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Numero do processo: 35066.000947/2003-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/1999 a 31/07/2003
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE INTERESSE JURÍDICO.
Carece de interesse jurídico o pedido de autorização para compensar valores recolhidos indevidamente, uma vez que a compensação é facultada ao contribuinte, independente de prévio exame, sujeitando-se a posterior homologação o recolhimento correspondente a essa modalidade de ressarcimento.
Numero da decisão: 2402-006.591
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregorio Rechmann Junior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucciu, Luis Henrique Dias Lima, Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/1999 a 31/07/2003 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE INTERESSE JURÍDICO. Carece de interesse jurídico o pedido de autorização para compensar valores recolhidos indevidamente, uma vez que a compensação é facultada ao contribuinte, independente de prévio exame, sujeitando-se a posterior homologação o recolhimento correspondente a essa modalidade de ressarcimento.
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AUSÊNCIA DE INTERESSE JURÍDICO. Carece de interesse jurídico o pedido de autorização para compensar valores recolhidos indevidamente, uma vez que a compensação é facultada ao contribuinte, independente de prévio exame, sujeitandose a posterior homologação o recolhimento correspondente a essa modalidade de ressarcimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregorio Rechmann Junior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucciu, Luis Henrique Dias Lima, Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti e Renata Toratti Cassini. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 06 6. 00 09 47 /2 00 3- 91 Fl. 1298DF CARF MF Processo nº 35066.000947/200391 Acórdão n.º 2402006.591 S2C4T2 Fl. 1.299 2 Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até a decisão de primeira instância, reproduzo o relatório constante do Acordão nº 1226.115, da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) no Rio de Janeiro I (RJ), fls. 1.264 a 1.272: Tratase de Manifestação de Inconformidade oposta pelo contribuinte acima qualificado contra a decisão de indeferimento do Pedido de Compensação de valores recolhidos indevidamente, nas competências 01/07/1999 a 31/07/2003, no montante de R$ 75.048,68. 2. O Requerimento indeferido foi protocolizado em 06/11/2003, constando do mesmo que no período indicado o responsável pelo departamento de pessoal, visando vantagens pessoais, cadastrou de forma indevida funcionários que não faziam parte do quadro da empresa, resultando na inclusão dos mesmos nas folhas de pagamento e GFIP de tal forma que foram recolhidas as contribuições incidentes sobre as respectivas bases de cálculo. 3. Instada a se pronunciar sobre o direito creditório da Interessada, a seção de Fiscalização da Delegacia da Receita Previdenciária em Vitória — ES, decidiu pelo indeferimento do pleito, conforme Parecer de fls. 18/20, sob o fundamento de que a Interessada não tomou nenhuma providência no âmbito penal e não efetuou os estornos dos valores devidos sobre a folha de pagamento nem as retificações nas GFIP. 4. Notificada da referida decisão em 03/07/2007, a interessada peticionou ao Conselho de Recursos da Previdência Social, em 27/07/2007, fls. 23/28, requerendo o cancelamento e revisão do indeferimento de seu pedido de compensação, sob a alegação de que a retificação da contabilidade e das GFIP só poderia ser feito após a confirmação do seu direito de compensar os recolhimentos indevidos, e que os fatos narrados estariam suficientemente comprovados. Anexa cópias de RAIS, GFIP, CAGED, recibos de pagamento, folhas de pagamento, declarações, cheques, correspondências do Ministério do Trabalho, documentos da Receita Federal, relações de funcionários inexistentes levantadas pela empresa e outros, todos relativos à época dos acontecimentos relatados. 5. Em seguida, o processo tramitou, sucessivamente, pela DRJ/RJO II/SECOJ, • pelo SECAT/DRJ/VITÓRIA e pelo SEORT/DRF/VITÓRIA, de onde foi reenviado ao SERVIÇO DE FISCALIZAÇÃO da DRF/VITÓRIA — SEFIS. 6. Às fls. 618, após diligência à empresa, o Serviço de Fiscalização ratificou a decisão de indeferimento, enfatizando que a retificação das GFIP e da escrituração contábil seria necessária para a verificação da base de cálculo correta e para o confronto com os valores efetivamente recolhidos. Fl. 1299DF CARF MF Processo nº 35066.000947/200391 Acórdão n.º 2402006.591 S2C4T2 Fl. 1.300 3 7. Informado pela SEFIS, fls. 620, de que teria o prazo de 10 dias para manifestar sua inconformidade, a interessada reiterou as razões anteriormente expendidas às fls. 622/625. Ao julgar a impugnação, a 13ª Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro I (RJ), por unanimidade de votos, negou provimento à manifestação de inconformidade, conforme decisão a seguir transcrita: Vistos, relatados e discutidos os autos do processo em epígrafe, ACORDAM os membros da Turma, por unanimidade de votos, negar provimento à manifestação de inconformidade para indeferir o pedido de reconhecimento do direito creditório, nos termos do relatório e voto que este “decisum” passam a integrar. Para maior clareza quanto à decisão a quo, transcrevemos, também, a ementa consignada no Acordão nº 1226.115: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA. Carece de interesse jurídico o pedido de autorização para compensar valores recolhidos indevidamente, uma vez que a compensação é facultada ao contribuinte, independente de prévio exame, sujeitandose a posterior homologação o recolhimento correspondente a essa modalidade de ressarcimento. Cientificado da decisão, em 5/10/09, segundo o Aviso de Recebimento (AR) de fl. 1.276, o contribuinte interpôs o Recurso Voluntário de fls. 1.278 a 1.292, em 3/11/09, no qual repete as alegações já apresentadas na manifestação de inconformidade e complementa com as seguintes alegações articuladas contra a decisão ora recorrida: E, mais uma vez houve o indeferimento sob o argumento de "Carece de interesse jurídico o pedido de autorização para compensar valores recolhidos indevidamente, uma vez que a compensação é facultada ao contribuinte, independente de prévio exame, sujeitandose a posterior homologação o recolhimento correspondente a essa modalidade de ressarcimento". Ora, insiste mais uma vez a empresa contribuinte em não concordar com os termos do indeferimento, visto que em 31/12/1991, o art. 66 da Lei 8.383 (redação alterada pelo art. 58 da Lei 9.069195), atendendo à condição prevista no CTN, determinou expressamente a possibilidade de compensação de tributos da mesma espécie, [...]. [...] Por outro lado, o simples fato de fazer a compensação desses valores via SEFIP, deverá ser alterada todas as informações da GEFIP, RAIZ, CAGED, todo lançamento contábil e por conseqüência o Balanço Social da Empresa. Devemos Fl. 1300DF CARF MF Processo nº 35066.000947/200391 Acórdão n.º 2402006.591 S2C4T2 Fl. 1.301 4 considerar ainda que o sistema do SEFIP nos anos que ocorreram o ilícito era DOS e atualmente é o GRAFICO. Dessa forma, entendemos ser impossível a compensação via sistema. [...] O que se pede, em nome da sensatez e da Justiça é o reconhecimento dos valores lançados indevidamente para que possamos requerer a restituição/compensação administrativamente. Sabendo que via sistema SEFIP os valores e lançamentos de 1999 e 2000, não conseguem ser lançados, atualizados e compensadorestituídos em 2.009, sem que possam modificar os lançamentos contábeis, o balanço social da empresa, o CAGED, a RAIZ, etc. Em face do exposto, e com base nas razões acima e documentos já anexado, é que se interpõe o presente recurso, para o fim de que seja revisto o indeferimento dos pedidos de compensação/restituição na forma acima, dando integral DEFERIMENTO a esta solicitação. (Grifos no original) É o relatório. Voto Conselheiro Denny Medeiros da Silveira – Relator. Da admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto 70.235, de 6/3/72. Assim, dele tomo conhecimento. Do pedido de reconhecimento de valores supostamente recolhidos indevidamente Conforme relatado acima, a decisão de primeira instância negou provimento à manifestação de inconformidade, por carecer de interesse jurídico, uma vez que a compensação é uma faculdade do contribuinte e não depende de autorização. Segundo se extrai do recurso voluntário, o Recorrente alega que a simples compensação dos valores em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempos de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) importaria na alteração de todas as informações constantes em GFIP, RAIZ, CAGED, bem como a alteração do balanço contábil e, por consequência, do Balanço Social da empresa, sem contar o fato de que o SEFIP mudou do ambiente DOS para o GRÁFICO. Diante desse quadro, entende o Recorrente ser impossível a compensação via sistema e pede o reconhecimento dos valores supostamente recolhidos indevidamente, para que possa requerer a restituição/compensação administrativamente. Fl. 1301DF CARF MF Processo nº 35066.000947/200391 Acórdão n.º 2402006.591 S2C4T2 Fl. 1.302 5 Pois bem, segundo consta nos autos (fls. 33, 34 e 1240), em dois momentos (em 2004 e em 2007), a fiscalização informou que a empresa não teria promovido a necessária retificação dos documentos contábeis para efetuar a compensação, e agora, com o recurso, o Recorrente alega que será impossível a compensação, caso a retificação precise ser realizada. Primeiramente, há que se destacar, como bem apontado pela decisão a quo, que a administração, em regra, não emite decisões declaratórias, como o faz o Judiciário, sendo que a única exceção diz respeito às consultas formuladas de acordo com o disposto no Decreto 70.235, de 6/3/72, as quais buscam esclarecimentos sobre dispositivos da legislação tributária aplicáveis a determinados fatos, que não é o caso que ora se examina. Em segundo lugar, tanto em face da compensação realizada diretamente em GFIP quanto em face de pedido de restituição, é imprescindível a retificação das GFIPs, da folha de pagamento e da contabilidade da empresa, em que pese as dificuldades apontadas pelo Recorrente. Não há como a Administração Tributária reconhecer que determinados valores foram recolhidos indevidamente, se as GFIPs, a contabilidade e os demais documentos da empresa atestam o contrário. Também não se pode admitir a manutenção, na base de dados do Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS), de informações prestadas por meio de GFIP, sem o correspondente recolhimento. Por fim, como todas as informações contábeis da empresa, seguramente, compõem uma base de dados informatizada, não vemos como ter sido impossível a retificação das GFIPs e dos demais documentos contábeis da empresa, quando a fiscalização apontou a necessidade de tal providência. De fato, é certo que essa retificação acarretaria uma despesa e um trabalho extra para a empresa, contudo, esse é um custo que, inevitavelmente, a empresa teria que arcar por ter permitido que um empregado informasse dados inexistentes em GFIP. Conclusão Isso posto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Fl. 1302DF CARF MF
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Numero do processo: 10320.001565/2001-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.419
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Relatório Reproduzo relatório do Acórdão de Manifestação de Inconformidade: Trata o presente processo do pedido de ressarcimento/compensação de fls. 334/335, no valor de R$400.00,00. Segundo discriminado no pedido de fl. 334, que retificou o formulário de fl. 212, tratase de crédito presumido do IPI com amparo na Lei nº 9.363, de 1996, e Portaria MF nº 38, de 1997, relativamente ao 3º trimestre de 2001. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 20 .0 01 56 5/ 20 01 -3 4 Fl. 1576DF CARF MF Processo nº 10320.001565/200134 Resolução nº 3201001.419 S3C2T1 Fl. 3 2 Inicialmente, o Pedido de Ressarcimento foi formulado em nome do estabelecimento filial, detentor do CNPJ nº 42.105.890/000901, localizado no Município de São Luís, Maranhão, enquanto a matriz localizavase no estado do Rio de Janeiro. Por essa razão, diversos entendimentos sobre a competência para análise do pleito do contribuinte foram então expressos, determinando o fato a expedição de 3 (três) despachos decisórios, 3 (três) acórdãos, ultimados pelo Acórdão nº 28.667, às fls. 815/832, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora, MGDRJ/JFA/MG, em de 19/03/2010. Nesse contexto, seguiram se os encaminhamentos abaixo relatados. Definida a competência para a apreciação do pleito do contribuinte, a Diort/Derat/RJO indeferiu a solicitação sem exame do mérito (fls. 258/261), ao constatar que o pedido não fora apresentado por período trimestral, conforme legislação de regência, e também pelo fato de a empresa não ter juntado aos autos as cópias do Livro de Registro de Apuração do IPI relativas ao período de apuração do crédito e ao período do estorno do montante solicitado em ressarcimento. A partir desse ponto várias decisões foram proferidas, anulandose as decisões anteriores, sempre com ciência e manifestação do contribuinte. Nesse ínterim, a contribuinte retificou o pedido de ressarcimento (fl. 334), retificação essa que foi deferida pela DIORT/Derat/Rio de Janeiro por intermédio do Despacho Decisório de fls. 370/377, em razão do que, a partir de então, este processo deve ser tratado como pedido de compensação de débitos da matriz utilizando crédito presumido apurado pela matriz. No mesmo Despacho Decisório, embora a retificação tenha sido acatada, o direito creditório foi denegado e, conseqüentemente, a compensação não foi homologada. Contra esse último Despacho Decisório, o contribuinte apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 388/393. Solicitou, preliminarmente, a nulidade desse despacho, sob o fundamento de decurso do prazo para homologação expressa da compensação. No mérito, defendeu seu direito ao crédito presumido, não se conformando em ver seu pleito denegado em virtude dos erros formais cometidos no preenchimento dos pedidos. Com as manifestações do contribuinte, o processo foi remetido à DRJ/JFA/MG, para julgamento. Diante da retificação do pedido, o processo foi baixado em diligência com o objetivo de apurar o crédito presumido de forma centralizada, nos termos do Despacho de 436/438, mas não apurou qualquer montante do benefício. Alegouse que a Billiton Metais não poderia ser beneficiária do crédito presumido por não se enquadrar no conceito de empresa produtora e exportadora (art. 1º da Lei 9.363, de 1996), dado que a industrialização dos produtos exportados ocorreu no âmbito do Consórcio Alumar e não em estabelecimento da Billiton. Aduziu, citando representação fiscal elaborada pela DRF/Poços de Caldas/MG, que o empreendimento Alumar não poderia, segundo a legislação de regência, ser constituído sob a forma de consórcio, tratandose, em verdade, de uma sociedade de fato. Fl. 1577DF CARF MF Processo nº 10320.001565/200134 Resolução nº 3201001.419 S3C2T1 Fl. 4 3 Ao tomar ciência da informação fiscal, o contribuinte apresentou a manifestação de fls. 590/605. Em resumo, a Manifestante apresentou as seguintes alegações: i. que “o Consórcio Alumar tem por objeto um empreendimento determinado”; ii. “que o Consórcio Alumar reveste a natureza de consórcio operacional que, após a conclusão da construção do parque industrial, tem como objetivo o desenvolvimento coordenado e conjunto de uma atividade industrial de transformação de recursos minerais”; iii. que o Consórcio Alumar também atende ao requisito legal de prazo de duração determinado; iv. que a Billiton, como integrante do Consórcio Alumar, faz jus crédito presumido, pois produz e exporta mercadorias nacionais e, para isso, adquire, no mercado interno, MP, PI e ME. Retornaram os autos a esta DRJ. Sob o entendimento de que, no caso da Billiton, não haveria motivos para não enquadrála como empresa produtora e exportadora, segundo fundamentos expostos no Despacho de Diligência de fls. 646/650, o processo foi novamente encaminhado à Defic/Rio de Janeiro para que a fiscalização procedesse à apuração do crédito presumido. Em atendimento à segunda solicitação, o auditor fiscal verificou os documentos e informações apresentadas pelo contribuinte e apurou o valor do crédito presumido, segundo demonstrativo de fl. 782. Entretanto, resultou apurado montante inferior ao pleiteado em virtude, principalmente, de o auditor ter excluído as aquisições de energia elétrica e de combustíveis da base de cálculo do benefício. Devidamente cientificado da apuração elaborada pelo auditor fiscal, a contribuinte apresentou a manifestação de fls. 789/796. Desta feita, insurgiuse contra a exclusão da energia elétrica na apuração do benefício. Alegou que o alumínio é produzido mediante o processo de eletrólise, no qual a energia elétrica é consumida em ação direta sobre o produto em fabricação, incluído nessa a solicitação de perícia. Encerrado o preparo do processo, os autos retornaram a DRJ/JFA/MG para apreciação. Foi então emitido o já mencionado Acórdão nº 09 28.667, em 19/03/2010, às fls. 815/932. Por maioria de votos, o crédito presumido foi indeferido e a compensação não homologada. A relatora do voto naquele acórdão foi vencida. Foi emitido voto vencedor, tendo como redatora a presente relatora, que entendeu que o manifestante não preenchia os requisitos para a fruição do benefício, em face da descaracterização do consórcio do qual era participante. Cientificado do acórdão, o contribuinte apresentou recurso voluntário ao CARF, às fls. 841/859, tendo este resultado na emissão do Acórdão nº 310100.904, de 07/10/2011, às fls. 192/207. Decidiu o colegiado “por unanimidade, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para considerar regular a constituição do consórcio e devolver os autos do processo para apreciação das demais razões de mérito pelo órgão julgador a quo.” Fl. 1578DF CARF MF Processo nº 10320.001565/200134 Resolução nº 3201001.419 S3C2T1 Fl. 5 4 O contribuinte foi cientificado do Acórdão proferido no CARF. Os autos retornaram à DRJ/JFA/MG para novo julgamento. A DRJ/Juiz de Fora/MG – 3ª Turma, por meio do Acórdão 0955.888, de 05/12/2014, decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade e não reconheceu direito créditório. Transcrevo a ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 LEGITIMIDADE DE CRÉDITOS DE IPI. ENERGIA ELÉTRICA. A energia elétrica consumida na eletrólise não satisfaz às condições do PN CST 65/79, não devendo compor a base de cálculo do crédito presumido. Isso porque, nos termos do já mencionado parecer, para que um insumo seja enquadrado como produto intermediário é necessário que seu consumo decorra de “um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida”. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 1) CONSUMO DE CRÉDITOS MEDIANTE TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITO PRESUMIDO PARA A FILIAL. INDEFERIMENTO DO PEDIDO DE RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. 1)Ainda que reconhecido em parte o direito creditório do contribuinte sobre o crédito requerido para o trimestre, a transferência de créditos para estabelecimentos filiais resultam no indeferimento do montante de direito creditório pleiteado, pois o crédito presumido transferido deverá ser utilizado unicamente na dedução de débitos escriturais do estabelecimento beneficiário da transferência. 2) COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.RETIFICAÇÃO. Admitida a retificação da declaração de compensação, o prazo para homologação é contado a partir da data da entrega da declaração retificadora. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 PERÍCIA. AUSÊNCIA DE REQUISITOS. INDEFERIMENTO. A solicitação de perícia requer além da exposição motivos que a justifique, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, o nome, o endereço e a qualificação profissional do perito. Ausentes tais requisitos, é de se inferir a perícia requerida ((Decreto nº 70.235, de 1972, art. 16, inc. IV, com a redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993, art. 1º). Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A empresa então apresentou Recurso Voluntário, onde pede: Fl. 1579DF CARF MF Processo nº 10320.001565/200134 Resolução nº 3201001.419 S3C2T1 Fl. 6 5 o reconhecimento do direito ao crédito presumido relativo a energia elétrica, em função de sua utilização como insumo na eletrólise para fabricação do alumínio; colaciona precedente da CSRF – Câmara Superior de Recursos Fiscais nesse sentido; afirma a possibilidade de aferir a energia elétrica consumida no processo de eletrólise na produção de alumínio; a validação de seu saldo credor de crédito presumido no segundo trimestre de 2001, independentemente do resultado do processo 10320.001220/200695; que, ainda depois das transferências às filiais, restaria saldo suficiente para o ressarcimento; solicita diligência para comprovação das alegações, em caso de dúvida. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator. A súmula Carf 19 estabelece que a energia elétrica não compõe o crédito presumido de IPI sob a metodologia prevista na Lei 9.363/96: Súmula CARF nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. Todavia, no caso da produção de alumínio, a energia elétrica também funciona como insumo direto, porque um dos processos industriais é a eletrólise da alumina (Al2O3). Nesse caso, não se trata de energia para funcionamento de equipamento ou iluminação, mas de processo físicoquímico em que a eletricidade participa como elemento intrínseco e essencial, em contato físico com a matériaprima. No mesmo sentido o Acórdão CSRF/2001.292, e o Acórdão 3403002.960, dentre outros. A recorrente trouxe, no Recurso Voluntário, diversas faturas de energia elétrica, as quais alega que distinguem a energia utilizada no processo de eletrólise da alumina. Em vista da apresentação de prova exigida pela decisão recorrida, dentro da dialética processual – art. 16, §4º, “b” que possivelmente pode lastrear direito de crédito presumido, entendo que o julgamento deva ser convertido em julgamento, a fim de que o Fisco se manifeste sobre a prova referida, em especial, sobre a alegada possibilidade de que haja comprovação da energia elétrica utilizada apenas no processo físico de eletrólise da alumina, em separado de outros processos industriais, tais como aquecimento, iluminação, funcionamento de máquinas, etc, procedendo às verificações que entender cabíveis. Após, deve a recorrente ser instada a manifestarse, se o desejar, com o retorno do processo ao Carf para continuidade do julgamento . (assinatura digital) Fl. 1580DF CARF MF Processo nº 10320.001565/200134 Resolução nº 3201001.419 S3C2T1 Fl. 7 6 Marcelo Giovani Vieira Relator Fl. 1581DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.006598/2008-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
Ementa:
IRPJ. LUCRO PRESUMIDO. SERVIÇOS HOSPITALARES. DEFINIÇÃO DE
REQUISITOS. SOCIEDADE EMPRESÁRIA. ALCANCE DE ATOS NORMATIVOS E INTERPRETATIVOS. LIMITES LEGAIS.
