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Numero do processo: 19515.003709/2008-51
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. PREQUESTIONAMENTO. FALTA DE OBJETO
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o prequestionamento da matéria objeto de recurso ou quando o resultado do recorrido implica falta de objeto ao processo.
Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido.
Numero da decisão: 9202-005.234
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. Votou pelas conclusões a conselheira Ana Paula Fernandes.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. PREQUESTIONAMENTO. FALTA DE OBJETO Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o prequestionamento da matéria objeto de recurso ou quando o resultado do recorrido implica falta de objeto ao processo. Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido.
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ME Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. PREQUESTIONAMENTO. FALTA DE OBJETO Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o prequestionamento da matéria objeto de recurso ou quando o resultado do recorrido implica falta de objeto ao processo. Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. Votou pelas conclusões a conselheira Ana Paula Fernandes. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 37 09 /2 00 8- 51 Fl. 293DF CARF MF 2 Relatório Do lançamento ao acórdão recorrido Trata o presente processo de auto de infração AI, DEBCAD nº 37.026.575 0, à efl. 21, cientificado à contribuinte em 30/07/2008. O AI é relativo a contribuições previdenciárias destinadas ao custeio da Seguridade Social, a cargo dos segurados empregados, incidentes sobre os seus respectivos salários. Estão lançados no presente processo os tributos e seus acessórios incidentes sobre os pagamentos realizados a título de valetransporte sem observação da legislação, conforme descrito no relatório fiscal, às efls. 42 a 47. O montante do crédito tributário exigido de R$ 7.893,55, está composto pelo valor do principal, de R$ 4.603,65, multa de R$ 690,55 e juros moratórios de R$ 2.599,35, calculados até 29/07/2008. A empresa impugnou o AI, em 29/08/2008, às efls. 163 a 168. A impugnação foi apreciada na 11ª Turma da DRJ/SPOI que, em 19/02/2009, no acórdão nº 16 20.485, às efls. 207 a 219, julgou o lançamento impugnado procedente, por unanimidade, mantendo integralmente o crédito tributário exigido. Intimada do resultado em 27/03/2009 (efl. 198), a contribuinte apresentou recurso voluntário em 27/04/2009, às efls. 200 a 204. Naquele recurso, argumenta, em resumo: · excesso de exação na execução fiscal, representada por correção monetária não mais exigível; · existência de bis in idem pela aplicação de multa de mora, juros moratórios e correção monetária no lançamento. Apreciando o recurso, a 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento veio a prolatar, em 12/03/2012, o acórdão nº 230201.659, às efls. 01 a 16, que, apesar de ter excluído as parcelas relativas ao Vale Transporte, deu provimento apenas parcial ao Recurso Voluntário, conforme ementa e dispositivo abaixo reproduzidos: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. VALETRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA 60 DA AGU. Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia, a teor da Súmula nº 60 da Advocacia Geral da União, de 08/12/2011, em atenção às disposições insculpidas na alínea ‘b’ do inciso II do §6º do art. 26A do Decreto nº 70.235/72, inserido pela Lei nº 11.941/2009. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. JUROS MORATORIOS. MULTA DE MORA. BIS IN IDEM. INEXISTÊNCIA. Inexiste bis in idem na imputação simultânea de juros de mora e multa moratória incidentes sobre o valor da obrigação tributária principal quando não recolhida tempestivamente aos cofres públicos, eis que os acessórios pecuniários em tela ostentam natureza jurídica e fundamentação legal totalmente diversas e distintas. Fl. 294DF CARF MF Processo nº 19515.003709/200851 Acórdão n.º 9202005.234 CSRFT2 Fl. 597 3 JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. O crédito decorrente de contribuições previdenciárias não integralmente pagas na data de vencimento será acrescido de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC a que se refere o artigo 13 da Lei 9.065/95, incidentes sobre o valor atualizado, nos termos do art. 161 do CTN c.c. art. 34 da Lei nº 8.212/91, e de multa moratória na gradação detalhada pelo art. 35 da Lei nº 8.212/91, todos de caráter irrelevável, seja qual for o motivo determinante da falta. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. MULTA DE MORA. JUROS MORATÓRIOS. INCONSTITUCIONALIDADE. INOCORRÊNCIA. Foge à competência deste colegiado a análise da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas no art. 150 da CF/88. Recurso Voluntário Provido em Parte O acórdão teve a seguinte redação: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e concederlhe provimento parcial, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Devem ser excluídas as parcelas relativas ao auxíliotransporte. RE da contribuinte A contribuinte foi intimada (Intimação 049/2012 da DERAT/DICAT/DERAT/SP à efl. 222) para ciência do acórdão nº 230201.659 em 25/02/2013 (efl. 221), sem contudo ser intimada a apresentar recurso voluntário. No dia seguinte, ela apresentou petição, que nomeou de "recurso voluntário", encaminhado à 2ºª Turma Ordinária da 3ª Câmara, às efls. 224 a 229, pleiteando a nulidade do referido acórdão, por entender que este não fora motivado. A DERAT/SPO/DICAT/EQCOB, encaminhou tal petição ao GEFAP/SECOJ/SECEX/CARF, em 12/04/2013. No processo nº 19515.003706/200817, consta, à efl. 187 daqueles autos, despacho da Secretaria da 3ª Câmara de Segunda Seção de Julgamento, encaminhando para refazimento da intimação, inclusive no tocante ao presente processo, pois na anterior faltava referência específica à interposição de RE. À efl. 240, consta nova intimação, da DERAT/SPO/DICAT/EQCOB, de nº 1504/2013, para que a contribuinte tomasse ciência do acórdão do recurso voluntário, sem data e sem comprovante de entrega. Em 05/07/2013, há novo despacho da DERAT/SPO/DICAT/EQCOB, juntado à efl. 287, pelo qual se informa que foi dada ciência ao contribuinte dessa nova informação, em 12/06/2013, e ela teria interposto recurso especial de divergência em 25/06/2013, tempestivamente, agora juntado à efls. 241 a 249. Fl. 295DF CARF MF 4 No RE, protocolado em 27/06/2013, foi arguida divergência quanto à aplicação da multa de mora mantida no recorrido com fulcro no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação anterior à dada pela Lei nº 11.941/2009. Tendo em vista o art. 106 do CTN, que determina a aplicação da retroatividade benigna, se imporia o cálculo pelo critério disposto no mesmo artigo alterado pela lei de 2009. Apresentou como paradigma o acórdão nº 2301002.796 da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento, que, para caso idêntico, entendeu que deveriam ser comparadas as penalidades do art. 35, anterior e posterior à Lei nº 11.941/2009, e aplicada a mais benéfica à contribuinte. Em análise do recurso, o Presidente da 3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento emitiu despacho nº 2300016/2014, de fls. 233 a 235, em 22/01/2014, no qual deu seguimento ao RE, por cumprirem os requisitos formais para sua apresentação e por vislumbrar similitudes nas situações fáticas dos acórdãos recorrido e paradigma. É o relatório Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso é tempestivo. A insurgência da recorrente, nos termos da divergência que vem a este colegiado, restringese à multa lançada que, em valor originário, alcançou a quantia de R$ 690,55. Contudo, entendo que o conhecimento do recurso demanda uma análise aprofundada, por dois motivos importantes: (a) falta de prequestionamento da matéria e (b) perda do objeto, implicando falta de interesse recursal. Falta de Prequestionamento da matéria A discussão sobre a alteração da legislação que deu azo à multa aplicada em face da alteração trazida pela Lei nº 11.941/2009 não esteve presente em nenhuma fase do processo anteriormente ao RE da contribuinte. Ou seja, a divergência apreciada não se deu entre o que foi abordado no paradigma e no acórdão recorrido, simplesmente porque tal discussão neste inexistiu, a matéria não foi nele abordada. Tanto o recurso voluntário quando o acórdão recorrido são posteriores à alteração legislativa, decorrente da Medida Provisária nº 449 de 03/12/2008 (origem da citada Lei), que teve efeitos já em 2009 quando ambos foram elaborados. O recorrido tratou da multa e juros moratórios frente à alegação do recurso voluntário de que haveria bis in idem nessa exação. Tal bis in idem seria a aplicação de multa de mora concomitantemente à cobrança de juros moratório, argumento espancado pelo voto do recorrido em longo arrazoado. No tocante à legislação que embasou a multa, a única referência existente no voto é a do seguinte parágrafo, à efl. 12: Dessarte, se nos afigura correta a incidência tanto da multa no percentual indicado quanto de juros moratórios à taxa SELIC, haja vista terem sido aplicados em conformidade com o comando imperativo fixado nos artigos 34 e 35 da Lei nº Fl. 296DF CARF MF Processo nº 19515.003709/200851 Acórdão n.º 9202005.234 CSRFT2 Fl. 598 5 8.212/91 c.c. art. 161 caput e §1º do CTN, em afinada harmonia com o ordenamento jurídico. Assim, não há qualquer prequestionamento sobre a matéria a qual se refere o paradigma. Nesse sentido, entendo que o RE interposto não atende ao Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 256 de 22/06/2009, vigente à época de sua interposição, que no § 3º do art. 67 do Anexo II dispunha: § 3° O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais.(Grifei.) A mesma redação se encontra insculpida no § 5º do art. 67, no Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015, hoje vigente. Dessarte, com a devida vênia à análise realizada no Despacho nº 2300 016/2014 entendo que não deva ser dado seguimento ao RE, pois inexiste prequestionamento da matéria trazida no paradigma. Perda do Objeto do Recurso Falta de Interesse Recursal Ainda que se pretendesse trazer à baila a pretensa divergência, entendendose que haveria um pedido implícito de análise da multa, com base no argumento de bis in idem, acima referido, não restaria matéria a ser aqui discutida. Com efeito, a conclusão do acórdão recorrido foi pela exclusão do lançamento das contribuições previdenciárias incidentes sobre os valores equivalentes ao vale transporte, efl. 16 in fine. Ora este foi o único valor lançado no presente processo, conforme se depreende da análise do cálculo da exação constante do Anexo I Planilha A Demonstrativo da Apuração do Valor da Diferença do Segurado, às efls. 48 a 97. Além disso, cabe esclarecer que nos autos não foi lançada de multa isolada. Portanto, a multa de mora que se pretendia discutir, assim como os juros moratórios, foram calculados apenas sobre aquelas diferenças de contribuição social decorrentes dos valores pagos de valetransporte, conforme consta no Discriminativo Sintético de Débitos, às efls. 256 e 257. Dessa forma, o próprio resultado do acórdão recorrido implicaria em ausência de cobrança tanto da referida multa, quanto dos juros moratórios, tendo em vista que esses têm por base de cálculo os valores em atraso devidos; inexistindo valores em atraso relativos ao pagamento de valetransporte, inexistem multa e juros. Assim, o resultado do acórdão recorrido apesar de prover em parte o recurso voluntário, faria com que não existisse objeto de litígio para o recurso especial, ainda que se desejasse admitilo, pois inexistiria crédito em exação após aquela decisão. Fl. 297DF CARF MF 6 Conclusão Diante do exposto, voto por não conhecer do recurso especial da contribuinte, seja pela falta de prequestionamento, seja pela perda de seu objeto, o que acarreta falta de interesse recursal. assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 298DF CARF MF
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Numero do processo: 17883.000274/2008-79
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-005.003
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 88 3. 00 02 74 /2 00 8- 79 Fl. 279DF CARF MF Processo nº 17883.000274/200879 Acórdão n.º 9202005.003 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10380.005876/200753. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.792, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.005876/200753, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.792): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 280DF CARF MF Processo nº 17883.000274/200879 Acórdão n.º 9202005.003 CSRFT2 Fl. 0 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 281DF CARF MF Processo nº 17883.000274/200879 Acórdão n.º 9202005.003 CSRFT2 Fl. 0 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 282DF CARF MF Processo nº 17883.000274/200879 Acórdão n.º 9202005.003 CSRFT2 Fl. 0 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 283DF CARF MF Processo nº 17883.000274/200879 Acórdão n.º 9202005.003 CSRFT2 Fl. 0 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 284DF CARF MF Processo nº 17883.000274/200879 Acórdão n.º 9202005.003 CSRFT2 Fl. 0 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 285DF CARF MF Processo nº 17883.000274/200879 Acórdão n.º 9202005.003 CSRFT2 Fl. 0 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 286DF CARF MF Processo nº 17883.000274/200879 Acórdão n.º 9202005.003 CSRFT2 Fl. 0 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 287DF CARF MF Processo nº 17883.000274/200879 Acórdão n.º 9202005.003 CSRFT2 Fl. 0 10 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 288DF CARF MF
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Numero do processo: 10715.004722/2009-87
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 28/08/2004
REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. MULTA DO ART. 107, IV, E DO DL 37/1966 (INs SRF 28/1994 E 510/2005). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE.
O sujeito passivo que praticar uma ação ou omissão que configura fato típico previsto em norma tributária estará sujeito às penalidades ali prescritas, independentemente de alterações posteriores no prazo de cumprimento das obrigações acessórias.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-003.919
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento parcial para manter a multa aos casos em que o sujeito passivo excedeu o prazo de sete dias para o registro dos dados de embarque.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento parcial para manter a multa aos casos em que o sujeito passivo excedeu o prazo de sete dias para o registro dos dados de embarque. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1775; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 336 1 335 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10715.004722/200987 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303003.919 – 3ª Turma Sessão de 7 de junho de 2016 Matéria Multa por atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado LUFTHANSA CARGO A G ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 28/08/2004 REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. MULTA DO ART. 107, IV, “E” DO DL 37/1966 (INs SRF 28/1994 E 510/2005). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. O sujeito passivo que praticar uma ação ou omissão que configura fato típico previsto em norma tributária estará sujeito às penalidades ali prescritas, independentemente de alterações posteriores no prazo de cumprimento das obrigações acessórias. Recurso Especial do Procurador Provido. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento parcial para manter a multa aos casos em que o sujeito passivo excedeu o prazo de sete dias para o registro dos dados de embarque. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 47 22 /2 00 9- 87 Fl. 336DF CARF MF Processo nº 10715.004722/200987 Acórdão n.º 9303003.919 CSRFT3 Fl. 337 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3801005.297, que deu provimento ao recurso voluntário. O colegiado a quo afastou a exigência da multa por atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada sob o fundamente de que a expressão “imediatamente após”, constante da redação original do art. 37 da IN SRF nº 28/1994, traduz subjetividade, e não se constitui em prazo certo e induvidoso para o cumprimento da obrigação de prestar informações à autoridade aduaneira. Cientificada do acórdão acima indicado a Fazenda Nacional apresentou recurso especial. Foi suscitada divergência quanto ao entendimento de que a exigência da penalidade em foco somente teria aplicação após 15/02/2005, quando entrou em vigor a IN SRF nº 510/2005, que, pela primeira vez, estabeleceu um prazo certo para o cumprimento da obrigação em foco. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e o contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.914, de 07/06/2016, proferido no julgamento do processo 10715.002502/200919, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303003.914): "Quanto à expressão constante da IN SRF 28, de 1994 (imediatamente após), filiome à interpretação dada pelo acórdão paradigma. Esta matéria já foi, por diversas vezes, objeto de apreciação no CARF. O conselheiro José Luís Novo Rossari já enfrentou essa questão. Porém, ouso discordar do ilustre conselheiro. Eis o entendimento do ilustre conselheiro, que constou de vários acórdãos de sua lavra. 'A lide respeita à exigência feita pelo Fisco da multa prevista no art. 107, IV, “e”, do Decretolei no 37/1966, na redação que lhe deu o art. 77 da Lei no 10.833/2003, em razão de a recorrente ter registrado no Siscomex após o prazo de 2 (dois) dias fixado no art. 37 da IN SRF no 28/1994, com a redação dada pelo art. 1o da IN Fl. 337DF CARF MF Processo nº 10715.004722/200987 Acórdão n.º 9303003.919 CSRFT3 Fl. 338 3 SRF no 510/2005, os dados de embarque de mercadorias em despachos de exportação. Para melhor compreensão a respeito da matéria, cumpre sejam transcritas as normas legais e administrativas pertinentes aos fatos. A Instrução Normativa SRF no 28, de 27/4/1994, estabeleceu em seus arts. 37, caput, e 44 que, verbis: “Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no SISCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos. (destaquei) Art. 44. O descumprimento, pelo transportador, do disposto nos arts. 37, 41 e § 3o do art. 42 desta Instrução Normativa constitui embaraço à atividade de fiscalização aduaneira, sujeitando o infrator ao pagamento da multa prevista no art. 107 do Decretolei no 37/66 com a redação do art. 5o do Decretolei no 751, de 10 de agosto de 1969, sem prejuízo de sanções de caráter administrativo cabíveis.” O art. 107 do Decretolei no 37/1966, na redação do art. 5o do Decretolei no 751/1969, citado na transcrição acima, assim dispunha originalmente, tendo sido alterado apenas no tocante à atualização do valor da multa (última atualização constante do art. 646, I, do Decreto no 4.543/2002 – Regulamento Aduaneiro), verbis: “Art. 107 Aplicamse, ainda, as seguintes multas: I de 103,56 (cento e três reais e cinquenta e seis centavos) a quem, por qualquer meio ou forma, desacatar agente do Fisco, embaraçar, dificultar ou impedir sua ação fiscalizadora; (...)” (destaquei) O caput do art. 37 antes transcrito foi alterado pelo art. 1o da IN SRF no 510, de 14/2/2005, que lhe deu a seguinte redação, verbis: "Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque.” (destaquei) No caso ora sob exame, o Fisco aplicou à empresa transportadora a multa específica prevista no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei no 37, de 1966, com a nova redação que lhe foi dada pelo art. 61 da Medida Provisória no 135, de 30/10/2003 (DOU de 31/10/2003), que veio a ser convertido no art. 77 da Lei no 10.833, de 29/12/2003, que estabeleceu, verbis: “Art. 77. Os arts. 1o, 17, 36, 37, 50, 104, 107 e 169 do DecretoLei no 37, de 18 de novembro de 1966, passam a vigorar com as seguintes alterações: "Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações Fl. 338DF CARF MF Processo nº 10715.004722/200987 Acórdão n.º 9303003.919 CSRFT3 Fl. 339 4 sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (...) "Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de nãoapresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal; (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e (...)”Feitas essas transcrições, impõese ressaltar que na vigência da IN SRF no 28/1994 a inobservância da obrigação estabelecida no seu art. 37 era entendida pela SRF como caracterizadora de embaraço à atividade de fiscalização aduaneira, conforme disposto em seu art. 44. No entanto, a partir da superveniência da Medida Provisória no 135/2003, convertida na Lei no 10.833/2003, foi estabelecida para o transportador a obrigação de “prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas”, como se verifica da redação retrotranscrita, emprestada ao art. 37 do Decretolei no 37/1966 pelo art. 77 da Lei no 10.833/2003. Destarte, com a entrada em vigor dessa nova norma legal, o descumprimento da obrigação de prestar à SRF, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, passou a ser cominada com a multa de R$ 5.000,00 prevista no inciso IV, “e”, do art. 107 do Decretolei no 37/1966, e não mais aquela prevista por embaraço, que veio a ser tipificada no inciso IV, “c”. Para a caracterização de ilícito sujeito à aplicação da referida multa, há que ser apurado o descumprimento da obrigação, o que implica, no caso, a inobservância de prazo fixado pela SRF para a apresentação dos dados relativos ao embarque. Verificase que, por ocasião dos fatos que geraram a aplicação das multas, vigia a redação original do art. 37 da IN SRF no 28/1994, que estabelecia que a obrigação devia ser satisfeita “imediatamente após realizado o embarque da mercadoria”. Ora, temse por evidente que, por não conter regramento certo e inequívoco que permita seu cumprimento sem a permanência de dúvidas, a imposição normativa constante desse ato administrativo é destituída de força cogente para a finalidade a que se propõe, de imposição de penalidade.' Fl. 339DF CARF MF Processo nº 10715.004722/200987 Acórdão n.º 9303003.919 CSRFT3 Fl. 340 5 A minha discordância se dá em relação à conclusão exposta no último parágrafo. Não há que se falar em falta de força normativa da IN 28/1994 para a imposição da multa, já que a norma fala em imediatamente após. Não é um prazo certo, porém não se autoriza a entrega da declaração dias após o embarque. A lei não contém palavras inúteis e se fosse a intenção de não se penalizar a conduta prescrita na norma, não haveria razão para a sua existência. Tampouco há que se falar em retroatividade benigna, já que não houve alteração da penalidade. O que ocorreu foi apenas uma mudança no prazo de entrega da declaração o que não altera em nada o fato típico e nem a penalidade. No meu entender, não há que se falar em ausência de penalidade pela falta de um prazo certo. O fato de a norma dizer "imediatamente após" não tem o condão de excluir a multa. Se assim fosse não era para a norma dizer nada. Existe um comando legal e uma penalidade. O descumprimento desse comando obrigação acessória enseja a aplicação da penalidade prevista na norma. Portanto, devese reformar o acórdão recorrido e restabelecer a exigência da penalidade aplicada pela autoridade fiscal. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, para restabelecer a exigência da penalidade." Aplicandose a decisão do processo paradigma acima transcrita ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dáse provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, para restabelecer a exigência da penalidade. Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 340DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.900755/2009-89
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2005
PREÇO PREDETERMINADO. REAJUSTE CONTRATUAL.
