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Numero do processo: 10073.902045/2009-67
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: null
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Numero da decisão: 3802-003.103
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1716; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 121 1 120 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10073.902045/200967 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3802003.103 – 2ª Turma Especial Sessão de 27 de maio de 2014 Matéria Compensação Recorrente Samer Serviços de Assistência Médica de Resende S/C Ltda Recorrida Fazenda Nacional Assunto: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/10/2002 a 31/10/2002 COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência. Bem como o contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. Recurso Voluntário o qual se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 90 20 45 /2 00 9- 67 Fl. 120DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 O interessado acima identificado recorre a este Conselho de Contribuintes, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I/RJ. Tratase de Declaração de Compensação Eletrônica, cujo suposto crédito pleiteado é oriundo de pagamento a maior, a título de PIS/COFINS, referente ao período de apuração indicado. Por meio do Despacho Decisório emitido eletronicamente, a DRF Volta Redonda, não homologou a compensação declarada, alegando não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a Interessada alega em sede de manifestação de inconformidade que: A Empresa apurou créditos de tributos e contribuições pagos indevidamente ou a maior a qual se utilizou dos benefícios legais e que no momento do procedimento das compensações — PER/DCOMP informou corretamente todos os dados constantes no DARF como também o crédito, já identificado no despacho decisório. Tratase então, de apenas proceder as retificações das respectivas DCTFs — Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, o que não invalida o direito de proceder a compensação do pagamento efetuado indevidamente ou a maior. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, ou seja, o julgamento foi pela improcedência da manifestação de inconformidade, no sentido de manter a não homologação da compensação, por falta de direito creditório, nos seguintes termos: INDÉBITO FISCAL. COMPENSAÇÃO. Somente com a comprovação do pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, em face da legislação tributária aplicável, cogitase o reconhecimento de indébito fiscal, e da sua utilização na compensação de outros tributos e contribuições. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 ÔNUS DA PROVA. ALEGAÇÃO DESACOMPANHADA DE PROVA.PRECLUSÃO. A prova do crédito, que suporta Declaração de Compensação, cabe à contribuinte, devendo ser apresentada até o momento da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, salvo em casos excepcionais legalmente previstos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10073.902045/200967 Acórdão n.º 3802003.103 S3TE02 Fl. 122 3 Portanto, o julgamento foi no sentido de não acolher a pretensão pela falta de liquidez e certeza do aludido crédito de compensação. Consta a informação que tendo em vista a greve dos correiosETC, não foi possível precisar data do AR, pois o mesmo foi extraviado, dessa forma fica o recurso voluntário aceito. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, a recorrente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira para prosseguimento. É o Relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente da não conformidade pela não homologação da compensação do débito declarado, por falta de direito creditório contra a Fazenda Nacional, já que o alegado recolhimento indevido não fora suficiente. O cerne da questão é a comprovação ou não do direito creditório para fins da compensação/restituição. No caso da compensação, o marco inicial do contencioso é declaração produzida pelo próprio contribuinte, que constitui a relação de indébito do Fisco (pagamento indevido) e promove atos para a extinção da obrigação tributária, nos termos do art. 156, II do CTN, que fica sujeita a posterior homologação, ou seja, submetese ao poderdever da Administração de verificação de sua regularidade. A não homologação, não obstante, localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de outros débitos. De fato, tal constatação decorre diretamente do exame de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF apresentada pelo próprio contribuinte e na qual o pagamento apontado na DCOMP é utilizado totalmente para a quitação do débito indicado. Portanto, a análise das declarações prestadas à Receita Federal mostra que o crédito utilizado na compensação declarada não é suficiente. Não havendo saldo disponível para suporte de uma nova extinção, por meio de compensação. Não há a disponibilidade, tampouco suficiência de tal direito creditório, muito menos a efetividade e regularidade da compensação alegada, por meio da apresentação da escrituração contábil e fiscal. Observase, portanto, que a Receita Federal em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por Fl. 122DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado, logo, tributo considerado devido, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Assim sendo, o Despacho Decisório foi lançado perfeitamente, com base nas informações disponíveis à Receita Federal. Como sabido, a Lei nº 9.430/96 prevê que somente os créditos passíveis de restituição e compensação poderão ser utilizados na compensação tributária. Quanto à retificação da DCTF, como argumenta a recorrente, mesmo que tivesse sido efetuada, não dispensa o dever de comprovar a origem do crédito alegado na PerdComp. Este dever está vinculado a quem solicita, inclusive com prova contábilfiscal robusta para suportar sua alegação, o que não ocorreu ao caso. Esta turma tem admitido a DCTF retificadora mesmo quando posterior à ciência do despacho decisório, desde que acompanhada da prova de erro na DCTF retificada, por meio da escrituração e dos documentos fiscais e contábeis. São exemplos deste entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios, dentre outros. Assim sendo, é ônus do recorrente de comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que se fundou a não – homologação dos créditos. A recorrente não comprova a alegação. Não junta aos autos qualquer documento contábilfiscal que pudesse corroborar o direito alegado. Para que o alegado direito a crédito fosse comprovado, a contribuinte deveria ter trazido aos autos o demonstrativo de apuração das contribuições acompanhado da escrituração contábil e fiscal que pudesse lastrear as informações nele contidas. Em face do exposto, observase que a inércia da recorrente, que detém o ônus da prova para comprovar a liquidez e certeza do direito creditório é determinante pelo não reconhecimento do direito creditório reivindicado. No que tange à prova, é de se observar o esclarecimento de Paulo Celso B. Bonilha (Da Prova no Processo Administrativo Tributário, 2ª Edição, Dialética, São Paulo, 1997): “Embora de maior amplitude, o poder de prova das autoridades administrativas deve ser, por uma questão de princípio, distinto do direito de prova a ser exercido pela Fazenda na relação processual. Essa conclusão elementar decorre da própria estrutura da relação processual administrativa, visto que ela pressupõe modos de atuação distintos da Administração: não se confundem as atribuições de defesa da pretensão fiscal e a de julgamento, por isso mesmo desempenhadas por órgãos autônomos. Essas premissas, a nosso ver, justificam as seguintes assertivas: o poder instrutório das autoridades de julgamento (aqui englobamos a de preparo) deve se nortear pelo esclarecimento dos pontos controvertidos , mas sua atuação não pode implicar invasão dos campos de exercício de prova do contribuinte ou da Fazenda. Em outras palavras, o caráter Fl. 123DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10073.902045/200967 Acórdão n.º 3802003.103 S3TE02 Fl. 123 5 oficial da atuação dessas autoridades e o equilíbrio e imparcialidade com que devem exercer suas atribuições, inclusive a probatória, não lhes permite substituir as partes ou suprir a prova que lhes incumbe carrear para o processo.” (Grifado) Por essa razão, não se pode aceitar a compensação em discussão, com base nas alegações da recorrente sem documentação necessária à comprovação da consistência dos créditos, que pretende compensar. Por todo o acima exposto, nego provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 124DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10380.013792/00-28
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 1995, 1996, 1997
Omissão de Receitas. Informações Prestadas pela Fazenda Estadual.
Comprovado, em dados constantes das GIAS da Fazenda Estadual e dados internos constantes dos sistemas da RFB que a pessoa jurídica obteve faturamento e omitiu da tributação as receitas auferidas, correta a imputação de omissão de receitas.
Multa Qualificada. Evidente Intuito de Fraude.
Deve ser mantida a multa qualificada pelo evidente intuito de fraude quando comprovadas as ações ou omissões dolosas tendentes a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, e das condições pessoas do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente.
Responsabilidade Solidária.
São solidariamente obrigados os sócios de fato quando restar demonstrado o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal.
Numero da decisão: 1801-001.855
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana De Barros Fernandes.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 1995, 1996, 1997 Omissão de Receitas. Informações Prestadas pela Fazenda Estadual. Comprovado, em dados constantes das GIAS da Fazenda Estadual e dados internos constantes dos sistemas da RFB que a pessoa jurídica obteve faturamento e omitiu da tributação as receitas auferidas, correta a imputação de omissão de receitas. Multa Qualificada. Evidente Intuito de Fraude. Deve ser mantida a multa qualificada pelo evidente intuito de fraude quando comprovadas as ações ou omissões dolosas tendentes a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, e das condições pessoas do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Responsabilidade Solidária. São solidariamente obrigados os sócios de fato quando restar demonstrado o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana De Barros Fernandes.
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INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FAZENDA ESTADUAL. Comprovado, em dados constantes das GIAS da Fazenda Estadual e dados internos constantes dos sistemas da RFB que a pessoa jurídica obteve faturamento e omitiu da tributação as receitas auferidas, correta a imputação de omissão de receitas. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Deve ser mantida a multa qualificada pelo evidente intuito de fraude quando comprovadas as ações ou omissões dolosas tendentes a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, e das condições pessoas do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. São solidariamente obrigados os sócios de fato quando restar demonstrado o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 37 92 /0 0- 28 Fl. 450DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/03/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana De Barros Fernandes. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra acórdão da 4a. Turma de Julgamento da DRJ em Fortaleza/CE que, por unanimidade de votos, manteve integralmente a exigência de PIS consubstanciada nos autos. Trata o presente processo de auto de infração à Contribuição ao Programa de Integração Social – PIS, que exige da empresa acima epigrafada o crédito tributário no valor total de R$ 142.283,51, aí incluídos o principal, a multa de ofício qualificada e os juros de mora devidos até a data da lavratura, tendo com conta os fatos apuradas em procedimento de auditoria fiscal, que culminou com a lavratura de autos de infração de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS, estes últimos exigências reflexas da principal, relativa ao IRPJ. O auto de infração teve como motivação a falta de recolhimento do PIS, apurada com base nas Guias Informativas Mensais ao ICMS, apresentadas pelo contribuinte à Secretaria de Fazenda do Estado do Ceará, assim como informações sobre faturamento obtidas junto aos sistemas internos da RFB, nos anoscalendário 1996 e 1997, uma vez que a pessoa jurídica não exerceria atividade operacional desde janeiro de 1997. O lançamento foi formalizado nos moldes do arbitramento de lucros, já que não foram apresentados livros e documentos contábeisfiscais de manutenção obrigatória. A multa de ofício foi qualificada em virtude da prática de atos fraudulentos apurados no curso do procedimento fiscal, caracterizada pela simulação de alienação societária.. Também foram cientificados do auto de infração as pessoas de Luiz Moreira Pires, CPF 074.091.17320, e Francisca Ferreira Parente Pires, CPF 091.251.40353, na qualidade de sócios de fato da empresa autuada. O Sr. Luiz Moreira Pires e a Sra. Francisca Ferreira Parente Pires alegaram, na peça de defesa apresentada, que haviam constituído, em 1991, a pessoa jurídica de L. Moreira Pires & Cia Ltda., vendida, em 1996, às pessoas de Raimundo Moreira Pires e sua esposa Marina Araújo Pires. A denominação da empresa foi alterada para CASA DE TECIDOS RM LTDA., com a extinção da filial da Av. Monsenhor Tabosa, n° 200 Praia de Iracema, com transferência de todo o acervo de mercadorias para a loja Matriz localizada na Rua Alberto Magno, n° 1.334 , Montese, tudo constante de aditivo contratual devidamente registrado no órgão competente. Fl. 451DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/03/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10380.013792/0028 Acórdão n.º 1801001.855 S1TE01 Fl. 3 3 Concretizada a referida negociação, os impugnantes continuaram no exercício de suas atividades alegando desconhecimento total das atividades mantidas pela empresa então negociada CASA DE TECIDOS RM LTDA. Afirmam não ter interesse nem legitimidade para questionar a validade do Auto de Infração, lavrado contra a empresa CASA DE TECIDOS RM LTDA., mas tão somente, a inclusão indevida de seus nomes como 'sócios de fato' de referida empresa, pois a auditoria teria considerado que os atos societários pactuados teriam sido simulados. Negam a existência de simulação nos contratos sociais formalizados e seus respectivos aditivos afirmando, ainda, que em caso de comprovação de eventual falsidade os efeitos dos atos somente cessariam com decisão judicial a ser proferida no âmbito de processo judicial. Contestaram, em aditivo, a formalização de processo de Representação Fiscais para Fins Penais do qual receberam cópia, aduzindo que não tiveram conhecimento da lavratura de diversos autos de infração cuja responsabilidade lhes foi indevidamente atribuída, até a notificação do processo de Representação Fiscais para Fins Penais. Analisando o feito a 4a. Turma da DRJ em Fortaleza/CE, validou a caracterização de simulação e manteve, integralmente, a exigência, assim como a responsabilidade solidária dos sócios de fato. A intimação para ciência do resultado do julgamento foi encaminhada ao endereço da empresa Casa de Tecidos RM, mas foi devolvida ao remetente (fls. 359/362). Cópias da intimação também foram enviadas aos seguintes endereços: de Rogério Bezerra da costa (fl. 365), recepcionada em 19/08/2004; Luiz Moreira Pires (376), recepcionada em 27/09/2004; Francisca Ferreira Parente Bezerra (377), recepcionada em 27/09/2004. Em 26/10/2004 foi protocolizado recurso voluntário em nome de Luiz Moreira Pires. Depois de descrever os fatos que ensejaram a autuação reiterou, no mérito, todos os argumentos de defesa deduzidos na impugnação apresentada, afirmando não ter qualquer responsabilidade pelos débitos porventura devidos pela empresa alienada, hoje denominada Casa de Tecidos RM Ltda. Consignou não haver qualquer prova, nos autos, a imputar a responsabilidade pelos débitos da empresa contra si e sua mulher, e que tudo o quanto foi produzido pela auditoria fiscal seria falso e fruto de “uma armação” para que fosse, o casal, responsabilizado por atos que não praticou. Alegou juntar aos autos nova declaração prestada em cartório por Rogério Bezerra da Costa na qual este último afirma que teria adquirido a empresa Casa de Tecidos RM Ltda., para comercialização de tecidos e malhas, mas que os negócios não andaram bem gerando grandes prejuízos e que “teria sido constrangido a assinar documentos que lhe foram apresentados, sentidose coagido diante de autoridades que lhe faziam perguntas e exigiam outros esclarecimentos e que em vista disso chegou a mentir para se ver livre daquele tormento”. Fl. 452DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/03/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Ainda no mérito argumentou que a autoridade fiscal não teria especificado qual figura fraudulenta teria sido apurada, se sonegação, fraude ou conluio, como definido nos artigos 71, 72 e 73 da lei n º 4.502, de 1964. Salientou que sequer o dolo teria sido caracterizado pelo agente fiscal. Ao final pugnou pelo acolhimento do Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Para bem contextualizar os fatos, julgo pertinente reproduzir o Termo de Constatação Fiscal: [...] 1. A empresa não exerce suas atividades desde de janeiro de 1.997, último mês em que registrou movimentação de compra e venda, de acordo com informação obtida nas Guias Informativas Mensais ao ICMS GIM, fornecidas pela Secretaria da Fazenda deste Estado.