Não tem como prosperar o lançamento que se baseou em instruções
normativas que foram além do seu poder regulamentar e de ato declaratório interpretativo que alterou o alcance da norma interpretada, ao estabelecer requisito de que o prestador de serviços seja constituído por empresário ou sob a forma de sociedade empresária, com vista à definição do percentual
para apuração da base de cálculo do Lucro Presumido. Aplicação ao caso concreto o novo entendimento do Fisco, exarado por meio do ADI RFB n° 19/2007.
CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO. SERVIÇOS HOSPITALARES. DEFINIÇÃO
DE REQUISITOS. SOCIEDADE EMPRESÁRIA. ALCANCE DE ATOS
NORMATIVOS E INTERPRETATIVOS. LIMITES LEGAIS.
Por se constituírem infrações decorrentes e vinculadas, aplica-se
ao lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL,
as conclusões atinentes ao IRPJ. Não subsiste o lançamento das diferenças da contribuição decorrente da aplicação do percentual de 32% para a apuração da base de cálculo, nos termos do art. 20 da Lei nº 9249/1995, amparado em instruções normativas que foram além do seu poder regulamentar e de ato declaratório interpretativo que alterou o alcance da norma interpretada.
Aplicação ao caso concreto o novo entendimento do Fisco, exarado por meio do ADI RFB n° 19/2007.
Numero da decisão: 1302-000.885
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Luiz Tadeu Matosinho Machado
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 Ementa: IRPJ. LUCRO PRESUMIDO. SERVIÇOS HOSPITALARES. DEFINIÇÃO DE REQUISITOS. SOCIEDADE EMPRESÁRIA. ALCANCE DE ATOS NORMATIVOS E INTERPRETATIVOS. LIMITES LEGAIS. Não tem como prosperar o lançamento que se baseou em instruções normativas que foram além do seu poder regulamentar e de ato declaratório interpretativo que alterou o alcance da norma interpretada, ao estabelecer requisito de que o prestador de serviços seja constituído por empresário ou sob a forma de sociedade empresária, com vista à definição do percentual para apuração da base de cálculo do Lucro Presumido. Aplicação ao caso concreto o novo entendimento do Fisco, exarado por meio do ADI RFB n° 19/2007. CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO. SERVIÇOS HOSPITALARES. DEFINIÇÃO DE REQUISITOS. SOCIEDADE EMPRESÁRIA. ALCANCE DE ATOS NORMATIVOS E INTERPRETATIVOS. LIMITES LEGAIS. Por se constituírem infrações decorrentes e vinculadas, aplica-se ao lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, as conclusões atinentes ao IRPJ. Não subsiste o lançamento das diferenças da contribuição decorrente da aplicação do percentual de 32% para a apuração da base de cálculo, nos termos do art. 20 da Lei nº 9249/1995, amparado em instruções normativas que foram além do seu poder regulamentar e de ato declaratório interpretativo que alterou o alcance da norma interpretada. Aplicação ao caso concreto o novo entendimento do Fisco, exarado por meio do ADI RFB n° 19/2007.
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LUCRO PRESUMIDO. SERVIÇOS HOSPITALARES. DEFINIÇÃO DE REQUISITOS. SOCIEDADE EMPRESÁRIA. ALCANCE DE ATOS NORMATIVOS E INTERPRETATIVOS. LIMITES LEGAIS. Não tem como prosperar o lançamento que se baseou em instruções normativas que foram além do seu poder regulamentar e de ato declaratório interpretativo que alterou o alcance da norma interpretada, ao estabelecer requisito de que o prestador de serviços seja constituído por empresário ou sob a forma de sociedade empresária, com vista à definição do percentual para apuração da base de cálculo do Lucro Presumido. Aplicação ao caso concreto o novo entendimento do Fisco, exarado por meio do ADI RFB n° 19/2007. CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO. SERVIÇOS HOSPITALARES. DEFINIÇÃO DE REQUISITOS. SOCIEDADE EMPRESÁRIA. ALCANCE DE ATOS NORMATIVOS E INTERPRETATIVOS. LIMITES LEGAIS. Por se constituírem infrações decorrentes e vinculadas, aplicase ao lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, as conclusões atinentes ao IRPJ. Não subsiste o lançamento das diferenças da contribuição decorrente da aplicação do percentual de 32% para a apuração da base de cálculo, nos termos do art. 20 da Lei nº 9249/1995, amparado em instruções normativas que foram além do seu poder regulamentar e de ato declaratório interpretativo que alterou o alcance da norma interpretada. Aplicação ao caso concreto o novo entendimento do Fisco, exarado por meio do ADI RFB n° 19/2007. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16 /04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11080.006598/200880 Acórdão n.º 130200.885 S1C3T2 Fl. 155 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator. Marcos Rodrigues de Mello Presidente. Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Waldir Veiga Rocha, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e João Carlos de Figueiredo Neto. Relatório Tratase de lançamentos de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, dos anoscalendário 2004 a 2006, no valor total de R$ 1.327.549,04, incluindo o principal, multa de ofício e juros de mora atualizados até 30/05/2008, efetuados por meio dos Autos de Infração lavrados em 06/06/2008 (fls. 124/142). Os lançamentos efetuados decorreram da verificação de diferenças não recolhidas de IRPJ e de CSLL em virtude da aplicação de coeficientes de presunção incorretos pelo sujeito passivo, assim descritos no acórdão recorrido: O contribuinte apurou as bases de cálculo na modalidade de lucro presumido com a utilização de coeficientes de 8% (IRPJ) e 12% (CSLL), por se considerar prestador de serviços hospitalares, quando deveria ter utilizado o coeficiente de 32% para ambos os tributos, já que não atendia requisito essencial para tal enquadramento, qual seja, ser empresário ou sociedade empresária. A autoridade fiscal verificou que o contribuinte adotou a forma de sociedade simples conforme contrato social e alterações arquivados no Serviço de Registro Civil das Pessoas Jurídicas de Porto Alegre (14 a 23). Os cálculos das diferenças dos tributos constam da planilha à f. 119, que integra o PAF. A interessada tomou ciência dos lançamentos em 09/06/2008, tendo apresentado impugnação tempestiva em 04/07/2008 (fls. 145/161), cujos argumentos foram assim resumidos no acórdão de primeiro grau: • Tem seu contrato social arquivado no Registro Civil em cumprimento a exigência imposta pelo Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (CREMERS) na Resolução 133/80, bem assim em virtude da Resolução n° 1246/88, que determina que a medicina não pode ser exercida como comércio. Seus registros foram feitos de acordo com a legislação vigente à época de sua constituição; • O ADI SRF n° 18/2003 inovou, criando mandamento não previsto na Lei n° 9.249/95. A interpretação inspirada no novo Código Civil não poder prejudicar direito préexistente do contribuinte, que tinha seus atos constitutivos em perfeita consonância com o ordenamento jurídico vigente à época; • O referido ADI extrapolou o texto legal, violando os princípios constitucionais da legalidade e hierarquia das leis; Fl. 212DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16 /04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11080.006598/200880 Acórdão n.º 130200.885 S1C3T2 Fl. 156 3 • A legislação infralegal vigente atualmente, IN RFB n° 791/22007 tornou o registro comercial irrelevante para caracterizar a natureza hospitalar dos serviços prestados, retornando aos limites estabelecidos em lei; • O ato normativo só pode ser explicativo ou regulamentar, mas não criador de obrigações inexistentes na lei; • O requisito exigido pelo Fisco é irrelevante para caracterizar a natureza hospitalar dos seus serviços. O próprio Fisco não teve dúvidas sobre todos os demais aspectos fáticos e jurídicos relacionados à atividade empresarial desenvolvida pela empresa, pois nada apontou em relação a isso. A Segunda Turma de Julgamento da DRJBrasília decidiu pela improcedência do lançamento, proferindo o Acórdão nº 0336.812, de 07/05/2010 (fls. 175/187), com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006. SERVIÇOS HOSPITALARES. SOCIEDADE EMPRESARIA. REQUISITO INEXISTENTE. Os efeitos do ADI RFB n° 19/2007 retroagem à data em que a Lei n° 9.249/95 entrou em vigor, haja vista ser ato normativo interpretativo desta lei. Neste ADI não está presente o requisito de que o contribuinte seja sociedade empresária para que os serviços por si prestados sejam considerados hospitalares e, por conseguinte, a receita decorrente seja submetida ao coeficiente de presunção de 8%, ao invés de 32% fixado para os prestadores de serviços em geral. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004, 2005, 2006. SERVIÇOS HOSPITALARES. SOCIEDADE EMPRESARIA. REQUISITO INEXISTENTE. Os efeitos do ADI RFB n° 19/2007 retroagem à data em que a Lei n° 9.249/95 entrou em vigor, haja vista ser ato normativo interpretativo desta lei. Neste ADI não está presente o requisito de que o contribuinte seja sociedade empresária para que os serviços por si prestados sejam considerados hospitalares e, por conseguinte, a receita decorrente seja submetida ao coeficiente de presunção de 12%, ao invés de 32% fixado para os prestadores de serviços em geral. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Fl. 213DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16 /04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11080.006598/200880 Acórdão n.º 130200.885 S1C3T2 Fl. 157 4 O relator do acórdão analisou uma série de atos administrativos editados pela Secretaria da Receita Federal em face do art. 15 da Lei 9.249/1995, que disciplina a matéria objeto da autuação, em especial o Ato Declaratório Interpretativo RFB nº 19/2007, para concluir que tais atos se inserem entre aqueles previstos no art. 100, inc. I do Código Tributário Nacional. Em relação ao citado ADI nº 19/2007, o voto condutor do acórdão destacou uma característica adicional, quanto à sua aplicação no tempo, in verbis: Contudo, não obstante ser ato normativo, o ADI possui uma característica adicional que o diferencia da instrução normativa, qual seja, o caráter interpretativo, consoante a já mencionada Portaria SRF n° 001 (Anexo I): Interpreta, de forma genérica, dispositivos da legislação tributária e aduaneira atinente à competência da Secretaria da Receita Federal. Sendo atos normativos, os ADI são normas complementares às leis, entrando em vigor na data de sua publicação de acordo com o explanado acima. Mas no que se refere ao seu alcance, por serem expressamente interpretativos, conforme consta de sua própria designação, aplicamse também a fatos geradores anteriores à sua entrada em vigor. Ao interpretar a lei tributária (ou outra norma inferior), dizendo o que determinado dispositivo estabeleceu, a autoridade administrativa está indicando ao administrado que, desde sempre, ou melhor, desde que a norma entrou em vigor, a interpretação dada pela Administração é aquela expressa no ADI. O Parecer Normativo Cosit n° 5/94, ao estudar a eficácia dos Pareceres Normativos e dos Atos Declaratórios Normativos no tempo, esclareceu que ela "retroage ao momento em que a norma por eles interpretada começou a produzir efeitos". Tais atos administrativos deixaram de existir com a edição da Portaria SRF n° 001/2001 antes mencionada, sendo substituídos em sua função e alcance (erga omnes) pelo Ato Declaratório Interpretativo. Enfim, diferentemente das IN, cujos efeitos são ex nunc, há que se considerar que os ADI possuem efeitos ex tunc, ainda que sejam, ambos, atos normativos. O relator do acórdão passa então a analisar os atos normativos editados e sua aplicação no tempo, in verbis: Amparado neste entendimento, dou seguimento à análise quanto à aplicação no tempo dos atos normativos expedidos pelo Secretário da Receita Federal para tratar da expressão serviços hospitalares para fins de aplicação do art. 15, §1°, III, "a" da Lei n° 9.249/95. Com a edição de tal dispositivo legal, estabeleceuse que as receitas provenientes de serviços hospitalares estariam sujeitas ao coeficiente de presunção de 8% (12%) para fins de apuração do IRPJ sobre base de cálculo presumida (CSLL art. 20 da Lei n° 9.249/95 com redação da Lei n° 10.684/2003) (CSLL art. 20 da Lei n° 9.249/95 com redação da Lei n° 10.684/2003), excepcionando este tipo de serviço da regra geral fixada para prestação de serviços em geral, cujo percentual de presunção é de 32%. Contudo, o que seriam tais serviços hospitalares, qual o alcance desta expressão? A Receita Federal somente veio normatizar o que seriam serviços hospitalares por meio da IN SRF n° 306/2003. Até então, para aplicação da lei era Fl. 214DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16 /04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11080.006598/200880 Acórdão n.º 130200.885 S1C3T2 Fl. 158 5 necessário recorrer a ao arcabouço regulamentar dos órgãos públicos com atuação na área da saúde. Com o advento do referido ato normativo, apenas as receitas provenientes dos serviços efetuados nas condições por ela detalhadas faziam jus ao coeficiente de 8%. Posteriormente, ainda no ano 2003, foi expedido o ADI SRF n° 18, que, conforme seu enunciado, visou interpretar o disposto na IN SRF n° 306, especificamente em relação ao que seria empresário e sociedade empresária. O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF n° 259, de 24 de agosto de 2001, e considerando o que dispõe o art. 23 da Instrução Normativa SRF n° 306. de 12 de março de 2003 e o Processo n° 13819.000897/9921, declara: (grifei) Em vista disso, cabe considerar que o disposto no referido ADI teve aplicação desde a entrada em vigor da IN SRF n° 306. Posteriormente, em 15/12/2004, foi expedida a IN SRF n° 480 para definir o que seriam os serviços hospitalares previstos na lei. Esta norma revogou expressamente a IN SRF 306. Então, a partir daquele momento, ou seja, para os fatos geradores ocorridos a partir daquele momento, a aplicação do coeficiente de 8% estava sujeito às regras nela estabelecidas. Frisese que os efeitos da IN SRF n° 480 não se aplicaram retroativamente por não ser ato interpretativo. Esta instrução normativa teve sua redação alterada pela IN SRF n° 539 de 25/04/2005, passando a vigorar, a partir daquele momento, para fins de identificação do que seriam serviços hospitalares, o novo regramento estabelecido. Mais uma vez é devido ressaltar que este novo regramento não teve efeitos retroativos aos períodos abrangidos pelas IN SRF n° 306 e 480, vez que não constou de ato normativo interpretativo. Até aí, em que pese a mudança constante da normatização do que seria serviços hospitalares, não resta qualquer dúvida de que para determinar o coeficiente de presunção aplicável bastava verificar o ato normativo vigente quando da ocorrência do fato gerador, sem qualquer efeito retroativo das instruções normativas consecutivas. Como o ADI n° 18 interpretou a IN SRF nº 306, produziu efeitos relativamente ao mesmo período da IN. A dificuldade surge com a edição do ADI RFB n° 19, em 07/12/2007. Conforme já deixei claro anteriormente no voto, tal ato administrativo esclarece qual a interpretação a ser dada à norma a que faz referência desde sua origem. No caso, o referido ADI, em seu enunciado, deixa cristalino que a norma interpretada foi a própria lei. Não faz qualquer menção a instrução normativa anterior. SECRETARIO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 224 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF n° 95, de 30 de abril de 2007, e tendo em vista o disposto no art. 15, da Lei n" 9.249. de 26 de dezembro de 1995. e o que consta do processo n° 10168.004798/200794, declara: (grifei) Fl. 215DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16 /04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11080.006598/200880 Acórdão n.