Constatado que a evolução acumulada do preço da energia elétrica se deu em proporção inferior à variação ponderada de seus insumos, não é descaracterizado o preço predeterminado, com a incidência cumulativa das contribuições de PIS e COFINS.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-004.437
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que não conheceram do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Andrada Marcio Canuto Natal, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello. Solicitou apresentar declaração de voto a Conselheira Vanessa Marini Cecconello.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2005 PREÇO PREDETERMINADO. REAJUSTE CONTRATUAL. Constatado que a evolução acumulada do preço da energia elétrica se deu em proporção inferior à variação ponderada de seus insumos, não é descaracterizado o preço predeterminado, com a incidência cumulativa das contribuições de PIS e COFINS. Recurso Especial do Procurador Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que não conheceram do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Andrada Marcio Canuto Natal, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello. Solicitou apresentar declaração de voto a Conselheira Vanessa Marini Cecconello. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
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PREÇO PREDETERMINADO. CORREÇÃO PELO IGPM. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CGTF CENTRAL GERADORA TERMELETRICA FORTALEZA S.A. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005 PREÇO PREDETERMINADO. REAJUSTE CONTRATUAL. Constatado que a evolução acumulada do preço da energia elétrica se deu em proporção inferior à variação ponderada de seus insumos, não é descaracterizado o preço predeterminado, com a incidência cumulativa das contribuições de PIS e COFINS. Recurso Especial do Procurador Negado. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que não conheceram do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Andrada Marcio Canuto Natal, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello. Solicitou apresentar declaração de voto a Conselheira Vanessa Marini Cecconello. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 07 55 /2 00 9- 89 Fl. 602DF CARF MF Processo nº 10380.900755/200989 Acórdão n.º 9303004.437 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência, tempestivo, de acordo com o disposto no art. 7º, §§ 3º e 5º, da Portaria MF n.º 527, de 2010, interposto pela Fazenda Nacional ao amparo do art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF n.º 256, de 22 de junho de 2009, em face do Acórdão n.º 3101001.715, que possui a seguinte ementa, transcrita na parte de interesse: PREÇO PREDETERMINADO. REAJUSTE CONTRATUAL. Constatado que a evolução acumulada do preço da energia elétrica se deu em proporção inferior à variação ponderada de seus insumos, não é descaracterizado o preço predeterminado, com a incidência cumulativa das contribuições de PIS e COFINS. Recurso Voluntário Provido em Parte A divergência foi suscitada pela Fazenda Nacional em razão do entendimento de que a previsão de cláusula de reajuste com base no IGPM não desnaturaria o requisito de “preço predeterminado” estatuído no art. 10, XI, “b” da Lei n.º 10.833/2003, condição necessária para manutenção da contribuinte no regime cumulativo do PIS/COFINS. Para comprovar o dissenso foram colacionados, como paradigmas, os Acórdãos nºs 210200.001 e 20219.497. O Contribuinte apresentou contrarrazões postulando, preliminarmente, o não conhecimento do Recurso Especial e, caso seja conhecido, seu nãoprovimento, mantendo a decisão recorrida nos termos em que proferida. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.432, de 07/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.900758/200912, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303004.432): Da Admissibilidade "Entendemos que o recurso especial deve ser conhecido. Fl. 603DF CARF MF Processo nº 10380.900755/200989 Acórdão n.º 9303004.437 CSRFT3 Fl. 4 3 É que, como restou comprovado no exame de sua admissibilidade, enquanto, no acórdão recorrido, entendeuse que o índice aplicado no contrato celebrado pela contribuinte – o mesmo de que se tratou no primeiro acórdão paradigma – não o desqualificava como predeterminado, neste último chegouse a uma conclusão diversa, ou seja, a de que a aplicação do mesmo índice desnaturou tal condição. Assim sendo, e sem necessidade de maiores digressões, entendemos que o recurso especial interposto pela Procuradoria deve ser conhecido." Do Mérito "A questão posta nos autos cingese a esclarecer se a receita advinda do contrato firmado, por ser anterior a 31 de outubro de 2003, estaria alcançado pelo comando dos artigos 10 e 15 da Lei nº n.º 10.833/03, em razão da Instrução Normativa n.º 468/04, aplicandose, portanto, a sistemática da nãocumulatividade. Por unanimidade de votos, a decisão recorrida reconheceu o direito do Contribuinte de compensar com débitos próprios os créditos de que é titular, decorrentes de pagamentos efetuados a maior realizados a título de COFINS nãocumulativa, sobre as receitas de vendas de energia elétrica, quando esse tributo deveria ter sido calculado no regime cumulativo, de acordo com a a alínea "b" do inciso XI do artigo 10 e no artigo 15 da Lei n.° 10.833/03, do § 3 do artigo 3 da IN SRF n.° 658/06 e do item 3.1 da IN SRF n.° 21/79, por resultarem de contrato firmado antes de 31.10.2003 a preço predeterminado, com prazo de vigência superior a 1 (um) ano (CONTRATO), celebrado com a Companhia Energética do Ceará ("COELCE"). Para melhor elucidar a questão, transcrevo a seguir os dispositivos que serão tratados na presente decisão, iniciando com a art. 10, inciso XI, alínea “b”, da Lei n.º10.833/03, in verbis: "Lei 10.833/03 (...) Art. 10. Permanecem sujeitas às Normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: (...) XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: (...) b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços;" Fl. 604DF CARF MF Processo nº 10380.900755/200989 Acórdão n.º 9303004.437 CSRFT3 Fl. 5 4 E artigos 1º e 2º da IN SRF n.º 468/04, trazem a seguinte redação: "Art. 1º Permanecem tributadas no regime da cumulatividade, ainda que a pessoa jurídica esteja sujeita à incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, as receitas por ela auferidas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: (...) II com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços “Art. 2º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Se estipulada no contrato cláusula de aplicação de reajuste, periódico ou não, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços verificada após a data mencionada no art. 1º. (...)." Verificase que a Instrução Normativa da Receita Federal determina a alteração do regime tributário com a existência de cláusula de reajuste, ou seja, altera a situação da pessoa jurídica do regime tributário da cumulatividade para o não cumulativo. Acredito, que referida instrução normativa ultrapassou o poder regulamentar. Isto porque, ao definir a cláusula de reajuste como marco temporal para modificação do caráter predeterminado do preço, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). Cumpre asseverar que o entendimento jurisprudencial só admite alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação ao princípio da legalidade tributária, senão vejamos: "PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. FUSEX. NATUREZA TRIBUTÁRIA. FIXAÇÃO DA ALÍQUOTA POR PORTARIA. IMPOSSIBILIDADE. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. 1. É entendimento sedimentado o de não haver omissão no acórdão que, com fundamentação suficiente, ainda que não exatamente a invocada pelas partes, decide de modo integral a controvérsia posta. 2. 'Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não Fl. 605DF CARF MF Processo nº 10380.900755/200989 Acórdão n.º 9303004.437 CSRFT3 Fl. 6 5 foi apreciada pelo tribunal a quo' (Súmula 211/STJ). 3. 'O Fundo de Saúde do Ministério do Exército (FUSEX) é custeado pelos próprios militares que gozam, juntamente com seus dependentes, de assistência médicohospitalar. A contribuição de custeio, tendo em vista seu caráter compulsório, tem natureza jurídica tributária, sujeitandose ao princípio da legalidade. Precedente: REsp 789260/PR, Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, DJ 19.06.2006' (REsp 761.421/PR, 1ª Turma, Min. Luiz Fux, DJ de 01.03.2007). 4. '(...) por se tratar de lançamento de ofício, o prazo prescricional a ser aplicado às ações de repetição de indébito de contribuições ao FUSEX é o qüinqüenal, nos termos do art. 168, I, do CTN' (REsp 1.068.895/RS, 1ª Turma, Min. Francisco Falcão, DJe de 20/10/2008) 5. Recurso especial parcialmente provido. (REsp 857.464/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 17.2.2009, DJe 2.3.2009.) Diante, disto, o STJ e o TRF tem posicionado no sentido de declarar a ilegalidade do art. 2º, §2º, da Instrução Normativa SRF n.º 468/04 (redação repetida pelo art. 3º, §2º, da Instrução Normativa SRF n.º 658/06). "TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. REGRA DE TRANSIÇÃO. ART. 10, XI, "B", DA LEI N. 10.833/03. REGULAMENTAÇÃO. SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. ART. 92 DA LEI N. 10.833/03. CONCEITO DE "PREÇO PREDETERMINADO". ART. 2º, § 2º, DA IN/SRF N. 468/2004 E ART. 3º, §2º, DA IN/SRF N. 658/2006. ILEGALIDADE. RECURSO ESPECIAL NÃO PROVIDO (ART. 932, IV, CPC/2015 C/C ART. 255, § 4º, II, RISTJ). Processo REsp 1476922 Relator(a) Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES Data da Publicação DJe 29/06/2016." "TRIBUTÁRIO. COFINS. REGIME DE CONTRIBUIÇÃO. LEI N. 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA N. 468/2004. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. Cuidase de recurso especial interposto pelo contribuinte, questionando o poder regulamentar da Secretaria da Receita Federal, na edição da Instrução Normativa n. 468/04, que regulamentou o art. 10 da Lei n. 10.833/03. 2. O art. 10, inciso XI, da Lei n. 10.833/03 determina que os contratos de prestação de serviço firmados a preço determinado antes de 31.10.2003, e com prazo superior a 1 (um) ano, permanecem sujeitos ao regime tributário da cumulatividade para a incidência da COFINS. (Grifo meu.) 3. A Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa n. 468/04, ao definir o que é "preço predeterminado", estabeleceu que "o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços " e, assim, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). 4. Somente é possível a alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação do princípio da legalidade tributária. 5. No mesmo sentido do voto que eu proferi, o Ministério Público Federal entendeu que houve ilegalidade na regulamentação da lei pela Secretaria da Receita Federal, pois "a Fl. 606DF CARF MF Processo nº 10380.900755/200989 Acórdão n.º 9303004.437 CSRFT3 Fl. 7 6 simples aplicação da cláusula de reajuste prevista em contrato firmado anteriormente a 31.10.2003 não configura, por si só, causa de indeterminação de preço, uma vez que não muda a natureza do valor inicialmente fixado, mas tão somente repõe, com fim na preservação do equilíbrio econômicofinanceiro entre as partes, a desvalorização da moeda frente à inflação ." (Fls. 335, grifo meu.) Mantenho o voto apresentado, no sentido de dar provimento ao recurso especial (REsp. n. 1.089.998 RJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 18.10.2011). " "TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO DO ART. 557 DO CPC. INEXISTÊNCIA. ALEGAÇÃO GENÉRICA. SÚMULA 284/STF. COFINS. REGIME DE CONTRIBUIÇÃO. LEI N. 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA 468/2004. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. A eventual nulidade da decisão monocrática calcada no art. 557 do CPC fica superada com a reapreciação do recurso pelo órgão colegiado, na via de agravo regimental, como bem analisado no REsp 824.406/RS de Relatoria do Min. Teori Albino Zavascki, em 18.5.2006. 2. A Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa 468/04, ao definir o que é "preço predeterminado", estabeleceu que "o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços" e, assim, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). 3. Somente é possível a alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação do princípio da legalidade tributária. Precedentes: REsp 1.089.998RJ, DJe 30/11/2011; REsp 1.109.034PR, DJe 6/5/2009; e REsp 872.169RS, DJe 13/5/2009. Agravo regimental improvido (AgRg no REsp. n. 1.310.284 PR, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 06.09.2012)." "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ART. 535, II, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. INTIMAÇÃO PESSOAL DA FAZENDA. FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL. MANDADO DE SEGURANÇA. NATUREZA PREVENTIVA. SÚMULA 7/STJ. ART. 10, XI, "B' DA LEI 10.833/03. CONCEITO DE PREÇO PREDETERMINADO. IN SRF 468/04. ILEGALIDADE. PRECEDENTE. ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. MULTA. AFASTAMENTO. SÚMULA 98/STJ. 1. O provimento do recurso especial por contrariedade ao art. 535, II, do CPC pressupõe seja demonstrado, fundamentadamente, entre outros, os seguintes motivos: (a) a questão supostamente omitida foi tratada na apelação, no agravo ou nas contrarrazões a estes recursos, ou, ainda, que se cuida de matéria de ordem pública a ser examinada de ofício, a qualquer tempo, pelas instâncias ordinárias; (b) houve interposição de aclaratórios para indicar à Corte local a necessidade de sanear a omissão; (c) a tese omitida é fundamental à conclusão do julgado e, se examinada, poderia levar à sua anulação ou reforma; e (d) não há outro fundamento autônomo, suficiente para Fl. 607DF CARF MF Processo nº 10380.900755/200989 Acórdão n.º 9303004.437 CSRFT3 Fl. 8 7 manter o acórdão. Esses requisitos são cumulativos e devem ser abordados de maneira fundamentada na petição recursal, sob pena de não se conhecer da alegativa por deficiência de fundamentação, dada a generalidade dos argumentos apresentados. Incidência da Súmula 284/STF. 2. Não cabe recurso especial quanto à controvérsia em torno da intimação pessoal da Fazenda, sob pena de usurparse competência reservada ao Supremo, nos termos do art. 102 da CF/88, já que o aresto recorrido decidiu com base em fundamentos essencialmente constitucionais. 3. Inadmissível recurso especial que demanda dilação probatória incompatível, nos termos da Súmula 7/STJ. No caso, a Corte de origem afirmou, expressamente, tratarse de impetração preventiva, o que afasta o prazo decadencial de 120 dias para a impetração, premissa que não pode ser revista neste âmbito recursal. 4. O preço predeterminado em contrato, previsto no art. 10, XI, "b", da Lei 10.833/03, não perde sua natureza simplesmente por conter cláusula de reajuste decorrente da correção monetária. Ilegalidade da IN n.º 468/04. Precedente. 5. A multa fixada com base no art. 538, parágrafo único, do CPC, deve ser afastada quando notório o propósito de prequestionamento dos embargos de declaração. Incidência da Súmula 98/STJ. 6. Recurso especial conhecido em parte e provido também em parte. Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, conhecer em parte do recurso e, nessa parte, darlhe parcial provimento nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Humberto Martins, Herman Benjamin, Mauro Campbell Marques e Cesar Asfor Rocha votaram com o Sr. Ministro Relator.” Egrégio Superior Tribunal de Justiça no julgamento do REsp 1169088 MT 2009/02357184" Com efeito, inferese da leitura da legislação federal que não houve nenhuma previsão de alteração do regime de contribuição por aplicação de cláusula de reajuste nos contratos firmados, não podendo instrumento normativo hierarquicamente inferior determinar a alteração do regime tributário, em observância da princípio da legalidade. Ademais, as Instruções Normativas constituem espécies jurídicas de caráter secundário, cuja validade e eficácia resultam, imediatamente, de sua estrita observância dos limites impostos pelas leis. De conseqüência, à luz dos art. 97 e 99 do Código Tributário Nacional, Instruções Normativas não podem modificar Lei, inovar a ordem jurídica, mas apenas conferir executoriedade às leis, nos estritos limites estabelecidos por elas. Fl. 608DF CARF MF Processo nº 10380.900755/200989 Acórdão n.º 9303004.437 CSRFT3 Fl. 9 8 Não obstante à essa constatação, temse que, posteriormente à IN SRF n.º 468/04, especificamente em 22.11.05, foi publicada a Lei n.º 11.196/05 que trouxe o seguinte dispositivo (Grifos meus): “Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1o de novembro de 2003.” Pela leitura desse dispositivo, confirmase que não havia nenhuma previsão legal, até o advento da Lei n.º 11.196/05, de alteração do regime de contribuição por aplicação de cláusula de reajuste nos contratos firmados. Vale ainda esclarecer que a introdução de cláusula de reajuste é admitida para assegurar às partes a manutenção do equilíbrio econômico e financeiro da avença. Deve haver uma permanente equivalência entre os encargos suportados pelo particular e a remuneração a ele paga pela Administração. E o artigo 40 da Lei n.º 8.666 de 21 de junho de 1993, que rege as licitações, estabelece a observância obrigatória de determinadas regras, das quais a cláusula de reajuste de preço deve constar não apenas do instrumento contratual, mas também do próprio ato convocatório do processo de licitação. A mesma lei, dispõe que a aplicação de reajuste apenas representa o repasse da correção monetária durante a vigência do contrato, e não o estabelecimento de um novo contrato. O reajuste não provoca alteração contratual, motivo pelo qual é registrado mediante simples apostila. "Art. 40. O edital conterá no preâmbulo o número de ordem em série anual, o nome da repartição interessada e de seu setor, a modalidade, o regime de execução e o tipo da licitação, a menção de que será regida por esta Lei, o local, o dia e a hora para recebimento da documentação e proposta, bem como para início da abertura dos envelopes, e indicará, obrigatoriamente, o seguinte: (...) XI – critério de reajuste, que deverá retratar a variação efetiva do custo de produção, admitida a adoção de índices específicos ou setoriais, desde a data prevista para apresentação da proposta, ou do orçamento a que essa proposta se referir, até a data do adimplemento de cada parcela; (...) Art. 55. São cláusulas necessárias em todo contrato as que estabeleçam: (...) Fl. 609DF CARF MF Processo nº 10380.900755/200989 Acórdão n.º 9303004.437 CSRFT3 Fl. 10 9 III o preço e as condições de pagamento, os critérios, database e periodicidade do reajustamento de preços, os critérios da atualização monetária entre a data do adimplemento das obrigações e a do efetivo pagamento;" "Art. 65. Os contratos regidos por esta Lei poderão ser alterados, com as devidas justificativas, nos seguintes casos: (...) § 8.º A variação do valor contratual para fazer face ao reajuste de preços previsto no próprio contrato , as atualizações, compensações ou penalizações financeiras decorrentes das condições de pagamento nele previstas, bem como o empenho de dotações orçamentárias suplementares até o limite do seu valor corrigido, não caracterizam alteração do mesmo , podendo ser registrados por simples apostila, dispensando a celebração de aditamento." (grifouse.) Dessa forma, o reajuste, resultante da simples aplicação do índice de correção monetária não tem o poder de alterar o preço predeterminado. Tanto é assim, que não implica em obrigatoriedade de aditamento do contrato, bastando a previsão de cláusula de reajuste com a estipulação de um índice oficial para a atualização monetária do preço. Quanto à IN SRF n.º 658/06, publicada posteriormente à Lei n.º 11.196/05 e que revogou a IN SRF n.º 468/04, que trouxe os arts. 3º e 4º, in verbis: "Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Ressalvado o disposto no § 3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômico financeiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. Art. 4º Na hipótese de pactuada, a qualquer título, a prorrogação do contrato, as receitas auferidas depois de vencido o prazo contratual vigente em 31 de outubro de 2003 sujeitarseão à incidência não cumulativa das contribuições.” (Grifos meus) Fl. 610DF CARF MF Processo nº 10380.900755/200989 Acórdão n.º 9303004.437 CSRFT3 Fl. 11 10 É de se considerar, em vista do exposto, que a IN SRF n.º 658/06, especificamente sem eu art. 3º, § 3º, está em consonância com o art. 109 da Lei n.º 11.196/05 ao dispor que o reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei n.º 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. No caso concreto dos autos a recorrente celebrou, em 31 de agosto de 2001, contrato de compra e venda de energia elétrica com a Companhia Energética do Ceará COELCE, por um prazo de 20 anos, contados a partir da data inicial de fornecimento, que foi devidamente aprovado pela ANEEL através do Oficio n° 243/2002 SFF/ANEEL, de 09/04/2002. E através dos laudos apresentados foi comprovado que o Índice previsto para reajuste do preço predeterminado, constante do contrato de fornecimento de energia elétrica para a Companhia Energética do Ceará COELCE, não restou descaracterizado quando do primeiro reajuste, porquanto tal índice refletira os acréscimos dos custos de produção de energia elétrica, nos exatos termos condicionados pela legislação aplicável, tendo como consequência a tributação de suas receitas pelo PIS e COFINS no sistema cumulativo. E foi demonstrado que a fórmula de reajuste de preços não foi derivada de Índice refletor da variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, Quanto a variação do custo de produção, os peritos ao analisar o Laudo apresentado pela recorrido, apresentaram a seguinte resposta: 'Nesse contexto de forte definição por parte do Estado, os reajustes aplicados desde o inicio do suprimento CGTFCOELCE não ultrapassaram os custos de produção ou a variação ponderada dos insumos pelas seguintes razões: 1As Regras de Reajuste Contratual foram estabelecidas na legislação setorial; 2O contrato foi analisado e aprovado pela ANEEL; 3As regras de reajuste contratual definidas pela legislação setorial visam a variação ponderada dos custos de produção ou dos insumos, em consonância estrita com o princípio da legalidade, observado com todo o natural zelo pelo Regulador, em especial obedecendo o que dispõe o art. 27 da Lei n° 9.069/1995 no que diz respeito às condições necessárias para a utilização de índice diferente do IPC; e 4A variação de preço de venda não foi superior à dos insumos.' Fl. 611DF CARF MF Processo nº 10380.900755/200989 Acórdão n.º 9303004.437 CSRFT3 Fl. 12 11 E posteriormente a recorrida apresentou, o complemento do Laudo Técnico, no qual consta a composição final do preço com base nos nesses insumos e também foi apresentada a evolução ponderada dos insumos e produto. Diante de todos esses elementos ficou comprovado que em todos os anos do período apresentado, a evolução acumulada do preço da energia elétrica se deu em proporção inferior à variação ponderada de seus insumos, ficando demonstrado que a correção no preço da energia elétrica praticada no período em questão (2005) não foi superior ao que ocorreu com seus insumos. Dessa forma, o reajuste praticado não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado, sujeitandose a recorrente à alíquota cumulativa das contribuições, subsistindo indébito tributário passível de repetição e compensação. Ademais, a Recorrida apresentou Ofício nº 1431/2006 da ANEEL, onde foi confirmado que os índices por ela aprovados ou homologados, bem como nos contratos celebrados nos moldes dos examinados nesses processos 'visam exatamente refletir a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados'. Diante dos fatos apurados, nego provimento ao recurso especial da Fazenda, para manter a decisão recorrida." Deixase de transcrever a íntegra da declaração de voto apresentada pela Conselheira Vanessa Marini Cecconello por ter sido apresentada no Acórdão 9303004.432 (processo paradigma), e por não ser essencial à solução do presente litígio. Transcrevese, tão somente, o seguinte fragmento da declaração de voto, que resume o entendimento adotado por parte dos integrantes do Colegiado, que votaram pelas conclusões: "A previsão de cláusula de reajuste do contrato, baseada no IGPM ou outro índice ou fórmula de correção monetária, não descaracteriza a condição de preço predeterminado, prestandose à simples manutenção do valor da moeda no tempo. Portanto, a previsão de reajuste do preço do suprimento de energia elétrica da CGTF à COELCE busca evitar que o valor predeterminado pelas partes contratantes seja corroído pelos efeitos da inflação. Portanto, não havendo a descaracterização da condição de preço predeterminado por cláusula contratual prevendo o reajuste por índice de correção monetária, estáse diante de contrato que preenche integralmente os requisitos estabelecidos na exceção do inciso XI, do art. 10 da Lei nº 10.833/2003, sendo imperiosa a manutenção da tributação das receitas dele decorrentes pelo regime de tributação do PIS e da COFINS cumulativo, havendo o direito da Contribuinte à restituição dos valores indevidamente recolhidos a tal título pela sistemática da nãocumulatividade." Fl. 612DF CARF MF Processo nº 10380.900755/200989 Acórdão n.º 9303004.437 CSRFT3 Fl. 13 12 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional, mas, no mérito, negolhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 613DF CARF MF
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Numero do processo: 18108.002414/2007-15
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-005.011
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 10 8. 00 24 14 /2 00 7- 15 Fl. 181DF CARF MF Processo nº 18108.002414/200715 Acórdão n.º 9202005.011 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10380.005876/200753. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.792, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.005876/200753, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.792): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 182DF CARF MF Processo nº 18108.002414/200715 Acórdão n.º 9202005.011 CSRFT2 Fl. 0 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 183DF CARF MF Processo nº 18108.002414/200715 Acórdão n.º 9202005.011 CSRFT2 Fl. 0 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 184DF CARF MF Processo nº 18108.002414/200715 Acórdão n.º 9202005.011 CSRFT2 Fl. 0 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 185DF CARF MF Processo nº 18108.002414/200715 Acórdão n.º 9202005.011 CSRFT2 Fl. 0 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 186DF CARF MF Processo nº 18108.002414/200715 Acórdão n.º 9202005.011 CSRFT2 Fl. 0 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 18108.002414/200715 Acórdão n.º 9202005.011 CSRFT2 Fl. 0 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 188DF CARF MF Processo nº 18108.002414/200715 Acórdão n.º 9202005.011 CSRFT2 Fl. 0 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 189DF CARF MF Processo nº 18108.002414/200715 Acórdão n.º 9202005.011 CSRFT2 Fl. 0 10 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 190DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11543.002267/2003-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 1999, 2000
SIGILO BANCÁRIO. CONSTITUCIONALIDADE. ACESSO À INFORMAÇÃO DE INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. SÚMULA CARF Nº 2.
