrangeiro em funcionamento no Brasil, salvo quando coberto por sistema próprio de previdência social; e) o brasileiro civil que trabalha no exterior para organismo oficial internacional do qual o Brasil é membro efetivo, ainda que lá domiciliado e contratado, salvo quando coberto por sistema de previdência social do pais do domicilio; Art. 22 ................................. §5° O disposto neste artigo não se aplica à pessoa fisica de que trata a alinea "a" do inciso Vdo art. 12 desta Lei. Art. 25. A contribuição da pessoa fisica e do segurado especial referidos, respectivamente, na alinea "a" do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: I dois por cento da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; II um décimo por cento da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento de complementação das prestações por acidente de trabalho. §1° O segurado especial de que trata este artigo, além da contribuição obrigatória referida no "caput", poderá contribuir, facultativamente, na forma do art. 21 desta Lei. §2° A pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12, contribui, também, obrigatoriamente, na forma do art. 21 desta Lei. §3° Integram a produção, para os efeitos deste artigo, os produtos de origem animal ou vegetal, em estado natural ou submetidos a processos de beneficiamento ou industrialização rudimentar, assim compreendidos, entre outros, os processos de lavagem, limpeza, descaroçamento, pilagem, descascamento, lenhamento, pasteurização, resfriamento, secagem, fermentação, embalagem, cristalização, fundição, carvoejamento, cozimento, destilação, moagem, torrefação, bem como os subprodutos e os resíduos obtidos através desses processos. §4°Não integra a base de cálculo dessa contribuição a produção rural destinada ao plantio ou reflorescimento, nem sobre o produto animal destinado a reprodução ou criação pecuária ou granjeira e a utilização como cobaias para fins de pesquisas científicas, quando vendido pelo próprio produtor e quem a utilize diretamente com essas finalidades, e no caso de produto vegetal, por pessoa ou entidade que, registrada no Ministério da Agricultura, do Abastecimento e da Reforma Agrária, se dedique ao comércio de sementes e mudas no País. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11070.000407/200895 Acórdão n.º 9202004.338 CSRFT2 Fl. 270 17 § 5º (VETADO) (...) Art. 30 IV o adquirente, o consignatário ou a cooperativa ficam subrogados nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; X a pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e o segurado especial são obrigados a recolher a contribuição de que trata o art. 25 desta Lei no prazo estabelecido no inciso III deste artigo, caso comercializem a sua produção no exterior ou, diretamente, no varejo, ao consumidor." Ora, caros leitores, o fato de o art. 1° da Lei n° 8.540/92 ter sido declarado, na via difusa, inconstitucional, não implica ipso facto que todas as modificações legislativas por ele introduzidas sejam tidas por inconstitucionais. A pensar assim, seria inconstitucional a fragmentação da alínea 'a' do inciso V do art. 12 da Lei n° 8.212/91, nas alíneas 'a' e 'b' do mesmo dispositivo legal, sem qualquer modificação em sua essência, assim como a renumeração das alíneas 'b', 'c' e 'd' do mesmo inciso V acima citado para 'c', 'd' e 'e', respectivamente, sem qualquer modificação de texto. (...) E o que falar, então, sobre a constitucionalidade do Inciso VII do art. 12 da Lei n° 8.212/91, o qual, embora citado pelo Sr. Min. Marco Aurélio, sequer se houve por tocado pelo art. 1° da Lei n° 8.540/92. Seria, assim, o Inciso VII do art. 12 da Lei n° 8.212/91 inconstitucional simplesmente e tão somente porque fora citado pelo Min. Marco Aurélio em seu voto? Não nos parece ser essa a melhor exegese do caso em debate. (...) Aditese que o inciso IX do art. 93 da CF/88 determina, taxativamente, que todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário, aqui incluído por óbvio o STF, devem ser públicos, e fundamentadas todas as suas decisões, sob pena de nulidade. Ora ... No julgamento do RE 363.852/MG inexiste qualquer menção, ínfima que seja, a possíveis vícios de inconstitucionalidade na subrogação encartada no inciso . V do art. 30 da Lei n° 8.212/91. Aliás, o vocábulo "subrogação" assim como a referência ao "inciso IV do art. 30 da Lei n° 8.212/91" somente são mencionados na conclusão do Acórdão, ocasião em que o Sr. Min. Relator desobriga os recorrentes do RE 363.852/MG da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu Fl. 270DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11070.000407/200895 Acórdão n.º 9202004.338 CSRFT2 Fl. 271 18 recolhimento por subrogação sobre a "receita bruta proveniente da comercialização da produção rural" de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, e que é declarada inconstitucionalidade do art. 1° da Lei n° 8.540/92, o qual deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, com redação atualizada até a Lei n° 9.528/97. Realmente, ao verificar o texto integral da decisão do Ministro Marco Aurélio no acórdão RE 363.852, o mesmo não adentrou em momento algum a apreciação da inconstitucionalidade do art. 30, IV da lei 8212/91, o que ao meu ver, impede a extensão dos efeitos da inconstitucionalidade das contribuições instituídas lei 8.540/92, o qual deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, com redação atualizada até a Lei n° 9.528/97, para as contribuições lançadas após a lei 10.256/2001. Todavia, não foi apenas esse fato mencionado no voto do ilustre Conselheiro Arlindo da Costa, que me levou a alterar o posicionamento até então adotado. Senão vejamos, outro texto do acórdão que novamente adoto como razões de decidir: A quatro, porque a responsabilidade pelo recolhimento das contribuições de que trata o art. 25 da Lei n° 8.212/91 foi determinada ao adquirente, ao consignatário e à cooperativa, expressamente, pelo inciso III do art. 30 da Lei n° 8.212/91, o qual não foi igualmente atingido, sequer de raspão, pelos petardos da declaração de inconstitucionalidade aviada no RE n° 363.852/MG, permanecendo tal obrigação tributária ainda vigente e eficaz, mesmo em relação ao empregador rural pessoa física após a publicação da Lei n° 10.256/2001, produzindo todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (Redação dada pela Lei n° 10.256/2001). I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; (Redação dada pela Lei n° 9.528/97). II 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho. (Redação dada pela Lei n° 9.528/97). Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas, observado o disposto em regulamento: (...) Fl. 271DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11070.000407/200895 Acórdão n.º 9202004.338 CSRFT2 Fl. 272 19 III a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25, até o dia 2 do mês subsequente ao da operação de venda ou consignação da produção, independentemente de estas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528/97) IV a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528/97) É certo que o disposto no inciso IV do art. 30 da Lei n° 8.212/91 já seria bastante e suficiente para impingir ao adquirente, consumidor, consignatário e à cooperativa o dever jurídico de recolher as contribuições incidentes sobre a comercialização de produção rural. Mas o Legislador Ordinário foi mais seletivo: Isolou, propositadamente, no inciso III do art. 30 da Lei de Custeio da Seguridade Social, a obrigação tributária do adquirente, do consumidor, do consignatário e da cooperativa de recolher a contribuição de que trata o art. 25 dessa mesma lei, no prazo normativo, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, outorgando ao Regulamento da Previdência Social a competência para dispor sobre a forma de efetivação de tal obrigação acessória. Acomodou no inciso IV do art. 30 da Lei n° 8.212/91, de maneira genérica, a subrogação do adquirente, do consumidor, do consignatário e da cooperativa nas demais obrigações, de qualquer naipe, do empregador rural pessoa física e do segurado especial decorrentes do art. 25 desse Diploma Legal, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física. Da análise dos dispositivos legais acima selecionados, restou visível que a obrigação da empresa adquirente, consumidora, consignatária e a cooperativa pelo recolhimento das contribuições previstas no art. 25 da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 10.256/2001, decorre não da norma inscrita no inciso IV do art. 30 da Lei de Custeio da Seguridade Social, mas, sim, do preceito assentado no inciso III desse mesmo dispositivo legal, em atenção ao princípio jurídico da especialidade na solução dos conflitos aparentes Fl. 272DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11070.000407/200895 Acórdão n.º 9202004.338 CSRFT2 Fl. 273 20 de normas jurídicas, que faz com que a norma específica prevaleça sobre aquela editada de maneira genérica, princípio eternizado no brocardo latino "lex specialis derogat generali". A cinco, porque o próprio dispositivo do Acórdão do RE 363.852/MG declara a "inconstitucionalidade do artigo 1° da Lei n° 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, com redação atualizada até a Lei n° 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional n° 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial". Salta aos olhos que a sanatória da inconstitucionalidade vislumbrada pela Suprema Corte depende, tão somente, da promulgação de legislação nova, arrimada na EC n° 20/98, que institua a contribuição então viciada. Tais exigências houveramse por integralmente supridas com a promulgação da Lei n° 10.256, de 09 de julho de 2001, sob cuja égide ocorreram todos os fatos geradores contidos no presente lançamento tributário. (...) Avulta, de todo o exposto, que o provimento permeado no Acórdão do STF em tela visou a desobrigar o recorrente do RE 363.852/MG da retenção e do recolhimento da contribuição social sobre a "receita bruta proveniente da comercialização da produção rural" de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, ou do seu recolhimento por subrogação, não por defeito jurídico no instituto da subrogação, mas, sim, por vício de inconstitucionalidade da própria exação em si considerada. Ou seja, face aos argumentos colacionados pelo voto condutor no processo acima transcrito, concluo que deve ser julgado procedente o lançamento por subrogação em relação a aquisição da produção rural do produtor rural pessoa física sob os seguintes aspectos. a) Primeiramente a não apreciação no RE 363.852/MG dos aspectos relacionados a inconstitucionalidade do art. 30, IV da Lei 8212/2001; sendo que o fato de constar no resultado do julgamento "inconstitucionalidade do artigo 1° da Lei n° 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, com redação atualizada até a Lei n° 9.528/97" não pode levar a interpretação extensiva de que fora declarada também a inconstitucionalidade do art. 30, IV, considerando a ausência de fundamentos jurídicos no próprio voto condutor. b) Segundo, o próprio dispositivo do Acórdão do RE 363.852/MG que declarou a inconstitucionalidade fez constar: "até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional n° 20/98, venha a instituir a contribuição". Ou seja, considerando que a lei 10.256/2001, cobriu de legitimidade a cobrança de contribuições sobre a aquisição do produtor rural pessoa física, por derradeiro, não tendo o RE 363.852 declarado a inconstitucionalidade do art. 30, IV da lei 8212/91, a Fl. 273DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11070.000407/200895 Acórdão n.º 9202004.338 CSRFT2 Fl. 274 21 subrrogação consubstanciada neste dispositivo encontrase também legitimada. Ademais a obrigação legal de arrecadar as contribuições descritas no art. 25 não encontra respaldo apenas no art. 30, IV da lei 8.212/91, mas também na obrigação legal esculpida no inciso III do mesmo artigo: III a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25, até o dia 2 do mês subsequente ao da operação de venda ou consignação da produção, independentemente de estas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528/97) (grifos nossos) Quanto a utilização do inciso III do art. 30 da lei 8.212/91, como fundamento para legitimação da sistemática de adoção da subrrogação, destacamos, que esse critério só precisa ser utilizado, caso se entendesse que realmente o art. 30, IV da lei 8.212/91, tivesse sido declarado inconstitucional no RE 363.852, fato, que no meu entender restou superado, pelos argumentos trazidos anteriormente no presente voto. (...) RE da Fazenda Nacional Julgo, inicialmente, não haver como se afastar a aplicabilidade, ao caso, da retroatividade benéfica prevista no art. 106, inciso II, alínea “c”, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Para tanto, trago à colação os dispositivos de interesse ao caso sob análise, bem como excertos do brilhante voto do Ilustre Conselheiro Marcelo Oliveira no âmbito do Acórdão no 9.202003.070, proferido por esta mesma 2a Turma, em 13 de fevereiro de 2014, por concordar integralmente com os seus fundamentos, na forma a seguir transcrita: Lei 5.172/66 (CTN) Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.(g.n.) Lei 8.212/1991 (Redação anterior): Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento (g.n.): a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 274DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11070.000407/200895 Acórdão n.º 9202004.338 CSRFT2 Fl. 275 22 b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (g.n.): a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: (...) Lei 8.212/1991 (nova redação): Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora (g.n.), nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício (g.n.) relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Acórdão 9.202003.070 – Voto do Conselheiro Marcelo Oliveira “ (...) Portanto, pela determinação do CTN, acima, a administração pública deve verificar, nos lançamentos não definitivamente julgados, se a penalidade determinada na nova legislação é Fl. 275DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11070.000407/200895 Acórdão n.º 9202004.338 CSRFT2 Fl. 276 23 menos severa que a prevista na lei vigente no momento do lançamento. Só não posso concordar com a análise feita, que leva à comparação de penalidades distintas: multa de ofício e multa de mora. (...) Ocorre que o acórdão recorrido comparou, para a aplicação do Art. 106 do CTN, penalidade de multa aplicada em lançamento de ofício (grifos no original), com penalidade aplicada quando o sujeito passivo está em mora, sem a existência do lançamento de ofício, e decide, espontaneamente, realizar o pagamento. Para tanto, na defesa dessa tese, há o argumento que a antiga redação utilizava o termo multa de mora (grifos no original). Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora (grifos no original), que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento (grifos no original): (...) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (grifos no original): Esclarecemos aqui que a multa de lançamento de ofício (grifos no original), como decorre do próprio termo, pressupõe a atividade da autoridade administrativa que, diante da constatação de descumprimento da lei, pelo contribuinte, apura a infração e lhe aplica as cominações legais. Em direito tributário, cuidase da obrigação principal e da obrigação acessória, consoante art. 113 do CTN. A obrigação principal é obrigação de dar. De entregar dinheiro ao Estado por ter ocorrido o fato gerador do pagamento de tributo ou de penalidade pecuniária. A obrigação acessória é obrigação de fazer ou obrigação de não fazer. A legislação tributária estabelece para o contribuinte certas obrigações de fazer alguma coisa (escriturar livros, emitir documentos fiscais etc.): são as prestações positivas de que fala o §2º do art. 113 do CTN. Exige também, em certas situações, que o contribuinte se abstenha de produzir determinados atos (causar embaraço à fiscalização, por exemplo): são as prestações negativas, mencionadas neste mesmo dispositivo legal. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11070.000407/200895 Acórdão n.º 9202004.338 CSRFT2 Fl. 277 24 O descumprimento de obrigação principal gera para o Fisco o direito de constituir o crédito tributário correspondente, mediante lançamento de ofício (grifos no original). É também fato gerador da cominação de penalidade pecuniária, leiase multa, sanção decorrente de tal descumprimento. O descumprimento de obrigação acessória gera para o Fisco o direito de aplicar multa, igualmente por meio de lançamento de ofício (grifos no original). Na locução do §3º do art. 113 do CTN, este descumprimento de obrigação acessória, isto é, de obrigação de fazer ou não fazer, convertea em obrigação principal, ou seja, obrigação de dar. Já a multa de mora não pressupõe a atividade da autoridade administrativa, não tem caráter punitivo e a sua finalidade primordial é desestimular o cumprimento da obrigação fora de prazo. Ela é devida quando o contribuinte estiver recolhendo espontaneamente um débito vencido. Essa multa nunca incide sobre as multas de lançamento de ofício (grifos no original) e nem sobre as multas por atraso na entrega de declarações. Portanto, para a correta aplicação do Art. 106 do CTN, que trata de retroatividade benigna, o Relator deveria ter comparado a penalidade determinada pelo II, Art. 35 da Lei 8.212/1991 (créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (grifos no original), antiga redação, com a penalidade determinada atualmente pelo Art. 35A da Lei 8.212/1991 (nos casos de lançamento de ofício (grifos no original)). Conseqüentemente, divirjo do acórdão recorrido, pelas razões expostas. (...)” Verifico, assim, que, ainda que a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, tenha utilizado apenas a expressão “multa de mora”, independentemente da denominação que tenha se dado à penalidade, não resta dúvida de que estavam ali descritas duas diferentes espécies de multas: a) as multas de mora propriamente ditas e b) as multas lançadas de ofício. As primeiras eram cobradas com o tributo recolhido espontaneamente. As últimas, cobradas nos lançamentos de ofício e através de notificação fiscal de lançamento de débito, ou, posteriormente, após a fusão entre a SRP e RFB, através de auto de infração (lançamento de obrigação principal) e auto de infração (no caso de obrigação acessória convertida em obrigação principal através de lavratura de AI pelo seu descumprimento), ambas por força de ação fiscal, tal como ocorria com os demais tributos federais. Ainda, quanto às multas de ofício, estas duas situações supra elencadas se encontravam, respectivamente, regradas na forma dos antigos arts. 35, II (multa referente à obrigação principal constituída através de NFLD ou AI) e 32, IV, §4o. ou §5o. (ambos referindose à obrigação acessória convertida em obrigação principal através de lavratura de AI pelo seu descumprimento), ambos da Lei nº 8.212, de 1991, sendo que, com a alteração Fl. 277DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11070.000407/200895 Acórdão n.º 9202004.338 CSRFT2 Fl. 278 25 legislativa propugnada no referido diploma, passaram a estar regradas conjuntamente na forma de seu art. 35A. Assim, entendo que a penalidade a ser aplicada, uma vez caracterizada a ocorrência de lançamento de ofício da obrigação principal através de NFLD(s) ou AI(s) correspondente(s), não pode ser aquela mais benéfica a ser obtida pela comparação da estabelecida pela anterior redação do art. 32, inciso IV, §4o. ou 5o da Lei nº 8.212, de 1991 (aplicável para os casos de descumprimento de obrigação acessória relativa a prestação de informações em GFIP mesmo nos casos como o sob análise em que havia concomitante constituição de ofício da obrigação principal através de NFLD ou AI) com a do art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, incluído pela Lei nº 11.941, de 2009, uma vez que a aplicação desta última, em meu entendimento, deve se cingir a casos em que há o efetivo recolhimento da contribuição previdenciária lançada, com somente a obrigação acessória tendo sido descumprida, sem lançamento de ofício. Fundamental notar ter decorrido a constituição da multa, originada pelo descumprimento de obrigação acessória em questão nos presentes autos, de procedimento de ofício. A propósito, entendo que, para fins de aplicação da retroatividade benéfica, se deva comparar àquela antiga multa por descumprimento de obrigação acessória (regrada na forma da anterior redação do art. 32, inciso IV, §4o ou §5o da Lei nº 8.212, de 1991), quando somada à multa aplicada no âmbito do(s) NFLD(s) ou AI(s) de obrigação principal conexo(s) (regrada na forma da anterior redação do art. 35, inciso II da Lei nº 8.212, de 1991), a multa estabelecida pelo art. 44, da mesma Lei nº 9.430, de 1996, e atualmente aplicável quando dos lançamentos de ofício, consoante disposto no art. 35A, da Lei nº 8.212, de 1991. Esse procedimento é o que está atualmente disposto na IN RFB nº 1.027 de 22/04/2010. Conclusão Dessarte, voto no sentido de não conhecer do recurso da contribuinte e de conhecer do recurso da Fazenda Nacional, para darlhe provimento. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 278DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11070.000407/200895 Acórdão n.º 9202004.338 CSRFT2 Fl. 279 26 Fl. 279DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10166.723529/2011-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PJ. TRIBUTAÇÃO. Devem ser oferecidos à tributação os rendimentos recebidos de Pessoa jurídica, observadas as hipóteses de isenção definidas na legislação tributária.
