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Numero do processo: 11020.003239/2010-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/02/2006 a 29/02/2008
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. DESCUMPRIMENTO DOS PRECEITOS LEGAIS. DESCUMPRIMENTO DOS PRESSUPOSTOS LEGAIS TANTO NA FORMULAÇÃO QUANTO NA EXECUÇÃO DO PLANO.
O texto constitucional condiciona a desvinculação da parcela paga a título de PLR da remuneração aos termos da lei. O pagamento de PLR em mais de duas vezes no ano afronta o disposto na Lei n° 10.101/2000.
Se há algum vício na formulação do plano, seja das regras relativas ao alcance do lucro ou do resultado, seja das condições relativas ao cálculo do valor devido a cada trabalhador e da periodicidade dos pagamentos, a descaracterização reporta-se ao somatório do plano e, portanto, a todos os pagamentos a que se refere. Todavia, se o plano de participação nos lucros é formulado com respeito a todos pressupostos legais, mas a sua execução é que se dá de forma indevida, somente os pagamentos que desrespeitarem o plano devem sofrer a incidência de contribuição previdenciária. Sendo assim, havendo descumprimento dos pressupostos legais tanto na formulação quanto na execução do plano, há que se desconsiderar o plano como um todo.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. LIVRE ESTABELECIMENTO DE CONDIÇÕES. EXIGÊNCIA LEGAL RESTRITA A CLAREZA E OBJETIVIDADE DAS REGRAS.
A Lei n° 10.101/2000 não exige a conjugação da lucratividade com outro incentivo mais específico daquela empresa, daquele departamento, daquela categoria ou daquele empregado. Compete aos empregadores, trabalhadores e sindicatos estabelecerem as regras que melhor atendam aos seus anseios, desde que sejam claras e objetivas.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-003.041
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/02/2006 a 29/02/2008 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. DESCUMPRIMENTO DOS PRECEITOS LEGAIS. DESCUMPRIMENTO DOS PRESSUPOSTOS LEGAIS TANTO NA FORMULAÇÃO QUANTO NA EXECUÇÃO DO PLANO. O texto constitucional condiciona a desvinculação da parcela paga a título de PLR da remuneração aos termos da lei. O pagamento de PLR em mais de duas vezes no ano afronta o disposto na Lei n° 10.101/2000. Se há algum vício na formulação do plano, seja das regras relativas ao alcance do lucro ou do resultado, seja das condições relativas ao cálculo do valor devido a cada trabalhador e da periodicidade dos pagamentos, a descaracterização reporta-se ao somatório do plano e, portanto, a todos os pagamentos a que se refere. Todavia, se o plano de participação nos lucros é formulado com respeito a todos pressupostos legais, mas a sua execução é que se dá de forma indevida, somente os pagamentos que desrespeitarem o plano devem sofrer a incidência de contribuição previdenciária. Sendo assim, havendo descumprimento dos pressupostos legais tanto na formulação quanto na execução do plano, há que se desconsiderar o plano como um todo. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. LIVRE ESTABELECIMENTO DE CONDIÇÕES. EXIGÊNCIA LEGAL RESTRITA A CLAREZA E OBJETIVIDADE DAS REGRAS. A Lei n° 10.101/2000 não exige a conjugação da lucratividade com outro incentivo mais específico daquela empresa, daquele departamento, daquela categoria ou daquele empregado. Compete aos empregadores, trabalhadores e sindicatos estabelecerem as regras que melhor atendam aos seus anseios, desde que sejam claras e objetivas. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/02/2006 a 29/02/2008 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. DESCUMPRIMENTO DOS PRECEITOS LEGAIS. DESCUMPRIMENTO DOS PRESSUPOSTOS LEGAIS TANTO NA FORMULAÇÃO QUANTO NA EXECUÇÃO DO PLANO. O texto constitucional condiciona a desvinculação da parcela paga a título de PLR da remuneração aos termos da lei. O pagamento de PLR em mais de duas vezes no ano afronta o disposto na Lei n° 10.101/2000. Se há algum vício na formulação do plano, seja das regras relativas ao alcance do lucro ou do resultado, seja das condições relativas ao cálculo do valor devido a cada trabalhador e da periodicidade dos pagamentos, a descaracterização reportase ao somatório do plano e, portanto, a todos os pagamentos a que se refere. Todavia, se o plano de participação nos lucros é formulado com respeito a todos pressupostos legais, mas a sua execução é que se dá de forma indevida, somente os pagamentos que desrespeitarem o plano devem sofrer a incidência de contribuição previdenciária. Sendo assim, havendo descumprimento dos pressupostos legais tanto na formulação quanto na execução do plano, há que se desconsiderar o plano como um todo. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. LIVRE ESTABELECIMENTO DE CONDIÇÕES. EXIGÊNCIA LEGAL RESTRITA A CLAREZA E OBJETIVIDADE DAS REGRAS. A Lei n° 10.101/2000 não exige a conjugação da lucratividade com outro incentivo mais específico daquela empresa, daquele departamento, daquela categoria ou daquele empregado. Compete aos empregadores, trabalhadores e sindicatos estabelecerem as regras que melhor atendam aos seus anseios, desde que sejam “claras e objetivas”. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 32 39 /2 01 0- 08 Fl. 267DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/ 06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/ 06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 11020.003239/201008 Acórdão n.º 2302003.041 S2C3T2 Fl. 267 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação da recorrente, mantendo o crédito tributário lançado. Adotamos trecho do relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 154 e seguintes), que bem resume o quanto consta dos autos: JOST BRASIL SISTEMAS AUTOMOTIVOS LTDA. teve lavrado contra si o Auto de Infração AI em epígrafe, por haver deixado de apresentar, durante a ação fiscal, livros e documentos relacionados com as contribuições previstas na Lei n.° 8.212, de 24 de julho de 1991, ou haver apresentado documentos e livros que não atendam as formalidades legais exigidas, que contenham informação diversa da realidade ou que omitam informação verdadeira, o que constitui infração à obrigação tributária acessória estabelecida no artigo 33, parágrafos 2.° e 3.°, da Lei n.° 8.212/91, com as alterações introduzidas pela Medida Provisória n.° 449, de 04 de dezembro de 2008, convertida na Lei n.° 11.941, de 27 de maio de 2009, combinado com o artigo 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social RPS aprovado pelo Decreto n.° 3.048, de 06 de maio de 1999. No Relatório Fiscal RF (fls. 21/59), a Fiscalização consigna inicialmente que "a empresa deixou de lançar em sua escrituração contábil as contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações atribuídas aos segurados empregados ocupantes de cargo de Gerente e Coordenador, tidos como Gestores, a título de 'Participação nos Resultados', as quais, pagas ou creditadas em desacordo com a legislação de regência passaram a integrar o saláriodecontribuição. Tal fato configura omissão de informações verdadeiras na contabilidade nos meses de fevereiro e julho de 2006, janeiro e fevereiro de 2007 e fevereiro de 2008". (Grifos no original.) Neste mesmo passo, refere, a um, que a empresa é obrigada a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas na Lei n.° 8.212/91, estando as hipóteses de dispensa da apresentação de escrituração contábil previstas no artigo 225, parágrafo 16, do RPS, com as alterações do Decreto n.° 3.265, de 29 de novembro de 1999; e, a dois, que em caso de recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou de sua apresentação deficiente assim entendida, conforme parágrafo 25 do artigo 233 do RPS, aquele documento ou informação que não preencha as formalidades legais, que contenha informação diversa da realidade, ou que omita informação verdadeira , pode a Secretaria da Receita Federal do Brasil, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/ 06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 Em seqüência, analisa os acordos de Participação nos Lucros ou Resultados PLR firmados entre a empresa e os representantes de seus empregados, para os períodos de vigência de janeiro de 2005 a dezembro de 2006 e de janeiro de 2007 a dezembro de 2008, destacando que a participação nos resultados atribuída aos segurados empregados ocupantes de cargos de gerente e de coordenador foi apurada "de acordo com cláusula específica, vale dizer, de forma diferenciada dos empregados ocupantes das demais funções, pertencentes todos ao quadro da empresa". Refere, ainda, que as participações nos resultados atribuídas aos segurados empregados ocupantes de cargos de gerente e de coordenador foram pagas ou creditadas em fevereiro de cada ano, ressalvadas eventuais transferências e/ou demissões, enquanto que as participações atribuídas aos empregados ocupantes das demais funções foram pagas ou creditadas semestralmente. Analisados os demonstrativos de cálculo das participações referentes aos anos de 2005 e 2006, a Fiscalização constatou que nas participações concernentes ao ano de 2005, pagas em fevereiro de 2006, não foram observadas as regras estabelecidas no respectivo acordo, em relação aos segurados empregados ocupantes de cargos de gerente e de coordenador, com a distribuição de valores superiores àqueles devidos. Ademais, os valores não foram distribuídos linearmente entre gerentes e coordenadores, nem proporcionalmente aos respectivos salários nominais; para os empregados com cargos de gerente, foram atribuídos valores correspondentes a treze salários nominais, "pura e simplesmente". Em relação às participações referentes ao ano de 2006, pagas em fevereiro de 2007, a empresa utilizou a forma de cálculo prevista no acordo de participação nos resultados firmado em 11 de janeiro de 2007, para o período posterior, qual seja o de janeiro de 2007 a dezembro de 2008. No tocante aos anos de 2007 e 2008, refere que, além da forma de cálculo diferenciada das participações nos resultados atribuídas aos gestores, foram estabelecidos percentuais diferenciados para apuração da participação entre gerentes e coordenadores. Conclui, destarte, "que os Gestores gozam de situação diferenciada e privilegiada em relação aos demais empregados, vale dizer, a Participação nos Resultados faz parte de sua remuneração. É que enquanto para os demais empregados são fixados indicadores de eficiência, tais como Credibilidade de Entrega, Custo da Não Qualidade, Giro de Estoque, Absenteísmo, etc., a partir dos quais eles terão direito ao rateio da participação nos resultados, para os Gestores não há regras claras e objetivas, limitandose os Acordos de Participação nos Resultados a fixar percentuais, de acordo com o cargo, do lucro líquido da empresa e do grupo empresarial a serem a eles destinados, autorizando concluir que tais pagamentos são gratificações que mantêm relação direta com o valor do salário Fl. 270DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/ 06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 11020.003239/201008 Acórdão n.º 2302003.041 S2C3T2 Fl. 268 5 percebido, configurando verdadeiro benefício salarial, o que não satisfaz as exigências da legislação de regência." Destaca, ainda, o fato de "os Gestores da JOST receberem, a título de Participação nos Resultados, valores decorrentes de resultados de 'outras' empresas, mesmo que pertencentes ao mesmo grupo econômico, o que está em desacordo com o previsto na legislação que rege a matéria, já que a mencionada participação depende de negociação entre 'a empresa' e seus empregados, evidenciando ainda mais o tratamento diferenciado dispensado aos referidos beneficiários. Não é razoável que a Comissão dos Empregados da JOST, por exemplo, acorde sobre a distribuição de valores decorrentes de resultados de empresas a que não pertencem, e para beneficiar somente os Gestores — empregados ocupantes de cargos de Gerente e Coordenador da empresa em que trabalham." (Grifos no original.) A multa vem demonstrada à fl. 59. O lançamento atingiu o montante de R$ 14.317,78 (quatorze mil, trezentos e dezessete reais e setenta e oito centavos), valor consolidado em 26 de outubro de 2010. A empresa impugnou tempestivamente a exigência, através do arrazoado de fls. 64/85. A ciência do AI ocorreu em 27 de outubro de 2010, enquanto que a impugnação foi protocolizada em 25 de novembro de 2010. (...) Como afirmado, a impugnação apresentada pela recorrente foi julgada improcedente, tendo a recorrente apresentado, tempestivamente, o recurso de fls. 166 e seguintes, no qual alega, em apertada síntese, que: * a lei não proíbe que haja regras diferentes de apuração para gestores em relação a empregados. A Lei n° 10.101/00, ao definir os critérios para a concessão de participação nos lucros e/ou resultados dos trabalhadores, em nenhum momento proíbe a criação de diferentes formas de apuração de PLR entre os empregados da mesma empresa. Assim, o lançamento ofende a estrita legalidade, ou simplesmente, legalidade (artigos 37 e 150 da CF e 97 do CTN); * o próprio acórdão de primeira instância reconhece que não há como, faticamente, aplicar as regras dos trabalhadores em geral aos gestores da recorrente, citando as denominadas “metas por equipe” (não existe equipe de gestores) ou mesmo critérios como faltas ao trabalho ou atrasos (gestores trabalham sem controle de horário). * em caráter subsidiário, aduz que houve ofensa ao artigo 142 do CTN, posto que a glosa deveria ser parcial, relativa somente aos montantes indevidamente pagos aos gestores/gerentes e coordenadores a título de PLR. É o relatório. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/ 06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi Da Autuação. Como já consignado no Relatório, a empresa foi autuada por ter apresentado documentos e livros que não atendam as formalidades legais exigidas, que contenham informação diversa da realidade ou que omitam informação verdadeira, o que constitui infração à obrigação tributária acessória estabelecida no artigo 33, parágrafos 2.° e 3.°, da Lei n.° 8.212/91, com as alterações introduzidas pela Medida Provisória n.° 449, de 04 de dezembro de 2008, convertida na Lei n.° 11.941, de 27 de maio de 2009, combinado com o artigo 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social RPS aprovado pelo Decreto n.° 3.048, de 06 de maio de 1999. Especificamente, a conduta da recorrente consistiu em deixar de lançar em sua escrituração contábil as contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações atribuídas aos segurados empregados ocupantes de cargo de Gerente e Coordenador, tidos como Gestores, a título de 'Participação nos Resultados', as quais, pagas ou creditadas em desacordo com a legislação de regência passaram a integrar o saláriodecontribuição. Tal fato configura omissão de informações verdadeiras na contabilidade nos meses de fevereiro e julho de 2006, janeiro e fevereiro de 2007 e fevereiro de 2008. Notese que a infração ao dispositivo legal que embasa o lançamento prospera com uma única conduta faltosa e que o seu valor não varia conforme o número de infrações. Portanto, ainda que se reconhecesse que parte dos valores pagos a título de PLR não integram o saláriodecontribuição, ainda assim, o Auto de Infração deve ser mantido. De toda sorte, repetiremos aqui o voto proferido quando da análise dos Autos de Infração relativos às obrigações principais, nos quais este relator votou pela procedência dos valores lançados, ainda que vencido, parcialmente (processos n° 11020.003237/201019 e 11020.003238/201055). A divergência existente, no entanto, não seria suficiente para invalidar o presente lançamento, pois mesmo os Conselheiros que divergiram deste relator reconheceram a procedência parcial dos valores lançados. Esclarecidos os fatos de relevo, passamos a apreciar as questões suscitadas pelo Recurso Voluntário, que se identificam com aquelas levantadas nos processos n° 11020.003237/201019 e 11020.003238/201055. Participação nos Lucros ou Resultados para os segurados empregados. A desvinculação da participação nos lucros ou resultados da remuneração decorre de um rearranjo histórico das próprias funções da legislação social, que surge como um direito exclusivamente protetor ou tutelar e desenvolvese, a partir das crises econômicas, principalmente, como um direito que, a par da tutela ou proteção, visa ainda atender a interesses da gestão da organização empresarial e, conseqüentemente, preservar ou até mesmo estimular o desenvolvimento econômico (nesse sentido: Nascimento, Amauri Mascaro. Iniciação ao direito do trabalho. 33ª ed., São Paulo: LTr, 2007, p.4357). Nesse sentido, pode se afirmar que a norma flexibilizadora, além de constituir um direito social do trabalhador, tem ainda a função de incentivar o progresso econômico da empresa e do país. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/ 06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 11020.003239/201008 Acórdão n.º 2302003.041 S2C3T2 Fl. 269 7 Reforçam e acrescem à nossa argumentação as palavras do Conselheiro Mauro José Silva: O dispositivo constitucional que concede aos trabalhadores o direito à participação nos lucros ou resultados pretende, em sintonia com um dos fundamentos de nosso Estado Democrático de Direito – o valor social do trabalho e da livre iniciativa (art. 1°, inciso IV da CF) , incrementar os meios para o atingimento de, pelo menos, dois objetivos da República: construir uma sociedade livre, justa e solidária e garantir o desenvolvimento nacional (art. 3°, inciso I e II da CF). Nesse sentido, alguns Ministros do STF viram no dispositivo um “avanço no sentido do capitalismo social” (Ministro Lewandowski, RE 398.284), que contribuiria para a “humanização do capitalismo” (Ministro Carlos Britto, RE 398.284) na medida em que tenta “implantar uma nova cultura, uma nova mentalidade, a mentalidade do compartilhamento do progresso da empresa com os seus atores sociais, com os seus protagonistas (Ministro Carlos Britto, R$ 398.284). (SILVA, Mauro José. A participação nos lucros ou resultados e as exigências da regulamentação da imunidade em relação às contribuições previdenciárias. Revista dialética de direito tributário n. 193. São Paulo, out. 2011, p. 118.) Como bem apontado na decisão de primeiro grau, a Lei 10.101/2000 estabelece os contornos gerais da participação nos lucros, ou resultados. E assim o faz para dar efetividade ao direito social estatuído no artigo 7°, XI, da CF: Constituição Federal: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; (destaques nossos) Assim, em que pese seu caráter flexibilizador, é preciso reconhecer que a PLR está condicionada aos critérios e pressupostos definidos em lei. Feita esta breve introdução, é preciso considerar que, no caso em comento, a autoridade fiscal e a decisão a quo sustentam que: (i) a recorrente não poderia utilizar critérios diferenciados entre empregados e gestores e tampouco entre gerentes e coordenadores para o pagamento de PLR; Fl. 273DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/ 06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 8 (ii) a PLR dos gestores baseiase na “simples obtenção de lucro”; (iii) os gestores receberam, a título de Participação nos Resultados, valores decorrentes de resultados de outras empresas; (iv) não foram observadas as regras estabelecidas no respectivo acordo, em relação aos gestores, com a distribuição de valores superiores àqueles devidos e com critérios de cálculo distintos dos acordados; e (v) em relação às participações referentes ao ano de 2006, pagas em fevereiro de 2007, a recorrente utilizou a forma de cálculo prevista no acordo de participação nos resultados firmado em 11 de janeiro de 2007, para o período posterior, qual seja o de janeiro de 2007 a dezembro de 2008. Por outro lado, defende a recorrente que a lei não proíbe que haja regras diferentes de apuração para gestores em relação a empregados. A Lei n° 10.101/00, ao definir os critérios para a concessão de participação nos lucros e/ou resultados dos trabalhadores, em nenhum momento proíbe a criação de diferentes formas de apuração de PLR entre os empregados da mesma empresa. Assim, o lançamento ofende a estrita legalidade, ou simplesmente, legalidade (artigos 37 e 150 da CF e 97 do CTN). Acrescenta que o próprio acórdão de primeira instância reconhece que não há como, faticamente, aplicar as regras dos trabalhadores em geral aos gestores da recorrente, citando as denominadas “metas por equipe” (não existe equipe de gestores) ou mesmo critérios como faltas ao trabalho ou atrasos (gestores trabalham sem controle de horário). Em caráter subsidiário, aduz que houve ofensa ao artigo 142 do CTN, posto que a glosa deveria ser parcial, relativa somente aos montantes indevidamente pagos aos gestores/gerentes e coordenadores a título de PLR. Para a análise do recurso voluntário, impõese enfrentar cada uma das cinco infringências apontadas pela autoridade fiscal e chanceladas pela decisão de primeira instância. Tal investigação busca concluir se efetivamente houve violação da legalidade e também se mostrase correto o critério utilizado pela autoridade fiscal que considerou no lançamento a totalidade dos valores pago aos gestores a título de PLR e não somente as parcelas excedentes aos acordos celebrados. Pelo critério que temos utilizado na análise do PLR, imperioso fazer uma distinção entre os vícios relativos à formulação do plano e os vícios referentes à sua execução. Vejamos. A legislação estabelece um conjunto de regras para que determinada rubrica seja considerada como participação nos lucros ou resultados. Somente em caso de cumprimento de todos os pressupostos legais é que se pode afirmar que a rubrica tem natureza jurídica de participação nos lucros. Repisese, a regra é o pagamento integrar a remuneração e somente quando pertencente a um plano de participação nos lucros e resultados, inteiramente de acordo com a lei, nos termos do artigo 7°, XI, da CF, é que se pode atribuir a natureza excepcional de pagamento não integrante da remuneração. Assim, se há algum vício na formulação do plano, seja das regras relativas ao alcance do lucro ou do resultado, seja das condições relativas ao cálculo do valor devido a cada trabalhador e da periodicidade dos pagamentos, a descaracterização reportase ao somatório do plano e, portanto, a todos os pagamentos a que se refere. No caso em comento, dos cinco vícios apontados, os três primeiros referem se à formulação do plano: Fl. 274DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/ 06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 11020.003239/201008 Acórdão n.º 2302003.041 S2C3T2 Fl. 270 9 (i) a recorrente não poderia utilizar critérios diferenciados entre empregados e gestores e tampouco entre gerentes e coordenadores para o pagamento de PLR; (ii) a PLR dos gestores baseiase na “simples obtenção de lucro”; (iii) os gestores receberam, a título de Participação nos Resultados, valores decorrentes de resultados de outras empresas. Quanto ao primeiro, concordamos com a recorrente no sentido de que a lei não proíbe que haja regras diferentes de apuração para gestores em relação a empregados. Com efeito, a Lei n° 10.101/00, ao definir os critérios para a concessão de participação nos lucros e/ou resultados dos trabalhadores, em nenhum momento proíbe a criação de diferentes formas de apuração de PLR entre os empregados da mesma empresa. Nesse sentido: Acórdão 205 01.331, da 5ª Câmara do 2° Conselho de Contribuintes, de 05/11/2008, Rel. Conselheira Liege Lacroix Thomasi. Com relação ao segundo argumento, no sentido de que a PLR dos gestores baseiase na “simples obtenção de lucro”, também concordamos com a recorrente no sentido de que a lei também não exige que seja adotado outro critério concomitantemente à lucratividade. Com efeito, o parágrafo 1° do artigo 2° da Lei n° 10.101/2000 estipula que as regras devem ser “claras e objetivas, quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas”. Quanto ao incentivo à produtividade (caput do artigo 1° da Lei n° 10.101/2000), é preciso considerar que a lei não exige que haja qualquer tipo de segmentação da meta ou do resultado: nem por empresa, nem por departamento, nem por categoria, nem por empregado. Pelo contrário, a lei estabelece uma abertura muito grande para os empregadores, trabalhadores e sindicatos estabelecerem as regras que melhor atendam aos seus anseios, desde que tais regras sejam “claras e objetivas”. No caso, portanto, bastaria a mera existência de lucro da empresa para que haja algum pagamento a título de participação nos lucros e resultados. É até discutível se a mera vinculação ao lucro é a regra mais adequada para se incentivar o empregado, ainda que aqui estejamos tratando de gestores. De toda sorte, não parece que esta seja uma preocupação da lei que disciplina a participação nos lucros e resultados. Desde que a regra pressuponha qualquer lucro ou resultado, de forma clara e objetiva, não há base legal para a desconsideração da natureza jurídica de participação nos lucros e resultados. Nas negociações coletivas de trabalho, em matéria de participação nos lucros e resultados, é intuitivo imaginar que os empregadores buscarão sempre o incentivo mais próximo do individual do que do coletivo (índices ou metas individuais ou de pequenos grupos) como também parece claro que os sindicatos de trabalhadores prestigiarão índices ou metas gerais, com pouca segmentação, a fim de sobrepor o interesse coletivo da categoria aos interesses individuais. Dessa dicotomia ideológica, por vezes prevalecerá o interesse do empregador (regras mais pormenorizadas e individualizadas) e, por outras tantas vezes, preponderará o interesse sindical (regras mais genéricas, mas abstratas, como as ligadas exclusivamente ao lucro, ao salário e à condição de empregado da empresa). Em matéria de participação nos Fl. 275DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/ 06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 10 lucros e resultados, a lei buscou interferir o mínimo possível, exigindo tão somente regras claras e objetivas, exatamente para não interferir nessa livre negociação de trabalho. Devese considerar também não há na lei qualquer exigência de que se conjugue índices de lucratividade com outras metas e resultados. Não bastasse o nome do instituto ser participação nos lucros ou resultados (conjunção alternativa), o parágrafo 1° do artigo 2° da Lei n° 10.101/2000 estabelece que ela poderá considerar, entre outros, os seguintes critérios e condições: I – índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II – programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Assim, nesse aspecto particular, não vejo qualquer ofensa das regras estabelecidas na Lei n° 10.101/2000, pois a norma coletiva condiciona à existência de lucro e os critérios de pagamento encontramse dentro dos parâmetros legais. No entanto, quanto ao terceiro vício apontado, relativo à previsão de que os gestores recebam valores decorrentes de resultados de outras empresas, entendemos que tal fato, por si só, já é suficiente para desnaturar todo o plano relativo aos gestores, posto que ainda no campo da formulação do PLR. Vejamos. A desvinculação da PLR dos conceitos de salário e de remuneração, inclusive para fins de incidência de contribuição previdenciária, somente tem sentido se a participação do trabalhador colaborar para o lucro ou resultado da empresa. Ora, na medida em que a PLR relacionase ao incremento de produtividade, somente a performance da célula na qual estão inseridos empregador (empresa) e trabalhador é que pode ser considerada como parâmetro para fins de pagamento da PLR. Não é o lucro ou resultado da econômica global, do país, do setor produtivo ou do grupo econômico que condicionam a percepção da PLR, mas tão somente a performance daquela empresa, na qual estão vinculados, jurídica e contratualmente, empregador e trabalhador ou, se preferirem, empresa e segurado. Não se nega o fato de o desempenho da empresa colaborar para a lucratividade ou resultado do grupo econômico, mas, até aí, como se disse, o resultado de uma grande empresa também colabora para o desempenho de seu setor produtivo e nem por isso é lícito vincular o pagamento da PLR ao resultado do setor produtivo. Portanto, obedecendo a critérios puramente jurídicos (personalidade jurídica), devese tomar em conta, sempre, única e exclusivamente, o lucro ou resultado da empresa na qual está inserido o trabalhador. Notese, ademais, que, sob o ponto de vista do direito previdenciário, o empregador pode utilizar o critério que quiser para remunerar seus trabalhadores, mas, para fins de gozo da norma isentiva, deve obedecer aos estritos ditames da Lei 10.101/2000, que não abre a possibilidade de utilização do lucro ou resultado de empresa integrante do grupo econômico. Ainda que tal fato seja suficiente para manter integralmente o lançamento, cumpre acrescer que a recorrente não logrou êxito em comprovar a inexistência dos demais vícios no pagamento da PLR: Fl. 276DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/ 06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 11020.003239/201008 Acórdão n.º 2302003.041 S2C3T2 Fl. 271 11 (iv) não foram observadas as regras estabelecidas no respectivo acordo, em relação aos gestores, com a distribuição de valores superiores àqueles devidos e com critérios de cálculo distintos dos acordados; e (v) em relação às participações referentes ao ano de 2006, pagas em fevereiro de 2007, a recorrente utilizou a forma de cálculo prevista no acordo de participação nos resultados firmado em 11 de janeiro de 2007, para o período posterior, qual seja o de janeiro de 2007 a dezembro de 2008; É preciso considerar, todavia, que como estes dois vícios encontramse no campo da execução dos planos e não na formulação, isoladamente, não teriam o condão de desnaturar todo a PLR, razão pela qual somente poderia ser desconsiderado o montante que sobejasse os limites do acordo coletivo. De toda sorte, os planos devem ser integralmente desnaturados, pois, como visto, pois as normas coletivas condicionam o pagamento ao resultado de outras empresas. Pelas razões ora expendidas, CONHEÇO do recurso para, no mérito, NEGARLHE provimento. É como voto. (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 277DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/ 06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI
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Numero do processo: 10845.725582/2012-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006, 31/12/2006, 31/03/2007, 30/06/2007, 30/09/2007, 31/12/2007
SALDO CREDOR DE CAIXA. CHEQUES LIQUIDADOS POR COMPENSAÇÃO. PRESUNÇÃO LEGAL.
Os cheques liquidados por compensação bancária, por não constituírem ingresso efetivo de recursos, somente podem ser registrados a débito da conta caixa se esta conta, na mesma data ou em dia próximo, registrar as saídas a que se destinaram os cheques emitidos, Não comprovada as saídas, a escrituração do Livro Caixa deve ser reconstituída e ajustada, tributando-se, como omissão de receita, os eventuais saldos credores.
A presunção legal admite prova em contrário, que não foi hábil, neste caso. Correta a glosa dos suprimentos de caixa, pois os débitos na conta Caixa eram decorrentes de cheques nominais emitidos pela empresa, que foram compensados.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados.
AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO.
Os recursos administrativos apresentados pela recorrente, demonstrando compreensão da descrição dos fatos contida na autuação e enfrentando as imputações que lhe são feitas, afastam a alegação de nulidade por cerceamento de defesa, não restando caracterizado óbice ao exercício do direito de defesa.
DECADÊNCIA. REGRA DO ART. 173 , I, DO CTN.
Demonstradas as condutas simuladas e fraudulentas, aplica-se a regra decadencial do art. 173, I, do CTN, pela qual o dies a quo do prazo decadencial se desloca para o primeiro dia do exercício seguinte ao que o Fisco poderia efetuar o lançamento.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE.
É cabível a aplicação da multa qualificada, quando restar comprovado que o envolvido na prática da infração tributária objetivou deixar de recolher, intencionalmente, os tributos devidos.