Nos termos da Súmula CARF nº 2, este Conselho não tem competência para se pronunciar sobre a constitucionalidade da Lei tributária. Ademais, uma vez que o STF já se pronunciou sobre a constitucionalidade da Lei Complementar nº 105, de 2001, não há que se discutir sobre a transferência do sigilo dedados bancários à RFB.
CPMF. UTILIZAÇÃO DOS DADOS. RETROATIVIDADE. SÚMULA CARF Nº 35.
O artigo 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 1999, 2000
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Os procedimentos fiscais foram executados com a observância das normas de regência, garantidos ao Contribuinte a ciência dos termos lavrados, o contraditório, e a ampla defesa, não se detectando vícios passíveis de nulidade.
DILIGÊNCIA. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA
A perícia pode ser requerida pelas partes quando essencial à solução da lide, entretanto, a sua prescindibilidade deve ser demonstrada pelo requerente evitando-se o procedimento quando as questões suscitadas podem ser ilididas por levantamentos e documentos e/ou outras providências de responsabilidade das partes. Compete à autoridade julgadora decidir sobre sua efetivação, podendo ser indeferidas as consideradas prescindíveis ou impraticáveis sem que se incorra em cerceamento do direito de defesa.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999, 2000
ORIGEM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Uma vez que o art. 42 da Lei nº 9.430/1996 inverte o ônus da prova, não é suficiente para o Contribuinte apresentar argumentos, sendo necessário também comprovar por meio de documentos hábeis e idôneos a origem dos recursos depositados.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTOS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo.
RELAÇÃO DOS DEPÓSITOS. TRANSFERÊNCIAS ENTRE CONTAS. COMPROVAÇÃO. AJUSTE DA BASE DE CÁLCULO.
Uma vez comprovado pelo Recorrente haver depósitos considerados no lançamento que são meras transferências de valores entre contas correntes cujo titular é o próprio autuado, faz-se necessária a exclusão desses valores na base de cálculo.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-004.628
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e rejeitar as preliminares. No mérito, por unanimidade, dar-lhe provimento parcial para excluir da base de cálculo os valores destacados nas colunas 2 e 5 da tabela II do voto.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Márcio de Lacerda Martins - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Márcio de Lacerda Martins, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MARCIO DE LACERDA MARTINS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 1999, 2000 SIGILO BANCÁRIO. CONSTITUCIONALIDADE. ACESSO À INFORMAÇÃO DE INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. SÚMULA CARF Nº 2. Nos termos da Súmula CARF nº 2, este Conselho não tem competência para se pronunciar sobre a constitucionalidade da Lei tributária. Ademais, uma vez que o STF já se pronunciou sobre a constitucionalidade da Lei Complementar nº 105, de 2001, não há que se discutir sobre a transferência do sigilo dedados bancários à RFB. CPMF. UTILIZAÇÃO DOS DADOS. RETROATIVIDADE. SÚMULA CARF Nº 35. O artigo 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 1999, 2000 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Os procedimentos fiscais foram executados com a observância das normas de regência, garantidos ao Contribuinte a ciência dos termos lavrados, o contraditório, e a ampla defesa, não se detectando vícios passíveis de nulidade. DILIGÊNCIA. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA A perícia pode ser requerida pelas partes quando essencial à solução da lide, entretanto, a sua prescindibilidade deve ser demonstrada pelo requerente evitando-se o procedimento quando as questões suscitadas podem ser ilididas por levantamentos e documentos e/ou outras providências de responsabilidade das partes. Compete à autoridade julgadora decidir sobre sua efetivação, podendo ser indeferidas as consideradas prescindíveis ou impraticáveis sem que se incorra em cerceamento do direito de defesa. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1999, 2000 ORIGEM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Uma vez que o art. 42 da Lei nº 9.430/1996 inverte o ônus da prova, não é suficiente para o Contribuinte apresentar argumentos, sendo necessário também comprovar por meio de documentos hábeis e idôneos a origem dos recursos depositados. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTOS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. RELAÇÃO DOS DEPÓSITOS. TRANSFERÊNCIAS ENTRE CONTAS. COMPROVAÇÃO. AJUSTE DA BASE DE CÁLCULO. Uma vez comprovado pelo Recorrente haver depósitos considerados no lançamento que são meras transferências de valores entre contas correntes cujo titular é o próprio autuado, faz-se necessária a exclusão desses valores na base de cálculo. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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CONSTITUCIONALIDADE. ACESSO À INFORMAÇÃO DE INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. SÚMULA CARF Nº 2. Nos termos da Súmula CARF nº 2, este Conselho não tem competência para se pronunciar sobre a constitucionalidade da Lei tributária. Ademais, uma vez que o STF já se pronunciou sobre a constitucionalidade da Lei Complementar nº 105, de 2001, não há que se discutir sobre a transferência do sigilo dedados bancários à RFB. CPMF. UTILIZAÇÃO DOS DADOS. RETROATIVIDADE. SÚMULA CARF Nº 35. O artigo 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 1999, 2000 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Os procedimentos fiscais foram executados com a observância das normas de regência, garantidos ao Contribuinte a ciência dos termos lavrados, o contraditório, e a ampla defesa, não se detectando vícios passíveis de nulidade. DILIGÊNCIA. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA A perícia pode ser requerida pelas partes quando essencial à solução da lide, entretanto, a sua prescindibilidade deve ser demonstrada pelo requerente evitandose o procedimento quando as questões suscitadas podem ser ilididas por levantamentos e documentos e/ou outras providências de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 22 67 /2 00 3- 71 Fl. 770DF CARF MF 2 responsabilidade das partes. Compete à autoridade julgadora decidir sobre sua efetivação, podendo ser indeferidas as consideradas prescindíveis ou impraticáveis sem que se incorra em cerceamento do direito de defesa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1999, 2000 ORIGEM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Uma vez que o art. 42 da Lei nº 9.430/1996 inverte o ônus da prova, não é suficiente para o Contribuinte apresentar argumentos, sendo necessário também comprovar por meio de documentos hábeis e idôneos a origem dos recursos depositados. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTOS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. RELAÇÃO DOS DEPÓSITOS. TRANSFERÊNCIAS ENTRE CONTAS. COMPROVAÇÃO. AJUSTE DA BASE DE CÁLCULO. Uma vez comprovado pelo Recorrente haver depósitos considerados no lançamento que são meras transferências de valores entre contas correntes cujo titular é o próprio autuado, fazse necessária a exclusão desses valores na base de cálculo. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 771DF CARF MF Processo nº 11543.002267/200371 Acórdão n.º 2401004.628 S2C4T1 Fl. 771 3 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e rejeitar as preliminares. No mérito, por unanimidade, darlhe provimento parcial para excluir da base de cálculo os valores destacados nas colunas 2 e 5 da tabela II do voto. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Márcio de Lacerda Martins Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Márcio de Lacerda Martins, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 772DF CARF MF 4 Relatório Da situação fiscal do Contribuinte antes da autuação: O Contribuinte apresentou Declarações de Ajuste Anual Simplificadas, efls. 10 a 11 e 15 a 16, informando: Declaração de Ajuste exercício 1999 Valores (em Reais) Rendimentos tributáveis 18.425,00 Rendimentos isentos e não tributáveis 1.942,00 Rendimentos de tributação exclusiva ou definitiva 0,00 Declaração de Ajuste exercício 2000 Valores (em Reais) Rendimentos tributáveis 22.994,28 Rendimentos isentos e não tributáveis 1.352,00 Rendimentos de tributação exclusiva ou definitiva 457,55 Segundo os dados coletados por meio de Dirf (Declaração de Informações sobre Retenção na Fonte), o Contribuinte supracitado auferiu rendimentos de aplicações financeiras nos valores de R$ 44.856,25 e R$ 71.878,27, nos anos calendários de 1998 e 1999; respectivamente, valores esses não informados nas suas declarações de ajuste anual do IRPF. Por outro lado, segundo dados coletados por meio da Dimof (Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira), o Contribuinte teve uma movimentação financeira da ordem de R$9.500.000,00, situação incompatível com os rendimentos declarados para o exercício de 1999, de R$ 20.367,00. Do Auto de Infração e Termo de encerramento: (efls. 404 a 435) Intimado a comprovar a origem dos valores envolvidos nessas operações, o Contribuinte não logrou comprovar a origem dos valores e não prestou os esclarecimentos solicitados. Restou demonstrada, então, a ocorrência de três hipóteses, previstas nos incisos IV, VII e XI do artigo 3º do Decreto nº 3.724, de 2001, justificadoras da indispensabilidade de acesso às informações bancárias do Contribuinte. Diante dessas ocorrências, a Autoridade Fiscal providenciou as Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) dirigidas aos bancos do Brasil e Unibanco. Fl. 773DF CARF MF Processo nº 11543.002267/200371 Acórdão n.º 2401004.628 S2C4T1 Fl. 772 5 A fiscalização, de posse dos extratos bancários do Contribuinte, relacionou os depósitos realizados nas contas correntes e intimou novamente o Contribuinte, agora para comprovar a origem dos depósitos relacionados por banco, conta corrente e data. O Contribuinte não comprovou a origem dos depósitos justificando haver a "impossibilidade de fornecer individualmente a origem dos valores utilizados em cada um dos depósitos, haja vista que cada um deles são originados de minha movimentação anterior. Ou seja não se trata de "dinheiro novo" e sim de simples movimentação de valores anteriormente existentes e já registrados em meu movimento financeiro." (efl. 403) A autoridade fiscal considerou não comprovada a origem dos valores depositados nas contas do Contribuinte, individualizados na Intimação de efls. 309 a 398, e lavrou o Auto de Infração e fls. 427 a 435, descrevendo as seguintes infrações: 1. Omissão de rendimentos caracterizados por valores creditados em contas de depósito, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprovou mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações. Enquadramento legal: art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, art. 4º da Lei 9.481, de 1997, art. 21 da Lei nº 9.532, de 1997 e art. 849 do RIR/99. 2. Multa de ofício qualificada em percentual de 150%, uma vez constatada prática de sonegação fiscal com evidente intuito de fraude. Enquadramento legal: art. 44, II, da Lei nº 9.430, de 1996, art. 71, I, da Lei nº 4.502, de 1964 e art. 1º, I, da Lei nº 8.137, de 1990; 3. Juros de mora em percentual equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Enquadramento legal: art. 61, § 3º da Lei nº 9.430, de 1996. Da Impugnação: efls. 439 a 463 O Contribuinte discordou do lançamento e apresentou suas razões e pedidos, transcritos a seguir, em apertada síntese: 1. alegou ilicitude na obtenção de dados bancários com a quebra do sigilo desses dados em autorização judicial, ocorrendo a nulidade do lançamento; 2. alegou contrariedade às disposições do art. 43 do CTN ao transformar depósitos bancários em fatos geradores do imposto sobre a renda, ocorrendo a nulidade dos procedimento fiscal e deste processo administrativo; 3. solicitou a realização de perícia técnica para identificar a verdadeira base de cálculo da tributação pretendida pelo Fisco para os exercícios 1999 e 2000; 4. pediu a revisão da multa de ofício de 75% para 30%, 5. solicitou o acatamento das declarações retificadoras entregues. Do Acórdão de Impugnação: efls. 495 a 515 A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) Rio de Janeiro decidiu dar provimento parcial ao recurso, por meio do Acórdão nº 4.590, de 13 de fevereiro de 2004, assim ementado: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Fl. 774DF CARF MF 6 Exercício: 1999, 2000 NULIDADE . Constatado que o procedimento fiscal foi realizado com estrita observância das normas de regência, fica afastada a hipótese de nulidade do lançamento. ACESSO À INFORMAÇÃO DE INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. SIGILO BANCÁRIO. A autoridade fiscal pode solicitar informações e documentos relativos a operações bancárias quando em procedimento de fiscalização. LEGISLAÇÃO QUE AMPLIA OS MEIOS DE FISCALIZAÇÃO. É íncabível falarse em irretroatividade da lei que amplia os meios de fiscalização, pois esse principio atinge somente os aspectos materiais do lançamento. CONSTITUCIONALIDADE. INSTÂNCIA. ADMINISTRATIVA. COMPETÊNCIA. À autoridade administrativa, de qualquer instância, é impedido o exame da constitucionalidade da legislação tributária, haja vista ser a matéria de análise reservada ao Judiciário. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTOS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Lançamento Procedente em Parte." A decisão foi assim resumida pelo i. Relator na parte final de seu voto: (efl. 515) "(conclusão) Em face do exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares argüidas pelo autuado, para manter o lançamento quanto ao Imposto de Renda Pessoa Física na importância de R$ 4.396.410,14, porém reduzindose a multa de oficio para o valor de R$ 3.297.307,61, resultante da aplicação do percentual de 75% sobre o imposto apurado, que deverá ser acrescido dos respectivos acréscimos legais, na forma da legislação aplicável." Do Recurso Voluntário: (efls. 524 a 546) Em preliminar requer seja encaminhado ao seu domicílio a cópia integral do Auto de Infração e seus anexos, corrigindo falha de encaminhamento anterior, com a consequente reabertura de prazo para interpor recurso voluntário. Nulidade do lançamento por estar fundamentado em dados bancários obtidos com ausência de justa causa e sem a necessária ordem judicial. A fiscalização desconsiderou as informações fornecidas pelo autuado em declarações retificadoras referentes aos exercícios examinados e somou os depósitos advindos de transferência de contas do próprio autuado, duplicando os valores. O lançamento foi realizado com base em depósitos bancários, entendimento que contraria jurisprudência do Carf que estabelece que depósito bancário, por si só, não é pressuposto suficiente para ocorrência do fato gerador do imposto sobre a renda, sendo necessário a existência de sinais exteriores de riqueza e de acréscimo patrimonial. Fl. 775DF CARF MF Processo nº 11543.002267/200371 Acórdão n.º 2401004.628 S2C4T1 Fl. 773 7 Requer a redução da multa aplicada para 30%, em patamar que não apresente efeitos confiscatórios e que seja dispensado de recolher o depósito recursal. Do Acórdão 10614.149: (efls. 548 a 553) O acórdão em referência foi assim ementado: "MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE Não comprovado que o contribuinte praticou as ações definidas nos artigos 70, 71 e 72 da Lei n° 5.502/64 e art. 10 da Lei n° 4.729/65, reduzse o percentual da multa aplicada de 150% para 75%. Recurso de oficio negado." Do voto condutor do acórdão transcrevo a seguir a decisão final, ratificada por unanimidade pelos membros da Sexta Câmara do primeiro Conselho de Contribuinte: "Com relação ao recurso voluntário, preliminarmente, requer o recorrente: a) que lhe seja dada nova ciência do Acórdão DRJ n° 4.590 de 13 de fevereiro de 2004, tendo em vista que a cópia que lhe foi enviada estava incompleta (faltando às folhas 11 e 12); b) dispensa do recolhimento do depósito recursal em razão de sua impossibilidade de arcar com o valor de 30% do crédito mantido. [...] Dessa forma, o processo deve retornar a Delegacia da Receita Federal em Vitória ES para as seguintes providências: 1)dar ciência ao recorrente do inteiro teor do Acórdão DRJ n° 4.590 de 13 de fevereiro de 2004, e reabrir o prazo para apresentação, caso queira, de novo recurso; 2) intimar o recorrente a apresentar bens e direitos para o fim de arrolamento, exigido pelo item 4 da intimação de fls. 514." Recurso Voluntário questão de ordem pública: (efls. 585 a 589) Requer o cancelamento da inscrição em dívida ativa e posterior encaminhamento do processo à Unidade preparadora para providenciar o estabelecido pelo acórdão 10614.149. Do Acórdão 2201002.497: (efls. 600 a 607) O acórdão 2201002.497 foi assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1999, 2000 NULIDADE. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. FALHA NA INTIMAÇÃO DO CONTRIBUINTE. Fl. 776DF CARF MF 8 Em restando comprovado que ocorreu falha na intimação do contribuinte, os atos praticados no âmbito do processo administrativo fiscal após tal falha são nulos." Transcrevo a seguir o trecho final do voto condutor do acórdão com o resumo das decisões: (efl. 607) "Diante do exposto, com base nas peças deste processo, verificase que houve nulidade no processo administrativo em face da ausência de recebimento integral do Acórdão da DRJ pelo Contribuinte. Desta forma, o processo administrativo fiscal resta nulo a partir do ato falho. O arrolamento de bens não é mais cabível, encontrandose essa discussão superada. Conclusão Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário para acolher a preliminar de nulidade do procedimento, a partir da Intimação nº 490/2004 (fls. 514), inclusive, determinandose o retorno dos autos à Autoridade Preparadora, para atender a primeira providência requerida no Acórdão nº 10614.149 de 12/08/2004 proferido pelo Primeiro Conselho de Contribuintes, no intuito de intimar o Contribuinte do inteiro teor do Acórdão DRJ nº 4.590 de 13/02/2004 e, com isso reabrir o prazo legal para apresentação de Recurso Voluntário ou ratificação do Recurso Voluntário já apresentado pelo Contribuinte." Do Recurso Voluntário e Anexos: (efls. 626 a 765) Cientificado do acórdão nº 4.590 em 26/11/2014, AR efl. 624, o Contribuinte interpôs, em 23/12/2014, o Recurso Voluntário e anexos, efls. 626 a 765, requerendo: (grifos do Recorrente) "V. DOS REQUERIMENTOS 71. Por tudo quanto se expôs e se verificou, e confiante na observância dos princípios da lealdade e da efetividade do processo administrativo, requer e espera o Recorrente seja recebido e provido o presente recurso voluntário para que: a) seja acolhida a questão de ordem pública levantada, declarandose a nulidade absoluta dos procedimentos administrativos de lançamento do débito, haja vista que constituído com base em informação obtida por meio de inconstitucional quebra de sigilo bancário e. portanto, com ofensa ao disposto no inciso XII do artigo 5o da Constituição Federal; b) afastada a preliminar, seja decretada a insubsistência da autuação haja vista a inviabilidade de se promover lançamento de IRPF baseado em presunção de receitas tributáveis por conta de depósitos de origem não comprovada; c) caso assim não entenda esta Corte Recursal. sejam, de plano, excluídos da base de cálculo do imposto lançado os valores de R$ 712.621.29 (setecentos e doze mil seiscentos e vinte e um reais e vinte e nove centavos) no ano de 1998 e de R$ 1.012.200.00 (um milhão doze mil e duzentos reais) no exercício de 1999. relativos as transferências entre contas de titularidade do recorrente; Fl. 777DF CARF MF Processo nº 11543.002267/200371 Acórdão n.º 2401004.628 S2C4T1 Fl. 774 9 d) sejam ainda excluídos do lançamento os valores referentes as devoluções de cheques apontadas nos extratos de fls. 307/395; e) após escoimados os valores excessivos, seja determinada a revisão da apuração do imposto lançado, utilizando como base de cálculo apenas a diferença entre o valor de aquisição e o valor de face do título ou direito adquirido e não a integralidade dos depósitos realizados em suas contas, declarandose como valores originários realmente devidos, a título de imposto de renda nos anos de 1998 e 1999, respectivamente, R$ 110.556,28 e R$ 90.976,93, que somados atingem a cifra de R$ 201.533,21 (duzentos e um mil quinhentos e trinta e três reais e vinte e um centavos). 