RESGATE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. TRIBUTAÇÃO NA FONTE E NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. De acordo com o art. 33 da Lei nº 9.250/1995, os valores correspondentes a resgate de contribuições pagas à entidade de previdência privada sujeitam-se ao imposto de renda na fonte e na Declaração de Ajuste Anual.
OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. IMPOSSIBILIDADE DE AFASTAMENTO POR EQUIDADE.
A obrigação tributária é compulsória, não podendo ser afastada a sua cobrança por questões de equidade.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-004.409
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto.
(assinado digitalmente)
Maria Cleci Coti Martins - Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Miriam Denise Xavier Lazarini, Theodoro Vicente Agostinho, Cleberson Alex Friess, Wilson Antonio de Souza Correa, Luciana Matos Pereira Barbosa, Arlindo da Costa e Silva e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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TRIBUTAÇÃO. Devem ser oferecidos à tributação os rendimentos recebidos de Pessoa jurídica, observadas as hipóteses de isenção definidas na legislação tributária. RESGATE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. TRIBUTAÇÃO NA FONTE E NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. De acordo com o art. 33 da Lei nº 9.250/1995, os valores correspondentes a resgate de contribuições pagas à entidade de previdência privada sujeitamse ao imposto de renda na fonte e na Declaração de Ajuste Anual. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. IMPOSSIBILIDADE DE AFASTAMENTO POR EQUIDADE. A obrigação tributária é compulsória, não podendo ser afastada a sua cobrança por questões de equidade. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 35 29 /2 01 1- 27 Fl. 134DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 2/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento, nos termos do relatório e voto. (assinado digitalmente) Maria Cleci Coti Martins Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Miriam Denise Xavier Lazarini, Theodoro Vicente Agostinho, Cleberson Alex Friess, Wilson Antonio de Souza Correa, Luciana Matos Pereira Barbosa, Arlindo da Costa e Silva e Rayd Santana Ferreira. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 2/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS Processo nº 10166.723529/201127 Acórdão n.º 2401004.409 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeiro grau que negou provimento à impugnação apresentada pelo contribuinte. Em 30/01/2011, foi lavrada notificação de lançamento referente ao exercício de 2008, AnoCalendário 2007, na qual foi constatada a omissão de rendimentos sujeitos a tabela progressiva, no valor de R$ 315.266,16 (trezentos e quinze mil, duzentos e sessenta seis reais e dezesseis centavos), recebidos pela titular. Inconformada com a notificação apresentada, a contribuinte protocolizou impugnação alegando que não houve omissão, pois não recebeu a declaração da SERPROS sobre os valores recebidos. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campo Grande (MS) manteve o crédito tributário, com a seguinte consideração: “RESGATE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. Valores pagos por entidades de previdência privada a participantes de planos de benefícios, inclusive importâncias correspondentes a resgate de contribuições por desligamento do participante do plano, sujeitamse à incidência de Imposto de Renda na Fonte e devem ser levados ao Ajuste Anual. NÃO FORNECIMENTO DE COMPROVANTE DE RENDIMENTO O não fornecimento de comprovante de rendimentos pela fonte pagadora não exonera o seu beneficiário da obrigação de incluílos em Declaração de Ajuste Anual. PROCEDIMENTO FISCAL. ATO VINCULADO. Por ser um ato vinculado e obrigatório, cabe à Administração Tributária tão somente aplicar as normas legais nos estritos limites de seu conteúdo, constituindo o crédito através do lançamento, sob pena de responsabilidade funcional do agente. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. IMPOSSIBILIDADE DE AFASTAMENTO POR EQUIDADE. A obrigação tributária é ex lege e compulsória, não podendo ser afastada a sua cobrança por questões de equidade.” Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foi interposto recurso voluntário, no qual o contribuinte afirma que: Se a decisão da DRJ for mantida, o Erário será o verdadeiro beneficiário da importância resgatada pela Contribuinte, na condição de participante, por seu desligamento como participante de um plano de previdência privada; Fl. 136DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 2/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS 4 que manter a decisão da DRJ serviria para justificar o uso da expressão "gigantesco e inimaginável paradoxo financeiro", pois se existisse alguém, um decreto ou alguma Lei que pudesse prever tal possibilidade, certamente não existiria nenhum plano de previdência privada e muito menos pública; que é inimaginável , por exemplo, alguém contribuir com o INSS e depois de aposentado, por uma razão qualquer, no lugar de receber, ter que pagar benefício ao INSS pelo resto da vida; que já realizou inúmeras declarações de IRPF sem problema algum, que só quando houve o desligamento do plano de previdência lhe foi exigido 3 comprovantes de renda ( INSS,SERPRO e do SERPROS). Que duas chegaram dentro do prazo para informar na declaração, mas a do SERPROS nunca chegou; que improcede a alegação da DRJ que houve entrega tardia do comprovante da fonte pagadora, caso isso houvesse acontecido teria elaborado uma declaração retificadora; como não houve entrega do comprovante pela SERPROS concluiu que a tributação tinha ocorrido na fonte pagadora de tal rendimento; que entende que essa renda é um resgate do plano de previdência e não seu salário; enfim que a tributação em comento tratase de uma grande injustiça social, entre outras manifestações em sentido idêntico. É o relatório. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 2/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS Processo nº 10166.723529/201127 Acórdão n.º 2401004.409 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa, Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 11/09/2014, conforme AR às fls. 50, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 25/09/2014, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DO MÉRITO Inicialmente, cumprenos esclarecer que no que se refere aos valores atinentes ao resgate de previdência privada, a regra é a sua tributação, sendo retidos 15% na fonte a título de antecipação e submetidos os rendimentos ao ajuste no anual, mediante a entrega de DIRPF, forte no artigo 33 da Lei nº 9.250/1995 c/c os artigos. 9º e 10º da Lei nº 8.134/1990, e com o artigo 633 do RIR/99 (Decreto nº 3.000/1999). Recordese: “Art. 33. Sujeitamse à incidência do imposto de renda na fonte e na declaração de ajuste anual os benefícios recebidos de entidade de previdência privada, bem como as importâncias correspondentes ao resgate de contribuições.” (Lei nº 9.250/1995) A tributação exclusiva/definitiva na fonte é faculdade dos participantes dos planos que optaram pelo regime de tributação sob a denominada "Tabela Regressiva", conforme disposto no art. 1º da Lei nº 11.053/2004, não se tratando disso, contudo, o presente caso. Tampouco há qualquer evidência no sentido de que se tratam de resgates de previdência complementar nos termos regrados pelo inciso VII do art. 6º da Lei nº 7.713/1988, cuja isenção já foi reconhecida por diversas decisões e atos normativos, tal como o Ato Declaratório PGFN nº 4/2006, por exemplo. Ou seja, no caso de contribuintes não optantes pelo regime de tributação de que trata o art. 1º da Lei nº 11.053, de 2004: os benefícios pagos por essas entidades sujeitam se à incidência do imposto sobre a renda na fonte, aplicando a tabela mensal, e na Declaração de Ajuste Anual. Os resgates de contribuições, parciais ou totais, em virtude de desligamento do participante do plano de benefícios da entidade, sujeitamse à incidência de imposto sobre a Fl. 138DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 2/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS 6 renda na fonte à alíquota de 15%, calculado sobre os valores de resgate, no caso de planos de previdência, inclusive Fapi, e na Declaração de Ajuste Anual, com exceção do resgate de recursos efetuado em plano estruturado na modalidade de beneficio definido, que permanece submetido à tributação com base na tabela progressiva mensal e na Declaração de Ajuste Anual. Nesse contexto, deveria ter o contribuinte oferecido os rendimentos em comento à tributação na sua DIRPF/2008, e, não procedendo de tal maneira, consubstanciase escorreita a notificação contestada também nesse aspecto, impondose a sua manutenção. Noutro giro, em que pese o respeito às alegações da Contribuinte, quanto ao argumento de que inexistiu a intenção de omitir os rendimentos discutidos, vale destacar que tal infração possui natureza objetiva, sendo portanto irrelevante investigar a intenção do sujeito passivo no presente caso, nos termos da legislação que rege a matéria. Recordese: “Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.” (Código Tributário Nacional) Nesse sentido, repiso, com todas as estimas e respeito às alegações de injustiça constantes do Recurso Voluntário, essas por si só, não possuem o condão para afastar a obrigatoriedade de realização do lançamento e o pagamento de crédito tributário. Por fim, quanto à dificuldade financeira da contribuinte em arcar com o montante de obrigação tributária exigida, vale observar que o artigo 108, §2º do Código Tributário Nacional veda o afastamento da obrigação tributária pela aplicação de juízo de equidade. Confirase: “Art. 108. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada: I a analogia; II os princípios gerais de direito tributário; III os princípios gerais de direito público; IV a eqüidade. § 1º O emprego da analogia não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei. § 2º O emprego da eqüidade não poderá resultar na dispensa do pagamento de tributo devido.” Fl. 139DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 2/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS Processo nº 10166.723529/201127 Acórdão n.º 2401004.409 S2C4T1 Fl. 5 7 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 2/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS
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Numero do processo: 10580.720493/2009-14
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DIFERENÇAS DE URV. MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NATUREZA TRIBUTÁVEL
Sujeitam-se à incidência do Imposto de Renda, conforme o regime de competência, as verbas recebidas acumuladamente pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, denominadas "diferenças de URV", inclusive os juros remuneratórios sobre elas incidentes, por absoluta falta de previsão legal para que sejam excluídas da tributação.
Recurso Especial do Contribuinte conhecido e provido parcialmente.
Numero da decisão: 9202-004.133
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida, inclusive juros, de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator
EDITADO EM: 18/08/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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DIFERENÇAS DE URV. MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NATUREZA TRIBUTÁVEL Sujeitamse à incidência do Imposto de Renda, conforme o regime de competência, as verbas recebidas acumuladamente pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, denominadas "diferenças de URV", inclusive os juros remuneratórios sobre elas incidentes, por absoluta falta de previsão legal para que sejam excluídas da tributação. Recurso Especial do Contribuinte conhecido e provido parcialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida, inclusive juros, de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 04 93 /2 00 9- 14 Fl. 475DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente e Relator EDITADO EM: 18/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10580.720843/200942. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto vencedor proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.124): Tratase de Auto de infração lavrado contra o contribuinte em epígrafe para cobrança de IRPF sobre rendimentos auferidos do Ministério Público da Bahia, a título de valores indenizatórios de URV. Tais rendimentos decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor (URV) em 1994, reconhecidas e pagas em 36 parcelas iguais no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Complementar nº 20/2003, do Estado da Bahia. Importante destacar, ainda que referida Lei dispôs serem de natureza indenizatória as verbas em questão. No entendimento da autoridade fiscal, as diferenças recebidas pelo contribuinte têm natureza salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994 e, portanto, são tributáveis pelo IRPF, sendo irrelevante a denominação dada pela Lei do Estado da Bahia. Para a apuração do imposto devido foi considerado os valores das diferenças salariais, incluindo atualização e juros. Inconformado, o contribuinte apresentou impugnação, que fora julgada procedente em parte, para excluir da base de cálculo do imposto valores recebidos a título de URV sobre férias indenizadas e 13º salário. Ato seguinte, tempestivamente foi apresentado Recurso Voluntário, onde, por unanimidade de votos, foi dado provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de ofício. Fl. 476DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720493/200914 Acórdão n.º 9202004.133 CSRFT2 Fl. 416 3 Inconformado com essa decisão o contribuinte, tempestivamente, apresentou Recurso Especial de divergência, alegando, em resumo: a) Os rendimentos previstos na Lei Complementar 20/2003 tem a mesma natureza daqueles mencionados pela Lei Federal nº 10.477/2002, que trata do pagamento de diferenças de URV a membros do Ministério Público Federal; b) É nítida a natureza remuneratória das diferenças de URV, na medida em que representam ressarcimento pelo erro de cálculo da remuneração; c) É aplicável ao caso a mesma interpretação dada pelo STF através da Resolução 245/2002, que reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV pagas aos membros da magistratura federal; d) Quebra da isonomia quando se dispensa tratamento tributário diverso em relação às diferenças de URV pagas aos membros da magistratura Federal e aos membros do MPF em relação aos membros do Ministério Público Estadual; e) Vicio material na formação da base de cálculo do IRPF, na medida em que não foi observado o regime de competência em relação aos rendimentos recebidos acumuladamente; f) Não incidência do IRPF sobre juros moratórios Na análise de admissibilidade, foi dado parcial seguimento ao Recurso Especial interposto pelo Contribuinte para que fosse reapreciada a questão da não incidência do Imposto de Renda sobre diferenças de URV, que teriam natureza indenizatória e para que fosse rediscutida a não incidência de Imposto de Renda sobre rendimentos correspondentes a juros de mora. Regularmente intimada o a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 477DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.124, de 21/06/2016, proferido no julgamento do processo 10580.720843/200942, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e visa rediscutir as seguintes matérias: não incidência do Imposto de Renda sobre diferenças de URV, que teriam natureza indenizatória e, caso assim não se entenda, não incidência de Imposto de Renda sobre a rubrica correspondente a juros de mora. A matéria não é nova neste Colegiado. Tratase de Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física dos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006, acrescido de multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora, tendo em vista a reclassificação, como tributáveis, de rendimentos declarados como isentos, recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em trinta e seis parcelas, no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08/09/2003, editada em virtude do objeto da Ação Ordinária de nº 140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em consonância com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias nºs 613 e 614. As verbas ora analisadas constituem diferenças salariais verificadas na conversão da remuneração do servidor público, quando da implantação do Plano Real, portanto tais valores referemse a salários (vencimentos) não recebidos ao longo dos anos. Nesse passo, o objetivo da ação judicial e/ou da lei do estado da Bahia foi simplesmente pagar à Contribuinte aquilo que antes deixou de ser pago, que nada mais é que salário, portanto de natureza tributável. Assim, o recebimento da verba ora tratada configura acréscimo patrimonial e, consequentemente, sujeitase à incidência do Imposto de Renda, consoante dispõe o art. 43 do CTN: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: Fl. 478DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720493/200914 Acórdão n.º 9202004.133 CSRFT2 Fl. 417 5 I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1º A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. O dispositivo legal acima não deixa dúvidas acerca da abrangência da tributação do Imposto de Renda, abarcando qualquer evento que se traduza em aumento patrimonial, independentemente da denominação que seja dada ao ganho. Seguindo esta linha, a Lei nº 7.713, de 1988, assim dispõe: Art. 1º Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1º de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliados no Brasil, serão tributados pelo imposto de renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Art. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. (...) § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. (...) § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. (...)” (grifei) Quanto à alegação de violação ao princípio da isonomia, a Contribuinte traz à baila o fato de que o Supremo Tribunal Federal, em sessão administrativa, atribuiu natureza indenizatória ao Abono Variável concedido aos membros da Magistratura da União pela Lei nº 10.474, de 2002. Ademais, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, por meio do Parecer PGFN nº 529, de 2003, manifestou entendimento no sentido de que a verba em tela não estaria sujeita à tributação. Fl. 479DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 Entretanto, a Resolução nº 245, do STF, bem como o Parecer da PGFN, se referem especificamente ao abono concedido aos Magistrados da União pela Lei nº 10.474, de 2002; e o que se discute no presente processo é se tal entendimento deve ser aplicado à verba recebida pelos membros da Ministério Público do Estado da Bahia. Primeiramente, verificase que a posição do Supremo Tribunal Federal – STF sobre a natureza do Abono Variável atribuído aos Magistrados da União foi definida em sessão administrativa e expedida por meio de Resolução, e não em sessão de julgamento daquela Corte e, assim, não se trata de uma decisão judicial, cujos efeitos são bem distintos dos de uma resolução administrativa. Destarte, obviamente que a Resolução do STF nunca vinculou a Administração Tributária da União. Com o advento do Parecer PGFN/Nº 529, de 2003, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro da Fazenda, portanto com força vinculante em relação aos Órgãos da Administração Tributária, concluiuse que o Abono Variável de que trata o art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002, teria natureza indenizatória. Entretanto, dito parecer é claro quanto aos limites desse entendimento, conforme será demonstrado na seqüência. O parecer destaca que o Superior Tribunal de Justiça – STJ consolidou entendimento no sentido de que abonos recebidos em substituição a aumentos salariais sofrem a incidência do Imposto de Renda. Após, faz a ressalva de que, segundo entendimento dessa mesma Corte, nos casos de abono concedido como reparação pela supressão ou perda de direito, ele tem natureza indenizatória. Ainda segundo o parecer da PGFN, seria este o entendimento do STF, manifestado por meio da Resolução nº 245, de 2002, relativamente ao abono variável e provisório previsto no art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002. Assim, claro está que o Parecer da PGFN somente reconheceu a natureza indenizatória do Abono Variável, previsto nas Leis nºs 9.655, de 1998, e 10.474, de 2002, acolhendo entendimento do STF, no sentido de que tal verba destinarseia a reparar direito. Destarte, a Resolução nº 245, do STF, não possui efeitos de decisão judicial, e o Parecer PGFN/Nº 529, de 2003, apenas reconhece a natureza indenizatória do abono concedido aos Magistrados da União, acatando interpretação do STF quanto à natureza reparatória, especificamente para esse abono. Portanto, ambos os atos alcançam apenas o abono previsto no art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002. Ademais, a Resolução nº 245, do STF, excluiu do abono a verba referente à diferença de URV, o que evidencia que esta não tem natureza indenizatória, mas sim de recomposição salarial. Confirase a manifestação Superior Tribunal de Justiça, por meio de voto da Ministra Eliana Calmon, reconhecendo a falta e identidade entre o abono salarial tratado na Resolução e as diferenças de URV: Fl. 480DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720493/200914 Acórdão n.º 9202004.133 CSRFT2 Fl. 418 7 “Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)” (STJ, Recurso Especial n.º 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010) E também o Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão no Recurso Extraordinário n.º 471.115: “Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução no. 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, temse que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)” (STF, Recurso Extraordinário n.º 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010) Assim, não há como estenderse o alcance dos atos legais acima referidos para verbas distintas, concedidas para outro grupo de servidores, por meio de ato específico, diverso daqueles referidos na Resolução do STF e no Parecer da PGFN. Com efeito, a norma que concede isenção deve ser interpretada sempre literalmente, conforme inciso II, do art. 111, do CTN. Ademais, o mesmo código veda o emprego da analogia ou de interpretações extensivas para alcançar sujeitos passivos em situação supostamente semelhante, o que implicaria concessão de isenção sem lei federal própria, o que ofenderia o § 6º, do art. 150, da Constituição Federal, e o art. 176, do CTN. Destarte, a verba em exame deve ser efetivamente tributada. Quanto à alegada inexigibilidade de Imposto de Renda incidente sobre a verba recebida pela contribuinte a título de juros de mora, a decisão do STJ, no julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C, do CPC, é no sentido de que estaria restrita aos casos de pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial, por força da norma isentiva prevista no inciso V, do art. 6º, da Lei nº 7.713, de 1988. Confirase: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA. JUROS DE MORA. CARÁTER REMUNERATÓRIO. TEMA JULGADO PELO STJ SOB A SISTEMÁTICA DO ART. 543 C DO CPC. Fl. 481DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 1. Por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, pelo regime do art. 543C do CPC (recursos repetitivos), consolidouse o entendimento no sentido de que 'não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla.' Todavia, após o julgamento dos embargos de declaração da Fazenda Nacional, esse entendimento sofreu profunda alteração, e passou a prevalecer entendimento menos abrangente. Concluiuse neste julgamento que 'os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do imposto de renda, por força do art. 6º, V, da Lei 7.713/88, até o limite da lei'. 2. Na hipótese, não sendo as verbas trabalhistas decorrentes de despedida ou rescisão contratual de trabalho, assim como por terem referidas verbas (horas extras) natureza remuneratória, deve incidir o imposto de renda sobre os juros de mora. Agravo regimental improvido.(AgRg no REsp 1235772 RS – julgado em 26/06/2012) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA. JUROS DE MORA DECORRENTES DO PAGAMENTO EM ATRASO DE VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA. MATÉRIA JÁ PACIFICADA PELA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO ESPECIAL REPETITIVO 1.227.133/RS. 1. A Primeira Seção, por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, fixou orientação no sentido de que é inexigível o imposto de renda sobre os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial. 2. Agravo regimental não provido.” (AgRg nos REsp 1163490 SC – julgado em 14/03/2012) Da análise do julgamento do Recurso Repetitivo 1.227.133/RS, verificase que são isentos do imposto de renda os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial, conforme a regra do “accessorium sequitur suum principale”. Assim, não sendo as verbas trabalhistas de natureza indenizatória, o imposto de renda deve incidir também sobre os juros de mora. Ressaltese que as verbas ora analisadas já foram objeto de julgamento pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, oportunidade em que se deu provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, por meio do Acórdão nº 9202003.585, de 03/03/2015, assim ementado: Fl. 482DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720493/200914 Acórdão n.º 9202004.133 CSRFT2 Fl. 419 9 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores indenizatórios de URV, em virtude de sua natureza remuneratória. Precedentes do STF e do STJ. Recurso especial provido." A decisão foi assim registrada: "Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial da Fazenda, determinando o retorno dos autos à turma a quo, para analisar as demais questões trazidas no recurso voluntário do contribuinte. Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira, que votou por negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral o Dr. Marcio Pinto Teixeira, OAB/BA nº 23.911, patrono da recorrida. Defendeu a Fazenda Nacional a Procuradora Dra. Patrícia de Amorim Gomes Macedo." Assentada a natureza tributável dos rendimentos objeto da autuação, resta esclarecer que o tributo devido deve ser calculado de acordo com as tabelas vigentes à época em que os rendimentos deveriam ter sido pagos ao Contribuinte. Saliente se que a questão já foi decidida pelo STF, no RE 614.406/RS, com trânsito em julgado em 11/12/2014, e repercussão geral previamente reconhecida, em 20/10/2010, na sistemática do art. 543B, do Código de Processo Civil. Destarte, os Conselheiros do CARF devem reproduzir o entendimento do citado julgado, prolatado pelo STF em 23/10/2014, conforme determina o art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015. Nesse passo, a decisão vinculante é no sentido de aplicarse o regime de competência, vedada a aplicação do regime de caixa. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte e, no mérito, doulhe provimento parcial, para que o cálculo do Imposto de Renda seja efetuado com base no regime de competência. Em face do acima exposto, voto no sentido de conhecer o Recurso Especial do Contribuinte para, no mérito, darlhe provimento parcial, para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida, inclusive juros, de acordo com o regime de competência. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 483DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 10 Fl. 484DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 11065.722249/2011-01
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2007 a 30/09/2007, 01/05/2008 a 31/05/2008, 01/02/2009 a 28/02/2009
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA. INADMISSIBILIDADE.