Numero da decisão: 1301-001.422
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as nulidades suscitadas e NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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CHEQUES LIQUIDADOS POR COMPENSAÇÃO. PRESUNÇÃO LEGAL. Os cheques liquidados por compensação bancária, por não constituírem ingresso efetivo de recursos, somente podem ser registrados a débito da conta caixa se esta conta, na mesma data ou em dia próximo, registrar as saídas a que se destinaram os cheques emitidos, Não comprovada as saídas, a escrituração do Livro Caixa deve ser reconstituída e ajustada, tributandose, como omissão de receita, os eventuais saldos credores. A presunção legal admite prova em contrário, que não foi hábil, neste caso. Correta a glosa dos suprimentos de caixa, pois os débitos na conta Caixa eram decorrentes de cheques nominais emitidos pela empresa, que foram compensados. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. Os recursos administrativos apresentados pela recorrente, demonstrando compreensão da descrição dos fatos contida na autuação e enfrentando as imputações que lhe são feitas, afastam a alegação de nulidade por cerceamento de defesa, não restando caracterizado óbice ao exercício do direito de defesa. DECADÊNCIA. REGRA DO ART. 173 , I, DO CTN. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 72 55 82 /2 01 2- 02 Fl. 6078DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 2 Demonstradas as condutas simuladas e fraudulentas, aplicase a regra decadencial do art. 173, I, do CTN, pela qual o dies a quo do prazo decadencial se desloca para o primeiro dia do exercício seguinte ao que o Fisco poderia efetuar o lançamento. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. É cabível a aplicação da multa qualificada, quando restar comprovado que o envolvido na prática da infração tributária objetivou deixar de recolher, intencionalmente, os tributos devidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as nulidades suscitadas e NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier Fl. 6079DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10845.725582/201202 Acórdão n.º 1301001.422 S1C3T1 Fl. 12 3 Relatório Em decorrência de ação fiscal direta, a contribuinte acima identificada foi autuada e intimada a recolher o crédito tributário constituído relativo ao IRPJ, Contribuição para o PIS, CSLL, COFINS, multa proporcional e juros de mora, referentes a fatos geradores ocorridos em 2006 e 2007. 2. Conforme descrito nos Autos de Infração e no Termo de Verificação e de Encerramento do Procedimento Fiscal (fls. 5659 a 5696), a contribuinte cometeu a infração de omissão de receitas. 3. Tendo em vista o apurado, foram lavrados, conforme preceitua o artigo 9º do Decreto n º 70.235, de 06 de março de 1972, os seguintes Autos de Infração: 3.1. IRPJ (fls. 5750 a 5778): 3.1.1. Omissão de Receita por Presunção Legal – Saldo Credor de Caixa com base nos artigos 281, incisos I e II, 518, 519, 530, § 1o, inciso III, 527, e 528, do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda –RIR/1999), 40 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, 3º e 24, da Lei nº 9.249, de 26/12/1995, e 12, § 2o, do Decreto Lei nº 1.598/1977. 3.1.2. O crédito tributário, com juros de mora calculados até 11/2012, totalizou o montante de R$ 256.947,26. 3.2. PIS (fls. 5809 a 5817) com base na fundamentação legal indicada à fl. 5812, formalizando crédito tributário, calculado até 11/2012, no montante de R$ 20.921,86. 3.3 CSLL (fls. 5779 a 5799) com base na fundamentação legal registrada à fl. 5782, formalizando crédito tributário, calculado até 11/2012, no montante de R$ 92.500,97. 3.4. COFINS (fls. 5800 a 5808) com base na fundamentação legal consignada à fl. 5803, formalizando crédito tributário, calculado até 11/2012, no montante de R$ 96.562,26. 4. Enquadramento legal da multa de ofício e dos juros de mora aplicados encontrase relacionado às fls. 5778, 5799, 5808 e 5817. Cientificada dos AI em 24/11/2012 (AR – fl. 5819), a empresa, representada por Procurador (Procuração e documentos respectivos às fls. 5899 a 5911), apresentou impugnação aos lançamentos em 26/12/2012 (fls. 5823 a 5880, com Anexos às fls. 5881 a 5911), na qual alega, em síntese, o seguinte: Preliminares. Fl. 6080DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 4 “Da Invalidade da Ação Fiscal por inobservância do disposto na Portarias da Secretaria da Receita Federal nºs 500/1995 e 3007/2002.” 5.1. Pelo que se depreende das retrocitadas Portarias, constatase que a atividade administrativa de fiscalização exige, em face dos princípios constitucionais da isonomia, impessoalidade e imparcialidade, que seja ela dirigida uniformemente aos administrados. Sendo assim, e para que não fiquem resumidos a meras palavras, há que cumprir rigorosamente o programa de fiscalização traçado, sob pena de, revelando perseguição ou favorecimento, nele incluir contribuintes que não se enquadram nos parâmetros escolhidos, ou dele excluir pessoas que neles se enquadram, respectivamente. 5.2. Com outras palavras, em nenhum momento foi indicado, pelos AFRFB autuantes, nos termos que lavraram, as razões, ou a origem, da fiscalização procedida com relação aos negócios da recorrente, isto é, em qual programa de fiscalização, elaborado pela Coordenação Geral de Fiscalização (Cofis), nos termos dos atos normativos acima referidos, havia sido ele incluído, de modo que pudesse avaliar se os critérios estabelecidos pelas autoridades superiores estavam sendo devidamente observados, sob pena de restarem caracterizados, de parte da administração local, o mero capricho, a perseguição, a animosidade ou puro interesse político. 5.3. Sendo assim, e considerando que a seleção da defendente para ser fiscalizada foi determinada em completa desconformidade com o disposto no artigo 1o, e § 4o, da Portaria SRF nº 3.000/2002, posto que não autorizada pelo Sr. Coordenador Geral de Fiscalização, resta evidente a existência do desvio de poder, com o que é absolutamente nulo o lançamento tributário dela decorrente. “Da Nulidade do Lançamento, por Cerceamento do Direito de Defesa.” 5.4. Os autuantes encaminharam, junto com os AI, diversos Anexos, mas não foram remetidas cópias, “frente e verso”, dos cheques emitidos pela requerente, ilicitamente obtidas pela Fiscalização, diretamente do Banco do Brasil e Banco Safra, que fundamentaram a autuação, de modo que pudesse identificarlhes a origem, tendo ocorrido, portanto cerceamento do direito de defesa (reproduz a fl. 4 do Termo de Verificação e de Encerramento do Procedimento Fiscal (T.V.E.P.F nº 026). 5.5. Se a Impugnante não possuía as cópias, “frente e verso”, dos cheques que emitiu, nos quais se fundamenta a autuação, ainda que os tivesse reiteradamente solicitado às aludidas instituições financeiras, o certo é que não as obteve em tempo hábil. De qualquer modo, ainda que assim não fosse, cabe à autoridade administrativa fornecer ao administrado cópias de todos os elementos de prova da autuação, de modo a permitirlhe a possibilidade da mais ampla defesa, o que, evidentemente, não ocorreu neste processo. 5.6. Ademais, para que a contribuinte possa avalizar a licitude na obtenção das provas anexadas ao processo, e que constituem a pedra de toque da sua validade, cumpre seja cientificado da forma como foram obtidas, pela autoridade administrativa, os dados acerca da movimentação financeira, bem como as mencionadas cópias dos cheques, fatos esses que também não foram levados ao conhecimento da interessada no momento da autuação, posto que não lhe foram encaminhadas cópias dessas requisições e subseqüentes respostas, o que a impediu de analisar a licitude desses comprovantes. 5.7. Assim, além de impedilo de apurar a forma como foi calculado o IRRF exigido, nenhuma cópia das provas em que dizem estar apoiada a autuação lhe foi fornecida, de modo a permitirlhe verificar a sua licitude e a efetiva base de cálculo tributada, cuja falta, em Fl. 6081DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10845.725582/201202 Acórdão n.º 1301001.422 S1C3T1 Fl. 13 5 face da sua flagrante importância, cerceou por completo o seu direito de defesa, caracterizando a nulidade de que trata o artigo 59, II, do Decreto nº 70.235/1972. 5.8. Cabe consignar, ainda que o Decreto nº 70.235/1972 registra, em seu artigo 8o (que reproduz o § único do artigo 196 do Código Tributário Nacional), que "Os termos decorrentes de atividade fiscalizadora serão lavrados, sempre que possível, em livro fiscal, extraindose cópia para anexação ao processo; quando não lavrados em livro, entregar seá cópia autenticada à pessoa sob fiscalização". 5.9. À evidência, a sonegação das provas que os auditores autuantes dizem ter, mas que não levaram ao conhecimento da recorrente, impedemna de conhecer os pretensos elementos que existem contra si, caracterizando, induvidosamente, o cerceamento do seu direito de defesa, com a conseqüente nulidade do auto de infração lavrado. “Da Invalidade da Ação Fiscal por Incompetência dos Auditores que a Realizaram.” 5.10. Nos termos do art. 985 do RIR/1999 a autoridade fiscal competente para aplicar o Regulamento do Imposto de Renda (RIR) é a do domicílio fiscal da contribuinte, ou de seu procurador ou representante. 5.11. No que diz respeito à fiscalização, a regra encontrase disciplinada no art. 904 do RIR/1999, que determina que “A fiscalização do imposto compete às repartições encarregadas do lançamento e, especialmente, aos Auditores Fiscais do Tesouro Nacional, mediante ação fiscal direta, no domicilio dos contribuintes.” 5.12. Assim, a autoridade tributária competente para promover a fiscalização da recorrente, se fosse o caso e desde que originada de determinação válida da autoridade administrativa inexistente no caso, como se vê no item anterior é aquela do seu domicílio fiscal, encarregada do lançamento, qual seja a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santos, por intermédio de AFRFB que nela exercesse suas atividades, ou seja, que nela tivesse exercício. 5.13. No mesmo sentido dispõe o Regimento Interno da Receita Federal do Brasil (Portaria nº 125/2009), em seu art. 203, incisos V e VI. 5.14. Ocorre que essa competência, que a princípio era exclusiva das DRF e IRF da jurisdição do domicílio do contribuinte e, por via de consequência, dos AFRFB que nelas tinham exercício, foi ampliada pelo Decreto nº 70.235/1972, com a redação dada pelo art. 9º da Lei nº 8.748/1993, contemplando o AFRFB de jurisdição diversa do domicílio, desde que competente. Entretanto, para que o AFRFB de repartição diferente daquela do domicílio do contribuinte tenha competência para a fiscalização, há a necessidade que essa repartição diferente tenha jurisdição, mesmo porque sem jurisdição não há competência. 5.15. Nos caso dos autos a defendente foi fiscalizada pelos AFRFB Francisco César de Oliveira Santos e Sérgio Martinez, com exercício na Superintendência Regional da Receita Federal em São Paulo, “órgão este que não tem jurisdição, não tendo, pois, competência para fiscalizar e lançar tributo.” 5.16. De forma coerente com as disposições legais referidas nos itens anteriores, que atribuem às repartições do domicílio do contribuinte a competência para Fl. 6082DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 6 fiscalizar e formalizar exigências tributárias (lançamento), o Regimento Interno da SRFB, em seus arts. 190 e 192, defere às Superintendências, como órgãos regionais que são, apenas as atribuições de gerenciamento das atividades de fiscalização, e nunca a execução de tais atividades, que foi atribuído aos órgãos subregionais (Delegacias e Inspetorias da Receita Federal), aos quais estão, efetivamente, jurisdicionados os contribuintes que neles têm seus domicílios fiscais. 5.17. Portanto, seve ser declarada a nulidade do AI lavrados. “Da Impossibilidade de Quebra do Sigilo Bancário da Impugnante sem Autorização Judicial. Da Prova Ilegal.” 5.18. Com o advento da Lei Complementar nº 105/2001, não restou afastada a necessidade da prévia autorização judicial para a quebra do sigilo bancário do contribuinte, conforme preconiza o § 4o do artigo 1o desse diploma legal. 5.19. Assim, resta evidente que tal quebra do sigilo bancário somente pode partir do Poder Judiciário, posto que a Administração Pública não detém tal atribuição. 5.20. Se era vedada a utilização desses dados pela autoridade administrativa, para qualquer outro fim que não o de controle da arrecadação da CPMF, os dados bancários e cópias dos cheques emitidos ilegitimamente requisitados, e obtidos, do Banco do Brasil e do Banco Safra caracterizam prova ilícita, posto que derivados da ilegal quebra do sigilo bancário da empresa, insuscetível, portanto, de permitir a constituição de crédito tributário válido. Mérito. I Preliminar de decadência. 5.21. Nos termos da doutrina dominante, aplicase ao tributo exigido o lançamento por homologação, cujo prazo decadencial tem como termo inicial a data da ocorrência do respectivo fato gerador, nos termos do artigo 150, § 4o, do CTN. 5.22. Assim, ocorrendo trimestralmente o fato gerador do IRPJ, correspondente ao Lucro Presumido, os fatos geradores referentes ao IRPJ e à CSLL, ocorridos em 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006, 31/12/2006, 31/01/2007, 31/03/2007, 30/06/2007 e 30/09/2007, e aqueles correspondentes ao PIS e à Cofins, relativos aos meses de jan/2006 a out/2007, teriam sido alcançados pelo instituto da decadência, posto que os mencionados autos de infração somente foram notificados em 24/11/2012. 5.23. Considerese, por outro lado, que não cabe invocar, como Termo Inicial de decadência, o primeiro dia do ano seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do artigo 173, inciso I, do CTN, porquanto ocorreram os pagamentos correspondentes a todos os trimestres de 2006 e 2007, bem como os relativos aos meses de jan/2006 a dez/2006, conforme se comprova com os documentos nº 03 a 06 inclusos (acostou documentos às fls. 5902 a 5905). 5.24. No caso em exame, o Termo Inicial do prazo de decadência corresponde à data de cada um dos fatos geradores ocorridos nos anos de 2006 e 2007, relacionados nos AI impugnados, sendo que o último deles deuse em 30/11/2007, com Termo Final em iguais datas dos anos de 2011 e 2012 (o último, no dia 30/11/2012), visto que as notificações de lançamento exofficio ocorreram, como dito, em 24/11/2012. Concluíse que está caracterizada a perda do direito de lançar, e a conseqüente nulidade dos créditos tributários exigidos. Fl. 6083DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10845.725582/201202 Acórdão n.º 1301001.422 S1C3T1 Fl. 14 7 5.25. Por outro lado, cabe, desde já, refutar eventual argumento no sentido de que, uma vez imposta a multa qualificada de 150%, o termo inicial do prazo de decadência seria aquele fixado no inciso I do artigo 173, combinado com o artigo 150, § 4o, todos do CTN, qual seja, “o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”, já que “desconsideraria expressa disposição dessa lei complementar, constante desse mesmo artigo 173, parágrafo único.” 5.26. Com efeito, com vistas a afastar interpretações distorcidas desse dispositivo, o artigo 898, § 2o, do RIR/1999, estabeleceu que ocorre a antecipação do prazo previsto no artigo 173, inciso I, na hipótese de entrega de declaração antes de primeiro de janeiro do ano seguinte. O entendimento de que a entrega da Declaração corresponde à “notificação do lançamento primitivo” a que se refere o artigo 898, § 2o, do RIR/1999, está amparado em ampla jurisprudência administrativa.(VER ACÓRDÃO ÀS FLS. 5848/5849). 5.27. Assim, mesmo que sem sentido a argumentação desenvolvida nos itens anteriores, e na hipótese em que seja mantida a multa qualificada de 150% (o que se duvida, em face do exposto adiante), resta evidente a ocorrência da decadência pelo menos no que diz respeito à tributação referente ao ano calendário 2006, visto que a DIPJ a ele correspondente foi entregue em 28/06/2007 (juntou documento à fl. 5906), data essa que fixa o dies a quo do prazo “prescricional”, com término em 28/06/2012. II “Da Errônea Apreciação, pela Fiscalização, da Escrituração da Impugnante.” “A Sistemática de Recebimento que torna Impossível a Omissão de Receita.” 5.28. Como se observa no subitem 2.26 do T.V.E.P.F nº 26, especialmente aquela constante do subitem precedente, a fiscalização admitiu como lucros distribuídos ao sócio Fábio Fatalla as importâncias correspondentes aos cheques mencionados nos dois primeiros parágrafos. Entretanto, com referência aos 469 cheques mencionados no terceiro parágrafo (Debitados ao Caixa quando da sua emissão, mas não Creditados quando da respectiva compensação), decidiu excluílos na recomposição do saldo dessa conta, o que fez no demonstrativo Levantamento do Fluxo Financeiro, no qual foi gerado o Saldo Credor tributado. 5.29. A Interface é uma empresa de pequeno porte, criada especialmente para permitir a atuação profissional do seu principal sócio, Fábio Fatalla (que detém 99,99% do seu capital), na atividade de engenheiro têxtil certificante, cuja receita, advinda de grandes empresas, industriais e importadoras, é integralmente contabilizada, mesmo porque eventuais omissões seriam detectadas pelos sistemas informatizados da SRFB. 5.30. Por ser oriunda de pessoas jurídicas de grande porte, toda a receita da Interface é efetivada pela via bancária, seja por meio de cheques, seja por meio de remessas. Do mesmo modo, todos os pagamentos são realizados, também, por essa via. É dizer, não ocorre o trânsito de qualquer valor em moeda corrente na conta Caixa. 5.31. Com outras palavras, os valores recebidos de seus clientes sempre o foram em cheque ou transferência bancária, enquanto que os pagamentos ocorreram, todos, mediante a emissão de cheques ou, igualmente, por transferência bancária, o que, de início, Fl. 6084DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 8 elimina qualquer possibilidade da existência de Saldo Credor na conta Caixa, exceto na hipótese em que, existindo na conta corrente bancária da empresa um Saldo positivo de 100, o Banco pague um cheque de 200, por ela emitido, resultando num Saldo Credor de 100, saldo negativo esse perfeitamente justificado, já que caracteriza um empréstimo da instituição financeira. 5.32. Além do exposto, como se pode observar no demonstrativo Mutações da Conta Lucros ou Prejuízos Acumulados (acostou documento à fl. 5907) a recorrente obteve, nos anos calendário de 2005, 2006 e 2007, os resultados líquidos de R$ 1.229.324,96, R$ 1.310.420,23 e R$ 1.472.911,13, sendo que, após as distribuições realizadas, restava, em 31/12 de cada um desses anos, os saldos de Lucros nas importâncias de R$ 567.446,40. R$ 887.866.63 e R$ 1.344.082.83, passíveis de distribuição integralmente isentos na pessoa física, nos termos do artigo 48, § 3o, da Instrução Normativa SRF nº 93/1997. 5.33. “Assim, ainda que a IMPUGNANTE reconheça a existência de impropriedades na sua contabilidade, entre elas a de que vários cheques emitidos não foram creditados na conta CAIXA, quando da sua entrega ao sócio FÁBIO FATALLA, embora nela debitados quando da respectiva emissão, tal fato não justifica a apuração de SALDOS CREDORES nessa conta, VISTO TRATARSE DE MERO ERRO CONTÁBIL, facilmente justificável.” 5.34. De fato, há que se considerar, em primeiro lugar, que eram valores efetivamente existentes na conta corrente bancária, com origem no faturamento da empresa, devidamente tributados pelo Lucro Presumido, o que afasta a possibilidade da existência de recursos a margem da contabilidade. 5.35. Depois, na emissão do cheque, era realizado o lançamento a débito de CAIXA, com aumento do respectivo Saldo Credor, plenamente capaz de suportar o (omitido) lançamento a Crédito dessa conta, na sua entrega ao sócio. Ou seja, a omissão desse lançamento a crédito de Caixa somente fez aumentar o Saldo Devedor dessa conta, que, de R$ 210.724,21 em 31/12/2005, passou a ser de R$ 757.768,92 em 31/12/2006 e de R$ 798.920,71 em 31/12/2007 (conforme Livros Razão anexados ao processo). 5.36. Dito de outra forma, na medida que os valores entregues sócio Fábio Fatalla como Lucro distribuído (seja (a) diretamente, seja (b) mediante cheque nominativo à sua secretária, Juliana Gonçalves da Silva, que o sacava no Caixa e a ele entregava a respectiva quantia, seja, ainda, (c) por meio de cheque nominativo a terceiro, para pagamento de compromisso financeiro desse sócio), tinham origem lícita (a conta corrente bancária da empresa), e poderiam ter sido lançados, sem maiores problemas, a crédito da conta Caixa, dada a existência de saldo devedor suficiente para suportálo (e a débito da conta Lucros Acumulados), onde está a irregularidade verificada pela Fiscalização ? 5.37. Do exposto, verificase ter ocorrido mera omissão de lançamentos contábeis, a crédito de Caixa e a débito de Lucros Acumulados, omissão essa que não pode servir como fundamento para a apuração de inexistentes Saldos Credores naquela conta. “Da Incorreta Apuração de Valores a Título de Saldos Credores de Caixa.” 5.38. Ainda que se admita a invalidade do quanto argumentado no item anterior (“Da Errônea Apreciação, pela Fiscalização, da Escrituração da Impugnante”), o que se faz tão somente por amor ao debate, é certo ser absolutamente inválido o cálculo realizado pela Fiscalização, por intermédio do demonstrativo Levantamento do Fluxo Financeiro, no qual se verifica grave erro da Fiscalização, ao considerar, duplamente, como Saídas de Caixa Fl. 6085DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10845.725582/201202 Acórdão n.º 1301001.422 S1C3T1 Fl. 15 9 os valores que relacionou no Anexo A Cheques Suprimentos da Conta Caixa, não identificados e não lançados a crédito da mesma conta, quando dos seus pagamentos/compensações. 5.39. Com efeito, tomandose, aleatoriamente, a título de exemplo, o saldo negativo apurado no dia 19/01/2006 (R$ 9.745,21), que antecede o maior saldo negativo do mês jan/2006 (em 23/01/2006 R$ 26.022,67), indicado no Levantamento do Fluxo Financeiro, verificase que a Fiscalização considerou, nas Saídas de Caixa (Conta Safra), o importe de R$ 35.000,00, que não corresponde a uma efetiva saída de numerário, eis que transferido da conta 1.1.1.02.0002 – Banco Safra (conta corrente normal) para a conta 1.1.1.03.0003 – Banco Safra (conta de investimento), conforme lançamento contábil às fls. 006 do Livro Diário nº 06 (acostou demonstrativo à fl. 5910), sendo que, uma vez excluído das Saídas, o saldo no dia 19/01/2006 passa de Credor (R$ 9.745.21) para Devedor (R$ 25.254.79). 5.40. Nesse mesmo Levantamento do Fluxo Financeiro constatase a existência de outro erro, que termina por invalidar todo o trabalho realizado pela Fiscalização. De fato, no dia 24/02/2006, no qual foi apurado o maior Saldo Credor de fev/2006, de R$ 21.018,69, verificase que foi considerado, nas Saídas de Caixa (coluna Conta Caixa ch. não lançados), o importe de R$ 13.417,58, correspondente ao somatório de 5 cheques, cujos valores também foram lançados na coluna Conta Safra, como se vê no demonstrativo acostado à defesa (juntou documento à fl. 5911, com valores obtidos a partir do Livro Razão), o que caracteriza duplo crédito na conta referida, inflando o Saldo Credor de Caixa apurado. 5.41. Cumpre registrar que também aqui não se cuida de erro único, já que os valores de todos os cheques que a Fiscalização considerou como não baixados da conta Caixa, nos montantes de R$ 547.946.67 (2006) e R$ 675.080,68 (2007), relacionados no Anexo A Cheques Suprimentos da Conta Caixa, não identificados e não lançados a crédito da mesma conta, quando dos seus pagamentos/compensações, foram duplamente incluídos nas Saídas do demonstrativo Levantamento do Fluxo Financeiro, uma vez na coluna Conta Caixa ch. não lançados, e uma segunda vez na coluna Conta Safra, o que o torna absolutamente imprestável para fundamentar a autuação. “A Presunção de Veracidade dos Esclarecimentos Prestados pelo Contribuinte.” 5.42. Como salientado às fls. 8 e 9 do T.V.E.P.F nº 26, a recorrente prestou todas as informações solicitadas pela fiscalização, inclusive sobre o destino dos cheques emitidos (transcreve o item 2 (fl. 8) com destaque para o registro “Depois, com referência aos cheques emitidos em nome de terceiros, informa que se destinavam ao pagamento de despesas diversas e restituição de empréstimos feitos à pessoa física.”). 5.43. Entretanto, em absoluta afronta à legislação vigente, os esclarecimentos acima reproduzidos foram olimpicamente ignorados pelos auditores fiscais autuantes, a pretexto de que, como está na página 7 do T.V.E.P.F nº 26, “... não foram identificados, em sua totalidade, os beneficiários dos cheques emitidos pela empresa, de valores iguais ou superiores a R$ 1.000,00”, e que “Também não foram informadas as destinações destes mesmos cheques, tampouco apresentados os documentos comprobatórios das operações ou suas causas, origens das transações financeiras representativas destes cheques”. 5.44. Com efeito, tais afirmativas são absolutamente contraditórias com o que a Fiscalização inseriu no Anexo B (Cheques Utilizados para Pagamentos a Terceiros sem Identificação das Operações que deram Causa) do T.V.E.P.F nº 26, eis que os cheques nele Fl. 6086DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 10 relacionados, cujos valores constituíram a base de cálculo do IRRF, são todos nominativos, o que desmente a primeira assertiva, de que “... não foram identificados, em sua totalidade, os beneficiários dos cheques emitidos pela empresa”. 5.45. Depois, na transcrição constante do subitem anterior, que reflete esclarecimento prestado pela Impugnante “Depois, com referência aos cheques emitidos em nome de terceiros, informa que se destinavam ao pagamento de despesas diversas e restituição de empréstimos feitos à pessoa física.”), restou perfeitamente claro o destino dos cheques emitidos, o que desautoriza a segunda afirmativa, mesmo porque não poderiam os auditores fiscais exigir que ela, ao desembolsar valores por conta de seu sócio, Fábio Fatalla, emitisse um cheque em nome deste, a ser depositado em sua conta corrente (ou mesmo realizasse remessa bancária), com posterior entrega ao destinatário final, com dupla incidência da CPMF então vigente. 5.46. Dito de outra forma, se a pessoa jurídica funciona, essencialmente, para viabilizar a atividade profissional do sócio, como demonstrado em subitem anterior, e tem lucros acumulados à disposição desse sócio, livres da incidência do IRPF (ver subitem anterior), nada existe na legislação que a impeça de distribuílo mediante a emissão de cheque nominativo à pessoa por ele indicada, para pagamento de compromissos particulares seus. 5.47. Ora, na medida em que foram prestados os esclarecimentos solicitados, não poderia a referida autoridade administrativa recusálos, exceto na hipótese em que provasse que eram inválidos ou viciados. Isto é, na hipótese em que considerasse insatisfatórios ditos esclarecimentos, competia à Fiscalização realizar diligências adicionais no sentido de contestálos, o que, evidentemente, não fez, embora tivesse em seu poder cópias de todos os cheques emitidos. 5.48. Do exposto, resta evidente que o ônus da prova da falsidade, quanto aos elementos informados em resposta a intimações, incumbe à autoridade administrativa, exceto nos casos em que a lei tenha instaurado presunções a favor do Fisco. 5.49. Pois bem, como presunções legais previstas na legislação tributária, temos, por exemplo, aquelas referentes (a) ao saldo credor de caixa, (b) à manutenção, no passivo, de obrigações já pagas ("passivo fictício"), (c) a distribuição disfarçada de lucros, e (d) o depósito bancário sem origem comprovada (Leis nºs 8.021/1991 e 9.430/1996). 5.50. No entanto, no que diz respeito à matéria de fato referente ao destino dos cheques emitidos pela defendente em favor de terceiros, diferentemente do que pretende a autoridade administrativa, a legislação de regência não estabeleceu uma presunção em favor do Fisco: ao contrário, o fez em favor do contribuinte, cabendo àquele provar que os esclarecimentos prestados são falsos ou não refletem a realidade. 5.51. Em oposição aos esclarecimentos prestados pela recorrente, os auditores fiscais autuantes limitaramse a: 5.51.1. Externar afirmativas sem fundamento, ao mencionar que “Porém, em relação aos cheques emitidos nominativos a terceiros ou em benefício destes (excluídos os cheques do código 5), a empresa não apresentou quaisquer documentos que pudessem justificar as operações que lhe deram causa, fato tratado no subitem '3.3' deste Termo” (página 26 do T.V.E.P.F nº 26), sem, contudo, especificar em que dispositivo se encontra a presunção legal que afasta aquela prevista no artigo 845, § 1o, do RIR/1999. Fl. 6087DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10845.725582/201202 Acórdão n.º 1301001.422 S1C3T1 Fl. 16 11 5.51.2. Estabelecer meras presunções simples (ou comuns), que decorrem "da liberdade de pensamento do aplicador da lei", na expressão de Luís Eduardo Schoueri. 5.52. No presente caso, repitase como a requerente informou aos auditores fiscais autuantes que os cheques emitidos destinavamse ao pagamento de despesas diversas e restituições de empréstimos feitos à pessoa física do seu sócio, e dela saíam como distribuição de lucros a este sócio, não podia a autoridade administrativa recusar tais esclarecimentos, exceto na hipótese em que pudesse impugnálos "com elemento seguro de prova ou indício veemente de falsidade ou inexatidão", como estabelecido na legislação de regência (art. 894, § 1o, do RIR/1994) o que não fez. 5.53. Portanto, na medida em que os cheques emitidos em nome de terceiros não correspondiam a despesas capazes de reduzir o montante dos tributos a pagar (dado que a interessada era tributada com base no Lucro Presumido), e considerando que poderiam os respectivos importes ser levados a débito de Lucro Acumulados e a crédito de Caixa, dada a existência de saldos nessas contas (o que não ocorreu por mero erro contábil, como demonstrado no subitem “A Sistemática de Recebimento que Torna Impossível a Omissão de Receita”), circunstância essa não contestada pela Fiscalização, cumpre seja dado provimento à presente impugnação, para o fim de desobrigála do recolhimento de quaisquer quantias. III “Dos Erros Cometidos na Apuração do Maior Saldo Credor do Período.” 5.54. No Levantamento do Fluxo Financeiro apurado pela fiscalização, os Maiores Saldos Credores em cada um dos meses de jan/2007 a dez/2007 foram utilizados de maneira absolutamente indevida, já que em desconformidade à jurisprudência administrativa, exposta exemplarmente na Decisão nº 19.178, de 24/02/2000. (transcreve ementa do referido julgado com destaque para que “Não procede a tributação dos maiores saldos credores de cada mês quando, pela metodologia utilizada na reconstituição da Conta Caixa, no saldo credor do mês subseqüente estiver incluído saldo credor já tributado de mês (es) antecedente (s).”). 5.55. Com efeito, num primeiro passo, há erro fundamental na medida que a Fiscalização utilizouse, para constituir os créditos tributários referentes ao IRPJ e a CSLL, a Soma Trimestral dos Saldos Credores apurados mês a mês, quando, como é sabido, conforme Decisão acima, deveria, para esses tributos, apurar o Maior Saldo Credor do Período, isto é, de jan/mar/06 (1o trimestre), abr/jun/2006 (2o trimestre), e assim sucessivamente. 5.56. De fato, a partir do momento em que o pretenso maior saldo credor de jan/2006 (R$ 26.022,67) foi tributado, este valor não poderia continuar a compor os saldos constantes do mencionado Levantamento do Fluxo Financeiro, resultando na incorreção da apuração do Maior Saldo Credor de fev/2006 (R$ 21.018,69), e assim sucessivamente, o que caracteriza como absolutamente inválida a exigência tributária ora contestada. IV – Da Indevida Aplicação da Multa de 150%. 5.57. A teor do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996 é requisito essencial à validade do lançamento tributário, quando aplicada multa por fraude, que esta fique cabalmente provada, já que a fraude, como crime, não se presume (transcreve jurisprudência às fls. 5873 a 5876). 5.58. No T.V.E.P.F nº 26 (fls. 33/35) os autuantes limitaramse a relacionar as infrações que consideraram ter existido e emitir conclusão no item 4.2.6. Fl. 6088DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 12 5.59. Tais considerações e aquelas que as seguem à fl. 37 do T.V.E.P.F nº 26 têm uma única origem: a recusa em acatar a presunção legal a favor da defendente, referida no item “A presunção de veracidade dos esclarecimentos prestados pelo contribuinte”, quanto aos argumentos apresentados, no sentido de que os valores mencionados foram entregues ao sócio Fábio Fatalla, o que foi realizado pela fiscalização sem apontar os “elementos seguros de prova ou indícios veementes de falsidade ou inexatidão” que pudessem conter. 