º 130200.885 S1C3T2 Fl. 159 6 A conseqüência disso é considerar que os serviços hospitalares para fins de aplicação do coeficiente de 8% (12% CSLL) deve ser entendido, desde a entrada em vigor da lei, na forma como indicada no referido ADI. Ou seja, o Administrador fez uma verdadeira "faxina" de toda a normatização anterior, afirmando que desde a origem o seu entendimento foi este. Logo em seguida, três dias após, foi expedida a IN RFB n° 791, de 10/12/2007, que aproveitou integralmente a definição contida no ADI RFB n° 19, para alterar a definição contida na IN SRF nº 480, que já tinha alterada pela IN SRF nº 539. Aparentemente, porque a este julgador não é possível extrair a real intenção da autoridade administrativa, o objetivo do ADI foi de "limpar" o passado, representado por diversas normas expedidas para tratar de mesmo assunto, o que tanto provocou consultas e divergências de aplicação dentro do órgão, estabelecendo um posicionamento único, aplicável desde a origem da lei. A simples expedição da IN RFB n° 791 não alcançaria o efeito produzido pelo ADI, pois teria aplicação apenas para fatos geradores posteriores à sua entrada em vigor. Diante do exposto, resta claro que os lançamentos realizados posteriormente à publicação do ADI RFB n° 19, referentes tanto a períodos de apuração anteriores à sua entrada em vigor, quanto a posteriores, devem seguir suas instruções para identificar se as atividades da empresa se enquadravam como serviços hospitalares para fins de aplicação da Lei n° 9.249/95. Em assim procedendo, o lançamento impugnado será considerado procedente se comprovado nos autos que o contribuinte não se subsume efetivamente às condições do ADI. (...) Por fim, na análise de mérito, o acórdão recorrido traz a seguinte fundamentação para a sua conclusão: Da apreciação da motivação dos lançamentos impugnados Feito o estudo da legislação tributária pertinente, imprescindível para a solução do litígio, passo a apreciar as razões do lançamento, bem assim, de defesa do contribuinte. Conforme já resumido no relatório que acompanha este voto, a autoridade fiscal autuou o sujeito passivo por considerar que ele adotou indevidamente o coeficiente de presunção de 8% (e 12% para CSLL) para a determinação da base de cálculo do IRPJ, ao invés de aplicar o coeficiente de 32%, haja vista que não atendeu, no seu entendimento, requisito estabelecido na legislação tributária para que os serviços prestados fossem considerados como serviços hospitalares: ser empresário ou sociedade empresária. A autoridade fiscal esclareceu que o contribuinte adotou a forma de sociedade simples, consoante contrato social e alterações arquivados no Serviço de Registro Civil das Pessoas Jurídicas de Porto Alegre (fl. 14/23), descumprindo a condição fixada no ADI SRF n° 18/2003, na IN SRF n° 480/2004, com redação da IN SRF n° 539/2005. Entre outros argumentos, o sujeito passivo argumentou que a regulamentação infralegal vigente atualmente (IN RFB n° 791/2007) não mais contempla a condição imposta pelo ADI |SRF n° 18/2003, deixando claro que a autoridade Fl. 216DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16 /04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11080.006598/200880 Acórdão n.º 130200.885 S1C3T2 Fl. 160 7 administrativa revisou e corrigiu seu entendimento equivocado de exigir uma condição não estabelecida em lei para fazer jus ao coeficiente de presunção de 8% (12%). Em função das conclusões alcançadas no tópico relativo ao estudo da legislação pertinente à matéria do lançamento, tornase necessário transcrever o teor do ADI n° 19/2007, aplicável aos fatos geradores objetos dos lançamentos (anos calendário 2004 a 2006): Artigo Único. Para efeito de enquadramento no conceito de serviços hospitalares, a que se refere o art. 15, § 1° inciso III, alínea "a", da Lei n" 9.249, de 26 de dezembro de 1995, os estabelecimentos assistenciais de saúde devem dispor de estrutura material e de pessoal destinada a atender a internação de pacientes, garantir atendimento básico de diagnóstico e tratamento, com equipe clínica organizada e com prova de admissão e assistência permanente prestada por médicos, possuir serviços de enfermagem e atendimento terapêutico direto ao paciente, durante 24 horas, com disponibilidade de serviços de laboratório e radiologia, serviços de cirurgia e/ou parto, bem como registros médicos organizados para a rápida observação e acompanhamento dos casos. Parágrafo único. São também considerados serviços hospitalares os serviços préhospitalares, prestados na área de urgência, realizados por meio de UTI móvel, instaladas em ambulâncias de suporte avançado (Tipo "D") ou em aeronave de suporte médico (Tipo "E"), bem como os serviços de emergências médicas, realizados por meio de, UTI móvel, instaladas em ambulâncias classificadas nos Tipos "A", "B", "C" e "F", que possuam médicos e equipamentos que possibilitem oferecer ao paciente suporte avançado de vida. Extraise que a exigência de que o prestador de serviços seja empresário ou sociedade empresária, contida nos atos normativos anteriormente expedidos, não está presente na redação do ADI. Tal redação, conforme dito, foi mantida na ultima instrução emitida sobre o assunto, a IN RFB n° 791//2007. Isto significa dizer que, consoante interpretação expressa da Receita Federal, desde a entrada em vigor do art. 15, III, "a" da Lei n° 9.249/95 não havia tal condição para que o prestador de serviço hospitalar aplicasse o coeficiente de 8% (12%) na determinação do lucro presumido. Somente com o advento da Lei n° 11.727/2008 esta exigência passou a existir cumulativamente ao atendimento das condições estabelecidas na IN RFB n° 791/2007 para enquadramento como serviço hospitalar. Uma vez que a redação dada por esta lei ao art. 15 da Lei n° 9.249/95 somente entrou em vigor a' partir de 01/01/2009, há que se considerar que a exigência do prestador do serviço ser sociedade empresária não se aplica aos períodos de apuração abrangidos pelos lançamentos. Salientese que a própria inclusão em lei de que o prestador de serviço deve ser sociedade empresária demonstra que a Administração entendia que tal condição não existia anteriormente. Não fosse assim, não seria necessária esta menção expressa. Então, uma vez que a única motivação dos lançamentos foi o fato do contribuinte ser sociedade simples e não sociedade empresária, condição inexistente para caracterização dos serviços prestados como hospitalares segundo interpretação da Administração, há que se considerar que o sujeito passivo fazia jus aos Fl. 217DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16 /04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11080.006598/200880 Acórdão n.º 130200.885 S1C3T2 Fl. 161 8 coeficientes de 8% e de 12% para a determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, respectivamente, nos períodos de apuração objetos dos autos de infração, consoante disposições contidas nos art. 15, § Io, III, "a", e 20 da Lei n° 9.249/95 (sendo o art. 20 com redação da Lei n° 10.684/2003). Os lançamentos são, pois, improcedentes. A interessada foi cientificada da decisão de primeira instância em 04/06/2010 (fls. 189). O presidente da Segunda Turma da DRJBrasília recorreu de ofício a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, na mesma data do acórdão, com base no art. 34 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de1997, e Portaria MF n° 3, de 3 de janeiro de 2008. É o relatório. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16 /04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11080.006598/200880 Acórdão n.º 130200.885 S1C3T2 Fl. 162 9 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Passo a apreciar o recurso de ofício, nos termos do inc. I do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972. Entendo que a decisão de primeira instância merece ser mantida, neste caso. Senão vejamos. 1. Dos requisitos legais para a caracterização dos Serviços Hospitalares. A tributação dos serviços hospitalares pelo lucro presumido foi estabelecida pela alínea a do inc.III do art. 15 da Lei 9.249/1995, in verbis: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. (...) III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; Em suas regulamentações a Receita Federal estabeleceu ao longo do tempo diversas condições para a tributação dos serviços hospitalares mediante apuração da base de cálculo pelo percentual base de 8%. Ocorre que a administração tributária, no caso, extrapolou ao seu poder regulamentar ao estabelecer em suas instruções normativas e atos declaratórios interpretativos condições não previstas em lei. Com efeito, além, de definir as espécies de serviços suscetíveis ao tratamento tributário específico dos serviços hospitalares (BC: 8%), a norma infralegal fixou ainda a condição de que os estabelecimentos fossem constituídos por empresários ou sociedades empresárias. Ora, a exigência de tal condição exorbitou o poder regulamentar da administração tributária. As Instruções Normativas “constituem espécies jurídicas de caráter secundário, cuja validade e eficácia resultam, imediatamente, de sua estrita observância dos limites impostos pelas leis. De conseqüência, à luz dos art. 97 e 99 do Código Tributário Fl. 219DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16 /04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11080.006598/200880 Acórdão n.º 130200.885 S1C3T2 Fl. 163 10 Nacional, Instruções Normativas não podem modificar Lei a pretexto de estarem regulando... (STJ, 1ª T., REsp 1109034/PR, BENEDITO GONÇALVES, abr/09)”. 1 Por seu turno, os Atos Declaratórios Interpretativos “são normas complementares à lei, não podendo, por questão lógica, ir além desta. Visam apenas dirimir dúvida quanto a interpretação da legislação tributária, não podendo sob qualquer hipótese alterar o conteúdo e alcance da norma interpretada. Assim sendo, os Atos Declaratórios Interpretativos, previstos no Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal como ato administrativo de caráter normativo (art. 230, inc. III) não possuem caráter constitutivo, ou seja, não podem criar, modificar ou extinguir obrigação tributária, a qual é passível de constituição apenas por lei. São atos hierarquicamente inferiores não só a CF e à lê (sic), mas também aos decretos executivos. (...) O Ato Declaratório Interpretativo, apesar de ter caráter meramente explicitador, representa o entendimento da Secretaria da Receita Federal (hoje Receita Federal do Brasil) sobre a aplicação da norma interpretada e tem força normativa a medida em que se trata de uma norma complementar (CTN, art. 100).” 2 Assim, não tem como prosperar o lançamento que se baseou em instruções normativas que foram além do seu poder regulamentar e de ato declaratório interpretativo que alterou o alcance da norma interpretada. Com efeito, o lançamento fiscal foi fundamentado pela autoridade lançadora, conforme seu Relatório da Ação Fiscal (fls. 122), nas disposições do ADI nº 18/2003 e das IN.SRF nº 480/2004 e 539/2005, in verbis: Por esse motivo, o contribuinte não atende ao requisito constante no artigo 1° do Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 18, de 23 de outubro de 2003 c no artigo 27 da Instrução Normativa SRF n° 480, de 15 de dezembro de 2004, com redação dada pelo artigo I° da Instrução Normativa SRF n° 539 de 25 de abril de 2005, uma vez que não se caracteriza como sociedade empresária, sendolhe vedada, portanto, a utilização do percentual diferenciado para apuração dos tributos na modalidade do lucro presumido. Assim sendo, resta obrigado o contribuinte a efetuar o cálculo do IRPJ e da CSLL na modalidade do lucro presumido pela mesma regra aplicável aos prestadores de serviços em geral, ou seja, aplicando o Percentual de 32% sobre a receita bruta para o IRPJ e o percentual de 32% sobre a receita bruta para a CSLL. Além disso, com bem ressaltado no voto condutor da decisão recorrido, a própria administração reviu sua interpretação por meio do ADI nº 19/2007, e modificou a sua regulamentação por meio da IN.RFB nº 791/2007, excluindo das condições exigidas a de que o estabelecimento de saúde seja constituído por empresário ou sob a forma de sociedade empresária. 1 in PAULSEN Leandro, Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência, 13ª Ed, 2011, p. 889/890. 2 (MARTINS, Ives Gandra da Silva; MARTINS, Rogério L. Vidal Gandra da Silva; LOCATELLI, Soraya David Monteiro. O Ato Declaratório Interpretativo SRF 02/07 e as Consequências Tributárias do Rateio das Receitas Decorrentes da Utilização de Áreas Comuns de Condomínios." RDDT174/53, mar/2010), in PAULSEN Leandro, op cit, p. 890/891. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16 /04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11080.006598/200880 Acórdão n.º 130200.885 S1C3T2 Fl. 164 11 Se a referida IN produz efeitos apenas a partir de sua edição, o ADI, como norma interpretativa, retroage seus efeitos à data de entrada em vigência do dispositivo legal. Há, ainda, que se observar que o inc. III do art. 15 da Lei nº 9.249/1995 foi modificado pela Lei nº 11.727/2008, estabelecendo novas condições para o tratamento dos serviços hospitalares, entre elas a de que a prestadora de serviços esteja organizada sob a forma de sociedade empresária, in verbis: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. (...) III trinta e dois por cento, para as atividades de a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (grifei) Tal alteração, contudo, somente produziu efeitos a partir de 01/01/2009, consoante art. 41 da lei que deu a nova redação, não se aplicando ao presente caso. Por fim, não há qualquer menção no Relatório de Ação Fiscal e nos autos de não atendimento a outros requisitos legais ou normativos. Ante ao exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício, no que concerne ao lançamento do IRPJ. 2. Lançamentos Reflexos Por se constituírem infrações decorrentes e vinculadas, aplicase ao lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, as conclusões atinentes ao IRPJ, na medida em que a autoridade fiscal efetuou, indevidamente, o lançamento das diferenças da referida contribuição, aplicando o percentual de 32% para a apuração da base de cálculo, nos termos do art. 20 da Lei nº 9249/1995, in verbis: Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do anocalendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois Fl. 221DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16 /04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11080.006598/200880 Acórdão n.º 130200.885 S1C3T2 Fl. 165 12 por cento. (Redação dada Lei nº 10.684, de 2003) (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) (Vide Lei nº 11.119, de 205). (grifei) Assim, nego também provimento ao recurso de ofício quanto ao cancelamento dos lançamentos da CSLL, nos termos examinados em relação ao lançamento do IRPJ. Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator Fl. 222DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16 /04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Numero do processo: 10880.909474/2008-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (PER/DCOMP). PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.
