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Numero do processo: 10768.720669/2007-88
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano calendário:2007
MULTA REGULAMENTAR. FALTA DE ATENDIMENTO INTIMAÇÃO.
SIGILO DAS TELECOMUNICAÇÕES.
Aplica-se a multa regulamentar por falta de atendimento de intimação regularmente efetuada, sendo inoponíveis as alegações de sigilo de telecomunicações tratando-se apenas dos dados dos contribuintes usuários e remetentes das informações transmitidas à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB).
ILEGITIMIDADE PASSIVA. EMPRESA CONTROLADORA.
Não se acolhem as alegações de ilegitimidade passiva quando a contribuinte assume para si a responsabilidade pelos atos de gestão de suas controladas e coligadas, negando a prestação de informações sem qualquer alegação adicional de que não teria prestado os serviços sobre os quais se funda a intimação da autoridade fiscal.
Numero da decisão: 1803-001.135
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: Walter Adolfo Maresch
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano calendário:2007 MULTA REGULAMENTAR. FALTA DE ATENDIMENTO INTIMAÇÃO. SIGILO DAS TELECOMUNICAÇÕES. Aplica-se a multa regulamentar por falta de atendimento de intimação regularmente efetuada, sendo inoponíveis as alegações de sigilo de telecomunicações tratando-se apenas dos dados dos contribuintes usuários e remetentes das informações transmitidas à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). ILEGITIMIDADE PASSIVA. EMPRESA CONTROLADORA. Não se acolhem as alegações de ilegitimidade passiva quando a contribuinte assume para si a responsabilidade pelos atos de gestão de suas controladas e coligadas, negando a prestação de informações sem qualquer alegação adicional de que não teria prestado os serviços sobre os quais se funda a intimação da autoridade fiscal.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1811; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 154 1 153 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10768.720669/200788 Recurso nº 505.342 Voluntário Acórdão nº 1803001.135 – 3ª Turma Especial Sessão de 16 de janeiro de 2012 Matéria MULTA REGULAMENTAR Recorrente TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2007 MULTA REGULAMENTAR. FALTA DE ATENDIMENTO INTIMAÇÃO. SIGILO DAS TELECOMUNICAÇÕES. Aplicase a multa regulamentar por falta de atendimento de intimação regularmente efetuada, sendo inoponíveis as alegações de sigilo de telecomunicações tratandose apenas dos dados dos contribuintes usuários e remetentes das informações transmitidas à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). ILEGITIMIDADE PASSIVA. EMPRESA CONTROLADORA. Não se acolhem as alegações de ilegitimidade passiva quando a contribuinte assume para si a responsabilidade pelos atos de gestão de suas controladas e coligadas, negando a prestação de informações sem qualquer alegação adicional de que não teria prestado os serviços sobre os quais se funda a intimação da autoridade fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10768.720669/200788 Acórdão n.º 1803001.135 S1TE03 Fl. 155 2 (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (presidente), Walter Adolfo Maresch, Sergio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Relatório TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ JUIZ DE FORA (MG), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos. Tratase de auto de infração formalizado em 06/09/2007 em nome da contribuinte acima identificada para aplicação de multa regulamentar de valor fixo de R$ 2.694,79, em razão do não atendimento a intimação fiscal, nos prazos marcados, visando o fornecimento de informações e/ou esclarecimentos solicitados. No "Relatório de Procedimento Fiscal", as fls. 07/10, o autuante descreve todo o procedimento fiscal, a seguir sintetizado. No referido termo informa a autoridade fiscal que a empresa autuada foi intimada em 01/06/07 a informar os usuários que transmitiram informações via Internet para a SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL por meio dos Endereços IP's, nas datas c horários descritos no quadro de fls. 07. A intimação teve como base legal o art. 57, inciso II, alínea "a'', da Lei 4.117/62 e o art. 928, do Decreto n° 3.000/99. Em resposta, a contribuinte informou que as informações somente seriam enviadas por ordem judicial. Em 12/07/2007 foi fixado novo prazo de cinco dias para atendimento intimação, sob pena de lavratura de auto de infração para cobrança de multa regulamentar e Representação Fiscal para Fins Penais ao Ministério Público Federal. Em 29/08/2007 a empresa enviou nova resposta na qual discorria novamente sobre a "violação das comunicações telefônicas". A vista desses fatos e com fundamento nos arts. 927, 928 e 968 do RIR11999 aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26/03/1999, a fiscalização procedeu a lavratura do auto de infração para Fl. 229DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10768.720669/200788 Acórdão n.º 1803001.135 S1TE03 Fl. 156 3 aplicar a multa máxima prevista no artigo 968 do Decreto n° 3.000/99. Também foi efetuada a Representação Fiscal para Fins Penais, conforme o processo n° 10768720.670/200711. Inconformada com a exigência fiscal da qual tomou ciência em 12/09/2007, fl. 33, a contribuinte interpôs no dia 21 do mesmo mês, por meio de seus procuradores. a impugnação de fls. 34/47, acompanhada de cópia de documentos (fls. 48/86), apresentando as razões de fato e de direito a seguir sintetizadas: a) que demonstrando total cooperação com a autoridade fiscal apresentou, em 11/06/2007, resposta na qual explicitava os motivos que a impediam de cumprir os exatos termos da intimação; b) assim, foi atendida a intimação fiscal e prestados os devidos esclarecimentos e informações, sendo completamente imotivada a lavratura do auto de infração; c) no presente caso resta evidente a ilegitimidade passiva para atender as intimações, tendo em vista não ser a impugnante empresa que explora serviços de telecomunicações e atividades necessárias ou úteis a execução desses serviços; d) a sua própria denominação (Tele Norte Leste Participações S.A.) atesta constituir sua atividade precípua participar em outras sociedades, e não explorar serviços de telecomunicações; e) as informações solicitadas pelas autoridades fazendárias somente poderiam ser obtidas junto aos provedores de internet e empresas prestadoras de telecomunicações; A impossibilidade de quebra de registro de informações e cadastro de usuários de serviços de telecomunicações sem ordem judicial. Finaliza requerendo que o auto de infração seja integralmente cancelado. A DRJ JUIZ DE FORA (MG), através do acórdão nº 0919.042, de 13 de março de 2008 (fls. 91/97), julgou procedente o lançamento, ementando assim a decisão: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 29/08/2007 INTIMAÇÃO. FALTA DE ATENDIMENTO. MULTA REGULAMENTAR. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. SIGILO TELEFÔNICO. Limitandose a inviolabilidade das comunicações telefônicas à proibição de sua interceptação, sem ordem judicial, informações sobre os usuários que transmitiram informações via internet para a Receita Federal do Brasil devem ser prestadas A Fl. 230DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10768.720669/200788 Acórdão n.º 1803001.135 S1TE03 Fl. 157 4 autoridade fazendária, quando requeridas, sob pena de aplicação de multa regulamentar. Ciente da decisão em 27/05/2008, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 98v), apresentou o recurso voluntário em 24/06/2008 fls. 100/114, onde reitera os argumentos da inicial de ilegitimidade passiva e impossibilidade de fornecimento de dados abrangidos pelo sigilo das telecomunicações. É o relatório. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10768.720669/200788 Acórdão n.º 1803001.135 S1TE03 Fl. 158 5 Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de multa regulamentar por não atendimento de intimação fiscal, aplicada em seu valor máximo face a reiteração da negativa em prestar as informações solicitadas. As informações requeridas pela Secretaria da Receita Federal se referem aos usuários que transmitiram declarações através da internet (rede mundial de computadores) conforme os IP´s, datas e horários indicados nas intimações. Alega a recorrente em síntese: a) A sua ilegitimidade passiva na aplicação da multa regulamentar pois tem como atividade consoante seu estatuto social a participação em outras empresas e não serviços de telecomunicações que seriam realizados por empresas controladas e coligadas; b) A impossibilidade de prestar informações abrangidas pelo sigilo das telecomunicações conforme disposto no art. 5º, XII sem a competente autorização judicial. Não assiste razão à interessada. Com efeito, inicialmente com relação a argüição de ilegitimidade passiva tenho que a atividade constante do seu estatuto social não impediria que a mesma realizasse qualquer atividade de telecomunicações. Afirma a recorrente que por ser apenas empresa com atividade de participação em outras empresas e controladora de empresas de telecomunicações, não poderia ser compelida a prestar informações sobre clientes e usuários destes serviços. Tal argüição em momento algum foi oposto às autoridades fiscais que efetuaram as intimações, limitandose a recorrente apenas a repetir as alegações de estarem as informações acobertadas pelo sigilo das telecomunicações. Não se pode admitir outrossim, que se trate de produzir prova negativa ou “diabólica” como quer fazer crer a recorrente em uma de suas alegações. Tenho que a prova a ser produzida seria relativamente simples ao comprovar através das receitas auferidas ou indicando qual das suas coligadas ou controladas teria prestado o serviço, mas preferiu a contribuinte simplesmente a negativa geral ao acesso das informações requeridas. Outrossim, ocorre nestes casos a aplicação da teoria da encampação em que a pessoa jurídica controladora detentora de maiores poderes de gestão, assume para si a Fl. 232DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10768.720669/200788 Acórdão n.º 1803001.135 S1TE03 Fl. 159 6 responsabilidade pelos atos da controlada tendo em conseqüência legitimidade para figurar como sujeito passivo na aplicação da penalidade aplicada pela Secretaria da Receita Federal. No que se refere as alegações de possibilidade de atendimento das solicitações somente mediante autorização judicial entendo que tampouco merecem acolhida. Com efeito, conforme já apontava a autoridade fiscal ao realizar as intimações, não tem amparo legal negar a prestação de informações com alegações de quebra de sigilo das telecomunicações, quando se trata apenas de identificação do usuário que efetuou o envio das declarações à própria Secretaria da Receita Federal destinatária final das informações enviadas. Neste contexto, apresentamse despidas de razoabilidade as alegações da recorrente pois além de não se tratar de qualquer quebra ou interceptação de telecomunicações, a requisição das informações além de estar amparada legalmente é realizada pelo destinatário das informações ou que se apresenta um verdadeiro absurdo. Neste sentido, as intimações emanadas da autoridade fiscal já ressaltavam, citando o art. Artigo 57, inciso II, alínea a", da Lei 4.117/62: (verbis) "Art. 57 — Não constitui violação de telecomunicação: II — o conhecimento dado: a) ao destinatário da telecomunicação ou a seu representante legal". Rejeito assim, as alegações de que as informações requeridas se encontravam resguardadas pelo sigilo das telecomunicações delineado no art. 5º, inciso XII da Carta da República, justificando a negativa em prestar as informações requisitadas. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Walter Adolfo Maresch Relator Fl. 233DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH
score : 1.0
Numero do processo: 13804.002923/2008-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2003
BASE DE CÁLCULO PIS/PASEP E COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS SOBRE VENDAS DEVIDO NA CONDIÇÃO DE CONTRIBUINTE. IMPOSSIBILIDADE.
A parcela relativa ao ICMS, devido sobre operações de venda na condição de contribuinte, inclui-se na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3302-003.582
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado, que dava provimento.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède e Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2003 BASE DE CÁLCULO PIS/PASEP E COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS SOBRE VENDAS DEVIDO NA CONDIÇÃO DE CONTRIBUINTE. IMPOSSIBILIDADE. A parcela relativa ao ICMS, devido sobre operações de venda na condição de contribuinte, inclui-se na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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BASE DE CÁLCULO. ICMS. Recorrente DOW BRASIL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2003 BASE DE CÁLCULO PIS/PASEP E COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS SOBRE VENDAS DEVIDO NA CONDIÇÃO DE CONTRIBUINTE. IMPOSSIBILIDADE. A parcela relativa ao ICMS, devido sobre operações de venda na condição de contribuinte, incluise na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado, que dava provimento. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède e Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Tratase de pedido de restituição cujo direito creditório é oriundo de recolhimento informado como indevido ou a maior que o devido a título de Cofins. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 4. 00 29 23 /2 00 8- 58 Fl. 132DF CARF MF Processo nº 13804.002923/200858 Acórdão n.º 3302003.582 S3C3T2 Fl. 3 2 A Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte emitiu despacho decisório indeferindo a restituição pleiteada, sob o fundamento de que não existe previsão legal para excluir o ICMS da base de cálculo das contribuições. Após ser intimada, a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade que foi julgada improcedente por intermédio do Acórdão 16040.598. Em síntese, a DRJ manteve o entendimento de que não existe previsão legal para excluir o ICMS da base de cálculo das contribuições, do que resultou mantido o indeferimento do pleito de restituição. Inconformada, a Recorrente interpôs recurso voluntário pugnando pelo reconhecimento de seu direito creditório. O principal argumento da defesa é o de que o ICMS não pode ser considerado como faturamento da empresa, não podendo, desta forma, compor a base de cálculo das contribuições. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.520, de 26 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10875.906543/201249, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão, na parte aplicável ao presente caso (Acórdão 3302003.520): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. No que tange à exclusão do ICMS devido nas operações de venda, na condição de contribuinte, o §2º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998 estabeleceu as hipóteses de exclusão da base de cálculo das contribuições, à época dos fatos: § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; II as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, Fl. 133DF CARF MF Processo nº 13804.002923/200858 Acórdão n.º 3302003.582 S3C3T2 Fl. 4 3 que tenham sido computados como receita; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; (Vide Medida Provisória nº 1.99118, de 2000) (Revogado pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. Verificase no inciso I, que o ICMS incidente nas operações na condição de contribuinte (próprio) não foi elencado como parcela a ser excluída da base de cálculo. Juridicamente e contabilmente, o ICMS compõe a receita de venda e consiste em redutor da receita bruta. A legislação, ao longo do tempo, dispôs sobre a receita bruta, sempre indicando que os impostos incidentes sobre a venda a compunham. Assim, citamse o artigo 12 do Decretolei nº 1.598/1977, o artigo 187 da Lei nº 6.404, o artigo 31 da Lei nº 8.981/1995, bem como a IN SRF nº 51/1978: Decretolei nº 1.598/1977: Art 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. Art. 12. A receita bruta compreende: (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) I o produto da venda de bens nas operações de conta própria; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) II o preço da prestação de serviços em geral; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) III o resultado auferido nas operações de conta alheia; e (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) IV as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica não compreendidas nos incisos I a III. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. § 1o A receita líquida será a receita bruta diminuída de: (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) I devoluções e vendas canceladas; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) II descontos concedidos incondicionalmente; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) III tributos sobre ela incidentes; e (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) IV valores decorrentes do ajuste a valor presente, de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, das operações vinculadas à receita bruta. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Lei nº 6.404/1976: Art. 187. A demonstração do resultado do exercício discriminará: I a receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos; Fl. 134DF CARF MF Processo nº 13804.002923/200858 Acórdão n.º 3302003.582 S3C3T2 Fl. 5 4 II a receita líquida das vendas e serviços, o custo das mercadorias e serviços vendidos e o lucro bruto; IN SRF nº 51/1978: 1. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens, nas operações de conta própria, e o preço dos serviços prestados (artigo 12 do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977). 2. Na receita bruta não se incluem os impostos nãocumulativos cobrados do comprador ou contratante impostos nãocumulativos cobrados do comprador ou contratante (imposto sobre produtos industrializados e imposto único sobre minerais do País) e do qual o vendedor dos bens ou prestador dos serviços seja mero depositário. Imposto não cumulativo é aquele em que se abate, em cada operação, o montante de imposto cobrado nas anteriores. 3. Igualmente não se computam no custo de aquisição das mercadorias para revenda e das matériasprimas os impostos mencionados no item anterior, que devam ser recuperados. 4. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta da vendas e serviços, diminuídas (a) das vendas canceladas, (b) dos descontos e abatimentos concedidos incondicionalmente e (c) dos impostos incidentes sobre as vendas. 4.1 Vendas canceladas correspondentes a anulação de valores registrados como receita bruta de vendas e serviços; eventuais perdas ou ganhos decorrentes de cancelamento de venda, ou de rescisão contratual, não devem afetar a receita líquida de vendas e serviços, mas serão computados nos resultados operacionais. 4.2 Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de vendas, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. 4.3 Para os efeitos desta Instrução Normativa reputamse incidentes sobre as vendas os impostos que guardam proporcionalmente com o preço da venda ou dos serviços, mesmo que o respectivo montante integra a base de cálculo, tais como o imposto de circulação de mercadorias, o imposto sobre serviços de qualquer natureza, o imposto de exportação, o imposto único sobre energia elétrica, o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes etc. Neste sentido o STJ publicou as súmulas 69 e 94, cujos enunciados dispõem: Súmula n. 68 : "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". É de se concluir que a legislação inclui o ICMS incidente sobre as vendas no conceito de receita bruta, excluindoo apenas do conceito de receita líquida. Sobre o tema, há decisões recentes do STJ entendendo pela inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições, como o AgRg no REsp 1576424 / RS, de 10/03/2016, cuja ementa transcrevese: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SUBSTITUTIVA. ARTS. 7º e 8º DA LEI Nº 12.546/2011. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO, MUTATIS Fl. 135DF CARF MF Processo nº 13804.002923/200858 Acórdão n.º 3302003.582 S3C3T2 Fl. 6 5 MUTANDIS, DA ORIENTAÇÃO FIRMADA NO RESP Nº 1.330.737/SP, REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA RELATIVA À INCLUSÃO DO ISSQN NA BASE DE CÁLCULO DO PIS/PASEP E DA COFINS NA SISTEMÁTICA NÃOCUMULATIVA. 1. A possibilidade de inclusão, na receita bruta, de parcela relativa a tributo recolhido a título próprio foi pacificada, por maioria, pela Primeira Seção desta Corte em 10.6.2015, quando da conclusão do julgamento do recurso representativo da controvérsia REsp nº 1.330.737/SP, de relatoria do Ministro Og Fernandes, ocasião em que se concluiu que o ISSQN integra o conceito maior de receita bruta, base de cálculo do PIS/Pasep e da COFINS. 2. As razões que fundamentam o supracitado recurso especial representativo de controvérsia se aplicam, mutatis mutandis, à inclusão das parcelas relativas ao ICMS na base de cálculo da contribuição substitutiva prevista nos arts. 7º e 8º da Lei nº 12.546/2011. Precedente: REsp nº 1.528.604, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 17.9.2015. 3. A contribuição substitutiva prevista nos arts. 7º e 8º da Lei nº 12.546/2011, da mesma forma que as contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS na sistemática não cumulativa previstas nas Leis n.s 10.637/2002 e 10.833/2003, adotou conceito amplo de receita bruta, o que afasta a aplicação ao caso em tela do precedente firmado no RE n. 240.785/MG (STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 08.10.2014), eis que o referido julgado da Suprema Corte tratou das contribuições ao PIS/Pasep e COFINS regidas pela Lei n. 9.718/98, sob a sistemática cumulativa que adotou, à época, um conceito restrito de faturamento. Precedente. 4. Agravo regimental não provido. Ressaltase que a inclusão do ISS na base de cálculo das contribuições foi considerada legítima e julgada sob a sistemática de recursos repetitivos no REsp 1.330.737/SP, em 10/06/2015, que possuiu a seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C DO CPC E RESOLUÇÃO STJ N. 8/2008. PRESTADOR DE SERVIÇO. PIS E COFINS. INCLUSÃO DO ISSQN NO CONCEITO DE RECEITA OU FATURAMENTO. POSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO DOS ARTS. 109 E 110 DO CTN. 1. Para efeitos de aplicação do disposto no art. 543C do CPC, e levando em consideração o entendimento consolidado por esta Corte Superior de Justiça, firmase compreensão no sentido de que o valor suportado pelo beneficiário do serviço, nele incluindo a quantia referente ao ISSQN, compõe o conceito de receita ou faturamento para fins de adequação à hipótese de incidência do PIS e da COFINS. 2. A orientação das Turmas que compõem a Primeira Seção deste Tribunal Superior consolidouse no sentido de que "o valor do ISSQN integra o conceito de receita bruta, assim entendida como a totalidade das receitas auferidas com o exercício da atividade econômica, de modo que não pode ser dedutível da base de cálculo do PIS e da COFINS" (REsp 1.145.611/PR, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 8/9/2010; AgRg no REsp 1.197.712/RJ, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 9/6/2011; AgRg nos EDcl no REsp 1.218.448/RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 24/8/2011; AgRg no AREsp 157.345/SE, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 2/8/2012; AgRg no AREsp 166.149/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 28/08/2012, DJe 4/9/2012; EDcl no AgRg no Fl. 136DF CARF MF Processo nº 13804.002923/200858 Acórdão n.º 3302003.582 S3C3T2 Fl. 7 6 REsp 1.233.741/PR, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 7/3/2013, DJe 18/3/2013; AgRg no AREsp 75.356/SC, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 15/10/2013, DJe 21/10/2013). 3. Nas atividades de prestação de serviço, o conceito de receita e faturamento para fins de incidência do PIS e da COFINS deve levar em consideração o valor auferido pelo prestador do serviço, ou seja, valor desembolsado pelo beneficiário da prestação; e não o fato de o prestador do serviço utilizar parte do valor recebido pela prestação do serviço para pagar o ISSQN Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza. Isso por uma razão muito simples: o consumidor (beneficiário do serviço) não é contribuinte do ISSQN. 4. O fato de constar em nota fiscal informação no sentido de que o valor com o qual arcará o destinatário do serviço compreende quantia correspondente ao valor do ISSQN não torna o consumidor contribuinte desse tributo a ponto de se acolher a principal alegação das recorrentes, qual seja, de que o ISSQN não constituiu receita porque, em tese, diz respeito apenas a uma importância que não lhe pertence (e sim ao município competente), mas que transita em sua contabilidade sem representar, entretanto, acréscimo patrimonial. 5. Admitir essa tese seria o mesmo que considerar o consumidor como sujeito passivo de direito do tributo (contribuinte de direito) e a sociedade empresária, por sua vez, apenas uma simples espécie de "substituto tributário", cuja responsabilidade consistiria unicamente em recolher aos cofres públicos a exação devida por terceiro, no caso o consumidor. Não é isso que se tem sob o ponto de vista jurídico, pois o consumidor não é contribuinte (sujeito passivo de direito da relação jurídicotributária). 6. O consumidor acaba suportando o valor do tributo em razão de uma política do sistema tributário nacional que permite a repercussão do ônus tributário ao beneficiário do serviço, e não porque aquele (consumidor) figura no polo passivo da relação jurídicotributária como sujeito passivo de direito. 7. A hipótese dos autos não se confunde com aquela em que se tem a chamada responsabilidade tributária por substituição, em que determinada entidade, por força de lei, figura no polo passivo de uma relação jurídico tributária obrigacional, cuja prestação (o dever) consiste em reter o tributo devido pelo substituído para, posteriormente, repassar a quantia correspondente aos cofres públicos. Se fosse essa a hipótese (substituição tributária), é certo que a quantia recebida pelo contribuinte do PIS e da COFINS a título de ISSQN não integraria o conceito de faturamento. No mesmo sentido se o ônus referente ao ISSQN não fosse transferido ao consumidor do serviço. Nesse caso, não haveria dúvida de que o valor referente ao ISSQN não corresponderia a receita ou faturamento, já que faticamente suportado pelo contribuinte de direito, qual seja, o prestador do serviço. 8. Inexistência, portanto, de ofensa aos arts. 109 e 110 do CTN, na medida em que a consideração do valor correspondente ao ISSQN na base de cálculo do PIS e da COFINS não desnatura a definição de receita ou faturamento para fins de incidência de referidas contribuições. 9. Recurso especial a que se nega provimento. De fato, as mesmas razões utilizadas no repetitivo acima são aplicáveis na análise da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, o que restou Fl. 137DF CARF MF Processo nº 13804.002923/200858 Acórdão n.º 3302003.582 S3C3T2 Fl. 8 7 configurado no julgamento do REsp nº 1.144.469, em 10/08/2016, sob a sistemática de recursos repetitivos, embora não possa ser aplicado pelo artigo 62 do RICARF, pois que ainda não transitado em julgado. A certidão deste julgamento constante no site do Superior Tribunal de Justiça traz o seguinte teor: AUTUAÇÃO RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL ADVOGADO : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECORRENTE: HUBNER COMPONENTES E SISTEMAS AUTOMOTIVOS LTDA ADVOGADOS: ANETE MAIR MACIEL MEDEIROS HENRIQUE GAEDE E OUTRO(S) RECORRIDO : OS MESMOS ASSUNTO: DIREITO TRIBUTÁRIO Crédito Tributário Base de Cálculo CERTIDÃO Certifico que a egrégia PRIMEIRA SEÇÃO, ao apreciar o processo em epígrafe na sessão realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão: "Prosseguindo no julgamento, a Seção, por unanimidade, deu provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e, por maioria, vencidos os Srs. Ministros Relator e Regina Helena Costa, negou provimento ao recurso especial da empresa recorrente, nos termos do voto do Sr. Ministro Mauro Campbell Marques, que lavrará o acórdão." Votaram com o Sr. Ministro Mauro Campbell Marques os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Assusete Magalhães, Sérgio Kukina, Gurgel de Faria, Diva Malerbi (Desembargadora convocada do TRF da 3a. Região) e Humberto Martins. Quanto à jurisprudência do STF, não obstante o RE 240.785 ter sido julgado favorável à tese defendida pela recorrente, não há, ainda, posicionamento definitivo no STF, uma vez que o RE 574.906 RG/PR, sob repercussão geral, ainda não foi julgado. Assim, enquanto não julgado o recurso extraordinário sob repercussão geral, devese prestigiar a legislação vigente que considera o ICMS das operações próprias como componente do preço de venda. Neste mesmo sentido, é a posição pacífica deste Conselho, como decidido no Acórdão nº 9303003549, de 17/03/2016, cuja ementa transcrevese: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 Cofins. Base de Cálculo. Exclusão ICMS. Por se tratar de imposto próprio, que não comporta a transferência do encargo, a parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS. Precedentes do STJ (Súmulas n°s 68 e 94). Às autoridades administrativas e tribunais que não dispõem de função legislativa não podem conceder, ainda que sob fundamento de isonomia, benefícios de exclusão da base de cálculo do crédito tributário em favor daqueles a quem o legislador não contemplou com a vantagem A mesma conclusão se estende à Contribuição ao PIS. (...) Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Fl. 138DF CARF MF Processo nº 13804.002923/200858 Acórdão n.º 3302003.582 S3C3T2 Fl. 9 8 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 139DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.003721/2009-24
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2007 a 31/08/2008
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.899
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1655; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11516.003721/200924 Recurso nº 1 Especial do Procurador Acórdão nº 9202004.899 – 2ª Turma Sessão de 12 de dezembro de 2016 Matéria RETROATIVIDADE BENIGNA, NATUREZA DA MULTA NOS LANÇAMENTOS PREVIDENCIÁRIOS ANTERIORES A MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI 11.941/2009 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado PROCURADORIAGERAL DO ESTADO ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2007 a 31/08/2008 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 37 21 /2 00 9- 24 Fl. 86DF CARF MF Processo nº 11516.003721/200924 Acórdão n.º 9202004.899 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10380.005876/200753. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.792, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.005876/200753, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.792): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 11516.003721/200924 Acórdão n.º 9202004.899 CSRFT2 Fl. 0 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 11516.003721/200924 Acórdão n.º 9202004.899 CSRFT2 Fl. 0 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 89DF CARF MF Processo nº 11516.003721/200924 Acórdão n.º 9202004.899 CSRFT2 Fl. 0 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 11516.003721/200924 Acórdão n.º 9202004.899 CSRFT2 Fl. 0 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 91DF CARF MF Processo nº 11516.003721/200924 Acórdão n.º 9202004.899 CSRFT2 Fl. 0 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 11516.003721/200924 Acórdão n.º 9202004.899 CSRFT2 Fl. 0 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 93DF CARF MF Processo nº 11516.003721/200924 Acórdão n.º 9202004.899 CSRFT2 Fl. 0 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 11516.003721/200924 Acórdão n.º 9202004.899 CSRFT2 Fl. 0 10 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 95DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19985.721070/2013-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2010
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
Apresentados os documentos comprobatórios nos termos da legislação, deve ser restabelecida a dedução das despesas médicas com o titular e com os seus dependentes.