5.60. “Além disso, fez absoluta questão de desconsiderar o fato de que a existência de saldos devedores na conta CAIXA, bem como a falta de contabilização, a crédito dessa conta, dos valores dos cheques emitidos, DECORREU DE MERO ERRO CONTÁBIL. É dizer, se contabilizados ditos cheques, como demonstrado no SUBITEM 5.3, anterior, nenhuma irregularidade poderia ser apontada, o que caracteriza tais afirmativas, de "FRAUDES NA ESCRITURAÇÃO" e "OMISSÃO DE RECEITAS", como verdadeiro delírio persecutório da Fiscalização.” 5.61. Registrese que a fiscalização não especificou em qual das figuras incidiu a requerente (sonegação, fraude ou conluio a que se referem, respectivamente, os artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964), o que obsta a aplicação do contido no artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/1996. 5.62. No presente caso, verificase que os auditores fiscais autuantes, tirante as inferências e insinuações prodigalizadas no T.V.E.P.F nº 26 lavrado, não conseguiram provar, minimamente, que a defendente tenha, efetivamente, omitido receitas, o que, por certo, inviabiliza qualquer tentativa de penalizálo pela prática, também não identificada, de "sonegação", "fraude" ou "conluio". 6. Representação Fiscal para Fins Penais foi lavrada no processo 10845.725597/201262, tendo em vista a ocorrência, em tese, de crime contra a ordem tributária, nos termos da Lei nº 8.137/1990 (fl. 5696). A autoridade julgadora de primeira instância (DRJ/SÃO PAULO I), decidiu a matéria por meio do Acórdão 1646.872, de 22/05/2013, julgando procedente em parte a impugnação apresentada, tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006, 31/12/2006, 31/03/2007, 30/06/2007, 30/09/2007, 31/12/2007. NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade do lançamento quando observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Comprovados nos autos que a contribuinte foi corretamente informada e esclarecida de todos os termos e documentos produzidos no curso do procedimento fiscal, não há que se arguir cerceamento de defesa. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. EMISSÃO REGULAR. IMPESSOALIDADE. IMPARCIALIDADE. Presumese, até prova contrária a cargo de quem alega, que ação fiscal suportada por Mandado de Procedimento Fiscal regularmente emitido foi planejada atendendo os princípios da impessoalidade, imparcialidade e isonomia. FISCALIZAÇÃO. COMPETÊNCIA. SUPERINTENDÊNCIA REGIONAL DA RECEITA FEDERAL. Fl. 6089DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10845.725582/201202 Acórdão n.º 1301001.422 S1C3T1 Fl. 17 13 As Superintendências Regionais da Receita Federal do Brasil (SRRF) possuem competência para o desenvolvimento das atividades de fiscalização, instrumentalizada pela emissão de Mandado de Procedimento Fiscal emitido pelo Superintendente Regional. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO. A instituição de uma presunção pela lei tributária transfere ao contribuinte o ônus de provar que o fato presumido pela lei não aconteceu em seu caso particular. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006, 31/12/2006, 31/03/2007, 30/06/2007, 30/09/2007, 31/12/2007 OMISSÃO DE RECEITA. SALDO CREDOR DE CAIXA. A falta de comprovação da origem do Saldo Credor de Caixa gera presunção legal de omissão de receita, atribuindo à contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006, 31/12/2006, 31/03/2007, 30/06/2007, 30/09/2007, 31/12/2007 PRAZO DECADENCIAL. TERMO INICIAL. FRAUDE. Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, assim entendido como o pagamento antecipado realizado pelo contribuinte, o direito de proceder ao lançamento do crédito tributário extinguese após cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador. Na ocorrência do fraude, o termo inicial do prazo para a Fazenda Pública lançar deslocase para o artigo 173, inciso I, do CTN, sendo o primeiro dia do ano civil seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. FRAUDE. MULTA. 150%. Em lançamento de ofício é devida multa qualificada de 150% calculada sobre a totalidade ou diferença do tributo que não foi pago ou recolhido quando demonstrada a presença de fraude na ação ou omissão do contribuinte, nos termos da legislação de regência. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte É o relatório. Fl. 6090DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 14 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Na peça recursal a interessada repete as mesmas alegações iniciais (impugnação), aduzindo variações com relação à decisão recorrida sintetizadas nos seguintes itens. 2. DA INVALIDADE DA AÇÃO FISCAL POR INOBSERVÂNCIA DO DISPOSTO NAS PORTARIAS 500/95 E 3.007/02, DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL; 3. DA NULIDADE DO LANÇAMENTO, POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA; 4. DA INVALIDADE DA AÇÃO FISCAL POR INCOMPETÊNCIA DOS AUDITORES FISCAIS QUE A REALIZARAM; 5. DA PERDA DO DIREITO DE LANÇAR (DECADÊNCIA); 6. DA ERRÔNEA APRECIAÇÃO, PELA FISCALIZAÇÃO, DA ESCRITURAÇÃO DA IMPUGNANTE. A SISTEMÁTICA DE RECEBIMENTO QUE TORNA IMPOSSÍVEL A OMISSÃO DE RECEITAS; 7. A INCORRETA APURAÇÃO DE VALORES A TITULO DE SALDOS CREDORES DE CAIXA; 8. A PRESUNÇÃO DE VERACIDADE DOS ESCLARECIMENTOS PRESTADOS PELO CONTRIBUINTE; 9. OS ERROS COMETIDOS NA APURAÇÃO DO MAIOR SALDO; 10. A INDEVIDA APLICAÇÃO DA MULTA DE 150%. Passamos a análise na mesma seqüência dos quesitos apresentados. Preliminarmente, a recorrente argúi a nulidade do lançamento porque (a) por inobservância do disposto nas Portarias 500/95 e 3.007/02, da SRF; (b) por cerceamento do direito de defesa e, (c) por incompetência dos Auditores Fiscal que realizaram a presente ação fiscal. A nulidade dos atos administrativos de lançamento é regida pelo Decreto nº 70.235/72, que em seu art. 59, inciso I, prevê a hipótese de lavratura por pessoa incompetente, e em seu art. 10 traça os requisitos essenciais para a formalização do auto de infração. Tais dispositivos legais alinhamse ao art. 142 do CTN, que também estabelece a formalização do lançamento por autoridade administrativa competente, e exige, para sua validade, a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo. Fl. 6091DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10845.725582/201202 Acórdão n.º 1301001.422 S1C3T1 Fl. 18 15 Diante deste contexto, inexiste a nulidade apontada pela ausência de descrição nos atos e mesmo no auto de infração da autorização do Coordenador Geral de Fiscalização ao programa de fiscalização que envolveu a autuada. Quanto ao alegado cerceamento do direito de defesa, como se infere do art. 59, II, somente ocorre nas decisões de primeira e segunda instância, quando são aplicáveis os princípios do contraditório e da ampla defesa, o que não se verificou no presente caso. Salientese que a Recorrente foi intimada de todos os atos praticados pela autoridade fiscal no curso da ação fiscal, de modo a ter perfeito conhecimento das provas juntadas aos autos, dos argumentos invocados, das medidas adotadas pela fiscalização, enfim, do curso do processo como um todo. Ao contrário do que entende a Recorrente a autoridade fiscal agiu rigorosamente nos limites da lei, procurando atingir a finalidade legal que é a busca do interesse público, não se constatando, em seu procedimento, qualquer excesso e a alegada ofensa aos princípios que norteiam a Administração Pública. Destaquese, por oportuno, que a autuante efetuou o lançamento porque teria identificado fatos imponíveis de hipótese de incidência tributária e o lançamento constituilhe dever legal, segundo o art. 142, parágrafo único, do CTN. Nesse ponto refuto, também, a acusação de incompetência do Auditor Fiscal. Mesmo porque o art. 142 do CTN expressamente confere à autoridade administrativa a competência indelegável e privativa de formalizar o lançamento. E esta autoridade, nos termos da Lei nº 2.354/54, art. 7º, e do Decreto nº 2.225/85, é o auditor fiscal da Receita Federal. Trazendo a matéria aos tempos contemporâneos, verificase que a competência para fiscalizar e executar o ato administrativo de exigência do crédito tributário é da autoridade administrativa que, no caso de lançamento dos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, recai privativamente no Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, nos estritos termos do art. 6º, I, a da Lei nº 10.593, de 06 de dezembro de 2002, in verbis: Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; (...) Acerca da questão já foi editada, inclusive, Súmula nº. 27 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: SÚMULA CARF nº 27: É válido o lançamento formalizado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. Por tais razões, o presente voto é no sentido de REJEITAR as argüições de nulidade do lançamento. Fl. 6092DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 16 5. DA PERDA DO DIREITO DE LANÇAR (DECADÊNCIA) e 10. A INDEVIDA APLICAÇÃO DA MULTA DE 150%. Em sede de recurso, a contribuinte repisa os argumentos de que ocorreu caducidade do direito de se efetuar os lançamentos tributários relativamente aos fatos geradores ocorridos antes de 30 de outubro de 2007, visto que a ciência dos autos de infração ocorreu em 24/11/2012 e, no caso, tratase de períodos trimestrais (Lucro Presumido). No que diz respeito à decadência, por força do estabelecido no art. 62 A do Regimento Interno, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo artigo 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito deste Colegiado. A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Resp nº 973.733 – SC, realizado nos termos do art. 543 C do Código de Processo Civil, pronunciouse no sentido de que o art. 173, I, do Código Tributário Nacional se aplica aos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou, quando, a despeito da previsão legal, não há o pagamento. No caso dos autos, resta incontroverso o fato de que a contribuinte efetuou pagamentos, mas, no julgamento de primeira instancia foi considerado o artigo 173, I, haja vista a multa qualificada de 150% atribuída as infrações. Dessa forma, considerandose que a Recorrente foi cientificada dos lançamentos tributários em 24 de novembro de 2012, a DRJ considerou decaídos os períodos de apuração relativos aos 1o. , 2o. e 3o. trimestres do ano calendário de 2006 para o IRPJ e CSLL. Para as contribuições do PIS e da COFINS até o mês de novembro de 2006. Antes da análise da decadência, fazse mister analisar a qualificação da multa, pois esse fato interfere diretamente no cálculo da decadência. A Recorrente alega que não cabe a aplicação da multa qualificada, pois não haveria no auto de infração a indicação precisa de qual teria sido a conduta dolosa que caracterizaria o evidente intuito de fraude que sustenta a multa qualificada, sendo que a fraude não se presume. Quanto à qualificação da multa de ofício, assim dispõe o artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96, vigente á época dos fatos geradores: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (...) II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis”. Constatase do Termo de Verificação Fiscal e de Encerramento (item 4.2.1) que os fatos pelos quais se justificariam a exasperação da multa de ofício dizem respeito, principalmente, a emissão de cheques pela empresa com lançamentos diários a débito/entradas na Conta Caixa (Livros Caixa 5 e 6), cujos lançamentos a créditos/saídas dos pagamentos Fl. 6093DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10845.725582/201202 Acórdão n.º 1301001.422 S1C3T1 Fl. 19 17 efetuados não foram efetuados, havendo, assim, uma manutenção fraudulenta de saldos na conta caixa. Portanto, não há reparo a fazer na imputação do fisco, pois a conduta da contribuinte subsume, perfeitamente, ao comando do art. 71, I, da Lei nº 4.502/64, in verbis: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; Cabe aqui realçar a intencionalidade da contribuinte, ao contabilizar lançamentos referentes a suprimentos de caixa dos quais não dispõe da correspondente documentação comprobatória. Creio que o intuito de alterar o conteúdo verdadeiro dos fatos está presente nos atos do contribuinte. Portanto, deve ser mantida a multa qualificada em relação às infrações imputadas, conforme decidido pela decisão recorrida Voltando ao tema decadência, pleiteia o contribuinte a decadência do lançamento, ex vi art. 150, parágrafo 4º do CTN. Quanto à matéria, adoto, portanto, a posição consolidada do STJ, mesmo porque o Regimento Interno deste Conselho (RICARF) sofreu alterações, especialmente a introdução do art. 62A, no Anexo II da Portaria MF nº 256/2009, com a redação a seguir transcrita: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Introduzido pela Portaria MF nº 586/2010, publicada no DOU de 22/12/2010). Ocorre que a matéria sob exame, a saber, a aplicabilidade do art. 150, § 4º, ou do art. 173, I, ambos do CTN, já foi objeto de decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça, em regime de recursos repetitivos (art. 543C do CPC), nos autos do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940). O julgamento se deu em 12/08/2009 e o acórdão foi publicado no DJe de 18/09/2009, restando assim ementado (grifos constam do original): PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. Fl. 6094DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 18 DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial Fl. 6095DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10845.725582/201202 Acórdão n.º 1301001.422 S1C3T1 Fl. 20 19 qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Posteriormente, o próprio STJ reviu seu posicionamento quanto ao termo inicial para a contagem do prazo decadencial, nos EDcl nos EDcl no AgRG no Recurso Especial nº 674.497 – PR (2004/01099782). Ressalto que o ilustre Ministro Relator, após mencionar expressamente o REsp nº 973.733, registra que “impõese o acolhimento dos presentes embargos de declaração, a fim de se adequar o decisório embargado à jurisprudência uniformizada no âmbito do STJ sobre a matéria”. O julgamento ocorreu em 09/02/2010, e o acórdão foi publicado no DJe em 26/02/2010, com a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. De se observar a diferença relevante entre um e outro julgados: no primeiro caso (REsp nº 973.733), o termo inicial para a contagem do prazo decadencial era tido como sendo o primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, interpretação esta que fugia por completo à textualidade do art. 173, I, do CTN. No segundo julgado, revendo o posicionamento anterior, o Tribunal passou a considerar que (naquele caso), completandose o fato gerador em 31 de dezembro de 1993, o lançamento somente poderia ser feito a partir de 1994, e o prazo decadencial começaria a fluir em 1º de janeiro de 1995. De se ver, portanto, de que forma essa decisão deve ser reproduzida no caso sob exame, em cumprimento das disposições regimentais. O Superior Tribunal de Justiça aponta, inequivocamente, para a contagem do prazo decadencial segundo as disposições do art. 173, I, do CTN, como regra geral. Esse seria também o dispositivo aplicável quando a lei determine o pagamento antecipado do tributo e o contribuinte não cumpra com essa obrigação e, ainda, inexistindo declaração prévia do débito. Fl. 6096DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 20 No caso do presente processo, a ciência dos autos de infração deuse em 24/11/2012, logo, aplicando o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, para o IRPJ e a CSLL (no caso de fraude), tomando por base o Ano Calendário de 2006, a exação só poderia ser exigida a partir de 01/01/2007, logo o termo inicial para a contagem do prazo decadencial de cinco anos dáse em 01/01/2008 e encerrouse em 31/12/2012, portanto, não alcançado pelo instituto da decadência. 6. DA ERRÔNEA APRECIAÇÃO, PELA FISCALIZAÇÃO, DA ESCRITURAÇÃO DA IMPUGNANTE. A SISTEMÁTICA DE RECEBIMENTO QUE TORNA IMPOSSÍVEL A OMISSÃO DE RECEITAS Neste ponto convém destacar os seguintes trechos do voto combatido: “A Sistemática de Recebimento que torna Impossível a Omissão de Receita.” A recorrente registra que por ser oriunda de pessoas jurídicas de grande porte, toda a receita da Interface é efetivada pela via bancária, seja por meio de cheques, seja por meio de remessas, sendo que todos os pagamentos são realizados, também, por essa via, não ocorrendo o trânsito de qualquer valor em moeda corrente na conta Caixa. 105. Acrescenta que os valores recebidos de seus clientes sempre o foram em cheque ou transferência bancária, enquanto que os pagamentos ocorreram, todos, mediante a emissão de cheques ou, igualmente, por transferência bancária, o que, de início, elimina qualquer possibilidade da existência de Saldo Credor na conta Caixa, exceto na hipótese em que, existindo na conta corrente bancária da empresa um Saldo positivo de 100, o Banco pague um cheque de 200, por ela emitido, resultando num Saldo Credor de 100, saldo negativo esse perfeitamente justificado, já que caracteriza um empréstimo da instituição financeira. 106. Enfatizese que o Saldo Credor de Caixa apurado pela fiscalização foi amparado em cheques não identificados e não lançados a crédito da Conta Caixa (código 4 do Quadro de Legendas), o que motivou a necessidade de Recomposição do Fluxo de Caixa (código 9 do Quadro de Legendas). A questão remete o litígio para o não cumprimento das normas contábeis, posto que a contribuinte não escriturou corretamente os referidos valores, descumprindo exigência a ela imposta pelo Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999), em seu art. 527, que integra a fundamentação legal do AI que se examina: Art. 527. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter (Lei n º 8.981, de 1995, art.45): I escrituração contábil nos termos da legislação comercial; II Livro Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término do ano calendário; III em boa guarda e ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Parágrafo único. O disposto no inciso I deste artigo não se aplica à pessoa jurídica que, no decorrer do ano calendário, mantiver Livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a Fl. 6097DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10845.725582/201202 Acórdão n.º 1301001.422 S1C3T1 Fl. 21 21 movimentação financeira, inclusive bancária (Lei n º 8.981, de 1995, art. 45, parágrafo único).(negritos acrescidos) Assim, não tendo a interessada o cuidado de escriturar corretamente os valores apurados, plenamente cabível a aplicação da presunção legal de omissão de receita consignada no art. 281 do RIR/1999. 108. Assevera a requerente que “Assim, ainda que a IMPUGNANTE reconheça a existência de impropriedades na sua contabilidade, entre elas a de que vários cheques emitidos não foram creditados na conta CAIXA, quando da sua entrega ao sócio FÁBIO FATALLA, embora nela debitados quando da respectiva emissão, tal fato não justifica a apuração de SALDOS CREDORES nessa conta, VISTO TRATARSE DE MERO ERRO CONTÁBIL, facilmente justificável.”(negritos acrescidos) 109. Acrescenta que há que se considerar, em primeiro lugar, que eram valores efetivamente existentes na conta corrente bancária, com origem no faturamento da empresa, devidamente tributados pelo Lucro Presumido, o que afasta a possibilidade da existência de recursos a margem da contabilidade. 110. Sem razão a defendente. A lide não remete a ‘mero erro contábil” sem implicações em infração fiscal devidamente comprovada nos autos, em estrita consonância com a legislação de regência da matéria. Pois bem, nesta fase recursal, com relação ao Acórdão combatido a ora recorrente circunscreve sua defesa apontando duas impropriedades, uma fática que no seu entender inexistem no processo “cheques não identificados”, posto que a fiscalização os obteve junto às instituições financeiras; de outra parte, a impropriedade de ordem jurídica uma vez “remetido o litígio para o não cumprimento das normas contábeis, posto que a contribuinte não escriturou corretamente os referidos valores, descumprindo exigência a ela imposta pelo RIR/99”, alega, que no caso, cabia fosse realizada a tributação com base no lucro arbitrado, já que o Livro Caixa, e mesmo a contabilidade da Recorrente não ofereciam condições para a tributação baseada no Lucro Presumido. Com relação a primeira impropriedade apontada “cheques não identificados”, de fato, a fiscalização após varias tentativas inúteis junto ao contribuinte obteve junto ao Banco Safra e do Brasil cópias do cheques que foram lançados a “Débito da Conta Caixa” e que não foram identificados e lançados a “Crédito da Conta Caixa” quando da sua compensação/pagamentos ou mesmo sacados. A relação de todos os cheques foi entregue ao interessado para que este informasse a destinação da cada um, comprovando com documentação hábil, idônea e coincidente em data e valores, a operação ou a sua causa. Consta do TVF que “Não foram apresentados os documentos representativos das operações financeiras e também não foram identificados, de forma conclusiva, os remetentes dos valores levados a crédito nas contas correntes movimentadas”. A segunda impropriedade apontada que diante dos fatos cabia fosse realizada a tributação com base no lucro arbitrado. Com o devido respeito, ainda que se abstraia o fato de que a argumentação representa absoluta inovação em relação a tudo que foi trazido em sede de defesa (impugnação), não vejo como prosperar tal argumentação. Fl. 6098DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 22 O fundamento legal que hospeda a autuação foi extraído do artigo 281, inciso I, do RIR/99, que assim dispõe: Art. 281. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses: I a indicação na escrituração de saldo credor de caixa; (...) Temse, portanto, autuação na qual se vale a Fiscalização de presunção legalmente fixada para a caracterização de omissão de receitas, constituindose, sabidamente, em presunção juris tantum¸ reclamando prova em contrário para seu afastamento. Ou seja, para afastar a presunção legal que desencadeou a autuação por omissão de receita, ou, melhor dizendo, afastar a aplicabilidade do supramencionado artigo 281, inciso I, do RIR/99, caberia à Recorrente demonstrar que não houve o “estouro de caixa”, o que não aconteceu em todo o transcorrer deste processo. Diante da ausência de comprovação dos citados ingressos, a autoridade fiscal efetuou a recomposição dos Livros Caixa não se prestando, no entanto, a desclassificar a contabilidade da recorrente. Não entrevejo razão nos argumentos trazidos pela recorrente, uma vez ter sido o trabalho fiscal, nesse aspecto, realizado de maneira imaculada. A peticionaria apresenta, ao meu sentir, uma série de alegações meramente retóricas, que buscam convencer este colegiado acerca da correção de suas operações. O procedimento contábil mantido pela recorrente é nitidamente inadequado, pois os cheques liquidados por compensação não representam efetivo ingresso de receitas. Qualquer que tenham sido os motivos alegados para estas operações, certo é que o lançamento a débito na Conta Caixa deveria ter sido acompanhado do correspondente registro a credito na mesma conta, com o mesmo valor, em mesma data ou em dia próximo, consignando a saída dos recursos. Ao assim não proceder, a empresa contribuinte mitigou, irregularmente, eventual saldo credor de caixa, derivado da não contabilização de outros ingressos de receitas. Nesse cenário, agiu corretamente o agente fazendário ao recompor o Caixa, sem a escrituração a débito dos cheques compensados, o que resultou por apurar saldo credor. In casu, porém, uma vez intimada (com reiteração), não foi capaz a ora recorrente de explanar, documentalmente, a regularidade de seus escritos contábil fiscais. Não logrou ela, nesse diapasão, demonstrar o correto registro, a crédito da Conta Caixa, dos valores pertinentes aos cheques compensados arrolados pela Fazenda. O procedimento adotado pela Fiscalização obedeceu aos estritos ditames da lei e, por esta razão, não precisa, neste ponto, ser corrigido. 7. A INCORRETA APURAÇÃO DE VALORES A TITULO DE SALDOS CREDORES DE CAIXA Neste item contesta a recorrente o cálculo realizado pela fiscalização no demonstrativo “Levantamento do Fluxo Financeiro” ao considerar duplamente, como “Saídas” de Caixa, os valores relacionados no “ANEXO A – Cheques Suprimentos da Conta Caixa, não Fl. 6099DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10845.725582/201202 Acórdão n.º 1301001.422 S1C3T1 Fl. 22 23 identificados e não lançados a créditos da mesma conta quando de seus pagamentos/compensações”. Extraise do voto condutor recorrido os fundamentos que a seguir se transcreve e que adoto como razões de decidir. “Da Incorreta Apuração de Valores a Título de Saldos Credores de Caixa.” 111. Afirma a recorrente que ainda que se admita a invalidade do quanto argumentado no item anterior (“Da Errônea Apreciação, pela Fiscalização, da Escrituração da Impugnante”), o que se faz tão somente por amor ao debate, é certo ser absolutamente inválido o cálculo realizado pela Fiscalização, por intermédio do demonstrativo Levantamento do Fluxo Financeiro, no qual se verifica grave erro da Fiscalização, ao considerar, duplamente, como Saídas de Caixa os valores que relacionou no Anexo A Cheques Suprimentos da Conta Caixa, não identificados e não lançados a crédito da mesma conta, quando dos seus pagamentos/compensações. 112. Acrescenta que, tomandose, aleatoriamente, a título de exemplo, o saldo negativo apurado no dia 19/01/2006 (R$ 9.745,21), que antecede o maior saldo negativo do mês jan/2006 (em 23/01/2006 R$ 26.022,67), indicado no Levantamento do Fluxo Financeiro, verificase que a Fiscalização considerou, nas Saídas de Caixa (Conta Safra), o importe de R$ 35.000,00, que não corresponde a uma efetiva saída de numerário, eis que transferido da conta 1.1.1.02.0002 – Banco Safra (conta corrente normal) para a conta 1.1.1.03.0003 – Banco Safra (conta de investimento), conforme lançamento contábil às fls. 006 do Livro Diário nº 06 (acostou demonstrativo à fl. 5910). Conclui que, uma vez excluído das Saídas, o saldo no dia 19/01/2006 passa de Credor (R$ 9.745.21) para Devedor (R$ 25.254,79). 113. Neste quesito cabe esclarecer e enfatizar que o litígio delineado nos autos surgiu a partir da análise dos Livros Caixa da empresa, e a partir dos registros neles verificados foi elaborado o Levantamento do Fluxo Financeiro, que deu ensejo à constatação do Saldo Credor de Caixa, não ilidido pela contribuinte, apesar de regularmente intimada. 114. Assim, não cabe, no contraditório que se examina, examinar os Livros Diário que ela menciona, mesmo porque, no Termo de Diligência Fiscal e de Recebimento de Arquivos Magnéticos nº 020, lavrado em 28/03/2012 (fls. 4252/4253), para registro de que a fiscalização compareceu no endereço no qual se encontra instalado o escritório contábil Contabilidade Teoria e Prática (CNPJ 05.691.372/000125), responsável pela escrituração dos Livros Caixa nºs 05 e 06, com o objetivo de obter informações acerca de eventual escrituração comercial da fiscalizada, foi informado que consta a escrituração dos Livros Diário e Razão para os anos calendário 2006 e 2007, entretanto, registram os autuantes que não foram apresentados à fiscalização os Livros Diário e Razão encadernados e revestidos das formalidades previstas nos arts. 258 e 259 do RIR/1999 (fl. 5669). A fiscalização também mencionou que a empresa optou pelo regime de tributação do Lucro Presumido e informou em suas DIPJ que a apuração das receitas tributáveis ocorreu com base na escrituração dos mencionados Livros Caixa. 115. O mesmo pode ser dito em relações aos valores que a interessada pugna estarem incorretos no Levantamento do Fluxo Financeiro, no dia 24/02/2006, apurado por ela com base em registros do Livro Razão (juntou documento à fl. 5911). Fl. 6100DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 24 116. De se ressaltar, em conclusão a este tópico (“Da Incorreta Apuração de Valores a Título de Saldos Credores de Caixa”), que não encontra qualquer sentido a assertiva da contribuinte, de que os valores de todos os cheques que a Fiscalização considerou como não baixados da conta Caixa, relacionados no Anexo A, foram duplamente incluídos nas Saídas do demonstrativo Levantamento do Fluxo Financeiro, uma vez na coluna Conta Caixa ch. não lançados, e uma segunda vez na coluna Conta Safra. 117. Não há amparo probatório para o que ela pugna acostado aos autos. 8. A PRESUNÇÃO DE VERACIDADE DOS ESCLARECIMENTOS PRESTADOS PELO CONTRIBUINTE Conforme assentado na decisão recorrida os quesitos contraditados neste tópico referemse ao lançamento de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) à aliquota de 35%, “PAGAMENTOS/CAUSA NÃO COMPROVADA”, pertinentes ao processo nº 10845.725584/201293, o qual, se encontra pendente de distribuição nesta Corte Administrativa na SECAM/1A. CAM/2A.SEJUL, com competência para julgamento da matéria (pesquisa eprocesso nesta data). 9. OS ERROS COMETIDOS NA APURAÇÃO DO MAIOR SALDO Por fim, nesta matéria insta reproduzir o seguinte excerto contido no voto recorrido. Argumenta a defendente que no Levantamento do Fluxo Financeiro apurado pela fiscalização, os Maiores Saldos Credores em cada um dos meses de jan/2007 a dez/2007 foram utilizados de maneira absolutamente indevida, já que em desconformidade à jurisprudência administrativa, exposta exemplarmente na Decisão nº 19.178, de 24/02/2000. (transcreve ementa do referido julgado com destaque para que “Não procede a tributação dos maiores saldos credores de cada mês quando, pela metodologia utilizada na reconstituição da Conta Caixa, no saldo credor do mês subseqüente estiver incluído saldo credor já tributado de mês (es) antecedente (s).”). A questão foi devidamente esclarecida pelos autuantes quando da lavratura do Termo de Constatação e de Intimação Fiscal nº 24 (fls. 5367/5371 – ciência em 01/09/2012 – fl. 5372) no qual a interessada foi intimada a esclarecer os Saldos Credores de Caixa constatados no Levantamento do Fluxo Financeiro, quando assinalaram que “nos períodos em que foram constatados saldos credores de Caixa no último dia, o valor correspondente não foi transferido para o mês seguinte”.(grifos acrescidos). Além disso, verificadas as planilhas de Levantamento de Fluxo Financeiro, o procedimento conduzido pela fiscalização foi o de exatamente não transferir para o mês subseqüente o saldo credor apurado no mês anterior, em estrito cumprimento à jurisprudência colacionada pelo contribuinte. Aduz a recorrente que, de fato, nos “LEVANTAMENTOS DO FLUXO FINANCEIRO” elaborados pela Fiscalização, referentes aos anos calendário de 2006 e 2007, o saldo credor tributado no mês subsequente não compôs o saldo credor tributado no mês anterior. Aduz mais: “Contudo, essa D. autoridade julgadora de primeira instância deixou de considerar o argumento constante do SUBITEM 9.1.2, supra, em que se aponta o erro cometido na autuação,onde foi utilizado, para constituir os créditos tributários referentes ao IRPJ e à CSLL, a soma trimestral dos saldos credores apurados mês a Fl. 6101DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10845.725582/201202 Acórdão n.º 1301001.422 S1C3T1 Fl. 23 25 mês, quando, como é sabido (e está na decisão acima reproduzida), deveria, para esses tributos, apurar o maior saldo credor do período, isto é, de JAN/MAR/06 (1O. trimestre), ABR/JUN/2006 (2o. trimestre), e assim sucessivamente, o que, evidentemente, não fez. Vale dizer, na tributação com base em saldo credor de caixa, há que se considerar, com relação a cada período, o maior deles, ou seja, na apuração anual, o maior saldo credor do ano, enquanto que, na apuração trimestral, o maior saldo existente nesse lapso temporal, razão pela qual é invalida a autuação realizada.” Destarte, a recorrente discorda da imprecisão do levantamento que no seu entender, no caso de contribuinte optante pela apuração do imposto com base no lucro presumido, deveria ter sido constituído (saldo credor) com base no maior saldo do trimestre e não como foi feito, mês a mês. Entendo que a apuração mês a mês em nada invalida o procedimento fiscal. Na realidade, o fisco assim procedeu uma vez que adotou o critério de excesso de dispêndios em relação às aplicações/pagamentos, reconciliando a conta Caixa excluindo os referidos valores. O referido artigo 281, I, do RIR/1999, autoriza a tributação de omissão de receitas com base em saldo credor de caixa sem restrição de a presunção legal ser aplicada ao maior saldo credor do período, que se traduz em um dos dois critérios utilizáveis para quantificar o saldo credor. Neste ponto e, diante das considerações aqui esposadas, sou pela manutenção da tributação do SALDO CREDOR de CAIXA. Por todo o exposto, voto por rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas e da decadência, mantendo a multa de ofício qualificada (150%) e, no mérito NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 6102DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES
score : 1.0
Numero do processo: 14033.000813/2009-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3402-000.662
Decisão: RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da Terceira Seção de julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator
(assinado digitalmente)
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto.