Constatada a existência de crédito não utilizado, disponível nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, deve-se homologar a compensação declarada. Eventual falha de sistema da Receita Federal no encontro de débito declarado e crédito por pagamento, não pode servir para penalizar o contribuinte.
Numero da decisão: 3401-005.188
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer o crédito suficiente à homologação da compensação.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (PER/DCOMP). PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Constatada a existência de crédito não utilizado, disponível nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, deve-se homologar a compensação declarada. Eventual falha de sistema da Receita Federal no encontro de débito declarado e crédito por pagamento, não pode servir para penalizar o contribuinte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer o crédito suficiente à homologação da compensação. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Constatada a existência de crédito não utilizado, disponível nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, devese homologar a compensação declarada. Eventual falha de sistema da Receita Federal no encontro de débito declarado e crédito por pagamento, não pode servir para penalizar o contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer o crédito suficiente à homologação da compensação. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 94 74 /2 00 8- 70 Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10880.909474/200870 Acórdão n.º 3401005.188 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratam os autos de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 11ª Turma da DRJ/SP1, que não reconheceu em parte o direito creditório, considerando parcialmente procedente a Manifestação de Inconformidade. Dos fatos O Contribuinte, na data de 15/12/2003, transmitiu PER/DCOMP nº 06748.84712.151203.1.3.040730 declarando a compensação de débito de COFINS no valor de R$ 5.385,86 do período de apuração 11/2003, com crédito de PIS/PASEP recolhido a maior que o devido através de DARF da competência 03/2003, na data de 15/04/2003. Do Despacho Decisório A DERAT São Paulo, em apreciação ao pleito da contribuinte proferiu Despacho Decisório na data de 12/08/2008 (eFls.2), pela não homologação da compensação declarada, argumentando que: Da Manifestação de Inconformidade Não satisfeito com a resposta, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade (efls.12), requerendo a extinção do crédito tributário objeto da compensação sob análise, demonstrando e comprovando que há a disponibilidade do crédito utilizado: a) que realizou o pagamento via DARF (efls.51/52) de contribuição para o PIS/PASEP cód. 6912, no valor de R$ 14.930,06 na data de 15/04/2003 do Período de Apuração 31/03/2003; b) que na data de 08/11/2003 apresentou DCTF retificadora para o período 1º Trimestre/2003 (efls.53), declarando um débito apurado de PIS – Faturamento para o Período 03/2003 no valor de R$ 856,22; c) na data (07/11//2003), transmitiu Dcomp nº 28896.99931.071103.1.3.040939 vinculando o débito de valor R$ 856,22 com o crédito de R$ 14.930,06 o que seria desnecessário, bastando vincular o pagamento via DARF ao débito declarado; d) junta como prova, além da DCTF retificadora, demonstrativos contábeis (livro razão – efls.103 a 107) que Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10880.909474/200870 Acórdão n.º 3401005.188 S3C4T1 Fl. 4 3 atestam a procedência do crédito utilizado; e) pede considerações ao fato da recentíssima aprovação, à época, do programa na versão 1.1 da PER/DCOMP, através da IN SRF nº 360, de 24/09/2003, quando muitas dúvidas gravitaram em torno desse procedimento; f) tratandose de erro formal, pela desnecessária apresentação de PER/DCOMP nº 28896.99931.071103.1.3.04 0939, deve prevalecer o princípio da verdade material, como se depreende de diversos julgados do CARF e também, do Poder Judiciário. Do Julgamento de Primeiro Grau Encaminhado os autos à 11ª Turma da DRJ/SP1, esta julgou improcedente em parte a manifestação de inconformidade. Trata inicialmente, no voto, da compensação como modalidade de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156, inciso II da Lei 5.172/1966 (CTN), mas somente com crédito líquido e certo do contribuinte (art.170CTN). Destacase da decisão de piso a seguinte parte: Entretanto, do exame das arguições trazidas pela interessada, e conforme pesquisa no sistema de interesse da RFB (SIEFWEB), fls. 147/154, verificase que o Despacho Decisório apresenta inconsistência, no que se refere à demonstração da utilização da importância correspondente ao DARF, como segue: Analisando a utilização do pagamento promovido através do DARF número de pagamento 3826016938, verificase que é pagamento sem alocações, ou seja, o saldo de crédito disponível, em valor originário, corresponde ao valor total do DARF, R$ 14.930,06 (data da arrecadação 15/04/2003). Verificase que o sistema bloqueou o valor de R$ 1.009,11, para a DCOMP 28896.99931.071103.1.3.040939, transmitida em 07/11/2003, para a qual houve a homologação total, encontrandose na situação “HOMOLOGAÇÃO TOTAL”, homologação concluída; No demonstrativo da utilização do crédito para a DCOMP 28896.99931.071103.1.3.040939 (fl. 149) temse que: Valor pleiteado = R$ 14.930,06 Saldo Disponível antes da utilização = R$ 14.930,06 Valor utilizado = R$ 1.009,11 Saldo disponível após utilização = R$ 13.920,95 (saldo em valor originário) Tal situação, por si só, indicava a existência de saldo remanescente, passível de aproveitamento em declarações supervenientes; Neste ponto, deve ser destacado que o Contribuinte, nos cálculos apresentados, não levou em conta que o débito declarado na DCOMP 28896.99931.071103.1.3.040939, com data de vencimento em 15/04/2003, deveria ser atualizado até a data de transmissão desta DCOMP (07/11/2003), com acréscimos dos juros e multa de mora; Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10880.909474/200870 Acórdão n.º 3401005.188 S3C4T1 Fl. 5 4 É de se destacar que o entendimento passado no voto do acórdão recorrido, teve por base os artigos 28 e 38 da Instrução Normativa SRF nº 210, de 30/09/2002, com a redação dada pela IN SRF nº 323/2003. Do Recurso Voluntário O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário (fls.174) contra a decisão de primeira instância administrativa, com o intuito de ver seu pedido atendido, reforça as razões trazidas em sua Manifestação de Inconformidade, esclarecendo que: “... considerando que o crédito da Recorrente referese ao pagamento a maior e/ou indevido de PIS (PA 03/03), afigurase irregular os acréscimos a titulo de juros e multa ao débito declarado no PER/ DCOMP 28896.99931.071103.1.3.040939, uma vez que o crédito nasceu anteriormente ao débito compensado. Os juros indenizam a mora, enquanto a multa constitui penalidade pela mora. Mas, no caso vertente, não se encontrava a Recorrente em mora perante o Fisco, na medida em que os recursos destinados a extinção do débito já se encontravam na disponibilidade do Erário desde abril de 2003, quando foi efetivado o recolhimento do débito de PIS (PA 03/03), utilizado na compensação”. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A contribuinte buscou no presente processo, através da transmissão eletrônica PER/DCOMP nº 06748.84712.151203.1.3.040730 (efls.7), com data de 15 de dezembro de 2003, a compensação de débito de COFINS do período 11/2003, com crédito de PIS/PASEP do período 03/2003 (R$ 4.751,95) em razão do recolhimento a maior que o devido via DARF no valor de R$ 14.930,06. O Auditor Fiscal que elaborou o Despacho Decisório – Nº de Rastreamento: 781229170 (efls.2) foi parcial, quando atestou que a totalidade do DARF – R$ 14.930,06 foi utilizado no PER/DCOMP 28896.99931.071103.1.3.040939, sendo, inclusive, declarado inconsistente pela autoridade julgadora de primeiro grau. Com a Manifestação de Inconformidade e demais demonstrativos juntados aos autos, ficaram os fatos expostos da seguinte forma: a) houve a transmissão de DCTF original para o 1º Trimestre/2003, declarando valor devido de PIS (cód.6912) para o mês de março/2003 R$ 14.930,06 cujo pagamento se deu via DARF, no vencimento, na data de 15/04/2003; b) na data de 08/11/2003 apresentou DCTF retificadora alterando o valor devido de PIS do mesmo período para R$ 856,22; c) na data (07/11/2003), apresentou DCOMP nº 28896.99931.071103.1.3.040939 compensando o débito de R$ 856,22 com o valor do DARF de R$ 14.930,06; d) a diferença entre o valor do DARF (R$ 14.930,06) e o valor do débito de PIS de 03/2003, retificado (R$ 856,22), parte foi objeto da DCOMP 06748.84712.151203.1.3.040730, no valor de R$ 4.751,95 discutida no presente processo. Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10880.909474/200870 Acórdão n.º 3401005.188 S3C4T1 Fl. 6 5 Existem duas questões fáticas que merecem ser evidenciadas: (i) da desnecessária apresentação de DCOMP para vincular o débito retificado com o DARF de pagamento (mesmo tributo para igual período de apuração); (ii) Falha no sistema da RFB de não fazer a vinculação automática do pagamento com o débito declarado, visto que a totalidade do valor pago permanecia disponível. Isso talvez justifique a preocupação do contribuinte de apontar em seu inconformismo, dúvidas da época, relacionadas a implantação do programa eletrônico – PER/DCOMP 1.1, através da IN SRF 360/2003. No acórdão recorrido ficou demonstrado que a totalidade do pagamento R$ 14.930,06 estava disponível, portanto, atende plenamente ao pleito da recorrente em ver extinto o débito de PIS para a competência 03/2003, no valor de R$ 856,22 como também, o débito de COFINS do período 11/2003, de que trata o presente processo. Se atentarmos para os demonstrativos juntados as efls. 262 a 264, disponibilizados pela RFCODAC – Demonstrativo Analítico de Compensação, o saldo remanescente de compensação neste processo corresponde exatamente ao valor da multa de 20% aplicada sobre o valor do débito do PIS do período 02/2003, recolhido na data 14/03/2003. Pode até ter gerado certa confusão nos sistemas eletrônicos da SRF com a apresentação de DCOMP para compensar um débito que já havia sido recolhido no seu próprio vencimento, mas se valer, o fisco, de um ato falho ou desnecessário do contribuinte para penalizálo, entendese ser totalmente improcedente. Partindose do pressuposto, art. 156, II do CTN, que a compensação extingue o crédito tributário e o art. 170 do mesmo diploma legal, que permite à autoridade administrativa autorizar compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vejo plenamente presente essa condição, pois a própria autoridade administrativa declarou a disponibilidade do crédito pelo pagamento via DARF. Houve nesse caso a extinção do crédito tributário pelo pagamento, anterior a mencionada compensação. Os procedimentos de atualização conforme demandado pelos artigos 28 e 38 da IN SRF nº 210/2002 e IN SRF nº 323/2003, utilizados no primeiro grau de julgamento para fazer incidir penalidade no processo de compensação, não se aplica ao caso presente, pois o pagamento realizado via DARF, que corresponde ao crédito do contribuinte, serviu para dar quitação do débito declarado de mesmo tributo e do mesmo período de apuração. A DCOMP 28896.99931.071103.1.3.040939 reflete exatamente esse fato, o que lhe retira os efeitos próprios de pedido de compensação tributária. Afastados os efeitos da Declaração de Compensação 28896.99931.071103.1.3.040939, resta suficiente o crédito, líquido e certo, a realização da compensação declarada na PER/DCOMP 06748.84712.151203.1.3.040730 que deu causa ao processo ora em julgamento. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10880.909474/200870 Acórdão n.º 3401005.188 S3C4T1 Fl. 7 6 Fl. 255DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10240.000741/2007-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1995 a 31/03/2005
GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
Nos termos da legislação previdenciária, as empresas integrantes de Grupo Econômico respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes dessa legislação.
INTIMAÇÃO. VIA EDITALÍCIA. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
É válida a intimação feita por edital no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, sendo este aquele fornecido por ele, para fins cadastrais, à administração tributária.
Restando infrutífera a citação por via pessoal ou por via postal, plenamente válida a citação pela via editalícia.
MPF. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
O MPF é instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais de forma que eventuais irregularidades no seu trâmite ou emissão não teriam força para invalidar o auto de infração dele derivado.
Numero da decisão: 2201-004.580
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o Conselheiro Douglas Kakazu Kushiyama.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente), Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1995 a 31/03/2005 GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Nos termos da legislação previdenciária, as empresas integrantes de Grupo Econômico respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes dessa legislação. INTIMAÇÃO. VIA EDITALÍCIA. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. É válida a intimação feita por edital no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, sendo este aquele fornecido por ele, para fins cadastrais, à administração tributária. Restando infrutífera a citação por via pessoal ou por via postal, plenamente válida a citação pela via editalícia. MPF. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. O MPF é instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais de forma que eventuais irregularidades no seu trâmite ou emissão não teriam força para invalidar o auto de infração dele derivado.