Numero da decisão: 2201-003.544
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer a dedutibilidade das despesas médicas constantes do voto do Relator.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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conteudo_txt : Metadados => date: 2017-03-31T21:01:53Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: RENATO TURATTO FILHO.pdf; xmp:CreatorTool: PDFCreator Version 1.4.2; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CARF; dcterms:created: 2017-03-31T21:01:53Z; Last-Modified: 2017-03-31T21:01:53Z; dcterms:modified: 2017-03-31T21:01:53Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: RENATO TURATTO FILHO.pdf; xmpMM:DocumentID: uuid:c4b76975-18b0-11e7-0000-eca06131be2d; Last-Save-Date: 2017-03-31T21:01:53Z; pdf:docinfo:creator_tool: PDFCreator Version 1.4.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2017-03-31T21:01:53Z; meta:save-date: 2017-03-31T21:01:53Z; pdf:encrypted: true; dc:title: RENATO TURATTO FILHO.pdf; modified: 2017-03-31T21:01:53Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CARF; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CARF; meta:author: CARF; dc:subject: ; meta:creation-date: 2017-03-31T21:01:53Z; created: 2017-03-31T21:01:53Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2017-03-31T21:01:53Z; pdf:charsPerPage: 1669; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CARF; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2017-03-31T21:01:53Z | Conteúdo => S2-C2T1 Fl. 90 1 89 S2-C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19985.721070/2013-10 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201-003.544 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de março de 2017 Matéria IRPF Recorrente RENATO TURATTO FILHO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2010 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Apresentados os documentos comprobatórios nos termos da legislação, deve ser restabelecida a dedução das despesas médicas com o titular e com os seus dependentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer a dedutibilidade das despesas médicas constantes do voto do Relator. Assinado digitalmente. Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator. EDITADO EM: 31/03/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório A C Ó R D Ã O G E R A D O N O P G D -C A R F PR O C E SS O 1 99 85 .7 21 07 0/ 20 13 -1 0 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária março de 2017 março de 2017 RENATO TURATTO FILHO RENATO TURATTO FILHO FAZENDA NACIONAL FAZENDA NACIONAL AA Fl. 90DF CARF MF 2 Trata o presente processo da Notificação de Lançamento nº 2010/924863547262824, fl. 35 a 43, relativa ao exercício de 2010, ano-calendário de 2009. O crédito tributário lançado decorre das conclusões da Autoridade Fiscal que, ao analisar os documentos apresentados em atendimento a intimação regular, os quais encontram-se arquivados no dossiê de Malha Fiscal nº 10010.018938/0213-61, promoveu as seguintes alterações na declaração apresentada pelo contribuinte, em 04 de novembro de 2013: a) Glosa de R$ 2.600,00 indevidamente deduzido a título de Contribuição à Previdência Privada, por não ter sido comprovada; b) Glosa da R$ 1.730,40 indevidamente deduzido a título de dependente, já que não restou comprovado que Renata dos Santos Turatto, filha maior de 21 anos, estivesse cursando estabelecimento de ensino superior ou profissional; c) Glosa de despesas médicas declaradas, conforme quadro abaixo, das quais, os valores, os valores relativos Renata foram glosados por ter sido excluída da relação de dependência, os demais valores foram glosados por falta de apresentação de comprovantes háveis. Item Prestador do serviço valor Deneficiário 1 Qualicorp Administradora de bens 6.252,06 Renato Turatto 2 Qualicorp Administradora de bens 3.267,54 Tatiana dos Santos Turatto 3 Qualicorp Administradora de bens 3.292,17 Renata dos SantosTuratto 4 Qualicorp Administradora de bens 6.136,14 Edisnéia dos Santos Turatto 5 CDC Clínica Odontológica Soar 255,00 Renata dos SantosTuratto 6 Ivonete Garcia (2.520 - 838,65)) 1.681,35 Renata dos SantosTuratto d) Glosa de IRRF no valor de R$ 50,87, que teria sido objeto de retenção pelo INSS. Inconformado com o lançamento, cuja ciência ocorreu em 14 de novembro de 2011 (fl. 34, ), o contribuinte apresentou, tempestivamente, a impugnação de fl. 2, na qual expressou sua discordância exclusivamente em relação a parte das glosas efetuadas a título de despesas médicas (concordando com as demais infrações e com a glosa das despesas médicas destacas na planilha acima, itens 3 e 5). No julgamento em 1ª Instância Administrativa, a 21ª Turma de Julgamento da DRJ Rio de Janeiro I, por unanimidade de votos, considerou improcedente a impugnação, pelas razões a seguir resumidas, fl. 53/57: Da despesas de R$ 1.681,35, fl. 56 Na Notificação de Lançamento foi especificado que o valor de R$ 1.681,35 de fato pertencem à Renata dos Santos Turatto (cuja dependência foi excluída e não contestada pelo Contribuinte) e não à Tatiana dos Santos Turatto. O Contribuinte apenas apresentou o documento Demonstrativo de Reembolso da Sul América Seguro Saúde S/A, fls. 16/17 cuja despesa totaliza R$ 2.100,00, com reembolso de R$ 748,80, sendo especificado o nome de Tatiana Dos Santos Turatto. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 19985.721070/2013-10 Acórdão n.º 2201-003.544 S2-C2T1 Fl. 91 3 Os valores constantes nos Demonstrativo não estão de acordo com aqueles informados na Declaração de Ajuste Anual. apresentou as seguintes conclusões: Das despesas com a Qualicorp, fl. 56/57 Quanto aos valores informados para Qualicorp Administradora de Benefícios, CNPJ 07.658.098/0001-18, estes foram glosados por motivo de falta de comprovação através de documentos hábeis, como boletos de pagamentos quitados ou outras comprovações de pagamentos. O Contribuinte apresentou o documento de fls. 15 onde consta informação de que os valores foram pagos ao Acess Clube de Benefícios Ltda, CNPJ 07.658.098/0001-18, referente a contrato coletivo firmado com a Sul América Seguro Saúde S/A, em convênio com o Sindicato dos Engenheiro no Estado de São Paulo. Em análise ao Demonstrativo apresentado constata-se que não é possível identificar o órgão que emitiu o referido documento, uma vez que não consta especificação do órgão expedidor. Ciente do Acórdão da DRJ em 19 de março de 2013, fl. 61, ainda inconformado, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fl. 65, cujo conteúdo será tratado no decorrer do voto a seguir. É o relatório necessário. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Por ser tempestivo e por apresentar os demais requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário. Sobre as deduções a titulo de despesas médicas, oportuno destacar o que dispõe o art. 80 do Decreto 3.000, de 26 de março de 1999, (Regulamento do Imposto de Renda): “Art. 80 – Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250/95, art. 8º, II, alínea “a”). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250/95, art. 8º, §2º): (...) II – restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; Fl. 92DF CARF MF 4 III – limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes – CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” Das despesas médicas incorridas pela dependente Tatiana dos Santos Turatto (R$ 1.681,35, item 6 da planilha supra) O recorrente alega que os valores foram indevidamente considerados como gastos com Renata dos Santos Turatto, filha não mais considerada como dependente, mas que, na verdade, são relativos à dependente Tatiana dos Santos Turatto, afirmando erro apenas no momento de discriminar o prestador de serviço, já que o correto seria R$ 2.100,00 em favor da profissional Ivonete Garcia e R$ 420,00 com a Cliínica Landi & Lemos S/A. Em fl. 26 consta a declaração de despesas junto á profissional Ivonete Garcia para a dependente Tatiana dos Santos Turatto, no valor de R$ 2.520,00, com parcela reembolsada de R$ 838,65, o que monta o valor dedutível de R$ 1.681,35. Analisando os documentos de fl. 70/72, verifica-se a correção das alegações do contribuinte, devendo, portanto, ser restabelecido o valor em tela. Das despesas médicas incorridas pelo Recorrente Neste item o contribuinte faz considerações sobre a despesa junto à Clínica Landi & Lemos S/A, no valor de R$ 420,00, com parcela reembolsada de R$ 89,85, que monta um valor dedutível de R$ 330,15. Sustenta que tal valor foi declarado, por equívoco, como sendo pago a profissional Ivonete Garcia e solicita que a mesma seja considerada. Em fl. 26 consta a dedução de tal despesas declarada pelo contribuinte em nome da profissional Ivonete Garcia e em fl. 74 a mesma resta comprovada, só que, de fato, tendo como beneficiária do pagamento a Clínica Landi & Lemos S/A. Não obstante, conforme se verifica na planilha supra, não houve glosa de tal montante, o que demonstra que, mesmo com o equívoco da informação, o contribuinte já se beneficiou da dedução. Das despesas odontológicas incorridas pela dependente Tatiana dos Santos Turatto O contribuinte contesta a negativa da DRJ em considerar a despesa objeto da nota fiscal nº 12.470, emitida pela Clínica Odontológica Soares, anexo 3, fl. 75. Em fl. 26, consta a dedução de R$ 370,00 pagos à Clinica Odontológica Soares, relativa a despesas com a dependente Tatiana dos Santos Turatto. Consta, ainda, a dedução de R$ 255,00 relativa a despesas com a dependente desconsiderada Renata dos Santos Turatto. Os R$ 370,00 relativos à dependente Tatiana foram acatados, em parte por conta da nota fiscal 12.470, juntada ao dossiê de Malha Fiscal nº 10010.018938/0213-61. O que foi glosado, e que contou com a concordância do recorrente, conforme se depreende da planilha supra, foi o valor de R$ 255,00 relativo à Renata, que decorre do somatório das notas fiscais emitidas pela mesma empresa de nº 12.468 e 12.237, juntadas em fl. 23 e 24 do citado dossiê. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 19985.721070/2013-10 Acórdão n.º 2201-003.544 S2-C2T1 Fl. 92 5 Das despesas incorridas com o plano de assistência médica Acess Clube de Benefícios Ltda (atual Qualicorp Administradora de Benefícios) O recorrente contesta a decisão da DRJ que não acatou as despesas junto ao plano de saúde em tela por falta de comprovação, juntando os documentos objeto do anexo 4, fl. 76/85. Dentre os documentos apresentados, vale destaque para o de fl. 76, que é o mesmo já juntado anteriormente, fl. 15, e que levou a sua desconsideração pela DRJ, já que não permitia identificar o órgão expedidor. Nesta nova juntada de documentos, o contribuinte apresenta cópia do seu verso, que já permite identificar o emissor, bem assim os extratos bancários onde podem ser verificados os respectivos débitos mensais. Assim, entendo adequadamente comprovada a dedução tratada neste item, devendo ser restabelecido o montante de R$ 15.655,74, relativo aos valores de despesas efetuadas com o titular e com as dependentes Edisnéia dos Santos Turatto e Tatiana dos Santos Turato (R$ 6.252,06, R$ 6.136,14 e R$ 3.267,54). Conclusão Tendo em vista tudo que consta nos autos, bem assim na descrição e fundamentos legais acima expostos, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, dar-lhe parcial provimento para restabelecer os valores das despesas médicas constantes da planilha abaixo: Item Prestador do serviço valor Beneficiário 1 Qualicorp Administradora de bens 6.252,06 Renato Turatto 2 Qualicorp Administradora de bens 3.267,54 Tatiana dos Santos Turatto 4 Qualicorp Administradora de bens 6.136,14 Edisnéia dos Santos Turatto 6 Ivonete Garcia (2.520 - 838,65)) 1.681,35 Renata dos SantosTuratto Total 17.337,09 Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator Fl. 94DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.901760/2010-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Feb 13 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1201-000.240
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Ester Marques Lins de Sousa, Luis Fabiano Alves Penteado, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli e Luiz Paulo Jorge Gomes. Ausente justificadamente, o conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida - Presidente (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Ester Marques Lins de Sousa, Luis Fabiano Alves Penteado, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli e Luiz Paulo Jorge Gomes. Ausente justificadamente, o conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Ester Marques Lins de Sousa, Luis Fabiano Alves Penteado, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli e Luiz Paulo Jorge Gomes. Ausente justificadamente, o conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar. Relatório. Tratase de PER/DCOMP nº 13768.11896.150307.1.7.020117, transmitido em 15/03/2007, no qual a contribuinte acima identificada, indicou crédito de saldo negativo de IRPJ relativo ao ano calendário de 2005, exercício 2006, para compensar débitos de sua responsabilidade. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 82 .9 01 76 0/ 20 10 -9 1 Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10882.901760/201091 Resolução nº 1201000.240 S1C2T1 Fl. 3 2 Para melhor entender o pleito transcrevo a seguir, parte do relatório da decisão recorrida, fls.116/127, pertinente ao assunto: (...) Tal declaração foi examinada pela DRF de origem, que prolatou o Despacho Decisório de nº 863114010, de 19 de maio de 2010, nos seguintes termos: 3FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Analisadas as Informações prestadas no documento acima identificado e considerando que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação do Imposto devido e a apuração do saldo negativo, verificou se: PARCELAS DE COMPOSIÇÃO DO CRÉDITO INFORMADAS NO PER/DCOMP PARC. CRÉDITO RETENÇÕES FONTE PAGAMENTOS ESTIM.COMP.SNPA SOMA PARC.CRED PER/DCOMP 543.500,92 92.670,81 555.578,22 1.191.749,95 CONFIRMADAS 417.260,11 92.670,81 257.549,93 767.480,85 Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 843.476,42. Valor na DIPJ: R$ 843.476,42 Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$ 1.191.749,95 IRPJ devido: R$ 348.273,53 Valor do saldo negativo disponíveis (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas na DIPJ) (IRPJ devido) limitado ao menor valor entre saldo negativo DIPJ e PER/DCOMP, observado que quando este cálculo resultar negativo, o valor será zero. Valor do saldo negativo disponível: R$ 419.207,32 O crédito reconhecido foi Insuficiente para compensar Integralmente os débitos Informados pelo sujeito passivo, razão pela qual: HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP:13768.11896.150307.1.7.020117 NÃO HOMOLOGO a compensação declarada no(s) seguinte(s) PER/DCOMP: 34678.88823.050706.1.7.028186 30362.68618.050706.1.7.027304 23025.73024.050706.1.7.022073 Ciente em 31 de maio de 2010 (fl. 112), a interessada apresentou, em 29 de junho de 2010, a manifestação de inconformidade de fls. 2 a 17, assim resumida: [...] o CNPJ autuado pertence a uma empresa que possuía sede no Estado de São Paulo ("CIMAF CABOS S/A). Ocorre que, em AGE, Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10882.901760/201091 Resolução nº 1201000.240 S1C2T1 Fl. 4 3 realizada no dia 02/04/2007, os acionistas da então CIMAF CABOS S/A aprovaram a sua incorporação pela Belgo Bekaert Arames S/A [...]. ISTO POSTO, deve ser anulada a autuação pelo vício formal de não qualificar corretamente o sujeito passivo, nos exatos termos dos arts. 10 e 11 do Decreto 70.235/72. Ad argumentandum, caso assim não se entenda, deve ser tomada a Belgo Bekaert Arames Ltda. como sujeito passivo do presente [...]. [...] As decisões que não homologam compensações, proferidas exclusivamente por meio dos chamados despachos decisórios eletrônicos [...] aviltam as prerrogativas e a competência da autoridade fiscal [, que se transformaria] em mero autômato, despachante e processador de dados eletrônicos [...]. [...] Desse modo, como pode o contribuinte cumprir os requisitos contidos no inciso III, se não lhe foram ditos os motivos que levaram a autoridade administrativa a desconsiderar o seu crédito. Logo, o direito de defesa foi cerceado, o que enseja a nulidade do despacho decisório, conforme expresso pelo inciso II do artigo 59 do Decreto 70.235/72 [...]. [...] Isto posto, em face da limitada possibilidade de cognição dos fatos e do direito decorrente da adoção pelo Fisco, do cruzamento eletrônico de declarações como única causa de decidir no presente processo, deve ser declarado nulo, por vício substancial, o despacho decisório. [...]5.1. IRPJ Retido na Fonte. Em relação ao IRRF, antes de tudo ressaltese que a requerente utilizou um total de R$ 525.507,28 para compor o saldo negativo. Este montante não foi confirmado pela Receita Federal: CNPJ da Fte Pagadora Cód de Receita Vr IRRF Vr Confirmado Vr Não Confirmado Justificativa 33.000.167/008862 6147 291.092,05 87.844,88 103.247,17 IRF prova parcial 60.746.948/000112 3426 234.415,23 229.415,23 5.000,00 IRF outro CNPJ Total 525.507,28 417.260,11 108.247,17 Diante de tal fato, a requerente apresenta em anexo os informes de rendimentos emitidos pela fonte pagadora Petróleo Brasileiro S/A Petrobrás, CNPJ 33.000.167/000101 (doc. 07). Estes rendimentos foram pagos à requerente mediante a indicação de seu CNPJ da matriz (R$ 187.844,88 confirmados pela RFB) e também do CNPJ de sua filial (R$ 97.046,10 não confirmados). Todavia, como já se percebe, essa diferença apontada no despacho decisório corresponde às retenções ocorridas em pagamentos realizados por órgãos públicos direcionados ao CNPJ Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10882.901760/201091 Resolução nº 1201000.240 S1C2T1 Fl. 5 4 03.591.717/000224 e devidamente informados em DIPJ e na PER/Dcomp. Todavia, este CNPJ corresponde a uma filial da empresa, conforme demonstrado abaixo: [...] Logo, não pode o despacho decisório indeferir a compensação do IRPJ retido na fonte para pagamentos realizados à filial. Conforme dispõe o art. 15 da Lei 9.779/99, tanto a DCTF quanto a DIPJ deverão ser apresentadas de forma centralizada, pelo estabelecimento matriz: [...] 