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Mônica Elisa de Lima e Luiz Carlos Shimoyama, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca.
RELATÓRIO
Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido:
Cuidam os autos de Dcomp, débitos próprios diversos de 2008 e 2009, com crédito decorrente de decisão judicial transitada em julgado (Finsocial declarado inconstitucional, majoração de alíquotas).
Irresignada com a não homologação da compensação pela instância "a quo", a interessada oferece manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que é completamente infundada a alegação de inexistência do crédito, pois foram devidamente apresentados os Darf de pagamento, bem como a perícia contábil realizada com base nos dispositivos da sentença.
Por isso, requer seja restabelecido o crédito pleiteado através de nova consulta aos sistemas da Receita e ao processo de habilitação 10280.004003/200671, para que seja homologada a compensação declarada..
A 4ª Turma da Delegacia de Julgamento de Brasília julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 03-044700, de 31 de agosto de 2011, cuja ementa abaixo reproduzo:
ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Anocalendário: 2006
Compensação Impossibilidade Necessidade da Liquidez e Certeza do Crédito do Sujeito Passivo Crédito Inexistente.
Não comprovada nos autos a existência de crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Nacional, para absorver o débito tributário, a compensação declarada não pode ser homologada, dado que esta pressupõe existência de créditos para o encontro de contas débitos versus créditos.
Manifestação de Inconformidade Improcedente
Direito Creditório Não Reconhecido
Inconformado com a decisão da DRJ, apresentou recurso voluntário ao CARF, valendo-se dos mesmos argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, em especial, que no processo nº 10280.004003/2006-71 foi realizada perícia contábil e reconhecido um valor de R$ 6.000.000,00, atualizado até 2006.
Termina sua petição recursal requerendo a procedência do recurso para fins de homologar a compensação apresentada.
É o Relatório.
VOTO
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da Terceira Seção de julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Mônica Elisa de Lima e Luiz Carlos Shimoyama, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca. RELATÓRIO Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido: Cuidam os autos de Dcomp, débitos próprios diversos de 2008 e 2009, com crédito decorrente de decisão judicial transitada em julgado (Finsocial declarado inconstitucional, majoração de alíquotas). Irresignada com a não homologação da compensação pela instância "a quo", a interessada oferece manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que é completamente infundada a alegação de inexistência do crédito, pois foram devidamente apresentados os Darf de pagamento, bem como a perícia contábil realizada com base nos dispositivos da sentença. Por isso, requer seja restabelecido o crédito pleiteado através de nova consulta aos sistemas da Receita e ao processo de habilitação 10280.004003/200671, para que seja homologada a compensação declarada.. A 4ª Turma da Delegacia de Julgamento de Brasília julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 03-044700, de 31 de agosto de 2011, cuja ementa abaixo reproduzo: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006 Compensação Impossibilidade Necessidade da Liquidez e Certeza do Crédito do Sujeito Passivo Crédito Inexistente. Não comprovada nos autos a existência de crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Nacional, para absorver o débito tributário, a compensação declarada não pode ser homologada, dado que esta pressupõe existência de créditos para o encontro de contas débitos versus créditos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado com a decisão da DRJ, apresentou recurso voluntário ao CARF, valendo-se dos mesmos argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, em especial, que no processo nº 10280.004003/2006-71 foi realizada perícia contábil e reconhecido um valor de R$ 6.000.000,00, atualizado até 2006. Termina sua petição recursal requerendo a procedência do recurso para fins de homologar a compensação apresentada. É o Relatório. VOTO
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Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Mônica Elisa de Lima e Luiz Carlos Shimoyama, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 40 33 .0 00 81 3/ 20 09 -7 3 Fl. 456DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 14033.000813/200973 Resolução nº 3402000.662 S3C4T2 Fl. 101 2 RELATÓRIO Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido: Cuidam os autos de Dcomp, débitos próprios diversos de 2008 e 2009, com crédito decorrente de decisão judicial transitada em julgado (Finsocial declarado inconstitucional, majoração de alíquotas). Irresignada com a não homologação da compensação pela instância "a quo", a interessada oferece manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que é completamente infundada a alegação de inexistência do crédito, pois foram devidamente apresentados os Darf de pagamento, bem como a perícia contábil realizada com base nos dispositivos da sentença. Por isso, requer seja restabelecido o crédito pleiteado através de nova consulta aos sistemas da Receita e ao processo de habilitação 10280.004003/200671, para que seja homologada a compensação declarada.. A 4ª Turma da Delegacia de Julgamento de Brasília julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 03044700, de 31 de agosto de 2011, cuja ementa abaixo reproduzo: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006 Compensação – Impossibilidade Necessidade da Liquidez e Certeza do Crédito do Sujeito Passivo – Crédito Inexistente. Não comprovada nos autos a existência de crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Nacional, para absorver o débito tributário, a compensação declarada não pode ser homologada, dado que esta pressupõe existência de créditos para o encontro de contas débitos “versus” créditos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado com a decisão da DRJ, apresentou recurso voluntário ao CARF, valendose dos mesmos argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, em especial, que no processo nº 10280.004003/200671 foi realizada perícia contábil e reconhecido um valor de R$ 6.000.000,00, atualizado até 2006. Termina sua petição recursal requerendo a procedência do recurso para fins de homologar a compensação apresentada. É o Relatório. Fl. 457DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 14033.000813/200973 Resolução nº 3402000.662 S3C4T2 Fl. 102 3 VOTO Preliminarmente, entendo que os autos não estão maduros para uma decisão do Colegiado nesta sentada. Consta tanto na manifestação de inconformidade como no recurso voluntário que houve uma perícia contábil que analisou os valores requeridos pelo sujeito passivo e constatou a existência de um valor aproximado de R$ 6.000.000,00, atualizados até o ano de 2006. Não há nos autos documentos que atestem essa afirmação. A existência de recolhimento indevido deve ser lastreada pelo confronto do valor recolhido com o valor que deveria ser recolhido. A comprovação do valor recolhido se faz por meio do comprovante de recolhimento – DARF. Já a apuração do valor devido está condicionada à análise da base de cálculo combinada com a alíquota a ser aplicada. Quanto à alíquota, não temos problemas, pois está determinada em lei e não precisa ser objeto de prova. Todavia, a base de cálculo deve ser comprovada pela escrituração nos livros fiscais. Neste sentido, determina o art. 923, do RIR/99, “a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados com documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais”. O art. 226 do Código Civil ratifica o entendimento quando define que os livros e fichas dos empresários provam contra as pessoas a que pertencem e, em seu favor, quando escriturados sem vício extrínseco ou intrínseco, forem confirmados por outros subsídios. Em suma, os livros legalizados, escriturados em forma mercantil, sem emendas ou rasuras, e em perfeita harmonia uns com os outros, fazem prova plena a favor ou contra os seus proprietários. Regressando a lide, resta evidente que estamos diante de matéria fática e prejudicial ao mérito, portanto, converto o julgamento em diligência para que o Órgão Preparador intime o recorrente a apresentar seus livros fiscais e documentos que sustentem os lançamentos contábeis e coteje com o valor recolhido. Por fim elabore relatório conclusivo acerca da existência ou não de valores recolhidos indevidamente, nos termos do Mandado de Segurança nº 2001.39.00.0092070. Da conclusão da diligência deve ser dada ciência à contribuinte, abrindolhe o prazo de trinta dias para, querendo, pronunciarse sobre o feito. Após todos os procedimentos, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual. Sala das Sessões, 24/04/2014 Fl. 458DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10680.901868/2012-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 20 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3202-000.229
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Acompanhou o julgamento o advogado Valter de Souza Lobato, OAB/MG nº 61.186.
Assinado digitalmente
IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA - Presidente.
Assinado digitalmente
TATIANA MIDORI MIGIYAMA - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora).
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Acompanhou o julgamento o advogado Valter de Souza Lobato, OAB/MG nº 61.186. Assinado digitalmente IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA - Presidente. Assinado digitalmente TATIANA MIDORI MIGIYAMA - Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora).
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ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Acompanhou o julgamento o advogado Valter de Souza Lobato, OAB/MG nº 61.186. Assinado digitalmente IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Presidente. Assinado digitalmente TATIANA MIDORI MIGIYAMA Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 01 86 8/ 20 12 -1 2 Fl. 1174DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901868/201212 Resolução nº 3202000.229 S3C2T2 Fl. 1.175 2 Relatório A SAMARCO MINERAÇÃO S/A apresentou recurso voluntário contra Acórdão nº 0246.020, de 8 de julho de 2013, proferido pela 1ª Turma da DRJ/BHE, que julgou por unanimidade de votos, procedente em parte a manifestação de inconformidade, de sorte a: · Cancelar as glosas efetuadas em relação às despesas com transmissão de energia elétrica, recompondo o crédito, nos valores constantes na planilha nº 15 da fiscalização (fl. 888); e · Cancelar em parte as glosas efetuadas em relação aos bens do ativo imobilizado, recompondo o crédito, nos valores constantes na coluna “Crédito com o Imobilizado” do demonstrativo constante do aditamento da manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte; · Ressaltar que a DRF de origem deverá, ainda: (1) proceder à verificação dos pagamentos efetuados, relativos às glosas sobre as quais não houve litígio, conforme item 2 do aditamento apresentado pela reclamante, e efetuar os procedimentos necessários à extinção dos respectivos débitos; e (2) Proceder à recomposição dos créditos passíveis de ressarcimento/compensação, conforme planilhas nºs 26 e 27 da fiscalização, homologando as DCOMPs apresentadas até o limite dos créditos apurados. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório integrante da decisão recorrida, a qual transcrevo a seguir: “A contribuinte acima identificada apresentou Pedido de Ressarcimento – PER – de crédito de PIS nãocumulativo – Exportação, relativo ao 1º trimestre de 2009, no valor de R$ 9.122.624,35, com posterior encaminhamento de Declaração(ões) de Compensação – Dcomp – relativa(s) ao mesmo crédito. Os documentos tiveram processamento eletrônico, com intervenção manual do Serviço de Fiscalização da DRF/Belo Horizonte, que procedeu a auditoria para verificação quanto à procedência dos créditos. O crédito foi reconhecido parcialmente, no valor de R$ 8.428.360,86, em face das glosas efetuadas pelo fisco, por entender que tais créditos não estavam em consonância com o disposto na legislação que rege a matéria. Os dispositivos legais infringidos constam no Relatório Fiscal relativo ao Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 06101002011.014270 (fls. 972/992). Fl. 1175DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901868/201212 Resolução nº 3202000.229 S3C2T2 Fl. 1.176 3 Em conseqüência, houve homologação parcial de sua(s) Dcomp, conforme Despacho Decisório com nº de rastreamento 022394389, emitido em 04.05.2012 (fl. 434), do qual a contribuinte tomou ciência em 14.05.2012, conforme tela acostada à fl. 994. Em 13.06.2012, foi protocolizada a manifestação de inconformidade de fls. 02/53 (anexos às fls. 55/433), contendo os elementos que se seguem. TEMPESTIVIDADE Informa sobre as datas de ciência do Despacho Decisório e da apresentação da Manifestação de Inconformidade no prazo de 30 dias. 2. OS PONTOS DISCORDANTES QUANTO AOS CRÉDITOS DE PIS/COFINS. BREVE RELATO DOS FATOS. Nesse item, foram levantados os pontos de discordância em relação ao Relatório da Fiscalização, a seguir sintetizados: a) Que a fiscalização demonstra contradição entre a própria autuação e a sua descrição do objeto social da empresa, posto que diversos créditos glosados são oriundos de autênticos insumos para as atividades ali relacionadas; b) Que a fiscalização deu ao conceito de insumos a mesma interpretação restritiva do IPI, a qual, além de ultrapassada, não consta em lei e ainda fere o princípio da confiança, já que havia uma promessa de que os contribuintes poderiam creditarse de toda despesa e todo custo necessários à sua produção e ao exercício de sua atividade; c) Que alguns produtos foram glosados sob o argumento de que deveriam ter sido contabilizados como bens do ativo imobilizado; d) Que foram glosados produtos adquiridos com alíquota zero, o que, egundo o fisco, estaria impedido pelo § 2º do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003; e) Que a fiscalização entende que a empresa não poderia se creditar dos dispêndios com o uso dos sistemas de conexão e de distribuição de energia, mas apenas com a compra de energia, o que a contribuinte considera um absurdo, já que não se pode dissociar uma coisa da outra e, além disso, segundo ele, haveria dispositivo expresso determinando o creditamento sobre o custo de tal energia; f) Que, apesar de a contribuição para o PIS e a Cofins terem como base a totalidade das receitas, a fiscalização não reconhece a contrapartida (despesas e custos necessários à consecução das atividades), usando o argumento de que “nem todos os custos, despesas ou encargos incorridos para a consecução do faturamento Fl. 1176DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901868/201212 Resolução nº 3202000.229 S3C2T2 Fl. 1.177 4 da empresa geram direitos a créditos, (...)”, glosando itens diversos. Sobre esses itens, discorre, de forma individual, a saber: f.1) Insumos e Serviços Utilizados no Mineroduto – que a fiscalização entende que não se enquadram como insumos os gastos nele empregados, e que se trata de transporte de produto em fase de elaboração, efetuado pela própria empresa, entre seus estabelecimentos, não gerando direito a créditos. Sobre esse entendimento, a contribuinte entende estarem indo de encontro à intenção contida no sistema de não cumulatividade. f.2) Demais Serviços – que os créditos foram glosados por referiremse a gastos com serviços utilizados indiretamente na produção do minério, não se enquadrando no conceito de insumo e que a fiscalização elenca alguns desses serviços, “a título exemplificativo”, conforme se segue: f.2.1) Aluguel de Veículos – que, segundo a fiscalização, não se encontra listado no art. 3º do inciso IV das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Por outro lado, a contribuinte alega que os créditos se referem a equipamentos e máquinas empregados em seu processo produtivo. f.2.2) Locação de dragas, locação de reboque, serviço de rebocador, serviços portuários – que a fiscalização desconsiderou a atividade de administração do porto, constante no objeto social da empresa. Além disso, segundo a reclamante, as dragas são utilizadas na mineração. f.2.3) Serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos – segundo a reclamante, faltaram motivo e motivação para a glosa, cuja fundamentação foi apenas no sentido de não se constituírem insumos. Além disso, alega que tal serviço busca o reaproveitamento do minério e está inserido diretamente no processo produtivo. f.2.4) Serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagem, análises físicas e químicas – que, segundo a fiscalização, são empregados em etapas posteriores ou anteriores ao processo produtivo. A contribuinte, por outro lado, entende que são empregadas ao longo do processo. Além disso, alega que há exigência da legislação ambiental para a contratação desses serviços. f.2.5) Serviços e insumos utilizados na operação, manutenção e conservação das usinas hidrelétricas próprias – que as glosas também foram motivadas com base no conceito de insumo – do qual a reclamante discorda – e devido ao entendimento de que não se tratam de bens e serviços em contato direto com o produto final f.3) Obras de Construção Civil – que as glosas foram efetuadas por não se amoldarem ao conceito de insumo. Por sua vez, a reclamante sustenta que Fl. 1177DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901868/201212 Resolução nº 3202000.229 S3C2T2 Fl. 1.178 5 tais obras se referem a manutenção das barragens, e, portanto, essenciais e intrínsecas ao seu processo produtivo. Resumindo o seu relato, a contribuinte infere que a fiscalização não detalhou os produtos e serviços glosados, nem motivou suas glosas, ferindo o seu direito de defesa. 3. RECONHECIMENTO PARCIAL DA GLOSA. PRODUTOS SUJEITOS A ALÍQUOTA ZERO. EQUÍVOCO GERADO PELO SISTEMA. PAGAMENTO. No que diz respeito às glosas efetuadas sobre produtos adquiridos com alíquota zero, a contribuinte admite que se creditou indevidamente, informando que já procedeu à recomposição da conta gráfica, e que iria recolher o valor devido. 4. DA AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. INSUBSISTÊNCIA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. NECESSIDADE DE CANCELAMENTO DA AUTUAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO SEM DILIGÊNCIAS IN LOCO. Seguindo em sua explanação, a contribuinte afirma que o lançamento está eivado de nulidades, uma vez que a fiscalização se baseou em arquivos eletrônicos, sem proceder a inspeção in loco, e, nesse sentido, segue argumentando sobre a falta de motivação e da apresentação de provas por parte do fisco, e requer a declaração de nulidade do lançamento fiscal. 5. NOTAS INTRODUTÓRIAS. A ATIVIDADE DA REQUERENTE E SEU OBJETO SOCIAL. A PECULIARIDADE DA SUA PLANTA, DESDE A SUA CONCEPÇÃO. No item 5 de sua manifestação de inconformidade, a reclamante faz uma detalhada descrição do objeto social da empresa, do seu processo produtivo e da sua planta integrada. Sobre o seu objeto social, destacase que envolve a pesquisa, lavra de minério em todo o território nacional, industrialização e comercialização de minérios, transporte e navegação no interior do porto, inclusive para terceiros, importação, para seu uso, de equipamentos, peças sobressalentes e matérias primas, produção e distribuição de energia elétrica e comercialização de carvão, podendo ainda participar do capital de outras empresas como acionista ou quotista. Sobre seu processo produtivo, explica que é integrado, da mina ao porto, sendo essa a concepção desde sua origem. Descreve esse processo, desde a lavra, que se dá na unidade de Germano, em Mariana e Ouro Preto (MG), passando pelos processos de separação do rejeito, moagem, deslamagem, flotação, até o seu transporte, como polpa, para a unidade de Ubu, em Anchieta (ES), por meio de minerodutos, terminando na etapa de Fl. 1178DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901868/201212 Resolução nº 3202000.229 S3C2T2 Fl. 1.179 6 pelotização, citando inclusive os diversos produtos utilizados como agentes nesse processo, explicando sua ação. E sobre sua planta integrada, discorre sobre a sua concepção, ressaltando que não se trata de apenas uma empresa de mineração, mas uma empresa que extrai minério e agrega valor ao produto, além de o exportar, daí a necessidade da total integração do seu processo produtivo. Acrescenta, ainda, os efeitos dessa integração nos resultados alcançados pela empresa, ressaltando a sua importância. 6. MÉRITO. NÃO CUMULATIVIDADE PIS/COFINS. A CORRETA INTERPRETAÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS E OS EQUÍVOCOS COMETIDOS PELA FISCALIZAÇÃO. Nesse item, a manifestante inicia com uma longa explanação sobre a legislação relativa ao tema, desde o texto constitucional até a jurisprudência sobre o assunto, incluindose a relação com as legislações do IRPJ e do IPI. A seguir, adentra na questão da interpretação do conceito de insumos, defendendo, a partir dos dispositivos constitucionais e legais, que todo bem ou serviço, que seja necessário à obtenção de receitas pela empresa, deve ser admitido como gerador de crédito de PIS e Cofins. Alega, ainda, em resumo: que a Constituição Federal reservou à lei apenas a definição do setor econômico ao qual se destinaria a nãocumulatividade; que não se pode utilizar, para a nãocumulatividade do PIS e da Cofins, o conceito de insumo que serve para o IPI, dadas as diferenças entre tais tributos, inclusive no que diz respeito aos serviços, não incluídos neste (nesse sentido, cita decisões judiciais que consideram a essencialidade como a condição a ser observada na determinação do conceito); e que, devido às semelhanças do PIS e a Cofins com o IRPJ, o conceito a ser adotado seria o mesmo adotado para esse imposto (citando decisões judiciais e Acórdão do CARF nesse sentido). Cita alguns exemplos do que classifica como “equívocos cometidos pela fiscalização quanto ao conceito de insumos”, qual o dos créditos relativos a gases e combustíveis que a empresa utiliza nos fornos, e os relativos a óleos combustíveis utilizados nos caminhões que transitam na Mina, solicitando que esta DRJ considere insubsistentes a glosas efetuadas ou, caso assim não entenda, que considere os insumos constantes de sua planilha anexa ou, em última instância, que seja feita prova pericial, a fim de demonstrar que todos os créditos glosados se referem a produtos e serviços essenciais à atividade da empresa e, portanto, legítimos. Fl. 1179DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901868/201212 Resolução nº 3202000.229 S3C2T2 Fl. 1.180 7 A partir de então, procede à argumentação sobre a improcedência da glosa para cada tipo de crédito, conforme se segue, de forma resumida. BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS – ATIVO IMOBILIZADO: Em relação às glosas efetuadas por terem sido considerados créditos relativos a bens destinados ao ativo imobilizado, mais uma vez a reclamante alega falta de motivação do lançamento, pela fiscalização. Acusa, ainda, a falta de manifestação da fiscalização sobre a possibilidade de se creditar pro rata, nos termos do inciso VI do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, caso se considere o bem como parte integrante do ativo imobilizado. De acordo com o seu entendimento, se a fiscalização, ao recompor a conta gráfica da empresa, não considerou as parcelas já devidas com base na depreciação, o crédito tributário resultante das glosas caracterizase insubsistente. Em última instância, entende que tal recomposição deva ser feita pela fiscalização, caso não se considere o crédito integralmente. CRÉDITO SOBRE DESPESAS COM ENERGIA ELÉTRICA: Sobre os créditos sobre despesas com energia elétrica, a reclamante insurge contra as glosas efetuadas sobre os insumos e serviços relativos às usinas próprias da empresa e sobre os custos com transmissão e distribuição de energia (encargos denominados TUSD). No caso dos gastos empregados em suas usinas, argumenta que não haveria sentido em a aquisição de energia das concessionárias gerar mais créditos que a autoprodução, uma vez que o Governo Federal incentiva os investimentos com produção de energia elétrica. Acrescenta que a energia elétrica é essencial ao processo produtivo da empresa e ressalta que a nãocumulatividade não é benefício fiscal, mas apenas cumprimento de preceito constitucional, conforme já defendido antes. Quanto aos gastos empregados nos encargos de distribuição, segundo o entendimento da reclamante, estão contidos nos custos incorridos com energia elétrica, nos termos do inciso IX do art. 3º da lei nº 10.637/2002 e do inciso III do art. 3º da Lei nº 10.833/2003. Em defesa do seu entendimento, explica em detalhes o modelo do setor elétrico brasileiro, concluindo que o fato de os custos relativos à distribuição de energia serem cobrados separadamente dos custos com a compra, como é o caso da contribuinte, que se encontra na categoria de consumidor livre, é irrelevante para a sua classificação como créditos de PIS e Cofins passíveis de aproveitamento. CRÉDITO SOBRE SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS: Fl. 1180DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901868/201212 Resolução nº 3202000.229 S3C2T2 Fl. 1.181 8 Sobre as glosas dos créditos relativos a serviços, a reclamante contesta, de forma geral, a sua falta de enquadramento, pela fiscalização, do conceito de insumo, e, a seguir, contesta alguns pontos do relatório em relação a cada serviço. Serviços prestados no mineroduto: Em relação aos serviços prestados no mineroduto, insiste no conceito de planta única de produção, na qual o mineroduto seria apenas uma das etapas, a saber, o ponto de ligação entre os dois estabelecimentos da empresa. Reforça seu entendimento sobre a possibilidade de creditamento desses serviços, com o questionamento “o tributo plurifásico não cumulativo não deve ser neutro? Ora, se a planta de MG pertencesse a uma empresa, o mineroduto a outra e a planta do ES a uma terceira, os custos da primeira planta e do mineroduto seriam passíveis de creditamento pela planta do ES, certo? Se assim o é, a requerente tem direito aos créditos ora vindicados.”. Nesse sentido, segundo afirma, versa Acórdão do CARF, que também transcreve. Aluguel de veículos: Sobre o creditamento dos gastos com aluguel de veículos, argumenta que o contrato também prevê a locação de equipamentos, como caminhões e tratores utilizados na mineração, cujos créditos são os únicos tomados pela empresa e, portanto, dentro da previsão do inciso IV do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Locação de dragas e reboque, serviço de rebocador, serviços portuários: O mesmo argumento é utilizado em relação aos créditos relativos à locação de dragas e reboque e aos serviços de rebocador e portuários. Acrescenta que, nesse item, a legislação sequer fala em insumos, mas simplesmente exige que tais máquinas e equipamentos sejam “aplicados nas atividades da empresa”. Explica a natureza do afretamento, concluindo que nada mais são, em sua essência, que contratos de locação de embarcação, sendo que algumas modalidades (afretamento por viagem e por tempo) possuem um caráter híbrido, pois, nesses casos, está incutido um misto de locação e de prestação de serviço, já que os custos com tripulação, manutenção, abastecimento, etc, correm por conta do fretador e não do contratante (afretador). No sentido de firmar esse entendimento, cita decisão do STJ e consulta à Superintendência Regional da Receita Federal – SRRF da 8ª RF, versando sobre créditos de aluguéis. Por fim, alega que a própria fiscalização mencionara a administração do porto como uma das atividades da empresa, onde seriam empregadas as dragas cujo crédito fora glosado, e acrescenta que tais dragas também são utilizadas na atividade de mineração, como provam as notas Fl. 1181DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901868/201212 Resolução nº 3202000.229 S3C2T2 Fl. 1.182 9 fiscais que listam serviços realizados na unidade de Mariana/MG, de forma que requer a insubsistência das alegações fiscais quanto a este item. Serviços de limpeza. Recolhimento e transporte de rejeitos: Sobre os créditos relativos a serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos, a reclamante afirma que faltou motivo e motivação para as respectivas glosas, uma vez que, segundo afirma, a fiscalização nada diz sobre esses serviços. Assim, entende que poderá ser feita prova pericial, a fim de se comprovar que tais serviços não se tratam de simples limpeza, mas de reaproveitamento de rejeitos, e em obediência aos ditamos ambientais, intrínseco, portanto, ao processo produtivo. Serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagem, análises físicas e químicas: Em relação aos serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagem e análises físicas e químicas, a reclamante, juntando notas fiscais como prova, afirma que mais uma vez a fiscalização teria cometido equívoco, ao afirmar que tais serviços são empregados em etapas posteriores ou anteriores ao processo produtivo propriamente dito. Cita Acórdão, em que o CARF se pronuncia sobre os serviços de terraplanagem, e decisões sobre o entendimento do que seja considerado o processo produtivo, para efeito de beneficiamento do ICMS, argumentando que está pacificado o entendimento de que deva prevalecer o critério da essencialidade na definição dos valores que podem ser creditados. Serviços e insumos utilizados na operação, manutenção e conservação das Usinas Hidrelétricas próprias: No que diz respeito aos créditos relativos a serviços empregados nas usinas hidrelétricas próprias, o argumento é no sentido de que os insumos utilizados na autoprodução de energia também integram o produto final, na mesma linha do que já foi longamente abordado. Obras de construção civil: E, sobre os créditos decorrentes dos serviços denominados “obras de construção civil”, afirma que tais obras se referem a manutenção das barragens essenciais, intrínsecas ao processo produtivo, anexando notas fiscais que, segundo ela, comprovam a natureza dos serviços. Insiste que faltou uma análise in loco, pela fiscalização, e que a simples análise dos contratos já permite se verificar que os serviços cujo crédito fora glosado são imprescindíveis ao processo produtivo da mineração. 7. DO PEDIDO DE PERÍCIA. Fl. 1182DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901868/201212 Resolução nº 3202000.229 S3C2T2 Fl. 1.183 10 Após todos os seus apontamentos e argumentações sobre a improcedência das glosas efetuadas, conforme acima sintetizado, a contribuinte aborda a necessidade de se proceder a prova pericial, dada a complexidade e o volume de informações apresentadas e tendo em vista que as discussões travadas no presente processo dizem respeito à análise do processo produtivo da empresa e aos gastos vinculados à sua atividade, em confronto com os fatos levantados pela autoridade administrativa. Nesse sentido, elenca diversos pontos que, a seu ver, deverão ser resolvidos pela prova pericial, que vão desde a concepção da empresa, em sua origem, até o detalhamento do bens que tiveram seus créditos glosados, indicando, inclusive, um assistente técnico para a solicitada perícia. Entre os pontos levantados, a reclamante questiona: sobre as atividades realizadas pela empresa e sobre como a empresa foi concebida, em sua origem; sobre a existência ou não do direito a determinados créditos; sobre a composição do crédito levantado pela fiscalização; sobre o enquadramento dos encargos de energia elétrica glosados pela fiscalização no conceito de custo da energia; sobre a essencialidade de determinados serviços no processo produtivo da empresa; sobre a abrangência de determinadas rubricas que tiveram seus créditos glosados. Pede, ainda, que sejam relacionados (em planilhas) os itens glosados (bens e serviços), com informações diversas relativas ao produto, sua essencialidade para as atividades da empresa e sobre a possibilidade de dedução de seu custo, para fins de IRPJ e CSLL. 8. DO PEDIDO. Conclui sua manifestação de inconformidade, pedindo que seja reconhecida a insubsistência do Despacho Decisório ora recorrido, com a conseqüente homologação da compensação efetuada e a extinção dos respectivos débitos. Requer, ainda, a juntada posterior dos documentos faltantes da manifestação de inconformidade. 