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RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Nos termos da legislação previdenciária, as empresas integrantes de Grupo Econômico respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes dessa legislação. INTIMAÇÃO. VIA EDITALÍCIA. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. É válida a intimação feita por edital no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, sendo este aquele fornecido por ele, para fins cadastrais, à administração tributária. Restando infrutífera a citação por via pessoal ou por via postal, plenamente válida a citação pela via editalícia. MPF. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. O MPF é instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais de forma que eventuais irregularidades no seu trâmite ou emissão não teriam força para invalidar o auto de infração dele derivado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o Conselheiro Douglas Kakazu Kushiyama. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 00 07 41 /2 00 7- 04 Fl. 1187DF CARF MF Processo nº 10240.000741/200704 Acórdão n.º 2201004.580 S2C2T1 Fl. 1.188 2 (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente), Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo contra a Decisão Notifcação nº 26.401.4/0052/2006, da Seção do Contencioso Administrativo, da Delegacia da Receita Previdenciária em Porto Velho/RO. O Auto de Infração está fulcrado no art.33, §§2º e 3º, da Lei 8.212/91, lavrado contra o Frigorífico Bonsucesso Ltda, por deixar de apresentar a Fiscalização, apesar de solicitado através do Termo de Intimação para Apresentação de DocumentosTIAD, os seguintes documentos: Cartão de CNPJ de todos os estabelecimentos, DIRPJ/DIPJ e comprovantes de entrega, comprovantes de recolhimento: DARP/GRPS/GPS, comprovação de entrega de cópia autenticada do PPP ao segurado, quando das rescisões, contrato social e alterações, faturas e recibos de mãodeobra, folhas de pagamentos dos segurados, formulário DIRBEN 8030/Perfil Profissiográfico Previdenciário(PPP), GFIP/GRFP/GRFC com comprovantes de entrega e eventuais retificações, Laudo Técnico das Condições Ambientais do Trabalho(LTCAT), Livro Caixa e Registro de Inventário, Livro Diário/Livro Razão/Plano de Contas, Notas Fiscais de Entrada, programa de Controle Médico e Saúde Ocupacional (PCMSO), inclusive Relatório Anual, Programa de Prevenção de Riscos Ambientais(PPRA), Recibos de aviso prévio e de férias, Registros de Empregados, Registro de ponto, Relação Anual de Informações Sociais(RAIS), Rescisões de Contrato de Trabalho, Comunicação de Acidente de Trabalho(CAT) e demais documentos que deram suporte aos registros contábeis, todos relativos ao período de 01/1995 a 03/2005, conforme consta do Relatório Fiscal de fls.2122. De acordo com o Relatório de Grupo EconômicoRGE de fls.2350, todas as empresas em epígrafe são solidárias pelas obrigações previdenciárias, em razão de comporem um grupo econômico com administração única, exercida pelos sócios e familiares do Frigorífico Santa Elvira Ltda e Frigorífico Novo Estado S/A. A multa foi aplicada no valor de R$ 11.017,46 (onze mil, dezessete reais, quarenta e seis centavos), com fundamento no art. 283, inciso II, alínea “j”, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, e, Portaria MPS nº 822/05. O Frigorífico Bonsucesso Ltda foi regularmente intimado do Al em 26.12.2005 (fl.20). As demais empresas foram cientificadas. Em 10.01.2006, o autuado apresentou defesa tempestiva de fls. 10171022, alegando os seguintes fundamentos: Em preliminar, a insubsistência do Al em face do entendimento equivocado da Fiscalização quanto ao grupo econômico. Inexistência dos requisitos que caracterizam o grupo Fl. 1188DF CARF MF Processo nº 10240.000741/200704 Acórdão n.º 2201004.580 S2C2T1 Fl. 1.189 3 econômico: personalidade jurídica própria, direção, controle ou administração centralizados e o exercício da mesma atividade econômica. Fragilidade das informações contidas no “Relatório de Grupo Econômico”, não restando evidenciado que a impugnante está sob o controle e administração de outra pessoa jurídica, não possuindo sequer o mesmo domicílio fiscal. Inexistência de provas do grupo econômico. Impropriedade no enquadramento realizado pela Fiscalização ao integrar o Frigorífico Bonsucesso no grupo econômico composto pelo Frigorífico Santa Elvira e Novo Estado. Inexistência de provas dos requisitos que caracterizam o grupo econômico; Nulidade da citação com fundamento no art. 588, incisos II e III, da Instrução Normativa SRP/MPS nº 03, por deixar notificar a empresa em seu domicílio fiscal e cientificar seu representante legal. Inobservância da Fiscalização quanto aos parâmetros estabelecidos no Mandado de Procedimento Fiscal, segundo o qual deveria ser realizado “ação fiscal específica por fato gerador de folha de pagamento e contribuições rurais”. Pelo exposto, requer a improcedência do Al, e, sobretudo, a pretendida formação do “grupo econômico”. Requer posterior juntadas de novas provas, se necessárias. A decisão de primeira instância restou ementada nos termos abaixo: OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. Constitui infração ao disposto no art.33, §§2S e 3Q, da Lei 8.212, de 24.07.1991, deixar a empresa de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições para a Seguridade Social, ou apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira. Cientificado do acórdão de primeira instância em 19/04/2006 (fl.1.090), o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário (fls.1.108/1.114), intempestivamente, em 26/06/2006, limitandose a arguir a tempestividade do recurso e reiterando os mesmos argumentos trazidos por ocasião do protocolo da peça defensiva. Os responsáveis solidários foram intimados pela via editalícia em 22/09/2006 (fl.1.126), não tendo apresentado recurso voluntário. É o relatório. Voto Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Admissibilidade Fl. 1189DF CARF MF Processo nº 10240.000741/200704 Acórdão n.º 2201004.580 S2C2T1 Fl. 1.190 4 O recurso voluntário é tempestivo, uma vez que de acordo com o art. 34, III § 4º da Portaria nº 520/2004, vigente à época da ciência do lançamento, previa que no caso de solidariedade, o prazo será contado a partir da ciência do último coobrigado. Considerando que os responsáveis solidários foram intimados pela via editalícia em 22/09/2006 (fl.1.126), não resta qualquer dúvida acerca da tempestividade do recurso apresentado pelo Frigorífico Bonsucesso, o qual foi protocolizado em 26/06/2006, portanto, quase três meses antes do início da fluência do prazo recursal. Considerações iniciais De início, impende ressaltar que o sujeito passivo não apresentou impugnação ou recurso ao mérito da autuação, limitandose a apresentar defesa em relação ao procedimento fiscal e à ciência do lançamento. Da alegada nulidade da citação Alega a recorrente a nulidade da citação com fundamento no art. 583, VII, no art. 588, II, e 662 da Instrução Normativa SRP/MPS nº 03/2005, por deixar notificar a empresa em seu domicílio fiscal e cientificar seu representante legal. Pelo teor dos dispositivos normativos citados, inferese que a recorrente sustenta a irregularidade tanto na ciência do Mandado de Procedimento Fiscal MPF, quanto na ciência do próprio lançamento. Em relação à alegação de irregularidade no MPF, deixaremos a abordagem para o tópico específico seguinte, em que trataremos a questão de modo específico De acordo com a legislação citada pelo próprio recorrente (Instrução Normativa nº 03/2005): Art. 662. O sujeito passivo será cientificado da NFLD e do AI da seguinte forma: I pessoalmente, após a lavratura da NFLD ou do AI, comprovandose o recebimento mediante a assinatura do representante legal ou do mandatário; II por via postal ou por qualquer outro meio, com prova de recebimento tomada no domicílio tributário do sujeito passivo; ou III por edital, quando os meios previstos nos incisos I e II resultarem infrutíferos. Como se vê, não existe hierarquia ou ordem de preferência entre os meios de ciência pessoal ou por via postal. No caso concreto, a autoridade fiscal optou regularmente pela via postal, entretanto, esta restou infrutífera, eis que a recorrente não funcionava mais no endereço constante do cadastro da Previdência Social. Em face do desconhecimento do novo endereço da empresa, esta foi considerada como em local incerto e não sabido, o que ensejou a citação pela via editalícia, com base no art. 662, III, da Instrução Normativa SRP nº 03/2005. Destarte, não há qualquer vício na citação capaz de macular o presente lançamento, eis que os procedimentos adotados encontram lastros na legislação vigente ao tempo da citação. Fl. 1190DF CARF MF Processo nº 10240.000741/200704 Acórdão n.º 2201004.580 S2C2T1 Fl. 1.191 5 Assim, afastase a preliminar de nulidade de citação arguida pelo sujeito passivo. Do Mandado de Procedimento Fiscal MPF Argumenta o recorrente que o lançamento seria nulo por não ter sido emitido Mandado de Procedimento Fiscal – MPF específico para a fiscalização da comercialização de produção rural. Inicialmente, deve ser registrada a reiterada jurisprudência deste colegiado no sentido expresso pelo Acórdão 2301004.168, relatado pelo Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, de acordo com o qual eventuais deficiências do MPF não maculam o lançamento: Ademais, o Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Consiste em uma ordem administrativa, emanada de dirigentes as unidades da Receita Federal para que seus auditores executem as atividades fiscais, tendente a verificar o cumprimento das obrigações tributárias por parte do sujeito passivo. Sendo, portanto, ato praticado por autoridade competente (Coordenador, Superintendente, Delegado ou Inspetor, conforme o caso) e dirigido ao Auditor Fiscal da Receita Federal (AFRF), eventuais irregularidades verificadas no seu trâmite, ou mesmo na sua emissão, não tem condão de invalidar o auto de infração decorrente do procedimento fiscal relacionado. A necessidade de cientificar o contribuinte da existência do MPF prendese tão somente a questões relacionadas a sua segurança contra pseudoações fiscais que poderiam ocorrer. Assim, o contribuinte pode, por precaução, praticar as medidas que julgar pertinentes para sua segurança durante o procedimento de fiscalização, enquanto não lhe for apresentado o MPF correspondente. Entretanto, não se vislumbra qualquer irregularidade no MPF emitido. A suposta mácula alegada pelo recorrente, constou expressamente no MPF, podendo ser observado que em sua descrição sumária: “ação fiscal específica por fato gerador de folha de pagamento e contribuições rurais”. No que pertine a ciência do MPF, de igual modo, não existe qualquer vício. Estando a empresa estabelecida em local incerto e não sabido, plenamente regular a ciência pela via editalícia, nos termos do art. 588, III, da Instrução Normativa SRP nº 03/2005, vigente à época do procedimento fiscal, verbis: Art. 588. Será dada ciência do MPF ao sujeito passivo da seguinte forma: I pessoal, comprovada com a assinatura do representante legal, do mandatário ou do preposto do sujeito passivo; II por via postal, ou por qualquer outro meio, com prova de recebimento tomada no domicílio tributário do sujeito passivo; III por edital, quando os meios previstos nos incisos I e II resultarem infrutíferos (grifouse). Fl. 1191DF CARF MF Processo nº 10240.000741/200704 Acórdão n.º 2201004.580 S2C2T1 Fl. 1.192 6 Dessa forma, não vejo qualquer mácula no procedimento adotado pela fiscalização que pudesse levar à nulidade do lançamento. Rejeito, pois, a nulidade arguida. Do Grupo Econômico Responsabilidade Solidária Cumpre salientar que o próprio sujeito passivo se defende da imputação de responsabilidade solidária decorrente da caracterização de grupo econômico a outras empresas. Referidos solidários não apresentaram recurso, carecendo a recorrente de interesse processual, uma vez que não pode defender interesses de outrem. Todavia, por apego ao debate, analisaremos a questão trazida pelo recorrente no que pertine à caracterização de grupo econômico. No presente caso, restou configurada a existência de grupo econômico de fato. Restou sobejamente comprovado nos autos que os sócios da autuada figuravam apenas formalmente no contrato social da empresa, mas a administração da sociedade empresarial era exercida através de procuração pelos administradores do Frigorífico Santa Elvira e Novo Estado. Destacou com propriedade a decisão de piso que referidos procuradores possuíam amplos e ilimitados poderes de gestão e o administravam simultaneamente aos Frigoríficos Santa Elvira, Porto e Novo Estado. A título de exemplo, destacase que Cláudio Marcia Sereia recebeu procuração do Sr. Roberto Demario Caldas para representálo junto a qualquer instituição financeira, gerir e administrar os bens, negócios e haveres do outorgante. Toda a operacionalização comercial do recorrente, desde a aquisição dos bovinos, abate e preparo de carne, vendas e distribuição, era realizada, de fato, pelos Frigoríficos Santa Elvira e Novo Estado que tinham toda a estrutura operacional, nome e capital para concretizar os negócios, embora as reses fossem adquiridas em nome do Frigorífico Bonsucesso, ora autuado. No tocante às contribuições devidas à Seguridade Social, a Lei 8.212/91 estabelece, em seu art. 30, inciso IX, a responsabilidade solidária das empresas integrantes de Grupo Econômico, nos seguintes termos: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: [...] IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; Fl. 1192DF CARF MF Processo nº 10240.000741/200704 Acórdão n.º 2201004.580 S2C2T1 Fl. 1.193 7 Conforme se observa no dispositivo transcrito acima, a Lei de Custeio da Seguridade Social prevê a responsabilidade solidária ex lege e objetiva das empresas integrantes de Grupo Econômico, ou seja, basta que uma empresa faça parte de um Grupo Econômico para que se tenha por configurada a sua responsabilidade solidária por débitos previdenciários das demais empresas do grupo. Destarte, correta a caracterização de grupo econômico e a consequente imputação de responsabilidade solidária às empresas coobrigadas. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, para negar lhe provimento. Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Declaração de Voto Douglas Kakazu Kushiyama Conselheiro Na sessão de julgamento do dia 08 de maio do ano corrente, por precaução, me declarei impedido de participar dos julgamentos dos processos em que tinham como parte o Frigorífico Santa Elvira Ltda., pois pude constatar, apenas em sessão de julgamento que, havia uma carta enviada pelo Procurador da Fazenda Nacional ao então Presidente deste Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais fazendo menção de que esta empresa seria pertencente ao Grupo JBS. Por esta razão, havia me declarado impedido, nos termos do disposto no artigo 42, § 4º do RICARF, verbis: Art. 42. O conselheiro estará impedido de atuar no julgamento de recurso, em cujo processo tenha: (...) § 4º O impedimento previsto no inciso III do caput aplicase também aos casos em que o conselheiro possua cônjuge, companheiro, parente consanguíneo ou afim até o 2º (segundo) grau que trabalhem ou sejam sócios do sujeito passivo ou que atuem no escritório do patrono do sujeito passivo, como sócio, empregado, colaborador ou associado. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Na mencionada correspondência, havia menção também ao Frigorífico Bonsucesso Ltda.. Fl. 1193DF CARF MF Processo nº 10240.000741/200704 Acórdão n.º 2201004.580 S2C2T1 Fl. 1.194 8 Entretanto, verificando melhor os autos, pude constatar que a causa de impedimento a que estaria sujeito, não se aplicaria, tendo em vista que a única menção/documento de que o Frigorífico Bonsucesso Ltda. seria do Grupo JBS é a mencionada carta. Sendo assim, excetuando o fato de haver mencionada correspondência nos autos e o Grupo JBS não constar como sujeito passivo diretamente ou mesmo não haver nenhum patrono conhecido deste Conselheiro, não subsiste a causa de impedimento para julgamento do presente caso. Conclusão Diante de todo o exposto, deixo consignado que não estou impedido de participar do presente julgamento e acompanho o voto proferido pelo relator. (Assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Conselheiro Fl. 1194DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.902859/2010-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.943
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10840.902858/2010-52, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10840.902858/201052, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Winderley Morais Pereira Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório por suposto pagamento indevido ou a maior e aproveitar esse crédito com débito de outro tributo. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, tendo por base as constatações seguintes: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 40 .9 02 85 9/ 20 10 -0 5 Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10840.902859/201005 Resolução nº 3301000.943 S3C3T1 Fl. 3 2 a) a empresa foi intimada a esclarecer os valores mensais consignados a título de Faturamento/Receita Bruta em sua DIPJ retificadora, tendo em vista que o valor dessa rubrica foi sistematicamente reduzido nas suas DIPJ retificadoras dos anoscalendário de 2001 e 2002. Em resposta, a empresa esclarece a redução de seu Faturamento/Receita Bruta como sendo decorrente da exclusão de receitas financeiras, as quais teriam sido indevidamente incluídas na base de cálculo da contribuição; b) para o anocalendário a que se refere o presente processo não há previsão legal para exclusão, da base de cálculo do PIS e da COFINS das receitas financeiras informadas na resposta à intimação, sendo certo, portanto, que elas devem compor a base de cálculo da COFINS. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade postulando, em suma, para julgála integralmente procedente, com vistas à reforma do despacho decisório exarado nos autos, reconhecendose a existência do aludido crédito da empresa ora manifestante e, ato contínuo, homologandose a compensação outrora requerida, tendo em vista que é inadmissível a inclusão de receitas financeiras na base de cálculo do PIS e da COFINS, haja vista que, por força da Interpretação estabelecida tanto pelo Supremo Tribunal Federal como pelo Superior Tribunal de Justiça á Lei Federal n° 9.718, de 1998, apenas o faturamento (resultado da venda de mercadorias e serviços) poderá ser objeto de incidência daquela exação. excluídas, assim, as receitas financeiras, que não se encaixam nesse conceito: A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve integralmente o despacho decisório, julgando improcedente a manifestação de inconformidade. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que repete os argumentos contidos na manifestação de inconformidade e adiciona os seguintes: a) deve ser aplicada o entendimento pacificado nos tribunais superiores de que é inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS promovido pelo §1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98; e b) as cópias autenticadas dos livros contábeis carreadas aos autos devem ser aceitas como prova, pois foram consideradas idôneas pelo SEORT (Serviço de Orientação e Análise Tributária). É o relatório. Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10840.902859/201005 Resolução nº 3301000.943 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3301000.941, de 25 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10840.902858/201052, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução 3301000.941): "O recurso voluntário preenche os requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido. Reproduzo trecho do Despacho Decisório (fls. 37) que sumaria a demanda: "O presente processo trata do PerDcomp nº 13426.84222.120107.1.3.040093, de fls. 02/06, referente a suposto pagamento indevido ou a maior de Cofins – código 2172, do período de apuração – PA de dezembro de 2001, recolhido em 15/01/2002, cujo valor do crédito original na data da transmissão é R$ 3.845,02, com o qual se pretende compensar débito do IRPJ – código 2362, vencido em 28/02/2005. É o relatório. Da análise das suas DIPJ – do exercício 2002 – anocalendário 2001, original (004369110) e retificadora (126303512), juntadas às fls. 11/16, verificamos que a contribuinte retificou os valores consignados a título de “Faturamento/Receita Bruta”, no mês de dezembro de 2001, que foram alterados de R$ 3.063.856,82, para R$ 2.935.689,13, reduzindo a Cofins a pagar de R$ 87.536,02, para R$ 83.690,99. Visando verificar a regularidade do crédito ora pleiteado, através da intimação fiscal nº 481/2011/DRF/RPO/Seort, de fls.22/23, a empresa foi intimada a esclarecer os valores mensais consignados a título de Faturamento/Receita Bruta em sua DIPJ retificadora, tendo em vista que os valores dessas rubricas foram sistematicamente reduzidos nas suas DIPJ dos anoscalendário de 2001 e 2002. Em resposta apresentada em 24/05/2011, juntada às fls. 28/32, a empresa informa que a redução de seu Faturamento/Receita Bruta, no PA de dezembro de 2001, é decorrente da exclusão das receitas abaixo discriminadas e valoradas, as quais, segundo ela, teriam sido indevidamente incluídas na base de cálculo da Cofins. Rubrica R$ Comissões CDCI 11.370,29 Descontos obtidos 15.649,57 Juros recebidos 70.968,11 Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10840.902859/201005 Resolução nº 3301000.943 S3C3T1 Fl. 5 4 Receita Aplicação Financeira 5,62 Variação monetária ativa 1.169,35 Comissões de intermediação de financiamentos 29.004,44 Total 128.167,69 No entanto, para o anocalendário de 2001, não há previsão legal para exclusão da base de cálculo da Cofins das receitas acima relacionadas, sendo certo, portanto, que elas devem compor sua base de cálculo. (. . .)" Nas peças de defesa, a recorrente sustenta que são receitas financeiras, não componentes da base de cálculo da COFINS, nos termos do caput do art. 3° da Lei n° 9.718/98. A tributação de tais receitas pela COFINS foi afastada pelos tribunais superiores, notadamente pelo STF, em sede do RE 390.840/MG. E carreou cópias autenticadas do livro razão, em que figuram as contas contábeis apresentadas no quadro acima. A DRJ ratificou o posicionamento da unidade de origem, sob o argumento de que, de acordo com o art. 21 da Lei nº 12.844/13, as decisões do STF, em sede de repercussão geral, e do STJ, de recursos repetitivos, somente vinculam aquele órgão, após pronunciamento formal da PGFN. Examino a contenda. Conforme entendimento assentado, em sede de repercussão geral, pelo Supremo Tribunal Federal (Recurso Extraordinário nº 585.235), o conflagrado alargamento da base de cálculo promovido pela Lei 9.718/98 foi considerado inconstitucional. À luz do entendimento manifesto pela Suprema Corte, apenas o faturamento decorrente das atividades típicas da pessoa jurídica estão sujeitos à incidência da Cofins no sistema cumulativo de apuração da Contribuição. E o §2º do artigo 62 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 343/2015 e alterações, determina que as matérias de Repercussão Geral sejam reproduzidas nos julgamentos dos recursos. Isto posto, resta apenas examinar a natureza das contas contábeis indicadas pelo contribuinte. O faturamento do mês foi declarado na DIPJ do anocalendário de 2002 entregue à RFB. Da leitura das cópias autenticadas dos razões contábeis, verifica se que os históricos dos lançamentos se coadunam com os títulos das contas. E alguns valores selecionados aleatoriamente para averiguação conferem com os indicados na tabela acima. Contudo, isto é não suficiente para reconhecermos o direito creditório. De acordo com o § 1° do art. 9° do Decretolei n° 1.598/77 "§ 1º A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais." Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10840.902859/201005 Resolução nº 3301000.943 S3C3T1 Fl. 6 5 Em sua defesa, a recorrente alegou que as cópias dos razões das contas seriam suficientes para comprovar a natureza das contas contábeis, pois o SEORT (Serviço de Orientação e Análise Tributária) teria "considerado idôneas as receitas financeiras alocadas ao livro razão". Entretanto, não há evidência alguma desta afirmação. Ademais, apesar de não ter negado provimento à manifestação de inconformidade por este motivo, a insuficiência das provas apresentadas também foi destacada pela DRJ. A meu ver, há indícios fortes de que a recorrente é detentora de créditos da COFINS paga a maior, mas ainda há carência de informação. Assim sendo, em respeito ao Princípio da Verdade Material, e com o objetivo de assegurar o possível direito do contribuinte à compensação de tributos pagos a maior, porém salvaguardando os interesses da Fazenda Pública, proponho a conversão do julgamento em diligência, para que o contribuinte seja intimado a apresentar à unidade de origem para validação: i) as vias originais de sua escrituração contábil; ii) a documentação suporte dos lançamentos contábeis das receitas financeiras indevidamente incluídas na base de cálculo da COFINS; iii) conciliação dos lançamentos contábeis com as bases de cálculo da COFINS, original e ajustada pela exclusão das receitas financeiras; e iv) demonstração do cálculo dos valor pago a maior, a partir da comparação entre o valor devido inicialmente apurado e o calculado após a exclusão das receitas financeiras. Deve ser elaborado relatório conclusivo e aberto prazo de trinta dias para manifestação das partes. Findo o prazo, os autos devem retornar conclusos para julgamento. É como voto." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que o contribuinte seja intimado a apresentar à unidade de origem para validação: i) as vias originais de sua escrituração contábil; ii) a documentação suporte dos lançamentos contábeis das receitas financeiras indevidamente incluídas na base de cálculo do PIS e da COFINS; iii) conciliação dos lançamentos contábeis com as bases de cálculo do PIS e da COFINS, original e ajustada pela exclusão das receitas financeiras; e Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10840.902859/201005 Resolução nº 3301000.943 S3C3T1 Fl. 7 6 iv) demonstração do cálculo dos valor pago a maior, a partir da comparação entre o valor devido inicialmente apurado e o calculado após a exclusão das receitas financeiras. Deve ser elaborado relatório conclusivo e aberto prazo de trinta dias para manifestação das partes. Findo o prazo, os autos devem retornar conclusos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 152DF CARF MF
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Numero do processo: 10882.903370/2008-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/06/2002 a 30/06/2002
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO.
Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia.
PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não há ato legal específico que conceda isenção ou outra forma de desoneração de PIS e COFINS nas vendas à Zona Franca de Manaus, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Numero da decisão: 3402-005.433
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento em conformidade com o entendimento do Superior Tribunal de Justiça no AgRg no Ag 1.420.880/PE.
(assinado com certificado digital)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2002 a 30/06/2002 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não há ato legal específico que conceda isenção ou outra forma de desoneração de PIS e COFINS nas vendas à Zona Franca de Manaus, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento em conformidade com o entendimento do Superior Tribunal de Justiça no AgRg no Ag 1.420.880/PE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 33 70 /2 00 8- 31 Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10882.903370/200831 Acórdão n.º 3402005.433 S3C4T2 Fl. 3 2 (assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10882.903370/200831 Acórdão n.º 3402005.433 S3C4T2 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) mediante a qual a contribuinte pretendeu extinguir débito com pretenso crédito com origem em pagamento indevido de contribuição social. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação face a inexistência de crédito disponível para compensação. Cientificada do despacho, a contribuinte manifestou sua irresignação arguindo em síntese que o crédito utilizado na compensação teria origem em pagamento da contribuição na parcela calculada sobre vendas realizadas à Zona Franca de Manaus. Argumenta que as vendas à Zona Franca de Manaus (ZFM) no período em tela estavam imunes à incidência do PIS e da Cofins e, portanto, o pagamento teria sido feito a maior. Iniciando essa linha de argumentação, assevera que o art. 4° do DecretoLei (DL) n° 288, de 1967, equiparou, para todos os efeitos fiscais, as vendas realizadas a Zona Franca de Manaus a uma operação de exportação. Tal disposição, a seu ver, possui envergadura de norma de caráter complementar, e nesse nível de hierarquia teria sido incorporado ao ordenamento jurídico pela recepção que lhe deu a Constituição Federal de 1988, pelo artigo 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT). Defende que o mesmo tratamento dado às exportações, aplicável às vendas realizadas à Zona Franca de Manaus, seria também extensível às vendas efetuadas para destinatários sediados nos municípios integrantes das Areas de Livre Comércio. Ao fim, requer o recebimento da presente manifestação de inconformidade com o seu regular efeito suspensivo da exigibilidade do crédito. Pleiteia ainda o reconhecimento do direito credit6rio referente aos recolhimentos indevidos ou a maior a titulo de PIS e Cofins incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias à Zona Franca de Manaus e a consequente a homologação da compensação.” Por meio do acórdão nº 0529.892, a DRJ não acolheu as razões de defesa da manifestante, mantendo a não homologação da compensação. Regularmente cientificado, o contribuinte tempestivamente apresentou seu Recurso Voluntário, repisando os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, acrescentando que não foi intimado pela fiscalização, em nenhum momento, a apresentar comprovantes da origem dos seus créditos e que, no despacho eletrônico proferido, também não foi apresentado nenhum argumento para que os créditos pleiteados fossem indeferidos. Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10882.903370/200831 Acórdão n.º 3402005.433 S3C4T2 Fl. 5 4 Argumenta ainda que trouxe aos autos planilha comprovando que os créditos indicados no pedido de compensação são originados de pagamento indevido ao a maior, uma vez que efetuou vendas destinadas à Zona Franca de Manaus. O processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento e posteriormente distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra , Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.398, de 24 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 10882.900443/200833, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.398): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. A questão trazida a este colegiado cingese sobre direito creditório não reconhecido pela constatação de utilização integral do pagamento na quitação de débitos do contribuinte. Também se discute, a partir das alegações trazidas na Manifestação de Inconformidade, o direito ao crédito do PIS e da COFINS nas operações com empresas situadas na Zona Franca de Manaus, que poderia lastrear o pleito inicial da interessada. Ainda que o Despacho Decisório nada tenha se manifestado acerca de qualquer documento probatório, o sujeito passivo, além de contestar a vinculação do pagamento, também argumentou quanto às razões pela qual entendia que parte do recolhimento seria indevido, por se referir a vendas realizadas à Zona Franca de Manaus. Segundo seu entendimento, tais vendas estariam imunes à incidência das contribuições, resultando em saldo recolhido à maior. A 3ª Turma da DRJ em Campinas não acolheu as razões de defesa do sujeito passivo, entendendo que o pretendido pagamento indevido teria origem no período de apuração 01/09/2002 a 30/09/2002, em relação ao qual a isenção em comento alcançaria apenas as receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do artigo 14 Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10882.903370/200831 Acórdão n.º 3402005.433 S3C4T2 Fl. 6 5 da MP n°2.15835, de 2001. Segundo a turma julgadora, os autos não trazem comprovação suportada por documentação contábilfiscal da inclusão das receitas decorrentes das mencionadas operações isentas na base que serviu para o cálculo do pagamento formador do apontado indébito, não se podendo reconhecer o pretendido direito de crédito aproveitado na compensação. Preliminarmente, a recorrente alega nulidade do processo administrativo em razão da ausência de diligências na documentação que comprovaria o indébito tributário. Não assiste razão à recorrente. Conforme disposto no artigo 29 do PAF, as diligências são determinadas pela autoridade julgadora, na apreciação da prova, caso entenda necessárias, o que não é o caso. A recorrente não apresentou qualquer documento comprobatório do crédito pleiteado, nem na fase de impugnação, nem nesta fase recursal, em descumprimento do artigo 15 do PAF que determina a instrução dos documentos comprobatórios juntamente com a impugnação. Apenas uma planilha intitulada “VENDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS E AREAS DE LIVRE COMÉRCIO UNIDADE SUMARÉ SETEMBRO DE 2002” (fls.43) foi apresentada, sem nenhum documento comprobatório. A prova deve ser feita nos autos, não fora dele, e no momento oportuno. Destacase que o indeferimento do direito creditório foi motivado pela utilização do(s) pagamento(s) na quitação de outros débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Nenhuma prova contrária à tal constatação fiscal foi apresentada. Portanto, não resta configurada qualquer nulidade quanto à ausência de diligência. Em consequência, rejeitase o pedido de diligência. A recorrente alega cerceamento de seu direito de defesa, por entender que a decisão de primeira instância teria inovado o lançamento inicial. Segundo seu entendimento, o Despacho Decisório eletrônico não mencionou qualquer documento (físico ou eletrônico) que embasasse a glosa da compensação, limitandose apenas a mencionar que o crédito não existiria, imputando penalidade a Recorrente, sem qualquer análise da materialidade do crédito compensado. Também neste ponto não assiste razão à recorrente. Nenhuma inovação foi trazida aos autos pelo julgador de primeiro grau na apreciação da matéria, que apenas trouxe os fundamentos necessários para rechaçar as alegações do sujeito passivo trazidas na Manifestação de Inconformidade. Tratase Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10882.903370/200831 Acórdão n.º 3402005.433 S3C4T2 Fl. 7 6 do pleno exercício do contraditório, que exige a plena fundamentação das decisões na apreciação de todos os pontos levantados pela defesa do contribuinte. A motivação do indeferimento do direito creditório continua sendo a inexistência de crédito. Dessa forma, também não está configurado qualquer cerceamento do direito de defesa da recorrente, visto que a questão foi por ela trazida e por ela novamente repisada em sua peça recursal. No mérito, a recorrente alega o direito ao crédito do PIS e da COFINS nas operações com empresas situadas na Zona Franca de Manaus. O tema foi objeto de julgamento repetitivo na 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em processos cujo interessado foi a própria recorrente. Dessa forma, adoto no presente voto os fundamentos do Acórdão nº 9303003.934, de 07 de junho de 2016, da lavra do i. Conselheiro Júlio César Alves Ramos, a seguir reproduzido: “Fui incumbido de apontar as razões que levaram o colegiado, por voto de qualidade, a negar provimento ao recurso do contribuinte, sob o entendimento de que, até a redução a zero da alíquota da contribuição efetuada em julho de 2004, não havia qualquer dispositivo legal que concedesse isenção de COFINS às vendas para aquela área. O argumento inicial em sentido contrário buscaa na própria norma que criou a Zona Franca de Manaus. Segundo tal entendimento, o art. 4º do Decretolei 288, ao afirmar que as remessas para aquela região equiparavamse a exportação para o exterior, deveria ser estendido à COFINS, embora, cediço, ela somente tenha sido posteriormente criada. E isso porque tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10882.903370/200831 Acórdão n.º 3402005.433 S3C4T2 Fl. 8 7 interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Pretendem alguns que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decretolei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10882.903370/200831 Acórdão n.º 3402005.433 S3C4T2 Fl. 9 8 e renda para a região Norte. Para tanto, definiu se um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de algum daqueles incentivos que pode ser tachada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10882.903370/200831 Acórdão n.º 3402005.433 S3C4T2 Fl. 10 9 tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em julho de 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. É que, nos termos constitucionais, a concessão de isenção requer lei específica1 , de modo que, ou se aceita que seja ela o decretolei ou ela não existe. Não se pode inferir que haja uma lei simplesmente porque um parágrafo em artigo de lei posterior a "exclua". Em outras palavras, há apenas dois caminhos interpretativos. O primeiro: se considera que o decretolei 288 fez uma equiparação genérica das Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10882.903370/200831 Acórdão n.º 3402005.433 S3C4T2 Fl. 11 10 vendas àquela região a exportação e, portanto, qualquer ato posterior que concedesse benefício (isenção ou outro) a operações de exportação se aplicava imediatamente e automaticamente às vendas para lá. Nesse caso, a isenção concedida pela Lei Complementar 85 a elas se estende, mesmo não tendo ela sido expressamente referida no dispositivo. Essa interpretação contraria, a meu ver, o art. 150, § 6º da Constituição. Ou, como entendo eu, considerase que não havia dispositivo que concedesse isenção ou qualquer outra forma de desoneração àquelas vendas até a redução a zero de sua alíquota, promovida em 2004. Não contemplo um terceiro caminho. Com tais considerações, negouse provimento ao recurso do contribuinte.” Também não prospera qualquer argumento que aponte a obrigatoriedade do acatamento do entendimento do STF, exceto nos casos de repercussão geral reconhecida, conforme determina o RICARF, o que não é o caso. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Fl. 158DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 17546.000370/2007-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005
RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda.
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Numero da decisão: 2402-006.404
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindose valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 54 6. 00 03 70 /2 00 7- 67 Fl. 221DF CARF MF Processo nº 17546.000370/200767 Acórdão n.º 2402006.404 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, tendo em vista que o crédito exonerado, principal e encargos de multa, relativos a contribuições previdenciárias de custeio, beneficio, terceiros e sanções pecuniárias, superava a época o valor de alçada estipulado no art. 1º da Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008. O valor objeto de exoneração é inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), vindo a julgamento apenas o Recurso de Oficio. É o relatório." Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pelo Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza, digno relator da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018: Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária “Antes de adentrar a análise do caso concreto, importa observar que o presente julgamento terá efeitos sobre lote repetitivo, eis que o caso em foco foi eleito como paradigma e terá seu resultado aplicado ao lote a que esta relacionado, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF. Fl. 222DF CARF MF Processo nº 17546.000370/200767 Acórdão n.º 2402006.404 S2C4T2 Fl. 4 3 Admissibilidade. Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, tendo em vista que, à época em que foi proferida a decisão de primeira instância administrativa, o crédito exonerado superava o valor de alçada estipulado estabelecido em ato próprio. De acordo com o I do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) II deixar de aplicar pena de perda de mercadorias ou outros bens cominada à infração denunciada na formalização da exigência. § 1º O recurso será interposto mediante declaração na própria decisão. § 2° Não sendo interposto o recurso, o servidor que verificar o fato representará à autoridade julgadora, por intermédio de seu chefe imediato, no sentido de que seja observada aquela formalidade. (Grifouse) O colegiado a quo proferiu decisão em que julgou parcialmente procedente a impugnação, exonerando créditos relativos ao principal e encargos de multas em valor inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil de reais) Cabe ao colegiado julgar a admissibilidade do Recurso de Oficio e, constatandose que o crédito exonerado é inferior àquele que levaria o caso a um reexame necessário na atualidade, não conhecer de referido recurso. O limite referido está posto na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, in verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. Fl. 223DF CARF MF Processo nº 17546.000370/200767 Acórdão n.º 2402006.404 S2C4T2 Fl. 5 4 § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. Ainda que à época do julgamento de primeira instância tal valor permitisse a interposição do Recurso de Oficio ora julgado, ao caso deve ser aplicado o limite de dispensa atualmente vigente, conforme entendimento consolidado neste Conselho, nos termos da Súmula CARF 103: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Conclusão Ante ao exposto voto por não conhecer do Recurso de Oficio em razão de o crédito exonerado ser inferior ao limite estabelecido no art. 1º a Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, aplicável ao caso conforme Súmula CARF 103. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza” Conclusão Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Ofício (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 224DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10314.728382/2015-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
ERRO DE FATO NA BASE DE CÁLCULO. APURAÇÃO E AJUSTE PARA NOVOS VALORES NA AUTUAÇÃO. CABIMENTO.
Apurado erro de fato nos valores e planilhas que originaram a base de cálculo do lançamento, há que se corrigir tais erros, exonerando ou reduzindo a autuação para os novos valores apurados.