5.2. Desconsideração dos valores pagos recolhidos pela Requerente. Em relação às estimativas pagas mediante DARF, pouco precisa ser dito. A Fiscalização confirmou apenas a existência do recolhimento efetuado no valor de R$ 92.670,81, e simplesmente ignorou o DARF no valor de R$ 107.830,15 recolhido em 24/06/2006 referente à estimativa de janeiro de 2005 (doc. 08 DARF). Na verdade, tudo leva a crer que o DARF de R$ 107.830,15 referente à estimativa de janeiro de 2005 somente não foi confirmado pela Fiscalização porque ele não foi indicado na ficha de demonstração da composição do crédito no PER/DComp. Todavia, é certo que um mero erro de preenchimento no PER/DComp não pode ser capaz de elidir o direito do contribuinte à utilização do seu crédito. O CTN é categórico em reconhecer o direito de restituição ao contribuinte que tenha pago tributo a maior ou indevidamente. É o que dispõe o art. 165: [...] No presente caso, a Requerente, tendo apurado crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ pretendeu efetuar, nos termos da legislação federal, a compensação de tais valores. Entretanto, ao preencher o PER/DComp, a Requerente deixou de indicar o DARF com que quitou a estimativa de janeiro, impossibilitando a identificação do crédito em análise parametrizada, mas que não faz decair seu direito material ao crédito. [...] Na composição do saldo negativo de 2006 (AC 2005), a requerente quitou parte das estimativas de janeiro e fevereiro mediante apresentação de duas PER/DComp: Período de apuração N° do Processo / Nº da DCOMP Estimat.comp.DCOMP Vr confirmado Vr n/confirmado jan/05 16232.50805.070706.1.7.024902 257.549,93 257.549,93 0,00 fev/05 24629.08130.070706.1.3.022750 208.191,78 257.549,93 298.028,29 Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10882.901760/201091 Resolução nº 1201000.240 S1C2T1 Fl. 6 5 Total 465.741,71 515.099,86 298.028,29 O que se percebe é que a PER/DComp utilizada para quitar a estimativa de fevereiro foi indevidamente desconsiderada. É que, de todo modo, o pagamento da estimativa é uma mera antecipação dos valores devidos a título de IR e CSLL que serão apurados no final do períodobase e, havendo saldo negativo, a empresa tem o direito de compensálo. No momento em que a Receita Federal exige que na PER/DComp sejam declarados todos os créditos que constituíram o saldo negativo, obviamente a intenção é que as informações da DIPJ e da DCTF sejam refletidas no pedido de compensação. Sendo assim, identificada qualquer divergência entre as declarações, deverá ser levado em consideração aquela que representar a realidade fática. (...) A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belo Horizonte/MG julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, reconhecendo à interessada direito creditório suplementar igual a R$ 103.247,17 (cento e três mil, duzentos e quarenta e sete reais e dezessete centavos) em relação ao IRF que compõe o saldo negativo do IRPJ do ano calendário 2005, em comento. O Acórdão nº 0261.946, 4ª Turma da DRJ/BHE, de 30/10/2014, acima mencionado, possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2006 COMPENSAÇÃO O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por este Órgão. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte O contribuinte cientificado da mencionada decisão em 22/12/2014 (Aviso de Recebimento AR), fl.128, interpôs recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 20/01/2015, fls.130/144, conforme Termo de Análise de Juntada datado de 22/01/2015, fls.183/184. Inicialmente, a Recorrente argúi nulidade da intimação do acórdão da DRJ sob o fundamento de que, o mesmo "incorre em patente irregularidade pela ausência dos anexos que contenham as informações sobre o valor decotado, bem como os respectivos DARFs atualizados dos débitos que foram mantidos pela DRJ". Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10882.901760/201091 Resolução nº 1201000.240 S1C2T1 Fl. 7 6 Diz que, não teve acesso ao extrato dos valores discutidos e dos valores decotados pela decisão DRJ, e nem mesmo recebeu os DARFs contendo os valores atualizados, impedindo a Recorrente de verificar se os valores excluídos foram liquidados de forma correta. Afirma que, dessa forma, a Recorrente permanece sem saber exatamente quanto que lhe está sendo efetivamente exigido pela Receita Federal, não podendo sequer recorrer destes valores com segurança por falta do extrato detalhando do montante decotado. Sob o título: 4. DO DIREITO: DA EFETIVA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO COMPENSADO a Recorrente argúi o seguinte, em síntese: Toda a questão que envolve o presente despacho decisório cingese à apuração do IRPJ durante o ano de 2005, e à constituição do saldo negativo de 2006 (anocalendário 2005). Como já mencionado, a DRJ manteve a não homologação da compensação em razão do não reconhecimento parcial das parcelas que compuseram o crédito, formadas pelo IRPJ retido na fonte, pelos pagamentos realizados via DARF e pelas estimativas compensadas com saldo negativo de períodos anteriores. A Recorrente alega que para se chegar ao saldo negativo de R$ 843.476,42 a empresa necessariamente apurou um recolhimento total de R$1.191.749,95 dividido entre retenções na fonte, DARFs e estimativas compensadas. Contudo, de forma equivocada, a fiscalização não confirmou a totalidade desses valores. Aduz que: Em relação às estimativas pagas mediante DARF, constatase que a Fiscalização confirmou já no despacho decisório a existência do recolhimento efetuado no valor de R$ 92.670,81, e ignorou o DARF no valor de R$ 107.830,15 recolhido em 24/06/2006 referente à estimativa de janeiro de 2005 (doc. 05 DARF). Conforme indicado na manifestação de inconformidade, o DARF de R$ 107.830,15 referente à estimativa de janeiro de 2005 somente não foi confirmado pela Fiscalização porque ele não foi indicado na ficha de demonstração da composição do crédito no PER/DComp. Todavia, um mero erro de preenchimento no PER/DComp não pode ser capaz de elidir o direito do contribuinte à utilização do seu crédito. Sob o título: 5.2. ESTIMATIVAS COMPENSADAS COM SALDO NEGATIVO DE PERÍODOS ANTERIORES a Recorrente argúi o seguinte, em síntese: Na composição do saldo negativo de 2006 (AC 2005), a requerente quitou parte das estimativas de janeiro e fevereiro mediante apresentação de duas PER/DComps: Período de apuração N° do Processo / Nº da DCOMP Estimat.comp.DCOMP Vr confirmado Vr n/confirmado jan/05 16232.50805.070706.1.7.024902 257.549,93 257.549,93 0,00 fev/05 24629.08130.070706.1.3.022750 208.191,78 0,00 208.191,78 Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10882.901760/201091 Resolução nº 1201000.240 S1C2T1 Fl. 8 7 Total 465.741,71 257.549,93 208.191,78 A Recorrente ressalta que o PER/DCOMP utilizado para quitar a estimativa de fevereiro foi indevidamente desconsiderado. Observa que o acórdão afirma que a estimativa desconsiderada é referente ao mês de janeiro, contudo tal afirmativa não coincide com a DCTF da Requerente e o Detalhamento do crédito emitido pela RFB para as compensações em análise. Diz que o valor não confirmado de R$ 208.191,78 foi parcialmente homologado pela RFB (foi homologado o montante de R$ 125,748,79 conforme doc. 06 Detalhamento da Compensação). Assim sendo, apurouse a diferença de R$ 82.442,99 a qual foi paga mediante DARF em anexo (doc. 07). Conclui que, merece reforma a decisão da DRJ no sentido de considerar as compensações de estimativas que foram glosadas pelo fisco, reconhecendo todo o crédito de R$ 208.191,78 oriundo da estimativa de fevereiro, permitindo assim que estas componham o saldo negativo em análise. Finalmente, a Recorrente resume que os valores não reconhecidos no acórdão n° 0261.496 pela DRJ, como parte do saldo negativo de IRPJ da Recorrente referente ao período de apuração do Exercício 2006 (anocalendário 2005), são os seguintes: (todos em R$): IRRF:5.000,00, Pagamentos DARF:107.830,15 e Compensação de estimativa: 208.191,78, Soma das parcelas: Saldo Negativo: 321.021,93. A Recorrente observa que, a partir da análise da DIPJ/2006, quanto às estimativas a recolher, os únicos meses em que se verificou saldo de IRPJ a pagar foram janeiro e fevereiro, haja vista que os outros meses do ano de 2005 apresentaram saldo negativo, sem necessidade de pagamento ou compensação. Afirma que, quanto ao mês de JANEIRO apurou IRPJ a pagar no valor de R$ 365.380,09, conforme declarado em DCTF, quitado do seguinte modo: DARF:107.830,15 e Compensações: com valores referentes a saldo negativo de períodos anteriores no montante de 257.549,93 (inteiramente homologado pela RFB no despacho decisório), e, quanto ao mês de FEVEREIRO apurou IRPJ a pagar no valor de R$ 300.862,58, conforme declarado em DCTF, quitado com pagamento de R$ 92.670,81 mediante DARF (inteiramente homologado pelo despacho decisório) e Compensação: com valores referentes a saldo negativo de períodos anteriores no montante de R$ 208.191,78 (parcialmente homologado pela RFB (R$ 125.748,79 conforme doc. 06, Detalhamento da Compensação). Assim sendo,(208.191,78 125.748,79) apurouse a diferença de R$ 82.442,99, paga mediante DARF em anexo (doc. 07.). A Recorrente ressalta que a mesma DComp em que foi declarado o valor de R$ 208.191,78, seguido da homologação de R$ 125,748,79 e do pagamento via DARF de R$ 82.442,99, foi também usada para quitar outros débitos do Exercício 2006 (que não é objeto do presente PTA), os quais, após a nãohomologação pela RFB foram pagos mediante DARF (doc. 08 Detalhamento da Compensação e DARFs). Finalmente requer, seja dado provimento ao presente Recurso Voluntário para reformar o acórdão recorrido a fim de declarar a nulidade do despacho decisório assim como a nulidade da intimação, e, no mérito, homologar integralmente as compensações realizadas Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10882.901760/201091 Resolução nº 1201000.240 S1C2T1 Fl. 9 8 por meio das PER/Dcomps n°13768.11896.150307.1.7.020117,34678.88823.050706.1.7.02 8186. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. Inicialmente, a Recorrente argúi nulidade da intimação do acórdão da DRJ sob o fundamento de que, o mesmo "incorre em patente irregularidade pela ausência dos anexos que contenham as informações sobre o valor decotado, bem como os respectivos DARFs atualizados dos débitos que foram mantidos pela DRJ". Diz que, não teve acesso ao extrato dos valores discutidos e dos valores decotados pela decisão DRJ, e nem mesmo recebeu os DARFs contendo os valores atualizados, impedindo a Recorrente de verificar se os valores excluídos foram liquidados de forma correta. Afirma que, dessa forma, a Recorrente permanece sem saber exatamente quanto que lhe está sendo efetivamente exigido pela Receita Federal, não podendo sequer recorrer destes valores com segurança por falta do extrato detalhando do montante decotado. Sobre a compensação dos créditos/débitos declarados pelo contribuinte, a Instrução Normativa da RFB nº 1300, de 20/11/2012 que estabelece normas sobre restituição, compensação, ressarcimento e reembolso, no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, assim dispõe: Art. 43. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 83 e 84 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data de entrega da Declaração de Compensação. § 1ºA compensação total ou parcial de tributo administrado pela RFB será acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. § 2ºHavendo acréscimo de juros sobre o crédito, a compensação será efetuada com a utilização do crédito e dos juros compensatórios na mesma proporção. § 3ºAplicamse à compensação da multa de ofício as reduções de que trata o art. 6ºda Lei nº8.218, de 29 de agosto de 1991, salvo os casos excepcionados em legislação específica. Art. 44. O sujeito passivo será cientificado da não homologação da compensação e intimado a efetuar o pagamento dos débitos indevidamente compensados no prazo de 30 (trinta) dias, contados da ciência do despacho de não homologação. ... Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10882.901760/201091 Resolução nº 1201000.240 S1C2T1 Fl. 10 9 Portanto, havendo a DRJ reconhecido parcialmente o direito creditório, os débitos serão compensados no limite do direito creditório reconhecido, e, por consequência, os débitos exigidos são aqueles declarados pelo contribuinte que restarem não compensados cujo crédito fora insuficiente para sua compensação, inclusive, objeto do recurso voluntário. A decisão de primeira instância administrativa não incorreu no vício de nulidade, por preterição do direito de defesa, conforme o art. 59, II, do Decreto nº 70.235/1972 PAF, eis que ela após a análise dos argumentos constantes da peça de defesa, demonstra qual o direito creditório que entendeu passível de deferimento para compensar parcialmente os débitos do contribuinte demonstrados pela DRF de origem, que prolatou o Despacho Decisório de nº 863114010, de 19 de maio de 2010 plenamente conhecido pela Recorrente em sua DCOMP (fl.109). Preliminar rejeitada. No mérito, conforme relatado, o despacho decisório eletrônico, expedido pela autoridade competente reconheceu parcialmente o crédito pleiteado no Per/Dcomp nº 13768.11896.150307.1.7.020117, no total de R$ 419.207,32, relativo ao saldo negativo do IRPJ apurado em 31/12/2005, portanto, HOMOLOGOU PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP:13768.11896.150307.1.7.020117, e, NÃO HOMOLOGOU a compensação declarada no(s) seguinte(s) PER/DCOMP: 34678.88823.050706.1.7.028186 30362.68618.050706.1.7.027304 23025.73024.050706.1.7.022073. No despacho decisório constam os seguintes fundamentos. 3FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Analisadas as Informações prestadas no documento acima identificado e considerando que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação do Imposto devido e a apuração do saldo negativo, verificou se: PARCELAS DE COMPOSIÇÃO DO CRÉDITO INFORMADAS NO PER/DCOMP PARC. CRÉDITO RETENÇÕES FONTE PAGAMENTOS ESTIM.COMP.SNPA SOMA PARC.CRED PER/DCOMP 543.500,92 92.670,81 555.578,22 1.191.749,95 CONFIRMADAS 417.260,11 92.670,81 257.549,93 767.480,85 Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 843.476,42. Valor na DIPJ: R$ 843.476,42 Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$ 1.191.749,95 IRPJ devido: R$ 348.273,53 Valor do saldo negativo disponíveis (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas na DIPJ) (IRPJ devido) limitado ao menor valor entre saldo negativo DIPJ e PER/DCOMP, observado que quando este cálculo resultar negativo, o valor será zero. Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10882.901760/201091 Resolução nº 1201000.240 S1C2T1 Fl. 11 10 Valor do saldo negativo disponível: R$ 419.207,32 Ciente do despacho decisório em 31 de maio de 2010 (fl. 112), a interessada apresentou, em 29 de junho de 2010, a manifestação de inconformidade de fls. 2 a 17, que fora julgada procedente em parte pela DRJ de Belo Horizonte/MG, reconhecendo à interessada direito creditório suplementar igual a R$ 103.247,17, em relação ao IRF que compõe o saldo negativo do IRPJ do ano calendário 2005, em comento. Portanto, resta mantida a glosa do IRF no valor de R$ 22.993,64 ( IRF/ PERDCOMP: 543.500,92 CONFIRMADAS: 417.260,11 + 103.247,17), e contra tal reconhecimento a Recorrente não se insurge. Em síntese, a Recorrente alega que, o saldo negativo deve ser composto considerandose as estimativas quitadas em relação aos meses de janeiro e fevereiro/2005, a saber : Jan/05 DARF 107.830,15 COMPENSAÇÕES 257.549,63 TOTAL 365.380,08 Fev/05 DARF 92.670,81 COMPENSAÇÕES 208.191,78 TOTAL 300.862,59 De acordo com o despacho decisório, em relação às mencionadas estimativas, verificouse o seguinte em relação aos meses de janeiro e fevereiro de 2005: a) Jan/05, não se constatou estimativas pagas mediante DARF, porém foram confirmadas as compensações no valor de R$ 257.549,93; e, b) Fev/05, constatouse estimativas pagas mediante DARF, no valor de R$ 92.670,81, e, não se constatou estimativas quitadas por compensação no valor de R$ 208.191,78. Desse modo, em relação às mencionadas estimativas, para a composição do saldo negativo de 2005, não foi reconhecido o pagamento (Jan/05 DARF107.830,15), tampouco a quitação (Fev/05 COMPENSAÇÕES 208.191,78). Eis a lide. A Recorrente alega que, conforme indicado na manifestação de inconformidade, o DARF de R$ 107.830,15 referente à estimativa de janeiro de 2005, somente não foi confirmado pela Fiscalização porque ele não foi indicado na ficha de demonstração da composição do crédito no PER/DComp, mas fora recolhido em 24/06/2006 (doc. 05 DARF), e, que, um mero erro de preenchimento no PER/DComp não pode ser capaz de elidir o direito do contribuinte à utilização do seu crédito. Afirma que, no tocante ao mês de JANEIRO apurou IRPJ a pagar no valor de R$ 365.380,09, conforme declarado em DCTF, quitado do seguinte modo: DARF:107.830,15 (doc.05) e Compensações: com valores referentes a saldo negativo de períodos anteriores no montante de 257.549,93 (inteiramente homologado pela RFB no despacho decisório), e, quanto ao mês de FEVEREIRO apurou IRPJ a pagar no valor de R$ 300.862,58, conforme declarado em DCTF, quitado com pagamento de R$ 92.670,81 mediante DARF (inteiramente homologado pelo despacho decisório) e Compensação: com valores referentes a saldo negativo de períodos anteriores no montante de R$ 208.191,78 (parcialmente homologado pela RFB (R$ 125.748,79 conforme doc. 06, Detalhamento da Compensação). Assim sendo,(208.191,78 125.748,79) apurouse a diferença de R$ 82.442,99, paga mediante DARF em anexo (doc. 07). Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10882.901760/201091 Resolução nº 1201000.240 S1C2T1 Fl. 12 11 De fato, a Recorrente juntou aos autos cópia dos documentos: DARF:107.830,15, código:2362(doc.05), Detalhamento de Compensação (doc.06) com aparente compensação do valor de R$ 125.748,79 e DARF código 2362 (doc. 07) no valor de R$ 82.442,99, o que, em tese, justifica o valor de estimativas quitadas relativas aos meses de janeiro e fevereiro de 2005, seja por pagamento ou compensações, no montante de R$ 666.242,37(Compensações:(257.549,63 + 125.748,79) + Pagamentos: (92.670,81 +107.830,15 + 82.442,99). A DRJ em decisão de primeira instância conclui que o argumento da interessada implica uma retificação da referida DCOMP após a manifestação da Repartição de origem, por meio do Despacho Decisório nº 868487469, de 2010, de sorte que, o pleito deve ser denegado, em face do que reza o artigo 88 da Instrução Normativa (IN) RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, como segue: Art. 88 . O pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, observado o disposto nos arts. 89 e 90 no que se refere à Declaração de Compensação. Parágrafo único. A retificação do pedido de restituição, do pedido de ressarcimento, do pedido de reembolso e da Declaração de Compensação será indeferida quando formalizada depois da intimação para apresentação de documentos comprobatórios. Entendo que o dispositivo não se aplica ao caso, haja vista que o pleito da Recorrente permanece relativo ao saldo negativo de 2005, que, simplesmente pretende demonstrar e comprovar o montante já pleiteado em seu PER/DCOMP original, ainda que tenha havido erro na informação das parcelas de composição do referido saldo negativo. O processo consubstanciase no método de compor a lide, de sorte que não se pode, no presente caso, simplesmente negar o pleito do contribuinte, no âmbito do contraditório, sem que a autoridade administrativa Delegacia da Receita Federal do Brasil de Osasco/SP informe se dos documentos juntados pelo contribuinte DARF:107.830,15 , código:2362(doc.05), Compensação do valor de R$ 125.748,79 (doc.06) e DARF, código 2362 no valor de R$ 82.442,99 (doc. 07), os valores foram utilizados para quitar as estimativas referentes aos meses de janeiro e/ou fevereiro de 2005. E ainda, demonstrar sua utilização na composição do saldo negativo ou a pagar de IRPJ em 31/12/2005. A diligência se faz necessária para que não haja exigência ou restituição indevida de crédito tributário Diante do exposto, voto no sentido de que sejam os autos encaminhados à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Osasco/SP, para informar qual o valor do IRPJ estimativa relativo aos meses de janeiro e fevereiro/2005, se foram quitados por pagamento e/ou compensação e sua utilização na composição do IRPJ apurado em 31/12/2005. Elaborado o relatório fiscal de praxe, dar ciência ao recorrente para sua manifestação, se interessar. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10882.901760/201091 Resolução nº 1201000.240 S1C2T1 Fl. 13 12 Fl. 206DF CARF MF
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Numero do processo: 11060.000966/2002-29
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Apr 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001
ASSUNTO: PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA.