72. Havendo qualquer dúvida por parte destes julgadores deve o julgamento ser convertido em diligência de forma que sejam as instituições financeiras aqui mencionadas intimadas a prestarem esclarecimentos acerca das referidas transferências entre contas bem como sobre os cheques devolvidos, de forma que tais operações sejam excluídos da base de cálculo do tributo lançado." Fazem parte do recurso os seguintes anexos: Anexo I efls. 645 a 647 Procuração; Anexo II efls. 648 a 680 Decisão recorrida; Anexo III efls. 681 a 682 "(Planilha demonstrando os depósitos de transferência de recursos entre as contas correntes de nºs 34.3811 e 822.1586 de propriedade do embragante (sic) no ano de 1998 e ano de 1999)"; Anexo IV efls. 683 a 709 "(Extratos demonstrando que os depósitos de transferência recursos entre as contas correntes de nºs 34.3811 e 822.1586 de propriedade do Recorrente foram integrados ao lançamento)"; Anexo V efls. 710 a 724 "(CNPJ e Ato constitutivo da empresa de factoring do embargante OPC fomento mercantil Ltda.)"; Anexo VI efls. 725 a 731 "(Cópias das declarações de empresas que utilizaram o serviço de fctoring (sic) prestado pelo recorrente nos anos de 1998 e 1999)"; Anexo VII efls. 732 a 752 "(Cheques não compensados por falta de fundos perdas experimentadas pelo Embargante na faturização empreendida nos anos de 1998 e 1999 comprovando o exercício da atividade pelo executado nos referidos anso (sic) base)"; Anexo VIII efls. 753 a 761 "(Cópia do Termo de Verificação Fiscal nº 03501/2010 instaurado contra o Embargante por conta de depósitos efetuados em suas contas correntes e a conclusão fiscal quanto à inexistência de crédito tributário a ser lançado por se tratarem de depósitos relacionados à atividade de factoring)"; Anexo IX efls. 762 e 763 "(Planilha demonstrando a correta base de cálculo que deveria ser utilzada (sic) no lançamento do imposto executado); e Fl. 778DF CARF MF 10 Anexo X efls. 764 e 765 "(Planilha demonstrando o valor correto de IRPF a ser apurado nos anos calendários de 1998 e 1999). É o relatório. Fl. 779DF CARF MF Processo nº 11543.002267/200371 Acórdão n.º 2401004.628 S2C4T1 Fl. 775 11 Voto Conselheiro Márcio de Lacerda Martins Relator 1. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE Atendendo a decisão do acórdão 10614.149 ratificada pelo acórdão 2201002.491, a DRF Vitória providenciou o encaminhamento do acórdão nº 4.590, de 13 de fevereiro de 2004, efls. 495 a 515, da 1ª Turma de Julgamento da DRJ do Rio de Janeiro II, em 26/11/2014, conforme Intimação de efl. 618. Cientificado do acórdão nº 4.590 em 26/11/2014, AR efl. 624, o Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário de efls. 626 a 765, em 23/12/2014. O Recurso, portanto, é tempestivo e dele conheço. 2. DELIMITAÇÃO DA LIDE Relevante registrar que o acórdão 10614.149 negou provimento ao recurso de ofício interposto pela DRJ Rio de Janeiro II, restando analisar neste julgado somente o recurso voluntário interposto pelo Contribuinte e juntado às efls. 626 a 765. 3. PRELIMINARES 3.1. Nulidade do lançamento sigilo bancário: Em preliminar,o Contribuinte alega nulidade do lançamento por ilegalidade na quebra do sigilo bancário com ofensa direta ao artigo 5º, XII, da Constituição Federal. Considera que a autoridade fiscal afrontou princípios constitucionais básicos ao quebrar o sigilo bancário sem autorização judicial e contrariou posicionamento do Supremo Tribunal Federal pela impossibilidade de quebra e utilização pela Receita Federal dos extratos bancários, quando obtidos sem autorização judicial. Cita julgado do STF RE 389.808/PR para concluir que: "Dessa maneira, não restam dúvidas que o auto de infração fundamentado com supedâneo em informações prestadas pelas instituições financeiras, sem a autorização do contribuinte ou da justiça, é nulo. por conter vícios de constitucionalidade e legalidade que maculam o débito ora embargado, sob pena de ofensa ao disposto no inciso XII do artigo 5o da Constituição federal." Fl. 780DF CARF MF 12 E assim sendo, requer: "a)seja acolhida a questão de ordem pública levantada, declarandose a nulidade absoluta dos procedimentos administrativos de lançamento do débito, haja vista que constituído com base em informação obtida por meio de inconstitucional quebra de sigilo bancário e. portanto, com ofensa ao disposto no inciso XII do artigo 5o da Constituição Federal." Passo a analisar. A quebra de sigilo bancário é questão extremamente delicada, porquanto resvala sobre o direito à intimidade, à privacidade e à liberdade do indivíduo, confronta o dever ético e contratual das instituições financeiras e, por fim, põe em risco a verdadeira segurança e integridade física da pessoa. Conforme relatado, o auto de infração foi lavrado com base em dados bancários obtidos por meio de RMF, nos termos da Lei Complementar nº 105, de 2001. A discussão acerca da inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancário foi ventilada em sede de impugnação e, inclusive, lastrou o sobrestado dessa lide em 2012, exatamente pela declaração de Repercussão Geral sobre o tema, pelo STF. Efetivamente, a discussão estava contida no Tema de Repercussão Geral nº 225, daquela Corte Constitucional. Ocorre que a matéria já foi julgada no “leading case” RE nº 601.314, no qual se definiu que: “Decisão: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto do Relator, apreciando o tema 225 da repercussão geral, conheceu do recurso e a este negou provimento, vencidos os Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. Por maioria, o Tribunal fixou, quanto ao item “a” do tema em questão, a seguinte tese: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”; ...” Em suma, a despeito de polêmicas de cunho acadêmico no que se refere à adequação do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001 ao ordenamento pátrio, o STF já se pronunciou em sede de Repercussão Geral (no RE nº 601.314) sobre a constitucionalidade da referida norma. Dessa forma, não apenas a Súmula CARF nº 2 declara que este Conselho Administrativo não tem competência para se pronunciar acerca da inconstitucionalidade das leis tributárias, como inclusive o STF já consolidou a posição e confirmou que a Lei Complementar nº 105, de 2001 é efetivamente constitucional e, portanto, deve ser aplicada. Além disso, esclareço que conforme artigo 72 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, as "decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória" pelos seus membros. Sobre a matéria relativa à tributação com base em depósitos bancários de origem não comprovada há várias delas em vigor, que indicam entendimentos convergentes, em inúmeros julgamentos. A utilização de súmulas, que também são aplicadas pelos Tribunais Judiciários, visa a conferir confiança, segurança e eficiência aos julgamentos administrativos, dentre outros princípios a serem observados pela Administração Pública. Diz a Súmula CARF nº 35: Fl. 781DF CARF MF Processo nº 11543.002267/200371 Acórdão n.º 2401004.628 S2C4T1 Fl. 776 13 "O artigo 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente." Ou seja, podese usar as informações da CPMF para constituições de créditos tributários relativos a outros tributos, no caso o IRPF, inclusive retroativamente, por se tratar de norma procedimental (§1º do artigo 144, do CTN). Assim, rejeito a preliminar de nulidade em razão de suposta "quebra do sigilo bancário". 3.2. Pedido de diligência: Rejeito o pedido de diligência ao verificar que constam dos autos todos os elementos necessários ao deslinde da matéria. 4. DO MÉRITO: 4.1. Inviabilidade de promover lançamento de IR baseado em presunção de receitas tributáveis por conta de depósitos de origem não comprovada. O Recorrente afirma que a utilização dos depósitos bancários como rendimentos tributáveis ofende ao disposto nos arts. 150, I e 153, III, da CF e art. 43, do Código Tributário Nacional e afirma que: (vide efl. 636) "36. É induvidosa. assim, a invalidade de lançamento ancorado na presunção do art. 42. da Lei n.° 9.430/1996. sem a devida comprovação de que as receitas relativas aos depósitos bancários não contabilizados constituíram rendimentos tributáveis pela exação exigida, pelo que deve ser provido o presente recurso para se declarar a insubsistència do lançamento, sob pena de afrontarse os preceptivos constitucionais e legais apontados." Inicialmente, fazse necessário esclarecer que o que se tributa, no presente processo, não são os depósitos bancários, como tais considerados, mas a omissão de rendimentos por eles representada. Os depósitos bancários são apenas a forma, o sinal de exteriorização, pelos quais se manifesta a omissão de rendimentos objeto de tributação. Depósitos bancários se apresentam, num primeiro momento, como simples indício da existência de omissão de rendimentos. Entretanto, esse indício se transforma na prova da omissão de rendimentos, quando o contribuinte, tendo a oportunidade de comprovar a origem dos recursos aplicados em tais depósitos, se nega a fazêlo, ou não o faz satisfatoriamente. Não comprovada a origem dos recursos, tem a autoridade fiscal o dever/poder de considerar os valores depositados como rendimentos tributáveis e omitidos na declaração de ajuste anual, efetuando o lançamento do imposto correspondente. Nem poderia ser de outro modo, ante a vinculação legal decorrente do princípio da legalidade que rege a administração pública, cabendo ao agente tãosomente a inquestionável observância do diploma legal. Fl. 782DF CARF MF 14 A Lei n° 9.430, de 1996, que embasou o lançamento, com as alterações introduzidas pelo art. 4o da Lei n° 9.481, de 13 de agosto de 1997, e pelo art. 58 da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, assim dispõe acerca dos depósitos bancários: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. [...] § 3a Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão comprados: — os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; [...]" Por outro lado, vale acrescentar que a presunção estabelecida pelo artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, dispensa a autoridade fiscal autuante de comprovar a consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada, a teor do que dispõe a Súmula CARF nº 26. 4.2. Inclusão base de cálculo do imposto de valores relativos a transferências entre contas de titularidade do Recorrente O Contribuinte afirma que há valores que a fiscalização computou como depósitos não comprovados e se referem a transferências entre contas que ele mesmo era o titular. Transcrevo o trecho do recurso do contribuinte que tratou do tema: "Relevante soma computada na base de cálculo da exação é derivada de transferências de recursos entre contas correntes de titularidade do próprio recorrente. Isto quer dizer que ao efetuar o lançamento do IR sobre os depósitos verificados não se atentou a Fazenda para o fato de que grande parte da movimentação financeira considerada na base de apuração do tributo lançado era. na verdade, mera transferência de recursos entre contas de um mesmo titular, e que não poderiam ser exacionados. Vejam por meio dos extratos acostados (ANEXO IV) que. muito embora a transferência de recursos tenha se efetivado mediante depósito bancário de cheques, são valores provenientes de uma conta corrente do recorrente com destino a outra de sua propriedade. Da tabela apresentada à efl. 682 verifico que existem valores que realmente são transferências entre as contas do recorrente no Unibanco e Banco do Brasil e que foram relacionados pela fiscalização e compuseram o montante lançado no Auto de Infração. As transferências bancárias que foram devidamente comprovadas pelo Recorrente (Anexos III e IV do recurso efls. 681 a 709) terão os valores dos depósitos excluídos da autuação no mês correspondente, conforme demonstrado na Tabela I a seguir. Fl. 783DF CARF MF Processo nº 11543.002267/200371 Acórdão n.º 2401004.628 S2C4T1 Fl. 777 15 TABELA I TRANSFERÊNCIA2 ANO BASE DATA VALOR1 DEPÓSITO NA AUTUAÇÃO B.Brasil Unibanco VALOR3 MENSAL 08/05/1998 150.000,00 efl. 397 efl. 684 (D) efl. 685 (C) 21/05/1998 50.100,00 efl. 397 efl. 686 (D) efl. 687 (C) 200.100,00 17/07/1998 80.001,66 n/consta efl. 689 (D) 22/07/1998 38.448,07 efl. 397 efl. 688 (D) efl. 689 (C) 38.448,07 21/08/1998 34.164,65 efl. 397 efl. 690 (D) efl. 691 (C) 34.164,65 02/10/1998 50.100,00 efl. 397 efl. 692 (D) efl. 693 (C) 14/10/1998 50.100,00 efl. 397 efl. 694 (D) efl. 695 (C) 100.200,00 13/11/1998 50.061,12 efl. 338 efl. 703 (C) efl. 702 (D) 20/11/1998 157.538,47 efl. 338 efl. 703 (C) efl. 702 (D) 207.599,59 1998 03/12/1998 52.107,32 efl. 340 efl. 707 (C) efl.706 (D) 52.107,32 20/04/1999 170.000,00 efl. 398 efl. 697 (D) efl. 698 (C) 170.000,00 20/05/1999 27.600,00 efl. 398 efl. 699 (D) efl. 700 (C) 27.600,00 1999 17/11/1999 214.600,00 efl. 388 efl. 709 (C) efl.708 (D) 214.600,00 Dos valores apontados pelo Recorrente no Anexo II do recurso, somente o valor de R$80.001,66 não foi comprovado como transferência, pois apesar de constar como débito na conta corrente do Unibanco não tem o correspondente crédito na conta corrente do Banco do Brasil e nem sequer foi lançado como depósito de origem não comprovada. Na Tabela II, exposta a seguir, estão listados os valores totais dos depósitos considerados sem origem comprovada pela autoridade autuante, nos anoscalendário 1998 (1) e 1999 (4); os depósitos que devem ser excluídos do montante mensal, pois são transferências entre contas do mesmo titular, comprovadas no recurso, relativas ao anocalendário 1998 (2) e 1999 (5); e o valor mensal dos depósitos, devidamente ajustados com as exclusões, para os anoscalendário 1998 (3) e 1999 (6). 1 valores em Reais 2 Transferências com lançamento nos extratos a crédito (C) ou a débito (D). 3 valores em Reais Fl. 784DF CARF MF 16 TABELA II (valores em Reais) 1998 1999 MÊS ( 1 ) ( 2 ) ( 3 ) ( 4 ) ( 5 ) ( 6 ) Janeiro 657.889,13 0,00 657.889,13 1.245.373,40 0,00 1.245.373,40 Fevereiro 530.604,09 0,00 530.604,09 546.657,35 0,00 546.657,35 Março 704.278,10 0,00 704.278,10 609.028,00 0,00 609.028,00 Abril 554.641,36 0,00 554.641,36 650.198,29 170.000,00 480.198,29 Maio 783.612,90 200.100,00 583.512,90 460.538,74 27.600,00 432.938,74 Junho 694.454,24 0,00 694.454,24 479.168,87 0,00 479.168,87 Julho 659.940,03 38.448,07 621.491,96 476.906,83 0,00 476.906,83 Agosto 747.201,41 34.164,65 713.036,76 502.212,93 0,00 502.212,93 Setembro 710.037,92 0,00 710.037,92 523.571,25 0,00 523.571,25 Outubro 892.216,95 100.200,00 792.016,95 477.910,37 0,00 477.910,37 Novembro 908.605,02 207.599,59 701.005,43 851,911,31 214.600,00 637.311,31 Dezembro 744.078,54 52.107,32 691.971,22 588.199,94 0,00 588.199,94 Assim, constato que os valores de depósitos de origem não comprovada, para os meses de maio, julho, agosto, outubro, novembro e dezembro de 1998 e abril, maio e novembro de 1999, devem ser retificados coma exclusão das transferências comprovadas pelo Recorrente, conforme a Tabela II. 4.3. Inclusão base de cálculo do imposto de valores relativos a cheques devolvidos O Recorrente afirma que: "Os extratos de fls. 307/395. deste feito administrativo, demonstram que não foram excluídos do lançamento os valores computados a título de devolução de cheques." Não assiste razão ao Recorrente. Os valores identificados como devolução de cheques foram lançados a débito nas respectivas contas, de forma que esses valores foram excluídos do montante de depósitos de origem não comprovada. O Relatório de Movimento bancário de efls. 309 a 398, documento base da autuação fiscal, ao contrário do que afirma o Recorrente, mostra que os valores referentes a "devolução de cheque" estão lançados entre parênteses e, portanto, diminuem o montante de depósitos/créditos mensais do lançamento. Fl. 785DF CARF MF Processo nº 11543.002267/200371 Acórdão n.º 2401004.628 S2C4T1 Fl. 778 17 Por óbvio, tratandose de lançamento de imposto de renda por presunção com base no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, as devoluções de cheques não poderiam ter seus valores incluídos na base de cálculo do imposto lançado, haja vista não representarem receitas. Sobre o tema, o Recorrente apresenta no Anexo VII cheques que não foram compensados por falta de fundos e os considera perdas experimentadas na atividade de faturização empreendida nos anos de 1998 e 1999. Entretanto, não faz a necessária correlação dos valores dos cheques com o Relatório de Movimentação Financeira que serviu de base para o lançamento. Sem esta vinculação não há como excluílos da base de cálculo, pois o Recorrente não demonstrou que esses valores foram considerados créditos de origem não comprovada pela fiscalização, compondo o lançamento. O Recorrente considera, ainda, fazer prova com os cheques devolvidos, juntados no Anexo VII, da atividade de faturização que, segundo alega, exerceu durante os anos base de 1998 e 1999. Entretanto, constato que os documentos apresentados não são suficientes para demonstrar o exercício da atividade, ainda mais com a finalidade pretendida pelo Recorrente, justificar a origem dos recursos e sua tributação. A simples amostra de cheques devolvidos, por falta de fundos, pode perfeitamente fazer parte do cotidiano de uma pessoa comum. Ademais, a atividade de factoring (fomento mercantil ou comercial), que se caracteriza pela aquisição de direitos creditórios, por um valor à vista e mediante taxas de juros e de serviços, de contas a receber a prazo, exige formalidades não comprovadas pelo Recorrente inclusive, de acordo com a lei nº. 9430, de 1996, as empresas de fomento comercial estão obrigadas a apurar o resultado liquido do exercício pelo regime do regime de Lucro Real. 4.4. Da atividade de fomento mercantil O Recorrente se manifestou sobre a matéria da seguinte forma, in verbis: (efl. 642 e 643 grifos do Contribuinte) "Da atividade de fomento mercantil 59. Ademais, no período relativo a dívida lançada, o recorrente empreendia, informalmente, a atividade de factoring. através da qual se dedicava a administração de créditos de pessoas jurídicas. 60. Muito embora, a partir do ano de 2003, tenha regularizado a atividade com a abertura da empresa OPC FOMENTO MERCANTIL (ANEXO V), as cópias das declarações e dos cheques devolvidos acostados a esta peça de impugnação (ANEXOS VI e VII), comprovam que já na época dos lançamentos o recorrente empreendia a atividade de faturização. [...] 64. As empresas cediam ao recorrente o direito creditício de vendas mercantis a prazo, e recebiam pagamento à vista, através de cheque emitido pelo recorrente, já debitados o percentual de ganho, que variava cm torno de 4% (quatro por cento) a 5% (cinco por cento) do valor do crédito adquirido como corroboram as declarações carreadas ao recurso (ANEXO VI). Fl. 786DF CARF MF 18 [...] 67. Restando demonstrado o exercício do fomento mercantil pelo recorrente, deve ser computada como base de cálculo do imposto lançado apenas a diferença entre o valor de aquisição e o valor de face do título ou direito adquirido e não a integralidade dos depósitos realizados nas suas contas, posto que, ao fim e ao cabo, a base de cálculo utilizada pela autoridade lançadora nada mais era do que o mesmo recurso, que entrou e saiu sucessivamente das contas bancárias, culminando no abusivo valor da autuação combatida. Neste sentido: ACÓRDÃO 910100.096 [...] DESCONTOS DE CHEQUES E DUPLICATAS RECEITA TRIBUTÁVEL DIFERENÇA ENTRE O VALOR DE FACE DOS TÍTULOS E AS IMPORTÂNCIAS REFERENTES À CESSÃO RESPECTIVA No caso das pessoas jurídicas que exercem atividade de desconto de duplicatas e cheques pósdatados não há como admitir que os depósitos bancários, sem origem comprovada reflitam a receita sonegada, como se presume, de ordinário, em relação às empresas comerciais ou prestadoras de serviço Em relação a tais empresas, os depósitos bancários só podem refletir os valores de face dos títulos adquiridos, enquanto a receita bruta resulta da subtração entre tais valores e as importâncias referentes à aquisição dos respectivos títulos." A atividade de factoring (fomento mercantil ou comercial) é uma atividade comercial caracterizada pela aquisição de direitos creditórios, por um valor à vista e mediante taxas de juros e de serviços, de contas a receber a prazo. De acordo com a lei nº. 9430, de 1996, as empresas de fomento comercial estão obrigadas a apurar o resultado liquido do exercício pelo regime do Regime de Lucro Real. Constatase assim que o exercício da atividade de factoring exige procedimentos contábeis e fiscais rigorosos na apuração de seu resultado, com registros e livros contábeis que obedeçam as normas próprias estabelecidas para o regime de lucro real. Assim, não é o caso em análise. Aqui o Contribuinte simplesmente alega exercer esta atividade com resultado nunca superior a 5% sobre o valor de face dos títulos etc. Meras alegações, sem suporte probatório. Ademais, cabe registrar ainda que o Contribuinte não apresentou na impugnação as razões, agora suscitadas no recurso voluntário, que os depósitos selecionados pela fiscalização teriam origem na atividade de factoring, empreendida informalmente. Neste intento, junta declarações de possíveis clientes no Anexo VI da peça recursal. Agindo assim, o Recorrente infringiu os artigos 57 e 58 do Decreto nº 7.574, de 2011, que exigem que sejam apresentados, na fase de impugnação, todos os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. A norma processual estabelece ainda que será considerada não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Para bem esclarecer a situação, transcrevo os normativos citados, destacando os pontos que se aplicam ao caso concreto, a saber: Fl. 787DF CARF MF Processo nº 11543.002267/200371 Acórdão n.º 2401004.628 S2C4T1 Fl. 779 19 "Art. 57. A impugnação mencionará: I [...]; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; [...] Art. 58. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante." No caso concreto, o Contribuinte não alegou na fase própria de impugnação ter os depósitos origem na atividade de factoring informal, fazendoo na fase recursal mas sem eficácia probatória. É que as declarações juntadas pelo Recorrente, por si só, não são suficientes para comprovarem a origem dos valores como provenientes da atividade de fomento mercantil, ou mesmo de factoring informal. Ademais, é relevante destacar, que o Recorrente é empresário, sendo sócio de empresa comercial, a Confecções Penacho Ltda., demonstrando haver possibilidade de obter recursos de fontes diversas, reforçando a necessidade de se comprovar a origem de cada depósito em suas contas correntes, o que não foi realizado. 5. CONCLUSÃO: Por todo o exposto, conheço do recurso e, no mérito, dou provimento parcial para excluir do lançamento os valores das transferências entre contas de titularidade do Recorrente, na forma como discriminadas nas Tabelas I e II. (assinado digitalmente) Márcio de Lacerda Martins Fl. 788DF CARF MF