Não havendo similitude entre os fatos controvertidos no acórdão recorrido e nos utilizados como paradigmas, cujas decisões se fundam em razões de fato e de direito distintas, não há como reconhecer a divergência e, por conseguinte, não se deve conhecer do recurso assim interposto.
Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-004.137
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial, por falta de divergência jurisprudencial.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial, por falta de divergência jurisprudencial. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
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AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA. INADMISSIBILIDADE. Não havendo similitude entre os fatos controvertidos no acórdão recorrido e nos utilizados como paradigmas, cujas decisões se fundam em razões de fato e de direito distintas, não há como reconhecer a divergência e, por conseguinte, não se deve conhecer do recurso assim interposto. Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial, por falta de divergência jurisprudencial. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 22 49 /2 01 1- 01 Fl. 2050DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 09/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11065.722249/201101 Acórdão n.º 9303004.137 CSRFT3 Fl. 2.051 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte supra identificado em face do Acórdão nº 3202001.003, prolatado pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF em 26/11/2013, ementado, na parte de interesse desta análise, da seguinte forma: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 30/09/2007, 01/05/2008 a 31/05/2008, 01/02/2009 a 28/02/2009/ DIREITO DE CRÉDITO. AQUISIÇÃO DE GASOLINA E ÓLEO DIESEL. VEDAÇÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE. Há vedação legal para que os custos incorridos pela pessoa jurídica na aquisição de gasolina e óleo diesel para revenda, no regime especial denominado RECOB, possam gerar créditos do PIS e da Cofins, até a edição da Lei nº 11.727/2008 (art. 24). FRETE NA AQUISIÇÃO. POSSIBILIDADE DE CRÉDITO. VINCULAÇÃO AO CRÉDITO DO BEM ADQUIRIDO Não existe previsão legal para o cálculo de crédito sobre o valor do frete na aquisição. Esse é permitido apenas quando o bem adquirido for passível de creditamento, uma vez que o frete compõe o custo de aquisição. ATIVO IMOBILIZADO. AQUISIÇÃO. DEPRECIAÇÃO. LIMITAÇÃO TEMPORAL Há vedação legal para o desconto de créditos relativos à depreciação de bens do ativo imobilizados adquiridos até 30/04/2004. CUSTO DO FRETE NO TRANSPORTE DUTOVIÁRIO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. INSUMOS. CREDITAMENTO. O valor do frete pago no transporte efetuado no território nacional na aquisição de insumos, sejam eles nacionais ou nacionalizados, mais especificamente no transporte dutoviário do petróleo adquirido, dão direito ao crédito das contribuições, nos termos do inciso II, art. 3º, das Leis nº 10.63702 (PIS) e nº 10.833/03 (Cofins). (...) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 30/09/2007, 01/05/2008 a 31/05/2008, 01/02/2009 a 28/02/2009 DIREITO DE CRÉDITO. AQUISIÇÃO DE GASOLINA E ÓLEO DIESEL. VEDAÇÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 2051DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 09/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11065.722249/201101 Acórdão n.º 9303004.137 CSRFT3 Fl. 2.052 3 Há vedação legal para que os custos incorridos pela pessoa jurídica na aquisição de gasolina e óleo diesel para revenda, no regime especial denominado RECOB, possam gerar créditos do PIS e da Cofins, até a edição da Lei nº 11.727/2008 (art.24). FRETE NA AQUISIÇÃO. POSSIBILIDADE DE CRÉDITO. VINCULAÇÃO AO CRÉDITO DO BEM ADQUIRIDO. Não existe previsão legal para o cálculo de crédito sobre o valor do frete na aquisição. Esse é permito apenas quando o bem adquirido for passível de creditamento, uma vez que o frete compõe o custo de aquisição. ATIVO IMOBILIZADO. AQUISIÇÃO. DEPRECIAÇÃO. LIMITAÇÃO TEMPORAL Há vedação legal para o desconto de créditos relativos à depreciação de bens do ativo imobilizados adquiridos até 30/04/2004. CUSTO DO FRETE NO TRANSPORTE DUTOVIÁRIO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. INSUMOS. CREDITAMENTO. O valor do frete pago no transporte efetuado no território nacional na aquisição de insumos, sejam eles nacionais ou nacionalizados, mais especificamente no transporte dutoviário do petróleo adquirido, dão direito ao crédito das contribuições, nos termos do inciso II, art. 3º, das Leis nº 10.63702 (PIS) e nº 10.833/03 (Cofins). (...) Recurso Voluntário parcialmente provido. A turma julgadora decidiu dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos seguintes termos (após a retificação do acórdão provocada pelos embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional): a) por maioria de votos, negar provimento ao recurso em relação: (i) à exclusão da base de cálculo das quantidades de gasolina e óleo diesel revendidas, referentes a aquisições efetuadas anteriormente à vigência da Lei nº 11.727/08; (ii) aos direitos de crédito em relação aos fretes na aquisição de gasolina e diesel, anteriormente à vigência da Lei nº 11.727/08 (iii) à apropriação de créditos sobre o imobilizado, em decorrência da depreciação de bens adquiridos em data anterior a 01/05/2004 (Lei nº 10.865/2004 – art. 31). (...) b) por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso em relação: (i) ao crédito decorrente do custo do frete pago no transporte efetuado no território nacional na aquisição de insumos, nacionais ou nacionalizados, mais especificamente no transporte dutoviário do petróleo adquirido. Fl. 2052DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 09/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11065.722249/201101 Acórdão n.º 9303004.137 CSRFT3 Fl. 2.053 4 Cientificado do acórdão, o contribuinte interpôs embargos de declaração, que não foram admitidos pelo Presidente da Câmara, por terse evidenciado intuito provocativo de rediscussão das matérias que já haviam sido decididas pela turma julgadora. Em seu recurso especial, o contribuinte reitera os argumentos de defesa do recurso voluntário e alega a ocorrência de divergência quanto à possibilidade de desconto de créditos de PIS e Cofins em suas operações, defendendo que o entendimento do CARF era majoritariamente no sentido de se dar ampla efetividade à sistemática da não cumulatividade, a partir de um conceito de insumos mais abrangente que aquele adotado na legislação do IPI. Submetido ao juízo de admissibilidade, o recurso especial foi recepcionado pelo Presidente da Câmara, nos termos do despacho de fls. 1.987 a 1992, de 20 de julho de 2015. Em contrarrazões, a Fazenda Nacional alega, preliminarmente, que o contribuinte não se desincumbira de comprovar a divergência regimentalmente exigida para fins de interposição do recurso especial, pelo fato de que os acórdãos paradigmas colacionados se referiam à análise do direito ao creditamento das contribuições não cumulativas a partir do conceito de insumos, estes aplicados na produção, enquanto que, no acórdão recorrido, tal conceito não fundamentara a decisão, pelo fato de esta se referir à aquisição de produtos para revenda, atividade essa disciplinada em dispositivos específicos das leis de regência. Quanto ao mérito, a Fazenda Nacional reafirma os fundamentos do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator De pronto, peço licença ao ilustre Presidente da 2ª Câmara para divergir do seu entendimento quanto ao cabimento do recurso especial do contribuinte, diante das constatações a seguir apontadas. Destaquese que, nos termos do art. 68, § 3º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF)1, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, o despacho do Presidente da Câmara destes autos não é definitivo, pois não se trata de recurso especial intempestivo e nem de recurso especial desacompanhado de acórdão paradigma. 1 Art. 68. (...) § 3º Será definitivo o despacho do presidente da câmara recorrida, que decidir pelo não conhecimento de recurso especial interposto intempestivamente, bem como aquele que negarlhe seguimento por absoluta falta de indicação de acórdão paradigma proferido pelos Conselhos de Contribuintes ou pelo CARF Fl. 2053DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 09/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11065.722249/201101 Acórdão n.º 9303004.137 CSRFT3 Fl. 2.054 5 Não se trata, ainda, de despacho de reexame do Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), o que afasta a disciplina do art. 71, § 2º, do Anexo II do RICARF2. Merece destaque, ainda, o comando contido no § 1º do art. 67 do Anexo II do RICARF que determina que "[não] será conhecido o recurso que não demonstrar de forma objetiva qual a legislação que está sendo interpretada de forma divergente", bem como o contido no § 8º do mesmo artigo, que estipula que "[a] divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido". Feitas essas considerações, passase à análise do recurso. No recurso especial, no tópico reservado à divergência jurisprudencial, o contribuinte sustentou que o acórdão recorrido, na parte em que nega o direito ao crédito na aquisição de gasolina e óleo diesel para revenda, aos fretes correspondentes a essas aquisições e à depreciação do ativo imobilizado, divergia da jurisprudência de outras turmas do CARF. Contudo, conforme destacou a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), o recorrente não logrou comprovar, de forma efetiva, o dissídio jurisprudencial de modo a ensejar o conhecimento do apelo especial. No acórdão recorrido, a turma julgadora destacou que a análise do conceito de insumos, para fins de creditamento na sistemática da não cumulatividade das contribuições, não influía na decisão denegatória de tal direito no que tange à gasolina e ao óleo diesel adquiridos para revenda, inclusive os custos com fretes nessas aquisições, bem como a depreciação de bens do ativo imobilizado, por se tratar de matérias disciplinadas em dispositivos específicos das leis de regência. Nos acórdãos paradigmas, por seu turno, o elemento fulcral das decisões é justamente o referido conceito de insumos. Ressaltese que, no acórdão recorrido, a parcela do recurso voluntário a que se deu provimento (frete no transporte de insumos) se referia justamente à aplicação do conceito mais amplo de insumos, indo, portanto, na mesma direção dos acórdãos paradigmas, o que afasta de vez a ocorrência da divergência regimentalmente exigida para fins de interposição do recurso especial. Analisandose o voto condutor do acórdão recorrido (fls. 1.759 a 1.771), constatase que a decisão se fundou nos seguintes argumentos (aqui apresentados de forma sintética): a) "...somente a partir da edição da Lei nº 11.727/2008 (art.24) a legislação passou a admitir o direito ao crédito relativo às aquisições de gasolina e óleo diesel, posteriormente, revendidos. Isto porque a empresa é optante, desde 01/05/2004, ao Regime Especial de Apuração e Pagamento da Contribuição para o PIS e para a Cofins sobre Combustíveis e Bebidas (RECOB), previsto no art. 23 da Lei nº 10.865/04. Nesse regime especial, a gasolina e o óleo diesel são tributados pela aplicação de alíquotas ad rem (específica), independentemente de se tratar de produtos de produção própria ou de revenda. Por sua vez, [...], as aquisições de gasolina e óleo diesel para 2 Art. 71. (...) § 2º Será definitivo o despacho do Presidente da CSRF que negar ou der seguimento ao recurso especial. Fl. 2054DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 09/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11065.722249/201101 Acórdão n.º 9303004.137 CSRFT3 Fl. 2.055 6 revenda não dariam direito ao crédito do PIS e da Cofins não cumulativos, por vedação legal prevista no inciso I, alínea b, do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03" (fl. 1.759 g. n.); b) "...ou optase por uma sistemática (regime especial / RECOB, previsto na Lei nº 10.865/04) ou optase por outra (regime geral, previsto na Lei nº 9.718/98) na tributação das receitas decorrentes das saídas de gasolina e óleo diesel dos importadores ou fabricantes/produtores desses produtos. O que não pode é tentar mesclar os dois regimes, criandose um “regime híbrido”, como pretendeu a Recorrente ao argumentar que os produtos para revenda devem ser tributados pelo regime previsto na Lei nº 9.718/98 e os de produção própria pelo regime especial da Lei nº 10.865/04" (fls. 1.760 e 1.761); c) "...não há como acatar o argumento da Recorrente quando afirma que no caso de produtos adquiridos para revenda estaria na condição de “revendedora de combustíveis” e, por isso, estaria sujeita à incidência com base na Lei nº 9.718/98, o que geraria o direito ao crédito das contribuições. Se fosse o caso, também não seria aplicável o dispositivo prescrito no artigo 4º da citada lei, destinado aos “produtores e importadores de derivados de petróleo” (fl. 1.761 g. n.); d) "Em ambas as leis não há previsão para admitirse o direito ao crédito relativo às aquisições de gasolina ou de óleo diesel destinados a revenda. Muito pelo contrário, nos períodos autuados vigorava limitação imposta pelo art. 3º, inciso I, alínea “b”, das Leis nº 10.637/2002 (PIS) e nº 10.833/2003 (Cofins)..." (fl. 1.761 g. n.); e) foi a partir da alteração normativa introduzida com a edição da Lei nº 11.727, de 2008 (art. 24), que se passou a admitir o direito ao crédito de produtos adquiridos para a revenda (fl. 1.762); f) "Se as aquisições de gasolina adquiridas para revenda, anteriormente à edição da Lei nº 11.727, de 2008, não geravam o direito ao crédito, consequentemente, as despesas com o transporte desses produtos também não podem gerar direito ao crédito.", pois tais despesas "compõem o custo de aquisição dos produtos para revenda e, deste modo, como já explicitado no item anterior, não há previsão legal para a utilização de créditos em relação à aquisição de produtos para revenda." (fl. 1.763 g. n.); g) "...a partir de 31/07/2007 (último dia do terceiro mês subsequente ao da publicação da lei) fica vedado o desconto de créditos relativos à depreciação ou amortização de bens e direitos do ativo imobilizados adquiridos até 30/04/2004. Portanto, no período objeto da ação fiscal (janeiro/2007 a fevereiro/2009) a Recorrente já não tinha mais o direito ao crédito da depreciação de bens adquiridos até 30/04/2004." (fl. 1.765). Notese que, em relação a todas as matérias em que se negou provimento ao recurso voluntário, não se perscrutou acerca do conceito de insumos para fins de creditamento das contribuições não cumulativas, pois todas essas matérias encontramse disciplinada em dispositivos legais específicos, que não dependem do referido conceito para fins de sua aplicação. Além do mais, tratase de aquisições de produtos (gasolina e óleo diesel) para revenda, situação em que a conceituação de insumos se mostra de todo inaplicável, pois que tal conceituação somente se torna relevante nas aquisições de insumos aplicados na produção, nos termos do art. 3º, inciso II, das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003. Fl. 2055DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 09/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11065.722249/201101 Acórdão n.º 9303004.137 CSRFT3 Fl. 2.056 7 A matéria relativa à depreciação de bens do ativo imobilizado se resolveu por meio de dispositivo legal específico que vedava tal procedimento em relação aos bens adquiridos até 30/04/2004, qual seja, art. 31, § 1º, da Lei nº 10.865, de 2004. O acórdão paradigma nº 3401002.389 (fls. 1.939 a 1.944), por seu turno, referese a serviços de reparação de locomotivas prestados gratuitamente pela recorrente a empresa do mesmo grupo, serviços esses então tratados como insumos aplicados na produção, tendo a turma julgadora decidido por reconhecer o direito a crédito com base num conceito de insumo mais elástico, englobando, segundo o voto condutor, "todos os custos decorrentes de gastos feitos com pessoas jurídicas e que sejam necessários para a atividade produtiva" (fl. 1.942). Concluiu o referido voto nos seguintes termos: "Assim, os insumos consumidos pela recorrente relacionados à prestação de serviços de reparação de locomotivas, ainda que efetuada de forma gratuita e para empresa do mesmo grupo, enquadramse no conceito de insumos aptos a permitir a apuração de Cofins" (fl. 1.942 g. n.). Notase que a decisão se fundou no conceito de insumos para fins de creditamento na sistemática da não cumulatividade das contribuições, não tendo qualquer referência com os fundamentos do acórdão recorrido, acima identificados. Já o acórdão paradigma nº 3401002.075 (fls. 1.945 a 1.956), este se pauta no art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.833, de 2003, que cuida exatamente do creditamento relativo a bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens, para reconhecer o direito ao crédito na prestação de serviços de fretes entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, referentes ao transporte de insumos e de produtos fabricados pela empresa. Eis um trecho do voto vencedor do referido acórdão paradigma: Destaco que o inc. II, ao dizer “bens e serviços, utilizados como insumo”, “inclusive combustíveis e lubrificantes”, não descarta o crédito apurado com base nos fretes, desde que tidos como insumos. Pelo contrário: tanto o crédito pode ser apurado com base nos combustíveis e lubrificantes consumidos no transporte realizado pela própria empresa, quanto nos fretes, desde que estes sejam relativos a insumos, produtos acabados ou para entrega das mercadorias vendidas. O que o inc. II parecia não admitir era o crédito com origem nos combustíveis – ou no frete, no caso do transporte contratado – do transporte para entrega das mercadorias vendidas (ou o “frete na operação de venda”, conforme a expressão utilizada pelo legislador na Lei nº 10.833/2003). Para abranger também este último crédito é que foi introduzido o inc. IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, até então inexistente na nãocumulatividade do PIS. (fl. 1.956 g. n.). Mais uma vez se constata que o segundo paradigma também não serve para configurar a divergência requerida pelo Regimento Interno do CARF, pois se funda no conceito de insumos para fins de se reconhecer o direito ao crédito, não havendo qualquer correspondência com os fundamentos do acórdão recorrido. Fl. 2056DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 09/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11065.722249/201101 Acórdão n.º 9303004.137 CSRFT3 Fl. 2.057 8 Diante do exposto, não havendo similitude entre os fatos controvertidos no acórdão recorrido e nos utilizados como paradigmas, cujas decisões se fundam em razões de fato e de direito distintas, não há como reconhecer a divergência e, por conseguinte, não se deve conhecer do recurso assim interposto. Portanto, voto por NÃO CONHECER do recurso especial do contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 2057DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 09/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 19515.720364/2014-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1401-000.409
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Pelo voto de qualidade, RESOLVEM os membros converter o julgamento em diligência. Vencidos os Conselheiros Marcos de Aguiar Villas Boas, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Aurora Tomazini de Carvalho e Lívia De Carli Germano que anulavam os autos de multas isoladas e DAVAM provimento para cancelar a infração relacionada à omissão de receitas..
Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin - Relatora
( assinado digitalmente).
Antonio Bezerra Neto - Presidente.
( assinado digitalmente).
Guilherme Adolfo dos Santos Mendes. - Redator Designado.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Aurora Tomazini de Carvalho, Lívia de Carli Germano e Antonio Bezerra Neto (Presidente).
Nome do relator: LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
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Pelo voto de qualidade, RESOLVEM os membros converter o julgamento em diligência. Vencidos os Conselheiros Marcos de Aguiar Villas Boas, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Aurora Tomazini de Carvalho e Lívia De Carli Germano que anulavam os autos de multas isoladas e DAVAM provimento para cancelar a infração relacionada à omissão de receitas.. Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora ( assinado digitalmente). Antonio Bezerra Neto Presidente. ( assinado digitalmente). Guilherme Adolfo dos Santos Mendes. Redator Designado. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Aurora Tomazini de Carvalho, Lívia de Carli Germano e Antonio Bezerra Neto (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .7 20 36 4/ 20 14 -4 1 Fl. 1053DF CARF MF Processo nº 19515.720364/201441 Resolução nº 1401000.409 S1C4T1 Fl. 1.054 2 RELATÓRIO. Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte em face do Acórdão nº 1664.831 4ª Turma da DRJ/SPO, que julgou integralmente procedente o lançamento contra FAST SHOP S.A. O Auto de Infração foi lavrado em março de 2014 para exigir IRPJ no valor de R$ 41.703.452,36, cujos fatos geradores se reportam aos meses de fevereiro a dezembro de 2009 e CSLL no valor de R$ 13.833.856, com fato gerador em dezembro de 2009, acrescidos de juros, multa de mora, de ofício e isolada. Apreciada a impugnação, o lançamento foi julgado totalmente procedente em decisão ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. O interessado optou pelo regime de lucro real anual, de modo que a data do fato gerador do IRPJ e da CSLL foi 31/12/2009. Assim, o lançamento, cuja ciência se deu em 28/03/2014, poderia ser efetuado até 31/12/2014. Portanto, não ocorreu a decadência. Preliminar indeferida. OMISSÃO DE RECEITA. PROVA DIRETA. As diferenças que configuram omissão de receita apuradas pelo confronto da DIPJ com as DACONs e DCTF não foram contestadas. MULTA ISOLADA. A partir da modificação do art. 44 da Lei 9.430/1996 promovida pela MP 351/2007 (convertida na Lei 11.488/2007), a alínea “b” do inciso II passou a determinar expressamente que a multa isolada seja aplicada “ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ... no anocalendário correspondente”, ou seja tal penalidade deve ser aplicada também em anoscalendário subsequentes. MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. A aplicação da multa de 75% sobre o valor do imposto devido e não recolhido não exclui a aplicação da multa de 50% sobre o valor da antecipação mensal devida e não recolhida, pois a infração cometida não é a mesma, visto que a exigência de pagamento de antecipações mensais de tributo (estimativas), embora relacionada, é uma exigência diversa da exigência de pagamento do tributo anual. No caso concreto, o interessado julgouse dispensado de cumprir a exigência de recolher qualquer estimativa ao longo anocalendário, além de omitir parte da receita auferida. AUTO REFLEXO. CSLL. O decidido quanto ao IRPJ aplicase à tributação dele decorrente. A Contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo, no qual repisa os argumentos apresentados na impugnação, reforçando ter ocorrido decadência em relação ao IRPJ relativo aos meses de janeiro e fevereiro de 2009, requer o cancelamento integral da autuação pela inexistência de omissão de receita, ocorrência de cerceamento de defesa em Fl. 1054DF CARF MF Processo nº 19515.720364/201441 Resolução nº 1401000.409 S1C4T1 Fl. 1.055 3 razão da falta de fundamentação para aplicação da multa isolada e impossibilidade de concomitância da multa de ofício e da multa isolada. Era o der essencial a ser relatado. Passo a decidir. VOTO VENCIDO. Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Relatora. Por tempestivo e pela presença dos pressupostos recursais exigidos pela legislação, conheço do recurso. Preliminar de decadência parcial do crédito tributário: A Recorrente reclama extinção parcial dos débitos exigidos em relação aos períodos de janeiro a fevereiro de 2009, tendo em vista que a ciência do Auto de Infração ocorreu apenas em março de 2014, quando já teria se consumado o prazo decadencial previsto no artigo 150, p. 4o. do CTN, posto que, ao contrário do consignado no acórdão recorrido, adotava o regime de apuração por estimativa mensal, não pelo regime de lucro anual no qual se fundamentou a decisão de piso. Na DIPJ 2010 referente ao ano calendário 2009, tanto na original cancelada (fls. 380/409) como na DIPJ retificadora 2012 (fls. 410/449), foi informada, pela contribuinte, a opção de tributação do IRPJ e da CSLL na forma do lucro real com apuração anual, de forma que não assiste razão à Recorrente quando afirma ter optado pelo regime de estimativa mensal. Portanto, neste ponto, não merece reparo a decisão de piso e correto o afastamento da prejudicial de decadência, ainda que parcial, sob o fundamento de que: " O interessado optou pelo regime de lucro real anual, de modo que a data do fato gerador do IRPJ e da CSLL foi 31/12/2009. Assim, o lançamento, cuja ciência se deu em 28/03/2014, poderia ser efetuado até 31/12/2014. Portanto, não ocorreu a decadência." Preliminar de nulidade da autuação por cerceamento do direito de defesa. Reclama a Recorrente a impossibilidade de exercer de forma plena seu direito de defesa em razão dos dois Autos de Infração em cobrança trazerem acusação de omissão de receita em valores diversos para o IRPJ e CSLL. Isto porque, no auto de IRPJ referente aos períodos de apuração de fevereiro a dezembro de 2009, há acusação de receita omitida no montante de R$ 41.073.452,36 e no auto de CSLL, consta acusação de omissão de receita no valor de R$ 13.833.856,46. Nestes moldes, resta demonstrado que não há na autuação fiscal, ou na legislação por ela mencionada, qualquer fundamento que justifique a divergência dos valores base para a autuação, sob fundamento de que não é possível que uma mesma pessoa jurídica possa ter omitido receitas de mais de R$ 41.000.000,00 da base de cálculo do IRPJ, relativamente aos meses de fevereiro a dezembro de 2009 e, no mesmo ano omitir receitas de mais de R$ 13.000.000,00 referentes a CSLL, relativamente a apenas o mês de dezembro, quando sabido que ambas as bases são de todo semelhantes. Fl. 1055DF CARF MF Processo nº 19515.720364/201441 Resolução nº 1401000.409 S1C4T1 Fl. 1.056 4 Como observado pela Recorrente, "um lançamento contraria e retira certeza e validade do outro, ensejando obrigatório reconhecimento da nulidade material da exigência". A precisa indicação da infração e enquadramento legal é aspecto essencial na fixação da matéria tributável de modo que eventual erro nesse aspecto do lançamento se constitui vício substancial e insanável e, portanto, enseja a nulidade do procedimento adotado. A motivação deficiente no lançamento fiscal gera a anulação do ato, visto que a Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, dispôs em seu art. 2º que a Administração Pública obedecerá, dentre outros, ao principio da motivação. Bem assim, a ampla defesa, prejudicada pela ofensa da motivação, assegurada constitucionalmente aos contribuintes, deve ser observada no processo administrativo fiscal. O lançamento contido no auto de Infração estará desprovido de eficácia se não especificar os mencionados elementos, especialmente pelo fato de dificultar o oferecimento da ampla defesa. (MELO, José Eduardo Soares de. Processo Tributário Administrativo e Judicial. 2009) Tal princípio decorre da idéia de que a atividade administrativa tem que estar vinculada a um fim alheio à pessoa e aos interesses particulares da autoridade administrativa, sempre de maneira impessoal. A motivação, por sua vez, consiste na explanação dos motivos e razões que levaram o agente administrativo a pratica do ato, propiciando ao administrado a possibilidade de conhecer das razões, para, querendo, impugnálas. Nesse aspecto, tendo em vista a nítida inconsistência entre os valores constantes no Relatório Fiscal e as planilhas de débito acostados ao auto de infração, sem justo motívo que fundamente essa divergência, restase cerceado o direito de defesa da autuada, restando clarividente a afronta ao Princípio da Motivação que rege o Processo Administrativo. Neste sentido: Acórdão 3401003.188 3a. Seção – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2008 a 31/12/2011 LANÇAMENTO. ERRO DE MOTIVAÇÃO. NULIDADE. DECLARAÇÃO. Padece de erro de motivação o lançamento que arrola razões que não se compaginam com os elementos do processo, mostrando dissonância entre as imputações feitas e as informações e declarações carreadas aos autos no curso do procedimento fiscal. A motivação, como requisito obrigatório dos atos administrativos deve apresentar congruência na análise das razões de fato e de direito, com lastro no acervo documental, para subsunção do direito aplicável, sob pena de nulidade. Recurso de ofício negado. Fl. 1056DF CARF MF Processo nº 19515.720364/201441 Resolução nº 1401000.409 S1C4T1 Fl. 1.057 5 Feitas essas considerações, DOU PROVIMENTO ao recurso para anular os autos de multas isoladas e DAR provimento para cancelar a infração relacionada à omissão de receitas. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora VOTO VENCEDOR Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Com a devida vênia à ilustre Relatora, não se caracteriza do presente feito cerceamento ao direito de defesa, uma vez que a acusação é clara tanto no aspecto qualitativo, quanto quantitativo. No que toca ao primeiro aspecto, a acusação se refere a omissão de receita no período caracterizada pela diferença entre os valores declarados na DIPJ com aqueles informados na DACON/DCTF. Quanto ao segundo aspecto, o valor declarado na DIPJ foi de R$ 2.503.490.724,15, enquanto o informado na DACON/DCTF foi de R$ 2.544.564.176,51 e a exata diferença entre os dois montantes (R$ 41.073.452,36) foi adotada pela autoridade fiscal como omissão de receita para fins de lançamento do IRPJ. É bem verdade que o valor registrado no auto de infração da CSLL foi menor (R$ 13.833.856,46). Todavia, tal circunstância não conduz a qualquer dúvida sobre a autuação do IRPJ, mas sim à conclusão de que a autoridade fiscal errou em favor do contribuinte. E mesmo que o erro fosse em prejuízo do contribuinte, teria apenas natureza quantitativa a ensejar a redução da exigência tributária e não a sua exoneração total. De todo modo, por dever de cautela, nós decidimos, durante as discussões no julgamento, baixar o feito em diligência para dar oportunidade à autoridade fiscal para se manifestar acerca da referida divergência. Por todo o exposto, proponho a conversão do processo em diligência para a autoridade local esclareça a razão da divergência entre os valores apontados como omissão de receita nos autos de infração de IRPJ (R$ 41.073.452,36) e de CSLL (R$ 13.833.856,46). Encerrada a instrução processual, deverá ser intimada a interessada para manifestarse no prazo de dez dias, de acordo com o disposto no artigo 44 da Lei nº 9.784/1999. É como voto. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator Fl. 1057DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10247.000027/2005-86
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. OCORRÊNCIA.
Constatada a ocorrência de omissão na decisão embargada, deve ser dado provimento aos embargos de declaração com vistas a sanear tais incorreções.
PIS NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO. FRETE NA OPERAÇÃO DE VENDA. POSSIBILIDADE.
São passíveis de ressarcimento os créditos da contribuição para o PIS/Pasep calculados em relação ao frete na operação de venda, conforme previsto no inciso IX do art. 3º da Lei 10.883/2003, tais como, no caso, as despesas com frete na comercialização da produção da pasta de celulose.
Embargos acolhidos.
Numero da decisão: 9303-004.222
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em acolher e prover os Embargos da Fazenda Nacional, sem efeitos infringentes, para rerratificar o acórdão embargado. Vencidos os Conselheiros Júlio César Alves Ramos e Charles Mayer de Castro Souza, que os acolhiam e proviam, com efeitos infringentes, para excluir os créditos referentes aos fretes.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza, Valcir Gassen, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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OMISSÃO. OCORRÊNCIA. Constatada a ocorrência de omissão na decisão embargada, deve ser dado provimento aos embargos de declaração com vistas a sanear tais incorreções. PIS NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO. FRETE NA OPERAÇÃO DE VENDA. POSSIBILIDADE. São passíveis de ressarcimento os créditos da contribuição para o PIS/Pasep calculados em relação ao frete na operação de venda, conforme previsto no inciso IX do art. 3º da Lei 10.883/2003, tais como, no caso, as despesas com frete na comercialização da produção da pasta de celulose. Embargos acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em acolher e prover os Embargos da Fazenda Nacional, sem efeitos infringentes, para rerratificar o acórdão embargado. Vencidos os Conselheiros Júlio César Alves Ramos e Charles Mayer de Castro Souza, que os acolhiam e proviam, com efeitos infringentes, para excluir os créditos referentes aos fretes. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza, Valcir Gassen, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 7. 00 00 27 /2 00 5- 86 Fl. 585DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 13/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10247.000027/200586 Acórdão n.º 9303004.222 CSRFT3 Fl. 586 2 Relatório Tratase de embargos de declaração (efl. 566) apresentados pela Fazenda Nacional contra o Acórdão no 9303002.628, de 13 de novembro de 2013, da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (efls. 537 a 564), que, relativamente a pedido de ressarcimento da Contribuição para o PIS/Pasep, negou provimento ao recurso especial do Procurador, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados da ementa, a seguir reproduzidos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. Na incidência não cumulativa do PIS, instituída pela Lei nº 10.637/02 e da Cofins, instituída pela Lei nº 10.833/03, devem ser compreendidos por insumos somente bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto, ou seja, que integrem o processo produtivo e que com eles estejam diretamente relacionados. RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR NEGADO A embargante alegou omissão no referido acórdão quanto à análise do recurso especial de decisão não unânime, fundado no art. 7º do RICSRF (Portaria MF nº 147/2007) c/c art. 4º do RICARF (Portaria MF nº 256/2009), que trata das despesas de pós produção e que foi admitido pela decisão de fls. 372/373. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Os embargos são tempestivos e apontam omissão, merecendo ser conhecidos. Fl. 586DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 13/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10247.000027/200586 Acórdão n.º 9303004.222 CSRFT3 Fl. 587 3 O exame de admissibilidade (efls. 581/584), que acolheu os embargos, constatou a omissão na decisão embargada. A omissão, fundamento legal dos presentes declaratórios, encontravase prevista no art. 65 do RICARF (Portaria MF nº 256/2009), segundo o qual “cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma”. Com relação a omissão, seu surgimento se faz presente quando houver pontos sobre o qual devia pronunciarse o Colegiado e não o fez. Conforme constatado no Despacho de Admissibilidade de fls. 581 a 584, no acórdão embargado o Relator se pronunciou apenas sobre as despesas ocorridas nas fases de préprodução e de produção, especificamente, em relação aos gastos com os insumos utilizados na produção da madeira (fase de préprodução, principal matériaprima, e na produção de pasta de celulose (fase de produção), o produto final, não se manifestando acerca das despesas ocorridas na fase seguinte a de produção, a exemplo das despesas com frete no transporte da pasta base de celulose. Dessa forma, o acórdão embargado, de fato, omitiuse quanto à matéria admitida no recurso especial da Fazenda Nacional por contrariedade à lei, previsto no art. 7º, I, do RICSRF, aprovado pela Portaria MF nº 147/07, relativo às despesas de pósprodução. No recurso voluntário apresentado às fls. 346/359, que podemos utilizar para delimitar o dissídio, em relação as despesas de pósprodução, o contribuinte contesta especificamente a glosa dos créditos de PIS requeridos em face do pagamento do frete na comercialização da produção da pasta de celulose. O Acórdão de recurso voluntário nº 20181.148, proferido pela 1ª Câmara do antigo 2º CC, às fls. 402/408, pelo voto de qualidade, deu provimento parcial ao recurso para aceitar a inclusão dos insumos no cálculo do crédito passível de ressarcimento, mantida a glosa relativa aos créditos da venda de energia elétrica e água e manutenção do parque fabril. Ficou consignado na parte dispositiva do aresto os votos vencidos quanto às despesas de pós produção e quanto à Selic. Podemos sintetizar o entendimento predominante em relação à matéria com o seguinte trecho do voto do relator: No caso da recorrente, as despesas com a implantação, manutenção e exploração de florestas são custo de produção e estão, sim, vinculadas ao produto exportado. A produção e a exportação de celulose somente é possível com a utilização de madeira no processo produtivo. Os dispêndios realizados para a obtenção de madeira empregada no processo produtivo (produção própria ou aquisição de terceiros) estão, inexoravelmente, vinculados à receita de exportação, portanto, os respectivos créditos de PIS são passíveis de ressarcimento. O entendimento precedente também se aplica às despesas pós produção, como frete com o transporte dos produtos exportados e outros dispêndios necessários à obtenção da receita de exportação. Fl. 587DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 13/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10247.000027/200586 Acórdão n.º 9303004.222 CSRFT3 Fl. 588 4 Quanto às despesas com a manutenção do parque fabril próprio, entendo que não há previsão legal para o crédito com estes dispêndios. Em síntese, tem a recorrente direito ao ressarcimento dos créditos de PIS relativos aos dispêndios vinculados à receita de exportação, tais como as despesas com manutenção do parque fabril, com o transporte de produtos acabados, com a produção de madeira e outras cujo crédito seja autorizado pelo art. 32 da Lei n 10.637/2002. Este acórdão foi embargado pela Fazenda Nacional, alegando a existência de contradições, sendo parcialmente admitido pelo despacho de fls. 423/427, não merecendo seguimento em relação a alegação de contradição quanto ao voto divergente sobre as despesas de pósprodução, ficando consignado ainda que essas despesas se referiam ao crédito do frete dos produtos acabados para o porto de embarque (inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/03). No Acórdão nº 330200.043, às fls. 433/439, que acolheu os embargos de declaração, o relator refez integralmente o voto condutor para retificar a contradição apontada pela embargante e para melhor detalhar os custos e despesas com direito ao crédito do PIS reconhecido no acórdão embargado. Para ilustrar o entendimento do I. Relator, destacamos o trecho abaixo: Portanto, a despesa realizada que gera direito a crédito de PIS passível de ressarcimento é aquela vinculada à receita de exportação. Basta isto. Porque é só isto que a lei exige. Não somente os créditos de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem empregados na fabricação do produto exportado podem ser ressarcidos. Todo e qualquer "custo, despesa ou encargo''' vinculado à receita de exportação, desde que legalmente gere crédito, na forma prevista no art. 3 da Lei n 10.833/03, pode ser objeto de pedido de ressarcimento previsto no art. 5 da Lei n 10.637/02. Mais ainda, a vinculação da despesa com a receita de exportação não guarda relação exclusivamente com o processo fabricação ou produção do bem exportado. A despesa pode ser incorrida antes ou depois de realizada a produção ou a fabricação do bem exportado, a exemplo da despesa com frete de insumos e armazenagem de mercadorias acabas (inciso IX do art. 32 da Lein2 10.833/03). (grifei) No voto condutor do acórdão de recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional, às fls. 540 a 553, por sua vez, verificase que o significado e o alcance do conceito de insumo, para efeito de apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, foram analisados e expressamente definidos pelo Relator, conforme se infere do trecho que segue reproduzido: Destarte, entendo que o termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as Fl. 588DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 13/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10247.000027/200586 Acórdão n.º 9303004.222 CSRFT3 Fl. 589 5 despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. No caso, fica evidenciado que o Relator adotou o conceito de insumo veiculado nos próprios enunciados normativos que tratam da sistemática do regime não cumulativo das referidas contribuições e que se situa entre o conceito de insumo mais restrito da legislação do IPI e o mais abrangente da legislação do IRPJ. Entretanto, em relação às questões fáticas objeto do recurso especial interposto, constatase que o Relator se pronunciou apenas sobre despesas ocorridas nas fases de préprodução e de produção, especificamente, em relação aos gastos com os insumos utilizados na produção da madeira (fase de préprodução, principal matériaprima, e na produção da pasta de celulose(fase de produção), o produto final. Para que não reste qualquer dúvida a respeito, transcrevese o seguinte trecho extraído do referido voto: Em relação aos serviços silviculturais e serviços florestais de produção, exceto manutenção de vias permanentes e terraplanagem, manutenção de estradas e serviços de pesquisa, desenvolvimento, planejamento e controle florestal, estão vinculadas ao processo produtivo e geram direito ao crédito. Assim as despesas com a manutenção e exploração de florestas ou produção de madeira geram direito ao aproveitamento dos créditos. Estão aqui incluídos todos os insumos empregados na produção de madeira e celulose, como os defensivos agrícolas, fertilizantes, serviços de corte, formicida, calcário, vermiculita e demais insumos usados direta ou indiretamente no processo produtivo. Assim como também dão direito os fretes dos insumos pagos à pessoa jurídica e devidamente comprovados e os combustíveis vinculados à produção de madeira, bem como despesas de manutenção do parque fabril e despesas com manutenção de máquinas e equipamentos industriais e agrícolas. Tratase da aplicação literal do art. 3º da Lei 10.637/02. Assim, nego provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional . A matéria devolvida ao Colegiado e que não foi analisada no acórdão prolatado pela 3ª Turma da CSRF cingese às despesas de pósprodução relacionadas aos serviços de frete sobre suas vendas, mormente as despesas com frete no transporte da pasta base de celulose. O direito de descontar créditos da contribuição para o PIS/Pasep e Cofins calculados em relação ao frete na operação de venda foi previsto no inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.883/2003: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (..). IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Fl. 589DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 13/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10247.000027/200586 Acórdão n.º 9303004.222 CSRFT3 Fl. 590 6 No caso, apesar de não se amoldarem ao conceito de insumo, a própria lei expressamente autorizou o direito de crédito com relação a algumas despesas que ocorrem após o fim do processo de produção (frete do produto final, armazenagem), desde que comprovadas e suportadas pelo vendedor, sendo assim passíveis de ressarcimento os créditos de PIS calculados sobre frete na operação de venda, tais como, no caso, a contratação do frete relacionada à comercialização da produção da pasta de celulose. Outras eventuais despesas de pósprodução, ainda que incontroversas, não se tratando de despesas de frete ou armazenagem, por se tratarem de despesas incorridas após o processo produtivo, não se amoldando ao conceito de insumo, não gerariam créditos da não cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins por falta de amparo legal que possibilite o desconto dos créditos. A inexistência de previsão legal contida no art. 3º da Lei nº 10.637/02 ou art. 3º da Lei nº 10.833/03 para as referidas despesas impedem o correspondente creditamento do PIS. Portanto, acolho os embargos, sem efeitos infringentes, para rerratificar o acórdão embargado, a fim de sanar a omissão apontada nos presentes embargos de declaração. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 590DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 13/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10580.721172/2009-37
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não há que se cogitar de nulidade de lançamento, quando plenamente obedecidos pela autoridade lançadora os ditames do art. 142, do CTN e a lei tributária vigente.