A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda, antes ou após a autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Recurso Especial do Contribuinte não conhecido
Numero da decisão: 9303-004.707
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 ASSUNTO: PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA. A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda, antes ou após a autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Especial do Contribuinte não conhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
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CRÉDITO PRESUMIDO. Recorrente FRIGOPAL COMERCIAL LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 ASSUNTO: PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA. A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda, antes ou após a autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Especial do Contribuinte não conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 09 66 /2 00 2- 29 Fl. 556DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 20181.596, de 07/11/2008, proferido pela 1ª Câmara do então Segundo Conselho de Contribuintes, que fora assim ementado: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 DESPACHO DECISÓRIO EXARADO POR AUTORIDADE INCOMPETENTE. NULIDADE. É nulo o despacho decisório exarado por autoridade incompetente, em face da comprovada alteração de domicilio fiscal do contribuinte, ainda que não tenha sido expressamente anulado por despacho posterior da autoridade competente e decida a matéria de forma mais prejudicial ao contribuinte. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DE PIS E COFINS. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E DE COOPERATIVAS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. Somente as aquisições de insumos de contribuintes da Cofins e do PIS geram direito ao crédito presumido concedido como ressarcimento das referidas contribuições, pagas no mercado interno. Recurso voluntário negado.” No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente suscita divergência quanto à inclusão no cálculo do crédito presumido do IPI dos insumos adquiridos de pessoas físicas e de cooperativas. Alega divergência de entendimento em relação ao que decidido nos Acórdãos nº CSRF/0202.260 e 20174.245. O exame de admissibilidade do Recurso Especial encontrase às fls. 538/540. Cientificada, a Procuradoria da Fazenda Nacional não apresentou contrarrazões ao recurso especial (fl. 542). É o Relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial não deve ser conhecido. Fl. 557DF CARF MF Processo nº 11060.000966/200229 Acórdão n.º 9303004.707 CSRFT3 Fl. 557 3 É que, conforme noticia a Informação Fiscal de fls. 490/494, a Recorrente ingressou em juízo (depois de apresentado o recurso especial), pleiteando a inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.363, de 1996, das aquisições de insumos a pessoas físicas e cooperativas, matéria que, como restou consignou no relatório, constitui o objeto do recurso especial ora em exame. Na esfera judicial, também discute a incidência da taxa Selic sobre os valores a serem ressarcidos. Nesse contexto, é de se aplicar a Súmula CARF nº 1, segundo a qual “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial”. Ante o exposto, por concomitância de matéria nas esferas administrativa e judicial, não conheço do recurso especial apresentado pela Contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 558DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10730.724285/2014-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE.
Inaplicável a isenção do imposto de renda quando a data constante do laudo pericial for posterior ao ano-calendário objeto da glosa.
Numero da decisão: 2202-003.792
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso
(Assinado digitalmente)
MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO- Relatora.
.Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
1.0 = *:*
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ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. Inaplicável a isenção do imposto de renda quando a data constante do laudo pericial for posterior ao anocalendário objeto da glosa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso (Assinado digitalmente) MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Presidente. (Assinado digitalmente) JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO Relatora. .Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 72 42 85 /2 01 4- 91 Fl. 83DF CARF MF 2 Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém (PA): Contra o contribuinte em epígrafe foi emitida Notificação de Lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF (fls. 06/10), referente ao exercício 2010, anocalendário 2009. Após a revisão da Declaração foram apurados os seguintes valores: (...) O lançamento acima foi decorrente da seguinte infração: Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica – omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, relativos ao exercício 2010, anocalendário 2009. Fonte Pagadora: Instituto Nacional de Seguro Social (CNPJ: 29.979.036/000140). Valor: R$ 23.020,24. IRRF: 0,00. O contribuinte apresentou impugnação em 10/11/2014 (fls. 02), alegando que os rendimentos recebidos são isentos por se tratar de proventos e aposentadoria reforma ou pensão de portador de moléstia grave. Afirma que o laudo pericial retroativo do INSS, bem como relatório cirúrgico comprova que o contribuinte é aposentado e portador de cardiopatia grave, sendo e do imposto. Ressalta que já pagou o imposto ora contestado. Acrescenta que apresentou retificadora como parte do procedimento para restituição dos valores. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém (PA) negou provimento à Impugnação por entender que no laudo emitido pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS consta que o contribuinte é portador da patologia classificada pela CID 10 I20 (angina pectoris) a qual não é caracterizada, necessariamente, como cardiopatia grave. A decisão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 ISENÇÃO. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. Para fazer jus à isenção prevista no art. 6º, inciso XIV, da Lei n.º 7.713, de 1988, o beneficiário dos rendimentos deverá comprovar que os rendimentos recebidos são oriundos de aposentadoria, pensão ou reforma e, ainda, ser portador de moléstia grave mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10730.724285/201491 Acórdão n.º 2202003.792 S2C2T2 Fl. 84 3 Cientificado da decisão acima transcrita (AR fls. 48), o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls. 58/63, no qual alega que "não pode a autoridade fiscal fazer com que sua decisão desconsidere a manifestação do perito encarregado pelo INSS da avaliação, visto ser esse profissional com conhecimento especializado e, esperase, altamente capacitado para tarefa em questão. Ressalta ainda que o laudo deixa clara a data de início da moléstia (03/11/2008) e que o anocalendário 2009 estaria abrangido pela isenção. É o relatório. Voto Conselheira Relatora JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade , motivo pelo qual, dele conheço. Como já exposto no relatório, a DRJ negou provimento à Impugnação do contribuinte sob o seguinte fundamento: O contribuinte também anexa Laudo emitido pelo Instituto Nacional de Seguro Social (fls. 14). No citado laudo consta que o contribuinte é portador de patologia classificada pela CID10 I20, desde 03//11/2008, não fazendo qualquer menção, no entanto, como afirmando pelo contribuinte em sua defesa, em cardiopatia grave. O CID 10 I20 é de angina pectoris que não é necessariamente caracterizado como cardiopatia grave, precisando, para isso, de outros diagnósticos que não vieram descritos no laudo. Dessa forma, não existindo nos autos laudo médico oficial confirmando ser o contribuinte portador de moléstia grave listada no inciso XXXIII do art. 39 do decreto 3000/99 acima descrito, é de se manter a omissão.(grifamos) O Laudo médico emitido pelo INSS às fls 14 traz as seguintes informações: Informamos, para fazer prova junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil, que o Sr. Paulo Roberto Cardoso de Souza, RG nº 811446772, expedido pelo IFP, CPF 35832843720, residente a Rua 37, nº 2948, Itaipu, Niterói, RJ, titular do benefício previdenciário nº 42/1311131970, comprovou através da documentação médica apresentada e anexada ao procedimento administrativo em epígrafe ser portador de patologia classificada pela CID 10 I20 desde 03/11/2008, enquadrandose na Lei nº 7.713 de 22/12/1988, Art. 6º, inciso XIV, referendada pela Lei nº 9.250 de 26/12/1995, enquadrandose na Lei nº 7713 de 22/12/1988,Artigo 6º, inciso XIV, referendada pela Lei nº 9.250 de 26/12/1995, Artigo 30, Fl. 85DF CARF MF 4 Parágrafo 2 e Lei nº 11052, Artigo 1º de 29/12/2004 e Lei 11.052 de 29 de dezembro de 2004 desde 03/05/2013. (grifamos) A respeito do termo inicial da isenção, a Instrução Normativa SRF nº 15, de 06/02/2001, dispõe em seu artigo 5º, § 2º: Art. 5º Estão isentos ou não se sujeitam ao imposto de renda os seguintes rendimentos: (...) § 2º A isenção a que se referem os incisos XII e XXXV aplicam se aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão, quando a doença for preexistente; II do mês da emissão do laudo pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial.(grifamos) Dessa forma, ao contrário do que alega a DRJ o laudo pericial atesta que a doença foi contraída em 03/11/2008 e que foi identificada como moléstia grave apta a gozar da isenção do imposto de renda pessoa física a partir de 03/05/2013. Sendo assim, o laudo atesta a existência da doença desde 11/2008, a qual se transformou em cardiopatia grave a partir de 03/05/2013. Como a glosa referese ao anocalendário de 2009, não estaria contemplada pela isenção Em face do exposto, nego provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Fl. 86DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14489.000237/2008-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2003 a 30/11/2004
AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - OMISSÃO EM GFIP - MULTA - APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C//C LEI 11.941/08 - APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL - RETROATIVIDADE BENIGNA - NATUREZA DA MULTA APLICADA.
A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal e acessórias lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício.AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA - COMPARATIVO DE MULTAS - APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. No caso, se mais benéfico ao contribuinte, deverá ser adotada o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLD correlatas, exceto nas competências cuja obrigação principal foi atingida pela decadência, para as quais a multa ficará reduzida ao valor previsto no art. 32-A da Lei n° 8.212, de 1991.
Numero da decisão: 2201-003.557
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para determinar que a autoridade preparadora, quando do pagamento do valor do lançamento, aplique as disposições do artigo 476-A da Instrução Normativa RFB nº 971/09.
(Assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente
(Assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra. Ausente justificadamente Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2003 a 30/11/2004 AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - OMISSÃO EM GFIP - MULTA - APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C//C LEI 11.941/08 - APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL - RETROATIVIDADE BENIGNA - NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal e acessórias lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício.AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA - COMPARATIVO DE MULTAS - APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. No caso, se mais benéfico ao contribuinte, deverá ser adotada o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLD correlatas, exceto nas competências cuja obrigação principal foi atingida pela decadência, para as quais a multa ficará reduzida ao valor previsto no art. 32-A da Lei n° 8.212, de 1991.