ERRO NA BASE DE CÁLCULO DA AUTUAÇÃO. CANCELAMENTO.
Mesmo após diligências realizadas, o agente fiscalizador não atribui montante tributável, aspecto quantitativo do fato gerador. De se afastar o lançamento nos termos do art. 142 do CTN.
Numero da decisão: 1301-003.303
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011 ERRO DE FATO NA BASE DE CÁLCULO. APURAÇÃO E AJUSTE PARA NOVOS VALORES NA AUTUAÇÃO. CABIMENTO. Apurado erro de fato nos valores e planilhas que originaram a base de cálculo do lançamento, há que se corrigir tais erros, exonerando ou reduzindo a autuação para os novos valores apurados. ERRO NA BASE DE CÁLCULO DA AUTUAÇÃO. CANCELAMENTO. Mesmo após diligências realizadas, o agente fiscalizador não atribui montante tributável, aspecto quantitativo do fato gerador. De se afastar o lançamento nos termos do art. 142 do CTN.
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APURAÇÃO E AJUSTE PARA NOVOS VALORES NA AUTUAÇÃO. CABIMENTO. Apurado erro de fato nos valores e planilhas que originaram a base de cálculo do lançamento, há que se corrigir tais erros, exonerando ou reduzindo a autuação para os novos valores apurados. ERRO NA BASE DE CÁLCULO DA AUTUAÇÃO. CANCELAMENTO. Mesmo após diligências realizadas, o agente fiscalizador não atribui montante tributável, aspecto quantitativo do fato gerador. De se afastar o lançamento nos termos do art. 142 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 83 82 /2 01 5- 44 Fl. 2022DF CARF MF Processo nº 10314.728382/201544 Acórdão n.º 1301003.303 S1C3T1 Fl. 2.023 2 Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório BRASTUBO CONSTRUÇÕES METÁLICAS LTDA, já qualificada nos autos, recorre da decisão proferida pela 2a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) DRJ/RJ1, que, por maioria de votos, julgou parcialmente procedente a impugnação e ajustar o IRPJ para o valor de R$ 13.158,63; PIS ajustada para o valor de R$ 2.067,78; CSLL, ajustada para o valor de R$ 7.895,18, e de COFINS, ajustada para o valor de R$ 9.524,34; acrescidos da multa de ofício, no percentual de 75%, e demais acréscimos moratórios conforme legislação vigente. Por unanimidade de votos, afastaram a sujeição passiva solidária dos sócios da contribuinte e do Sr. Aldo Narcisi. Do Lançamento Tratase de auto de infração para lançamento de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS (fls. 322/357), cumulados de juros e multa de ofício, lavrado contra BRASTUBO CONSTRUÇÕES METÁLICAS LTDA, em razão da omissão de receitas apurada nos meses de fevereiro a dezembro de 2011, pelas diferenças entre os valores lançados como vendas efetivas no Sistema Público de Escrituração Digital SPED e os constantes na contabilidade da interessada, nos termos do art. 3º da Lei 9.249/95, art. 247, 248, 251, 277 a 280 e 288 do RIR/99. Segundo o Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal, (fls. 316/321), e Relatório do acórdão recorrido, as razões de autuação foram: A autuação, conforme a descrição dos fatos dos autos de infração e o Termo de Verificação Fiscal e Sujeição Passiva SolidáriaTVF de fls. 316/321, decorre de omissão de receitas, apurada nos meses de fevereiro a dezembro do anocalendário de 2011, pelas diferenças entre os valores lançados como vendas efetivas no Sistema Público de Escrituração DigitalSPED e os constantes na contabilidade da interessada, conforme planilha de fls. 319/320, totalizando R$ 151.044.737,11 no ano. Foram lavrados Termos de Sujeição Passiva Solidária contra os sócios da interessada, a empresa Markon Comércio e Participações Ltda, CNPJ nº 47.176.045/00085 (fls. 358/361), cientificado em 16/12/2015, conforme Aviso de RecebimentoAR de fls. 373/374, e o Sr. Aldo Narcisi, CPF nº 003.773.17853 (fls. 362/363), cientificado em 16/12/2015, conforme Aviso de RecebimentoAR de fls. 369/370, tendo como enquadramento legal o art. 135 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN) e como motivação o valor dos autos de infração superior a 30% do ativo da empresa registrado em sua última declaração. Da Impugnação Fl. 2023DF CARF MF Processo nº 10314.728382/201544 Acórdão n.º 1301003.303 S1C3T1 Fl. 2.024 3 Nos termos da decisão da DRJ, segue o relato da Impugnação, de fls. 376/396: Que teria ocorrido erro na apuração da base de cálculo, uma vez que foram indicados na planilha de fls. 319/320 em cada mês da contabilidade o valor das receitas acumuladas e não da receita respectivo do mês. Que a fiscalização considerou que todas as notas fiscais foram emitidas para documentar operações de venda, quando na verdade haveriam notas fiscais emitidas para outras operações, como simples remessa, devolução, transferência de bem do ativo permanente e etc. Demonstra mês a mês as inconsistências que protesta, desde janeiro até dezembro de 2011. Especificamente quanto ao mês de maio de 2011, alega que a receita daquele mês em sua contabilidade foi de R$ 1.008.485,56, tendo a fiscalização considerado como notas fiscais de venda a totalidade das emitidas naquele mês pela filial (R$ 875.223,98 + R$ 20.341,26 = R$ 895.595,24) quando algumas representariam outras operações, mais especificamente transferência de bem do ativo imobilizado, CFOP 5552, conforme documento de fls. 603/604. Argui a nulidade por ter a fiscalização apurado com evidente erro todos os elementos que compuseram a base de cálculo, em uma sequência de equívocos que ofenderiam o art. 59 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, Processo Administrativo FiscalPAF. Transcreve ementa do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da FazendaCARF. Requer a produção de prova pericial, informando os dados de seu assistente e apresentando seus quesitos. Protesta que a responsabilidade imputada aos sócios, com fulcro no valor da dívida, deve ser afastada, uma vez que demonstrada a redução de tais valores. Além disso, o art 135 do CTN não preveria tal hipótese como causa de responsabilização pessoal dos sócios, mas sim quando restarem comprovadas ações dolosas, que não foram apontadas pelo Fisco como causa da responsabilização pessoal. Também inexistiria dispositivo legal que autorizasse a solidariedade com base no valor da dívida e somente o dolo autorizaria tal imputação de responsabilidade aos sócios, o que não foi apurado, tanto que a multa de ofício foi lançada no percentual menor de 75%.. Encerra pedindo a anulação dos autos de infração, cancelandose os respectivos débitos e excluindose os sócios do pólo passivo, protestando pela produção de prova pericial contábil. Fl. 2024DF CARF MF Processo nº 10314.728382/201544 Acórdão n.º 1301003.303 S1C3T1 Fl. 2.025 4 Em julgamento realizado em 25 de maio de 2016, a 2ª Turma da DRJ/RJ1, considerou parcialmente procedente a impugnação da contribuinte e manter em parte os créditos tributários, e prolatou o acórdão 1281.774, assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O atendimento aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, a presença dos requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 e a observância do contraditório e do amplo direito de defesa do contribuinte afastam a hipótese de nulidade do lançamento. SOLIDARIEDADE. DESCABIMENTO Descabe a sujeição passiva solidária pelo simples motivo do valor dos autos de infração serem superiores a 30% do ativo da empresa registrado em sua última declaração, quando não comprovada a ocorrência das hipóteses previstas no art. 135 do CTN. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido quando desnecessário e prescindível para o deslinde da questão a ser apreciada ou se o processo contiver todos os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. ERRO DE FATO NA BASE DE CÁLCULO. APURAÇÃO E AJUSTE PARA NOVOS VALORES NA AUTUAÇÃO. CABIMENTO. Apurado erro de fato nos valores e planilhas que originaram a base de cálculo do lançamento, há que se corrigir tais erros, exonerando ou reduzindo a autuação para os novos valores apurados. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2011 LANÇAMENTOS DE CSLL, PIS E COFINS. SUPORTE FÁTICO COMUM. Por não apresentarem fato novo que suscite conclusão diversa, devem os lançamentos de CSLL, PIS e COFINS acompanharem o decidido quanto ao lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa JurídicaIRPJ, por terem suporte fático comum. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Do Recurso Voluntário Fl. 2025DF CARF MF Processo nº 10314.728382/201544 Acórdão n.º 1301003.303 S1C3T1 Fl. 2.026 5 A ora recorrente, devidamente cientificada do acórdão recorrido, apresentou recurso voluntário tempestivo (fls. 1.342/1.349), onde repete os argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade, principalmente no seguinte tópico: (1) Que o lançamento de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins do mês de maio de 2011 seja integralmente desconstituído ou que os autos retornem à DRJ para juntada da declaração de voto vencido, ou à autoridade lançadora para a reformulação do lançamento supostamente remanescente. Da Resolução 1301000.426 A Turma, por meio de Resolução, de 20 de junho de 2017, determinou a conversão do julgamento em diligência para que a Unidade Fiscalizadora realizasse o cálculo mês a mês, considerando o valor do SPED contábil, livros de registro de saídas e da contabilidade mensais, desconsiderando as notas fiscais emitidas com finalidades diversas (remessa para conserto, transferência de bens do ativo imobilizado, e todos os outros que não representam efetiva receita), bem como considerando todas as demais receitas efetivas (prestação de serviço e receitas de aluguéis) de janeiro a dezembro de 2011, em seguida apresentando relatório conclusivo acerca de eventuais divergências apresentadas. Assim foi feito, tendo sido acostado às efls. 201/2014 o relatório conclusivo, bem como tendo sido aberto prazo para manifestação do contribuinte, que nada disse. É o relatório. Fl. 2026DF CARF MF Processo nº 10314.728382/201544 Acórdão n.º 1301003.303 S1C3T1 Fl. 2.027 6 Voto Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto A contribuinte foi autuada, em 13/12/2015, no IRPJ, CSLL e reflexos, no regime de lucro real anual, por ter omitido receitas nos meses de fevereiro a dezembro de 2011, exigindose o crédito tributário total de R$130.150.660,15, incluindo multa de ofício de 75% e juros de mora. A DRJ/RJ1 julgou a impugnação Procedente em Parte, mantendo somente o lançamento decorrente do mês de maio de 2011, no valor de R$13.158,63, de IRPJ, R$7.895,18 de CSLL, PIS e Cofins de R$2.067,78 e R$9.524,34, bem como afastando a solidariedade passiva da empresa Markon Comércio e Participações Ltda, CNPJ nº 47.176.045/00085, e do Sr. Aldo Narcisi, CPF nº 003.773.17853.. Contra essa decisão foi interposto recurso de ofício e voluntário, os quais passo a analisar. Os responsáveis solidários, sócios da recorrente, Makron Comércio e Participações Ltda e Sr. Aldo Narciso, devidamente cientificados da decisão da DRJ, às fls. 1.337 e 1.338, em 09/06/2016, não apresentaram Recursos Voluntários. RECURSO DE OFÍCIO E VOLUNTÁRIO No que tange à admissibilidade do recurso de ofício, ressalto o determinado no art. 1º da Portaria MF nº 63, de 09/02/2017, publicada no DOU de 10/02/2017, a seguir transcrito: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). No caso em referência, ao somar os valores correspondentes a tributo e multa afastados em primeira instância, verifico que superam o limite de dois milhões e quinhentos mil reais, estabelecido pela norma em referência. Dessa forma, o recurso de ofício é cabível, e dele conheço. Quanto ao recurso voluntário, a contribuinte foi cientificada do teor do acórdão da DRJ/RJ1 e intimada ao recolhimento dos débitos de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins em 21/06/2016 (fl 1.339), e apresentou em 04/07/2016, recurso voluntário, juntados às fls. 1.342/1.349, tempestivamente, portanto dele também conheço. A contribuinte recorre, basicamente, em razão da manutenção de um valor remanescente relativo ao mês de maio de 2011. Fl. 2027DF CARF MF Processo nº 10314.728382/201544 Acórdão n.º 1301003.303 S1C3T1 Fl. 2.028 7 Segundo a decisão recorrida: os valores constantes das vendas efetivas no SPED consideraram valores de saída que não representam receitas. E o valor das vendas efetivas no SPED para o mês de maio/2011, constante na planilha de fl. 319 como sendo R$ 892.215,24, deve ser reduzido das saídas de CFOP 5552 no mês, resultando no montante de R$ 883.165,24. Por conseguinte, o valor da diferença no mês de maio deve ser ajustado para R$ 125.320,32, resultado do valor mensal na contabilidade de R$ 1.008.485,56, menos o valor de vendas efetivas no SPED, ajustado para o montante de R$ 883.165,24. Tal valor tributável resulta no IRPJ de R$ 13.158,63, já excluídos os 30% de prejuízos compensáveis e sem adicional, uma vez inferior ao valor não sujeito a adicional de R$ 240.000,00 mensal. Da mesma forma para os demais tributos, CSLL, PIS e Cofins. De fato, em que pese o lançamento ter realizado um cálculo totalmente equivocado, levandose em conta um valor contábil acumulado, ao invés do valor mensal, comparouo com valores declarados em SPED, chegandose à conclusão de que o valor contábil estava a maior, glosandoo à título de omissão de receitas. Conforme Termo de Verificação, fls. 316/321, após auditoria realizada, contrapondose o SPED FISCAL e CONTÁBIL, chegouse à diferença, conforme quadro abaixo, que serviu de base para o lançamento dos tributos, em razão de suposta omissão de receitas identificada. O entendimento da decisão recorrida, foi no sentido de que a fiscalização considerou como vendas efetivas na contabilidade o montante acumulado nos meses autuados, e não o valor específico de cada mês, como ocorreu nos valores de vendas efetivas no SPED. Bem como, de consideração, pela fiscalização, de notas fiscais de venda, quando na verdade, era notas fiscais de outras operações, como simples remessa, devolução, etc. Fl. 2028DF CARF MF Processo nº 10314.728382/201544 Acórdão n.º 1301003.303 S1C3T1 Fl. 2.029 8 Assim, a decisão realizou novo cálculo, com base nos documentos de fls. 616/754, confirmado com documentos de fls. 989/1.061, o que exonerou o lançamento referentes a todos os meses com exceção de maio/2011. Diante das dúvidas que me cercavam naquele momento, diante dos cálculos do auto de infração e dos cálculos que a DRJ apresentou, solicitei a diligência, para que a unidade refizesse os cálculos mensalmente, levandose em conta todas as notas, desconsiderando aquelas de simples remessa, transporte, etc. Assim, a fiscalização montou a seguinte planilha, de efls. 2013: Fl. 2029DF CARF MF Processo nº 10314.728382/201544 Acórdão n.º 1301003.303 S1C3T1 Fl. 2.030 9 Em que pese o relatório fiscal não ter atendido ao solicitado, claro está que o auto de infração cometeu um grave equívoco ao considerar o valor contábil pelo acumulado e não mês a mês, o que gerou as distorções e ao final o lançamento. Nesta diligência, disse o fiscalizador que alguns dos dados que foram agora disponibilizados não estavam disponíveis quando da fiscalização, levando ao quadro acima. Entretanto, novamente, em que pese ter realizado tal quadro, tais diferenças apontadas, algumas para cima e outras para baixo, não foram comparadas com aquilo que o recorrente efetivamente tributou, conforme se verifica da observação citada de que receitas de aluguéis não estão inclusas já que não podem ser comparados com o Livro de Registro de Saídas ou Notas Fiscais de Venda, e que houve valores em fevereiro e maio de 2011. Em análise do balancete do mês de janeiro fl. 1599, temos como receita o valor de R$2.491.434,07, mais as receitas operacionais de R$471.197,04, que está de acordo com seu cálculo do IRPJ e CSLL e com a DACON apresentada. Porém não localizo a mencionada exclusão de notas fiscais de transporte no montante mencionado pela recorrente ou o valor contábil R$6.176.573,33, resumo do registro do livro de saídas considerado pela fiscalização não é o correto? Ela chega à conclusão de que o valor anual recolhido a menor seria de R$139.426,47!!! Mas isso seria a base, não o imposto!!! Fl. 2030DF CARF MF Processo nº 10314.728382/201544 Acórdão n.º 1301003.303 S1C3T1 Fl. 2.031 10 Ora, tal relatório não se mostra conclusivo no sentido de que há valores que se refletem em omissão de receitas. A decisão a quo, ao reformar o lançamento, determina a reforma e manutenção de um valor remanescente relativo ao mês de maio, em razão deste estar a maior que o lançado no SPED. De fato, não merece prosperar essa manutenção, em análise da DIPJ (fl. 778) daquele ano, apuro que a recorrente estava em situação de prejuízo fiscal e base negativa, entretanto o valor que consta na contabilidade naquele mês como receita, de R$1.008.485,56, faz parte da base de cálculo de IRPJ e CSLL. Assim como, verificandose a DACON (fls. 881 e ss) desse mesmo mês, verifico que esse mesmo valor faz parte da base de cálculo, de forma que não faz sentido manterse tal lançamento de "valor remanescente". Ou seja, não há que se falar diferença remanescente, uma vez que o valor já foi totalmente tributado, conforme se verifica das declarações entregues. Merecendo reforma a decisão a quo para cancelar o lançamento relativo ao mês de maio/2011. Vejo que o trabalho realizado não foi conclusivo, ou sua conclusão não pode ser acatada! Houve ou não houve omissão e quais os valores? Fato é que o lançamento inicial está eivado, ao não trazer a base de cálculo correta e dessa forma, o lançamento não merece prosperar. A conduta da fiscalização, de forma repetida, demonstra contradição interna ao lançamento e não vejo outro caminho a não ser o reconhecimento de cancelar o lançamento, já que lhe falta um aspecto, o quantitativo, em desacordo ao artigo 142 do CTN e artigo 10 do Decreto 70.235/1972. Fl. 2031DF CARF MF Processo nº 10314.728382/201544 Acórdão n.º 1301003.303 S1C3T1 Fl. 2.032 11 Dessa forma também, não há que se falar em responsabilidade solidária. CONCLUSÃO Diante de todo o acima exposto, CONHEÇO dos Recursos Voluntário e de Ofício, para no mérito NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício e DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Fl. 2032DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10660.905852/2011-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do Fato Gerador: 15/01/2001
FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF.