(fls.29.a.146); 2. Os livros e documentos contábeis e fiscais do contribuinte não foram apresentados à esta Fiscalização, tendo contador, sócios, ex sócios da empresa informado desconhecer o paradeiro de tais documentos, fato que motivou o arbitramento ( fls.19 a 21,25); 3. Conforme documentos obtidos na Junta Comercial, a firma iniciou suas atividades em 10.05.91, com endereço na rua Alberto Magno, 1394, Montese, nesta Capital, tendo como únicos sócios o Sr. Luis Moreira Pires, CPF 074.019.17302, e esposa, Francisca Ferreira Parente Pires, CPF 091.121.40353, os quais, em 04.04.96, e através do 6°. aditivo ao Contrato Social, transferiram suas quotas de capital a Raimundo Moreira Pires, CPF 081.469.93320 e esposa, Marina Araújo Pires, CPF 561.875.21315 ( fls.147 a156); 4. No 7°. Aditivo ao Contrato Social de 13.05.96, os novos sócios, Raimundo Moreira Pires e Marina Araújo Pires mudaram o endereço da empresa para a rua Teodolfo Magalhães, 147, Lagoa Redonda, nesta cidade (fls.157); 5. No 8°. Aditivo ao Contrato Social, de 15.07.96, os sócios Raimundo Moreira Pires e Marina Araújo Pires transferiram suas quotas a Rogério Bezerra da Costa, CPF 448.893.79315, e Aldemar Jucá Oliveira, CPF 461.008.73320, e estes últimos, através do 9°. Aditivo ao Contrato Social, de 25.11.96, alteraram o endereço da firma para a rua das Tulipas, número 10, na cidade de Euzébio CE( fls. 158 a 160); Fl. 453DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/03/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10380.013792/0028 Acórdão n.º 1801001.855 S1TE01 Fl. 4 5 6. Em 01/03/2000, o Sr. Rogério Bezerra da Costa, ao tomar ciência desse procedimento de fiscalização, disse, em depoimento prestado nesta Receita Federal, que não era sócio de fato da empresa e que havia recebido a quantia de R$ 1.000,000 do Sr. Luis Moreira Pires, para assumir tal condição, informando, em 15.03.2000, em carta resposta ao Termo de Início de Ação Fiscal, não saber da documentação contábil e fiscal da mesma (fls.18 e 19); 7. Apesar das diligências realizadas no sentido de ouvir o Sr. Raimundo Moreira Pires, este não foi localizado, conforme Termo de Constatação de 13.03.2000 (fls.22); 8. Em suas declarações de 15.03.2000, o Sr. Jorge Martins de Lima, CPF 023.009.40320, excontador da empresa, nada acrescentou de relevante, afirmando ignorar o destino dado à documentação contábil e fiscal da empresa (fls.21); 9.O Sr. Tarcísio Moreira da Silva, CPF 144.458.59320, em depoimento prestado em 20.03.2.000, disse ser proprietário do imóvel situado na rua das Tulipas, 10, na cidade de Euzébio; e afirmou não ser do seu conhecimento que a empresa fiscalizada tenha funcionado naquele endereço ( fls.23 e 24); 10. Em suas declarações de 26.03.2.000, o Sr. Luis Moreira Pires afirmou ter vendido a firma Casa de Tecidos RM LTDA a Raimundo Moreira Pires e Marina Araújo Pires, a quem devia certa importância, cujo valor foi compensado com o valor das quotas alienadas; Disse também que, em julho/96, abriu uma nova empresa na rua Alberto Magno, 1334, onde funciona até hoje; Afirmou ainda não saber do paradeiro dos adquirentes de sua antiga empresa nem dos documentos contábeis e fiscais da mesma ( fls.25); 11 .Tomando conhecimento de procedimento policial em tramitação na Delegacia de Polícia de Crimes Contra a Fé Pública, nesta cidade, contra os sócios da empresa, oficiamos àquele órgão, no sentido de obtermos subsídios ao caso, de onde recebemos cópias dos Termos de Declarações de Rogério Bezerra da Costa, Aldemar Juca de Oliveira e Luiz Moreira Pires; e Termo de Acareação entre Rogério Bezerra da Costa e Luiz Moreira Pires, cujos depoimentos nos pareceram contraditórios, pois, enquanto o Sr. Aldemar Juca afirmou ter realmente adquirido a firma do Sr. Luis Moreira Pires, o Sr. Rogério disse inicialmente, da mesma forma do depoimento nesta Receita Federal, não ser de fato sócio da firma em questão e ter recebido do Sr. Luis Moreira Pires certa importância para assumir tal condição, tendo o mesmo alterado suas declarações no Termo de Acareação supra, contradizendo assim o que havia dito contra Luis Moreira (fls.167 a 212); 12. Em diligências realizadas na rua Teodolfo Magalhães, 147, bairro Lagoa Redonda, nesta cidade, constatamos existir no referido endereço uma casa residencial, onde vive a Sra. Marina Araújo Pires, que, em depoimento prestado nesta Delegacia, disse que o ex esposo, Raimundo Moreira Pires, adquiriu sim uma empresa de Luiz Moreira Pires, com quem tinha crédito a receber, e que este crédito foi compensado com o valor das quotas da firma em questão; Afirmou, porém, que a empresa fiscalizada nunca funcionou na rua Teodolfo Magalhães, 174, onde até hoje reside; acrescentando finalmente não saber do destino dado aos livros e documentos fiscais da firma, nem saber do paradeiro de Raimundo Moreira Pires (fls.291); 13.Prosseguindo nossas investigações, intimamos as empresas Textil Irmãos Meneghel Ltda, CNPJ 43.248.848/000147, e Elisabeth SA Indústria Textil, CNPJ 43.038.541/35, estabelecidas no Estado de São Paulo, fornecedores da firma Casa de Tecidos Fl. 454DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/03/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 RM LTDA, tendo sido recebido da primeira algumas cópias de notas fiscais venda (fls. 211 a 288), expedidas no ano de 1997, destinadas à firma Casa de Tecidos com endereço na rua Alberto Mágno, 1394, comprovandose assim o vinculo do Sr. Luis Moreira Pires, ainda no referido ano, com a firma Casa de Tecidos RM LTDA Dessa forma, considerando que o Sr. Rogério Bezerra Costa não mencionou em nenhum dos seus depoimentos ter adquirido a firma em questão do Sr. Raimundo Moreira Pires, como consta no 7°. Aditivo ao Contrato Social, e o fato da empresa fiscalizada, apesar de não ter funcionado efetivamente nos endereços constantes dos aditivos 7°. e 9°. ao contrato social, citados nos itens 4 e 5 acima, registrou movimentação até janeiro/97 mesmo período em que funcionou uma outra firma de nome L. Moreira RM Tecidos Ltda, aberta por Luis Moreira Pires logo após a venda da firma anterior, com o mesmo ramo de atividade, e no mesmo endereço, ou seja, na rua Alberto Magno, 1394, e ainda a existência das notas fiscais citadas no item 12 acima, atribuímos a Luis Moreira Pires e sua esposa Francisca Ferreira Parente Pires a condição de sócios de fato da empresa ora autuada, caracterizandose a alienação de suas quotas de capital feitas a Raimundo Moreira Pires e Marina Araújo Pires, e posteriormente a Rogério Bezerra da Costa e Ademar Juca de Oliveira meramente uma simulação, com intuito de sonegar os tributos devidos, ora lançados através de autos de infração. [...] Verificase, pois, pelo que foi descrito pela auditoria fiscal, que houve um engendramento de atos perpetrados pelos envolvidos – os pretensamente denominados “sócios alienantes” e “sócios adquirentes”, que tiveram por objetivo simular a alienação e posterior “inatividade” da empresa Casa de Tecidos RM e, com isso, ocultar do Fisco Federal, as atividades operacionais que continuaram a ser praticadas em nome de outra empresa que, também pretensamente, teria surgido no lugar da “antiga” – Casa de Tecidos RM Ltda. A primeira “pretensa alienação” teria se dado entre o Sr. Luiz Moreira Pires e sua esposa, Francisca Ferreira Parente Pires, em favor de seu irmão Raimundo Moreira Pires e sua esposa Marina de Araújo Pires, com a mudança do domicilio da empresa da Rua Alberto Magno onde esteve localizada desde a constituição, em 1991, até a alienação, em 04/04/1996 para o endereço da Rua Teodolfo Magalhães, 147. Contudo, como se verifica do depoimento prestado pela Sra. Marina Araújo Pires, o novo endereço corresponde, na verdade, ao endereço residencial da Sra. Marina, que afirmou que a empresa nunca funcionou nesse local. Confirmando que a “primeira alienação” não passou de uma ficção, o fato de a “pretensa segunda alienação”, em favor dos Srs. Rogério Bezerra da Costa e Aldemar Jucá Oliveira, ter se dado apenas 4 meses depois da primeira, em data de 15/07/1996. Também de acordo com os depoimentos acostados aos autos, prestados diante de autoridades fazendárias e autoridade policiais, inclusive, o Sr. Luiz Moreira Pires, na qualidade de tio do Sr. Francisco Edenilson Pires da Silva, solicitou a este que encontrasse alguém disposto a assumir, mediante uma módica quantia em dinheiro, o papel de sócio de direito da empresa autuada. Assim, Edenilson, que também se beneficiou financeiramente do plano, propôs a seu colega de trabalho, Rogério Bezerra da Costa, que assumisse esse papel mediante o recebimento de uma importância em dinheiro que lhe foi prometido– à época, o equivalente a R$ 1.000,00. Depois de aceito o encargo, a quantia prometida de R$ 1.000,00, teve de ser dividida entre 3 pessoas – Rogério, Aldemar (novos sócios) e Edenilson, que havia sido o mediador do acordo. O endereço da empresa, passou, então, a ser o de residência de um outro sobrinho de Luiz Moreira Pires, chamado Tarcisio Moreira da Silva, na Rua das Tulipas, 10 (fls. 23/24 do processo digital). Fl. 455DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/03/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10380.013792/0028 Acórdão n.º 1801001.855 S1TE01 Fl. 5 7 Outra dado relevante se refere às conexões entre as pessoas envolvidas no acordo pactuado: a empresa que o sobrinho Tarcisio alega ter trabalhado tem o nome de Pano e Cia, mesmo nome fantasia da empresa pertencente a Luiz Moreira Pires. Da mesma forma que o irmão, cunhada e sobrinhos do Sr. Luiz Moreira Pires, acima citados, constatouse o envolvimento – espontâneo ou não – de outros parentes de Luiz Moreira Pires, nos fatos. Assim é que se encontram citados, no processo, envolvidos em um ou mais atos, as pessoas de Luiz Moreira Pires, Raimundo Moreira Pires, Marina Araújo Pires, Raimunda Marques Pires, Tarcisio Moreira da Silva, Edenilson Pires da Silva, Maria Aparecida da Silva.. Assim é que o Sr. Luis Moreira Pires repassou formalmente a empresa Casa de Tecidos RM Ltda., com endereço à Rua Alberto Magno, n° 1334, para parentes seus (irmão e cunhada), em abril de 1996, porém continuou a desempenhar a mesma atividade econômica, formalizando a constituição da nova empresa em julho de 1996, no mesmo endereço, ou seja, Rua Alberto Magno, n° 1334, onde funciona até hoje, com denominação de L. Moreira e Parente Ltda., CNPJ n° 01.245.160/000163, fls. 25. Igualmente restou comprovado que nos dois endereços posteriores da Casa de Tecidos RM Ltda, quais sejam: Rua Teodolfo Magalhães, n° 147, Lagoa Redonda, Fortaleza/CE, em maio de 1996, e Rua das Tulipas, n° 10, Eusébio/CE, em novembro de 1996, a empresa de fato nunca se instalou. Da mesma forma, os sócios de direito da empresa Srs. Rogério Bezerra da Costa e Aldemar Jucá Oliveira nada esclarecem sobre a fiscalizada ou sobre o paradeiro dos livros e documentos contábeisfiscais, dando nítida demonstração de que nunca se inteiraram dos negócios realizados pela empresa Casa de Tecidos RM Ltda O procedimento adotado pelos envolvidos, no presente caso, já é bastante conhecido pelas Fazendas Públicas. Os proprietários, com o objetivo de “desaparecer” com empresas que possuem grandes passivos tributários, em virtude de exclusiva má gestão empresarial, forjam a sua alienação, obviamente com todo o passivo acumulado, já que os ativos praticamente inexistem, tendo por intenção óbvia a de se eximirem de responsabilidades pelos débitos acumulados por essas empresas ao longo dos anos. “Desaparecida” a empresa antiga, “imprestável”, fazem surgir outra, novinha, no mesmo endereço, com a mesma atividade e com quadro societário inicial, mas que parece começar “do zero”. Tratase, em verdade, da mesma empresa “alienada”, apenas travestida de “nova roupagem”. Nesses casos, invariavelmente, a documento contábil e fiscal “desaparece” junto com a empresa. Verificase, no presente caso, que os envolvidos – sócios e exsócios e testemunhas –pertencem todos a uma mesma família. Assim, sob o comando de Luiz Moreira Pires, agiram Francisca Ferreira Parente Pires, Raimundo Moreira Pires, Marina Araújo Pires, Raimunda Marques Pires, Tarcisio Moreira da Silva, Edenilson Pires da Silva, Maria Aparecida da Silva. A real intenção por detrás de toda essa engenharia foi o de impedir ou retardar o conhecimento, pela Fazenda Pública, da ocorrência do fato gerador, das condições pessoais do contribuinte, mediante a exclusão ou modificação de suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do tributo devido ou a evitar ou diferir o seu pagamento. E o fato de pertencerem a um mesmo grupo familiar, acabou por facilitar a sonegação. Fl. 456DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/03/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 O fato de haver divergência de depoimentos somente demonstra o poder de intimidação que o Sr. Luiz Moreira Pires, que tem melhores condições financeiras do que os demais, exerce sobre os outros envolvidos, em especial o Sr. Rogério Bezerra da Costa, que havia afirmado em depoimento à polícia, ter recebido quantia em dinheiro para assumir a sociedade da empresa, e de que o real proprietário da Casa de Tecidos RM sempre foi, de fato, o Sr. Luiz Moreira Pires, e, posteriormente, em acareação com Luiz Moreira Pires, voltou atrás em seu primeiro depoimento e passou a assumir toda a responsabilidade pelo estabelecimento e extravio dos seus livros e documentos contábeisfiscais. Essa intimidação fica patente pelas palavras adotadas pela defesa, nas razões recursais a seguir transcritas: As pessoas que prestaram as declarações, pelas quais exclusivamente se basearam os Drs. AFRF autuantes para imputar ônus financeiros e até criminal contra o recorrente, não possuem validade alguma, nem mesmo como indício, quanto mais como elemento de prova, pois referidas pessoas declarantes, naquela ocasião, não se encontravam em condições quer de ordem psicológica, quer técnica e/ou jurídica, fazendo com que, as pressões sofridas, assinassem qualquer coisa que seus inquiridores desejassem que ficasse constante no papel, portanto, sem nenhuma eficácia. (*) fls..... destaques acrescidos. Por outro lado, se dirigentes e proprietários de empresas passassem, doravante, a Declarar que os verdadeiros donos de suas empresas são outras pessoas de melhor nível socioeconômicofinanceiro através de meras provas testemunhais deles próprios... (*) fls..... destaques acrescidos. Toda essa arquitetura, entretanto, foi falha, pois seus mentores se esqueceram de que havia terceiros de boafé praticando atos operacionais com a empresa – os fornecedores – que desconheciam todo essa engenharia e continuaram a emitir notas fiscais / faturas, em nome da empresa Casa de Tecidos RM, com o seu real endereço de funcionamento – Av. Alberto Magno, 1334, Fortaleza, até o ano de 1997. é o caso da Elizabeth Têxtil Ltda., CNPJ n° 48.038.541/000135, estabelecida em São Paulo, e da TEXTEL IRMÃO MENEGHEL LTDA, que emitiram notas fiscais de vendas, expedidas no ano de 1997, destinadas à Casa de Tecidos RM Ltda, com endereço na Rua Alberto Magno, n° 1334. Neste ponto, a afirmação feita pela defesa, de que a TEXTEL IRMÃO MENEGHEL LTDA teria prestado informações complementares no sentido de que a colocação do endereço da Rua Alberto Magno, n° 1394 — Montese, nas notas fiscais de mercadorias destinadas a CASA DE TECIDOS RM LTDA., teria se dado por equívocos ocorridos na ocasião do faturamento, não encontra respaldo algum nos autos. Observo que, diversamente da afirmação da defesa, o evidente intuito de fraudar o Fisco está plenamente caracterizado, e os fatos descritos nos autos se encontram perfeitamente tipificados em todos os artigos da Lei 4.502, de 1964, já que restou comprovado que no presente caso houve sonegação, (art. 71), fraude (art. 72) e conluio (art. 73): Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: Fl. 457DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/03/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10380.013792/0028 Acórdão n.º 1801001.855 S1TE01 Fl. 6 9 I – da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II – das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Ademais, a própria defesa admite a prática de infração à legislação tributária, quando afirmou nas razões recursais que: ,”... jamais uma Empresa, como no caso específico da CASA DE TECIDOS RM LTDA., por uma simples omissão de informação e pagamento, ser taxada de "criminosa"...” (destaquei). Aí está a confissão. Houve omissão de informação de faturamento e pagamento de tributos devidos a Fazenda Publica Nacional por parte da empresa Casa de Tecidos RM. O arbitramento também está justificado em mais uma confissão feita, inadvertidamente, pela defesa: “...se nos parece, uma vez que não dispomos dos elementos fiscais e contábeis da empresa autuada, que a mesma, simplesmente omitiu por completo as informações e não efetivou qualquer pagamento ao Fisco Federal, mesmo porque não possuía escrita fiscal ...” Deve subsistir, ainda, a responsabilidade tributária solidária atribuída aos verdadeiros sócios do empreendimento, Sr. Luiz Moreira Pires, CPF n° 074.091.17320, e sua esposa, Sra. Francisca Ferreira Parente Pires, CPF n° 091.251.40353, com fundamento nos preceitos contidos no art. 124, I, do Código Tributário Nacional (Lei n º 5.172, de 1966): Art. 124.São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; ... No presente caso, restou demonstrado que o Sr. Luiz Moreira Pires, CPF n° 074.091.17320, utilizouse de terceiros parentes ou conhecidos constantes do 6° e 8° Aditivos ao Contrato Social, para, na condição de interpostas pessoas, se passarem por sócios de direito da empresa Casa de Tecidos RM Ltda., caracterizandose o interesse comum, entre os sócios ocultos Luiz Moreira Pires e Francisca Ferreira Parente Pires – no resultado do empreendimento – qual seja, ocultação da real situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária principal, sonegada ao Fisco. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 458DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/03/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 459DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/03/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10680.932867/2009-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2006
NULIDADE. DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA.