9. ADITAMENTO. Posteriormente, em 17.07.2012, a contribuinte juntou novos documentos (fls. 448/517), solicitando que fossem tomados como “aditamento” às razões apresentadas anteriormente. Inicialmente, faz um breve relato dos fatos, resumindo os pontos de discordância em relação às glosas efetuadas, já longamente abordados na manifestação de inconformidade original. Fl. 1183DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901868/201212 Resolução nº 3202000.229 S3C2T2 Fl. 1.184 11 Sobre a parte da glosa relacionada a produtos sujeitos a alíquota zero, a qual já havia reconhecido inicialmente como devida, acrescenta planilhas, demonstrando os valores em relação ao total do crédito glosado, por trimestre, e detalhando os valores recolhidos com seus acréscimos moratórios, bem como os respectivos comprovantes de pagamento. Quanto aos créditos relativos a aquisições de bens destinados ao ativo imobilizado, repete as alegações iniciais sobre a possibilidade de se creditar parte dos valores, relativa à depreciação dos bens, nos termos § 1º, III e § 14 do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, insistindo no fato de que a fiscalização deveria ter considerado tais créditos e recomposto sua conta, já que procedeu a lançamento tributário. Acrescentou planilhas demonstrativas dos créditos inicialmente aproveitados em relação aos créditos devidos sobre o ativo imobilizado, com as respectivas diferenças apuradas, as quais, segundo entende, devem substituir as glosas efetuadas, além de outros documentos, no sentido de comprovar a procedência desses valores. Embora não conste na manifestação inicial, a reclamante se insurge aqui contra as glosas efetuadas sobre os créditos relativos a óleo combustível. Segundo afirma, esses óleos seriam utilizados tanto para alimentar os fornos de pelotização do minério, quanto para abastecer os caminhões utilizados na mina. Cita Solução de Consulta da SRRF da 10ª RF e decisão do Conselho de Contribuintes de Minas Gerais – CCMG, relativa ao ICMS. Defende que esta DRJ deve julgar “insubsistente o lançamento”, tendo em vista a impossibilidade de se analisar todos os produtos glosados, e deferir a prova pericial, para análise dos julgadores. Conclui, pedindo, mais uma vez, que seja reconhecida a insubsistência do Despacho Decisório ora recorrido, com a conseqüente homologação da compensação efetuada e a extinção dos respectivos débitos, além de requerer a reformulação do crédito tributário cobrado, considerandose o pagamento parcial, conforme comprovado. E, mais uma vez, requer a juntada posterior de quaisquer documentos que se façam necessários ao julgamento. 10. DILIGÊNCIA. Em 11.03.2013, esta DRJ emitiu Resolução, convertendo o julgamento em diligência, a fim de que fossem verificadas a origem e as utilizações das máquinas e equipamentos que tiveram seus créditos glosados, e a conseqüente possibilidade de descontos dos créditos relativos aos respectivos encargos com depreciação. Fl. 1184DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901868/201212 Resolução nº 3202000.229 S3C2T2 Fl. 1.185 12 Para a realização da diligência, o Serviço de Fiscalização da DRF de Belo Horizonte procedeu à abertura do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 0610100.2013 004204, intimando a contribuinte, em 16.04.2013, a apresentar a documentação necessária, a qual foi apresentada em 07.05.2013. Após a análise da documentação apresentada, a Fiscalização emitiu, em 20.05.2013, Relatório Fiscal, com as conclusões abaixo transcritas, em resposta aos questionamentos desta DRJ: 1. As máquinas e equipamentos foram adquiridos de pessoas jurídicas e foram utilizadas na produção de bens destinados à venda e/ou prestação de serviços, conforme determinam a legislação de regência; 2. Ratificamos a veracidade dos cálculos juntados aos autos na manifestação de inconformidade de 17/07/2012, relativamente aos valores de créditos do PIS/Pasep e da Cofins nãocumulativos calculados sobre os encargos de depreciação dos bens do ativo imobilizado que foram objetos de glosas por esta fiscalização, conforme determinado nos dispositivos legais pertinentes à matéria (art. 3º, § 14, art. 15 II, da Lei nº 10.833/2003, cujo § 14 foi incluído pelo art. 21 da Lei nº 10.865/2004; art. 1º da Lei nº 11.774/2008). Em 22.05.2013, a contribuinte tomou ciência do Relatório Fiscal, com o resultado da diligência, não apresentando, no prazo que lhe foi facultado, quaisquer outros questionamentos. É o relatório.” A DRJ, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento tributário em acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ATIVO IMOBILIZADO. Geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os encargos de depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos de pessoa jurídica e utilizados na produção de bens destinados à venda. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. SERVIÇOS RELACIONADOS À USINA. Não geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com serviços Fl. 1185DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901868/201212 Resolução nº 3202000.229 S3C2T2 Fl. 1.186 13 relacionados à manutenção de máquinas e equipamentos da usina, por não se classificarem como insumos na produção de minério. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ENERGIA ELÉTRICA. Na apuração da Contribuição para o PIS e da Cofins nãocumulativas, podem ser descontados créditos das despesas e custos relativos à energia elétrica adquirida de pessoa jurídica domiciliada no país, incluindose os gastos com transmissão e distribuição de energia elétrica produzida pelo contribuinte ou adquirida de terceiros. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. MINERODUTO. Não geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com serviços relacionados a mineroduto, por não se classificarem como insumos na produção de minério. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ALUGUEL DE VEÍCULOS. Não geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com aluguel de veículos, por falta de previsão legal, e nem os gastos com aluguel de máquinas e equipamentos, que não sejam comprovadamente empregados na produção de minério. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. LOCAÇÃO DE DRAGAS, LOCAÇÃO DE REBOQUE, SERVIÇO DE REBOCADOR, SERVIÇOS PORTUÁRIOS. Não geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com locações, por falta de previsão legal, nem os serviços relacionados ao porto, que não sejam comprovadamente empregados na atividade de navegação, por não se classificarem como insumos na produção de minério. Não se pode considerar o simples fato de uma determinada atividade constar no objeto social da empresa suficiente para que todo e qualquer serviço relacionado diretamente a essa atividade tenha seus créditos descontados do valor devido pela empresa. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. SERVIÇOS DE LIMPEZA, RECOLHIMENTO E TRANSPORTE DE REJEITOS. Fl. 1186DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901868/201212 Resolução nº 3202000.229 S3C2T2 Fl. 1.187 14 Não geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com serviços que não são comprovadamente empregados diretamente na produção de minério. SERVIÇOS DE TOPOGRAFIA, OPERAÇÕES DE EFLUENTES, SERVIÇOS DE DRENAGEM, ANÁLISES FÍSICAS E QUÍMICAS Não geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com serviços que não são empregados diretamente na produção de minério. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. SERVIÇOS RELACIONADOS À MANUTENÇÃO CIVIL. Os gastos com serviços empregados em edificações somente podem gerar crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins, apuradas de forma nãocumulativa, em relação aos respectivos encargos com depreciação e amortização. Não se enquadram como insumo, para efeito de gerarem direito a crédito, os gastos com serviços que não são empregados diretamente na produção de minério. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. COMBUSTÍVEIS. Na apuração da Contribuição para o PIS e da Cofins nãocumulativas, podem ser descontados créditos relativos aos gastos com combustível consumido nos fornos no processo produtivo, mas não podem ser descontados os relativos ao combustível consumido nos veículos utilizados na mina. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte” Cientificado do referido acórdão em 4 de outubro de 2013, a interessada apresentou recurso voluntário em 17 de outubro de 2013, pleiteando o provimento integral do presente recurso, a fim de que seja parcialmente reformado o acórdão da DRJ para, de forma sucessiva: · Decretar a insubsistência do despacho decisório, porque não houve inspeção in loco para constatar se os produtos e serviços se aplicam no processo produtivo da Recorrente; o ato administrativo do lançamento não tem a correta motivação, o que impede o direito de defesa pela recorrente e não pode a Fiscalização elencar os produtos e serviços Fl. 1187DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901868/201212 Resolução nº 3202000.229 S3C2T2 Fl. 1.188 15 apenas de maneira exemplificativa, pois novamente fere o direito de defesa da recorrente; · Ad argumentandum, se assim não entender, devem os autos serem baixados em diligência para que a Receita Federal do Brasil informe, detalhadamente, como se deu a reformulação do crédito tributário, uma vez que a ausência da memória de cálculo impede que a recorrente verifique a exatidão dos números apontados como remanescentes do crédito tributário. Além disso, deverão ser descontados todos os combustíveis que participam do processo produtivo (com base na planilha elaborada pela fiscalização) a fim de que se dê efetividade à decisão da DRJ. · Ainda de forma sucessiva, a decisão recorrida merece ser anulada, retornando os autos à origem para elaboração da prova pericial ou, se assim não entender, que esta prova se realize por determinação da segunda instância administrativa. Ad argumentandum, se por absurdo o CARF não entender pela nulidade da decisão recorrida pela não realização da prova pericial ou pela impossibilidade de realização desta, por estarem os autos em segunda instância administrativa, requer sejam os autos baixados em diligência para que a fiscalização responda aos quesitos acima mencionados, concedendo vista a recorrente para que também se manifeste sobre a apuração da fiscalização; · No mérito, merece ser reconhecida a insubsistência do Despacho Decisório ora recorrido, com a reforma parcial da decisão recorrida e conseqüente homologação da compensação ora pleiteada e extinção dos débitos fiscais nelas compensados, pois todos os produtos elencados são consumidos no processo produtivo, sendo essencial a este; todos os serviços são utilizados diretamente no processo produtivo, assim, em homenagem a não cumulatividade e aos precedentes administrativos e judiciais existentes, o creditamento deve ser mantido. É o relatório. Fl. 1188DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901868/201212 Resolução nº 3202000.229 S3C2T2 Fl. 1.189 16 Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama, Relatora Da admissibilidade Por conter matéria desta E. Turma da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 4 de outubro de 2013, apresentando a recorrente recurso voluntário em 17 de outubro de 2013. Depreendendose da análise dos processos vêse que a lide em comento envolve a liquidez e a certeza do crédito de PIS e COFINS constituído pela recorrente decorrente de vários eventos. Quanto ao conceito de Insumos, primeiramente, descreve a recorrente as atividades vinculadas ao seu objeto social, trazendo, entre outros, o objeto que consta de seu estatuto social: “[...] pesquisa, lavra de minério em todo o território nacional, industrialização e comercialização de minérios, transporte e navegação no interior do porto, inclusive para terceiros, importação para seu uso, de equipamentos, peças sobressalentes e matérias primas, produção e distribuição de energia elétrica e comercialização de carvão, podendo ainda participar do capital de outras empresas como acionistas ou quotista.” Descreve, assim, que a Samarco, quanto: 1. ao Objeto Social: · Detém a tecnologia e as instalações necessárias à extração de minério, seu beneficiamento, pelotização e embarque; · Por meio de permanente evolução técnica, extrai minério de baixo teor de ferro e o converte em produto de alta qualidade para a siderurgia, de forma rentável e competitiva; · O principal produto da empresa é a pelota de minério de ferro; Fl. 1189DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901868/201212 Resolução nº 3202000.229 S3C2T2 Fl. 1.190 17 · Para atender às exigências dos clientes em escala global, produz e comercializa um número considerável de diferentes tipos de pelotas; · Esta flexibilidade engloba demandas específicas, conforme o tipo de tecnologia de redução adotada pelo cliente, seja altoforno ou redução direta; · A pelota de minério de ferro, dentre as matériasprimas utilizadas na fabricação do aço, é um dos insumos de qualidade bem determinada, que garante aos processos de redução direta e altoforno elevada produtividade e estabilidade; 2. Ao Processo Produtivo da Samarco: · Executa três atividades principais, quais sejam, extração do minério de ferro (lavra), beneficiamento e pelotização do minério e exportação das pelotas; Sendo: 1ª Etapa – processo de tratamento de minério bruto (objeto da lavra): o minério lavrado passa por uma instalação de peneiramento e britagem a seco. Esse minério alimenta os prémoinhos que alimentarão os moinhos primários. 2ª Etapa – processo de concentração do teor do minério de ferro: Após esta etapa, a polpa é deslamada na ciclonagem. O material é alimentado no circuito de flotação em coluna. Posteriormente, a polpa alimenta os espessadores. 3ª Etapa – processo de bombeamento do concentrado para a Usina: A polpa é transferida para os tanques de estocagem para, então, ser bombeada pelo mineroduto até as usinas de pelotização em Ubu. 4ª Etapa – processo de preparação do minério concentrado: A polpa recebida passa por diversas etapas de preparação do minério, sendo elas: torre de recebimento, espessamento, tanques homogeneidade, filtragem, roller press e área de insumos (mistura). 5ª Etapa – processo de adição de insumos e formação das pelotas: Após receber as adições de insumos (carvão, calcário e aglomerante) o minério segue para os discos pelotizadores, onde se inicia Fl. 1190DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901868/201212 Resolução nº 3202000.229 S3C2T2 Fl. 1.191 18 a formação das pelotas cruas. Ao serem descarregadas dos discos, as pelotas cruas passam por um processo de classificação nas mesas de rolos, sendo posteriormente reclassificadas na alimentação do forno de endurecimento. 6ª Etapa – processo de separação das pelotas e embarque para exportação: após a etapa de queima das pelotas, as mesmas passam por um conjunto de peneiras que separam as pelotas. As pelotas são empilhadas no pátio e posteriormente recuperada para o embarque. 3. À concepção de planta integrada: · Possui um processo de produção integrado, da mina ao porto, que garante alta eficiência produtiva e baixos custos operacionais; · A planta demonstra que a Samarco foi concebida para ser não somente uma empresa de mineração, mas uma empresa que extrai o minério, passando este por um processo produtivo que agrega valor ao produto, uma empresa exportadora – o que justifica o processo produtivo ser integrado – de Minas Gerais (onde está a matéria prima) ao Espírito Santo (onde se encontra o porto); · A integração das plantas de MG e do ES busca maximizar o processo produtivo, agregar valor ao minério e deixar o produto pronto para ser exportado; · A existência de atividades portuárias visa exatamente dar cabo da última etapa de sua concepção de sua atividade: a exportação. Descritas todas as etapas de produção e justificação da adoção da planta para observância do objeto social da Samarco, passa a discorrer sobre o conceito de insumos. O que, quanto a esse tema, traz a recorrente que: · O texto constitucional não trouxe qualquer condicionante para aplicação da não cumulatividade; · Mesmo que se aceite as limitações constantes nos textos legais, o conceito de insumo não poderia ser amesquinhado com a analogia ao IPI, posto que as contribuições têm espectro amplo; Fl. 1191DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901868/201212 Resolução nº 3202000.229 S3C2T2 Fl. 1.192 19 · A Fiscalização desconsiderou o conceito restritivo trazido pela própria RFB. Com efeito, traz que com o advento da EC 42/2003, a faceta exclusiva da não cumulatividade aos tributos plurifásicos foi modificada, tendo sido acrescentado o parágrafo 12 ao art. 195 da CF/88: “Art. 195(...) § 12 A Lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b, e IV do caput serão não cumulativas.” Aduz que o § 12 do art. 195 da CF, não obstante tenha deixado ao alvedrio do legislador ordinário definir quais seriam os setores abrangidos pela não cumulatividade, nada dispôs sobre os contornos desta sistemática não cumulativa imposta (extensão e efeitos do creditamento), sendo certo que a definição da não cumulatividade aplicável defluiria da própria natureza do fato imponível destas contribuições, em muito divergente da materialidade dos demais tributos não cumulativos. Em face da amplitude da materialidade dos tributos incidentes sobre a receita, desenvolve a recorrente que o cumprimento da não cumulatividade deveria necessariamente partir da premissa de que a efetiva depuração da base de cálculo das contribuições ocorre tão somente quando creditadas todas as despesas incorridas para a formação da receita, sempre que tais despesas forem efetivamente suportadas pelo contribuinte e se mostrarem necessárias à atividade produtiva do contribuinte. Assim, define a recorrente que certo é que a Constituição não outorgou poderes ao legislador infraconstitucional para definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. O que, por conseguinte, conclui que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pelo contribuinte. Sempre que estas se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Neste sentido, a recorrente destaca o duplo caráter da essencialidade discutida de natureza ontológica e jurídica. Traz ainda: Fl. 1192DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901868/201212 Resolução nº 3202000.229 S3C2T2 Fl. 1.193 20 · as premissas que devem ser fixadas para a análise da repercussão da não cumulatividade sobre a apuração da base tributável do PIS e a COFINS; · que a não cumulatividade estabelecida para o PIS e a COFINS possui suas bases nos art. 195 e foi instituída de forma ampla, visando o afastamento da sobreposição tributária; · que, assim, a observância ao preceito da não cumulatividade deve levar em consideração a própria natureza do fato gerador da obrigação tributária e a amplitude da base de incidência econômica de modo a possibilitar a efetiva depuração de base, afastando a incidência em cascata da tributação, premissa maior da adoção da sistemática não cumulativa em qualquer espécie tributária; o que, portanto, devese reconhecer a possibilidade de creditamento de todas as despesas que se mostrem necessárias à atividade produtiva do contribuinte e que tenham constituído receita de outras pessoas jurídicas em razão do produto ou serviços adquiridos, evitandose a sobreposição tributária; · a impossibilidade de se aplicar, por analogia, as regras atinentes à não cumulatividade dos demais tributos plurifásicos (IPI e ICMS) ao regime de não cumulatividade imposto pela CF ao PIS e a COFINS – o que afasta a possibilidade de se restringir o direito de creditamento ao que, na sistemática dos impostos, denominase crédito físico, pois as despesas que afetam a receita tributável do contribuinte não necessariamente se relacionam ou integram o produto final no processo produtivo; · as disposições das Leis 10.637/02 e 10.833/03 regulam a sistemática do creditamento do PIS e da COFINS; Não obstante a posterior constitucionalização da não cumulatividade atrelada as contribuições e a amplitude do alcance do texto constitucional, a RFB passou a adotar uma interpretação restritiva das legislações, entendendo que o conceito de insumos deveria buscar o conceito do IPI; · O que, enfatiza que, de acordo com a RFB, a CF teria conferido a lei ordinária poderes para delimitar os contornos de uma não cumulatividade que a própria CF não limitou. Fl. 1193DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901868/201212 Resolução nº 3202000.229 S3C2T2 Fl. 1.194 21 Dessa forma, conclui a recorrente que se torna necessário afastar qualquer espécie de interpretação que vislumbre o estabelecimento de critério restritivo para apuração de créditos e extensivo para apuração da base de cálculo das contribuições, pelo que, em face da elevação da não cumulatividade do PIS e da Cofins à esfera constitucional, não restam dúvidas de que o rol de dispêndios ensejadores de créditos constante dos arts. 3º da Lei 10.637/02 e 3º da Lei 10.833/03, possui caráter meramente exemplificativo, sendo restritivas apenas as vedações expressamente estabelecidas por lei. Continuando, manifesta que houve equívocos cometidos pela Fiscalização quanto ao conceito de insumos, em relação a glosa de produtos que participam do processo produtivo da Empresa, tendo em vista que adotando um critério mais restritivo a fiscalização tomou como base uma planilha informativa, na qual constavam dois questionamentos – quais sejam, se o produto é desgastado no processo produtivo e se tinha contato físico com o minério e sempre que a resposta à última coluna (contato físico com o produto) fosse “não”, glosava o crédito. Assim, traz que a fiscalização ignorou que nessa mesma planilha também constava expressamente a pergunta “usa no processo”. Dos produtos utilizados no processo produtivo Para a recorrente, os créditos de combustíveis já foram restabelecidos pela decisão da DRJ na fundamentação, pois seguindo o entendimento fiscal, deveriam ter sido glosados somente os lubrificantes que não participassem do processo produtivo – o que não foi feito, pois os lubrificantes que muito embora participassem do processo produtivo não entravam em contato direto com o minério, foram glosados pela fiscalização, mas mantidos pela DRJ. O que, entende a recorrente que merece ser restabelecido o crédito sobre todos os lubrificantes e graxas que atuam diretamente no processo produtivo, a fim de manter a coerência fiscal consoante entendimento administrativo sobre o assunto e, acima de tudo, em respeito a assentada decisão. Para tanto, cita alguns produtos glosados pela Fiscalização e que são diretamente utilizados no processo produtivo, tais como: Fl. 1194DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901868/201212 Resolução nº 3202000.229 S3C2T2 Fl. 1.195 22 · Soda Caustica líquida – insumo utilizado para regular o pH do minério e para gelatinizar o amido; · MONOAMINA – coletor utilizado no processo de flotação para separar as partículas minerais de seus contaminantes (sílica). Do combustível utilizado nos caminhões fora de estrada Para o pedido de consideração desses combustíveis para fins de creditamento das r. contribuições, argumenta a recorrente que este CARF acata os insumos imprescindíveis ao processo produtivo, mas a fiscalização glosou créditos de gases e combustíveis que a empresa utiliza nos fornos. Etapa primordial e nuclear de seu processo produtivo na pelotização do minério e, que, por sua vez, foi considerado como gerador de crédito pela DRJ ainda que não seja aplicado diretamente no produto, mas nos fornos que são utilizados na produção do minério. Dos serviços utilizados como insumos Quanto aos créditos sobre serviços utilizados como insumos, manifesta a recorrente que a fiscalização glosou serviços essenciais e intrinsecamente ligados à atividade produtiva da empresa, tais como: · Serviços prestados no mineroduto; · Aluguel de veículos; · Locação de dragas, locação de reboque, serviço de rebocador, serviços portuários; · Serviço de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos; · Serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagens, análises físicas e químicas; · Consorcio UHE GuilmanAmorim, operação, Manutenção e Conservação UHE Muniz Freire; · Obras de Construção Civil. Contesta, portanto, os serviços glosados, trazendo defesa para cada serviço. O que passo a discorrer: Fl. 1195DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901868/201212 Resolução nº 3202000.229 S3C2T2 Fl. 1.196 23 Do Serviços prestados no mineroduto Menciona a recorrente que o processo produtivo iniciase em Germano e finaliza com a exportação das pelotas de minério de ferro em UBU, sendo: · a extração de minério e a remoção de material estéril realizadas utilizando frota de equipamentos móveis de grande porte, aliada ao uso de sistema de correias transportadoras; · a polpa de minério concentrado transportada da unidade de Germano até a unidade de UBU pelos minerodutos; · quando a polpa chega a UBU, no município de Anchieta, começa a etapa da pelotização; · Posteriormente, os produtos são exportados. Descreve a recorrente que a fiscalização entendeu que todos os insumos e serviços alocados no centro de custo do mineroduto não podem gerar o direito ao creditamento, pois os atos normativos impõem como requisito indispensável para ser considerado como insumo que o bem ou serviço seja aplicado ou consumido diretamente na produção ou fabricação de bens destinados a venda. Do aluguel de veículos equipamentos Especificamente a essa questão, ao citar o art. 3º, IV das Leis 10.637/02 e 10.833/03, a Fiscalização entende que o dispositivo não citou aluguel de veículos, o que conclui que a intenção do legislador era outorgar o direito a tal crédito. Não obstante, observa que a empresa não toma o crédito com o transporte de pessoas, mas apenas a locação de equipamentos. A DRJ julgou a manifestação de inconformidade, afirmando que, muito embora a locação tenha sido de máquinas e equipamentos, e não aluguel de veículos, não restou comprovado que os equipamentos são diretamente empregados no seu processo produtivo. Fl. 1196DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901868/201212 Resolução nº 3202000.229 S3C2T2 Fl. 1.197 24 Quanto à locação de dragas, locação de reboque, serviço de rebocador, serviços portuários, a recorrente traz a mesma literalidade do item anterior, posto que as leis 10.637/02 e 10.833/03, em seu art. 3º, inciso IV autorizam o creditamento dos valores de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa. Traz que não se mencionam processo produtivo, insumos, nada disso. O único critério é que os prédios, as máquinas e os equipamentos locados sejam aplicados nas atividades da empresa. Aduz que a decisão da DRJ afastase da literalidade da lei na medida em que insistente que as atividades glosadas não servem à extração/industrialização do minério, mas seriam somente de transporte. A premissa trazida pela DRJ se traduz que muito embora a atividade portuária esteja prevista no objeto social da empresa – o que caracterizaria os serviços e locações como atividade da empresa, a recorrente não demonstrou que tais atividades foram praticadas durante o período fiscalizado. Entende o fisco que somente é devido o crédito da contribuição para o PIS e da Cofins incidente sobre as despesas, caso os serviços tenham sido aplicados ou consumidos na prestação de serviços portuários. Continua: “ Essa condição, contudo, não foi comprovada, ou seja, não foram apresentados elementos capazes de afastar que as despesas incorridas foram empregadas na atividade de transporte e navegação no interior do porto ou nas atividades de escoagem do minério produzido pela própria empresa.” Quanto aos contratos de afretamento de embarcações, temse que há três espécies diferentes de contrato de afretamento: · Afretamento a casco nu: contrato de aluguel. O afretador recebe o navio e será responsável por providenciar tripulação, manutenção, abastecimento, etc. Fl. 1197DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901868/201212 Resolução nº 3202000.229 S3C2T2 Fl. 1.198 25 · Afretamento por viagem: o navio é contratado pelo afretador para uma única viagem, com destino e carga préestipulados. Todos os custos com tripulação, manutenção, abastecimento, correrão por conta do afretador; · Afretamento por tempo – nesse caso, o fretador disponibiliza do tempo. Assim como nos afretamento por viagem, os custos permanecem nas mãos do fretador; Quanto à locação de dragas, a recorrente traz que além de serem utilizadas nas atividades do porto, atividade da empresa frente ao objeto que consta de seu objeto social, também é utilizada na mineração. Quando a locação de dragas foi feita no porto, traz a contribuinte que se trata de locação de equipamentos para uma atividade da empresa – sendo essencial ao processo produtivo e sua atividade. Quanto aos serviços de limpeza, descreve a recorrente que a fiscalização apenas trouxe que não se tratam de insumos, não esclarecendo o motivo para tal entendimento. Traz também que, apesar da nomenclatura dos serviços, não se tratam especificamente de serviços de limpeza com o intuito de manter a higiene do local do serviço, mas para reaproveitamento de resíduos e rejeitos. E que tal reaproveitamento foi comprovado através de laudo técnico preparado pela área responsável, explicitando passo a passo como se dá o reaproveitamento de rejeitos no sistema produtivo. Quanto ao pedido da recorrente, caso não fosse acatado tal prova, solicita a baixa dos autos em diligência ou a produção de prova pericial para que então se esclareça o teor de cada uma destas atividades. Quanto aos serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagem, análises e químicas, aduz a contribuinte que a fiscalização entende que se tratam Fl. 1198DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901868/201212 Resolução nº 3202000.229 S3C2T2 Fl. 1.199 26 de etapas posteriores ou anteriores ao processo produtivo e, por isso, a lei não assegura o creditamento. Porém, a DRJ reconhece a imprescindibilidade dos serviços: “nenhum dos serviços aqui tratados, como ensaios químicos e análises minerológicas, (...) são empregados diretamente na produção do minério, embora não se possa negar a sua importância para o melhor desempenho dessa atividade.” A recorrente manifesta também, porém, que as análises físicas e químicas são realizadas ao longo do processo, pois sem a composição correta do produto em elaboração, o produto final estaria comprometido. Relativamente ao Tratamento de efluentes, traz que a despesa incorrida daria direito ao crédito, por conta de uma exigibilidade disposta em legislação ambiental. Quanto aos serviços e insumos utilizados na operação, manutenção e conservação das Usinas Hidrelétricas próprias, insurge que o relatório fiscal glosa parte das despesas com energia elétrica especialmente os insumos e serviços utilizados nas Usinas próprias da empresa, os custos com a transmissão e distribuição de energia. A DRJ quanto a transmissão de energia e sua distribuição entendeu pela procedência da manifestação de inconformidade, uma vez que a contratação do uso dos sistemas de transmissão e distribuição de energia é necessária para este tipo de consumidor e, nos termos da legislação setorial, obrigatória, as despesas realizadas a título de Encargo de Uso da Rede Elétrica (...) não podem ser dissociadas da energia propriamente dita, consumida na produção da empresa”. Concluiu a DRJ que “independentemente das despesas efetuadas com a transmissão de energia elétrica serem relativas à energia produzida pela contribuinte ou à energia adquirida de terceiros, são passíveis de creditamento, podendo ser descontadas da contribuição para o PIS ou da Cofins não cumulativa apurada”. Fl. 1199DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901868/201212 Resolução nº 3202000.229 S3C2T2 Fl. 1.200 27 Quanto aos insumos utilizados nas Usinas da empresa, entendeu a fiscalização que os serviços empregados na Usina dizem respeito à operação, manutenção, limpeza e conservação. Quanto às obras de construção civil, a recorrente menciona que, diferentemente do que seria de fato, a DRJ diz que a barragem não se confunde com a atividade de produção de minério, não podendo os serviços nela empregados serem considerados insumos. Quanto aos serviços glosados, tais como desassoreamento, manutenção mecânica, paradas de pátio, a recorrente traz que somente consta da manifestação de inconformidade que os serviços não estão intrinsecamente ligados ao processo produtivo da empresa. Sendo assim, em vista de todo o exposto e depreendendose da análise dos documentos acostados, em homenagem ao princípio da verdade material que permeia o processo administrativo tributário, bem como para fins de clarear o anoitecer do processo produtivo, serviços e produto que aqui transitam, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem: · Intime a Recorrente a apresentar laudo de renomada instituição que descreva detalhadamente o seu processo produtivo, apontando a utilização dos insumos, despesas, custos ora glosados na produção do referido bem destinado à exportação, ou na prestação de serviços vinculados ao processo produtivo e ao seu objeto social; Considerando também que tal laudo deverá, entre outros: o demonstrar a função de cada bem que pretende o reconhecimento como insumo e o motivo pelo qual ele é indispensável ao processo produtivo; o esclarecer o teor de cada uma das atividades exercidas pela recorrente vinculando ao processo produtivo ou ao seu objeto social. · Cientifique a fiscalização para se manifestar sobre o resultado da diligência, se houver interesse e caso entenda ser necessário; Fl. 1200DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901868/201212 Resolução nº 3202000.229 S3C2T2 Fl. 1.201 28 · Cientifique o contribuinte sobre o resultado da diligência, para que, se assim desejar, apresente no prazo legal de 30 (trinta) dias, manifestação, nos termos do art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/11; · Findo o prazo acima, devolva os autos ao CARF para julgamento. Assinado digitalmente Tatiana Midori Migiyama Fl. 1201DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES
score : 1.0
Numero do processo: 10680.009798/2007-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 28/02/2005
INOBSERVÂNCIA AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA
A viabilidade do saneamento do vício enseja a anulação da decisão a quo para que sejam apreciados os fatos e fundamentos trazidos com a impugnação.