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A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal e acessórias lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício.AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. No caso, se mais benéfico ao contribuinte, deverá ser adotada o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLD correlatas, exceto nas competências cuja obrigação principal foi atingida pela decadência, para as quais a multa ficará reduzida ao valor previsto no art. 32A da Lei n° 8.212, de 1991. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para determinar que a autoridade preparadora, quando do pagamento do valor do lançamento, aplique as disposições do artigo 476A da Instrução Normativa RFB nº 971/09. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 9. 00 02 37 /2 00 8- 25 Fl. 499DF CARF MF Processo nº 14489.000237/200825 Acórdão n.º 2201003.557 S2C2T1 Fl. 500 2 Carlos Henrique de Oliveira Presidente (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra. Ausente justificadamente Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 1228.484 10ª Turma da DRJ/RJ1 (efls.454/458), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir o seguinte lançamento: Auto de Infração DEBCAD 37.121.7903 lavrado em 29/11/2007 contra a empresa acima identificada, no montante de R$ 369.280,17. Conforme Relatório Fiscal da Infração e da Aplicação da Multa (fls. 15/16), a interessada deixou de informar nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais que prestaram serviços à Impugnante, no período de 02/2003 a 12/2004, inclusive 13° salário, conforme planilhas anexas às 17/416; Tais omissões constituem infração ao artigo 32, inciso IV e § 5o, da Lei 8.212/1991, combinado com o artigo 225, inciso IV e § 4o, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/1999. A multa aplicada foi apurada conforme previsto nos artigos 32, § 5o, da Lei 8.212/1991, acrescentados pela Lei 9.528/1997, combinado com os artigos 284, inciso II (Redação alterada pelo Decreto n° 4.729/2003) e 373, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999, atualizada pela Portaria MPS/MF n° 142, de 11/04/2007, publicada no DOU de 12/04/2007. Segundo o Relatório Fiscal da Aplicação da Multa restaram configuradas as circunstâncias agravantes da reincidência genérica e específica, prevista no artigo 290, V, do RPS, porém a ocorrência de agravantes, na presente autuação, não produz efeitos no valor da multa. Não ficou demonstrada a ocorrência de circunstância atenuante. Apresentada impugnação às fls. 426/430, em que a ora recorrente alega: Que requer o sobrestamento do exame desse ato, até que se apreciem as defesas interpostas contras as NFLDs37.121.7938, 37.132.2650 e 37.132.2669, eis que o conhecimento da presente depende necessariamente de verificações das existências de fatos delituosos reclamadas nas NFLD apontadas; Que não procede a peça acusatória pelo fato de não haver obrigação de inclusão em GFIP de verbas consideradas como indevidas pela impugnante; Fl. 500DF CARF MF Processo nº 14489.000237/200825 Acórdão n.º 2201003.557 S2C2T1 Fl. 501 3 Requer, por fim, a insubsistência do auto de infração, por não estar legitimada a pretensão do fisco em elementos que venham a sustentar a autuação, protesta pela juntada de documentos. A decisão de primeira instância restou ementada nos termos abaixo: Descumprimento de obrigação acessória. Constitui infração a omissão, em GFIP, de fatos geradores das contribuições previdenciárias. Retroatividade de norma benigna. O cálculo para aplicação da norma mais benéfica ao contribuinte deverá ser efetuado na data da quitação do débito, comparandose a legislação vigente a época da infração com os termos da Lei n° 11.941/2009. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada do inteiro teor do acórdão da DRJ em 01/03/2010, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (efls.465/468), tempestivamente, em 29/03/2011, alegando, em síntese, que: O presente processo encontrase intrinsecamente ligado a outras duas NFLD, sendo conexos; portanto, deve ficar sobrestado aguardando o julgamento dos Autos de Infração principais. Deverá ser observada a nova legislação no tocante a aplicação da penalidade. Falta comprovação material do ilícito fiscal praticado pela autuada que ensejasse a exação reclamada, constante da peça acusatória. Há que ser tornado insubsistente o auto de infração que ora se ataca, para declarar sem efeito a multa formal pretendida, com a competente baixa dos seus registros nesse órgão, por não estar legitimada a pretensão do agente do fisco em elementos que venham a sustentar a autuação. Por fim, requer a improcedência do auto de infração na forma acima pleiteada. É o relatório. Voto Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Fl. 501DF CARF MF Processo nº 14489.000237/200825 Acórdão n.º 2201003.557 S2C2T1 Fl. 502 4 Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche aos demais requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Considerações Inicias De início, impende ressaltar que o presente processo está apensado aos dois outros, correspondentes ao descumprimento da obrigação principal, os quais já foram julgados por este Colegiado na presente sessão, tendo como resultado o não provimento do recurso voluntário, com a manutenção do lançamento. Dessa forma, perdeu o objeto o pedido de sobrestamento do presente processo manifestado pela recorrente. Do mérito Em sua razões recursais alega a recorrente que falta a comprovação material do ilícito constante do Relatório Fiscal. Todavia, restaram sobejamente demonstrados todos os fatos geradores omitidos em GFIP. As planilhas e relatórios anexados evidenciam com riqueza de detalhes o descumprimento da obrigação acessória em tela. Verificase nesses documentos os valores omitidos, competência por competência, e a origem dos pagamentos que deixaram de ser declarados, como remuneração a empregados e segurados contribuintes individuais. Não restou dúvida de que a recorrente deixou de registrar em GFIP a totalidade da remuneração pagas ao seus trabalhadores e contribuintes individuais o que constitui infração ao art. 32, IV, § 5o da Lei nº 8.212, de 24.07.91, acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97, combinado com o art. 225, IV e § 4o do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06.05.99. De acordo com a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores a multa aplicada pela infração praticada foi de R$ 369.280,17, que corresponde a 100% do valor da contribuição devida e não declarada, limitada por competência, em função do número de segurados da empresa, observado o limite mensal previsto no art. 32 da Lei nº 8.212/91, calculada de acordo com a planilha abaixo: Fl. 502DF CARF MF Processo nº 14489.000237/200825 Acórdão n.º 2201003.557 S2C2T1 Fl. 503 5 Cabe, ainda, verificar se o presente lançamento foi confeccionado em consonância com o art. 142 do CTN, in verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Do dispositivo transcrito verificase que um dos requisitos indispensáveis ao lançamento é a verificação da ocorrência do fato gerador. De fato, se o fisco não se desincumbir do ônus de demonstrar que efetivamente a hipótese de incidência tributária se concretizou no mundo fático, o lançamento é imprestável. Todavia, não é essa situação que os autos revelam. O relato da auditoria aponta que o fatos gerador da obrigação acessória é a informação em GFIP de todas as remunerações pagas ou creditadas a segurados empregados e a contribuintes individuais. Nesse sentido, conforme exposto acima, houve infração à legislação previdenciária e, como não é facultado ao servidor público eximirse de aplicar uma lei, a Autoridade Fiscal, ao constatar o descumprimento de obrigação acessória, lavrou corretamente o presente Auto de Infração, em observância ao art. 33 da Lei 8212/99 e art. 293 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99: Art.293. Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, a fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social lavrará, de imediato, autodeinfração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, dispositivo legal infringido e a penalidade aplicada e os critérios de sua gradação, indicando local, dia, hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. Contudo, não obstante a correção do auditor fiscal em proceder ao lançamento nos termos dos normativos vigentes à época da lavratura do AI, foi editada a Medida Provisória MP 449/08, que revogou o art. 32, § 6o, da Lei 8.212/91. Da Retroatividade da Legislação mais Benéfica É incontroverso o fato de que uma nova legislação alterou a forma de cálculo da multa cominada para o descumprimento da presente obrigação acessória. Nesses termos, dispõe o art. 106, inciso II, alínea “c”: Art.106 A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: Fl. 503DF CARF MF Processo nº 14489.000237/200825 Acórdão n.º 2201003.557 S2C2T1 Fl. 504 6 (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Portanto, tratandose o presente lançamento de ato ainda não julgado quando da edição da MP 449/08, concluise que os critérios por ela estabelecidos, caso sejam mais benéficos ao contribuinte, aplicamse ao Auto de Infração em tela. Dessa forma, caso se constate, no recálculo da multa com a observância do disposto no artigo 35A, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/09, que o novo valor da penalidade aplicada é mais benéfico à contribuinte, não há como se ignorar o disposto no art. 106, II, “c”, do CTN, concedendose à recorrente a benesse legal. Todavia, agiu com acerto a decisão recorrida ao considerar que o cálculo para aplicação da norma mais benéfica ao contribuinte deverá ser efetuado na data do pagamento do crédito tributário, comparandose a legislação vigente à época da infração, com os novos contornos de aplicação da multa estabelecidos pela Lei n°11.941/2009. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, para no mério em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para determinar que a autoridade preparadora, quando do pagamento do valor do lançamento, aplique as disposições do artigo 476A da Instrução Normativa RFB nº 971/09. Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Fl. 504DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.722677/2009-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INFORMAÇÃO FISCAL PARA CANCELAMENTO DA ISENÇÃO. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. PERDA DO OBJETO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO.
Tendo em vista as alterações legislativas impostas pela Lei nº 12.101/2009 e pelo Decreto nº 7.237/2010, tornou-se desnecessária a lavratura de Informação Fiscal para cancelamento da isenção. Nesse contexto, tendo em vista a perda do objeto do processo, também perde seu objeto o Recurso Voluntário, que não deve ser conhecido.
Numero da decisão: 2202-003.439
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, não conhecer do recurso, por perda de objeto, vencido o Conselheiro Martin da Silva Gesto (Relator), que acolheu a preliminar e declarou a nulidade do acórdão da decisão de primeira instância. Foi designado o Conselheiro Dílson Jatahy Fonseca Neto para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator.
(assinado digitalmente)
Dilson Jatahy Fonseca Neto - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Márcio Henrique Sales Parada. Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Rosemary Figueiroa Augusto (Suplente convocada).
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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INFORMAÇÃO FISCAL PARA CANCELAMENTO DA ISENÇÃO. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. PERDA DO OBJETO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Tendo em vista as alterações legislativas impostas pela Lei nº 12.101/2009 e pelo Decreto nº 7.237/2010, tornouse desnecessária a lavratura de Informação Fiscal para cancelamento da isenção. Nesse contexto, tendo em vista a perda do objeto do processo, também perde seu objeto o Recurso Voluntário, que não deve ser conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, não conhecer do recurso, por perda de objeto, vencido o Conselheiro Martin da Silva Gesto (Relator), que acolheu a preliminar e declarou a nulidade do acórdão da decisão de primeira instância. Foi designado o Conselheiro Dílson Jatahy Fonseca Neto para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 26 77 /2 00 9- 18 Fl. 644DF CARF MF 2 Dilson Jatahy Fonseca Neto Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Márcio Henrique Sales Parada. Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Rosemary Figueiroa Augusto (Suplente convocada). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10166.722677/200918, em face do acórdão nº 0343.443, julgado pela 5ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DRJ/BSB), no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação (defesa) apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem, que assim os relatou: Trata o presente processo de Informação Fiscal, que tem por objeto o cancelamento da isenção previdenciária da cota patronal, em desfavor da INSTITUIÇÃO ADVENTISTA CENTRAL BRASILEIRA DE EDUCAÇÃO E ASSISTÊNCIA SOCIAL IACBEAS, por descumprimento do art. 55, inciso II, da Lei n. 8.212/91, c/c art. 206, inciso III, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, bem como o art. 2º, §3º da Lei n. 11.457/07. Segundo a referida Informação Fiscal, a IACBEAS é constituída numa associação beneficente de assistência social de fins filantrópicos, assistenciais, educacionais e culturais, que, embora jurídica e administrativamente autônoma, é uma entidade mantida pela União Centro Oeste Brasileira da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Relata o Auditor Fiscal que a IACBEAS não possuía, no período fiscalizado, o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEAS, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS, válido e regularmente emitido. Que, da análise da documentação solicitada por meio do Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF, datado de 24/09/2009 e Termo de Intimação Fiscal n.º 01, de 13/10/2009, verificou que a entidade apresentou, intempestivamente, o pedido de renovação de seu Certificado, válido para o triênio 2003/2006. A renovação do Certificado foi requerida em 24/10/2007, e, na forma do art. 37 da Medida Provisória n. 446, de 07/11/2008, foi o Certificado renovado pelo CNAS, mediante publicação da Resolução n. 07, com validade deferida a partir de 24/10/2007. Dessa forma, mesmo tendo o CNAS deferido o Certificado, não tem validade para continuação da isenção previdenciária, pois foi requerido após o período de vigência do certificado anterior, Fl. 645DF CARF MF Processo nº 10166.722677/200918 Acórdão n.º 2202003.439 S2C2T2 Fl. 645 3 numa clara infração à legislação de regência (Art. 1°, § 2° e §3º do Decreto 2.536/98), que prevê que a validade do CEAS somente se dará a partir do termo final do prazo de validade do certificado anterior se a renovação for requerida tempestivamente, ou seja, até o último dia de sua validade. De outra forma, a renovação não deveria retroagir, fazendo com que sua validade se dê somente a partir da publicação do ato que a deferir, como se fosse novo pedido de concessão. Assim, a IACBEAS descumpriu o requisito contido no art. 55, inciso II, da Lei n. 8.212/91, tendo em vista que, a partir do dia 01/01/2007, não possuía Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social válido, não fazendo jus à isenção das contribuições previdenciárias, também, a partir dessa data. DA IMPUGNAÇÃO Tempestivamente, a autuada apresentou a impugnação de fls. 97/111, com as seguintes alegações, em apertada síntese: Alega a Impugnante que não houve de sua parte qualquer infringência à legislação que trata da obtenção da isenção das contribuições previdenciárias e que, em momento algum, foi apontado, no procedimento fiscal, o dispositivo legal que teria sido violado, que pudesse ensejar o cancelamento do Ato Declaratório que concedeu a isenção; Prossegue argumentando que a circunstância que denotou a Informação Fiscal foi a intempestividade do pedido de renovação do CEAS, para o período subsequente de 2007/2010; Que a intempestividade no pedido de renovação do CEAS não pode ser motivo para o cancelamento do Ato Declaratório, pelo simples fato de não estar elencado nos dispositivos legais que cuidam de normatizar a matéria; Prova disso foi a concessão da renovação do CEAS à defendente pelo Conselho Nacional de Assistência Social, a partir de 24.10.2007, momento em que apresentou seu pedido de renovação, fato que ocorreu, lamentavelmente, por mera falha administrativa; Ressalta que, em todos os órgãos governamentais, a entidade adventista está perfeitamente regular em relação à sua filantropia e que, no período de 31/12/2006 a 24/10/2007, não deixou de exercer na plenitude ou se descuidou de suas obrigações em relação às atividades beneficentes, assistenciais, educacionais, culturais e filantrópicas, como vem fazendo desde 26 de janeiro de 1921, quando recebeu o seu Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos e que vem sendo renovado desde então; Cita o Parecer/CJ n. 2.575, cuja ementa dispõe que “A simples intempestividade do pedido de renovação do CEBAS não é causa Fl. 646DF CARF MF 4 para seu indeferimento de pronto. Inteligência do art. 3º do Decreto n. 3.536, de 1998”. Que, com a aprovação do citado parecer pelo Ministro do MPAS, o Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS editou a Resolução n. 155/02, regulamentando, entre outros assuntos, os efeitos da renovação do CEAS, a partir da data de seu efetivo pedido, mesmo que tenha ocorrido intempestivamente; Requer, ao final, a aceitação de sua defesa, para desconsiderar o pedido de cancelamento do Ato Decisório da Concessão de Isenção da entidade defendente; seja considerado o período de 31/12/2006 a 24/10/2007 como de efetivo cumprimento das obrigações em relação às atividades beneficentes ou, alternativamente, no caso de indeferimento do item “b”, seja concedida a possibilidade de parcelamento do valor devido, na forma da legislação de regência. A 5ª. Turma da DRJ/BSB entendeu pela improcedência da impugnação (defesa) apresentada pela contribuinte. Inconformada, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, em fls. 623/640, , onde são reiterados os argumentos já lançados na impugnação, bem como alega em preliminar que a decisão da DRJ é nula, pois deveria ter sido o processo julgado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Preliminar Primeiramente, quanto a preliminar invocada que a decisão da é nula, sustenta a contribuinte que a DRJ de origem não seria competente para julgar a condição isentiva, mas sim que caberia a Delegacia da Receita Federal do Brasil. Estabelece a Lei 12.101/09 que: Do Reconhecimento e da Suspensão do Direito à Isenção Art. 31. O direito à isenção das contribuições sociais poderá ser exercido pela entidade a contar da data da publicação da concessão de sua certificação, desde que atendido o disposto na Seção I deste Capítulo. Art. 32. Constatado o descumprimento pela entidade dos requisitos indicados na Seção I deste Capítulo, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrará o auto de Fl. 647DF CARF MF Processo nº 10166.722677/200918 Acórdão n.