Simples inexatidões materiais devido a lapsos manifestos não anulam a decisão recorrida, e só necessitam ser sanadas de ofício quando resultem em prejuízo para o sujeito passivo.
No caso, as incorreções apontadas não trazem qualquer prejuízo à compreensão do acórdão, que está devidamente fundamentado, ou se confundem com o mérito da lide.
ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO OU RESTITUIÇÃO. POSSIBILIDADE.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação - Súmula CARF nº 84.
DIREITO CREDITÓRIO NÃO ANALISADO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. RETORNO DOS AUTOS COM DIREITO A NOVO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO.
Em situações em que não se admitiu a compensação preliminarmente com base em argumento de direito, caso superado o fundamento da decisão, a unidade de origem deve proceder à análise do mérito do pedido, verificando a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendo-se ao sujeito passivo direito a novo contencioso administrativo, em caso de não homologação total.
Preliminares Rejeitadas.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1102-001.057
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à repetição de indébitos de estimativas, mas sem homologar a compensação, devendo o processo retornar à unidade de origem para análise do mérito do pedido. Declarou-se impedido o conselheiro Marcelo Baeta Ippolito.
(assinado digitalmente)
___________________________________
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente
(assinado digitalmente)
___________________________________
José Evande Carvalho Araujo- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Marcelo Baeta Ippolito, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO
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DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA. Simples inexatidões materiais devido a lapsos manifestos não anulam a decisão recorrida, e só necessitam ser sanadas de ofício quando resultem em prejuízo para o sujeito passivo. No caso, as incorreções apontadas não trazem qualquer prejuízo à compreensão do acórdão, que está devidamente fundamentado, ou se confundem com o mérito da lide. ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO OU RESTITUIÇÃO. POSSIBILIDADE. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação Súmula CARF nº 84. DIREITO CREDITÓRIO NÃO ANALISADO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. RETORNO DOS AUTOS COM DIREITO A NOVO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Em situações em que não se admitiu a compensação preliminarmente com base em argumento de direito, caso superado o fundamento da decisão, a unidade de origem deve proceder à análise do mérito do pedido, verificando a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendose ao sujeito passivo direito a novo contencioso administrativo, em caso de não homologação total. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 93 28 67 /2 00 9- 14 Fl. 165DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/ 03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10680.932867/200914 Acórdão n.º 1102001.057 S1C1T2 Fl. 139 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à repetição de indébitos de estimativas, mas sem homologar a compensação, devendo o processo retornar à unidade de origem para análise do mérito do pedido. Declarouse impedido o conselheiro Marcelo Baeta Ippolito. (assinado digitalmente) ___________________________________ João Otávio Oppermann Thomé Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Marcelo Baeta Ippolito, e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório PEDIDO DE COMPENSAÇÃO O contribuinte acima identificado solicitou a compensação de débitos de CSLL de setembro e novembro de 2006, acrescidos de juros e multa, com crédito decorrente de pagamento indevido de estimativa de CSLL do mês de janeiro de 2006 no valor de R$ 1.436.145,19, por meio do PER/DCOMP de fls. 45 a 50, enviado em 11/7/2007. O despacho decisório eletrônico de fl. 32, emitido em 7/10/2009, não homologou a compensação alegando “improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período.” A decisão se fundamentou nos arts. 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 ( CTN), no art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005 e no art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/ 03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10680.932867/200914 Acórdão n.º 1102001.057 S1C1T2 Fl. 140 3 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado dessa decisão, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 2 a 10), acatada como tempestiva. O relatório do acórdão de primeira instância descreveu os argumentos do recurso da seguinte maneira (fls. 71 a 72): 5.1 A tempestividade da apresentação da manifestação de inconformidade. 5.2 Informa que apurou a CSLLEstimativa Mensal no mês de janeiro/2006 no montante de R$ 13.412.973,96, informou o valor apurado em DCTF e efetuou o recolhimento da importância correspondente. 5.2.1 Acrescenta que, posteriormente, constatou erro na apuração do valor do CSLL (estimativa mensal) para o período, “apurando uma nova estimativa de CSLL no valor de R$11.976.828,77, de modo que, “acabou por gerar o recolhimento indevido de parte do montante anteriormente recolhido no valor de R$1.436.145,19”.(grifo e negrito do original) 5.2.2 A DCTF originalmente apresentada foi retificada e os valores apurados como devidos estão em conformidade com as informações prestadas em DIPJ. O indébito apurado foi utilizado em compensações de débito declaradas em DCOMP. 5.3 A autoridade fiscal Não Homologou a compensação declarada, exigindo do contribuinte o principal, multa e juros referentes ao débito compensado. “Todavia, a Requerente demonstrará ser totalmente ilegal a cobrança do saldo devedor acima referido, pleiteando pela homologação das compensações declaradas e a anulação do despacho decisório (...)”. 5.4 Tendo em vista a motivação apresentada pela DRF argumenta que “o entendimento da autoridade fiscal destoa do entendimento do Conselho de Contribuintes sobre o assunto, não atendendo aos ditames da Lei nº 9.430, de 1996”. Invoca os arts. 2º e 74 da Lei nº 9.430, de 1996 para alegar que “não há qualquer impedimento legal à compensação pleiteada”. Afirma que a única restrição existente está prevista no art. 10 da IN SRF nº 600, de 2005. Ilustra com acórdãos e voto do Conselho de Contribuintes. 5.4.1 Argumenta que “a Requerente efetuou recolhimento antecipado de IRPJ e, em função de ter constatado erro na apuração da base de cálculo mensal, apurou antecipação superior à que seria efetivamente devida dentro do próprio mês.” Informa a retificação da DCTF, “tornando perfeitamente identificável o mês de geração do indébito tributário”. 5.4.2 Ressalta que a Instrução Normativa nº 900, de 2008, que revogou a IN SRF nº 600, de 2005 revogou “a hipótese de vedação à compensação dentro do próprio ano, o que demonstra uma mudança de entendimento dentro da própria RFB, em relação ao tema objeto da presente impugnação”. 5.5 Em outra linha argumentativa, o manifestante “requer que seja preservado o direito à restituição do indébito tributário, tendo em vista que a Declaração de Compensação e a presente impugnação, tempestivamente apresentada, são provas do cumprimento do prazo prescricional de 05 (cinco) anos previsto no art. 168 do CTN”. Destaca ainda que “na hipótese de o despacho decisório em epígrafe não for reformado, considerase resguardado o seu direito de contestação na esfera judicial em até dois anos contados da decisão administrativa que denegar a compensação, por força do art. 169 do Código Tributário Nacional”. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/ 03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10680.932867/200914 Acórdão n.º 1102001.057 S1C1T2 Fl. 141 4 5.6 Por fim, requer o acolhimento da manifestação de inconformidade para reformar o Despacho Decisório prolatado pela DRF e a homologação da compensação, além da suspensão da exigibilidade do crédito tributário. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, em acórdão que possui a seguinte ementa (fls. 69 a 83): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 24/02/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Na Declaração de Compensação somente podem ser utilizados os créditos comprovadamente existentes, passíveis de restituição ou ressarcimento, respeitadas as demais regras determinadas pela legislação vigente para a sua utilização. COMPENSAÇÃO PAGAMENTOS POR ESTIMATIVA As estimativas mensais, ainda que pagas em valor superior ao calculado na forma da lei não se caracterizam, de imediato, como tributo indevido ou a maior passível de restituição/compensação. A opção pelo pagamento mensal por estimativa difere para o ajuste anual a apuração do possível indébito, quando ocorre a efetiva apuração do imposto devido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Crédito Tributário Mantido Os fundamentos dessa decisão foram os seguintes: a) rejeitouse a preliminar de nulidade do despacho decisório por não se verificar hipótese prevista no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), pois a decisão foi prolatada por autoridade administrativa plenamente vinculada, respeitando os devidos procedimentos fiscais previstos na legislação e com a correta identificação do sujeito passivo da obrigação tributária, e o contribuinte tomou ciência do procedimento, da sua motivação e da capitulação legal correspondente; b) as estimativas de IRPJ e de CSLL se constituem em meras antecipações de um tributo que somente será apurado no final do anocalendário. Assim sendo, qualquer pagamento a maior somente é detectado no encerramento do período, com a apuração definitiva do tributo e traduzse no saldo negativo de IRPJ ou CSLL; c) as estimativas são apuradas, regra geral, pela aplicação de determinado percentual (variável em função da origem da receita auferida) sobre a receita bruta, mas podem Fl. 168DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/ 03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10680.932867/200914 Acórdão n.º 1102001.057 S1C1T2 Fl. 142 5 ser reduzidas ou suspensas com o levantamento de balanço/balancete de suspensão/redução. Contudo, essa apuração deve ser efetuada até a data de vencimento do imposto (arts. 11 a 12 da IN SRF nº 93, de 1997); d) no caso, na data do vencimento da estimativa mensal, o contribuinte em questão apurou uma quantia a pagar, sendo esse o valor devido. Se, ao alterar o Balanço/Balancete do mês, o sujeito passivo encontrou um valor menor que o já efetivamente recolhido, a diferença somente poderia ser deduzida do tributo apurado quando do levantamento de balanços/balancetes em períodos posteriores (como tributo já antecipado) ou quando da apuração definitiva do tributo devido, no final do período, compondo o saldo negativo (art. 10 da IN SRF nº 93, de 1997); e) nos termos do art. 170 do CTN, a compensação tributária somente pode ocorrer se expressamente autorizada por lei, e mediante condições e garantias expressamente estipuladas, na hipótese inequívoca de créditos líquidos e certos. O dispositivo legal que autoriza a compensação tributária reportase à Lei nº 9.430, de 1996, que só permite a restituição do saldo negativo de IRPJ ou de CSLL; f) a compensação de estimativas era expressamente proibida pelo art. 10 da IN SRF nº 460, de 2004, e pelo art. 10 da IN SRF nº 600, de 2005. A alteração do art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, ao excluir a expressão “efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal”, não revogou a proibição, que decorre da própria lei, mas apenas passou a cuidar da hipótese de retenção indevida ou a maior; g) a jurisprudência administrativa favorável à tese da defesa tem eficácia restrita aos casos para os quais foram proferidas; h) inexiste previsão legal para preservar o direito à restituição, caso o contribuinte não tenha sucesso na compensação pleiteada neste processo; i) o direito de contestação na esfera judicial é garantido pela Constituição Federal. RECURSO AO CARF Cientificado da decisão de primeira instância em 27/4/2010 (fl. 90), o contribuinte apresentou, em 27/5/2010, o recurso voluntário de fls. 92 a 113, onde afirma que: a) a decisão recorrida é nula porque (i) confundiu, em sua ementa, a data de pagamento do tributo a maior (24/2/2006) com o período de apuração (31/1/2006); (ii) rejeitou a nulidade do despacho decisório, matéria inexistente na impugnação; (iii) desconsiderou as provas dos autos, e, após tecer considerações acerca da compensação, imprimiu ao pagamento indevido a pecha de “mera antecipação de pagamento”, sem possibilitar ao contribuinte o aproveitamento de créditos para o adimplemento de outros tributos exigíveis e administrados pela Receita Federal do Brasil; b) nos arts. 2° e 74 da Lei n° 9.430, de 1996, não há qualquer restrição à compensação de estimativas, que só existe no art. 10 da IN SRF nº 600, de 2005. Contudo, essa Fl. 169DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/ 03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10680.932867/200914 Acórdão n.º 1102001.057 S1C1T2 Fl. 143 6 indevida restrição foi revogada pela Instrução Normativa n° 900, de 2008, que demonstra a mudança de entendimento da própria RFB com relação ao tema; c) não prospera o argumento da decisão recorrida de que o levantamento de balanço/balancete de suspensão/redução para apurar a CSLL deve ser efetuado até a data de vencimento do imposto, pois o contribuinte pode fazer os ajustes na sua apuração mesmo após o encerramento do exercício da CSLL, desde que dentro do prazo legal; d) caso se mantenha a decisão de não homologar a compensação, alternativamente, requer que seja preservado o direito à restituição do indébito tributário, tendo em vista que a Declaração de Compensação e o presente recurso, tempestivamente apresentados, são provas da interrupção da prescrição e do cumprimento do prazo prescricional de 5 (cinco) anos previsto no art. 168 do CTN; e) caso seu direito não seja reconhecido, considera resguardado seu direito de contestação na esfera judicial em até dois anos contados da decisão administrativa que denegar a compensação, por força do art. 169 do CTN. Ao final, requer a anulação da decisão recorrida ou o reconhecimento integral do direito creditório e a homologação da compensação. Este processo foi a mim distribuído no sorteio realizado em novembro de 2013, numerado digitalmente até a fl. 137. Esclareçase que todas as indicações de folhas neste voto dizem respeito à numeração digital do eprocesso. É o relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. No presente processo, não foram homologadas compensações de débitos próprios com crédito decorrente de pagamento indevido de estimativa de CSLL do mês de janeiro de 2006, por não se admitir a restituição de estimativa, que só poderia compor o saldo negativo do final do anocalendário. Preliminarmente, o recorrente defende a nulidade da decisão recorrida porque (i) na sua ementa consta que o fato gerador é 24/2/2006, enquanto o correto é 31/1/2006; (ii) o acórdão rejeitou a nulidade do despacho decisório, matéria inexistente na impugnação; (iii) o julgado desconsiderou as provas dos autos, e, após tecer considerações acerca da compensação, imprimiu ao pagamento indevido a pecha de “mera antecipação de pagamento”, sem possibilitar ao contribuinte o aproveitamento de créditos para o adimplemento de outros tributos exigíveis e administrados pela Receita Federal do Brasil; Fl. 170DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/ 03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10680.932867/200914 Acórdão n.