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Numero do processo: 13833.000043/00-90
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/1990 a 31/10/1991
REGIMENTO INTERNO CARF - DECISÃO DEFINITIVA STF E STJ - ARTIGO 62, § 2º DO ANEXO II DO RICARF - Segundo o § 2º do artigo 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil, devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO - PRAZO. Tendo em vista que o contribuinte protocolou o pedido de restituição até 09/06/2005, de se aplicar o entendimento anterior firmado pelo Superior Tribunal de Justiça (tese dos 5 + 5), em sede de Recurso Representativo de Controvérsia (artigo 543-C, do Código de Processo Civil), no Recurso Especial nº 1.002.932, aplicado para as restituições apresentadas até 09/06/2005, conforme decisão proferida no Recurso Extraordinário nº 566.621, julgado pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática do artigo 543-B, do Código de Processo Civil. Ainda, segundo o Recurso Especial nº 1.110.578, julgado pelo Superior Tribunal de Justiça na sistemática do artigo 543-C, do Código de Processo Civil, a declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso) é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional, tanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de ofício.
Numero da decisão: 9900-000.977
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, com retorno dos autos à unidade de origem, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Demetrius Nichele Macei (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Heitor de Souza Lima Junior, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gerson Macedo Guerra, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello, Érika Costa Camargos Autran, Andrada Marcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza e Rodrigo da Costa Possas (Presidente em exercício do CARF).
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/1990 a 31/10/1991 REGIMENTO INTERNO CARF - DECISÃO DEFINITIVA STF E STJ - ARTIGO 62, § 2º DO ANEXO II DO RICARF - Segundo o § 2º do artigo 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil, devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO - PRAZO. Tendo em vista que o contribuinte protocolou o pedido de restituição até 09/06/2005, de se aplicar o entendimento anterior firmado pelo Superior Tribunal de Justiça (tese dos 5 + 5), em sede de Recurso Representativo de Controvérsia (artigo 543-C, do Código de Processo Civil), no Recurso Especial nº 1.002.932, aplicado para as restituições apresentadas até 09/06/2005, conforme decisão proferida no Recurso Extraordinário nº 566.621, julgado pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática do artigo 543-B, do Código de Processo Civil. Ainda, segundo o Recurso Especial nº 1.110.578, julgado pelo Superior Tribunal de Justiça na sistemática do artigo 543-C, do Código de Processo Civil, a declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso) é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional, tanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de ofício.
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PEDIDO DE RESTITUIÇÃO PRAZO. Tendo em vista que o contribuinte protocolou o pedido de restituição até 09/06/2005, de se aplicar o entendimento anterior firmado pelo Superior Tribunal de Justiça (“tese dos 5 + 5”), em sede de Recurso Representativo de Controvérsia (artigo 543C, do Código de Processo Civil), no Recurso Especial nº 1.002.932, aplicado para as restituições apresentadas até 09/06/2005, conforme decisão proferida no Recurso Extraordinário nº 566.621, julgado pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática do artigo 543B, do Código de Processo Civil. Ainda, segundo o Recurso Especial nº 1.110.578, julgado pelo Superior Tribunal de Justiça na sistemática do artigo 543C, do Código de Processo Civil, a declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso) é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional, tanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento parcial, com retorno dos autos à unidade de origem, nos termos do voto do relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 3. 00 00 43 /0 0- 90 Fl. 357DF CARF MF Processo nº 13833.000043/0090 Acórdão n.º 9900000.977 CSRFPL Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Demetrius Nichele Macei (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Heitor de Souza Lima Junior, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gerson Macedo Guerra, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello, Érika Costa Camargos Autran, Andrada Marcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza e Rodrigo da Costa Possas (Presidente em exercício do CARF). Fl. 358DF CARF MF Processo nº 13833.000043/0090 Acórdão n.º 9900000.977 CSRFPL Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Extraordinário interposto pela d. Procuradoria em face do Acórdão nº 0305.640 proferido pela Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 259/265), em sessão do dia 25 de fevereiro de 2008. Cuida o processo de pedido de restituição/compensação de valores pagos a maior a título da Contribuição para o Finsocial. O pedido foi protocolado em 15/08/2000 (conforme fl. 1), referente ao tributo recolhido a maior durante o período de julho de 1990 a outubro de 1991 (conforme DARFs de fls. 3/14). Em Despacho Decisório de fls. 108/112 a Delegacia da Receita Federal em Marília/SP indeferiu os pedidos de compensação com o fundamento de que o direito de pleitear a restituição/compensação se extingue em 5 anos, contados da data do pagamento indevido ou a maior. Nesse sentido, conforme o art. 168, inciso I, do Código Tributário Nacional, o direito do contribuinte em pleitear a restituição/compensação teria “decaído”. O contribuinte, então, apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 116/138), alegando, em síntese, que a extinção do direito de restituição do pagamento indevido Finsocial operase em um prazo de 10 anos por se tratar de tributo sujeito a lançamento por homologação (5 anos para a homologação e mais 5 para eventual para eventual pedido de restituição) ou em 5 anos contados da declaração de inconstitucionalidade do tributo, prevalecendo o último prazo nos casos que houver ampliação ou reabertura de prazo para a restituição. Em Acórdão de nº 6.214, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, por unanimidade de votos, indeferiuse a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte, entendendose que, segundo o Ato Declaratório SRF nº 96/99, o direto do contribuinte de pleitear a restituição de tributo extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário, conforme arts. 165, I, e 168, I, da Lei nº 5.172/66. O contribuinte, irresignado, interpôs Recurso Voluntário (fls.173/192), reiterando seus argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. Sobreveio, então, o Acórdão nº 30237.412 (fls. 134/162), proferido pela antiga Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, em que, por maioria dos votos, entenderam os conselheiros por afastar a “decadência” do contribuinte de realizar o pedido de restituição, segundo o entendimento de que o prazo contase a partir da publicação da Medida Provisória nº 1.110/95, que foi o primeiro ato emanado do Poder Executivo, reconhecendo o caráter indevido do recolhimento do Finsocial. A decisão segue ementada: FINSOCIAL. O prazo decadencial de cinco anos para pedir a restituição dos pagamentos de Finsocial iniciase a partir da edição da MP 1110, de 30/08/1995, devendo ser reformada a decisão monocrática para, considerando a não decadência do direito de fazer esse pleito, para examinar a questão de mérito, além de se Fl. 359DF CARF MF Processo nº 13833.000043/0090 Acórdão n.º 9900000.977 CSRFPL Fl. 5 4 certificar se o contribuinte reveste a forma jurídica que o habilita a pleitear tal restituição. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Irresignada, a d. Procuradoria interpôs Recurso Especial (fls. 220/226), alegando, em síntese, que havia divergência entre o r. acórdão e a Lei, que dispõem que a contagem do prazo para o contribuinte pleitear a restituição do Finsocial é contado a partir da extinção do crédito tributário (conforme art. 168, inciso I, do Código Tributário Nacional e Ato Declaratório SRF nº 96/99). Notificado do Recurso Especial da Fazenda Nacional, o contribuinte apresentou Contrarrazões ao Recurso Especial (fls. 238/253), em que argumenta que o prazo para pedir a compensação do Finsocial deve ser contado a partir da publicação da Medida Provisória nº 1.110/95. Sobreveio, então, o Acórdão nº 302131.980 (fls. 259/268), proferido pela Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em sessão do dia 25 de fevereiro de 2008, que, por maioria dos votos, negou provimento ao Recurso Especial da Procuradoria, entendendo que a contagem do prazo de 5 anos seria a partir da publicação da Medida Provisória nº 1.110/95, a saber, a partir do dia 31/08/1995. A decisão restou assim ementada: FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO – O direito de se pleitear o reconhecimento de crédito com o conseqüente pedido de restituição/compensação, perante a autoridade administrativa, de tributo pago em virtude de lei que tenha sido declarada inconstitucional, somente surge com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF, em ação direta, ou com a suspensão, pelo Senado Federal, da lei declarada inconstitucional, na via indireta.Por esta via, o termo a quo para o pedido de restituição começa a contar da data da publicação da MP n°. 1.110 em 31/08/95 p. 013397, posto que foi o primeiro ato emanado do Poder Executivo a reconhecer o caráter indevido do recolhimento do Finsocial à alíquota superior a 0,5%.. PRECEDENTES: AC. CSRF/0304.227, 30131.406. 30131404 e 301 31.321. Em face do r. acórdão, a d. Procuradoria interpôs Recurso Extraordinário (fls. 271/289), alegando, em síntese, que: (i) O recurso extraordinário deve ser admitido, aplicandose a legislação em vigor à época da prolação do acórdão recorrido, a saber arts. 9º e 43 do Regulamento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n 147/2007. (ii) Há divergência entre o acórdão recorrido e o acórdão CSRF/0400.810, que, em análise de tributo considerado inconstitucional, entendeu inafastável o disposto no Código Tributário Nacional sobre a prescrição. (iii) Não deve prosperar o entendimento de que a contagem do prazo de 5 anos deve ser a partir da publicação da Medida Provisória no Fl. 360DF CARF MF Processo nº 13833.000043/0090 Acórdão n.º 9900000.977 CSRFPL Fl. 6 5 1.110/95, convertida na Lei no 10.522/02, visto que não se pode negar a vigência do Código Tributário Nacional, que cuidou da restituição em seus arts 165 e 168, cuja interpretação conjugada conduz à conclusão de que o prazo prescricional deve ser contado da ocorrência de uma das hipóteses dos incisos I a III do art. 165 do Código Tributário Nacional. (iv) Argumenta ainda que a Lei Complementar no 118/05, em seu art. 3o, vem esclarecer que “para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei”, o que torna indefensável considerar outro termo inicial para a contagem do prazo qualquer circunstância que não o pagamento antecipado. No Despacho de nº 910000.140 (fls. 292/293), o Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional foi admitido. O contribuinte, cientificado do r. recurso, apresentou Contrarrazões ao Recurso Extraordinário (fls. 298/311), alegando que a contagem do prazo para a restituição do Finsocial, deve se dar a partir da data de publicação da Medida Provisória nº 1.110/95. É o relatório. Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Relator Delimitando a lide, o Recurso Extraordinário versa sobre o prazo para pleitear a restituição da Contribuição ao Finsocial, pago a maior, declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em controle difuso de constitucionalidade, e cuja constituição de créditos pelo fisco foi dispensada pela Medida Provisória nº 11.110/95, publicada em 31/08/1995, convertida na Lei nº 10.522/02. No presente caso, temos que três são as teses confrontadas. A primeira tese, defendida pelo contribuinte e acatada pelo acórdão recorrido, é a de que o prazo para pedir a restituição apenas teve início com a publicação da Medida Provisória nº 11.110/95, a qual passou a dispensar a Fazenda Pública de exigir o referido tributo. A segunda é no sentido de que o prazo para se pleitear a restituição é de cinco anos, contados a partir da extinção do crédito tributário, o que se dá com a homologação – expressa ou tácita – do lançamento (tese dos 5 + 5), sendo que não ocorrendo a homologação expressa, o prazo é de dez anos a contar do fato gerador. Fl. 361DF CARF MF Processo nº 13833.000043/0090 Acórdão n.º 9900000.977 CSRFPL Fl. 7 6 A terceira, trazida pela Fazenda Nacional, no sentido de que o prazo para pleitear a restituição extinguese em cinco anos a contar do pagamento, segundo interpretação dos arts. 165 e 168 do Código Tributário Nacional. Nesse passo, a questão principal que se coloca é em relação ao termo inicial para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em controle difuso, com posterior execução suspensa pela Medida Provisória nº 1.110/95. Definido o termo inicial, o prazo é de 5 (cinco) anos para o pleito da restituição. No entanto, antes de adentrar ao mérito, necessário verificar a admissibilidade do presente Recurso Extraordinário, com base nos acórdãos paradigmas juntados pela Procuradoria. Cumpre dizer que, de acordo com o Regimento Interno da CSRF, o Recurso Extraordinário deve demonstrar a divergência arguida e indicar a decisão divergente. Vejamos. O acórdão recorrido aplicou a tese de que o prazo prescricional teve início com a publicação da Medida Provisória nº 1.110/95, que dispensou a Fazenda Pública de exigir o tributo. O acórdão CSRF/0400.810, apresentado como paradigma, adotou a tese pleiteada pela d. Procuradoria de que o prazo para pleitear a restituição extinguese em cinco anos a contar do pagamento, segundo interpretação dos arts. 165 e 168 do Código Tributário Nacional, independente de declaração de inconstitucionalidade do tributo. Portanto, haja vista que a tese conclamada pelo acórdão recorrido diverge do decidido pelo acórdão apontado como paradigma no que tange ao início da contagem do prazo para o pleito de restituição, sendo certo que tanto no paradigma quanto no acórdão recorrido a matéria versa sobre restituição de tributo declarado inconstitucional, restou comprovada a divergência, pelo que deve ser conhecido o Recurso da Fazenda Nacional. No mérito, de se verificar que no presente caso deve ser aplicado o artigo 62 A, caput do atual Regimento Interno do CARF: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Com efeito, o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de Recurso Representativo de Controvérsia (artigo 543C do Código de Processo Civil), no REsp nº 1.002.932, em conjunto com o entendimento do Supremo Tribunal Federal, proferido no RE nº 566.621 (nos termos do artigo 543B do Código de Processo Civil), é que, para as restituições requeridas até 09/06/2005, de se aplicar o entendimento anterior, qual seja, a tese dos cinco mais cinco anos. Já para as restituições apresentadas após 09/06/2005, de se aplicar o prazo de cinco anos a contar do pagamento. É bem verdade que no presente caso temse uma questão peculiar, qual seja, a inconstitucionalidade do tributo objeto de restituição. Cumpre verificar se tal questão é suficiente a afastar a aplicação do precedente judicial ou se tal questão foi apreciada também pelo Poder Judiciário, de forma definitiva. Fl. 362DF CARF MF Processo nº 13833.000043/0090 Acórdão n.º 9900000.977 CSRFPL Fl. 8 7 É necessário cautela na aplicação da ratio decidendi como prescrição geral, razão pela qual relevante distinguir a fundamentação da decisão, de onde se extrai a interpretação dos tribunais superiores acerca de determinada norma, do dispositivo do julgamento, que é determinação específica direcionada tão somente ao caso concreto. É possível que uma prescrição geral não se enquadre exatamente na situação concreta que possui outras peculiaridades, as quais podem ensejar diversa conformação ao direito, sendo que, nessa hipótese, não há de se aplicar ipso facto a decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça acerca da matéria, porque dela exatamente não se trata. Analisando as decisões judiciais nos Recursos Representativos de Controvérsia, verifico que a questão foi apreciada pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça, já que consta de seus fundamentos. Verifico a partir dos trechos abaixo reproduzidos que, no entender dos Tribunais Superiores (nas decisões ora mencionadas), o fato de um tributo ter sido declarado inconstitucional não altera a contagem do prazo para pleitear sua restituição. É o que se extrai do voto da Ministra Relatora, Ellen Gracie (RE nº 566.621): “ (...) Os poucos precedentes em sentido diverso, apontados pela União nas razões do recurso extraordinário com vista a descaracterizar a firmeza de posicionamento do STJ sobre a matéria, acabam, ao contrário, por confirmála. É que a União invoca precedentes relativos a questões específicas, como tributos retidos no regime de substituição tributária e tributos inconstitucionais, em que chegou a haver, é verdade, alguma dúvida quanto à aplicação da regra geral dos 10 anos, mas que não perdurou. Logo, aquela Corte firmou posição no sentido de que, também em tais situações de retenção e de reconhecimento do indébito em razão da inconstitucionalidade da lei instituidora, deverseia aplicar, sem ressalvas, a tese dos dez anos, conforme se vê dos EREsp 329.160/DF e EREsp 435.835/SC, julgados pela Primeira Seção daquela Corte. Aliás, nada melhor do que o próprio STJ para reconhecer que se tratava de jurisprudência consolidada. (Trecho do Voto da Ministra Ellen Gracie (PP. 10/11), que representa a posição vencedora no acórdão proferido no RE nº 566.621, julgado nos termos do artigo 543B do Código de Processo Civil) Tal conclusão também se extrai de um dos acórdãos que serviu de fundamento para a decisão do Superior Tribunal de Justiça em sede de Recurso Representativo de Controvérsia, acórdão em que o caso que se apresenta é justamente de pedido de restituição de tributo declarado inconstitucional. Tal questão não impede a aplicação da tese dos 10 anos (quando para período anterior a 09/06/2005): Assim, tendo em vista que a extinção do crédito tributário, em regra, efetivase com a homologação tácita, que se ultima cinco anos após a ocorrência do fato jurídico tributário (artigo 150, § 4º, do CTN), o prazo prescricional para a repetição ou compensação dos tributos sujeitos a lançamento por homologação começa a fluir decorridos 05 (cinco) anos, Fl. 363DF CARF MF Processo nº 13833.000043/0090 Acórdão n.º 9900000.977 CSRFPL Fl. 9 8 contados a partir da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio computado desde o termo final do prazo atribuído ao Fisco para verificar o quantum devido a título de tributo. À guisa de exemplo, merece transcrição a ementa do seguinte julgado oriundo da Primeira Seção: "CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. LEI Nº 7.787/89. COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL DO PRAZO. PRECEDENTES. 1. Está uniforme na 1ª Seção do STJ que, no caso de lançamento tributário por homologação e havendo silêncio do Fisco, o prazo decadencial só se inicia após decorridos 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio, a partir da homologação tácita do lançamento. Estando o tributo em tela sujeito a lançamento por homologação, aplicamse a decadência e a prescrição nos moldes acima delineados. 2. Não há que se falar em prazo prescricional a contar da declaração de inconstitucionalidade pelo STF ou da Resolução do Senado. A pretensão foi formulada no prazo concebido pela jurisprudência desta Casa Julgadora como admissível, visto que a ação não está alcançada pela prescrição, nem o direito pela decadência. Aplicase, assim, o prazo prescricional nos moldes em que pacificado pelo STJ, esta corrente dos cinco mais cinco. 