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE.
Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado de acordo com o regime de competência.
Recurso Especial do Procurador Provido
Numero da decisão: 9202-004.192
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento para afastar a nulidade, com retorno dos autos à turma a quo para análise das demais questões postas no recurso voluntário, vencidos os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe negaram provimento. Nos termos do artigo 60 do Anexo II do RICARF, votaram originalmente por dar provimento parcial os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo e Carlos Alberto Freitas Barreto. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Junior. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Ana Paula Fernandes.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
(Assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Redator Designado
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se cogitar de nulidade de lançamento, quando plenamente obedecidos pela autoridade lançadora os ditames do art. 142, do CTN e a lei tributária vigente. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado de acordo com o regime de competência. Recurso Especial do Procurador Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento para afastar a nulidade, com retorno dos autos à turma a quo para análise das demais questões postas no recurso voluntário, vencidos os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe negaram provimento. Nos termos do artigo 60 do Anexo II do RICARF, votaram originalmente por dar provimento parcial os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo e Carlos Alberto Freitas Barreto. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Junior. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Ana Paula Fernandes. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (Assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora (Assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Redator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
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INOCORRÊNCIA. Não há que se cogitar de nulidade de lançamento, quando plenamente obedecidos pela autoridade lançadora os ditames do art. 142, do CTN e a lei tributária vigente. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado de acordo com o regime de competência. Recurso Especial do Procurador Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 11 72 /2 00 9- 37 Fl. 174DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 10/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assin ado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento para afastar a nulidade, com retorno dos autos à turma a quo para análise das demais questões postas no recurso voluntário, vencidos os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe negaram provimento. Nos termos do artigo 60 do Anexo II do RICARF, votaram originalmente por dar provimento parcial os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo e Carlos Alberto Freitas Barreto. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Junior. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Ana Paula Fernandes. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora (Assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Redator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 10/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assin ado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.721172/200937 Acórdão n.º 9202004.192 CSRFT2 Fl. 175 3 Relatório Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, por meio do qual se exige crédito tributário no valor de R$ 166.465,87, incluídos multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. Essas diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, e conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda. A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA julgado o lançamento procedente, fls. 84 a 89. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. Em julgamento realizado em 20/11/2013 (Resolução 2801000.276) a Turma Julgadora entendeu por bem sobrestar o julgamento do recurso voluntário, por força do disposto nos §§ 1º e 2º do art. 62A do Regimento Interno do CARF, fls. 132 a 136. Com a revogação dos dispositivos regimentais que determinavam o sobrestamento de recursos sempre que o STF tomasse a mesma providência em relação aos recursos extraordinários que versassem sobre a mesma matéria, o presente processo foi, então, distribuído para relato e julgamento. No Acórdão de Recurso Voluntário, o Colegiado, por maioria de votos, deu provimento ao recurso para cancelar o lançamento. Portanto, em sessão plenária de 15/04/2014, deuse provimento ao recurso, prolatandose o Acórdão nº 2801003.506, fls. 139 a 149, assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercícios: 2005, 2006, 2007 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. URV BAHIA. MAGISTRADO. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. CÁLCULO DO IMPOSTO. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 10/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assin ado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 No caso de rendimentos pagos acumuladamente em cumprimento de decisão judicial, a incidência do imposto ocorre no mês de recebimento, mas o cálculo do imposto deverá considerar os períodos a que se referirem os rendimentos, evitandose, assim, ônus tributário ao contribuinte maior do que o devido, caso a fonte pagadora tivesse procedido tempestivamente ao pagamento dos valores reconhecidos em juízo. Interpretação da lei conforme jurisprudência do STJ. Recurso Voluntário Provido. “ O processo foi encaminhado, para ciência da Fazenda Nacional, em 30/05/2014 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, em 03/07/2014, o Recurso Especial. Em seu recurso visa, inicialmente, a determinação do sobrestamento do presente processo até decisão final a ser proferida pelo STF. Superado tal requerimento, requer o reconhecimento da validade da autuação, uma vez que os rendimentos recebidos acumuladamente devem ser tributados de uma só vez, pelo valor global, assim como previsto no art. 12 da Lei 7.713/88; e caso não sejam acolhidos os pedidos acima, que seja mantida a autuação, apenas determinando a retificação do montante do crédito tributário com a aplicação das tabelas progressiva vigentes à época da aquisição dos rendimentos. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho s/nº, de 30/06/2015, fls. 166 a 169. O recorrente traz como alegações, que: · cumpre salientar que recentemente foi publicado o Parecer PGFN/CRJ/Nº 2331/2010, cuja conclusão sugere a suspensão dos efeitos dos efeitos do Parecer PGFN/CRJ 287/2009 e do correspondente Ato Declaratório PGFN nº 1/2009, ao fundamento de que a controvérsia relativa à alíquota do imposto de renda aplicável sobre rendimentos recebidos acumuladamente ganhou contornos constitucionais é característica própria do imposto de renda das pessoas físicas incidir sob o regime de caixa, ou seja, o imposto de renda é cobrado quando da aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica da renda, conforme preceitua o art. 43 do CTN. · o art. 12 da Lei 7.713/88 e o art. 56 do Decreto 3.000/99 são claros quanto à incidência de imposto de renda sobre o recebimento de rendimentos acumulados, in verbis: · as parcelas recebidas têm natureza jurídica remuneratória e seu pagamento em atraso não tem o condão de alterála, constituindo, pois, renda a ser tributada, fato gerador do imposto de renda, que ocorrerá quando da aquisição e disponibilidade econômica, a teor do que dispõe o art. 43 do CTN. · a incidência do imposto de renda na espécie se deu dentro dos limites estritos do princípio da legalidade, e, com efeito, o dispositivo legal acima transcrito (art. 12 da Lei n. 7.713/88) não pode ser afastado, a não ser que seja reconhecida sua inconstitucionalidade, o que não poderia ser feito pelo CARF (Súmula nº 1). Fl. 177DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 10/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assin ado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.721172/200937 Acórdão n.º 9202004.192 CSRFT2 Fl. 176 5 · considerando a presunção de constitucionalidade das leis, não há qualquer óbice à aplicação do art. 12 da Lei 7.713/88, tampouco as razões do acórdão recorrido encontram fundamentação passível de obstruir a aplicação desse artigo. · o caso dos autos se trata de rendimentos acumulados que, sem dúvida alguma, é um gênero para qualquer tipo de renda obtida de forma acumulada. · a Lei nº 9.250/95, de 26.12.95, que alterou a legislação do imposto de renda das pessoas físicas, manteve a mesma norma no parágrafo único do art. 3º, assim redigido: · essa matéria também está disciplinada no art. 61 do RIR/94, aprovado pelo Dec. 1.041/94, in verbis: · o atual RIR/99, aprovado pelo Dec. nº 3.000, de 26.03.99, mantém o mesmo critério no parágrafo único do art. 38, nestes termos: · o regime legal de tributação do imposto de renda na fonte é o conhecido como regime de caixa, que leva em consideração o mês de recebimento do rendimento, não se aplicando o regime de competência no presente caso, assim como previsto no acórdão recorrido. · na hipótese de negativa ao pedido de manutenção integral do lançamento, deverá ser mantida a autuação, determinando o colegiado o retorno dos autos à DRJ apenas para a retificação contábil relativa à alíquota incidente sobre os rendimentos recebidos a destempo. · tal alteração não acarreta qualquer prejuízo ao contribuinte ou mácula ao lançamento, na medida em que impõe tão somente o recálculo do montante devido, sem majoração da exigência tributária. Cientificado do Acórdão nº 2102002.697, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN, em 24/08/2015, o contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 10/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assin ado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 Voto Vencido Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL Pressupostos de Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme despacho de Admissibilidade, fls. 166 a 169. Como não existe qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido, passo a análise do mérito do recurso apresentado. DO MÉRITO DELIMITAÇÃO DA LIDE Em face dos pontos trazidos no Recurso especial da Fazenda Nacional e do conteúdo do acórdão recorrido entendo que a apreciação do presente recurso cingese a discussão em relação a nulidade do lançamento, frente a aplicação de decisão do STJ na sistemática de recurso repetitivo sobre rendimentos relativos aos pagamentos recebidos pelos membros do Magistratura da Bahia. Um questão importante que ajudanos a delimitar o alcance da lide, referese ao fato de o relator do acórdão da Câmara a quo, embora tenha ao fim encaminhado pela nulidade do lançamento por vício material, acabou por enfrentar o mérito sobre a natureza das verbas pagas aos magistrados. Podemos chegar a essa conclusão ao lermos os termos da ementa e do voto abaixo transcrito: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. URV BAHIA. MAGISTRADO. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. CÁLCULO DO IMPOSTO. No caso de rendimentos pagos acumuladamente em cumprimento de decisão judicial, a incidência do imposto ocorre no mês de recebimento, mas o cálculo do imposto deverá considerar os períodos a que se referirem os rendimentos, evitandose, assim, ônus tributário ao contribuinte maior do que o devido, caso a fonte pagadora tivesse procedido tempestivamente ao pagamento dos valores reconhecidos em juízo. Interpretação da lei conforme jurisprudência do STJ. Recurso Voluntário Provido. [...] Fl. 179DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 10/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assin ado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.721172/200937 Acórdão n.º 9202004.192 CSRFT2 Fl. 177 7 Tendo sido citado sem a transcrição do trecho no recurso, destaco as decisões que esclareceram a natureza do pagamento. Este caso de lançamento de ofício sobre verbas recebidas pelos Magistrados do Estado da Bahia, em razão de diferenças da conversão de moedas, no período de 1994 a 2001, tendo sido pagas diferenças, posteriormente, em 36 parcelas, nos anos de 2004, 2005 e 2006, não é matéria nova que se põe à análise deste Colegiado, havendo já uma convergência de entendimentos quanto ao cerne da questão, ou seja, a natureza da verba paga, o que, à guisa de exemplo, se observa nos Acórdãos 2801002.748, 2801002.648, 2801002.742 e 2801002.871, dentre outros. Contudo, neste processo, os “Demonstrativos de Apuração” acostados aos autos em fls. 8/10 evidenciam que o imposto de renda foi calculado sobre valores pagos de forma acumulada, em cada um dos três anos (R$ 95.461,44 x 27,5% = R$ 26.251,89), conforme estabelecido no art. 12 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 (regime de caixa). [...] Ou seja, embora entendesse o relator que a natureza da verba era remuneratória, o cerne da questão referese ao questionamento se a decisão do STJ e posteriormente a do STF que declarou a inconstitucionalidade parcial do art. 12 da 7.713/1988, em sede de repercussão geral, seria capaz de eivar de vício material o lançamento? Entendo que não! Ao apreciarmos o inteiro teor da decisão do STF, e mais, baseado na decisão do STJ que ensejou o pronunciamento daquela corte máxima, observamos que toda a discussão cingee sobre o regime de tributação aplicável aos RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE RRA, se regime de caixa (como originalmente lançado no dispositivo legal), ou o regime de competência (forma adotada posteriormente pela própria Receita Federal calcada em pareceres, decisões do STJ que ensejaram inclusive alteração legislativa art. 12A da 12.530/2010. Entendo que a decisão do STJ descrita no Resp 1.118.429/SP, se coaduna com a do caso ora apreciado já que, em ambas, discutese a sistemática de cálculo aplicável na apuração do imposto devido: caixa ou competência. Dessa forma, entendo que a aplicação do repetitivo se amolda a questão trazida nos autos, já que a mesma apresentase em estrita consonância com a matéria objeto de repercussão geral no RE 614.406/RS. No que tange à tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente, verificase que a autoridade lançadora aplicou sobre o total do rendimentos recebidos pelos membros do magistratura da Bahia, a tabela do imposto de renda vigente no mês do recebimento. Contudo, de acordo com o art. 62A do RICARF (Portaria MF nº 256/2009, vigente à época da interposição do recurso), devese aplicar à espécie o REsp nº 1.118.429/SP, julgamento sob o rito do art. 543C do CPC. Na ocasião, o STJ decidiu que a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculada de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Senão vejamos: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 10/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assin ado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Resp 1.118.429/SP, julgado em 24/03/2010. (grifei) Pelo que se vê, o REsp nº 1.118.429/SP e o e RE 614.406/RS versam exatamente sobre o caso dos autos, ou seja, parcelas atrasadas recebidas acumuladamente. Assim, devese aplicar sobre os rendimentos pagos acumuladamente as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Na verdade a posição do STF, nada mais fez do que pacificar a questão que já vinha sendo observada pelo STJ em seus julgados e pela própria Receita Federal e PGFN, por meio de seus pareceres. Aliás, até no âmbito deste Conselho não é a primeira vez que essa questão é enfrentada por essa Câmara Superior. No Recurso Especial da PGFN processo nº 11040.001165/200561, julgado na 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, encontramos situação similar, cujo voto vencedor, do ilustre Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior trata da matéria ora sob apreciação. Vejamos a ementa do acórdão nº 9202003.695: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se cogitar de nulidade de lançamento, quando plenamente obedecidos pela autoridade lançadora os ditames do art. 142, do CTN e a lei tributária vigente. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). Ainda, como o objetivo de esclarecer a tese esposada no referido acórdão, transcrevo a parte do voto vencedor na parte pertinente ao tema: Verifico, a propósito, que a matéria em questão foi tratada recentemente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto de trânsito em julgado em 11/12/2014, feito que teve sua Fl. 181DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 10/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assin ado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.721172/200937 Acórdão n.º 9202004.192 CSRFT2 Fl. 178 9 repercussão geral previamente reconhecida (em 20 de outubro de 2010), obedecida assim a sistemática prevista no art. 543B do Código de Processo Civil vigente. Obrigatória, assim, a observância, por parte dos Conselheiros deste CARF dos ditames do Acórdão prolatado por aquela Suprema Corte em 23/10/2014, a partir de previsão regimental contida no art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Reportandome ao julgado vinculante, noto que, ali, se acordou, por maioria de votos, em manter a decisão de piso do STJ acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, devendo ocorrer a "incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência (...)", afastandose assim o regime de caixa. Todavia, inicialmente, de se ressaltar que em nenhum momento se cogita, no Acórdão, de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei nº 7.713, de 1988, notese, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional. A propósito, de se notar que os dispositivos legais que embasaram o lançamento constantes de efl. 12, em nenhum momento foram objeto de declaração de inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concretu. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute, ainda que em montante diverso daquele apurado quando do lançamento, o qual, repitase, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria mais gravosa, entendese, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pelo contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando o contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Assim, com a devida vênia ao posicionamento do relator, entendo que, a esta altura, ao se esposar o posicionamento de exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, notese, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 10/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assin ado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 10 Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento antiisonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, ao serem agora consideradas as tabelas/alíquotas vigentes à época, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. Com base nas questões levantadas pelo ilustre conselheiro Heitor de Souza Lima Junior aqui transcritas, e as quais uso como fundamento de razões para decidir, entendo que a posição tanto do STJ no REsp nº 1.118.429/SP como do STF no RE 614.406/RS não foi no sentido de inexistência ou inconstitucionalidade do dispositivo que definia os valores dos rendimentos recebidos acumuladamente como fato gerador de IR, mas tão somente no sentido de que a apuração da base de cálculo do imposto devido não seria pelo regime de caixa (na forma como descrito originalmente na lei, art. 12 da Lei 7783/88) já que conferiria tratamento diferenciado e prejudicial ao contribuinte, já definindo o novo regime a ser aplicável para apuração do montante devido. Dessa forma, considerando: os termos do acórdão proferido, que no meu entender encaminhou pela nulidade, embora entendesse possuir natureza remuneratória a verba "Diferenças de URV"; a inexistência de embargos de declaração pelo sujeito passivo; bem como a delimitação da lide objeto deste Recurso Especial ser tão somente sobre a nulidade do lançamento, encaminho pelo provimento parcial do Resp da Fazenda Nacional, para afastar a nulidade e que a apuração do imposto devido seja feita de acordo com o regime de competência, em face do julgado no âmbito do RE 614.406/RS, não comportando mais discussão a incidência sobre os rendimentos recebidos acumuladamente à título de diferenças de URV. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, para no mérito DARLHE PROVIMENTO, para afastar a nulidade e que a apuração do imposto devido seja feita de acordo com o regime de competência. É como voto. (Assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 183DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 10/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assin ado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.721172/200937 Acórdão n.º 9202004.192 CSRFT2 Fl. 179 11 Voto Vencedor Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior – Redator Designado Discordo do posicionamento da relatora tão somente quanto à manifestação do Colegiado a quo no que diz respeito a questões constantes do Recurso Voluntário do contribuinte que perpassam o cancelamento baseado em vício material decretado no dispositivo decisório. Explico. Da leitura do recorrido, entendo que a tese ali adotada, de existência de vício material do auto de infração que dá origem a seu cancelamento, fez com que: a) a discussão realizada no 2o. parágrafo do voto condutor, à efl. 142, acerca da natureza da verba em questão (se remuneratória ou não), ganhasse caráter de mero obter dictum, não fazendo parte da ratio decidendi (independentemente da natureza da verba, ainda que remuneratória, uma vez apurado erroneamente o montante eventualmente devido, no entender do recorrido, estaria caracterizado vício material no auto, daí seu cancelamento). Assim, entendo como matéria preliminar a nulidade (cancelamento) decretada (o), com a definição da natureza da verba se tratando de matéria de mérito, não atingida a partir do acatamento da referida preliminar (ainda que não tenha sido assim caracterizada, de forma expressa, pelo recorrido); b) restassem, também, não apreciadas diversas questões constantes do Recurso Voluntário do autuado, a saber, consoante relatório à efl 141: a) manutenção da multa de ofício no patamar de 75%; b) ilegitimidade passiva; c) não incidência do IR sobre juros; d) violação ao princípio de isonomia e e) ilegitimidade ativa da União. Daí entender como necessário o retorno do processo à Turma a quo, para análise das matérias constantes dos itens a) e b) supramencionados, bem assim de eventuais outras alegações constantes do Recurso Voluntário do Contribuinte, vedado a esta Turma fazê lo, sob pena de supressão de instância. Assim, também, em linha com o voto condutor, voto no sentido de dar provimento ao Recurso da Fazenda para afastar a nulidade, mas com retorno dos autos à Turma a quo para análise das demais questões postas no Recurso Voluntário. È como voto. (Assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 184DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 10/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assin ado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 12 Declaração de Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Em que pese o brilhante voto proferido pela conselheira ouso discordar em dois pontos: (a) quanto o afastamento da nulidade do auto de infração concedida a favor do contribuinte no acórdão recorrido e (b) quanto ao procedimento jurisdicional adotado que limita o conteúdo material a ser analisado pela instância a quo, no caso de retorno dos autos para instância ordinária. a QUANTO A NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO A nulidade do auto de infração em comento é insanável, pois se trata de nulidade absoluta, vez que este exige do contribuinte Imposto de Renda apurado conforme sistemática declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal Tema 368 Incidência do imposto de renda de pessoa física sobre rendimentos percebidos acumuladamente, o que para a doutrina "impacta diretamente na natureza do lançamento tributário". Estamos diante de vício que maculou o lançamento em sua essência, na própria aplicação da regra matriz, o que afasta qualquer possibilidade de recálculo do tributo. Desse modo, é nulo o auto de infração por erro material. b QUANTO AO RETORNO DOS AUTOS PARA INSTÂNCIA ORDINÁRIA LIMITAÇÃO DA MATÉRIA A SER APRECIADA. Restando vencida em meu posicionamento e voltando o processo para análise do mérito este deve ser devolvido integralmente para instância ordinária. A alegada preclusão da discussão quanto a natureza da verba, apontada pela relatora, prescinde de lógica processual. Observese que o acórdão recorrido tratou claramente da nulidade do auto de infração pelo prisma do lançamento estar eivado de vício. Mesmo que o relator do acórdão recorrido tenha manifestado sua opinião a respeito do matéria de mérito, o fez em sede de preliminar, a qual não se consubstancia no meio adequado para julgamento do mérito, tendo sido, portanto, mera alegação em seu voto, jamais sua razão de decidir, muito menos a dos demais conselheiros que integram o colegiado do acórdão recorrido. Pensar do modo exposto pela relatora impacta no direito de defesa do contribuinte, que tendo recebido uma decisão a seu favor de nulidade do auto de infração, motivo pelo qual não possuía interesse recursal em manejar Recurso Especial, tem esta decisão reformada pela Câmara Superior no sentido de afastar a nulidade objeto do recurso interposto pela Fazenda Nacional e julgar preclusa a matéria central de direito (matéria principal de mérito) que é a natureza da verba em discussão (remuneratória ou indenizatória). O que denota uma clara e prejudicial supressão de instância de julgamento, que não se coaduna com os princípios do Devido Processo Legal, o qual a Constituição Federal tratou de elencar no capítulo dos Direitos e Garantias Fundamentais, sendo repetido em todos os procedimentos do Processo Administrativo Federal. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 10/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assin ado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.721172/200937 Acórdão n.º 9202004.192 CSRFT2 Fl. 180 13 Assim, sendo entendimento da Câmara Superior em afastar uma prejudicial de mérito que consta do acórdão recorrido em sede de preliminar, a matéria de mérito sempre deverá ser devolvida à Câmara ordinária em sua integralidade, sob pena de prejuízo ao direito de defesa da parte recorrida. É como voto. (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 10/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assin ado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 11075.002580/2003-73
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1996
IRPF. DECADÊNCIA. PRAZO PARA PEDIDO DE RESTITUIÇÃO.
Consoante jurisprudência vinculante emanada do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal, é inconstitucional a parte final do artigo 4° da Lei Complementar n° 118, de 2005.
Consoante a mesma jurisprudência, em se tratando de pedido de restituição de IRPF, decorrente de pagamento indevido e deduzido anteriormente à vigência da mencionada Lei Complementar, o prazo a ser observado é de 10 (dez) anos contados da data da ocorrência do fato gerador, restando, in casu, assim, afastada a decadência.
Numero da decisão: 9202-004.294
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento com retorno à DRF de origem para manifestação sobre o mérito da compensação.
(Assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gérson Macedo Guerra.
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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DECADÊNCIA. PRAZO PARA PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. Consoante jurisprudência vinculante emanada do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal, é inconstitucional a parte final do artigo 4° da Lei Complementar n° 118, de 2005. Consoante a mesma jurisprudência, em se tratando de pedido de restituição de IRPF, decorrente de pagamento indevido e deduzido anteriormente à vigência da mencionada Lei Complementar, o prazo a ser observado é de 10 (dez) anos contados da data da ocorrência do fato gerador, restando, in casu, assim, afastada a decadência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento com retorno à DRF de origem para manifestação sobre o mérito da compensação. (Assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 5. 00 25 80 /2 00 3- 73 Fl. 150DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/ 08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11075.002580/200373 Acórdão n.º 9202004.294 CSRFT2 Fl. 151 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gérson Macedo Guerra. Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 280200.169, prolatado pela 2a Turma Especial da 1a. Câmara da 2a Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na sessão plenária de 28 de outubro de 2009 (efls. 95 a 102). Ali, por maioria de votos, deuse provimento ao Recurso Voluntário, para afastar a decadência, na forma de ementa e decisão a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF. Exercício: 1996 PROGRAMA DE DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE PLEITEAR A REPETIÇÃO DO INDÉBITO. O início da contagem do prazo decadencial para pleitear a repetição do indébito dos valores pagos a título de imposto de renda sobre o montante recebido como incentivo pela adesão a Programa de Desligamento Voluntário PDV, deve fluir a partir da data em que o contribuinte viu reconhecida, pela administração tributária, a não incidência, Preliminares não acatadas. Recurso negado. Decisão: por maioria de votos, DAR provimento ao recurso para afastar a preliminar de decadência, determinando o encaminhamento dos autos à DRF de origem para apreciação das razões de mérito. Vencido o Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa (titular da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara, como Suplente convocado) que não acolheu a preliminar suscitada. Cientificada da decisão em 01/03/2011 (efl. 103), a PGFN, insurgindose contra esta, apresenta, na mesma data, Recurso Especial, com fulcro no art. 67 do anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo Fiscal aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009, então em vigor quando da propositura do pleito recursal (efls. 104 a 117 e anexos). Alegase, no pleito, divergência em relação ao decidido, em 07/07/2009 , no Acórdão CSRF 0400.810, de lavra da 4a. Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, datado de 03/03/2008 e, ainda, em relação ao Acórdão CSRF 930300.080, de lavra da 3a. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/ 08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11075.002580/200373 Acórdão n.º 9202004.294 CSRFT2 Fl. 152 3 Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, datado de 03/03/2008, cujas ementas e decisões são a seguir transcritas: Acórdão CSRF 0400.810 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO – ILL – O direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, perece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro (art. 165, incisos I e II , e 168, inciso I, do CTN, e entendimento do Superior Tribunal de Justiça).Recurso Especial do Procurador Provido. Decisão: Pelo voto de qualidade, DAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Gonçalo Bonet Allage e Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho que negavam provimento ao recurso. Acórdão CSRF 930300.080 OUTROS TRIBUTOS OU COINTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/09/1 989 a 3 1/03/1992 FINSOCIAL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. O dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o qüinqüênio legal, contado a partir daquela data.Recurso Especial do Procurador Provido. Decisão: por maioria de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Susy Gomes Hoffmann, Maria Teresa Martínez Lopez e Leonardo Siade Manzan (VicePresidente Substituto). Em breve síntese, alega a Fazenda Nacional, em seu recurso que o direito do sujeito passivo pleitear a restituição se extingue decorridos 5 anos contados da data da extinção do crédito tributário (no caso, o pagamento), devendose, a propósito, ser respeitado o AD SRF no. 96, de 1999, que possui caráter vinculante para a Administração, a partir do disposto nos arts. 100, I e 103, I do CTN. Entende que não há nada que justifique a data da publicação da Instrução Normativa SRF no. 165, de 1998, como termo inicial da contagem do prazo decadencial, uma vez que esta "simplesmente autorizou as providências a serem adotadas pelo Poder Executivo no tocante aos créditos tributários ainda não definitivamente constituídos", para fins de alinhamento à jurisprudência dominante do STJ. Ressalta que somente à Lei Complementar cabe estabelecer normas gerais sobre decadência tributária e que o CTN não estabeleceu distinção de prazo para o pagamento indevido para o caso em que este decorre de inconstitucionalidade da norma imponível. Entende, assim, que o CARF usurparia da Fl. 152DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/ 08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11075.002580/200373 Acórdão n.º 9202004.294 CSRFT2 Fl. 153 4 competência legislativa ao negar vigência aos dispositivos do CTN em questão que julga aplicáveis ao caso (arts. 165, II e II c/c 168, I do Código), o que abalaria a segurança jurídica e o próprio interesse público. Discorre sobre o princípio da actio nata, ressaltando que no dia seguinte ao pagamento indevido do tributo o contribuinte já poderia ter buscado a guarida do Judiciário para fins de repetição do indébito. Cita jurisprudência do STJ que sustentaria sua argumentação, defendendo, ainda, que, o art. 3o. da Lei Complementar no. 118, de 09 de fevereiro de 2005 teria aplicação retroativa, consoante art. 106, I do CTN, uma vez que se trata de norma interpretativa, consoante, inclusive, disposto expressamente no art. 4o. da mesma Lei Complementar. Requer, assim, que o Recurso Especial seja conhecido e que, no mérito, lhe seja dado provimento, para que, reconhecendose a violação aos arts. 168 e 165 do CTN, bem como aos arts. 3o. e 4o. da LC no. 118, de 2005, se declare a prescrição da pretensão do contribuinte em pleitear o presente indébito, uma vez que ultrapassados cinco anos da extinção do crédito tributário sem que fosse exercitada a referida pretensão. O recurso foi admitido através de despacho de efls. 119 a 124. Encaminhados os autos ao contribuinte para fins de ciência, ocorrida em 05/01/2016 (efl. 132), o autuado apresentou, em 08/01/2016, contrarrazões ao pleito Fazendário (efls. 134 a 144), onde: 1) Inicialmente, pugna pela intempestividade do pleito fazendário e pelo seu não cabimento, a partir do disposto no art. 67, § 2o. do Anexo II ao Regimento Interno deste Conselho, em vigor quando da propositura do recurso; 2) Relembra a existência de Atos Normativos da RFB que concluem pela não incidência do IR sobre as verbas recebidas quando de adesão a PDV e que somente após a publicação da Instrução Normativa SRF no. 165, de 1998 e do AD SRF no. 96, de 1999, o contribuinte teve o reconhecimento de que os valores retidos eram indevidos e, assim, pode pleitear a restituição. 3) Assim, entende que, in casu, uma vez protocolizado o pedido de restituição em dez./2003, incabível a alegação de extinção do direito de pleitear a restituição, devendo ser observada, a propósito, vasta jurisprudência do CARF que opina neste sentido (ainda que de forma não vinculante), em respeito aos princípios da eficiência e razoabilidade. 4) Rejeita a aplicação retroativa proposta pelo art. 4o. da LC no. 118, de 2005 e defendida pela PGFN, citando a decisão em repercussão geral emanada do STF no âmbito do RE 566.621/RS. Assim, entende que cabível ou a interpretação propugnada pelo recorrido ou a tese dos 5 + 5 então prevalecente pelo STJ quando do pedido de restituição, de forma a que se negue provimento ao Recurso, caso este reste admitido. É o relatório. Voto Fl. 153DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/ 08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11075.002580/200373 Acórdão n.º 9202004.294 CSRFT2 Fl. 154 5 Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior Pelo que consta no processo quanto à tempestividade do recurso e às devidas apresentação de paradigmas e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Quanto ao argumento de intempestividade, deduzido em sede de contrarrazões, faço notar que o Acórdão recorrido, uma vez tendo sido os autos recebidos na PGFN em 18/01/2011 (efl.69), foi objeto de intimação ficta ao Procurador da Fazenda Nacional em 17/02/2011, consoante art. 23, §§ 8o. e 9o. do Decreto no. 70.235, de 06 de março de 1972, respeitado assim o prazo limite para interposição do recurso, que se esgotaria em 04/03/2011. Ainda, não houve anulação da decisão de 1a. instância pelo Recorrido, mas tão somente sua reforma, inaplicável assim o citado §2o. do art. 67 do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de junho de 2009. Adentrando o mérito, reproduzo, inicialmente, os principais dispositivos necessários à análise do deslinde, a saber, arts. 106, 156, inciso I, 165 e 168, do Código Tributário Nacional (Lei no. 5.172, de 1996) e arts, 3o. e 4o. da Lei Complementar no. 118, de 2005, expressis verbis: CTN (...) Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (...) Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; (...) (...) (...) Fl. 154DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/ 08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11075.002580/200373 Acórdão n.º 9202004.294 CSRFT2 Fl. 155 6 Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. (...) Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário;(Vide art 3 da LCp nº 118, de 2005) II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. LC 118/2005 (...) Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966– Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1odo art. 150 da referida Lei. Art. 4o Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3o,o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966– Código Tributário Nacional. (...) Inicialmente, ressalto meu posicionamento pessoal no sentido de que até o advento da Lei Complementar no. 118, de 2005, em linha com o recorrido, cheguei a me convencer, em situações fáticas como a do caso sob análise (onde determinado pagamento, inicialmente tido como devido, tornase indevido posteriormente, por força de ato administrativo que reconheça a não incidência do tributo), acerca da inaplicabilidade da interpretação de caráter literal propugnada pelo recorrente e pelos paradigmas aqui colacionados (qual seja, a de que, em não havendo exceção à motivação do pagamento Fl. 155DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/ 08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11075.002580/200373 Acórdão n.º 9202004.294 CSRFT2 Fl. 156 7 indevido no texto legal, teria de se contar sempre o prazo decadencial a partir do dies a quo estabelecido pelo art. 168, I do CTN, ou seja, a partir da data da extinção pretérita do crédito tributário). Baseava meu convencimento, fundamentalmente, nas inconsistências geradas, pela citada interpretação, no sistema jurídicotributário como um todo, ao permitir que, por exemplo: a) determinado contribuinte se visse privado de sua restituição por via administrativa, sempre que a autoridade administrativa se manifestasse, de forma definitiva, no sentido de determinado tributo ser indevido, somente 5 anos ou mais após seu recolhimento (extinção por pagamento), sem que, assim, tivesse havido qualquer inércia de parte do contribuinte (sendo a inércia do detentor do direito, em meu entendimento, núcleo do instituto decadencial); b) houvesse, nesta hipótese, como corolário, tratamento antiisonômico entre os contribuintes que não recolheram o tributo à época em que era considerado devido pela Administração (o qual não mais seria objeto de lançamento, a partir da posterior caracterização de não incidência) e aqueles que recolheram os tributos devidamente (que se encontrariam, como visto acima, nesta hipótese, impossibilitados de ter o montante indevidamente pago restituído, dado o lapso temporal ocorrido até o reconhecimento do indébito). Destarte, em situações como esta sob exame, em que o tributo recolhido se tornara, indevido, para fins de aplicação do art. 165, I, do CTN, por ato do Poder Executivo posterior ao momento de pagamento (in casu, a Instrução Normativa SRF no. 165, de 1998), entendia como perfeitamente defensável, repitase, até o advento da Lei no. 118, de 2005, que se entendesse que o dies a quo para fins de contagem do prazo decadencial seria o da publicação do ato administrativo que determinou a posterior não incidência do tributo recolhido (no caso, da Instrução Normativa SRF no. 165, de 1998) convergindose, assim, para o ensinamento conceitualdoutrinário de necessidade de inércia do detentor do direito para fins de caracterização da decadência, bem como, simultaneamente, evitandose os as inconsistências supramencionadas. Todavia, apesar dos sólidos fundamentos que motivam a tese acima, entendo que a esta altura, ou melhor a partir da edição da Lei Complementar no. 118, de 2005, tal posicionamento não mais merece guarida, por dois fundamentos, que passo a expor: a) Primeiro, de se observar que, contrariamente ao caso do CTN (Lei Complementar no. 5.172, de 1966), editado à época em que se torna difícil afirmar se teria ou não o legislador ponderado acerca de situações como a sob análise (repitase, onde se discute repetição de tributo inicialmente devido, posteriormente considerado indevido por força de ato emanado de autoridade administrativa), cediço que, à época da edição desta nova Lei Complementar no. 118, , já se encontrava bastante difundida a polêmica acerca da data inicial de contagem do prazo decadencial que aqui se aborda. Tal consideração faz com que, em meu entendimento, tenha o legislador, na nova LC, conscientemente optado por referendar as inconsistências acima (ou seja, na nova LC, o legislador "quis fazer" a interpretação de que se deve considerar o dies a quo como o do pagamento indevido antecipado, independente de motivação), de forma a que se deva agora abrir mão da interpretação sistemática que respaldava a interpretação acima, em prol de uma interpretação literalteleológica, a qual notese, passou também a ganhar respaldo Fl. 156DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/ 08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11075.002580/200373 Acórdão n.º 9202004.294 CSRFT2 Fl. 157 8 jurisprudencial no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, através dos Embargos de Divergência ao REsp 435.835SC; b) Adicionalmente, agora como razão de decidir principal do presente voto, devese notar a necessária observância dos membros deste Conselho às decisões emanadas julgados do STJ e do STF, quando da adoção da sistemática prevista, respectivamente, nos arts. 543C e 543B do Código de Processo Civil de 1973, na forma do art. 62, §2o. do Anexo II ao atual RICARF, verbis: RICARF Anexo II (...) Art. 62 (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Nesta seara específica, de especial relevância para o caso é o decidido pelos mencionados Tribunais Superiores no âmbito, respectivamente, do REsp 1.002.932/SP e RE 566.621/RS, analisando ambos os julgados já especificamente os ditames da mencionada Lei Complementar no.118, de 2005, verbis. REsp 1.002.932/SP PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. AUXÍLIO CONDUÇÃO. IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. 1. O princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC 118, de 9 de fevereiro de 2005,aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, posto norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação correspectiva. 2. O advento da LC118/05 e suas conseqüências sobre a prescrição, do ponto de vista prático, implica dever a mesma ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a repetição do indébito é de cinco a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, Fl. 157DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/ 08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11075.002580/200373 Acórdão n.º 9202004.294 CSRFT2 Fl. 158 9 limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. 3. Isto porque a Corte Especial declarou a inconstitucionalidade da expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art.106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional", constante do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar 118/2005(AI nos ERESP 644736/PE, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 06.06.2007). 4. Deveras, a norma inserta no artigo 3º, da lei complementar em tela, indubitavelmente, cria direito novo, não configurando lei meramente interpretativa, cuja retroação é permitida, consoante apregoa doutrina abalizada: "Denominamse leis interpretativas as que têm por objeto determinar, em caso de dúvida, o sentido das leis existentes, sem introduzir disposições novas.{nota: A questão da caracterização da lei interpretativa tem sido objeto de não pequenas divergências, na doutrina. Há a corrente que exige uma declaração expressa do próprio legislador (ou do órgão de que emana a norma interpretativa), afirmando ter a lei (ou a norma jurídica, que não se apresente como lei) caráter interpretativo. Tal é o entendimento da AFFOLTER (Das intertemporale Recht, vol. 22, System des deutschenbürgerlichen Uebergangsrechts, 1903, pág. 185), julgando necessária uma Auslegungsklausel, ao qual GABBA, que cita,nesse sentido, decisão de tribunal de Parma, (...) Compreensão também de VESCOVI (Intorno alla misura dello stipendio dovuto alle maestre insegnanti nelle scuole elementari maschili,in Giurisprudenza italiana, 1904, I,I, cols. 1191, 1204) e a que adere DUGUIT, para quem nunca se deve presumir ter a lei caráter interpretativo "os tribunais não podem reconhecer esse caráter a uma disposição legal, senão nos casos em que o legislador lho atribua expressamente"(Traité de droit constitutionnel, 3a. ed., vol. 2o., 1928, pág. 280). Com o mesmo ponto de vista, o jurista pátrio PAULO DE LACERDA concede, entretanto, que seria exagero exigir que a declaração seja inserida no corpo da própria lei não vendo motivo para desprezála se lançada no preâmbulo, ou feita noutra lei. Encarada a questão, do ponto de vista da lei interpretativa por determinação legal, outra indagação, que se apresenta, é saber se, manifestada a explícita declaração do legislador, dando caráter interpretativo, à lei, esta se deve reputar, por isso, interpretativa, sem possibilidade de análise, por ver se reúne requisitos intrínsecos, autorizando uma tal consideração. (...) ...SAVIGNY coloca a questão nos seus precisos termos, ensinando:"tratase unicamente de saber se o legislador fez, ou quis fazer uma lei interpretativa, e, não, se na opinião do juiz essa interpretação está conforme com a verdade" (System des heutigen romischen Rechts, vol. 8o, 1849, pág. 513). Mas, não é possível dar coerência a coisas, que são de si incoerentes, não se consegue conciliar o que é inconciliável.E, desde que a chamada Fl. 158DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/ 08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11075.002580/200373 Acórdão n.º 9202004.294 CSRFT2 Fl. 159 10 interpretação autêntica é realmente incompatível com o conceito, com os requisitos da verdadeira interpretação (v., supra, a nota 55 ao nº 67), não admira que se procurem torcer as conseqüências inevitáveis, fatais de tese forçada, evitandose lhes os perigos. Compreendese, pois, que muitos autores não aceitem o rigor dos efeitos da imprópria interpretação. Há quem, como GABBA(Teoria della retroattività delle leggi, 3a. ed., vol. 1o., 1891, pág. 29), que invoca MAILHER DE CHASSAT (Traité de la rétroactivité des lois, vol. 1o, 1845, págs. 131 e 154), sendo seguido por LANDUCCI (Trattato storicoteorico pratico di diritto civile francese ed italiano, versione ampliata del Corso di diritto civile francese, secondo il metodo dello Zachari, di Aubry e Rau, vol. 1o. e único, 1900, pág. 675) e DEGNI (L"interpretazione della legge, 2a ed., 1909, pág. 101), entenda que é de distinguir quando uma lei é declarada interpretativa, mas encerra, ao lado de artigos que apenas esclarecem, outros introduzido novidade, ou modificando dispositivos da lei interpretada. PAULO DE LACERDA(loc. cit.) reconhece ao juiz competência para verificar se a lei é, na verdade, interpretativa, mas somente quando ela própria afirme que o é. LANDUCCI (nota 7 à pág. 674 do vol. cit.) é de prudência manifesta: "Se o legislador declarou interpretativa uma lei, devese, certo, negar tal caráter somente em casos extremos, quando seja absurdo ligála com a lei interpretada, quando nem mesmo se possa considerar a mais errada interpretação imaginável. A lei interpretativa, pois, permanece tal, ainda que errônea, mas, se de modo insuperável, que suplante a mais aguda conciliação, contrastar com a lei interpretada, desmente a própria declaração legislativa."Ademais, a doutrina do tema é pacífica no sentido de que:"Pouco importa que o legislador,para cobrir o atentado ao direito, que comete, dê à sua lei o caráter interpretativo. É um ato de hipocrisia, que não pode cobrir uma violação flagrante do direito"(Traité de droit constitutionnel, 3ª ed., vol. 2º, 1928, págs. 274275)."(Eduardo Espínola e Eduardo Espínola Filho,in A Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro, Vol. I, 3a. ed., págs. 294 a 296). 5. Consectariamente, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC118/05 (09.06.2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002, segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada."). (g.n.) 6. Desta sorte, ocorrido o pagamento antecipado do tributo após a vigência da aludida norma jurídica, o dies a quo do prazo prescricional para a repetição/compensação é a data do recolhimento indevido. (g.n.) Fl. 159DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/ 08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11075.002580/200373 Acórdão n.º 9202004.294 CSRFT2 Fl. 160 11 7. In casu, insurgese o recorrente contra a prescrição qüinqüenal determinada pelo Tribunal a quo, pleiteando a reforma da decisão para que seja determinada a prescrição decenal, sendo certo que não houve menção, nas instância ordinárias, acerca da data em que se efetivaram os recolhimentos indevidos, mercê de a propositura da ação ter ocorrido em 27.11.2002, razão pela qual forçoso concluir que os recolhimentos indevidos ocorreram antes do advento da LC118/2005, por isso que a tese aplicável é a que considera os 5 anos de decadência da homologação para a constituição do crédito tributário acrescidos de mais 5 anos referentes à prescrição da ação. 8. Impende salientar que, conquanto as instâncias ordinárias não tenham mencionado expressamente as datas em que ocorreram os pagamentos indevidos, é certo que os mesmos foram efetuados sob a égide da LC70/91, uma vez que a Lei 9.430/96, vigente a partir de 31/03/1997,revogou a isenção concedida pelo art. 6º, II, da referida lei complementar às sociedades civis de prestação de serviços, tornando legítimo o pagamento da COFINS. 9. Recurso especial provido, nos termos da fundamentação expendida.Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. RE 566.621/RS DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem Fl. 160DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/ 08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11075.002580/200373 Acórdão n.º 9202004.294 CSRFT2 Fl. 161 12 como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade do art.4º, segunda parte, da LC118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art 543B §3o. do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. De se notar que, ainda que tais julgados, repitase, de obediência mandatória neste Conselho, rechacem, em linha com o defendido pela PGFN, o dies a quo para contagem do prazo decadencial estabelecido pelo vergastado (publicação, no caso, da Instrução Normativa SRF no. 165, de 1998), simultaneamente, todavia, jogam por terra a necessária retroatividade incondicional do art. 4o., comumente defendida pela Fazenda Nacional com fulcro no art. 106, II do CTN. Daí, o que se conclui da teor das ementas acima é que, a partir da declaração de inconstitucionalidade da parte final do referido art. 4o. da LC no. 118, de 2005, inconstitucionalidade esta que emana dos julgados vinculantes supra, a solução atualmente a ser adotada neste Conselho, a partir da edição da referida Lei Complementar no. 118, de 2005, é, no caso de repetição de indébito vinculada a pagamento indevido: a) relativamente aos pagamentos efetuados a partir da vigência da LC no. 118, de 2005 (que ocorreu em 09.06.05): o prazo para a repetição do indébito é de cinco anos a contar da data do pagamento indevido; b) relativamente aos pagamentos anteriores à 09.06.05: o prazo para repetição obedece ao regime previsto no sistema anterior prevalecente no STJ (tese dos cinco mais cinco), a saber, contandose um prazo de 5 anos de decadência da homologação para a constituição do crédito tributário, acrescidos de mais 5 anos referentes à prescrição da ação (perfazendo um prazo total para repetição de 10 anos, a partir do fato gerador). Noto que ainda que inicialmente tenha o julgado vinculante do STJ limitado inicialmente a ação de restituição, não a admitindo no caso de indébito ainda não repetido naquela data e cujo fato gerador ocorrera há mais de 5 anos da vigência da referida lei, noto ter referida limitação, baseada no art. 2028 do Código Civil de 2002, sido rechaçada pelo julgado vinculante do STF. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/ 08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11075.002580/200373 Acórdão n.º 9202004.294 CSRFT2 Fl. 162 13 Neste sentido já se manifestou inclusive o Pleno deste Conselho, de forma unânime, na forma do Acórdão Pleno 9900000.382, de 28/08/12, cuja ementa e decisão são transcritas a seguir: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1986 IRPF. PEDIDO DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA. REQUERIMENTO DE RESTITUIÇÃO ANTERIOR VIGÊNCIA LEI COMPLEMENTAR N° 118/2005. PRESCRIÇÃO. PRAZO DECENAL. TESE DOS 5 + 5. JURISPRUDÊNCIA UNÍSSONA STJ E STF. De conformidade com a jurisprudência firmada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça e corroborada pelo Supremo Tribunal Federal, a propósito da inconstitucionalidade da parte final do artigo 4° da Lei Complementar n° 118/2005, que prevê a aplicação retroativa dos preceitos de referido Diploma Legal, tratandose de pedido de restituição de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, in casu, Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física, incidente sobre as verbas pagas em decorrência de adesão a Programa de Demissão Voluntária PDV, formulado anteriormente à vigência de aludida LC, o prazo a ser observado é de 10 (Dez) anos (tese dos 5 + 5), contandose da data da ocorrência do fato gerador. Recurso extraordinário provido. Decisão: por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. No mesmo sentido, tratase de matéria já sumulada no âmbito deste CARF (Súmula CARF no. 91), verbis: Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Assim, aplicandose a solução acima ao caso em questão, verifico que o pagamento indevido (pagamento antecipado) ocorreu durante o anocalendário de 1995 (efls. 19 e 21 a 25), ou seja, anteriormente à vigência da Lei Complementar no. 118, de 2005, com fato gerador ocorrido, assim, em 12/1995. Por sua vez, o pedido de restituição foi protocolizado em 22/12/2003 (efl. 03). Desta forma, in casu, deve ser considerado como prazo decadencial o lapso de 10 anos, a partir da ocorrência do fato gerador, na forma das decisões vinculantes e solução acima. Considerado tal prazo, o pedido poderia ter sido protocolizado até 12/2005, restando, assim, afastada a decadência do pedido deduzido em 12/2003, consoante efl.03. Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, devendose retornar o processo à DRF de origem para manifestação acerca de demais questões, não abordadas por conta da declaração de decadência. É como voto. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/ 08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11075.002580/200373 Acórdão n.º 9202004.294 CSRFT2 Fl. 163 14 (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Relator Fl. 163DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/ 08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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Numero do processo: 16561.720044/2013-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 09/06/2008 a 17/12/2010
LANÇAMENTO. MUDANÇA DE MÉTODO DE AVALIAÇÃO ADUANEIRA. PROVA. AUSÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE.