º 1102001.057 S1C1T2 Fl. 144 7 De fato, na ementa da decisão recorrida, consta, como data do fato gerador, a data em que foi efetuado o pagamento indevido (24/02/2006 – DARF fl. 35), quando o correto seria 31/1/2006, por se tratar da estimativa de janeiro de 2006. Contudo, o restante da decisão descreve corretamente qual o crédito em discussão, tratandose de simples erro na confecção da ementa. Já a discussão sobre a nulidade do despacho decisório, apesar de desnecessária, não traz qualquer prejuízo à defesa. Assim, apesar das incorreções apontadas existirem, elas não trazem qualquer nulidade à decisão recorrida, tratandose de simples inexatidões materiais devido a lapsos manifestos que, se necessário, poderiam ser sanadas de ofício pela autoridade competente. Contudo, nem mesmo essa providência é necessária, pois o conjunto do julgado deixa claro qual é o período a qual se refere o direito creditório, não existindo qualquer prejuízo para o sujeito passivo, nos termos do art. 60 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – Processo Administrativo Fiscal – PAF. Finalmente, a suposta nulidade indicada no item “iii” decorre do próprio entendimento da autoridade julgadora de que estimativas não podem ser restituídas, e compõe o mérito da lide. Dessa forma, rejeito as preliminares de nulidade suscitadas. No mérito, a evolução da jurisprudência se firmou de modo favorável à tese da defesa, entendendo ser possível a restituição de estimativas pagas a maior, deixando vinculada à apuração do final do ano apenas a estimativa recolhida de acordo com a legislação de regência. Já a tese de que a vedação à restituição das estimativas decorria da própria Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, não é nem mesmo admitida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, que, por meio da Solução de Consulta Interna nº 19 – Cosit, de 5 de dezembro de 2011, entendeu que art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, admitiu a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, e era preceito interpretativo da legislação, com efeitos retroativos. O item 10.3 da Solução de Consulta é taxativo ao afirmar que a Lei nº 9.430, de 1996, se refere apenas às estimativas recolhidas de acordo com a legislação. Transcrevo: 10.3 O contribuinte pode, por questões de praticidade operacional, computar estimativas recolhidas indevidamente na formação do saldo negativo, mas se preferir solicitar restituição ou compensar o indébito antes de seu prévio cômputo na apuração ao final do anocalendário, poderá fazêlo, pois a Lei nº 9.430, de 1996, ao autorizar a dedução das antecipações recolhidas, referese àquelas recolhidas em conformidade com o caput de seu art. 2º. Nesse último caso, por ocasião do ajuste anual, o contribuinte deve deduzir apenas as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. O mesmo ato normativo sepulta o argumento de que a constatação do erro no cálculo da estimativa somente poderia se dar até a data de vencimento do imposto, afirmando Fl. 171DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/ 03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10680.932867/200914 Acórdão n.º 1102001.057 S1C1T2 Fl. 145 8 que isso pode ocorrer mesmo após o encerramento do ano calendário, como demonstra o trecho abaixo transcrito: 15. Como dito, somente as estimativas devidas na forma da Lei nº 9.430, de 1996, são necessariamente computadas como dedução na apuração anual do IRPJ ou da CSLL. Mesmo após o encerramento do anocalendário, se o contribuinte identificar um erro em sua apuração e ele repercutir não só em sua apuração final, mas também no resultado de seus balancetes de suspensão/redução, tem ele o direito de pleitear o indébito a partir da data do recolhimento da estimativa correspondente, ao invés de apenas reconstituir a apuração anual desses tributos. Assim, a simples alteração de interpretação da Administração Tributária já obrigaria o provimento do recurso, pois não é razoável entender que o sujeito passivo possa receber menos, em sede de recurso administrativo, do que aquilo que a própria autoridade fiscal já reconhece para os demais contribuintes, dado que as soluções de consulta da CoordenaçãoGeral de Tributação (Cosit) têm efeito vinculante no âmbito da RFB, sendo que o ordenamento veda esse comportamento contraditório (venire contra factum proprium). Contudo, desde a publicação da Súmula CARF nº 84, que fixou que o “pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação”, esse entendimento passou a ser de observância obrigatória pelos membros do CARF, nos termos do art. 72 do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Dessa forma, reconhecese o direito à compensação de créditos de estimativas recolhidas indevidamente ou a maior. Contudo, há que se observar que não houve a apuração efetiva do direito creditório, pelo cotejo das afirmações do contribuinte com sua contabilidade, pois a autoridade fiscal negou o direito preliminarmente, pela simples impossibilidade de utilização de estimativa como crédito. Não se apurou se, de fato, houve recolhimento indevido da estimativa de janeiro de 2006, se o valor pago a maior não foi apropriado no saldo negativo apurado no final do anocalendário, e se o indébito não foi indicado em outras compensações. Dessa forma, deve o processo retornar à unidade de origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendose ao sujeito passivo direito a novo contencioso administrativo, em caso de não homologação total. Diante do exposto, voto por rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à repetição de indébitos de estimativas, mas sem homologar a compensação, devendo o processo retornar à unidade de origem para análise do mérito do pedido. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 172DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/ 03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10680.932867/200914 Acórdão n.º 1102001.057 S1C1T2 Fl. 146 9 Fl. 173DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/ 03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000025/2006-35
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003, 2004
INTEMPESTIVIDADE.
Não se conhece do recurso interposto após o decurso do prazo de 30 (trinta) dias, previsto no artigo 33 do Decreto n° 70.235/72.
Numero da decisão: 1801-001.967
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Maria De Lourdes Ramirez Presidente
Neudson Cavalcante Albuquerque Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria De Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Cristiane Silva Costa, Neudson Cavalcante Albuquerque, Marcio Angelim Ovidio Silva e Leonardo Mendonça Marques.
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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Não se conhece do recurso interposto após o decurso do prazo de 30 (trinta) dias, previsto no artigo 33 do Decreto n° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Maria De Lourdes Ramirez – Presidente Neudson Cavalcante Albuquerque – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria De Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Cristiane Silva Costa, Neudson Cavalcante Albuquerque, Marcio Angelim Ovidio Silva e Leonardo Mendonça Marques. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 00 25 /2 00 6- 35 Fl. 296DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARIA DE LOUR DES RAMIREZ Processo nº 19515.000025/200635 Acórdão n.º 1801001.967 S1TE01 Fl. 297 2 MAKRO ATACADISTA S/A, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida no Acórdão nº 1624.034, pela DRJ em São Paulo I, interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. O processo trata de auto de infração (fls. 138/141) realizado para exigir crédito tributário de IRPJ relativo ao ano 2001, no valor de R$ 60.879,62, além de juros de mora no valor de R$ 42.609,64. Os valores foram lançados já com a sua exigibilidade suspensa, em razão da existência de medida judicial. Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Em ação fiscal empreendida junto ao contribuinte acima identificado, verificouse que a contribuinte efetuou compensação a maior da base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica apurado no anocalendário de 2001, tendo em vista a insuficiência de saldo de prejuízos apurados em períodos anteriores, o que resultou na lavratura de Auto de Infração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (fls. 139/140). Os fatos que ensejaram a autuação e os respectivos enquadramentos legais encontramse descritos a fl. 140: "GLOSA DE PREJUÍZOS COMPENSADOS INDEVIDAMENTE, SALDOS DE PREJUÍZOS INSUFICIENTES. Glosa de valores compensados na Declaração de informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ, a titulo de prejuízo(s) fiscal(is) apurado(s) em período(s)base anterior(es), lendo em vista a insuficiência de saldos apurados e informados nas respectivas declarações de períodos anteriores. Fato Gerador Val. Tributável ou Imposto Multa (%) 31/12/2001 R$243.518,48 0,00 Enquadramento legal: Art.247, 250, inciso III, 251, parágrafo único, 509 e 510 do RIR/99." No curso da ação fiscal, a contribuinte, intimada, apresentou certidão de objeto e pé dos autos do Mandado de Segurança n° 2003.61.00.0335693, que noticiava "liminar concedida para suspender a exigência fiscal referente ao processo administrativo 13808.001701/9854 até o desfecho definitivo dos processos 13808.001704/98 42 e 13808.001705/9813, especificamente com a finalidade de afastar o bloqueio da impetrante na SUFRAMA.” (fl.106) Conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 133/136, no que concerne ao valor tributável apurado nos presentes autos, de R$ 243.518,48 de glosa de prejuízos apurados em 1995 e compensados em 2001, a autoridade fiscal constatou que: Fl. 297DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARIA DE LOUR DES RAMIREZ Processo nº 19515.000025/200635 Acórdão n.º 1801001.967 S1TE01 Fl. 298 3 • No anocalendário de 1995, o prejuízo apurado e declarado pela autuada, no valor de R$ 17.609.762,32, foi reduzido para R$ 17.366.243.243,84 (SAPLI), em virtude de fiscalização externa; • A diferença de compensação a maior, no anocalendário 2001, no valor de R$ 243.518,48, oriundo de prejuízos do anocalendário de 1995, deve ser exigido com suspensão de exigibilidade, conforme liminar cm Mandado de Segurança, autos n° 2003.61.00.0335693. A autuação resultou na glosa de prejuízos compensados em 31/12/2001 no montante de R$ 243.518,48 e na constituição de Crédito Tributário de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica no montante de RS 103.489,26 (cento e três mil, quatrocentos e oitenta e nove reais c vinte e seis centavos), a título de tributo, multa proporcional c juros de mora calculados até 30/12/2005. Irresignada com a autuação, da qual tomou ciência em 18/01/2006 (fl. 139), a interessada apresentou, em 16/02/2006, a impugnação de fls. 146/161, acompanhada dos documentos de lis. 162/214, na qual apresenta as alegações abaixo sintetizadas: • A impugnação é tempestiva; • O Auto de Infração impugnado é nulo, visto que lavrado em duplicidade com outro Auto de Infração lavrado em 19.02.1998, processo administrativo n° 13808.001701/9854, em que se discute a apuração de suposto valor tributável de R$ 243.518,48, de IPI pago na importação considerado como custo em relação ao período de dezembro de 1995; • Afigurase decaída a possibilidade de o fisco glosar o saldo de prejuízos apurado em 1995 que, nos termos do artigo 150, § 4o, poderia ser averiguado somente até 31.12.2000; • A autuação configura cerceamento do direito de defesa, ofende os princípios da ampla defesa e do contraditório. É nula porque não apresenta descrição suficiente dos fatos, disposição legal infringida c penalidade aplicável, tal como exigido pelo artigo 10 do Decreto n° 70.235/72; • Quanto ao mérito, reitera os argumentos já apresentados nos autos do processo autônomo diante do qual o presente processo apresentase em duplicidade: (1) que o IPI pago na importação por empresa não equiparada a industrial deve ser considerado custo; (2) que a requerente não tratou o IPI pago na importação como imposto recuperável, ou seja, não se creditou do valor pago para compensação com o devido na saída dos produtos importados, o que leva à conclusão de que o imposto deveria ser considerado custo; • É descabida a cobrança dos juros Selic. A Delegacia de Julgamento considerou o lançamento procedente, ementando assim a sua decisão: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Fl. 298DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARIA DE LOUR DES RAMIREZ Processo nº 19515.000025/200635 Acórdão n.º 1801001.967 S1TE01 Fl. 299 4 Data do fato gerador: 31/12/2001 AUTO DE INFRAÇÃO. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. PRAZO DECADENCIAL. O prazo decadencial do lançamento efetuado em razão de insuficiência de saldo de prejuízos compensados iniciase no momento em que efetuada a compensação indevida. O prazo para a constituição de ofício do IRPJ iniciase no primeiro dia do ano seguinte àquele em que poderia ser efetuado o lançamento, nos termos inciso I do artigo 173, do Código Tributário Nacional. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/12/2001 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. O cálculo dos juros de mora com base na taxa SELIC tem previsão legal, não competindo à esfera administrativa a análise da legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/12/2001 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não se verificando a ocorrência de nenhuma das hipóteses previstas no artigo 59 do Decreto n° 70.235/72 e observados todos os requisitos do artigo 10 do mesmo diploma legal, não há que se falar em nulidade da autuação. Cientificado dessa decisão em 13/06/2011 (fl. 233), o contribuinte interpôs o presente Recurso Voluntário em 14/07/2011 (fls. 234/258), quando repisa os argumentos já apresentados na impugnação supracitada. É o relatório Voto Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque, Relator. O recurso voluntário foi apresentado em 14/07/2011, conforme o registro encontrado na sua folha de capa (fl. 234). O recorrente afirma que tomou ciência da decisão recorrida apenas em 14/06/2011, o que lhe daria a tempestividade. Contudo, não é isso que se verifica nos autos, pois o Aviso de Recebimento de fl. 233 comprova que o recorrente tomou ciência daquela decisão em 13/06/2011, ou seja, o recurso foi apresentado 31 dias após a referida ciência. Destarte, o recurso é intempestivo e não deve ser conhecido, em atenção ao artigo 5º do Decreto 70.235, de 1972, verbis: Fl. 299DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARIA DE LOUR DES RAMIREZ Processo nº 19515.000025/200635 Acórdão n.º 1801001.967 S1TE01 Fl. 300 5 Art. 5° Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. ... Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Pelo exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso. Neudson Cavalcante Albuquerque (documento assinado digitalmente) Fl. 300DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARIA DE LOUR DES RAMIREZ
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Numero do processo: 13007.000346/2003-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI IMPOSSIBILIDADE DE INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA COFINS E DO PIS
O crédito presumido de IPI é parcela relacionada à redução de custos e não à obtenção de receita nova, oriunda do exercício da atividade empresarial. A noção de faturamento, identificada com as bases de cálculo do PIS e da COFINS, corresponde à receita bruta derivada da venda de mercadorias, de serviços e de mercadorias e serviços.
Numero da decisão: 3401-002.608
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: Por maioria, acolheram-se os embargos, com efeitos infringentes, de modo a dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Júlio Ramos, que negava provimento. O Conselheiro Robson Bayerl votou pelas conclusões. Sustentou pela recorrente dr Henry Gonçalves Lunmertz OAB/RS 39164.
(assinado digitalmente)
JULIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
(assinado digitalmente)
FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl, Jean Cleuter Simoes Mendonca, Eloy Eros Da Silva Nogueira, Fernando Marques Cleto Duarte, Angela Sartori.
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI IMPOSSIBILIDADE DE INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA COFINS E DO PIS O crédito presumido de IPI é parcela relacionada à redução de custos e não à obtenção de receita nova, oriunda do exercício da atividade empresarial. A noção de faturamento, identificada com as bases de cálculo do PIS e da COFINS, corresponde à receita bruta derivada da venda de mercadorias, de serviços e de mercadorias e serviços.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: Por maioria, acolheram-se os embargos, com efeitos infringentes, de modo a dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Júlio Ramos, que negava provimento. O Conselheiro Robson Bayerl votou pelas conclusões. Sustentou pela recorrente dr Henry Gonçalves Lunmertz OAB/RS 39164. (assinado digitalmente) JULIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente. (assinado digitalmente) FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl, Jean Cleuter Simoes Mendonca, Eloy Eros Da Silva Nogueira, Fernando Marques Cleto Duarte, Angela Sartori.