3. A ação foi ajuizada em 16/12/1999. Valores recolhidos, a título da exação discutida, em 09/1989. Transcorreu, entre o prazo do recolhimento (contado a partir de 12/1989) e o do ingresso da ação em juízo, o prazo de 10 (dez) anos. Inexiste prescrição sem que tenha havido homologação expressa da Fazenda, atinente ao prazo de 10 (dez) anos (5 + 5), a partir de cada fato gerador da exação tributária,c ontados para trás, a partir do ajuizamento da ação. 4. Precedentes desta Corte Superior. 5. Embargos de divergência rejeitados, nos termos do voto." (EREsp 435835/SC, Relator Ministro Francisco Peçanha Martins, Relator p/ Acórdão Ministro José Delgado, julgado em 24.03.2004, publicado no DJ de 04.06.2007) Nada obstante, em 09 de fevereiro de 2005, sobreveio a Lei Complementar 118, que, em seu artigo 3º, dispõe sobre a interpretação do inciso I do artigo 168, do CTN, verbis (...) O artigo 4º, da LC 118/2005, determina a aplicação retroativa da norma jurídica inserta no dispositivo supracitado, em conformidade com o disposto no artigo 106, I, do CTN, segundo o qual: "A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados" . Fl. 364DF CARF MF Processo nº 13833.000043/0090 Acórdão n.º 9900000.977 CSRFPL Fl. 10 9 Diante da aludida inovação legislativa, a Primeira Seção reconsolidou a jurisprudência do STJ acerca da cognominada tese dos cinco mais cinco para a definição do termo a quo do prazo prescricional das ações de repetição/compensação de valores indevidamente recolhidos a título de tributo sujeito a lançamento por homologação, apenas no que pertine às demandas intentadas antes da entrada em vigor da Lei Complementar 118/2005 (...)” (Trecho do voto condutor do Ministro Luiz Fux, no Resp nº 1.002.932, julgado nos termos do artigo 543C do Código de Processo Civil) Em suma, apesar de o Recurso Representativo de Controvérsia mencionado não tratar de situação em que o pedido de restituição reportase a tributo declarado inconstitucional, e que foi objeto de Resolução do Senado e/ou assim reconhecido pela própria Administração Pública, de se verificar que a mesma Corte decidiu que tal peculiaridade em nada altera o quanto decidido acerca do início do prazo para o pleito de restituição. Tal entendimento ficou assente no Recurso Especial Representativo de Controvérsia (julgado na sistemática do artigo 543C do CPC) 1.110.578/SP, julgado em 12/05/2010, cuja ementa abaixo transcrevo: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TAXA DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO DE OFÍCIO. 2. A declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso) é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional tanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de ofício. (Precedentes: EREsp 435835/SC, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, Rel. p/ Acórdão Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/03/2004, DJ 04/06/2007; AgRg no Ag 803.662/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/02/2007, DJ 19/12/2007) Desta forma, de se aplicar o quanto decidido pelo Pleno do Supremo Tribunal Federal, que reconheceu a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, e considerou válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a Fl. 365DF CARF MF Processo nº 13833.000043/0090 Acórdão n.º 9900000.977 CSRFPL Fl. 11 10 orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Assim, tendo em vista que o contribuinte protocolou o pedido de restituição em 15/08/2000 (efl 2), portanto, antes da data fixada pelo Supremo Tribunal Federal para a vigência do “novo prazo de 5 anos”, de se aplicar o entendimento anterior, segundo o qual o prazo de 5 anos para pleitear a restituição tem início apenas após transcorridos 5 anos do fato gerador, ou seja, com a homologação tácita (tese dos 5 + 5). Esse o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de Recurso Representativo de Controvérsia (artigo 543C do Código de Processo Civil), no REsp nº 1.002.932, aplicado para as restituições apresentadas até 09/06/2005,conforme firmado no RE nº 566.621, julgado pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática do artigo 543B, do Código de Processo Civil. Fl. 366DF CARF MF Processo nº 13833.000043/0090 Acórdão n.º 9900000.977 CSRFPL Fl. 12 11 Uma vez que o pedido de compensação, apresentado em 15/08/2000, refere se ao Finsocial pago a maior durante o período de julho de 1990 a outubro de 1991 (conforme DARFs de fls. 3/14), encontravamse prescritos os pedidos referentes a fatos geradores ocorridos antes de 15/08/1990. Portanto, no caso encontrase prescrito somente o fato gerador de julho/1990. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso extraordinário apresentado pela Fazenda Nacional para reconhecer a ocorrência da prescrição do pedido de restituição para os períodos em que os fatos geradores do Finsocial tenham ocorrido antes de 15/08/1990. Tendo em vista que desde a origem do presente processo, não foi feita a análise do mérito do pedido de restituição, é necessário o seu retorno à unidade de origem para que verifique a existência de crédito líquido e certo em favor do contribuinte para o período não atingido pelo prazo prescricional já informado. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 367DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.002269/2006-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 08 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-000.841
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em converter o julgamento de diligência, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM- Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausência justificada de Charles Mayer de Castro Souza.
RELATÓRIO
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em converter o julgamento de diligência, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausência justificada de Charles Mayer de Castro Souza. RELATÓRIO O interessado acima identificado recorre a este Conselho de Contribuintes, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 02 26 9/ 20 06 -5 2 Fl. 1416DF CARF MF Processo nº 19515.002269/200652 Resolução nº 3201000.841 S3C2T1 Fl. 1.417 2 Tratase de impugnação a exigência fiscal relativa à Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e Créditos e Direitos de Natureza Financeira – CPMF, formalizada no auto de infração de fls. 94/127. O feito, relativo a fatos geradores ocorridos entre agosto de 1999 e agosto de 2002, constituiu crédito tributário no montante de R$330.584,91, incluídos principal, multa de ofício e juros de mora. No TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL de fls. 85/93, a autoridade autuante relata que os valores exigidos referemse à CPMF não recolhida à época dos fatos geradores por força de medida judicial, posteriormente revogada. Os débitos foram apurados com base nas informações fornecidas pelas instituições financeiras, junto às quais a fiscalizada mantinha conta corrente, conforme listagem consolidada à fl. 87. Relata o autuante ainda que, atendendo a intimação, a interessada informou haver desistido da ação judicial que lhe assegurava a suspensão da retenção da CPMF, tendo solicitado parcelamento dos valores não retidos. Diante desse contexto, a auditoria prosseguiu o procedimento solicitando a empresa a apresentar extratos bancários correspondentes ao período abrangido pela proteção judicial, demonstrativo de cálculo da CPMF recolhida mediante parcelamento, bem como eventuais DARFS efetuados fora do âmbito do processo de parcelamento. Assim a autoridade finaliza o TERMO: .................. Esgotado o prazo concedido o contribuinte apresentou apenas cópia de documento intitulado DEMONSTRATIVO DOS DÉBITOS – CPMF datado de 23 de agosto de 2002. No referido documento o contribuinte informa em períodos de apuração mensais fatos geradores de CPMF, informando ainda acréscimos a título de juros, calculados e demonstrados de forma totalizada. Ao final do documento, solicita o parcelamento mensal em 06 vezes do valor encontrado. O documento apresentado, acima mencionado, corresponde ao protocolado em anexo ao pedido de parcelamento formulado pela empresa, Processo nº 11610.017125/200287, conforme podemos constatar a partir de conferência com os originais no processo, requisitado para análise. No documento apresentado, acima descrito, o contribuinte não informa quais as instituições financeiras e quais contas correntes foram abrangidas na apuração da CPMF parcelada. Os valores apurados pela fiscalização a partir das Declarações apresentadas pelas Instituições Financeiras não correspondem aos valores informados pelo contribuinte no processo de parcelamento, nos respectivos períodos de apuração, não podendo dessa forma corresponder aos mesmos fatos geradores objeto da presente verificação. Fl. 1417DF CARF MF Processo nº 19515.002269/200652 Resolução nº 3201000.841 S3C2T1 Fl. 1.418 3 Cabe ressaltar que embora os fatos geradores da CPMF sejam semanais o contribuinte apresentou no seu demonstrativo, que serviu de base para o parcelamento, fatos englobando meses calendário. Entretanto, na confrontação efetuada entre os valores apurados pela fiscalização e os indicados pelo contribuinte, foram considerados, para efeito de aferição do correto cálculo da contribuição a recolher, os fatos geradores ocorridos dentro de um mesmo mês e, numa segunda hipótese, os fatos geradores vencidos num mesmo mês. Os comparativos em questão foram feitos tendo em vista que para efeito de cálculo dos juros de mora todos os fatos geradores vencidos dentro do mesmo mês teriam o mesmo acréscimo. Ainda assim os valores apurados não apresentaram correspondência. Conforme pesquisa formulada ao sistema DCTF/Ger o contribuinte também não procedeu à declaração da CPMF objeto desta verificação em DCTF. Desta forma, o contribuinte não conseguiu demonstrar haver procedido ao recolhimento da totalidade dos valores que em virtude da medida judicial não foram objeto de retenção e recolhimento tempestivo, razão pela qual procederemos ao lançamento de ofício da Contribuição devida, nos respectivos períodos de apuração. Cientificada da exigência em 26/10/2006, em 23/11/2006, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 131/139, na qual alega em síntese que: nos termos do §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, à data da constituição do crédito tributário, 24/10/2006, já estaria expirado o direito de a Fazenda Nacional exigir a CPMF sobre fatos geradores ocorridos antes de 24/10/2001; o débito exigido foi pago antes da lavratura do auto de infração, havendo a impugnante validose dos benefícios da Medida Provisória nº 38, de 2002, e formalizado pedido de parcelamento o qual foi inteiramente quitado. Ainda com relação ao pedido de parcelamento acrescenta a interessada que: Após terem sido efetuados os recolhimentos de todas as parcelas (docs. 7 a 12), a Requerente recebeu, em 18.6.2004, um Comunicado expedido pela (...) Administração Tributária (doc. 13), por meio da qual a Requerente foi intimada a efetuar um recolhimento complementar (...), pois a Fiscalização entendeu que os pagamentos efetuados não teriam sido suficientes para quitar o débito, persistindo um saldo remanescente no valor de R$ 3.323,90. Diante disso, em 26.6.2004, a Requerente efetuou o recolhimento do saldo consubstanciado no referido Comunicado (doc. 14), informando a Fiscalização sobre o pagamento em 4.8.2004 (doc. 14). Assim, resta claro que a Requerente cumpriu todas as exigências da MP 38/02, para que o parcelamento de débito fosse celebrado e cumprido, o que demonstra, por conseqüência, que o Fl. 1418DF CARF MF Processo nº 19515.002269/200652 Resolução nº 3201000.841 S3C2T1 Fl. 1.419 4 recolhimento do débito de CPMF em questão ocorreu de forma correta e integral. ........................... Além disso, vale ressaltar que a Requerente já apresentou à Fiscalização cópia do demonstrativo dos valores devidos a título de CPMF apurados mensalmente, por meio do qual fundamentou o pedido de parcelamento dos débitos. Contudo a fiscalização lavrou o Auto de Infração em discussão alegando que não teria conseguido cruzar as informações prestadas pelas instituições financeiras com os dados constantes do demonstrativo apresentado pela Requerente. Isso porque, o demonstrativo elaborado pela Requerente traz uma apuração mensal dos valores devidos, referentes a fatos geradores ocorridos em agosto e dezembro de 1999, nos anos calendário de 2000 e 2001 e nos meses de janeiro a agosto de 2002, enquanto que as informações de que o Fisco dispõe seriam semanais. Ora, esse fato demonstra que a Fiscalização não tem certeza se os valores cobrados pelo Auto de Infração em questão estão ou não quitados por meio do parcelamento efetuado pela Requerente. Diante disso, resta claro que a cobrança em objeto é fruto de mera suposição da Fiscalização, o que não deixa dúvidas de que a exigência tributária é insubsistente. .......................... O pleito foi deferido em parte, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão 0522.354 de 07/07/2008, proferida pelos membros da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP, cuja ementa dispõe, verbis: Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira CPMF Período de apuração: 11/08/1999 a 28/08/2002 Crédito Tributário. Prazo Decadencial. Lançamento De Ofício. Afastado, por inconstitucional, o prazo de dez anos para o lançamento das contribuições destinadas à Seguridade Social, a contagem do prazo decadencial regese pelo disposto no Código Tributário. Na hipótese em que o recolhimento não ocorre ou ocorre em desconformidade com a legislação aplicável e, por conseguinte, procedese ao lançamento de ofício, o prazo decadencial de cinco anos tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que esse lançamento de ofício poderia haver sido realizado. Cancelase a parcela da exigência que não tenha observado esse prazo. Lançamento de Ofício. Contestação. Ônus da Prova. Cabe à autoridade lançadora provar a ocorrência do fato constitutivo do direito de lançar do Fisco. Comprovado o direito de lançar cabe ao sujeito passivo alegar fatos impeditivos, modificativos ou extintivos e além de alegálos, comproválos efetivamente, nos termos do Código de Processo Civil, que estabelece as regras de distribuição do ônus da prova aplicáveis ao PAF, subsidiariamente. Lançamento Procedente em Parte. Fl. 1419DF CARF MF Processo nº 19515.002269/200652 Resolução nº 3201000.841 S3C2T1 Fl. 1.420 5 O julgamento de primeira instância considerou procedente em parte a impugnação, ou seja, acatou a preliminar de decadência para os fatos geradores ocorridos até 31/12/2000, no entanto, manteve a exigência da CPMF para os demais períodos; e no mérito, o contribuinte não logrou comprovar a vinculação do processo de parcelamento (processo nº 11610.017125/200287) com os valores lançados neste, nos termos abaixo: ..... Em sede de preliminar: O prazo decadencial nesta modalidade de constituição do crédito, como assentado no acórdão retrotranscrito, deve ser contado de acordo com o art. 173, I do CTN, iniciandose no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Na medida em que o lançamento de ofício poderia ser efetuado depois de finalizado o fato gerador, o Fisco poderia agir já a partir das datas de efetivação das operações consideradas no Auto. Assim, para os fatos geradores ocorridos em 1999, o marco inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do ano 2000, encerrandose em 31/12/2004. Por seu turno, o prazo para constituição dos créditos decorrentes de fatos geradores ocorridos em 2000 vai de 01/01/2001 até 31/12/2005 e assim sucessivamente. Conseqüentemente, tendo o lançamento sido notificado ao sujeito passivo em 26/10/2006, os fatos geradores ocorridos até 31/12/2000 foram alcançados pela decadência e o crédito tributário correspondente não poderia ter sido constituído por extintos, nos termos do art. 156, V do CTN, pelo que deve ser excluído da presente exigência. ....... No mérito: ....... A contribuinte, por outro lado, cingiuse à alegação de que o crédito tributário exigido de ofício seria o mesmo objeto do pedido de parcelamento. No entanto, em dois momentos teve a interessada a oportunidade de provar o vínculo entre o auto de infração e o parcelamento e não logrou fazêlo com êxito. ......... E conclui, com o seguinte quadro demonstrativo: Quadro Demonstrativo Crédito Tributário Excluído/Mantido PA Resultado do Julgamento 1999 Excluído 2000 Excluído 2001 Mantido 2002 Mantido Fl. 1420DF CARF MF Processo nº 19515.002269/200652 Resolução nº 3201000.841 S3C2T1 Fl. 1.421 6 Inconformado, a recorrente apresenta recurso voluntário, tempestivamente, onde basicamente repisa os argumentos anteriormente apresentados, rebatendo da seguinte forma: a decadência nos termos do que dispõe o § 4° do art. 150 do C'TN e, dessa forma, estaria extinto o direito do Fisco constituir os créditos tributários sobre fatos geradores até 26.10.2001; o valor da CPMF não retido pelos Bancos em razão de medida judicial foi objeto de pedido de parcelamento (fl. 167) que já foi analisado e deferido pela Administração Tributária (fl. 168). Nesse procedimento administrativo a Fiscalização constatou a insuficiência dos recolhimentos efetuados pela Recorrente (fls. 169 a 174) referente à CPMF não retida pelos Bancos (fl. 175). Posteriormente, o Comunicado expedido em 18/06/2004 pela D1ORT/SP (fl. 175) comprova a homologação expressa do lançamento efetuado pela Recorrente, tornando insubsistente este lançamento tributário objeto de litígio; que a Fiscalização já havia procedido ao exame da matéria em questão, com a homologação expressa do pagamento efetuado da CPMF ora exigida, extinta assim nos termos do art. 156, inciso I, do CTN. portanto, já foi efetuado o recolhimento da CPMF exigida no presente auto de infração, através do processo administrativo n° 11610.017125/200287 (fl. 167), sendo que o pedido de parcelamento foi formalizado em 28/08/2002, antes da lavratura do auto de infração. O pedido de parcelamento foi deferido pela DIORT/SP (fl. 168). Através do demonstrativo de fls. 78 e 79 e dos DARFs de fls. 169 a 175 e 176 comprovase o recolhimento da CPMF exigida na auto de infração. faz extensa demonstração para comprovar que a CPMF exigida no auto de infração equivale, àquela recolhida através do parcelamento (fls. 277/287), assim como faz levantamento com base em extratos bancários. (obspaginação com referência em papel) O julgamento do processo pela turma do CARF foi convertido em diligência, através da Resolução de n° 3201000.236 (efl. 1339 e ss, volume 7) para: no intuito de verificar se efetivamente todos os valores cobrados através do lançamento de oficio, consubstanciado no presente processo, foram integralmente recolhidos através de parcelamento objeto do processo administrativo n° 11610.017125/200287,àt vista de todos os elementos de prova constantes dos autos. Elaborar Relatório Conclusivo sobre os fatos apurados na diligência, inclusive manifestandose sobre a existência de outras informações e/ou observações julgadas pertinentes para esclarecer os fatos. A Equipe de Lançamento e Parcelamento — EQPAC/ Divisão de Controle e Acompanhamento Tributário, à efl. 1362 e ss (vol. 7) informa que o processo 11610 017.125/200287 foi consolidado no parcelamento da MP n° 38/2002, nos termos do art. 38, conforme deferimento na fl. 168. Aponta quadros com os débitos com períodos de apuração e vencimentos iguais em ambos os processos. (PA janeiro/2001 a julho/2002). Fl. 1421DF CARF MF Processo nº 19515.002269/200652 Resolução nº 3201000.841 S3C2T1 Fl. 1.422 7 E que todos os débitos do PA 11610017.125/200287 foram liquidados por pagamento, estando atualmente o processo encerrado por quitação de parcelamento. Por sua vez, a Divisão de Fiscalização de São Paulo, informa, às efls. 1369 1371, o seguinte: ..... Atendendo a Determinação da diligência a DERAT juntou os dados referentes ao processo de parcelamento, tendo ainda certificado o seu efetivo recolhimento/quitação. Nos dados agora fornecidos verificamos que as informações abrangem além das instituições anteriormente mencionadas no Auto de Infração os valores do Banco do Brasil não incluídos no lançamento inicial uma vez que nos dados enviados pela programação não constam informações encaminhadas por esta instituição financeira sobre falta de recolhimento de CPMF em decorrência de autorização de ação judicial. Observamos ainda que para conciliação entre os valores lançados existe a dificuldade quanto a que no lançamento de oficio temos períodos de apuração semanais como determinado na Legislação da contribuição enquanto que no parcelamento os períodos são mensais. Desta forma para análise solicitada adotamos dois critérios: (a) excluir os valores referente à CPMF não retida pelo Banco do Brasil S/A, que não foram objeto do lançamento de oficio questionado; e (b) considerarmos como devidos no mês todos os períodos de apuração cujo vencimento ocorram dentro daquele mês calendário, tendo em vista que o percentual de juros de mora seria o mesmo. Frente ao exposto, elaboramos a Tabela a seguir com base nos dados apresentados com as colunas de A a F. com os seguintes conteúdos: E dessa forma, explica cada coluna (A, B, C, D, E e F) chega ao quadro com o resultado final da diferença entre o valor da autuação e o valor do parcelamento. Assim sendo conclui: O período objeto do processo de parcelamento no 11610 017125/2002 87, é coincidente com o os períodos de apuração objeto da autuação do presente procedimento; No processo de parcelamento foram inclusos fatos geradores referente a movimentação financeira no Banco do Brasil que não se encontram contempladas no presente Auto de Infração em decorrência de não terem sido encaminhadas as informações de falta de retenção da CPMF na programação da fiscalização; Os valores por período de apuração não encontram correspondência sendo que em alguns períodos existe insuficiência Fl. 1422DF CARF MF Processo nº 19515.002269/200652 Resolução nº 3201000.841 S3C2T1 Fl. 1.423 8 de declaração e em outros declaração a maior que a apurada pelos critérios definidos, conforme a tabela acima; 0 valor total apurado pela fiscalização é superior ao valor parcelado no montante de R$ 2.687,11. A recorrente foi cientificada e se manifesta às efls.13741382, onde reproduzo alguns trechos: 1. À fl. 1.225 encontramos manifestação da Equipe de Lançamento e Parcelamento (EQPAC) que se limitou a informar que o processo 11610017.125/200287 foi consolidado no parcelamento da MP 38/2002 e q_ue todos os débitos foram liquidados, sem demonstrar como se chegou ao saldo remanescente de R$ 2.060,95 (fl. 175) e sem informar as respectivas contas bancárias que foram objeto das verificações. Apresentou também planilha informando que, através de extrato do processo 11610 017.125/ 200287 têmse os seguintes débitos com período de apuração e vencimento iguais em ambos os processos. Nessa planilha apresenta dois demonstrativos com os respectivos códigos de receita, PA, vencimento e valor, referentes aos processos n's 11610 017.125/200287 e 19515002.269/200652 2. A Recorrente não conseguiu chegar nos valores informados na tabela elaborada pela EQPAC referente ao processo 19515 002.269/200652 (fl. 1.225) e também não localizou nos autos as informações sobre a análise por ela feita (EQPAC) no processo de parcelamento n° 11610017125/200287, que resultou no saldo remanescente de R$ 2.060,95 (fl. 175). Esse detalhamento deveria informar também as respectivas contas correntes verificadas, visando esclarecer se os valores da CPMF objeto do parcelamento referemse aos mesmo valores lançados no auto de infração, conforme determinado pelo CARF. 3. Assim, entende a Recorrente que se faz necessário, para sua manifestação, que seja esclarecido pela EQPAC como se chegou (i) ao saldo devedor de R$ 2.060,95 informando as contas bancárias analisadas, e também como se chegou (ii) aos valores consignados no demonstrativo de fl. 1225 referentes ao processo n° 19515002.269/200652 que, num primeiro momento, parece que não tem nada a ver com os valores constantes deste processo. ........... 