Nos pedidos de restituição e compensação PER/DCOMP, a falta de retificação da DCTF do período em análise não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre no processo administrativo fiscal, por meio de prova cabal, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do Fato Gerador: 15/01/2001
INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO.
Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585.235. Por força do Art. 62-A, Anexo II, do regimento interno deste Conselho, é obrigatória a aplicação do entendimento do STF sobre o conceito de faturamento, não se incluindo nesta concepção as receitas financeiras, salvo se estas forem receitas operacionais da pessoa jurídica.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do Fato Gerador: 15/01/2001
COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE.
Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar que as receitas (de natureza diversa das de vendas de mercadorias e de serviços) afastadas da incidência foram incluídas indevidamente na base de cálculo da contribuição.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.885
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10660.905839/2011-87, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do Fato Gerador: 15/01/2001 FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Nos pedidos de restituição e compensação PER/DCOMP, a falta de retificação da DCTF do período em análise não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre no processo administrativo fiscal, por meio de prova cabal, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do Fato Gerador: 15/01/2001 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO. Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585.235. Por força do Art. 62-A, Anexo II, do regimento interno deste Conselho, é obrigatória a aplicação do entendimento do STF sobre o conceito de faturamento, não se incluindo nesta concepção as receitas financeiras, salvo se estas forem receitas operacionais da pessoa jurídica. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do Fato Gerador: 15/01/2001 COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar que as receitas (de natureza diversa das de vendas de mercadorias e de serviços) afastadas da incidência foram incluídas indevidamente na base de cálculo da contribuição. Recurso Voluntário Negado
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Recorrente MAHLE COMPONENTES DE MOTORES DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do Fato Gerador: 15/01/2001 FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Nos pedidos de restituição e compensação PER/DCOMP, a falta de retificação da DCTF do período em análise não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre no processo administrativo fiscal, por meio de prova cabal, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 15/01/2001 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO. Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585.235. Por força do Art. 62A, Anexo II, do regimento interno deste Conselho, é obrigatória a aplicação do entendimento do STF sobre o conceito de faturamento, não se incluindo nesta concepção as receitas financeiras, salvo se estas forem receitas operacionais da pessoa jurídica. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do Fato Gerador: 15/01/2001 COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar que as receitas AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 58 52 /2 01 1- 36 Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10660.905852/201136 Acórdão n.º 3301004.885 S3C3T1 Fl. 3 2 (de natureza diversa das de vendas de mercadorias e de serviços) afastadas da incidência foram incluídas indevidamente na base de cálculo da contribuição. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10660.905839/201187, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vicepresidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior. Relatório Trata o presente processo administrativo de pedido de restituição realizado através de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido. A unidade de origem proferiu despacho decisório indeferindo o crédito pleiteado, sob o fundamento de que o pagamento da guia DARF do período foi identificado, no entanto, integralmente utilizado para quitação dos débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Intimada da decisão, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade para instaurar o contencioso administrativo, juntando demonstrativos para subsidiar a existência de seu crédito. Em síntese, a contribuinte afirmou: o Despacho Decisório adotou equivocada premissa de que inexiste crédito a ser restituído, porque não converteu o julgamento em diligência para solicitar esclarecimentos ou a apresentação de documentos que comprovassem o valor exato do crédito pretendido; Não considerou que o valor informado em DCTF como devido foi apurado em conformidade com a ilegal e inconstitucional base de cálculo instituída pela Lei nº 9.718; o Supremo Tribunal Federal, em julgamento de Recursos Extraordinários, consolidou o entendimento no sentido da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das referidas contribuições, promovida pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10660.905852/201136 Acórdão n.º 3301004.885 S3C3T1 Fl. 4 3 deixando de considerar como faturamento receita de natureza diversa da venda de mercadorias e de serviços. A retificação da DCTF para a apresentação do PER/DCOMP representa requisito meramente formal que não pode se sobrepor à verdade material, uma vez comprovada, por outros meios, a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Ressalta que as informações contidas nos documentos que instruem a manifestação atestam, de forma inquestionável, que a restituição abordada no Per/Dcomp deve ser deferida, quer por força do dever de busca da verdade material, quer sob pena de cerceamento do direito de defesa, mediante a análise das razões e dos documentos que acompanham este recurso, eventuais diligências administrativas e a realização de prova pericial, que se requer. A DRJ julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 06046.542. O fundamento adotado, em síntese, foi pela inexistência nos autos de documentação comprobatória do direito alegado. Inconformada da r. decisão, a contribuinte apresentou, no prazo, seu Recurso Voluntário que ora se analisa, repisando os argumentos trazidos em sua manifestação de inconformidade e insistindo na realização de perícia. É a síntese do necessário. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.872, de 26 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 10660.905839/201187, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.872): "O recurso voluntário foi interposto no prazo e reúne os pressupostos legais de interposição. Realizada a suma adrede, passase a analisar as questões levantadas, especialmente sobre i) a decisão de indeferimento fundamentada no valor informado em DCTF com a correspondente quitação do montante declarado, não havendo crédito a compensar; ii) a declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF no RE nº 585.235 sob o rito da repercussão geral, art. 543 B do STF; ii) a declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF no RE nº 585.235 sob o rito da repercussão geral, art. 543B do STF; iii) a análise do crédito decorrente de receitas financeiras a partir das provas juntadas aos autos. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10660.905852/201136 Acórdão n.º 3301004.885 S3C3T1 Fl. 5 4 I) Do indeferimento do pedido de restituição diante da inexistência de retificação da DCTF Neste ponto, é relevante a análise da decisão que indeferiu o pedido de restituição, sob a fundamentação de que foi efetuada uma declaração por DCTF e a DARF discriminada no PER/DCOMP foi inteiramente utilizada para quitar o débito do contribuinte, não restando crédito para a restituição, verbis: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. O significado que se extrai deste despacho decisório é que a Recorrente apresentou o PER/DCOMP, mas não realizou a retificação da DCTF do período correspondente, qual seja, 06/2000. Desta feita, o montante pago foi utilizado para cobrir integralmente um débito declarado, não havendo excesso resultante do pagamento indevido. Ressaltese, no entanto, que a retificação da DCTF, por si só, não se presta para solidificar a liquidez e certeza do crédito pleiteado pelo contribuinte, sendo indispensável a apresentação de prova, tais como demonstrativos contábeis e fiscais, para aferição do crédito. Neste sentido, já se pronunciou a Câmara Superior de Recursos Fiscais deste E. CARF, no julgamento do processo 10909.900175/200812, manifestando o entendimento no acórdão nº 9303005.520 (sessão de 15/08/2017), no sentido de que, mesmo no caso de uma a retificação posterior ao Despacho Decisório, não haveria impedimentos para o deferimento do pedido quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original, comparecendo nos autos com qualquer prova documental hábil a demonstrar o erro que cometera no preenchimento da DCTF (escrita contábil e fiscal): Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. Recurso Especial do Contribuinte negado. Este entendimento vem sendo adotado em sede de Recurso Voluntário pelo E. CARF, conforme se destaca das ementas abaixo: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 14/11/2003 Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10660.905852/201136 Acórdão n.º 3301004.885 S3C3T1 Fl. 6 5 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas apresentadas pelo contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte. (Número do Processo 10283.902681/200913. Relator WALBER JOSE DA SILVA. Data da Sessão 21/05/2013. Nº Acórdão 3302 002.104) Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2001 CONEXÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os processos referemse a períodos diferentes, o que ocasiona fatos jurídicos tributários diferentes, com a consequente, diferenciação no que concerne à produção probatória, impossibilitando a conexão. FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Ainda que o sujeito passivo não tenha retificado a DCTF, mas demonstre, por meio de prova cabal, a existência de crédito, a referida formalidade não se faz necessária. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2011 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO. Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585.235 QORG. (Número do Processo 10280.905792/201126. Relatora SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA. Data da Sessão 27/07/2017. Nº Acórdão 3302004.623) (grifo não consta do original) Esta colenda 1ª TO da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF tem manifestado entendimento no mesmo sentido, segundo a qual, em razão da verdade material, a liquidez e certeza do crédito pleiteado pelo contribuinte pode ser demonstrado por outros elementos de prova, independentemente da retificação da DCTF, conforme é possível constatar pelo recente acórdão relatado pela ilustre conselheira Semíramis de Oliveira Duro: Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10660.905852/201136 Acórdão n.º 3301004.885 S3C3T1 Fl. 7 6 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2012 COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. Se transmitida a PER/Dcomp sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. (...) Recurso Voluntário provido. (Número do Processo 11060.900738/201311. Relatora SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO. Data da Sessão 17/04/2018. Nº Acórdão 3301004.545) Desta feita, o que é necessário verificar é a existência de comprovação pela Recorrente, nos autos, trazendo elementos de prova capaz de trazer liquidez e certeza de seu crédito. II) Da declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF no RE nº 585.235 sob o rito da repercussão geral, art. 543B do STF Quanto ao ponto sobre a incidência da contribuição ao PIS sobre receitas financeiras, auferidas por entidade que não desenvolva atividade financeira. Sobre este assunto, o Supremo Tribunal Federal já se manifestou, inclusive em sede de repercussão geral, acerca da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei 9.718/1998, por pretender alargar o conceito de faturamento, estabelecendo as receitas totais da pessoa jurídica como base de cálculo das contribuição para o PIS e COFINS. Tratase do RE nº 585.235 e desde 2010 a PGFN já se manisfestou formalmente, por meio da Portaria PGFN 294/2010, no sentido de dispensar os procuradores da fazenda nacional a contestar ou recorrer nesta matéria: Item 1, Anexo I, Portaria PGFN nª 294/2010 Resumo: É inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo art. 3º, §1º da Lei n. 9.718/98, eis que tais exações devem incidir, apenas, sobre as receitas decorrentes da venda de mercadorias e da prestação de serviços (conceito restritivo de receita bruta), e não sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica (conceito ampliativo de receita bruta). (...) DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: o PIS/COFINS deve incidir somente sobre as receitas operacionais das empresas, escapando da incidencia do PIS/COFINS as receitas não operacionais. Consideramse receitas operacionais as oriundas dos serviços financeiros prestados pelas instituições financeiras (serviços remunerados por tarifas e atividades de intermediação financeira). Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10660.905852/201136 Acórdão n.º 3301004.885 S3C3T1 Fl. 8 7 Nestes termos, é de rigor a aplicação do art. 62, § 1º, I e II, "b" e "c" do anexo II do RICARF, no sentido de que os membros das turmas de julgamento do CARF estão autorizados afastar a aplicação lei sob fundamento de inconstitucionalidade nos casos em que este entendimento já foi manifestado por decisão definitiva em sessão plenária do Supremo Tribunal Federal ou decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em sede de julgamento realizado em repercussão geral nos termos dos arts. 543B do CPC/1973, ou mesmo no caso de existência de Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002. Preenchese as três hipóteses do Regimento Interno do CARF (RICARF) neste caso de alargamento da base cálculo das contribuições PIS/COFINS intentada pelo disposto no art. 3º, § 1º da Lei 9.718/1998. Neste sentido: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2000 a 30/11/2002, 01/07/2003 a 31/07/2004, 01/09/2004 a 30/09/2004 Ementa: NÃO INCIDÊNCIA DO PIS SOBRE RECEITAS NÃO OPERACIONAIS E VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA. REGIME CUMULATIVO DO PIS. CONCEITO DE FATURAMENTO PARA INCIDÊNCIA NA BASE DE CÁLCULO. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. Por força do Art. 62A, Anexo II, do regimento interno deste Conselho, é obrigatória a aplicação do entendimento do STF sobre o conceito de faturamento ("faturamento corresponde à receita das vendas de mercadorias, de serviços ou de mercadoria e serviços" vejam julgamentos dos Recursos Extraordinários 346.084, DJ 01/09/2006 Rel p/ acórdão Min. Marco Aurélio, 357.950, 358.273 e 390.840 todos DJ 15.08.06 Rel. Min. Marco Aurélio). Sendo "receitas" não operacionais e variações cambiais ativas, e, portanto, não se tratando de "faturamento" vinculado às receitas oriundas das prestações de bens e serviços, não há como incidir o PIS. (Número do Processo 13502.000463/200585. Nº Acórdão 3201 003.681. Data da Sessão 22/05/2018) Resta, portanto, consolidado o entendimento acerca da não incidência de PIS sobre receitas financeiras, quando não constituírem receita operacional da empresa, no contexto da aplicação da Lei 9.718/1998. Como o período de apuração em que se discute o pagamento indevido é 06/2000, em tal momento aplicavase para a Recorrente o regime de tributação previsto na Lei 9.818/1998. Isto posto, caso comprovada a inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição ao PIS no período em referência, demonstrandose a liquidez e certeza do crédito a restituir declarado pelo contribuinte, será de Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10660.905852/201136 Acórdão n.º 3301004.885 S3C3T1 Fl. 9 8 rigor reconhecer o direito à restituição pleiteado pelo contribuinte. É o que se passa a analisar. III) Da liquidez e certeza do crédito Neste ponto, a Recorrente argumentou que no mês de apuração em foco (06/2000), considerando a original vigência da Lei nº 9.718/1998, apurou a contribuição com a inclusão de receitas financeiras à base de cálculo. No entanto, em que pese a Recorrente ressaltar em seu Recurso Voluntário que os documentos juntados aos autos atestam, de forma inquestionável, a restituição pleiteada em seu pedido, o que se tem, na verdade, é um simples demonstrativo de cálculo da contribuição, onde traz o total do faturamento, as exclusões permitidas, o valor devido da contribuição, o valor do recolhimento e o crédito objeto do pedido de restituição. Estes demonstrativos não possui força probatória isoladamente, desacompanhada de outros documentos oficiais, como registros contábeis e fiscais. A afirmação de que o Fisco já detém todas as informações, por todas as obrigações acessórias já cumpridas, bastando baixar em diligência para verificar a informação também não é pertinente e não merece guarida o alegado cerceamento de defesa daí decorrente. Nos pedidos de restituição o ônus da prova da existência do crédito é do contribuinte, não tendo a Recorrente se desincumbido de tal tarefa. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 PROVA. APRECIAÇÃO INICIAL EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. LIMITES. PRECLUSÃO. A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972 e, excepcionalmente, quando visem à complementar instrução probatória já iniciada quando da interposição da manifestação de inconformidade. COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. (Número do Processo 10880.674831/200954. Relatora LARISSA NUNES GIRARD. Data da Sessão 13/06/2018. Nº Acórdão 3002000.234) (grifos não constam do original) A Recorrente não trouxe aos autos, nas duas oportunidades em que neles compareceu manifestação de inconformidade e recurso voluntário, qualquer prova documental hábil capaz de sustentar a veracidade e existência de seu direito de crédito (escrita contábil e fiscal). Não constam dos autos balancetes e demonstrações contábeis, nem mesmo a DIPJ do contribuinte para evidenciar o quantum de receitas financeiras levadas à tributação do PIS, sendo desnecessária, portanto, a realização da perícia requerida. A perícia será necessária quando a matéria exigir conhecimento técnico específico diferente Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10660.905852/201136 Acórdão n.º 3301004.885 S3C3T1 Fl. 10 9 da análise que deve ser realizada pela autoridade administrativa competente para o reconhecimento do crédito. Ademais, a demonstração do crédito, neste caso, seria possível com a simples apresentação de prova documental, não realizada pelo contribuinte. Desta feita, diante da ausência de comprovação da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese negar provimento ao presente recurso voluntário Isto posto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, negar provimento." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 167DF CARF MF
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