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A noção de faturamento, identificada com as bases de cálculo do PIS e da COFINS, corresponde à receita bruta derivada da venda de mercadorias, de serviços e de mercadorias e serviços. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: Por maioria, acolheramse os embargos, com efeitos infringentes, de modo a dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Júlio Ramos, que negava provimento. O Conselheiro Robson Bayerl votou pelas conclusões. Sustentou pela recorrente dr Henry Gonçalves Lunmertz OAB/RS 39164. (assinado digitalmente) JULIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. (assinado digitalmente) FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Relator. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 7. 00 03 46 /2 00 3- 41 Fl. 227DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 5/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl, Jean Cleuter Simoes Mendonca, Eloy Eros Da Silva Nogueira, Fernando Marques Cleto Duarte, Angela Sartori. Relatório Mais uma vez retorna a este Conselho o presente processo, interposto por IPIRANGA PETROQUÍMICA S/A, que teve o julgamento suspenso em atenção ao disposto no artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, por pender Recurso Extraordinário em que se discute a possibilidade de o crédito presumido do IPI decorrente de exportações integrar a base de cálculo do PIS e da COFINS. Para elucidar os fatos em apreço, transcrevo o relatório produzido em assentada anterior, em que foram discutidos os embargos de declaração interpostos pelo contribuinte em face de decisão deste Conselho que negou provimento ao recurso voluntário, por entender que inexiste previsão legal para a exclusão dos créditos de IPI da base de cálculo do PIS: “Trata o presente processo de Embargos de Declaração, protocolados pela contribuinte Ipiranga Petroquimica S/A, referentes à decisão de 18.3.2010 proferida por esta câmara. Por considerar suficiente para a compreensão do processo, adoto o relatório proferido por esta Câmara, por ocasião do julgamento do Recurso Voluntário da contribuinte: ‘Trata o presente processo de Declaração de Compensação (fls.01/02) de débito de IRRF com crédito do PIS nãocumulativo de outubro e novembro de 2003 no valor de R$ 45.488,09. Após verificação contábil, a fiscalização constatou as seguintes irregularidades no crédito da contribuinte (fls.21/24): 1 Falta de inclusão do crédito presumido do IPI na base de cálculo do PIS nãocumulativo, no período de dezembro de 2002 a janeiro de 2004, contrariando o art. I o da Lei n° 10.637/2002; 2 – Falta de diferenciação entre os créditos oriundos de operações no mercado interno e os créditos de exportação, considerando todos os créditos como de mercado interno, o que possibilita a compensação somente com o próprio PIS dos meses subseqüentes; 3 As demais receitas foram subtraídas da base de cálculo, quando deveriam ser calculadas. Diante dessas razões, a compensação foi indeferida (fl.65) pelo Delegado da Receita Federal em Porto Alegre/RS. Irresignada, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls.75/86), alegando, em resumo, que o crédito presumido do IPI é mero redutor de gasto, não Fl. 228DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 5/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 13007.000346/200341 Acórdão n.º 3401002.608 S3C4T1 Fl. 228 3 configurando receita e esse entendimento se coaduna com a jurisprudência do TRF da 4ªª Região, do STJ e do Conselho de Contribuintes. A DRJ em Porto Alegre/RS prolatou acórdão (fls. 116/117) indeferindo o pleito da contribuinte, sob fundamentação de que o PIS incide sobre qualquer receita independentemente da classificação contábil, havendo exceções somente se expressas em. Como não há lei que exclua expressamente o crédito presumido do IPI da incidência do PIS, aquele crédito compõe a base de calculo desta contribuição. A contribuinte foi intimada do acórdão em 24/06/2008 (fl. 139) e interpôs Recurso Voluntário em 24/07/2008 (fls. 140/154), reforçando as alegações da manifestação de inconformidade e acrescentando que se o crédito presumido não é receita, não necessita de disposição expressa para sua exclusão da base de cálculo do PIS, haja vista a contribuição incidir somente sobre receita. Por fim, pediu a homologação integral da compensação. (...)’ Em 18.3.2010, esta câmara decidiu por negar o Recurso sob o fundamento de que o PIS incide sobre qualquer receita independentemente da classificação contábil e que as possíveis exclusões devem estar previstas em lei, portanto não caberia a exclusão do Crédito do IPI, uma vez que não existe norma permissiva para tanto. Em 26.4.2011, a contribuinte foi cientificada da decisão e, em 29.4.2011, protocolou embargo de declaração, alegando que houve omissão, em síntese, dos seguintes pontos: a) O voto vencedor não cita os argumentos do Recurso Voluntário, ou seja, os argumentos de que a inclusão do crédito presumido do IPI na base de cálculo do PIS representa conduta própria contraditória e, especialmente, que representará ilegal e inconstitucional exigência de Contribuição para o PIS sobre receitas decorrentes de exportação; b) O ponto central do tema do julgamento também deixou de ser apreciado; c) Não restou analisada se a natureza jurídica do crédito presumido do IPI seria efetivamente receita; Por fim a contribuinte requer que sejam recebidos seus embargos de declaração, acolhidos e providos, inclusive para procederse ao préquestionamento da matéria para fins de recurso à Câmara Superior de Recursos Fiscais, a fim de sanar omissão: a) Quanto à análise dos argumentos acerca da natureza jurídica do crédito presumido do IPI, que entende a Embargante não se tratar de receita na linha do subcapítulo 3.4 do Recurso Voluntário; b) Sobre o fundamento de que a inclusão do crédito presumido do IPI na base de cálculo do PIS encontrará óbice na vedação ao venire contra factum proprium, conforme argumentado no subcapítulo 3.5 do Recurso Voluntário; Fl. 229DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 5/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 4 c) Quanto à análise do argumento de que restariam violados o art. 5º, Inc. I, da Lei nº. 10.637/02 e também o Inc. I do parágrafo 2º do art. 149 da Constituição Federal, como exposto no subcapítulo 3.6 do Recurso Voluntário. A contribuinte requer ainda que se apliquem os efeitos infringentes aos presentes embargos de declaração, dandose provimento o Recurso Voluntário e prestigiando se a jurisprudência que se encontrava pacificada no âmbito da presente turma. É o relatório. Verificada a tempestividade de interposição dos embargos declaratórios pelo contribuinte, os autos foram levados a julgamento por este Conselho. Considerando que a discussão sobre se o crédito presumido de IPI integra ou não a base de cálculo do PIS e da COFINS está em análise pelo Supremo Tribunal Federal, em recurso extraordinário com repercussão geral reconhecida, o Conselho aplicou ao caso o artigo 62A, do Regimento Interno do CARF. Por esta razão, o julgamento dos autos foi sobrestado até que seja realizado o julgamento pelo STF. Contudo, após a revogação dos parágrafos 1º e 2º do art. 62A, pela Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013, estes autos retornam a este Conselho para prosseguimento. É o relato do necessário. Voto Conselheiro Relator Fernando Marques Cleto Duarte DA ADMISSIBILIDADE O recurso é tempestivo e presentes estão os demais requisitos para a sua admissibilidade, razão pela qual dele eu conheço DA NÃO INCLUSÃO DO CRÉDITO PREMIO DO IPI NA BASE DE CÁLCULO DA PIS E DA COFINS Como é cediço, entendo que os créditos presumidos de IPI não representariam receita, para fins de incidência de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS; ao contrário, ditos ativos configurariam simples ressarcimento dos custos tidos em função do recolhimento das duas contribuições sociais citadas por último, sendo oficioso, por conseguinte, o cancelamento das exigências ora tratadas. Esta matéria vem sendo objeto de controvertidos debates administrativos e judiciais. Para expormos nosso posicionamento, necessária é a leitura inicial do artigo 1º, caput, da Lei n° 9.363/96, que apresenta a seguinte redação: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas Fl. 230DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 5/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 13007.000346/200341 Acórdão n.º 3401002.608 S3C4T1 Fl. 229 5 aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo." A análise do dispositivo acima reproduzido permite dupla exegese. Há juristas que vislumbram no crédito presumido de IPI a natureza de subvenção de custeio, ofertada pelo Poder Público, mediante renúncia fiscal, para auxiliar o beneficiário a arcar com os gastos de sua atividade. Nesta linha de entendimento, os créditos em comento deveriam sempre ser adicionados ao resultado tributável, vez integrarem o conceito de lucro operacional, nos termos do artigo 392, I, do RIR/99. Outra corrente, todavia, com a qual me alinho, entende que os créditos presumidos de IPI representam verdadeiro ressarcimento, oferecido ao contribuinte para compensar as despesas tidas com o recolhimento pretérito de PIS e de COFINS incidentes sobre as operações que a lei especifica. É a própria dicção normativa que nos permite entrever este caráter de recuperação de custos, já que o enunciado do estresido artigo 1' tacha a concessão dos créditos, literalmente, como "ressarcimento de despesas fiscais". A orientação que esposamos conta com partidários neste colegiada, consoante se pode inferir da ementa de julgamento adiante exposta: "CSLL — CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI BASE DE CÁLCULO DA CSLL O crédito presumido de IPI, não tem característica de subvenção para custeio e sim de ressarcimento. Consequentemente, não integra a base de cálculo da CSLL na sistemática do lucro presumido. (Ac. 1° CC — 105 16„469/07)" Fixada, assim, a natureza dos ditos créditos, restanos perquirir, contudo, sobre a possibilidade de sua inclusão na base de cálculo 'do IREI e da CSLL. A resposta a esta indagação deve pressupor o fato de o contribuinte ter estado sujeito, à época da apuração dos créditos presumidos (1° trimestre de 2003 e 2° a 4 0 trimestres de 2004), ao regime de apuração pelo lucro presumido, consoante DIP.I's carreadas às fls. 180 e ss. Nesse cenário, a solução da controvérsia parece jazer no artigo 53 da Lei n° 9.430/96, verbis: "Art. 53. Os valores recuperados, correspondentes a custos e despesas, inclusive com perdas no recebimento de créditos, deverão ser adicionados ao lucro presumido ou arbitrado para determinação do imposto de renda, salvo se o contribuinte comprovar não os ter deduzido em período anterior no qual tenha se submetido ao regime de tributação com base no lucro real ou que se refiram a período no qual tenha se submetido ao regime de tributação com base no lucro presumido ou arbitrado," Ora, o enunciado normativo é claro: os valores recuperados, a título de custos e despesas — inclusive fiscais, pertinentes ao presente ressarcimento de PIS/COFINS — deverão ser, em regra, adicionados ao lucro presumido, salvo se tais montantes se referirem a penados igualmente abrangidos pela sistemática de lucro arbitrado ou presumido Fl. 231DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 5/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 6 A orientação ora agasalhada já encontrou guarida em outros precedentes do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes: "LUCRO PRESUMIDO RECUPERAÇÃO DE CUSTOS De acordo com o art. 53 da Lei 9,430/96, os custos ou despesas recuperados não são adicionados ao lucro presumido se comprovado que não foram deduzidos em período anterior tributado pelo lucro real ou se se referirem a período tributado pelo lucro presumido ou arbitrado, (Ac, 1" CC — 10195.443/06)" Não posso deixar, em face do exposto, de votar pela exclusão, junto às bases de cálculo de IRPJ e CSLL, dos montantes pertinentes aos créditos presumidos de IPI auferidos pela recorrente. Quanto à incidência do PIS e da COFINS sobre tais ativos, por sua vez, visiono também a necessidade de expurgo, haja vista a concessão de créditos presumidos de IPI representar mecanismo de recuperação de custos, inconfundível com a aferição de receitas de faturamento. A respeito da abrangência do conceito de faturamento, foi definido pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, em sessão de 09/11/2005, por meio de acórdão prolatado para solução do Recurso Extraordinário — RE n° 390840/MG, transitado em julgado em 29/09/2006, o entendimento de que só poderiam ser tributadas pelo PIS e pela COFINS as receitas derivadas de venda de mercadorias, de serviços e de mercadorias e serviços, afastados os demais rendimentos nãooperacionais percebidos pelo sujeito passivo fiscal. Neste sentido, estornadas da tributação, relativamente a estas contribuições, estariam também os créditos presumidos em discussão, uma vez ter sido declarada inconstitucional a regra do artigo 3º, § 1º, da Lei n° 9.718/98, ampliador da base imponível das citadas exações. Tal entendimento judicial deve ser observado por este Conselho, em todos seus termos. Isto assim se faz por força da promulgação da Lei nº 11.941, em 27/05/09, responsável por adicionar ao Decreto n° 70.235/72, regularnentador do Processo Administrativo Fiscal, o artigo 26A, § 6°, inciso I, vigente com as seguintes feições redacionais: "Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, (...) § 6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo, I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (...)" Nesse sentido já decidiu este conselho: "CRÉDITO PRESUMIDO. ICMS E IPI INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1" DO ART. 3" DA LEI N° 9,718/98 DECLARADA PELO STF, IMPOSSIBILIDADE DE INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA COFINS, O crédito presumido do ICMS e do IPI são parcelas relacionadas à redução de custos e não à obtenção de receita nova oriunda do exercício da atividade Fl. 232DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 5/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 13007.000346/200341 Acórdão n.º 3401002.608 S3C4T1 Fl. 230 7 empresarial. Por decisão definitiva proferida pelo STF, deve ser afastada a inclusão na base de cálculo da contribuição ao PIS e da Cofins das parcelas relativas ao crédito presumido do ICMS e do IPI, por não se constituírem em receitas decorrentes da venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. (Acs, 2° CC — 20218,397/07 e 20218.396/07)" Não há, portanto, como se admitir a manutenção das exigências de PIS e COFINS formalizadas sobre os créditos presumidos autorizados pela Lei n° 9.363/96. É necessário o expurgo destes rendimentos, junto ao total de faturamento averiguado pelos trabalhos fazendários. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto no sentido de conhecer o recurso voluntário e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Fernando Marques Cleto Duarte Relator Fl. 233DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 5/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE
score : 1.0
Numero do processo: 10611.721157/2012-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/01/2008 a 28/02/2008
Mercadoria classificada incorretamente na NCM/TEC
As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI) e as Regras Gerais Complementares (RGC) são o suporte legal para a classificação de mercadorias na Nomenclatura Comum do Mercosul/Tarifa Externa Comum (NCM/TEC/2007), aprovada pela Resolução Camex nº 43, de 2006, e atualizações posteriores.
Mercadoria identificada "Tela de cristal líquido com tecnologia TFT, de 15", policromática, com resolução de 1050 x 1400 pixels, modelo HSD150PK14A, fabricado por HannStar Display Corporation classificasse no código NCM 8529.90.20 constante da TIPI vigente.
Inaplicável o lançamento de ofício alterando o código NCM empregado pelo contribuinte enquanto este estiver albergado por Processo de Consulta de que é parte diretamente interessada (IN RFB 740/2007) até que seja reformada mediante respectiva Solução de Divergência prolatada pela COANA na forma da legislação regente.
Numero da decisão: 3401-002.623
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso de ofício nos termos do voto da relatora.
JULIO CÉSAR ALVES RAMOS- Presidente.
ANGELA SARTORI - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Robson José Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori e Jean Cleuter Simões Mendonça e Eloy Eros da Silva Nogueira
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Nome do relator: ANGELA SARTORI
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 01/01/2008 a 28/02/2008 Mercadoria classificada incorretamente na NCM/TEC As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI) e as Regras Gerais Complementares (RGC) são o suporte legal para a classificação de mercadorias na Nomenclatura Comum do Mercosul/Tarifa Externa Comum (NCM/TEC/2007), aprovada pela Resolução Camex nº 43, de 2006, e atualizações posteriores. Mercadoria identificada "Tela de cristal líquido com tecnologia TFT, de 15", policromática, com resolução de 1050 x 1400 pixels, modelo HSD150PK14A, fabricado por HannStar Display Corporation classificasse no código NCM 8529.90.20 constante da TIPI vigente. Inaplicável o lançamento de ofício alterando o código NCM empregado pelo contribuinte enquanto este estiver albergado por Processo de Consulta de que é parte diretamente interessada (IN RFB 740/2007) até que seja reformada mediante respectiva Solução de Divergência prolatada pela COANA na forma da legislação regente.