º 2202003.439 S2C2T2 Fl. 646 5 infração relativo ao período correspondente e relatará os fatos que demonstram o não atendimento de tais requisitos para o gozo da isenção. § 1o Considerarseá automaticamente suspenso o direito à isenção das contribuições referidas no art. 31 durante o período em que se constatar o descumprimento de requisito na forma deste artigo, devendo o lançamento correspondente ter como termo inicial a data da ocorrência da infração que lhe deu causa. § 2o O disposto neste artigo obedecerá ao rito do processo administrativo fiscal vigente. (grifouse) Na época estava vigente a Portaria MF nº 587/2010 (Revogada pela Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012), que assim disciplinava a competência das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ: Art. 229. Às Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ, com jurisdição nacional, compete conhecer e julgar em primeira instância, após instaurado o litígio, especificamente, impugnações e manifestações de inconformidade em processos administrativos fiscais: I de determinação e exigência de créditos tributários, inclusive devidos a outras entidades e fundos, e de penalidades; II de infrações à legislação tributária das quais não resulte exigência do crédito tributário; III relativos a exigência de direitos antidumping, compensatórios e de salvaguardas comerciais; e IV contra apreciações das autoridades competentes em processos relativos a restituição, compensação, ressarcimento, reembolso, imunidade, suspensão, isenção e redução de alíquotas de tributos, Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), indeferimento de opção pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) e pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), e exclusão do Simples e do Simples Nacional. (grifouse) Por sua vez, nos termos da Portaria MF nº 587/2000, competia as Delegacias da Receita Federal do Brasil DRF: Fl. 648DF CARF MF 6 Art. 220. Às Delegacias da Receita Federal do Brasil DRF, Alfândegas da Receita Federal do Brasil ALF e Inspetorias da Receita Federal do Brasil IRF de Classes "Especial A", "Especial B" e "Especial C", quanto aos tributos administrados pela RFB, inclusive os destinados a outras entidades e fundos, compete, no âmbito da respectiva jurisdição, no que couber, desenvolver as atividades de arrecadação, controle e recuperação do crédito tributário, de análise dos dados de arrecadação e acompanhamento dos maiores contribuintes, de atendimento e interação com o cidadão, de comunicação social, de fiscalização, de controle aduaneiro, de tecnologia e segurança da informação, de programação e logística, de gestão de pessoas, de planejamento, avaliação, organização, modernização, e, especificamente: [...] X executar as atividades relacionadas à restituição, compensação, reembolso, ressarcimento, redução e reconhecimento de imunidade e isenção tributária, inclusive as relativas a outras entidades e fundos; [...] (grifouse) Ainda, destaco que quando a contribuinte foi intimada da Informação Fiscal, foi lhe deferido prazo para "apresentar diretamente à autoridade fiscal representante as alegações e provas que entender necessárias, conforme o art. 206 § 8ª, inciso II, do RPS (Decreto 3.048/99)''. Também consta no referido documento que "a presente Informação Fiscal será então encaminhada à autoridade hierarquicamente superior, em conformidade com o disposto no art. 206 § 8ª, inciso II, do RPS (Decreto 3.048/99) e no art. 305, § 1º da IN SRP 03/2005 para decisão". O art. 206 do Decreto 3.048/99 foi revogado posteriormente pelo Decreto nº 7.237, de 20 de Julho de 2010, todavia assim constava a redação deste: § 8º O Instituto Nacional do Seguro Social cancelará a isenção da pessoa jurídica de direito privado beneficente que não atender aos requisitos previstos neste artigo, a partir da data em que deixar de atendêlos, observado o seguinte procedimento: [...] II a pessoa jurídica de direito privado beneficente será cientificada do inteiro teor da Informação Fiscal, sugestões e conclusões emitidas pelo Instituto Nacional do Seguro Social e terá o prazo de quinze dias para apresentação de defesa e produção de provas; Quanto a Instrução Normativa MPS/SRP nº 03/2005 mencionada na Informação Fiscal, assim disciplina os artigos 305 e 306: Seção II Cancelamento da Isenção Fl. 649DF CARF MF Processo nº 10166.722677/200918 Acórdão n.º 2202003.439 S2C2T2 Fl. 647 7 Art. 305. A SRP verificará se a entidade beneficente de assistência social continua atendendo aos requisitos necessários à manutenção da isenção, previstos no art. 299. § 1º Constatado o nãocumprimento dos requisitos contidos no art. 299, a fiscalização emitirá Informação Fiscal IF, na qual relatará os fatos, as circunstâncias que os envolveram e os fundamentos legais descumpridos, juntando as provas ou indicando onde essas possam ser obtidas. § 2º A entidade será cientificada do inteiro teor da IF e terá o prazo de quinze dias, a contar da data da ciência, para apresentação de defesa, com a produção de provas ou não, que deverá ser protocolizada em qualquer UARP da DRP circunscricionante do seu estabelecimento centralizador. § 3º Decorrido o prazo previsto no § 2º deste artigo, sem manifestação da parte interessada, caberá à chefia do Serviço/Seção de Arrecadação da DRP decidir acerca da emissão do Ato Cancelatório de Isenção AC. § 4º Caso a defesa seja apresentada, o Serviço/Seção de Análise da DRP decidirá acerca da emissão ou não do Ato Cancelatório de Isenção AC. § 5º Sendo a decisão do Serviço/Seção de Análise da DRP favorável à emissão do Ato Cancelatório de Isenção, a chefia do Serviço/Seção de Arrecadação da DRP emitirá o documento, o qual será remetido, juntamente com a decisão que lhe deu origem, à entidade interessada. § 6º A entidade perderá o direito de gozar da isenção das contribuições sociais a partir da data em que deixar de cumprir os requisitos contidos no art. 299, devendo essa data constar do Ato Cancelatório de Isenção. § 7º Cancelada a isenção, a entidade terá o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão e do Ato Cancelatório da Isenção para interpor recurso com efeito suspensivo ao CRPS. Art. 306. A chefia do Serviço/Seção de Arrecadação ou de Análise da DRP, decidindo pela manutenção da isenção, recorrerá de ofício à autoridade administrativa imediatamente superior, nos termos da alínea “b” do inciso II do art. 366 do RPS. (Nova redação dada pela IN MPS/SRP nº 23, de 30/04/2007) Em razão da revogação do artigo 206, assim constou no Decreto 7.237/2010 quanto as disposições transitórias, conforme art. 45 da referida legislação: Art. 45. Os processos para cancelamento de isenção não definitivamente julgados em curso no âmbito do Ministério da Fazenda serão encaminhados à unidade competente daquele órgão para verificação do cumprimento dos requisitos da isenção na forma do rito estabelecido no art. 32 da Lei no 12.101, de 2009, aplicada a legislação vigente à época do fato gerador. Fl. 650DF CARF MF 8 (grifouse) Ainda, trata a Lei nº 9.430/96 sobre o assunto, com a seguinte redação: Capítulo IV PROCEDIMENTOS DE FISCALIZAÇÃO Seção I Suspensão da Imunidade e da Isenção Art. 32. A suspensão da imunidade tributária, em virtude de falta de observância de requisitos legais, deve ser procedida de conformidade com o disposto neste artigo. § 1º Constatado que entidade beneficiária de imunidade de tributos federais de que trata a alínea c do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal não está observando requisito ou condição previsto nos arts. 9º, § 1º, e 14, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, a fiscalização tributária expedirá notificação fiscal, na qual relatará os fatos que determinam a suspensão do benefício, indicando inclusive a data da ocorrência da infração. § 2º A entidade poderá, no prazo de trinta dias da ciência da notificação, apresentar as alegações e provas que entender necessárias. § 3º O Delegado ou Inspetor da Receita Federal decidirá sobre a procedência das alegações, expedindo o ato declaratório suspensivo do benefício, no caso de improcedência, dando, de sua decisão, ciência à entidade. § 4º Será igualmente expedido o ato suspensivo se decorrido o prazo previsto no § 2º sem qualquer manifestação da parte interessada. § 5º A suspensão da imunidade terá como termo inicial a data da prática da infração. § 6º Efetivada a suspensão da imunidade: I a entidade interessada poderá, no prazo de trinta dias da ciência, apresentar impugnação ao ato declaratório, a qual será objeto de decisão pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento competente; II a fiscalização de tributos federais lavrará auto de infração, se for o caso. § 7º A impugnação relativa à suspensão da imunidade obedecerá às demais normas reguladoras do processo administrativo fiscal. § 8º A impugnação e o recurso apresentados pela entidade não terão efeito suspensivo em relação ao ato declaratório contestado. Fl. 651DF CARF MF Processo nº 10166.722677/200918 Acórdão n.º 2202003.439 S2C2T2 Fl. 648 9 § 9º Caso seja lavrado auto de infração, as impugnações contra o ato declaratório e contra a exigência de crédito tributário serão reunidas em um único processo, para serem decididas simultaneamente. § 10. Os procedimentos estabelecidos neste artigo aplicamse, também, às hipóteses de suspensão de isenções condicionadas, quando a entidade beneficiária estiver descumprindo as condições ou requisitos impostos pela legislação de regência. § 11. Somente se inicia o procedimento que visa à suspensão da imunidade tributária dos partidos políticos após trânsito em julgado de decisão do Tribunal Superior Eleitoral que julgar irregulares ou não prestadas, nos termos da Lei, as devidas contas à Justiça Eleitoral. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) (Revogado pela Lei nº 13.165, de 2015) § 12. A entidade interessada disporá de todos os meios legais para impugnar os fatos que determinam a suspensão do benefício. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Deste modo, verificase que carece o presente processo de decisão de autoridade competente que tenha analisado o suspensão da isenção, decisão esta que competia a Delegacia da Receita Federal do Brasil DRF. Logo, havendo o julgamento da DRJ sem o prévio julgamento pela autoridade competente (no caso, da DRF), da defesa apresentada pela contribuinte quanto a Informação Fiscal, temse que há supressão de instância no presente processo. Assim, impossível analisar o mérito dos demais processos a este conexo sem violação ao devido processo legal. Face a isto, compreendo que deve ser acolhida a preliminar de nulidade da decisão, declarandose nulo o acórdão recorrido, determinandose que os autos sejam remetidos a Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem para que a autoridade competente realize o julgamento da defesa da contribuinte. Por consequência, em razão da conexão existente entre este e os processos de nº 10166.722593/201018, 10166.722596/201043 e 10166.722597/201098, devem ser estes todos apreciados em julgamento simultâneo. Tal compreensão decorre do disposto no §9º do art. 32 da Lei nº 9.430/96, o qual prevê julgamento simultâneo destes processos: "Caso seja lavrado auto de infração, as impugnações contra o ato declaratório e contra a exigência de crédito tributário serão reunidas em um único processo, para serem decididas simultaneamente". Portanto, após a DRF apreciar a defesa da contribuinte de fls. 97/111 e, na hipótese de ela ser improcedente (no todo ou em parte) contra esta decisão seja apresentada impugnação àa DRJ, deverá ocorrer julgamento simultâneo deste processo com os demais acima relacionados (nºs 10166.722593/201018, 10166.722596/201043 e 10166.722597/2010 98). Assim, os processos conexos devem ficar sobrestados na DRJ de origem até que a Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem demonstre que deu ciência à contribuinte do resultado do julgamento, realizado por ela (DRF), da defesa de fls. 97/111, devendo a DRJ Fl. 652DF CARF MF 10 após o decurso do prazo da contribuinte para impugnar, pautar o 4 (quatro) processos para julgamento simultâneo. Salientase que a presente decisão acarretará em nulidade dos acórdãos da DRJ dos processos conexos, pois impossível eles serem analisados simultaneamente, face a supressão de instância em um deles. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso, para acolher a preliminar e declarar a nulidade do acórdão da DRJ/BSB ora recorrido, determinandose que os autos sejam remetidos a Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem para que a autoridade competente realize o julgamento da defesa da contribuinte, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Voto Vencedor Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto Redator designado Em que pese o bem fundamento voto do ilustre Conselheiro Relator, peço vênia para divergir em relação à admissibilidade do Recurso Voluntário, uma vez que houve perda do seu objeto por mudança superveniente da legislação. Para chegar a essa conclusão, convém realizar um breve levantamento cronológico dos fatos: · A Informação Fiscal IF (fls. 3/10) foi lavrada em 10/11/2009, sendo cientificada à Contribuinte em 11/10/2009 (fl. 10). · Foi apresentada defesa (fls. 97/106) à IF em 25/11/2009;. · Em 30/11/2009 foi publicada a Lei nº 12.101/2009, que revogou o art. 55 da Lei nº 8.212/1991, e estabeleceu o seguinte: Art. 32. Constatado o descumprimento pela entidade dos requisitos indicados na Seção I deste Capítulo, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrará o auto de infração relativo ao período correspondente e relatará os fatos que demonstram o não atendimento de tais requisitos para o gozo da isenção. § 1o Considerarseá automaticamente suspenso o direito à isenção das contribuições referidas no art. 31 durante o período em que se constatar o descumprimento de requisito na forma deste artigo, Fl. 653DF CARF MF Processo nº 10166.722677/200918 Acórdão n.º 2202003.439 S2C2T2 Fl. 649 11 devendo o lançamento correspondente ter como termo inicial a data da ocorrência da infração que lhe deu causa. § 2o O disposto neste artigo obedecerá ao rito do processo administrativo fiscal vigente. · Em 21/11/2010 foi publicado o Decreto nº 7.237/2010, que regulamentou a Lei nº 12.101/2009, e determinou o seguinte: Art. 42. Constatado o descumprimento de requisito estabelecido pelo art. 40, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrará auto de infração relativo ao período correspondente, devendo relatar os fatos que demonstram o não atendimento de tais requisitos para o gozo da isenção. § 1o Durante o período a que se refere o caput, a entidade não terá direito à isenção, e o lançamento correspondente terá como termo inicial a data de ocorrência da infração que lhe deu causa. § 2o A entidade poderá impugnar o auto de infração no prazo de trinta dias, contados de sua intimação. § 3o O julgamento do auto de infração e a cobrança do crédito tributário seguirão o rito estabelecido pelo Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (...) Art. 45. Os processos para cancelamento de isenção não definitivamente julgados em curso no âmbito do Ministério da Fazenda serão encaminhados à unidade competente daquele órgão para verificação do cumprimento dos requisitos da isenção na forma do rito estabelecido no art. 32 da Lei no 12.101, de 2009, aplicada a legislação vigente à época do fato gerador. Importa registrar que esse Decreto foi revogado pelo Decreto nº 8.242/2014 que, entretanto, manteve os mesmos comandos em seus arts. 48 e 50. · O processo foi então encaminhado para a Divisão de Fiscalização da DRF, com o propósito de atender aos comandos supratranscritos (fl. 604). Nesse contexto, o presente processo foi apensado ao processo nº 10166.722596/201043 em 11/05/2011 (fl. 512). Este outro processo, que tem por objeto o AI DEBCAD nº 37.246.7844, consolidado em 23/11/2010, é onde se discute a efetiva existência de crédito tributário. · Somente em 07/06/2011, após a alteração da legislação e a lavratura do auto de infração, é que foi proferido o acórdão nº 03.43.443 (fls. 613/619), da DRJ/BSB, ora recorrido. Fl. 654DF CARF MF 12 · Enfim, cientificada, a Contribuinte apresentou o Recurso Voluntário em 18/07/2011 (fls. 623/640). Em outras palavras, o processo ora sob julgamento versa sobre uma Informação Fiscal que objetivava a isenção da Contribuinte. Adequada a sua lavratura à época. Contudo, com a mudança da legislação, e tendo em vista a regra insculpida no art. 144, §1º, do CTN, tornouse despicienda a sua feitura, posto que os fatos que justificam a constituição de crédito tributário devem vir descritos no próprio Auto de Infração. O que é mais, a Contribuinte foi cientificada e apresentou a sua defesa no âmbito do processo nº 10166.722596/201043, ao qual está apensando o presente processo, e que inclusive também está em julgamento nessa Turma. Enfim, tendo em vista tudo quanto afirmado acima, entendo que a Informação Fiscal perdeu seu objeto, uma vez que a análise do cancelamento da isenção deve ser feita diretamente nos Autos de Infração. Consequentemente, também perdeu seu objeto o Recurso Voluntário que busca combatêla. Dispositivo Diante de tudo quanto exposto, voto por não conhecer do Recurso Voluntário por perda do objeto. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Redator designado Fl. 655DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10805.720071/2015-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3401-001.134
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, para fins de apuração do crédito tido como extemporâneo, e verificação de sua eventual utilização em outros períodos, vencidos os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos e Rodolfo Tsuboi, que propunham o julgamento do processo, no estado em que se encontra.