9. Na apuração do valor de R$ 2.687,11 a Autoridade Fiscal não levou em consideração o saldo remanescente apurado pela Divisão de Orientação e Análise Tributária/EQPAC (fls. 175) de R$ 2.060,95 e também recolhido pela Recorrente (fl. 176). Assim, deduzindo de R$ 2.687,11 o valor recolhido de R$ 2.060,95, resulta um saldo remanescente de R$ 626,16. Essa pequena diferença evidencia, por si só, a verdade dos fatos alegados pela Recorrente. Fl. 1423DF CARF MF Processo nº 19515.002269/200652 Resolução nº 3201000.841 S3C2T1 Fl. 1.424 9 O processo digitalizado foi redistribuído e encaminhado a esta Conselheira para prosseguimento, de forma regimental. É o relatório. VOTO Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O recurso voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Versa o presente de Auto de Infração referente à insuficiência de recolhimento da CPMF. Registrese que a decisão a quo já acatou a preliminar de decadência para os fatos geradores ocorridos até 31/12/2000 e manteve para os outros períodos, conforme relatado. A recorrente, insiste que efetuou quase todo o recolhimento da CPMF exigida no presente auto de infração, através do processo administrativo de n° 11610.017125/200287 (de parcelamento). Com os esclarecimentos e informações da EQPAC, DIFIS e a recorrente, observei que de fato existe a informação da Divisão de Orientação de Análise Tributação/EQPAC em 18/06/2004, a despeito do processo de parcelamento, cujo pleito deuse em 28/08/2002 (antes da lavratura do auto de infração em questão), bem como foi deferido o parcelamento nesta mesma data (efl. 173) em que dispõe: Em análise realizada no processo acima identificado, verificamos que os pagamentos efetuados por V.S.a de 31/07 a 30/12/2002, não foram suficientes para quitar o débito, sendo assim encaminhamos DARF do saldo remanescente, e extratos do processo. Logo, restando o valor de R$ 2.060,95 (à efl.180 e fl.175papel), e de pronto houve o recolhimento, por parte da recorrente, cujo DARF encontrase à fl. 176 (papel, volume I). Com esse dado, perguntase e verificase que a EQPAC, quando da análise do processo de parcelamento (11610017.125/200287), também não detalhou os períodos de apuração e nem os bancos a que se referia o saldo remanescente de R$ 2.060,95 (fls. 175 e 176), ou seja, limitouse, simplesmente, a informar o saldo remanescente e intimou a recorrente a efetuar o seu recolhimento, o que foi feito de pronto (fl. 176), então este valor, indago, foi recolhido e foi levado em conta nos quadros, nos informes ao CARF, por conta da demanda da diligência? Pois, insiste a recorrente que na apuração do valor remanescente de R$ 2.687,11, a Autoridade Fiscal não levou em consideração o saldo restante apurado pela Divisão de Orientação e Análise Tributária EQPAC (fls. 175) de R$ 2.060,95 e também recolhido (fl. 176). Argumenta a recorrente que deduzindo de R$ 2.687,11 o valor recolhido de R$ 2.060,95, o que resultaria um saldo remanescente de R$ 626,16 e não R$ 2.687,11. Em assim sendo, entendo que esta informação também é relevante ao deslinde do litígio e deve ser esclarecida (confirmada ou não) pela autoridade fiscal da unidade Fl. 1424DF CARF MF Processo nº 19515.002269/200652 Resolução nº 3201000.841 S3C2T1 Fl. 1.425 10 preparadoraEQPAC, bem como a DIFIS/São Paulo, em conjunto, sobre o valor de R$ 2.060,95, recolhido no processo de parcelamento, se foi levado em conta no informativo fiscal ao CARF, tendo em vista a necessidade de certeza se os valores recolhidos foram suficientes para quitar o crédito tributário lançado, bem como explicar este valor acima. Enfim, o saldo final seria R$ 626,16 ou R$ 2.687,11, pelas considerações expostas acima; elaborando, conforme o caso, nova demonstração e composição do resultado do lançamento referentes ao período em questão (evidente, sem inclusão de parcela do Banco do Brasil, como bem apontou a autoridade fiscal). Enfim, elaborar Relatório Conclusivo sobre os fatos apurados na diligência, inclusive manifestandose sobre a existência de outras informações e/ou observações julgadas pertinentes para esclarecer os fatos. Dessa forma, voto por que se CONVERTA O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para atender ao solicitado acima. Por fim, a recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, antes da devolução do processo para julgamento a esta Turma para prosseguimento no julgamento. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 1425DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.020419/2010-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS.
No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá sobre o total dos rendimentos, podendo ser deduzido o valor das despesas com ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos, inclusive com advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização.
NULIDADE DO LANÇAMENTO. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE CAIXA X REGIME DE COMPETÊNCIA. INOCORRÊNCIA.
Não há que se cogitar de nulidade de lançamento de ofício quando obedecidos pela autoridade lançadora os ditames do art. 142 do Código Tributário Nacional e da lei tributária aplicável ao ano-calendário do recebimento dos valores acumulados.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF). RECURSO EXTRAORDINÁRIO (RE) Nº 614.406/RS. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA.
A decisão definitiva de mérito no RE nº 614.406/RS, proferida pelo STF na sistemática da repercussão geral, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
O imposto sobre a renda incidente sobre os rendimentos acumulados percebidos no ano-calendário de 2008 deve ser apurado com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, calculado de forma mensal, e não pelo montante global pago extemporaneamente.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-004.637
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, e, no mérito, por voto de qualidade, dar-lhe provimento parcial, para: a) excluir da base cálculo os valores pagos a título de honorários; e b) recalcular o IRPF relativo ao rendimento recebido acumuladamente com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte (regime de competência). Vencidos a relatora e os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Cleberson Alex Friess, Marcio Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Alexandre Tortato e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE (RRA) Recorrente AROLDO FERREIRA DO BEM Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá sobre o total dos rendimentos, podendo ser deduzido o valor das despesas com ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos, inclusive com advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. NULIDADE DO LANÇAMENTO. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE CAIXA X REGIME DE COMPETÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Não há que se cogitar de nulidade de lançamento de ofício quando obedecidos pela autoridade lançadora os ditames do art. 142 do Código Tributário Nacional e da lei tributária aplicável ao anocalendário do recebimento dos valores acumulados. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF). RECURSO EXTRAORDINÁRIO (RE) Nº 614.406/RS. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. A decisão definitiva de mérito no RE nº 614.406/RS, proferida pelo STF na sistemática da repercussão geral, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. O imposto sobre a renda incidente sobre os rendimentos acumulados percebidos no anocalendário de 2008 deve ser apurado com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 02 04 19 /2 01 0- 64 Fl. 123DF CARF MF 2 calculado de forma mensal, e não pelo montante global pago extemporaneamente. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, e, no mérito, por voto de qualidade, darlhe provimento parcial, para: a) excluir da base cálculo os valores pagos a título de honorários; e b) recalcular o IRPF relativo ao rendimento recebido acumuladamente com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte (regime de competência). Vencidos a relatora e os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Cleberson Alex Friess, Marcio Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Alexandre Tortato e Rayd Santana Ferreira. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 15504.020419/201064 Acórdão n.º 2401004.637 S2C4T1 Fl. 124 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (DRJ/BHE), que julgou improcedente a impugnação, mantendo o Crédito Tributário, conforme ementa do Acórdão nº 0235.644 (fls. 48/51): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2009 EMENTA. DISPENSA DE ELABORAÇÃO. Ementa dispensada de elaboração com fundamento na Portaria SRF n° 1.364, de 10 de novembro de 2004, publicada no Diário Oficial da União de 11 de novembro de 2004. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O Presente processo teve sua origem na Notificação de Lançamento Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF nº 2009/992131740085330 (fls. 09/12), lavrada em procedimento de revisão da declaração de ajuste anual do exercício 2009, ano calendário 2008, exigindo do Contribuinte o Crédito Tributário de R$ 3.031,16, abrangendo: 1. Imposto de Renda Pessoa Física – Suplementar (Cód. 2904) de R$ 1.600,32; 2. Multa de Ofício de R$ 1.200,24; 3. Juros de Mora de R$ 230,60. De acordo com as Descrições dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 10), da análise das informações e documentos o Auditor Fiscal constatou que o Contribuinte deixou de declarar em sua DAA o valor de R$ 5.819,33 do total recebido em uma ação trabalhista. Diz que esse valor a menor pode se referir aos honorários pagos ao advogado mas informa que não houve apresentação do respectivo recibo. Em 10/12/2010, após tomar ciência do lançamento, o Contribuinte apresentou tempestivamente impugnação (fls. 02/06) onde diz: 1. Que em 26/11/2007 entrou com uma reclamação trabalhista no TRT da 17ª região, em conjunto com o Sr. Newton Silva, contra a empresa Varco Internacional do Brasil Equipamentos e Serviços Ltda.; 2. Que em 15/05/2008, após a decisão definitiva, a empresa depositou na CEF a importância de R$ 133.195,00 para pagamento dos dois Fl. 125DF CARF MF 4 reclamantes, conforme Carta Precatória (fl. 14) e Guia de Depósito Judicial Trabalhista (fl. 15); 3. Que em 19/06/2008 seu advogado, Dr. Hélio Armando de Castro Guedes, depositou em sua conta corrente do Banco do Brasil a importância líquida de R$ 47.057,76 referentes a sua parte da ação trabalhista (fl. 16); 4. Que seu advogado, em 23/06/2008, lhe enviou um email (fl. 18) onde discrimina o valor que lhe cabe fruto da ação trabalhista, inclusive destacando o valor do IRRF e os seus honorários de 20%; 5. Que, após inúmeras tentativas e entrar em contato com o advogado para obter maiores esclarecimentos sobre os valores recebidos, ficou sabendo do seu falecimento através do seu colega Newton Silva, razão pela qual ficou sem obter um documento formal dos honorários pagos; 6. Que obteve junto ao Fórum Trabalhista cópias dos depósitos bancários, dos tributos recolhidos e dos encargos sociais pagos, mas que tudo havia sido feito de forma globalizada, sem individualizar o que era referente à cada um dos autores da ação; 7. Que à época de fazer a sua DAA – Ano Base 2008 se socorreu de um contador e do Plantão Fiscal da Receita Federal. Por fim, afirma que preencheu sua DAA – Ano Base 2008 fazendo uso dos dados fornecidos pelo advogado (fls.05/06) e conclui dizendo ter demonstrado a insubsistência e improcedência da ação fiscal razão pela qual requer o acolhimento de sua impugnação com o consequente cancelamento do débito fiscal. Encaminhado o processo para apreciação e julgamento, a 7ª Turma da DRJ/BHE julgou improcedente a impugnação do contribuinte, sendo este notificado do Acórdão de nº 0235.644 em 21/11/2011 (fls. 57/58). A Turma julgadora de primeira instância entendeu pela procedência do lançamento, afirmando que o contribuinte não foi capaz de refutar a omissão apurada pela autoridade lançadora, na medida em que não comprovou os rendimentos isentos no valor de 8.555,49 relativos ao FGTS e que a despesa com advogado só poderia ter sido dedutível dos rendimentos tributáveis após a demonstração da parcela que lhe foi reservada. Em 14/12/2011 apresentou Recurso Voluntário (fls. 59/61), instruído com os documentos de folhas 62 a 116, onde solicita que sejam analisados os documentos apresentados e relacionados no recurso a fim de comprovar a veracidade dos valores lançados em sua DAA – Ano Base 2008. Apresenta Quadros discriminando todos os valores recebidos e os que entende serem isentos de tributação do imposto de renda. Finaliza pleiteando pelo cancelamento do débito fiscal. É o relatório. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 15504.020419/201064 Acórdão n.º 2401004.637 S2C4T1 Fl. 125 5 Voto Vencido Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Mérito Conforme se verifica dos autos, trata de recurso voluntário contra a exigência do Imposto de Renda Pessoa Física referente ao anocalendário 2008, decorrente de omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de processo judicial trabalhista, no valor de R$ 5.819,33, em face da manutenção do crédito tributário pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Segundo a autoridade lançadora, o contribuinte declarou valor menor que o recebido, aduzindo ainda que poderia ter pagamento a advogados, sem, contudo, ter o contribuinte apresentado o recibo. Por ocasião da apresentação de sua peça recursal, o contribuinte reitera a improcedência da ação fiscal, faz a juntada de novos documentos, e, por fim, requer o cancelamento do débito fiscal. A divergência persiste na consideração da parcela isenta e na dedução da base tributável do valor pago ao advogado. Conheço dos documentos adunados ao recurso em homenagem ao princípio do formalismo moderado e da verdade material albergada no processo administrativo. Da dedução da base de cálculo tributável do valor pago de honorários advocatícios Do que se extrai dos autos do processo, a Notificação de Lançamento decorreu de procedimento de revisão de Declaração de Ajuste Anual (fls. 09/10), nos termos do Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido (fls. 11). O recorrente aduz que recebeu 83.012,34 (fls. 84) de valor bruto da ação trabalhista e alega que efetuou pagamento de R$ 16.602,47 de honorários advocatícios. Fl. 127DF CARF MF 6 Nos termos do § 2º do art. 12A da Lei 7.713/88, as despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, podem ser deduzidas, desde que tenham sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Confirase: Art. 12A. Os rendimentos recebidos acumuladamente e submetidos à incidência do imposto sobre a renda com base na tabela progressiva, quando correspondentes a anoscalendário anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. (Redação dada pela Lei nº 13.149, de 2015) § 2o Poderão ser excluídas as despesas, relativas ao montante dos rendimentos tributáveis, com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) Da mesma forma é a disposição estabelecida no art. 56, parágrafo único do Regulamento do Imposto de Renda: Art. 56. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá no mês do recebimento, sobre o total dos rendimentos, inclusive juros e atualização monetária (Lei nº 7.713, de 1988, art. 12). Parágrafo único. Para os efeitos deste artigo, poderá ser deduzido o valor das despesas com ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos, inclusive com advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização (Lei nº 7.713, de 1988, art. 12). Dos dispositivos das normas acima mencionadas, verificase que para serem excluídos da base de cálculo do Imposto de Renda incidente sobre os Rendimentos Recebidos Acumuladamente, os honorários advocatícios devem referirse às despesas realizadas com a ação judicial, ter sido pago pelo contribuinte e não ter sido objeto de indenização. No caso específico, as informações constantes no email recebido do advogado Hélio Guedes (fl. 18) e no extrato da conta corrente do contribuinte (fls. 16), corroboram com o que foi asseverado pelo contribuinte concernente ao pagamento de honorários advocatícios no valor de 16.602,47. Foram juntados aos autos os seguintes documentos: Guia de Depósito Judicial Trabalhista no valor total de R$ 133.195,00 (fls. 15); Alvará judicial individualizado em nome do recorrente no valor de R$ 63.673,73 fora os acréscimos legais (fls. 81); cálculo de Atualização Monetária e Juros de Mora emitida pelo TRT da 17ª Região (fls. 84) em que consta o valor base de R$ 68.081,98, acrescido de juros de R$ 14.930,38, totalizando o montante de R$ 83.012,36, e IRRF no valor de R$ 19.338,63. Nesse contexto, verifico que os valores indicados nos documentos acostados aos autos confirmam as informações contidas em correio eletrônico (fls. 17/18) relativas à Reclamatória Trabalhista (Processo nº 0386.2006.191.17.000), razão porque acolho o conjunto de documentos apresentados como prova suficiente e apta a comprovar o pagamento dos referidos honorários. Fl. 128DF CARF MF Processo nº 15504.020419/201064 Acórdão n.