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Mercadoria identificada "Tela de cristal líquido com tecnologia TFT, de 15", policromática, com resolução de 1050 x 1400 pixels, modelo HSD150PK14A, fabricado por HannStar Display Corporation” classificasse no código NCM 8529.90.20 constante da TIPI vigente. Inaplicável o lançamento de ofício alterando o código NCM empregado pelo contribuinte enquanto este estiver albergado por Processo de Consulta de que é parte diretamente interessada (IN RFB 740/2007) até que seja reformada mediante respectiva Solução de Divergência prolatada pela COANA na forma da legislação regente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso de ofício nos termos do voto da relatora. JULIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. ANGELA SARTORI Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 61 1. 72 11 57 /2 01 2- 80 Fl. 1578DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Robson José Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori e Jean Cleuter Simões Mendonça e Eloy Eros da Silva Nogueira . Relatório Contra a empresa BRAVIEW IND. PRODUTOS ELETRÔNICOS DO BRASIL LTDA, foi lavrado AI em face da declaração inexata de mercadorias importadas pela Recorrente mediante Declarações de Importação (DI) registradas no período de janeiro de 2008 a fevereiro de 2011. Por conseguinte, com base na reclassificação fiscal efetuada ex officio daqueles bens, restou apurado um crédito tributário total de R$ 11.221.563,74 (onze milhões duzentos e vinte e um mil quinhentos e sessenta e três reais e setenta e quatro centavos) referentes à diferença de impostos, multas e juros moratórios incidentes sobre a espécie. A Recorrente submeteu a Despacho Aduaneiro de Importação no período fiscalizado módulos TFT/LCD (Thin Film Transistor Liquid Crystal Display) compostos de painel de LCD, driver IC, circuito de controle e backlight, ou seja, Painéis/Telas de Cristal Líquido para Monitores de LCD, tendo adotado a classificação fiscal 9013.80.10. Em 20 de abril de 2012, foi iniciado o procedimento fiscal mediante Termo de Intimação e Início de Ação Fiscal nº 0615100.2012.000312. Para efeito da análise da classificação fiscal adotada pelo contribuinte, a autoridade fiscal levou em consideração a Solução de Consulta COANA nº 4/2010 que, respondendo à consulta formulada por entidade representativa de categoria econômica decidiu que a classificação correta corresponde ao código NCM 8529.90.20. Assim sendo, a autoridade fiscal, em sede de revisão aduaneira, ao investigar a regularidade da citada classificação fiscal empregada pela recorrente, em face do sistema legal estatuído pelas Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI) e as Regras Gerais Complementares (RGC), que são o suporte legal para a classificação de mercadorias na Nomenclatura Comum do Mercosul/Tarifa Externa Comum (NCM/TEC/2007), aprovada pela Resolução Camex nº 43, de 2006, com suas atualizações posteriores, procedeu à sua reclassificação fiscal para o Código NCM/TEC 8529.90.20. Portanto, em sede do procedimento de Revisão Aduaneira, previsto no art.570, cumprindo o disposto no art.659 e observado a norma contida no art.668, do Regulamento Aduaneiro, efetuouse o Lançamento de Oficio do Imposto de Importação e de seus consectários legais incidentes sobre a mercadoria objeto da Reclassificação Fiscal à Fl. 1579DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10611.721157/201280 Acórdão n.º 3401002.623 S3C4T1 Fl. 6 3 alíquota correspondente aos Códigos NCM considerados na Exigência Fiscal; base de cálculo informada em cada Adição/DI ou, ajustada, considerando os itens de mercadoria em exame, tendo em vista a aplicação de nova alíquota; bem como o lançamento dos Juros de Mora e da Multa de Oficio por declaração inexata do valor do tributo, previstos respectivamente, no art.43, § único, e art.44, inciso I, da Lei n° 9.430, 1996, com a nova redação dada pelo art.14 da Lei n° 11.488, de 2007, do que restou apurado um crédito tributário total de R$ 11.221.563,74 (onze milhões duzentos e vinte e um mil quinhentos e sessenta e três reais e setenta e quatro centavos), referente à diferença de impostos, multas e juros moratórios incidentes sobre a espécie, conforme Demonstrativos anexos ao AI em causa. De outra parte, contraditando o AI em questão, os pontos principais da argumentação da Recorrente podem ser sinteticamente assim descritos: (A) Que seu objeto social é a fabricação de periféricos de informática, dentre eles monitores de LCD destinados apenas a microcomputadores, para os quais importa as telas LCD em questão. (B) Que a utilização do código NCM 9013.80.10 esteve amparada na Solução de Consulta nº 37 proferida pela SRRF/6ª RF/ Diana de 17/Setembro/2007 nos autos do Processo nº 10660.003316/200637 promovido pela própria Recorrente. (C) Que apenas tomou conhecimento de que a RFB tinha alterado esse entendimento em 11/Novembro/2011, mediante a Solução de Divergência COANA nº 15, determinando a utilização do código NCM 8529.90.20. (D) Que a mudança de classificação fiscal e, principalmente, a sua retroatividade, tal como proposto pela fiscalização, dá ensejo a coexistência de duplo regime tarifário e ao desequilíbrio concorrencial, agredindo os princípios da segurança jurídica, isonomia, razoabilidade e proporcionalidade. (E) Aduziu ainda que as reiteradas importações das mercadorias em causa realizadas sob o código NCM 9013.80.10, tendo sido fiscalizadas pela Fazenda Pública, estariam abrigadas pelo manto do instituto da “prática reiterada” prevista no Art 100 do CTN. A DRJ decidiu em síntese: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 28/02/2011 Mercadoria classificada incorretamente na NCM/TEC As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI) e as Regras Gerais Complementares (RGC) são o suporte legal para a classificação de mercadorias na Nomenclatura Comum do Mercosul/Tarifa Externa Comum (NCM/TEC/2007), Fl. 1580DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 aprovada pela Resolução Camex nº 43, de 2006, e atualizações posteriores. Mercadoria identificada "Tela de cristal líquido com tecnologia TFT, de 15", policromática, com resolução de 1050 x 1400 pixels, modelo HSD150PK14A, fabricado por HannStar Display Corporation” classificasse no código NCM 8529.90.20 constante da TIPI vigente. Inaplicável o lançamento de ofício alterando o código NCM empregado pelo contribuinte enquanto este estiver albergado por Processo de Consulta de que é parte diretamente interessada (IN RFB 740/2007) até que seja reformada mediante respectiva Solução de Divergência prolatada pela COANA na forma da legislação regente. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Conforme decisão acima a DRJ de Recife julgou totalmente procedente a Impugnação exonerando o credito tributário. Tendo subido o processo em face de Recurso de ofício obrigatório. Voto Conselheiro Angela Sartori O Recurso de ofício segue os pressupostos de admissibilidade por isto dele tomo conhecimento. A classificação de uma mercadoria na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) deve ser efetuada tomando como fundamento o disposto pelas Regras Gerais Interpretativas do Sistema Harmonizado (RGI/SH) e pelas Regras Gerais Complementares da Nomenclatura Comum do Mercosul (RGC/NCM). Cumpre observar que as Seções e os Capítulos da Nomenclatura do SH/NCM estão majoritariamente precedidos de Notas que, como as Regras Gerais, constituem parte integrante da Nomenclatura e têm o mesmo valor legal, sendo denominadas de Notas de Seção e Notas de Capítulo. Há, também, Notas que somente dizem respeito à interpretação dos textos das Subposições e são chamadas de Notas de Subposição. Há, ainda, Notas Complementares, que norteiam a classificação no âmbito regional (MERCOSUL). O SH apoiase também em publicações complementares, concebidas para facilitar a sua interpretação uniforme, dentre elas estão as Notas Explicativas do SH ou, simplesmente, NESH, aprovadas pelo Decreto nº 435, de 27 de janeiro de 1992, diploma legal que aprova as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, do Conselho de Cooperação Aduaneira, na versão em língua portuguesa, com o texto consolidado através de Instruções Normativas, que compreendem a interpretação oficial do SH (até o nível de Subposição). Fl. 1581DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10611.721157/201280 Acórdão n.º 3401002.623 S3C4T1 Fl. 7 5 Para o deslinde da questão impende trazer à colação, de plano, os dispositivos legais que regem o processo de consulta no âmbito da RFB. Com efeito, o Recorrente durante todo o período fiscalizado (01/01/2008 a 28/02/2011), esteve amparado pela Solução de Consulta nº 37, proferida pela DIANA/SRRF/6ª RF de 17/Setembro/2007 nos autos do Processo nº 10660.003316/200637, que decidiu pela utilização do código NCM 9013.80.10. Ademais, apenas em 11/Novembro/2011 foi prolatada a Solução de Divergência COANA nº 15, nos autos do Processo nº 10168.002122/200928 determinando, direta e finalmente para a impugnante, a utilização do código NCM 8529.90.20. Adiante, reproduzimos as citadas Soluções de Divergência COANA nº 15/2011 e a Solução de Consulta Diana/6ªRF nº 37/2007. ======================== Solução de Divergência COANA nº 15 Data: 11 de novembro de 2011 Processo nº 10168.002122/200928 Interessado: BRAVIEW IND. PRODUTOS ELETRÔNICOS DO BRASIL LTDA Assunto: Classificação de Mercadorias Reforma a Solução de Consulta SRRF/6ªRF/Diana nº 37, de 17 de setembro de 2007. Mercadoria "Tela de cristal líquido com tecnologia TFT, de 15", policromática, com resolução de 1050 x 1400 pixels, modelo HSD150PK14A, fabricado por HannStar Display Corporation” classificasse no código NCM 8529.90.20 constante da TIPI vigente. Dispositivos Legais: RGI/SH 1ª (texto da posição 85.29 e Nota 2, alínea "b" da Seção XVI), RGI/SH 6ª (texto da subposição 8529.90) e RGC 1ª (texto do item 8529.90.20), todas da TEC vigente, aprovada pela Res. Camex nº 43/2006, com os subsídios fornecidos pelas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), aprovadas pelo Decreto nº 435/92, com a versão atual aprovada pela IN RFB Nº 807, de 11 de janeiro de 2008. Dario da Silva Brayner Filho Coordenador Geral de Administração Aduaneira Fl. 1582DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 ============================ MINISTÉRIO DA FAZENDA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL –SRRF/ 6ªRF/Diana SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 37 de 17 de Setembro de 2007 ASSUNTO: Classificação de Mercadorias EMENTA: Código TIPI Mercadoria 9013.80.10 Tela de cristal líquido, com tecnologia TFT, de 15”, policromática, com resolução de 1050 x 1400 pixels, própria para “notebooks”, monitores para computadores de mesa, terminais para aplicações industriais, etc., modelo HSD150PK14A, fabricado por HannStar Display Corporation. ====================================== ========== Assim sendo, considerando que a classificação fiscal utilizada pelo Recorrente nas importações em causa estava amparada por Solução de Consulta válida e nego provimento ao Recurso de Ofício mantendo a decisão da DRJ. Angela Sartori Relator Fl. 1583DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 10665.001860/2010-81
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008
FATO SUPERVENIENTE. EXCLUSÃO DO SIMPLES CANCELADA. MOTIVAÇÃO DO LANÇAMENTO. CANCELAMENTO DO LANÇAMENTO.
O cancelamento superveniente do ato de exclusão do SIMPLES que motivou o ato de lançamento do crédito tributário causa o seu cancelamento.
EXCLUSÃO DO SIMPLES. PRECLUSÃO ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO. NÃO CONHECIMENTO.
Créditos tributários (contribuições previdenciárias) constituídos por ofício em razão de exclusão do SIMPLES, por Ato Declaratório precluso, objetos de recurso apenas questionando tal fato não podem ser apreciados pela 3a Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento do CARF/MF, em razão de incompetência.
RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. LEI N º 11.941/09. REDUÇÃO DA MULTA. As multas referentes a declarações em GFIP foram alteradas pela lei nº 11.941/09 o que, em tese, beneficia o infrator. Foi acrescentado o art. 32-A à Lei n º 8.212/91. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, deve-se aplicar a norma mais benígna ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte - Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2803-002.926
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, reformando o julgamento anterior e o lançamento no sentido de: a) cancelar lançamento e respectivos créditos com base nos fatos geradores ocorridos nas competências de 11/2005 a 06/2007 por insubsistência; b) que a aplicação da sanção seja regida pela multa estabelecida no artigo 32-A, I, da Lei n. 8.212/1991, com a redação da Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte em relação à aplicação do art. 32, IV, §§5º, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Medida Provisória n. 449/2008, vedando-se a aplicação conjunta com o art. 35-A, da Lei n. 8212/1991, com a redação da Lei n. 11.941/2009. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima quanto à multa.