Numero da decisão: 2301-003.920
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em anular o despacho decisório e todos os atos que lhe são posteriores, inclusive a decisão de primeira instância, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Marcelo Oliveira - Presidente.
Adriano Gonzales Silvério - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente da turma), Bernadete de Oliveira Barros, Wilson Antonio de Souza Correa, Luciana de Souza Espíndola Reis, Adriano Gonzales Silvério e Manoel Coelho Arruda Junior.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SOEICOM SA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 28/02/2005 INOBSERVÂNCIA AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA A viabilidade do saneamento do vício enseja a anulação da decisão a quo para que sejam apreciados os fatos e fundamentos trazidos com a impugnação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em anular o despacho decisório e todos os atos que lhe são posteriores, inclusive a decisão de primeira instância, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente. Adriano Gonzales Silvério Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente da turma), Bernadete de Oliveira Barros, Wilson Antonio de Souza Correa, Luciana de Souza Espíndola Reis, Adriano Gonzales Silvério e Manoel Coelho Arruda Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 97 98 /2 00 7- 81 Fl. 9156DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 02/07 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 2 Relatório Tratase de Auto de Infração 35.724.1916, o qual exige multa pelo fato de o sujeito passivo não ter informado todos os dados relativos aos fatos geradores em GFIP. Segundo o relato fiscal, não foram declarados em GFIP, no período compreendido entre 01/1999 e 03/2005, os contribuintes individuais. Constatou, ademais, a fiscalização que o contribuinte recolheu todos os créditos previdenciários decorrentes das contribuições incidentes sobre a remuneração dos contribuintes individuais, ainda que não declarados em GFIP. O sujeito passivo apresentou sua impugnação alegando, em breve síntese: i) nulidade da autuação por falta de indicação clara e precisa dos segurados contribuintes individuais que não foram objeto de informações na GIFP; .ii) erro de cálculo na multa lançada, pois teriam sido desconsideradas as GFIP retificadoras exibidas à fiscalização antes da lavratura do Auto de Infração; iii) requer aplicação retroativa das normas que extinguiram a GFIP declaratória; e iv) postula a relevação da multa nos termos do §1° do art. 291 do Regulamento da Previdência Social. Apresentada a impugnação e respectivos documentos que a acompanharam (GFIPs) houve diligência fiscal por meio da qual a Auditora Fiscal autuante produziu a informação de fl. 5.318/5.849. Ato seguinte, os autos foram encaminhados ao Serviços de Contencioso Administrativo da Secretaria da Receita Previdenciária em Belo Horizonte, o qual proferiu o Despacho Decisório nº 11.401.4/029/2006 aplicando retroativamente a Orientação Normativa SRP n° 03, de 14/07/2005, eis que mais benéfica ao autuado, por permitir a atenuação da multa na proporção dos fatos geradores incluídos em GFIP retificadoras apresentadas no curso da ação fiscal. Tal despacho determinou, ainda a cientificação do autuado, reabrindolhe prazo de 15 dias para apresentar defesa. Às fl. 5865 o Delegado da Receita Previdenciária em Belo Horizonte homologou o despacho decisório. Às fl. 5867 encontrase o Ofício nº 11.001070/825/2006 intimando o sujeito passivo a regularizar o débito julgado procedente no prazo (trinta) dias a contar do recebimento deste, ressalvado o direito de interpor recurso voluntário ao Conselho de Recursos da Previdência Social — CRPS. Às fl. 5872 a 5876, encontrase recurso do autuado que denominou de “aditamento a defesa” arrolando os motivos pelos quais o despacho de decisório deveria ser reformado. Após, os autos foram encaminhado à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte, a qual proferiu acórdão declarando a nulidade do lançamento pelo fato de que o MPF detinha validade até 21/07/2005, mas o Auto de Infração e o TEAF foram emitidos 6 dias após a validade do MPF. É o relatório. Fl. 9157DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 02/07 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10680.009798/200781 Acórdão n.º 2301003.920 S2C3T1 Fl. 6.463 3 Voto Conselheiro Adriano Gonzales Silvério A meu ver tanto a decisão proferida pela DRJ, como o despacho decisório, quando ainda proferido pela Delegacia da Receita Previdenciária, devem ser anulados. Isto, porque, conforme se deflui dos autos, o autuado não foi cientificado da diligência realizada pelo Fiscal notificante, a qual, sobremaneira, influenciou o conteúdo do despacho decisório em comento, violando a meu ver a dialética processual. A Lei nº 9.784/99 determina que a Administração no artigo 2º, inciso X garanta os direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio. Ademais, conforme previsão do artigo 44 da mesmo diploma legal, encerrada a instrução, o interessado terá o direito de manifestarse no prazo máximo de dez dias, salvo se outro prazo for legalmente fixado. Essa cientificação, ao contrário do quanto afirmado no relatório do acórdão da DRJ, não foi suprida posteriormente, com o comunicação do despacho decisório. Assim afirma: “Pela falta de remessa dos anexos (Informação Fiscal), o Despacho Decisório 11.410.4/029/2006 foi reencaminhado, com nova abertura de prazo de defesa.” Pelo contrário, em momento algum o despacho decisório presta essa informação, mas sim dá ciência do próprio despacho, enviandolhe cópia. Posteriormente, o sujeito passivo recebeu Ofício de fls. 5867 que o intimou o para pagar o débito remanescente ou interpor recurso ao então Conselho de Recursos da Previdência Social. O fato de o sujeito passivo ter apresentado petição denominada de “aditamento a defesa” não altera o fato de que, de fato, interpôs recurso à superior instância, na medida em que demonstra a sua irresignação com a decisão proferida, além de que fora intimado para tanto. Assim, os autos, à época, deveriam ter sido encaminhados ao Conselho de Recursos da Previdência Social para processamento e julgamento, conforme artigo 293, § 6º do Decreto 3.048/99, então vigente. Porém foi alvo de nova decisão em sede de primeira instância, agora por parte da Delegacia de Julgamento de Belo Horizonte que anulou o lançamento por descumprimento de prazo do Mandado de Procedimento Fiscal. Fl. 9158DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 02/07 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 4 Há, portanto, vícios processuais insanáveis nesses autos, o qual não seguiu o trâmite legalmente previsto, afrontando o artigo 5º, inciso LV da Constituição Federal, bem como o artigo 59, inciso II, do Decreto 70.235/72. Ante o exposto, VOTO no sentido de ANULAR o despacho decisório nº º 11.401.4/029/2006 e todos os atos que lhe são posteriores, incluindose a decisão proferida pela DRJ para que seja intimado o autuado da diligência realizada para manifestarse no prazo de 30 dias e, posteriormente, seja proferida nova decisão de primeira instância. Adriano Gonzales Silvério Relator Fl. 9159DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 02/07 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
score : 1.0
Numero do processo: 11080.918341/2012-59
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2010 a 31/07/2010
DIREITO A RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Havendo prova suficiente nos autos para comprovar o direito à restituição, devem os mesmos serem recebidos como prova do alegado em homenagem ao princípio da verdade material.
INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718.
Matéria pacificada pelo STF,, com dispositivo inclusive, revogado pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII.
Recurso Provido.
Numero da decisão: 3801-003.488
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2010 a 31/07/2010 DIREITO A RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Havendo prova suficiente nos autos para comprovar o direito à restituição, devem os mesmos serem recebidos como prova do alegado em homenagem ao princípio da verdade material. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718. Matéria pacificada pelo STF,, com dispositivo inclusive, revogado pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII. Recurso Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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LIQUIDEZ E CERTEZA. Havendo prova suficiente nos autos para comprovar o direito à restituição, devem os mesmos serem recebidos como prova do alegado em homenagem ao princípio da verdade material. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718. Matéria pacificada pelo STF,, com dispositivo inclusive, revogado pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 83 41 /2 01 2- 59 Fl. 49DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918341/201259 Acórdão n.º 3801003.488 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918341/201259 Acórdão n.º 3801003.488 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Porto Alegre (DRJ/POA), em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, sendo indeferida a restituição pleiteada. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente pela DRF de origem em exame de Declaração de Restituição enviada pela empresa, nos quais não foi concedida a restituição por ausência de valores de indébito. Inconformada, insurgese alegando que foi solicitada restituição da contribuição porque houve a tributação sobre receitas financeiras, conforme declarado em DACON, na ficha demais receitas e na ficha contribuição a pagar, refletindo na DCTF mensal, sendo que traz comprovantes bancários dos rendimentos financeiros do período. Estas receitas financeiras não seriam componentes da base de cálculo da contribuição (PIS ou Cofins) cumulativa, pois o art.79, inciso XII da Lei 11.941, de 27/05/2009, com efeito a partir de sua publicação, excluiuas do conceito de faturamento (vendas de bens e serviços), que é o conceito do fato gerador da contribuição (PIS ou Cofins) cumulativa.” A manifestação de inconformidade, embora denominada de “impugnação”, foi conhecida pela DRJ de origem, sendo julgada improcedente. O acórdão da DRJ/POA possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS LIQUIDEZ E CERTEZA PROVA ÔNUS. A comprovação de liquidez e certeza do crédito solicitado, nos termos do art.165 e 170 do Código Tributário Nacional, é obrigação de quem o requer. Então, cabe ao contribuinte provar, de forma inconteste, os fatos/atos que alega, conforme determina o art.333, inciso II, do Código de Processo Civil. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918341/201259 Acórdão n.º 3801003.488 S3TE01 Fl. 5 4 Inconformada com a improcedência da impugnação, a contribuinte interpôs, recurso a qual denominou de “Impugnação”, onde em suas razões, requer seja concedido o pedido de restituição. Apresenta junto com o recurso os seguintes documentos para provar o seu direito: Demonstrativo de cálculo da PIS e DACON do período. É o sucinto relatório. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918341/201259 Acórdão n.º 3801003.488 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário, embora denominado pela recorrente de “impugnação” foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço, aplicandose ao caso o princípio da fungibilidade recursal. A recorrente alega suas razões já expostas na manifestação de inconformidade, porém apresentando desta vez documentos para comprovar seu direito, quais sejam, Demonstrativo de cálculo da PIS e DACON do período. Analisandose os documentos juntados, verificase na DACON do período que a contribuinte declara como “demais receitas – alíquota de 0,65%”, valor este idêntico ao considerado como “receita financeira (aplicações financeiras)”, conforme Demonstrativo de cálculo da PIS. Ainda, ao realizar a análise dos rendimentos obtidos pela recorrente no período, através dos extratos de movimentação bancária anexados aos autos, verificase que aqueles são idênticos ao declarados na DACON e no Demonstrativo de cálculo, havendo portanto correspondência entre ambos. A contribuinte comprova ter receitas financeiras em que somadas coincidem com o valor a restituir. Assim, temse que a recorrente traz prova suficiente para comprovar o seu direito à restituição. Diante disto, pelo princípio da verdade material, os documentos juntados em recurso voluntário devem ser recebidos como prova do alegado, inclusive conforme determina o art. 3º, inc. III, da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Necessário ainda destacar que o pedido de restituição elaborado pela contribuinte possui respaldo em firme decisão do Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal, quando do julgamento do RE 357.950, que declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718, sendo possível, consoante restou decidido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão 9303002.763, 3ª. Turma, sessão de 21 de janeiro de 2014), sua aplicação pelas autoridades julgadoras de segundo grau à contribuinte diverso daquele beneficiado pela decisão do STF, consoante disposição do art. 26A do Decreto 70.235/72, introduzido pelo art. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918341/201259 Acórdão n.º 3801003.488 S3TE01 Fl. 7 6 26 da Lei 11.941. Registrase ainda que a norma tida como inconstitucional pelo STF já foi, inclusive, revogada pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII. É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada para reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator Fl. 54DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001043/2005-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
VARIAÇÃO CAMBIAL PASSIVA. JUROS INCORRIDOS. EMPRÉSTIMO PAGO EM ATRASO. DESPESAS NECESSÁRIAS.
São dedutíveis as despesas usuais pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa e voltadas para a manutenção da respectiva fonte produtora, nos termos do art. 299 do RIR/99.
A dedutibilidade das variações monetárias passivas, prevista nos arts. 375, 377 e 378 do RIR/99, também está condicionada à regra geral do art. 299, somente sendo permitida a exclusão daquelas necessárias e usuais à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora.
No caso, a Fiscalização considerou desnecessárias as despesas relativas a variações cambiais passivas e juros incidentes sobre parte de empréstimo em moeda estrangeira não pago no vencimento, apesar de o contribuinte possuir recursos para tanto, mas a defesa demonstrou que o atraso decorreu de fatos reais, e que a dívida estava diretamente relacionada a sua atividade operacional, devendo os dispêndios dela decorrentes ser considerados como despesas operacionais dedutíveis das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL.
LANÇAMENTO REFLEXO DE CSLL. MESMA MATÉRIA FÁTICA
Aplica-se ao lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL o decidido em relação ao lançamento do tributo principal, por decorrer da mesma matéria fática.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1102-000.978
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
___________________________________
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente
(assinado digitalmente)
___________________________________
José Evande Carvalho Araujo- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Marcelo Baeta Ippolito, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO
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JUROS INCORRIDOS. EMPRÉSTIMO PAGO EM ATRASO. DESPESAS NECESSÁRIAS. São dedutíveis as despesas usuais pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa e voltadas para a manutenção da respectiva fonte produtora, nos termos do art. 299 do RIR/99. A dedutibilidade das variações monetárias passivas, prevista nos arts. 375, 377 e 378 do RIR/99, também está condicionada à regra geral do art. 299, somente sendo permitida a exclusão daquelas necessárias e usuais à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora. No caso, a Fiscalização considerou desnecessárias as despesas relativas a variações cambiais passivas e juros incidentes sobre parte de empréstimo em moeda estrangeira não pago no vencimento, apesar de o contribuinte possuir recursos para tanto, mas a defesa demonstrou que o atraso decorreu de fatos reais, e que a dívida estava diretamente relacionada a sua atividade operacional, devendo os dispêndios dela decorrentes ser considerados como despesas operacionais dedutíveis das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO DE CSLL. MESMA MATÉRIA FÁTICA Aplicase ao lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL o decidido em relação ao lançamento do tributo principal, por decorrer da mesma matéria fática. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 10 43 /2 00 5- 44 Fl. 252DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/ 12/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 18471.001043/200544 Acórdão n.º 1102000.978 S1C1T2 Fl. 700 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ___________________________________ João Otávio Oppermann Thomé Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Marcelo Baeta Ippolito, e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado, foram lavrados os Autos de Infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ e de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL, para glosar prejuízos fiscais e bases negativas no valor de R$ 8.502.364,01 (fls. 122 a 127, 141 a 145). De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 66 a 69, foram glosadas despesas relativas a variações cambiais passivas e juros incidentes sobre parte da dívida em moeda estrangeira não paga no vencimento, apesar de o contribuinte possuir recursos para tanto, por serem consideradas desnecessárias. O relatório do acórdão de primeira instância descreveu a fiscalização e o lançamento da seguinte maneira (fls. 214 a 215): a) A empresa é uma usina geradora de energia a partir do gás, cuja construção foi financiada por diversos empréstimos externos; b) Para efeito desta auditoria, a atenção se converge para o maior destes financiamentos, que foi descrito no contrato celebrado em 22 de maio de 2001 entre a fiscalizada e a ENRON NETHERLANDS HOLDING BV, no montante de US$ 167.278.077, com a finalidade de fornecimento de 8 unidades geradoras e outros equipamentos para operar a usina os quais foram efetivamente entregues ao longo de 2001; c) Esse contrato dispunha originalmente que a data de pagamento do principal e juros seria 31/10/2001. Entretanto, a empresa não o fez em 2001 e tampouco no ano seguinte (2002), levando seu resultado à variação cambial passiva e juros incidentes sobre estes valores no período em que o compromisso não foi honrado; Fl. 253DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/ 12/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 18471.001043/200544 Acórdão n.º 1102000.978 S1C1T2 Fl. 701 3 d) Durante o curso da auditoria, foi verificado que a empresa possuía recursos necessários ao pagamento de pelo menos parte da dívida vencida, cujo prazo não tinha sido oficialmente prorrogado, o que só aconteceu em 31/07/2002; e) Nessa alteração contratual, o vencimento das obrigações que era, originalmente, 31/10/2001, foi alterado para 31/01/2003, no tocante à US$ 160.905.584,06 e 09/08/2002 em relação ao restante US$ 8.189.934,46, os quais foram efetivamente pagos na data; f) Posteriormente, em relação ao valor remanescente não pago, ou seja, os US$ 160.905.934,46 o contrato foi novamente alterado no tocante às datas de vencimento que foram prorrogadas para 31/07/2003 e 15/01/2004; g) A conclusão desta auditoria é que no período entre o vencimento original do contrato em 31/10/2001 e 31/07/2002, data de sua primeira alteração, a empresa deixou de honrar este compromisso de forma unilateral; h) Porém, a fiscalizada possuía recursos para fazêlo, pelo menos de forma parcial, pois, conforme o livro Razão, a empresa fez aplicações financeiras no Brasil em CDB/CDI e NTND, nos meses de maio, junho e julho de 2002, conforme demonstrativo ao final deste relatório no montante global de R$ 66.036.112,48; i) Quando a empresa não amortizou a dívida com o exterior já vencida e não repactuada no período entre 31/10/2001 e 31/07/2002, canalizando os recursos para aplicações financeiras no Brasil, este fato fez com que a empresa contabilizasse no resultado: variação cambial passiva, juros, além de variação cambial passiva incidentes sobre os respectivos juros, tudo calculado sobre o montante total da dívida não amortizada, conforme Razão e planilha demonstrativa; j) Os valores destes encargos financeiros, por seu turno, referentes aos recursos disponíveis para a fiscalizada e aplicados no Brasil, ou seja, os R$ 66.036.112,48 deveriam ter sido adicionados ao lucro real para efeito do resultado fiscal da empresa, já que são encargos financeiros que poderiam e deveriam ter sido evitados se o contrato vigente à época tivesse sido respeitado pela fiscalizada, já que havia condições para tal, pelo menos de forma parcial; k) Houve redução indevida do resultado a partir de uma infração caracterizada como despesa não necessária e que alcança o valor de R$ 8.502.364,01, conforme demonstrado na tabela abaixo. Aplicação dos Recursos (principal) Data Valor em Reais Variação do Dólar (%) Variação Cambial Passiva Juros incidentes sobre o Principal Variação Cambial Passiva Incidente sobre os Juros Depósito/Prazo CDB/CDI 03/05/2002 537.000,00,00 40,10 215.337,00 11.384,40 4.565,14 Depósito/Prazo CDB/CDI 18/06/2002 24.000.000,00 24,22 5.812.800,00 436.800,00 105.792,96 Depósito/Prazo CDB/CDI 12/07/2002 25.000.000,00 3,06 765.000,00 377.500,00 11.551,50 Depósito Prazo NTND 15/07/2002 16.499.112,48 3,06 504.872,84 249.136,59 7.623,58 Totais 66.036.112,48 7.298.009,84 (1) 1.074.820,99 (2) 129.533,18 (3) Total glosado (1) + (2) + (3) 8.502.364,01 Fl. 254DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/ 12/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 18471.001043/200544 Acórdão n.º 1102000.978 S1C1T2 Fl. 702 4 IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 147 a 154), acatada como tempestiva. Socorrome, mais uma vez, do relatório do acórdão de primeira instância, que assim descreveu os argumentos do recurso (fls. 215 a 216): a) O Auto de Infração bem como o Relatório Fiscal que o embasou não goza de amparo legal, desconsiderando princípios basilares e inovando o conceito de despesa necessária; b) A premissa de que poderia, a seu exclusivo critério, pagar apenas parcialmente o que devia inexiste, já que não havia ajuste neste sentido, não poderia, sem a anuência do credor, quitar a dívida conforme entendesse; c) Deveria haver uma repactuação que foi tentada de todo o modo. Entretanto, além da reconhecida falta de recursos o Grupo Enron teve sua falência decretada nos Estados Unidos em 04/12/2001, pouco mais de um mês depois do vencimento do financiamento em tela; d) Diante dos efeitos práticos imediatos de uma decretação de falência, em especial a necessidade de autorização judicial para uma série de atos, as negociações de repactuação do financiamento tiveram que ser suspensas, uma vez que a sociedade credora do financiamento em questão pertencia ao Grupo Enron; e) Ainda que este argumento circunstancial seja desnecessário, haja vista que a SFE estava mesmo legalmente impossibilitada de fazer o pagamento parcial sugerido pela fiscalização, o mesmo ajuda a compreender ainda mais a ausência de uma repactuação imediata, fato este que tanto chamou a atenção da fiscalização; f) É difícil se imaginar que tal cenário, ante a evidente falta de recursos financeiros, a decretação da falência do grupo credor e as complexidades negociais inerentes à renegociação de uma dívida US$ 167.278.077, alguma repactuação pudesse durar menos de 9 meses; g) As despesas questionadas pela fiscalização sempre serão necessárias, por força do disposto no artigo 299, § 1º do RIR/1999. Uma despesa é ou não é necessária por estar vinculada à atividade da empresa. E, nesta hipótese, a despesa em questão nada mais é senão a razão da empresa existir e poder funcionar; h) Em nenhum momento existiu uma restrição à dedutibilidade da variação cambial do valor financiado, conforme deixa transparecer o auto de infração; i) Não há imposto devido e sim redução do prejuízo fiscal. Mesmo com a glosa, a interessada ainda terá ao final do período prejuízo fiscal e base negativa, o que demonstra não haver prejuízo para a Fazenda Nacional; j) Cabe ressaltar ainda que o fato de a interessada não ter amortizado parcialmente a dívida, canalizando os recursos para aplicações financeiras, fez com que contabilizasse receitas geradas por estas mesmas aplicações, reduzindo o valor do prejuízo fiscal do exercício. Ou seja, se a ausência de amortização por um lado resultou no incremento do prejuízo fiscal devido às despesas de juros e variação cambial, por outro, resultou na diminuição deste mesmo prejuízo; Fl. 255DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/ 12/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 18471.001043/200544 Acórdão n.º 1102000.978 S1C1T2 Fl. 703 5 k) A interessada apenas buscou evitar que recursos, os quais não poderiam ser utilizados no pagamento parcial da dívida perdessem seu valor, enquanto se desenrolavam as necessárias negociações da repactuação; l) Observase que, se houvesse a variação cambial em sentido contrário ao ocorrido, a contabilização seria feita da mesma forma, gerando receita tributável e o prejuízo fiscal da interessada no final do exercício seria menor. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) julgou o lançamento procedente, em acórdão que possui a seguinte ementa (fls. 213 a 217): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002 REAJUSTE DA BASE DE CÁLCULO. VARIAÇÕES CAMBIAIS E JUROS. DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS. A necessidade de uma despesa está atrelada à imprescindibilidade da manutenção da fonte produtora da empresa. O não pagamento, no vencimento, de dívida pactuada com empresa situada no exterior, mesmo que, posteriormente, a data acordada, tenha sido decretada a sua falência, não seria motivo para que o compromisso deixasse de ser saldado, se, à época, possuía a interessada reservas para saldála, ao menos parcialmente. A dedução a título de variações cambiais e juros sobre tais variações, devem, neste caso, ser consideradas como não necessárias. Lançamento Procedente Os fundamentos dessa decisão foram os seguintes: a) os juros e as variações cambiais passivas, decorrentes de empréstimos, são dedutíveis se necessários, nos termos dos arts. 299, 374 e 377 do RIR/99; b) se a interessada tivesse, ao menos, quitado parte do empréstimo contraído na data do vencimento pactuada, não teria condições de deduzir, a título de despesas, as variações cambiais passivas e, por decorrência, os juros que dela advinham; c) a alegação de quebra do Grupo Enron (nos Estados Unidos), em 04/12/2001, em nada afetaria o contrato celebrado entre uma das empresas do grupo e a interessada, já que, no caso, a interessada era a devedora e não credora da Enron. Isso porque o instituto falimentar americano tem por objetivo proteger a empresa contra os seus credores. Ou seja, a empresa pode sair da dívida ou desenhar um plano de amortização e continuar operando. O pedido de falência impede os credores de tentarem cobrar as dívidas por fora do processo. A hipótese aqui é exatamente o contrário, já que a interessada é devedora do grupo estrangeiro Fl. 256DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/ 12/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 18471.001043/200544 Acórdão n.º 1102000.978 S1C1T2 Fl. 704 6 que teve sua falência decretada. A dívida poderia e deveria ter sido honrada e não protelada pela interessada para data posterior; d) tal fato resultou na dedução de uma despesa totalmente desnecessária à atividade produtora da empresa, gerando um prejuízo fiscal e base negativa de CSLL, para o anocalendário de 2002, em valores muito superiores ao que deveria ter sido declarado, se não tivessem sido computadas as respectivas variações cambiais e os juros passivos dela decorrentes. RECURSO AO CARF Cientificado da decisão de primeira instância em 22/8/2008 (fl. 238), o contribuinte apresentou, em 22/9/2008, o recurso voluntário de fls. 248 a 255, onde argumenta que: a) em 31 de outubro de 2001, não teve condições de pagar o financiamento obtido junto à Enron Nethertlands Holding B.V., no montante de US$ 167.278.077, cuja finalidade era a aquisição de turbinas, que, como a própria Fiscalização reconheceu, foram efetivamente entregues ao recorrente; b) a autoridade julgadora, no relatório e no voto do acórdão recorrido, reconheceu que o recorrente, na data do vencimento do financiamento, não tinha condições de honrálo integralmente. Como se infere pela tabela descritiva de fl. 4 do Relatório Fiscal, somente no mês de julho de 2002 o recorrente poderia ter tentado pagar uma pequena parte do financiamento; c) a premissa de que poderia, a seu exclusivo critério, pagar apenas parcialmente o que devia inexiste, nos termos do arts. 313 e 314 do Código Civil. Ou seja, como não havia ajuste nesse sentido, sem a anuência do credor, simplesmente estava legalmente inviabilizado de fazer o pagamento que a autoridade julgadora entendeu deveria ser feito; d) a repactuação da dívida demorou a ser feita tanto pela falta de recursos do recorrente, quanto pela falência do credor, o Grupo Enron, pouco mais de um mês depois do vencimento do financiamento em tela. Não havia sequer como realizar qualquer pagamento, simplesmente porque os escritórios da Enron haviam sido lacrados e suas contas bancárias bloqueadas; e) ao contrário do que afirmou a autoridade julgadora, qualquer instituto falimentar, seja o americano ou o brasileiro, não tem o condão de proteger a empresa falida de seus credores, mas sim proteger os credores e o mercado em que esta empresa atua, retirandoa desse mercado. Uma vez decretada a falência de uma empresa, ela está fora do mercado por determinação judicial; fecha suas portas; e seus diretores são desconstituídos da administração, respondendo civil e criminalmente perante os seus credores, sendo substituídos por um Administrador Judicial. A autoridade julgadora, equivocadamente, confundiu o instituto da Falência com o da Recuperação Judicial; esta sim permite o regular funcionamento da empresa com a mesma diretoria, protegendoa da cobrança dos seus credores até que o plano de recuperação seja efetivado; Fl. 257DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/ 12/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 18471.001043/200544 Acórdão n.