º 2401004.637 S2C4T1 Fl. 126 7 O contribuinte não conseguiu demonstrar através de documentos hábeis as parcelas isentas de tributação. Assim, deve ser excluída dos RRA a despesa relativa ao pagamento de honorários no valor de R$ 16.602,47. Dos rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente O Recorrente recebeu valores decorrente de reclamação trabalhista movida em face de seu exempregador, através do Processo nº 0386.2006.191.17.000, perante a 1ª Vara do Trabalho de São Mateus/ES. Referidos valores foram recebidos de forma acumulada no anocalendário de 2008. Ocorre que o lançamento foi perfectibilizado utilizando o regime de caixa e não o de competência com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Assim, cabe à análise da compatibilidade do lançamento com a norma estabelecida no art. 142 do Código Tributário Nacional. Destarte, a art. 12A da Lei nº 7.713/1988, acrescido pela Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010 e posteriormente convertida na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, alterou a sistemática de tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente correspondentes aos anoscalendário anteriores ao do recebimento. De acordo com a norma do art. 12A da Lei nº 7.713/1988, necessário se faz que o aferimento da obrigação tributária, referente aos Rendimentos Recebidos Acumuladamente, observe o critério quantitativo da base de cálculo e alíquota dos anos calendários em que os valores deveriam ter sido recebidos, conforme se destaca a seguir: Art. 12A. Os rendimentos recebidos acumuladamente e submetidos à incidência do imposto sobre a renda com base na tabela progressiva, quando correspondentes a anoscalendário anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. (Redação dada pela Lei nº 13.149, de 2015) § 1o O imposto será retido pela pessoa física ou jurídica obrigada ao pagamento ou pela instituição financeira depositária do crédito e calculado sobre o montante dos rendimentos pagos, mediante a utilização de tabela progressiva resultante da multiplicação da quantidade de meses a que se refiram os rendimentos pelos valores constantes da tabela progressiva mensal correspondente ao mês do recebimento ou crédito. (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) A aplicação do art. 12A da Lei nº 7.713/1988 reflete o posicionamento firmado no âmbito do Supremo Tribunal Federal, em sede de repercussão geral (RE nº 614.406/RS), transitado em julgado em 9/12/2014: Fl. 129DF CARF MF 8 IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. (RE 614406, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 23/10/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe233 DIVULG 26112014 PUBLIC 27 112014). Destarte, em virtude do que dispõe o art. 62, § 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria nº 343/2015, os Conselheiros deverão reproduzir as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e pelo STJ no rito dos artigos 543B e 543C do CPC. Vejase: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, o cálculo do tributo devido relativo aos rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deve ser realizado levandose em consideração as tabelas e alíquotas vigentes nas competências correspondentes a cada uma das parcelas integrantes do pagamento recebido de forma acumulada. Como se vê do lançamento, ao não aplicar a Lei em questão, constatase nitidamente o equívoco da fiscalização na base de cálculo tributável, na medida em que utilizou o regime de caixa e não o de competência, configurando erro de cunho material na apuração do montante devido, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional. Assim, do exame dos elementos que instruem o processo administrativo, deve ser anulado o lançamento. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO, para cancelar a exigência contida no lançamento. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 15504.020419/201064 Acórdão n.º 2401004.637 S2C4T1 Fl. 127 9 Voto Vencedor Conselheiro Cleberson Alex Friess Redator Designado Peço vênia a I. Relatora para divergir do seu ponto de vista, especificamente quanto à nulidade do lançamento de ofício. Via de regra a lei tributária tem efeitos prospectivos, aplicandose ao lançamento do crédito tributário a legislação então vigente na data da ocorrência do respectivo fato gerador, ainda que posteriormente modificada ou revogada (arts. 105 e 144 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional CTN): Art. 105. A legislação tributária aplicase imediatamente aos fatos geradores futuros e aos pendentes, assim entendidos aqueles cuja ocorrência tenha tido início mas não esteja completa nos termos do artigo 116. (...) Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. (...) (GRIFOUSE) Como bem pontuou o voto vencido, o art. 12A da Lei nº 7.713, de 1988, acrescido pela MP nº 497, de 2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350, de 2010, alterou a sistemática de tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente correspondentes a anoscalendário anteriores ao do recebimento. Tais rendimentos passaram a serem tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, submetidos à tabela progressiva do imposto sobre a renda. A mudança no regime de tributação, exclusivamente na fonte, implicou alterações nos elementos componentes da regramatriz de incidência tributária do imposto sobre a renda. Longe de um caráter meramente elucidativo, explicitador ou procedimental, tratouse de inovação da legislação tributária. Fl. 131DF CARF MF 10 Por isso, em consonância com as prescrições contidas no CTN, a aplicabilidade do art. 12A da Lei nº 7.713, de 1988, restringese aos rendimentos recebidos acumuladamente a partir do anocalendário de 2010, independentemente do momento do lançamento. Em consequência, sob tal ótica de compreensão da legislação tributária aplicável à matéria, não há que se falar em vício no lançamento realizado pela autoridade fiscal, relativamente ao anocalendário de 2008. No que tange aos fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2008, a tributação está submetida ao estabelecido no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, o qual previa a incidência do imposto no mês do recebimento dos valores acumulados, no chamado "regime de caixa". Segundo o art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, o imposto incidia no mês da percepção dos valores acumulados, utilizandose as tabelas e alíquotas vigentes na época do recebimento dessas parcelas, quando auferida a renda, independentemente do período que deveriam ter sido adimplidos, adotandose como parâmetro o montante global pago a destempo. Todavia, o Supremo Tribunal Federal (STF), por meio do Recurso Extraordinário (RE) nº 614.406/RS, com repercussão geral reconhecida, afastou o "regime de caixa" e acolheu o "regime de competência" para o cálculo mensal do imposto sobre a renda devido pela pessoa física, com a utilização das tabelas progressivas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos Quando do julgamento de mérito, a Corte Suprema não reconheceu a inexistência de obrigação tributária em face do art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, tampouco pronunciouse pela necessidade de cancelamento dos lançamentos tributários efetuados nos moldes desse artigo de lei. Asseverou, em verdade, que a obrigação tributária, quantificada pelo crédito tributário, davase em montante diverso daquele apurado segundo o critério do "regime de caixa", devendose avaliar a base de cálculo do tributo incidente sobre os valores percebidos acumuladamente, para efeito de fixação de alíquotas, segundo o momento a que o contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos. Desse modo, haveria compatibilização do dispositivo de lei com os princípios da isonomia e da capacidade contributiva previstos na Carta Política de 1988. Quero dizer, assim, que sob à égide do art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, não se cogitou de vício no lançamento para fins de incidência do imposto sobre a renda da pessoa física, quando da percepção de rendimentos de forma acumulada. Daí porque é igualmente descabido suscitar a nulidade do lançamento de ofício por entender que restou configurado erro material na apuração do montante devido pelo contribuinte, tendo em conta o decidido no RE nº 614.406/RS. Em que pese a necessidade de ajustes na metodologia de cálculo do tributo, o lançamento efetuado mantém compatibilidade com o prescrito no art. 142 do CTN. Nessa linha de raciocínio, devese, tãosomente, reproduzir o entendimento do STF no âmbito das decisões proferidas em grau de recurso pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (art. 62, § 2º, do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho RICARF , Fl. 132DF CARF MF Processo nº 15504.020419/201064 Acórdão n.º 2401004.637 S2C4T1 Fl. 128 11 aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, com a redação dada pela Portaria MF nº 152, de 3 de maio de 2016). Em outros dizeres, no tocante aos rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente pelo recorrente, relativos ao anocalendário de 2008, a incidência do imposto sobre a renda ocorre no mês de recebimento ou crédito, porém o cálculo deve considerar as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos, realizandose o cálculo de forma mensal, e não pelo montante global pago extemporaneamente. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e, no mérito, DOULHE PROVIMENTO PARCIAL para determinar o recálculo do imposto sobre a renda devido quanto aos rendimentos recebidos acumuladamente, com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte (regime de competência). Por sua vez, acompanho a I. Relatora na parte em que excluiu da base de cálculo tributável a despesa relativa ao pagamento de honorários advocatícios no valor de R$ 16.602,47. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 133DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.720285/2010-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/12/2006
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. NATUREZA DO VICIO. FALTA DE SUBSUNÇÃO DOS FATOS A NORMA.
Constatada que não há uma escorreita ligação entre os fatos supostamente praticados pelo contribuinte, com a norma legal que fundamenta a autuação, o auto de infração deve ser nulo por vicio material, por ferir requisito essencial na constituição do lançamento, nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional e por nos termos dos requisitos do art. 10 do Decreto n.º 70.235/72.
Numero da decisão: 9303-004.603
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello.
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NATUREZA DO VICIO. FALTA DE SUBSUNÇÃO DOS FATOS A NORMA. Constatada que não há uma escorreita ligação entre os fatos supostamente praticados pelo contribuinte, com a norma legal que fundamenta a autuação, o auto de infração deve ser nulo por vicio material, por ferir requisito essencial na constituição do lançamento, nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional e por nos termos dos requisitos do art. 10 do Decreto n.º 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 02 85 /2 01 0- 11 Fl. 5663DF CARF MF Processo nº 10283.720285/201011 Acórdão n.º 9303004.603 CSRFT3 Fl. 5.664 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional ( fls.5565 a 5574) contra o acórdão n.º 3102001.645, de 23 de outubro de 2012 (fls. 5549 a 5562) do processo eletrônico, proferido pela Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que por unanimidade de votos, negou provimento ao Recurso de Ofício, conforme acórdão assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/2006 NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. FALTA DE SUBSUNÇÃO DOS FATOS A NORMA. Constatada que não há uma escorreita ligação entre os fatos supostamente praticados pelo contribuinte, com a norma legal que fundamenta a autuação, nulo por vicio material será o auto de infração, por ferir requisito essencial na constituição do lançamento, nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional. Recurso de Ofício Negado A divergência suscitada pela Fazenda Nacional foi em razão da nulidade do auto de infração, conforme apontada pela decisão recorrida, em caso de erro no enquadramento legal que fundamentou a autuação. A Fazenda Nacional apresentou como paradigmas os acórdãos de números 140100.329, 10617.047, 30333.365 e 30239395 transcritos na sua integralidade no corpo do recurso especial. O recurso especial do Fazenda Nacional foi admitido conforme despacho de fls. 5577 e 5578. As empresas contribuintes Transportes Rodrigo Ltda. e Semp Toshiba Amazonas S/A são solidárias neste processo e ambas tomaram ciência do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, mas somente a segunda contribuinte apresentou Fl. 5664DF CARF MF Processo nº 10283.720285/201011 Acórdão n.º 9303004.603 CSRFT3 Fl. 5.665 3 contrarrazões (fls. 5637 a 5652) requerendo o não provimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional, e a manutenção da decisão v. Acórdão. É o relatório em síntese. Voto Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora A DRJ autoridade de primeira instância ao apreciar a impugnação, decidiu por declarar nulo por vicio material o lançamento, por entender que: “Constatada que não há uma escorreita ligação entre os fatos supostamente praticados pelo contribuinte, com a norma legal que, fundamenta a autuação, nulo por vicio material será o auto de infração, por ferir requisito essencial na constituição do lançamento, nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional. Analisando os autos, observase que o cerne da questão referese a saída de mercadorias industrializadas na Zona Franca de Manaus com utilização de insumos importados, bem como a solidariedade passiva em relação à empresa SEMP TOSHIBA AMAZONAS LTDA. A fiscalização afirma que houve internação de mercadorias sem anuência da autoridade aduaneira, conduta que infringe as normas aduaneiras e elencou a empresa SEMP TOSHIBA AMAZONAS como devedora solidária. A base legal utilizada no lançamento foi o art. 83, inciso I, da Lei n.º 4.502/1964, senão vejamos: "Art. 83. Incorrem em multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe é atribuído na nota fiscal, respectivamente: I Os que entregarem ao consumo, ou consumirem produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido desacompanhado da nota de importação ou da nota fiscal, conforme o caso". Fl. 5665DF CARF MF Processo nº 10283.720285/201011 Acórdão n.º 9303004.603 CSRFT3 Fl. 5.666 4 A fiscalização após trabalho de auditoria detectou que houve saída de mercadorias produzidas na Zona Franca de Manaus com a utilização de insumos importados e com base nos dispositivos que tratam da aplicação da pena de perdimento (artigos 618, 623 e 631 do Decreto 4543/2002 — Regulamento Aduaneiro vigente a época dos fatos — e artigo 25 da IN 242/2002), formou a convicção de que tais mercadorias estavam passíveis de perdimento. Entretanto, considerando o fato de que as mercadorias não mais estavam em poder das Recorridas, converteram a pena de perdimento em multa em quantia equivalente ao valor comercial da mercadoria, com supedâneo o artigo 83, I da Lei 4.502/1964, ao entender que houve entrega de mercadoria ao consumo de produto de procedência estrangeira. Entenderam que o bem, embora tenha sido fabricado na Zona Franca Manaus, utilizou em sua produção insumos de procedência estrangeira. Diante disto, tinham a qualidade de produto estrangeiro e que uma internação irregular equiparase a uma importação irregular. E além disso, teria havido entrada no estabelecimento e dele saído produto de origem estrangeira desacompanhado de nota fiscal, ou seja, foi importado fraudulentamente. Entretanto, analisando os fatos, devese frisar que os produtos que supostamente foram internalizados irregularmente são de fabricação nacional, ou seja, produzidos no território nacional. Tal fato é reconhecido pela própria fiscalização, conforme trechos abaixo destacado: 11. Destaca, ainda, que, embora as mercadorias em questão tenham sido montadas pela empresa SEMP TOSHIBA em território nacional, tratamse de insumos adentrados no território nacional com a suspensão dos tributos incidentes, portanto, não nacionalizados, devendo, quando da Zona Franca sair, cumprir o estabelecido no Decreto Lei n° 288/1967, art. 70, para então considerarmos estas mercadorias nacionais No entanto, a tipificação legal alegada diz respeito a produto de procedência estrangeira. Neste aspecto, vejo que há uma dissonância entre a suposta conduta praticada pela empresa TRANSPORTES RODRIGO e SEMP TOSHIBA e a descrição do dispositivo legal. Fl. 5666DF CARF MF Processo nº 10283.720285/201011 Acórdão n.º 9303004.603 CSRFT3 Fl. 5.667 5 Ora, não se pode dar o mesmo tratamento para a um produto produzido na Zona Franca de Manaus, e a um produto estrangeiro. Em que pese as peculiaridades desta área especial. 0 produto produzido na Zona Franca de Manaus deve ser e é considerado produto nacional, mesmo porque já faz parte da economia nacional; a sua própria produção gera riquezas nacionais como pagamento de impostos, geração de emprego, dentre outros ganhos. Assim, a argumentação da fiscalização de que um produto produzido na Zona Franca de Manaus com a utilização de insumos importados, equiparasse a um produto totalmente estrangeiro, não encontra guarida no ordenamento jurídico pátrio ante a falta de embasamento legal para esta interpretação. Verificase que um trecho do relatório dá a entender que a multa em epígrafe é aplicada em decorrência da comercialização de produto de procedência estrangeira sem nota fiscal, conforme abaixo: "Ainda sobre a penalidade aplicada a comercialização de produto de procedência estrangeira sem nota fiscal, destaca a Lei n°4.502/1964, que diz: Art. 83. Incorrem em multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe é atribuído na nota fiscal, respectivamente: (Vide DecretoLei n° 326, de 1967) I Os que entregarem ao consumo, ou consumirem produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no Pais ou importado irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido desacompanhado da nota de importação ou da nota fiscal, confirme o caso; (Redação dada pelo DecretoLei n°400, de 1968)". Observese que os produtos que estariam supostamente desacompanhados de nota fiscal, não são de procedência estrangeira, conforme já destacado, mas produzidos na Zona Franca de Manaus com insumos, estes sim, importados. Portanto, o caso não se amolda ao núcleo do dispositivo legal citado pela autoridade autuante. No caso aqui tratado, a fiscalização aduaneira elaborou todo um raciocínio lógico para demonstrar que houve internalizados de produtos fabricados na Zona Franca de Manaus sem a anuência da Aduana e, aplicando a legislação de regência, caberia a aplicação da Fl. 5667DF CARF MF Processo nº 10283.720285/201011 Acórdão n.º 9303004.603 CSRFT3 Fl. 5.668 6 pena de perdimento, ante a ausência das mercadorias entendeu que se infligiria a penalidade plasmada no Artigo 83, 1 da Lei 4.502/64. Entretanto, com subsídios nos argumentos acima expostos, entendo ser inaplicável o referido dispositivo legal ao caso, pois mesmo que tenha ocorrido suposta internação irregular, as mercadorias internadas são de origem nacional, produzidas na Zona Franca de Manaus, portanto, não há a necessária subsunção do fato à norma. A meu ver, o auditor autuante, por ora da constituição do crédito em discussão, ao não fundamentar devidamente os fatos, descumpriu requisito essencial constituição do lançamento que atinge a própria verificação da ocorrência do fato gerador, não se podendo, do modo apresentado, concluirse acerca de seu escorreito cabimento. Dessa forma, penso que foram violados requisitos essenciais ao lançamento presentes no art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, quais seriam, a demonstração da ocorrência do fato gerador e o consequente cabimento da penalidade, verbis: Art. 142. Compete privativamente ei autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. (grifei) Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Assim, com a devida vênia, entendo que não restaram configurados todos os elementos nucleares da relação jurídicotributária em pauta, eis que houve violação de requisito essencial ao lançamento, fato que caracteriza a existência do vicio material. Ademais, o Processo Administrativo Fiscal, por obrigação, regese pelo princípio da vinculação legal. O art. 10 do Decreto nº 70.235/72 determina as exigências para formalização do Auto de Infração, qual sejam: Fl. 5668DF CARF MF Processo nº 10283.720285/201011 Acórdão n.º 9303004.603 CSRFT3 Fl. 5.669 7 “Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.” O inciso IV, do art. 10 é claro ao exigir para a constituição do Auto de Infração a disposição legal infringida e a penalidade aplicável. O lançamento ora combatido, teve como base a conversão da pena de perdimento em multa, devido a saída de mercadorias produzidas na Zona Franca de Manaus, utilizando produtos estrangeiros, sem a suposta emissão de Notas Fiscais. Já a base legal utilizada, descreve como punível com a multa no valor da mercadoria, aqueles que entregarem ao consumo produtos de procedência estrangeira introduzidos clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente. Pela descrição da base legal, fica cristalino que a penalidade é aplicada a produtos estrangeiros, que tenham sido importados irregularmente ou de forma fraudulenta. As mercadorias em discussão no presente processo são mercadorias produzidas no País. Apesar de utilizarem insumos estrangeiros e estarem sob o controles da Regime Especial previsto para as empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, estes fatos, não transformam as mercadorias ali produzidas em mercadorias estrangeiras, tampouco há de se falar em importação destes produtos. Desta maneira, vejo claramente o acerto na decisão da primeira instância. O enquadramento legal a sustentar o Auto de Infração é questão de mérito e matéria intrínseca ao Fl. 5669DF CARF MF Processo nº 10283.720285/201011 Acórdão n.º 9303004.603 CSRFT3 Fl. 5.670 8 Auto de Infração e a sua utilização em desacordo com os fatos apurados, torna materialmente nulo o lançamento realizado. Diante do exposto voto no sentido de negar provimento ao Recurso de Especial da Fazenda. É como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 5670DF CARF MF
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