(Assinado Digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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EXCLUSÃO DO SIMPLES CANCELADA. MOTIVAÇÃO DO LANÇAMENTO. CANCELAMENTO DO LANÇAMENTO. O cancelamento superveniente do ato de exclusão do SIMPLES que motivou o ato de lançamento do crédito tributário causa o seu cancelamento. EXCLUSÃO DO SIMPLES. PRECLUSÃO ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO. NÃO CONHECIMENTO. Créditos tributários (contribuições previdenciárias) constituídos por ofício em razão de exclusão do SIMPLES, por Ato Declaratório precluso, objetos de recurso apenas questionando tal fato não podem ser apreciados pela 3a Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento do CARF/MF, em razão de incompetência. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. LEI N º 11.941/09. REDUÇÃO DA MULTA. As multas referentes a declarações em GFIP foram alteradas pela lei nº 11.941/09 o que, em tese, beneficia o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212/91. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, devese aplicar a norma mais benígna ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, reformando o julgamento anterior e o lançamento no sentido de: a) cancelar lançamento e respectivos créditos com base nos fatos geradores ocorridos nas competências de 11/2005 a 06/2007 por insubsistência; b) que a aplicação da sanção seja regida pela multa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 00 18 60 /2 01 0- 81 Fl. 192DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 27/05/2014 po r HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por GUSTAVO VETTORATO Processo nº 10665.001860/201081 Acórdão n.º 2803002.926 S2TE03 Fl. 184 2 estabelecida no artigo 32A, I, da Lei n. 8.212/1991, com a redação da Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte em relação à aplicação do art. 32, IV, §§5º, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Medida Provisória n. 449/2008, vedandose a aplicação conjunta com o art. 35A, da Lei n. 8212/1991, com a redação da Lei n. 11.941/2009. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima quanto à multa. (Assinado Digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 27/05/2014 po r HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por GUSTAVO VETTORATO Processo nº 10665.001860/201081 Acórdão n.º 2803002.926 S2TE03 Fl. 185 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário que busca a revisão do acórdão proferido na instância a quo, este que manteve os créditos tributários constituídos pelo auto de infração lavrado para o lançamento de sanção por informar incorretamente contribuições previdenciárias em Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, desconsiderando diferenças contribuições previdenciárias indevidamente apuradas 11/2005 a 06/2007, como se fosse optante pelo SIMPLES Federal e, de 07/2007 a 12/2008, como se fosse optante pelo SIMPLES Nacional. Sendo que a contribuinte fora excluída do SIMPLES Federal e Nacional pelos Atos Declaratórios Executivos –ADE nº 65/2010 e nº 66/2010. Em recurso voluntário, argüiu a ilegalidade da exclusão e do lançamento, bem como requereu a suspensão da exigibilidade dos créditos enquanto aguardase a decisão quanto à manifestação de inconformidade aos Atos Declaratórios Executivos –ADE nº 65/2010 e nº 66/2010, protocolizada sob o n. (processos nº 10665.001732/201037 e 10665.001729/201013). Os autos vieram ao presente Relator, o qual colocou os autos em pauta para julgamento desta Turma Especial. Contudo no dia 14.06.2013, recebeu da Secretaria da 3a. Câmara da 2a. Seção de Julgamento do CARF o comunicado de que a Recorrente protocolara em 17.04.2013 petição informando que em recente decisão proferida pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belo Horizonte/MG (acórdão nº 0242.124, prolatado no processo nº 10665.001732/201037), restou acolhida a manifestação de inconformidade apresentada pela empresa contra o Ato Declaratório Executivo nº 66, de 08 de novembro de 2010, expedido pelo Chefe da Seção de Orientação e Análise Tributária (SAORT) da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Divinópolis/MG, que a excluía do SIMPLES FEDERAL. Tal petição ainda não havia sido juntada nos autos do presente processo. O julgamento foi convertido em diligência pela Resolução n. 2803000.167 para que à Secretaria da 3a. Câmara da 2ª Sessão de Julgamento do CARF/MF que juntasse a petição protocolizada no dia 17.04.2013 pela contribuinte; e para depois, à autoridade preparadora cópia integral do acórdão nº 0242.124, prolatado no processo nº 10665.001732/201037, pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belo Horizonte/MG, bem como para que informe o andamento processual do mesmo processo e quanto ao trânsito em julgado da decisão. Após o cumprimento da solicitação, que a contribuinte que seja intimada a manifestarse no prazo de 30(trinta) dias, assim, retornando os autos para apreciação desta Turma Especial. A Secretaria da 3ª Câmara da 2ª Sessão de Julgamento, não se manifestou quanto à petição, nem a juntou, enviando os autos à autoridade preparadora, mas juntou o referido acórdão nº 0242.124, e informou sobre o seu trânsito em julgado. Novamente converteuse os autos em diligência , que foi juntada a petição protocolizada no 17.04.2013, em que a parte demonstra plena ciência do acórdão referido e requer o julgamento, petição recemtemente juntada. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 27/05/2014 po r HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por GUSTAVO VETTORATO Processo nº 10665.001860/201081 Acórdão n.º 2803002.926 S2TE03 Fl. 186 4 É o relatório. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 27/05/2014 po r HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por GUSTAVO VETTORATO Processo nº 10665.001860/201081 Acórdão n.º 2803002.926 S2TE03 Fl. 187 5 Voto I O recurso foi apresentado tempestivamente, conforme supra relatado, atendido os pressupostos de admissibilidade, assim deve o mesmo ser conhecido parcialmente conhecido. II – Quanto ao cumprimento parcial da última diligência, por não ter a autoridade preparadora dado ciência ao contribuinte da juntada do acórdão n. 0242.124, a sua ausência não causa prejuízo à parte, pois com a juntada da petição de 17.04.2013, verificase que a parte tem plena ciência do seu teor, inclusive solicitou a juntada de cópia do referido acórdão. Assim, prosseguese a apreciação do Recurso Voluntário. III – A razão da parcialidade de conhecimento está na incompetência da presente Turma Especial em anular o crédito tributário questionado com fundamento apenas na ilegalidade ou nulidade do ato de exclusão da Recorrente do SIMPLES (Lei n° 9.317/96 SIMPLES e a partir de 01/07/2007, vigência da LC n° 123/06 Simples Nacional). O ato de exclusão e sua possível anulação fora apreciado em procedimento próprio e diverso, como observado pela decisão a quo, não podendo ser rediscutido dentro do procedimento de lançamento de contribuições previdenciárias, porque conforme o art. 2º, inciso V, do Anexo I, Regimento Interno do CARF/MF, a competência para processamento e julgamento de recursos que discutam propriamente essa matéria é da Primeira Seção de Julgamento deste Conselho. Tal incompetência para apreciação inclui inclusive quanto aos efeitos da retroatividade das decisões de exclusão, pois são matérias atinentes às próprias causas da mesma. Inclusive, os artigos 13 e 15 da Lei n° 9.317/96 e artigos 28 e 31 da LC n° 123/06. Assim, as alegações da ilegalidade da exclusão da Recorrente do SIMPLES, bem como a extensão temporal de seus efeitos, não devem ser conhecidos, conhecendose apenas as demais matérias devolvidas à apreciação. IV – Contudo, verificase, por questão de ordem, que houve fato superveniente quanto parte da motivação do lançamento. Com a resposta da autoridade preparadora, juntandose cópia do acórdão n. 0242.124, da DRJ, e informação de seu transito em julgado, verificase que a exclusão da contribuinte do Simples Federal pelo ADE nº 66/2010, fora cancelado efetivamente. Ou seja, no período 11/2005 a 06/2007, a contribuinte estava devidamente enquadrada no Simples Federal, logo, para esse período, como o motivo do ato era justamente a irregularidade perante ao Simples, cessando tal irregularidade, o ato também é imotivado. A manutenção do lançamento para esse período, seria uma real afronta aos princípios da motivação, moralidade, e legalidade (art. 37, da CF/1988), inclusive contrário ao regime jurídico aplicável ao contribuinte. Assim, tem razão a contribuinte, não pode ser penalizada quando o motivo do ato foi cancelado, devendo o lançamento ser também cancelado no que tange o período de 11/2005 a 06/2007, justamente por insubsistência. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 27/05/2014 po r HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por GUSTAVO VETTORATO Processo nº 10665.001860/201081 Acórdão n.º 2803002.926 S2TE03 Fl. 188 6 V – Quanto aos períodos remanescentes (07/2007 a 12/2008), ao se verificar a multa aplicada por descumprimento de obrigação acessória prevista no art. 32, IV, §§5º, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Medida Provisória n. 449/2008, devese atentar às alterações legais implementadas por esta e sua lei de conversão (Lei n. 11.941/2009), que revogou os parágrafos e incluiu o art 32A, I,. Recentemente, as normas sancionatórias relativas à GFIP foram alteradas pela lei n º 11.941/09, e provavelmente beneficiam a Recorrente. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212, in verbis: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Toda multa tributária é uma sanção, ou seja tem natureza primária punitiva, ou de penalização. Contudo, ainda assim podem ser classificadas em multa moratória, Fl. 197DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 27/05/2014 po r HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por GUSTAVO VETTORATO Processo nº 10665.001860/201081 Acórdão n.º 2803002.926 S2TE03 Fl. 189 7 decorrente do simples atraso na satisfação da obrigação tributária principal, e multa punitiva em sentido estrito, quando decorrente de infração à obrigação instrumental cumulada ou não com a obrigações principais. Tal classificação é necessária pois, apesar de não terem natureza remuneratória, mas sancionatória, os tribunais brasileiros admitem que as multas tributárias devem ser classificadas em moratórias e punitivas (sentido estrito), em razão da existência de tratamentos diversos para cada espécie pelo próprio Código Tributário Nacional e legislação esparsas. (RESP 201000456864, HUMBERTO MARTINS, STJ SEGUNDA TURMA, 29/04/2010; PAULSEN, Leandro. Direito tributário, constituição e código tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 12ª Ed., Porto Alegre : Livraria do Advogado, 2010, p.1103 1109) Assim, coloco como premissa que a diferença entre multa moratória e multa punitiva em sentido estrito. Como supra colocado, a primeira decorre do mero atraso da obrigação tributária principal, podendo sendo constituída pelo próprio contribuinte inadimplente no momento de sua apuração e pagamento. Já, a segunda espécie de multa, a punitiva em sentido estrito, demanda constituição pelos instrumentos de lançamento de ofício por parte dos agentes fiscais (art. 149, do CTN), em que se apura a infração cometida e a penalidade a ser aplicada. Inclusive a estipulação e definição da espécie de multa é dado exclusivamente pela lei, fato ressaltado em face do principio da estrita legalidade a que se regula o Direito Tributário e suas sanções (art. 97, V, do CTN). A mudança de natureza para fins de comparação no tempo, não pode ser realizada sem autorização legal, e por isso não se poderia comparar com multas punitiva em sentido estrito (referente à descumprimento de obrigação exclusivamente instrumental) com multas de natureza moratória a exemplo com a nova redação do art. 35A, da Lei n. 8212/1991, com a redação a partir da Medida Provisória n. 449/2008. Devido ao disposto no art. 112, IV, do CTN, a legislação tributária que define as infrações e comina suas penalidades deve ser interpretada de forma mais favorável ao contribuinte em casos de dúvidas quanto à natureza das infrações e suas penalidades. Interpretação que deve ser conjugada com a retrotatividade benígna prevista no art. 106, II, a e c, do CTN, de forma a reduzir ou extinguir penalidades sempre quando lei posterior estabeleça pena menos grave ou não entenda mais como infração tal conduta. Portanto, também deve ser colocado como premissa, que além de retroagir a aplicação de dispositivo legal mais favorável essa retroação também deve sempre buscar uma aplicação mais favorável ao contribuinte. Assim, em razão do princípio da retroatividade benigna (art. 106, do CTN), como o entendimento que a aplicação da sanção deve ser regida pela multa estabelecida no artigo 32A, I, da Lei n. 8.212/1991, com a redação da Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte em relação à aplicação do art. 32, IV, §5º da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Medida Provisória n. 449/2008, vedandose a aplicação conjunta com o art. 35A, da Lei n. 8212/1991, com a redação da Lei n. 11.941/2009. VI Isso posto, voto por conhecer o Recurso Voluntário e, no mérito, para DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, reformando o julgamento anterior e o lançamento no sentido de: a) cancelar lançamento e respectivos créditos com base nos fatos geradores ocorridos nas competências de 11/2005 a 06/2007 por insubsistência; Fl. 198DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 27/05/2014 po r HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por GUSTAVO VETTORATO Processo nº 10665.001860/201081 Acórdão n.º 2803002.926 S2TE03 Fl. 190 8 b) que a aplicação da sanção seja regida pela multa estabelecida no artigo 32 A, I, da Lei n. 8.212/1991, com a redação da Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte em relação à aplicação do art. 32, IV, §5º, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Medida Provisória n. 449/2008, vedandose a aplicação conjunta com o art. 35A, da Lei n. 8212/1991, com a redação da Lei n. 11.941/2009. É como voto. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato Relator Fl. 199DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 27/05/2014 po r HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por GUSTAVO VETTORATO
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Numero do processo: 37316.002492/2006-28
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1994 a 30/04/2004
CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA VINCULADA À OBRIGAÇÃO PRINCIPAL-.Se as verbas pagas a título de bolsas de estudo de dependentes de segurado não sofrem incidência de contribuição social, não há que se exigir do contribuinte que tais valores constem nas suas folhas de pagamento.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2403-002.506
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari,- Presidente
Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari, Presidente Marcelo Freitas de Souza Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas. 1 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 37 31 6. 00 24 92 /2 00 6- 28 Fl. 155DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte acima identificado, em decorrência de a empresa deixar de elaborar folhas de pagamento na forma estabelecida pelo INSS, o que configura infração a obrigação acessória prevista no art. 32, I da Lei n° 8.212/91. De acordo com o Relatório Fiscal (fls.19/20), ao analisar as folhas de pagamento apresentadas, a fiscalização constatou que a empresa deixou de incluir os valores devidos a titulo de bolsas de estudos, atribuídos aos filhos de seus segurados empregados e contribuinte individual (sóciogerente Sr. Dorival Bistaco), por força de convenções coletivas de trabalho. Após a apresentação de defesa a Secretaria da Receita Previdenciária julgou a autuação procedente, através da Decisão Notificação nº: 21.424.4/0194/2006, cuja ementa transcrevemos abaixo: LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA.. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. Deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS, constitui infração punível na forma da Lei. Inconformada com referida decisão, a empresa apresentou recurso à este conselho alegando em síntese: Preliminarmente requer a aplicação da decadência qüinqüenal com fulcro no art. 150, § 4º do CTN, por afirmar ter havido antecipação de pagamento; No mérito, defende a não incidência de contribuições previdenciárias sobre as bolsas de estudo pois a Constituição Federal assegura o direito dos trabalhadores no custeio da educação e que a concessão das referidas bolsas aos seus empregados, dirigentes e dependentes não está e não pode ser inserida no conceito geral de salário de contribuição. Argumenta que a não concessão da bolsa de estudos importaria em descumprimento do Acordo Coletivo, o que sujeitaria a recorrente a aplicação das sanções de praxe; Aduz que tanto a Justiça Federal quanto a Justiça do Trabalho, afastaram a natureza salarial das bolsas de estudo concedidas aos filhos dos empregados por entenderem tal benefício como de natureza jurídica unicamente social; Colaciona jurisprudência e faz analogia com a Lei 11.096/2006; Questiona o arbitramento do crédito relativo ao referido pagamento, inclusive com a multa adicional em decorrência da não informação da remuneração em GFIP, e que as justificativas da fiscalização para o seu procedimento não têm base técnica ou legal sustentável. 2 Fl. 156DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 155 Diz que a aplicação da taxa SELIC é inconstitucional e requer a total improcedência da autuação. É o relatório 3 Fl. 157DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa O recurso é tempestivo e estão presente os pressupostos de admissibilidade. DA PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Quanto a preliminar referente ao prazo de decadência para o fisco constituir os créditos objeto deste Auto de Infração, entendo cabível a sua apreciação. Em primeiro lugar, devemos considerar que se trata de auto de infração, que ao contrário das NFLD, constitui obrigação acessória de “fazer” ou “deixar de fazer”, sendo irrelevante a existência ou não de recolhimentos antecipados. Porém, antes de identificar o período abrangido pela decadência, exponha a tese que adoto sobre o assunto. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008 declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, in verbis: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O texto constitucional em seu art. 103A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicála de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. Contudo a multa devida pela infração cometida no presente auto de infração independe do número de faltas cometidas, possuindo valor fixo, independe do número de meses em que foi constada a infração. Dessa forma, embora parte do crédito lançado encontra se decadente, não há como afastar a multa imposta, pelos fatos acima narrados. 4 Fl. 158DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 155 Do mérito Do pagamento de bolsas aos dependente A recorrente se insurge contra o lançamento, aduzindo que as bolsas de estudos fornecidas aos dependentes dos segurados e dirigentes não se configura remuneração. Razão lhe assiste. Nesta assentada, foram julgados os autos das obrigações principais, processos 37316.001139/200540 e 37316.002491/200683, onde foram julgadas improcedentes as autuações lavradas pelo não recolhimento de contribuições sobre os valores pagos a título de bolsas de estudo dos dependentes dos segurados. Referida decisões restaram assim ementadas: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1994 a 30/04/2004 DECADÊNCIA ARTS. 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 INCONSTITUCIONALIDADE STF SÚMULA VINCULANTE De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Decadência com base no art. 150, § 4º do CTN por se tratar de diferenças de recolhimento. PREVIDENCIÁRIO BOLSA DE ESTUDO DE DEPENDENTE NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO Não incidem contribuições previdenciárias nas verbas pagas à título de bolsas de estudo, mesmo quando tais benefícios são destinados aos dependentes dos segurados. AFERIÇÃO INDIRETA POSSIBILIDADE A apuração do crédito previdenciário por aferição indireta na hipótese de não apresentação de documentos ou informações solicitados pela fiscalização é aplicável, devendo a autoridade fiscal lançar o débito que imputar devido, invertendose o ônus da prova ao contribuinte, com esteio no artigo 33, §§ 3º º, da Lei 8.212/91. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De acordo com os artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendolhes apenas 5 Fl. 159DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. Recurso Voluntário Provido Logo, com tais verbas não foram reconhecidas como salário de contribuição, não se poderia exigir que referidos valores constassem nas folhas de pagamento da autuada. Ante ao exposto, voto no sentido de Dar provimento ao recurso julgando improcedente a autuação. Marcelo Freitas de Souza Costa Relator 6 Fl. 160DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 11634.720209/2012-03
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008, 2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
Conforme art.65, §1º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, o prazo para a interposição de embargos de declaração é de cinco dias, contado da ciência do acórdão. Intempestividade reconhecida. Embargos não conhecidos.