º 1102000.978 S1C1T2 Fl. 705 7 f) ademais, é difícil se imaginar que em tal cenário, ante a evidente falta de recursos financeiros, a decretação da falência do grupo credor do recorrente e as complexidades negociais inerentes à renegociação de uma dívida US$ 167.278.077, alguma repactuação pudesse durar menos de nove meses; g) as despesas em questão serão sempre necessárias, pois é uma usina geradora de energia e a despesa em questão foi efetuada para aquisição de turbinas, sem as quais a atividade da empresa simplesmente inexiste; h) no caso, a previsão legal é um dado objetivo: despesas para realização de operações exigidas pela atividade da empresa. A lei não distingue entre “despesas necessárias” e “despesas necessárias que poderiam ser evitadas”. Ou é necessária ou não é. Ou é para a atividadefim da empresa ou não é. E, no caso em tela, não existe dúvida de que as despesas com o financiamento para a compra de bens do ativo permanente são despesas necessárias, conforme reconhece a jurisprudência administrativa; i) o art. 377 do RIR/99 expressamente prevê que, na determinação do lucro operacional, poderão ser deduzidas as contrapartidas de variações monetárias de obrigações e perdas cambiais e monetárias na realização de créditos; j) não houve qualquer prejuízo ao Fisco, pois o prejuízo fiscal acumulado é muito maior que a infração lançada, e a aplicação dos recursos no mercado financeiro gerou receitas que foram tributadas; l) as aplicações financeiras visavam somente evitar que os recursos perdessem seu valor até a futura repactuação. Não se pode perder de vista o fato de que a primeira aplicação financeira se deu em 03/05/2002, seis meses depois do vencimento original da dívida e poucos meses antes do acordo sobre a repactuação, ou seja, as aplicações financeiras permitiram manter o valor dos recursos até o momento em que o pagamento foi legalmente possível de ser realizado; m) a decisão deixa a impressão de que o recorrente poderia, de alguma forma, ter manipulado a própria oscilação do câmbio. Se houvesse uma variação cambial em sentido o contrário, a contabilização seria feita da mesma forma, gerando receita tributável, e seu prejuízo fiscal, ao final do exercício, seria naturalmente menor. Ao final, pugna pelo reconhecimento integral da base de cálculo utilizada, referente ao IRPJ e CSLL do anocalendário de 2002, ratificando as despesas necessárias lançadas a título de variação cambial, encargos financeiros e juros moratórios da dívida contraída para a sua atividadefim. O processo foi inicialmente distribuído para julgamento pela 2ª Turma Especial, que, em 15 de outubro de 2010, devolveu os autos para sorteio a uma das turmas ordinárias, já que o valor da redução dos prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas excediam o limite de alçada das turmas especiais. Este processo foi a mim distribuído no sorteio realizado em agosto de 2013, numerado digitalmente até a fl. 698. Esclareçase que todas as indicações de folhas neste voto dizem respeito à numeração digital do eprocesso. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/ 12/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 18471.001043/200544 Acórdão n.º 1102000.978 S1C1T2 Fl. 706 8 É o relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. De acordo com os documentos dos autos, e com os termos da acusação e da defesa, são incontroversos os seguintes fatos: a) o contribuinte contraiu empréstimo com Enron Netherlands Holding BV no valor de US$ 167.278.077 em 22/5/2001, para aquisição de equipamentos destinados a sua atividade operacional; b) a empresa não pagou o contrato na data fixada, em 31/10/2001; c) em 31/7/2002, o sujeito passivo repactuou a dívida, e efetivamente quitou os empréstimos em 2002 e 2003. A Fiscalização entendeu que o contribuinte deixou de honrar seus compromissos de forma unilateral, desde que deixou de pagar a dívida no vencimento, em 31/10/2001, até a repactuação do acordo, em 31/7/2002. Entendeu, também, que a empresa possuía recursos para quitar parte das obrigações, pois fez aplicações financeiras no Brasil nos meses de maio, junho e julho de 2002, no montante de R$ 66.036.112,48. Assim, considerou, como despesas desnecessárias, montante equivalente à variação cambial, aos juros nos percentuais contratados no empréstimo externo, e à variação cambial sobre esses juros, incidentes sobre os valores aplicados no mercado financeiro, calculados a partir da data de cada aplicação até a repactuação da dívida. O contribuinte, por sua vez, alega que não pagou no prazo porque não tinha recursos, e porque o credor logo em seguida decretou falência, sendo impossível o pagamento, e que as despesas são, de fato, necessárias, nos termos da legislação. Sopesando os argumentos da acusação e da defesa, penso ter razão o recorrente. A dedutibilidade das variações monetárias passivas está prevista nos arts. 375, 377 e 378 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99, a seguir transcritos: Art. 375. Na determinação do lucro operacional deverão ser incluídas, de acordo com o regime de competência, as contrapartidas das variações monetárias, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis, por disposição legal ou contratual, dos direitos de crédito do contribuinte, assim como os ganhos cambiais e monetários realizados no Fl. 259DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/ 12/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 18471.001043/200544 Acórdão n.º 1102000.978 S1C1T2 Fl. 707 9 pagamento de obrigações (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 18, Lei nº 9.249, de 1995, art. 8º). Parágrafo único. As variações monetárias de que trata este artigo serão consideradas, para efeito da legislação do imposto, como receitas ou despesas financeiras, conforme o caso (Lei nº 9.718, de 1998, art. 9º). Art. 377. Na determinação do lucro operacional poderão ser deduzidas as contrapartidas de variações monetárias de obrigações e perdas cambiais e monetárias na realização de créditos, observado o disposto no parágrafo único do art. 375 (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 18, parágrafo único, Lei nº 9.249, de 1995, art. 8º). Art. 378. Compreendemse nas disposições dos arts. 375 e 377 as variações monetárias apuradas mediante: I compra ou venda de moeda ou valores expressos em moeda estrangeira, desde que efetuada de acordo com a legislação sobre câmbio; II conversão do crédito ou da obrigação para moeda nacional, ou novação dessa obrigação, ou sua extinção, total ou parcial, em virtude de capitalização, dação em pagamento, compensação, ou qualquer outro modo, desde que observadas as condições fixadas pelo Banco Central do Brasil; III atualização dos créditos ou obrigações em moeda estrangeira, registrada em qualquer data e determinada no encerramento do período de apuração em função da taxa vigente. Contudo, a dedutibilidade das variações monetárias passivas está também condicionada à regra geral, que só permite a exclusão, para fins fiscais, das despesas necessárias e usuais à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora, constante nos §§1o e 2o do art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964, cujos termos foram repetidos no art. 299 do RIR/99, abaixo transcrito: Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). § 3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/ 12/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 18471.001043/200544 Acórdão n.º 1102000.978 S1C1T2 Fl. 708 10 Desse modo, são dedutíveis as despesas usuais pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa e voltadas para a manutenção da respectiva fonte produtora. O Parecer Normativo CST n° 32, de 17 de agosto de 1981 esmiúça esses conceitos em busca de condições objetivas que permitam distinguir quando um despesa deve ser considerada dedutível e conclui: 3. A qualificação dos dispêndios da pessoa jurídica, como despesas dedutíveis na determinação do lucro real, está subordinada a normas específicas da legislação do imposto de renda, que fixam conceito próprio de despesas operacionais e estabelecem condições objetivas norteadoras da imputabilidade, ou não, das cifras correspondentes para aquele efeito. (...) (...) 4. Segundo o conceito legal transcrito, o gasto é necessário quando essencial a qualquer transação ou operação exigida pela exploração das atividades, principais ou acessórias, que estejam vinculadas com as fontes produtoras de rendimentos. 5. Por outro lado, despesa normal é aquela que se verifica comumente no tipo de operação ou transação efetuada e que, na realização do negócio, se apresenta de forma usual, costumeira ou ordinária. O requisito de usualidade deve ser interpretado na acepção de habitual na espécie de negócio. No caso sob análise, não há dúvidas de que o empréstimo contraído no exterior está relacionado às atividades operacionais da empresa, pois serviu para adquirir bens do ativo imobilizado, e assim as despesas dele decorrentes devem, em regra, ser consideradas como necessárias e usuais. A única maneira de concordar com a acusação fiscal seria concluir que o contribuinte deliberadamente deixou de honrar suas dívidas com o intuito de gerar despesas decorrentes da variação cambial passiva da obrigação em moeda estrangeira. Isso porque os juros incorridos deveriam ser por ele, mais cedo ou mais tarde, honrados, sendo ilógico planejamento que envolvesse incorrer, de modo desnecessário, em despesas caras somente para reduzir os tributos e contribuições. E o único argumento para fundamentar essa presunção seria a constatação de que o contribuinte tinha recursos disponíveis a partir de maio de 2002, e, ao invés de diminuir sua dívida e, como consequência, os encargos dela decorrentes, optou por realizar aplicações financeiras. Contudo, todos os argumentos da defesa contradizem essa conclusão de forma convincente. Primeiro, o recorrente esclarece que não possuía recursos para pagar o débito em 31/10/2001. E a acusação fiscal parece confirmar essa assertiva, pois só encontrou recursos disponíveis para tanto em 3/5/2002, sete meses após o vencimento, quando da primeira aplicação financeira. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/ 12/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 18471.001043/200544 Acórdão n.º 1102000.978 S1C1T2 Fl. 709 11 Depois, lembra que não podia simplesmente pagar parte da dívida sem a anuência do credor, que não é obrigado a receber parte do pagamento ou prestação diversa da que lhe é devida nos termos dos arts. 313 e 314 do Código Civil. Segue declarando fato notório, que foi a falência do Grupo Enron em dezembro de 2001, corroborada pela informações da imprensa constante da fl. 185, o que mais que justifica a demora na repactuação da dívida. Finaliza lembrando que os valores aplicados também geraram rendimentos tributáveis, fato que, no mínimo, deveria reduzir o montante do alegado prejuízo causado pelas despesas apontadas como desnecessárias, decorrentes do não uso dos recursos para quitar parte dos débitos. Acrescento, ainda, o fato de que a dívida foi, de fato, paga nos anos de 2003 e 2004, com expressa anuência do credor, o que comprova que ele relevou o atraso e aquiesceu com as novas condições. Assim, o único modo de considerar que as despesas não eram usuais ao negócio seria entender que tanto o credor quando o devedor agiram em conjunto para deixar em aberto um empréstimo com o único objetivo de criar despesas cambiais. Penso serem melhores as explicações da defesa, que comprovam que os dispêndios decorreram de fatos reais, que provocaram um atraso de nove meses no pagamento de empréstimo utilizado para adquirir bens necessários à atividade da empresa, devendo os dispêndios dele decorrentes ser considerados como despesas operacionais necessárias e, portanto, dedutíveis das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 262DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/ 12/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME
score : 1.0
Numero do processo: 11128.001589/2005-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Data do fato gerador: 24/09/2002
DEVIDA A CIDE SOBRE OS GASES LIQUEFEITOS DE PETRÓLEO: BUTANO E PROPANO
Incidência prevista na Lei n 10.336, de 19 de dezembro de 2001, regulamentada pelas INs 107 e 219 de 2001.
INCOMPETÊNCIA DO CARF não é competente para se pronunciar-se sobre inconstitucionalidade de lei tributária - Sumula n. 02.
TAXA DE JUROS - SELIC - A partir de 1 de Abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais - Sumula n.04.
RECURSO VOLUNTÁRIO IMPROVIDO
Numero da decisão: 3101-001.576
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Luiz Roberto Domingo que excluia a penalidade pela segurança jurídica e dava provimento parcial para excluir as penalidades.
HENRIQUE PINHEIRO TORRES
Presidente
VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
Relatora
Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Luiz Roberto Domingo, Rodrigo Mineiro Fernandes, Vanessa Albuquerque Valente e José Henrique Mauri.
Nome do relator: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
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INCOMPETÊNCIA DO CARF não é competente para se pronunciarse sobre inconstitucionalidade de lei tributária Sumula n. 02. TAXA DE JUROS SELIC A partir de 1 de Abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais Sumula n.04. RECURSO VOLUNTÁRIO IMPROVIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Luiz Roberto Domingo que excluia a penalidade pela segurança jurídica e dava provimento parcial para excluir as penalidades. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 15 89 /2 00 5- 66 Fl. 153DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 21 /03/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.001589/200566 Acórdão n.º 3101001.576 S3C1T1 Fl. 32 2 Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Luiz Roberto Domingo, Rodrigo Mineiro Fernandes, Vanessa Albuquerque Valente e José Henrique Mauri. Relatório Cuidase de recurso voluntário contra acórdão da Segunda Turma da DRJ São Paulo – SPO que por unanimidade de votos considerou procedente o lançamento em razão de ter a Recorrente em 07/12/2004 intimada a comprovar o recolhimento da CIDE – combustível referente a importação constante à folha 03 (DI 02/08514494) e não comprovou. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido estão consubstanciados na ementa que transcrevo: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Data do fato gerador: 24/09/2002 DEVIDA A CIDE SOBRE OS GASES LIQUEFEITOS DE PETRÓLEO: BUTANO E PROPANO. A multa pela falta de recolhimento deve ser mantida, uma vez que apôs a publicação da IN 219/2002, foi esclarecida, sem margem a dúvidas, a hipótese de ocorrência do fato gerador no caso em questão. Sem que houvesse por parte do contribuinte, o recolhimento do tributo devido. Lançamento Procedente Ciente do inteiro teor desse acórdão, recurso voluntário foi interposto às folhas 72 a 91, onde resumidamente alega: “Em suma, resta induvidosa a nulidade do auto de infração em análise, visto que se fundamenta em instrução normativa absolutamente ilegal, que excede os limites impostos pela lei 10.336/01, determinando a incidência da CIDE sobre gases diversos daqueles previstos no texto legal e prevê retroatividade de seus termos, o que se mostra vedado em nosso sistema. Portanto, no caso apresentado não houve qualquer ato praticado pela empresa que fosse contrário às determinações legais devendo o presente Recurso Voluntário ser totalmente provido, com a consequente declaração de nulidade do auto de infração em questão, dadas as ilegalidades apontadas. Nestes termos, requer seja recebido, conhecido e provido o presente Recurso Voluntário, reformandose a decisão proferida no âmbito da DRJ, para determinar a insubsistência do Auto de Infração lavrado, bem como sendo determinada o prosseguimento dos despachos aduaneiros nas Dl n° 02/08514494, por ser medida de rigor. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 21 /03/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.001589/200566 Acórdão n.º 3101001.576 S3C1T1 Fl. 33 3 Requer, ainda, seja prequestionada a matéria objeto do presente recurso, a fim de possibilitar a interposição de eventual Recurso Especial.” É o relatório. Voto Conselheira Relatora Valdete Aparecida Marinheiro. Conheço do recurso voluntário interposto às folhas 72 a 91, porque tempestivo e atendidos os demais requisitos para sua admissibilidade. Versa o litígio, conforme relatado, acerca de exigência tributária decorrente de importação de produtos Propano e os Butano Liquefeitos. Inicialmente cabe destacar que não é competência desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF se pronunciar sobre a inconstitucionalidade do direito posto, consoante Sumula n. 2 que dispõe: “Súmula CARF n.2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária.” No que tange ao mérito discutido nos presentes autos (incidência de Cide sobre os produtos propano e os butano liquefeitos, importados pela Recorrente, concordo com a decisão recorrida. O presente processo trata da exigência da Contribuição de Intervenção no Domínio EconômicoCide, nos termos da Lei nº 10.336, de 19 de dezembro de 2001; regulamentada pelas Instruções Normativas SRF nº 107, de 28 de dezembro de 2001, e nº 219, de 10 de outubro de 2002. A autuação é decorrente pelo não pagamento dessa contribuição quando do registro das DI 02/08514494 (fls. 03). A recorrente é importadora de gases liquefeitos de petróleo, classificados na posição 2711 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), dentre estes, o propano comercial (NCM 2711.12.10) e o butano comercial (NCM 2711.13.10). A Lei nº 10.336/2001 que instituiu a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico Cide, incidente sobre a importação e a comercialização de petróleo e seus derivados, gás natural e seus derivados, e álcool etílico combustível, a que se refere os arts. 149 e 177 da Constituição Federal, com a redação dada pela Emenda Constitucional nº 33, de 11 de dezembro de 2001. O art. 3º do referido diploma legal assim dispõe: Art. 3º A Cide tem como fatos geradores as operações, realizadas pelos contribuintes referidos no art. 2º, de importação e de comercialização no mercado interno de: I gasolinas e suas correntes; II diesel e suas correntes; III querosene de aviação e outros querosenes; IV óleos combustíveis (fueloil); V gás liquefeito de petróleo, inclusive o derivado de gás natural e de nafta; e (destaquei) VI álcool etílico combustível.” O art. 5º da referida lei estabelece as alíquotas específicas da Cide, na importação e na comercialização no mercado interno, para cada uma das mercadorias indicadas no art. 3º. O Fl. 155DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 21 /03/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.001589/200566 Acórdão n.º 3101001.576 S3C1T1 Fl. 34 4 art. 6º, por sua vez, determina que, na hipótese de importação, o pagamento da Cide deve ser efetuado na data do registro da Declaração de Importação. De acordo com o art. 13, a competência para administração e a fiscalização da Cide foi atribuída à Secretaria da Receita Federal.” A IN/SRF 107, de 2001, a meu ver, não ampliou a incidência da CIDE e nem modificou as suas alíquotas; apenas dispôs quanto ao modo como os produtos devem ser informados na Declaração de ImportaçãoDI, no tocante à unidade de medida estatística e aos códigos da nomenclatura Comum do MercosulNCM que devem ser utilizados, dentre outras normas de procedimento. Quanto a IN/SRF 219, de 2002, complementando a IN/SRF 107, informa os códigos da NCM e respectivas unidades de medida estatística de outras mercadorias classificadas como gás liquefeito de petróleo a serem indicados na DI. Não há dúvidas de que os butanos e propanos pertencem ao grupo “gás liquefeito de petróleo” de acordo com os seguintes códigos da NCM: “2711 GÁS DE PETRÓLEO E OUTROS HIDROCARBONETOS GASOSOS 2711.1 Liquefeitos 2711.11.00 Gás natural 2711.12 Propano 2711.12.10 Bruto 2711.12.90 Outros 2711.13.00 Butanos 2711.14.00 Etileno, propileno, butileno e butadieno 2711.19 Outros 2711.19.10 Gás liquefeito de petróleo (GLP) 2711.19.90 Outros” Verificase, assim, que o “gás liquefeito de petróleo e outros hidrocarbonetos gasosos, citados na posição 2711, constitui um gênero do qual são espécies várias mercadorias, dentre elas, o “gás liquefeito de petróleo (GLP), a que se refere o código 2711.19.10, além de outras, como os butanos liquefeitos (2711.13.00), o propano bruto (2711.12.10), o etileno (2711.14.00) etc. A Lei 10.336/01 abrange qualquer gás incluído dentro do grupo “Gás Liquefeito de Petróleo, não apenas a mercadoria descrita no código 2711.19.10, pois, se essa fosse a intenção do legislador, a norma legal teria feito menção expressa à sigla “GLP” ou à expressão “gás de cozinha”. Ressalto, por comungar do mesmo raciocínio, como devidamente esclarecido nos votos dos I. Relatores dos Acórdãos 30131695, Conselheira Atalina Rodrigues Alves, de 15/03/2005, e 30332076, Conselheiro Sérgio de Castro Neves, de 15/06/2005, que têm o mesmo entendimento, quanto à incidência do tributo. Transcrevo pedaço do voto mencionado do Conselheiro Sérgio de Castro Neves, processo de n° 11.050.001.119/200381, acórdão 30332.076, que bem elucida: “Indiscutível, portanto, a imputação da mencionada contribuição sobre todas as formas de gás liquefeito de petróleo, independentemente de sua estrutura química. Esta é aspecto primordial para a classificação do produto, mas irrelevante para a incidência tributária. Tanto assim é que a lei, nos diversos incisos do art. 5º., onde são definidas as mercadorias que se submetem à exação, jamais cuidou das respectivas classificações fiscais. Os butanos liquefeitos, como integrantes da categoria “gases liquefeitos de petróleo, devem ser tributados por força da Lei 10336, e não do ato normativo infralegal. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 21 /03/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.001589/200566 Acórdão n.º 3101001.576 S3C1T1 Fl. 35 5 As Instruções Normativas editadas a respeito do assunto pela Secretaria da Receita Federal simplesmente explicitam os códigos NCM de tais produtos, mas jamais poderiam quer revogar, quer criar hipóteses de incidência, como bem sublinha a r. decisão contestada, não havendo como falarse em retroatividade de uma nova norma onde simplesmente não existe nova norma.” Portanto, a incidência da CIDE sobre propanos e butanos não foi estabelecida por Instrução Normativa e sim pela própria Lei 10.366/01. Logo, não tem razão a recorrente em alegar que somente a partir da edição da IN/SRF 219/2002 a referida contribuição fora instituída. Também, com relação a aplicação dos juros com base na SELIC, cabe lembrar a Súmula n.4 do CARF que dispõe: “Sumula CARF n.4 – A partir de 1 de Abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais.” Finalmente, com relação a aplicação da penalidade, ou seja da multa, corroboro com as razões do voto condutor da decisão recorrida que serão lidas em sessão se necessário. Face ao exposto, Nego Provimento ao recurso voluntário, para manter a decisão recorrida. É como voto Valdete Aparecida Marinheiro – Relatora Fl. 157DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 21 /03/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 10783.917626/2009-97
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jul 01 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1802-000.527
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gilberto Baptista, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luís Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Relatório
Nome do relator: NELSO KICHEL
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1306; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 169 1 168 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10783.917626/200997 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1802000.527 – 2ª Turma Especial Data 05 de junho de 2014 Assunto Solicitação de diligência Recorrente CECON CENTRO CABIXABA DE ONCOLOGIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gilberto Baptista, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luís Roberto Bueloni Santos Ferreira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 83 .9 17 62 6/ 20 09 -9 7 Fl. 169DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10783.917626/200997 Resolução nº 1802000.527 S1TE02 Fl. 170 2 Relatório Cuidam os autos do Recurso Voluntário de efls.86/90 contra decisão da 15ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I (efls. 74/78) que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado, não homologando a compensação tributária informada. Quanto aos fatos, consta dos autos que: em 05/12/2008, a Contribuinte transmitiu pela internet o PER/DCOMP nº 14198.82737.051208.1.3.048029 (efls. 61/65), informando compensação tributária: débitos informados no valor de R$ 35.498,16 assim especificados: a) – CSLL, código de receita 2372, PA 3º trimestre/2008, data de vencimento 28/11/2008, valor R$ 20.965,53 (2ª cota); b) IRPJ, código de receita 2089, PA 3º trimestre/2008 (2ª cota), data de vencimento 28/11/2008, valor R$ 14.532,16 (2ª cota). crédito utilizado (valor original na data da transmissão): R$ 32.798,82: que o direito creditório pleiteado decorreu de pagamento indevido ou a maior do IRPJ do período de apuração 31/03/2008 (1º trimestre/2008) – 1ª cota, código de receita 2089 (regime de apuração Lucro Presumido), data de arrecadação 30/04/2008, valor original R$ 51.753,98. Saldo de crédito informado na data da transmissão da DCOMP (original): R$ 32.798,82. DCOMP inicial 13235.56503.201108.1.3.045516 (efls. 68/72). Em 07/10/2009, houve emissão do Despacho Decisório (eletrônico), efl. 04, pela DRF/Vitória, denegando o direito creditório pleiteado, com a seguinte fundamentação: (...) 3FUNDAMENTACÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 32.798,82. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponivel para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10783.917626/200997 Resolução nº 1802000.527 S1TE02 Fl. 171 3 (...). Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN) e Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (...) Ciente dessa decisão em 20/10/2009 (efl. 66), a Contribuinte, em 17/11/2009, apresentou Manifestação de Inconformidade (efls. 02/03), juntando ainda documentos de efls. 04/57, cujas razões, em síntese, são as seguintes: Inexistência dos débitos informados/confessados na DCOMP objeto dos autos: que na DIPJ 2009, anocalendário 2008, transmitida em 15/07/2009, foi apurado: a) IRPJ a pagar de R$ 11.504,16 do 3º trimestre/2008 (efls. 45/55), e não o valor informado na DCTF primitiva de R$ 189.368,86; b) CSLL a pagar de R$ 6.850,75 do 3º trimestre/2008 (efls. 45/55), e não o valor informado na DCTF primitiva de R$ 60.210,16. que houve retificação da citada DCTF do PA 3º trimestre/2008 em 23/10/2009, reduzindo o débito do (a): a) IRPJ de R$ 189.368,86 para R$ 11.504,16 (efls.56/60); b) CSLL de R$ 60.210, 16 para R$ 6.850,75 (efls. 56/60). que esses débitos do IRPJ e da CSLL quanto ao 3º trimestre/2008 restaram pagos integralmente mediante DARF, respectivametne, nos valores de R$ 63.414,37 e R$ 20.223,34 (informação constante da DCTF retificadora); que não há falar em débitos do IRPJ (2ª cota) e CSLL (2ª cota) quanto ao 3º trimestre/2008, pois tais débitos não existem (foram informados indevidamente na DCOMP), em face da transmissão da mencionada DCTF retificadora, a qual está em consonância com a DIPJ respectiva. Por fim, com base nessas razões, a Contribuinte pediu na instância a quo a exclusão/cancelamento dos débitos informados na DCOMP objeto dos presentes autos. A 15ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I, não acatando as DCTF retificadoras dos 1º e 2º semestres/2008 que reduziram o IRPJ e a CSLL a pagar, julgou a manifestação de inconformidade improcedente, não reconhecendo o crédito pleiteado, mantendo os débitos informados na DCOMP objeto dos autos, conforme Acórdão, de 18/08/2011, cuja ementa transcrevo a seguir (efl. 74), in verbis: (...) Fl. 171DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10783.917626/200997 Resolução nº 1802000.527 S1TE02 Fl. 172 4 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 PAGAMENTO A MAIOR. DIREITO CREDITÓRIO EXAMINADO EM OUTRO PROCESSO. Uma vez verificado que o direito creditório em que se fundamenta a compensação já foi examinado em outro processo, cumpre à autoridade julgadora acolher o resultado da decisão proferida no feito em questão. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 COMPENSAÇÃO. DESISTÊNCIA DO PEDIDO A desistência da compensação declarada no PER/DCOMP somente poderá ser requerida se a declaração estiver pendente de decisão administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio (...) Ciente desse decisum em 28/11/2011 (efl. 85), a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 13/12/2011 (efls. 86/90), juntando ainda os documentos de e fls.91/164, cujas razões, em síntese, são as seguintes: 1) – Quanto ao crédito: que já prestou esclarecimentos nos autos do processo nº 10783.916735/200997; que nos presentes autos deixa de alegar o crédito, já pleiteado naquele processo, pois, no caso, os débitos informados na DCOMP são inexistentes (débitos informados indevidamente na DCOMP); que, por conseguinte, também não há que se falar em crédito. 2) – Em relação aos débitos do IRPJ (2ª cota) e da CSLL (2ª cota) do 3º trimestre/2008 confessados na DCOMP: que os débitos são inexistentes pelo seguinte: a) quando foi calculado o IRPJ e a CSLL do 3º trimestre/2008 (erro de fato na apuração), ao invés da aplicação do coeficiente de presunção do lucro de 8% e 12%, respectivamente, sobre a receita bruta de serviços, houve indevidamente a aplicação do coeficiente de 32%; b) para comprovar a base tributável do 3º trimestre/2008, juntou: cópias de folhas do livro Diário, com receita bruta de serviços de R$ 2.964.411,74, quanto ao 3º trimestre/2008 (efls. 120/123); Fl. 172DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10783.917626/200997 Resolução nº 1802000.527 S1TE02 Fl. 173 5 cópias do livro Registro de Serviços (ISS) com a receita bruta de serviços dos meses de julho, agosto e setembro/2008 (efls. 124/129); planilha de cálculo: a) do IRPJ com coeficiente de 8% (R$ 11.504,15) e 32% (R$ 189.368,86) (efl. 130); b) da CSLL com coeficiente de 12% (R$ 6.850,75) e com 32% (R$ 60.210,16) (efl. 130). cópias do livro Diário – lançamento da provisão do IRPJ/3º trimestre/2008, no valor de R$ 55.066,69, calculado pelo coeficiente de 8%, e IRRF (efl.131); cópias do livro Diário – lançamento da provisão da CSLL/3º trimestre/2008, no valor de R$ 32.655,89, calculado pelo coeficiente de 12%, e valores retidos na fonte (e fl.132); redução da base de cálculo – valor tributável em R$ 478.487,77, conforme documentos (efls. 133/145); que em 23/10/2009 foi transmitida a DCTF retificadora do 2º semestre/2008, reduzindio: a) o IRPJ do 3º trimestre/2008 de R$ 189.368,86 para R$ 11.504,15 (efls. 146/164); b) a CSLL do 3º trimestre/2008 de R$ 60.210,16 para R$ 6.850,75 (efls. 146/164); que o débito do imposto do 3º trimestre/2008 de R$ 11.504,15 e o débito da CSLL R$ 6.210,16 foram, integralmente, quitados pelos DARF de R$ 63.414,37 e R$ 20.223,34, respectivamente; que, por conseguinte, os débitos confessados na DCOMP objeto dos presentes autos, de fato, não inexistentes. Por tudo que foi exposto, a Contribuinte pediu o cancelamento dos débitos confessados na DCOMP objeto dos presentes autos (cancelamento da DCOMP). É o relatório. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10783.917626/200997 Resolução nº 1802000.527 S1TE02 Fl. 174 6 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Logo, dele conheço. Os autos tratam de processo de compensação tributária. No caso, a Recorrente alegou que a DCOMP perdeu o objeto (deve ser cancelada), pois os débitos do IRPJ (2ª cota) e da CSLL (2ª cota) do 3º trimestre/2008, com vencimento em 28/11/2008, são inexistentes . Quanto crédito utilizado na DCOMP (valor original na data da transmissão): R$ 32.798,82, referente suposto pagamento indevido ou a maior do IRPJ do período de apuração 31/03/2008 (1º trimestre/2008) – 1ª cota, código de receita 2089 (regime de apuração Lucro Presumido), data de arrecadação 30/04/2008, valor original do pagamento R$ 51.753,98. (crédito original na data da transmissão da DCOMP: R$ 32.798,82), a Recorrente alegou que deixa de discutilo, de fazer a reivindicação nos presentes autos, pois está sendo pleiteado em outro processo (processo nº 10783.916735/200997). Diversamente do entendimento da Recorrente, não há nos autos elementos de prova que pudessem autorizar, de plano, o cancelamento do débito confessado na DCOMP e o cancelamento da DCOMP, pois a Recorrente não comprovou erro de fato que teria gerado ou que originou o crédito utilizado na DCOMP e não comprou, também, erro de fato na apuração do débito confessado na DCOMP. Vale dizer, a Recorrente não comprovou a razão pela qual entende que, no caso, a apuração do IRPJ e da CSLL deveriam ser com base em coeficientes de presunção reduzidos, ou seja: a) que o crédito utilizado na DCOMP decorreu de recolhimento do imposto do 1º trimestre/2008 (1ª cota), pela aplicação de coeficiente de presunção do lucro de 32% sobre a receita bruta de prestação de serviço; que o correto é aplicação do coeficiente de 8%; b) que os débitos do IRPJ e da CSLL do 3º trimestre/2008 (2ª cota) com vencimento em 28/11/2008, também, foram apurados com coeficiente de presunção do lucro de 32%, mas o correto é a aplicação dos coeficientes de 8% e 12%, respectivamente. Para o encontro de contas de crédito com débito (compensação tributária), é necessário que o crédito preencha os requisitos de liquidez e certeza, nos termos do art. 170 do CTN. A propósito, transcrevo o disposto no art. 170 do CTN, in verbis: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos Fl. 174DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10783.917626/200997 Resolução nº 1802000.527 S1TE02 Fl. 175 7 e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.(Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (grifei) No mesmo sentido dispõe o art. 268 do Decreto nº 7212, de 15/06/2010: Art.268.O sujeito passivo que apurar crédito do imposto, inclusive decorrente de trânsito em julgado de decisão judicial, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observadas as demais prescrições e vedações legais(Lei nº 5.172, de 1966, art. 170,Lei nº 9.430, de 1996, art. 74,Lei no10.637, de 2002, art. 49,Lei no10.833, de 2003, art. 17, eLei no11.051, de 2004, art. 4o). §1oA compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados(Lei nº 9.430, de 1996, art. 74, § 1º,e Lei nº 10.637, de 2002, art. 49). §2oA compensação declarada à Secretaria da Receita Federal do Brasil extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação (Lei nº 9.430, de 1996, art. 74, § 2º, eLei nº 10.637, de 2002, art. 49). No caso, a Recorrente utilizou direito creditório (crédito) relativo ao PA 31/03/2008 (1º trimestre/2008), uma vez que teria pago indevidamente o IRPJ relativo a esse período de apuração, no regime do Lucro Presumido. Para a Contribuinte, o imposto a pagar do 1º trimestre/2008 seria de R$ 8.309,76 (que já foi quitado quando do recolhimentio da 1ª cota, no valor de R$ 51.753,98), tendo sido pago a maior a 1ª cota no valor de R$ 43.444,22. Entretanto, a decisão recorrida, na mesma esteira do despacho decisório, denegou o direito creditório por inexistência do crédito utilizado na DCOMP, mantendo os débitos confessados na DCOMP, pois a Recorrente: a) confessara na DCTF imposto a pagar do PA – 1º trimestre/2008 no valor de R$ 155.261,95 (crédito alegado inexistente, ou seja, valor do pagamento restou consumido integralmente pelo débito confessado); b) transmitira, eletronicamente, a DCTF retificadora, reduzindo imposto do PA – 1º trimestre/2008 de R$ 155.261,95 para R$ 8.309,76 somente após ciência do despacho decisório, ou seja, após intimação para recolhimento dos débitos confessados na DCOMP, a qual restou não homologada por inexistência do direito creditório alegado; c) ademais, não comprovou eventual erro de fato que pudesse justificar a redução do imposto pela DCTF retificadora, uma vez que não juntou cópia dos livros contábeis e fiscais de sua escrituração; que, após intimação fiscal para recolhimento dos débitos confessados na DCOMP, a apresentação de DCTF retificadora por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo (para gerar direito creditório), só é admissivel mediante comprovação do erro em que se funde. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10783.917626/200997 Resolução nº 1802000.527 S1TE02 Fl. 176 8 Mesmo raciocínio aplicase aos débitos confessados na DCOMP. A Contribuinte, na instâcia a quo, não comprovou erro de fato que pudesse justificar a DCTF retificadora. Ou seja: que em 23/10/2009 foi transmitida a DCTF retificadora do 2º semestre/2008 (efls. 131/143), reduziu o débito do (a): a) IRPJ do 3º trimestre/2008 de R$ 189.368,86 para R$ 11.504,15; b) CSLL do 3º trimestre/2008 de R$ 60.210,16 para R$ 6.850,75; que a DCTF retificadora foi apresentada em conformidade com a DIPJ. Nesta instância recursal, a Recorrente para comprovar o alegado erro de fato, juntou cópia dos livros de sua escrituração contábil/fiscal. Compulsando os autos, observase que a Recorrente, em momento algum, justificou a razão pela qual busca, pretende, a aplicação do coeficiente de presunção do lucro de 8% (apuração do IRPJ) e coeficiente de 12% (apuração da CSLL) para as receitas de prestação de serviços, e não o coeficiente de 32%. Sem comprovação do alegado erro de fato não há como admitir como válidas as DCTF retificadoras do 1º e 2º semestres/2008. Em regra, no regime de apuração do Lucro Presumido para a prestação de serviços a legislação tributária do IRPJ e da CSLL impõem a aplicação do coeficiente de 32% e 12%, respectivamente. Nesse sentido, transcrevo os arts. 15 e 20 da Lei nº 9.249/1995, com redação atualizada pela legislação posterior, in verbis: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995.(Vide Lei nº 11.119, de 205)(Vide Medida Provisória nº 627, de 2013)(Vigência) § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: I um inteiro e seis décimos por cento, para a atividade de revenda, para consumo, de combustível derivado de petróleo, álcool etílico carburante e gás natural; II dezesseis por cento: a) para a atividade de prestação de serviços de transporte, exceto o de carga, para o qual se aplicará o percentual previsto no caput deste artigo; b) para as pessoas jurídicas a que se refere oinciso III do art. 36 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, observado o disposto nos §§ 1ºe 2º do art. 29 da referida Lei; III trinta e dois por cento, para as atividades de:(Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) Fl. 176DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10783.917626/200997 Resolução nº 1802000.527 S1TE02 Fl. 177 9 a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa;(Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (...) Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem osarts. 27e29 a 34 da Lei no8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do anocalendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1odo art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento.(Redação dada Lei nº 10.684, de 2003)(Vide Medida Provisória nº 232, de 2004)(Vide Lei nº 11.119, de 205)(Vide Medida Provisória nº 627, de 2013)(Vigência) (...) Frisese que a Lei nº 11.727 (art. 29), de 23/06/2008, que deu nova redação à alínea “a” do inciso III do § 1º do art. 15 da Lei nº 9.249/95, permite a aplicação do coeficiente de presunção do lucro de 8% para serviços hospitalares e atividades inerentes, in verbis: Art. 29. A alínea a do inciso III do § 1o do art. 15 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 15. ............................................................ § 1o .......................................................... ............................................................. III – ...................................................... a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; ..................................................................” (NR) Desde antes da edição dessa Lei nº 11.727/2008 (art. 29), a jurisprudência do STJ e administrativa deste CARF já admitiam a aplicação de coeficientes de presunção do lucro reduzidos a essas atividades elencadas, desde que fosse comprovada a exploração de atividade organizada sob a forma de sociedade empresária e com observância de normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10783.917626/200997 Resolução nº 1802000.527 S1TE02 Fl. 178 10 Entretanto, a Recorrente, em momento algum nos presentes autos, fez alusão que as receitas de prestação de serviços do anocalendário 2008 decorreram de prestação de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas. Compulsando os atos constitutivos da pessoa jurídica (Recorrente) – 8ª Alteração Contratual – Consolidação do Contrato Social, de 27/10/2008 (Cláusula Terceira) (e fls. 08/20), observa que ela tem o seguinte objeto social: CLÁUSULA TERCEIRA: A Sociedade tem por Objeto Social: A Prestação de Serviços Médicos Hospitalares, principalmente na especialização em Oncologia Clinica e Cirúrgica, e Quimioterapia, para Apoio ao Diagnóstico e Terapia de seus pacientes, tendo como responsável técnico perante aos órgãos de saúde o médico ROBERTO DE OLIVEIRA LIMA; O direito creditório utilizado na DCOMP e o pedido de cancelamento de débitos confessados na DCOMP referemse a fatos geradores ocorridos antes dessa Alteração Contratual nº 08, de 27/10/2008. Logo, quanto as receitas de serviços dos 1º, 2º, 3º e 4º trimestres do ano calendário 2008, a Contribuinte não comprou nos autos que elas decorreram de prestação de serviços hospitalares e inerentes, ou se decorreram de serviços de meras consultas médicas. Inclusive não consta dos autos que no anocalendário 2008 a Recorrente, desde o início do ano, já estaria organizada sob a forma de sociedade empresária e que atendia às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa. Há dúvida plusível e insuperável, por conseguinte, se a Recorrente faz jus, ou não, à apuração do IRPJ e da CSLL, anocalendário 2008, com coeficientes reduzidos de presunção do lucro para essas exações fiscais, respectivamente. Nessa situação dos autos (sem tais provas), está prejudicada a aferição da certeza e liquidez do crédito pleiteado.e o pedido de cancelamento dos débitos confessados na DCOMP. Como visto, para formação da conviccção do julgador, e de acordo com o princípio da verdade material, tornase necessário a realização de instrução processual complementar, para complementação das provas pela Recorrente quanto ao direito creditório pleiteado, relativo ao PA – 1º trimestre/2008 – pagamento da 3ª cota, e quanto ao pedido de cancelamento dos débitos informados na DCOMP. Diante do exposto, propugno pela conversão do julgamento em diligência, para retorno dos autos do processo à unidade de origem da RFB, ou seja, à DRF/Vitória para que a fiscalização: a) intime a Recorrente a comprovar a natureza da receitas de prestação de serviços, se decorreram de prestação de serviços hospitalares de que trata o art. 29 da Lei nº 11.727/2008 ou se decorreram de consultas médicas e/ou outras fontes; Fl. 178DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10783.917626/200997 Resolução nº 1802000.527 S1TE02 Fl. 179 11 b) intime a Recorrente a comprovar se, desde o início do anocalendário 2008, estava organizada sob a forma de sociedade empresária e se atendia às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa (juntar cópia de contrato social abarcando todo o anocalendário 2008 e documentos emitidos pela Anvisa que autorizaram o funcionamento do estabelecimento da Recorrente para todo o período do anocalendário 2008); c) intimar a Recorrente para à luz da legislação de regência e da escrituração contábil e fiscal a comprovar o direito creditório pleiteado e a alegada inexistência dos débitos do IRPJ (2ª cota) e da CSLL (2ª cota), vencimento 28/11/2008, quanto ao 3º trimestre/2008 informados na DCOMP; d) elabore, ao final da diligência fiscal, relatório minucioso, circunstânciado, conclusivo, se a Recorrente nos 1º, 2º, 3º e 4º trimestres do anocalendário faz jus à apuração do IRPJ e da CSLL com coeficientes de presunção do lucro reduzidos, demonstrando o valor de eventual direito creditório (crédito) da Recorrente, na hipótese que reste comprovado que as receitas decorreram de prestação de serviços hospitalares (Obs: receitas de consultas médicas e outras fontes não implicam aplicação de coeficientes reduzidos na apuração do IRPJ e da CSLL), e se disponível eventual crédito para utilização para compensação e se os débitos confessados na DCOMP quanto ao 3º trimestre/2008 são, ou não, existentes; e) intime a Recorrente do resultado da diligência para, em querendo, apresentar razões, abrindo prazo de trinta dias a partir da ciência. Por tudo que foi exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 179DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por NELSO KICHEL
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Numero do processo: 10580.004556/00-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jul 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/02/1998 a 30/04/2000
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PREVALENÇA DA DECISÃO JUDICIAL.
A decisão judicial sempre prevalece sobre a decisão administrativa, passando o julgamento administrativo não mais fazer nenhum sentido. Somente a decisão do Poder Judiciário faz coisa julgada.
RESSARCIMENTO. VEDAÇÃO
Incabível o pedido de ressarcimento de crédito de IPI quando há questionamento administrativo ou judicial que possa afetar o valor a ser ressarcido.
Numero da decisão: 3302-002.404
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator.
EDITADO EM: 02/02/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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PREVALENÇA DA DECISÃO JUDICIAL. A decisão judicial sempre prevalece sobre a decisão administrativa, passando o julgamento administrativo não mais fazer nenhum sentido. Somente a decisão do Poder Judiciário faz coisa julgada. RESSARCIMENTO. VEDAÇÃO Incabível o pedido de ressarcimento de crédito de IPI quando há questionamento administrativo ou judicial que possa afetar o valor a ser ressarcido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente e Relator. EDITADO EM: 02/02/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 45 56 /0 0- 64 Fl. 222DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10580.004556/0064 Acórdão n.º 3302002.404 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de créditos de IPI, apresentado pela empresa em epígrafe, relativo ao período de fevereiro de 1998 a abril de 2000. A DRF em Salvador BA indeferiu o pedido da recorrente, pelas razões contidas no Parecer nº 409/2004SEORTPF. Ciente da decisão e tempestivamente, a empresa interessada ingressou com Manifestação de Inconformidade, cujos fundamentos da contestação foram resumidos pela decisão recorrida nos seguintes termos: 1. Alega que, na verdade, não houve qualquer glosa ou decisão final por parte do Ministério da Ciência e Tecnologia MCT. O que teria acontecido é que, em consonância com a legislação de regência, particularmente os artigos 7° e 9° do Decreto n° 792/93, o MCT, por meio de sua Secretaria de Política de Informática Sepin, realizou análises técnicas dos relatórios encaminhados pela empresa, abrindo os processos no 01200.006062/200210 e 01200.006066/200290 e, sem que se tenha dado uma conclusão final nos processos, a Sepin informou à Cofis da SRF, possível descumprimento da obrigação de investimento; 2. Destaca que as dificuldades para cumprimento das obrigações deveramse à impossibilidade de realizar investimentos em tecnologia impossibilidade decorrente da falta de órgãos e instituições idôneas de pesquisa e que, ciente deste fato, o MCT possibilitou a realização do investimento a posteriori. 3. Procura, também, demonstrar que os trabalhos da fiscalização não foram concluídos adequadamente, sendo nulos de pleno direito, pois se, pelo art. 5° do Decreto n° 792/93, o direito ao gozo do beneficio dependia da expedição de portaria conjunta do MCT e Ministério da Fazenda, como efetivamente aconteceu quando a empresa foi considerada habilitada por meio da Portaria Interministerial nº 90, de 17 de março de 1993, também seria necessária uma portaria conjunta para que tal direito restasse cancelado. No entanto, o Ministério da Fazenda, em ato unilateral (Ato Declaratório Executivo n° 8, de 15 de março de 2004) declarou suspenso, no período compreendido entre 01/01/1999 e 31/12/2000, o beneficio fiscal garantido pela Portaria Interministerial n° 90. 4. Afirma que o Decreto n° 3800/2001, em seu artigo 27 e parágrafo único, determina expressamente que a suspensão ou cancelamento do beneficio depende da publicação de portaria conjunta dos dois Ministérios. Portanto, a portaria conjunta é a forma prescrita em lei e os agentes competentes são os dois ministérios em conjunto. Portanto, o auto de infração baseouse indevidamente em decisão contida em ato inválido, uma vez que o "Ministério da Fazenda não detinha, sozinho, competência para fiscalizar, investigar e suspender a isenção muito menos uma de suas Delegacias." Fl. 223DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10580.004556/0064 Acórdão n.º 3302002.404 S3C3T2 Fl. 4 3 5. Alega, ainda, que a Receita Federal ignorou a competência do Ministério da Ciência e Tecnologia para analisar, acompanhar, fiscalizar e avaliar a execução da capacitação no setor de tecnologia, da fruição dos incentivos decorrentes e do cumprimento das demais obrigações, nos termos do art. 24 do Decreto n° 3800/2001, e que o MCT, ciente das dificuldades existentes para investimento em tecnologia no país, após avaliar os relatórios da empresa, teria mantido negociações no sentido de corrigir o saldo devedor e indicar entidades e organizações fidedignas, tendo sido firmado, então, Convênio de Cooperação para Desenvolvimento Tecnológico com a Associação Rede Nacional de Ensino e Pesquisa RNP, a sociedade SOFTEX e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico Tecnológico. 6. Aduz, ademais, ao fato de que a autuação diz respeito aos exercícios de 1999, 2000 e 2001, não devendo afetar o ressarcimento relativo ao ano de 1998 e que, se o auto de infração encontrase pendente de recurso, enquanto não houver decisão definitiva, o auto não pode ser motivo para indeferimento do pedido de ressarcimento. 7. Sobre a afirmação da Delegacia da Receita Federal de que o pedido de ressarcimento não pode ser admitido para pessoas jurídicas com processo administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito de IPI, afirma que no momento do requerimento a empresa não possuía qualquer tipo de discussão sobre a matéria sendo, portanto, permitido o pedido. 8. Por fim, contesta a legalidade e constitucionalidade da IN SRF Nº 21/97, no tocante à determinação da não admissão de pedido de ressarcimento quando houver processo judicial ou procedimento administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito de IPI, em que a decisão definitiva a ser proferida pelo Poder Judiciário ou pelo Segundo Conselho de Contribuintes possa alterar o valor do ressarcimento solicitado. Alega que a IN 21/97 não pode exigir o que a lei não exigiu e que a utilização do crédito é um direito do contribuinte, derivado de norma constitucional que afasta a cumulatividade, e não uma faculdade do Fisco. Portanto, existindo crédito este deve ser ressarcido se a empresa não tiver IPI suficiente para abater. A 3a Turma de Julgamento da DRJ em Belém PA indeferiu a solicitação da recorrente, nos termos do Acórdão no 019.836, de 27/11/2007, cuja ementa abaixo se transcreve: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 01/02/1998 a 30/04/2000 Ementa: ISENÇÃO CONDICIONAL FABRICANTE DE BENS DE INFORMÁTICA E AUTOMAÇÃO DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS E CONDIÇÕES PERDA DO DIREITO À FRUIÇÃO DOS BENEFÍCIOS Para fazer jus aos benefícios de isenção do IPI previstos na Lei n° 8.248/91, é necessário o cumprimento dos requisitos e obrigações previstos nos artigos 4º, 7º e 9º do Decreto nº 792/93. O descumprimento dos requisitos ou obrigações implica na perda do direito à fruição dos benefícios. RESSARCIMENTO VEDAÇÃO Fl. 224DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10580.004556/0064 Acórdão n.º 3302002.404 S3C3T2 Fl. 5 4 Vedado o ressarcimento quando há processo .judicial ou processo administrativo fiscal de determinação e exigência de credito do IPI cuja decisão definitiva, judicial ou administrativa, possa alterar o valor a ser ressarcido. PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo, implica a renuncia ao litígio administrativo e impede a apreciação das razões de mérito pela Autoridade Administrativa a quem caberia o julgamento. ILEGALIDADE OU INCONSTITUCIONALIDADE DE INSTRUÇÃO NORMATIVA APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO IMPOSSIBILIDADE. A autoridade administrativa é incompetente para apreciar argüição de inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou mesmo ato infralegal. A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância e, discordando da mesma, ingressou com Recurso Voluntário, no qual reprisa os argumentos da manifestação de inconformidade quanto ao pleiteado direito ao ressarcimento e à nulidade do Ato Declaratório Executivo nº 08/2004. Noticia, ainda, a Recorrente que no dia 18/12/2007 o TRF da 1ª Região julgou procedente seu Recurso de Apelação, anulando o ADE nº 08/04 e mantendo o direito da Recorrente à isenção no período de 1999 a 2000. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi inadmitido e, à época da interposição do presente Recurso Voluntário, aguardavase o julgamento do Agravo de Instrumento interposto pela Fazenda Nacional. Na forma regimental, o recurso voluntário foi a mim distribuído. É o Relatório do essencial. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais preceitos legais e regimentais. Dele se conhece. Como relatado, a empresa Recorrente está pleiteando o ressarcimento de créditos de IPI, referente ao benefício fiscal previsto no artigo 4o da Lei no 8.248/91 (insumos utilizados na fabricação de bens de informática e automação) e relativo ao período de fevereiro de 1998 a abril de 2000. Por ter a Recorrente descumprido, no entender da Fiscalização, as condições para a fruição do benefício fiscal, foi lavrado auto de infração, controlado no Processo nº 10580.003102/200499, contestado pela interessada, inclusive perante este Colegiado que, na sessão do dia 12/09/2005, não conheceu do recurso interposto, quanto à matéria submetida ao crivo do Poder Judiciário e, na parte conhecida, negou provimento ao recurso para manter o Fl. 225DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10580.004556/0064 Acórdão n.º 3302002.404 S3C3T2 Fl. 6 5 auto de infração, nos termos do Acórdão nº 20178.660, relatado pelo Conselheiro José Antonio Francisco, cuja cópia juntei aos autos deste processo. O voto condutor do referido acórdão abordou a questão de mérito nos seguintes termos, que adoto: E, em relação ao mérito, a recorrente tentou demonstrar nos autos a posterior regularização de sua situação no MCT. Os documentos apresentados pela recorrente, nos autos, relativamente à alegada regularização do cumprimento das obrigações contratadas foram os seguintes: 1) na impugnação: a) Carta propondo revisão do plano (fl. 382); b) Nota Técnica da Sepin, propondo o indeferimento da proposta, por não ser condizente com o Decreto nº 792/93 (fls. 383 a 385), e a solicitação à empresa de apresentação de nova proposta; c) Oficio da Sepin (fls. 386 e 387) dirigido à empresa, comunicando o teor da nota; d) Parecer Técnico da Sepin (fls. 388 a 390), concluindo pelo descumprimento das disposições do Decreto nº 792/93; e) Parecer Técnico da Sepin (fls. 391 a 394), sobre a contestação do Parecer nº 53/2002, concluindo pela manutenção das conclusões daquele parecer; f) cópia de publicação no DOU (fl. 395) de extrato de convênio, assinado em 22 de novembro de 2002, com duração de cinco anos, podendo ser prorrogado por termo aditivo; g) Oficio da Sepin (fl. 396), encaminhando para arquivo cópia de convênio (fls. 397 a 400); e 2) no recurso: correspondência (fls. 576 e 577), encaminhando ao MCT projeto de plano de trabalho (fls. 578 a 588) e proposta técnicocomercial (fls. 589 a 621). Na correspondência de fls. 576 a 577, fazse referência a "entendimentos mantidos com V. Sas. em reunião realizada em 16 de junho de 2004" e a uma "cláusula 2.5.2 do Termo de Reconhecimento do Saldo Devedor relativo à obrigação de Investimentos em P&D, com vistas à substituição das aplicações nos Programas Prioritários". Além desses supostos "entendimentos", não há outros documentos nos autos que demonstrem efetivamente que houve alguma aprovação posterior de regularização. Vejase que a primeira alegação da recorrente de que os processos encaminhados pelo MCT à SRF não teriam sido finalizados sequer parece razoável. O que consta claramente dos processos e que foi, posteriormente, esclarecido pela Cosit, em resposta à indagação da Fiscalização, foi que a recorrente não Fl. 226DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10580.004556/0064 Acórdão n.º 3302002.404 S3C3T2 Fl. 7 6 cumpriu as obrigações e não as regularizou de acordo com a forma alternativa prevista em lei. Não há, nos autos, documento algum expedido pelo MCT que confirme regularização da situação da interessada. Ademais, a alegação de que foi instituído parcelamento por lei não basta para configurar a regularidade da situação da recorrente. A Lei nº 11.077, de 2004, alterou "a Lei nº 8.248, de 23 de outubro de 1991, a Lei nº 8.387, de 30 de dezembro de 1991, e a Lei nº 10.176, de 11 de janeiro de 2001, dispondo sobre a capacitação e competitividade do setor de informática e automação.": "Art. 4° Os débitos decorrentes da nãorealização, total ou parcial, a qualquer título, até o período encerrado em 31 de dezembro de 2003, de aplicações relativas ao investimento compulsório anual em pesquisa e desenvolvimento tecnológico, de que tratam o art. 11 da Lei nº 8.248, de 23 de outubro de 1991, e os §§ 3º e 5º do art. 2º da Lei nº 8.387, de 30 de dezembro de 1991, poderão ser objeto de parcelamento em até 48 (quarenta e oito) parcelas mensais e consecutivas, conforme regulamento. § 1° Os débitos a que se refere este artigo serão corrigidos pela Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. § 2° Na hipótese da nãorealização de qualquer pagamento decorrente do parcelamento previsto no caput deste artigo, será suspensa a concessão dos benefícios previstos nesta Lei, sem prejuízo do ressarcimento integral dos benefícios anteriormente usufruídos, atualizado e acrescido das multas pecuniárias aplicáveis aos débitos fiscais relativos aos tributos da mesma natureza." Entretanto, a recorrente apenas apresentou a informação de que a lei autorizou o parcelamento, mas não demonstrou ter requerido o parcelamento, nem ter o MCT aprovado o pedido e nem estar cumprindo o parcelamento alegado. Aliás, devese ressaltar que a apresentação da informação da instituição do parcelamento somente traz mais certeza de que a situação da recorrente continuou irregular, pois, se estivesse cumprindo algum acordo ou acerto posterior, não teria que se preocupar com parcelamento. Por fim, enfatizese que os documentos constantes dos autos comprovam unicamente que a recorrente não cumpriu o que dispunha a lei. Todas as alegações apresentadas sobre a suposta regularização sequer encontram respaldo na legislação, que exigia a aplicação do resíduo no anocalendário seguinte, acrescido de juros e correção monetária. Portanto, a recorrente, não havendo cumprido as condições legais da isenção, ficou sujeita à exigência do imposto, acrescido de juros de mora e multa de oficio. Ademais, esta mesma matéria já foi objeto de julgamento por este Colegiado que, na sessão do dia 20/09/2006, negou provimento ao recurso voluntário do contribuinte, objeto do Processo nº 10580.000990/200145, nos termos do Acórdão nº 20179.601, que relatei. Por tratarse da mesma matéria, abaixo se reproduz o voto do referido acórdão, cuja cópia foi anexada aos autos. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10580.004556/0064 Acórdão n.º 3302002.404 S3C3T2 Fl. 8 7 Analisando a documentação e as informações trazidas aos autos com a diligência, julgo que não merece reparo a decisão recorrida, cujos fundamentos adoto como se aqui estivessem escritos. Com a diligência ficou provado que a recorrente está questionando judicialmente a legalidade do Ato Declaratório Executivo no 8/2004, que suspendeu o benefício fiscal previsto na Portaria Interministerial no 90/97, referente às isenções do IPI nas saídas de bens de informática e de automação, por descumprimento das exigências contidas na Lei nº 8.248/91, tendo sido lavrado o competente auto de infração, controlado no processo no 10580.003102/200499. Dessa forma, correta a decisão recorrida que não conheceu da manifestação de inconformidade quanto aos questionamentos sobre a legalidade do ADE no 8/2004 porque há identidade de objeto com o Mandado de Segurança no 2004.33.00.0080853, impetrado perante a Justiça Federal de Salvador – BA, e é esta quem tem a competência para dizer o direito em ultima instância, o que afasta a possibilidade de seu reconhecimento pela autoridade administrativa. Por outro lado, a regra contida no § 6o do art. 8o da IN/SEF no 21/971 ainda permanece na legislação atual, insculpida no art. 20 da IN SRF no 600/2005, que regulamenta a restituição e o ressarcimento, verbis: Art. 20. É vedado o ressarcimento a estabelecimento pertencente a pessoa jurídica com processo judicial ou com processo administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI cuja decisão definitiva, judicial ou administrativa, possa alterar o valor a ser ressarcido. Também a recorrente não logrou provar, apesar de intimada, sua alegação de que teria efetuado o parcelamento do saldo devedor da aplicação em P&D em 38 parcelas mensais mínimas de R$ 216.050,88 e que as estava pagando. Não foi executado o Convênio de Cooperação para o Desenvolvimento CientíficoTecnológico celebrado pela recorrente e a Associação Nacional de Ensino e Pesquisa – RNP, a Sociedade SOFTEX e o Conselho Nacional de Desenvolvimento CientíficoTecnológico CNPq. O fato de ter sido celebrado novos convênios, em nada afeta os fundamentos da DRF em Recife – PE para indeferir o pedido da recorrente. Acrescentese aos fundamentos acima que o fato narrado pela Recorrente de que o TRF1 deu provimento ao seu recurso em nada afeta a decisão do Colegiado de não conhecer da matéria submetido ao crivo do judiciário e cuja decisão final, favorável ou desfavorável à Recorrente, será executada pela autoridade da RFB. Isto posto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Relator 1 Art. 8º O ressarcimento dos créditos relacionados no art. 3º será efetuado, inicialmente, mediante compensação com débitos do IPI relativos a operações no mercado interno. (...) § 6º Não será admitido pedido de ressarcimento em espécie, de pessoa jurídica com processo judicial ou com procedimento administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito de IPI, em que a decisão definitiva a ser proferida pelo Poder Judiciário ou pelo Segundo Conselho de Contribuintes possa alterar o valor do ressarcimento solicitado. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10580.004556/0064 Acórdão n.º 3302002.404 S3C3T2 Fl. 9 8 Fl. 229DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
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