Rosaldo Trevisan Presidente
Fenelon Moscoso de Almeida Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA
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RESOLVEM os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, para fins de apuração do crédito tido como extemporâneo, e verificação de sua eventual utilização em outros períodos, vencidos os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos e Rodolfo Tsuboi, que propunham o julgamento do processo, no estado em que se encontra. Rosaldo Trevisan – Presidente Fenelon Moscoso de Almeida – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 05 .7 20 07 1/ 20 15 -1 3 Fl. 1381DF CARF MF Processo nº 10805.720071/201513 Resolução nº 3401001.134 S3C4T1 Fl. 1.382 2 Relatório Versa o presente sobre Autos de Infração, lavrados em 20/01/2015 (fls.1 1276/ 1287) e cientificados em 21/01/2015 (TERMO à fl. 1290/1291) para exigência de Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS nãocumulativas e acréscimos legais, no período de 01/2010 a 12/2010, no valor original de R$26.725.493,59, por insuficiências de recolhimentos, conforme TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL TVF (fls. 1260/1275), em apertada síntese, decorrentes de glosas de créditos: extemporâneos de aquisições realizadas entre 03/2005 e 03/2007, por ausência de apuração, nas DACON dos respectivos períodos de apurações originais; e de encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado, por ausência de provas, da aquisição e ativação, quando as notas fiscais e livros contábeis não foram apresentadas, ou indicavam que eram usados. Quanto às glosas de créditos extemporâneos, a acusação fiscal consubstanciase em ter constatado, in verbis: "No curso da fiscalização, analisandose os DACON do ano de 2010 enviadas [Dacon], verificouse que o contribuinte descontou nos meses de janeiro a dezembro de 2010, além dos créditos do próprio período de apuração, créditos de PIS/PASEP e COFINS de 2005 a março de 2007, conforme é demonstrado no quadro abaixo: (...) Todavia, analisandose os DACON desses mesmos meses, ou seja, março de 2005 a março de 2007 [Dacon] verificouse que nestes não havia saldo de créditos a descontar, vez que os totais dos créditos apurados foram descontados no próprio mês, ou no máximo, no mês subseqüente, conforme pode ser observado no quadro a seguir: (...) Diante do exposto, o contribuinte foi intimado, através do item 4 do Termo de Intimação Fiscal n° 2, a apresentar justificativa para o desconto, nos DACON de 2010, de créditos de períodos anteriores, que não foram declarados nos DACON dos respectivos períodos de apuração (...) Em resposta a esse item da intimação, após duas solicitações de prorrogação de prazo [...], o contribuinte apresentou informação com 26 páginas, além documentos anexos [...], na qual, em síntese, esse assevera que: i) Os créditos intimados pela fiscalização eram, de fato, extemporâneos, e se referiam ao período de março de 2005 a março de 2007; ii) Os créditos eram referentes a: aquisição de bens utilizados como insumos, despesas com combustíveis e lubrificantes, manutenção de máquinas, aquisição de serviços de terceiros, e aquisição de imobilizado iii) O contribuinte não retificou os DACON dos respectivos de apuração para inserção desses créditos apurados a posteriori; [...] Assim, para utilização dos valores de créditos apurados a posteriori, o contribuinte deveria retificar os DACON dos períodos de apuração 1 Todos os números de folhas indicados neste documento referemse à numeração eletrônica do eprocesso. Fl. 1382DF CARF MF Processo nº 10805.720071/201513 Resolução nº 3401001.134 S3C4T1 Fl. 1.383 3 desses créditos, ou seja, o contribuinte deveria ter retificado os DACON do período de março de 2005 a março de 2007. [...] Por último, o contribuinte alegou, em sua resposta, que o direito ao crédito das contribuições não nasce da retificação dos DACON e que o descumprimento de obrigações acessórias não poderia ter implicação nas obrigações principais Cabe aclarar que atividade de fiscalização é vinculada à legislação tributária (...)" Quanto às glosas de encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado, a acusação fiscal afirma, in verbis: "Desse modo, por não ter apresentado os documentos fiscais que serviram de base para apropriação de créditos das contribuições com base nos encargos de depreciação, esses créditos também foram glosados pela fiscalização. Ainda efetuando a analise dos documentos apresentados, a fiscalização verificou que algumas das notas fiscais apresentadas se referiam a aquisição de bens usados (...). Ocorre que a Instrução Normativa SRF n° 457/2004, em eu artigo 1°, §3°, II abaixo transcrito, veda a apropriação de créditos de depreciação no caso de aquisição bens usados." (grifei) A empresa apresenta a Impugnação em 18/02/2015 (fls. 1295/1308), no mérito alega, quanto a glosas de créditos extemporâneos, ser permitido tomar créditos de períodos anteriores consoante o §4º, do artigo 3º, da Lei nº 10.637/2002 e §4º, do artigo 3º, da Lei nº 10.833/2003, bastando respeitar o prazo decadencial; que nada na legislação permite inferir obrigatoriedade de retificação do DACON; que o art. 10, da IN/RFB nº 1.015/10, apenas assegura a retificabilidade dos DACON, não condicionando o aproveitamento futuro de créditos à prévia retificação do demonstrativo; que a legislação não institui a obrigatoriedade de retificação das declarações da época para o reconhecimento dos créditos respectivos; que a autuação foi motivada na tese de que os DACON da época haviam de ser retificados; que não há que se inquirir da higidez dos créditos glosados por quaisquer outras razões; que amparase na teoria dos motivos determinantes, estando a administração fazendária proibida de alterar as razões de um ato; alega, ainda, quanto as glosas de créditos de encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado, que o conhecimento de transporte é documento indiciário absolutamente idôneo da efetiva aquisição dos bens; que exigir unicamente a nota fiscal como prova apta da aquisição é formalismo excessivo e sem fundamento; que não há na Lei nº 10.833/03 nenhuma restrição de creditamento na aquisição de bens usados; por fim alega a inaplicabilidade do juros de mora sobre a multa de ofício, entendendo que para os art. 161, do CTN, e art. 61, da Lei nº 9.430/96, os juros moratórios incidem somente sobre o valor da obrigação tributária principal; requer o cancelamento integral da autuação; e, subsidiariamente, o afastamento, ao menos, dos juros moratórios sobre a multa de ofício. A decisão de primeira instância, proferida em 29/01/2016 (fls. 1319/1347) foi pela procedência integral do lançamento, nos termos da ementa abaixo reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2010 APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO DE DACONs. Fl. 1383DF CARF MF Processo nº 10805.720071/201513 Resolução nº 3401001.134 S3C4T1 Fl. 1.384 4 Na eventualidade de se apurar extemporaneamente crédito decorrente da sistemática de nãocumulatividade da Contribuição ao Pis/Pasep, os DACONs referentes aos períodos originários dos créditos deverão ser retificados, respeitado o prazo decadencial de cinco anos e atendidas as demais exigências da legislação de regência. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO DO DIREITO AO CRÉDITO. Devem ser glosados os créditos decorrentes de encargos de depreciação quando não apresentada a nota fiscal de aquisição e a correspondente ativação do bem no ativo imobilizado da empresa. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. AQUISIÇÃO DE BEM USADO. A aquisição de bens usados não dá direito a utilização de créditos de encargos de depreciação na apuração do PIS nãocumulativo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2010 APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO DE DACONs. Na eventualidade de se apurar extemporaneamente crédito decorrente da sistemática de nãocumulatividade da Cofins, os DACONs referentes aos períodos originários dos créditos deverão ser retificados, respeitado o prazo decadencial de cinco anos e atendidas as demais exigências da legislação de regência. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO DO DIREITO AO CRÉDITO. Devem ser glosados os créditos decorrentes de encargos de depreciação quando não apresentada a nota fiscal de aquisição e a correspondente ativação do bem no ativo imobilizado da empresa. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. AQUISIÇÃO DE BEM USADO. A aquisição de bens usados não dá direito a utilização de créditos de encargos de depreciação na apuração da COFINS nãocumulativa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2010 DOCUMENTOS E LIVROS FISCAIS. CONSERVAÇÃO. O contribuinte dever conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa de ofício. ATIVIDADE VINCULADA. Os Auditores da Receita Federal do Brasil exercem atividade plenamente vinculada à legislação vigente no ordenamento jurídico nacional, estando aí incluídos os atos legais editados pela Receita Federal do Brasil. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 1384DF CARF MF Processo nº 10805.720071/201513 Resolução nº 3401001.134 S3C4T1 Fl. 1.385 5 Após ciência ao acórdão de primeira instância (TERMO à fl. 1356), em 10/02/2016, irresignada, a contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 1357/1373, em 11/02/2016, reproduzindo os argumentos da impugnação anteriormente interposta. É o relatório. Voto Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Como visto do relatório, tratase de Autos de Infração, lavrados para a constituição de créditos tributários relativos às Contribuições para o PIS e a COFINS não cumulativas, de que tratam as Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, por insuficiências de recolhimentos, no período de janeiro a dezembro de 2010, decorrentes de glosas de créditos extemporâneos (§ 4º, do artigo 3º) e créditos de encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado (inciso III, do § 1º, do artigo 3º). Mérito CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS Conforme consta do Termo de Verificação Fiscal (fls. 1260/1275), referida autuação deveuse ao fato de o contribuinte ter descontado nos meses de janeiro a dezembro de 2010, além dos créditos do próprio período de apuração, créditos extemporâneos de março de 2005 a março de 2007; analisandose os DACON desses mesmos meses, verificouse que não havia saldo de créditos a descontar, vez que os totais dos créditos apurados foram descontados no próprio mês, ou no máximo, no mês subseqüente; não tendo sido os créditos de períodos anteriores, declarados nos DACON dos respectivos períodos de apuração, nem tendo o contribuinte os retificado para inserção desses créditos apurados a posteriori; em conseqüência, a totalidade dos créditos extemporâneos foi glosado. Alega a contribuinte que a autuação foi motivada na tese de que os DACON da época haviam de ser retificados; que nada na legislação permite inferir obrigatoriedade de retificação dos DACON; que não há que se inquirir da higidez dos créditos glosados por quaisquer outras razões; que amparase na teoria dos motivos determinantes, estando a administração fazendária proibida de alterar as razões de um ato. Fl. 1385DF CARF MF Processo nº 10805.720071/201513 Resolução nº 3401001.134 S3C4T1 Fl. 1.386 6 Ao contrário do alegado, muito mais do que a simples obrigatoriedade de retificação dos DACON, o fundamento fático do lançamento, em verdade, encontrase na ausência de apuração e demonstração apropriada dos valores dos créditos. Ao constatar que, nos DACON dos períodos dos créditos extemporâneos, março de 2005 a março de 2007, não havia saldo de créditos a descontar, vez que os totais dos créditos apurados foram descontados, e não havendo retificação, no prazo prescricional/decadencial, desses DACON para inserção desses créditos apurados a posteriori, concluiu existir um impedimento formal (necessidade de apuração e demonstração dos valores dos créditos, por meio da retificação das declarações dos períodos das competências dos créditos), com possíveis efeitos materiais (decadência do direito e/ou prescrição do exercício do direito), ao reconhecimento dos créditos extemporâneos, no caso, direito manifestado como exercido, por meio da transmissão dos DACON de 2010, sendo os créditos mais antigos: março de 2005, lançados na declaração do primeiro trimestre de 2010. Em regra, os créditos da nãocumulatividade devem ser reconhecidos no período de apuração em que for realizada aquisição do bem ou contratada a prestação do serviço. Para utilização de créditos extemporâneos (§4º, do art. 3º, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003), é necessário que reste configurado o não aproveitamento em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes, ou demonstração e prova inequívoca da sua não utilização prévia, evitandose o aproveitamento indevido ou em duplicidade. As retificações, como destaca a acusação fiscal, trazem diversas conseqüências tributárias, no sentido de regularizar a apuração do crédito e tornálo inequívoco. Assim, como a apuração dos créditos depende, em regra, da prévia confrontação entre créditos e débitos dentro do período de apuração, inevitável é que a análise da existência e da natureza do crédito possam ser devidamente aferidas dentro do período específico de geração do crédito. Os permissivos legais ao creditamento extemporâneo, não implicam em que despesas e gastos incorridos em outros períodos possam ser aleatoriamente trazidos a compor a base de cálculo de créditos apurados em períodos posteriores; falase em créditos extemporâneos, não em apropriação extemporânea de despesas, gastos e custos; permitese que créditos extemporâneos, já oportunamente apurados e não descontados no mês de competência da apuração, possam sêlo nos meses subseqüentes. Tais considerações poderiam levar à conclusão de que só seria possível aproveitar o saldo de créditos extemporâneos, remanescentes após o confronto entre créditos e débitos de um determinado mês, pelo qual poderá restar saldo de créditos a serem aproveitados nos meses subseqüentes. Inevitável, portanto, seria a necessidade de apuração e demonstração dos valores dos saldos de créditos, por meio da retificação das declarações dos respectivos períodos, emergindo impedimentos ao aproveitamento dos valores, quando vencidos os lapsos temporais para retificações, como no presente caso. Porém, não é essa a dicção da lei. Não se fala em saldo de crédito não aproveitado. Somente, crédito não aproveitado em determinado mês. Seria desnecessária a previsão legal de créditos extemporâneos (§ 4º, do art. 3º), caso esta implicasse em simples direito à reapuração dos saldos dos períodos originais, direito este já inerente à apuração, respeitados os prazos decadenciais/prescricionais, existindo, para isso a previsão da apuração de crédito regular, dos itens adquiridos, incorridos e devolvidos no mês (§ 1º, do art. 3º). Desnecessário, portanto, seria a retificação das declarações dos períodos originais dos créditos, inserindo as despesas e gastos identificados a posteriori, gerando saldo de créditos extemporâneos, únicos, no rigor fiscal, passíveis de aproveitamento em meses subseqüentes. Fl. 1386DF CARF MF Processo nº 10805.720071/201513 Resolução nº 3401001.134 S3C4T1 Fl. 1.387 7 De outro lado, caso vencidos os possíveis impedimentos formais (retificações de declarações) e materiais (decadência do direito e/ou prescrição do exercício do direito), em nada obstada está a determinação da inquirição da perfeita higidez dos créditos glosados, desde que respeitados os limites legais do § 4º, do art. 3º, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003: O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. Nada à mais, como pretende a acusação fiscal, que seja necessária uma apuração formal nos DACON do período dos créditos extemporâneos; nada à menos, como pretende a defesa, amparandose na teoria dos motivos determinantes, que não haveria que se inquirir da higidez dos créditos glosados por quaisquer outras razões; que não a necessidade de retificação dos DACON, ao arrepio das leis de regência, que só admitem utilização de crédito não aproveitado em determinado mês. Há que se analisar, portanto, se os alegados créditos extemporâneos, de março de 2005 a março de 2007, existem e não foram aproveitados em determinado mês, quais sejam, todos os meses, desde às suas competências originais de apurações, até suas efetivas utilizações, comprovandose que não esteja havendo aproveitamento em duplicidade. Nesse mesmo sentido, já decidiu a Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, no Acórdão n.º 9303003.477, de 25/02/2016, em trecho do voto vencedor: "Nessas considerações, aparentemente, omitiuse a autorização contida no § 4º do art. 3º de ambas as leis: "o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes". E como nada mais há como fundamentação, ficamos sem saber se, no entender da autoridade autuante, o contribuinte simplesmente perde o crédito eventualmente não aproveitado no mês correto, ou se, para aproveitá lo, estaria obrigado a algum procedimento especial. Tal distinção também está ausente na decisão de primeiro grau, que apenas acrescenta haver uma "vedação legal à apropriação de créditos extemporâneos", sem indicar, no entanto, qual seria o dispositivo legal que a ampara. Entendo que o dispositivo legal que acima mencionei, ao contrário, constitui autorização expressa ao aproveitamento de créditos em mês distinto daquele a que as despesas se referem, cumprindo apenas à SRF explicitar os procedimentos a serem cumpridos pelos contribuintes em tal caso. Para tal fim, não me parece relevante distinguir entre a situação em que o contribuinte efetivamente inclui todas as despesas a que tem direito no mês em que incorridas, mas, por qualquer razão, não consegue aproveitar o crédito em sua totalidade, daquela em que, também por qualquer motivo, não inclui no mês correto todas as despesas nele incorridas. O que é fundamental, me parece, é a comprovação de que, num caso como no outro, não esteja havendo aproveitamento em duplicidade." (grifei/sublinhei) Ressaltese, deve o contribuinte conservar seus livros comerciais e fiscais obrigatórios e respectivos comprovantes dos lançamentos enquanto durar as controvérsias sobre questões por esses documentos comprováveis, tendo em vista a obrigação de guarda até que ocorra a prescrição dos créditos tributários, nos termos do artigo 195, do CTN, prescrição que nem mesmo tem seu curso iniciado, antes do final do processo administrativo de exigência. Fl. 1387DF CARF MF Processo nº 10805.720071/201513 Resolução nº 3401001.134 S3C4T1 Fl. 1.388 8 Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Com essas considerações, voto por converter o julgamento em diligência, para fins de apuração do crédito tido como extemporâneo, de março de 2005 a março de 2007, e verificação de sua eventual utilização em outros períodos, a partir dos meses de suas competências originais e posteriores, até suas efetivas utilizações, comprovandose que não esteja havendo aproveitamento em duplicidade. Concluído os trabalhos da diligência, deverá ser elaborado Relatório conclusivo, do qual o sujeito passivo deverá ser cientificado, sendo concedido prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do parágrafo único, do art. 35, do Decreto nº 7.574/11. Após os autos deverão retornar ao CARF para julgamento. Fenelon Moscoso de Almeida Relator Fl. 1388DF CARF MF
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