Numero da decisão: 1103-001.035
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer dos embargos, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente
(assinado digitalmente)
Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO
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INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Conforme art.65, §1º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, o prazo para a interposição de embargos de declaração é de cinco dias, contado da ciência do acórdão. Intempestividade reconhecida. Embargos não conhecidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer dos embargos, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 72 02 09 /2 01 2- 03 Fl. 3195DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11634.720209/201203 Acórdão n.º 1103001.035 S1C1T3 Fl. 3.196 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração (fls.3.124/3.128) interpostos pelo contribuinte sob o fundamento de haver contradição no acórdão nº 1103000.808, de 5/3/13. Consta dos autos recurso especial do contribuinte, tendo o Sr. Presidente da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento decidido, em juízo de admissibilidade, que os embargos de declaração deveriam ser antes apreciados (fls.3.188/3.190). É o que importa relatar. Voto Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. Os Embargos de Declaração, conforme protocolo da DRF – Londrina (PR) foram protocolizados em 27/8/13, mesma data em que subscritos. Dispõe o Anexo II do Regimento Interno do CARF: “Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. § 1° Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de cinco dias contado da ciência do acórdão: I por conselheiro do colegiado; II pelo contribuinte, responsável ou preposto; III pelo Procurador da Fazenda Nacional; IV pelos Delegados de Julgamento, nos casos de nulidade de suas decisões; V pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão. §2º O presidente da Turma poderá designar conselheiro para se pronunciar sobre a admissibilidade dos embargos de declaração. §3° O despacho do presidente será definitivo se declarar improcedentes as alegações suscitadas, sendo submetido à deliberação da turma em caso contrário. §4° Do despacho que rejeitar os embargos de declaração será dada ciência ao embargante. §5° Os embargos de declaração opostos tempestivamente interrompem o prazo para a interposição de recurso especial. Fl. 3196DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11634.720209/201203 Acórdão n.º 1103001.035 S1C1T3 Fl. 3.197 3 §6° As disposições deste artigo aplicamse, no que couber, às decisões em forma de resolução.” (destaquei) Assim, de acordo com o Regimento Interno, o prazo para a interposição de embargos de declaração é de 5 (cinco) dias, contado da ciência do acórdão. Na espécie, a ciência do acórdão embargado ocorreu em 9/8/13, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl.3.122). Considerando que os embargos foram interpostos em 27/8/13, concluise que são intempestivos. Acrescentese que em sua petição o embargante não suscitou preliminar de tempestividade. Caberá à Secretaria da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento encaminhar o processo à unidade de origem da RFB para ciência do contribuinte quanto a este acórdão, que, após tal providência, deverá devolver os autos ao CARF para análise de admissibilidade do recurso especial interposto. Pelo exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER dos embargos de declaração. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 3197DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 13603.003856/2008-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2001 a 30/06/2008
Ementa:
INCONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não tem competência para declarar a inconstitucionalidade de normas, conforme Súmula CARF nº 2.
RESTITUIÇÃO.PIS/COFINS. CONSUMIDOR FINAL DE COMBUSTÍVEIS, PESSOA JURÍDICA.ART. 6º DA IN SRF Nº 06/1999. IMPOSSIBILIDADEAPÓSAMP1.99115/00.
Com a entrada em vigor da MP 1991-15/00, em 01/07/2000,deixou de existir a substituição tributária na cadeia de produção/comercialização de combustíveis.Não mais existindo substituição tributária, afasta-se a aplicação do direito de restituição, previsto no art. 150, § 7º, da CF/88 e no art. 6º da IN SRF nº 06/1999.Precedentes do CARF.
Recurso voluntário conhecido em parte. Na parte conhecida, recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-001.138
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte o recurso voluntário; na parte conhecida, negar provimento ao recurso voluntário.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Rodrigo Cardozo Miranda, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2001 a 30/06/2008 Ementa: INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não tem competência para declarar a inconstitucionalidade de normas, conforme Súmula CARF nº 2. RESTITUIÇÃO.PIS/COFINS. CONSUMIDOR FINAL DE COMBUSTÍVEIS, PESSOA JURÍDICA.ART. 6º DA IN SRF Nº 06/1999. IMPOSSIBILIDADEAPÓSAMP1.99115/00. Com a entrada em vigor da MP 1991-15/00, em 01/07/2000,deixou de existir a substituição tributária na cadeia de produção/comercialização de combustíveis.Não mais existindo substituição tributária, afasta-se a aplicação do direito de restituição, previsto no art. 150, § 7º, da CF/88 e no art. 6º da IN SRF nº 06/1999.Precedentes do CARF. Recurso voluntário conhecido em parte. Na parte conhecida, recurso voluntário negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1892; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 139 1 138 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13603.003856/200855 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3202001.138 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de março de 2014 Matéria RESTITUIÇÃO. PIS/COFINS. MONOFÁSICO. Recorrente ACROSS MOVIMENTAÇÃO LOGÍSTICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2001 a 30/06/2008 Ementa: INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não tem competência para declarar a inconstitucionalidade de normas, conforme Súmula CARF nº 2. RESTITUIÇÃO.PIS/COFINS. CONSUMIDOR FINAL DE COMBUSTÍVEIS, PESSOA JURÍDICA.ART. 6º DA IN SRF Nº 06/1999. IMPOSSIBILIDADEAPÓSAMP1.99115/00. Com a entrada em vigor da MP 199115/00, em 01/07/2000,deixou de existir a substituição tributária na cadeia de produção/comercialização de combustíveis.Não mais existindo substituição tributária, afastase a aplicação do direito de restituição, previsto no art. 150, § 7º, da CF/88 e no art. 6º da IN SRF nº 06/1999.Precedentes do CARF. Recurso voluntário conhecido em parte. Na parte conhecida, recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte o recurso voluntário; na parte conhecida, negar provimento ao recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 00 38 56 /2 00 8- 55 Fl. 139DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 2 Thiago Moura de Albuquerque Alves – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Rodrigo Cardozo Miranda, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório A contribuinte requereu em 28/08/2008, a restituição dos valores recolhidos a titulo de PIS/CONFIS no período de 01/2001 a 06/2008, no valor de R$ 237.100,45, alegando ser consumidora final de combustível. Paralelamente, a contribuinte via PER/DCOMP, realizou a compensação para uso dos referidos créditos. Entretanto, a DRF por meio do despacho decisório, indeferiu o pedido de restituição não homologando a compensação, por inexistência de crédito. Contra o despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, fls. 53 e ss., em 23.09.2008, na qual a DRJ julgou totalmente improcedente (fls. 108 e ss.) De antemão, afirma a DRJ que as distribuidoras de derivados de petróleo e álcool etílico, recolhiam PIS/COFINS como substitutas tributárias desde a LC/91 até a edição da Lei 9.718/98, a partir da qual se elegeu como substituta tributária as refinarias de petróleo. Alega a DRJ que a IN SRF nº 06, de 20 de janeiro de 1999, em seu art. 6º teria assegurado que era devido ao consumidor final, pessoa jurídica, o ressarcimento dos valores das referidas contribuições, nas hipóteses de aquisição de gasolina automotiva ou óleo diesel diretamente da distribuidora. Todavia, a supracitada Instrução Normativa, apenas alcança o período de 1999 até 06/2000, daí em diante, a MP 1.991 de 2000 extinguiu o instituto da substituição tributária das refinarias. Na oportunidade, afirma o arresto recorrido, que o PIS/CONFINS apenas passou a ser recolhido tãosomente pelas refinarias de petróleo, não existindo mais a obrigatoriedade de recolher, na condição de contribuinte substituto, as contribuições devidas pelos distribuidores e comerciantes varejistas. Como não bastasse, a MP 2.03720, arts. 4º, 43 e 46 inciso II, reduziu a zero as alíquotas dessas contribuições sobre as receitas brutas auferidas por distribuidoras e comerciantes varejistas, aplicável aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de julho de 2000. Leiase: Art. 43. Ficam reduzidas a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de: I Gasolina automotiva, óleo diesel e GLP, auferida por distribuidores e comerciantes;(...) Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica às hipóteses de venda de produtos importados, que se sujeita ao Fl. 140DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13603.003856/200855 Acórdão n.º 3202001.138 S3C2T2 Fl. 140 3 disposto no art. 6º da Lei nº 9.718, de 1998, com a redação atribuída pelo art. 2º desta Medida Provisória. (...) Diante de todo exposto, afirma a DRJ, que com o fim da substituição tributária e a redução da alíquota a zero incidente nas etapas de comercialização de combustíveis pelos distribuidores e comerciantes varejistas, não caberia nenhum tipo de ressarcimento ao consumidor final pessoa jurídica, ocorrida após 30 de julho de 2000. Cientificada do acórdão, acima destacado, a contribuinte apresentou recurso voluntário, reiterando as razões contidas na sua manifestação de inconformidade, destacando, ainda, que o art. 246 da CF/88 impede que MPs regulamentem texto da Constituição, cuja redação tenha sido alterada por emendas constitucionais a partir de jan/1995 até Set/2001. Assim, requer que seja dado provimento a restituição e julgado totalmente improcedente o despacho decisório. (fls. 125 e ss.) O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, Relator. O recurso é tempestivo e, por isso, merece a ser apreciado. Escorandose no art. 6º da IN SRF nº 06/1999 e no art. 150, § 7º, da CF/88, a recorrente pede seja reformado o acórdão recorrido, de modo a reconhecer seu direito à restituição dos valores, recolhidos a título de PIS/COFINS, no período de 01/2001 a 06/2008, referentes às aquisições de combustíveis diretamente da distribuidora, na qualidade de consumidora final. Para a recorrente, o direito à restituição decorre da inexistência de fato gerador, em uma das etapas da comercialização dos combustíveis (venda pelo posto varejista), submetida a substituição tributária, mesmo após a edição da Medida Provisória nº 1.99115, de 10 de março de 2000. Entretanto, entendo que não merece reforma o acórdão recorrido, uma vez que este entendeu, corretamente, que a partir da edição da Medida Provisória nº 1.99115/2000, o qual alterou o artigo 4º da Lei nº 9.718/98, extinguiuse o instituto da substituição tributária nas referidas operações. Na ótica do acórdão recorrido, a Medida Provisória nº 1.99115/2000 (atualmente incorporada à MP nº 2.15835/2001) extinguiu a substituição tributária, através da instauração de regime monofásico, por meio do aumento da alíquota do PIS/COFINS para o produtor de combustíveis e da simultânea redução a zero da alíquota do PIS/COFINS dos distribuidores e dos postos varejistas de combustíveis. Confirase: Redação original do art. 4º da Lei nº 9.718/98 Art. 4º As refinarias de petróleo, relativamente às vendas que fizerem, ficam obrigadas a cobrar e a recolher, na condição de Fl. 141DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 4 contribuintes substitutos, as contribuições a que se refere o art. 2º, devidas pelos distribuidores e comerciantes varejistas de combustíveis derivados de petróleo, inclusive gás. Parágrafo único. Na hipótese deste artigo, a contribuição será calculada sobre o preço de venda da refinaria, multiplicado por quatro. Redação modificada pela MP 199115/2000 (Diversas leis posteriores alteraram essa norma, sem lhe mudar a essência) Art. 4º As contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e para o Financiamento da Seguridade Social COFINS devidas pelas refinarias de petróleo serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: I três inteiros e vinte centésimos por cento e quinze por cento, incidentes sobre a receita bruta decorrente da vendas de gasolina automotiva e de gás liqüefeito de petróleo GLP; II dois inteiros e oito décimos por cento e treze por cento, incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de óleo diesel; III sessenta e cinco centésimos por cento e três por cento, incidentes sobre a receita bruta decorrentes das demais atividades.”(NR) Novas disposições da MP 199115/2000 (atual MP nº 2.158 35/2001) Art.42.Ficam reduzidas a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de: I gasolinas, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e GLP, auferida por distribuidores e comerciantes varejistas; [...] Art. 92. Esta Medida Provisória entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: [...] II no que se refere à nova redação dos arts. 4o a 6o da Lei no 9.718, de 1998, e ao art. 42 desta Medida Provisória, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de julho de 2000, data em que cessam os efeitos das normas constantes dos arts. 4o a 6o da Lei no 9.718, de 1998, em sua redação original, e dos arts. 4o e 5o desta Medida Provisória; Ainda que se diga que a MP nº 1.99115/2000 não teria criado o regime monofásico, porque esta norma prevê três incidências (duas sob alíquota zero), enquanto que a monofasia exige a incidência uma única vez (art. 149, § 4º, da CF/88), mesmo assim não se pode concluir que a substituição tributária persistiria. É que, nessa última perspectiva, a MP nº 1.99115/2000 revogou a substituição tributária e voltou ao regime normal de atribuição de responsabilidade tributária Fl. 142DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13603.003856/200855 Acórdão n.º 3202001.138 S3C2T2 Fl. 141 5 para o recolhimento do PIS/COFINS, com alíquota cheia para os produtores de combustíveis e com alíquota zero para distribuidores e comerciantes varejistas. Nessa linha de ideias, no novo regime de tributação, não houve mudança de responsabilidade tributária, que é pressuposto de toda e qualquer substituição tributária, mas apenas diferentes calibragens de alíquota para o produtor, para o comerciante atacadista e para o comerciante varejista de combustíveis. Sob todos os ângulos, portanto, não mais existe a substituição tributária, afastandose a aplicação do direito de restituição, previsto no art. 150, § 7º, da CF/88. Nesse sentido, colhamse os seguintes precedentes do CARF: PEDIDO RESSARCIMENTO. CRÉDITO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP INCIDENTE SOBRE COMBUSTÍVEL. REGIME DE TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE VAREJISTA EXCLUÍDO DA TRIBUTAÇÃO. INDEFERIMENTO. No regime monofásico de tributação não há previsão de ressarcimento ou restituição de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetivase uma única vez, portanto, se m previsão de fato gerador futuro e presumido, como ocorre no regime de substituição tributária para frente. A partir de 01/07/2000, o regime de tributação da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre os combustíveis, incluído o óleo diesel, passou a ser realizado em uma única fase (incidência monofásica), concentrada nas receitas de vendas realizadas pelas refinarias, ficando exonerada as receitas auferidas nas etapas seguintes por distribuidoras e varejistas, qu e passaram a ser submetidas ao regime de alíquota zero. Dessa forma, após a vigência do regime monofásico de incidência, não há previsão legal para o pedido de ressarcimento da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a venda de óleo diesel do distribuidor para o comerciante varejista. Recurso Voluntário Negado. [CARF. Processo nº 10850.904506/201101. Acórdão nº 3801002.958. 1ª Turma Especial da 3ª Seção. Rel. Cons. SIDNEY EDUARDO STAHL. Julgado em 25/01/2014] **** RESTITUIÇÃO. CONSUMIDOR FINAL DE COMBUSTÍVEIS, PESSOA JURÍDICA. IMPOSSIBILIDADE APÓS A MP 1.99115/00. A partir da edição da Medida Provisória nº 1.99115, de 10 de março de 2000, que alterou o artigo 4º da Lei nº 9.718/980 01/07/2000, foi instituído o regime monofásico de tributação da Contribuição ao PIS e da COFINS incidentes sobre as receitas da venda de gasolina automotiva e de gás Fl. 143DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 6 liquefeito de petróleo GLP, concentrado nas refinarias. Com is so, deixou de existir regra autorizando a pessoa jurídica, consumidora final, a pedir a restituição dos valores de Contribuição ao PIS/COFINS indevi damente pagos a título de substituição tributária, correspondentes à incidência na venda a varejo, na hipótese de aquisição de combustíveis diretamente à distribuidora. Precedentes do CARF. [CARF. Processo nº 13732.000472/200813. Acórdão nº 1301001.710. 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária/3ª Seção. Rel. Cons. ANDRÉA MEDRADO DARZÉ. Julgado em 26/02/2013] Quanto às alegações de que o regime de calibragem de alíquotas seria uma forma inconstitucional de burlar o art. 150, § 4º, da CF/88, e de que as medidas provisórias, que regulam as operações sob exame, violariam o art. 246 da CF/88, não conheço tais argumentos, pois o CARF não tem competência para declarar a inconstitucionalidade de normas, conforme Súmula CARF nº 2. Ante o exposto, voto por conhecer em parte o recurso voluntário; na parte conhecida, voto para NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Thiago Moura de Albuquerque Alves Fl. 144DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
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