A mudança de método de avaliação aduaneira deve estar acompanhada de amostra da pratica de conduta ilícita, descrição, assim como, afirmação descalçada de prova robusta, impossibilita modificar o método adotado pelo contribuinte. Além do que, nos casos de ajuste motivados por diferenças dos níveis comerciais, quantidades ou diminuição do valor das mercadorias, só são aceitos com base em evidência comprovada.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 3302-003.344
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado,
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Jose Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho (relator), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Deroulede, Sarah Maria Linhares de Araujo e Walker Araujo.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 09/06/2008 a 17/12/2010 LANÇAMENTO. MUDANÇA DE MÉTODO DE AVALIAÇÃO ADUANEIRA. PROVA. AUSÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. A mudança de método de avaliação aduaneira deve estar acompanhada de amostra da pratica de conduta ilícita, descrição, assim como, afirmação descalçada de prova robusta, impossibilita modificar o método adotado pelo contribuinte. Além do que, nos casos de ajuste motivados por diferenças dos níveis comerciais, quantidades ou diminuição do valor das mercadorias, só são aceitos com base em evidência comprovada. Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, Ricardo Paulo Rosa Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Jose Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho (relator), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Deroulede, Sarah Maria Linhares de Araujo e Walker Araujo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 00 44 /2 01 3- 67 Fl. 1590DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA 2 Relatório Cuidase de Recurso de Ofício por força do art. 34 do Decreto nº 70.235, de março de 1972, e alterações posteriores pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, em razão da exoneração do crédito tributário para o IPI, II, PIS e COFINS, serem superior ao valor de alçada, tomase conhecimento. O crédito tributário exonerado decorre de lançamento em razão de a fiscalização desconsiderar o preço ajustado e pago pelo importador de bebidas ao exportador pelo fato de existir vinculação entre comprador e o vendedor, motivo pelo qual concluiu ser o 2º MÉTODO DE AVALIAÇÃO ser mais realista do que o 1º método, após comparar com os valores pagos por dois importadores, sem declinar a razão ou denominação social. Adoto o relatório da decisão recorrida por bem expressar a verdade dos autos: “Relatório Tratase de impugnação aos autos de infração de fls. 271/1367, constituídos para cobrança do Imposto sobre a Importação, Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços (PIS/Pasep Importação) e da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior (Cofins Importação), acrescidos da multa de 75% de que trata o art. 44, inc. I, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e dos juros de mora, perfazendo, na data da autuação, o valor de R$ 86.920.154,98 (oitenta e seis milhões, novecentos e vinte mil, cento e cinquenta e quatro reais e noventa e oito centavos). No Termo de Verificação Fiscal de fls. 1368/1405 o autuante historia com detalhes a ação fiscal e expõe os fundamentos para a autuação, que, sinteticamente, podem ser expostos conforme a seguir: tendo em vista a vinculação entre o importador Diageo Brasil Ltda e o exportador Diageo Brands B.V, a Administração, com a finalidade de verificar se o valor de transação poderia ser aceitável para fins aduaneiros, conforme as disposições do parágrafo 2 do artigo 1 do Acordo de Valoração Aduaneira (AVA), solicitou ao importador o fornecimento de explicações adicionais e a apresentação de documentos ou outras provas de que os valores dos bens declarados nas importações, registradas entre os anos de 2008 e 2010, representavam o montante efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas nos termos daquela acordo, ajustado em conformidade com as disposições do seu Artigo 8;durante a ação fiscal, diante da constatação de que a Diageo Brands B.V, ao exportar para importadores nacionais não vinculados, fixava o preço FOB das mercadorias1, em média, 50% acima do valor praticado com a Diageo Brasil Ltda, esta foi intimada a comprovar, nos termos da alínea b do parágrafo 2 do artigo 1 do AVA, que os valores praticados nas suas importações, tendo como fornecedor pessoa Fl. 1591DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16561.720044/201367 Acórdão n.º 3302003.344 S3C3T2 Fl. 11 3 vinculada, se aproximavam muito de um dos valores critérios dispostos nos incisos i, ii e iii daquele dispositivo, caso em que o valores declarados poderiam ser aceitos com base no primeiro método de valoração; em resposta, a fiscalizada forneceu dados com a pretensão de demonstrar que os valores praticados nas suas importações se aproximavam muito do valor critério definido no inc. ii, da alínea b do parágrafo 2 do artigo 1 do AVA (apresentando Declaração de Valor Aduaneiro –DVA, preenchida de acordo com o 4º método); considerando tecnicamente insatisfatória aquela resposta, uma vez que: “(...) focouse na exposição dos seus valores de importação referentes às Declarações de Importação nº 10/170775664, 10/14959561, 10/15681486, 10/16521520, 08/11058349, preenchendo as planilhas anexas à IN SRF nº 327, de 2003 , não fazendo demonstrar que os valores de transação praticados pelos exportadores dos produtos, exportados para o Brasil, se aproximariam muito do valor aduaneiro de mercadorias idênticas ou similares”, a fiscalização em mais uma intimação solicitou ao importador que fornecesse “uma explanação adicional, incluindo documentos originais ou a outra evidência, de que o valor declarado não sofreu a influência da vinculação no que tange aos valores de transação das mercadorias em tela”; a resposta do contribuinte, dessa vez, focouse na impossibilidade de comparação entre os seus valores de transação e os valores critérios apresentados pela fiscalização, sob os argumentos de que: 1) na condição de distribuidora no Brasil de grandes marcas de bebidas importa volumes substanciais de tais produtos, incomparavelmente superiores aos volumes importados pelos importadores não relacionados/vinculados, fator que por si só já justificaria reduções substanciais de preço na transação e; 2) tem que suportar expressivos gastos com publicidade e propaganda e com logística, armazenagem, distribuição, transporte, registros regulatórios, entre outros, inerentes à atividade comercial, que não são suportados pelos outros importadores não vinculados que vendem diretamente ao consumidor final; quanto ao primeiro argumento, analisando os dados das importações da Diageo Brasil Ltda e as importações de mercadorias idênticas, observase que quase não há sensível variação dos valores de venda praticados em relação ao montante das mercadorias, conforme indicam os gráficos derivados das tabelas em anexo, Figs. 1 a 11. Percebese que mesmo nas quantidades idênticas às importações utilizadas para se determinar o valor critério não há variação significativa do valor unitário no local de embarque (VULE US$/ caixa versus quantidade importada). Este fato, por si só, demonstra que não é cabível a atribuição da divergência entre os valores critérios determinados pela fiscalização e os valores de transação praticados, afirmação do contribuinte, no que se refere ao nível comercial e à quantidade. Fl. 1592DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA 4 Evidenciando que o vendedor/exportador no caso de venda a sua vinculada compradora/importadora não se lastreia em critérios simples e equitativos, condizentes com as práticas comerciais nos procedimentos de valoração, havendo, sim, a afetação dos valores praticados em função da vinculação entre as partes nos termos do AVA; quanto a outra justificativa, só vem a corroborar a tese da fiscalização, pois confirma a oportuna adequação do valor declarado como de transação, praticado entre as partes vinculadas, aos custos e despesas inerentes ao mercado interno do Brasil para obter condições privilegiadas de competir no mercado nacional; “Esta assertiva, por si só, pode ser tomada como uma confissão de que realmente há a influência da vinculação, entre as partes em transação, na composição dos valores de venda das mercadorias exportadas/importadas em face da capacidade das partes em reduzir o valor da transação não devido aos descontos por quantidade, mas, sim, por causa das despesas que incidem sobre a mercadoria posteriormente ao desembaraço aduaneiro, inerentes à atividade comercial exercida. O fato da Diageo Brasil Ltda suportar expressivos gastos com publicidade, propaganda, custos e despesas relativos a logística, armazenagem, distribuição transporte, registros regulatórios permite às partes arbitrariamente compor um valor adequado aos ganhos econômicos planejados para a transação de comércio internacional. Recurso este que não se coaduna com as determinações do AVA na busca do real valor praticado em uma transação de comércio exterior condizente com as práticas do comércio internacional. (...)”; a afirmação do contribuinte do fato das empresas não vinculadas que importam diretamente da Diageo Brands B.V. estarem situadas na Zona Franca de Manaus ou em áreas destinadas a "Duty Free", tendo nessas áreas tratamento tributário diferenciando frente ao tratamento que é aplicável a Diageo Brasil Ltda não procede, uma vez, que como se pode notar das informações obtidas das Declarações de Importação que serviram para a obtenção dos valorescritério os encargos fiscais são idênticos nas condições de desembaraço aduaneiro, estabelecendo critérios similares às da transação entre as partes vinculadas, como se pode deduzir da tabela anexa ao processo; em 21/05/2013, a fiscalização atendendo o exarado no artigo 16 do AVA apresentou ao importador os seus motivos de convicção de que o valor de transação foi afetado pela vinculação entre as partes, demonstrando através de tabelas e gráficos as diferenças de valores praticadas entre o importador vinculado e outros importadores/compradores não vinculados ao exportador, na importação de mercadorias idênticas, provando que o tratamento aplicável aos descontos por quantidades que poderia ser considerado no caso em tela não se aplica ao mesmo em face do exportador/vendedor não possuir tabela ou mesmo a prática deste procedimento comercial aplicado ao seu comprador/importador vinculado, conforme preconiza a Opinião Consultiva 15.1, constante do anexo à Instrução Normativa SRF nº 318/03; Fl. 1593DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16561.720044/201367 Acórdão n.º 3302003.344 S3C3T2 Fl. 12 5 o contribuinte foi informado de que, na impossibilidade de aplicação do primeiro método, pela constatação da influência da vinculação no valor declarado nas importações, o valor aduaneiro seria apurado com base em método substitutivo ao valor de transação, conforme exara o artigo 2 do Acordo de Valoração Aduaneira, aprovado pelo Decreto Legislativo nº 30, de 1994, e promulgado pelo Decreto nº 1.355, de 1994. A fiscalização informa, ainda, que os valorescritério foram obtidos após apuração de vendas de mercadorias idênticas, com valores de transação previamente aceitos pela administração aduaneira, mercadorias estas iguais em tudo, inclusive nas características físicas, de mesma qualidade e reputação comercial, produzidas no mesmo país e pela mesma pessoa e exportadas no mesmo tempo ou aproximadamente no mesmo tempo que as mercadorias objeto deste rito de valoração aduaneira (figs. 1 a 11 – fls. 1389/1391). Cientificado dos autos de infração em 28/5/132, o interessado apresentou, em 27/6/13, a impugnação de fls. 1422/1476, onde, preliminarmente, alega que ocorreu cerceamento ao direito de defesa, tendo em vista, em resumo, que: 1) as planilhas apresentadas não foram acompanhadas pelos documentos que lhe teriam embasado, como por exemplo, Declaração de Importação, Declaração Cadastral dos Importadores, faturas comerciais e a fiscalização sequer se dignou a informar a razão social (ou seja, o "nome") dos importadores, cujas operações pautaram a exigência; 2) não foi respeitado o rito procedimental previsto na Instrução Normativa SRF nº 327/2003; 3) ocorreu indevida inversão do ônus da prova, não amparada pelas regras do AVA, pois somente quando da emissão do Termo de Fiscalização nº 004, é que lhe foram apresentadas as planilhas que, segundo o fiscal afirma, referemse a importações de produtos idênticos àqueles por ele importados, sem contudo, instruir tais planilhas com os respectivos documentos comprobatórios e sem que tenha sido, em qualquer ocasião, clara e expressamente notificado acerca de quais documentos/informações – entre aqueles que tem condições materiais de obter – deveriam ter sido apresentados à fiscalização. Ainda em sede de preliminar é trazido o argumento sobre a “falta de identidade entre os produtos importados pelo autuado e os objeto de comparação pela d. fiscalização”, alegando o autuado que não é raro que “no canal direto de varejo a que eles se destinam (como o que é exercido pelas importadoras não vinculadas que atuam em lojas francas e na ZFM)” os produtos sejam adquiridos em embalagens diferenciadas e, até mesmo, "temáticas", caracterizadas como edições especiais e que “para fins do AVA, é imprescindível a comparação dos valores de produtos exatamente idênticos, assim entendidos os da mesma espécie, marca e, principalmente, capacidade e forma de Fl. 1594DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA 6 acondicionamento” e que tal como apontou, mas foi ignorado pela fiscalização “para fins de comparação de preços que resultou no presente auto de infração foram utilizados preços de produtos que, considerado o seu acondicionamento e/ou unidades por caixa, não correspondem àqueles importados pelo autuado. Logo, a condição exigida para fins da aludida comparação não foi, por óbvio, preenchida pela d. fiscalização nos autuações combatidas”. No mérito, o impugnante argui, em síntese, que: a comparação entre os valores foi efetuada sem os ajustes de quantidades e de níveis comerciais diferentes, determinados pela regulamentação em vigor; não se pode comparar o preço de venda do exportador para seu distribuidor exclusivo no Brasil, com o preço de venda para exportação praticado pelo mesmo exportador para dois varejistas (supostamente as empresas Dufry e Top International), sem os devidos ajustes do nível comercial dessas operações e das substanciais diferenças nas quantidades. apenas a diferença de volumes de caixas de uísques importados pelo distribuidor (Diageo) e pelos dois estabelecimentos importadores não vinculados, varejistas, é tão brutal, a ponto de, por si só, justificar a necessidade do ajuste de nível comercial; importou no período fiscalizado 1.525.336 (um milhão, quinhentas e vinte e cinco mil e trezentas e trinta e seis) caixas de uísque, enquanto que os dois importadores varejistas importaram em conjunto 43.750 (quarenta e três mil, setecentos e cinquenta) caixas. A diferença é abismal. Ou seja, do total de 1.567.086 de caixas, cerca de 97,21% foi importado pelo autuado e 2,79% pelos importadores não vinculados; se extrai do que dispõe o último parágrafo do item 2 ao Artigo 1 do AVA que para que sejam realizados os necessários ajustes de nível comercial que tornem possível a comparação de valores de importações efetuadas no nível de distribuidor e no nível de varejista, devem ser consideradas as elevadas despesas a que se sujeita o distribuidor para comercialização dos produtos no País; a alegação da fiscalização no sentido de que a fixação de um preço unitário menor, ou seja de um valor de transação inferior, em decorrência de despesas incorridas pelo importador posteriormente ao desembaraço aduaneiro das mercadorias nas atividades de comercialização das mercadorias deve ser tomada como uma confissão no sentido de que a formação do preço efetivamente teria sido influenciada pela vinculação entre as partes é totalmente absurda e não pode e nem deve prevalecer pelo único e simples motivo que tais despesas seriam incorridas da mesma forma, quer seja o distribuidor vinculado ao realizados os necessários ajustes de nível comercial que tornem possível a comparação de valores de importações efetuadas no nível de distribuidor e no nível de varejista, devem ser consideradas as elevadas despesas a que se sujeita o distribuidor para comercialização dos produtos no País; a alegação da fiscalização no sentido de que a fixação de um preço unitário menor, ou seja de um valor de transação inferior, em decorrência de despesas incorridas pelo importador Fl. 1595DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16561.720044/201367 Acórdão n.º 3302003.344 S3C3T2 Fl. 13 7 posteriormente ao desembaraço aduaneiro das mercadorias nas atividades de comercialização das mercadorias deve ser tomada como uma confissão no sentido de que a formação do preço efetivamente teria sido influenciada pela vinculação entre as partes é totalmente absurda e não pode e nem deve prevalecer pelo único e simples motivo que tais despesas seriam incorridas da mesma forma, quer seja o distribuidor vinculado ao exportador, quer seja o distribuidor independente, não vinculado de qualquer forma ao exportador; o Comentário 9.1, constante do Anexo à Instrução Normativa SRF n° 318/03 “examina o tratamento aplicável aos custos das atividades executadas no país de importação, no contexto do Artigo 1 e da sua Nota Interpretativa”; são exatamente essas despesas incorridas pelo distribuidor após a importação, que caracterizam a diferença de nível comercial que exige um ajuste no valor para que o preço de exportação para o distribuidor possa ser comparado com o preço de exportação para o nível comercial do varejista, que não incorre em tais despesas; exigir que a Diageo adote como valor aduaneiro o mesmo valor adotado nas exportações promovidas aos citados varejistas, além de não encontrar respaldo no AVA, inviabiliza a sua atividade do ponto de vista econômico e de todos os demais comerciantes atacadistas e varejistas que dela adquirem produtos no mercado interno; foram fornecidas todas as informações relacionadas com todo e qualquer pagamento efetuado a qualquer título ao exportador, que pudesse ser considerado direta ou indiretamente como parte de pagamento das exportações efetuadas, sem que se pudesse fazer qualquer reparo ao valor da transação nesse particular. O interessado ainda requer a realização de perícia técnica e protesta “pela posterior juntada de qualquer documento e/ou informação que venha a ser necessário à cabal elucidação dos fatos objeto da presente fiscalização”. Diante do resultado contrário, ciente, tempestivamente, sobreveio o voluntário, onde se reprisa os argumentos tecidos na fase inicial. É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, relator. Tratase de Recurso de Ofício, atende o pressuposto de admissibilidade, visto que, o valor do crédito tributário ultrapassa o valor de alçada, impondo, assim, conhecer. Fl. 1596DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA 8 O debate travado nesses autos se refere aval oração das mercadorias importadas apoiadas tãosó no fato de vinculação entre o importador e a exportação, sem o lastro em prova robusta capaz de demonstrar a existência de influência da vinculação nos preços praticados de compra e venda das mercadorias importadas. Em síntese, inferese da leitura do Termo de Verificação Fiscal, tratarse de acusação de acerto ou ajuste de preço (valor) das mercadorias exportadas/importadas, isto é, redução do valor real da transação, como se vê do trecho aqui transcrito: “Esta assertiva, por si só, pode ser tomada como uma confissão de que realmente há a influência da vinculação, entre as partes em transação, na composição dos valores de venda das mercadorias exportadas/importadas em face da capacidade das partes em reduzir o valor da transação não devido aos descontos por quantidade, mas, sim, por causa das despesas que incidem sobre a mercadoria posteriormente ao desembaraço aduaneiro, inerentes à atividade comercial exercida. O fato da Diageo Brasil Ltda suportar expressivos gastos com publicidade, propaganda, custos e despesas relativos a logística, armazenagem, distribuição transporte, registros regulatórios permite às partes arbitrariamente compor um valor adequado aos ganhos econômicos planejados para a transação de comércio internacional. Recurso este que não se coaduna com as determinações do AVA na busca do real valor praticado em uma transação de comércio exterior condizente com as práticas do comércio internacional.”. Após diversos termos de indagação do Fisco, respondidos pelo contribuinte, concluiu a existência de prática redução de preço, tomando como parâmetro outros importadores da “Diageo Brands B.V, o mesmo que exporta para a empresa Diageo Brasil Ltda., sem declinar o nome dos paradigmas, com isso elaborar planilha apontando desarmonia entre o preço pago pela Diageo Brasil e os hipotéticos importadores. Nas planilhas elaboradas, aponta que as importações das pessoas não vinculadas são superiores aos praticados entre as duas empresas vinculadas. Mesmo de posse de documento fiscal de vendas dos produtos importados (Whisky Jonnie Walker) no mercado interno pela Diageo Brasil, documento que reputo capaz de nortear no sentido de dar condição de avaliar se o preço de venda no mercado interno distância substancialmente do valor pago na compra, considerando as despesas com impostos e publicidade. Só o fato de deixar de declinar o nome das empresas importadoras sem vinculo com exportador, macula o lançamento, como se sabe é ato administrativo, assim sendo, deve obedecer aos ditames legais previsto no Decreto nº 70.235/72. Outro ponto, não há um documento fiscal dos importadores sem vinculo com o exportador capaz de atestar a suspeita da fiscalização, deixando de trazer a baile prova, afirmativa passa ser considerada presunção, o que é inaceitável. Como se sabe, o ônus de provar o vício alegado é sempre de quem alega, prevalecendo como regra geral a de que o ato jurídico celebrado entre exportador e importador encontra no campo da livre manifestação de vontade e, mais importante não se revela conduta contrária a legislação. A leitura do relatório fiscal leva a concluir tratarse de jogo de palavras, se a situação descrita existisse estaria diante de fraude na importação, não basta descrever sem Fl. 1597DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16561.720044/201367 Acórdão n.º 3302003.344 S3C3T2 Fl. 14 9 juntar amostra do que os fatos narrados aconteceram. É preciso, mas do que a descrição das supostas irregularidades, fazse necessário a reunião documental a justificar os elementos demonstrados nas planilhas de apuração do suposto tributo devido, como é de correntia sabença, cabe a fiscalização e tal incumbência não pode ser transferida a pessoa da autuada. Além do que, com razão o julgador de piso, quando constata falhas na aplicação do segundo método pela fiscalização: “Por seu turno, o autuante, por um lado, afirma em diversos trechos do seu relato que as importações tomadas como paradigma se processaram no mesmo nível comercial das que foram objeto de fiscalização5 e, por outro, procura demonstrar por meio das figuras 12 a 22, que graficamente se assemelham e podem ser exemplificadas pela fig. 13, abaixo reproduzida, que “mesmo considerando as quantidades de produtos em cada importação, a variação de preços entre os valores praticados entre as partes e os valores critério permanece não explicado qualquer elo de significância com nível comercial ou quantidade de mercadorias e mesmo com o fator tempo ou tempo aproximado”: Deixou de observar as regras do AVA a ser aplicadas quando se trata de ajuste por diferenças de nível comercial e de quantidade, matéria tratada pelos artigos 2º e 3º do AVA, bem como, em Notas Interpretativas. “O Artigo 2 e sua Nota assim estabelecem: Artigo 2 1. (a) [...]. (b) Na aplicação deste Artigo será utilizado, para estabelecer o valor aduaneiro, o valor de transação de mercadorias idênticas numa venda no mesmo nível comercial e substancialmente na mesma quantidade das mercadorias objeto de valoração. Inexistindo tal venda, será utilizado o valor de transação de mercadorias idênticas vendidas em um nível comercial diferente ou em quantidade diferente, ajustado para se levar em conta diferenças atribuíveis aos níveis comerciais e/ou às quantidades diferentes, desde que tais ajustes possam ser efetuados com base em evidência comprovada que claramente demonstre que os ajustes são razoáveis e exatos, quer conduzam a um aumento quer a uma diminuição no valor. [...]. Nota ao artigo 2 1. Na aplicação do artigo 2, a administração aduaneira se baseará, sempre que possível, numa venda de mercadorias idênticas efetuadas no mesmo nível comercial e substancialmente nas mesmas quantidades das mercadorias objeto de valoração. Inexistindo tal venda, recorrerseá a uma venda de mercadorias idênticas, efetuada de acordo com qualquer uma das três seguintes: a) uma venda no mesmo nível comercial, mas em quantidades diferentes; b) uma venda em um nível comercial diferente, mas Fl. 1598DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA 10 substancialmente nas mesmas quantidades; ou c) uma venda em um nível comercial diferente e em quantidades diferentes. 2. Existindo uma venda de acordo com qualquer uma dessas três condições, serão feitos ajustes, conforme o caso, para: a) somente fatores relativos à quantidade; b) somente fatores relativos ao nível comercial; ou c) fatores relativos ao nível comercial e à quantidade. 3. A expressão “e/ou” confere flexibilidade para utilizar as vendas e para fazer os ajustes necessários em qualquer uma das três condições descritas acima. 4. Para os fins do artigo 2, entendese por valor de transação de mercadorias importadas idênticas, um valor aduaneiro ajustado conforme as determinações dos parágrafos 1 (b) e 2 deste artigo, e que já tenha sido aceito com base no artigo 1.” Diante da inexistência de evidência capaz de justificar a mudança de método, tenho como inconsistente a constituição do crédito tributário pela ausência de comprovação da situação fática. Sendo assim, nego provimento ao Recurso de ofício. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 1599DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA
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